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M as o exemplo da pedra não é muito apropriado para


nossa situação atual, uma vez que podemos andar até uma
pedra, mas não podemos fazer nada parecido com isso em
relação à maioria das coisas que nos determinam no pre
sente. Não podemos fazer nada parecido com a maioria das
coisas que ocorrem em explicações e também das coisas que
acontecem em imagens. Tomemos como exemplos a infor
mação genética, a guerra no Vietnã, as partículas alfa ou os
seios da senhorita Bardot. Não temos uma experiência ime
diata com essas coisas, mas somos influenciados por elas.
Não faz sentido perguntar, com relação a essas coisas, em
que medida a explicação ou a imagem lhes são adequadas.
Como não temos experiência imediata com elas, a mídia
torna-se para nós a própria coisa. "Saber" é aprender a ler
a mídia, nesses casos. Não importa se a "pedra" ou então a
partícula alfa ou os seios da senhorita Brigitte Bardot estão
"realmente" em algum lugar lá fora, ou se apenas aparecem
na mídia: essas coisas são reais na medida em que determi
nam aind nossas vidas. E podemos afirmar isso de maneira
da mais contundente. Sabemos que algumas das coisas que
nos influenciam são deliberadamente produzidas pela m
dia, como os discursos dos presidentes, os Jogos Olímpicos
e os casamentos de celebridades. Que sentido faz perguntar
se a mídia é um lugar adequado para essas coisas?
Podemos, contudo, voltar à pedra como um exemplo ex
tremo, apesar de atípico, pois afinal de contas ainda ternos
alguma experiência imediata, embora ela esteja se tornando
cada vez mais rara. (Vivemos de fato em um universo em
expansão: a mídia nos oferece cada vez mais coisas que não
podemos experimentar diretamente, e nos priva de outras