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9 - Curso ESDE - Estudo Sist Da Doutrina Espirita (FEB)

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Estudo Sistematizado da

ESDE

Doutrina Espírita
Lembretes:
- Inserir Apresentação sobre o curso, com origem, objetivo, estrutura, etc. - verificar duplicidicade de tema: . Módulo II - 5ª Unidade - Pluralidade das Existências . Módulo IV - 7ª Unidade - Pluralidade das Existências

Allan Kardec (1804 - 1869)

Federação Espírita Brasileira
Divulgação: Luz Espírita – Canoas – RS http://www.luzespirita.com/subpag/cursos.htm

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Divulgação

A UTORES E SPÍRITAS C LÁSSICOS
www.autoresespiritasclassicos.com

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Índice
Módulo I Introdução ao estudo da Doutrina Espírita.....................................10
1ª Unidade Antecedentes da Doutrina Espírita.................................................................10 01 - Os precursores da Doutrina Espírita.......................................................10 02 - Os fenômenos de Hydesville. As mesas girantes...................................12 2ª Unidade A Codificação Espírita......................................................................................14 03 - Allan Kardec. O Professor e o Codificador. Método adotado...............14 04 - O caráter da Revelação Espírita..............................................................16 05 - As obras básicas......................................................................................18 3ª Unidade Doutrina Espírita...............................................................................................22 06 - Tríplice aspecto: filosófico, científico, religioso....................................22 07 - O Consolador prometido por Jesus. A Terceira Revelação divina no ocidente....................................................................................................23 4ª Unidade Movimento Espírita...........................................................................................25 08 - Objetivo do Movimento Espirita: difusão doutrinaria...........................25 09 - O Centro espirita – sua importância e o seu papel social.......................26 10 - Organizações Federativas Estaduais. Organização Federativa Nacional: a FEB e seu CFN.....................................................................................28

Módulo II Princípios básicos da Doutrina Espírita...........................................30
1ª Unidade Existência de Deus.............................................................................................30 01 - Provas da existência de Deus..................................................................30 02 - Atributos da Divindade...........................................................................31 03 - A Providência Divina..............................................................................33 2ª Unidade Existência e sobrevivência do Espírito............................................................36 04 - Provas da existência e sobrevivência do Espirito...................................36 05 - Origem e natureza dos Espíritos.............................................................38

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06 - A alma humana........................................................................................40 3ª Unidade Intervenção dos Espíritos no mundo corporal...............................................43 07 - Influência dos Espíritos em nossos pensamentos e atos........................43 08 - Comunicabilidade dos Espíritos.............................................................46 09 - Mediunidade: conceito e tipos................................................................48 10 - Mediunidade com Jesus..........................................................................50 4ª Unidade Justiça divina......................................................................................................53 11 - Penas e gozos futuros. Duração das penas.............................................53 12 - O principio de ação e reação...................................................................55 13 - O arrependimento e o perdão..................................................................57 5ª Unidade Pluralidade das existências...............................................................................61 14 - Encarnação: união da alma ao corpo. Esquecimento do passado..........61 15 - Objetivos da reencarnação......................................................................64 16 - Justiça e necessidade da reencarnação....................................................67 6ª Unidade Pluralidade dos mundos habitados..................................................................70 17 - Diferentes categorias de mundos habitados............................................70 18 - Mundos transitórios.................................................................................73 19 - A Terra: planeta de provas e expiações..................................................75

Módulo III As Leis Morais.....................................................................................78
1ª Unidade Lei Divina ou Natural........................................................................................78 01 - Caracteres da Lei Natural........................................................................78 02 - Conhecimentos e divisão da Lei Natural................................................79 03 - Reveladores e Revelações da Lei Divina................................................81 04 - O bem e o mal..........................................................................................83 2ª Unidade Lei de liberdade.................................................................................................87 05 - A liberdade natural e a escravidão..........................................................87 06 - Liberdade de pensar e de consciência.....................................................89 3ª Unidade Lei do progresso.................................................................................................91 07- Conceito de evolução e estado de natureza.............................................91

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08 - Marcha do progresso...............................................................................94 09 - Marcha do progresso – civilização.........................................................95 10 - Influencia do Espiritismo no progresso..................................................97 4ª Unidade Lei de sociedade...............................................................................................100 11 - Necessidade de vida social....................................................................100 12 - Vida de isolamento. Voto de silêncio...................................................103 13 - Vida em família e laços de família.......................................................104 5ª Unidade Lei do trabalho.................................................................................................108 14 - Necessidade do trabalho........................................................................108 15 - Limite do trabalho e do repouso...........................................................109 6ª Unidade Lei de destruição..............................................................................................112 16 - Destruição necessária e destruição abusiva..........................................112 17 - Flagelos destruidores. Guerras..............................................................114 7ª Unidade Lei de conservação...........................................................................................116 18 - Instintos e meios de conservação..........................................................116 19 - O necessário e o supérfluo....................................................................117 20 - Privações voluntárias.............................................................................118 8ª Unidade Lei de igualdade...............................................................................................121 21 - Igualdade natural e desigualdade de aptidões......................................121 22 - Desigualdades sociais e igualdade de direitos do homem e da mulher. ...............................................................................................................122 23 - Desigualdade das riquezas: as provas da riqueza e da miséria............124 9ª Unidade Lei de reprodução............................................................................................127 24 - Casamento.............................................................................................127 25 - Celibato e poligamia..............................................................................129 26 - Obstáculos à reprodução.......................................................................131 27 - O aborto.................................................................................................132

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Módulo IV Aspecto filosófico...............................................................................136
1ª Unidade Deus...................................................................................................................136 01 - A existência de Deus.............................................................................136 02 - O infinito e o espaço universal..............................................................140 03 - Materialismo e panteísmo.....................................................................142 2ª Unidade Criação Divina.................................................................................................146 04 - Elementos gerais do Universo: espírito e matéria................................146 05 - Formação dos mundos e dos seres vivos..............................................152 06 - Os reinos da natureza: mineral, vegetal, animal, hominal...................160 07 - Pluralidade dos mundos habitados........................................................163 08 - Inteligência e instinto............................................................................165 3ª Unidade Os Espíritos......................................................................................................169 09 - Diferentes ordens de Espíritos: escala espirita.....................................169 10 - Progressão dos Espíritos.......................................................................170 11 – Forma e ubiqüidade dos Espíritos........................................................171 4ª Unidade Vida espírita.....................................................................................................174 12 - Espíritos errantes. Sorte das crianças após a morte..............................174 13 - Ensaio teórico das sensações e percepções dos Espíritos....................175 14 - Ocupações e missões dos Espíritos.......................................................178 15 - Relações do além-túmulo: Almas gêmeas............................................180 16 - Simpatias e antipatias............................................................................182 17 - Escolha das provas. Estudo de casos....................................................184 5ª Unidade Retorno à vida espiritual................................................................................199 18 - A alma após a morte: separação da alma e do corpo...........................199 19 - Perturbação espiritual............................................................................201 6ª Unidade Justiça divina....................................................................................................204 20 - Penas eternas – estudo crítico...............................................................204 21 - O reino de Deus e o paraíso prometido................................................207 22 - Determinismo e fatalidade....................................................................209 23 - Livre-arbítrio.........................................................................................215

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7ª Unidade Pluralidade das existências.............................................................................225 24 - Os fundamentos da justiça da reencarnação.........................................225 25 - As provas da reencarnação....................................................................228 26- Justificativas do esquecimento do passado............................................231 27 - Preludio da volta à vida corporal..........................................................233 28 - A infância..............................................................................................236 29 - Encarnação nos diferentes mundos.......................................................239

Módulo V Aspecto científico...............................................................................241
1ª Unidade Fluidos e perispírito.........................................................................................241 01 - Natureza e qualidade dos fluidos..........................................................241 02 - Modificação dos fluidos e magnetismo................................................242 03 - Criações fluídicas e ideoplastia.............................................................244 04 - Perispírito: formação, propriedade e funções (1ª parte).......................246 05 - Perispírito: formação, propriedade e funções (2ª parte).......................248 06 - Vestimenta dos Espíritos.......................................................................250 2ª Unidade Intervenção dos Espíritos no mundocorporal..............................................256 07 - Influência oculta dos Espíritos em nossos pensamentos e atos. Telepatia e pressentimentos..................................................................................256 08 - Influência dos Espíritos nos acontecimentos da vida...........................258 09 - Afeição que os Espíritos votam a certas pessoas.................................262 10 - Espíritos protetores................................................................................264 3ª Unidade O fenômeno da intercomunicação mediúnica..............................................266 11 - O fenômeno mediúnico através dos tempos.........................................266 12 - Os médiuns precursores........................................................................268 13 - O mecanismo das comunicações: condições técnicas, afinidades e sintonia...................................................................................................271 14 - A natureza das comunicações: imperfeitas, serias e instrutivas..........273 15 - Invocações: qualidade, linguagem e sua utilidade...............................275 16 - Natureza das indagações aos espíritos comunicantes..........................278 4ª Unidade Os médiuns.......................................................................................................282 17 - O médium: conceito e classificação......................................................282 18 - A categoria de médiuns especiais para efeitos físicos e intelectuais.. .284 19 - Espécies comuns a todos os gêneros de mediunidade..........................287 20 - Mediunidade nas crianças.....................................................................288

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5ª Unidade Exercício do mandato mediúnico...................................................................291 21 - Qualidades essenciais ao médium.........................................................291 22 - Identificação das fontes de comunicação.............................................293 23 - Contradições, mistificações e animismo (1ª parte)..............................295 24 - Contradições, mistificações e animismo (2ª parte)..............................298 25 - O exercício irregular: abusos, perigos e inconvenientes......................303 26 - Perda e suspensão da mediunidade.......................................................304 6ª Unidade O desenvolvimento mediúnico........................................................................310 27 - Necessidade de metodização: regras a observar...................................310 28 - Oportunidade do desenvolvimento.......................................................312 29 - Adaptação psíquica...............................................................................314 30 - Sinais precursores da mediunidade. Mediunidade como prova...........317 31 - A educação mediúnica e a evangelização do médium.........................322 32 - A influência do médium nas comunicações.........................................324 7ª Unidade Fenômenos de emancipação da alma............................................................326 33 – Sono e sonhos.......................................................................................326 34 - Letargia, catalepsia, mortes aparentes..................................................328 35 - Sonambulismo, êxtase e dupla vista.....................................................336 8ª Unidade Obsessão............................................................................................................340 36 - Conceito, causas e graus de obsessão ( 1ª parte)..................................340 37 - Conceito, causas e graus de obsessão ( 2ª parte)..................................341 38 - O processo obsessivo: o obsessor e o obsidiado ( 1ª parte).................346 39 - O processo obsessivo: o obsessor e o obsidiado ( 2ª parte).................354 40 - Obsessão e loucura................................................................................356 41 - Obsessão: profilaxia e terapêutica........................................................358

Módulo VI Aspecto religioso................................................................................360
1ª Unidade Evolução do pensamento religioso.................................................................360 01 - Politeísmo ou paganismo (1ª parte)......................................................360 02 - Politeísmo ou paganismo (2ª parte)......................................................363 03 - Moisés e a 1ª Revelação: Os Mandamentos da Lei de Deus................367 04 - Moisés: legislador e missionário...........................................................370 05 - Cristianismo: origens e propagação - 1ª parte: o advento de Jesus.....374 06 - Cristianismo: origens e propagação - 2ª parte: equipe espiritual da missão de Jesus.....................................................376 07 - Cristianismo: origens e propagação - 3ª parte: a missão de Jesus.......379

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08 - Cristianismo: origens e propagação - 4ª parte: a missão dos apóstolos. ...............................................................................................................381 09 - A moral Cristã e os Evangelhos............................................................385 2ª Unidade Relação da criatura com o Criador...............................................................393 10 - Amor a Deus. Adoração. Vida contemplativa......................................393 11 - A fé e o seu poder..................................................................................396 12 - A prece e sua eficácia............................................................................399 13 - Sacrifícios, mortificações e promessas.................................................400 3ª Unidade Amor ao próximo.............................................................................................403 14 - A caridade..............................................................................................403 15 - Amor materno e amor filial...................................................................405 16 - Respeito às leis, às demais religiões e aos direitos humanos...............407 4ª Unidade A perfeição moral............................................................................................409 17 - Caracteres da perfeição. Obstáculos à perfeição..................................409 18 - Cuidados com o corpo e com o espírito................................................411 19 - Conduta espirita e vivência evangélica.................................................413

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MÓDULO I Introdução ao estudo da Doutrina Espírita
1ª Unidade Antecedentes da Doutrina Espírita
01 - Os precursores da Doutrina Espírita. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Mencionar alguns precursores da Doutrina Espírita. Citar fatos da vida destes precursores, relacionando-os aos fenômenos Espíritas. IDÉIAS PRINCIPAIS Os fenômenos cujos estudos resultaram na estruturação da Doutrina Espírita não eclodiram apenas numa data determinada. As interferências das forças exteriores inteligentes têm ocorrido desde os tempos imemoriais, durante todo o curso da História até o advento da Terceira Revelação no Ocidente, com Allan Kardec. Um fato que merece destaque, como um marco precursor, são os fenômenos ocorridos com sensitivos, quais o grande vidente Emmanuel Swedenborg e Andrew Jackson Davis. FONTES DE CONSULTA 01. DELLANE, Gabriel. O fenômeno espirita. Trad. por Francisco Raymundo Ewerton Quadros. . ed. Rio de Janeiro, FEB, 1977. p.17-19 02. . p. 22 03. DOYLE, Arthur Conan. A história do Espiritismo. A história de Swendenborg. In: . A historia do Espiritismo. Trad. de Julio Abreu Filho. São Paulo, Pensamento, 1978. p. 33. 04. p. 34 05. p. 36-37 06. O profeta da Nova Revelação. In: . A história do Espiritismo. Trad. de Julio Abreu Filho. São Paulo, Pensamento, I978, p 59-61 07. p. 67, 69 08. PAULO, Corintios 14:1 09. PAULO, I Tessalonicenses, 5:19-21 10. JO4O, I 4:1-2 OS PRECURSORES DA. DOUTRINA ESPIRITA 0s fatos atinentes as revelações dos Espíritos ou fenômenos mediúnicos remontam a mais recuada antigüidade, sendo tão velhos quanto o nosso mundo; e sempre ocorreram em todos os tempos e entre todos os povos, A História, a este propósito, está pontilhada desses fenômenos de intercomunicação espiritual. As evocações dos Espíritos não se situaram apenas entre os povos do Ocidente,

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ocorrendo com larga freqüência no Oriente, como se observa dos relatos do Código dos Vedas e do Código de Manu. Esclarece-nos Louis Jacolliot que, desde os tempos imemoriais, os padres iniciados nos mosteiros preparavam os faquires para evocação dos mortos, com a obtenção dos mais notáveis fenômenos (Le Spiritisme dans le Monde). O missionário Huc-, refere-se a grande numero de experiências de comunicações com os mortos registradas na China. (I) Paulo, o apóstolo, em suas cartas, reconhecia a prática dessas manifestações entre os cristãos primitivos ao recomendar: "Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis"; (8) "Não apagueis o Espírito; não desprezeis profecias; julgai todas as coisas, retende o que e bom." (9) Q apóstolo João também se referia a manifestações espirituais, alertando-nos igualmente quanto a procedência dessas comunicações Na Idade Media, destaca-se a figura admirável de Joana D’Arc, grande médium, recusando sempre renegar as vozes espirituais. (02) Numa época mais moderna e que podemos melhor situar a fase precursora do Espiritismo, a Terceira Revelação, conhecida como 0 Consolador Prometido por Jesus à humanidade. A diferença entre os fatos desta fase e os fenômenos da Pre-Histõria, como bem acentua Artur C.Doyle, está em que estes últimos episódios eram esporádicos, ou diríamos melhor, sem uma seqüência metódica, enquanto aqueles "têm a característica de uma invasão organizada" (3).É nesta época mais moderna e precursora que vamos encontrar alguns notáveis antecessores, como 0 famoso vidente sueco, Emmanuel Swedenborg, engenheiro militar, insigne teólogo de valioso patrimônio cultural e dotado de largo potencial de forças psíquicas. (4) Desde a sua infância tiveram inicio as suas visões numa continuidade que se prolonga ate sua morte, mas as suas forças latentes eclodiram com mais intensidade a partir de abril de 1744, em Londres. Desde então, afirma Swendenborg, "(,,.) O Senhor abria os olhos de meu espirito para ver, perfeitamente desperto, 0 que se passava no outro mundo e para conversar em plena consciência com os anjos e espíritos.(...)" (5) Um outro notável precursor, digno de menção, foi Franz Anton Mesmer, medico, descobridor do magnetismo curador. Em 1775, Mesmer reconhece o poder da cura mediante a aplicação das mãos, ou seja, através da fluidoterapia. Acredita que por nossos corpos transitam fluidos cura dores, preparando o caminho para o Hipnotismo do Marques de Puységur. Fatos precursores dignos de registro ocorreram com Andrew Jackson Davis, magnifico sensitivo que viveu entre 1826 a 1910, sendo considerado por Artur Conan Doyle como o profeta da Nova Revelação. Os poderes psíquicos de Davis começaram nos últimos anos da infância, ouvindo vozes de Espíritos que lhe davam conselhos. A clarividência seguiu-se a clariaudiência. "(...) Na tarde de 06 de março de 1884, Davis foi tomado por uma força que o fez voar, em Espírito, da pequena cidade onde residia, e fazer uma viagem ate as Montanhas de Castskill cerca de 40 milhas de casa. Swendenborg foi um dos mentores espirituais de. Davls. (6) O surgimento do Espiritismo foi predito por Davis no livro "Principio da Natureza". Para nós, comenta Conan Doyle, "o que é importante é o papel - representado por Davis - no começo da revelação espirita. Ele começou a preparar o terreno, antes que se iniciasse a revelação. Estava fadado a associar-se, intimamente, com ela, de vez que conhecia a demonstração de Hydesville". (7)

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02 - Os fenômenos de Hydesville. As mesas girantes.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS. Dizer qual a importância dos fenômenos de Hydesville no surgimento do Espiritismo. Determinar a posição do professor Rivail perante o fenômeno das "Mesas Girantes." IDÉIAS PRINCIPAIS Em março de 1848, no humilde vilarejo de Hydesville, estado de New York, surgiram fenômenos mediúnicos que abalaram a opinião publica da época. "Foram as mesas girantes, e depois falantes, que chamaram a atenção do professor Hyppolyte Léon Denizard Rivail para os fenômenos espiritas." ( 9) p. 54 Depois das mesas surgiu a escrita com o lápis preso à cestinha de vime e, finalmente, com a mão do médium. Servindo-se desses últimos meios, Rivail elaborou a grandiosa Codificação do Espiritismo’! (9) p.54 FONTES DE CONSULTA 1 - KARDEC, Allan - O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 48. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1979, itens 4 e 5, pag. cit. 19 a 23. 2 - KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns. Trad. Guillon Ribeiro. 45. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1982, 2ª parte, cap. II, pag. cit. 76 a 79. 3 - KARDEC, Allan - Obras Póstumas. Trad. Guillon Ribeiro. 13. ed. Rio de Janeiro, FEB, 197S, pag. cit. 265 a 271. 4 - KARDEC, Allan - O que e Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 19. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977, pag. cit. 82 a 86. 5 - DOYLE, Arthur Conan - História do Espiritismo. São Paulo, Pensamento, s.d. , cap. IV, pag. cit. 73 a 92. ~ 6 - FRANCO, Pedro - Espiritismo Básico. Centro Brasileiro de Homeopatia, Espiritismo e Obras Sociais, 1976. pag. cit. 45. 7 - FREIRE, Antônio J. - A Evolução do Espiritismo. Única ed., Porto, Portugal, Empresa Nacional, 1952, pag. cit. 7. 8 - GIBIER, Paul - O Espiritismo ( ou Faquirismo Ocidental). 3. ed. -Rio de Janeiro, FEB, 1980, cap. III, pag. cit. 34 a 43. 9 - WANTUIL, Z.; THIESEN, F. - Allan Kardec. Rio de Janeiro, FEB, 1980, vol. II, pag. cit. p . 56. 10 - WANTUIL, Z. - As mesas girantes e o Espiritismo. 2. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978, item 2. Os memoráveis acontecimentos que, pela sua freqüência e intensidade, indicaram as manifestações de forças inteligentes intervindo no plano físico, determinaram o nascimento do Espiritismo através da fenomenologia mediúnica ainda incipiente e elementar, ocorrido exatamente no ano de 1848 nos Estados Unidos da América do Norte, segundo autoriza dos pesquisadores (4, 8). Eram as pancadas ou ruídos (rappings ou noises) que se iniciaram na aldeia de Hydesville, condado de Wayne, Estado de Nova York. Foi a 31 de março de 1848 que esses ruídos insólitos surgiram de maneira mais ostensiva, de modo a atraírem a atenção publica, inclusive da imprensa, e a tornarem-se objeto de constatação por numerosos observadores, a ponto de marcarem na América do Norte a data do nascimento do que intitularam de Moderno Espiritualismo. Tais fenômenos ocorreram numa tosca cabana, residência da família Fox. Os acontecimentos, a partir do primeiro diálogo com o Espirito em 31 de marco de 1848, empolgaram a população do vilarejo, surgindo depois as primeiras demonstrações publicas no maior salão de Rochester, o Corinthian Hall, o que resultou na formação do primeiro núcleo de estudos. (8) Descobriu-se que as revelações ruidosas partiam do Espirito de um mascate, de nome Charles Rosma, que fora assassinado e sepultado no porão da casa da família dos Fox, adeptos da igreja Metodista, cujas filhas, Margareth e Katherine, eram excelentes médiuns Na celebre noite de 31 de março, registrou-se o primeiro diálogo entre as irmãs Fox e o Espirito do vendedor ambulante, tendo um dos presentes, o Sr. Isaac Post, usado, pela primeira vez, letras do alfabeto para formação de palavras mediante convenção de que as letras corresponderia determinado numero de pancadas. Estava, pois, descoberta a "telegrafia espiritual que foi o processo adotado na utilização das "mesas girantes". (6) Em 1850, "tamanha foi a repercussão dos fenômenos, tal a afluência dos curiosos, (...) que a família Fox transladou-se para Nova York continuando as sessões publicas no Hotel Barrum. Nessa época já somava vários milhares o numero dos espiritas norte americanos, apesar das cerradas investidas da imprensa, onde qualquer cronista arvorava-se em critico para condenar

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os fenômenos." (5) A relevância do acontecimento pode ser assinalada ainda pela ressonância na esfera cientifica, motivando as várias investigações por pesquisadores de alto nível cultural como Dale Owen, William :Crookes, o Juiz Edmonds, etc. O acontecimento de Hydesville repercutiu na Europa, despertando as consciências e ao lado dos fenômenos das "mesas girantes" preparou o advento do Espiritismo. (6) As mesas girantes não se limitavam a levantar-se sobre um pê para responder as perguntas feitas, moviam-se em todos os sentidos, giravam sob os dedos dos pesquisadores elevando-se no ar às vezes. Entre os anos de 1853 a 1855, os fenômenos das mesas girantes constituíam verdadeiro passatempo, sendo diversão quase obrigatória nas reuniões sociais.(3) Segundo o padre Ventura de Raulica, este fenômeno foi considerado como "o maior acontecimento do século". (9) A divulgação dessas experiências e "a seguir a conversão do Juiz Edmonds, materialista que rira da crença dos Espíritos, pasmaram to dos os norte-americanos, aumentando ainda mais o interesse pelas manifestações inteligentes". (10) Paris inteira assistia, atônita e estarrecida, a esse turbilhão feérico de fenômenos imprevistos que, para a maioria , só alucinadas imaginações poderiam criar, mas que a realidade impunha aos mais céticos e frívolos (1) A posição de Kardec diante dos fatos motivou o advento da Doutrina Espirita. O Codificador não os contestou, reconhecendo a sua primeira ocorrência como verídica, mas constituindo apenas uma fase inicial, em que tais fatos incipientes e rudimentares serviriam de alicerces do que mais tarde seria o edifício da Doutrina Consoladora. Refere-se aos fenômenos físicos como manifestações de forças inteligentes (1) que utilizaram, de inicio, as mesas segundo os sinais previamente convencionados, mas proclama que este meio ainda grosseiro "era demorado e incômodo". (1) "Reconheceu-se mais tarde que a cesta e a prancheta não eram realmente, mais do que um apêndice da mão; e o médium, tomando diretamente do lápis, se pôs a escrever por um impulso involuntário e quase febril. Dessa maneira as comunicações se tornaram mais rápidas mais fáceis e mais complexas(1) "O efeito mais simples, e um dos primeiros que foram observados, consiste no movimento circular impresso a uma mesa. Este efeito igualmente se produz com qualquer outro objeto, mas sendo a mesa o móvel com que, pela sua comodidade, mais se tem procedido a tais experiências, a designação de mesas girantes para indicar esta espécie de fenômenos.(.,.) Como quer que seJa, as mesas girantes representarão sempre o ponto de partida da Doutrina Espirita e, por essa razão, algumas explicações lhe devemos, tanto mais que, mostrando os fenômenos na sua maior simplicidade, o estudo das causas que os produzem ficará facilitado e, .uma vez firmada, a teoria nos fornecerá a chave para a decifração dos efeitos mais complexos· (2) QUESTÕES PARA O ESTUDO EM GRUPO . Após a leitura atenciosa da síntese responda corretamente: a) Qual a importância dos fenômenos de Hydesville no surgimento do Espiritismo? b) Qual a posição do professor Rivail (Allan Kardec) perante o fenômeno das mesas girantes? * Consulte a "síntese’ quantas vezes julgar necessário.

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2ª Unidade A Codificação Espírita
03 - Allan Kardec. O Professor e o Codificador. Método adotado.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Citar dados biográficos sobre Allan Kardec. Descrever a missão de Allan Kardec. Explicar o método adotado por Allan Kardec na Codificação. IDÉIAS PRINCIPAIS Nasceu Allan Kardec, "(...) aos 03 de outubro de 1804, com a sagrada missão de abrir caminho ao Espiritismo, a grande voz do ConsoIador Prometido ao mundo pela misericórdia de Jesus Cristo". (5) Kardec adota o método intuitivo - racional na codificação do Espiritismo, considerando o valor da análise experimental, através da observação, e o uso do raciocínio na descoberta da verdade. Sustenta a necessidade de proceder do simples para o complexo, do particular para o geral. FONTES DE CONSULTA 01. BIOGRAFIA do Sr. Allan Kardec. Revista Espirita; jornal de estudos psicológicos, 5:128, 131-132, 1869. 02. KARDEC, Allan. Caráter da Revelação Espírita. In: A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Item, 14, p. 20. 03. SAUSSE, Henri. Biografia de Allan Kardec. In: KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo. 22. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980. p. l0, 11-13, 18, 14-16, 18-19, 25, 22. ! 04 FLAMARION, Camille. Discurso pronunciado junto ao túmulo de Allan Kardec. In: KARDEC, Allan. Obras póstumas. Trad. de Guillon Ribeiro 18. ed. Rio de Janeiro, FEB’ 1981. p. 24. | 05. WANTUIL, Zêus & THIESEN, Francisco . Esboço do sistema pestalozziano. In: Allan Kardec; meticulosa pesquisa bio bibliográfica. Rio de Janeiro, FEB, 1979 vol., p 97 06 _H. L. D Rivail, educador, escuda os fatos. In: Allan Kardec; pesquisa bio bibliográfica e ensaios de interpretação Rio de Janeiro, FEB, 1979. v.2, p 63 07. _. Princípios enunciados e seguidos pelo discípulo. In:. Allan Kardec, meticulosa pesquisa bio bibliográfica. Rio de Janeiro, FEB’ 1979. v.1, p. 99. Na cidade de Lião, na rua Sala 76 nasceu, no dia 3 de outubro de 1804, aquele que se celebrizaria sob o pseudônimo de Allan Kardec, de tradicional família francesa de magistrados e professores, filho de Jean Baptiste Antoine Rivail e de Jeanne Lonise Duhamel. Batizado pelo padre Barthe a 15 de junho de 1805 na igreja de Saint Denis de la Croix-Rousse, recebeu o nome de Hippolyte Léon Denizard Rivail. (3) Em Lião fez os seus primeiros estudos, seguindo depois para Yverdun, na Suíça, a fim de estudar no Instituto do celebre professor Pestallozzi. O instituto desse abalizado mestre era um dos mais famosos e respeitados em toda a Europa, reputado como escola modelo, por onde passaram sábios escritores do Velho Continente. Desde cedo Hippolyte Léon tornou-se um dos mais eminentes discípulos de Pestallozzi, um colaborador inteligente e dedicado, que exerceria, mais tarde, grande influencia sobre o ensino da França. (3) Declara a Revista Espirita, de maio de 1869, que dotado de notável inteligência e atraído por sua vocação, desde os 14 anos ele ensinava, aos condiscípulos menos adiantados, tudo que aprendia. (1) Concluídos os seus estudos em Yverdun, regressou a Paris, onde se tornou conceituado Mestre não só em letras como em ciências, distinguindo-se como notável pedagogo e divulgador do Método Pestallozziano. Conhecia algumas línguas como o italiano, alemão etc.. Tornou-se membro de várias sociedades cientificas. Encontrando-se no mundo literário de Paris com a professora Amelie Gabrielle Boudet, culta, inteligente, autora de livros didáticos, o professor Hippolyte Léon contrai com ela matrimônio,

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conquistando uma preciosa colaboradora para a sua futura atuação missionária. Como pedagogo, no primeiro período da sua vida, Rivail publica numerosos livros didáticos Apresenta, na mesma época, planos e métodos referentes ã reforma do ensino [rances. Entre as obras publicadas, destacam-se: Curso Teórico e Prático de Aritmética, Gramática Francesa Clássica, Catecismo Gramatical da Língua Francesa, alem de programas de cursos ordinários de física, química e astronomia e fisiologia. (3) Ao termino desta longa atividade e experiência pedagógica, o professor Hippolyte estava preparado para outra tarefa, a codificação do Espiritismo. (3) Começa então a missão de Allan Kardec quando em 1854 ouviu falar pela primeira vez nas mesas girantes, através do amigo senhor Fortier, um pesquisador emérito do magnetismo. A principio Kardec revelou-se cético, apesar de seus estudos sobre magnetismo, mas não intransigente, face a sua posição de livre pensador de homem austero, sincero e observador. Exigindo provas, mostrou-se inclinado a observação mais profunda dos ruidosos fatos amplamente divulgados pela imprensa francesa. Assistindo os propalados fenômenos, na casa da sonâmbula senhora Roger, depois na casa de madame Plainemaison e, finalmente na casa da família Baudin, recebe muitas mensagens através da mediunidade das jovens Caroline e Julie. Conclui, afinal, que eram efetivamente manifestações inteligentes produzidas pelos Espíritos dos homens que deixaram a Terra. (3) Recebendo depois dos senhores Carlotti, Rene Taillandier, Tiedeman-Manthèse, Sardou, pai e filho, e Didier, editor, (...)cinqüenta cadernos. de comunicações diversas (...)" (3), Kardec se dedica àquela ciclópica e desafiadora tarefa da Codificação Espírita, elaborando as obras básicas em função dos ensinamentos fornecidos pelos Espíritos, sendo a primeira delas- "O Livro dos Espíritos’’ --, publicada em 18 de abril de 1857, e tida como marco inicial da codificação do Espiritismo. (3) Explicando a sua convicção, sustenta que a sua crença apoia-se em raciocínio e fatos. É do seu feitio examinar antes, de negar ou afirmar a priori, qualquer tema. "(...) Foi, portanto, como racionalista estudioso, emancipado do misticismo, que ele se pôs a examinar os fatos relacionados com as "mesas girantes": "tendo adquirido, no estudo das ciências exatas, o hábito das coisas positivas, sondei, perscrutei esta nova ciência (o Espiritismo) nos seus mais íntimos refolhos; busquei explicar-me tudo, porque não costumo aceitar idéia alguma, sem lhe conhecer o como e o porquê. (...)" (6) Fundou Kardec em 1 de abril de 1858 a primeiro sociedade espirita com o nome de "Societe Parisenne des Etudes Spirites" e no mesmo ano edita a Revista Espirita, primeiro órgão espirita na Europa. No dia 15 de janeiro de 1861) lança "O Livro dos Médiuns" e depois, sucessivamente, "O Evangelho Segundo o Espiritismo "O Céu e o Inferno" e "A Gênese". (3) Recebe a primeira revelação da sua missão em 30 de abril de 1856, pela médium Japhet, missão essa confirmada em 12 de junho de 1856, pela médium Aline, e finalmente a 12 de abril de 1860 na casa do senhor Dehau, pelo médium Crozet. Kardec escreve que empregou nessa laboriosa tarefa toda solicitude e dedicação que era capaz. (3) Na Revista Espirita de maio de 1869, lê-se: "(...) trabalhador infatigável, sempre o primeiro e o ultimo a postos. Allan Kardec desencarnou a 31 de março de 1869 (...)". "Nele, como em todas as almas fortemente temperadas, a lamina gastou a bainha. (...)" (1) Cumprida estava modelarmente a missão do expoente máximo da Terceira Revelação, abrindo caminho ao Espiritismo (...) a grande voz do Consolador Prometido ao mundo pela misericórdia de Jesus". (5) No que tange ao método, Kardec adota o intuitivo - racionalista Pestallozzlano, como processo didático defendido pelo fundador -do Instituto de Yverdun, considerando todavia o valor da análise experimental. Sob tais diretrizes cultiva o espírito natural da observação, apregoando o uso do raciocínio todavia, a atitude mecânica para que o aprendiz procure sempre a razão e a finalidade de tudo. Sustenta a necessidade de proceder do simples para o complexo, do particular para o geral. Recomenda a utilização de uma memória racional, fazendo o uso da Razão, para reter as idéias de modo a evitar o processo de repetição mecânica das palavras. Procura despertar no estudo a curiosidade do observador de molde avivar a atenção e a percepção .(7) O lastro contido no ensino basilar e sempre intuitivo, que Kardec considera ‘’(...) como o fundamento geral dos nossos conhecimentos e o meio mais adequado para desenvolver as forcas do espirito humano, da maneira mais natural.(...)/(7) Entendia Kardec que "(...)todo bom método devia partir do conhecimento dos fatos adquiridos pela observação, pela experiência e pela analogia, para daí se extraírem por indução, os resultados e se chegar a enunciados gerais que pudessem servir de base de raciocínios, dispondo-se esses materiais com ordem sem lacuna, harmoniosamente. (...)" (5) Pelo eficiente e racional método de sua dialética, Kardec foi saudado por Camille Flamarion

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como "o bom senso encarnado". (4) Em conclusão, a resplandecente missão do mestre de Lion, exercida com tanto estoicismo e devoção, assegura-nos, desde agora, a convicção de sua retumbante vitória.

04 - O caráter da Revelação Espírita.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Descrever e analisar os caracteres da revelação espirita. Ressaltar a significação e o alcance da revelação espirita. IDÉIAS PRINCIPAIS "A característica essencial de qualquer revelação tem que ser a verdade. (...)" (2) "Por sua natureza, a revelação espirita tem duplo caráter: participa ao mesmo tempo da revelação divina e da revelação cientifica. (...) Numa palavra, o que caracteriza a revelação espirita é o ser divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem". (2) "O Espiritismo, partindo das próprias palavras do Cristo, como este partiu das de Moisés, e conseqüência direta da sua doutrina. (...) "Acrescenta a revelação da existência do mundo invisível que nos rodeia e povoa o espaço. (...)" "Define os laços que unem a alma ao corpo. (...)" "Pelo Espiritismo, o homem sabe donde vem, para onde vai , porque está na Terra, por que sofre temporariamente e vê por toda par te a justiça de Deus. (...)" (2) FONTES DE CONSULTA 01. KARDEC, Allan. Caráter da .revelação espírita In. A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982, p. 13-52’l 02. Op. cit. - itens 03, 13, 30 , p 14, 19-20, 28-29. 03. Op. cit. - itens 02, 03, 30` 45,46, 50, 52, 54, 55, 13; p. 14,28-29,35-40,42-45,20 COMPLEMENTARES 04. DENIS, Léon. A Nova Relevação. A Doutrina dos Espíritos. In: Cristianismo e Espiritismo, Trad. de Leopoldo Cirne. 7ª ed., 1978, FEB, p. 210-213,228.

O CARÁTER DA REVELAÇÃO ESPÍRITA
"Definamos primeiro o sentido da palavra revelação. Revelar, do latim revelação, cuja raiz, velum véu, significa literalmente descobrir de sob o véu e, figuradamente, descobrir, dar a conhecer uma coisa secreta ou desconhecida. (...)". (3) "A característica essencial de qualquer revelação tem que ser a verdade. Revelar um segredo e tornar conhecido um fato; se é falso, já não é um fato e, por conseqüência, não existe revelação. (...)" (3) O caráter essencial da revelação divina é pois o da eterna verdade. Toda revelação eivada de erros ou sujeita a modificação não pode emanar de Deus. "O Espiritismo, partindo das próprias palavras do Cristo , como este partiu das de Moisés, e conseqüência direta da sua doutrina. A idéia vaga da vida futura, acrescenta a revelação da existência do mundo invisível que nos rodeia e povoa o espaço, e com isso precisa a crença, dá-lhe um corpo, uma consistência, uma realidade a idéia. Define os laços que unem a alma ao corpo e levanta o véu que ocultava aos homens os mistérios do nascimento e da morte. (...)" (3) "A primeira revelação teve a sua personificação em Moisés, a segundo no Cristo, a terceira não a tem em indivíduo algum. As duas primeiras foram individuais, a terceira coletiva; aí está um caráter essencial de grande importância. Ela é coletiva no sentido de não ser feita ou dada como privilegio a pessoa alguma; ninguém, por conseqüência, pode inculcar-se como seu profeta exclusivo ; foi espalhada simultaneamente , por sobre a Terra, a milhões de pessoas, de todas as idades e condições, desde a mais baixa ate a mais alta da escala, conforme esta predição registrada pelo autor dos Atos dos Apóstolos: " Nos últimos tempos, disse o Senhor, derramarei o meu espírito sobre toda a carne; os vossos filhos e filhas profetizarão, os mancebos terão visões e os velhos sonhos (Atos, cap. II, v 17, 18). Ela não proveio de nenhum culto especial, a fim de servir um dia a todos, de ponto de ligação." (3) "As duas primeiras revelações sendo fruto do ensino pessoal, ficaram forçosamente localizadas, isto é, apareceram num só ponto, em torno do qual} a idéia se propagou pouco a pouco; mas, foram precisos mui tos séculos para que atingissem as extremidades do mundo, sem mesmo o invadissem inteiramente. A terceira tem isto de particular: não estando

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personificada em um só indivíduo, surgiu simultaneamente em milhares de pontos diferentes, que se tornaram centros ou focos de irradiação.(...)’ (3) "A terceira revelação, vinda numa época de emancipação e madureza intelectual, em que a inteligência, já desenvolvida, não se resigna a representar papel passivo; em que o homem nada aceita as cegas, mas quer ver aonde o conduzem, quer saber o porquê e o como de cada coisa - tinha ela que ser ao mesmo tempo o produto de um ensino e o fruto do trabalho, da pesquisa e do livre exame. Os Espíritos não ensinaram senão justamente o que é mister para guia-lo no caminho da verdade, mas abstêm-se de revelar o que o homem pode descobrir por si mesmo, deixando-lhe o cuidado de discutir, verificar e submeter tudo ao cadinho da razão, deixando mesmo, muitas vezes, que adquira experiência a sua custa. Fornecem-lhe o principio, os materiais; cabe-lhe a ele aproveitá-los e pô-los em obra". (3) "Alem disso, convém notar que em parte alguma o ensino espírita foi dado integralmente; ele diz respeito a tão grande numero de observações, a assuntos tão diferentes, exigindo conhecimentos e aptidões mediúnicas especiais, que impossível era acharem-se reunidos num mesmo ponto todas as condições necessárias. Tendo o ensino que ser coletivo e não individual, os Espíritos dividiram o trabalho, disseminando os assuntos de estudo e observação como, em algumas fabricas, a confecção de cada parte de um mesmo objeto é repartida por diversos operários. A revelação fez-se assim parcialmente em diversos lugares e por uma multidão de intermediários e é dessa maneira que prossegue ainda, pois que nem tudo foi revelado Cada centro encontra nos outros centros o complemento do que obtém, e foi o conjunto, a coordenação de todos os ensinos parciais que constituíram a doutrina espirita.(...)" (3) "Nenhuma ciência existe que haja saído prontinha do cérebro de um homem. Todas, sem exceção de nenhuma, são fruto de observações sucessivas, apoiadas em observações precedentes, como em um ponto conhecido, para chegar ao desconhecido. Foi assim que os Espíritos procederam, com relação ao Espiritismo. Dai o gradativo ensino que ministram.(...)" (3) "Um ultimo caráter da revelação espírita a ressaltar das condições mesmas em que ela se produz, e que, apoiando-se em fatos, tem que ser. e não pode deixar de ser. essencialmente progressiva, como to das as ciências de observação. (...)" "Entendendo com todos os ramos da economia social, aos quais dá o apoio das suas próprias descobertas, assimilará sempre todas as doutrinas progressivas, de qualquer ordem que sejam, desde que hajam assumido o estado de verdade prática,: e abandonado o domínio da utopia. (...) "Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado. (...)" (3) "Por sua natureza a revelação cristã tem duplo caráter: participa ao mesmo tempo da revelação divina e da revelação cientifica. (...)" "Numa palavra, o que caracteriza a revelação espirita e o ser divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem". (3) A revelação cristã havia sucedido à revelação mosaica; a revelação dos Espíritos vem completá-la. O Cristo a anunciou, e pode acrescentar-se que ele próprio preside a esse novo surto do pensamento. (...)’ "A nova revelação manifesta-se fora e acima das igrejas. Seu ensino dirige-se a todas as raças da Terra. Por toda parte os Espíritos proclamam os princípios em que ela se apóia. Por sobre todas as regiões do globo perpassa a grande voz que convida o homem a meditar em Deus e na vida futura. Acima das estéreis agitações e das discussões fúteis dos partidos, acima das lutas de interesse e do conflito das paixões, a voz profunda desce do espaço e vem oferecer a todos, com o ensinamento da palavra, a divina esperança e a paz do coração. É a revelação dos tempos preditos. Todos os ensinos do passado, parciais, restritos, limitados na ação que exerciam, são por ela ultrapassados, envolvidos. Ela utiliza os materiais acumulados; reúne-os, solidifica-os para formar um vasto edifício em que o pensamento, a vontade, possa expandir-se. (...)’’ "As Inteligências superiores, em suas relações mediúnicas com os homens, vem completar essas indicações. Confirmam os ensinos ministrados pelos Espíritos menos adiantados; elevando-se à maior altura, expõem o seu modo de ver, as suas opiniões sobre todos os grandes problemas da vida e da morte, a evolução geral dos seres, as leis superiores do Universo. Todas essas revelações concordam e se unem para constituir uma filosofia admirável. (...)2 "Por isso, o moderno espiritualismo não dogmatiza nem se imobiliza. Não alimenta pretensão alguma a infalibilidade. Posto que superior aos que o precederam, o ensino espirita é

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progressivo como os próprios Espíritos. Ele se desenvolve e completa a medida que, com a experiência, se efetua o progresso nas duas humanidades, a da Terra e a do espaço humanidades que se penetram mutuamente e das quais cada um de vos deve, alternativamente, fazer parte (...)’’ "O ensino dos Espíritos, por toda parte, nos mostra a unidade da lei e substância. Em virtude dessa unidade, reinam na obra eterna a ordem e a harmonia. (...)" (4)

05 - As obras básicas
OBJETIVOS ESPECÍFICOS. Preencher uma ficha bibliográfica sobre uma obra da codificação. Capacitar-se da necessidade do estudo aprofundado das obras da codificação. IDÉIAS PRINCIPAIS O Livro dos Espíritos trata da imortalidade da alma, da natureza dos Espíritos e de suas relações com os homens, das leis morais, da vida presente, da vida futura e do; porvir da humanidade. (4) 0 Livro dos Médiuns contem o ‘Ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os tropeços que se podem encontrar na prática do Espiritismo constituindo o seguimento do Livro dos Espíritos Evangelho Segundo o Espiritismo a explicação das máximas morais do Cristo em concordância com o Espiritismo e suas aplicações as diversas circunstancias da vida." (2) O Céu e o Inferno apresenta um exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual, sobre as penalidades e recompensas futuras, sobre os anjos e demônios, sobre as penas, etc., seguido de numerosos exemplos acerca da situação real da alma durante e depois da morte." (1) Em A Gênese consta que "A Doutrina Espirita há resultado do ensino coletivo e concordante dos Espíritos. A ciência é chamada a constituir a Gênese de acordo com as leis da Natureza. Deus prova a sua grandeza e seu poder pela imutabilidade das suas leis e não pela abrogação delas. Para Deus, o passado e o futuro são o presente. "(3) FONTES DE CONSULTA. 01. KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Trad. de Manuel Justiniano Quintão. 29 ed. Rio ale Janeiro, FEB, 1982. 02. - O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro. 33. ed. Rio de Janeiro, FEB ~ 1982. 03. - A Gênese. Trad. de (Guillon Ribeiro. 24 ed. Rio de Janeiro, FEB’ 1982. 04. - O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. 05 - O Livro dos Médiuns Trad. de Guillon Ribeiro, 42. ed. Rio de Janeiro , FEB " l980 . Texto. 01. As obras básicas da Codificação Kardequiana são as seguintes por ordem cronológica de edição: 1.1 - O Livro dos Espíritos. Lançado em Paris, França, em 1ª. edição, aos 18 de abril de 1857, sob o título de "Le Livre des Esprits" 1.2 - O Livro dos Médiuns , 1ª. edição em Paris, França, em janeiro de 1861. Titulo do original francês: "Le Livre des Médiuns ou Guide des Médiuns et des Invocateurs" 1.3 - O Evangelho segundo o Espiritismo 1ª. edição em Paris, França em abril de 1864 sob o titulo "L ‘Evangile selon de Spiritisme". 1.4 - O Céu e o Inferno, lançado em Paris, França, em 1ª edição, no ano de 1865. Titulo do original francês: "Le ciel et lénfer ou La justice Divine selon le Spiritisme". 1.5 _ A Gênese 1ª. edição em Paris, França, em janeiro de 1868 , sob o titulo "La Gènese. Les Miracles et les Prèdctions Selon le Spiritisme ". 02. Os conteúdos das obras básicas, em resumo, expõem e consolidam os princípios e os elementos constitutivos da Doutrina Espirita, em sua totalidade, segundo o ensino dos Espíritos, a sistematização e a codificação desses ensinos, por Allan Kardec. 2.1 - O primeiro dos cinco livros que integram a referida codificação, O Livro dos Espíritos, trata dos seguintes assuntos: "Princípios da doutrina espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas

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relações com os homens , as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da Humanidade(...)", abordados esses princípios em quatro partes, a saber: | PARTE PRIMEIRA: Das causas primárias, com quatro capítulos: De Deus; Dos elementos gerais do Universo; Da criação; Do principio vital). PARTE SEGUNDA :Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos, com onze capítulos: Dos Espíritos; Da encarnação dos Espíritos Da volta do Espirito extinta a vida corpórea, a vida espiritual ; Da pluralidade das existências; Considerações sobre a pluralidade das existências; Da vida espirita; Da volta do Espirito a vida corporal; Da emancipação da alma; Da intervenção dos Espíritos no mundo corporal; Das ocupações e missões dos Espíritos; Dos três reinos. PARTE TERCEIRA: Das leis Morais com doze capítulos. Da lei divina ou natural, Da lei de adoração Da lei do trabalho; Da lei de reprodução; Da lei de conservação Da lei de destruição; Da lei de sociedade; Da lei do progresso:: Da lei de igualdade; Da lei de liberdade; Da lei de justiça, de amor e de caridade Da perfeição moral PARTE QUARTA: das esperanças e consolações com dois capítulos. Das penas e gozos terrenos Das penas e gozos futuros 2.2 - O segundo livro, por ordem cronológica de lançamento, O Livro dos Médiuns no seu frontispício, apresenta o subtítulo Guia dos Médiuns e evocadores, e resume assim o seu conteúdo; Ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os tropeços que se podem encontrar na prática do Espiritismo, constituindo o seguimento do Livro dos Espíritos. Esses temas acham-se expostos através das seguintes partes: PRIMEIRA PARTE. Noções preliminares com quatro capítulos; Há espíritos ? Do maravilhoso ao sobrenatural Do método Dos sistemas PARTE SEGUNDA, Das manifestações espíritas, com trinta e dois capítulos; Da ação dos Espíritos sobre a matéria; Das manifestações físicas Das mesas girantes; Das manifestações inteligentes ; Da teoria das manifestações físicas Das manifestações físicas expontâneas; Das manifestações visuais, Da bicorporeidade e da transfiguração;

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Do laboratório do mundo invisível ; Dos lugares assombrados; Da natureza das comunicações Da sematologia e da tiptologia; Da pneumatografia ou escrita direta, e da pneumatofonia; Da psicografia Dos médiuns; Dos médiuns escreventes ou psicógrafos Dos médiuns especiais; Da formação dos médiuns; Dos inconvenientes e perigos da mediunidade Do papel dos médiuns nas comunicações espíritas; Da influência do médium Da influência do meio Da mediunidade nos animais Da obsessão Da identidade dos espíritos. Das contradições. E das mistificações. Do charlatanísmo e do embuste Das reuniões e das sociedades. Regulamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Dissertações espíritas Vocabulário espírita. (5) 2.3 - 0 terceiro livro, O Evangelho Segundo o Espiritismo tem em sua folha de rosto a síntese do seu conteúdo. . "A explicação das máximas morais do Cristo em concordância com o Espiritismo e suas aplicações as diversas circunstâncias da vida". O seu estudo se desdobra em uma introdução e vinte e seis capítulos, assim enunciados: Não vim destruir a lei Meu reino não e deste mundo Há muitas moradas na casa de meu Pai Ninguém poderá ver o reino de Deus se não nascer de novo Bem-aventurados os aflitos O Cristo Consolador Bem-aventurados os pobres de espirito Bem-aventurados os que .têm puro o coração Bem-aventurados os que são brandos e pacíficos Bem-aventurados os que são misericordiosos Amar o próximo como a si mesmo Amai os vossos inimigos Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita Honrai a vosso pai e a vossa mãe Fora da caridade não há salvação Não se pode servir a Deus e a Mamon Sede perfeitos Muitos os chamados, poucos os escolhidos A fé transporta montanhas Os trabalhadores da ultima hora Haverá falsos Cristos e falsos profetas Não separeis o que Deus juntou Estranha morai Não ponhais a candeia de baixo do alqueire Buscai e achareis Dai gratuitamente o que gratuitamente recebestes Pedi e obtereis Coletânea de preces espiritas. (2) 2.4 O Céu e o Inferno é o quarto livro do Pentateuco Kardequiano; tem como subtítulo: "A Justiça Divina segundo o Espiritismo". Contem, segundo o resumo constante em sua folha de rosto, o: "Exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual, sobre as penalidades e recompensas futuras, sobre os anjos e os demônios, sobre as penas,

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etc., seguido de numerosos exemplos acerca da situação real da alma durante e depois da mor te". Sua matéria desdobra-se da seguinte forma: PARTE PRIMEIRA: Doutrina, com onze capítulos: O porvir e o nada Temor da morte O céu O inferno O purgatório Doutrina das penas eternas As penas futuras segundo o Espiritismo Os anjos Os demônios Intervenção dos demônios nas modernas manifestações Da proibição de evocar os mortos PARTE SEGUNDA : Exemplos, com oito capítulos; O passamento Espíritos felizes Espíritos em condições medianas Espíritos sofredores Suicidas Criminosos arrependidos Espíritos endurecidos Expiações terrestres. (1) 2.5 - O quinto e ultimo livro tem no respectivo frontispício o titulo completo A Gênese, os Milagres a as predições Segundo o Espiritismo , e mais este resumo "A Doutrina Espirita há resultado do ensino coletivo e concordante dos Espíritos. A Ciência e chamada a constituir a Gênese de acordo com leis da Natureza. Deus prova a sua grandeza e seu poder pela imutabilidade das suas leis e não pela abrogação delas. Para Deus, o passado e o futuro são o presente". Esta obra se divide nas seguintes partes: 01. Introdução 02. A Gênese, com doze capítulos, a saber Caráter da revelação espírita Deus O bem e o ma Papel da Ciência na Gênese Antigos e modernos sistemas do mundo Uranografia geral Esboço geológico da Terra Teorias sobre a formação da Terra Revoluções do globo Gênese orgânica Gênese espiritual Gênese mosaica. 03. Os milagres, com três capítulos, a saber: Caracteres dos milagres Os fluidos Os milagres no Evangelho. 04. As predições, também com três capítulos: Teoria da presciência Predições do Evangelho Os tempos são chegados. (3)

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3ª Unidade Doutrina Espírita
06 - Tríplice aspecto: filosófico, científico, religioso.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Conceituar doutrina espírita em seu tríplice aspecto . IDÉIAS PRINCIPAIS "(...) Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os Espíritos; como filosofia, compreende todas as conseqüências morais que dimanam dessas mesmas relações. (...)"(2) Não é o Espiritismo uma religião constituída, isto porque não tem culto, nem rito, nem cerimoniais e entre seus adeptos nenhum tomou ou recebeu o titulo de sacerdote. Todavia, o Espiritismo é nitidamente religioso quando estabelece um laço moral entre os homens e os une como conseqüência da comunhão de vistas e sentimentos ~ fraternidade e solidariedade, indulgência e benevolência mutuas. FONTES DE CONSULTA 01. KARDEC, Allan. Não vim destruir a lei. In:O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro 83 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Item 5, p. 59 02. - O que é o Espiritismo. 19 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1977. Preambulo. P. 50. COMPLEMENTARES 03. BARBOSA, Pedro Franco. O Espiritismo filosófico. In:_ .Espiritismo Básico. s./l., Centro Brasileiro de Homeopatia, Espiritismo e Obras Sociais, 1976. Pp. 93--94. 04, Op. cit. Pp. 95-96. 05. XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Ditado pelo Espirito Emmanuel. 8. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980. Definição, p. 19 06. Op. cit., Pp. 19-20. 07. Op. cit. pergunta 292, pp. 171-172 08. Religiões. In: Palavras de Emmanuel. Ditado pelo Espírito Emmanuel. 4. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978, p.164 l "O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observarão e uma doutrina filosófica. Como ciência prática ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os Espíritos; como filosofia, compreende todas as conseqüências morais que dimanam dessas mesmas relações. Podemos defini-lo assim: O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.', (2) Em ;vista disto, constituindo a Doutrina Espírita um sistema de princípios filosóficos e éticos, de comprovação científica, apresenta três notórios aspectos: o filosófico, o científico e o religioso "(...) Quando o Homem pergunta, interroga, cogita, quer saber o "como" e o "porque" das coisas, dos fatos, dos acontecimentos, nasce a FILOSOFIA, que mostra o que são as coisas e porque são as coisas. (...) O caráter filosófico do Espiritismo está, portanto, no estudo, que faz, do Homem, sobretudo Espirito, de seus problemas, de sua origem, de sua destinacão. Esse estudo leva ao conhecimento do mecanismo das relações dos Homens, que vivem na Terra, com aqueles que já se despediram dela, temporariamente, pela morte, estabelecendo as bases desse permanente relacionamento, e demonstra a existência. inquestionável, de algo que tudo cria e tudo comanda inteligentemente DEUS.. Definindo as responsabilidades do Espírito - quando encarnado (Alma) e também quando desencarnado o Espiritismo é filosofia, uma regra moral de vida o comportamento para os seres da Criação, dotados de sentimento, razão e consciência. (...)(3)

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O Espiritismo não se constitui de uma religião a mais, visto que não tem cultos instituídos, nem igrejas, nem imagens, nem rituais, nem dogmas, mitos ou crendices, nem tão pouco hierarquia sacerdotal. Podemos, porém considerá-lo em seu aspecto religioso, quando estabelece um laço moral entre os homens, conduzindo-os em direção ao Criador, através da vivência dos ensinamentos morais do Cristo... É no seu aspecto religioso que (...) repousa a sua grandeza divina, por constituir a restauração do Evangelho de Jesus, estabelecendo a renovação definitiva do homem, para a grandeza do seu imenso futuro espiritual. ., )'` (6) "(...) Espiritismo passa de Filosofia à Ciência, quando confirma, pela experimentação, os conhecimentos filosóficos, que prega e dissemina. (...) "Como filosofia trata do conhecimento frente a razão, indaga dos princípios, das causas, perscruta o Espirito, enfim, interpreta os fenômenos; como ciência, prova-os. Os fatos ou fenômenos espiritas, isto é, produzidos por Espíritos desencarnados, são a substancia mesma da Ciência Espirita e seu objeto é o estudo e o conhecimento desses fenômenos, para fixação das leis que os regem.(...)" (4) "(...) No seu aspecto científico e filosófico, a doutrina será sempre um campo nobre de investigações humanas, como outros movimentos coletivos de natureza intelectual, que visam o aperfeiçoamento da Humanidade. (...)" (5) ANEXO I A Doutrina Espirita apresenta três aspectos: o filosófico, o cientifico e o religioso. No aspecto filosófico do Espiritismo, enquadra-se o estudo dos problemas da origem e da desatinação do homem, bem como o da existência de uma inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. No aspecto cientifico, demonstra experimentalmente a existência da alma e sua imortalidade, principalmente através do intercâmbio mediúnico entre os encarnados e os desencarnados. O Espiritismo não se constitui em uma religião a mais, visto que não tem cultos, nem ritos, nem cerimoniais e que entre seus adeptos nenhum tomou ou recebeu o título de sacerdote. Podemos, porem, considera-los em seu aspecto religioso, quando estabelece um laço moral entre os homens, conduzindo-os a uma ascensão espiritual em direção ao Criador, através da vivência das máximas morais do Cristo. O Espiritismo é, pois, "(...) a ciência nova que vem revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as relações com o mundo corpóreo, (...)'' (1) "(...) É ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica (...)", compreendendo "todas as conseqüências morais que dimanam dessas mesmas relações" (2) Através dos ensinamentos espíritas pode-se fazer uma diferença entre Religião, propriamente dita, e religiões no sentido de seitas humanas. "Religião, para todos os homens, deveria compreender-se como sentimento divino que clarifica o caminho das almas e que cada espirito aprenderá na pauta do seu nível evolutivo. Neste sentido, a Religião é sempre a face angusta e soberana da Verdade; porém, na inquietação que lhes caracteriza a existência na Terra, os homens se dividiram em numerosas religiões como se a fé também pudesse ter fronteiras (...) '"(...) A Religião é o sentimento divino que prende o homem ao Criador. As religiões são organizações dos homens, falíveis e imperfeitas como eles próprios; dignas de todo o acatamento pelo sopro de inspiração superior que as faz surgir, são como gotas de orvalho celeste, misturados com os elementos da Terra em que caíram. (...)'' (8)

07 - O Consolador prometido por Jesus. A Terceira Revelação divina no ocidente.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Dar o significado de "O Consolador prometido por Jesus". Explicar a relação existente entre o Espiritismo e o Consolador Prometido (ou Terceira Revelação no Ocidente). = IDÉIAS PRINCIPAIS. "Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: - O Espirito de Verdade que o mundo não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não conhece. Mas, quanto a vós, conhece-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. - Porem, o Consolador que é o Santo Espirito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito". (1)

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FONTES DE CONSULTA 01. KARDEC Allan. O Cristo Consolador. In:_ . O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro. 84. ed. Rio de Janeiro 3 FEB, 1982, Cap. VI, Item 03, p. 134. 02. Op. cit., item 04, p. 134. 03. KARDEC, Allan. Predições do evangelho. In: _. A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 25. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Item 37, p. 386. 04. Op. cit., item 40, p. 387. COMPLEMENTARES. PIRES, J. Herculano. A falange do Consolador. In: . O Espirito e o tempo. São Paulo, Pensamento, 1964. Item 017 p. 137. 06. Op. cit., item 04, p. 138. ~ O Consolador prometido por Jesus, também designado pelo apóstolo João (1) como o Santo Espirito, seria enviado à Terra com a missão de consolar e lidar com a verdade. "(...) Sob o nome de Consolador e de Espirito de Verdade, Jesus anunciou a vinda daquele que havia de ensinar todas as coisas e de lembrar o que ele dissera'', ressalta Kardec. (3). O Consolador , como O Espirito de Verdade, dará aos encarnados o conhecimento de sua origem, da necessidade de sua estada na Terra e do seu destino, bem como espalhará a consolação pela fé e pela esperança. (2) Constitui o Espirito Consolador, portanto, a Terceira Revelação de Deus aos povos no ocidente, e procede de Espíritos sábios e bondosos, que, do Alem, enviaram os seus ensinamentos através dos instrumentos mediúnicos, num verdadeiro derramamento da mediunidade na carne. A revelação Cristã sucedeu a revelação Mosaica; a revelação dos Espíritos veio completá-la. Várias são as razões que justificam a promessa do Cristo, do aparecimento do Espirito de Verdade, como o Consolador. Uma delas seria a inoportunidade de uma revelação total e completa pelo Cristo, numa época em que o homem não estaria amadurecido para compreende-la. Outra razão é a do esquecimento dos homens das verdades apregoadas no seu Evangelho. Mais do que isto, destacam-se, como outra razão ainda, as distorções premeditadas que a mensagem evangélica sofreu ao longo dos tempos. Foram "(...) dois mil anos de fermentação (...), de criminosas deformações da mensagem cristã". (3) A relação entre o Espiritismo e o Consolador está no fato de a Doutrina Espírita conter "(...) todas as condições do Consolador que Jesus prometeu"; (4) ou seja, "(...) o Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, pois fala sem figuras, sem alegorias, levantando o véu intencionalmente lançado sobre certos mistérios; vem, finalmente, trazer a consolação suprema aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem (...)(2) Finalmente, se de um lado o Espirito de Verdade se apresentava aos homens a frente de elevadas entidades espirituais, que voltaram a Terra para completar a Obra do Cristo, de outro lado Kardec se coloca a postos, à frente de criaturas espiritualizadas, dispostas a colaborarem na imensa tarefa. "(...) O que então se cumpria era uma promessa do Cristo, através de todo um imenso processo de amadurecimento espiritual do homem (...)". Kardec foi o instrumento de que se serviu o Alto para completar a mensagem do Cristo; que Ele mesmo havia prometido

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4ª Unidade Movimento Espírita
08 - Objetivo do Movimento Espirita: difusão doutrinaria.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS. Distinguir doutrina espírita de movimento espírita. conceituar movimento: espírita, indicar o objetivo do movimento espírita. descrever o processo de divulgação doutrinária, indicando os seus principais veículos. IDÉIAS PRINCIPAIS Movimento Espirita "(...) é o conjunto de atividades desenvolvidas organizadamente pelos Espiritas, para por em prática a Doutrina Espirita, através de instituições, encontros fraternos, congressos , palestras, edições de livros, etc. O Movimento Espirita é, portanto, um meio para se aplicar a Doutrina Espirita em todos os sentidos, para se divulgar os seus princípios e se exercitar a vivência de suas máximas. (...)" (2) Atingiu o seu alto estágio pela Unificação no plano nacional através do Pacto Áureo celebrado em 05 de outubro de l949. O processo de divulgação doutrinária se efetiva através da tribuna, da imprensa espírita e das escolas de evangelização espírita infanto-juvenis e de estudos sistematizados da Doutrina. Como veículo de maior penetração publica, o Livro Espirita é o de maior alcance, levando a mensagem a todos os recantos do mundo. FONTES DE CONSULTA 01. KARDEC, Allan. O Livro dos ,Médiuns. Trad. de Guillon Ribeiro. 45. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Item 348, p. 432. 02. MOVIMENTO e Doutrina. Reformador, 95(1782):258, setembro, 1977 COMPLEMENTARES. 03. GRANDE Conferencia Espirita realizada no Rio de Janeiro, Reformador, 97(1979):311, setembro, 1979. 04. 75 anos depois das "Bases de Organização Espirita". Reformador,. 97 (1798) :40 - 50, janeiro, 1979 05. UNIFICAÇÃO. Reformador, 94 (1765): 110, abril, l976. 06 XAVIER, Francisco Cândido. Pátria do evangelho. In: . Brasil, coração do mundo pátria do evangelho. Pelo Espirito Humberto de Campos. 12 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979. p. 237. MOVIMENTO ESPIRITA O Movimento Espirita é uma organização dinâmica e federativa que congrega as atividades de várias associações, dentro de um clima de confraternização com diretrizes comuns e o propósito, não só de difusão coordenada dos princípios basilares da Doutrina Espírita, como de vivência de uma Ética Racional, com vistas ao progresso espiritual da Humanidade. Movimento Espírita, como sugere o próprio nome, e algo dinâmico e sua unificação implica em convivência dentro de uma unidade de pensamento e ação, na qual está implícito o reconhecimento da existência de uma diretriz, visando o ajustamento a princípios de ordem doutrinária e a um sistema dinâmico global. Não se trata, entretanto, de um Sistema de Coordenação por diretrizes impostas, mas de uma movimentação espontânea, fruto de certa conscientização ou de amadurecimento histórico. Movimento livre, aberto, tanto de instituições como de pessoas, sem hierarquias rígidas, à maneira das demais religiões existentes, sem obediência cega ou dogmática, mas de compreensão harmoniosa, de auto disciplina, objetivando apenas a maior fidelidade e segurança dos postulados fundamentais da Doutrina, o que implica em vigilância pertinaz do adepto e devotamento à Causa. Como previa o próprio Kardec, um dos maiores obstáculos ao Movimento seria "a falda de unidade" (4), acrescentando que "os antagonismos, que não são mais do que efeito de orgulho superexcitado, só poderão prejudicar a causa, que uns e outros pretendem defender". Para superar tais obstáculos, consolidando e intensificando o Movimento Espirita Nacional, foram envidados todos os esforços para edificar uma inabalável unidade, substancialmente

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decisiva para a missão do Brasil, como "Pátria do Evangelho", Começou por um certo acontecimento, nos albores do século XX, a merecer destacado relevo, documento este conhecido como "Bases de organização Espírita", de 1904. Previu-se nesse documento o advento das Federações nas capitais dos Estados, nos moldes da Federação do Rio de Janeiro e aderindo ao programa da Federação Espírita Brasileira. (4) Foi, contudo, o Pacto Áureo, o ponto magno '"(...) o alto estágio atingido pelo Movimento Espirita no âmbito nacional, ao longo das lutas, vicissitudes e testemunhos dos espíritas que receberam e cumpriram obrigações nobilitantes nas esferas da Unificação. Das "Bases" de 1904, ao Conselho Federativo Nacional, em 1950, a distância, no tempo, e de quase meio século. (...)" (4) Os signatários do Pacto Áureo (ad referendum das Sociedades que representavam) acordaram em aprovar, entre outros, ~ item 1º segundo o qual cabe aos Espiritas do Brasil porem em pratica a exposição contida no livro "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", de maneira a acelerar a marcha evolutiva do Espiritismo. Outrossim, pelo item 2º, ficou estabelecido que a FEB criaria um Conselho Federativo Nacional permanente com a finalidade de executar, desenvolver e ampliar os planos da sua atual (1949) Organização Federativa. (3) O objetivo do Movimento consiste na propagação e aplicação da Doutrina Espirita, pela vivência do Evangelho redivivo, capaz de operar a renovação do homem, a benefício da própria Humanidade. Da excelência e amplitude do objetivo, deflui toda a sua notável importância, tanto mais quando percebemos os benefícios resultados alcançados com a expansão da Doutrina, carreando o progresso moral e espiritual dos povos na Terra. A importância da ação programática do Movimento Espirita pode ser aquilatada pela conquista gradual de suas metas na realização da paz, da concórdia, da redenção individual e do progresso coletivo. No Brasil, a importância do Movimento Espírita está ligada à sua missão de "Pátria do Evangelho", como nos transmite Humberto de Campos, Espirito, na obra mediúnica " Brasil, coração do mundo Pátria do Evangelho", visando, dentro do ideal cristão e pelo exemplo, "(...) espiritualizar o ser humano, espalhando com os seus labores e sacrifícios as sementes produtivas na construção da sociedade do futuro. (...)" (6) Finalmente, no processo dessa dinâmica, não se contenta apenas com as publicações da Imprensa Espírita, ou mesmo dos seus livros, veículos de maior penetração popular, que projetam a mensagem espirita para os mais longínquos recantos da Terra. Desenvolve-se, ainda, o Movimento através dos cursos de evangelização espirita infanto-juvenil e dos de estudos sistematizados da Doutrina, para adultos, como também através da assistência material e espiritual aos encarnados e da espiritual aos desencarnados. O Movimento Espirita realiza, pois, um programa amplo e intensivo de irradiação de Amor e Luzes Divinas prometido pelo Espírito Consolador. ANEXO QUESTIONÁRIO 01. 0 que é "Movimento Espirita" ? 02. O que distingue o "Movimento Espirita" de Doutrina Espirita? 03. Qual o objetivo do Movimento Espírita? 04. Quais os principais veículos de Divulgação Doutrinária? 05. O que significou o "Pacto Áureo" para o Movimento Espírita?

09 - O Centro espirita – sua importância e o seu papel social.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Definir a função do centro espírita. Enumerar as principais atividades do centro espírita, Descrever o papel social do centro espírita, destacando a sua importância. IDÉIAS PRINCIPAIS O Centro Espirita constitui-se em abençoada escola de almas, em lar de solidariedade humana, em "templo de corações." (53 Através dele são divulgados os ensinamentos da Doutrina Espirita Estes ensinamentos, transformando o homem, transformarão o grupo social, atingindo a toda humanidade. " (...) Para bem atender às suas finalidades, o Centro Espírita deve ser núcleo de estudo, de

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fraternidade, de oração e de trabalho, com base no Evangelho de Jesus, à luz da Doutrina Espírita. (...)" (1) FONTES DE CONSULTA. 01. FEB. A adequação do Centro Espirita para o melhor atendimento de suas finalidades. In: Orientação ao Centro Espírita. .Rio de Janeiro, FEB, 1980, p.13. 02. Opus cit. p. 14 03. Opus cit. p. 14~15 04. KARDEC, Allan. O livro dos médiuns ;ou guia dos evocadores .Tradução de Guillon Ribeiro 46. ed. Rio de Janeiro, FEB, 198Z Item '334.p 422 . COMPLEMENTARES. 05. O Centro Espirita. Reformador, 94(1769) :229-270, agosto, 1976. 06. SOUZA, Juvanir Borges de. O Centro Espirita. Reformador (181 7): 231, agosto, 1980. O CENTRO ESPÍRITA E uma unidade basilar, como verdadeira célula da ação programática do Movimento Espirita, constituindo-se não só como um educandário de espíritos, mas também como um atuante templo de orações e de fraterna vivência evangélica, através de uma conjugação de atividades beneméritas. É a abençoada instituição de cultivo do amor entre as criaturas encarnadas e desencarnadas, um santuário de reeducação espiritual. Podemos imaginar este núcleo educativo e posto de socorro "(...) na complexidade de uma usina e laboratório, hospital e escola, núcleo de pesquisas e célula de experiências valiosas, onde o coração e o cérebro se entreguem a inadiáveis tarefes de abnegação e fraternidade, de equilíbrio e união, de estudo e luz. (...)(5) É também um "(...) posto de socorro, espiritual e material (...)" acolhendo "(...) desde a criança, ate os velhos, necessitados ou não de assistência e fraternidade. É templo, e casa de oração, e recanto de paz, acolhendo os desesperados, os revoltados. (...)" É uma alegria constatar que, no Brasil, o idealismo, o anseio da prática da caridade em seus multiformes aspectos e a firme vontade de propagar a Doutrina tem sido as alavancas propulsoras da fundação e sustentação das instituições espiritas. (...)" (6) O papel que o Centro Espírita deve desempenhar e primordialmente o de operar a propagação da Doutrina Espirita para a renovação do homem, integrando-o no grupo familiar, com vistas ao progresso moral e espiritual da sociedade. "(...) Como escolas de formação espiritual e moral que devem ser. desempenham papel relevante na divulgação do Espiritismo e no atendimento a todos os que neles buscam a orientação e amparo. (...)" (1) Cabe ao Centro Espírita, ainda, a responsabilidade "(...) de mobilizar todos os recursos possíveis à instrução, orientação, alertamento e educação dos encarnados, seja na madureza ou na velhice, a fim de que se suas tarefas. (...)" (5) Incumbe-lhe mais a atribuição de promover, em clima de harmonia, a Unificação. Recomenda o opúsculo "Orientação ao Centro Espírita", que todo o Centro deve se unir com o propósito de confraternização, permutando experiências para o aprimoramento das próprias atividades e das realizações comuns. (2) A este propósito, estarão os Centros observando a própria orientação sugerida por Kardec ao escrever. "(...) Esses grupos, correspondendo-se entre si, visitando-se , permutando observações, podem, desde já, formar o núcleo da grande família espírita, que, um dia. consorciará todas as opiniões e unira os homens por um único sentimento: o da fraternidade, trazendo o cunho da caridade cristã. (...)" (4) Da relevância de suas atribuições, da magnitude da sua missão, através de suas múltiplas atividades atuais, ressalta toda a imensurável e notável IMPORTÂNCIA de seu papel no Mundo Contemporâneo, tão envolto em graves crises e tormentosas convulsões sociais. Em verdade, ao aplicar a doutrina, ensinando e promovendo a sua prática pelo exercício continuo da lei de amor, atendendo aos necessitados, o Centro Espirita estará realizando o que de mais edificante e altaneiro podia alcançar: a evolução moral e espiritual do homem e da humanidade, conduzindo ambos ao reino de luz, de paz e de bem-estar geral. Por tudo isso, bem se pode aquilatar de sua inestimável e insuperável importância. O Centro Espírita desenvolve múltiplas realizações agrupadas em atividades básicas, administrativas, de comunicação e de unificação. As atividades que se relacionam com o objetivo da Doutrina são as básicas, discriminadas atualmente em "Orientação ao Centro Espírita" (obra citada) na seguinte ordem: 01. Promover o estudo metódico e sistemático da Doutrina Espirita e do Evangelho ã luz do Espiritismo. 02. Promover a evangelização da criança à luz da Doutrina.

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03. Incentivar a orientação da juventude na teoria e na prática doutrinária, integrando-a em suas tarefas. 04. Divulgar a Doutrina Espirita através do Livro. 05. Promover o estudo da mediunidade, orientando as atividades mediúnicas. 06. Desenvolver atividades de assistência espiritual, mediante a utilização dos recursos oferecidos pela Doutrina, inclusive reuniões privativas de desobssessão. 07. Manter um trabalho de atendimento fraterno, pelo diálogo com orientação e esclarecimento as pessoas que buscam o Centro. 08 Promover o serviço de assistência social espírita, assegurando suas características beneficentes, preventivas e promocionais. 09. Incentivar e orientar a instituição do Culto do Evangelho no Lar. Alem destas, mais as atividades de ordem administrativa; através do trabalho de equipe, as atividades de comunicação inclusive divulgação do Esperanto e, afinal, as atividades de Unificação, conjugando esforços e somando experiências com as demais instituições congêneres da mesma localidade ou região, de modo a evitar paralelismo ou duplicidade de realizações. ANEXO QUESTÕES PARA ESTUDO 01. Defina a função do Centro Espirita. 02. Cite as principais atividades do Centro Espirita. 03. Descreva em linhas gerais, o papel social do Centro Espirita.

10 - Organizações Federativas Estaduais. Organização Federativa Nacional: a FEB e seu CFN.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS. Dizer da composição e das finalidades das federativas estaduais. Determinar a razão da existência da FEB e do seu CFN destacando a sua atuação no movimento espírita. 1 IDÉIAS PRINCIPAIS A principal tarefa das Federações Espirita e de contribuir para que seja atingida e mantida a unidade doutrinária, objetivo esse que se consegue através do estudo das obras da Codificação, fundamentalmente. Para isso, estão sempre em contato com as suas federadas, envidando, numa ação conjunta, todos os esforços para que o Espiritismo guarde sua integridade e possa ser divulgado com a fidelidade desejável. "(...) A ação Federativa far-se-á sempre no sentido de aproximação fraterna das Instituições Espiritas que mantenham atividades doutrinarias de conformidade com a Codificação do Espiritismo, objetivando a troca de experiências e. acima de tudo, o fortalecimento do Movimento Espirita." (8) "A Federação Espirita Brasileira, (...) é uma sociedade civil religiosa, cultural, filantrópica (...) que tem por objeto e .fins o estudo teórico, experimental e prático do Espiritismo, a observância e a propaganda (...) dos seus ensinos (...). A prática da caridade espiritual, moral e material (...) A união solidária das sociedades espíritas do Brasil (...).' (6) "(...) O Conselho Federativo Nacional é o órgão, permanente, com a finalidade de executar, desenvolver e ampliar os planos da organização Federativa da Federação Espírita Brasileira." (4) FONTES DE CONSULTA. 01. FEB. DA organização Federativa. In: . Estatuto da Federação Espírita Brasileira. Rio de Janeiro, 1980. Art. 102, p. 30-31. 02. . Art. 103, p. 32. 03.. Disposições transitórias. In: . Estatuto da Federação Espirita Brasileira. Rio de Janeiro, 1980. Art. 125, p. 38. 04. Do Conselho Federativo Nacional. In:. Estatuto da Federação Espírita Brasileira. Rio de Janeiro, 1980. Art. 110-111, p. 34. 05. . Art. 112, p. 34 06. . Do nome, objeto e sede da Sociedade. In:. Estatuto da Federação Espirita Brasileira. Rio de Janeiro, 1980. Art. 1° itens I - III , p.01.

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07. Atividades de Unificação do Movimento Espirita. In: Orientação ao Centro Espírita. Rio de Janeira 1980 p.56 09. 75 anos depois das Bases de Organização Espirita. Reformador, 97 (1798):49-50, janeiro, 1979. 10 .Idem . p.50 "Os espíritas do Brasil, tendo em vista a conveniência e oportunidade de uma organização geral de propaganda, sobre bases homogêneas, (...) "resolvem: Empregar (. .)" "todos os esforços -para a criação, na capital de cada Estado da União Brasileira, de um Centro calcado nos moldes da Federação do Rio de Janeiro, tendo por fim promover a organização e filiação de associações de estudo e propaganda em todo o Estado. Tais instituições, aderindo ao programa da Federação Espirita Brasileira, a ela se filiarão com as respectivas associações subsidiárias, sem nenhuma relação de dependência disciplinar, mas unicamente com intuitos de confraternização e unidade de vistas. (...)" (10) As Federações Espíritas Estaduais, embora com organizações administrativas diferentes, têm todas as mesmas finalidades e as mesmas funções e estão participando do programa do Plano Superior em relação à difusão do Espiritismo no Brasil. "A execução do programa da Federação (...)", "consistirá na integração das Sociedades espíritas dos Estados, dos territórios e do Distrito Federal no seu organismo, por ato federativo ou de adesão de modo a constituírem com ela um todo homogêneo, em o qual, com o único objetivo de confraternização, concórdia e solidariedade, se verifique completa harmonia de vistas e unidade de programa, moldado este pelas "Bases de Organização Espírita"(...) de 1904. (1) "(...) O resultado, portanto, dessa aproximação e conivência fraterna, acarretará, inevitável e forçosamente, o progresso das Instituições Espiritas e, em conseqüência, o fortalecimento do movimento de Unificação. (...)" (7) A integração e união das instituições espiritas em torno de um mesmo ideal doutrinário, ou sela, o da Codificação do Espiritismo, leva-nos a afirmar ser "O Pacto Áureo (...) o alto estágio atingido pelo Movimento Espírita no âmbito nacional, ao longo das lutas, vicissitudes e testemunhos dos Espiritas que receberam e cumpriram obrigações nobilitantes nas esferas da Unificação (...)" (10) "Art. 1º. Federação Espírita Brasileira, fundada a 2 de janeiro de 1884, na cidade do Rio de Janeiro, onde tem sua sede e foro, é uma sociedade civil religiosa, cultural e filantrópica com personalidade jurídica e que tem por objeto e fins I- O estudo teórico experimental e prático do Espiritismo, a observância e a propaganda ilimitada de seus ensinos, por todas as maneiras que oferece a palavra escrita e falada. II- A pratica da caridade espiritual, moral e material por todos os meios ao seu alcance. III - A união solidária das Sociedades espiritas do Brasil. (...)"(6) "(...) Fica determinada a data de 2 de janeiro de 1984 para a transferencia da sede central e foro da Federação Espirita Brasileira para Brasília (DF), salvo razão de força maior reconhecida pelo Conselho Superior, a pedido da Diretoria." (3) "Art. 103 A Federação Espírita Brasileira incumbe a representação do Espiritismo, por parte do Brasil, em todos os atos e solenidade internacionais concernentes à organização espírita Mundial, assim como nos congressos que se efetuarem e cujas conclusões serão submetidas ao Conselho Federativo Nacional," (2) "Art. 110. Como complemento da organização federativa(...) e meio de estreitarem as relações entre a Federação e as Sociedades federadas, o Conselho Federativo Nacional é o órgão permanente, com a finalidade de executar, desenvolver e ampliar os planos da Organização Federativa da Federação Espírita Brasileira. "Art. 111. Cada sociedade de âmbito estadual (federada) indicará um membro da sua Diretoria para fazer parte do Conselho Federativo Nacional. Se isso não for possível, a Sociedade federada enviará ao presidente do Conselho uma lista triplico de nomes, a fim de que este escolha um desses nomes para membro do Conselho. (...)" (4) "Art. 112. O Conselho Federativo Nacional reunir-se-á, ordinariamente, pelo menos uma vez por ano; e, extraordinariamente quando for necessário, só podendo funcionar com a presença de metade e mais um dos seus membros. (...)" (5)

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MÓDULO II Princípios básicos da Doutrina Espírita
1ª Unidade Existência de Deus
01 - Provas da existência de Deus.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Relatar a evolução da idéia de Deus ao longo da história humana. Identificar Deus como Pai e Criador ( citando provas ) IDÉIAS PRINCIPAIS "(...) A história da idéia de Deus mostra-nos que ela sempre Foi relativa ao grau intelectual dos povos, e de seus legisladores, correspondendo aos movimentos civilizadores, à poesia dos climas, às raças, à florescência de diferentes povos; enfim, aos progressos espirituais da Humanidade. (...)" (5) "(...) Pela Obra se reconhece o autor. (...) Do poder de uma inteligência se julga pelas suas obras. Não podendo nenhum ser humano criar o que a Natureza traduz, a causa primária é, consequentemente, uma inteligência superior a Humanidade. (...)" (2) "(...) Deus é um ser vivo, sensível, consciente. Deus é uma realidade ativa. Deus é nosso Pai, nosso guia, nosso condutor, nosso melhor amigo . _ "(...) Por Ele e nEle somente nos sentiremos felizes e verdadeiramente irmãos. (...) (3) FONTES DE CONSULTA. DENIS, Léon. Ação de Deus no mundo e na história. In: . O grande enigma. 6. ed. Rio de Janeiro, FEB, SÍNTESE 1 PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS Allan Kardec colocou logo no início de "O Livro dos Espíritos" um capítulo que trata exclusivamente de Deus. Com isso pretendeu significar que o Espiritismo se baseia em primeiro lugar na idéia de um Ser Supremo. Os Espíritos definiram Deus como "(...) a Inteligência Suprema, causa primária de todas as coisas." (1) Ora, nesse conjunto imenso de mundo se coisas que constituem o Universo, tal é a grandeza, a magnitude, e são tais a ordem e a harmonia, que, tudo isso, pairando infinitamente acima da capacidade do homem, só pode atribuir-se a Onipotência criadora de um Ser Supremamente inteligente e sábio, Criador necessário de tudo que existe. Deus, porém, não pode ser percebido pelo homem em sua divina essência. Mesmo depois de desencarnado, dispondo de faculdades perceptivas menos materiais, não pode ainda o Espírito imperfeito perceber totalmente a natureza divina. Pode, entretanto o homem, ainda no estagio de relativa inferioridade, em que se encontra, ter convincentes provas de que Deus existe, mas advindas por dois outros caminhos, que transcendem aos dois sentidos: o da razão e o do sentimento. Racionalmente, não é possível admitir um efeito sem causa. Olhando o Universo imenso, a extensão infinita do espaço, a ordem e harmonia a que obedece a marcha dos mundos inumeráveis; olhando ainda os seres da Natureza', os minerais com suas admiráveis formas cristalinas, o reino vegetal em sua exuberância, numa variedade de plantas quase infinita, os animais com seus portes altivos ou a fragrância de certas flores e as miríades de insetos", sondando também o mundo microscópico com incontáveis formas unicelulares; toda essa imensidão, profusão e beleza nos obriga a crer em Deus, como causa necessária. Mas se preferirmos contemplar apenas o que é o nosso próprio corpo, quanta harmonia também divisaremos na nossa roupagem física, nas funções que se exercem à revelia de nossa vontade num ritmo perfeito. Nas maravilhas que são os

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nossos sentidos; os olhos admiravelmente dispostos para receber a luz refletida nos corpos, condicionando no plano físico a percepção dos objetos e das cores; o ouvido, adredemente estruturado à percepção de sons, melodias e grandiosas sinfonias; o olfato, o gosto, o tato, outros tantos sentidos que nos permitem instruir-nos sobre a objetividade das coisas. Toda essa perfeição, a harmonia da natureza humana e ao mundo exterior ao homem, só pode ser Criarão de um Ser Supremamente Inteligente e sábio, o qual Chamamos Deus. É pelo sentimento, mais do que pelo raciocínio, que o homem pode compreender a existência de Deus. Porém, há no homem, desde o mais primitivo até o mais civilizado, a idéia inata da existência de Deus. Acima, pois, do raciocínio lógico prova-nos a existência de Deus a intuição que dele temos. E, Jesus, ensinando-nos. a orar no-Lo revelou como o Pai: "Pai Nosso, que estás no Céu, Santificado seja o teu nome" (...) (2)O Espiritismo, portanto, tem na existência de Deus o princípio maior, que está na base mesma desta Doutrina. Sem pretender dar ao homem o conhecimento da Natureza íntima de Deus, permite-se argumentar que prova a Sua existência a realidade palpitante e viva do Universo. Se este existe, há de ter um divino Autor. BIBLIOGRAFIA 01. KARDEC, Allan, O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. Rio de Janeiro, FEB, 57. ed., 1983. Perg. 1 02, Op. cit., perg. 09.

02 - Atributos da Divindade.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Enumerar alguns atributos de Deus. Esclarecer o significado desses atributos. IDÉIAS PRlNClPAlS "Deus é eterno, isto é, não teve começo e não terá fim. (...) Se lhe supuséssemos um começo ou fim poderíamos conceber uma entidade existente antes dele e capaz de lhe sobreviver, e assim por diante, ao infinito." Deus é imutável. Se estivesse sujeito a mudanças, nenhuma estabilidade teriam as leis que regem o Universo. Deus é imaterial, isto é, a sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria. De outro modo, não seria imutável, pois estaria sujeito às transformações da matéria (...) Deus é Onipotente. Se não possuísse o poder supremo, sempre poderia conceber uma entidade mais poderosa (...). Deus é soberanamente justo e bom." (...) a soberana bondade implica a soberana justiça (...). Deus é infinitamente perfeito . O impossível conceber-se Deus sem o infinito das perfeições Deus é único A unicidade de Deus é conseqüência do fato de serem infinitas as suas perfeições. (..)" (1). FONTES DE CONSULTA. 01. KARDEC, Allan. Deus. In:. A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24º ed., Rio de Janeiro, FEB 1982, itens 10-16. 02 -Op. cit., O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio e Janeiro, , perg. 10. 03 -Op cit., perg. 11 04 -Op cit., perg. 13 05 -Op cit., perg. 14 06 -Op cit., perg. 15 07 -Op cit., perg. 16 ATRIBUTOS DA DIVINDADE Apenas muito imperfeita idéia pode fazer o homem dos atributos da Divindade. Atributos são qualidades que caracterizam o ser e, estão, evidentemente, em relação com a sua íntima natureza. Para que tivéssemos, portanto, idéia completa dos atributos divinos deveríamos conhecer integralmente a sua pura essência. Pode o homem compreender Deus através da razão, bem como do sentimento inato que lhe dá a intuição da Sua existência mas não pode percebe-lo como se percebem as coisas materiais. Argüidos por Allan Kardec à respeito da possibilidade de compreender o. homem a natureza. íntima de Deus, os Espíritos responderam

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categoricamente: "Não: (falta-lhe. para isso o sentido" Não podendo o homem abarcar, na sua carência perceptiva, todos os atributos divinos de absoluta perfeição, pode , entretanto, fazer idéia de alguns, exatamente àqueles de que Deus não pode prescindir Nesses atributos, que vamos a seguir enumerar, Ele tem de ser perfeito, possuir em grau supremo todas as perfeições e ser em todas infinito." (...)--A razão, com efeito, vos diz que Deus deve possuir em grau supremo essas perfeições, porquanto, se uma lhe faltasse, ou não fosse infinita, ;já Ele não seria superior a tudo, não seria, por conseguinte, Deus. Deus é Espírito – o Supremo Espírito! Absolutamente perfeito, não é comparável a quaisquer outros seres, estando infinitamente acima de todos: possuindo sabedoria e poder infinitos, paira, onipresente, sobre todo o Universo, e a tudo comunica, onipotente, o seu influxo e a sua vontade. 01. Deis é eterno, não tem princípio, existe e existiu sempre. Afigura-se-nos difícil conceber algo que não tenha tido princípio. Mas isso é em se tratando das criaturas. Deus é o Criador de tudo, independente e absoluto. A criatura é finita, ’ Deus é infinito. Se Deus "(...) tivesse tido princípio, teria saído do nada (...)" (3) o que é absurdo, pois do nada não pode sair coisa alguma –, " ou, então, também teria sido criado por um ser anterior. (3) Deus já não seria, então, o Absoluto. "O assim – diz Kardec – que, de degrau em degrau, remontamos ao infinito e a eternidade. 02 Deus é imutável. Não fosse assim, nenhuma estabilidade teria o Universo, porque estariam sujeitas a variações as leis que o regem. O contrário, porém, é o que se verifica – por toda parte e em tudo, a estabilidade e a harmonia. 03 Deus é imaterial. Sua natureza difere de tudo o que conhecemos como matéria. Por isso é absolutamente invisível, intangível, enfim, inacessível a qualquer percepção sensória. "(...) De outro modo, ele não seria imutável, porque estaria sujeito as transformações da matéria. 04 Deus é único Não há deuses, 'mas um Deus somente, soberano do Universo, criador absoluto e incriado, infinito e eterno. Se muitos deuses houvesse, não haveria unidade de vistas, nem unidade de poder na ordenação do Universo. (...)" (3). 05 Deus é Onipotente. Sua vontade é: soberana e prevalecem sempre seus desígnios sábios e justos." (...Ele o é, porque é único. Se não dispusesse do soberano poder, algo haveria mais poderoso ou tão poderoso quanto ele, que então não teria feito todas as coisas. As que não houvesse feito seriam obra de outro Deus. (...)" (3). 06 Deus é Soberanamente Justo e Bom Em tudo e em toda parte aparecem a bondade e a justiça de Deus na providência com que, através de leis perfeitas, assiste às suas criaturas; desde que estas se submetam aos seus desígnios sábios e não se insurjam contra essas leis reguladoras do ritmo do Universo, tanto quanto ao funcionamento da vida do homem. "(...) A sabedoria providencial das leis divinas se revela, assim nas mais pequeninas coisas, como nas maiores, e essa sabedoria não permite se duvide nem da justiça nem da bondade de Deus." (3) Entre os atributos acima ressalta a imaterialidade. Por considerar Deus como absolutamente imaterial é que o Espiritismo repele "in totum" o Panteísmo, doutrina que – em vez de um ser distinto e onipresente no Universo, pelo seu infinito poder de irradiação – considera-o como (...) a resultante de todas as forças e de todas as .inteligências do Universo reunidas (...)" (4) Também segundo a mesma doutrina"(...) todos os corpos da Natureza, todos os seres, todos os globos do Universo seriam partes da Divindade e constituiriam, em conjunto, a própria Divindade. (...)" (5) A razão repele tal absurdo e Kardec argumenta a respeito dela com grande lucidez: Esta doutrina faz de Deus um ser material que, embora dotado de suprema inteligência, seria em ponto grande o que somos em ponto peque no. Ora, transformando-se a matéria incessantemente, Deus, se fosse assim, nenhuma estabilidade teria; achar-se-ia sujeito a todas as vicissitudes, mesmo a todas as necessidades da Humanidade ; faltar-lhe-ia um dos atributos essenciais da Divindade: a imutabilidade. A inteligência de Deus se revela em suas abras como a de um pintor no seu quadro; mas, as obras de Deus não são o próprio Deus, como o quadro não é pintor que o concebeu e executou." (6) Deus e Espírito, repitamos. Afirmou-o Jesus em seu colóquio com a Samaritana, quando acrescentou também que em Espírito e Verdade é que O devem os homens adorar . Sua essência íntima não pode o homem perceber, porque lhe falta o sentido para isso, conforme a resposta dos Espíritos à argüição de Kardec. Entretanto o Codificador, mostrando uma alta inspiração que em si vibrava e uma lúcida esperança, redargüiu ainda;

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"Será dado um dia ao homem compreender o mistério da Divindade?" (2) A que os Espíritos, solícitos, responderam: "guando não mais tiver o Espírito obscurecido pela matéria. Quando, pela sua perfeição, se houver aproximado de Deus, ele o verá e compreenderá. (...)" (2) Então, na própria idéia de Deus, como essência puramente espiritual, e na possibilidade de um dia chegar a vê-lo e compreende-Lo – quando se tornar Espírito puro e perfeito – está delineada para o homem, toda uma perspectiva de trabalho e de esperança: de degrau em degrau ele progredirá e, evoluindo espiritualmente, adquirirá novos e mais aperfeiçoados sentidos até conquistar um puro sentido espiritual que lhe permitirá por-se em relação com Deus, vendo-O, ouvindo-O e compreendendo-Lhe a Divina Vontade. Jesus, em cujo testemunho devemos crer, quando Ele afirmou que tudo o que fazia, ou dizia, não o era de si mesmo, mas refletia a vontade do Pai, Espírito pura e perfeito que e, tem essa incomparável felicidade de auscultar a vontade divina através de delicadíssimo sentido espiritual, que lhe outorgam a sua pureza e a sua perfeição BIBLIOGRAFIA 01. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57º ed.. Rio de Janeiro 1983 Perg. 10. 03 -Op cit., perg. 11 04 -Op cit., perg. 13 05 -Op cit., perg. 14 06 -Op cit., perg. 15 07 -Op cit., perg. 16

03 - A Providência Divina.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Conceituar Providência Divina. Explicar como se realiza a ação providencial Deus sobre todas as Criaturas. IDÉIAS PRINCIPAIS "A providência é a solicitude de Deus para com as suas criaturas. Ele está em toda parte, tudo vê, a tudo preside, mesmo às coisas mais mínimas. É nisto que consiste a ação providencial. (... )" (1) "(...) Para estender; a sua solicitude a todas as criaturas, não precisa Deus lançar o olhar do alto da imensidade. As nossas preces, para que Ele as ouça, não precisam transpor o espaço, nem ser dita com voz retumbante, pois que, estando de contínuo ao nosso lado, os nossos pensamentos repercutem nEle. Os nossos pensamento são como os sons de um sino, que fazem vibrar todas as moléculas do ar ambiente." (2) FONTES DE CONSULTA. BÁSICAS 01. KARDEC, Allan. Deus. In: . A gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Item 20. 02. Op. cit., item 24 COMPLEMENTARES. 03. DENIS, Léon. Livre-arbítrio e providência In: . Depois da morte. Trad. de João Lourenço de Souza. 11. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978. pg.. 243-244. PROVIDÊNCIA DIVINA Providência é, neste mundo, tudo o que se faz dispondo as coisas de modo que se realizem objetivos de ordem e harmonia, visando o bem e a felicidade das criaturas, com a plena satisfação das suas reais necessidades, sejam físicas ou espirituais. Deus, em relação às suas criaturas, e a própria Providência, na sua mais alta expressão, infinitamente acima de todas as possibilidades humanas. Manifesta-se a Providência Divina em todas as coisas, está imanente no Universo e se exerce através de leis admiráveis e sábias. Tudo foi disposto pelo amor do Pai, soberanamente bom e justo, para o bem de seus filhos, desde as mais elementares providências para a manutenção da vida orgânica e a sua transmissão, garantido a perpetuação da espécie, ate a dispensão da faculdade superior do livre-arbítrio, que dá ao homem o mérito da conquista consciente da felicidade, pela prática

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voluntária do bem e a livre busca da verdade. Deus tudo fez e faz o bem de suas criatura. Imprimiu-lhes na consciência as leis morais de trabalho, reprodução, conservação e destruição _ esta não abusiva, mas equilibrada; como também a lei de sociedade, obedecendo a qual devem organizar-se em famílias ou em mais amplas comunidades sociais, em cujo seio vão cumprir deveres, ligados todos aquelas leis morais e ainda às de progresso, igualdade e liberdade, em seu justo e mais elevado sentido e, sobretudo à lei de justiça, amor e caridade. Propicia Deus, assim, ao homem construir a própria facilidade pela livre observância dessa leis e o cumprimento dos correspondentes deveres, e ele só e infeliz quando os descumpre ou com elas se desarmoniza. Faz o homem tudo o que quer, utilizando-se do livre-arbítrio que a Divina Providência lhe confere para construir ativa e meritoriamente o seu destino; mas e também plenamente responsável pelos atos praticados, devendo arcar com todas as conseqüências deles decorrentes, sejam estas felizes ou infelizes. Parece, então, que se opõem a Providência Divina e o livre-arbítrio humano. Mas não! Deus concede o livre-arbítrio ao homem para que ele acrescente a sua felicidade o mérito da iniciativa e espontaneidade, no trabalho, na busca do próprio bem na livre escolha do caminho reto para o conseguir. A tudo Deus realmente provê, mas não quer inativa a sua criatura, recebendo passivamente a graça divina, e sim que a busque por si mesma, conquistando através de perseverantes esforços a felicidade e o progresso.- "(...) Pelo uso do seu livre-arbítrio, a alma fixa o próprio destino, prepara as suas alegrias ou dores. Jamais, porém, no curso de sua marcha na provação amargurada ou no seio da luta ardente das paixões —, lhe será negado o socorro divino. Nunca deve esmorecer, pois, por mais Indigna que se julgue; desde que em si desperta a vontade de voltar ao bom caminho, a estrada sagrada, a Providência dar-lhe-á auxilio e proteção. A Providência é o espírito superior, e o anjo velando sobre o infortúnio, e o consolador Invisível, cujas Inspirações reaquecem o coração galado pelo desespero, cujos fluídos vivificante sustentam o viajor prostrado pela fadiga; é o farol aceso no melo da noite, para a salvação dos que erram sobre o mar tempestuoso da vida. A Providência é, ainda, principalmente, o amor divino derramando-se a luz sobre suas criaturas. Que solicitude, que previdência nesse amor (...) A alma é criada para a felicidade, mas, para poder apreciar essa felicidade, para conhecer-lhe o justo valor, deve conqulistá-la por si própria e, para isso, precisa desenvolver as potências encerradas em seu intimo. Sua liberdade de ação e sua responsabilidade aumentam com a própria elevação, porquê, quanto mais se esclarece, mela pode e deve conformar o exercício de suas forças pessoais com as leis que regem o Universo. A liberdade do ser se exerce, portanto, dentro de um círculo limitado: de um lado, pelas exigências da lei natural, que não pode sofrer alteração alguma e mesmo nenhum desarranjo na ordem do mundo; de outro, por seu próprio passado, cuias conseqüências Ihe refluem através dos tempos, ate à completa reparação. Em caso algum o exercício da liberdade humana pode obstar à execução dos planos divinos; do contrario, a ordem das coisas seria a cada Instante perturbada. Acima de nossa percepções limitadas e variáveis, a ordem imutável do Universo prossegue e se mantém. Quase sempre julgamos um mal aquilo que para nós é o verdadeiro bem. Se a ordem natural das coisas tivesse de amoldar-se aos nossos desejos, que horrível alterações daí não resultariam? O primeiro uso que o homem fizesse da liberdade absoluta seria para afastar de si as causas de sofrimento e pata se assegurar, desde logo, uma vida de felicidade. Ora, se há males que a Inteligência humana tem o dever de conjurar, de destruir — por exemplo, os que são provenientes da condição terrestre—, outros há, Inerentes a nossa natureza moral que somente dor e compressão podem vencer; tais são os vícios. Nestes casos, torna-se a dor uma escola; ou, antes, um remédio indispensável: as provas sofridas não são mais que distribuição eqüitativa da justiça infalível (3) Mas a Providencia Divina, em relação à humanidade terrestre, ainda se manifestou quando Deus nos confiou a Jesus, como discípulos a um Mestre e como ovelhas a um Pastor. Com que solicitude e paciência infinita Ele nos vem, desde então, ensinando e conduzindo, através de séculos e milênios! Não estamos em momento algum desamparados ou à nossa própria sorte abandonados. Divina Providência, que nos acompanhas através de vidas sucessivas, objetivando o nosso progresso e a nossa ascensão, mesmo quando nos fazes sofrer _ pois, se por nossa culpa e o mau exercício do livre-arbítrio, estivermos, de fato, sofrendo, por forca da Lei, as conseqüências dos nossos desmandos, pela própria Lei seremos devolvidos à paz e a felicidade, beneficiados pela dor redentora, enriquecidos de experiência e de sabedoria , desde o momento em que te reconhecemos e nos conscientizamos da tua imanência numa Lei sábia

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e soberana, que estabelece tudo para o nosso bem, louvamos Aquele de quem emanas, na imensidão da Sua Justiça e do Seu amor !

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2ª Unidade Existência e sobrevivência do Espírito
04 - Provas da existência e sobrevivência do Espirito.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS; Citar provas da existência e sobrevivência do Espírito. Nomear pesquisadores que comprovaram a existência e a sobrevivência do espírito. IDÉIAS PRINCIPAIS "Os fenômenos físicos se apresentam sob as mais variadas formas(...) Sob a ação de uma vontade poderosa, conseguem decompor e recompor a matéria mais compacta. B o que demonstra o fenômeno dos "apports", ou transportes, de flores, frutos e outros objetos através das paredes, em aposentos fechados. (...)" (2) "De todas as manifestações espiritas, as mais simples e freqüentes são os ruídos e pancadas. (...)" (1). Porém a escrita direta, a levitação de pessoas e objetos, o fenômeno de voz direta, as materializações são outras tantas manifestações de efeitos físicos que provam a existência e sobrevivência dos Espíritos. Vários pesquisadores existiram (e existem) que através de trabalho sério e disciplinado, provaram a imortalidade do Espirito. Entre eles citamos William Crookes (materializações), Alexandre Aksakof e F. Zollner (desmaterialização), Arthur Findlay (voz direta), Paul Gibier ( levitação), etc. FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01. KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Trad. de Guillon Ribeiro. ed. Rio de Janeiro, FEB, item 83. COMPLEMENTARES 02. DENIS, Léon. Fenômenos espontâneos. Casas mal-assombradas. -Tiptologia. In: . No invisível. Trad. de Leopoldo Cirne. 9. ed. Rio de Janeiro, PER, 1981. p. 202 - 203. PROVAS DA EXISTÊNCIA E DA SOBREVIVÊNCIA , DOS ESPÍRITOS Aparentemente seriamos apenas o corpo com que vivemos neste mundo. Ora, tudo indica - e a analise química o comprova - que o nosso corpo é formado exclusivamente de matéria, como os demais corpos da Natureza. ~ verdade que essa matéria recebe a mais o influxo energético de uma substancia organizadora sutilíssima - o princípio vital -, absorvida naturalmente pelo organismo e que lhe comunica o dinamismo em virtude do qual se realizam todas as funções vitais; principio que existe, aliás, também nos outros seres vivos, vegetais e animais. Mas a análise consciente e uma observação mais profunda mostram que no homem existe algo mais que matéria e princípio vital. O homem pensa e tem consciência plena de sua existência; relaciona idéias, estabelece conceitos, elabora juízos, constrói raciocínios, tira conclusões e, servindo-se de um instrumento maravilhoso, que é a linguagem, comunica tudo isto aos seus semelhantes Nada que a isto, sequer, se pareça, ocorre no mineral bruto, na rocha inerte, como em nenhum vegetal, na mais esplêndida e frondosa arvore, no mais belo e florido "flamboyant"; como não existe nos animais, mesmo naqueles em que já aparecem alguns vislumbres de inteligência e afetividade, mas nos quais em realidade só existem sensações, vagas percepções, atividades puramente instintivas e uma inteligência muito rudimentar. No homem, porém, é a inteligência elaborada, cultivada, plenamente desenvolvida, superior; ele pensa; e nele brilha a luz da razão. "Cogito, ergo sum." - escreveu Descartes - ; Penso, logo existo ( em tradução rigorosamente literal). Entretanto, o que devia estar no raciocínio do grande filósofo não pode deixar de ser o seguinte: - Penso; ora, a matéria por si mesma não pensa; logo, existe em mim, alem do corpo material, algo mais, que é o :agente do meu pensamento; em virtude do qual, portanto, existo como ser inteligente e tenho plena consciência da minha existência. É um raciocínio perfeitamente lógico e conforme a mais pura razão humana. Deveria bastar para que nenhuma

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duvida existisse no homem a respeito de que nele vive essencialmente um Espírito, isto é, um ser imaterial, porém , real, independente do corpo e a ele sobrevivente, e somente ao qual são inerentes as faculdades superiores da inteligência e da razão. Outras faculdades existem ainda no homem, que nada têm a ver com a matéria, e que são funções de uma consciência individual superior, a todas sobrelevando o senso moral. Entretanto, muitos há que não crêem na realidade da própria existência, em Espírito imortal. Sim, há descrentes, que vivem na negação ou, tal vez, apenas em duvidas, pois no fundo do seu ser hão de ter a mesma aspiração, natural, de toda criatura: não morrer. Então Deus, em sua infinita bondade e amor, como Divina Providência, concedeu ao homem, com as manifestações espíritas, as provas cabais de que nele vive um Espirito, e que esse Espírito sobrevive a morte. Manifestações de Espíritos ocorreram em todos os tempos, desde a mais remota antigüidade, mas em caráter excepcional, ou consideradas de origem sobrenatural. Em sua verdadeira causa, só eram conhecidas dos iniciados, nos chamados mistérios, dos templos de antigas civilizações. As Escrituras Sagradas estão cheias desses fatos. Indivíduos excepcionais - os profetas - serviam de intermediários entre os Espíritos e os homens e muitas coisas anunciavam como expressões da vontade de Deus; e uma das coisas então anunciadas foi que viria o tempo em que essa faculdade de intermediação se generalizaria, dando lugar a manifestações que ocorreriam, insopitáveis, por toda parte, a sacudir as consciências e os corações dos homens, despertando-os para a grande realidade de um mundo espiritual. A profecia cumpriu-se e, após alguns casos isolados de uns poucos precursores, que não tiveram ampla repercussão, ocorreram nos Estados Unidos da América do Norte frutos notáveis que chamaram rapidamente a atenção. Ocorridos inicialmente no vilarejo de Hydesville, rapidamente se propagaram a cidade de Rochester e a outras importantes cidades da América do Norte; dali espalharam-se por toda a Europa, chegando primeiro a Inglaterra, a França, a Alemanha; em toda parte ocorreram, desde então, insopitáveis os fatos espíritas. Que fatos são esses? - Antes de tudo são fenômenos consistindo em efeitos físicos diversos: ruídos, dando a impressão de arranhões, estalidos, pancadas, ou de passos, produzidos em portas, paredes, assoalhos, sem causa física conhecida; projeção ou trazimento (transportes) de objetos de diversas for mas e naturezas - pedras, roupas, utensílios domésticos, jogais, moedas, alimentos e ate flores -, através de paredes, portas e janelas fechadas; movimentos de objetos sem contato visível, tanto leves como pesados, incluindo móveis, mesas, cadeiras, armários, balcões, etc. A simples produção desses efeitos físicos nada provaria, em si mesmos , quanto a existência dos Espíritos, porquanto poderiam ser produzidos por forças outras, naturais e desconhecidas. Mas o fato singularíssimo de que e causa produtora dos mesmos se revela estar associada uma inteligência, que dirige a ação, e que essa inteligência e capaz de mostrar que e a alma de um morto, dando iniludíveis sinais de sua identificação, mostra que a sua verdadeira causa são os Espíritos. Hoje a sobrevivência da alma humana, outra coisa não é senão um Espirito encarnado, está amplamente demonstrada pelos fatos espiritas, investigados, ao contrário, com todo rigor cientifico por numerosos e eminentes sábios e investigadores do século passado e deste século. Após criteriosas investigações, céticos a principio, renderam-se os sábios ã evidência de que a vida continua além-túmulo e de que podem as almas daqueles que morreram neste mundo vir comunicar-se com os homens, com os seres queridos que deixaram na Terra, e, outrossim, com Espíritos especialmente prepostos, -por superiores desígnios de Deus, à missão de trazer-lhes a revelação dessa verdade. A tal ponto ficou isso demonstrado nas experimentações dos sábios que um deles - entre os mais eminentes do século passado, Alfred Russell Wallace fez esta afirmativa categórica: " O Espiritismo está tão bem demonstrado como à lei da gravitação." ~ ; Em sua difusão rápida por todo o mundo, a notícia dos fenômenos surgidos em Hydesville chegaram também a França e ali se generalizaram, assumindo; sobretudo a modalidade das chamadas mesas girantes, ou sejam: mesas que se moviam sem causa física aparente, mas sob a influência de uma força desconhecida, parecendo emanada de certas pessoas, especialmente dotadas. Mas as mesas eram também falantes, no sentido de que respondiam inteligentemente, por meio' de suspensões, seguidas de certo numero de batidas convencionais de um dos pés as perguntas formuladas por pessoas presentes ao fenômeno. Foi exatamente esse caráter inteligente assumido pelo fenômeno que levou o Prof. Hippolyte Léon Denizard Rivail a interessar-se e, logo depois, dedicar-se profunda mente ao seu estudo, como dos demais fenômenos espiritas, deduzindo deles todas as conseqüências filosóficas, morais e religiosas que eles comportam, com o auxilio dos próprios Espíritos, cujos ensinos, por ele ordenados e codificados, vieram a constituir o admirável corpo da Doutrina Espirita, consubstanciada em "O Livro dos Espíritos", por ele publicado em 1a edição a 18 de abril de

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1857, como se sabe, adotando, então, o pseudônimo de Allan Kardec. ' Allan Kardec escreveu um outro livro, complementar do primeiro - " O Livro dos Médiuns" cuja Segunda Parte - Das Manifestações Espiritas é totalmente dedicada ao estudo circunstanciado dessas manifestações, isto é, de toda a fenomenologia espírita. É " O Livro dos Médiuns " a primeira obra sua que se deve consultar sobre esse importante assunto e, como obra geral, nenhuma outra existe que a supere, vindo logo depois o livro de Léon Denis, "No Invisível". Seguem-se-lhes numerosas obras, quer gerais, tratando de toda a fenomenologia, quer particulares, quer dizer, tratando de determinados fenômenos, Sob este ultimo aspecto, vale citar, apenas como exemplos, os livros: de William Crookes - " Fatos Espíritas " em que são estudados fenômenos de efeitos físicos e especialmente o fenômeno de materialização do Espirito Katie King, com o auxílio, respectivamente, das mediunidades de Daniel D. Home e de Florence Cook; de Friedrich Zöllner - "Provas Cientificas sobre a Sobrevivência", em que esse sábio físico e astrônomo alemão relata suas experiências com a médium Henni Slade, inclusive o extraordinário fenômeno de desmaterialização da mateira, tornando possível a penetração de corpos materiais par outros e a escrita direta sobre uma lousa, sem intermediário material algum; de Arthur Findlay - "No limiar do etéreo" , onde são relatados admiráveis de voz direta por intermédio de Johan C. Sloan, finalmente, o livro de Oliver Lodge - " Raymond " em que esse sábio físico inglês descreve experiências com diversos médiuns através das quais pode, com toda a evidencia, constatar a manifestação de seu filho Raymond Lodge, jovem engenheiro, morto em 1915, aos 26 anos, numa trincheira, em Flandres, Bélgica, durante a guerra de 1914;1918, tendo fornecido claros sinais de identificação de sua personalidade individual. Vaga e confusa a principio, nos fenômenos das casas mal assombradas , a personalidade oculta começa a afirmar-se na tiptologia e depois na escrita; a adquire caracteres determinados na incorporação mediúnica e torna-se tangível nas materializações. Nessa ordem é que se tem desenvolvido os fatos, multiplicando-se, de modo a atrair a atenção dos indiferentes, a forcar a opinião dos céticos e a demonstrar a todos a sobrevivência da alma humana. - Essa ordem, a que se poderia chamar histórica:, e a que por nossa parte adotaremos em nosso estudo dos fenômenos espíritas. Embora incompleta, a classificação acima e muito prática, porque também muito simples; aliás, o grande autor que foi Léon Denis, no estudo que fez na obra citada, considera outras modalidades de fenômenos nas classes que lhes são afins. Assim, por exemplo, no fenômeno da escrita considera tanto a escrita direta, que ele chama psicografia, enquanto Kardec pneumatografia , como a que ele chama escrita mediúnica, que, para Kardec, e a verdadeira psicografia . Mas Denis continua: "Poder-se-ia igualmente dividir este - quer dizer, o estudo dos fenômenos espíritas - em duas categorias: os fatos de natureza físicas os fatos intelectuais. Nos primeiros, o médium desempenha papel passivo, é o foco de emissão, de que emanam os fluídos e as energias- com cujo concurso os invisíveis atuarão sobre a matéria e manifestarão sua presença. Nos outros fenômenos, o médium exerce função mais importante. É ele o agente transmissor dos pensamentos do Espírito; e (...) seu estado psíquico, suas. aptidões, seus conhecimentos influem, as vezes, de modo sensível nas comunicações obtidas. (...)" (*) . (*) DENIS, Léon. Fenômenos espontâneos. Casas mal assombradas, tiptologia. In No Invisível. Trad. De Leopoldo Cirne, 9º ed. Rio de Janeiro FEB, 1981 p. 185-186

05 - Origem e natureza dos Espíritos.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS; Estabelecer a diferença entre princípio espiritual e princípio vital, conceituando-os. Citar hipóteses sobre origem e natureza dos espíritos. IDÉIAS PRINCIPAIS . _ .. . . . . . ~ "(...) Desde que a matéria tem vitalidade independente do Espirito e que o Espírito tem uma vitalidade independente da matéria, evidente se torna que essa dupla vitalidade repousa em dois princípios diferentes." (1) "(...) há, na matéria orgânica, um principio especial, inapreensível e que ainda não pode ser definido: 0 principio vital. Ativo no ser vivente, esse principio se acha extinto no ser morto (..~.~." (3) "(...) Individualizado, o elemento espiritual constitui os serres chamados Espíritos (...)." (2) A espécie humana tem origem "entre os elemento orgânicos contidos no globo terrestre (...) e

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veio a seu tempo. Foi o que deu lugar a que se dissesse que o homem se formou do limo da Terra." (5) "Dizemos que os Espíritos são imateriais, porque, pela sua essência, diferem de tudo o que conhecemos, sob o nome de .matéria .(...) "sendo uma criação, o Espirito há de ser alguma coisa. É a matéria quintessenciada (...)." (6) FONTES DE CONSULTA. BÁSICAS 01. KARDEC, Allan. Gênese espiritual. In: . A gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Item 5. 02. Op. cit. item 6. 03. Gênese orgânica. In: _ . A gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Item 16. 04. Op. cit. item 18. 05. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Perg. 47 06. Op. cit. perg. 82. COMPLEMENTARES 07. FRANCO, Divaldo Pereira. Espirito. In: . Estudos espíritas. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Rio de Janeiro, FEB, 1982. p. 33. 08. XAVIER, Francisco Cândido. Evolução e corpo espiritual. In: . Evolução em dois mundos. 6 Ed. Rio de Janeiro, FEB, 1981. p. 31 - 32. . 09. Op. cit. p. 35. 10. . Existência da alma. In: . Evolução em dois mundos. 6. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1981. p. 79~ Na pesquisa da origem da vida a biologia oferece-nos vasto campo de es tudo através de várias hipóteses. Estudaremos aqui aquela ensinada pelos Espíritos Superiores e que e quase o consenso geral da ciência oficial. "Procurando fixar idéias seguras acerca do corpo espiritual, será preciso remontarmos, de algum modo, aos primórdios da vida na Terra, quando mal cessavam as convulsões telúricas, pelas quais os Ministros Angélicos da Sabedoria Divina, com a Supervisão do Cristo de Deus, lançaram os fundamentos da vida no corpo ciclópico do Planeta." (.., ) (8) Apôs a formação da Terra, a partir de uma matéria elementar existente, os Espíritos Superiores operam sobre o planeta recém formado, favorecendo o surgimento de extensas superfícies de mares mornos ou quentes e de "(...)gigantesca massa viscosa a espraiar-se no colo da paisagem primitiva. (...) Dessa geléia cósmica, verte o principio inteligente, em suas primeiras manifestações... (...)". Este princípio inteligente ou Mônadas celestes no transcurso dos milênios, são trabalhadas e magnetizadas pela espiritualidade maior, ate se manifestarem em "(...) rede filamentosa do protoplasma de que se lhes derivaria a existência organizada no Globo constituído. ; Aparecem os vírus e, com eles, surge o campo primacial da existência, formado por núcleo proteínas e globulinas, oferecendo clima adequado aos princípios inteligentes ou mônadas fundamentais, que se destacam da substancia viva -(...)" (8) originando-se assim as formas primitivas de microorganismos, evoluindo sucessivamente, através de milênios e milênios, para os minerais, . os vegetais (inferiores e superiores), os animais (esponjas: crustáceos , peixes, anfíbios, repteis, aves e mamíferos) ate chegar no período quaternário com o aparecimento da forma hominal. ~ "(...) Compreendendo-se, porém, que o principio divino aportou na Terra, emanando da Esfera Espiritual, trazendo em seu mecanismo o arquétipo a que se destina, (...) não podemos circunscrever-lhe a experiência ao plano físico simplesmente considerado, porquanto, através do nascimento e morte da forma, sofre constantes modificações nos dois planos em que se manifesta (...)" (9). Dai, considerarmos, que a evolução das formas de vida no nosso planeta não evoluiu apenas na sua manifestação no campo físico, mas também no extra físico; justificando, assim a ignorância em que a ciência ainda se mantém ante os chamados "elos perdidos" da evolução. Se a ciência considerasse a evolução para alem da matéria física, compreenderia o processo lento, porém continuo e gradual, da vida e não se deteria nas buscas infrutíferas, de encontrar tais elos perdidos. O fato de uma linhagem de antropóides erguer a coluna vertebral em sentido vertical, tido pela biologia como um grandioso e glorioso marco evolutivo, tem igualmente, elevadas implicações em se tratando do homem como ser espiritual: a conquista da razão. A partir dai, já não se fala mais em elemento espiritual mas numa individualidade organizada, destinada à perfeição,

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chamada Espirito. ` Ao lado da evolução da forma emparelhou-se a evolução moral. O aprimoramento do corpo físico gerou o acrisolamento dos sentidos, e, aumentando a percepção exterior, a orientação direta exercida pelos Espíritos Superiores, foi diminuindo gradualmente, deixando o homem progredir pela aquisição do livre-arbítrio. Antes de tecer alguns comentários à respeito da natureza dos Espíritos e importante estabelecer a diferença entre principio espiritual e principio vital. ' "(...) há na matéria orgânica, um principio especial, inapreensivel e que ainda não pode ser definido: o principio vital. Ativo no ser vivente, esse princípio se acha extinto no ser morto (...)" (3) Os seres orgânicos assimilam o principio vital, para realizarem todas as funções vitais. Os seres inertes como por exemplo, os minerais, não assimilam este principio, e as estruturas químicas tais como hidrogênio, oxigênio, carbono, nitrogênio, etc., combinariam entre si formando os diversos tipos de corpos inorgânicos, amplamente distribuídos na natureza. O principio vital modifica a constituição molecular de um corpo, dando-lhe propriedades especiais. "A atividade do principio vital e alimentada durante a vida pela ação do funcionamento dos órgãos (...). Cessada aquela ação, - por motivo da morte, o princípio vital se extingue (...)". (4) A partir da extinção do principio vital, a matéria e decomposta em seus elementos constitucionais (oxigênio, carbono, nitrogênio, etc.), os quais poderão se agregar para for mar corpos inertes ou inorgânicos ou, se manterão dispersos ate a formação de novas combinações. O principio espiritual "tem existência própria (...) Individualiza do, o elemento espiritual constitui os seres chamados Espíritos (...)" (2) Espíritos são, portanto "Individualidades inteligentes, incorpóreas, que povoam o Universo, Criados por Deus, independente da matéria.. Prescindindo do mundo corporal, agem sobre ele e, corporificando-se através da carne, recebem estímulos, transmitindo impressões, em intercâmbio expressivo e continuo. (...)" (7) A natureza dos Espíritos e algo do qual pouco ou nada sabemos. A pergunta 82 de "O Livro dos Espíritos" sobre a imaterialidade dos Espíritos , assim nos diz: (...) "Imaterial não e bem o termo; incorpóreo seria mais exato, pois deves compreender que, sendo criação, o Espirito há de ser alguma coisa. ~ matéria quintessenciada, mas sem analogia para vós outros, e tão etérea que escapa inteiramente ao alcance de vossos sentidos.(.. )"(6) Na mesma pergunta, logo abaixo Kardec completa: "Dizemos que os Espíritos são imateriais, porque, pela sua essência, diferem de tudo o que conhecemos sob o nome de matéria. Um povo de cegos careceria de termos para exprimir a luz e seus efeitos. (...) nos outros somos verdadeiros cegos com relação à essência dos seres sobre-humanos. (...)" (6)

06 - A alma humana.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Enumerar os diversos conceitos existentes sobre Conceituar alma do ponto de vista espirita. IDÉIAS PRINCIPAIS "A alma humana e considerada pelos materialistas como efeito e não causa, vendo nos fenômenos psicológicos, dela dependentes, apenas o resultado da atividade funcional do sistema nervoso do homem. Os Espiritualistas, de uma maneira geral, dizem ser a alma um ser imaterial, distinto do corpo perecível e a ele sobrevivente, mas imaginando-a ainda, erroneamente, criada com o corpo e para esse corpo exclusivamente." (ver síntese do assunto). Alma, na definição dada pelos Espíritos, é "Espirito encarnado ". (l) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01 - KARDEC. Allan. O Livro dos Espíritos . Trad. Guillon Ribeiro. 57 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, reg. 134 COMPLEMENTARES 02 - LEMBRANDO Kardec. Reformador, 98 (1819) 10-11, outubro 1980 A ALMA HUMANA ~ Antes do Espiritismo, errônea ou muito imprecisa, vaga e confusa era a idéia que se fazia da

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alma humana. Erradamente considerada como efeito e não causa pelos materialistas estes viam nos fenômenos psicológicos, dela dependentes, apenas o resultado da atividade funcional do sistema nervoso do homem. Um de cantado, mas mal compreendido paralelismo psicofisiológico parecia justificar esse modo dever, porquanto, de fato, lesado o cérebro, ou a medula espinhal, ou os nervos, perturbam-se as funções superiores da consciência, o pensamento lógico, o juízo, o raciocínio, a memória, as sensações e percepções, bem como a efetividade e a mortalidade voluntária, instalando-se a demência, os delírios, as alucinações, a amnésia, as descoordenações motoras, a disartria, as paralisias, a afasia, a insensibilidade e mesmo o coma. Foram, assim, os homens de ciência, principalmente os fisioIogistas e os psicólogos, os médicos e os psiquiatras, levados a um erro fundamental, que foi inverterem os papais do corpo e da alma, dando primazia àquele que, entretanto, e apenas instrumento desta para suas atividades, enquanto encarna da. Seria a alma, então, mero efeito do funcionamento do corpo material. Ainda erradamente foi confundida a alma com o principio da vida orgânica pelos vitalistas, os quais, dando embora à alma vital o caráter de causa da vida, não explicam o atributo essencial da alma humana, que é a consciência individual, resultante da faculdade cognitiva ou inteligente do ser humano. A inteligência nada tem a ver com a matéria orgânica, nem tão pouco com o principio vital, que ainda é substância material, embora sutil e dinâmica, donde emana a força vital, mas não a inteligência e, muito menos, a razão lógica, a efetividade e o senso moral, todas faculdades superiores, inexistentes nos outros seres vivos e organizados, vegetais ou animais, pelo menos no grau em que esplendem no homem racional e moral. Finalmente, foi; a alma considerada como um ser real e distinto, causa e não efeito de toda atividade psicológica e moral do homem, pelos espiritualistas. Estes compreendem-na como um ser imaterial, distinto do corpo perecível e a ele sobrevivente, mas imaginando-a ainda, erroneamente, criada com o corpo e para es se corpo exclusivamente, ao, qual se liga durante a vida física e dele se desprende quando morre, para seguir um destino do qual se fazem idéias muito vagas, mas por tradição do que pelo convencimento da razão ou qualquer espécie de comprovação. "(...) "Esta concepção se aproxima um pouco da verdade, porque dá a alma humana a qualidade e o papel que ela realmente tem , de causa espiritual de toda a vida psicológica e moral do homem, concebendo-se ainda como eterna e imortal, portanto, sobrevivente ao corpo material perecível; mas ela peca por um erro fundamental, que só por si tem gravíssimos e danosas conseqüências, especialmente no que tange à vida moral: limita o horizonte da alma a uma só existência corporal, condicionando seu patrimônio intelectual e moral a essa existência única, sem levar em conta o acervo de aquisição do passado dessa alma, uma vez que a não constituição do passado dessa alma, uma vez que a não considera preexistente ao corpo atual, vinda de passar por numerosas outras existências em outros tantos corpos, nas quais acumulou variadas experiências pretéritas valiosíssimas . Fixa , em conseqüência, o seu destino feliz ou desgraçado, neste mundo e no outro, de uma maneira irrevogável e na mais estrita dependência de condições que são muito mais pessoais para um indivíduo, extraordinariamente variáveis e aparentemente fora de qualquer lei de casualidade justa e equânime (...). Com Allan Kardec, porem, e a codificação do Espiritismo que foi a sua obra missionaria— raiou no mundo a aurora de uma Nova Era, a era do Espirito, e a conceituarão de alma humana recebeu, então, brilhante luz. Sim, depois da demonstração experimental da existência de um mundo espiritual primitivo e dos Espíritos, que são os seus habitantes,. pela própria manifestação desta através dos fenômenos mediúnicos, depois que os próprios Espíritos, pois, vieram revelar o que eles verdadeiramente são, qual a sua natureza, como podem manifestarse e se comunicar com os homens, qual é também o seu destino e como se realiza esse destino que é progredir através de sucessivas encarnações em mundos materiais e em corpos carnais ~ depois desses admiráveis conhecimentos sobre o Espírito, pôde ser dada a verdadeira definição de alma humana. Essa definição, embora extremamente simples, pode considerar-se magistral. Vamos apreciá-la nas próprias palavras do Codificador, citando os textos correspondentes de "O Livro dos Espíritos": "134. Que é a alma? "Um Espirito encarnado." ( . . . ) b) —Que seria o nosso corpo se não tivesse alma ? "Simples massa de carne sem inteligência, tudo o. que quiserdes, exceto um homem." Admira-se nestes textos a limpidez da Doutrina Espirita a respeito do que seja a alma do homem. A alma humana é um Espírito encarnado.

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É incrível que em definição tão simples possa encerrar -" tão grande verdade Com efeito, a ela se aplica tudo o que os próprios Espíritos ensinaram a respeito do Espirito. Pelos textos pode concluir-se que a sua essência ~ puramente espiritual, pois até o perispírito, segundo os mesmos textos, e simples invólucro semi material que a acompanha nas suas diversas encarnações neste mundo, mas que ela despirá, também, um dia quando, por ter-se mais altamente graduado, puder encarnar em um mundo mala evoluído, trocando-o por outro menos denso, formado com os fluidos ambientes desse mundo melhor. Encarnando e reencarnando num mundo material e em sucessivos mundos cada vez menos materiais e mais elevados, tem a alma por objetivo supremo o seu progresso espiritual até atingir total libertação da matéria e da necessidade da encarnação. É, pois, a alma humana um ser real, individual, independente e autônomo, de natureza puramente espiritual e que tem por destino grandioso progredir sempre, alteando-se cada vez mais em conhecimentos e em virtudes, realizando-o através de múltiplas existências corporais, nas quais se depura e se eleva gradualmente até que, por fim, se liberta totalmente da necessidade de encarnar, por ter-se tornado Espirito puro, atingindo o topo da Escala Espirita, passando a fruir uma felicidade incomparável e inimaginável pelo homem terreno. Com Allan Kardec, pois, e a Nova Era do Espirito que ele iniciou - abriram-se perspectivas novas para o Espirito humano. Com a sua conceituação da alma tornou-se a Doutrina Espírita a doutrina da esperança, pois descerrou aos olhos dos homens um futuro verdadeiramente feliz e promissor. Ela é bem o Consolador que Jesus prometeu a Humanidade! (...) (2) ; BANCO DE PALAVRAS MOTILIDADE - Faculdade de se mover, de obedecer ao impulso de uma força motriz. AMNÉSIA - Diminuição ou perda total da memória. DISARTRIA Dificuldade na articulação ou na pronúncia das palavras. AFASIA - Distúrbio ou perda total ou parcial da fala. RESTRITO - Limitado, sentido mais específico ESTRITO - Restrita, exata, rigorosa, precisa. ESPLENDEM - Resplandecem, brilham. PARALELISMO - Correspondência entre duas coisas ou situações. FISIOLOGIA - Ciência que trata das funções orgânicas pelas quais a vida se manifesta. FISIOLOGISTA- Especialista da Fisiologia

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3ª Unidade Intervenção dos Espíritos no mundo corporal
07 - Influência dos Espíritos em nossos pensamentos e atos.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Explicar a natureza das influências que os Espíritos exercem sobre as pessoas. Fazer distinção entre um pensamento próprio e um sugerido pelos Espíritos. Identificar os meios de neutralizar uma influência i ~ negativa provocada por Espirito atrasado. IDÉIAS PRINCIPAIS A influência exercida pelos Espíritos em nossos pensamentos e atos, tanto para o bem quanto para o mal, é tão extensa que, a este respeito, foi dito a Kardec: influem "muito mais do que imaginais. influem a tal ponto, que de ordinário, são eles que nos dirigem." (2) "Quando um pensamento vos é sugerido, tendes a impressão de que alguém vos fala. Geralmente, os pensamentos próprios são os que acodem em primeiro lugar. Afinal, não vos é de grande interesse estabelecer essa distinção. Muitas vezes, é útil que não saibas fazê-las (...)"(3) Podeis neutralizar a influência dos maus Espíritos " Praticando o bem e pondo em Deus toda a vossa confiança, repelireis a influencia dos Espíritos inferiores e aniquilareis o império que desejam ter sobre vós (...)." (6) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Perg 107. 02. Op. cit., Perg. 459. 03. Op. cit., Perg. 461. 04. Op. cit., Perg. 462. 05. Op. cit., Perg. 464. 06. Op. cit., Perg. 46g. COMPLEMENTARES 07. CALLIGARIS, Rodolfo. Somos o que pensamos. In: _ . Paginas de Espiritismo Cristão. 2. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. 08. FRANCO, Divaldo Pereira. Perturbadores" In: _. Glossário Espirita cristão. 3. ed. Salvador BA, Alvorada, 1976. p. 106, 09. XAVIER, Francisco Cândido. Dominação-telepática. In:! . Nos domínios da mediunidade. Ditado pelo Espirito André Luiz. 11. Ed. , Rio de Janeiro, FEB, 1982. p. 186. CASO 01 Quando reencontrei o meu amigo Custódio Saquarema na Vida Espiritual, depois da efusão afetiva de companheiros separados desde muito, a conversa se dirigiu naturalmente para comentários em torno da nova situação. Sabia Custódio pertencente a família espírita e, decerto, nessa condição, teria ele retirado o máximo de vantagens da existência que vinha de largar. Pensando nisso, arrisquei uma pergunta, na expectativa de sabe-lo com excelente bagagem para o ingresso em estancias Superiores. Saquarema, contudo, sorriu, de modo vago, e informou com a fina autocrítica que eu lhe conhecia no mundo: —Ora, meu caro, voce não avalia o que seja uma , obsessão disfarçada, sem qualquer mostra exterior. A Terra me devolveu para ca, na velha base do "ganhou mas não levou ". Ajuntei muita consideração e muito dinheiro; no entanto, retorno muito mais pobre do que quando parti, no rumo da reencarnação... Percebendo que não me dispunha a interrompê-lo, continuou: -—Você não ignora que renasci num lar espirita, mas, como sucede à maioria dos reencarnados, trazia comigo, jungidos ao meu clima psíquico, alguns sócios de vícios e extravagancias do passado, que, sem o veículo de carne, se valiam de mim para se vincularem

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as sensações do plano terrestre, qual se eu fora uma vaca, habilitada a cooperar na alimentação e condução de pequena família... Creia que, de minha parte, havia retomado a charrua física, levando excelente programa de trabalho que, se atendido, me asseguraria precioso avanço para as vanguardas da luz. Entretanto, meus vampirizadores, ardilosos e inteligentes, agiam à socapa, sem que eu, nem de leve, Ihes pressentisse a influência... E sabe como? —Através de simples considerações íntimas prosseguiu Saquarema, desapontado. —Tão logo me vi saído da adolescência, com boa dose de raciocínios lógicos na cabeça, os Instrutores amigos me exortaram, por meus i pais, a cultivar o reino do espírito, referindo-se a estudo, a abnegação, aprimoramento, mas , dentro de mim , as vozes de meus acompanhantes surgiam da mente, como fios d’água fluindo de minadouro, propiciando-me a falsa idéia de que eu falava comigo mesmo: " Coisas da alma, Custódio? Nada disso. A sua hora é de juventude, alegria, sol... Deixe a filosofia para depois..., Decorrido algum tempo, bacharelei-me. As advertências do lar se fizeram mais altas, conclamando-me ao dever, entretanto, os meus seguidores, até então invisíveis para min, revidavam tambérn com a zombaria inarticulada: " Agora? Não é ocasião oportuna. De que maneira harmonizar a carreira iniciante com assuntos de religião? Custódio, Custódio!... Observe o critério das maiorias, não se faça de louco!..." . Casei-me e, logo após, os chamados à espiritualização recrudesceram, em torno de mim. Meus solertes exploradores, porém, comentaram, vivazes: " Não ceda, Custódio ! E as responsabilidades de família ? preciso trabalhar, ganhar dinheiro, obter posição, zelar por mulher e filhos...". A morte subtraiume os pais eu, advogado e financista, já na idade madura, ainda ouvia os Bons Espíritos, por intermédio de companheiros dedicados, requisitando-me à elevação moral pela execução dos compromissos assumidos; todavia, na casa interna se empoleiravam os argumentos de meus obsessores inflexíveis: " Custódio, você tem mais quefazeres. Como diminuir os negócios? E a vida social? Pense vida social... Você não esta preparado para seara fé.... Em seguida, meu amigo, chegaram a velhice e doença, essas duas enfermeiras da alma , que vivem de mãos dadas na Terra. Passei a sofrer e desencantar-me. Alguns raros visitantes de minha senectude, transmitindo -me os derradeiros convites da Espiritualidade Maior, insistiam comigo, esperando que eu me consagrasse às coisas sagradas da alma; no entanto; dessa vez, os gritos de meus antigos vampirizadores se altearam, mais irônicos, assoprando-me sarcasmo, qual se fora eu mesmo ridicularizar-me: " Você, velho Custódio?! Que vai fazer você com Espiritismo? E' tarde demais... Profissão, fé, mensagens de outro mundo... Que se dirá de você meu velho ? Seus melhores amigos falarão em loucura senilidade... Não tenha dúvida... Seus próprios filhos interditarão você, como sendo um doente mental, Inapto à regência de qualquer interesse econômico... Você não. está mais no tempo disso.. Saquarema endereçou-me significativo olhar e matou: —Os meus perseguidores não ma seviciaram o corpo, nem me conturbaram a mente. Acalentaram apenas o meu comodismo e, com isso, me impediram qualquer passo renovador. Volto da Terra, meu caro, imitando lavrador endividado e de mãos vazias que regressa de um campo fértil, onde poderia ter amealhado inimagináveis tesouros... Sei que você ainda escreve para os homens, nossos irmãos. Conte-lhes minha pobre experiência, refira-se, junto deles, à obsessão pacífica, perigosa, mascarada... Diga-lhes alguma coisa acerca do valor tempo, da grandeza potencial de qualquer tempo na romagem humana!... Abracei Saquarema, de esperança voltada para tempos novos, prometendo atender-lhe a solicitação. E aqui lhe transcrevo o ensinamento pessoal, que poderá servir a muita gente, embora guarde a certeza de que, se andasse agora reencarnado na Terra e recebesse de alguém semelhante lição, talvez estivesse muito pouco inclinado a aproveitá-la. ( 1 ) CASO 02 ... Marques, o ex-presidente do templo espírita, falava ao companheiro: —Teremos assembléia geral depois de amanhã e estou colecionando os documentos. Veremos quem pode mais. Desmoralizarei os mandriões. E Osório, o amigo fiel, ponderava; —Mais calma. O senhor foi presidente por muitos anos. Sempre respeitado. Sempre querido. Recordemos nossas reuniões. Nosso Dias da Cruz, que o senhor conheceu tão bem quando neste mundo, prometeu ajudá-lo até o fim... —Sei que estou protegido — dizia Marques, beliscando, nervoso, a barba branca, mas vou colocar a coisa em pratos limpos. A diretoria foi tomada de assalto. É muita gente querendo transformar a casa em gamela gorda.

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—Marques, a ironia é veneno. .;—Tenho fotocópias, retratos, informações e muito: papel importante para mostrar o passado desses oportunistas, Todo o material será exibido na assembléia. Alguns desses companheiros transviados são passíveis de xadrez. —Medite, Marques, medite! — pedia Osório — O que passou, passou... Agitar o fundo de um poço é fazer lama. Ore. Peça o amparo do Alto E, a convite do amigo, os dois se puseram em prece, rogando proteção espiritual. Em seguida, tornaram à casa de Marques, onde Osório observaria como adoçar o calhamaço. Ao procurar o libelo escrito, o dono da casa ouviu da arrumadeira, que entrara na véspera, estranha explicação: —Senhor Marques, todos os papéis que o senhor deixou espalhados nas cadeiras, com retratos e jornais velhos, eu entreguei ao lixeiro, quando caminhão da Prefeitura por aqui passou. —Meu Deus! —gritou o velhinho, entrelaçando as mãos na cabeça, ante Osório sorridente — era serviço de oito meses! E a jovem inexperiente replicou, sem saber que fazia a definição moral: —Mas era muita sujeira! . . . CASO 03 Centralizando-se a palestra no estudo das tentações, contou Jesus, sorridente: -—Um valoroso servidor do Pai movimentava-se, galhardamente, em populosa cidade de pecadores, com tamanho devotamento à fé e à caridade, que os Espíritos do mal se impacientaram em contemplando tanta abnegação e desprendimento. Depois de lha armarem os mais perigosos laços, sem resultado, enviaram um representante ao Gênio das Trevas, a fim de ouvi-lo a respeito. Um companheiro de consciência enrijecida recebeu a incumbência e partiu. O Grande Adversário escutou o caso, atenciosamente, e recomendou ao Diabo Menor que apresentasse sugestões. O subordinado falou, com ênfase: Não poderíamos despoja-lo de todos os bens? Isto, não —disse o perverso orientador—; para um servo dessa têmpera, a perda dos recursos materiais é libertação. Encontraria, assim, mil meios diferentes para aumentar suas contribuições à Humanidade. —Então, castigar-lhe-emos a família, dispersando-a e constrangendo-Ihe os filhos a enchê-lo de opróbrio e ingratidão...— aventou o pequeno perturbador, reticencioso. O perseguidor maior, no entanto, emitiu gargalhada franca e objetou: —Não vês que, desse modo, se integraria facilmente com a família total que é a multidão? O embaixador, desapontado, acentuou: —Será talvez conveniente lhe flagelemos o corpo; crive-lo-emos de feridas e aflições. ~ Nada disto —acrescentou o gênio satânico —, ele acharia meios de afervorar-se na confiança e aproveitaria o ensejo para provocar a renovação íntima de muita gente, pelo exercício da paciência e da serenidade na dor. —Movimentaremos a calúnia, a suspeita e o ódio gratuito dos outros contra ele! — clamou o emissário. —Para quê? —tornou o Espirito das Sombras. —Transformar-se-ia num mártir, redentor de muitos. Valer-se-á de toda perseguição para melhor engrandecer-se, diante do Céu. Exasperado, agora, o demônio menor aduziu: —Será, enfim, mais aconselhável que o assassinemos sem piedade... Que dizes? —redargüiu a Inteligência perversa. —A morte ser-lhe-ia a mais doce benção, por conduzi-lo as claridades do Paraíso. E vendo que o aprendiz vencido se calava, humilde, o Adversário Maior fez expressivo movimento de olhos e aconselhou, loquaz: —Não sejas tolo. Volta e dize a esse homem que ele é um zero na Criação, que não passa de mesquinho verme desconhecido... Impõe-lhe o conhecimento da própria pequenez, a fim de que jamais se engrandeça, e veras... O enviado regressou satisfeito e pôs em prática o método recebido. Rodeou o valente servidor com pensamentos de desvalia, acerca de sua pretendida insignificância, e desfechou-lhe perguntas mentais como estas: "como te atreves a admitir algum valor em tuas obras destinadas ao pó? não te sentes simples joguete de paixões inferiores. da carne? não te envergonhas da animalidade que trazes no ser? Que pode um grão de areia perdido no deserto? não te reconheces na posição de obscuro fragmento de lama?" O valoroso colaborador interrompeu as atividades que lhe diziam respeito e, depois de escutar

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longamente as perigosas insinuações, olvidou que a oliveira frondosa começa no grelo frágil, e deitou-se, desalentado, no leito do desânimo e da humilhação, para despertar somente na hora em que a morte lhe descortinava o infinito da vida -. · Silenciou Jesus, contemplando a noite calma..; Simão Pedro pronunciou uma prece sentida e os apóstolos, em companhia dos demais, se despediram, nessa noite, cismarentos e espantadiços. (2) * NEIO LÚCIO. BIBLIOGRAFIA 01. XAVIER, Francisco Cândido. obsessão pacífica - In: _. Cartas e crônicas. Ditadas pelo Espirito Irmão X. 4 ed. Rio de janeiro, FEB,19. p. 38-42. 02 . O poder das trevas. In: . Idéias e ilustrações. diversos Espíritos 2. ed. Rio de janeiro, FEB, 1978. p. 111-113. 03. & VIEIRA , Waldo. Proteção espiritual, In: . Almas em Desfile Ditado pelo Espirito Hilário Silva. 3 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1977. p.32-33.

08 - Comunicabilidade dos Espíritos.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS. Identificar nas comunicações espiritas um meio de progresso humano. Interpretar, à luz do Espiritismo, a proibição de intercâmbio mediúnico existente no Velho Testamento (Levítico, 19:31 e 20:27; Deuteronômio, 'S2:1;~; a 12). IDÉIAS PRINCIPAIS "(...) Os Espíritos exercem incessante ação sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico. Atuam sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das potências da natureza, causa eficiente de uma multidão, de fenômenos ate então inexplicados ou mal explicados e que não encontram explicação racional senão no Espiritismo. (...)"(5) A mediunidade e tão antiga quanto o homem, mas como o seu uso exige discernimento, Moisés a proibiu no seio do seu povo por precaução. "~...) e preciso .aprender os motivos que justificavam essa proibição e que hoje se anularam completamente. O legislador hebreu queria que o seu povo abandonasse todos os costumes adquiridos no Egito, onde as evocações estavam em uso e facilitavam os abusos (...)".(1) "A proibição de Moisés era assaz justa, porque a evocação dos mortos não se originava nos sentimentos de respeito, atenção ou piedade para com eles, sendo antes um recurso para adivinhações (...)." (2) "Repelir as comunicações do além-túmulo é repudiar o meio mais poderoso de instruir-se, já pela iniciação dos conhecimentos da vida futura já pelos exemplos que tais comunicações nos fornecem.(...)." (4 FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01. KARDEC, Allan. Da proibição de evocar os mortos. In: - . O Céu e o Inferno. Trad. de Manoel Justiniano Quintão, 30ª ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. item 3. 02. OP. cit., item 4. 03. OP. cit., item 15. 04. Intervenção dos demônios nas modernas manifestações. In: . O Céu e o Inferno. Trad. de Manoel Justiniano Quintão. 30ª ed.. Rio de Janeiro, FEB, 1983. item 05 O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Introdução, item 6, p.25. COMPLEMENTARES 06. Deuteronômio, 18:10 - 12. 07. Levítico, 19:31. 08. Levítico, 20:27,. 09. FRANCO, Divaldo Pereira. Mediunidade. In: _ . Estudos Espiritas . Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Rio de Janeiro, FEB, 1982. p. 138. A Comunicabilidade dos Espíritos com os encarnados não e um fato recente, mas antiquíssimo' com a única diferença que no passado era apanágio dos chamados iniciados e na atualidade; com o advento do Espiritismo, tornou-se fenômeno generalizado a todas as camadas sociais.

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A possibilidade dos Espíritos se comunicarem é uma questão muito bem estabelecida, resultante de observações e experiências rigorosamente realizadas por eminentes pesquisadores. Os Espiritas não tem duvidas a este respeito, -porém, determinados companheiros que abraçam correntes religiosas diferentes da Doutrina Espírita, procuram criticá-la chamando a atenção, entre outras coisas, sobre a proibição mosaica de evocar os mortos. Na lei mosaica esta escrito: (...) Não vos virareis para adivinhadores e encantadores, não os busqueis, contaminando-vos com eles: Eu sou o Senhor vosso Deus.(...)" (7) "(...) Quando pois algum homem ou mulher em si tiver um espirito adivinho , ou for encantador, certamente morrerão: com pedras se apedrejarão; o seu sangue é sobre eles." (8) "(...) Não achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; Nem encantador de encantamentos, nem quem consulte um espírito advinhante, nem mágico, nem quem consulte os mortos; Pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor: por estas abominações o Senhor teu Deus as lança fora de diante dele. "Se a lei de Moisés deve ser tão rigorosamente observada neste ponto, força e que o seja igualmente em todos os outros. Por que seria ela boa no tocante às evocações e mais em outras de suas partes? (...)Desde que se reconhece que a lei mosaica não está mais de acordo com a nossa época e costumes em dados casos, a mesma razão procede para a proibição de que tratamos. Demais, e preciso expender os motivos que justificavam proibição e que hoje se anularam completamente. 0 legislador hebreu que ria que o seu povo abandonasse todos os costumes adquiridos no Egito, onde as evocações estavam em uso e facilitavam abusos(...)." (1). "A proibição de Moisés foi mais para conter um comercio grosseiro e prejudicial com os desencarnados. Os Israelitas necessitavam de uma ação mais disciplinadora porque, alem do mais"(...) a evocação dos mortos não se originava nos sentimentos de respeito, afeição ou piedade para com eles, sendo antes um recurso para adivinhações, tal como nos augúrios e presságios explorados pelo charlatanismo e pela superstição.(...) " (2) Naquela época, aliada a prática pura e simples de evocar os mortos, havia um verdadeiro comercio com os adivinhadores'(...) associadas às praticas da magia e do sortilégio, acompanhadas ate de sacrifícios humanos.(...)"(2) A proibição, tinha, pois, razão de ser. Nos dias atuais o ser humano adquiriu novas conquistas, o progresso se fez pelo predomínio da razão e, a prática de intercâmbio espiritual ou mediúnica, defendida pelo Espiritismo tem outras finalidades: moralizadora, consoladora e religiosa. "(...) A verdade e que o Espiritismo condena tudo que motivou a interdição de Moisés;(...)"(2) os espiritas não fazem sacrifícios humanos. não interrogam astros, adivinhos e magos para informarem-se de alguma coisa, não usam medalha, talismã, fórmulas sacramentais ou cabalísticas para atrair ou afastar Espíritos. O Espirita sincero sabe que"(...) O futuro e vedado ao homem por principio, e só em casos raríssimos e excepcionais é que Deus faculta a sua revelação. Se o homem conhecesse o futuro, por certo negligenciaria o presente e não agiria com a mesma liberdade.(...)"(4) A evocação dos Espíritos exercidas na prática espirita tem o fito de receber conselhos dos Espíritos superiores, de moralizar aqueles voltados para o mal e continuar com as relações de amizades e amor entre entes queridos que partilharam, ou não, a vivência reencarnatória Pelas orientações instrutivas e altamente moralizadoras forneci das pelos benfeitores espirituais, pelo valioso aprendizado oferecido pelos desencarnados sofredores, conclui-se que a prática mediúnica, e um fator de progresso humano pelos benefícios que acarreta. "(...) Sem duvida, poderoso instrumento pode converter-se em lamentável fator de perturbarão, tendo em vista o nível espiritual e moral daquele que se encontra investido de tal recurso. : Não é uma faculdade portadora de requisitos morais. A moralização do Médium libera-o da influência dos Espíritos inferiores perversos que se sentem, então, impossibilitados de maior predomínio por faltarem os vínculos para a necessária sintonia.(...)" (9) "Repelir as comunicações do além-túmulo é repudiar o meio mas poderoso de instruir-se, já pela iniciação nos conhecimentos da vida futura, já pelos exemplos que tais comunicações nos fornecem. A experiência nos ensina, alem disso, o bem que podemos fazer, desviando do mal os Espíritos imperfeitos, ajudando os que sofrem a desprenderem-se da matéria a se aperfeiçoarem. Interditar as comunicações e, portanto, privar as a mas sofredoras da assistência que lhes podemos e devemos dispensar.(...) (3) -

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ANEXO .~ Examinando a mediunidade TEMA — Mediunidade a serviço do próximo. Aspiras ao desenvolvimento da mediunidade para mais fácil intercâmbio com o Plano Espiritual. Isso é perfeitamente possível; entretanto, é preciso lhe abraces as manifestações, compreendendo que ela te pede amor e dedicação aos semelhantes para que se transforme num apostolado de bênçãos. Reconhecerás que não reténs com ela um distrito de entretenimento ou vantagens pessoais e sim um templo-oficina, através do qual os benfeitores desencarnados se aproximem dos homens, tão diretamente quanto lhes é possível, apontando-lhes rumo certo ou lenindo-lhes os sofrimentos, tanto quanto lhe utilizarás os recursos para socorrer desencarnados, que esperam ansiosamente quem lhes estenda uma luz ao coração desorientado, Receberás com ela não apenas a missão consoladora de reerguer os tristes, mas também a tarefa espinhosa do suportar, corajosamente, a incompreensão daqueles que se comprazem sob a névoa do materialismo, muita vez interessados em estabelecer a dúvida e a negação para obterem, usando o nome da filosofia e da ciência, livre trânsito nas áreas de experiência física, em que a fé opõe uma barreira aos abusos de ordem moral. Nunca Ihe ostentarás a força com atitudes menos dignas, que te colocariam na dependência do mal, e, ainda mesmo quando ela te propicie meios com os quais te podes sobrepor aos perseguidores e adversários, tratá-los-ás com o amor que não foge à verdade e com a verdade que não desdenha o equilíbrio, admitindo que não te assiste o direito de te antepores à Justiça da vida. ; Terás a mediunidade por flama de amor e serviço, abençoando e auxiliando onde estejas, em nome da Excelsa Providencia, que te fez semelhante concessão por empréstimo. E nos dias em que esse ministério de luz te pese demasiado nos ombros, volta-te para o Criisto — o Divino Instrumento de Deus na Terra — e perceberás, feliz, que o coração crucificado por devotamento ao bem de todos, conquanto pareça vencido, carrega em triunfo a consciência tranqüila do vencedor. ( * ) XAVIER., Francisco Cândido. Examinando a mediunidade. In. Encontro marcado. Pelo espírito Emmanuel. 3 ed. Rio de Janeiro FEB. 1978, p. 93 94.

09 - Mediunidade: conceito e tipos.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Conceituar Médium e Mediunidade Citar os principais tipos de mediunidade dando as suas características. IDÉIAS PRINCIPAIS Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade e inerente ao homem, não constitui, portanto, um privilegio exclusivo.(...) Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em que a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou me nos sensitiva. (...)"(1) "(...) Geralmente, os médiuns tem uma aptidão especial para os fenômenos desta, ou daquela ordem, donde resulta que formam tantas variedades, quantas as espécies de manifestações. As principais são: a dos médiuns de efeitos físicos; a dos audientes. a dos videntes, a dos sonâmbulos, a dos curadores, a dos pneumatógrafos, a dos escreventes ou psicógrafos. " (1) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01. KARDEC, Allan. Dos Médiuns. In: . O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro, 45ª ed.. Rio de Janeiro, FEB, 1 . item 159. 02. Op. cit., item 160. 03. Op. cit., item 164. 04. Op. cit., item 165. 05. Op. cit., item 166. 06. Op. cit., item 167. 07. Op. cit., item 172. 08. Dos médiuns escrevente, ou psicógrafos. In: _ . O Livro dos Médiuns. trad. de Guillon

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Ribeiro.45ª ed.. Rio de Janeiro, FEB, 198Z. item 178 09. Das manifestações espíritas. In: . O Livro dos Médiuns. Trad. de Guillon Ribeiro. 45. ed. Rio de Janeiro,- FEB, 1982. item 90. COMPLEMENTARES : 10. XAVIER, Francisco Cândido. Estudando a mediunidade. In:- Nos domínios da mediunidade. Ditado pelo Espírito André Luiz. 11 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982.p.18. 11. .Mediunidade. In: Mecanismo da mediunidade. Pelo Espirito André Luiz. 6ª ed.. Rio de Janeiro, FEB, 1982. p.13. Todo aquele que sente, num grau qualquer a ''influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilegio exclusivo. Por isso mesmo, rara são as pessoas que delas não possuam alguns rudimentos. (...) Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes e de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos. sensitiva. É importante considerar que a percepção de influencias; espirituais são detectadas pelo fenômeno mental da sintonia. Nossa mente, sendo um núcleo de forças inteligentes, gera pensamentos plasmados que, ao se exteriorizarem entra ( a mente ) em comunhão com as faixas de .idéias do mesmo teor vibratório, estabelecendo-se, assim, a sintonia mediúnica. "(...) Atraímos os Espíritos que se afinam conosco, tanto quanto somos por eles atraídos; e se é verdade que cada um de nós somente pode dar conforme o que tem, indiscutível é que cada um recebe de acordo com aquilo que dá." Achando-se a mente na base de todas as manifestações mediúnicas (...) é imprescindível enriquecer o pensamento, incorporando-lhe os tesouros morais e culturais (...)" (10) A mediunidade, pois, não basta por si. Sendo uma faculdade própria da espécie humana, ela existe desde as épocas pregressas, encontrando, porem, na Doutrina um sentido mais elevado e disciplinado. Os discípulos de Sócrates referem-se, com admiração e respeito ao amigo invisível que o acompanhava constantemente. Reporta-se Plutarco ao encontro de Bruto, certa noite, com um dos seus perseguidores desencarnados, a visita-lo em pleno campo. Em Roma, no templo de Minerva, Pausânias, ali condenada a morre: de fome, passou a viver, em Espírito, (...), aparecendo e desaparecendo aos olhos de circunstantes assombrados, durante largo tempo. ; Sabe-se que Nero-, nos últimos dias de seu reinado, viu-se fora do corpo carnal, junto de Agripina e de Otávia, sua genitora e esposa, . ambas assassinadas por sua ordem, a lhe pressagiarem a queda no abismo. (...)" (11) Com o surgimento do Cristianismo, a mediunidade atinge a sublimação com as manifestações provocadas por Jesus e, mais tarde, pelos apóstolos. Na idade Media, a mediunidade prossegue vitoriosa nos feitos de Francisco de Assis, nas visões de Lutero ou nos desdobramentos de Tereza D'Àvila, para culminar, nos tempos modernos, nas prodigiosas manifestações de Swedenborg. O dom mediúnico, por ser uma conquista evolutiva da forma hominal, não deverá se limitar a mera produção dos fenômenos. O médium, deve buscar disciplina e iluminação intimas , afim de se tornar um instrumento de progresso para felicidade própria e coletiva. " Geralmente, os médiuns têm uma aptidão especial para os fenômenos desta ou daquela ordem, donde resulta que formam tantas variedades, quantas são as espécies de manifestações. As principais são: a dos médiuns de efeitos físicos; a dos audientes. a dos videntes, a dos sonâmbulos, a dos curadores, a dos pneumatógrafos, a dos escreventes ou psicógrafos. " (1) " Os médiuns de efeitos físicos são particularmente aptos a produzir fenômenos materiais, como os movimentos dos corpos inertes ou ruídos, etc. (...) (2) A mediunidade de efeitos físicos foi muito comum na nascente do Espiritismo, e, surgiu com a finalidade maior de chamar atenção dos encarnados sobre as manifestações do Alem. Estão incluídos neste gênero de mediunidade os fenômenos ocorridos em Hydesville (USA: e as mesas girantes e falantes, notadamente na França, no século passado. Os Espíritos que se prestam a estes tipos de manifestações, ou seja, ruídos, pancadas, deslocamento de objetos, vozes diretas, materializações, transportes, geralmente são de pouca evolução. Na realidade, "(...) São Espíritos mais levianos do que maus, que se riem dos terrores que causam e das pesquisas inúteis que se empreendem para a descoberta da causa do tumulto .

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Agarram-se com freqüência a um indivíduo, comprazendo-se em o atormentarem e perseguirem de casa em casa. Doutras vezes, agarram-se a um lugar por mero capricho. (...) Em alguns casos, mais louvável é a intenção a que cedem: procuram chamar a atenção e porse em comunicação com certas pessoas, quer para lhes mandarem um aviso proveitoso, quer com o fim de lhes pedirem qualquer coisa para si mesmos. (...)" (9) Médiuns sensitivos, ou impressionáveis: "Chamam-se assim as pessoas suscetíveis de sentir a presença dos Espíritos por uma impressão vaga. É uma espécie de leve roçadura sobre todos os seus membros, sensação que elas não podem explicar. Esta variedade não apresenta caráter bem definido (...) (4) A impressionabilidade é mais um caráter geral do que especial, já que todos os médiuns são mais ou menos sensitivos." (...) É a faculdade rudimentar indispensável ao desenvolvimento de todas as outras (...). Esta faculdade desenvolve pelo hábito e pode adquirir tal sutileza, que aquele que a possui reconhece, (...) não só a natureza, boa ou ma, do Espirito que está ao lado mas até a sua individualidade, como o cego reconhece, (. .) a aproximação tal ou tal pessoa. (...)" (3) Os médiuns audientes ouvem a voz dos Espíritos. "E, (...) algumas vezes uma voz interior, que se faz ouvir no foro íntimo, doutras vezes, e uma voz exterior, clara e distinta, qual a de uma pessoa viva. Os médiuns audientes podem, assim, travar conversação com os Espíritos. (...) Esta faculdade é muito agradável, quando o médium só ouve Espíritos bons (...).Assim, entretanto, já não e, quando um Espírito mau se lhe agarra, fazendo ouvir a cada instante as coisas mais desagradáveis e não raro as mais inconvenientes": (4) Os médiuns falantes transmitem a mensagem espirita através da fala "(...) Neles, o Espírito atua sobre os órgãos da palavra, como atua sobre mão dos médiuns escreventes. (...)" (5) "Os médiuns videntes são dotados da faculdade de ver os Espíritos. Alguns gozam dessa faculdade em estado normal, quando perfeitamente acordados, e conservam lembrança precisa do que viram. Outros só a possuem em estado sonambúlico, ou próximo do sonambulismo. Raro é que esta faculdade se mostra permanente; quase sempre é efeito de uma crise passageira. (...) A possibilidade de ver em sonho os Espíritos resulta, sem contestação, de uma espécie de mediunidade, mas não constitui, propriamente falando, o que se diz médium vidente. (...)" (6) Médium sonambúlico é aquele "que, nos momentos de emancipação, vê, ouve e percebe, fora dos limites dos sentidos. (...) Muitos sonâmbulos vêem perfeitamente os Espíritos e os descrevem com tanta precisão, como os médiuns videntes. Podem confabular com eles e transmitir-nos seus pensamentos. (...) Os médiuns curadores são aqueles que têm o dom de curar pelo simples toque, olhar ou imposição de mãos, sem o uso de medicação. É, sem duvida ação do magnetismo animal, que produz a cura, porem, deve ser classifica como mediunidade porque as pessoas que tem este dom, não agem sozinhos, mas pela intervenção dos Espíritos desencarnados. Médiuns pneumatógrafos são os médiuns que produzem escrita direta sem tocarem no lápis ou papel. Já os médiuns escreventes ou psicógrafos transmitem a mensagem espiritual, utilizando lápis e papel. "De todos os meios de comunicação, a escrita manual é o mais simples, mais cômodo e, sobretudo, mais completo. Para ele devem tender todos os esforços, porquanto permite se estabeleçam, com os Espíritos, relações tão continuadas e regulares, como as que existem entre nós. Com tanto mais afinco deve ser empregado, quanto e por ele que os Espíritos revelam melhor a sua natureza e o grau do seu aperfeiçoamento ou de sua inferioridade. (...)" (8)

10 - Mediunidade com Jesus.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Enumerar as características da mediunidade com Jesus Citar o papel dos médiuns na renovação social. Constatar a importância da vivência evangélica na prática mediúnica. IDÉIAS PRINCIPAIS "Restitui a saúde aos doentes, ressuscitai os mortos, curai os leprosos, expulsai os demônios. Dai gratuitamente o que gratuitamente haveis recebido." (1) " O dom da mediunidade é tão antigo quanto o mundo. Os profetas eram médiuns. (...) Sócrates era dirigido por um Espirito que lhe inspirava os admiráveis princípios de sua filosofia;

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ele lhe ouvia a sua voz Todos os povos tiveram seus médiuns e as inspirações de Joana D'Arc não eram mais do que as vozes de Espíritos benfazejos que a dirigiam. (...)". (3) Deus quer (...) que os Espíritos sejam reconduzidos aos interesses da alma. Quer que o aperfeiçoamento do homem moral se torne o que deve ser. isto e, o fim e o objetivo da vida. Todo o progresso vem na sua hora: a da elevação moral soou para a humanidade. (...)" (3). Neste sentido a prática da mediunidade com Jesus e o grande instrumento de renovação social. FONTES DE CONSULTA. BÁSICAS 01. KARDEC, Allan. Dai gratuitamente o que gratuitamente recebestes. In. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro. 87. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Item 1. 02. Op. cit. item 2. 03. . Dissertações espiritas. In: . O Livro dos Médiuns. Trad. de Guillon Ribeiro. 45. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Item 11. COMPLEMENTARES. 04. FRANCO, Divaldo Pereira. Mediunidade. In: Estudos Espiritas. Rio de Janeiro, FEB, 1982. p. 141. 05. XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Ditado pelo Espirito Emmanuel. 8. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980. Per. 382. 06. Op. cit., per. 389. 07. Estudando a mediunidade. In: . Nos domínios da mediunidade. Ditado pelo Espírito André Luiz. 11. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. p. 19-20. . "Restituí a saúde aos doentes, ressuscitai os mortos, curai os leprosos, expulsai os demônios. Dai gratuitamente o que gratuitamente haveis recebido." (1). Foi esta a recomendação de Jesus a seus discípulos e com isto querendo dizer "(...) que ninguém se faça pagar daquilo que nada pagou. Ora, o que eles haviam recebido gratuitamente era a faculdade de curar doentes e de expulsar os demônios, isto e, os maus espíritos. Esse dom Deus lhos dera gratuitamente, para alívio dos que sofrem e como meio de propagação da fé; Jesus, pois, recomendava-lhes que não fizesse dele objeto de comercio, nem de especulação, um meio de vida."(2). Esta orientação dada por Jesus continua mais atual do que nunca, porque a mediunidade evangelizada jamais poderá ser transformada em profissão ou fonte de rendas. "(...) sendo luz que brilha na carne, a mediunidade é atributo do Espirito, patrimônio da alma imortal, elemento renovador da posição moral dá criatura terrena, enriquecendo todos os seus valores no capitulo da virtude e da inteligência, sempre que se encontre ligada aos princípios evangélicos na sua trajetória pela face do mundo." (5) Deve-se compreender que a mediunidade só existe pelo concurso dos Espíritos. 'Os atributos medianímicos são como os talentos do Evangelho. Se o patrimônio divino e desviado de seus fins, o mau servo torna-se indigno da confiança do Senhor da Seara da verdade do amor. Multiplicados no bem, os talentos mediúnicos crescerão para Jesus, sob as bênçãos divinas; todavia, se sofrem o insulto do egoísmo, do orgulho, da vaidade ou da exploração inferior, podem deixar o intermediário do invisível entre as sobras pesadas do estacionamento, nas mais dolorosas perspectivas de expiação, em vista do acréscimo de seus débitos irrefletidos." (ó) "(...) Mediunidade não basta só por si. É imprescindível saber que tipo de onda mental ; assimilamos para conhecer da qualidade de nosso trabalho e ajuizar de nossa direção.(...)" (7) O médium moralizado, que encontra na vivência evangélica a conduta de vida, e uma pessoa de bem, que procura ser humilde, sincero, paciente, perseverante, bondoso, estudioso e trabalhador. Cumpre o mandato mediúnico com amor (...) Ao exercício da mediunidade com Jesus, isto é, na perfeita aplicação dos seus valores a beneficio da criatura, em nome da Caridade, e que o ser atinge a plenitude das suas funções e faculdades, convertendo-se em celeiro de bênçãos, semeador da saúde espiritual e da paz nos diversos terrenos da vida humana, na Terra. (...)" (4) Ai está, como a prática mediúnica exerce um papel de renovação social. "(...) O Espirito humano segue em marcha conveniente, imagem da graduação que experimenta tudo o que povoa o Universo visível e invisível. Todo progresso vem na sua hora: a da elevação moral soou para a Humanidade. (...)" (2) E o médium evangelizado, exercendo o mandato com amor

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e espirito de serviço em beneficio do próximo, contribui em grande escala para o progresso geral.

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4ª Unidade Justiça divina
11 - Penas e gozos futuros. Duração das penas.
OBJETIVOS BÁSICOS Conceituar céu e inferno de acordo com os ensinamentos espíritas. Explicar o sentido de penas e recompensas com base no "Código Penal da Vida Futura", de Allan Kardec (~0 Céu e o Inferno", 1ª parte, cap. 7) IDÉIAS PRINCIPAIS. "Nessa imensidade ilimitada, onde está o céu? Em toda parte: Nenhum contorno lhe traça limites. Os mundos adiantados são as ultimas estações do seu caminho, que as virtudes franqueiam e os vícios interditam. (...)" (1) "O dogma da eternidade absoluta das penas e, (...) incompatível com o progresso das almas, ao qual opõe uma barreira insuperável. (...) Segundo a Doutrina Espirita (...) o homem e o filho de suas obras, durante esta vida e depois da morte, nada devendo ao favoritismo: Deus o recompensa pelos esforços e pune pela negligência, isto por tanto tempo quanto nela persistir." (2) O código penal da vida futura, de Allan Kardec, "(...) pode resumir-se nestes três princípios: 1ª - O sofrimento é inerente à imperfeição. 2ª - Toda imperfeição, assim como toda falta dela promanada traz consigo o próprio castigo nas conseqüências naturais e inevitáveis. (...) 3ª - Podendo todo homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode igualmente anular os males consecutivos e assegurar a futura felicidade. ( )" (5) BÁSICAS 01. KARDEC, Allan. O céu. In. O céu e o inferno. Trad. de Manuel Justiniano Quintão. 29. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Item 18, 1a parte. 02. Doutrina das penas eternas. In: . O céu e o inferno. Trad. de Manuel Justiniano Quintão. 29ª ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982 item 21, 1a parte. 03. As -penas futuras segundo o Espiritismo. In: . O céu e o inferno. Trad. de Manuel Justiniano Quintão. 29ª ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982 tens 1° - 5°, p. 90-9l. 04 Op. Cit. Itens 11º, 16°, 17°, p. 92-94. 05. Op. Cit. Itens 33°, p. 100-101 ' 06. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Perg. 1014. COMPLEMENTAR ES 07. XAVIER, Francisco Cândido. Céu. In: . Justiça divina. Pelo Espirito Emmanuel. 4. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980. p. 66. 08. . Corrigir e pagar. In: Justiça divina. Pelo Espírito Emmanuel. 4. ed. Rio de Janeiro,' FEB, 1080. p. 104. JUSTIÇA DIVINA O conceito de céu e de inferno sofreu grande transformação com o advento da Doutrina Espírita. Não se traduz mais por regiões circunscritas de beatifica felicidade ou de sofrimentos atrozes e eternos,. respectivamente. '"(...)De existência a existência, entretanto, aprendemos hoje que a vida se espraia, triunfante, em todos os domínios universais do sem fim; que a matéria assume estados diversos do fluidez e condensação; que os mundos se multiplicam Infinitamente no plano cósmico; que cada espírito permanece em determinando momento evolutivo, e que, por isso, o céu, em essência, é um estado de alma que varia conforme a visão interior de cada um (...) ' (7) "(...) Inferno se pode traduzir por uma vida de provações extremamente dolorosa, com a incerteza de haver outra melhor. (...)"(6) Portanto, a felicidade ou infelicidade após a desencarnação é inerente ao grau de aperfeiçoamento. moral de cada Espírito e, também, a categoria de mundo que habita. As

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penas ou sofrimentos que cada um experimenta são dores morais e estão em relação com os atos praticados. Não existe, pois, uma recompensa ou sofrimento gratuito, obtido sem mérito, mas manifestado através da Lei de Causa e Efeito '`(...) A alma ou Espirito sofre na vida espiritual as conseqüências de todas as imperfeições que não conseguiu corrigir na vida corporal. O seu estado, feliz ou desgraçado, é inerente ao seu grau de pureza ou impureza. (...)A completa felicidade prende-se à perfeição, isto é, à purificação completa do Espírito. Toda imperfeição é, por sua vez, causa de sofrimento e de privação de gozo, do mesmo modo que toda perfeição adquirida é fonte de gozo e atenuante de sofrimentos. (...)Não há uma única imperfeição da alma que não importe em funestas e inevitáveis conseqüências, como não há uma só qualidade boa que não seja fonte de um gozo, A soma das penas é, assim, proporcionada à soma das imperfeições, como a dos gozos a das qualidades.(...) (...) Em virtude da lei do progresso que dá a toda alma a possibilidade de adquirir o bem que lhe falta, como de despojar-se do que tem de mau, conforme o esforço e vontade próprios, temos que o futuro é aberto a todas as criaturas. Deus não repudia nenhum de seus filhos, antes recebe-os em seu selo a medida que atingem a perfeição, deixando a cada qual o mérito das suas obras. ( ...) (...)O inferno está por toda parte em que haja almas sofredoras, e o céu igualmente onde houver alma(...)(3) A cada espirito Deus faculta meios de melhoria, oferecendo em cada reencarnação um planejamento coerente, de amor e justiça, onde cada um terá chances de progredir e de expiar as faltas cometidas em existências anteriores. " (...) A expiação varia segundo a natureza e gravidade da falta, podendo, portanto, a mesma falta determinar expiações diversas, conforme as circunstâncias, atenuantes ou agravantes, em que for cometida.(...) O arrependimento, conquanto sela o primeiro passo para a regeneração, não basta por si só; são precisas a expiação e a reparação. Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências. O arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. Do contrario, o perdão seria uma graça, não uma anulação. O arrependimento pode dar-se por toda parte e em qualquer tempo; se for tarde, porém, o culpado sofre por mais tempo. (...) (...)A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem se havia feito o mal. Quem não repara os seus erros numa existência, por fraqueza ou má-vontade, achar-se-á numa existência ulterior em contato com as mesmas pessoas que de si tiverem queixas, e em condições voluntariamente escolhidas, de modo a demonstrar-lhes reconhecimento e fazerlhes tanto bem quanto mal lhes tenha feito(...)(4) Compreendendo, assim, o significado de penas e recompensas, devemos nos esforçar para reparar as faltas cometidas em vidas anteriores e aproveitar ao máximo a experiência na carne, buscando incessantemente o progresso moral. (...) Toda conquista na evolução é problema natural do trabalho, porque todo progresso tem preço; no entanto, o problema crucial que o tempo te impõe é débito do passado, que a Lei te apresenta à cobrança Retifiquemos a estrada, corrigindo a nós mesmos. Resgatemos nossas dividas, ajudando e servindo sem distinção. Tarefa adiada é luta maior e toda atitude negativa, hoje, diante do mal, será juro de mora no mal de amanhã (8) Concluindo, "em que pese a diversidade de gêneros e graus de sofrimentos dos Espíritos imperfeitos, o código penal da vida futura ( elaborado por Allan Kardec com base nos ensinamentos dos Espíritos- Superiores) pode resumir-se nestes três princípios: 1.°—O sofrimento é inerente à Imperfeição, 2.°—Toda Imperfeição, assim como toda falta dela promanada, traz consigo o próprio castigo nas conseqüências naturais e Inventáveis: assim, a moléstia pune os excessos e da ociosidade nasce o tédio, sem que haja mister de uma condenação especial para cada falta ou indivíduo. 3.°—Podendo todo homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode Igualmente anular os mates consecutivos e assegurar a futura felicidade. A cada um segundo as suas obras, no Céu como na Terra: —tal é a lei da Justiça Divina."(5)

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ANEXO Em matéria de prêmio e castigo, a se definirem por céu e inferno, suponhamo-nos à frente de um pai amoroso, mas justo, dividindo a sua propriedade entre os filhos, aos quais se associa, abnegado, para que todos eles se prestigiem e cresçam, de maneira a lhe desfrutarem os bens totais. O genitor, compassivo e reto, concede aos filhos, em regime de gratuidade, todos os recursos da fazenda Divina: a vestimenta do corpo; a energia vital; a terra fecunda; o ar nutriente; a defesa do monte; o refúgio do vale, as águas circulantes; as fontes suspensas: a submissão dos vários reinos da natureza; a organização da família: os fundamentos do lar; a proteção das leis; os tesouros da escola; a luz do raciocínio; as riquezas do sentimento; os prodígios da afeição; os valores da experiência; a possibilidade de servir... Os filhos recebem tudo isso, mecanicamente, sem que se lhes reclame estorço algum, e o pai apenas lhes pede para que se aprimorem, pelo dever nobremente cumprido, e se consagrem ao bem de todos, através do trabalho que lhes valorizará o tempo e a vida. Nessa Imagem, simples embora, encontramos alguma notícia da magnitude do Criador para nós outros, as criaturas. Fácil, assim, perceber que, com tantos favores, concessões e doações, facilidades e vantagens, entremeados de bênçãos, suprimentos, auxílios, empréstimos e moratórias, o céu começará sempre em nós mesmos e o inferno tem o tamanho da rebeldia de cada XAVIER, Francisco Cândido. Céu e inferno. In: . Justiça divina. Pelo Espírito Emmanuel. 4ª ed.. Rio de Janeiro, FEB, 1980. p. 143-5Z4.

12 - O principio de ação e reação.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Estabelecer relação entre livre-arbítrio e responsabilidade. Explicar a manifestação do princípio de ação e reação (ou lei de causa e efeito). Conceituar fatalidade. IDÉIAS PRINCIPAIS Se o homem "tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar. Sem o livre-arbítrio, o homem seria máquina" (4) e (...) há liberdade de agir, desde que haja vontade de fazê-lo. Nas primeiras fases da vida, quase nula é a liberdade, que se desenvolve e muda de objeto com o desenvolvimento das faculdades.(...)" (5) "A liberdade é a condição necessária da alma humana que, sem ela, não poderia construir seu destino. (...) A liberdade e a responsabilidade são correlativas no ser e aumentam com sua elevação; é a responsabilidade do homem que faz sua dignidade e moralidade. Sem ela, não seria ele mais do que um autômato, um joguete das forcas ambientes: a noção de moralidade e inseparável da de liberdade. (...)" (9) "De duas espécies são as vicissitudes da vida, (...) umas têm sua causa na vida presente; outras, fora desta vida. (...)" (1) "Os sofrimentos devidos a causas anteriores a existência presente, como as que originam de culpas atuais, são muitas vezes a conseqüência da falta cometida, isto é, o homem, pela ação

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de uma rigorosa justiça distributiva, sofre o que fez sofrer os outros. (...)" (3) (...) Fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito fez, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. (...)" (6) FONTES DE CONSULTA. BÁSICAS 01. KARDEC, Allan. Bem-aventurados os aflitos. In:O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro. 8-7-. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. item 4. 02. Op. cit., item 6. 03. Op. cit., item 7. 04. O Livro dos Espíritos. Trad, de Guillon Ribeiro. 57 ed. Rio ]5 - Janeiro, T- B9 1 . Perg. 843. 05. Op. cit., perg. 844. 06. Op. cit., perg. 851. . COMPLEMENTARES 07. CALLIGARIS, Rodolfo. O livre-arbítrio. In: As leis morais. 2. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. p. 151 08. DENIS, Léon. O livre-arbítrio. In: O problema do ser, do, destino e da dor. 2ª ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979. p. 342-. 09. Op. cit., p. 346. A liberdade é a condição necessária da alma humana que sem ela, não poderia construir seu destino. (...) (8) Apesar da liberdade do homem parecer, a primeira vista, muito restrita pelas próprias limitações das condições físicas, sociais ou interesses de cada um, na realidade, sempre podemos contornar tais obstáculos e agir da maneira que mais nos pareça acertada. "(...) A liberdade e a responsabilidade são correlativas no ser e aumentam com sua elevação, é a responsabilidade do homem que faz sua dignidade e moralidade. Sem ela, não seria ele mais do que um autômato, um joguete das forcas ambientes. (...)" (8) Quando resolvemos fazer ou deixar de fazer alguma coisa, a nossa consciência sempre nos alerta a respeito, aprovando-nos ou censurando-nos. Apesar da voz íntima nos alertar, sempre usamos o que foi decidido pela nossa vontade ou livre-arbítrio. Nada nos coage nos momentos de decisões próprias, daí ser correto afirmar que somos responsáveis pelos nossos atos. Somos os construtores do nosso destino. Livre-arbítrio é, pois, definido como "a faculdade que tem o indivíduo de determinar a sua própria conduta", ou, em outras palavras a possibilidade que ele tem de, "entre duas ou mais razões suficientes de querer ou agir, escolher uma delas e fazer que prevaleça sobre as outras. (...)" (7) Aceitar a vida guiada por um determinismo onde todos os acontecimentos estão fatalmente pre-estabelecidos, é raciocinar de uma maneira muito ingênua senão simplória; porque, se assim fosse, o homem não seria um ser pensante, batalhador, capaz de tomar resoluções e de interferir no progresso, seria apenas uma máquina robotizada, irresponsável, a mercê dos acontecimentos. "(...) Fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espirito faz, ao reencarnar, desta ou daquela prova para sofrer. (...)" (6) "( ) O livre-arbítrio, a livre vontade do Espírito exerce-se principalmente na hora das reencarnacões. Escolhendo tal família, certo meio social, ele sabe de antemão quais são as provações que o aguardam, mas compreende, igualmente, a necessidade destas provações para desenvolver suas qualidades, curar seus defeitos, despir seus preconceitos e vícios. Estas provações podem ser também conseqüência de um passado nefasto, que é preciso reparar, e ele aceita-as com resignação e confiança. O futuro aparece-lhe então, não em seus pormenores, mas em seus traços mais salientes, isto é, na medida em que esse futuro é a resultante de atos anteriores, Estes atoa representam a parte de fatalidade ou "a predestinação" que certos homens são levados a ver em todas as vidas. (...) Na realidade, nada há de fatal e, qualquer que seja o peso das responsabilidades em que se tenha incorrido, pode-se sempre atenuar, modificar a sorte com obras de dedicação, de bondade, de caridade, por um longo sacrifício ao dever. (...)" (9) Os acontecimentos diariamente observados na categoria de dores, que desarticulam o modo de viver, antes tão feliz; ou sob forma de tragédias, que produzem crises de angustia e de desespero; a doença que chega sem avisar, abatendo o ânimo e a coragem; as decepções

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com amigos ou as esperanças frustradas; a pobreza material a retratar-se na desnutrição, na orfandade, nos assaltos, tanta coisa, a se traduzir como aflições e _ infortúnios, poderá levar o homem, que desconhece as verdades espirituais, à loucura ou ao suicídio. Por isto, a Doutrina Espirita vem esclarecer que "de duas espécies são as vicissitudes da vida, ou, se o preferirem, promanam de duas fontes bem diferentes, que importa distinguir. Umas tem causa na vida presente; outras fora desta vida. Remontando-se ~ erigem dos males terrestres, reconhecer-se-á que muitos são conseqüência natural do caráter e do proceder dos que os suportam. Quantos homens caem por sua própria culpa l Quantos são vítimas de sua imprevidência, de seu orgulho e de sua ambição! Quantos se arruinam por falta de ordem, da perseverança, pelo mau proceder, ou por não terem sabido limitar seus desejos! ( . ) Quantas doenças e enfermidades decorrem da intemperança e dos excessos de todo gênero! Quantos pais são infelizes com seus filhos, porque não lhos combateram desde o princípio as más tendências!(...) A quem, então, há de o homem responsabilizar por todas essas aflições, senão a si d mesmo? O homem, pois, em grande número de casos, é o causador de seus próprios infortúnios (...) " (1) No entanto, sabemos que existem males que ocorrem sem que o homem tenha diretamente culpa. São dores que tem origem em atos praticados noutras existência "(...) Tal por exemplo, a perda de entes queridos e a dos que são amparo da família. Tais ainda os acidentes que nenhuma previsão poderia impedir; os reveses da fortuna, que frustam todas as precauções aconselhadas pela prudência; os flagelos naturais, as enfermidades de nascença, sobretudo as que tiram a tantos infelizes os meios de ganhar a vida pelo trabalho: as deformidades, a idiotia, o cretinismo, etc. Os que nascem nessas condições, certamente nada hão feito na existência atual para merecer, sem compensação, tão triste sorte, que não podiam evitar (...)(2) Não resta a menor duvida que constituímos hoje, o produto das experiências vividas no passado. Não há sofrimento sem uma causa e a lei de ação e reação, rege o nosso destino porque, se somos livres na semeadura, seremos escravos da colheita. : Deus nos permite, pelo livre-arbítrio, a responsabilidade de praticar o bem ou o mal, porem, a partir do momento que decidimos o que fazer, esta ação gera uma reação característica, que virá, mais tarde sob a forma de colheita. "(...) Assim se explicam pela pluralidade das existências e pela desatinação da Terra, como mundo expiatório, as anomalias que apresenta a distribuição da ventura e da desventura entre os bons e os maus neste planeta. ( ..)" (3) EXERCÍCIO. QUESTIONÁRIO A SER RESPONDIDO DEPOIS DA LEITURA DAS QUESTÕES DE 843 A 852 DO LIVRO DOS ESPÍRITOS . 01. Não sendo o determinismo inflexível, os rumos da nossa existência terrena podem ser alterados, aliviando ou agravando as nossas dores? Justifique. 02. Explique, à luz do principio da Ação e Reação, o que parece ser fatalidade. 03. Conceitue " livre-arbítrio " e " fatalidade " usando as informações do livro-texto. 04. Justifique de acordo com os conceitos de " livre-arbítrio " e " fatalidade ", as desencarnações inesperadas, as epidemias, as hecatombes, os flagelos naturais (secas, enchentes, pragas). 05. O " livre-arbítrio ", faculdade concedida por Deus ao homem, pode sofrer alterações? Em outras palavras, o livre-arbítrio, isto é, capacidade de decidir, de escolher, pode aumentar, diminuir ou é estacionária? 06. Qual a relação entre " livre-arbítrio " e " responsabilidade "?

13 - O arrependimento e o perdão.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Dar o significado espírita de perdão. Citar e caracterizar as três condições necessárias ã reparação dE uma falta cometida. IDÉIAS PRINCIPAIS J "Há, porém' duas maneiras bem diferentes de perdoar: uma, grande, nobre, verdadeiramente

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generosa' sem pensamento oculto, que evita, com delicadeza, ferir o amor próprio e a suscetibilidade do adversário, ainda quando este ultimo nenhuma justificativa possa ter; a segunda e a em que o ofendido, ou aquele que tal se julga, impõe ao outro condições humilhantes e lhe faz sentir o poso de um perdão que irrita, em vez de acalmar (...)" (1) "(...) Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências. O arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. Do contrário, o perdão seria uma graça, não uma anulação. (...)" (4) FONTES DE CONSULTA. BÁSICAS. 01. KARDEC, Allan. Bem aventurados os que são misericordiosos. In: O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad.. de Guillon Ribeiro. 87 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, Item 4. 02 - O Livro dos Espíritos, Trad., de Guillon Ribeiro, 57 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, perg. 991 03. Op. Cit. Perg. 998 04. . As penas futuras segundo o Espiritismo. In: . O Céu e o Inferno. Trad. Manuel Justiniano Quintão. 29. ed. Rio de .Janeiro, FEB, 1982. Item 16. 05. Op. cit., itens 16, 17. 06. Op. cit., item -17, pg. 93-94 COMPLEMENTARES 07. FRANCO, Divaldo Pereira. Considerando o arrependimento. In: As leis morais da vida. Pelo Espirito Joana de Ângelis. Salvador, Alvorada, 1976. item 11, p. 38 08. VINÍCIUS. Perdão. In: Na seara do Mestre. 4ª ed.. Rio de Janeiro, FEB, 1979. p. 172 173 09. Op. cit., p. 174 . 10. XAVIER, Francisco Cândido. Efeito do perdão. In: Alma e coração. Pelo Espirito Emmanuel. São Paulo, Pensamento, 1960. p. 41 11. Perdão na intimidade:. In: . Alma e coração. Pelo Espirito Emmanuel. São Paulo, Pensamento, 7569. p. 57. O ARREPENDIMENTO E O PERDÃO "(...) Muito freqüentemente interpretamos o perdão como sendo simples ato de virtude e generosidade, em auxílio do ofensor, que passaria a contar com absoluta magnanimidade da vitima(...). Urge perceber, no entanto, que, quando conseguimos desculpar o erro ou provocação de alguém contra nós, exoneramos o mal de qualquer compromisso para conosco, ao mesmo tempo que nos desvencilhamos de todos os laços suscetíveis de apresar-nos a ele.(...)(10) A mágoa retida e doença para o Espírito, que lhe coroe as forças físicas e envenena a alma. É necessário, para a própria paz, ante quaisquer ofensas, perdoar sempre. Evidentemente, não aquele perdão proveniente apenas dos lábios, a se traduzir por mera fórmula social. O ato de perdoar deve ser um ato carregado de sentimento; deve ser puro, pois que proveniente do coração. sobretudo, uma forma de reconciliação. É necessário perdoar incessantemente, por isto Jesus disse a Pedro (Mateus, 18:15, 21, 22) que não se deveria perdoar apenas sete vezes mas setenta vezes sete vezes. · (...) Há, porém, duas maneiras bem diferentes de perdoar: uma, grande, nobre, verdadeiramente generosa, sem pensamento oculto, que evita, com delicadeza, ferir o amor-próprio e a suscetibilidade do adversário, ainda quando este último nenhuma justificativa possa ter; a segunda, é a em que o ofendido, ou aquele que tal se julga, impõe ao outro condições humilhantes e lhe faz sentir o peso de um perdão que irrita, em vez de acalmar; se estende a mão ao ofensor, não o faz com benevolência, mas com ostentação, a fim de poder dizer a toda gente: vede como sou generoso! Nessas circunstancias, é impossível uma reconciliação sincera de parte a parte. Não, não há aí generosidade; há apenas uma forma de satisfazer ao orgulho, (...) (1) No convívio familiar somos constantemente chamados a perdoar. Isto porque estamos diante de antigos desafetos de outras experiências reencarnatórias, a se apresentarem hoje, sob a forma de cônjuges, filhos ou familiares próximos. "(...) Precisamos muito mais de perdão, dentro de casa, que na arena social, e muito mais de apoio reciproco no ambiente em que

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somos chamados a servir, que nas avenidas rumorosas do mundo. Em auxílio a nós mesmos, todos necessitamos cultivar compreensão e apoio construtivo no amparo sistemático a familiares e vizinhos, chefes e subalternos, clientes e associados, respeito constante à vida particular dos amigos íntimos, tolerância para os entes amados, com paciência e olvido diante de quaisquer ofensas que assaltem os corações.(...)" (11) Assim agindo,, teremos condições de entender o perdão de Deus para com todos nós. "(. ..) Ele perdoa concedendo ao devedor ou culpado prazo ilimitado, e facultando-lhe meios e possibilidades de resgatar o débito. Ora, que maio, pode desejar um devedor honesto e probo ? Seria, acaso , preferível que Deus dispensasse os devedores do pagamento de suas dividas ? Certamente que não, por dois motivos, ponderáveis Primeiro, porque é muito mais digno e nobre para o devedor, pagar o seu débito, do que eximirse desse dever por complacência, misericórdia ou compaixão do credor.(...) Outra razão não menos, digna de nota é a seguinte: Na luta empregada para reparar a culpa cometida, o Espírito desenvolve seus poderes de maneira que, no fim da refrega, se sente com suas faculdades aumentadas e não raro desdobradas em novas capacidades.(...) (8) Deus está sempre disposto a nos perdoar e, "(...) a sua maneira de perdoar consiste em conceder prazo largo, e, ao mesmo tempo, proporcionar ao devedor todas as possibilidades e meios de pagamento. (...)" (9) Devemos, porem compreender que o perdão não é uma graça concedida por Deus. Há necessidade de uma atitude sincera e efetiva de arrependimento com a conseqüente rogativa do perdão. O arrependimento é o reconhecimento verdadeiro pelo próprio infrator do mal ou erro cometido. É a confissão íntima e constrita da violação das leis morais, revelando-se não só pela insatisfação do ato, como o empenho de repara-lo e não mais incidir no mesmo cometimento. "O arrependimento sempre se manifesta na consciência em debito para com a vida. A princípio, ei-lo como lembrança da falta cometida de que já se não supunha existir qualquer sinal; posteriormente, a recordação do momento infeliz que se estabelece, mais tarde, a idéia rediviva dominante e por fim a obsessão do remorso, avassaladora." (7) "(...) O arrependimento, conquanto seja o primeiro passo para a regeneração, não basta por si só; são precisas a expiação e a reparação. Arrependimento, expiação e reparação constituem portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências. O arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. Do contrário, o perdão seria uma graça, não uma anulação. O arrependimento pode dar-se por toda parte em qualquer tempo; se for tarde, porém, o culpado sofre por mais tempo. (...)(5) Respondem os Espíritos a Kardec (questão 991 de "O Livro dos Espíritos") que o efeito do arrependimento é o de'(...) desejar o arrependido uma nova encarnação para se purificar. O Espirito compreende as imperfeições que o privam de ser feliz e por isso aspira a uma nova existência em que possa expiar suas faltas." (2) A concessão renovadora para o infrator, traduzindo o perdão divino, somente se efetiva com a aceitação da programação cármica pelo perdoado. "(...) A expiação se cumpre durante a existência corporal, mediante as provas que o Espirito se acha submetido e, na vida espiritual], pelos sofrimentos morais, inerentes ao estado de inferioridade do Espírito." (3) Após a expiação dos erros passados, vem finalmente, o resgate. "A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem se havia feito o mal. Quem não repara numa existência, os seus erros por fraqueza ou má vontade, achar-se-á numa existência ulterior em contato com as mesmas pessoas que de si tiverem queixas, e em condições voluntariamente escolhidas, de modo a demonstrar-lhas reconhecimento e fazer-lhes tanto bem quanto mal lhes tenha feito. (...) Praticando o bem em compensação ao mal praticado, isto é, tornando-se humilde se se tem sido orgulhoso, amável se se foi austero, caridoso se se tem sido egoísta, benigno se se tem sido perverso, laborioso se se tem sido ocioso, útil se se tem sido inútil, frugal se se tem sido intemperante, trocando em suma, por bons os maus exemplos perpetrados. E desse modo progride o Espírito, aproveitando-se do próprio passado."(6) ANEXO TEXTO PARA DISCUSSÃO CIRCULAR l

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Tivemos oportunidade de conhecer, num hospital da nossa cidade, uma criança de 8 a 10 anos de idade, portadora de uma seria doença deformante. Os seus membros eram todos retorcidos, apresentava-se em magreza extrema, debilitada, e sentia dores atrozes, que não cessavam mesmo após uso de analgésicos maIs potentes. Esta doença tivera início logo após o primeiro ano de vida. Devido ao longo aleitamento, trazia por todo corpo, feridas que lhe aumentava mais ainda o sofrimento. Esta criança despertava grande compaixão naqueles que a conheciam, porque, a despeito do mal-estar que a doença provocava, era um menino de notável inteligência e demonstrava extrema delicadeza de trato e uma candura de espírito fora do comum. Nunca alguém o viu em desespero ou reclamando das dores. Demonstrava, a todos que o cercavam, grande resignação ante o mel que o acometera. Após a sua desencarnação, ele se manifestou num grupo mediúnico, onde havia' pessoas que o conheceram quando encarnado, e relatou as causas dos sofrimentos vividos. Numa determinada existência terrestre, viera belo, rico, poderoso e bajulado. Tivera sob suas ordens inúmeros serviçais, porém fora uma pessoa fútil e orgulhosa. Renegara a Deus e prejudicara bastante os seus semelhantes. Quando no plano espiritual, após a desencarnação, conseguira perceber a enormidade dos erros cometidos, envolveu-se em terríveis remorsos e sofreu muito. Retornou, duas vezes sucessivas, ao plano físico para redimir e saldar suas dívidas para com a Lei. Pela comunicação mediúnica dava para se perceber que, agora, se encontrava feliz, numa situação espiritual boa, mostrando que as lições retiradas da experiência na carne evidenciam sempre a manifestação da justiça divina. " ROTEIRO PARA DISCUSSÃO 01. Onde, no trecho lido, se encontram os processos de arrependimento e expiação? 02. Que faltava ao personagem do fato para completar o ato de resgate das faltas perante a Lei Divina? 03. E como poderia realiza-lo? * Texto elaborado com base nas idéias contidas em: KARDEC, Allan . Expiações terrestres In: _ . O céu e o inferno Trad. de Manuel Justiniano Quintão. 29. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. p. 378-381

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5ª Unidade Pluralidade das existências
14 - Encarnação: união da alma ao corpo. Esquecimento do passado. OBJETIVOS ESPECÍFICOS. Definir qual o momento da união da alma com o corpo Relatar em que condições se encontra o Espirito a partir do momento da concepção ate o nascimento. Identificar no esquecimento do passado a manifestação da misericórdia divina. , IDÉIAS PRINCIPAIS "A união (da alma com o corpo) começa na concepção, mas só se completa por ocasião do nascimento (...)" (1) "(...) A partir do instante da concepção, começa o Espirito a ser tomado de perturbação, que o adverte de que lhe soou o momento de começar nova existência corpórea. Essa perturbação cresce de continuo até o nascimento. Nesse intervalo, seu estado e quase idêntico ao de um Espirito encarnado durante o sono. (...)" (2) ` "(...) Para nos melhorarmos, dá-nos Deus exatamente o que nos é necessário e basta: a voz da consciência e os pendores instintivos. Priva-nos do que nos prejudicaria. Acrescentemos que, se nos recordássemos dos nossos precedentes atos pessoais, igualmente nos recordaríamos dos outros homens, do que resultariam talvez os mais desastrosos efeitos para as relações sociais. (...)" (3) FONTES DE CONSULTA. BÁSICAS 01. KARDEC, Allan. Bem~avent,rados os que são misericordiosos. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro. 87 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, item 4 02. Idem O Livro dos Espíritos605 Esr'~rito;. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro ,FEB, 1983, perg. 991 03. Op. cit. perg. 998 04. Idem . As penas futuras segundo o Espiritismo. In: . O Céu e o Inferno. Trad. Manuel Justiniano Quintao. 29. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Item 16 05. Op. cit., itens 16 -17. 06. Op. cit., item 17, pg. 93-9 l COMPLEMENTARES 07. FRANCO, Divaldo Pereira. Considerando o arrependimento. In: ~ As leis morais da vida. Pelo espírito Joana de Ângelis . Salvador, Alvorada, 1976, item 11, pg. 38 08. VINICIUS. Perdão. In: . Na seara do Mestre. 4. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979. Pg. 172-173 09. Op. cit., p. 174 10. XAVIER, Francisco Cândido. Efeito do perdão. In: Alma e coração. Pelo Espírito Emmanuel. São Paulo, Pensamento, 1969. p. 41 11. Perdão na intimidade. In: Alma e coração. Pelo Espirito Emanuel. São Paulo,

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Pensamento, 1969, p. 57. FONTES DE CONSULTA. BÁSICAS 01. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro.57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Perg. 121. 02. Op. cit., perg. 344 03. Op. cit., perg. 351 04. Op. cit., perg. 394. . COMPLEMENTARES 05. DENIS, Léon.Reencarnação. In: .Depois da morte. Trad. de João Lourenço de Souza. 11. ed. Rio de Janeiro, FEB; l978. p. 247. 06. . As vidas sucessivas. As crianças prodígios e a hereditariedade de. In: O problema do ser. do destino e da dor. 11. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979. p. 185. 07. XAVIER, Francisco Cândidos Reencarnação. In: . Missionários da luz. Ditado pelo Espírito André Luiz. 14. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1981. p. 206. 08. Op. cit., p. 207. Deus criou os Espíritos "(...) simples e ignorantes, isto e, tendo tanta aptidão para o bem quanto para o mal (...)" (1) O destino de todos é a perfeição espiritual e, para atingi-lo devem passar por experiências e adquirir conhecimentos, fortalecendo-se no exercício do bem e desenvolvendo em si o amor sublime. A vida na matéria propicia o aperfeiçoamento do Espírito. Ao assumir um corpo, ou seja, ao encarnar, os Espíritos são submetidos a situações e provas necessárias ao seu adiantamento moral. Quando erram e não atingem os objetivos propostos em determinada encarnação, voltam a sofrer as vicissitudes da vida corporal, reencarnando em tarefa expiatória. A vida na matéria possibilita, ainda, a cooperação de cada Espirito com a Obra Divina, no mundo em que habita. Como todos os fenômenos da vida, a encarnação está sujeita a leis imutáveis. Os processos de encarnação, embora obedecendo aos princípios gerais estabelecidos pelas leis divinas, variam de caso para caso. A união da alma ao corpo é planejada previamente, tendo como principal determinante, no nosso Orbe, as provas ou expiações pelas quais o Espirito deverá passar, com o objetivo de sua redenção. O encarnante poderá cooperar ou trabalhar ativamente nesse planejamento. De acordo com o grau evolutivo em que se encontre, o Espirito poderá facilitar ou dificultar o processo do renascimento. Os que se detém no desamor e no desequilíbrio reclamam cooperação muito maior dos benfeitores que se encarregam das tarefes de renascimento. Os Espíritos rebeldes ou indiferentes tem sua encarnação completamente a cargo dos trabalhadores divinos, que escolhem as condições sob as quais deverão renascer e as experiências a que deverão se submeter. "(...) A maioria dos que retornam a existência corporal na esfera do Globo é magnetizada pelos benfeitores espirituais, que lhe organizam novas tarefas redentoras (...)" (7) Muitos encarnam em estado de inconsciência. Os processos de encarnação são operações graduais: `iniciam-se na concepção e se completam no nascimento. A união da alma com o corpo efetua-se por meio do perispírito, envoltório fluídico, que servirá de ligação entre o Espirito e a matéria. Em mecanismo extremamente variado e complexo, quer pela ação do próprio reencarnante, quer pela ação dos benfeitores espirituais, o perispírito é reduzido, condensado e se

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assimila as moléculas materiais. O perispírito torna-se um molde fluídico que age sobre o corpo em formação, juntamente com as condicionantes hereditárias, a influência mental materna e a atuação dos benfeitores que colaboram no processo reencarnatório. ''(...) A modelagem fetal e o desenvolvimento do embrião obedecem a leis físicas naturais, qual ocorre na organização de formas em outros reinos da Natureza, mas, em todos esses fenômenos, os ascendentes e cooperação espiritual coexistem com as leis, de acordo com os planos e evolução ou resgate (...)" (8). Pelas necessidades de expiação ou de provas, o corpo em formação poderá apresentar deficiências ou qualidades, que se constituirão em oportunidades de redenção ou reequilibro. No período que se estende da concepção ao nascimento o estado do encarnante assemelha-se ao do Espirito encarnado durante o sono. Os Espíritos mais evoluídos gozam de maior liberdade. Contudo, desde o momento da concepção, o Espirito sente as conseqüências de sua nova condição. Começa a se sentir perturbado. Uma espécie de torpor, agonia e abatimento o envolvam gradualmente, intensificando-se ate o termino da vida intra-uteina. "( . ) Suas faculdades vão-se velando uma após outra, a memória desaparece, a consciência fica adormecida, e o Espirito como que e sepultado em opressiva crisálida." (7). Esse fenômeno se deve a constrição do perispírito e a sua limitação pelo corpo, que fazem com que a existência o Plano Espiritual e a consciência das vidas pregressas volvam ao inconsciente. O esquecimento do passado não é absoluto. Durante o sono, libertado parcialmente dos laços corporais, o Espírito pode ter a consciência do pretérito. Em muitas pessoas o passado manifesta-se sob a forma de impressões e em algumas poucas sob a forma de recordações, umas nítidas, outras vagas e imprecisas. As reminiscências do passado podem manifestar-se com tendências instintivas, simpatias inexplicáveis e súbitas, ideias inatas, etc. Isso acontece pelo fato de que "(...) o movimento vibratório do perispiritual, amortecido pela matéria no decurso da vida atual, é excessivamente fraco para que o grau de intensidade e a duração necessária à renovação dessas recordações possam ser obtidas durante a vigília (...)" (6) A oclusão da memória espiritual também não é definitiva. Com a desencarnação, liberto das contingências materiais, o Espirito poderá retomar a consciência de seu passado. Esse mecanismo, que faz com que o homem possa esquecer suas experiências anteriores ao nascimento, e prova irrefutável da Sabedoria Divina. O conhecimento total da vida passada, em outras encarnações e no Plano Espiritual, apresentaria grandes inconvenientes para a reeducação dos indivíduos e para o progresso da Humanidade. Implicaria em maiores dificuldades ao Espirito na tarefa de transformação de sua herança mental e talvez no prolongamento, através dos séculos, de idéias falsas, teorias errôneas e preconceitos, que geralmente são tanto mais ativos quanto mais presentes na memória do ser. Na sua vida de relações, o homem teria de conviver com antigos adversários, com o objetivo da reconciliação. Se os reconhecesse, encontraria dificuldades para estabelecer os vínculos afetivos necessários ao entendimento mutuo. Na qualidade de ofensor poderia se sentir humilhado e, na qualidade de ofendido, magoado ou irado. Por outro lado, o conhecimento de um passado faustoso poderia avivar o orgulho humano, enquanto que um passado de miséria ou de erros terríveis, poderia causar desnecessária humilhação e talvez o remorso viesse a paralisar todas as iniciativas no bem. Para que o homem progrida espiritualmente e cumpra o programa de trabalho que assumiu ao renascer no corpo físico, não é necessária a lembrança das experiências anteriores. Na forma de intuições e impressões, o Espirito encarnado tem por

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advertência, a não reincidir no erro, as lições do passado, impressas na própria consciência, bem como as bons resoluções que tomou no sentido de sua melhoria interior As tendências instintivas e, em alguns casos, o tipo de vicissitudes e provas que sofre também podem esclarecer o homem sobre seu passado e sobre a natureza dos esforços que tem de envidar para sua evolução. A observação de suas más inclinações e das dificuldades por que passa permitirá que saiba o que foi, o que fez e o que necessitará fazer para se corrigir. ANEXO ROTEIRO PARA O ESTUDO EM GRUPO APÓS A LEITURA REFLEXIVA DA SÍNTESE DO ASSUNTO, RESPONDA AS SEGUINTES QUESTÕES: 01. A vida na matéria propicia o aperfeiçoamento do espírito através das provas necessárias ao seu adiantamento moral Exemplifique em que situação um Espírito poderá não se adiantar moralmente (mantendo-se estacionário) apesar de ser submetido à provas expiatórias. 02. Segundo o Código Penal Brasileiro e a medicina oficial, aborto e considerado crime a partir do segundo ou terceiro mês de gestação, conforme o caso. ; Qual a posição do Espiritismo a este respeito? Justifique a resposta. 03. A união da alma com o corpo efetua-se por meio do envoltório fluídico e semimaterial, o perispírito, o qual servirá de ligação entre o Espirito e a matéria. Pela ação dos benfeitores espirituais e do Espírito reencarnante o perispírito é reduzido, condensado e se assimila às moléculas materiais. Com base no texto lido, relate em que condições se encontra o Espirito entre o momento da concepção e o nascimento. 04. 0 esquecimento do passado não e absoluto. Em algumas pessoas as reminiscências se avivam através do desligamento parcial pelo sono ou pelas manifestações das tendências instintivas. A recordação de existências pretéritas poderia apresentar grandes inconvenientes para a reeducação dos indivíduos e para o progresso da Humanidade. De que maneira o esquecimento do passado representaria a manifestação da misericórdia divina? 15 - Objetivos da reencarnação.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Identificar na reencarnação a manifestação da justiça divina. Citar alguns fatos que comprovem experimentalmente a reencarnação. Relatar os benefícios da idéia reencarnacionista para a humanidade. ~ IDÉIAS PRINCIPAIS "(...) Todos os Espíritos tendem para a perfeição e Deus lhes faculta os meios de alcança-la, proporcionando-lhes as provações da vida corporal. Sua justiça' porem lhes concede realizar, em novas existências, o que não puderam fazer ou concluir numa primeira prova. (...)" (1) . A doutrina da reencarnação é "(...) a única que pode explicar o futuro e firmar as nossas

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esperanças, pois que oferece os meios de resgatarmos os nossos erros por novas provações. A razão no-la indica e os Espíritos a ensinam. (...)'' (1) . Vários são os fatos que comprovam a reencarnação: as comunicações mediúnicas, as experiências de regressão de memória e a manifestação das personalidades múltiplas, verificáveis através de documentos (históricos, bíblicos, científicos). FONTES DE CONSULTA. BÁSICAS 01. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 87 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Perg. 171. COMPLEMENTARES 02. DENIS, Léon. A lei dos destinos. In: _ . O problema do ser. do destino e da dor. 11. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979. p. 299. 03. Idem - As vidas sucessivas. Provas históricas. In: O problema do Ser. do destino e da dor. 11. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979, ~. 04. Op. cit., p. 269. 05. XAVIER, Francisco Cândido. Reencarnação. In: Missionários da luz. Ditado pelo Espirito André Luiz. 14. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1981. p. 223. 06. . Reencarnação. In: . Religião dos Espíritos. pelo Espirito Emmanuel. 4. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978, p.61. OBJETIVOS DA REENCARNAÇÃO A reencarnação revela a Justiça divina porque não permite que sejamos condenados eternamente por erros que a ignorância nos fez cometer. Abre-lhes, Deus, ao contrario, uma porta para o arrependimento. Haveria grande injustiça, daquele que é o nosso Pai e Criador, se não nos desse chances de reparar as faltas cometidas muitas vezes em momentos impensados, frutos da nossa cegueira e imperfeição espiritual. ( .,, ) Não são filhos de Deus todos os homens? Só entre os egoístas se encontram a Iniqüidade, o ódio implacável e os castigos sem remissão." Todos os Espíritos tendem para a perfeição e Deus Ihes faculta os meios de alcançá-la, proporcionando-lhes as provações da vida corporal. Sua Justiça, porém, Ihes concede realizar, em novas existências, o que não puderam fazer ou concluir numa primeira prova. Não obraria Deus com equidade nem de acordo com a sua bondade, se condenasse para sempre os que talvez hajam encontrado, oriundos do próprio meio onde foram colocados e alheios à vontade que os animava, obstáculos ao seu melhoramento. (...) ( 1 ) A razão rejeita a unicidade da existência humana porque vai contra a justiça bondade e sabedoria de Deus. Ao contrário, a idéia reencarnacionista, isto é, a que consiste em admitir para o Espírito muitas existências sucessivas, é a única que corresponde à idéia que formamos da justiça de Deus para com os homens que se acham em condição moral interior; a única que pode explicar o futuro e firmar as nossas esperanças, pois que nos oferece os meios de resgatarmos os nossos erros por novas provações. A razão no-la indica e os Espíritos a ensinam. (...)" (1) Alem do mais, a doutrina da reencarnação é enormemente consoladora, pois faz com que o homem veja em seu Criador, não um Deus vingador e parcial, mas um Pai amigo e justo. A criatura se envolve em esperanças de viver dias futuros de felicidade, após a quitação das dívidas contraídas perante a Bondade Suprema. Não obstante o renascimento físico ser um recurso sublime que auxilia a evolução do homem, "reencarnação nem sempre é sucesso expiatório, como nem toda luta no campo físico expressa punição. Suor na oficina é acesso a competência. Esforço na escola e aquisição de cultura.(...)" (6) " (...) Ao renascermos na Crosta do Mundo, recebemos com o corpo uma herança sagrada, cujos valores precisamos preservar, aperfeiçoando-o. As forças físicas devem evoluir como as nossas almas. Se nos oferecem o vaso de serviço para novas experiências de elevação, devemos retribuir, com o nosso esforço, auxiliado-as com a luz de nosso respeito e equilíbrio espiritual , no campo de trabalho e educação orgânica. O homem do ,futuro compreenderá que as suas células não representam apenas segmentos de carne, mas companheiras de evolução, credoras de seu reconhecimento e auxilio efetivo . (...) " ( 5 ) A crença nas vidas sucessivas, não é coisa nova, criada pela Doutrina Espírita."(...) Esta

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doutrina domina toda a antigüidade. Vamos encontrá-la no âmago das grandes regiões do Oriente e nas obras filosóficas mais puras e elevadas. Guiou na sua marcha as civilizações do passado e perpetuou-se de idade em idade.(...) Oriunda da Índia, espalhou-se pelo mundo. Muito antes de terem aparecido os grandes reveladores dos tempos históricos, era ela formulada nos Vedas e notadamente no "Bhagava Gita". O Bramanismo e o Budismo nela se inspiraram (...)" (3). "(...) O Egito e a Grécia adotaram a mesma doutrina. A sombra de um simbolismo mais ou menos obscuro, esconde-se por parte a universal palingenesia (...)" doutrina reencarnacionista . (4) A reencarnação foi provada através de experiências realizadas por eminentes sábios e pesquisadores de renome. Citaremos, a seguir, alguns fatos extraídos de diversas obras. No livro "O Fenômeno Espírita", Gabriel Dellane, entre outras, relata no capítulo 2, a manifestação do Espírito Abraham Florentino ocorrida numa sessão mediúnica organizada pelo professor Stainton Moses, da universidade de Oxford. O referido Espírito não só provou sua existência e sobrevivência após a morte, como citou o local (Nova Yorque), a data (5 de agosto de 1874), a idade (83 anos, 1 mês e 17 dias) da desencarnação e sua participação na guerra de 1812. Feita uma pesquisa no quartel-general do estado de Nova Iorque, comprovou-se a veracidade das afirmações do Espirito. No capítulo 4 da obra citada, destacam -se as experiências realizadas pelo famoso sábio inglês William Crookes: as materializações espirituais, ocorridas através da médium Florence Cook , permitindo a materialização do Espírito Kate King, são, particularmente, extraordinários. Este espírito mostrou-se, ao longo de três anos, aos olhos dos encarnados e se submeteu a disciplinadas experiências do professor, como instrumento do Plano Elevado, numa missão importantíssima de provar a imortalidade da alma e a doutrina das vidas sucessivas. A recordação de existências passadas têm-se mostrado um meio, senão o melhor, pelo menos um dos mais completos, para provar a reencarnação. Léon Denis, na obra "O problema do Ser, do destino e da dor", capitulo 14, 2a parte, nos transmite as experiências de regressão da memória, ocorridas sob efeitos hipnóticos ou através de estados mórbidos, como por exemplo nas doenças. Neste livro, há o relato de um caso feito por Dr. Henri Frieborn - e publicado na famosa revista medica inglesa "Lancêt'' , onde uma mulher de 70 anos de idade, gravemente enferma por uma bronquite, entra num estado de delírio e alem de falar numa língua desconhecida (indostânica), recita versos de uma antiga cantiga hindu para adormecer crianças, revelando, assim, existência anterior na Índia. Muito interessante, no entanto, e a experiência narrada no Congresso Espirita de Paris, em l900, por experimentadores espanhóis e também constante na obra anteriormente citada: Fernandes Colavida, presidente do Grupo de Estudos Psíquicos de Barcelona, magnetiza um determinado médium, o qual, alem de regredir ã juventude e infância, conta como foi sua vida no Espaço e sua morte, na ultima reencarnação. Neste estado consegue regredir quatro encarnações anteriores. O Espiritismo mantém, nos seus -arquivos, um numero surpreendente de fatos que comprovam experimentalmente a reencarnação. Recomendamos a leitura das seguintes obras, alem das citadas: A Reencarnação e suas provas de Carlos Imbassahy e Flãrio Cavalcante de Melo, publicada pelo Livraria da Federação Espirita do Paraná; " 20 casos sugestivos de reencarnação", de Ian Stevenson, publicada pela Editora Difusora Cultural, São Paulo, l970 e Reencarnação Imortalidade ", de Hermínio Miranda, FEB, 1976. A teoria reencarnacionista, comprovada experimentalmente, só tem trazido benefícios para todos aqueles que a aceitam. (...) A alma vê claramente seu destino, que é a ascensão para a mais alta sabedoria, para a luz mais viva. A equidade governa o mundo; nossa felicidade está em nossas mãos; deixa de haver falhas no Universo, sendo o seu alvo a Beleza, seus meios a justiça e o amor. Dissipase, portanto, todo temor quimérico, todo o terror do Alem. Em vez de recear o futuro, o homem saboreia a alegria das certezas eternas. Confiado no dia seguinte, multíplicam-se-lhe as forças; seu esforço para o bem será centuplicado. (...)" (2) ANEXO ROTEIRO PARA O TRABALHO EM GRUPO 01. A razão rejeita a unicidade da existência humana, por que vai contra a justiça, bondade e sabedoria de Deus. Ao contrário, o ensino reencarnacionista e o único que corresponde a idéia de justiça de Deus para com os homens, que se acham em condição moral inferior.

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COM BASE NAS AFIRMAÇÕES ACIMA, E NA LEITURA DA SÍNTESE, IDENTIFIQUE O QUE A REENCARNAÇÃO EVIDENCIA COM TODA A PROPRIEDADE, 02. As da comunicações mediúnicas, os fenômenos de regressão memória e a manifestação das personalidades múltiplas comprovam experimentalmente a teoria reencarnacionista. QUE OUTRO MOTIVO (E INDEPENDENTE DOS FATOS COMPROBATÓRIOS) PODERIA NOS PROVAR A REENCARNAÇÃO? 03. A crença nas vidas sucessivas, não e coisa nova, criada pela Doutrina Espirita. Esta doutrina tem origem na mais remota antigüidade, principalmente entre os povos do Oriente. Hoje toma o Ocidente, graças a Doutrina Espírita que a tem como um dos seus princípios básicos. CONSIDERANDO SUA LONGA TRAJETÓRIA, ASSINALE QUAIS OS BENEFÍCIOS QUE A TEORIA REENCARNACIONISTA TROUXE E TRARÁ AINDA PARA A HUMANIDADE.

16 - Justiça e necessidade da reencarnação.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS. Estabelecer diferença entre ressurreição e reencarnação. Comentar o diálogo ocorrido entre Jesus e Nicodemos (João, 3: 1-12). Citar as características das encarnações nos mundos superiores e inferiores. IDÉIAS PRINCIPAIS "(...) A ressurreição da idéia de voltar à vida o corpo que já está morto, o que a Ciência demostra ser materialmente impossível(...). A reencarnação é a volta da alma ou Espirito à vida corpórea, mas em outro corpo formado para ele e que nada tem de comum com o antigo. (...)" (3) "(...) Sob o nome de ressurreição, o principio da reencarnação era ponto de uma das crenças fundamentais dos judeus , ponto que Jesus e os profetas confirmaram de modo formal; donde se segue que negar a reencarnação e negar as palavras do Cristo ( ..)" (4) A encarnação nos diferentes mundos do universo guarda relação com o grau evolutivo de tais mundos. No entanto, "a bem dizer, a encarnação carece de limites precisa mente traçados, se tivermos em vista apenas o envoltório que constitui o corpo do Espírito, dado que a materialidade desse envoltório diminui a proporção que o Espirito purifica. Em certos mundos mais adiantados do que a Terra, já ele e menos compacto, menos pesado e menos grosseiro e, por conseguinte, menos sujeito a vicissitudes. (...)" (5) FONTES DE CONSULTA. BÁSICAS 01. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Perg. 172. 02. Op. cit., perg. 182. 03. . Ninguém poderá ver o reino de Deus se não nascer de novo. In: O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro. 87. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Item 4. 04. Op. cit., item 16. 05. Op. cit., item 24. COMPLEMENTARES 06. DENIS, Léon. As vidas sucessivas. A reencarnação e suas leis. In: O problema do ser. do destino e da dor. 11.- ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979. p 163. 07. Op. cit., p. 165. 08. Op. cit., p. 166. 09. Op. cit., p. 167 "A alma, depois de residir temporariamente no Espaço, renasce na condição humana, trazendo consigo a herança, boa ou má, do seu passado; (...) reaparece na cena terrestre para (...) pagar as dívidas que contraiu, conquistar novas capacidades que lhe hão de facilitar a ascensão, acelerar a marcha para a frente. A lei dos renascimentos explica e completa o princípio da imortalidade. (6) Não se pode compreender que o Espírito , -destinado à perfeição, consiga realizar toda sorte de progresso numa só existência física. Os próprios fatos do dia-a-dia rejeitam tal idéia. "(...) Devamos ver na pluralidade das vidas da alma a condição necessária de sua educação e

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seus progressos. É à custa dos próprios esforços, de suas lutas, de seus sofrimentos, que ela se redime de seu estado de ignorância e de inferioridade e se eleva, de degrau em degrau,(...)" caminho das inúmeras habitações do Universo. (...) Cada um leva para a outra vida e traz, ao nascer, a semente do passado, (...)" (7) Somos hoje, o resultado das experiências vividas no passado, como seremos amanhã, o produto das nossa ações de boje. "(...) Nem todas as almas tem a mesma idade, nem todas subiram com o mesmo passo seus estados evolutivos. Umas percorreram ma carreira imensa e aproximaram-se já do apogeu dos progressos terrestres; outras mal começam o seu ciclo de evolução no seio das humanidades. Estas são as almas jovens, emanadas há menos tempo do Foco Eterno. (...) Chegadas à humanidade, tomarão lugar entre os povos selvagens ou entre as raças bárbaras que povoam os continentes atrasados, as regiões deserdadas do Globo. E. quando, afinal, penetram em nossas civilizações ainda facilmente se deixam reconhecer péla falta de desembaraço, de jeito, pela sua incapacidade para todas as coisas e, principalmente, pelas suas paixões violentas. (...),'(87 "(...) Assim, no encadeamento das nossas estações terrestres, continua e completa-se a obra grandiosa de nossa educação, o moroso edificar de nossa individualidade de mossa personalidade moral. ~ por essa razão que a alma tem de encarnar sucessivamente nos meios mais diversos, em todas as condições sociais;" (9) e passando alternadamente pelas vidas de pobreza ou riqueza, pelas experiências de renuncias e de trabalho, que irá compreendendo a transitoriedade dos bens materiais e desenvolvendo valores espirituais superiores. "(...) São necessárias as existências de estudo, as missões de dedicação, de caridade, por via das quais se ilustra a inteligência e o coração se enriquece com a aquisição de novas qualidades; virão depois as vidas de sacrifício pela família, pela pátria, pela Humanidade.(...)" (9) Ocorrerão por certo, existências onde o orgulho e o egoísmo serão abafados através das provas dolorosas de resgate do passado de erros. Assim se define, pois, a pluralidade das existências, ou reencarnação ou palingenesia :É uma lei natural, necessária ao aperfeiçoamento humano. "A reencarnação fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o nome de ressurreição. Só os saduceus (seita judia, formada por volta do ano 248 A.C., cujo fundador foi Sadoc , cuja crença era a de que tudo acaba com a mor te, não acreditavam nisso.(...)" (3) Os judeus não tinham idéias precisas a respeito do mecanismo da ligação da alma ao corpo e mesmo sobre a imortalidade do Espírito. " ( . . . ) Criam eles que um homem que vivera podia reviver, sem saberem precisamente de que maneira o fato poderia dar-se. Designavam pelo termo ressurreição o que o Espiritismo, mais judiciosamente chama de reencarnação. Com efeito, a ressurreição dá idéia de voltar à vida o corpo que já esta morto, o que a Ciência demonstra ser materialmente impossível, sobretudo quando os elementos desse corpo já se acham desde muito tempo dispersos e absorvidos. A reencarnação é a volta da alma ou espírito à vida corpórea, mas em outro corpo especialmente formado para ele e que nada tem de comum com o antigo. A palavra ressurreição podia assim apllcar-se a Lázaro, mas não a Elias, nem aos outros profetas. ''A idéia de que João Batista era o Espirito de Elias reencarnado, tornou-se tão firme nos discípulos de Jesus, que não admitiam absolutamente duvida a respeito. E é de notar que o Senhor não dissuadiu seus discípulos desse pensamento; ao contrário' confirmou-o, categoricamente: "Se vós quereis compreender João Batista é o Elias que há de vir" (Mateus ll, 14 e 15)' (10) Quando Jesus disse a Nicodemos: "Em verdade, em verdade, digo-te: Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo" e ante a estranheza do senador dos judeus de como tal situação poderia ocorrer, Jesus replicou como que surpreendido:" Como pode isso fazer-se? Pois que' es mestre em Israel e ignoras estas coisas? Digo-te em verdade, que não dizemos senão o que sabemos e que não damos testemunho, senão do que temos visto. Entretanto, não aceitas o nosso testemunho -- Mas, se não me credes, quando vos falo das coisas da Terra, como me crereis, quando vos fale das coisas do céu ? (João, 3: 1 a 12), quis mostrar que a crença na reencarnação é um ensinamento obvio, natural, inerente ã evolução do próprio homem. Jesus ensinou a Doutrina das vidas sucessivas a Nicodemos, pregando-a a toda a Humanidade, porque somente através da reencarnação, o homem sabe quem e, donde veio e para onde vai. "Não há, pois, duvidas de que, sob o nome de ressurreição, o princípio da reencarnação era ponto de umas das crenças fundamenteis dos judeus, ponto que Jesus e os profetas confirmaram de modo formal; donde se segue que negar a reencarnação é negar as palavras

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do Cristo. (...)" (4) Não encarnamos e reencarnamos apenas no planeta Terra; "não; vivemo-las em diferentes mundos. As que aqui passamos não são as primeiras, nem as ultimas; são, porem, das mais materiais e das mais distantes da perfeição."(4) " A bem dizer, a encarnação carece de limites precisamente traçados, se tivéssemos em vista apenas o envoltório que constitui o corpo do Espírito, dado que a materialidade desse envoltório diminui à proporção que o Espírito se purifica. Em certos mundos mais adiantados do que a Terra, já ele é menos compacto, menos pesado e menos grosseiro e , por conseguinte, menos sujeito a vicissitudes. Em grau mais elevado, é diáfano e quase fluídico. Vai desmaterializando-se de grau em grau e acaba por se confundir com o perispírito. (...)(5) A constituição do perispírito está em função da natureza de cada mundo. "(...) O próprio perispírito passa por transformações sucessivas. Torna-se cada vez mais etéreo, até ã depuração completa, que e a condição dos puros Espíritos.(...)" A encarnação, tal como ocorre na terra é a mesma que se observa nos mundos inferiores. Nos mundos superiores, onde só imperam o sentimento de fraternidade e estando os seus habitantes livres das paixões grosseiras que ocorrem em mundos atrasados, os Espíritos gozam de uma encarnação bem mais feliz e nenhum temor têm da morte. "(...) A duração da vida, nos diferentes mundos, parece guardar proporção com o grau de superioridade física e moral de cada um, o que e perfeitamente racional. Quanto menos material o corpo, menos sujeito as vicissitudes que o desorganizam. Quanto mais puro o Espirito, menos paixões a dominá-lo. É essa uma graça da Providencia, que desse modo abrevia os sofrimentos." (2)

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6ª Unidade Pluralidade dos mundos habitados
17 - Diferentes categorias de mundos habitados.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS. Interpretar o significado da expressão evangélica: "Há muitas moradas na Casa do Pai". (João, 14: 1 a 3) Citar as diferentes categorias de mundos habitados, caracterizando-os. IDÉIAS PRINCIPAIS "A Casa do Pai é O Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço, infinito e oferecem aos Espíritos que neles encarnam, moradas correspondentes ao adiantamento dos mesmos Espíritos.(...)" (1) "Do ensino dado pelos Espíritos. Resulta que muito diferentes uma das outras são as condições dos mundos, quanto ao grau d adiantamento ou de inferioridade dos seus habitantes. Entre eles há os que estes últimos são inferiores aos da Terra, física e moralmente; da mesma categoria que o nosso; e outros que lhe são mais ou menos superiores a todos os respeitos, (...)(2) FONTES DE CONSULTA. BÁSICAS. 01. KARDEC, Allan. HÁ muitas Moradas na casa do Pai. In: . O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro. 87. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. item 2. 02. Op. cit., item 3. 03. Op. cit., item 4. 04. Id - em O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. perg. 55. COMPLEMENTARES 05. CALLIGARIS, Rodolfo. Na casa de meu Pai há muitas moradas. In: Páginas de Espiritismo Cristão. 2. ed., Rio de Janeiro, FEB, 06. Op. cit., p.17 07. Op. cit., p.18, 19. A Doutrina Espírita ensina que todos os globos do Universo são habitados, apesar da não comprovação da Ciência Oficial. (...)Deus povoou de seres vivos os mundos, concorrendo todos esses seres para o objetivo final da Providência Acreditar que só os haja no planeta que habitamos tora duvidar. da sabedoria de Deus, que não fez coisa alguma Inútil. Certo, a esses mundos há de Ele ter dado uma desatinação mais séria do que a de nos recrearem a vista. Alias, nada há, nem na posição, nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa induzir suposição de que ela goze do privilégio de ser habitada. com exclusão de tantos milhares de milhões de mundos semelhantes. (4 ) Quando Jesus disse: "Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Há muitas moradas na casa de meu Pai ; se assim não fosse, já eu vo-lo teria dito, pois me vou para vos preparar o lugar. Depois que me tenha ido e que vos houver preparado o lugar, voltarei e vos retirarei para mim, a fim de que onde eu estiver, também vós ai estejais" (João, 14: 1 a 3), estava nos ensinando o princípio da pluralidade das existências, de uma maneira cristalina, para não deixar dúvidas. "(...) A casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito e oferecem, aos Espíritos que neles encarnam, moradas correspondentes ao adiantamento dos mesmos Espíritos. (...)" (1) Em função disto, diversa é a constituição física de cada mundo e, consequentemente, dos seus habitantes. Cada mundo oferece aos seus habitantes condições adequadas e próprias a vida planetar. As necessidades vitais num planeta poderão não ser as mesmas, e ate opostas noutro.

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"O mundo que habitamos faz parte de um séquito de planetas e asteróides que acompanham o sol em sua viagem pela vastidão incomensurável do espaço.(...)" (5) Mesmo assim, as distancias entre estes planetas, que formam o nosso sistema planetário, são imensas. Para se ter idéia, enquanto a Terra gesta aproximadamente 365 dias para promover uma volta ao redor do sol, existem planetas que gastam para completar uma -revolução ao redor do sol entre 88 dias e 25 anos terrestres. (5) "Nosso sistema planetário, todavia, não ocupa senão um ponto ínfimo no universo. Haja visto que ele pertence a um agrupamento estelar, ou galáxia, chamada Via-Láctea, onde existem mais ou menos 40 bilhões de estrelas, algumas das quais tão grandes, mas tão grandes, que uma só toma espaço igual ao ocupado pelo sol e quase todos os planetas que este arrasta consigo. (...)"(6) Vale a pena considerar que o nosso sistema planetário não é somente um ponto pequeníssimo na Via Láctea mas está colocado quase no seu final. Uma das galáxias mais próxima, da Terra é "(...) denominada Nebulosa de Andrômeda, dista do nosso sistema solar cerca de 680 mil anos-luz.(...). Ora, se o universo tem tais dimensões e se o numero de planetas que nele existe deve contarse pela ordem de trilhões ou mais, não constitui uma ingenuidade, ou pior, uma falta de inteligência, supor que apenas a Terra seja habitada por seres racionais ? Teria Deus criado tudo isto, apenas para recrear a vista dos terrícolas ? Claro que não, pois Deus nada faz sem um fim útil. Os mundos que gravitam no espaço infinito, tal o ensino do Espiritismo, são as diferentes moradas da casa do Pai celestial (João, 14:2), onde outras Humanidades, em vários graus de adianta. mento, encontram habitação adequada ao seu avanço . ( .,, ) " ( 7 ) Do ensino dado pelos Espíritos, resulta que muito diferentes umas das outras são as condições dos mundos, quanto ao grau de adiantamento ou de inferioridade dos seus habitantes. Entre eles há os que são inferiores a Terra, física e moralmente; outros. da mesma categoria que o nosso e outros que Ihe são mais ou menos superiores a todos os respeitos. Nos mundos inferiores, a existência é toda material, reinam soberanas as paixões, sendo quase nula a vida moral. A medida que esta se desenvolve, diminui a influencia da matéria, de tal maneira que, nos mundos mala adiantados, a vida é, por assim dizer, toda espiritual. Evidentemente que não podemos fazer uma classificação absoluta das categorias dos mundos habitados mas Kardec nos oferece uma que nos permite uma visão geral sobre o assunto: "(,..) Mundos primitivos, destinados as primeiras encarnações da alma humana; mundos de expiação e provas; onde domina o mal; mundos de regeneração, nos quais as almas que ainda tem o que expiar haurem novas forças, repousando das fadigas da luta; mundos ditosos, onde o bem sobrepuja o mal, mundos celestes ou divinos, habitações de Espíritos depurados, onde exclusivamente reina o bem. A Terra pertence à categoria dos mundos de expiação e provas, razão por que ai vive o homem a braços com tantas misérias."(3) "(...) Mundos primitivos, destinados às primeiras encarnações da alma humana, a vida, toda material, se limita à luta pela subsistência, o senso moral é quase nulo e, por isso mesmo, as paixões reinam soberanamente. Nos mundos intermediários, seus habitantes caracterizam-se por uma mescla de virtudes e de defeitos, e dai a alternância de mementos alegres e felizes com horas de amargura e de sofrimento. Já noa mundos superiores, o bem sobrepuja o mal, e, nos mundos celestes ou divinos, morada de Espíritos depurados, a felicidade é completa, de vez que todos hão alcançado o cume da sabedoria e da bondade" (7) ANEXO ESTUDO DIRIGIDO APÓS A LEITURA REFLEXIVA DA SÍNTESE DE .ASSUNTO, FAÇA 0 QUE SE PEDE (VOLTE A CONSULTAR A SÍNTESE SE JULGAR NECESSÁRIO) I - ASSINALE A ASSERTIVA VERDADEIRA: 01. A Ciência Oficial vê na pluralidade dos mundos habitados uma: ( ) Hipótese com fundamentos teóricos e já comprovados. ( ) Hipótese não comprovada experimentalmente. ( ) Hipótese comprovada experimentalmente. ( ) Hipótese sem fundamentos teóricos. ( ) Hipótese cuja comprovação não está a cargo da Ciência atual ( ) Todas as assertivas são falsas

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02. A crença na pluralidade dos mundos habitados e um princípio básico da Doutrina Espírita fundamentada nos ensinamentos: ( ) De Moisés. ( ) De Allan Kardec. ( ) Dos Espíritos. ( ) De Jesus. ( ) Do Consolador Prometido. ( ) Todas as assertivas são verdadeiras. 03. O Sistema Solar, do qual a Terra faz parte, e constituído de asteróides, 09 planetas (*) uma estrela de 5ª grandeza _ o sol , de onde se recebe luz e calor, e está situado na via-láctea. Em função disto: ( ) bem provável que haja vida nos planetas vizinhos ao nosso. ( ) pouco provável que não haja vida nos planetas do Sistema Solar. ( ) Havendo vida na Terra e nos demais planetas do Sistema Solar, e provável que haja vida nos diversos Sistemas ( ) Todas as alternativas estão corretas. ( ) Só a primeira assertiva e verdadeira. 04. O nosso planeta e um mundo: ( ) Destinado as primeiras encarnações humanas. ( ) A caminho da categoria de regeneração. ( ) Onde o bem e o mal estão em pé de igualdade. ( ) Somente as duas primeiras assertivas estão corretas. ( ) Somente a 2ª e 3ª. assertivas estão corretas. Ver "Astronomia e Astronáutica" de Ronaldo R. F. Mourão (Rio , 1978, Livraria Francisco Alves Editora, 1a. edição), pp. 104 -106, artigo "O décimo planeta é apenas um astro, e muito pequeno" I I - RESPONDA: 01. Ante os ensinamentos espíritas, o que Jesus quis dizer com: "Na casa do Pai há muitas moradas''? 02. Citar as diferentes categorias de Mundos habitados, descrevendo-os: 03. Por que as condições físicas e morais dos seres que habitam os diferentes mundos não são as mesmas 04. Qual terá sido a finalidade maior de Deus ao ter criado incontáveis mundos e formas de vidas no Universo? Ill - ENUMERE A COLUNA DA DIREITA, DE ACORDO COM A DA ESQUERDA: 1 2 3 4 5 6 7 8 Mundos Primitivos Mundos ditosos Mundos de expiações e provas Mundos de regeneração Mundos celestes ou divinos Mundos onde as paixões reinam soberanas Mundos onde há uma mescla de defeitos e virtudes Mundos onde o bem sobrepuja o mal . Gabarito. I - 1b, 2d, 3d , 4b II ( ) Mundos onde o bem sobrepuja o mel. ( ) Mundos nos quais as almas, que ainda tem o que expiar, haurem novas forcas.

( ) Mundos intermediários ( ) Mundos superiores ou ditosos. ( ) Mundos primitivos . ( ) Destinados as primeiras encarnações da alma humana.

( ) Habitações de Espíritos depurados. ( ) Mundos onde domina o mal. É a categoria a que pertence a Terra.

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01- Enunciou o princípio da pluralidade dos mundos habitados. "Muitas moradas" são as diferentes categorias de mundos habitados . "Casa do Pai" e o Universo. 02. Mundos primitivos: Destinados as primeiras encarnações humanas. Mundos de Expiação e provas: Onde domina o mal Mundos de Regeneração: Nos quais as almas, que ainda têm o que expiar, haurem novas forças, repousando das fadigas da luta. Mundos Ditosos: Onde o bem sobrepuja o mal . Mundos Celestes ou divinos: habitações de Espíritos depurados, onde exclusivamente reina o bem. 03. As condições de existência dos seres que habitam os diferentes mundos hão cie ser adequadas ao meio em que lhes cumpre viver " (L.E. pergunta 58) . 04 Para o objetivo final da Providencia Divina. III - 2, 4, 7, 8, 6, 1, 5, 3

18 - Mundos transitórios.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS. Conceituar mundos transitórios. Esclarecer a finalidade da existência de mundos transitórios. Estabelecer a diferença entre colônias espirituais e mundos transitórios. IDÉIAS PRINCIPAIS "(...) HÁ mundos particularmente destinados aos seres errantes, mundos dos que lhes podem servir de habitação temporária (...). São, entre os outros mundos, posições intermediárias, graduadas de acordo com a natureza dos Espíritos que a eles podem ter acesso e onde eles gozam de maior ou menor bem.- estar. (...) (1) "(...) Os que vão a tais mundos levam o objetivo de se instruírem e de poderem mais facilmente obter permissão para passar a outros lugares melhores e chegar à perfeição que os eleitos atingem." (2) As regiões espirituais, também denominadas zonas, colônias ou esferas, correspondem às coletividades desencarnadas existentes nos planos dos Espíritos e vinculados a este ou aquele planeta. FONTES DE CONSULTA. BÁSICAS. 01. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Perg. 234. 02. Op. cit., perg. 235. 03. Op. cit., perg. 236. COMPLEMENTARES 04. MARTINS PERALVA. Mundos habitados. In: . O pensamento de Emmanuel 2. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978. p. 23-24. 05. Op. cit., p. 26-27. 06. XAVIER, Francisco Cândido. A chegada. In: . Voltei. Ditado pelo Espirito Irmão .Jacob. 7. ed. Rio de Janeiro, FEB, 979. p.82-83. 07. Idem - . 0 Consolador. Ditado pelo Espirito Emmanuel. 8ª ed. Rio de janeiro, FEB, 1980. perg. 244 08. Idem - . No mundo maior. Ditado pelo Espirito André Luiz. 8 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979. p. 15. 09. Idem - . Nova moradia. In: . Voltei. Ditado pelo Espírito Irmão Jacob 7. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979. p. 102-103. 10. Idem - . Numa cidade estranha. In: . Libertação. Pelo Espírito André Luiz. 8. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980. p. 52-53. No capítulo 06, de "o Livro dos Espíritos", intitulado "Da vida Espírita, existem 3 questões (234, 235 e 236) que se referem aos mundos transitórios assim especificados São (.. )mundos particularmente destinados aos seres errantes, mundos que lhes podem servir de habitação temporária, espécies de bivaques, de campos onde descansem de uma demasiada longa erraticidade, estrado este sempre um tanto penoso. São entre outros mundos, posições Intermediárias. graduadas de acordo com a natureza dos Espíritos que a

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elas podem ter acesso e onde eles gozam de maior ou menor bem estar.(...)" (11) Os mundos transitórios não se prestam a encarnação de seres corpóreos porque "(...) estéril e neles a superfícies os que os habitam de nada precisam.(...)" (3) E mesmo esta esterilidade é igualmente transitória. A Terra, por exemplo, já foi mundo transitório durante a sua formação". (3) Hoje é classificado como planeta de expiações e provas, prestando-se, portanto, à encarnação e reencarnação de Espíritos necessitados de passarem pelas vicissitudes que o planeta oferece. Circunvizinhando a Terra, no plano extra-físico, existem regiões ou esferas espirituais de diferentes graus evolutivos, caracterizando-se desde simples postos a verdadeiras cidades espirituais. Essas regiões se dividem gradativamente em lugares de sofrimento e ignorância até aqueles onde o Espírito, em estado de maior entendimento, e feliz. "Considerando a penitência em sua feição expiatória, existem numerosos lugares de provações na esfera para vós invisível, destinados à regeneração e preparo de entidades perversas ou renitentes no crime, a fim de conhecerem as primeiras manifestações do remorso e do arrependimento, etapas iniciais da obra de redenção. (...)" (7) Estas fazem parte das chamadas zonas inferiores. A série "André Luiz" nos esclarece a respeito destas diversas regiões espirituais. Na obra "Libertação", cap. 4, há referência sobre uma cidade situada "no vasto domínio das trevas" limítrofe com a Terra, assim descrita por André Luiz. :' ( ., . } A claridade solar jazia diferençada. Fumo cinzento cobria o céu em toda a sua extensão. A volitação fácil se fizera Impossível. A vegetação exibia aspecto sinistro e angustiado. As árvores não se vestiam de folhagem farta e os galhos, quase secos, davam a idéia de braços erguidos em suplicas dolorosas. Aves agoureiras, de grande tamanho, de urna espécie que poderá ser situada entre os corvídeos crocitavam em surdina. semelhando-se a pequenos monstros alados espiando presas ocultas. O que mais contristava, porém , não era o quadro desolador, mais ou menos semelhante a outros de meu conhecimento, e, sim, os apelos cortantes que provinham dos charcos. Gemidos tipicamente humanos eram pronunciados em todos os tons (...)(10) parei aqui. No Livro "No Mundo Maior" da mesma serie, André Luiz nos traz noticias sobre uma ''organização de assistência em zona intermediária atendendo a estudantes relativamente espiritualizados, pois ainda jungidos ao círculo carnal e a discípulos recém libertos do campo físico. A enorme instituição,"(...) regurgitava de almas situadas entre as esferas inferiores (...)" (8) e as superiores, gente com imensidão de problemas e de indagações de toda a espécie. No livro '' Voltei ", do Irmão Jacob, o autor nos fala sobre uma colônia espiritual, situada em esferas mais elevadas: "(...) A estrada que percorríamos marginava -se de flores, algumas delas como que talha das em radiosa substância, o que convertia a paisagem numa cópia do firmamento. Arvores próximas pareciam cobertas de estrelas.(...) A que país, afinal, fora eu arrebatado pela morte? Teria subido a Terra ao Céu ou teria o Céu baixado para a Terra? (...)"(6) (...) Vi desdobrar-se ante meus olhos enlevados a paisagem flórida e brilhante de um burgo feliz. (...) Atravessávamos extensas e formosas avenidas marginadas por vegetação caprichosa e linda, quando tive o contentamento de ver alguns pássaros marcados por peregrina beleza. Cantavam estáticos, (...) glorificando a Divindade." (9) Seriam os mundos transitórios, que a respeito deles tão pouco os Espíritos Superiores falaram a Kardec, estas mesmas colônias ou regiões espirituais que André: Luiz nos fala? E evidente que tais locais são destinados aos Espíritos desencarnados, ainda necessitados de reencarnações (portanto, Espíritos errantes) e, intimamente ligados ao nosso planeta pelas ações cometidas no pretérito. O fato de os Espíritos, que fizeram "O Livro dos Espíritos", terem afirmado que a Terra foi um mundo transitório na sua formação planetária levou Kardec a dizer que: " (...) Assim, durante a dilatada sucessão dos séculos que passaram antes do aparecimento do homem na Terra, durante os lentos períodos de transição que as camadas geológicas atestam, antes mesmo da formação dos primeiros seres orgânicos, naquela massa informe, naquele árido caos, onde os elementos se achavam em confusão, não havia ausência de vida. Seres isentos das nossas necessidades das nossas sensações físicas, lá encontravam refúgio. Quis

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Deus que, mesmo assim, ainda imperfeita, a Terra servisse para alguma coisa. Quem ousaria afirmar que entre os milhares. de mundos que giram na Imensidão um só, um dos menores, perdido no selo da multidão infinita deles, goza do privilégio exclusivo de ser povoado ? Qual então a utilidade dos demais ? Tê-los-ia Deus feito unicamente para nos recrearem a vista ? Suposição absurda, incompatível com a sabedoria que esplende em todas as suas obras e inadmissível desde que ponderemos na existência de todos os que não podemos perceber. Ninguém contestará que, nesta idéia da existência de mundos ainda impróprios para a vida material e, não obstante já povoados de seres vivos apropriados a tal meio, há qualquer coisa de grande e sublime, em que talvez se encontre a solução de mais de um problema (3) Diante dessas afirmações e da compreensão de que os Espíritos das regiões espirituais em limites com Terra necessitam voltar novamente ou encarnar pela primeira vez no nosso planeta, as colônias espirituais, descritas por André Luiz, não nos parecem ser os mesmos mundos transitórios anunciados em "O Livro dos Espíritos". Parece-nos que a obra " O Pensamento de Emmanuel" reforça esta nossa suposição quando diz: Podemos conceituar de três maneiras, para efeito de estudo, a palavra "moradas'', mencionada no Evangelho: a ) Os mundos que formam o Universo, onde outras humanidades realizam a marcha evolutiva. b ) As diversas zonas Espirituais, superiores ou inferiores, além das fronteiras físicas, onde a vida palpita com a mesma intensidade das metrópoles humanas. c ) Os vários departamentos da Mente , onde se demoram pensamentos e reações, drainas e tragédias, anseios e realidades do Espírito. Ninguém poderá imaginar quantos mundos realmente existem, habitados; mas, nenhum espírita põe dúvida em que inúmeras humanidades vivem nesses mundos, felizes, uns, infelizes, outros. Os departamentos da Mente são, a nosso ver, outras tantas "moradas individuais", como repositório das reações mais ou menos felizes das inteligências encarnadas ou desencarnadas. No que toca as diversas regiões espirituais, sabemos' que comunidades redimidas habitam zonas mais elevadas da espiritualidade, às quais obreiros dedicados são periodicamente conduzidos em processo estimulante do esforço pessoal. Em faixas vibratória mais ligadas à Terra, estacionam, temporariamente, almas ainda vinculadas às sensações e problemas da vida física, uma vez que o peso especifico de suas organizações perispirituais, apresentando certa densidade, Ihes não permitem as grandes ascensões. (...)" (5) ~ Esses mundos, como o nome indica, não teriam a superfície física eternamente estéril; como tudo no Universo evolui, eles e os Espíritos são submetidos ã lei do progresso. "(...) Os Espíritos que se encontram nesses mundos podem deixá-los, a fim de irem para onde devam ir. Figurai-os como bandos de aves que pousam numa ilha, para ai aguardarem que se lhas refaçam as forcas, a fim de seguiram seu destino". (1) Concluímos, dizendo que os mundos transitórios possivelmente fazem parte dos corpos celestes, espalhados pelo Universo, podendo ser um planeta, um satélite ou algo similar. Já regiões espirituais, também denominadas zonas, colônias ou esferas, correspondem às coletividades desencarnadas existentes nos planos dos Espíritos e vinculadas a este ou aquele planeta. * BIVAQUE: ACAMPAMENTO PROVISÓRIO

19 - A Terra: planeta de provas e expiações.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS. Explicar porque a Terra e um planeta de provas e expiações. Inferir acerca da desatinação da Terra. IDÉIAS PRINCIPAIS Chamam-se "(...) mundos de expiação e provas, onde domina o mal (...). A Terra pertence à categoria dos mundos de expiação e provas, razão porque ai vive o homem a braços com

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tantas misérias." (1) "(...) A situação material e moral da Humanidade terrena nada tem que espante, desde que se leve em conta a destinação da Terra e natureza dos que a habitam." (2) "Para que na Terra sejam felizes os homens, preciso é que somente a povoem Espíritos bons, encarnados e desencarnados, que somente ao bem se dediquem. (...) A Terra, no dizer dos Espíritos, não terá de transformar-se por meio de um cataclismo que aniquile de súbito uma geração. A atual desaparecerá gradualmente e a nova lhe sucederá do mesmo modo(...)" (6) "A época atual é de transição (. .). Cabendo-lhe fundar a era do progresso moral, a nova geração se distingue pela inteligência e razão geralmente precoces, juntas ao sentimento inato do bem e as crenças espiritualistas (...)". (7) FONTES DE CONSULTA. BÁSICAS. 01. KARDEC, Allan. HÁ muitas moradas na casa de meu Pai. In: O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro. 87. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Item 4, p. 77. 02. Op. cit; item 6, p. 78. 03. Op. cit; item 13, 14, p. 82-83. 04. Revoluções do globo. In:. A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Item 1, p. 177. 05. . São chegados os tempos. In: . A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982, item 2, p. 401-402 06. Op. cit; item 27, p. 418. 07. Op. cit; item 28, p. 419. COMPLEMENTARES 08. XAVIER, Francisco Cândido. O ConsoIador. Ditado pelo Espirito Emmanuel. 8. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980. Perg. 240. Dentre os mundos inferiores, a Terra pertence à categoria dos de expiação e provas porque aqui existe predominância do mal sobre o bem. Aqui o homem leva uma vida cheia de vicissitudes por ser ainda imperfeito havendo para seus habitantes, mais momentos de infelicidade do que de alegrias. Tal qual ocorreu com a física da Terra, a evolução caminhado gradualmente, sem descontínuos. "Os períodos geológicos marcam as fases do aspecto geral globo, em conseqüência das suas transformações. " Mas, com exceção do período diluviano, que se caracterizou por uma subversão repentina (foi época de grandes cataclismos no planeta), todos os demais transcorreram lentamente, sem transições bruscas. Durante todo o tempo que os elementos constitutivos do globo levaram para tomar posições definitivas, as mutações houveram de ser gerais(...)" (4) Assim também vem ocorrendo com a parte moral e intelectual dos espíritos que habitam a Terra. É bem verdade que pelo fato do nosso planeta ser um mundo inferior não é caracterizado como primitivo, ou seja, destinado as primeiras encarnações dos Espíritos. Os habitantes da Terra são Espíritos possuidores de um determinado progresso espiritual. "(...) Mas, também, os numerosos vícios a que se mostram propensos constituem o índice de grande imperfeição moral. Por isso, os colocou Deus num mundo ingrato, para expiarem ai suas faltas, mediante penoso trabalho e mi serias da vida, ate que hajam merecido ascender a um planeta mais ditoso. Entretanto, nem todos os Espíritos que encarnam na Terra vão para aí em expiação. As raças a que chamais selvagens são formadas de Espíritos que apenas saíram da infância e que na Terra se acham, por assim dizer, em curso de educação, para se desenvolverem pelo contato com Espíritos mais adiantados. Vêm depois as raças semi civilizadas, constituídas desses mesmos Espíritos em via de progresso. São elas, de certo modo, raças Indígenas da Terra, que aí se elevaram pouco a pouco em longos períodos seculares, algumas das quais hão podido chegar ao aperfeiçoamento Intelectual dos povos mais esclarecidos. Os Espíritos em expiação (...) são exóticos na Terra; já viveram noutros mundos, donde foram excluídos em conseqüência da sua obstinação no mal e por se haverem constituído, em tais mundos, causa de perturbação para os bons. Tiveram que ser degredados, por algum tempo, para o meio de Espíritos atrasados, com a missão de fazer que estes últimos avançassem, pois que levam consigo inteligências desenvolvidas e o gérmen dos conhecimentos que adquiriram.

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(...)" (3) ("...) à felicidade não pode existir, por enquanto, na face do orbe, porque, em sua generalidade, as criaturas humanas se encontram intoxicadas e não sabem contemplar a grandeza das paisagens exteriores que as cercam no planeta. Contudo, importa observar que e no globo terrestre que a criatura edifica as bases da sua ventura real, pelo trabalho e pelo sacrifício, a caminho das mais sublimes aquisições para o mundo divino de sua consciência." (8) A Terra sairá do estágio de expiação e provas e passará para planeta de regeneração. Nosso planeta está submetido a lei do progresso, como tudo na Natureza. "(...) Ele progride, fisicamente, pela transformação dos elementos que o compõem e, moralmente, pela depuração dos Espíritos encarnados e desencarnados que o povoam. Ambos esses progressos se realizam paralelamente, porquanto o melhoramento da habitação guarda relação com o do habitante. Fisicamente, o globo terráqueo há experimentado transformações que a Ciência tem comprovado e que o tornaram sucessivamente habitável por seres cada vez mais aperfeiçoados. Moralmente, a Humanidade progride pelo desenvolvimento da inteligência, do senso moral e do abrandamento dos costumes. (...)" (5) "Para que na Terra sejam felizes os homens, preciso e que somente a povoem Espíritos bons, encarnados e desencarnados , que somente ao bem se dediquem. Havendo chegado o -tempo, grande emigração se verifica dos que a habitam: a dos que praticam o mal pelo mal, ainda não tocados pelo sentimento do bem, os quais, já não sendo dignos do planeta transformado, serão excluídos porque (...) lhe constituiriam obstáculo ao progresso. Irão expiar o endurecimento de seus corações, uns em mundos inferiores, outros em raças terrestres ainda atrasa das (...). Substituí-los-ão Espíritos melhores, que farão reinem em seu seio a justiça, a paz e a fraternidade. A Terra no dizer dos Espíritos, não terá de transformar-se por meio de um cataclismo que aniquile de súbito uma geração. A atual desaparecerá gradualmente e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que haja mudança alguma na ordem natural das coisas. (...) Em cada criança que nascer. em vez de um Espirito atrasado e inclinado ao mal, que antes nela encarnaria virá um Espírito mais adiantado e propenso ao bem (.~.)." (6) A época atual é de transição; confundem-se os elementos das duas gerações colocados no ponto intermédio, assistimos à partida de uma e à chegada da outra, já se assinalando cada uma, no mundo, pelos caracteres que Ihes são peculiares. Cabendo-lhe fundar a era do progresso moral, a nova geração se distingue por inteligência e razão geralmente precoces, juntas Ao sentimento inato do bem e a crenças espiritualistas, o que constitui sinal indubitável de certo grau de adiantamento anterior. Não se comporá exclusivamente de Espíritos eminentemente superiores, mas dos que, já tendo progredido, se acham predispostos a assimilar todas as idéias progressistas e aptos a secundar o movimento de regeneração. (...)'' (7) Eis pois a destinacão imediata da Terra: planeta de regeneração. Continuando, porém, no seu progresso ininterrupto, ascendera a planos cada vez mais altos até a perfeição a que estamos todos predestinados.

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MÓDULO III As Leis Morais
1ª Unidade Lei Divina ou Natural
01 - Caracteres da Lei Natural.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1) Definir Lei Divina ou Natural 2) Citar leis gerais que decorrem da Leis de Deus, caracterizando-as. 3) Explicar por que a Lei Divina não é passível de mudanças. IDÉIAS PRINCIPAIS "A Lei Natural é a Lei de Deus. É a 'única verdadeira para a felicidade do homem. Indica-lhe o que deve fazer ou deixar de fazer e ele só é infeliz quando dela se afasta." (03) "(...) Entre as leis divinas, umas regulam o movimento e as relações da matéria: as leis físicas As outras dizem respeito especialmente ao homem considerado em si mesmo e nas suas relações com Deus e com os seus semelhantes Contêm as regras da vida do carpo, bem como as da vida da alma: são as leis morais." (05) A Lei de Deus é "eterna e imutável como o próprio Deus." (4) FONTES DE CONSULTA. Básicas 01 -KARDEC ,Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro 57 ed. Rio de Janeiro ,FEB , 1983, perg. 111 02 -Op. citada , perg. 112 03 -Op. citada , perg. 614 04 -Op. citada , perg. 615 05 -Op. citada , perg. 617 Complementares 06 -CALLIGARIS, Rodolfo. As leis Morais .2 ed. Rio de Janeiro , FEB , 1983 , pg. 09 07 -Op. citada , pg. 11 LEI DIVINA OU NATURAL A lei natural é a lei de Deus. É a única verdadeira para a felicidade do homem. Indica-lhe o que deve fazer ou deixar de fazer e ele só é infeliz quando dela se afasta"(3). Todos os fenômenos , físicos ou espirituais são regidos por leis soberanamente justas e sábias no nosso mundo , fora dele e em todo Universo. Todas estas leis , reunidas , formam o que conhecemos como Lei Divina ou Natural. Esta Lei é " eterna e imutável como o próprio Deus" (4) Através de uma análise superficial , supomos , as vezes , que a Lei de Deus sofre transformações , que ela é mutável. Na realidade , as leis humanas é que são imperfeitas e passíveis de modificações por força do progresso. A medida que um ser humano vai evoluindo quer moralmente quer intelectualmente, compreende melhor a Lei de Deus e passa a reformular antigos conceitos; para isto , fazem-se necessárias inúmeras existências corporais , até que chegando a categoria de Espíritos Superiores, "(...) em si reúnem a ciência , a sabedoria e a bondade (...)"(1) ou a de Espíritos puros quando possuem "(...) superioridade intelectual e moral absoluta , com relação aos Espíritos das outras ordens"(2). A Lei Divina ou Natural abrange dois tipos principais de leis: as que "(...) regulam o movimento

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e as relações da matéria bruta ; as leis físicas , cujo estudo pertence ao domínio da Ciência. As outras dizem respeito principalmente ao homem considerado em si mesmo e nas relações com Deus e com seus semelhantes. Contém as regras da vida do corpo , bem como as da vida da alma ; são as leis morais."(5) Apesar da Lei de Deus compreender tudo o que existe na criação a maioria dos homens , no estágio evolutivo em que nos encontramos , não a conhece bem. Em todas as épocas da história humana , Deus tem enviado ao nosso planeta Espíritos missionários, nas diversas áreas do saber , para no-la ensinar. "Desde os tempos imemoriais , a Ciência vem se dedicando exclusivamente ao estudo dos fenômenos do mundo físico , susceptíveis de serem examinadas pela observação e experimentação , deixando a cargo da Religião o trato das questões metafísicas ou espirituais. (...)(6) Com o progresso intelectual que vem ocorrendo intensivamente nestes últimos tempos , notase um distanciamento pronunciado entre a Ciência e a Religião ; fato que não deveria ocorrer ,porque ambas são expressões da Lei Divina a qual estamos submetidos. "(...) Quanto mais o homem desenvolve suas faculdades intelectuais e aprimora suas percepções espirituais , tanto mais vai-se inteirando de que o mundo material , esfera de ação da Ciência , e a ordem moral, objeto especulativo da Religião , guardam íntimas e profundas relações entre si , concorrendo , uma e outra para a harmonia universal , mercê das leis sábias, eternas e imutáveis que os regem , como sábio , eterno e imutável é o Seu Legislador.(...)"(7)

02 - Conhecimentos e divisão da Lei Natural.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1) Citar o mecanismo que propicia ao homem o conhecimento da Lei Natural. 2) Enumerar as qualidades necessárias ao homem para ser revelador da Lei de Deus. 3) Fornecer a divisão das Leis Morais, caracterizando a mais importante. IDÉIAS PRINCIPAIS O conhecimento da lei natural ou divina é dada ao homem através das reencarnações sucessivas. "(...) Todos podem conhecê-las, mas nem todos a compreendem. Os homens de bem e os que se decidem a investigá-las são as que melhor a compreenderão. Todos', entretanto, a compreenderão um dia, porquanto forçoso é que o progresso se efetue." (02) Os "Espíritos Superiores encarnam com o fim de fazer progredir a humanidade." (05) "(...) o verdadeiro missionário de Deus tem de justificar, pela sua superioridade, pelas suas virtudes, pela grandeza, pelo resultado e pela influência moralizadora de suas obras, a missão de que se diz portador.(...)" (01) São Leis Morais as de : adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição, sociedade, progresso, igualdade e liberdade, e a de justiça, amor e caridade. "(...) A última lei é a mais importante, por ser a que faculta ao homem adiantar-se mais na vida espiritual, visto que resume todas as outras." (05) FONTES DE CONSULTA. Básicas 01 -KARDEC ,Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro 57 ed. Rio de Janeiro ,FEB , 1983, perg. 111 02 -Op. citada , perg. 112 03 -Op. citada , perg. 614 04 -Op. citada , perg. 615 05 -Op. citada , perg. 617 Complementares 06 -CALLIGARIS, Rodolfo. As leis Morais .2 ed. Rio de Janeiro , FEB , 1983 , pg. 09 07 -Op. citada , pg. 11 CONHECIMENTO E DIVISÃO DA LEI NATURAL O conhecimento da Lei Divina ou Natural faz parte do progresso espiritual do homem e ocorrerá após incontáveis reencarnações ; em uma só existência é totalmente impossível tal aprendizado. Por outro lado , não basta que apenas nos informemos a respeito da existência dela . É

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necessário que a compreendamos no seu verdadeiro sentido para que possamos vivencia-la . "(...) Todos podem conhece-la , mas nem todos a compreendem . Todos , entretanto , a compreenderão um dia , porquanto é forçoso que o progresso se efetue . A justiça das diversas encarnações do homem é uma conseqüência deste princípio , pois que , em cada nova existência, sua inteligência se acha mais desenvolvida e ele compreende melhor o que é bem e o que é mal . (...)"(2) "(...) A verdade (...) ,para que seja útil , precisa ser revelada de conformidade com o grau de entendimento de cada um de nós . Daí não ter sido posta , sempre , ao alcance de todos , igualmente dosada . (...) Kardec , instruído pelas vozes do Alto , diz-nos que em todas as épocas e em todos os quadrantes da Terra , sempre houve homens de bem (profetas) inspirados por Deus para auxiliarem a marcha evolutiva da Humanidade. (...)"(6) Os profetas , legisladores e sábios tem sido os maleáveis instrumentos de que se utilizou o Pai Amantíssimo através dos tempos , afim de que o homem , no ergástulo carnal , pudesse encontrar a rota segura para atingir o reino venturoso que o espera . Dentre todos , porém , foi Jesus o protótipo da misericórdia divina , " o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem , para lhe servir de guia e modelo . (...) Modelo a ser seguido , ensinou pelo exemplo e pelo sacrifício , selando em testemunho supremo a excelência do seu messianato amoroso , através da doação da vida, incitando-nos a incorporar no dia-a-dia da existência a irrecusável lição de seu auto-ofertório santificante . (...) (8) Estes profetas , sábios e legisladores que Deus enviou (e envia) à Terra "são Espíritos Superiores , que ,encarnam com o fim de fazer progredir a humanidade". (3) São Espíritos missionários que podem até falir na missão que abraçaram por força da influência da matéria "(...) todavia , como eram , afinal , homens de gênio , mesmo entre os erros que ensinaram grandes verdades muitas vezes se encontram". (4) No entanto , vale a pena considerar que grandes missões são confiadas ao Espírito com os quais a possibilidade de falência é muito reduzida. São Espíritos que já possuem uma certa bagagem espiritual , que vivenciaram inúmeras experiências e que , ao se comprometerem com tal ou qual tarefa , a ela se dedicam em regime de intensa preparação antes de mergulharem na existência corporal " (...) . Por isso , para essas missões são sempre escolhidos Espíritos já adiantados , que fizeram suas provas noutras existências , visto que , se não forem superiores ao meio em que tem de atuar , nula lhes resultaria a ação. Isto posto , haveis de concluir que o verdadeiro missionário de Deus tem de justificar-se pela sua superioridade , pelas suas virtudes , pela grandeza , pelo resultado e pela influência moralizadora de suas obras , a missão de que se diz portador. Tirai também esta conseqüência se pelo seu caráter , pelas suas virtudes , pela sua inteligência , ele se mostra abaixo do papel com que se apresente , ou da personagem sob cujo nome se coloca , mais não é do que um histrião (*) de baixo estofo , que nem sequer sabe imitar o modelo que escolheu. Outra consideração ; os verdadeiros missionários de Deus ignoram-se a si mesmo , e em sua maior parte desempenham a missão a que foram chamados pela força do gênio que possuem , secundado pelo poder oculto que os inspira e dirige a seu mau grado , mas sem desígnio premeditado. Numa palavra , os verdadeiros profetas se revelam por seus atos , são advinhos , ao passo que os falsos profetas se dão , eles próprios , como emissários de Deus. O primeiro é humilde e modesto , o segundo , orgulhoso e cheio de si , fala com altivez e , como todos os mendazes (*) , parece sempre temeroso de que não lhe dêem crédito. (...)"(8) As leis morais são uma subdivisão da Lei Divina ou Natural . " São de todos os tempos as leis morais da vida , estabelecidas pelo Supremo Pai. Invioláveis , constituem o roteiro de felicidade pelo rumo evolutivo , impõem-se , paulatinamente , à inteligência humana achando-se estabelecidas nas bases da harmonia perfeita em que se equilibra a Criação. (...)" (7) As leis morais que a Codificação Kardequiana expressa , são as seguintes: (...)leis de adoração , trabalho , reprodução , conservação , destruição , sociedade , progresso , igualdade , liberdade e por fim a de justiça , amor e caridade. (...) A última lei é a mais importante , por ser a que faculta ao homem adiantar-se mais na vida espiritual , visto que resume todas as outras . " (5) GLOSSÁRIO.

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Ergástulo cárcere , prisão , masmorra histrião bobo , saltimbanco , palhaço , homem vil que se expõe em publico de modo grosseiro e ridículo mendazes mentirosos , falsos estofo classe social, laia, condição moral, jaez, feitio.

03 - Reveladores e Revelações da Lei Divina.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1) Citar nomes de reveladores nos diversos campos do conhecimento humano. 2) Nomear aquele que é considerado o mais perfeito revelador da Lei de Deus. 3) Relacionar revelações feitas por Jesus com os princípios da Doutrina Espírita. IDÉIAS PRINCIPAIS "Os grandes missionários que, de tempos em tempos renascem no orbe terrestre, com o fim de ativar o progresso e a evolução das criaturas e do mundo, em todas as áreas do conhecimento humano,(...) são homens comuns (...) Nada havia em Sócrates, Arquimedes, Demócrito, Galileu, Francisco de Assis, Teresa D'Avila, Vicente de Paulo, Newton, Kepler, Mozart, Allan Kardec que os diferençasse dos demais', senão a responsabilidade e a fidelidade com que se desincumbiram das suas missões." (07) (...)Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor (...). (01) As citações: "Há muitas moradas na casa de, meu pai" (João 14:1-3) "ninguém pode. Ver o reino de Deus se não nascer de novo" (João, 3: 1-12), "bem-aventurados os que choram, pois serão consolados."( Mateus , 5:4) são algumas das revelações feitas por Jesus e que se relacionam, respectivamente, com os ensinamentos espiritas: Pluralidade dos mundos habitados, a reencarnação e a lei de Causa e Efeito. FONTES DE CONSULTA Básicas 01 -KARDEC ,Allan .O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro .57 ed. Rio de Janeiro , FEB , 1983 ,Perg. 625. Complementares 02 -ASIMOV ,Isaac .Gênios da humanidade. Rio de Janeiro , Bloch Ed. 1972 , Vol. I ,pg. 01. 03 -Op. citada , p. 02 04 -Op. citada , p. 04 05 -Op. citada , p. 13 06 -Op. citada , p. 65 07 -FRANCO ,José B. Identificação .O Espírita. Brasília . 6 (31):14, dez/jan. 1983/84 REVELADORES E REVELAÇÕES DA LEI DIVINA A Lei Natural , é a Lei Divina que rege toda a criação do Cosmo Infinito ,nos seus múltiplos e diversificados planos , sendo ela substancialmente verdadeira e eficaz , por ser a única que conduz a criatura humana para o aperfeiçoamento e a felicidade. A desventura humana é , portanto um desvio ou infração dessa lei. As Leis naturais significam a projeção do Pensamento Divino e a expressão fidedigna de sua vontade , consistindo sempre de um preceito normativo que regula todos os fenômenos da vida universal. As leis naturais são eternas , imutáveis , infalíveis , adaptando-se aos mais variáveis planos evolutivos da vida , de acordo com as diversas categorias de mundos. As leis naturais , como se sabe , dividem-se em leis físicas e leis morais. As primeiras disciplinam os fenômenos da matéria em seus diversos estados e são estudadas pela Ciência. As segundas regem as relações da criatura com os seus semelhantes e demais seres da natureza. O conhecimento da Lei Natural é dado à humanidade de uma gradual porém constante maneira , através de Espíritos colocados na conta de filósofos ou benfeitores humanos , os quais reencarnam na categoria de autênticos catalisadores de reformas nos diversos campos

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do conhecimento. Os Espíritos que aportam no seio da sociedade com estes valores são chamados reveladores da Lei Natural. O maior e mais perfeito revelador que desceu ao nosso planeta foi Jesus Cristo. A doutrina de que ele veio imbuído é altamente moralizadora e mostra aos homens os caminhos a serem seguidos para a conquista da verdadeira felicidade. Em todas as épocas da humanidade , existiram reveladores da Lei Divina nos diversos campos do conhecimento humano, Citaremos , a seguir alguns , na tentativa de exemplificar a bondade e misericórdia de Deus , que nunca nos deixou a mercê das nossas imperfeições. No antigo Egito , perto de Mênfis , nos anos 2980 a 2950 A.C. viveu um erudito egípcio chamado Imotep. " Imotep é notável por haver sido o primeiro exemplo histórico , conhecido pelo nome , daquele que hoje entendemos por cientista. E nenhum outro se conhece ao longo dos dois séculos que se lhe seguiram. (...)" (2) Imotep , foi o arquiteto construtor da pirâmide dos degraus ou de Sacaré , que é a mais antiga pirâmide do Egito. provavelmente foi médico; "(...) os médicos egípcios gozavam de grande prestígio , já que sua ciência os colocava quase em igualdade com os próprios deuses. (...)" (2). Tamanho era o poder de cura de Imotep que os gregos o igualavam ao seu próprio deus da medicina. Tales de Mileto , filósofo grego que viveu entre 624 e 546 A.C. , foi considerado pelos gregos , "(...) como o fundador da Ciência , da Matemática e da Filosofia gregas , creditando-lhe a paternidade da maior parte do saber. (...)" (3). Pitágoras , outro filósofo grego viveu no período de 582 a 546 A.C. " foi filósofo , astrônomo , matemático. Em todas essas atividades , apresentou sempre idéias novas , claras , originais Foi o primeiro a afirmar que a Terra era esférica , o primeiro a descobrir que a harmonia universal também podia ser expressa através de números, o primeiro a descobrir a relação entre o comprimento das cordas musicais e a altura do som ".(4) Sócrates , filósofo grego , viveu em Atenas entre os anos 470 e 399 A.C. , "teve uma vida nobre como as verdades que ensinava. Nunca houve quem o pegasse em erro , falha ou contradição . No entanto ,este homem a quem todos consideravam o mais sábio dos gregos (Ora , se sou o mais sábio é simplesmente porque sei que nada sei") - não conseguiu provar sua inocência diante das acusações de traição e corrupção que contra ele se levantavam por toda parte , estimuladas pela inveja de seus patrícios . (...)"(5) Para nós , espiritas , Sócrates foi um dos precursores do Cristianismo. Na era cristã , entre os anos 130 e 200 A.C. viveu GALENO Galeno , médico grego que , pelos seus conhecimentos , é cognominado o "pai da anatomia". O criador da aritmética , o matemático Muhammad Ibumus Al Khwarizmi , nascido no ano 780 , revolucionou a arte de calcular. Em 1473 nasce em Torum o grande Nicolau Copérnico que "(...) chegou a perigosa conclusão de que a terra não era o centro do universo (...)"(6). Isto quase o levou a morte pelos senhores da igreja católica. Perto de Nápoles , na cidade de Nola , chega ao nosso mundo físico no ano de 1548 , o filósofo Giordano Bruno , condenado e morto pela inquisição , por defender a infinitude do espaço os movimentos da terra , entre outras idéias. Avançando no tempo , em 1791 , nasce em Charlestown , Estados Unidos , Samuel Finley Breese Morse , que se notabilizou pela invenção do telégrafo inalgurando o campo das comunicações modernas. Charles Robert Darwin , naturalista inglês que viveu entre 1809 e 1882 causou grande impacto na biologia com a sua "Teoria das origens das espécies" , realizando estudos sobre as origens do homem. Antes de avançarmos no tempo , é importante recordar a presença em nosso planeta dos gênios das artes , notadamente na pintura , escultura e música. Quem consegue esquecer o papel desempenhado por um Rafael Sânzio, Um Leonardo da Vinci ou um Mozart, entre tantos que vieram até nós ? Se no século XIX a Ciência sofre um grande impulso , principalmente pelos trabalhos de Pasteur ,Robert Koch e Lister que abriram nova era no combate as infeções , as idéias filosóficas sofrem abalo com a codificação Espírita , lançada no mundo por Kardec através dos Espíritos Superiores. O Mundo recebe com impacto o renascimento do cristianismo e a partir daquele momento a humanidade confundida , alertada , crédula ou incrédula , nunca mais seria a mesma. A era da espiritualidade chegara! Daquelas primeiras sementes que foram lançadas por Moisés , na crença de um Deus único , semeadas por Jesus na sua elevada Missão de amor ao próximo e , esporadicamente recrudescidas , germinadas por emissários de todos os tempos , tais como :

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os apóstolos e seguidores do cristianismo , Francisco de Assis , Vicente de Paula , Buda , Maomé , Gandhi ,na citação de apenas alguns nomes , compreendemos que o homem dirigese a caminho da sua mais alta destinação : a perfeição. Jesus , o Cristo de Deus , porém , não pode ser nivelado entre tais reveladores , por maior que tenha sido a contribuição deles . Ele , o Cristo , estabeleceu um grandioso marco nas conquistas evolutivas do homem. Ele , a verdade e o amor encarnados , não se limitou apenas a ensinar e esclarecer , mas representou o exemplo vivo , provocando uma verdadeira revolução social , que apesar de quase vinte séculos de sua vinda entre nós , ainda precisa de muita evolução espiritual da humanidade para compreender a sua mensagem integralmente. Muitas das verdades anunciadas no Espiritismo encontram na doutrina Cristã as sua bases. Por exemplo , as citações evangélicas : " Há muitas moradas na Casa do Pai (João ,14:1-3). "Ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo". (João ,3:1-12). "Tudo o que vós quereis que vos façam os homens , fazei-o também a eles , porque esta é a Lei dos profetas". (Mateus ,7:2) e " Bem-aventurados os que choram pois que serão consolados ".(Mateus 5:5)." Curai os enfermos , ressuscitai os mortos , limpai os leprosos , expeli os demônios , dai de graça o que de graça recebestes " (Mateus ;10:8) , etc. são ensinamentos de Jesus que se correlacionam com os seguintes princípios de Espiritismo : Pluralidade dos mundos habitados, reencarnação ou pluralidade das existências corpóreas , lei de causa e efeito ou ação e reação e mediunidade. Devido a esta correlação existente entre os ensinamentos de Jesus e os ditados pelos Espíritos que orientaram Allan Kardec na codificação espírita , não é em vão quando se diz que o Espiritismo é o Cristianismo redivivo; e , se por um lado Jesus disse ser o mandamento maior o amor a Deus e ao próximo , a Doutrina Espírita afirma que fora da caridade não há salvação , por outro nos mostra que ninguém poderá intitular-se espírita se primeiramente não for Cristão.

04 - O bem e o mal.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1) Elaborar um conceito de moral. 2) Estabelecer distinção entre o bem e o mal. 3) Relacionar a prática do bem com o grau de responsabilidade do homem. IDÉIAS PRINCIPAIS A moral e a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. (...)" I033 "O bem é tudo o que é conforme a lei de Deus; o mal, tudo o que lhe é contrário. (...)" (043 "(...) O mal depende da vontade. Pois bem! tanto mais culpado e o homem, quanto melhor sabe o que faz." (05) "(...) O mal existe e tem uma causa. Os males de toda espécie, físicos ou morais, que afligem a Humanidade, formam duas categorias que importa distinguir: a dos males que o homem pode evitar e a dos que lhe independem da vontade, (...)" (01) FONTES DE CONSULTA Básicas 01 - KARDEC ,Allan. O bem e o mal. :A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro 24 ed. Rio de Janeiro, FEB , 1982. Item 3. 02 - Op. citada ,itens 6-7 03 - O livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro . 57 ed. Rio de Janeiro ,FEB, 1983 perg. 629 04 - Op. citada, perg. 630 05 - Op. citada, perg. 637 Complementares 06 - DENIS, Léon. Justiça e responsabilidade. O problema de mal. ;O problema do ser , do destino e da dor.. II ed. Rio de Janeiro , FEB < 1979 .pg.293-294 07 - FRANCO ,Divaldo Pereira. Moral .IN; Estudos Espíritas. Pelo espírito Joanna de Ângelis . Rio de Janeiro , FEB , pg. 163 08 - Op. citada ,pg. 164 O BEM E O MAL

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Moral , sendo um "conjunto de regras que constituem os bons costumes ,(...)" consubstancia os princípios salutares de comportamento de que resulta o respeito ao próximo e a si mesmo. Decorrência natural da evolução , estabelece as diretrizes seguras em que se fundam os alicerces da Civilização , produzindo matrizes de caráter que vitalizam as relações humanas , sem as quais o homem , por mais avançado nos esquemas técnicas , poucos passos teria conseguido desde os estados primários do sentimento. (...)" (7) Moral é , no dizer dos Espíritos que participam da Codificação Espírita, "(...) a regra de bem proceder , isto é , de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da Lei de Deus. O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos , porque então cumpre a Lei de Deus."(3) Melhor conceito do que este anunciado é difícil de se elaborar. De uma maneira objetiva e simples , os Espíritos superiores revelam-nos que a moralidade se fundamenta no processo espiritual das pessoas ,adquirido paulatinamente ,através das diversas experiências reencarnatórias ,isto porque sua observância tem como base ,ou alicerces , o conhecimento e prática da Lei de Deus , esclarecendo , sobretudo , que o progresso moral está intimamente ligado à prática do bem. A partir do momento que o relacionamento humano se expandiu pelas necessidades de vivências comutativas , sentiu o homem desejo de elaborar leis que estabelecessem organizações sociais mais apropriadas ao meio em que vivia. Neste período evolutivo , os seres humanos começaram a fazer distinção entre o bem e o mal. "(...) Somente a partir de Sócrates passou a moral a ser considerada pela filosofia .(...)" (8) Até então a moral era exercida arbitrariamente , de acordo com o equilíbrio ,ou desequilíbrio individuais. O sentido de moralidade é um só ,ou seja ,é a norma de bem proceder em quaisquer circunstâncias , independentemente do estado sócio-econômico do indivíduo; devemos cuidar para não confundirmos conveniências sociais , as quais podem gerar dissolução dos costumes , com a verdadeira prática da moral. Em qualquer época, o homem que conhece e pratica a Lei de Deus é um ser moral. É um ser que não se prende as superficialidades das convenções e dos modismos da chamada sociedade ou civilização moderna. A medida que vamos aprendendo distinguir o bem do mal , vamos nos moralizando. Isto porque fazer o bem é agir "(...) conforme a Lei de Deus ; o mal é tudo que lhe é contrário. Assim , fazer o bem é proceder de acordo com a Lei de Deus. Fazer o mal é infringi-la ".(4) Pela inteligência e acreditando em Deus pode o homem distinguir o que é certo e o que é errado. "Deus promulgou Leis plenas de sabedoria , tendo por único objetivo o bem. Em si mesmo encontra o homem tudo o que lhe é necessário para cumpri-las. A consciência lhe traça a rota , a Lei divina lhe está gravada no coração e , ao demais , Deus lhe lembra constantemente por intermédio de seus messias e profetas , de todos os Espíritos encarnados que trazem a missão de esclarecer , moralizar e melhorar ,e nestes últimos tempos pela multidão dos Espíritos desencarnados que se manifestam em toda parte. Se o homem se conformasse rigorosamente com as Leis divinas , não há dúvida de que se pouparia aos mais agudos males e viveria ditoso na Terra. Se assim não procede , é por virtude do seu livre-arbítrio: sofre então as conseqüências do seu proceder ". Entretanto , Deus , todo bondade , pôs o remédio ao lado do mal , isto é , faz que do próprio mal saia o remédio. Um momento chega em que o excesso do mal moral se torna intolerável e impõe ao homem a necessidade de mudar de vida. Instruído pela experiência , ele se sente compelido a procurar no bem o remédio , sempre por efeito do seu livre-arbítrio. Quando toma melhor caminho ,é por sua vontade e porque reconheceu os inconvenientes do outro. A necessidade , pois , o constrange a melhorar-se moralmente , para ser mais feliz , do mesmo modo que o constrangeu a melhorar as condições da sua existência". (2) A prática do bem está , pois , relacionada com o grau de responsabilidade do homem . Com o progresso o mal decrescerá automaticamente. " (...). O mal (...) tem um caráter relativo e passageiro ; é a condição da alma ainda criança que se ensaia para a vida. Pelo simples fato dos progressos feitos , vai pouco a pouco diminuindo , desaparece , dissipa-se , a medida que a alma sobe os degraus que conduzem ao poder , a virtude , a sabedoria. Então a justiça patenteia-se no Universo ; deixa de haver eleitos e réprobos; sofrem todos as conseqüências de seus atos , mas todos reparam ,resgatam e ,cedo ou tarde , se regeneram para evolverem desde os mundos obscuros e materiais até a Luz Divina(...). O mal não tem , pois , existência real , não há mal absoluto no Universo , mas em todas parte a realização vagarosa e progressiva de um ideal superior (...). Por toda parte , a grande lida dos

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seres trabalhando para desenvolver em si , a custa de imensos esforços , a sensibilidade , o sentimento , a vontade , o amor ! (...)" (6) ANEXO 01 Lição Incompreendida (*) O carro deslizava velozmente sobre a estrada movimentada. As linhas arrojadas garantiam-lhe estabilidade perfeita As rodas bem calibradas mantinham segurança adequada O modelo esportivo emprestava-lhe aspecto ousado. Ia ultrapassando todos os veículos que encontrava pela frente Nenhum deles 'era rival perigoso para sua alta velocidade. Numa lombada, porém, teve que diminuir a marcha, atrás de grande caminhão, que se arrastava pesadamente Era impossível ultrapassar sem transgredir as regras do trânsito. Ambos subiam em marcha mínima. O chofer do carro esporte resmungava e lamentava-se. Quase no. final do trecho, contudo, salta uma roda dianteira com grande estrondo. A custo o carro foi dominado. Compreendeu o afoito volante que o acidente seria inevitável, se estivesse em alta velocidade. O vagaroso caminhão salvara-lhe a existência. Companheiro da romagem terrestre, não se desespere diante das surpresas que a vida lhe apresenta. Tenha fé em Deus e sustente a confiança nos desígnios da Providência. Muitas vezes, o noivado desfeito, a derrocada financeira e a enfermidade irreversível são os recursos com que a Bondade Divina procura alcançar-nos evitando desastres maiores. BADUY FILHO, Antônio. Historias da vida. Pelos Espíritos Hilário Silva e Valérium. 2.ed. Uberaba, MG), CEC, 1976. p. 25-26. ANEXO II Mensagem breve (*) Realmente você tem razão quando afirma que o mundo parece modificado e que precisamos imenso desassombro para viver dentro dele. Os últimos cinqüenta anos operaram gigantesca reviravolta noa costumes da Terra. A casa patriarcal que havíamos herdado do século XIX transformou-se no apartamento a dependurar-se nos arranha-céus; a locomotiva enfumaçada é quase uma jóia rara de museu à frente do avião que elimina distancia; a gazeta provinciana foi substituída pelos jornais da grande imprensa; e os saraus caseiros desapareceram, ante a invasão do rádio, cuja programação domina o mundo. O automóvel, o transatlântico, o cinema e a televisão constituem outros tantos .fatores de informe rápido, alterando a mente do povo em todos os climas. E a garantia dos cidadãos? Em quase todos os países há leis de segurança para empregados e patrões, homens, mulheres, jovens e crianças. Ha direito de greve, licença, litígio e descanso. remunerado. Existem capitães da indústria e comércio, acumulando riquezas mágicas de um dia para outro, desde que não soneguem o imposto relativo aos monopólios que dirigem contra a harmonia econômica. Temos operários desfrutando inexplicável impunidade, na destruição das casas em que trabalham, com a indisciplina protegida em fundamentos legais. Ha jovens amparados na difusão da leviandade e da mentira, sem qualquer constrangimento por parte das forças que administram a vida pública. Não estamos fazendo pessimismo. Sabemos que o mundo permanece sob o governo místico das rédeas divinas e não ignoramos que qualquer perturbação é fenômeno passageiro, em função desajusta da própria região onde surge o desequilíbrio. Com as nossas observações, tão somente nos propomos reconhecer que a criatura humana de nossa época está mais livre e, por isso, mais destacada em. si mesma. Nos grandes períodos de transição, qual o que estamos atravessando, somos como que chamados pela Sabedoria Divina a provar nossa, madureza interior, nossa capacidade de auto direção. Dai resulta a desordem aparente, em que somos compelidos à revelação da própria

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individualidade. Na organização coletiva, no grupo social, na equipe de trabalho ou no reduto domestico, vê-se o homem de hoje obrigado a mostrar-se tal qual é, classificando-se, de imediato, pela própria conduta. As dissensões, os conflitos, as lutas e os embates de todas as procedências oferecem s impressão de caos, provocando a gritaria dos profetas da decadência, e, por isso mesmo, as almas que não se armaram de fé e que não se sustentaram fiéis às raízes simples da vida sofrem pavorosos desastres psíquicos, que as situam nos escuros domínios da alienação mental. Cresce a loucura em todas as direções. O hospício é a última fronteira dos enfermos do espirito, de vez que se agitam eles em todos os setores de nosso tempo, à maneira de consciências que, impelidas ao auto-exame, tentam fugir de si mesmas, humilhadas e estarrecidas. Em razão disso, creia que o melhor caminho para não cair nas mãos dos psiquiatras é o ajustamento real de nossa personalidade aos princípios cristãos que abraça-mos, porque o problema é da alma e não da carne. Não precisaremos discutir. A hora atual da Terra é inegavelmente dolorosa, mas a tempestade de hoje passará, como as de ontem. Refugiemo-nos em Cristo. O Senhor é a nossa fortaleza. Se tivermos bastante coragem de viver o Cristianismo em sua feição pura, na condição de solitários carregadores de nossa cruz, poderemos encarar valorosamente a crise e dizer-lhe num sorriso confiante: - «vamos ver quem pode mais». (*) XAVIER, Francisco Cândido. Cartas e crônicas. Pelo Espirito Irmão X. 4. ed. Rio de

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2ª Unidade Lei de liberdade
05 - A liberdade natural e a escravidão.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1) Conceituar Liberdade 2) Conceituar escravidão e relacionar as suas conseqüências. 3) Estabelecer uma relação entre liberdade e livre-arbítrio IDÉIAS PRINCIPAIS Liberdade é saber respeitar os direitos alheios. "(...) Desde que juntos estejam dois homens, ha entre eles direitos recíprocos que lhes cumpre respeitar (...)". (0l) "E contrária ã lei de Deus toda sujeição absoluta de um homem a outro homem. A escravidão é um abuso da força. É contrária à Natureza a lei humana que consagra a escravidão, pois que assemelha o homem ao irracional e o degrada física e moralmente." (02) "Pois que tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar. Sem o livre-arbítrio o homem seria máquina." (03) FONTES DE CONSULTA Básicas 01 - KARDEC ,Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro . 57 ed. Rio de Janeiro ,FEB , 1983 ,perg. 833 02 - Op. citada ,perg. 837 Complementares 03 - CALLIGARIS ,Rodolfo . A Lei de liberdade . In: As leis naturais.. 2 ed. Rio de Janeiro , FEB , 1983 , pg. 149 04 - DENIS ,León. A disciplina do pensamento e a reforma do caráter. In; O problema do ser ,do destino e da dor. II ed. Rio de Janeiro ,FEB , 1979 , pg. 361 05 - O livre-arbítrio. In : O problema do ser ,do destino e da dor. II ed. Rio de Janeiro ,FEB , 1979 , pg. 347 06 - FRANCO , Divaldo Pereira. Direito de liberdade. In: As leis morais da vida. Pelo espírito Joanna de Ângelis , Salvador , Alvorada . 1976. A LIBERDADE NATURAL E A ESCRAVIDÃO A liberdade é a condição básica para que a alma construa o seu destino. A princípio parece limitada as necessidades físicas , condições sociais , interesses ou instintos. Mas ao analisarmos a questão mais profundamente , vemos que a liberdade é sempre suficiente para permitir que o homem rompa este círculo restrito e construa pela sua vontade o seu próprio futuro. " Intrinsecamente livre , criado para vida feliz , o homem traz , no entanto , inscritos na própria consciência , os limites da sua liberdade. Jamais devendo constituir tropeço na senda por onde avança o seu próximo , é-lhe vedada a exploração de outras vidas sob qualquer argumentação , das quais subtraia o direito de liberdade. (...) (...) A liberdade legítima decorre da legítima responsabilidade , não podendo triunfar sem esta. A responsabilidade resulta do amadurecimento pessoal em torno dos deveres morais e sociais , que são a questão matriz , fomentadoras dos lídimos direitos humanos. Pela lei natural todos os seres possuem direitos que , todavia não escusam a ninguém dos respectivos contributos que decorrem do seu uso. A toda criatura é concedida a liberdade de pensar , falar e agir , desde que essa concessão subentenda o respeito aos direitos semelhantes do próximo.(...)(7). Ser livre ,portanto , é saber respeitar os direitos alheios , porque "(...) desde que juntos estejam dois homens , há entre eles direitos recíprocos que lhes cumpre respeitar (...)" (1)

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Vivemos num planeta que se caracteriza pela predominância do mal sobre o bem; ë um planeta inferior , onde os seus habitantes estão submetidos a provas e expiações ; daí ser muito comum que muitos Espíritos não possuam o discernimento natural para o emprego da liberdade que Deus concedeu. A ocorrência de abusos do poder , manifestada nas tentativas do homem escravizar o próprio homem , nas mais variadas formas e intensidade ,é exemplo típico do mau uso desta lei natural. A medida que o ser humano evolui , cresce com ele a responsabilidade sobre seus atos , sobre suas manifestações verbais e , até mesmo sobre seus pensamentos . Neste estágio evolutivo , passa a compreender que a liberdade não se traduz por fazer ou deixar de fazer determinada coisa irresponsavelmente . Passa a medir a sua linha de ação da maneira que esta não atinja desastrosamente o próximo. Compreende , enfim que sua liberdade termina onde começa a do seu próximo. A vontade própria ou livre-arbítrio é ,então ,exercitada de uma maneira mais coerente , mais responsável. O livre-arbítrio é definido como " a faculdade que tem o indivíduo de determinar a sua própria conduta , ou em outras palavras , a possibilidade que ele tem de , entre duas ou mais razões suficientes de querer ou de agir , escolher uma delas e fazer que prevaleça sobre as outras".(6) Sem o livre-arbítrio , o homem não teria mérito em praticar o bem ou evitar o mal , pois a vontade e a liberdade do espírito não sendo exercitadas, o homem não seria mais do que um autômato. Pelo livre-arbítrio , ao contrário , passa o indivíduo a ser o arquiteto de sua própria vida , de sua felicidade ou infelicidade , da sua maior ou menor responsabilidade. Em qualquer ato que pratique. A liberdade e o livre-arbítrio têm uma correlação fundamental na criatura humana e aumentam de acordo com a sua elevação e conhecimento. Se por um lado temos a liberdade de pensar, falar e agir, por outro lado, o livre-arbítrio nos confere a responsabilidade dos próprios atos por terem sido eles praticados livremente e por nossa própria vontade. A sujeição absoluta de um homem a outro homem é um erro gravíssimo de conseqüências desastrosas para quem o pratica. A escravidão, seja ela física, intelectual, sócio-econômica, é sempre um abuso da força e que tende a desaparecer com o progresso da humanidade ... E um atentado à Natureza onde tudo e harmonia e equilíbrio. Quem arbitrariamente desfere golpes cerceando a liberdade dos outros, escravizando-os pelos diversos processos que mundo moderno oferece, sofre a natural conseqüência, e essa é a vergasta da dor, que desperta e corrige, educa e levanta para os tirocínios elevados da vida. A nossa liberdade não é absoluta porque vivemos em Sociedade, onde devemos respeitar os direitos das pessoas. Baseando-se neste preceito, torna-se absurdo aceitar qualquer forma de escravidão: física, social, econômica, ideológica, religiosa, etc. "(...) Durante muito tempo aceitou-se, como justa, a escravização dos povos vencidos em guerras, assim como foi permitido pelos códigos terrenos que os homens de certas raças fossem caçados e vendidos, quais bestas de carga, na falsa suposição de que eram seres inferiores e, talvez, nem fossem nossos irmãos em humanidade. Coube ao Cristianismo mostrar que, perante Deus, só existe uma espécie de homens e que, mais ou menos puros e elevados , eles o são, não pela cor da epiderme ou do sangue, mas pelo espírito, isto e, pela melhor compreensão que tenham das coisas e principalmente pela bondade que imprimam em seus atos. (...)" (4) Com a abolição da escravatura, todos nós podemos dispor livre mente das nossas vidas. "(...) Sem dúvida, estamos ainda muito distantes de uma vivência mundial de integral respeito às liberdades humanas ; todavia já as aceitamos como um ideal a ser atingido, e isso é um grande passo, pois tal concordância há de elevar-nos, mais dia, menos dia a esse estado de paz e de felicidade a que todos aspiramos." (s) ANEXO 1 LIBERDADE Para ser livre da mundana escória E alcançar a amplidão rútila e bela Vence os rijos furores da procela Que te freme na carne transitória. Despe os adornos da ilusão corpórea E abraça a estranha e rígida tutela Da aflição que te humilha e te flagela Por teu caminho de esperança e glória.

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Agrilhoado à cruz do próprio sonho, Vara as trevas do báratro medonho Nos supremos martírios da ansiedade!... E, ave distante dos terrestres limos, Celebrarás na pompa de Áureos Cimos, A conquista da Eterna Liberdade. CRUZ E SOUZA XAVIER, Francisco Cândido. Poetas Redivivos. Diversos Espíritos. Rio de Janeiro, FEB, 1969. p. 47.

06 - Liberdade de pensar e de consciência.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS. 1) Conceituar liberdade. 2) Conceituar escravidão e relacionar as suas conseqüências 3) Estabelecer uma relação entre liberdade e livre arbítrio. IDÉIAS PRINCIPAIS "(...) No pensamento goza que não há como por-lhe peias. aniquilá-lo." (1) o homem de ilimitada liberdade, pois Pode-se-lhe deter o vôo, porém, não "(...) Constranger os homens a procederem em desacordo com o seu modo de pensar é fazêlos hipócritas. A liberdade de consciência é um dos caracteres da verdadeira civilização e do progresso." (2) "(...) Um povo só ë verdadeiramente livre, digno de liberdade, se aprendeu a obedecer a lei interna, lei moral, eterna e universal, que não emana nem do poder de uma casta, nem da vontade das multidões, mas de um Poder mais alto. (...)" (5) FONTES DE CONSULTA Básicas 01 - KARDEC, Allan. o livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro . 57 ed. Rio de Janeiro ,FEB , 1983 perg. 833 02 - Op. cit., perg. 837 Complementares 03 - CALLIGARIS, Rodolfo. A lei da liberdade. :As leis morais. 2ª ed. Rio de Janeiro , FEB , 1983 ,p.149. 04 - DENIS, Léon. A disciplina do pensamento e a reforma do caráter. In: O problema do ser , do destino e da dor. II ed. Rio de Janeiro ,FEB, 1979 , p.361 05 - O livre-arbítrio . :O problema do ser , do destino e da dor . II ed. Rio de janeiro , FEB , 1979 . p.347 06 - FRANCO , Divaldo Pereira. Direito de Liberdade. :As leis morais da vida. Pelo Espírito Joanna de Ângelis . Salvador . Alvorada 1976. p.134 LIBERDADE DE PENSAR E DE CONSCIÊNCIA A liberdade de pensamento ,como a de agir ,constituem atributos essenciais do Espírito ,outorgadas por Deus ao cria-lo. A liberdade de pensar é sempre ilimitada ,porquanto ninguém pode domar o pensamento alheio ,aprisionando-o. Assim ensinam os Espíritos ao responderem a questão 833 de "O Livro dos Espíritos" ,esclarecendo que "(...)no pensamento goza o homem da liberdade ilimitada ,pois não há como por-lhe peias. Pode-se-lhe deter o vôo ,porém não aniquilá-lo".(1) Quando muito ,ainda pela inferioridade e imperfeição de nossa civilização ,tenta-se muitas vezes , conter a manifestação exterior do pensamento ,ou seja ,a liberdade de expressão. Se há algo que escapa a qualquer opressão é a liberdade de pensamento. Somente por ela pode o homem gozar de liberdade absoluta. Ninguém consegue aprisionar o pensamento de outrem ,embora possa entravar-lhe a liberdade de expressão. Pela ação da lei do progresso ,a liberdade ,em todas as suas modalidades ,evolui ,especialmente a liberdade de pensar ,pois atualmente já não vivemos na época do "crer ou morrer" ,como acontecia nos tempos da inquisição ou santo ofício.

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Na verdade ,"(...) de século para século ,menos dificuldade encontra o homem para pensar sem peias e, a cada geração que surge , mais amplas se tornam as garantias individuais no que tange a inviolabilidade de foro íntimo(...)"(3). Evidencia-se bem distinta a liberdade de pensar e de agir ,pois , enquanto a primeira exerce com maior amplidão ,sem barreiras , a última padece de extensas a profundas limitações. Apesar da liberdade de pensar ser ilimitada ,ela depende do grau evolutivo de cada Espírito ,na sua capacidade de irradiação e discernimento . A medida que um Espírito progride , desenvolve-lhe o senso de responsabilidade sobre os seus atos e pensamentos. Qualquer oposição exercida sobre a liberdade de uma pessoa é sinal de atraso espiritual. "(...) Constranger os homens a procederem em desacordo com o seu modo de pensar é faze-los hipócritas. A liberdade de consciência é um dos caracteres da verdadeira civilização e progresso".(2) A toda criatura é concedida a liberdade de pensar , falar e agir , desde de que esta concessão subentenda o respeito aos direitos semelhantes do próximo. Desde de que o uso da faculdade livre engendre sofrimento e coerção para outrem ,incide-se em crime passível de cerceamento daquele direito ,seja por parte das leis humanas ,sem dúvida nenhuma através da Justiça Divina. Graças a isso ,o limite da liberdade encontra-se inscrito na consciência de cada pessoa , que gera para si mesma o cárcere de sombra e dor ,a prisão sem barras em que expungirá mais tarde , mediante o impositivo da reencarnação ,ou as asas de luz para a perene harmonia".(6) O limite de nossa liberdade está ,portanto ,determinado onde começa a do próximo. "(...) Em todas as relações sociais ,em nossas relações com os nossos semelhantes , é preciso nos lembrarmos constantemente disto : Os homens são viajantes em marcha ,ocupando pontos diversos na escala da evolução pela qual todos subimos. Por conseguinte ,nada devemos exigir ,nada devemos esperar deles ,que não esteja em relação com seu grau de adiantamento. (...)"(4) Logo ,"(...) o Espírito só está verdadeiramente preparado para a liberdade no dia em que as leis universais , que lhe são externas ,se tornem internas e conscientes pelo próprio fato de sua evolução. No dia em que ele se compenetrar da lei e fizer dela a norma de suas ações ,terá atingido o ponto moral em que o homem se possui ,domina e governa a si mesmo. Dai em diante já não precisará de constrangimento a da autoridade sociais para corrigir-se. E dá-se com a coletividade o que se dá com o indivíduo. Um povo só é verdadeiramente livre ,digno de liberdade se aprendeu a obedecer a lei interna ,lei moral ,eterna e universal ,que não emana nem do poder de uma casta ,nem da vontade das multidões , mas de um Poder mais alto. Sem a disciplina moral que cada qual deve impor a si mesmo as liberdades não passam de um logro ; tem-se a aparência ,mas não os costumes de um povo livre (...). Tudo o que se eleva para a luz eleva-se para a liberdade. (...)"(5)

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3ª Unidade Lei do progresso
07- Conceito de evolução e estado de natureza.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS. 1) Conceituar estado de natureza. 2) Explicar qual a finalidade da lei de evolução ( ou de progresso ) e os meios empregados para atingi-la 3) Esclarecer porque o homem não pode regredir. IDÉIAS PRINCIPAIS "(...) O estado de natureza é a infância da Humanidade e o ponto de partida do seu desenvolvimento, intelectual e moral. (...3" (02) "(...ì O objetivo da evolução, a razão de ser da vida não é a felicidade terrestre, como muitos erradamente crêem, mas o aperfeiçoamento de cada um de nós, e esse aperfeiçoamento devemos realizá-lo por meio do trabalho, do esforço, de todas as alternativas de alegrias e de dor, até que nos tenhamos desenvolvido completamente e elevado ao estado celeste. (...)" (053 "(...) A marcha dos Espíritos é progressiva, jamais retrógrada. Eles se elevam gradualmente na hierarquia e não descem da categoria a que ascenderam. Em suas diferentes existências corporais, podem descer como homens, não como Espíritos. (...)" (01) FONTES DE CONSULTA 01. KARDEC, Allan. 0 Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Perg. 194. 02. Op. cit., perg. 776. 03. Op. cit., perg. 778. COMPLEMENTARES 04. DELLANE, Gabriel. A Evolução Anímica. Trad. de Manuel Quintão. 4. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1976. Introdução pag. 16-17: 05. DENIS, Léon. Evolução e finalidade da alma. In:- . 0 problema do ser , do destino e da dor. 11. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979. p. 119-120. 06. Op. cit., p. 120. 07. Op. cit., p. 122-123. EVOLUÇÃO E ESTADO DE NATUREZA. O homem desenvolve sua caminhada evolutiva a partir de um estado primitivo ou estado de natureza. "(...) O estado de natureza e a infância da Humanidade e o ponto de partida do seu desenvolvimento intelectual e moral. Sendo perfectível e trazendo em si o gérmen do seu aperfeiçoamento, o homem não foi destinado a viver perpetuamente no estado de natureza, como não o foi a viver eternamente na infância. Aquele estado é transitório para o homem, que dele sai por virtude do progresso e da civilização. (...)" (2) E necessário que o ser humano desenvolva-se intelectual e moralmente e, através da lei de progresso, regula-se a evolução de to dos os seres, encarnados ou desencarnados, e de todos os mundos do Universo. O Espírito só se depura com o tempo, pelas experiências que as reencarnações facultam. "(...) O homem tem que progredir incessantemente e não pode volver ao estado de infância. Desde que progride, é parque Deus assim o quer. Pensar que possa retrogradar a sua primitiva condição fora negar a lei do progresso". (3) No estado de natureza o homem tem menos necessidades, a sua vida e mais simples e menores são as atribulações. Ele se atem mais à sobrevivência 'e às necessidades fisiológicas. No entanto, "(...) há em nós uma surda aspiração, uma íntima energia misteriosa que nos encaminha para as alturas, que nos faz tender para destinos cada vez mais elevados, que nos

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impele para o Belo e para o Bem. É a lei do progresso, a evolução eterna, que guia a Humanidade através das idades e aguilhoa cada um de nós, porque a Humanidade são as próprias almas, que, de século em século, voltam para prosseguir com auxílio de novos corpos, preparando-se para mundos melhores em sua obra de aperfeiçoamento. A lei do progresso não se aplica somente ao homem; é universal. Há, em todos os reinos da Natureza, uma evolução que foi reconhecida pelos pensadores de todos os tempos. (...) Na planta, a inteligência dormita; no animal, sonha; só no homem acorda, conhece-se, possui-se e torna-se consciente. (...) (7) O homem ascende a planos mais alto através do "(...) trabalho, do esforço, de todas as alternativas da alegria e da dor (...)" (06) "(...3 As reencarnações constituem, destarte, uma necessidade inelutável do progresso espiritual. Cada existência corpórea não comporta mais do que uma parcela de esforços determinados, após os quais. a alma se encontra exausta. A morte representa, então, um repouso, uma etapa na longa rota da eternidade. Depois é a reencarnação novamente, a valer um como rejuvenescimento para o Espírito em marcha. Paixões antigas, ignomínias, remorsos, desaparecem, o esquecimento cria um novo ser, que se atira cheio de ardor e entusiasmo no percurso da nova estrada. Cada esforço redunda num progresso e cada progresso num poder sempre maior. Essas aquisições sucessivas vão alteando a alma nos inumeráveis degraus da perfeição, Somos, assim, o árbitro soberano de nossos destinos; cada encarnação condiciona a que lhe sucede e, mau grado a lentidão da marcha ascendente, eis-nos a gravitar incessantemente para alturas radiosas, onde sentimos palpitar corações fraternais, e entrarmos em comunhão sempre mais e mais íntima com a grande alma universal - A Potência Suprema(...) (04) ANEXO 1 MÃOS ENFERRUJADAS Quando Joaquim Sucuplra abandonou o corpo, depois dos sessenta anos, deixou nos conhecidos a impressão de que subiria incontinente ao Céu. Vivera arredado de mundo, na conforto precioso que herdara dos pais. Falava pouco, andava menos, agia nunca. Era visto invariavelmente em trajes impecáveis. A gravata ostentava sempre uma pérola de alto preço, pequena orquídea assinalava a lapela, e o lenço, admiravelmente dobrado, caía, irrepreensível, do bolso mirim. 'O rosto denunciava-Ihe o apurado culto às maneiras distintas. Buscava, no barbeiro cuidadoso, cada manhã, renovada expressão juvenil. Os cabelos bem postos, embora escassos, cobriam-lhe o crânio com o esmero possível. Dizia-se cristão e, realmente, se vivia isolado, não fazia mal sequer a uma formiga. Assegurava, porém, o pavor que o possuía, ante os religiosos de todos os matizes. Detestava os padres católicos, criticava as organizações protestantes e categorizava os espiritistas no rol doe loucos. Aceitava Jesus a seu modo, não segundo o próprio Jesus. As facilidades econômicas transitórias adiavam-Ihe as lições benfeitoras do concurso fraterno, no campo da vida. Estudava, estudava, estudava... E cada vez mais se convencia de que as melhores diretrizes eram as dele mesmo. Afastamento individual para evitar complicações e desgostos. Admitia, sem rebuços, que assim efetuaria preparação adequada para a existência depois do sepulcro. Em vista disso, a desencarnação de homem tão cauteloso em preservar-se, passaria por viagem sem escalas com destino à Corte Celeste. Dava aos familiares dinheiro suficiente para aventuras e fantasias, a fim de não ser incomodado por eles ; distribuía esmolas vultosas, para que os problemas de caridade não Ihe visitassem o lar ; afastava-se do mundo para não pecar. Não seria Joaquim - perguntavam amigos íntimos - o tipo do religioso perfeito? Distante de todas as complicações da experiência humana, pela força da fortuna sólida que herdara dos parentes, seria impossível que não conquistasse o paraíso. Contudo, a realidade que o defrontava agora não correspondia à expectativa gerai. Sucupira, desencarnado, ingressara numa esfera de ação, dentro da qual parecia não ter percebido pelos grandes servidores celestiais. Via-os em movimentação brilhante, nos campos e nas cidades. Segredavam ordena divinas aos ouvidos de todas as pessoas em serviço digno. Chegara a ver um anjo singularmente abraçado a velha cozinheira analfabeta. Em se aproximando, todavia, dos Mensageiros do Céu, não era por eles atendido. Conseguia andar, ver, ouvir, pensar. No entanto - desventurado Joaquim! - as mãos e os

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braços mantinham-se inertes. Semelhavam-se a antenas de mármore, irremediavelmente ligadas ao corpo espiritual. Se intentava matar a sede ou a fome, obrigava-se a cair de bruços, porque não dispunha de mãos amigas que o ajudassem. Muito tempo suportara semelhante infortúnio, multiplicando apelos e lágrimas, quando foi conduzido por entidade caridosa a pequeno tribunal de socorro, que funcionava de tempos a tempos, nas regiões inferiores onde vivia compungido. O benfeitor que desempenhava ali funções de juiz, reunida a assembléia de Espíritos penitentes, declarou não contar com muito tempo, em face das obrigações que o prendiam noa círculos mais altos e que viera até ali somente para liquidar os casos mais dolorosos e urgentes. Devotados companheiros do bem selecionaram a meia dúzia de sofredores que poderiam ser ouvidos, dentre os quais, par último, figurou Sucupira, a exibir os braços petrificados. Chorou, rogou, lamuriou-se. Quando pareceu disposto a fazer o relatório geral e circunstanciado da existência finda, o julgador obtemperou; Não, meu amigo, não trate de sua biografia. O tempo é curto. Vamos ao que interessa. Examinou detidamente e observou, passados alguns instantes : - Sua maravilhosa acuidade mental demonstra que estudou muitíssimo. Fez pequeno intervalo e entrou a argüir : - Joaquim, você era casado T - Sim. - Zelava a residências? - Minha mulher cuidava de tudo. - Foi pai? - Sim. - Cuidava dos filhos em pequeninos? - Tínhamos suficiente número de criados e amas. - E quando jovens ? - Eram naturalmente entregues aos professores. - Exerceu alguma profissão útil ? - Não tinha necessidade de trabalhar para ganhar o pão - Nunca sofreu dor de cabeça pelos amigos? - Sempre fugi, receoso, das amizades. Não queria prejudicar, nem ser prejudicado. O julgador interrompeu-se, refletiu longamente e prosseguiu - Você adotou alguma religião ? - Sim, eu era cristão - esclareceu Sucupira. - Ajudava os católicos? - Não. Detestava-os os sacerdotes. - Cooperava com as Igrejas reformadas? - De modo algum. São excessivamente intolerantes. - Acompanhava os espiritistas? --Não. Temia-lhes a presença. -- Amparou doentes, em nome do Cristo? - A Terra tem numerosos enfermeiros. - Auxiliou criancinhas abandonadas? - Ha creches por toda parte. - Escreveu alguma página controladora? - Para quê ? o mundo está cheio de livros e escritores. - Utilizava o martelo ou o pincel? - Absolutamente. - Socorreu animais desprotegidos'. - Não. - Agradava-Ihe cultivar a terra? - Nunca. - Plantou árvores benfeitoras? - Também não. - Dedicou-se ao serviço de condução das águas, protegendo paisagens empobrecidas'? Sucupira fez um gesto de desdém e informou: - Jamais pensei nisto. O instrutor indagou-lhe sobre todas as atividades dignas conhecidas no Planeta. Ao fim do interrogatório, opinou sem delongas: - Seu caso explica-se: você tem as mãos enferrujadas

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Ante a careta do interlocutor amargurado, esclareceu : - É o talento não usando, meu amigo. Seu remédio regressar a lição. Repita o curso terrestre. Joaquim, confundido, desejava mais amplas elucidações. O juiz, porém, sem tempo de ouvi-lo, entregou-o aos cuidados de outro companheiro. Rogério, carioca desencarnado, tipo 1945, recebeu-o de semblante amável e feliz e, após escutar-lhe compridas lamentações, convidou, pacientemente: - Vamos, Sucupira. Você entrará na fila em breves dias. - Fila ? interrogou o infeliz, boquiaberto. - Sim acrescentou o alegre ajudante -, na fila da reencarnação. E, puxando o paralítico pelos ombros, concluía, sorrindo: - O que você precisa, Joaquim, é de movimento * XAVIER, Francisco Cândido. Luz Acima. Pelo espírito Irmão X 4 edição Rio de Janeiro FEB. 1978, pag. 17-21.

08 - Marcha do progresso.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1) Apontar os dois principais tipos de progresso. 2) Justificar porque nem sempre o progresso moral acompanha o intelectual. 3) Caracterizar os maiores obstáculos ã marcha do progresso. IDÉIAS PRINCIPAIS "(...) Há duas espécies de progresso, que uma a outra se prestam mutuo apoio, mas que, no entanto .não marcham lado a lado: o progresso intelectual e o progresso moral. (...3" (06) O progresso moral nem sempre acompanha o progresso intelectual. "Decorre deste, mas nem sempre o segue imediatamente." (04) "(...) O Espirito progride em insensível marcha ascendente, mas o progresso no se efetua simultaneamente em todos os sentidos. Durante um período da sua existência ele se adianta em ciência; durante outro, em moralidade." (01) "Os maiores obstáculos ao progresso são o orgulho e o egoísmo. Refiro-me ao progresso moral, porquanto o intelectual se efetua sempre (...)(05) FONTES DE CONSULTA 01 - KARDEC, Allan. o livro dos Espíritos. Trad. e Guillon Ribeiro . 57 ed. Rio de Janeiro ,FEB , 1983 perg. 365 ,P. 203-204 02 - Op. Citada , perg. 751 03 - Op. Citada , perg. 779 04 - Op. Citada , perg. 780, p.363 05 - Op. Citada , perg. 785, p.365 06 - Op. Citada , perg. 785, p.366 07 - Op. Citada , perg. 785, p.366 07 -__. São chegados os tempos In. A Gênese .Trad. Guillon Ribeiro . 24 ed. Rio de Janeiro , FEB ,1982 item 19 ,p.414 COMPLEMENTARES 08 - CALLIGARIS .Rodolfo. A lei do progresso. In: As leis morais. 2º ed. Rio de Janeiro ,FEB , 1983 , p.120 09 - FRANCO ,Divaldo Pereira. Diante do Progresso .In As leis morais da vida . Salvados , Alvorada ,1976. item 37 ,p.107 10 - Progresso. In:__ Estudos espíritas. Pelo Espirito Joanna de Ângelis. Rio de Janeiro ,FEB , 1982 . p.79_ A MARCHA PARA O PROGRESSO "(...) O progresso pode ser comparado ao amanhecer. Mesmo demorando aparentemente culmina por lograr êxito. A ignorância ,travestida pela força e iludida pela falsa cultura ,não poucas vezes se há levantado ,objetivando criar embaraços ao desenvolvimento dos homens e dos povos (...). Inevitavelmente ele chega ,altera a face e a constituição do que encontra pela frente e desdobra recursos ,fomentando a beleza, a tranqüilidade ,o conforto , a dita. (...)" (10) Esta é a marcha do progresso: Inexoravelmente erguerá o homem do solo das imperfeições

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que ainda se detém para a sua gloriosa destinação: a perfeição. Há dois tipos de progresso : o intelectual e o moral ;"(...) O homem se desenvolve por si mesmo ,naturalmente. Mas ,nem todos progridem simultaneamente e do mesmo modo. Dá-se , então , que os mais adiantados auxiliam o progresso dos outros , por meio do contato social. (...)" (3) O progresso moral nem sempre acompanha o progresso intelectual. Geralmente os indivíduos e os povos adquirem maior progresso científico e , mais lentamente , se moralizam. Com o aumento do discernimento entre o bem e o mal , pelo desenvolvimento do livre arbítrio cresce no ser humano a noção de responsabilidade no pensar, falar e agir "(...) O desenvolvimento do livre arbítrio acompanha o da inteligência e aumenta a responsabilidade dos atos".(...)(4) "(...) O desenvolvimento intelectual não implica a necessidade do bem. Um Espírito , superior em inteligência ,pode ser mau. Isto se dá com aquele que muito tem vivido sem se melhorar : Apenas sabe ".(2) Por isso encontramos entre nações tecnicamente adiantadas tantas injustiças sociais: Falta a moralização dos seus componentes humanos. "Somente o progresso moral pode assegurar aos homens a felicidade na terra, refreando as paixões más ; somente esse progresso pode fazer que entre os homens reine a concórdia , a paz , a fraternidade.(...)" (7) No século que vivemos houve grandes avanços nos diversos campos do conhecimento humano , mas o "(...) progresso moral se acha muito aquém do fabuloso progresso intelectual a que chegou , e daí porque prevalece , em nossos dias ,uma ciência sem consciência , valendose , não poucos , de suas aquisições culturais , apenas para a prática do mal. (...)" (8) Mais cedo ou mais tarde os resultados do mau uso do livre arbítrio e da inteligência recairão sobre os homens , através da lei de causa e efeito e , trabalhados pela dor , os homens ganharão experiência e entendimento , para se equilibrarem e continuarem suas jornadas evolutivas. O amor e o conhecimento são as asas harmoniosas para o progresso do homem e dos povos , progresso que , não obstante as paixões nefastas ainda predominantes na natureza animal do homem , será impossível de não ser alcançado". (9) Os maiores obstáculos á marcha do progresso moral são , sem sombra de dúvida , o orgulho e o egoísmo. "(...)A primeira vista ,parece mesmo que o progresso intelectual reduplica as atividades daqueles vícios , desenvolve a ambição e o gosto das riquezas , que , a seu turno incitam o homem a empreender pesquisas que lhe esclarecem o Espírito. Assim é que tudo se prende , no mundo moral como no mundo físico , e que do próprio mal pode nascer o bem. Curta porém é a duração desse estado de coisas , que mudará a proporção que o homem compreender melhor que . além da que os gozo dos bens terrenos proporciona , uma felicidade existe maior e infinitamente mais duradoura(...)" (5).

09 - Marcha do progresso – civilização.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS. 1) Estabelecer a diferença entre civilização completa e povos esclarecidos intelectualmente. 2) Relacionar os indícios de uma civilização evoluída. 3) Explicar a necessidade da existência das leis humanas IDÉIAS PRINCIPAIS Uma civilização é completa ou evoluída "(...) pelo desenvolvimento moral. Credes que estais muito adiantados, porque tendes feito grandes descobertas e obtido maravilhosas invenções porque vos alojais e vestis melhor que os selvagens. Todavia, não tereis verdadeiramente o direito de dizer-vos civilizados, senão quando de vossa sociedade houverdes banido os vícios que a desonram e quando viverdes como irmãos praticando a caridade cristã. Até então, sereis apenas povos esclarecidos que hão percorrido a primeira fase da civilização. (...)" (03) "(...) A civilização criou necessidades novas para o homem, necessidades relativas à posição social que ele ocupe. Tem-se, então, que regular, por meio de leis humanas, os direitos e deveres dessa posição. (...) (04) FONTES DE CONSULTA Básicas 01 - KARDEC, Allan .O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro 57, Rio de Janeiro , FEB, 1983 . perg. 789

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02 - Op. citada , perg. 790 03 - Op. citada , perg. 793 04 - Op. citada , perg. 795 05 - Op. citada , perg. 796 Complementares 06 - FRANCO ,Divaldo Pereira . Lei. ;Estudos Espíritas. Pelo espírito Joanna de Ângelis , Rio de Janeiro ,FEB, 1982. pg. 87 07 - Op. citada ,pg. 87-88 08 - Diante do progresso. As leis morais da vida.. Salvador , Alvorada , 1976. Item 37, pg.106107_ A MARCHA DO PROGRESSO , CIVILIZAÇÃO O progresso , para ser legítimo , não pode prescindir da elevação moral dos homens que se haure do Evangelho sempre atual. As conquistas da inteligência , embora valiosas , sem a santificação dos sentimentos conduzem ao desvairo e a destruição. Para serem autênticas , as aquisições humanas devem alicerçar-se nos valores éticos , sem os quais o conhecimento se converte em vapor tóxico que culmina por aniquilar quem o detém." (08) "(...) A humanidade progride por meio dos indivíduos que , pouco a pouco se melhoram e se instruem. Quando estes preponderam pelo número , tomam a dianteira e arrastam os outros. De tempos em tempos surgem no seio dela , homens de gênio que lhe dão impulso ; vem depois ,como instrumento de Deus , os que tem autoridade e , nalguns anos , fazem-na adiantar-se de muitos séculos.(...)" (01) A marcha do progresso é ascensional , quer intelectual , quer moralmente falando. Porém , o fato de uma nação progredir cientificamente mais do que outra , não significa que seja moralmente mais adiantada. Civilizar quer dizer progredir , mas é um "(...) progresso incompleto.(...)"(02) Para se chegar a um estado de civilização completa , de humanidade moralmente evoluída ,muitas conquistas deverão ser realizadas , tanto no campo moral quanto no intelectual. Há diferenças entre civilização ,civilização completa ou evoluída e povos esclarecidos. Quando um povo sai do estado selvagem ou de barbárie e ,por força do progresso adquire novos conhecimentos, inicia-se o processo de civilização ; mas esta civilização é ainda incompleta porque incompleto é o seu progresso."(...) A civilização , como todas as coisas , apresenta gradações diversas. Uma civilização incompleta é um estado transitório , que gera males especiais, desconhecidos do homem no estado primitivo. Nem por isso entretanto , constitui menos um progresso natural necessário , que traz consigo o remédio para o mal que causa. A medida que a civilização se aperfeiçoa , faz cessar alguns dos males que gerou, males que desaparecerão todos com o progresso moral. De duas nações que tenham chegado ao ápice da escala social , somente pode considerar-se a mais civilizada , na legítima acepção do termo , aquela onde exista menos egoísmo , menos cobiça e menos orgulho; onde os hábitos sejam mais intelectuais e morais do que materiais ; onde a inteligência se puder desenvolver com maior liberdade ; onde haja mais bondade , boa fé , benevolência e generosidade recíprocas ; onde menos enraizados se mostram os preconceitos de casta e de nascimento, isso porque tais preconceitos são incompatíveis com o verdadeiro amor ao próximo;(...) enfim , onde todo homem de boa vontade esteja certo de não lhe faltar o necessário."(03) Na pergunta 793 de "O Livro dos Espíritos" , os Espíritos superiores esclarecem perfeitamente a respeito das diferenças assinaladas acima; uma civilização completa ,"(...) reconhece-la-eis pelo desenvolvimento moral. Crede que estais muito adiantados porque tendes feito grandes descobertas e obtido maravilhosas invenções ;porque vos alojais e vestis melhor do que os selvagens. Todavia , não tereis verdadeiramente o direito de dizer-vos civilizados , senão quando de vossa sociedade houverdes banido os vícios que a desonram e quando viverdes como irmãos , praticando a caridade cristã. Até então , sereis apenas povos esclarecidos , que hão percorrido a primeira fase da civilização.(...)"(03) "(...) No que diz respeito a evolução dos códigos da justiça humana , a Hamurabi se deve o mais antigo conjunto de leis conhecidas pela humanidade. (...)no qual se tem uma visão de equidade avançada para a época em que predominava o poder sobre o direito, a supremacia do vencedor sobre o vencido. Posteriormente , as civilizações ,pela necessidade de estabelecerem códigos destinados a

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regerem seus membros , ora subordinados a diretrizes religiosas ,ora aos impositivos éticos sobre que colocavam suas bases , formaram seus estatutos de justiça e ordem , nem sempre felizes. (...)"(06) "(...) Dos primeiros moralistas da escola ingênua , aos grandes legisladores , ressaltam as figuras de Moisés , instrumento do Decálogo , a Jesus , excelso paradigma do amor , que consubstanciaram as necessidades humanas, ao mesmo tempo facultando os meios liberativos para o ser que marcha na direção da imortalidade. (...) Do Direito Romano aos modernos tratados , as fórmulas jurídicas evoluem , apresentando dispositivos e artigos cada vez mais concordes com o espírito de justiça do que com as ambições do comportamento individual e grupal.(...)"(07) "(...) A civilização criou necessidades novas para o homem , necessidades relativas a posição social que ele ocupa. Tem-se então que regular por meio de leis humanas , os direitos e deveres dessa posição.(...)"(04) Quanto menos evoluída for a sociedade , mais duras são as sua leis. Uma sociedade depravada certamente precisa de leis severas. Infelizmente essas leis mais se destinam a punir o mal depois de feito , de que lhe secar a fonte. Só a educação poderá reformar os homens ,que então , não precisarão mais de leis tão rigorosas."(05) ANEXO QUESTIONÁRIO 01. Qual a diferença entre civilização completa e povos esclarecidos intelectualmente? 02. Por quais indícios se identifica uma civilização evoluída? 03. Por que é necessária a existência de leis humanas para regerem a nossa sociedade? 04. A civilização poderia ser, como querem alguns filósofos, um estado de decadência da Humanidade? 05. Por que a civilização atual não pode ser regida somente pelas leis naturais? 06. Por que as leis humanas são passíveis de mudanças? 07. Em qual código de moralidade deverá o homem se basear para construir uma civilização evoluída ou completa?

10 - Influencia do Espiritismo no progresso.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS. 1) Explicar como o Espiritismo tornar-se-á a crença comum no futuro. 2) Analisar a influência do Espiritismo no progresso humano. 3) Citar o meio mais seguro que Deus dá ao homem para encaminhar-se no bem. IDÉIAS PRINCIPAIS. O Espiritismo "(...) certamente que se tornará crença geral e mar cara nova era na história da humanidade, porque está na natureza e chegou o tempo em que ocupará lugar entre os conhecimentos humanos." (...)" (03) O Espiritismo, ao contribuir para o progresso, "(...) destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade, ele faz que os homens compreendam onde se encontram seus verdadeiros interesses.(...) (04) "(...) Não é por meio de prodígios que Deus quer encaminhar os homens. Em sua bondade, Ele lhes deixa o mérito de se convencerem pela razão." (05) FONTES DE CONSULTA Básicas. 01 - KARDEC, Allan =Caráter da revelação espírita. :A Gênese .Trad. de Guillon Ribeiro .24 ed. Rio de Janeiro , FEB , 1982 Item 46. p.36 02 - Op. citada , item 47 03 - O Livro dos Espíritos .Trad. Guillon Ribeiro . 57 ed. Rio de Janeiro ,FEB , 1983 . perg. 798 04 - Op. citada , perg. 799 05 - Op. citada , perg. 802 06 - Predições do Evangelho . In A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro 24 ed. Rio de Janeiro ,FEB , 1982. item 40, p.387-388

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07 - Teoria da presciência . A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro 24 ed. Rio de Janeiro ,FEB , 1982. item 40, p.363-364 Complementares 08 - CALLIGARIS , Rodolfo. Influência do Espiritismo no progresso da Humanidade. As Leis Morais. 2 ed. Rio de Janeiro , FEB ,1983.p.132-133_ INFLUÊNCIA DO ESPIRITISMO NO PROGRESSO A primeira revelação personificada em Moisés , como a segunda em Jesus , foram produtos de um ensino individual , tornando-se forçosamente localizadas , isto é, apareceram num só ponto , em torno do qual a idéia se propagou pouco a pouco ; mas , foram precisos muitos séculos para que atingissem as extremidades do mundo , sem mesmo o invadirem inteiramente. A terceira tem isto de particular : não estando personificada em um só indivíduo , surgiu simultaneamente em milhares de pontos diferentes , que se tornaram centros ou focos de irradiação. Multiplicando-se esses centros , seus raios se reúnem pouco a pouco ,como os círculos formados por uma multidão de pedras lançadas na água de tal sorte que , em dado tempo , acabarão por cobrir toda a superfície do globo (...)" (1)." Esta circunstância (...) ,lhe dá força excepcional e irresistível poder de ação.(...). Ainda mais : se a ferirem num só indivíduo , não poderão feri-la nos Espíritos , que são a fonte donde ela se promana. Ora , como os Espíritos estão em toda parte e existirão sempre , se , por um acaso impossível , conseguissem sufocá-la em todo o globo , ela reapareceria pouco tempo depois , porque repousa sobre um fato da natureza e não se podem suprimir as leis da Natureza. Eis aí o de que se devem persuadir aqueles que sonham com o aniquilamento do Espiritismo".(2) "Quanto ao futuro do Espiritismo , os Espíritos , como se sabe , são unânimes em afirmar o seu triunfo próximo a despeito dos obstáculos que lhe criem. Fácil lhes é esta previsão , primeiramente , porque a sua propagação é obra pessoal deles : Concorrendo para o movimento , ou dirigindo-o , eles naturalmente sabem o que se deve fazer; em segundo lugar , basta-lhes entrever um período de curta duração: vêem , nesse Período , ao longo do caminho , os poderosos auxiliares que Deus lhe suscita e que não tardarão a manifestar-se. (...)"(7) "(...) A doutrina de Moisés , incompleta , ficou circunscrita ao povo judeu; a de Jesus , mais completa , se espalhou por toda a terra , mediante o Cristianismo , mas não converteu a todos ; o Espiritismo . ainda mais completo , com raízes em todas as crenças , converterá a Humanidade".(6) O progresso da Humanidade , sem dúvida é lento , muito lento mesmo , mas constante e ininterrupto. Ainda quando pareça estar regredindo , o que ocorre em certos períodos transitórios , esse recuo não é senão prenúncio de nova etapa de ascensão. O que conduz sempre para a frente são as novas idéias , as quais , via de regra , são trazidas a terra por missionários incumbidos de lhe ativarem a marcha. Acontece entretanto que a "Natureza não dá saltos", e qualquer princípio mais avançado , que fuja aos padrões culturais estabelecidos , só ao cabo de várias gerações logra ser aceito e assimilado pelos que seguem na retaguarda. Essa resistência as concepções modernas , sejam elas políticas , sociais ou religiosas , parece um mal , mas em verdade é um bem , porque funciona como um processo de seleção natural , fazendo que as destituídas de real valor desapareçam e caiam no olvido , para só vingarem aquelas que devam contribuir ,efetivamente ,para o aperfeiçoamento das instituições. O Espiritismo é um desses movimentos e se destina não apenas a abrir um campo diferente de pesquisas a ciência , mas principalmente a marcar uma nova era na História da Humanidade, pela profunda revolução que provoca em seus pensamentos e em seus ideais, impulsionando-a para a sublimação espiritual , pela vivência do Evangelho. Talvez nos perguntem: se é assim , se o Espiritismo está fadado a exercer grande influência no adiantamento dos povos , porque os Espíritos não desencadeiam uma onda de manifestações ostensivas , patentes , de modo que todos , até mesmo os materialistas e os ateus , sejam forçados a crer neles e nas informações acerca do que nos espera do outro lado da vida? (...)"(8) "(...) Desejaríeis milagres ; mas , Deus os espalha a mancheias diante dos vossos passos e , no entanto , ainda há homens que o negam. Conseguiu , porventura , o próprio Cristo convencer os seus contemporâneos , mediante os prodígios que operou? Não conheceis presentemente alguns que negam os fatos mais patentes , ocorridos as suas vistas? Não há os que dizem que não acreditariam mesmo que vissem? Não , não é por meio de prodígios que

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Deus quer encaminhar os homens. Em sua bondade , Ele lhes deixa o mérito de se convencerem pela razão".(5)

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4ª Unidade Lei de sociedade
11 - Necessidade de vida social.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1) Explicar porque é necessário ao homem viver em sociedade. 2) Identificar, no intercâmbio social, um meio de progresso humano. IDÉIAS PRINCIPAIS. "(...) Deus fez o homem para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação." (0l) "A vivência cristã se caracteriza pelo clima de convivência social em regime de fraternidade, no qual todos se ajudam e se socorrem, dirimindo dificuldades e consertando problemas." (05) "(...) Homem nenhum possui faculdades completas. Mediante a união social é que elas umas às outras se completam, para lhes assegurarem o bem-estar e o progresso. Por isso é que, precisando uns dos outros, os homens foram feitos para viver em sociedade e não insulados." (02) FONTES DE CONSULTA 01 - KARDEC , Allan. O livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 57 ed. Rio de janeiro, FEB, 1983, perg. 766 02 - Op. citada, perg. 768 COMPLEMENTARES 03 - CALLIGARIS, Rodolfo. Sociabilidade. In As leis morais. 2 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, pg. 107-108. 04 - FRANCO ,Divaldo Pereira. Intercâmbio social In As leis morais da vida Salvador , Alvorada , 1976 pg. 91 05 - Op. citada, pag. 92 NECESSIDADE DE VIDA SOCIAL A sociabilidade é uma lei da Natureza a que o homem não pode se esquivar , sem prejudicarse , pois é por meio do relacionamento entre os semelhantes que ele desenvolve as suas potencialidade. Deus lhe deu a fala e outras faculdades para que , através da vida em sociedade, pudesse evoluir. O insulamento priva o homem das relações sociais que lhe garantem o progresso. "(...) A sociabilidade é instintiva e obedece a um imperativo categórico da lei do progresso que rege a Humanidade. É que Deus, em seus sábios desígnios, não nos fez perfeitos, fez perfectíveis; assim, para atingirmos a perfeição a que estamos destinados todos precisamos uns dos outros , pois não há como desenvolver e burilar nossas faculdades intelectuais e morais senão no convívio social nessa permuta constante de afeições, conhecimentos e experiências, sem a qual a sorte do nosso espírito seria o embrutecimento e a estiolação. Sendo o fim supremo da sociedade promover o bem estar e a felicidade de todos os que a compõem, para que tal seja alcançada há necessidade de que cada um de nos observe certas regras de procedimento ditadas pela justiça e pela moral, abstendo-se de tudo que possa destruir.(...)"(03) "(...) Homem nenhum possui faculdades completas. Mediante a união social é que elas umas as outras se completam , para lhe assegurarem o bem estar e o progresso. Por isso é que, precisando uns dos outros, os homens foram feitos para viver em sociedade e não insulados."(02) "O homem, inquestionavelmente, é um ser gregário, organizado pela emoção para a vida em sociedade. O seu insulamento a pretexto de servir a Deus, constitui uma violência à lei natural, caracterizando-se por uma fuga injustificável as responsabilidades do dia-a-dia."(04) " A vivência cristã se caracteriza pelo clima de convivência social em regime de fraternidade,

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no qual todos se ajudam e se socorrem, dirimindo dificuldades e consertando problemas. Viver o Cristo é também conviver com o próximo, aceitando-o conforme suas imperfeições, sem constituir-lhe fiscal ou pretender corrigi-lo, antes acompanhando-o com bondade, inspirando-o ao despertamento e a mudança de conduta de motu próprio.(...) Isolar-se , portanto, a pretexto de servir ao bem não passa de uma experiência na qual o egoísmo predomina, longe da luta que forja heróis e constrói santos da abnegação e da caridade."(05) ANEXO I SOCIABILIDADE (*) "O homem é um animal social", $á o dizia, com acerto, famoso pensador da Antigüidade, querendo com isso significar que ele foi criado para viver, ou melhor, conviver com seus semelhantes. A sociabilidade é instintiva e obedece a um imperativo categórico da lei do progresso que rege a Humanidade. É que Deus, em Seus sábios desígnios, não nos fez perfeitos, fêz-nos perfectíveis; assim, para atingirmos a perfeição a que estamos destinados, todos precisamos uns dos outros, pois não há como desenvolver e burilar nossas faculdades intelectuais e morais senão no convívio social, nessa permuta constante de afeições, conhecimentos e experiências, sem a qual a sorte de nosso espirito seria o embrutecimento e a estiolação. Sendo o fim supremo da sociedade promover o bem-estar e a felicidade de todos os que a compõem, para que tal seja alcançado ha necessidade de que cada um de nós observe certas regras de procedimento ditadas pela Justiça e pela Moral, abstendo-se de tudo que as possa destruir. Com efeito, a boa ordem na sociedade depende das virtudes humanas. À medida que nos formos esclarecendo, tomando consciência de nossos deveres para com nós mesmos (amor ao trabalho, senso de responsabilidade, temperança, controle emocional, etc.) e para com a comunidade de que somos parte integrante (cortesia, desprendimento, generosidade, honradez, lealdade, tolerância, espírito público, etc.), cumprindo-os à risca, menores e menos freqüentes se irão tornando os atritos e conflitos que nos afligem ; mais estável será a paz e mais deleitável a harmonia que devem reinar em seu seio. A par disso, para que a sociedade funcione e possa corresponder à sua finalidade, um outro principio existe que precisa, também, ser observado: o da autoridade. No menor tipo de sociedade que se conhece, o lar, por exemplo, se aquele que a deve exercer, o chefe de família, não recebe da parte da mulher e dos filhos o acatamento e a obediência devidos, a anarquia toma conta da casa, com sérios prejuízos para, todos os familiares. Na sociedade civil acontece o mesmo. Se os indivíduos e os grupos não derem correto atendimento às normas traçadas pelo governo (que deles recebeu delegação de poderes para dirigir os destinos do Estado), antes as infrinjam ou desobedeçam, a desordem não tardará a fazer-se senhora da situação, resultando nulas as medidas propostas no sentido do progresso social. Um e outro - chefe de família e governo - não devem, porém, exorbitar de suas funções, seja impondo uma sobrecarga de obrigações aos que estejam subordinados à sua jurisdição, seja frustrando-lhes o gozo de seus direitos individuais, porque isso, então, já não seria autoridade, e sim tirania, despotismo. Estes conceitos, ampliados, são válidos igualmente para a sociedade natural, formada pelo concerto das nações, cujos membros devem respeitar-se e auxiliar-se mutuamente, tudo fazendo pela concórdia entre os povos e a prosperidade universal, porque, interdependentes que são, sempre que alguns componentes do cosmo social entrem em guerra ou se vejam a braços com crises econômicas, todos haveremos, de uma forma ou de outra, de sofrer-lhes as danosas conseqüências. Uma vez que a vida social é uma necessidade geral, que pensar daqueles que se isolam completamente, fugindo (segundo dizem) ao pernicioso contato do mundo? Pela Doutrina Espirita, tal procedimento revela forte dose de egoísmo e só merece reprovação, visto que "não pode agradar a Deus uma vida pela qual o homem se condena a não ser útil a ninguém". Já aqueles que se afastam do bulício citadino, buscando no retiro a tranqüilidade reclamada por certa natureza de ocupação, assim os que se recolhem a determinadas instituições fechadas para se dedicarem, amorosamente, ao socorro dos desgraçados, obviamente, embora afastados da convivência social, prestam excelentes serviços à sociedade, adquirindo

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duplos méritos, porquanto, além da renúncia às satisfações mundanas, têm a seu favor a prática das leis do trabalho e da caridade cristã. RESPONDA; 1) Que conceito de isolamento pode-se retirar do texto 2) Por que é necessário ao homem viver em sociedade. 3) Exemplifique situações em que o isolamento físico é manifestação de amor ao próximo ANEXO II INTERCÂMBIO SOCIAL O homem, inquestionavelmente, é um ser gregário, organizado pela emoção para a vida em sociedade. O seu insulamento, a pretexto de servir a Deus, constitui uma violência a lei natural, caracterizando-se por uma fuga injustificável a responsabilidades do dia-a-dia. Graças à dinâmica da atualidade, diminuem as antigas incursões ao isolacionismo, seja nas regiões desérticas para onde o homem fugia a buscar meditação, seja no silêncio das clausuras e monastérios onde pensava poder' perder-se em contemplação. O Cristianismo possui o extraordinário objetivo de criar ' uma sociedade equilibrada, na qual todos os seus membros sejam solidários entre si. "Negar o mundo" do conceito evangélico, não significa abandoná-lo, antes criar condições novas, a fim de modificar-Ihe as estruturas negativas e egoísticas, engendrando recursos que o transformem em reduto de esperança, de paz, perfeito símile do "reino dos céus", a que se reportava Jesus. A vivência cristã se caracteriza pelo clima de convivência social em regime de fraternidade, no qual todos se ajudam e se socorrem, dirimindo dificuldades e consertando problemas Viver o Cristo é também conviver com o próximo, aceitando-o conforme suas imperfeições, sem constituir-ihe fiscal ou pretender corrigi-lo, antes acompanhando-o com bondade, inspirando-o ao despertamento e à mudança de conduta de motu próprio, A reforma pessoal de alguém inspira confiança, gera simpatia, modifica o meio e renova os cômpares com quem cada um se afina. Isolar-se, portanto, a pretexto de servir ao bem não passa de uma experiência na qual o egoísmo predomina, longe da luta que forja heróis e constrói os santos da abnegação e da caridade. Criaturas bem intencionadas sonham com comunidades espiritualizadas, perfeitas, onde se possa viver em regime da mais pura santificação. Assim tocadas, programam colmeias, organizam comitês para tal fim, e os mais ambiciosos laboram por cidades onde o mal não exista e todos se amem... Em verdade, tal ambição, nobre por enquanto impraticável senão totalmente irrealizável, representa uma reminiscência ancestral das antigas comunidades religiosas onde o atavismo criou necessidades de elevação num mundo especial, longe das realidades objetivas entre os homens em evolução. Jesus, porém, deu-nos o exemplo. Desceu das Regiões Felizes ao vale das aflições, a fim de ajudar. Não convocou os privilegiados, antes convidou os infelizes, os rebeldes e rejeitados, suportando suas mazelas e assim mesmo os amando. No Colégio íntimo esteve a braços com as sistemáticas dúvidas dos amigos, suas ambições infantis, suas querelas frívolas, suas disputas... Não se afastou deles, embora suas imperfeições, não se rebelou contra eles. Ajudou-os, incansavelmente, até os momentos extremos, quando, sofrendo, no Getsemani, surpreendeu-os, mais de uma vez, a dormir... E retornou ao convívio deles, quando atemorizados, a sustentá-los e animá-los, a fim de que não deperecessem na fé, nem na dedicação em que se fizeram mais tarde dignos do seu Mestre, em face das testemunhos libertadores a que se entregaram... Atesta a tua confiança no Senhor e a excelência da tua fé mediante a convivência com os irmãos mais inditosos do que tu mesmo. Sê-lhes a lâmpada acesa a clarificar-lhes a marcha. Nada esperes dos outros. Se tu quem ajuda, desculpa, compreende. Se eles te enganam ou te traem, se censuram-te ou exigem-te o que te não dão, ama-os mais, sofre-os mais, porquanto são mais carecentes de socorro e amor do que supões. Se conseguires conviver pacificamente com os amigos difíceis e fazê-los companheiros, terás

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logrado êxito, porquanto Jesus em teu coração estará sempre refletido no trato, no intercâmbio social com os que te buscam e com os quais ascendes na direção de Deus. (*) FRANCO, Divaldo Pereira. Leis Morais da Vida. Salvador, Alvorada, 1976. p. 91-93. Responda; 1) Qual o significado da expressão de Paulo de Tarso, " lutar o bom combate "? 2) Identificar no intercâmbio social um meio de progresso humano.

12 - Vida de isolamento. Voto de silêncio.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS. 1) Justificar porque a vida de isolamento não é compatível com os ensinamentos Espíritas. 2) Especificar as conseqüências espirituais da vida de isolamento e do voto de silêncio. 3) Esclarecer como deve ser a conduta do homem no mundo. IDÉIAS PRINCIPAIS "(...) Não pode agradar a Deus uma vida pela qual o homem se condena a não ser útil a ninguém."(02) O isolamento, "a pretexto de servir a Deus, constitui uma violência ã lei natural, caracterizandose por uma fuga injustificável às responsabilidades do dia-a-dia." (07) "(...) O voto de silêncio absoluto, do mesmo modo que o voto de insulamento, priva o homem das relações sociais que lhe podem facultar ocasiões de fazer o bem e de cumprir a lei do progresso." (02) "(...) Vivei com os homens da vossa época, como devem viver os homens.(...)"(04) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro, 57 ed., Rio de Janeiro, FEB, 1983, perg. 766 02 - Op. citada , perg. 769 03 - Op. citada , perg. 772 04 - Sede perfeitos. In. O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro, 87 ed., FEB, Rio de Janeiro, item 10 COMPLEMENTARES 05 - Amorim Deolindo, A Doutrina Espírita , pag. 147 06 - CALLIGARIS, Rodolfo. Sociabilidade. In: - . As leis morais. 2 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. P. 107 07 - FRANCO, Divaldo Pereira. Intercâmbio social. In: - As leis morais da vida, Salvador, Alvorada, 1976. P. 91 VIDA DE ISOLAMENTO, VOTO DE SILÊNCIO A criatura humana, pela sua estrutura ético-psicológica, é dotada por Deus de sentimentos e emoções, que a obrigam e impelem para a vida social."(...) Deus fez o homem para viver em sociedade(...)"(1); e para isso foi-lhe outorgado o atributo da palavra que é o veículo da comunicação entre os encarnados. O homem sendo, por excelência, um ser gregário, um animal social, como há milênios já apregoava a filosofia Aristótelica na velha Grécia, não pode, portanto, viver isoladamente. A vida solitária por opção revela sempre uma fuga inconcebível, porque somente indica infração as leis divinas do trabalho e do amor. O isolamento é incompatível com o sentimento de fraternidade que deve existir nos corações humanos. Não sendo o homem dotado, inicialmente, de auto-suficiência, condição conseguida pelo trabalho e progresso, ele é dependente do seu semelhante. As faculdades humanas não estão desenvolvidas no mesmo grau e, segundo Deolindo Amorim, há "necessidade de viverem uns pelos outros e para os outros, tendo como ponto convergente o bem comum".(5) O isolamento é contrário a Lei da Natureza, e é por isso que pelo próprio instinto o homem busca a vida comunitária de modo a concorrer para o progresso, através do auxilio recíproco. A solidão torna o homem improdutivo e inútil para com os seus semelhantes e isto"(...) não pode agradar a Deus".(2) A insociabilidade gerando solidão atenta contra o próprio instinto de conservação e de

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perpetuação da espécie, entravando o progresso, razão porque somente embrutece e enfraquece o homem, que a ela se devota ou se agarra como fuga. Os cultores da vida reclusa se estiolam pela improdutividade, pela estagnação quanto as aquisições dos tesouros da sabedoria e da experiência. Segundo os ensinamentos espíritas, isto revela egoísmo e só merece reprovação."(...) Não há como desenvolver e burilar nossas faculdades intelectuais e morais senão no convívio social, nessa permuta constante de afeição, conhecimentos e experiências, sem a qual a sorte do nosso Espírito seria o embrutecimento e a estiolação.(...)"(6) O voto do silêncio adotado por alguns religiosos nada edifica, porquanto impede a comunicação entre os seres vivos, o que, em última análise, como sustentam os Espíritos superiores, "é uma tolice"(3). A palavra é uma faculdade natural"(3) concedida ao homem por Deus para " facultar ocasiões de fazer o bem e de cumprir a Lei do Progresso."(3) Se Deus quisesse silenciar as suas criaturas, não teria conferido-lhes este dinâmico atributo da palavra e maravilhoso veículo para expressar as idéias elaboradas pelas suas mentes. Devemos considerar, no entanto, que existem ocasiões onde o silêncio é necessário. São aqueles momentos de recolhimento espiritual, onde o Espírito, mais livre, entra em contato com o seu Criador e com seus enviados; fora disto, a vida contemplativa é inteiramente improdutiva e não há motivos que a justifiquem. Neste sentido um Espírito protetor alertou-nos:"(...) Não julgueis, todavia, que exortando-vos incessantemente a prece e a evocação mental, pretendamos vivais uma vida mística, que vos conserve fora das Leis da sociedade onde estais condenados a viver. Não ; vivei com os homens da vossa época, como devem viver os homens. Sacrificai as necessidades, mesmo as frivolidades do dia, mas sacrificai com sentimento de pureza que as possa santificar. Sois chamados a estar em contato com Espíritos de natureza diferentes, de caracteres opostos : não choqueis a nenhum daqueles com quem estiverdes. (...) Não consiste a virtude em assumir severo e lúgubre aspecto, em repelirdes os prazeres que as vossas condições humanas vos permitem. Basta reporteis todos os atos da vossa vida ao Criador que vo-la deu.(...)"(4)

13 - Vida em família e laços de família.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS. 1) Conceituar a vida em família . 2) Ressaltar a importância da vida em família. 3) Apontar a diferença entre parentesco pelos laços físicos e pelos laços espirituais. IDÉIAS PRINCIPAIS. "A família é uma instituição divina cuja finalidade precípua consiste me estreitar laços sociais (...)".(03) "(...) Há no homem alguma coisa mais, além das necessidades físicas: há a necessidade de progredir. Os laços sociais são necessários ao progresso e os de família mais apertados tornam os primeiros. Eis porque os segundos constituem uma lei da Natureza. Quis Deus que, por essa forma, os homens aprendessem a amar-se como irmãos." (02) "(...) Ha, pois, duas espécies de famílias: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais. Duráveis, as primeiras se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos Espíritos, através das várias migrações da alma; as segundas, frágeis como a matéria, se extinguem com o tempo e muitas vezes se dissolvem moralmente já na existência atual. (...)" (0l) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. Honrai a vosso pai e a vossa mãe. In O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 87 ed. Rio de Janeiro , FEB, 1983, item 08 02 - O Livro dos Espíritos trad. Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio Janeiro, FEB, 1983, perg. 774. COMPLEMENTARES. 03 - CALLIGARIS, Rodolfo. A família In. As leis morais. 2 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983 p.115 04 - Franco, Divaldo Pereira. Família. In Estudos Espíritas Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Rio de Janeiro, FEB, 1982. p 176. 05 - Filhos ingratos . In Após a tempestade. Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador,

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Alvorada, 1977. p. 33 06 - XAVIER, Francisco Cândido. Família. In. Vida e sexo. Ditado pelo Espírito Emmanuel. 6 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982, p 13. VIDA EM FAMÍLIA E LAÇOS DE FAMÍLIA A vida familiar deve ser a vida de todo homem integrado na unidade social, denominada família. Esta palavra, família, pode ser conceituada num sentido mais restrito - constituído pelos nossos familiares consangüíneos - como num sentido mais amplo, o representado por grupamentos de espíritos afins, quer intelectual, quer moralmente. "(...) A família é abençoada escola de educação moral e espiritual, oficina santificante onde se lapidam caracteres; laboratório superior em que se caldeiam sentimentos, estruturam aspirações, refinam idéias, transformam mazelas antigas em possibilidades preciosas para a elaboração de misteres santificante. (...)"(05) A família é pois, o mais prodigioso educandário do progresso humano. A sua importância não se mede apenas como uma fonte geratriz de seres racionais, mas como oficina de onde se projetam os homens de bem, os sábios, os benfeitores em geral."(...)A família é mais do que um resultante genético... São os ideais, os sonhos, os anelos, as lutas e árduas tarefas, os sofrimentos e as aspirações, as tradições morais elevadas que se cimentam nos liames da concessão divina, no mesmo grupo doméstico onde medram as nobres expressões da elevação espiritual na Terra. Quando a família periclita, por esta ou aquela razão, sem dúvida a sociedade está a um passo do malogro...(...)"(04) A vida em família, para que atinja suas finalidades maiores, deve ser vivenciada dentro dos padrões de moralidade e solidariedade. A família é uma instituição divina cuja finalidade precípua consiste em estreitar os laços sociais, ensejando-nos o melhor modo de aprendermos a amar-nos como irmãos.(...)"(03) Por tão incontestáveis razões, a vida em família, de todas as associações é, talvez, a mais importante em virtude da sua função educadora e regenerativa.(06) Existem duas modalidades de família e , em conseqüência, duas categorias de laços parentescos; as que procedem da consangüinidade e as que procedem das ligações espirituais. Os laços de sangue não criam forçosamente os liames entre os Espíritos. O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, porquanto o espírito já existia antes da formação do corpo. Não é o pai quem cria o espírito de seu filho; ele mais não faz que lhe fornecer o invólucro corpóreo, cumprido-lhe, no entanto, auxiliar o desenvolvimento intelectual e moral do filho, para faze-lo progredir. Os que encarnam numa família, sobretudo como parentes próximos, são as mais das vezes, Espíritos simpáticos, ligados por anteriores relações que se expressam por uma afeição recíproca na vida terrena. Mas, também pode acontecer sejam completamente estranhos uns aos outros esses Espíritos, afastados entre si por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem na Terra por mútuo antagonismo, que aí lhes serve de provação. Não são os da consangüinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de idéias, os quais prendem os Espíritos antes, durante e depois de suas encarnações.(...)" Há ,pois , duas espécies de família; as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais. Duráveis , as primeiras se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos Espíritos, através das várias migrações da alma; as segundas, frágeis como a matéria, se extinguem com o tempo e muitas vezes se dissolvem moralmente, já na existência atual. (...)"(01) ANEXO I Solução natural (*) Os espíritos benfeitores já não sabiam como atender k pobre senhora obsidiada. Perseguidor e perseguida estavam mentalmente associados à maneira de polpa e casca no fruto. Os amigos desencarnados tentaram afastar o obsessor, induzindo a jovem senhora a esquecêlo, mas debalde. Se tropeçava na rua, a moça pensava nele... Se alfinetava um dedo em serviço, atribuia-Ihe o golpe... Se o marido estivesse irritado, dizia-se vítima do verdugo invisível... Se a cabeça doía, acusava-o... Se uma xícara se espatifasse, no trabalho doméstico, imaginava-se atacada por ele...

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Se aparecesse leve dificuldade econômica, transformava a prece em critica ao desencarnado infeliz... Reconhecendo que a interessada não encontrava libertação, por teimosia, os instrutores espirituais ligaram os dois - a doente e o acompanhante invisível - em laços fluídicos mais profundos, até que ele renasceu dela mesma, por filho necessitado de carinho e de compaixão. Os benfeitores descansaram. O obsessor descansou. A obsidiada descansou. O esposo dela descansou. Transformar obsessores em filhos, com a bênção da Providência Divina, para que haja paz nos corações e equilíbrio nos lares, muita vez é a única solução. HILÁRIO SILVA (*) XAVIER, Francisco Cândido, Luz no Lar. Diversos autores espirituais. 3 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978, p. 82-83 ANEXO II TEXTO PARA ESTUDO INDIVIDUAL E EM GRUPOS (TÉCNICA DE RUMINAÇÃO) Família Há, pois, duas espécies de famílias: as família pelo laços espirituais. e as famílias pelos laços corporais. Duráveis, as primeiras se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos Espíritos, através das várias migrações da alma; as segundas, frágeis como a matéria, se extinguem com o tempo e, muitas vezes, se dissolvem moralmente, já na existência atual.» Do item 8, no Cap. XIV, de "O Evangelho SEGUNDO O ESPIRITISMO " De todas as associações existentes na Terra - excetuando naturalmente a Humanidade nenhuma talvez mais importante em sua função educadora e regenerativa: a constituição da família. De semelhante agremiação, na qual dois seres se conjugam, atendendo aos vínculos do afeto, surge o lar, garantindo os alicerces da civilização. Através do casal, ai estabelecido, funciona o principio da reencarnação, consoante as Leis Divinas, possibilitando o trabalho executivo dos mais elevados programas de ação do Mundo Espiritual. Por intermédio da paternidade e da maternidade, o homem e a mulher adquirem mais amplos créditos da Vida Superior. Dai, as fontes de alegria que se lhes rebentam do ser com as tarefas da procriação. Os filhos são liames de amor conscientizado que lhes granjeiam proteção mais extensa do Mundo Maior, de vez que todas nos integramos grupos afins. Na arena terrestre, é justo que determinada criatura se faça assistida por outras que lhe respiram a mesma faixa de interesse afetivo. De modo idêntico, é natural que as inteligências domiciliar das nas Esferas Superiores se consagrem a resguardar e guiar aqueles companheiros de experiência, volvidos a reencarnação para fins de progresso e burilamento, A parentela no Planeta faz-se filtro da família espiritual sediada além da existência física, mantendo os laços preexistentes entre aqueles que lhe comungam o clima. Arraigada nas vidas passadas de todos aqueles que a compõem, a família terrestre é formada, assim, de agentes diversos, porquanto nela se reencontram, comumente, afetos e desafetos, amigos e inimigos, para os ajustes e reajustes indispensáveis, ante as leis do destino. Apesar disso, importa reconhecer que o clã familiar evolve incessantemente para mais amplos conceitos de vivência coletiva, sob os ditames do aperfeiçoamento geral, conquanto se erija sempre em educandário valioso da alma. Temos, dessa forma, no instituto doméstico uma organização de origem divina, em cujo seio encontramos os instrumentos necessários ao nosso próprio aprimoramento para a edificação do Mundo Melhor. ( 1 ) (01) XAVIER Francisco Cândido. Vida e Sexo. Ditado pelo Espirito Emmanuel. 6. ed. Rio de Janeiro,- FEB, 1982. p. 13-15. Pais e filhos «A ingratidão é um dos frutos mais diretos do egoísmo. Revolta sempre os corações honestos, Mas, a dos filhos para com os pais apresenta caráter ainda mais odioso. »

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Do item 9, do Cap. XIV, de "O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO" Trazida a reencarnação para os alicerces dos fenômenos sócio-domésticos, não é somente a relação de pais para filhos que assume caráter de importância, mas igualmente a que se verifica dos filhos para com os pais. Os filhos não pertencem aos pais; entretanto, de igual modo, os pais não pertencem aos filhos. Os genitores devem especial consideração aos próprios rebentos, mas o dever funciona bilateralmente, de vez que os rebentos do grupo familiar devem aos genitores particular atenção. Existem pais que agridem os filhos e tentam escravizá-los, qual se Ihes fossem objeto de propriedade exclusiva; todavia, encontramos, na mesma ordem de freqüência, filhos que agridem os pais e buscam escravizá-los, como se os progenitores Ihes constituíssem alimárias domésticas, A reencarnação traça rumos nítidos ao mútuo respeito que nos compete de uns para com os outros. .Entre pais e filhos, há naturalmente uma fronteira de apreço recíproco., que não se pode ultrapassar, em nome do amor, sem que o egoísmo apareça, conturbando-lhes a existência, Justo que os pais pão interfiram no futuro dos filhos, tanto quanto justo que os filhos não interfiram no passado dos pais. Os pais não conseguem penetrar, de imediato, a trama do destino que os princípios cármicos lhes reservam aos filhos, no porvir, e os filhos estão inabilitadas a compreender, de pronto, o enredo das circunstâncias em que se mergulharam seus pais, no pretérito, a fim de que pudessem volver, do Plano Espiritual ao renascimento no Plano Físico. Unicamente no mundo das causas, após a desencarnação, ser-lhes-á possível o entendimento claro, acerca dos vínculos em que se imantizam. Invoque-se, à vista disso, o auxílio de religiosos, professores, filósofos e psicólogos, a fim de que a excessiva agressividade filial não atinja as raias da perversidade ou da delinqüência para com os pais c nem a excessiva autoridade dos pais venha ;s violentar os filhos, em nome de extemporânea ou cruel desvinculação. Pais e filhos são, originariamente, consciências livres, livres filhos de Deus empenhados no mundo à obra de auto-burilamento, resgate de débitos, reajuste, evolução. As leis da vida englobam-lhes a individualidade no mesmo alto gabarito de consideração. Nunca é lícito o desprezo dos pais para com os filhos e vice-versa. Não configuramos no assunto qualquer aspecto lírico na temática afetiva. Apresentamos, sumariamente, princípios básicos do Universo, A existência, terrestre é muito importante no progresso e no aperfeiçoamento do Espirito; no entanto, ao mesmo tempo, é simples estágio da criatura. eterna no educandário da experiência física, à maneira de estudante no internato. Os pais lembram alunos, em condições mais avançadas de tempo, no currículo de Lições, ao passado que os filhos recordam aprendizes iniciantes, quando surgem na arena de serviço terrestre, com acesso na escola, sob o patrocínio dos companheiros que os antecederam, por ordem de matricula e aceitação. E que os filhos jamais acusem os pais pelo curso complexo ou difícil em que se vejam no colégio da existência humana, porquanto, na maioria das ocasiões, foram eles mesmos, os filhos, que, na condição de Espíritos desencarnados, insistiram com os pais, através de afetuoso constrangimento ou suave processo obsessivo, para que os trouxessem, de novo, à oficina de valores físicos, de cujos instrumentos se mostravam carecedores, a fim de seguirem rumo correto, no encalço da própria emancipação.(2) 02 ) Op. Citada, pag. 77-80

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5ª Unidade Lei do trabalho
14 - Necessidade do trabalho.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1) Identificar no trabalho, uma lei divina ou da natureza. 2) Explicar porque o trabalho é um meio de progresso humano 3) Traçar um paralelo entre a natureza do trabalho nos mundos inferiores e nos superiores IDÉIAS PRINCIPAIS. "O trabalho é lei da Natureza, por isso mesmo que constitui uma necessidade, e a civilização obriga o homem a trabalhar mais, porque lhe aumenta as necessidades e os gozos." (04) O trabalho no "(...) homem visa duplo fim: a conservarão do corpo e o desenvolvimento da faculdade de pensar, o que também é uma necessidade e o eleva acima de si mesmo. (...)" (06) Nos diversos mundos do Universo, "a natureza do trabalho está em relação com a natureza das necessidades. Quanto menos materiais são estas, menos material e o trabalho. Mas, não deduzais daí que o homem se conserve inativo e inútil. A ociosidade seria um suplício, em vez de ser um benefício." (07) FONTES DE CONSULTA. BÁSICAS 01 - KARDEC ,Allan. Há muitas moradas na casa de meu pai In: O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 87 ed. Rio de Janeiro ,FEB, 1983, item 8 , pg. 79 02 - Op. citada, item 9,pg. 79 03 - Op. citada, item 12,81-82 04 - O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro 58 ed. Rio de Janeiro ,FEB, 1983 ,perg. 674 05 - Op. citada, perg. 676 06 - Op. citada, perg. 677 06 - Op. citada, perg. 678 Complementares 07 - FRANCO, Divaldo. A bênção do trabalho. In As leis morais da vida, ditado pelo Espírito Joanna da Ângelis. Salvador ,Alvorada, 1976 ,pg. 31-32. 08 - Trabalho In; Estudos Espíritas. Pelo Espírito Joanna de Ângelis .Rio de Janeiro ,FEB, 1982, pg. 91 09 - Op. citada, pag. 95-96. NECESSIDADE DO TRABALHO. "Genericamente o vocábulo trabalho pode ser definido como: 'ocupação em alguma obra ou ministério ; exercício material ou intelectual para fazer ou conseguir alguma coisa'. O trabalho porém ,é lei da natureza mediante a qual o homem forja o próprio progresso desenvolvendo as possibilidades do meio ambiente em que se situa , ampliando os recursos de preservação da vida , por meio das suas necessidades imediatas na comunidade social onde vive.(...). O trabalho, no entanto, não se restringe ao esforço de ordem material , física , mas, também intelectual pelo labor desenvolvido , objetivando as manifestações da Cultura , do Conhecimento , da Arte , da Ciência. (...)"(9) "(...) Mediante o trabalho remunerado o homem modifica o meio , transforma o habitat , cria condições de conforto. Através do trabalho-abnegação , do qual não decorre troca nem permuta de remuneração , ele se modifica a si mesmo , crescendo no sentido moral e espiritual. Por um processo ele se desenvolve na horizontal e se melhora exteriormente ; pelo outro , ascende no sentido vertical da vida e se transforma de dentro para fora. Utilizando-se do primeiro recurso conquista simpatia e respeito , gratidão e amizade. Através

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da auto doação consegue superar-se , revelando-se instrumento da Misericórdia Divina na construção da felicidade de todos.(...)(10) "(...)Sem o trabalho , o homem permaneceria sempre na infância , quanto a inteligência . Por isso é que seu alimento , sua segurança e seu bem estar dependem do seu trabalho e da sua atividade. Ao extremamente fraco de corpo outorgou Deus a inteligência em compensação. Mas é sempre um trabalho".(05) "(...)O trabalho é , ao lado da oração , o mais eficiente antídoto contra o mal, porquanto conquista valores incalculáveis com que o espírito corrige as imperfeições e disciplina a vontade. O momento perigoso para o cristão é o do ócio , não o do sofrimento nem o da luta áspera. Na ociosidade surge e cresce o mal. Na dor e na tarefa fulguram a luz da oração e a chama da fé. (...)(08) Nos mundos mais evoluídos quanto nos inferiores, a natureza do trabalho não é a mesma. " A natureza do trabalho está em relação com a natureza das necessidades. Quanto menos materiais são estas , menos material é o trabalho. Mas, não deduzais daí que o homem se conserve inativo e inútil. A ociosidade seria um suplício em vez de ser um beneficio" (07) Nos mundos primitivos os seus habitantes são mais rudimentares "(...) A força bruta é , entre eles , a única lei. Carentes de indústrias e de invenções , passam a vida na conquista de alimento.(...)"(01) "Nos mundos que chegaram a um grau superior , as condições da vidas moral e material são muitíssimo diversas das da vida na terra.(...)"(02) Entretanto , os mundos felizes não são orbes privilegiados , visto que Deus não é parcial para qualquer dos seus filhos;(...) todos são acessíveis as mais altas categorias; apenas lhes cumpre , a eles , conquista-las pelo seu trabalho , alcança-las mais depressa , ou permanecer inativo por séculos no lodaçal da Humanidade" (03) ANEXO I Com base nas perguntas lidas em o "Livro dos Espíritos, responda 01. O que se deve entender por trabalho? 02. Em que situação o trabalho pode ser considerado uma expiação? 03. Qual o grande objetivo do trabalho? Justifique. 04. Por que a natureza do trabalho varia de mundo para mundo? 05. Como explicar o problema de pessoas que são física e intelectualmente impedidas de trabalhar? 06. Qual a diferença do trabalho realizado nos mundos superiores e aos inferiores? ANEXO II Com base nas perguntas lidas em o "Livro dos Espíritos, responda. 01. Por quê o trabalho se impõe como uma necessidade humana? 02. De que maneira uma pessoa portadora de sérias deformidades físicas poderia trabalhar ? 03. Qual a diferença entre o trabalho realizado pelos animais e aquele realizado pelo homem? 04. Uma pessoa, ricamente dotada de bens mate riais, deve estar isenta do trabalho? Justifique. 05. Em que situações está o homem impedido de trabalhar? 06. Por quê a ociosidade seria um suplício?

15 - Limite do trabalho e do repouso.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS. 1) Tecer comentários sobre o limite do trabalho e a necessidade do repouso. 2) Interpretar a luz do espiritismo, as citações bíblicas constantes do êxodo, 20;08 a 11 , Marcos 2;27 e Lucas 13;14-17 IDÉIAS PRINCIPAIS. O limite do trabalho e "o das forças. Em suma, a esse respeito Deus deixa inteiramente livre o homem.'" (02) "(...) O repouso serve para a reparação das forças do corpo e também é necessário para dar um pouco mais de liberdade à inteligência, a fim de que se eleve acima da matéria." (01) A guarda do sábado, recomendada por Moisés, foi para fazer cumprir o terceiro mandamento

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do DECÁLOGO. Jesus mostrou, através das palavras do evangelista Marcos, que o sábado foi feito em contemplação do homem e não o homem em contemplação do sábado. (04) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Perg. 682. 02 - Op. cit., perg. 683. COMPLEMENTARES 03 - A BÍBLIA SAGRADA. Antigo e Novo Testamento. Trad. por João Ferreira de Almeida. Brasília, Sociedade Bíblica do Brasil, 1982. Êxodo, 20:9-10. 04. Op. cit., MARCOS, 2:27. 05. Op. cit., MARCOS, 3:01-06. 06. Op. cit., LUCAS, 13:11-17 07 - FRANCO, Divaldo Pereira. Trabalho. In: -. Estudos Espíritas Pelo Espirito Joanna de Ângelis. Rio de Janeiro, FEB, 1982. p. 91. 08 - Op. cit., p. 93-94. 09 - SAYÃO, Antônio Luiz. Elucidações Evangélicas. 6. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980. LUCAS, 13:14-17, p.152 10 - Op. cit., MATEUS, 1':1-12, pp. 273-274. LIMITE DO TRABALHO E DO REPOUSO "Genericamente o vocábulo TRABALHO pode ser definido como ocupação em alguma obra ou ministério ; exercício material ou intelectual para fazer ou conseguir alguma coisa. O trabalho porém , é lei da natureza mediante a qual o homem forja o próprio progresso, desenvolvendo as possibilidades do meio ambiente em que se situa, ampliando os recursos de preservação da vida, por meio das suas necessidades imediatas na comunidade social onde vive. (...) O trabalho, no entanto, não se restringe apenas ao esforço de ordem material, física, mas também intelectual, pelo labor desenvolvido, objetivando as manifestações da Cultura, do Conhecimento, da Arte, da Ciência. (...)"(07) "(...) Apresenta-se ao homem como meio de elevação e como expiação de que tem necessidade para resgatar o abuso das forças, quando entregues a ociosidade ou ao crime, na sucessão das existências pelas quais evolui. Não fora o trabalho, o homem permaneceria na infância primitiva, sendo por Deus muitas vezes facultado ao fraco de forças físicas, os inapreciáveis recursos da inteligência, mediante a qual granjeia progresso e respeito, adquirindo independência econômica, valor social e consideração, contribuindo poderosamente para o progresso de todos. (...) Do trabalho mecânico, rotineiro, primitivo, puro e simples à automação, houve um progresso gigante que ora permite ao homem o abandono das tarefas rudimentares, entregues a máquinas e instrumentos que ele mesmo aperfeiçoou, concedendo-lhe tempo para a genialidade criativa, a multiplicação das atividades em níveis cada vez mais elevados. (...)(08) O trabalho, portanto, é uma necessidade econômica e social, veículo de renovação, colocado na direção da criatura para construir a sua própria felicidade. Como nos ensinam os Espíritos, o limite do trabalho é o das nossas forças; isto deixa claro que sendo, como é, fonte de equilíbrio físico e moral, o trabalho deve ser exercido por quanto tempo nos mantenhamos válidos. Sendo o trabalho uma lei natural, o repouso é conseqüente conquista a que o homem faz juz para refazer as forças e continuar em rítimo de produtividade. O repouso se lhe impõe como prêmio do esforço despendido, sendo-lhe facultado o indispensável sustento nos dias da velhice, quando diminuírem o poder criativo, as forças e a agilidade na execução das tarefas ligadas a subsistência. Na tentativa de fazer cumprir a lei de Deus contida no terceiro mandamento ("lembrai-vos de santificar o dia de sábado") , Moisés recomenda a santificação do sábado não só no sentido restrito do termo, mas num sentido bem mais amplo. "Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem a tua serva, nem teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro " (03). O sábado é visto , pois, como dia especial da semana onde a ninguém é permitida qualquer atividade. Ora, acontece que Jesus, o mesmo Jesus que disse não ter vindo destruir a lei dos profetas, mas cumpri-la, trabalha, ensina, cura os males do corpo e do espírito, mostrando-nos, a primeira vista, que estava revogando uma lei de Deus recebida por Moisés no monte Sinai.

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Na realidade, Jesus não revogou esta ou qualquer outra lei divina. Queria é que compreendêssemos o verdadeiro sentido do terceiro mandamento. O sábado foi feito em contemplação do homem e não o homem em contemplação do sábado", como diz Marcos (04). Sua instituição representa uma medida útil, pois que destinada a proteger o corpo do esgotamento resultante do excesso de trabalho. (...)" (09) Reservemos um dia para o descanso do corpo, mas consagremo-lo de modo especial a Deus, santificando-o, ainda mais, se possível, do que os outro dias de nossa existência, pela prática de obras que atestem o nosso amor aos homens e ao Pai Celestial (...)"(10) Por esse motivo Jesus alimentou, pregou, curou a obsessão que uma mulher trazia "havia dezoito anos" (06) ou a mão ressequida de um homem (05), entre tantos benefícios realizados, mostrando que todo dia é dia para a prática do bem. ANEXO I Com base na leitura das questões 682 e 685 de "O livro dos Espíritos", responda: Por que devemos considerar o repouso como uma lei da Natureza? Qual a diferença entre repouso e ociosidade? Por que o limite do trabalho varia de homem para homem? O avançar da idade debilita o corpo físico e mesmo as faculdades intelectuais; no entanto, homens como Benjamim Franklin, com 81 anos do idade contribuiu brilhantemente na elaboração da Constituição Norte-Americana; Miguel Ângelo, aos 89 anos de idade, produziu obras de arte de rara beleza; o Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, com 92 anos de idade, trabalhava intensamente nas matas brasileiras. Como se explica isso? ANEXO II Com base nas explicações do orientador e nas passagens bíblicas Êxodo, 20:8 a 11; Marcos, 2:27 e Lucas, 13:11, responda: Moisés recomenda, em Êxodo 20:8 a ll, que o dia de sábado deva ser santificado e que ninguém deva trabalhar neste dia. Como conciliar esta lei mosaica com as citações constantes em Marcos e em Lucas, onde Jesus não só trabalha e realiza curas, como orienta seus discípulos a fazerem o mesmo? Se Jesus afirmou que não veio destruir a lei ou os profetas, mas cumpri-las (Mateus, 5:J7 e 183, o fato de ele curar nos sábados não estaria indo contra essa lei? Justifique. O que Jesus quis dizer com esta expressão: "O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado?" ( Marcos, 3:27 ).

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6ª Unidade Lei de destruição
16 - Destruição necessária e destruição abusiva.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1) Caracterizar o que é destruição. 2) Estabelecer a diferença entre destruição necessária e destruição abusiva. 3) Explicar porque, instintivamente, o homem tem medo da morte. IDÉIAS PRINCIPAIS. "preciso é que tudo se destrua para renascer e se regenerar. Por que, o que chamais destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e melhoria dos seres vivos. (...)" (04) "(...) Para se alimentarem, os seres vivos reciprocamente se destroem, destruição esta que obedece a um duplo fim: manutenção do equilíbrio na reprodução, que poderia tornar-se excessiva, e utilização dos despojos do invólucro exterior que sofre a destruição. (...)" (04) Toda destruição que excede os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus. (...)" (06) O homem teme, instintivamente, a morte porque "(...) Deus lhe deu o instinto de conservação, instinto que o sustenta nas provas. A não ser assim,, ele muito freqüentemente se entregaria ao desânimo. A voz intima, que o induz a repelir a morte, lhe diz que ainda pode realizar alguma coisa pelo seu progresso. (...)" (05) FONTES DE CONSULTA. BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. O bem e o mal. In: A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 25. ed. Rio de Janeiro, FEB ,Item 20. 02 - Op. cit., item 23, p. 82-83. 03 - Op. cit., item 24, p. 83. 04 - O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio e anexo, FEB, 1 3, perg. 728. 05 - Op. cit., perg. 730 06 - Op. cit., perg. 735 07 - Temor da morte. In: -. O Céu e o Inferno. Trad. de Manuel Justiniano Quintão. 29. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Item 2,3, p. 20-21. e 08 - Op. cit., item 4, p. 21-22. COMPLEMENTARES 09. CALLIGARIS, Rodolfo. A lei de destruição. In: - As leis morais. 2. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. p. 91-92. DESTRUIÇÃO NECESSÁRIA E DESTRUIÇÃO ABUSIVA A destruição recíproca dos seres vivos é ,dentre as leis da Natureza ,uma das que a primeira vista menos parecem conciliar-se com a bondade de Deus. Pergunta-se porque lhes criou Ele a necessidade de mutuamente se destruírem ,para se alimentarem uns a custa dos outros. (...)"(01) Para aquele que enxerga apenas a matéria , que limita sua visão a vida presente, isto parece, com efeito , uma imperfeição na obra divina. É que em geral os homens julgam a perfeição de Deus pelo seu ponto de vista; sua própria opinião é a medida de sua sabedoria, e pensam que Deus não poderia fazer melhor do que eles próprios o fazem . Como sua vista curta não lhes permite julgar o conjunto , não compreendem que , de um mal aparente, pode resultar um bem real. O conhecimento de princípio espiritual , considerado em sua verdadeira essência ,e da grande lei de unidade , que constitui a harmonia da Criação, é o único que pode dar ao homem a chave desse mistério, e mostrar-lhe a sabedoria providencial e a harmonia, precisamente onde não via senão uma anomalia e uma contradição. Uma primeira utilidade que se apresenta desta destruição , utilidade puramente física é

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verdade , é esta: os corpos orgânicos não se mantém senão por meio de matérias orgânicas , sendo estas matérias as únicas que contém os elementos nutritivos necessários a sua transformação. Como os corpos ,instrumentos da ação do princípio inteligente ,tem necessidade de ser incessantemente renovados , a providência os faz servir para sua manutenção mútua; é por esse motivo que o corpo se nutre do corpo ,mas o Espírito não é nem destruído nem alterado, apenas se despoja de seu envoltório. Há , além disso, "(...)considerações morais de ordem elevada. É necessária a luta para o desenvolvimento do Espírito . Na luta é que ele exercita suas faculdades. O que ataca em busca do alimento e o que defende para conservar a vida , usam de habilidade e inteligência , aumentando em conseqüência , suas forças intelectuais. Um dos dois sucumbe ; mas em realidade , o que foi que o mais forte ou mais destro tirou do mais fraco? A veste de carne, nada mais; ulteriormente, o Espírito ,que não morreu ,tomará outra"(02) Nos seres inferiores da criação, naqueles a quem ainda falta o sentido moral ,em os quais a inteligência ainda não substituiu o instinto, a luta não pode ter por móvel senão a satisfação de uma necessidade material. Ora, uma das mais imperiosas dessas necessidades é a da alimentação. Eles , pois ,lutam unicamente para viver, isto é, para fazer ou defender uma presa, visto que nenhum móvel mais elevado os poderia estimular. É nesse primeiro período que a alma se elabora e ensaia para a vida.(...)"(03) "(...) Sob outro prisma, ao se destruírem uns aos outros, pela necessidade de se alimentarem, os seres infra humanos mantêm o equilíbrio na reprodução, impedindo-a de tornar-se excessiva, contribuindo, ainda , com seus despojos, para uma infinidade de aplicações úteis à Humanidade.(*) Restringindo o exame desta questão apenas ao procedimento do homem, que é o que mais nos interessa, aprendemos com a Doutrina Espírita que a matança de animais, bárbara sem dúvida, foi , é e será por mais algum tempo necessária aqui na Terra , devido a suas grosseiras condições de existência. A medida, porém , que os terrícolas se depurem , sobrepondo o espírito à matéria , o uso de alimentação carnívora será cada vez menor, até desaparecer definitivamente , qual se verifica nos mundos mais adiantados que o nosso. Aprendemos, mais , que em seu estado atual o homem só é escusado (da responsabilidade) dessa destruição na medida em que tenha de prover ao seu sustento e garantir a sua segurança. Fora disso, quando , por exemplo, se empenha em caçadas pelo simples prazer de destruir, ou em esportes mortíferos , como as touradas , o "tiro aos pombos" , etc., terá que prestar contas a Deus por esse abuso , que revela, aliás , predominância dos maus instintos. (...)"(*)(09) O temor da morte "(...) é um efeito da sabedoria da Providência e uma conseqüência do instinto de conservação comum a todos os viventes.(...) Assim é que , nos povos primitivos, o futuro é uma vaga intuição, mais tarde tornada simples esperança e, finalmente ,uma certeza apenas atenuada por secreto apego a vida corporal. A proporção que o homem compreende melhor a vida futura , o temor da morte diminui; uma vez esclarecida a sua missão terrena, aguarda-lhe o fim , calma, resignada e serenamente.(...) (07) "Para libertar-se do temor da morte é mister poder encara-la sobre o seu verdadeiro ponto de vista, isto é , ter penetrado pelo pensamento no mundo espiritual, fazendo dele uma idéia tão exata quanto possível, o que denota da parte do Espírito encarnado um tal ou qual desenvolvimento e aptidão para desprender-se da matéria. No Espírito atrasado, a vida material prevalece sobre a espiritual. Apegando-se as aparências , o homem não distingue a vida além do corpo, esteja embora na alma a vida real ; aniquilado aquele, tudo se lhe afigura perdido , desesperado.(...) O temor da morte decorre, portanto , da noção insuficiente da vida futura, embora denote também a necessidade de viver e o receio da destruição total . Igualmente o estimula secreto anseio pela sobrevivência da alma , velado pela incerteza. Esse temor decresce, à proporção que a certeza aumenta , e desaparece quando esta é completa.(...)(08) (*) o grifo é nosso.

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17 - Flagelos destruidores. Guerras.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS. 1) Descrever os tipos de flagelos destruidores. 2) Interpretar a importância dos flagelos destruidores para a humanidade. 3) Analisar quais as conseqüências morais das guerras IDÉIAS PRINCIPAIS. Os flagelos destruidores são de dois tipos: os naturais e os provocados pelos homens "(...) Na primeira linha dos flagelos destruidores, naturais e independentes do homem, devem ser colocados a peste, a fome, as inundações, as intempéries fatais às produções da terra. Não tem, porém, o homem encontrado na Ciência, nas obras arte, no aperfeiçoamento da agricultura, nos afolhamentos e nas de irrigações, no estudo das condições higiênicas, meios de impedir, ou, quando menos, de atenuar muitos desastres? (...) Que não fará o homem pelo seu bem-estar material (...) quando souber aliar o sentimento de verdadeira caridade para com os seus semelhantes?"(03) Deus fere a Humanidade com flagelos destruidores para (...) fazë la progredir mais depressa. (...) (04) O homem é impelido à guerra pela "predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e trasbordamento das paixões (...) (04) Providência torna necessária a guerra objetivando "a liberdade e o progresso". (03) FONTES DE CONSULTA. BÁSICAS 01 - KARDEC Allan. O Livro dos Espíritos. rad. de Guillon Ribeiro. 57 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1985, perg. 737 02 - Op. cit. perg. 738, p.349 03 - Op. cit. perg. 741 04 - Op. cit. perg. 742 05 - Op. cit. perg. 744 06 - São chegados os tempos. In A Gênese. Trad. Guillon Ribeiro. 25. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982, item 9. COMPLEMENTARES 07 - CALLIGARIS, Rodolfo. As expiações coletivas. In Páginas de Espiritismo Cristão. 2 ed. Rio de janeiro, FEB, 1983, pp 47-50 08 - DENIS, Léon. A dor. In. O problema do Ser, do Destino e da Dor. 11 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979, pp 371-372. FLAGELOS DESTRUIDORES: GUERRAS Tudo o que vive neste mundo, natureza , animal, homem, sofre e, todavia, o amor é a lei do Universo e por amor foi que Deus formou os seres. Contradição aparentemente horrível, problema angustioso, que perturbou tantos pensadores e os levou á dúvida a ao pessimismo. O animal está sujeito a luta ardente pela vida. Entre as ervas do prado, as folhas e a ramaria dos bosques, nos ares, no seio das águas, por toda parte desenrolam-se dramas ignorados.(...) Quanto a humanidade, sua história não é mais do que um longo martirológio. Através dos tempos, por cima dos séculos, rola a triste melopéia dos sofrimentos humanos.(...) A dor segue todos os nossos passos; espreita-nos em todas as voltas do caminho. E diante desta esfinge que o fita com seu olhar estranho, o homem faz a eterna pergunta: Por que existe a dor?(...) Fundamentalmente considerada, a dor é uma lei de equilíbrio e educação.(...)"(08) Neste sentido, os flagelos destruidores são permitidos por Deus para que a humanidade possa "progredir mais depressa".(1) Aliás, apalavra flagelo geralmente é interpretada como algo prejudicial, quando, na realidade, representa o meio pelo qual as transformações necessárias ao progresso humano se realizam mais rapidamente.(01) É bem verdade que existem outros processos, menos rigorosos, para fazerem os homens progredirem e Deus "(...) os emprega todos os dias, pois deu a cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. O homem, porém, não se aproveita desses meios. Necessário portanto, se torna que seja castigado no seu orgulho e que se faça sentir a sua fraqueza.(...)"(02)

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E com o abatimento do orgulho"(...) a Humanidade se transforma, como já se transformou noutras épocas, e cada transformação se assinala por uma crise que é, para e gênero humano, o que são, para os indivíduos, as crises de crescimento. Aquelas se tornam, muitas vezes, penosas, dolorosas, e arrebatam consigo as gerações e as instituições, mas são sempre seguidas de uma fase de progresso material e moral. (...)"(06) Quando os flagelos naturais, tais como cataclismos, enchentes, fome, epidemias de doenças e de pragas em plantações, a seca, os terremotos e maremotos, as erupções vulcânicas, os ciclones, etc., se abatem sobre a humanidade, muitos se revoltam com Deus, perdendo oportunidades valiosas de compreender o significado de tais acontecimentos. "A lei do carma ou de Causa e Efeito exerce sua influência inelutável não só sobre os homens, individualmente, como sobre os grupos sociais. Assim, por exemplo, quando uma família, nação ou raça busca algo que lhe traga maiores satisfações, esforça-se por melhorar suas condições de vida ou adota medidas que visem acelerar o seu desenvolvimento, sem prejudicar ou fazer mal a outrem, está contribuindo, de alguma forma, para a evolução da Humanidade, e isto é bom. Receberá, então novas e mais amplas oportunidades de trabalho e progresso, conduzindo os elementos que a constituem a níveis cada vez mais elevados.(...)"(07)<p> Se, porém, procede ao contrário,"(...) mais cedo ou mais tarde sofrerá a perda de tudo aquilo que adquiriu injustamente, em circunstâncias mais ou menos trágicas e aflitivas, segundo o grau de malícia e crueldade que lhe tenha caracterizado as ações.(...)(08) É assim que mais tarde, em outras existências planetárias, são chamados a expiações coletivas ou individuais, sob a forma de flagelos destruidores. Acontece , porém, que "(...) muitos flagelos resultam da imprevidência do homem. A medida que adquire conhecimentos e experiência, ele os vai conjurar, isto é, prevenir, se lhes sabe pesquisar as causas. Contudo, entre os males que afligem a Humanidade, alguns há de caráter geral, que estão nos decretos da Providência e dos quais cada indivíduo recebe, mais ou menos, o contragolpe. A esses nada pode o homem opor, a não ser a submissão a vontade de Deus. Esses mesmos males, entretanto, ele muitas vezes os agrava pela sua negligência. Na primeira linha dos flagelos destruidores, naturais e independentes do homem, devem ser colocados a peste, a fome, as inundações, as intempéries fatais as produções da terra.(...)(03) Enfrentando esses flagelos, o homem é impulsionado por força da necessidade, buscando soluções para se libertar do mal que o ataca. É por isso que a dor torna-se um processo, um meio de equilíbrio e educação, como assinalamos acima. Mesmo as guerras, que nada mais representam do que a "predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e transbordamento de paixões"(04), geram " a liberdade e o progresso"(05) da Humanidade. Deus permite que haja a guerra e todas as suas funestas conseqüências, para que o homem, ao contato com a dor, se liberte, por um lado, do seu passado de erros, e burile, por outro, as tendências más que ainda o fazem manter-se em atraso moral. QUESTIONÁRIO 01. De que maneira os flagelos naturais contribuem para a evolução da Humanidade? 02 Que benefícios, físicos e morais, os flagelos destruidores trazem para o homem." 03. Como pode o homem se precaver contra os flagelos? 04. Não haveria uma certa injustiça nos flagelos destruidores, já que neles sucumbem homens bons e maus? Justifique. 05, Por que ainda existem guerras em nosso planeta? 06. Que contribuição podemos dar em prol da paz mundial? 07. Qual o significado espirita de dor? 08. Qual a diferença entre flagelos naturais e os provocados pelo homem? 09. Explique porque as expiações coletivas podem representar resgate de faltas passadas. 10. Justifique a afirmativa: "Fundamentalmente considerada, a dor é uma lei de equilíbrio e educação" 11. Além da dor, existem outros meios de progresso humano? Quais?

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7ª Unidade Lei de conservação
18 - Instintos e meios de conservação.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1) Conceituar instinto e inteligência 2) Estabelecer a diferença entre instinto e inteligência. 3) Explicar o que é instinto de conservação e qual a sua finalidade. IDÉIAS PRINCIPAIS. "(...) O instinto é a força oculta que solicita os seres orgânicos a atos espontâneos e involuntários, tendo em vista a conservação deles. (...)" (01) "A inteligência se revela por atos voluntários, refletidos, premeditados, combinados de acordo com a oportunidade das circunstâncias. (...j" (02) "É da lei da Natureza o instinto de conservação. (...) Todos os seres vivos o possuem, qualquer que seja o grau de sua inteligência. (03) O instinto de conservação é necessário porque "(...) todos têm. que concorrer para o cumprimento dos desígnios da Providência. Por isso foi que Deus lhes deu a necessidade de viver. (...)" (04) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. O bem e o mal. in. A Gênese. Trad. Guillon Ribeiro, 25 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982, item 11. 02 - Op. cit., item 12. 03 - O Livro dos Espíritos. . Trad. Guillon Ribeiro. 57 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, perg. 702 04 - Op. cit., perg. 703. INSTINTOS E MEIOS DE CONSERVAÇÃO Em suas primeiras manifestações no plano físico, através de experiências sucessivas em organismos progressivamente mais complexos, o Espírito automatizou reações aos impulsos exteriores, gravando-as em seu perispírito, de modo a melhor adequar-se ao meio ambiente. Essas ações reflexas incorporaram-se, dessa maneira, ao patrimônio perispiritual do ser e se manifestam no vegetal, no animal e no homem através de atos espontâneos e involuntários, que tem, em geral, uma finalidade útil tanto para o ser que os realiza quanto para sua espécie. Podemos identificar esses atos no movimento da planta que se volta na direção dos raios solares, na arte com que a aranha tece sua teia para capturar os insetos de que se nutre, ou no ato da sucção através do qual o bebê se alimenta. Esses atos inconscientes são o resultado, portanto, do mecanismo coordenado e cada vez mais complexo das ações reflexas, a que denominamos instintos. No vegetal, a estruturação desse mecanismo está em seus primórdios, no animal manifesta-se plenamente e no homem sofre a ação da inteligência, que lhe altera e aperfeiçoa as manifestações. Podemos, assim, traçar uma demarcação bem nítida entre instinto e inteligência: "(...) O instinto é a força oculta que solicita os seres orgânicos a atos espontâneos e involuntários, tendo em vista a conservação deles. Nos atos instintivos não há reflexão, nem combinação, nem premeditação. É assim que a planta procura o ar, se volta para a luz, dirige suas raízes para a água e para a terra nutriente; que a flor se abre e fecha alternativamente, conforme se lhe faz necessário(...) É pelo instinto que os animais são avisados do que lhes convém ou prejudica; que buscam, conforme a estação, os climas propícios(...). No homem, só em começo da vida o instinto domina com exclusividade; é por instinto que a criança faz os primeiros movimentos, que toma o alimento, que grita para exprimir as suas necessidades, que imita o som da voz, que tenta falar e andar. No próprio adulto, certos atos são instintivos, tais como os movimentos expontâneos para evitar um risco, para fugir a um perigo, para manter o equilíbrio do corpo; tal ainda o piscar das pálpebras para moderar o brilho da luz, o abrir maquinal da boca para

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respirar, etc. " (01) Já "a inteligência se revela por atos voluntários, premeditados, combinados, de acordo com a oportunidade das circunstâncias. (...) Todo ato maquinal é instintivo; o ato que denota reflexão, combinação, deliberação é inteligente. Um é livre, o outro não o é (...) (02) Um dos mais perfeitos atos instintivos é o de viver. O instinto de conservação é, por isto mesmo, uma lei da Natureza. E "(...) todos os seres vivos o possuem. qualquer que seja o grau de sua inteligência. Em uns, é puramente maquinal, raciocinado em outros".(03 O instinto de conservação é outorgado por Deus às suas criaturas "porque tem que concorrer para cumprimento dos desígnios da Providência. Por isso foi que Deus lhes deu a necessidade de viver. Acresce que a vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres. Eles o sentem instintivamente, sem disso se aperceberem"(4). O despertar da necessidade de viver tem por finalidade a manutenção da vida orgânica, necessária ao desenvolvimento físico e moral dos seres, bem como à realização das tarefas de colaboração com a obra divina que Deus, em Sua sabedoria, concedeu a cada um como oportunidade de crescimento para o Bem. O instinto de conservação, portanto, se constitui em mais um dos eficientes instrumentos naturais que cooperam em favos do mecanismo evolutivo dos seres da criação.

19 - O necessário e o supérfluo.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS. 1) Estabelecer uma comparação entre o necessário e o supérfluo para o homem. 2) Citar os meios utilizados pelo homem para preservar e/ou ampliar o bem estar social. IDÉIAS PRINCIPAIS. "(...) Não fora possível que Deus criasse para o homem a necessidade de viver sem lhe dar os meios de consegui-lo. Essa a razão por que faz que a 'Terra produza de modo a proporcionar o necessário aos que a habitam, visto que só o necessário é útil. O supérfluo nunca o é " (02) "(...) Graças aos louváveis esforços que, juntos, a Filantropia e a Ciência não cessam de despender, para melhorar a condição material dos homens e mau grado ao crescimento incessante das populações, a insuficiência da produção se acha atenuada, pelo menos em grande parte, e os anos mais calamitosos do presente não se podem de modo algum comparar aos de outrora. (...)" (04) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS Q1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Perg. 703. 02. Op. cit., perg. 704, pp. 337-338. 03. Op. cit., perg. 705. 04. Op. cit., perg. 707, p. 339. 05. Op. cit., perg. 717. O NECESSÁRIO E O SUPÉRFLUO "(...)Todos tem que concorrer para cumprimento dos desígnios da Providência. Por isso foi que Deus lhes deu a necessidade de viver (...)" .(01), já que a vida é essencial ao aperfeiçoamento dos seres. Ao lado da necessidade de viver, Deus deu, também, ao homem os meios para suprir esta necessidade. "(...) Essa a razão por que faz que a terra produza de modo a proporcionar o necessário aos que a habitam, visto que só o necessário é útil. O supérfluo nunca o é."(02) No entanto, em suas experiências evolutivas, os homens passam, muitas vezes, por privações a situações difíceis , nas quais lhes falta até mesmo o essencial à sobrevivência. Devemos considerar que tal situação extrema geralmente ocorre por imprevidência do homem. "(...) A terra produziria sempre o necessário, se com o necessário soubesse o homem contentar-se. Se o que ela produz não lhe basta a todas as necessidades, é que ele emprega no supérfluo o que poderia ser aplicado no necessário. Olha o árabe no deserto. Acha sempre de que viver, porque não cria para si necessidades fictícias. Desde que haja desperdiçado a metade dos produtos em satisfazer fantasias, que motivos tem o homem para se espantar de nada encontrar no dia seguinte e para se queixar de estar desprovido de tudo quando chegam os

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dias de penúria? Em verdade vos digo, imprevidente não é a Natureza, é o homem, que não sabe regrar o seu viver."(03) "(...) Se é certo que a civilização multiplica as necessidades, também o é que multiplica as fontes de trabalho a os meios de viver.(...). A desgraça, para muitos, provém de enveredarem por uma senda diversa da que a Natureza lhes traça. É então que lhes falece a inteligência para o bom êxito. Para todos há lugar ao Sol, mas com a condição de que cada um ocupe o seu e não o dos outros. A Natureza não pode ser responsável pelos defeitos da organização social, nem pelas conseqüências da ambição e do amor-próprio.(...)"(04) Vários são os meios empregados pelo homem para preservar ou ampliar o seu bem estar social. Mesmo que para muitos pareça que não tem havido progresso, o certo é que a Humanidade tem evoluído."(...) Graças aos louváveis esforços que, juntas, a Filantropia e a Ciência não cessam de despender para melhorar a condição material dos homens e mau grado ao crescimento incessante das populações , a insuficiência da produção se acha atenuada, pelo menos em grande parte, e os anos mais calamitosos do presente não se podem de modo algum comparar aos de outrora. A higiene pública , elemento tão essencial da força e da saúde, a higiene pública que nossos pais não conheceram, é objeto de esclarecida solicitude. (...) Por toda parte a Ciência contribui para acrescer o bem-estar.(...)"(04) "(...) Nada tem de absoluto o limite entre o necessário e o supérfluo. A civilização criou necessidades que o selvagem desconhece (...) Tudo é relativo, cabendo à razão regrar as coisas. A civilização desenvolve o senso moral e, ao mesmo tempo, o sentimento de caridade, que leva os homens a se prestarem mútuo apoio (...)(05)<p> O gosto pelo supérfluo é, assim, prejudicial ao homem. Os desregramentos que provoca fazem com que a natureza animal tenha preponderância sobre a natureza espiritual. Nessas condições, o atrativo dos bens materiais também funciona como prova para o espírito que vivência as oportunidades do mundo físico. Para bem conduzir-se na esfera carnal, o homem deve conhecer o limite entre o necessário e o supérfluo. Algumas pessoas ainda requerem seguidas experiências e grande esforço para adquirir esse conhecimento. Outras o tem por intuição das conquistas efetivadas em vidas pregressas. Deve ser esclarecido, a esse respeito, que o limite do necessário não é exato e absoluto, pois, em realidade, é relativo às condições de vida proporcionadas pelos avanços da Civilização, que criam novas necessidades. Pode-se dizer, contudo, que são essenciais aos homens todos os bens de relevância para sua sobrevivência, para que desfrutem de relativo conforto e possam participar da vivência social. São supérfluos todos os bens que servem a outras finalidades, tais como o luxo e a satisfação do orgulho, assim como os que acumulados, improdutivos, nas mãos de poucos, fazem falta a muitos. Cabe portanto, ao indivíduo, as instituições e aos Governos desenvolver esforços no sentido de estender a todos, sem exceção, os benefícios decorrentes da melhoria do padrão de vida humano, originados dos progressos de civilização, de modo a atenuar as desigualdades sociais. Para garantir o cumprimento dessa tarefa, assegurando o bem estar a todos os homens, são necessários investimentos nos setores da saúde, alimentação, habitação, acesso aos meios de comunicação e, em especial, educação - compreendida em seu sentido mais amplo de formação intelectual, social, moral e espiritual do ser, as conquistas da ciência e do conhecimento humano, como um todo, possibilitando à humanidade ampliar o bem-estar social.

20 - Privações voluntárias.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS. 1) Conceituar privação voluntária. 2) Citar as privações voluntárias meritórias ao progresso individual. 3) Tecer comentários acerca da importância ou não da alimentação animal para o homem. IDÉIAS PRINCIPAIS. HÁ privações voluntárias que são meritórias, "(...) porque desprende da matéria o homem, e lhe eleva a alma Meritório é resistir à tentação que arrasta ao excesso ou ao gozo das coisas inúteis; é o homem tirar do que lhe é necessário para dar aos que carecem do bastante. (...)" (02) ."Permitido é ao homem alimentar-se de tudo o que lhe não prejudique a saúde. (...)" (04) A alimentação animal não é contrária ã lei da Natureza por que "dada a (...) constituição física, a carne alimenta a carne, do contrario o homem perece. A lei de conservação lhe prescreve,

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como um dever, que mantenha suas forças e sua saúde, para cumprir a lei do trabalho. Ele, pois, tem que se alimentar conforme o reclame a sua organização." (05) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. Bem-aventurados os aflitos. In O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro. 87 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. item 26, pag. 126. 02 - O Livro dos Espíritos Trad. Guillon Ribeiro, 57 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, perg. 720. 03 - Op. cit. perg. 721. 04 - Op. cit. perg. 722. 05 - Op. cit. perg. 723. 06 - "Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita" In O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 87 ed. Rio de Janeiro, FEB, Item 06. COMPLEMENTARES 07 - FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, s/d. pag. 1139. 08 - XAVIER. Francisco Cândido. O Consolador. Ditado pelo Espírito Emmanuel. 8. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980. perg. 129. PRIVAÇÕES VOLUNTÁRIAS A palavra privação tem o sentido de "despojar, desapossar alguém de alguma coisa; destituir, tolher, fraudar. (...)"(7) Já privação voluntária consiste em renúncia consciente a bens, favores, gozos, facilidades ou direitos a que se tem acesso ou posse natural e legítima; mas a verdadeira privação voluntária é a que se dá em benefício do próximo, quer para auxilia-lo materialmente quer espiritualmente."(...) Há grande mérito quando os sofrimentos e as privações objetivam o bem do próximo, porquanto é a caridade pelo sacrifício.(...)(01) Porém é compreensível que mesmo a privação voluntária tenha um limite. "(...) Pelo que vos respeita pessoalmente, contentai-vos com as provas que Deus lhes manda e não lhe aumenteis o volume, já de si, por vezes tão pesado; aceita-las sem queixumes e com fé, eis tudo o que de vós exige Ele. Não enfraqueçais o vosso corpo com privações inúteis e macerações sem objetivos, pois que necessitais de todas as vossas forças para cumprirdes a vossa missão de trabalhar na Terra. Torturar e martirizar voluntariamente o vosso corpo é contravir a lei de Deus, que vos dá meios de o sustentar e fortalecer. Enfraquece-lo sem necessidade é um verdadeiro suicídio.(...)"(01) Existem privações voluntárias que, no entanto, são meritórias ao progresso individual. É o caso, por exemplo, daquela pessoa que se priva dos prazeres do mundo para auxiliar o próximo. Pelo seu trabalho, "(...) pelo emprego de suas forças, de sua inteligência, de seus talentos forma recursos para realizar seus generosos propósitos."(06) Essas privações são meritórias por haver "a privação dos gozos inúteis, porque desprende da matéria o homem e lhe eleva a alma. Meritório é resistir a tentação que arrasta ao excesso, ao gozo das coisas inúteis; é o homem tirar do que lhe é necessário para dar aos que carecem do bastante. Se a privação não passar de simulacro, será uma irrisão."(02) Daí concluímos; são inúteis as privações ascéticas que observamos em vários religiosos. Com relação a isso os Espíritos Superiores nos falam; "Procurai saber a quem ela aproveita e tereis a resposta. Se somente serve a quem a pratica e o impede de fazer o bem, é egoísmo, seja qual for o pretexto com que entendam de colori-la. Privar a si mesmo e trabalhar para os outros, tal a verdadeira mortificação, segundo a caridade cristã."(03) É notório que muitas pessoas quando passam a apreender um certo conhecimento espiritual começam a abstenção de certos alimentos, principalmente a carne, por compreenderem ser um comportamento contrário à lei da Natureza. A pergunta 723 de "O Livro dos Espíritos" traz respostas a esse assunto: "Dada a vossa constituição física. a carne alimenta a carne, do contrário o homem perece. A lei de conservação lhe prescreve, como um dever, que mantenha suas forças e sua saúde, para cumprir a lei do trabalho. Ele pois, tem que se alimentar conforme o que reclame a sua organização."(05) Porém, Emmanuel, nos alerta: "A ingestão das vísceras dos animais é um erro de enormes conseqüências, do qual derivam numerosos vícios da nutrição humana. É de lastimar semelhante situação, mesmo porque, se o estado de materialidade da criatura exige a cooperação de determinadas vitaminas, esses valores nutritivos podem ser encontrados nos produtos de origem vegetal, sem a necessidade absoluta dos matadouros e frigoríficos.(...)"(08)

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Não há contradição na resposta dada pelos Espíritos a Kardec e na de Emmanuel. Entre Kardec e os dias atuais, medeiam-se mais de cem anos. Na época da Codificação, talvez não fosse possível dar outra resposta senão aquela. Há que considerar, também, o grau de evolução da Humanidade de hoje e a do século passado. Á medida que o homem vai progredindo, moral e intelectualmente, passa a ter horror ao sacrifício dos animais mesmo para sua alimentação. O descobrimento de novas técnicas de produção, o aperfeiçoamento das existentes culminam por fazerem desaparecer, gradativamente, os matadouros e os frigoríficos. Hoje em dia, os recursos do solo, com o aperfeiçoamento da agricultura, são inumeráveis. Nas viagens espaciais, por exemplo, os astronautas alimentam-se de substâncias condensadas em forma de cápsulas, possuidoras de todos os nutrientes necessários à sobrevivência. Na época de Kardec não havia uma indústria farmacêutica, como a existente hoje, capaz de produzir vitaminas, proteínas e tantas outras substâncias necessárias não só a sobrevivência humana e animal, como também no combate as doenças. Por isso que, a medida que progredimos, que nos espiritualizamos, já não sentimos tanta necessidade dos despojos sangrentos dos animais.

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8ª Unidade Lei de igualdade
21 - Igualdade natural e desigualdade de aptidões.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS. 1) Esclarecer porque os homens são iguais perante Deus. 2) Explicar a razão da desigualdade das aptidões humanas. 3) Ressaltar a importância da variedade das aptidões humanas. IDÉIAS PRINCIPAIS. Perante Deus todos os homens são iguais porque "(...) tendem para o mesmo fim e Deus fez suas Leis para todos (...)" (01) "(...) Deus a nenhum homem concedeu superioridade natural, nem pelo nascimento, nem pela morte: todos, aos seus olhos, são iguais." (1) "Deus criou iguais todos os Espíritos, mas cada um destes viuve há mais ou menos tempo, e, conseguintemente, tem feito maior ou menor soma de aquisições. A diferença entre eles está na diversidade dos graus da experiência alcançada e da vontade com que obram, vontade que ë o livre-arbítrio. Daí o se aperfeiçoarem uns mais rapidamente do que os outros, o que lhes da aptidões diversas. Necessária é a variedade das aptidões, a fim de que cada um possa concorrer para a execução dos desígnios da Providência, no limite do desenvolvimento de suas forças físicas e intelectuais. (...)" (02) FONTES DE CONSULTA. 01 - KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro, 57 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, perg. 803. 02 - Op. cit. perg. 804. COMPLEMENTARES. 03 - CALLIGARIS, Rodolfo. A lei de igualdade. In. As leis Morais, 2 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, pg. 136. 04 - Op. cit. p. 138. 05 - AGUAROD, Angel. O problema social, desigualdades sociais. In Grandes e Pequenos Problemas. 3 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1976, p. 174. IGUALDADE NATURAL E DESIGUALDADES DE APTIDÕES "Todos os homens estão submetidos às mesmas leis da natureza. Todos nascem igualmente fracos, acham-se sujeitos às mesmas dores e o corpo do rico se destrói como o do pobre. Deus a nenhum homem concedeu superioridade natural, nem pelo nascimento, nem pela morte: todos, aos seus olhos são iguais."(01) Deus não tolera distinção de linhagem familiar, não confere honrarias extemporâneas e nem favorece com privilégios qualquer de suas criaturas, mas proporciona a todos idênticas e incessantes oportunidades. Coloca em estado latente o mesmo poder, a mesma sabedoria e os mesmos estímulos evolutivos para todos, no longo e fastidioso percurso para a Perfeição. Atentos a essas considerações é que podemos perceber o sentido correto da lei de igualdade, no seu aspecto natural, em contraposição à pretendida igualdade sócio-econômica, freqüentemente artificial, na vida de relação dos Espíritos encarnados. Sendo todos da mesma essência divina e criados para os mesmos gloriosos destinos, o gênero humano constitui uma única família. Dai, estarem todos os homens sujeitos às mesmas leis naturais. Deus não concede privilégios a ninguém, e, se há sofredores e felizes no nosso planeta, isto não acontece à custa das preferências divinas, mas por força do mau ou bom uso do livrearbítrio dos seus habitantes. Todos fomos criados simples e ignorantes, porém destinados à perfeição. Se ao longo da nossa trajetória evolutiva falimos ou nos elevamos, isso ocorre por força da nossa livre vontade, As desigualdades sociais existentes são produto de opções voluntárias dos homens e nunca devido às preferências de Deus.

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As próprias aptidões humanas, tão diversas, resultam da variedade de experiências vividas nas múltiplas encarnações. Por força do livre-arbítrio, cada pessoa decide qual o caminho a seguir. "Deus criou iguais todos os Espíritos, mas cada um destes vive há mais ou menos tempo, e, consequentemente, tem feito maior ou menor soma de aquisições. A diferença entre eles está na diversidade dos graus da experiência alcançada e da vontade com que obram, vontade que é o livre-arbítrio. Daí o se aperfeiçoarem uns mais rapidamente do que os outros, o que lhes dá aptidões diversas. Necessária é a variedade das aptidões, a fim de que cada um possa concorrer para a execução dos desígnios da Providência, no limite do desenvolvimento das suas forças físicas e intelectuais. O que um não faz, fá-lo outro. Assim é que cada qual tem seu papel útil a desempenhar.(...;)"(02) Aliás, a variedade das aptidões, ao contrário da uniformidade, é um meio propulsor do progresso, já que cada homem contribui com sua parcela de conhecimento. "(...)As dessemelhanças que apresentam entre si, quer em inteligência, quer em moralidade, não derivam da natureza íntima deles (dos homens); resultam apenas de haverem sido criados há mais ou menos tempo e do maior ou menor aproveitamento desse tempo, no desenvolvimento das aptidões e virtudes que lhes são intrínsecas, consoante o bom ou o mau uso do livre-arbítrio por parte de cada um (...)"(03) As desigualdades naturais das aptidões humanas são os degraus das múltiplas experiências que nos conduzirão aos mundos superiores e que nos propiciarão implantar o reino de Deus na Terra. Essas diferenças constituem os "(...) agentes do progresso e preenchem uma necessidade inapreciável, na economia da evolução, favorecendo-a, por mais que haja indivíduos que detestem essas diferenças.(...) Enquanto tenham razão de ser, subsistirão e, enquanto subsistirem, satisfarão a uma necessidade da própria natureza, favorecendo o progresso humano.(...)"(05) É provável que no estágio atual da nossa civilização, nem todos os homens estejam exercendo a ocupação adequada às suas aptidões naturais. Mas"(...) quando o egoísmo e o orgulho deixarem de ser os sentimentos predominantes na Terra; quando compreendermos que somos todos irmãos, amando-nos realmente uns aos outros como preceitua a Religião; todo homem de boa vontade achará ocupação adequada às suas aptidões, que lhe garanta o mínimo necessário a uma vivência compatível com a dignidade humana, e mesmo aqueles que não mais possam manter-se em atividade, por doença ou velhice, terão a seu favor o amparo da lei, sem que precisem humilhar-se, recorrendo à caridade pública.(...)(04)

22 - Desigualdades sociais e igualdade de direitos do homem e da mulher.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS. 1) Explicar a causa das desigualdades sociais. 2) Dizer porque o homem e a mulher devem ser considerados iguais. 3) Identificar na diferença dos sexos a necessidade de experiência diversas para o espírito. IDÉIAS PRINCIPAIS. As desigualdades sociais, tanto quanto as vicissitudes da vida promanam de duas fontes bem diferentes, que importa distinguir. Umas têm causa na vida presente; outras, fora desta vida. (...)" (01) O homem e a mulher são iguais porque "(...) outorgou Deus a ambos a inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir." (03) "(...) Deus apropriou a organização de cada ser às funções que Ihe cumpre desempenhar. Tendo dado à mulher menor força física, deu-lhe ao mesmo tempo maior sensibilidade, em relação com a delicadeza das funções maternais e com a fraqueza dos seres confiados aos seus cuidados." (04) FONTES DE CONSULTA. BÁSICAS. 01 - KARDEC, Allan. Bem-aventurados os aflitos, In: . O Evangelho Segundo o Espiritismo t Janeiro, Trad. de Guillon Ribeiro. 87. ed. Rio de Janeiro 1983. Item 04, p. 102. 02 - O Livro, dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro . FEB; 1983. Perg. 806. 03 - Op. cit., perg. 817. 04 - Op. cit., perg. 820. 05 - Op. cit., perg. 822.

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COMPLEMENTARES 06 . AGUAROD, Angel. O problema social. Desigualdades sociais. In: Grandes e Pequenos Problemas. 3. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1976. p., 174. ' 07 - XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Ditado pelo Espírito Emmanuel. 8. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980. Perg. 55. 08 - Op. cit., perg. 67. DESIGUALDADES SOCIAIS E A IGUALDADE DE DIREITOS DO HOMEM E DA MULHER. As desigualdades sociais provenientes das mais variadas condições econômicas e espirituais dos vários povos da Terra, são sempre "(...) obra do homem e não de Deus.(...)"(02) Deus, na realidade, criou os espíritos iguais e destinados ao mesmo fim. mas os homens por força das imperfeições morais que ainda possuem, criaram leis, muitas delas injustas e até mesmo cruéis, para regular as relações na sociedade. Como conseqüência dessas leis, surgiram as desigualdades sociais, mais ou menos pronunciadas em determinadas nações, conforme o grau evolutivo dos seus constituintes humanos. No entanto, o progresso segue o seu curso ascendente e ininterrupto e a desigualdade social, como tudo que é inferior, "(...) dia a dia ela se apaga(...) Desaparecerá quando o egoísmo e o orgulho deixarem de predominar. Restará apenas a desigualdade de merecimento. Dia virá em que os membros da grande família dos filhos de Deus deixarão de considerar-se como de sangue mais ou menos puro. Só o Espírito é mais ou menos puro e isso não depende da posição social."(02) Mesmo as desigualdades toleráveis ou normais para a categoria do nosso Planeta deixarão de existir."(...) Não se abolirão tão de pronto, Quanto os unionistas desejariam e imaginam.(...) Nem se suprirão "(...) com revoluções, nem com guerras, nem(...) com leis, decretos, ou discursos, distúrbios ou maldições."(06) As desigualdades desaparecerão de modo lento e gradual, de acordo com o ritmo dos esforços individuais e coletivos, pelo progresso moral, quando então, serão destruídos os privilégios de casta, sangue, posição, sexo, raça, religião, etc. Devemos compreender, porém, que com o banimento das desigualdades sociais não ocorrerá um processo de uniformização dos homens. A espécie humana não se transformará em máquina, em um sistema robotizado. Os homens se orientarão pelas leis divinas, a fim de que seus pendores naturais possam desabrochar e desenvolver normalmente, sem nenhuma atitude de coerção por parte de quem quer que seja. Haverá, evidentemente, quem ocupe cargos de maiores responsabilidades, mas, com o adiantamento espiritual, os seres humanos não sofrerão os males do egoísmo, da inveja, do orgulho e do preconceito. Do mesmo modo, numa sociedade moralizada, Não se compreenderá a diferença, que ainda hoje se observa, entre o homem e a mulher. Neste sentido os Espíritos Superiores perguntam; "Não outorgou Deus a ambos a inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir?"(03) Logo, perante os códigos divinos ambos possuem os mesmos direitos; a diferença de sexo existe por força da necessidade de experiências específicas por que o espírito precisa passar. Aliás, o Espírito, centelha divina, não possui sexo, conforme as denominações humanas. Entre o homem e a mulher existe a igualdade de direito;"(...) das funções não. Preciso é que cada um esteja no lugar que lhe compete. Ocupe-se do exterior o homem e do interior a mulher, cada um de acordo com a sua aptidão. A lei humana, para ser eqüitativa, deve consagrar a igualdade dos direitos do homem e da mulher. Todo privilégio a um ou a outro concedido é contrário a justiça. A emancipação da mulher acompanha o progresso da civilização. Sua escravização marcha de par com a barbaria. Os sexos, além disso, só existem na organização física. " Visto que os espíritos podem encarnar num e noutro, sob esse aspecto nenhuma diferença há entre eles. Devem, por conseguinte, gozar dos mesmos direitos."(05) Por mais que se acentuem as mudanças sociais no mundo, haverá sempre diversidade das funções entre o homem e a mulher, por necessidade de planificação reencarnatória. "O homem e a mulher, no instinto conjugal, são como o cérebro e o coração do organismo doméstico. Ambos são portadores de uma responsabilidade igual no sagrado colégio da família; e se a alma feminina sempre apresentou um coeficiente mais avançado de espiritualidade na vida, é que, desde cedo, o espírito masculino intoxicou as fontes da sua liberdade, através de todos os abusos, prejudicando a sua posição moral no decurso das existências numerosas, em múltiplas experiências seculares. A ideologia feminina dos tempos modernos, porém, com as suas diversas bandeiras políticas e sociais, pode ser um veneno para a mulher desavisada dos seus grandes deveres espirituais na face da Terra.(...)"(08)

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A desigualdade social é o mais elevado testemunho da verdade da reencarnação, mediante a qual cada Espírito tem sua posição definida de regeneração e resgate. Neste caso, consideramos que a pobreza, a miséria, a guerra, a ignorância, como outras calamidades coletivas, são enfermidades do organismo social, devido á situação de prova da quase generalidade dos seus membros. Cessada a causa patogênica com a iluminação espiritual de todos em Jesus Cristo, a moléstia coletiva estará eliminada dos ambientes humanos".(07) ANEXO I A MULHER ANTE O CRISTO (*) Toda vez nos disponhamos a considerar a mulher em plano inferior, lembremo-nos dela, ao tempo de Jesus. Há vinte séculos, com exceção das patrícias do Império, quase todas as companheira do povo, na maioria das circunstâncias, sofriam. extrema abjeção, convertidas em alimárias de carga, quando não fossem vendidas em hasta pública. Tocadas, porém, pelo verbo renovador do Divino Mestre, ninguém respondeu com tanta lealdade e veemência aos apelos celestiais. Entre as que haviam descido aos vales da perturbação e da sombra,. encontramos em Madalena o mais alto testemunho de soerguimento moral, das trevas para a luz; e entre as que se mantinham no monte do equilíbrio doméstico, surpreendemos em Joana de Cusa o mais nobre expoente de concurso e fidelidade, Atraídas pelo amor puro, conduziam à presença do Senhor os aflitos e os mutilados, os doentes e as crianças. E, embora não lhe integrassem o círculo apostólico, foram elas representadas nas filhas anônimas de Jerusalém - as únicas demonstrações de solidariedade espontânea que o visitaram, desassombradamente, sob a cruz do martírio, quando os próprios discípulos debandavam. Mais tarde, junto aos continuadores da Boa-Nova, sustentaram-se no mesmo nível de elevação e de entendimento. Dorcas, a costureira jopense, depois de amparada por Simão Pedro, fez-se mais ativa colaboradora da assistência aos infortunados. Febe é a mensageira da epistola de Paulo de Tarso aos romanos. Lídia, em Filipos, é a primeira mulher com suficiente coragem para transformar a própria casa em santuário do Evangelho nascituro. Lóide e Eunice, parentas de Timóteo, eram padrões morais da fé viva. Entretanto, ainda que semelhantes heroínas não tivessem de fato existido, não podemos olvidar que, um dia, buscando alguém no mundo para exercer a necessária tutela sobre a vida preciosa do Embaixador Divino, o Supremo Poder do Universo não hesitou em recorrer à abnegada mulher, escondida num lar apagado e simples... Humilde, ocultava a experiência dos sábios; frágil como o lírio, trazia consigo a resistência do diamante; pobre entre os pobres, carreava na própria virtude os tesouros incorruptíveis do coração, e, desvalida entre os homens, era grande e prestigiosa perante Deus. Eis o motivo pelo qual, sempre que o raciocínio nos induza a ponderar quanto à glória do Cristo - recordando, na Terra, a grandeza de nossas próprias mães -,nós nos inclinaremos, reconhecidos e reverentes, ante a luz imarcescivel 'da Estrela de Nazaré. (*) XAVIER , Francisco Cândido, Religião dos Espíritos. Pelo Espírito Emmanuel, 4 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978, p. 131, 132

23 - Desigualdade das riquezas: as provas da riqueza e da miséria.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS. 1) Esclarecer porque sendo a riquezas e a pobreza difíceis, a riquezas é a mais perigosa. 2) Analisar a luz do espiritismo, a citação evangélica : " É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que entrar um rico no reino do céu. "Mateus 19;24 IDÉIAS PRINCIPAIS. "(...) A alta posição do homem neste mundo e o ter autoridade sobre os seus semelhantes são provas tão grandes e tão escorregadias como a desgraça, porque, quanto mais rico e poderoso é ele, tanto mais obrigações tem que cumprir e tanto mais abundantes são os meios de que dispõe para fazer o bem e o mal. Deus experimenta o pobre pela resignação e o rico pelo emprego que dá aos seus bens e ao seu poder. (...)" (03)

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"(...) A riqueza e o poder fazem nascer todas as paixões que nos prendem à matéria e nos afastam da perfeição espiritual. Por isso que Jesus disse: "Em verdade vos digo que mais fácil é passar um camelo por um fundo de agulha do que entrar um rico no reino dos céus." (03) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01 - Kardec, Allan. 0O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, perg. 811. 02.- Op. cit. , perg. 814 03.- Op. cit. , perg. 816 04.- Não se pode servir a Deus e a Mamon. In O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 87. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, item 8, pp. 269-270 05 - Op. cit. , item 7, p. 267 06 - Op. cit. , item 7, p. 268 07 - Op. cit. , item 7, p. 269 COMPLEMENTARES 08 - MARTINS PERALVA. Espiritismo e pobreza. In - O Pensamento de Emmanuel.> 2. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978, p. 50. DESIGUALDADES DAS RIQUEZAS: AS PROVAS DA RIQUEZA E DA MISÉRIA. A igualdade das riquezas não é possível:"(...)A isso se opõe a diversidade das faculdades e dos caracteres."(01) Os homens não são iguais. Uns são mais previdentes, outros menos. Uns mais egoístas, Outros menos. Uns mais inteligentes, ativos e trabalhadores, outros menos. Logo, se fosse"(...) a riqueza repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente que, supondo efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e das aptidões: que, supondo-a possível e durável, tendo cada um somente com que viver, o resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e para o bem estar da Humanidade: que, admitido desse ela a cada um o necessário, já não haveria o aguilhão que impele os homens às descobertas e aos empreendimentos úteis. Se Deus a concentra em certos pontos, é para que daí se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades.(...)(04). Deus concedeu as provas da riqueza, a uns, e da pobreza a outros, "para experimenta-los de modo diferentes. Além disso, como sabeis, essas provas foram escolhidas pelos próprios Espíritos, que nelas, entretanto, sucumbem com freqüência".(02) Uma das provas mais difíceis, é a da pobreza, quanto o é a da riqueza. Na primeira, pode sofrer o Espírito a tentação da revolta. Na segunda, a do abuso dos bens da vida, deturpando-lhes os augustos objetivos.(...) Espíritos realmente evoluídos, ou simplesmente esclarecidos sobre a Lei de Causa e Efeito, podem solicitar a prova da pobreza, como oportunidade para o acrisolamento de qualidade ou a realização de tarefas. Algumas vezes, o mau uso da riqueza, em precedente existência, leva o Espírito a pedir a condição oposta, com o que espera ressarcir abusos cometidos e por-se a salvo de novas tentações, para as quais não se sinta convenientemente forte.(...) O livre-arbítrio do homem pode leva-lo à pobreza, sem que se evoquem precedentes espirituais, causas ligadas à pretérito.(...)(8). Como por exemplo, a falta de estímulo para enfrentar os problemas da vida, a preguiça, a imprevidência, que são fatores que podem conduzir o homem ao estado de dificuldades econômicas. "(...)A pobreza é, para os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação: a riqueza é, para os outros, a prova da caridade e da abnegação(...)(04) "Se a riqueza houvesse de constituir obstáculo absoluto à salvação dos que a possuem, conforme se poderia inferir de certas palavras de Jesus, interpretadas segundo a letra e não segundo o espírito, Deus, que a concede, teria posto nas mãos de alguns um instrumento de perdição, sem apelação nenhuma, idéia que repugna à razão. Sem dúvida, pelos arrastamentos a que dá causa, pelas tentações que gera e pela fascinação que exerce, a riqueza constitui uma prova muito arriscada, mais perigosa do que a miséria. É o supremo excitante do orgulho, do egoísmo e da vida sensual. (...)"(05) Quando Jesus disse:" É mais fácil que um camelo passe pelo buraco de uma agulha, do que entrar um rico no reino dos céus" (MATEUS, 19:24: MARCOS, 10:25, LUCAS, 18:25) estava se

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referindo aos males, as tentações a que a riqueza pode conduzir o homem. É errôneo interpretar que o rico não alcança a perfeição; não foi o que Jesus anunciou."(...) Se a riqueza somente males houvesse de produzir, Deus não a teria posto na Terra. Compete ao homem faze-la produzir bem. Se não é um elemento direto de progresso moral, é, sem contestação, poderoso elemento de progresso intelectual.(...)"(06) Pela riqueza pode o homem melhorar a situação material do Planeta onde vive, melhorar a produção através da relação entre os povos; criar maiores e melhores recursos sociais através do estudo, pesquisa e trabalho. "(...) Com razão, pois, é a riqueza considerada elemento de progresso."(07) A riqueza favorece as maiores tentações, por isso ser difícil ao rico acesso ao reino dos céus, mas não impossível, pois ele dispõe de inúmeros meios de fazer o bem. Mas, é justamente o que nem sempre faz. Torna-se egoísta, orgulhoso e insaciável. (...)"(3). É por estes fatos que a prova da riqueza, apesar de tão difícil quanto a da pobreza, é mais perigosa para o progresso moral do homem.

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9ª Unidade Lei de reprodução
24 - Casamento.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1) Identificar no casamento um dos meios do progresso humano. 2) Citar as principais finalidades do casamento. 3) Explicar as razões dos casamentos de provação e ou de resgate. IDÉIAS PRINCIPAIS "(...) O casamento constitui um dos primeiros atos de progresso nas sociedades humanas, porque estabelece a solidariedade fraterna e se observa entre todos os povos, se bem que em condições diversas.(...)" (1) "(...) Casamento e compromisso e compromisso gera, evidentemente responsabilidade. Pelo reencontro de almas, que se endividaram entre si, casamento e, sobretudo, ensejo de reabilitação e progresso. (...)" (73) "(...) Na união dos sexos, a par da lei divina material, comum a todos os seres vivos, há outra lei divina, imutável como todas as leis de Deus, exclusivamente moral: a lei de amor. Quis Deus que os seres se unissem não só pelos laços da carne, mas também pelos da alma (...)" (2) FONTES DE CONSULTA 01 - KARDEC Allan, O Livro dos Espíritos Trad. Guillon Ribeiro, 57 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, Perg. 696 02- Não separeis o que Deus juntou. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro, 87 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, item 03 03 - Op. cit. item 04 04 - Op. cit. item 05 COMPLEMENTARES. 05 - FRANCO, Divaldo. Considerando o casamento. In Florilégios Espirituais, Ditado pelo Espírito Francisco do Monte Alverne. Araras (SP), IDE, 1981, p.117. 06 - Op. cit. p.118 07 - MARTINS Peralva, casamento e sexo. In O Pensamento de Emmanuel. 2. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978, p.171. 08 - XAVIER, Francisco Cândido & VIERA, Waldo. .Estude e Viva. Pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz. 4. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978. p. 68. 09 - Op. cit. p 92. 10 - Vida e sexo, Ditado pelo Espírito Emmanuel. 6 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982,p. 23. 11 - Op. cit. pp.33-35. CASAMENTO "O estado de natureza é o da união livre e fortuita dos sexos. O casamento constitui um dos primeiros atos de progresso nas sociedades humanas, porque estabelece a solidariedade fraterna e se observa entre todos os povos, se bem que em condições diversas. A abolição do casamento seria , pois, regredir à infância da Humanidade e colocaria o homem abaixo mesmo de certos animais que lhe dão o exemplo de uniões constantes."(1) "Mas, na união dos sexos, a par da lei divina material, comum a todos os seres vivos, há outra lei divina, imutável como todas as leis de Deus, exclusivamente moral; a lei de amor. Quis Deus que os seres se unissem não só pelos laços da carne, mas também pelos da alma, a fim de que a afeição mútua dos esposos se lhes transmitisse aos filhos e que fossem dois, e não um somente, a ama-los, a cuidar deles e a fazê-los progredir. Nas condições ordinárias do casamento, a lei de amor é tida em consideração? De modo nenhum. Não se leva em conta a afeição de dois seres que, por sentimentos recíprocos, se atraem um para o outro, visto que, as mais das vezes, essa afeição se rompe. O de que se cogita, não é da satisfação do coração e

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sim da do orgulho, da vaidade, da cupidez, numa palavra: de todos os interesses materiais. (...) (...) Nem lei civil, porém, nem os compromissos que ela faz se contraiam podem suprir a lei do amor, se esta não preside à união, resultando, freqüentemente, separarem-se por si mesmos os que à força se reuniram(...). Daí as uniões infelizes, que acabam tornando-se criminosas, dupla desgraça que se evitaria se, ao estabelecerem-se as condições do matrimônio, se não abstraísse da única que o sanciona aos olhos de Deus: a lei de amor.(...)"(2) "Será então supérflua a lei civil e dever-se-á volver aos casamentos segundo a Natureza? Não, decerto. A lei civil tem por fim regular as relações sociais e os interesses das famílias, de acordo com as exigências da civilização; por isso, é útil, necessária, mas variável. Deve ser previdente, porque o homem civilizado não pode viver como selvagem; nada, entretanto, nada absolutamente se opõe a que ela seja um corolário da lei de Deus.(...)"(3) Caracteriza-se o estado moral de um povo pelas uniões da sexualidade, que se fazem rápidas, em decadência, ou demoradas, num processo de ascensão tipificando a emotividade que rege a convivência ética das criaturas. Nesse sentido, o matrimônio tem papel preponderante na formação da comunidade.(...)"(5) Se a união das pessoas pelos laços do casamento é precedida por interesses materiais, pelo furor das paixões ou pelo jogo das conveniências, é uma realidade destinada ao fracasso, visto que a lei de amor não foi cogitada. Tais ligações, com o passar do tempo, após as ilusões dos primeiros momentos, permitirão que entre os consortes, se estabeleçam antipatias mútuas que, com o desgaste natural, cristalizarse-ão em relações inamistosas. A satisfação pura e simples dos instintos, no matrimônio, leva os cônjuges a uma saturação recíproca e a um isolacionismo que logo deterioram o relacionamento conjugal, fazendo que o matrimônio decline e degrade.<p> Indispensável construir uma consciência responsável por meio da educação moral, doméstica e social das criaturas, para que o matrimônio mereça pelo menos um pouco mais de respeito, antes de se assumir o compromisso, que logo, por leviandade, se dissolverá.(...)"(6) "(...) Casamento é compromisso e compromisso gera, evidentemente, responsabilidade(...)"(7), como nos fala Emmanuel. Antes de optarem em por um passo tão sério, o homem e a mulher devem refletir maduramente, para que não venham a ser infelizes, fazendo, também, a infelicidade das pessoas a eles ligadas. "(...)A grande vítima das uniões precipitadas (...) é a sociedade. E como a sociedade se constitui dos membros que se unem em torno do lar, a família, os filhos são os vitimados indefesos pela leviandade e precipitação dos adultos mal formados (...)"(6) Os filhos necessitam de que seus pais dêem exemplos de moralidade, de devotamento e de equilíbrio. É fundamental que os cônjuges se compenetrem dos deveres perante si mesmos, perante a prole e perante Deus. A lei de amor, que deve sempre reger as ligações matrimoniais, permite que as pessoas se procurem e se escolham, mas exige, também, que se respeitem e que se apóiem ante as provas e dificuldades da vida. Portanto , ö casamento ou a união permanente de dois seres, como é óbvio, implica o regime de vivência pelo qual duas criaturas se confiam uma a outra, no campo da assistência mútua. (...) Imperioso, porém, que a ligação se baseie na responsabilidade recíproca, de vez que na comunhão sexual um ser humano se entrega a outro ser humano e, por isso mesmo, não deve haver desconsideração entre si(...) Os débitos contraídos por legiões de companheiros de Humanidade, portadores de entendimento verde para os temas do amor, determinam a existência de milhões de uniões supostamente infelizes, nas quais a reparação de faltas passadas confere a numerosos ajustes sexuais, sejam eles ou não acobertados pelo beneplácito das leis humanas, o aspecto de ligações francamente expiatórias, com base no sofrimento purificador.(...)(11) "(...) Decorre daí a importância dos conhecimentos alusivos à reencarnação, nas bases da família, com pleno exercício da lei do amor nos recessos do lar, para que o lar não se converta, de bendita escola que é, em pouso neurótico, albergando moléstias mentais dificilmente reversíveis".(10) É compreensível, repetimos, que "sem entendimento e respeito, conciliação e afinidade espiritual, torna-se difícil o êxito no casamento (...)" pois, "(...)por muito se nos impessoalizem os sentimentos, somos defrontados em família pelas ocasiões de provas ou de crises, em que nos inquietamos, gastando tempo e energias para "ver nossos filhos ou parentes na trilha que

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consideramos como sendo a mais certa.(...)"(9). O divórcio é lei humana que tem por objetivo separar legalmente o que já, de fato, está separado. Não é contrário à lei de Deus, pois que apenas reforma o que os homens hão feito e só é aplicável nos casos em que não se levou em conta a lei divina. Se fosse contrário a essa lei, a própria Igreja seria obrigada a considerar prevaricadores aqueles de seus chefes que, por autoridade própria e em nome da religião, hão imposto o divórcio em mais de uma ocasião. E dupla seria aí a prevaricação, porque, nesses casos, o divórcio há objetivado unicamente interesses materiais e não a satisfação da lei do amor. Mas, nem mesmo Jesus consagrou a indissolubilidade absoluta do casamento. Não disse ele: "Foi por causa da dureza dos vossos corações que Moisés permitiu despedísseis vossas mulheres?" Isso significa que, já ao tempo de Moisés, não sendo a afeição mútua a única determinante do casamento, a separação podia tornar-se necessária. Acrescenta, porem:" no principio não foi assim", isto é, na origem da humanidade, quando os homens ainda não estavam pervertidos pelo egoísmo e pelo orgulho e viviam segundo a lei de Deus, as uniões, derivando da simpatia, e não da vaidade ou da ambição, nenhum ensejo davam ao repúdio.(...) (4)

25 - Celibato e poligamia.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1) Especificar em que condições o celibato e ato de amor ao próximo. 2) Constatar na poligamia sinais de atraso social. IDÉIAS PRINCIPAIS. "(...) Mas, se o celibato, em si mesmo, não e um estado meritório, outro tanto não se dá quando constitui, pela renuncia ás alegrias da família, um sacrifico praticado em prol da Humanidade. Todo sacrifico pessoal, tendo em vista o bem e sem qualquer idéia egoísta, eleva o homem acima da sua condição material." (02) "A poligamia é lei humana cuja abolição marca um progresso social. O casamento, segundo as vistas de Deus, tem que se fundar na a feição dos seres que se unem. Na poligamia não há afeição real: há apenas sensualidade." (03) ; FONTES DE CONSULTA 01 - KARDEC, Allan. 0 Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio e Janeiro, EB, 1983. Perg. 695. 02 - Op. cit., perg. 699. 03 - Op. cit., perg. 701. COMPLEMENTARES 04 - FRANCO, Divaldo Pereira. Sexo e compromisso. In:- Dimensões da Verdade. Ditado pelo Espirito Joanna de Ângelis. 2.-ed.--Salvador, Livraria Espirita Alvorada, 1977. p. 170. 05 - Op. cit., p. 173. 06 - MARTINS, Peralva. Sexo e Mocidade. In:- . O Pensamento de Emmanuel. 2. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978. p-. 9-6. 07 - XAVIER, Francisco Cândido. Abstinência e Celibato. In:- . Vida e Sexo Ditado pelo Espirito Emmanuel. 6. ed. Rio de Janeiro, 08 - Op. cit., p. 100. 09 - Casamento, In: - . Vida e Sexo. Ditado pelo Espirito Emmanuel. 6. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. p. 33. 10 - O Consolador. Ditado pelo Espirito Emmanuel. 8. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980. Perg. 331. 11 - Sexo. In: - ; No Mundo Maior. Ditado pelo Espirito Emmanuel 8. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979. p. 161. 12 - Op. cit., p. 162. CELIBATO E POLIGAMIA "(...) O casamento, isto é, a união permanente de dois seres(...) é um progresso na marcha da humanidade".(1) Já a poligamia é lei humana cuja abolição marca um progresso social. O casamento segundo as vistas de Deus, tem que se fundar na afeição dos seres que se unem. Na poligamia não há afeição real: há apenas sensualidade.

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Se a poligamia fosse conforme a lei da Natureza, devera ter possibilidade de tornar-se universal, o que seria materialmente impossível, dada a igualdade numérica dos sexos. Deve ser considerada como um uso ou legislação apropriada a certos costumes e que o aperfeiçoamento social fez que desaparecesse pouco a pouco" (3). "(...) A construção da felicidade real não depende do instinto satisfeito. A permuta de células sexuais entre os seres encarnados, garantindo a continuidade das formas físicas em processo evolucionário, é apenas um aspecto das multiformes permutas de amor. Importa reconhecer que o intercâmbio de forças simpáticas, de fluidos combinados, de vibrações sintonizadas entre almas que se amam, paira acima de qualquer exteriorização tangível de afeto, sustentando obras imperecíveis de vida e de luz, nas ilimitadas esferas do Universo. (...)"(12). Apesar de, nos dias atuais, existirem povos que ainda adotam a poligamia, como as populações muçulmanas do norte da África e grande parte dos asiáticos, a tendência, por força do progresso moral, é a total abolição dessa prática. O casamento ou a união permanente de dois seres, como é óbvio, implica o regime de vivência pelo qual duas criaturas se confiam uma a outra, no campo da assistência mútua. Essa união reflete as Leis Divinas que permitem seja dado um esposo para uma esposa, um companheiro para uma companheira, um coração para outro coração ou vice-versa, na criação e desenvolvimento de valores para a vida. (...)"(9). Entre a poligamia e a monogamia, existe uma distância muito grande, e a conquista desta última revela inegavelmente um poderoso passo evolucionário da Humanidade na área dos sentimentos. A vida a dois, pelos laços do matrimônio, enseja oportunidade de progresso, pois a constituição do lar não só permite a reencarnação dos Espíritos e, conseguintemente, resgate de faltas do passado, como representa a célula da família universal, unidade primeira da educação espiritual. Devemos considerar, porém, que existem pessoas que deliberadamente optam pelo celibato. "Abstinência, em matéria de sexo e celibato, na vida de relação pressupõe experiências da criatura em duas faixas essenciais a daqueles Espíritos que escolheram semelhante posições voluntariamente para burilamento ou serviço, no curso de determinada reencarnação, e a daqueles outros que se vêem forçados a adotá-las, por força de inibições diversas.(...) Os que consigam abster-se da comunhão afetiva, (...) com o fim de se fazerem mais úteis ao próximo, decerto que traçam a si mesmos escaladas mais rápidas aos cimos do aperfeiçoamento.(...)(7) "Almas existem que, para obterem as sagradas realizações de Deus em si próprias, entregamse a labores de renúncia, em existência de santificada abnegação. Nesse mister, é comum abdicarem transitoriamente as ligações humanas, de modo a acrisolarem os seus afetos e sentimentos em vida de ascetismo e de longas disciplinas materiais. (...)(10) "(...)Agindo assim, por amor, doando o corpo a serviço dos semelhantes, e, por esse modo, amparando os irmãos da Humanidade, através de variadas maneiras, convertem a existência, sem ligações sexuais, em caminho de acesso a sublimação, ambientando-se em climas diferentes de criatividade, porquanto a energia sexual neles não estancou o próprio fluxo; essa energia simplesmente se canaliza para outros objetivos - os de natureza espiritual. (...)(7) Paralelamente a esses seres "(...) que elegem conscientemente esse tipo de experiência, impondo-se duros regimes de vivência pessoal, encontramos aqueles outros, os que já nasceram no corpo físico induzidos ou obrigados a abstinência sexual, atendendo a inibições irrevogáveis ou a processos de inversão pelos quais sanam erros do pretérito ou se recolhem a pesadas disciplinas que lhes facilitem a desincumbência de compromissos determinados, em assuntos do espírito. (...)"(7) "(...) Empreendimentos filantrópicos, atividades religiosas ou culturais enobrecedoras constituem valioso programa de superação de pensamentos torturantes, relacionados com o sexo, favorecendo, outrossim, a transformação das forças criadoras em elementos de exaltação do bem e do embelezamento da vida .(...)"(6) "(...) Numerosos Espíritos recebem de Jesus permissão para esse gênero de esforços santificantes, porquanto, nessa tarefa, os que se fazem eunucos, pelos reinos do céu, precipitam os processos de redenção do ser ou dos seres amados, submersos nas provas e, simultaneamente, pela sua condição de evoluídos, podem ser mais facilmente transformados, na Terra, em instrumentos da verdade e do bem, redundando o seu trabalho em benefícios inestimáveis para os entes queridos, para a coletividade e para si próprios".(10)"(...) Vigoram para muitos deles, temporariamente, os imperativos da prova benéfica, os deveres de estatuto expiatório, as exigências do serviço especializado, em que estudantes, devedores e

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missionários se obrigam a longas fases de fome e sede do coração. Isso, porém, não representa obstáculo ao amor. (...)"(11) "(...) Qualquer atitude extremista opera desarmonia e perturbação com lamentáveis conseqüências que se estendem após o decesso carnal, em processos de sombras e aflições indescritíveis. (...)"(4) Assim, se o exercício de renúncia a que certas pessoas se afervoram os faz hipocondríacos e tristes, não devem vacilar em obedecer a prescrição do apóstolo Paulo, na primeira Epístola aos Coríntios, capítulo 7, versículo 9:"(...) Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abraçar-se.(...)"(5) "(...) Tais considerações nos impelem a concluir que a vida sexual de cada criatura é terreno sagrado para ela própria, e que, por isso mesmo, abstenção, ligação afetiva, constituição de família, vida celibatária, divórcio, e outras ocorrências, no campo do amor, são problemas pertinentes a responsabilidade de cada um, erigindo-se, por essa razão, em assunto não de corpo para corpo, mas de coração para coração".(8)

26 - Obstáculos à reprodução.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1). Citar os principais obstáculos ã reprodução humana. 2). Analisar, ã luz da Doutrina Espírita, a indicação dos anticoncepcionais humanos no planejamento familiar. IDÉIAS PRINCIPAIS Homens ou mulheres que apresentam impedimentos naturais ã reprodução são Espíritos em reajuste de erros cometidos no passado, provavelmente na área do sexo. Há pessoas que adotam o uso de anticoncepcionais, justificando planejamento familiar. "(...) Sem duvida, estamos diante de um problema de alta magnitude, que deve ser, todavia, estudado ã luz do Evangelho e não por meio dos complexos cálculos frios da precipitação materialista. (...)" (3) (...) Obstar ã reprodução, para satisfação da sensualidade (...), prova a predominância do corpo sobre a alma e quanto o homem e material". (2) FONTES DE CONSULTA. BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos .trad. Guillon Ribeiro. 57 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, perg. 693. 02 - Op. cit., perg. 694 COMPLEMENTARES 03 - FRANCO, Divaldo Pereira, Anticonceptivos e Planejamento Familiar. Após a tempestade. Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis. 2. ed. Salvador, Liv. Espírita Alvorada, 1977. pp. 58-59. 04 - XAVIER, Francisco Cândido, Anotações Oportunas. IN Ação e Reação. Ditado pelo Espírito Emmanuel. 8. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980, p. 210 05 - O Consolador. Ditado pelo Espírito Emmanuel. 8. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980, perg. 40 06 - Entrevistas, 3ª ed. Araras SP. ide, 1981, perg. 102, 142 OBSTÁCULOS A REPRODUÇÃO Sabemos que, basicamente, existem dois tipos de obstáculos a reprodução humana: Os que chamaremos de naturais ou cármicos, por serem postos pela Justiça Divina, ante faltas cometidas no passado e os artificiais, produtos da ação do homem e com o fim de impedir a reprodução humana. Estes últimos recebem o nome genérico de anticonceptivos ou anticoncepcionais. A pergunta 693 de O Livro dos Espíritos =:"São contrários a lei da Natureza as leis e os costumes humanos que tem por fim ou por efeito criar obstáculos a reprodução?"(1). Respondem os Espíritos Superiores: "Tudo o que embaça a Natureza em marcha é contrário a lei geral"(1). Diz-nos Joanna de Ângelis:"(...) Alegações ponderosas que merecem consideração vem sendo arroladas para justificar-se a planificação familiar através do uso dos anticonceptivos de variados tipos. São argumentos de caráter sociológico, ecológico, econômico, demográfico, considerando-se com maior vigor os fatores decorrentes das possibilidades de alimentação

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numa Terra tida como semi-exaurida de recursos para nutrir aqueles que se multiplicam geometricamente com espantosa celeridade.(...) Sem dúvida, estamos diante de um problema de alta magnitude, que deve ser, todavia, estudado à luz do Evangelho e não por meio de complexos cálculos frios da precipitação materialista. O homem pode (...) programar a família que deseja e lhe convém ter: número de filhos, período para a maternidade, nunca, porém, se eximirá dos imperiosos resgates a que faz juz, tendo em vista o seu próprio passado. Melhor usar o anticonceptivo do que abortar.(...)"(3) Melhor, ainda, seria não impedir a volta dos Espíritos ao corpo de carne, já que o espírita não desconhece a seriedade da planificação reencarnatória. Antes de retomarmos as experiências físicas é bem provável que nos tenhamos comprometido a receber, como filhos, um número determinado de Espíritos. Logo, a reprodução humana estava naturalmente acertada numa cota previamente estabelecida, quando ainda nos encontrávamos nos planos espirituais. É nesse sentido que compreendemos a afirmação exposta anteriormente por Joanna de Ângelis e as seguintes, enunciadas por Emmanuel e André Luiz, respectivamente nos livros Entrevistas e Ação e reação. "Não acreditamos que a coletividade humana esteja, por enquanto, habilitada espiritualmente a controlar o renascimento na Terra sem prejudicar seriamente o desenvolvimento da lei de provas purificadoras".(6) "(...)Já que nos detemos, em matéria de sexologia, na lei de causa e efeito, como interpretar a atitude dos casais que evitam os filhos, dos casais dignos e respeitáveis, sob todos os pontos de vista, que sistematizam o uso de anticoncepcionais? (...)(4) O orientador Silas, em face dessa questão, ponderou: "Se não descambam para a delinqüência do aborto, na maioria das vezes são trabalhadores desprevenidos que preferem poupar o suor, na fome de reconforto imediatista. Infelizmente para eles, porém, apenas adiam realizações sublimes, as quais deverão fatalmente voltar, porque há tarefas e lutas em família que representam o preço inevitável de nossa regeneração." Desfrutam a existência, procurando inutilmente enganar a si mesmos, no entanto, o tempo espera-os, inexorável, dando-lhes a conhecer que a redenção nos pede esforço máximo. Recusando acolhimento a novos filhinhos, quase sempre programados para eles antes da reencarnação, emaranham-se nas futilidades e preconceitos das experiências de subnível, para acordarem, depois do túmulo, sentindo frio no coração.(...)"(4) Quanto aos obstáculos naturais (ou cármicos) à reprodução humana, diz Emmanuel em "O ConsoIador " : No quadro de interpretações da Terra(...) podem indicar situações de prova para as almas que se encontram em experiências edificadoras: todavia, se considerarmos a questão no seu aspecto espiritual, somos obrigados a reconhecer que a esterilidade não existe para o Espírito que, na Terra, ou fora dela, pode ser fecundo em obras de beleza, de aperfeiçoamento e de redenção" (5)

27 - O aborto. OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1) Explicar porque o aberto não terapêutico e um ato criminoso. 2). Relacionar as conseqüências físicas e espirituais do aborto. IDÉIAS PRINCIPAIS "(...) Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impe de uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando." (01) (...) A mulher que o promove ou que venha a coonestar semelhante delito e constrangida, por leis irrevogáveis, a sofrer alterações deprimentes no centro genésico de sua alma, predispondo-se geralmente a dolorosas enfermidades, quais sejam a metrite, vaginismo, a metralgia, o enfarte uterino, a tumoração cancerosa, flagelos esses com os quais, muita vez, desencarna, demandando o Alem para responder, perante a

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Justiça Divina, pelo crime praticado. (...)" (09) No caso do nascimento da criança por em risco a vida da mãe "(...) preferível e se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe." (02) FONTES DE CONSULTA. OBRAS BÁSICAS 01. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Perg. 358. 02. Op. cit., perg. 359. COMPLEMENTARES 03. FRANCO, Divaldo Pereira. Aborto Delituoso. In:_ . Após a Tempestade. Ditado pelo Espirito Joanna de Ângelis. 2. ed. Salvador Livraria Espirita Alvorada, 1977. p. 67. 04. Op. cit., p. 68. 05. MARTINS PERALVA. Aborto Delituoso. In:_ . O Pensamento de Emmanuel. 2. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982 p. 124. 06. Op. cit., pp.125-126. 07. XAVIER, Francisco Cândido. Aborto. In:_ . Vida e sexo. Ditado pelo Espirito Emmanuel. 6. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. p. 76. ; 08. _ . Aborto Delituoso. In: _. Luz no Lar. Diversos autores espirituais. 3. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978 pp. 54-55. 09. _ . Anotações Oportunas. In: _ . Ação e Reação. Ditado pelo Espírito André Luiz. 8. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982 .pp. 210-211. O ABORTO. O aborto é "(.. ) doloroso crime. Arrancar uma criança ao materno seio e infanticídio confesso. (...)" (9) "(...) Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando". (1) Dentre muitos, podemos destacar três erros do procedimento dessas mães: Impedir que um Espirito reencarne e, conseqüentemente, que progrida. Segundo erro, esse filho talvez represente o instrumento que Deus tenha dado aos pais para ajuda-los na jornada evolutiva, através dos cuidados, das renuncias, das preocupações e trabalhos que teriam. Terceiro erro: transgressão do mandamento divino "não matarás". E, nesse caso, um assassinato em que a vitima se encontra em situação de desigualdade, sem a menor chance de se defender. (... ) Fica inteiramente entregue à mãe - assassina, infeliz mulher que se transforma em algoz e do pai que se converte, na cumplicidade irresponsável, em desvairado homicida. (...)" (5) (...) O aborto delituoso e a negação do amor. Esmagar uma vida que desponta, plena de esperança; impedir a alma de reingressar no mundo corpóreo, abençoado cenário de

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redentoras lutas; negar ao Espírito o ensejo de reajuste, representa, em qualquer lugar, situa são e tempo, inominável crime. Assassinato frio, passível, segundo as luzes da filosofia espirita, de prolongadas e dolorosas conseqüências para o psiquismo humano. (...)" (6) A Humanidade encontra-se, presentemente, atacada por uma serie de males. São homicídios, assaltos, assassinos, doenças, fome, catástrofes, ignorância, fazendo com que o mundo viva em constantes convulsões sociais. (...) Todavia, um crime existe mais doloroso, pela volúpia de crueldade com que e praticado, no silêncio do santuário domestico ou no regaço da Natureza... Crime estarrecedor, porque a vítima não tem voz para suplicar piedade e nem braços robustos com que se confie aos movimentos da reação Referimo-nos ao aborto delituoso, em que pais inconscientes de terminam a morte dos próprios filhos, asfixiando-lhes a existência, antes que possam sorrir para a benção da luz. (...)" (8) "(...) Não obstante, em alguns países, na atualidade, o aborto sem causa justa - e como causa justa devemos considerar o aborto terapêutico, mediante cuja interferência medica se objetiva a salvação da vida orgânica da gestante - se encontre legalizado, produzindo inesperada estatística de alto índice, perante. as leis naturais que regem a vida continua ser atentado criminoso contra um ser que se não pode defender, constituindo, por isso mesmo, dos mais nefandos atos de agressão ã criatura humana. (...)" (3) "(...) A vida e patrimônio divino que não pode ser levianamente malbaratado. Desde que os homens se permitem a comunhão carnal e justo que se submetam ao tributo da responsabilidade do ato livremente aceito. (...)" (4) "(...) De acordo com a Doutrina Espírita, " o aborto não encontra justificativa perante Deus, a não ser em casos especialíssimos, quando o médico honrado, sincero e consciente sentencia que "o nascimento da criança põe em perigo a vida da mãe dela". Somente ao medico - e a mais ninguém! - dá a Ciência autoridade para emitir esse parecer. (...)" (6). Nesse caso, estando em jogo a vida da mãe, "(.-.) preferível e se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe." (2) Devemos refletir em torno do aborto delituoso, "(...) para reconhecermos nele um dos grandes fornecedores das moléstias de etiologia obscura e das obsessões catalogáveis na patologia da mente, ocupando vastos departamentos de hospitais e prisões." (7) "(...) A mulher que o promove ou que venha a coonestar semelhante delito e constrangida, por leis irrevogáveis» a sofrer alterações deprimentes no centro genésico de sua alma, predispondo-se geralmente a dolorosas enfermidades, quais sejam a metrite (*), o vaginismo (*), a metralgia (*), o enfarte uterino, a tumoração cancerosa, flagelos esses com os quais, muita vez, desencarna, demandando o Alem para responder, perante a Justiça Divina, pelo crime praticado. . É, então, que se reconhece rediviva, mas doente e infeliz, porque, pela incessante recapitulação mental do ato abominável, através do

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remorso, reterá por tempo longo a degenerescência das forças genitais A mulher que corrompeu voluntariamente o seu centro genésico, receberá de futuro almas que viciaram a forma que lhes ê peculiar, e será mãe de criminosos e suicidas, no campo da reencarnação regenerando as energias sutis do perispírito, através do sacrifício nobilitante com que se devotará aos filhos torturados e infelizes de sua carne, aprendendo a orar, a servir com nobreza e a mentalizar a maternidade pura e sadia, que acabará reconquistando ao preço de sofrimento trabalho Justos (...)" (9) Glossário. METRITE - Inflamação do útero. METRALGIA Dor no útero. O mesmo que uteralgia. VAGINISMO - - Contração espasmódica do músculo constritor da vagina. ESPASMÓDICA -- Da natureza do espasmo. ESPASMO - Contração súbita e involuntária dos músculos. Convulsão.

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MÓDULO IV Aspecto filosófico
1ª Unidade Deus
01 - A existência de Deus.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Tecer considerações a respeito do axioma : (...) todo efeito inteligente tem que decorrer de uma causa inteligente. (...) " (3) Explicar a necessidade da idéia de Deus para o homem. IDÉIAS PRINCIPAIS. "Em toda parte se reconhece a presença do homem pelas suas obras. Pela grosseria ou perfeição do trabalho, reconhecer-se-á o grau de inteligência ou de adiantamento dos que o executaram. (...) " (04) "Pois bem! lançando o olhar cm torno do si, sobre as obras da Natureza, notando a providencia, a sabedoria, a harmonia que presidem a essas obras, reconhece o observador não haver nenhuma que não ultrapasse os limites da mais portentosa inteligência humana. Ora, desde que o homem não as pode produzir, é que elas são produto de uma inteligência superior à Humanidade, a menos se sustente que há efeitos sem causa " (05) "Deus é a inteligência suprema, causa primaria de todas as coisas." (07) O conhecimento da verdade sobre Deus, sobre o mundo e a vida é o que há de mais essencial, de mais necessário, porque é Ele que nos sustenta, nos inspira e nos dirige, mesmo a nossa revelia. (...)" (08) FONTES DE CONSULTA BÁSlCAS 01 - KARDEC, Allan, Deus. Existência de Deus. In: A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. Z4. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1 . tem 01l. 02 - Op. cit., item 02 03 - Op. cit., item 03 04 - Op. cit., item 04 05 - Op. cit., item 05 06 - Op. cit., item 06 07 - O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Perg. 01. COMPLEMENTARES 08. DENIS, Léon. Necessidade da Idéia de Deus. In: O Grande Enigma. 6. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980. p. 70. 09 . Notas complementares. Nº 01. In : O Grande Enigma. 6. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980. p. 238. A EXISTÊNCIA DE DEUS Qualquer doutrina tem seus princípios básicos, dos quais derivam outros, que são decorrências naturais ou lógicas dos primeiros. Um dos princípios básicos da Doutrina Espírita é o da existência de Deus, como o Criador necessário de tudo o que existe. Outro, evidentemente fundamental, é o da existência dos Espíritos, como criaturas suas; e outro ainda - o da natureza espiritual da alma humana, considerada como Espírito encarnado, que constitui a individualidade consciente, permanente e imperecível do homem. Tudo o mais que os Espíritos revelaram - a pluralidade dos mundos habitados, a encarnação e as reencarnações, com à

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conseqüente pluralidade das existências corporais, a lei de causa e efeito, o princípio da necessidade das provações, como meio de progresso, e das cruciantes, mas redentoras expiações; tudo isso, que revela suprema sabedoria, harmonizando bondade e indefectível justiça, é decorrência natural daqueles princípios básicos. à frente de todos, porém, fulge, luminoso, o princípio da existência do Eterno Criador. Já fizemos notar, no Roteiro 01 do Programa II, o fato altamente significativo de ter Kardec começado "O Livro dos espíritos" com um capítulo inteiramente consagrado a Deus, às provas da sua existência, e aos atributos da Divindade. Em "A Gênese", Allan Kardec - após explicar no Capitulo I, o Caráter da Revelação Espírita -, novamente trata, logo na Capítulo II, da existência de Deus, mostrando que ela constitui o mais fundamental princípio da Doutrina Espírita, conforme veremos a seguir. 1. - Sendo Deus a causa primária de todas as coisas, a origem de tudo o que existe, a base sobre que repousa o edifício da criação, é também o ponto que importa consideremos antes de tudo 2. - Constitui principio elementar que pelos seus efeitos é que se julga de uma causa, mesmo quando ela se conserve oculta. Se, fendendo os ares, um pássaro é atingido por mortífero grão de chumbo, deduz-se que hábil atirador o alvejou, ainda que este último não seja visto. Nem sempre, pois, se faz necessário vejamos uma coisa, para sabermos que ela existe. Em tudo, observando os efeitos é que se chega ao conhecimento das causas. 3. - Outro principio igualmente elementar e que, de tão verdadeiro, passou a axioma é o de que todo efeito inteligente tem que decorrer de uma causo inteligente. Se perguntassem qual o construtor de certo .mecanismo engenhoso, que pensaríamos de quem respondesse que ele se fez a ai mesmo? Quando se contempla. uma obra-prima da arte ou da indústria, dizse que há de te-la produzido um homem de gênio, porque só uma alta inteligência poderia concebê-la. Reconhece-se, no entanto, que ela é obra de um homem, por se verificar que não está acima da capacidade humana; mas, a ninguém acudirá a idéia de dizer que saiu do cérebro de um idiota ou de um ignorante, nem, ainda menos, que é trabalho de um animal, ou produto do acaso. 4. - Em toda parte se reconhece a presença do homem pelas suas obras. A existência dos homens antediluvianos não se provaria unicamente por meio dos fósseis humanos: provou-a também, e com muita certeza, a presença. nos terrenos daquela época, de objetos trabalhados pelos homens. Um fragmento de vaso, uma pedra talhada, uma arma, um tijolo bastarão para lhe atestar a presença. Pele grosseria ou perfeição do trabalho, reconhecer-se-á o grau de inteligência ou de adiantamento dos que o executaram. Se, pois, achando-vos numa região habitada exclusivamente por selvagens, descobrirdes uma estátua digna de Fídias, não hesitareis em dizer que, sendo incapazes de tê-la feito os selvagens, ela é obra de uma inteligência superior à destes, 5. - Pois bem! lançando o olhar em torno de si, sobre as obras da Natureza, notando a providência, a sabedoria, a harmonia que presidem a essas obras, reconhece o observador não haver nenhuma que não ultrapasse os limites da mais portentosa inteligência humana Ora, desde que o homem não as pode produzir, é que elas são produto de uma inteligência superior à Humanidade, a menos se sustente que há efeitos sem causa. Considera em seguida Kardec a opinião dos que opõem a esse raciocínio tão lógico o de que "(...) as obras ditas da Natureza são produzidas por forças materiais que atuam mecanicamente, em virtude das leis de atração e repulsão, (...)" (06) sob cujo império tudo ocorre, quer no reino inorgânico, quer nos reinos vegetal e animal, com uma regularidade mecânica que não acusa a ação 4e nenhuma inteligência livre. "(...) O homem dizem esses opositores movimenta o braço quando quer e como quer; aquele, porém, que o movimentasse no mesmo sentido, desde o nascimento até a morte, seria um autômato. Ora, as forças orgânicas da Natureza são puramente automáticas. Tudo isso e verdade - redargüiu Kardec mas, essas forças são efeitos que hão de ter uma causa (...). Elas são materiais e mecânicas ; não são de si mesmas inteligentes, também isso é verdade; mas são postas em ação, distribuídas, apropriadas às necessidades de cada coisa por uma inteligência que não é a dos homens. A aplicação útil dessas forças é um efeito inteligente, que denota uma'. causa inteligente (...) "Deus não se mostra, mas se revela pelas suas obras." (06) O Espiritismo, portanto, dá ao homem uma idéia de Deus que, com a sublimidade da Revelação, está conforme a mais perfeita e justa racionalidade. Convence-nos da Divina

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Existência sem necessitar recorrer a outras provas que não as que provêm da simples contemplação do Universo, onde Deus se revela através de obras admiráveis e de leis sábias, constituindo um conjunto grandioso de tanta harmonia e onde há perfeita adequação dos meios aos fins, que se torna impossível não ver por trás de tão portentoso mecanismo a ação de uma Suprema Inteligência. Por isso, a pergunta do Codificador: "Que é Deus?" (07) Os Espíritos responderam: "Deus e a inteligência suprema, causa primaria de todas as coisas." (07) Assim o compreendem, numa inata intuição de Sua existência e do seu poder todos os que não se deixaram empolgar totalmente pelo terrível entorpecer da inteligência e do sentimento humanos, que e o orgulho, e assim, reconhecem no harmonioso mecanismo que entretém os movimentos universais, a existência imprescindível de um primeiro motor transcendente. "A mecânica celeste não se explica por si mesma escreve Léon Denis , e a existência de um motor inicial se impõe. A nebulosa primitiva, mãe do Sol e dos planetas, era animada de um movimento giratório. Mas quem lhe imprimira esse movimento? Respondemos sem hesitar: Deus." (11) Assim como Léon Denis, já então iluminado pela radiosa luz do Espiritismo, o reconheceu, fê-lo também Albert Einstein, com todo o rigor do seu raciocínio lógico, puramente matemático. Por muito raciocinar em busca da verdade, Einstein adquiriu um alto grau de intuição que o levou do mesmo modo que a muitas outras coisas também ao reconhecimento da existência de Deus, como fonte necessária da energia que dá o primeiro impulso a tudo que se move no Universo. Muito antes de Einstein, também o não menos genial Issac Newton teve de reconhecer a existência necessária de uma causa transcendente e um primeiro motor para explicar o movimento dos planetas. Apesar de descobrir a grande lei da gravitação universal, que viria aparentemente resolver esse milenar problema, no fim de seu livro "Princípios matemáticos de filosofia natural" declara-se impotente para explicar aqueles movimentes somente pelas leis da Mecânica. "(...) Em um transporte de entusiasmo, sua grande Alma se exalça Àquele que, por si só, pôde, com sua poderosa mão, lançar os mundos sobre a tangente de sua órbita. Nunca a ciência humana e o gênio do homem se elevaram mais alto do que nessa página célebre, digno coroamento desse livro grandioso (...)" (Conforme o que escreveu na Revue du Bien o professor Bulliot, citado por Léon Denis em seu livro "O Grande Enigma ". ANEXO I MEÇA SEUS CONHECIMENTOS. Assinale apenas uma alternativa em cada questão. 01) A idéia da existência de Deus e: a) Inerente ao ser humano, independente do seu estado evolutivo ( ). b) Inerente, somente no homem civilizado c) Inerente, apenas nos religiosos de todos os tempos d) Inerente no homem, após o advento do Espiritismo 02) Se Deus é "a Inteligência Suprema, causa primaria de todas as coisas" ("O Livro dos Espíritos", pergunta n º 1), isso significa que: a) Tudo o que existe no Universo origina-se em Deus b) Deus preexiste à criação de todas as coisas ( ). c) Deus é Criador e Pai de tudo que existe d) Todas as respostas estão corretas 03) A idéia de Deus como Pai foi-nos transmitida; a) Por Moisés b) Por Jesus c) Pelos Apóstolos 04) A crença na existência de Deus é: a) O único principio do Espiritismo ( ). b) Um dos princípios do Espiritismo de estudo secundária ( ). c) Um dos princípios básicos da Doutrina Espírita ( ). d) Todas as alternativas estão erradas 05) A evolução da idéia de Deus ao longo da história humana revela que: a) Está em função do livre-arbítrio humano b) É relativa ao grau de evolução dos povos e dos seus legisladores

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c) Ela acompanhou o progresso da ciência d) As diversas seitas e/ou cultos religiosos melhor compreendem Deus ( ). 06) Para a Doutrina Espírita, Deus ë : a) Uma abstração metafísica b) Ideal distante e inatingível c) Antropomórfico ( ). d) Uma realidade ativa, viva, sensível e consciente 07) Com relação aos Seus atributos, Deus é: a) Eterno, imaterial e soberanamente bom b) Eterno mutável, imaterial o soberanamente bom ( ). c) Eterno imutável, imaterial, único e soberanamente bom ( ). d) Eterno, imutável, imaterial, único, onipotente e soberanamente justo e bom ( ). 08) "A vontade de Deus é soberana e prevalecem sempre os seus desígnios sábios e justos ". Esta frase revela o seguinte atributo divino: a) Imaterialidade b) Imutabilidade c) Onipotência d) Unicidade 09) Providência divina é: a) A solicitude de Deus para com as criaturas humanas b) A solicitude de Deus para com as suas criaturas c) A solicitude de Deus para com todas as criaturas imperfeitas d) A solicitude de Deus para com todas as criaturas que se submetem à sua vontade 10) A existência do micro e do macrocosmo, com suas leis perfeitas prova-nos: a) Que há uma força soberana que a tudo comanda. b) Que por maior que seja o conhecimento humano, não é possível o homem criar. c) A existência de Deus. d) Todas as respostas estão corretas. Se você acertou 09 a 10 questões EXCELENTE 07 a 08 MUITO BOM 05 a 06 RELEIA A UNIDADE 01 a 04 RELEIA A UNIDADE E ESTUDE AS OBRAS BÁSICAS CHAVE DE CORREÇÃO: 01. (a) ; 02. (d) ; 03. (b) ; 04. (c) ; 05. (b) ; 06. (d) ; 07. (d) ; 08. (c) ; 09. (b) ; 10. (d) ANEXO 02 QUESTÕES PARA DISCUSSÃO CIRCULAR 01) Fazer considerações a respeito do axioma: Todo efeito inteligente tem que decorrer de uma causa inteligente." (02) 02) Citar alguns meios que identifiquem o grau de inteligência ou adiantamento espiritual de alguém. 03) Justifique a afirmativa: "{...) O Conhecimento sobre Deus, sobre o mundo e a vida é o que há de mais essencial porque é Ele que nos sustente, nos inspira e nos dirige, mesmo à nossa revelia.(...)" 01 04) Por quê nem sempre se faz necessário ver uma coisa para saber que ela existe? Exemplifique. 05) Explique porque a idéia de Deus está conforme à mais perfeita e justa racionalidade. 06) Analise porque a idéia de Deus como Pai, revelada por Jesus, pode fazer as pessoas mais felizes. 07) Que importância tem o conhecimento da existência de Deus, como Pai e Criador Supremo, para a evolução espiritual dos homens? BIBLIOGRAFIA 01. DENIS, Léon. Necessidade da idéia de Deus. In: O Grande Enigma 6. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980. p. 70 02. KARDEC, Allan. Deus. In: . A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. item 3, p. 53.

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02 - O infinito e o espaço universal.
OBJETIVOS BÁSICOS Conceituar: Infinito, Tempo e Espaço. Estabelecer a diferença entre Tempo e Espaço. Dizer porque não se deve confundir Deus com o Infinito. IDÉIAS PRINCIPAIS Infinito é "o que não tem começo nem fim: o desconhecido(...)."(01) "(...) O tempo é apenas uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias; a eternidade não é suscetível de medida alguma, do ponto de vista da duração; para ela, não há começo, nem fim: tudo lhe é presente. (...)" (06a) "(...) O tempo é criado pela medida dos movimentos celestes. Se a Terra não girasse, nem astro algum; se não houvesse sucessão de períodos, não existiria o tempo. Foi a Astronomia que criou o tempo.(...)" (07) "(...) O espaço é a extensão que separa dois corpos (...)." (05) "(...) Ora, digo que o espaço é infinito, pela razão de ser impossível imaginar-se-lhe um limite qualquer. (...)" (06) Dizer que Deus é o infinito é tomar o atributo de uma coisa pela coisa mesma (...)." (02) FONTES DE CONSULTA 01 - KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeira. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, Questão 02, p. 51. 02 - Op. cit., questão 03, p. 52. 03 - Op. cit., questão 13, p. 55. 04 - Op. cit., questão 35, p. 63. 05 - Uranografia Geral. In: . A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1 8 . Item 01, p. 103. 06 - Op. cit., p. 104. 06 - (a) Op. cit., p. 107. COMPLEMENTARES 07 - FLAMARION, Camille. O Universo Ulterior. In: . Sonhos Estelares. Trad. de Arnaldo S. Thiago. Rio de Janeiro, FEB, 1. p. 97. 08 - MIRANDA, Hermínio C. As Estruturas, Tempo e Espaço. In: . A Memória e o Tempo. São Paulo, EDICEL, 1981. o. 28. O INFINlTO E O ESPAÇO UNIVERSAL No roteiro n º l falamos de Deus,, como causa necessária do Universo. Mas o que é Universo? - É o conjunto de tudo o que existe e não é obra do homem. O universo é a obra de Deus, de que faz par te o próprio homem, ser pensante e racional, mas que é apenas uma criatura, um filho de Deus. Nesse Universo há de considerar-se desde logo o espaço que ë a extensão onde tudo existe, e ligado a esse espaço deve considerar-se também o tempo. Espaço e Tempo, porém,’ em termos universais, e., em relação a Deus, têm as dimensões do infinito e da eternidade. É isso que nos ensina a Doutrina Espírita, exposta em "O Livro dos Espíritos". Ali, à pergunta de Allan Kardec, de n º 35 - O espaço universal é infinito ou limitado ? os Espíritos responderam: "Infinito. Supõem-no limitado: que haverá para lá de seus limites? Isto te confunde a razão, bem o sei; no entanto, a razão te diz que não pode ser de outro modo. O mesmo se dá com o infinito em todas as coisas. Não é na pequenina esfera em que vos achais que podereis compreendê-lo." (04) O espaço ë, pois, infinito. Que se deve, entretanto, entender por infinito? Disseram-no também os Espíritos, na resposta à pergunta n º 2 de "O Livro dos Espíritos ": "O que não tem começo nem fim: o desconhecido; tudo que é desconhecido é infinito." (01) E à pergunta seguinte: Poder-se-ia dizer que Deus é infinito ?" os Espíritos responderam: "Definição incompleta. Pobreza da linguagem humana, insuficiente para definir o que está acima da linguagem dos homens. Deus é infinito em suas perfeições - acrescenta Kardec em comentário próprio - mas o infinito é uma abstração. Dizer que. Deus é o infinito é tomar o atributo de uma coisa pela coisa mesma, é definir uma coisa que não está conhecida por uma outra que não o está mais do que a

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primeira." (02) Começando a enumerar os atributos divinos, .;explana magistralmente Kardec: "(...) Deus é eterno. Se tivesse tido princípio, teria saído do nada, ou, então, também teria sido criado, por um ser anterior. É assim que, de degrau em degrau, remontamos ao infinito e à eternidade. (...)" (03) Como se vê, apesar da lógica de Kardec, o assunto parece extremamente complexo e o problema aparentemente insolúvel. Entretanto tudo pode-se tornar extremamente simples e a solução limpidamente clara, se se coloca o homem na condição de criatura imperfeita ainda, mas perfectível, simples e ignorante em seu começo: pequena, podendo porém engrandecerse - e por desígnio divino - através de degraus sucessivos, cada vez mais altos, que o vão tirando da ignorância, aumentando-lhe pouco a pouco o horizonte, dilatando-lhe a visão das coisas e dando-lhe, enfim, maior intuição. É a grande lei do progresso. Conforma-te, pois, oh! homem, com o teu degrau atual - sente-se vontade de clamar -, e esforça-te por subir os sucessivos degraus da escala! Sê humilde diante da grandeza do Criador e confia na sua divina providência, que te criou para atingires um dia os píncaros do saber e excelsas virtudes. No capítulo VI de "A Gênese", de Allan Kardec, pag. 103 a 105 da 26. edição da FEB, há uma mensagem do elevado Espírito Galileu, recebida na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, através da mediunidade de C. F. (a editora informa que essas são as iniciais de Camille Flammarion) que satisfaz a razão no que toca às noções que estamos procurando adquirir neste roteiro, è cujo texto vamos a seguir transcrever integralmente: 1. - Já muitas definições de espaço foram dadas, sendo a principal esta : O espaço é a extensão que separa dois corpos, na qual certos sofistas deduziram que onde não haja corpos não haverá espaço. Nisto foi que se basearam alguns doutores em teologia para estabelecer que o espaço é necessariamente finito, alegando que certo número de corpos finitos não poderiam formar uma série infinita e que, onde acabassem os corpos, igualmente o espaço acabaria. Também definiram o espaço como sendo o lugar onde se movem os mundos, o vazio onde a matéria atua, etc. Deixemos todas essas definições, que nada definem, nos tratados onde repousam. Espaço é; uma dessas palavras que exprimem uma idéia primitiva c axiomática, de si mesma evidente, e a cujo respeito as diversas definições que se possam dar nada mais fazem do que obscurece-la. Todos sabemos o que é o espaço e eu apenas quero firmar que ele é infinito, a fim de que os nossos estudos ulteriores não encontrem uma barreira opondo-se às investigações do nosso olhar. (1) Este capitulo 6 textualmente extraído de uma série de comunicações ditadas à Sociedade Espirita de Paris, em 1862 e 1863, sob o titulo - Estudos uranográficos e assinadas GALILEU. Médium: C. F. Nota do Tradutor: Estas são as iniciais do nome de Camilo Flammarion. Ora, digo que o espaço e infinito, pela razão de ser impossível imaginar-se-lhe um limite qualquer. e porque, apesar da dificuldade com que topamos para conceber o infinito, mais fácil nos é avançar eternamente pelo espaço, em pensamento, do que parar num ponto qualquer, depois do qual não mais encontrássemos extensão a percorrer. Para figurarmos, quanto no-lo permitam as nossas limitadas faculdades, a infinidade do espaço, suponhamos que, partindo da Terra, perdida no meio do infinito, para um ponto qualquer do Universo, com a velocidade prodigiosa da centelha elétrica, que percorre milhares de léguas por segundo, e que, havendo percorrido milhões de léguas mal tenhamos deixado este globo, nos achamos num lugar donde apenas o divisamos sob o aspecto de pálida estrela. Passado um instante, seguindo sempre a mesma direção, chegamos a essas estrelas longínquas que mal percebeis da vossa estação terrestre. Dei, não só a Terra aos desaparece inteiramente do olhar nas profundezas do céu, como também o próprio Sol, com todo o seu esplendor, se há eclipsado pela extensão que dele nos separa. Animados sempre da mesma velocidade do relâmpago, a cada passo que avançamos na extensão, transpomos sistemas de mundos, ilhas de luz etérea, estradas estelíferas, paragens suntuosas onde Deus semeou mundos na mesma profusão com que semeou as plantas nas pradarias terrenas. Ora, há apenas poucos minutos que caminhamos e já centenas do milhões de milhões de léguas nos separam da, Terra, bilhões do mundos nos passaram sob as vistas e, entretanto, escutai! cm realidade, não avançamos um só passo que seja no Universo. Se continuarmos durante anos, séculos, milhares de séculos, milhões de períodos cem vezes seculares e sempre com a mesma velocidade do relâmpago, nern um passo igualmente

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teremos avançado, qualquer que seja o lado para onde nos dirijamos e qualquer que seja o ponto para onde nos encaminhemos, a partir desse grãozinho invisível donde saímos e a que chamamos Terra. Eis ai o que é o espaço! Estudemos, agora, o tempo. Segundo Allan Kardec, "(...) O tempo é a sucessão das coisas. Está ligado à eternidade, do mesmo modo que as coisas estão ligadas ao infinito (...). O tempo é apenas uma medida relativa de sucessão das coisas transitórias; a eternidade não é suscetível de medida alguma, do ponto de vista da duração; para ela, não há começo, nem fim: tudo lhe é presente. (...) {08) "(...) O espaço existe por si mesmo, passando-se o contrário com relação ao tempo. É impossível supor a supressão do espaço. (...)Já não é as sim como relação ao tempo. O tempo é criado pela medida dos movimentos celestes. Se a Terra não girasse, nem astro algum; se não houvesse sucessão de períodos, não existiria o tempo. Foi a Astronomia que criou o tempo. Suprimi-o universo, o espaço continuará a existir, mas o tempo cessará, desvanecer-se-á, desaparecerá (...)." (07) Einstein descartou-se do conceito de tempo absoluto - um fluxo universal inexorável de tempo, firme, invariável, correndo de um passado infinito para um futuro infinito. Muito da obscuridade que envolve a Teoria da Relatividade (...) procede da relutância do homem em reconhecer que o senso do tempo, como o sendo de cor, é uma forma de percepção. Assim como não há tal coisa como cor sem olhos para observá-la, da mesma forma, um instante, uma hora ou um dia nada são sem um evento que os assinale. E como espaço é simplesmente uma ordem possível de objetos materiais, o tempo é simplesmente uma ordem possível de eventos. O tempo seria, então, um conceito meramente subjetivo, ou seja, estaria exclusivamente na dependência de um observador para apreciá-lo em determinado ponto e, portanto, inescapavelmente subordinado à relatividade de sua posição quanto a tudo o mais no universo que o cerca. (...)" (08)

03 - Materialismo e panteísmo.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Conceituar: materialismo e Panteísmo Traçar um esboço histórico das idéias materialistas estabelecer a relação existente entre panteísmo e materialismo IDÉIAS PRINCIPAIS Materialismo é a "doutrina segundo a qual toda a realidade das coisas se reduz à matéria e a suas modificações." (11) Panteísmo "Sistema que nega que Deus e o universo sejam realmente distintos. (...)" (12) O materialismo foi criado pelo fundador da filosofia grega , Tales de Mileto, tendo, ainda, na Antigüidade, as personalidades de Anaximandro, Anaxímenes, Leucipo, Demócrito de Adera, Epicuro, entre outros, como adeptos e seguidores. A escola Aristotélica destaca-se na Idade Média - a qual tenta conciliar O materialismo com a teologia juntamente com as idéias de Galileu Galilei. Nos tempos modernos, pessoas como Francis Bacon, John Locke, Descartes, La Mettrie, Helvetius, Karl Marx, e outros, se sobressaem dos de mais. (2,.3, 4, 5 e 6) O Panteísmo não está muito distante do materialismo porque, embora vendo em Deus um Ser supremo, não ë , no entanto, um ser distinto, mas a reunião de todas as forças existentes. FONTES DE CONSULTA PROGRAMA BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, perg. 16. p. 56. COMPLEMENTARES 02 - ENCICLOPÉDIA Mirador Internacional. São Paulo, Enciclopédia Britânica do Brasil, 1977, Materialismo, item 3, v. 14, p.7329. 03 - Op. cit., item 4, p. 7329. 04 - Op. cit., item 5 , p 7329 05 - Op. cit., item 6 , p 7329

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06 - Op. cit., item 9 , p 7329 07 - Op. cit., item 15.1 p. 7330 08 - FLAMMARION, Camille M Deus. In. Deus na Natureza. Trad. de M. Quintão. 4. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979, p. 402 - 404 09 - Op. cit., p. 406 - 407 10 - JOLIVET, Régis . Vocabulário de Filosofia . Trad. de .Geraldo Dantas Barreto. Rio De Janeiro, Agir, 1975. P. 139. 11 - Op. cit., p. 140 12 - Op. cit., p. 165 MATERIALISMO E PANTEÍSMO Apesar de todas as razões que levam convictamente à crença de que Deus existe, como causa transcendente necessária do Universo, com os atributos de suprema inteligência, onipotência, bondade e justiça perfeitas, e infinito em todas as suas perfeições, há homens, e sempre os houve, que negam a Divina existência. O seu ateísmo disfarçado ou sincero, mas que e sempre conseqüência da arrogância, da presunção e do orgulho, leva-os a negar a existência de todo Espírito no Universo, tanto o Espírito Divino como o que em si mesmo existe e é a sede da própria inteligência e da consciência de cada um; isto é, negam a existência da alma humana como individualidade independente da matéria corporal e a ela sobrevivente, considerando-a a penas como resultante da organização cerebral altamente evoluída do "Homo Sapiens". São ateus e materialistas, profitentes do mais radical materialismo. Materialismo e a doutrina filosófica segundo a qual não existe essencialmente no Universo coisa alguma além da matéria, quer como causa, quer como efeito. Implica um sistema dos mundos em que o fundamento único é a matéria, incriada e eterna, isto é, existente por si mesma, necessária e suficientemente, sem interferência alguma de Deus. Os que a professam são filósofos, quer dizer, refletem sobre os conhecimentos adquiridos pelas experiências objetivas, as realidades visíveis e palpáveis, suscetíveis de ser atingidas pela observação direta e a experimentação, sobre os movimentos universais que animam todas as coisas ; já chegaram ate as realidades invisíveis e impalpáveis como os átomos, as radiações energéticas, as vibrações e as ondas que se propagam através do Cosmos, mas nada concebem para tudo isso senão um substrato material submetido a leis cegas, não emanadas de uma inteligência diretora e criadora. É muito antiga essa concepção, vem desde os primeiros filósofos gregos e prossegue em toda a antigüidade greco-romana. Traçaremos, a seguir, um esboço das idéias materialistas ao longo da história humana, de maneira que possamos entender o significado delas. O materialismo, como doutrina, ensino ou escola nasce, pratica mente, com Tales de Mileto, na Antiga Grécia, por. volta do século VI a.C. "O materialismo dos filósofos jônicos inclui algumas teses que se tornarão características de todo o materialismo posterior : 1) a filosofia deve explicar os fenômenos não por meio de mitos religiosos, mas pela Observação da própria realidade; 2) a matéria, incriada e indestrutível, é a substância de que todas as coisas se compõem e à qual todas se reduzem; 3) a geração e a corrupção das coisas obedecem a uma necessidade não sobrenatural, mas. natural, não ao destino, , mas às leis físicas; 4) a matéria não é estática, mas se acha em constante movimento, em permanente metamorfose; 5) a experiência sensível é a origem do conhecimento 6) a alma faz parte da natureza e obedece às mesmas leis que regem o seu movimento." (02) "Para Tales, a substância primordial é a água, para Anaxímenes o ar, e para Anaximandro a matéria indeterminada. Todos os fenômenos da natureza consistem em transformações do mesmo princípio material, independentemente de qualquer interferência divina (...). O pensamento consiste em dizer a verdade após ter penetrado a natureza e suas leis, e a sabedoria consiste em viver de acordo com essas leis.(...) (03) "Para Anaxágoras, a natureza se constitui de homeomerias, unidades que contêm os elementos de todas as coisas em proporções infinitesimais (...) Demócrito, (...) sustenta que o princípio de todas as coisas são os átomos. Tudo o que existe ë material, e a mateira que constitui os átomos é qualitativamente idêntica, determinando os diferentes fenômenos da natureza em função da diversidade quantitativa dos átomos (forma, dimensão e ordem). As transformações que se observam na natureza consistem em associações e dissociações de átomos." (04)

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"A alma humana, feita também de átomos, está sujeita à decomposição e a morte. (...) A natureza se explica por si mesma, e os acontecimentos que hoje se produzem, dizia Demócrito, não têm causa primeira, pois preexistem de toda a eternidade no tempo infinito, contendo, sem exceção, tudo o que foi, é e será. (...)" (05) Em tese, foram estas as idéias materialistas reinantes até o século XIII, havendo em contraposição as escolas espiritualistas - sobretudo a platônica e a neoplatônica - e aquelas que tentavam conciliar o materialismo com a teologia, como a escola aristotélica. No longo período que constituiu a Idade Média, o materialismo foi sofrendo algumas alterações, porém sempre rejeitando a idéia de um Criador supremo para todas as coisas. Segundo Francis Bacon (15611626), "(...) As ciências físicas e naturais constituem, a seus 'olhos, a verdadeira ciência. Por sua vez Hobbes (15881679) cria um sistema materialista perfeita mente coerente. Concebendo o mundo a maneira de Descartes, a geometria como paradigma do pensamento lógico e a mecânica de Galilei como ideal da ciência da natureza, considera o mundo um conjunto de corpos materiais, definidos geometricamente, por sua forma e sua extensão. O homem é um corpo, como os demais, a alma não existe e os organismos não passam de engrenagem do mecanismo universal." (06) Vivendo no período de 16321704, John Locke nega as idéias inatas e afirma que todas as idéias humanas têm origem na experiência. No século XVIII, Julien Offroy de la Mettrie (17091751), filósofo sensualista, afirma que o prazer e o amor-próprio são os únicos critérios da vida moral e, também, que os fenômenos psíquicos resultam de alterações orgânicas no cérebro e no sistema nervoso. Outro filosofo da época, considerado o precursor ideológico da Revolução Francesa, materialista e ateísta intransigente, defende a tese de que todas as idéias são sensações provocadas pelos objetos materiais e a personalidade ë produto do meio e da educação. Esse filósofo chamava-se Cloude Adrien Helvétius (17151771). Encerrando o século XVIII, Paul Henri Dietrich (17231789), francês de origem alemã, considerava o Cristianismo como contrário à razão e à natureza. Nega as idéias inatas, a existência da alma e de Deus. Vê no comportamento religioso um despotismo político. (07) No século XlX, surge com Karl Marx (18181883) e Friedrich Engels (1820189S) o chamado materialismo histórico e dialético. Marxismo é, pois, a doutrina "(...) segundo a qual as organizações políticas e jurídicas, os costumes e a religião são estritamente determinados pelas condições econômicas, pelo estado da indústria e do comércio, da produção e das vendas." (10) Só crêem na matéria! Mas não podem deixar os materialistas de ver a ordem existente no Universo, entretanto, admitem uma ordem inteligente existindo sem uma causa inteligente, que a preceda, conceba e a ela presida. Vejamos o que nos fala Camille Flammarion, em sua obra "Deus na Natureza": "(...) De resto, a que se reduz a negação materialista? Buscando o âmago. das coisas, percebemos logo que essas negações não podem ser tão absolutamente negativas quanto o pretendem. O insensato não o será jamais impunemente e não é tão fácil, quanto possa parecer, uma convicção profunda no ateísmo. Na maioria dos casos, o que ocorre é o deslocamento da questão e nada mais. Em vez de chamar Deus à direção das forças que regem o mundo, os convencidos de ateísmo deixam de o nomear, e, em vez de atribuir a um ser inteligente a inteligência dessas forças, outorgam-na à própria matéria. Removem, assim, mas não resolvem o problema, pois os fatos continuam irrevogáveis. Negam a Deus, mas não podem negar a força. Apenas, em lugar de proclamarem a soberania dessa força, consideramna escrava da matéria inerte. (...) Todas as propriedades instintivas ou intelectivas que os nossos adversários não podem deixar de atribuir à matéria para explicar a ação desta, sua tendência progressiva, seu método seletivo; desde a formação do vegetal humilde à formação de um cérebro humano, são atributos que eles extraem do Ignoto que nos denominamos Deus, e que eles homenageiam chamando-lhe matéria; (...) Parece-nos absurdo integral a crença de que o Espirito pudesse surgir no cérebro humano e manifestar-se nas leis do Universo, se não existisse de toda a eternidade. (...)'~ (08) Não e só o materialismo que nega Deus e a existência do Espirito humano. Ha ainda a panteísmo.. Para os que professam essa doutrina - entre os quais .avulta a mentalidade vigorosa de Spinozza Deus, sendo embora o Ser Supremo, não é, entretanto, um ser distinto, pois consideram-no resultante da reunião de todas as forcas, todas as inteligências do Universo. Sente-se desde logo a inconsistência de uma tal doutrina que, se verdadeira, derrogaria os mais necessários dos atributos de Deus: ser eterno, infinito, imaterial, único, onipresente, soberanamente justo e

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bom. "(...) Esta doutrina - comenta Allan Kardec - faz de Deus um ser material que, embora dotado de suprema inteligência, seria em ponto grande o que somos em ponto pequeno. Ora, transformando-se a matéria jncessantemente, Deus, se fosse assim, nenhuma estabilidade teria; achar-se-ia sujeito a todas as vicissitudes, mesmo a todas as necessidades da Humanidade ; faltar-lhe-ia um dos atributos essenciais da Divindade: a imutabilidade. Não se podem aliar as propriedades da matéria à idéia de Deus, sem que ele fique rebaixado ante a nossa compreensão e não haverá sutilezas de sofismas que cheguem a resolver o problema da sua natureza íntima. Não sabemos tudo o que ele é, mas sabemos o que ele não pode deixar de ser e o sistema de que tratamos está em contradição com as suas mais essenciais propriedades. Ele confunde o Criador com a criatura, exatamente como o faria quem pretendesse que engenhosa máquina fosse parte integrante do mecânico que a imaginou. A inteligência de Deus se revela em suas obras como a de um pintor no seu quadro; mas, as obras de Deus não são o próprio Deus, como o quadro não é o pintor que o concebeu e executou. (...)" (01) Materialismo e panteísmo se confundem, pois, na mesma negação de Deus como o Ser distinto, que é a Inteligência Suprema e a Causa Primária do Universo. "(...) Mas, - escreve Camille Flammarion, na obra citada -, ainda bem que o ateísmo absoluto só pode ser uma loucura nominal e o Espírito mais negativista não pode, realmente, atribuir à matéria senão o que pertence ao Espírito, criando, assim, um deus matéria, à sua imagem e semelhança. Assim, temos visto que, desde o panteísmo místico ao mais rigoroso ateísmo, os erros humanos a respeito da personalidade divina não puderam, senão, velar, ou desnaturar a revelação do Universo, sem aniquilá-la. Nosso Deus da Natureza permanece inatacável, no seio mesmo da Natureza, força, intrínseca e universal, governando cada átomo, formando organismos e mundos, princípio e fim das criações que passam, luz incriada a brilhar no mundo invisível e para a qual, oscilantes, se dirigem as almas, como a agulha imantada, que não mais repousa enquanto não se encontra identificada com o plano do polo magnético." (09)

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2ª Unidade Criação Divina
04 - Elementos gerais do Universo: espírito e matéria.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Estabelecer a diferença entre espírito, matéria e fluido universal Citar as principais propriedades da matéria e os elementos que a constituem. IDÉIAS PRINCIPAIS Há dois elementos gerais no Universo: a matéria e o espírito"(...) e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, Espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o Espírito possa exercer ação sobre ela. Embora, de certo ponto de vista, seja lícito classifica-lo com o elemento material, ele se distingue deste por propriedades especiais. (...) Está colocado entre o Espírito e a matéria; é fluido, como a matéria é mateira, e suscetível, pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob ação do Espirito, de produzir a infinita variedade das coisas. (...)"(06) Para a ciência oficial as principais propriedades da matéria são: possuir massa, ter extensão, impenetrabilidade, inércia e divisibilidade. Os principais elementos constitutivos da matéria são as moléculas e os átomos, os quais se subdividem em partículas cada vez menores e que são objeto das mais recentes pesquisas na ciência oficial. FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro, 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, .1983, Questão 17, p. 57. 02 - Op. cit., questão 18. pag. 57. 03 - Op. cit., questão 19, pag. 57. 04 - Op. cit., questão 20, pag. 58 05 - Op. cit., questão 22, pag. 58 06 - Op. cit., questão 27, pag. 5960. 07 - Op. cit., questão 30, pag. 61 08 - Op. cit., questão 31, pag. 61 09 - Op. cit., questão 33, pag. 62 63 10 - Op. cit., questão 34, pag. 63. 11 - O Livro dos Médiuns Trad. de Guillon Ribeiro, 45 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982, item 74, pag. 8586 COMPLEMENTARES 12. DUARTE, José Coimbra. Ciências Físicas e Biológicas. 26. ed. Rio de Janeiro, Nacional, 1975. pag. 17. 13. Op. cit., pag. 18. 14. Op. cit., pag. 19. Dotado por Deus com o atributo superior da inteligência, tem buscado o homem conhecer o mundo em que vive e o Universo de que é ínfima parte. Limitado, porem, é ainda o alcance de sua inteligência, e o principio das coisas lhe e vedado. Em encarnações sucessivas, entretanto, com a própria aplicação na busca incessante de novos conhecimentos, ele a vai desenvolvendo e adquirindo também dignificantes virtudes morais, que lhe granjeiam merecimento a outorgas divinas cada vez mais altas. Assim progride o Espirito penetrando, pouco a pouco, os segredos do Universo e aproximando-se dos mistérios das origens. ’Essa a perspectiva de esperança que nos traz a consoladora Doutrina dos Espíritos: Não é dado ao homem conhecer o princípio das coisas, ainda, porque "(...) Deus não permite

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que ao homem tudo seja revelado neste mundo," (01) porém, é certo que "o véu se levanta a seus olhos, à medida que ele se depura; mas para compreender certas coisas, são-lhe precisas faculdades que ainda não possui." (02) Mesmo através dos grandes progressos da ciência, o homem ainda estará limitado. "A ciência lhe foi dada para o seu adiantamento em todas as coisas; ele, porém, não pode ultrapassar os limites que Deus estabeleceu. (...)" (03) Além da Ciência, que é a fonte dos conhecimentos que ele deve adquirir com o próprio esforço de pesquisa, aplicando a inteligência, a lógica dos raciocínios e os métodos experimentais, tem o homem na Revelação outra fonte para acrescer os seus conhecimentos. Deus permite que essa revelação lhe seja feita por intermédio de Espíritos Superiores, no domínio exclusivo da Ciência Pura, isto e, sem quaisquer objetivos utilitaristas, aplicações práticas ou tecnológicas. "Dado é ao homem receber, sem ser por meio das investigações da Ciência, comunicações de ordem mais elevada acerca do que lhe escapa ao testemunho dos sentidos? - Sim, se o julgar conveniente, Deus pode revelar o que à Ciência não é dado apreender." (04) Que pode, pois, valendo-se dessas duas fontes de informação, já o homem saber sobre a constituição do Universo? A Ciência limitou se a considerar como únicas realidades existentes a matéria e a energia. Aprofundando-se, entretanto, no seu conhecimento chegou à conclusão de que estão de tal modo e tão estreitamente relacionadas que representam, em verdade, duas expressões de uma só e mesma realidade, não sendo a matéria mais do que energia condensada ou concentrada, limitada em sua força e dinamismo próprios, verdadeiramente escraviza da, encerrada em âmbitos restritos para formar as massas densas dos corpos materiais. Inversamente, em determinadas condições e a matéria atingida em sua massa, sofre desconcentrarão, descondensa-se, desintegra-se, libertando energia em radiações diversas de natureza corpuscular. Ha sempre lado a lado, no Universo, matéria densa e energia livre em interações recíprocas, que condicionam os dois processos inversos de condensação e de libertação de energia. Enorme já é o acervo de conhecimentos, que, sobre esse aspecto do Universo, a Ciência e a tecnologia permitiram ao homem acumular, mas que escapa, evidentemente, aos objetivos deste Resumo. Entretanto - e é isto o que nos cabe assinalar aqui -, não considerou a Ciência, na constituição do Universo, senão o elemento material, quer em seu estado denso, quer em suas manifestações energéticas. Não procedeu assim a Revelação. Esta ensina que ha fundamentalmente dois elementos gerais no Universo: o elemento material - bruto e o elemento espiritual - inteligente. Mas com uma particularidade importantíssima, referente ao elemento material: este não abrange somente as formas densas, visíveis e tangíveis, dotadas de massa e ponderabilidade, extensão e impenetrabilidade, mas também estados sutis, não acessíveis aos sentidos, em que desaparecem a massa tangível e a ponderabilidade e surge a característica penetrabilidade, em relação à massa densa. Vejamos o que responderam os Espíritos às indagações de Kardec: "Define-se geralmente a matéria como sendo - o que tem extensão, o que e capaz de nos impressionar os sentidos, o que e impenetrável. São exatas essas definições? Do vosso ponto de vista, elas o são, porque não falais senão do que conheceis. Mas a matéria existe em estados que ignorais. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil que nenhuma impressão vos cause aos sentidos. Contudo, é sempre matéria. Para vós, porém, ,não o seria. "Que definição podeis dar da matéria? - A matéria é o laço que prende o Espírito; e o instrumento de que este se serve e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce sua ação. (...) (05) "Há então dois elementos gerais do Universo: a matéria e o Espírito? - Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o Espírito possa exercer ação sobre ela. Embora, de certo ponto de vista, seja lícito classificá-lo como elemento material, ele se distingue deste por propriedades especiais. Se o fluido universal fosse positivamente matéria, não haveria razão para que também o Espírito não o fosse. Está colocado entre o Espírito e a matéria; é fluido, como a matéria é matéria, e suscetível, pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a ação do Espírito, de produzir a infinita variedade das coisas de que apenas conheceis uma par te mínima. Esse fluido universal ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá. (...)" (06) Estas passagens de "O livro dos Espíritos", especialmente a ultima, de nº 27, são bastante

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elucidativas, quando não se tem o espírito escravizado aos preconceitos científicos materialistas. Tudo no Universo procede de Deus - suprema potência criadora. Deus criou o .fluido universal ou matéria cósmica, que enche o espaço infinito e é, verdadeiramente, o elemento primitivo, a partir do qual se forma tudo o que no Universo é material: os mundos e todos os seres. Estes são a concretização das idéias divinas, por força da Sua onipotente vontade. Deus criou também o espírito, elemento inteligente, o qual e submetido a longa elaboração através dos diversos reinos da Natureza. No contato com minerais, vegetais e animais, o princípio inteligente recebe impressões que, pela repetição, vão-se fixando, dando origem a automatismos, reflexos, instintos, hábitos, memória, e acabam por integrar-se em individualidades conscientes, dotadas de razão e vontade, livre-arbítrio e responsabilidade, destinadas a progredir até que adquiram pureza e perfeição que as aproximam da Inteligência Suprema. Então, Espíritos puros e perfeitos, que adquiriram com a perfeição um profundo conhecimento das leis universais, possuindo também os mais elevados sentimentos e excelsas virtudes, detentoras de sentidos e poderes espirituais superiores, as idéias divinas tornam-selhes perceptíveis, são-lhes transmitidas e, executores que podem ser da Suprema Vontade, concretizam-nas em formas materiais, elaborando mundos e presidindo neles ao desabrochar da vi da. Tornam-se, assim, colaboradores de Deus na obra da Criação. Portanto, a idéia criadora procede de Deus e pode surgir no Espírito. Só o Espírito pode conceber idéias. A idéia toma forma pela ação da vontade divina ou do Espírito sobre o fluido universal que, pela sua natureza intermediária entre o Espírito e a matéria, está apto a receber a influência daquele, transmitindo-a a esta. A importância desse fluido universal na constituição do Universo pode-se bem aquilatar nas respostas dadas pelos Espíritos às indagações de Allan Kardec"., constantes umas em "O Livro dos Médiuns", outras na obra básica ]á citada. 1º) O fluido universal não é uma emanação da divindade. 2º) É uma criação divina, como tudo que há na Natureza. 3º) Fluido universal é também um elemento universal; "(...) é o princípio elementar de todas as coisas". (11) 4º) É o elemento do fluido elétrico. 5º) Para se encontrar o fluido universal na sua simplicidade absoluta, é preciso ascender aos Espíritos puros. No nosso mundo, ele está mais ou menos modificado, para formar a matéria compacta que nos cerca. 6º) O estado de simplicidade absoluta que mais se lhe aproxima é o do fluido a que chamamos fluido magnético animal. (11) A Ciência considera as seguintes propriedades da matéria: a) Massa "(...) quantidade de matéria de um corpo.(...) (13) b) Extensão "(...) e a porção do espaço ocupada pela matéria. Toda matéria ocupa um determinado lugar no espaço. c) Impenetrabilidade "Duas porções de matéria não podem, ao mesmo tempo, ocupar o mesmo lugar no espaço. (...)" (14) d) inércia "Quando um corpo, formado naturalmente por matéria, está em repouso, é necessário uma força para colocá-lo em movimento. Se o corpo estiver em movimento, é necessário uma força para alterá-lo ou fazer o corpo parar. (...)" (13) e) divisibilidade "(...) Podemos dividir um corpo ou pulverizá-lo ate certo limite. (...)" (14) As partículas são formadas de partículas menores, chamadas átomos" (14) É interessante definir, também, que "Matéria é tudo o que possui massa e extensão. Corpo é uma porção limitada da matéria e Substâncias são as diferentes espécies de matéria. (...)" (12) A matéria tal como e conceituada pela Ciência e ponderável, isto é, pode ser pesada. O fluido universal, apesar de desempenhar "(...) o papel intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita (...)" (06) e podendo, "{...} de certo ponto de vista, ser lícito classificálo com o elemento material (...)" (06), é imponderável. E uma das propriedades especiais de que nos falam os Espíritos nos ensinos da Codificação. Com relação a outra propriedade da matéria, vejamos o que Kardec nos apresenta em "O Livro dos Espíritos": "A matéria e formada de um só ou de muitos 'elementos? De um só elemento primitivo. Os corpos que considerais simples não são verdadeiros elementos, são transformações da matéria primitiva."(07) "Donde se originam as diversas propriedades da matéria?

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- São modificações que as moléculas elementares sofrem, por efeito da sua união, em certas circunstâncias." (08) "A mesma matéria elementar é suscetível de experimentar todas as modificações e de adquirir todas as propriedades? - Sim, e é isso que se deve entender, quando dizemos que tudo esta em tudo! {...) Não parece que esta teoria dá razão aos que não admitem na matéria senão duas propriedades essenciais : a força e o movimento, entendendo que todas as demais propriedades não passam de efeitos secundários, que variam conforme a intensidade da força e a direção do movimento? - É acertada essa opinião. Falta apenas acrescentar: e conforme à disposição das moléculas, como o mostra, por exemplo, um corpo opaco, que pode tornar-se transparente e vice-versa." (09) Finalmente, completando o assunto sobre as propriedades. da matéria, Allan Kardec pergunta aos Espíritos superiores : "As moléculas tem forma determinada? - Certamente, as moléculas têm uma forma, porém, não sois capazes de apreciá-la. Essa forma é constante ou variável? - Constante a das moléculas elementares primitivas; variável a das moléculas secundárias, que mais não são do que aglomerações das primeiras. Porque, o que chamais molécula longe ainda esta da molécula elementar." (10) Estas últimas afirmações dos Espíritos, que Kardec registrou com absoluta fidelidade, constituem admirável antecipação das verdades sobre a descontinuidade da matéria e a sua unicidade, a primeira já totalmente provada experimentalmente pela Ciência e a segunda admitida por ela como inteiramente provável. De fato, embora se considerem hoje, na base da constituição da matéria - como conseqüência de notáveis investigações experimentais da Ciência - além das moléculas e dos átomos, numerosas outras partículas, de modo que a nomenclatura aplicada a essas partículas ou corpúsculos incluem outras denominações, tais como hádrons e léptens , subdivididos os hádrons em mésons e bárions ( incluindo os bárions os neutrons e prótons dos núcleos atômicos) e os léptons em neutrinos, muons e elétrons, ao tempo em que Kardec escreveu, entretanto, as partículas consideradas como às menores porções das substâncias chamavam-se mesmo moléculas, eram as moléculas constituintes das substâncias simples, formadas pela união, dois a dois, dos átomos de um único elemento químico (como o gás oxigênio representado pela fórmula O,, o gás hidrogênio H,, o gás cloro Cl,, etc. ). e as moléculas integrantes, das substâncias compostas, por sua vez formadas pela combinação de átomos de dois ou mais elementos, em determinadas proporções (como o gás clorídrico HCl, o vapor de água H2O, o gás carbônico CO2, o ácido sulfúrico H2SO4, etc.). Allan Kardec não podia, portanto, empregar outro termo senão moléculas para designar as menores partículas das substâncias, tanto as que representam a matéria densa, como aqueles estados sutis da matéria que derivam diretamente do fluido universal, que é o próprio fluido elementar primitivo. Entretanto - sem a nomenclatura que fornece os termos de hoje, na era da. Atomística e da quantificação da energia, da interação de partículas em campos de forças gerados por essas mesmas partículas -, ele., Kardec, traduzindo o pensamento dos Espíritos, estabeleceu categoricamente, em termos de generalização, as duas grandes verdades que a Ciência vem confirmando dia-a-dia: o da descontinuidade da matéria, em todas as suas modalidade, mais e menos densas, e a da sua unicidade, de origem, isto é, de que a matéria é una; apesar de sua aparente diversidade, todas as modalidades de substâncias, não sendo mais que modificações da matéria cósmica ou substância elementar primitiva, elemento único de que deriva tudo o que é material no Universo. Todo louvor, pois, a Kardec, cuja obra em vez de consignar um erro ou um engano, muito ao contrário, registra, em termos de generalidade, uma admirável antecipação da verdade. A N E X O ,0 1 TÉCNICA DE MÓDULOS INSTRUCIONAIS "A palavra módulo, oriunda da arquitetura, assume em Educação, o significado de um instrumento que garante ao processo ensino aprendizagem um desenvolvimento lógico e sistemático. (...) É um esquema de trabalho em que, partindo do conhecimento do que se espera dele" (*), a pessoa "realiza alternativas de aprendizagem sob sua própria responsabilidade, avalia seu desempenho e assim sucessivamente, até alcançar todos os objetivos previstos e estar em

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condições de ser avaliada" (*) pelo dirigente ou orientador do trabalho naquele assunto estudado. "Estruturalmente, um Módulo Instrucional deve conter os seguintes elementos":(*) - INTRODUÇÃO - E o local onde devem estar contidos a apresentação do assunto e os objetivos finais do módulo. Nessa introdução, poderá anexar-se um quadro que dê uma visão geral e objetiva do trabalho a ser realizado ATIVIDADES - Sob esse nome genérico, estão englobados os meios que servirão de base para o estudo, propriamente dito, do módulo. Esses meios poderão ser representados por consultas a textos e/ou livros textos, por entrevistas a especialistas, pela audição de palestras, exposições ou participações em debates sobre o assunto; pela realização de fichas, quadros sinópticos, relatórios resumos, etc. EXERCÍCIOS - É, na realidade, uma auto avaliação, que poderá ser feita através de respostas a questionários, a complementação de frases, a enumeração de colunas, assinalação de certo ou errado (ou falso e verdadeiro), etc.. Deverá haver correspondência do exercício com o respectivo objetivo intermediário. GABARITO DE RESPOSTA DOS EXERCÍCIOS - Trata-se de uma chave de correção onde o estudante do módulo faz uma checagem das respostas dadas e contagem dos números de acertos. Deve existir uma margem de acerto em torno de, no mínimo> 80 %. Abaixo disto, cabe propor outras atividades sobre o mesmo assunto que constituía o módulo, como numa espécie de recuperação. Só deverá ser encaminhado ao módulo seguinte quem atingiu 80%, ou mais, de respostas certas. PRETESTE - O estudante poderá solicitar um pré teste ao dirigente antes de executar um módulo. O dirigente, porém, pode dispensar ou indicar, não só um pré teste como um pós teste. Isto de conformidade com o nível do estudante e do assunto. FICHA DE PONTOS - É a ficha onde o dirigente anotará o total de pontos (ou acertos) aos exercícios de cada módulo realizados pelo estudante. (VER ANEXO 03) (*) REIS, Ãngela 8 JOULLIÉ, Vera. Didática Geral Através de Módulos Instrucionais. Petrópolis, Vozes, 1981. p. 0910. ANEXOO2 MÓDULO 01 INTRODUÇÃO Este e o Módulo instrucional nº.1, que inicia a 2ª unidade do programa IV - Criação Divina ~ e que lhe proporcionará o domínio de vários conhecimentos com relação aos elementos gerais do Universo, fornecidos pelos Espíritos superiores e constantes na Codificação Espírita. Estão, em concordância com os conhecimentos da Ciência oficial do século passado e a dos tempos atuais. Esclarecemos que não é nosso objetivo aprofundar os ensinamentos da Ciência, mas, sim, estudar as informações constantes na Doutrina Espírita. O objetivo final deste Módulo - informar-se a respeito dos elementos gerais do Universo será alcançado através de um conjunto de objetivos intermediários. Para isso, leia cuidadosamente as instruções contidas no quadro seguinte, que lhe darão uma visão geral e objetiva do trabalho a realizar. Faça os exercícios e a correção deles, de acordo com gabarito de respostas em anexos, fornecendo, ao seu instrutor, no final da reunião, o total das respostas acertadas. Dependendo dos resultados, você receberá o Módulo seguinte, ou realizará outras atividades que lhe permitirão melhor compreensão deste módulo de número 1. Tempo média necessário ao estudo do módulo 1 ; 1 a 2 reuniões OBJETIVOS INTERMEDIÁRI OS 1. Citar os dois ele mentos ATIVIDADES AUTO AVALIAÇÃO TOTAL DE ACERTOS

1. Leia em "O Livro dos Resolva o exercício nº 01, do Espíritos ~ as questões 22 Módulo 1

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gerais do universo, a 27. caracterizandoos . 2 Leia em "O Livro dos Médiuns", na 1ª parte, 2. Explicar o que capítulo IV, item 74, é fluido universal. subitens I a VIII e o item 75; ou a Síntese do Assunto. (Anexa) 3. Citar as principais propriedades da matéria e os elemento que a constituem.

Resolva o exercício nº 02, do Módulo l.

3. Leia a Síntese do Assunto. (Anexa)

Resolva o exercício nº 03, do Módulo l.

TOTAL DE PONTOS OBTIDOS NESTE MÓDULO MÓDULO 01 (EXERCÍCIO 01) 1. Cite os dois elementos gerais do Universo. 2. Indique qual o atributo essencial do Espírito. 3. Por que é necessária a união do Espírito e da matéria? 4. O perispírito pode ser considerado um tipo de matéria? Por quê? 5. Defina matéria, do ponto de vista espírita. MÓDULO 01 (EXERCÍCIO 02) 1. Relacione as principais propriedades do fluido universal, conhecidas. MÓDULO 01 (EXERCÍCIO 03) Assinale a alternativa correta 1. Para a Ciência oficial, são propriedades da matéria: a) Ter massa, extensão, inércia, impenetrabilidade, imponderabilidade; b) Ter massa, extensão, inércia, impenetrabilidade, divisibilidade; c) Extensão, inércia, divisibilidade, imponderabilidade. 2. Matéria, para os cientistas, é definida como : a) Uma porção do fluido universal; b) Tudo que ocupa lugar no espaço e possui massa e extensão; c) Qualquer substância sólida. 3. Mateira, na definição espírita, é: a) O instrumento sobre o qual o Espírito exerce sua ação; b) A mesma dada pela Ciência; c) Substância encontrada somente nos planos físicos. 4. Espírito é : a) Princípio inteligente que existe só na Terra; b) Único elemento geral do Universo, criado por Deus; c) Princípio inteligente do Universo, criado por Deus e que age sobre a matéria através do fluido universal. 5. A imponderabilidade, ou incapacidade de determinar peso, é uma das propriedades especiais: a) Da matéria orgânica; b) Dos minerais; c) Do fluido universal. 6. Uma das características fundamentais da matéria elementar primitiva e: a) Não ser suscetível de modificação; b) Ser suscetível de experimentar modificação; daí as diversas propriedades da matéria; c) Ser ponderável. 7. Allan Kardec soube traduzir muito bem os ensinamentos dos Espíritos Superiores quando enunciou verdades que somente hoje. estão em vias de confirmação pela Ciência oficial:

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Duas dessas verdades são: a) A existência de corpos simples e compostos na natureza; b) A descontinuidade da matéria e a existência de uma única substância ou elemento que origina todas as modalidades de matéria conhecida; c) A inexistência de uma única substância primitiva geratriz de tudo o que existe na Natureza. (*) GABARITO DE RESPOSTAS DOS EXERCÍCIOS: Exercício 01 01. Espírito e matéria; 02. A inteligência; 03. Para intelectualizar a matéria (ou permitir a evolução do Homem); 04. Sim. É semimaterial; 05. Matéria é o instrumento de que se serve o Espírito e sobre o qual exerce a sua ação. Exercício 02. 02. É imponderável. Elemento intermediário entre Espírito e matéria. Criação e não emanação divina. Princípio universal e elementar de todas as coisas. É um dos elementos do fluido elétrico. No nosso mundo ele está mais ou menos modificado para formar a matéria composta que nos cerca. MÓDULOS INSTRUC. TOTAL DE PONTOS EXERC. 01 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 EXERC. 02 EXERC. 03 EXERC. 04 ACERTOS %

Exercício 03.= 01; b; 02. b; 03. a; 04. c; 05. e; 06. b; 07. B

05 - Formação dos mundos e dos seres vivos.
OBJETIVOS BÁSICOS Explicar: corpos simples, compostos e matéria cósmica Tecer comentários, à luz do Espiritismo, sobre a for mação dos mundos e dos seres vivos da Terra.

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IDÉIAS PRINCIPAIS Corpos simples (ou puros) são formados de urna só substância única. Corpos compostos são formados de mais de uma substância. Matéria cósmica é uma única substância "(...). primitiva, geradora de todos os corpos, mas diversificada em suas combinações (...)" (11) "(...) A matéria cósmica primitiva continha os elementos materiais, fluídicos e vitais de todos os universos que estadeiam suas magnificências diante da eternidade.(...)" (12) "Sucedeu que, nurn ponto do Universo (...) a matéria cósmica se condensou sob a forma de imensa nebulosa (...) (13) "A nebulosa geratriz(...) pois, não terá dado nascimento a um só astro, mas a centenas de mundos destacados do foco central (...) (14) Com relação aos seres vivos, "a Terra lhes continha os germens, que aguardavam momento favorável para se desenvolverem. Os princípios orgânicos se congregaram, desde que cessou a atuação da força que os mantinha afastados, e formaram os germens de todos os seres vivos (...)"( 5 ). FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. Da Criação. In: . O Livro dos Espíritos Trad. de Guillon Ribeiro. 57. Rio de Janeiro, FEB, 1983 P arte 1 p. 64. 02 - Op. cit., questão 38, p. 64. 03 - Op. cit., questão 39, p. 65. 04 - Op. cit. , questão 41, p. 65 05 - Op. cit. , questão 44 ,p. 65/66 06 - Op. cit. , questão 47 ,p 67 07 - Op. cit. , questão 49 ,p 67 08 - Uranografia Geral. In: . A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Item 04, p. 107108. 09 - Op. cit., item 06, p. 109. 10 - Op. cit., item 07, p. 109. 11 - Op. cit., item 10, p. 111112. 12 - Op. cit., item 17, p, 115/116 13 - Op. cit., item, 20, p. l18. 14 - Op. cit., item 22, p. 119. FORMAÇÃO DOS MUNDOS E DOS SERES VIVOS Tudo o que existe é obra de Deus. Par isso dizemos Criação Divina reportando-nos a esse imenso Universo que, como diz Kardec," abrange a infinidade dos mundos que vemos e dos que não vemos, todos os seres animados e inanimados, todos os astros que se movem no espaço, assim como os fluídos que o enchem.(1) Mas...como criou Deus o Universo? A resposta a esta pergunta é ainda um mistério, como o é a própria existência do Criador e não será a inteligência humana, no estado em que por enquanto se encontra, que irá penetrar tal mistério. Temos de conformar-nos, portanto, a esse respeito, com o que disseram a Kardec os Espíritos Superiores, por intermédio de um deles, e se encontra na resposta à pergunta 38 de "O Livro dos Espíritos": "Como Deus criou o Universo"? "Para me servir de uma expressão corrente, direi: Pela sua vontade. Nada caracteriza melhor essa vontade onipotente do que estas belas palavras da Gênese" - Deus disse: "Faça-se a luz e a luz foi feita".(2) Sabemos, entretanto, também pela revelação dos espíritos superiores, que Deus criou fundamentalmente dois princípios diferentes, diametralmente opostos por suas qualidades essenciais, que são os dois elementos gerais do Universo: o elementos material bruto e totalmente inerte, e o elementos espiritual inteligente, suscetível de elaboração e desenvolvimento evolutivo, objetivando à realização de individualidades conscientes, dotadas de razão e de vontade. Com este segundo elemento criou Deus os Espíritos, que são os seres inteligentes, conscientes e livres, por isso mesmo responsáveis, do Universo, sujeitos a leis morais. Com o primeiro - o elemento material e bruto formou Deus os mundos que rolam no espaço, sujeitos apenas às leis da Mecânica Celeste, bem como todos os seres que formam a Natureza desses mundos. E deste elemento material que vamos especialmente tratar nesta síntese, ao mesmo tempo que, à luz da Doutrina Espírita, procurar penetrar, por pouco que seja, na origem e formação dos mundos. Chamemo-lo simplesmente de matéria a e tentemos defini-la. Em um simples esboço de definição, podemos dizer que matéria é tudo e que existe

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constituindo o Universo físico, isto é, onde ocorrem os fenômenos que afetam os nossos sentidos, estejam eles desarmados ou armados com potentíssimos instrumentos óticos os telescópios, espectroscópios, microscópios, os quais nos possibilitam observações muito além do alcance natural dos nossos órgãos sensórios, levando-nos tanto aos gigantescos mundos, estrelas e galáxias que enchem o espaço, como as mais íntimas estruturas dos seres e das coisas do nosso mundo e de outros, relativamente próximos da Terra. Mas é infinita a extensão do Universo Material e, para estudar a matéria, a fim de bem compreende-la e defini-la, tem necessariamente o homem que reduzir suas observações. a porções limitadas da matéria que se encontre a seu alcance, verificando a possibilidade de generalizar os resultados das observações assim feitas a toda a matéria do Universo. Ora, os corpos embora tenham todos propriedades gerais que os identifiquem como materiais, à mais simples e superficial observação, vê-se que diferem extraordinariamente uns dos outros, podendo apresentar variedades de aspecto quase infinitas. Diferem em primeiro lugar pelo estado físico, podendo apresentar-se no estado sólido, líquido ou gasoso, ou ainda em estados intermediários, como o pastoso ou o de vapor. Se nos ativermos agora somente aos corpos sólidos, veremos que eles diferem pela forma exterior, e é atendendo a essas diferentes formas com que os designaremos: - cilindro, uma esfera, um cubo ou uma pirâmide; uma lâmina, uma chapa, um fio ou um anel; uma grade, uma mesa, uma cadeira, uma estante; árvore, erva, musgo, cogumelo, cão, gato, boi ou homem. Mas, além da forma, também podem distinguir-se pelas dimensões, e ninguém confundira uma mesa de determinada forma e avantajado tamanho com uma mesinha exatamente da mesma forma, mas com as dimensões de um brinquedo de criança. Há, porém, uma terceira coisa que permite distinguir mais profundamente os corpos uns dos outros. Vejamos: Consideremos cinco esferas (portanto da mesma forma) e exatamente das mesmas dimensões. Distingui-las-emos perfeitamente pela constatação de que uma, por exemplo, é de vidro, outra de madeira, mais outra é de ferro, ainda outra de cobre e a última de marfim. Esta coisa que permite distinguir dois ou mais corpos, ainda que tenham a mesma forma e as mesmas dimensões chama-se a substância do corpo. Dir-se-ia, assim, que cada corpo tem a sua substância individual e unívoca, isto ë, constituída de partes absolutamente iguais umas as outras, formando o que „ poderia chamar de corpo puro. Em realidade, entretanto, as coisas não são bem assim. O estudo de diversas amostras de matéria provindas quer da Natureza, quer da Indústria Humana, mostrou que somente algumas podem efetivamente considerar-se substâncias puras, isto é, espécies individuais de matéria, caracterizadas por propriedades específicas e invariáveis; enquanto que inúmeras outras, em imensa maioria na Natureza, são constituídas de porções diferentes, separáveis por processos apropriados, ditos de análise imediata, mostrando que são, em verdade, misturas de duas ou mais substâncias, misturas que podem ser mais ou menos heterogêneas ou aparentemente homogêneas, conforme as dimensões das partículas em que se encontram divididas as substâncias misturadas. Corpo puro, isto é, formados de uma só substância individual, isolada de qualquer outra, são raríssimos na Natureza, podendo citar-se como um dos pouquíssimos exemplos, as amostras de quartzo hialino ou cristal de rocha, constituídas de óxido de silício ou sílica, substâncias que nessas amostras se encontra em estado puro. A obtenção de corpos puros ë obra da Indústria Química, em quantidades consideráveis. Obtidos os corpos puros, verificou a análise Química, entretanto, que nem todos são constituídos de princípios materiais indecomponíveis e unívocos, revelando-se, ao contrário, a grande maioria, decomponíveis em outras substâncias, as quais, por sua vez, podem ainda decompor-se ; ou não mais: Foram essas substâncias, assim decomponíveis em duas ou mais outras, chamadas substâncias compostas. Ha, todavia, um pequeno número substâncias simples, isto e, indecomponíveis, delas não se podendo extrair outras substâncias, senão elas próprias, mostrando que constituem princípios elementares e unos, pelo que foram também chamadas elementos químicos. Cabe aqui, agora, uma observação elucidativa. Os químicos antigos diziam copos simples em vez de substâncias simples, estendendo as propriedades das substâncias aos corpos que elas formam. Abrangiam, assim, na mesma designação, corpo e substância, e que não apresentava maior inconveniente, pois no corpo, quaisquer que sejam sua forma e dimensões, se refletem evidentemente as propriedades inerentes à substância que o forma. E por isso que nos livros escritos por Allan Kardec aparece freqüentemente a expressão copos simples e que em "A Gênese", livro que ele publicou em 1868, pode ler-se, em comunicação oriunda do Espírito ~~ Galileu "A Química, cujos progressos foram tão rápidos depois da minha época, (...) fez tábua rasa dos quatro elementos primitivos nos quais os antigos concordam em reconhecer a Natureza (...) Em compensação, fez surgir considerável número de princípios, ate então

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desconhecidos, que lhe pareceram formar, por determinadas combinações, as diversas substâncias (...) que ela estudou (...) Deu a esses princípios o nome de copos simples, indicando de tal modo que os considera primitivos e indecomponíveis e que nenhuma operação até hoje pôde reduzi-los a frações relativamente mais simples do que eles próprios. (08) Resumindo e atualizando pode dizer-se : A Química, até o momento, pôde estabelecer a existência de um certo numero de princípios materiais primitivos e indecomponíveis - os elementos químicos, os quais formam, por si mesmos e isoladamente, ou combinados entre si, todas as substâncias dos corpos. Em número de 92 (os elementos químicos naturais), escalonados desde o Hidrogênio, que é o primeiro da escala, até o Urânio, que é o último, existem no estado atômico, ou seja : de corpúsculos chamados átomos, tendo massa e volume ínfimos, variáveis conforme os elementos, mas fixos e característicos para cada elemento. É. pela agregação desses átomos que se formam todas as substâncias naturais ou Industriais ; Quando se agregam átomos de um só elemento, formam-se substâncias simples ; quando se combinam átomos de dois ou mais elementos, formam-se substâncias compostas. Eis o que, em brevíssimo ressumo, os químicos puderem estabelecer. Mas onde os homens não podem ir com seus mais poderosos instrumentos de análise, penetram os Espíritos Superiores e nos vêm revelar que, além do estado denso, que conhecemos no nosso mundo, a matéria reveste estados mais sutis, puramente fluídicos. Esses fluidos enchem todo o espaço, originários, por sua vez, de uma substância elementar primitiva e única o fluído universal ou matéria cósmica, que, em realidade, é a fonte de que, por modificações e combinações variadíssimas, provem tudo no Universo, mesmo a matéria mais densa. Dignas de toda consideração, pela beleza e verdade que encerram, são as afirmações de Galileu Espírito, na comunicação já antes referida "A primeira vista, não há o que pareça tão profundamente variado, nem tão essencialmente distinto, como as diversas substâncias que compõem o mundo.(...) Entretanto, podemos estabelecer como princípio absoluto que todas as substâncias, conhecidas e desconhecidas, por mais dessemelhantes que pareçam, quer do ponto de vista da constituição íntima, quer do prisma de suas ações recíprocas, são, de fato, apenas modos diversos sob que a matéria se apresenta; variedades em que ela se transforma sob direção das forças inumeráveis que a governam. "(...) Há questões que nós mesmos, Espíritos amantes da Ciência, não podemos aprofundar e sobre as quais não poderemos emitir se não opiniões pessoais, mais ou menos hipotéticas A com que nos ocupamos, porém, não pertence a esse número. Àqueles, portanto, que fossem tentados a enxergar nas minhas palavras unicamente uma teoria ousada, direi: abarcai, se for possível, com olhar investigador, a multiplicidade das operações da Natureza e reconhecereis que, se se não admitir a unidade da matéria, impossível será explicar, já não direi somente os sóis e as esferas, mas sem ir tão longe, a germinação de uma semente na terra, ou a produção dum inseto." (09) "Se se observa tão grande diversidade na matéria, é porque, sendo em número ilimitado as forças que hão presidido às suas transformações e as condições em que estas se produziram também as várias combinações da matéria não podiam deixar de ser ilimitadas. Logo quer a substância que se considere pertença aos fluidos propriamente ditos, isto e, aos corpos imponderáveis, quer revista os caracteres e as propriedades ordinárias da matéria, não ha, em todo o Universo, senão uma única substância primitiva: o cosmo ou matéria cósmica dos uranógrafos"(10) A ciência moderna já se vai aproximando dessa grande verdade. O próprio átomo, considerado a principio como partícula última da matéria, corpúsculo indivisível, uno, indissecável, sabe-se hoje que é um complexo de partículas subatômicas, prótons, neutrons e elétrons - entre as fundamentais, e que se estruturam, em número e modo diferentes, conforme cada elemento químico. Nos mundos como a Terra, ao lado dos corpos materiais que formam o substrato permanente do solo ou crosta terrestre, das águas dos mares e dos gases da sua atmosfera, há seres que apresentam um ciclo de existência, isto ë, que nascem, crescem, desenvolvem-se e reproduzem-se, definham e morrem. São os seres vivos: vegetais e animais. Nos seus corpos não há a estrutura simples e relativamente homogênea de um mineral, mas a heterogeneidade de uma organização completa, órgãos que se associam em sistemas e aparelhos, com vistas à realização das complexíssimas funções vitais. Os órgãos são formados por tecidos específicos, os quais, por sua vez, resultam da associação de pequeninas células. Caracterizam-se, assim, os seres vivos por sua organização celular, havendo-os também unicelulares, isto ë, formados por uma só célula. A célula é a unidade vital e nela se realizam, apesar da sua pequenez, por intermédio de orgânulos ou corpúsculos celulares, todas as funções que caracterizam o ciclo da vida, desde o nascimento até a morte meramente material; a formação dos seres vivos

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obedece ás mesmas leis químicas que regulam a formação das substâncias minerais, quer dizer: as substâncias orgânicas, que entram na constituição dos corpos vegetais e animais, são formadas dos mesmos princípios ou elementos químicos e obedecem, na sua formação, às mesmas leis que regem a formação das substâncias orgânicas. Ora, sabemos como se formam os com postos minerais: os elementos se combinam obedecendo, em primeiro lugar, às afinidades existentes entre eles e decorrentes das estruturas específicas de seus átomos; e, em segundo lugar, às leis das combinações químicas, entre as quais sobrelevam a da conservação das massas (de Lavoisier) e a das proporções definidas (de Proust). Quando em dadas condições os elementos se combinam para formar um determinado composto, as massas. que se combinam, não são quaisquer, mas guardam entre si e com a massa do produto da reação, relações constantes. Por exemplo: o hidrogênio e o oxigênio apresentam grande afinidade química e em condições apropriadas se combinam para formar água, também chamada protóxido de hidrogênio ou, mais corretamente, monóxido de hidrogênio. Ao combinarem-se, as suas massas guardam entre si uma relação invariável que, expressa pelos menores números inteiros, isto e, na sua expressão mais simples, ë 1 para 8 (1:8) Poderíamos multiplicar os exemplos com as combinações binárias do oxigênio com os metais, formando os óxidos metálicos, do flúor, cloro, bromo, iodo e astato, formando os fluoretos, cloretos, brometos, iodetos e astatetos, respectivamente, do enxofre, formando os sulfetos, etc. : poderíamos considerar outros tipos de reações químicas, como as de simples substituição de elementos em substâncias compostas, as reações mutuas entre compostos, como poderíamos considerar também outras leis das combinações química. .O que queremos ressaltar é que os compostos orgânicos se formam a partir dos mesmos elementos químicos que entram na composição dos compostos inorgânicos ou minerais e obedecendo as mesmas leis de conservação e de proporcionalidade. Os compostos orgânicos apresentam somente a particularidade de terem todos como elemento primordial o Carbono, vindo depois, em importância, o hidrogênio, o oxigênio e o nitrogênio (azoto), em seguida o enxofre, o fósforo, o ferro e outros metais, e muitos outros elementos. Dizendo, entretanto, que os compostos orgânicos se constituem dos mesmos princípios elementares e obedecem às mesmas leis que os compostos inorgânicos ou minerais, estamos nos referindo a esses compostos considerados em si mesmos, isoladamente ou apenas como substâncias individuais e específicas; não, porém, como participantes dos conjuntos biológicos, nas células, nos tecidos, órgãos e organismos, vegetais ou animais, porque aí essas substâncias estão conjugadas numa integração funcional para constituírem uma unidade viva, o que reclama evidentemente uma força integradora. Essa força existe e é inerente a uma substancia sutil e altamente hierarquizada que se chama princípio vital. É este princípio que comunica aos vegetais e aos animais a vida orgânica, possibilitando-lhes o exercício de todas as funções vitais. O ser vivo, porem, nunca se mostra desde o início da sua existência como o conhecemos no indivíduo adulto. Vegetal ou animal, procede sempre de um gérmen. Os germens são sistemas orgânicos minúsculos, em que potencialidades funcionais se encontram em estado latente, a espera de condições propícias de calor, umidade, meio nutritivo apropriado, para eclodirem, determinando o crescimento, o desenvolvimento e a multiplicação celular, de modo que surja do gérmen o embrião, e do embrião o ser completo. Foi a partir desses germens que a vida apareceu na Terra. No começo, quando tudo era ainda caos, os elementos se mantinham separados, em sutilíssimos estados de fluidez e disseminados na imensidão do Espaço. Pouco a pouco foram cessando as causas que os mantinham afastados e eles se foram combinando, obedecendo às recíprocas afinidades, de acordo com as condições que iam surgindo e conforme às leis das combinações químicas. Formaram-se, assim, todas as modalidades de matéria e ate mesmo a matéria dos germens das diversas espécies animais e vegetais. Só que neles a vida permanecia ainda latente. Como as sementes e as crisálidas, que permanecem inertes até que condições propícias lhes proporcionem fluído vital que lhes comuniquem o movimento da vida. Uma vez formados a partir dos seus germens, os seres vivos traziam em si mesmos, absorvidos, os elementos que poderiam servir para a própria formação e passaram a transmiti-los, plantas ou animais, segundo as leis da reprodução. Também a espécie humana ter O do mesmo modo surgido na Terra, que lhe conteria na atmosfera ou na própria crosta os germens, é possível que aí tenhamos o significado da expressão : "E criou Deus o homem com o pó da terra". São também muito instrutivas, a esse respeito, as respostas que os Espíritos deram a Kardec, quando lhes formulou as perguntas seguintes, com as quais encerrou esta síntese. "44. Donde vieram para a Terra os seres vivos?" "A Terra lhes continha os germens, que aguardavam

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momento favorável para se desenvolverem. Os princípios orgânicos se congregaram, desde que cessou a atuação da força que os mantinha afastados, e formaram os germens de todos os seres vivos. Estes germens permaneceram em esta do latente de inércia, como a crisálida e as sementes das plantas, ate o momento propicio ao surto de cada espécie. Os seres de cada uma destas se reuniram, então, e se multiplicaram. "47. A espécie humana se encontrava entre os elementos orgânicos contidos no globo terrestre?" "Sim, e veio a seu tempo. Foi o que deu lugar a que se dissesse que o homem se formou do limo d« terra" (6) "49. Se o gérmen da espécie humana se encontrava entre os elementos orgânicos do globo, por que não se formam espontaneamente homens, como na origem dos tempos?" "O princípio das coisas esta nos . segredos de Deus. Entretanto, pode dizer-se que os homens, uma vez espalhados pela Terra, absorveram em si mesmos os elementos necessários a sua própria formação, para os transmitir segundo as leis da reprodução. O mesmo se deu com as diferentes espécies de seres vivos" (7) Sabemos, pela revelação dos Espíritos Superiores, que ao Criar Deus o cosmo ou matéria primitiva, estabeleceu também leis, a ela inerentes, para reger as suas transformações. Essas leis são em verdade meras diversificações de uma lei maior que a todas abrange e resume. Tudo no Universo é atração e magnetismo. A gravitação universal governa os movimentos dos mundos, mantendo-os em suas órbitas, como a gravidade condiciona o peso dos corpos, inexoravelmente atraindo-os para o centro da Terra; a força de coesão atrai as moléculas das substâncias, mantendo-as solidariamente unidas para for mar as massas dos corpos, e a de afinidade química preside à atração entre os átomos dos diferentes elementos, mantendo-os ligados, combinados nos compostos químicos. Nada existiria, entretanto, nem o cosmos, nem as forcas cósmicas atuando na formação dos mundos e dos seres, não fosse a Vontade Divina, por cuja ação soberana, tudo em realidade, se criou. O começo absoluto das coisas - diz o Espirito Galileu remonta, pois, a Deus. As sucessivas aparições delas no domínio da existência constitui a ordem da criação perpétua. Nada mais podemos avançar se não que a matéria cósmica é a fonte eterna e imensa de onde Deus, pelo seu pensamento e vontade faz surgirem os mundos e os seres. A matéria cósmica primitiva continha e contém todos os elementos materiais, fluídicos e vitais de todos os mundos que se formaram e continuam a formar-se, pois a criação continua sempre. Kardec perguntou aos Espíritos prepostos a Codificação: "Poderemos conhecer o modo de formação dos mundos? e eles responderam: "Tudo que a esse respeito se pode dizer e podeis compreender é que os mundos se formaram pela condensação da matéria disseminada no Espaço".(3) Mas ele perguntou também se os mundos uma vez formados podem desaparecer, disseminando-se no espaço a matéria que os compõe, e foi esta a resposta: "Sim, Deus renova os mundos como renova os seres vivos."(4) Parece, pois, que os mundos têm seus ciclos de formação, de evolução para que se tornem moradas apropriadas aos seres que os deverão habitar, e de desaparecimento - quando a matéria condensada de que se constituíram se desagregará, voltando novamente ao estado fluídicos, retornando, assim, à fonte primitiva de onde saíra o Cosmo. ANEXO Nº 02 INTRODUÇÃO Este ë o Módulo nº 02 para o Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita,. programa IV, 2ª unidade Criação Divina , que trata da formação dos Mundos e dos seres vivos. Ao final do estudo deste Módulo, você deverá saber como o Espiritismo explica a formação geral dos Mundos principalmente da Terra - e. dos seres vivos Execute seu trabalho, individualmente, orientando-se pelo quadro geral colocado, a seguir, à sua disposição. Observe que, para trabalhar com este Módulo, é importante que tenha dominado o Módulo 01. Tempo médio necessário ao estudo do módulo nº 02 : 2 reuniões QUADRO GERAL DO MÓDULO 02

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OBJETIVOS INTERMEDIÁRIOS

ATIVlDADES

AUTOAVALIAÇÃO

TOTAL DE ACERTOS

I Definir corpos simples, compostos e matéria cósmica.

1)Leia a Síntese do assunto (em anexo). Resolva o 2). Faça, por escrito, um exercício nº 01 resumo do que leu sobre do módulo 2 corpos simples, com postos e matéria cósmica. 1)Leia a Síntese do assunto (em anexo) 2)Faça um resumo do que leu. Resolva o 3)Leia em "O Livro dos exercício nº 02 Espíritos" as questões 43 a do módulo 2 49. 4)Resuma, por escrito, as respostas das questões lidas.

II Explique a formação dos mundos e dos seres vivos. III Dê o significado da expressão: " O homem se formou do limo da Terra".

IV Relate a importância dos corpos simples, dos compostos e da matéria 1. Releia cada resumo feito cósmica para a formação anteriormente. dos mundos e dos seres vivos. Número de pontos obtidos neste módulo à

Resolva o exercício nº 03 do módulo 2

Exercício 01 Assinale as alternativas verdadeiras: 01 ( ) Corpos simples são formados de uma única substancia individual 02 (...)As diferenças básicas entre os corpos materiais são: estado físico, forma, dimensão e a substância que os constitui. 03.( ) Os corpos simples são comuns na natureza 04 ( ) O quartzo hialino é um exemplo de substância composta. 05 ( ) A obtenção de corpos puros é um trabalho da Química Industrial. 06 ( ) As substâncias simples são indecomponíveis. 07 ( ) As substâncias simples e elementos químicos são duas coisas distintas. 08 ( ) Os químicos do passado, até mesmo os que viveram à época da Codificação, chamavam corpos simples o que hoje é conhecido como substâncias simples. 09 ( ) Corpos compostos são aqueles formados por mais de uma substância química. 10 ( ) Os corpos compostos podem ser homogêneos e heterogêneos 11 ( ) Os corpos simples (do passado) e as substâncias simples (da atualidade) são formados por átomos de um mesmo elemento químico 12 ( ) Fluido universal e matéria cósmica são dois elementos diversos 13 (...)A matéria cósmica é uma substância elementar e única que origina todas as substâncias que compõem o mundo. 14 ( ) Apenas as substâncias que pertencem aos fluidos, propriamente ditos, se originam na matéria cósmica. 15 ( ) A ciência oficial está chegando à conclusão de que todo tipo de matéria existente provém de uma única substância geratriz. Exercício nº 02 RESPONDA 01. Quais são os chamados seres vivos da Terra? 02. E os seres chamados inertes (ou sem vida)? 03. Os corpos dos seres vivos são formados de substâncias simples ou com postas?

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04. Que e necessário para a formação dos compostos minerais? 05. Que elemento químico ë primordial nos compostos orgânicos? 06. Por que é necessária a presença de um principio ou fluido vital nos seres vivos? 07; Que é gérmen? 08. As leis que foram obedecidas na formação dos compostos minerais poderão ser utilizadas na formação dos mundos? Por quê? 09. Como apareceram na Terra os primeiros seres vivos? 10. Qual o significado da afirmativa : "O Homem se formou do limo da Terra? Exercício 03 Enumere a coluna da direita de acordo com as afirmações contidas à esquerda 1. Substância única, primitiva e geratriz dos .....corpos simples compostos e fluidos. 2. Elemento que dá vida aos seres orgânicos. 3. Sílica (ou óxido de silício). 4. Substâncias ou corpos compostos 5. Mantém a massa dos corpos 6. Origem dos seres vivos. ( ) corpo ou substância simples. ( ) forca de coesão molecular ( ) formam os seres vivos ( ) germens da vida. ( ) fluido vital; ( ) matéria cósmica. ( )corpos compostos

GABARITO DE RESPOSTAS DOS EXERCÍCIOS EXERCÍCIO Nº 01- As alternativas verdadeiras são as seguintes: 01, 02, 05, 06, 08,09,11, 13, 15. 01 Animais e vegetais. 02 Os minerais. 03 Substâncias compostas. 04 Obediência às afinidades existentes entre seus elementos constitutivos (átomos) e às leis de combinações químicas. 05 O carbono. 06 Porque, comunicando aos seres vivos a vida orgânica, possibilitará o exercício de todas as suas funções vitais. 07 São sistemas orgânicos minúsculos, cujas potencialidade funcionais se encontram em estado latente, aguardando o momento, meio e local adequados para eclosão, crescimento e desenvolvimento. Os gérmens originam os embriões. 08 Sim, porém, em escala maior. Porque o que mantém os mundos solidários entre si resulta das leis de afinidades químico-fisicas.. 09 A partir dos gérmens existentes no nosso Planeta 10 Quer dizer que os gérmens da vida humana existiam em nosso Planeta e, pelas leis de afinidade, absorveu as substâncias necessárias à sua própria formação. Exercício Nº 03 - A enumeração correta é a seguinte: 03, 05, 04, 06, 2, 1.

06 - Os reinos da natureza: mineral, vegetal, animal, hominal.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Citar as principais características dos reinos da natureza. Relacionar as diferenças essenciais entre o homem e os animais. IDÉIAS PRINCIPAIS "(...) A matéria inerte, que constitui o reino mineral, sé tem em si uma força mecânica. As plantas, ainda que compostas de matéria inerte, são dotadas de vitalidade. Os animais, também compostos de matéria inerte e igualmente dotados de vitalidade, possuem, além disso, uma espécie de inteligência instintiva, limitada, e a consciência de sua existência e de suas individualidades. O homem, tendo tudo o que ha nas plantas e nos animais, domina todas as outras classes por uma inteligência especial, indefinida, que lhe da a consciência do seu futuro,

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a percepção das coisas extra-materiais e o conhecimento de Deus" (1). (...) Tem o homem que se resignar a não ver no seu corpo material mais do que o ultimo anel da animalidade na Terra (...). (9) 0 homem "(...) pelo físico, e como os animais e menos bem dotado do que muitos destes.(...) Reconhecei o homem pela faculdade de pensar em Deus"(5). "(...) Há entre a alma dos animais e a do homem, distância equivalente te à que medeia entre a alma do homem e Deus"(6) A alma dos animais, após a morte, conserva sua individualidade, mas não a consciência do seu eu.(7) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. Dos Três Reinos. In: _. D Livros dos Espíritos Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983 Questão 585, p. 291 02 - Op. cit., questão 586, p. 291. 03 - Op. cit., questão 587, p. 292. 04 - Op. cit., questão 590, p. 292293 05 - Op. cit., questão 592` p. 293 06 - Op. cit., questão 597, p. 296. 07 - 0p. cit., questão 598 p. 296. 08 - Op. cit., questão 600, p. 296. 09 - Gênese Orgânica. In: A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982 Item 29, p. 204. OS REINOS DA NATUREZA, VEGETAL, ANIMAL, E HOMINAL Observando os seres da Natureza,. Classificaram-nos os naturalistas em três reinos: mineral, vegetal e animal, neste último incluíram também o homem, considerando-o apenas do ponto de vista físico, isto e, somente em seu corpo material. Este, realmente, e em tudo semelhante aos dos animais superiores. Se considerado, porem, em sua integralidade, distingue-se evidentemente o homem de todos os outros seres pela sua inteligência e racionalidade. A inteligência, que nele .se acha superiormente desenvolvida, possibilita-lhe uma atividade consciente altamente elaborada, incluindo idéias e juízas, raciocínio lógico e pensamento discursivo. No homem brilha, pois a luz da razão que não existe no puro animal e lhe faculta o conhecimento das leis universais, e à qual se junta o senso moral, que o eleva ainda mais acima dos outros seres, pela percepção também das leis morais e a intuição de Deus. Destaca-se, portanto, dos animais nitidamente o homem por qualidades que não pertencem à matéria, ao corpo do homem, sendo atributos do Espirito na Natureza um quarto reino: o hominal. Feita essa ressalva, e admitindo-se o homem como um ser à par te, podem, realmente, considerar-se aqueles três reinos. Em outros termos: alem do homem racional e moral, existem no nosso mundo as pedras ou minerais, as plantas ou vegetais e os animais irracionais. Essa distinção entre os seres da Natureza, considerados os representantes mais evoluídos dos três reinos, e de tal modo intuitiva que desde modo entrou no entendimento humano. Todavia, em analise profunda e observando-se os seres mais simples dos extremos das três series naturais, é-se obrigado a reconhecer formas de transição de tal modo sutis que entre elas se torna ambígua a definição absoluta dos três reinos. Há, porem, um caráter distintivo, que não padece duvida, entre os seres minerais e os dos outros grupos: é a ausência de vida dos minerais e a presença dela nos vegetais e animais. Por isso, prefere-se a divisão mais simples que considera, de um lado, os minerais, constituindo os seres brutos ou inorgânicos, e de outro, os vegetais e os animais reunidos para constituir o grupo dos seres vivos ou orgânicos. A presença da vida traduz-se nos vegetais e animais pela organização celular da matéria de seus corpos e o correspondente aparecimento das grandes funções de nutrição e de reprodução Há uma infinidade de seres constituídos de uma única célula. São seres unicelulares vegetais os protófitos, e animais os protozoários. Mas em seres progressivamente evoluídos, ate os vegetais e animais superiores (metáfitas e metazoários), as células microscópicas se reúnem em tecidos, os tecidos em órgãos e estes em sistemas e apare lhos orgânicos. A pergunta 585 de "O Livro dos Espíritos" "Que pensais da divisão da Natureza em três reinos, ou melhor, em duas classes: a dos seres orgânicos e a dos inorgânicos? Segundo alguns, a espécie humana forma uma quarta classe. Qual destas divisões e preferível?"(...)" (1) os Espíritos responderam:" (...) Todas são boas, conforme o ponto de vista. Do ponto de vista

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material, apenas há seres orgânicos e inorgânicos. Do ponto de vista moral, há evidentemente quatro graus.(...) (1) Os seres que formam o reino mineral só manifestam uma forca mecânica, isto é, decorrente unicamente da matéria de que são formados. Apenas existem, inertes e brutos, falece-lhes inteligência e vontade, nem mesmo instintos revelam, o que prova que, se neles existe algum principio diferente da matéria, está completamente abafado, dorme, em total estado de latência e inatividade. Há belos e deslumbrantes minerais o quartzo hialino e as diversas variedades coloridas o rubi, o topázio, a esmeralda; ha o ouro rutilante em pepitas ou em filões, sais diversos dissolvidos nas águas dos mares e dos rios, ou em minas terrestres de sal gema, e outros; há preciosos minérios donde o homem extrai economicamente os metais: rochas de belíssimo aspecto; os gigantescos blocos de mármore branco de Carrara, como irisados em cores várias, há o granito e o gnaisse, as argilas branca e vermelha. Que variedade enorme de rochas e de terras, que abundância de cristais, pertencentes a sistemas diversíssimos, nos quais as leis da cristalografia refletem , mesmo na Natureza assim inerte e bruta, a sabedoria divina e a divina providência! Mas tudo isso, amorfo ou em facetadas formas fosco ou brilhante, dorme, não dando o menor sinal de vida, muito menos de consciência ou sequer de instinto .Os seres que formam o reino vegetal existem, de certo modo também inertes e brutos, sem inteligência nem vontade ativa, mas já apresentando embora fixos e sem poderem por si mesmos deslocar-se, o movimento interior da vida, realizando um completo ciclo vital: nascem. crescem, nutrem-se, desenvolvem-se, reproduzem-se e morrem. É que alem da matéria densa, apresentam um outro principio sutil e dinâmico o principio vital, de que deriva essa força prodigiosa que lhos comunica a vida. Tudo é maravilhoso nesse mundo das plantas, em seu conjunto admirável, desde os talófitos,, cujo corpo vegetativo é um simples talo, sem raízes (podendo apresentar rizóides), sem verdadeiro caule, sem folhas, sem flores nem frutos seres rudimentares, entre os quais se encontram as bactérias, algas e cogumelos; passando pelos briófitos e os pteridófitos, estes já mais evoluídos, como se pode ver nas belas cavalinhas e samambaias de múltiplos feitios e portes ate os espermatófitos, que incluem, já no topo da escalada, os vegetais superiores, com raiz, caule, folhas, flores e frutos . Que variedade, então, de cores e sabores, e de valores nutrientes, nessa multidão de seres que vão desde as ervas pequeninas e os arbustos gracís até as frondosas e gigantescas árvores, os coqueiros altivos e as araucárias, as figueiras copadas e os jacatirões floridos, os carvalhos . . . Quanta manifestação de força e de vida! Entretanto, esses seres não revelam também consciência alguma da sua existência, não sentem prazeres ou dores, não têm verdadeiras percepções e sentimentos; só tem vida orgânica, que exatamente lhes é comunicada por sua união com o principio vital. O Espiritismo confirma essas idéias da Ciência, como podemos ver nas seguintes questões de "O Livro dos Espíritos". "Têm as plantas consciência de que existem? (...) (2) "(...) Não, porque não pensam; só têm vida orgânica (2) Experimentam sensações ? Sofrem quando as mutilam? Recebem impressões físicas que atuam sobre a matéria, mas não têm percepções. Conseguintemente, não têm a sensação da dor". (3) "Não haverá nas plantas, como nos animais, um instinto de conservação, que as induza a procurar o que lhes possa ser útil e a evitar o que lhes possa ser nocivo? HÁ, se quiserdes, uma espécie de instinto, dependendo isso da extensão que se dê ao significado desta palavra. ~, porem, um instinto puramente mecânico. Quando, nas operações químicas, observais que dois corpos se reúnem é que um ao outro convém; quer dizer, é que há entre eles afinidade. Ora, a isto não dais o nome de instinto" (4;) Os seres que formam o reino animal: existem e vivem como os vegetais, mas acrescentam-selhes o movimento e as sensações, que os vegetais não têm, sendo que nos animais superiores os movimentos são livres e obedecem nitidamente à vontade denotando também certo grau de inteligência Todavia no animal ainda prevalece o instinto; a inteligência ainda não tem a capacidade do raciocínio Queremos, entretanto, lembrar que, se pelo seu corpo material o homem se assemelha aos animais, deles se distingue totalmente pela sua natureza espiritual, pela sua alma, que lhe confere razão e senso moral. Os Espíritos Superiores nos tem afirmado que há entre a alma do homem e a do animal a mesma distancia que há entre o homem e Deus' O homem não e um simples animal, porque nele vibra, como ser essencial, um Espirito, consciente, livre e responsável, destinado a realizar na sua plenitude a pureza, a justiça, o amor e a caridade. (...) Querem uns que o homem seja um animal e outros que o animal seja um homem. Estão todos em erro. O homem e um ser à parte, que desce muito baixo algumas vezes e que pode também elevar-se muito alto. Pelo físico, e como os animais e menos bem dotado do que

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muitos destes. A Natureza lhos deu tudo o que o homem e obrigado a inventar com a sua inteligência, para satisfação de suas necessidades e para sua conservação. Seu corpo se destroi, como o dos animais, é certo, mas ao seu Espirito está assinado um destino que só ele pode compreender porque só ele é inteiramente livre. (...) Reconhecei o homem pela faculdade de pensar em Deus" (5) Há, ainda, uma diferença que gostaríamos de assinalar entre os animais e o homem : após a morte do corpo físico, a alma dos animais "(...) conserva sua individualidade; quanto à consciência do seu eu não. A vida inteligente lhe permanece em estado latente" (7) A alma do animal, após a destruição do corpo físico, (...)" fica numa espécie de erraticidade, pois que não mais se acha unida ao corpo, mas não é um espírito errante. O Espirito errante é um ser que pensa e obra por sua livre vontade. De idêntica faculdade não dispõe o dos animais. A consciência de si mesmo é o que constitui o principal atributo do Espirito. O do animal, depois da morte. é classificado pelos Espíritos a quem incumbe esta tarefa e utilizado quase imediatamente. Não lhe é dado tempo de entrar em relação com outras criaturas. "(8)

07 - Pluralidade dos mundos habitados.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Esclarecer a respeito da diversidade das raças humanas Justificar a afirmativa: "1...) Uma mesma família humana foi criada na universalidade dos mundos e os laços de uma fraternidade que ainda não sabeis apreciar foram postos a esses mundos (...)(06) IDÉIAS PRINCIPAIS A diversidade das rasas explica que "(...) não é admissível a doutrina segundo a qual todo gênero humano procede de uma individualidade única. (...)'~5) "De acordo com o ensino dos Espíritos, foi uma dessas grandes imigrações, ou, se quiserem, uma dessas colônias de espíritos, vinda de outra esfera, que deu origem a raça simbolizada na pessoa de Adão e, por essa razão mesma, chamada raça adâmica (...)." (4) "(...) Se os astros que se harmonizam em seus vastos sistemas são habitados por inteligências, não o são por seres desconhecidos uns dos outros, mas, ao contrário, por seres que trazem marcado na fronte o mesmo destino, que se hão de encontrar temporariamente, segundo suas funções de vida, e encontrar de novo, segundo suas mútuas simpatias. É a grande família dos Espíritos que povoam as terras celestes (...) " FONTES DE CONSULTA. BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. Da Criação. In: O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57 ed. Rio de Janeiro. FEB. 1983. Parte Questão 50, p. 67 02 - Op. cit., questão 53, pag. 68 03 - Gênese Espiritual. In: A Gênese Trad. de Guillon Ribeiro. 24 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Item 37, p 226 04 - Op. cit. Item 38, pag. 226227 05 - Op. cit. Item 39, pag. 227 06 - Uranografia Geral. Id: A Gênese Trad. de Guillon Ribeiro. 24 ed. Rio de Janeiro FEB, 1982 . Item 56, pag. 136 PLURALIDADE DOS MUNDOS HABITADOS Ao lado da idéia básica da existência de Deus, como inteligência Suprema e causa primaria de tudo o que existe; da alma humana, como essência do ser pensante, independente e autônoma; da sua preexistência ao corpo físico, criada que foi por Deus simplesmente como Espirito, o qual só posteriormente se une à matéria, tornando-se, então, um Espirito encarnado; da sua sobrevivência à morte física voltando ao plano espiritual donde viera, ali permanecendo por tempo mais ou menos longo, ate a nova encarnação; da pluralidade das existências corporais em virtude da necessidade da reencarnação para os Espíritos errantes; da pureza espiritual e da perfeição, como alvos supremos a atingir pelos Espíritos em sua marcha ascensional, quando, uma vez após atingidas, eles não mais encarnarão; ao lado desses princípios básicos do Espiritismo, encontra-se também o da pluralidade dos mundos habitados.

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Na obra da Criação Divina, entre os mundos destinados à encarnação de Espíritos em estágios probatório e expiatório, encontra se a Terra, como uma das habitações do homem. Sim dizemos uma das habitações, porque muitos outros mundos existem que abrigam humanidades semelhantes à nossa, não sendo o homem terreno o único ser corpóreo dotado de inteligência, racionalidade e senso moral, no universo imenso. Homem e todo ser que assume em qualquer mundo dupla natureza: corporal e espiritual, isto é, tem corpo e tem alma. Pelo corpo, em qualquer mundo, o homem é transitório, participando da natureza dos outros seres vivos, que são mortais nascem, crescem, desenvolvem-se, reproduzem e, envelhecem e morrem, mas pelo Espirito e imortal e eterno, progride sempre, aproximando-se cada vez mais da perfeição, que e o seu alvo supremo na escala dos seres e dos mundos. Criado por Deus simples e ignorante, dotado de liberdade e livre-arbítrio, inclinado tanto ao bem quanto ao mal falível por tanto, sujeita-se o Espirito a encarnar e a reencarnar, realizando múltiplas existências corporais na Terra ou em outros mundos, tantas quantas necessárias para ultimar sua depuração e seu progresso. Esse processo admirável que obedece a um desígnio providencial de Deus, realiza-se através das emigrações e imigrações de Espíritos, isto e, da alternância sucessiva e múltipla das existências humanas nos dois planos da vida: o corpóreo e o espiritual. Todo espírito encarnado, enquanto o corpo vive, está fixado no mundo em que encarnou. Desencarnado, pela morte do corpo, ele passa à condição de Espirito errante, que é exatamente aquele ainda necessitado de reencarnar, para depurar-se e progredir. No estado de erraticidade o Espirito ainda pertence ao mundo onde tem de encarnar, mas não esta a ele fixado pelo corpo, é mais livre e pode até mesmo visitar outros mundos, com a finalidade de instruir-se. Pois bem, essas emigrações e imigrações de Espíritos podem ocorrer também entre mundos diferentes, isto é, podem os Espíritos emigrar de uns para outros mundos. Alguns emigram por força do progresso intelectual e moral realizado, que os habilita a ingressar em um mundo mais adiantado, o que é um prêmio para eles; outros; ao contrário, são banidos do mundo a que pertencem, por não terem acompanhado o progresso moral atingido pela humanidade desse mundo, onde, se ali permanecessem, constituiriam elementos de perturbação e de desordem social, neste caso e um verdadeiro castigo. que a lei de justiça impõe aos recalcitrantes no mal, escravizados ao orgulho e à sensualidade. Os Espíritos que emigram de um mundo para outro vão primeiro para o plano espiritual do novo mundo, permanecendo algum tempo na erraticidade, posteriormente imergido na corporalidade, dentro das condições e das leis próprias à Natureza do mundo para onde foram emigrados O que acabamos de ver ajuda a compreender e a melhor explicar a diversidade das raças humanas e sobretudo a existência na Terra de uma raça superior 9 se considerada em relação às outras aqui existentes, algumas manifestando ainda notória inferioridade. Seria essa raça a branca constituída de homens representando a reencarnação de Espíritos emigrados de um planeta pertencente ao sistema de Capela, uma estrela 5.800 vezes maior que o nosso sol. Tendo atingido es se mundo e a sua humanidade um estagio de progresso condizente com o de um mundo regenerado e mais feliz' mas permanecendo nele, entretanto, uma legião de Espíritos ainda recalcitrantes no orgulho e outros sérios defeitos morais, tiveram eles de ser banidos daquele mundo regenerado e encaminhados para a Terra, onde vieram fazer parte do rebanho de Jesus. Aqui, então, mais adiantados que os habitantes pertencentes às raças autóctones ou indígenas, sobretudo intelectualmente vieram impulsionar o progresso dessas raças , mesclando-se a elas e expandindo suas culturas por todos os recantos da Terra. Seriam os homens resultantes da encarnação desses Espíritos no nosso mundo os legítimos descendentes de Adão (Haadam), tido como o primeiro homem, migrada, que deu origem, isso sim, a uma rasa bem mais evoluída e superior às outras aqui preexistentes. Pode falar-se, então, numa raça adâmica, cujos representantes, todos brancos, formaram os grupos de povos mais evoluídos da Terra: os arianos ou indo-europeus, os egípcios, os israelitas e os indianos. Fica, assim, mais bem compreendida a significação de Adão na origem da humanidade, bem como a narrativa bíblica da sua expulsão do Paraíso a lenda do Paraíso Perdido como sendo em realidade o banimento daquela legião de Espíritos de um mundo que, comparado à Terra, para onde foram banidos, podia considerar-se mesmo um paraíso. Em "A Caminho da Luz " , o Espirito Emmanuel dá informações muito interessantes e valiosas sobre esse assunto. O capitulo terceiro dessa obra trata exatamente de "As raças adâmicas" O Sistema de Capela. Na impossibilidade de transcrever os respectivos textos, enviamos o leitor desta síntese a esse capítulo, e aos quatro seguintes, desse livro utilíssimo. Mas, e Kardec? Háem suas obras algo que se relacione com as afirmativas precedentes e as confirme? Sim, tudo isso está em "O Livro dos Espíritos " e, sobretudo em "A Gênese ".

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Transcreveremos apenas os trechos mais significativos, deixando ao leitor o cuidado de fazer nessas duas obras as suas próprias pesquisas: "A espécie humana começou por um único homem? Não; aquele a quem chamais Adão não foi o primeiro, nem o único a povoar a Terra". (1) "O homem surgiu em muitos pontos do globo? Sim e em épocas varias, o que também constitui uma das causas da diversidade das raças. Depois, dispersando-se os homens por climas diversos e aliando-se os de uma aos de outra raça, novos tipos se formaram. Em A Gênese, depois de dizer que a " (...) transfusão, que se efetua entre a população encarnada e desencarnada de um planeta, igualmente se efetua entre os mundos, quer individualmente, nas condições normais, quer por massas, em circunstancias especiais (...)", havendo, pois, "(...) emigrações e imigrações coletivas de um mundo para outro, donde resulta a introdução, na população de um deles, de elementos inteiramente novos (...)" (3) Depois disso Kardec faz clara referência à raça adâmica no item 38 do capitulo 11: "De acordo com o ensino dos Espíritos, foi uma dessas grandes imigrações, ou se quiserem, uma dessas Colônias de Espíritos, vinda de outra esfera, que deu origem à raça simbolizada na pessoa de Adão e, por essa razão mesma, chamada raça adâmica . Quando ela aqui chegou, a Terra já estava povoada desde tempos imemoriais, como a América, quando aí chegaram os europeus Mais adiantada do que as que a tinham precedido neste planeta, a rasa adâmica e, com efeito, a mais inteligente, a que impele ao progresso todas as outras. A Gênese no-la mostra, desde os seus primórdios, industriosa, apta às artes e as ciências, sem haver passado aqui pela infância espiritual, o que não se dá com as raças primitivas, mas concorda com a opinião de que ela se compunha de Espíritos que já tinham progredido bastante. Tudo prova que a raça adâmica não e antiga na Terra e nada se opõe a que seja considerada como habitando este globo desde apenas alguns milhares de anos, o que não estaria em contradição nem com os fatos geológicos, nem com as observações antropológicas, antes tenderia a confirmá-las" (4)

08 - Inteligência e instinto.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Exemplificar condições em que o instinto e a inteligência se revelam simultaneamente. Analisar as hipóteses sobre o instinto, constantes em "A Gênese", cap. 03, itens 11 a 16. IDÉIAS PRINCIPAIS "(...) É freqüente o instinto e a inteligência se revelarem simultaneamente no mesmo ato. No caminhar, por exemplo, o movimento das pernas e instintivo; o homem põe maquinalmente um pé à frente do outro, sem nisso pensar; quando, porem, ele quer acelerar ou demorar o passo, levantar o pé ou desviar-se de um tropeço, há cálculo, combinação; ele age com deliberado propósito. A impulsão voluntária do movimento é o ato instintivo; a calculada direção do movimento é o ato (...)" (2) " (...) Ao ato instintivo falta o caráter do ato inteligente (...)". (1) "Segundo outros sistemas, o instinto e a inteligência procederiam de um único principio (...) o que não e admissível. (...)" (2) "Outra hipótese (...) ressalta do caráter essencialmente previdente do instinto e concorda com o que o Espiritismo ensina, no tocante às relações do mundo espiritual com o mundo corpóreo. (...)" (3) FONTES DE CONSULTA 01 - KARDEC, Allan. O Bem e o Mal. In: I, A Gênese. Trad de Guillon Ribeiro . 24 . ed. Rio de Janeiro, FEB, 19B2~. Item 12, p . 75 76 . 02 - Op. cit. Item 13, p.76-77. 03 - Op. cit. Item 14, p.77-78. 04 - Op. cit. Item 15, p. 78-79. 05 - Op. cit. Item 17, p. 79-80 INTELIGÊNCIA E INSTINTO Inteligência é o atributo essencial do Espirito, em virtude do qual ele toma conhecimento da sua própria existência, bem como exerce atividade voluntária e livre. Quando o Espirito atinge o grau de humanização, a inteligência adquire desenvolvimento superior, como o surgimento da razão e do senso moral, que lhe facultam a capacidade de conceber e reconhecer a existência de Deus. Realizando múltiplos atos livres e voluntários, apresentando finalidades nítidas, e obedecendo a juízos e raciocínios bem elaborados, por isso mesmo o homem se mostra como um ser que

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afeta dupla natureza: material e espiritual. Mais uma vez cabe, pois, repetir: Há um Espírito unido ao corpo do homem, que constitui a sua alma, somente à qual deve ele a sua inteligência e racionalidade, seus conhecimentos e sentimentos, bem como sua vontade e liberdade. Há outros seres, entretanto, que realizam atos em que se revela também nítida finalidade, mas parecem obedecer antes a automatismos, que a impulsos provenientes de vontades livres. Tais atos visam sobretudo à conservação do indivíduo e da espécie, objetivando as funções de nutrição e de reprodução, provendo ao crescimento, ao desenvolvimento, a propagação, enfim, à plena realização da vida dentro das características peculiares a cada espécie. Esses atos dizse, são devidos ao instinto, são atos instintivos. Existem já esboçados nos vegetais, mas são bem mais evidentes nos animais. Atos instintivos são, aliás, ocorrentes também no homem, ao lado dos atos inteligentes. Pergunta-se, pois: Qual a diferença entre o instinto e a inteligência? Será o instinto uma faculdade distinta, ou um atributo inerente apenas à matéria, como alguns ainda pensam, atribuindo o instinto somente ao corpo. Se assim fosse, entretanto, ter-se-ia de admitir que a matéria é inteligente, o que e evidentemente falso, e até mesmo mais inteligente do que o Espírito, porquanto o instinto não se engana, ao passo que a inteligência, porque e livre, pode enganar-se. Se ao ato instintivo falta, pois, o caráter principal do ato inteligente que é ser deliberado, ele revela, entretanto, uma causa inteligente, porque apta a prever, de modo a evitar o engano. Por isso, outros são levados a admitir que o instinto e a inteligência procedem de um único princípio, que, de inicio, teria somente qualidades do instinto, mas depois se desenvolveria, evoluiria e passaria por uma transformação que lhe daria as da inteligência livre. Essa suposição não resiste a uma análise mais profunda, visto que freqüentemente o instinto e a inteligência se encontram juntos no mesmo ser e, muitas vezes, se associam no mesmo ato. No de caminhar, por exemplo, como lembra Kardec, é instinto o simples movimento das pernas, tanto no homem como no animal, e um pé vai adiante do outro maquinalmente; mas no acelerar o passo ou retardá-lo,' bem como no levantar o pé para desviar-se de um obstáculo, intervém a vontade livre, a deliberação e o cálculo. Também o animal carnívoro só pelo instinto e levado a alimentar-se de carne, mas ele age com inteligência e mesmo astucia, ao tomar as medidas para garantir a sua presa, medidas que variam conforme as circunstancias. Assim, à pergunta ~ Que é o instinto e como se distingue da inteligência?, muitos. respondem ainda: é uma espécie de inteligência. Outros opinam que é uma inteligência sem raciocínio também há quem acrescente. Acha-se impossível estabelecer um limite nítido de separação entre o instinto e a inteligência, porque muitas vezes se confundem e nunca se sabe onde acaba um e começa a outra. A nosso ver, bem como de muitos que têm refletido sobre o assunto, inteligência e instinto são, sim, manifestações do mesmo principio espiritual, e, por tanto, inteligente, mas que obedecem a duas determinantes ou a dois motores diferentes: um que está ligado a vontade e à liberdade do indivíduo, outro que escapa totalmente à vontade mesma e à liberdade.. Nestas condições podem distinguir-se perfeitamente os atos que dependem da inteligência, plenamente desenvolvida, daqueles que. decorrem estritamente do instinto. Sendo a inteligência, em sua plenitude, a faculdade de pensar e agir racional e deliberadamente, os atos inteligentes são conscientes,. voluntários, livres e calculados, obedecendo a um planejamento. Acresce que são suscetíveis de variações para adaptações a circunstancias ocasionais e a modalidades individuais. A inteligência, variável e individual por excelência, por isso mesmo suscetível de progresso, de modo que os atos inteligentes 'decorrem da aprendizagem e pela aprendizagem se aprimoram. Não são assim os atos instintivos. Consideremos, por exemplo, o ato absolutamente instintivo que !realiza o patinho, logo que rompe a casca do ovo, que o mantinha, antes encerrado; se vê próximo um córrego ou um lago, corre alegremente para ele e lança-se na água, nadando imediatamente com perfeição Onde aprendeu este animalzinho a nadar? Com quem, se nadou logo em seguida ao nascer? É instintivo também o ato do castor, que constrói sua casa ou cabaninha com terra, água e galhos de árvore; dos pássaros, que constroem com perfeição seus ninhos; da aranha, que tece com precisão a sua teia. É admirável como tudo isso se passa de maneira tão perfeita. Vêem-se, já, por aí, alguns dos caracteres do instinto: é inato, perfeito e específico isto é, surge espontaneamente, sem previa aprendizagem, em todos os indivíduos de uma mesma espécie, e só dessa espécie, levando a atos completos, acabados perfeitos, desde a primeira vez que são realizados. Note-se, entretanto, que esses atos continuam durante toda a vida do indivíduo sem mudança alguma. Toda essa capacidade de nadar, de construir, de edificar, de tecer. Não sofreu qualquer variação, através dos tempos, e o castorzinho constrói hoje a sua cabana

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como o faziam seus ancestrais, e o farão os seus descendentes, com os mesmos materiais e do mesmo modo. De igual maneira, as aves constroem seus ninhos e as aranhas tecem suas teias, há séculos e milênios, sem variação alguma, sem progresso, sem mudança possível. Tão diferente é isso do que fazem nossos nadadores, nas diversas formas de natação, nossos construtores, os engenheiros e arquitetos Quanta variação através dos tempos, conforme as circunstancias, indivíduos, os meios, as culturas! Quantas adaptações aos gostos, aos desejos, aos pontos de vista e, sobretudo, aos objetivos que se têm em vista ! Nas construções dos homens há inteligência, porque há atos sujeitos à vontade e à liberdade, variáveis de acordo com as circunstancias, obedecendo a raciocínios, a cálculos, a planejamentos. Nada disso existe nos atos que decorrem do instinto, que são perfeitos, mas sempre os mesmos, sem variações, sem progressos; nem por isso são menos maravilhosos. É verdadeiramente maravilhoso, o que se passa no mundo dos insetos, de certos Himenópteros, por exemplo, da família dos Apídios ou abelhas, a ponto de terem merecido uma obra especial a respeito, de autoria de Maurice Maeterlinck, poeta e dramaturgo belga, prêmio Nobel de Literatura em 1911, mas que muito se interessou também pelas coisas da Natureza, tendo escrito "A Vida das Abelhas", como aliás também "A Vida das Formigas" e "A Vida da Térmitas". Mas na própria vida do ser humano ocorrem atos instintivos, visando à sua conservação e à sua procriação. Citemos apenas o que acontece nos primeiros tempos após o nascimento, quando, do mesmo modo como ocorre com as crias de outras espécies de animais mamíferos, a criancinha recém nascida, assim que é levada ao seio materno, começa imediatamente a sugar e absorver assim o seu primeiro nutrimento. Careceu, porém, de aprender a mamar ? Não a criancinha verdadeiramente nasceu sabendo mamar ! E para exercer esse ato, que ela pratica de maneira espontânea e perfeita, reveladora de um conhecimento inato, basta sentir o contato do seio maternal. quantas considerações e elucubrações poderíamos agora fazer sobre essa maneira misteriosa de Deus conduzir as suas criaturas, de modo a realizarem atos espontâneos e perfeitos, necessários à própria preservação e da sua espécie ! Mas preferimos agora citar Kardec. Diz ele no item 14 do Capitulo 03 de "A Gênese ": "Outra hipótese que, em suma, se conjuga perfeitamente à idéia da unidade de principio, ressalta do caráter essencialmente previdente do instinto e concorda com o que o Espiritismo ensina, no tocante às relações do mundo espiritual com o mundo corpóreo. Sabe-se agora que muitos Espíritos desencarnados têm por: missão velar pelos encarnados, dos quais se constituem protetores e guias; que os envolvem nos seus eflúvios fluídicos; que o homem age muitas vezes de modo inconsciente, sob ação desses eflúvios. (...) Assim o instinto, longe de ser produto de uma inteligência rudimentar e incompleta, sê-lo-ia de uma inteligência estranha, na plenitude da sua força, inteligência protetora, supletiva da insuficiência, quer de uma inteligência mais jovem, que aquela compeliria a fazer, inconscientemente, para seu bem, o que ainda fosse incapaz de fazer por si mesma, quer, de uma inteligência madura, porem, momentaneamente tolhida no uso de suas faculdades, como se dá com o homem na infância e nos casos de idiotia e de afeções mentais. (...)" (3) Mas Kardec vai alem e, no item 15 do mesmo capitulo 03 da obra citada, diz: "Nesta ordem de idéias, ainda mais longe se pode ir.( · ) Se observarmos os efeitos do instinto, notaremos, em primeiro lugar, uma unidade de vistas e de conjunto, uma segurança de resulta dos, que cessam logo que a inteligência o substitui. (...) A uniformidade no que resulta das faculdades instintivas e um fato característico, que forçosamente implica a unidade de causa. (..) Não se nos deparando nas criaturas, encarnadas ou desencarnadas, as qualidades necessárias a produção de tal resultado, temos que subir mais alto, isto é, ao próprio Criador. Se nos reportarmos à explicação dada sobre a maneira por que se pode conceber a ação providencial (cap. II, n° 24); se figurarmos todos os seres penetrados do fluido divino, soberanamente inteligente, compreenderemos a sabedoria previdente e a unidade de vistas que presidem a todos os movimentos instintivos que se efetuam para o bem de cada indivíduo Tanto mais ativa é essa solicitude, quanto menos recursos tem o indivíduo em si mesmo e na sua inteligência. Por isso e que ela se mostra maior e mais absoluta nos animais e nos seres inferiores, do que no homem. , Segundo essa teoria, compreende-se que o instinto seja um guia seguro. O instinto materno, o mais nobre de todos, que o materialismo rebaixa ao nível das forças atrativas da matéria, fica realçado e enobrecido. Em razão das suas conseqüências, não devia ele ser entregue às eventualidades caprichosas da inteligência e do livre arbítrio. Por intermédio da mãe, o próprio Deus vela suas criaturas que nascem. "(4) Finalizando: "Todas essas maneiras de considerar o instinto são forçosamente hipotéticas e nenhuma

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apresenta caráter seguro de autenticidade, para ser tida como solução definitiva. A questão, sem duvida, será resolvida um dia. quando se houverem reunido os elementos de observa são que ainda faltam. Ate lã, temos que limitar-nos a submeter as diversas opiniões ao cadinho da razão e da lógica e esperar que a luz se faça. A solução que mais se aproxima da verdade será decerto a que melhor condiga com os atributos de Deus, isto e, com a bondade suprema e a suprema justiça. (...)" (5)

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3ª Unidade Os Espíritos
09 - Diferentes ordens de Espíritos: escala espirita.
OBJETIVOS PRINCIPAIS Justificar o método adotado na classificação dos Espíritos. Enumerar as diferentes ordens da escala espirita, caracterizando-as. IDÉIAS PRINCIPAIS "A classificação dos Espíritos se baseia no grau de adiantamento deles, nas qualidades que já adquiriram e nas imperfeições de que ainda terão de despojar-se. Esta classificação, aliás, nada tem de absoluta. "(...) 0s Espíritos, em geral, admitem três categorias principais, ou três grandes divisões. Na ultima, a que fica na parte inferior da escala, estão os Espíritos imperfeitos, caracterizados pela predominância da matéria sobre o Espírito e pela propensão para o mal. 0s da segunda se caracterizem pela predominância do Espírito sobre a matéria e pelo desejo do bem: são os bons Espiritas. A primeira, finalmente, compreende os Espíritos puros, os que atingiram o grau Supremo da perfeição. (...) (2) FONTES DE CONSULTA 01 - KARDEC, Allan. Dos Espíritos. In: - . O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB , 1983 Parte 2ª. Item 100, p. 87. 02 - Op. Cit. p. 88. 03 - 0p. Cit. p. 89. ESCALA ESPIRITA E PROGRESSÃO DOS ESPÍRITOS Existe entre os Espíritos diferentes ordens, de acordo com o grau de perfeição que tenham alcançado. Esse grau de perfeição pode ser maior ou menor, dependendo das qualidades que os Espíritos já adquiriram e das imperfeições de que ainda não se despojaram. Como não há linhas de demarcação definidas entre essas diferentes ordens, o seu numero e ilimitado, podendo ser aumentado ou diminuído, conforme o critério adotado. Considerando-se, todavia, os caracteres gerais dos Espíritos, pode-se classifica-los em três ordens principais, a saber. Primeira Ordem :Espíritos puros - os que já chegaram à perfeição; Segunda Ordem. : Bons Espíritos.- aqueles nos quais o desejo do bem é predominante; Terceira Ordem : Espíritos Imperfeitos - aqueles em que predomina a ignorância, o desejo do mal e todas as paixões más que lhes retardam o progresso. Esta classificação geral pode desdobrar-se em nuances que variam ao infinito. Existem, contudo, caracteres bem definidos que permitem agrupar os Espíritos de acordo com suas tendências e aptidões, constituindo-se numa escala ou num quadro que, no dizer do Codificador, "(...) e, de certo modo, a chave da ciência espirita, porquanto só ele pode explicar as anomalias que as comunicações apresentam, esclarecendo-nos acerca das desigualdades intelectuais e morais dos Espíritos. (...)" (3) Com base nessas considerações, Kardec subdividiu as três ordens supra citadas em dez classes, como segue: TERCEIRA ORDEM: ESPÍRITOS IMPERFEITOS Caracteres Gerais : predomínio da matéria sobre o Espirito; propensão ao mal; têm a intuição de Deus, mas não o compreendem; apresentam idéias pouco elevadas. Esta ordem apresenta cinco classes principais: Decima Classe : Espíritos Impuros - o mal é o objeto de suas preocupações; sua linguagem é grosseira e revela a baixeza de suas inclinações;

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Nona Classe : Espíritos Levianos - são ignorantes e inconseqüentes, mais maliciosos do que propriamente maus; linguagem alegre, irônica e superficial; ~. Oitava Classe : Espíritos Pseudo-sábios - possuem grande conhecimento, mas julgam saber mais do que sabem; sua linguagem tem caráter serio, misturando verdades com suas próprias paixões e preconceitos; Sétima Classe : Espíritos Neutros - apegados às coisas do mundo, não são bons o suficiente para praticarem o bem, nem maus bastante para fazerem o mal; Sexta Classe : Espíritos Batedores e Perturbadores - podem pertencer a todas as classes da Terceira Ordem; sua presença manifesta-se por efeitos sensíveis e físicos, co mo pancadas e deslocamento de .corpos sólidos; são agentes dos elementos do globo; deles se servem os Espíritos Superiores para produzir esses fenômenos físicos do planeta. SEGUNDA ORDEM: BONS ESPÍRITOS Caracteres Gerais : predomínio do Espirito sobre a matéria; desejo do bem; compreendem Deus e o infinito' mas ainda terão de passar por provas; uns possuem a ciência, outros a sabedoria e a bondade; os mais adiantados juntam ao seu saber as qual idades morais. Esta ordem apresenta quatro classes principais: Quinta Classe : Espíritos Benevolentes - seu progresso realizou-se mais no sentido moral do que no intelectual; a bondade e a qualidade dominante; Quarta Classe : Espíritos Sábios - amplitude de conhecimentos aplicados em beneficio dos semelhantes; tem mais aptidão para as questões cientificas do que para as morais; Terceira Classe : Espíritos de Sabedoria - elevadas qualidades morais e capacidade intelectual que lhes permitem analisar com precisão os homens e as coisas; Segunda Classe : Espíritos Superiores - reúnem a ciência, a sabedoria e a bondade; buscam comunicar-se com os que aspiram à verdade; encarnam-se na Terra apenas em missão de progresso e caracterizam o tipo de perfeição a que podemos aspirar PRIMEIRA ORDEM .: ESPÍRITOS PUROS Caracteres Gerais: Nenhuma influência da matéria; superioridade intelectual e moral absoluta em relação aos Espíritos das outras ordens. Esta ordem apresenta apenas uma única classe: Primeira Classe. Classe Única -" Os Espíritos que a compõem percorreram todos os graus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria. Tendo alcançado a soma de perfeição que é susceptível a criatura, não têm mais que sofrer provas nem expiações. Não estando mais sujeitos à reencarnação em corpos perecíveis, realizam a vida eterna no seio de Deus. Gozam de inalterável felicidade, porque não se acham submetidos às necessidades, nem às vicissitudes da vida material. "Livro dos Espíritos", questão 113)

10 - Progressão dos Espíritos.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Explicar como os Espíritos, criados simples e ignorantes, poderão chegar a perfeição espiritual. Ressaltar a importância do trabalho na progressão dos Espíritos. IDÉIAS PRINCIPAIS . "(...) Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto e, sem saber. A cada um deu determinada missão, com o fim de esclarece-los e de os fazer chegar progressivamente À perfeição, pelo conhecimento da verdade, para aproximá-los de si. Nesta perfeição e que eles encontram a pura e eterna felicidade. Passando pelas provas que Deus lhes impõe e que os Espíritos adquirem aquele conhecimento. (...)" (3) . "(...) As almas ou Espíritos são criados simples e ignorantes, isto e, sem conhecimentos nem consciência do bem e do mel, porem, aptos para adquirir o que lhes falta. O trabalho e o meio de aquisição, e o fim que é a perfeição - é para todos 0 mesmo. Conseguem-no mais ou menos prontamente em virtude do livre-arbítrio e na razão direta dos seus esforços todos tem os

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mesmos degraus a franquear, o mesmo trabalho a concluir. (...)" (1) . "(...) São os próprios Espíritos que se melhoram e, melhorando-se, passam de uma ordem inferior para outra mais elevada." (2) "(...) O livre-arbítrio se desenvolve à medida que o Espirito adquire a consciência de si mesmo. (...) (4) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. Os anjos. In: O Céu e o Inferno. Trad. de Manuel Justiniano Quintão. 29. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Parte 1ª. Item 12, p. 112 - 113. 02 - Dos Espíritos. In: - . O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1953. Parte 2ª. Item 114, p. 95. 03 - Op. cit., questão 115, p. 95-96. 04 - Op. cit., questão 122, p. 97-98. PROGRESSÃO DOS ESPÍRITOS (1ª) Todos os Espíritos que povoam o Universo foram criados por Deus, simples e ignorantes, sem nenhum conhecimento e são destinados à perfeição. É nesse estado de perfeição que eles encontram a pura e eterna felicidade, decorrente do pleno conhecimento das leis que regem a vida e de sua plena vivência. Entre estes dois extremos, a criação e a desatinação, existe um caminho que cabe a todos os Espíritos trilhar e que representa a conquista gradativa desses conhecimentos. Deus propicia ~ todos os meios necessários para essa conquista, criando, inclusive, necessidades aos Espíritos que, para atendê-las, precisam agir. através dessa ação que os Espíritos progridem, conquistam os conhecimentos e desenvolvem os sentimentos, adquirindo, assim, gradativa mente, as virtudes que lhes propiciarão chegar ao estado de perfeição. Vê-se, assim, que essa ascensão do Espirito, do estado de ignorância para o estado de sabedoria, depende tão somente do seu trabalho. E é importante destacar este aspecto, já que o trabalho e a parte que lhe cabe e que e intransferível, uma vez que os recursos necessários Deus propicia a todos, em igualdade de condições. "(...) Deus não aquinhoa melhor a uns do que a outros, porquanto e justo, e, visto serem todos seus filhos, não tem preleções. Ele lhes diz: Eis a lei que deve constituir a vossa norma de conduta; ela só pode levar-vos ao fim; tudo que lhe for conforme é o bem, tudo que lhe for contrário é o mal. Tendes inteira liberdade de observar ou infringir esta lei, e assim sereis árbitros da vossa própria sorte. Conseguintemente, Deus não criou o mal; todas as suas leis são para o bem, e foi o homem que criou esse mal, divorciando-se dessas leis; se ele as observasse escrupulosamente, jamais se 'desviaria do bom caminho." (01) ; Por aí se observa a lei de liberdade regendo o progresso dos Espíritos. Através de seu trabalho e com o uso do livre-arbítrio o Espírito vai, de forma voluntária e consciente, conquistando as virtudes que não possui e desfazendo-se das suas imperfeições. É o que esclarecem os Espíritos Superiores: "(...) O livre - arbítrio se desenvolve à medida que o Espirito adquire a consciência de si mesmo. Já não haveria liberdade, desde que a escolha fosse determinada por causa independente da vontade do Espirito. A causa não está nele, está fora dele, nas influências a que cede em virtude da sua livre vontade. o que se contem na grande figura emblemática da queda do homem e do pecado original: uns cederam a tentação, outros resistiram. (...)" (4) E quando Kardec pergunta se as influências dos Espíritos imperfeitos só se exerce sobre o Espirito em sua origem, os Espíritos Superiores respondem com clareza: "(...) Acompanha-o na sua vida de Espírito, ate que haja conseguido tanto império sobre si mesmo, que os maus desistem de obsidiá-lo." (4) Como se vê, só através da evolução moral e intelectual e que os Espíritos, encarnados e desencarnados' se distanciam da influencia negativa dos Espíritos inferiores. Conclui-se, dai, que a plena e eterna felicidade está à nossa espera quando chegarmos a condição de Espíritos puros. Os meios de alcançá-la, Deus no-los oferece. depende apenas de nós, através do trabalho e do adequado uso do livre-arbítrio, abreviar essa chegada.

11 – Forma e ubiqüidade dos Espíritos.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS

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Estudar o conceito existente em O Livro dos Espíritos Tos, questão 88, sobre a forma dos Espíritos. Dar o significado de ubiqüidade. Explicar qual a relação existente entre ubiqüidade e bicorporeidade. IDÉIAS PRINCIPAIS Perguntando-se aos Espíritos Superiores, que coordenaram a Codificação Espirita, a respeito de o Espirito ter forma determinada, limitada e constante, foi dada a seguinte resposta: `'(...) Para vos, não; para nos, sim. O Espirito e, se quiserdes, uma chama, um clarão, ou uma centelha etérea.(...)" (2). "(...) Cada Espirito e uma unidade indivisível, mas cada um pode lançar seus pensamentos para diversos lados, sem que se fracione pala tal efeito. Nesse sentido unicamente e que se deve entender 0 dom da ubiqüidade atribuído aos Espíritos. Dá-se com eles o que se da com uma centelha, que projeta longe a sua claridade e pode ser percebida de todos os pontos do horizonte. (...)" (3). "(...) Isolado do corpo, o Espirito de um vivo pode, como o de um morto, mostrar-se com todas as aparências da realidade. Demais, (...) pode adquirir momentânea tangibilidade. Este fenômeno, conhecido pelo nome de bicorporeidade, foi que deu azo as historias de homens duplos, isto e, de indivíduos cuja presença simultânea em dois lugares diferentes se chegou a comprovar. (...)" (1) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. Das Manifestações Visuais. In: . O Livro dos Médiuns. Trad. de Guillon Ribeiro. 45. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Parte 2g, item 119, p. 149-151 02 - Dos Espíritos. In: O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Parte 14, questão 88, p. 83-84. 03 - Op. cit., questão, 92, p. 84-85 COMPLEMENTARES 04 - DELANNE, Gabriel A Doutrina Espirita. In: . O Fenômeno Espirita. Trad. por Francisco Raymundo Ewerton Quadros, 3. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1977. Parte 4ˆ, p. 213. 05 - XAVIER, Francisco Cândido. Corpo Espiritual e Volitação. In: . Evolução Em Dois Mundos. 6 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1981. - Parte - 2ª p. 174 FORMA E UBIQÜIDADE DOS ESPÍRITOS Diante da questão: "os Espíritos tem forma determinada, limitada e constante? (...)" os Espíritos Superiores, que lançaram as bases da Doutrina Espirita, respondem: "(...) Para vós, não; para nos, sim. O Espirito e, se quiserdes, uma chama, um clarão, ou uma centelha etérea." (2) Em face de outra indagação, complementar a primeira, "(...) essa chama ou centelha tem cor? (...)" esclarecem; "(...) tem uma coloração que, para vos, vai do colorido escuro e opaco a uma cor brilhante, qual a do rubi, conforme o Espirito e mais ou menos puro. (...)"(2) Observa-se, nas duas respostas, que os Espíritos procuram estabelecer uma comparação, embora pálida, do que existe no plano espiritual, quanto … forma e a cor dos Espíritos, com as limitações do nosso mundo físico e dos nossos sentidos. Fica claro que os Espíritos tem forma e cor, mas só por alto se pode comparar com a forma e a cor que estamos, como seres encarnados, acostumados a observar. Gabriel Delanne, estudando a mateira, esclarece: "(...) A Ciência ensina-nos que os nossos sentidos apenas nos fazem conhecer ínfima parte da natureza, porem que, alem e aquém dos limites impostos às nossas sensações, existem vibrações sutis, em numero infinito, que constituem modos de existência de que não podemos formar idéia, por falta de palavras para exprimi-la.. A alma assiste, pois, a espetáculos que não temos meios de descrever: ouve harmonias que nenhum ouvido humano tem apreciado, move-se em completa oposição as condições de viabilidade terrestre. O Espírito libertado das cadeias do corpo não tem mais necessidade de alimentar-se, não se arrasta mais pelo solo: a matéria imponderável de que e formado permite-lhe transportar-se para os mais longínquos lugares com a rapidez do relâmpago, e, segundo o grau do seu adiantamento moral, suas ocupações espirituais afastam-se mais ou menos das preocupações que nutria na Terra. (...)" (4) Questionados sobre se os Espíritos tem o dom da ubiqüidade, isto é, se um Espírito pode dividir-se, ou estar em muitos pontos ao mesmo tempo, os Orientadores Espirituais, que ditaram a Codificação, I respondem: "(...) Não pode haver divisão de um mesmo Espirito; mas, cada um ‚ é um centro que irradia para diversos lados. Isso e que faz parecer estar um Espírito em muitos lugares ao mesmo tempo. Vês o Sol? é um somente. No entanto, irradia em todos os sentidos e leva muito longe os seus raios. Contudo, não se divide:" (3)

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Observa-se, dessa forma, que os Espíritos são indivisíveis, constituem uma unidade que não pode ser fracionada. Podem se. percebidos em mais de um lugar por efeito de seu poder de irradiação, poder esse que pode ser maior ou .menor, dependendo "(...) do grau de pureza de cada um. (...) (3) Isto nos permite compreender um fenômeno muitas vezes constatado, em que se registra a presença de Espíritos Superiores em diversos lugares ao mesmo tempo. O fenômeno de ubiqüidade guarda, de uma certa forma, relação como de bicorporeidade. Sabese que '~(...) isolado do corpo, o Espírito de um vivo pode, como o de um morto, mostrar-se com todas as aparências da realidade. Demais, (...) pode adquirir momentânea tangibilidade. Este fenômeno conhecido pelo nome de bicorporeidade, foi que deu azo as historias de homens duplos, isto ‚, de indivíduos cuja presença simultânea em dois lugares diferentes se chegou a comprovar. (...)" (1) O Fenômeno da bicorporeidade ocorre estando o Espirito encarnado. Uma pessoa encontrando-se adormecida, ou num estado mais ou menos extático, pode o seu Espirito, desligado do corpo, aparecer, falar e mesmo tornar-se tangível a outras pessoas. ~, de fato, poder-se-á comprovar que estava em dois lugares ao mesmo tempo. Só que num lugar estava o corpo físico, noutro o Espirito revestido pelo seu perispírito. No fenômeno de ubiqüidade, como foi dito acima, o Espirito não se divide para estar em lugares diferentes. '~(...) Irradia-se para diversos lados e pode assim manifestar-se em muitos pontos, sem se haver fracionado. Dá-se o que se da com a luz, que pode refletir-se simultaneamente em muitos espelhos. (...)" (1)~ verdade que, quanto mais elevado é o Espírito, maior é o seu poder de irradiação, mais potente e o seu dom de ubiqüidade. De qualquer maneira parece-nos que tanto na bicorporeidade como na ubiqüidade, Q perispírito desempenha um papel fundamental. (,pois, necessário maior conhecimento do corpo perispiritual .Sobre este assunto, que estudamos no roteiro 11, reproduziremos uma pergunta feita ao Espirito 'André Luiz, no livro "Evolução em dois mundos ", e a resposta do Espirito."- Quais os mecanismos das alterações de cor, densidade, forma, locomoção e ubiqüidade do corpo espiritual?- A pergunta esta criteriosamente formada; no entanto, para ela responder com segurança precisaremos dispor, na Terra, de mais avançadas noções acerca da mecânica do pensamento." (5)

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4ª Unidade Vida espírita
12 - Espíritos errantes. Sorte das crianças após a morte.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Citar a principal diferença que existe entre Espírito encarnado, errante e puro Explicar como os Espíritos errantes progridem. Justificar a desencarnação de crianças e dizer o que lhes acontece após o desenlace. IDÉIAS PRINCIPAIS "(...) No tocante as qualidades intimas, os Espíritos são de diferentes ordens, ou graus, pelos quais vão passando sucessivamente, a medida que se purificam. Com relação ao estado em que se acham, podem ser encarnados, isto é, ligados a um corpo. errantes, isto é, sem corpo material e aguardando nova encarnação para se melhorarem; Espíritos puros, isto é, perfeitos não precisando mais de encarnação.'' (2) Na erraticidade, os Espíritos '(...) estudam e procuram meios de elevar-se. Vêem, observam o que ocorre nos lugares aonde vão; ouvem os discursos dos homens doutos e os conselhos dos Espíritos mais elevados e tudo isso lhes incute idéias que antes não tinham (3) 0 Espirito progride e ''(...) pode melhorar-se muito, tais sejam a vontade e o desejo que tenha de consegui-lo. Todavia, na existência corporal e que põe e pratica as idéias que adquiriu (4)"(...) A curta duração da vida da criança pode representar, para o Espirito que a animava, o complemento de existência precedentemente interrompida antes do momento em que devera terminar, e sua morte, também' não raro, constitui provação ou expiação para os pais(...) (1) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. Da Pluralidade das Existências. In: O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, l983. Parte 2a, questão 199, p. 133 134. 02 - Da " Vida Espirita. In: . O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Parte 2 questão 226, p. 155 03 - Op. cit., questão 227, p. 155-156. 04 - Op. cit., questão 230, p. 156. COMPLEMENTARES . 05. DELANNE, Gabriel. A Doutrina Espírita. In: - . O Fenômeno Espirita. Trad. por Francisco Raymundo Ewerton Quadros. 3 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1977. Parte 4a. p. 217-218. 06. DENIS, Léon. A Erraticidade. In: - . Depois da Morte. Trad. de João Lourenço de Souza. 11. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978. Parte 4a. p. 217-218. ESPÍRITOS ERRANTES: SORTE DAS CRIANÇAS APÓS A MORTE Separado do corpo físico, pela desencarnação, o Espirito, na maioria das vezes, reencarna depois de intervalos mais ou menos longos. Esses intervalos podem durar de algumas horas a alguns milhares de séculos, ano existindo, neste sentido, limite determinado. Podem prolongarse por muito tempo mas nunca perpétuos. Nesses intervalos fica no estado de Espirito errante, estado em que espera nova reencarnação, aspirando a novo destino. O fato de estar desencarnado, porem, não coloca o Espirito, obrigatoriamente, na condição de errante. Errante só o e o que necessita de nova encarnação para melhorar-se. O Espirito que não precisa mais encarnar para progredir já esta no estado de Espirito puro. Assim, quanto ao estado em que se encontre., os Espíritos podem ser :(1) encarnados, que estão ligados a um corpo físico; 2) errantes, que estão aguardando nova encarnação; e, 3) puros, que estão desligados da matéria e sem necessidade de nova encarnação já que chegaram a perfeição. Convém destacar que o estado de erraticidade não é, por si só, sinal de inferioridade dos Espíritos, uma vez que ha Espíritos errantes de todos os graus. A reencarnação é um estado transitório, já que o estado normal e quando esta liberto da matéria. Nesse estado de erraticidade, os Espíritos não ficam inertes: estudam, observam, buscam informações que lhes enriqueçam o conhecimento das coisas, procurando o melhor meio de se elevarem. Como

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observa Léon Denis: "(...) o ensino dos Espíritos sobre a vida de além-túmulo faz-nos saber que no espaço não ha lugar algum destinado a contemplação estéril, a beatitude ociosa. Todas as regiões do espaço estão povoadas por Espíritos laboriosos. (...)'' Assim, na condição de errante, o Espirito pode melhorar-se muito, conquistando novos conhecimentos' dependendo isso, naturalmente, de sua maior ou menor vontade. Todavia' será na condição de Espírito encarnado que terá oportunidade de colocar em pratica as idéias que adquiriu e realizar, efetivamente, o progresso que esta buscando. Gabriel Delanne nos lembra: "(...) Os Espíritos são os próprios construtores do seu futuro conforme o ensino do Cristo: "A cada um segundo as suas obras..'' Todo Espirito que ficar demorado em seu progresso, somente de si próprio devera queixar-se, do mesmo modo que aquele que se adiantar tem todo o mérito do seu procedimento: a felicidade que ele conquistou tem por esse fato mais valor aos seus olhos. A vida normal do Espirito efetua-se no espaço, mas a encarnação opera-se numa das terras que povoam o Infinito; esta é necessária ao seu duplo progresso, moral e intelectual: ao progresso intelectual, pela atividade que ele e obrigado a desenvolver no trabalho; ao progresso moral, pela necessidade que os homens tem uns dos outros. A vida social é a pedra de toque das boas e das mas qualidades. (...)"(5) Como explicar, entretanto, a situação da criança, cuja vida material se interrompe? E por que esse fato ocorre? Tal qual acontece com o de um adulto, o Espirito de uma criança que morre em tenra idade volta ao mundo dos Espíritos. E, as vezes, é bem mais adiantado e bem mais experiente que o de um adulto ,já que pode ter progredido em encarnações passadas. "A curta duração da vida da criança pode representar, para o Espirito que a animava, o complemento da existência precedentemente interrompida antes do momento em que devera terminar, e sua morte também não raro, constitui provação ou expiação para os pais. "(1) O Espirito cuja existência se interrompeu no período da infância recomeça uma nova existência. "(...) Se uma única existência tivesse o homem e se, extinguindo-se-lhe ela, sua sorte ficasse decidida para a eternidade, qual seria o mérito de metade do gênero humano, da que morre na infância, para gozar, sem esforços, da felicidade eterna e com que direito se acharia isenta das condições, as vezes tão duras, a que se vê submetida a outra metade? Semelhante ordem de coisas não corresponderia a justiça de Deus. Com a reencarnação, a igualdade é real para todos. (...)" (1) Com a experiência vivida pelo Espirito da criança, os seus pais são também provados em sua compreensão para com a vida ou, então, resgatam débitos que assumiram no passado Compreendemos, assim, que "(...) O Universo inteiro evolui. Como os mundos, os Espíritos prosseguem seu curso eterno, arrastados para um estado superior, entregues a ocupações diversas. Progressos a realizar, ciência a adquirir, dor a sufocar, remorsos a acalmar, amor, expiação, devotamento, sacrifício, todas essas forcas, todas essas coisas os estimulam, os aguilhoam, os precipitam na obra; e, essa imensidade sem limites, reinam incessantemente o movimento e a vida. A imobilidade, a inação e o retrocesso, e a morte. Sob o impulso da grande lei, seres e mundos, almas e sois, tudo gravita e se move na orbita gigantesca traçada pela vontade divina." (6)

13 - Ensaio teórico das sensações e percepções dos Espíritos. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Identificar o papel do perispírito nas sensações e percepções de todos os fenômenos espíritas. Explicar como e por que certos Espíritos sentem dores, fome, frio ou calor após a desencarnação. IDÉIAS PRINCIPAIS "(...) O perispírito e o laço que a matéria do corpo prende o Espírito, que o tira do meio ambiente, do fluido universal "(...) E o principio da vida orgânica, porem, não o da vida intelectual, que reside no Espírito. E, alem disso, o agente das sensações exteriores. No corpo, os órgãos, servindo-lhes de condutos, localizam essas sensações. Destruído o corpo, elas se tornam gerais. (...)" (2).

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"(...) Durante a vida, o corpo recebe impressões exteriores e as transmite ao Espirito por intermédio do perispírito. (...). Ora, não sendo o perispírito, realmente, mais do que simples agente de transmissão, pois que no Espirito e que esta a consciência, lógico será deduzir-se que se pudesse existir perispírito sem Espirito, aquele nada sentiria, exatamente como um corpo que morreu. (...)" (4) "(...)O corpo e o instrumento da dor. Se não e a causa primaria desta e, pelo menos, a causa imediata. A alma tem a percepção da dor: essa percepção e o efeito. A lembrança que da dor a alma conserva pode ser muito penosa, mas não pode ter ação física. (...)" (2). "(...) Liberto do corpo, o Espirito pode sofrer, mas esse sofrimento não é corporal, embora não seja exclusivamente moral. (...)" (3) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. Da Ação dos Espíritos sobre a Matéria. In: - . O Livro dos Médiuns. Trad. de Guillon Ribeiro. 45. Parte 2ª .tem 54, p. 71. 02 - Da Vida Espirita. In: - . O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Parte 2 -.Item 257, p. 165. 03 - Op. Cit. p. 166. 04 - Op. Cit. p. 167. 05 - Op. Cit. p. 168. 06 - Op. Cit. p. 169-170. 07 - Dos Espíritos . In: Ä. O Livro dos Espíritos . Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Parte 2 .Questão 82, p. 81-82. COMPLEMENTARES 08. XAVIER, Francisco Cândido. No Plano Carnal. In: Roteiro. 5. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980. p. 15. ENSAIO TEÓRICO DAS SENSAÇÕES E PERCEPÇÕES DOS ESPÍRITOS Na questão nº 82 de O Livro dos Espíritos, Kardec formula a seguinte indagação: ' Será certo dizer-se que os Espíritos são imateriais? "(...) Imaterial não e bem o termo; incorpóreo seria mais exato, pois deves compreender que, sendo uma criação, o Espirito ha de ser alguma coisa. ~ a mateira quintessenciada, mas sem analogia para vos outros, e tão etérea que escapa inteiramente ao alcance dos vossos sentidos. (...)" (7)Em face do esclarecimento acima, deduz-se que as sensações e percepções dos Espíritos são diferentes, conforme seu grau de evolução e o estado de encarnação ou de desencarnado em que se encontram. A - NO PLANO CARNAL "(...) H no homem três componentes: 1º, a alma, ou Espirito, principio inteligente, onde tem sua sede o senso moral; 2º, o corpo, invólucro grosseiro, material, de que ele se revestiu temporariamente, em cumprimento de certos desígnios providenciais; 3º, o perispírito, envoltório fluídico semimaterial, que serve de ligação entre a alma e o corpo. (...)" (1) "(...) Durante a vida, o corpo recebe impressões exteriores e as transmite ao Espirito por intermédio do perispírito (...~" (4). No entanto, as percepções e sensações ficam sensivelmente reduzidas conforme nos esclarecem os Espíritos Superiores.

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"Isolado na concha milagrosa do corpo, o Espirito esta reduzido em suas percepções a limites que se fazem necessários. A esfera senhorial funciona, para ele, a maneira de câmara abafadora. Visão, audição, tato, padecem enormes restrições. O cérebro físico e um gabinete escuro, proporcionando-lhe ensejo de recapitular e reaprender. Conhecimentos adquiridos e hábitos profundamente arraigados nos séculos ai jazem na forma estática de intuições e tendências. (...)''(8) B - NO PLANO ESPIRITUAL "(...) Ensina-nos a experiência que, por ocasião da morte, o perispírito se desprende mais ou menos lentamente do corpo; que durante os primeiros minutos depois da desencarnação, o Espirito não encontra explicação para a situação em que se acha. Crê não estar mor to, por isso que se sente vivo; vê a um lado o corpo, sabe que lhe pertence, mas não compreende que esteja separado dele. Essa situação dura enquanto haja qualquer ligação entre o corpo e o perispírito. ( . . . ) " (~) Este fato leva muitas vezes o Espirito a sentir sensações de dor, frio, calor e, algumas vezes, ate os vermes corroerem o seu corpo físico em decomposição. Sabemos que os vermes não lhe roem o perispírito, assim como ele não está sujeito as sensações físicas de frio, calor, dor, etc. Não sendo completa a separação do corpo e do perispírito, há uma repercussão moral que se reproduz e transmite ao Espirito ocorrências dessa ordem. Inúmeras vezes já não há ligação entre o corpo e o perispírito, pois o primeiro ate já se decompôs, no entanto, a lembrança e a sensação do fato ocorrido, aliadas à dor e ao remorso, repercutem por muitos anos, mantendo a impressão de que aquele fato se dá na atualidade. Por outro lado, os Espíritos com maior grau de evolução tornam-se inacessíveis às sensações que vimos de relatar. Seu perispírito mais leve e as percepções mais apuradas não permitem a repercussão de sensações tipicamente materiais, como nossos sons, odores, etc. Para os Espíritos cujo perispírito ainda e denso, "(...) pode-se dizer que, neles, as vibrações moleculares se fazem sentir em todo o ser e lhes chegam assim ao sensorium commune, que é o próprio Espírito, embora de modo diverso e talvez, também, dando uma impressão diferente, o que modifica a percepção. Eles ouvem o som da nossa voz, entretanto nos compreendem sem o auxilio da palavra, somente pela transmissão d`, pensamento. (...)" (5) C - CONCLUSÃO "(...) Objetarão, talvez: toda esta teoria nada tem de tranqüilizadora. Pensávamos que, uma vez livres do nosso grosseiro envoltório, instrumento das nossas dores, não mais sofreríamos e eis nos informais de que ainda sofreremos. Desta ou daquela forma, será sempre sofrimento. Ah! sim, pode dar-se que continuemos a sofrer, e mui to, e por longo tempo, mas também que deixemos de sofrer, ate mesmo desde o instante em que se nos acabe a vida corporal. Os sofrimentos deste mundo independem, algumas vezes, de nós; muito mais vezes, contudo' são devidos à nossa vontade. Remonte cada um à origem deles e verá que a maior parte de tais sofrimentos são e feitos de causas que lhe teria sido possível evitar. Quantos males, quantas enfermidades não deve o homem aos seus excessos, à sua ambição, numa palavra: às suas paixões? Aquele que sempre vivesse com sobriedade, que de nada abusasse, que fosse sempre simples nos gostos e modesto nos desejos, a muitas tribulações se forraria. O mesmo se dá com o Espirito. Os sofrimentos por que passa são sempre a conseqüência da maneira por que viveu na Terra. Certo já não sofrerá mais de gota, nem de reumatismo; no entanto, experimentará outros sofrimentos que nada ficam a dever àqueles. Vimos que seu sofrer resulta dos laços que ainda o

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prendem à matéria; que quanto mais livre estiver da influência desta, ou, por outra, quanto mais desmaterializado se achar, menos dolorosas sensações experimentará. Ora, está nas suas mãos libertar-se de tal influência desde a vida atual. Ele tem o livrearbítrio, tem, por conseguinte, a faculdade de escolha entre o fazer e o não fazer. Dome suas paixões animais; não alimente ódio, nem inveja, nem ciúme, nem orgulho; não se deixe dominar pelo egoísmo; purifique-se, nutrindo bons sentimentos; pratique o bem; não liguei às coisas deste mundo importância que não merecem; e, então, embora revestido do invólucro corporal, já estará depurado, já estará liberto do jugo da matéria e, quando deixar esse invólucro, não mais lhe sofrerá a influência. (...) (6) 14 - Ocupações e missões dos Espíritos. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Identificar a natureza das ocupações dos Espíritos Constatar a importância de os Espíritos se manterem em ocupações incessantes. Dar exemplos de ocupações e de missões dos Espirito encarnados e desencarnados. . IDÉIAS PRINCIPAIS "(...) Os Espíritos encarnados tem ocupações inerentes às suas existências corpóreas. No estado de erraticidade, onde desmaterialização, tais ocupações são adequadas ao grau de adiantamento deles. Uns percorrem os mundos, se instruem e preparam para nova encarnação. Outros, mais adiantados, se ocupam com o progresso (...) Outros tomam sob sua tutela os indivíduos, as famílias, as reuniões, as cidades e os povos, dos quais se constituem anjos guardiães, os gênios protetores e os Espíritos familiares. Outros, finalmente, presidem aos fenômenos da Natureza(...)" (4) "(...) A vida espirita e uma ocupação continua, mas que nada tem de penosa, como a vida na Terra, porque não há a fadiga corporal, nem as angustias das necessidades'.' (1) "(...) São incessantes as ocupações dos Espíritos, atendendo-se a que sempre ativos são os seus pensamentos (...). Essa mesma atividade lhe constitui um gozo pela consciência que têm de ser úteis." (2) "(...) As missões dos Espíritos têm sempre por objeto o bem. Quer como Espíritos, quer como homens, são incumbidos de auxiliar o progresso da Humanidade, dos povos ou dos indivíduos. (...)" (3) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. Das ocupações e missões dos Espíritos. In: . O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Parte 2a, questão 558, p. 281. 02 - Op. cit., questão 563, p. 282. 03 - Op. cit., questão 569, p. 284-285. 04 - Op. cit., questão 584, p. 289-290. 05 - O céu. In:. O Céu e o Inferno. Trad. de Manuel Justiniano Quintao. 29 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Parte 1a, item 1ª, p. 34. 1 06 - Op. cit., item 13, p. 34-35. 07 - Op. cit., item 14, p. 35. ; 08 - Op. cit., item 15, p. 35.

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OCUPAÇÕES E MISSÕES DOS ESPÍRITOS. Os Espíritos têm ocupações e missões a desempenhar. Alem do trabalho de se melhorarem pessoalmente, incumbe-lhes executar a vontade de Deus, concorrendo, assim, para a harmonia do Universo. A ocupação dos Espíritos e continua. Essa ação continua, contudo, nada tem de penosa, uma vez que não estão sujeitos à fadiga e às necessidades próprias da vida terrena. Os Espíritos inferiores e imperfeitos também desempenham função útil no universo, embora muitas vezes não se apercebam disso, visto que todos têm deveres a cumprir. Os Espíritos devem percorrer todos os diferentes graus da escala evolutiva para se aperfeiçoarem. Assim, todos devem habitar em toda parte e adquirir o conhecimento de todas as coisas. Mas há tempo para tudo. Dessa forma, a experiência e o aprendizado por que um Espirito está passando hoje, um outro já passou e outro ainda passará. Existem Espíritos que não se ocupam de coisa alguma, conservando-se totalmente ociosos. Todavia esse estado e temporário e cedo ou tarde o desejo de progredir os impulsiona para uma atividade, tornando-os felizes por se sentirem úteis. "(...) As missões dos Espíritos têm sempre por objetivo o bem. Quer como Espíritos, quer como homens, são incumbidos de auxiliar o progresso da Humanidade, dos povos ou dos indivíduos, dentro de um circulo de idéias mais ou menos amplas, mais ou menos especiais e de velar pela execução de determinadas coisas. Alguns desempenham missões mais restritas e, de certo modo, pessoais ou inteiramente locais, como sejam assistir os enfermos os agonizantes, os aflitos, velar por aqueles de quem se constituíram guias e protetores, dirigi-los, dando-lhes conselhos ou inspirando-lhes bons pensamentos. Pode dizer-se que há tantos gêneros de missões quantas as espécies de interesses a resguardar, assim no mundo físico, como no moral. O Espírito se adianta conforme a maneira por que desempenha a sua tarefa." (3) Os Espíritos se ocupam com as coisas deste mundo de acordo com o grau de evolução em que se achem. Os superiores só se ocupam no que seja útil ao progresso. Já os inferiores se sentem ligados às coisas materiais, e delas se ocupam. "A felicidade dos Espíritos bem-aventurados não consiste na ociosidade contemplativa, que seria, como temos dito muitas vezes, uma eterna e fastidiosa inutilidade.(...)"(5) "As atribulações dos Espíritos são proporcionais ao seu progresso, às luzes que possuem, às suas capacidades, experiência e grau de confiança inspirada ao Senhor soberano. Nem favores, nem privilégios que não sejam o prêmio ao mérito; tudo e medido e pesado na balança da estrita justiça. As missões mais importantes são confiadas somente àqueles que Deus julga capazes de as cumprir e incapazes de desfalecimento ou comprometimento. (...)" (6) "Ao lado das grandes missões confiadas aos Espíritos superiores, há outras de importância relativa em todos os graus, concedidas a Espíritos de todas as categorias, podendo afirmar-se que cada encarnado tem a sua, isto e, deveres a preencher a bem dos seus semelhantes, desde o chefe de família, a quem incumbe o progresso dos filhos, ate o homem de gênio que lança às sociedades novos germens de progresso. nessas missões secundárias que se verificam desfalecimentos, prevaricações e renuncias que prejudicam o indivíduo sem afetar o todo". (7) "Todas as inteligências concorrem, pois, para a obra geral, qual quer que seja o grau atingido, e cada uma na medida das suas forcas, seja no estado de encarnação ou no espiritual. Por toda parte a atividade, desde a base ao ápice da escala, instruindo-se, coadjuvando-se, em mutuo apoio, dando-se as mãos para alcançarem o zênite. (...)" (8)

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15 - Relações do além-túmulo: Almas gêmeas. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Dar a diferença entre almas gêmeas e metades eternas . Conceituar alma gêmea. Esclarecer por que nem sempre as almas gêmeas estão no mesmo grau evolutivo. IDÉIAS PRINCIPAIS "(...) A teoria das metades eternas encerra uma simples figura, representativa da união de dois Espíritos simpáticos. Trata-se de uma expressão usada ate na linguagem vulgar e que se não deve tomar ao pé da letra (...)." (03) A tese sobre almas gêmeas "(...) é mais complexa do que pareça ao primeiro exame, e sugere mais vasta meditação (...), mesmo porque, com a expressão "almas gêmeas", não desejamos dizer "metades eternas" (...)" (10) "(...) Criadas umas para as outras, as almas gêmeas se buscam, sempre que separadas. A união perene é-lhes a aspiração suprema e indefinível (...)". (08) Pode ocorrer que as almas gêmeas não se encontrem no mesmo plano evolutivo. Isto porque uma delas progrediu mais que a outra. Almas criadas na mesma era, iniciando "(...) úteis peregrinações em mundos primitivos, e, depois, separadas em pontos diversos do globo terrestre, conservam, umas das outras, reminiscências indeléveis. As vezes, não se encontram em algumas de suas jornadas terrenas quando uma delas comete delitos graves e retarda o seu cinzelamento psíquico (...)". (11) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. - Da Vida Espírita. In: - . O Livro dos Espíritos Trad. de Guillon Ribeiro, 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983 .Parte 2ª, questão 298, p. 185. 02 - Op. cit., questão 299, p. 185. 03 - Op. cit., questão 303, p. 186. COMPLEMENTARES. 04 - XAVIER , Francisco Cândido. Amor. União. In: - . O Consolador, pelo Espirito Emmanuel. 6. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1976, questão 323, p. 185 e 186. 05 - Op. cit., questão 325, p. 186. 06 - Op. cit., Nota p. 233. 07 - Sacrifícios to Amor. In: - . Renuncia, pelo Espirito Emmanuel, 4. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1958, p. 15. 08 - Op. cit., p. 25. 09 - GAMA, Zilda. Almas Gêmeas. In: . Diário dos Invisíveis, por diversos Espíritos, 2. ed. São Paulo, "O Pensamento", 1943, p.129 e 130. RELAÇÕES DO ALÉM TÚMULO: ALMAS GÊMEAS Ao estudarmos a teoria das almas gêmeas citaremos fontes bibliográficas para que o assunto seja mais: profundamente analisado. A questão 298 de O Livro dos Espíritos nos informa que "(...) não há união particular e fatal, de duas almas. A união que há e a de todos os Espíritos, mas em graus diversos, segundo a categorias que ocupam, isto é, segundo a perfeição que tenham adquirido. quanto mais perfeitos, tanto mais unidos. (...)" (01)

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Devemos compreender que um Espirito não e a metade do outro ."(...) Se um Espirito fosse a metade de outro, separados os dois, estariam ambos incompletos." (02) "(.-..) A teoria das metades eternas encerra uma simples figura, representativa da união de dois Espíritos simpáticos. Trata-se de uma expressão usada até na linguagem vulgar e que se não deve tomar ao pê da letra. (...)"-(03-) - Referindo-se ao assunto Emmanuel nos diz, às questões -323 a 328 do livro O Consolador que: "(...) No sagrado mistério da vida, cada coração possui no Infinito a alma gêmea da sua, companheira divina para a viagem à gloriosa imortalidade. Criadas umas para as outras, as almas gêmeas se buscam, sempre que separadas. A união perene é-lhes a aspiração suprema e indefinível. Milhares de seres, se transviados no crime ou na inconsciência, experimentam a separação das almas que os sustentam, como a provação mais ríspida e dolorosa, e, no drama das existências mais obscuras, vemos sempre a atração eterna das aluas que se amam intimamente (...)!Quando se encontram, no acervo dos trabalhos humanos, sentem-se de posse da felicidade real para os seus corações a da Ventura de sua união, (...) e a única amargura que lhes empana a alegria e a perspectiva de uma nova separação pela morte, perspectiva essa que a luz da Nova Revelação veio dissipar (...)" (04) Não sabemos ainda esclarecer a razão da atração existente entre dois Espíritos, tornando-os almas gêmeas. "(...) Para todos nos. o primeiro instante da criação do ser está mergulhado num suave mistério, assim como também a atração profunda e inexplicável que arrasta uma alma para outra, no instituto dos trabalhos, das experiências, e das provas, no caminho infinito do Tempo (...)". (05) Nem sempre, as almas gêmeas encontram-se no mesmo plano evolutivo. No livro Diário dos Invisíveis de Zílda Gama, o Espirito Victor Hugo nos afirma que almas criadas na mesma era, iniciando "(...) úteis peregrinações em mundos primitivos, e, depois, separadas em pontos diversos do globo terrestre, conservam, umas das outras, reminiscências indeléveis. As vezes, não se encontram em algumas de suas jornadas terrenas - quando uma delas comete delitos graves e retarda o seu cinzelamento psíquico, outras há, porem, que, logo nos primórdios de uma existência, se reúnem e se reconhecem, fitando-se longamente, agrilhoadas, às vezes, pelo afeto de íntimo parentesco, nascidas sob o mesmo teto: Então, na voz dos entes que vivificam, recordam um timbre familiar e muito amado. (...) Quando compreendem que se revém enfim, que os seus Espíritos foram germinados no mesmo instante, perlustraram o mesmo carreiro, tornaram-se gêmeos pelos laços perpétuos da afinidade - um júbilo intenso irradia-se nos seus íntimos qual uma alvorada espancando bruscamente as trevas de uma noite que parecia interminável... Sim, as trevas em que jaziam antes de se reverem, pois as almas isoladas, incompreendidas, enquanto lhes falta a consócia que as deixou mutiladas, o lúcido fragmento que as integra por um consórcio celeste - o Amor, o vinculo estelífero que as torna inseparáveis por toda consumação dos séculos - ficam imersas em penumbra, asfixiadas em desalento, envoltas em brumas polares... (...)." (09) Em Renuncia, obra psicografada por Francisco Cândido Xavier, o Espirito Emmanuel conta-nos a história da luminosa entidade espiritual Alcione, que se afasta, temporariamente, da elevada esfera onde residia para, entre outras coisas, auxiliar sua alma gêmea Pólux que "(...) na luta consigo mesmo, as paixões subalternas sempre saiam vencedoras em sinistros triunfos (...)" (07). Alcione, renasce no planeta Terra, oriunda de "(...) portentosa esfera, inconfundível em magnificência e grandeza (...)" (08) em verdadeiros sacrifícios do amor. A maravilhosa historia de Alcione e Pólux e o exemplo, de Espíritos evolutivamente muito distanciados um do outro, mas que, por serem almas gêmeas, mantém-se

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intimamente ligados. ~ importante, no entanto, que fique claro o conceito de almas gêmeas: "(...) a tese, (...), é mais complexa do que parece ao primeiro exame, e sugere mais vasta meditação às tendências do século) no capitulo do "divorcismo" e do "pansexualismo", que a ciência menos construtiva vem lançando nos Espíritos, mesmo porque, com a expressão "almas gêmeas", não desejamos dizer "metades eternas", e ninguém, a rigor, pode estribar-se no enunciado para desistir de veneráveis compromissos assumidos na escola redentora do mundo, sob a pena de aumentar os próprios débitos, com difíceis obrigações à frente da lei. (...)" (06)pressão "almas gêmeas", não desejamos dizer "metades eternas", e ninguém, a rigor, pode estribar-se no enunciado para desistir de veneráveis compromissos assumidos na escola redentora do mundo, sob a pena de aumentar os próprios débitos, com difíceis obrigações à frente da Lei. (...)" (06) ANEXO 01. Que idéia fornece a teoria das metades eternas, analisada à luz do Espiritismo? 02. Que se deve entender por "almas gêmeas"? 03. Qual a diferença entre os conceitos de alma gêmea e metades eternas? 04. Por que a tese de almas gêmeas e mais complexa do que parece à primeira vista? 05. Por que as almas gêmeas nem sempre permanecem juntas nas realizações de tarefas ou programações espirituais? 06. As almas gêmeas possuem sempre O mesmo grau evolutivo? justifique a sua resposta. 07. Analise a afirmação de Emmanuel, citada na Síntese do Assunto: as almas gêmeas "quando se encontram, no acervo dos trabalhos humanos, sentem-se de posse da felicidade real para os seus corações - a da ventura de sua união (...)". 16 - Simpatias e antipatias. OBJETIVOS BÁSICO Explicar como se estabelecem as relações de simpatia entre os desencarnados e encarnados Evidenciar a pratica do amai os vossos inimigos (MI,-5:44) ensinada por Jesus .IDÉIAS PRINCIPAIS "(...) A simpatia que atrai um Espírito para outro resulta da per feita concordância de seus pendores e instintos (...)." (01) "(...)Os inimigos do mundo invisível manifestam sua malevolência pelas obsessões e subjugações com que tanta gente se vê a braços .( )." (03) " (....) Amai o vosso inimigo não se circunscreve ao âmbito acanhado da Terra e da vida presente; antes, faz parte da grande lei da solidariedade e da fraternidade universais." (03) FONTES DE CONSULTA. BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. - Da Vida Espirita. In: - . O Livro dos Espíritos, trad. de Guillon Ribeiro, 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983 questão 301, p. 185. 02 - Op. cit., questão 298, p. 185. 03 - Os inimigos desencarnados. In: - . O Evangelho Segundo o Espiritismo, trad. de

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Guillon Ribeiro, 87. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, capítulo 12. item 06, p. 207 a 208. 04 - Op. cit., item 05, p. 206. SIMPATIAS E ANTlPATIAS Como seres inteligentes da criação, que povoam o Universo, fora do mundo material, os Espíritos cultivam, entre si, a simpatia geral determinada pelas suas próprias semelhanças. Alem desta simpatia de caráter geral, existem, também, as afeições particulares, tal como as há entre os homens. Esta afeição particular decorre do principio de afinidade, como resultado de uma "(...) perfeita concordância de seus pendores e instintos. (...)" (01) Assim como há as simpatias entre os Espíritos, há, também, as antipatias, alimentadas pelo ódio, que geram inimizades e distensões. Este sentimento, todavia, só existe entre os Espíritos impuros, que não venceram, ainda, em si mesmos, basicamente, o egoísmo e orgulho. Como exercem influencia junto aos homens, acabam estimulando nestes os desentendimentos e as discórdias, muito comuns na vida humana. Desde que originada de verdadeira simpatia, a afeição que dois seres se consagram na Terra continua a existir sempre no mundo dos Espíritos. Por sua vez, os Espíritos a quem fizemos mal neste mundo poderão perdoar-nos se já forem bons e segundo o nosso próprio arrependimento. Se, porem, ainda forem maus, podem guardar ressentimento e nos perseguirem muitas vezes até em outras existências. Como observam os Espíritos superiores: "(...) da discórdia nascem todos os males dos humanos; da concórdia resulta a completa felicidade.'' (02) E um dos objetivos da nossa encarnação é o de trabalhar no sentido de nos melhorarmos interiormente e chegarmos à perfeição espiritual. Isto nos leva a compreender melhor a afirmação de Jesus, quando nos disse: Amai os vossos inimigos , pois só há prejuízo para o Espirito que tenha inimigos por força do mal que haja praticado, uma vez que os inimigos são obstáculos em sua caminhada e essa inimizade sempre gera infelicidade e atraso em seu progresso espiritual. Admitindo "(...) que a maldade não é um estado permanente dos homens; que ela decorre de uma imperfeição temporária e que, assim como a criança se corrige dos seus defeitos, o homem mau reconhecerá um dia os seus erros e se tornará bom (...)" (04) compreendemos também que a nossa meta maior e superar a maldade que ainda existe em nós e nos outros. E, neste sentido, só a manifestação de amor de nossa parte pode quebrar o circulo vicioso do ódio que continua a existir, muitas vezes, mesmo depois da morte flsica. O período mais propicio a esse esforço é, sem duvida, quando estamos junto aos nossos inimigos, convivendo com eles, na condição de encarnados e desencarnados, pois é quando temos as melhores oportunidades de testemunhar nosso propósito de cultivar a concórdia para com todos e, assim, substituir os laços de ódio que nos ligavam, pelos laços de amor que passam a nos unir QUEST1ONARIO 01. Por que os laços dos sentimentos são mais Fortes entre os Espíritos desencarnados? 02. Que pode favorecer a antipatia e mesmo inimizade entre os desencarnados? 03. Por que razão permitiria Deus que um Espirito perseguisse outro após chegar ao plano espiritual? 04. Por que o amar os inimigos e a mais sublime aplicação do principio da caridade? -

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05. Que e necessário para um Espirito ser simpático a outro? 06. Em que condições pode haver simpatia perfeita entre dois Espíritos? 07. Quando um Espirito perde a simpatia por outro? 08. Por que devemos ser indulgentes com os nossos inimigos ou desafetos? ~ 09. Justifique por que é falsa a expressão: o o ódio deve ser extinto com sangue. 10. Interprete, à luz da Doutrina Espirita, o amai os vossos inimigos ensinado por Jesus. 11. De que modo os inimigos desencarnados manifestam sua malevolência para com os encarnados? 12. Por que ainda existem Espíritos maus no nosso Planeta? GABARITO DE RESPOSTAS 01. Porque esses laços não estão sujeitos às vicissitudes das paixões - como o amorpróprio - nem aos interesses materiais. 02. O ódio ou ressentimento de algum mal ou prejuízo que um Espírito fez a outro. , 03. Como castigo ou provação que o Espirito do encarnado deva passar. 04. Porque a posse de tal virtude representa vitória sobre o orgulho e a vaidade. 05. Que haja perfeita concordância de pendores e instintos entre ambos 06. Quando dois Espíritos possuem igualdade de graus evolutivos. 07. Quando um deles e preguiçoso e, consequentemente, não acompanha o progresso do outro. 08. Porque a maldade não sendo um estado permanente dos homens, e sendo decorrente da imperfeição humana, o mau de hoje será o bom de amanhã. 09. Porque o Espirito sobrevivente à matéria continuará odiando, no além-túmulo, aquele que o prejudicou. O ódio só não existirá se o desencarnado for um bom Espirito e perdoar o agres sor. 10. Essa expressão de Jesus oferece um meio de se libertar do ódio e das perseguições dos desencarnados. Estes se sensibilizarão à medida que notarem o bom comportamento e o arrependimento sincero daqueles que o prejudicaram. 11. Através das obsessões e subjugações. 12. Porque ainda existem Espíritos imperfeitos que fazem o mal. 17 - Escolha das provas. Estudo de casos. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Evidenciar a importância do livre-arbítrio na escolha de provas nas programações reencarnatórias. Estabelecer a diferença entre provações e atribulações corriqueiras na vida dos encarnados. IDÉIAS PRINCIPAIS O Espirito, "(. .) ele próprio escolhe o gênero de provas por que há de passar e nisso consiste o seu livre-arbítrio. (...) Cumpre se distinga o que e obra da vontade de Deus do que o é da do homem. Se um perigo vos ameaça, não fostes vos quem o criou e sim Deus. Vosso, porem, foi o desejo de a ele vos expordes, por haverdes visto nisso um meio de progredirdes, e Deus o permitiu." (01). No mundo espiritual, o Espirito tem a oportunidade de escolher o gênero de provas, mas não escolheu nem previu tudo que ira acontecer com ele no mundo corporal. "(...) As particularidades correm por conta da posição em que vos achais; são, muitas vezes, conseqüências das vossas próprias ações. (...) Sabe o Espírito que, escolhendo tal

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caminho, terá que sustentar lutas de determinada espécie (...). Os acontecimentos secundários se originam das circunstancias e da força mesma das coisas. Previstos só são os fatos principais, os que influem no destino. (...)" FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. Da Vida Espirita. In. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Parte 2ª, questão 258, p. 171. 02 - Op. cit., questão 259, p. 171-172. 03 - Op. cit., questão 266, p. 174-176. ESCOLHA DAS PROVAS. "(...) Sob a influencia das idéias carnais, o homem, na Terra, só vê das provas o lado penoso. Tal a razão de lhe parecer natural sejam escolhidas as que, do seu ponto de vista, podem coexistir com os gozos materiais. Na vida espiritual, porem, compara esses gozos fugazes e grosseiros com a inalterável felicidade que lhe é dado entrever e desde logo nenhuma impressão mais lhe causam os passageiros sofrimentos terrenos. Assim, pois, o Espirito pode escolher prova muito rude e, conseguintemente, uma angustiada existência, na esperança de alcançar depressa um estado melhor, como o doente escolhe muitas vezes o remédio mais desagradável para se curar de pronto. Aquele que intenta ligar seu nome a descoberta de um pais desconhecido não procura trilhar estrada florida. Conhece os perigos a que se arrisca, mas também sabe que o espera a gloria, se lograr bom êxito. ,, ~A doutrina da liberdade que temos de escolher as nossas existências e as provas que devamos sofrer deixa de parecer singular, desde que se atenda a que os Espíritos, uma vez desprendidos da matéria, apreciam as coisas de modo diverso da nossa maneira de aprecia-las. Divisam a meta, que bem diferente e para eles dos gozos fugitivos do mundo. Após cada existência, vêem o passo que deram e compreendem o que ainda lhes falta em pureza para atingirem aquela meta. Daí o se submeterem voluntariamente a todas as vicissitudes da vida corpórea, solicitando as que possam fazer que a alcancem mais presto. Não ha, pois, motivo de espanto no fato de o Espírito não preferir a existência mais suave. Não lhe é possível, no estado de imperfeição em que se encontra, gozar de uma vida isenta de amarguras. Ele o percebe e, precisamente para chegar a fruí-la, e que trata de se melhorar. Não vemos, alias, todos os dias, exemplos de escolhas tais? Que faz o homem que passa uma parte de sua vida a trabalhar sem trégua, nem descanso, para reunir haveres que lhe assegurem o bem-estar, se não desempenhar uma tarefa que a si mesmo se impôs, tendo em vista melhor futuro? O militar que se oferece para uma perigosa missão, o navegante que afronta não menores perigos, por amor da Ciência ou no seu próprio interesse, que fazem, também eles, senão sujeitar-se aprovas voluntárias, de que lhos advirão honras e proveito, se não sucumbirem? A que se não submete ou expõe o homem pelo seu interesse ou pela sua gloria? E os concursos não são também todos provas voluntárias a que os concorrentes se sujeitam, com o fito de avançarem na carreira que escolheram? Ninguém galga qualquer posição nas ciências, nas artes, na indústria, senão passando pela serie das posições inferiores, que são outras tantas provas. A vida humana ‚, pois, cópia da vida espiritual; nela se nos deparam em ponto pequeno todas as peripécias da outra. Ora, se na vida terrena muitas vezes escolhemos duras provas, visando a posição mais elevada, por que não haveria o Espirito, que enxerga mais longe que o corpo e para quem a vida corporal ‚ apenas incidente de curta duração, de escolher uma existência árdua e

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laboriosa, desde que o conduza a felicidade eterna? Os que dizem que pedirão para ser príncipes ou milionários, uma vez que ao homem e que caiba escolher a sua existência, se assemelham aos míopes, que apenas vêem aquilo em que tocam, ou a meninos gulosos, que, a quem os interroga sobre isso, respondem que desejam ser pasteleiros ou doceiros. ; O viajante que atravessa profundo vale ensombrado por espesso nevoeiro não logra apanhar coma vista a extensão da estrada por onde vai, nem os seus pontos extremos. Chegando, porem, ao cume da montanha, abrange com o olhar quanto percorreu do caminho e quanto lhe resta dele a percorrer. Divisa-lhe o termo, vˆ os obstáculos que ainda terá de transpor e combina então os meios mais seguros de atingilo. O Espirito encarnado e qual viajante no sopé da montanha. Desenleado dos liames terrenais, sua visão tudo domina, como a daquele que subiu a crista da serrania. Para o viajor, no termo da sua jornada está o repouso após a fadiga; para o Espírito, esta a felicidade suprema, após as tribulações e as provas. Dizem todos os espíritos que, na erraticidade, eles se aplicam a pesquisar, estudar, observar, a fim de fazerem a sua escolha. Na vida corporal não se oferece um exemplo deste fato? Não levamos freqüentemente, anos a procurar a carreira pela qual afinal nos decidimos, certos de ser a mais apropriada a nos facilitar o caminho da vida? Se numa o nosso intento se malogra, recorremos; a outra. Cada uma das que abraçamos representa uma fase, um período da vida. Não nos ocupamos cada dia em cogitar do que faremos no dia seguinte ? Ora, que sao para o Espírito as diversas existências corporais, se não fases, períodos, dias da sua vida espirita, que é, como sabemos, a vida normal, vista que a outra e transitória, passageira?" (03) ANEXO01 TECNICA DE ESTUDO DE CASOS A técnica do estudo de casos consiste em propor aos participantes da reunião "(...) uma situação real que já tenha sido solucionada, criticada ou apreciada, para, de novo, voltar a ser focalizada" (*), no sentido de: "(...) aplicar conhecimentos teóricos em situações reais (...) realizar trabalho de revisão, (...) de fixação e integração da aprendizagem;(...) favorecer a correlação com o real e dar sentido de realidade "(...)(*) ao assunto estudado; adquirir vivência de fatos que possam ser encontrados ao longo da experiência humana; (..." habituar a analisar soluções sob seus aspectos positivos e negativos; fortalecer a atitude de tomar decisões depois de ponderada uma situação" (*), ajudar o estudante (...)" a formar Juízos de realidade e de valor; desenvolver a capacidade de analise" (*).DESENVOLVIMENTO DA TÉCNICA: a- O dirigente da reunião cita a origem do caso em estudo e em que situações ele ocorreu. b. Explica, a seguir, que e importante uma leitura reflexiva do caso. c. Pede aos participantes que apontem soluções, apreciações ou críticas após discussão entre os componentes da equipe e de acordo com a orientação dada no roteiro das tarefas a serem executadas. d. O dirigente, em todo o trabalho, evitara dar a própria opinião sobre a solução ou soluções do caso. e. No final, depois da conclusão dos trabalhos dos participantes da reunião, o dirigente apresenta a solução, apreciação ou critica que o caso em estudo já tenha recebido, podendo, neste momento, opinar sobre o mesmo .Esta opinião do dirigente ou de outras pessoas, sobre o caso, servirá para retificar ou não o que os participantes disseram.(*) NERICI, G. Imideo. Metodologia o Ensino; Uma Introdução. 2. ed. São Paulo, Atias, 1981 p. 134.

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1º CASO - A QUEDA DE OTÁVIO A ausência de Aniceto deu ensejo a palestras interessantes. Formaram-se grupos de conversação amiga. Impressionado com as senhoras que haviam solicitado providencias para Otávio, pedi a Vicente me apresentasse a elas, não que me movesse curiosidade menos digna, mas desejo de alcançar novos valores educativos sobre a tarefa mediúnica, que a palavra de Telésforo me fizera sentir em tons diferentes. O amigo atendeu de boamente. Em breves momentos, não me achava tão só afrente das irmãs Isaura o Isabel, mas do próprio Otávio, um pálido senhor que aparentava quarenta anos - Também sou principiante aqui - expliquei - e minha condição é a do médico falido nos deveres que o Senhor me confiou Otávio sorriu e respondeu: - Possivelmente, o meu amigo terá a seu favor o fato de haver ignorado as verdades eternas, no mundo. O mesmo não ocorre comigo, ai de mim ! Não desconhecia o roteiro certo, que o Pai me designava para as lutas na Terra. Não possuía títulos oficializados de competência; entretanto, dispunha de considerável cultura evangélica, coisa que, para a vida eterna,. é de maior importância que a cultura intelectual, simplesmente considerada. Tive amigos generosos do plano superior, que se faziam visíveis aos meus olhos, recebi mensagens repletas de amor e sabedoria e, no entanto, cai mesmo assim, obedecendo à imprevidência e à vaidade. As observações de Otávio impressionavam-me vivamente. Quando no mundo , eu não tivera contato especial com as escolas espiritistas e experimentava certa dificuldade para compreender tudo quanto ele desejava dizer. — Ignorava a extensão das responsabilidades mediúnicas—respondi. — As tarefas espirituais— tornou o interlocutor, algo acabrunhado — ocupam-se de interesses eternos e dai a enormidade de minha falta Os mordomos de bens da alma estão invertidos de responsabilidades pesadíssimas. Os estudiosos, os crentes, os simpatizantes, no campo da fé, podem alegar ignorância e inibição; todavia, os sacerdotes não tem desculpa. E' o mesmo que se verifica na tarefa mediúnica. Os aprendizes ou beneficiários, nos templos da Revelação nova, podem referir-se a determinados impedimentos; mas o missionário é obrigado a caminhar com um patrimônio de certeza tais, que coisa alguma o exonera das culpas adquiridas. — Mas, meu amigo - perguntei, assaz impressionado - , que teria motivado seu martírio moral? Noto-o tão consciente de si mesmo, tão superiormente informado ;sobre as leis da vida , que me custa acreditar se encontre necessitado de novas experiências nesse capitulo... Arnbas as senhoras presentes mostraram estranho brilho no olhar, enquanto Otávio respondia: —Relatarei minha queda Vera como perdi maravilhosa oportunidade de elevação. E, após mais longa pausa, continuou, gravemente: —Depois de contrair dividas enormes na esfera carnal, noutro tempo, vim bater às portas de "Nosso Lar", sendo atendido por irmãos dedicados, que se revelaram incansáveis para comigo. Preparei-me, então, durante trinta anos consecutivos, para voltar à Terra em tarefa mediúnica, desejoso de saldar minhas contas e elevar-me alguma coisa. Não faltaram lições verdadeiramente sublimes, nem estímulos santos ao

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meu coração imperfeito. O Ministério da Comunicação favoreceu-me com todas as facilidades e, sobretudo, seis entidades amigas movimentaram os maiores recursos em benefício do meu êxito. Técnicos do Auxilio acompanharam-me à Terra, nas vésperas do meu renascimento, entregando-me um corpo físico rigorosamente sadio. Segundo a magnanimidade dos meus benfeitores daqui, ser-me-ia concedido certo trabalho de relevo, na esfera de consolação às criaturas. Permaneceria junto das falanges de colaboradores encarregados do Brasil, animando-lhes os esforços o atendendo a irmãos outros, ignorantes, perturbados ou infelizes. O matrimonio não deveria entrar na linha de minhas cogitações, não que o casamento possa colidir com o exercício da mediunidade, mas porque meu caso particular assim o exigia. Nada obstante, solteiro, deveria receber, aos vinte anos, os seis amigos que muito trabalharam por mim, em "Nosso Lar", os quais chegariam ao meu círculo como órfãos. Meu débito para com essas entidades tornou-se muito grande e a providência não só constituiria agradável resgate para mim, como também garantia de triunfo pelo serviço de assistência a elas, o que me preservaria o coração de leviandades e vacilações, porquanto o ganha-pão laborioso me compeliria a não aceder a sugestões inferiores nos domínios do sexo e das ambições incutidas. Ficou também assentado que minhas atividades novas começariam com muitos sacrifícios. para que o possível carinho de outrem não amolecesse a minha fibra de realização, e para que se não escravizasse minha tarefa a situações caprichosas do mundo, distantes dos desígnios de Jesus, e, sobretudo, para que fosse mantida a impessoalidade do serviço. Mais tarde, então, com o correr dos anos de edificação, me enviariam de "Nosso Lar' socorros materiais, cada vez maiores, à medida que fosse testemunhando renúncia de mirn mesmo, desprendimento das posses efêmeras, desinteresse pela remuneração dos sentidos, de maneira a intensificar, progressivamente, a semeadura de mor confiada às minas mãos. Tudo combinado, voltei, não só prometendo fidelidade aos meus instrutores, como também hipotecando a certeza do meu devotamento às seis entidades amigas, a quem muito devo até agora. Otávio, nesse momento, faz uma pausa mais longa, suspirou fundamente, e prosseguiu: - Mas, ai de mim, que olvidei todos os compromissos! Os benfeitores de "Nosso Lar" localizaram-me ao lado de verdadeira serva de Jesus. Minha mãe era espiritista cristã desde moça, não obstante as tendências materialistas de meu pai, que era, todavia, um homem de bem. Aos treze anos fiquei órfão de mãe e, aos quinze, começaram para mim os primeiros chamados da esfera superior. Por essa ocasião, meu pai contraiu segundas núpcias, e, apesar da bondade e cooperação que a madrasta me oferecia, eu me colocava num plano de falsa superioridade, a respeito dela. Em vão, minha genitora endereçou, do invisível, apelos sagrados ao meu coração. Eu vivia revoltado, entre queixas e lamentações descabidas. Meus parentes conduziram-me a um grupo espiritista de excelente orientação evangélica, onde minhas faculdades poderiam ser postas a serviço dos necessitados e sofredores; entretanto, faltavam-me qualidades de trabalhador e companheiro fiel. Minha negação em matéria de confiança nos orientadores espirituais e acentuado pendor para a critica dos atos alheios compeliam-me a desagradável estacionamento. Os beneméritos amigos do invisível estimulavam-me ao serviço, mas eu duvidava deles com a minha vaidade doentia. E como prosseguissem os apelos sagrados, por Lm interpretados como alucinações, procurei um médico que me aconselhou experiências sexuais. Completara, então, dezenove anos e entreguei-me desenfreadamente ao abuso de faculdades sublimes. Desejava conciliar, à força, o prazer delituoso e o dever espiritual, alheando-me, cada vez mais, dos ensinos evangélicos que os amigos da esfera superior nos ministravam. Tinha pouco mais de vinte anos, quando meu pai foi arrebatado pela morte. Com a triste ocorrência, ficavam na orfandade seis

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crianças desfavorecidas, porquanto minha madrasta, ao se consorciar com meu genitor, lhe trouxera para a tutela três pequeninos. Em vão implorou-me socorro a pobre viúva. Nunca me dignei aceitar os encargos redentores que me estavam destinados. Após dois anos de segunda viuvez' minha desventurada madrasta foi recolhida a um leprosário. Afastei-me, então, dos pequenos órfãos, tomado de horror. Abandonei-os definitivamente, sem refletir que lançava meus credores generosos, de "Nosso Lar", a destino incerto. Em seguida, dando largas à ociosidade, cometi uma ação menos digna e fui obrigado a casar-me pela violência. Mesmo assim, porém, persistiam os chamados do invisível, revelando-me a inesgotável misericórdia do Altíssimo. Contudo, à medida que olvidava meus deveres, toda tentativa de realização espiritual figurava-se-me mais difícil. E continuou a tragédia que inventei para meu próprio tormento. A esposa a que me ligara, tão somente por apetites inconfessáveis, era criatura muito inferior à minha condição espiritual e atraiu uma entidade monstruosa, em ligação com ela, para tomar o papel de meu filho. Releguei à rua seis carinhosas crianças, cuja convivência concorreria decisivamente para minha segurança moral, mas a companheira e o filho, ao que me pareceu, incumbiram-se da vingança. Atormentaram-me ambos, até ao fim da existência, quando para aqui regressei, mal tendo completado quarenta anos, roído pela sífilis, pelo álcool e pelos desgostos... sem nada haver feito para meu futuro eterno... Sem construir coisa alguma no terreno do bem... Enxugou os olhos úmidos e concluiu: —Como vê, realizei todos os meus condenáveis desejos, menos os desejos de Deus. Foi. por isso que fali, agravando antigos débitos... Nesse instante, calou-se como se alguma coisa invisível lhe constringisse a garganta. Abracei-o com simpatia fraternal, ansioso de proporcionar-lhe estimulo ao coração, mas Dona Isaura aproximou-se mais, acariciou-lhe a fronte e falou —Não chores, filho! Jesus não nos falta com a benção do tempo. Tem calma e coragem... E Identificando-lhe o carinho, meditei na Bondade Divina, que faz ecoar o cântico sublime do amor de mãe, mesmo nas regiões de além morte. (01 ) 2º CASO - O DESASTRE DE ACELINO Ia dirigir-me a Otávio novamente, quando alguém se aproximou e falou ao ex médium, com voz forte: — Não chore, meu caro. você não está desamparado. Além disso, pode contar com o devotamento materno. Vivo em piores condições, mas não me faltam esperanças. Sem dúvida, estamos em bancarrota espiritual; no entanto, é razoável aguardarmos, confiantes, novo empréstimo de oportunidades do Tesouro Divino. Deus não está pobre. Voltei-me surpreendido e não reconheci o recém chegado. Dona Isaura fez o obséquio das apresentações Estávamos diante de Acelino, que partilhara a mesma experiência. Fitando-o, triste, Otávio sorriu e advertiu: — Não sou criminoso para o mundo, mas sou um falido para Deus e para "Nosso Lar " — Sejamos, porem, lógicos - revidou Acelino, parecendo mais encorajado - , você perdeu a partida porque não jogou, e eu a perdi jogando desastradamente. Tive onze anos de tormento nas zonas inferiores, Sua situação não reclamou esse drástico. Mesmo assim, confio na Providência. Nesse instante, interveio Vicente, acrescentando:

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— Cada um de nós tem a experiência que lhe é própria. Nem todos ganham nas provas terrestres. E voltando-se de modo especial, para mim, aduziu — Quantos de nos. os médicos, perdemos lamentavelmente na luta? Depois de concordar, trazendo à baila o meu próprio caso objetei: — Seria, porém, muitíssimo interessante conhecer a experiência de Acelino. Teria sofrido o mesmo acidente de Otávio ~ Creio de grande aproveitamento penetrar essas lições. No mundo, não compreendia bem o que fossem tarefes espirituais, mas aqui a nossa visão se modifica Há que cogitar do nosso futuro eterno. Acelino sorriu e obtemperou: — Minha história é muito diferente. A queda que experimentei apresenta características diversas e, a meu ver, muito mais graves. E, atendendo-nos a expectativa prosseguiu, narrando: —Também parti de "Nosso Lar", no século findo, após receber valioso patrimônio instrutivo dos nossos assessores. Segui enriquecido de bênçãos. Uma de nossas beneméritas Ministras da Comunicação presidiu, em pessoa, as medidas atinentes a minha. nova tarefa. Não faltaram providências para que me felicitassem a saúde do corpo e o equilíbrio da mente. Após formular grandes promessas aos nossos maiores, parti para uma das grandes cidades brasileiras, em serviço de nossa colônia. O casamento estava em meu roteiro de realizações. Ruth, minha devotado companheira, incumbir-se-ia de colaborar comigo para melhor desempenho das tarefas. Cumprida a primeira parte do programa, aos vinte anos de idade fui chamado à tarefa mediúnica, recebendo enorme amparo dos benfeitores invisíveis. Recordo ainda a sincera satisfação dos companheiros do grupo doutrinário. A vidência, a audição e a psicografia, que o Senhor me concedera por misericórdia, constituíam decisivos fatores de êxito em nossas atividades. A alegria de todos era inexcedível. Entretanto, Entretanto apesar das maravilhosas lições de amor evangélico inclinei-me a transformar minhas faculdades em fonte de renda material, Não me dispus a esperar pelos abundantes recursos que o Senhor me enviaria mais tarde, após meus testemunhos no trabalho, e provoquei, eu mesmo, a solução dos problemas lucrativos. Não era meu serviço igual a outros? Não recebiam os sacerdotes católicos-romanos a remuneração de trabalhos espirituais e religiosos ? Se todos pagávamos por serviços ao corpo, que razões haveria para fugir ao pagamento por serviços alma? Amigos, inscientes do caráter sagrado da fé, aprovavam-me as conclusões egoisticas Admitíamos que, no fundo, o trabalho essencial era dos desencarnados, mas também havia colaboração minha, pessoal, como intermediário, pelo que devia ser justa a retribuição. Debalde, movimentaram-se os amigos espirituais aconselhando-me o melhor caminho. Em vão, companheiros encarnados chamavam-me a esclarecimento oportuno. Agarreime ao interesse inferior e fixei meu ponto de vista. Ficaria definitivamente por conta dos consulentes. Arbitrei o preço das consultas, com bonificações especiais aos pobres e desvalidos da sorte, e meu consultório encheu-se de gente. Interesse enorme foi despertado entre os que desejavam melhoras físicas e solução de negócios materiais. Grande número de famílias abastadas tomou-me por consultor habitual, para todos os problemas da vida. As lições de espiritualidade superior, a confraternização amiga, o serviço redentor do Evangelho e as preleções dos emissários divinos ficaram a distancia. Não mais a escola da virtude, do amor fraternal, da edificação superior, e sim a concorrência comercial, as ligações humanas legais ou criminosas, os caprichos

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apaixonados os casos de policia e todo um cortejo de misérias da Humanidade, em suas experiências menos dignas. Transformara-se complemente a paisagem espiritual que me rodeava. A forca de me cercar de pessoas criminosas, por questões de ganho sistemático, as baixas correntes mentais dos inquietos clientes encarceraram-me em sombria cadeia psíquica. Cheguei ao crime de zombar do Evangelho de Nosso Senhor Jesus, esquecido de que os negócios delituosos dos homens de consciência viciada contam igualmente com entidades perniciosas, que se interessam por eles nos planos invisíveis. E transformei a mediunidade em fonte de palpites materiais e baixos avisos. Nesse momento, os olhos do narrador cobriram-se de súbita vermelhidão, estampandose-lhe fundo horror nas pupilas, como se estivesse revivendo atrozes dilacerações. - Mas a morte chegou, meus amigos, e arrancou-me da fantasia - prosseguiu mais grave. Desde o instante da grande transição, a ronda escura dos consulentes criminosos, que me haviam precedido no túmulo, rodeou-me a reclamar palpites e orientações de natureza inferior. Queriam noticias de cúmplices encarnados, de resultados comerciais, de soluções atinentes a ligações clandestinas. Gritei, chorei, implorei, mas estava algemado a eles por sinistros elos mentais, em virtude da imprevidência na defesa do meu próprio patrimônio espiritual. Durante onze anos consecutivos, expiei a falta, entre eles, entre o remorso é a amargura. Acelino calou-se, parecendo mais comovido, em vista das lágrimas abundantes Fundamente sensibilizado, Vicente considerou: - Que é isso? Não se atormente assim. Você não cometeu assassínios, nem alimentou a intenção deliberada de espalhar o mal. A meu ver, você enganou-se também, como tantos de nós. Acelino, porém, enxugou o pranto e respondeu: - Não fui homicida nem ladrão vulgar, não mantive o propósito íntimo de ferir ninguém, nem desrespeitei alheios lares, mas, indo aos círculos carnais para servir as criaturas de Deus, nossos irmãos, auxiliando-os no crescimento espiritual com Jesus, apensa fiz viciados da crença religiosa e delinqüentes ocultos, mutilados da fé e aleijados do pensamento Não tenho desculpas, porque estava esclarecido; não tenho perdão, porque não me faltou assistência divina. E, depois de longa pausa, concluiu gravemente: - Podem avaliar a extensão da minha culpa?(02) 3º CASO - A EXPERIÊNCIA DE JOEL Afastando-nos para um canto do salão, acompanhei Vicente que se dirigiu a um velhote de fisionomia simpática.: — Então, meu caro Joel, como vai? - perguntou, atenciosos O interpelado teve uma expressão melancólica e informou; —Graças a Bondade Divina, sinto-me bastante melhorado. Tenho ido diariamente: às aplicações magnéticas dos Gabinetes de Socorro, no Auxilio, e estou mais forte. — Cederam as vertigens? - indagou o companheiro, com interesse. — Agora são mais espaçadas e, quando surgem, não me afligem o coração com tanta intensidade Nesse instante, Vicente descansou os olhos muito lúcidos nos meus, e disse, sorrindo: — Joel também andou nos círculos carnais em tarefa mediúnica e pode contar experiência muito interessante. O novo amigo, que me parecia um enfermo em princípios de convalescença, esboçou melancólico sorriso e falou: —Fiz minha tentativa na Terra, mas fracassei. A luta não era pequena e fui fraco demais

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. O que mais mo impressiona no caso dele, porém - interpõe Vicente em tom fraterno ·--, é a moléstia que o acompanhou até aqui e persiste ainda agora. Joel atravessou as regiões inferiores com dificuldades extremas, após demorar-se por lá muito tempo, voltando ao Ministério do Auxílio perseguido de alucinações estranhas, relativamente ao pretérito — Ao passado ? - perguntei, surpreendido. —Sim - esclareceu Joel, humilde -, minha tarefa mediúnica exigia sensibilidade mais apurada, e, quando me comprometi à execução do serviço, fui ao Ministério do Esclarecimento, onde me aplicaram tratamento especial, que me aguçou as percepções. Necessitava condições sutis para o desempenho dos futuros deveres. Assistentes amigos desdobraram-se em obséquios, por me favorecerem, e parti para a Terra com todos os requisitos indispensáveis ao êxito de minhas obrigações. Infelizmente, porém... — Mas porque - indaguei - perdeu as realizações? Tão só em virtude da sensibilidade adquirida? Joel sorriu e obtemperou: — Não perdi pela sensibilidade, mas pelo seu mau uso. — Que diz ? - tornei, admirado. — O meu amigo compreenderá sem dificuldades. Imagine que, com um cabedal dessa natureza, ao invés de auxiliar os outros, perdi-me a mim mesmo. E' que, segundo concluo agora, Deus concede a sensibilidade apurada como espécie de lente poderosa, que o proprietário deve usar para definir roteiros, fixar perigos e vantagens do caminho, localizar obstáculos comuns, ajudando ao próximo e a si mesmo. Procedi, porém, ao inverso. Não utilizei a lente maravilhosa, no mister justo. Deixando-me empolgar pela curiosidade doentia, apliquei-a tão somente para dilatar minhas sensações. No quadro dos meus trabalhos mediúnicos, estava a recordação de existências pregressas como expressão indispensável ao serviço de esclarecimento coletivo e beneficio aos semelhantes, que me fora concedido realizar, mas existe uma ciência de recordar, que não respeitei como devia. Interrompendo um Instante a narrativa aguçava-me o desejo de conhecer-lhe a experiência pessoal até ao fim. Em seguida, continuou no mesmo diapasão: - Ao primeiro chamado da esfera superior, acorri, apressado. Sentia, intuitivamente, a vívida lembrança de minhas promessas em "Nosso Lar". Tinha o coração repleto de propósitos sagrados. Trabalharia. Espalmaria muito longe a vibração das verdeces eternas. Contudo, aos primeiros contatos com o serviço, a excitação psíquica fez rodar o mecanismo de minhas recordações adormecidas, como o disco sob a agulha da vitrola, e lembrei toda a minha penúltima existência, quando envergara a batina, sob o nome de Monsenhor Alejandre Pizarro, nos últimos períodos da Inquisição Espanhola. Foi, então que abusei da lente sagrada a que me referi. A volúpia das grandes sensações que pode ser tão prejudicial como o uso do álcool que embriaga os sentidos, fez-me olvidar os deveres mais santos. Bafejaram-me claridades espirituais de elevada expressão. Desenvolveu-se-me a clarividência, mas não estava satisfeito senão com rever meus companheiros visíveis e invisíveis no setor das velhas lutas religiosas. Impunha a mim mesmo a obrigação de localizar cada um deles no tempo, fazendo questão de reconstituir-lhes as fichas biográficas, sem cuidar do verdadeiro aproveitamento no campo do trabalho construtivo. A audição psíquica tornou-se-me muito clara; entretanto, não queria ouvir os benfeitores espirituais sobre tarefas proveitosas e sim interpelá-los, ousadamente, no capitulo da minha satisfação egoística. Despendi um tempo enorme, dentro do qual fugia aos companheiros que me vinham pedir atividades a bem do próximo, engolfado em, pesquisas referentes a Espanha do meu tempo. Exigia

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noticias de bispos de autoridades políticas da época, de padres amigos que haviam errado tanto quanto eu mesmo. Não, faltaram generosas advertências. freqüentemente, os colegas do nosso grupo espiritista chamaram-me a atenção para os problemas sérios de nossa casa. Eram sofredores que nos batiam à porta, situações que reclamavam testemunho cristão. Tínhamos um abrigo de órfãos em projeto, um ambulatório que começava a nascer e, sobre tudo, serviços semanais de instrução evangélica, nas noites de terças e sextasfeiras. Mas, qual! eu não queria saber senão das minhas descobertas pessoais. Esqueci que o Senhor me permitia aquelas reminiscências, não por satisfazer-me a vaidade, mas para que entendesse a extensão dos meus débitos para com os necessitados do mundo e me entregasse à obra de esclarecimento e conforto aos feridos da sorte. Contrariamente à expectativa dos abnegados amigos que me auxiliaram na obtenção da oportunidade sublinhe, não me movi no concurso fraterno e desinteressei-me da doutrina consoladora, que hoje revive o Evangelho de Jesus entre os homens. Somente procurei, a rigor, os que se encontravam afins comigo, desde o pretérito. Nesse propósito, descobri, com evidentes sinais de identidade, personalidades outrora eminentes, em relação comigo. Reconheci o senhor Higino de Salcedo, grande proprietário de terras, que me havia sido magnânimo protetor, perante as autoridades religiosas da Espanha, reencarnado como proletário inteligente e honesto mas em grande experiência de sacrifício individual. Revi o velho Gaspar de Lorenzo, figura solerte de inquisidor cruel que me quisera muito bem, reencarnado como paralítico e cego de nascença. E desse modo, meu amigo, passei a existência, de surpresa em surpresa, de sensação em sensação. Eu, que renascera recordando para edificar alguma coisa de útil, transformei a lembrança em viciação da personalidade. Perdi a oportunidade bendita de redenção, e o pior é o estado de alucinação em que vivo. Com o meu erro, a mente desequilibrou-se e as perturbações psíquicas constituem doloroso martírio. Estou sendo submetido a tratamento magnético, de longo tempo. Nesse momento, porém, o interlocutor empalideceu de súbito. Os olhos, desmesuradamente abertos, vagavam como se fixassem quadros Impressionantes, muito longe da nossa perspective.. Depois carnbaleou, mas Vicente o amparou de pronto, e, passando-lhe a destra na fronte, murmurava em voz firme — Joel! Joel ~ Não se entregue as impressões do passado! Volte ao presente de Deus!... Profundamente admirado, notei que o convalescente regressava à expressão normal, esfregando os olhos. (03). 4º CASO - BELARMINO O DOUTRINADOR As lições eram eminentemente proveitosas. Traziam-me novos conhecimentos e, sobretudo, com elas, admirava, cada vez mais, a bondade de Deus, que nos permitia a todos a restauração do aprendizado para serviços do futuro. Muitos de nós havíamos atravessado zonas purgatoriais de sombra e tormento intimo. Uns mais, outros menos. Bastara, contudo, o reconhecimento de nossa pequenez, a compreensão do nosso imenso débito e ali estávamos, todos, reunidos em "Nosso Lar", reanimando energias desfalecidas e reconstituindo programas de trabalho. Eu via em todos os companheiros presentes o reflorescimento da esperança. Ninguém se sentia ao desamparo. Observando que numerosos médiuns prosseguiam, em valiosa permuta de idéias, referentemente ao quadro de suas realizações, e ouvindo tantas observações sobre doutrinadores, perguntei a Vicente, em tom discreto: — Não seria possível, para minha edificação, consultar a experiência de algum

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doutrinador em trânsito por aqui ? Recolhendo notícias de tantos médiuns, com enorme proveito, creio não deva perder esta oportunidade. Vicente refletiu um minuto e respondeu: — Procuremos Belarmino Ferreira. E' meu amigo há algum meses. Segui o companheiro, através de grupos diversos. Belarmino lá estava a um canto, em palestra com um amigo. Fisionomia grave, gestos lentos, deixava transparecer grande tristeza no olhar humilde. Vicente apresentou-me, afetuoso, dando inicio à conversação edificante. Após a troca de alguns conceitos, Belarmino falou, comovido: — Com que, então, meu amigo deseja conhecer as amarguras de um doutrinador falido? — Não digo isso - obtemperei a sorrir -, desejaria conhecer sua experiência, ganhar também de sua palavra educativa. Ferreira esboçou sorriso forçado, que expressava todo o absinto que ainda lhe requeimava a alma, e falou: — A missão do doutrinador é muitíssimo grave para qualquer homem. Não é sem razão que se atribui a Nosso Senhor Jesus o título de Mestre. Somente aqui, vim ponderar bastante esta profunda verdade. meditei muitíssimo, refleti intensamente e concluí que, para atingirmos uma ressurreição gloriosa, não há, por enquanto, outro caminho além daquele palmilhado pelo Doutrinador Divino. É digna de menção a atitude d' Ele , abstendo-se de qualquer escravização aos bens terrestres. Não vemos passar o Senhor, em todo o Evangelho, senão fazendo o bem, ensinando o amor, acendendo a luz, disseminando a verdade. Nunca pensou nisso? Depois de longas meditações, cheguei ao conhecimento de que na vida humana, junto aos que administram e aos que obedecem, há os que ensinam. Chego, pois, a pensar que nas esferas da Crosta há mordomos, cooperadores e servos. Muito especialmente, os que ensinam devem ser dos últimos. Entende o meu irmão? Ah! sim, havia compreendido perfeitamente. A conceituação de Belarmino era profunda, irrefutável. Aliás, nunca ouvira tão belas apreciações, relativamente à missão educativa. Após ligeiro intervalo, continuou sempre grave: — Há de estranhar, certamente, tenha eu fracassado, sabendo tanto. Minha tragédia angustiosa, Porém. é a de todos os que conhecem o bem, esquecendo-lhe a prática. Calou-se de novo, pensou, pensou, e prosseguiu: — Faz rnuitos anos, sai de "Nosso Lar" com tarefa de doutrinação no campo do Espiritismo evangélico. Minhas promessas, aqui, foram enormes. Minha abnegada Elisa dispôs-se a acompanhar-me no serviço laborioso. Ser-me-ia companheira desvelada, abençoada amiga de sempre. Minha tarefa constaria de trabalho assíduo no Evangelho do Senhor, de modo a doutrinar, primeiramente com o exemplo, e, em seguida, com a palavra. Duas colônias importantes, que nos convizinham, enviaram muitos servos para a mediunidade e pediram ao nosso Governador cooperasse com a remessa de missionários competentes para o ensino e a orientação. Não obstante meu passado culposo, candidatei-me ao serviço com endosso do Ministro Gedeão, que não vacilou em auxiliar-me. Deveria desempenhar atividades concernentes ao meu resgate pessoal e atender à tarefa honrosa, veiculando luzes a irmãos nossos nos planos visível e invisível. Impunha-se-me, sobretudo, o dever de amparar as organizações mediúnicas, estimulando companheiros de luta, postos na Terra a serviço da idéia imortalista. Entretanto, meu amigo, não consegui escapar à rede envolvente das tentações. Desde criança, meus pais socorreram-me com as noções consoladoras e edificantes do Espiritismo cristão. Circunstancias várias, que me pareceram casuais,

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situaram-me o esforço na presidência de um grande grupo espiritista. Os serviços eram promissores, as atividades nobres e construtivas, mas enchi-me de exigências, levado pelo excessivo apego à posição de comando do barco doutrinário. Oito médiuns, extremamente dedicados ao esforço evangélico, ofereciam-me colaboração ativa, contudo procurei colocar acima de tudo o preceito científico das provas insofismáveis. Cerrei os olhos à lei do merecimento individual, olvidei os imperativos do esforço próprio e, envaidecido com os meus conhecimentos do assunto, comecei por atrair amigos de mentalidade inferior ao nosso circulo, tão somente em virtude da falsa posição que usufruíam na cultura filosófica e na pesquisa cientifica. Insensivelmente, vicejaram-me na personalidade estranhos propósitos egoisticos. Meus novos amigos queriam demonstrações de toda a sorte e, ansioso por colher colaboradores na esfera da autoridade cientifica, eu exigia dos pobres médiuns longas e porfiadas perquirições nos planos invisíveis. O resultado era sempre negativo, porque cada homem receberá, agora e no futuro, de acordo com as próprias obras. Isso me irritava. Instalou-se a dúvida em meu coração, devagarinho. Perdi a serenidade doutro tempo. Comecei a ver nos médiuns, que se retraiam aos meus caprichos, companheiros de má vontade e má fé. Prosseguiam nossas reuniões, mas da dúvida passei à descrença destruidora. Não estávamos num grupo de intercâmbio entre o visível e o invisível ? Não eram os médiuns simples aparelhos dos defuntos comunicante ? Por que não viriam aqueles que pudessem atender aos nossos interesses materiais, imediatos ? Não seria melhor estabelecer um processo mecânico e rápido para as comunicações? Porque a negação do invisível aos meus propósitos de demonstrar positivamente o valor da nova doutrina? Debalde, Elisa me chamava para a esfera religiosa e edificante, onde poderia aliviar o espírito atormentado O Evangelho, todavia, é livro divino e, enquanto permanecermos na cegueira da verdade e da ignorância, não nos expõe seus tesouros sagrados. Por isso mesmo, tachava-o de velharia. E, de desastre a desastre, antes que me firmasse na missão de ensinar, os amigos brilhantes do campo de cogitações inferiores da Terra arrastaram-me ao negativismo completo. Do nosso agrupamento cristão, onde poderia edificar construções eternas, transferi-me para o movimento, não da política que eleva, mas da politicalha inferior, que impede o progresso comum e estabelece a confusão nos Espíritos encarnados. Por aí, estacionei muito tempo, desviado dos meus objetivos fundamenteis, porque a escravidão ao dinheiro me transformara os sentimentos . E assim foi, até que acabei meus dias com uma bela situação financeira no ,mundo e... um corpo crivado de enfermidades; com um palácio confortável de pedra e um deserto no coração. A revivescência da minha inferioridade antiga religou-me a companheiros menos dignos no plano dos encarnados e desencarnados, e o resto o meu amigo poderá avaliar: tormentos' remorsos, expiações... Concluindo, asseverou: — Mas, como não ser assim? Como aprender sem a escola, sem retomar o bem e corrigir o mal? — Sim, Belarmino - disse, abraçando-o -, você tem razão. Tenho a certeza de que não vim tão só ao Centro de Mensageiros, mas também ao centro de grandes lições. ( 04 ) 5º CASO - A PALAVRA DE MONTEIRO — Os ensinamentos aqui são variados. Fora o amigo de Belarmino quem tomara a palavra. Mostrando agradável maneira de

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dizer, continuou: — Há três anca sucessivos, venho diariamente ao Centro de Mensageiros e as lições são sempre novas. Tenho a impressão de que as bênçãos do Espiritismo chegaram prematuramente ao caminho dos homens. Se minha confiança no Pai fosse menos segura, admitiria essa conclusão. Belarmino, que observava atento os gestos do amigo, interveio, explicando: — O nosso Monteiro tem grande experiência do assunto. — Sim — confirmou ele -, experiência não me falta Também andei as tontas nas semeaduras terrestres. Como sabem, é muito difícil escapar à influência do meio, quando em luta na carne, São tantas e tamanhas as exigências dos sentidos, em relação com o mundo externo, que não escapei, igualmente, a doloroso desastre. — Mas, como ? - indague interessado em consolidar conhecimentos. — E' que a multiplicidade de fenômenos e as singularidades mediúnicas reservam surpresas de vulto a qualquer doutrinador que possua mais raciocínios na cabeça que sentimentos no coração. Em todos os tempos, o vício intelectual pode desviar qualquer trabalhador mais entusiasta que sincero, e foi o que me aconteceu. Depois de ligeira pausa, prosseguiu: — Não preciso esclarecer que também parti de "Nosso Lar", noutro tempo, em missão de Entendimento Espiritual. Não ia para estimular fenômenos, mas para colaborar na iluminação de companheiros encarnados e desencarnados. O serviço era imenso. Nosso amigo Ferreira pode dar testemunho, porquanto partimos quase juntos. Recebi todo o auxilio para iniciar minha grande tarefa e intraduzível alegria me dominava o espírito no desdobramento dos primeiros serviços. Minha mãe, que se convertera em minha devotada orientadora, não cabia em si de contente. Enorme entusiasmo instalara-se-me no espirito. Sob meu controle direto, estavam alguns médiuns de efeitos físicos, além de outros consagrados à psicografia e a incorporação; e tamanho era o fascínio que o comercio com o invisível exercia sobre mim que me distraí completamente quanto à essência moral da doutrina. Tínhamos quatro reuniões semanais, às quais comparecia com assiduidade absoluta. Confesso que experimentava certa volúpia na doutrinação aos desencarnados de condição inferior. Para todos eles tinha longas exortações decoradas, na ponta da língua. Aos sofredores, fazia ver que padeciam por culpa própria. Aos embusteiros, recomendava, enfaticamente, a abstenção da mentira criminosa. Os casos de obsessão mereciam-me ardor apaixonado. Estimava enfrentar obsessores cruéis para reduzi-los a zero, no campo da argumentação pesada. Outra característica que me assinalava a ação firme era a dominação que pretendia exercer sobre alguns pobres sacerdotes católicos-romanos desencarnados, em situação de ignorância das verdades divinas. Chegava ao cúmulo de estudar, pacientemente, longos trechos das Escrituras, não para meditá-los com o entendimento, mas por mastigá-los a meu bel-prazer, bolçando-os depois aos Espíritos perturbados, em plena sessão, com a idéia criminosa de falsa superioridade espiritual. O apego às manifestações exteriores desorientou-me por completo. Acendia luzes para os outros, preferindo, porém, os caminhos escuros e esquecendo a mim mesmo. Somente aqui, de volta, pude verificar a extensão da minha cegueira. Por vezes, após longa doutrinação sobre a paciência, impondo pesadíssimas obrigações aos desencarnados, abria as janelas do grupo de nossas atividades doutrinárias, para descompor as crianças que brincavam inocentemente na rua. Concitava os perturbados invisíveis a conservarem serenidade para, daí a instantes, repreender senhoras humildes, presentes à reunião, quando não podiam conter o pranto de algum pequenino enfermo. Isso, quanto a coisas mínimas, porque, no meu estabelecimento comercial, minhas atitudes eram inflexíveis. Raro o mês que não mandasse promissórias a protesto

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público. Lembro-me de alguns varejistas menos felizes, que me rogavam prazo, desculpas, proteção. Nada me demovia, porem. Os advogados conheciam minhas deliberações implacáveis. Passava os dias no escritório estudando a melhor maneira de perseguir os clientes em atraso, entre preocupações e observações nem sempre muito retas e, à noite, ia ensinar o amor aos semelhantes, a paciência e a doçura, exaltando o sofrimento e a luta como estradas benditas de preparação para Deus. Andava cego. Não conseguia perceber que a existência terrestre, por si só. É uma sessão permanente. Talhava o Espiritismo a meu modo. Toda a proteção e garantia para mim, e valiosos conselhos ao próximo Ao demais disso, não conseguia retirar a mente dos espetáculos exteriores. Fora das sessões práticas minha .atitude doutrinária consistia em vastíssimos comentários dos fenômenos observados, duelos palavrosos, narrações de acontecimentos insólitos, crítica rigorosa dos médiuns Monteiro deteve-se um pouco, sorriu e continuou: — De desvio em desvio a angina encontrou-me absolutamente distraído da realidade essencial. Passei para cá, qual demente necessitado de hospício. Tarde reconhecia que abusara das sublimes faculdades do verbo. Como ensinar sem exemplo, dirigir sem amor ? Entidades perigosas e revoltadas aguardaram-me à saída do plano físico. Sentia, porém, comigo, singular fenômeno. Meu raciocínio pedia socorro divino, mas meu sentimento agarrava-se a objetivos inferiores. Minha cabeça dirigia-se ao Céu, em súplica, mas o coração colava-se a Terra. Nesse estado triste, vi-me rodeado de seres malévolos que me repetiam longas frases de nossas sessões. Com atitude irônica, recomendavam-me serenidade, paciência e perdão às alheias faltas; perguntavam-me, igualmente, porque me não desgarrava do mundo, estando já desencarnado. Vociferei, roguei, gritei, mas tive de suportar esse tormento por muito tempo. Quando os sentimentos de apego à esfera física se atenuaram, a comiseração de alguns bons amigos me trouxe até aqui. E imagine o irmão que meu Espírito infeliz ainda estava revoltado. Sentia-me descontente. Não havia fomentado as sessões de intercâmbio entre os dois planos? Não me consagrara ao esclarecimento dos desencarnados ? Percebendo-me a irritação ridícula, amigos generosos submeteram-me a tratamento. não fiquei satisfeito. Pedi a Ministra Veneranda uma audiência, visto ter sido ela a intercessora da minha Oportunidade. Queria explicações que pudessem. atender ao meu capricho individual. A Ministra é sempre muito ocupada, mas sempre atenciosa. Não marcou a audiência, dada a insensatez da solicitação; no entanto, por demasia de gentileza, visitou-me em ocasião que reservara a descanso. Crivei-lhe ouvidos de lamentações' chorei amargamente e, durante duas horas, ouviu-me a benfeitora por um prodígio de paciência evangélica. Em silêncio expressivo, deixou que me cansasse na exposição longa e inútil. Quando me calei, à espera de palavras que alimentassem o monstro da minha incompreensão, Veneranda sorriu e respondeu: — "Monteiro, meu amigo, a causa da sua derrota não é complexa, nem difícil de explicar. Entregou-se, você, excessivamente ao Espiritismo prático, junto dos homens, nossos irmãos, mas nunca se interessou pela verdadeira prática do Espiritismo junto de Jesus, nosso Mestre." Nesse instante, Monteiro fez longa pausa, pensou uns momentos e falou, comovido: — Desde então, minha atitude mudou muitíssimo, entendeu ? Aturdido com a lição profunda, respondi, mastigando palavras, como quem pensa mais, para falar menos: —Sim, sim, estou procurando compreender.(05) Bibliografia

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01 - XAVIER, Francisco Cândido. Os Mensageiros. Pelo espírito André Luiz, 15 ed. Rio de Janeiro, FEB, p. 41-46. 02 - Op. cit. , p. 47-51 03 - Op. cit. , p. 57-61 04 - Op. cit. , p. 62-66 05 - Op. cit. , p. 67-71.

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5ª Unidade Retorno à vida espiritual
18 - A alma após a morte: separação da alma e do corpo. OBJETIVOS ESPECÍFICOS . Relatar como se realiza a separação da alma e do corpo. . Citar fatores que aceleram ou retardam o desligamento espiritual. . Dizer como se processa a separação da alma e do corpo. no caso dos suicidas IDÉIAS PRINCIPAIS A separação da alma e do corpo se dá porque "(...) rotos os laços que a retinham, ela se desprende. (...)" (02) "(...) A alma se desprende gradualmente, não se escapa como pássaro cativo a que se restitua subitamente a liberdade. Aqueles dois estados se tocam e confundem, de sorte que o Espirito se solta pouco a pouco dos laços que o prendiam. Estes laços se desatam, não se quebram. (...) (02) "(...) No instante da morte, o desprendimento do perispírito não se completa subitamente; que, ao contrario, se opera gradualmente e com uma lentidão muito variável conforme os indivíduos. Em uns é bastante rápido (...). Em outros, naqueles sobretudo cuja vida foi material e sensual, o desprendimento é muito menos rápido. (...)"(02) "(...) A afinidade, persistente entre a alma e o corpo, em certos indivíduos, é as vezes muito penosa, porquanto o Espírito pode experimentar o horror da decomposição. Este caso (...-) verifica-se com -alguns suicidas." (02) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. Da Volta do Espirito, Extinta a Vida Corpórea, à Vida Espiritual. In: - O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Parte 2ª ,questão 154, p. 114. 02 - Op. cit., questão 155, p. 114-115. 03 - O Passamento In: - O Céu e o Inferno. Trad. de Manuel Justiniano Quintão. 29 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Parte 2a, item 0-2, p. 16Z-167. 04 - Op. cit. Item 08, p. 169. 05 - Op. cit. Item 09, p. 170. 06 - Op. cit. Item 14, p. 172-173. A ALMA APÓS A MORTE: SEPARAÇÃO DA ALMA E DO CORPO. A certeza da vida futura não exclui as apreensões quanto à desencarnação: Há muitas pessoas que temem não propriamente a vida futura, mas o momento da morte. Seria doloroso esse momento? Como nos sentiríamos? Tentando elucidar essas questões, Kardec inquiriu os Espíritos e deles recebeu o

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esclarecimento de que "(...) o corpo quase sempre sofre mais durante a vida do que no momento da morte; a alma nenhuma parte toma nisso. Os sofrimentos que algumas vezes se experimentam no instante da morte são um gozo para os espíritos (...) (01). No entanto e preciso que consideremos que a desencarnação não é igual para todos, há uma variação muito grande, tão grande quanto as diferentes formas de viver adotadas; pelos encarnados, "Vendo-se a calma de alguns moribundos e as convulsões terríveis de outros, pode-se previamente julgar que as sensações experimentadas nem sempre são as mesmas. (. .)" (03) A separação da alma e feita de forma gradual, pois o Espírito se solta pouco a pouco dos laços que o prendiam, de forma que as condições de encarnado ou desencarnado, no momento do desenlace, se confundem e se tocam, sem que haja uma linha divisória entre as duas. Alguns fatores podem influir para que o desprendimento ocorra com maior ou menor facilidade, fatores que estão relacionados com o estado moral do homem quando encarnado. "(...) A afinidade entre o corpo e o perispírito e proporcional ao apego à matéria, que atinge o seu máximo no homem cujas preocupações dizem respeito exclusiva e unicamente à vida de gozos materiais. Ao contrário, nas almas puras que antecipadamente se identificam com a vida espiritual, o apego e quase nulo (...)" (04) "Em se tratando de morte natural resultante da extinção das forças vitais por velhice ou doença, o desprendimento opera-se gradualmente; para o homem cuja alma se desmaterializou e cujos pensamentos se destacam das coisas terrenas, o desprendimento quase se completa antes da morte real, isto e, ao passo que o corpo ainda tem vida orgânica, já o Espírito penetra a vida espiritual, apenas ligado por elo tão frágil que se rompe com a ultima pancada do coração. (...) No homem materializado e sensual, que mais viveu do corpo que do Espirito, e para o qual a vida espiritual nada significa, nem sequer lhe toca o pensamento, tudo contribui para estreitar os laços materiais, e, quando a morte se aproxima, o desprendimento, conquanto se opere gradualmente também, demanda contínuos esforços. As convulsões da agonia são indícios da luta do Espirito, que às vezes procura romper os elos resistentes, e outras se agarra ao corpo do qual uma força irresistível o arrebata com violência, molécula por molécula." (05) O desconhecimento da vida espiritual faz com que o Espírito se apegue à vida material, estreitando os seus horizontes e resistindo com todas as forças, conseguindo prolongar a vida, e consequentemente sua agonia, por dias, semanas, meses. Nestes casos a morte não é o fim da agonia, pois a perturbação continua, e ele, sentindo que vive, sem saber definir o seu estado, sente e se ressente da doença que pôs fim aos seus dias, permanecendo com essa impressão indefinidamente, pois está ainda ligado à matéria através de pontos de contato do perispírito com o corpo. O contrário ocorre com o homem que se espiritualizou durante a vida. Apôs a morte nem uma só reação o afeta. O despertar na vida espiritual é como quem desperta de um sono tranqüilo, lépido, para iniciar uma nova fase de sua vida. Nas mortes violentas, como nos acidentes, nenhuma desagregação há iniciado previamente a separação do perispírito . Neste caso, o desprendimento só começa depois da morte e seu termino, não ocorre rapidamente. O Espírito fica aturdido, não compreende o seu estado, permanecendo na ilusão de que vive material mente por período mais ou menos longo, conforme o seu nível de espiritualização. A separação, nos casos de suicido, é extremamente dolorosa. Sendo o suicídio atentado contra a vida, o sofrimento quase sempre permanece por período igual ao tempo em que o Espírito ainda deveria estar encarnado. As dores da lesão física provocada repercutem no Espírito. A decomposição do corpo,

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sua destruição pelos vermes são sentidas em detalhes pelo Espírito desencarnado. Alem disso há o remorso, gerando sofrimento moral para aquele que pensou desertar da vida. "(...) O espirita sério não se limita a crer, porque compreende, e compreende, porque raciocina; a vida futura é uma realidade que se desenrola incessantemente a seus olhos; uma realidade que ele toca e vê, por assim dizer, a cada passo e de modo que a duvida não pode empolgá-lo, ou ter guarida em sua alma. A vida corporal, tão limitada, amesquinha-se diante da vida espiritual, da verdadeira vida. Que lhe importam os incidentes da jornada se ele compreende a causa e utilidade das vicissitudes humanas, quando suportadas com resignação ? A alma eleva-se-lhe nas relações com o mundo visível; os laços fluídicos que o ligam à matéria enfraquecem-se operando-se por antecipação um desprendimento parcial que facilita a passagem para a outra vida. A perturbação conseqüente à transição pouco perdura, porque, uma vez franqueado o passo, para logo se reconhece, nada estranhando, antes compreendendo, a sua nova situação". (6) 19 - Perturbação espiritual. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Explicar o que é perturbação espiritual. Relatar qual o estado do Espirito que desencarna através de morte violenta. Esclarecer por que a perturbação espiritual varia de pessoa para pessoa IDÉIAS PRINCIPAIS A perturbação espiritual ocorre na transição da vida corporal para a espiritual (...). Nesse instante a alma experimenta um torpor que paralisa momentaneamente as suas faculdades, neutralizando, ao menos em parte, as sensações. (...) A perturbação pode, pois, ser considerada o estado normal no instante da morte, e perdurar por tempo indetermina do, variando de algumas horas a alguns anos. (...)" (03) "O último alento quase nunca e doloroso, uma vez que ordinariamente ocorre em momento de inconsciência, mas a alma sofre antes dele a desagregação da matéria, nos estertores da agonia, e, depois, as angustias da perturbação. (...)" (04) "Na morte violentas sensações não são precisamente as mesmas.(...) Nestas condições, o desprendimento só começa depois da morte, e não pode completar-se rapidamente. O Espirito, colhido de improviso, fica como que aturdido e sente, e pensa, e acredita-se vivo, prolongando-se esta ilusão até que compreenda o seu estado. (...)" (05) A perturbação apôs a desencarnação varia de Espirito para Espirito porquê -"(...) depende da elevação de cada um.(...)" (01) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. Da Volta do Espirito, Extinta a Vida Corpórea, à Vida Espiritual. In: - . O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Parte 2ª, questão 164, p. 117-118. 02 - Op. cit., questão; 165,;p. 118-119. 03 - O Passamento. In: - . O Céu e o Inferno.- Trad. de: Manuel Justianiano Quintão. 29. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Parte 2ª, item 6, p. 158-169.

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04 - Op. cit., item 7, p. 169. 05 - Op. cit., item 12, p. 171-172. 06 - Op. cit., item 13, p. 172. COMPLEMENTARES 07 - FRANCO, Divaldo Pereira. Vida no além-túmulo. In: No Limiar do Infinito. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador, Livraria Espírita Alvorada Editora, 1977. p. 102104. PERTURBAÇÃO ESPIRITUAL "(...) Por ocasião da morte, tudo, a principio, é confuso. De algum tempo precisa a alma para entrar no conhecimento de si mesma. Ela se acha como que aturdida, no estado de uma pessoa que despertou de profundo sono e procura orientar-se sobre a sua situação. A lucidez das idéias e a memória do passado lhes voltam, a medida que se apaga a influência da matéria que ela acaba de abandonar, e à medida que se dissipa a espécie de névoa que lhe obscurece os pensamentos. Muito variável é o tempo que dura a perturbação que se segue à morte. Pode ser de algumas horas, como também de muitos meses e até de muitos anos. Aqueles que, desde quando ainda viviam na Terra, se identificaram com o estado futuro que os aguardava, são os em quem menos longa ela é, porque esses compreendem imediatamente a posição em que se encontram (...)." (02) ''(...) O processo de desprendimento espiritual e lento ou ;` demorado, conforme o temperamento, o caráter moral e as aquisições espirituais de cada ser. Não ocorrem duas encarnações que sejam iguais. Cada um desperta ou se demora na perturbação consoante as características próprias de sua personalidade. Nesse particular o comportamento religioso exerce uma fundamental importância. Aqueles que se fixaram às ideais niilistas, materialistas, hibernam-se, não raro, como a fugir da realidade num bloqueio inconsciente de longo porte que os atormenta em forma de pesadelos infelizes, de que se não conseguem facilmente libertar. Tendo agasalhada a idéia do nada, deperecem e se exaurem em agonia superlativa, sem que se permitam alivio, nas regiões frias e temerosas a que são arrastados por natural processo de sintonia mental, quando não acompanham, estarrecidos, a decomposição do corpo a que se agarram, tentando restabelecer-lhe os movimentos, em luta inglória, avassaladora ... '' Os que cultivaram as religiões simplistas, que prometiam os céus a golpes de facilidade e oportunismo, são surpreendidos por uma realidade bem diversa com que não contavam... Os que agasalhavam idéias esdrúxulas fazem-se vitimas de horrores e alucinações lamentáveis que os desnorteiam por tempo indeterminado. Os suicida:, graças aos atenuantes ou agravantes que os se lecionam automaticamente, descobrem em inditoso despertar a não existência da morte (...). Os que se converteram em destruidores da vida alheia, experimentam as faisões que infligiram e expungem, em intérmina angustia, o acordar da consciência e a sobrecarga dos crimes perpetrados (...) (07) A perturbação espiritual ocorre, portanto, "na transição da vida corporal para a espiritual (...). Nesse instante a alma experimenta um torpor que paralisa momentaneamente as suas faculdades, neutralizando, ao menos em parte, as sensações. (...) A perturbação pode, pois, ser considerada o estado normal no instante da morte, e perdurar por tempo

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indeterminado, variando de algumas horas a alguns anos(...) (03) "O ultimo alento quase nunca e doloroso, uma vez que ordinariamente ocorre em momento de inconsciência (...). (04) No entanto, "na morte violenta as sensações não são precisamente as mesmas. (...) Nestas condições o desprendimento só começa depois da morte e não pode completar-se rapidamente. O Espírito, colhido de improviso, fica como que aturdido e sente, e pensa, e acredita-se vivo, prolongando-se esta ilusão até que compreenda o seu estado. (...)" (05) Finalmente, concluímos dizendo que "o estado do Espirito por ocasião da morte pode ser assim resumido: tanto maior e o sofrimento, quanto mais lento for o desprendimento do perispírito , a presteza deste desprendimento está na razão direta do adiantamento moral do Espirito; para o Espirito desmaterializado, de consciência pura, a morte e qual um sono breve, isento de agonia, e cujo despertar é suavíssimo'" (06) NOTA: recomendamos aos interessados pelo assunto a leitura das seguintes obras, entre outras: Evolução em Dois Mundos, de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, pelo Espirito André Luiz. A Crise da Morte, de Ernesto Bozzano. Voltei, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espirito Irmão Jacob.

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6ª Unidade Justiça divina
20 - Penas eternas – estudo crítico.
OBJETIVOS BÁSICOS Realizar um estudo critico das penas eternas, com base nas idéias contidas no capítulo 06 de "0 Céu e o Inferno", de Allan Kardec. Definir penas futuras do ponto de vista espirita IDÉIAS PRINCIPAIS "A doutrina das penas eternas teve sua razão de ser. como a do inferno material, enquanto o temor podia constituir um freio para os homens pouco adiantados intelectual e moralmente. (...)" (01) Para homens que só possuíam da espiritualidade da alma uma idéia confusa, o fogo material nada tinha de improcedente, mesmo porque já participava da crença pagã, quase universalmente propagada. Igualmente a eternidade das penas nada tinha que pudesse repugnar a homens desde muitos séculos submetidos à legislação do terrível Jeová. (...)" (02) O dogma da eternidade absoluta das penas é, portanto, incompatível com o progresso das almas, ao qual opõe uma barreira insuperável.(...)" (04) "(...) O Código penal da vida futura pode resumir-se nestes três princípios: 1º - O sofrimento é inerente à imperfeição. 2° - Toda imperfeição, assim como toda falta dela promanada, traz consigo o próprio castigo nas conseqüências naturais e inevitáveis(...) . 3° - Podendo todo homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode igualmente anular os males consecutivos e assegurar a futura felicidade (...)". (05) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. Doutrina das Penas Eternas. In: O Céu e o Inferno. Trad. de Manuel Justiniano Quintão. 29. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Cap. 06, item 02, p. 68. 02 - Op. cit., item 07, p. 72. 03 - Op. cit., item 10, p. 74-75. 04 - Op. cit., item 21, p. 81. 05 - As Penas Futuras Segundo o Espiritismo. In: O Céu e o ; Inferno. Trad. de Manuel Justiniano Quintão. 29. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Cap. 07, item 33, p. 100-101 COMPLEMENTARES 06 - O NOVO TESTAMENTO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO E O LIVRO DOS SALMOS. Trad. por João Ferreira de Almeida. Brasília, Sociedade Bíblica do Brasil, 1974. Mateus, 5:44-48, p. 15.` 07 - Op. cit., Mateus, 18:14, p. 52. 08. Op. cit., João, 6:39, p. 247. 09 - Op. cit., João, 10:16, p. 265. 10 - XAVIER. Francisco Cândido. Evolução. In O Consolador, .8 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980. Parte 2ª. Cap. 05, questão 244,p. 146. AS PENAS ETERNAS As tradições de diversos povos registram a crença, muitas vezes intuitiva, de castigos para os maus e recompensas para os bons, na vida de além-túmulo. Diante da imortalidade da alma, com efeito, a razão e o sentimento de justiça levam à compreensão de que tratamento diferenciado deve ser dado aos homens pelas leis divinas, de conformidade com a natureza das obras que executaram durante a vida no corpo físico.

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Todavia, a tese da eternidade das penas reservadas àqueles que infringem as leis do bem e do amor, e, em conseqüência, a existência do inferno, não resistem À analise objetiva. ` O raciocínio lógico conduz a seguinte premissa: se o Espírito sofre em função do mal que praticou, sua infelicidade deverá ser proporcional à falta cometida. O homem, dentro das limitações que caracterizam sua vida, em especial se considerarmos a teoria te uma única experiência na matéria, não teria condições de perpetrar crimes cujas conseqüências se prolongassem ao infinito, de modo a justificar a existência de tormentos eternos. Cumpre considerar também que a condenação perpetua não se coaduna com a idéia cristã da sublimidade da justiça e da misericórdia divinas. Jesus testemunhou a Bondade e o Amor de Deus, ao afirmar que o "(...) Pai celeste (...)" não quer "(...) que pereça um só (...)" (07) de seus filhos, e ao recomendar, em outra oportunidade:"(...) Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque Ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e vir chuvas sobre os justos e injustos. (...) Por tanto, sede vós perfeitos como perfeito e o vosso Pai celeste." (06) A razão, por outro lado, conduz à consideração de que Deus e um ser infinito em suas perfeições. "(...) ~ impossível conceber Deus de outra maneira, visto como, sem a infinita perfeição, poder-se-ia conceber outro ser que lhe fosse superior. Para que seja único acima de todos os seres, faz-se mister que ninguém possa excedê-lo ou sequer igualá-lo em qualquer coisa. Logo, e necessário que seja de todo Infinito. (...)" (03) Sendo, portanto, infinitamente sábio, justo e misericordioso não se pode crer que tenha criado seres para serem eternamente desgraçados, em virtude de uma falta passageira, conseqüência natural da imperfeição do homem. A doutrina das penas eternas surgiu das idéias primitivas de um Deus irado e vingativo, a quem o homem atribuiu as características de sua inferioridade. O fogo eterno e somente uma figura de que o homem se utilizou para materializar a idéia do inferno, de modo a ressaltar sua crueldade, por considerar o fogo como o suplício mais atroz e que produz o tormento mais efetivo. Tal sorte de conceitos serviu, em certo período da historia da Humanidade, para controlar as paixões da infância da razão. Porem, não serve ao homem do século da inteligência, que nela não pode ver sentido lógico. Jesus utilizou-se de figuras do inferno e do fogo eterno para colocar-se ao alcance da compreensão dos homens da época. Valeu-se de imagens fortes para impressionar a imaginação de homens que pouco podia entender das coisas do Espírito, e cuja realidade estava mais próxima da matéria e dos fenômenos que lhes impressionavam os sentidos físicos. Em muitas outras oportunidades enfatizou o ensino de que o Pai e misericordioso e bom e de que a Sua vontade e que, daqueles que foram confiados a Jesus, nenhum se perca. (08) Desse modo, a Justiça Divina se manifesta na vida dos seres não para a mera punição, mas com o objetivo maior do redirecionamento ao bem. Deus criou os seres para progredir continuamente em conhecimento e amor. Essa evolução se produz através de diversas experiências no plano físico e no plano espiritual. A dor e o estimulo de que se vale a Providência divina para despertar a vontade de renovação e, assim, impulsionar o progresso. A infelicidade e, pois, conseqüência natural da imperfeição do Espírito e existe em virtude de suas necessidades de evolução. O sofrimento não é eterno, pois o mal também não o é, de vez que todos foram criados para o aperfeiçoamento maior. ~ medida que o ser progride em amor e sabedoria o sofrimento vai-se atendo. "(...) Dia virá em que a consciência mais denegrida experimentará, no intimo, a luz radiosa da alvorada (...)" (10) do amor de Jesus. ` Felicidade e infelicidade são proporcionais às realizações e conquistas efetivas pelos homens em suas experiências evolutivas. A consciência harmonizada com a Vontade Divina reflete o Amor Sublime e objetiva o Bem, vivendo a paz interior e a felicidade em sua plenitude. O Homem em desequilíbrio interior, ao contrário, ao se voltar para o mal, infringindo os códigos universais do amor, incorre nos mecanismos da Justiça Divina que, através da dor ou do sofrimento, o estimula ao reajuste e à reparação de seus erros. Do homem e que depende a duração de seu sofrimento. Quanto mais cedo se utilizar de seu livre-arbítrio para evoluir, mais cedo ele se libertará do jugo da dor. No Universo não há lugares reservados para o inferno, pois a dor opera a renovação do homem trabalhando em seu próprio coração. Há, no entanto, lugares de penitência no plano invisível, em que o sofrimento se apresenta sob diversas formas e intensidades. São os locais em que se reúnem Espíritos inferiores em evolução e que, pelo contato mútuo de seus vícios, magoam-se reciprocamente, mais do que o faziam quando jungidos ao corpo físico, pois nestes se vêem limitados pela matéria, e pelas regras da vivência social. Contudo, esses lugares não

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se assemelham ao inferno em sua tradicional acepção, pois se constituem em agrupamentos provisórios, sujeitos às modificações que lhes são impostas pelos mecanismos da reencarnação e pela lei do progresso, e que se extinguirão com a evolução dos seres que os freqüentam, quando, de acordo com as promessas de Jesus, "(...) ha verá um rebanho e um pastor." (09) EXERCÍCIO DE ESTUDO DIRIGIDO 01. Assinale as opções corretas: a) ( ) As seitas pagãs, como a grande maioria das cristãs pregam a existência de regiões de torturas e sofrimentos para os maus, e beatitude para os bons. b) ( ) A Lei de Causa e Efeito explica, em essência, a destinação espiritual do homem. ~ c) ( ) A condenação perpetua coaduna-se com a justiça e a misericórdia divinas. i d) ( ) O perdão divino não se traduz por uma graça concedida aos homens. e) ( )É provável que Deus tenha criado seres voltados eterna mente para 0 bem. f) ( ) A dor e o sofrimento não são "castigos divinos ", porem mecanismos capazes de reajustar o Espirito no caminho do bem. g) ( ) Para o Espirito altamente individado perante as leis divinas, existe a sensação de eternidade do sofrimento. h) ( ) Os lugares de penitência no plano invisível - como o vale dos suicidas (*)são o inferno anunciado por diversas seitas religiosas. i) ( ) A dor opera a renovação do homem. j) ( ) A doutrina das penas eternas imagina Deus como um ser antropomórfico. NUMERE A COLUNA DA DIREITA DE ACORDO COM A COLUNA DA ESQUERDA. 01. Lei de Causa e Efeito. 02. Atributo divino 03. Céu e inferno religiosos 04. Fogo eterno. 05. Lei do perdão 06. Destinação do homem. 07. A duração do sofrimento. 08. Evolução do Espírito. 09. Coopera na melhoria do homem 10. Livre-arbítrio. ( ) 'Amai as vossos inimigos".(Ma tens, 5:44-48 ). ( )Figura usada por Jesus para os baldos de conhecimento espiritual. ( ) Infinitamente justo e misericordioso. ( ) Perfeição espiritual. ( ) Liberdade de escolha entre o bem e o pal. ( ) A dor. ( ) Ocorre nos pianos físico e espiritual. ( )Lugares circunscritos de bem-aventuranças e sofrimentos eternos. ( ) Não é eterna. ( ) Cada um colhe o que semeia. ( ) Causa da miséria moral humana 03. Responda: a. Como devemos interpretar as palavras de Jesus, registradas em Mateus, 18:14:_ "(...) Não é da vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos'' b. Como õ Espiritismo contribuiu para eliminar a idéia das penas eternas? c. Por que a idéia da existência de um inferno não resiste a uma análise objetiva? d. Que significado devemos dar às palavras inferno e satanás utilizadas por Jesus? GABARITO DE RESPOSTAS DO EXERCÍCIO 01. As opções corretas são as seguintes: a, b, d, f, g, i, j. 02. A enumeração correta é esta: 05, 04, 02, 06, 10, 09, 08, 03, 07, 01.

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03. a. Não há condenação eterna para os Espíritos que erram, nem mesmo para aqueles que cometem graves crimes. A todos Deus dá a chance de reparar o mal cometido. b. Ensinando e provando a imortalidade da alma, a lei de causa e efeito, a reencarnação e a comunicabilidade dos Espíritos através da mediunidade. c. Porque foge ao raciocínio humano e vai contra a idéia de justiça e misericórdia divinas. d. Figuras alegóricas usadas como força de expressão e com a finalidade de impressionar Espíritos distanciados de ensinamentos espirituais.

21 - O reino de Deus e o paraíso prometido. O REINO DE DEUS E O PARAÍSO PROMETIDO OBJETIVOS ESPECÍFICOS Ler no livro mosaico, Gênesis os capítulos 2:9 -17 e 3:1 - 21. Dar uma explicação espirita para as figuras de Adão, Eva, a serpente, a árvore da vida, paraíso perdido, etc. que aparecem na leitura efetuada. IDÉIAS PRINCIPAIS "(...) Adão personifica a Humanidade; sua falta individualiza a fraqueza do homem, em quem predominam os instintos materiais a que ele não sabe resistir. (...)" (01) "A árvore, como árvore de vida, e o emblema da vida espiritual, como árvore da Ciência, e o da consciência (...)"(01) "(...) O fruto da árvore simboliza o objeto dos desejos materiais do homem (...)." (01) "(...) A morte de que ele e ameaçado, caso infrinja a proibição que se lhe faz, e um aviso das conseqüências inevitáveis, físicas e morais, decorrentes da violação das leis divinas que Deus lhe gravou na consciência (...)" (01) "(...) A serpente está longe hoje de ser tida como tipo de astucia. Ela, pois, entra aqui mais pela sua forma do que pelo seu caráter, como alusão à perfídia dos maus conselhos. (...)" (02) "(...) O paraíso terrestre, cujos vestígios tem sido inutilmente procurados na Terra, era, por conseguinte, a figura do mundo ditoso, onde vivera Adão, ou, antes, a raça dos Espíritos que ele personifica. (...)" (03) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. Gênese Moisaica. In: A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 25. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982, Item 16,p.250. 02 - Op. cit., item 17, p. 251. 03 - Op. cit., i tem 23, p. 256. COMPLEMENTAR ES 04. XAVIER, Francisco Cândido. As Raças Adâmicas. In: . A Caminho da Luz. Pelo Espírito Emmanuel. 11. ed. Rio de Janeiro, FEB, 198Z. p. 34. O REINO DE DEUS E O PARAÍSO PROMETIDO Moisés, para explicar a origem do homem, relata no livro bíblico "Gênese" a história de Adão e Eva, que teriam sido os primeiros seres humanos, criados por Deus para habitar

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um jardim de delícias. Tentados pela serpente, comeram o fruto proibido da árvore da ciência e foram expulsos do paraíso para a Terra, onde sua sobrevivência dependeria do próprio labor. Tratava-se de explicação adequada ao nível de compreensão do povo judeu da época moisaica, mas que não pode ser tida por verdade absoluta nos tempos atuais, assinalados pelo progresso intelectual e cientifico. As teorias que identificam nas raças humanas o resultado do aprimoramento biológico, através dos milênios, dos organismos primitivos que inicialmente povoaram a Terra, isso hoje amplamente difundidas, aceitas pela comunidade cientifica e confirmadas pelo Plano espiritual. As descobertas recentes da Antropologia e da Arqueologia não só têm confirmado essas teorias, como fornecido argumentos em favor da tese do povoamento simultâneo de várias regiões do Planeta, através de rasas distintas, especiais em seus caracteres físicos, o que denota sua origem diversificada e desenvolvimento independente. Contudo, a simbologia da narrativa moisaica reflete fenômeno usual no processo de desenvolvimento e evolução dos orbes e dos Espíritos que os habitam. Os mundos progridem através do crescimento em moralidade e saber dos seres que neles vivem. Quando um planeta atinge uma fase de culminância em sua transição evolutiva, os Espíritos que não acompanharam o progresso geral do orbe e se tornaram, ali, elementos de perturbação ao bem estar da coletividade, são conduzidos a mundos menos adiantados, onde aplicarão sua inteligência e a intuição dos conhecimentos adquiridos, em beneficio do progresso da humanidade que os habita. Ao mesmo tempo, expiarão, no contato com as difíceis condições de vida de seu novo ambiente, e entre povos mais atrasados, as faltas passadas e o endurecimento voluntário, sofrendo o guante.da dor que os impulsionará à renovação. Essas migrações entre os diversos mundos do Universo são periódicas e podem-se efetuar com os elementos de um povo, de uma raça, ou com os habitantes de um planeta. No Gênesis, Moisés registra as reminiscências de um grupo de Espíritos, personificados por Adão e Eva, que migrou para a Terra, proveniente de um planeta do sistema orbital da estrela a que chamamos Cabra ou Capela, que pertence à Constelação do Cocheiro. Há milênios, esse planeta capelino."(...) que guarda muitas afinidades com o globo terrestre, atingira a culminância de um dos seus extraordinários ciclos evolutivos. (...) Alguns milhões de Espíritos rebeldes lã existiam, no caminho da evolução geral, dificultando a consolidação das penosas conquistas daqueles povos cheios de piedades e virtudes, mas uma ação de saneamento geral os alijaria daquela humanidade, que fizera jus à concórdia perpétua, para a edificação dos seus elevados trabalhos. As grandes comunidades espirituais, diretoras do Cosmos, deliberaram, então, localizar aquelas entidades, que se tornaram pertinazes no crime, aqui na Terra longínqua, onde aprenderiam à realizar, na dor e nos trabalhos penosos do seu ambiente, as grandes conquistas do coração e impulsionando, simultaneamente, o progresso dos seus ir mãos inferiores. (...)" (04) Na dor de seu exílio e da separação de seus afetos, foram recebidos por Jesus que, com suas amorosas advertências, despertou-lhes as esperanças de redenção no porvir e os convidou à cooperação fraterna para o aprimoramento da raça primitiva que habitava o Orbe. Jesus prometeu-lhes a assistência cotidiana e sua vinda futura, para indicar-lhes o caminho que lhes possibilitaria o retorno ao " paraíso perdido " Com o auxilio desses Espíritos endividados e aflitos, que reencarnaram nas regiões da Terra já habitadas pelos clãs e povos primitivos, as falanges de Jesus procederam ao aperfeiçoamento dos caracteres biológicos das rasas humanas e lançaram as bases do progresso e da civilização no Planeta.

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Vivendo entre povos primitivos, ainda em situação de barbárie, essas entidades sentiram-se degredadas, em ambiente rude, para expiar suas faltas. Almejavam o retorno ao "paraíso perdido", cuja lembrança intuitiva se propagou através das gerações e foi relatada nas páginas bíblicas. A figura de Adão deve ser compreendida, pois, como símbolo da Humanidade. "(...) A palavra hebraica haadam não e nome próprio, mas significa: o homem em geral, a Humanidade (...)." (01) Sua desobediência às determinações divinas representa a infração das leis do bem, em que incorreram os homens, particularmente os exilados do sistema capelino, ao se deixarem dominar pelos instintos materiais. A arvore da ciência e alegoria relativa ã possibilidade de o homem discernir entre o bem e o ma]., através do progresso em conhecimento e do conseqüente desenvolvimento de seu livre-arbítrio, que acarreta a responsabilidade pelos seus atos. Assim, ao mesmo tempo em que a árvore da ciência simboliza o crescimento em saber, implica também na responsabilidade do homem pelas suas opções diante da vida. O fruto da árvore da ciência, que floresce no meio do "jardim das delícias ", corresponde ao produto da evolução material e se constitui no "(...) objeto dos desejos materiais do homem (...)." (01) Comer o fruto e deixar-se vencer pelas tentações da matéria, em detrimento das conquistas espirituais que cumpre realizar. A arvore da vida simboliza a vida espiritual, é referência às conquistas em moralidade e demais bens do Espírito, que o Orbe capelino efetivara e de que os exilados já não poderiam aproveitar por se terem desarmonizado com o ambiente. espiritual do planeta. A morte de que a palavra divina os alerta corresponde aos resultados da infração dos princípios do bem. termo utilizado no sentido espiritual e implica a impossibilidade do aquelas entidades se beneficiarem das aquisições que resultariam da evolução moral, e mesmo da permanência em seu planeta de origem e do contato com as virtudes desenvolvidas pelos que ali ficaram. A serpente simboliza, pelas suas formas e modo do locomoção, a sinuosidade dos maus conselhos que, contornando os obstáculos da consciência, conseguem atingir o ser. ao encontrar os resquícios da sua inferioridade, no âmago de seu coração. Desse modo, os ensinamentos espíritas relativos à raça adâmica esclarecem o mito registrado no Gênesis o fornecem explicação racional para as reminiscências das promessas da vinda do Messias, encontradas em diversas comunidades terrestres. Grande numero das entidades exiladas só puderam retornar ao seu orbe de origem depois de diversas existências de provas e expiações. Alguns, no entanto, ainda se encontram na Terra, pelo endurecimento no mal . 22 - Determinismo e fatalidade.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Conceituar determinismo e fatalidade. Dar a diferença entre a ideologia filosófica do determinismo e a do livre-arbítrio. Citar seguidores do determinismo e do livre-arbítrio e seus principais ensinos ao longo da história humana. IDÉIAS PRINCIPAIS. "(...) Os argumentos dos fatalistas e deterministas resumem-se as sim: "O homem esta submetido aos impulsos de sua natureza, que o dominam e obrigam a querer, a determinar-se num sentido, de preferência à outro; logo, não é livre". A escola adversa, que admite a livre vontade do homem, em face desse sistema negativo, exalta a teoria das causas indeterminadas. (...)= (04) "(...) O Espirito, conservando o livre-arbítrio quanto ao bem e ao mal, e sempre senhor de ceder ou de resistir. (...)" (01)

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. Pitagoras e seus adeptos diziam que a natureza "(...) é formada de maneira a determinar o destino do homem. (...)" (05) "~...) Sócrates creditava que o homem pode, pelo conhecimento, ter certa influencia sobre seu destino na Terra e na Vida futura. (...)" (06). Para "(---1 Zenon e os estóicos (...) o mundo é o resultado de leis fixas e imutáveis (...)" (07). "(...) o espírito humano poderia descobrir as leis que governam o universo e determinar suas próprias ações, tal era a certeza de Bacon. (...)" (09) "(...) Na opinião de Hobbes,é absurdo afirmar que o homem tem livre-arbítrio. (...)" (10). Outros tantos filósofos não acreditavam no livre-arbítrio (Hume, Leibnitz, etc.), outros acreditavam (Voltaire, Rousseau, etc.), tal qual acontece nos dias atuais. FONTES DE CONSULTA. BÁSICAS 01. KARDEC, Allan. Da Lei de Liberdade. In: - . O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Parte 3ª, questão 851, p. 390. 02. Op. Cit., questão 872, p. 398-400. COMPLEMENTARES 03 - ADMT. Dicionário de Doutrina Espírita. 1. ed. Rio de Janeiro, Cooperativa Cultural dos Esperantistas, Ltda., s./d. p. 77 - 78 04 - DENIS, León. O livre-arbítrio. In: - . O Problema do Ser. do Destino e da Dor. 10. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1977, Parte 3ª. 05 - FROST JR., S.E.. Destino Versus Livre-Arbítrio. In:. Ensinamentos Básicos dos Grandes Filósofos. Trad. de Leônidas Gontijo de Carvalho. São Paulo, Editora Cultrix, s./d.. p. 137-138. 06 - Op. Cit., p. 139-140. 07 - Op. Cit., p. 142. 08 - Op. Cit., p. 145 09 - Op. Cit., p. 148.' 10 - Op. Cit., p. 149., 11 - PERALVA MARTINS. Espiritismo e livre-arbítrio. In: . O Pensa mento de Emmanuel. 2. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978. p. 202 DETERMINISMO E FATALIDADE Para as Espíritos Superiores não existe determinismo."(...) A fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espirito fez, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer Escolhendo-a, instituiu para si uma espécie de destino, que e a conseqüência mesma da posição em que vem a achar-se colocado. Falo das provas físicas, pois, pelo que toca as provas morais e as tentações, o Espírito, conservando o livre-arbítrio quanto ao bem e ao mal, e sempre senhor de ceder ou de resistir. (...)" (01) Mesmo para as pessoas que pareçam ser perseguidas por um fatalismo marcante, as causas, se não estão na vida presente, têm origem no passado, em existências anteriores. B importante, porém, que não se confunda determinismo com fatalidade. Determinismo é um sistema filosófico que nega ao homem o direito de agir livremente, de acordo com sua vontade. ''(...) Este sistema tem a representá-lo atualmente os positivistas e os materialistas de todas as escolas; mas é curioso notar se que a sua origem se encontra na escolástica religiosa, que subordinava rigorosamente à influência da Providência divina a determinação da vontade (...). Mas, o determinismo materialista, como o determinismo religioso, negando o livre-arbítrio, suprimia (...) a responsabilidade. (...)" (03) A ideologia do determinismo vem de longe."(...) Na antiga mitologia grega, encontramos a concepção das Parcas: criaturas que teciam a teia do destino, na qual era colhida a espécie humana, sem que esta dela se pudesse libertar. (...)" (05) Para os primeiros pensadores gregos, o destino das pessoas estava intimamente ligado ã "(...) crença no poder absoluto das forças do universo. O destino do homem acha-se determinado por elas; conquanto não se sinta talvez satisfeito com isso, vê-se impotente ante elas. Deve obedecer-lhes. (...)" (05) Para Pitágoras e seus adeptos, "(...) a natureza do universo e formada de maneira a determinar o destino do homem. Os segredos de sua sorte acham-se encerrados nos números; somente podem ser desvendados se se compreender seu significado. consequentemente, a maneira de saber o que acontecerá ao homem a cada um, está em compreender a linguagem dos

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algarismos (...)" Outro pensador grego da antigüidade, "(...) Heráclito ensinou que o processo cósmico segue a determinadas leis. (...) Toda mudança, afirmou ele, está de acordo com uma lei fixa e imutável, lei que é o princípio básico do mundo. O homem está completamente sujeito a ela. Heráclito refere-se a essa lei, ou principio, chamando-a, às vezes, destino; outras, jutiça. (...)(05) Quem primeiro procurou afastar O homem da idéia de um destino inexorável foram os filósofos gregos chamados Sofistas. Segundo eles, "(...) O homem, medida de todas as coisas ", não podia ficar inteiramente preso a um processo ou a leis de que não pudesse desvencilhar-se. Conquanto não fossem muito claros em sua exposição, parecia-lhes impossível que o homem não exercesse certo efeito sobre o prõprio destino. (...)" (06) Sócrates não aceitava este domínio sobre o homem. "(...) Afirmou que o conhecimento constitui sua realização suprema. Alcançando o conhecimento, o homem age com acerto, é bom. Sem o conhecimento, corre o risco de agir com desacerto. Além disso, Sócrates acreditava que o homem pode, pelo conhecimento, ter certa influência sobre seu destino na Terra e na vida futura. (...)" (06) Platão era o defensor da liberdade. "(...) O homem pode vencer, e de fato vence, os objetivos do mundo. Embora seja uma criatura do Criador divino, pode ordenar sua vida de modo a vivela com espirito de justiça e sensatez. (...)" (06) Aristóteles acreditava na liberdade do homem. "(...) Para ele, a moral não e questão de lei inevitável, porém de livre escolha. (...) Temos liberdade de fazer o que e bom ou o que é mau. (...)" (06) Outros filósofos gregos que surgiram posteriormente acreditavam ou não no determinismo. Epicuro,e os epicuristas, não se inclinavam "(...) a deixar o homem como o títere de forças inexoráveis. Afigurava-se-lhe importante o livre-arbítrio. (...) Zenão e os estóicos assumiram a outra posição extrema relativamente à liberdade humana. Para eles, o mundo e o resultado de leis fixas e imutáveis. (...)" (07) Os pensadores gregos religiosos concebiam uma liberdade relativa para o homem. Filon acreditava que a encarnação da alma no corpo constituía uma queda, uma perda parcial da liberdade que possuía antes da encarnação. Ptotino também acreditava na liberdade original da alma; isto é, o corpo é uma prisão e a alma ligada ao corpo está prisioneira, não é livre. Para esse filósofo, o homem como alma, como Espirito, é livre; tal não acontece se está ligado a um corpo. Os pensadores cristãos dos primeiros tempos do Cristianismo e os da Idade Media, sobretudo os Apologistas, criam num homem basicamente livre e a sua queda advém da ligação com o corpo. Acreditava , ainda, que no momento da sua criação a alma teria a liberdade de escolher entre o bem e o mal. "(...) Os antigos cristãos explicavam que Deus, todo bondade e perfeição, não pode ser responsável pelo mal e pelos pecados do mundo. O homem deve, portanto, arcar com essa responsabilidade e é livre. O antigo monge cristão Pelágio doutrinava que Deus deu liberdade ao homem para que possa escolher entre o bem e o mal. Cada um faz sua própria escolha dentro do espírito do livre-arbítrio. (...) Na Renascença, o homem da época procurou se desligar do domínio da igreja e resolveu, por si, conhecer o mundo. Surgem, então, os primeiros cientistas. Entre eles destacamos Galileu, Kepler, Isaac Newton. Se, por um lado, "(...) libertava-se, assim, o homem da autoridade do passado e da igreja (...) - por outro lado - "(...) para ver-se nova mente escravizado a um senhor mais poderoso e mais inflexível que qualquer outro que conhecera antes. O homem, na filosofia de muitos cientistas da Renascença, passou a ser simples parte de um universo mecânico (...)". (09) "(...) Francis Bacon é o protótipo do homem que desejava, ardentemente, libertar-se das tradições do passado e abordar o universo sem preconceitos religiosos ou intelectuais. (...)" (09) Para esse filósofo o homem "(...) poderia descobrir as leis que governam o universo e determinar suas próprias ações. (...)" (09), "porem, apesar do seu desejo intimo de se libertar da religião, 8acon deixou o homem sujeito a vontade de Deus e, com isso, destituído de liberdade. (.~.)" (09) " (...)Tomas Hobbes viu os resultados insatisfatórios da doutrina sugerida por Bacon; foi mais longe ao afirmar que tudo, no uni verso, está sujeito a uma serie de causas e efeitos puramente mecânicas. Tudo, ate mesmo as ações e o destino do homem - argumentou - pode ser explicado mecanicamente (...). Assim, na opinião de Hobbes, é absurdo afirmar que o homem tem livre-arbítrio. (...)" (10) Descartes tentou conciliar as idéias de Deus interferindo no destino do homem, com as teorias mecânicas. Para ele, o Espirito é livre.

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Os sucessores de Descartes, Balise Pascal e Pierre Bayle, colocaram a liberdade no domínio da religião: o homem é livre através da experiência religiosa, e não se pode provar essa liberdade pela razão. Espinosa é totalmente determinista. Tudo no universo se encadeia. Não existe, para esse pensador, o livre-arbítrio. John Locke acreditava que o homem não só tem liberdade como tem vontade; e que Deus dotou o homem de certos desejos. São esses desejos que levam o homem a ter vontade. Tendo vontade, é livre para agir. Para David Hume o homem só é livre quando as suas ações provêm dos seus desejos, da sua vontade; mas, se ele age atendendo a uma necessidade exterior, que não seja sua, ele não é um homem livre. Para Gottfried Wilhelm Leibnitz deve existir uma conciliação entre a Ciência e o Cristianismo. Leibnitz era monista. O homem, afirmava, é formado de mônadas. Essas mônadas não sofrem influências exteriores, logo, o homem não recebendo influências exteriores, e livre. No entanto, interiormente, o homem é governado pela sua vontade, pelos seus desejos, por sua natureza, em suma. A vontade do homem é manifestada quando ele sabe o que quer e luta por isto. O homem não será livre se não souber o que quer. No movimento filosófico chamado Iluminismo, destacou-se um grande propagandista: Voltaire Pregava a doutrina do livre-arbítrio, que se aproximava de quase uma completa irresponsabilidade; mais tarde, porém, abandonou esta doutrina e optou pelo determinismo. Dizia que só era livre quando podia fazer o que queria. Depois de Voltaire, surgiram filósofos que foram abandonando as idéias do livre-arbítrio, chegando alguns a declarar ser o homem uma máquina. Foi a época de John Totand, La Mettrie. Barão de Holbach e outros. Foi Jean-Jacques Rousseau quem modificou a direção que as idéias dos seus antecessores estavam tomando. Rousseau desperta a idéia do sentimento. Para ele, o homem é livre; não um joguete das leis naturais, mas uma alma que luta para viver segundo a liberdade que possui. Kant, segundo consta, foi influenciado por J. J. Rousseau. Kant aceitava o livre-arbítrio como necessário ao homem moral. O homem é um agente livre. E o homem livre cria o ato que o levará, fatalmente, à teia intricada de causa e efeito. Nem sempre, segundo o pensamento do filósofo, se pode provar que a vontade é livre. Aceitava, porém, como os mecanicistas, que não se pode provar teoricamente a existência do livre-arbítrio, mas que existe uma verdade mais elevada que a das ciências, a verdade da natureza moral do homem. E esta verdade faz o homem livre. Para William James, o fato de o homem ter a vontade de crer o torna livre. John Dewey concebeu õ homem cooperando na criação do mundo. Segundo ele, os desejos e as tendências humanas são quem dirige o mundo. Anotamos acima as principais idéias dos seguidores e dos não seguidores do determinismo. Ate os dias presentes ainda encontramos esta divergência de opiniões. O certo, porém, aquilo que o Espiritismo nos ensina, é que não há um fatalismo, um determinismo que norteia a vida do homem. Se o homem e constrangido a agir diferentemente do que pensa e do que quer, e porque esta preso aos débitos contraidos em existências anteriores. Sem a teoria da reencarnação torna-se difícil explicar se o homem tem ou não livre-arbítrio. "(...) Subordina-se o homem a livre-arbítrio relativo e a determinismo relativo. A reencarnação abre, com facilidade, os redutos do livre-arbítrio, exibindo-o, com simplicidade, aos estudiosos. A palingenesia anula a idéia de que haja contradição entre livre-arbítrio e determinismo, oferecendo a ponte destinada a ligá-los entre si, de modo que se não choquem nas conjeturas do intelecto.(...)" (11) "A questão do livre-arbítrio se pode resumir assim: O homem não é fatalmente levado ao mal; os atos que pratica não foram previamente determinados; os crimes que comete não resultam de uma sentença do destino. Ele pode, por prova e por expiação, escolher uma existência em que seja arrastado ao crime, quer pelo meio onde se ache colocado, quer pelas circunstâncias que sobrevenham, mas será sempre livre de agir ou não agir. (...) A fatalidade, como vulgarmente é entendida, supõe a decisão prévia e irrevogável de todos os sucessos da vida, qualquer que seja a importância deles. Se tal fosse a ordem das coisas, o homem seria qual máquina sem vontade. De que lhe serviria a inteligência, desde que houvesse de estar invariavelmente dominado, em todos os seus atos, pela força do destino? Semelhante doutrina, se verdadeira, conteria a destruição de toda liberdade moral. (...) Contudo, a fatalidade não é uma palavra vã. Existe na posição que o homem ocupa na Terra e

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nas funções que aí desempenha, em conseqüência do gênero de vida que seu Espírito escolheu como prova, expiação ou missão. Ele sofre fatalmente todas as vicissitudes dessa existência e todas as tendências boas ou más, que lhe são inerentes. Ai, porem, acaba a fatalidade, pois da sua vontade depende ceder ou não a essas tendências. Os pormenores dos acontecimentos, esses ficam subordinados às circunstâncias que ele próprio cria pelos seus atos, sendo que nessas circunstancias podem os Espíritos influir pelos pensamentos que sugiram. (...) Há fatalidade, portanto, nos acontecimentos que se apresentam, por serem estes conseqüência da escolha que o Espírito fez da sua existência de homem. (...) Nuncahá fatalidade nos atos da vida moral (...) (02) ANEXO I ESTUDO DIRIGIDO Após a leitura reflexiva da síntese do assunto, faça o que se pede abaixo (volte a consultar a síntese se julgar necessário). ASSINALE A ASSERTIVA VERDADEIRA 01. Para o Espiritismo a fatalidade: ( ) É relativa. ( ) Traduz-se pela escolha de provas reencarnatórias. ( ) Está em função do livre-arbítrio individual. ( ) Todas as respostas estão corretas. ( ) Todas as respostas estão erradas. 02. 0 determinismo, que subordinava rigorosamente ã influência da Providencia divina a determinação da vontade, originou-se: ( ) Na antiga Roma. ( ) Na escolástica religiosa. ( ) Nos ensinos de Aristóteles. ( ) Todas as respostas estão corretas. ( ) Todas as respostas estão erradas. 03. Os principais filósofos da Antigüidade que não acatavam a ideologia determinística foram: ( ) Pitágoras, Sócrates, Heráclito, Aristóteles. ( ) Sócrates, Platão, Epicuro, Pitágoras. ( ) Sócrates, Platão, Aristóteles, Epicuro. ( ) Todas as respostas estão corretas. ( ) Todas as respostas estão erradas`. 04. Os principais adeptos do determinismo, desde a antigüidade ate o século passado, e citados na síntese, são: ( )Pitágoras, Heráclito, Thomas Hobbes, Espinosa, La Mettrie. ( ) Barão de Holbach, J.-J. Rousseau, Kant, Espinosa, Blaise Pascal, John Lock, Bacon, Santo Agostinho e Pitegoras. ( ) Tomas de Aquino, Platão, Renée Descartes, Leibnitz, David Hume e Voltaire. ( ) Todas as respostas estão corretas. ( ) Todas as respostas estão erradas. 05. Qual dos seguintes filósofos era monista e rejeitava parcialmente o determinismo? ( ) David Hume. ( ) Pierre Bayle. ( ) Gottfried W. Leibnitz. ( ) Epicuro.

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( ) Francis Bacon. 06. Filon foi um dos pensadores gregos religiosos que defendia: ( ) A liberdade total para o homem. ( ) A liberdade relativa para o homem. ( ) A encarnação como sendo uma queda. ( ) A primeira e terceira assertiva são as corretas. ( ) A segunda e terceira assertivas são as corretas. - RESPONDA: 01. Dizer que é determinismo do ponto de vista filosófico e fatalismo de acordo com os ensinos espíritas. ____________________________________________________________________________ _____________ 02. Porque o destino das pessoas está intimamente ligado ao seu livre-arbítrio? ____________________________________________________________________________ _____________ 03. Resuma a questão do livre-arbítrio: ____________________________________________________________________________ _____________ 04. Qual a importância do pensamento de Jean-Jacques Rousseau para o progresso do conhecimento humano? ____________________________________________________________________________ _____________ 05. Por que, sem o conhecimento da teoria da reencarnação, ou palingenesia, torna-se difícil esclarecer se o homem tem ou não livre-arbítrio? ____________________________________________________________________________ _____________ III RELACIONE NA 2ª COLUNA, À DIREITA, O PENSAMENTO DOS FILÓSOFOS, CUJOS NOMES ESTÃO À ESQUERDA. 01. Pitágoras 02. Heráclito 03. Sócrates 04. Platão 05. Aristóteles 06. Plotino 07. Pelãgio 08. Galileu 09. Thomas Hobbes 10. Descartes. 11. Blaise Pascal 12. Espinosa 13. Leibnitz 14. Voltaire ( ) A moral está em função da livre escolha. ( ) O livre-arbítrio é necessário para formar o homem moral ( ) Deus deu liberdade para o homem escolher entre o bem e o mal ( ) O homem e livre porque tem a vontade de Crer. ( ) Foi determinista mas, inicialmente, aceitava o livre-arbítrio ( ) Determista incondicional, o homem não tem livre-arbítrio ( ) O homem é livre através da experiência religiosa.` ( ) Deus interfere no destino do homem, aceitava as teorias mecânicas. ( ) Pelo conhecimento o homem age acertadamente ( ) Monista que tentou conciliar o Cristianismo e a Ciência. ( ) O destino e as ações do homem podem ser mecanicamente explicados. ( ) A lei fixa que rege o homem chama-se destino ou justiça ( ) Cientista da Renascença, que cria no homem como parte do universo mecânico. ( ) A alma não é livre se estiver ligada a um corpo

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15. Emmanuel Kant 16. Wilhiam James

( ) Os segredos do destino do homem estão nos números ( ) Grande defensor da liberdade humana.

ANEXO 02 GABARITO DE RESPOSTAS AS ASSERTIVAS VERDADEIRAS SÃO: 01. d; 02. b; 03. c; 04. a; 05. c; 06. c. Il - RESPOSTAS: 01. Do ponto de vista filosófico, determinismo forma um sistema que nega ao homem o direito de agir livremente, de acordo com sua vontade. Para a Doutrina Espirita, fatalismo representa as provas físicas escolhidas pelo Espírito antes de encarnar. 02. Porque tudo na vida obedece à Lei de Causa e Efeito. Tendo liberdade para agir no bem ou no mal, o Espirito delineia a sua vida futura pela colheita de suas ações pretéritas. 03. 0 homem não é fatalmente levado ao mal; os atos que pratica não foram previamente determinados. Ele pode, por prova e expiação, escolher uma existência em que possa errar, tornar-se ate criminoso; no entanto, será sempre senhor de resistir ou não ao mal. 04. Mostra que o homem não é apenas uma máquina, mas um ser que possui sentimentos. 05. Somente a doutrina da reencarnação esclarece ao homem a causa dos seus sofrimentos e das suas alegrias. Revela que o homem sofre por que, no passado, usou mal o seu livrearbítrio. Sem a idéia reencarnacionista, o homem julga-se preso a um determinismo que pode ser explicado por certas religiões (Deus criou seres para o bem ou para o mal) ou pela ciência (o homem faz parte do universo mecânico), mas não convence. III- A NUMERAÇÃO CORRETA DA SEGUNDA COLUNA E A SEGUINTE: - 05, 15, 07, 16, 14, 12, 11, 10, 03, 13, 09, 02, 08, 06, 01, 04.

23 - Livre-arbítrio. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Rever os conceitos de livre-arbítrio e responsabilidade. Exemplificar conseqüências do mau emprego do livre-arbítrio. IDÉIAS PRINCIPAIS O homem "(...) que tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar. Sem o livrearbítrio, o homem seria maquina." (01) "(...) Há liberdade de agir, desde que haja vontade de fazê-lo. Nas primeiras fases da vida, quase nula é a liberdade, que se desenvolve e muda de objeto com o desenvolvimento das faculdades. Estando seus pensamentos em concordância com o que a sua idade reclama, a criança aplica o seu livre-arbítrio àquilo que lhe e necessário." (Q2) (...) O livre-arbítrio não é absoluto, mas, sim, relativo - relativo à posição ocupada pelo homem na escala dos valores espirituais. (~" (04) "(...) Pelo uso do livre-arbítrio, a alma fixa seu destino, prepara suas alegrias ou suas dores. ~ (...) O destino é resultante, através das vidas sucessivas, de nossas próprias ações e livres resoluções. (...)" (05) -

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"Na esfera individual o livre-arbítrio é pois o único elemento dominante. A existência de cada homem e resultante de seus atos e pensamentos. (...)" (06) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01 - Kardec, Allan. Da Lei da Liberdade. In:—. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1783. Parte 3-, questão 843, p. 387. 02 - Op. Cit., questão 844, p. 388. 03 - DENIS, León. O livre-arbítrio. In: - . O Problema do Ser do Destino e da Dor. 1Q. ed. Rio de Janeiro, FEB , 1977, Parte 3ª' 04 - MARTINS PERALVA. Espiritismo e livre-arbítrio. In: O Pensamento de Emmanuel. 2. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978. p. 199-201 05 - Op. Cit., p. 200. 06 - XAVIER, Francisco Cândido. O Elemento Dominante. In: Palavras do Infinito Pelo Espirito Humberto de Campos. 5. ed. São Paulo, LAKE, 1978, p. 95 07 - O livre-arbítrio e a Fatalidade In - . Palavras do Infinito; Pelo Espirito Humberto de Campos 5. ed. São Paulo, LAKE, 1978, p. 94-95 08. - Livres, mas responsáveis. In: - Encontro Marcado Pelo Espírito Emmanuel. 3. ed. Rio de Janeiro, . FEB, 1978. p 160-161. 09 - Op. Cit., p. 161-162. 10 - Op. Cit., p. 162. 11 - Op. Cit., p. 163. LIVRE-ARBÍTRIO "(...) O homem está subordinado ao seu livre-arbítrio; mas sua existência está também submetida a determinadas circunstancias de acordo com o mapa de seus serviços e provações na Terra, e delineado pela individualidade em harmonia com as opiniões cos seus guias espirituais antes da reencarnação. As condições sociais, a moléstias, os ambientes viciosos, o cerco das tentações, os dissabores, são circunstancias da existência do homem. Entre elas, porem, está a sua vontade soberana. · Pode nascer num ambiente de humildade e miséria, .procurando vencer pela perseverança no trabalho e triunfando das deficiências encontradas; pode suportar as enfermidades com serenidade de ânimo. e resignação; pode ser tentado de todas as maneiras mas só se tornará um criminoso se quiser". (07) O homem é, pois, livre para agir, para escolher o tipo de vida que queira levar. As dores, as dificuldades existentes na sua vida são provas e expiações que tem como conseqüência do uso indevido, incorreto do livre-arbítrio em existências anteriores. Se o homem ( ..)" tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar. Sem o livrearbítrio, o homem seria máquina." (01) "A liberdade é a condição necessária da alma humana que, sem ela, não poderia construir seu destino (...) A primeira vista, a liberdade do homem parece muito limitada no círculo de fatalidades que o encerra: necessidades físicas, condições sociais, interesses ou instintos. Mas, considerando a questão mais de perto, vê-se que esta liberdade é sempre suficiente para permitir que a alma quebre este círculo e escape às forças opressoras. A liberdade e a responsabilidade são correlativas no ser e aumentam com sua elevação; é a responsabilidade do homem que faz sua dignidade e moralidade. Sem ela, não seria ele mais do que um autômato, um joguete das forças ambientes: a noção de moralidade

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é inseparável da de liberdade. (...)" (03) "(...) Acrescentemos, porem) que o homem é livre, mas responsável, e pode realizar o que deseje, mas estará ligado inevitavelmente ao fruto de suas próprias ações." (08) . Analisemos, a seguir, o papel do livre-arbítrio no conceito de alguns campos do conhecimento humano: "(.,.) Estudemo-lo, inicialmente, com base em renomados penólogos. Segundo a Escola Clássica, o homem dotado de inteligência e livre-arbítrio é penalmente responsável, eis que: a) - tem a faculdade de analisar e discernir b) - tem o poder de livre deliberação. A sociedade tem, pois, o direito de punir, porque o criminoso tem vontade para delinqüir. De acordo com a Escola Antropológica, o homem age por força de funções somáticomedulares, glandulares ou cerebrais, Assim, a) - O crime não é resultado da livre vontade do delinqüente, mas de fatores biológicos. Diverge, como vemos, das escolas precedentes. A Escola Critica, Eclética ou Sociológica diz: a) - O crime resulta não da livre vontade do delinqüente, como querem os Clássicos; b) - nem da imposição de reflexos biológicos, herdados ou adquiridos, como querem os Antropologistas, mas exclusivamente, de FATORES SOCIAIS. O Espiritismo tem explicação própria. Tem conceitos essenciais que se afinam, de alguma sorte, com as diversas escolas, indo, contudo, bem mais além, em virtude da reencarnação. (...)" (04) O Espiritismo esclarece que: 1. Pelo uso do livre-arbítrio, construímos o nosso destino que pode ser de dores ou de alegrias. 2. Quanto mais livre é o Espirito, mais responsável ele é. 3. A fatalidade, ou determinismo, pode ser traduzida pela escolha das provas feita pelo Espírito antes de encarnar. Se há escolha de provas antes do renascimento corporal, o Espírito estabelece para si uma espécie de destino; daí o livre-arbítrio não ter uma medida absoluta, mas relativa. Inúmeros são os exemplos da falência do Espirito pelo uso indevido - para o mal - do livre-arbítrio; mas vejamos alguns: Com relação à posse de bens materiais: "(...) o homem e livre para reter quaisquer posses que as legislações terrestres lhos facultem, de acordo com a sua diligencia na ação ou seu direito transito rio, (...), mas, se abusa delas, criando a penúria dos semelhantes, de modo a favorecer os próprios excessos encontrará nas conseqüências disso a fieira de provações com que aprenderá a acender em si mesmo a luz da abnegação. (...)" (08) Com relação ao estudo, "(...) o homem é livre para ler e escrever, ensinar ou estudar tudo o que quiser (...); mas, se coloca os valores da inteligência em apoio do mal, deteriorando a existência dos companheiros da Humanidade com o objetivo de acentuar o próprio orgulho, encontrará nas conseqüências disso a fieira de provações com que aprenderá a acender em si mesmo a luz do discernimento. (...)" (09) Com relação ao trabalho, "(...) o homem é livre para abraçar as tarefas a que se afeiçoe (...) mas se malversa o dom de empreender e de agir, (...) encontrará nas conseqüências disso a fieira de provações com que aprenderá a acender em si mesmo a luz do serviço aos semelhantes. (...)" (09)

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Finalmente, com relação ao Sexo, (.,.) O homem é livre para dar às suas energias e impulsos sexuais a direção que prefira (...); mas se para lisonjear os próprios sentidos transforma os recursos genésicos em dor e desequilíbrio, angustia ou desesperação para os semelhantes, pela injuria aos sentimentos alheios ou pela deslealdade e desrespeito nos compromissos e ajustes afetivos, (...) encontrará nas conseqüências disso a fieira de provações com que aprenderá a acender em si mesmo a luz do amor puro. (...) n (10) Como se vê, "(...) todos somos livres para desejar, escolher, fazer e obter, mas todos somos também constrangidos a entrar nos resultados de nossas próprias obras. (...)" (11) ANEXO DOLOROSA PERDA Dentro da noite, defrontamos com aflito coração materno. A entidade, que nos dirigia a palavra, infundia compaixão pela facies de horrível sofrimento. – Calderaro! Calderaro! - rogou, ansiosa - ampara minha filha, minha desventurada filha' Oh! teria piorado? - inquiriu o instrutor, evidenciando conhecimento da situação. – Muito! muito !... — gemeram os trementes lábios da mãe aflita—; observo que enlouqueceu de todo... – Já perdeu a grande oportunidade? – Ainda não—informou a interlocutora mas encontra-se à beira de extremo desastre. Prometeu o orientador correr ~ doente em breves minutos, e voltamos à intimidade. Interessando-me no assunto, o atencioso Assistente sumariou o fato. – Trata-se de lamentável ocorrência — explicou-me, bondoso -, na qual figuram a leviandade e o ódio como elementos perversores. A irmã que se despediu, há momentos, deixou uma filha na Crosta Planetária, há oito anos. Criada com mimos excessivos, a jovem desenvolveu-se na ignorância do trabalho e da responsabilidade, não obstante pertencer a nobilíssimo quadro social. Filha única, entregue desde muito cedo ao capricho pernicioso, tão logo se achou sem a materna assistência no plano carnal, dominou governantes, subornou criadas, burlou a vigilância paterna e, cercada de facilidades materiais, precipitou-se, aos vinte anos, nos desvarios da vida mundana. Desprotegida, assim, pelas circunstancias, não se preparou convenientemente para enfrentar os problemas do resgate próprio. Sem a proteção espiritual peculiar à pobreza, sem os abençoados estímulos dos obstáculos materiais, e tendo, contra as suas necessidades intimas, a profunda beleza transitória do rosto, a pobrezinha renasceu, seguida de perto, não por um inimigo propriamente dito, mas por cúmplice de faltas graves, desde muito desencarnado, ao qual se vinculara por tremendos laços de ódio, em passado próximo. Foi assim que, abusando da !liberdade, em ociosidade reprovável, adquiriu deveres da maternidade sem a custódia do casamento. Reconhecendo-se agora nesta situação, aos vinte e cinco anos, solteira, rica e prestigiada pelo nome da família, deplora tardiamente os compromissos assumidos e luta, com desespero, por desfazer-se do filhinho imaturo, o mesmo comparsa do pretérito a que me referi; esse infeliz, por "acréscimo de misericórdia divina ", busca destarte aproveitar o erro da ex-companheira para a realização de algum serviço redentor, com a supervisão dos nossos Ante o espanto que inopinadamente me assaltara, sabendo eu que a reencarnação constitui sempre uma bênção que se concretiza com a ajuda superior, o Assistente afiançou, tranqüilizando-me: – Deus é o Pai amoroso e sábio que sempre nos converte as próprias faltas em remédios amargos' que nos curem e fortaleçam. Foi assim que Cecília, a demente que dentro em

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pouco visitaremos, recolheu da sua leviandade mesma o extremo recurso, capaz de retificar-lhe a vida... Entretanto, a infortunada criatura reage ferozmente ao socorro divino, com uma conduta lastimável e perversa. Coopero nos trabalhos de assistência a ela, de algumas semanas para cá, em virtude das reiteradas e comoventes intercessões materna junto a nossos superiores; todavia, acalento vaga esperança numa reabilitação próxima. Os laços entre mãe e filho presuntivo são de amargura e de ódio, consubstanciando energias desequilibrantes; tais vínculos traduzem ocorrência em que o espírito feminino há que recolher-se ao santuário da renúncia e da esperança, se pretende a vitória. Para isso, para nivelar caminhos salvadores e aperfeiçoar sentimentos, o Supremo Senhor criou o tépido e veludoso ninho do amor materno; contudo, quando a mulher se rebela, insensível às sublimes vibrações da inspiração divina, é difícil, senão impossível, executar o programa delineado. A infortunada criatura, dando asas ao condenável anseio, buscou socorrer-se de médicos que, amparados de nosso plano, se negaram a satisfazer-lhe o criminoso intento; valeu-se, então, de drogas venenosas, das quais vem abusando intensivamente. A situação mental dela é de lastimável desvario. Findo o breve preâmbulo, Calderaro continuou: – Mas, não temos minuto a perder. Visitemo-la. Decorridos alguns instantes, penetrávamos aposento confortável e perfumado. Estirada no leito, jovem mulher debatia-se em convulsões atrozes. Ao seu lado, achavam-se a entidade materna, na esfera Invisível aos olhos carnais, e uma enfermeira terrestre, dessas que, à força de presenciar catástrofes biológicas e dramas morais, se tornam menos sensíveis à dor alheia. A genitora da enferma adiantou-se e informou-nos: – A situação é muito grave! ajudem-na, por piedade! Minha presença aqui se limita a impedir o acesso de elementos perturbadores que prosseguem, implacáveis em ronda sinistra. O Assistente inclinou-se para a doente, calmo e atenciosos, e recomendou-me cooperar no exame particular do quadro fisiológico. A paisagem orgânica era das mais comoventes. A compaixão fraterna dispensar-nos-á da triste narrativa referente ao embrião prestes a ser expulso. Circunscrito à tese de medicação a mentes alucinadas. cabe-nos apenas dizer que a situação da jovem era impressionante e deplorável. Todos os centros endócrinos estavam em desordem, e os órgãos autônomos trabalhavam aceleradamente. O coração acusava estranha arritmia, e debalde as glândulas sudoríparas se esforçavam por expulsar as toxinas em verdadeira torrente invasora. Nos lobos frontais, a sombra era completa; no córtex encefálico, a perturbação era manifesta; somente nos gânglios basais havia suprema concentração de energias mentais, fazendome perceber que a infeliz criatura se recolhera no campo mais baixo do ser, dominada pelos impulsos desintegradores dos próprios sentimentos, transviados e incultos. Dos gânglios basais, onde se aglomeravam as mais fortes irradiações da mente alucinada, desciam estiletes escuros, que assaltavam as trompas e os ovários, penetrando a câmara vital quais tenuísslrnos venábulos de treva e incidindo sobre a organização embrionária de quatro meses. O quadro era horrível de ver-se. Buscando sintonizar-me com a enferma, ouvia-lhe as afirmativas cruéis, no campo do pensamento: – Odeio!... odeio este filho intruso que não pedi à vida!... Expulsá-lo-ei!... expulsá-lo-

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ei!... A mente do filhinho, em processo de reencarnação, como se fora violentada num sono brando, suplicava, chorosa: – Poupa-me! poupa-me! quero acordar no trabalho! quero viver e reajustar o destino... ajuda-me! resgatarei minha dívida!... pagar-te-ei com amor. . ., não me expulses ! tem caridade!, . . – Nunca! nunca! Amaldiçoado sejas! – dizia a desventurada, mentalmente – ; pretiro morrer a receber-te nos braços! envenenas-me a vida, perturbas-me a estrada! detesto-te morreras ! E os raios trevosos continuavam descendo, a jacto continuo. Calderaro ergueu a cabeça respeitável, encarou-me de frente e perguntou: – Compreendes a extensão da tragédia? Respondi afirmativamente, sob indizível impressão. Nesse instante de nossa angustiosa expectativa, Cecília dirigiu-se com decisão à enfermeira: – Estou cansada, Liana, muitíssimo cansada, mas exijo a intervenção esta noite! – Oh! mas assim, neste estado? – ponderou a outra. – Sim, sim – tornou a doente, inquieta – ; não quero adiar essa intervenção. Os médicos negaram-se a fazê-la, mas eu conto com a tua dedicação. Meu pai não pode saber disso, e eu odeio esta situação que terminantemente não conservarei. Calderaro pousou a destra na fronte da responsável pelos serviços de enfermagem, no intuito evidente de transmitir alguma providência conciliatória, e a enfermeira ponderou: —Tentemos algum repouso, Cecília. Modificarás possivelmente esse plano. — Não, não – objetou a imprevidente futura mãe, com mau humor indisfarçável – ; minha resolução é inabalável. Exijo a intervenção esta noite. Mau grado à negativa peremptória, sorveu o cálice de sedativo que a companheira lhe oferecia, atendendo-nos a influência indireta. Consumara-se a medida que meu instrutor desejava. Parcialmente desligada do corpo físico, em compulsória modorra, pela atuação calmante do remédio, Calderaro aplicou-lhe fluidos magnéticos sobre disco foto-sensível do aparelho visual, e Cecília passou a ver-nos, embora imperfeitamente, detendo-se, admirada, na contemplação da genitora. Reparei, contudo, que, se a mãezinha exuberava copioso pranto de comoção, a filha se mantinha impassível, não obstante o assombro que se Ihe estampara no olhar. A matrona desencarnada avançou, abraçou-se a ela e pediu, ansiosa: – Filha querida, venho a ti, para que te não abalances à sinistra aventura que planejas. Reconsidera a atitude mental e harmoniza-te com a vida. Recebe minhas lágrimas, como apelo do coração. Por piedade, ouve-me! não te precipites nas trevas, quando a mão divina te abre as portas da luz. Nunca é tarde para recomeçar, Cecília, e Deus, em seu infinito devotamento, transforma as nossas faltas em redes de salvação. A mente desvairada da ouvinte recordou as convenções sociais, de modo vago, como se vivera um minuto de pesadelo indefinível. A palavra materna, porém, continuou: – Socorre-te da consciência antes de tudo! O preconceito é respeitável, a sociedade tem os seus princípios justos; entretanto, por vezes, filhinha, surge um momento na esfera do destino e da dor, em que devemos permanecer com Deus, exclusivamente. Não abandones a coragem, a fé, o desassombro... A maternidade, iluminada pelo amor e pelo sacrifício, é feliz em qualquer parte, ainda mesmo quando o mundo, ignorando a causa de nossas quedas, nos nega recursos à reabilitação, relegando-nos à reincidência e ao

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desamparo. Por agora, defrontarás com a tormenta de lágrimas, o temporal da incompreensão e da intolerância vergastará teu rosto... Contudo, a bonança voltará. O caminho é empedrado e árido, os espinhos dilaceram, mas terás, de encontro ao coração, um filhinho amoroso, indicando-te o futuro! Em verdade, Cecília, deverias erguer teu ninho de felicidade na árvore do equilíbrio, glorificando, em paz, a realização de cada dia e a benção de cada noite: entretanto, não pudeste esperar... Cedeste aos golpes infrenes da paixão, abandonaste o ideal aos primeiros impulsos do desejo. Ao invés de construir na tranqüilidade e na confiança, em bases seguras, elegeste o caminho perigoso da precipitação. Agora, é imprescindível evitar o despenhadeiro fatal, contornar a voragem traiçoeira, agarrando-te ao salva-vidas do supremo dever. Volta, pois, minha filha, à serenidade do principio, e resigna-te ante o novo aspecto que imprimiste ao próprio roteiro, aceitando o ministério da maternidade dolorosa com o sacrifício de encantadoras aspirações. No silêncio e na obscuridade da proscrição social, muitas vezes logramos a felicidade de conhecer-nos. O desprezo público, se precipita os mais fracos no esquecimento de si mesmos, ergue os fortes para Deus, sustentando-os no trilho anônimo das obrigações humildes, até à montanha da redenção. E. provável que teu pal. te amaldiçoe, que os nossos entes mais caros na Terra te menoscabem e tentem aviltar; no entanto, que martírio não enobrecerá o espírito disposto ao resgate dos seus débitos, com dedicação ao bem e a serenidade na dor? Não será melhor a coroa de espinhos na fronte do que o monte de brasas na consciência? O mal pode perder-nos ou transviar-nos; o bem retifica sempre. Além disto, se é certo que o padecimento da vergonha açoitará tua sensibilidade, a glória da maternidade resplenderá em teu caminho...Tuas lágrimas orvalharão uma flor querida e sublime, que será o teu filho, carne de carne, ser de teu ser. Que não fará no mundo mulher que sabe renunciar? A tormenta rugirá, mas sempre fora de teu coração, porque, lá dentro, no santuário divino do amor, encontrarás em ti mesma o poder da paz até a vitória... A enferma escutava, quase indiferente, disposta a não capitular. Recebia os apelos maternos, sem alteração de atitude. A mãezinha, porém, mobilizando todos os recursos ao seu alcance, prosseguia após intervalo mais longo: – Ouve, Cecília! Não te fiques nessa atitude impassível. Não isoles do cérebro o coração, a fim de que teu raciocínio se beneficie com o sentimento, de modo a venceres na prova áspera. Não te detenhas em primazlas da forma física, nem suponhas que a beleza espiritual e eterna erga seu templo no corpo de carne, em transito para o pó. A morte virá de qualquer modo, trazendo a realidade que confunde a ilusão. Não persistas no véu da mentira. Humilha-te na renúncia construtiva, toma a tua cruz e segue para a compreensão mais alta... No teu madeiro de sofrimento intimo, ouviras enternecedoras vozes de um filho abençoado... Se te alancear o abandono do mundo, será ele, junto de tl, o suave representante da Divindade... Que falta te fará o manto das fantasias, se dois pequeninos braços de veludo te cinjam, carinhosos e fiéis, conduzindo-te a renovação para a vida superior? Foi então que Cecília, infundindo-me assombro pela agressividade, objetou em pensamento: – Como não me disseste isso antes? Na Terra, sempre satisfazias meus desejos. Nunca me permitiste o trabalho, favoreceste-me o ócio, fizeste-me crer em posição mais elevada que a das outras criaturas, incutiste-me a suposição de que todos os privilégios especiais me eram devidos, não me preparaste, enfiem! Estou sozinha, com um problema atribulativo... Não tenho, agora, coragem de humilhar-me... EsmoIar serviço remunerado não é o ideal que me deste, e enfrentar a vergonha e a miséria será para mim pior que morrer. Não, não!. . . não desisto, nem mesmo à tua voz que, a despeito de tudo, ainda amo!... É-me impossível retroceder. ..

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A comovedora cena estarrecia. Observava eu ali, o milenário conflito da ternura materna com a vida real. A venerável matrona chorou com mais amargura, agarrou-se à filha com mais veemência e suplicou: – Perdoa-me pelo mal que te fiz, querendo-te em demasia... O' filha querida, nem sempre o amor humano avança vigilante! Por vezes a cegueira noa compele a erros clamorosos, que só o golpe da morte em geral expunge. Não consideras. porem, a minha dor? Reconheço minha participação indireta em teu presente infortúnio, mas entendendo, agora, a extensão e a delicadeza dos deveres maternos, não desejo que venhas colher espinhos no mesmo lugar onde sofro os resultados amargos de minha imprevidência. Porque eu haja errado por excesso de ternura, não te desvies por acumulo de ódio e de inconformação. Depois do sepulcro, o dia do bem é mais luminoso, e a noite do mal é, sobremaneira, mais densa e tormentosa. Aceita a humilhação como benção, a dor como preciosa oportunidade. Todas as lutas terrenas chegam e passam; ainda que perdurem, não se eternizam. Não compliques, pois, o destino. Submeto-me às tuas exprobrações. Merece-as quem, como eu olvidou a floresta das realizações para a eternidade retendo-se voluntariamente no jardim dos capnchos amenos, onde as flores não se ostentam mais do que por fugaz minuto. Esqueci-me, Cecília, da enxada benfazeja do esforço próprio, com o qual devera arrotear o solo de nossa vida, semeando dádivas de trabalho edificante, e ainda não chorei suficientemente, para redimir-me de tão lastimável erro. Todavia, confio em ti, esperando que te não suceda o mesmo na áspera trilha da regeneração. Antes mendigar o pão de cada dia, amargar os remoques da maldade humana, aí na Terra, que menosprezar o pão das oportunidades de Deus, permitindo que a crueldade nos avassale o coração. O sofrimento dos vencidos no combate humano é celeiro de luz da experiência. A Bondade Divina converte as nossas chagas em lâmpadas acesas para a alma. Bemaventurados os que chegam à morte crivados de cicatrizes que denunciam a dura batalha. Para esses, uma perene era de paz fulgurará no horizonte, porquanto a realidade não os surpreende quando o frio do túmulo Ihes assopra o coração. A verdade se Ihes faz amiga generosa; a esperança e a compreensão Ihes serão companheiras fiéis! Retorna, minha filha, a ti mesma; restaura a coragem e o otimismo, mau grado às nuvens ameaçadoras que te pairam na mente em delírio... Ainda é tempo! Ainda é tempo! A enferma, contudo, fez supremo esforço por tornar ao invólucro de carne, pronunciando ríspidas palavras de negação, inopinadas e ingratas. Desfazendo-se da influência pacificadora de Calderaro, regressou gradativamente ao campo senhorial, em gritos roucos. O instrutor aproximou-se da genitora, chorosa, e informou: – Infelizmente, minha amiga, o processo de loucura por insurgência parece consumado. Confiemo-la, agora, ao poder da Suprema Proteção Divina. Enquanto a entidade materna se debulhava em lágrimas, a doente, conturbada pelas emissões mentais em que se comprazia, dirigiu-se à enfermeira, reclamando: – Não posso! não posso mais ! não suporto... A intervenção, agora! não quero perder um minuto! Fixando a companheira, por alguns instantes, com terrífica expressão, ajuntou: – Tive um pesadelo horrível... Sonhei que minha mãe voltava da morte e me pedia paciência e caridade! Não ! não!... Irei até ao fim ! Preferirei o suicídio, afinal ! Inspirada pelo meu orientador, a enfermeira fez ainda várias ponderações respeitáveis. Não seria conveniente aguardar mais tempo ? Não seria o sonho um providencial aviso?

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O abatimento de Cecília era enorme. Não se sentiria amparada por uma Intervenção espiritual? Julgava, desse modo, oportuno adiar a decisão. A paciente, no entanto, ficou Irredutível. E, com assombro nosso, ante a genitora desencarnada, em pranto, a operação começou, com sinistros prognósticos para nós, que observamos a cena, sensibilizadíssimos. Nunca supus que a mente desequilibrada pudesse infligir tamanho mal ao próprio patrimônio. A desordem do cosmo fisiológico acentuou-se, instante a instante. Penosamente surpreendido, prossegui no exame da situação, verificando com espanto que o embrião reagia ao ser violentado, como que aderindo, desesperadamente, às paredes placentárlas A mente do filhinho Imaturo começou a despertar à medida que aumentava o esforço de extração. Os ralos escuros não partiam agora só do encéfalo materno; eram igualmente emitidos pela organização embrionária, estabelecendo maior desarmonia Depois de longo e laborioso trabalho, o entezinho foi retirado afinal... Assombrado, reparei, todavia que a ginecologista improvisada subtraia ao vaso feminino somente pequena porção de carne inânime, porque a entidade reencarnante, como se a mantivessem atraída ao corpo materno forcas vigorosas e indefiníveis, oferecia condições especialísslmas, adesa ao campo celular que a expulsava. Semidesperta, num atroz pesadelo de sofrimento, refletia extremo desespero; lamentava-se com gritos aflitivos, expedia vibrações mortíferas; balbuciava frases desconexas. Não estaríamos, ali, perante duas feras terrivelmente algemadas uma à outra ? O filhinho que não chegara a nascer transformara-se em perigoso verdugo do psiquismo materno. Premindo com impulsos involuntários o ninho de vasos do útero, precisamente na região onde se efetua a permuta dos sangues materno e fetal, provocou ele o processo hemorrágico, violento e abundante. Observei mais. Deslocado indebtamente e mantido ali por forças incoercíveis, o organismo perispirítico da entidade, que não chegara a renascer, alcançou em movimentos espontâneos a zona do coração. Envolvendo os nódulos da aurícula direita, perturbou as vias do estimulo, determinando choques tremendos no sistema nervoso central. Tal situação agravou o fluxo hemorrágico, que assumiu intensidade imprevista, compelindo a enfermeira a pedir socorros Imediatos, depois de delir, como pôde, os vestígios de sua falta. – Odeio-o! Odeio-o! – clamava a mente materna em delírio, sentindo ainda a presença do filho na intimidade orgânica. – Nunca embalarei um intruso que me lançaria à vergonha! Ambos, mãe e filho, pareciam agora, por dizer mais exatamente, sintonizados na onda de ódio, porque a mente dele, exibindo estranha forma de apresentação aos meus olhos, respondia, no auge da ira: – Vingar-me-ei! Pagarás ceitil por ceitil! não te perdoarei! ...Não me deixaste retomar a luta terrena, onde a dor, que nos seria comum me ensinaria a desculpar-te pelo passado delituoso e a esquecer minhas cruciantes mágoas – ... Renegaste a prova que nos conduziria ao altar da reconciliação. Cerraste-me as portas da oportunidade redentora, entretanto, o maléfico poder, que impera em ti, habita igualmente minhalma...Trouxeste à tona de minha razão o lado da perversidade que dormia dentro em mim. Negas-me o recurso da purificação, mas estamos agora novamente unidos e arrastar-te-ei para o abismo... Condenaste-me à morte, e, por isso, minha sentença é igual. Não me deste o descanso, impediste meu retorno à paz da consciência, mas não ficarás por mais tempo na Terra.. Não me quiseste para o serviço do amor... Portanto, serás novamente minha

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para a satisfação do ódio. Vingar-me-i ! Seguirás comigo! Os raios mentais destruidores cruzavam-se, em horrendo quadro, de espírito a espírito. Enquanto observava a intensificação das toxinas, ao longo de toda a trama celular, Calderaro orava, em silêncio, invocando o auxilio exterior, ao que me pareceu. Efetivamente, daí a instantes, pequena turma de trabalhadores espirituais penetrou o recinto. O orientador ministrou instruções. Deveriam ajudar a desventurada mãe, que permaneceria junto da filha infeliz, até à consumação da experiência. Em seguida, o Assistente convidou-me a sair, acrescentando: – Venficar-se-á a desencarnação dentro de algumas horas. O ódio, André, diariamente extermina criaturas no mundo, com intensidade e eficiência mais arrasadoras que as de todos os canhões da Terra troando a uma vez. É mais poderoso, entre os homens, para complicar os problemas e destruir a paz, que todas as guerras conhecidas pela Humanidade no transcurso dos séculos. Não me ouves mera teoria. Viveste conosco, nestes momentos, um fato pavoroso, que todos os dias se repete na esfera carnal. Estabelecido o império de forças tão detestáveis sobre essas duas almas desequilibradas, que a Providência procurou reunir no instituto da reencarnação, é necessário confiá-las doravante ao tempo, a fim de que a dor opere os corretivos indispensáveis. – Oh! – exclamei aflito, contemplando o duelo de ambas as mentes torturadas –, como ficarão ? permanecerão entrelaçadas, assim ? e por quanto tempo ? Calderaro fitou-me com o acabrunhamento de um soldado valoroso que perdeu temporariamente a batalha, e informou: Agora, nada vale a intervenção direta. Só poderemos cooperar com a oração do amor fraterno, aliada à função renovadora da luta cotidiana Consumou-se para ambos doloroso processo de obsessão recíproca, de amargas conseqüências no espaço e no tempo e cuja extensão nenhum de nós pode prever. XAVIER, Francisco Cândido. Dolorosa Perda. In: No mundo Maior. Pelo espírito André Luiz. 8 ed. Rio de Janeiro, FEB. -1979. P. 140-153

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7ª Unidade Pluralidade das existências
24 - Os fundamentos da justiça da reencarnação.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS. Justificar a teoria das reencarnações, em contraposição com a unicidade da existência. Estabelecer diferenças entre a metempsicose dos antigos e a doutrina da reencarnação. IDÉIAS PRINCIPAIS. "(...) Se não há reencarnação, só há, evidentemente, uma existência corporal. Se a nossa atual existência corpórea e única, a alma de cada homem foi criada por ocasião do seu nascimento, a menos que se admita a anterioridade da alma (...). Não ha meio termo: ou a alma existia, ou não existia antes do corpo. (...) (02) "(...) Admitindo, de acordo com a crença vulgar, que a alma nasce com o corpo, (...) perguntamos: 1º - Por que mostra a alma aptidões tão diversas (...)? 2º - Donde vem a aptidão extra normal que muitas crianças em tenra idade revelam (...)? 3º- Donde, em uns, as idéias inatas ou intuitivas (...)? 4º- Donde, em certas crianças, o instinto precoce que revelam para os vícios ou para as virtudes (...)? ~ 5º- Por que, abstraindo-se da educação, uns homens são mais adiantados do que outros? ~ 6º - Por que há selvagens e homens civilizados? (...)" (02) "(...) Entre a metempsicose dos antigos e a doutrina da reencarnação há (...) profunda diferença, assinalada pelo fato de os Espíritos rejeitarem, de maneira absoluta, a transmigração da alma do homem para os animais e reciprocamente. (...)" (01) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS. 01 - KARDEC Allan. Considerações sobre a Pluralidade das Existências. In:—. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 58. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Parte 2a, questão 222, p. 143; 02 - Op. Cit., p. 147-149. 03 - Dos Três Reinos. In: O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 58. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, Parte 2, questão 613, p. 302-304. COMPLEMENTARES 04 - DENIS, León. A Pluralidade das Existências. In: - . Depois da Mor te. Trad. de João Lourenço de Souza. 11 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978. Parte 2-, p. 134-135. 05 - As Vidas Sucessivas. A reencarnação e suas leis. In: . O Problema do Ser. do Destino e da Dor. 10. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1977. Parte 2a, p. 164. 06 - Op. Cit., p. 165. 07 - XAVIER, Francisco Cândido. Evolução e corpo espiritual. In: Evolução Em Dois Mundos. Ditado pelo Espírito André Luiz, ed. Rio de Janeiro, FEB, 1981. p. 35-36. 08 - Evolução e sexo. In: _ . Evolução Em Dois Mundos. Ditado pelo Espirito André Luiz, 6. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1981. p. 52-53. OS FUNDAMENTOS DA JUSTIÇA DA REENCARNAÇÃO A reencarnação se baseia nos princípios da misericórdia e da justiça de Deus: – na misericórdia divina, porque, assim como o bom pai deixa sempre uma porta aberta a seus filhos faltosos, facultando-lhes a reabilitação, também Deus - através das vidas sucessivas - dá

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oportunidade para que os homens possam corrigir-se, evoluir e merecer o pleno gozo de uma felicidade duradoura; – na lei de justiça, pois os erros cometidos e os males infligidos ao próximo devam ser reparados durante novas existências, a fim de que, experimentando os mesmos sofrimentos, os homens possam resgatar seus débitos, passando a conquistar o direito de ser felizes. A unicidade das existências e injusta e ilógica, pois não atende as sábias leis do progresso espiritual. É injusta, porque grande parte dos erros humanos é resultante da ignorância e, numa só vida, não nos é possível o resgate de nossos erros, principalmente quando o arrependimento nos sobrevem quase no findar da existência. É preciso que se dê oportunidades ao arrependido, para que ele comprove sua sinceridade através das necessárias reparações. É ilógica, porque não pode explicar as gritantes diferenças de aptidões das criaturas desde sua infância; as idéias inatas, independentemente da educação recebida, que existem nuns e não aparecem em outros; os instintos precoces, bons ou maus, não obstante a natureza do meio onde nasceram. "(...) As existências sucessivas serão, para a vida da alma, o que os anos são para a do corpo. (...)" (02) As reencarnações representam para as criaturas imperfeitas valiosas oportunidades de resgate e de progresso espiritual. "(...) Só a pluralidade das existências pode explicar a diversidade dos caracteres, a variedade das aptidões, a desproporção das qualidades morais, enfim, todas as desigualdades que ferem a nossa vista . Fora dessa lei, indagar-se-ia inutilmente porque certos homens possuem talento, sentimentos nobres, aspirações elevadas, enquanto muitos outros só tiveram em partilha tolices. paixões e instintos grosseiros. (...) A influência dos meios, a hereditariedade, as diferenças de educação não bastam para explicar essas anomalias. Vemos os membros de uma mesma família, semelhantes pela carne e pelo sangue, educados nos mesmos princípios, diferençarem-se em bastantes pontos (...); personagens célebres e estimadas têm descendido de pais obscuros, destituídos de valor moral (...)" (04) "(...) Por que para uns a fortuna, a felicidade constante e para outros a miséria, a desgraça inevitável? Para estes a força, a saúde, a beleza; para aqueles a fraqueza, a doença, a fealdade? Por que a inteligência, o gênio, aqui; e, acolá, a imbecilidade? como se encontram tantas qualidades morais admiráveis , a par de tantos vícios e defeitos? Por que há raças tão diversas? Umas inferiores a tal ponto que parecem confinar com a animalidade e outras favorecidas com to dos os dons que lhes asseguram a supremacia? E as enfermidades inatas, a cegueira, a idiotia, as deformidades, todos os infortúnios que enchem os hospitais, os albergues noturnos, as casas de correção? A hereditariedade não explica tudo; na maior parte dos casos, estas aflições não podem ser consideradas como o resultado de causas atuais (...). Por que também as crianças mortas antes de nascer e as que são condenadas a sofrer desde o berço? Certas existências acabam em poucos anos, em poucos dias; outras duram quase um século! Donde vem também os jovens prodígio músicos, pintores, poetas, todos aqueles que, desde a meninice, mostram disposições extraordinárias para as artes ou para as ciências, ao passo que tantos outros ficam na mediocridade to da a vida apesar de um labor insano? (...)" (05) '.'(...) As desigualdades que nos chocam resultam das diferentes situações ocupadas pelas almas nos seus graus infinitos de evolução.(...) Cada um leva para outra vida e traz, ao nascer, a semente do passado. (...)" (06) Não se deve confundir reencarnação com metempsicose. A reencarnação e´ progressiva e só se dá na espécie humana, enquanto a metempsicose admite a retrogradação, isto e, como castigo a alma humana poderia renascer em corpos de animais. O homem pode estacionar, mas nunca retroceder em seu progresso espiritual "(...) Seria verdadeira a metempsicose, se indicasse a progressão da alma, passando de um estado inferior a outro superior, onde adquirisse desenvolvimentos que lhe transformassem a natureza. É. porém, falsa no sentido de transmigração direta da alma do animal para o homem e reciprocamente, o que implicaria a idéia de uma retrogradação, ou de fusão. Ora, o fato de não poder semelhante fusão operar-se, entre os seres corporais das duas espécies, mostra que estas são de graus inassimiláveis, devendo dar-se o mesmo com relação aos Espíritos que as animam (...). A reencarnação, como os Espíritos a ensinam, se funda, ao contrario, na marcha ascendente

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da Natureza e na progressão do homem, dentro da sua própria espécie, O que em nada lhe diminui a dignidade. O que o rebaixa é o mau uso que ele faz das faculdades que Deus lhe outorgou para que progrida. Seja como for, a ancianidade e a universalidade da doutrina da metempsicose e, bem assim, a circunstancia de a terem professado homens eminentes provam que o principio da reencarnação se radica na própria Natureza. - (...) Nem todos pensam da mesma forma quanto às relações existentes entre o homem e os animais. Segundo uns, o Espirito não chega ao período humano senão depois de se haver elaborado e individualiza do nos diversos graus dos seres inferiores da Criação. Segundo outros, o Espírito do homem teria pertencido sempre à raça humana, sem passar pela fieira animal. Corroborando o pensamento dos primeiros, a respeito do qual, hoje, não ha duvida alguma entre espiritas, André Luiz, no livro "Evolução em Dois Mundos" oferece-nos as páginas adiante transcritas, que elucidam perfeitamente a questão. EVOLUÇÃO NO TEMPO E' assim que dos organismos monocelulares aos organismos complexos, em que a inteligência disciplina as células, colocando-as a seu serviço, o ser viaja no rumo da elevada destinação que Ihe foi traçada do Plano Superior, tecendo com os fios da experiência a túnica da própria exteriorização, segundo o molde mental que traz consigo, dentro das leis de ação, reação e renovação em que mecaniza as próprias aquisições, desde o estimulo nervoso à defensiva imunológica, construindo o centro coronário, no próprio cérebro, através da reflexão automática de sensações e impressões, em milhões e milhões de anos, pelo qual, com o Auxilio das Potências Sublimes que Ihe orientam a marcha, configura os demais centros energéticos do mundo Intimo, fixando-os na tessitura da própria alma. Contudo, para alcançar a idade da razão, com o titulo de homem , dotado de raciocínio e discernimento, o ser. automatizado em seus impulsos, na romagem para o reino angélico, despendeu para chegar aos primórdios da época quaternária, em que a civilização elementar do sílex denuncia algum primor de técnica, nada menos de um bilhão e meio de anos. Isso e perfeitamente verificável na desintegração natural de certos elementos radioativos na massa geológica do Globo. E entendendo-se que a Civilização aludida floresceu há mais ou menos duzentos mil anos, preparando o Homem, com a bênção do Cristo, para a responsabilidade, somos induzidos a reconhecer o caráter recente dos conhecimentos psicológicos, destinados a automatizar na constituição fisiopsicossomática do espirito humano as aquisições morais que Ihe habilitarão a consciência terrestre a mais amplo degrau de ascensão à Consciência Cósmica (*) (07) GENEALOGIA DO ESPÍRITO — Os naturalistas situados no chão do mundo, desde os sacerdotes egípcios, que estudavam a origem da vida planetária em conchas fósseis, ate os mais eminentes biólogos modernos, atreitos à unilateralidade de observação, compreensivelmente não conseguirão suprir as lacunas existentes no quadro da evolução. não obstante Cuvier, com a Anatomia Comparada, tenha traçado forma básica à sistemática da Paleontologia. Em verdade, porém,, para não cairmos nas recapitulações incessantes, em torno de apreciações e conclusões que a ciência do mundo tem repetido à saciedade, acrescentaremos simplesmente que as leis da reprodução animal, orientadas pelos Instrutores Divinos, desde o casulo ferruginoso do leptotrix, através da retração e expansão da energia nas ocorrências do nascimento e morte da forma, recapitulam ainda hoje, na organização de qualquer veiculo humano, na fase embriogênica, a evolução filogenética de todo o reino animal, demonstrando que além da ciência que estuda a gênese das formas, há também uma genealogia do espirito. Com a Supervisão Celeste, o principio inteligente gastou, desde os vírus e as bactérias das primeiras horas do protoplasma na Terra, mais ou menos quinze milhões de séculos, a fim de que pudesse, como ser pensante, embora em fase embrionária da razão, lançar as suas primeiras emissões de pensamento contínuo para os espaços Cósmicos. (08) (*) As presentes estimativas e apontamentos do Plano Espiritual, apesar das compreensíveis divergências humanas, coincidem exatamente com observações e ilações de vários estudiosos encarnados. -(Nota do Autor Espiritual.)

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25 - As provas da reencarnação. OBJETIVOS ESPECÍFICOS. Citar provas de reencarnação Analisar as conseqüências dessas provas para a humanidade IDÉIAS PRINCIPAIS. ."(...) A origem das faculdades extraordinárias dos indivíduos que, sem estudo prévio, parecem ter a intuição de certos conhecimentos, das línguas, do calculo, etc. (...)" é, na realidade, uma "(...) lembrança do passado; progresso anterior da alma, mas de que ela não tem consciência.(...) ( 01) ."(...) Muitos depoimentos importantes tem vindo a publico nos últimos anos, acerca da reencarnação. Nem sempre aqueles que servem de instrumento a essas revelações estão perfeitamente preparados para a sua tarefa. (...)" (08) . A regressão da memória, quer espontaneamente, quer por força de sugestão hipnótica, os ditados mediúnicos, as crianças-prodígio são exemplos que comprovam a reencarnação. ."(...) Em resumo, a teoria das vidas sucessivas satisfaz todas as aspirações de nossas almas, que exigem uma explicação lógica do problema do destino. Ela concilia-se, perfeitamente, com a idéia duma providência, ao mesmo tempo justa e boa, que não pune nossas faltas (...), mas que nos deixa, a cada Instante, o poder de reparar nossos erros.(...) "(03) FONTES DE CONSULTA. BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. Da Pluralidade das Existências. In: —. 0 Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Parte 2a, questão 219, p. 141. COMPLEMENTARES 02 - DELANNE, Gabriel. Os Casos de Reencarnação Anunciados Antecipada mente. In: - . A Reencarnação. Trad. de Carlos Imbassahy. 5. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979. p. 266. 03 - Conclusão. In: - . A Reencarnação. Trad. de Carlos Imbassahy. 5. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979. p. 310. 04 - A Hereditariedade e as Crianças - Prodígio. In: —. A Reencarnação. Trad. de Carlos Imbassahy. 5. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979. p. 178. 05 - Outros Fatos que Implicam a Lembrança de Vidas Anteriores . In: —. A Reencarnação. Trad. de Carlos Imbassahy. 5. ed. Rio de Janeiro, FEB, l979. p. 234-235. 06 - Op. cit., p. 236. 07 - MIRANDA, Hermínio C.. Psiquiatria e Reencarnação e Imortalidade. 1, ed. Rio de Janeiro, FEB 1976, p. 125-126. 08 - Reencarnação. Instrumento para o Progresso Espiritual In: . Reencarnação e Imortalidade 1. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1976. p. 239. 09 - Op. cit., p. 242. AS PROVAS DA REENCARNAÇÃO

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As provas de reencarnação baseiam-se, essencialmente, no seguinte: Na regressão da memória - que pode efetuar-se por força de sugestão hipnótica ou recordação espontânea de existências anteriores, sem que se identifique, aparentemente, uma causa para justifica-la. Neste ultimo caso, a recordação tanto pode dar-se no sono comum, como no estado de vigília. Nos ditados mediúnicos onde o médium é capaz de transmitir revelações sobre existências anteriores, próprias ou de outras pessoas. Nas idéias inatas de crianças prodígio - que abalam as bases cientificas da hereditariedade. Secundariamente, não tanto como prova, mas como crença, a reencarnação é um ensinamento de diversas escolas religiosas - notadamente as orientais - e filosóficas. Tentaremos, no entanto, nos deter nos fatos e, para isso, citaremos , a seguir, provas encontradas nos anais das experiências humanas: "(...) Juliano, o Apóstata, lembrava-se de ter sido Alexandre da Macedonia. (...) O grande poeta Lamartine declara, em sua "Viagem ao oriente" , ter tido reminiscências muito claras. Eis o seu testemunho: "Não tinha na judéia nem Bíblia, nem livros de viagens, nem ninguém que pudesse dar o nome dos lugares, a denominação antiga dos vales e das montanhas; reconheci, entretanto, desde logo, o vale de Terebinto e o campo de batalha de Saul. (...) Em Sephora, designei com o dedo e dei o nome de uma colina, no alto da qual havia um castelo arruinado, como o lugar provável do nascimento da Virgem. (...) Exceto o vale do Líbano, nunca encontrei nada na Jedéia, um lugar ou qualquer coisa que não fosse para mim uma recordação. (...) (05) O escritor francês Mery recõrdava-se de "(...) ter feito a guerra das Gálias e haver combatido na Germania com Germanicus. (...) Chamava-se, então, Minius. (...)" (06) O americano Edgar Cayce, apesar de ser um devoto e ortodoxo protestante, "(...) tinha (...) a faculdade de entrar em transe espontâneo, no qual revelava conhecimentos muito acima do seu nível habitual em estado de vigília. (...)" (08) Durante o transe ele não somente diagnosticava males físicos e espirituais, como revelava fatos de existências anteriores das pessoas que o procuravam, e de si mesmo. "(...) Na vida imediatamente anterior, era ele um certo John Baimbridege, nascido nas Ilhas Britânicas, em 1742. (...) Terminou sua existência quando tentava escapar pelo rio Ohio, numa balsa cheia de gente, perseguida de ambas as margens pelos ..índios implacáveis. (...) Mais de um século depois, em setembro de 192S, Cayce foi a uma barbearia, levar seu filho Hugh Lynn para cortar o cabelo. Lã chegando, encontrou um garoto de cinco anos, filho do barbeiro (...)" que segurava uma caixinha de biscoitos. "(...) Quando Cayce entrou, o garoto, (...) olhou-o fixamente e caminhou para ele, oferecendo-lhe a caixa de biscoitos. – Olha aqui - disse impulsivamente -, fique com o resto. Você ainda deve estar morrendo de fome. (...) A seguir, o garoto recordou ter conhecido Cayce na balsa, quando fugiam dos índios, acrescentando: "(...) E você estava com fome terrível, não estava? ( . . . ) Ao que Cayce respondeu: "(...) - Você tem razão. Como eu estava faminto naquela balsa!... (...)" (09) Polo sono provocado através da hipnose, inclusive usado atual mente por psiquiatras e psicólogos para fins terapêuticos, têm-se obtido grandes e numerosas provas da reencarnação. O psiquiatra inglês, Dr. Denys Kelsey, relata no livro "Muitas Existências`", de coautoria com sua esposa, o caso de um seu cliente, pessoa "(...) de meia-idade, um

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profissional liberal de elevado grau de cultura afligido por persistente e invencível homossexualismo. Dentro da sua tese de que o medico deve primeiro pesquisar a existência atual, o Dr. Kelsey empregou inicialmente os métodos clássicos de psicanálise, com hipnose e sem ela, tudo sem resultado pratico. t.~) Finalmente, numa sessão de hipnose, já na oportunidade da decima quarta consulta, o paciente começou a descrever episódios de uma existência vivida entre hititas, quando, na qualidade de esposa de um dos chefes da época, acostumada ao luxo, exercera grande poder sobre o esposo. Quando a beleza física se foi e o marido deixou de interessar-se por ela, o choque emocional foi demasiado forte para a sua natureza apaixonada. (...) Tentou atrair terríveis malefícios sobre seu marido, pedindo a um sacerdote de Baal que o amaldiçoasse. Acabou assassinada, levando para o Além toda a frustração da sua humilhante posição de esposa orgulhosa e desprezada. Ao que parece, o episódio (. . .) estava repercutindo na existência atual, na qual experimentava a tragédia do homossexualismo. (...)" 'Diante de tais fatos o Dr. Kelsey levou o paciente à cura,- que na opinião do paciente, só poderia ter acontecido através da ação de alguma "(...) espécie de exorcismo praticado pelo medico. (...)" (7) Com relação às provas de reencarnação por meio de ditados 'mediúnicos, Gabriel Delanne, no livro Reencarnacão, cita alguns exemplos. Escolheremos apenas um, que e relatado através de uma carta: " (...) Meu caro Dr. Delanne . " - :; Pede o amigo que lhe sejam comunicados os fatos tendentes a provar a reencarnação: (...) Em agosto de 1886, fizemos uma sessão de evocação, no curso da qual se apresentou, a principio' pela tiptologia, e `depois, a nosso pedido, pela escrita medianimica, uma entidade que meus pais perderam, ainda de pouca idade · (... ) Assegurava esperar, para reencarnar-se, o nascimento do meu primeiro filho, especificando que seria rapaz e viria dentro de 18 meses. Não se esperava uma criança. Ora, em fevereiro de 1888, nascia o nosso filho mais velho, que recebeu o nome de Allan. na data prevista, com o sexo predito. (...) E. B. de Réyle. 2, Allé du Levrier. Le Vernet Seine-et-Oisé. (...)" (02)'' Allan Kardec perguntou aos Espíritos Superiores: "Qual a origem das faculdades extraordinárias dos indivíduos que" sem estudo prévio, parecem ter a intuição de certos conhecimentos, o das línguas,'` do 'cálculo, etc.? (...)" Responderam os Espíritos. "(...) Lembrança do passado; progresso anterior da alma, mas de que ela não tem consciência. Donde queres ''que venham tais conhecimentos? O corpo muda, o Espirito, porém, não muda, embora troque de , roupagem. " (01 ) Na citação acima, encontramos mais uma prova da reencarnação: a das idéias inatas. A História nos revela inúmeros exemplos de gênios, de sábios, de homens valorosos cujos pais, ou mesmo seus filhos, não foram grandiosos como eles. Esses Espíritos alguns deles, foram crianças prodígio, conseguiram pôr em duvida as leis científicas da hereditariedade, oferecendo, porem, provas de que viveram outras existências no pretérito. Não se nega a evidência da hereditariedade física ou genética. A herança moral ou intelectual e que não é jamais transmitida de pais para filhos. Vários sábios nasceram em meios obscuros, como e o caso de Comte, Espinosa, Kleper,

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Kant, Bacon, Young, Cloude Bernard, etc. Outros tiveram, nos descendentes, pessoas comuns ou mesmo medíocres. "(...) Pericles procriou dois tolos (...). Sócrates e Themistocles só tiveram filhos indignos. Entre os romanos vê-se o mesmo. Cícero e seu filho. Germânico e Calígula, Vespasiano e Domiciano; o grande Marco Aurélio teve por filho um furioso - Cômodo. Na História Moderna, o filho de Henrique IV, de Luís XIV, de Cronwell, de Pedro, o Grande, como os de La Fontaine, de Crebillon, de Goethe e de Napoleão, dispensam outros exemplos. (...)" (04) Ante tais provas, e muitas outras não relatadas aqui, a doutrina da reencarnação mostra ser uma doutrina renovadora, que estimula o progresso individual e, consequentemente, coletivo. A comprovação reencarnatória revela o que fomos, o que somos e o que seremos. Revela, alem da existência e sobrevivência do Espirito, a Lei de Causa e Efeito, regida pelo livre-arbítrio, e a destinação espiritual do homem: a perfeição. "(...) Em resumo, a teoria das vidas sucessivas satisfaz todas as aspirações de nossas almas, que exigem uma explicação lógica do problema do destino. Ela concilia-se perfeitamente com a idéia duma providência, ao mesmo tempo justa e boa, que não pune nossas faltas com suplícios eternos, mas que nos deixa, a cada instante, o poder de reparar nossos erros, elevando-nos, lentamente, por nossos próprios esforços (...)." (03) NOTA: A *título de informação, existe um livro de autor não espirita, o Dr Jan Stevenson, intitulado "20 Casos sugestivos de reencarnação", que recomendamos ao leitor, como uma obra útil aos pesquisadores e estudiosos da palingenesia. 26- Justificativas do esquecimento do passado. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Justificar as principais causas do esquecimento do passado. Identificar nas tendências instintivas as reminiscências do passado. ~ Dizer se, nos mundos mais adiantados, as criaturas recordam o passado IDÉIAS PRINCIPAIS. O esquecimento do passado geralmente ocorre porque o homem não pode, "(...) nem deve, saber tudo. (...) Esquecido de seu passado ele é mais senhor de si. " (02) "(...) Gravíssimos inconvenientes teria o nos lembrarmos das nossas individualidades anteriores. Em certos casos, humilhar-nos-ia sobremaneira. Em outros nos exaltaria o orgulho, peando-nos, em conseqüência, o livre-arbítrio (...)" (04) "(...) Não temos, (...) durante a vida corpórea, lembrança exata do que fomos e do que fizemos em anteriores existências; mas temos de tudo isso a intuição, sendo as nossas tendências instintivas uma reminiscência do passado (...)" (03) Nos Mundos Superiores "~...) onde só reina o bem, a reminiscência do passado nada tem de dolorosa. (...)" (04) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. Bem-Aventurados os Aflitos. In: - . O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro. 81. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Item 11, p. 109. 02 - Da Volta do Espírito ã Vida Corporal. In: . O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Parte 2ª, questão 392, p. 214-215.

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03 - Op. Cit., questão 393, p. 215-216. 04 - Op. Cit., questão 394, p. 216-217. 05 - Pequena Conferencia Espirita. In: - . O que é o Espiritismo, 19. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1977. p. 114. 06 - Op. Cit., p. 116-117. COMPLEMENTARES 07. DELANNE, Gabriel. Conclusão. In: A Reencarnacão. Trad. de Carlos Imbassahy. 5. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979~. p. 305-306. 08..A Memória e as Personalidades Múltiplas. In: A Evolução Anímica. Trad. de Manoel Quintão. 4. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1976. p. 175. 09. DENIS, León. Objeções. In: Depois da Morte. Trad. de João Lourenço de Souza. 11. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978. Parte 2a, p. 145. 10. As Vidas Sucessivas. Provas Experimentais. Renovação da Memória. In: O Problema do Ser. do Destino e da Dor. 10. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1977. Parte 2ª, p. 182. 11. Objeções. In:_ . Depois da Morte. Trad. de João Lourenço de Souza. 11. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978. Parte 2ª, p. 146. JUSTIFICATIVAS DO ESQUECIMENTO DO PASSADO "(...) Como pode o homem aproveitar da experiência adquirida em suas anteriores existências, quando não se lembra delas (...)"? (05) O esquecimento do passado é considerado a mais séria das objeções contra a reencarnação. E prosseguem os antagonistas do esquecimento das pretensas vidas passadas: "(...) Pois que, desde que lhe falta essa reminiscência, cada existência e para ele qual se fora a primeira; deste modo, está sempre a recomeçar. (...)" (05) "(...) Se o homem já viveu, pergunta-se: por que não se lembra de suas existências passadas? (...)" (10) "(...) Uma dificuldade subiste, uma forte objeção ergue-se contra (...)" a Doutrina dos Espíritos. "(...) Se já vivemos no espaço, dizem, se outras vidas precederam ao nascimento, por que de tal perdemos a recordação? (...)" (09) Allan Kardec, em 0 Livro dos Espíritos, nos apresenta em linguagem clara e concludente, uma explicação lógica: "(...) Não temos, e´ certo, durante a vida corpórea, lembrança exata do que fomos e do que fizemos em anteriores existências; mas temos de tudo isso a intuição, sendo as nossas tendências instintivas uma reminiscência do passado. E a nossa consciência, que é o desejo que experimentamos de não reincidir nas faltas já cometidas, nos concita à resistência àqueles pendores." (03) - "(...) No esquecimento das existências anteriormente transcorridas, sobretudo quando foram amarguradas, não há qualquer coisa de providencial e que revela a sabedoria divina? Nos mundos superiores, quando o recordá-las já não constitui pesadelo, e que as vidas desgraçadas se apresentam à memória. (...)" (04) "(...) Freqüentemente, o Espírito renasce no mesmo meio em que já viveu, estabelecendo de novo relações com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes haja feito Se reconhecesse nelas as a quem odiara, quiçá o ódio se lhe despertaria outra vez no íntimo. De todo modo, ele se sentiria humilhado em presença daquelas a quem houvesse ofendido. (...) Alias, o esquecimento ocorre apenas durante a vida corpórea. Volvendo à vida

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espiritual, readquire o Espírito a lembrança do passado; nada mais há, portanto, do que uma interrupção temporária, semelhante à que se dá na vida terrestre durante o sono (...)"(10) "(...) Livre da reminiscência de um passado importuno, viveis com mais liberdade; é para vós um novo ponto de partida; vossas dividas anteriores estão pagas, cumprindovos ter cuidado de não contrair outras. (...) Suponhamos ainda - o que é um caso muito comum - que, em vossas relações, em vossa família mesmo se encontre um indivíduo que vos deu, outrora, muitos motivos de queixa, que talvez vos arruinou, ou desonrou em outra existência, e que, Espirito arrependido, veio encarnar-se em vosso meio, ligar-se a vós pelos laços de família, a fim de reparar suas faltas para convosco, por seu devotamento e afeição; não vos achareis mutuamente na mais embaraçosa posição, se ambos vos lembrásseis de vossas passadas inimizades? Em vez de se extinguirem, os ódios se eternizariam. Disso resulta que a reminiscência do passado perturbaria as relações sociais e seria um tropeço ao progresso. (...) (06) León Denis esclarece-nos as razões de ordem científica pelas quais as lembranças do passado não podem ocorrer, ao se dar a nova encarnação do Espírito: "(...) Em conseqüência da diminuição do seu estado vibratório, o Espírito, cada vez que toma posse de um corpo novo, de um cérebro virgem de toda a imagem, acha-se na impossibilidade de exprimir as recordações acumuladas das suas vidas precedentes. (...) (10) Gabriel Delanne nos confirma as declarações acima, em A Evolução Anímica: "(...) Podemos agora compreender a impossibilidade de recordar as existências pregressas, visto que o perispírito, conjugado à forca vital, tomou, ao encarnar, um movimento vibratório assaz fraco para que o mínimo de intensidade necessário ã renovação de suas lembranças, ou seja a sua passagem ao estado consciente, possa ser atingido. (...)" (08) "(...) A objeção mais comumente feita ã Palingenesia é o esquecimento quase geral das existências anteriores. Pareceria ilógico, do ponto de vista da justiça, fazer-nos expiar em uma existência faltas cometidas nas vidas passadas, de que tivéssemos perdido a lembrança. £ bom observar, desde logo, que o conhecimento da mesma seria para muitos um fardo insuportável e uma causa de desanimo, o que nos tiraria a forca de lutar para o nosso soerguimento. Se a renovação do passado fosse geral, ela perpetuaria os dissentimentos e os ódios, que foram a causa das faltas anteriores, e se oporia a qualquer progresso. (....)" (07) "(...) A vida terrestre e, algumas vezes, difícil de suportar; ainda mais o seria se, ao cortejo dos nossos males atuais, acrescesse a memória dos sofrimentos ou das vergonhas passadas. A recordação de nossas vidas anteriores não estaria também ligada à do passado dos outros? (...)" (11) 27 - Preludio da volta à vida corporal. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Explicar como se inicia a reencarnação do Espírito. Apontar as diferenças que ocorrem nos processos iniciais da reencarnações e desencarnação do Espírito. IDÉIAS PRINCIPAIS "Quando o Espírito tem de encarnar (...) um laço fluídico que mais não é do que uma

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expansão do seu perispírito, o liga ao gérmem. que o atrai por uma forca irresistível, desde o momento da concepção. À medida que o gérmem se desenvolve o laço se encurta. Sob a influência do princípio vito-material do gérmem, o perispírito que possui certas propriedades da matéria, se une, molécula a molécula, ao corpo em formação, donde o poder dizer-se que o Espirito, por intermédio do seu perispírito se enraíza, de certa maneira, nesse gérmem, como uma planta na terra . ( . . . ) " ( 03 ) No momento desencarnação a perturbação espiritual é (...) muito maior e sobretudo mais longa. Pela morte, o Espirito sai da escravidão; pelo nascimento, entra para ela." (01 ) . "(...) A reencarnação, tanto quanto a desencarnação, é um choque biológico dos mais apreciáveis. Unido ã matriz geradora do santuário materno, em busca de nova forma, o perispírito sofre a influência de fortes correntes eletromagnéticas, que lhe impõem a redução automática FONTES DE CONSULTA BÁSICAS. 01 - KARDEC, Allan. Da Volta do Espírito ã Vida Corporal. In: . O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Parte 2ª, questão 339, p. 197. 02 - Op. Cit., questão 340, p. 197-198. 03 - Gênese Espiritual. In: - . A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Item 18, p. 214-215. 04 - Op. Cit., item 20, p. 215. COMPLEMENTAR ES 05 - DELANNE, Gabriel. O papel da alma do ponto de vista da encarnação, da hereditariedade e da loucura In:—. A Evolução Anímica Trad. de Manuel Quintão. 4. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1976. p .192 06 - GELEY, Gustavo. Resumo da Doutrina Espirita. Lisboa , Estudos Psíquicos. Editora, 1945, p. 43 07 - XAVIER, Francisco Cândido , Ante a reencarnação In.; Entre a Terra e o Céu. : Pelo Espirito André Luiz. 7. ed. Rio de Janeiro, 1980, p. 179. 08 - Op. Cit., p. 183. 09 - Reencarnação. In: -. Missionários da Luz. Pelo Espírito André Luiz. 13. ed. Rio de Janeiro, FEB. 1980, p. 196 10 - Op. Cit., p. 210. 11 - Op. Cit., p. 216. 12 - Op. Cit., p. 218. PRELÚDIO DA VOLTA À VIDA CORPORAL As encarnações e desencarnações são fases importantes e necessárias que se alternam por uma imensidade de vezes, na escalada evolutiva do Espírito. "(...) Assim como, para o Espirito, a morte do corpo e uma espécie de renascimento, a reencarnação é uma espécie de morte, ou antes, de exílio, de clausura. Ele deixa o mundo dos Espíritos pelo mundo corporal, como o homem deixa este mundo por aquele. (...)" (02)

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"(...) A desencarnação é um processo de síntese; síntese orgânica e síntese psíquica. A encarnação é um processo de análise. É a subdivisão da consciência em faculdades diversas e do sentido único em sentidos múltiplos, para facilitar o seu exercício e conduzir ao seu desenvolvimento. (...)" (06) "(...) A união de alma e corpo começa na concepção, mas só se completa no instante do nascimento. O invólucro fluídico é que liga o Espirito ao gérmen, e essa união vai-se adensando, torna-se mais intima de momento a momento, ate que se completa quando a criança vem a luz. No período intercorrente, da concepção ao nascimento, as faculdades da alma são pouco a pouco assomadas pelo poder sempre crescente da força vital, que diminui o movimento vibratório do perispírito, ate o momento em que, não atingindo o mínimo: perceptível, o espírito fica quase totalmente inconsciente. Dessa diminuição de amplitude do movimento fluídico é que resulta o esquecimento. (...) (05) "Quando o Espírito tem de encarnar num corpo humano em vias de formação, um laço fluídico, que mais não é do que uma expansão do seu perispírito, o liga ao gérmen que o atrai por una força irresistível, desde o momento da concepção. A medida que õ gérmen se desenvolve, o laço se encurta. Sob a influência do princípio vito-material do gérmem, o perispírito, que possui certas propriedades da matéria, se une, molécula a molécula, ao corpo em formação, donde o poder dizer-se que o Espirito, por intermédio do seu perispírito, se enraíza, de certa maneira, nesse gérmen, como uma planta na terra. quando o gérmen chega ao seu pleno desenvolvimento, completa e a união; nasce então o ser para a vida exterior. (...)" (03) Desde que o Espirito "(...) é apanhado no laço fluídico que o prende ao gérmem, entra em estado de perturbação, que aumenta, à medida que o laço se aperta, perdendo o Espirito, nos últimos momentos, toda a consciência de si próprio, de sorte que jamais presencia o seu nascimento. Quando a criança respira, começa o Espirito a recobrar as faculdades, que se desenvolvem à proporção que se formam e consolidam os órgãos que lhes hão de servir às manifestações." (04) André Luiz nos relata, detalhadamente, o imenso carinho e os inúmeros cuidados que o Mundo Espiritual dedica ao processo reencarnatório. Na admirável obra ":Entre a Terra e o Céu ", ele nos narra a elevada curiosidade de Hilário, que obtém .de Clarêncio profundas explicações sobre a intimidade da encarnação: "(...) Os princípios organogênicos essenciais do perispírito de Júlio" (o reencarnante) " já se encontram reduzidos na intimidade do altar materno, e, à maneira de um imã, vão aglutinando sobre si os recursos de formação do novo vestuário de carne que lhe será o .vaso próximo de manifestação (...)" (07) "(...) A reencarnação, tanto quanto a desencarnação, é um choque biológico dos mais apreciáveis. Unido ã matriz; geradora do santuário materno, em busca de nova forma, o perispírito sofre a influência de fortes correntes eletromagnéticas, que lhe impõem a redução automática. (...)" (07) "(...) Durante a gravidez de Zulmira, a mente de Júlio permanecerá associada à mente materna, influenciando, como é justo, a formação do embrião. Todo o cosmo celular do novo organismo estará .impregnado pelas forças do pensamento enfermiço de nosso irmão que regressa ao mundo. Assim sendo, Júlio renascerá com as deficiências de que ainda é portador, embora favorecido pelo material genético que recolherá dos pais (...)." (08) Em "Missionários da Luz ", deparamos com preciosas ilustrações a respeito da complexidade de iniciativas que o Plano Espiritual realiza, sempre que retorna ao mundo corporal um Espirito em resgate ou complementação de tarefas mal executadas em vida anterior.

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Um bondoso orientador espiritual ( Alexandre ) , interessado no sucesso reencarnatório de seu protegido (Segismundo). Comenta com. Herculano: "(...) Já observei o gráfico referente ao organismo físico que o nosso amigo receberá de futuro, verificando, de perto, as imagens da moléstia do coração que ele sofrerá na idade madura. como conseqüência da falta cometida no passado. Segismundo experimentará grandes perturbações dos nervos cardíacos, mormente os nervos do tonos. (...)" (09). "(...)Com exceção do tubo arterial, na parte a dilatar-se para o mecanismo do coração, tudo irá muito bem. Todos os genes poderão ser localizados com normalidade absoluta. (...)" (12) Interessado na reencarnação de Segismundo, fala, com relação aos seus futuros pais: "(...) Voltaremos a vê-los no dia da ligação inicial de Segismundo com a matéria física. Preciso cooperar, na ocasião, com os nossos amigos Construtores, aos quais pedi me apresentassem os mapas cromossômicos, referentemente aos serviços a serem encetados. (...)" (09) Em relação ao sofrimento por que passava Segismundo para sua encarnação explica: ''(...)Desde muito, e, particularmente, desde a semana passada, está em processo de ligação fluídica direta com os futuros pais (...). A medida que se intensifica semelhante aproximação, ele vai perdendo os pontos de contato com os veículos que consolidou em nossa esfera através da assimilação dos elementos de nosso plano. Semelhante operação é necessária para que o organismo perispiritual possa retomar a plasticidade que lhe é característica e, no estagio em que ele se encontra, o serviço impõe-lhe sofrimentos. (...)" (10) Mas nem todos os reencarnantes devem passar pelos mesmos sofrimentos. que, diz o Orientador, ''(...) Os processos de reencarnação", tanto quanto os da morte física, diferem ao infinito, não existindo, segundo cremos, dois absolutamente iguais. ;As facilidades e obstáculos estão subordinados a fatores numerosos, muitas vezes relativos ao estado consciencial dos próprios interessados no regresso à Crosta ou na libertação dos veículos carnais. Há companheiros de grande elevação que, ao voltarem à esfera mais densa em; apostolado de serviços e iluminação quase dispensam o nosso concurso. (...)" (11) 28 - A infância. OBJETIVOS ESPECÍFICOS. Dizer da necessidade de o Espírito :passar pelo esta do de infância. Interpretar, à luz do Espiritismo, as palavras de Jesus: "(...) Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque das tais é o reino de Deus. IDÉIAS PRINCIPAIS. O estado de infância "(..) corresponde a uma necessidade, está na ordem da natureza e de acordo com as vistas da Providência. ~ um período de repouso do espírito." (04) "(...) O Espírito, durante esse período é mais acessível às impressões que recebe, capazes de lhe auxiliarem no adiantamento, para o que devem contribuir os incumbidos de educálo." (05) "A pureza do coração e inseparável da simplicidade e da humildade. (...) Por isso e que Jesus toma a infância como emblema dessa pureza, do mesmo modo que a tomou como o da humildade. (...)" (07) Ao passar pelo estado de infância, "( . . . ) o Espírito, pois, enverga temporariamente a túnica da inocência e, assim, Jesus está com a verdade, quando, sem embargo da anterioridade da alma, toma a criança por símbolo da pureza e da simplicidade. " (08)

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FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. Da Pluralidade das Existências. In:—. O Livro dos Espíritos. Trad. d' Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Parte 2ª, questão 183, p. 126. 02 - Da Volta do Espírito ã Vida Corporal . In: O Livro dos Espíritos. Trad. te Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Parte 2-, questão 379, p. 210. 03 - Op. Cit., questão 380, p. 210. 04 - Op. Cit., questão 382, p. 211. 05 - Op. Cit., questão 383, p. 211. 06 - Dos Espíritos. In: O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Parte 2ª, questão 115 - a, p. 96 07 - Bem-Aventurados os que tem Puro o Coração. In: .0 Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro. 87. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Item 03, p. 153-154. 08 - Op. Cit., Item 04, p. 155. COMPLEMENTARES 09 - A BÍBLIA SAGRADA. Trad. por João Ferreira de Almeida. Brasília, Sociedade Bíblica do Brasil, 1969. Marcos, 10:14, p. 58. 10 - Op. Cit., Mateus, 18: 2-3, p. 27. A INFÂNCIA O Espírito de uma criança pode ser até mais evoluído do que o de um adulto, porem, sua inteligência não se manifesta plenamente, por que seu organismo físico ainda não está suficientemente desenvolvido. (02) O estado de perturbação por que passa o Espirito, no ato da encarnação, só aos poucos é que vai cessando, dissipando-se totalmente te com o pleno desenvolvimento dos órgãos. (03) A infância e uma fase de adaptação muito necessária ao Espirito reencarnante. Ela não se passa da mesma forma nos diferentes mundos; nos mais adiantados é menos obtusa. (01) Recém saído do mundo espiritual, onde gozava de maior liberdade e dispunha de maiores recursos, o espírito se vê em dificuldades para exprimir seus pensamentos e manifestar suas sensações, em pleno exercício de suas reais faculdades. Nessa fase em que o Espirito se vê limitado em sua liberdade, a infância é uma demonstração da misericórdia de Deus, que lhe propicia uma dupla vantagem: · primeiro, O Espírito ganha o tempo indispensável, a fim de se preparar para as futuras e difíceis tarefas da nova existência a trilhar; segundo, pela fase que atravessa - comum a todas as crianças, isto é, de simplicidade e de inocência - despertara nos pais e naqueles com quem conviva muita simpatia, interesse e boa vontade, o que de muito lhe facilitara o desempenho de suas atividades. Sabemos, outrossim, que cada criança apresentará mais tarde todas as suas tendências e falhas morais, de acordo com seu adiantamento espiritual e que "(...) a criança rebelde se conserva ignorante e imperfeita (...)" entretanto, "(...) seu aproveitamento depende da sua maior ou menor docilidade. (...)" (06)

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Reencarnando sob a forma inicial de uma criança "(...) o Espírito, durante esse período, é mais acessível às impressões que recebe, capazes de lhe auxiliarem o adiantamento, para o que devem contribuir os incumbidos de educa-lo." (05) Como criança "(...) o Espirito, pois, enverga temporariamente a túnica da inocência. (...)" (08) Foi por isso que Jesus destacou esse estado de pureza e de simplicidade da infância, ressaltando sua importância e fazendo ver que o ideal seria a alua permanecer sempre com tais disposições, vida afora . "(...) E Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles. E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos Céus." (10) O mais frio celerado há de se lembrar um dia de que já foi criança, de aparência inocente e pura e que de muito lhe valeria ter continuado a cultivar semelhante s virtudes . POR AMOR A CRIANÇA Nós que tantas vezes rogamos o socorro da Providência Divina, oremos ao coração da Mulher, suplicando pelos filhinhos das outras! Peçamos às seareiras do bem pelas crianças desamparadas, flores humanas atingidas pela ventania do infortúnio, nas promessas do alvorecer!. Pelas crianças que foram enjeitadas nos becos de ninguém; pelas que vagueiam sem direção, amedrontadas nas trevas noturnas; pelas que sugam os próprios dedos, contemplando, por vidraças faustosas, a comida que sobeja desperdiçada; pelas que nunca viram a luz da escola; pelas que dormem, estremunhadas, na goela escura do esgoto; pelas que foram relegadas aos abrigos de lama e se transformam em cobaias de vermes destruidores; pelas que a tuberculose espia, assanhada, através dos molambos com que se cobrem; pelas que se afligem no tormento da fome e mentalizem o furto do pão; pelas que jamais ouviram uma voz que as abençoasse e se acreditam amaldiçoadas pelo destino; pelas que foram perfilhadas por falsa ternura e são mantidas nas casas nobres quais pequenas alimárias constantemente batidas pelas varas da injúria; e por aquelas outras que caíram, desorientadas, nas armadilhas do crime e são entregues ao vício e à indiferença, entre os ferros e os castigos do cárcere! Mães da Terra enquanto vos regozijais no amor de vossos filhos, descerrai os braços para os órfãos de mãe!. . . Lembremos o apelo inolvidável do Cristo: "deixai vir a mim os pequeninos". E recordemos, sobretudo, que se o homem deve edificar as paredes imponentes do mundo porvindouro, só a mulher poderá converte-lo em alegria da vida e carinho do lar. EMMANUEL XAVIER, Francisco Cândido & VIEIRA, Waldo. "O Espírito da Verdade ". Por vários Espíritos 3ª ed. Rio de Janeiro, FEB, 1977. p. 136-137

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29 - Encarnação nos diferentes mundos. OBJETIVOS ESPECÍFICOS. Descrever as condições de vida moral e material da encarnação nos mundos superiores. Dizer por que os Espíritos reencarnam em mundos versos. IDÉIAS PRINCIPAIS "Nos mundos que chegaram a um grau superior, as condições da vida moral e material são muitíssimo diversas das da vida na Terra. (...) A forma corpórea ai e sempre a humana, mas embelezada, aperfeiçoada e, sobretudo, purificada. O corpo (...) não está (...) sujeito às necessidades, nem as doenças ou deteriorações que a predominância da matéria provoca. Mais apurados, os sentidos são aptos a percepções a que neste mundo a grosseria da matéria obsta. A leveza específica do corpo permite locomoção rápida e fácil (...). A pouca resistência que a matéria oferece a Espíritos já muito adiantados torna rápido o desenvolvimento dos corpos e curta ou quase nula a infância. (...) A morte de modo algum acarreta os horrores da decomposição.(..,)" (05) "Nesses mundos venturosos, as relações, sempre amistosas entre os povos, jamais são perturbadas pela ambição (...). Numa palavra: o mal, nesses mundos, não existe." (06) . Quando, em um mundo, os Espíritos hão realizado a soma do progresso que o estado desse mundo comporta, deixam-no para encarnar em um outro mais adiantado (...)" (03) No entanto, se o Espirito não progredir, poderá ser banido para mundos inferiores àquele !em que habita ou, se adiantado, retornar em missão a tais mundos. FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01 - KARDEC, Allan. Da Pluralidade das Existências. In: - .O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57.. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Parte 2ª questão 178, p. 124. 02 - Op. Cit., questão 182, p. 126. 03 - Gênese Espiritual. In: . A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24. ed. Rio de Janeiro, FEB, 19~ Item 28, p. 219. 04 - Há Muitas Moradas na Casa de Meu Pai. In: -.0 Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro. 87. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Item 5, p. 77. 05 - Op. Cit., item 9, p. 79-80. 06 - Op. Cit., Item 10, p. 80-81. COMPLEMENTARES 07 - A BÍBLIA SAGRADA. Trad. por, João Ferreira de Almeida. Brasília, Sociedade Bíblica do Brasil, c. 1969, 1981. João 14:2, p. 132. 08 - DENIS, León. A Vida Superior. In: - . Depois da Morte. Trad. de João Lourenço de Souza. 11. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978. Par te 4a, p. 221. 09 - Op. Cit., p. 224 ENCARNAÇÃO NOS DIFERENTES MUNDOS A encarnação nos diferentes mundos obedece a um critério de progresso moral. Quando em um mundo, os Espíritos hão realizado a soma de progresso que o estado

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desse mundo comporta, deixam-no para encarnar em outro mais adiantado, onde adquiram novos conhecimentos. (...)" (03) "Os Espíritos que encarnam em um mundo não se acham a ele presos, indefinidamente. (...)" (04) O Espírito elevado é destinado a renascer em planetas mais bem dotados que o nosso. A escala grandiosa dos mundos tem inúmeros graus, dispostos para a ascensão progressiva das almas, que os devem transpor cada um por sua vez." (08) Sobre os mundos existentes para morada dos Espíritos, disse, `Jesus: "Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar." (07) "(...) Nas esferas superiores à Terra o império da matéria e menor. (...)" (08) Lá "(...) se desconhecem as guerras, carecendo de objeto os ódios e as discórdias, porque ninguém pensa em causar dano ao seu semelhante. (...)" (02) O ser humano, nesses mundos, "(...) não mais se arrasta penosamente sob a ação de pesada atmosfera; desloca-se de um lugar para outro com muita facilidade. As necessidades corpóreas são quase nulas e os trabalhos rudes, desconhecidos. Mais longa que a nossa, a existência ai se passa no estudo, na participação das obras de uma civilização aperfeiçoada, tendo por base a mais pura moral, o respeito aos direitos de todos, a amizade e a fraternidade. (...)" (08) "(...) A intuição que seus habitantes têm do futuro, a segurança que uma consciência isenta de remorsos lhes dá, fazem que a morte nenhuma apreensão lhes cause. Encaramna de frente, sem temor, como simples transformação. (...y'(02) "(...) Nenhum pensamento oculto, nenhum sentimento de inveja tem ingresso nessas almas delicadas. O amor, a confiança e a sinceridade presidem a essas reuniões onde todos recolhem as instruções dos mensageiros divinos, onde se aceitam as tarefes que contribuem para elevá-los ainda mais. (...)" (09) A encarnação em mundo inferior àquele em que os Espíritos viveram em sua ultima existência pode ocorrer em dois casos: a) "(...)" Em missão, com o objetivo de auxiliarem o progresso, caso em que aceitam alegres as tribulações de tal existência, por lhes proporcionar meio de se adiantarem (...),' b) Como expiação, e " (. . . ) a punição dos Espíritos consiste em não avançarem, em recomeçarem, no meio conveniente à sua natureza, as existências mal empregadas. (...)" (01) Nos mundos superiores, " (...) a forma corpórea ai é sempre a humana (...)" porém, muito mais "(...) embelezada, aperfeiçoada e, sobretudo, purificada. O corpo nada tem da materialidade terrestre e não está, consequentemente, sujeito às necessidades, nem às doenças ou deteriorações que a predominância da matéria provoca. (...)" (05)

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MÓDULO V Aspecto científico
1ª Unidade Fluidos e perispírito
01 - Natureza e qualidade dos fluidos.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Caracterizar os estados do fluido cósmico. Citar as qualidades dos fluidos. IDÉIAS PRINCIPAIS O fluido cósmico assume os seguintes estados: "(...) o de eterização ou imponderabilidade, que se pode considerar o primitivo estado normal, e o de materialização ou de ponderabilidade, que é , de certa maneira, consecutivo àquele. O ponto intermédio é o da transformação do fluido em matéria tangível. (...)" (01) "(...) Os fluidos que envolvem os Espíritos maus, ou que estes projetam são, (...) viciados, ao passo que os que recebem a influência dos bons Espíritos são tão puros quanto o comporta o grau da perfeição moral destes." (03) Os fluidos não possuem qualidades sui generis, mas que adquirem no meio onde se elaboram; modificam-se pelos eflúvios desse meio, como o ar pelas exalações, a água pelos sais das camadas que atravessa. Conforme as circunstancias, suas qualidades são, como as da água e do ar, temporárias ou permanentes, o que os torna muito especialmente apropriados a produção de tais ou tais efeitos. (...) (04) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01. KARDEC, Allan. Os fluidos. In: —A Gênese. Trad. Guillon Ribeiro. 25. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Item 02, p. 274. 02. Op. cit. item 05, p. 276. 03. Op. cit. item 16, p. 284' 04. Op. cit. item 17, p. 284. NATUREZA E QUALIDADE DOS FLUIDOS O fluido cósmico universal é o elemento primitivo indispensável a intermediação entre o Espirito e a matéria propriamente dita. Para tornar possível esta intermediação, goza de propriedades comuns a ambos, pelo que não se pode dizer que seja matéria ou Espirito, já que estes são os dois elementos gerais, distintos, do Universo. ' Pelas suas inúmeras combinações com a matéria, sob a ação do Espirito, é capaz de produzir a imensa variedade dos corpos da Natureza. Em sua condição de elemento primitivo do Universo, o fluido cósmico assume os estados de eterização e de materialização ou, em outras palavras, de imponderabilidade e ponderabilidade. O primeiro pode ser considerado o primitivo estado normal e o segundo resulta das transformações daquele ao ponto de se apresentar como matéria tangível nos seus múltiplos aspectos. O segundo estado é consecutivo ao ,primeiro e a tangibilidade da matéria assinala a passagem de um ao outro estado. "(...) Mas, ainda aí, não há transição brusca, porquanto podem considerar-se os ,nossos fluidos imponderáveis como termo médio entre os dois estados,(...)" (01) Esses dois estados são a causa de uma inumerável quantidade de fenômenos. Uns ocorrem no mundo invisível. Constituem os fenômenos 'espirituais ou psíquicos. Ligam-se ao estado de eterização. Outros, sucedem no mundo visível. São os fenômenos materiais e relacionam-se

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ao estado de materialização. O fluido cósmico sofre, no estado de eterização, sem deixar de ser etéreo, inúmeras modificações que formam fluidos diferentes. Não obstante a mesma origem, possuem propriedades especiais. Para os Espíritos, esses fluidos têm, dentro da relatividade das coisas, aspecto material. São, por assim dizer, as substancias do mundo espiritual e estão para os mesmos como a matéria está para os encarnados. Eles os trabalham e utilizam para obter os mais diferentes resultados, tal como os homens manipulam a matéria propriamente dita. Mudam apenas os processos. Os fluidos do mundo espiritual escapam aos nossos sentidos, que es tão limitados a percepção apenas da matéria tangível. No entanto há alguns intimamente ligados a vida corporal. Não podendo ser observados diretamente, pelo menos seus efeitos são percebidos. No estado de eterização, os fluidos se apresentam, em virtude das inúmeras modificações por que passam, em diferentes graus de pureza dentro da faixa compreendida pela pureza máxima - ponto de partida do fluído universal - e pela sua transformação em matéria tangível. Quanto mais próximos do estado de materialização os fluidos são menos puros. Estes formam a chamada atmosfera espiritual da Terra "(...) É desse meio, onde igualmente vários são os graus de pureza, que os Espíritos encarnados e desencarnados, deste planeta, haurem os elementos necessários a economia de suas existências (...)" (02) Atendidas as condições físicas e de vitalidade própria de cada um, a situação é a mesma em relação aos outros mundos. Os fluidos do mundo espiritual são também denominados fluidos espirituais. Isto decorre de sua afinidade com os Espíritos. A rigor, não é uma expressão muito correta porque verdadeiramente espiritual é a alma. Na realidade, eles são a matéria do mundo espiritual. ' Os Espíritos agem sobre os fluidos espirituais utilizando o pensamento e a vontade. As repercussões dessa ação assumem grande importância para os homens. Tais fluidos são o meio de propagação do pensamento, o qual tem o poder de amplificar-lhes as propriedades. Isto significa ,que são afetados pela qualidade daquele, ou seja, o pensamento impregna de bons ou más qualidades os fluidos com os quais entra em contato, alterando-os pela pureza ou impureza dos sentimentos. Os pensamentos, conforme sejam bons ou maus, purificam ou poluem os fluidos espirituais. "(...) Os fluidos que envolvem os Espíritos maus, ou que estes projetam são, portanto viciados, ao passo que os que recebem a influência dos bons Espíritos são tão puros quanto o comporta o grau de perfeição mora destes.(...)". (03) Cada pensamento comunica determinada qualidade aos fluidos. Segue-se que devido à enorme variedade de pensamentos inumeráveis são os fluidos bons e maus, o que torna impraticável classifica-los. Não possuem denominações próprias. São identificados pelas suas propriedades, efeitos e tipos originais. A natureza de nossos sentimentos, virtudes, vícios e paixões imprime-lhes características correspondentes. Sob outro angulo, observa-se que eles produzem efeitos físicos os mais diversos, tais como excitação, calma, irritação, adstringência, narcose, toxidez. "(...) Os fluidos não possuem qualidades sui generis, mas as que adquirem no meio onde se elaboram; modificam-se pelos eflúvios desse meio, como o ar pelas exalações, a água pelos sais das camadas que atravessa. Conforme as circunstancias, suas qualidades são, como as da água e do ar' temporárias ou permanentes, o que os torna muito especialmente apropriados a produção de tais ou tais efeitos.(...)", (04)

02 - Modificação dos fluidos e magnetismo.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS : Dizer como os fluidos agem sobre o perispírito e o corpo físico dos encarnados. . Explicar como sanear um ambiente saturado de maus fluidos. Esclarecer a ação magnética nas curas IDÉIAS PRINCIPAIS.. "Sendo o perispírito dos encarnados de natureza idêntica à dos flui dos espirituais, ele os assimila com facilidade, como uma esponja se embebe de um liquido (...). Atuando esses fluidos sobre o perispírito, este, a seu turno, reage sobre o organismo material, com que se acha em contato molecular. Se os eflúvios são de boa natureza, o corpo ressente uma impressão salutar; se são maus, a impressão é penosa. Se são permanentes e energéticos, os eflúvios maus podem ocasionar desordens físicas; não e outra a causa de certas enfermidades (...)". (02)~

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"(...) O pensamento do encarnado atua sobre os fluidos espirituais,. como o dos desencarnados, e se transmite de Espirito a Espirito pelas mesmas vias e, conforme seja bom ou mau, saneia ou vicia os fluidos ambientes (...)".(01) "A ação magnética pode produzir-se de muitas maneiras: 1ª Pelo próprio fluido magnetizador; (...), ou magnetismo humano (..~); 2ª pelo fluido dos Espíritos, atuando diretamente e sem intermediário sobre um encarnado, (...) É o magnetismo espiritual 3ª pelos fluídos que os Espíritos derramem sobre o magnetizador, que serve de veiculo para esse derramamento. É o magnetismo misto. (...)~' (04) FONTES DE CONSULTA. 01. KARDEC, Allan. I. Natureza e Propriedades dos Fluidos. - Qualidades dos Fluidos. In: - . A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 25. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Item 18, p. 285. 02. Op. cit., p. 285-286. 03. - . II. Explicação de Alguns Fenômenos Considerados Sobrenaturais - Curas. In: - . A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 25. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1782. Item 31, p. 294-295. 04. Op. cit., item 33, p. 295-296 Um lugar qualquer pode ter seus fluidos ambientes poluídos pelos encarnados e pelos desencarnados ou, simultaneamente, por ambos. Sabido que o pensamento do encarnado age, como o do desencarnado, sobre os fluidos espirituais, estes são afetados pelas .qualidades de seus pensamentos; se bons, temos fluidos saudáveis; se maus, fluidos viciados. Essa capacidade de atuação dos encarnados sobre os elementos do mundo espiritual decorre do fato de que a encarnação não os priva, totalmente, da vida espiritual. "(...) O pensamento do encarnado atua sobre os fluidos espirituais, como o dos desencarnados, e se transmite de Espirito a Espirito pelas mesmas vias e, conforme seja bom ou mau, .saneia ou vicia os fluidos ambientes...)" (01) Com a encarnação o Espirito conserva seu perispírito, que permanece com todas as qualidades próprias e, alem disso, não fica encerrado no corpo físico, "(...)mas, irradia ao seu derredor e o envolve como que de uma atmosfera fluídica (...)" (01 ) Os fluidos corrompidos pelos maus eflúvios dos Espíritos inferiores podem ser saneados pelo afastamento destes, e isto se consegue eliminando o que se constituía para eles em focos de atração. O cultivo dos bons pensamentos e sentimentos transforma os fluidos ambientes .em, bons fluidos, os quais têm o poder de repelir os maus fluidos. Cada encarnado dispõe, em seu perispírito, de uma fonte fluídica permanente que pode mobilizar para operar essa renovação. . Quanto à viciação fluídica produzida pelos encarnados, o ambiente se modifica, é bem evidente, observando-se o mesmo procedimento anterior sobre o cultivo dos bons pensamentos e sentimentos, no caso dos maus Espíritos. "(...) Sendo o perispírito dos encarnados de natureza idêntica à dos fluidos espirituais, ele os assimila com facilidade, como uma esponja se embebe de um liquido. Esses fluidos exercem sobre o perispírito uma ação tanto mais direta, quanto, por sua expansão e sua irradiação, o perispírito com eles se confunde (...)" (01) Por outro lado, o perispírito, que está intimamente ligado ao corpo físico, molécula a molécula, ao sofrer a influência desses fluidos, reage sobre aquele, transmitindo-lhe uma impressão salutar ou penosa, conforme os eflúvios sejam bons ou maus. A ação continuada e energética dos maus eflúvios pode ter repercussões serias, provocando o surgimento de doenças. Os ambientes onde pululam maus Espíritos são grandemente impregnados de fluidos deletérios que afetam, de forma muito prejudicial, a saúde dos encarnados que os absorvem através dos poros perispiríticos. Como já foi visto, o fluido cósmico universal sofre inúmeras transformações, formando imensa variedade de fluidos com propriedades especiais. Um desses fluidos, condensado no perispírito, e possuidor de recursos que possibilitam a recuperação do corpo físico. Isto é possível em razão da identidade existente entre ambos, cuja origem é comum. Para que esses efeitos reparadores se realizem, faz-se mister inocular tais fluidos no organismo combalido. Tanto o encarnado como o desencarnado são os agentes da infiltração dessa substancia, extraída de seu próprio perispírito . Opera-se a cura pela remoção das células doentes, que são substituídas por células sadias, e estas, naturalmente, são produzidas por substâncias puras. Há, ainda, a considerar: a vontade do inoculador que, quanto mais enérgica, mais abundante torna a emissão fluídica e lhe dá maior poder de penetração no corpo enfermo; seu desejo de promover a cura. (03)

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--~ A ação desses elementos fluídicos. também chamados elementos magnéticos, apresente efeitos muito variados sobre os enfermos: às vezes lentos, exigindo tratamento demorado, outras vezes rápidos. Há pessoas que produzem curas instantâneas pela simples imposição das mãos, ou só pelo uso da vontade. Conforme o agente responsável pela emissão magnética, identifica-se: A) magnetismo humano , ou magnetismo propriamente dito, cuja ação, produzida pelos fluidos do encarnado (magnetizador), depende da força e, principalmente, da qualidade do fluido; B) magnetismo espiritual, produzido pelos Espíritos, cuja atuação se faz diretamente e sem intermediário sobre a criatura humana. Sua qualidade está ligada às qualidades dos Espíritos; C) magnetismo misto , semi-espiritual ou humano-espiritual, associação dos recursos fluídicos do encarnado, ou magnetizador, com os dos Espíritos. Estes irradiam sobre aquele a substância fluídica que lhes e própria e o encarnado as transmita aos enfermos junta mente com seus recursos magnéticos. Há, assim, um enriquecimento fluídico. (04) ANEXO 01 Após a leitura dos itens: 18 a 21, do capitulo 14, de A Gênese, de Allan Kardec, responda: 01. Qual o papel do perispírito na transmissão do pensamento de homem para homem? 02. De que maneira os fluidos podem agir sobre o veículo físico dos encarnados? 03. De que natureza podem ser os fluidos emanados numa reunião de várias pessoas? 04. Como. se caracteriza um ambiente de maus fluidos? 05. Como sanear um ambiente viciado de maus fluidos? ANEXO 0 2 Apôs a leitura dos itens 31 a 34, do capitulo 14, de A Gênese, de Allan Kardec, responda: 01. Como se processa uma cura fluídica? 02. As curas fluídicas são iguais? Por quê? 03. Dê as características dos três tipos de magnetismo curador relacionados por Kardec. 04. Pelo conhecimento acumulado ate agora, ao longo das reuniões do estudo sistematizado do Doutrina Espírita, responda: por que nem todas as pessoas são curadas dos seus males, sejam eles físicos ou espirituais.

03 - Criações fluídicas e ideoplastia.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Definir ideoplastia. Dar exemplos de criações fluídicas IDÉIAS PRINCIPAIS "Ideoplastia (do grego ideo+plastos+ia = Modelagem da matéria pelo pensamento (...)". (04) "(...) Criando imagens fluídicas o pensamento se reflete no envoltório perispirítico, como num espelho; toma nele corpo e aí de certo modo se fotografa. Tenha um homem, por exemplo, a idéia de matar a outro: embora o corpo material se lhe conserve impassível, seu corpo fluídico é posto em ação pelo pensamento e reproduz todos os matizes deste ultimo; executa fluidicamente o gesto, o ato que intentou praticar. O pensamento cria a imagem da vitima e a cena inteira é pintada, como num quadro, tal qual se lhe desenrola no espirito. (...) " (01) FONTES DE CONSULTA. BÁSICAS 01. KARDEC, Allan. Ação dos Espíritos sobre os fluidos, Criações fluídicas - Fotografia do pensamento. In: -. A Gênese, Trad. de Guillon Ribeiro, 25. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. item 15, p. 283. 02. Op. cit., item 14, p. 281. 03. Op. cit., item 14, p. 282. COMPLEMENTARES 04. PAULA, João Teixeira de:. Ideoplastia. In:- . Dicionário Enciclopédico Ilustrado. Espiritismo, Metapsíquica, Parapsicologia, 3. ed. São Paulo, 1976, p. 107. 05. FRANCO, Divaldo Pereira. Técnica da Obsessão - Estudando o hipnotismo no anfiteatro. In:-. Nos Bastidores da Obsessão. pelo Espirito Manoel Philomeno de Miranda, Rio de Janeiro, FEB, 1970, p. 77.

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06. XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Ideoplastia. In:-. Mecanismos da Mediunidade. pelo Espirito André Luiz, Rio de Janeiro, FEB, 1970, p. 125. CRIAÇÕES FLUÍDICAS E IDEOPLASTIA O fluido espiritual, um dos estados assumidos pelo fluido cósmico universal, fornece aos Espíritos o elemento de onde eles extraem os materiais sobre que operam. Essa atuação se faz usando o pensamento e a vontade . " (. . . ) Para os Espíritos, o pensamento e a vontade são o que é a mão para o homem. Pelo pensamento, eles imprimem àqueles fluidos tal ou qual direção, os aglomeram, combinam ou dispersam, organizam com eles conjuntos que apresentam uma aparência, uma forma, uma colocação determinadas; mudam-lhes as propriedades, como um químico muda a dos gases ou de outros corpos, combinando-os segundo certas leis. ~ a grande oficina ou laboratório da vida espiritual (...)."(02 ) É comum a realização dessas modificações sem que haja um pensamento consciente. É o caso dos Espíritos que são percebidos pelos videntes, logo depois de desencarnados, envergando uma vestimenta qualquer, antes mesmo de se. haverem dado conta de sua nova realidade. A maior parte das transformações, contudo, ocorre sob o império de um desejo, a manifestação de um propósito consciente. Basta mentalizar alguma coisa e esta se forma. É por isso que um Espirito pode assumir diferentes aspectos e apresentar diversas aparências, envergar trajes especiais, portar objetos os mais variados, exibir defeitos físicos, mutilações etc. São expressões assumidas visando a uma identificação, geralmente revivendo situações de existências passadas, Porém, assim como assumiu aspecto do passado, tão logo seu pensamento o situe no presente, ou em outra existência, imediatamente se opera nova transformação. Há, por outro lado, o caso dos Espíritos que conservam a mutilação, as deformações ou chagas do corpo físico que ocupavam, em razão de um condicionamento. Incapazes, por si mesmos, de reassumir a forma normal e sadia, são induzidos à mudança mediante um processo de esclarecimento e, pelo mesmo princípio de manejo dos fluidos espirituais, logram obte-la . As sugestões hipnóticas provocam, também, freqüentes transformações no perispírito, no sentido de seu aviltamento. Isso pode ser observado sob dois aspectos: o primeiro, através da auto-sugestão, motivada por sentimento de culpa ou rebaixamento voluntário; o segundo, pela ação da mente de outro Espirito sobre determinada entidade espiritual, explorando-lhe os deslizes que tornaram particularmente vulnerável. Encontramos ai a explicação para os fenômenos conhecidos como "zoantropia, onde os espíritos assumem formas animalescas, total, ou parcialmente. A expressão "zoantropia", por seu sentido amplo, vem sendo sugerida, ultimamente, em lugar de "licantropia" que, etimologicamente, significa "estudo sobre o homem-lobo" (05) É de referir-se, ainda, os casos de Espíritos que, quase sempre com o propósito de amedrontar para melhor alcançar seus objetivos, apresentam-se com aspectos, monstruosos e apavorantes, ate mesmo de satanás. A todas essas transformações operadas pela mente dá-se o nome de "ideoplastia" (do grego "ideo - idéia + "plastos" = forma + "ia" = estudo, análise), ou seja, "estudo da modelagem através do pensamento". Segundo nos ensina André Luiz, ao abordar a ideoplastia, "o pensamento pode materializar-se, criando formas que muitas vezes se revestem de longa duração, conforme a persistência da onda em que se expressam" (06) As materializações constituem outro exemplo de plasmagem realizada pelos Espíritos, nas sessões de efeitos físicos, com a utilização de: elementos plásticos exteriorizados pelos médiuns e pelos outros participantes dessas reuniões; componentes fluído-plásticos da Natureza. "Por análogo efeito, o pensamento do Espirito cria fluidicamente os objetos que ele esteja acostumado a usar" (03). Isto não se restringe a objetos de uso pessoal, como é o caso do cachimbo, óculos, bengala, faca, chapéu etc. mas se estende a coisas como casas, prédios, jardins, móveis, veículos, alimentos, instrumentos de toda ordem. Alguns têm existência tão fugidia quanto a duração do pensamento; mas outros persistem longamente, como já citado. No plano dos Espíritos, suas criações fluídicas são tão reais que assumem, para eles o mesmo aspecto que as coisas materiais para os encarnados. Outra questão a considerar é que o pensamento, ao criar imagens fluídicas, se reflete no perispírito do Espirito a que pertence, como num espelho, ai adquirindo corpo e, de alguma maneira, se fotografa. (01)

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Para melhor entendimento de como isso se passa, explica-nos Kardec."(...) Tenha um homem, por exemplo, a idéia de matar a outro: embora o corpo material se lhe conserve impassível, seu corpo fluídico é posto em ação pelo pensamento e reproduz todos os matizes deste ultimo; executa fluidicamente o gesto, o ato que intentou praticar. O pensamento cria a imagem da vítima e a cena inteira e pintada, como num quadro, tal qual se lhe desenrola no espirito (...)". (01) Isto permite entender por que todo e qualquer pensamento se torna conhecido: por evidenciarse, no corpo perispirítico, e poder ser percebido por outro Espírito, mas não pelos olhos da matéria. O que realmente e visto pelo observador é a intenção. Sua execução, todavia, vai depender da persistência de propósitos de circunstancias que a favoreçam. Modificadas estas, poderão os planos também sofrer mudanças, com a conseqüente alteração das imagens refletidas no envoltório fluídico. ANEXO QUESTÕES PARA SEREM USADAS NA DISCUSSÃO CIRCULAR ; 01. Dizer de que é constituída a atmosfera espiritual do seres humanos . 02. Que instrumentos são empregados pelos Espíritos na manipulação dos fluidos espirituais? 03. Esclarecer o papel da vontade e do pensamento sobre os fluidos espirituais. 04. De que maneira podem Os Espíritos criar objetos, vestimentas, etc. ? 05. Pode-se afirmar que as criações fluídicas sejam reais? Justifique. 06. Explicar como um Espírito consegue saber das intenções de outros Espíritos. 07. Conceituar e exemplificar ideoplastia,

04 - Perispírito: formação, propriedade e funções (1ª parte).
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Esclarecer como se realiza a formação do perispírito Citar as propriedades conhecidas do perispírito Dizer porque é variável a constituição do perispírito;: IDÉIAS BÁSICAS O perispírito ou corpo fluídico dos Espíritos, é um dos mais importantes produtos do fluido cósmico, é uma condensação desse fluido em torno de um foco de inteligência ou alma (...) No perispírito, a transformação molecular se opera diferentemente, porquanto o fluido conserva a sua imponderabilidade e suas qualidades etéreas.(...)" (01) "O perispírito serve de intermediário ao Espírito e ao corpo. ~ o órgão (veiculo) de transmissão de todas as sensações (...)". (05) "Por meio do perispírito é que os Espíritos atuam sobre a meteria inerte e produzem os diversos fenômenos mediúnicos (...)". (06) "Por sua natureza e em seu estado normal, o perispírito é invisível, (...). Outra propriedade do perispírito, (...), é a penetrabilidade.(...)" (07) "Do meio onde se encontra é que o Espirito extrai o seu perispírito, isto é, esse envoltório ele o forma dos fluidos ambientes.(...)" (02) "A natureza do envoltório fluídico está sempre em relação com o grau de adiantamento moral do Espirito.(...)" (03) ~ " (...) Conforme seja mais ou menos depurado o Espírito, seu perispírito se formará das partes mais puras ou das mais grosseiras do fluido peculiar do mundo onde se encarna" (04) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01. KARDEC, Allan, Formação e propriedades do perispírito. In:- . A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro, 25. ed. Rio de Janeiro, FEB, 198-2, item 07. 02. Op. cit., item 08, p. 277. 03. Op. cit., item 09, p. 278. 04. Op. cit., item 10, p. 279. 05. KARDEC, Allan. O perispírito como principio das :manifestações. In:- . Obras Póstumas. Trad. de Guillon Ribeiro, 16 ed. Rio de Janeiro, - FEB, 1977. item 10, primeira parte, p, 45 06. Op. cit., item 13, p. 46. 07. Op. cit., item 16, p. 47.

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1A PARTE O perispírito, ou corpo fluídico dos Espíritos, é uma condensação do fluido cósmico em torno da alma; o corpo carnal resulta de uma maior condensação do mesmo elemento, que o transforma em matéria tangível. Embora tenham origem comum, no mesmo elemento primitivo, as transformações moleculares são diferentes nesses dois corpos, dai resultando ser o perispírito imponderável e dotado de qualidades etéreas. Ambos são matéria, mas em estados diversos. (01) O Espírito forma seu envoltório perispirítico com os fluidos retirados do ambiente onde vive. Como a natureza: dos mundos varia com seu grau de evolução, será maior ou menor a materialidade dos corpos físicos de seus habitantes, e os perispíritos guardam relação, quanto à sua composição, com esse grau de materialidade. Admitindo-se que um Espírito emigre da Terra, aí fica seu envoltório fluídico e toma, no mundo físico onde aportar, um outro apropriado ao novo meio (02) "A natureza do envoltório fluídico está sempre em relação com o grau de adiantamento moral do Espirito(...)" (03) A condição moral do Espírito corresponde, por assim dizer, uma determinada densidade do perispírito. Maior elevação,. menor densidade fluídica. Maior inferioridade, maior densidade isto é, perispírito mais grosseiro, com maior condensação fluídica. É claro que mesmo os envoltórios fluídicos mais grosseiros permanecem imponderáveis. Mas, dentro da relatividade das coisas, pode-se admitir um peso específico para o envoltório perispirítico. Os de maior peso específico chumbam os Espíritos as regiões inferiores, impossibilitando-lhes o acesso a planos mais elevados e, por isso mesmo, a saída para mundos mais elevados. A acentuada densidade do perispírito de grande número de Espíritos leva-os a confundi-lo com o corpo físico. Por isso, consideram-se ainda encarnados;, e vivem, na Terra, imaginando-se entregues a ocupações que lhes eram habituais. Os perispíritos dos Espíritos superiores, de reduzido peso específico, lhes conferem uma leveza que lhes permite viver nos planos elevados assim como o seu deslocamento a outros mundos. É claro que tais Espíritos podem descer aos planos inferiores e, normalmente, dada a sutileza de seu envoltórios, não são percebidos pelas entidades inferiores. Quando encarnado, o Espírito mantém seu envoltório perispirítico, constituindo-lhe o corpo carnal, por conseguinte, um segundo envoltório, mais grosseiro, apropriado ao meio físico onde vive suas experiências . O perispírito, nessa situação, "~...) serve de intermediário ao Espirito e ao corpo. É o órgão de transmissão de todas as sensações (...)" (05) quer partam do Espirito, quer venham do exterior, através do corpo físico. Dado ao estado grosseiro da matéria, os Espíritos não pedem agir diretamente sobre ela. Têm de faze-lo através de seu perispírito. "Por meio do perispírito é que os Espíritos atuam sobre a matéria inerte e produzem os diversos fenômenos mediúnicos.(...)" (06) Os fluidos perispirítico se constituem, sob a ação da, vontade dos Espíritos, em verdadeiras alavancas que lhos permitem produzir pancadas, ruídos, deslocamentos de objetos, etc. Em condições normais, o perispírito é invisível, mas, em razão de modificações que venha a experimentar, pela ação da vontade do Espirito, pode tornar-se visível. Essas modificações consistem numa espécie de condensação ou em novos arranjos das moléculas que compõem esse envoltório fluídico. O aparecimento de um Espirito resulta de seu propósito de se fazer visível. Mas não basta desejar essa visibilidade para obte-la: a modificação do perispírito requer a existência de certas circunstancias que não dependem do Espírito; este necessita de permissão, que nem sempre lhe é dada, para mostrar-se a alguém. (07) Nas aparições, o perispírito se mostra mais ou menos consistente. Comumente se apresenta com aspecto vaporoso e diáfano. De outras vezes, fá-lo com as formas delineadas, com os traços bem nítidos. Neste último caso, pode ate apresentar a solidez de um corpo físico, sendo, por isso mesmo, tangível, o que não lhe impede de retomar instantaneamente o estado normal de invisibilidade e etéreo. A matéria não constitui obstáculo ao perispírito. A sua condição etérea confere-lhe a propriedade de penetrabilidade. Ele atravessa a matéria como a luz aos corpos transparentes. ~ por isso que portas e janelas fechadas de uma sala qualquer não impede a penetração, ali, de um Espirito. (07) Como já foi dito, das camadas dos fluidos espirituais que envolvem. a Terra, tiram os Espíritos, que ali vivem, os seus envoltórios perispirítico. Esses fluidos não são homogêneos: uma mistura de moléculas de várias qualidades, umas mais puras outras menos paras. Os efeitos que produzem. guardam relação com a quantidade das partes puras que eles contem. "(...)

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Conforme seja mais ou menos depurado o Espírito, seu perispírito se formará das partes mais puras ou das mais grosseiras do fluído peculiar ao mundo onde ele se encarna (...) " O Espírito atrai as moléculas que se afinam com seu padrão vibratório. Como conseqüência, "a constituição intima do perispírito não é idêntica em todos os Espíritos encarnados ou desencarnados que povoam a Terra ou o espaço que a circunda " (04), o que não ocorre com o corpo carnal, que é formado pelos mesmos elementos, independentemente da maior ou menor elevação dos Espíritos que o revestem. Outra decorrência da forma de composição do perispírito: "(...) o envoltório perispirítico de um espírito s modifica com o progresso moral que este realiza em cada encarnação, embora ele encarne no mesmo meio; (...) os Espíritos superiores, encarnando, excepcionalmente, em missão, num mundo inferior, têm perispírito menos grosseiro do que o dos indígenas desse mundo "(04) ANEXO AVALIAÇÃO DO PAINEL Munido do presente roteiro, o grupo deverá observar o seguinte: 01. Foi satisfatória a explanação dos painelistas? 02. Permaneceram duvidas em relação ao assunto tratado? Quais? 03. A técnica de idéias entre os painelistas foi clara? 04. Suscitou interesse do grupo? 05. Quais os pontos importantes que não foram abordados?

05 - Perispírito: formação, propriedade e funções (2ª parte).
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Explicar 0 papel do perispírito nas funções fisiológicas, :psicológicas e nas doenças dos encarnados. Analisar a maneira como são preservadas as conquistas evolutivas do Espirito. IDÉIAS PRINCIPAIS "(...) O perispírito desempenha importante papel em todos os fenômenos psicológicos e, até certo ponto, nos fenômenos fisiológicos e patológicos (...)". (01) (...) O perispírito (...) ele é que contem o desenho prévio, a lei onipotente que servira de regra inflexível ao novo organismo que lhe assinará o lugar na escala morfológica, segundo o grau da sua evolução. É no embrião que se executa essa ação diretiva (...)" (02) (...) O perispírito é a idéia diretora, o plano imponderável da estrutura orgânica. ele que armazena, registra, conserva todas as percepções, todas as volições e idéias da alma (...) se constitui a testemunha imutável, o detentor indefectível dos mais fugidios pensamentos, dos sonhos apenas entrevistos e formulados (...)", (03) "(...) De modo geral, (...), a etiologia das moléstias perduráveis, que afligem o corpo físico e o dilaceram, guardam no corpo espiritual as suas causas profundas (...)". (08) O perispírito e "(...) o guardião fiel, o acervo imperecível do nosso passado. (...) O conservador de nossa personalidade, .por isso que nele é que reside a memória (...).~' (03) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01. KARDEC, Allan. O perispírito como princípio das manifestações. In:-. Obras Póstumas. Trad. de Guillon Ribeiro, 16. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1977. 1a parte, item 12, p. 45. COMPLEMENTARES 02. DELLANE, Gabriel. A Vida - A idéia diretriz. In:-. A Evolução Anímica -. Trad. de Manuel Quintão, 4. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1976. p. 39. 03. Op. cit., p. 55. 04. Op. cit., p. 56. 05.~. A Alma Animal.- A Luta Pela Vida. In: -. A Evolução Anímica.- Trad. de Manuel Quintão. 4. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1976, p. 81 . 06. -. O Papel da Alma - do Ponto de Vista da Encarnação, da Hereditariedade e da Loucura.Resumo. In:- . A Evolução Anímica. Trad. de Manuel Quintão. 4. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1976. p. 225. 07. 0p. cit., p. 226, 08. XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Predisposições Mórbidas. In: Evolução em Dois Mundos. Pelo Espírito André Luiz, 6. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1981. p. 213.

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09. Op. cit., p. 213-214. 10. -. Corpo Espiritual. In: -. Evolução em Dois Mundos. Ditado pelo Espírito André Luiz. 6. Ed. Rio de Janeiro, FEB, 1981. p. 26. 11. Op. cit., p. 28. O perispírito, encerrando um organismo fluídico-modelo, é a força diretriz responsável pela edificação do plano escultural e do tipo funcional de todos os seres. "(...) Contém o desenho prévio, a lei onipotente que servirá de regra inflexível ao novo organismo e lhe assinará o lugar na escala morfo + lógica, segundo o grau de sua evolução. E no embrião que se executa essa ação diretiva (...)". (02) Mas esse modelo fluídico, verdadeira matriz, mantém a mesma forma do ser até o fim de sua vida, até mesmo promovendo a regeneração dos tecidos orgânicos destruídos . No perispírito, dormitam, por assim dizer, propriedades organogênicas, que se ativam sob a ação da força vital. Como ensina o Espírito André Luiz, esse corpo espiritual possui "(...) todo o equipamento de recursos automáticos que governam os bilhões de entidades microscópicas a serviço da Inteligência, nos círculos de ação em que nos demoramos, recursos esses adquiridos vagarosamente pelo ser. em milênios e milênios de esforço e recapitulação, nos múltiplos setores da evolução anímica (...)," (10) Refere-nos ainda André Luiz que, no corpo espiritual ou psicossoma, estão situados os centros vitais que presidem à atividade funcional dos vários órgãos que integram o corpo físico. Esses centros são "(...) fulcros energéticos que, sob a direção automática da alma, imprimem às células a especialização extrema, pela qual o homem possui no corpo denso, e detemos todos no corpo espiritual em recursos equivalentes, as células que produzem fosfato e carbonato de cálcio para a construção dos ossos, as que se distendem para a recobertura do intestino, as que desempenham complexas funções químicas no fígado, as que se transformam em filtros do sangue na intimidade dos rins e outras tantas que se ocupam do fabrico de substâncias indispensáveis à conservação e defesa da vida nas glândulas, nos tecidos e nos órgãos que nos constituem cosmo vivo de manifestação (...) " (11) "No momento de encarnar, o perispírito une-se, molécula a molécula, à matéria do gérmen. Possui este uma força vital, cuja energia mais ou menos vigorosa, transformando-se em energia atual durante a existência, determina a longevidade do indivíduo (...)." (06) Esse gérmen está sujeito às leis da genética, isto e, a força vital sofre as ações modificadoras da herança dos pais, que lhe transmitem suas disposições orgânicas. Como já foi visto, a ação da força vital e que leva o perispírito a desenvolver suas propriedades funcionais. O gérmen recapitula, de modo rápido, no seu desenvolvimento, as várias fases da evolução pelas quais a raça passou. Da mesma forma que o psicossoma traz o registro de todos os estados do Espírito desde sua origem, assim também o gérmen material encerra as impressões de todas as etapas percorridas pelo psicossoma. "(...) A idéia diretriz que determina a forma está, por conseguinte, contida no fluido vital, e o perispírito dele se impregnando, nele se transfundindo, a ele unindo-se intimamente, materializa-se o bastante para tornar-se o diretor, o regulador, o suporte da energia vi tal modificada pela hereditariedade. É graças a ele que o tipo individual se forma, desenvolve-se, conserva-se e se destroi (...)." (07) O perispírito retém todos os estados de consciência, de sensibilidade e de vontade; guarda todos os conhecimentos adquiridos pelo ser. É a sede da memória."(...) É ele que armazena, registra, conserva todas as percepções, todas as volições e idéias da alma . E não somente incrusta na substância todos os estados anímicos determinados pelo mundo exterior, como se constitui a testemunha imutável, o detentor indefectível dos; mais fugidios pensamentos, dos sonhos entrevistos e formulados (...)." (03) Todo o nosso passado nela fica armazenada. As varias etapas de nosso desenvolvimento estão ai registradas. É o conservador de nossa personalidade, dos elementos de nossa identificação. Ao longo de sua imensa trajetória, desde quando a alma iniciou suas peregrinações terrestres, sob as formas mais inferiores, vem o perispírito registrando todas as experiências vividas pelo ser inteligente, incorporando uma bagagem crescente. "(...) Nada se destrói, tudo se acumula nesse perispírito tão imperecível e incorruptível como a força ou a matéria de que saiu. Os espetáculos maravilhosos que nossa alma contempla, as harmonias sublimes que se dilatam nos espaços infinitos, os esplendores da arte, tudo se fixou em nós, e nós para sempre possuímos o que pudemos adquirir. 0 mínimo esforço é levado mecanicamente ao nosso ativo,

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nada se perde, e assim é que lenta, mas seguramente, galgamos a escada do progresso (...)." (04) É compreensível que os desregramentos, abusos, os atentados contra o corpo físico, as lesões aos direitos de outrem, também, tenham seu registro no corpo espiritual e venham a repercutir já na existência em que ocorrem ou em outra encarnação. A esse respeito, ensina-nos Kardec que o duplo fluídico, como um dos elementos componentes do ser humano, alem do importante papel nos fenômenos psicológicos, tem a sua participação nas ocorrências fisiológicas a patológicas. (01) Diz-nos André Luiz que "(...) a etiologia das moléculas perduráveis; que afligem o corpo físico e o dilaceram, guardam no corpo espiritual as suas causas profundas ", e acrescenta: "o remorso provoca distonias diversas em nossas forças recônditas, desarticulando as sinergias do corpo espiritual, criando predisposições mórbidas para ;essa ou aquela enfermidade ( ..)." (09) Quando encarnado, há uma ligação estreita do Espirito ao corpo físico, através do perispírito, razão por que, qualquer modificação doentia, nas células nervosas do cérebro, importa numa alteração das faculdades espirituais . Em condições normais, as sensações modificam a natureza das vibrações da força psíquica. Se essas modificações forem, pela sua intensidade e duração, de molde a ultrapassar um limite mínimo, as sensações serão registradas no perispírito de maneira consciente, isto é, haverá percepção, o Espírito toma conhecimento do que está ocorrendo. É a memória de fixação. Se esse limite mínimo não for atingido, haverá registro da sensação, mas no inconsciente. Nem todas as sensações e recordações podem existir simultaneamente; há um enfraquecimento de seu ritmo que as leva a descer, gradativamente, abaixo do limite mínimo de percepção, pelo que entram na faixa do subconsciente . '" Todos os atos da vida vegetativa e orgânica hão sido conservados no perispírito, por essa maneira, durante a evolução da alma através da série de formas inferiores." (05) A repetição continuada de certos atos cria hábitos. No inicio, esses atos eram conscientes mas, com a repetição constante, exigindo menos tempo e esforço, foram-se tornando mecânicos até se fazerem automáticos e inconscientes. A memória evocativa permite-nos lembrar os conhecimentos, através de ponto de referencia, de localização no passado bem conhecida por nós. Por associação de idéias, esses pontos de referência nos ligam aos acontecimentos que se agrupam em seu redor, transportando-nos à época das ocorrências. Para essa rememoração há que haver uma associação da vontade à atenção, donde resulta trazer-se à consciência as imagens recolhidas no arquivo perispiritual.

06 - Vestimenta dos Espíritos.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Esclarecer como os Espíritos criam as suas vestimentas. Dizer porque a vestimenta dos Espíritos superiores difere da dos inferiores. IDÉIAS PRINCIPAIS "(...) Os Espíritos atuam sobre os fluidos espirituais, não os manipulando como os homens manipulam os gases, mas empregando o pensamento e a vontade (...). Pelo pensamento eles imprimem aqueles fluidos tal ou qual direção, os aglomeram, combinam ou dispersam, organizam com eles conjuntos que apresentam uma aparência, uma forma, uma coloração determinadas. (...) '' (o1) "(...) A veste fluídica denuncia a superioridade do Espirito. (...) Opaca e sombria na alma inferior, seu alvor aumenta de acordo com os progressos realizados. (...) Brilhante no Espirito elevado, ofusca nas almas superiores. " (07) Há Espíritos, "(...) alguns muito inferiores e criminosos, geralmente obsessores da mais ínfima espécie, cuja mente não possui - vibrações - à altura de efetuar a admirável operação plástica requerida. Por isso mesmo, a aparência destes últimos costuma ser chocante para o vidente, pela fealdade ou simplesmente pela miséria, pois se apresentam cobertos de andrajos e farrapos, (...) ou embuçados em longos sudários negros (...)." (04) BÁSICAS 01. KARDEC, Allan. Ação dos Espíritos sobre os fluidos. - Criações fluídicas. - Fotografia do pensamento. In: - . A Gênese. Trad. Guillon Ribeiro. 24. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982, p. 281 e 282, cap. 14, item 14.

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02. - Do laboratório do Mundo Invisível. In: - . O Livro dos Médiuns. Trad. de Guillon Ribeiro. 41. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979, p. 159, cap. 08. 03.- Op. cit., item 128, resposta a 16a pergunta, p. 162. COMPLEMENTARES 04. PEREIRA, Yvonne A. Como se trajam os Espíritos... In: - . Devassando o Invisível, 3. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1976, p. 47. 05. Op. cit., p. 54. 06. Op. cit., p. 57. 07. DENIS, Léon. A vida superior. In: - . Depois da Morte. Trad. de João Loureço de Souza, 11. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978, p. 226. VESTIMENTA DOS ESPÍRITOS Os depoimentos dos médiuns videntes são coincidentes em descrever os Espíritos envergando, normalmente, uma vestimenta qualquer. Há sensitivos que registram os trajes dos Espíritos com grande riqueza de detalhes. Falam de variedades de feitios e de coloridos surpreendentes. Referem roupas de períodos históricos, típicas, com adornos característicos. São percebidos tecidos leves, esvoaçantes, rendados; pesados ou grosseiros; túnicas de cores as mais variadas; calcas, camisas, paletós, coletes, gravatas; saias compridas ou curtas; blusas ou casacos, vestidos, uniformes, indumentárias ricas, antigas ou modernas; roupas modestas, muito pobres e ate andrajosas ou esfarrapadas. Algumas vestimentas descritas primam pelo estampado de cores vivas, como é o caso de Espíritos que se apresentam sob a aparência de ciganos, exibindo, ainda, colares, brincos bem grandes, pulseiras. Alguns Espíritos se mostram envergando fardas militares bem antigas ou de épocas mais recentes; outros ostentam armaduras e capacetes e empunham armas. Há, também, aqueles que escondem total mente a cabeça com capuz. Entre os trajes observados, a túnica e o mais comum. Como bem refere a médium Yvonne A Pereira, os Espíritos, freqüentemente, se mostram trajados como o faziam quando no corpo físico: os homens com o terno que costumavam usar; as mulheres com os vestidos de uso habitual. Alguns poucos exibem a roupa com que foram sepultados. (05 E oportuno mencionar que alguns Espíritos podem ser observados totalmente despidos. A médium antes citada, em sua obra "Devassando o Invisível", falando de suas ricas observações através da vidência em estado normal ou em processo de desdobramento, afirma que "(...) há Espíritos desencarnados, aqueles que foram homens e mulheres de baixa condição moral, que se arrastaram em existências consagradas aos excessos carnais, à devassidão dos costumes, que podem, com efeito, aparecer desnudos aos médiuns, revelando mesmo, em cenas degradantes, que lhes foram habituais no estado humano, a degradação mental em que ainda permanecem (...)." (06) Mas, voltando às vestimentas, uma questão que, naturalmente, se impõe e saber onde os Espíritos conseguem suas roupas e complementos. Em "A Gênese" e em "O Livro dos Médiuns", de Allan Kardec, encontra-se a resposta a essa indagação. Diz o Codificador da Doutrina dos Espíritos que estes manipulam os fluidos espirituais através do pensamento e da vontade. (...)Pelo pensamento, eles imprimem àqueles fluídos tal ou qual direção, os aglomeram, combinam ou dispersam, organizam com eles conjuntos que apresentam uma aparência, uma forma, uma coloração determinadas (...)." (01) Os fluidos espirituais são, por conseguinte, o elemento do mundo espiritual donde os Espíritos extraem as substâncias para fins os mais diversos. "(...) ~ com o auxílio deste principio material que o perispírito toma a aparência de vestuários semelhantes aos que o Espirito usava quando vivo (...)." (02) Há Espíritos que já se percebem vestidos e não têm idéia de como isto se faz. Por outras palavras, nem sempre têm o conhecimento de como suas vestes são formadas. Eles concorrem para sua formação agindo instintivamente. (03) "(...) Os Espíritos se trajam e modificam a aparência das vestes que usam conforme lhes apraz, exclusão feita de alguns muito inferiores e criminosos, geralmente obsessores da mais ínfima espécie, cuja mente não possui vibrações a altura de efetuar a admirável "operação plástica " requerida. Por isso mesmo, a aparência destes últimos costuma ser chocante para o vidente, pela fealdade, ou simplesmente pela miséria, pois se apresentam cobertos de andrajos e farrapos, como que empapados de lama, ou embuçados em longos sudários negros, com mantos ou capas que lhes envolvem os ombros e a cabeça (...).(04) Ensina Léon Denis, em Depois da Morte, que a veste fluídica denuncia a superioridade do Espírito; e como um invólucro formado pelos méritos e qualidades adquiridas na sucessão de

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suas existências. Opaca e sombria na alma inferior, seu alvor aumenta de acordo com os progressos realizados e torna-se cada vez mais pura. Brilhante no Espírito elevado, ofusca nas almas superiores (...)." (07~;' TEXTO E EXERCÍCIO Muitas dessas entidades, porem, se debruçam sobre o nosso ombro e lêem conosco, interessadas, naquilo que estudamos, o que testemunha ser a vida espiritual simples como a nossa própria vida, a continuação desta, tão somente. Temos observado que algumas de tais entidades colocam os óculos a que estavam habituadas, quando encarnadas, para lerem melhor, conosco... Geralmente são, como ficou dito, leituras escolhidas as que fazemos, ou do Evangelho, que projetem com vigor a personalidade e os feitos do Cristo, ou de obras espíritas que melhor toquem o coração. Assim sendo, esses pequeninos e sofredores se afeiçoam ao médium que os ajudou nos dias difíceis e se tornam amigos fervorosos para todo o sempre, estabelecendo-se, então, indissolúveis elos de fraternidade Há cerca de um ano, pela madrugada, estando nós ainda desperta, apresentou-se à nossa visão um Espirito cujo decesso carnal se teria dado entre os seus trinta e oito ou quarenta anos de idade. Trajava-se pobremente, com terno azul - marinho, já usado, camisa branca também bastante usada, gravata preta, atada com certo desleixo. Esquálido e abatido, infinitamente triste. Mas já resignado à própria condição, colocou a mão sobre a nossa, num gesto fraterno, e disse: —Venho agradecer-lhe os votos feitos, em minha intenção, à bondade de Deus,.. buas preces me auxiliaram tanto que até minha família, que deixei na Terra, foi beneficiada... Chamo-me Joaquim.., e meu nome está no registro do meu caderno de apontamentos... Constatávamos, então, que esse visitante fora suicida.. e, materializado, pudemos observar que havia tem em sua indumentária, isto é, impressões da porção de terra em que fora sepultado, assim como sua mente permanecia afeita ao vestuário que habitualmente usava quando vivo, e com o qual fora também para a sepultura. Como, efetivamente, possuímos um caderno onde registramos nomes de suicidas e pessoas falecidas em geral, conhecidos ou colhidos dos noticiários dos jornais, procuramos verificar se realmente existia nos ditos apontamentos aquele singelo nome. E encontramos, de fato, entre os suicidas, um Joaquim Pires; tratava-se, portanto, de um dos destacados dos noticiários dos jornais, recomendado para as preces e as leituras diárias. E estamos certa de que será um bom amigo, cuja afeição nos acompanhará pelo futuro afora... . Ate o momento presente, os Espíritos mais bem "trajados", e mais belos que tivemos ocasião de observar através de materializações, durante a vigília e também no mundo invisível, por ocasião do desdobramento do corpo astral, foram os que passamos a citar. A entidade que se denominava Charles, martirizado por amor ao Evangelho no século XVI, na França, durante a célebre matança de S. Bartolomeu, comumente se deixa ver em trajes de iniciado hindu, tendose mostrado, uma única vez, em trajes de príncipe indiano, visto que no século XVII foi soberano na Índia. Frederico Chopin, que já variou a indumentária quatro vezes em suas aparições, deixando-se perceber, em duas delas, apuradamente trajado à moda da sua época (reinado de Luiz Filipe, na França), mas todo envolto como num luar azul translúcido, como neblina. Vítor Hugo, a quem só podemos distinguir o busto, também envolto em neblinas lucilantes, argênteas, com reflexos azuis pronunciados, sem que pudéssemos destacar o "feitio". dos trajes. A falange de iniciados hindus, de que somos pupila espiritual, com todos os seus Integrantes esforçando-se por serem contemplados em seu "uniforme " característico, as gemas do anel e do turbante inclusive, envoltos em neblinas lucilantes, com reflexos azuis. Lázaro Zamenhof, o criador do Esperanto, vaporoso mas muito humanizado em seu terno do século XX, circundado de um halo como que formado de ondas concêntricas, que indicaria o elevado trabalho intelectual (detalhe também observado em Vítor Hugo), e esbatida a sua configuração perispiritual por um jacto de luz radiosa, verde-claro, igualmente de forma concêntrica. E, finalmente, um vulto muito nobre, observado no ano de 1930, cuja identidade ignoramos, mas a quem denominamos Anjo Guerreiro, pelas particularidades do quadro em que se deixou contemplar. Acreditamos, porem, tratar-se de algum integrante da legião protetora do Brasil, ou do movimento espírita do Brasil. O certo era que trajava uma túnica grega, curta, atada por um cinto dourado; um diadema discreto, um simples friso de ouro, à cabeça, e guiando uma biga romana como que construída de alabastro. Com a destra, empunhava as rédeas, sem que, todavia, aparecessem os cavalos, e, com a sinistra, uma flâmula de grandes dimensões, alvinitente, onde se lia "Salve, Brasil imortal! ‘" Estampava-se visivelmente, nessa entidade, assim materializada, o tipo oriental, o árabe,

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evocando também o tipo brasileiro muito conhecido no Estado de Goiás. Era jovem, belo e sorridente, e um luzeiro cor-de-rosa envolvia-o, espraiando-se em torno e se estendendo longamente sobre uma multidão que cantava hosanas e empunhava pequenas flâmulas, multidão que seguia em cortejo atrais da biga. Não nos estenderemos em particularidades quanto a essa visão, por não Julga-la interessante para estas páginas. No entanto, Jamais fomos informada da identidade de tão formoso Espírito, Acrescentaremos, apenas, que sua aparição assinalou etapa definitiva em nossa vida e em nossos labores espiritas. Comumente, os Espíritos se nos apresentam trajados conforme o fizeram durante a existência carnal: os homens, com terno que habitualmente usavam, acentuando este ou aquele detalhe que melhor os identifique; as mulheres, com vestidos que, igualmente, de preferencia usavam. Mais raramente, alguns se deixam ver com a indumentária com que foram sepultados, e ainda outros com os trajes que desejariam possuir, mas que não chegaram a usar. Dois meses após o falecimento de nossa mãe, nós e mais três pessoas da família vimo-la, assistindo a uma reunião de preces em sua intenção, trajando um costume de gabardine azul-marinho, com um "cachecol" de seda quadriculada branca e preta, vestes por ela preferidas para as viagens que fazia em visita aos filhos, nos últimos meses que viveu. Uma tia nossa, a Sra. C. A. S., falecida no interior do Estado de São Paulo, em 1950, cerca de vinte dias após o trespasse apresentase à nossa visão , no Rio de Janeiro, dizendo ter vindo visitar-nos, pois se sentia saudosa. Vestia um costume preto, e um véu de rendas negras cobria-lhe inteiramente o corpo, partindo da cabeça e atingindo os pés. Sua configuração perispiritual, como vemos, era chocante. O véu incomodava-a horrivelmente e ela se debatia, aflita e Irritada, tentando em vão retira-lo de si. Agradecemos-lhe a visita e o interesse pela solidão em que vivíamos, pois, na ocasião, asseverou-nos encontrar-se penalizada ante as provações com que nos debatíamos, e convidamo-la a orar, a fim de se poder libertar daquele incomodativo manto , sem que , no entanto, nos fosse possível compreender o que poderia causar semelhante fenômeno. Cerca de um mês mais tarde, porém, soubemos, por pessoa da família presente ao seu funeral, que nossa tia fora sepultada com um costume azul-marinho escuro e um véu de rendas negras cobrindo-lhe o rosto e o corpo, exatamente a mantilha, tipo espanhol, que usava ao assistir a missas e tomar a comunhão, como católica que fora. Uma filha do espiritista Sr. Antônio Augusto dos Santos, residente em Belo Horizonte, três dias após a morte de sua irmã Elizabete, :menina de catorze anos de idade, viu-a, pela madrugada, no seu próprio quarto de dormir, pairando no ar e trajando um suntuoso vestido de baile, tipo "Imperatriz Eugenia ". Tão feérica a luz que a circundava que, clareando todo o aposento, permitiu à vidente observar detalhes, tais como o desenho das rendas que ornavam o vestido, babados, fitas, flores, etc. Assevera a jovem vidente que o vestido era salpicado de pequenas pérolas, como gotas de orvalho, detalhe por nos também observado em duas das quatro indumentárias perispirituais apresentadas pela entidade Frederico Chopin. Porque seja inspirada e futurosa pintora, a filha do Sr. Antônio dos Santos, no dia seguinte, desenhou, com minúcias, a visão que tivera pela madrugada, dando a ver os detalhes do vestido que a menina morta absolutamente não possuíra quando viva. Semelhante materialização, espontânea e inesperada, teve o dom de reanimar e consolar os desolados pais da jovem falecida, que se mantinham sucumbidos ante a acerba provação. Referir-nos-emos ainda ao mesmo fato, em capítulo posterior. De outro modo, Espíritos plenamente espiritualizados, como Adolfo Bezerra de .Menezes e Bittencourt Sampaio, foram por nos distinguidos envergando longa túnica vaporosa, nívea, cintilante, levemente esbatida de azul. O primeiro costuma deixar-se ver, também, trajando avental de médico, com barrete, ao passo que o segundo, isto é, Bittencourt`, a quem uma única vez vimos, em dia de grande provação, há muitos anos, talvez pela sua qualidade de "poeta do Evangelho"., trazia uma coroa de louros, ou de mirto ou carvalho, como os antigos intelectuais gregos e latinos. Apôs a leitura do texto, responda as seguintes questões: 01. Como justificar a porção de terra existente sobre a indumentária, do Espírito. Joaquim Pires citado no texto? 02. Relatar o tipo de vestimenta dos Espíritos citados no texto. 03. Certos Espíritos apresentam-se vestidos de roupas ou acessórios que os incomodam sem que deles possam se despojar. Justifique a causa desse fenômeno. 04. Pelo que foi ouvido na exposição introdutória pelo que foi lido, responda; :Os trajes dos Espíritos são criações conscientes ou inconscientes deles? 05. Explique a resposta anterior. (*) PEREIRA, Yvone A. Devassando o Invisível. 4 ed. Rio de Janeiro. FEB, 1978, p. 51-55 .~.

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TEXTO E EXERCÍCIO PARA O GRUPO 02 Teríamos que responder, visto que o dever de um médium é revelar com sinceridade, com a consciência voltada para Deus, o realismo do mundo invisível. — Sim, há Espíritos desencarnados, aqueles que foram homens ou mulheres de baixa condição moral, que se arrastaram em existências consagradas aos excessos carnais, à devassidão dos costumes, que podem, com efeito, aparecer desnudos aos médiuns, revelando mesmo em cenas degradantes, que Ihes foram habituais no estado humano, a degradação mental em que ainda permanecem. E o vidente, cujo compromisso é exatamente esse de se tornar Intermediário entre os dois planos da Vida há de contemplar e revelar, embora estarrecido e contrafeito, o realismo que seus instrutores espirituais Ihe permitem surpreender no Além - Túmulo, para satisfazer aqueles que desejarem informações sobre o palpitante assunto. Todavia, o comum é se apresentarem os desencarnados sob as aparências que mais Ihes agradem. Os fatos mais antigos ai estão, espalhados pelos séculos, atestando que, seja de fluido cósmico universal, de éter sublimado ou de fluido espiritual, de matérias quintessenciadas, de gases ou de vaporizações, ou simplesmente como decorrência de força mental projetada sobre as fibras supersensíveis do perispírito, o certo é que a maioria dos habitantes do Além se deixa ver com roupagens que variam do belo esplendoroso ao miserável e ao horrível. Também os médiuns espiritas supunham que os desencarnados não se vestissem. Mas, diante do que a sua própria visão constata, que deverão eles afirmar senão o que Ihes dão a ver do mundo invisível ? Isto é, que vêem os Espíritos "trajados " de vários modelos, e que isso é o comum no plano espiritual? E, por vezes, até muito artística e suntuosamente trajados ? Lembremo-nos, então, da admirável resposta de Joana d'Arc aos seus juízes, tratando de São Miguel, compreendendo que ela, há cinco séculos, não ignorava o que hoje a Doutrina Espírita expõe: — Pensas que Deus não tem com que vesti-lo?... Ou seja: — Sim! Os Espíritos podem vestir-se, servindo-se dos ricos elementos esparsos pelo Universo, aos quais acionam voluntária ou insensivelmente, valendo-se das forças do pensamento e da própria vontade! Ora, de tudo o que acabamos de observar, e atentos ao que expõem Allan Kardec, Léon Denis, Ernesto Bozzano, William Crookes, e outros, bem ao que os próprios desencarnados são incansáveis em confirmar, extrairemos as seguintes deduções: 1º — Que a mente do Espirito desencarnado cria para sua configuração individual a indumentária que deseja, valendo-se da própria vontade, segundo o próprio gosto artístico, a necessidade, a singeleza dos hábitos, a humildade do caráter e o grau de elevação moralmental-espiritual, pois o Espírito possui liberdade e aptidões naturais para assim se conduzir. 2º — Que a mente do desencarnado também poderá evocar os hábitos e usos passados, conservar as imagens dos trajes que preferiu, mesmo em existência remota, e imprimi-las na sensibilidade plástica do perispírito, e assim se apresentar aos seus iguais de Além-Túmulo, como aos médiuns, em materializações espontâneas e individuais, ou provocadas para visão coletiva. 3º — Que o Espírito do recém desencarnado poderá padecer o fenômeno de repercussão vibratória dos acontecimentos verificados no corpo carnal, durante a crise do lento desligamento das energias fluídicas que o prendiam àquele, por ocasião do desenlace, sobressaindo no dito fenômeno o detalhe assaz impressionante da natureza da indumentária com a qual o sepultaram, fenômeno este, no entanto, geralmente ocorrido com as entidades muito arraigadas à matéria. 4º — Que o perispírito, cujas essências e propriedades são impressionáveis e, portanto, amoldáveis à ação plástica do pensamento, com uma sutileza indescritível; sendo expansível e contrátil; e exercendo a energia mental, sobre as mesmas propriedades, uma ascendência irresistível, dá-lhe aquela forma que desejar ou que puder, mesmo inconscientemente, mesmo à sua revelia, pois que esse poder mental é natural no ser psíquico, um atributo do Espírito, ainda que este o ignore, tal como a inspiração e a expiração são atributos irresistíveis e quase imperceptíveis da organização físico-material. 5º — Que, possuindo propriedades plásticas tão sutis e melindrosas, e sendo o Espírito arraigado à matéria, não obstante já desencarnado, repercutirão, por isso mesmo, em sua mente, ou no seu perispírito, as impressões mais fortes, ou acontecimentos, que afetem o próprio cadáver, dado que poderosas, transcendentes atrações magnéticas ligam ao corpo carnal o ser espiritual], para a boa marcha da encarnação terrestre, e que, em muitos casos, tais afinidades se prolongam por algum tempo ainda após a morte do envoltório carnal, e até

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mesmo após a sua total decomposição. 6º — Finalmente, que, a par de tal fenomenologia da mente e da vontade, existem no mundo espiritual elementos, fluidos, essências, gases, energias, matérias mui transcendentais, desconhecidas dos homens e das entidades inferiores e medíocres, as quais, acionadas pela vontade do desencarnado de elevada categoria moral-intelectual, se poderão transfundir em formosas aparências de indumentárias variadas, que ao vidente pareceriam muito concretas ( como realmente o são para o mundo espiritual) , estruturadas em ralos luminosos ou em vaporizações cintilantes. 0s homens, por sua vez, não se trajam, igualmente, com os produtos da própria mente? Porventura a lavoura do linho e do algodão, como a produção da seda; a maquinaria a das fábricas que tecem os seus fios, transformando-os em vistosos brocados e rendas custosas, não foram antes criações mentais para, em seguida, se concretizarem em vestuários ricos a suntuosos ? Quando o homem deseja alindar-se, não é a sua mente a primeira a criar aquilo que ele desejou, para depois ele próprio concretizar esse desejo, na matéria de que dispõe no plano terreno?... E o Universo Infinito, concreto, estável, eterno, não é o produto da Mente Divina? E não herda a Humanidade, do seu Criador, parcelas da Sua Superioridade ?... Trabalhemos, pois, e vigiemos, para que um dia os produtos da nossa forca mental nos possam glorificar em Vestes de luz, na realidade da vida espiritual... 02 Texto: xerocar da pagina 57 (1° parágrafo) a 60, do livro Devassando o Invisível. Após a leitura do texto, responda as seguintes questões: 01. Como se apresentam vestidos os Espíritos de baixa condição moral 02. Em que situações os Espíritos podem apresentar-se nus? 03. De sua opinião sobre as deduções a que a autora do texto chegou acerca da vestimenta dos Espíritos? (*) PEREIRA, Yvonne A. Devassando o invisível. 4 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978. P. 57 - 60

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2ª Unidade Intervenção dos Espíritos no mundocorporal
07 - Influência oculta dos Espíritos em nossos pensamentos e atos. Telepatia e pressentimentos.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS analisar a influência oculta dos Espíritos em nossos pensamentos e atos. Conceituar e exemplificar telepatia e pressentimentos. IDÉIAS PRINCIPAIS. Os Espíritos influem tanto em nossos pensamentos que, de ordinário, soa eles que nos dirigem. (01) "(...)Há, entre os Espíritos que se encontram, uma comunicação de pensamento, que dá causa a que duas pessoas se vejam e compreendam sem precisarem dos sinais ostensivos da linguagem. Poder-se-ia dizer que falam entre si a linguagem dos Espíritos." (03) Pressentimento "é o conselho intimo e oculto de um Espirito que nos quer bem. Também está na intuição da escolha que se haja feito. É a voz do instinto. Antes de encarnar, tem o Espirito conhecimento das fases principais de sua existência, isto é, do gênero das provas a que se submete. Tendo estas caráter assinalado, ele conserva, no seu foro íntimo, uma espécie de impressão de tais provas e esta impressão, que é a voz do instinto, fazendo-se ouvir quando lhe chega o momento de sofrê-las, se torna pressentimento." (02) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01. KARDEC, Allan. Influências oculta dos Espíritos em nossos pensamentos e atos. In: -. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 198`. questão 459. p. 246. 02. Op. cit., questão 522, p. 266-267 03. Op. cit., questão 421, p. 230. 04. Da Influência do meio. In:. O Livro dos Médiuns. Trad. de Guillon Ribeiro. 41 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979. item 232. 05. Op. cit., Dos médiuns escreventes e psicógrafos, item 184. COMPLEMENTARES 06. GELEY, Gustave. Fatos Obscuros de Psicologia Anormal - Ações de Pensamento a Pensamento. in:- . ~ Ser Subconsciente. Trad. de Gilberto Campista Guarino. Rio de Janeiro, FEB, 1975. p. 109. 07. Op. cit., p. 109-110. 08. Op. cit., p. 111. 09. PAULA, João Teixeira de. Telepatia. In: -. Dicionário Enciclopédico Ilustrado. Espiritismo, Metapsíquica, Parapsicologia, 3. ed. Porto Alegre, Editora Bels, 1976. p. 257. 10. Op. cit., p. 258. 11. DENIS, Léon. Desprendimento e exteriorização. Projeções telepáticas. In: -. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. 11. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979 , p. 91. 12. FLAMMARION, Camille. As Manifestações Telepáticas de Agonizantes e as Aparições. In:--. O Desconhecido e os Problemas Psíquicos. Trad. de Arnaldo do São Tiago. 3. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979. v. 1, p. 111-112. 13. Ação Psíquica de um Espirito Sobre o Outro. In: -. O Desconhecido e os Problemas Psíquicos. Trad. . de Arnaldo do São Tiago. 3. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980. v.2, p. 38/39. 14. Op. cit., p.47 Os Espíritos exercem tamanha influencia sobre os nossos pensamentos e atos que amiúde somos por eles dirigidos. (01) Isto se da porque os Espíritos povoam os mesmos espaços em que vivemos, acompanhamnos em nossas atividades e ocupações, vão conosco aos lugares que freqüentamos "(...) intervindo em nossas reuniões, seguindo-nos ou evitando-nos, conforme os atraímos ou repelimos (...)"~(04) Estamos cercados por Espíritos, independentemente de sermos ou não

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médiuns produtivos, e a sua influência oculta sobre os nossos pensamentos e atos se faz sentir pelo grau de afinidade que mantivermos com eles. Nessa convivência entre encarnados e desencarnados, a influencia às vezes e tão sutil que não conseguimos estabelecer uma separação entre o que nos e próprio e o que e dos Espíritos. Portanto, entre as nossas idéias e imagens mentais podem estar disseminadas idéias e desejos de outros Espíritos, sem que disto nos apercebamos. Analisando a influência dos Espíritos sobre os nossos pensamentos e atos, passamos a entender melhor o fenômeno vulgarmente denominado telepatia. "A telepatia consiste essencialmente na ocorrência de uma impressão psíquica intensa, que se manifesta em geral inopinadamente, numa pessoa normal, seja durante o estado de vigília, seja durante o sono, impressão que - como se observa - está acorde com um acontecimento desenrolado a distância (...)" (06) A telepatia e a transmissão do pensamento de um ser para outro. "(...) Há, entre os Espíritos que se encontram uma comunicação de pensamento , que dá causa a que duas pessoas se vejam e compreendam sem precisarem dos sinais ostensivos da linguagem. Poder-se-ia dizer que falam entre si a linguagem dos Espíritos." (03) No fenômeno de telepatia sempre ha alguém que é mais apto para transmitir o pensamento, como existe outro com mais predisposição para ser receptor. "(...) O estudo da telepatia data dos anos de 1825 quando, na Franca, se fizeram as primeiras experiências magnéticas (...) Foi (;..), só muito mais tarde, que se encarou a telepatia com seriedade científica (. . . ) ." (09) "(...) O termo Telepatia foi proposto por Frederic Myers em 1882 e adotado nos trabalhos da "Society Psichical Research ". Myers assim o definiu: "Entendo por telepatia a transmissão do pensamento e das sensações feita pelo Espírito de um indivíduo sobre outro sem que seja pronunciada uma palavra, escrito um vocábulo ou feito um sinal. "(10) "(...) A telepatia, ou projeção à distancia do pensamento e mesmo da imagem do manifestante, faz-nos subir mais um degrau na escala da vida psíquica. Aqui, achamo-nos na presença de um ato poderoso da vontade. (...) As manifestações telepáticas não comportam limites. O poder e a independência da alma nelas se revelam soberanamente, porque o corpo nenhum papel representa no fenômeno. ~ mais um obstáculo do que um auxilio. Produzem-se, por este motivo, ainda com maior intensidade, depois da morte (...)." (11) "(...) A telepatia pode ser expontânea ou experimental. a) Telepatia expontânea - subdivide-se em: 1 Relativa a um acontecimento futuro iminente - Casos de pressentimentos, premonições, visões premonitórias, e aparições de moribundos. I 2. Relativa ao presente ou a um passado recente - casos de visões nítidas ou adivinhação de acontecimentos afastados (no estado normal ) . Casos de aparições de moribundos (...). Casos de aparições de vivos (...). Com freqüência, o fenômeno diz respeito a uma pessoa unida ao percipiente por laços de afeição mais ou me nos fortes (...)." (07) b) Telepatia experimental - Esses casos, (...) traduzem uma impressão psíquica produzida à distancia sobre uma pessoa; e isso por outra pessoa, e simplesmente pela ação e forca da vontade (...). É, de qualquer modo, imperioso reconhecer que a telepatia experimental encontra-se longe de ser estabelecida de modo tão nítido quanto a espontânea (...)." (08) Abordaremos agora um outro tipo de influência dos Espíritos em nossos pensamentos e atos: O pressentimento. "O pressentimento é uma intuição vaga das coisas futuras. Algumas pessoas têm essa faculdade mais ou menos desenvolvida. Pode ser devida a uma espécie de dupla vista, que lhos permite entrever as conseqüências das coisas atuais e a filiação dos acontecimentos. Mas, muitas vezes, também é resultado de comunicações ocultas e, sobretudo neste caso, e que se pode dar aos que dela são dotados o nome de médiuns de pressentimentos, que constituem uma variedade dos médiuns inspirados " (05) Nota-se que neste último caso, ou seja, o pressentimento como conseqüência de uma comunicação oculta, quem geralmente se comunica é um Espirito amigo e bondoso. É, no dizer dos Espíritos Superiores, "(...) o conselho intimo e oculto de um Espirito que vos quer bem (...)." (02) Existem inúmeros exemplos de telepatia e de pressentimento na literatura espírita. Relataremos resumidamente alguns, escolhidos ao acaso:

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" ( .... ) 'Minha mãe tinha dois tios clérigos: um era missionário na China, o outro, cura na Bretanha; tinham uma irmã, já de idade avançada, residente nos Voges. Um dia esta pessoa estava ocupada em sua cozinha a preparar o repasto da família, quando se abriu a porta, e ela viu no limiar seu irmão missionário de que estava há longos anos separada: —E' o irmão Francisco! —gritou ela e correu pira ele a fim de abraça-lo; mas, no instante em que chegava perto dele. não o viu mais, o que lhe causou um grande medo. No mesmo dia à mesma hora, o segundo irmão, que era cura na Bretanha, lia seu breviário, quando ouviu a voz do irmão Francisco que Ihe dizia: —Meu irmão, vou morrer. Depois, ao cabo de um momento: —Meu irmão, eu morro. E enfim, alguns minutos depois —Meu irmão, morri. Alguns meses mais tarde, receberam eles a noticia da morte do missionário, verificada no mesmo dia em que tinham recebido tão estranhos avisos m, (12) Este é um exemplo de comunicação telepática espontânea dada por um moribundo. Eis um caso de telepatia experimental, em que uma moça chamada Maria é magnetizada (hipnotizada) e passa a agir conforme as ordens do seu magnetizador "(..)Quando despertardes, ireis procurar um copo, nele derramareis algumas gotas de água de Colônia, trazendo-mo em seguida." Ao despertar, ela se acha visivelmente preocupada, não pode estar parada e vem por fim colocar-se a minha frente e me diz: —Ora pois ! em que pensais ? e que idéia pusestes em minha cabeça! —Por que me falais assim? —Porque a idéia que tenho uso pode provir senão de vós, e eu não quero obedecer! —Não obedeçais, se assim o quiserdes; mas exijo que me digais imediatamente o que pensais ! —Muito bem! cumpre-me ir buscar um. copo, enche-lo d'água, com algumas gotas d’água de Colônia e trazer-vo-lo: é realmente ridículo! A minha ordem havia sido, pois, perfeitamente compreendida ..." (13) -~ O pressentimento pode manifestar-se através de uma vaga lembrança, que o Espírito tem de provas ou acontecimentos a que deverá submeter-se; pode, no entanto, ser produto da comunicação de um Espirito amigo. Pressentir hora da desencarnação, por exemplo, tem sido uma ocorrência ate certo ponto comum em muitas pessoas. E alguns pressentem sua desencarnação, porque foram avisados por parentes ou amigos em sonhos; em outros, porém, a convicção se dá sem que saibam explicar o porquê. ' Existem inúmeros outros pressentimentos ocorridos no dia-a-dia do encarnado. Relataremos apenas um exemplo extraído da obra "O Desconhecido e os Problemas Psíquicos, volume II, de Camille Flammarion; (...) Tive, (...) um dia, certo pressentimento ... Dirigindo-me, certa manhã, para o Hospital Lariboisière, de que eu era externo, tive por um momento a idéia do que ia encontrar, na porta do hospital, o Sr. P.?., que só uma vez tivera ocasião de ver, oito meses antes, em uma casa amiga e que, desde essa data, jamais voltara a ocupar meu pensamento (,,, ) . Não mo enganara de todo: à porta do hospital encontrei o Sr. P., que vinha com a Intenção de visitar, não o cirurgião em apreço, mas o chefe da serviço de obstetrícia (...). G. Mesley Estudante de Medicina, rue de L’Entrepôt, 27" (14)

08 - Influência dos Espíritos nos acontecimentos da vida.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Explicar porque a influência dos Espíritos nos acontecimentos da vida nada tem de sobrenatural. Analisar a natureza de tais influencias.

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IDÉIAS PRINCIPAIS. "Uma vez que estão no quadro dos da Natureza, os fenômenos espíritas se hão produzido em todos os tempos; mas, precisamente, porque não podiam ser estudados pelos meios materiais de que dispõe a ciência vulgar, permaneceram muito mais tempo do que os outros no domínio do sobrenatural, donde o Espiritismo agora os tira. (...)" (02) "Os fenômenos espíritas consistem nos diferentes modos de manifestação da alma ou Espírito (...). ~ pelas manifestações que produz que a alma revela sua existência, sua sobrevivência e sua individualidade; julga-se dela pelos seus efeitos; sendo natural a causa, o efeito também o e. (...)" (O3) Os bons Espíritos exercem influencias nos acontecimentos da vida através de. conselhos, agindo diretamente sobre o cumprimento das coisas, "(...) provocando, por exemplo, o encontro de duas pessoas, que suporão encontrar-se por acaso; inspirando a alguém a idéia de passar por determinado lugar; chamando-lhe a atenção para certo ponto (...)' (04) Essas ações dos bons Espíritos sempre visam ~o bem. Os Espíritos levianos e zombeteiros, "(...) Eles se comprazem em vos causar aborrecimentos que representam para vós provas destinadas a exercitar a vossa paciência (...)" (05) "(...) A experiência demonstra que alguns Espíritos continuam em outra existência a exercer vinganças que vinham tomando e que assim, cedo ou tarde, o homem paga o mal que tenha feito a outrem. (...)" (06) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01. KARDEC, Allan. Caracteres dos Milagres. - O Espiritismo Não faz Milagres. In: -. A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. item 6, p. 262. 02. Op. cit., item 8, p. 263. 03. Op. cit., item 9, p. 264. 04. -. O Limbo dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Questão 525, p. 268. 05. Op. cit., questão 530, p. 269-270. 06. Op. cit., questão 531, p. 27O. 07. Op. cit., questão 532, p. 270-271. COMPLEMENTAR ES 08. MARTINS PERALVA. Benfeitores. In: O Pensamento de Emmanuel. 2 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978. p.150. 09. -. Sintonia. In: - . O Pensamento de Emmanuel. 2. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978. p. 233. 10. XAVIER, Francisco Cândido. Sintonia. In: -. Roteiro. Ditado polo Espirito Emmanuel. 4. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978. p. 119. INTERVENÇÕES DOS ESPÍRITOS NOS ACONTECIMENTOS DA VIDA "(.,,) Imaginamos erradamente que aos Espíritos só caiba manifestar sua ações por fenômenos extraordinários. Quiséramos que nos viessem auxiliar por meio de milagres e os figuramos sempre armados de uma varinha mágica. Por não ser assim é que oculta nos parece a intervenção que têm nas coisas deste mundo e multo natural o que se executa com o concurso deles. Assim é que, provocando, por exemplo, o encontro de duas pessoas, que suporão encontrar-se por acaso; Inspirando a alguma idéia de passar por determinado lugar; chamando-lhe a atenção para certo ponto, se disso resulta o que tenham em vista, eles obram de tal maneira que o homem crente de que obedece a um impulso próprio, conserva sempre o seu livrearbítrio '' (04) Os Espíritos exercem influência sobre os encarnados quer aconselhando-os quer agindo diretamente sobre os acontecimentos da vida, porem "(...) nunca atuam fora das leis da Natureza (...)." (04) " Já não sendo o mesmo que no estado de encarnação o meio em que atuam os Espíritos e os modos por que atuam, diferentes são os efeitos, que parecem sobrenaturais unicamente porque se produzem com o auxilio de agentes que não são os de que nos servimos Desde, porém, que esses agentes estão na Natureza e as manifestações se dão em virtude de certas leis, nada há de sobrenatural, ou de maravilhoso. (...)(01) "(. . .) Uma vez que estão no quadro dos da Natureza, os fenômenos espíritas se hão produzido em todos os tempos; mas, precisamente, porque não podiam ser estudados pelos meios materiais de que dispõe a ciência vulgar, permaneceram muito mais tempo do que

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outros no domínio do sobrenatural, donde o Espiritismo agora os tira.(...) "(02) "(...) Os fenômenos espiritas consistem nos diferentes modos. de manifestação da alma ou Espirito, quer durante a encarnação, quer no estado de erraticidade. É pelas manifestações que produz que a alma revela sua existência, sua sobrevivência e sua individualidade; " julgase dela pelos seus efeitos; sendo natural a causa, o efeito também o é. (...)" (03) A influência, dos Espíritos nos acontecimentos da vida pode ser boa e má. Os Espíritos Superiores só fazem o bem. Os Espíritos levianos e zombeteiros se comprazem em causar aborrecimentos, os quais devem ser entendidos como provas para a nossa paciência. Os Espíritos imperfeitos, incapazes de perdoar qualquer mal que lhe tenham feito, continuam, após a desencarnação "(...) a exercer as vinganças que vinham tomando (...)' (06); esta aí a causa de muitas obsessões tão conhecidas no meio espirita. "(...) Aprende-se em Espiritismo que, embora a nossa disposição constitua substancial fator no sentido de neutralização da influência que os adversários dos dois planos nos movem, a intercessão benfeitora e indiscutível, real e valiosíssima no trabalho de anulação das forças desequilibradas e perturbadoras que rondam e ameaçam quantos se proponham a crescer em espirito (...)." (08) "(...) Espíritos benfazejos procuram inspirar-nos para o Bem. Espíritos inferiorizados buscam induzir-nos ao Mal (...). Os primeiros, cumprem missão renovadora, junto à Humanidade (...). São Missionários do Amor. Os segundos, influenciam em sentido contrário Na indução para mal, não - cumprem missão (...), São os instrumentos da sombra (...)".(09) É conveniente ressaltar, porem, que a maioria dos males que nos acontecem dependem de nós mesmos evitá-los, quando menos, atenuá-los. Isto porque Deus nos deu inteligência para dela nos servirmos e através dela obter o auxilio dos Espíritos Superiores. (07) Para que um Espirito, bom ou mau, influencie e interfira nos acontecimentos da vida, foi preciso ter havido sintonia com ele. E "as bases de todos os serviços de intercâmbio, entre os desencarnados e encarnados, repousam na mente, não obstante as possibilidades de fenômenos naturais, no campo da matéria densa, levados a efeito por entidades menos evoluídas ou extremamente consagradas à caridade sacrificial ( )." (10) ANEXO TEXTO PARA ESTUDO EM GRUPO André Luiz nos relata em E a Vida Continua... as dores e alegrias de dois personagens da obra, Evelina Serpa e Ernesto Fantini, que retornam, como Espíritos desencarnados, ao reduto familiar deixado na Terra. A visita desses Espíritos aos familiares, após dois anos de morte física é caracterizado por um doloroso drama humano quando Evelina revê o marido - Caio Serpa - em comunhão afetiva com Vera Celina, a mesma jovem que o afastara dos deveres conjugais, antes mesmo da sua desencarnação. O drama de Evelina é maior quando percebe que a jovem que se interpôs entre ela e o marido e a filha querida do fiel amigo Ernesto Fantini. Mais tarde, numa demonstração de renuncia e sublimação do amor pelo marido deixado na Terra, Evelina o influencia espiritualmente, a fim de que ele, Caio Serpa, ampare a jovem, casando-se com ela. O fato a seguir, se passa num cemitério por ocasião da morte física de Elisa Fantini, a genitora de Vera Celina: Não podia perceber que Evelina, em espírito, ali estava, rente a ele, diligenciando acordá-lo para a verdade. - Caio, que fazes da vida ? - Ela perguntou, docemente. O advogado não registrou a indagação com os tímpanos corpóreos, mas ouviu-a na acústica da alma e julgou monologar: " Caio, que fazes da vida ?! "Repetiu, inconscientemente, as palavras da companheira desencarnada, no ádito da própria consciência, e passou a considerar que o tempo fugia sem que se desse conta de si mesmo... Em que valores permutara o patrimônio das horas? Em que recursos convertia a saúde e o dinheiro ? que bênçãos já teria espalhado com o título acadêmico que ostentava ? Na condição de amigo, exterminara um companheiro, na posição de esposo, não tivera coragem de ser bom para a mulher, quando sitiada pela doença ! O olhar se lhe esbarrou, sem querer, no ritual do sepultamento de Elisa e inquiriu, de si mesmo, o que teria representado para a morta... Sinceramente, não se sentia bem consigo próprio,

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realinhando na imaginação a impaciência e a dureza com que sempre a tratara, preocupado em arrebatar-lhe a ternura da filha... Avaliando as péssimas notas que a consciência, embora de longe . fixou Vera, a esquadrinharlhe o íntimo, através do semblante. - Caio - assoprou-lhe Evelina aos ouvidos da alma - , pense nos teus compromissos... É tempo de legalizar a situação da jovem que se entregou a ti sem qualquer restrição... Convencido de que conversara de si para consigo, Serpa reproduziu a interpelação, no campo mental. Em silêncio, sem perceber que a esposa desencarnada lhe colhia as respostas. Supondo desenvolver tão somente um processo de autocrítica, monologou sem palavras: " legalizar a situação com Vera ? casar-me? Porque ? ". Sim, aprovava, prometera-lhe matrimônio, mas não se resignava a aceitar a medida sem maior observação. Já fora homem preso a obrigações de marido e não se propunha a retomar a afeição recheada a constrangimentos. Alem disso, matutava, dava-se por homem robustecido na experiência do mundo. Escutara em sociedade muitas referencias desprimorosas, ao redor da filha de Elisa, que não a recomendavam para esposa. De rapazes diversos, obtivera apontamentos que Ihe enodoavam a ficha de mulher. Porque entregar seu nome a uma criatura tida por inconstante ? — Caio, quem és tu para julgar? A interrogação de Evelina percutiu na alma dele em forma de idéia fulgurante que o enterneceu e assustou... E qual se pensasse em voz alta, a falar espiritualmente para si próprio, recebia novas exortações, semelhando impactos da verdade a Ihe atingirem o ádito do próprio ser: — Caio, quem és tu para Julgar ? não és igualmente de ti mesmo, alguém onerado com débitos escabrosos perante a Lei ? a que título, condenar sumariamente uma Jovem, prejudicada pelos enganos da sua condição de menina moralmente desamparada?!. . . Na base das advertência que Ihe eram endereçadas, prosseguia indagando-se... Seria justo abusar dela agora que se via praticamente só no mundo? se a desprezasse, para onde iria ? E quem era ele, Caio Serpa, senão um homem no rumo da madureza, reclamando a dedicação de alguém para que o comboio da vida se não Ihe descarrilasse ? Conhecia ele toda a escala dos prazeres físicos e que lucrara finalmente com isso, se levava toda manifestação afetiva para o terreno da Irresponsabilidade e do abuso ? que recolhera senão cansaço e desilusão das noitadas barulhentas. cheias de vozes e vazias de sentido? até ali, que lembrasse, nunca ajudara a ninguém. Sabia ser afável até o ponto em que as circunstancias não o descontentassem. Bastava porém, um ponto, um leve ponto a contrariá-lo, em quaisquer acontecimentos, para que se internasse nessa ou naquela escapatória no claro intuito de não se incomodar. Não teria chegado o momento de auxiliar a outrem, agir a favor de alguém? De começo, empenhado à conquista , cumulara Vera de gentilezas. carinhos. Enredara-lhe as atenções. Depois, o fastio daqueles que não mais sabem amar, quando a chama do desejo se Ihes extingue na candeia da forma. Entretanto, não lhe era licito negar que a moça Ihe dera os mais altos testemunhos de confiança. Vera Celina se Ihe entregara, de todo. E, por fim, não vacilara humilhar a própria genitora, a fim de colocar-lhe nas mãos todos os bens... Serpa registrava todos os argumentos da companheira desencarnada, à feição de urna lâmpada que se julgasse fonte da luz de que se beneficia, a ignorar que a recolhe da usina. E opunha contraditas: —Consorciar-me? prender-me? porquê? não tenho toda a satisfação do homem casado, sem as pelas do matrimônio 7 E a voz de Evelina a ressoar-lhe novamente no espirito: —Sim, és o elemento - comando da união; entretanto, como não te garantires contra as tentações do futuro, como não te imunizares contra as tuas próprias inclinações para a aventura, doando a ela — o elemento obediência —a tranqüilidade de que carece para servirte? Acaso te Julgas livre das tendências à leviandade que te assinalam o campo afetivo? Não será recomendável Ihe assegures a paz, preservando a paz de ti mesmo, pela submissão às disciplinas justas da vida? Pensa! Imagina-te à frente de tua própria mãesinha, Já que quase todo homem procura na esposa, acima de tudo, o apoio maternal que a madureza furtou da infância... Estimarias que um homem, na hipótese o teu próprio pai, Ihe espancasse os mais puros anseios do coração? Porventura não se tornaria ela mais digna do teu amparo e do teu carinho, se a visses brutalizada. desamparada, esquecida por aquele mesmo a quem se rendeu confiante ? porque alegares sofrimentos passados para menoscabar a criatura que amas, se semelhantes provações fazem dela alguém com mais acentuada necessidade de tua proteção e entendimento Das admoestações propriamente consideradas, a ex-senhora Serpa se transferiu para

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reflexões de otimismo e esperança: — Calo, medita!..., Vera não te confiou parcos recursos materiais à administração! Dispões de patrimônio apreciável para organizar uma família... Pondera quanto às bênçãos do futuro! Escuta! Creias ou não em Deus e na sobrevivência do espírito, alem da morte, carrega contigo um doloso problema, até agora inarredável da mente: o remorso pelo homicídio praticado, a lembrança de Túlio Mancini, abatido por tuas mãos! Escapas, no rumo de prazeres que não te diminuem a mágoa, e tentas, em vão, bloquear reminiscências amargas que te assediam constantemente... Ser pai, cuidar de filhos queridos, não te será na Terra a mais elevada compensação ? O matrimonio com Vera te Investirá legalmente na posse de recursos a serem valorizados e aumentados, garantindo, aos filhinhos vindouros, segurança e conforto, alegria e educação! ... Um lar, Caio! . . . Um lar, onde possas descansar, renovar-te, esquecer! . . . Filhos em que te revejas e o convívio de Vera, cuja presença te lembrará o refúgio maternal! . . . Diante daquelas santas evocações de paz e venturas que jamais experimentara, pela primeira vez, depois de muitos anos, Serpa chorou... Evelina continuava: — Sim, .- Caio, lava o coração na corrente das lágrimas! . . Chora de esperança, de júbilo! Confiemos em Deus e na vida!... o Sol que hoje se põe, voltará amanhã! Contempla estas lousas, fita os sepulcros afrente! De todos os lados, explodem verdura e flor, a dizerem que a morte é ilusão, que a vida triunfa, bela e eterna! ... De um outro mundo, os que te amam regozijar-se-ão com os: teus gestos de entendimento' Túlio te perdoará, Elisa há de abençoarte! ... Coragem, coragem! . . . O causídico, surpreso, incapaz de identificar-se visitado pelo espirito da companheira de outros tempos, reconhecia-se subitamente consolado e eufórico, tangido por suave renovação, nos recônditos do ser. A maneira de um doente que encontrara o remédio providencial e a ele se agarrasse, na sede da própria cura, instintivamente decidiu-se a não perder o precioso momento de exaltação construtiva em que entrara. —Vamos!... —insistiu Evelina — concede agora. mas claramente agora, a nossa Vera a certeza de que a protegerás num casamento digno! . . . Sucedeu o inesperado. Habitualmente agressivo e rebelde, Caio Serpa arrancou-se, humilde, do lugar em que se plantara, avançou sempre abraçado pelo espirito da ex-esposa, na direção do grupo em que a jovem se apoiava... Ali, de pensamento conjugado ao da mensageira espiritual, observou a moca sob novo prisma. Pareceu-lhe que começava a ama-la de maneira diversa. Viu-a mais cativante na dor que demonstrava, percebeu-lhe a solidão e a sede justa de companhia. As súbitas, reconheceu-se também só, a requisitar-lhe mais intensivamente a dedicação e o carinho para viver. Já não sabia, naquele inolvidável instante, se a queria com a impertinência de um homem ou com a ternura de um pai... Abordando-a, tomou-lhe o braço, de leve, e comunicou-lhe, em voz alta, no propósito de alicerçar a própria declaração com o testemunho dos amigos presentes: —Vera, não chore mais... Você não está sozinha! Amanhã mesmo, cogitaremos de organizar a documentação precisa para casar-nos tão breve quanto possível! ...

09 - Afeição que os Espíritos votam a certas pessoas. OBJETIVOS ESPECÍFICOS. Dizer como os Espíritos, superiores e inferiores, manifestam sua afeição para com os encarnados. Justificar porque os Espíritos protetores se preocupam mais com os nossos males morais do que com os físicos. .IDÉIAS PRINCIPAIS "(...) Os bons Espíritos simpatizam com os homens de bem, ou suscetíveis de se melhorarem. Os Espíritos inferiores com os homens viciosos, ou que podem tornar-se tais. Daí suas afeições, como conseqüências da conformidade dos sentimentos." (01)

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"(...) A verdadeira afeição nada tem de carnal; mas, quando um Espírito se apega a uma pessoa, nem sempre o faz só por afeição. A estima que essa pessoa lhe inspira pode agregar-se uma reminiscência das paixões humanas." (O2) "(...) Os bons Espíritos fazem todo o bem que Ihes é possível e se sentem ditosos com as vossas alegrias. Afligem-se com os vossos males, quando os não suportais com resignação (...)." (03) Os males morais que mais preocupam os Espíritos Superiores são "(...) o vosso egoísmo e a dureza dos vossos corações. Dai decorre tudo o mais. Riem-se de todos esses males imaginários que nascem do orgulho e da ambição. Rejubilam com os que redundam na abreviação do tempo de vossas provas. (...)" (04) "(...) Os Espíritos mais se afligem pelos nossos males devido a causas de ordem moral, do que pelos nossos sofrimentos físicos todos passageiros. (...)" (04) FONTES DE CONSULTA. BÁSICAS 01. KARDEC, Allan. ~ s. Trad. de Guillon Ribeiro 57. ed. Rio e Janeiro, FEB, 1983. questão 484, p. 254. 02. Op. cit., questão 485, p. 254. 03. Op. cit., questão 486, p. 254. 04. Op. cit., questão 487, p. 254-255. COMPLEMENTARES 05. MARTINS PERALVA. Benfeitores. In: . O Pensamento de Emmanuel. Rio de Janeiro, FEB, 1973. p. 150. Os Espíritos devotam afeições aos encarnados de acordo com as leis de afinidades existentes entre eles. "(...) Os bons Espíritos simpatizam. com os homens de bem, ou suscetíveis de se melhorarem. Os Espíritos inferiores com os homens viciosos, ou que podem tornar-se tais. Daí suas afeições, como conseqüência da conformidade dos sentimentos." (01) O ser humano tem, "(...) no Mundo Espiritual, amigos a intercederem por sua felicidade, a fim de assegurar-lhe a estabilidade de que necessita para lutar e servir, amar e vencer, apesar do assedio dos desencarnados que lhe foram comparsas ;,em dramas do passado. (...) São esses Amigos de Mais Alto que acordam a esperança e restauram o bom ânimo nos que se vêem a braços com assédio de ordem espiritual (...)." (05) Sabemos que os Espíritos Superiores nutrem sentimentos elevados para com os encarnados e para com outros desencarnados. As ligações afetivas de tais Espíritos nada têm que lembre afeições carnais. Entendemos, porem, que tal nem sempre ocorre com Espíritos inferiores. "(...) A verdadeira afeição nada tem de carnal; mas, quando um Espirito se apega a uma pessoa, nem sempre o faz só por afeição. A estima que essa pessoa Ihe inspira pode agregar-se uma reminiscência das paixões humanas." (02) ~ Os bons Espíritos sempre se preocupam com os nossos males, do mesmo jeito que com partilham das nossas alegrias. É conveniente, no entanto, recordar que existem dois tipos de males que podem afligir os encarnados: os físicos e os morais. "(...) Sabendo ser transitória a vida corporal e que as tribulações que lhe são inerentes constituem meios de alcançarmos melhor estado, os Espíritos mais se afligem pelos nossos males devidos a causas de ordem moral, do que pelos nossos sortimentos físicos, todos passageiros.

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Pouco se incomodam com as desgraças que apenas atingem as nossas Idéias mundanas, tal qual fazemos com as mágoas pueris das crianças. Vendo nas amarguras da vida um meio de nos adiantarmos, os Espíritos as consideram como a crise ocasional de que resultará a salvação do doente. Compadecem-se dos nossos sofrimentos, corno .nos compadecemos dos de um amigo. Porém, enxergando as coisas de um ponto do vista mais justo, os apreciam de um modo diverso do nosso. Então, ao passo que os bons nos levantam o Animo no Interesse do nosso futuro, os outros nos impelem ao desespero, objetivando comprometer-nos." (04) E, dentre os males morais que mais afligem os Espíritos, por nossa causa, destacam-se o egoísmo e a dureza dos nossos corações. (04) 10 - Espíritos protetores.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Dar a diferença existente entre Espíritos protetores, familiares, simpáticos e perversos. Conceituar "anjo " do ponto de vista espirita. Dizer em que situação o Espírito protetor pode afastar-se do seu protegido. IDÉIAS PRINCIPAIS t'~...) O Espírito protetor, anjo de guarda, ou bom gênio é o que tem por missão acompanhar o homem na vida e ajudá-lo a progredir. E sempre de natureza superior, com relação ao seu protegido. Os Espíritos familiares se ligam a certas pessoas por laços mais ou menos duráveis, com o fim de lhos serem úteis, dentro dos limites do poder, quase sempre muito restrito, de que dispõem. São bons, porem muitas vezes pouco adiantados e mesmo um tanto levianos.(...) Os Espíritos simpáticos são os que se sentem atraídos para o nosso lado por afeições particulares e ainda por uma certa semelhança de gostos e de sentimentos, tanto para o bem como para o mal (...) O mau gênio é um Espírito imperfeito ou perverso, que se liga ao homem para desvia-lo do bem. Obra, porem, por impulso próprio e não no desempenho de missão.(...) " (01) "~.. ) Os anjos são, (...), as almas dos homens chegados ao grau de perfeição que a criatura comporta, fluindo em sua plenitude a prometida felicidade.(...) " (03) São os puros Espíritos. O Espirito protetor afasta-se do seu protegido "(...) quando vê que seus conselhos são inúteis e que mais forte e, no seu protegido, a decisão de submeter-se à influencia dos Espíritos inferiores. Mas, não o abandona completamente e sempre se faz ouvir.(...) O protetor volta desde que este o chame (...)." (02) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01. KARDEC, Allan. Anjos da Guarda. Espíritos protetores, familiares ou simpáticos. In: -. O Livro dos Espíritos, trad. de Guillon Ribeiro, 57. ed. Rio de Janeiro, -FEB, 1983. Questão 514. 02. Op. cit., questão 491. 03. Op. cit., questão 492. 04. Op. cit., questão 495. 05. -. Os anjos segundo o Espiritismo. In:-. O Céu e o Inferno. Trad. de Manuel Justiniano Quintão, 29. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. 1ª parte, capítulo 08, item 13. ESPÍRITOS PROTETORES A ninguém deixa Deus de auxiliar e amparar! Não existe orfandade em parte alguma do Universo. Onde e como estivermos existem Espíritos a nos orientar: São os Espíritos protetores. A proteção desses Espíritos se manifesta de acordo com a hierarquia espiritual ocupadas por eles. Basicamente, e a seguinte: a) "( ) Espirito protetor, anjo da guarda, ou bom gênio é o que tem por missão acompanhar o homem na vida e ajudá-lo a progredir. É sempre de natureza superior, com relação ao protegido (...)". (01) A missão do Espirito protetor, ou anjo guardião, é "(...) a de um pai com relação aos filhos; a de guiar o seu protegido pela senda do bem, auxiliá-lo com seus conselhos, consolá-lo nas suas aflições, levantar-lhe o ânimo nas provas da vida '. (02) O Espirito protetor se dedica ao

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protegido "(...) desde o nascimento até a morte e muitas vezes o acompanha na vida espirita, depois da morte, e mesmo através de muitas existências corpóreas, que mais não são do que fases curtíssimas da vida do Espírito". (03) b) "( ) Os Espíritos familiares se ligam a certas pessoas por laços mais ou menos duráveis, com o fim de lhes serem úteis, dentro dos limites do poder, quase sempre muito restrito, de que dispõem. São bons, porém muitas vezes pouco adiantados e mesmo um tanto levianos. Ocupam-se de boamente com as particularidades da vida intima e só atuam por ordem ou com permissão dos Espíritos protetores (...)" (01) c) "( ) Os Espíritos simpáticos são os que se sentem atraídos para o nosso lado por afeições particulares e ainda por uma certa semelhança de gostos e de sentimentos, tanto para o bem como para o mal. De ordinário, a duração de suas relações se acha subordinada às circunstancias (...)". (01) d) "( ) O mau gênio e um Espírito imperfeito ou perverso, que se liga ao homem para desviá-lo do bem. Obra, porem, por impulso próprio e não no desempenho de missão. A tenacidade da sua ação está era relação direta com a maior ou menor facilidade de acesso que encontre por parte do homem, que goza sempre da liberdade de escutar-lhe a ,voz ou de lhe cerrar os ouvidos." (01) Devemos, ainda, compreender o significado espirita de anjo, que é diverso daquele dado por várias seitas religiosas, que o representam como uma figura distante da realidade da vida, geralmente envergando túnica alvíssima, aureolado de luminosidade, possuidor de duas enormes asas e que vive em beatitude no céu. Para o Espiritismo "(...) os anjos são, pois, as almas dos homens chegados ao grau de perfeição que a criatura comporta, fruindo em sua plenitude a prometida felicidade. Antes, porem, de atingir o grau supremo, gozam de felicidade relativa ao seu adiantamento, felicidade que consiste, não na ociosidade, mas nas funções que a Deus apraz confiar-lhes, e por cujo desempenho se sentem ditosos, tendo ainda nele um meio de progresso". (05) Um Espirito protetor poderá, em determinadas circunstâncias, afastar-se do protegido: "(...) Afasta-se, quando vê que seus conselhos são inúteis e que mais forte é, no seu protegido, a decisão de submeter-se à influência dos Espíritos inferiores. Mas, não o abandona completamente e sempre se faz ouvir. É então o homem quem tapa os ouvidos. O protetor volta desde que este o chame (...)" (04) A certeza da existência de protetores espirituais a velar-nos os passos, amparando-nos nas dificuldades próprias da evolução' iluminando-nos a mente e o coração na longa estrada da vida, sustentando-nos nos momentos amargos, quando a dor nos visita, animando-nos ante as provas da vida, partilhando das nossas alegrias e rejubilando-se com o nosso progresso moral, é algo grandemente consolador, que nos mostra, mais uma vez, o imenso amor do Pai Celestial para com todos os seus filhos. A N E X O PROGRAMA V - ROTEIRO N º 10 Após dividir a turma em três grupos de estudo, colocar à disposição deles as obras espiritas já citadas, distribuindo o trabalho da seguinte maneira: Grupo 01 - Leitura e comentários dos itens: "Meu Espírito protetor" e "Meu Guia espiritual", constantes em Obras Póstumas, 2a parte. Grupo 02 - Leitura e comentários do item 11, do capítulo 28, de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Grupo 03 - Leitura e comentários das questões 490 a 499 e a questão 514 de O Livro dos Espíritos. A seguir, os grupos deverão responder às seguintes perguntas: 1) Qual a principal diferença que há entre anjo da guarda, Espíritos familiares, simpáticos e sedutores ou perversos? 2) Um Espirito para tornar-se guardião de outro deve possuir determinadas qualidades. Quais são elas? 3) Orando aos Espíritos protetores devemos pedir-lhas, sobretudo, o quê? 4) Que devemos fazer para granjear a benevolência dos Espíritos Superiores que nos protegem? 5) O nosso Espírito guardião está constantemente ao nosso lado? Justifique? 6) Podem os anjos guardiães afastarem-se dos seus protegidos? Por quê?

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3ª Unidade O fenômeno da intercomunicação mediúnica
11 - O fenômeno mediúnico através dos tempos.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Fazer um relato sobre a existência do fenômeno mediúnico através dos tempos. Citar os principais médiuns conhecidos desde a Antigüidade. . Justificar porque as religiões tem origens mediúnicas. IDÉIAS PRINCIPAIS. "Acena-nos a Antigüidade terrestre com brilhantes manifestações mediúnicas, a repontarem da História (...)." (03) Discípulos de Sócrates referem-se "(...) ao amigo invisível que o acompanhava constantemente (...)." (13) "(...) Em Roma, no templo de Minerva, Pausânias, ali condenado a morrer de fome, passou a viver, em Espirito, (...) aparecendo e desaparecendo aos olhos dos circunstantes assombrados, durante largo tempo (...)." Na Idade Média "(...) o dualismo humano-divino se mostra bem claro. Um fenômeno mediúnico de possessão e sempre tomado como manifestação demoníaca ou sagrada (...)." (09) "Na Idade Media, mencionemos dois grandes figuras histéricas: Cristóvão Colombo, o descobridor de um novo mundo, e Joana d'Arc, que obedece as suas vozes (...)." (07) No século passado, os fenômenos de Hydesville e as mesas girantes, são as manifestações mediúnicas preliminares da Codificação Espírita. "(...) Andrew Lang é o autor da tese espirita da origem mediúnica da religião (...). Bozzano esposa essa tese. e procura esclarecê-la (...)." (10) "(...)A história de Israel é o mais belo poema mediúnico, a epopéia espiritualista por excelência (...)." (03) "(...) Maomet, o fundador do Islam, redige o "Alcorão", sob o ditado de um Espírito (...)." (06) A mediunidade atinge culminância com Jesus, não somente durante sua passagem entre nós, quando "(...) a cada hora, revela o seu intercâmbio constante com o Plano Superior, (...) mas também na equipe dos companheiros aos quais se apresenta em pessoa, depois da morte (...)." (11) No dia de Pentecostes, vários fenômenos mediúnicos marcam a tarefa dos apóstolos (...)." (11) BÁSICAS 01. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Questão 521, p. 266. COMPLEMENTARES O2. DENIS, Léon. A mediunidade gloriosa. In: -. No Invisível. Trad. de Leopoldo Cirne. 9. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1981. p. 386 - 387. 03. Op. cit., p. 387. 04. Op. cit., p. 390/391. 05. Op. cit., p. 391. 06. Op. cit., p. 395. 07. Op. cit., p. 396. 08. Op. cit., p. 399. 09. PIRES, J. Herculano. Horizonte espiritual: mediunidade positive In:- O Espirito e o Tempo. São Paulo, Pensamento, 1964. p. 65. 10. -. Horizonte tribal e mediunismo primitivo. In:- . O Espirito e o Tempo. São Paulo, Pensamento, 1964. p. 18. 11. XAVIER, Francisco Cândido. Jesus e mediunidade. In: -. Mecanismos da Mediunidade. Pelo Espirito André Luiz. 6. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1981. p. 187. 12. Op. cit., p. 188 13. -. Mediunidade. In:-. Mecanismos da Mediunidade. Pelo Espirito André Luiz. 6. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1981. p. 13.

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O FENÔMENO MEDIÚNICOS ATRAVÉS DOS TEMPOS O fenômeno mediúnico não nasceu com o Espiritismo. Existe desde as épocas mais remotas da vida humana planetária. Temos noticias das comunicações mediúnicas ao longo dos tempos, entre homens cultos e ignorantes, envolvidas ora com a sombra do mistério e simbologia, ora manifestadas como fatos naturais. De acordo com os povos , os costumes e a época, os Espíritos comunicantes e seus médiuns provocaram fenômenos mediúnicos prodigiosos que foram assinalados pela História ou pelas religiões como milagrosos ou demoníacos. Digno de destaque, é que em todas as idades da Humanidade, somos assistidos por Espíritos superiores que nos impulsionam para o progresso moral - intelectual. "(...) Os antigos fizeram, desses Espíritos, divindades especiais. As Musas não eram senão a personificação alegórica dos Espíritos protetores das ciências e das artes, como os deuses Lares e Penates simbolizavam os Espíritos protetores da família. Também modernamente, as artes, as diferentes industrias, as cidades, os países tem seus patronos, que mais não são do que Espíritos superiores sob várias designações (...). Nos povos, determinam a atração dos Espíritos os costumes, os hábitos, o caráter dominante e as leis. As leis sobretudo, porque o caráter de uma nação se reflete nas suas leis. (...) Estudando-se os costumes dos povos ou de qualquer reunião de homens, facilmente se forma idéia da população oculta que se lhes imiscui no modo de pensar e nos atos." (01) "O profetismo em Israel, durante vinte consecutivos séculos, e um dos fenômenos transcendentais mais notáveis da História (...). A origem do profetismo em Israel é assinalada por imponente manifestação. Um dia. Moisés escolhe 7 anciãos e os coloca ao redor do tabernáculo. Jeová revela sua presença em uma nuvem (...). Jeová é um dos Eloim, Espíritos protetores do povo judeu e de Moisés em particular (...). Assim começa o profetismo, ou mediunidade sagrada, em Israel. Moisés, iniciado nos mistérios de Isis, (...) e sobretudo em conseqüência de suas relações familiares com seu sogro Jetro, grão - sacerdote de Heliópolis, foi a seu turno o grande iniciador psíquico de seu povo, antes de se lhe constituir em seu imortal legislador (...)". (02) "(...) Moisés é vidente e auditivo. Ele vê Jeová, o Espirito protetor de Israel, na sarça do Horeb e no Sinai. Quando se inclina diante do propiciatório da arca da aliança escuta vozes ("Num", VII, 89). É médium escrevente quando, sob o ditado de Eloim, escreve as tábuas da lei; (...) magnetizador poderoso, quando fulmina com uma descarga fluídica os hebreus revoltados no deserto; médium inspirado, quando entoa seu maravilhoso cântico após a derrota de Faraó. Moisés apresenta ainda o gênero especial de mediunidade - a transfiguração luminosa - (...). Quando desce do Sinai, traz na fronte um aureola de luz (...)". (04) Samuel, outro profeta judeu, "( ..) dormindo no templo, e muitas vezes despertado por vozes que o chamam, lhe falam no silêncio da noite e lhe anunciam as coisas futuras (I, "Reis", III, 1 a 18). Esdras (liv. IV, cap. XIV) reconstitui integralmente a Bíblia que se tinha perdido (...)" (05) sob o auxílio espiritual denominado "A voz". (05) "(...) Todo o livro de Job está repleto de iluminações e de inspirações mediúnicas. Sua própria vida, atormentada de maus Espíritos, é um assunto de estudos muitíssimo sugestivos (...)". (05) ~ A história da mediunidade dos profetas judeus encerra-se com a vinda de Jesus. A "(...) passagem do Mestre junto aos homens (...), a cada hora, revela o seu intercâmbio constante com o Plano Superior, seja em colóquios com os emissários de alta estirpe, seja em se dirigindo aos aflitos desencarnados, no socorro aos obsessos do caminho, mas também na equipe dos companheiros, aos quais se apresenta em pessoa, depois da morte (...). (...) No dia de Pentecostes, vários fenômenos mediúnicos marcam a tarefa dos apóstolos, mesclando-se efeitos físicos e intelectuais na praça pública, a constituir-se a mediunidade, desde então, em viga mestra de todas as construções do Cristianismo, nos séculos subseqüentes (...)". (11) Assim, "(...) O Evangelho, (...) não é o livro de um povo apenas, mas o código de Princípios Morais do Universo, adaptável a todas as pátrias, (...) porque representa, (...) a carta de conduta para a ascensão da consciência à imortalidade, na revelação da qual Nosso Senhor Jesus-Cristo empregou a mediunidade sublime como agente de luz eterna, exaltando a vida e aniquilando a morte, abolindo o mal e glorificando o bem (...)" (12) Na velha Grécia, o grande Sócrates refere-se, na voz dos seus discípulos, "(...) ao amigo

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invisível que o acompanhava constantemente (. .)". (13) "(...) Sabe-se que Nero, nos últimos dias de seu reinado, viu-se fora do corpo carnal, junto de Agripina e de Otávia, sua genitora e sua esposa ambas assassinadas por sua ordem, a lhe pressagiarem a queda no abismo (...)". (13) ''(...) No silêncio do deserto, (...), Maomet (...), o fundador do Islam, redige o "Alcorão" sob o ditado de um Espirito, que adota, para se fazer escutar, o nome e a aparência do anjo Gabriel (...)". (06) Na Idade Media, época de obscurantismo, os médiuns ou são perseguidos e maltratados como feiticeiros ou são elevados à categoria de santos. "(...) Em sua aventurosa missão, Colombo era guiado por um gênio invisível. Tratavam-no de visionário. Nas horas das maiores dificuldades, escutava uma voz desconhecida murmurar-lhe ao ouvido: "Deus quer que teu nome ressoe gloriosamente através do mundo; ser-te-ão dadas as chaves de todos esses portos desconhecidos do oceano (...). A vida de Joana d’Arc está na memória de todos. Sabe-se que, em todos os lugares, seres invisíveis inspiravam e dirigiam a heróica virgem de Domrémy. (...) Surgem aparições diante dela; vozes celestes ciciam-lhe ao ouvido. Nela, a inspiração flui como o borbotar de uma torrente impetuosa (...)". (07) Ainda na Idade Media, outros médiuns importantes se revelam: Dante Alighieri, que sob influencia espiritual redige "A Divina Comédia" ; Tasso, sob inspiração do Espirito Ariosto, escreve o poema Renaud; Milton escreve o Paraíso Perdido, Shakespeare nos fala sobre aparições em Hamlet. Há ainda Goethe."(...) O "Fausto" é uma obra mediúnica e simbólica de primeira-ordem (...)" (08) No século dezoito destaca-se o médium Emmanuel Swedenborg. No século dezenove, reencarnam médiuns com a missão de comprovarem a realidade espiritual. Entre eles citamos: Davis, Eusapia Paladino, Amália Domingo y Soler, Stainton Morses, Wera Krijanowsky, Madame D'Esperance, Florence Cook, Slade, Catarina e Margarida Fox, Sra. Hauffe, Ana Rothe, etc. Neste breve retrospecto podemos verificar que a mediunidade ;é algo intrínseco do próprio homem desde os tempos imemoriais. E mais: a base religiosa do homem está fundamentada nas manifestações mediúnicas, como pudemos ver no breve estudo das origens do judaísmo, cristianismo, islamismo e das seitas ditas orientais, como o bramanismo, o budismo, entre outras.

12 - Os médiuns precursores.
OBJETIVOS BÁSICOS Nomear os médiuns precursores do Espiritismo. Fazer uma pequena biografia deles. Determinar a importância desses médiuns para a Dou trina Espírita. IDÉIAS PRINCIPAIS Segundo Arthur Conan Doyle, os principais médiuns precursores do Espiritismo foram Emmanuel Swedenborg, Edward Irving e Andrew Jackson Davis. Emmanuel Swedenborg foi um extraordinário vidente nascido na Suécia no século dezoito. "(...) Nunca se viu tamanho amontoado de conhecimentos. Ele era, (...) um grande engenheiro de minas e uma autoridade em metalurgia. (...) Era uma grande autoridade em Física e em Astronomia (...). Finalmente, era um profundo estudioso da Bíblia (...).'' (07) Entre as inúmeras visões tidas, Swedenborg viu com clareza o mundo espiritual e seus habitantes, construções e a escala evolutiva dos Espíritos. "(...) Edward Irving pertence àquela mais pobre classe de trabalhadores braçais escoceses (...). Irving nasceu em Annan, Escócia, em 1792-. (...) (04) Como pastor protestante atraia multidões para ouvir suas luminosas e eloqüentes pregações evangélicas, apesar da pouca cultura de que era possuidor. A igreja que dirigia tornou-se palco de fenômenos mediúnicos, devido às vozes espirituais ali ouvidas. Andrew Jackson Davis foi cognominado o profeta da Nova Revelação por ter previsto o surgimento da Doutrina Espirita. Davis nasceu em Nova Iorque no ano de 1826. "(...) Jamais houve um rapaz com menos disposições favoráveis do que Davis. Era fraco de corpo e pobre de mente (...)". (08) Foi, porem, excepcional médium vidente, audiente, curador e de desdobramento.

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Esses médiuns precursores foram os instrumentos que o Alto utilizou para despertar e preparar a Humanidade para a Terceira Revelação de Deus aos homens. FONTES DE CONSULTA BÁSICAS COMPLEMENTARES 01. DENIS, Léon. A mediunidade gloriosa. In: - . No invisível. Trad. de Leopoldo Cirne. 7. ed. Rio de Janeiro, FEB, t973, p. 402. 02. DOYLE, Arthur Conan. A História de Swedenborg. In: - . A História do Espiritismo. Trad. de Júlio Abreu Filho, 1. ed. São Paulo, O Pensamento, 196O, p. 34. 03. Op. cit., p. 38 e 39. 04. -. Edward Irving: os "Shakers". In: - . A História do Espiritismo. Trad. de Júlio Abreu Filho. 1. ed. São Paulo, O Pensamento, 1960, p. 45. 05. Op. cit., p. 46. 06. Op. cit., p. 48. 07. Op. cit., p. 52 e 53. 08. -. O Profeta da Nova Revelação. In: - . A História do Espiritismo. Trad. Júlio Abreu Filho. 1. ed. São Paulo, O Pensamento, 196O, p. 59-60 cit.. p. 48 09. BARBOSA, Pedro Franco. Literatura Espírita Mediúnica. In:- . Espiritismo Básico. 1. ed. CBHEOS, 1976, p. 175. 10. Op. cit., p. 176. 11. WANTUIL, Zêus e THIESEN, Francisco. Andrew Jackson Davis. In: - . Allan Kardec. 2º volume, 1. ed. Rio de Janeiro, FEB, 198 p. 86. 12. Op. cit., p. 90 e 91. No livro História do Espiritismo, Arthur Conan Doyle considera três médiuns como precursores da Doutrina Espirita: Emmanuel Swedenborg, Edward Irving e Andrew Jackson Davis. "(...) Para compreender completamente um Swedenborg é preciso possuir-se um cérebro de Swedenborg; e isto não se encontra em cada século (...). Nunca se viu tamanho amontoado de conhecimentos. Ele era, antes de mais nada, um grande engenheiro de minas e uma autoridade em metalurgia. Foi o engenheiro militar que mudou a sorte de uma das muitas campanhas de Carlos XII, da Suécia. Era uma grande autoridade em Física e em Astronomia, autor de importantes trabalhos sobre as marés e sobre a determinação das latitudes. Era zoologista e anatomista. Financista e político (...). Finalmente, era um profundo estudioso da Bíblia (...). Seu desenvolvimento psíquico ocorrido aos vinte e cinco anos, não influiu sobre a sua atividade mental (...)". (02) "(...) As faculdades mediúnicas de Emmanuel Swedenborg, o filósofo sueco, são atestados pela célebre carta de ~ Kant à Srta. de Knobich (...)."(1) "(...) Emmanuel Swedenborg nasceu em Estocolmo, na Suécia, em 1688 e desencarnou em Londres, em 1772. (...) Foi notável médium vidente e publicou muitos livros em Latim. Via, normalmente, cenas do mundo espiritual e os desencarnados que conhecera em vida. Foi dos primeiros a descrever o ectoplasma como o "vapor aquoso muito visível e que caia no chão, sobre o tapete". Verdadeiro pioneiro do movimento espírita. Conversava com os mortos, (...) e falava de uma nuvem psíquica grosseira (de baixa vibração) que envolvia a Terra e sua Humanidade. Publicou numerosas obras: Céu e Inferno, A Nova Jerusalém, Arcana Celeste, A Verdadeira Religião Cristã, Sabedoria Angélica, O Amor Conjugal, Apocalipse Revelado, etc. (...)" (9) Swedenborg "(...) verificou que o outro mundo, para onde vamos apôs a morte, consiste de várias esferas (...); cada um de nós Irá para aquela a que se adapta a nossa condição espiritual. (...) Viu casas onde viviam famílias, templos onde praticavam o culto, auditórios onde se reuniam para fins sociais, palácios onde deviam morar os chefes. A morte era suave, dada a presença de seres celestiais que ajudavam os recém-chegados na sua nova existência (...). Havia anjos e demônios, mas não eram de ordem diversa da nossa: eram seres humanos, que tinham vivido na Terra e que ou eram almas retardatárias, como demônios, ou altamente desenvolvidas, como anjos. De modo algum --dizia - mudamos com a morte (...)"(03) O homem leva para o Mundo Espiritual "(...) os seus hábitos mentais adquiridos, as suas preocupações, os seus preconceitos (...). Não havia penas eternas. Os que se achavam nos infernos podiam trabalhar para a sua saída,

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desde que sentissem vontade (...j. Havia o casamento sob forma de união espiritual (...). 'Não havia detalhes insignificantes para a sua observação no mundo espiritual. Fala de arquitetura, do artesanato, das flores, dos frutos, dos bordados, da arte, da musica, da literatura, da ciência, das escolas, dos museus, das academias, das bibliotecas e dos esportes (...)". (03) "(...) Edward Irving pertence àquela mais pobre classe de trabalhadores braçais escoceses (...). Irving nasceu em Annan, em 1792. Depois de uma juventude dura e aplicada ao estudo, desenvolveu-se como um homem muito singular. Fisicamente era um gigante e um Hércules em força (...). Sua' inteligência era máscula, ampla e corajosa, mas destorcida pela primeira educação na acanhada escola da Igreja Escocesa (...)". (04) Era, Edward Irving, pela severidade do protestantismo em que fora criado, um "(...) homem estranho, excêntrico e formidável (...)". (04) Quando adulto, tornou-se pastor da Igreja Escocesa, inicialmente como ministro assistente do "(...) grande Dr. Chalmers, que era então o mais famoso clérigo da Escócia (...)". (05) Mais tarde, foi trabalhar numa pequena igreja escocesa, em Londres. Foi nessa igreja que Edward pôde exibir toda "(...) a sua eloqüência sonora e as suas luminosas explicações do Evangelho (...)" (05) atraindo em conseqüência, enorme multidão. Por este fato, "(...) foi transferido para uma igreja maior, em Regent Square, com capacidade para duas mil pessoas. (...) De lado a sua oratória, parece que Irving foi um pastor consciencioso e muito trabalhador (...), sempre pronto dia e noite, no cumprimento de seu dever (...)". (05) Edward criou serio problema com a Igreja pelas suas opiniões teológicas - se o Cristo poderia ou não pecar sendo, por isso, condenado pelo presbitério As coisas estavam assim quando, na igreja de Irving, começaram a surgir fenômenos mediúnicos, sobretudo os de voz direta. Inicialmente, ouviam-se gritos como de um possesso, em outros momentos, os gritos eram de homens e mulheres, numa linguagem incompreensível, "(...) sons rápidos, queixosos e ininteligíveis (...)!' (06) Ao lado das vozes ouviam-se, em intensidade cada vez maior, ruídos e outros sons. As vozes acalmavam-se, ou silenciavam os sons em muitos dos apelos de Irving (05, 06); tudo isso porém gerou uma incompreensão geral da Igreja Protestante (07) e "(...) Irving viveu muito intensamente e as sucessivas crises por que passou o esgotaram. (...) Era um galho cortado da árvore e ia secando. (...) Aquele gigante de meia-idade murchou e encolheu. Seu arcabouço vergou. As faces tornaram-se cavadas e pálidas. () E assim, trabalhando ate o fim, tendo nos lábios palavras "Se eu morrer, morrerei com o Senhor", a sua alma passou para aquela luz mais clara e mais dourada (...)". (7) Andrew Jackson Davis foi um notável médium, cognominado o "Pai do Espiritualismo Moderno, O Profeta da Nova Revelação ou ~ Allan Kardec americano", por ter anunciado o advento ao Espiritismo. "(...) Filho de pais humildes e incultos, nasceu, em 1826, num distrito rural do Estado de New York (EUA), às margens do rio Hudson, entre gente simples e ignorante. Era um menino pouco atilado, falto de atividade intelectual, corpo mirrado, sem nenhum traço que denunciasse a sua excepcional mediunidade futura (...) (...) Quando em transe, falava várias línguas, inclusive o hebraico, todas dele desconhecidas, expondo admiráveis conhecimentos de Geologia e discutindo (...), questões de Arqueologia histórica e bíblica, de Mitologia, bem como temas lingüísticos e sociais - apesar de nada conhecer de gramática ou de regras de linguagem -, sem quaisquer estudos literários e científicos (...)." (11) Davis sendo clarividente e audiente, foi, no inicio, usado por Livingstone para "(...) diagnósticos médicos. (...)" (08) Davis "(...) descrevia como o corpo humano se tornava transparente aos seus olhos espirituais (...) Cada órgão aparecia claramente e com uma radiação especial e peculiar, que se obscurecia em caso de doença (...)" (08) "(...) Era inspirado e orientado pelo Espírito Swedenborg. Deixou numerosos livros mediúnicos sob a denominação genérica de Filosofia Harmônica e Revelações Divinas da Natureza. Em A Grande Harmonia descreve a morte de uma senhora, observando revelando os detalhes da partida do Espirito. Previu o advento do automóvel, da máquina de escrever e predisse o aparecimento do Espiritismo no livro Princípios da Natureza (...)" (1O) "(...) Nas viagens que, desprendido do corpo, fez ao Mundo dos Espíritos, Davis presenciou, num lugar a que chamou "Summerland", a educação harmoniosa das crianças desencarnadas, reunidas, por grupos, em, grandes e belos edifícios, nos quais se lhes administrava instrução e

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cuidados especiais, tudo de acordo com a idade e os conhecimentos delas (...J" (12) Devido a essa viagem, Davis fundou o primeiro Liceu Espiritista, em 25 de janeiro de 1863, em Dodsworth Hall, Broadway, New York. (12) Desencarnou em Watertown, Estado de Massachusetts, em 1910, com 84 anos de idade, e a despeito de ter sofrido "(...) acusações caluniosas e críticas acerbas (...), a tudo se sobrepunha com tolerância evangélica e larga compreensão (...)" (12) Pelo exposto, concluímos que tais médiuns serviram de instrumentos do Alto, no intuito de preparar a Humanidade terrestre para o advento do Consolador Prometido por Jesus aos homens. ANEXO FICHA DE IDENTIFICAÇÃO MÉDIUNS PRECURSORES 1. Nome: 2. Data e local de nascimento: 3. Dados biográficos (resumo). 4. Livros escritos: 5. Tarefas e realizações: 6. Importância dessas tarefas e realizações para o Espiritismo: 7. Motivo(s), por que é considerado precursor: 8. Outros dados que julgar oportunos:

13 - O mecanismo das comunicações: condições técnicas, afinidades e sintonia.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS Analisar qual a grande dificuldade nas comunicações espiritas. Relacionar as principais condições técnicas para o bom êxito do trabalho mediúnico. Destacar o papel das afinidades e sintonias mediúnicas. IDÉIAS PRINCIPAIS "( ) Nas comunicações espiritas a dificuldade(, ) consiste em harmonizar vibrações e pensamentos diferentes. É na combinação das forças psíquicas e dos pensamentos entre os médiuns e os experimentadores, de um lado,, e entre estes e os Espíritos, do outro, que reside inteiramente a lei das manifestações (...)." (06) O silêncio e o recolhimento são condições essenciais para todas as comunicações serias (...)." (01) "(...) Todo médium, (...) deve (...) aceitar agradecido, solicitar mesmo o exame crítico das comunicações que receba (...)." (02) Num grupo mediúnico sério, os médiuns devem buscar afinidade moral "(...) com os Espíritos virtuosos, porque este e o único meio de gozarmos de seus favores (...) '' (08) Os médiuns devem compreender que "(...) não podem servir de instrumento a todos os Espíritos, indistintamente. As manifestações dos Espíritos são reguladas pela lei de afinidade fluídica (...)." (09) "(...) Todos somos instrumentos das forças com as quais estamos em sintonia (...)." (10) '(...) Cada criatura (...) emite raios específicos e vive na onda espiritual com que se identifica (...)." (10) FONTES DE CONSULTA BÁSICAS 01. KARDEC, Allan. Dissertações Espiritas. In: -. O Livro dos Médiuns. Trad. de Guillon Ribeiro. 41. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979. Item 23, p. 463. 02. -. O Livro dos Médiuns. Trad. de Guillon Ribeiro. 41. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979. Item ~29, p. 417. 03. -. Manifestações dos Espíritos - Caráter e conseqüências religiosas das manifestações dos Espíritos. §6° Dos Médiuns. In:-. Obras Póstumas. Trad. de Guillon Ribeiro 13. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1973. Item 33, p. 57. 04. Op. cit., item 34, p. 57. 05. Op. cit., item 35, p. 58.

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COMPLEMENTARES 06. DENIS, Léon. As Leis da Comunicação espirita, In: - . No Invisível. Trad. de Leopoldo Cirne. 7. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1973. p. 84. 07. Op. cit.- Condições de experimentação, p. 89. 08. RIGONATTI, Eliseu. A Lei da afinidade moral. In:-. A Mediunidade sem lágrimas. 5. ed. São Paulo, LAKE, 1966, p. 34. 09. Op. cit.- A Lei da afinidade fluídica, p. 46 e 47. 10. XAVIER, Francisco Cândido. Raios, Ondas, Médiuns, Mentes...In: - Nos Domínios da Mediunidade. Pelo Espírito André Luiz. 9. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979, p. 11. 11. Op. cit.- Estudando a Mediunidade , p. 1 5. 12. Op. cit., p. 16 e 17. "Médiuns são pessoas aptas a sentir a influência dos Espíritos e a transmitir os pensamentos destes (...). Essa faculdade é inerente ao homem. (...), donde segue que poucos são os que não possuem um rudimento de tal faculdade (...)." (03) "O fluido perispirítico e o agente de todos os fenômenos espíritas, que só se podem produzir pela ação reciproca dos fluidos que emitem o médium e o Espirito. O desenvolvimento da faculdade mediúnica depende da natureza mais ou menos expansiva do perispírito do médium e da maior ou menor facilidade da sua assimilação pelo dos Espíritos; depende, portanto, do organismo e pode ser desenvolvida quando exista o principio (...). A predisposição mediúnica independe do sexo, da idade e do temperamento (...)." (04) "As relações entre os Espíritos e os médiuns se estabelecem por meio dos respectivos perispírito, dependendo a facilidade dessas relações do grau de afinidade existente entre os dois fluidos (...)." (05) No entanto, "(...) precisamos considerar que a mente permanece na base de todos os fenômenos mediúnicos (...)." (11) "(...) Cada alma se envolve no circulo de forças vivas que lhe transpiram do hálito mental, na esfera de criaturas a que se imana, em obediência às suas necessidades de ajuste ou crescimento para a imortalidade (...). Agimos e reagimos uns sobre os outros, através da energia mental em que nos renovamos constantemente, criando, alimentando e destruindo formas e situações, paisagens e coisas, na estruturação dos nossos destinos (...)." (12) "(...) Entre um determinado Espirito e um médium pode haver afinidade fluídica e não haver afinidade moral e pode haver afinidade moral e não haver afinidade fluídica. A afinidade fluídica depende da constituição do organismo espiritual do médium e da do Espírito. A afinidade moral é a conseqüência do adiantamento alcançado pelo médium e pelo Espirito (...)~" (09) Na prática mediúnica existem algumas dificul