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TRABALHO, VIOLÊNCIA E AMAZÔNIA A realidade Amazônia não cabe numa folha de papel.

É uma
terra com muitos donos e nenhum estado. Isolada nos centros
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urbanos, grande parte da população brasileira desconhece a


realidade de trabalho e violência da Amazônia, que resulta na
aviltante prática do trabalho escravo, em pleno Brasil do
século XXI.

A OIT (Organização Internacional do Trabalho) denuncia a


existência do trabalho escravo desde 1985. Mesmo assim, foi
apenas em 1995 que o Brasil assumiu perante a ONU que as

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denúncias eram verdadeiras e começou a combater esse fato.
Entre 1995 e 2005 foram resgatados 17.983 trabalhadores, em
ações de grupos móveis de fiscalização do Ministério do
Trabalho. Em 2004, o governo brasileiro afirmou na ONU
que estimava a existência de 25 mil trabalhadores escravos no
país.

Por vivenciar e denunciar a miséria, o trabalho escravo e a


concentração de terra que o torna possível, Dorothy Stang,
freira norte-americana naturalizada brasileira, foi assassinada
com sete tiros, aos 73 anos de idade, em fevereiro de 2005. O
crime ocorreu pela manhã, em uma estrada de terra de difícil
acesso, a 53 quilômetros da sede do município de Anapu, no
Estado do Pará. Na época, o fato teve repercussão nacional e
mundial. Hoje, menos de três anos depois, a maior parte dos
brasileiros já nem se lembra do caso da Irmã Dorothy. Ele
caiu no esquecimento da mesma forma como aconteceu com
Imagem de divulgação – Nas terras do Bem-Virá o massacre de Eldorado dos Carajás, o assassinato de Chico
Mendes e tantas outras vítimas da realidade de trabalho e
violência que resiste ao tempo na Amazônia.
O documentário "Nas Terras do Bem-Virá" (Brasil, 2007, 110”,Alexandre Rampazzo), menção honrosa no festival
É tudo verdade – 2007, aborda a colonização da Amazônia, o trabalho escravo, o conflito agrário, a memória atual em
Eldorado dos Carajás do fato ocorrido em 1996 e o assassinato da Ir. Dorothy Stang. Ele faz, entre outras coisas, o
trabalho de rememoração e reflexão sempre bem vindo e necessário ao povo brasileiro, sobretudo no contexto dos
novos julgamentos de Rayfran das Neves Sales e Vitalmiro Bastos de Moura, envolvidos no assassinato de Dorothy.
Isso porque entre os dias 22 e 25 de outubro de 2007, as únicas pessoas responsabilizadas pelo covarde assassinato de
uma ativista em defesa da dignidade de um povo cansado de migrar e ser tratado como indigente poderão sair livres e
ilesas do crime que cometeram.
Nesse contexto, Alexandre Rampazzo e Tatiana Polastri, realizadores e roteiristas do documentário, estão
promovendo a exibição massiva de “Nas Terras do Bem-Virá”, com o claro objetivo de mobilizar a população e a
opinião pública para o julgamento de Rayfran e Vitalmiro (Bida) no sentido de que eles, e tudo que representam, não
saiam impunes. Por meio das sessões espera-se criar oportunidades de debate e possibilitar que pessoas que
possivelmente nunca teriam acesso ao documentário através do cinema possam se identificar e discutir sobre como
querem construir a História do Brasil.

"Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no
meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam
viver e produzir com dignidade sem devastar". (Dorothy Mae Stang)