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Artigo Prevencao de Acidentes com animais peçonhentos

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artigo que aborda características dos animais peçonhentos
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PREVENÇÃO DE ACIDENTES POR ANIMAIS PEÇONHENTOS

CECHIN, Z. SONIA (1); FREITAS, K. THAÍS (2); ARRUDA, A. DIEGO (2).

Introdução O Brasil se caracteriza por um clima tropical e uma grande diversidade da fauna, incluindo alguns animais de interesse médico, os quais podem, ocasionalmente, causar danos à saúde humana. Dentre esses animais destacam-se as serpentes, os aracnídeos e alguns lepidópteros. As espécies de serpentes peçonhentas mais abundantes em Santa Maria e região são as pertencentes ao gênero Bothrops (jararacas) e Micrurus (corais verdadeiras). Outro grupo que também oferece risco a espécie humana é o dos aracnídeos, composto por aranhas e escorpiões. Dentre as aranhas destacam-se os gêneros Loxosceles (aranha marrom), Lycosa (aranha-de-gramado) e Phoneutria (armadeira). O escorpião amplamente distribuído na região pertence ao gênero Bothriurus (escorpião preto), que não representa risco à população. Também a fase larval de alguns lepidópteros (mariposas e borboletas) são passíveis de causar acidentes, como por exemplo a do gênero Lonomia (taturana), a qual pode levar a hemorragias e até mesmo à morte. Baseado nesses fatos, faz-se necessário um programa de orientação da população para riscos de acidentes e formação de uma consciência ecológica. Objetivos A prioridade deste projeto é a realização de palestras junto à comunidade em geral, como escolas, quartéis militares, empresas privadas e área médica. Visa-se a prevenção dos acidentes e orientação da população através do conhecimento da bioecologia dos diferentes animais presentes na fauna gaúcha, especificamente na região central. Além disso, pretende-se orientar o público alvo sobre como agir corretamente em caso de acidentes, evitando atitudes que venham a prejudicar ou agravar o quadro clínico. Assim como orientações necessárias para o encaminhamento adequado das vítimas de acidentes aos locais de atendimento. Objetivos específicos do presente projeto: → identificação das espécies peçonhentas (ofídios, aracnídeos e lepidópteros); → caracterização dos sintomas em vítimas de acidentes; → tratamento; → profilaxia; → papel ecológico das espécies.

Metodologia

Foram realizadas palestras periódicas, com duração minutos. O material utilizado tratava-se de transpa diapositivos, folder explicativo, data-show, vídeo did exemplares conservados, visando a melhor identificação conhecimento sobre cada animal. Os temas abordados be a profundidade do assunto são de acordo com o conhecimento e a solicitação do público alvo.

Resultados Foram realizadas 11 palestras atendendo um público pessoas (Tabela1) junto à escolas, entidades da área da fundações. Em todos os lugares ficou nítida a importâ desmistificar as lendas, principalmente com relação às se evitando atitudes que venham a agravar o quadro clínico de acidentes, ou mesmo o equilíbrio ecológico das espéci que há uma exposição do público em geral a am amplamente povoados por animais, incluindo peçonhentas, é de fundamental importância tais orientaç podem evitar encontros com esses representantes de nos local. Tabela 1 – Palestras realizadas em 2006 Público atendido Alunos do Ensino Médio da Escola Estadual de Ensino Médio Manoel Ribas Alunos do Curso de Instrução da Cruz Vermelha De Santa Maria Alunos da Educação de Jovens Adultos do Instituto Olavo Bilac Alunos da Educação de Jovens Adultos do Instituto Olavo Bilac Funcionários da Votorantin de Pelotas Alunos da 1° série do Ensino Médio da Escola Estadual de Educação Básica Augusto Ruschi Alunos da 6° série do Ensino Médio da Escola Estadual de Educação Básica Augusto Ruschi Alunos da 2° série do Ensino Médio da Escola

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Prevenção de acidentes por animais peçonhentos
Sônia Zanini Chechin (1), Diego Aguiar de Arruda (2) e Thaís Kaus de Freitas (2)
Laboratório de Herpetologia, Departamento de Zoologia, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, Brasil

Resumo Serpentes, aranhas e escorpiões são para o homem objetos que despertam medo e aversão. Há um grande número de lendas, mitos e informações errôneas a respeito destes animais que levam a população a matá-los desenfreadamente. Entretanto, esses possuem papel importante na cadeia ecológica e devem ser preservados. Para tanto, foram elaboradas palestras com o objetivo de mostrar os reais riscos, como se prevenir e agir em caso de algum acidente. Assim, conhecendo as espécies e seus hábitos, é mais fácil se defender e preservar a natureza. Palavras-chave: animais peçonhentos, prevenção de acidentes Abstract Serpents, spiders and scorpions about to the man objects what arousing fear and aversion. There is a big number of legends, myths and erroneous information the respect of these animals that take the population to kill them without limit. In the mean time, those has important on ecological chain and must be preserve. About to as many, have been in-depth lectures with the objective of showing the realities risks, as if avoid and act in case of any accident. Such, knowing the breeds and yours habits, it is much easier if defend and preserve the nature. Keywords: poisonous animals, prevention of accidents

Introdução

O Brasil caracteriza-se por um clima tropical e uma grande diversidade da fauna, incluindo alguns animais de interesse médico, os quais podem, ocasionalmente, causar danos à saúde humana. Dentre esses animais destacam-se as serpentes, os aracnídeos e alguns lepidópteros. As espécies de serpentes peçonhentas mais abundantes em Santa Maria e região são as pertencentes ao gênero Bothrops (jararacas) e Micrurus (corais verdadeiras). Os acidentes com a
(1): Profª. Drª. Adjunta do Departamento de Biologia – UFSM (2): Acadêmico de Ciências Biológicas UFSM

primeira são mais freqüentes devido a sua maior abundância e hábito mais agressivo, enquanto que o comportamento das corais é mais dócil e recluso. Vale ressaltar que alguns ofídios mesmo não incluídos no grupo das peçonhentas podem ocasionar acidentes relativamente graves como, por exemplo, Philodryas olfersii (cobra-cipó), serpente bastante comum em nossa região. Outro grupo que também oferece risco a espécie humana é o dos aracnídeos, composto por aranhas e

escorpiões. Dentre as aranhas destacam-se os gêneros Loxosceles (aranha marrom), Lycosa (aranha-degramado) e Phoneutria (armadeira), as quais apresentam diferentes ações toxicológicas sobre o organismo humano. O escorpião amplamente distribuído na região pertence ao gênero Bothriurus (escorpião preto), que não apresenta grandes riscos à população. Também a fase larval de alguns lepidópteros (mariposas e borboletas) é passível de causar acidentes como, por exemplo, a do gênero Lonomia (taturana), a qual pode levar a hemorragias e até mesmo à morte. Baseado nesses fatos, o projeto “Prevenção de acidentes com animais peçonhentos” foi desenvolvido, com o intuito de transmitir ao público, através de palestras, não somente o conhecimento sobre prevenção de acidentes com essas espécies, mas também dos procedimentos que devem ser seguidos no caso de ocorrer algum. Levando a população à conscientização da importância ecológica que esses animais possuem, evitando que sejam tomadas atitudes que venham a prejudicar o equilíbrio ecológico das espécies. Materiais e Métodos Embora nosso país apresente uma fauna extremamente rica, parcos são os conhecimentos da população sobre ela. Um maior esclarecimento sobre nossas espécies e os reais riscos apresentados, diminuiria o número de acidentes e o impacto antropológico sobre essas comunidades faunísticas.

Muitas espécies de serpentes podem ser úteis ao homem como, por exemplo, as muçuranas (serpente não-agressiva e não-peçonhenta), Gêneros Clelia e Boiruna, que se alimentam principalmente de ofídios peçonhentos, como jararacas e cascavéis. Outro Gênero de destaque é Sibynomorphus (chamada cobra dormideira, inofensiva ao homem), que se alimenta de moluscos que ocasionalmente podem virar pragas em plantações, além de serem vetores de doenças. Serpentes dos Gêneros Bothrops e Crotalus possuem importante papel, na medida em que seus venenos são usados como matéria prima para fabricação de fármacos, além disso, agem como predadores naturais de roedores, os quais podem transmitir doenças como a leptospirose. Quanto aos outros animais que podem causar acidentes (aranhas, escorpiões e lagartas), destaca-se o Gênero Phoneutria, única aranha agressiva presente na região. Contudo, esses animais devem ser preservados pelo fato de fazerem parte de uma cadeia biológica e possuírem papel essencial tanto como predadores quanto presas, além de serem uma fonte ainda inexplorada de material genético que poderá ser utilizado futuramente em novas pesquisas. Inicialmente, entrou-se em contato com os representantes da comunidade, colocando-se a disposição para ministrar a palestra intitulada “Prevenção de Acidentes por Animais Peçonhentos”, assim como foram colocados cartazes divulgando e disponibilizando o trabalho na Mostra Permanente de Biologia da Universidade Federal de Santa Maria

onde passam dezenas de visitantes por dia. O método desenvolvido foi a realização de palestras periódicas, com duração média de 90 minutos junto à comunidade em geral, como escolas, quartéis militares, empresas privadas e a área médica. Visando a prevenção de acidentes e orientação da população através do conhecimento da bioecologia dos diferentes animais presentes na fauna gaúcha, especificamente na região central. Foram utilizadas várias formas de materiais como transparências, diapositivos, folder explicativo, datashow, vídeos didáticos e exemplares conservados de cada bicho (animais mortos conservados em formol) pertencentes à coleção didática do setor de zoologia da Universidade Federal de Santa Maria. Cada método explorado contribuiu para melhor identificação e maior conhecimento sobre cada animal. Os temas abordados bem como a profundidade do assunto foram de acordo com o perfil do público alvo, ou seja, nível de conhecimento e faixa etária. Essa interação com a comunidade realizou-se através dos seguintes tópicos: → caracterização e diferenciação de animais peçonhentos e nãopeçonhentos; → identificação das espécies, através de fotos detalhadas e em vários ângulos, além de ilustrações; → caracterização dos sintomas, com dados científicos e fotos das lesões; → tratamento, primeiros socorros e onde encontrar o soro adequado; → profilaxia; alerta aos lugares de ocorrência destes animais;

→ papel ecológico das espécies. Criou-se um “e-mail” (herpetologiaufsm@hotmail.com) para o projeto com o objetivo de manter um canal de comunicação entre a comunidade e os responsáveis pela execução do projeto. Este “e-mail” é acessado periodicamente para que sejam respondidas dúvidas surgidas após as palestras, bem como abordagens dos temas, ou ainda para que sejam agendadas novas palestras. Atualmente, o “e-mail” é divulgado a cada palestra, mas pretende-se expô-lo na página virtual da UFSM. Pensa-se com isso, aumentar o alcance do projeto, oferecendo um serviço de utilidade pública.
Resultados

Foram realizadas 11 palestras atendendo um público de 685 pessoas (Tabela) junto a escolas, entidades da área da saúde e fundações. Em todos os lugares ficou nítida a importância em desmistificar as lendas, principalmente com relação às serpentes, evitando atitudes que venham a agravar o quadro clínico em caso de acidentes, ou mesmo o equilíbrio ecológico das espécies. Segue abaixo uma tabela ilustrativa onde consta a lista com datas e respectivos públicos atingidos pelas palestras ministradas no ano de 2006.

Data
06/ junho 24/ junho 10/ julho 24/ julho 06/ novembro 07/ novembro 20/ novembro 20/ novembro 22/ novembro 27/ novembro 02/ dezembro

Público atendido
Alunos do Ensino Médio da Escola Estadual de Ensino Médio Manoel Ribas Alunos do Curso de Instrução da Cruz Vermelha de Santa Maria Alunos da Educação de Jovens e Adultos do Instituto Olavo Bilac Alunos da Educação de Jovens e Adultos do Instituto Olavo Bilac Funcionários da Votorantin de Pelotas Alunos da 1ª série do Ensino Médio da Escola Estadual de Educação Básica Augusto Ruschi Alunos da 6ª série do Ensino Fundamental da Escola Estadual de Educação Básica Augusto Ruschi Alunos da 2ª série do Ensino Médio da Escola Estadual de Educação Básica Augusto Ruschi Alunos do 7º, 8º e 9º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal de Ensino Fundamental Antônio Gonçalves do Amaral Alunos da 2ª série do Ensino Médio da Escola Estadual de Educação Básica Augusto Ruschi Alunos do Curso de Instrução da Cruz Vermelha de Santa Maria

Quorum
70 40 25 20 100 80 120 40 50 90 50

Conclusão Visto que há uma exposição do público em geral a ambientes amplamente povoados por animais, incluindo espécies peçonhentas, é de fundamental importância tais orientações, que podem evitar encontros desastrosos com esses representantes de nossa fauna local. Já que é notável a falta de informação e conhecimento sobre os animais em questão. Este projeto continuará em execução em 2007, pois é um projeto permanente buscando a cada ano um novo público em diferentes lugares da região central. Procurando levar informações científicas para a comunidade local, desenvolvendo um trabalho de utilidade pública, com orientações que visam prevenir acidentes ou, uma vez ocorrido, quais as medidas adequadas que devem ser tomadas. Referências Bibliográficas
AMARAL, C. F. S., DOURADO, H. V., KOUYOUMDJIAN, J. A., et al. Manual de diagnóstico e tratamento de acidentes ofídicos. Brasília: Centro de Documentação do Ministério da Saúde, 2a ed., 51 p., 1987. BARRAVIERA, B. Venenos: Aspectos clínicos e terapêuticos dos acidentes por animais peçonhentos. Rio de Janeiro: EPUB, 1º ed., 411 p.,1999. CAMPBELL, J. A.; LAMAR, W. W. The venomous reptiles of Latin America. New York: Kosmos, 1a ed., 425 p., 1989. CARDOSO, J. L. C., BRANDO, R. B. Acidentes por animais peçonhentos: clínica e tratamento. São Paulo: Santos, 1a ed., 24 p., 1982. ENCONTRO NACIONAL DE ACIDENTES POR ANIMAIS PEÇONHENTOS, 2., s/ data, Porto Alegre. Anais... Porto Alegre: Hospital de Clínicas, S/ data. 69 p. FERREIRA, M. L., MOURA-DA-SILVA, A. M., MOTA, I. Neutralization of different activities of venoms from nine species of Bothrops snakes by Bothrops jararaca antivenom. Toxicon, v. 30, n. 12, p. 1591 – 1602, 1992.

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