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Drieli de Cássia da Silva Carlos Alexandre da Silveira de Souza

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

Apucarana 2009

com isso. era direcionada exclusivamente ao atendimento a meninos cegos.8. A educação especial no Brasil teve início com a criação do Imperial Instituto dos Meninos Cegos (atual Instituto Benjamin Constant). Já a Constituição de 1891 expressa claramente a exclusão plena dos deficientes enquanto cidadãos brasileiros ao declarar que: “Art 71 . sendo uma escola sem vínculo com a educação regular. Literalmente. Sua finalidade.Suspendem-se: a) por incapacidade física ou moral. § 1º . diretrizes etc. em 1857. . a evolução da legislação brasileira diante da educação especial. faremos alguns recortes de leis que regulamentaram a educação no país – a nível federal e. sendo perceptível uma postura de negação da igualdade entre os deficientes e os demais. por intermédio do professor francês Edward Hernest Huet. sem fazer menção excludente aos portadores de deficiência.2 Evolução histórica da educação especial na legislação brasileira Abordaremos. Entende-se. a Constituição garante. uma vez que os deficientes tinham seus direitos de cidadão suspensos. em alguns casos.” (Art. XXXII). aqui. o direito “A Instrução primária. Similarmente. I.Os direitos de cidadão brasileiro só se suspendem ou perdem nos casos aqui particularizados. foi criado o Instituto dos Surdos-Mudos para Meninos (atual Instituto Nacional de Educação de Surdos). em 17 de setembro de 1854. a nível estadual –. Contudo. é fácil perceber que não haveria para eles – de modo geral – qualquer perspectiva de direito a educação regular ou inclusiva. que a deficiência física de qualquer natureza impossibilitava o cidadão de exercer plenamente seus direitos. Pedro II. e gratuita a todos os Cidadãos.” Assim. Para cumprir esta finalidade. entretanto. por iniciativa de D.179. desde 1824. o art. suspende o exercício dos direitos políticos por incapacidade física ou moral. que era surdo e fora diretor do Instituto de Surdos de Paris. sem qualquer intenção de democratização da educação especial ou inclusão dos portadores de deficiência no ensino regular. como decretos.

Afirma. a criação da “Escola de Anormais”. e desenvolva num espírito brasileiro humana. a Constituição de 1934 aparenta realizar um notório avanço diante de suas antecessoras. Apesar da tentativa de prover educação aos deficientes. ainda. o Código da Educação. “Em 1933. De fato.216. a postura se demonstra. O texto apresenta um vocabulário preconceituoso e perverso que. ao tratar a diferença como anormalidade e não permitir a inclusão desses indivíduos no ensino regular. funcionando. que regulamentava o ingresso na educação básica.3 Além da Constituição. de modo que possibilite eficientes fatores da vida moral e econômica da Nação. de São Paulo. que eliminava a possibilidade de matricularem-se “os imbecis e os que por defeito orgânico forem incapazes de receber educação”. 2009). ainda. quando não fosse possível a instalação de escolas autônomas” (Centro de Referência em Educação Mário Covas. funcionando por não mais do que seis meses.A educação é direito de todos e deve ser ministrada. que só chegou a ser implantada em 1930. ela não se manifesta a respeito deles nem quanto aos direitos de cidadão nem quanto ao direito à educação. cumprindo a estes proporcioná-la a brasileiros e a estrangeiros domiciliados no País. pela família e pelos Poderes Públicos. que: “Art 149 . em 1917. discriminatória. por se tratar de um texto legal. voltada ao atendimento inclusivo de alunos com ou sem deficiência mental. O estado de São Paulo procurou. encontramos o Decreto Lei nº. com a criação do Instituto Pestalozzi de Canoas (RS). prev[iu] a criação de classes especiais em Grupos Escolares. ainda. Em nível nacional. adequar a educação aos indivíduos com deficiência.” a consciência da solidariedade . inicialmente como escola-pensionato. por não excluir ou suspender o direito de cidadão dos deficientes. nos leva a crer que constituía a concepção geral do governo e da sociedade da época em relação aos deficientes. No ano de 1926 foi realizado o primeiro passo não governamental em prol da educação especial. determinando. 1. de 1904.

até então. excepcionais e pródigos. foi criada a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação (4. os excepcionais passam a ocupar espaço reconhecido (ao menos por lei) enquanto cidadão. No âmbito educacional. Em 1961. contudo. em contrapartida. não há qualquer abordagem explícita da questão da . garantir a inclusão dos deficientes no processo de ensino. agora. em 1954. a exclusão das deficiências mentais. anteriormente. A Constituição de 1937 apresenta mudanças de ordem política. Com essa mudança.4 Todavia. entre outros. reenquadrando a suspensão dos direitos políticos à incapacidade civil absoluta. sem determinar precisamente como se fará essa mudança e demonstra uma tentativa do governo de delegar à iniciativa privada a responsabilidade de realizar esse passo. sem. A Constituição seguinte veio em 1946. Apesar disso. Incapacidade relativa: ébrios. permanecendo. fruto de um movimento que buscava modificar o tratamento direcionado aos portadores de deficiência mental que. se destinava aos portadores de incapacidade física e moral é. omitindo-se quanto a isso. que começou a abrir as portas para a educação especial no universo jurídico / legal. chegando a responsabilizar as empresas privadas pela regularidade do ensino dos empregados e de seus respectivos filhos. sem qualquer alteração no que diz respeito à educação especial ou aos portadores de deficiência. propondo incentivos para a iniciativa privada que se mostrar eficiente no cumprimento desse papel. reafirma o princípio da solidariedade humana e torna obrigatório primário. A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) surgiu no Rio de Janeiro. A Constituição de 1967 é enfática ao instituir a obrigatoriedade do ensino primário para crianças e adultos. o texto é superficial. ainda eram tratados por mongolóides ou retardados. O resultado disso é que há um ganho diante das deficiências físicas. atribuída aos que apresentem incapacidade civil. Todavia. a suspensão de direitos políticos que. o que compreende: • • Incapacidade absoluta: portadores de deficiência mental. determinando o enquadramento do ensino de excepcionais no sistema geral de educação.024/61) no Brasil.

junto com os deficientes e os superdotados. Ao falar em “acesso” e “permanência”. A partir deste momento. Em 1988 foi criada a Constituição Federal que permanece em vigência. Esta Constituição recebeu emenda em 1969. que dedica um capítulo completo à educação especial. mas não houve qualquer mudança sob o aspecto educacional ou que diga respeito aos portadores de deficiência. O próximo passo vem com a atual LDB (lei nº. Logo em julho de 1990.58).9394/96).” (Art. III). onde a define como “a modalidade de educação escolar.53. “atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência” (Art. da CF. I. Esta constituição mantém a exclusão dos direitos políticos em razão da incapacidade civil absoluta. inclui-se a necessidade de dispositivos que possibilitem a imersão do deficiente no ambiente escolar. preferencialmente na rede regular de ensino. que é um indicativo para a inclusão desses indivíduos. veio a segunda LDB (Lei 5.208. a lei 8069/90. a atenção para a educação especial passa a ganhar espaço. Entretanto. prevê “atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência.” (Art. os que se encontrem em atraso considerável quanto à idade regular de matrícula e os superdotados deverão receber tratamento especial. Todavia.9º) O texto da LDB enquadra os alunos com dificuldade de aprendizado como portadores de necessidades especiais. além de garantir a educação como direito de todos. para educandos portadores de necessidades especiais.53. no art. oferecida preferencialmente na rede regular de ensino. I).53. . o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) – além de reproduzir o texto do art. III – determina “igualdade de condições para o acesso e permanência na escola” (Art. cabendo aos Conselhos de Educação estabelecer um modelo a partir do qual será oferecido o “tratamento especial”. III).5 educação especial. de acordo com as normas fixadas pelos competentes Conselhos de Educação. O ECA prevê. em igualdade com os demais. determinando que: “Os alunos que apresentem deficiências físicas ou mentais.692/71). Em 1971.” (art.208. esta determinação ainda é vaga. ainda.

entre outros. Lei nº. direcionamento ao trabalho. terminalidade específica.853/89 – provê apoio às pessoas portadoras de deficiência.076/99 .098/94 – trata da acessibilidade dos portadores de deficiência. A partir de então.institui o Comitê Gestor de Políticas de Inclusão das Pessoas com Deficiência – CGPD. .436/02 – regulamenta a Linguagem Brasileira de Sinais (Libras). Decreto Nº 6. especializadas e com atuação exclusiva em educação especial” por meio de “apoio técnico e financeiro pelo Poder Público” (art.Dispõe sobre o atendimento educacional especializado.Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. além de prever o amparo de “instituições privadas sem fins lucrativos.859/94 – estende o direito de participação em estágios aos alunos da educação especial.094/07 . surgem diversos dispositivos legais e institucionais visando a garantia da educação para os portadores de deficiência.10. currículos.Regulamenta o benefício de prestação continuada da assistência social devido à pessoa com deficiência. Decreto Nº 6.Dispõe sobre a implementação do Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação. a LDB determina diversos pré-requisitos para a aplicação da educação especial.6 Nos artigos 58 a 60.214/07 . métodos e técnicas diferenciadas. integrante do MEC.10. Decreto nº 914/93 . citamos alguns decretos e leis que tocam o tema: • • • • • • • • • • • Lei nº. Lei nº.60). professores capacitados.215/07 .7. Decreto nº 3.571/08 . como serviços de apoio.186/08 – aprova o texto da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. inclusão de alunos desde zero ano. Decreto Nº 6. Além da criação da Secretaria de Educação Especial (Seesp). Decreto nº.Cria o CONADE (Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência). como dito. Lei nº.8. Decreto Nº 6.

ainda que de forma lenta. podemos notar o amadurecimento do país nesse sentido. . possibilitando a inserção social dos portadores de deficiência.952/01 - Conselho Nacional de Combate à Discriminação.956/01 – (Convenção da Guatemala) Promulga a Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência. nesse objetivo de garantir o direito de igualdade a todos.7 • • Decreto nº 3. Isso nos permite concluir que estamos avançando. Observando o desenvolvimento histórico da legislação brasileira no que diz respeito à educação especial. Decreto nº 3.

Constituição (1891). Lei nº. Constituição (1937). Constituição da República Federativa do Brasil.692. Lei de Diretrizes e Bases da Educação.8069. Revogada pela Lei 9. Constituição (1967). BRASIL. Constituição (1934). Constituição Política do Império do Brazil. BRASIL.024. Promulgada em 22 de abril de 1824. Promulgada em 24 de fevereiro de 1891. Promulgada em 10 de novembro de 1937. BRASIL. BRASIL. Promulgada em 16 de julho de 1934.8 BIBLIOGRAFIA BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Lei nº. de 13 de julho de 1990. Promulgada em 24 de janeiro de 1967. Constituição dos Estados Unidos do Brasil. BRASIL.5. BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente.4. . Promulgada em 5 de outubro de 1988. Constituição (1988). Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil. BRASIL. Constituição (1946). Revogada pela Lei 9. Constituição dos Estados Unidos do Brasil. Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil. Lei nº.394/96. BRASIL.394/96. Promulgada em 18 de setembro de 1946. de 20 de dezembro de 1961. Lei de Diretrizes e Bases da Educação. de 11 de agosto de 1971. BRASIL. Constituição (1824).

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