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Apostila de Ciência das Finanças-2010.2

Apostila de Ciência das Finanças-2010.2

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO CAPÍTULO I - INTRODUÇÃO À ECONOMIA 1. CONCEITOS BÁSICOS 2. DEFINIÇÃO DE ECONOMIA 2.1. Os problemas econômicos fundamentais 2.2. Sistemas econômicos 2.3. Funcionamento de uma economia de mercado: fluxos reais e monetários 2.4. Divisão do estudo econômico CAPÍTULO II - INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA 1. CONCEITO 1.1. Pressupostos básicos da análise microeconômica 1.2. Aplicações da análise microeconômica 1.3. Divisão do estudo microeconômico CAPÍTULO III - DEMANDA, OFERTA E EQUILÍBRIO DE MERCADO 1. BREVE HISTÓRICO 1.1. Demanda de mercado 1.2. Oferta de mercado 1.3. Equilíbrio de mercado 1.4. Interferência do governo no equilíbrio de mercado CAPÍTULO IV - ESTRUTURAS DE MERCADO 1. INTRODUÇÃO 1.1. Concorrência pura ou perfeita 1.2. Monopólio 1.3. Oligopólio 1.4. Concorrência monopolística 1.5. Estruturas do mercado de fatores de produção 1.6. A ação governamental e os abusos do poder econômico nos mercados MACROECONOMIA CAPÍTULO V - INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA 1. INTRODUÇÃO 2. OBJETIVOS DA POLÍTICA MACROECONÔMICA 2.1. Alto nível de emprego 2.2. Estabilidade de preços 2.3. Distribuição eqüitativa de renda 2.4. Crescimento econômico 2.5. Dilemas de política econômica: inter-relações e conflitos de objetivos 3. INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA 3.1. Política Fiscal 3.2. Política monetária 3.3. Políticas cambial e comercial 3.4. Política de rendas 4. ESTRUTURA DE ANÁLISE MACROECONÔMICA 4.1. Mercado de bens e serviços 4.2. Mercado de trabalho 4.3. Mercado monetário 4.4. Mercado de títulos 4.5. Mercado de divisas 5 6 6 6 7 7 8 10 11 11 11 12 13 15 15 15 17 19 20 23 23 23 24 24 25 25 26 27 27 27 27 28 28 29 29 30 30 30 31 31 31 32 32 33 33 33

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Professor: Raimundo N. S. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças

CAPÍTULO VI - CONTABILIDADE SOCIAL 1. INTRODUÇÃO 2. SISTEMAS DE CONTABILIDADE SOCIAL 2.1. Sistema de contas nacionais 2.2. Matriz de relações intersetoriais (ou matriz insumo-produto ou matriz de Leontief) 3. PRINCÍPIOS BÁSICOS DAS CONTAS NACIONAIS 4. ECONOMIA A DOIS SETORES: FAMÍLIAS E EMPRESAS 4.1. O fluxo circular de renda: análise da ótica do produto, da despesa e da renda 4.2. Formação de capital: poupança, investimento e depreciação. 5. ECONOMIA A TRÊS SETORES: AGREGADOS RELATIVOS AO SETOR PÚBLICO 5.1. Receita fiscal do governo 5.2. Gastos do governo 5.3. Superávit ou déficit público 5.4. Renda nacional, o custo de fatores e produto nacional a preços de mercado 6. ECONOMIA A QUATRO SETORES: AGREGADOS RELATIVOS AO SETOR EXTERNO 6.1. Exportações e importações 6.2. Produto interno bruto, produto nacional bruto e renda líquida do exterior 7. O PIB COMO MEDIDA DO BEM-ESTAR 7.1. PIB em dólares 7.2. Índice de Desenvolvimento Humano - IDH 7.3. IDH – Posição do Brasil 8. NÚMEROS-ÍNDICES 8.1. Índices de preços CAPÍTULO VII - ATIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO 1. CONCEITO 1.1. O fenômeno financeiro 1.2. Características fundamentais da atividade financeira 1.3. A instrumentalidade da atividade financeira 1.4. Instrumentalidade e política econômica 1.5. Fins da atividade financeira 2. CIÊNCIA DAS FINANÇAS 2.1. Conceito 2.2. Objeto 3. CIÊNCIA DAS FINANÇAS E DIREITO FINANCEIRO CAPÍTULO VIII - -DIREITO FINANCEIRO 1. CONCEITO 2. DELIMITAÇÃO 2.1. Autonomia 2.2. Relacionamento com os demais ramos do direito CAPITULO IX – A EVOLUÇÃO DO ESTADO 1. EVOLUÇÃO DAS FUNÇÕES DO GOVERNO E CRESCIMENTO DO SETOR PÚBLICO 2. ATRIBUIÇÕES ECONÔMICAS DO GOVERNO 2.1. Crescimento das despesas públicas 2.2. Determinantes das despesas públicas 3. DO ESTADO PROVEDOR AO ESTADO REGULADOR 3.1. Responsabilidades do Estado e tamanho do governo 3.2. Objetivos e alternativas de intervenção 3.3. Possibilidades de conflito e necessidades de coordenação 3.4. Federalismo fiscal

35 35 35 35 35 36 36 36 40 42 42 42 42 43 44 44 44 45 45 46 47 52 52 57 57 57 57 58 59 59 63 63 63 64 65 65 66 66 67 70 70 72 74 78 80 83 88 89 90 2

Professor: Raimundo N. S. Bertolesa

Curso: Direito

Disciplina: Ciência das Finanças

CAPITULO X - RECEITAS PÚBLICAS 1. CONCEITO 2. DEFINIÇÃO 3. RECEITA E INGRESSO 4. CONCEITOS E ASPECTOS LEGAIS DAS RECEITAS PÚBLICAS 5. CONCEITOS DOUTRINÁRIOS DE RECEITAS PÚBLICAS 6. CLASSIFICAÇÃO DAS RECEITAS ADOTADA PELA LEI Nº 4.320/64 7. CODIFICAÇÃO ORÇAMENTÁRIA DA RECEITA 7.1. Codificação da natureza da receita do ponto de vista contábil 7.2. Detalhamento de código da natureza da receita orçamentária 8. ESTÁGIOS DA RECEITA PÚBLICA 8.1. Resíduos ativos ou restos a arrecadar CAPITULO XI - DESPESAS PÚBLICAS 1. CONCEITO 2. CLASSIFICAÇÃO DAS DESPESAS SEGUNDO A LEI Nº. 4.320/64 2.1. Detalhamento de código da natureza da despesa orçamentária 3. DESPESA ORÇAMENTÁRIA 4. DESPESA EXTRA-ORÇAMENTÁRIA 5. PROCESSAMENTO DA DESPESA PÚBLICA 5.1. Estágios da despesa, segundo a lei 5.2. Estágios da despesa, segundo a realidade 5.3. Divida pública ou dívida passiva 5.4. Despesas de exercícios anteriores CAPITULO XII – ORÇAMENTO PÚBLICO 1. CONCEITO E DEFINIÇÃO 2. PRINCÍPIOS ORÇAMENTÁRIOS - CONCEITO 3. ORÇAMENTO TRADICIONAL DE RECEITAS E DESPESAS 4. ORÇAMENTO-PROGRAMA 4.1. Recursos para execução do Orçamento-Programa 4.2. Estimativa da receita 5. O PROCESSO DE ELABORAÇÃO DO ORÇAMENTO PÚBLICO NO BRASIL 5.1. Orçamento Geral da União (OGU) 5.2. A elaboração do Orçamento 5.3. Processo de elaboração do Orçamento 5.4. Resumo das fases do Orçamento 5.5. Períodos de atividades do orçamento público 5.6. Créditos adicionais 5.7. Alterações do orçamento durante sua execução 5.8. Previsão e resultado orçamentários FISCALIZAÇÃO CAPITULO XIII – FISCALIZAÇÃO E CONTROLE 1. INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL 1.1. Origens e experiências anteriores 2. OBJETIVOS DA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL 2.1. Equilíbrio das contas públicas 2.2. Receita Corrente Líquida - RCL 3. PLANEJAMENTO 3.1. Plano Plurianual – PPA 3.2. Lei de Diretrizes Orçamentárias - LDO 3.3. Lei Orçamentária Anual - LOA 3.4. Execução orçamentária e cumprimento de metas
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93 93 93 94 94 95 96 98 98 99 100 100 101 101 101 104 105 106 106 106 106 110 110 112 112 112 114 115 115 116 117 117 118 120 128 128 129 130 132 133 133 133 134 135 135 136 136 136 137 138 3

SANÇÕES INSTITUCIONAIS PARA DESCUMPRIMENTO DA LRF 10.4.RECEITA PÚBLICA 4.3.8. Renúncia de Receita 5. Regime constitucional da dívida pública brasileira CAPITULO XV – GLOBALIZAÇÃO 1. DÍVIDA PÚBLICA 1. Relatório Resumido da Execução Orçamentária .1. Fiscalização da Gestão Fiscal 9.RGF 8.7. A GLOBALIZAÇÃO BIBLIOGRAFIA 4. A DÍVIDA PÚBLICA BRASILEIRA 2. Previsão e Arrecadação da Receita 4. DESPESA PÚBLICA 5.4. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Despesas com a seguridade social 5.2.3.1.RREO 8.1. Despesas com pessoal: fiscalização e controle 5.2.4. Contratação de Operação de Crédito 7. SANÇÕES PESSOAIS 11.2. Restos a pagar 8.2. Transferências voluntárias 6. Formas de extinção da dívida pública 2.2. ÓRGÃOS DE CONTROLE NO BRASIL 14. TRANSPARÊNCIA. Antecipações de Receitas Orçamentárias – aro’s 7.3. O Controle externo como ferramenta de aprimoramento da Administração Pública 14.1. Limites de endividamento de acordo com a LRF 7. O alcance do controle judicial 14. DÍVIDA E ENDIVIDAMENTO PÚBLICO 7. O PAPEL DO CONTROLE 12. Garantia e contragarantia 7. 138 139 139 140 141 141 143 143 143 144 144 145 146 147 148 148 148 149 150 150 150 151 152 152 152 153 153 154 155 155 156 157 158 158 159 161 162 162 163 164 166 168 168 171 4 Professor: Raimundo N. O Controle interno 13.2.1. DESTINAÇÃO DE RECURSOS PARA O SETOR PRIVADO 7.3. A regra de ouro 7.5. Limites com pessoal 5. As potencialidades e limitações do TCU 14. Os Tribunais de Contas nos estados e nos municípios CAPITULO XIV – DÍVIDA PÚBLICA 1. CONTROLE E FISCALIZAÇÃO 8.1. O CONTROLE NO BRASIL 13. O Controle externo 14.1. S. O CONTROLE EXTERNO NO MUNDO 13. Recondução da dívida aos limites 7.6.3. Transparência na Gestão Fiscal 8. Controle particular 13. A LRF e a dívida pública 7. Relatório de Gestão Fiscal .4.1.

de forma bastante sucinta do Direito Financeiro e seus interdependência com o Direito Tributário e Administrativo. Nos capítulos X. a Atividade Financeira do Estado. demonstrando definições e importância bem como é conceituada e definida a Ciência das Finanças.INTRODUÇÃO O material de apoio ora apresentado destina-se a atender as necessidades dos acadêmicos de Direito no que diz respeito à disciplina Ciência das Finanças. Nos capítulos XIII. o seu enfoque é dado na parte teórica ou especulativa. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . XIV e XV tratar-se-á dos conceitos de Dívida Pública e Dívida Pública do Brasil e da Globalização e Direito Financeiro. 5 Professor: Raimundo N. no capítulo VIII trata-se. Ao capítulo IX cabe destacar a evolução do Estado desde os seus primórdios até os dias atuais. A Ciência das Finanças. qual seja. No Capítulo VII é tratada a Atividade Financeira do Estado. XI e XII tratar-se-á das Receitas Despesas e Orçamento Público enquanto no capítulo VII será definido os modelos de Controle bem como será demonstrado a importância de cada um dentro do contexto atual do Estado. S. A segunda parte que versa especificamente sobre Ciência das Finanças será tratada nos demais capítulos. diferentemente do Direito Financeiro que enfoca a parte prática. embora trate do mesmo objeto de estudo do Direito Financeiro. Na primeira parte que engloba do Capítulo I até o Capítulo VI tratar-se-á de assuntos à Microeconomia e Macroeconomia. Com o intuito de dar um melhor embasamento ao acadêmico. optou-se por dividir a presente apostila em duas partes.

recursos. períodos de crise econômica ou de crescimento. Um estudante de Economia. a fim de satisfazer as necessidades humanas. deparar-se-á com inúmeras questões econômicas. escassez.INTRODUÇÃO À ECONOMIA 1. e pode ser assim definida: Economia é a ciência social que estuda como o indivíduo e a sociedade decidem (escolhem) empregar recursos produtivos escassos na produção de bens e serviços. DEFINIÇÃO DEFINIÇÃO DE ECONOMIA A palavra economia deriva do grego oikonomía (de óikos. Essa definição contém vários conceitos importantes. que significa a administração de uma casa. déficit governamental. têm opiniões formadas sobre as medidas que o Estado deve adotar. dívida externa. de forma a melhorar a qualidade de vida da sociedade. crises no balanço de pagamentos. seja nos jornais. elevação de impostos e tarifas públicas. S.CAPÍTULO I . já rotineiros no dia-a-dia da sociedade. ou do Estado. rádio e televisão. produção. casa. O objetivo do estudo da Ciência Econômica é analisar os problemas econômicos e formular soluções para resolvê-los. desemprego. setores que crescem mais do que outros. que. nómos. com altas doses de empirismo. valorização ou desvalorização da taxa de câmbio. diferenças de renda entre as várias regiões do país. como: ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ aumentos de preços. vulnerabilidade externa. comportamento das taxas de juros. CONCEITOS BÁSICOS Seja no cotidiano. necessidades. 6 Professor: Raimundo N. distribuição. diferenças salariais. de modo a distribuí-los entre as várias pessoas e grupos da sociedade. ociosidade em alguns setores de atividade. lei). que são a base e o objeto do estudo da Ciência Econômica: ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ escolha. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . de Direito ou de outra área pode vir a ocupar um cargo de responsabilidade em uma empresa ou na própria administração pública e necessitará de conhecimentos teóricos mais sólidos para poder analisar os problemas econômicos que modelam a sociedade diariamente. Esses temas. 2. são discutidos pelos cidadãos comuns.

Essa é a questão central do estudo da Economia: como alocar recursos produtivos limitados. jurídicas. dado o nível tecnológico existente. aquele que tiver o menor custo de produção possível. nenhum deles dispõe de todos os recursos necessários para satisfazer todas as necessidades da coletividade. dentre outros) são limitados. as necessidades humanas são ilimitadas e sempre se renovam. ou seja. as reservas naturais e a tecnologia. Independentemente do grau de desenvolvimento do país. 2. distribuição e consumo de todos os bens e serviços que as pessoas utilizam buscando uma melhoria no padrão de vida e bem-estar. quais produtos serão produzidos e as respectivas quantidades a serem fabricadas. PRODUZIR: COMO PRODUZIR a sociedade terá de escolher ainda quais recursos de produção serão utilizados para a produção de bens e serviços. Por outro lado. toda sociedade tem de escolher entre alternativas de produção e de distribuição dos resultados da atividade produtiva entre os vários grupos da sociedade. o capital. conjunto de instituições políticas. originam-se os chamados problemas econômicos fundamentais: O quê e quanto produzir? Como produzir? Para quem produzir? ♦ PRODUZIR: O QUÊ E QUANTO PRODUZIR dada a escassez de recursos de produção. do sistema econômico de cada nação. ou seja. É um particular sistema de organização da produção. dos juros e dos benefícios do capital.Em qualquer sociedade. econômicas e sociais: que são a base da organização da sociedade. das rendas da terra. 7 Professor: Raimundo N. então. os recursos produtivos ou fatores de produção (mão-de-obra. Os problemas econômicos fundamentais Da escassez dos recursos ou fatores de produção. entre os métodos mais eficientes. de forma a atender ao máximo às necessidades humanas. complexo de unidades de produção: constituído pelas empresas. PRODUZIR: PARA QUEM PRODUZIR a sociedade terá também de decidir como seus membros participarão da distribuição dos resultados de sua produção.1. A distribuição da renda dependerá não só da oferta e da demanda nos mercados de serviços produtivos. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . social e econômica pela qual está organizada uma sociedade.2. por força do próprio crescimento populacional e do contínuo desejo de elevação do padrão de vida. Sistemas econômicos Um sistema econômico pode ser definido como a forma política. S. mas também da repartição inicial da propriedade e da maneira como ela se transmite por herança. 2. um problema de escassez: recursos limitados contrapondo-se a necessidades humanas ilimitadas. associadas às necessidades ilimitadas do homem. Tem-se. a sociedade terá de escolher. Em função da escassez de recursos. matérias-primas. A concorrência entre os diferentes produtores acaba decidindo como serão produzidos os bens e serviços. Os elementos básicos de um sistema econômico são: ♦ ♦ ♦ estoque de recursos produtivos ou fatores de produção: aqui se incluem os recursos humanos (trabalho e capacidade empresarial). Os produtores escolherão. da determinação dos salários. a terra. ♦ ♦ O modo como as sociedades resolvem os problemas econômicos fundamentais depende da forma da organização econômica do país. dentro do leque de possibilidades de produção.

Nesse sistema as questões econômicas fundamentais são resolvidas por um órgão central de planejamento. salários. 2. com os meios de sobrevivência. Os países organizam-se segundo esses dois sistemas. As empresas. Ou seja. ou economia de mercado. Era a filosofia do Liberalismo.3. mês etc. têm aberto cada vez mais espaço para atuação da iniciativa privada. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . no qual ainda prevalecem as forças de mercado. Após o fim da chamada “Cortina de Ferro”’ ao final dos anos 1980. caracterizando um “socialismo de mercado”: regime político comunista. predominando a propriedade pública dos fatores de produção. passaram a predominar os sistemas de economia mista. predominando a livre iniciativa e a propriedade privada dos fatores de produção. mas com a atuação do Estado. com economia de mercado. Em economias de mercado. regido pelas forças de mercado. como Rússia e China. produzem bens e serviços e os fornecem às famílias no mercado de bens e serviços. grande parte dos preços dos bens e serviços. mesmo as economias guiadas por governos comunistas. A esse fluxo de fatores de produção. matérias-primas1. 8 Professor: Raimundo N. Existe também liberdade para escolha de profissão (ou seja. há mobilidade de mão-de-obra). englobando os bens de capital. bens e serviços denominou-se de fluxo real da economia. Nas economias centralizadas. serviços e salários é determinada predominantemente pelo mecanismo de preços.). que atua por meio da oferta e da demanda dos fatores de produção. ou ainda economia planificada. saneamento e telecomunicações. energia. prédios. As famílias são proprietárias dos fatores de produção e os fornecem às unidades de produção (empresas) no mercado dos fatores de produção. ou alguma forma intermediária entre Pelo menos até o início do século XX. sistema socialista. chamados nessas economias de meios de produção. S. a partir de um levantamento dos recursos de produção disponíveis e das necessidades do país.2 1 Não pertencem ao Estado pequenas atividades comerciais e artesanais. tanto na alocação e distribuição de recursos como na própria produção de bens e serviços. que. e não ao longo de um período. prevalecia nas economias ocidentais o sistema de concorrência pura. 2 Um fluxo é definido ao longo de um dado período de tempo (ano. automóveis e móveis pertencem aos indivíduos (mas com preços fixados pelo governo). e não pela oferta e demanda no mercado.Os sistemas econômicos podem ser classificados em: ♦ ♦ sistema capitalista. Diferencia-se do conceito de estoque. que é definido num dado momento do tempo. cotas de produção e de recursos é calculada nos computadores desse órgão. eles. bancos. Funcionamento de uma economia de mercado: fluxos reais e monetários Para se entender o funcionamento do sistema econômico. como roupas. Os agentes econômicos são as famílias (unidades familiares) e as empresas (unidades produtoras). terra. pela combinação dos fatores de produção. essas questões são decididas por um órgão central de planejamento. em que não havia a intervenção do Estado na atividade econômica. a maioria dos preços dos bens. Principalmente a partir de 1930. ou economia centralizada. nas áreas de infra-estrutura. supor-se-á uma economia de mercado que não tenha interferência do governo nem transações com o exterior (economia fechada).

Assim. 9 Professor: Raimundo N. no mercado de fatores de produção.3: Figura I. I. No entanto. o fluxo real da economia só se torna possível com a presença da moeda. No mercado de bens e serviços. S.1: Figura I. aluguéis. que é utilizada para remunerar os fatores de produção e para o pagamento dos bens e serviços. Desse modo.2: Fluxo monetário da economia.1. juros.3: Fluxo circular de renda. royalties. Em cada um dos mercados atuam conjuntamente as forças da oferta e da demanda. tem-se o chamado fluxo circular de renda (ver a Figura I.3). Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças .2: Figura I. enquanto as empresas os demandam. lucros. as famílias oferecem os serviços dos fatores de produção (que são de sua propriedade).2). Unindo os fluxos real e monetário da economia. famílias e empresas exercem um duplo papel.I. as famílias demandam bens e serviços. enquanto as empresas os oferecem. I. no mercado de bens e serviços formam-se os preços dos bens e serviços. tem-se um fluxo monetário da economia (ver a Figura I. dentre outros). determinando o preço. paralelamente ao fluxo real.1: Fluxo real da economia. enquanto no mercado de fatores de produção são determinados os preços dos fatores de produção (salários. Como pode ser observado na figura I.

Macroeconomia. fogões. Os bens de capital. A cada fator de produção corresponde uma remuneração ao seu proprietário. entre outros. equipamentos e instalações. a poupança agregada. serviços e o movimento financeiro com o resto do mundo. É o caso. Estuda a determinação e o comportamento dos grandes agregados nacionais. bem como o setor externo. De acordo com sua durabilidade. Examina a formação de preços em mercados específicos. ou seja. capital e tecnologia. Divisão do estudo econômico A análise econômica. Os bens de consumo destinam-se diretamente ao atendimento das necessidades humanas. podem ser classificados como duráveis (por exemplo.1: Fator de produção e tipo de remuneração 2. adicionando-se o efeito dos impostos e dos gastos públicos ao fluxo anterior. Diferenciam-se dos bens finais. Inclusive. São usualmente classificados no ativo fixo das empresas. por exemplo. e não intermediários. Os fatores de produção. a. como não são “consumidos” no processo produtivo. terra. como se observa. matérias-primas e componentes). 10 Professor: Raimundo N. geladeiras.4. automóveis) ou como não-duráveis (alimentos. mas não se desgastam totalmente no processo produtivo. e uma de suas características é contribuir para a melhoria da produtividade da mão-de-obra. produtos de limpeza). conforme o quadro a seguir: I. que são vendidos para consumo ou utilização final. As empresas vendem bens e serviços no mercado. é o que se estabelece entre famílias e empresas. O fluxo completo incorpora o setor público. S.Esse fluxo. Os bens intermediários são transformados ou agregados na produção de outros bens e são consumidos totalmente no processo produtivo (insumos. investimento agregado. As famílias são as proprietárias dos fatores de produção. chamados recursos de produção da economia. Seu enfoque é basicamente de curto prazo (ou conjuntural). e o resultado de suas atividades (lucro/prejuízo) pertence a seus proprietários (unidades familiares). são bens finais. como consumidores e empresas interagem no mercado e como decidem os preços e a quantidade para satisfazer a ambos simultaneamente. representado pela capacidade empresarial ou gerencial dos proprietários da empresa. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . como o produto interno bruto (PIB).1: de Quadro I. que inclui todas as transações com mercadorias. de máquinas. é normalmente dividida em: Microeconomia ou teoria de formação de preços. também chamado de fluxo básico. bens Definição dos vários tipos de bens Os bens de capital são utilizados na fabricação de outros bens. para fins metodológicos e didáticos. em Economia considera-se o lucro também como remuneração a um fator de produção. são constituídos pelos recursos humanos (trabalho e capacidade empresarial). o nível geral de preços.

analisando-se o papel que a oferta e a demanda nele exercem. supondo que outras variáveis interfiram muito pouco. que estão em outros mercados. pois tem enfoque distinto. selecionando-se apenas as variáveis que influenciam os agentes econômicos — consumidores e produtores — nesse particular mercado. supor-se-á que o preço da mercadoria não varia. utilizou-se a conceituação econômica para se definir consumidor: pessoa natural ou jurídica que no mercado adquire bens ou contrata serviços como destinatário final. que a procura de uma mercadoria é normalmente mais afetada por seu preço e pela renda dos consumidores. poderem influenciá-los. assim. torna-se possível o estudo de determinado mercado.INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA 1. nesse contexto. ou que não interfiram de maneira absoluta. ou teoria dos preços. Pressupostos básicos da análise microeconômica a. a Microeconomia se vale da hipótese de que tudo o mais permanece constante (em latim. para avaliar a relação entre a procura e a renda dos consumidores. ou genericamente “empresário”. possui duas visões: a econômica e a jurídica.4 1. independentemente de outros fatores. 11 Professor: Raimundo N. o preço obtido pela interação do conjunto de consumidores com o conjunto de empresas que fabricam um dado bem ou serviço. visando atender a uma necessidade própria. Sabe-se. preferiu-se “fornecedor”. Para analisar o efeito do preço sobre a procura. da mesma forma. empresa ou estabelecimento comercial é a combinação realizada pelo empresário dos fatores de produção: capital. “comerciante”. na realidade o responsável. isto é.1.CAPÍTULO II . terra e tecnologia. A Microeconomia estuda o funcionamento da oferta e da demanda na formação do preço no mercado. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . em vez de serem utilizados termos como “industrial”. assim. A empresa. nas relações de consumo (relações jurídicas). coeteris paribus). “banqueiro” etc. analisa a formação de preços no mercado. de tal modo organizados para se obter o maior volume possível de produção ou de serviços ao menor custo. Na doutrina jurídica. O foco de estudo é dirigido apenas àquele mercado. o sujeito da atividade econômica. S. o efeito “puro” ou “líquido” de cada uma dessas variáveis sobre a procura. a lei reconhece o estabelecimento como uma universalidade de fato e não de direito. é o complexo de relações jurídicas que unem o sujeito ao objeto da atividade econômica. pela colocação de produtos e serviços à disposição do consumidor. reconhece-se o estabelecimento como uma universalidade de direito. Adotando-se essa hipótese. ou seja. entretanto. Os agentes da demanda — os consumidores — são aqueles que se dirigem ao mercado com o intuito de adquirir um conjunto de bens ou serviços que lhes maximize sua função utilidade. 3 No Brasil. No Direito. trabalho. que é o complexo de bens corpóreos e incorpóreos utilizados no processo de produção. por exemplo. se supõe que a renda permanece constante (coeteris paribus). CONCEITO A Microeconomia. paribus A hipótese coeteris paribus Para analisar um mercado específico. A teoria microeconômica não deve ser confundida com economia de empresas. A conceituação de empresa. incluindo-se na atividade econômica um complexo de relações jurídicas entre o empresário e a empresa. no Código Brasileiro de Defesa do Consumidor. Do ponto de vista econômico. 4 É de se notar que. como a empresa e o consumidor interagem e decidem qual o preço e a quantidade de determinado bem ou serviço em mercados específicos.3 O empresário é. Tem-se. e o objeto é constituído pelo estabelecimento.

política de propaganda e publicidade (como as preferências dos consumidores podem afetar a procura do produto). efeitos de impostos sobre mercados específicos. Papel dos preços relativos Na análise microeconômica. deve-se salientar que. 1. se a teoria microeconômica não é um manual de técnicas para a tomada de decisões do dia-a-dia. se cair apenas o preço do guaraná. preocupa-se em explicar como se determina o preço dos bens e serviços. dentro de um horizonte de planejamento.2. fertilizantes). se o preço do guaraná cair em 10%. a análise microeconômica pode subsidiar as seguintes decisões: ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ política de preços da empresa. Embora não tenha havido alteração no preço absoluto da soda. Agora. nada deve acontecer com a demanda (procura) dos dois bens (supondo que as demais variáveis permaneceram constantes). seu preço relativo aumentou. são mais relevantes os preços relativos. controle de preços. fixação do salário mínimo. política de subsídios (nos preços de produtos como trigo e leite. isto é. ampliação da empresa). a quantidade demandada desse bem deve cair. como parte da ciência econômica. política de tarifas públicas (água. quando comparado com o do guaraná. decisões ótimas de produção (escolha da melhor alternativa de produção. avaliação e elaboração de projetos de investimentos (análise custo—benefício da com pra de equipamentos. a questões aparentemente triviais. política salarial. diferenciação de mercados (possibilidades de preços diferenciados. fixação de preços mínimos na agricultura. previsões de custos de produção. Por exemplo. mas também o preço da soda cair em 10%. Para as empresas. luz e outras). 12 Professor: Raimundo N. deve-se esperar um aumento na quantidade procurada de guaraná. previsões de demanda e faturamento. os preços de um bem em relação aos demais. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . tanto para empresas como para políticas econômicas. da melhor combinação de fatores de produção. quando o preço de um bem se eleva. Em relação à política econômica. também. bem como dos fatores de produção. e uma queda na de soda. a teoria microeconômica pode contribuir na análise e tomada de decisões das seguintes questões: ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ avaliação de projetos de investimentos públicos.b. por exemplo. Aplicações da análise microeconômica A análise microeconômica. coeteris paribus? Entretanto. por que. e do tamanho (escala) ótima de operação). S. mesmo assim ela representa uma ferramenta útil para estabelecer políticas e estratégias. O instrumental microeconômico procura responder. isto é. em diferentes mercados consumidores do mesmo produto). tudo o mais permanecendo constante. localização da empresa (se a empresa deve situar-se próxima aos centros consumidores ou aos centros fornecedores de insumos). permanecendo inalterado o preço da soda. ou teoria dos preços. do que os preços absolutos (isolados) das mercadorias. ou na compra de insumos como máquinas.

monopsônio. que analisa as relações entre quantidades físicas do produto e os fatores de produção. com muitas empresas produzindo um dado produto. ou concentrado em poucas ou em uma única empresa. ou seja. que incorpora. S. c. As estruturas do mercado de bens e serviços são: a. estruturas Análise das estruturas de mercado A partir da demanda e da oferta de mercado. e a teoria dos custos de produção. avaliam-se os efeitos da oferta e da demanda. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . c. são decisões necessárias ao planejamento estratégico das empresas e à política e à programação econômica do setor público. dependerão da particular forma ou estrutura desse mercado. concorrência imperfeita. Análise da demanda A teoria da demanda ou procura de uma mercadoria ou serviço divide-se em teoria do consumidor (demanda individual) e teoria da demanda de mercado. O preço e a quantidade. interdependentes. concorrência perfeita. capital) está condicionada à (ou derivada da) procura pelo produto final da empresa no mercado de bens e serviços. ou welfare economics. se ele é competitivo. a procura de fatores produtivos é chamada de demanda derivada. os preços dos insumos. a. 13 Professor: Raimundo N. Como pode ser observado. ou seja. Dentro da análise da oferta da firma são abordadas a teoria da produção. 1. d. na realidade. Análise da oferta A teoria da oferta de um bem ou serviço também subdivide-se em oferta da firma individual e oferta de mercado. As estruturas do mercado de fatores de produção são: No mercado de fatores de produção. d. b. concorrência imperfeita ou monopolística. d. b. uma vez que a demanda por insumos (mão-de-obra. monopólio. A teoria do bem-estar. c. b. estuda como alcançar soluções socialmente eficientes para o problema da alocação e distribuição dos recursos. além das quantidades físicas. aço). encontrar a “alocação ótima dos recursos”. oligopólio. são determinados o preço e a quantidade de equilíbrio de um dado bem ou serviço. concorrência perfeita. tanto no mercado de bens e serviços como no mercado de fatores de produção. ou seja.♦ ♦ política de preços públicos (como petróleo. Divisão do estudo microeconômico A teoria microeconômica consiste nos seguintes tópicos: a. Na análise das estruturas de mercado. entretanto.3. Teoria do equilíbrio geral A análise do equilíbrio geral leva em conta as inter-relações entre todos os mercados. leis antitruste (controle de lucros de monopólios e oligopólios). embora todos sejam. procura analisar se o comportamento independente de cada agente econômico conduz todos a uma posição de equilíbrio global. oligopsônio.

conceitos básicos de Economia. o objetivo deste estudo é fornecer aos estudantes e profissionais de Direito. com freqüência. S. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . utilizando-se. em que se analisam situações nas quais os preços não são determinados isoladamente em cada mercado. Entretanto. 14 Professor: Raimundo N. tanto a teoria do equilíbrio geral e do bem-estar como a teoria do consumidor são fundamentalmente abstratas. que dêem subsídios para sua atuação no dia-a-dia e um melhor entendimento das principais questões econômicas de nosso tempo.Há de se destacar que no estudo microeconômico um dos tópicos consiste na análise das imperfeições de mercado. Na realidade. modelos matemáticos de razoável grau de dificuldade.

S. como observamos anteriormente. sob a hipótese de que estão maximizando sua utilidade. ela é reativamente abstrata. cerveja). a utilidade difere de consumidor para consumidor (uns preferem uísque. outros. Demanda de mercado a. Relação entre quantidade procurada e preço do bem: a lei geral da demanda Há uma relação inversamente proporcional entre a quantidade procurada e o preço do bem. ou seja.1: Escala de procura Os economistas supõem que a curva ou a escala de procura revela as preferências dos consumidores. curva de procura ou função demanda. Conceito A demanda ou procura pode ser definida como a quantidade de certo bem ou serviço que os consumidores desejam adquirir em determinado período de tempo. coeteris paribus. ou grau de satisfação no consumo daquele produto. b. Essa relação quantidade procurada/preço do bem pode ser representada por uma escala de procura (veja a Tabela III. A utilidade representa o valor ou grau de satisfação que os consumidores atribuem aos bens e serviços que podem adquirir no mercado. 5 Essa parte da análise microeconômica é denominada teoria do consumidor. o preço dos outros bens. considera-se cada uma dessas variáveis afetando separadamente as decisões do consumidor. a renda do consumidor e o gosto ou preferência do indivíduo. 15 Professor: Raimundo N. refletindo o fato de que a quantidade procurada de determinado produto varia inversamente com relação a seu preço. como foi visto. A procura depende de variáveis que influenciam a escolha do consumidor.1). OFERTA E EQUILÍBRIO DE MERCADO 1.1. Tabela III.CAPÍTULO III . inclusive com razoável grau de formalização matemática e não costuma ser aprofundada em cursos introdutórios de Economia. cujos fundamentos estão alicerçados no conceito subjetivo de utilidade. que envolve. 1.DEMANDA. Ou seja. coeteris paribus. Para estudar-se a influência isolada dessas variáveis utiliza-se a hipótese do coeteris paribus. subjacente à curva há toda uma teoria de valor.1: Tabela III. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . BREVE HISTÓRICO A evolução do estudo da teoria microeconômica teve início basicamente com a análise da demanda de bens e serviços. É a chamada lei geral da demanda. São elas: o preço do bem ou serviço. Como a utilidade está baseada em aspectos psicológicos ou preferências. no sentido da esquerda para a direita. os fundamentos psicológicos do consumidor5. A curva de procura inclina-se de cima para baixo.

Na realidade. embora seu salário monetário não tenha sofrido nenhuma alteração. efeito renda: quando aumenta o preço de um bem X.Outra forma de apresentar essas diversas alternativas é pela curva de procura (veja a Figura III. coeteris paribus. os consumidores passarão a demandar isqueiros. o consumidor passa a adquirir o bem substituto (o bem Y). exponencial. Exemplo: se o preço da caixa de fósforos subir demasiadamente. isto é. a procura de uma mercadoria não é influenciada apenas por seu preço. como potência. foi corroído.1). tudo o mais constante (renda do consumidor e preços de outros bens estando constantes). em termos de poder de compra. ou seja. demanda Outras variáveis que determinam a demanda de um bem b. reduzindo assim a demanda do bem X. S. A curva de demanda é negativamente inclinada devido ao efeito conjunto de dois fatores: o efeito substituição e o efeito renda. c. Se o preço de um bem aumenta. efeito substituição: se um bem X possui um bem substituto Y. Assim. 16 Professor: Raimundo N. e a demanda por esse produto X diminui. Matematicamente. Efetivamente. A expressão Qd = f(P) significa que a quantidade demandada Qd é uma função do preço P. Existe uma série de outras variáveis que também afetam a procura. III. num dado período de tempo. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças .1: Curva de procura do bem X6. seu salário “real”. reduzindo assim sua demanda por fósforo. o consumidor perde poder aquisitivo. vamos supor que a relação entre a quantidade procurada e o preço de uma dada mercadoria ou serviço seja do tipo linear. a relação entre a quantidade demandada e o preço de um bem ou serviço pode ser expressa pela chamada função demanda ou equação da demanda: f(P) Qd = f(P) em que: Qd = quantidade procurada de determinado bem ou serviço. P = preço do bem ou serviço. outro bem similar que satisfaça a mesma necessidade.1: Figura III. 6 Apenas por questão de simplificação. depende do preço P. quando o preço do bem X aumenta. a queda da quantidade demandada será provocada por esses dois efeitos somados: a. essa relação pode assumir outras funções matemáticas.

Diferentemente da função demanda.Para a maioria dos produtos. do preço (custo) dos fatores de produção e das metas ou objetivos dos empresários. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . de seu próprio preço. que se aplicam ao estudo da procura pela maior parte dos bens. como efeitos sazonais e localização do consumidor. a procura será também afetada por: ♦ ♦ ♦ ♦ renda dos consumidores. perspectivas da economia. a função oferta mostra uma correlação direta entre quantidade ofertada e nível de preços. temse a categoria de bens superiores ou de luxo: se o consumidor fica mais rico. Por exemplo. Tem-se ainda o caso de bens de consumo saciado. mercado Oferta de mercado Pode-se conceituar oferta como as várias quantidades que os produtores desejam oferecer ao mercado em determinado período de tempo. ou fatores mais gerais. ou ainda sucedâneos. coeteris paribus. então. coeteris paribus. Finalmente. quantidade de automóveis e preço da gasolina. quando a demanda do bem não é influenciada pela renda dos consumidores (como arroz. congelamentos ou tabelamentos de preços e salários. um aumento no preço da carne deve elevar a demanda de peixe. eles são chamados de bens substitutos ou concorrentes. farinha. Além das variáveis anteriores. A demanda de um bem ou serviço também pode ser influenciada pelos preços de outros bens e serviços. Quando há uma relação inversa entre o preço de um bem e a demanda de Outro. Pode-se. sal). tem-se um bem normal. demandará mais produtos de maior qualidade. cuja demanda varia em sentido inverso às variações da renda. Existe também uma classe de bens que são chamados bens inferiores. eles são chamados de bens complementares (por exemplo. É a chamada lei geral da oferta. a demanda de um bem ou serviço também sofre a influência dos hábitos e preferências dos consumidores. oferta depende de vários fatores. alguns produtos são afetados por fatores mais específicos. dentre eles. quais seriam as quantidades ofertadas a cada preço: 17 Professor: Raimundo N. Os gastos em publicidade e propaganda objetivam justamente aumentar a procura de bens e serviços influenciando preferências e hábitos. Se a renda dos consumidores aumenta e a demanda do produto também. resumir as principais variáveis que afetam a demanda de determinado bem ou serviço: 1. preço dos bens complementares. e preferências ou hábitos dos consumidores. se o consumidor ficar mais rico. tudo o mais constante. preço dos bens substitutos (ou concorrentes). Pode-se expressar uma escala de oferta de um bem X: dada uma série de preços.2. por exemplo. S. Da mesma maneira que a demanda. diminuirá o consumo de carne de segunda e aumentará o consumo de carne de primeira. Quando há uma relação direta entre preço de um bem e quantidade de outro. quantidade de camisas sociais e preço das gravatas). como condições de crédito. Analogamente.

= preço do bem ou serviço.2 oferta Figura III. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . por alterações tecnológicas e pelo aumento do número de empresas no mercado.2: Escala de oferta Essa escala pode ser expressa graficamente conforme pode ser visto na figura 4: III. Além do preço do bem. coeteris paribus. há uma relação direta entre a oferta de um bem ou serviço e o número de empresas ofertantes do produto no setor. aumentando a quantidade ofertada do produto. num dado período. salários. Parece claro que a relação entre a oferta e o custo dos fatores de produção seja inversamente proporcional. 18 Professor: Raimundo N. dado que melhorias tecnológicas promovem melhorias da produtividade no uso dos fatores de produção e. a função ou equação da oferta é dada pela expressão: QO = f(P) em que: QO P = quantidade ofertada de um bem ou serviço.III. portanto. uma retração da oferta do produto. um aumento dos salários ou do custo das matérias-primas deve provocar. a oferta de um bem ou serviço é afetada pelos custos dos fatores de produção (matérias-primas. um aumento do preço de mercado estimula as empresas a elevar a produção. A relação direta entre a quantidade ofertada de um bem e o preço desse bem deve-se ao fato de que. Por exemplo. Da mesma forma. preço da terra). A relação entre a oferta e nível de conhecimento tecnológico é diretamente proporcional. Matematicamente. S. aumento da oferta.2: Tabela III. novas empresas serão atraídas.2: Curva de oferta do bem X. coeteris paribus.

Seja a Tabela III. A. quando as filas cessarão. há uma tendência natural no mercado para se chegar a uma situação de equilíbrio estacionário . teremos uma situação de escassez do produto. o preço e a quantidade que atendem às aspirações dos consumidores e dos produtores simultaneamente. ou seja. Analogamente. se a quantidade ofertada se encontrar acima do ponto de equilíbrio E (B. quando há competição tanto de consumidores como de ofertantes. haverá um excesso ou excedente de produção. Como se observa. Se a quantidade ofertada se encontrar abaixo daquela de equilíbrio E (A. conduzindo a uma redução dos preços. isto é. até que se atinja o ponto de equilíbrio E. Desse modo.sem filas e sem estoques não desejados pelas empresas.3. será observada essa tendência natural de o preço e a 19 Professor: Raimundo N.00 unidades monetárias. Formar-se-ão filas. Graficamente: Figura III.3: Equilíbrio de mercado. III. B por exemplo). A lei da oferta e da procura: tendência ao equilíbrio A interação das curvas de demanda e de oferta determina o preço e a quantidade de equilíbrio de um bem ou serviço em um dado mercado. S. por exemplo). o que forçará a elevação dos preços.3. um acúmulo de estoques não programado do produto. pois as quantidades procuradas serão maiores que as ofertadas. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . o que provocará uma competição entre os produtores. Haverá uma competição entre os consumidores. representativa da oferta e da demanda do bem X: Tabela 3: Oferta e demanda do bem X Como se observa na Tabela 3. Equilíbrio de mercado a. se o sistema é de concorrência pura ou perfeita. existe equilíbrio entre oferta e demanda do bem X quando o preço é igual a 6. até atingir-se o equilíbrio (ponto E).1. ter-se-á o preço e a quantidade de equilíbrio. se não há obstáculos para a livre movimentação dos preços.3 Na intersecção das curvas de oferta e demanda (ponto E).

Supondo. b. para D1 Assim. Interferência do governo no equilíbrio de mercado O governo intervém na formação de preços de mercado quando fixa impostos. Deslocamento das curvas de demanda e oferta Como foi visto. um deslocamento da curva de oferta afetará a quantidade de mercado e o preço de equilíbrio. aos mesmos preços anteriores. que tem poder de afetar o preço de mercado.4: Deslocamento do ponto de equilíbrio. estabelece os critérios de reajuste do salário mínimo. é interessante observar o enfoque microeconômico da tributação. por raciocínio análogo ao anterior. a curva de oferta do bem X se deslocará para a direita. decreta tabelamentos ou. por exemplo. dá subsídios. Para que isso ocorra. existem vários fatores que podem provocar deslocamento das curvas de oferta e demanda.quantidade atingirem determinado nível desejado tanto pelos consumidores como pelos ofertantes. por hipótese. Assim. a. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Da mesma forma. O preço de equilíbrio inicial é P0 e a quantidade. os consumidores obtêm um aumento de renda real (aumento de poder aquisitivo). Q0 (ponto A). 20 Professor: Raimundo N. Sabe-se que quem recolhe a totalidade do tributo é a empresa. mas isso não quer dizer que é ela quem efetivamente o paga. que provocará um aumento de preços até que o excesso de demanda acabe. Se. que o mercado do bem X (um bem normal. e.4. será maior. o preço de equilíbrio se tornará menor e a quantidade maior. a demanda do bem X. S. não inferior) esteja em equilíbrio. ao preço P0 ter-se-á inicialmente um excesso de demanda. Estabelecimento de impostos Embora seja tratado nos capítulos de Macroeconomia o papel do governo por meio dos instrumentos da política tributária. Isso significa um deslocamento da curva de demanda para a direita. coeteris paribus. ainda. que haja uma redução dos preços das matériasprimas usadas na produção do bem X. fixa preços mínimos para produtos agrícolas. III. Supondo. 1. saber sobre quem recai efetivamente o ônus do tributo é uma questão da maior importância na análise dos mercados. O novo equilíbrio se dará ao preço P1 e quantidade Q1 (ponto B). congela preços e salários. Conseqüentemente. é necessário que não haja interferência nem do governo nem de forças oligopólicas. que ressalta a questão da incidência do tributo. para exemplificar. com evidentes mudanças do ponto de equilíbrio.4 Figura III.

Contudo. se os preços mínimos forem superiores aos preços de mercado. taxas ou contribuições de melhoria. antes do início do plantio. maior a parcela do imposto paga pelos produtores. E essa sensibilidade (ou elasticidade) dependerá do tipo de mercado. imposto ad valorem: é um percentual (alíquota) aplicado sobre o valor da venda. com o preço mínimo acima do preço de equilíbrio de mercado. O mesmo ocorrerá se s consumidores dispuserem de vários substitutos para esse bem. sendo a quase totalidade dos impostos incidentes sobre o consumo do gênero ad valorem valorem.000. No ato do recolhimento. o valor do IPI será de R$ 5. o valor do IPI será de R$ 6. garante um preço que ele pagará após a colheita do produto. um aumento de impostos representa um aumento de custos de produção para a empresa. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . procurará repassar o imposto para o consumidor. Os impostos dividem♦ ♦ impostos indiretos: impostos incidentes sobre o consumo ou sobre as vendas. Caso contrário terá de reduzir seu volume de produção. do ponto de vista econômico. Nesse caso. Exemplos: Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). maior o grau de transferência do posto para os consumidores finais. que contribuirão com maior parcela do imposto. com propósito de protegê-lo das flutuações dos preços no mercado. mas elas repassam parte do imposto. ou seja. enquanto o valor do imposto varia com o preço do automóvel. que mostra sobre quem recai efetivamente o ônus do imposto. se o valor do automóvel for de R$ 50. onerando o consumidor final. Exemplos: Imposto de Renda (IR) e Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). se seu valor aumentar para R$ 60. O governo. o produtor preferirá vender sua produção para o governo ao preço anteriormente fixado. ajudá-lo diante de ma possível queda acentuada de preços e conseqüentemente da renda agrícola. terá de elevar o preço de seu produto. Entretanto. Do ponto de vista legal. Por outro lado. Política de preços mínimos na agricultura Trata-se de uma política que visa dar uma garantia de preços ao produtor agrícola.000 ao governo (esse valor é fixo e independe do valor do automóvel). como se pode notar. Se ela quiser continuar vendendo as mesmas quantidades anteriores. Normalmente os impostos indiretos são recolhidos pelas empresas.se em: Os tributos podem ser impostos. haverá um excedente de produto adquirido pelo governo.000. b. Entre os impostos indiretos destacar-se-ão: ♦ ♦ No Brasil. independentemente do valor da unidade vendida. A proporção do imposto paga por produtores e consumidores é a chamada incidência tributária. a margem de manobra de repassá-lo dependerá do grau de sensibilidade desse a alterações do preço do bem. os preços de mercado forem superiores aos preços mínimos. R$ 5. o agricultor preferirá vendê-la no mercado. diz respeito a quem arca efetivamente com o ônus. quanto mais concentrado o mercado — ou seja. Há uma diferença entre o conceito jurídico e o conceito econômico de incidência. Se. Exemplo: para cada carro vendido. que será utilizado como estoque regulador em momentos subseqüentes. aumentando o preço do produto e. Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). pois eles não poderão aumentar o preço do produto para nele embutir o tributo. S.000. Assim. O produtor procurará repassar a totalidade do imposto ao consumidor. impostos diretos: impostos incidentes sobre a renda e o patrimônio. 21 Professor: Raimundo N. assim.000. a título de imposto. a alíquota permanece inalterada em 10%. ou seja. Quanto mais competitivo ou concorrencial o mercado. a incidência refere-se a quem recolhe o imposto aos cofres públicos. há poucos impostos específicos. por ocasião da colheita. Exemplo: supondo a alíquota do IPI sobre automóveis de 10%. com poucas empresas —. recolhe-se. imposto específico: o valor do imposto é fixo.

5: Fixação do preço mínimo. Nesse caso. S.Graficamente pode ser visto assim: III. que o governo optará pela política menos onerosa. o que provocará grande queda no preço pago pelos consumidores (Pcons) Os produtores receberão Pmin e o governo bancará a diferença (Pmin—Pcons). Bresser). 22 Professor: Raimundo N. o governo pode adotar dois tipos alternativos de políticas: a. controlar preços de bens de primeira necessidade ou. como foi adotado no Brasil (Planos Cruzado. Tabelamento c. Refere-se à intervenção do governo no sistema de preços de mercado visando coibir abusos por parte dos vendedores. Figura III.5 mínimo. quando se aplicou o congelamento de preços e salários. b. pagar subsídio no preço (política de subsídios): o governo deixa os produtores colocarem no mercado toda a produção Q0. então. refrear o processo inflacionário. Evidentemente. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . comprar o excedente (Q0 menos Q’0) ao preço mínimo Pmin (política de compras).

não existem barreiras para o ingresso de empresas no mercado. Em concorrência perfeita. os preços de mercado tenderão a cair. que pressupõe que a empresa maximiza o mark-up. e c) se existem ou não barreiras ao acesso de novas empresas nesse mercado. isoladamente. no longo prazo. Essa é a hipótese da teoria tradicional ou marginalista. sem interferências. como foi visto no final do capítulo anterior. são conhecidas por todos os participantes do mercado. e conseqüentemente também os lucros extras que tendem a zero. na realidade. supondo que. isso atrairá novas firmas para o mercado.ESTRUTURAS DE MERCADO 1. que é a margem entre a receita e os custos diretos (ou variáveis) de produção. qual seja a de concorrência perfeita. como se fossem “átomos”. As várias formas ou estruturas de mercado dependem fundamentalmente de três características: a) número de empresas que compõem esse mercado. 1. A maior parte dos modelos existentes pressupõe que as empresas maximizam o lucro total. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . o preço de equilíbrio. Especificamente para o caso de estruturas oligopolistas de mercado. não existem lucros extras ou extraordinários (em que as receitas superam os custos). composto de grande número de empresas. não existe o mercado tipicamente de concorrência perfeita. Uma característica do mercado em concorrência perfeita é que. pois também não há barreiras ao acesso. e como são determinados os preços. preços etc. o mercado automaticamente encontra seu equilíbrio. S. produtos homogêneos: não existe diferenciação entre produtos ofertados pelas empresas concorrentes.CAPÍTULO IV . como o mercado é transparente. devem prevalecer as seguintes premissas: ♦ ♦ ♦ ♦ mercado atomizado. INTRODUÇÃO Foi visto anteriormente quais variáveis afetam a oferta e demanda de bens e serviços. Concorrência pura ou perfeita A concorrência pura ou concorrência perfeita é um tipo de mercado em que há grande número de vendedores (empresas). veremos que existe uma teoria alternativa. 23 Professor: Raimundo N. Existirão apenas lucros normais. Discutir-se-á neste capítulo mais detidamente essa e outras formas de mercado. não afeta a oferta do mercado nem. de tal sorte que uma empresa. Implicitamente. Com o aumento da oferta de mercado (devido ao aumento no número de empresas). quando então cessa o ingresso de novas empresas nesse mercado. conseqüentemente. mas apenas os chamados lucros normais. O grande número de empresas nesse mercado faz com que elas sejam apenas tomadoras de preços. transparência do mercado: todas as informações sobre lucros. que representam a remuneração implícita do empresário (seu custo de oportunidade). estava sendo suposta uma estrutura específica de mercado.1. ou pricetakers. implícitos nos custos. o que. Nesse tipo de mercado. corresponde ao nível de produção no qual a receita marginal se iguala ao custo marginal. sendo talvez o mercado de produtos hortifrutigranjeiros o exemplo mais próximo a esse modelo. b) tipo do produto (se as firmas fabricam produtos idênticos ou diferenciados). Deve-se salientar que. se existirem lucros extraordinários em curto prazo.

de outro. É possível caracterizar também tanto oligopólios com produtos diferenciados (como a indústria automobilística) como oligopólios com produtos homogêneos (alumínio. ou então em que há grande número de empresas. e há empresas satélites que seguem as regras ditadas pelas deres. patentes: enquanto a patente não cai em domínio público. Nos oligopólios. de um lado. 24 Professor: Raimundo N. os lucros extraordinários devem persistir também no longo prazo em mercados monopolizados. As empresas já instaladas operam com grandes plantas industriais. Monopólio O mercado monopolista caracteriza-se por apresentar condições diametralmente opostas às da concorrência perfeita. o que acaba sendo uma grande barreira para a entrada de novos concorrentes. O setor produtivo brasileiro é altamente oligopolizado.2. Essas barreiras à entrada podem advir das seguintes condições: ♦ monopólio puro ou natural: ocorre quando o mercado. Nele existe um único empresário (empresa) dominando inteiramente a oferta. com elevadas economias de escala e custos unitários bastante baixos. via de regra. o controle das minas de bauxita pelas empresas produtoras de alumínio. nem produto substituto ou concorrente. o monopólio institucional ou estatal em setores considerados estratégicos de segurança nacional (por exemplo. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . agindo como monopolistas (a chamada solução de monopólio).1. dentre outras. Esse é um modelo chamado de liderança de preços.3. Não há. cimento). setor de cosméticos. indústria química. respeitando as estruturas de custos das demais. ou simplesmente deixarão de consumir o produto. há empresas líderes que. por características próprias. Ele pode ser definido como um mercado em que há pequeno número de empresas. Nesse caso. portanto. Para que existam monopólios. a empresa é a única que detém a tecnologia apropriada para produzir aquele determinado bem. Como exemplo. fixam o preço. pode-se citar a indústria de bebidas. indústria de bebidas. No oligopólio. Elas costumam adotar uma política de preços comum. e todos os consumidores. publicidade. sendo possível encontrar inúmeros exemplos: montadoras de veículos. concorrência. no Brasil. comunicações e petróleo). 1. Dada a existência de barreiras à entrada de novas empresas. ainda. mas poucas dominam o mercado. indústria farmacêutica. promoções. ♦ ♦ Existe. diferentemente do que ocorre em concorrência perfeita. etc. controle de matérias-primas básicas: por exemplo. deve haver barreiras que praticamente impeçam a entrada de novas firmas no mercado. exige elevado volume de capital. O cartel é uma organização (formal ou informal) de produtores dentro de um setor que determina a política de preços para todas as empresas que a ela pertencem. indústria de papel. como na indústria de bebidas. Elas podem fazer uma concorrência extra-preço em termos de propaganda. tanto as quantidades ofertadas como os preços são fixados entre as empresas por meio de conluios ou cartéis. Oligopólio O oligopólio é um tipo de estrutura normalmente caracterizada por um pequeno número de empresas que dominam a oferta de mercado. como a indústria automobilística. ou os consumidores se submetem às condições impostas pelo vendedor. energia. Isso ocorreu e ainda ocorre com muitos desses setores no Brasil e no mundo. S. o que possibilita a cobrança de preços relativamente baixos por seu produto. quando no longo prazo só existirão lucros normais.

margem de manobra para fixação dos preços não muito ampla. 25 Professor: Raimundo N. mas que não se confunde com o oligopólio. Como o mercado de fatores depende da demanda de insumos pelos setores produtores de bens e serviços. Assim. uma vez que existem produtos substitutos no mercado. como são em grande número. E o caso da empresa que se instala em determinada cidade do interior e. seja pela prestação de serviços complementares (pós-venda). 1. mão-de-obra não especializada) é abundante. que é aparentemente contraditório). Os ofertantes ou fornecedores.1. mercado Monopólio no mercado de fatores Quando há um monopolista na venda de insumos.5. terra e tecnologia — também apresenta diferentes estruturas. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . a demanda por esses fatores é chamada de demanda derivada. mercado Estruturas do mercado de fatores de produção Até aqui foram identificadas as estruturas de mercados de bens e serviços. porém com segmentos de mercados e produtos diferenciados. Oligopólio no mercado de fatores Ocorre quando poucas empresas produzem um determinado insumo (oligopólio na venda do insumo). ou seja. embalagem. tendo para si a totalidade da oferta de mãode-obra. se houver redução da demanda de automóveis. capital. S. pelas seguintes características: ♦ ♦ número relativamente grande de empresas com certo poder concorrencial. seja por características físicas. por ser a única. embora o mercado seja competitivo (daí o nome concorrência monopolística.4. deriva do mercado do produto. d. As estruturas no mercado de fatores são resumidas a seguir. Concorrência monopolística A concorrência monopolística é uma estrutura de mercado intermediária entre a concorrência perfeita e o monopólio. não há barreiras ao acesso de empresas no mercado. Concorrência perfeita no mercado de fatores A concorrência perfeita no mercado de fatores corresponde ao mercado cuja oferta do fator de produção (por exemplo. o que torna o preço desse fator constante. lucros extraordinários em curto prazo atrairão novas empresas. O mercado de fatores de produção — mão-de-obra. cairá também a demanda por autopeças. a. Como em concorrência perfeita. só existirão lucros normais. e. Monopsônio (monopólio na compra de insumos) O monopsônio ou monopólio na compra de insumos compreende uma forma de mercado na qual há somente um comprador para muitos vendedores dos serviços dos insumos. torna-se demandante exclusiva da mão-de-obra local e das cidades próximas. em longo prazo. Essas características acabam dando um pequeno poder monopolista sobre o preço do produto. como a demanda de autopeças deriva da demanda de automóveis. não têm condições de obter preços mais elevados por seus serviços. b. c. Por exemplo.

e.

Oligopsônio (oligopólio na compra de insumos)

O oligopsônio ou oligopólio na compra de insumos é o mercado em que há poucos compradores negociando com muitos vendedores. Por exemplo: a indústria de laticínios, pois em cada cidade existem dois ou três laticínios que adquirem a maior parte do leite dos inúmeros produtores rurais locais. A indústria automobilística, além de oligopolista no mercado de bens e serviços, também é oligopsonista na compra de autopeças. f. Monopólio bilateral

O monopólio bilateral ocorre quando um monopsonista, na compra do fator de produção, defronta com um monopolista na venda desse fator. Por exemplo, só a empresa A compra um tipo de aço que é produzido apenas pela siderúrgica B. A empresa A é monopsonista, porque só ela compra esse tipo de aço, e a siderúrgica B é monopolista, porque só ela vende esse tipo de aço. Nesses casos, a determinação dos preços de mercado dependerá não só de fatores econômicos, mas do poder de barganha de ambos: o monopsonista tentando pagar o preço mais baixo (usando a força de ser o único comprador), e o monopolista tentando vender a um preço mais elevado (usando o poder de ser o único fornecedor).

1.6.

governamental A ação governamental e os abusos do poder econômico nos mercados

O Brasil possui, desde os anos 1960, extensa legislação que procura coibir os abusos do poder econômico em defesa da concorrência e da proteção aos consumidores. Dentro do chamado Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência, o Conselho Administrativo de Direito Econômico (CADE), a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) e a Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAE) são os órgãos que tem por objetivo julgar os excessos administrativos relativos a abusos do poder econômico, bem como analisar fusões de empresas que podem criar situações de monopólio ou maior domínio de mercado. Quando se prova que a limitação da concorrência não propicia ganhos aos consumidores em termos de menores preços ou produtos tecnologicamente mais avançados, o Cade pode determinar que o negócio seja desfeito.

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CAPÍTULO V - INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA 1. INTRODUÇÃO
A Macroeconomia estuda a economia como um todo analisando a determinação e o comportamento de grandes agregados, tais como: renda e produto nacionais, nível geral de preços, emprego e desemprego, estoque de moeda e taxas de juros, balanço de pagamentos e taxa de câmbio. Ao estudar e procurar relacionar os grandes agregados, a Macroeconomia não tem por enfoque o comportamento das unidades econômicas individuais e de mercados específicos. A Macroeconomia trata o mercado de bens e serviços como um todo (agregando produtos agrícolas, industriais e serviços de transporte, por exemplo), assim como o mercado de trabalho (não se preocupando com diferenças na qualificação, sexo, idade, origem da força de trabalho etc.). Entretanto, embora exista um aparente contraste, não há conflito entre a Micro e a Macroeconomia, uma vez que o conjunto da economia é a soma de seus mercados individuais. A diferença é primordialmente uma questão de ênfase, de enfoque. Ao se estudar as determinações de preços num dado setor, na Microeconomia consideram-se constantes os preços dos outros setores (a hipótese de coeteris paribus). Na Macroeconomia, estuda-se o nível geral de preços, ignorando-se as mudanças de preços relativos dos bens dos diferentes setores. Em resumo, a teoria macroeconômica tradicional trata fundamentalmente das questões do desemprego e da inflação, consideradas como problemas de curto prazo ou conjunturais, enquanto as teorias de desenvolvimento e crescimento incorporam questões estruturais, que envolvem políticas cujos efeitos demandam um período maior de tempo para apresentarem resultados, pois exigem mudanças profundas na estrutura econômica e institucional do país.

2.

POLÍTICA OBJETIVOS DA POLÍTICA MACROECONÔMICA
São os seguintes os objetivos da política macroeconômica: ♦ ♦ ♦ ♦ alto nível de emprego; estabilidade de preços; distribuição de renda socialmente justa; crescimento econômico.

As questões relativas ao emprego e à inflação são consideradas conjunturais, de curto prazo, a preocupação central das chamadas políticas de estabilização. As questões relativas ao crescimento econômico e à distribuição de renda envolvem aspectos também estruturais, que são predominantemente de longo prazo. Alguns textos colocam também como meta o equilíbrio no balanço de pagamentos, ou equilíbrio externo, mas esse não representa um objetivo em si mesmo, mas sim um meio, um instrumento que depende da orientação geral da política econômica determinada pelo governo sobre as metas já assinaladas. Isto posto, segue-se uma visão geral dessas questões.

2.1.

Alto nível de emprego

Pode-se dizer que as discussões sobre desemprego, a partir dos anos 1930, permitiram um aprofundamento da análise macroeconômica. E o livro de John Maynard Keynes, Teoria geral do emprego, dos juros e da moeda, de 1936, forneceu aos governantes os instrumentos necessários para que a economia recuperasse seu nível de emprego potencial ao longo do tempo. Deve-se salientar que antes da crise mundial dos anos 30 do século XX, o desemprego não preocupava a maioria dos governantes, pelo menos nos países capitalistas. Isso porque predominava o pensamento liberal, que acreditava que os mercados, sem interferência do Estado, 27
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conduziriam a economia ao pleno emprego de seus recursos, ou a seu produto potencial: milhões de consumidores e milhares de empresas, como que guiados por uma “mão invisível” determinariam os preços e a produção de equilíbrio, e, desse modo, não haveria problemas de desempenho. De fato, desde a Revolução Industrial, em fins do século XVIII, até o início do século XX, o mundo econômico parece ter funcionado mais ou menos assim. Entretanto, a evolução da economia mundial trouxe em seu bojo novas variáveis, como o surgimento dos sindicatos de trabalhadores, os grupos econômicos e o desenvolvimento do mercado de capitais e do comércio internacional, de sorte a complicar e trazer incertezas sobre o funcionamento da economia. A não interferência do governo levou à quebra da Bolsa de Nova York em 1929, e uma crise de desemprego atingiu todos os países do mundo ocidental nos anos seguintes. Com a contribuição de Keynes, contudo, fincaram-se as bases da moderna teoria macroeconômica, e da intervenção do Estado na economia de mercado. Na verdade, Keynes praticamente inaugurou a seguinte discussão macroeconômica, que perdura até hoje: qual deve ser o grau de intervenção do Estado na economia e em que medida ele deve ser produtor de bens ou serviços. A corrente dos economistas liberais (hoje neoliberais) prega que, na economia, o governo deva cuidar apenas da política monetária e deixar a produção de bens e serviços para o setor privado, enquanto outras correntes apregoam maior grau de atuação do Estado na atividade econômica (keynesianos, desenvolvimentistas, socialistas, etc.).

2.2.

Estabilidade de preços

Define-se inflação como o aumento contínuo e generalizado no nível geral de preços. Esta torna-se um problema para toda a sociedade porque acarreta distorções, principalmente sobre a distribuição da renda, sobre as expectativas dos agentes econômicos e sobre o balanço de pagamentos. Costuma-se aceitar que um pouco de inflação faça parte dos ajustes de uma sociedade dinâmica, em crescimento. Efetivamente, a experiência histórica mostra que existem algumas condições inflacionárias que são inerentes ao próprio processo de crescimento econômico. As tentativas dos países em via de desenvolvimento de alcançar estágios mais avançados de crescimento econômico dificilmente se realizam sem que também ocorram, concomitantemente, elevações no nível geral de preços. Mesmo em países mais desenvolvidos, o controle da inflação também é uma preocupação sempre presente, dado que, quanto maior o nível de atividade econômica, a utilização dos recursos produtivos tende a atingir sua capacidade máxima, gerando tensões inflacionárias.

2.3.

Distribuição eqüitativa de renda

A economia brasileira cresceu razoavelmente entre o fim dos anos 1960 e a maior parte da década de 1970. Apesar disso, verificou-se uma disparidade muito acentuada de nível de renda, tanto entre diferentes grupos socioeconômicos como entre as regiões brasileiras. Tal situação fere, evidentemente, o sentido de eqüidade ou justiça social. No Brasil, os críticos do “milagre econômico” argumentam que a concentração de renda no país piorou entre os anos 1967 e 1973 devido a uma política deliberada do governo de primeiro crescer para depois distribuir (a chamada teoria do bolo). A posição oficial era de que certo aumento na concentração de renda seria inerente ao próprio desenvolvimento capitalista, dadas as transformações estruturais que ocorrem nesse processo: êxodo rural, com trabalhadores de baixa qualificação, aumento da proporção de jovens, entre outros. Em países que tiveram um crescimento bastante rápido, principalmente após a 2 guerra mundial, como Brasil, Chile, México, Coréia do Sul, gerou-se um aumento abrupto da demanda por 28
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o que explica o freqüente controle do crescimento do consumo pelas autoridades para não provocar inflação. embora apresente falhas (os países árabes têm as maiores rendas per capita no mundo. por ser escassa. quando o desemprego diminui e a economia aproxima-se da plena utilização de recursos. embora tenha ocorrido no Brasil uma concentração de renda naquele período. pode-se aumentar o produto nacional por meio de políticas econômicas que estimulem a atividade produtiva. Entretanto. principalmente nos setores fornecedores de insumos básicos (aço. em colocar à disposição da coletividade uma quantidade de mercadorias e serviços que supere o crescimento populacional. as metas de crescimento e eqüidade distributiva têm-se mostrado conflitantes. Quando se fala em crescimento econômico. mas não o melhor padrão de vida em relação a outros países com renda per capita elevada). embalagens. mas a decisão final sobre qual caminho percorrer pertence aos políticos. a falta de qualificação da mão-de-obra teria sido o principal determinante da piora distributiva nesses países. No entanto. Assim.4. no Brasil e em outros países em desenvolvimento.5. poder-se-ia aumentar a renda dos pobres sem diminuir a dos ricos. melhorou seu padrão de vida no período. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . mas a participação deles na renda do país diminuiu. S. Essa tendência a uma relação inversa entre inflação e desemprego é denominada na literatura econômica trade-off entre inflação e desemprego. matériasprimas). inter nterDilemas de política econômica: inter-relações e conflitos de objetivos O crescimento econômico pode facilitar a solução de problemas relativos à pobreza. É fato que. Por outro lado. 2. com a maioria da mão-de-obra com baixa qualificação e. portanto. passam a ocorrer pressões por aumentos de preços. qualificação da mão-de-obra. que. ou seja. alternando períodos de maior prosperidade com outros mais recessivos. Outro conflito gerado por políticas econômicas pode ser observado entre as metas de redução de desemprego e a estabilidade de preços. A renda per capita é considerada um razoável indicador o mais operacional para se aferir a melhoria do padrão de vida da população. ou seja. 29 Professor: Raimundo N. Decidir qual o objetivo prioritário é tarefa que pertence mais ao âmbito do poder político. há um limite à quantidade que se pode produzir com a tecnologia e os recursos disponíveis.mão-de-obra qualificada. pois os conflitos sociais sobre a divisão do bolo produtivo podem ser abrandados quando ele aumenta. b) ou um avanço tecnológico. fundamentalmente devido ao fator educacional. as taxas de inflação tendem a ceder. melhoria tecnológica. Cabe aos economistas apresentar os custos e os benefícios de cada alternativa de política econômica. 2. que é um reflexo de uma tendência tradecíclica da economia. A renda dos pobres aumentou. numa situação recessiva (desemprego elevado). com baixos rendimentos. mas sim com a manutenção do emprego. Nesse sentido. Aumentar o produto além desse limite exigirá: a) ou um aumento nos recursos disponíveis. feito isso. uma vez que as empresas estarão mais voltadas a desovar seus estoques acumulados e os sindicatos de trabalhadores não estarão tão preocupados em obter salários mais elevados. novas maneiras de organizar a produção. o padrão de vida de toda a população melhorou. observa-se que. Crescimento econômico Se existe desemprego e capacidade ociosa. mas a renda das classes mais ricas aumentou proporcionalmente mais que a renda das classes mais pobres. O que ocorreu é que a renda média por habitante (renda per capita de todas as capita) classes aumentou. Deve ser observado que. mas menores que os mais qualificados). esta se referindo ao crescimento da renda nacional per capita. obtém ganhos extras relativamente aos trabalhadores menos qualificados (que também tiveram ganhos nesse processo. o que é aparentemente contraditório.

compra de títulos no open market. Os instrumentos disponíveis para tal são: ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ emissões de moeda. A política econômica deve ser executada por meio de uma combinação adequada de instrumentos fiscais e monetários. com baixas taxas de inflação. 3. POLÍTICA INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA A política macroeconômica envolve a atuação do governo sobre a capacidade produtiva (oferta agregada) e as despesas planejadas (demanda agregada). se o objetivo for o controle da inflação. para estimular (ou inibir) os gastos de consumo do setor privado. seria o inverso: redução da taxa de juros e da taxa de compulsório. A política tributária. As políticas monetária e fiscal representam meios alternativos diferentes para as mesmas finalidades. mas em sentido inverso. aumento das reservas compulsórias. cambial e comercial. e cresça de forma contínua e sustentável. Para uma política que vise melhorar a distribuição de renda.2. Se a meta for o crescimento econômico. 3. 150. chamado princípio da anualidade). esses instrumentos devem ser utilizados de forma seletiva. Política monetária Refere-se à atuação do governo sobre a quantidade de moeda e títulos públicos existentes na economia. é vedado às autoridades públicas cobrar tributos no mesmo exercício financeiro em que tenha sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou. open market (compra e venda de títulos públicos). Por exemplo. as medidas fiscais normalmente adotadas são: a diminuição de gastos públicos e/ou o aumento da carga tributária (o que inibe o consumo). por exemplo. a medida apropriada de política monetária seria diminuir o estoque monetário da economia (aumento da taxa de juros. inciso III. gastos do governo em regiões mais atrasadas etc. Pode-se dizer que a política fiscal tem mais eficácia quando o objetivo é uma melhoria na distribuição de renda. tanto na taxação às rendas mais altas como pelo aumento dos gastos do 30 Professor: Raimundo N. regulamentação sobre crédito e taxa de juros. reservas compulsórias (percentual sobre os depósitos que os bancos comerciais devem colocar à disposição do Banco Central). por meio da manipulação da estrutura e alíquotas de impostos. para elevar a demanda agregada. com distribuição de renda justa. Se o objetivo da política econômica for reduzir a taxa de inflação. ou venda de títulos no open market. além influir sobre o nível de tributação. anterioridade (antes conhecido como princípio da anualidade segundo o qual a implementação de uma medida só pode ocorrer a partir do ano seguinte ao de sua aprovação pelo Congresso Nacional. da Constituição Federal de 1988. S. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . redescontos (empréstimos do Banco Central aos bancos comerciais). Os principais instrumentos para atingir tais objetivos são as políticas fiscal. e de rendas. Se o objetivo for maior crescimento e emprego. monetária. b. Política Fiscal Refere-se a todos os instrumentos de que o governo dispõe para arrecadar tributos (política tributária) e controlar suas despesas (política de gastos). Toda política tributária deve obedecer a um princípio constitucional.3. Como consta do art. Logo. em benefício dos grupos menos favorecidos.1. essas medidas visam diminuir os gastos da coletividade. impostos progressivos. os instrumentos fiscais são os mesmos. é utilizada. Assim. com o objetivo de permitir que a economia opere a pleno emprego.

Políticas cambial e comercial São políticas que atuam sobre as variáveis relacionadas ao setor externo da economia. 31 Professor: Raimundo N. A política monetária é mais difusa no tocante à questão distributiva. Uma vantagem freqüentemente apontada da política monetária sobre a fiscal é que a primeira pode ser implementada logo após sua aprovação. a atuação do Conselho Interministerial de Preços (CIP). S.4. 3. No Brasil. dado que depende apenas de decisões diretas as autoridades monetárias. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . depois da Secretaria Especial de Abastecimento e Preços (SEAP). 3. ESTRUTURA DE ANÁLISE MACROECONÔMICA7 Tradicionalmente. da Indústria e Comércio e Agricultura. política A política cambial refere-se à atuação do governo sobre a taxa de câmbio. As autoridades monetárias podem fixar a taxa de câmbio (regime de taxas fixas de câmbio) ou permitir que ela seja flexível e determinada pelo mercado de divisas (regime de taxas flutuantes de câmbio). titular da FEA-USP. aluguéis). nesses controles. com apoio do Ministério das Relações Exteriores. e deve obedecer ao princípio da anterioridade. e os congelamentos de preços e salários nos planos econômicos (Cruzado. Entretanto. 4. os controles sobre preços e salários situam-se em categoria própria de política econômica. a fixação da política salarial. por exemplo. ou seja. enquanto o processo de implementação de políticas fiscais é muito lento.3. A política comercial diz respeito aos instrumentos de incentivos às exportações e/ou ao estímulo e desestímulo às importações. a estrutura básica do modelo macroeconômico compõe-se de cinco mercados que podem ser tidos como: Parte “real” da economia: ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ mercado de bens e serviços mercado de trabalho mercado monetário mercado de títulos mercado de divisas Parte “monetária”da economia: 7 Colaboração do Prof. IPI etc. o controle das taxas de juros e da taxa de câmbio. Normalmente esses controles são utilizados como política de combate à inflação. o salário mínimo. aumentando a defasagem entre a tomada de decisão e a implementação das medidas fiscais. No Brasil. A característica especial é que. Bresser. pois depende de votação no Congresso. Verão e Collor) situaram-se no contexto de políticas antiinflacionárias. enquanto a política comercial é comandada pelos Ministros do Planejamento. refere-se a estímulos fiscais (crédito-prêmio do ICMS.governo com destinação a setores menos favorecidos. fiscal ou cambial. Carlos Antonio Luque. as decisões de política cambial são de alçada do Conselho Monetário Nacional. Alguns tipos de controle exercidos pelas autoridades econômicas podem ser considerados dentro do âmbito das políticas monetária. com o controle e congelamento de preços. os preços são congelados e os agentes econômicos não podem responder às influências econômicas normais do mercado. Política de rendas A política de rendas refere-se à intervenção direta do Estado na formação de renda (salários.) e creditícios (taxas de juros subsidiadas) às exportações e ao controle das importações (via tarifas e barreiras quantitativas sobre importações).

essa estrutura. investimentos agregados. independentemente de características como grau de qualificação. poupança agregada. 4. A condição de equilíbrio nesse mercado é dada por: mão-demão-deOferta de mão-de-obra = Demanda de mão-de-obra 32 Professor: Raimundo N. Nos próximos capítulos.2. A determinação do nível geral de preços e do nível agregado de produção está condicionada pela evolução do nível de demanda e oferta agregadas de bens e serviços. nesse mercado não se distinguem os diferentes tipos de trabalho. Admite-se a existência de um único tipo de mão-de-obra. escolaridade.1. A demanda agregada depende fundamentalmente da evolução da demanda dos quatro grandes setores ou agentes macroeconômicos: ♦ ♦ ♦ ♦ consumidores. S. A seguir será apresentado um esboço da estrutura básica do modelo macroeconômico. a oferta ou produção agregada depende da evolução do nível de emprego e da capacidade instalada na economia. Esse mercado determina o nível de produção agregada. empresas. bem como as variáveis macroeconômicas determinadas. setor externo. que seria obtido pela agregação dos diversos bens produzidos. nível de preços. exportações totais. Por outro lado. bem como o nível geral de preços. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . A condição de equilíbrio do mercado é dada por: Oferta agregada de bens e serviços = Demanda agregada de bens e serviços As variáveis determinadas nesse mercado são as seguintes: ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ nível de renda e produto nacional. Mercado de bens e serviços A idéia básica seria a de se idealizar a economia como se ela teoricamente produzisse apenas um único bem. consumo agregado. importações totais. será discutida com mais detalhes. A oferta de mão-de-obra depende do salário real (custo efetivo da cesta básica de consumo para os trabalhadores) e da evolução da população economicamente ativa. sexo etc. Mercado de trabalho Assim como no mercado de bens e serviços não se levam em conta os diferentes tipos de bens produzidos pela economia. governo. 4. Esse mercado determina a taxa de salários e o nível geral de emprego. A demanda ou procura de mão-de-obra depende de dois fatores básicos: da taxa de salário real (ou custo efetivo da mão-de-obra para as empresas) e do nível de produção desejado pelas empresas.As variáveis ou agregados macroeconômicos são determinados pelo encontro da oferta e da demanda em cada um desses mercados.

Normalmente utiliza-se o título público federal como exemplo. 4. ou seja.As variáveis determinadas são: ♦ ♦ nível de emprego. determinada pelo Banco Central8 e pela atuação dos bancos comerciais.5. Como o Banco Central é o órgão executor dessas políticas. A oferta de divisas depende das exportações e da entrada de capitais financeiros.3. enquanto a demanda de divisas é determinada pelo volume de importações e saída de capital financeiro. não se considera a existência de diferentes tipos de títulos. Mercado de divisas Como a economia mantém transações com o resto do mundo. admite-se também a existência de um mercado monetário. que possuem um nível de gastos inferior a seu volume de renda. podem efetuar empréstimos para os agentes econômicos deficitários (aqueles que possuem nível de gastos superior a seu nível de renda). Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . supõe-se a existência de uma demanda de moeda (em função da necessidade de transações dos agentes econômicos. Em conjunto com o mercado de bens e serviços. taxa de salários monetários. De maneira semelhante aos mercados de bens e serviços e ao mercado de trabalho. estoque de moeda (meios de pagamentos). o salário monetário. Nesse mercado. 8 No Brasil. implicitamente estamos também nos referindo ao CMN. S. A condição de equilíbrio é dada por: Oferta de moeda = Demanda de moeda As variáveis determinadas nesse mercado são: ♦ ♦ taxa de juros. e como interagem. existem mercados de divisas ou de moeda estrangeira. descontada a inflação. que determina a taxa de inflação. ao contrário. A condição de equilíbrio nesse mercado é dada por: Oferta de títulos = Demanda de títulos e a variável determinada nesse mercado é o preço dos títulos. Mercado de títulos O mercado de títulos é incluído no modelo macroeconômico básico para que seja analisado o papel de agentes econômicos superavitários e deficitários. Mercado monetário Dado que todas as transações da economia são efetuadas com a utilização de moeda. Normalmente os mercados monetário e de títulos são analisados conjuntamente. que podem genericamente ser chamados de mercado financeiro. 4. 33 Professor: Raimundo N. isto é. Na verdade.4. a taxa de juros é determinada por esses dois mercados. dada sua grande interdependência. supõe-se que exista um títulopadrão. as principais normas e decisões de política monetária são feitas pelo conselho Monetário Nacional (CMN). da necessidade de liquidez) e de uma oferta de moeda. 4. o mercado de trabalho determina também o salário real. Os agentes econômicos superavitários. A demanda e a oferta de moeda determinam a taxa de juros.

mas praticamente determinando a taxa de equilíbrio. S. Diz-se que são variáveis determinadas institucionalmente. os gastos do governo e a oferta de moeda são exógenos. se a meta for a estabilização da taxa de inflação. devem ser adotadas políticas de expansão monetária e de gastos públicos. não são determinados nesses mercados. O mercado de capitais físicos está embutido no mercado de bens e serviços por meio dos investimentos (gastos com a formação de capital) e da poupança (financiamento da formação de capital). deve ocorrer uma diminuição tanto nos gastos do governo como na oferta de moeda. já que dependem do tipo de política econômica adotado pelas autoridades. mas sim de forma autônoma pelas autoridades. Na análise macroeconômica. mas não são determinadas por eles. se o objetivo for desenvolvimentista. pois ele atua tanto na compra como na venda de divisas (o que é chamado de ”flutuação suja” ou dirty floating floating). O mercado de capitais financeiros é estudado com o mercado monetário e de títulos. Por exemplo. isto é. 34 Professor: Raimundo N.Assim. Elas vão condicionar o comportamento de todos os demais agregados. a condição de equilíbrio nesse mercado é dada por: Oferta de divisas = Demanda de divisas sendo que a variável determinante nesse mercado é a taxa de câmbio. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . O Banco Central pode interferir no mercado de divisas fixando antecipadamente a taxa de câmbio (regime de taxas de câmbio fixas) ou deixando a taxa flutuar (regime de taxas de câmbio flutuantes ou flexíveis).

Os conceitos apresentados neste capítulo baseiam-se nesse sistema9. A contabilidade social procura definir e medir os principais agregados a partir de valores já realizados ou efetivados (ou ex post a posteriori. que serão definidos neste capítulo. Neste capítulo. será apresentada a parte relativa à contabilidade social. ela exige dados mais detalhados. medem-se apenas as transações com bens e serviços finais. que só são obtidos nos censos econômicos. 2. que é o agregado de tudo o que é produzido nessa economia. elaborados normalmente com intervalos de cinco anos. e não as transações com insumos ou matérias-primas. o sistema de contas nacionais é o mais adotado no mundo todo. A análise do comportamento dos agregados econômicos constitui a teoria macroeconômica propriamente dita. insumoMatriz de relações intersetoriais (ou matriz insumo-produto ou matriz de Leontief) Diferentemente do sistema de contas nacionais. a matriz de Leontief inclui as transações intermediárias. utilizados na produção dos bens finais. Já a Macroeconomia post. Nesse sistema. por incluir também as transações intersetoriais. 2. A nova contabilidade social São Paulo: Saraiva. 35 Professor: Raimundo N. Existem dois sistemas principais de contabilidade social. 9 Para mais informações sobre a estrutura contábil do sistema de contas nacionais e da matriz insumo-produto. por exemplo. em poupança agregada na contabilidade social.. discriminando as transações dos grandes agentes (setores) macroeconômicos: famílias.1. permitindo analisar também relações econômicas entre os vários setores de atividade (o que cada setor gasta e o que vende para outros setores). A Organização das Nações Unidas (ONU) apresenta modelos e manuais desses sistemas. por questões operacionais. Nos capítulos seguintes. ante. o produto nacional bruto. Entretanto. M. empresas. CONTABILIDADE SISTEMAS DE CONTABILIDADE SOCIAL Os agregados macroeconômicos. cujo foco é a evolução desses agregados e como atuar sobre eles por meio dos instrumentos de política econômica. ver PAULANI. A parte relativa à medição desses agregados é denominada contabilidade social.2. governo e setor externo. Essa matriz fornece informações mais completas.CAPÍTULO VI . S. adotados na quase totalidade dos países: o sistema de contas nacionais e a matriz de relações intersetoriais. são determinadas a partir de um sistema contábil que trata o país como se ele fosse uma grande empresa que produz um produto único. Assim. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . referi-se à poupança realizada (ex post). o sistema de contas nacionais utiliza o método tradicional das partidas dobradas. depois de ocorridos). quando se fala.CONTABILIDADE SOCIAL 1. 2006. cada um representado por uma conta específica. INTRODUÇÃO Como foi visto anteriormente. serão discutidas questões pertinentes à teoria e política macroeconômicas. e trabalha com valores teóricos. permitindo obter mais rapidamente estimativas anuais dos agregados macroeconômicos. a priori antes de ocorrerem). L. BRAGA. Sistema de contas nacionais Assim como na contabilidade privada. que orientam os institutos de pesquisas na medição dos agregados nacionais.. na teoria macroeconômica é poupança planejada ou desejada (ex ante ex ante). 2. Assim. planejados (ou ex priori. que é o registro contábil da atividade produtiva de um país ao longo de um dado período de tempo. antecipa ou prevê o que pode ocorrer. B. a teoria macroeconômica estuda a determinação e o comportamento dos agregados econômicos nacionais. previstos.

a atividade comercial é um serviço corrente. já que representam geração de renda oriunda da atividade de prestação de serviços pelo setor financeiro da economia. Então. S. apenas à remuneração aos fatores de produção (salários. as taxas de juros e a taxa de câmbio também não são apresentadas no sistema de contabilidade social. Assim. 36 Professor: Raimundo N. dado que essas não representam diretamente acréscimos do produto real da economia. empresas. Assim. que representam diretamente alterações da renda e da riqueza.1. serão considerados apenas dois agentes: empresas e famílias (economia a dois setores). 11 Deve ficar claro que não são computados os montantes dessas transações financeiras como parte da formação do produto e da renda nacionais. por exemplo). componentes). a contabilidade social preocupa-se apenas em mensurar os agregados reais. governo e setor externo é considerado bem ou serviço final. embora existam também estimativas trimestrais. Entretanto. transações na Bolsa de Valores) são considerados transferências financeiras entre aplicadores e tomadores11. Esses agregados (depósitos e empréstimos bancários. Os custos de produção referem-se. Normalmente. DAS NACIONAIS PRINCÍPIOS BÁSICOS DAS CONTAS NACIONAIS Alguns princípios básicos devem ser observados no levantamento e medição dos agregados macroeconômicos. como as atividades econômicas compõem-se também do setor de serviços. exportações de matérias-primas. bem como os estoques de matérias-primas e componentes que não chegaram a ser utilizados na elaboração de outros produtos. não sendo considerados os custos de matérias-primas e demais produtos intermediários10 mede-se apenas a produção corrente do próprio período. no sentido de ser considerada apenas como unidade de medida. considera-se o ano. como no Brasil. não é levado em conta o valor de transações com bens produzidos em períodos anteriores (automóveis. as transações referem-se a um fluxo. a moeda é neutra. O fluxo circular de renda: análise da ótica do produto. ou seja. partiremos inicialmente de algumas hipóteses simplificadoras. imóveis usados. os salários e os lucros gerados pelas atividades financeiras são computados. não são considerados os valores das transações puramente financeiras. Esse fluxo (fluxo circular de 10 Tudo que é vendido diretamente a famílias. são definidas ao longo de certo período de tempo. máquinas. um padrão para permitir a agregação de bens e serviços fisicamente diferentes. juros. aluguéis e lucros). ♦ ♦ ♦ ♦ 4. a remuneração dos corretores da Bolsa de valores. mas que são amostras parciais.3. Ou seja. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . ou seja. a saber: ♦ consideram-se apenas as transações com bens e serviços finais. Entretanto. também são considerados bens finais a reposição de peças. mas não o valor do objeto de transação (o produto em si). Primeiro. Nessa mesma linha de raciocínio. finalmente. não sendo computadas as transações com bens e serviços intermediários (matérias-primas. e. então. e instrumento de troca. 4. A seguir serão introduzidas as variáveis relativas do setor público (economia a três setores). da despesa e da renda A análise macroeconômica trata da formação e distribuição do produto e da renda gerados pela atividade econômica a partir de um fluxo contínuo que se estabelece entre os chamados agentes macroeconômicos: famílias. SETORES: EMPRE ECONOMIA A DOIS SETORES: FAMÍLIAS E EMPRESAS Seguindo a metodologia tradicionalmente adotada na teoria macroeconômica. governo e setor externo. considera-se a remuneração do vendedor (mesmo que de um produto de segunda mão) como parte do produto corrente. agrega-se o setor externo (economia a quatro setores).

e também pela renda gerada no processo de produção (ótica da renda). para se avaliar o desempenho da economia no período.3: Empresa C produção de pães (em $) Considerando. S. As análises das óticas do produto e da despesa são medidas no mercado de bens e serviços. Do lado esquerdo da Tabela 9. que produz o pão e vende aos consumidores finais.2: Empresa B produção de farinha de trigo VI. Por simplificação. A empresa A produz trigo. Para entender melhor os conceitos dos agregados macroeconômicos.1: Tabela VI. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . e supondo que só existam as três empresas citadas. o setor trigo não tem 37 Professor: Raimundo N. juros. apenas o balancete da empresa A.2: Tabela VI. que vem a ser a remuneração dos fatores de produção (salários. aluguéis e lucros). O total de farinha de trigo produzido pela empresa B é vendido para a empresa C. enquanto a da renda é medida no mercado de fatores de produção. que produz a farinha de trigo. inicialmente.1 encontram-se relacionadas as despesas necessárias para a produção de $140 de trigo trigo. vamos supor uma economia em que só existam três empresas.renda) precisa ser periodicamente quantificado.3: Tabela VI. Supondo que os balancetes das três empresas sejam os seguintes: VI. sendo que o total de sua produção é vendido para a empresa B. O resultado da atividade econômica do país pode ser medido de três óticas: pelo lado da produção e venda de bens e serviços finais na economia (ótica do produto e ótica da despesa).1: Empresa A produção de trigo VI.

qi = quantidades produzidas dos bens e serviços finais.despesas com a compra de matérias-primas. desde que vendido diretamente ao consumidor. produzidos num dado período de tempo: em que: PN = produto nacional. 12 Considerando apenas a empresa A. = $ 30. pois. e não é interpretado como custo. o produto nacional é determinado apenas pela venda de pães. ou soma. O lucro é interpretado nas contas nacionais como a remuneração da capacidade empresarial. o trigo é um produto intermediário. diferença entre a interpretação econômica e a contábil. levarão ao mesmo resultado numérico12. há uma 130). medidos a preços de mercado. é apenas a diferença entre as receitas e as despesas. a despesa da empresa A ($140) é apenas o que ela gasta com o pagamento ou remuneração dos fatores de produção: ♦ ♦ ♦ ♦ salário. i = bens e serviços finais. que remuneram seus proprietários e acionistas. e PN = C Despesa Nacional Despesa nacional (DN) é o gasto dos agentes econômicos com o produto nacional. embora sejam conceitos diferentes. ou gerencial. Na prática. para os economistas. de consumo (C). Consolidando as informações das três empresas. Quando se consideram as três empresas. = $ 10. nesse modelo básico. = $ 20. pi= preço unitário dos bens e serviços finais. que é a remuneração do trabalho: juros. o lucro é uma parcela dos custos de produção das empresas. No exemplo anterior. S. que remuneram o capital: aluguel da terra: lucro: = $ 80. o trigo pode ser também um bem final. e o pão passa a ser o produto final. e mostrar que. para uso final. vamos introduzir os conceitos de produto nacional. 38 Professor: Raimundo N. a economia só produz bens 390. ∑ = símbolo de somatório. Revela quais são os setores compradores do produto nacional. Produto Nacional Produto Nacional (PN) é o valor de todos os bens e serviços finais. Na visão contábil. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . que é o único bem final correspondendo a $ 390 Então. despesa nacional e renda nacional. ou consumo final. as vendas de trigo representam o produto final. Assim. obtida da diferença entre a receita da venda ($ 140) e o pagamento dos demais fatores (80 + 30 + 20 = $ 130) Como já foi mostrado na parte de microeconomia.

No exemplo anterior. consolidando-se as três empresas. 39 Professor: Raimundo N. tem-se que: PN=DN=RN= $390 Isso ocorre porque. isto é: DN = C que é igual à compra de pão. Renda Nacional Renda nacional (RN) é a soma dos rendimentos pagos aos fatores de produção no período: RN = Salários + Juros + Aluguéis + Lucros RN = w +j + a +l Se somar-se todos os pagamentos de salários. governo e setor externo). a identidade deveria ocorrer entre o produto nacional e a despesa com o produto nacional (PN = C + I + G + X). basta excluí-lo por seu total. X-M = despesas líquidas do setor externo (sendo X = exportações e M = importações). Em termos operacionais. I = despesas das empresas com investimentos. Essas são as três óticas de medição do resultado da atividade econômica de um país num dado período. entretanto. Ocorre que as estatísticas dos quatro itens de despesa não permitem excluir o componente importado. A fórmula mais completa. Observe. juros. já que estamos interessados nas despesas com o nosso produto. entretanto. vendem (DN). governo e setor externo (este em termos de saldo líquido. tem-se o conceito de oferta global (soma do produto nacional com as importações). o que exclui as despesas com importações)13. como os bens intermediários acabam se anulando (venda de empresa). 13 Rigorosamente. a forma mais prática utilizada pelos estatísticos é a do valor adicionado. $ 390. permitindo a identidade entre produto nacional e despesa nacional. G = despesas do governo. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . empresas. igualando o fluxo do produto e o fluxo dos rendimentos. S. que veremos a seguir. a despesa nacional é composta apenas pelos gastos das famílias com bens de consumo (C).M) em que: C = despesas das famílias com bens de consumo. tudo o que a empresa recebe (PN = DN)14 ela gasta na remuneração aos fatores de produção (RN). Isso significa que o produto nacional é vendido para os quatro agentes de despesa: consumidores. mas medido pela ótica de quem compra (ótica da despesa). que inclui o lucro dos empresários. independentemente das importações. Ou seja. é a seguinte: +I DN = C +I + G + (X . é um valor idêntico ao produto nacional. finalmente. que inclui os demais agentes de despesa (empresa. tudo que as empresas produzem (PN). aluguéis e lucros das três empresas do exemplo anterior chegar-se-ía novamente ao valor de $ 390 390. como existe a estatística do valor global das importações. Se as importações (M) forem passadas para o lado direito da identidade. que será discutida posteriormente. que representa o total de mercadorias e serviços colocados à disposição da coletividade. 14 Como nesse modelo básico não há ainda formação de estoques. bastante simplificado. enquanto o produto nacional é medido da ótica de quem produz e vende (ótica da produção). a identidade básica das contas nacionais: Produto nacional = Despesa nacional = Renda nacional PN = DN = RN No exemplo.

Somando o valor adicionado em cada estágio de produção. De outra forma. seria necessário medi-la somando todas as declarações de imposto de renda do país. chegar-se-á ao produto final da economia. que é menos seguro do que a obtida por notas fiscais.4 Tabela VI.5 – Valor adicionado Como dificilmente se dispõe de informações tão detalhadas como as da Tabela 9. evidentemente. farinha de trigo e pão). alocados nos três estágios da produção do pão (trigo. VI. em termos práticos o valor adicionado é medido por diferença. ou seja: Valor adicionado = Valor bruto da produção (receita de vendas) − Compra de bens e serviços intermediários A vantagem é que o valor adicionado pode ser obtido a partir de notas fiscais. como na Tabela 9. foram consideradas apenas transações com bens de consumo corrente. que aumentarão capacidade 40 Professor: Raimundo N. que as famílias não gastam toda sua renda em bens de consumo (elas também poupam para o futuro).4 – Valor adicionado VI.Valor Adicionado Valor adicionado (ou valor agregado) é o valor que se adiciona ao produto em cada estágio de produção. Formação de capital: poupança. o mesmo resultado. investimento e depreciação. ou seja. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Admitindo-se.2.4.4. e as empresa não produzem apenas bens de consumo. já que todas essas transações são realizadas entre empresas (vendas de bens finais e intermediários) e cópias dessas notas são enviadas aos órgãos de arrecadação. S.5 (no Brasil. para obter Penda nacional. o valor adicionado é calculado diretamente pelo somatório da remuneração dos fatores de produção. ainda dentro do modelo de uma economia a dois setores. 4. há dados de salários apenas em anos de Censo). Na Tabela 9. o que dá. Na Tabela 9. mas também bens de capital. o valor adicionado é calculado por diferença (valor das vendas menos os custos dos bens intermediários). Até agora.5 Tabela VI. é a renda adicionada por cada setor produtivo.5.

que: Investimento total = Investimentos em bens de capital + Variação de estoques Deve ser observado que o investimento agregado é um conceito que envolve produtos físicos. não importando o que será feito posteriormente com ela (se ficará embaixo do colchão. mas não foram consumidos. Além disso. A depreciação é justamente a parte do produto que se destina a tal reposição. Entretanto. O investimento (também chamado de taxa de acumulação do capital é composto pelo investimento em bens de capital capital) (máquinas e imóveis) e pela variação de estoques16 de produtos que não foram consumidos (ou variação seja. por exemplo. não a transação na Bolsa de Valores). pois. tornando-se obsoletos. a parcela que não for gasta em consumo num dado período é a poupança agregada. no fundo. em nível agregado. aluguéis e lucros. Investimento Agregado (I) É o gasto com bens que foram produzidos. equipamentos. que não aumentou a capacidade produtiva da economia. 16 Os estoques são vistos nas contas nacionais como bens que foram produzidos num período. quando a empresa utiliza esse recurso ou parte dele para a compra de equipamentos. se será transformada em investimentos etc. aumentam a capacidade produtiva no período seguinte. de forma que precisam ser repostos. ficando para o período seguinte. 41 Professor: Raimundo N. C I Depreciação É o desgaste do equipamento de capital da economia num dado período. Assim. representando então investimento. mas não foram consumidos no período. aí. Poupança é o ato de não consumir no período. imóveis) não entra no investimento agregado. tem-se caracterizado um investimento no sentido macroeconômico (a compra do equipamento. isto é: S = RN − C em que C é o consumo agregado. Poupança Agregada (S)15 É a parcela da Renda Nacional (RN) que não é consumida no período. S. de formação bruta de capital fixo fixo. e que aumentam a capacidade produtiva da economia nos períodos seguintes. ou seja. nas contas nacionais. de toda a renda recebida pelas famílias. no processo de produção. para garantir a manutenção da capacidade produtiva. as empresas produzem bens de consumo (C) e bens de capital (I)). O conceito de depreciação introduz uma diferenciação entre investimento bruto e investimento líquido. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Com a introdução do Investimento (I). sim. as máquinas e os equipamentos sofrem desgastes. ações”. diferença entre o início e o fim do período). Isso introduz os conceitos de poupança. investir Trata-se de uma transferência financeira. o produto nacional (PN fica: PN) I PN PN = C +I (ou seja. “investir em ações” por exemplo. não é um investimento no sentido econômico. Tem-se. na forma de salários.produtiva da economia. que é dada pela depreciação: 15 S = saving em inglês. então. Sabe-se que. investimento depreciação. Os bens de capital são chamados.). Ou seja. o investimento em ativos de segunda mão (máquinas. constitui uma transferência de ativos que se compensa: alguém “desinvestiu” Esse bem já foi computado como investimento no passado. se será aplicada. deixando-a para consumo futuro. juros.

não são computados como parte da renda nacional. USP. pensões e subsídios). o setor O setor público é considerado em suas três esferas: União. Gastos do governo Nas contas nacionais. educação. dentro do setor de produção.3. tem-se um superávit das contas públicas. SETORES: RELATIVOS ECONOMIA A TRÊS SETORES: AGREGADOS RELATIVOS AO SETOR PÚBLICO Agora adicionar-se-á ao modelo anterior. elas são consideradas. 5. são considerados três tipos de gastos do governo: ♦ gastos dos ministérios e autarquias.1. compras de materiais para a manutenção da máquina administrativa) e despesas de capital (aquisição de equipamentos. S. contribuições à previdência social (de empregados e empregadores). multas. governo Receita fiscal do governo A receita ou arrecadação fiscal do governo constitui-se das seguintes receitas: ♦ ♦ ♦ ♦ impostos indiretos: incidem sobre transações com bens e serviços. gastos das empresas públicas e sociedades de economia mista: como suas receitas advêm da venda de bens e serviços no mercado. construção de estradas. Estados e Municípios. junto com empresas privadas. pedágios. gastos com transferências e subsídios: são considerados nas contas nacionais como transferências (normalmente. Por exemplo: imposto de renda. público. que continha apenas famílias e empresas. caso contrário. Com sua inclusão.−Depreciação Investimento líquido = Investimento bruto −Depreciação Da mesma forma. escolas. impostos diretos: incidem sobre as pessoas físicas e jurídicas. pois representam apenas uma transferência financeira do setor público ao setor privado. pode-se distinguir o produto nacional líquido (PNL e o produto nacional PNL) PNL bruto (PNB assim: PNB). atuando como empresas privadas. aluguéis. hospitais. e não como governo. Como os serviços do governo (justiça.2. Eletrobrás. PNB Depreciação Produto Nacional Líquido = Produto Nacional Bruto − Depreciação 5. planejamento) não têm preço de venda de mercado. ♦ ♦ 5. Por exemplo: Petrobras. donativos. 42 Professor: Raimundo N. Por exemplo: IPI. não ocorrendo qualquer aumento da produção corrente. o produto gerado pelo governo é medido por suas despesas correntes ou de custeio (salários. 5. outras receitas: taxas. tem-se um déficit (também chamado de necessidades de financiamento do setor público). nas contas nacionais. cujas receitas provêm de dotações orçamentárias. ICMS. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Superávit ou déficit público Se o total da arrecadação superar o total dos gastos públicos nas várias esferas de governo. que não são fatores de produção do período corrente. prisões). Por exemplo: aposentadorias e bolsas de estudo. se introduzirá os conceitos de receita fiscal e gastos públicos.

o conceito relevante é o fiscal ou primário). tem-se o conceito de superávit ou déficit primário ou fiscal. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . quando passamos de custo de fatores para preços de mercado.Excluindo-se os juros da dívida pública. já que não são as empresas que pagam. ganhando mais credibilidade para negociar sua dívida externa. juros. Contudo. pois o diferencial entre o preço de mercado e o preço do produto é coberto pelo governo. em alguns casos. o governo concede subsídios ao produtor de trigo para que esse tenha condição de vendê-lo abaixo do custo de produção. Por exemplo. mesmo que apresente déficit nominal ou total. 18 É interessante ressaltar que o conceito de déficit ou superávit representa um fluxo. também passamos do conceito de renda para o de produto. preços de mercado tem-se19: PNL a preços de mercado = RNL a custo de fatores + Impostos indiretos − Subsídios ou: Subsídios PNLpm = RNLcf + Impostos indiretos − Subsídios Evidentemente. costuma-se associar aos preços de mercado o produto. chega-se ao PNBpm. que é o preço final pago na venda. e ao custo de fatores. adiciona ao custo de fatores de produção os impostos indiretos (ICMS e IPI) e subtrai os subsídios. da RNBcf em vez da RNLcf. Quando são incluídos os juros nominais sobre a dívida. Se forem considerados apenas os juros reais (excluindo a taxa de inflação e a variação cambial). torna-se necessário distinguir os conceitos de custo de fatores e preços de mercado. mas os proprietários dos fatores de produção. Assim. tem-se o conceito de superávit ou déficit operacional17. fazendo com que o preço pelo qual o produto é vendido seja inferior a seu custo de produção. partindo. a mesma diferença vale em termos brutos. um país que apresenta superávit primário. Ë comum encontrarmos na literatura os conceitos de renda nacional a preços de mercado e produto nacional a custo de fatores. o custo de fatores e produto nacional a preços de mercado mercado O preço de mercado de um produto normalmente está acima do valor remunerado aos fatores de produção utilizados. subsidia o preço do produto. incidirá sobre salários. expresso ao longo de terminado período de tempo (ano. Para o FMI. trimestre. juros. está com suas contas relativamente equilibradas e revela condições de honrar seus compromissos futuros. 43 Professor: Raimundo N. enquanto preço de mercado.4. Renda nacional. aluguéis e lucros. o governo. enquanto o conceito de dívida pública é o saldo (estoque) acumulado até determinado instante do tempo. a renda. Ou seja. tem-se o conceito de superávit ou déficit total ou nominal. mês). Apenas os impostos indiretos. 17 No Capítulo 14. 19 Por convenção. com juros menores e prazos maiores18. e não os diretos são relevantes nessa diferenciação. não só líquidos: se se parte. por exemplo. aprofundamos um pouco mais esses conceitos e seu comportamento para o caso brasileiro no período recente.). por exemplo. Isso porque os impostos diretos não representam uma diferença entre o custo de fatores para a empresa e o preço final de mercado. S. aluguéis e lucros. Custo de fatores é o que a empresa paga aos fatores de produção. Isso porque em seu preço estão incorporados os impostos indiretos cobrados pelo governo (ICMS. Não é custo para a empresa. IPI e outros. ao se somarem impostos indiretos e subtraírem os subsídios. salários. 5. Com isso. quando o produto é essencial para a população. Além disso. sobre o setor público. muitos textos consideram isso uma convenção de pouca importância. da RNL (ou PNL a custo de fatores para se chegar ao PNL a PNL) mercado. interna e externa. Nos acordos firmados com o Fundo Monetário Internacional (FMI. mas para os proprietários dos fatores de produção. Assim. sem sofrer prejuízo.

definem-se os conceitos de exportação. parte desses tributos retorna ao setor privado na forma de transferências e subsídios. valorizados a preço de mercado. 44 Professor: Raimundo N. Com isso. sem se levar em consideração se os fatores de produção são de propriedade de residentes ou de não-residentes. Tem-se. Carga tributária líquida = Carga tributária bruta Transferências − Transferências e subsídios do governo ao setor privado 6. No entanto. 6. apesar de essa parcela da renda se encontrar de posse das empresas. chega-se à carga tributária líquida. então. como taxas. como aposentadorias. b. S. Renda pessoal disponível Esse conceito procura medir quanto da renda gerada no processo econômico fica em poder das famílias. importação e renda líquida do exterior. Finalmente. e introduz-se uma diferença entre produto interno e produto nacional. então: Renda pessoal disponível = Renda Nacional Líquida(cf) − Lucros retidos − Impostos diretos Contribuições − Contribuições previdenciárias − Outras receitas correntes do governo + Transferências do governo às famílias Ou seja.a. aluguéis e lucros e já descontada a depreciação. pois. tem-se de deduzir as demais receitas correntes do governo e adicionara transferências correntes do governo às famílias. produto nacional bruto e renda líquida do exterior O Produto Interno Bruto (PIB) é o somatório de todos os bens e serviços finais produzidos dentro do território nacional num dado período. bolsas de estudo. Carga tributária bruta e líquida A carga tributária bruta é o total da arrecadação fiscal do governo (impostos diretos e indiretos e outras receitas do governo.1. o esquema da contabilidade social fica completo quando se considera a economia “aberta” ao exterior. 6. de mercadorias e produtos pelas empresas de capital nacional enquanto as importações representam as despesas que os brasileiros fazem com produtos estrangeiros. poupar. a renda pessoal disponível mede quanto “sobra” para as famílias decidirem na compra de bens e serviços ou. Ao se deduzirem da carga tributária bruta os subsídios e as transferências do setor privado. Partindo da renda nacional líquida a custo de fatores. Devem-se deduzir ainda os impostos diretos e as contribuições previdenciárias pagas pelas famílias e empresas ao governo.2. juros. é preciso deduzir os lucros retidos (não distribuídos) pelas empresas para reinvestimentos. Exportações e importações As exportações representam as compras pelos estrangeiros. que é a soma dos salários. não é transferida de imediato às famílias. SETORES: RELA ECONOMIA A QUATRO SETORES: AGREGADOS RELATIVOS AO SETOR EXTERNO Finalmente. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Produto interno bruto. multas e aluguéis).

país.. e não se refere a atividades ilegais (quando essas são incluídas. como a sonegação fiscal. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Os juros representam o pagamento pela utilização do capital monetário externo (isto é. isso não significou que o Brasil ficou 50% mais pobre (a renda interna. em janeiro de 1999. PIB em dólares Para comparações internacionais. não reflete as condições econômicas e sociais de um país. o conceito de dólar PPP — purchasing powerparity. S. Ou seja: ♦ ♦ ♦ não registra a economia informal. piora do meio ambiente etc. que toma como valor de referência os preços dos produtos dos Estados Unidos. tem-se a chamada economia subterrânea ou economia submersa).20). cuja remuneração é remetida a seus proprietários no exterior. lucros. salários. o não registro de empregados. Houve um aumento da taxa de câmbio para R$ 1. Para sanar esse problema. as remessas de lucros são a remuneração pelo capital físico de propriedade das empresas estrangeiras instaladas no país. mas não os dólares correntes. Também existem residentes que possuem fatores de produção fora do país e recebem. que são muito afetados pela política cambial de cada país. o PIB é maior que o PNB o que significa que os brasileiros PNB. para produzir o PIB utiliza-se dos fatores de produção que pertencem a nãoPIB.80. Embora tenha caído o poder de compra dos brasileiros na compra de produtos importados. utilizam mais os serviços dos fatores de produção estrangeiros do que os estrangeiros utilizam os brasileiros. e os royalties representam o pagamento pela utilização da tecnologia estrangeira. o “caixa 2” etc. assim: 20 A economia informal é a desobediência civil às atividades formais de mercado. o PIB brasileiro era de aproximadamente R$ 900 bilhões.1. a ONU criou. tais como poluição. não considera diferenças na distribuição de renda entre os vários grupos da sociedade. utiliza-se o PIB em dólares. aluguéis não caíram em 50%). 7. renda do exterior (extração de petróleo pela Petrobrás. o que reduziu o PIB do Brasil para US$ 500 bilhões. isto é.20 não considera os custos sociais derivados do crescimento econômico. como a renda enviada supera a renda recebida. 7. congestionamentos. Por exemplo. lucros e royalties. Tem-se então: PNB = PIB + Renda recebida do exterior — Renda enviada ao exterior A diferença entre a renda recebida e a renda enviada ao exterior é chamada de renda líquida do exterior (RLE). residentes. Então. a diferença é chamada de renda líquida enviada ao exterior. Tem-se então: PNB=PIB +RLE No Brasil. na forma de juros. grandes construtoras brasileiras no exterior etc.).. que equivalia a cerca de US$ 750 bilhões (o dólar era cotado a R$ 1. ou paridade do poder de compra. BEMO PIB COMO MEDIDA DO BEM-ESTAR Muitos economistas argumentam que o PIB não mede adequadamente o bem-estar da coletividade. Somando-se ao PIB a renda recebida do exterior e subtraindo a renda enviada ao exterior tem-se o Produto Nacional Bruto (PNB) que é a renda que efetivamente pertence aos residentes do (PNB). para comparações internacionais. portanto. 45 Professor: Raimundo N. da dívida externa).Entretanto.

mas aos preços dos Estados Unidos. 46 Professor: Raimundo N. independentemente da idade. S.3 bilhões. e a volta do Afeganistão. e passa para o 2º posto em termos PPP (US$ 8. Outro exemplo é a China.IDH Dentro da discussão da adequação (ou não) do PIB como medida de bem-estar. o IDH avaliou 182 países. considera-se uma cesta de produtos homogênea. que havia saído do índice em 1996. 7. mas não a preços desses produtos do país em dólares (dólar corrente). que é a 4ª economia em dólares correntes (US$ 2. capita). os países membros da ONU são classificados de acordo com essas medidas. educação e expectativa de vida ao nascer. consumida em todos os países. Para esse cálculo. médio ou superior. seguida pela Austrália e Islândia. Todo ano. Índice de Desenvolvimento Humano . Como o próprio nome diz. seja ele fundamental. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Também entram na contagem os alunos supletivo. Por isso a medição do analfabetismo se dá.3 bilhões). e um PIB de US$ 1. colocando-se em 10º lugar. O segundo indicador é a taxa de escolarização: somatório das pessoas. em dólares PPP colocando-se em 9º lugar na economia mundial. a moeda nacional está desvalorizada perante o dólar (o dólar compra mais produtos no Brasil e na China que nos Estados Unidos). Significa que.1 bilhões de dólares correntes.ou seja. apenas classes especiais de alfabetização são descartadas para efeito do cálculo. além de um indicador econômico (PIB per capita inclui dois indicadores sociais: um índice de expectativa de vida e um índice de educação. De acordo com as Nações Unidas21. Serra Leoa. A Noruega continuou no topo da lista. 21 PNUD — Relatório de Desenvolvimento Humano 2007-8. é a taxa de alfabetização de pessoas com 15 anos ou mais de idade — na maioria dos países.234.814. Afeganistão e Níger são os três últimos e apresentam os piores índices de desenvolvimento humano. de classes de aceleração e de pós-graduação universitária. em 2005.9 bilhões). o Ensino Fundamental) antes dessa idade. Na edição de 2009. esse procedimento supõe que o dólar tenha o mesmo poder de compra em todos os países. O primeiro. Critérios de avaliação ♦ educação: Índice de educação: Para avaliar a dimensão da educação o cálculo do IDH considera dois indicadores. É uma maneira padronizada de avaliação e medida do bem-estar de uma população. dividido pelo total de pessoas entre 7 e 22 anos da localidade.566. nesses dois países. e vem sendo usado desde 1993 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no seu relatório anual. é interessante observar que as Nações Unidas calculam periodicamente um Índice de Humano (IDH). o Brasil apresentou um PIB de 796. com a inclusão de Andorra e Liechtenstein pela primeira vez. tomam-se as quantidades produzidas em cada país. uma criança já concluiu o primeiro ciclo de estudos (no Brasil. matriculadas em algum curso. tradicionalmente a partir dos 15 anos. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH é uma medida comparativa que engloba três IDH) IDH dimensões: riqueza. nesta área também está incluído o sistema de equivalências Rvcc ou Crvcc.2. com peso dois. Desenvolvimento Humano (IDH) que. O índice foi desenvolvido em 1990 pelos economistas Amartya Sen e Mahbub ul Haq.

Esse indicador mostra a quantidade de anos que uma pessoa nascida em uma localidade. sendo os países classificados deste modo: Quando o IDH de um país está entre 0 e 0. TE = Taxa de Escolarização.800 e 0. é considerado médio – país de desenvolvimento médio (em desenvolvimento) Quando o IDH de um país está entre 0.♦ Longevidade: Índice de Longevidade: O item longevidade é avaliado considerando a expectativa de vida ao nascer.899. deve viver. é considerado baixo – país de desenvolvimento baixo (subdesenvolvido) Quando o IDH de um país está entre 0.500 e 0. a renda medida pelo IDH é em dólar PPC (Paridade do Poder de Compra). é considerado elevado – país de desenvolvimento alto (em desenvolvimento) Quando o IDH de um país está entre 0. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . já que o cálculo da expectativa de vida é fortemente influenciado pelo número de mortes precoces. Reflete as condições de saúde e de salubridade no local.900 e 1. Classificação O índice varia de zero (nenhum desenvolvimento humano) até 1 (desenvolvimento humano total). TA = Taxa de Alfabetização. IDH – Posição do Brasil Segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) o Brasil entrou pela primeira vez para o grupo de países 47 Professor: Raimundo N. que elimina essas diferenças. é considerado muito elevado – país de desenvolvimento muito alto (desenvolvido) ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ 7. Como existem diferenças entre o custo de vida de um país para o outro. ♦ Cálculo Para se calcular o IDH de uma localidade.3. E = Educação e R = Renda) Legenda: EV = Expectativa de vida ao nascer. faz-se a seguinte média aritmética: (onde L = Longevidade. S.799.499. log10PIBpc = logaritmo decimal do PIB per capita. Renda: Índice de Renda: A renda é calculada tendo como base o PIB per capita (por pessoa) do país. em um ano de referência.

802 a 0. que atualizando as revisões do IBGE seria de US$ 9. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . e o índice ganhará um acréscimo de 0.685 Há muitas controvérsias quanto ao relatório de 2007 divulgado pelas Nações Unidas.807.800 ▲ 0. o Brasil continua a ser internacionalmente conhecido por ser uma das sociedades mais desiguais do planeta. Mas a Contagem Nacional da População.003 no índice final.002.com elevado desenvolvimento humano.808. contidos na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Outro dado é a taxa de alfabetização. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). com um índice medido em 0.800 no ano de 2005. revelou que apenas em 2007 o país atingiu este número de habitantes.789 ▲ 0. S.700 ▲ 0.806. Evolução do IDH no Brasil 2007 2005 2000 1995 1990 1985 1980 ▲ 0. No ano de 2009 encontra-se na 75ª colocação mundial. 48 Professor: Raimundo N. isso significaria uma elevação de 0.723 ▲ 0. com um índice de 0. onde a diferença na qualidade de vida de ricos e pobres é imensa.318 e o índice saltaria para algo entorno de 0.0%.753 ▲ 0. a renda per capita de 2005 foi calculada com base em uma projeção de população de 184 milhões de brasileiros. O motivo seria a não atualização de vários dados relativos ao Brasil por parte da organização. Mas dados estatísticos recentes. Se isso for levado em conta. Muitas instituições afirmam que o Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil possa estar errado e que o correto seria de 0. E há ainda um problema estatístico.813 ▲ 0.6% para 89. a renda per capita subirá. Mesmo assim.007 com uma pontuação de 0. que evoluiu 88. com menos gente para repartir o PIB. Em 2006.813 valor considerado de alto desenvolvimento humano. feita recentemente pelo instituto. O primeiro dado seria o do PIB per capita. mostram que o quadro começa a se alterar. obteve uma melhora no índice de 0.

por conta das Nações Unidas não ter atualizado os dados.5% em 2005 (36ª colocação mundial.4 anos (93ª colocação mundial logo abaixo de Sri Lanka e acima da Argélia). Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças .0% em 2004 para 87. No relatório 2007. um aumento no percentual de pessoas em idade escolar dentro das escolas e universidades. Legenda ██ 0. Segundo o IBGE. índice igual ao encontrado em 2004. No entanto. Nesse mesmo período houve queda de 1% na renda per capita e o Produto Interno Bruto (PIB) não cresceu significativamente. o país ficou com um índice de alfabetização adulta de 88. O relatório captou. 35 Emirados Árabes Unidos 36 Brasil 37 Malásia ▼ 88.3 ♦ Longevidade no Brasil Na área de longevidade.6% para 89.900 (Elevado) ██ 0. ♦ Educação no Brasil Na área de educação. logo 49 Professor: Raimundo N.0. de 72.Mapa de estados do Brasil segundo o IDH de 2005. de 86.800 – 0.6% (64ª colocação mundial. como mais de dois terços dos rendimentos das famílias brasileiras provém do trabalho assalariado.0% no período.0. como o Bolsa Família. a taxa de alfabetização adulta evoluiu de 88. logo abaixo dos Emirados Árabes Unidos e logo acima de São Vicente e Granadinas).5 ▲ 87. o Brasil vem conquistando grandes avanços nos últimos anos. o Brasil tem melhor desempenho que a média mundial e regional. A expectativa do Brasil é. Em 2005 foi estimada em 71. A explicação dos economistas brasileiros e também de técnicos do Banco Mundial para a redução das desigualdades está nos programas de distribuição de renda. atualmente.699 (Médio-baixo) Entre 2001 e 2004 a renda dos 20% mais pobres cresceu cerca de 5% ao ano enquanto os 20% mais ricos perderam 1%. S. porém. logo abaixo da Alemanha e acima de Singapura).799 (Médio-alto) ██ 0. há necessidade de crescimento da economia e do mercado de trabalho.600 .700 .0 ▲ 87.7 anos ao nascer (79ª colocação mundial.

0. O que causa controvérsia pois as Nações Unidas não atualizaram as revisões do IBGE e continuam usando os métodos do chamado "Velho PIB". 91 92 93 Sri Lanka Brasil Argélia ▲ 72.699 (Médio-baixo) 50 Professor: Raimundo N. Em 2004. S. entre eles o PIB per capita que deveria ser de US$ 9. e. em 2000. a renda dos brasileiros aumentou. o índice era estimado em 70.5 ▲ 72.799 (Médio-alto) ██ 0.195 PPC para US$ 8.600 .371 IDHMapa de estados do Brasil segundo o IDH-L Legenda ██ 0.800 – 0. 67. Com uma revisão de cálculos em Março de 2007.9% mais rico do que se imaginava.402 (67ª colocação mundial.4 ▲ 72. mudando assim uma série de dados. 66 67 68 Turquia Brasil Tunísia ▲ 8.407 ▲ 8.7 anos. o IBGE descobriu que o país era 10. Com isso. de US$ 8. A expectativa de vida do brasileiro supera a média global. entre 2004 e 2005. logo abaixo da Turquia e acima da Tunísia).abaixo da Jordânia e acima da Armênia) segundo o relatório. sendo no que o Brasil mais precisa melhorar.900 (Elevado) ██ 0.402 PPC.700 . também a renda influi no cálculo do desenvolvimento humano. saúde e saneamento.8 anos ao nascer.3 ♦ Renda no Brasil Por fim. O último relatório das nações unidas apresenta um PIB per capita (PPC) de US$ 8.402 ▲ 8. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Esse aumento da longevidade é um indicativo de melhoras no acesso a alimentação.0.318.

900 (Elevado) ██ 0.700 .0.0.500 . de um total de 177 países. 79 apresentavam posição IDH menor do que sua posição PlB per capita enquanto 98 tinham posição IDH maior do que sua capita.799 (Médio-alto) ██ 0.899 (Elevado-baixo) ██ 0.800 . Legenda ██ 0.800 – 0.599 (Baixo) Há nações com diferenças notáveis entre o indicador socioeconômico (IDH) e o puramente econômico (PIB).799 (Médio-alto) IDHMapa de estados do Brasil segundo o IDH-R. principalmente os países árabes. que apresentam alta renda per capita. S.999 (Elevado) ██ 0.0.900 – 0.600 .0. mas padrão social relativamente baixo. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . 51 Professor: Raimundo N. Legenda ██ 0. Em 2005.700 .0.IDHMapa de estados do Brasil segundo o IDH-E.699 (Médio-baixo) ██ 0.

posição PlB per capita Contudo, no geral, há uma razoável correlação do PlB per capita com o grau capita. de desenvolvimento social de um país. Se os países forem classificados em 10 grupos, o Brasil, por exemplo, localiza-se no quarto grupo (países de desenvolvimento médio), tanto em termos de renda per capita como pelo IDH. O Brasil está um pouco mais bem posicionado em termos de PlB per capita (conceito”econômico”), do que pelo IDH (conceito “sócio-econômico”), mas em 2005 atingiu pela primeira vez o”status”de país com Alto Desenvolvimento Econômico, como são classificados os países com IDH igual ou acima de 0,800. Antes, era classificado como país com Desenvolvimento Econômico Médio (IDH entre 0,500 e 0,799). Abaixo de 0,499, estão os países com Desenvolvimento Humano Baixo. Pode-se concluir que, apesar de algumas limitações, a medida do PIB é um indicador tanto para comparações internacionais como para medir o crescimento do país ao longo dos anos, captando o grau de desenvolvimento social e econômico. Entretanto, é sempre oportuno considerar também outros indicadores, como grau de distribuição de renda, taxa de analfabetismo, mortalidade infantil, expectativa de vida, leitos hospitalares per capita, consumo calorias e proteínas per capita, para que se tenha uma avaliação mais completa da real condição socioeconômica de um país.

8.

NÚMEROSNÚMEROS-ÍNDICES

O número-índice é uma estatística da variação de um conjunto composto por bens fisicamente diferentes. Não haveria dificuldades se fosse o caso de conhecer a variação de preços de um único bem. A necessidade da construção de índices aparece quando é preciso saber a variação conjunta de bens que são fisicamente diferentes e/ou que variam a taxas diferentes. Existem índices de preços e índices de quantidade. Os índices de preços são mais difundidos, dada sua utilidade para deflacionar (tirar o efeito da inflação) ou inflacionar informações monetárias e para o acompanhamento da taxa de inflação. Os índices de quantidade (ou de quantum) são úteis para determinar a variação física de séries compostas por produtos diferentes (por exemplo, o produto real).

8.1.

Índices de preços

Existem índices de preços por atacado (indústria e agricultura) e índice de preços de varejo (consumidor e construção civil). Até agora estivemos considerando como principal base de referência os índices de preços ao consumidor (IPC), também chamados índices de custo de vida (ICV). Supondo três bens na economia e a respectiva variação de preços entre dois meses: VI. Tabela VI.8: Variação de preço (em percentagem)

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No conjunto, quanto variou a taxa de inflação? Evidentemente, não se pode calcular uma média aritmética, pois os três bens têm pesos diferentes. Calcula-se, então, uma média aritmética ponderada: Média aritmética ponderada = 0,1x0,3+0,1x0,6+1x0,1=0,03+0,06+0,1=0,19 ou 19% Esse exemplo revela que, para calcular um número-índice, são necessários três componentes: a) a variação de preços no período; b) a importância relativa (ou peso relativo) de cada produto ou serviço no orçamento mensal do consumidor; c) a fórmula de cálculo. A forma como as instituições de pesquisa determinam esses componentes é o que provoca algumas diferenças entre os índices. Apresentamos, na Tabela VI.9, um resumo dos principais índices de preços no Brasil. A necessidade de se dispor de um índice de inflação nos primeiros dias do mês, para reajuste de contratos financeiros, salários etc., levou à criação de índices cujo período de coleta de preços não é do dia 1º ao último dia do mês (que só são divulgados cerca de 10 dias após o levantamento das informações), o que gera um fato curioso. Por exemplo, o IGP e o IGP-M só se diferenciam justamente no período de coleta (o IGP-M é levantado do dia 21 de um mês a 20 do outro, e o IGP corresponde ao mês completo). Se a inflação for crescente nos últimos 10 dias do mês (digamos abril), a inflação de abril medida pelo IGP será maior que a inflação de abril medida pelo IGP-M, já que o IGP captou a inflação desse final de mês, e o IGP-M não. Nota-se que os índices diferem também na região considerada. Por exemplo, o IPC-Fipe refere-se apenas ao Município de São Paulo, o IPC-Dieese cobre a Região Metropolitana de São Paulo, enquanto os demais índices são mais abrangentes, considerando dez capitais mais o Distrito Federal.

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VI.9: Tabela VI.9: Principais índices que acompanham os preços

Outra diferenciação reside nas classes de renda consideradas, que é uma informação necessária para o cálculo da importância relativa dos bens e serviços no orçamento do consumidor. Assim, por exemplo, o INPC considera, em sua amostra, os preços dos bens e serviços relevantes para famílias que têm renda assalariada de 1 a 8 mínimos, enquanto o IPCA (IPC amplo) considera famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos. Obviamente, a escolha das classes renda da amostra fará com que os pesos relativos dos itens componentes do índice sejam significativamente diferentes. Por exemplo, o tem “alimentação” tem peso maior nos índices que incluem mais classes com renda menor.

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condenando B. no valor de R$ 50.00. Ou seja.1 . publicado na Revista Conjuntura Econômica e reproduzido a seguir: 55 Professor: Raimundo N. calculado pela FGV-RJ. Supondo uma série de um índice hipotético. o índice representa uma estimativa do nível de preços do mês.10 Tabela VI..a. e não da taxa de variação. Agora. Todos os demais valores da série devem ser comparados com o valor do mês-base. Qual o valor que A deve receber? Para atualizar o valor da dívida. Exemplo de atualização de uma dívida Exemplo 1 Supondo que em 10/02/2001 A ingressou em juízo pedindo a tutela jurisdicional para cobrar dívida de B. o valor do índice (138) indica que os preços cresceram 38% em relação a janeiro.000. Normalmente as publicações especializadas trazem as duas séries (a do índice e sua taxa de variação). O juiz prolatou sentença em 31/10/2001. que deve ser calculada sobre o mês anterior (fevereiro) da seguinte forma: A mesma interpretação vale para os meses seguintes. S. a pagar a dívida atualizada em 24 horas. representada por nota promissória.10: Índice de preços Assim. os preços cresceram 20% em fevereiro. em março. com vencimento em 31/01/2001. é usual tomar-se o IGP-Dl (Índice Geral de Preços — Disponibilidade Interna). b. o que é a taxa de inflação do mês. mas não indica a taxa de inflação de março. com base em janeiro: VI. númeroInterpretação de uma série de número-índice Para se interpretar uma série de um número-índice tem-se que se saber que as séries de índices divulgados têm sempre um mês-base (ou ano) igual a 100. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças .

O resultado dessa divisão menos a unidade indica a taxa de inflação do período fevereiro a outubro de 2001. pois o título de crédito teve seu vencimento em 31/01/2001.00 vezes 8. que corresponde à dívida atualizada. IGPTabela VI. Nesse caso. Por exemplo.000.11: IGP-Dl Deve-se levar em conta a inflação de fevereiro de 2001. a Fundação Getulio Vargas que publica a revista Vargas. em 12 de julho de 1994. dois pontos devem ser observados. tomar cuidado ainda ao utilizar números diferentes de uma mesma revista. gerando o valor de R$ 54. Primeiro. b) esse valor é somado à dívida inicial de R$ 50.415.415. Segundo. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . pois podem ter bases diferentes. têm de ser divididos por 2. Por exemplo.83% = R$ 4. mesmo se tratando de um só índice. tomar cuidado com as constantes alterações do valor da moeda nacional.VI. para passar para reais.92. calcula-se o valor atual da dívida fazendo-se os seguintes cálculos: a) R$ 50.83% isto é. o índice apurado em outubro dividido pelo índice calculado em janeiro. Conjuntura Econômica altera o mês-base de comparação de seus índices a cada dois anos.00.8333 ────── Índice jan01 = 93. Em atualizações de valores muito antigos. tantas quantas forem as alterações ocorridas.750. a atualização deve ser feita por etapas.92. uma vez que a sentença condenatória foi prolatada em 31/10/2001.000. e também a inflação do mês de outubro. Com a taxa de inflação acumulada e o valor da dívida em 31/10/2001. Tem-se que a inflação acumulada de fevereiro a outubro de 2001 foi: Índice out01 = 101.088318 ou 8. S. em ações judiciais com início anterior à implantação do Plano Real.5694 − 1 = 0. os valores em cruzeiros reais. 56 Professor: Raimundo N. Econômica.

ora como política ou político-sociológica. necessariamente. Diversas são as teorias elaboradas. aplicação do Direito aos casos controvertidos (distribuição da justiça). construção de estradas. também. Daí necessitar ele. 57 Professor: Raimundo N. as pessoas de direito público. profundamente diferentes das necessidades das pessoas jurídicas regidas pelo direito privado. no mais das vezes. É uma atividade. na sua gestão e. 1. feitura das leis que regerão a comunidade. na sua aplicação. É a atividade política quem determina a escolha dos objetivos que devem ser perseguidos prioritariamente. em razão das exigências e das demandas que lhes são intrínsecas. S. Fundamentalmente o Estado dispõe daquilo que arrecada na sociedade. Enquanto tal. importante porque torna possível a existência das demais. à existência de uma atividade financeira consistente na obtenção de recursos. daqueles próprios dos particulares. a execução destas tarefas envolve necessariamente custos impossíveis de serem cobertos exclusivamente com o patrimônio próprio do Estado. em razão da escassez de meios financeiros. sobretudo na atividade de obtenção de ingressos de recursos e na realização de gastos. ao final. isto é. E o conjunto das atividades que têm por objeto o dinheiro. prestação de serviços públicos.VII CAPÍTULO VII . Essa atividade financeira dos entes públicos é concretizada sob duas modalidades fundamentais. na verdade. que procuram explicar essa atividade. existe para o atingimento de certos fins que dizem respeito aos interesses da própria coletividade. Os fins estatais diferem.1. São. sempre de outros recursos. sem dúvida. O fenômeno financeiro O fenômeno financeiro se manifesta. Situa-se no contexto interventivo dos entes públicos tanto no tráfico jurídico quanto na atividade econômica. portanto. a serem obtidos num volume tal que implica a utilização de métodos exclusivos seus. O fenômeno financeiro se apresenta como objeto de análise no âmbito das ciências sociais. Ora. fiscalização de muitas atividades particulares. ainda. a atividade financeira do Estado é toda aquela marcada ou pela realização de uma receita ou pela administração do produto arrecadado ou. Presença constante de uma pessoa jurídica de direito público A atividade financeira tem sempre como sujeito um ente público. visto que não é possível querer-se atingi-los. a ponto de desenvolverem a atividade financeira conformada por uma dogmática jurídica própria. da atividade financeira de uma entidade privada. A passagem dos dinheiros arrecadados pelos diversos órgãos estatais é feita também segundo regras próprias.2. simultaneamente. e até mesmo no campo social e econômico a presença do Estado faz-se sentir de forma acentuada. Características fundamentais da atividade financeira O desempenho da atividade financeira revela certas características que nela estão sempre presentes e cujo estudo colabora para desvendar a sua natureza íntima. a. asseguramento da defesa contra eventual inimigo externo. ora conceituando-a como puramente econômica. CONCEITO O Estado não deixa de ser uma grande associação. Em síntese. pela realização de um dispêndio ou investimento. 1. que envolvem a prática de atos coercitivos.ATIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO 1. principalmente por autores italianos. diferençados. Sabe-se que são hoje muitos os fins vistos pelo Estado: manutenção da ordem interna. O importante é se reconhecer que o funcionamento do Estado conduz. portanto. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . a todos. de forma coercitiva.

sem implicar verificação daquelas mencionadas situações correlatas. b. Mas isto não significa que toda relação econômica em que intervenha um ente público seja atividade financeira. contudo assumir a vestimenta de uma atuação de caráter interno. Há muitos momentos em que o Estado interfere na economia. a realização de Direito. poder-sujeição. O primeiro tem por objeto o estudo das normas que disciplinam o comportamento do Estado relativamente à economia. um objeto econômico na medida em que lida com recursos que têm essa natureza. se tornam eles financeiros. Como é reconhecido. propriamente dita. Nada obstante do ângulo do Direito Administrativo ser esta uma função que. da saúde etc. A instrumentalidade da atividade financeira Não se pode incluir a atividade financeira nos fins últimos do Estado. seria um grave erro identificar-se como financeira toda a atividade econômica do Estado. só a levada a efeito por pessoas a quem não se recusa a qualificação de públicas: a União. se referem à obtenção. Isto faz emergir o que os autores apontam como o caráter instrumental da atividade 58 Professor: Raimundo N. quer regulamentando-a. por não ser ela mesma de direito público. em princípio. É indispensável que haja recursos econômicos para enfrentar o custo da implementação desses objetivos. a presença de um ente público nas relações ou situações que este ramo do Direito regula. de forma mediata ou imediata.Na primeira ocorre uma relação jurídica intersubjetiva. exclui a qualificação de atividade financeira. em todos os casos. o dinheiro. Para que tenha os efeitos dessa atividade é necessário que concorram outros elementos. Estão aí incluídas as operações que envolvam títulos públicos. o Direito Financeiro regula as situações e relações jurídicas que. Portanto. o que significa dizer que se está diante de relações entre órgãos das mesmas pessoas jurídicas. contudo. Portanto. na qual cada uma das partes adota uma situação jurídica complementar (direito-obrigação. estes compreendem a segurança pública. enquanto na atividade financeira figura sempre a preocupação com o fenômeno do ingresso ou saída de recursos exclusivamente financeiros. Essas modalidades de atividade financeira encontram o seu respaldo em duas categorias diferentes de normas jurídicas: normas de relação no primeiro caso e normas de ação no segundo.3. potestade-dever etc. S. 1. mas consistente num muito específico. qual seja. c. confundível com quaisquer dos objetos com que lida a economia. É o que ver-se-á a seguir. Acontece. portanto. Dentro desta recai. entretanto. poderia estar sendo prestada pelo próprio Estado. os Municípios. direta ou indiretamente. O segundo disciplina a captação. Na outra. Entretanto. Atividade Atividade de conteúdo econômico A atividade financeira tem. Nem por isso. Na atividade econômica. atos de economicidade manifesta. para poder falar de atividade financeira e de Direito Financeiro. é necessária.). contudo. que esses fins não se cumprem sem que tenham um suporte financeiro. está sempre presente o objeto consistente na geração de bens ou serviços. gestão e gasto de recursos monetários por parte dos entes públicos. o Distrito Federal e as suas respectivas autarquias. quer praticando. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . guarda e dispêndio dos recursos públicos. E necessário separar-se o Direito Econômico do Direito Financeiro. Está fora da atividade financeira a captação de outros valores representados por bens in natura ou mesmo pela prestação pessoal de serviços. isto é. a disciplina jurídica da macroeconomia. inequivocamente. pode. Daí a necessidade de o Estado simultaneamente levar a efeito toda uma série de atividades destinadas a arrecadar os meios financeiros e direcioná-los para a concretização dos referidos fins. Conteúdo Conteúdo monetário Já foi visto que a atividade financeira tem um objeto econômico não. como também aquelas que têm por objeto créditos ou débitos. os Estados-membros. a prestação do ensino. Fica excluída da atividade financeira do Estado a desenvolvida por pessoas de direito privado no exercício de função ou serviço público. a verdade é que a qualidade da pessoa que a desempenha.

mas cumpre uma função instrumental de grande importância. Em conseqüência. O reconhecimento da atividade financeira como instrumental não deve levar à errônea conclusão de que tudo que tem caráter de meio na atuação do Estado é de natureza financeira. Na verdade. que é o dinheiro. como fontes de recursos. a atividade financeira não visa diretamente à satisfação de uma necessidade coletiva. então. Já houve épocas em que os Estados se valiam. pois. Os fins econômicos colimados ficam fora da disciplina. que é o dinheiro. O dinheiro é. da exploração do seu próprio patrimônio ou. portanto. que o Estado não arrecada recursos para o fim de armazená-los indefinidamente. de forma praticamente generalizada. saldar os seus compromissos.5. pretenda o Estado interferir na economia. A nota característica da atividade financeira é aquela que a distingue da atividade administrativa pelos mecanismos ou instrumentos através dos quais se atua. que começa no momento em que o Estado retira rendas das economias privadas. ou seja. Em primeiro lugar é um bem que não serve em si mesmo para nada. Neste sentido a atividade financeira aparece qualificada precisamente pela nota característica de referir-se ao manejo de um bem instrumental por excelência. 1. 1. uma relação de meio e fim. só destacável para fins de conhecimento. só se presta a servir de instrumento de trocas. O traço diferenciador parece residir no objeto sempre presente na atuação financeira. também aqui. A própria utilização de títulos da dívida pública não constitui exceção. abarcando o ciclo financeiro. A primeira inferência que se pode extrair é que esta atividade de propiciar meios ao Estado está intimamente vinculada aos próprios fins do Estado. com o qual possa. Em síntese. sendo seu regular desenvolvimento condição indispensável para o desempenho de todas as demais atividades. Na verdade o Estado é uma complexa engrenagem de serviços humanos. E em dinheiro que os Estados quitam os seus débitos. Com o dinheiro pode-se adquirir todo e qualquer bem. S. na medida em que é por intermédio da atividade financeira que o Estado pode cumprir suas metas de custear a sua existência. a moeda possui características que lhe são muito peculiares. em dinheiro. Instrumentalidade e política econômica Admite-se que a instrumentalidade não fica comprometida mesmo naquelas hipóteses em que. e termina no momento em que o Estado gasta os ingressos obtidos na forma de bens ou serviços com objeto de satisfazer necessidades coletivas. 59 Professor: Raimundo N. no futuro. o meio de troca por excelência. Há. dos deveres que os súditos tinham de prestar serviços ao monarca. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . que é meio de atuação administrativa do Estado constitui atividade financeira. na medida em que se entenda que esta atividade não se esgota em si mesma. o Estado necessita como fonte primordial dos recursos econômicos para a sua atuação de arrecadar valores na forma de dinheiro. parece claro que o papel que as finanças públicas devem cumprir dentro dessas organizações políticas é condicionado pela própria concepção que se tenha dessas entidades. Afirmação verdadeira. Nem tudo. Não. Sendo a atividade financeira uma parcela da atuação do Estado. por meio da atividade financeira. Neste sentido a atividade financeira caracteriza-se por ser atividade de gestão direta e movimento do dinheiro público. Daí porque a atividade financeira do Estado tem por objeto a obtenção de recursos monetários. mas não isolável das demais funções na concreta atuação do ente estatal. este sim revestido de utilidade. fixando-as para o atingimento de determinados fins. as administra ou gerencia.financeira. Ainda aqui o que interessa para o Direito Financeiro são tão-somente os aspectos de ingresso ou saída de recursos.4. em conseqüência. Fins da atividade financeira Tem-se visto reiteradamente que os objetivos fundamentais da atividade financeira são os de proporcionar recursos econômicos para o custeio da manutenção e funcionamento do Estado. visto que são destinados a ser convertidos.

era uma arma poderosa de intervenção do Estado na economia. Para o pensamento liberal isto era inconcebível. As despesas devem ser cobertas por impostos. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . fora destas. sobretudo pelo incremento de investimentos no campo social. o favorecimento do autoritarismo). sobretudo durante o século XVIII e que viria atingir a plenitude de seu desabrochar durante o século XIX e uma retomada de vigor no último quartel do século XX. igualmente. era praticamente inevitável que o Estado fosse chamado a remediar tanta aflição. Surgem taxas aduaneiras protecionistas. 60 Professor: Raimundo N. De outra parte. o que é muito importante. não-geradoras de efeitos sobre a economia. como se deu com a implantação da progressividade das imposições tributárias incidentes sobre as rendas e as heranças e com a acentuação do papel extra fiscal dos tributos. Os orçamentos necessitavam de ser equilibrados e o Estado só poderia gastar aquilo que arrecadasse. A manipulação dos orçamentos. ao qual se seguem acentuadas flutuações monetárias. a distribuição da justiça. pensão por invalidez.. repartir essa arrecadação da forma mais eqüitativa possível entre todos os habitantes do país. Foi uma virtualidade que só muito mais tarde veio a se descobrir. Portanto. pela óbvia razão de que. ampliação do crédito público. com a incumbência que gerou para as finanças públicas de custearem os gigantescos gastos bélicos. socorro aos desempregados. alterar os preços dos produtos. é impotente. embora necessário. ou voluntariamente associado. Civil. as despesas do Estado aumentam enormemente. sem emprego. o Estado não deveria intrometer-se nos campos econômico e social. O sigilo patrimonial deve ser respeitado. a defesa contra o inimigo externo. As finanças tinham de conformar-se à própria descrição do perfil do Estado não interferindo na ordem econômica. A partir do final da Segunda Guerra Mundial a desorganização da economia. grava-se o celibato. de um Estado dimensionado para o atingimento tão-somente daquelas atividades que se consideravam inexoravelmente inseridas no seu campo de atuação. do ponto de vista político. não se permitia que o mesmo Estado ultrapassasse o círculo de suas atividades próprias. Era o pensamento liberal. isto é. mas. S. convocou a presença do Estado na tentativa de resolvê-las. depois do intermédio das correntes estatizantes nas suas diversas modalidades. sem. sobretudo pelo alargamento das despesas públicas.Assim é que num primeiro momento — que coincide com o surgimento do Estado de Direito — predominou a idéia de um Estado mínimo. estimulam-se as famílias numerosas. empreguismo e. Nesse contexto parece claro que as finanças públicas tinham de se ajustar a essa realidade principalmente pela sua neutralidade. sim. procurando. há de ser mantido e valorado na medida em que se traduza em entidade insubstituível na prestação de algumas atividades para as quais o indivíduo isolado. formulado. Em conseqüência. Comercial etc. tais como os subsídios familiares. com a conseqüente condenação de qualquer forma de inquisição fiscal. esta corrente de pensamento defende os menores gastos possíveis do Estado e o conseqüente equilíbrio orçamentário. instaura-se o déficit orçamentário. a prestação de um ensino público para propiciar a justiça social eram todas as atividades cuja legitimidade da prestação pelo Estado não se questionava. ou seja. prevalece uma recriminação absoluta da inflação monetária. O próprio desenrolar da guerra. o que não significa dizer inexistência ou insuficiência do Estado. ele encontra agentes mais aptos para prestá-las e que o fazem sem os ônus e os inconvenientes que toda atuação estatal acarreta (improdutividade. inclusive. os quais são concebidos como improdutivos do ponto de vista econômico e devem molestar o menos possível os contribuintes. Note-se que a idéia central do pensamento liberal consiste em conceber o Estado como um mal. Por outro lado. já que diante de contingentes populacionais enormes. as suas finanças também deveriam mostrar-se equilibradas. e diante da destruição quase completa dos parques industriais. a aprovação e a imposição de um Direito Penal. Era compreensível que assim ocorresse. A manutenção da ordem interna. e. Enquanto tal. ante a falta de moradia. sobretudo dos países derrotados. já havia suscitado mecanismos interventivos.

um reflexo do próprio sistema econômico adotado. Os fundamentais são os prêmios e os incentivos. instrução. quais sejam: 1) o orçamento sofre a ação da economia e. uma revolução pacífica. o planejamento não pode ter essa força coercitiva.Altera-se a concepção da atuação do Estado com o enfraquecimento dos objetivos do liberalismo. 3) o imposto tem finalidades extras fiscais e deve atuar positivamente como elemento regulador e redistribuidor (cerceamento de certas rendas). Almeja-se. 4) o empréstimo já não é um recurso ‘extraordinário’. o planejamento é vinculante e obrigatório. no que diz respeito. o planejamento tem-se mostrado instrumento imperfeito para a regulação da economia. pela criação de novos empregos públicos em geral e pelo favorecimento e controle da atividade econômica privada e. também deve cumprir funções econômicas. serviços públicos (correios e telecomunicações. e 5) criação da moeda em condições e circunstâncias especiais. fomentando o incremento do poder aquisitivo. como podem tornar-se um 61 Professor: Raimundo N. Daí falar-se em Estadoprevidência ou mesmo liberalismo social. de um lado. mercê da predominância das leis de mercado. As finanças públicas. pois. visa-se a redistribuição da renda nacional como forma de realização da justiça e do aumento do nível de vida. o atendimento pelo Estado de necessidades sociais básicas. à execução dessas políticas. sobretudo com o social. finalmente. Nos países de economia aberta (capitalista). a tendência moderna é de liberá-las o mais possível à iniciativa privada. contudo. Em segundo lugar. estímulo industrial etc. Ganha corpo nesse período a idéia do planejamento como forma de coordenar a atividade econômico-financeira do Estado. por sua vez.). a adoção de medidas voltadas ao desenvolvimento econômico do país. de outro. O destino do planejamento econômico não foi tão glorioso quanto os seus idealizadores faziam crer. de apresentar instrumentos tendentes a conduzir a economia nos sentidos desejados. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . contudo. de um capitalismo poderoso e. de uma classe operária cada vez mais homogênea e influente. Não deixa. As tendências intervencionistas sofrem profunda acentuação no período posterior à Segunda Guerra Mundial. É certo que esse planejamento adquire uma coloração muito diversa dependendo do tipo de economia praticada pelo Estado. é o próprio instrumento ordenador da economia. sofrem o influxo dessas novas realidades. por um plano de investimentos. energia etc. como não poderiam deixar de ser. O que caberia agora perguntar-se é como se expressaria esse procurado bem-estar social. Torna-se uma nota caracterizadora desse período uma ação paralela provinda. Nos países de economia centralizada (marxista). Defende-se a redação de um plano econômico geral. porque o Estado não pode abdicar de uma antecipação de suas necessidades fundamentais e de sua atividade. S. Independentemente do sistema econômico. pode ser empregado normalmente e utilizado nos seus efeitos sobre o mercado de capitais. reservando-se o Estado para uma atuação meramente supletiva das omissões da sociedade. Em três pontos fundamentais. com fins transitórios.. Em primeiro lugar. . Embora o seu abandono nunca possa ser total. A meta fundamental é a procura da prosperidade social como caminho para evitar que se produzam transformações por meios violentos. transportes. As finanças públicas — e esta parece ser a grande lição oferecida pelo passado — são. simultaneamente. que são substituídos por preocupações. como segurança. com o objetivo do asseguramento do pleno emprego e do aumento da renda nacional. influi sobre esta: abandona-se a mística do equilíbrio anual e procura-se um equilíbrio econômico (orçamentos cíclicos). absorção da economia. e podem ser sumarizadas em cinco pontos as repercussões fundamentais. 2) o gasto público não constitui um simples meio para atender os serviços públicos.

ou melhor. verifica-se que elas são realizadas exclusivamente pela prestação de serviços públicos. consubstanciadas em comodidades ou serviços postos à disposição dos usuários que podem fazer uso dele na qualidade individual de cidadão. de interesses individuais. As necessidades públicas são decorrentes de uma norma jurídica seja ela. Já por necessidades públicas entende-se aquelas necessidades que o Estado deve prestar em virtude da existência de uma norma jurídica. ao ente estatal cabe a realização daquilo que for considerado como “necessidades públicas”. Como é sabido a Administração Pública não tem fins próprios. os aspectos atinentes à política financeira são preocupações importantes da própria política econômica do Estado. embora possa ser fruído individualmente. não desfruta de liberdade. uma parte. qual seja. à inflação. Atualmente a tendência é a utilização moderada desse recurso. Estas últimas nada mais são do que a soma de necessidades individuais. a procura de um orçamento equilibrado e a contenção dos gastos públicos continuam a ser metas almejadas. portanto. ao desperdício dos dinheiros públicos e. e por conseqüência estão adstritas ao princípio da estrita legalidade. Necessidades públicas No capítulo sobre a atividade financeira do Estado. Embora não haja mais condições para voltar-se a uma concepção de finanças neutras. a realização do bem comum. As necessidades coletivas estão a cargo do direito privado e. Na atividade financeira busca-se prover e aplicar recursos financeiros com o intuito de satisfazer às necessidades públicas. b.instrumento reforçador desse sistema. Em outras palavras. porque.. Serviço Público é uma atividade prestada pela Administração. mas há de buscá-los na própria lei. E. Trata-se de uma parte da função administrativa do Estado que tem como finalidade precípua atender às necessidades materiais. pois variam de acordo com o regime jurídico e político adotado pelo Estado. obviamente. Crê-se que é por aí que se propiciam as condições ideais de desenvolvimento. S. senão. sobretudo com o combate ao gigantismo estatal. transcende à satisfação individual porque brota realmente da vida em coletividade. Em síntese. que se vale do seu regime próprio de direito administrativo. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . as finanças públicas podem tornar-se poderoso instrumento de atuação do Estado no domínio econômico. fundamentalmente.. Embora estas não sejam sempre as mesmas. Serviços públicos Ao se estudar a atividade financeira do Estado que visa à obtenção de recursos e a sua aplicação para a realização das necessidades públicas básicas. Portanto. Em outras palavras. assim como. de ordem constitucional ou não. o serviço público é resultante do atendimento de um interesse que. porque a sua exacerbação pode conduzir a profundas distorções da economia. Este princípio dentro do âmbito do Direito Financeiro traduz-se no fato de que as necessidades públicas devem estar sempre atreladas à lei. alguma influência elas haverão de cumprir. como exemplo dos serviços de iluminação. Daí a importância de entender-se o que vem a ser serviço público. ou melhor. As necessidades públicas encontram-se sob a égide do Direito Público. própria do homem. com vistas ao atingimento de uma necessidade coletiva. escrava que é da ordem jurídica. 62 Professor: Raimundo N.se por representarem sempre um interesse geral. portanto são regidas pelo princípio da autonomia da vontade. que não se reduz a mera soma de interesses individuais. Adverte-se que as necessidades públicas não devem ser confundidas com as “necessidades coletivas”. embora também atendam interesses individuais. As necessidades públicas caracterizam. dela devem derivar. Este consiste no conjunto de atividades que a Administração presta objetivando o atendimento de necessidades que surgem exatamente em decorrência da vida social. entretanto. a satisfação de algo que emerge da própria vida em sociedade. ou como membro da coletividade. em regra. a. ficou claro que a finalidade da atividade financeira coincide com a própria finalidade do Estado. da qual a financeira não é.

que é facilmente verificável em todas as fases da atividade financeira: receita. eis que as finanças públicas dizem respeito às finanças do Estado. S. com o estudo da ação desenvolvida pelo Estado para a satisfação de suas necessidades coletivas e também na escolha da ação mais adequada para o suprimento de tais necessidades. Pode-se afirmar que a política financeira consiste no conjunto de medidas adotadas pelo Estado tendo em vista uma determinada finalidade. despesa. Não se pode negar que em toda atividade financeira há um conteúdo político.2. E dizer. Objeto O objeto da Ciência das Finanças é a atividade financeira. por sua vez. Política financeira A Política Financeira consiste na elaboração de programas de despesas e receitas com o intuito de cumprir os objetivos da política econômica assumidos pelo Estado. no plano teórico. orçamento e crédito público. pode-se conceituar a Ciência das Finanças como sendo a ciência descritiva e informativa que busca desvendar e desenvolver os conhecimentos teóricos sobre a atividade financeira. nos objetivos por ela perseguidos. entendida esta como a atividade realizada pelos poderes públicos com o objetivo de captar e aplicar recursos para o custeio da rede de serviços públicos. E através dela que são traçadas as diretrizes a serem tomadas pelo Estado na área financeira. para que desse modo possa orientar os agentes públicos na formação de uma política financeira. Pode-se dizer. dizem respeito ao universo do ser. despesas. do plano real. Assim sendo vai-se estudar a atividade financeira à luz do comportamento do Estado em seus diversos aspectos. Trata-se. O estudo das finanças dá lugar a uma ciência informativa. como pelo Direito Financeiro A Ciência das Finanças visa evidenciar o estudo. a atividade financeira encontra-se delimitada por princípios das ciências sociais. em economia e política.1. portanto. CIÊNCIA DAS FINANÇAS Primeiramente é necessário deixar claro que a atividade financeira é estudada tanto pela Ciência das Finanças. Conceito A Ciência das Finanças se caracteriza por ser a ciência que estuda a atividade financeira do Estado sob o prisma teórico. Pelo contrário. precipuamente. Como não poderia deixar de ser. bem como os meios cabíveis para tanto. a atividade fiscal. 2. 63 Professor: Raimundo N. Sua preocupação precípua reside nos fins da atividade financeira. dos fenômenos financeiros e todas as suas conseqüências. a. orçamento e crédito. Estas. A atividade financeira consiste em tudo o que diga respeito às receitas. são uma realidade do Estado. o aumento de recursos e a sua aplicação no pagamento das despesas estatais. A partir daí pode-se falar em economia financeira e política financeira. abrange também os seus aspectos extra-fiscais. Portanto. ela busca fornecer aos agentes políticos os elementos necessários para compor a política financeira. e que tem o seu campo de atuação restrito ao auxílio do agente político no que se refere à tomada de decisões dentro da atividade financeira. Ela se preocupa. Contudo. se dividem no que se refere à atividade financeira. ou melhor. portanto.2. Todavia esse objeto não fica restrito apenas ao estudo da atividade financeira. qual seja. É interessante dizer que é a Ciência das Finanças quem fornece aos administradores públicos os elementos indispensáveis à política financeira. que pertence ao ramo da Ciência Política. de uma ciência especulativa. que ela tem como objeto o estudo de todos os aspectos que influenciam a atividade financeira. ela necessita de ser disciplinada por um conjunto de regras jurídicas que compõem o Direito Financeiro. 2. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . por sua vez. As finanças públicas.

para prosseguir determinadas utilidades e finalidades econômico-sociais. Pode-se dizer que ela. realiza algumas alterações no sistema econômico. para alcançar os seus objetivos. num outro ângulo de visão. ela é um forte meio pelo qual se vale o Estado para atingir os seus objetivos dentro do campo econômico. a busca do pleno emprego. FINANCEIRO CIÊNCIA DAS FINANÇAS E DIREITO FINANCEIRO A Ciência das Finanças e o Direito Financeiro têm o mesmo objeto de estudo. que na primeira é o ângulo especulativo (teórico) e na segunda o normativo prático. b. o desenvolvimento. qual seja. o crescimento. assim.Há assim uma dupla forma de encarar a política financeira: por um lado. jurídico. mas. a gestão e o dispêndio dos meios financeiros públicos. O Direito Financeiro fica adstrito ao estudo da estrutura normativa. quer dizer. designará também a teorização dos fenômenos financeiros como meios susceptíveis de realizar essas finalidades. como o progresso. a estabilidade econômica. levando em conta os seus aspectos econômicos e políticos. Estuda-se. à elaboração de modelos jurídicos que sejam responsáveis pela instauração das relações entre as pessoas e o Estado enquanto agente da atividade financeira. um tipo ou certos tipos de experiências concretas. É preciso deixar claro que há uma relação entre a política financeira e a política econômica. Em função da política financeira do país. ou melhor. e. S. em seu aspecto objetivo. 64 Professor: Raimundo N. exige dele algumas adaptações. Já a Ciência das Finanças estuda os fenômenos da atividade financeira em toda a sua extensão. ela é a expressão concreta da utilização dos instrumentos financeiros. E através dela que são traçadas as diretrizes a serem tomadas pelo Estado e pela sociedade (setores públicos e privado) na área econômica. O Direito Financeiro também pode ser conceituado como a Ciência das Finanças em seu aspecto institucional. selecionam-se e teorizam-se os traços comuns a essas experiências concretas. depois. a justiça social. Portanto. emerge um sistema de princípios e normas a que a atividade financeira deve se adequar. O Direito Financeiro tem como objeto o estudo das normas jurídico-financeiras. contudo contrariar seus princípios fundamentais. O Direito Financeiro caracteriza-se por ser uma disciplina jurídica que tem como objeto de seu estudo toda a atividade do Estado no tocante à forma de realização da receita e despesa. Ela encontra-se diretamente relacionada com os aspectos econômicos e administrativos das finanças públicas. o controle da inflação etc. Ou seja. A diferença entre elas reside na perspectiva a partir da qual elas vêem esse objeto. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Política Econômica A Política Econômica consiste no conjunto de medidas adotadas pelo Estado tendo em vista um objetivo. a melhor distribuição de renda. a atividade financeira. Pelo contrário. sem. 3. o Direito Financeiro tem como objetivo regular a obtenção. na medida em que a primeira visa a elaboração de programas que auxiliem no cumprimento dos objetivos impostos pela segunda.

pelos escalões normativos inferiores. sociológicas sobre as quais incidem as normas. como e com quem se gasta. O Direito Financeiro regula a atividade financeira sob o ponto de vista jurídico. Isso quer dizer que regula as garantias formais e materiais do que se arrecada. políticas. e essa dimensão só é oferecida por outras ciências sociais.VIII CAPÍTULO VIII . O Direito Financeiro. o estudioso do Direito Financeiro não pode estar desligado. ao depois. é preciso buscar-lhes o sentido profundo. São próprias do país sobre cuja ordem jurídica a doutrina se alicerçou. É necessariamente referido a um país sobre cujo ordenamento jurídico se erige. como já visto. deve ser tomado como uma unidade autônoma para efeito de seu estudo. em que. mas não vê o Direito. É que essas realidades interferem na compreensão do fenômeno jurídico. o conjunto de normas jurídicas que o compõem. da elaboração das suas normas e mesmo para efeitos didáticos. da sua interpretação. objeto de seu estudo. A elas é necessário acrescentar o esforço sistematizador da ciência jurídica. assim como de. Nada obstante ser ele um segmento ou uma parcela do Direito em geral. especificamente. o alcance da sua significação. De outra parte há de se reconhecer no Direito Financeiro duas vertentes principais. no fundo indivisível. 65 Professor: Raimundo N. Aquela tem por objeto os fenômenos financeiros. Vimos que o Direito Financeiro tem por objeto o estudo das normas que compõem a organização e a estrutura financeira do Estado. a ciência deste ramo do Direito Público que não é composta tãosomente da catalogação dessas regras objetivas. mais uma vez faz-se necessário uma ressalva. As leis financeiras vistas pelo ângulo da Ciência das Finanças são aquelas que decorrem das próprias relações financeiras regidas por um princípio de causalidade. pois. Daí porque suas conclusões. assim como destas para com ele. assim como criá-los imaginativamente. que. sem dúvida. é sempre individualizado. E especulativa. é forçoso reconhecer-se. no entanto. descendo. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Quem vê. O que cumpre agora examinar é em que consiste. CONCEITO O Direito Financeiro é a disciplina jurídica da atividade financeira. o cultor do Direito Financeiro. A norma tal como vazada na lei é uma abstração que só se concretiza ao contato da realidade. a regra e não a liberdade vê a lei. S. mas não ao modo das leis jurídicas. em regra. Há um processo de interpenetração do Direito Financeiro com outras áreas jurídicas. Visa também a formular leis. começando na própria Constituição. Embora como ciência normativa estude o dever-ser. As características desta já foram estudadas no capítulo precedente. Em primeiro lugar. Em se reconhecendo essas ressalvas e em se tendo em conta que o Direito compõe um todo. Pode idealizar modelos extraídos de outros Estados. que é rica em normas dessa natureza. As meras normas não são suficientes para desvendar todo o Direito Financeiro. que o torne estanque. Em segundo lugar. Elas estão dispersas pelo ordenamento jurídico. e o seu objeto não são os efetivos comportamentos financeiros do Estado. Contudo. de outra parte. Há. e isso só é possível mediante a utilização de técnicas próprias da ciência jurídica. todavia.-DIREITO FINANCEIRO 1. É pelo trabalho dos doutrinadores que emerge um conjunto sistemático de normas e princípios ao qual se confere a condição de ciência. uma diferença de enfoques entre a Ciência das Finanças e o Direito Financeiro. e a sua metodologia é fundamentalmente descritiva e especulativa. esta divisão não deve ser entendida como algo abissal e intransponível. pelo contrário. São as fontes por excelência do Direito Financeiro. de como se arrecada e de quem se arrecada. porque não precisa cifrar-se à realidade concreta de um país. mas as normas que o disciplinam. de tal maneira que as regras sejam a expressão dos ingressos e dos gastos livremente erigidos. não há por que deixar-se de reconhecer a autonomia do Direito Financeiro. não são extrapoláveis. Não. não pode desconhecer as realidades econômicas. das quais. Contudo. o Direito Financeiro.

Embora o nome “Direito Financeiro” possa prestar-se a confusões e chegar-se mesmo a entender que ele cuida do sistema financeiro. é alcançada através de uma série de elementos. Neste sentido é muito claro que as normas jurídicas protegem determinados interesses que lhes são opostos. assim. na verdade tal não acontece. Contudo. DELIMITAÇÃO Cumpre tecer desde logo algumas considerações sobre a finalidade do Direito Financeiro. Todavia. Qual seria o interesse nuclear protegido pelo Direito Financeiro? É o de os entes públicos obterem meios econômicos com que financiar os gastos públicos e conseguirem um emprego correto dos aludidos meios. Apesar de o Direito Financeiro ser um ramo do Direito Público. Autonomia O Direito é uno não podendo levar-se a efeito nenhuma operação destinada a depreenderse dele uma seara de molde a que esta restasse afastada e independente do todo. não há negar-se que ele deve ser considerado como uma unidade autônoma para efeitos de interpretação. estudo e elaboração de suas normas. Este se divide em duas grandes áreas. Fica. qual seja. para o atingimento de suas finalidades. todavia são de inegável valia para o jurista na compreensão e interpretação do texto normativo financeiro. quiçá de maior importância. rege exclusivamente as finanças públicas. por ser um produto da vontade. Tanto é assim que qualquer pessoa leiga é capaz de visualizar facilmente a diferença existente entre o Direito Penal e o Direito Civil. a pública e a privada. que se caracteriza pela existência de princípios jurídicos específicos. de acordo com as suas peculiaridades. Há. que torne o Direito Financeiro estático. ramo do direito público. portanto. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Conviria agora distinguir um pouco melhor o Direito Financeiro de outras áreas jurídicas que lhe são próximas. as finanças públicas e de sua finalidade consistente na normatização desta atividade. Ou seja. Todavia. para efeitos didáticos e científicos é possível dividi-lo em ramos que receberão tratamento próprio.Enquanto ciência normativa. enquanto o Direito Financeiro. tem sempre um fim ou causa final. uma vez que cada uma delas é dotada de especificidade e princípios jurídicos próprios. uma técnica jurídica própria ao Direito Financeiro que o insere dentro do Direito Público. Na verdade. As operações de natureza financeira levadas a efeito pelos particulares obedecem a regras do direito privado. Lhering observou com irrefutável acerto que toda norma jurídica. as quais. É o fato de que. posta a distinção entre o Direito Financeiro e o objeto de seu estudo. fica bem demarcada a distinção existente entre as finanças do Estado e as dos particulares. não passíveis de aplicação em outros ramos do Direito. o Direito Financeiro se vale de um regime jurídico dotado de prerrogativas que não são encontráveis em outros ramos do Direito. as distinções existentes entre as áreas do Direito não impede que haja uma relação entre elas.1. S. O fato é que se pode perfeitamente falar em autonomia das diversas searas integrantes do Direito. que são precipuamente: a existência de princípios e normas específicas que regem o seu objeto de estudo. 66 Professor: Raimundo N. A autonomia do Direito Financeiro também pode ser reconhecida em razão da existência de um objeto próprio. a doutrina e jurisprudência próprias e o seu estudo em separado em virtude de razões didáticas. Note-se também que a autonomia didática de um determinado ramo do Direito. o Direito das Finanças não se confunde com as finanças em si mesmas. a merecer destaque. O Direito Financeiro é um desdobramento autônomo do Direito Público. essa divisão não pode ser concebida como algo intransponível. Destarte. 2. 2. Há outro ponto. quais sejam. Os princípios específicos se diferenciam dos princípios gerais na exata medida em que os primeiros têm uma abrangência mais restrita. que são objeto de interesse de outras ciências. existe uma constante interpenetração entre as diversas áreas do Direito. pois há um processo de interpenetração dessa área jurídica com outros ramos do Direito. que por sua vez são subdivididas em vários ramos.

quer dizer.2. ao administrador uma margem de apreciação subjetiva destinada a concretizar a vontade da lei nos casos a que se volta. penitenciário. até aqui se procurou demonstrar o seguinte: a realidade jurídica é muito ampla e muito complexa para ser abarcada por uma única disciplina. financeiro. dele se destaca em função da especificidade dos princípios e normas que regem a atividade financeira do Estado.aplicam-se a um determinado ramo do Direito. Adverte-se aqui que seu estudo é autônomo e não independente. por exemplo. O Direito Financeiro é elaborado e estudado de maneira orgânica e unitária. É a discricionariedade. dos Estados. entre ele e o Direito Administrativo e Tributário. deve conceber-se o Direito Financeiro como uma área específica do Direito. aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: 1. S. Sabe-se que esta se mostra freqüente nos atos praticados pela Administração. de possibilidade para definir o interesse público quando da aplicação do Direito Financeiro. já os segundos podem ser conformadores de qualquer área do Direito. uma vez que os critérios sobre os quais se funda não são de absoluta cientificidade. Essa divisão tem muito de convencional.direito tributário. Todavia. 4. confundida com separação. 67 Professor: Raimundo N. isto é. portanto. pertinentes a toda a Ciência Jurídica. restando. Nada obstante isso. ao Direito Financeiro. Há uma outra faceta ainda a diferençar o Direito Financeiro do Administrativo. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . É bom notar que os ingressos que hoje se dão nos cofres públicos e que são produzidos ou gerados pelo próprio patrimônio estatal representam muito pouco do total dos gastos públicos. de forma alguma. Uma das principais diferenças entre o Direito Administrativo e o Direito Financeiro. ela é inexistente. a Administração carece de poder discricionário. em conseqüência. pelas normas de caráter genérico. salvo casos realmente excepcionais. Direito Financeiro e Direito Administrativo O Direito Financeiro guarda estritas relações com o Direito Administrativo. sendo.988 consagrou a autonomia do Direito Financeiro “Compete à União. o que vale dizer. Daí decorre que há forte dependência estatal do produto da arrecadação de dinheiro por métodos originários. No que diz respeito. através de uma coordenação sistemática de seus princípios fundamentais.” No que diz respeito às normas infraconstitucionais o Direito Financeiro é regulado pela Lei nº. No entanto. reside no fato de que o primeiro cuida de administrar os bens que o Estado possui. É interessante notar que no passado não se reconhecia a autonomia do Direito Financeiro. estanque ou absoluta independência. A Constituição Federal de 1. impostos ao cidadão sem qualquer relação de derivação de um bem estatal. Em síntese. o Direito Financeiro procede diferentemente.320/64 que dispõe sobre as normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União. dos Municípios e do Distrito Federal. fica claro que. Falase em 10% no máximo. que não deve ser. O papel da tradição nesse particular é também muito grande. enquanto o segundo cuida de arrecadar os recursos que o Estado não tem. Relacionamento com os demais ramos do direito a. pois o Direito é uno. Ora. 2. contudo. Especificidade esta a que se dá o nome de “autonomia”. A razão é a seguinte: na atividade administrativa não há um delineamento exaustivo do comando legal. Daí a consagração do recurso à divisão do Direito em áreas. hoje não mais se aceita qualquer dúvida quanto à sua autonomia e à distinção. Diante do exposto. econômico e urbanístico. O interesse público que a Administração deve gerir no exercício da atividade financeira está perfeitamente definido pela ordem jurídica.

e há princípios que informam a todas as suas áreas. Em última análise. uma justiça tributária só se perfaz com uma justiça a distribuição das despesas. Em última análise. assunto que muito justificadamente mereceu a atenção e os estudos cujas dimensões ninguém pode ignorar. Outros. a tendência moderna vai mesmo no sentido de analisar os ingressos públicos à luz dos próprios dispêndios ou gastos. Em síntese. c. de maior especificidade. por não verificarem nela a presença de princípios homogêneos que o informem. O seu objeto de estudo é a base da organização jurídica e econômica. O sistema constitucional brasileiro. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . que ela mantém laços com uma mais abrangente. recusar-se que ele também possa ser encarado de forma vinculada com o Direito Financeiro. ou até mesmo exclusivamente a este concerníveis. Saliente-se aqui que o Direito Econômico encontra-se também voltado para o estudo do controle do poder econômico. tanto no plano nacional como no internacional. contudo. Alguns países negam a autonomia do Direito Financeiro. É preciso ter sempre em mente a relatividade da noção de autonomia científica de um ramo do Direito. a análise das leis que regem a produção. ou seja. Isto não significa. sob muitos aspectos. Portanto. a moeda. o que já levara Baleeiro a constatar no Brasil a existência tanto de cadeiras de Direito Fiscal (outro nome pelo qual é identificado o Direito Tributário) nas Faculdades de Direito quanto de Legislação Tributária nas Faculdades de Ciências Econômicas. a maior ou menor divisão do conjunto do Direito vai sempre depender do rigor com que se estabelecem os requisitos para a configuração de uma disciplina autônoma. Não conseguem vislumbrar no Direito Tributário princípios que possam destacá-lo do Direito Financeiro. procedem de forma diametralmente oposta. Isto não impede. a ciência jurídica é única. conseqüentemente. Para esta parte da doutrina só seria considerado cientificamente autônomo o Direito Tributário. existe a autonomia do Direito Tributário como ramo do Direito Financeiro. Direito Financeiro e Direito Tributário Muito tormentosas são as ligações do Direito Financeiro com o Direito Tributário. o crédito e o câmbio. de resto não existe em nenhuma área do Direito. O que parece certo. sem que com isso queiramos significar uma divisão estanque entre ambos. do qual. E o que acontece com o Direito Tributário. é que o reconhecer-se a autonomia relativa de uma disciplina não significa deixar de admitir-se. E óbvio que a própria extensão da matéria está a convidar que o seu estudo seja feito de forma autônoma. qual seja. entretanto. ser passível de estudos mais abrangentes e abstratos que o tomem na sua unidade. seria apenas um mero capítulo. circulação e o consumo de riquezas. entretanto. a dos ingressos de dinheiro nos cofres públicos de forma coercitiva. S. que se lhe confira uma relativa autonomia. o Direito Tributário não pode ser destacado do Financeiro. igualmente. que. De outra parte não há como se negar ser perfeitamente exeqüível a identificação de certas regras ou princípios mais acentuadamente aplicáveis ao Direito Tributário. oferece suporte tanto para o estudo isolado de cada uma das concreções do fenômeno financeiro como também para a sua tomada em consideração como um fenômeno unitário. Direito Financeiro e Direito Econômico O Direito Econômico tem como finalidade precípua o estudo das normas que dispõem sobre a organização econômica de um País. desde a receita até os gastos. Portanto. Aliás.b. também públicos. que o deixa de se constituir em uma das grandes vertentes do Direito Financeiro. também. Cremos que a questão posta em termos tão radicais remanesce insolúvel. portanto. na verdade. de resto. O fenômeno financeiro pode. 68 Professor: Raimundo N. portanto. como pode também ser passível de um destaque da parte tributária para merecer um estudo de menor nível de abstratividade e. a distribuição. Trata-se do estudo das leis econômicas que regem os preços.

O Direito Econômico diz respeito também a intervenção do Estado na economia. todavia. Como é sabido as normas de direito privado tem grande relevância na configuração jurídica da intervenção econômica. enquanto o objeto do Direito Econômico é o estudo das normas que regem o comportamento do ente estatal no que se refere à economia. No entanto. Esta pode ser entendida como um sistema. em função da qual se torna inteligível e compreensível. Ou seja. Pode-se afirmar que ele consubstancia o conteúdo da Constituição econômica. guarda e dispêndio dos recursos públicos. Cumpre deixar claro que as operações financeiras não se confundem com as econômicas. Pelo contrário. tendo como critério unificador o dado econômico ou a regulação da economia. a disciplina jurídica da macroeconomia. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Ela não é. um conjunto de normas jurídicas. às normas que regem a política econômica estatal. ou melhor dizendo. autônoma. só ganha sentido e significação quando embutida dentro da Constituição em sentido amplo. portanto. Trata-se. ou seja. que já têm em si o seu valor. a comercialização de bens. 69 Professor: Raimundo N. do conjunto das regras jurídicas que normatizam a intervenção do Estado na seara econômica. Estas últimas têm por base uma riqueza: a produção.O Direito Econômico é um ramo do Direito Público. Já o campo financeiro tem por objeto o crédito e as operações com dinheiro. O seu objeto de estudo é a disciplina da captação. S. O Direito Financeiro se caracteriza por ser a disciplina jurídica da atividade financeira do Estado. ele também regula as atividades econômicas dos particulares.

os de média participação e os de elevada participação. S. não há nenhum subdesenvolvido. o setor público no Brasil apresentou uma expansão considerável nos últimos 50 anos. é forte a presença do Estado. os números da Tabela IX. Já nos países de baixa participação do governo aparecem tanto países subdesenvolvidos. estão França. a participação do consumo final do governo é menos do que a metade da participação na Suécia.1 sugerem que a participação do governo no consumo final está mais associada ao modelo de desenvolvimento seguido por um país do que a seu grau de desenvolvimento: em países como a Suécia e a Dinamarca. Tal expansão refletiu-se em crescimento significativo do volume de despesas do governo e na participação das despesas totais no Produto Interno Bruto (PIB) do país. Dessa forma. entre o país de mais baixo consumo do governo (Paraguai) e o de mais alto (Suécia).IX CAPITULO IX – A EVOLUÇÃO DO ESTADO 1. a Indonésia e a Coréia do Sul. como Japão e Hong Kong. 70 Professor: Raimundo N.1 classifica os países em três categorias.9%. mantendo-se em patamar próximo a esse em 1994 (15. a Bélgica e a Itália. A relação entre o total da arrecadação tributária mais o déficit do governo e o PIB elevou-se de um patamar ao redor de 16% em 1953 para níveis superiores a 30% na década de 90 do século XX Considerando apenas as despesas de consumo. Na primeira categoria. a despesa total do setor público. Reino Unido. No segundo grupo. Já no Japão. em 1984. além do Brasil. elevação semelhante é também observada no volume total de recursos necessários ao financiamento da expansão das atividades. isto é. a Holanda. Alemanha e países escandinavos. a exemplo de Paraguai e Venezuela. a participação do consumo final do governo no PIB aumenta de 9. observam-se quatro países da América do Sul.4%). elevou-se de 17% do PIB em 1948 para uma média de 30% nos últimos anos do período considerado. por exemplo. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças .8%. como os de grande capacidade econômica. CRESCIME MENTO EVOLUÇÃO DAS FUNÇÕES DO GOVERNO E CRESCIMENTO DO SETOR PÚBLICO De acordo com os índices globais. os investimentos e as transferências. No Brasil. o Japão — membro do grupo dos sete países mais poderosos economicamente do mundo (G-7) —. No grupo de maior participação do governo. desconsiderando-se as despesas financeiras. a participação do setor público é mais de quatro vezes superior. excluídas as empresas do governo. entre 1948 e 1994. chega-se a resultados interessantes. A Tabela IX. em que as políticas de bem-estar social se destacam. Observa-se ainda que. segundo a participação do consumo do governo no consumo final total e no PIB: os de baixa participação. país de mais alta renda per capita entre os listados. Nota-se que. a Índia e dois países do Sudeste asiático. entre os países de alta participação do governo. Os dados disponíveis indicam que. encontram-se os Estados Unidos. Canadá. para 15. em 1991. Em conseqüência.

I Participação Tabela IX. S. todavia. insuficiente para permitir conclusões acerca da dimensão do setor público. 71 Professor: Raimundo N. tendo em vista os diferentes efeitos de políticas de financiamento da expansão dos gastos sobre o nível e a distribuição da Renda Nacional. E necessário que a avaliação seja feita com base na identificação das principais atribuições econômicas do Estado e do papel da diversificação dessas atribuições como determinantes do crescimento das despesas do governo. A simples observação dos índices globais de relação entre despesas e tributos e o PIB é. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . a forma pela qual a expansão das despesas é financiada é também importante. Por outro lado.IX.I: Participação do consumo final do governo nas despesas de consumo final e no PIB (1994) — países selecionados.

isto é. 1. A análise da rentabilidade macroeconômica de projetos de investimento no Brasil. portanto. 1971. jun. 23 Um tratamento extenso do problema de análise e cálculo da rentabilidade macroeconômica de projetos de investimento do Governo é encontrado em Edmar L. isto é. Exemplos clássicos desse tipo de bem são fornecidos por serviços de 22 MUSGRAVE. refletindo uma evolução dos princípios teóricos que recomendavam a necessidade de intervenção governamental no sistema econômico. independentemente de manifestação individual de preferências. o papel do governo na economia modificou-se substancialmente. As duas grandes guerras mundiais provocaram alterações definitivas nas preferências da coletividade quanto à necessidade de interferência do governo. In: CAMERON. por exemplo. New York: Random House. New York: McGraw-Hill. é bastante superior à rentabilidade que resultaria da apreciação isolada do empreendimento. A intervenção do governo visando orientar a aplicação de recursos nesse setor seria. e c) manter a estabilidade econômica. 23 O segundo caso refere-se à produção de bens cujas características especiais de demanda tornem o mecanismo de determinação de preços no mercado incapaz de orientar a aplicação de recursos com a finalidade mencionada. Nesses casos. considerados os efeitos diretos e indiretos sobre a atividade econômica na região. a rentabilidade do projeto. assim como modificações nas preferências da coletividade quanto à intervenção do governo em atividades relacionadas à distribuição da Renda Nacional. 72 Professor: Raimundo N. H. Os casos mais importantes a serem considerados referiam-se à possibilidade de existência de economias externas. na qual lhe cabia apenas a prestação de alguns serviços essenciais à coletividade — tais como justiça e segurança. Pesquisa e planejamento. a preocupação com os problemas de desenvolvimento econômico constituiu-se em outro fator importante para aumentar as atribuições do governo — especialmente em países retardatários na corrida pelo desenvolvimento. 35-82. 1966. A. Richard A. seriam chamados de “bens públicos”. Esses bens que. poderia promover um resultado sobre o nível de Renda Nacional muito superior ao resultado individual do empreendimento do ponto de vista do setor privado. n 1. Bacha e outros. 1959. b) promover ajustamentos na distribuição da renda. visando à promoção do bem-estar social. Paul. W Public finance selected readings. ECONÔMICAS ATRIBUIÇÕES ECONÔMICAS DO GOVERNO As funções do governo na economia expandiram-se consideravelmente nos três primeiros quartéis do século passado. The theory of public finance. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . uma distribuição de renda mais eqüitativa e uma ampliação das atividades previdenciárias e de assistência social para o atendimento das classes menos favorecidas. De uma posição inicial bastante modesta. distinguem-se dos demais principalmente pela indivisibilidade de consumo. justificada. Ajustamentos na alocação de recursos seriam requeridos sempre que não fossem encontradas condições que assegurassem maior eficiência na utilização dos recursos disponíveis na economia mediante o funcionamento do mecanismo de determinação dos preços no mercado. HENDERSON. p. No pós-guerra. segundo definição de Paul Samuelson24.. A construção de uma estrada. Como resultado dessa evolução. O primeiro era usualmente utilizado para justificar a intervenção do governo em atividades relacionadas à expansão da infra-estrutura econômica. ampliou-se o elenco das atribuições econômicas governamentais. essas atribuições enquadram-se em três grandes categorias: a) promover ajustamentos na alocação de recursos. Rio de Janeiro Ipea/Inpes. ao induzir a expansão da atividade econômica em uma região. A grande crise de depressão econômica da década de 30 do século XX deu origem a estudos que vieram justificar a necessidade de o governo intervir na economia para combater a inflação ou o desemprego de mão-de-obra.2. em que as características especiais de oferta e demanda não induziam o setor privado a produzir —. 24 SAMUELSON. devem ser consumidos por todos. Aspects of public expenditures. v. ou a problemas de satisfação de necessidades coletivas. S. De acordo com a classificação tradicional de Musgrave22.

a distribuição da renda gerada pelos habitantes do país pode não ser considerada socialmente aceitável. Isso significa que. As exigências de manutenção da ordem interna e externa e de defesa nacional constituem uma necessidade coletiva da comunidade. por exemplo. é considerada necessária. S. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . os recursos necessários à sua produção teriam que ser obtidos por meio da tributação. em utilizar o sistema tributário e a política de gastos governamentais.26 Nesse caso. o caso dos serviços de educação e saúde. a preocupação fundamental consiste em controlar o nível agregado de demanda. se critérios puramente econômicos fossem utilizados. Tal é o caso. com caráter gratuito ou a preços subsidiados. também. a determinação de um preço por meio do mercado pelo mecanismo clássico de oferta e demanda torna-se impossível. De um lado. o acesso de uma parcela substancial dos habitantes aos benefícios resultantes da oferta dos serviços mencionados. Nesse caso. No que se refere à necessidade de ajustamentos na distribuição da renda. um elevado nível de preços pode impedir. e que por esse mesmo motivo teriam rendimento nulo. a correção de desigualdade na repartição do Produto Nacional poderia ser efetuada mediante intervenção governamental. Todavia. Musgrave denominou esses bens de “bens meritórios”25 tendo em vista que seria exatamente o caráter de mérito associado a sua produção que justificaria a intervenção do governo com o objetivo de produzir em quantidades superiores àquelas que seriam normalmente produzidas pelo setor privado. Embora passíveis de serem produzidos pelo setor privado. 26 Além da redistribuição da renda gerada entre os indivíduos que contribuíram para sua formação. do crédito e dos níveis de 25 Também chamados de “bens semipúblicos”. por motivos principalmente de idade. e. na ausência de um preço de mercado. 73 Professor: Raimundo N. Um dos processos mais utilizados com vista em tal objetivo consiste. Tendo em vista que substanciais economias externas estão associadas à elevação do nível de educação e de saúde da comunidade. exatamente. e. embora passíveis de exploração pelo setor privado. utilizando a tributação para obter compulsoriamente os recursos necessários ao financiamento de sua produção. especialmente em países de baixa renda. Quanto ao objetivo de manutenção da estabilidade econômica. não integram a população economicamente ativa do país. numa economia de mercado. a exemplo dos bens públicos. do controle dos gastos públicos. por exemplo.segurança e justiça. Tal é. a distribuição do Produto Nacional pelos diferentes habitantes do país está condicionada não só à disponibilidade relativa dos fatores de produção. por exemplo. de forma a impor um ônus relativamente maior sobre indivíduos de nível de renda elevada. é importante notar que. na medida em que é impossível avaliar a quantidade desses serviços que é consumida pelos diferentes indivíduos. a alocação de recursos para a produção desses bens por parte do setor privado afigura-se. de outro. de forma a repartir os encargos pela comunidade. como também aos respectivos níveis de produtividade. Um caso intermediário entre os bens públicos definidos e os de mercado seria constituído por bens que. impraticável. O controle da demanda agregada implica intervir sobre o crescimento das despesas privadas e governamentais de consumo ou de investimento por meio. com o propósito de atenuar o impacto social e econômico de crises de inflação ou depressão. ampliando despesas de transferência que beneficiem direta ou indiretamente (mediante manutenção de serviços gratuitos — Educação e Saúde. à medida que critérios puramente econômicos de eficiência são considerados nas decisões relativas à utilização dos fatores de produção. tem papel importante na atividade redistributiva do governo a manutenção de grupos de indivíduos que. poderiam ser totalmente ou em parte produzidos pelo setor público. por exemplo) as classes de renda mais baixa. introduzindo maior progressividade nos tributos. das atividades relacionadas ao pagamento de pensões e auxílios a aposentados ou à infância. tendo em vista os benefícios sociais a eles associados. a produção desses serviços pelo governo. Daí a exigência da intervenção do governo com o objetivo de satisfazer a essas necessidades coletivas.

cujos efeitos teriam que ser reduzidos por meio de maior intervenção direta ou indireta do governo no processo produtivo. a proposição estabelecida anteriormente. The growth of public expenditure in the United Kirigdom. normalmente. sua argumentação aproxima-se de tentativas recentes de explicar o comportamento da evolução das despesas públicas baseado nos estudos econométricos da demanda dos diferentes componentes da atividade exercida pelo governo. a densidade demográfica. Em ambos os casos. Op.1.29 A primeira é relacionada ao crescimento das funções administrativas e de segurança que acompanham o processo de industrialização. À medida que outros fatores — principalmente demográficos — evoluem juntamente com o próprio crescimento da renda. que estabelece a seguinte proposição: “À medida que cresce o nível de renda em países industrializados. Vale a pena notar que problemas de estabilidade econômica são particularmente importantes no caso de economias subdesenvolvidas. a população. A segunda é devida ao crescimento das necessidades relacionadas à promoção de bem-estar social (Educação e Saúde). Alan T.tributação. na medida em que a manutenção da estabilidade constitui um requisito importante para que seja alcançado o objetivo de manutenção de taxas elevadas de crescimento. v. em virtude de modificações tecnológicas e da crescente necessidade de vultosos investimentos para a expansão de alguns setores industriais. o setor público cresce sempre a taxas mais elevadas. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . The growth of government spending in Canada. Entre essas se destacam as contribuições de Adolph Wagner27 e de Peacock e Wiseman28 quanto ao estabelecimento de hipóteses teóricas que expliquem o processo de evolução do setor público. que a hipótese formulada se refere ao crescimento dinâmico da participação do governo em um mesmo país e não pode evidentemente ser comprovada com base em comparações internacionais que utilizem a relação despesas governo/PIB em um ponto do tempo para diferentes países30. S. 28 PEACOCK. todavia. a demanda global de bens produzidos pelo governo apresenta-se. 74 Professor: Raimundo N. 30 Esse ponto também foi notado por BIRD. 29 BIRD. Richard. 2. conforme observa Richard Bird. WISEMAN. inclusive o próprio crescimento do número de bens públicos em decorrência de maior complexidade da vida urbana.. Em praticamente todos os estudos formulados. Richard. 1970.” As razões apontadas para a formulação de tal hipótese são de três tipos. Crescimento das despesas públicas a. cuja demanda deveria aumentar com o crescimento econômico do país. A terceira razão é em face do desenvolvimento de condições para a criação dos monopólios. a renda per capita. Princeton : Princeton University Press. Toronto: Canadian Tax Foundation. cit. em parte. Op. Canadian Tax Papers. p. 27 A contribuição de Wagner é resumida por BIRD. É necessário enfatizar. enfatiza-se o problema da identificação dos determinantes da expansão de gastos do governo baseado na análise empírica de dados disponíveis. são destacados como variáveis importantes na análise e determinação do crescimento dos gastos nas diferentes funções exercidas pelo governo. de tal forma que a participação relativa do governo na economia cresce com o próprio ritmo de crescimento econômico do país. com elasticidade-renda superior à unidade. o grau de urbanização etc. 1970. o que comprova. 70. cit. Hipóteses teóricas Algumas generalizações sobre o comportamento dinâmico das despesas públicas têm sido formuladas. processo esse que vem-se expandindo substancialmente com base em estudos econométricos. Jack. 51. 76. Embora a “Lei de Wagner” não tenha sido estabelecida com base em verificações empíricas de preferências individuais por bens públicos durante o processo de crescimento. A contribuição de Adolph Wagner ao estudo do crescimento e das despesas públicas é sintetizada na chamada “Lei de Wagner”. p.

S. Além das guerras mundiais. se faria sentir quando grandes perturbações de natureza política ou socioeconômica — tais como as grandes guerras mundiais — contribuíssem para aliviar a mencionada resistência ao incremento na tributação. Este. a expansão dos gastos é financiada com a emissão de papelmoeda. 75 Professor: Raimundo N. pelo mecanismo normalmente chamado de “poupança forçada”. por sua vez. ao mesmo tempo em que a execução direta é atribuída aos governos locais. Esta.Peacock e Wiseman. Peacock e Wiseman estabelecem que o crescimento do setor público. o crescimento das atividades do governo é limitado pelas possibilidades de expansão da oferta. em que pese o crescimento da demanda. o processo de crescimento não deve apresentar-se harmônico. é limitada pela possibilidade de crescimento da tributação. abordam o problema de crescimento das despesas públicas por um ângulo completamente diferente. a qual. embora em longo prazo a participação das despesas do governo na Renda Nacional cresça. concomitantemente com a própria expansão da participação do governo na economia. As razões principais para a ocorrência do fenômeno mencionado estão basicamente associadas ao objetivo simultâneo de centralização das decisões para compatibilizar os problemas de política fiscal com a formulação geral de política econômica. e de descentralização das atividades executivas para aumentar a eficiência da atuação do governo. Em períodos normais. reconhecido pelos autores como o principal fator a explicar o processo evolutivo das despesas governamentais com base na análise empírica da experiência da Grã-Bretanha. teriam. assim. Isto é. À medida que os indivíduos sofram de ilusão monetária. Essa centralização das decisões — que não significa necessariamente centralização dos gastos — tem sido grandemente observada em países de organização federal de governo. por outro lado. tornado efetivo. por seu turno. Os indivíduos. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . e estas. assumindo. De um lado. a resistência à elevação da carga tributária seria suficiente para impedir um crescimento dos gastos. a despeito da pressão exercida pelo crescimento da demanda. o limite à expansão dos gastos imposto pela resistência a aumentos na carga tributária pode ser superado utilizando a inflação como um substituto para aumento dos tributos. Além do “efeito-translação”. Isso significa que. e como esta tende a desaparecer à medida que perdura a inflação. o crescimento dos gastos totais do governo em determinado país é muito mais uma função das possibilidades de obtenção de recursos do que da expansão dos fatores que explicam o crescimento da demanda de serviços produzidos pelo governo. limitadas pelas possibilidades de incremento na tributação. por sua vez. como a década de 30 do século XX. Como o processo só funciona enquanto persistir a ilusão monetária. as características do “efeito-translação” citado. estaria limitado pelas possibilidades de expansão da oferta. ou de acentuado processo inflacionário têm sido mencionados como fatores capazes de provocar o “efeito-translação” referido. segundo Peacock e Wiseman. O caso da inflação é típico e interessa de perto à experiência brasileira e de outros países em processo de desenvolvimento. De outro. Nesse caso. Esse efeito de fatores exógenos sobre o comportamento dos gastos foi chamado de “efeito translação”. as contribuições teóricas mencionadas parecem complementar-se na tentativa de generalização de princípios que explicam o processo de crescimento das atividades do setor público. comportamento diferente quanto à demanda de bens produzidos pelo governo e quanto à disposição de contribuir com os recursos necessários à produção desses mesmos bens. Peacock e Wiseman identificam outro efeito importante no processo de crescimento dos gastos do setor público: o “efeito-concentração”. Este se refere à tendência à progressiva concentração das decisões em níveis mais elevados de governo. períodos de grande depressão econômica. o efeito sobre o nível relativo das despesas do governo no produto é transitório. Para eles. Para a análise secular do crescimento das despesas públicas. a análise de Wagner enfatiza a renda per capita como principal variável a explicar a expansão da demanda de bens produzidos pelo governo. nos quais o mecanismo decisório é progressivamente centralizado nas mãos do Governo Federal. elevaria imediatamente o total de gastos aos novos níveis permitidos pelo incremento na disponibilidade de recursos. mas obedecer a um padrão alternado de períodos de relativa estabilidade com outros de rápido crescimento. assim.

a continuidade do processo inflacionário teria acabado com os possíveis efeitos da ilusão monetária sobre a disponibilidade real de recursos para o setor público por meio da utilização do mecanismo de emissão. A redução do déficit. devido à redução na arrecadação tributária. a ocorrência do “efeito-translação” a que se refere o estudo de Peacock e Wiseman é notada particularmente nos períodos 1955/1960 e 1965/ 1969. elevação da carga tributária. crescendo para 20. Entre 1955 e 1960. Nesse período. público Gráfico I . excluindo empresas do governo. as despesas públicas atingem a média de 39% do PIB. De acordo com essas informações. No primeiro caso. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças .8%. até 1961. Na segunda metade da década de 80. Em particular. de forma a não reduzir o total de recursos disponíveis para aplicação pelo setor público. e situando-se acima de 21% em 1957 e 1958. chegando a 28% do PIB em 1984. A partir de 1964. A experiência brasileira Uma boa aproximação do caso brasileiro às formulações teóricas apresentadas anteriormente é proporcionada pela análise dos dados disponíveis. Nos anos 80. o total do déficit do governo financiado praticamente em sua totalidade por emissão de papel-moeda elevou-se de 0. 23% em 1969 e 26% em 1970.7 para 2.6% em 1953. elevam-se para 21% do PIB. as despesas públicas atingem novo patamar. com a utilização do mecanismo inflacionário para financiamento da expansão dos gastos públicos.2. quando experimentam novo salto: 22% em 1967 e 1968.8% do PIB. exigia. e ao redor de 20% nos demais anos. Tal fato pode ser. o total de recursos disponíveis manteve-se estável. Em relação ao PIB. fazendo com que. em que pese a continuidade no crescimento da relação déficit/PIB (atingindo 4.4 para 22. S. tendo em vista não comprometer o objetivo 76 Professor: Raimundo N. reunidas no Gráfico 1. O total de despesas do setor público.Participação da despesa total do setor público brasileiro no PIB — 1948/ 1994. caindo em 1994 para 26%. cresceu cerca de oito vezes em termos reais. tornada imperiosa pela política antiinflacionária. inclusive. as despesas expandiramse de cerca de 17% em 1948 para 19% em 1950. em contrapartida. até 1967. Fontes: FGV e IBGE. exceto em 1990 (32%).b. nesse mesmo período.1. No intervalo 1960/1963. a política desenvolvimentista. a disposição do governo de promover o crescimento econômico simultaneamente com a estabilidade do nível de preços modificou substancialmente a política de financiamento dos gastos. a expansão dos gastos públicos assumiu proporções consideráveis no período 1948/1994.3% em 1962). ficando em 24% em média nos anos 70. teria sido o principal fator a explicar o rápido crescimento exigido pela disposição de acelerar o ritmo de crescimento econômico do país. as despesas permanecem acima de 40%. o total de recursos disponíveis para aplicação pelo setor público se elevasse de 16. observado com base no exame dos dados apresentados na Tabela 1. Até 1993. A partir de 1962.

que poderiam ser enquadradas nas perturbações sociais consideradas como capazes de alterar a disposição dos indivíduos quanto à aceitação de incremento nos níveis de tributação. o “efeito-translação” não foi totalmente evidenciado mediante simples observação do crescimento da relação despesa/PIB.3% em 1989. em que o II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) foi o grande símbolo. em especial as despesas com juros (em decorrência do aumento do endividamento nos anos 70 do século XX e da elevação da taxa de juros americana) e com a previdência social.2.7%. foram impedidos de sacá-los por 18 meses. sendo difícil o aumento da carga tributária. as baixas taxas de juros e o esforço de ajuste fiscal iniciado no final da década de 60 trouxeram superávit público em alguns anos da década de 70 do século XX. elevação essa parcialmente utilizada para reduzir a participação do déficit no PIB a níveis inferiores àqueles existentes em 1956. também. até 1977. É importante notar que.0 para 27. contribuíram para tomar possível o incremento necessário na carga tributária. o governo manteve a política de crescimento econômico. que esse ano é atípico em termos de receita tributária. 77 Professor: Raimundo N. sem o correspondente aumento das receitas. a receita tributária permanece em torno de 30% do PIB. Na primeira metade dos anos 90 do século XX. Em conseqüência. que atinge 33% do PIB31. prosseguia a política de investimentos públicos. Sua política econômica foi marcada pela tentativa controvertida de controle da inflação. 1990). Nesse período. incluindo conta corrente e caderneta de poupança. que eleva o valor nominal da dívida e. poder-se-ia falar no efeito-translação para explicar o crescimento dos tributos: a sociedade estaria disposta a pagar mais impostos em prol da consolidação da recém-restabelecida democracia. Com a farta disponibilidade de recursos no mercado internacional. Titulares de ativos financeiros. O primeiro Presidente da República eleito após mais de 25 anos sem eleições diretas renuncia. nesse período. conforme pode ser observado na Tabela 1. No início da década de 70 do século XX. condições excepcionais. Na primeira metade dos anos 80 do século XX. Note-se. em conseqüência. as despesas públicas aumentaram consideravelmente. o preço do petróleo quadruplicou.simultâneo de promover o crescimento da economia. o crescimento do déficit deve-se à aceleração da taxa de inflação. Em 1978 e 1979. A manutenção da carga tributária em patamar elevado. embora a carga tributária tenha elevado-se. registraram-se pequenos déficits. em 1963. Além disso. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . a carga tributária elevou-se de 18. Sua importância só fica perfeitamente caracterizada com a observação apresentada sobre a alteração na estrutura do financiamento. É um período conturbado da história política e econômica do país. S. Entre 1963 e 1969. o déficit público cresceu substancialmente. para não sofrer um inevitável impeachment. com a continuidade de grandes investimentos públicos. Novamente. o pagamento de juros. Houve superávit em 1990.9% do PIB. em 1968) foi bastante inferior à elevação total da carga tributária. com a oposição fortalecida. mas na maior parte pela redução da inflação. Note-se que esse período corresponde ao último governo do período militar. A elevação total nos recursos disponíveis (22. para 27. em parte pelo controle do gasto público. a redução do chamado efeito Tanzi (perda de arrecadação causada pela inflação em razão da defasagem de tempo entre o fato gerador do tributo e o efetivo recolhimento pelo governo). notadamente em exploração de petróleo e na substituição de importações de insumos básicos e nas atividades voltadas à exportação (Carneiro & Modiano. Note-se que a receita tributária saltou de 22. bem-sucedido apenas nos primeiros meses. 31 Certamente. Em parte.2% do PIB.9% do PIB em 1985 para 28. trazendo dificuldades para as contas externas. A segunda metade dos anos 80 do século XX marca-se pela explosão do déficit público.

mercados perfeitamente competitivos são raros. existindo falhas de mercado que justificam a intervenção do governo. Fontes: FGV (até 1973) e IBGE — Departamento de Contas Nacionais (1974 em diante). Determinantes das despesas públicas a. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças .Participação dos recursos do setor público no PIB — 1947/1994. São exemplos mais comuns de tais falhas a existência de bens públicos. 78 Professor: Raimundo N. de externalidades. S. 2.Tabela II .2. de participantes do mercado com grau elevado de influência sobre os preços e a quantidade produzida e de assimetria de informações. Falhas de mercado No mundo real.

A atuação do governo dar-se-ia pelo mérito intrínseco que a educação possui. praias etc. O sistema de preços reflete apenas os custos e os benefícios privados. o aumento do número de escolas. Bens Públicos Bens públicos puros possuem duas características: a não-rivalidade e a impossibilidade de exclusão de seu consumo. Se esse crescimento populacional faz-se ainda acompanhar por incrementos mais que proporcionais na população urbana e por um alargamento da base da pirâmide etária. por exemplo. outra causa importante da necessidade da expansão de gastos governamentais com a manutenção dessa atividade relaciona-se à própria ampliação do número desses bens à medida que o país se desenvolve. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Segundo. o próprio processo de crescimento econômico tem provocado deseconomias externas que implicam a necessidade de manutenção de novos serviços pelo governo. ampliam-se as necessidades de gasto de transferência com pensões. visto que não há incentivo para uma empresa ofertar um bem que pode ser consumido por qualquer um sem nenhum pagamento. há os bens semipúblicos. A educação é um bom exemplo: até determinado limite. mediante. na categoria de bem semi-público. ambulatórios etc. Se as alterações implicam aumento da população jovem (alargamento da base da pirâmide). saneamento.) e ampliam mais que proporcionalmente. aposentadorias etc. polícia. Há quem os classifique como bens meritórios. O regresso de um brasileiro que estava no exterior não diminui a defesa nacional dos que já estão e não seria possível ao governo excluir esse cidadão de usufruir da defesa das fronteiras do país. Externalidades As externalidades implicam custo e benefício sociais diferentes do custo e do benefício privados. Além dos bens públicos puros. Maior número de habitantes implica a necessidade de crescimento dos serviços de segurança. bombeiros etc. c. para dado crescimento populacional. É raro encontrar bens públicos que atendam completamente às características de nãorivalidade e não-exclusividade. Em primeiro lugar. modificações na estrutura etária da população tendem a reforçar ainda mais a demanda de serviços culturais e assistenciais. Se a modificação se refere a aumento da população inativa por idade elevada. sendo necessária a presença do governo para incorporar as externalidades ao custo privado. ou seja. cujo consumo é claramente não rival e não exclusivo. não há diferença se em uma sala de aula entra um novo aluno. o que implica criar demanda de novos tipos de bens públicos: museus. Além do crescimento da demanda de bens públicos e semipúblicos referidos. como é provável em países em processo de desenvolvimento. creches. S. todavia. Caso típico consiste na poluição do meio ambiente que acompanha o processo de industrialização e que vem criando um novo tipo de obrigação para o governo: o controle da poluição e a preservação do meio ambiente. a ampliação dos serviços assistenciais e de saúde pública etc. não há rivalidade no consumo do serviço (a aula).b. Por essa razão. O que há em geral é um contínuo em que uma parte maior ou menor dessas características é observada. Por outro lado. isso justificando a atuação do governo no fornecimento de tais bens. trânsito. Incrementos na urbanização aumentam a demanda de serviços urbanos (ruas. jardins. bens públicos são geralmente ofertados pelo governo. mais acentuados. que possuem parte das características dos bens públicos. Com tais características. a elevação do nível de renda per capita e do padrão de vida da população amplia o tempo disponível para o lazer. O exemplo mais acabado é a defesa nacional. esses bens são insuficientemente ofertados pelo mecanismo de mercado. provavelmente. os efeitos sobre as necessidades de expansão dos bens públicos e semipúblicos são ainda. assistência médica. praças. parques. capacidade de facilmente excluir alguém do consumo. o que a enquadra. ambulatórios especializados etc. já que é impossível excluir alguém do consumo. O crescimento populacional exerce efeito direto sobre o volume de bens públicos e semipúblicos. Há. o efeito será maior sobre a necessidade de gastos em escolas. assim. hospitais. as necessidades de escolas. a 79 Professor: Raimundo N.

na conta do que plantou a árvore só está o benefício privado. S. é menor que o social. estímulo à concorrência. 1960). O que há. Estes devem ser informados. com fabricantes ou outros vendedores dispondo de muito mais informações sobre os produtos que produzem ou comercializam que os consumidores. seja pela limitação de fusões. Caso os moradores não consigam entrar em acordo com o dono da fábrica. O papel do governo é então limitar o poder de mercado das firmas. em decorrência dos novos desafios impostos pelo avanço da privatização.tributação ou incentivo fiscal. O governo pode aumentar o benefício privado mediante a distribuição de mudas ou descontos de taxas para moradores que plantem árvores. porque um dos lados é muito mais forte que o outro. com a privatização dos serviços de utilidade pública — Telecomunicações e Energia Elétrica —. O papel do governo é tentar mitigar a assimetria de informação por meio de leis e de fiscalização sobre as informações de que todo consumidor deve dispor. em vários países da região. com o intuito de regular as atividades desses setores. que. d. em geral. mercado Poder de mercado A existência de produtores e consumidores atomizados. R. por natureza pouco competitivos e que prestam um serviço essencial à população. Da mesma forma. AO DO ESTADO PROVEDOR AO ESTADO REGULADOR Um dos aspectos mais enfatizados no debate recente sobre a reforma do Estado na América Latina é o que aponta para uma profunda mudança na natureza de suas atribuições. não é comum no mundo real. por exemplo. Por exemplo: um fabricante que polui o ar de uma cidade. a proposta de reforçar sua função reguladora. o governo precisa intervir. lá estarão apenas seus insumos. Journal of Law and Economics 3. piorando a qualidade de vida dos moradores. como matéria-prima e mão-de-obra. aplicando uma multa ou uma taxa ao fabricante e destinando seu produto aos moradores como forma de compensação32. seja com incentivos diretos à instalação de competidores. muitas vezes prejudicando os consumidores. o custo privado elevar-se-ia. há assimetria de informação no mercado. são necessárias leis especificando o que deve ser informado pelos fabricantes. como o CADE e a Secretaria de Direito Econômico. Informação assimétrica Freqüentemente. Também com a função de regular o mercado há diversos órgãos do governo. há leis obrigando o sistema financeiro a informar que taxa de juros se cobra dos consumidores e o preço total a prazo. Muitas vezes. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . 3. o que muitas vezes não ocorre. neste caso. tomadores de preços. de lucro máximo. ganha corpo. Por exemplo: alguém planta uma árvore em frente de sua casa com o intuito de obter sombra para estacionar seu carro. Mesmo que a sombra eventualmente beneficie vizinhos. Ele não incorporará em seus custos o malefício que causa. se houver baixo custo de negociação e possibilidade de ganhos para ambos os lados. mediante as várias formas de regulação existentes: fixação de preço máximo. dos componentes químicos de um alimento ou medicamento que consomem. e. é uma forma de competição imperfeita. Após várias décadas de convivência com um Estado que absorvia grande parte das responsabilidades pela provisão de bens a serviços. segundo o qual o resultado das negociações entre as partes será eficiente. sob pena de a informação disponível ao consumidor ser deficiente. aproximando-se do custo social. Há também o caso de externalidades positivas que podem demandar a intervenção do governo para que não haja uma sub-oferta. Dessa forma. 32 O Teorema de Coase (ver COASE. o governo criou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). como o monopólio e o oligopólio. não constando os gastos dos vizinhos com remédios ou purificadores de ar em conseqüência do ar poluído. No Brasil. Essas estruturas de mercado fazem a produção ser menor que na de concorrência perfeita e o preço mais elevado. 80 Professor: Raimundo N. The problem of social cost.

a que se refere aos novos mercados que advirão do processo de privatização: a infra-estrutura e de serviços urbanos. Primeiro. profunda revisão do papel a ser desempenhado pelo Estado nesse momento. quanto no internacional. Trata-se. em face da importância da escala produtiva para a preservação de padrões de competitividade compatíveis com os apresentados por grandes conglomerados internacionais. a privatização é o fator novo que aviva o debate sobre a regulação. Segundo. e que está a exigir profundas mudanças de atitudes e de métodos com respeito ao relacionamento entre Estados e entre eles e suas sociedades. na prática. as entidades públicas encarregadas da produção de mercadorias e da prestação de serviços tornaram-se mais poderosas do que os órgãos que supostamente deveriam controlá-las. instituir novas formas de parceria e de controle social. É preciso levar em conta que as mudanças necessárias no papel do Estado relacionam-se a um conjunto mais amplo de transformações que sacudiu o mundo nesse final de século. a abertura comercial cria a necessidade de se repensarem os mecanismos de defesa da concorrência. gerando uma situação na qual o concessionário assumia.A rigor. a regulação impõe custos sociais que nem sempre são facilmente percebidos. portanto. pois. Não se trata. Discute-se. 33 Reportagem recente (The Economist. as atribuições do poder concedente. No Brasil. a que se volta para a instituição e a operação de mecanismos eficazes de defesa da concorrência. É preciso modificar a cultura burocrática. estabelecer novos padrões de gerenciamento das políticas públicas. mas não é o único aspecto a ser considerado. nem o abandono de conhecidas práticas desleais de comércio. o debate sobre a necessidade de regulação enfrenta as dificuldades decorrentes da inexperiência nessa matéria. nos foros internacionais. Após várias décadas de predominância da intervenção direta do Estado na vida econômica e social do país. No plano doméstico. 81 Professor: Raimundo N. Problemas ambientais. os referentes às relações internacionais. a formação de blocos regionais. aumentar a transparência das ações do governo. Quanto maior for o espectro de questões a serem objeto da regulação. também. Duas áreas são. o problema de regulação dos mercados financeiros e a necessidade de maior controle sobre os fluxos internacionais de capitais para evitar a ocorrência de crises provocadas pela alta volatilidade desses fluxos. em particular. A queda das barreiras tarifárias não significa o fim de práticas restritivas ao livre intercâmbio de mercadorias e serviços. Novas instituições são criadas para arbitrar conflitos no comércio internacional. pois. É preciso. por exemplo. o fortalecimento dos poderes locais (descentralização) alteram radicalmente o contexto no qual se situavam as estratégias de desenvolvimento dos países da região. acima de tudo. 27 July 1996) estima que o custo da regulação imposta pelo Governo norte-americano já alcança montante equivalente a 47% do orçamento federal daquele país. maior será a transferência para o setor privado de custos até então suportados pelo governo. A globalização financeira. exigindo. apenas de regular os novos mercados que emergirão do processo de privatização. A transformação do Estado provedor em um Estado regulador traz importantes desafios para os países da região. em contrapartida. tanto no mercado interno. O conhecimento técnico especializado migrou da Administração Pública para as empresas estatais e outras entidades dotadas de autonomia gerencial e financeira. as exigências da competitividade demandam nova postura diante do processo de fusão e incorporação de empresas. a privatização de empresas públicas. tanto no cenário político. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . tráfico de drogas e segurança firmam-se cada vez mais na agenda internacional e exigem novos esforços de cooperação. prioritárias no Brasil com respeito à regulação. quanto no econômico. S. de re-regular outros aspectos importantes da vida econômica. embora a privatização reduza o dispêndio público. De outra parte. a abertura comercial. o que irá exigir maior rigor na aferição de seus benefícios33.

precisa ser examinada com maior rigor. Os limites da autonomia do órgão regulador e de seu colegiado são dados pelo enorme desafio da expansão e modernização da infra-estrutura e sua importância para o desenvolvimento do país. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . o colegiado deveria ser composto por profissionais independentes. Entre essas. o impacto inicial da privatização sobre as desigualdades regionais e sociais requer cautela e preocupação por parte do governo. e a tese da autonomia do órgão regulador poderia ser mais bem assimilada. a tarifária? Como a privatização deverá avançar a ritmos geograficamente diferentes. produtores e usuários. em uma composição paritária e tripartite. Em primeiro lugar. como administrar a convivência de empresas públicas e privadas em um contexto de articulação do poder público com o órgão regulador? Tendo em vista a importância social de alguns serviços a serem privatizados. a privatização não 82 Professor: Raimundo N. Com atribuições mais restritas. com maior intensidade a partir da aprovação das emendas constitucionais que quebraram o monopólio do Estado na infra-estrutura. o colegiado deveria ser composto por representantes dos três principais interesses envolvidos: governo. a independência de opiniões dos membros do colegiado poderia ser mais facilmente aceita. enquanto no caso brasileiro boa parte dela ainda está por construir. Nessas condições. A separação de funções é uma alternativa a ser contemplada. a preocupação com a não-ingerência política nas decisões do órgão regulador é um aspecto central do problema.Algumas questões importantes predominaram no debate sobre a regulação no Brasil na primeira metade dos anos 90. convém destacar: a. e A questão da eqüidade. em face do alcance e do ritmo geograficamente diferenciados da privatização e suas implicações sociais. à questão da representatividade. mas que envolve distintos problemas de coordenação. c. de modo a preservar maior independência em relação aos interesses envolvidos. como conciliar a autonomia do órgão regulador com a preservação de algum grau de interferência do setor público em questões estratégicas para o país. Além disso. para evitar conflitos que possam comprometer o próprio avanço do processo. Para outros. como evitar que a privatização acarrete um aumento na exclusão de um expressivo contingente de usuários em potencial do acesso aos serviços? A questão da autonomia não pode. Mantido o planejamento setorial na esfera do governo. em particular. por exemplo. Como a estabilidade das regras — em especial a questão tarifária — é crucial para o processo da privatização. em face das particularidades que o caso brasileiro encerra. pois ali se tratava de situações nas quais a infra-estrutura já estava usualmente construída. ser vista de forma dissociada das demais. como por exemplo. A questão da autonomia do órgão regulador. d. Os limites da autonomia precisam ser demarcados à luz das preocupações mais gerais com o planejamento setorial e a formulação de políticas voltadas para a expansão e modernização dos setores que estão sendo privatizados. S. Para uns. como o saneamento. Nesse sentido. E ponto pacífico que a administração dos órgãos reguladores deve ser cometida a um colegiado. é preciso analisar a natureza das atribuições do órgão regulador. Essa é uma questão que usualmente não se apresenta nos casos usados como referência para a análise da situação brasileira — a experiência européia e. desde logo. A questão da expansão. A questão da representatividade dos interesses envolvidos. Claro está que a divergência com respeito à composição do colegiado relaciona-se às atribuições do órgão regulador. de notória especialização e familiaridade com o tema. Ela ligase. dispondo de mandato fixo e não podendo ser demitidos ad nutum. a britânica —. b. A autonomia do órgão regulador é um dos focos principais do debate. A tese de que os membros da comissão reguladora devem gozar de ampla autonomia. um colegiado de notáveis teria maior chance de desempenhar bem esse papel. pois. mas a composição desse colegiado é objeto de controvérsia.

serviços da qualidade dos encontrados em regiões mais pobres do planeta. A maioria das questões anteriormente levantadas referese ao debate sobre a regulação dos serviços que estão sendo privatizados. estimular e apoiar programas integrados de investimentos e incentivar parcerias com a iniciativa privada em áreas que não apresentarem condições imediatas propícias de rentabilidade. com as responsabilidades de definir políticas para o setor. o Brasil estaria exigindo um sacrifício muito maior de seus cidadãos. retornando ao patamar de 30% do PIB em que se situava no auge do intervencionismo estatal dos anos 70. A conciliação entre a autonomia do órgão regulador e a preservação de alguma forma de ingerência estatal passa por uma visão abrangente do problema. deles extraindo compulsoriamente recursos equivalentes aos recolhidos pelos governos de países muito mais adiantados. a denúncia de que o Estado brasileiro teria expandido-se demasiadamente. 3. Comparações internacionais reforçam o argumento. em especial os de infraestrutura. também não pode ser ignorada.significa uma retirada do setor público das áreas que estão sendo privatizadas. — mas nenhuma na área de saneamento (água e esgotos). ao mesmo tempo em que sejam ampliadas as possibilidades de acesso da população baixa renda a esses serviços. Em relação a países do mesmo nível de desenvolvimento. principalmente no caso dos serviços urbanos. 83 Professor: Raimundo N. A preocupação social. em contrapartida. Isso significaria instituir uma instância deliberativa maior. nos últimos anos. como as relacionadas à competitividade doméstica e internacional. não é a privatização em si que é objeto de preocupação. apoiada em um colegiado próprio. Outras áreas prioritárias. de telecomunicações. Responsabilidades do Estado e tamanho do governo Tem-se intensificado. para oferecer-lhes. revelando que o problema não está na propriedade dos serviços. Assim. Cabe acrescentar que a questão da composição e da autonomia dos órgãos reguladores também depende do objeto da regulação. não pode ater-se a visões setoriais do problema. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . o desafio está em assegurar que a remuneração do capital privado investido em saneamento e transporte urbano seja preservada. mas na ausência de uma política integrada para lidar com o problema da exclusão social. E preciso considerar que o equilíbrio na oferta de energia. de serviços urbanos é indispensável para que o adequado aproveitamento das potencialidades de desenvolvimento de cada região o país seja alcançado.1. de transportes. Nesse caso. S. a experiência mostra que nem a primazia do setor privado (transporte) nem a predominância estatal (saneamento) produziram resultados satisfatórios do ponto de vista do acesso da população pobre a esses serviços. Nesses casos. mas a ausência de políticas eficazes para lidar com esse problema. ainda estão em fase incipiente de reformulação. A observação anterior nos remete à discussão da necessidade de adicionar um enfoque global à questão da regulação da infra-estrutura. cabendo ao primeiro grande dose de responsabilidade com respeito ao planejamento e aos investimentos com vista em evitar indesejável agravamento das disparidades regionais. Aqui. O Brasil tem razoável experiência na área de transportes urbanos — majoritariamente explorado pela iniciativa privada. mas uma nova forma de convivência entre ambos — público e privado —. Tal assertiva sustenta-se na constatação de que a carga total de tributos exigidos da sociedade voltou a crescer nos anos 90. após ter declinado na década anterior. Uma política de expansão e modernização da infra-estrutura. em que pesem as pressões por avanços mais rápidos nessa direção. preocupada com um desenvolvimento espacialmente mais equilibrado. as preocupações governamentais com o papel da infra-estrutura na nova estratégia do desenvolvimento do país poderiam ser mais bem atendidas mediante clara distinção entre as atribuições do órgão regulador setorial e as responsabilidades mais gerais do poder público.

cuja correção não dispensa a ação coletiva voltada para a eliminação dos fatores que concorrem para a preservação dessas disparidades. como a apreciação de seu tamanho não pode ser feita isolada da análise de suas funções. Em economias de mesmo tamanho. à invalidez e ao desemprego. necessariamente. mas uma mudança em suas prioridades. trata-se de reformar o Estado. uma redução no papel e no tamanho do Estado. Esse julgamento apressado merece. e em que a crise fiscal dita a velocidade e a profundidade das mudanças que devem ser processadas. como será visto a seguir. num contexto em que a universalização do acesso a direitos sociais básicos está longe de ser alcançada. Apesar da privatização. a aferição do tamanho do Estado não é uma tarefa trivial. S. a participação feminina no mercado de trabalho e a quebra da estrutura familiar. A relação entre as funções do Estado e seu tamanho é complexa. Na verdade. O retorno ao passado é improvável. as necessidades de atuação estatal sofrem a influência de desigualdades regionais e sociais. todavia. mas a busca de novas formas de solidariedade social.Como de hábito. É excessivo o tamanho do Estado brasileiro? A observação ligeira de alguns indicadores usualmente utilizados para medir o tamanho do Estado pode conduzir a uma resposta afirmativa à questão aqui formulada. A retirada do Estado das atividades tipicamente produtivas. e é um dos caminhos que vêm sendo insistentemente apontados para manter o tamanho do Estado em níveis aceitáveis. sociais e políticos que evoluem ao longo do tempo. entretanto. maior atenção. A experiência dos países da OECD a esse respeito é bastante elucidativa. a. a Alemanha e a França destina-se à sustentação dos programas de proteção dos riscos sociais associados à doença. À diferença dos países industrializados. não acarreta. Nos países industrializados do Ocidente. Às clássicas funções do Estado sobrepõem-se aspectos culturais. alterando a intensidade e a natureza das demandas da sociedade por maior ou menor intervenção do Estado na vida socioeconômica de um país. o tamanho de nossa carga tributária é significativamente maior do que a apresentada por outros países nos quais a renda per capita é igual ou maior do que a nossa. uma vez que a forma de atuação do Estado e os instrumentos que ele utiliza variam ao longo do tempo e entre países. sustentadas em parcerias do Estado com a sociedade. com o avanço da privatização. históricos. para evitar maiores danos ao objetivo de construir uma nação justa e desenvolvida. e rever suas funções. a relação entre o gasto público e o PIB dos países que integram essa organização manteve-se no patamar alcançado previamente. a expansão do Estado do Bem-Estar Social foi o motivo principal do contínuo incremento das necessidades financeiras do Estado. Não só a escolha dos indicadores que medem o tamanho do Estado encerra aspectos que podem distorcer comparações. é fundamental aprofundar o debate sobre os diferentes aspectos envolvidos. A absorção pelo Estado moderno de responsabilidades sociais que historicamente eram atendidas no seio das famílias cresceu em sintonia com a urbanização. indicando que os ganhos decorrentes do menor intervencionismo estatal na economia teriam sido absorvidos pelas crescentes exigências de sustentação dos programas sociais. inúmeros fatores que concorrem para distorcer o resultado e as comparações feitas com base em informações sobre o tamanho da carga tributária. Por isso. podem reduzir a necessidade da mobilização compulsória de recursos pelo Estado. Há. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . daí o recurso fácil a essa informação para formar juízos e fazer comparações. De fato. o Brasil encontra-se em uma situação particularmente delicada para lidar com o problema em questão. Parte substancial da carga tributária de países como a Suécia. à velhice. 84 Professor: Raimundo N. o debate sobre esse tema é pontuado por posições que mal disfarçam opiniões preconcebidas. A parte mais visível da intervenção é a representada pelo montante de tributos que arrecada. Aqui.

Os números contidos no estudo em questão. Decentralizarion and Deficits in Latin America. que não requerem aumento de recursos privados depositados nos cofres públicos. Seria tal informação um indicador importante para julgamento sobre vícios a virtudes desses dois regimes? Se a descentralização político-administrativa acarreta um aumento no tamanho do governo. Ernesto. “se a diferença entre dois países em termos de grau de descentralização é de 20 pontos de porcentagem. o tamanho do governo poderia ser maior. estariam desconsideradas. Luiz. talvez fosse melhor medir o tamanho do Estado pelo montante de seu gasto e não por uma de suas modalidades de financiamento. Fukusaku e Mello Jr. Decentrulization and Deficits in Latin America. Fiscal decentralization and macroeconomic stability: the experience of large developing and transition economies. Além das conhecidas dificuldades para medir. podem criar situações artificiais de estímulo a investimentos privados com efeito muito mais poderoso do que o recurso. aqueles em que a descentralização sustenta-se em grande volume de transferência de recursos do governo central para os demais) apresentam. K. Além disso. Uma baixa carga tributária pode estar associada a altos níveis de inflação ou de endividamento. os resultados desses estudos indicam que. por exemplo. nem sempre é possível saber se estão sendo utilizadas informações que abrangem a totalidade dos órgãos que compõem a estrutura político-administrativa do país ou apenas parte deles. fazendo com que expressão das demandas da sociedade e a disposição do governo em atendê-las encontrem melhor equilíbrio. De forma estatisticamente mais rigorosa. mas a eficiência e a eficácia de sua atuação também o seriam. mais usual entre nós.. tomando em consideração. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . sob condições equivalentes. Em trabalho recente. ela levanta outros aspectos importantes a respeito. Fiscal decentralization and government size in Latin America. Uma carga tributária da ordem de 30% do PIB é alta ou baixa quando comparada com as necessidades do país? Que fatores precisam ser levados em conta nesse julgamento? Um aspecto que tem sido objeto de exame recente é o de uma possível relação entre o tamanho do governo e o grau de descentralização político-administrativa do país. Pode também revelar preferências por formas indiretas de intervenção. 35 STEIN. o tamanho do governo seria maior em uma federação do que em um país unitário. É possível dizer. Créditos generosos concedidos pelo sistema financeiro.Em primeiro lugar. S. mostram que o tamanho dos governos sub-nacionais. governos ainda maiores. Todas as formas indiretas de intervenção. o que também é importante para o bom desempenho do governo. apresenta forte correlação positiva com o tamanho de todo o setor público (medido pela carga tributária global). Democracy.1. E continua: “Países descentralizados com alto grau de desequilíbrio vertical (isto é. essa mesma relação é demonstrada por Stein. Democracy. portanto. que constituem opções de financiamento do governo. De outra parte.35 que analisa uma amostra de países da América Latina e da OECD para concluir que.. utilizado na construção da Figura IX. é preciso cuidado para avaliar. BID/OECD. também. também não revelam toda a verdade. a descentralização permite lidar melhor com a diversidade de problemas e de situações. a descentralização aproxima governantes e governados. um governo cujo tamanho é quatro pontos de porcentagem maior que o dos países mais centralizados”.34 utilizam informações relativas a 31 países para analisar a relação entre a descentralização fiscal e a estabilidade macroeconômica. Informações sobre o gasto público. Entre outras coisas. Nesse caso. MELLO JR. o tamanho do governo. de concessão de incentivos fiscais. como regimes federativos costumam apresentar grau mais elevado de descentralização. 85 Professor: Raimundo N. em média. a exemplo de renúncias tributárias e subsídios creditícios. medido pela relação entre o gasto público dessas esferas e o PIB. BID/OECD. com o beneplácito das autoridades monetárias. que a 34 FUKUSAKU. esperase que o mais descentralizado apresente.” Interessa notar que. em média. não cobertos com recursos do Tesouro. porém.

Cerca de 80% da população brasileira já vive em áreas urbanas. no campo da saúde e da previdência. a saúde e a previdência estatal continuarão sofrendo pressões acentuadas por expansão. o ensino básico —.3 expressam com clareza a magnitude das transformações esperadas no perfil da distribuição da população brasileira segundo as faixas etárias consideradas). no ano 2020. encontrará maiores dificuldades de acesso a ocupações de melhor qualidade. o ritmo de crescimento populacional ainda guarda padrões do passado. pois aqueles que irão alcançar a idade de ingresso na força de trabalho. o quadro revela-se ainda mais complexo quando se focaliza o tema na perspectiva regional e nas diferenças de ritmo entre segmentos socioeconômicos da população. Nas projeções para o ano 2020. os que pertencem a famílias de baixa renda. oriunda dessas famílias. Paralelamente às mudanças no perfil etário. bem como as previsões que a respeito se fazem para o futuro. Como a expectativa de vida aos 65 anos de idade não é muito diferente para os que têm muito pouco e os mais abastados. registra-se a continuidade do processo de acentuada urbanização. o traço marcante das transformações demográficas em curso e das projeções para as duas próximas décadas do novo milênio é o rápido envelhecimento populacional. que hoje já formam um contingente numeroso. Estima-se que. S. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . A uma velocidade inimaginável há bem pouco tempo. ainda refletem padrões demográficos do passado. sendo que. Visto na perspectiva nacional. o perfil populacional do Brasil aproxima-se do padrão europeu e sobrepõe novos desafios em um contexto no qual velhas e pesadas carências ainda estão longe de ser resolvidas. 86 Professor: Raimundo N. se não tiver oportunidade de melhorar seu desempenho educacional. a pré-escola. em cidades com mais de 500 mil habitantes. etária Gráfico IX. assumirão uma participação crescente. no horizonte temporal dos próximos 20 anos.2 e IX. restam apenas 15% da população brasileira nas áreas rurais. Outros fatores que concorrem para que as pressões sobre o Estado brasileiro devam permanecer elevadas ainda por muito tempo são o ritmo e a natureza das transformações demográficas que vêm ocorrendo.Pirâmide etária — Brasil — 1990. crescerão a índices cada vez mais expressivos (os Gráficos IX. Já as necessidades dos mais velhos. menos da metade da população atual das grandes metrópoles.2 . No conjunto da população infantojuvenil. o Brasil terá uma população de idosos quase igual à atual população da Venezuela (cerca de 18 milhões de pessoas com idade superior a 65 anos). Taxas decrescentes de incremento da população jovem reduzirão as necessidades de expansão de serviços a eles direcionados — a atenção materno-infantil. mais de terça parte. Uma parcela também crescente dos que buscam o primeiro emprego. mas ainda não provocarão alívio na pressão por novos postos de trabalho.sociedade estaria mais disposta a suportar um Estado maior em situações nas quais seu relacionamento com ele é mais próximo. como é o caso dos regimes mais descentralizados. Se na perspectiva nacional as mudanças demográficas já apontam para alguns problemas. Nas populações cujos rendimentos estão abaixo de qualquer possibilidade de serem encontradas soluções próprias para o atendimento das necessidades básicas.

A perspectiva de que as crescentes responsabilidades de atendimento das demandas da população por soluções que concorrem para um desenvolvimento menos desigual possam ser mais bem resolvidas em regimes mais descentralizados traz de volta a questão do tamanho do Estado. levando em conta a relação anteriormente mencionada entre descentralização e tamanho do governo. S. voltadas para a mobilização de recursos. a descentralização permite lidar melhor com as diversidades encontradas em distintos pontos do território brasileiro. Caso seja possível ultrapassar o estágio das experiências exitosas. Como as manifestações mais graves de pobreza ocorrem nas regiões de menor desenvolvimento e nas periferias das grandes metrópoles. embora seja bastante plausível. De modos distintos. mostra que a responsabilidade social das empresas vem sendo objeto crescente de atuação.3 . em países marcados por fortes diferenças regionais e sociais. Instituições e tamanho. a participação das empresas em ações que até então eram campo quase exclusivo da ação governamental. Essa nova realidade permite reforçar a descentralização que ocorre na esfera inter-governamental ampliando-a na dimensão das relações do Estado com a iniciativa privada. a dependência de recursos transferidos do governo central afrouxa os controles da população local. Que novos caminhos podem ser trilhados para evitar o crescimento do Estado? Um dos temas mais em voga ultimamente é o das parcerias. De uma parte. Distintas iniciativas. em todo o país. a redefinição de propostas e a melhoria gerencial. a multiplicidade de instâncias decisórias aumenta a descoordenação. porém localizadas. Na relação entre o tamanho do Estado e o grau de descentralização está implícita a idéia de que os custos da descentralização superam seus benefícios. A sobreposição de hierarquias amplia os custos administrativos. De outra. aceitar. buscamse novas parcerias entre Estado e diferentes setores da sociedade. no sentido da adoção de propostas e soluções mais ajustadas às realidades locais. 87 Professor: Raimundo N. mediante criação de instrumentos mais adequados a uma gestão eficiente dos recursos e para melhor controle dos resultados. pode trazer reduções substanciais de custo. uma vez que a diversidade de situações nela encontra maiores possibilidades de adaptação. a perspectiva de um Estado relativamente maior do que o encontrado em situações nas quais essas diversidades não são tão marcantes? b. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . como a proposta de elaboração do Balanço Social. Cresce. a autonomia para endividamento abre brechas para descontrole na expansão do gasto.Gráfico IX. Seria inevitável. como é o caso do Brasil. A possibilidade de que a descentralização crie um novo espaço para a construção de parcerias não foi considerada nos estudos mencionados. é aí que as responsabilidades sociais do Estado serão mais exigidas.Pirâmide etária — Brasil — 2020. Tal fato reforça as tendências à descentralização. já adotada por número expressivo de empresas brasileiras. as parcerias podem vir a ser o caminho para evitar que o avanço da descentralização concorra para preservar um Estado grande. uma vez que boa parte (ou a grande maioria) do gasto não é financiada com tributos locais.

os que traduzem maior intervenção direta do governo na produção de bens e serviços e no processo de acumulação de capital. do ponto de vista das entidades encarregadas da execução das diferentes atividades. por exemplo. entre elas a política fiscal. é preciso soldar amplas parcerias do Estado com o setor privado. porém. Objetivos e alternativas de intervenção A diversificação dos objetivos da intervenção governamental na atividade econômica. por exemplo. que tanto pode recorrer a uma manipulação direta da taxa de câmbio pelo governo quanto advogar o controle indireto do preço da divisa estrangeira via medidas de estímulo à exportação ou contenção de importações. bem como dos instrumentos utilizados. mediante repasses e transferências para a cobertura dos serviços prestados à população. Da mesma forma. de escala. o controle indireto resulta da aplicação das chamadas medidas de política econômica. O Gráfico IX. Por sua vez. O outro subconjunto desse mesmo grupamento refere-se às atividades exercidas pelas empresas governamentais que atuam principalmente na provisão de Serviços Urbanos e Financeiros. podem ser modificados por meio de uma redução no imposto cobrado sobre o valor da respectiva produção ou mediante recurso ao tabelamento.2. a política monetária e a política cambial. com respeito a condições de acesso de expressiva parcela da população brasileira a serviços básicos. A mesma alternativa estende-se à política cambial. com o objetivo de evitar que isso signifique a preservação de um Estado grande e inoperante. o preço do dinheiro (taxa de juros) pode ser controlado indiretamente mediante variações nos meios de pagamento provocadas por medidas usuais de política monetária ou de forma direta pela fixação de uma ou mais taxas de juros pelo governo. S. Por sua vez. somam-se novas demandas provocadas pelo ritmo e pela diversidade das transformações demográficas que estão mudando e vão mudar ainda mais profundamente o perfil da população brasileira. (3) Promoção do Crescimento Econômico. pois isso significaria aceitar que ele não apenas mantenha seu atual tamanho como até mesmo apresente algum crescimento. mediante regras que incentivem a participação direta das empresas no financiamento e na gestão dos serviços prestados à população local de menor poder aquisitivo. Para que o compromisso apontado não seja visto como uma responsabilidade exclusiva do Estado. Enquadram-se nesse caso as medidas que resultam numa expansão das atividades da Administração Direta e Indireta relacionadas. 3. Tributos recolhidos pelas empresas ao Tesouro Nacional retornam parcialmente à esfera local. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . a produção de serviços sociais e investimentos na infraestrutura econômica. A intervenção direta nos preços lança mão de medidas legais e traduz-se em tabela mentos. As enormes carências já acumuladas. Essa interferência pode-se dar de maneira direta ou indireta. ainda limitada. O compromisso com um desenvolvimento mais justo e regionalmente mais equilibrado requer redobrado esforço da sociedade brasileira para propiciar iguais oportunidades de mobilidade social a todos os seus cidadãos. Se parte desse caminho puder ser evitado. com a produção de bens públicos. e (4) Melhoria na Distribuição da Renda. Algumas iniciativas importantes nesse sentido vêm sendo tomadas. gera possibilidades de conflito e requer um esforço organizado de planejamento e coordenação. Os preços de determinadas mercadorias. De um lado. Os objetivos são agrupados em quatro grandes categorias: (1) Satisfação das Necessidades Coletivas. 88 Professor: Raimundo N.Boa parte dos recursos que financiam as ações dos governos locais percorre um longo caminho — de ida e volta. quotas ou regulamentação.4 reúne os principais objetivos e instrumentos da intervenção. os instrumentos de intervenção podem ser agrupados em duas grandes categorias. A intervenção indireta do governo no processo produtivo utiliza medidas que interferem nas decisões de produção do setor privado mediante alteração nos preços relativos. a maior eficiência decorrente dessa parceria poderá trazer conseqüências positivas para o objetivo de conciliar a pressão pelo atendimento das necessidades dessas populações. (2) Manutenção da Estabilidade Econômica.

Por sua vez. admite-se que maior taxa de crescimento depende primordialmente de mais alta taxa de acumulação de capital. quanto maior for a importância relativa do governo como produtor de bens e ser viços — e maior. a importância relativa de cada uma das principais alternativas de financiamento no total de recursos financeiros mobilizados pelo governo depende também da organização administrativa das atividades governamentais. Por seu turno. necessidades Possibilidades de conflito e necessidades de coordenação A diversificação de objetivos amplia as possibilidades de conflito e aumenta a necessidade de planejamento e de coordenação na análise de alternativas de intervenção. em conseqüência. Assim. poderia conflitar com o objetivo de crescimento. De acordo com a distinção usual na análise macroeconômica. S. refere-se à compatibilização entre os objetivos de curto prazo e os que demandam um horizonte de tempo mais longo para serem efetivamente observados. Nesse sentido. a adoção de medidas que visem controlar a demanda pode resultar em efeitos negativos sobre as perspectivas de expansão da oferta. enquanto o crescimento e a distribuição de renda encerram basicamente questões de longo prazo. Maior intervenção direta do governo na produção implica maior transferência de recursos financeiros (e reais) do setor privado para o público. e que essa varia diretamente com o grau de desigualdade na distribuição pessoal da renda. dependendo da opção utilizada. modificações na oferta requerem um prazo mais longo para serem observadas. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . 3. Maior importância de órgãos descentralizados e de agências organizadas sob a forma empresarial implica. por exemplo. supõe-se constante a capacidade de produção.Vale a pena notar que. uma distribuição de carga tributária mais eqüitativa. de tal forma que o nível de renda e o de emprego em determinado período ficam determinados pelo nível de demanda agregada efetiva e variam instantaneamente em face de variações na demanda. freqüentemente encontrada na literatura. se se aceitar a hipótese de que uma medida dessa natureza teria efeito negativo sobre a taxa global de poupança. caracterizando um possível conflito entre a política antiinflacionária e os objetivos de crescimento. supõe-se que os problemas de estabilização econômica sejam essencialmente de curto prazo. motivada por objetivos de redistribuição da renda. o volume global de investimentos e o ritmo de aumento na capacidade de produção com reflexos negativos futuros sobre a taxa de crescimento. Outra possibilidade de conflito. simultaneamente. Para tanto. o uso mais intensivo de outras formas de captação. Quanto maior a centralização administrativa das ações do governo e menor a diversificação da execução de programas públicos. Suponha-se. maiores serão os efeitos indiretos sobre o setor privado que resultam das opções utilizadas para o financiamento dos encargos governamentais. normalmente. aumentando a importância de análises das alternativas de financiamento.3. por conseguinte. Reduz-se. O ponto de partida para essa distinção é a definição do curto e do longo prazo na análise macroeconômica. No primeiro caso. 89 Professor: Raimundo N. Ocorre que. que o governo recorra a medidas tradicionais de política fiscal para combater um surto inflacionário provocado por excesso de demanda global face à capacidade interna de produção. tendo em vista que dependem da realização de novos investimentos e da incorporação de novas técnicas de produção. diferentes são os requisitos em termos de necessidade de mobilização de recursos financeiros por parte do governo. for a necessidade de transferência de recursos financeiros —. No segundo caso. como a instituição de contribuições compulsórias de natureza jurídica não-tributária e a cobrança de preços pela venda de mercadorias e serviços. uma taxa mais rápida de crescimento do Produto Nacional e uma melhor repartição dos frutos desse crescimento pelas diferentes camadas da população. maior deve ser a importância relativa dos tributos no total dos recursos destinados ao financiamento de programas governamentais. representadas por aumentos na capacidade de produção e/ou por modificações na estrutura produtiva. Particularmente notório a esse respeito é o alegado conflito entre os objetivos de alcançar. Tais medidas consistem em promover uma redução na renda disponível do setor privado por meio do aumento na carga tributária e uma contenção dos dispêndios governamentais. considera-se que tanto aumentos continuados na renda como modificações em sua distribuição dependem fundamentalmente de modificações do lado da oferta.

o mais recente acréscimo em relação à lista apresentada no Gráfico 2. Considere-se a ocorrência simultânea de uma forte elevação interna de preços e de um acentuado desequilíbrio no Balanço de Pagamentos. Não obstante. caracterizado por um elevado déficit nas transações correntes. tal que o saldo líquido. volume e distribuição da carga tributária etc. que analisa a forma como se divide entre os diferentes segmentos da Administração a responsabilidade pela execução dos programas governamentais. a complexidade das tarefas de coordenação amplia-se com a diversificação dos objetivos e das alternativas de intervenção do governo na economia. na perspectiva da análise macroeconômica. isto é. em termos de atingimento dos diferentes objetivos da intervenção governamental na economia. assim como os recursos necessários ao seu financiamento. por 90 Professor: Raimundo N. Federalismo fiscal O estudo da política fiscal do ponto de vista macroeconômico discute questões relativas a tamanho e composição dos gastos do governo. Quanto aos objetivos. Tal déficit poderia ser combatido mediante uma brusca elevação das alíquotas do Imposto de Importação. de forma a desencorajar as importações e re-equilibrar o Balanço de Pagamentos. deve-se destacar a ênfase crescente na regulação. e (3) a Coordenação Político-Institucional. a análise de possibilidades de compatibilização fica sempre na dependência da adoção simultânea de um conjunto de medidas. uma tarefa que requer esforço acentuado de coordenação de decisões baseado em análise criteriosa dos possíveis efeitos de cada medida sobre os diferentes objetivos da intervenção governamental. o aumento no imposto pode provocar uma elevação interna de preços maior do que o efeito positivo dessa mesma medida sobre o Balanço de Pagamentos. Se é um problema keynesiano de depressão por insuficiência de demanda. implica basicamente uma tentativa de avaliação do impacto do programa de gastos e das diferentes alternativas para financiamento desses gastos sobre os objetivos nacionais. É claro que a ocorrência de conflitos como os mencionados nos parágrafos anteriores depende da verificação de hipóteses teóricas acerca da reação de empresas e indivíduos face a modificações no nível de renda e no sistema de preços provocadas por medidas governamentais. é importante destacar três aspectos: (1) a Coordenação Macroeconômica.Ainda um outro exemplo refere-se a possíveis conflitos entre objetivos de estabilidade interna e externa. de forma que uma elevação no preço desses produtos repercutiria amplamente sobre os preços dos produtos industrializados no país. portanto. considerado o governo constituído por unidades diretamente subordinadas a um único centro de decisão. dependendo da natureza dos bens importados. (2) a Coordenação Administrativa. Por outro lado. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . 3. A mistura apropriada de instrumentos é. Isso poderia ocorrer no caso em que a pauta de importações apresentasse uma elevada participação de bens intermediários com baixa elasticidadepreço de demanda. tal avaliação requer cuidado especial com os problemas que resultam de maior descentralização de decisões originária de uma organização federativa de governo e da proliferação de entidades administrativas encarregadas da execução dos programas governamentais. de um ponto de vista agregativo. seja positivo. Quanto aos problemas de coordenação. visando à escolha de uma mistura apropriada de alternativas. No entanto. A análise agregada conduz evidentemente a recomendações de políticas governamentais em termos globais.4. Assim. S. e seus efeitos sobre a economia. a inserção das finanças públicas. que trata da análise das inter-relações entre instrumentos e objetivos. a recomendação correspondente seria a de um incremento nas despesas totais do governo. de intervenção que satisfaça às prioridades estabelecidas no plano.1 refere-se a preocupações com a preservação do meio ambiente que provocam o surgimento de um novo conflito potencial entre esse objetivo e os propósitos de uma rápida industrialização. Em nível macroeconômico. Se. que trata o mesmo problema do ponto de vista da coerência na tomada de decisões e da repartição de recursos e encargos entre diferentes níveis de governo. Quanto a instrumentos.

Pode. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Esses serviços. implica considerar quais os critérios a serem empregados para a utilização dos recursos transferidos. Isso conduz à preocupação de harmonizar a política tributária. os problemas de política fiscal precisam ser analisados não apenas do ponto de vista da adequação entre o montante previsto de gastos e o volume de recursos disponíveis. em que a presença do governo como produtor torna-se cada vez mais importante. porém. devido à própria expansão das atividades públicas mais eficientemente produzidas em nível local. mas também com a expansão do nível de renda. exatamente a que seria recomendada pela análise agregada. Tal é o caso. as decisões sobre aumento de despesas ou sobre distribuição setorial dos gastos são tomadas no mesmo nível das decisões relativas às medidas a serem utilizadas. Grande parte dos recursos a serem aplicados. os efeitos sobre a aplicação de recursos serão diferentes. tendo em vista que. seriam mais eficientemente produzidos em nível local. mas também quanto à repercussão dos diferentes componentes da receita e da despesa sobre a estabilidade econômica. as necessidades de gasto nesse mesmo nível são progressivamente ampliadas. tendo em vista o propósito de compatibilizar as demandas federativas com os objetivos nacionais. na revisão do papel do governo destaca-se a renovada importância de sua responsabilidade como produtor de bens e serviços prioritários para a melhoria da competitividade econômica e da distribuição da renda. existir problemas relativos à falta de coordenação entre os elementos que formulam a política e aqueles encarregados de tomar as decisões necessárias a sua implementação. por outro lado. e a visão parcial dos problemas puramente locais que influenciam as autoridades estaduais. ocorrer a hipótese de que a aplicação total dos recursos ou a distribuição dos impostos não seja. a autonomia dos governos estaduais estabelece. Assim. S. então. poderia ser estabelecida uma distribuição setorial ótima das despesas totais do governo do ponto de vista da maximização das taxas de crescimento do produto per capita. a distribuição da renda e a promoção do crescimento econômico. a crescente preocupação com o ajuste fiscal imponha novos limites à autonomia para tributar. em parte. ao mesmo tempo em que as necessidades de harmonização tributária limitam o poder de instituir tributos no nível local. Em federações. portanto. 91 Professor: Raimundo N. está fora do controle direto do governo central. no caso de países onde a organização é federativa. assim como dos poderes para a obtenção dos recursos necessários. principalmente. A implementação de políticas desse tipo não teria problemas no caso de um sistema de governo unitário. o hiato entre rendas próprias e necessidades de gasto em nível local tende a ampliar-se à medida que: a) o processo de crescimento econômico e a conseqüente expansão da população urbana exerçam pressão cada vez maior sobre a necessidade de expansão dos gastos em nível local. Não devem. Tal não ocorre. Na ausência de uma nova abordagem para o problema da repartição de competências tributárias na federação. tendo em vista acelerar o crescimento econômico do país. face às condições de proximidade do mercado consumidor.outro lado. o problema é o de promover uma aplicação mais racional dos recursos públicos. Isso. cuja demanda se expande não só com o próprio crescimento demográfico. uma dicotomia entre as definições de política fiscal dentro de um ponto de vista puramente agregativo. b) Uma das soluções para o problema consiste na transferência de recursos arrecadados pelo governo federal aos Estados e municípios. Neste. de acordo com o sistema de transferências utilizado. dos serviços de educação e saúde. Nestes. as principais alternativas referem-se a uma transferência incondicional de recursos. Por outro lado. reduzindo o grau de liberdade dos governos subnacionais em matéria de tributação. A esse respeito.

os quais vão exigir. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . a transferência incondicional pode gerar ineficiências. e além do problema apontado no item anterior. 92 Professor: Raimundo N. Ademais. a utilização dos recursos transferidos influencie a aplicação dos recursos próprios. à medida que dissocie as decisões relativas à aplicação de recursos das referentes ao mecanismo de financiamento a ser utilizado. provocando disparidades regionais indesejáveis nesse particular. a aplicação dos recursos transferidos pode não conduzir a uma aplicação mais eficiente de recursos por parte dos governos locais. Por motivos óbvios. a ineficiência nesse nível de governo poderia ser também observada quanto ao nível de esforço realizado internamente para financiar com recursos próprios as despesas programadas. à medida que essas transferências sejam efetuadas sem preocupação com o esforço próprio de arrecadação dos governos locais. à medida que: a) os programas contemplados não sejam prioritários do ponto de vista do Estado ou município em virtude de diferenças regionais quanto à necessidade dos diferentes setores. ou a transferências vinculadas (total ou parcialmente) a determinados programas ou categorias de dispêndio. a decisão de aumentar o volume de dispêndio em determinados setores não fica condicionada à comparação dos possíveis benefícios de sua expansão com o sacrifício decorrente da necessidade de aumentar os tributos para financiar o acréscimo na oferta. para a manutenção dos novos serviços criados. No caso das transferências vinculadas. Em outras palavras.cujo objetivo se resume à cobertura do hiato financeiro. a ampliação posterior de despesas de custeio nesses mesmos programas. seja mediante obrigatoriedade adicional de utilização dos recursos transferidos em despesa de investimentos. b) Por seu turno. seja por meio de exigências de contrapartida local para que eles possam ser utilizados. S. seria mais cômodo do ponto de vista local postergar decisões relativas à elevação da carga tributária própria e confiar na obtenção dos meios necessários à expansão de suas despesas por meio das transferências federais de recursos.

vem acrescer o seu vulto. Antonio L. ou melhor. como o militar. incluindo serviços pessoais. melhor. valia-se dos recursos que pudesse obter pela exploração de seu patrimônio. adquiridos mediante expropriação ou mediante liberalidades intervivos ou causa mortis.55 93 Professor: Raimundo N. DEFINIÇÃO Antes de se adentrar mais profundamente na classificação das receitas.RECEITAS PÚBLICAS 1. 2000. condições ou correspondência no passivo. o qualificativo “públicas”. Aliomar Baleeiro conceitua receita pública como: “A entrada que. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . o que se passou é que o Estado veio. como elemento novo e positivo”. mas de outras disciplinas (Direito civil. integrando-se no patrimônio público sem quaisquer reservas. S. por exemplo. cada vez de forma mais acentuada. isto é. político. incorporado ao patrimônio do Estado. Kiyoshi Harada36 define receita pública como sendo o ingresso de dinheiro aos cofres do Estado para atendimento de suas finalidades. embora integrando o patrimônio do Estado. Uma noção meramente introdutória já indica que receita é todo ingresso de dinheiro nos cofres de uma pessoa de direito público. de ser satisfeitas por receitas. da execução das receitas públicas. o dinheiro que ingressa nos cofres públicos de maneira definitiva com a finalidade de satisfazer as despesas públicas. dizendo. Quando se fala em receitas públicas. objeto do Direito Financeiro. A obtenção dos recursos decorre.CAPITULO X . Ed. obviamente. portanto. Pode-se ainda definir. não se constituem em receitas. na sua concepção moderna é unicamente no dinheiro e se expressa. de Sousa Franco conceitua: “As receitas públicas podem ser assim genericamente definidas como qualquer recurso obtido durante um dado período financeiro. CONCEITO As despesas públicas têm. ao contrário. A primeira observação que cumpre ser feita acerca da receita é que ela assume formas muito variadas no Estado Moderno. administrativo). Quanto ao objeto das receitas. Daí porque ser lícito afirmar que são receitas públicas as que são recebidas por uma pessoa pública e. 36 Direito Financeiro e Tributário. em moeda. como sendo: Receitas Públicas são os recursos. Fundamentalmente. Já se foi o tempo em que o Estado atuava como qualquer pessoa. que serve para custear as despesas públicas e as necessidades de investimentos públicos. na verdade. primordialmente. observando a pequena nuance “de forma definitiva” entre uma definição e outra. faz referência à natureza do ente que as recebe e não à qualidade em si da receita.” Sainz de Bujanda é mais sintético e define receita pública como: “As somas de dinheiro que recebem o Estado e os demais entes públicos para cobrir com elas seus gastos”. Os bens in natura e os serviços pessoais. são privadas as receitas auferidas por uma pessoa jurídica de direito privado. cumpre defini-las Receita Pública é o montante total em dinheiro recolhido pelo Tesouro Nacional. a lançar mão da sua força coercitiva para impor aos particulares o pagamento de quantias em dinheiro. pois. 7ª edição. p. nem são. mediante o qual o sujeito público pode satisfazer as despesas públicas que estão a seu cargo. Atlas. 2. independentemente de contraprestação de sua parte.

ou seja. RECEITA E INGRESSO Denomina-se de ingresso ou entrada todo e qualquer dinheiro que entra nos cofres públicos. Desse entendimento. a distributiva. a caução e o empréstimo compulsório.3. Kiyoshi Harada37 define receita pública como sendo o ingresso de dinheiro aos cofres do Estado para atendimento de suas finalidades. na busca do bem comum. que corresponde a ajustamentos na distribuição da renda e da riqueza e a estabilizadora. S. muito se discute sobre o conceito de receitas públicas. em face das imperfeições inerentes ao mercado aberto. p. isto é.55 94 Professor: Raimundo N. Alguns autores afirmam que todo e qualquer ingresso de recursos nos cofres do Estado são Receitas Públicas. Durante o processo de elaboração orçamentária. na maioria das vezes de forma temporária. que possuem caráter devolutivo. 2000. 4. É sabido que estas quantias não permanecem definitivamente nos cofres públicos. Sob o ponto de vista doutrinário. com base neste montante. Atlas. o Poder Executivo parte do montante da receita estimada pelos órgãos competentes para. na verdade. Contudo. de quantias em dinheiro que entram nos cofres públicos somente por um determinado período de tempo. são receitas públicas. No entanto. Para dar prosseguimento ao estudo das receitas públicas é necessário analisar seus principais conceitos doutrinários e os conceitos advindos de atos legais e normativos. CONCEITOS E ASPECTOS LEGAIS DAS RECEITAS PÚBLICAS O Estado. 7ª edição. isso porque nem todo ingresso pode ser considerado como receita. não as são. fixar as despesas públicas. Exemplos de ingresso são: a fiança. lança mão de suas funções econômicas: a alocativa. visto que não são definitivas. que corresponde ao ajustamento na alocação de recursos. no caso brasileiro. As receitas podem advir do poder constritivo que o Estado exerce sobre o particular através da cobrança de impostos. ou seja. primordialmente. tais como depósitos. Diante do exposto fica claro que o critério diferenciador entre receita e ingresso não é outro senão o da permanência nos cofres públicos. eis que o seu destino é de retornar para o seu proprietário. o Estado utiliza a sua atividade financeira como principal instrumento. cauções etc. Ed. que visa a estabilização econômica através de ações que normalizem a distribuição da renda e da riqueza na sociedade. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . depreende-se a importância da receita pública para a consecução da atividade financeira do Estado. contribuições de melhoria ou multas. surgiu o conceito de receita extra-orçamentária. Não se pode negar que existem ingressos que devem ser devolvidos. não se deve confundir ingresso com receita. da execução das receitas públicas. Trata-se. não importando a que título tenha sido. outros dizem que aquelas de caráter devolutivo. Para a consecução dessas funções. A obtenção dos recursos decorre. trata-se daqueles ingressos que têm como finalidade permanecerem definitivamente nos cofres públicos. 37 Direito Financeiro e Tributário. só permanecem provisoriamente nos cofres públicos. Alguns autores consideram que os ingressos de disponibilidades aos cofres públicos. Desse fato. elas ingressam nos cofres públicos. Já as receitas caracterizam-se por serem ingressos definitivos de dinheiro nos cofres públicos. taxas. recentes normas expedidas pela Secretaria do Tesouro Nacional possuem entendimento contrário.

n. S. São espécies de tributo: o imposto. partes integrantes das receitas. independentemente de uma contraprestação imediata e direta do Estado. n. em princípio. (artigo 77 da L. Isto é o que será mostrado a seguir. Receitas de Serviço. Derivada – é a receita que deriva da prevalência do Estado sobre o particular. faz-se necessário definir-se aqueles recursos financeiros. 148. Receitas Comerciais. Ex: Receita Tributária.154. a. corresponde. Quanto Quanto à origem Originária – é a receita auferida quando o Estado está na mesma condição do particular. que não constitua sanção de ato ilícito. de contribuições etc. As Receitas Derivadas são formadas por Receitas Correntes. instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. n. CONCEITOS DOUTRINÁRIOS DE RECEITAS PÚBLICAS Do ponto de vista doutrinário no que diz respeito à classificação as Receitas Públicas podem ser assim discriminadas: a. por meio de Tributos. Taxa É o tributo que tem como fato gerador o exercício do poder de polícia.° 5. Indenizações e Restituições. n. b. (artigo 3. Imposto É o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica. 95 Professor: Raimundo N.F.F. assim. 1.: empréstimo compulsório e o imposto extraordinário (art. pela cessão remunerada de bens e valores (aluguéis e ganhos em aplicações financeiras). tendo como limite total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de valor que da obra resultar para cada imóvel beneficiado. Receita de Contribuições. É uma classificação da Receita Corrente. fonte regular e permanente de recursos financeiros destinados à consecução da atividade financeira do Estado.: receita tributária.° 5.172/66).172/66). II da Carta Magna). Penalidades. constituindo-se. 2. Ex.° 5. 5. em função de sua soberania.172/66). 3. etc. II e art. É a receita pública efetiva. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . a uma contraprestação. etc. Ex. a taxa e a contribuição de melhoria. segundo a classificação da Receita Pública por Categoria Econômica. Ex: Receitas Patrimoniais. relativa ao contribuinte. em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir.F. Do exposto verifica-se que a taxa. Contribuição de melhoria É o tributo destinado a fazer face ao custo de obras públicas de que decorra valorização imobiliária. comércio ou serviços). caracterizando-se por sua exigência coercitiva e compulsoriedade. Quanto à regularidade Ordinárias – são aquelas que ingressam com regularidade no erário.° da L. ou a utilização. ao contrário do imposto. É a receita pública efetiva oriunda das rendas produzidas pelos ativos do Poder Público. de serviço público específico e divisível prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição. efetiva ou potencial.F. imediata e direta do Estado. Extraordinárias – são as que ingressam em caráter excepcional e temporário. É pago coativamente.° 5.Antes de se estudar como a as Receitas Públicas são classificadas. É uma classificação da Receita Corrente. obtida pelo Estado. As Receitas Originárias também são denominadas como Receitas de Economia Privada ou de Direito Privado. Tributo É toda prestação pecuniária compulsória. ou aplicação em atividades econômicas (produção. (artigo 16 da L. Receitas Agropecuárias. não havendo coercitividade na sua exigência. (artigo 81 da L.172/66).

ingressando em caráter temporário na disponibilidade do Estado para posterior devolução.c. ressalvado o disposto no parágrafo único do artigo 3º desta lei serão classificadas como receita orçamentária. ainda que não previstas no Orçamento. Nº CLASSIFICAÇÃO DAS RECEITAS ADOTADA PELA LEI Nº 4. os concursos públicos utilizam a notação receita extra-orcamentária. Trata-se de um fato contábil modificativo aumentativo. De acordo com o art.320/64 A Lei no 4.: recebimento da Dívida Ativa. Não-efetiva – São ingressos orçamentários (receitas públicas) que foram precedidos de registro do reconhecimento do direito ou que geram obrigações correspondentes. receita de serviços. em seu art. alteram a situação líquida patrimonial (aumentam) do ente. Quanto à previsão orçamentária Orçamentária – é a receita prevista ou não no orçamento e que não possui caráter devolutivo. receita de alienação de bens). São as receitas que no momento do seu recebimento ocasionam um aumento correspondente no passivo. . não considera este tipo de ingresso de disponibilidade como receita pública. Ex. através do reconhecimento de uma obrigação (ex. por isto. d.: receita tributária) e que não se originou de uma diminuição do ativo ou de um aumento correspondente no passivo. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças .: operação de crédito) ou uma diminuição do ativo.320/64. receita patrimonial. entretanto. Extra-orcamentária – é a receita não prevista no orçamento. Quanto à efetividade Efetiva – São ingressos orçamentários (receitas públicas) em que a entrada de disponibilidades de recursos não foi precedida de registro de reconhecimento do direito e não geram obrigações correspondentes e.: receita tributária. não alteram a situação líquida patrimonial. 340/2006. São receitas que no momento do seu reconhecimento passam a compor o patrimônio da Entidade Pública como elemento novo e positivo (ex. Este aumento do passivo ou diminuição do ativo chama-se mutação passiva. 57 da Lei 4. aprovado pela Portaria STN nº. que dispõe sobre as normas gerais de Direito Financeiro. sob as rubricas próprias. 11 classifica a Receita Orçamentária em duas grandes categorias econômicas. S. inclusive as provenientes de operações de crédito.320/64. por isso. 6. 1. todas as receitas arrecadadas. quais sejam: as receitas orçamentárias e as extra-orçamentárias. no ativo e passivo financeiros. Parágrafo único: Não se consideram para os fins deste artigo as operações de crédito por antecipação da receita. 3º: A Lei de Orçamentos compreenderá todas as receitas. inclusive as de operações de crédito autorizadas em lei. através da baixa de um bem ou direito (ex. a) rçamentária Receita Orçamentária Receitas orçamentárias são aquelas que fazem parte do orçamento público estabelecidas na Lei Orçamentária Anual – LOA e são divididas em. Segundo o art. as emissões de papel-moeda e outras entradas compensatórias.Receitas Correntes — destinadas a cobrir as depesas orçamentárias que visam a manutenção das atividades governamentais e são subdivididas em: 96 Professor: Raimundo N. O Manual de Receitas Públicas. e.

Contribuições sobre Receitas de Concursos de Prognósticos. que compreende a previdência social. 38 97 Professor: Raimundo N. PROTERRA. ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ eceitas apital 2 . Receita Industrial — resultante da ação direta do Estado em atividades comerciais. indenizações e outra receitas de classificação específica.♦ ♦ Receita Tributária — é a proveniente de impostos. Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico – derivam da contraprestação à atuação estatal exercida em favor de determinado grupo ou coletividade. armazenagem. taxas e contribuições de melhorias. industriais ou agropecuárias. CIDE-Combustíveis etc). Transferências Correntes — recursos financeiros recebidos de outras entidades públicas ou privadas e que se destinam a cobrir despesas correntes. portuário. Receita Agropecuária — é a proveniente da exploração de atividades agropecuárias de origem vegetal ou animal. S. saúde. Alienação de Bens — provenientes da venda de bens móveis e imóveis e de alienação de direitos. destinados à aquisição de bens. SESC. ou as rendas provenientes de bens de propriedade do Estado.Receitas de Capita — provenientes de operações de crédito. vendas de mercadorias e produtos inerentes a atividades da entidade entre outros. Outras Receitas Correntes — provenientes de multas. processamento de dados. saúde e assistência social). transferências de capital e outras receitas de capitais. alienações de bens. judiciário. Contribuição sobre a Receita das Empresas Prestadoras de Serviços de Telecomunicações. amortizações de empréstimos concedidos. Receita de Contribuições38 — é a proveniente das seguintes contribuições sociais (previdência social. como instrumentos de intervenção nas respectivas áreas. transporte. ♦ ♦ ♦ ♦ Operações de Crédito — oriundas da constituição de dívidas (empréstimos e financiamentos). tais como aluguéis. Contribuições Sociais – destinadas ao custeio da seguridade social. Contribuições de Interesse das Categorias Profissionais ou Econômicas – destinadas ao fornecimento de recursos aos órgãos representativos de categorias profissionais legalmente regulamentadas ou a órgãos de defesa de interesse dos empregadores ou empregados. de inspeção e fiscalização.: COFINS. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Contribuições Previdenciárias para o RPPS e RGPS. Salário Educação. de intervenção domínio econômico (tarifas de telecomunicações) e de interesse das categorias profissionais ou econômicas(órgãos representativos de categorias de profissionais). Transferência de Capital — recursos recebidos de outras pessoas de direito público ou privado. a saúde e a assistência social. Podem ser: Contribuições Sociais (Ex. cobrança da dívida ativa. Contribuições para os Serviços Sociais Autônomos – SESI. SENAI etc. ♦ Receita Patrimonial — rendas obtidas pelo Estado quando este aplica recursos em inversões financeiras. Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional. comunicação. PIS/PASEP. CSLL etc) e Contribuições Econômicas (Cota-parte do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante. Receita de Serviços — é a proveniente de atividades caracterizadas pelas prestações de serviços financeiros. Amortização de Empréstimos Concedidos — retorno de valores anteriormente emprestados a outras entidades de direito público. PIN.

patrimoniais. Convencionou-se denominar este código de natureza de receita. pois. em favor do Estado. Contudo tais receitas somam-se às disponibilidades financeiras do Estado. também classifica-se aqui o superávit do orçamento corrente (diferença entre receitas e despesas correntes). é o caso de quando alguém perde. não sendo. consignações em folha de pagamento. Face à necessidade de constante atualização e melhor identificação dos ingressos aos cofres públicos. 11.1. salários não reclamados. operações de crédito em curto prazo e outras operações assemelhadas. porém têm em contrapartida um passivo exigível que será resgatado quando da realização da correspondente despesa extra-orcamentária. Em casos especiais. CODIFICAÇÃO ORÇAMENTÁRIA DA RECEITA Codificação da natureza da receita do ponto de vista contábil O parágrafo 1º do art. a receita extra-orcamentária pode converter-se em receita orçamentária. Esse código busca classificar a receita identificando a origem do recurso segundo seu fato gerador. na elaboração do orçamento público a codificação econômica da receita orçamentária é composta dos níveis a seguir: 1º Nível – Categoria Econômica 2º Nível – Origem 98 Professor: Raimundo N. São exemplos de receitas públicas efetivas as receitas tributárias. e depósitos efetuados em títulos e assemelhados quando em moeda estrangeira são registrados em contas de compensação. o valor de uma caução por inadimplência ou quando perde o valor depositado em garantia. depósitos para garantia. ao mesmo tempo em que entra a disponibilidade de recursos o ente incorre em uma obrigação ou se desfaz de um bem ou direito a ele pertencente (fato contábil permutativo). É a menor célula de informação no contexto orçamentário para as receitas públicas. embora este não constitua item orçamentário. Não-efetiva: quando não há alteração da situação líquida. O mesmo acontece quando os restos a pagar têm sua prescrição administrativa decorrida. fianças. 7. fianças. Dessa forma. Sua arrecadação não depende de autorização legislativa e sua realização não se vincula à execução do orçamento. retenções na fonte.♦ Outras Receitas de Capital — classificação genérica para receitas não especificadas na lei. serão identificados por números de código decimal. portanto considerados receitas extra-orçamentárias. A receita pública (ingresso orçamentário) também pode ser classificada como: Efetiva: quando altera a situação líquida patrimonial do ente para maior. 7. S. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . São exemplos de receitas públicas nãoefetivas. uma vez que este é apenas depositário de tais valores. de serviços. 8º da Lei nº 4. portanto conter todas as informações necessárias para as devidas vinculações. É importante frisar que cauções. Assim.320/64 define que os itens da discriminação da receita mencionados no seu art. as naturezas de receitas orçamentárias procuram refletir o fato gerador que ocasionou o ingresso dos recursos aos cofres públicos. as receitas de operações de crédito. Como exemplo tem-se as cauções. xtraReceita Extra-Orçamentária b) Receitas extra-orçamentárias são aquelas que não fazem parte do orçamento público. Tais receitas também não constituem renda para o Estado. o código identificador da natureza de receita é desmembrado em níveis. devendo.

A administração dos níveis já detalhados cabe à União.2. da exploração do seu próprio patrimônio (patrimoniais). 99 Professor: Raimundo N. investimentos etc. ou ainda. Apresenta o nome da receita propriamente dita e que recebe o registro pela entrada de recursos financeiros.04. a partir do nível ainda não detalhado. industriais ou de prestação de serviços). a União. 3º Nível – Espécie – É o nível de classificação vinculado à Origem.10 – Pessoas Físicas: 1 = Receita Corrente (Categoria Econômica).). S. em relação ao fato gerador dos ingressos das receitas (derivada. 04 = Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (Alínea). 4º Nível – Rubrica – É o detalhamento das espécies de receita. dentro da Origem Receita Tributária (receita proveniente de tributos). distinguem-se as provenientes de operações de crédito. custeio. tal classificação serve para identificar se as receitas são compulsórias (tributos e contribuições). o Distrito Federal e os Municípios poderão detalhar as classificações orçamentárias constantes do anexo VII. se provenientes de transferências destinadas ao atendimento de despesas correntes. No caso das receitas correntes. 2º Nível – Origem – Identifica a procedência dos recursos públicos. 7. Agrega determinadas receitas com características próprias e semelhantes entre si. 1 = Receita Tributária (Origem). podemos identificar as suas espécies. ou ainda.2. da amortização dos empréstimos. provenientes das atividades em que o Estado atua diretamente na produção (agropecuárias. Exemplo 1: 1. 2 = Impostos sobre o Patrimônio e a Renda (Rubrica). sendo cada uma dessas receitas uma espécie de tributo diferente das demais. Detalhamento de código da natureza da receita orçamentária Para atender às necessidades internas. Por exemplo. de outros ingressos de capital. os Estados. composto por títulos que permitem qualificar com maior detalhe o fato gerador dos ingressos de tais receitas. no momento em que as mesmas ingressam no patrimônio público. 6º Nível – Sub-alínea – Constitui o nível mais analítico da receita. transferências e outras). taxas e contribuições de melhoria (conforme definido na Constituição Federal de 1988 e no Código Tributário Nacional). originária. das transferências destinadas ao atendimento de despesas de capital. É a espécie de receita. No caso das receitas de capital. 1 = Receita de Impostos (Espécie). É a subdivisão das Categorias Econômicas. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças .1. da alienação de bens.3º Nível – Espécie 4º Nível – Rubrica 5º Nível – Alínea 6º Nível – Sub-alínea 1º Nível – Categoria Econômica – utilizado para mensurar o impacto das decisões do Governo na economia nacional (formação de capital. 10 = Pessoas Físicas (Subalínea) XX = NÍVEL DE DETALHAMENTO OPTATIVO. de outros ingressos.1. que tem por objetivo identificar a origem das receitas. tais como impostos. 5º Nível – Alínea – Funciona como uma qualificação da rubrica. A rubrica busca identificar dentro de cada espécie de receita uma qualificação mais específica.

8. como componente da dívida ativa. 1 = Taxa pelo Exercício do Poder de Polícia (Rubrica). opcionalmente pelo ente. dos recursos devidos ao Tesouro.1. realizada pelos contribuintes ou devedores aos agentes arrecadadores ou bancos autorizados pelo ente. não sendo considerada arrecadação. A primeira fase consiste na organização e no estabelecimento da metodologia de elaboração da estimativa.320/64 nos seus artigos 51 e 53. constante da Lei Orçamentária Anual – LOA. 1 = Receita Tributária (Origem). no ativo permanente. c) É importante observar que nenhum agente arrecadador pode utilizar o produto da arrecadação para realizar pagamentos.40. quando do recebimento pelo ente beneficiário.1. 2. ESTÁGIOS DA RECEITA PÚBLICA Estágio da receita orçamentária é cada passo identificado que evidencia o comportamento da receita e facilita o conhecimento e a gestão dos ingressos de recursos. Os estágios da receita orçamentária são os seguintes: a) Previsão – estimativa de arrecadação da receita. observando o Princípio da Unidade de Caixa representado pelo controle centralizado dos recursos arrecadados em cada ente. no Brasil. XX = NÍVEL DE DETALHAMENTO OPTATIVO. Resíduos ativos ou restos a arrecadar Os créditos não lançados e não arrecadados até o último dia do exercício financeiro a que pertencem constituirão receita no exercício em que forem arrecadados. ou em um 7º nível a ser criado. Recolhimento – transferência dos valores arrecadados à conta específica do Tesouro. A segunda fase consiste no lançamento. O lançamento é a legalização da receita pela sua instituição e a respectiva inclusão no orçamento. compreendido em fases distintas: 1. 2 = Taxas (Espécie). 8. S. que é tratado pela Lei nº 4. é o assentamento dos débitos futuros dos contribuintes de impostos diretos. (Alínea) 00 = NÍVEL DE DETALHAMENTO OPTATIVO (Subalínea). incorporados ao patrimônio. o detalhamento de nível de código de natureza de receita somente poderá ser efetivado nos níveis que estão com zeros. A arrecadação ocorre somente uma vez. responsável pela administração e controle da arrecadação e programação financeira.1.2. de Transp. Já os créditos lançados e não arrecadados são. cumpre-lhe apenas entregar-lhe os recursos pela transferência dos recursos. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças .Exemplo 2: 1. De acordo com os exemplos.00 – Taxas de Serviço de Transporte Marítimo de Passageiros: 1 = Receita Corrente (Categoria Econômica). vindo em seguida o recolhimento. 100 Professor: Raimundo N. b) Arrecadação – entrega. Marítimo de Passag. Quando um ente arrecada para outro ente. Os pagamentos devem ser feitos com recursos específicos para este fim. efetuados pelos órgãos competentes que verificam a procedência do crédito a natureza da pessoa do contribuinte quer seja física ou jurídica e o valor correspondente à respectiva estimativa. 40 = Taxas Serv. cotas ou contribuições prefixadas ou decorrentes de outras fontes de recursos.

CONCEITO Antes de qualquer coisa. uma aplicação. ora da faculdade de exigir pagamento direto do público. 101 Professor: Raimundo N. sintetizando a definição: despesa pública é todo pagamento efetuado a qualquer título pelos agentes pagadores. o recebimento pelos juízes. através do ato administrativo chamado orçamento público. não integram o orçamento público. feitas pelos reis em vilegiatura. Despesa pública é a aplicação (em dinheiro) de recursos do Estado para custear os serviços de ordem pública ou para investir no desenvolvimento econômico do Estado. a despesa é. CLASSIFICAÇÃO DAS DESPESAS SEGUNDO A LEI Nº. As despesas públicas devem obedecer aos seguintes requisitos: ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ utilidade (atender a um número significativo de pessoas) legitimidade (deve atender uma necessidade pública real) discussão pública (deve ser discutida e aprovada pelo Poder Legislativo e pelo Tribunal de Contas) possibilidade contributiva (possibilidade da população atender à carga tributária decorrente da despesa) oportunidade hierarquia de gastos deve ser estipulada em lei Portanto.DESPESAS PÚBLICAS 1. Constituem Despesa Extra-orcamentária os pagamentos que não dependem de autorização legislativa. de forragem para cavalos. Ora valia-se da concessão de honrarias. Despesa Orçamentária é aquela que depende de autorização legislativa para ser realizada e que não pode ser efetivada sem a existência de crédito orçamentário que a corresponda suficientemente. historicamente. É inegável que.320/64 No Brasil dividem-se as despesas públicas em Despesa Orçamentária e Despesa Extraorcamentária. O acerto há de ser em dinheiro. O dinheiro é da essência das próprias despesas. Se resumem a devolução de valores arrecadados sob título de receitas extra-orçamentárias. dentro de uma autorização legislativa para execução de fim a cargo do governo. a requisição de hospedagem. Aliomar Baleeiro define despesa pública como sendo a aplicação de certa quantia. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças .CAPITULO XI . ou seja. houve outras modalidades de o Estado saldar obrigações. Todos esses são exemplos de uma realidade já caduca que o Estado de Direito não permitiu perdurar. Exceção são as chamadas despesas extraorçamentárias. em dinheiro. 4. já não se trata de despesa. no Brasil Colonial. títulos. sem dúvida. que é a forma usual pela qual se dá o resgate dos compromissos obrigacionais. por parte da autoridade ou agente público competente. de emolumentos e salários diretamente das partes. uma perda de substância econômica do Poder Público feita com o propósito de saldar uma obrigação de pagar. 2. S. Se houve o resgate da dívida por outros meios. ou seja. As despesas públicas devem ser autorizadas pelo Poder legislativo.

se adquire um par de sapatos. pode-se dizer que as Despesas Correntes compreendem o universo dos gastos do governo imprescindíveis à sua sobrevivência e/ou à prestação dos serviços públicos. Assim. Esta é a marca característica dessa parcela destes gastos. a Despesa Pública poderá assumir as modalidades de Despesas Correntes e Despesas de Capital. em regra. Sua característica principal é a descontinuidade. vislumbra-se que uma parcela delas corresponde a compras de bens e serviços destinados a atender necessidades. Despesas com Transferências A mesma afirmação não se pode fazer. Não é a pessoa da despesa que irá consumi-lo. a menos que esta instituição seja extinta. diversamente do que ocorre com as despesas correntes. Entretanto. Despesas Próprias No universo das despesas pessoais. cuja conclusão é fato. Realiza-se a despesa.320/64 que remete a essa classificação.As Despesas governamentais podem se classificar ainda em Despesas Próprias e Despesas com Transferências. tendo uma data para se iniciarem e serem concluídas. Esta modalidade de despesa destina-se a atender necessidades de uma terceira pessoa Ao lado da classificação comentada nos tópicos precedentes. É difícil imaginar que uma dada instituição pública venha deixar de gerar despesas com energia elétrica (despesa corrente). todavia. uma vez que estão ligadas à sua manutenção. portanto. É o que ocorre. É a Lei nº 4. Serão consideradas como Despesas Correntes todas aquelas despesas do governo que se realizam de forma contínua. Assim ocorre quando. ao se realizar esta modalidade de despesa. Outra característica das despesas de capital é que através delas o Poder Público expande os serviços públicos prestados. Concluindo. mas um terceiro. por intermédio das quais o Estado mantém os serviços anteriormente criados. Muito embora seus dispositivos não definam explicitamente o que vem a ser uma Despesa Corrente ou uma Despesa de Capital. pode-se afirmar que ao incorrer numa despesa própria incorre-se também num gasto pessoal. realizada logo após se incorrer nos gastos. Todavia. também estará realizada a despesa de capital correspondente. por exemplo. Isto porque. quando se realiza Despesas com Transferências. Quanto às Despesas de Capitais. destinado a melhorar o padrão de vida e/ou incrementar o bem-estar pessoal. 102 Professor: Raimundo N. ao contrário das despesas correntes. em última análise. concluída a escola. Portanto. São permanentes. não se desfruta de nenhuma contraprestação direta em bens e serviços. é perfeitamente plausível a idéia de que o término da construção de uma escola (despesa de capital) esteja previsto para ocorrer em uma data no futuro. se socorrer dos conceitos referidos quando se comenta as Receitas Correntes e de Capital. Ao construir um hospital o Poder Público está disponibilizando. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Assim. mas não se desfruta do sorvete adquirido. Só se compra pela necessidade de se calçar melhor. o rol de pessoas atendidas pelos serviços hospitalares. daí o seu nome: Despesas Correntes. O mesmo ocorrerá quando a Administração Pública resolve construir uma 39 O termo “impossível de se cogitar” deverá ser tomado no sentido de improbabilidade. por analogia. diante de uma despesa própria. a contraprestação se realizou no par de sapatos. quando se paga um sorvete para uma outra pessoa. há sempre uma contraprestação direta em bens ou serviços. impossível de se cogitar39. S. podese. mais leitos hospitalares à população em geral. Amplia-se. o que interessa quando se analisa a situação da aquisição do par de sapatos é a ocorrência de um benefício pessoal. Assim. elas assumem um papel singular no rol das despesas públicas. por exemplo.

Em decorrência. S. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . 4. o nível de renda na economia. 12 classifica as despesas públicas nas seguintes categorias econômicas: a. Isto porque. fato que contribuirá para uma significativa melhora do padrão sócio-econômico da população. 40 A chamada poupança governamental corresponde à diferença positiva entre suas receitas correntes e o rol dos dispêndios correntes. b. muitos são os benefícios que poderão ser contabilizados a partir da elevação do consumo governamental. de um lado. bem como para os programas especiais de trabalho. O governo se apresenta como um gigantesco consumidor de bens e serviços. convém ressaltar o aspecto econômico a envolver as despesas correntes e de É que a classificação das despesas públicas em correntes e de capital decorre de uma necessidade econômica que ajuda a mensurar a demanda governamental no universo da demanda agregada do País. Este fato acarretará.40 A Lei nº. O inverso. para produzirem mais. Esta diferença positiva é chamada de superávit corrente e será aplicada em despesas de capital. Transferências correntes: são aquelas dotações para despesas às quais não corresponda contraprestação direta em bens ou serviços. inclusive as destinadas a atender a obras de conservação e adaptação de bens imóveis. 1. ou de financeiras: bens de capital já em utilização. inclusive as destinadas à aquisição de imóveis considerados necessários à realização destas últimas. a redução nas taxas de desemprego no País. as empresas necessitarão ampliar o seu quadro de produção. enquanto as despesas de capital podem fornecer subsídios valiosos quanto à magnitude da poupança pública. com possibilidade até de redução nos preços dos produtos. A divisão dos gastos públicos em despesas correntes e de capital presta-se especialmente a mensurar estas conseqüências de índole econômica advindas da atuação do governo. Mas. Uma elevação no consumo do governo representa um estímulo para que o setor produtivo (empresas) oferte mais bens e serviços. o que passa pela contratação de mais mão-de-obra. 2. Despesas correntes Despesas de capital Despesas de custeio: são as dotações para manutenção de serviços anteriormente criados. b) aquisição de títulos representativos do capital de As Despesas Correntes que são subdividas em: 2. As Despesas de Capital que se subdividem em: 1. mais rapidamente circularão as riquezas no País. o que acaba por impulsionar toda a economia. já que os custos poderão ser menores. Investimentos: Investimentos: constituem-se nas dotações para o planejamento e a execução de obras. Por último. capital.320/64 que estabelece as normas gerais dobre Direito Financeiro em seu art. 103 Professor: Raimundo N. aquisição de instalações. inclusive para contribuições e subvenções destinadas a atender à manifestação de outras entidades de direito público ou privado. Será ampliado.nova rodovia: mais quilometragens são postas à disposição dos transportadores. Inversões financeiras: são as dotações destinadas a: a) aquisição de imóveis. as despesas correntes darão uma idéia do tamanho do consumo governamental. equipamentos e material permanente e constituição ou aumento do capital de empresas que não sejam de caráter comercial ou financeiro. portanto. uma vez que mais pessoas estarão empregadas. contudo. também é verdadeiro. Enfim. com significativas conseqüências negativas para toda a economia. ainda.

Transferências a Instituições Privadas sem Fins Lucrativos 60 .Amortização da Dívida 7 .Investimentos 5 . quando a operação não importe aumento do capital.Transferências a Estados e ao Distrito Federal 40 .Transferências a Instituições Privadas com Fins Lucrativos 70 . 2.Outras Despesas Correntes 4 . as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural.Transferências à União 30 .1. distinguindo-se como: a) b) subvenções sociais. em rubricas e sub-rubricas. 3 Transferências capital: Transferências de capital: entendem-se as dotações para investimentos ou inversões financeiras que outras pessoas de direito público ou privado devam realizar. 4. para os efeitos da Lei n.Inversões Financeiras 6 . O 2º dígito (2º nível) correponde ao grupo da despesa. comercial. O 1º dígito (1º nível) corresponde a categoria econômica. constituindo essas transferências auxílios ou contribuições.RPPS 9 . Categorias Econômicas ♦ ♦ 3 . estes por sua vez bifurcam. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças da Grupo da Natureza da Despesa ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ Modalidade de Aplicação ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ . agrícola ou pastoril. independentemente de contraprestação direta em bens ou serviços. S. já constituídas.Juros e Encargos da Dívida 3 .Transferências a Municípios 50 .Reserva do Regime Próprio da Previdência Social . Detalhamento de código da natureza da despesa orçamentária As categorias econômicas dividem-se em elementos que se separam em subelementos. inclusive operações bancárias ou de seguros. segundo derivem diretamente da Lei de Orçamento ou de lei especialmente anterior. c) constituição ou aumento do capital de entidades ou empresas que visem a objetivos comerciais ou financeiros.Despesas Correntes 4 .empresas ou entidades de qualquer espécie.Pessoal e Encargos Sociais 2 . apresenta 6 dígitos.Despesas De Capital 1 . as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas. sem finalidade lucrativa. as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial. O 3º e 4º dígitos (3º nível) corresponde a modalidade da despesa. A estrutura da conta.Transferências a Instituições Multigovernamentais 104 Professor: Raimundo N. por fim.Reserva de Contingência 20 . O 5º e 6º dígitos (4º nível) correspondem ao elemento da despesa.320/64. subvenções econômicas. Consideram-se subvenções. bem como as dotações para amortização da dívida pública. para fins de consolidação nacional dos Balanços das Contas Públicas e cumprir dispositivo da LRF.

Em geral. S. Constitui fato contábil modificativo diminutivo. as transferências de capital que causam decréscimo patrimonial e. pertencendo ao exercício financeiro da emissão do empenho. que representam fatos permutativos. Quanto ao impacto na situação líquida patrimonial: ♦ Em geral.A Definir Exemplo: 3. 3 = Despesa Corrente (Categoria Econômica).90.Transferências a Consórcios Públicos 80 . DESPESA ORÇAMENTÁRIA O orçamento é importante instrumento de planejamento de qualquer entidade. 99 .Aplicação Direta Decorrente de Operação entre Órgãos.♦ ♦ ♦ ♦ ♦ 71 . Quanto às entidades destinatárias do orçamento: ♦ Despesa Orçamentária Pública – aquela executada por entidades públicas e que depende de autorização legislativa para sua realização. classificam-se como despesa efetiva. a despesa não-efetiva coincide com a despesa de capital. Despesa Orçamentária Efetiva – aquela que. há despesa corrente não-efetiva como. a Despesa Orçamentária Efetiva coincide com a Despesa Corrente. seja pública ou privada. a despesa com a aquisição de materiais para estoque e a despesa com adiantamento. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . além da despesa orçamentária. A despesa orçamentária pode ser classificada: a. Neste caso. Dessa forma. há despesa de capital que é efetiva como. Despesa Orçamentária Privada – aquela executada por entidades privadas e que depende de autorização orçamentária aprovada por ato de conselho superior ou outros procedimentos internos para sua consecução. registrase concomitantemente conta de variação ativa para anular o efeito dessa despesa sobre o patrimônio líquido da entidade. 90 = Aplicação Direta (modalidade de aplicação): XX = Objeto do Gasto do benefício previdenciário (elemento de despesa). 105 Professor: Raimundo N. e representa o fluxo de ingressos e aplicação de recursos em determinado período.1. Fundos e Entidades Integrantes dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social. por meio da Lei Orçamentária Anual ou de Créditos Adicionais.YY. por exemplo. por exemplo. podendo ou não diminuir a situação líquida patrimonial. no momento da sua realização. por isso. YY = Detalhamento do elemento de despesa (facultativo) (desdobramento) 3.Aplicações Diretas 91 . 1 = Pessoal e Encargos Sociais(grupo de despesa) .XX. no momento da sua realização. reduz a situação líquida patrimonial da entidade. ♦ Despesa Orçamentária Não-Efetiva – aquela que. ♦ b.Transferências ao Exterior 90 . Despesa/Dispêndio orçamentário é fluxo que deriva da utilização de crédito consignado no orçamento da entidade. Entretanto. Entretanto. não reduz a situação líquida patrimonial da entidade e constitui fato contábil permutativo.

que toda a despesa percorre três estágios: empenho. que será detalhado a seguir. o estágio empenho. em conformidade com as disposições legais e regulamentares que disciplinam o processamento da despesa orçamentária. do Regulamento de Contabilidade Pública. o controle interno.1. devem ser estudados: o suprimento que antecede o estágio pagamento. liquidação e pagamento. EXTRADESPESA EXTRA-ORÇAMENTÁRIA Constituem despesas extra-orçamentárias os pagamentos que não dependem de autorização legislativa. os agentes pagadores. os responsáveis pela inspeção dos bens adquiridos. será obrigatório a admissão de que três outros estágios. os autorizadores de despesas. Certamente por se aterem eles ao mandamento legal que fixa como estágios da despesa. os serviços contábeis. a auditoria etc. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . num sentido bem mais amplo.2. Estágios da despesa. nessa ordem. Correspondem à restituição ou à entrega de valores arrecadados sob o título de receita extra-orcamentária. a liquidação e o pagamento. apenas o empenho. Estudar-se-á aqui apenas. em princípio. em seguida. as comissões de compra. de estágios. e detalhadamente. durante o qual se desenvolve um complexo de atividades específicas destinadas à elaboração da proposta orçamentária. fianças. tudo quanto for feito para que serviços e bens sejam colocados à disposição dos dirigentes públicos. Cada um desses grupos denomina-se estágio. A matéria relativa à despesa pública. segundo a realidade Dispõe o artigo 144 e seguintes. Por atividades desempenhadas por órgão de despesa deve-se entender não apenas aquelas exercidas pelos caixas pagadores mas também. Os três estágios anteriormente referidos. todos os órgãos que requisitam recursos materiais e humanos para cumprirem os projetos e as atividades previamente incluídos no orçamento-programa. embora muitas operações realizadas no segundo período constituam excelentes subsídios aos trabalhos da fixação da despesa. PROCESSAMENTO DA DESPESA PÚBLICA Entende-se por processamento da despesa pública o conjunto de atividades desempenhadas por órgãos de despesa na aquisição de bens e serviços. os estágios da realização da despesa. S. Se for examinado cuidadosamente o percurso da despesa pública. aqueles que não estão vinculados ao orçamento público. 5.4. não costumam ser mencionados pelos autores. São classificadas nas mesmas fichas individuais em que foram registradas as receitas extra-orçamentárias. É do segundo período. os órgãos programadores da despesa. denominado realização da despesa. restituições a pagar e consignações em folha de pagamento. da mesma maneira que a receita pública envolve dois períodos distintos de atividades: um período que será denominado fixação da despesa. segundo a lei Os procedimentos adotados na realização da despesa pública são classificados em grupos que reúnem operações da mesma natureza. percorridos obrigatoriamente pela despesa. Estágios da despesa. de considerável importância. a tomada de contas. As atividades desenvolvidas em cada um dos períodos têm características próprias e não se confundem. as comissões de licitação. salários e vencimentos não reclamados. a programação da despesa e a licitação que antecedem. 5. os encarregados da programação financeira. Tanto o período fixação da despesa como o período realização da despesa são constituídos. São exemplos de despesas extra-orçamentárias: devoluções de cauções. não integram o orçamento. São responsáveis pelo atingimento desse objetivo. o serviço de suprimento de fundos. portanto. 5. pagamentos de restos a pagar. que já foi tratado anteriormente. Mas aqueles 106 Professor: Raimundo N.

as dependências poderiam utilizar. Essa programação visa disciplinar os gastos à mesma medida que se realizam as receitas. Licitação O segundo estágio. 2. é o ato emanado de autoridade competente que cria para o Poder Público obrigação de pagamento. e) adjudicação. mas esse fato constitui exceção e não regra. 4. nenhuma aquisição de material. c. Após a publicação da lei orçamentária. só terá início depois de decretada a programação da despesa. liquidação. quem oferece condições mais vantajosas. c) encerramento. gerando problemas de insuficiência de caixa. não deixa de ser um momento da despesa. Assim. Em conformidade com o artigo 244 do Regulamento de Contabilidade Pública. f) contrato. o convite. Este estágio divide-se nas seguintes fases: a) cronograma de desencaixes fixos. 3. a tomada de preços. a. 6. b. quais sejam: 1. licitação.666. É o empenho que gera a obrigação de pagar (art. A Lei n. A concorrência e a tomada de preços desdobram-se nas seguintes fases: a) preparação. Programação da despesa Licitação Empenho Liquidação Suprimento Pagamento Programação da despesa A programação da despesa é o primeiro estágio da despesa pública. 47 a 50). Em alguns casos o estágio licitação é dispensado. fica entendido que a despesa pública percorre seis estágios: programação da despesa. todos os recursos orçamentários. entre vários fornecedores habilitados. suprimento e pagamento. b) edital. através de decreto. O convite tem apenas as seguintes fases: a) preparação. contratação de serviços ou de obras far-se-á sem prévia licitação. o concurso e o leilão. d) julgamento. estabelece modalidades de licitação: a concorrência. Empenho O empenho. de 21 de junho de 1993. terceiro estágio da despesa. uma vez que a receita se realiza ao longo dos doze meses do exercício financeiro. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Licitação é o procedimento administrativo que tem por objetivo verificar. Cada um dos estágios subdivide-se em conjuntos de operações menores as quais denominamos fases da despesa. e d) adjudicação. empenho. 5. logo nos primeiros meses do ano. o Poder Executivo. S.que convivem com os problemas mais íntimos do processamento da despesa pública sabem da existência do estágio suprimento antecedendo o do pagamento.° 8. c) decreto executivo normativo. b) expedição dos convites. c) análise das cotações. 58). licitação. em seu artigo 22. É que ao estágio empenho se antepõem os estágios programação da despesa e licitação. Se não houvesse a programação da despesa. traçará um programa de utilização dos créditos orçamentários aprovados para o exercício (arts. Da mesma forma já vimos que nem todas as receitas passam pelo estágio lançamento e nem por isso ele deixa de ser um importante momento da receita. com a fixação das cotas trimestrais. 107 Professor: Raimundo N. b) projeção do comportamento da receita.

liquidação da despesa consiste na verificação do direito adquirido pelo credor. b) inspeção e liberação. f) controle interno. A seguir será apresentado um quadro comparativo dos estágios da receita e da despesa. terá por base o contrato. A liquidação da despesa. O credor comparece perante o agente pagador. assinalando. O Tesouro Público supre os agentes pagadores com dinheiro ou com créditos bancários em contas especiais e por eles movimentadas. d. Suprimento Suprimento é o estágio da despesa em que o Tesouro Público entrega aos agentes pagadores os meios de pagamento para liquidação dos compromissos financeiros marcados para determinado dia ou período. 108 Professor: Raimundo N. as caixas e outros órgãos públicos. I. o ajuste ou acordo respectivo. e. Pagamento O pagamento é o último estágio da despesa. d) controle interno e e) contabilização. Agentes pagadores Agentes pagadores são as tesourarias. as pagadorias. Seja em dinheiro. as exatorias. d) atestado de prestação de serviços.Empenhar uma despesa consiste em emitir um documento denominado NOTA DE EMPENHO. O empenhamento da despesa. Da mesma forma que na arrecadação. Compõe-se de uma única fase: entrega de meios de pagamento aos agentes pagadores. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . e h) cheque. S. essa atividade constitui a última operação do processamento da despesa. Essa verificação tem por fim apurar a origem e o objeto do pagamento. no processamento da despesa também não há contato direto entre o Tesouro e os credores. b) emissão. eles são atendidos sempre pelos agentes pagadores. É o suprimento de fundos. Fases do estágio pagamento: a) liquidação da obrigação. Divide-se este estágio nas fases: a) autorização. é tratado em capítulo especial mais adiante. e) requisição do pagamento. f. c) assinatura. b) quitação do credor: c) contabilização. seja por limite de saque bancário em conta especial. a realização dos estágios financeiros da receita e da despesa. por fornecimentos feitos ou serviços prestados. onde o contribuinte não tem acesso direto ao Tesouro. identifica-se. Liquidação Segundo conceituação legal (art. pois são atendidos pelos agentes arrecadadores. tendo por base os títulos e documentos comprobatórios do respectivo crédito. Não há agentes pagadores privados. bem como uma demonstração gráfica do fluxo de caixa. são meios de pagamento colocados à disposição dos agentes pagadores pelo Tesouro. 63). g) autorização de pagamento. a nota de empenho e os comprovantes de entrega do material ou da prestação efetiva do serviço. a importância exata e a quem se deve pagar para extinguir a obrigação. São fases deste estágio: a) recebimento da mercadoria ou do serviço. c) laudo de medição. recebe seu crédito e dá a competente quitação. nos momentos oportunos.

2: Comparativo dos estágios da receita e da despesa 109 Professor: Raimundo N. segundo o qual o produto bruto da arrecadação é encaminhado a um cofre comum de onde são retirados os recursos para pagamento das despesas. Quadro XI. O terceiro gráfico mostra os estágios e as correspondentes fases da despesa pública. são os que materializam o princípio de unidade de tesouraria.1: QuadroXI. S.1: Comparativo dos estágios da receita e da despesa Note-se que esses estágios. recolhimento e suprimento.QuadroXI. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças .

por razões diversas. conforme o empréstimo seja feito no país ou no exterior. a abertura de créditos especiais destinados a atender pagamentos de despesas que. mas não pagas até 31 de dezembro. sua aplicação tem restrições disciplinadas pela legislação financeira em vigor. os restos a pagar. bem como os valores arrecadados a título de receita extra-orcamentária. A dívida pública é classificada em dois grupos: dívida consolidada ou fundada e dívida flutuante.° 4. menos assessorados. que não se tenham processado na época própria.Restos a pagar ou resíduos passivos A despesa orçamentária empenhada. Entretanto. A intitulação dessa rubrica orçamentária transmite a idéia de que todas e quaisquer despesas de exercícios anteriores possam ser processadas à conta do orçamento vigente. O resgate anual da dívida consolidada constitui despesa orçamentária do exercício. 5. restos a pagar tem sido a mais utilizada na prática. 3. com saldo suficiente para atendê-las. ex.. Significam o conjunto de compromissos assumidos pelo Estado com terceiros. discriminada por elementos. poderão ser pagos à conta de dotação específica consignada no orçamento. S. Despesas de exercícios anteriores O orçamento pode consignar dotação especial para o processamento de despesas relativas a exercícios encerrados. mesmo que nele já tenham ingressado. e está mesmo consagrada em várias disposições legais como. 110 Professor: Raimundo N. de 16 de outubro de 1949 e no art. entretanto.3. As duas denominações equivalem-se. processadas Despesas processadas e não processadas Por despesas processadas entende-se aquelas despesas que completaram o estágio “liquidação”. A Lei n° 4. a curto e a longos prazos. Divida pública ou dívida passiva Dívida pública e dívida passiva do Estado são expressões equivalentes. Esse entendimento tem levado muitos administradores. distinguindo-se as processadas das não processadas.4. não puderam ser pagas em exercícios anteriores. mas não paga até o último dia do ano financeiro. Compreendem os empréstimos internos e externos. Compreende a dívida flutuante toda a receita extra-orcamentária. que pode ser interna ou externa. Já a constituição e a liquidação da dívida flutuante não dependem de autorização legislativa. é apropriada ao exercício em contrapartida com a conta financeira resíduos passivos ou restos a pagar. ou pelo menos de reduzir. Do exposto conclui-se que a constituição e a liquidação da dívida consolidada dependem de autorização legislativa. obedecida. sempre que possível a ordem cronológica. p. O último artigo mencionado dispõe que são considerados restos a pagar as despesas empenhadas. A dívida flutuante restringese à área nacional e seu resgate é sempre programado em curto prazo.° 4. para as quais o orçamento correspondente consignava crédito próprio. pelo menos até a fase “g autorização de pagamento (v.320/64 estabelece que as despesas de exercícios encerrados. as restituições a pagar e os débitos de tesouraria. bem como os restos a pagar com prescrição interrompida e os compromissos reconhecidos após o encerramento do exercício correspondente. A primeira. Esse crédito foi criado com a finalidade de eliminar. depende de autorização legislativa para ser contraída. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . 5.° e parágrafo único da Lei n.320/64. a procederem assim sistematicamente. Gráfico 03). Já as despesas não processadas são as que não concluíram o estágio “liquidação”. 36 da Lei n. nos arts. constantes do Anexo n°4 da Lei Federal n.° e 4.320/64.° 869.

que deverão ser reconhecidas pelo Ministro de Estado. pelo artigo 35 da Lei n°10. sobre a matéria. 16 de dezembro de 1968. II — despesas de restos a pagar. com prescrição interrompida. Os Estados poderão legislar supletivamente. dirigente de órgão subordinado à Presidência da República ou autoridade a quem estes delegarem competência. para as quais o orçamento respectivo consignava crédito próprio. 111 Professor: Raimundo N. 2. e III — compromissos reconhecidos pela autoridade competente. de. de 12 de janeiro de 1968. desde que o crédito respectivo tenha sido convertido em renda.O artigo 37 foi regulamentado pelo Decreto Federal n. ° desse decreto. Em conformidade com o art. como fez o Estado de São Paulo. concomitantemente.320. instaurar-se processo para apuração de responsabilidade.115. que não se tenham processado na época própria. com saldo suficiente para atendê-las. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . são competentes para reconhecer dívidas de exercícios anteriores os chefes das repartições.° 62. mas que pudessem ser atendidos em face da legislação vigente. Pelo regulamento mencionado podem correr à conta dos elementos acima mencionados dívidas classificadas nas seguintes categorias: 1 — despesas de exercícios encerrados. Outras despesas de exercícios anteriores que não se enquadram nas disposições do regulamento federal devem ser atendidas mediante abertura de crédito especial sem prejuízo de. ainda que não tenha sido prevista a dotação orçamentária própria ou não tenha esta deixada saldo no exercício respectivo. S. exceto as compreendidas no inciso III.

transferências e receitas. comandada pelo constitucionalista francês Léon Duguit. A terceira teoria. Através da autorização prévia. para real eficácia desse controle. a definição do Professor Alberto Deodato é mais adequada. em programas de custeios. PRINCÍPIOS ORÇAMENTÁRIOS . o quadro orgânico da economia pública. 112 Professor: Raimundo N. natureza contábil. 2. unidade de caixa. orçamento bruto. Somente sobre estes princípios faremos breve comentário. Programa que contém planos de custeio dos serviços públicos. mas um programa de trabalho do Poder Executivo. Atualmente. especificação. na sua mais exata expressão.CONCEITO O orçamento público surgiu para atuar como instrumento de controle das atividades financeiras do Governo. autorização prévia. oferecendo um rol de regras a serem observadas. que declara ser o orçamento sempre uma lei. sobre a matéria. em conseqüência. torna-se extensa a relação que apresentam. Dos inúmeros princípios expostos sobressaem-se alguns que já se confirmaram na doutrina pela constância com que são defendidos pela maioria dos financistas: anualidade. investimentos. tanto na elaboração e apresentação do orçamento. periodicidade. tendo à frente o economista alemão Hoennel. de sua cultura e de sua civilização”. o orçamento não é essencialmente uma lei. levando-se em conta o fato de que eles foram consagrados pelo nosso Direito Financeiro. sustenta que o orçamento é. exclusividade. destacam-se os seguintes: anualidade. como na sua votação pelo Congresso. três teorias. Há. liderada pelo financista Gaston Jèze. Entre os princípios mais salientados pelos tratadistas. planos de obtenção de recursos. em algumas de suas partes. proposto pelo Poder Executivo para um período financeiro. A primeira. mais difundida. CONCEITO E DEFINIÇÃO Ainda não se chegou a uma definição de orçamento que fosse livre de crítica e aceita pacificamente pela maioria dos autores. Divergem os escritores na fixação dos princípios e. É o espelho da vida do Estado e. exclusividade. especificação. analisando o aspecto econômico. ele é lei. entende que o orçamento possui apenas a aparência de lei. A execução desse programa de trabalho exige autorização prévia do órgão de representação popular. às vezes simplesmente contábil e. S. faz-se mister que a constituição orgânica do orçamento se vincule a determinadas regras ou princípios orçamentários. um simples ato administrativo. Por isso entende-se que o orçamento é um programa de custeios. Em outras palavras: orçamento público é um planejamento de aplicação dos recursos esperados. Divergem as opiniões e. unidade e universalidade. pode o órgão de representação popular exercer sua ação fiscalizadora sobre a arrecadação e a aplicação realizadas pelo Poder Executivo. e a forma material desse órgão expressar sua autorização é a lei. ainda. inversões. pelas cifras. publicidade. mas sua substância não é a de uma lei. e aprovado pelo Poder Legislativo. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . porém. Essas são definições do orçamento examinado sob o ângulo financeiro. A segunda. de inversões e. não afetação das receitas. sinceridade. investimentos. “O orçamento é. em outras partes. universalidade etc.CAPITULO XII – ORÇAMENTO PÚBLICO 1. Entretanto. precedência da despesa sobre a receita. assim. clareza. a questão continua aberta à discussão. Em torno dessa necessidade movimentaram-se os autores clássicos. exatidão. inversões e transferências durante um período financeiro. planos de investimentos. se conhecem os detalhes de seu processo. unidade orçamentária.

não pode ficar na dependência de aprovações anuais e esse fato conduz à reformulação do princípio da anualidade. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . as previsões de receita e despesa devem referir-se. o conceito de unidade refere-se à unidade de caixa. reajustar o custo dos serviços públicos. exige que o plano de cobrança dos tributos e o programa de custeio e investimentos sejam expostos pormenorizadamente. F. na medida necessária à boa execução do plano. para se aprovarem. A dificuldade surge ao indagar-se qual o sistema ideal de classificação e quais os graus de especificação a serem adotados.320/64. 2. é importante notar que o cumprimento desse princípio interessa tanto ao Poder Legislativo como ao próprio Poder Executivo. o Poder Legislativo revê. Atualmente. a um período limitado de tempo. Assim. O princípio amplia a ação fiscalizadora do órgão de representação e propicia ao Governo a possibilidade de reformular seu programa de atividades com os preços reajustados à nova realidade econômico-financeira. E isto vem sendo atendido através do orçamento paralelo. o princípio da anualidade continua a dominar a constituição do orçamento público. Entretanto. O objetivo é impedir que seja utilizado um procedimento legislativo rápido. esta regra obriga o Poder Executivo a pedir. suas novas responsabilidades no campo econômico. constitui hoje um dos princípios básicos do orçamento público. também denominado princípio da periodicidade. Este tem a possibilidade de. os sistemas e os graus de especificação são aqueles determinados pelos Anexos nº 3. 113 Professor: Raimundo N. com facilidades. periodicamente. compreendendo as receitas e as despesas do exercício. as novas responsabilidades assumidas pelo Estado. mas a execução de tais planos. o custo do programa governamental e autoriza a cobrança de tributos. Esse é o conceito de unidade sob o aspecto formal. atuando nas áreas comercial e industrial. eficientemente e com segurança. Embora reajustado em seu conceito fundamental. Princípio da anualidade De conformidade com o princípio da anualidade. n° 4. o orçamento deve constituir uma só peça. saldo ou déficit. em quase todos os países. com base em valores novos conseqüentes da oscilação de preços. os programas anuais vêm sendo acompanhados de planejamentos plurianuais. o orçamento vigora durante um ano. todas as receitas devem entrar em uma caixa única e daí deverá sair o dinheiro para pagamento de todas as despesas. defendido por alguns autores. O princípio da anualidade. ou princípio da discriminação. S. se há equilíbrio. nova autorização para cobrar tributos e aplicar o produto da arrecadação. de modo a demonstrar. tanto para arrecadar tributos como para aplicar os recursos financeiros. No Brasil. tais vantagens beneficiam apenas os serviços públicos existentes e os investimentos em curto prazo. 3. medidas que em tramitação regular talvez não lograssem êxito. O período de doze meses tem sido considerado ideal. pelo confronto das duas somas. 4. que poderá ou não coincidir com o ano civil. em longo prazo. Principio da especificação O princípio da especificação. denominado plano plurianual de investimentos. para outra corrente. sempre. de origem inglesa. anualmente. levam o Governo a elaborar programas de investimentos em longo prazo. único modo de o Estado desempenhar. Esta regra reforça a ação fiscalizadora do Poder Legislativo. Por outro lado. 4 e 5 da L. Princípio da exclusividade Segundo o princípio da exclusividade. tem por escopo vedar as autorizações globais. entretanto. assim. isto é. em virtude dos prazos fatais a que está sujeito. periodicamente. Principio da unidade De acordo com o princípio da unidade. Surgiu desse modo a necessidade de conciliar as vantagens dos programas anuais com a exigência de planos em longo prazo. a lei orçamentária não conterá matéria estranha à previsão da receita e à fixação da despesa.1.

O objetivo da regra é possibilitar controle mais fácil ao Poder Legislativo sobre as origens e destinações dos fundos públicos. Em decorrência da expansão das atividades comerciais e industriais do Estado, o princípio da unidade é freqüentemente violado pelo surgimento dos orçamentos paralelos, pela necessidade da descentralização das atividades governamentais, criando-se órgãos dotados de autonomia financeira, fundos especiais e regimes financeiros especiais (art. 164, § 3°, da Constituição de 1988). A tendência é a de substituir o princípio da unidade pelo princípio da totalidade orçamentária, segundo o qual o orçamento constituiria uma aglutinação dos orçamentos administrativos, plurianuais e especiais, com inclusão dos orçamentos dos órgãos descentralizados. Isso formaria um documento harmônico demonstrando, numa visão de conjunto, os montantes das receitas e das despesas, analisados por grupos orçamentários representativos dos órgãos descentralizados. 5. Principio da universalidade Conforme o princípio da universalidade, todas as receitas e todas as despesas devem ser incluídas no orçamento. De origem francesa, o princípio tem por objetivo oferecer ao Parlamento um controle seguro sobre as operações financeiras realizadas pelo Poder Executivo. Este princípio costuma ser acompanhado da regra do orçamento bruto, segundo a qual as receitas e despesas devem figurar no orçamento pelos seus valores brutos, isto é, sem subtrair da arrecadação de determinado órgão suas despesas, fazendo constar no orçamento apenas a parte líquida da arrecadação. Mas as atividades descentralizadas não permitem a aplicação dessa regra, uma vez que, das operações comerciais e industriais, apenas o resultado líquido figura no orçamento; por tais motivos a importância da regra do orçamento bruto começa a declinar. Entretanto, o princípio da universalidade continua a merecer, por parte dos tratadistas de finanças públicas, a mais franca aceitação por entenderem eles que se trata de requisito essencial de um bom sistema orçamentário, procurando-se, entretanto, dissociá-lo da regra do orçamento bruto.

3.

ORÇAMENTO TRADICIONAL DE RECEITAS E DESPESAS

Denomina-se orçamento tradicional aquele que se elaborava antes do advento do orçamento-programa. Tratava-se de um simples relacionamento das receitas a arrecadar e das despesas de custeio. Era a reunião, num só documento, das duas demonstrações analíticas que descrevemos nos títulos anteriores. Se o total das receitas fosse superior ao das despesas, a diferença positiva seria aplicada na criação de novos serviços ou na ampliação e aprimoramento de serviços já em funcionamento. Dessa forma a ampliação dos serviços públicos ficava à mercê da existência de saldo positivo entre a receita e a despesa. Não eram planejados os investimentos, os quais, por não serem especificados e quantificados a priori, ficavam ao sabor das circunstâncias. O orçamento ortodoxo nada mais era do que um extenso rol, profundamente analítico, das receitas e das despesas do exercício. Não tinha o cunho de planejamento. Os melhoramentos dos serviços públicos ocorriam somente em razão do superávit, e os graus prioridade eram sujeitos às injunções políticas e ao interesse dos governantes.

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4.

ORÇAMENTOORÇAMENTO-PROGRAMA

Foi visto que o orçamento tradicional era a peça na qual a administração analisava em primeiro lugar os recursos disponíveis: e em seguida, definia a distribuição desses recursos na manutenção da rede de serviços públicos existentes. Não passava, em verdade, de um simples programa administrativo. Não criava, não ampliava, não mostrava, previamente, se havia objetivos a serem atingidos dentro do exercício financeiro. O orçamento tradicional era elaborado pelos órgãos de contabilidade sem participação efetiva da alta administração. Os autores costumavam definir o orçamento como um simples ato contendo a aprovação prévia das receitas e das despesas públicas, Alguns tratadistas, mais argutos, já admitiam, nas suas definições de orçamento, a idéia de planejamento, embora de fato eles não o fossem. Preocupava-se o orçamento comum com os meios41 e não com os fins das funções governamentais. O orçamento-programa, por sua vez, põe em destaque as metas, os objetivos e as intenções do Governo. Consolida um grupo de programas que o Governo se propõe a realizar durante um período Os planos são expressos em unidades mensuráveis e seus custos definidos. É um programa de trabalho e constitui, portanto, um instrumento de planejamento. Enquanto o orçamento tradicional mostrava o que se pretendia gastar ou comprar, o orçamento-programa realça o que se pretende realizar. Ë um programa de trabalho definindo objetivos a serem alcançados, seus custos e as fontes dos recursos. O orçamento comum restringe os gastos e as compras ao montante da receita estimada, enquanto o orçamento-programa não limita as metas governamentais aos recursos orçamentários previstos. O orçamento-programa constitui modalidade de orçamento na qual a previsão dos recursos financeiros e sua destinação decorrem da elaboração de um plano completo. Distingue-se do orçamento comum porque este parte da previsão de recursos para a execução de atividades instituídas, enquanto no orçamento-programa a previsão de recursos é a etapa final do planejamento. A elaboração do orçamento-programa abrange quatro etapas: 1. 2. 3. 4. Planejamento: é a definição dos objetivos a atingir; Programação: é a definição das atividades necessárias à consecução dos objetivos; Projeto: é a estimação dos recursos de trabalho necessários à realização das atividades; Orçamentação: é a estimação dos recursos financeiros para pagar a utilização dos recursos de trabalho e prever as fontes dos recursos.

4.1.

OrçamentoRecursos para execução do Orçamento-Programa

Elaborado o planejamento, faz-se necessário definir as fontes de recursos financeiros que deverão sustentar e assegurar o desenvolvimento do plano de ação e o atingimento dos objetivos do Governo. tributos. As primeiras e principais fontes de recursos são as receitas próprias, provenientes dos

A fim de que o volume dos recursos próprios do Governo possa atingir, ano a ano, pico mais alto de arrecadação será indispensável ficar atento às distorções do Código Tributário e corrigilas sempre em tempo hábil. É importante rever anualmente as Plantas de Valores, os ajustamentos das alíquotas e das tarifas; intensificar e atualizar os meios legais e administrativos de cobrança amigável e judicial dos tributos não recolhidos.
41

Origem provável da expressão “lei de meios”.

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Outra fonte de recursos é a contribuição de melhoria que permite recuperar o custo de certas obras que beneficiam indiretamente determinados grupos de contribuintes. O financiamento de obras de infra-estrutura física, tributáveis, que garantem o retorno do capital aplicado, a curto e a médios prazos, constitui também legítima fonte de recursos para levar a bom termo as metas governamentais. Finalmente, os empréstimos a curto, a médio e a longos prazos são recursos hábeis e legais. Podem ser obtidos por meio de operações financeiras ou emissão de títulos da dívida pública.

4.2.

Estimativa da receita

O cálculo da receita a ser arrecadada no exercício seguinte constitui um trabalho relevante e de responsabilidade, pois a receita orçamentária representa uma importante fonte de recursos para a realização dos programas de trabalho — atividades e projetos — traçados pelo chefe do Poder Executivo. A tarefa não é fácil. Os procedimentos adotados na estimação da receita evoluíram, mas ainda não existem normas concretas e definitivas que conduzam a uma avaliação exata da receita. O método de tomar por base a receita arrecadada no penúltimo exercício já foi há muito abandonado. Outro procedimento adotado durante algum tempo foi o de tomar como base a média das arrecadações dos últimos três anos. Outros métodos menos técnicos já foram esquecidos. A estimativa da receita não é uma ciência, nem pode ser tratada como profecia. Muitos são os fatores que envolvem a análise e a mensuração da receita futura. A tarefa é árida e os resultados são considerados sempre em nível de aproximação. O problema agrava-se nos países de moeda instável. A oscilação dos preços, o crescimento vegetativo, o aumento demográfico, o incremento dos centros de produção, a política tributária, a revisão da Planta de Valores, as alterações de alíquotas, a eficácia na cobrança dos contribuintes faltosos e a intensificação da fiscalização são, entre outros, alguns fatores de influência direta na estimativa da receita. O órgão central de orçamento, auxiliado pelo cadastro fiscal, pela contabilidade, pela administração tributária e por outros órgãos da administração, envolvidos no processo arrecadatório, terá condições de definir, numa primeira aproximação, o montante da receita a ser arrecadada no exercício seguinte. Em seguida, a análise cuidadosa de cada um dos fatores de influência determinará, mediante sucessivas aproximações, o montante provável da arrecadação. A comissão, ou órgão centralizador do orçamento, deve catalogar, de forma sistemática e permanente, informações que auxiliarão no trabalho de estimar as receitas. O técnico orçamentista precisa ser dotado de suficiente experiência e sensibilidade para pesar bem cada um dos fatores que modificam o valor da receita prevista. Um dos procedimentos mais corretos na avaliação da receita global é dividi-la em seus diversos componentes, isto é, analisar e mensurar, separadamente, uma por uma, as fontes de arrecadação. Cada uma delas tem a sua peculiaridade. A seção central de orçamento deve conhecer profundamente as características de cada espécie de tributo. Às vezes, a alíquota de determinado tributo é aumentada sem o objetivo de se obter um aumento na arrecadação. Assim, em diversas etapas aproximatórias obtém-se uma estimativa de receita fiel ao princípio orçamentário da sinceridade.

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de planejamento. 2. principalmente pelo contribuinte e seus representantes. Em conseqüência. a qual é financiada com as contribuições de todos os cidadãos por meio do pagamento de seus tributos. colaborando assim. estabelecendo as ações prioritárias para o atendimento das demandas da sociedade. o artigo 165 confere ao Poder Executivo a obrigatoriedade de estabelecer o Plano Plurianual (PPA). feita no âmbito do Poder Executivo. O orçamento público é uma lei que. Executivo e Judiciário. definindo as novas despesas que serão custeadas pelos novos recursos. referentes aos Poderes Legislativo. elas podem ser maiores ou menores do que foi inicialmente previsto. contribuições sociais e tarifas de serviços públicos. taxas e contribuições federais bem como pelas operações de crédito que nada mais são do que o endividamento do Tesouro Nacional junto ao mercado financeiro interno e externo. A apreciação e votação pelo Legislativo . a alocação dos recursos. O PROCESSO DE ELABORAÇÃO DO ORÇAMENTO PÚBLICO NO BRASIL O processo orçamentário brasileiro obedece aos ditames estabelecidos na Constituição nos artigos 165 a 169. passa a espelhar. a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA) que é o próprio orçamento. o governo fica impossibilitado de executar o orçamento na sua totalidade. Orçamento Geral da União (OGU) O Orçamento Geral da União (OGU) prevê todos os recursos e fixa todas as despesas do Governo Federal. Em particular.1. têm que estar autorizadas na lei orçamentária anual refletindo a co-responsabilidade entre os poderes. As despesas fixadas no orçamento são cobertas com o produto da arrecadação dos impostos. exprime em termos financeiros a alocação dos recursos públicos. S. caracterizando-se por configurar quatro fases distintas quais sejam: 1. estas são estimadas pelo governo. são fixadas as despesas dos poderes Executivo. consubstanciado no acompanhamento e avaliação da execução. o que exigirá corte nas despesas programadas. o orçamento se reveste da maior importância. financeira e de controle. Com base na receita prevista. A sua execução. A elaboração da proposta. na medida em que os valores expressos em termos reais tendem a não ficar defasados. Depois que o Orçamento é aprovado pelo Congresso. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . que expressa o esforço do governo para atender à programação requerida pela sociedade. Apresenta múltiplas funções . Por isso mesmo. As despesas. para serem realizadas.5. ao contrário. como ocorria no período inflacionário. 4. 3. e O controle. Trata-se de um instrumento de planejamento que espelha as decisões políticas. em face da escassez de recursos. a receita cair. entre outros aspectos. voltado para os interesses da sociedade. Se a receita do ano for superior à previsão inicial. 5. Com a estabilização econômica.no caso do governo federal. favorecendo o acompanhamento e a avaliação das ações governamentais. No tocante às receitas. contábil. para a construção de um estado moderno. com maior nitidez. das disposições gerais que norteiam o referido processo. não refletindo com exatidão aquilo que foi previsto arrecadar. o governo passa a gastar o que foi autorizado. o Congresso Nacional. Legislativo e Judiciário. Se. 117 Professor: Raimundo N. o governo encaminha ao Congresso um projeto de lei pedindo autorização para incorporar e executar o excesso de arrecadação. Esta nova realidade demanda a necessidade de se difundir amplamente o conteúdo do orçamento.

2. até o dia 31 de agosto do primeiro ano do mandato de cada presidente. Com base na LDO. e precisa ser encaminhado ao Congresso até o dia 15 de abril de cada ano. 1. Quando de sua elaboração não se pode fixar despesas em valores superiores aos recursos disponíveis. Pela Constituição. mesmo quando os parlamentares têm um papel efetivo. ele precisa ser equilibrado. Depois de aprovado. O principal objetivo dessas inovações foi criar um sofisticado sistema hierárquico de coordenação e planejamento para um período de quatro anos. a proposta detalha programas e atividades específicas que devem estar de acordo com os dois instrumentos mencionados. O projeto da LDO tem como base o PPA e deve ser apreciado pelo Congresso Nacional até 30 de junho de cada exercício. Orçamentárias Lei de Diretrizes Orçamentárias . Essa limitação obriga o governo a definir prioridades na aplicação dos recursos estimados.PLO. Depois de aprovado. ou seja. Foram criados três instrumentos institucionais responsáveis pela regulamentação (Plano Plurianual – PPA). da administração pública federal. o ciclo orçamentário para além da formulação do projeto de lei anual. a Secretaria de Orçamento Federal (SOF) elabora a proposta orçamentária para o ano seguinte.2. Este projeto de orçamento estima o total das receitas e fixa as despesas para o exercício fiscal subseqüente. este se limita essencialmente à proposição de emendas ao projeto de lei orçamentária que visam direcionar para suas bases eleitorais programas e projetos de interesse local. é a de estabelecer objetivos e metas que comprometam o Poder Executivo e o Poder Legislativo a dar continuidade aos programas na distribuição dos recursos. como determina a Constituição. objetivos e metas. o projeto é sancionado pelo Presidente da República. ampliando. As metas para a elaboração da proposta orçamentária são definidas pelo Plano Plurianual (PPA) e priorizadas pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). assim. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Plano Plurianual . O PPA estabelece as diretrizes. O Orçamento é elaborado pelos três poderes da República e consolidado pelo Poder Executivo. ou seja. Atualmente. em termos orçamentários. de forma regionalizada. O projeto da LDO é elaborado pelo Poder Executivo. com a participação dos Ministérios (órgãos setoriais) e as unidades orçamentárias dos Poderes Legislativo e Judiciário. A Constituição de 1988 gerou um novo conjunto de normas complexas para regulamentar o processo decisório do orçamento federal.PPA O projeto do Plano Plurianual precisa ser elaborado pelo governo e encaminhado ao Congresso. 118 Professor: Raimundo N. A elaboração do Orçamento Historicamente. planejamento (Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO) e distribuição dos recursos federais (Lei Orçamentária Anual – LOA). para ser discutido e votado. O PPA precisa ser aprovado pelo Congresso até o final do primeiro ano do mandato do presidente eleito.5. O acompanhamento e a avaliação são feitos pelo Ministério do Planejamento e Orçamento.LDO As metas e diretrizes definidas pelo PPA e pela LDO são utilizadas pelo Executivo para elaborar o Projeto de Lei Orçamentária . o PPA é válido para os quatro anos seguintes. esta tríade se liga hierarquicamente em diferentes etapas. O controle e a fiscalização da execução do PPA são realizados pelo sistema de controle interno do Poder Executivo e pelo Tribunal de Contas da União. S. o processo de elaboração do orçamento brasileiro tem alternado situações em que o Congresso efetivamente participa e define onde e como os recursos públicos são distribuídos e outras nas quais ele tem pouca ou nenhuma influência direta. A finalidade do PPA. sob a direção do Ministério do Planejamento e Orçamento e a coordenação da Secretaria de Orçamento Federal (SOF).

S. previdência e assistência social. Esses parlamentares “furam a fila” num estágio importante das negociações no Congresso. Mas o jogo orçamentário não acaba depois que o PLOA é aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República. É nessa fase que se dão as negociações mais ardilosas dentro do Poder Executivo. 119 Professor: Raimundo N. recorrem às suas redes políticas dentro dos ministérios e órgãos federais para incluir projetos de seu interesse na proposta que o Executivo deve enviar ao Congresso Nacional. A Secretaria de Orçamento Federal . que é então encaminhado ao Congresso. é devolvido ao Executivo para sanção. o PLOA transforma-se em lei. pela Secretaria de Orçamento Federal . Por determinação constitucional o presidente da República está obrigado a enviar para o Congresso o PLOA até 30 de agosto e o prazo que este tem para emendar e aprovar o projeto se estende até 15 de dezembro. do Ministério do Planejamento. o PLO. Orçamento e Gestão. Esse mecanismo institucional torna o processo orçamentário quase interminável. O PLOA. contribuições previdenciárias. Após considerar esses limites orçamentários.SOF estima o total de receitas e despesas de cada ministério (pessoal. com cada parte buscando alargar seu quinhão do orçamento e o Tesouro procurando conter as reivindicações de todos. Mesmo esgotadas essas etapas. O exame da proposta é realizado pela Comissão Mista de Planos. sendo em seguida apreciado pelas duas Casas do Congresso. mais especificamente. Depois de sancionado pelo presidente da República. É importante notar que é nessa etapa que alguns parlamentares. além de especificar os limites de despesas para cada programa que cada um dos órgãos públicos se propõe a desenvolver. O Executivo participa desse jogo em uma posição mais favorável. do Legislativo e do Judiciário.3.). Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . com ou sem vetos.SOF.POA. pois se utiliza da assimetria de informações e de mecanismos institucionais que lhe outorgam consideráveis poderes discricionários. define os parâmetros para todas as demais despesas. A Lei Orçamentária Anual é composta de três orçamentos diferentes: a. especialmente os de mais prestígio e poder político. Na seqüência. com a participação dos demais Ministérios (órgãos setoriais) e as unidades orçamentárias dos Poderes Legislativo e Judiciário a coordenação e detalhamento da POA.LOA O Executivo é responsável pela coordenação e elaboração da Proposta de Orçamento Anual . denominada de Lei Orçamentária Anual (LOA). Orçamento Fiscal O orçamento fiscal abrange impostos e as despesas de toda a administração pública.CMPOF. que fica com a responsabilidade de consolidar tudo em uma proposta única. ainda é possível modificar o projeto mediante créditos adicionais que abrem a possibilidade de introduzir novas emendas com potencial de redistribuir recursos. Orçamentos Públicos e Fiscalização . b. incluindo os três Poderes e as fundações mantidas pelo Estado. fazendo constar seus pedidos já no projeto enviado pelo presidente da República. Lei Orçamentária Anual . dívidas etc. cada ministério e órgão público devolve seu projeto à SOF. posteriormente. convertendo-o em um jogo seqüencial em que Executivo e Congresso interagem em mais de uma ocasião. inclusive operacionais e de investimentos. Social: Orçamento de Seguridade Social: O orçamento da seguridade social corresponde à ação do governo em três setores: saúde.

elaborar Relatório Preliminar sobre o projeto. Orçamentos Públicos e Fiscalização – CMO. Plano Plurianual . Para a elaboração e execução do PPA são obedecidas as seguintes fases: Elaboração 1. 3. objetivos e metas do governo para os projetos e programas de longa duração. Cada uma dessas leis tem ritos próprios de elaboração.3. 120 Professor: Raimundo N. LDO e LOA.c. o projeto de lei deve ser encaminhado ao Congresso Nacional até 31 de agosto do primeiro ano de mandato presidencial. Orçamento de Investimentos das Estatais. que possui exclusividade na iniciativa das leis orçamentárias. Ao projeto podem ser apresentadas até dez emendas por parlamentar. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Recebido pelo Congresso Nacional. Emendas Após aprovado o parecer preliminar. Composto pelo texto da lei e diversos anexos. Ao relatório preliminar podem ser apresentadas emendas por parlamentares. para um período de quatro anos. suprimir. observadas as normas constantes da Resolução nº. Entender esses ritos é o primeiro passo para a participação da sociedade no processo decisório. que estabelece as diretrizes. Esse parecer estabelece regras e parâmetros a serem observados quando da análise e apreciação do projeto. até cinco emendas por Comissão Permanente da Câmara e do Senado e até cinco emendas por Bancada Estadual. Parecer Preliminar O parlamentar designado para ser o relator do projeto de plano plurianual (PPPA) deve. passa a denominar-se Parecer Preliminar.PPA O plano plurianual – PPA é instrumento de planejamento de médio prazo. tais como: i) condições para o remanejamento e cancelamento de valores financeiros constantes do projeto. O orçamento de investimentos das estatais é responsável pelo montante total das receitas de capital (de origem não fiscal) a ser investido pelos órgãos públicos. Em complemento à análise inicial. com vistas a inserir. a. aprovação e implementação pelos Poderes Legislativo e Executivo. o projeto inicia a tramitação legislativa. 01. devendo vigorar por quatro anos. O projeto de lei é publicado e encaminhado à Comissão Mista de Planos. Orçamento e Gestão e encaminhado ao Congresso Nacional pelo Presidente da República. ii) critérios para alocação de eventuais recursos adicionais decorrentes da reestimativa das receitas. elaboração Processo de elaboração do Orçamento O processo orçamentário compreende as fases de elaboração e execução das leis orçamentárias – PPA. S. de 2006 – CN. abre-se prazo para a apresentação de emendas ao projeto de plano plurianual. fortalecendo. substituir ou modificar dispositivos constantes do projeto. o qual. o exercício do controle social na aplicação dos recursos públicos. Projeto de Lei O projeto de PPA (PPPA) é elaborado pela Secretaria de Investimentos e Planejamento Estratégico (SPI) do Ministério do Planejamento. Comissões Permanentes da Câmara e do Senado e Bancadas Estaduais. a CMO pode realizar audiências públicas regionais para debater o projeto. 5. Nenhuma obra de grande vulto ou cuja execução ultrapasse um exercício financeiro pode ser iniciada sem prévia inclusão no plano plurianual. 2. assim. e iii) orientações sobre apresentação e apreciação de emendas. primeiramente. aprovado pela CMO.

acompanhar. o cumprimento das metas fixadas na lei de diretrizes orçamentárias e o desempenho dos programas governamentais. designados entre os membros titulares ou suplentes da CMO. 54 da Lei de Responsabilidade Fiscal. em sessão conjunta. Fiscalização e Controle da Execução Orçamentária O Comitê de Avaliação. Concluída a votação. inclusive os decretos de contingenciamento.As emendas são apresentadas perante a CMO. a matéria é devolvida à CMO para a redação final. apreciar os Relatórios de Gestão Fiscal previstos no art. O Presidente da República pode vetar o autógrafo. Deve também justificar quaisquer outras alterações que tenham sido introduzidas no texto do projeto de lei. com o objetivo de modificar os pareceres aprovados na CMO. em conjunto com o Comitê de Avaliação da Receita. O relatório aprovado em definitivo pela Comissão constitui o parecer da CMO. contendo as alterações propostas ao texto do PPPA. Recebe o nome de Autógrafo o texto do projeto ou do substitutivo aprovado definitivamente em sua redação final assinado pelo Presidente do Congresso. sendo necessário para aprová-los a manifestação favorável da maioria dos membros de cada uma das Casas. analisar a consistência fiscal dos projetos de lei do plano plurianual e da lei orçamentária anual. Os Congressistas podem solicitar destaque para a votação em separado de emendas. o parecer da CMO é submetido à discussão e votação no Plenário do Congresso Nacional. Autógrafos e Leis Após aprovado. em até cinco dias após a instalação dessa Comissão. decorrentes das emendas acolhidas pelo relator e das por ele apresentadas. integrarão o Comitê os Relatores Setoriais e o Relator-Geral do projeto de lei orçamentária anual. 5. S. e formalizar. tendo como orientação as regras estabelecidas no Parecer Preliminar. para ser submetido à deliberação das duas Casas. O relatório e a proposta de substitutivo são discutidos e votados no Plenário da CMO. o qual será encaminhado à Secretaria-Geral da Mesa do Congresso Nacional. Além dos membros escolhidos pelo Presidente da CMO. comunicará ao Presidente do Senado os motivos do veto. Relatório O relator deve analisar o projeto de plano plurianual e as emendas apresentadas. b. Nesse caso. O produto final desse trabalho. que sobre elas emite parecer conclusivo e final. O Comitê tem por atribuições: a. 121 Professor: Raimundo N. c. Fiscalização e Controle da Execução Orçamentária é composto por cinco a dez membros. que integram a CMO. que será enviado à Casa Civil da Presidência da República para sanção. o qual somente poderá ser modificado mediante a aprovação de destaque no Plenário do Congresso Nacional. contados da data do recebimento. total ou parcialmente. ♦ Execução Comitê de Avaliação. Esse requerimento deve ser assinado por um décimo dos congressistas e apresentado à Mesa do Congresso Nacional até o dia anterior ao estabelecido para discussão da matéria no Plenário do Congresso Nacional. A parte não vetada é publicada no Diário Oficial da União como lei. constitui a proposta de substitutivo. as razões pelas quais acolhe ou rejeita as emendas. 4. no prazo de quinze dias úteis. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . em relatório. avaliar e fiscalizar a execução orçamentária e financeira. O veto deve ser apreciado pelo Congresso Nacional.

Orçamentos Públicos e Fiscalização – CMO. os critérios e efeitos da limitação de empenho.). Também bimestralmente. Banco da Amazônia. o qual. dos grandes itens de despesa. Os relatórios produzidos pelo Comitê serão encaminhados para conhecimento e deliberação pela CMO.LDO A lei de diretrizes orçamentárias . reuniões de avaliação de seus relatórios com representantes dos Ministérios do Planejamento. como política fiscal. a respectiva execução orçamentária. analisar as informações encaminhadas pelo Tribunal de Contas da União acerca da execução orçamentária e financeira e do cumprimento das metas fixadas na lei de diretrizes orçamentárias. passa a denominar-se Parecer Preliminar. tais como: i) condições para o cancelamento de metas constantes do projeto. orienta a elaboração da lei orçamentária anual. transferências de recursos para entidades públicas e privadas e política monetária. Também fixa limites para os orçamentos dos Poderes Legislativo e Judiciário e do Ministério Público e dispõe sobre os gastos com pessoal. primeiramente. contingenciamento dos gastos. o parecer preliminar avalia os cenários econômico-fiscal e social. de 2006 – CN. Para a elaboração da LDO são obedecidas as seguintes fases: 1. e iii) disposições sobre apresentação e apreciação de emendas individuais e coletivas. as projeções de necessidades de recursos para os exercícios seguintes. inclusive das ações que foram objeto de emendas parlamentares. os critérios de aplicação de recursos. A Lei de Responsabilidade Fiscal remeteu à LDO diversos outros temas. ii) critérios para o acolhimento de emendas. Além disso.LDO define as metas e prioridades do governo para o ano seguinte. Esse parecer estabelece regras e parâmetros a serem observados quando da análise e apreciação do projeto. bem como outras matérias de competência do Comitê. analisar as demais informações encaminhadas pelo Tribunal de Contas da União. Banco do Brasil. Composto pelo texto da lei e diversos anexos. o Comitê realizará encontros técnicos com representantes de outros Ministérios para discutir a avaliação dos programas de sua responsabilidade. Lei das Diretrizes Orçamentárias . Projeto de Lei O projeto de LDO (PLDO) é elaborado pela Secretaria de Orçamento Federal e encaminhado ao Congresso Nacional pelo Presidente da República. elaborar Relatório Preliminar sobre o projeto. b. bem como outras matérias de competência do Comitê. 01. aprovado pela CMO. O projeto de lei é publicado e encaminhado à Comissão Mista de Planos. dispõe sobre alterações na legislação tributária e estabelece a política das agências de desenvolvimento (Banco do Nordeste. bimestralmente. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . 2. o Relatório do Comitê sobre a consistência fiscal do projeto será parte integrante do Parecer Preliminar. Orçamento e Gestão e da Fazenda para discutir a evolução e as projeções das metas fiscais. observadas as normas constantes da Resolução nº. No caso do projeto de lei orçamentária anual. O Comitê realizará. e.d. exceto as relativas a obras e serviços com indícios de irregularidades e as relativas à receita. Parecer Preliminar O parlamentar designado para ser o relator do projeto de diretrizes orçamentárias (PLDO) deve. etc. S. o projeto inicia a tramitação legislativa. o projeto de lei deve ser encaminhado ao Congresso Nacional até 15 de abril de cada ano. bem como os parâmetros macroeconômicos utilizados na elaboração do projeto e as informações constantes de 122 Professor: Raimundo N. BNDES. que possui exclusividade na iniciativa das leis orçamentárias. Recebido pelo Congresso Nacional. em especial as projeções das despesas obrigatórias e de funcionamento dos órgãos e entidades para o exercício corrente e os dois seguintes.

Para essa finalidade. que será enviado à Casa Civil da Presidência da República para sanção. sendo necessário para aprová-los a manifestação favorável da maioria dos membros de cada uma das Casas. total ou parcialmente. as razões pelas quais acolhe ou rejeita as emendas. 3. o parecer da CMO é submetido à discussão e votação no Plenário do Congresso Nacional. Comissão Permanente do Senado Federal e da Câmara dos Deputados e Bancada Estadual do Congresso Nacional pode apresentar até cinco emendas ao anexo de metas e prioridades. com vistas a inserir. antes da apresentação do Relatório Preliminar. Cada parlamentar. 4. Não se incluem nesse limite as emendas ao texto do projeto de lei. Concluída a votação. O relatório e a proposta de substitutivo são discutidos e votados no Plenário da CMO. com o objetivo de modificar os pareceres aprovados na CMO. Os Congressistas podem solicitar destaque para a votação em separado de emendas. Lei Orçamentária Anual . Orçamento e Gestão. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Autógrafos e Leis Após aprovado. Emendas Após aprovado o parecer preliminar. contendo as alterações propostas ao texto do PLDO. constitui a proposta de substitutivo. o qual será encaminhado à Secretaria-Geral da Mesa do Congresso Nacional.seus anexos. suprimir. que integram a CMO. c. que somente poderá ser modificado mediante a aprovação de destaque no Plenário do Congresso Nacional. a CMO realiza audiência pública com o Ministro do Planejamento. O veto deve ser apreciado pelo Congresso Nacional. com o objetivo de promover análises prévias ao conteúdo apresentado. A parte não vetada é publicada no Diário Oficial da União como lei. Ao relatório preliminar podem ser apresentadas emendas por parlamentares e pelas Comissões Permanentes da Câmara e do Senado. no prazo de quinze dias úteis. que sobre elas emite parecer conclusivo e final. decorrentes das emendas acolhidas pelo relator e das por ele apresentadas. Deve também justificar quaisquer outras alterações que tenham sido introduzidas no texto do projeto de lei. a matéria é devolvida à CMO para a redação final. as emendas são ilimitadas. e formalizar. em sessão conjunta. O Presidente da República pode vetar o autógrafo. comunicará ao Presidente do Senado os motivos do veto. As emendas são apresentadas perante a CMO. O relatório aprovado em definitivo pela Comissão constitui o parecer da CMO. Relatório O relator deve analisar o projeto de diretrizes orçamentárias e as emendas apresentadas. Nesse caso. Como complemento à análise inicial. para ser submetido à deliberação das duas Casas. S. em relatório. Esse requerimento deve ser assinado por um décimo dos congressistas e apresentado à Mesa do Congresso Nacional até o dia anterior ao estabelecido para discussão da matéria no Plenário do Congresso Nacional. No entanto. abre-se prazo para a apresentação de emendas ao projeto de lei de diretrizes orçamentárias. determina que o Congresso Nacional não tenha direito a recesso a partir de 17 de julho enquanto o PLDO não for aprovado. A Constituição Federal não estabelece prazo final para a aprovação do projeto de lei de diretrizes orçamentárias. O produto final desse trabalho. tendo como orientação as regras estabelecidas no Parecer Preliminar. Recebe o nome de Autógrafo o texto do projeto ou do substitutivo aprovado definitivamente em sua redação final assinado pelo Presidente do Congresso. contados da data do recebimento. substituir ou modificar dispositivos constantes do projeto.LOA 123 Professor: Raimundo N. 5.

no caso de alterações nos parâmetros utilizados para a projeção ou na legislação tributária ocorridas durante a tramitação do projeto no Congresso. previstos na Constituição Federal: o orçamento fiscal. Esse parecer estabelece os parâmetros e critérios a serem obedecidos na apresentação de emendas e na elaboração do relatório pelo relator-geral e pelos relatores setoriais. 124 Professor: Raimundo N. incluindo a execução recente. o orçamento da seguridade social (previdência. exame da compatibilidade com o plano plurianual. O Relatório da Receita deve ser aprovado pela CMO. inclusive as de relator. Recebido pelo Congresso Nacional. conforme aprovado pelo Legislativo. O relator da receita apresenta suas conclusões no Relatório da Receita. de 2006 – CN regula a tramitação legislativa do orçamento. 01. 3. 2. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . A segunda parte – especial – contém as regras para a atuação dos relatores setoriais e geral e as orientações específicas referentes à apresentação e apreciação de emendas. passa a denominar-se Parecer Preliminar. o projeto de lei deve ser encaminhado para apreciação do Congresso Nacional até 31 de agosto de cada ano. a CMO realiza audiências públicas com Ministros ou representantes dos órgãos de Planejamento. A primeira parte – geral – apresenta análise das metas fiscais. com o auxílio do Comitê de Avaliação da Receita. a composição da Reserva de Recursos a ser utilizada para o atendimento das emendas apresentadas.Na lei orçamentária anual (LOA) estão estimadas as receitas que serão arrecadadas durante o ano e definidas as despesas que o governo espera realizar com esses recursos. Define. S. Composto pelo texto da lei. a receita prevista pelo Executivo no projeto de lei orçamentária. Projeto de Lei O projeto de lei orçamentária é elaborado pela Secretaria de Orçamento Federal (SOF) e encaminhado ao Congresso Nacional pelo Presidente da República. entre outros assuntos. da Seguridade Social e de Investimento das Empresas Estatais. Orçamentos Públicos e Fiscalização – CMO. avaliar. Orçamento e Fazenda do Executivo e com representantes das diversas áreas que compõem o orçamento. a lei de diretrizes orçamentárias e a lei de responsabilidade fiscal. é facultado ao Legislativo reavaliar a receita e propor nova estimativa. O relator da receita pode propor atualização do Relatório da Receita aprovado pela CMO. Parecer Preliminar O parlamentar designado para ser o relator-geral do projeto de lei orçamentária deve elaborar Relatório Preliminar sobre a matéria. o demonstrativo das receitas reestimadas e os pareceres às emendas apresentadas. O objetivo é verificar se o montante estimado da receita está de acordo com os parâmetros econômicos previstos para o ano seguinte. Caso encontre algum erro ou omissão. também. o exame da conjuntura macroeconômica e do impacto do endividamento sobre as finanças públicas. Para conhecer o conteúdo do projeto e promover o debate inicial sobre a matéria. Nessa oportunidade os parlamentares começam a avaliar a proposta apresentada e têm a possibilidade de ouvir tanto as autoridades governamentais como a sociedade. inicialmente. Para a elaboração e execução da LOA são obedecidas as seguintes fases: 1. a análise da evolução da arrecadação das receitas nos últimos exercícios e da sua estimativa no projeto. A Resolução nº. O prazo máximo para propor alterações é de até dez dias após a votação do último relatório setorial. o qual. entre outros temas. O Executivo possui exclusividade na iniciativa das leis orçamentárias. aprovado pela CMO. Relatório de Receita Cabe ao relator da receita. O Relatório Preliminar é composto de duas partes. assistência e saúde) e o orçamento de investimentos das empresas estatais. Esse documento deve conter. o projeto é publicado e encaminhado à Comissão Mista de Planos. A LOA contém três orçamentos. quadros orçamentários consolidados e anexos dos Orçamentos Fiscal. avaliação das despesas por área temática.

observada a compatibilidade das fontes de recursos. Com isso. A emenda ao projeto que propõe acréscimo ou inclusão de dotações somente será aprovada se: i) estiver compatível com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias. com o objetivo de dar atenção às particularidades dos diversos temas que permeiam a proposta. a LDO e a Lei de Responsabilidade Fiscal. 6. transporte. a anulação equivalente de valores da Reserva de Recursos ou outras dotações definidas no Parecer Preliminar. exceto as da Reserva de Contingência. representantes da sociedade civil. saúde. entre outros. Cada parlamentar pode apresentar até 25 emendas individuais. agricultura. Não serão aprovadas emendas em valor superior ao solicitado. 4. como fonte exclusiva de recursos. analisar as emendas apresentadas e elaborar relatório setorial com as suas conclusões e pareceres. dotações canceladas e atender às especificações do Parecer Preliminar. no valor total definido pelo Parecer Preliminar. como educação. respeitado o limite global. exclusivamente. Emendas As emendas à despesa são classificadas como de remanejamento.Ao relatório preliminar podem ser apresentadas emendas por parlamentares e pelas Comissões Permanentes das duas Casas do Congresso Nacional. Os critérios utilizados para a distribuição dos recursos e as medidas adotadas quanto às obras e serviços com indícios de irregularidades graves apontadas pelo TCU também devem constar do relatório. Emenda de Cancelamento é a que propõe. recompor. e iv) não contrariar as normas regimentais sobre a matéria. Para cada área temática é designado um relator setorial. os limites e critérios fixados no Parecer Preliminar. estritamente. Os relatórios setoriais são discutidos e votados individualmente na CMO. simultaneamente. de apropriação ou de cancelamento. podendo ser convidados. total ou parcialmente. Emenda de remanejamento é a que propõe acréscimo ou inclusão de dotações e. somente poderá ser aprovada com a anulação das dotações indicadas na própria emenda. Emenda de apropriação é a que propõe acréscimo ou inclusão de dotações e. que deve avaliar o projeto encaminhado. Os Relatores Setoriais devem debater o projeto nas Comissões Permanentes. Ciclo Geral 125 Professor: Raimundo N. ii) indicar os recursos necessários. Na elaboração dos relatórios setoriais. a redução de dotações constantes do projeto. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . simultaneamente. serão observados. como fonte de recursos. S. a anulação equivalente de dotações constantes do projeto. ressalvados os casos de remanejamento entre emendas individuais. a execução orçamentária recente e os efeitos dos créditos adicionais dos últimos quatro meses. As bancadas estaduais no Congresso Nacional e as comissões permanentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados podem apresentar emendas ao projeto nas matérias diretamente ligadas às suas áreas de atuação. 5. Os relatores somente podem apresentar emendas para corrigir erros e omissões de ordem técnica e legal. iii) não for constituída de várias ações que devam ser objeto de emendas distintas. na oportunidade. antes de apresentar o relatório. O Relator deve verificar a compatibilidade do projeto com o PPA. Ciclos setoriais O projeto de lei orçamentária anual é divido em 10 áreas temáticas.

Integram. comunicará ao Presidente do Senado os motivos do veto. somente terá início após a aprovação. Empenhada a despesa. No relatório geral. Os critérios utilizados pelo relator na distribuição dos recursos e as medidas adotadas quanto às obras e serviços com indícios de irregularidades graves apontadas pelo TCU também devem constar do relatório. a execução orçamentária recente e os efeitos dos créditos adicionais dos últimos quatro meses. com o objetivo de modificar os pareceres aprovados na CMO. A partir das dotações autorizadas na lei orçamentária (dotação inicial mais/menos créditos adicionais) o gestor irá iniciar a execução das despesas por meio do empenho. ♦ 1. O Presidente da República pode vetar o autógrafo. que consiste na verificação do direito adquirido pelo credor junto ao Estado. As emendas ao texto e as de cancelamento são analisadas exclusivamente pelo relator geral. Recebe o nome de Autógrafo o texto do projeto ou do substitutivo aprovado definitivamente em sua redação final assinado pelo Presidente do Congresso. A apreciação do Relatório Geral. Os Congressistas podem solicitar destaque para a votação em separado de emendas. Esse requerimento deve ser assinado por um décimo dos congressistas e apresentado à Mesa do Congresso Nacional até o dia anterior ao estabelecido para discussão da matéria no Plenário do Congresso Nacional. liquidação e pagamento. Nesse caso. o qual será encaminhado à Secretaria-Geral da Mesa do Congresso Nacional. Execução Orçamentária Execução da Despesa Fiscal e Seguridade A execução do orçamento fiscal e orçamento da seguridade social é realizada em três estágios: empenho. contados da data do recebimento. Leis Autógrafos e Leis O parecer da CMO é submetido à discussão e votação no Plenário do Congresso Nacional. S. a matéria é devolvida à CMO para a redação final. com o objetivo de modificar os pareceres propostos pelo Relator. que será enviado à Casa Civil da Presidência da República para sanção. são analisados a compatibilidade do projeto com o PPA. O veto deve ser apreciado pelo Congresso Nacional. O Relatório Geral é lido. discutido e votado no plenário da CMO. 126 Professor: Raimundo N. que sobre elas emite parecer. chamado Relatório Geral. pelo Congresso Nacional. O papel do relator geral é verificar a constitucionalidade e legalidade das alocações de recursos e zelar pelo equilíbrio regional da distribuição realizada. no prazo de quinze dias úteis. na CMO. é feita a aquisição do bem ou contratação do serviço objeto da dotação orçamentária. Uma vez entregue o bem ou prestado o serviço. que será submetido à CMO. Os Congressistas podem solicitar destaque para a votação em separado de emendas. processa-se a liquidação da despesa. para ser submetido à deliberação das duas Casas. que é a reserva de recursos para uma determinada despesa. Concluída a votação. A parte não vetada é publicada no Diário Oficial da União como lei. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . a LDO e a Lei de Responsabilidade Fiscal. O relatório aprovado em definitivo pela Comissão constitui o parecer da CMO. é tarefa do Relator Geral compilar as decisões setoriais em um único documento. o Relatório Geral os relatórios dos Comitês Permanentes e daqueles constituídos para assessorar o relator geral. em sessão conjunta. total ou parcialmente. ainda. assim como nos setoriais. do projeto de plano plurianual ou de projeto de lei que o revise.Após a aprovação dos relatórios setoriais. 7. pela comparação entre o que foi contratado e o que foi efetivamente entregue ou realizado.

os Poderes e o Ministério Público promoverão. direta ou indiretamente. inicialmente.Após a liquidação da despesa. Não existem normas bem definidas sobre a elaboração. ao final de um bimestre. podendo. inclusive aquelas destinadas ao pagamento do serviço da dívida. 165. institucional e por natureza. S. segundo os critérios fixados pela lei de diretrizes orçamentárias. por ato próprio e nos montantes necessários. essa prática passou a ser regulada e acompanhada bimestralmente. § 9º da Constituição Federal. transferências a estados e municípios. Finaliza-se.Estatais O Orçamento de Investimentos das Estatais abrange a programação de investimentos das empresas em que a União. Sob a coordenação do Departamento de Coordenação e Controle de Empresas Estatais (Ministério do Planejamento. mas não pagas até o dia 31 de dezembro. Receita Execução da Receita As receitas são estimadas no orçamento. a realização da despesa. 127 Professor: Raimundo N. como forma de controlar os fluxos de caixa do governo às necessidades de pagamento. que a realização de receita poderá não comportar o cumprimento das metas de resultado primário ou nominal estabelecidas no Anexo de Metas Fiscais da LDO. sentenças judiciais. demonstrar e avaliar o cumprimento das metas fiscais de cada quadrimestre. Segundo a LRF. são inscritas em restos a pagar. detenha a maioria do capital social com direito a voto. 2. Orçamento e Gestão). A partir da Lei de Responsabilidade Fiscal . 3. como pessoal. A inexistência de determinado item – rubrica – na lei orçamentária não inibe que a receita correspondente seja arrecadada. esse orçamento é formulado com metodologia diferente da usada nos orçamentos fiscal e da seguridade social. e sobre aquelas protegidas pela lei de diretrizes orçamentárias.CMO relatório bimestral de acompanhamento da execução da receita e da despesa. limitação de empenho e movimentação financeira das dotações disponíveis (contingenciamento de dotações). assim. o Executivo deverá. já que as empresas estatais se submetem a um regime jurídico diferenciado daquele que vige para os órgãos públicos. como resultado da execução. por ainda não ter sido editada a lei complementar sobre a matéria prevista no art. ficar aquém ou ultrapassar o valor estimado. haverá recomposição das dotações cujos empenhos foram limitados de forma proporcional às reduções efetivadas. O Executivo encaminhará à Comissão Mista de Orçamento . mesmo nos no caso de não haver alteração nos limites de empenho e pagamento fixados anteriormente. As despesas empenhadas. setembro e fevereiro. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças .LDO. 4. Programação Financeira e Contingenciamento A programação orçamentária e financeira da lei orçamentária foi instituída. Até o final dos meses de maio. ainda. O valor constante em cada item da receita orçamentária constitui-se em mera previsão. No caso de restabelecimento da receita prevista inicialmente. o que permite que sua realização continue a ocorrer normalmente no curso do exercício seguinte. se verificado. O contingenciamento das dotações não incidirá sobre as despesas que constituam obrigações constitucionais e legais do ente. execução e prestação de contas do orçamento de investimentos das estatais. Execução de Despesa . é feito o pagamento ao credor pela autoridade competente. programática. ainda que parcial. principalmente as classificações funcional. por meio da emissão de ordem bancária ou outro instrumento financeiro. As despesas são apresentadas na lei orçamentária sob diversas classificações. em audiência pública na CMO.LRF e da obrigatoriedade de se cumprir as metas fiscais fixadas na lei de diretrizes orçamentárias .

A Constituição determina que o Congresso deve votar o Orçamento até o encerramento da sessão legislativa de cada ano. Projetos . define um limite adicional e o remete aos órgãos para complementar a sua programação orçamentária. Utilizando-se do Sistema Integrado de Dados Orçamentários (SIDOR). 5. O orçamento é elaborado para o período de um ano. o Congresso apenas homologava o orçamento tal qual ele vinha do Executivo.5. ainda que não previstas no orçamento. através de créditos adicionais. A partir de 1988. operações de crédito etc. Expansão de atividades . quando necessário.320/64 e pela Lei de Diretrizes Orçamentárias. publicidade etc. São consideradas receitas orçamentárias todas as receitas arrecadadas. S. especificação. 3ª Etapa: Com a estimativa da Receita a ser arrecadada e o montante de gastos projetados para o exercício na 2ª Etapa.SOF. deputados e senadores adquiriram o direito de emendar o orçamento. 5. rendas patrimoniais e de serviços. Períodos de atividades do orçamento público A elaboração do orçamento obedece às diretrizes conceituais dos princípios orçamentários. No Congresso. benefícios previdenciários. Os mais importantes princípios orçamentários discutidos doutrinariamente pela Ciência das Finanças estão consagrados em nossa legislação financeira: anualidade. b. Resumo das fases do Orçamento 1ª Etapa: Entre os meses de janeiro e maio. Despesas Obrigatórias . serviço da dívida. para definição dos limites de gastos por unidade orçamentária da União. exclusividade. contribuições. As despesas são rigorosamente discriminadas. desde que sejam compatíveis com o Plano Plurianual e a Lei de Diretrizes Orçamentárias. compreendendo: a.os valores necessários para expansão dos serviços. a Secretaria de Orçamento Federal acompanha e avalia a execução orçamentária.São consideradas do exercício as receitas nele arrecadadas. os órgãos setoriais apresentam uma proposição detalhada relativa às suas programações em: Atividades .envolvendo o montante de recursos necessários para assegurar a manutenção da execução das ações atualmente desenvolvidas para a prestação de serviços à comunidade.4. São exemplos de receitas os tributos.relativas a despesas com pessoal. Alguns outros princípios são observados tradicionalmente: clareza. A Secretaria do Tesouro Nacional registra no Sistema Integrado de Administração Financeira (SIAFI) a execução orçamentária realizada pelos órgãos da administração pública. 4ª Etapa: Formaliza o documento final elaborando todos os demonstrativos exigidos pela Lei Federal no 4. inclusive as provenientes de operação de crédito. fazem as mudanças que consideram necessárias e votam o projeto. procedendo a alterações.gastos requeridos para aumento da capacidade física de atendimento ou inserção de uma ação nova nas atribuições dos órgãos. 128 Professor: Raimundo N. o projeto é enviado ao Presidente da República para ser sancionado. o que significa que os parlamentares podem propor alterações em programas e projetos apresentados pelo Poder Executivo. Depois da aprovação pelo Legislativo. 2ª Etapa: No mês de junho. Até à Constituição de 1988. unidade e universalidade. deputados e senadores discutem a proposta que o Executivo preparou. na Secretaria de Orçamento Federal . transforma-se em lei. exatidão. é desenvolvida a análise da série histórica da execução dos últimos exercícios. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . conforme dispõem os princípios orçamentários da anualidade e da especificação. Após a sanção.

na medida exata de suas necessidades. o Poder Executivo pode solicitar ao Legislativo. e este conceder. ou seja. Créditos suplementares Os créditos suplementares destinam-se a reforçar dotação já existente no orçamento em vigor. 43). IV — o produto de operações de crédito autorizadas. c) período de confrontações das receitas estimadas com as realizadas e das despesas fixadas com as realizadas. 2. § 8°. expira em 31 de dezembro. I. e Créditos extraordinários. cuja tramitação normal pelo Legislativo exige algum tempo. Por essa razão. segundo suas finalidades. b) período de realização da receita e da despesa (execução orçamentária). Sua vigência acompanha a da dotação suplementada. o crédito autorizado. Os créditos adicionais aumentam a despesa pública do exercício. 41) e artigo 167. 1. até no mesmo dia. 165. II — os provenientes de excesso de arrecadação. E o valor do crédito adicional deverá ser expresso. da Lei n. por lei e abertos por decreto. este abrindo desde logo a totalidade do crédito autorizado. parceladamente.320/64 e art.Tanto a receita — recursos financeiros — como a despesa — aplicações — têm três períodos de atividades extremamente importantes: a) período de estimação da receita e da fixação da despesa (proposta orçamentária). 70. possibilite ao Poder Executivo realizá-las (art. em forma que. A fim de evitar freqüentes pedidos de suplementações.6. VI e VII. Os créditos adicionais... denominam-se créditos adicionais. na prática não tem se observado tais procedimentos. as atividades mencionadas na letra “a”. da Constituição de 1988). aos poucos. A finalidade dessa processualística é a de permitir ao chefe do Poder Executivo a abertura dos créditos suplementares até o limite concedido. da Constituição de 1988. juridicamente. os resultados deste período servirão de base à elaboração da proposta orçamentária do ano seguinte.. Créditos especiais. realimentando. enquanto o Decreto é assim redigido: De acordo com a Lei n.° 4. classificam-se em: 1. V. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Esse é o espírito da Lei. São considerados recursos hábeis: 1 — o superávit financeiro apurado em balanço patrimonial do exercício anterior. Créditos adicionais Durante a execução orçamentária. Entretanto.. novos créditos orçamentários. pois não serão concedidos créditos ilimitados (art. 43). S. III — os resultantes de anulação parcial ou total de dotações orçamentárias ou de créditos adicionais. já fixada no orçamento. São autorizados. 5. 3. A fim de não prejudicar o equilíbrio do orçamento em execução. 129 Professor: Raimundo N. autorizados em lei. portanto. A Lei diz:: Fica o Poder Executivo autorizado a abrir. mas pode existir mais de um decreto abrindo. Lei e Decreto. A lei que autoriza a abertura de um crédito adicional e uma só. a lei determina que cada solicitação de crédito adicional seja acompanhada da indicação de recursos hábeis (art.° . fica aberto um crédito. e para dar um certo dinamismo à execução orçamentária. Créditos suplementares. Sem a indicação de um ou mais recursos hábeis o Poder Legislativo não concederá o crédito solicitado. atrasando os cronogramas físicos e financeiros. São publicados concomitantemente... Eles serão adicionados aos créditos que integram o orçamento em vigor. a legislação financeira permite que a própria Lei Orçamentária autorize o Poder Executivo a reajustar as dotações orçamentárias suplementando e reduzindo dentro de um limite percentual estabelecido (art.

sobretudo. o orçamento público não pode ser alterado senão por outra lei. projetos e atividades perfeitamente definidos. E estas transposições de dotações prosseguem desregradamente pelo exercício inteiro. Aberto um crédito extraordinário. Mais tarde elimina-se um projeto para restabelecer a dotação “C”. Geralmente a autorização para abertura de um crédito especial consta da própria lei que autoriza a inclusão no orçamento de um novo programa. ausência de planejamento. por exemplo. dotados de poderosa infra-estrutura de planejamento. Mas para estes casos. neste caso sua vigência poderá estender-se até 31 de dezembro do exercício seguinte. subversão interna ou calamidade publica42. sua vigência poderá estender-se até o final do exercício seguinte. O que não se pode admitir. Também são autorizados por lei e abertos por decreto e exigem indicação de recursos (art. o Poder Executivo pode abrir créditos extraordinários para atendimento de gastos com o cumprimento de leis eleitorais e sentenças judiciais transitadas em julgado (Virginio Valsang. os Estados e os Municípios mais ricos. A vigência do crédito extraordinário expira no final do exercício. Estas alterações são aceitáveis sempre que não alterem os programas. No tocante à receita são incomuns as alterações orçamentárias. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Alterações Alterações do orçamento durante sua execução43 Aprovado por lei. O orçamento-programa. O orçamento-programa está institucionalizado no Brasil.000 habitantes. Depois. é reduzir a dotação “A” para suplementar a dotação “B”. § 2. Ocorrem com freqüência casos de dotações que se esgotam antes do término do exercício financeiro. 130 Professor: Raimundo N. 44). S. 5. se elaborado com toda a técnica que sua filosofia sugere. da Constituição de 1988). 42 Na República Argentina. exceto se for aberto nos últimos quatro meses do ano. in Finanzas Publicas).°. ou terminar antes. 43 O Decreto-lei n. A insuficiência de dotações deve-se à falta de previsão adequada e mostra.875. justificando as causas determinantes do ato (art. Destinam-se a atender despesas imprevisíveis e urgentes como as decorrentes de guerra. o próprio orçamento pode dispor de uma reserva de contingência. Era acontecimento comum e até considerado normal à época dos orçamentos tradicionais de receita e despesa. além das causas aqui enumeradas. Não há que se criticar também as alterações destinadas a reajustamentos de custos de programas em razão de oscilações de preços que atingiram limites imprevisíveis à época da orçamentação dos custos. não se pode condenar os Municípios de orçamentos modestos pela falta de planejamento. o chefe do Poder Executivo informará imediatamente ao Legislativo. Mas as alterações orçamentárias ainda constituem matéria abundante nas publicações oficiais. Créditos extraordinários A terceira modalidade de crédito adicional é a de créditos extraordinários. se cessarem as causas que determinaram sua abertura.7. Elas são aceitáveis. Créditos especiais Os créditos especiais destinam-se a amparar programas novos que não figuram no orçamento. não deveria sofrer durante o exercício financeiro qualquer alteração. sim.° 1. 3. previstas e necessárias. É um procedimento que demonstra claramente a total ausência de planejamento na elaboração do orçamento-programa. de 15-07-81. Há. O termo final de sua vigência é igual ao do orçamento. 167. engrossam os Diários Oficiais com alterações orçamentárias. introduziu o orçamento simplificado para os municípios com menos de 50. reduzir a dotação “C” para suplementar a “A”. Elas se fazem presentes nos créditos orçamentários. alterações estratégicas geradas por correção de desvios no planejamento global. São abertos por Decreto do Poder Executivo independentemente de prévia autorização legislativa. Se a União.2. mas se for aberto dentro dos últimos quatro meses do ano.

Isso obrigaria as prefeituras a calcularem melhor suas dotações e. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . 3. em exercícios anteriores. Qualquer suplementação de dotação aumentará a despesa sem um correspondente aumento de receita. ingressarão nos cofres públicos recursos suficientes para cumprir todas as aplicações programadas. nada está programado. Como levará a cabo o programa cujos recursos foram reduzidos? E qual o programa que se deve reduzir ou anular? Isso ficará a critério do administrador. fazendo prever uma execução deficitária. observando o princípio da sinceridade.°). quanto maior o número de meses tomados por base. Somente se justifica a adoção deste recurso em aplicações que proporcionem retorno de capital. os quais as Prefeituras são obrigadas a preencher. 4. Este é um recurso pernicioso. Nesta última hipótese nem há que se cogitar sobre vantagens ou desvantagens. há também que considerar o caso de calamidade pública. ter mais cuidado nas reduções. A execução orçamentária desenvolve-se ao sabor das necessidades emergentes. 131 Professor: Raimundo N. Calcula-se o excesso de arrecadação do exercício com base nos excessos apurados mês a mês. A prova desse fato está na fartura de suplementações e reduções desenfreadas de créditos orçamentários. disponível. Em tese. aumenta a despesa da operação de crédito. § 1. O recurso é bom até o limite do superávit. 43. Aumenta a despesa correspondente à dotação suplementada e. 1. Obviamente.320/64 (art. Superávit financeiro. os mesmos procedimentos adotados antigamente na execução do orça mento ortodoxo. ainda. Este recurso. Na verdade. mais aproximado será o resultado final. certamente.°. nas pequenas Prefeituras. Assim. já foi visto. uma escala de prioridades para os projetos e atividades. constitui um dos mais legítimos recursos para amparar o aumento das despesas no orçamento em vigor. por força da lei. somente se pode pensar em excesso de arrecadação. O excesso de arrecadação. pelo menos teoricamente. Os orçamentos aparentam planejamento por força dos modelos oficiais padronizados. pelo menos teoricamente. com base nos primeiros dois ou três meses do ano. como recurso para suplementações. proveniente de receita realizada a maior que a despesa. não se pode aceitar como bom o cálculo de excesso de arrecadação do exercício.Os orçamentos das prefeituras modestas possuem. Operações de créditos. se houver. Superávit financeiro significa dinheiro em caixa. Se um orçamento equilibrado — despesa igual à receita — teve sua receita estimada com o necessário cuidado. Os resultantes de anulação parcial ou total de dotações orçamentárias. 2. ainda. como o administrador pode anular parcialmente determinado programa em favor de outro. Os provenientes do excesso de arrecadação. Esse fato provoca desequilíbrio no orçamento. É para evitar esse perigo que a Lei exige que as suplementações sejam compensadas por recursos adequados já descritos e que agora comentar-se-á um a um Lei 4. a partir do segundo semestre. além de endividar o patrimônio público. Mas seu conteúdo é fictício. Ou se se tratar de casos urgentes e inadiáveis e que possam resultar sérios prejuízos à população ou ao patrimônio público. as características extrínsecas de orçamento-programa. A Lei poderia bloquear esse procedimento impondo a proibição de suplementar uma dotação já reduzida. procurando sempre adotar o critério de usar um pequeno índice de subestimação de cada fonte de receita. Mas não se pode compreender. é a diferença positiva entre a arrecadação prevista e a realizada. existe. é óbvio que. a execução orçamentária segue. S. Se houve planejamento global. desfigurando totalmente o orçamento original. O recurso é legítimo. pelo menos teoricamente. Também são recursos legítimos se adotados honestamente. principalmente.

Fatores negativos.8. visto não terem necessariamente suas Receitas iguais às suas Despesas correspondentes. Assim. a soma algébrica do resultado previsto no início do exercício. Deficitário. um superávit previsto. Previsão e resultado orçamentários Os Orçamentos. Esse procedimento é salutar para minimizar os efeitos perniciosos dos custos das operações de créditos. Trata-se de uma situação prevista na ocasião em que a lei orçamentária é sancionada. Como fatores positivos: excesso de arrecadação. Assim. após a execução orçamentária. o orçamento em que a receita orçada é inferior à despesa autorizada. ausência de economia orçamentária. segundo a natureza da diferença entre as somas da receita e da despesa. S. ou inexistindo diferença. 132 Professor: Raimundo N. e orçamento superavitário aquele em que a receita estimada supera o total da despesa. Como fatores negativos arrolados: queda da arrecadação. 2. podem se apresentar nas seguintes condições: 1. será igual ao resultado financeiro do exercício. Equilibrado. responsáveis. e Fatores positivos. poderá coincidir ou não com a previsão da peça orçamentária original. partindo da previsão inicial. deficitário. no final do exercício. portanto pelos resultados finais diferentes. principalmente quando as aplicações não prevêem retorno de capital. o resultado financeiro alcançado. PREVISÃO INICIAL EQUILÍBRIO PREVISTO SUPERÁVIT PREVISTO PROGNÓSTICOS a) Equilíbrio b) Superávit c) Déficit a) Superávit maior que o previsto b) Superávit igual ao previsto c) Superávit menor que o previsto d) Equilíbrio e) Déficit a) Déficit maior que o previsto b) Déficit igual ao previsto c) Déficit menor que o previsto d) Equilíbrio e) Superávit DÉFICIT PREVISTO Os fatores que modificam a situação prevista. 5. 2. No quadro seguinte mostramos as possibilidades de resultados finais. com os fatores positivos e negativos. após a execução orçamentária. e Superavitário Considera-se equilibrado o orçamento em que o total da receita prevista coincide com o total da despesa fixada. podem ser classificados em dois grupos: 1. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Entretanto. diz-se que há um déficit previsto. economia e ausência de créditos adicionais sustentados por operações de créditos.Por outro lado é de se lembrar que as operações de créditos poderão ser realizadas aos poucos. à medida que os recursos financeiros se fizerem realmente necessários. ou um orçamento equilibrado. 3. abertura de créditos adicionais com recursos provenientes de operações de crédito.

Os modelos que foram tomados como referencial para a elaboração da Lei de Responsabilidade Fiscal são: ♦ ♦ ♦ O Fundo Monetário Internacional. o inciso II do parágrafo 9º. a União poderá constituir fundo integrado por bens.Lei Complementar n º 101. visa a regulamentar a Constituição Federal. e que tem editado e difundido algumas normas de gestão pública em diversos países. e. De acordo com este dispositivo. VII. através do Fiscal Responsibility Act. A Comunidade Econômica Européia. A Nova Zelândia.” 1. que disporá sobre a natureza e administração desse fundo. de 4 de maio de 2000.. direitos e ativos de qualquer natureza. a LRF vem atender à prescrição do artigo 163 da CF de 1988.operações de câmbio realizadas por órgãos e entidades da União. que determina o estabelecimento de limites para as despesas com pessoal ativo e inativo da União a partir de Lei Complementar. na parte da Tributação e do Orçamento que estabelece as normas gerais de finanças públicas a serem observadas pelos três níveis de governo: Federal. fundações e demais entidades controladas pelo poder público. organismo do qual o Brasil é Estado-membro. II . resguardadas as características e condições operacionais plenas das voltadas ao desenvolvimento regional. 133 Professor: Raimundo N. Em particular. dos Estados. a LRF incorpora alguns princípios e normas. a partir do Tratado de Maastricht. mais precisamente.320/64. RESPONSABILIDADE INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL A Lei de Responsabilidade Fiscal .1. que normatiza as finanças públicas no país. III . Finalmente. em adição aos recursos de sua arrecadação. V .emissão e resgate de títulos da dívida pública. de 1994. experiências Origens e experiências anteriores No que diz respeito a experiências de outros países.fiscalização das instituições financeiras.finanças públicas.concessão de garantias pelas entidades públicas. “. IV . conforme analisaremos a seguir.. incluída a das autarquias.Cabe à Lei Complementar estabelecer normas de gestão financeira e patrimonial da administração direta e indireta. do Distrito Federal e dos Municípios. mediante lei. A LRF atende ainda à prescrição do artigo 165 da Constituição. VI .compatibilização das funções das instituições oficiais de crédito da União. atendendo também ao artigo 169 da Carta Magna. bem como condições para a instituição e funcionamento de Fundos”.CAPITULO XIII – FISCALIZAÇÃO E CONTROLE 1. a LRF vem atender à prescrição do artigo 250 da Constituição de 1988 que assim determina: “Com o objetivo de assegurar recursos para o pagamento dos benefícios concedidos pelo regime geral de previdência social. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . cuja redação é a seguinte: “Lei complementar disporá sobre: I . S. Estadual e Municipal.” A LRF não substitui nem revoga a Lei nº 4. a partir do seu artigo 68.dívida pública externa e interna.

já que não existe um manual ótimo de finanças públicas que possa ser utilizado indiferentemente por qualquer nação. cujas normas de disciplina e controle de gastos do governo central levaram à edição do Budget Enforcement Act. S. b. concessão de garantia e inscrição em restos a pagar. deve estar presente em todo processo de planejamento confiável. Ação planejada e transparente. igualmente de acesso público e ampla divulgação. tais como ações judiciais e outros eventos não corriqueiros. característica do regime democrático de governo. via cumprimento de metas de resultados entre receitas e despesas. Já as correções de desvios requerem a adoção de providências com vistas à eliminação dos fatores que lhes tenham dado causa. 134 Professor: Raimundo N. b.LOA. A disponibilidade das contas dos administradores. 2. não foram os únicos parâmetros utilizados. Para esse fim diversos mecanismos estão sendo instituídos pela LRF. é a vinculação entre as atividades de planejamento e de execução do gasto público. c. se a despesa de pessoal em determinado período exceder os limites previstos na lei. dentre eles: a. a Lei de Diretrizes Orçamentárias .LDO e a Lei Orçamentária Anual . através da extinção de gratificações e cargos comissionados. sujeitos à apreciação e aprovação da instância legislativa. durante todo o exercício. para consulta e apreciação pelos cidadãos e instituições da sociedade. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . embora tomados como referência para a elaboração da versão brasileira da Lei de Responsabilidade Fiscal. Em termos práticos.♦ Os Estados Unidos. A emissão de relatórios periódicos de gestão fiscal e de execução orçamentária. estabelecendo os seguintes postulados: a. garantindo-lhes a necessária legitimidade. além da demissão de servidores públicos. da mesma forma que a correção de desvios. A prevenção de riscos. dívida. Estes exemplos. Em primeiro lugar. com limites e condições para a renúncia de receita e a geração de despesas com pessoal. O que a LRF busca é apenas. Ação planejada nada mais é do que aquela baseada em planos previamente traçados. A participação popular na discussão e elaboração dos planos e orçamentos já referidos (artigo 48. a transparência será alcançada através do conhecimento e da participação da sociedade. Prevenção de riscos e correção de desvios que afetem o equilíbrio das contas públicas. assim como na ampla publicidade que deve cercar todos os atos e fatos ligados à arrecadação de receitas e à realização de despesas pelo poder público. seguridade. Por sua vez. aliado ao princípio de “accountability”. operações de crédito. Os instrumentos preconizados pela LRF para o planejamento do gasto público são os mesmos já adotados na Constituição Federal: o Plano Plurianual .PPA. c. e Garantia de equilíbrio nas contas. parágrafo único). a LRF preconiza a adoção de mecanismos para neutralizar o impacto de situações contingentes. medidas serão tomadas para que esse item de gasto volte a situar-se nos respectivos parâmetros. FISCAL OBJETIVOS DA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL O principal objetivo da Lei de Responsabilidade Fiscal consiste em estabelecer “normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal”. nos termos já previstos na Constituição Federal.

no primeiro caso. aos Estados e Municípios para a realização de despesas com pessoal. portanto. etc. do Distrito Federal e dos Municípios. correspondia às despesas totais com pessoal ativo e inativo da administração direta e indireta. Havia o cuidado também no sentido de evitar a dupla contagem das receitas correntes. garantindo-lhe um caráter mais gerencial. Os objetivos das duas normas são distintos: enquanto a Lei nº 4320/64 estabelece as normas gerais para a elaboração e o controle dos orçamentos e balanços. Com a LRF. Analisando com cuidado a definição de RCL.). Neste caso. Equilíbrio das contas públicas Diferente do equilíbrio orçamentário.2. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças .320/64. de acordo com a LRF. este já previsto na Lei 4. inclusive fundações. as informações contábeis passarão a interessar não apenas à administração pública e aos seus gestores.2. observou-se que o legislador público continuou preocupado em identificar aquelas receitas disponíveis à União. Desta forma. S. a LRF estabelece normas de finanças públicas voltadas para a gestão fiscal.320/64. por exemplo. mediante os instrumentos que a LRF incorpora para esta finalidade. o total das despesas com pessoal não poderia ultrapassar o percentual de 60% da RCL. Para tanto. etc. a RCL corresponde à Receita Corrente total. além das compensações relativas à Lei Hauly. este resultado diminuirá o valor final da RCL. gratificações. Mas. horas extras. 44 45 No caso. extraindo-se as transferências constitucionais44. De acordo com os dispositivos legais anteriores.FUNDEF. serão computados. Receita Corrente Líquida . 25% do ICMS. assim como os valores pagos e recebidos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério . a Lei de Responsabilidade Fiscal traz uma nova noção de equilíbrio para as contas públicas: aquele que prescinde de operações de crédito e. a contribuição de servidores para o custeio de sistema de previdência e assistência. empresas públicas e sociedades de economia mista. prevalece a vontade da Lei mais recente. as compensações referentes à Lei nº 9. valores pagos e recebidos devem ser entendidos como saldos da Lei Kandir e saldos do FUNDEF. os valores pagos e recebidos em função da Lei Complementar nº 87 (Lei Kandir). gastos com serviços de terceiros. o que representa um desvio em relação à real participação da folha de pessoal nas receitas públicas.320/64 o status de Lei Complementar. A definição de despesa total com pessoal. Além disso. A Lei Complementar n° 101 de 2000 . Finalmente. se o saldo for negativo (valores pagos superiores aos valores recebidos). além de especificar os itens que deveriam compor o montante desses gastos (adicionais. Além disso. existindo algum dispositivo conflitante entre as duas normas jurídicas. Por outro lado. a Constituição Federal deu à Lei nº 4. A Lei Complementar nº 96/99 ampliou o conceito de despesas com pessoal. Compensação financeira da União aos Estados e Municípios pela contribuição que os servidores fizeram ao INSS 135 Professor: Raimundo N. Observe-se que. (a chamada “Lei Hauly”)45. A sociedade passa a tornar-se participante do processo de acompanhamento e fiscalização das contas públicas. 50% do IPVA e 25% do IPI exportação. subtraídas as contribuições ao regime próprio de previdência e assistência social (quando houver). no cálculo da RCL dos Estados.LRF.RCL O conceito mais importante na operacionalização da LRF é aquele que diz respeito ao atendimento dos limites legais: a Receita Corrente Líquida . pagamento de dívidas. a partir da Receita Corrente total.796/99.1. 2. não revoga a Lei nº 4. chega-se à RCL estadual. sem aumento da dívida pública. No caso dos Municípios. pagas com receitas correntes da União. a LRF atribui à contabilidade pública novas funções no controle orçamentário e financeiro. essa norma retirava do cômputo das despesas com pessoal os gastos relativos às demissões incentivadas (PDV’s). dos Estados.RCL.

Nos termos da Lei de Responsabilidade Fiscal. Lei de Diretrizes Orçamentárias . 3. mas não necessariamente o ano civil. não necessariamente o ano civil. 165.256 2. apresentada no Balanço Geral do Estado da Bahia para 2000.768. a verificação da RCL deve ser para o período de um ano. A LRF procura aperfeiçoar a sistemática traçada pela norma constitucional.LDO A LDO.865 (-) Contribuições a fundo – FUNPREV (art. Direta 6.227 3. Caput. 47 Art.120 (-) Compensação Financeira (§ 9º.007. S.345. no exercício financeiro subseqüente. IV.CF) 2. e § 1º ao 8º 136 Professor: Raimundo N. excluídas as duplicidades. 3.768 (-) Perdas para o FUNDEF (saldo negativo) 210.990. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . no que diz respeito ao seu período de apuração. e a sua apuração começará no mesmo mês em que se estiver calculando a RCL. utilizadas no pagamento de aposentadorias e pensões.837. 3.1. Isto quando não houver compensações da Lei Hauly ou outras receitas previdenciárias.980 (-) Transferências Constitucionais aos Municípios 1. Indireta (fontes 40 e 90) 827. A receita corrente líquida será apurada somando-se as receitas arrecadadas no mês em referência e nos onze anteriores.como os Municípios não realizam transferências constitucionais a outros entes. Plano Plurianual – PPA O que deve ser ressaltado é a condição do PPA como documento de mais alta hierarquia no sistema de planejamento de qualquer ente público. Deduções 1. Receita Corrente 6. no tocante ao planejamento na administração pública.RCL (1 .482. quais sejam: o Plano Plurianual .285.455 (+) Receita Corrente da Adm.475 Existe ainda. PLANEJAMENTO A Constituição de 1988. teve a clara preocupação de institucionalizar a integração entre os processos de planejamento e orçamento47. Como visto anteriormente. "c") 124.134.494. Exemplo de Cálculo da Receita Corrente Líquida Estadual Discriminação Valores em R$ 1. Isto significa que a verificação da RCL deve ser para o período de um ano. e a Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO.2) 5. sendo as mais importantes: a. 2º. art. o Orçamento Anual. 201.025. 46 Dispor sobre o equilíbrio entre receitas e despesas.199 (+) Receita Corrente da Adm. Receita Corrente Líquida . a LDO recebe novas e importantes funções. tinha como função básica orientar a elaboração dos orçamentos anuais.492. ao tornar compulsória a elaboração dos três instrumentos básicos para esse fim. sua RCL poderá corresponder simplesmente à sua Receita Corrente total46.634. objetivos e metas nele estabelecidos. além de estabelecer as prioridades e metas da administração.010. razão pela qual todos os demais planos e programas devem subordinar-se às diretrizes. O quadro a seguir apresenta uma forma simplificada para o cálculo da RCL. uma importante especificidade em relação ao cálculo da RCL.PPA.775.Inv. na sua concepção original. atribuindo novas e importantes funções ao Orçamento e à LDO.2.

Essas metas correspondem às previsões para receitas e despesas.3. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças .2. O reconhecimento de uma despesa potencial corresponderá a um novo elemento a ser avaliado nas metas propostas no Anexo de Metas Fiscais. Dentre as principais. destaca aqueles fatos que poderão impactar nos resultados fiscais estabelecidos para o exercício.1. fundos e programas de natureza atuarial. resultados primário e nominal. o exercício a que se referir a LDO e os dois seguintes. Anexo de Riscos Fiscais da LDO O Anexo de Riscos Fiscais. além do montante da dívida pública para três anos. de forma a garantir a realização das metas e objetivos contemplados no PPA. o Anexo de Metas Fiscais deverá: ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ avaliar o cumprimento das metas do exercício anterior. a LDO deverá estabelecer os parâmetros necessários à alocação dos recursos no orçamento anual. f. Disciplinar as transferências de recursos a entidades públicas e privadas.b. S. outra inovação da LRF. Lei Orçamentária Anual . Dispor sobre o controle de custos e avaliação dos resultados dos programas financiados pelo orçamento. 3. Um bom exemplo disso são as sentenças judiciais. nos últimos três exercícios (venda de ativos: demonstrar origem e aplicação dos recursos). Anexo de Metas Fiscais da LDO A Lei de Responsabilidade Fiscal veio fortalecer a LDO. O demonstrativo da compatibilidade da programação do orçamento com as metas da LDO previstas no respectivo Anexo de Metas Fiscais. d. além do estabelecimento de Metas Fiscais relativas às receitas.LOA Da mesma forma que na LDO. onde serão estabelecidas metas anuais em valores correntes e constantes para um período de três anos. resultado nominal e resultado primário. e. que podem a qualquer momento gerar uma despesa inesperada. Avaliar a situação financeira e atuarial dos regimes de previdência. várias alterações estão sendo introduzidas. de modo a comprometer as metas de resultado primário e nominal previstas para o exercício. pela LRF. especialmente a partir do Anexo de Metas Fiscais. na sistemática de elaboração do orçamento anual.2.2. c. e Demonstrativo da estimativa e da compensação da renúncia de receita e da margem de expansão das despesas obrigatórias Tendo em vista o cumprimento das metas contidas no Anexo de Metas Fiscais. De acordo com a doutrina. Quantificar o resultado primário a ser obtido com vistas à redução do montante da dívida e das despesas com juros. 3. Demonstrar a evolução do patrimônio líquido. na ocorrência de arrecadação da receita inferior ao esperado. 3. Estabelecer limitações à expansão de despesas obrigatórias de caráter continuado. 137 Professor: Raimundo N. se não houver uma reserva para este tipo de contingência. Estabelecer critérios e formas de limitação de empenho. montante da dívida pública. destacam-se: I. o artigo 9º determina que o acompanhamento do desempenho das receitas ocorra a cada bimestre. a constar da LDO. comparar as metas anuais com as fixadas nos três exercícios anteriores (consistência com as premissas e objetivos da política econômica nacional). isto é. Portanto. despesas.

previsto contratualmente. em percentual da RCL. O serviço da dívida (encargos mais amortizações). Execução orçamentária e cumprimento de metas A LRF dispõe que: “Até trinta dias após a publicação dos orçamentos o Poder Executivo estabelecerá a programação financeira e o cronograma de execução mensal de desembolso. constitui o mais importante instrumento de gerenciamento orçamentário e financeiro da Administração Pública. parágrafo 5º da Constituição Federal. Além disso. setembro e fevereiro. prevista no artigo 165. tendo ainda. pelo Chefe do Executivo. A Lei Orçamentária Anual.4. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . O cumprimento das metas fiscais de cada quadrimestre (elencadas no Anexo de Metas Fiscais) passa a ser demonstrado. Estados e Municípios possuem legislação tributária própria e devem explorar com eficiência o seu potencial de arrecadação. desvinculando-se cada vez mais da dependência do Governo Federal. o demonstrativo de efeitos sobre as receitas e as despesas decorrentes de anistias. os pagamentos de sentenças judiciais deverão identificar os respectivos beneficiados. A dívida pública terá um tratamento especial na LOA. subsídios. Assembléias Legislativas e. de forma a evidenciar a ordem cronológica da sua ocorrência. sendo orientada pela LDO. sendo o refinanciamento da dívida (e suas receitas) demonstrado de forma separada. De acordo com o artigo 5º da LRF. 3. além de outros imprevistos fiscais. ainda. deve manter os objetivos definidos nesta. a LRF visa a resgatar a importância das receitas próprias na realização de projetos e manutenção da máquina pública. e as receitas para esse fim devem estar destacadas na Lei. de acordo com o artigo 5º. também são observados pelos Estados e Municípios. ainda que em exercício diverso daquele em que ocorrer o ingresso. na Comissão Mista do Congresso Nacional. a LOA. Finalmente. A previsão da reserva de contingência.” Por sua vez. na execução da LOA. 4. RECEITA PÚBLICA A Carta Magna aumentou significativamente a participação dos Estados e dos Municípios na repartição do “bolo fiscal”. A LOA deverá apresentar as despesas relativas à dívida pública. mobiliária ou contratual e respectivas receitas. analisado na sessão anterior. em detrimento da União. na proporção do incremento das transferências. Conforme o artigo 35 do ADCT. não foram repassados aos governos estaduais e municipais as obrigações e os encargos pertinentes. representavam percentual pouco significativo das receitas correntes totais. que a LDO deverá prever para o atendimento às despesas previstas no Anexo de Riscos Fiscais. Isso ocorreu em virtude do aumento das transferências de recursos através dos fundos de participação (FPE e FPM). III. em alguns casos. S. no caso da União. cuja principal finalidade é administrar o equilíbrio entre receitas e despesas públicas. em audiência pública perante a Comissão de Orçamento da Câmara de Vereadores. Portanto. etc. Neste caso. em geral. isenções. até o final dos meses de maio.II. 138 Professor: Raimundo N. o projeto de lei orçamentária da União será encaminhado ao Legislativo até quatro meses antes do encerramento do exercício financeiro (final de agosto) e devolvido para a sanção até o encerramento da sessão legislativa (até meados de dezembro). É o que se observa. na reserva de contingência. Este fato não trazia estímulo para a arrecadação de impostos que. a LOA demonstrará que está compatível e adequada ao Anexo de Metas Fiscais. em nível local. o parágrafo único deste artigo 8º determina a vinculação de recursos à finalidade específica e em caráter exclusivo. por acompanhamento. tanto na LOA como nas leis de créditos adicionais. destinada ao pagamento de restos a pagar e passivos contingentes. Estes prazos.

139 Professor: Raimundo N. passa a ser uma obrigação. ainda. além de observar as normas técnicas e legais e a respectiva metodologia de cálculo. O descumprimento dessa norma terá como conseqüência a imediata suspensão das transferências voluntárias ao ente público que se mostrar negligente nessa questão. nos três anos anteriores e nos dois seguintes àquele a que se referirem. Exemplos : ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ Anistia: Anistia é a dispensa de pagamento de multa (e juros de mora) a Remissão: Remissão perdão do pagamento do principal e da sanção presumido: Crédito presumido compensação por tributo não pago em virtude de incentivo geral: Isenção em caráter não geral é uma forma de exclusão do crédito tributário Subsídio: Subsídio: redução de carga tributária para certas atividades ou mesmo pagamento em espécie para fortalecer a atividade financeiro: Benefício financeiro operação financeira custeada pelo Estado ao contribuinte. previsão e a efetiva arrecadação de todos os tributos é ressaltada pelo texto da LRF como requisito essencial da responsabilidade na gestão fiscal. Previsão e Arrecadação da Receita A instituição. Demonstrar que a renúncia delas decorrente foi considerada ao se estimar a receita do orçamento e que não afetará as metas de resultados fiscais previstas na LDO. seja por via direta ou indireta. nos termos da LRF e. pelo Poder Legislativo. que o Poder Executivo deverá informar aos demais Poderes e ao Ministério Público os estudos e as estimativas das receitas. as estimativas da receita devem estar acompanhadas de demonstrativo da sua evolução. no valor equivalente ao imposto. até trinta dias após a publicação do orçamento anual. 4. informando quais medidas serão adotadas para o combate a sonegação. pelo menos trinta dias antes de esgotarse o prazo de envio das respectivas propostas orçamentárias. nos termos da Lei 10. A partir da vigência da LRF. Permanece também o mandamento constitucional que somente admite reestimativa de receita. uma vez que tais metas bimestrais de receita servirão de parâmetro para a limitação de empenho e movimentação financeira. Na verdade. a cobrança da dívida ativa e os créditos executáveis pela via administrativa. 4. A LRF determina que o Poder Executivo deverá. A concessão indiscriminada dos chamados “incentivos fiscais” é prática danosa às finanças de qualquer ente público. S. de ordem técnica ou legal. efetuar o desdobramento das receitas em metas bimestrais de arrecadação. mais do que um direito da administração pública. Ressalte-se a importância dessa medida. e deve estar sujeita a regras disciplinadoras. Para a sua previsão. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças .A determinação para a cobrança de tributos deve ser vista como um estímulo ao administrador para o desenvolvimento do sistema tributário próprio.028 (Lei de Crimes Fiscais). tais iniciativas deverão atender. não só ao que dispuser a LDO.1. cobrar imposto. mas ainda aos seguintes requisitos: ♦ ♦ Estimar o impacto orçamentário financeiro no exercício inicial de sua vigência e nos dois seguintes. A LRF prevê. Renúncia de Receita Conceito: deixar de cobrar ou reduzir a carga tributária. nos casos de erro ou omissão.2.

duas alternativas são dadas. S. em nível municipal. pelo menos para esse fim. majoração ou criação de tributo ou contribuição. serviços e obras. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . irregular e lesiva ao patrimônio público. atendem aos requisitos propostos: gerarão despesas correntes.♦ Prever medidas de compensação nos três exercícios já referidos. ampliação da base de cálculo ou novos tributos ou contribuições. é a despesa corrente: ♦ ♦ derivada de lei. 15). é condição prévia. como também para a desapropriação de imóveis urbanos. iniciativas do tipo “combate à sonegação”. nos termos do art. sem a correspondente fonte de recursos. o pagamento de “bolsa-escola” para famílias carentes que comprovem a freqüência dos filhos em idade escolar na rede pública de ensino. o PPA e a LDO e. geradora de obrigação legal de sua execução por um período superior a dois exercícios. da sua adequação orçamentária e financeira com a LOA. Algumas ações governamentais objetivas poderão esclarecer um pouco mais este conceito: ♦ ♦ Como se vê. A novidade aqui está no conceito de despesa obrigatória de caráter continuado que. Some-se ainda a restrição do art. podendo ser através de: elevação de alíquota. nos termos do Código Tributário Nacional.” De nada valerão. sem deixar margem para criatividade. Estão isentos das restrições acima apenas os cancelamentos de débitos em valor inferior aos seus custos de cobrança. para a questão do aumento nas despesas. sendo que nos dois últimos casos o benefício só entrará em vigor após a ocorrência do aumento da receita. medida provisória ou ato administrativo normativo. para todo e qualquer aumento de despesa pode ser assim traduzida: toda e qualquer despesa que não esteja acompanhada de estimativa do impacto orçamentário-financeiro nos três primeiros exercícios de sua vigência. de suas medidas compensatórias48. de acordo com o artigo 16 da LRF. 5. de acordo com a Constituição. para que não haja a menor chance de alguma brecha ou artifício legal. Essa norma. 17 que. as despesas geradas a partir dessas ações. 48 Aumento permanente de receita e/ou redução permanente de despesa. define o aumento permanente de receita como o “proveniente da elevação de alíquotas. 17. Estas medidas deverão observar ainda. Diante do que estabelece a nova lei. derivadas de lei e execução por período superior a dois exercícios financeiros. o princípio que embasa tal conduta não é outro que o de “gastar apenas o que se arrecada”. que. aprovado no Plenário do Senado Federal em 2000. DESPESA PÚBLICA A regra básica da LRF (art. ambas de grande ônus político: aumento permanente de receita ou redução permanente de despesa. projeto para criação de Territórios Federais na Região Amazônica. deverá ser paga em dinheiro. no caso de despesa obrigatória de caráter continuado. o princípio da anterioridade. portanto. a lei equipara a aumento de despesa a prorrogação daquela já criada por prazo determinado. “bolão fiscal” e outras medidas do gênero. ampliação da base de cálculo. diante das barreiras que são impostas a aumentos de despesa. E. é considerada: não autorizada. que este seja um dos pontos que mais tem suscitado críticas por parte dos governantes nos diversos níveis da Federação. No entanto. 140 Professor: Raimundo N. Não é de estranhar. não só para a aquisição de bens. por exemplo.

67% de suas receitas líquidas (receitas disponíveis) com pagamento de pessoal. após a publicação da LRF. 2. fixas e variáveis. o conjunto dos Estados brasileiros gastou. à estabilidade econômica e à queda nos índices inflacionários. com quaisquer espécies remuneratórias. 9. Neste caso. fica revogada qualquer outra legislação que verse sobre estes limites. saneamento. Na esfera federal. sem considerar a manutenção de estradas e vias urbanas. responsável pelo crescimento deste tipo de despesa de forma continuada. Limites com pessoal De acordo com a LRF. mandatos eletivos. e 60% da RCL para Estados e Municípios. Por conseguinte. funções ou empregos. 8. como educação. segundo o qual as despesas devem observar preferencialmente o montante das receitas próprias arrecadadas. A definição desses limites busca simplesmente permitir que o administrador público cumpra o papel que a sociedade lhe atribuiu: proporcionar bem-estar à população. a preservação do patrimônio público etc. militares e de membros de Poder. A LRF determina dois limites distintos para os gastos com pessoal no setor público: ♦ ♦ 50% da RCL para a União. subsídios. o crescimento populacional demanda um programa de investimentos crescentes por parte dos governos. como já foi visto. Cumpre ressaltar que. em média. horas extras e vantagens pessoais. 5. S. entende-se como despesas de pessoal: 1. os limites a serem apresentados no Relatório de Gestão Fiscal (RGF) do primeiro e do segundo quadrimestre somarão despesas com pessoal relativas a dois exercícios financeiros. a despesa com pessoal apresenta um componente vegetativo importante. despesas com inativos e pensionistas. Além disso.9% para o Executivo. 7. encargos sociais. cargos. e contribuições recolhidas pelo Ente às entidades de previdência. a partir dos recursos que lhe são entregues na forma de impostos. Isto significa que restam 30% para a realização dos serviços públicos básicos. gratificações. já que a contagem retroage 11 meses. a limitação dos gastos com pessoal em percentual da RCL está de acordo com o princípio de equilíbrio da Lei Fiscal. 6. vencimentos e vantagens. 4. 10. adicionais de qualquer natureza. Somente o RGF referente ao último quadrimestre do ano apresentará as despesas de pessoal verificadas na unicidade do exercício financeiro. 3. Despesas com pessoal: fiscalização e controle Os gastos com a folha de pagamento de pessoal representam o principal item de despesas de todo o setor público brasileiro. 5. Entre 1996 e 2000. 141 Professor: Raimundo N.2. assim dividido: ♦ 40.1. civis. Além disso. saúde e segurança.5. o limite será de 50% da RCL. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . reformas e pensões. proventos de aposentadoria. A apuração dos gastos com pessoal será feita com base em um período de 12 meses. Certamente que o aumento da participação da folha de pagamento nas receitas de Estados e Municípios deveu-se. somatório dos gastos do ente da Federação com os ativos.

6% para o Judiciário. na proporção das despesas que vinham sendo realizadas em exercícios anteriores. e da competência de período anterior ao da apuração das despesas com pessoal (somando-se o mês de referência com os onze meses anteriores). por ocasião do afastamento. resta relacionar aquelas despesas que não serão computadas para o atendimento dos limites definidos nesta seção: ♦ ♦ as despesas com indenização por demissão de servidores ou empregados. 54% para o Executivo. Sua contagem no limite de pessoal desestimularia programas dessa natureza. com a limitação dos gastos com pessoal sendo igual a 6% da RCL para o Poder Judiciário. Nos Estados onde houver Tribunal de Contas dos Municípios. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças ♦ ♦ Atente-se para o fato de que as receitas originárias das contribuições a fundos não . custeadas pela União. as despesas decorrentes de decisão judicial (em geral classificadas na rubrica "Sentenças Judiciais"). o chamado PDV. para o órgão B. A partir de maio de 2000.6%. já que. incluindo o Tribunal de Contas do Estado. ♦ ♦ as despesas com pessoal verificadas em decorrência de convocação extraordinária do Congresso Nacional. respectivamente.4% da RCL para as despesas com pessoal. isto significa que o órgão A terá um limite de 2. incluindo o Tribunal de Contas do Município. 2. Finalmente. 49% para o Executivo. o limite para os gastos com pessoal do Legislativo será igual a 3. e 2% para o Ministério Público. 3% para o Legislativo.5% para o Legislativo. as despesas com pessoal do Estado do Amapá. dentro do Poder Judiciário. Roraima e do Distrito Federal. as despesas relativas ao incentivo à demissão voluntária. e 0.4% da RCL. 142 Professor: Raimundo N. o limite de 60% será assim repartido: ♦ ♦ Nos Poderes Legislativo e Judiciário. em geral utilizado pontualmente e dirigido ao conjunto dos servidores.4%). Parece lógico que.6% para o Ministério Público. aumentará a despesa com pessoal no mês em que estiver sendo executado. se estas despesas não são pagas com as receitas destes Estados. quando houver. Em outras palavras. as despesas com inativos custeadas com recursos de fundos próprios. não há porque serem somadas aos limites (60%). S. Não faria sentido decisão diferente. este limite será igual a 3.1998 e 1999). enquanto que o Executivo perderá este percentual a maior do seu limite (0. e 6% para o Legislativo. os limites serão repartidos entre os seus diversos órgãos. que passará então para 48. o limite de 60% será repartido da seguinte forma: ♦ ♦ ♦ ♦ Na esfera municipal. enquanto que.♦ ♦ ♦ 6% para o Judiciário. de acordo com o § 2° do artigo 18.6% da RCL. o PDV. a média das despesas com pessoal tenha sido dividida entre o órgão A e o órgão B na proporção de 40% e 60%. o servidor recebe valores superiores àqueles que receberia se continuasse na ativa. Na esfera estadual. Um exemplo: digamos que nos três exercícios financeiros anteriores à publicação da LRF (1997.

além daqueles relativos à dívida. RECURSOS PRIVADO DESTINAÇÃO DE RECURSOS PARA O SETOR PRIVADO A LRF estabelece a regra básica para toda e qualquer destinação de recursos públicos ao setor privado: a sua autorização por lei específica. saúde e assistência social) correspondem a dois terços do total de transferências voluntárias repassadas anualmente. 6. Apenas para relembrar. aquele dispositivo obriga à demonstração da origem dos recursos que custearão qualquer aumento na despesa. além da sua previsão na lei orçamentária ou em crédito adicional. com exceção daqueles que decorram de determinação constitucional. Equiparam-se a transferências e sujeitam-se às mesmas normas as concessões de empréstimos. a partir de mecanismos de compensação. de um ente para outro. não serem destinadas a pagamento de pessoal ativo. 17. nem por isso a LRF é menos severa em relação aos aumentos de gastos com a seguridade social. concessão de subvenções e a participação em constituição ou aumento de capital. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças .3. existência de contrapartida no orçamento do ente beneficiário. assim como à comprovação de que não serão afetadas as metas de resultados fiscais previstas na LDO. como requisitos adicionais. o beneficiário deverá comprovar. As transferências voluntárias compreendem a entrega de recursos correntes e de capital. a título de cooperação. E. o cumprimento do art. empréstimos e financiamentos devidos ao ente transferidor.compõem o cálculo da RCL. que inexistem pendências quanto à prestação de contas de recursos já recebidos. que obedece aos limites constitucionais para gastos com educação e saúde. destacam-se : ♦ ♦ ♦ ♦ cumprimento das disposições da LDO sobre a matéria. legal ou dos destinados ao SUS. além da indicação de sua fonte de custeio total. DF e Municípios. Dentre as exigências legais para a realização de transferências voluntárias. existência de dotação específica na lei orçamentária.4. financiamentos e refinanciamentos. Transferências voluntárias Neste item a LRF estabelece as condições para a realização das transferências voluntárias de recursos entre os entes da Federação. auxílio ou assistência financeira. Sempre que o ente beneficiário de uma operação de crédito não estiver sob controle direto 143 Professor: Raimundo N. o que torna nula esta operação do ponto de vista contábil. De modo idêntico aos demais aumentos de despesa. majoração ou extensão de qualquer benefício que integre a seguridade social requer. que se acha em dia com o pagamento de tributos. ♦ Como regra geral.educação. que versa sobre a despesa obrigatória de caráter continuado. inativo e pensionistas dos Estados. Cumpre ressaltar que aquelas transferências voluntárias constantes do artigo 25 (exceções no caso de suspensão . despesas com pessoal e restos a pagar. previamente ao recebimento dos recursos. 5. mais ou menos na linha de procedimento que já era adotada pelo governo federal ao longo da última década. a criação. Despesas com a seguridade social Embora este assunto tenha merecido apenas um breve artigo. os recursos recebidos não poderão ser utilizados em finalidade diversa daquela que for pactuada no instrumento utilizado para formalizar a transferência. 5. é exigida a observância das disposições da LDO. S. prorrogação e composição de dívidas.

assumidas em virtude da realização de operações de crédito para amortização em prazo superior a doze meses ou que. a LDO e a LOA. aquisição financiada de bens. Por sua vez. de 21/12/2001. Além disso. A dívida consolidada do Governo Federal em dezembro de 2000 atingiu o montante de R$ 830 bilhões (cerca de 78% do PIB calculado para o período) . fundações e empresas estatais dependentes ou entre estes. Distrito Federal ou Municípios. A LRF e a dívida pública A Resolução do Senado Federal n° 43. define os termos relacionados à dívida pública consolidada. a LRF proíbe taxativamente o socorro às instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . E este endividamento desproporcional e crescente arquitetou-se a partir do aumento nas despesas públicas. Para tanto. abertura de crédito. 7. inclusive as decorrentes de emissão de' títulos. convênios ou tratados. o reconhecimento e a confissão de dívidas pelo ente público são equiparados às operações de crédito. recebimento antecipado de valores provenientes da venda a termo de bens e 144 Professor: Raimundo N. existem dois mecanismos fundamentais utilizados para a cobertura do déficit público: os recursos próprios. a repetição de programas nos moldes do PROER. assumidas em virtude de leis. dos precatórios judiciais emitidos a partir de 5 de maio de 2000 e não pagos durante a execução do orçamento em que tenham sido incluídos. que condicionam os aumentos de despesa à: ♦ ♦ estimativa de impacto orçamentário-financeiro nos três primeiros exercícios de sua vigência.do ente transferidor dos recursos. em razão de mútuo. dívida pública mobiliária. contratos. de uma vez por todas. a dívida pública consolidada não inclui as obrigações entre cada ente público e seus respectivos fundos. Tal proibição tem como objetivo primordial evitar. Considera-se dívida pública consolidada o montante total apurado. feito para socorrer instituições integrantes do SFN. das obrigações financeiras do ente da Federação. 29 da LRF. emissão e aceite de título. que provém nas receitas de impostos e transferências. ♦ Pelo disposto no parágrafo primeiro do art. o parágrafo primeiro do mesmo dispositivo já antevê a solução para eventuais situações de insolvência. principalmente nos Estados e Municípios. adequação orçamentária e financeira com o PPA. que significam endividar-se. ainda. Deste total. tenham constado como receitas no orçamento. devendo. 7. Operações de crédito correspondem a compromissos assumidos com credores situados no país ou no exterior. sem duplicidade: ♦ ♦ das obrigações financeiras do ente da Federação. mediante a criação de fundos e outras formas legais que dêem cobertura a essas instituições.1. R$ 555 bilhões correspondiam à Dívida Mobiliária do Tesouro Nacional. a assunção. os encargos financeiros da operação. Por definição. 15 e 16. PÚBLICO DÍVIDA E ENDIVIDAMENTO PÚBLICO A dívida líquida do setor público brasileiro cresceu significativamente entre os anos de 1994 e 2000. S. embora de prazo inferior a doze meses. Estados. Já a dívida pública mobiliária é representada por títulos emitidos pela União. sem a contrapartida do incremento das receitas próprias. operações de crédito e empresa estatal dependente. observar os termos dos arts. e os recursos de terceiros. as comissões e outras despesas não poderão ser inferiores ao que dispuser a lei ou ao seu custo de captação. autarquias.

Estados e Municípios. da LRF (receita de 12 meses). e tenha. na forma da legislação. corresponde à dívida pública consolidada deduzidas as disponibilidades de caixa.2. dos Estados e dos Municípios. e apenas eles. excluídos. 3.serviços. 2°. S. 52 da Constituição. o Presidente da República submeterá ao: I . no exercício anterior. neste último caso. Bertolesa . aceite ou aval de títulos de crédito e a assunção de obrigação. aqueles provenientes de aumento de participação acionária. autorização orçamentária para recebimento de recursos financeiros com idêntica finalidade. cumprindo o que estabelece o inciso VI do art. é empresa controlada pelo Estado. de custeio em geral ou de capital. Limites de endividamento de acordo com a LRF Diz o artigo 30 da Lei de responsabilidade Fiscal: Art. direta ou indiretamente. confissão de dívida ou operação assemelhada.2 vezes (ou 120%) a RCL. atendido o disposto no inciso I do § 1 ° deste artigo. Equiparam-se a operações de crédito o recebimento antecipado de valores de empresa em que o Poder Público detenha. de acordo com a Resolução n° 43/01. Professor: Raimundo N. mas 145 Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças 2. 7. VIII e IX do mesmo artigo. 48 da Constituição. Empresa estatal dependente. inclusive com o uso de derivativos financeiros. § 3°. a maioria do capital social com direito a voto. a dívida consolidada líquida dos Estados e do Distrito Federal terá por limite 2 vezes a sua RCL. 30. arrendamento mercantil e outras operações assemelhadas. e sobre limites e condições para contratação de operações de crédito e concessão de garantias. no exercício corrente. Síntese da Resolução n° 40 do Senado Federal: 1. calculada na forma do art. bem como de limites e condições relativos aos incisos VII. respectivamente. sem autorização orçamentária. da LRF (receita de 12 meses). na proporção de 1/15 avos por ano. com fornecedores para pagamento a posteriori de bens e serviços. com fornecedor de bens. 4. destinados ao pagamento de despesas com pessoal. Quanto à dívida consolidada líquida.2 vezes) nessa data. a observação desses limites valerá a partir de dezembro de 2001. considerando-se ainda as obrigações a pagar que deverão ser deduzidas das disponibilidades financeiras. II . 2°. os entes que em dezembro de 2001 estavam dentro do limite legal e ultrapassarem os limites após dezembro de 2001 não terão 15 anos. acompanhado da demonstração de sua adequação aos limites fixados para a dívida consolidada da União. O Senado Federal editou em dezembro de 2001 as Resoluções nOS 40 e 43 versando sobre limites globais para o montante da dívida pública consolidada e da dívida pública mobiliária do Distrito Federal. recebido recursos financeiros de seu controlador. mediante emissão. § 3°. mercadorias ou serviços. a assunção direta de compromisso. a dívida consolidada líquida dos Municípios terá um limite igual a 1. terão um prazo de 15 anos para retorno ao limite dentro de uma trajetória decrescente. as aplicações financeiras e os demais haveres financeiros. salvo lucros e dividendos. No prazo de noventa dias após a publicação desta Lei Complementar.Senado Federal: proposta de limites globais para o montante da dívida consolidada da União. sendo que os entes que estavam acima dos limites legais (Estados acima de 2 vezes a RCL e Municípios acima de 1.Congresso Nacional: projeto de lei que estabeleça limites para o montante da dívida mobiliária federal a que se refere o inciso XIV do art. pelo Distrito Federal ou pelo Município que tenha. calculada na forma do art.

Distrito Federal e Municípios será o equivalente a 22% da RCL.5 vezes (ou 350%) a RCL anual do governo federal. deverá observar o limite de 16% da RCL. a 7% da RCL. editado pelo Ministério da Fazenda. A regra de ouro Segundo o artigo 167. O saldo devedor das operações de crédito por antecipação de receita orçamentária (AROs) não poderá ultrapassar. 2. nas condições previstas na Resolução na 43. os Estados.2 para a relação Dívida Consolidada Líquida/Receita Corrente Líquida. em dezembro de 2001. Minas Gerais e Rio Grande do Sul. acima de 1. o projeto encaminhado ao Congresso Nacional determinava um limite de endividamento (Dívida Consolidada Líquida) igual a 3. conforme previsto inicialmente no artigo 31 da LRF. Ressalte-se que. da Constituição Federal de 1988: "É vedada a realização de operações de crédito que excedam as despesas de capital. o saldo global das garantias concedidas pelos Estados. de 7 de novembro de 2003. a contratação de operações de crédito para Estados e Municípios. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . alterou dispositivos da LRF e da Resolução SF na 40/01. Mato Grosso.3. Ressalte-se que a Resolução na 43/01 revogou a Resolução na 78/98. de 10 de janeiro de 2003 a 30 de abril de 2005 fica suspensa a obrigatoriedade de cumprimento dos limites e condições estabelecidos nos artigos 30 e 40 da Resolução SF na 40/01. cerca de 20 Municípios estavam. devem ser observadas as regras dispostas na Resolução na 96/89. para aqueles contratos em andamento (cujo pagamento de dívidas superem os limites da Resolução nO 43). entre eles os Municípios de São Paulo e Maceió. valerão as regras contratuais.5% da RCL. ressalvadas 146 Professor: Raimundo N. Enquanto não forem editadas as novas resoluções que tratarão do endividamento do governo federal. Mato Grosso do Sul. Síntese da Resolução n° 43: 1.dois quadrimestres para ajustarem-se. passa de 3 para 4 quadrimestres. dentro de um exercício financeiro. a Resolução no 20 do Senado Federal. reduzindo o excesso dentro de uma proporção de 1/15 avos ao ano. Conforme relatórios fiscais publicados em dezembro de 2001 (e republicações posteriores). podendo chegar a 32% da RCL. S. o Distrito Federal e os Municípios deverão estar ajustados aos limites fixados ou à trajetória da dívida. no exercício em que estiver sendo apurada. Maranhão. 4.5 vezes a RCL. equivalente a 6. Finalmente. em 10 de maio de 2005. ♦ 7. Esses Estados terão até o exercício de 2016 para chegarem a uma relação Dívida Consolidada Líquida/ Receita Corrente Líquida igual a 2. que substituiu o Banco Central nas análises dos pleitos para a contratação de operações de crédito estaduais e municipais. 3. existiam no Brasil 6 Estados com excesso de endividamento quando da publicação da Resolução n° 40: Goiás. No que se refere aos limites e condições para endividamento do governo federal. a saber: ♦ ♦ o prazo para reenquadramento aos limites da dívida consolidada. o comprometimento anual com o serviço da dívida (encargos mais amortizações) não poderá ultrapassar a 11. inciso III. Além desses Estados. As novas regras para contratação de operações de crédito estão dispostas no Manual de Instrução de Pleitos (MIP). conforme disposto no artigo 31. Já a dívida mobiliária teria um limite diferenciado.

o § 2° do artigo 12. A relação dos entes que ultrapassarem esses limites será divulgada mensalmente pelo Ministério da Fazenda (art. a eles deverão retomar nos três quadrimestres seguintes. observado o seguinte: I . 147 Professor: Raimundo N. crédito. 7. com o intuito de promover incentivo fiscal. apenas em situações excepcionais. será possível contratar operações de crédito para a cobertura de despesas correntes. tudo o que se refere à "regra de ouro" tem por referência a Constituição Federal. A decisão do STF. Diz a citada norma: "O montante previsto para as receitas de operações de crédito não poderá ser superior ao das despesas de capital constantes do projeto de lei orçamentária.as autorizadas mediante créditos suplementares ou especiais com finalidade precisa. os entes estarão sujeitos às seguintes sanções institucionais: ♦ ♦ ♦ proibição de realizar operação de refinanciamento da dívida mobiliária. da LRF. de fato. proibição de recebimento de transferências voluntárias. que determina. a ressalva constitucional. Ressalte-se que. 31. considerar-se-á. excetuado o obrigatoriedade de obtenção de superávit primário para redução do excesso. quando houver decisão de maioria absoluta das duas casas legislativas em nível federal. direta ou indireta.4. não traz prejuízos à responsabilidade fiscal dos entes públicos. S. desde a publicação da LRF.não serão computadas nas despesas de capital as realizadas sob a forma de empréstimo ou financiamento a contribuinte. O Supremo Tribunal Federal (STF). § 1° ao 5°). passou a ser também matéria financeira. a partir da LRF. o total dos recursos de operações de crédito nele ingressados e o das despesas de capital executadas. ou seja. a partir do dia 9 de maio de 2002. Se verificada a ultrapassagem dos seus limites ao final de um quadrimestre. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . 32. por exemplo. eliminando pelo menos 25% já no primeiro período. o limite das operações de crédito é o montante das despesas de capital previsto na lei orçamentária anual. É matéria orçamentária. Durante o tempo em que estiverem acima dos limites. § 3°. in verbis: "§ 3° Para fins do disposto no inciso V do § 1°. que pretende coibir o financiamento. se resultar a diminuição. do ônus deste. tornou sem efeito alguns dispositivos da LRF. Certamente que. aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta. Em outras palavras. portanto." Esse comando traz a chamada "regra de ouro". 167 da Constituição deverá ser comprovado mediante apuração das operações de crédito e das despesas de capital conforme os critérios definidos no art. contra a qual nenhuma lei pode prevalecer. caso não eliminado o excesso no prazo previsto e enquanto durar o mesmo. Essas regras aplicam-se tanto para os casos de excedente nos limites da dívida mobiliária como das operações de crédito internas e externas. via operação de crédito. como. II . inclusive ARO." Percebe-se que no texto da LRF não havia. em cada exercício financeiro.se o empréstimo ou financiamento a que se refere o inciso I for concedido por instituição financeira controlada pelo ente da Federação. O cumprimento do limite a que se refere o inciso lV do art. Recondução da dívida aos limites A LRF estabelece prazos e condições rígidos para os entes que ultrapassarem os respectivos limites de endividamento. inclusive através de limitação de empenho. de despesas correntes. em nosso entendimento. tendo por base tributo de competência do ente da Federação. o valor da operação será deduzido das despesas de capital".

32. não poderão ser realizadas no último ano do mandato do Chefe do Poder Executivo. direta ou indiretamente. instituição financeira a empresa nacional. até 10 de dezembro de cada ano. devendo ser paga dentro do exercício em que for contratada. 32. estão limitados à taxa de juros da operação. Todas as operações de aro’s serão feitas através de abertura de crédito na instituição financeira que for vencedora de processo licitatório promovido pelo Banco Central. e. Na concessão de garantias pela União aos Estados e Municípios. S. o ente não poderá receber transferências voluntárias. devendo ser saldadas. que fará também o seu acompanhamento e controle. 32 da LRF. Esse conceito estabelece diferença entre empresa controlada e empresa dependente. Enquanto não efetuada a devolução. De acordo com o § 6° do artigo 40 da LRF. devendo ser cancelada. As aro’s não estão incluídas no saldo devedor que comporá o limite de endividamento dos entes públicos. a instituição credora deverá certificar-se de que o beneficiário da operação atende às exigências da lei. Como pré-condição. Além disso. Para a LRF empresa controlada é a sociedade cuja maioria do capital social com direito a voto pertença. por ente da Federação. não está proibida a concessão de garantia por: I II empresa controlada a subsidiária ou controlada sua. estará sujeita à verificação do cumprimento dos respectivos limites de endividamento. nos termos do art. Antecipações de Receitas Orçamentárias – aro’s De uso bastante difundido. 7. De acordo com o parágrafo 1º do art. nem tampouco se operações anteriores da mesma natureza não estiverem totalmente saldadas.7. qualquer garantia exige que o seu beneficiário ofereça contragarantia.5. adicionalmente. a plena adimplência para com o ente garantidor. Para tanto.6. inclusive empresas controladas. qualquer operação que contrariar as disposições da LRF será considerada nula. a ente da Federação. toda e qualquer operação de crédito realizada por ente da Federação será registrada pelo Ministério da Fazenda. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . § 3º). devendo restringir-se unicamente ao atendimento de insuficiência de caixa durante o exercício e. Trata-se de dívida flutuante. devolvendo-se o principal. com os respectivos juros e encargos.7. em valor igualou superior à garantia a ser recebida. atender a todas as normas relativas às operações de crédito constantes do art. 33. Garantia e contragarantia A concessão de quaisquer garantias em operações de crédito está sujeita às normas do art. As operações de aro’s somente poderão ser realizadas a partir do décimo dia do início do exercício. o Banco do Brasil é uma empresa controlada pelo governo federal. 148 Professor: Raimundo N. nem a prestação de contragarantia nas mesmas condições. 7. pelo Ministério da Fazenda. esse tipo de operação está agora mais restrito. Além disso. pela instituição credora. que deverá ser prefixada ou indexada à taxa básica financeira estipulada pelo governo. Nesse caso. que dispõe sobre os limites e condições das operações de crédito. nos termos da lei. 23. garantido o acesso público a essas informações. de curto prazo. estes poderão vincular as suas receitas tributárias próprias. obter garantia ou contratar operações de crédito (art. enquanto que o SERPRO configura exemplo de empresa dependente. Contratação de Operação de Crédito Toda e qualquer operação de crédito pleiteada. sem o pagamento de juros e encargos financeiros. além das transferências constitucionais. aplicando as sanções cabíveis em caso de inobservância de limites. Quanto aos encargos. ainda.

em caso de valores a serem pagos no exercício seguinte. eventuais dívidas poderiam ser roladas ao longo de um mesmo mandato. Vamos utilizar como referência o ano de 2000. Restos a pagar Pelo disposto na LRF. quando a pressão pela acomodação de despesas também aumentava. sob pressão do próprio pleito.8.028. para serem atendidos. o fim do mandato serviria também como ponto de corte para equacionamento de todos os estoques. Com o passar do tempo. Da mesma forma. tornando-se necessários alguns esclarecimentos. Em outras palavras. A falta de sincronia entre orçamento e execução financeira e a ausência de medidas corretivas ocasionavam uma sobra de pagamentos que não podiam ser atendidos no mesmo exercício e. sem que existam recursos em caixa para tal finalidade. sem adequada e suficiente disponibilidade de recursos para o seu atendimento. os Restos a Pagar foram sendo mal utilizados como instrumento de rolagem de dívidas. que foi último ano de mandato. caracterizou como crime. toda dívida de ente público que tiver sido honrada em conseqüência de garantia prestada implica a suspensão de novos créditos até a completa liquidação da dívida em causa. então. muitas vezes. a rolagem extra-orcamentária de dívidas. Por outro lado. 42 foi concebido com o espírito de. Isto porque nem todos os pagamentos de despesas coincidem com o término do exercício. O orçamento do exercício seguinte. A rubrica Restos a Pagar. Estas seriam também transferidas sob a forma de Restos a Pagar para o terceiro exercício. na sua origem. O art. ordenar ou autorizar a assunção de obrigação em desacordo com a determinação do referido art. de deficiências do processo orçamentário como instrumento de planejamento. dentro do exercício financeiro ou. em último ano de mandato. Após a LRF. o Banco do Brasil e outras empresas controladas pelo Poder Público poderão prestar garantias às suas subsidiárias.Portanto. e. em grande medida. por um lado. a Lei n° 10. na abertura de carta de crédito para operações de importação e exportação. A situação agravava quando a série de planejamentos deficientes fazia com que os problemas se acumulassem. 149 Professor: Raimundo N. o sucessor era forçado a consumir um ou mais anos de seu mandato apenas para saldar tais dívidas. O orçamento. 42. esse tipo de rolagem de dívidas fica vedado no último ano de mandato. S. por exemplo. nenhuma despesa poderá ser contraída nos dois últimos quadrimestres do mandato de qualquer titular de Poder ou órgão. 7. o que não será possível para as empresas dependentes. mas jamais transferidas para o sucessor. Várias dúvidas têm surgido quanto à interpretação desse dispositivo. em último ano de mandato. de 19 de outubro de 2000. denominada Lei de Crimes Fiscais. Posteriormente. embutia autorização para assunção de compromissos que não eram acompanhados por efetiva arrecadação de receitas. punido com reclusão de um a quatro anos. A má utilização decorria. ainda mais. ocasionavam deslocamento de outras despesas. configurandose. sejam irresponsavelmente contraídas novas despesas que não possam ser pagas no mesmo exercício. Por último. freqüentemente não contemplava espaço para os Restos a Pagar que. o Banco do Brasil poderá prestar garantias à empresa nacional. No cálculo das disponibilidades. A regra obriga o governante a "deixar a casa arrumada para o sucessor". deverão ser abatidos todos os encargos e demais compromissos a vencer até o final do exercício. elevando o volume de Restos a Pagar a tal magnitude que. destinava-se a compatibilizar o término do exercício financeiro com a continuidade da Administração Pública. e é natural que algumas despesas que pertencem a um exercício restem a pagar no exercício seguinte. por sua vez. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . evitar que. dando origem a uma trajetória crescente de Restos a Pagar. por isso. eram transferidos para o exercício seguinte sob a forma de Restos a Pagar. eivado por superestimativa de receitas e/ou subestimativa de despesas.

os resultados primário e nominal. As prestações de contas e o respectivo parecer prévio. função e subfunção).1. Tratando-se da União. Todos os Municípios brasileiros (inclusive aqueles que possuírem menos de 50 mil habitantes) deverão apresentar o RREO a cada bimestre. no caso de frustração na previsão de receitas.2. no âmbito tanto do respectivo Poder Legislativo como do órgão técnico responsável por sua elaboração. 8. as receitas e despesas previdenciárias. da lei de diretrizes orçamentárias e dos orçamentos. CONTROLE E FISCALIZAÇÃO Este capítulo reúne todos os comandos normativos necessários à confecção e à divulgação de relatórios e demonstrativos ligados às atividades de condução das finanças públicas. as despesas com juros e os valores inscritos em restos a pagar. Transparência na Gestão Fiscal Neste item.RREO O Relatório Resumido da Execução Orçamentária é composto de duas peças básicas e de alguns demonstrativos de suporte. 8. Por sua vez.8. os orçamentos e a lei de diretrizes orçamentárias. CONTROLE TRANSPARÊNCIA. 150 Professor: Raimundo N. tanto durante a elaboração como no curso da discussão dos planos. Tratando-se do Relatório de último bimestre de cada exercício. especificando as aplicações efetuadas com recursos oriundos dos orçamentos fiscal e da seguridade social. S. nos termos previstos no inciso III do art. Para efeito da LRF. as receitas e as despesas. da variação patrimonial e da conformidade do montante das operações de crédito com aquele das despesas de capital. sob risco de punições fiscais e penais. O quadro a seguir apresenta um modelo do Relatório Resumido de Execução Orçamentária – RREO publicado pela Secretaria do Tesouro Nacional. voltado às contas apresentadas pelo Chefe do Poder Executivo. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . específico. e o demonstrativo de execução das receitas (por categoria econômica e fonte) e das despesas (por categoria econômica. estabelecendo regras e procedimentos de fiscalização. devem os valores referentes ao refinanciamento da dívida mobiliária ser destacados dentre as demais receitas de operações de crédito. Relatório Resumido da Execução Orçamentária . outro. grupo de natureza. assim como o impacto fiscal das operações realizadas pelas agências de fomento. As peças básicas são o balanço orçamentário. as contas devem ser acompanhadas por demonstrativos. exige-se a demonstração das projeções atuariais dos regimes de previdência social. A transparência da gestão pública exige também o incentivo à participação popular e pela realização de audiências públicas. confeccionados pelo Tesouro Nacional e pelas agências financeiras oficiais de fomento. cuja função é especificar. por categoria econômica. controle e avaliação do grau de sucesso obtido na administração das finanças públicas. Já os demonstrativos de suporte visam evidenciar a receita corrente líquida. 167 da Constituição. assim como relacionadas as medidas destinadas à elevação da arrecadação. As limitações impostas ao empenho de dotações devem ser justificadas. consideram-se instrumentos de transparência: ♦ ♦ ♦ ♦ Os planos. Relatório Resumido da Execução Orçamentária e a sua versão simplificada. dedicado à explicitação dos instrumentos de transparência na gestão fiscal. as contas apresentadas pelo Chefe do Poder Executivo devem estar à disposição do público. Nessas peças. particularmente sob o prisma das normas previstas na LRF. Relatório de Gestão Fiscal e a sua versão simplificada. verifica-se a existência de dois blocos normativos distintos: um de caráter geral.

da concessão de garantias. o Relatório de Gestão Fiscal ocupa posição central no que diz respeito ao acompanhamento das atividades financeiras do Estado. Elenco de medidas adotadas com vistas à adequação das variáveis fiscais aos seus respectivos limites.RGF Do ponto de vista do regime de finanças públicas implantado com a LRF. nos prazos e condições estabelecidos em lei. para o terceiro quadrimestre. O Relatório de Gestão Fiscal conterá demonstrativos comparativos com os limites de que trata a LRF. e. se encerra em 30 de setembro e. c.8. ser acrescido de demonstrativos referentes ao montante das disponibilidades de caixa em trinta e um de dezembro. Cada um dos Poderes. se encerra em 30 de julho e. concessão de garantias e contragarantias. devendo. A não divulgação do referido relatório. no último quadrimestre. portanto. além do Ministério Público. com os limites de que trata a LRF. dívida consolidada. o ente da Federação estará impedido de receber transferências voluntárias e contratar operações de crédito. para o primeiro semestre. para o segundo quadrimestre. se encerra em 30 de maio. dos seguintes montantes: a. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Prazo que. A Lei de Responsabilidade Fiscal determina que o relatório deverá ser publicado e disponibilizado ao acesso público. semestralmente. para o segundo semestre. abrangendo todas as variáveis imprescindíveis à consecução das metas fiscais e à observância dos limites fixados para despesas e dívida. tratando-se do último quadrimestre. b. bem como operações de crédito. das dívidas consolidada e mobiliária. dívida consolidada. d.3. e operações de crédito. 151 Professor: Raimundo N. até trinta dias após o encerramento do período a que corresponder. inclusive em meios eletrônicos. conterá demonstrativos com informações relativas à despesa total com pessoal. É facultado aos Municípios com população inferior a cinqüenta mil habitantes optar por divulgar. Além disso. evidenciando as despesas com ativos. o referido relatório indicará as medidas corretivas adotadas ou a adotar. exceto as destinadas ao refinanciamento do principal atualizado da dívida mobiliária. demonstrativo dos limites Além disso. S. para o primeiro quadrimestre. despesa total com pessoal. o Relatório de Gestão Fiscal. Relatório de Gestão Fiscal . concessão de garantias e contragarantias. se ultrapassado qualquer dos limites. das despesas com pessoal. Prazo que. ♦ O Relatório de Gestão Fiscal. das inscrições em Restos a Pagar e da despesa com serviços de terceiros. do Relatório: ♦ As informações necessárias à verificação da conformidade. conforme determina a LRF. demonstração do montante das disponibilidades ao final do exercício financeiro e das despesas inscritas em restos a pagar. sendo o pagamento da multa de sua responsabilidade pessoal. Constam. se encerra em 30 de janeiro do ano subseqüente ao de referência. das operações de crédito e das despesas com juros. A divulgação do relatório com os seus demonstrativos deverá ser realizada em até trinta dias após o encerramento do semestre. inativos e pensionistas. se encerra em 30 de janeiro do ano subseqüente ao de referência. é punida com multa de trinta por cento dos vencimentos anuais do agente que lhe der causa. deve emitir o seu próprio Relatório de Gestão Fiscal.

e o Banco Central do Brasil. a Lei nº 1.717). Cabe ainda aos Tribunais de Contas. de 10-04-1950 (define os crimes de responsabilidade e regula o respectivo processo de julgamento) e o Decreto-Lei nº 201. de 27-02-1967 (dispõe sobre a 152 Professor: Raimundo N. realizadas entre a União. Observância dos limites e das condições para a realização de operações de crédito e a inscrição de despesas em restos a pagar. assim como indícios de irregularidades na gestão. Que as despesas com inativos e pensionistas se encontram acima do limite correspondente (Lei 9. de 21 de dezembro de 2001.8. de 10-10-2000. a alguns aspectos específicos: ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ Verificação do cumprimento das metas previstas na lei de diretrizes. Cumpre ressaltar que a Lei 10. Respeito aos limites aplicáveis aos gastos do Poder Legislativo municipal. de 7-12-1940 (Código Penal). a chamada Lei de Crimes. A partir da Resolução n° 43. inclusive o volume de contratações de operações de crédito de Estados e Municípios. Com relação ao controle das operações de crédito. além de verificar o cumprimento dos limites relativos às despesas com pessoal. descritas no próprio texto da LRF. Adoção de medidas para a adequação das despesas com pessoal e das dívidas mobiliária e consolidada aos respectivos limites. por intermédio do Tesouro Nacional. Quando às despesas com pessoal e os montantes das dívidas consolidada e mobiliária. este com o auxílio do Tribunal de Contas. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças .079. ♦ ♦ Ao Tribunal de Contas da União foi dada a especial incumbência de acompanhar a legalidade das operações com títulos públicos. S. na fiscalização. o descumprimento da LRF poderá representar para o administrador público a aplicação de penalidades penais e administrativas. de acordo com a Lei nº 10. Sobre fatos que comprometam os custos ou os resultados de programas. SANÇÕES PESSOAIS Paralelamente às sanções institucionais.848.028. alertar Poderes e órgãos: ♦ ♦ Sobre a possibilidade de extrapolação do limite referencial para as despesas com juros. Ênfase especial deve ser atribuída. ao impedimento de contratação de operações de crédito e a impossibilidade para a obtenção de garantias da União para a contratação de operações de crédito externo. Observância das normas atinentes à destinação dos recursos oriundos da alienação de ativos. o Banco Central é a instituição que vinha acompanhando a dívida pública brasileira. e aos sistemas de controle interno de cada Poder e do Ministério Público.4. das operações de crédito e das garantias concedidas ultrapassarem 90 por cento dos limites a elas aplicáveis. este papel passa a ser realizado pelo Ministério da Fazenda. INSTITUCIONAIS DESCUMPRIMENTO SANÇÕES INSTITUCIONAIS PARA DESCUMPRIMENTO DA LRF As sanções institucionais correspondem à interrupção de transferências voluntárias (e a sua contratação) realizadas pelo Governo Federal. 10. Fiscalização da Gestão Fiscal A responsabilidade pela fiscalização quanto ao cumprimento das normas de gestão fiscal é atribuída ao Poder Legislativo.028 alterou o Decreto-Lei nº 2. caso existam tais limites. 9.

S. contribuindo para a garantia do regime democrático. importando na cassação de mandato. 49 No TCU. Assim. Canadá. 11. passando pela observação dos limites para contratação de pessoal. as principais decisões são tomadas por um colegiado de ministros ou conselheiros. Conseqüentemente. é exercida de modo difuso por todos com direito a voto. foi a primeira atribuição das cortes de contas. as recomendações resultantes das fiscalizações têm caráter unipessoal. O conjunto de órgãos constitui. como Alemanha. À medida que uma sociedade se organiza. O Estado relaciona-se permanentemente com a sociedade. o controle desempenha importante papel nas relações entre Estado e sociedade. formalmente. surgem necessidades que devem ser preenchidas sem que os direitos e liberdades individuais sejam comprometidos. Israel. em vez de recomendações. a responsabilidade pela compatibilização entre meios e fins. desde a confecção das leis orçamentárias nos termos da LRF (artigo 4º). ao qual compete definir os rumos da organização. bem como pelos trabalhos realizados. embora geralmente os colegiados contem com um presidente49. Dessas relações surgem as funções que lhe são próprias. O mandato é de um ano. legislativa ou jurídica. Peru. como também com as demandas específicas dos vários ministros. Nova Zelândia. Esse controle pressupõe que o exato cumprimento da lei é uma condição necessária para a correta aplicação dos recursos públicos. exercidas por meio dos seus órgãos – instituições burocráticas que prestam serviços públicos. As auditorias-gerais ou controladorias e as cortes de contas surgiram na Europa. como as auditorias-gerais ou controladorias da Austrália. As sanções pessoais recairão diretamente sobre o agente administrativo. Esses órgãos são dirigidos por um auditor-geral ou controlador. ligados a uma das funções fundamentais: executiva. Nas cortes de contas. Reino Unido e Venezuela. nos termos da Lei de Crimes. 12. até a publicação de todos os relatórios exigidos. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . França. Japão. Colômbia. Grécia. a administração pública. A existência de um presidente. enquanto as últimas são mais comuns naqueles influenciados pela Europa continental. o que dificulta o planejamento de longo prazo das atividades. Portugal e Uruguai. Nessas cortes. recairá sobre aquele administrador público que não seguir as regras gerais da LRF. prevalecem as determinações. Espanha. os dispêndios públicos são controlados por intermédio das cortes de contas. As cortes surgiram com a preocupação do controle da legalidade da gestão financeira do setor público. se seus atos estavam respaldados nas normas aplicáveis. bem como responder publicamente pelos trabalhos realizados. que poderá variar entre 6 meses e 4 anos. Nos órgãos singulares. o órgão precisa lidar não apenas com a curta duração do mandato de seus presidentes. no entanto. multa de 30% dos vencimentos anuais. Itália. mas influenciaram a organização de quase todos os Estados nacionais. e dá outras providências). NO O CONTROLE EXTERNO NO MUNDO Muitos países atribuem os seus controles externos a órgãos singulares. Em outros países. Áustria.responsabilidade dos Prefeitos e vereadores. serviços terceirizados e endividamento. EUA. 153 Professor: Raimundo N. não impede que os demais ministros requeiram trabalhos à área técnica da corte de contas da União. As primeiras predominam nos países de tradição anglo-saxônica. porém. a presidência é ocupada pelos ministros segundo o sistema de rodízio. ou seja: verificar se o gestor agiu conforme a legislação. Brasil. inabilitação para o exercício da função pública e detenção. renovável uma única vez por igual período. Bélgica. China. subscritas pelo auditor-geral ou controlador. respaldadas em deliberações do colegiado. O PAPEL DO CONTROLE Atuando sobre os próprios órgãos estatais. A sanção penal.

no qual os atos sujeitos a controle podem ser vetados antes de serem efetivados). Coerentemente com esses desdobramentos. 6): a. 1999. p. possuem natureza jurisdicional. defendendo tanto a própria administração pública. o controle externo das finanças públicas tanto pode ser anterior à realização da despesa (i. pelos atos praticados na administração dos respectivos órgãos e entidades.O controle gerencial. da eficácia e da efetividade das ações governamentais.e.e. 2000. as suas decisões podem ser revistas pelo Poder Judiciário. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Cf. Já os débitos e multas imputados passaram a ter eficácia de títulos executivos. bem como o exame da legalidade. as suas decisões são definitivas em relação ao seu objeto. passando a englobar a apreciação contábil. sobre as ações do governo constantes do Orçamento Geral da União. TCU.. Os ordenadores de despesa. b. as mais destacadas tendências internacionais na área de controle. c. Ademais. 1999.: TCU.. C. as tendências em favor do controle gerencial foram assimiladas pela Constituição Federal de 1988. p. O monitoramento sistemático pelas EFS do cumprimento de suas decisões ou recomendações. uma vez que prestam contas (cf. Esses princípios criam mecanismos ou sistemas de controle das atividades estatais. b. E. e TCU. F. B. no Brasil. 14): a. d. Adicionalmente. o controle prévio. Algumas têm natureza administrativa. orçamentária.50 A maior presença do Estado no campo econômico e a ampliação dos serviços públicos oferecidos à população levaram as cortes de contas a buscar formas de controle que ultrapassassem a mera verificação dos aspectos formais dos atos administrativos. 50 51 Predomina. então. Em relação ao status jurídico e à efetividade de suas decisões. além das despesas. Ademais. 2000. F. por sua vez. realizada pelo TCU em 1999 e 2000. A. impera uma relação de duplo grau de “accountability”. No caso do Brasil. A ampla publicidade das ações de controle. como pode ser posterior (i. como aos resultados almejados e alcançados. 2000. Essa modalidade de controle prioriza a análise dos atos administrativos em relação tanto aos seus custos. O Presidente. S. as Entidades Fiscalizadoras Superiores (EFS) diferem de país para país. A utilização de especialistas e consultores externos para o planejamento de trabalhos mais complexos. TCU. H. em nível micro. as cortes de contas brasileiras tiveram as suas competências substancialmente ampliadas. à ordem e à eficiência administrativas. e à eficácia dos seus atos. abrangendo questões acerca da eficiência. O CONTROLE NO BRASIL O Estado submete-se. legitimidade e economicidade dos atos das administrações direta e indireta. em nível macro. permitindo a incorporação de técnicas de controle gerencial. 2000. ou seja. é a principal marca das auditorias-gerais ou controladorias. como os direitos e garantias coletivos. 13. porém. são (cf. TCU. A divulgação das boas práticas administrativas. 154 Professor: Raimundo N. A crescente importância das auditorias de desempenho. G. TCU. B. a fiscalização a posteriori de natureza administrativa. Outras. o controle a posteriori). TCU. TCU. Efetivamente. ou seja. 1999. também as receitas passaram a ser objeto de fiscalização. e. 1999. TCU. operacional e patrimonial. como apurado pela pesquisa “Tendências de Controle da Gestão Pública”51.

Conforme o tipo de medida a ser impugnada. realizado pelos próprios órgãos do aparelho estatal. realizado pelo Poder Legislativo. evitando-se. pensava-se em controle de resultados na Administração Pública. sem exceção. 4. 155 Professor: Raimundo N. 13. É mais um instrumento colocado no arsenal dos direitos políticos do cidadão. . que conta com o auxílio da corte de contas.1. 13. c. fez o controle recair sobre cada agente da Administração. que. facultando a qualquer cidadão denunciar irregularidades ou ilegalidades perante as Cortes de Contas. destarte. b. financeira e patrimonial dos órgãos e entidades da administração. sua abrangência sobre todos os atos da Administração. O Controle interno A história do controle interno na Administração Pública Federal tem seu marco inicial na Lei nº. De certa forma. além do controle meramente legal. d. enquanto o externo foi atribuído ao Poder Legislativo. sistema de controle interno com a finalidade de: a. A grande inovação apareceu ao estabelecer a verificação do cumprimento do programa de trabalho. desde que responsável por bens e valores públicos.320.A Carta Magna prevê três tipos de controle: o particular. proceder a essas denúncias. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças c. Pela primeira vez. Avaliar o cumprimento de metas do plano plurianual e a execução dos orçamentos públicos. 74 da Constituição Federal de 1988. b. expresso em termos físico-financeiros. de 17 de março de 1964. O controle interno encontra fundamento no art. o qual determina que os Poderes Executivo. O controle externo. Exercer o controle das operações de crédito. de forma integrada. no exercício das suas atribuições. S. sob os aspectos de eficiência e eficácia. pela vez primeira. partido político. Controle particular A respeito do controle particular veio expresso. sem ser detentor de mandato eletivo. Ao Poder Executivo incumbiu-se o controle interno. juntamente com o do Poder Executivo. já que a referida lei não se encontra ainda editada. A lei definiu em primeiro lugar a universalidade do controle. Em seguida. quer se trate da receita quer da despesa. na forma da lei. O controle particular que torna acessível ao povo a possibilidade de denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União. pode tornar-se mais conveniente e mais prático a simples denúncia ao Tribunal de Contas. associação ou sindicato é parte legítima para. a Constituição de 1988 representou um avanço. no § 2º do art. 74 da Constituição Federal. da gestão orçamentária. o interno e o externo. individualmente. essa faculdade já estava implícita no consagrado direito de petição. De fato. Até hoje não se tomou conhecimento de alguém que. Apoiar o controle externo. poderá introduzir as impugnações e sanções que a hipótese comportar. No que toca particularmente à fiscalização e controle. Legislativo e Judiciário devem manter. em virtude da criação de sistemas de controle interno nos Poderes Legislativo e Judiciário e da determinação de que. Comprovar a legalidade e avaliar os resultados. a. O controle interno. esses sistemas fossem mantidos de forma integrada. qualquer cidadão. ou seja. que introduziu as expressões controle interno e controle externo e definiu as competências para o exercício daquelas atividades.2. o caminho mais tortuoso de uma ação popular. já tivesse exercitado essa prerrogativa. A expressão “na forma da lei” não deve induzir a ninguém a idéia de que o preceito por ora é inócuo.

O Controle externo O controle externo é exercido pelo Congresso Nacional com o auxílio do Tribunal de Contas da União.113. verifica-se que o Brasil se distanciou da experiência internacional. Compete ao Tribunal de Contas. a contribuição do órgão de controle interno para o aprimoramento da administração pública pode estar sendo debilitada em decorrência da subordinação da atividade consultiva. legitimidade. claudica sempre que as irregularidades tenham origem nos altos escalões governamentais. É sabida a morosidade de atuação do Tribunal de Contas. financeira. 1989. os seus membros continuam sendo recrutados. valores e dinheiros públicos. que se assenta no princípio da hierarquia. operacional e patrimonial quanto à legalidade. contabilidade. nem sempre atinge o resultado desejado. cuja competência vem definida no art. Até recentemente o sistema de controle interno era centralizado vinculado ao Ministério da Fazenda. 13. alteraram este quadro profundamente: o primeiro decreto transferiu a Secretaria Federal de Controle Interno (SFC) para a estrutura da Casa Civil da Presidência da República. realizar inspeções e auditorias nas unidades administrativas dos três Poderes. para a Corregedoria-Geral da União. como é de praxe. 71 da Constituição Federal. c. contribuindo para eliminar a elevada dose de suspeição que contaminava a legitimidade do julgamento das contas prestadas pelo governante. efetivamente. Ao subordinar a função de controle ao trabalho de correição. economicidade. porém.. às atividades puramente coercitivas – não tão abrangentes e menos tempestivas em razão da busca da segurança jurídica. O controle externo é “por excelência. e 4. Os parlamentares não são necessariamente versados em matérias de direito. Seu desempenho é passível de várias críticas. os serviços que lhes compete. 73). p. E. deixando de detectar as irregularidades praticadas a tempo de viabilizar a reposição dos danos causados ao erário público. A regularidade dos gastos públicos e do emprego de bens. economia. b. orçamentária. pelo que. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . finanças públicas etc. É verdade que a questão da investidura dos Ministros do TCU sofreu um avanço na Constituição de 1988 (§§ 1º e 2º do art. sem o desejável concurso público específico ou genérico. quando não se produzem resultados satisfatórios.3. através de um critério que não elimina de todo o subjetivismo de quem os nomeia. A fiel execução do orçamento. administração. de 5 de fevereiro de 2002. apreciar as contas anuais do Presidente da República. representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados etc. é por meio desses órgãos que se identificam as razões e procuram-se os meios para correção. essencial para o aprimoramento das práticas gerenciais. quer pelo caráter não vinculativo de seus pareceres. Esse controle abrange a fiscalização contábil. S. contam com o auxílio do TCU. A atuação do Tribunal de Contas. dentre outras atribuições. quer pela morosidade de sua atuação.177. O controle interno. um controle político de legalidade contábil e financeira” (Meirelles. 156 Professor: Raimundo N. A probidade dos atos da administração. conforme artigos 70 a 73 da Constituição Federal. que eliminou o critério de livre indicação pelo Presidente da República. 602). quer pela forma de investidura de seus membros. Ao proceder dessa forma.. de 28 de março de 2002. Os Decretos da Presidência da República nº 4. destinando-se a comprovar: a.O órgão central e os órgãos setoriais medem a eficiência do administrador e da organização que dirige com o sentido de saber se prestaram. por sua vez. o último. aplicação das subvenções e renúncia de receitas. Entretanto.

“por omissão de fiscalização. mesmo aquela em que a Constituição confere eficácia de título executivo. prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário que. segundo a máxima "o tempo apaga os vícios". o descontrole”. Em nível estadual. há o TCU. com ênfase nos aspectos formais de legalidade dos atos e de regularidade da despesa. obtido com a mobilização de imensos recursos materiais e pessoais. Assim. o qual. Outra ineficiência do TCU é a que diz respeito ao parecer meramente opinativo. de forma monopolizada. §§ 1º e 2º). verifica-se e registra-se. Embora atualmente. financeira e orçamentária do capítulo sobre o Poder Legislativo tanto da Constituição Federal de 1988. isto é. que detêm o poder decisório sobre a matéria. tão somente. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . é preciso que sejam adotadas medidas para a sua plena execução. 76. impedimentos. 73 da CF) os membros do TCU estão longe de exercer uma função judicante. em sua maioria. S. ÓRGÃOS DE CONTROLE NO BRASIL No Brasil. Com a eliminação do controle prévio. 71). o pronunciamento de técnicos. p. como das constituições estaduais e do Distrito Federal. aquele exercido no curso da realização da despesa. em particular. grande sensibilidade política. tornava obrigatório o registro do contrato para ulterior realização da despesa. Assim. e 6 tribunais de contas dos municípios. existem contas de governantes da década de setenta que ainda não foram apreciadas. (Oliveira. Apesar de investidos das mesmas garantias. 27 tribunais de contas dos estados. mais os tribunais de contas específicos para as cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. Observa-se. a solução seria a de integrá-lo ao Poder Judiciário como uma Corte especializada. pois a sociedade não pode reconhecer a necessidade de um controle acerca do qual se tem idéia oposta. 14. Porém. na maioria das vezes. também. na dependência de atuação de outros órgãos do Executivo ou do Legislativo. uma irregularidade posterior de maior grandeza tem o condão de minimizar a anterior. vencimentos e vantagens dos Ministros do Superior Tribunal de Justiça (§ 3º do art. pode ser ignorado por leigos. na maioria das vezes. propiciando a formação de um clima para implantação de um círculo vicioso. ou de fazê-la cair no esquecimento. talvez. impunes sob todos os aspectos. Diante da fragilidade técnica do Tribunal de Contas. possibilitando a sua sustação sempre que detectada qualquer irregularidade. Os órgãos em questão constam da seção que trata da fiscalização contábil. como também. no estado de São Paulo. em tese. E isso porque a eficácia de suas decisões fica. a atuação do Tribunal está voltada para o controle posterior e assim mesmo com muito atraso. no entanto. 77. se formos pesquisar o percentual de recuperação de despesas consideradas ilegais pelo TCU verificar-se-á que os malbaratadores de verbas públicas ficam. 1995. Às vezes. para tornar eficiente a atuação do Tribunal só restaria a otimização de seu controle concomitante. sob pena de criar impasses político-institucionais a todo o momento. que estava na Constituição de 1946 (art. que o controle externo ainda é realizado de modo parcial. tomando-se o cuidado necessário na escolha do critério de sua composição por exigir.Com o passar do tempo tudo cai no esquecimento. à qual a Constituição confere eficácia de título executivo (§ 3º do art.) 157 Professor: Raimundo N. A Constituição Federal. por exemplo. economicidade e razoabilidade aos de legalidade e regularidade. Limita-se a julgar as contas e não as pessoas. conhecimentos técnicos especializados. Ocorre que. ou seja. ampliou as funções desempenhadas pelas cortes de contas. incluindo o Tribunal de Contas do Distrito Federal. acrescentando os critérios de legitimidade. poderá invalidar qualquer decisão da Corte de Contas. Sua atuação serve. para dar embasamento aos processos de responsabilização a serem aplicados pelas instâncias próprias. não só. prerrogativas. o Tribunal de Contas tem o poder de proferir decisão imputando débito ou multa ao responsável pela ilegalidade de despesas ou irregularidade de contas. A rejeição de contas pelo Tribunal de Contas pode não implicar sua rejeição pelo Congresso Nacional.

na sua falta.Como. todo empreendimento. cioso das suas próprias prerrogativas. em tese. 158 Professor: Raimundo N.1. relacionado a questões políticas e elementos técnicos. bem como os elementos fáticos e princípios gerais que o legitimaram. cuja missão é a de aferir a conformação do ato com a lei escrita. ou. Muitas podem ser debitadas às falhas de planejamento. Para poder contribuir de forma efetiva para o êxito dos empreendimentos. O alcance do controle judicial A administração pública também está sujeita ao controle judicial – distinto dos controles interno e externo. a começar pelo TCU. portanto. é uma disfunção em termos da atuação esperada do controle. em prol da segurança jurídica. limitando-se a identificar os responsáveis. no caso brasileiro. A minimização dos efeitos nocivos das decisões que se mostrarem equivocadas exige a pronta ação do sistema de controle.2. detectando desvios e anomalias em tempo compatível com a introdução oportuna dos aperfeiçoamentos e correções que se fizerem necessários. às dificuldades inesperadas de execução. abrangendo o exame de sua conformidade com a legislação. A sua principal função deve ser a busca de melhores resultados por parte das organizações que integra. o controle precisa atuar concomitantemente às diversas etapas do processo de produção. Pelo contrário. o que. mesmo aqueles patrocinados pelo poder público. O Controle externo como ferramenta de aprimoramento da Administração Pública O controle é parte integrante e essencial de qualquer processo de produção de bens e serviços. que requer. observa-se que quanto mais as cortes de contas. o sistema de fiscalização e controle externo está a cargo das cortes de contas. pelo Legislativo e pelo próprio Judiciário. oportunidade e justiça dos atos de gestão: O mérito administrativo. que constituem órgãos autônomos e de atuação independente. insistem na natureza jurisdicional de suas decisões. entendido como um insumo do processo de tomada de decisão. os registros de inoperância do controle atingem mais de perto essas instituições. nem todo ato de má gestão constitui um ato ilícito. Esse entendimento pode ser assim resumido: a incompetência administrativa. não constitui ilicitude. Atualmente. Pronunciar-se após a consumação do dano. estaduais. 14. visando a defender os administrados e manter a administração dentro das normas legais vigentes. Afinal. embora vinculados aos Poderes Legislativos municipais. da conveniência. têm imposto seguidas restrições às competências dessas cortes. associadas ou não a diagnósticos inconsistentes. deveria ser a exceção e não a regra. S. mais esses órgãos têm-se exposto a contestações perante o Poder Judiciário. ao despreparo dos agentes. A questão da oportunidade é crucial: o controle somente pode ser caracterizado como tal quando contribui tempestivamente para a consecução dos objetivos da organização. prolongadas demonstrações de responsabilidade. A ocorrência de disfunções no desenrolar de quaisquer atividades é humana e inerente ao ato de fazer. foge ao âmbito do Poder Judiciário. não seria permitido ao Poder Judiciário é o controle do mérito administrativo. envolve riscos. no mais das vezes. O seu objeto são os atos administrativos praticados pelo Executivo. mas inerente ao estado de direito. de um controle da legalidade dos atos administrativos. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Na perspectiva do sistema de controle externo. ou seja. com os princípios gerais do Direito. de natureza eminentemente jurídica. 14. Trata-se. distrital e federal. Esse controle é exercido privativamente pelos órgãos do Poder Judiciário por meio da função jurisdicional. A aferição de responsabilidades. o qual.

aumento na quantidade de concessões de serviços públicos. sendo primordial que as expectativas das partes 159 Professor: Raimundo N. é limitado. o Poder Judiciário e o Ministério Público). o controle. depara-se com disfunções que não se enquadram nas situações descritas acima. provocada pela imperícia. Esses casos extrapolam os limites da ação normal do controle. A observação de disfunções deveria promover a interação entre gestores e controladores. enquanto o colegiado integrado pelos ministros continuaria exercendo a função acima citada. Já os trabalhos técnicos são. o controle deixa de ter como foco principal a melhoria dos métodos e processos administrativos. superação das causas. ex. dando-lhe maior capacidade técnica e operacional.3. quando possível. pobres em evidências. bem como estimulados a introduzir correções e aperfeiçoamentos voltados para a obtenção dos melhores resultados. porém. portanto. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . no contexto brasileiro. As prestações de contas.. são analisadas à luz dos papéis apresentados. as ações de controle exibem inúmeras deficiências. Efetivamente. Em vez da falha eventual. observam-se danos intencionais. compete ao controle promover a execução própria e. carentes de validação técnica específica. desvios de recursos ou obtenções de vantagens indevidas – práticas ilícitas em prejuízo do interesse público. identificando-se oportunidades e ameaças. Em relação ao ambiente externo. na sua atuação rotineira. As primeiras representam vantagens a serem exploradas. produzidos sob bases frágeis. auxiliar daqueles que detém a competência e os meios para a investigação e a instrução dos processos criminais (i. a interação com o ambiente externo é fundamental para que o TCU possa cumprir com eficácia a sua missão institucional. Uma vez constatados. O acompanhamento físico da execução dos projetos públicos. a unidade técnica adquiriria um mandato próprio para controlar o conjunto de atos de gestão. é primordial reforçar o papel dessas cortes como instrumentos de controle gerencial. percebe-se que o TCU não está inteiramente seguro. desafios a serem enfrentados ou obstáculos a serem contornados. a atuação do controle é essencialmente coadjuvante. p.e. Ao priorizar as exceções. atendo-se aos casos que demandassem pronunciamentos por maiorias qualificadas. Não se trata de desvalorizar o papel da função judicante das cortes de contas. os ambientes interno e externo devem ser analisados cuidadosamente. Nesse contexto. devendo dar respostas claras acerca da contribuição de suas ações para o bem-estar da coletividade. impõe-se um exame das potencialidades e limitações do TCU. acionar e cooperar com as instâncias competentes para a determinação das responsabilidades e para a instrução dos processos pertinentes. Assim. por sua vez. com ênfase nos aspectos formais. paralelamente. com freqüência. as últimas. Na prática. Para que a proposta acima possa ser mais bem compreendida. o contexto no qual se insere o TCU não pode ser caracterizado como turbulento ou como sujeito a forte concorrência.. As potencialidades e limitações do TCU Para que os rumos de uma organização sejam planejados estrategicamente.à subestimação dos obstáculos a serem transpostos ou mesmo à superveniência de eventos imprevisíveis e/ou incontornáveis. Ainda assim. expectativas de maior transparência nos gastos e de melhor avaliação da gestão pública e pressões políticas em favor da mudança do modelo de controle externo). 14. S. Entende-se somente que. as mudanças por que tem passado a administração pública (p. contudo. O que não pode ocorrer é a substituição da premissa de que o controle é um instrumento gerencial por outra na qual o controle tem como finalidade apurar denúncias e crimes contra o patrimônio. para que os primeiros fossem alertados e auxiliados na identificação e. ex. por vezes.. Considerando-se.

Poder sancionador pouco reconhecido pela sociedade. para que o desempenho do controle externo não continue sendo prejudicado: a. H. Predomínio do controle reativo. c. e. Por outro lado. em a. Já no que se refere ao ambiente intra-institucional. Na já mencionada pesquisa conduzida pelo TCU. a própria corte de contas da União reconhece que vários aspectos internos precisam ser aprimorados. c. c. como as duas primeiras prerrogativas. A autonomia e independência institucionais. principalmente do sistema de controle interno.interessadas no controle externo. A demanda superior à capacidade de atendimento. f. As expectativas de que o TCU desenvolva ações que possam orientar e prevenir erros. p. como exposto adiante. o TCU também entende que deve estar atento a várias restrições. 52 Naturalmente. especialmente o Congresso Nacional e a sociedade civil. b. especial: A crescente demanda por serviços públicos. 2000. e. As demandas por avaliações dos resultados das ações públicas. Por seu turno. Ausência de critérios de seletividade na execução da atividade de controle. TCU. p. Reduzida especialização em áreas temáticas. A profusão normativa. aspectos julgados positivos no presente contexto jurídico-administrativo brasileiro. 11): a. cuja prestação por empresas concessionárias requer acompanhamento. b. podem representar. a eficácia e a efetividade do controle externo. 2000. TCU. d. A inconstância na estrutura da administração pública. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . ausência de indicadores de desempenho que favoreçam a tempestividade. formidáveis obstáculos ao desenvolvimento do controle de natureza gerencial. o TCU entende que possui prerrogativas que podem auxiliar na melhora do desempenho do controle externo. Planejamento estratégico pouco efetivo. O processo decisório compartilhado. 160 Professor: Raimundo N. b. merecendo destaque (cf. 11):52 a. b. H. foram identificadas várias oportunidades para a atuação da corte de contas da União. destacando-se (cf. O poder sancionador. A concorrência com o Ministério Público da União e com outras entidades de auditoria. S. Reduzida cobertura de recursos fiscalizados. e. O desgaste da imagem institucional. g. d. sejam identificadas corretamente. O poder normativo referente às matérias de sua competência. d. c. O assessoramento técnico ao Congresso Nacional.

h.

Política de recursos humanos e estrutura organizacional pouco flexíveis para atender às constantes mudanças do ambiente externo.

As limitações em questão estão particularmente presentes no modo como os recursos internos são alocados, na extensão dos ritos processuais e na generalização dos procedimentos recursais.

14.4.

Os Tribunais de Contas nos estados e nos municípios

Os Tribunais de Contas existem nos Estados e no Distrito Federal. O art. 75 da Constituição da República manda aplicar a estas Cortes de Contas as mesmas normas estabelecidas para o Tribunal de Contas da União. Dispõe o mencionado dispositivo, in verbis: “As normas estabelecidas nesta seção aplicam-se, no que couber, à organização, composição e fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, bem como dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios.” São idênticas, pois, a organização, a composição e a fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal de um lado, e o Tribunal de Contas da União, de outro. As Constituições estaduais dispõem sobre os Tribunais de Contas respectivos, que serão integrados por sete conselheiros. Há que se consignar, entretanto, uma diferença no Tribunal de Contas da União, que tem nove ministros. A situação é um tanto mais confusa com relação a estas Cortes no campo municipal. A sua disciplina vem prevista no art. 31, § 40, que dispõe no sentido de ser proibida a criação de Tribunais, Conselhos ou Órgãos de Contas Municipais. Acontece, entretanto, que o caput do art. 75 faz referência a Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios. Na verdade, o art. 31, § 1°, também se refere a Tribunal de Contas do Município, assim como aos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios, acrescentada a cláusula onde houver. Consagrou-se, pois, a situação estabelecida, é dizer, onde eles já existem são mantidos e constitucionalizados; onde eles não existem, não podem ser criados. Há, portanto, Estados que têm um Tribunal de Contas com o nome de Conselho de Contas Municipais, voltado, exclusivamente, à fiscalização dos Municípios. Esses Conselhos são, pois, mantidos. De outra parte, há apenas dois Municípios (o de São Paulo e o do Rio de Janeiro) que têm tribunais de Contas próprios, é dizer, municipais. Ficam também mantidos e constitucionalizados em consonância com o disposto no caput do art. 75 da Lei Maior.

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XI CAPITULO XIV – DÍVIDA PÚBLICA 1. DÍVIDA PÚBLICA
Das operações de crédito, em que o Poder Público figura como tomador do dinheiro, acaba por resultar uma dívida pública. Esta é, portanto, uma decorrência das operações creditícias. Daí que seus problemas, sua natureza, suas classificações apresentam, logicamente, estreita relação com o estudo do próprio empréstimo público. O fato de o Estado ser responsável por débitos, muitas vezes avolumados, gera problemas com repercussão na ordem econômica, financeira, política, quer se trate de uma dívida interna, quer externa. Já foi visto como o Estado nas operações de crédito interno dispõe de instrumentos que não lhe são acessíveis no mercado externo. Do ponto de vista da administração destas dívidas, as mesmas diferenças se colocam. Conviria recordá-las, pois, aqui, na boca do grande mestre (Las finanças públicas, que é José Joaquim Teixeira Ribeiro: “Ora, tem muita importância ser interna ou externa a dívida dum país. Desde logo, porque não é igual o ônus que uma e outra acarretam, como ver-se-á a seguir. E, depois, porque há mais diferenças. Enquanto os encargos da dívida interna são geralmente satisfeitos em moeda nacional, os encargos da dívida externa são satisfeitos, ou em ouro, ou em moeda que goze de confiança internacional, e que por não ser, e quase sempre não é, a moeda do país devedor. Compreende-se: os credores estrangeiros querem premunir-se contra as variações desfavoráveis dos câmbios e, portanto, exigem o pagamento dos juros e a amortização ou reembolso em moeda que lhes mereça confiança. Daí resultam estas conseqüências: I. A dívida externa não assegura ao Estado devedor o benefício da desvalorização da moeda, ou pelo menos não lho assegura no mesmo grau que se se tratasse de dívida interna sem garantia contra a desvalorização; A dívida externa, ao contrário do que sucede com a dívida interna, pode provocar ou agravar o déficit da balança de pagamentos, colocando eventualmente o país devedor em situação difícil para solver os seus compromissos internacionais.

II.

Outra diferença é esta de ordem política: sendo interna a dívida, o Estado deve, na generalidade dos casos, aos seus cidadãos; mas, sendo externa, o Estado deve a cidadãos de outros países. Ora, o Estado goza de soberania perante aqueles, e não perante estes. E estes — os credores estrangeiros —muitas vezes associam-se, constituindo grupos, que têm força, e, ainda quando não se associam, os seus interesses são defendi dos pelos Governos dos respectivos países. Daí que, através dos empréstimos externos, se possa exercer pressão sobre os Estados devedores; daí que, também os Estados devedores se vejam freqüentemente inibidos de efetuar, em relação aos empréstimos externos, certas operações que às vezes realizam, sendo internos: nomeadamente, a redução forçada do capital ou do juro.” Outra classificação da dívida de aceitação bastante generalizada é a de considerá-la ou dívida fundada ou flutuante. A dívida fundada é a resultante dos empréstimos temporários a médio e em longo prazo, compreendidos também os empréstimos perpétuos. O termo “fundada” decorre de uma circunstância histórica. Na Inglaterra, outrora, quando se emitiam empréstimos desta natureza, simultaneamente era instituído um fundo para fazer face aos ônus advindos da operação: aí compreendidos os juros e o resgate do principal. Quando a dívida fundada provém de empréstimos perpétuos, recebe o nome de dívida consolidada. Dívida flutuante é a decorrente dos empréstimos em curto prazo. De fato, o tesouro pode sentir necessidade, e isso se dá muito freqüentemente, de fazer corresponder os ingressos públicos ao momento em que deverá ocorrer a despesa. Acontece, entretanto, que isto nem sempre possível, 162
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porque o sistema arrecadador tem a sua cronologia própria, que não corresponde, necessariamente, àquela do desembolso. A diferença pode ser pequena, dois, três meses, mas, para que não ocorra a insolvência do Poder Público, cumpre antecipar as receitas, e isto é feito por intermédio dessas operações creditícias que dão lugar à chamada dívida flutuante. Ela flutua no sentido de que oscila muito rapidamente. Normalmente exige-se que a operação transcorra dentro do exercício financeiro, de modo a não haver saldo devedor a ser transferido para exercícios futuros. E uma dívida, portanto, precaríssima e que contabilmente está lastreada na previsão existente da arrecadação. Pode dar lugar à emissão de títulos representativos desse débito, por vezes chamados bilhetes do tesouro, como pode ser lastreada em abertura de crédito em conta corrente levada a efeito por instituições financeiras.

1.1.

Formas de extinção da dívida pública

Sendo a dívida pública, hoje, fundamentalmente composta de obrigações a prazo e nãoperpétuas, cumpre estudarem-se as formas pelas quais pode dar-se a satisfação do credor ou a extinção do débito. a. Amortização

A primeira delas é a mais natural, por ser a forma mais consentânea com a natureza do vínculo obrigacional. É o pagamento na data do vencimento. Dá-se a esta operação o nome de “amortização”, que significa a diminuição do principal da dívida pública no montante reembolsado ao credor. Mas nem sempre o Poder Público tem condições ou vê interesse no resgate da dívida em dinheiro. Pode, então, o Poder Público valer-se de uma alteração da dívida, de sorte a alterar-lhe o conteúdo, principalmente no que diz respeito ao prazo de vencimento. E importante notar que essas alterações hão de dar-se enquanto estiver vigente o empréstimo público. b. Conversão Conversão

A essa modalidade dá-se o nome de “conversão da dívida”. Pode ser voluntária — quando os novos termos contratuais são atingidos mediante o respeito à vontade dos credores, que, se recusarem os termos da proposta, poderão permanecer na situação em que se encontravam. Forçada — quando o Estado se vale de sua prerrogativa de, por meio de lei, alterar a relação de mútuo. Neste caso, não se toma em consideração a possível recusa dos prestamistas; daí o seu elo compulsório ou, como se disse, forçado. E, finalmente, pode ser facultativa. Esta se dá quando se coloca o credor diante da possibilidade de optar pelo recebimento do seu crédito ao par, isto é, pelo valor nominal, ou, então, preferir receber, em troca dos títulos que possua, outros, submetidos a cláusulas também novas e diversas. A questão que pode ser posta é de saber-se até que ponto o Estado pode exercer este poder de conversão no sentido de criar situações mais gravosas para o prestamista. A resposta é muito fácil no caso da conversão voluntária. Ela é sempre válida e legítima, visto que resulta do acordo livre das partes. No que diz respeito à conversão forçada, a matéria é bem mais intrincada. Não é possível uma resposta generalizadora Será sempre necessário examinar-se o alcance das alterações introduzidas e a virtualidade que elas tenham de lesar o patrimônio do subscritor dos títulos públicos. Se se tratar de diminuição dos juros ou do capital, torna-se isso impossível, por configurar-se autêntico confisco, lesando o princípio da propriedade (art. 50, XXII, da CF 88). Entretanto, pode-se imaginar hipótese em que a alteração não respeite à expressão econômica do crédito, mas procure, tão-somente, urna dilação de prazo por motivos de interesse coletivo plenamente configurado. Ressalvado, pois, o direito à indenização, quer-nos parecer que deva prevalecer aqui a regra do predomínio do interesse público sobre o individual. Aquele que empresta ao Poder Público o faz sabedor da existência de certas garantias, como, por exemplo, a 163
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Lopez.1889 alcançou o total de 583.700$ (cinco vezes a receita daquele ano). na condição de Colônia. A DÍVIDA PÚBLICA BRASILEIRA O hábito de contrair empréstimos é contemporâneo ao nascimento do próprio País. para quem os governos burgueses poderiam suceder-se entre si. mas um governo proletário nunca podia suceder a um governo burguês. Durante o século XIX as operações vão suceder-se a cada aperto do tesouro. No campo externo. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças .138 $.419. Entre outras razões. um mês e meio após a inauguração do novo regime. até pelo estímulo 164 Professor: Raimundo N. Já nos séculos XVI e XVII registram-se casos de empréstimos celebrados por governadores e vereanças da Colônia. em condições extremamente onerosas para o nosso país. Tudo isso faz com que haja necessidade de recorrer-se ao funding-loan. Note. por razões de conveniência ou de validade jurídica.500 que. c. muito sensíveis a oscilações de preços. é firmado em Londres o primeiro contrato de nossa dívida externa. cujo resgate só é retornado após a celebração de um terceiro funding-loan. ministro da Fazenda do Governo Provisório. Foi o que se deu com o acesso ao Poder pelo governo soviético. mas. S. somada à interna. A Segunda Guerra Mundial vai favorecer o Brasil do ponto de vista das suas finanças internacionais. haveria. já em 1824. não poderá desconhecer que os Poderes Públicos têm privilégios e prerrogativas que visam o melhor asseguramento dos interesses da comunidade.12. Os benefícios para o País são manifestos. é extremamente útil para fazer-se um juízo valorativo da situação: “Estas cifras. expõe a situação financeira do país. Entende-se por repúdio a rejeição ou. porque os Estados e alguns Municípios também se envolvem no processo de endividamento. olhadas. trigo etc. a extinção de um Estado com a criação de outro. Alarmou-se. quando.122.535. entretanto. De outra parte crescem as exportações. no passado. como as de Rosas. Baleeiro oferece o número dezesseis para quantificar os empréstimos externos celebrados até o fim do Império. 2. por outro lado. se preferirmos a auto-desoneração das obrigações decorrentes de um empréstimo. o que faz com que o País seja forçado a deixar de recorrer ao mercado externo. cujo racionamento acaba por se impor — gasolina. não podia o Brasil atuar soberanamente no campo internacional. A dívida externa andava por volta de £30.impossibilidade de falência do Poder Público. Segundo eles. hoje. Rui Barbosa. Tornado independente o Brasil. Sousa Franco observa muito bem tratar-se de uma declaração política ou administrativa. haveria uma anulação e não um repúdio.” A situação não melhora com a República. Após a Revolução de 1930 ocorre até mesmo a suspensão do pagamento da dívida externa. O esforço de guerra dos países beligerantes impede a importação de muitos produtos. Não pode ser jurisdicional porque. pelo confronto de opiniões de que dá conta. — fundada e flutuante.se. todavia. A dívida interna em 31. crises e déficits crônicos. — totalizava 1. Segue-se um período de abalo do crédito brasileiro.se. Um milhão de contos parecia algo esmagador. o repúdio foi invocado por governos revolucionários que não se consideravam sucessores dos governos anteriores. ainda quando sejam confrontadas com as pequenas receitas do fim do Império. O seguinte trecho da obra de Baleeiro.072. que no rigor técnico da palavra não se podia falar numa dívida pública própria do País. Quando se leva em conta a posição do comércio externo. nesta hipótese. Repúdio Dentro de uma ordem jurídica em funcionamento regular é inadmissível o repúdio da dívida. A destinação do dinheiro obtido era voltada ao financiamento de guerras. é fácil imaginar-se que dificuldades muito sérias iriam surgir no balanço de pagamento da União. Pelo contrário. na verdade. agrava. repressão a revoluções. serenamente. visto que. parecem modestas. altamente baseado na exportação de produtos de caráter colonial.

no ano de 1985.que causam ao desenvolvimento do nosso incipiente parque industrial. De outra parte. teve grande repercussão o bem-sucedido programa de conversão da dívida em capital de risco. A situação não foi diferente quanto ao relacionamento entre o Brasil e o FMI. cujas linhas mestras são as seguintes. No caso brasileiro. As crises do petróleo da década de 1970 vão levar ao paradoxismo este processo. De um lado. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . A primeira mudança refere-se ao relacionamento entre o País e seus maiores credores. não há como negar. Assim. Observe-se. “Por securitização entende-se o processo de troca de títulos 165 Professor: Raimundo N. a decretação da moratória. o precioso patrimônio em moeda estrangeira. e os altos preços do petróleo foram. os bancos comerciais privados. sem se deixar de referir a uma tímida flexibilização do lado de alguns bancos privados. portanto. já que foi observado mercê da sua implementação um decréscimo do principal da dívida. verificando-se momentos de grande desarmonia até um quase total acordo. Os dois planos que ganharam mais repercussão são os provindos da Secretaria do Tesouro dos Estados Unidos e que ganharam o nome dos seus respectivos ocupantes à época da edição. Em segundo lugar. a partir de certo momento. em terceiro lugar. O País vê-se forçado a ingressar no processo de endividamento exacerbado a partir da Revolução de 1964. assim como a elevação da taxa de juros. um duro golpe. E. todavia. dilapidando. a exaustão financeira do Estado. Medida de grande controvérsia na história do endividamento brasileiro foi. pelos principais países devedores. a situação da maior parte dos países devedores continuou a agravar-se. em que dois fenômenos salientes merecem registro. no fundo. que escolheu um modelo desenvolvimentista fortemente alicerçado na obtenção de empréstimos externos. em Seul. cuja falta logo se fez sentir. em fevereiro de 1987. como forma de compensar as suas dificuldades advindas da mesma escassez. é adotada pelos países credores. em conjugação com a oferta de créditos mais seletivos pelas instituições de desenvolvimento de caráter multilateral. de políticas orientadas para um mercado em desenvolvimento. isto é. de medidas de grande alcance estrutural e macroeconômico. assim como a redução da inflação. pelos principais países devedores. financiadas por instituições internacionais de caráter financeiro com a finalidade de promover o crescimento e o ajuste da balança de pagamentos. As conseqüências críticas da situação vão-se fazer sentir na década de 1980. S. quer formalmente declarada. para os países endividados. quer vigorante por mera força da suspensão dos pagamentos. De qualquer sorte.se o seu sucesso. Em primeiro lugar. a adoção. que o leva a situações de moratória. no qual os posicionamentos variaram desde um potencial rompimento até um “estudo de acordos”. que. Nesse exame no conjunto das medidas adotadas não pode deixar de ser mencionada a chamada securitização da dívida. esse agravamento deu origem a uma série de mudanças na política econômica governamental pela adoção tanto de medidas específicas quanto de diretrizes básicas. que não obstante o fato de alguns desses ambiciosos objetivos terem conseguido algum tipo de implementação — mercê tanto de esforços dos países devedores quanto da formulação de propostas de caráter econômico por parte dos países credores —. o que fez desencadear o Plano Brady. É certo que ele não teve até o momento uma execução continuada que lhe permitisse alcançar volumes substanciais da dívida. Malbaratam-se divisas com importações de produtos supérfluos. também. um aumento dos empréstimos pelos bancos privados em apoio aos programas de ajuste. uma atuação continuada do Fundo Monetário Internacional — FMI. nasce o Plano Backer. surgem planos propostos por autoridades ou organismos com papel estratégico no processo de endividamento. A necessidade de adquirir um produto com preço muitas vezes superior ao vigente antes da crise. Por outro lado. ambas as medidas com vistas à adoção. A verdade é que o País sai do conflito com uma folgada posição financeira da qual o governo do General Eurico Gaspar Dutra não vai tirar o proveito que era de se esperar para o desenvolvimento do País. fato novo desde há muitos anos para cá.

Basta tão-somente ter-se em conta que é ele um processo que tem limites. de molde. Chegou a dirigir-se especialmente aos bancos credores. com vencimento final no ano 2024. que incluam maiores esforços na busca da redução tanto da dívida quanto do serviço da dívida. Esse processo é viabilizado — via de regra — pelo oferecimento de garantias aos compradores de títulos novos”. e no sentido de proporcionar novos empréstimos. Regime constitucional da dívida pública brasileira É de reconhecer-se que a Constituição de 1988 confere um tratamento razoavelmente adequado à questão da dívida pública. assim como poderia impor aos habitantes de um país sérios gravames afetando ônus e prerrogativas para os diversos membros da coletividade. na securitização da dívida. Três são as principais propostas embutidas no plano. Quando completado. fortaleçam a economia doméstica e promovam o repatriamento do capital em fuga. último dos grandes devedores a regularizar suas relações com os bancos. nestes termos: É preciso que os bancos comerciais trabalhem juntamente com as nações devedoras. não seria o caso aqui de discutir as vantagens e desvantagens do endividamento público. Não que ela tenha até o momento tido alcance prático. a pôr em risco a própria coesão social. Não se pode ainda esquecer o problema 166 Professor: Raimundo N. 2. inclusive. De fato. dizendo ter a convicção de que o Brasil aceitava ali o caminho do futuro. o Secretário Brady tratou de traçar as tarefas que incumbiriam tanto ao FMI quanto ao Banco Mundial. E finalmente. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . S. para o que esses países deverão tomar medidas adequadas. na substituição dos títulos antigos por novos. visto que o anterior contemplava tão-somente um refinanciamento da dívida com um aumento efetivo de seu principal. a fim de oferecer uma variedade mais ampla de opções para o apoio financeiro.representativos da dívida por novos títulos com um menor valor de face. A segunda traduziu-se numa proposta da redução da dívida. tanto domésticos quanto estrangeiros. as nações devedoras devem concentrar sua particular atenção na adoção de políticas que fomentem novos fluxos de investimentos. Isto colocaria problemas que afetariam a própria soberania nacional quando da dívida externa se tratasse.1. ponto no qual realmente foi o Plano Brady bastante inovador. ou seja. e Apoiar e incentivar os esforços dos bancos comerciais e países credores no sentido de redução do principal e do serviço da dívida. o que significa dizer que o endividamento não pode seguir uma espiral crescente com um ponto no infinito. o acordo deverá reduzir em cerca de US$ 7 bilhões a conta de US$ 35 bilhões de débitos renegociados e estenderá os pagamentos de juros e do principal da dívida restante ao longo dos próximos 30 anos. O acordo de renegociação da dívida externa com os bancos Privados consistiu. concluiu em abril de 1994 um acordo de redução da dívida externa segundo as regras do Plano Brady. a saber: Orientar as instituições financeiras internacionais — através de um trabalho de assessoramento e apoio — no sentido da viabilização de financiamentos novos. mas o fato de ter sido retomada no plano posterior dá mostras de sua consistência. Foi sob tal inspiração que o Brasil. Transcrevamos um trecho do plano: Em primeiro lugar. O ministro da Fazenda de então ressaltou a importância histórica do ato. A primeira delas consiste numa incitação à reversão da tendência de fuga do capital dos países devedores. Isso requer uma ressonante política de crescimento que fomente a confiança nos investidores. a taxas fixas. Dá-se o nome de “Plano Brady” ao pronunciamento feito pelo Secretário do Tesouro dos Estados Unidos acerca da política do Presidente George Bush para a questão da dívida externa do Terceiro Mundo. basicamente.

163. que o endividamento indireto. dos Estados. no entanto. desde os econômico-financeiros até os políticoadministrativos. Esta deverá também disciplinar a concessão de garantias pelas entidades públicas. Ademais. O conferimento pela União de avales sofre as restrições do inciso VIII. 52. do Distrito Federal ou dos Municípios (art. LC no 101. o § 2° do mesmo artigo permite o exercício pelo Banco Central da tarefa de aumentar ou diminuir a liquidez do sistema financeiro mediante a compra e venda de títulos de emissão do Tesouro Nacional. Mais adiante. fica para ser resgatada pelas posteriores. Ocorre. será objeto de lei complementar (atualmente. do Distrito Federal e dos Municípios. Os incisos VI e IX. ainda. cujas regras principais serão a seguir abordadas. do Distrito Federal e dos Municípios. mas da outorga de uma garantia. que diz caber ao Senado dispor sobre limites e condições para a concessão de garantia da União em operações de crédito externo e interno. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . veda ao Banco Central conceder. de 04. também encontra vedação expressa na Lei Maior. De outra parte. incluída a das autarquias. Note-se. no capítulo referente às finanças públicas.05. como também para o montante da própria dívida mobiliária dos Estados. que não basta a iniciativa do Executivo. direta ou indiretamente. Dependem de autorização do Senado as operações externas de natureza financeira. § 1°. assim como a emissão e resgate de títulos da dívida pública (art. 167 Professor: Raimundo N. de suas autarquias e demais entidades controladas pelo Poder Público federal. O inciso VII do mesmo artigo reforça as limitações a que estão sujeitas essas pessoas pela previsão que faz da competência do Senado para fixar limites globais e condições para as operações de crédito externo e interno da União. 164. Qualquer uma dessas pessoas de direito público pode celebrar um contrato de empréstimo pinto às praças financeiras internacionais. É necessário que ela seja precedida de uma autorização expedida pelo Senado. quer sejam de interesse da União. o art. que obviamente levará em conta aspectos de toda ordem.2000). Diante de tudo isso é natural que o Texto Constitucional tenha procurado traçar um balizamento desse processo. quase que redundantes. lhe IV). dos Estados. V). vêm prever a possibilidade de fixação de limites globais tanto para o montante da dívida consolidada da União. fundações e demais entidades controladas pelo Poder Público. a Constituição da República retoma o tema para deixar certo que a dívida pública externa e interna. dos Estados. entretanto.consistente no gasto feito por uma geração cuja conta. S. empréstimos ao Tesouro Nacional e a qualquer órgão ou entidade que não seja instituição financeira. que seria aquele resultante não da contração de um débito. do Distrito Federal e dos Municípios.

como se sabe. e. De fato. sem dúvida. A União Soviética. Essa trilogia aplicada a ambos os países fez com que houvesse um surto econômico o que. que foi distorcida em muitos lugares sem que 168 Professor: Raimundo N. (Estados Unidos e GrãBretanha) pois conseguiram colocar fim às astronômicas contas sociais dos seus respectivos países. como vimos. de resto.. no início dos anos 80. raciais. A bipolaridade funcionava como uma tampa de pressão que sufocava essas diversidades que. o liberalismo. Portanto. o esboroamento do império soviético. contrastava com o marasmo e a estagnação dos demais países. que ganhou o nome “bipolar”: o dos países capitalistas. na verdade. simultaneamente de manter-se a democracia. lingüísticas. A eliminação da bipolaridade até então existente foi um dos fatores determinantes para as explosões sociais. tudo acompanhado de uma menor tributação. e é óbvio que. sobretudo na condição de uma ideologia basicamente da Europa e dos Estados Unidos. o seu elemento deflagrador ou catalisador. que. sob o comunismo. a contradição existente entre o capitalismo e o movimento socialista. Ambos sufocaram as respectivas economias levando-as à recessão. Cuba continua socialista. dois países provaram o contrário. O liberalismo vingou. a nosso ver. tudo que no passado foi feito para diminuir a distância existente entre os homens acaba por parecer pouca coisa diante do que foi feito nas duas últimas décadas por força da aproximação resultante das comunicações (internet) e do intenso comércio. Sem dúvida. b) uma redução de tributos. contudo. restava pouco campo para deflagrarem-se litígios sem com isto correr-se o risco de estar-se envolvendo numa conflagração mundial. o exemplo da guerra entre Sérvios e Croatas. que tinha como meta final a desintegração total do mundo capitalista. ganhou também sensível terreno. também não se pode deixar de ver o outro lado da questão. atingiu o seu apogeu no século XIX. Há. de resto. e) uma maior produtividade. e em 1989. ousaria dizer que o capitalismo venceria o comunismo sem o derramamento de sangue. na primeira vez. que consiste em encararmos o planeta Terra unido por um sistema econômico unificado no seu fundamental. Tudo isto. S. aliás. preferiu abandonar o regime comunista a ver-se definitivamente banida das potências mundiais. O que aconteceu. Não que não remanesça ainda um ou outro país marxista. foi que essas desavenças ficaram contidas diante da disputa maior e mais abrangente que mobilizava o mundo. à oeste. muito embora não possa ser tido como o único a desencadear a crise. Não há dúvida de que os dois movimentos revolucionários ocorridos na Rússia em 1917. Contudo. e o dos países socialistas. não são novas. A GLOBALIZAÇÃO Não se pode negar que muitas razões colaboram para a eclosão do movimento da globalização. E nada de político acontecia no mundo que não passasse imediatamente pelo crivo desse sistema bipolar. um dos dois sistemas haveria de ceder.CAPITULO CAPITULO XV – GLOBALIZAÇÃO 1. estava a criar as primeiras bases para o tipo de sociedade que foi atingida no século XX. contudo. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . marcando até hoje os nossos dias. obrigou a que ambas as potências líderes (EUA e URSS) acumulassem vastíssimos arsenais atômicos. isto não impediu. Nessas condições. Ideologia esta. é. sem dúvida. na sua vertente econômica. A sua inserção no COMECON tirava a possibilidade de abrirem-se guerras civis. consciente do fenômeno e não desejando se retardar no processo de desenvolvimento tecnológico. qual seja. políticas. na segunda. mas mesmo assim não podemos dizer que o mundo tenha vivido sob uma ideologia global. um fator histórico que. De outra parte. vivessem no mesmo Estado pluriracial. religiosas etc. o capitalismo saiu vencedor a ponto de se impor hoje como a única fórmula de organizarem-se economias de forma produtiva e. Contudo. Esses dois Países buscaram: a) uma menor prestação do Estado no tocante a) serviço social. à leste. Ninguém. Nem mesmo se nega que alguns dos países que abandonaram o comunismo ainda guardam estruturas estatizantes e socializantes em grande escala. O capitalismo surgiu gradativamente e. foram tão graves que eles acabaram por demarcar um período da história. Embora a sua intolerância seja antiga. que se seguiram. Podemos tomar entre outros. pela imensidão das suas proporções.

Eis que são fatos e não interpretações de fatos. O que já agora é um absoluto “non sense”. trabalhando na defesa dos seus interesses e com repercussão nos interesses coletivos. Dessa forma. nunca existiu. O processo de globalização interfere diretamente nas finanças públicas de cada Estado na 169 Professor: Raimundo N. Na realidade. Este é que traça o elo entre essas realidades. Temos. na verdade. temos como prognóstico desse mundo do futuro a realidade de uma economia que terá fundamentalmente essa característica: a de estar entregue a grupos de pessoas privadas. Mas. isto já ocorria antes mesmo da queda do império soviético. ou qualquer forma que exclua as práticas democráticas do liberalismo no que concerne à política e à economia. embora o Estado tenha um papel a cumprir no sentido de manter os mercados fora das práticas que os viciam. portanto. O projeto de ser auto-suficiente em tudo é uma absoluta utopia. Isto porque há algo novo no ar: a intervenção do fator globalização. um mercantilismo promovido pelos Estados para levar adiante o ideal capitalista. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Estas realidades passam doravante a constar do dia a dia dos povos e é muito difícil insurgir-se contra elas. na verdade. não se pode negar o caráter dominante do mercado como fator de regulação da economia.se tivesse atinado para o fato de que era. Muitos países investiram grandes somas em indústrias. Não. difundindo-se pelo resto do mundo e produzindo inclusive ressonâncias na América Latina. consistente na diminuição ou na distensão ou ainda na desagregação relativa ao poder soberano do Estado. É bem de ver-se que esta área necessitaria sempre de uma organização mundial que coordenasse esse transporte. na sua vertente privatizante. Com a queda do império soviético. vai influir na órbita jurídica. o mundo estará racionalmente melhor organizado na medida em que os bens provierem de regiões específicas onde eles são mais adequadamente produzidos. Então. integrações econômicas e financeiras que também são formas de mútua ajuda. No Brasil. econômicas que sua realidade impunha. pelo menos.não seriam possíveis de serem realizadas a partir de atividades isoladas dos Estados. S. a sua não-vinculação direta a tratados internacionais. E isto não é tão difícil de se antever. minas. pelo menos nota-se uma predisposição significativa para chegar à administração do mundo. Muitas áreas de atuação dos países — retome-se o exemplo da aeronáutica civil . funciona melhor do que uma máquina formada de homens que trabalham para uma abstração que é o Estado. que concebia projetos de desenvolvimentos nacionais. que desenvolverão uma economia a nível internacional. sem dúvida. Afloraram. numa economia que havia sido estatizada. Da mesma maneira que o liberalismo econômico demonstrou que é melhor um país concentrar-se na produção daquilo de que tem melhores recursos e produtividade e relegar à importação daquilo de que necessita. trata-se de verdades que vieram com o ar de que vão ficar. Um Estado sempre teve que limitar-se a situações políticas. Não se cogita em centros sérios de estudo qualquer retorno a ideologias superadas como o nazismo. Ásia e América do Norte. geográficas. e com uma eficiência e uma produtividade até hoje não vistas no mundo. Acontece que o ente estatal sempre se mostrou um mau administrador’ 00. Estes fenômenos descritos não se circunscrevem a cantões específicos do mundo ou a certas paragens recônditas da terra. custeados e explorados pelo Estado. Na verdade. Este foi criado por razões políticas para resolver os problemas coletivos e não para administrar a economia. se por hora ainda não é transcendental. Estamos a assistir no início do século XXI a uma gradativa implantação de organizações que desempenham um papel que. no Fundo Monetário Internacional (FMI) e outras entidades “transcendentais” a que todo o país deve estar ligado sob pena de desvincular-se e de ficar alheio por completo ao mundo. serviços públicos. verificam-se diversos fenômenos tais como a reconstitucionalização e a liberalização. o comunismo. bem como a inexistência de organismos internacionais na época davam ao Estado este papel formal de ser a fonte mais alta geradora do direito. — daí a globalização —. Não se imagina nos dias de hoje nenhuma reversão. por exemplo. Mas isto leva a um entrelaçamento também fortíssimo da sociedade planetária e que. Tudo o que pode ser feito por um grupo pequeno de homens. sobretudo na Europa. Há que se falar também na Organização Mundial do Comércio (OMC). A soberania absoluta.

como o FMI. sobretudo. tendo em vista o propósito de pacificação contido no processo de globalização. lingüísticas e religiosas que realmente são um paradoxo para um mundo assim já tão unido. de diferenças étnicas. Portanto. o século XXI deverá ser marcado pela intensificação dessas características. a proximidade obtida pela informação não acabará. ainda assim. Haverá uma aproximação maior entre os povos. Infelizmente. pela informática e pelo comércio e pela necessidade de se darem soluções unitárias para problemas globais. de um momento para o outro. Nada obstante tenha se incrementado e muito o caminho para a globalização. as distinções surgidas pelo desafogo das asfixias da bipolaridade deram lugar. a essa explosão de ódios. empurrados pelo cansaço de longas disputas dissonantes no mundo em que se viver. por colocar um fim nas diferenças que ainda separam os homens pelo rancor e pela violência. Urge. esses grupos perceberão que têm de chegar a uma pacificação. em diversos quadrantes do mundo. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . como vimos. Acreditamos que chegará um momento em que. 170 Professor: Raimundo N. no que tange às finanças públicas. concedam empréstimos aos países em desenvolvimento. portanto. levando-os a debaterem-se em cruentas guerras civis. continua a existir rivalidade entre os povos em virtude de diferenças étnicas e religiosas. contornar o mais rápido possível essas manifestações de ódio. De outra parte. bem como fixam diretrizes a serem seguidas pelos mesmos. S.medida em que instituições.

de 2008. 2002. ampliada e atualizada. 9ª edição. Contabilidade Pública. atualizada e ampliada. Fernando Antônio. São Paulo: Celso Ribeiro Bastos Editor. BASTOS. 2ª edição: Atlas. S. Finanças Públicas. ao Distrito Federal e aos Municípios a partir da elaboração e execução da lei orçamentária de 2009. 1ª Edição 171 Professor: Raimundo N. Celso Ribeiro. Bertolesa Curso: Direito Disciplina: Ciência das Finanças . Portaria Conjunta STN/SOF nº 3. Editora Saraiva. 2006. 8ª edição: Atlas. 2006. aos Estados. 2004. 4ª edição. João. MANUAL DE RECEITA E DESPESA NACIONAL aplicado à União. Curso de Direito Financeiro e Tributário. MANUAL DE ECONOMIA elaborado pelos Professores do Departamento de Economia e Administração da USP. REZENDE.BIBLIOGRAFIA ANGÉLICO.

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