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GIPE HISTÓRIA DE SERGIPE
FELISBELO FREIRE

PROJETO DIGITALIZANDO A HISTÓRIA
Carta de Sesmaria de Jorge Coelho 1596 Documento copiado do acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe

FELISBELO FREIRE
PROJETO DIGITALIZANDO A HISTÓRIA
ARACAJU –SE ARACAJU –SE 2009 2009

PROJETO DIGITALIZANDO A HISTÓRIA

A preocupação e a responsabilidade com a preservação da memória recai sobre os ombros daques que estão vivos e conscientes de sua participação na construção do hoje. É mister saber para tanto, que o domímio de novas tecnologias e o seu uso adequado apresenta-se como uma necessidade que urge frente as adversidades do tempo, e em muitas vezes do descaso com o patrimônio histórico. Digitalizar obras literárias que cumpriram e cumprem seu papel façe a sua importância no cenário cultural, é uma forma de eternizar o homem naquilo que o torna imortal, e é nesse sentido que este projeto pretende somar esforços com aqueles que vislumbram na digitalização de documentos históricos, uma nova forma de preservar o patrimônio cultural. A digitalização do livro História de Sergipe de Felisbelo Freire é apenas o começo de uma proposta que visa angariar adeptos e que tem um fim claro de preservação e de acesso facilitado, torrnando de domímio público muitas obras importantes e que dificilmente grande parte da comunidade cintífica e popular teriam acesso às mesmas. É um trabalho árduo e cansativo, contudo a certeza de sua importância nos revigora, e dá a convicção de estarmos no rumo certo pois se aprendemos algo no decorrer de nossa vida é a consciência de que não se comquista um objetivo nobre sem o desgate do labor. Arionaldo Moura Santos

Este livro digital é fruto do projeto “DIGITALIZANDO A HISTÓRIA” , desenvolvido pelo Prof. Arionaldo Moura Santos e contou com a colaboração de alunos do 1º ano F do ensino médio do turno da tarde matriculados no Colégio Tobias Barreto no ano de 2008.

ABINAEL ALVES SANTOS ARIANNE SANTOS RIBEIRO BRENDA SIQUEIRA MENESES BRUNO SANTOS ALVES CARLA KAREN DOS SANTOS OLIVEIRA CAROLINE PAIXÃO DAMACENA CLEANE ANTUNES DA SILVA CRISTIANE RODRIGUES DOS SANTOS DENYKSON SANTOS LIMA BESERRA EDÊNIA BRAZ SILVA EDER SILVA MALANCONI FELIPE BRUNO FARIAS DOS SANTOS FRANCIELLE DOS SANTOS OLIVEIRA ISABELLA ALVES DE ANDRADE ITAMARA GOMES DA SILVA JÉSSICA TÂMARA OLIVEIRA DOS SANTOS JOCLÉCIA BISPO DOS SANTOS

JONH ANTHONY BRITO RODRIGUES JOSE RODOLFO MELO RODRIGUES JULIANA SILVA DE OLIVEIRA JULIANE BRAZ DE OMENA JULIANO CARRA IWERSEN LAURITA MENESES GONÇALVES MAISA CAROLINE SANTOS MAYKE WANDERSON SANTOS ARAUJO MILEISSE DE SOUZA SANTOS MURILLO NOU MACIEL FILHO NILSON ANDRÉ MENEZES BARBOSA STEPHANY SANTOS ARAUJO TALES LEVI FONTES DOS SANTOS THALITA GRACE SANTOS BARBOSA VALDIANE DA SILVA FREITAS VICTOR ALBERDAN ALVES REZENDE

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PREFÁCIO
Tornar Sergipe conhecido do país e do estrangeiro foi a causa que me levou a escrecer sua história. Em um período, como o que atravessamos, em que o espírito de iniciativa levanta-se em todas as direções, compreendi e compreendi muito bem que a indiferença que têm votado a Sergipe, não só os governos do regime decaído, como os historiadores nacionais, contribuiu poderosamente para o atraso em que tem ele permanecido. A fertilidade de seu solo, o caráter pacífico de seus laboriosos habitantes, suas excelentes condições climáticas, deviam assegurar-lhe maior prosperidade, que não existe. Faltou a interferência de uma instituição patriótica. Suas naturais riquezas foram desprezadas, pela falta de uma propaganda. Além disto, sua influência histórica, na civilização do Norte, é muito maior do que geralmente supôe-se. Os históriadores nacionais têm cometido a grande falta de esquecerem sua história, e não descrevem essa influência, donde grandes lacunas que se nota na explicação dos fatos. Com excessão do Frei Vicente do Salvador que lhe dedica um ou dois capítulos em sua História do Brasil, todos os outros historiadores nenhuma página dedicam-lhe. Entretanto, não se pode contestar qua a razão de muitos fatos vai o historiador encontar em sua história. Não só facilitou Sergipe as comunicações entre Bahia e Pernambuco, como pela agundante criação do gado prestou inovidável serviço à vitória do portugês contra os holandês, contribuindo para que não se desmembrasse o território da grande pátria brasileira. Seu território serviu de ponto de pousada do exército emancipador, e o primeiro grito de revolução contra os holandeses foi levantado nas margens do rio Real. O leitor convencer-se-á da importância de sua história, pela leitura deste pequeno trabalho. Bem sei que a tarefa que tomei a mem estaá muito além de minhas forças. Sem o recurso de obras já escritas sobre Sergipe, tendo necessidade de um trabalho paciente e longo na busca de manuscritos e documentos, em seus cartórios e arquivos, compreende-se que me foi preciso muito trabalhar, para oferecer ao público esta modesta obra. As dificuldades com que lutei, em seis anos de pesquisas, foram inúmeras, e muitas vezes, confesso-o quis desistir do meu plano. E se não fora o auxilio e animação de amigos, por certo não levaria avante meu projeto. E peço permissão para aqui registrar seus nomes, como uma prova de sincero agradecimento: João Ribeiro, Capistrano de Abreu, Dr. João de Oliveira, José Ladislau Periera da Silva, Baltazar Góes, Josino de Menezes Eugênio José de Lima, Dr. João José do Monte, a cujo concurso devo a publicação deste livro, e outros. Saliento principalmente o nome do ilustrado professor João Ribeiro, a cujo invejável talento e atividade devo grande parte dos materiais que reuni.

Antes que a crítica aponte os deveitos de meu pequeno trabalho, eu deles tenho plena consciência. Meus recursos não me permitiram fazer coisa melhor. Além disto, sendo o primeiro trabalho no gênero, contra o que antolharam-se dificuldades de toda ordem, não podia sair isento de defeitos. Será para mim motivo de contentamento, se ele fornecer alguma auxílio a quem, com mais competência de que eu queira escrever a História de Sergipe. Isto para mim é bastante. Rio, 6 de fevereiro de 1891 Felisbelo Freire

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SUMÁRIO

Prefácio Felisbelo Freire,um vulto da ilustração brasileira

Introdução
Capitulo I- Os primitivos habitantes do brasil Capitulo II - Elementos étinicos do brasileiro. Sua fisiologia e psicologia. Capitulo III- Fatores externos da civilização no Brasil. O evolucionismo,a melhor teoria histórica Capitulo IV- Geologia de Sergipe.Fauna e flora. Sua produção

Livro I
Época de formação(1575-1696)
Capitulo I-Descoberta e conquista de Sergipe Capitulo II-Colonização de Sergipe. Sucessores de Cristóvão de Barros até 1637 Capitulo III-Minas. Primeiras explorações Capitulo IV-Invasão holandesa em Sergipe Estado da Capitania Capitulo V-Domínio holandês em Sergipe.Doação da Capitania Capitulo VI-Lutas em Sergipe.Sua recuperação. Fim do domínio holandês Capitulo VII-Novo domínio português

LIVRO II
Expansão colonial (1696 -1822)
Capítulo I – Sergipe, comarca da Bahia Capítulo II – Resultado das questões de limite meridional expulsão dos Jesuitas Capítulo III – Reusltado da abolisão da escravidão indígena. Movimento colonial até 1802. Estado econômico da capitania. Capítulo IV – Sergipe e a revolução pernambucana em 1817. Capítulo V – Sergipe capitania. Intervenção da Bahia. Juramento da Constituição e aclamação da Independência.

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Livro III
Política Imperial (1823 – 1855)
Capítulo I – Governo da junta provisória. Primeiro presidente. Sergipe, Província. Capítulo II – Sucessores de Manoel Fernandes da Silveira até 183l. Idéias republicanas na Estância e Brejo Grande. Movimentos de abril de 1831. Capítulo III – Governo da regência. Revolção em Santo Amaro em 1836. Capítulo IV – Delegados e segundo reinado até 1855. Mudança da capital. Instrução pública. Finanças. Os partidos. Capítulo V – Limites. Questões com Alagoas e Bahia.

APÊNDICE Sesmarias de Sergipe
Diversas catas de sesmarias.

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Afortunada. sejam psicológicos. todos nascidos em Sergipe. quando pouco. mas conservaram as suas raízes nas lutas pioneiras dos colonizadores. de seus heróis e mártires. deram início ao movimento de idéias conhecido como Escola do Recife. nas escolas normais e secundárias. cuja influência na cultura nacional se acentua a partir do terceiro quartel do século passado. A sua leitura torna-se indispensável à compreensão do presente. na poesia. a iniciativa de Dimensões do Brasil de incluir em seu programa uma série de história regional a fim de divulgar os traços comuns no processo de colonização e desenvolvimento econômico da antigas províncias. formação e expansão colonial. Era a doutrina ensinada nos cursos preparatórios às faculdades e em geral. Gumercindo Bessa e Fausto Cardoso. com a redução das distâncias. sejam sócio-econômicos. O País embora adolescente. transfigurada em seu destino geográfico e político. SERGIPE E A ILUSTRAÇÃO BRASILEIRA A circunstância deve ser ressaltada diante de Sergipe. em seus limites geográficos. Cada estado participa do conjunto. Silvio Romero. As considerações acima nascem diante deste livro. contava o Brasil apenas com uma corrente filosófica: o ecletismo espiritualista. UM VULTO DA ILUSTRAÇÃO BRASILEIRA PAULO MERCADANTE A CONFIGURAÇÃO REGIONAL Os diferentes estados que configuram o território brasileiro não representam formas traçadas ao acaso. a escassa ou densa população. no direito e na ideologia republicana. É de valia pouca a dimensão geográfica de cada uma. 7 . A esse tempo. formou-se em razão de um processo natural. não permitir a ruptura de um processo paralelo de natureza cultural. quando começava a formar-se a Ilustração brasileira. e as vicissitudes teceram ao longo no tempo de quase cinco séculos a fisionomia de seus membros políticos. sempre constitui a mutilação desnecessária. maiores ou menores. As velhas províncias armaram-se das mais novas conquistas . assim.FELISBELO FREIRE. A repercussão da atividade intelectual alcançou a cultura brasileira. São os alicerces de uma antiga província.ou maior ou menor índice de progresso material. ainda que ornados dos melhores propósitos. trazendo as virtudes desenvolvidas no esforço do crescimento. diversificam-se os primeiros em função de circunstâncias e momentos. Preservar a história. o vigor da atividade econômica. na crítica. que a tecnologia favorece. Introduzir nesse quadro de forças vivas um acréscimo de gabinete. Correspondia à filosofia oficial do Segundo Reinado. por capricho de um gênio.os últimos são resultados de um curso que acaba imprimindo nos costumes e comportamento dos habitantes um traço inconfundível e original. significa. e que se puseram dispostas. Granjeara a doutrina de Victor Cousim importantes adesões entre os intelectuais. pois este sempre resulta dos elementos que compõem a vida de uma comunidade. que abrange quase três séculos de história. No acervo assim havido somam-se valores materiais e espirituais. Tobias Barreto. deixando as suas marcas na ciência.

retornados da Bahia. e tratou de fixar-se em pleno terreno dos problemas ditos metafísicos.a denúncia das insuficiências do mecanicismo de Haeckel e o empenho de aproximar-se do sistema kantiano. Diante disso. Tobias Barreto teve a sensibilidade de verificar que o positivismo não poderia por muito tempo satisfazer as solicitações d intelectualidade. passaria revista ao pensamento filosófico nacional e firmar-se-ia como crítico e pensador. assistir à maneira como foi sendo elaborada. pode ser encarada sob dois aspectos diferentes. Em e1884 nova orientação imprimia Tobias Barreto ao seu pensamento. pelo contrário. verificamos que o número de doutores em Medicina supera expressivamente o de bacharéis em Direito. simplesmente abandonados pelos partidários de Comte. ao sabor de novas incursões do espiritualismo. mas sem o sacrifício da filosofia. Sua versatilidade dir-se-ia explicada pelas condições próprias da época. Deseja radicar no País o pensamento científico. No Rio de Janeiro. ligado à inquietação do tempo. revelando. nos lares e nos grêmios. Porém se deve à personagem do Prefácio a necessária ênfase que se concede à importância da filosofia e da ciência na formação de seu espírito de historiador. se procedemos ao exame das profissões da elite local até 1872. ou seja. a cujo destino se misturam indissoluvelmente a ciência e a filosofia. empenharam-se a fundo no combate ao ecletismo. A ciência. entre 8 . a formação dos conceitos e das teorias parece obedecer apenas a necessidades interiores: no segundo. enfim. na década de noventa. escreveu ele. Em Sergipe no século passado.‖ SERGIPE E A ESCOLA DE RECIFE Revele o leitor o atalho por onde quase me perdi. entre os profissionais. o farol que lhe conduz o pensamento é ela. ―ciência encarada assim. a exemplo dos jovens engenheiros e militares empolgados com os postulados do positivismo. Tal sentido soube Jesus Caraça expor com lucidez. seria o autor deste livro Felisbelo Freire. Por tais razões. Por isso em seus trabalhos. impregnado de condição humana. A polêmica científica devia gerar. Ou se olha para ela como vem exposta nos livros de ensino.Parece fora de dúvida que tanto Tobias Barreto como Silvio Romero. Juntos de Spencer ficavam seus companheiros Silvio Romero. mais fácil se tornava o estudo superior na Bahia do que em Pernambuco. durante a década de setenta. Silvio Romero voltava-se para a crítica parlamentar. Clóvis Belviláqua e muitos outros simpatizavam com algumas teses do filosofo inglês. com as suas forças e as fraquezas e subordinado às grandes necessidades do homem na sua luta pelo entendimento e pela libertação. apoiar-se-ia no evolucionismo para combater o positivismo ortodoxo. aparece-nos como um organismo vivo. que nasce na filosofia e que amadurece na história. em meio século de vida independente. como coisa criada. No primeiro aspecto. ou procuramos acompanhá-la no seu desenvolvimento progressivo. vê-se toda a influência que o ambiente da vida social exerce na criação dela. parece bastar-se a si própria. como um grande capítulo da vida humana social. aspiravam uma reforma total da ideologia. a história. a luta da época travada no terreno da fisiologia. parece-nos. não fosse o brilho que imprimiu a faina de historiador. Marca-lhe a presença na vida cultural brasileira um insistente labor de pesquisa. Outro vulto de Sergipe. Imaginemos o que significava para a sociedade da capital da província e do interior a plêiade de doutores. ao ter início o movimento do qual resultaria a Escola de Recife. também Artur Orlando. por motivos ainda pouco estudados.

apoiados numa fisiologia hipotética. a concepção do vitalismo convencional. co correr dos anos. Reminiscências medievais. não haver especificidade da matéria viva. a cursar Direito. cujo eco chegaria até o Recife por intermédio do grupo de sergipanos que preferiria o curso jurídico. Admita o conflito entre forças vitais e forças físico-quimicas . em circunstâncias referidas por Gilberto Freyire. e sim para a Bahia. Predominara. o fisiologista francês antepunha ao vitalismo a sua doutrina de determinismo biológico. O grande médico produzira Barthez e Bordeu. a admiração que proporciona o prestígio. Fausto Cardoso e Gumersindo Bessa se desviassem do causuísmo jurídico para o campo do biologismo social. a estudar na Faculdade de Medicina. Bordeu produzira Bichat. a resultante da divergência seria Claude Bernard. que consagraria a unidade da observação médica e a experimentação fisiológica. circunstância que desviava os médicos de conceitos patológicos e clínicos firmados na anatomia. O tradicionalismo. contribuído para que Tobias Barreto Silvio Romero. porque todos se explicariam pelos princípios da Mecânica. ligando-os às leis gerais da matéria sempre que disso forem suscetíveis. conciliando o espiritualismo. o materialismo e o positivismo no terreno da ciência pura. quando de sua incursão na Fisiologia.os curiosos e diletantes. e afirma-se em desfio. Adotava a definição de Biologia dada por Blainville: ― a ciência que analisa os animais os fenômenos da vida e procura explicálos. conforme se vê das teses apresentadas na Faculdade de Medicina. o fundador da Biologia. dificultavam o desenvolvimento das pesquisas em geral. carregadas de retórica. sem imposições agnósticas ou antiespiritualistas. com uma tese de Justiniano da Silva Gomes sobre plano e método de um curso de Fisiologia. a cuja doutrina repugnava o exame de cadáveres a fim de serem elucidados os problemas da vida. 9 . As raízes das novas tendências estavam na orientação que um discípulo d Sthal imprimira às pesquisas científicas biológicas. Assim. Felisbelo Freire não seguiu para o Recife. defendeu-se por mais de meio século. Tratava-se de um sistema especulativo. o espiritualismo e o próprio vitalismo. Interpenetram-se as idéias suscitadas no Recife por Tobias Barreto e seus companheiros e discípulos com o movimento de renovação científica da Bahia. Tratava-se da influência que Augusto Comte desencadeara no campo das ciências naturais. ao escrever um opúsculo sobre o tratado de Broussais. que englobava o ecletismo. Teve inicio o ataque ao vitalismo de Barthez quase na primeira metade do século. Bichat divergira do condiscípulo Bordeu. e particularmente na Anatomia e na Fisiologia. O debate trava-se de um lado. Lá chegava em plena peleja de desde anos se renhia entre os adeptos de uma ciência tradicionalista e os entusiastas das correntes avançadas da biologia. levando o vitalismoa a uma concepção biológica. As idéias voltam-se contra os conceitos tradicionais. nem distinção entre os fenômenos vitais e físicoquímicos. Na Faculdade de Direito a influência do status do doutor em medicina teria assim. O médico. Adveio uma tendência que se caracterizava pela aceitação do positivo nas ciências. extrínseca a intrinsecamente. de uma cultura brasileira que se desenvolvia sob o estímulo de uma saudável diversidade ou pluralidade de influências e condições. as velhas correntes do mecanicismo. que estivera em Paris. Os preconceitos existentes nas ciências naturais tinham criado à Medicina os maiores obstáculos no século passado. Singular a circunstância. referia-se a li dos três estados fenômenos.

lá o alcança. aprofunda os seus estudos sobre Sergipe.outro trabalho da época seriam os Fatores Esternos da Civilização no Brasil. que introduzia o historiador nos círculos intelectuais brasileiro. e que nos falou outro sergipano Gilberto Amado. redimir o negro de sua condição. na introdução de seu livro. Haeckel. Ao mesmo tempo. sobre nós esvoaçava de todos os pontos do horizonte. Publica. inspirada num bando de idéias novas que segundo Silvio Romero. que ciosamente arquivava as glórias do Maranhão: a Alencar Araripe. Irmanam-se em suas digressões. e mal chegado a Laranjeiras. A PESQUISA REGIONALISTA Naquele ano distante. Adota assim as correntes em voga. onde passou a clinicar. os moços das Escolas de Direito do Recife e de Medicina da Bahia procuravam sacudir as instituições imperiais. A inquietação era tal. com as obras de Spencer. que o situa. que se embrenhava pelo Mato Grosso. que apurava a Crônica das Alagoas. 10 . as citações de Spencer e seus epígonos com o verbete do Dicionário de Medicina. que preparava a história do Ceará. durante o curso de Medicina. para o estudo de Medicina. Capistrano de Abreu. um conjunto de obras importantes. no terreno da história regional. Darwin. O lastro de ciência adquirido na Bahia mostrava-se em Felisbelo Freire ao divulgar a doutrina evolucionista. Assim. Os limites do estado são tratados após 1888 na imprensa de Laranjeiras e posteriormente em O Republicano. de Aracaju. Na província nordestina sem recursos. artigos sobre história no jornal A Reforma. em meio â ―fulgurante plebe‖ . sem sombra de dúvida. concluído o curso em 1882. um inventário da atividade cultural já demonstrava. referia-se a Augusto e Pereira da Costa que aprofundaram a história de Pernambuco : a Alcides Lima que revelara a história do Rio Grande do Sul: a Henriques Leal. a partir de 1886. e . Em 1888 publicava na revista Trimestral do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro sua ― Memória sobre a Colonização de Sergipe de 1590 a 1600‖. escrevendo sobre o Visconde do Porto Seguro. e a Paulino da Fonseca. questão relativa a Geologia e aos elementos étnicos dos brasileiros do ponto de vista da doutrina evolucionista. tarefa que desempenha na militância republicana. se o embate na Biologia o levara aos pensadores naturalistas e evolucionistas. A estrutura do País levantava-se pele exercício da pesquisa regionalista. Significativo engajamento ao sabor do tempo. Felisbelo Freire. a Severino da Fonseca. desafiados pelo atraso e pobreza. As novas correntes condenavam com veemência o instituto do cativeiro e eram simpáticas ao ideal republicano. abordando. e superar no campo da Ciência de da Filosofia o ranço do ecletismo francês. Buckle e seus discípulos no Brasil. Felisbelo Freire dá inicio á sua atividade como escritor.Nesse campo da luta chega à Bahia. especialmente Tobias Barreto e Silvio Romero. A atmosfera polêmica entre o vitalismo agonizante e as concepções científicas despertaria no moço a inquietação filosófica. provocandolhe os apontamentos publicados na imprensa. Uma obra política de Anfriso Fialho – O Processo da Momarquia Brasileira. Familiarizara-se o doutor. também a Filosofia o conduzia à política e a contestação do sistema monárquico.

a sua palavra sempre foi ouvida com o maior respeito nos instantes críticos da vida republicana. diz um dos seus biógrafos. ― A sua principal preocupação como o iniciador da forma republicana do governo. num artigo sobre o evolucionismo. era proclamada a república. A ATIVIDADE POLÍTICA E O HISTORIADOR Em 1889. ―tendo haurido no estudo dos melhores autores vasta cultura jurídica. em 1893. viria a lume em 1891. Aparecia o historiador. mudava-se Felisbelo Freire para o Rio de Janeiro. constituinte. integrava a Comissão incumbida da reorganização dos estados. Por ocasião dos debates na Câmara dos Deputados sobre os projetos de emissão de papel-moeda e do orçamento da receita e despesa revelou estudos especiais acerca desses temas. a maior soma de benefícios para o Estado. dois anos após. Se encerrou. E um livro didático. o interesse por temas médicos. 1915/1917. que lhe concederam os estudos universitários. de uma forma algo eclética. como a história do constitucionalismo norte-americano. no Brasil. muito se orgulhava o médico e escritor. Fechava-se num volume o resultado de quase dez anos de pesquisas e estudos. Firmam-se nesta iniciativa as raízes do futuro constitucionalista. foi adaptar o serviço público à índole das novas instituições. ao mesmo tempo. 1909/1911. discorria com igual competência sobre Medicina. na capital do País. A respeito do período. Fundaram jornais e. Assumira Felisbele Freire. Finanças e Legislação Comparada. Da ―Evolução da Matéria‖. vertente que acabou constituindo-se. elementos de História Natural. não se trata de uma obra elaborada de afogadilho. ainda em Laranjeiras. Da filiação ao naturalismo. onde poucos meses depois . depõe Armindo Guaraná. Direito Público. conferência que recitou em 1887. Mandato que com a morte interromperia. sobre Política. Poucos conhecia como ele a história financeira e orçamentária do Brasil. História de Sergipe.A fenda devia ser aberta no campo político. encarando-os com a largueza de vistas de um perfeito home de estado‖. com Baltasar de Araújo Góis e Josino Meneses já havia Felisbelo Freire constituído o núcleo de combate à escravidão e à monarquia. onde. Regressa como presidente de seu estado e delegado das novas instituições. Acompanhou-o pela vida afora a admiração de fiel discípulo aos pensadores alemães e ingleses. extraiu novas considerações . convocou-se um Congresso que redigiu um projeto de Constituição e estabeleceu uma assembléia do partido. no torvelinho dos primeiro meses republicanos. em Laranjeiras se instalara o quartel general das forças republicanas. no primeiro e único trabalho. inspirados na escola evolucionista. Figura notável. Reelege-se deputado nas legislaturas de 1897/1899. 1912/1914. 1903/1905. Novamente se 11 . participando da elaboração do diploma que iria viger por quase quarenta anos.‖ O volume hora reeditado. entre os quais conseguiu realizar o da navegação direta para o Rio de Janeiro. promovendo. nunca interromperia os estudos de ciências naturais. a história parlamentar do país. Desdobra-se Felisbelo Freire em sua multiforme atividade. apareceria mais tarde. a pasta da Fazenda tendo acumulado interinamente as funções de Ministro dos Negócios Exteriores. em dezembro de 1888. manifestada repetidas vezes nos debates do Parlamento. Em 1894 concluía a editoração dos três volumes da História Constitucional da República dos Estados Unidos do Brasil.

e discursos pronunciados na Câmara dos Deputados. publicados na imprensa carioca. falecia no Rio de Janeiro Felisbelo Freire. chegara a reger uma orquestra em concerto oferecido a famoso maestro. bem como as questões relativas a limites. referente à Bahia. Registram as crônicas da vida caria o brilho dos concertos em sua residência. Diversos trabalhos especializados em Economia e Finanças. que fugia das preocupações maiores no velho hábito que trouxera da vida estudantil na Bahia. Felisbelo Freire programara cinco volumes. com menos de sessenta anos. os motivos das linha de povoamento. formação das vilas e cidades. vindo a lumeapenas o primeiro tomo. como acadêmico de Medicina. obra de importante significação na cultura brasileira. O plano a que visava não se concretizou. origem da manufatura. patrimônio das câmaras municipais e terras devolutas. as ordens religiosas. Sergipe e Espírito Santo. Em 1916. antigas estradas. que abrangessem a fusão das antigas capitanias. Era o repouso do incansável trabalhador. sucumbindo o sábio e humanista em face das desilusões que a política provoca em sensibilidades delicadas. Lá.incorporaria ao historiador a sólida base científica e filosófica. prenunciam o autor da História Territorial do Brasil. cansara-se na clínica e no estudo. Desgastara-se na atividade incessante. o devassamento dos sertões. 12 . onde como um virtuose. figura singular da Ilustração Brasileira. executava peças clássicas e variadas.

Desde as inscrições gravadas em pedras e encontradas na serra da Escama. e não estão acumulados os grandes subsídios que reclamam de outra ciências. Léry. essas obras deixam insolúveis os maiores problemas da pré-história. onde se contam Martius. e muitas outras ciências. Destituídas de espírito filosófico. a etnologia. por mais obscuros que sejam o intelecto e o grau de civilização e a natureza de sentimento dos seus progenitores. tudo tem servido de objeto de estudo. para esclareces questões relativas aos povos brasileiros. cujas afirmações são baseadas em uma multiplicidade de teorias. pó uma lei de sucessão. quanto a herança tende a perpetuar seus caracteres. Ladislau Neto e outros. dos sanbaquís do Pará. para decifrar essas tradições antiqüíssimas.INTRODUÇÃO CAPÍTULO I OS PRIMITIVOS HABITANTES DO BRASIL As exigências da orientação científica moderna dificultaram consideravelmente o encargo de escrever a história de um povo. Carlos Weiner. tanto mais importante. Ainda que não possamos fazer coro com aqueles que acham de nulo valor os estudos de pré-história. Eves d‘Evreux e muitos outros. Batista de Lacerda. Pode-se bem compreender que o historiador tem necessidade de apelar para o concurso de diversas ciências. a história a que fica reduzida? As afirmações sem nexo. esquecendo a marcha evolutiva do espírito humano. que não tendem a ligar os fatos. Por mais longínquos que estejam os seus antecedentes. através do tempo e do espaço. em Itamaracá. e entre brasileiros Gonçalves Dias. com admiráveis pontos de contato com a ideografia do México. Por essa diversidade de auxílios que o historiador é obrigado a reclamar de diversas ciências. d‘Orbigny. Derby e muitos outros. Catarina. descrever o grau artístico de seus primitivos habitantes na arte cerâmica. 13 . ainda que imperfeitamente. entre estrangeiros. a fim de prendê-lo aos tempos históricos. com as diversas diferenciações e integrações. O conhecimento completo do elemento autóctone de qualquer povo não deverá ser esquecido pelo historiador. Rio Grande do Sul. desde os caracteres simbólicos de Marajó. que nele vão se operando pelas ações recíprocas dos meios. até as explorações das cavernas. Couto de Magalhães. Gabriel Soares. sem o que ficará um hiato que contribuirá para desvirtuar as leis da civilização humana. Poderemos citar Vaz de Caminha. trabalhos mais ou menos importantes se tem feito. no vale do rio negro. onde se tem podido. e o sentimento religioso nos ídolos. Lund. compreende-se facilmente que a história brasileira acha-se muito longe do pé que o espírito científico requer. puramente descritivas. a lingüística. Hartt. Egito e Índia: desde a exploração do mound de Pascoval. a antropologia. a geologia. Pelo avanço da ciência. não obstante a força antagônica da adaptação. todavia as afirmações nesse sentido não passam ainda de hipóteses não corroboradas por uma unidade de vistas. China. Ferreira Pena. Hans Staden. Sta. dos espíritos cientistas. uma brilhante plêiade se formou. Sem a biologia. Desde o século XVI . que nele há de ver um fator de colaboração. Rodrigues Peixoto. o historiador tem necessidade de olhar para esse passado préhistórico. Não está feito o largo pedestal sobre o qual tem ela de descansar.

Sylvio Romero já refutou o turanismo. E é isto.. e que se conhecem pelo tipo braquicéfalo do basco francês: a coincidência da dolicocefaleia do basco espanhol. onde uma parte estacionou. bem como o fenômeno da persistência da modinha brasileira. Essa população turana descida da alta Ásia dividiu-se em dois grupos. Brantz e outros. convergindo ambos. da mitografia.Ainda que os trabalhos. que na família humana vê uma tríada pertencente às línguas turanianas. com o berbere. que o ilustrado crítico sergipano Sylvio Romero põe em saliência. Nott e Gilddon. Teófilo Braga. E aqui não fazemos mais do que resumir a oposição do ilustre crítico sergipano. um procurando norte da Europa e outro a América. como notou Broca. com os cânticos acádios e chineses. Sayce. aproximando o romanceiro peninsular ou Aravias dos cantos históricos ou javaris do Peru. de Martius e Lund. auxiliado pelos trabalhos de Meyer.‖ Os trabalhos de Frederico Muller. de lado. na impossibilidade de uma divisão simétrica das línguas. vejamos se a primitiva raça que colonizou o Brasil foi a raça turaniana. e o mesmo processo lava a grandes resultados. esta posição dúbia. que ele mesmo sentiu-se em sérias dificuldades. E a refutação era tão magistral. Witney. procurando fundamentar suas vistas na suposta dolicocefaleia das raças da América do Norte. porque nos outros 14 . em uma triáda de famílias. chimpanzé. impressionado pela diversidade dos caracteres craniométricos do basco francês e do basco espanhol. pela qual chegou ao autoctonismo dos indígenas da América. arang. levou tanto a convicção ao próprio espírito do literato português. Não obstante a nova estrada que abriu Morton na etnografia americana. para conciliar o turanismo com as verdades cintíficas enunciadas pelos competentes órgãos da lingüística. com quer Teófilo Braga. da etnografia. É por isso que se torna legítima a comparação das canções prevençais. Deixando isto. Hovelacque e outros já haviam refutado a tríada de Max-Muller. principalmente de Hartt. não se prestando a natureza a uma categorização tão simples. de onde se conclui ser de onde se conclui ser o velho mundo a pátria da espécie humana. gorilho. todavia se procura ver nos dois seguintes pontos a base sólida do asiatismo americano: a) a ausência na América dos antropomorfos. porém. muito esclareçam as questões relativas às raças pré-históricas do Brasil. arianas e semíticas. com diz gaidoz. Schleicher. vindo através da África. E é ele quem diz ― foi das raças nômadas da alta Ásia que se destacaram essas migrações que entraram a Europa antes dos indo-europeus. da antropologia. No Brasil. do mundo inteiro. para o sul da Europa onde deixaram os vestígios na braquicefalia do basco francês e na dolicocefaleia do basco espanhol. revela-nos também o caminho por onde o turanismo da Ásia entrou no sul da Europa. chega a admitir a marca do povo turaniano na América. orientação para a qual convergiram homens como Mayer. gibon. fenômeno idêntico ao que se deu na Europa. mostrando que a substituição proposta pelo literato português do nome seytho mongólicas pelo de raças turanianas não indica mais do que a convicção do literato português sobre a inanidade do turanismo. Dentre as tórias de Max-Muller. e a braquicefaleia geral dos da América do sul. todavia os materiais que o espírito de investigação tem reunido ainda não são suficientes para explicar a origem do homem primitivo do Brasil. quando Teófilo Braga em Portugal espalhava o turanismo. depois.

Darwin e haeckel não afirmam senão que a espécie humana é um colateral afastado do pithecoide. eram de feldspato. Entretanto se a competência de Fischer levou a convicção ao espírito de Barbosa Rodrigues. somente no Turkestan e a jadite no distrito de Junnan. senão os vestígios dessa imigração asiática quem em tempos idos. Europa. e cuaj origem. já enterrados no solo. chamados pelos índios Cunuris. ornatos e outros semelhantes. nem a paleontologia assegura haver um só centro de criação do pithecantropo de Heackel. onde temse encontrado artefatos de pedras verdes. quando foi ela povoada pelos asiáticos. Realmente o botânico brasileiro. já ainda em uso entre povos incultos ou civilizados. Da ausência absoluta de jadeítes e nefrites em outros continentes. por parte de competentíssimos cientistas. rochas exclusivas da Ásia. especialmente na América. objetos tais como machados. alguns de nefrite e jadeíte. de onde o hiato que tem motivado a mão aceitação absoluta do transformismo: como a multiplicidade dos centros de criação humana está merecendo hoje adesões sinceras. A hipótese foi principalmente arquitetada pelo professor Henriques Fischer de Friburgo sendo aliás partilhada por muitos outros investigadores notáveis‖. levou o ilustre botânico brasileiro Barbosa Rodrigues a não ser no muiraquitã ou álibi. por que até o presente só chegou ao nosso conhecimento a existência de jazidas nativas de material bruto na Ásia e na Oceania. nas cidades lacustres. pela corrente imigratória que primitivamente povoou-a. que mostra ter encontrado jazidas de nefrite e jadeite na Europa. dos índios amazônicos. É uma aplicação errônea que o assiatismo faz do transformismo. outra opinião não menos importante levantou-se em oposição. Não só o darwinismo não assegura ser a espécie humana o descendente direto do antropomorfo. aqui o transcrevemos: ―Perdeu-se certamente o conhecimento das jazidas originárias do 15 . formula-se a hipótese de provirem da Ásia conjuntamente os objetos europeus e os americanos. exceto na Ásia. ― Para a explicação deste fato. e de quartzo os brancos. semelhantes aos enfeites de pedras que os Uaupés do Rio Negro trazem no pescoço. é obscura.quirimbitás – chegou a convicção de que os muiraquitã é de jadeíte e cloromelanite. as mais das vezes verde. pedras que não existindo na América foram exportados da Ásia.a de Meyer . amuletos. quis-se concluir em favor de uma imigração asiática para a América. álibi. Diz o sábio mineralogista de Dresde: ― por questão da nefrite deve entenderse o seguinte: encontram-se em muitos lugares. objetos de uma pedra muito dura. levados uns para a Europa. quando para aí deu-se a imigração dos povos.continentes falta o primeiro elo da cadeia antropológica: b) ter-se encontrado nos artefatos da América. deu-se para o Brasil. Ásia. Aproveitando o resumo de Sylvio das conclusões de Meyer. aplicadas por Barbosa Rodrigues à América. nas estações funerárias. para quem os muiraquitãs. em muitos caso. Ásia e Nova Zelândia. sobre quase toda a superfície da terra. O primeiro que impugnou no Brasil as asseverações de Fischer. os verdes. foi Sylvio Romero utilizando-se dos trabalhos de Meyer. Oceania e no território de Alaska na América. A alta competência do ilustrado mineralogista Fischer que declara existirem as jazidas de nefrite. e para a América os outros. cuja composição não deixa dúvida de ser de jadeíte e nefrite.

Japão. porém. em cujos habitantes primitivos nota-se a ação de mais de um elemento étnico. que provam o predomino da dolicocefalia na América do Sul. Pelo que se refere especialmente ao império dos Aztecas. Quanto à dualidade dos caracteres caniométricos. morais e físicos. a reprodução do basco francês e espanhol . as diferenças nas formas dos crânios .e dos metais. leva alguns espíritos a serem exclusivistas na origem dos povos americanos. com que Berlioux. a falta de alfabeto. ou Indochina. não asseguram a verdade dessas exclusivas conclusões. em sua escultura. perante as conclusões a que vai chegando a antropologia brasileira. invocada por Teófilo Braga. não representa uma verdade sancionada pela ciência. que consideram o índio americano como um produto do solo ameriano. Os ensinamentos da lingüística. para se aceitar uma migração asiática pela América. há improbabilidade manifesta de. Como o Dr Ladislau Neto : dos Carios. Além disso. essas ligeiras analogias lingüística estão longe de indicar uma identidade de estrutura da língua e da organização gramatical. como quer Varnhagen. as diferenças do sistema aritmético o descobrimento do pequeno ciclo do tempo – a semana. se a tendência de buscar na imigração dos povos asiáticos a explicação de ligeiras analogias. São três considerações de peso‖. o mesmo não podemos dizer relativamente à bela teoria do indigenismo de Morton e Simonin. da antropologia e da etnografia e de todos os conhecimentos préhistóricos. China. são por demais eloqüentes as conclusões a que chegaram Nott e Gilddon. O asiatismo. de um sistema de escrita fonética. Assim. Demais. dos Líbios ao Atlantes. observa o sábio autor. um caráter puramente local e indígena. chefes da escola indigenista nos Estados Unidos. uma prova de serem preparados no país. como ponto exclusivo da origem do índio americano. elas. somente chegar ao México a jadeíte e jamais a nefrite.mineral. Se esse exclusivismo não se pode sustentar com os materiais que a préhistória americana vai reunindo. Achamos que as duas teorias devem se superar. pois. são fatos que protestam contra a transmigração. a fauna e a flora muito distinta das do velho mundo. o professor de Dresde nota que os objetos ali encontrados tem todos . para fundamentar o seu turanismo e que viu na braquicefalia dos índios da América do Sul e na dolicocefalia dos da América do Norte. que a lingüística e a arqueologia dos povos da America apresentam com os do continente oriental. que espírito de investigação vai reunindo. Ora. entre os povos da América e os do Oriente. temos os estudos dos ilustrados antropologistas brasileiros Rodrigues Peixoto e Batista de Lacerda. é perigoso afirmar a descendência do índio americano de uma migração asiática dos chineses ou dos Egípcios. Nota mais a circunstância de ser o tributo de muitas províncias o Império obrigatoriamente pago em jadeíte. relativamente. todavia certos achados da etnografia mostram a falta de base desse exclusivismo. Se Martius e Fidel Lopes apresentam um grande número de palavras com raízes do sânscrito. devem existir no continente. os traços característicos dos povos do continente americano. ao menos no México e na região amazônica. à Americana . no caso de importação da Sibéria. é inverossímel que servisse de moeda uma substância que se não encontrasse no próprio império. de animais domésticos. Por mais esforços que façam aqueles que estabelecem como uma verdade a unidade 16 .

dos costumes. eram da mesma raça que os que no descobrimento foram aí encontrados. No Brasil. Egito e Índia. é que houve uma uniformidade das leis que presidiram o desenvolvimento do espírito humano. não se pode duvidar desses focos de criação humana. o sábio Lund chega a conclusão de que a existência do homem neste continente data de tempos anteriores à época em que acabaram de existir as últimas raças de animais gigantescos. muito anterior à do velho são fatos que não devem ser desprezados. e da língua. e com o qual colaborou para a formação das populações mestiças. e que a América já era habitada em tempos. sempre se encontram com uma força antagônica. de que acima falamos. quando as mais partes do mundo estavam ainda submergidas no seio do oceano universal. alimento e solo. as duas tórias devem caminhar juntas. com um elemento étnico autóctone em todos os continentes . Os dois ilustres antropólogos brasileiros. em todas as manifestações emocionais. em que os primeiros raios da história não tenham ainda apontado no horizonte do novo mundo. autóctone nos continentes.i Lund chega à conclusão de que a Pelos estudos nas escavações das cavernas do Brasil. dirigidas exclusivamente pelas leis físicas – de clima. As imigrações de povos. e os geológicos e arqueológicos de Lund. mostrou as civilizações primitivas como produto do meio físico. Não se pode muito duvidar da existência de um elemento autóctone na América e no Brasil. Quanto à America. O elemento indígena foi sempre a força que se levantou contra o elemento alienígena.da criação humana. As normalidades que a espécie humana apresenta em sua mitografia. na arte. não provam uma unidade de origem.como as do México. não podem obscurece a verdade da história. ou surgiram apenas como umas ilhas insignificantes. chegam a conclusão de que em temos primitivos existiram no Brasil dois tipos étnicos. que eram motivadas. dos ritos. a formação geológica do novo continente. quer pelo espírito de conquistas. morais e intelectuais. dos povos espalhados pelo território americano. Guatemala. O homem da Lagoa Santa e o homem do Sambaqui. ainda que os povos não sejam. A conseqüência a que chegamos. bastantes distintos pelos caracteres craniométriocos. Depois que o espírito altamente investigador do sábio historiador inglês Buckle . 17 . produto psicológico muito precoce na espécie humana. em suma. e que os povos que nessa remotíssima época habitavam –na . ― a natureza geológica do platô central do Brasil demonstra que ali existia como um extenso continente a parte central do Brasil. dos quais são os pósteros representantes dos bugres do Paraná e os botocudos. na lingüística. representam esses dois tipos. tocando assim ao Brasil o título de ser o mais antigo continente do nosso planeta ―. Peru. quer por condições locais. como observa Lund. na existência de um elemento étnico. bem provadas por Morton. principalmente. todavia os trabalhos antropológicos de Batista e Lacerda e de Rodrigues Peixoto. donde rebentam outras formas ancestrais das civilizações. As grandes analogias das crenças. de um cruzamento entre o elemento primitivo e o elemento estrangeiro. Realmente diz esse grande sábio. Um produto semelhante a si nunca deixou o homem de encontrar na carreira de suas migrações. deixaram alguma luz neste sentido. em larga escala.

Nas produções intelectuais. prefixos e sufixos. Rodrigues Peixoto assim se exprime: ―Pelos caracteres do crânio cerebral. cujo estudo demonstra que mais de um povo. nas inscrições. que houve uma migração extra-americana. Ferreira Pena considera os Caribas e os Aruãs os construtores das cerâmicas do Pará. como querem alguns. que procura inspirar-se em mais de um processo e que denomina Brasilio-Guarany. aqueles cua evolução mental achava-se mais atrasada. Pelos caracteres da face são parentes próximos da ração dos Sanbaquis. como Guaraios. francamente dolicocéfalo e hipsistenocéfalo. até um certo ponto a abaixar o diâmetro vetical. na lingüística. Verificando sempre a justaposição desses dois elementos na craniologia botocuda. Nessas necrópoles tem-se notado três camadas de urnas funerárias. E hoje escreve-e que os índio do Brasil no tempo da colonização. outros nas formas dos crânios. vasos. a semelhança de objetos e deformas cranianas em diversos continentes. no estilo. dirigidas do Norte. pois a identidade de cor de relações subjetivas e psicológicas na semelhança das raízes. na ornamentação. nas lendas. porém. E os diferentes processos de classificações que se tem procurado para o índio americano. a diversidade de ornamentação e estilo gravada nas urnas funerárias. Tupis. Botocudos e diversas tribos.Estes últimos Rodrigues Peixoto considera como o resultado do cruzamento de dois elementos formadores: um. em tudo em suma que as pesquisas têm colocado debaixo de sua apreciação. que supõe que as gerações gendiam a degenerar gradualmente.uns baseados na cor da epiderme. onde a arqueologia pretende levantar essa vida de um passado tão longínquo e marcar o grau de evolução mental a que chegaram esses antepassados. ídolos. representada pelos Guaranis. nos artefatos. na ornamentação. em diversos graus de civilização foi o construtor desse admiráveis túmulos. Aceitando as proposições de Forster. bem patenteados no homem fóssil da Lagoa Santa. outros sobre a indústria. são os Aruâs. nos instrumentos de sílex. deixa supor que ais de um povo tomou parte na construção dessas necrópoles. amuletos. a raça que habitava o Brasil e que se estendia das Antilhas até o Prata. sem fundamento científico. nos tempos pré-históricos. Ou se admita que as migrações. eles (botocudos) se aproximam mais da raça da Laguna Santa. o que não se pode contestar é que mais de um elemento étnico 18 . Chiriguanos. era a expressão de mais de uma força étnica. provam eloqüentemente que mais de uma raça devera existir no Brasil. vê-se claramente mais de um elemento étnico. ―Não será o botocudo o cruzamento destas duas raças? ―Os caracteres que neles temos encontrados nos autorizam essa hipótese. foram-se cruzando com povos que iam encontrando nas correrias: ou se admita. E a própria classificação de D‘Orbigny. Observa-se neles um grau decrescente na arte cerâmica. era um produto mestiço. todos. vemos nas populações primitivas no Brasil uma fusão de mais de um elemento étnico. não exprimindo a verdade de uma seriação. e o outro que tende a alargar o diâmetro transverso e. nos ídolos. etc. ou do Sul como querem outros . mais de um fator humano a entrar na organização das raças brasílicas. imprimindo sobre os artefatos de cada seção as feições características de uma civilização.‖ Analisando agora as pesquisas dos autores sobre os artefatos encontrados nas cerâmicas de Marajó e Pacova. deixa ver a existência demais de uma raça. e o autor acima citado diz que os últimos trabalhadores. na linguagem.

Era impossível não concluir daí ser o homem contemporâneo do megatério. dirigiu Lund e Rath a pesquisarem. chegando à a formação de que o homem é contemporâneo da época terciária. macrotérios . chegando ao seguinte resultado: 19 . ―Com estas provas pode-se garantir. ou reino de aparição. no meio de assadas dos grades proboscidianos. com os seus sílex trabalhados. sem medo. halitérios elefas meridional. ―o Dr. dinotérios. Aurignac. nas escavações das cavernas do Brasil. a demonstração da sua contemporaneidade dos mamíferos miocênicos. é natural. achou o homem contemporâneo do megatério. Houve. provam a existência do homem geológico na Europa. todavia é mais do que provável que à sombra dessas espessas florestas que cobriam os ubérrimos vales do Brasil. O sábio Carlos Rath também diz: ―Eu dei noticia sobre os sambaquis desde 1846. e concluiu que o Brasil é habitado desde a época pliocena. explorou mais de oitenta cavernas e em uma delas encontrou ossadas de trinta indivíduos da espécie humana. Essas ossadas humanas sempre tem sido encontradas com ursus spelaeus. vindo saciar a fome nas carnes ainda vivas dos descomunais proboscianos. nas mesmas jazidas dos ossso dos acerotérios. e as ardências de alta temperatura. como chama Rialle. Moustier e com o cervus tarandus em Grenelle. Assim. mamutes e outros. como também na extinta Brasilia de Petrópolis e em outras descrições impressas nos meus Fragmentos geológicos. a Oceania. etc: porém era-me preciso examinar muitas casqueiras em diversos lugares e tempos. nas escavações de Saint Acheui . Abbeville. assim como o foram a Europa. a Ásia. antes o grande dilúvio chamado na geologia a Myocene ou geral inundação‖. contemporâneo dos mastodontes. ainda que a hipótese de Lund e Rath não esteja ainda plenamente confirmada pelo veredicto da ciência. para poder conhecer vem toda a construção e idade destas sepulturas primitivas com suas particularidades. a África. descansava o homem as fadigas das lutas com o megatério. Os tipos antropológicos humanos de Thenay. Lund. Pouancé e Saint Prest. passando assim do mioceno ao plioceno e ao post-plioceno e do período arqueolítico ao neolítico. dizem Zaborowski e Moindron. Cuja idade corresponde ao do mamute na Europa. os vestígios fósseis do homem geológico. cuja idade na América do Sul corresponde à do mamute na Europa. elefas primigenius. Lá chegou-se a afirmar a brilhante verdade de que o homem já existia na época miocênica. que o gênero humano existia por todo o mundo e mormente no Brasil. E talvez seja desse elemento ético primitivo e autóctone que os dois ilustres antropologistas brasileiros descobrem os caracteres em seus estudos craniométricos. onde numeroso povo habitou. contra quem manejava o seu dardo de pedra lascada. desde a primeira seção do período arqueolítico – a época miocênica. em diversos jornais europeus. em alegres festins sob as grandes cavernas. porém.cruzou-se nas populações brasílicas e que um deles é autóctone. Lund nas escavações das cavernas do Brasil. tornando-se assim a América um importante Centro de Criação. nos crânios dos botocudos. mastodontes. no mesmo grau de decomposição dos ossos dos animais fósseis que os acompanhavam . um homem geológico no Brasil? A nova estrada que abriu a antropologia na Europa. Savigné .

20 .a) A raça primitiva do Brasil era dolicocéfala. b) As raças indígenas atuais representam a mistura de dois tipos diferentes. e) O uso das deformações artificiais dos crânios era estranho à maior parte das raças indígenas do Brasil. d) Existiu em tempos remotos no Brasil uma raça caracterizada pela extrema depressão da fronte. c) As raças por nós estudadas a que mais aproxima-se da raça primitiva é a dos Botocudos.

ou a cultura do espírito vencendo a natureza para pô-la à disposição do bem–estar social ou esta tornando-se mais invulnerável na luta. Por isso mesmo que a matéria orgânica e organizada não poderá evoluir sem a ação antagônica de duas forças. sem relações recíprocas. que operam a integração e a diferenciação. cujas junções é preciso estudar. os achados científicos não passavam de um corpo amorfo. assim como traçar-se as suas leis evolutivas. presidem a todo trabalho íntimo. assim também a matéria superorgânica não poderá evoluir. para olhar as sociedades como um organismo. sem ter-se em consideração a influência do elemento étnico e do meio. que se opera no seio de um povo. quer organizada. coloca-a em um caminho verdadeiramente filosófico. sem as quais a seleção na humanidade não poderia efetuar-se. em suas variadíssimas manifestações e nas relações subjetivas e psicológicas. não se poderá constituir como ciências enquanto não submeter-se aos conceitos e às verdades das ciências biológicas. legitimamente filosóficas. procurando os ensinamentos que lhe iam sendo ditados pelas ciências físico-biológicas.CAPÍTULO II ELEMENTOS ÉTNICOS DO BRASILEIRO SUA FISIOLOGIA E PSICOLOGIA É de todo impossível penetrar-se no intelecto de um povo. 21 . Por esse caminho verdadeiramente analítico e naturalista chegou-se à afirmação de que a evolução é um princípio geral. Da luta entre estes dois fatores. resultará a diversidade do caráter das civilizações. Sem estas duas forças as integrações e distribuições de matéria não se efetuam. Sobre toda a matéria. como divergirem a função e a forma . do grau de ação que mutuamente hão de representar. quer orgânica. Essa verdade sendo levada para a história. sem contribuições e sem filiações. porque representam as duas principais direções em que se colocará o movimento social. Na herança e na adaptação viram estas últimas ciências as legítimas forças da evolução. sem ser presidida em sua ação. fundado sobre a herança e a adaptação. fazendo não só perpetuarem-se as qualidades essenciais dos seres. Enquanto estas últimas as pesquisas não foram presididas por uma orientação de profunda análise. sintetizando por esse meio as leis que as dirigem. pelas modificações do meio. Sempre descobrindo nas duas categorias de matérias uma identidade de função e uma semelhança de causas. elas atuam poderosamente. o espírito filosófico da época chegou a conclusão de que a história da humanidade não poderá dar um passo. Foi uma grande obra deste século a história guiar-se por um alto senso filosófico. Essas duas forças. pelos fatores que dela se derivam. No elemento étnico e na ação do meio irá a história buscar a casualidade mais geral de todos os fenômenos históricos.

força diretora a que todos os povos se submetem. tornando-se por demais prolongado o período prodrônico de uma completa amálgama e fusão. depois a raça mestiçada tende a regressar. Nesse longo período que podemos chamar período de formação. as condições hidrográficas que podem ser favoráveis ou não a flora e a fauna que hão de selar um cunho específico no espírito da população. em estado latente. na série das gerações. Deixando. o resultado deste cruzamento das três raças. de Antropologie.15 Broca. frio. puseram-se em contato no território brasileiro. Tomo I. ‗Quando duas raças vivem no mesmo solo e se fusionam. em todas as manifestações mentais do povo. p. em cada caso.‖ Na categoria dos fatores externos ou extrínsecos temos que apreciar a ação do clima que pode ser seco. 1 2 Spencer. torna-se preciso um longo perpassar de séculos. o africano e o índio. em suma. o tipo físico alterase principalmente na proporção da intensidade do cruzamento. de uma configuração simples ou complexa. em suma. diz Spencer 1. com caracteres físicos capazes de determinar o desenvolvimento e a estrutura da sociedade. nas artes. cada um deles com hábitos e tendências muito diferentes. úmido. e os progressos que as acompanham. Distingue-se.276 22 . mais ou menos. já entre si muito diversas e representando ainda cada um deles um diverso grau de equilíbrio entre os fatores internos e externos. a legítima formação histórica brasileira. aplicada à história do Brasil. temos a notar. que por aqui puseram-se em contato. porém para o seguinte capítulo a discussão da melhor teoria. da mesma maneira sua inteligência e as tendências do espírito que lhe são particulares têm sempre uma parte na imobilidade ou nas mudanças da sociedade. havia de dar-lhe um caráter heterogêneo nas relações subjetivas e psicológicas. a do solo que pó ser improdutivo. É a grande população mestiça. Estes três elementos. melhor organizado para a concorrência. que é o genuíno tipo brasileiro. p. com mais ou menos pureza. Men. é então o daquela raça que predomina numericamente. brilhantemente formulada por Broca. que não foi por este lado somente que venceu na concorrência os outros elementos. Principes de Sociologie. Três forças étnicas. nessa hegemonia em que o elemento étnico mais forte. considerado como uma unidade social. Perante a diversidade de origem do fator humano no povo brasileiro. 1º Vol. temos a apreciar neste somente a contribuição dos diversos elementos étnicos na organização do povo brasileiro. o homem individual. impedem ou modificam as ações da sociedade.―Na categoria dos fatores. cuja origem tríplice. o acúmulo de trabalho de gerações passadas. o verdadeiro grupo étnico que imprime em todos os produtos da cultura os sinais do seu autonomismo. ou fértil. .‖2 O mestiço no Brasil tendeu a assimilar o tipo físico do português. a sub-raça tende a tomar os caracteres físicos da raça mãe a mais numerosa. deveria vencer. para o produto mestiço constituir-se como um grupo étnico característico. ― O tipo físico que resiste ao cruzamento. têm uma influência nas ou menos direta no caráter da civilização. Temperado. formou-se uma sub-raça. Todas estas condições. três raças muito diferentes e em diversos graus de evolução mental e emocional. que é bem visível na história. paro o brasileiro alcançar essa feição própria e original. na literatura. quente. são: o português . a colaborarem em uma civilização. Por uma lei antropológica. pelos caracteres emocionais que favorecem. ao tipo da raça mãe a mais numerosa. e representando.

libertins. a vitória colocou-se ao lado do elemento que representava a raça branca. p. no decorrer dos tempos.. como muitos querem. vemos que os iberos pertencem à família uralo-altaicas. l‘amusement de la conversation. Dan I‘talie Du XVI. Leur tempérament plus bite affiné lês port plus vite au faffinement. pois. dans La France Du XVIII. antes dessa época. il leur faut des plaisirs nombreux. como pelos caracteres fisiológicos e psicológicos. uma série de cruzamentos efetuaram-se no território da península. durante os quais deram-se diversos cruzamentos. Quando um novo continente foi. c‘est par ces vices que leur civilistion se corromptou finit: vous lês trouverez au declin de l‘ancienne Bréce e de l‖ancienne Rome. em um ponto de integração superior ao que as outra duas raças tinham alcançado. A eles sucederam os celtas. Antes de constituir-se um grupo étnico característico. Em effet . 3 S. bem difundida pelas classes sociais. desde os temos préhistóricos. pelos navegadores portugueses e oferecido à cobiça real e ao espírito de conquista e de comércio da população lusitana. é porém a principal. Ele nos prende ao grupo das civilizações ocidentais. os cartagineses. descoberto. Romero . a única força étnica. lorts. o mais poderoso e principal fator da civilização brasileira. a raça branca no Brasil ainda que não possa representar . Mais adiantada sob todos os pontos de vista. varies. dilléttantes. dos quais o ramo latino é assim descrito por Taine: ―Cette finesse et cette précocité naturelles aux peoples latins ont plusieurs suites mauvaises: ells leur donnent le besoin des sensations agréables. por diversas correntes migratórias. a qual lhe fazia representar um papel histórico de alto valor. como dos fatores constitutivos dos dois povos. p. pois. tão característico no século XVI. 4 Philosophie de l’Art dans les pys Bas. les satisfactions de la vanité. para produzi-lo. dans l‘Espagne Du XVII.Não só pelos caracteres físicos. ils devienent aisement rhéthoriciens. 11. o português representava uma heterogeneidade étnica. precederam ao arianos.3 Já se vê. volupteux. pela formação tardia de uma ciência. les sensualités de l‘amour. Revista dos Estudos Livres. que se tinha sucedido através dos séculos. 23 . Como principal força colonizadora no Brasil. vemos que as leis mentais nunca tiveram nos povos da península uma grande latitude de ação. teve de nos infiltra os princípios de uma das duas civilizações em que se dividem os povos da Europa. les jouissances de La nouveauté de l‘imprévu. os suevos. dans La Provence Du ciécle XII. desse momento histórico em que Portugal chegou ao apogeu de sua glória da qual lucraria muito e muito a colonização do Brasil. o português já era produto heterogêneo de diversas forças étnicas que. História da Literatura Brasileira. nas idades da pedra lascada e polida. entre os elementos alienígenas e autóctone. que o português é um produto muito complexo de diversas raças que se fundiram. se causas estranhas não viessem tomar negativas nas melhores forças da metrópole. enfin. Elementos da nacionalidade Brasileira. Antes. pelas semelhanças não só das condições externas. por acaso. O português foi. ils sont exigeantes ent fait de Bonheur. les douceurs de la politesse. Tomo I. os romanos.‖4 Podendo aplicar à civilização do Portugal as mesmas leis que Bruckle estabeleceu para a Espanha. porém. os fenícios. Sem procurarmos traçar a evolução dessa herança. antes de integrar-se. por Taine. lês symetries Harmonieuses dês formes et de phrases. galants et mondains. épicuriens. se superpuseram e amalgamaram-se . 72 Theófilo Braga. os godos e os árabes.

pela 24 . resultando para o Brasil a escravidão negra. Dessa luta resultou a imigração do africano. por uma centralização administrativa. no culto externo. verdadeiros feudos. dessa raça de mestiços que se organizava e que representava no Brasil o papel de meio transformador. eram duas entidades absolutas. que entre si partilhavam a riqueza. fizeram mudar esse processo de colonização. pelo lado político no regime teocrático. como o barão feudal da Europa. Pelo lado filosófico e religioso no estado teológico e na época monotéica. trazem em auxílio da organização de uma ciência. Os jesuítas se espalharam pelo Brasil. entre as classes aristocráticas e populares. a alimentar as verdades dogmáticas de uma religião. não levasse a guerra encarniçada. conta quem não se ousara pensar nem obrar. representava o poder absoluto. povo eminentemente metafísico. pela união que prendia o trono à igreja. como também o espírito religioso . onde novas condições ajudaram sua maior vitalidade. que se organizava. com quem o colono achou-se em contato. dando lugar a que dificuldades se levantassem como força poderosa. que tem dificultado a organização de uma moralidade. consentindo na criação das missões. tornando-se impossível o espírito cético na política. desviando-se do caminho puramente analítico. em busca de almas que resgatavam para a religião. contra a escravidão que o colono português cedo lhes impôs. O liberalismo disfarçado do jesuíta plantou a luta entre ele e o colono português. continuando os delegados do governo colonial na posse de ilimitadas atribuições. para cujos progressos tornava-se preciso grande posse individual. excessivamente rica no aparato. escolhendo-se uma colonização que plantasse o feudalismo e a teocracia. de nosso caráter. poderoso meio contra a escravidão indígena e que levaria o jesuitismo a levantar uma perpétua teocracia no Brasil. como um outro Paraguai se o espírito da população do sul. com vislumbres bem acentuuados de antropomorfismo. o rei ao clero. pelo lado industrial na idade do homem agricultor. determinadoras de todo o movimento e que centralizavam o poder. contra os irmãos de Loyola. contra quem a coroa se colocou. onde o donatário. As guerrilhas intestinas que se levantaram entre eles. o espírito de ceticismo. por onde caminham os povos de imaginação menos rica. ficando às classes populares a prerrogativa de serem passivas e obedientes. deixando de lado as deliberações que o espírito de cisão. pelo concubinato no lar doméstico. pelo caráter pouco fixo dos limites territoriais e a isto reunido o desenvolvimento lento destes focos coloniais. a teocracia jesuítica durou séculos e o poder clerical ainda hoje se faz sentir. Sendo os móveis legítimos da colonização não só o espírito de riqueza da época. contra as pesquisas do espírito indagador. o português do século XVI veio insuflar no Brasil esse estado mental e psicológico. procurando o mais possível apoiar a tradição e a autoridade. levantou-se ao lado do poder temporal o poder espiritual. tomando a si a defesa do índio. o espírito de revolta para alcançar uma equitativa partilha do poder.Povo eminentemente supersticioso e que não via na religião senão a força mais poderosa do progresso . Debaixo desse regímen coloniza-se o Brasil. para prende-la nos limites estritos da tradição: povo excessivamente subserviente ao rei. que tem sido a clava de Hércules do nosso pauperismo. do espírito científico: foi o português do século XVI o veículo desses hábitos mentais e morais para o Brasil. Todavia. Divide-se o território da colônia em zonas. Os poderes temporal e espiritual estavam unidos. contra a qual o clericalismo se levantou. como talvez a principal força auxiliadora da colonização. para vencer o jesuíta.

à custa da riqueza pública . privilégio seu nos conventos. por então como o legítimo produto nacional. dificultando os progressos da população. a raça que tirava do solo a riqueza. encarada pó esse lado. ainda que em menor escala. para lutar contra o emancipacionismo indígena. pela falta de um senso popular. Se o grande poder do jesuíta. como geralmente se diz . que constitui um verdadeiro período histórico. Foi por ele que o Brasil não tem sido mais. ativava a imaginação. pelo hiato aberto entre as raças. que por sua vez . porém encontrou forças acidentais. aquele que nos insuflou o regímen social e político. Essa centralização que se caracterizava em todas as manifestações da vida colonial. para integrar-se . trouxe-nos os males que tanto nos têm depauperado. a direção que ele dava ao ensino. cuja passividade abriu campo a todas ilegalidade e absurdos. de maior indigência. plantava a superstição. das quais duas sempre espoliadas. era o elemento mais poderoso do movimento econômico da colônia. todo o poder . na distribuição da riqueza por entre as classes. e a ela aliou-se o colono português. os vestígios da colaboração de outros elementos étnicos. quer a classe administrativa. demandava. toda a riqueza. E a sub-raça que se formava pelo cruzamento das três raças mães. a estabelecer uma corrente de riqueza para a edificação de suntuosidades dos templos. pela falta de concorrência. centralizando as forças mentais em derredor da metafísica. Com o trabalho sem remuneração. que a organizava. centralizando-se nas mãos do branco. e quanto contribuiu no grande desequilíbrio do movimento econômico. pela tendência dos espíritos a tratarem a liberdade da colônia. a equitativa distribuição da riqueza pública. Estabelecendo-se assim. Ela. Nesta síntese deixamos as bases do nosso caráter. que têm dificultado a marcha do progresso. entre as raças que tendiam a cruzar-se prerrogativas e privilégios. pois. as confrarias. Eis o capital defeito de nossa vida política e social. Compreende-se facilmente a parte importante que representou o africano na formação da riqueza no Brasil. Na arquitetura não foi o português o único obreiro. obrar como meio reformador contra tantos males. em que estão incluídos os defeitos e os obstáculos. dificultava a organização de uma ciência. Desfalcando-se pouco a pouco o braço indígena. assim como teve de sofrer uma ação fisiológica do meio. a escravidão negra era a matéria –prima do trabalho. as idéias religiosas que nos tem presidido. era justamente a que era afetada de maior pauperismo. do meado desta século em diante. cujos antecedentes devemos ir procura nos primeiros séculos de nossa vida colonial. do que o prolongamento da civilização ibérica. a base da aristocracia colonial. a insuficiência de braços ativou a imigração africana que se tornou o sustentáculo. Foi. Ai está o papel da raça mestiçada no Brasil verdadeiro agente transformador e cujo trabalho de regeneração se faz sentir no momento atual.proliferação dos filhos naturais. o português o maior fator de nossa organização. se o jesuíta por esse lado predominava. sob a pressão de um jugo que impossibilitava as pesquisas analíticas. quem eram outros tantos centros de instrução. quer colono português. um longo perpassar de séculos. deixaram. 25 . quer jesuíta . do seu culto. organizando as irmandades. o período de transformação.

do que de culto. de caracteres antropomorfo uns. afiguram-se-me indivíduos que houvessem guardado lembranças vagas de um longínquo passado. 26 . a representação esculpida ou pintada de seus símbolos hieroglíficos.5 Sob esta ponto de vista. anfibomorfos. acham-se caracteres zoomorfos. segundo o ilustrado crítico sergipano. Pelo lado religioso. pois o leitor as poderá ler nos Cantos e Contos de Syilvio Romero. Compreende-se que. sendo a raça branca a que implantou a língua nas raças vencidas. Não obstante haver um certo número de opiniões sobre o grua da idéia religiosa do índio do Brasil. outros zoomorfos. os ídolos.Seu papel é saliente pelo fato que acabamos de analisar. os objetos de ornato. Os mounds-builders de Marajó. aos contos e cantos. Acreditamos ser Sylvio o brasileiro que mais apurou e deixou a limpo essas questões. Realmente. todvia. às tradições populares. Se a falolatria ali realmente existiu não é permitido afiançá-lo. e manejava objetos de pedra polida. o venceu pelo lado econômico e mesmo antropológico. Deixando de transcrever as composições anônimas de origem portuguesa . a fisionomia dos seus ídolos. o índio não é uma raça de belas tradições. Maracá. são numerosas as figuras que representam o Falo. Pacolval. sobre etnografia e etnologia brasileira. todavia as escavações feitas no Maranhão dão lugar a supor-se que algumas tribos já tinham galgado um estado religioso mais adiantado – a idolatria. Ao lado dos caracteres antropomorfos. como nos revelam as urnas funerárias. que procurava não só idealiza a espécie humana. formas do animismo. suas obras nos servirão de guia. estava em um período adiantado do fetichismo. tudo isso é um amálgama imensamente heterogêneo. ―Nas antiguidades dos mounds de Marajó. e não há grande probabilidade de que eles fossem mais objetos de ornato. achando-se em momentos ulteriores do fetichismo a astrolatria. encontrados nos mounds de Marajó. assim como pela influência que trouxe às produções anônimas. A ornamentação de seus vasos. como o nativismo primitivo. diz o Dr. por sua vez. como a de uma dupla entidade. Pelo lado artístico. era o índio o autor de uma arte cerâmica. que. procuremos ver a influência representada pelo índio e africano nessas produções. têm sido encontrados. limito-me nesta ligeira introdução a resumir os resultados a que já se tem chagado. de que não sabiam dar esclarecimentos positivos. Por esse lado. muitos ídolos feitos em barro. aceitando as conclusões dos competentes. a pouco e pouco fundida ou incorporada em povos menos 5 Temos de aproveitar os belos estudos do ilustrado crítico sergipano Sylvio Romero. não me cansarei de repeti-lo. Qual o grau de civilização do índio. como os animais. uma espécie de ecletismo teogônico. os artefatos. Pleo lato industrial. Alguns destes ídolos dão ligeiras formas do ídolo a que se prestava o culto de Falo. no Egito. quando o português encetou a colonização no Brasil? Não nos cabendo aqui largas explanações sobre os materiais que a préhistória brasileira tem reunido. os toucados de que revestiam as cabeças de seus personagens. uma grande mescla. era caçador e pescador. contribuiu mais do que o africano. Ladislau Neto. em que se enxerga a tradição de uma remota nacionalidade superior. a sua força deveria ser mais poderosa do que a de outra qualquer. sobre a contribuição com que cada raça entrou na poesia e nas tradições populares. diversos estados já tinham sido passados por seu espírito. Assim. bem como as vestes simuladas por algumas figuras.

compreende-se que o índio foi de mais larga contribuição nas tradições intelectuais. que Andes visa os fatos gerais. se antes não é uma natural degeneração realizada in situ e motivada pela separação absoluta da antiga metrópole. bem pintado nas bandeiras que penetravam nos sertões. algum vislumbre de culto? ―Ninguém. gerando-se assim no espírito do índio aversão e ódio ao português. do Tupã e Tupi. no sacrifício de prisioneiros. em seus instintos sanguinários. em vês de antropomorfos. dos centros da lavoura açucareira. escravizavam a infeliz raça.adotado pela metrópole no Brasil. encontramos duas inscrições gravadas nas faces lisas de duas pedra ferruginosas. do Paitumaré. muitos de origem portuguesa. onde em nome da lei. a política abolicionista. caximbos.8 Isto é por demais descritivo para figurar em nosso estudo. vol 6º. e das tribos orientais da América. 9 Rise. era representado em Marajó sob as suas diversas formas míticas. para facilitar a catequese. levantada pelos jesuítas em favor do indígena. 8 Hartt. Museu Nacional. etc. ela foi muito menor na transmissão dos caracteres físicos. o pode asseverar. do Caçador e dos Oiras. do curupira. pratos. em seus mitos do jabuti. ou pela adaptação irresistível e fatal aos meios de existência. Por informações de algumas pessoas. vol 6º p. contribuiu para segregá-lo dos centros coloniais. No vale do rio cotinguiba. até mesmo pelo africano que tornou-se bilíngüe. por isso mesmo que a língua africana não foi estudada nem falada na colônia. de quem procuravam distanciar-se: por isso que o espírito emancipador. sabemos que estes objetos nenhum trabalho de decoração ou desenho apresentam. nas escavações de roças se tem encontrado objetos feitos de barro. como porrões. 7 Arquivo do Museu Nacional. mostraram-se saturados de palavras indígenas. as quais representam um pé em círculos concêntricos. pois da infeliz raça só se queria o braço para o trabalho. eram a tradição viva. em um lugar que chama Pedra do Letreiro . a fim de apreciarmos o grau de civilização da tribo indígena. 153.adiantados e através de países diversos. entre os povos antigos. quem em relevo. pela tendência em representar gênios zoomorfos. do pemi (corneta). os mantenedores do saber e da prática e os árbitros de seus irmãos. nos aparatos festivos. em sua poligamia. O leitor pode ler a poesia popular indígena coligida por Spix e Martius9 na própria língua. dos quais tiraremos a contribuição com que cada raça entrou para a formação do nosso caráter. ocupando o indígena o terceiro plano. em vez de congregar a raça indígena na cooperação do progresso. quer gravado. mitologia que difere das dos Incas. sempre infrutiferamente. mas dar-se-ia porventura ainda ali à sua primitiva forma. pelo espírito de cobiça que dominava na raça colonizadora. 27 . como esta. p. a influência indígena tornou-se muito mais preponderante do que a influência africana. Se pelo lado das tradições intelectuais. Por isso mesmo que o processo de colonização. do que o africano. Além de cantos e contos verdadeiramente de origem índia. dos Mexicanos. Por isso mesmo que a língua do índio se prestou por parte dos primeiros colonizadores. da Oiara. ou pela morte daqueles que. a ser falada e escrita. afugentava-a. ―O Falo. e os trabalhos de Sylvio Romero. na carência de provas inconcussas. 6 Em Sergipe. portanto. im Braziliem.‖6 7 É por demais descritivo falarmos dos hábitos sociais do índio. 333. em sua dança e música rudimentares ao som do mimbitarará e do mime (buzina). procuramos alguns tumuli ou sambaquis.

escasseando-se assim um dos troncos progenitores do mameluco e do cabra. que vê nos mestiços de tronco indígena uma tendência às profissões pastoris. relativamente aos outros produtos mestiços. em que entra o tronco africano. dando lugar a supor-se uma futura heterogeneidade étnica. Couto de Magalhães. Queremos crer que. como o mameluco. Cujas diferenças são bem visíveis. que entre as raças mestiças que do cruzamento originaramse. Não sei até onde vai a verdade destas asseverações. tem contribuído para os progressos do país. donde podemos concluir que o índio entre nós pouco colaborou. para a formação da riqueza. A causa do fato a que aludimos é cedo ter-se estancado o elemento indígena. Enquanto que na hegemonia como raça mãe. compreende-se facilmente que na transmissão hereditária dos caracteres físicos. E tanto foi assim. o mulato foi o mestiço de maior representação. mais do que qual quer outro gênero de trabalho. vêm reunir-se ao cruzamento novos elementos étnicos. porque o que sucedeu à raça indígena sucedeu igualmente a africana. 28 . resultado do cruzamento entre o branco e o índio. o africano preponderou consideravelmente por esse lado. figura como oferecendo maior contingente ao peso específico da população brasileira. O próprio mestiço. na luta colonial que durou séculos: chamado para suprir a insuficiência de barcos que foi o resultado da política. a sua expatriação. tende a diluir-se com o branco. as profissões fixas. A julgar pelo modo de pensar do Dr. do meado deste século em diante. forneceu pouco blastemas. todos da raça branca – a italiana a alemã. debaixo da ação destruidora da colonização. o mestiço entre o branco e o africano. portugueses e africanos. Seria de alto valor.centralizando-o em uma comunidade espiritual. pois ia contra o caráter messiânico de uma direção puramente espiritual: por isso mesmo que todas as causas eram favoráveis ao afugentamento do indígena. cabendo ao branco e ao seu mestiço com o negro. compreende-se que o africano aliou-se mais intimamente ao branco do que o índio. que levassem em estado latente o cunho de sua individualização. Ele foi o sustentáculo da aristocracia e da riqueza colonial. seu papel está em plano inferior ao do africano. entre índios. entre índio e negro. pela diversidade de caracteres físicos. se as pesquisas históricas fá fornecessem suficientes elementos para apreciar-se o grau de representação histórica dos produtos mestiços. ao passo que o branco e o africano tendiam sempre a crescer. O que podemos asseverar é que em Sergipe o mulato abunda mais do que o cabra. a que vulgarmente se chama o mulato. o cafuz ou caburé ou cabra (Sergipe). Chamado para ajudar o branco em defesa do liberalismo jesuítico. teríamos que concluir em favor do mulato. Além disto. pois a lavoura açucareira e a do café. em favor da emancipação indígena: chamado para unir-se ao branco. aquele que procurou mais assimilar os caracteres da raça branca. em virtude de um fato de ação muito geral. Nos caracteres físicos os dois tipos divergem consideravelmente. que dificultava o cruzamento das raças. de maior força transformadora. o maior fato étnico que ativou os primitivos elementos.

pela aposição. foram produzindo uma seleção na língua d raça colonizadora. O elemento tupi. os elementos tupi e africano. pelo dado das composições anônimas.12 Não obstante essa incapacidade intelectual. a Raposa e o Tucano. a Amiga folhagem. ―No corpo. Silvio que o Antônio Geraldo era um homem inculto. Dessa seleção tendia a resultar uma dialetação da língua. ele está em plano inferior. Em grau de evolução mental muito inferior ao índio. a energia de musculação e a finura e delicadeza das extremidades. Esta canção é de formação bastante moderna. Réville. observa o Dr. e não é tão negro e a coloração do pigmento que é avermelhado. adiante da palavra.134 12 Réville. o africano trazido para o Brasil pertencia ao grupo bantú. pela devastação e expatriação da raça.‖10 Ali está escrito também o tipo do mulato. e o elemento africano forneceu o vocabulário da vida doméstica. são traços que ressaltam logo aos olhos do observador. Religião e raças selvagens. assim como pertencem-lhe muitas lendas e fábulas. porque permanecia nos primeiros momentos do fetichismo. com quem os portugueses entraram em relações nos séculos XV e XVII11 cuja língua é caracterizada pela particularidade que as relações das palavras não são indicadas pela modificação das desinências ou terminações. estendendo-se em ângulo saliente. são de proveniência africana. com os vértices opostos. O mesmo autor nos Contos Populares do Brasil apresenta diversos Reinados e Cheganças. dos prefixos pronominais. 10 11 Dr. p. o cágado e o teiú. as órbitas e o molar salientes. que é o herói desta rapsólia. Assim os Reinados. José do Vale. para a formação de uma geração mestiça. como diz o ilustrado filólogo sergipano João Ribeiro. Sobre esta penúltima canção popular. o Macaco e a cabaça e muitos outros. nos nomes de seres da natureza americana e de fatos desconhecidos dos europeus. das cozinhas e dos trabalhos agrícolas. cantados em Sergipe nas festas do Natal e de Reis: os Marujos e os Mouros. o bumba – meu-boi. barba e vilosidade do rosto e pescoço extremamente raras. Cheganças. tayeras 13. nas fontes. a sólida e vasta estrutura do tronco. 29 . Couto de Magalhães. a qual conserva a depressão da testa e a estrutura aproximando-se a do índio a vilosidade da fronte. e tendo se extinguido a imigração africana. que subsistem da raça indígena nestes dois mestiçamentos (mameluco e caburé) são : a cabeça. Vol I. o cágado e a fonte. dominou nos apelidos locais. dix o Dr. I p. Tayeras e Congos. o cágado e o jacaré. Op. o cabelo corrido e extremamente negro. Se pelo lado econômico o africano venceu o índio e forneceu mesmo maior força no cruzamento. Da Literatura Brasieira. morador de Estância. Tendo estancado a corrente tupi. verdadeiro agente transformador – o mestiço. moradores no Lagarto. motivadas pela colonização. Couto de Magalhãe. o diâmetro transverso dos ângulos posteriores do maxilar posterior quase igual ao diâmetro parietal do crânio. pois nela há referência a homens. com o auxilio da força transformista do mestiço.cit 13 S Romero Hist. Religions dês peuples non civilises. Congos. 14 Em Sergipe Sylvio Romero colecionou muitas destas fábulas: o cágado e a festa no céu. 103. como um produto étnico próprio. o Antônio de Geraldo. vol. que é crespudo.―os traços físicos característicos. pelas tradições intelectuais. o cágado e a fruta. na luta pela vida em que entraram com o elemento europeu. em vez disso. não obstante mesmo o africano tornar-se bilíngüe no Brasil. José-Jure. todavia ele deixou ligeiros vestígios na poesia e nas lendas populares. que ainda existem.14 Assim. com a diferença do cabelo. a largura das espáduas em contrate com o pouco desenvolvimento da bacia. porém.

pela intervenção de uma política mesquinha e antipatriótica. constituído em grande parte por uma população mestiçada. dentro de um século. o sul do Brasil destruirá a unidade étnica da pátria brasileira. 3º curso. onde já são familiares muitos vocábulos do italiano e do alemão. Gramática Portuguesa. que procura aproximar a linguagem das fontes vernáculas e clássicas. se outras circunstâncias não se opuserem à evolução. ―em compensação a imigração de outros povos estrangeiros torna-se cada vez mais intensa. p. Pelo lado lingüístico. desde quando as correntes migratórias têm sido centralizadas em certas zonas do país. a quem acima nos referimos. que já se vai notando desde agora. que vão desaparecendo pela extinção da imigração negra e pelo caldeamento das raças. que na percorreu o ciclo completo de uma evolução antropológica. e que uma secular evolução histórica põe ao seu lado. que ainda não integrou-se no processo da seleção. o resultado desse futuro é brilhantemente descrito pelo eminente filólogo. ―Das causas que favorecem a dealetação do português na América. 310 30 . que ainda não constituiu-se um povo autônomo e completo. duas tendem a aniquilar-se. não poderá resistir a elementos estranhos tão fortes. tão aglomerados e muito avantajados na luta.‖15 Previsão muito legítima. ―a estas tendências de dissolução se deve juntar a reação culta e literária. porque o elemento étnico. sendo mais rápida a evolução para ele galgar os caracteres da raça. e são o elemento tupi e o africano. 15 João Ribeiro. sobretudo nas províncias do sul.compreende-se facilmente que o mestiço tende a fundir-se e cruzar-se mais diretamente com o tipo branco. pelos poderosos meios de cultura de que dispõe. ―A mais fácil previsão autoriza crer que.

por isso que estende-se desde os trópicos aos grua 30 e 35 de latitude austral boreal. e à marca da civilização do Brasil.o do Brasil é um clima quente. diz Humboldt. como as diversas condições de uberdade. Os fenômenos naturais em nada deviam influir sobre a marcha dos acontecimentos. pela ação poderosa que o habitat exerce sobre o homem. Só depois dos trabalhos de Taine. que confinam com a bacia do Amazonas : fresco e agradável nas montanhas do interior. O EVOLUCIONISMO. de acordo com os tês elementos característicos. Até ai temos somente um lado do problema resolvido. a grande influência que têm sobre o homem a variabilidade de temperatura. Nessa marcha evolutiva em que um povo coloca-se para progredir e prosperar. A MELHOR TEORIA HISTÓRICA Até aqui temos tratado dos elementos étnicos do brasileiro. não passa de uma resultante destas duas forças. Temos. conforme a natureza de suas condições. Era a história então um jogo dos fenômenos. de uma interpretação supersticiosa. dos climas e das condições higrométricas. Já dissemos que o movimento civilizador. mas províncias do norte. ao do pampas. tão poderosa para retardar ou acelerar o movimento civilizador. ―O clima de uma região tão vasta. a marcha histórica de um povo. aproxima-se . na realização de um plano. úmido e bastante semelhante ao das Guianas. A história ia reproduzindo. pelo efeito de uma interpretação viciosa. todavia a grande extensão ocupada pelo país. As ciências naturais vieram abrir uma estrada nova.CAPÍTULO III FATORES EXTERNOS DA CIVILIZAÇÃO NO BRASIL. Desprezando-se essas influências não se poderá nunca levantar o brilhante edifício da história. pois. não passavam de fatos deque se ligavam a um poder superior. E a história não será mais do que a síntese. foi que a história foi buscar nas condições do meio a razão de ser de muitos fenômenos históricos. procurando mostrar as contribuições com que os fatores internos. que formam a maior 31 . descendo para o sul. a configuração do solo e sua constituição química. como chama Spencer. Buckle. Gervinus. entraram para especializar e individualizar a civilização brasileira. Vejamos a contribuição que o meio tem trazido à fisiologia do brasileiro. em que a história se colocou. sem o auxílio da ação do meio. a confeição da flora e da fauna. Pela classificação que os autores fazem dos climas. pois nenhum desenvolvimento histórico se poderia efetuar. e para dar-lhe um cunho especial. como indiscutível. estereotipando os fenômenos de ideação desse poder. Rénan. temos de apreciar a ação dos fatores internos e externos. que até então. em obediência a um plano pré-estabelecido. Podemos estabelecer. de apreciar a ação das condições do meio. o conjunto de leis desse evolucionismo. Não obstante esta colocação astronômica. Spencer e outros. não pode ser por toda parte o mesmo: quente. dá lugar a contestar-se essa unidade mesológica.

Dict. rodeado de um ambiente quente. iniciando uma política protecionista ao 16 Rochard. Piratininga. desdobrando uma pequena soma de esforços. Alagoas. para o ocidente. ativando mais as faculdades estéticas.‖16 Existe. Em um país de uma enorme extensão como o Brasil. do que as científicas. São Vicente. de uma abundância de alimentos. Eis aí diferenças notáveis que separam no Brasil o habitante do norte do habitante do sul. com o sistema nervoso pouco excitável. 32º45‘ de latitude austral. compreende-se que esssa dualidade mesológica há de imprimir diferenças de caráter. com duas zonas climatéricas bem diversas. mais pesquisador e mais descrente das instituições do seu país. no sul formavam-se centros como Rio de Janeiro. ligando mais importância à forma do que ao fundo. De Med. pois. deixando explodir o sistema nervoso em descargas elétricas. e que patenteiam-se claramente no nosso movimento histórico. Enquanto o habitante do norte.000 quilômetros. 8º19‘ de longitude oriental e 30º58‘. pouco nutritivo. entra na luta pela vida.parte dos estados do Prata. São Paulo. Realmente. se é levado a concluir que essa diversidade se ligará a uma ação estranha á força étnica. à síntese do que à análise. Sendo as mesmas as raças que se cruzaram. sente a vida mais fácil e. para entregar-se ao trabalho de análise e de pesquisa. Sobre o litoral é caracterizado por m calor elevado. Estabelecia a centralização administrativa na Bahia. em que a temperatura oscila de 14º44‘ a 37º77‘. a organização da indústria. de quase quatro séculos. onde o movimento colonial prosperava consideravelmente. torna-se mais investigador. torna-se mais indolente. concorre na luta pela vida com uma maior soma de esforços nutre-se de uma alimentação azotada para equilibrar a destruição dos tecidos. onde é quente e seco. p. Sergipe. procura um alimento amiláceo. com a qual se tenta explicar a diversidade do caráter do brasileiro meridional e setentrional. Rio Grande do Norte. que moderam entretanto as brisas do largo e por uma grande pureza do céu. uma dualidade mesológica no Brasil. os jesuítas entraram como força poderosa da colonização. vive mais do pensamento do que da imaginação. por conseguinte.pois os outros. quanto as relações físicas não se mantêm idênticas. 167 32 . preferindo o fundo à forma. de ocidental. Tomo 8º. o que dificulta o espírito de iniciativa. em suma. Itanhaém e outros muitos. representam pouca força no movimento histórico e são de formação tardia. onde é úmido e quente. como Maranhão. que mede 8. enquanto ele. mais industrioso. pelo sensualismo. que sobrepuja o pensamente e as faculdades analíticas do espírito. centralizando-se as forças colonizadoras na Bahia. daí dirigiramse para o norte e sul. pela oxidação que neles opera-se a fim de estabelecer um equilíbrio de temperatura. é um home mais pensador. não se deixa vencer pelas excitações.. cujo resultado é afoguear-se a imaginação. nos tempos coloniais.350. o habitante do sul. enquanto ele no meio de uma natureza luxuriante. situado a 5º de latitude boreal. habitando uma zona mais fértil. pela frieza de seu sistema nervoso. o levantamento da descrença contra as classes dirigentes da política. e o grau de saturação do ar pelo vapor d‘água varia do litoral. desde quando as modificações impressas pelo clima sobre o caráter divergem tanto mais. er Cirurg. o útil ao belo. sob a menor excitação. Enquanto no norte alcançaram somente um centro colonial de mais valor – Recife.

mais pesquisador e progressista. Bitencourt e Sá. A que se deve ligar essas diferenças? Fazê-las dependentes da diversidade do meio. Foi no sul onde primeiramente revelou-se a tendência de estudar-se a natureza. onde infiltraram péssimos hábitos. no sul ela resistiu à invasão dos franceses e ingleses. por meio das missões. Bahia. José Bonifácio. levantaram suntuosos templos e multiplicaram as missões. O monopólio do trabalho que partia dos jesuítas. dirigiam-se para o norte. no final do século XVIII e cujo resultado foi esse protesto da opinião popular. partindo de Pernambuco. de que se tornou São Paulo o foco. Foi no sul onde levantou-se o primeiro brado de revolta. um solene protesto contra uma tal política. Enquanto no norte a colonização era dificultada pelos prejuízos que partiam da classe clerical. E foram os representantes desse movimento: José Vieira Couto. Foi no sul finalmente onde gerou-se o movimento abolicionista do século atual. enquanto do sul o jesuíta afugentava-se em vista do espírito rebelde dos paulistas. e onde gerou-se o espírito científico. Somente quase meio século depois da Inconfidência. e suas missões. tornaram-se mais poderosos.indígena. pela pousada que se facilitou ao teólogo João de Bolés. finalmente foram rechaçados para as regiões do norte. nas regiões do sul. e o século atual o espírito da população dá as provas dessa tolerância. Foi essa população que o ceticismo político primeiramente atacou. com a invasão holandesa. Foi São Paulo – Piratininga – a primeira sede de um convento e onde procuraram centralizar suas forças. e ela é por conseguinte a que goza de um espírito mais inquiridor. como São Vicente. na Inconfidência de Minas. Foi no sul onde encontrou mais asilo o espírito de tolerância religiosa. sendo incontestavelmente a zona meridional aquela em que . se circunstâncias muito posteriores não entrassem em ação. em começo. Veloso e Veloso de Miranda. com grande desfalque do braço para sustentar a lavoura e ativar a formação da riqueza. grande meio político pelo qual a força religiosa queria plantar no Brasil um regímen teocrático. é estabelecer os elementos do 33 . pelo iniciamento e progresso da igreja protestante. Não só em Piratininga. e de onde vai irradiando-se para outros pontos do país. motivou felizmente muito cedo. no sul uma colonização livre se estabelecia. Rio de Janeiro. querendo a população infiltrar as bases de uma política democrática. conta a forma de governo. e abrindo-se profundas linhas divisórias entre as classes. tornando-se a região uma verdadeira feitoria da fidalguia portuguesa. no século XVI. procuram espalhar por todo o território. sem levar em conta os processos fisiológicos para tais modificações. Realmente. perpetuariam uma teocracia. Martins Francisco. que eles com todas as forças. sem a interferência de causas que plantassem tão profundamente hábitos de subserviência. contra a permanência de um regímen e governo centralizador. levantando-se os colonos contra os jesuítas que. conta o regímen coercitivo e absoluto do governo colonial. Enquanto no note o espírito da população não pôde resistir à crise do século XVII. onde centralizavam as forças naturais. onde. foi que nas regiões do norte levantou-se do seio da população um idêntico protesto.

por isso mesmo que de seu funcionamento recíproco. Depois que os filósofos alemães estabeleceram a lei do desenvolvimento. os fatos históricos também devem ser presididos pelo mesmo princípio. nem tampouco salientar maior ação de uma sobe a outra. do seu equilíbrio. cremos ser impossível pelos materiais que a ciência da história oferece ao historiador atualmente. É a física geográfica. que em um fato tão complexo como este. ―É o único fator estável de nossa história. como um grupo sociológico. aquele que mais poderosamente vai produzindo a integração e a diferenciação do tipo brasileiro. como uma determinada formação histórica. não se deve ver na formação do caráter de 34 . sem a transformação do homogêneo em heterogêneo. para cuja resolução não nos achamos convenientemente preparados. Spencer nela inspirou-se para fundar o seu evolucionismo. a resultante. de indicar a causa da organização do tipo brasileiro.‖ Para o Dr. e apela para o fato. em que se mantém a ação do meio e a das forças biológicas. de que os climas foram agentes poderosos nas civilizações autóctones. de estabelecer a casualidade mais poderosa das integrações e diferenciações de um povo. sem todavia resolvê-lo. em tudo só pode ser resolvida pela concentração das nossas vistas sobre o meio físico. mais do que outra. o único que se consegue acompanhar. princípio este que deve ser levado para história. Encarada pelo lado da literatura. Uma interrogação se nos apresenta: por que a diversidade do meio produz grandes diferenças do caráter? Eis uma grande questão. A biologia e a fisiologia não vêem na morfologia e no funcionamento orgânico senão a soma das duas forças. Serão a expressão do equilíbrio entre o meio e as forças étnicas. Desde que hoje não se pode conceber progresso e desenvolvimento. porém. é o elemento étnico. assim um caráter nacional há de se delas o reflexo. Quer nos parecer. através do tempo. Assim como todos os fatos biológicos são mais do que o resultado. passando para o segundo plano nas civilizações históricas. o refluxo desse equilíbrio. para a explicação dos fenômenos mentais e emocionais. pelo princípio da multiplicação dos efeitos. Eis aí a larga divergência entre os dois ilustres literatos. uma estática e outra dinâmica. Neles não se deve ver senão o equilíbrio das duas potências. lado muito mais restrito do que o histórico. na opinião do filósofo inglês. ela oferece larga divergência entre dois ilustrados espíritos deste país. a causa eficiente e exclusiva desses diferenças é a ação do meio. e é ele quem diz: ―A questão da história da literatura nacional. – Drs. assim também na história. Araripe Júnior e Sylvio Romero. a explicação dos fenômenos não deve inspirar-se em uma só das forças . sem solução de continuidade. Sylvio Romero o fator estável. Para o primeiro. não se pode ser exclusivista. por uma idêntica orientação. da luta contínua entre a natureza e o homem. Não obstante não se poder contestar as diferenças são o produto de duas forças. estabelecer qual delas seja a mais poderosa. que tem por causa a instabilidade do homogêneo. dois infatigáveis trabalhadores da literatura nacional. aliás incontestável. característico e individualizado. A função e a forma são por elas regidas e individualizam-se segundo seu jogo mútuo.problema. hão de resultar os fenômenos históricos. por uma ação que pela psicologia é elevada à altura de uma lei.

um povo, em seu desenvolvimento civilizador, senão a soma das forças físicas e étnicas. Elas juntam-se, refletem-se, equilibram-se para dar em resultado o fenômeno da história. Eis sua lei mais geral e que domina todas as pesquisas. Qual delas, porém, é a mais poderosa? Nenhuma, pois os conhecimentos científicos atuais são insuficientes para uma tal averiguação. Assim como na nutrição intersticial não se sabe dizer qual o elemento mais poderoso, se as forças físico-químicas do oxigênio, ou se a força biológica dos tecidos; se na individualização de um organismo, pra a manutenção de uma morfologia e o desenvolvimento de sua função, não se sabe dizer qual a força mais poderosa das duas que se chocam, assim também para a individualização de um povo, para sua formação como um grupo histórico e o desenvolvimento de sua civilização, não se sabe dizer qual o fator de mais força , se o meio, se elemento étnico. Ambos são igualmente importantes, igualmente poderosos na fenomenação histórica, por isso que da reação que oferecem entre si, resultará o desenvolvimento. Qual deles, porém, entra em mais larga ação, para traçar esse desenvolvimento, é o que não se pode assegurar, pela insuficiência dos meios científicos atuais. Quando muito se pode traçar uma categorização de fenômenos, pertencentes a cada um dos fatores, e isto não deve levar ao espírito do historiador uma predominância de ação. A essa categorização pertencem, pelo lado do meio, os fenômenos de adaptação, de fisiologia de uma raça, em virtude dos quais tenderia a perder sua integração, sua unidade, se não entrasse em ação uma força antagônica: pelo outro lado tenderiam a perpetuar-se os caracteres étnicos,por meio da herança. O meio reage a diferenciação, pela adaptação; a força étnica reage a integração, pela herança. E como o caráter de um povo é a soma das duas forças. Devemos concluir que para a sua formação, para o desenvolvimento civilizador, ambas se equilibram. Estabelecemos, pois, o equilíbrio das forças mesológica e étnica como a lei geral que domina a história brasileira. Se uma prepondera sobre a outra, por exemplo, o meio sobre o elemento étnico, como o Dr Araripe Junior, as tendências divergentes serão poderosíssimas, pela pequena reação do elemento étnico, de sua ação antagônica e o resultado seria a falta de unidade do caráter brasileiro. Se há preponderância do elemento étnico como quer o Dr. Sylvio Romero, as tendências centralizadoras venceriam as tendências divergentes, pela ação da herança, e ficariam inexplicáveis as diferenças, ainda que não radicais, do brasileiro do norte para o brasileiro do sul. No primeiro caso o excesso de divergência levaria a um excesso de heterogeneidade de caráter, de relações mentais e emocionais, entre os habitantes da duas zonas, tão diferentes em suas condições físicas. Essas profundas diferenças não vemos na história das duas zonas, cujos habitantes se aproximam pela identidade dos elementos étnicos que se conservam, circunstancia bastante poderosa para opor-se à divergência da ação do habitat. Em ambas foram aplicados os mesmos processos de colonização, com igualdade de resultados; em ambas abriram-se linhas divisórias entre as classes

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populares de um lado e as do governo e clero, do outro; em ambas as relações subjetivas e psicológicas são idênticas; em ambas, finalmente, os períodos históricos são caracterizados por uma identidade de hábitos de reverência e superstição às classes dirigentes. Se diferenças se patenteiam, elas não são tão profundas a romper a unidade de caráter. E vemos mesmos que no norte o movimento histórico vai acentuando uma identidade ao que desdobra-se pelo sul. Nota-se o mesmo ceticismo contra a religião e o governo, com a diferença, porêm, de ser mais tardio. Os protestos que se levantaram contra essas duas forças foram idênticos em ambas as zonas. E isto nos leva a concluir que no sul o coeficiente de movimento é mais acelerado do que no norte, e que o estado de equilíbrio em que se mantêm as forças étnica e mesológicas é diverso. Em vez de dizer-se que há na civilização do Brasil predomínio da ação do meio, para se poder explicar as diferenças acidentais do caráter, acreditamos se mais acertado afirmar que a população das duas zonas acha-se em diferentes estados de equilíbrio. Na opinião do sábio filósofo inglês, o equilíbrio instável é o caráter da homogeneidade de um agregado, que seja um organismo, que uma sociedade. Tende a diferenciar-se a integrar-se pela instabilidade de equilíbrio em que permanece, pela persistência da força e pela impossibilidade de um agregado indefinido, a evoluir, pelo princípio da multiplicação dos efeitos, pois todo efeito é mais complexo do que a causa. Aplicando estes princípios ao desenvolvimento histórico no Brasil, vemos que a primeira população, formada pela geração de mestiços do século XVI, que é o elemento étnico nacional, representa um agregado em equilíbrio instável, pelas tendências a diferenciação e integração. ―Duas naturezas, diz Spencer, adaptadas a duas séries ligeiramente diferentes de condições sociais se unem; é de crer que sairá uma natureza m pouco mais plástica do que elas, mais fácil de receber as impressões de um meio que se renova pelos progressos da vida social, e por isso mais própria a criar idéias e a manifestar sentimentos de uma forma particular‖. Eis em síntese a função histórica do mestiço no Brasil. Por esta instabilidade de equilíbrio, a ação do meio produzirá uma multiplicidade de efeitos, e a geração mestiça tende a evoluir e a desenvolver a organização de um meio social, que, por sua vez, terá novas incidências de forças. E esse resultado é tanto maior, tanto mais largo, quanto a população vai alcançando feições adiantadas de heterogeneidade, o que vai se refletindo em seus produtos de cultura; ciência, literatura, arte, governo e religião. Assim, as sociedades, para a história, passam de um estado indefinido e incoerente, a um estado definido e coerente. Como, pois, se pode dizer que há preponderância da ação do meio sobre sua força antagônica, quando vemos que o desenvolvimento para percorrer todos os graus da evolução exige um completo equilíbrio? O ilustrado Dr. Araripe deixou-se inspirar pelas asseverações de Buckle, sobre as civilizações primitivas. Submetendo a história aos processos das ciências naturais, estabelecendo que as ações humanas são determinadas por seus antecedentes, o historiador

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inglês divide as civilizações em primitivas e históricas, tendo o meio sobre aqueles completa ação. As diferenças únicas que descobrimos são que, nesse caso, a ação do meio é direta, e nas civilizações históricas ela é indireta. Por isso mesmo que no primeiro caso, o desenvolvimento depende quase que exclusivamente da ação do habitat, de suas qualidades favoráveis ou desfavoráveis, a ação é imediata. No segundo caso ela é mediata, por isso mesmo que a humanidade já chegou a pontos adiantados de integração e diferenciação. Isto, porém, não faz desaparecer a ação do meio, que em ambas as civilizações, é contínua e interrompida. As diferenças estão, pois, no modo, no processo de ação. No mundo biológico o desenvolvimento orgânico depende da ação externa e da ação interna. As funções orgânicas, nos graus inferiores da escala animal, não estão localizadas, porque o agregado é homogêneo e indefinido: não está diferenciado. Elas são indefinidas e incoerentes. Neste caso, a sinergia funcional é mantida pela ação direta do meio. O órgão que se move é o que sente, o que respira,que digere, que absorve, que nutre e que excreta. Não há especialização de função, porque não há especialização de agregado, cujo total da força biológica apresenta-se aos olhos do observador como uma expressão da ação direta do meio. Nos graus superiores da escala as funções orgânicas acham-se especializadas, porque o agregado é mais diferenciado e heterogêneo. O órgão que respira não é o que digere, o que se move e que sente e excreta. Nestas condições, o total da força biológica é a soma destas funções, é o total da ação indireta do meio e da direta do agregado. É a expressão de um equilíbrio. Assim também na história. Nas civilizações primitivas, a ação do meio é direta, porque elas são mais o resultado de um bom solo, de um bom clima, do que dos esforços humanos. Nas civilizações históricas, em que a humanidade acha-se em pontos adiantados de integração, diferenciação e especialização, em vista da ação do meio e da reação étnica, a influência física torna-se mediata no desenvolvimento histórico, por meio do homem e dos seus órgãos sociais. As civilizações serão a expressão desse equilíbrio. Se prepondera a força étnica, como quer o Dr. Silvio, rompe-se esse equilíbrio que julgamos imprescindível para o desenvolvimento, para a normalidade dos fenômenos. Quer nos parecer legítimas e verdadeiras as seguintes conclusões: O elemento étnico e o meio são as duas forças que dirigem a civilização humana, obra em virtude da adaptação e da herança. Para vencer as tendências divergentes do segundo fator, opõe-se a força antagônica do primeiro, uma unidade no fundo do caráter; Em vista disto estabelece-se um equilíbrio entre as duas forças, do qual resulta o desenvolvimento histórico, que se tornará negativo, se uma dela preponderar sobre a outra;

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As diferenças entre as civilizações primitivas e históricas não consistem na preponderância de uma das forças sobre a outra, e sim nas diferenças do processo de ação. Da ação e reação é que resulta o equilíbrio das duas forças, não sendo nenhuma um fator preponderante, PIS desapareceria a normalidade da fenomenação, desapareceria o equilíbrio. A cada uma das integrações, pela ação reflexa entre as duas forças, corresponde uma feição especial de meio social, que por sua vez leva o seu contingente, na incidência sobre o elemento étnico; Sendo o mestiço o ponto intermédio entre o meio social e o meio físico, transforma aquele, pela sua cultura, à proporção que se integra pela ação deste. É ele o órgão da função histórica.

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CAPÍTULO IV GEOLOGIA DE SERGIPE FAUNA E FLORA. SUA PRODUÇÃO

Na descrição geológica de Sergipe, em que vamos entrar, utilizamo-nos dos trabalhos de Hartte Liasis, cujos estudos procuramos aqui resumir. Sergipe, sob o ponto de vista geográfico, pode ser dividido em duas zonas: A zona oriental, baixa, desigual, apresenta grandes extensões de areia, ao longo da costa, e algum terreno próprio para cultivar. Ela é conhecida pelo nome de matas, por causa de suas florestas. A linha da costa mede noventa milhas de extensão. A zona ocidental, chamada também de agreste, é estéril e seca, servindo somente para a pastagem. É montanhosa e mais alta do que a zona oriental, sendo a principal montanha a serra de Itabaiana. Na zona oriental está localizada principalmente a lavoura da cana, nas bacias dos rio Japaratuba, Sergipe, Cotinguiba, Vaza-Barris e Piauí. Na zona ocidental estão localizadas a criação do gado e a lavoura dos cereais, principalmente mandioca e a importante lavoura do algodão, nas matas de Itabaiana. Na formação geológica domina o sistema siluriano, composto por grés, xistos argilosos e calcários, não obstante encontrar-se o gneiss, formando largo terraço entre a costa e a base do grande planalto central do Brasil. A zona de gneiss, nas regiões do norte é mais seca do que a das regiões do sul. Sergipe apresenta três grandes massas de terras altas, separadas pelas bacias dos principais rios. A estas eminências daremos o nome de planaltos. De norte a sul colocam-se a primeira entre o rio S. Francisco e Sergipe e vem da Serra Negra; a segunda entre o rio Sergipe e Vaza-Barris; a terceira entre o Vaza –Barris e Piauí; a quarta entre Piauí e o Rio Real. Entre estas eminências correm os rios principais, em direção ao mar. Façamos a descrição do sistema hidrográfico e depois do orográfico. O rio Real forma a bacia, que limita a última eminência do sul, tem um curso talvez de 40 léguas. Em sua parte superior corre sobre terrenos secos e está arrodeado de fazendas de gado. Sua porção oriental é encachoeirada, ficando a última e mais importante cachoeira distante 9 léguas de sua barra. Aí forma um estuário, com os rios Piauí , Gurararema, o Jacaré o Pastorado, que passa junto à serra do Canini; pela margem direita o riacho Sena, que desemboca abaixo da vila de Campos e o Itapemerim, que banha o povoado Tabúa e a vila de campinhos. O Piauí nasce na serra dos palmares, tem um curso sinuoso. Em suas margens estão colocadas algumas propriedades. Forma o porto da cidade da Estância, que é edificada sobre a colina de rocha micácea, composta de pedra de ária de cor vermelha, completamente semelhantes, na opinião de Hartt, à formação geológica de New Jersey.

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Estas pedras são cobertas por um terreno argiloso e vermelho, árido e sem fertilidade, que as calcina, tornado-as ainda mas duras. Entretanto , para o interior os terrenos são férteis. Hartt não descobriu nenhum vestígio de fósseis nesta região. Ao norte da Estância o terreno apresenta-se em forma de colinas irregulares, e na opinião de Hartt são terrenos terciários. A vinte ou trinta milha da costa está a serra de Itabaiana, composta de gneiss e mica ardósia. O Vaza-Barris, que nasce na serra da Itiúba, banha os municípios de São Paulo, Itaporanga, e São Cristóvão e desemboca no Oceano. Encontra-se mármore em algumas porções de seu leito. Sua bacia é uma das mais importantes zonas agrícolas. Existem nela muitos engenhos, que fabricam importante açúcar. O Cotinguiba, que nasce nas matas do Engenho cafaz, banha o município de Laranjeiras e depois de desembocar no rio Sergipe, banha a capital. É navegável em alguma extensão. Suas margens são cobertas de mangues. Sua barra, como a do Vaza – Barris, é má, pelos bancos de areia que existem. Do lado oposto da barra, diz Hartt, estão extensas dunas de quatro ou cinco pés de altura, flanqueando um trato de areia recentemente elevado, estendendo-se na extensão de algumas milhas, coberto de coqueiros até a cidade de Aracaju, edificada sobre uma planície de terreno de aluvião. Esta área de terreno pouco elevado acima do mar, termina-se para o inteiro em um outeiro, onde esta edificado o povoado de Santo Antônio, de terreno terciário, cobrindo massas irregulares de pedras de areia de cor vermelha escura semelhantes às de Estância. Hartt não encontrou conchas nesta formação. Chamou sua atenção, na viagem que fez a Sergipe, a formação geológica de um lugar, colocado acima do Aracaju, na confluência dos rios Cotinguiba e Sergipe, chamado Sapucaí, o onde existe uma pedreira está situado em uma eminência composta de bancos e frouxas pedras de cal. Na superfície de alguns leitos desta formação calcária, o sábio geologista encontrou um grande número de válvulas de um lindo inoceramus, juntamente com um pequeno Ammonita e algumas escamas de teliostianos. Entre Maroim e Sapucaí o terreno é baixo e rico em calcário. Harrt, nas pedras que forma o calçamento de Maroim, encontrou lindo fósseis de grandes ammonitas e Ceralites e viu, em mãos de Mr. Nicolay, o desenho de uma Cidaris, trazida de Maroim. Na opinião de Harrt, são fósseis cretáceos que lembram as formas jurássicas, opinião confirmada pela do professor Alphens Heyatt, que considera a natica de Maroim idêntica à Natica proelonga de Seymeria, pertencendo à camada neocomiana inferior. Diz este ultimo autor: ―La présence d ‗espéces aussi bien caractériesées que la Natica proelonga, l‘Ammonites Peruvianus au Brésil er au Texas, et peut-être d‘autres espéces du coté oriental er occidental de la chaime des Andes et des montagnes Rocheuses, indique une connexion entre les deux versants, soit à travers l‘isthome er à l‘ouser du Bresil, quand um océan crétacé baignait encore tout la portion nord d l‘Amérique du sund. Ces faits, quand on les considére em connexion avec la decouvert d‘um fossile du genre Ananchytes sur l‘isthme, comme il été rappelé par M. Alexandre Agassiz, ont unid porteé directe au sujet d,une importante question.

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et la grand terrasse centrale. A Bahia. laquelle domine aujourd‘hui la formation de gneiss que la borde. et les eaus de la mer la couvraiente presque entièrement. était alors beaucoup plus basse que cette derniére. et il a été biem demontré que les animax de la surface. comme le savet for bien aujourd‘hui tous les naturaliestes. oui ou non. Les couches de cette même formation se trouvent relevées souvent suivant la direction génerale de la côte. les formes alliées. 41 . on ne peut douter de l‘identité de la formation marine secondaire à Bahia. er c‘est à trés-peu reés sous le même paralléle . Ceci donne um grand intérêt aux faits tels que le précédent. la formations secondaire marine semble elle-même manquer. La ligne à partir de laquelle devait se faire cerre inclinaison du sud au nord devait être alors une ligne plus ou moins oblique. dans les provinces. d‘aprés laquelle. étaient plus ou moins representés par des espéces identiques ou alliéesl. A Pernambuco.-E Cette direction. joignant le plateau de Barbacena au grand plateau Bolivien . Quelques indications que l‘on posséde sur Alagoas se trouvent en conformité pour ètablir la presque continité de cerre formation. et parait confirmer la conclusion de M. non recouvert par la mer crétacée er formant encore aujourd‘hui a premiére terrasse du continent. Cette identité des directions semble en outre indiquer une dislocation vers la même époque er em vertu des mêmes phénomènes. pendant la période cretacée. em comparant toutes les données rapportées précédemment. les recherches de MM. c‘est-à-dire du littoral. est celle que M. La grande arête de gneiss bourdant la côte nord du Brésil parâit donc avoir été inclinée du sund vers le nord plus foremente à cerre époque qu‘aujourd‘hui. comme nous venons de le voir. de l‘autre côté de la gande des gneiss. A propósito disto diz Liais: ―incontestabement. du coté de l‘isthume répondant au Pacifique. D fait. lesquelles auraient emigré à travers quelque anciem canal postérieurement fermé par le soulèvement par la bande de terre formant l‘isthme de Darien. Sergipe et Pernambuco. Alors s‘est elevée la question de savoir se. de maniére à faire dispareitre au sud sous la mer la formation d‘eau douce côtiére qui aurait pu s‘y former. Hartt pour Maroim. mais l‘intérieu du continent était moins elevé qu‘aujourd‘hui.‖Les expéditions du Coast Surrey. du coté de l‘isthme repondante ou pacifique. Pissias d donnée pous Bahia er M. à quelque periode antérieure. um libre passage aux animaux marines. laquelle devait étre hous des eaux aux époques jurassiques er crétacées qui se montre le dépôrt d‘eau douce également superieur à une puissante formations secondaire . de Espirito-Santo et Rio. le golfe du Mexique et l‘océan Pacifique auraient été réllement des mers continues ». er ne laisser voir nulle part de formation marine. Elle se serait plutôt abaissée au sud e velevée au nord depuis cerre époque. comme si cet autre poit était alors le rivage opposé à celui de Bahia. probablement marine. Alexandre Agassiz. les formes alleées ou identiques sont les descendants des espéces du golfe. Hartt et Alport ont établi l‘esistence de depôts d‘eau douce sur les couches marines. notée par moi em 1859 pour les depôts de Pernambuco.de – Janeiro. le premier pas vers la solution de ce problème était de prouver l‘esistence d‘um canal ayant fourni.-N. Alors s‘est elevée la qustion de savoir se. dópôt dans lequel j‘ai trouvé des fossiles à Engenho. je n‘ai pas remarqué de formation d‘eau pouce supérieure à la formacion marine et je n‘ai pas connaissance d‘indications de cette formation dans les provinces du nord. c‘est à-dire le N. sans doute par suite de la formations de lacs d‘eau douce prés de la côté . onte établi le fait d‘une ramaquable similitude entre la foune presente des mers profondes et les espéces des genres crétacés . au sud. car on ne l‘a encore signalée. oui ou non.

em uma grande extensão. Ajoutons que. O solo é rico e a cidade é um centro comercial de açúcar. de Bahia à Pernambuco. nas quais encontrou o sábio geologista um grande número de fósseis. achando-se misturada com pedras cobertas de argila e óxido de 42 . Peu de perturbations auront em lieu dans ces immenses regions peudant cette longue durée. par l‘union d‘espèces jurassiques et cretcès dans les divers dépôts du Brésil. composta de pedras de areia de cor vermelha. de mangues. On conçoit ainsi parfaitement la difficulté er le doute des classements. et cette circonstance justifie pleinement le nom de formatios crétaceío oolitique donné par Darwin à ses vastes dépôts. er par là s‘explique comment les espéces du commencement de la periode ont pu continuer d‘exister et se mêles aux espèces posterieures. Destas rochas chamou a atenção de Hartt uma argilosa e porosa. on reconnaitra des différences entre les couches inférieures et superieures de la série. tandis que d‘autres espèces les differencieront plus ou moins completement. évidemment. et la même espèce devra parfois se trouver souvent dans l‘ensemble de toutes les couches. « Mais tour parait déjá indiquer l‘absence de différences trés tranchés entre les espèces contemporaines de divers points. sendo montanhosa a zona que circunvizinha a cidade.«Ce puissant dépôt secondaire. e junto a Aracaré. de pedras micáceas. confirmée. de cor amarela ou pardacenta. Cerre circonstance achèce d‘établir l‘identité entre l‘âge des depôts de la côte et ceux de l‘interieur. de nouvelles decouvertes paleíontologiques aurount fourni des bases plus sures.des couches horizontales creusèsses par la dénudation exactement comme sur le plateau central d l‘Empire. abaixo de Villa-nova. sur la partie nord de la côte orientale du Bresil. a margem do rio apresenta grandes massas de uma grande variedade de rochas. les deux époques ne sont pas nettemente séparèes comme em Europe. et a peut être commencé dés l ‗époque jurassique. Em seu derredor existem algumas grutas calcárias. formação que se assemelha à da Pitanga. comme nous l‘vons vu. de sorte que suivant la très-judicieuse remarque de Darwin. de grande importância. chamou a atenção de Hartt que encontrou formação estratificada. O lado do sul do rio é pantanoso e coberto. une puissante formation de grès contitue. tout parait l‘indique d‘ailleursl. na Bahia Railroard. « probablement. au moins dés la période colithique. Do lado do norte não temos que falar. ne peuvent être contemporaines. ce non convient à l‘ensemble du depôt em question. lesquelles. dos quais o mais abundante é um pequeno bivalvo. » É opinião de Hartt que a zona calcária de Maroim está evidentemente sobre cretáceos e ocupa um plano muito mais baixo na série do que a zona calcária de Sapucaí. Sua barra é arenosa e por conseguinte má. A costa entre os rios Cotinguiba e São Francisco é de pouco interesse. muito fértil e a sede de uma das mais importantes lavouras açucareiras. quand. cuja abóboda apresenta uma perfuração em forma de sino. mais el ne doit pas être pris dans l‘acceptions restreinte d‘époque intermediaire aus dex autores. Nestas paragens. Idêntica formação apresenta o local da Cidade de Laranjeiras. Banhada pelo Cotinguiba e situada entre outeiros. principalmente a que chamam de Pedra Furada. audessus du terrain secondaire. Uma eminência penhascosa. a dú fe former pendant au moins une grande partie de l‘époque creatacée. « Sans nul doute. dans ces regions. São de tamanho regular as estalactites e estalagmites existentes na gruta.

dominando a lavoura da cana –de – açúcar. uma alta cifra. Na zona compreendida entre Vila-nova e Propriá vêem-se algumas colinas irregulares e isoladas.. São as pedras que vulgarmente chamam pedra de fogo... A cima da serra da Tbanga os terrenos tornam-se cada vez mais estéreis e penhascosos. já descritas... cristalino em alguns lugares.. somente construiu-se um engenho central... o qual é atualmente o único no país que deixa lucro à empresa que o dirige. 1858-59 25. Acima de Propriá estão situados outeiros de geneiss.612:935$065 1859-60 9... que tem sido a origem da riqueza pública e particular.. existem diversas espécies de cereus. O terreno sobre o qual está edificada a Cida de Propriá é de uma formação de gneiss e mica ardósia.. sem braços culturados para o trabalho livre e sem utilizarse dos aperfeiçoamentos modernos....774:521$447 1857-58 19. pouco mais de duzentos substituíram a força animal pela máquina..696:629$026 1860-61 8. Ai abunda principalmente a lavoura do algodão i dos cereais...... Estes terrenos não são férteis.288.... E essa incúria revela-se perfeitamente no fato de que.158:147$741 1856-57 . na qual encontram-se quartzo. não obstante os meios rotineiros...... cura raiz serve para o alimento do gado... de que o mais importante é o xique-xique..281:996$688 43 . 4. pedra de areia. Entre elas Hartt descreve o Morro do Chaves ou Morro do Euzébio... Além das bromeliáceas. Hartt acredita que as camadas de fósseis são camadas cretáceas e são o plano superior da formação geológica de Villa Nova e Penedo. apresentando-se como um calcário conglomerado. entre as quais citamos a macambira... E no seguinte quadro o leitor verá a produção de açúcar. É uma formação terciária.ferro. Além deste exclusivismo agrícola.... nem produtivos. Além da falta de espírito de iniciativa de seus habitantes.845 1... junto à cidade de Riachuelo.. Ela tem por sede os importantes terrenos de massapé. Eis o resumo da geologia de Sergipe... de rochas semelhantes às de Vila-Nova. nos vales dos rios principais.910 ...615 3. De quase mil engenhos existentes no Estado. que levassem ao espírito dos agricultores a convicção de mudarem o processo do trabalho agrícola... conchas .. cujas rochas compõese de uma série de pedra de cal...... sendo a camada profunda de pedras calcárias .914.. seixos de ágata e fósseis de fragmentos de conchas. Sua indústria principal é a lavoura. Encontrou também fragmentos de uma rocha d estrutura oolítica.. por meio dos quais é ele fabricado: EXERCÍCIOS QUILOGRAMAS VALOR OFICIAL 1855-56 .820..... de leitos xistosos. mais ou menos arenosas e que contêm grãos e seixos de uma rocha metamórfica... a indústria sacarina obedece ainda aos princípios da antiga rotina. e a vegetação mais esparsas de pequenas plantas bromeliáceas....... Nestas pedra Hartt encontrou ossos de teleosteanos e o desenho do dente de um notidamus....988.... e ocasiões de secas. 3. atingindo a produção de açúcar me Sergipe....985 1.. o governo imperial nunca quis ativar a prosperidade da lavoura açucareira. Por meio de estabelecimento de engenhos centrais ou usinas.

1866-67 3271....318:034$438 2..210 1:460$550 1859-60 120 54$600 1860-61 .......413 2....... pode-se dizer que a lavoura de Sergipe restringia-se a açúcar de cana.263:263$824 2.572 477:623$406 1865-66 ...354 11.... Antes da guerra dos Estados Unidos..701 .365.380 18.514:371$131 1867-68 5..582 259:571$391 1864-65 374..265 26.017 15... 1861-62 38....794..175.................825 3.695....134:731$190 2...538....987 1..... 39.033:719$067 1872-73 3.430:644$312 2...365....016.....325 39:178$054 1856-57 12............407:797$005 1871-72 5.... 4.......623..970 1:315$350 1858-59 3..323.865:771$347 4..565 30.. A indústria de fiação é.730 26.532:100$800 3.553 19. Seu consumo é muito maior..224:512$682 2.217:377$974 44 .... Esta lavoura localizou-se principalmente nas matas de Itabaiana e hoje acha-se bastante desenvolvida.041 23....100 11.... em vista de uma fábrica de fiação já existente....092:879$293 3.848 20.986..021 2....805 17:682$320 1862-63 75..650:967$335 1869-70 2...885 2..700.603 23.. pois.310....729 26...147:891$691 6.175..641:054$517 ..598..653:254$587 3..087...661:236$434 3.....673:671$697 3.792 .. .734 3....876. uma indústria de grandes lucros.222..259:341$929 1870-71 5...855 5:889$025 1857-58 2..789...420 2.221. para a empresa que quiser explorá-la.....365 71:698$899 1863-64 194..773:267$659 5. pela falta de concorrência e pela impossibilidade do lavrador para exportá-lo.035... .....313:003$943 ........760 23...533 17.. É crescente a produção do açúcar.943:201$826 3... 3. A produção do algodão já reclama o estabelecimento de outras fábricas de tecido a fim de que o preço do algodão não seja monopolizado.068:186$118 1868-69 3......964... De 1864 ativou-se a produção do algodão que constitui hoje o segundo produto da exportação..562........166...1861-62 1862-63 1863-64 1864-65 1865-66 1866-67 1867-68 1868-69 1869-70 1870-71 1871-72 1872-73 1873-74 1874-75 1875-76 1876-77 1877-78 1878-79 1879-80 25. Eis o produto do algodão: EXERCÍCIOS QUILOGRAMAS VALOR OFICIAL 1855-56 66...677:775$667 3...128 29..

705 1..do coco. nas várzeas do Japaratuba...730:908$063 3...111:800$000 3. Elas são: a do café... e que deviam desenvolver-se com grandes vantagens para a riqueza pública e particular... de importante futuro e outras....1873-74 1874-75 1875-76 1876-77 1877-78 1878-79 .131.....775 1..... do trigo e do arroz em São Francisco.276 Kg 4:662$559 Solas 8.959 .. do fumo.217:377$974 Aguardente 854.799... 2.. 3:813$253 Milho 18..877 L 2:470$562 Baunilha 22 Kg 62$401 Lã de barriguda 44 Kg 18$000 Pedra de afiar 6..832:110$000 5. 34:634$990 Couros secos 8.198 Kg 2:617$072 Fumo 665 Kg 275$464 Cestos de palha 69 unid..268 Kg 14:476$062 Ticum em fio 1. do sal. 34$500 Óleo de coco 10. 26:868$588 Couros salgados 6..313:603$943 Algodão 3.763 unid........274.744:549$186 201:896$512 Alem da lavoura da cana e do algodão.... E não apresentamos a estatística...365.. 809:862$926 460:337$718 605:110$267 2.051 507.520 ― 9:174$000 Mel 133 L 10$108 Caroços de algodão 369.. que se faz nas Matas de Simão Dias e que é igual ao café de São Paulo. 417$000 Madeiras 1.. pela quase impossibilidade de obter os materiais.. que consideramos uma lavoura de grande futuro..425 Kg 2:268$118 Ticum em rama 8.556 unid......547 L... 112:912$794 Sal 1............701 Kg 3...323. no litoral............. no litoral. É uma estatística de 1872-73. Pelo seguinte quadro o leitor convencer-se-á das lavouras e indústrias que podem ser exploradas com muita vantagem.....439 806......751 L.292.. que faz parte da pequena lavoura no interior: do cacau.730:910$063 45 ... Hoje a produção está muito maior.943:910$000 9.987 Kg 2.......212 Kg 2:988$673 Mamona 23..... PRODUTO QUANTIDADES VALOR Açúcar 29.... Estrangeira Cabotagem Importação .916 L. 35:572$000 Peles curtidas 870 unid.257 unid........ 3:385$000 Arroz em casca 792 L 355$382 Fumo em corda 414 Kg Total . há outras que se acham em início..030 centos 824$000 Cocos 2.

Representando elas a função de bancos. pela falta de um comércio emancipado e que se comunique com grandes centros comerciais. são os compradores das mercadorias. porque seus diretores emprestam o capital aos lavradores. Isto demonstra que seu solo é admiravelmente fértil e cultivável. A importação faz-se pela navegação de cabotagem. na posição passiva de devedor. e não pela livre concorrência no mercado. suas excelentes condições naturais. car il est soumis aux fluctuations des escales des grandes des grands paquebots. soit à Maceió et Pernambuco. Ao mesmo tempo que são eles os fornecedores do capital. d‘une véritable monopole ». a única que existe. As mercadorias ficam sobrecarregadas de impostos e as que saem do Estado não deixam os lucros que deviam deixar. pondo o comércio do Estado em relação com as praças da Bahia. a bem da prosperidade do Estado e do interesse daqueles que animarem essa exploração. soit à Bahia. que devem desaparecer com a abertura da barra do Cotinguiba e da estrada de ferro de Aracaju a Simão Dias. Além destas condições. E aqui seja dito de passagem : as casas importadoras de açúcar. pelo juro excessivo de 2% ao mês. Il n‘ya pas de Bourse de commerce . Não há liberdade de comércio. Do ano passado para cá ele iniciou relações com a praça do Rio de Janeiro. como sejam principalmente a falta de capitais e a falta de braços educados para o trabalho livre. têm sido uma das mais importantes causas da sua decadência agrícola. Impõem o preço e o lavrador. Assim. entrega o produto de seu trabalho. estabelecidas no Estado. gràce à ces circonstances. que tanto têm contribuído para a decadência da lavoura açucareira. melhoramentos que já se acham em via de desenvolvimento. le cabotage lui même este forte lente. A navegação de cabotagem é. por falta de viação férrea e de navegação fluvial. Seu comércio é dependente do da Bahia. Daí duplos proventos. el ne peut que les céder à des maisons joissant. por falta de comunicações externas. Maceió e Pernambuco. estabelecida pelo autor destas linhas. basta desenvolver os meios de transporte. Eis as condições do comércio de açúcar em Sergipe. pode ver o movimento comercial do Estado: 46 . Entretanto. ―Actuellemente. que é preciso corrigir. outros males existem. O leitor pelos seguintes quadros. compreende-se que o preço é por eles determinado. sem comunicar-se diretamente com praças estrangeiras.Isto tudo demonstra a elasticidade de suas forças produtivas que devem ser exploradas. por meio de uma navegação direta. não obstante suas forças produtivas. diz ele. pois. que para desenvolver a indústria agrícola neste estado. Suas comunicações internas estão em idênticas circunstâncias. a instituição de estabelecimentos bancários e a imigração estrangeira são medidas inadiáveis. não obstante suas condições hidrográficas. le producteur ne connait pas les oscillations du prix de ses denrés sur les marchés où ils sont exportés . Sergipe permanece em atraso. que se ligam à falta de comunicação exteriores. Pensamos como Alfredo Mare.

593:955$000 7.352:808$000 EXERCÍCIO DE 1886-87 Importação Exportação 354:438$000 1. como para marcenaria. De entre as madeiras que servem não só para construção civil e naval. Para a tintura vemos o cauabo. dos ruminantes. de diversas espécies: algumas espécies dos carniceiros.714:984$000 EXERCÍCIO DE 1884-85 Importação Exportação 157:938$000 3. como as preguiças. na ordem dos quadrúmanos: os guaribas. baraúna. Moreira. arari.994:351$000 7. como as pacas. dos peixes.882:400$000 12.060:505$000 5. dos paquidermes. pau d‘arco. como os veados.527:700$000 6. cujas espécies não descrevemos para não alongar este capítulo. sucupira (Bowdichia major).017:204$000 2. A mesma variedade e riqueza vemos na classe dos pássaros. dos insetos.384:789$000 11. dos répteis. ainda que raras.563:138$000 3.889:700$000 862:000$000 5. capivaras. pau ferro (caesalpinea férrea). aroeira. se divide a flora brasileira.254:618$000 Total 4. vemos: cedro (cedrella brasiliensis). dos desdentados.762:301$000 5. (Shinus). angico.571:700$000 7. da litoral e da do interior. Na classe dos mamíferos. 47 .260:267$000 8.439:143$000 Longo curso Cabotagem Totais Total 1. a peroba (Aspidos perna peroba) a Arapiraca.281:443$000 6.119:240$000 13.395:200$000 825:500$000 5.355:700$000 1.858:973$000 3. vemos.886:005$000 EXERCÍCIO DE 1885-86 Importação Exportação 127:504$000 1. cutias. que acredito ser a única espécie desta ordem existente em Sergipe. tamanduás. jacarandá (jacarandá ovalifolia) e outras. Parnaíba. algumas famílias dos roedores. como os caititus. A fauna é tão rica e variada como a flora.476:365$000 Longo curso Cabotagem Totais Total 3. Das três zonas em que. massaranduba. sob o ponto de vista botânico-geográfico.213:411$000 5. apresentam-se membros da zona equatorial. (acácia angico).490:808$000 4. o mangle vermelho e outros. potumuju.220:700$000 9.370:012$000 Longo curso Cabotagem Totais Total 2.618:312$000 5.Longo curso Cabotagem Totais EXERCÍCIO DE 1883-84 Importação Exportação 406:681$000 4.187:284$000 6.468:029$000 A flora é riquíssima e variada.

Portugal deixou-se preocupar em excesso pelo comércio das índias. O governo português cedeu à lógica de Diogo de Gouvêa. não apressassem o trabalho colonial. pelo contato de elementos que deveriam ser eliminados na vida social. para demover Portugal da inatividade em que se conservava ate então. Muito cedo. que além de tudo. se tentativas por parte de outras nações européias para compartirem seus domínios na América. Melo Moraes. 297 48 . que se utilizavam de suas atribuições com arbítrio e excesso. fosse tão tardia. sacra um regime de autoritarismo absoluto. a 5 de abril de 1534. porém. foram não só as circunstâncias ocasionais do insucesso das capitanias. p. relativamente ao Brasil. entretanto. Realizaram-se os intentos de Cristóvão Jacques. da barra do rio São Francisco a ponta da Bahia de Todos os Santos. cuja rejeição por parte do soberano seria inevitável. em distância de cinqüenta léguas . o insólito despotismo no cativeiro do indígena. cujo processo foi idêntico ao que já tinha adotado na Madeira e nos Açores. foi a força produtora de muita atividade que se desdobrou neste país. com ampla jurisdição no cível e no crime. o absoluto poder dos donatários. de cujas riquezas tinha a nação portuguesa as provas mais reais e evidentes. cuja influencia no espírito de Gouvêa foi poderosa. que devia pôr em pratica. Não soube compreender as diferenças étnicas e mesológicas entre as duas possessões. como o melhor estimulo de trabalho e que. em favor dos donatários das capitanias. A degenerescência moral que começou a grassar nas capitanias. para aplicar-lhes o mesmo processo de colonização. a fim de sanar e salvaguardar interesses e direitos que outras potências lhe queriam roubar. deixando que se passassem trinta e tantos anos. do qual nunca se originaria uma civilização. João III fez da capitania da Bahia a Francisco Pereira Coutinho.HISTÓRIA DE SERIGIPE LIVRO I ÉPOCA DE FORMAÇÃO (1575-1696) CAPÍTULO I DESCOBERTA E CONQUISTA DE SERGIPE O território de Sergipe era compreendido na doação que El-Rei D. Cron. representados nos condenados e exilados que Portugal enviava para Brasil. É para estranhar-se que a colonização de um continente. cujo foral foi passado a 26 de agosto do mesmo ano17. que lhe patenteou os interesses ocultos de outras nações e então não teve mais tempo de pensar no processo colonial.capitanias hereditárias. cuja colonização 17 Dr. I. doação que se estendia. teve o governo às provas da improficuidade do processo colonial posto em pratica. do Brasil. para iniciar a colonização do Brasil. cedendo assim a coroa grande parte de suas prerrogativas.

Entre as capitanias cujos donatários foram o objeto do insucesso. ate que no começo de 1575 teve de atender ao pedido de paz dos íncolas do rio Real que viviam em lutas com os portugueses. I. a antecipação da conquista e descoberta de Sergipe. Tornou-se o ponto de pausada dos selvagens que fugiam da colonização. e Polv. como veremos adiante. a oposição franca do indígena ao domínio de um elemento estrangeiro. p.Accioli de C. figura a de Francisco Pereira Coutinho. 19 Talvez por isso e pelo fato de que a conquista de Sergipe fosse efetuada por ordem régia e á custa da coroa. As riquezas naturais que a colonização ia descobrindo e que tomavam fácil a vida. aliados com os franceses. á posse da coroa. pela insuficiência de recursos. 2º. quando se efetuou a conquista da nova capitania. Compreende-se perfeitamente que era de alto valor á prosperidade colonial da Bahia e Pernambuco. como a causa que convenceu a metrópoles do erro cometido. promovido pelo conjunto das circunstâncias que impossibilitou a marcha da colonização. para desdobrarem-se com mais vigor as forças coloniais. pela qual criava a coroa um governo central na Bahia. Mermor Hist. por isso que o grande princípio de divisão de trabalho foi mais observado do que no processo anterior. chama-se — Sergipe d‘El-Rei. as cinqüenta léguas doadas. com jurisdição sobre todas as capitanias do Brasil e cuja função em mais heterogênea. removeram a conquista e descoberta de Sergipe para períodos muito ulteriores ao estabelecimento do governo colonial na Bahia. História da Capitania da Bahia. atemorizados dos brancos e de onde fizeram tantos males á Bahia. A morte de Coutinho fez suceder no direito de posse da capitania seu filho Manuel Pereira Coutinho que. 2. os dois pontos mais populosos do tempo. Durante esse tempo faltou a continuidade territorial. não estimulando o espírito dos colonizadores a empreendimentos arriscados. inspiradolhe a carta régia de 7 de janeiro de 1549. teve de cedê-la ao governo por um contrato18 passando. além de causas de ordem geral. assim. Hist. havia de facilitar as comunicações entre elas. da qual fazia parte o território de Sergipe. desde quando as viagens marítimas entre Bahia e Pernambuco eram mais difíceis e perigosas do que entre aquela capitania e Portugal. e por haver Sergipe do Conde. cuja propagação se fez debaixo de luta tenaz e encarniçada. e Silva. Permaneceu ele nesse descuido. 20 Visconde de Porto Seguro.não vingou. 297 Rocha Pitta.20 Como quase meio século de vida colonial achava-se o país. 18 19 T. 49 . Geral do Brasil. Bahia. Ponto intermédio entre as duas capitanias.

P. Depois de alguns esforços. pois antecipava um acontecimento de alto valor á colonização das duas capitanias do norte. em direção do rio Real. pedir paz. ai se refugiavam. Francisco Rodrigues e Gaspar de Fontes. alcançam os jesuítas acalmar os ânimos e desvanecer os receios dos indígenas e encetem seus trabalho de catequese em uma igreja de pindoba que edificam. 25 A aldeia de Sarabi ficava nas margens do rio Vaza-Barris. Veja o livro de Sesmarias. Op. A 5 de fevereiro de 1575 chegam ao rio e dirigem-se os padres para uma aldeia de mil almas. junto ao rio.. à honra da edificação de uma igreja em sua aldeia. Sem essa medida tiveram os franceses tempo de sobra para melhor prepararem-se em Sergipe. e até do rio S. p. Francisco Sacieta Jesu. que distava seis léguas do lugar onde ficaram acompanhados os saldados. p. Ao Evangelho e não ás armas. Sergipe tornara-se um ponto de pausada dos piratas franceses22 que. entregou-se á conquista da nova capitania. Destes extratos transcrevemos o seguinte: 1576 Arruinaram-se completamente os trabalhos do rio Real. chefe entre lês respeitado e célebre pelas muitas mortes feitas em portugueses. Isto asseveramos pela carta da sesmaria de Gaspar de Almeida. e o governador arrebanha todos quantos achou e arrasta para a Bahia. o que se vê pela carta de sesmaria de Sebastião da Silva. dado a está aldeia o nome de S. a que Deus com a morte se sérvio libertar. acompanhado por uma companhia de vinte soldados. 260 da obra de R. Francisco. XVII n.24 A notícia da chegada dos padres propala-se por entre as aldeias e Sergipe e a eles vêm os chefe de mais de trinta aldeias. Eles considera a fuga como quebra de paz. seu companheiro João Salonio e mais vinte neófitos da aldeia de S. á paz e não á guerra. A. rechaçados de outros portos. persegui-os. a fim de estabelecerem povoação em lugar próprio. junto ou talvez no lugar em que se acha edificada a Vila do Itaporanga. para mercadejar com as naturais riquezas com quinquilharias. entretanto acredito que ela ficasse nas imediações do rio Real. Leal. Os 21 Dr. 261. 441. I. Tomé. O governador Luis de Brito veio com tropa para bater os índios de Aperipé e ao aproximar-se da aldeia de S. Cit. História do Brasil. 24 Não sei positivamente localizar esta aldeia. IV. Liv. “Os soldados assolam tudo quanto encontram. p. onde celebram missa. A hábil administração de Mem de Sá ressente-se da falta de não ter levado a luta aos franceses até Sergipe. Antônio.incumbindo o governador ao Padre Gaspar Lourenço que em companhia de João Salonio. Tomé. Southey. veio realizar suas missões pela zona banhada por aquele rio de Sergipe. Jesuítas no Brasil. 23 Acredito que este lugar é onde está situada a Vila de Santa Luzia. 22 R. Saraby morre e os mais entrega-se. livro de sesmarias. H. requerendo-lhe Surubi25. Partem o Padre Gaspar Lourenço. Ignácio fogem seus habitantes.23 Uma tal vizinhança desperto no espírito do indígena sério receios e não viram na vinda dos padres senão um disfarce para cativá-los e entregá-los indefesos aos seus senhores. II. V. dentro do anno do captiveiro”. 150 do liv. 50 . sob o comando de um capitão. Captiva a todos e os encurrala na igreja de S. como em um cárcere.21 Já por este tempo e talvez antes.

Deixo de contar o sentimento que houve em aldeia de S. se não fora execução de uma ordem régia para conquistar-se Sergipe. que veio transtornar os planos pacíficos do padre. A devassidão da soldadesca levantou o tumulto nas aldeias que ficaram desertas. Entretanto. mas não foram mais de vinte. em vista das agressões que lhe começaram a fazer. muitos índios principais das aldeias comareans que estão naquelas partes: quarentena. com desejo de haver la alguma provocação. agora. a permanência dos soldados no litoral sempre foi um motivo de susto para os naturais. este processo de conquista ocasionaria benefícios resultados. e grandes e pequenos subiram com eles boa parte do caminho e se não se puzera numero na gente que havia de levar. Nesta primeira missão que fez em Sergipe. quanto a missão de Gaspar Lourenço tinha demonstrado as tendências daquela tribo a cristianizar-se. como diziam. Pelo caminho a ocupação dele padre foi ensinar a doutrina aos Índios e brancos que iam em sua companhia. quase todos queriam ir com ele. sem ter commercio com os brancos. Além disto. o Padre Gaspar Lourenço percorreu uma grande extensão de seu território. A coroa que nunca pensou nessa conquista. P. ordem ao governador Luis de Brito a conquista. Acredito ser a primeira publicação deste preciosismo documento. se causas posteriores não vivessem anular seus esforços. com alguns homens brancos. Capistrano de Abreu. outro célebre chefe das aldeias de Sergipe. Enviou também o governador Luiz de Brito um capitão. Devemo-la à bondade do ilustrado Dr. aguardou-se alguns mezes para ver se vinham bem movidos e constando claramente que Deus os trazia pareceu serviço de Deus aceitar esta empresa e assim no mês de fevereiro de 75 partiu o padre Gaspar Lourenço (que é grande língua entre eles muito afamado) com o irmão João Salonio. se despediu dela o padre. sentindo muito apartar-se deles o padre. 51 . aliando-se á raça conquistadora. fugindo os seus habitantes para a de um de seus chefes. todos em grande desejo de levar padres que os ensinassem as cousas de sua salvação e como era gente que antes estava de guerra. Ficaram frustrados os esforços do jesuíta Gaspar Lourenço. talvez não ficasse inutilizado o trabalho do jesuíta. de suas almas. 26 26 Transcrevemos aqui a íntegra da carta do Padre Inácio de Toloza ao padre geral. quando. As mais esperançosas probabilidades estavam realizadas para uma conquista pacifica que traria para o seio da civilização os habitantes dessa circunscrição. o que até aqui há succedido na missão de Gaspar Lourenço‖. Antonio. cinqüenta e sessentas léguas desta cidade. porque tiraria da raça conquistada o temor e o receio que sempre nutria a respeito dos conquistadores. com o auxílio do índio e dão-lhe o nome de aldeia de Santo Inácio. que tiveram de fugir para a aldeia de Apéripé. Cativou a simpatia dos índios e ter-se-ia antecipando a colonização de Sergipe. filhas e irmã.padres fazem-na erigir. ―Agora vou cantar a V. Viram do Rio Real. quando ela moralmente já estava efetuada. viriam desassombrados colaborar na grande obra da civilização. a ensinar-lhes as cousas de sua salvação. na parte relativa às missões do Padre Gaspar Lourenço em Sergipe. roubando-lhe as amantes. nem nos interesses que advinham à prosperidade colonial. porque todos os desta aldeia se puzeram em um pranto.

porque não era batizado a ele com grande tristeza disse chorando: pesome muito disto. ouviram grandes vozes diante da casa. 52 . recolhiam-se em algumas choças que os índios faziam. dizendo: Bendito Sr. passou a visitar uma aldeia de Índios. dizendo que eles descendiam desde cham e por isto andavam todos apartados de Deus. batatas. e depois de todos mortos e a água passada. e depois muito anciado tomou um dardo. com grandes choros. dizendo todos juntos as ladainhas. donde o padre os ensinava as causas de nossa santa fé e o irmão tomou cargo da escola dos moços. Sebastião que o padre havia deixado. acrescentando que por isto estão desunidos e não tem nada porque tudo perdeu com a água. onde com muita caridade repartiam com eles a pesca que tomavam e o padre provia também os necessitados. Chegaram todos com boa disposição ao Rio Real a 28 de fevereiro e deixando o padre o capitão aposentado em lugar apto. Deus que vejo já em inteira gloria isto é o que desejava. dizendo que vinha manifestar-lhe a lei de Deus e ensinar-lhe o caminho de sua salvação e livrá-los da cegueira em que estavam e começou logo a fazer uma maneira de Igreja para dizer missa e ensinar-lhes a doutrina. que ia com ele. o apostolo. que foram a principio cinqüenta e depois chegaram até cem e em breve tempo sabiam as orações e a um que principalmente residiu com os índios. dizendo já meu filho é morto. repartindo-os por todas as casas. para que vigiasse pelas casas e que estava ensinando a doutrina aos meninos das aldeias e depois os fazia persignar e santificar por si a cada um. e por isto fazia esta festa ao padre e o abraçando apenas o levou para sua casa. se levantou contra eles um principal e os fez guerra. porque fez burla dele. Sabendo os da aldeia que vinham. Já à noite no fim de sua jornada. onde moravam e era uma moça da escala de S. O principal daquela aldeia. faziam o mesmo. conforme sua pobreza. quando se viu sem Igreja levantou as mãos para o céu. Ouvindo o padre isto e entendendo que tinham alguma noticia do dilúvio. lhe explicou a verdade. onde se disse missa. mas todos foram com grande paz e alegria. acudia também com alguns brancos que estavam de ali a algumas seis léguas. assim ele. ate chegar como Noé fez sua maldição à cham. saíram todos com grande alegria a recebê-los. Chama-se a Igreja de S. pedindo a Deus que os desse prospera viagem. aconteceu que os seus por não quererem ser bons. como farinha. assim daquela aldeia como das outras. à tarde e a noite. com que a haviam levantado. porque estando em roda dela. que foram nove dias. antes de começar a jornada. até o Rio Real. de sua vinda. e isto fez todo o tempo que esteve ausente. por que para eles principalmente era enviados. que quase todo o dia gastava em trabalhos a consolá-los e assim o dia seguinte se acabou a Igreja. que estava seis léguas d‘alli. Thomé os consolou Deus Nosso. Dizendo que em tempo passado.Pela manhã. e foi hospedado de um principal. mas corrupta. muito formosa. e fizeram juntos dela casa em que morassem e pudessem ter concerto religioso e de ali a poucos dias levantaram uma cruz de alguns oitenta palmos. porque o havia morto em sua aldeia um filho foi logo ao padre. É sempre foram assim e muitas vezes descalços pelas águas que haviam de passar. os ensinaram à doutrina com grande consolo de todos. mas era tanta a gente que vinha a visitar o padre. como todos os Índios que tinham em sua companhia. Pesa-me do tempo passado. por ventura vai ao inferno? O padre respondeu que sim. Um índio de nossas aldeias ia tangendo a campainha por toda a aldeia e assim acudiam muitos diante da casa. Este principal pregava pela aldeia que havia sido causa que se perdesse a gente que em tempo passado fugiu das aldeias. Outro dia pela manhã começou o padre a dar a razão aos principais da aldeia. me baptize para ser filho de Deus e não ir ao inferno. O que isto disse. que a cousa é muito longa de contar. como costuma fazer. com muitas caridades. Um principal conta a ele uma historia que eles têm por certa para explicar sua origem. consolando-os com dizerlhes missa e confessando-os e um dia volvendo para esta aldeia de S. e cousas semelhantes. Thomé. e deu com eles em terra e fez que se abrissem as fontes e se apagassem todos e que elle fez uma casa de folhas muito bem tapada ahi se defendeu da água. e que ficou toda a gente espantada com ver a veneração. Folgaram todos muito ouvindo isto e deram desejos de aprender as coisas de Deus. declarando lhe a historia do Gênesis. E como todo aquele caminho é despovoado. saiu e assim começaram as gerações. Em meio do caminho pela nova a um principal. Logo começou o padre a ensinar-lhe a doutrina pela manhã. trazendo cada um algum presente ao padre.

veio correndo pra onde estava o padre. que a vida de fundo está para morrer. mas as obras mostraram que não foi esta sua intenção. do qual todos se temiam. O segundo batismo foi de uma velha. mas com isto mais se endureciam. isto dizia por que de mil almas que havia naquela aldeia de S. que em tempos passados foram de seus senhores. não a guardavam outra coisa senão a ida dos padres para ir a goar de um creador. dá-me uma carta tua para que leve comigo. se viveram a meter com os nossos. dizendo que haviam sido soltos. E assim se despediu sem fazer mais palavras. Este índio pelas aldeias por onde passava ia pregando que ia a busca do padre. sim com desejos de quebrar a cabeça do padre adiante de todos. já que não vás. dizendo que não queriam Igreja. dizendo que as Igrejas não eram para filho de príncipas. sim para apoucados e baixos e que não era outra coisa senão homem que o Padre era. sem o que haviam de mostrar aos padres e aos brancos e não só não recebiam os padres. e dando conversa ao irmão para que o levasse em uma rede ao que ele não quis ir que não era bom estar com aquela ruim gente. foi de todos muito bem recebido e diante de todos deitou o padre uma pratica por grande espaço. dizendo-lhe: vem padre. vendo aquilo. Outro principal enviou em busca do padre um índio. este em sabendo que o padre havia chegado àquela aldeia. com tanta eloqüência e fervor que deitou o índio espantado a não saber que responder. Daqui tomaram ocasião à gente entre si que não havia entrado em a aldeia com boa intenção. nem envias nada. porque onde estava nem conhecia quem era. logo o enviou a visitar por um irmão seu. e havia alguns que estavam esperando. que estavam em extrema necessidade (porque as demais deram ordem que não batizassem. Alguns baptismos fizeram em pessoas. que estão acolhidos. que parece. ate não trazer o padre com alguma gente de sua aldeia. o marido tinha já preparado para o batismo e ela com grande desejo que tinha de batizar-se. porque vinha para dar remédio a suas almas. nem sabiam estimar e que alguns tocavam Deus o coração para recebê-lo de boa vontade.. 53 . Despediu o padre a este índio dando-lhe esperança que o iria visitar. todos vinham pedir ao padre que os fosse visitar e fazer igrejas em aldeias e o principal de todos foi um índio chamado por estas partes Curubi. Deixando tudo que tinha entre as mãos. se levantou da rede em que estava muito enferma. baptizou-a o padre e d‘ hai há poucos dias se foi a gozar de seu criador. foi logo o padre e batisou-a com a salvação a costumada. e que tornou todos os gentios atônitos. terror do homem. todavia alguns se separando do principal. agora será.. O primeiro batismo foi de uma vida que estava já para expirar e vendo-a um índio Tapuia que ia a companhia do padre que apenas sabia falar a língua. e de ali a pouco foi goza de seu criador. vendo já dar remédio a algumas almas que custaram sangue do filho de Deus. O terceiro foi de outra índia muito enferma e estando o padre falando nas coisas de sua salvação. Respondeu o índio. que ele haverá sido causa de todo seu mal. agora será. mas enviavam recados a outras aldeias que de nenhuma maneira os recebessem. Thomé as quinhentas eram escravas. pedindo-lhe com muita instancia que fosse a residir em sua aldeia. porque em os tempos passados tinha morto alguns brancos e nunca havia podido aceitar sua amizade. olhando-o e dizia que não podia mais falar e assim se tornou para sua aldeia. sim que ficou tão confundido com a pratica do padre e tão atado de pés e mão. pós lhe o nome de Maria. o padre respondeu que então não podia ir. varrendo a casa onde haviam de morar. ate estar a terra pacifica e elas bem instruídas nas coisas de nossa santa fé) que ficaram disto tão consoladas que todo trabalho que levaram todo caminho lhes parecia nada. pois envia o irmão de tua companhia. Estas foram às premissas do Rio e estas me parecem não ser os patronos daquela cristandade. mas o Curubi não pode descansa. Deu-lhe o padre razão que não se podia fazer. que devem ser os que Deus escolheu para bem-aventurança. e assim foi forçado o Padre dar-lhe carta para contentá-lo. Outros também em sabendo que ia o padre. desampararam suas aldeias e se foram a morar pela terra dentro e a uns o Padre enviou muitos recados dizendo-lhes que não temessem.Teve em estes dias muitas visitas dos principais do Rio de São Francisco e de outras partes. que toda vida havia andado entre brancos e nunca tinha sido baptizada. visitando o padre a aldeia a achou já a cabo e depois de bem instruída nas cousas de sua salvação a baptisou com muito conselho e d‘ahí a poucos dias foi gozar de seu criador.

assim para os índios. seja esta noite. Os que não tinham culpa. algumas gentes suas devotas ajuntaram-se muito sentidas a consultar o que havia. porque já somos filhos de Deus e temos igreja. foi-lhes dar as mesma novas. Mas aquela noite foi muito trabalhosa. mataram. foram seis índios com suas mulheres da Aldeia de Santo Antonio adiante delle. que se haviam de metter todos em a Igreja e dizer-lhes: não nos captiveis. mas não era menor o medo que tinham os nossos especialmente de outros brancos. por estarem enfermos e temer que morressem sem baptismo.porque não sabemos o que há de acontecer. vendo o demônio tão bom princípios na conversão daquelles gentios e que já começavam tirar-lhes as almas da boca. Quando o branco fugiu. Uns diziam: vamos a sua busca. mas o padre dissimulou o melhor que poude. 54 . como para os brancos pelo medo que todos tinham da morte. mas eu quiz. mataremos nós outros primeiros e fez-se a um indo principal que morava com o padre. Antes que o padre partisse para o Rio Real. porque os índios ficaram mais confirmados na paz. chamou os principais e disse-lhes: esta fama ai. Se os brancos não deram não derem guerras. Outro escravo que fugiu dos brancos. O principal desta aldeia chamado pepita disse a sua mulher: si o padre fugiu tomemos nossas redes e vamos com elle. estando os índios bebendo. acrescentavam também que o padre tinha fugido. isto é o que desejamos. e elles então descobriam a verdade: que aqueles escravos lhes haviam dado aquelas más novas. e o Curubi entra neste elleito. fazer-lhe alegria e depois os capitval-os e entregal-os aos brancos. nas quase tanto annos senhoreavam. dizendo que bem os haviam dito e que não se ficassem nos brancos e que havia já chegado um barco com artilharia para seu senhor.logo nos vem recado desta cidade que os padres dão já em corda para come-los e toda cidade estava alvoroçada com isto . si alguns os vierem matar morremos também com eles. os índios estão em concerto de metal-os está noite. disse ele.mas em breve tempo se soube a. Também desta vez ficou o demônio burlado. e assim breve vereis como dão em nós e serão todos presos e captivos. quais todos promptos em armas. Estavam alli alguns principais e disse o padre: enfim que mataste seus filhos e os comestes e sabendo que eu vinha ensinar-lhes cousas da nossa salvação. sem sua licença e alguns índios do Rio Real pouco afeiçoado a Igreja.com medo e foi dar rebate ao capitão que estava seis léguas dali dizendo que os indos estavam levantados e queriam matar os padres e como em estas novas comumente se acrescenta . antes da manhã.verdade. que é o tempo em que ella consultou suas guerras. Acrescentou-se a isto que uma índia. começou a levantar as tempestades acostumadas para impedir está obra. escusavam-se. e disse-lhe. para isso viemos. por um deles começou a pregar que os nossos tinham por costume ajuntar os índios. tomou as mulheres aos índios que os tinham e do cuidado dela a um índio de Santo Antonio e desta maneira ficou o demônio frustrado em que desejava. onde vendo as mulheres que pouco antes havia casado perguntou: que é de vossos maridos? Responderam chorando estas índias: mataram. que nos quereis matar si isto é assim. O Padre como viu os índios com aqueles medos e enganados com mentiras. usou de diversos meios. mas o padre não supôz nada disto até estar no Rio Real.Depois batizou o padre outros quatorze innocentes. e o mandou que o ajudasse a atirar. um delles fugiu aquella noite . mas que não tinham propósito de fazer mal a ninguém que bem sabiam que eram mentiras e com isto se despediam do padre. O primeiro foi logo a principio. dizendo que nem aquilo havia de ser bastante para deixa-os. que estavam na companhia do padre. Outros vieram à noite ver si os padres estavam em as redes e quando os vieram muito alegres. e alguns moços discutiram depois que tinham isto determinado entre si que se os brancos viessem sobre eles. ouviu os dizer. Outro meio foi pelos próprios índios escravos daquela aldeia. para que se travasse guerra e desta maneira se impedisse a christandade. porque diziam estar desapercebido . Outros diziam: durmamos junto dos padres. Estando as cousas desta maneira. Isto urdia o demônio. não o deixemos ir. e entenderam que o que o Padre pregava era verdade e o que os escravos diziam era mentira. comeram e tomaram suas mulheres por mancebas. Deo logo conta disto ao padre a ao que os índios com as más novas estavam não com medo dos brancos.

e algumas vezes tinham disciplina todos os cristãos. fazendo-os vender sés filhos e parentes e como também os estorvam os pecados que entre eles fazem. que não cabiam nelles. mas os gentios ver os escravos que . a que fez o padre: depois. parece que aguardava que o padre começasse a prática. foi não menos efficaz que os passados.. que os escravos não voltassem aos seus senhores e assim veio a camara com todos seus officiaes a dar-me quechas delles. e os mais honrados eram os primeiros 55 . a comida não era mais que bananas e farinha molhada em água. Em uma procissão. dizendo-me que os padres impediam as cousas do serviço de Deus. accrescentava-se a isto a falta de mantimentos especialmente que a quaresma os obrigava a jejuara. Mas com tudo isto como a obra é de Deus. porque havia cousas porcas que elle merecia ser cosido em uma caldeira. se fizeram algumas procissões solenes. disseram que folgavam muito com sua vinda e que queriam igreja. que estava deitado em sua rede sem falar-lhes uma só palavra. e elles mesmos diziam : vóz outros sois causa. Foi uma partida muito contra a vontade dos Índios desta aldeia. por mui ruim caminho: foram mui bem recebidos e apresentados em a casa de Surubi e os Padres estiveram um grande espaço em pé diante delle . as vezes do joelho. passaram em estes caminhos grandes trabalhos. foi correndo a sua casa e achou uma candeia. em que mostrava sua simplicidade: outros índios estando na Igreja e vendo a imagem do crucifixo estiveram muito tempo de joelhos vendo-a e um índio desta aldeia os ensinava o que sabia e entendia. dizendo que costumava sempre dar uma orelha aos padres. fal-os resgates injustos. e isto pretendem quando vem entre elles remediar sua pobresa ao em que perdem suas almas e como os padres.. Ficaram contentes e todos a uma vez. e os ajuntasse a todos que lhes desse razão de sua vinda. porque o Padre depois que foi visitar aquellas partes me escreveu estas palavras: todos certificam o contrario do que se escreveu do Padre Gaspar Lourenço e assim pela bondade de Nosso Senhor nada aproveitaram aos demônios as invenções que buscam para impedir a chistandade e em que nunca cessa de buscar ardis. A primeira aldeia onde entrou foi a do Surubi que está a dez ou doze léguas de S. E assim logo ao outro dia começaram a cortar madeira para Ella. pimenta. mas o Padre confiando na graça de Deus começou seu caminho sem querer levar ninguém da aldeia. onde quer que estejam sempre os vão .que escreveram os mesmos à camara desta cidade muitas cartas. como é tornar-lhes suas mulheres e filhas por mancebas.O posterior meio que tomou o demônio para impedir esta obra. confiança tínhamos que nos defendesse. E deram a entender que dariam guerra aquella terra. porque nós outros somos pobres. começou pela manhã a pregar-lhes as cousas de sua salvação. preparemo-nos para vingar a morte. Eu entendo esta manha que o demônio não desejava outra cousa senão ver os padres fora. enramando a Igreja e as casas. esta foi a ocasião para dirigir e escrever ao Governador muitas cousas contra os padres. e ascendeo-a e poz-se também junto da cruz. Dissimulei o melhor que pude. mas claramente mostrei-lhes que o haviam escripto era falso. E até que depois mandou os dessem alguma cousa para comer e foram quatro espigas de milho. isto diziam pelo temor tinham de Surubi. e por fructa tinham alguns caranguejos que os índios trazia seis léguas d‘alli. por ser por montanhas em terras muito fragosas. o que foi maior espanto. Depois de haver o Padre convertido a aldeia de S. aos saltos que fazem . Thomé e a gente pacifica. como aconteceo agora. enganando os índios. Thomé.. Deo-se a isto tanto crédito que não faltou quem dissesse que enviasse loco a chamar o Padre Gaspar Lourenso. vendo um gentio que iam os círios diante da cruz. E no tempo em que o Padre residio nesta aldeia. e com grande sentimento. e como vinha a dar remédio as suas almas e acabou depois do meio dia.. e que ia pôr os Padres em perigo de vida. passou a visitar as aldeias comarcans onde há tanto tempo havia que o desejava.. Acontecia-lhes ir mais de meia légua PR um Arroyo que dava a água. todos a uma boca diziam e pregavam pela aldeia: vae o Padre morrer. se não só seu companheiro. por bom espaço pela conservação dos gentios. que puzesse remédio a isto.. Passaram por algumas partes que as hervas os cortavam as pernas. e não podiam andar calçados por haver muitas águas e atoleiros. que eu havia de enviar prestes o Padre Luiz da Grãa para ajudar aquella chistandade e assim me informaria da verdade e assim foi. e nasceu dos próprios brancos que o Padre levou em a sua companhia e aqui já o tinha feito muito boas obras porque como estas commummente diziam. dizendo que os padres eram impedimento.

Ignácio trouxeram gente de duas ou três aldeias. dizendo que os havia de quebrar a cabeça. porque o principal estava determinado em quebar-lhe a cabeça. porque há muito tempo te conheço por fama e que não dizias senão muito bem. Já de noite. em outras não os faziam bom rosto. Então tomou o Padre um tição e o poz juncto do enfermo. não queriam ser baptisados. com caridade e fizeram uma choça em que repouzaram esta noite e depois foram a sua aldeia onde foram recebidos de toda gente com tão grandes mostras de amor. que não temiam o fogo do inferno. o Padre respondia que ao passado não sabiam dar remédio. mas o Padre consolou-os dizendo que também era necessário dar as voas novas do Evangelho as outras gentes. dizendo que de nenhuma maneira entrasse na aldeia. O Padre fallou com o senhor da aldeia e perguntou-lhe se estavam alli seguros. e assim o fizeram com muita alegria dos índios e logo levantaram uma cruz e fizeram uma igreja da invocação de S. em algumas foi mui bem recebido. Uns se queixavam que os haviam tomados suas mulheres. porque todos estavam cerrados com as arvores. vendo o conceito que tinham os christãos de nossas aldeias. em busca de um principal. que estão guardadas para os não baptisados. servido de dar aviso ao Padre disto e foi desta maneira: um índio daquella aldeia enviou um filho seu ao padre mui depressa. mas que si elles queriam ser chistãos e amigos dos brancos que tivessem por certo que não seriam aggravados.a carregal-a a trazel-a às costas até o mesmo Surubi e assim em breve tempo a acabaram. onde morreres tu eu morrerei com minha gente. dizendo que procurava acudir a todas as partes e assim 56 . respondeo-lhe: bem podeis dormir com o sono de pousado. mas como era necessário acudir o Padre as outra aldeias. porque a cobertura era de palha que há muito por aquellas partes e é a da invocação do glorioso S. que também elles tinham morto muitos brancos. mas seguramente os passaram levrando-os Deus de todos os perigos e dando a volta para a aldeia de S. se os ensinavam a doutrina em a casa e acudiam a ela grandes e pequenos de muito grande vontade e como não tinham costume de ver brancos em suas aldeias estavam todos attonitos em vêl-os. temendo que os iam ajuntar para seu mal e assim diziam porque estavam muito escandalizados dos tempos passados. que não tinha que ver com os brancos. Foi grande a alegria que tiveram em este encontro. folgo muito de ver-te. mas o Padre ficou com muita dor de ver sua perdição. para ajuntal-os em uma igreja juncto do mar. S. mas os índios os aconselharam que não se fiasse nelle. Foram todos mui contentes. prepando-lhes o Padre a virtude do santo baptismo e as penas do inferno. todos como sahiam as casas para vel-os grandes e alguns pequenos perguntavam se os padres era gente com quem se podia converssar e habitar. em que os brancos os tinham feito grandes damnos. O primeiro que fazia em entrando em uma aldeia. mas o Padre consolou-os. Paulo. mas antes de algumas aldeias comarcans veriam alguns para defender o Padre e tudo foi necessário porque haviam já enviado índios a tormar-lhes os caminhos. era visitar se havia alguns enfermos em extrema necessidade. e dque para isso tinha já se reunido com elle. e ahi esteve o Padre alguns dias ensinando-lhes as cousas de sua salvação. e o padre ainda que quizesse com tudo isto passar. parece que já ao demônio estavam entregues aquellas almas. Ao segundo dia da jornada encontraram com uns principaes. que não haverá em minha aldeia quem se atreva a fazer-te mal e pois entrastes em minha casa. claramente respondiam. Ignácio. que tinha prometido de vir a igreja de S. que os vinham esperar ao caminho. Tinha aquella aldeia mais de mil almas: enquanto não tinham a igreja. que causou nelles não pouca tristeza. estava pouco tempo com elles. Desejando o Padre ir visitar outra aldeia que é postera de todas. outros seus filhos. expurgando-os de seus feiticeiros. abrindo-lhes os caminhos por onde haviam de passar. porque chegaram véspera de S. Pedro e S. os índios não só o consentiriam. Paulo. Outro dia mandou Deus o coração ao outro principal e foi a visitar os padres e deu mostras que o presava do que tinha dito e pedio ao Padre que fosse também a sua aldeia. Ficaram os índios muito consolados e fazendo já as casas para sua habitação. mas o demônio o tinha já outra vez pervertido e estava com mais desejo de comer o padre. como se fora muito tempo que os conversaram. e o dia disseram missa e ensinaram a doutrina e pregaram.mas foi N. dizendo não temos arder como este fogo? Mas nem isto bastou! Assim morreram. Dahi passou a outras aldeias. assim os nossos. Tomé. do que se fazer christão. Para confirmar-se mais o Surubi nas pazes enviou um irmão seu com alguns índios a ver o governador e nossas Igrejas. Alguns índios que iam com os Padres estavam atemorizados. Em uma aldeia um principal estrangeiro começou a falar contra os Padres. se fora cousa vinda do céu e quando sahiam de casa. Depois de deixar o Padre quietos e animados os desta aldeia de S. como os índios e logo repartiram com o Padre o que traziam. Thomé de que na minha. foram bem recebidos e o governador os mandou dar de vestir e algumas ferramentas.

e a alegra que o padre Gaspar Lourenço e seu companheiro foi mui grande. em contrabando. Prometteu-lhe o Padre de ir a Ella e assim o fez dahi a poucos dias . que todos daquela comarca se resolvem a fazer igrejas . Na aldeia de S. com os tupinambás. Não sofrer outra cousa e senão que um homem honrado que ia em sua companhia lhe offerecia sua cavalgadura de muita boa vontade nunca quis aceitar. Mas dava-lhe também esforço que no caminho passando pelos trabalhos. Ignácio Toloza. pareceu serviço de Deus pôr-lhe nas mãos esta empreza. exploravam a região. §61 57 . sempre foi a pé e muitas vezes descalço pelo caminho. Dahi foi o padre onde estava o capitão a confessar alguns homens brancos onde também se fez muito serviço a Deus apartando-os de muitos pecados e fazendo-os pedir perdão do escândalo que o haviam dado. língua.28 A colonização de Sergipe pelos franceses prejudicaria mais tarde os intereses da capitania da Bahia.. que auferiria grandes vantagens da ocupação de seu resolve a visitar as outras igrejas.P.. Logo trouxeram alli todas suas. porque como os padres agora não batisavam senão aos que estavam à morte. 27 28 Itanhi era o nome indígena do rio Real.P. dizendo que ia em peregrinação a S. Vendo como o nosso senhor punha os olhos na gente de Marial pareceu necessário prover de mais obreiros e pelo Padre Luiz de Gran que tinha muita experiência na conversão destes índios e ser de todos muito conhecido e amado . onde os franceses . estava três légua de S. Thomé. Ignácio. dando-lhes esperança que os iria visitar prestes e assim me escreveu.Sendo informado D. que antes havia ameaçado os padres. parecendo-lhe que só se batisasse logo havia de morrer que lhes ensinava o demônio. enramada e com alguns arcos. foram de todos recebidos com grande louvor e depois de haver o Padre fallado. Mas outro dia visitando-a elle padre e dizendo-lhe que se não queria o inferno era necessário batisar-se. parecia um mancebo de vinte anos. Isto é o que aqui aconteceu no rio Real. que não era bom determinar-lhe de baixo de casa alheia. pareceu-lhe que em baptisando-se logo havia de morrer. que fosse a sua aldeia que se lhe diria. Vieram também logo das outras aldeias comarcans a visitar o padre dizendo que se queriam ajuntar e ter igrejas. especialmente um. que o dia antes quando soltou algumas palavras foi porque não estava em seu entendimento e assim depois de bem instruída. Neste collegiado da Bahia. Sabendo que os índios da aldeia de S. que infestavam a costa. estando já a morrer. Southey. Thomé. porque viam já com seus olhos o que desejavam. Rocha Pitta. 7 de setembro de 1575 Indigno filho de V. para que os que iam em sua companhia tinham a casa onde haviam de passar. a todos consolou o padre. expediu ordens ao governador da Bahia Luiz de Brito. It.. 441. Em traram todos com o padre na igreja e animando-os a perserverar no bem no bem começado. levando algum refresco. Thomé baptisaram outra índia. levando por companheiro o irmão Francisco Pinto..I. tirando-lhe os produtos naturais que. mostrava pouca vontade disto.e a um que era cousa pouca. vieram alguns índios de outras aldeias a falar com o Padre e a pedir-lhe para fazer-lhes igrejas em suas terras. op. a caridade com que trazia era muito. responderam que faziam o que elle queizesse e que passariam a aldeias onde o senhor (?) mandasse e assim a passaram junto do mar para poder ser melhor visitada. eram conduzidos pelos mercenários. em paz. que ia o Padre visital-os sahiu muita gente ao caminho a recebel-o. 3. e como ser já o padre velho de mais de cinqüenta annos. op. dizendo que só o Padre era seu irmão e o Padre perguntou-lhe que era sua determinação e elle respondeu-lhe que era cousa tão importante. a baptisou o Padre e assim dahi a três dias foi gosar de seu creador e enterraram-na na porta da igreja com a solenidade que se costuma em nestas aldeias e ficaram todos admirados de vel-o. Cit. veio tão manso como um cordeiro. Escusava. conforma sua pobreza. Deus por sua infinita bondade os dê perseverança no bem começado e mande para tanta messe. a qual aceitou com grande caridade e desejos de padecer muitos trabalhos por amor de Deus e assim foi este caminho obra de quarenta a cincoenta léguas. ella disse que o desejava muito. e assim que quando o Padre lhe fallava. para conquistar e explorar tais regiões. e foi recebido de todos com grande caridade e alguns pediram o santo baptismo. Sebastião pelos habitantes da zona compreendida entre os rios Itapicuru e Real27 da utilidade de fundar-se um estabelecimento junto a este último rio.

H. Tomé e depois conduzidos para a Bahia. para não consentir na precipitação de uma tentativa que levada a jeito. confiando o do Sul ao Dr. a três léguas da barra do rio Real. que 29 Gabriel Soares de Souza. que media 500 léguas de comprimento e 100 de largura. Ao indígena tomou então caráter de verdade a suspeita da traição que lhe quiseram fazer os jesuítas. podendo alcançar a conquista. Op. 32 V. uma povoação 30 que por distanciarse do litoral e dos lugares ricos de pau-brasil. em vez daquelas manifestações amistosas com que receberam o Padre Gaspar Lourenço. Leal. Um tal insucesso convence Brito da necessidade de rodear-se de fortes elementos. não pôde obter vitória na luta com os naturais. que foi um dos primeiros feitos do seu governo. como Pernambuco. 34 Dr. Hist. Cit. eles fogem e essa fuga indica o rompimento de paz entre os dominados e os dominadores. entregando a Garcia d‘Avila29 rico fazendeiro do recôncavo da Bahia. resolveu-se a cumprir as ordens régias. Livro 3º Cap. Cit. foi abandonada por Brito e os seus depois que veio ao teatro da exploração de Ávila que por insuficiência de recursos.II. o Segundo diz ter o governador o acompanhado na fuga. não ficava sujeita à nova capitania. de Porto Seguro. Gaspar de Madre Deus. 3131 V. sem as cenas de carnificina que selaram esse feito de Luiz de Brito. 19.território. I pg 274. onde todos morrem. o qual funda. não teria inutilizado o trabalho de pacificação já tão bem encetado pelos religiosos. a outra adjacente a esta. sendo presos Serigi e Aperipé 33 e mais de mil e duzentos índios enclausurados na igerja de S. O primeiro afirma ter sido o índio Aperipé preso por Luiz de Brito. E não obstante o grande reforço que lhes vinha dos franceses e que já lhes tinham ensinado o manejo da arma de fogo. de pimenta e outros produtos. publicado na revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil Tom. Salema. encontrando duas célebres lagoas. que foi o primeiro governador das capitanias do Norte. rompendo a luta. Cit. dirigidos pelos morubixabas Serigi. em que morre Surubi32. A. Villa Real de Piagui. 58 . Vicente de Salvador. com a permanência dos soldados ao litoral e a aproximação de um corpo militar. 153. na distancia de 50 léguas. Trava-se a luta com os indígenas. Marco de Souza (Mem. porque como parte dos domínios da coroa. Sobre a Cap. Surubi. 3030 Guiado pela autoridade do Porto Seguro suponho ter sido esta povoação edificada no mesmo lugar em que está hoje a vila de Santa Luzia. de Porto Seguro. cuja sede era a cidade de São Sebastião. do Brasil.34 Os soldados devastam as habitações indígenas. Brito obtém vitória na luta. ao tributo da redízima feita aos donatários. Fr. Luiz de Brito. e Apéripé31 recebem o governador com hostilidades. Ao aproximar-se ele da aldeia de Santo Inácio. a exploração. de 50 braças de largura. depois que a coroa dividiu o Brasil em dois estados. porque suas lagoas não são de água salgada. Da parte do governador devera haver mais tino. É desta opinião Sacchino. a que D. Op. sem deixar seguras as bases de uma colonização. incendeiam as aldeias e volta Brito para a Bahia.p. Os índios. De Sergipe) dá o nome de Santa Luzia do Piagui e Fr. com os quais vai efetuar a exploração do rio Real. Provavelmente foi neste lugar onde ficaram acampados os soldados que acompanharam Gaspar Lourenço. op. 33 Saliento aqui a divergência entre Porto Seguro e Fr. Vicente do Salvador. Provavelmente estas lagoas não ficam em território de Sergipe. 14. uma de água salgada. Tratado descritivo do Brasil em 1587. pelo que Brito deu uma feição hostil à sua exploração.

ordenando aos capitães35 Cristóvão de Barros era filho natural de Antônio Cardoso de Barros. Os indígenas de Sergipe por emissários seus. Se a exploração de Luiz de Brito não deu lugar à organização política de uma nova capitania. soldados que os acompanhassem até lá. já tinham rechaçado os Tapuias. a uberdade do seu solo. Do Brasil. em vista das reclamações dos interessados. por uma traição. feita ao governador da Bahia. em geral. Manuel Teles Barreto. quando as forças contrárias já tinham lucrado tempo suficiente para reconstituir-se. Barreto reúne um conselho de cinco membros em que toma parte Cristovão de Barros. muito posterior àquele acontecimento. cuja vontade dominavam e de cuja força física se serviam para a realização de seus intentos. O representante do governo da capitania da Bahia vira as riquezas naturais da região. foi o motivo dos índios de Sergipe pedirem ao governador que garantissem sua passagem. ficando de todo esquecidas não só a ordem régia. os laços de simpatia que ligavam seus habitantes aos franceses. não seria por certo a traição dos indígenas de Sergipe. Sucedeu no governo do Rio de Janeiro a Salvador Correia de Sá. reataram as relações com os naturais. durante os quis o governo esqueceu os interesses da colônia. são mortos. os quais. cujo resultado foi a conquista de Sergipe e sua colonização. co quem continuaram a promover os males àqueles que tinham requerido a conquista. O governo não se preocupou mais com a sua sorte. O procedimento altamente traiçoeiro do indígena exacerba o bom humor de Barreto nascer o desejo de vingar semelhante ousadia. mandaram pedir ao governador geral da Bahia. em 159035. realizando-se. que vota contra a aquiescência do pedido. Barreto envia então cento e cinqüenta soldados acompanhando os jesuítas. onde queriam receber a moral do evangelho. assim . como a prosperidade da colônia. Procuramos esboçar as causas da exploração de Luiz de Brito. pelo padre José de Anchieta. A discórdia que se plantou nos Tupinambás que habitavam entre os rios de São Francisco e Real e os da Bahia. Veio para o Brasil fazendo parte da armada que el-rei mandou a Mem de Sá. a ele ligada a causa determinante de novo assalto. Agora estudemos os acontecimentos que inspiraram a viagem de Cristóvão de Barros. chegando ao Rio de Janeiro em 1567. Não obstante este voto divergente. de novos encontros de armas. o pedido é satisfeito. no tempo de Tomé de Souza. É esta a segunda missão feita em Sergipe. 1585). (inform. nele não vê senão uma alta traição. pois. por entre aldeias inimigas. passando-se assim alguns anos. que por sua vez . em convivência com as tribos de Sergipe e delas recebendo em aparência as mais sinceras provas de amizade e confiança. que fora provedor da Fazenda. as suspeitas de Cristóvão de Barros. 59 . Manoel Teles Barreto. depois que dali expeliram os Tupinais. porém.confiou a Garcia D‘Ávila a quem não foi dado corresponder aos intuitos do governador. até que as armas de Cristóvão de Barros vieram destroçá-los e expeli-los. Os franceses voltaram.

que veio demonstrar os direitos do rei de Catella. Felipe de Moura e Pedro Lopes Lobo. A capitania da Bahia para satisfazer a necessidade da expansão colonial.vencedor da batalha de Alcântara. até que nela visse o governo da Bahia. Op. Se o bem 36 Fr. 17 60 .36 Preferiu-se a conquista da Paraíba à de Sergipe. como a que se preparou em 1589 em Sergipe contra ele. Sebastião. A grande seção de tempo que nos separa de tal acontecimento. pela intervenção das armas do duque d‘Alba. pelo menos uma garantia de segurança. e seus assaltos. francamente autorizava que fossem expelidos e se promovesse a colonização da terra. que a requerimento dos habitantes da zona entre os rios Real e Itapicuru. nos campos de Alcácer-quebir. livro 5º cap. se a marca da colonização fosse próspera. e Aperipé podia ser comprometedora à capitania da Bahia. que então levantaram-se a disputar a supremacia do oceano à vencedora de Lepanto ―depois do desastre de sua gloriosa armada em 1588‖ Além desta circunstância acidental que ecoou no Brasil. Eis a razão mais provável do adiamento da conquista de Sergipe. Cit . sua história é cheia de ensinamentos.mores de Pernambuco e Itamaracá D. Explica os fatos obscuros da história geral. Se lá o valente Pirajiba era um perigo iminente à marcha da colonização de Pernambuco. porque não só os cargos da colônia continuaram a ser providos pelos seus filhos. Vicente do Salvador. Entretanto. não obstante termos empregados todos os meios na obtenção de crônicas. aqui o ruminar de uma vingança dos aliados e parente de Serigi. Este fato era bastante para promover a conquista . Surubi. que se enlutava pela perda da sua nobreza e de seu cavalheiroso rei D.Felipe II. sentia grande insuficiência de auxílios vindos da metrópole. e cedo esse sentimento manifestou-se. seu movimento civilizador encontrava tropeços em fatos de outra ordem. Alvo do comércio dos franceses e índios. pela parcialidade e antipatriótico julgamento de cinco juízes e mais do que isto. como conserva ela o monopólio do seu comércio. são circunstancias por demais importantes para inquinar de inverídicas as asseverações que passamos a expor. quanto difícil. manuscritos. a escassez de documentos sobre que possamos externar uma afirmação uma afirmação positiva. memórias.ao trono de Portugal. ordenando-lhes que socorressem a Paraíba. que se preparassem para conquistar os domínios de tais indígenas. fato este que motivou a entrega de seu trono a um monarca de outra nação. para devidamente estabelecermos sua causa determinante. etc. Traçar as causas de sua conquista é um empenho tão importante. quando não em estímulo de maior expansão. Uma contra –ordem do governador suspende os preparativos bélicos dos dois capitães. todavia ele a converteu em novo alvo para os tiros das potências marítimas. Ainda que o Brasil fosse indiferente à questão dinástica. Em geral se diz que a conquista de Sergipe foi motivada por uma ordem de Felipe I de Portugal. contra invasões altamente prejudiciais. pelo pouco ou nada que se tem escrito a esse respeito.

e disto já tinham dado provas dede Luiz de Brito. os franceses conceberam o projeto de atacar a cidade de São Salvador. a causa rela de uma conquista cheia de perigos e incômodos. o valor de causa determinante da viagem de Cristóvão de Barros. Se a vontade e ordem de um soberano legítimo. não seria por certo as determinações de um rei intruso. Foi uma verdadeira bandeira. cláusula indispensável para a realização das guerras. Julgando-se fortes pelo concurso da raça indígena. pelos Caetés. indo eles pelo mar e o gentio por terra. cuja ascensão ao trono fora resolvida por uma junta de juízes. Não é uma mera hipótese que aventamos. Sebastião. para punir e vingar a morte de seu pai Antonio Cardoso de Barros. porque a notícia chegou à Bahia. que só quis fazer uma carnificina sobre os infelizes indígenas e o exército uma pesquisa de escravos. os seus delegados não procederam com o cumprimento restrito e absoluto de seus desejos. dominarem a vontade e aguçarem o apetite de sangue e da presa. 61 . A asseveração baseia-se em documento irrefragável. para dirigirem o pensamento. ou foi traído. junto ao rio São Francisco. a ela reuniu-se uma causa de maior valor. que já assustava a sede do governo colonial. O segredo. bastante parciais para esquecer o direito de herança de D. como sucedeu entre Luis de Brito e D. a hospitalidade com atenções. cujas riquezas compravam com quinquilharias. Sem contestarmos a veracidade histórica da ordem régia. a amizade com complacência. Era uma animação. Por certo Cristovão de Barros.37 A época era de tentativas aventurosas. porém. para quem era indiferente a condição precária desses indivíduos. Sesmaria do Braz de Abreu. por isso que se preparavam para assaltar a Bahia. Catarina. Livro de Sesmarias. segundo a lei corrente. antes que o plano tivesse começo de execução. todavia.eliminar a concorrência dos franceses com os naturais do Rio Real. transpirou. Se esta circunstância muito influiu para ser Cristovão quem se pusesse a frente da expedição. com profundo descontentamento da nação portuguesa. ao simples aceno de suas veleidades. Fazendo ele parte de uma interinidade coletiva. Perigo era iminente e convinha 3737 V. por morte de seu governador Manuel Teles Barreto (1587). que assumira as rédeas do governo da Bahia. Conspiraram.público repercutiu no coração do rei a inspirar-lhe uma deliberação altamente útil a esses infelizes habitantes. Os sucessos de Villegaignon não lhes eram talvez desconhecidos. nas arriscadas empresas em que atiravam-se com a raça indígena. aproveitou as garantias do cargo que então ocupava e que lhe assegurava probabilidades de bom sucesso. tiramos-lhe. e quando elas já se tinham reconstituído para apagar todo o vestígio da vitória. depois do esforço de Luiz de Brito para desbaratar as forças inimigas. o mesmo não sucedia com os membros do governo colonial. não iria abrir a luta se razões mais poderosas não falassem a seu espírito.

de Oliveira. concorrem muitos habitantes de Pernambuco e Bahia. Estácio Gonçalves de S.para a passagem d sua infantaria. em fuga foram centralizando-se em um ponto. Pero da Lomba. A escravidão a que se submeteriam os naturais que resistissem. como concorreram. em vista do numero superior de índios e da posição que ocupavam.39 para a passagem de sua artilharia. ávidos pelo aumento de sua riqueza. porém. nos quartéis de organização ou em marcha para seu destino. 333 39 Foram estes além de alguns citados no texto.38 Não se tratava. Jorge Coelho. Armando de Aguiar reconhecer o sítio do cerco. Francisco da Silveira. onde refrescassem os navios que navegavam entre Pernambuco e Bahia. Conquista de Sergipe. e pô-la a abrigo de iguais tentativas para o futuro. Melchior Dias Moreya. Braz de Abreu. João Martins.aterra grandes brejos. Manda. Man. onde alcançaram colocarse em posição altamente defensiva. como pelos maiores interesses do erário. o qual volta com três espias do inimigo. Sebastião Dias Fragoso. Damião da Mota. à frente do qual seguiu ao longo do mar.cujos moradores.esmagar a revolta. Mnaoel J. os companheiros de Cristovão de Barros: Calisto da Costa.até quase três mil frecheiros. Afonso Pereira. Tratava-se de salvar a Bahia de uma invasão de bárbaros. para o futuro. Isto transmitem a Cristovão que apressa-se em defendê-los. nem tampouco fundar estabelecimentos. Manoel da Fonseca. Alcançou reunir. Qualquer demora era de alta inconveniência. Antônio Vaz Jaboatão. Carta de sesmaria de Damião da Mota pg. Estevão Gomes de Aguiar. Então foi resolvida a expedição por terra. Tomé. que nos campos de combate já tinha firmado ma respeitável competência. entre franceses e mamelucos. Incumbe o assalto pelo sertão aos irmãos Álvaro Rodrigues e Rodrigo Martins. cláusula indispensável para a realização da conquista. 38 39 Dr. alem dos tapuias. depois que chega a um alto. de livrar os colonos do rio Real e Itapicuru das hostilidades praticadas pelos índios. que lhes servem de guia. Apegoada a guerra e empregando o governo os esforços possíveis para seu feliz êxito. De 5 fls. Os dois irmãos intentam atacá-los. a qual considera a guerra de Sergipe justa. um considerável exército. Francisco Fernandes.que com mil índios e cento e cinqüenta homens. iam devastando as aldeias inimiga. nos fins de 1589. 62 . atravessa caudalosos rios. de onde avista um fumo. que em caminho encontravam e que engrossavam seu exercito. Gaspar de Abreu Ferraz (morreu na luta). Antônio Gonçalves de Sant'Ana. foi o poderoso incentivo para a esta expedição concorrem muitos habitantes de Pernambuco e Bahia. em vista da lei de agosto de 1587. sobre os quais suspende pontes. composta de seis peças de bronze.dois galpões de dado e uma peça de colher e abre caminho por entre florestas virgens. não só porque a colonização estendia-se a paragens mais longínquas. ficam Álvaro e Rodrio em apertado cerco. João Dias. como em 1575. entrega a direção dela a Cristovão de Barros. Cristovão Dias. Gaspar de Menezes. onde se temia maior dano. O governo colonial submete então o projeto à corte. pelos seus efeitos no Rio de Janeiro e em Cabo Frio. e confiando a vanguarda a Antônio Fernandes e a retaguarda a Sebastião de Faria.

como já recuavam. que não consentiu segui-los a infantaria. A este seguiu-se o abalroamento da segunda cerca. situada na várzea da cidade e S. em uma escaramuça que de parte a parte custou mortos e feridos. fá-los retroceder e voltar para a cerca. que prestaram mútuo auxilio.atravessa-se na rente dos índios.a 9 de abril de 1590. Depois disto entrega o governo da nova capitania a Tomé da Rocha e incumbe a Rodrigo Martins perseguir o gentio. 42Fez doação de diversas terras aos que ajudaram a conquistar e deu de sesmaria ao seu filho Antônio Cardoso de Barros. cap. 40Depois de ser-lhes interceptado o caminho das fontes. com a nova perda. onde penetram os soldados. que tinha emigrado para o Norte. o exercito dos conquistadores bate as cercas inimigas. e junto a ele funda um arraial. passando eles através dos arraiais inimigos. grandes espanto aos sitiantes. com a perda de um. Cristovão levanta um forte sobre o istmo que forma a barra do ro Poxim. Dali o exército dirige-se para a aldeia de Mbapeva ou Baepeba. 2. com a perda de trezentos mortos para os naturais. op. Isto deu-se a 23 de dezembro.matando mil e seiscentos e cativando quatro mil índios. a cujo encontro vieram sessenta soldados de cavalaria. junto à foz do rio Sergipe. e a brados e com o couto da lança. a qual os índios alcançaram reconstruir. Compreendendo Baepeba as desvantagens do cerco em que ia se colocando. morubixaba principal das tribos. resolve-se a abrir aminho a ferro e fogo. fora logo executadas. Cristovão.41 Curados os feridos e destruídos os elementos que pudessem ser adversos ao povoamento do território conquistado. Este. 40 Provavelmente é esta a aldeia de que fala Jaboatão. citando o man. na várzea do Vaza-Barris. hoje Cotinguiba. causando os índios. que soltavam nuvens de flechadas. junto ao litoral. porque pelas costas podia sofrer um assalto dos da cerca de Baepeba.de um curioso e a qual dá o nome de Mahapena. animado os seus. abalroaram a primeira cerca.. o que na noite deste mesmo dia. o território compreendido entre os rios Cotinguiba e São Francisco.Então. onde fortificaram-se em três cercas ou tranqueiras. 42 Hoje não existe mais este istmo. já falto de água. comandados pelo próprio Cristovão de Barros. cujos habitantes levantam o cerco e fogem. 41 Fr. do lado em que estava Sebastião de Faria. quando Cristovão. cit. a que se deu nome de cidade de São Cristovão. sofrendo a perda de seiscentos mortos e os portugueses de seis. resolveu um combate decisivo de todas três cercas e deu suas ordens a três índios para transmiti-las aos das outras duas. em número de vinte mil frecheiros. saindo das duas cercas todos os frecheiros. 63 . em honra do Santo de seu nome. que não só deram-lhes caminho franco. privando-lhes a água. Sendo dadas tais ordens no dia 1º de janeiro de 1590. Vicente Salvador.

Em recompensa aos seus serviços. cit 44 64 . t. Pelo seu mapa geográfico está situada na costa oriental da ilha dos Coqueiros. 46 V. onde perto do mar faz barra o rio Poxim no Cotinguiba e junto ficava edificado o forte. carta de sesmaria de Tomé Fernandes. que. que ela foi situada sobre um istmo. encarregado da administração do país 47. do Inst.dando um belo exemplo da mais completa abnegação no momento preciso.44 E depois de assistir a administração publica e estabelecer as bases da organização de uma capitania. e temer os inconvenientes de sua ausência nos conselhos de um governo interino. loc. As condições gerais do Brasil não eram favoráveis à prosperidade da colonização de Sergipe. ela foi edificada à margem esquerda do Cotinguiba e do Apicu Pomonga. p. tomou parte importante. segundo ele. vindo da Bahia. em que podia. t. carta de sesmaria de Gaspar Gomes. dentro do tempo prefixado pelo rei. 47 Dr. deixando o governo entregue a Tomé da Rocha.43 Preferimos estas fontes em semelhante minudência. já o dissemos. 330. para a qual se pôs a caminho. junto à foz do rio Sergipe. depois da saída de Cristóvão. X. XL.46 Assim ilustrou Cristóvão o governo da interinidade coletiva que dirigia a capitania da Bahia. sem censura legitima.19. ficando o forte na margem direita do Cotinguiba. Joaquim José de Oliveira. 328.Capitulo II COLONIZAÇÃO DE SERGIPE SUCESSORES DE SÃO CRISTÓVÃO DE BARROS ATÉ 1637. junto aos apicus que este último rio forma. recolhe-se à Bahia. Cristóvão de Barros funda um arraial. donde o erário tinha muitos proventos que tirar para o futuro. com a realização de uma conquista. ocupadas por índios bravios: e o que mais é. o rei das Espanhas fez doação a Cristóvão de Barros do território que acabava de conquistar. Rev. principalmente Varnhagen. e. É opinião de quase todos os historiadores. que e muito claro na localização da primeira povoação de Sergipe. p. formada pelo oceano e os rios Pomonga e Cotinguiba. com a condição de estabelecer aí colônias. as honras e imunidades da governação do Estado. com a ordem de vender estas terras ou reparti-las entre os colonos que quisesse e fosse de sua vontade. na guerra de Sergipe. Hist. com a colonização estendeu-se a novas paragens.45 que durou oito meses de grandes lutas. com sua aposentadoria. 191.. pelos quais não só a capitania da Bahia ficou isenta de uma invasão. Efetuada a conquista. Barloeus diverge deste modo de pensar. É esta também a opinião do autor da Razão de Estado. continuar a gozar. p. correndo os riscos e incômodos de uma viagem rápida. 45 V. a que deu o nome de cidade de São Cristóvão. auxiliar-lhe e acabar a obra da conquista. p. 43 Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. por entre florestas virgens. hoje Cotinguiba.

Por aí pode-se apreciar a grande interferência que representava a Bahia. não fornece auxílios para destruir elementos contrários. A administração compunha-se de um capitão-mor. um Conselho. não só para piratear nas costas do Brasil. por onde se possa avaliar de suas respectivas prerrogativas. p. se a conquista de Sergipe não antecede a esse conjunto de circunstância tão desfavoráveis. para explorarem as riquezas do país. que desperta nos espíritos de Feuton. Cavendisch e Lancaster. Em vez de o governo colonial dirigir a atenção para as colônias nascente.50 Ao ouvidor e provedor-mor competia zelar pelos interesses da justiça e da fazenda. 1835. 95.Em vista da declaração de guerra entre a Espanha e a França (1595). que haviam de sobrevir. o Brasil tornava-se o teatro de explorações inglesas. 48 49 Porto Seguro. para vencer os obstáculos que nasciam de invasões estrangeiras e do levantamento dos naturais. nos negócios públicos de Sergipe. a fim de serem castigados. A feição social em Sergipe não poderia fazer exceção da que se revela em todos os centros populosos da colônia. a realização de excursões pela América. Dic. quanto o Brasil tinha de recorrer aos seus recursos.48 Da Rochella parte uma armada. Pereira e Souza. mão poderia vencer os embaraços. vindos da África. onde são presos os náufragos e enviados por terra para a Bahia. por iniciativa de Relegh. Jurid. um comandado por Pires de Mil. Nenhuma carta de nomeação ou regimento encontramos do funcionalismo de Sergipe. 50 Joaquim J. De três navios. Destroçados seus navios por uma tempestade que os dispersa. 391 Rocha Pita. almoxarifes. 135. dirigia-a para zelar e defender sua integridade territorial. em vista da semelhança do elemento étnico e a política administrativa que Portugal tinha instituído.49 Com que dificuldade não lutaria a colonização da Bahia. 65 . O capitão-mor era o delegado do governador da Bahia. I. se a atenção dos aventureiros não se prende ao El-Dorado. As condições de prosperidade pioravam tanto mais. Em direção ao Brasil cortam os mares diversas flotilhas francesas. escrivães. Historia da América Portuguesa. nesta pequena circunstância do país. que penetram suas barras. e quem abdicava grande parte de suas atribuições. Withrington. C. naufraga nas costas de Sergipe. os do Brasil tinham alcançados no cível e no crime. que tendiam a fortificar-se? Além das explorações francesas. onde a oposição ainda que forte em começo. que era o órgão do município e um presídio. promovidas pelo sentimento de riqueza. provedor-mor da fazenda. inicia-se em Sergipe a colonização sob um conjunto de circunstância bem desfavorável. Historia Geral. Com idênticas atribuições aos capitães-mores dos lugares da áfrica. Assim. onde ficam prisioneiros cento e dezesseis homens. acoçada a tripulação pelas doenças. alguns naufragaram em Sergipe. e como colônias nascente. em substituição de enfeudação e sob a qual ia submeter-se a marcha dos acontecimentos. ouvidor. I. desde então. como para saquear a cidade da Bahia. os armadores franceses aproveitaram-se dessa circunstância para a execução de suas piratarias. sendo os ofícios de justiça e os empregos de fazenda por ele proposto.

ancorando junto a enseada de vaza-barris51. e destroçado as forças não tinham perdido a esperança de reaver o território. Descansados da primeira perda. por isso que uma tentativa já tinha sido feita. e não pelo desejo de fundarem uma colônia e ativarem sua propriedade. 66 . por conselhos de um francês Honorato. Exprimia-se pela superstição. Hist. p. Eis ai as bases de osso desenvolvimento histórico. ver. Do Inst. caracterizados por um clima quente e úmido. para cuja adaptação sente o selvagem natural indisposição. em sua excursão ao rio de São Francisco. 33). pois nestas paragens pirateavam de longas eras. Aceitamos a denominação de Barloeus. como ele na Europa achava-se ao lado do barão feudal. á falta de iniciativa. não lhe querem impor um novo estado social. em cujas cabeceiras supunham existirem minas. xxi. que mandou Tomé Rocha. Uma tal convivência que não requer do natural o menor esforço. havia três anos. Seu habitante tenderia á indolência. que de terra tinha ido com dois índios.52 Não obstante as armas portuguesas terem conquistado as terras de Sergipe. um solo ubérrimo e rico. Xiv. 455. pela crença exclusiva em um só credo religioso. Na classe dos antecedentes que falamos estava a identidade de sentimento religioso. Hist. por isso que os franceses guiados pelas idéias de riqueza. sem corrigir suas faltas. segundo as cartas de sesmarias de Manoel da Fonseca. em uma jangada. 364. e então tempo de sobra tiveram eles para fortalecer-se de elementos que se opusessem à vitória das armas portuguesas. denomina-o Cotegipe (ver. reuniu novos elementos para uma luta. em virtude dos fortes ventos e correntes de água. 52 Porto Seguro. quando teve ocasião de prestar importantes serviços a Gabriel Soares de Souza. bateu nos bancos e sossobrou a embarcação. Seu nome indígena era Potigipeba. esperando tudo da natureza. menos o de Barloeus. que procuraremos descrever na presente obra. para ensinar-lhe a entrada. seus defeitos. Querendo penetrar na barra em uma arca flamenga. p. pela abundancia de alimento que cercava-o e pela impossibilidade de manter fixação e regularidade no trabalho. Era o temperamento da época. 51 Este rio vem em todos os mapas geográficos. Tendo este rico fazendeiro da Bahia alcançando das cortes os despachos para explorar este rio. uma nova vida. Gabriel Soares de Souza. que naufragou em Sergipe. pela reverencia ao clero. que predominava sobre tudo o que já assumia na colônia um grande poder. de cujas riquezas tiravam tantos proventos. tentativa bastante simpática à raça indígena. No do historiador holandês ele traz o nome de Potiipeba. Seriam eles seus encarniçados inimigos. resultando afogarem-se alguns passageiros e salvar-se a carga em uma cetea. capitão de Sergipe. que lhes vem prestar auxílios. em abril de 1591 e chegou a Sergipe a 13 de junho do mesmo ano. gera-lhe uma simpatia tanto maior quanto a deslocação dos hábitos é nula. se idéias de um plano político guiassem os franceses nas excursões de Sergipe. Do inst.Ao lado do capitão-mor estava o governador. com o nome de Ipiranga. de nome Grifo Dourado. em seu roteiro. cujos roteiros possuía. A mesma semelhança vemos nos antecedentes físicos. na pessoa do rei. por seu irmão João Coelho de Souza. Foi Tomé da Racha o primeiro sucessor de Cristóvão de Barros e achava-se na administração em 1591. partiu de Lisboa. p. na qual parte dela foi enviada para a Bahia.

55 Assim entre. Foi escolhido um oiteiro escalvado que fica junto à barra do rio Poxim. com heroísmo. em 1595 ou 1596. não obstante as tentativas dos piratas. Cit.328 56 Barlaeus. Ainda que não nos seja possível determinar a data da substituição. convenceu-se o governo da necessidade de mudar a cidade para uma eminência. pelas barras dos rios navegáveis.60 As condições topográficas da Cidade não permitiam que os seus habitantes se prevenissem dos assaltos. carta de sesmaria de Tomé Fernandes. 67 . nas águas do rio Real.54e depois de julho de 1594. op. por uma criação ativa. em presença do desembargador Gaspar de Figueiredo Homem. carta de sesmaria de Simão de Andrade p. pois. Em vista disso. carta de sesmaria de Gaspar Gomes. em 1596. O novo capitão teve de dirigir sua atenção para os franceses que.330 55 V. e a modesta cidadinha já contava cem fogos.53 Tendo-se oposto. além das duas tentativas já feitas tentaram ainda diversos assaltos e efetuaram diversas guerrilhas. em vista da posição insular. p. 344 61 Jaboatão. a nova capitania já contava um trabalho agrícola. carta de sesmaria de Martins de Souza. talvez. entrega o governo da nova capitania a Diogo de Qoadros.61ficando ainda a barra do rio Real fora da observação e por onde podiam ainda penetrar. em vista da carta de sesmaria de Gaspar Gomes. ainda assinado por Tomé da Rocha. 120 62 Ainda existe neste oiteiro o Vestígio desta edificação.353 59 V. 53 54 V. que de emboscada eram dados. na nova luta que empreenderam. donde se pudesse presenciar qualquer movimento marítimo. no tempo a cima indicado. pela segunda vez administra Sergipe. PL 356 60 V. as profissões pastoris já tendiam a organizar-se. então existentes. já assinada por Diogo de Qoadros. para reaver sua antiga posse. por escassez de documentos. elevando-se o número de currais a quarenta e sete. sendo provedor-mor da fazenda Gaspar d‘Almeida57 ouvidor Simão de Andrade. segundo Barloeus . p. para realizar suas empresas. que. a uma invasão inimiga.56 Diogo de Qoadros dirigiu a administração pública de 1595 a 1600. por isso que não podiam presenciar a entrada de flotilhas. por um idêntico documento de Tomé Fernandes. Carta de sesmaria de Domingos Lourenço.62 Foi resolvido pois pelos poderes competentes e de acordo com a opinião do povo. sendo batidos por Tomé da Rocha em 1593 e por Diego de Qoadros . principalmente de gado.58 almoxarife Martim de Souza59 e escrivão Jerônimo da Costa Fisão. carta de sesmaria de Gaspar d’ Almeida p. p. o movimento colonial foi mais ou menos próspero.Em vista disso tiveram os franceses auxílio do indígena. carta de sesmaria de Manoel André.340 V. Orb. todavia asseveramos que ela se deu antes de dezembro de 1595.534 57 V. Seraph. Em setembro de 1603. p. sendo substituído por Diogo de Qoadros. P. quatro anos depois da conquista. a mudança da Cidade para o novo lugar. cujos habitantes ficaram em melhores condições para vigiar a entrada de inimigos. Durante seus quatro anos de administração e os primeiros da capitania. 330 58 V. e neste documento alega-se a mudança da cidade. em quatro pequenos engenhos de açúcar. o conselho da capitania pede uma doação de terra ao capitão-mor Tomé da Rocha. Pream. 1594 e 1595 deixou o governo da capitania de Sergipe Tomé da Rocha.. para sede da nova São Cristóvão. Nov.

como pontos de limites. foi para o lugar acima mencionado. devido talvez á convicção que entrou no espírito dos franceses e indígenas da improficuidade de suas empresas. com que o movimento colonial sofreu um estorvo. de que às suas supostas garantias que a idéia da mudança criou. o que motivou grandes pleitos. 131) em sua obra.or ouve pr bem He ora vosa merse manda a todos os moradores com graves penas que fasão casas e pesão chão para isto e p r nunqua se aprovetar pedem a vosa merse em nome de sua mag. o que indica ter o franciscano folheado o livro de registro de sesmarias. e em 1601 eles achavam-se completamente eliminados do território de Sergipe. todavia tenderam a diminuir as agressões depois da mudança. ―Saibão quantos este estromto de carta de sesmarya vyrem que no ano do nasimto de nosso sõr jhus Xpo de Mill e seis setos e tres anos aos tres dias do mês de setembro do dito ano nesta sidade de são xpoão capta de Sergipe terras do brasill nas pousadas de mim escryvão ao diento nomeado por Afonso pereira procurador do conselho me foy apresentado huã pitisão com hu despacho ao pee dela do sõr capitão mor Thomé da rocha de que o teor há o seguinte – ho juis e vereadores e procurador do conselho nesta capitania que o desembargador Gaspar de Figueiredo omem veo a esta cap. são de doações nas circunvizinhanças do oiteiro. Ainda que a alegação não fosse uma circunstância bastante forte e de interesse real para o governo a mudar a cidade. É o mesmo de que fala Jaboatão (§ 117.64 Não obstante as sesmarias traçaram limites muito vagos. donde o extraímos. todavia as de Cristóvão Dias. por isso que se podia remediar o mal colocando um corpo de atalaia.ta a sete ou oito anos e a requerimento do povo consultou e asentou com os moradores e capitão de se mudar a sidade que no tall tempo estava no Aracaju que se asitoase neste outeiro adonde llogo se pasou a ygreja e o fore e diso se fiserão autos o que o sõr gd. 64 Carta de sesmaria de Belchior Dias Caramuru. p. para os habitantes edificarem casas. Não há duvidas de que a mudanças. a que se refere o documento. até na ortografia.Conservamos toda a fidelidade do documento. que prevenisse ao poder central qualquer preparativo de invasão. Manoel Thomé e Manoel Gomes. pois tomamno e o rio Poxim. os franceses tiveram de abandonar o teatro da guerra. Depois de uma luta de alguns anos. p. 364. 63 68 . Sergipe três de setembro de seis centos e tres anos. o capitão manda apregoar a ordem. ―Manoell Thomé‖. 63 Efetuada a mudança da cidade e transferidos o forte e a igreja. de mill Brasas de terra que se começara donde acabar a dada de Sebastião de brito e balthezar feras correndo pelo caminho que vay de caipe ate chegar allagoa que esta alem de Manoel Thomé e pelo dito caminho que sai da ponte velha ate chegar a dada de xpõao dias correndo rumo drto allongo do outeiro he que se achar e recebera merse_ despacho _ dou é nome de sua magde para o conselho pera bem e acrescentamento da nova side desta capta todo o comprimento da terra donde acabam as ditas dada que em sua petição fazem menção correndo pello caminho velho que vay para caipe até dar na llagoa que esta alem de Manoell Thomé da banda celleste q‘ he o q‘ esta junto do caminho que vay para vaza Baris e de largo oito setas brasas que se começara do dito caminho da ponte velha e yra correndo pela testada da dada de Manoell Gomes ao loeste ate chegar a dada de xpoão que serve defronte desta cidade de dahy ira correndo ao sul ate entestar com Manoell Thomé o que se achar e desta maneira lhe passe carta e demarquem logo a qual lhe deu por devolluto.

Por esse tempo dominava como principal exploração colonial a criação de gado. Hist. A colonização seguiu. de um trabalho de colonização. nunca quiseram iniciar a organização de uma vida social. pois. Dificultaram a marcha da colonização em começo e nisto constituiu o papel que representaram os franceses em Sergipe. situando-se na zona oriental da capitania. algodão e pimenta da terra. Nos dez primeiros anos. 32. o branco e o preto dedicam-se as profissões de hábitos fixos. de ambição pessoal. individualidade da teogonia tupi. em que se refletisse um plano político. Ao indígena e seus produtos de cruzamento com o branco e preto. Grande porção das zonas vizinhas aos rios Piauí. XIV. furtando a escravidão que se lhe queria impor. Durante a administração de Diogo de Qoadros. Do Inst. 65 Ver. raras são as doações feitas junto aos rios que demoram ao norte.65 Entretanto.Não obstante a permanência dos franceses de quase meio século em Sergipe foram nulos os vestígios de sua passagem guiados simplesmente por idéias de interesse. Real e vaza-barris. transcreve uma memória do Coronel Pedro Barbosa Leal. entregando-se as profissões pastoris. o movimento colonial ativouse. a pouca distancia do litoral. correria a busca do pau-brasil. Quase todo território que avizinha principalmente os dois primeiros rios ficou ocupado por lavradores e criadores. para nela gerarem os focos de população. Hist. produtos que abundavam nas zonas dos rios real. caracterizada pela cultura da cana e fabrico do açúcar. por ser a que mais se prestava á tendência muito inerente á raça que veio colonizar. 66 Ver. XLI. pela pobreza do seu solo para qualquer exploração agrícola. com a expatriação do natural. em uma distancia de doze léguas para o ocidente. em um importante artigo sobre Rubelio Dias (Ver. ficava a zona ocidental. Esse caráter étnico guiou as duas raças a procurarem à zona oriental. sedo tomou a lavoura. Pelo seu testamento que possuímos ainda vivia em dezembro de 1622. 33. a fim de nela desdobrar a atividade de uma vida nômade. Capistrano. Se formavam centro de resistência. Começou pelo sul. acompanhando o litoral. p. De Geografia de Lisboa). Esse domínio aprecia-se durante todo o século XVII e grande parte do XVIII. 69 . pela morte de Belchior deuse em 1619. dedicavam-lhes as naturais simpatia e lealdade. Por uma hereditariedade que lhes vem de antecedente muito longínquo. considerando-os como herdeiros e sucessores de Maire-monan. concorrendo muintos indivíduos a pedir doações de terra.66 Por isto eram chamados por eles Maire. a marcha da conquista. com auxilio principalmente da africana por ser a mais rica e mais apta à espécie de exploração colonial que havia de dominar. que a colonização não sabia aproveitar. 97. Simplesmente realizaram piratarias. começando pelo sul a tirar-se do solo os elementos para a formação da riqueza. Do Inst. p. A constituição química do solo poderosamente influiu sobre a direção que. Foi dada por sesmaria. Para lá emigrava o indígena. Da Soc. O ilustrado professor de historia. Dr. vaza-barris e contiguiba.

68 69 Sesmaria de Gaspar de Fontes. a raça indígenas foi objeto da maior questão da política colonial. em que distinguiu-se mais do que ninguém o jovem camarão. Por não termos encontrado a carta de nomeação de Cosme Barbosa. Esta ausente da capitania. descendente de Diogo Álvares e de quem extensamente falaremos adiante. Durante a administração de Diogo de Qoadros. Sete lavradores pedem para colonizar as circunvizinhanças do rio Sergipe e quase oito léguas foram dadas em Itabaiana.mor da fazenda de então Gaspar de Fontes. p. pois daí em diante foi substituída pelo seu locotenente Manoel de Miranda Barbosa. p. cuja responsabilidade direta e imediata vai ate julho de 1600. p. Tão estudado pela jurisprudência daqueles tempos.70 Por esse tempo os negros de Sergipe abandonaram as fazendas e reunidos com outros da Bahia. por onde dificultavam o trânsito por terra.Só podemos encontrar duas doações. Foi pelo governador da Bahia entregue aos petiguazes a incumbência de desalojá-los deste sitio. que se estende de 1600 a abril de 160267 a colonização encaminha-se para o norte e para o centro. 70 . Os petiguazes atacaram os mocambos. 71 Porto Seguro. já achava-se revestido do cargo de capitão-mor de Sergipe. 70 Carta de sesmaria de Belchior Dias Caramuru. 355. Belchior dias moréia (caramuru). 356. Era o provedor. em dezembro de 1601. almoxarife Martins de Souza69 e escrivão Manuel André. Carta de sesmaria de Martim de Souza. 72 Carta de sesmaria de Baltazar Ferraz. Em 1601. 382. que também exercia o lugar de ouvidor68.71 Em 1602 foi Manoel de Miranda Barbosa substituído no governo por Cosme Barbosa. formavam grandes mocambos nos palmares de Itapicuru. fizeram-se sessenta e uma doações de terra a indivíduos. distribuindo entre si os centenares que fizeram na luta. p. a questão abrasadora. p. não sabemos quando ele assumiu a administração publica. 408. nas vizinhanças do rio Sergipe. A primeira carta de sesmaria por ele assinada é de 13 de outubro de 1600 e a última de 25 de abril de 1602. depois e ter concedido sessenta e quatro doações de terras. Acreditamos mesmo que por estas paragens a colonização estendeu-se em períodos ulteriores. pela carta de sesmaria do desembargador Baltazar Ferraz. op. onde posteriormente instituiu um morgado e alega seus serviços na conquista de Sergipe. Na administração de Manoel de Miranda Barbosa. cujo curso se faz na porção setentrional. como auxiliado depois à posse do território conquistado. solicita do capitão-amor uma grade doação no rio real. Entretanto em junho de 1602. desde 1599.72 Abramos uns parênteses na marcha descritiva que levamos. como alguém já 67 Não encontramos a carta de nomeação de Miranda Barbosa. Cit. sendo depois substituindo neste ultimo lugar pelo padre Gaspar Fernandes. 364. para o estudo de fatos de ordem geral. I. entre as duas capitanias. onde se tinha estabelecido como criador. que não só tinham tomado parte na conquista.

provocando a imigração africana. Cedo vieram os jesuítas desdobrar a atividade de sua política em Sergipe. Ou a pequenez do território era desfavorável á sua permanência. e então emigrou. essa grande questão que atravessou vida secular. Tornam-se elas o objeto de reverencia e lealdade. centros de lavoura e comercio. No período compreendido entre 1590 e 1609. 71 . a imigração africana para ai fez-se em larga escala. O fato e que o contingente do elemento indígena na historia de Sergipe não e tão grande como em outros estados. cuja escravidão pelo colono português era o móvel das lutas e conquista. contribuindo também a colonização rápida que desbravava as florestas. na qual o sentimento de avareza do colono a escravizar indígena encontrou sempre muito apoio. saciando-se. levando-se mesmo em linha de conta as circunstancias relativas. que a lei abolia cujo resultado foi a grande preponderância da raça africana não só na elaboração da riqueza. Na passagem do exercito conquistador pelo vaza-barris prestaram importantes serviço.disse – a abolição da escravidão indígena. que seguiram sempre uma política protecionista para com o selvagem. ou então a desumanidade na luta para cativá-lo foi enorme. sem sua intervenção. como na hereditariedade das gerações mestiças. porém. deseja e realiza. as medidas legislativas correspondiam as aspirações abolicionistas dos jesuítas. Ela mataria no Brasil os hábitos de reverencia ao clero e superstição á religião. para suprir a insuficiência do braço indígena. sem cair nas garras do cativeiro. Estas medidas incrementavam o regimen dos aldeamentos e desfalcavam os braços da lavoura. bem característico naqueles tempos. entre nós. O mestiçamento em que ele entrou como elemento formador. hoje representa diminuta ação pelo pequeno numero a que eleva-se a população desses mestiços. que proibia em absoluto o cativeiro do natural. pela indecisão da coroa. ficando elas plenamente satisfeitas com a lei de 3 de junho de 1609. Em Sergipe não tem sido senão estas mesmas leis que têm dirigido o movimento social. e debaixo de tais princípios tem caminhado a civilização brasileira. assim. cuja civilização e catequese eram entregues aos membros da companhia. exclusivamente em favor da ordem. Levantada pelos jesuítas. se causas muito gerais não tivessem sido seus antecedentes na historia da metrópole. que nada aspira. As duas calasses alcançaram completa ascendência sobre a classe popular. roubando seus aposentos. Compreende-se perfeitamente que sendo estes vinte e um anos os primeiros da colonização de Sergipe. e se o clero secular não tem feito harmonia com a classe do governo. As aldeias eram. O papel do indígena foi pequeno. o espírito de riqueza. levantou uma luta entre a classe popular e os jesuítas.

edificaram capelas nos engenho de suas propriedade: Dirá Colégio. para criação de seus gados e iniciar a lavoura. em 1600. o padre Bento Ferraz uma légua no rio real.78 Além desta posição oficial. 78 Carta de sesmaria do Padre Gaspar Fernandes. no mesmo ano. que é o Vigário da capitania76 é também o loco-tenente de Manoel Miranda Barbosa. em 1603 e o cônego Leandro Pedro velho. meia légua em Caipe. meia légua no poxim. p. Está hoje em ruínas este templo. em cujas deliberações poderosamente influi. meia légua no rio Mocuri. junto á capital. Comandoroba. em 1603. continuemos a descrição das administrações que seguiram-se á de Miranda Barbosa. no máximo. em 1602 e duas léguas no rio Mocuri. que serve de colégio.Bento Carta de sesmaria do padre Bento Ferraz. 73 74 Certa de sesmaria dos padres da companhia de Jesus. além das funções espirituais que representa. Senhor de grandes posses territoriais e parte integrante da classe do governo. O convento dos Jesuítas foi edificado junto a São Cristóvão. . junto ao rio Sergipe. 75 O clero secular já faz parte do governo. em 1601 e três léguas no vaza-barris. sendo substituído pelo Padre Gaspar Fernandes. Camassari. em 1600. o padre Agostinho Monteiro obtém a doação de meia légua de terra. no mesmo ano. E sem família legítima para com ela distribuir a fortuna que se acumulava. uma légua no poxim. organizando-se em povoações de trezentas casas. Assim. o padre Felipe da costa.77. para onde convergia grade parte da riqueza pública. aos lucros de sua congrua vêm reunir-se os proventos do trabalho agrícola. duas léguas em vaza-barris. em cuja ausência dirige a administração em dezembro de 1600. comissionado três anos. em que procuramos estudar os fatos de ordem geral. 72 . 77 A substituição foi de pequena duração. Sua vigária terminou-se em 1602. aplicava-a na edificação de suntuosos templos. o clero já representava então papel saliente no movimento social de Sergipe. representados pelo Padre Amaro Lopes. de dezembro de 1600 a janeiro de 1601. O padre Gaspar Fernandes é o ouvidor e o juiz dos regimentos em 1602. edificam capelas. ele torna-se também proprietário e lavrador. cuja contribuição é de capital importância para caracterizar a feição social daqueles tempos. Retiro.Sob o duplo caráter de sacerdote e agricultor. morador na Bahia.73 Com tão grade posse territorial que deviam colonizar para a prosperidade da ordem encetam o trabalho de aldeamento. 75 76 Carta de sesmaria dos padres de S. Fechando aqui o parênteses.74 Além da ordem da companhia de Jesus. alem do templo. etc. Ibura. cuja direção espiritual lhes pertence e a administração civil a um capitão-mor. Não desempenhado somente as funções espirituais. o padre Gaspar Fernandes uma légua em Tinharé. Levantam propriedades açucareiras. Além dele. os Beneditinos os concorrem a Sergipe (1603) e representados por frei domingos solicitam do capitão-mor um idêntico favor. assumem a direção espiritual da capitania e pedem também doações de terra. O padre Bento Ferraz. 357. uma légua junto á serra de Itabaiana.

de sentenças setenta braças de terra. Desconhecendo a causa real dessa mudança. 81 Carta de sesmaria de Padre Novaes de Sampaio. em todo o estado do Brasil.79 Nove anos depois em 1612. na razão de quarenta e dois contos anualmente. Achava-se já na administração Antônio pinheiro de carvalho. afluente do vaza-barris. proveniente do gado e meunças. As doações são concedidas nas vizinhanças de S. Cedo teve a capitania de procurar um novo sitio para a edificação da cidade. Porto Seguro. onde deu-se a invasão holandesa. junto ao último rio. para edificar uma casa no assento da nova cidade. 410. 433. provinham do estanco do dizimo que a junta de Portugal dera em 1601 a Gabriel Ribeiro.Cristóvão.Durante sua administração. doze braças de terreno. sendo daí em diante substituído pelo de S. despendendo-se com a milícia 333$920 e com a igreja 148$920. As rendas da capitania. Cit. mais um terço era feito com o clero. junto ao rio poxim. que para o futuro havia de conquistar supremacia sobre a criação do gado. 73 . em 1606. Francisco. Sobre este ponto só podemos levantar hipóteses mais ou menos prováveis. p. 82 Carta de Pedro Novaes de Sampaio. op. a colonização prosperou. Antonio Pinheiro de Carvalho. onde fizeram-se quatorze doações e onde iria prosperar a lavoura da cana. I. que novamente vem administrar Sergipe. Em março de 1607 pero Novaes de Sampaio pede ao capitão-mor de então. op. por este tempo (1603). p.82 79 80 Porto Seguro. Em tão pequeno intervalo a despesa quase que duplicou. que se conservou durante todo o século XVII. A colonização caminha para o norte. além das que Cristóvão de barros deixara. mudando-a do oiteiro. Cit. dirigindo-se para o fertilíssimo vale do cotinguiba. em 1637. até a serra da Tabanga. A uberdade desta zona assegurava a prosperidade dessa exploração agrícola. que foi substituído por Nicolau Faleiro de Vasconcelos. sendo-nos impossível verificar a marcha que seguia a receita que então era de 580$000.81 Não obstante na petição não virem alegações que nos tragam a convicção de que a doação e na cidade que fica junto ao poxim ou piramopama. em vista de outra doação pedida pelo mesmo Pero Moraes de Sampaio. por que em junho de 1603 foi substituído por Tomé da rocha. na mesma data. á nova cidade deu-se o nome de cidade de Sergipe d‘el-rei. para uma elevação que fica nas margens do Piramopama. já iniciada na capitania. A despesa anual de Sergipe era de 396$000. as despesas montavam em 428$840. I. Por escassez de documentos nos é impossível determinar a data de sucessão no governo de diversos administradores que sucederam a Tomé da rocha. todavia acreditamos mais na segunda hipótese. para edificar uma casa. Não encontrados nenhum documento que assinale a data real desta segunda mudança. Com o alardo de cento e quarenta homens e com um armazém bélico de duas peças 80. desde 1611. que foi de pouca duração.

Ligamo-la ao saque e incêndio que os holandeses fizeram em S. quando os holandeses invadiram Sergipe. lenhas. em nome de sua magestade aos suplicantes a terá que pedem por ser assim necesaria para serviço desta cidade. “Dizem os officiaes da câmara desta cidade que ao povo dela he necessario um pedaso de terá nos limites desta sidade para despejos de cavalgaduras e de madeiras para casas. não sabemos quais foram os capitães-mores. (segue a formula do regimento. correra pelos pés dos outeiros que estão entre as mangabeira. nomeado a 19 de maio de 1611. menos o livro de registro das sesmarias que foi conduzido pelos fugitivos. senão Amaro da cruz porto carreiro. pois he para bem do povo. na hipótese de ela ainda estar no oiteiro de poxim. desde novembro de 1636. em 1607. que para isso hão mister meia légua de terá a qual meia légua se comesara da ribeira do peramopabama ate a ribeira que corre da banda de Mathia Moreira. Achava-se no governo da capitania João Rodrigues Molemar. que nesse tempo. asseguramos é que em 1610 já se tinha dado a mudança para este local. porém._O capitão Antonio Pinheiro de Carvalho. Sergipe hoje três de julho de mil e seis centos e dês anos. Desta data a 1621. pois. cujacarta de nomeação é de 20 de dezembro de 1628. o qual fora nomeado a 1º de outubro de 1631. Nenhum documento podemos encontrar anterior a esta invasão. Tudo foi entregue às chamas. Dou de sesmaria. em vista do seguinte documento: “Saibãõ quantos este publico instrumento de sesmaria virem que no ano do nascimento de nosso senhor Jesus cristo de mil e seiscentos e dez anos aos vinte dias do mês de setembro do dito ano nesta cidade de San Cristóvão capitania de Sergipe de El-Rei nas pousadas de mim escrivão ao diante nomeado apareceo Pedro Lopes procurador do conselho desta cidade e por ele me foi apresentado huma petiçam da câmara com um despacho posto ao pé dela do capitão mor desta dita capitania Antonio pinheiro de carvalho da qual petiçam e despacho o traslado dela é o seguinte. Foi substituído em 1614 por Amaro da cruz porto carreiro. hindo para cahype e para a banda do sertão. supposto que seja dada a alguém a vosa merse em nome de sua magestade lhe dê a dita terá. em 1626. a cidade já tinha sido transferida para as margens do Piramopama. Cristovão.É muito pouco provável que o peticionário quisesse edificar uma casa tão distante da cidade. 74 . sendo substituído por Pedro Barbosa que governou de agosto de 1630 a 1636. O que.)” A Antônio pinheiro de carvalho sucedeu João Mendes. ate 1623. que pela segunda vez dirige o governo da capitania. Parece. quando pela segunda vez administrou a capitania João Mendes. A escassez de documentos é enorme na história deste período. Resebera merse.

CAPÍTULO III MINAS. PRIMEIRAS EXPLORAÇÕES

O espírito de riqueza, o sentimento de avareza, que foram acima de tudo o real estímulo de muita atividade que se desdobrou neste país, por parte do corpo colonial, manifestaram-se sob uma forma dupla, cada qual mais poderosa para alargar a colonização e fazê-la estender-se a maiores extensões. Não só o índio tornou-se o objeto desse sentimento, como o território, para exploração de suas naturais riquezas. O colono que se dirigia para ultramar, antes de pensar na formação de uma nova pátria, antes de ativar-se pelo desejo do estabelecimento de uma nação , pensava na satisfação de seu egoísmo. A florescente natureza que se oferecia a seus olhos, a exuberância da vida tropical que agora o cercava, mostrando-lhes lindos espécimes de muita riqueza, aguçavam ainda mais sua avareza. Além disso, as grandes fortunas que se formaram pela exploração portuguesa nas Índias, os preciosos metais e minerais que foram arrancados do solo para o comercio português, que, por isso, tornou-se, nos séculos XV e XVI, o mais rico da Europa, o que concorria com maior competência no movimento econômico do velho mundo, trouxeram idênticos hábitos de exploração para o Brasil, desde o começo da colonização do século XVI, ainda pela convicção em que estava o espírito do colonizador, da semelhança de fauna e flora e das condições geológicas. Por indução, o colonizador conclui, dessas semelhanças, existirem minas no Brasil. Essa idéia, essa convicção, já foi gerada pela física do país, no espírito do colonizador. Em grande parte, era emigrada, por isso que na Europa ela era um importante fator das colonizações, um fato de caráter geral. A idéia política que tem por fim ampliar o espírito público, os direitos e a lei; que tem por fim tronar mais lata a soberania nacional, pelo largo desenvolvimento do comércio, da industria, da instrução; o espírito científico que tem por fim aumentar a cultura do povo, ampliar a liberdade do cidadão, tornar o homem soberano no meio da natureza que o cerca, não eram a causa eficiente das colonizações naqueles tempos, como o são hoje. Mais poderosos do que a idéia política, do que o espírito cientifico, eram o sentimento de riqueza, o sentimento religioso, para inspirarem as nações na colonização dos países selvagens. Salvar as almas em nome da religião e acumular riqueza em nome do interesse pessoal, eram característicos das determinadas nações coloniais daqueles séculos. Hoje salvar o cidadão da pressão autoritária de um governo, em nome da liberdade e da lei, e salvar a verdade em nome da ciência, é a causa das deliberações atuais e a feição dos tempos correntes.

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Eis por que quando o colonizador pisou o território brasileiro já trazia o espírito excitado pela febre desses sentimentos – pesquisar minas em satisfação própria, resgatar as almas das garras de Satã, em nome da religião. E as formações geológicas metamórficas, que se ofereceram a seus olhos, acenderam-lhe a cobiça e a avareza, a ponto que em cada quartzo, feldspato, mica, ametista, via as provas e os vestígios de ricas minas. Ao mesmo tempo que as formações geológicas aguçavam-lhe a ambição, uma raça desconhecida excitava-lhe a cobiça. Explorar minas e explorar as florestas brasileiras, em buscas de escravos, tornou-se um fato geral, em nossa história. Não só a classe popular, como a classe do governo se deixaram preocupar por ambas as explorações. Em ambas ficou plantado o privilégio, pelas tendência centralizadoras do governo. Prendeu o trabalho, cativando o braço, ficando sem equidade a distribuição da riqueza e prendeu os proventos das riquezas naturais. Instituiu o privilégio da escravidão, em beneficio da lavoura, e o privilegio da mineração em seu beneficio. E como ambos os fatos – o cativeiro do indígena e a exploração das minas – tinham por fim o primeiro passo de uma civilização – a formação da riqueza – e estavam centralizados nas mãos de duas classes, compreende-se facilmente que desde o começo, nossa vida econômica foi defeituosa, pelo poder centralizador em que ela vasou-se. Eis um fato de grande alcance para análise dos filósofos e que tanto contribuiu para a formação de um caráter nacional, como o que possuímos. Desde de que ambos os fatos foram monopolizados, o privilegio criado estabeleceu a corrente para o governo e a lavoura e com ela a corrente do poder, ficando assim as outras classes expoliadas. E procurando apreciar as ultimas conseqüências desses antecedentes, vemos que daí originaram-se a supremacia do governo, os ligeiros vestígios de uma aristocracia territorial, a passividade e subserviência da classe popular, a falta de um senso critico e analítico. E do caráter assim constituído ainda vemos bem visíveis provas, em nossas relações, psicológicas e econômicas. E se outros fatores representaram importante papel na formação do nosso caráter, a exploração das minas trouxe seu contingente, tanto mais importante, quanto ela tinha relações diretas com a formação econômica. O governo legislou sobre minas, tomando para si todos os proventos e quis levantar uma aristocracia sobre elas, por meio de baronatos, marquesatos, etc. E por isso temos de apreciar os desejos de muitos em obterem tais títulos, como Belchior Dias Moreyra, morador em Sergipe, um dos mais ousados exploradores das minas brasileiras, no século XVII, que tanto almejou o titulo de barão. Belchior Dias Moreyra tomou parte importante na conquista de Sergipe, acompanhando a expedição de Cristóvão de Barros, em 1590.

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Morou nas margens do Rio Real, onde está hoje edificada a vila de Campos, cuja capela foi por ele edificada. Iniciou naquelas paragens a profissão pastoril, constituindo-se talvez o maior fazendeiro daqueles tempos. Instituiu um morgado que motivou grandes pleitos e que duraram até poucos anos passados. Tinha foros de fidalgo e foi o tronco da família dos Caramurus, em Sergipe. Sua prole ramificou-se em Sergipe, constituindo diversos ramos, Pregos, Ávilas, Fonseca Saraiva, Dias, etc. Morreu em 1622 em sua modesta fazenda, com a idade de oitenta anos, deixando um filho natural Rubélio Dias, natural de Geru e filho da índia Lourença, de que adiante falaremos. Belchior Dias representa o homem que domina a história de Sergipe no começo do século XVII, pelas suas ousadas explorações. Os preciosos documentos dados à publicidade pelo meu honrado amigo e ilustrado professor Dr. Capistrano de Abreu, esclarecem as questões de minas, salvando a verdade que ate então, pela influencia de Rocha Pita, eram uma legenda em torno do nome de Rubélio Dias, a quem os historiadores sempre ligaram as questões de minas, no Brasil. O nome de Belchior desapareceu, para ser substituído pelo do seu filho, que na opinião de seus contemporâneos não teve tino nem atividade para seguir os passos de seu pai. A legenda foi substituída pela verdade da historia. Foi Belchior e não Rubélio quem se dedicou à exploração de minas. E compreendendo que na publicação dos documentos que esclarecem um ponto tão importante de nossa história, prestamos um serviço ao interesse de Sergipe, o fazemos, na esperança de que a iniciativa levante-se para arrancar do nosso solo as riquezas que ele possa conter. Na convicção em que estamos de que possuímos grande jazidas de preciosos metais, ficaremos contentíssimos se alguém utilizar-se dos ligeiros esclarecimentos que pretendemos dar neste trabalho, que se recomenda mais pela intenção de quem escreve, do que pelo seu valor real. Sendo de alto valor as excursões de Belchior, transcrevemos textualmente a carta que escreveu o coronel Pedro Barbosa Real ao Conde de Sabugosa em 1725, cuja publicidade deve-se ao espírito trabalhador do infatigável professor. Eis o que dizia o Coronel Leal ao Conde de Sabugosa: ―............................................................................................................................ ....‖vivia no sertão do Rio Real Belchior Dias Moreyra, dos primeiros naturais da Bahia, primo
de Gabriel Soares, abastado de terras e de bens que deixou por sua morte vinculados em morgado sobre o qual tem havido as contendas com a casa da Torre. ―Passados dous annos de perdição de Gabriel Soares sahiu seu gentio manso com algum gentio de Paramerim a buscar Belchior Dias pelo conhecimento que deste tinham. ―Com algumas amostras que trouxeram e com algumas noticias que já tinham de seu primo Gabriel Soares, resolveu a largar a sua casa e fazendas e entrar no sertão com o poder que tinha de seu gentio e o mais que de novo tinha vindo buscar, levando em sua companhia Marcos Ferreira, grande mineiro e se presume o mesmo que tinha acompanhado a Gabriel

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Soares – havendo duvidas que este mesmo Marcos Ferreira quando se perdeu Gabriel Soares sahio só do povoado ou ficou no sertão, entre aquelle gentio que foi quem os reduzio e convocou para buscarem Belchior Dias Moreyra. ―Preparado Belchior com a sua tropa no rio Real se encaminhou para as serras de Jacobina, fazendo seu caminho pelo rio Itapicuru acima, buscando o sertão de Massacará, passando pela serra a que os natures chamam – Bendutayu – que quer dizer na língua portuguesa – serra de Prata -, desta passou á serra do ―Puarassia‖ que se acha no meio da caatinga do ―Tocano‖, onde também fez exames, passou della ás serras de ―Jacobina‖ e continuando sua marcha por ellas para a parte do sul foi á ―Pedra Furada‖, d‘ahi passou ao rio Salitre e por elle acima foi buscar o logar onde se presume que morreu Gabriel Soares, passou a serra ―Branca‖, da serra ―Branca‖ passou ás serras de ―Osoroá‖ que se avisinham ao rio S. Francisco e dellas passou ao rio Verde e do rio Verde ao Paramerim e por elle acima procurou a aldeia dos Tubaijaras que existiu á beira do Paramerim, junto ao sitio que hoje chamam do Periperi, donde voltou não sei por onde, mas sei que tornou a buscar o rio Salitre, seguio por elle abaixo descobrindo as minas do ―Salitre‖, tornou a sahir ao rio S. Francisco, seguio por elle abaixo, foi ao ―Coraria‖ e onde descobrio as ametistas e novas minas de salitre na serra do ―Oroquery‖, continuou a marchar pelo rio abaixo, passou á outra parte de Pernambuco e se recolheu para ―Itabayana‖ a sua casa, gastando nessa estrada oito anos, no decurso dos quaes se não soube noticias delle, tanto assim que em sua casa o reputavam por morto. ― Com o trabalho, diligencias e exames de oito annos, sahio Belchior Dias Moreyra a povoado com o descobrimento de ouro, prata, pedras preciosas e salitre. ―Embarcou para Portugal, passou á corte de Hespanha, declarou os haveres que tinha achado, pretendeu mercês, e ou porque julgaram altas as mercês, ou porque julgassem que por ser natural do Brasil não merecia nenhuma attenção, o trouxeram quatro annos em requerimentos, até que desenganado voltou para o Brasil sem ser deferido. ―Passou segunda vez em Portugal e em dous annos de pretendente sem conseguir cousa alguma se tornou a voltar para o Brasil. Terceira vez intentou o mesmo, mandando seu sobrinho Domingos de Araujo remetido ao Conde de Almirante com todas as instruções. ―Voltou da mesma sorte sem despacho algum. ―Achou-se neste tempo governando Pernambuco D. Luiz de Sousa, avô ou bisavô do Sr. Marquez das Minas e tendo noticia dos grandes descobrimentos que havia feito Belchior e da sua desconsolação, lhe escreveu que se coarctasse nas mercêes que pretendia de Sua Magestade que elle queria ser seu procurador para na corte alcançar aquellas que pudesse conseguir. Sujeitou-se o velho Belchior Dias aquelle Mecenas cançado já de seu trabalho, da sua velhice e de tantos baldados requerimentos. ―Protegeu D. Luiz de Souza o requerimento de Belchior Dias na corte, offrecendo-se para com ele examinar e certificar umas e outras minas, alcançando, em primeiro logar a promessa do título de Marquez de minas para si, que então teve principio este titulo, tendo a sua confirmação depois da acclamação do Sr. Rei D. João IV e para Belchior Dias algumas mercês que se lhe destinaram. Conseguindo este despacho, escreveu D. Luiz de Souza, de Pernambuco, a Belchior Dias que Sua Magestade tinha deferido as mercêes , cujo escripto ficava em suas mãos para lh‘o entregar quando se ajustassem aquella diligencia e que em tal tempo o fosse esperar no rio S. Francisco para ahi se incorporarem e darem principio ao descobrimento, cuja carta firmada pelo dito governador D. Luiz de Souza se acha em meu poder. Resolveu-se depois vir á Bahia incorporar-se com o governador della o Sr. D. Francisco de Souza, seu primo, para ambos fazerem entrada no reconhecimento das minas. Desceu Belchior Dias á Bahia para guiar e acompanhar os governadores, como fez. ―Parece que Belchior Dias Moreyra com o uso das vezes quo foi áquellas côrtes se fez político e soube seguir algumas máximas que nellas só praticam, porque contam seus descendentes que, tendo peitado e obrigado a um pagem particular de um dos governadores, este sendo inconfidente a seu amo revelára a Belchior Dias que conversando ambos os governadores sobre as mercês que El-rei lhe fazia, dissera um para o outro: - mostre elle as

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minas, que o caboclo para que quer mercês? Do que procedeu entrar em desconfiança do que resultou o seguinte: Partiram da Bahia os dous governadores com Belchior Dias que os levou direto á serra de Itabaiana e que chegando a ella dissera aos governadores que suas senhorias estavam com os pés nas minas, mas que não lh‘as mostrava enquanto elles não lhe entregassem primeiro as cartas de mercêsque sua Magestade lhe fazia. ―Ao que elles lhes responderam que mostrasse as minas, que as mercês estavam certas, e se lhe entregariam o alvará de Sua Magestade depois que as mostrasse. ―Parece que ao mesmo tempo que cresceu a duvida em os governadores crescia mais a primeira desconfiança em Belchior Dias, que se resolveu a não patentear os descobrimentos, pelo que se precisaram os governadores a prendel-o, querendo por este meio obrigal-o a mostrar o que sabia, e vendo-se preso os levou a um serrote que chamam das minas em meio dos campos de Itabaiana, em o qual se fazendo exame se achou uma pedras cravadas de marquesita que não deram de si prata alguma, á vista do que voltaram os governadores para a praça da Bahia e Belchior Dias preso na cadêa della o obrigaram a pagar os nove mil cruzados que se tinha feito de despeza na jornada. ―Vendo-se Belchior Dias com dous annos de prisão e por não pagar os nove mil cruzados se resolveu em descobrir e mostrar o que sabia, ao que acudiram Pedro Garcia, o velho e outros parentes escandalisados do mau tratamento que lhe haviam feito os governadores, dizendo que não descobrisse, nem mostrasse nada e pagasse os nove mil cruzados que lhe supririam com elles, e com efeito pagou os nove mil cruzados, foi solto para o rio Real, aonde passados dous annos morreu, deixando todas as noticias daqueles descobrimentos sepultadas com a sua morte que succcedeu em o anno de 1619, tendo-se passado mais de um século sem que se tenha com certeza averiguado o lugar daquellas minas. ―Deixou este homem por sucessor a sua casa um filho natural havido em uma índia da aldêa do Gerú, a quem chamavam Rubélio Dias. Este com poucos brios, pouca actividade e temeroso do mau sucesso de seu pai, não só não quis seguir aquella empreza, se não deixou perder todas as memórias e roteiros que tinha deixado o dito seu pai. ―De Rubelio Dias procedeu D. Lourensa, que foi casada com Paulo de Araujo de cujo matrimonio nasceu o coronel Belchior da Fonseca Saraiva Dias Moreya, que entrou na casa em morgado do rio Real de sua bisavô Belchior Dias Moreya, e como este se casasse com a filha do desembargador João de Góes, vindo á cidade da Bahia, quis o Sr. Affonso Furtado que então governava este Estado, renovar aquelles descobrimentos de Belchior Dias, pelo que chamou o dito Coronel Belchior da Fonseca, a quem chamaram o Moribeca, para que declarasse os roteiros de seu bisavô e descobrisse aquelas minas. ―Foi o dito coronel ao sertão do rio Real á uma serra que esta defronte á fazenda do Jabibiry, onde morava e onde viveu seu bisavô, a que chamavam serra do Caniny, da qual tirou algumas pedras com marquesita, que parece prata e porque na sua casa se conservavam ainda algumas pedras de legítima prata do tempo de seu bisavô, introduzio estas com as que tirou da serra do Caniny e as trouxe ao Sr. Affonso Furtado que as mandou ensaiar pelo ourives Raphael Lobo, e como este entre todas escolhesse as que achou de líquida prata, tirou dellas a prata que tinham, o que vendo o Sr. Affonso Furtado mandou a seu filho João Furtado, com a amostra da prata e com as pedras que ficaram a ser apresentadas a Sua Magestade, Entendendo que tinha conseguido aquelle descobrimento em que sempre se tinha cuidado; mas como em Portugal se não achasse mais pedras de prata, ficou em duvida a certeza daquelas minas. ‘‘Governando este estado o Sr. Roque da Costa Barreto, mandou o Sr. Rei D. Pedro a D. Rodrigo Castello Branco, com 600$000 de ordenado e toda a despreza que fizesse por conta da fazenda real, averiguar e examinar as minas de Itabayana e Jacobina, pelas noticias e tradições de Belchior Dias. Foi D. Rodrigo com efeito a Itabayana ao mesmo serrote das minas a que Belchior levou os governadores, donde fez algum exame e somente achou que havia alguns criadeiros que indicavam prata, mas de pouca consideração e de nenhuma esperança para se romper aquela mina e retirou-se para Bahia, de onde passou para São

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Paulo, ambicioso então das noticias que corriam das esmeraldas, de ouro, e de prata de sabarabussú, onde o mataram, deixando na Bahia o tenente-general Jorge Soares de Macedo, seu cunhado, para ir examinar as minas de Jacobina ―E como a esse tempo se sabia já de um roteiro que Belchior Dias havia dado a seu sobrinho Francisco Dias, bisavô do coronel Garcia d‘Ávila, do haver que havia em Jacobina, foi Jorge Soares com João Peixoto a Jacobina, examinar o dito roteiro e correndo muitas serras e logares o não averiguaram e sucedeu o que o mesmo João Peixoto relata na noticia que deu e deixou escripta com o mesmo roteiro que é o seguinte: ―Copia da instrucção que deu o padre Antonio Pereira, o da torre de Garcia d‘Ávila, a João Calleta no ano 1655 para buscar na Jacobina as minas que descobriu Belchior Dias no ano de 1604 na mesma forma que ficou escrita pelo próprio Belchior Dias Moreya o seu sobrinho Francisco Dias d‘Ávila parente do dito padre, etc. ‘‘Na serra, na mais alta ponta dela que tem, pondo-se o homem da banda do sul, está o haver e a ponta está inclinada ao leste; e debaixo desta ponta de leste bem a baixo, quando faz grandes invernadas Leva uma bêta, si é de prata ou de ouro Deus sabe, e quando forem ao taboleiro em cima, pondo-se da parte do sul hão de achar muitos crystaes e da banda do sul para o norte outras pedras muitas, que me parecem de consideração.‖ ―Dizia mais o papel donde morreu Gabriel Soares de Souza está uma serra Itauiupeburá que é de chumbo. Tomem a ribeira donde nasce Tapuia Ubatuba, corram por ella abaixo, não fique grota que não vigiem.‖ ―Copia de um assento de Belchior Dias Moreya que foi dizer a El-Rei o anno de 1612 e por lhe não deferirem com as mercês que pedia e grande morreu no anno de 1619, ficando encobertas.‖ ―No de 675 fui eu com Jorge Soares uma das pessoas que Sua Alteza mandou a ver se eram minas, a serra de Itabaiana e Jacobina, vêr se fora por alli aquelle descobrimento de Melchior Dias. Achei um índio cariry, velho de cem annos, por nome Gaburú, na aldeia de Sahy e descobri com muita indústria haver acompanhado a Mechior Dias naquela jornada de seu descobrimento, o que ele tinha muito calado e negado ( disse ele) por assim o ordenado dito Melchior Dias. Levou-nos pelo campo firo ao do Salitre, cortando doze léguas de matto e catinga, sem água nem caravatá que a tivesse e com raízes de imbú e mandacarú se remediou a gente que abriu o caminho em dezenove dias. Mostrou o velho logar. onde Melchior Dias achou o que buscava, o qual ( disse o índio) os levará outro de outra nação que primeiro deu umas pedras ao Belchior Dias. Achamos signaes certíssimos de haver ahi estado gente branca, e não foi outro senão o dito Melchior Dias e depois do anno de 1628 seu sobrinho Francisco d‘Ávila mandado pelo governador Diego Luiz de Oliveira, sendo já morto o tio, mas não descobriu a mina por que não a conheceu, porque Belchior Dias escondeu da gente e índios que levou aparte donde tirou a pedra que ensaiou alli e disse o velho índio que coseu no fogo em m texto ou tacho e depois lavou muito e tirou uma pedrinha branca. Disso fizera muita festa com as espingardas e dissera era pólvora e lhes mandará não mostrar nunca a branco aquele logar. porque havia de saber os flamengos e vir tomar-lhe a sua terra, e por isso não quisera nunca falar nem mostrar. ―Em poder de Belchior da Fonseca, filho de Paulo de Araujo e de D. Lorença, neta do dito Belchior Dias, está um copiador de cartas que escrevia a El-Rei e ministros ( agora está este copiador na secretaria) instando de novo que não ficava por elle descobrirem-se as riquezas que as terras do Brasil tinham sonegado ha tantos annos com que S. M. poria freio ao turco e sopearia os potentados da Europa e estes termos de explicar o seu achado provam a riqueza e certeza della e instancia com que o affirmara e ser entendido em minas, e aquelle descobriu acompanhado de outro maior mineiro por nome Marcos Ferreira de que deu noticia o velho índio, e depois achei em João Callella e assim que por todas as razões que Belchior Dias achou ricas minas, e em sua casa há inda prata que tacitamente tirou delas, isto é fama constante e que foi aquele lugar se certifica pelo referido; mas por não haver quem conheça as pedras que estão incógnitas, Deus as descobrirá quando fôr servido.

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seis léguas distantes de Itabaiana e que ouvindo fallar na prata d‘ella fôra por sua curiosidade a ver o serrote das minas e que ao Sr. mas é sem duvida que pela tradição dos índios Oris daquella serra esteve nela Belchior Dias e sobre ella onde estive oito dias examinando-a achei duas marcas: a primeira consta de três 81 . Pedro.―Os signaes que deu este papel acima deu o padre Antonio Ferreira (da Torre) a João Callella e a seus irmãos para buscarem o ano de 652 quando entraram a povoar aquelas terras e parte da Jacobina. acrescentando que pela experiência que tinha e sabia das minas. ainda parente de Belchior Dias. a partir da Bahia. João me ordenasse que fizesse passagem pelo rio Real. Roque da Costa tinha-o obrigado a acompanhar a D. levado em minha companhia ouvires experientes e a Manoel Vieira da Silva que havia acompanhado a D. E este velho me despersuadiu que não fosse a Itabaiana porquanto elle havia morado alguns anos na cidade Sergipe d‘El-Rei. E porque no mesmo tempo capitão-mor de Sergipe El-Rei. mandando S. que morava no rio Real e dava várias noticias de algumas entradas de Belchior Dias. que tinha acompanhado a Belchior Dias e era tio de Rubelio Dias. porque seu gênio não o inclinava à semelhantes serviços da qual diligencia não deu conta. nas casas de fundições de prata. Rodrigo de Castello Branco e o ajudar a examinar aquella mina em que só acharam ao referidos criadeiros com alguns indícios de pouca prata que ahi havia. e porque então me achava sem intelligencia alguma de minas. tão maltratado e comido de cupim que em poucas folhas se deixa ler algumas partes. e porque dele se acham seis ou sete folhas cortadas com assento do mesmo Belchior Dias em que se assignou que aquellas folhas que alli faltavam as rompera. João de Alencastro mandasse pessoa de confiança a examinar se as minas de onde tinham saído aquellas amostras eram verdadeiras e seriam de rendimento. assim como estava o copiador que conservo em meu poder. ―Como esta e outras noticias me resolvi entrar pelo mesmo caminho e sertão por onde entrou Belchior Dias. Jorge de Barros Leite. D. comunicando-me verbalmente algumas noticias e tradições que tinha sem certeza e me entregou um copiador de cartas de seu bisavô Belchior Dias. a prata se não criava senão de quarenta léguas afastadas do mar para o sertão. é que d‘ahi para diante o conduziram e guiariam taes índios e ele se voltára com outra gente para sua aldeia. João de Alencastro com ordem de S. mas não deram em nada porque são infinitas as serras e eles ignorantes em minas. Que se acha na secretaria para entender sobre os descobrimentos de minas. até que certificado da diligencia em que eu ia me veiu fallar. e que assim me dava de parecer que a buscasse mais ao sertão e que me não confiasse com a Itabaiana. ―Passei d‘ahi à casa do coronel Moribeca que receioso de alguma execução se ocultou três dias. Fui buscar á aldeia do Gerù a falar com o principal de nome Birú. procurei instruir-me na especulativa e pratica dos exames dos metaes com João Coutinho. fui à serra do Picurassá onde fazendo varias diligencias não descobri nada. M. ―Como o Sr. donde voltou um pouco efeito e com poucas diligências. e a Amaro Gomes. que o Sr. um velho que vivia na Bahia defronte de S. Rodrigo de Castello Branco por ensaiador. seu filho. de seu bisavô Belchior Dias Moreya. Dr. introduziu umas pedras do serrote das minas de Itabaiana e de outras terras do mesmo continente introduzindo-lhe alguma prata industriosamente de que resultou tirar-se na casa da moeda em Portugal algumas porções de prata de cinco pedras que foram com as mais. M. donde voltou a buscar a estrada do rio São Francisco até o corassár. 60. ―Partiu o dito coronel de sua casa do Rio Real e marchou até a serra do picarassá de que atrás tenho tocado. D. o qual tinha assistido muitos anos nas Índias de Hespanha. o qual livro nunca apareceu e me certificou o dito coronel que fora comido e destruído do cupim. para cuja diligencia me nomeou o mesmo senhor. e fallando ao dito velho índio me certificou que tinha acompanhado Belchior Dias Moreya até a serra do picurassá sómente. e se acharia no seu livro de razão a fls. e procurasse o coronel Belchior da Fonseca para que me comunicasse todas as notícias que tivesse. Mandou chamar o coronel Morimbeca e lhe encarregou fosse novamente investigar novamente o sertão em que seu bisavô tinha descoberto aquellas minas. ―Veio governar este estado o Sr. recolhendo-se a sua casa sem outra alguma satisfaçãs.

mas que havia poucos annos que os principais índios velhos lhe tinham declarado que aquella não era a verdadeira legitima serra de Jacobina. um L e uma S e diante delas em pouca distância feita uma cruz em uma lage. que achara para a parte do poente ao pé da mesma serra uma carta antiga. D. lhe tinham feito tantas diligências sem proveito. fui sahir a Jacobina. o velho. não podiam acertar pelo não terem buscado naquella parte que diziam os índios Payayaz. donde me segurou havia ouro. intentando descobril-o todo. E na dita carta se tinha achado um cono biscainho que eu vi em poder de Luiz de Andrade o qual agora em Jacobina me segurou. Segui aquela derrota. no mesmo papel e da mesma letra que então me deu o velho João Calhelha. e esta serra que é mui elevada se acha só no meio daquella campanha e as serrarias mais vizinhas que lhe ficara à parte do poente para o sertão é a serra da Tuyuba e fiquei na presunpção de que aquellas marcas desmarcariam uma antiga cata e que se acha em um morro perto da serra Tuyuba aberta em uma pedreira de cor verde de que o gentio então me deu um pedaço. o padre Antonio Pereira e Francisco Dias. o capitão Lourenço de Matos. o velho... e me asseverou o principal daquelles índios que perto daquele morro se achava outro todo de pedras amarellas. ―Por então não averigüei o dito por seguir a derrota de Belchior Dias para o rio de S. e que os brancos tinham corrompido genericamente o nome de Jacobina por todas as aquelas serras e que como elles tinham procurado o roteiro naquele continente da primeira povoação da Jacobina. seguindo até ali o mesmo caminho de Belchior Dias. fora a Jacobina com este roteiro. certificando-me aquelle mesmo gentio. indo alli de passagem e sem conhecimento algum daquelle país. Rodrigo de Castello Branco. seus irmãos. descobridores de Jacobina. que com elle correram toda aquella parte da Jacobina. como experimentei capacitando-o ir me mostrar o rio Pindobussú.Respondeu-lhe com o roteiro que agora remeto à V. me trouxe o 82 . Disse-lhe eu então que se ele e seus irmãos. João. achando as amostras na dita serra vestígios de ter alli estado Belchior Dias. o que elle e seus irmãos tinham feito sem que tivessem encontrado signaes delle. que elle e Francisco Dias e o padre Antonio Pereira era verdade que tinham deito exactas diligências. e Manoel Calhelha. que se tinham retirado de Sabarabussú quando mataram D. ―Disse-me também que Francisco Dias. pelas informações que me deram os índios de que elle tinha ido à serra do Orocury chamado pela sua língua Podêcó. Ex. o que estava lembrado que ele entrou ao sertão por se achar já com dez ou doze anos de idade. Declarou-me então o dito João Calhelha. e que este depois que subiu de seus descobrimentos dissera a seu sobrinho Francisco Dias que em Jacobina havia um haver e quando ele e seus irmãos por ordem do dito Francisco Dias descobriram a Jacobina escrevera Francisco Dias a seu tio Belchior Dias que a tinha descoberto que lhe mandasse dizer onde estava o haver. procurei o gentio da nação Orocuyú que me levaram a dita serra donde achei novas minas de salitre de que mandei as amostras ao Sr. junto a um olho de água que eu alimpei beneficiei para dar de beber à minha tropa a qual cata eu não vi quando estive na dita serra. mas como me faltava o roteiro não pôde entender nem averiguar a significação della. que mal podia eu encontrar aquele lugar. um dia pela manhã até a noite.letras feitas de pedra posta a mão_ um A. ―Segui a derrota para Jacobina atravessando setenta léguas de catinga em que perdi vinte e oito cavalos e atravessando a serra Tuyuba pelas aldeias velhas dos Oris. Foi segunda vez com o mesmo roteiro o padre Antonio Pereira e com ele fizeram a mesma diligência e passaram a Jacobina nova e que não acharam nada e que o dito padre lhe deixara então o roteiro para elle e seus irmãos com mais vagar e maior diligência o averiguassem. Francisco. e. o que ele não fora averiguar por se achar muito decrépito e incapaz de sahir de casa. Em Jacobina procurei o velho João Calhelha. onde viveram e morreram. eram as serras da Sapucaia distantes daquella mais de trinta léguas. que então estava descoberta e que não o averiguaram. João Calhelha que era o mais velho me assegurou que conhecera muito bem a Belchior Dias. mostrando-me uma memória que tinha no dedo tirado por uns carijoz de João de Maya. perto desta serra nos campos do Corassá perto ao sitio do Curral do Meio vi e passei pelo serrote de pedras amethistas roxas que descobriu o mesmo Belchior Dias Moreya do que eu tirei algumas e se tem tirado muitas por várias vezes.

................. João de Alencastro.... Luiz Cezar de Menezes.............................. o tempo tem cegado tudo de sorte que é necessário um geral e positivo exame naquela serra.... .. dizendo que seus pais lhes contavam.. mais elles não sabem o buraco................................. mas como a serra é grande. Francisco abaixo e vim buscar á Itabaiana donde me dilatei três mezes correndo todas aquellas serras e acabando-o com três barris de pólvora que lhe metti em uma mina que lhe fiz...................... ‖Os signaes do roteiro são uma grande arvore um brejo de cannas bravas........ até o continente que comprehende as minas do rio de Contas em que atualmente se está tirando ouro no que nem há duvida.. Pará mirim....‖ ..... ―Nem por estas diligencias fica perdendo o descobrimento de Belchior Dias a opinião no que toca a Itabaiana........................ o que me asseguraram os índios velhos cacherinheus práticos naquelle lugar pois alli é sua terra............... ―O mesmo João Calhelha me certificou que Belchior Dias entrara no sertão aquelles descobrimentos com o gentio do Parámirim e com o gentio de Gabriel Soares.. que já esta caída no chão.... deu a seu sobrinho Francisco Dias o qual pelos possuidores de sua casa se perdeu ou o ocultaram...... ‖Como esta certeza já não é para desprezar o roteiro de Belchior Dias e por este se devem acreditar todos os seus descobrimentos. compreendendo as capitanias de Sergipe d‖El-Rei. E como ahí são muitos e vi a variedade com que o índio m‘o buscava................... Fiz-lhe bastante diligencia........índio correndo vários serrotes sem poder acertar com ele...... donde tirei quinze amostras que entreguei ao Sr........... e dizem que prata da qual não há certeza donde seja............ porque se achando alli o serrote das pedras roxas............ nem póde haver controvérsia.......... passei adiante á diligencia em que ia sem outra averiguação.. Francisco.............. crystaes e que é certo haver............. como dito tenho. em alguns se acham ouro e o de 83 .. ‖Botei escravos meus com um homem a socavar os ribeiros daquella serrania com o intento de correr aquelle districto a descobrir as ditas catas....... M.................... o que lhe não concedeu pela prohibição que havia de S.. mas como – nihil occultum quod non revelatur – por algumas intelligências de escravos e índios antigos se veiu a saber delle......... Falta descobrir a beta que diz o roteiro........ governando este Estado........................ e três morros sobre outra serra e promete aqui ouro e cobre. ―O que suposto segundo as tradições e noticias que tenho alcançado por homens antigos e por índios daquelles sertões.......... Paraguassú....... Jacobina.................... Eu sei que o rio das pedras da mesma Itabaiana se tem tirado ouro. e assim por todos os princípios e por todas as circunstâncias e noticias fez Belchior todos os descobrimentos no sertão da Bahia no quase rotundo território desde o rio de S............ pedindo-lhe licença para romper aquellas minas......... ...... por quanto em alguns dos seus ribeiros se tem achado ouro e o vigário de Itabaiana remeteu as amostras dele ao Sr.. as grotas muitas e muitos os anos................. e estar incorrupta e se sabe de brejo...... que no sertão de Itabaiana descobriu ouro..... em uma das quais é fama constante que esta ferramenta enterrada... se conhece por ser a maior que alli há.... Francisco............... D... e porque também vi que ele fazia bastante diligencia para acertar com elle porque chegando a vários daquelles serrotes pesquisava ao redor buscando o seguinte para conhecer no que conheci que não fingia o seu descobrimento..‖ . ―Daquela parte desci pelo rio S. ―De outro roteiro na mesma Jacobina há também individuaes noticias que o mesmo Belchior Dias.. achou-se a arvore de sucupira que tinha........ mas não deixei de acreditar aquela noticia.. e talvez que Belchior Dias occultasse este àqueles governadores e que também naquellas mais no sertão tivesse descoberto mais alguma cousa que não quis descobrir................................................................ Agora quando estive em Jacobina mandei examinar esses signaes....................... com quem no decurso de tantas jornadas tenho tratado e pesquisado. oito ou dez léguas do rio Itapicurú-mirin da freguezia Jacobina donde se acha duas antigas catas...... e entre ellas se tem tirado algumas amarellas é factível que haja o morro das ditas pedras amarelas que dizia o índio................... Este é na mesma Jacobina da missão de Nossa Senhora das Neves para a parte do rio S.. mas não se pode então dar com as catas.......

se verifica pelas copias de suas cartas que remeteu a V. Deste documento devemos tirar importantes conclusões. ―De que Belchior Dias foi a Portugal......... nem é histórico. que descobrir prata em logares do rio S.. por serem hoje aquellas serras pastos de gado das fazendas de D. mais deixei recommendado a pessoa de satisfação a fizesse. no fim delle se abrira uma mina ou buraco e elle segurava e estava tapado com pedras arrumadas a mão e duvidando-lhe eu que se poderia e ser aquella ruína ou tapada por alguns desmanchos do morro e tornou a sererar que elle reflectira com attenção que achara e que fora artificialmente tapada. me faltou o tempo para aquella averiguação.. requereu e prometeu minas.. comprida e muito antiga e que levando-se o morro a escala.... e seu nome tornou-se popular pela influência de rocha pita em sua História da América Portuguesa... anime os seus vassallos com mercês e com algum proveito com que passa fazer as despesas..... por muito annos. Ex. me veio um sujeito a quem recommendei a diligencia dizer que a tinha descoberto umas das catas por um morro acima.. Como pelas catas que recebi de V.. Tudo aquilo que até aqui se tem afirmado relativamente a Rubélio. não pode ir para examinar a dita cata ou mina velha que La vira tempo que se reconheça e examine........... Francisco muito ao sul de Jacobina Nova e da grande serra Branca se acham catas antigas que ha tradições foram feitas por Belchior Dias e fama constante que nellas tirou prata e algumas pessoas viram já estas catas e o Capitãomór Damião Cosme me disse vira algumas.... por ter sido infatigável descobridor de minas.... não é real.... para que a historia conquistou a verdade do passado..... Ex........ cuja trilha não quis seguir... mais como chegasse o tempo de passar as minas do rio de contas para onde fui... que abriram ao rio S.. tiradas do seu copiador que tenho. Os feitos que se imputavam a Rubelio não passam hoje de legendas. não estive mais de oito dias em Jacobina. – Pedro Barbosa Leal‖.. que não hão de faltar descobridores que se arrisquem como Belchior Dias e que descubrão o mesmo que ele descobriu que alguns não fazem por não correrem a mesma fortuna que ele correu. Joanna Cavalcante e o capitão Antonio da Guerra que morou no sertão do lagarto assegurava que tinha visto prata daquelas serras e me convidou a mim e ao donatário Manoel Garcia Pimentel para irmos a ellas e que elle se obrigava a mostrar os buracos da prata...... .. Ex .... ―Quando de volta do rio de contas cheguei a Jacobina. Queira Deus que no tempo do governo de V. Novembro de 22 de 1725..... Nunca foi à Europa.. Ex...... Aquilo que ate aqui se tem afirmado relativamente a Rubélio Dias. se logre esta felicidade e que para o dirigir e franqueiar guarde Deus a V. Foi sempre indiferente aos trabalhos do seu pai. Determinei passar pessoalmente aquelle exame depois de saber os primeiros signaes do roteiro... É sem duvida que nellas esteve Belchior Dias e que por ser a mesma serrania dellas passou a do rio verde onde dizem achou uma pedreira de esmeralda. Ex.... Francisco e pelo Paraguassu examinou também aquella parte do rio de contas e da a conhecer a carta que escreveu a Affonso Rodrigues da Cachoeira.Beribery o tem de conta de que mandei a mostra à V............ de que também remetteu a copia tirada do mesmo copiador... seu parente..... 84 .. cujo nome se auroela com grandes feitos.. deve ser referido a seu pai Belchior.... ―Na serras de Assuruá........ Se V Ex... não quiser passar pela demora de um século como tem corrido desde o tempo de Belchior Dias até o presente.. Pedro.. ―Este homem chegou a affirmar por uma carta que se acha no seu copiador que havia de dar neste sertão do Brasil tanto ouro e tanta prata como ferro em Bilbáo....... ―Isto me afirmaram alguns índios tubayjaras com quem falei.......... nunca tratou de minas.. ― S..

em uma doação à própria Misericórdia. o papel que representou Sergipe no movimento histórico. O território sergipano foi percorrido por estas caravanas que se dirigiam para o ocidente e muito cedo tornavam-se conhecidos os sertões de Itabaiana e Simão Dias. a Nicolau Pinheiro de Carvalho. que é filho natural de Belchior Morou em S. a Belchior Dias que se devem ligar os acontecimentos de exploração de minas e que por isso mesmo representa a feição histórica de Sergipe. pois. Naturalmente teve a sorte de todo habitante de Sergipe: fugiu abandonado os lares. esta estudada a historia de Sergipe nesses tempos. a si pertences. Acreditamos que não pegou nas armas na guerra da independência do norte do Brasil.Belchior foi o verdadeiro perquisador de minas . Muito pesquisamos sua vida e nada de importante encontramos Sabemos que nasceu no Geru. Rubélio declara ser morador do Rio Real. nunca mais o encontramos no movimento da nossa historia de 1635 em diante. na fazenda de Jabebiri. mudou-se por este tempo de Sergipe. um compromisso de alimentar o exercito. motivando também a colonização dos sertões da Bahia e Alagoas. sem atividade. Nada mais importante sabemos Em Janeiro de 1636 arrenda. por seu intermédio. de cuja fortuna apoderou-se. Cristovão e ai achava-se quando passo o exercito fugitivo de Bagnuolo. justamente o contrario de seu pai. A casa de Belchior Dias. sem patriotismo. Como testamento de seu pai. 85 . Nisto limita-se a vida de Rubelio Dias. nas terras de Jabebiri. para não cair nas mãos do inimigo holandês. E tendo sido ele morador em Sergipe. Desaparece da critica do historiador. para onde afluíam os exploradores de então. em novembro de 1637. que alem de ter tomado parte na conquista de Sergipe. quando tinha de idade trinta e tanto anos. ao domínio da legenda. Na escritura passada. no fim do século XVI e começo do XVII. E basta consignarmos aqui a época da conquista de Sergipe (1590) e a época da morte de Belchior (1622). de hoje em diante. durante sua estada na velha capital sergipense. tornou-se um ponto. Provavelmente dedicando-se ele à profissão de criar gado e arrendando o melhor curral existente naquela zona — fazenda de Jabebiri — onde morou seu pai. A colonização amplia-se com as explorações de minas. É. para compreendermos que muito cedo entre nós o colonizador penetrou pelo interior do nosso território. fez em cessão da misericórdia de S. Cristovão. e nenhum auxilio prestou-lhe. por nove anos. um sítio de criação de gado. Ele é o centro de todo movimento de mineração daqueles tempos. até mesmo os governadores da Bahia e Pernambuco. compreende-se por isso mesmo. Os fatos referidos a Rubélio Dias devem pertencer. O arrendamento foi feito. Estudado Belchior Dias. por vinte mil reis anuais.

em companhia de Mauricio Nassau. pelas explorações que efetuou. O importante geógrafo holandês que esteve no Brasil no século XVII. fala muito e muito das minas do mameluco Belchior Dias Moreya. Em 1642. em um ponto aproximado ao rio das pedras. para sua prosperidade. 86 . para nós de muita importância. vem a indicação das minas. levantou de Sergipe. Já tivemos ocasião de ver um frasco destas belas amostras. em cascalho aurífero. temos de consignar o fato muito significativo de muitos dos nossos sertanejos apanharem ouro em pó. além de determinar em seu mapa o local das minas. Todas as explorações de minas feitas até aqui em Sergipe têm sido improfícuas. No mapa geográfico que Barloues. procurando explorar-se o leito do rio das pedras. quando ele contorna as serras do cajueiro. como ele o chama. porem. Deve-se mudar deve-se mudar de rumo. Além destes documentos.contribuiu para sua colonização. em sua importante obra. escrita em latim. Deixemos. por que todos os exploradores dirigem-se para a serra da Itabaiana. isto e vejamos a questão de minas. Realmente desses pequenos montes descem regatos de leitos auríferos.

com a fundação de colônias que seriam os rebentos de futuras nacionalidades. não só como resultados do espírito da época. as que se seguiram traziam maior força de coesão. se a prosperidade da colônia dependesse mais do grau de saber de seus governadores. a guerra da emancipação. sóbrio. pela abdicação de Carlos V em Felipe II. habitando um solo que cedo lhe despertou o sentimento de associação. Povo eminentemente livre. pela proteção dos Estados que as permitiam e auxiliavam. laborioso. se já faziam excursões por suas costas. o holandês levantou a revolta contra a política de Felipe II e guiado pelo seus rederykers. que propagavam o ódio contra o governo opressor. ao terror das nações – a Espanha. do que do sentimento de liberdade nutrido pela classe popular. pertinaz. como de uma vingança à rainha dos mares. Desde os primeiros tempos do século XVI franceses e ingleses pirateavam pelos mares do Brasil. a cuja coroa ficaram anexadas. Dominado exclusivamente pelo sentimento religioso. cheia de prosperidade se fosse mantida a orientação inteligente do conde de Nassau. para impor um sentimento religioso a outras nações. Sendo dos últimos a encetar correntes de imigração para o Brasil. tenderam a fortalecer as correrias. angariou para o Brasil a prevenção de outros povos que. se os seus sucessores não se desviassem da brilhante carreira de administração por ele traçada. Desde 1581 estas agressões tomaram um caráter mais serio por isso mesmo que erma dominadas por causas mais gerais pelo desejo de estabelecer uma política ultramarina na novas regiões. quis Felipe II impor uma religião aos países-Baixos. A invasão holandesa no Brasil não é mais do que o prolongamento das lutas que as províncias unidas levantaram contra Espanha. No correr da luta os oprimidos tomaram a ofensiva e as colônias espanholas forma dela o alvo. cujos antecedentes históricos levaram-nos a levantar o protesto contra a semelhante coerção. por isso 87 . pelo grande domínio que representava no século XVI e pelos meios de coerção que pôs em pratica. a luta contra as forças da natureza. onde iam saciar o espírito de riqueza que nutriam. contra o estabelecimento da inquisição. para corrigir seus estragos. em suma. De entre os povos que maior amplitude deram aos meios políticos que os deviam dirigir no Brasil. de inquirição. iniciaram a luta pela liberdade de consciência. figuram os holandeses. foram os primeiros a estabelecer os fundamentos de uma futura nacionalidade. Não nos cabe aqui acompanhar esse movimento.CAPÍTULO IV Invasão Holandesa em Sergipe Estado da capitania Desastrosa à colônia foi a subjugação de sua metrópole à nação espanhola que. Se as excursões anteriores àquela data eram presididas por sentimentos pessoais. cujas tentativas e ambições forma grandemente auxiliadas pelo seu governo.

fazendo esquecer as medidas de defesa. advogados. Os Holandeses no Brasil. A cobiça açulou-se com os lucros da companhia oriental e Guilherme Usselincx levanta a idéia da criação de uma companhia ocidental. até mesmo depois da recuperação da Bahia. tornam-se bem visíveis do modo por que foram recebidas as armas inimigas. do qual quase que se apoderaram. A falta de patriotismo. O estado do espírito publico da colônia. estava vitorioso o plano e pouco depois já achava-se organizada a expedição. tornou-se bem patentes nos meios de defesa que opuseram à invasão das armas inimigas na Bahia. se não fossem as rícas presas. O comercio do oriente foi o primeiro alvo do espírito ofensivo dos oprimidos. o predomínio do espírito religioso que tudo avassalava. de muita vantagem para os interesses profissionais. com o auxilio de vinte e sete soldados e algumas munições. Avisadas a metrópole e a corte desta segunda tentativa. rábulas.1621). p. em 1630. quando a companhia ocidental dirigiu a atenção para Pernambuco. em 1630. limitaram-se a encarregar a defesa de Pernambuco a Matias de Albuquerque. não permitia um tão grande número do corpo da justiça e da advocacia. e que indenizaram as grandes despesas da companhia. tendo como imediato s bravo Piet Heyn.que na trégua de doze anos celebrada entre os beligerantes (1609. encarregando-se do comando superior João Von Dorth e em maio de 1624 os habitantes de São Salvador avistaram em sua bela baía as velas inimigas. como instigavam o capricho da clientela. trazia vantagens pelo lado criminal. que nenhuma oposição encontraram em assenhorearem-se da capital da colônia. que se achava em Madri. em virtude da qual a metrópole aboliu a relação. em 1624 e em Pernambuco. pelo grande número de letrados . concluir pactos com os moradores e construir fortificações. A pequena vida da colônia. aplicando para a tropa as despesas com este corpo de justiça. nenhuma clausula foi estabelecida para realizá-las. durante vinte e quatro anos e com o direito de nomear governadores.83 Em 1621. de civismo e de homogeneidade de sua população. escrivães. o atraso de seu movimento social. a morte do espírito militar. confiada a Jacob Willekens. Os mesmo sentimentos tornam-se bem patentes na metrópole e na corte. Era completo o esquecimento votado aos interesses da colônia. para cuja manutenção 83 Porto Seguro. O mais direto resultado da invasão holandesa foi uma modificação da legislação da colônia. que não só prolongavam a marcha dos pleitos judiciários. 10 88 . que se não faria por certo. que prevenidas dos intensos hostis dos Países-Baixos. feitas por Piet Heyn nos mares da Bahia. com o monopólio do comercio da America e África. Se a instituição do Tribunal da Relação na Bahia. no começo do século XVII. foi entretanto a causa de originar-se cedo no pais o espírito de chicana. justamente quando se acabavam as tréguas. a perda do sentimento de patriotismo que de sua população tinha-se apoderado. nenhuma providencia tomaram.

a tendência de substituir-se o espírito político. Só nos pertence apreciar o alargamento do domínio até Sergipe. que estabelecem as bases de uma política verdadeiramente livre. ficaram com ela reduzida a vinte mil reis. com agravo a apelação para a ouvidoria geral. se à frente dos invasores não se coloca Domingos Calabar. assumindo a direção do governo holandês em Pernambuco. o novo aspecto da civilização dado pela raça invasora.era preciso de preferência ativar-se o lado civil dos pleitos. Três fases muitos diversas apresenta o domínio holandês no Brasil. Seu alto tino administrativo. Na primeira que se entende da invasão à administração de Nassau (16301637). e pela proliferação que se efetuou na classe de advogados. estabelecendo as modificações operadas no norte do Brasil. que vai de 1637 a 1644. Não esta no plano da presente obra acompanhar a evolução da invasão e domínio holandês em Pernambuco. E hoje temos a prova desse hábito que se inoculou no Brasil. Os capitães-mores e ouvidores das capitanias que até então tinham alçada até cem mil reis.p. por parte da companhia e seus delegados. contribui para a degeneração do caráter. Na segunda. quando Nassau. a invasão vai se estendendo a maiores âmbitos. Abolida a relação. 486 89 . seu ilustrado espírito. o espírito comercial é o que domina a fim de que a companhia não desista de seus planos de exploração.Não nos compete nada dizer deste período. e fortificado em porto calvo. no começo do século XVII. ( 1645-1654) o heroísmo e patriotismo dos invadidos foram postos em ação. Pertencia-lhes inquirir do procedimento dos capitães-mores e das faltas das câmaras. No crime ficaram igualmente restritas as atribuições dos capitães-mores. E o modo de distribuir-se e agitar-se o direito.84 No próprio espírito da legislação pintava-se a profunda linha divisória entre as três raças que colonizavam o Brasil. compreende toda a administração de Nassau (1637-1644). durante sua vida colonial. ficando suspensas durante a presença do ouvidor nas capitanias. de saques. com alçada no cível até cem mil reis e no crime até morte natural dos escravos. pôs-se a campo com as tropas holandesas a estender os domínios para o sul. que reivindicaria para a Holanda todo o território setentrional. pela abundancia de questões civis agitadas. sem previa formação de processo. pelo espírito mercenário. dirigindo uma guerra de emboscada. se não se manifestasse. de rapinagem. I. gentios e peões. do que o lado criminal. foi substituída por duas ouvidorias gerais. que exclui a contribuição da clientela. Achava-se o Conde Bagnuolo no comando das tropas portuguesas. Na terceira fase que é a guerra da independência. Para antecipar-se o saldo de despesas que se iriam tornando isolváveis. 84 Porto Seguro história Geral.

85 Porto Seguro. que sob a ação da covardia . dividiu Nassau suas forças. abandonadas pelo exercito fugitivo. Cristovão. História do Brasil II p. com presentes e agrados. cuja gravidade não seria tão sensível. que por sua ordem. a fim de prestarem-lhe auxilio. pela certeza de que suas tropas já não encontrariam nenhuma resistência na capital da colônia. Francisco. Ainda que historiadores contemporâneos85 liguem a resolução de limitar suas fronteiras no rio S. a abundancia das pastagens de gado. sendo a 27 do mesmo mês a chegada de Nassau em S. quando tentando o ataque da Bahia em 1638. e embarca em Barra Grande para Jaraguá. e chega à cidade de S. que não obstante auxiliado por Francisco Rabelo. em pesquisa do exercito fugitivo. 336 90 . à falta de necessária provisões. cuja linguagem não compreendia.Com a notícia da aproximação das forças inimigas. o arrependimento que posteriormente externou. onde pôde fortalecer suas armas. Henrique Dias e Camarão. Francisco. Vê-se por ai que a fuga era rápida e pequena a distancia entre os dois exércitos. onde desembarcou. Francisco.166 Southey. onde as tropas avançadas de Nassau apresam as bagagens. para opor-lhe resistência. Antes de empreender estas explorações. provam que os meios de luta achavam-se em bom pé. Neste rio. Francisco. Os Holandeses no Brasil. não respeitava as largas distancias que só poderiam ser percorridas com detrimento do exercito. que escolheu como fronteira de seu domínio e de suas conquistas. pelas presas que efetuou. por terra. mandando para o sul.p. onde aconselhou o estabelecimento de uma colônia alemã. Bagnuolo na fuga atravessa S. onde chegou a 27 de março de 1637. Esta perda foi a conseqüência do erro cometido nas fronteiras de S. A insuficiência de documentos dificulta-nos inquirir as causas que suspenderam a marcha de Nassau. era bastante para incitar em Nassau o desejo de levar avante esta marcha. no ultimo dia do mês de março de 1637. a que denominou de Mauritius. se não projeta o ataque o ataque da Bahia em 1638. Bagnuolo manda reconhecê-las por Almiron. ficando assim entregue às mãos inimigas. Bagnuolo abandonou o posto que ocupava em porto calvo. Animado pela vitoria obtida nos dois postos. em uma carta que dirigiu ao seu parente o príncipe de Orange. em suma. sem nada participar a Gilberton. admirando a riqueza do território. a opulência que circunvizinha o grande rio. O terror que se apoderou da soldadesca. fortifivada outro posto. todavia. infundido pelo conde de Bagnuolo. fazendo a derrota para a margem do rio S. edificou um forte. não pôde deter a soldadesca que caiu em debandada. Percorreu-o em distancia de 50 léguas para o centro. não acompanhando mais o exercito fugitivo. Foi esta uma das poucas descaídas que cometeu Nassau. Segismundo Schkoppe. e a convicção do erro. Com a noticia da perda. Francisco. convocou os habitantes da margem sul do rio a passarem-se à outra ribeira acariciou as tribos indígenas. já tinha o exercito fugitivo alcançado descansar.

Cristovão. prestava auxilio a companhia. História do Brasil. 86 E Bagnuolo. em vista das esplendidas vitorias que suas armas iam conquistando em favor do governo holandês. Portugal. Alagoas. de emboscadas. S. Isso é a prova mais visível da fraqueza moral de Portugal. Pedro da Silva ofereceu-lhe o auxilio de sua tropa. Como. o que motivou a demora de Bagnuolo na capital de Sergipe. Estava em sua convicção que estragava o exercito se em completa desigualdade de forças. pois se não pode conservar donde vinha. Bagnuolo poderia resistir em campo aberto à luta? Repudiados seus oferecimentos pelo governador da Bahia. 345 Constâncio. História do Brasil. Francisco e Sergipe. buscavam nos currais de 86 Southey. pelo definhamento do comercio. Francisco sua marcha. Enquanto o governo de Holanda. há um vislumbre de plano e calculo. da indústria. cujo domínio já se estendia a tão largas distancias. realizasse a improfícua tentativa de defender Porto Claro. aguçado pelos lucros. Serlhe-ia mais necessário. Avisa Bagnuolo à corte de Espanha o que ia sucedendo e em oficio ao governador geral do Brasil. pois.Não descansaria em S. todavia. Estes pontos estavam irremediavelmente perdidos. conserva-se onde estava o. da agricultura. neste proceder nesta deliberação de fuga. diz o governador. pela posse de um território de cuja riqueza o próprio Nassau era o primeiro a dar o testemunho. que trazer a Bahia a fortuna de Pernambuco. p. sentia morrerem todas as suas forças ativas. para opor franca resistência no assalto da capital da colônia? E como poderia prever que Nassau. se Nassau não suspende em S. de emboscadas. 91 . pelo compromisso de preciosas vidas. desde que os recursos enviados pelas duas metrópoles eram desiguais. até mesmo do coração da colônia? Se havia justeza de motivos para se lhe imputar fraqueza de ânimo. Cristovão. ficou sob a ação do medo e do terror? Ele. E para restringir-lhes os meios de subsistência que. sucumbiu à covardia? Ou Concebeu o plano de não estragar seu exercito. Op cit II. e iniciar a guerra de depredações. Bagnuolo resolve estabelecer seus quartéis em S. Beauchamps. assacavam a pecha de covarde. para a defesa de Bahia. Sua língua tinha deixado de ser a língua oficial. que certamente seria assaltada por Nassau. nutriria o desejo de eliminar o português. os próprios inferiores. com que poderia enfraquecer as forças inimigas. com mais facilidade. neste sistema de guerra. o que se não pode contestar pelo abandono em que deixou algumas porções do exercito. de fuga. sob a tutela espanhola. O governador recusa o oferecimento de um general sobre quem os contemporâneos. pelos sacrifícios de Gilberton e Almiron e pela recusa formal de oferecer combate à campo aberto. que montava talvez em dois mil homens. em cuja mente não passava a probabilidade do inimigo assaltar a Bahia. que posteriormente tão heroísmo mostrou na defesa da Bahia.

onde se pôs uma bateria sobre uma árvore com três peças de calibre seis91 e do mesmo lado do rio. Francisco. 342. a fim de desalojarem o inimigo. voltou a Recife para encetar o seu trabalho administrativo. A 20 de maio Souto percorre o território circunvizinho à foz do rio. 90 Constâncio Op cit. faz as mesmas excursões pela margem de S. 87 O Capitão Alberto Fernandes é o encarregado de apregoar o bando de Bagnuolo. na margem sul do rio e defronte dela. A cinco léguas acima do forte de Mauritius.92 Bagnuolo. suas operações. Para isso expede diversos destacamentos. resolve expeli-lo de seu aposento e para isso manda convocar os batalhões aquartelados em S. cruza o capitão Sebastião de Souto o rio em jangadas.87 Manda um dos capitães de seu exército. D. Entregando a fortificação em S. o qual não pôde permanecer muito tempo em S. cujo local deve ser o mesmo do curral e fazenda desse criador de gado.107 92 . dando-lhes gado sob pena de prisão. confia a Souto verificar as forças que se vinham agregando. Pernambucano. do qual se desviara para levar o inimigo aos muros de S. a quem tinha chegado a noticia dessa resolução. Alagoas. 88 Dominavam Itabaiana todo o território compreendido entre esta cidade e a de Simão Dias. Só dos currais de Simão dias são retiradas cento e cinco cabeças. tinha o inimigo construído. sob o comando de Johan Gisselingh que devia unir-se à Schkoppe. em vista de uma febre. e que no começo do século XVII tinha obtido sesmaria na Itabaiana. um reduto – Keert de Koe. Op cit p. 105. sem ser apercebido. João de Almeida. Arq. onde morava o célebre fazendeiro do mesmo nome. um fortim de madeira. p. Moribeca e Recife.Sergipe. com quarenta homens e índios. e que nenhuma dúvida deixa no espírito dos fugitivos de um ataque iminente e da superioridade das forças dos seus companheiros. com três companheiros. Do Inst. 89 V. Souto novamente cruza o S. onde mata quinze homens. Francisco ao comando de Segismundo Schkoppe. 92 Barloeus. Francisco a nado. vol. carta de sesmaria de Simão Dias. 91 Ver.89 Daí vem o nome da atual cidade de Simão Dias. João de Estrada. para uma definitiva ação. Além da fortificação de Mauritius. com a presença do inimigo em S.180 pelo mapa de Barloeus verifica-se que esta fortificação fora construída no lugar em que está hoje edificada a Vila Nova. junto à foz. com uma força talvez de 1600 homens e a exploração pelos mares do sul ao almirantado Lichthardt. 106. No mapa de Barloeus vem determinando o local do seu curral. a fim de retirar o gado da capitania para o sul do rio Real. morador em Sergipe desde 1599. Era de alto valor para Bagnuolo pesquisar os movimentos de Nassau em S. cuja fronteira agora não julgava bastante segura. que o atacou. para moverem-se. mata sete dos onze que ele ataca em uma casa. ao entrar a estação invernosa. Cristovão. a 5 de maio. Francisco. transmitir aos moradores de Itabaiana88 sua ordem. e a 26 prende dois auditores do forte Mauritius90. aprisiona dois holandeses. Essa guerra de depredações e emboscadas que Bagnuolo ia realizando em Sergipe. Francisco. manda apregoar um bando.34 p. em virtude do qual autoriza a remoção do gado para margem sul do Rio Real. Francisco. Francisco. Figurava como principal fazendeiro de então Simão Dias. onde mata 50 inimigos. aprisiona um oficial holandês que traz para seu acampamento. do exército holandês. reclama de Nassau sérias medidas.

Os mais destemidos opinam pela luta franca e decidida. para 93 . abrigavam-se à sombra das florestas onde serviam de pastos aos animais. em cujas mãos caiam. saqueadas. A Bahia os recebia agora. Uns. tática encetada. com uma possante cavalaria e uma infantaria de três mil homens. Salvador fechar-se-iam a este exército que sempre trepidou. porem mais prudentes. que augurava para o Brasil um péssimo futuro e preparava-se para debelá-lo. ou distanciados do exército pela marcha que levava. salva a capital. Estas espadas que se embainhavam em Sergipe. justamente quando seus espias. pois. o cansaço. reclamam que já é tempo de suspender-se uma fuga tão desairosa a brios militares. que encontravam devastadas. porém. Cristovão se enrolavam em seus postes. Francisco. deveriam ser desembainhadas para defender os muros de S. seguindo uma derrota. em cujas estacadas ficavam retidos. Camarão. pois. a fim de voltarem às suas abandonadas habitações. nem calcular. o grau de conveniência de suas longínquas conseqüências. outros. toda a coragem deveria potenciar-se. a 14 de novembro. Estes. a probabilidade de um assalto a si. mais calmos e mais políticos. presos pelo cansaço. com estes foragidos de pátrios lares. pois deveria pesar a gravidade do momento. serviam de alimentos aos potiguares em seus festins. Outros. para aceitar do inimigo. sempre quis ser prudente. entregando-se Sergipe à devastação dos inimigos. o Brasil meridional ficaria em Posse da metrópole portuguesa. inspirando-se nos interesses gerais. e sentiam desaparecer da alma desse sentimento de patriotismo. deveriam tremular no coração da colônia.Bagnuolo reúne então seus oficiais em conselho. deixando em pé inferior os planos de uma luta. comunicam-lhe ter o inimigo passado as águas do S. Bagnuolo aceita este parecer e levanta o seu exercito para a fuga. onde figuraram os heróis que posteriormente restituíram à metrópole as províncias conquistadas. arrostando a fome. Henrique Dias. E para onde ir-se. é a força diretora das deliberações. Estas bandeiras que nas ruas de S. Barbalho e muitos outros. cujo fim o espíritos não podiam prever. está a honra dos seus generais. quando as portas de S. A filha de Cristovão de Barros não poderia testemunhar o heroísmo deste exército. que poderia ser desvantajosa à colônia. Antes de seguir. votam que se continue na fuga. renunciavam às garantias de uma recompensa. o civismo é o que mais alto fala. pela miséria. expede diversas partidas a devastarem e assolarem a fogo o território que abandonavam. salvo-condutos. habitadas por animais e índios. manchada por uma fuga. Sergipe não merecia ser o teatro tão importante acontecimento. como Negreiros. mortos pela fome. Lá todo heroísmo deveria ser posto em ação. em busca da Bahia. sempre analisou as conseqüências de uma derrota. nunca lesiva ao sentimento de honra de seus generais? E para onde ir-se com estes peregrinos. para defender-se o coração da colônia. Salvador do fuzil do inimigo. acima das probabilidades da vitória de um exército. para quem a coragem. perante baionetas inimigas. E pôs-se a caminho com os infelizes e míseros emigrantes das províncias conquistadas. com o abandono da família? Outros menos heróis e valentes. por entre a florestas.

que mal lhe dava pelos tornozelos” Brito Freire. nessa sucessão de dores e incômodos. Limitaram-se a efetuar correrias pelos território da capitania. chegaram a 29 de novembro94 à torre de Garcia d‘Ávila. de onde mandam uma fração do exercito para a costa.. o Ciriri. Cit II p. voutou-se e viu uma onça a devora-lo. A destruição encetada pelos conquistados é acabada pelos conquistadores. Conta-se até que. com a miséria e a dor. Percorrem uma zona de Itabaiana até Simão Dias e a serra da Miaba. que 93 “ enquanto a partida fazia alto.a colonização de quarenta e sete anos tinha acumulado. aos caprichos do infortúnio. o Sergipe. nesse tumultuar de angustias que se erguiam de todos os peitos93. o Paxim-Assu. tendo à frente Gysselingh e Schokoppe. seguirem a reforçar o exercito fugitivo. entrega a tudo à destruição de seus soldados. pára ai esperar novas decisões uma nova serie de calamidades e decepções. incendeiam os engenhos e em vez de protegerem os infelizes abandonados. E nesse peregrinar. o pitanga. Os holandeses. 345 94 Constancio Op. daí enviam parte do exercito para percorrer a zona de Itabaiana. desaparecendo uma pequena riqueza. em cujas ruas levantam entrincheiramento sem a menor resistência. atravessam o S. e destruírem a pequena riqueza que um. seguiam o exercito. no intuito do inimigo nada encontrar na nascente capitania. 95 No mapa de Barloeus esta fortificação vem o nome de Houte Wambis 96 No mapa de Barloeus esta ilha vem com o nome de paraúna.quem a idéia de submissão era dolorosa. pelo aspecto do terreno a probabilidade de riquezas naturais. que entregam às chamas a pequena cidade. Francisco. Southey. aqueles cujas forças privaram de acompanhar os seus concidadãos. além de oito mil cabeças de gado que afugentara para além do rio Real. Atravessam o rio poxim. opressiva. e chagam aos muros da cidade em 17 de novembro. logo depois o ouvindo gritar. Francisco. caiu n’ água com o rosto para baixo. que cedo organizada. matara cinco mil. devastam os canaviais e os sítios. com o espírito entregue à desesperação da sorte. em uma incandescência de ódio e rancor. Cit. verificando. Depois de apagarem os holandeses todo o vestígio de vida que ainda restava na capitania. seguraria os interesses já presos ao norte de S. nesse heroísmo que se quebrava na aspereza da disciplina militar. foi uma mulher lavar roupa num regato e depôs o filho numa moita. ficando o vestígio de uma completa destruição nos lugares por onde passaram. voltam para o rio S. Ai fizeram alto.96 o Japaratuba grande pelas suas cabeceiras. 94 . acumulada em quarenta e sete anos de colonização. como o exercito de Xenofonte. Francisco. o Ganhamoroba. ate os areias de onde Santa Izabel e a ilha de Arambipe. sem nela deixar o menor sinal de administração publica. desembarcam na fortificação que tinham defronte do forte de Mauritius. enxotam-nos de seus lares para. afogando-se num arroio. o Comandoroba. afluente do Betume. Poximerim. Cristovão.95 em demanda de S. Op. repugnante. Bagnuolo. Perdidos os sentidos a esta vista.

que expatriados. depois 97 “ forçar é reconhecer que mais fidalga e cavalheirosa se houvera apresentado a restauração de Pernambuco. pois. Não deveriam poupar nem o território onde. teria poupado a Sergipe a calamidade de que foi alvo. na historia. cujo começo já existia. se tivesse rebentado do seio própria província e não do rio Real. Francisco. por um corpo de guardas avançadas. E acreditamos que.97 Não só deixa de pesquisar Bagnuolo. com poucos pés de profundidade. ficando indiferentes às garantias futuras que a ocupação de Sergipe oferecia aos outros pontos já ocupados. Sergipe representa. intenta uma invasão no coração da colônia. Francisco. E tanto a verdade esta nestas considerações. durante sete meses. não lhe deveria ser indiferente que a realização de tais medidas seria contribuir poderosamente para a perpetuidade de seu governo. tudo lhes inspirou ódio e vingança.p. A invasão holandesa em Sergipe não foi presidida. com a organização de uma administração que zelasse pelos interesses dos infelizes. durante sua estada no rio S. em 1637. entretanto. três mezes antes. que obedecesse a outras leis mentais e morais.108 95 . promovendo a colonização de Sergipe em 1642. com tanto maior garantia para segurança da colonização holandesa. por um espírito político. dando descanso em Sergipe . testemunham as riquezas dos pastos de criação de gado. 8º p. como em virtude destas exigências de Viera . que como diz o padre Vieira era os ossos da guerra e pelo seu valor e experiência digno de ser venerado como relíquia98. com uma difícil navegação para a entrada de grandes esquadras. pois. não lhe tira a oportunidade de testemunhar as riquezas naturais da capitania. desde Santa Maria até os areais de Santa Izabel. como veremos adiante. tomando-os a sua proteção. estabelecendo entrincheiramento no rio Real e ascender à vida social. 261 98 Sermões T. Vigiado o limite meridional de Sergipe. que sempre guiou o representante dos Oranges no Brasil. repelindo de Sergipe os restos do exercito pernambucano. quando nos impossíveis. tornar-se-iam. em vista das barras dos rios navegáveis. nas margens do rio Real. Viajam pela costa oriental. para a organização de uma nacionalidade no Brasil. pelo menos. nos sete anos de governo.deveriam ser exploradas. pois. quanto não estavam inoculados na sociedade de Sergipe os maus antecedentes da raça colonizadora. Não lhe deveria ser indiferente fortificar Sergipe. como. não puderam fugir. Muito mais difícil tornar-se-ia o assedio do forte Mauritius e das outras fortificações que os holandeses já tinham levantado no território de Alagoas e ao sul de Pernambuco. onde tirariam o alimento para a província conquistadas. descansou Bagnuolo. se a molestai que lhe atacou as forças. muitos difíceis as invasões portuguesas no rio S. o escolho do ilustrado conde. até a Bahia. desde o litoral ao sertão. veio a suceder” Porto Seguro. se ele faz parte dessa expedição. levantou-se o primeiro grito da revolução. que Nassau que retificar o erro de 1637. Ai perpetuaram-se os efeitos dos seus três graves erros que tanto contribuíram para a decadência do domínio batavo no Brasil. Os Holandeses no Brasil.

apresentava-se poderosa. desde 1637.. 99 A criação de gado era tão ativa em Sergipe que. em um pé de sofrível adiantamento. Eis seus três erros: Sergipe foi a bola com quem Bagnuolo saciou sua sede de vingança do exercito holandês. os holandeses mataram três mil além das que conduziram para suas fortificações. Op cit. distribuídos por toda extensão do seu território100. e estabelecimentos de mão morta para provarem à posteridade a sua existência. à qual deixava duzentas vacas parideiras em dois currais. Cristovão já tinha cem fogos. a influencia destes erros. para ir organizando um começo de lavoura e ostentar já a profissão pastoril. do cart. Brito Freire § 802-9 Barloeus. o presente dado a Nassau para o aparato de seus triunfos. que a seus ensinamentos achava-se entregue. a fim de acudir às necessidades públicas e socorrer os pobres e doentes do exercito de Bagnuolo. cuja localização.99 Sergipe já contava então quatrocentos currais. pela ausência de proteção da capital da colônia e da metrópole. todavia já tinha espalhado pelo território da capitania uma população bastante laboriosa. segundo o mapa de Barloeus. é onde hoje esta edificada a vila de Pé de Banco. em favor da Santa Casa. e S. Os Holandeses no Brasil p.II. entre os rios Seriri e Ganhamoroba 101 Southey. a braços com as dificuldades. vai cumprir uma verba testamentária de seu pai Belchior Dias Moreya. criadas pelo domínio espanhol. de sua vaidade militar.. e ver elle dito rubelio dias a dita casa da santa mizericordia muito pobre e particularmente de ter tomado o inimigo a capitania a enfanteria a ordem do conde de banholo e não haver na dita casa com que se pudesse acudir aos pobres do exercito e retirados.” (Liv. a colonização de Sergipe. na edificação de capelas. a 20 de setembro de 1637 para o cumprimento de uma verba testamentária deixada por seu pai Belchior Dias Moreya a favor da santa casa. deixou de promover. além das três mil cabeças que Bagnuolo destruiu e conduziu para além do rio Real. 343 102 Porto Seguro. que institui-o como administrador de seu morgado. 15 103 Na escritura pública passada entre Rubélio Dias e os irmãos da Misericórdia de São Cristovão. oito engenhos de fabricação de açúcar. não só pela diversidade de suas ordens religiosas existentes --. cit p. Era capitão-mor João Rodrigues Molenar.103 A idéia religiosa que era a idéia dominante e que tinha dado à classe clerical o papel mais proeminente no movimento social. E Rubélio Dias. lemos o seguinte : “ . De órfãos de São Cristóvão. no próximo capítulo.O.63 100 De entre os currais figura o de Camarão. Melhor apreciaremos o papel de Sergipe na decadência holandesa.de ser o primeiro a fornecer-lhes forças. de not. A administração publica vigiava interesses gerais e o movimento colonizador. p. perante o provedor e irmãos da Misericórdia. uma misericórdia e dois conventos101 e a sua recita subia a mais de 624$000.102 O sentimento de caridade e o sentimento religioso já tinham levantado templos. ainda que não muito próspero.. de 1635-37) 96 . a 20 de setembro de 1637. na direção da sociedade.como pela ostentação material de sua força.os carmelitas. os jesuítas e o clérigo secular --. natural do Rio Real. finalmente..

arrodeado de pompa e riqueza. a dos capuchinhos. 106 V. trazia embaraços ao progresso colonial. que como conseqüência natural. onde edificaram um suntuoso templo. o clero em Sergipe. carta de sesmaria dos padres de S. provavelmente onde está situado hoje o povoado do Brejo Grande. onde hoje está a vila do socorro. Cit. A favor da classe sacerdotal distribuía-se os recursos públicos e particulares. Gonçalo.Acreditamos que os dois conventos existentes eram o colégio dos jesuítas e o do Carmo em S. carta de sesmaria dos carmelitas. Cristovão na Ilha dos Coqueiros. que se manifestava por três ordens religiosa e pelo clero secular. na margem direita do Cotinguiba. S. Depois transferiram-no para a cidade . de quem trataremos adiante. a de Itaperoá. gerou o falso espírito aristocrático. de acordo com a classe do governo. Bento 107 Frei Jaboatão. S. de reverência. Submetemo-la ao nosso parente Baltazar Góes. que ali edificara uma capela.105 tendo sido precedidos pelos capuchinhos em 1603106. ligando toda a importância à manifestação externa desse culto. com a proteção e prerrogativa de desviar para si grande parte da riqueza publica e particular. § 540 p. em favor das ordens. seriam causa de maior prosperidade. Poderosamente isto contribui para caminhar lento da população e para um desequilíbrio na distribuição da riqueza. a de S. op. Só muito posteriormente vieram os franciscanos. de Souzaria. a de santa Izabel. Francisco. abriu uma linha divisória entre as classes. em cujo frontespício vimos a seguinte inscrição ZELO ZELATUS SVNPRO DNODEO. incutido no espírito popular pelo clero. plantou no espírito público as idéias de superstição. na mesma margem. a de N. 105 V. provavelmente onde se acha edificada a cidade de Laranjeiras. por meio da proteção do estado e dos legados testamentários. Já nesse tempo tinham levantado monumentos à sua religião. que lhes foi doada por um devoto. Compreende-se facilmente que o domínio do sentimento religioso. contamos a capela de Stº Antônio. que deunos a seguinte tradução: A piedade cristã dedica este templo ao seu Senhor supremo. Gonçalo junto à cidade de Sergipe. a de S. ficando as famílias espoliadas voluntariamente de sua riqueza. ficando assim privadas as outras classes de utilidades que equitativamente distribuídas. junto ao engenho do mesmo nome. de inquirição. com a incumbência de ensinar a nova geração e der ser o órgão da opinião nos púlpitos e confessionários. nas margens de S. vê-se que o seu primeiro convento foi em S. do Rosário. de levantar um culto com aparato. de protecionismo. em 1657107. 585 97 . onde havia uma capela. de pesquisa. Cristovão104 que aos carmelitas tinha sido dado por um devoto. traria o desequilíbrio na distribuição do poder. Gonçalo próximo à S. Com uma ascendência completa sobre o movimento social. seguiram-se a eles os carmelitas em 1618 ou 1619. onde 104 Pela Sesmaria dos carmelitas na nota seguinte. no povoado hoje do mesmo nome. Tendo os jesuítas se estabelecido desde 1597. em Comandoraba: a de Stº Antônio junto ao rio Jacaracica. aplicando-a aos interesses próprios. a de N. eliminando todo o espírito de análise. Guiando-nos pelo mapa de Barloeus.

por 200 cruzados. como o acúmulo de riqueza em favor do clero. além dos templos da cidade de S. Não obstante minguados e pequenos seus recursos. de not. no tempo de sua vida nas ocasiões de guerra e mais cousas que de serviço do dito senhor se offereceram. Eis o estudo de Sergipe. O primeiro passo de civilização.chamam hoje Igreja Velha.109 com uma pequeníssima remuneração dos empregados públicos. Citamos aqui o texto referente a isto: ”. De 1635-37. um porção de terra . pois. eles tinham de servir para o alimento da aristocracia que se gerava. e nas suntuosidades dos templos retratavam-se não só a tendência teocrática que.. deveria. inteiramente contrários a liberdade popular. que hoje tanto nos oprime (1887) e que a vida de três séculos fornece eloqüentes exemplos. os irmãos Antônio Barbalho e Manoel Lopes Barbalho em escritura pública de 19 de Outubro de 1937. liv. reverente e tímida. Arrendava-se um curral. 98 . cada vez mais. ficando a classe popular a ser o alvo dessa espoliação. quando se deu a invasão holandesa. era. a classe popular tinha de contribuir para a pompa e esplendor do culto. com um baixo salário.. Encontramos em nossas buscas uma nota de um registro de um carregamento em um navio. levantou-se o espírito religioso. que em Sergipe se dava. Pelo mesmo documento vê-se que Antônio Barbalho. Cristovão. de mil braças de largura sobre três mil de comprimento. por bem do que perante mim tabelião e testemunhas adiante nomeadas. Ela sem iniciativa. 8$000 anualmente. a do almoxarife cinco mil. um vaqueiro alugava-se para reunir todo o gado do dizimo a 12 vinténs a cabeça e 17 os que pertenciam ao dizimo da Bahia. ficar inativa. com uma grande extensão territorial. hábitos que posteriormente haviam de ser a causa de uma organização social defeituosa. por duzentos cruzados (80$000). presenciando os exemplos de aristocracia. aos princípios democráticos. Antes de levantar-se o espírito da lavoura. Neste tempo (1637) já exportava-se algodão. João Lopes Barbalho e Manoel Lopes Barbalho são filhos de Gaspar de Carvalho e Clara Barbalho. mais tarde. 110 Durante a estada de Bagnuolo em Sergipe. trespassaram ao seu irmão o capitulo João Lopes Barbalho. Paupérrima pela insuficiência de recursos. 109 Segundo os códices que folheamos do começo do século XVII. pois vendia-se uma zona de terra de mil braças de extensão sobre três mil de largura. em obediência à ação dos hábitos. tomou maiores proporções.108 com um valor territorial nulo.110 108 Neste tempo foi vendida por Antônio Barbalho Feio a Marsal Maciel. como também eram herdeiros de todos os serviços que o dito seu pai em sua vida avia feito a sua majestade. supersticiosa. disseram que trespassavam como de feito deram e transpassaram ao dito seu irmão o capitão João Lopes Barbalho para que elle para se requeira ou mande requerer a Sua Magestade e delle se aproveite das mercês que por este repito lhe foram feitas como se fora o próprio seu pai por quanto delas desistiam e a renunciavam no dito seu irmão deste dia para todo o sempre virem como também desistiam dos serviços de um irmão seu por nome Gaspar Barbalho que morreu as mãos do inimigo holandês na batalha derradeira que com o inimigo tiveram na vila do porto calvo”. Um negro custava 36$000 um boi 4$000 e a fiança para tesoureiro das fazendas e defuntos era de mil cruzados. tabaco e açúcar para a Bahia. junto à cidade de Itabaiana. todas as regalias dos serviços prestados por seu pai em favor da metrópole. que era a característica da época.

111 abandonado dos conquistadores dos fugitivos. com esquadrões de cavalaria e infantaria. sem se lhes preparar habitações seguras. 111 “At. Estas. 112 Os argumentos apresentados para abandonar-se o plano da colonização de Sergipe venceram. Quod reliquum erat pecoris. de onde não se podia desfalcar forças. fizeram da capitania um deserto. triste sui vertigium reliquere. et in Sanctorum sinum propulsis. pelos conquistadores e fugitivos. Haec bellis vastata. quanto a Bahia não se achava preparada para uma luta como o exército como o de Nassau. sob os esforços dos primeiros colonizadores.CAPITULO V DOMINIO HOLANDÊS EM SERGIPE. noticia tanto mais contristadora. no Brasil. e durante os quais o exercito holandês.. em busca de subsistência. Nesse abandono permaneceu desde novembro de 1637 até julho de 1639. de onde desapareceram completamente o trabalho agrícola e atrasada vida administrativa encetada e mantida. 536. ut ab rarionem capturam. que Bagnuolo julgava iminente. Foram quase 2 anos de morte. e os males dessa resolução não se fizeram esperar. op. vel hosti vel nobis vel trigidum vera citatem cessit. tão favorável á prosperidade do governo holandês. colocado no forte de Mauritius. razões contrárias se levantaram e bastante poderosas abortarem esse grito de iniciativa. apelando para as grandes despesas que arbitraram em 150 florins. p. isentas das destruições inimigas. servia agora de alimento aos tigres. conduzindo o gado. Cit.. p. Ainda que algumas vezes se levantassem em favor da colonização de Sergipe. continuou nas correrias. usqueo adeo. cuja administração não daria tempo ao superintendente vigiar as baixezas.que ao chegarem a torre de Garcia d‘ Ávila espalharam o medo e o receio de um ataque á cidade do salvador. incolis dilapsis. DOAÇÃO DA CAPITANIA Os saques e devastações de que foi alvo Sergipe. encetando a colonização. Ainda mesmo que se conseguisse colonos. que não deveria ficar abandonada. Cit. 535. O espírito batavo não se deixou dominar por nenhuma idéia de reconstruir as forças da capitania. quando a Bahia manda um reforço para ficar destacado em Sergipe. que salvo da vingança dos fugitivos e da cobiça dos conquistadores. Barloeus. eles não podiam dar vida a um processo de reorganizações. Sergipe não morreu a atenção da capital da colônia. 99 . que se deveria colocar na província. op. rarum venatore adeatur”. contra a vontade dos naturais. 112 Barloeus. Pelas florestas encontrava-se um ou outro caçador. Pelos seus campos pastava o resto do gado. levaram á convicção de abandonar-se o plano. o interesse iníquo e as explicações dos selvagens.

externado em sua correspondência. era suficiente para inspirar-lhe a desistência do plano do ataque. A exigência da companhia. Não conceberia. juntamente com as câmaras. que acremente o censurou por abandonar Sergipe. Esta. Os holandeses no Brasil. Aquele exército que tantas vezes deu-lhe as costas. cansados e famintos nas ruas de S. até os muros de S. consertar um plano político. 170. O que não sucedeu. Porto Seguro. p. em favor dos interesses da companhia. plano que não devia ser concebido e logo posto em prática. Excussão perigosa. realizando agora (1638) aquilo que já deveria ter feito. da qual esperava um próspero resultado. Cristóvão. Auguste de Qvelen. Brieve Relation de l’Etat de Phernambocq. se Sergipe não tem sido abandonado. C. alegre. que nem a menor resistência encontrou. Foi esse o primeiro desastre de Nassau. provocando isto ainda haver déficit em suas especulações. ativar a vida das capitanias. mostrando as garantias do comércio livre. foram enxotados pelo o seu exercito vitorioso. em1637. de que por um pano de interesse geral. em vista da boa estrela que o guiou desde Porto Calvo a S.637.de Paraíba a Sergipe. são os meninos que na Bahia em 1638 gritaram a vitoria perante suas armas e suas esquadra. e sim longamente discutido entre os membros do conselho. em demanda do recife. comme anniva a Cannes”. aqueles soldados estropiados. concede o plano de atacar Bahia. ainda não salda das despesas feitas. que se achavam sob seu domínio. na realização do qual as novas e grandes despesas acumulavam-se. tratando de zelar os interesses. etc. quer reivindicar para si todo o monopólio do comércio do Brasil. que de direito pertence à história sergipana registra e cuja influência sobre os acontecimentos exteriores tem sido olvidada pelos historiadores pátrios.Nassau. Not.. em vista da concentração das forças. por que talvez lhe parecesse um bando de crianças tímidas. é que essa excursão foi mais motivada com o fim de apagar um desastre. em cuja consciência pesava a convicção do erro de não ter seguido bagnuolo. Amsterdam. o mesmo da companhia. Cristóvão. 113 “Le Comte de Nassau aprés avoir pris Porto-Chaves se reprochait de ne pás être porte sur Bahia. destroçando as grandes forças de Rojas quiseram o conde holandês remediar uma falta. Sabendo das desinteligências que se tinha levantado entre o conde italiano e o governador da Bahia. O que queremos tomar bem patente é que sobre o movimento bélico de 1. e em cuja pesquisa não quis continuar. 17. 100 . que ele mesmo tinha sido o primeiro a consentir. a guerra á Bahia foi o primeiro resultado do erro cometido em Sergipe. Chez L. 1640.638 influíram os acontecimentos dados em Sergipe em 1. que derrotada abre aos ventos as velas. Com ela. quis retificá-lo e diminuir seus maus efeitos. o que fez em abril de 1638.. Salvador 113. Já era mais que suficiente a largar extensão de território que o seu domínio ocupava. que motivou-lhe um grande incômodo de espírito. contra a qual Nassau se opõe.

enviando para S. p. Em suma. Efetuou então Luiz Barbalho a gloriosa marcha de quatrocentas léguas do rio grande do norte há Bahia. que também já tinha sido despachado para Sergipe114. 114 Não sabemos quando João Magalhães teve ordem de marchar para Sergipe. ao capitão João Lopes barbalho fortificar e ocupar Sergipe.Continuou Sergipe abandonando. em 31 de julho de 1639. Rev. em busca de gado. até quando o conde da torre assumiu o governo da colônia. Eis as do governo central. Não contente Nassau com os destroços do inimigo. Privar que tropa algumas passe o teatro da guerra. como realizá-las fielmente. manda pesquisar os portos do sul. para transmitirem-lhe todos os movimentos. os velhos e os doentes. Vigiar sobre os interesses dos habitantes. Pernambuco número 34.116 Tendo ido o almirante lichthardt à Bahia. 115 Carta de D. 101 . Provavelmente aí ficou. Vindo como plano de atacar Pernambuco. currais e incendiarem os canaviais. mais de emboscada do que de peito aberto. por escrito. As ordens eram expressas para arruinarem todos os engenhos. Do Inst. holandeses no Brasil. vigiar os inimigos e transmitir a Bagnuolo. Uma contra-ordem. Opor-se as correrias holandesas. que ficara comandado as tropas em S. João Lopes barbalho encontros sucessivos com esquadrões holandeses. em abril de 1640. camarão e Henrique barbalho. Não nos pertence apreciar a falta de tino do conde da torre no ataque intentou a Pernambuco. Nassau manda o coronel koen. quando veio com Sebastião do Souto. assim como a infantaria e soldados do capitão. Arq. com 100 infantis a quem devia reunir-se o capitão João Magalhães. sem ordem sua. Deverá vigiar todos os passos do inimigo. uma guerra de índio. atacar camarão e Magalhães. sustentaram diversas refregas e continuavam sempre a devastar tudo por onde passavam. por meio de espias colocadas além do S. que recomenda-lhe não só escrupulosa atenção as ordens do governador. na torre de Garcia d’Ávila. Francisco Mascarenhas ao Capitão João Lopes Barbalho de 31 de julho de 1639. deixando em Sergipe o mulherio. 116 Porto Seguro. manda barbalho passar o rio de S. 34. Os terços que vagavam pelo sertão de Sergipe.mor D. não consentido os agravos que lhe possam fazer os negros e os índios. os planos de Nassau. recebendo posteriormente as cartas de seu tio Luiz Barbalho.115 Eis as ordens com que manchou barbalho para Sergipe. justamente com camarão. Francisco. de 17 de novembro. no rio real. e com a ordem de seguir Jol em julho para a ilha de cuba. em 1639. comandados por Luiz barbalho. Francisco. Antonio Felipe camarão e o governo Henrique dias. setecentos soldados e duzentos índios. O grande reforço militar que o grande governo tinha trazido permitiu que pudesse colocar alguma força em Sergipe. do qual resultou a derrota para a sua aramada e exercito. Francisco. despacha para o norte Vidal e camarão e incumbe. era uma guerra de emboscada. p. Francisco o almirante Cornélio Jol com oito navios. 210. Expressamente ordena a Barbalho que use de todo ardil nas lutas.

119 Mello. 120 Porto Seguro. Cit. Agostinho barbalho121 bezerra. era o resultado do erro cometido por Nassau de não se ter convenientemente fortificado na capitania. o alferes Antonio Martins palha. em que estará fortificado. Cit. para aí deveria Nassau convergir sua atenção. que durante cinco meses trabalhou na edificação das trincheiras e fortificações. 102 . op. 162. foi a conseqüência dos acontecimentos aqui desdobrados em 1637. 117 118 Biogr. Cit. Caía em 1640 novamente Sergipe sob o domínio português. filho de Luiz barbalho e muitos outros. além dos acima mencionados. como um importante reduto. p.119 E no dia 1º de agosto obtêm a mesma vitória nas ruas de s. a recuperação de Sergipe em 1640.. II. 158. que foi o primeiro sintoma da decadência do domínio batavo no Brasil. 152. 121 Mello. assegurando-se novamente do ponto. p. 151. II. Op. todavia enfraqueciam-nas. Francisco de Moura. vem o general D. e as desbaratou. o ajudante Domingos Moreira da silva. que saiu ferido. p. recebendo muito mais auxilio da companhia do que a colônia portuguesa de sua metrópole deveria fortificar a província novamente conquistada.. Nas lutas travadas no rio real e na capital de Sergipe. Cit. p. onde fica prisioneiro o major van den Brande120.118 Satisfeitos os ânimos pela vitoria obtida. II. que as rompeo. com o que largaram a campanha. 143. 138. o capitão Marcos de oliveira. De Mello. op. distinguiram-se. op. p. Dessa incumbência foi encarregado o mestre de campo D. as seguintes expressões: E marchando. op. o tenente Manoel de Azevedo da silva. Mello. privando assim essas correias de caudilhos. como extremo de seu domínio.onde ficaram fortificados por ordem de Luiz barbalho. Porto Seguro. 152. que mereceram louvores de seu rei. Durante este período de tempo. que se achava então fortificada pelos holandeses.. onde agora concentrava-se as forças portuguesas e por conseguinte de mais fácil assédio. na Bahia. intentaram atacar a capital de Sergipe. 212. o capitão Francisco pereira Guimarães. Se a derrota de Nassau em 1638. I. Cit. auxiliado por Luiz Barbalho e João Lopes Barbalho117 e destroçou as forças holandesas colocadas no Rio Real. que se fizeram no rio real. Por isso mesmo que se achava Sergipe mais aproximado do coração da colônia. II. em provisão de 7 de dezembro de 1663. 212. João de Souza. investiu com tanta resolução as suas fortificações. 160 e 180. a desalojar o inimigo do rio real. Chegando a noticia a Bahia. Cristóvão. matando-lhes mais de trezentos homens. logo que chegou a Bahia. a quem reuniram-se as forças já postas no rio real. desde 1637. Nesta peleja o heroísmo de Luiz Barbalho foi tal a merecer do monarca.. Os dois caudillho não puderam levar vitória e tiveram de ceder o posto. 148. que se de frente não dizimavam suas forças. o alferes Francisco de Figueiredo.

mesmo debaixo deste plano. A fração inimiga não teria a seu favor as oportunidades para sustentar. com reforço de Quatro barcos. desde o começo de 1641. ser seu sentinela. traria uma de alto valor: vigiar o inimigo. para continuar-se nesse plano de guerra. E tanto Nassau compreendeu a desvantagem de ficar Sergipe fora de seu domínio.Quase que sem interesses mais presos ao norte. obedecendo aos seus próprios recursos. que seguia uma vida autônoma. Porto Seguro. achar-se-ia em muitos maiores dificuldades em descrever itinerários mais longos. comunicando-lhe um importante acontecimento da emancipação de Portugal e que esperaria começar entre Portugal e os Estados Gerais ―aquella paz e união com que sempre se trataram‖. Reunir-se-ia a esta dificuldade o encontro de hordas selvagens. a si enviados do Recife. de emboscadas. que os Portugueses fossem considerados como amigos. que. 227. que. op. 224. Qualquer trégua estabelecida nestas lutas. não obstante o entabulamento de tréguas. e que se afugentavam para o ocidente. fazendo ai entrincheiramentos. para comunicá-los ao governo. Andréas. Nassau manda que o comandante das tropas de S. Talvez não sucedessem assim. com respeito aos holandeses122. 103 . do zelo pelo direito de posse de sua nação. não obstante. tomar Sergipe até o rio Real. em que estavam os dois partidos. E quando. em vista do sentimento de patriotismo. florestas virgens e espessas matas.123 122 123 Porto Seguro. durante mais de um ano. não obstante cartas de Montalvão de 2 de Março do mesmo ano. que não pareciam de dois povos.. fizeram de Sergipe um posto de guardas avançadas. 117. Sergipe serviu para animar e sustentar esse espírito de emboscada. quando reais vantagens não lhes trouxesses. não obstante a ordem dos Estados Gerais de 13 de Fevereiro de 1641.. Calado. em conferência com os conselheiros Theodoro Codd van der Borch e Nunin Olfers. uma atividade que chegou a ponto de recuperar a capital da capitania. se não em maranhão. um efeito salutar operou-se nos espíritos pela recuperação de Sergipe. dispondo outro tanto. e não desanimar o espírito de revolta. adiantados em certo grau de civilização. a animação. op. e tentar ataques. Além disso. cedo. um ponto de pousada. de guerra. se. que a colonização portuguesa não tinha ainda aproveitado. da Gama e a ordem para recolherem-se os campanhistas e guerrilheiros que continuavam a saquear e a incendiar e vir ao Recife Paulo da Cunha Souto Maior tratar de suspensão das hostilidades e ressalvar o direito de cada uma das partes. p. e sim de hordas selvagens. por sertões inóspitos. acompanhar seus passos. os portugueses neste período de guerras depredatórias. a restituição dos prisioneiros holandeses por Pedro Corrêa. por maio de carta régia de 20 de março. de guerrilhas. do rio Real até seus limites ocidentais. Nassau autoriza a sua fortificação. Francisco. qualquer interseção desse movimento traria uma defervescência nos espíritos. pela devotação aos interesses de seu rei. Cit. p. quisesse o português não desistir de protestar contra o pouso holandês. Cit. não obstante tudo isto. correspondendo Portugal a essa declaração.

vindas da Holanda que. com grande surpresa dos habitantes de S. Convicto de que a separação de Sergipe do seu domínio poderia trazer desvantagens. As condições mudariam. Perante os interesses que visava em favor dos Estados Gerais. das quais poderia resultar um rompi· mento de pazes. A suspensão das hostilidades não poderia ser fielmente mantida. arvorando bandeiras de tréguas. tão juntamente unidos. em que sua palavra. sem um centro populoso. pois. Francisco. entra Andréas pela barra do Vaza-Barris. rompia um pacto. em virtude do qual a cessação das hostilidades só deveria começar. quando fosse apresentada a ratificação do mesmo tratado. Se o erro de 1637 de Nassau foi a causa do seu insucesso em 1638 na Bahia. pela proximidade em que ficavam dois povos. desconfiança que foi a maior causa da revolução pernambucana. dignidade e honra comprometeram-se. oficialmente podia justificar-se com o artigo 8º do mesmo tratado. Em 1641. animavam e promoviam. com a sua esquadra. contra a expectativa geral. não promover a colonização em Sergipe. até a ratificação do tratado. Sem a menor oposição desembarcaram. com a recuperação de Sergipe e o assédio de Angola. compreendendo a segurança da posição que aí tinha o inimigo. pois. Não obstante adiante apreciarmos devidamente o valor desta causa. se na Europa dava uma mão amiga a Portugal. colocandose a linha divisória em S. Levantam na barra uma notável fortificação e encetam suas pesquisas de minas por Itabaiana. muito próximo de sua fronteira em S. que Nassau. pouco se importou que a posteridade apontasse um momento de sua vida. foi uma poderosa causa da decadência do domínio batavo no Brasil. muito prováveis entre dois povos. pois. 104 . onde os interesses não podiam ser convenientemente zelados. a grande extensão inabitada entre este rio e a capital da colônia. e tornava-se agressivo. na América mandava que se realizassem agressões. apoderaram-se da cidade. esqueceu todos 'os preparativos 'de tréguas.Não era em obediência às sugestões. de antecedentes históricos e hábitos tão diversos. fechando os olhos às probabilidades de uma paz. antecipamo-nos em dizer que o procedimento de Nassau em 1641 plantou a desconfiança entre aqueles com quem entabulava pazes. para tornar-se agressivo. Francisco. perante os portugueses. em 1641. se ela fosse colocada no Rio Real. dizemos. que na mesma ocasião autorizou. com que largamente tinha comparticipado. convencido de que essa proximidade entre eles não era suficiente pala manter um zelo recíproco de interesses. privaria pequenas guerrilhas e as questões de jurisdição. considerava a emancipação portuguesa puramente transitória. que ainda não se tinha dado. que todos os espíritos. Cristóvão. Havia de dar-se uma absorção por parte daquele que maior força mental possuísse. retomando Sergipe. É esta uma brilhante verdade da história sergipana. não era em obediência a sugestões.

prometendoIhes obedecer á todas as suas ordens. de uma parte. especialmente para a boa manutenção da policia e justiça. ou no futuro por alli introduzida. primeiro que tudo. Francisco. com Theodoro Codd van der Borch. op. e não reconhecer outra authoridade suupenor. que não sejão os agentes e os subditos das Unidas Provincias Neerlandezas. e da outra parte. fez com que Camarão não pudesse sustentar o cerco por mais tempo e em 28 de fevereiro de 1642. redigirem em latim tudo quanto se pactuasse com os emissários da Bahia. conformar-se-hão com a ordenança politica vigente no paiz. 126 Porto Seguro escreve Nunin Olfers 105 . acampando bem a frente dela. com a retirada dos soldados napolitanos. A bondade do Dr. Entretanto. com a extensão e limites que adiante serão declarados. e fazendo o contrario: incorrerão nas penas que o direito commum commina aos violadores da pública tranquilidade e obediência civil.126 conselheiro político do Conselho de justiça do Brazil. A insuficiência de força do exército português.9. que ficou em cerco.Sabedor deste fato de agressão." 1 "O dito Sr. que se achavam em guarnição. sujeito á confirmação da Assembléia dos dezenove e á aprovação dos Srs. para haver em propriedade como feudo perpetuo e hereditário. 124 125 Soutey. José Hygino Duart Pereira devemos a leitura de tão importante documento. abjurar e considerar como inimigos o rei da Hespanha e seus adherentes. Cit. Estados Geraes das Províncias Unidas Neerlandezas. foi tão mal recompensado pelo governo brasileiro que nenhuma vantagem e utilidade descobriu em buscas históricas. prestarão Juramento de obediência e fidelidade ás suas Altas Potencias e á dita Companhia. Oliferdi e os seus colonos. povoar e cultivar as terras e lugares da capitania de Sergipe d'EI-Rei si ta ao sul do Rio S. não ter correspondência com potencia ou príncipe estrangeiro algum. Eis a doação: 125 "Accordo provisorio concluido. Os holandeses não podiam buscar munição pelo território da capitania. Nommo Oliferdi." 2 "Outro sim. tão covardemente conquistada. e os nobres senhores do supremo e secreto Conselho do Brazil. entre S. aquele mesmo a quem Nassau tinha encarregado. e não tratar ou contractar por nenhum modo com outrem. o Sr. em 1641. III p. senão a que é guardada no paiz. recebiam a que por mar lhes vinham124. Exas. ou no futuro por alli introduzida. o governador da Bahia encarrega a Camarão visitar a cidade. o supremo Conselho faz doação da capitania de Sergipe a Nunin Olfers. As pesquisas nos arquivos da Holanda de tão ilustrado professor deve a história da pátria o conhecimento deste e outros documentos. e não observarão outra ordem sobre a policia e justiça. especialmente para a boa manutenção da policia e a justiça. senão a que é guardada no paiz. 8.

por todos os meios possíveis os negros que estiverem em seu serviço. dará fiança à companhia. em que se costuma devidamente observar o culto divino. afim de que. algumas das ditas pessoas não as poder pagar. passa porte para as referidas terras e fará transportar em seus navios as mesmas pessoas com os seus séquitos e moveis. e antes pelo contrário.‖ 4 ―Guardarão os domingos e os dias festivos. em que segundo a ordem da Igreja chistã. Si porém. com toda a brandura. procedendo assim . em attenção ás suas famílias ou occupação em que elles quizerem empregar-se. o referido Senhor designará e distribuirá aos colonos. e com toda a devoção. e á cada uma dellas. punível pelos magistrados. expressamente será prohíbido que se offenda o santo nome de Deus com juras e blasphemias. honrado comente facão aqui prova bastante de seu estado.‖ 6 ―A companhia concederá à todas as pessoas. uma vez que primeiramente facão aqui prova bastante de seu estado.3 ―Não praticarão. bem como as provisões que lhes forem necessárias para uma anno. que depois e mais circumstanciadamente serão determinados. que ―quizerem‖ do mesmo modo que d‘antes. a Companhia dará um bilhete de consentimento. em paz. à porção de terra ou terreno (urbano) que lhes for necessário para sustentar e manter a si. se celebra o serviço divino. e não os tratarão deshumanamente. e. passar-se ao Brazil para ahi morar e permanecer. no conhecimento da verdadeira religião chistã e pratica desta. 5 ―Porão todo zelo e diligencia em instruir. obrigando-se a idemnisal-a nos devidos prasos. não os encommodarão com trabalhos nos domingos e outros dias festivos. de accôrdo com este. evitando as bárbaras cureldades dos Hespanhoes e Portuguezes para por estes meios attrahirem os referidos negros à religião e dar-lhes modos civis. grangeem para suas famílias e colonos as fecundas bênçãos de Deus. 106 . pagando ellas as comedorias. e as respectivas familias". e vivão entre si. nem consentirão que publicamente seja observado outro cultu senão o que por pública authoridade for permittido observar no paiz.‖ 7 "A cada pessoa que deseje partir para ahi. honrado comportamento e profissão. e assim. fazer-lhes alguma moléstia ou deixar que a facão. não será lícito aggravar em sua consciência aos que forem de outro sentimento. salvo si por esses taes for dado algum escândalo publico.

o que se entende. terrrenos. e mais pagarão a quarta parte das despezas adiantadas pela Companhia. os moradores pagarão a decima parte dos fructos que produzirem ou de outro modo grangearem. excepto o de qualquer gado vivo miudo." 10 "Nos logares onde morarem. mas não assim do gado grosso. exercer somente os outros officios. de modo que. cavallos." 107 . no sexto anno se ache inteiramente amortizado o dito adiantamento. ou proximos. como bois. sem opposição. afim de proverem-se da necessaria plantação para o sustento de suas famílias." 12 "Tambem comparecerão em juizo nos lugares proximos situados. serão obrigados a fazer guarda e tomar parte em todas as sahidas. obedecerão ás sentenças dos juizes. para o qual fim cada homem será provido de um arcabuz ou mosquete de calibre ordinario da Companhia e arma branca á sua custa." 9 "Tendo expirado o praso d'este privilegio. bem como servirão os outros cargos civis. ou sejão authores. ou réos." 13 "Não puderão ter manufacturas. a contar da data da tomada de posse.. e durante os dous primeiros annos. como é costume nas cidades e povoações sem poderem por modo algum escusar-se. e em qualquer occurrencia cuidar da propria defeza. etc. ou casas. mas. ficarão inteiramente isemptos de pagar á Companhia. para tecer o panno ou a lã. além dos outros." 11 "E succedendo que por alguma necessidade ou outra rasão se ache conveniente. que não se cobrará. depois de expirar o praso da dita inspeção.8 "Os colonos haverão em livre propriedade essas terras. os moradores pagarão tambem este direito. com o nosso consentimento e approvação lançar uma pequena imposição sobre o consumo dos comesstiveis ou liquidas. no praso do presente privilegio. pelos quaes os estófos d'este paiz possão ser utilisados.

e pelo supremo Connselho. o patrono (da colonia) escolherá dentre os colonos mais qualificados um certo numero delles. pelo tempo de dez annos. para ser enviada a S. a Companhia providenciará sobre o governo local. e sejão uteis e necessarios para a sustentação da vida humana. todos elles. quanndo o valor da causa for de 600 ou mais florins. e à Assembléia dos dezenove cabe tractar com os inventores ou descobridores sobre a exploração das minas e a remuneração que se entender pertencer-Ihes. Ex. e os ministros que. ou de seus delegados. sobre os magistrados. onde residem os colonos particulares de tal modo augmentem que devam ser tidos como cidades. e esses ministros decidirão todas as questões e processos em seu direito. por esta sua industria e diligencia será isempto pelo governo do Brazíl de pagar recognição de taes fructos. conforme a importancia do povo ou dos lugares para serem os eleitores. composta por nomeação das pessôas mais qualificadas das mesmas povoações. serão escolhidas pelo governador e conselheiros. ou outros metaes. excedendo a somma de cem florins. ficam reservados para a Compaanhia das Indias Occidentaes.14 "Si algum morador. que têm de fazer a dita nomeação. Outro sim. o productor. O patrono convocará a Assembléia dos eleitores toda a vez que fór necessario fazer a dita nomeação. ou por outros administradores da companhia. ou haverá ainda maior remuneração." 15 "Como é muito provavelmente que certos montes que exisstem na dita capitania contenham mineraes de ouro. Ex." 16 "Acontecendo que os lugares." 17 "E para que se faça com a devida ordem a nomeação das pessôas que têm de compôr o numero triplice. cobre. e aos conselheiros supremos. uma vez que. bem como as pedras preciosas e a pesca das perolas. que julgará com quatro accessores nomeados por S." 18 "De todas as sentenças definitivas. proferidas pelo tribunal dos colonos. primeiramente prestem juramento nas mãos do mesmo governador. por sua industria vier a descobrir o modo de produzir e cultivar alguns fructos. e isto em razão da grande distancia dos lugares. só poderá pela primeira vez appellar para o patrono. prata." 108 . em lista triplice. conforme for o caso. que anteriormente não tenhão sido produzidos pelos portuguezes. pela segunda vez se appellará para o collegio dos conselheiros politicos. villas ou povoações.

a saber. que será entregue com 50 florins. sendo necessario. com um par de guantes." 21 "Quanto ao transporte das ditas pessôas. desde o começo. as quaes serão proferidas em primeira instancia pelo patrono e seus quatro accessores. a respeito dos mercadores livres. sendo tractados do mesmo modo que estes. conforme os usos da Hollanda. entregues com 50 florins. Irlandia e Frisa. composta cada uma pelo menos marido e mulher. e. nas ditas terras da Capitania de Sergipe d'EI-Rey. ou no futuro se observar. o dito Sr. as partes ficarão sendo da mesma natureza do todo. como pela feminina e por cada transmissão será o feudo reconhecido com um par de luvas de ferro. depois que vier a approvação d' Assemmbléa dos dezenove. conforme a situação dos lugares. que dividindo-se o mesmo senhorio ou jurisdição. e gosando do direito de livre caça. As terras ficarão sendo allodiaes. e para este fim a Companhia lhes dará algumas peças de artilharia. contanto que elles tenhão as necessarias munições. a saber. que de presente se observa. perder as concedidas franquêsas e gados. que escolherem para sua residencia. tal como este foi constituido. e de processos ordinarios." 23 "Tratarão com a maior diligencia de levantar suas casas." 109 . e assim por diante. no primeiro anno introduzirá a terça parte. e cada parte deverá ser reconhecida de mesmo modo. a elle sujeitos com seu consentimento. possuir para sempre as referidas terras. e sempre manter e ter 80 famílias. e a jurisdicção constituirá um feudo prepetuo e hereditario. no praso de um anno e seis semanas á Assembléa dos dezenove ou ao governo do Brazil." 20 "Dentro de 3 annos.19 "Tambem se appellará para o mesmo collegio de todas as sentenças que irrogarem infamia e de todas as sentenças sobre materia criminal." 22 "O dito Senhor e os colonos. usando das matas. do modo que acima fica dito. modo ou lei. e passarinhagem. guardar-se-ha a ordem. até commpletar aquelle numero. na pesca nos mares. instrumentos e mais cousas a ellas necessarias. sob pena de. de anno a anno. de fortificar-se. seus bens. permissão ou accordo. com esta declaração. aguas e rios e estabelecer engenhos. Oliferdi é obrigado a transpor. no caso de notoria negligencia. estabelecer. transsmissivel assim pela linha masculina.

de que dependerem. que transportará a outra metade em seus navios. para terem as terras livres de bandidos e negros de mato (fugidos) onde os apprehendidos entregues ao governador e conselheiros da Companhia. sem que por isso paguem alguma cousa mais." 25 "Elles mesmo proverão a sustentação do governador e do ministro da palavra divina. mediante os premios que depois serão determinados. pooderão remetel-os aos seus patrões ou comissarios. á cultura das terras e cousas semelhantes.‖ 26 "Quanto as novidades que suas terras produzirem naturalmente.24 "Nos dous primeiros annos se empregão na plantação e cultura dos fructos. ou aquelles com os quaes por permissão se pode traficar. e os principias elementares da nossa religião. pagando os direitos. e. para a sustentação de suas famílias e do gado. se não do que enviarem para a Hollanda. remunerando devidamente o seu trabalho e esforçarhão por tirar-lhes os seus modos e costumes barbaros e leval-os ao conhecimento da nossa fé christã. residentes nestas provincias. Serão tambem obrigados a manter á sua custa em a referida capitania alguns capitães de campo. cada anno. nomeadamente toda a sorte de madeiras (excepto a de Pernambuco) gommas e causas semelhantes. desde a infancia. acerca do livre trafico do Brazil. applicando para este fim particularmente o meio de ensinar aos moços e meninos a nossa lingua. e este 110 . fizerem cortar e de outro modo grangearem. e si os bens forem taes que mais lhes convenha vendeI-os na Hollanda. pelos meios que entenderem mais apropriados a este fim. habituando-os. ás pessoas que estejão residindo sob obediencia da Companhia. metade á companhia. e isto segundo as determinações da Companhia." 29 "Os colonos d'estas terras serão obrigados a fazer. além do dizimo e direitos acima mencionados. sem trabalho do homem. que então vigorarem." 28 "Para assistencía de seus colonos e lugares (de residencia) farão todas as diligencias por utilizar-se dos indígenas dessas terras. não pagarão recognição alguma. ao trabalho. para os mesmos colonos. um pertinente relatorio de suas terras e colonos ao Senhor ou patrono. fretes e avarias estabelecidos pela ordem provisoria e impressa. darão elles do que cortarem." 27 "Poderão vender ali os bens que adquirirem.

por sua vez. tomarão conhecimento na primeira instancia das causas concernentes à liberdada. e geralmente tomar conhecimento de tudo o que disser respeito à administração da justiça e á suprema authoridade da Companhia. bem como das queixas que alguém queira fazer. ou sejão estranhos que forem visinhos das ditas terras . ou reserve acções ou pretenções contra ella. sobre costumes. crimes de lesa-magestade. abolindo corruptellas desarrosadas. cousas referentes à posse de benefícios. religião e todas as causas criminaes e excessos prescriptos e impunes. e por prevenção poderão ouvir (?) todas as pessoas para a expiação de causas que ahi forem punidas. e o direito de interpretar as duvidas que possão sirgir desta concessão. declarar guerra e fazer a paz. as estradas reaes. o que não quer dizer que não mude o diminua o que fica concedido aos patronos. gados. com relação à alta e baixa jurisdição.sobre causas relativas a menores. e augmento que annualmente tiverem tido. conforme a situação local numero dos moradores e suas necessidades exigirem. ficando isto á descripção da companhia. terras cultivadas. o qual governador e conselheiros que presentemente existem ou para o futuro forem postos pela Companhia. clausulas e condições provisórias e sujeitas á approvação dos Dezenove.S. fundar cidades. domínios." 30 "Si a Companhia posteriormente entender que deva mandar levantar a arruinada cidade de Sergipe e povoal-a com moradores. aldeias ou povoações. e approprial-os-ha para com elles beneficiar os ditos lugares. finanças e direitos da geral Companhia das Índias Occidentaes. conselheiro. curraes. Ex. cavallos. que começa na 111 . o direito de tonelagem. em caso de privilegio e inovação . 31 ―A Companhia reserva para si: os grandes e pequenos dízimos. tomará para si. officiaes e outros ministros de justiça para protegerem os bons e castigarem os maus. Assim que a Companhia poder pôr e enviar ahi um governador. ou lhe parecer conveniente fundar em outros lugares fortes. vindo primeiramente queixar-se ao conselho ahi ficarão em juízo: todos os contractos ou obrigações sobre prorogação de jurisdição. aldeias e igrejas . usos estatutos que os mesmo declararem. além dos colonos moradores.viúvas orphãos ou outras pessoas miseráveis que. o mar. e das terras sitas na circumvisinhança. de moeda. poderá fazer onde lhe approuver. apresentará o seu relatorio ao governador e conselheiros da Commpanhia. fundos. autrhoridade suprema. conservar a authoridade suprema. como foi dito. Oliferdi pra haver elle como feudo perpetuo e hereditário de todas as terras. soberania e eminência. ou moradores d`llas. matas e águas da capitania de Sergipe d´El-Rey . cidades. com declaração das pessoas. Sobre os quais artigos. sem que o senhor ou patrão á contradiga. se assim cumpri. os terrenos que forem necessários. e todas as outras causas segundo o uso de paiz (Hollanda) ou a ordem e regulamento desta conquista emanadas da Assembléia dos dezenoves. e os altos secretos Conselheiro do Brazil se accordaram com o Sr. o direito de levantar fortes. todas as praias.

se seus velhos limites. Kodd van der Burgh. e através da terra ate os ditos limites.ou pelo menos até onde esses limites forem levados sob o domínio e authoridade da Companhia das Índias Occidentaes. –Ad.‖ ―Assim feito e provisoriamente concluindo a 28 de Fevereiro de 1642‖ – Maurice. –D.‖ 112 . van Bullestrate. e ao longo do referido do rio para cima pela terra até a grande queda d´agua. – Henrie Hamel.terra firme do lado meridional do rio de São Francisco para o sul. dilatando. Conde de Nassau.

e tarde convencendo-se da desvantagem de fixar sua fronteira em S. nos negócios referentes a Sergipe. Todas as vezes que sua atenção dirigia-se para esta capitania. excessivamente opressor. sempre tardia. Foi uma hegemonia sem posteridade. nos hábitos. isto é. completamente inapreciáveis. E sem a formação de produtos mestiços entre as raças. tornaram-se. Estreando por uma sucessão de vitórias. antecedentemente estabelecidos. cheios de desconfiança. 113 . empresa que foi feita para suavizar os males de não ter destroçado Bagnuolo em Sergipe. pois. desvio-se do plano que sempre traçou á sua conduta. nos costumes. que se não alcançou realizar em Pernambuco. ele entrou em larga escala a excitar e animar o patriotismo lusitano e brasileiro. em vez de fixa-la no rio Real. todavia. Dilatando os seus domínios pela grande área que a parte meridional do Brasil lhe oferecia.CAPITULO VI LUTAS EM SERGIPE. transferindo-a para quando a paz e harmonia se tinham estabelecido entre as duas potências européias. com a evolução dos tempo. se pode ver hoje o vestígio do domínio holandês em Sergipe. etc. Se vestígios se fizeram sentir dessa passagem. planta a desconfiança nas fileiras inimigas. e cuja ruína não quis assistir. não promover a colonização de sergipe em seguimento á conquista. em beneficio da Campanha. Se a retificação do primeiro erro custou-lhe um desastre militar. somente dois anos (1642-1644) tiveram os holandeses para estabelecer as bases de uma organização social. Não é na historia de Sergipe onde devemos procurar a origem desses princípios. como permanência de vinte e cinco anos. maiores proporções dava aos males e inconveniências. considerado como causa. de uma nova nacionalidade. nem a língua. não poderia ficar indiferente ás perdas de 1638 na Bahia. na Europa. para não acreditarem mais nas melhoras de sua condição. dos holandeses. por seus próprios olhos. depois do entabulamento de pazes entre as duas metrópoles. a retificação do segundo. Salvador. teve ele de sentir os efeitos dos erros. na política. cuja retificação. por ocupar Sergipe. Ainda que este fato. como se daria a transmissão de caracteres éticos? Assim. que foram o prenúncio da decadência da obra que alcançou realizar. para revoltar-se contra o jugo. Francisco. já seja efeito de princípios mais gerais. como van der Ley. custou-lhe assistir ao começo de hostilidades por parte dos conquistados. SUA RECUPERAÇÃO. nem na religião. e pesquisa-lo até os muros de S. Em uma família pode-se ver ainda um outro nome de origem holandesa. inspirada em princípios democráticos e guiada por um admirável tino político. FIM DO DOMINIO HOLANDÊS Vimos nos capítulos anteriores que a administração de Nassau. quanto mais em Sergipe. que se fundissem para formação de uma nova pátria.

os bens dos jesuítas e dos conventos. o holandês sobre o caráter da civilização em Sergipe.Rev. Não nos compete descrever. no método de colonização praticada pela Holanda no Brasil. todavia.ou outros colégio do clero127. Cit p. quer holandeses. como já dissemos. pelas ilimitadas atribuições de uma classe de governo. Pernambucano de julho de 1886 – P. distancie-se de Portugal. pois. em proveito da Companhia. duvida. pelos martírios. ainda que lá . Indo pôr-se em contato com um povo como o português. realizadas pela raça 127 Artigo 16º do Regimento de 13 de outubro de 1629. as instituições livres. de um lado. cedo se estabelecessem. as rapacidades. V. Ao contrario disto. nem as causa da decadência do domínio holandês. Ainda que a Holanda. Se males ao Brasil trouxe a colonização portuguesa. elas pioraram consideravelmente. que vivia sob a pressão de causas que privaram-lhe a atividade de um espírito inquiridor.engenhos. talvez pela intervenção de Nassau. severamente maltratados.cujo principal intuito não era melhorar as condições morais. estava o gérmen de dissolução e de morte.imóveis hereditários . pelo móvel exclusivo dessa colonização ser o interesse monetário. fez contrabalançar seus maus efeito. pelas superstições. sob o ponto de vista de sua civilização. em virtude do qual as terras seria confiscadas e apreendidas. pelas deferências profundas de seus hábitos. de suas instituições. as devastações. assim como casas. que trouxe como reais conseqüências o espírito de pesquisa. as causas da revolta que os conquistadores levantaram. pois.resolveu-se a venda com suas fabricas e pertence. durante as administrações. colocava os lucros e proventos que poderia tirar do Brasil. as ilegalidades de toda sorte.E isto torna-se bem claro no regimento de 13 de outubro de 1629.o holandês estabeleceu no Brasil uma colonização. As bases da colonização holandesa eram muito pouco seguras para garantir a formação de uma futura nacionalidade. existente no pais em beneficio de seu desenvolvimento e prosperidade.É de pequeníssima interferência. em 1639. Arq. ainda que lá gerou-se esse espírito de descrença. 294.rendas e direitos senhoriais. intolerâncias e subserviências plantadas por um clero. 128 Rev. que acima de tudo. em virtude da ação de antecedentes mais eficientes de um real progresso. pela intervenção direta da vontade popular. idênticos ou piores traria a colonização holandesa. a oporem-se á ação da intolerância.128 Essa deliberação. o arrendamento dessas terras a colonos. do Inst. a favor de uma Companhia. pertencessem ao rei da Espanha. em vista do qual as classes tornaram-se forças verdadeiramente ativas. quer portugueses. que durante a administração de Nassau.completamente oposto as tendências de analise e de pesquisas. Não tendo sido de bons resultados esta pratica. pela maior vigilância em favor dos direitos dos conquistados. não trouxe de prontos reais lucros para os déficits da Companhia. de democráticas instituições . as anteriores. da superstição e a revoltarem-se contra o grande poder e prestigio que quisessem assumir a nobreza e o clero. dado pelos Estados Gerais a companhia das Indias Ocidentais. acima do bem social do país. 29 114 . e do outro.

e Kodd van der Burg. que afugentaram do campo os lavradores. Realmente. pois nutriam a esperança de que antes do prazo estariam livres do jugo que tanto os oprimia. O comercio somente baseado até então sobre o credito. van Bollestrate. ficando sem lucros. e as transações feitas sob tais condições. em períodos ulteriores. Distanciados do espírito altamente inteligente de Nassau. mesmo transitoriamente. o carpinteiro de Mildeburgo – A. o estado econômico da colônia tornou-se mais precário. pela vinda da armada do Conde da Torre. que subiu a 3% e 4%.129 Malogradas essas esperanças e feitas em alta escala as transações. op cit. em um momento em as causas destrutivas se concentravam. o prolongamento de sua administração. que se fossem a dinheiro. recuou e viu iminente o perigo. multiplicando-lhe as despesas. pois veio agravar a situação econômica ampliando as transações. de seu tino admirável de administrador. como pela escassez do numerário. descansando no tratado de tréguas. nutria agora a esperança de reaver o saldo das despesas. eram aqueles que em um momento critico. promoviam a concorrência de grande numero de portugueses aos mercados. Se o próprio Nassau julgou-se impotente para conjurá-las. Sergipe e Angola. não só pelas perdas efetuadas. teve de produzir inconvenientes. e pela destruição da varíola. Ofereceu-se então a melhor ocasião para torna-se bem patente o sentimento de ódio que o conquistador votava ao conquistado. que ofereceu um contingente ao depauperamento da vida colonial. e esse fato subjetivo talvez seja a causa mais direta de sua retirada. como por que a Companhia. 115 . na Assembléia Legislativa por ele constituída em 1640. Não podendo os pagamentos ser feitos. quando os encargos da Companhia. nas quais a Companhia despendeu grandes somas. pois a produção tinha baixado pela destruição das guerras anteriores.conquistadora. por certo suavizariam o péssimo estado econômico da colônia. exigiram o saldo pronto dessas dividas. p. desde quando os próprios membros do governo eram os primeiros a iniciar uma norma de proceder tão adversa aos princípios de direito. agravaram-se as condições de vida de ambas as parte. 72. Um mero engano. Em nome da lei e da justiça. assumiam as rédeas da administração. como dizíamos. o credor fazia uma pressão sobre o devedor para efetuar seu débito. e então não se procurava mais os recursos dos tribunais. realizar medidas contra os males que se acumulavam. realizou a venda dessas terras e dos escravos que exportava de Angola cuja. a quem entregava-se a administração? O resultado disto foi que o Conselho. Ao mesmo tempo que isto dava-se. a administração da colônia entregava-se a mãos inábeis. se o próprio Nassau.não o sincero testemunho prestado a si de pedir-se-lhe. pelas expedições a Maranhão. pela 129 Southey.o que poderiam fazer o negociante de Amsterdam – Henrie Hamel. III. conquista foi realizada por ser considerada uma importante fonte de receita. que não poderiam. e por conseguinte suspender suas remessas.

porque as próprias apólices da Companhia vendiam-se no comércio. que procurava afugentar-lhes dos seus domínios. O seu real valor consiste em transformar em realidade aquilo que meramente existia em desejo. aproximando-se eles em uma unidade de ação. gado caldeiras e todos os bens dos fazendeiros. incandescem-se o rancor. como este. perante a Assembléia dos XIX e mais do que isto. Não era mais possível manter-se uma tal organização social. porque era a expressão de um estado psicológico dos dominados e nem de longe deve ser considerada como a criação de um só homem. a que se tinha chegado. pela apreensão da colheita do açúcar e dos negros. Realmente. do que da ação de princípios e causas que fossem contínuos em seu funcionamento. a formação de um caráter. em vez de serem ligados á ação de causas muito gerais.cit. 130 Southey. foram. fazendo mostrar ao futuro historiador que a geração americana já sentia amor pela metrópole. o ódio dos portugueses contra os dominadores. Consiste em representar o elemento. postos à conta de um homem. aquisição do território conquistado seria inevitável.insuficiência de recursos. Perante o inimigo comum. pois dependia mais da ação isolada de um homem. brasileiro. As cenas mais aviltantes e deponentes foram praticadas. Não está em nosso intento desmerecer a gloria do herói paraibano. cujos elementos já se achavam em adiantada coesão. por isso que em sua organização achavam-se os gérmens dos caracteres éticos de seus antecessores. do qual decidia para o futuro. E neste sentido. já zelava pelos seus interesses. A revolução rebentar-se-ia independente de sua intervenção. com a expatriação daquelas que primeiro tinham desbravados as floresta e amanhado as terras. 72 116 . parece eu os antigos ódios que separavam as três raças desapareceram. na gestão de um grande acontecimento. através de quem vê o movimento revolucionário. Daí reclamações do comércio e da lavoura contra os Conselheiros. Ainda mesmo que as terras confiscadas fossem entregues aos colonos holandeses. Achamos pouca filosofia e critica na apreciação de fatos que. igual administração nos merecem o digno representante da raça indígena – Camarão – e da raça africana – Henrique Dias. III. por 46% de abatimento. ao passo que as da Companhia Oriental achavam-se de 460%130 . op. fechando os olhos aos grandes serviços que prestou á causa da revolta e ao contingente que forneceu à realização da expulsão do inimigo. as condições dos conquistados consideravelmente melhoraram. André Vidal representa a primeira manifestação do brasileiro ao português. São cunhadas de grande parcialidade as palavras do visconde de Porto Seguro a Vidal de Negreiros. em beneficio próprio. durante vinte e cinco anos de domínio. e desperta-se o sentimento de patriotismo tão obliterado e sufocado. se durante e administração de Nassau. pelo ilustre historiador brasileiro. eles realizaram-se á força. p. se a interferência do príncipe foi de larga contribuição para a prosperidade da colônia. esse resultado foi puramente transitório. sem concorrência.

Admiramos a inda o valor de Vidal em testemunhar desejos da coroa pra libertar as capitanias conquistadas. que adia para o dia 24 de junho. Holandeses no Brasil. relativamente á viagem de um capitão. por um próprio por terra. quando despachados uns quatrocentos soldados. Lucid. firma a 23 de maio o compromisso da rebelião. que não lhe faltasse agora na miséria em que seus moradores estavam. como de Gaspar Francisco da Cunha. Ou fosse ele quem pedisse o auxilio de Camarão e Henrique Dias. alferes e soldados para sublevarem Pernambuco. ou estes caudilhos viessem auxiliá-lo acendendo aos 131 Porto Seguro. que ia se munindo de auxílios. pedindo-lhe com muitos rogos e encarecidas palavras. pois ela era o resultado da pouca importância ligada por Nassau ao tratado de tréguas e do abuso cometido pelo próprio Conselho. em uma viagem aí feita em 1642. João Fernandes Vieira. de alguns anos. Como os outros. 132 117 . 243 “ Também João Fernandes Vieira escreveu. que achavam-se aquartelados nas fronteiras do Rio Real. em maio 1645 em nome da liberdade divina e para vingar agravos e tiranias. a quem se repetiam as denuncias de que organizava-se a insurreição. não só vindas da Bahia. 164. pois havia nascido na província de Pernambuco e havia feito tantas proezas na defensa della no tempo de Mathias de Albuquerque e do conde de Banholo. que vem se pôr á disposição de João Fernandes Vieira e seus companheiros. Os membros do conselho. de auxiliar os insurgentes.” Calado. O mesmo papel representa em 1644. engrossando a fileira dos insurgentes e já estava com os recursos que lhe havia prometido o governador da Bahia.REI com todos os seus Brasilianos. P. às ordens do capitão Antonio Dias Cardoso. e que bem estampadas estão no pacto que os insurgentes celebraram na várzea do Capibaribe. a distribuir para esse fim em Pernambuco até seis hábitos de Cristo131. sendo autorizado. Antônio Felipe Camarão que estava alojado em Cerigipe D`EL. pelo próprio rei. e que mais largamente será adiante apreciado. Vidal submeteu-se á ação das causas que estavam em atividade. convictos de que esses movimentos não daria lugar a futuro males. depois de efetuadas as pazes. em que patenteia-lhes a disposição do governo de prestar-lhes auxílios. para relembrarem ao governador o tratado de paz e a comunicar para Holanda aquilo que iam sabendo pelos denunciantes. Para essa deliberação do soberano ele igualmente não podia ter contribuído. logo que voltou de Pernambuco. limitam-se a mandar emissários á Bahia. e trazer essa noticia aos insurgentes de Pernambuco. e mostra-lhes documentos como seriam bem aceitos e recompensados pelo o rei os serviços prestados na insurreição. em alargar aos seus domínios.Foi este um importante resultado do domínio holandês. quando novamente vem a Pernambuco. que. auxilio que se executou. pelo prestigio que pudesse representar perante a coroa. à D. como asseguram algumas cronistas132. para retificar as disposições em que achava-se o governador da Bahia. Valer. que transmitiu-lhes os intentos de Vidal Vieira.

pois. Ainda que Calado não determine a época desse convite. naquela data. a notícia de que Camarão e Henrique Dias tinham rompido as fronteiras holandesas. a sua primeira manifestação foi levada pelo indígena e o africano. esse fato. colocado entre os rios Maniçoba e Lourenço da Veiga. no dia 25 de março de 1645. (Caster. por achá-la inexeqüível. recebia de seu comandante em Sergipe. que só poderia ter-se dado de 1642 – 45. de algum tempo meditado. Termos visto em alguns cronistas que Camarão morava em Sergipe. faz isto supor-se denominando com seu nome um dos currais de Sergipe. É possível que durante este tempo ele habitasse em território holandês? Entretanto Cândido Mendes de Almeida(Ver. o que não alcançou: e nesta ele já se achava com suas tropas nas fronteiras holandesas do rio Real. Em junho. 113 118 . IV § XIV) que diz ter se estendido esse convite a Henrique Dias. as hostilidades rompem-se em Ipojuca. Luz. Ele. no rio Real. 2º p. para romper a revolução com bastante segurança. É muito glorioso à história de Sergipe registrar o fato de se ter em seu território levantado o primeiro grito de revolta. nas margens do Rio Real. como São Francisco. t. além da que ficava na barra do Vaza-Barris. Cristovão. pelos péssimos antecedentes históricos que ela nos transmitiu. Rafael diz ter sido em 1644. Achamos não bem provada essa morada de Camarão em Sergipe. Moucheron. 133 Por esse tempo Camarão e Henrique Dias estavam aquartelados em Sergipe. antes do levantamento de João Fernandes Vieira. que então achava-se nas lutas dos Palmares. centralizar as tropas de algumas fortificações. hoje Ganhamoroba. Do Inst. com a O mesmo fato afirma Fr. Rafael de Jesus. pondo em atividade a primeira deliberação patriotica para romper as poderosas fortificações batavas. dar buscas. lastimamos e sentimos os péssimos antecedentes históricos que ela nos atrasou. agora ficou certo de sua realidade. empregando sua gente em cultivar a terra134. Lic. onde o inimigo tinha construído uma boa fortificação. E Geog. depois que foi obrigado a abandonar o território de Pernambuco. o primeiro sinal de revolta. o governador dos pretos levantava acampamento pelo valente indígena. do qual dependeria o caráter de uma civilização futura. que pouco antes. III. no Recife.XL. Nenhuma dúvida restava mais no espírito dos membros do Conselho da realização de um plano. o fato é que em vista dos planos de adiamento de Vieira. Finalmente as posições definiram-se não sendo mais possível a Fernandes Vieira adiar seus planos. Se não somos muito apologistas da política colonial portuguesa. p.. Mandou efetuar prisões dos conjurados. É de grande glória à historia sergipana ter de registrar.” 134 Southey. Hist. antes de entrar na revolução e Barloeus.133 Se até então o governo holandês não prestava bastante consideração ao movimento de revolta. nem conservá-los em segredo. agora recebia do chefe político de Alagoas.Desejos do governador da Bahia. Realmente. em seu mapa. Só cabia-lhe agora entrar na realização de medidas defensivas. op cit. e daí elas continuam a repetir-se formando os gloriosos feitos deste grande acontecimento da história brasileira. em marcha para o norte. a comunicação de que Camarão e Henrique Dias fora passar a Páscoa na Bahia. ele é despachado pelo governo para vir expelir o inimigo de S. 190) diz: “aí se achava o curral ou fazendola de Camarão. Do Brasil. pelo contrário. como seu.

pela marcha dos dois caudilhos. que tanto nos atrasou. se como dizemos. que representam a riqueza. Nem de longe pomos em nível o intelecto do holandês com português. não sabemos se perante elas. O povo brasileiro indiferente a assuntos religiosos. em fator de uma associação. que se poderiam entregar a assuntos. todavia. foi a forca por meio da qual prolongou-se na America os hábitos da civilização ocidental todavia. diferentes dos da mãe pátria. a colonização holandesa. para cujo progresso não entrou larga contribuição da natureza. ativo e que pelas condições telúricas e mesológicas. e ainda mais. se ela em suma. uma nova natureza não se superporia na organização bastava. como em todos os países protestantes tornando-se difícil por este lado a regeneração. da forma o fundo. supersticiosos. da qual somos atualmente o testemunho. para torná-la habitável. em começo. organizado sob o regímen batavo. que exprime a coisa de mais solida existência.escravização de duas raças. sentimos o legado que nos deixou a nossa metrópole. seriam mais tarde o primeiro obstáculo à supremacia do elemento comercial. fato este que denota a existência de um regímen centralizador. construindo pedras com argila. os holandês do século XVII representava a soma desse ingente esforço. a paz e a calma da verdade. com os princípios metafísicos. em que estiveram as gerações passada. para as edificações e derribando florestas pantanosas para o aterramento dos cachos. que queria monopolizar o trabalho. preocupando os espíritos mais ricos do país. a descomunal florescência. achamos por demais defeituosos os princípios da colonização holandesa no Brasil. onde as condições de meio eram justamente opostas àquelas que sempre o cercaram. prender a ciência. com que caracterizava-se a colonização. plantar-se-ia no Brasil a supremacia da idéia religiosa. do gozo e prazer das ardências da imaginação. o que queremos tornar bem patente é que foi em Sergipe onde deu-se o primeiro movimento revolucionario. para retificar e vencer a natureza. matar a iniciativa. talvez maior oposição oferecesse a essa indiferença. alem dos males que nos insuflou. a atividade mais poderosa do processo. Como quer que sejá. Possuidor de hábitos tão predisponentes para uma prosperidade. Entretanto. tanto mais quando viviam agora dirigidos por novos princípios sociais. de perdas em nossa moralidade. pelo lado econômico. trouxe a consequência. pela grande supremacia do Estado. Povo eminentemente industrial. pelos péssimos exemplos de subserviência. que construiu todas as peças da nação. de ser a política a força viva. 119 . que lhe opôs. pesquisador . povo. muito teriam que fazer neste país . nos traria igualmente males. novos hábitos não se formariam. intolerantes de um clero que era egoísta. costumou-se a pôr acima das sensações a idéia. como aquela que os holandeses representavam. para originar uma nacionalidade vigorosa. levantando diques às inundações. de passividade. sob o plano de uma companhia de mercadores. e que suas tendências liberais seriam as primeiras forças oponentes. Além disto. Se a colonização portuguesa. toda a dificuldade para a primeira manifestação de uma civilização.

em vista da letra do tratado de paz. e incumbido de todos os negócios relativos à revolução. nas duas viagens que fez a Pernambuco. através das fronteiras holandesas. Bahia de Todos os Santos. que tinha levantado uma fortaleza em São Cristovão. p. entre as duas nações européias. Ninguém melhor do que André Vidal de Negreiros podia auxiliar a política maquiavélica de Antonio Teles. T. pelas conquistas de Angola. Para fornecer documentos da irresponsabilidade do governador. veio com seu terço habitar em Sergipe. Fernandes Pinheiro. 132 120 . que depois do entabulamento das pazes entre Holanda e Portugal.Camarão. achava-se cercando o inimigo. mostra-lhes os desejos auxiliadores do governo. mandou o governador e capitão geral d‘este Estado. Maranhão e Sergipe. como dos membros do Supremo Conselho. de cujas ordens não dependeria a marcha dos caudilhos e o rompimento das hostilidades aos olhos dos membros do Supremo Conselho. De posse de toda confiança do governador. Hist. S. onde pelo Rio Real se extremava o Brasil holandês do Brasil português135. Vejamos o que dava-se em Sergipe. a quem não era de todos indiferente a sorte dos infelizes habitantes de Pernambuco e das capitanias sob o jugo holandês. colocava-se em embaraços para definir sua posição de auxiliar ou não a revolta. E Geog. pondo-o a salvo de qualquer responsabilidade. O leitor nos permitira transcrever este documento: ― Em os trinta e um dias do mês de março de mil e seiscentos e quarenta e cinco nesta cidade do Salvador. onde era larga ação a influencia do Padre Antonio Vieira para abandonar-se as capitanias conquistadas. Essa dubiedade de ação era bem visível. Comunica-lhe a deserção de Henrique Dias e seu terço para Pernambuco. Achava-se aí. quando Camarão e Henrique Dias rompem a marcha. Ver. queria todavia salvaguardar-se de acusações . que achava-se a lutar com os Zumbis dos Palmares. e privando que ele se espelhasse pelo território da capitania. depois da esplendida vitoria do Monte das Tabocas. Os caudilhos rompem a marcha pelos agrestes sertões e deixando as ribas do rio Real. que pudessem vir não só da metrópole. a cuja pista despachava Camarão. e os tenentes de mestre de campo general Pedro Correa da Gama de Souza. como no representante do governo colonial. quando recebeu o convite de João Fernandes. Antonio Telles da Silva chamar a sua presença os mestres de campo João de Araujo e Francisco Rabello. vadeam o São Francisco. Antonio Teles que sentindo desejo de por em ação o elemento oficial.C. Do Brasil. em 1642.M. não só da metrópole. dirigido também a Henrique Dias. não obstante a Holanda já ter dado a prova de falta de lealdade e esquecimento de seu comprimento. Não nos compete descrever os acontecimentos que se deram além da margem norte do São Francisco. O governo colonial. e a quem mesmo não era estranho o deserto que prendia todos os espiritos para realizarem a revolução. e vão reunir-se aos revolucionários. 135 J. Sendo o intermediário entre eles e os heróis da revolução.. Do Inst. Tomé. 32. e despachado por ele comandante da fronteira do norte. nos paços de S. Neste ponto de vista é Vidal a maior força da revolução.

t. Pern. ainda que custára algumas mortes de uma e outra parte. com cartas dos membros do Supremo Conselho. dia de S. Governador por lhe não dar licença vir ver suas filhas e mulher. Manoel Calado. E como conseqüência dessa aliança. e defender-se do seu furor logo no rio de S. com as quais foi fazendo corpo de gente para resistir ao inimigo. em 13 de junho. e que. Pontal. Para não perdermos nenhuma das pequenas minudencias dos ataques. 107 121 .‖ E quando foram a Bahia dos emissários do governo holandês. como tinha a estrada provida com os seus soldados. Entrega essa incumbência a Andre Vidal e Martins Soares Moreno.do Inst. e que a semana antecedentes o quizeram matar preso por estas e que outras liberdades que dizia. Antônio Teles em carta de 19 de julho. e provedor mor da fazenda de S. transcrevemos as paginas de Fr. com toda a gente. etc. mostrou não ter responsabilidade nessa marcha. coevo desses tempos e testemunhas ocular desses acontecimentos. senão depois de claro o dia. roubar e ainda matar aos nobres moradores de toda a Capitania de Pernambuco. de quem vergonhosamente plagiou Diogo de Sant`Iago em sua Historia da Guerra de Pernambuco. assegurando também suas resoluções de paz e que enviaria ordens para serem suspensas as hostilidades. não foi sentido nem o soube. em Sergipe.Domingos Delgado e Gaspar de Souza Uchoa. em como o inimigo mandava prender. em que diz em vinte e cinco deste mês de março. e ricas daquele districto. Francisco. Antonio da Silva e Souza. e que antes de fugir se queixara do Sr. que partem para Pernambuco. E Geog. contra a qual já tinha dado providencias. e ajuntou a si as principais pessoas da varzea. que lhe deram nada da fazenda real. e procurador do tenente de mestre de campo general André Vidal Negreiros. 370 ver. Antonio. Sebastiao Parni de Britto e o Dr. Casa Forte e Porto Calvo. foram com um próprio avisados Andre da Rocha de Antas e Valentim da Rocha seu parente. Se as forças oficias que aliavam-se aos insurgentes eram de grande importância para as vitorias que iam obtendo em Serinhaém. muito agradaveis a alguns leitores. e que vai à trilha della na volta de Pernambuco. mas que como negro que era merecia um grande castigo para exemplo dos mais. externando-lhe seus sentimento de aliança. pelo que estivessem de sobre aviso. T. que logo mandara o Camarão atrás dele com seus índios para que o tragam preso e a bom recado. Hist. Do Brasil. que esta na fronteira do Rio Real. Entretanto. o primeiro rompimento foi feito exclusivamente por conta de seus habitantes. a marcha de Camarão e Henrique Dias e lhe observar o cumprimento do tratado de paz. os revoltosos tiveram mais de registrara vitoria do forte de Serinhaém e das que seguiram-se. as pessoas mais nobres. que estavam juramentadas para a facçção e empreza da liberdade. pelas duas horas depois da meia-noite fugio Henrique Dias d‘aquella estancia. Baltasar van der Voorde e Theodoro van der Hoogstraten. que considerassem os ditos ministros o que lhe parecia se 136 devia fazer no caso e lhe dessem seu parecer. ― Tanto que João Fernandes Vieira.31 p. ouvidor geral e provedor mor dos defuntos e ausentes. e resguardassem suas pessoas e fazendas desta comum tribulação. se retirou para o mato. mas que serviram-se dele como se fôra captivo. com ordens de aplacar a revolta e por termo à guerra civil. a realidade das deliberações estava em que os terços dos dois heróis brasileiro vieram engrossar a fileira dos insurgentes. Do Inst. e outros muitos moradores da terra. que esta 60 leguas em distancia do Recife por costa do mar. 34 p. Arq. os quais tanto que souberam esta nova logo se prepararam e avisaram a todos os 136 Ver.M. mas que nunca lhe pareceo que fizesse uma coisa tão mal feita. cientificar a Antônio Teles.

As cousas neste estado. chegaram da Bahia por terra duas companhias ao mando de Nicolau Aranha e do capitão Francisco Lopes. Em 11 do dito mez passou Nicoláo Aranha o rio da parte do Norte a onde a fortaleza estava com toda a gente que consigo trazia. para subir para riba. Chegaram os dous correios da Bahia. e lhe fizeram com encarecidos rogos os protestos. os quais tinham cercado a fortaleza. cerveja. como ministro d`EL-REI D. e entregaram ao Governador Antonio Telles da Silva as cartas lavavam . pelas dez horas. e pretestos da parte de Deus que os mandasse socorrer logo. e roubassem todas as casas e os moradores deram sobre elles de emboscada e mataram a todos. e dos notaveis agravos que se haviam de fazer aos casados e donzelas. o comandante Samuel van Koyn ordenou que dois soldados fossem recomendar aos da campanha trouxessem para junto do forte as setentas cabeças de gado. que vinham entrando com socorro ao inimigo e lhe mataram vinte Flamengos . em seu Diário. e flechas. e fosse socorrer os moradores delle que estavam em grande tribulacão. e que quando Sua Senhoria. que estava ancorado em um porto seis léguas a baixo da fortaleza. se fiseram em um corpo. uns com espingardas. e mataram ao sargento e a dez soldados Flamengos que levava consigo. Neste dia lhe matou a nossa 137 Pela leitura que fizemos do Diário de Matheus van dem Broeck. 122 . antes que os flamengos tivessem noticia do que no Rio se passava . aguardente. segundo Matheus van dem Broeck.moradores dos lugares visinhos a aquele Rio. dando-lhe conta de tudo o que passava na capitania de Pernambuco. causando-nos assim não pequeno dano. com as grandes enchentes e atropelando com todo este trabalho. e temendo que do Recife viesse infataria holandesa por mar. acompanhados de alguns oitenta camponeses do rio Real. esperando por vento feito. que os passassem todos em cutelo. que iam abrindo. 138 Neste mesmo dia. para que em vingança daquelle agravo matassem aos moradores que achassem. Do Inst. Rev. se armaram muitos dos moradores os quais estavam acanhados por lhes faltarem armas de fogos. que estava por cabo de três companhias no rio Real. por quanto aquele rio corre com tal fúria que deita água doce ao mar três e quatro léguas. queijo. pedindo-lhe com encarecidos rogos. despacharam dois correios para a Bahia ao governador Antonio Telles da Silva. farinha e algumas mercancias e com estas armas. o que 138 fez com muito valor. outros com lanças e cavallos e os outros com facões dardos. souberam os moradores do Rio. balas. que quando vai de enchente. e tanto que avistou a fortaleza a onde assistiam tresentos e quarenta e tres hollandeses soldados e flamengos livres e indios. e logo o cabo dos capitães Nicoláo Aranha mandou ao capitão Francisco Lopes a queimar as lanchas ao inimigo. os quaes tirando a luz as armas que tinham escondidas. e acharam nele as armas de fogo. porque todos estavam com o cutelo quasi na garganta. os moradores acudiram. e com isto ficaram os fortaleza com pouco cabedal de munição. o nome do governador do forte de Mauritius era Samuel van Koyn. bem armados e comandados pelo capitão Diogo de Oliveira e Pedro Aranha. Estando pois o caravellão neste porto acudiram os moradores com diligencia. que todas eram mosquetes. que seriam entre brancos e indios e cento e oitenta armados. porem ao largo onde não chegavam as balas da artilheria. 16. os quais se mostraram ao outro dia . de sorte que nenhum tornou com vida para a fortaleza. o qual logo pelos mesmos portadores mandou ordem ao capitão Nicoláo Aranha Pacheco. Partio Nicoláo Aranha do Rio Real aos 27 de julho por caminhos desusados. e bastimentos. e o tiraram das mãos a um sargento que o trasia preso. chegou em 10 dias de Agosto ao dito Rio a onde achou os moradores com as armas nas mãos. diz ele. que pela boca da barra havia entrado um caravellão do inimigo. que com muita pressa marchasse logo para o rio de S. e entrando no caravellão o tomaram. e de palavra lhe contaram o miserável estado em que os moradores do rio se achavam. e achava os marinheiros em terra e os mataram. quando muitos rios iam de foz em fora. e assim não se pode navegar por ele ariba se não com vento feito. Sabido isto pelo comendor da forca deitou fora um Capitao com setenta soldados. Hist. para assim se defenderem com mais facilidade e tanto que 137 o governador da fortaleza mandou prender a um morador que habitava duas léguas em distancia a fortaleza. quando não vai cheio. levando diante negros com fouces. vinho. No mesmo rio os moradores da terra com alguns soldados da Bahia tomaram duas embarcações . aonde o mato estava mais fechado. traduzido pelo ilustrado Dr. e esforço e boa fortuna ‗ . arcos. deita água doce sete e oito léguas ao mar. e do grande aperto em que de prezente estavam todos os moradores do Rio de São Francisco. Deos lhe tomaria estreita conta das mortes dos innocentes. José Hgino. Neste mesmo dia . Tomaram-nos um batel grande. T40 p. os quais eram doze. e com as que haviam tomado nos dois assaltos passados. manteiga. muita polvora. esses soldados foram cruelmente mortos. E Geogr. que foram necessários em tão apertada occasião. em que tinham sido tributados pelos escabinos. João seu Rei e senhor os não socorrense com a brevidade que o presente perigo pedia. ecom haverem os soldados de levar em suas muchilas o mantimento e as armas às costas. e se aproveitaram das munições e armas que traziam. e no meio do rigor do inverno. Francisco.

era impossível podel-la render por fome. 123 . porque em 28 de Agosto mandaram uma náo grande com duas barcaças. Guedes Alcoforado. e é muito digno de notar que indo em uma lancha onze holandeses com ajudante foram investidos de dez moços nossos da terra em uma canoa e dando-lhes os hollandeses primeiro uma carga de mosquetaria não tocaram com balla a nenhum dos nossos e os nossos atirarm sua carga e mataram logo seis e aos outros degolaram a espada e tornaram as lanchas. havia de accometer a fortaleza e escalal-la. Hist. Os visitantes enviaram ao comandante da praça vários commissarios e lhe propuzeram comprar o forte por alguns curraes de gado. que lhas semeamos de mortos saindo elles de noite a rossar o mato que estava junto dellas. e assentando seu arraial lhe tomou todos os caminhos (assim entradas com sahidas) com emboscadas e corpo de guarda. e com boa gente de sua companhia e a de Francisco Lopes e moradores da terra e por cabo ao alferes N. logo as nossas balas lhe furavam os chapéus e as mãos". pois voto geral que se tratasse de capitular” Ver. e investindo-as com grande resolução. de que resultou tomar-lhe o inimigo o barco. sendo cinco ou seis dos nossos feridos e um morto. t.mas o capitão Hoen era atrevido. morresse quem morresse. preso com os principais offiaes e conduzido por terra para a Bahia. pelos quaes ficou o commandante sabendo que o tenente Coronel Horus fora abatido na várzea. e o Fiscal daquella força. as quaes entraram logo pela barra dentro. Vendo isto Nicoláo Aranha abalou todas suas estancias e se chegou a força até descubrir as suas casas a onde lhe matamos muita gente em particular em 23 de Agosto. Animada a nossa gente com estes prosperos sucessos . iam a por as mãos nos chapéus e em as pondo. Neste mesmo dia teve Nicoláo Aranha aviso. Do Inst. Informado da chegada do capitão. e treze homens do mar. mandou Nicoláo Aranha acudir com as canoas armadas de valor. como seu servidor e amigo ao que o Comendador hollandez respondeu que elle o faria como fosse tempo. os demais eram soldados . Quis o inimigo fazer uma sahida no primeiro dia de Setembro. a 7 do corrente. Estas notícias causaram grande desanimo entre os soldados. Manoel Calado e a de Samuel van Koyn. o cronista holandês assevera ter sido em 7 de setembro. porém o que acovardou o inimigo não foi tanto à força da nossa gente. entretanto este fato que o jeusuíta dá como sucedido em 23 de agosto. Eis suas palavras: “pouco mais ou menos. que quando não pudesse impedir ao inimigo aquele socorro. em como pelo rio acima vinha um barco grande com provimento para os da fortaleza deram-lhe aviso a noite e logo equipou duas canoas com vinte e cinco homens da sua companhia e da de Francisco Lopes e alguns moços da terra muito animosos soldados e por cabo o ajudante Francisco Rodrigues. e não tinha que ver com traidores e portanto não lhe faltassem em taes infâmias. as fizeram voltar e fugir com grande vergonha. com o que muito se encolerisou o commandante koyn. Já neste tempo tinha o Capitão Nicoláo Aranha tomado à resolução. Não se descuidavam os do Supremo Conselho do Recife em socorrer a sua gente cercada. e o Nicoláo Aranha lhe respondeu pelo mesmo portador que com muito contentamento o esperava e que se quizesse o iria buscar a porta da fortaleza para o hospedar na sua barraca. o comandante. e mandou logo picar ao inimigo. bastando só as barcaças.gente vinte Flamengos. Koyn enviou dous soldados para melhor avisa-lo do cerco. para virar as nossas canoas e mettel-as no fundo. porque se aquelle socorro se lhe não pudesse impedir e se lhe chegasse. quando lhe matamos quatro soldados. o qual atemorisado pela resolução não quiz sahir e lhe mandou diser pelo padre vigario Amaro Martins. E Geog. 139 Bastante semelhança há entre a descrição de Fr. porque para verem a nossa gente. e depois de rendidos nos mostraram alguns as mãos passadas com pelouros. porque em deitando as cabeças por cima já estavam mortos com as nossas balas. Do Brasil. bem como que o Recife estava também sitiado e muito tinham que fazer seus defensores para se desapressarem a si mesmo. Neste mesmo dia morreram mais vinte inimigos e nenhum dos nossos foi morto. aos 13 de agosto de chegou Nicoláo Aranha cm toda a infantaria à força. que logo viria beijar-lhe as mãos . não quiz render o bordo ao mar.38. pelo que não devia elle esperar socorro alguma d’aquella praça. 40 p. sem mais gente de armas que os marinheiros. Vinham no barco treze hollandezes e um commissario de Cirigipe d‘El-Rei. entrou pelo rio o capitão João Hoen com viveres para este forte e do de Sergipe d’El-Rei. Era. Dias depois o inimigo mandou aos nossos novo emissário com os homens que tinham sido apprehendidos no barco do capitão João Hoen. que foram os primeiros que sahiram e logo se tornaram a recolher e as fechou. declarando que estava bem provido de pólvora e balas. nem ferido. como a resolução com que o investimos. destes hollandezes morreram seis e os 139 outros foram presos e feridos. Enfim a nossa gente se chegou tanto à fortaleza que não ousaram o hollandezes a se por em cima da muralha. e antes que amanhecesse o rederam. Com este recado retirou-se o emissário para donde veiu. e ainda não haviam aberto bem a porta.

achamos duzentos e sessenta e seis flamengos dentro na força e cinco Índios. Depois que tivemos a fortaleza por nossa e os hollandezes reunidos e desarmados. liga a convicção de que não seria socorrido pelos seus compatriotas. os quaes se lhes concedeo e lhe fez o partido muito favorável. e querendo levantar em alto. muitas balas para ellas. de mantimentos trinta e sete barris de farinha. "Aos 15 do mez pediram ao Capitão Aranha três dias de tréguas. 124 . Samuel van den Broeck. como o leitor já viu na nota anterior. bandeira estendida e os officiaes com suas insígnias militares."Chegou a Nicoláo Aranha em 13 de Setembro a triste notícia em como o inimigo à falsa fé havia queimado aos nossos navios que estavam na enseada de Tamandaré. Vendo os hollandeses a resolução. e recolheu a si todas as cartas. Senhores camaradas. se cantaram uma Missa de Requien pelas almas do purgatório. respondeu que se queria logo entregar". dos quaes levaram quatorze". com toda solemnidade que foi possível e ordenou Nicoláo Aranha que quando o sacerdote levantasse o Corpo do Senhor e seu precioso sangue em alto. e ocupado em defender Recife. quanto ele sentia grande falta de munição. bala e armas e das mais munições de guerra com cento e oitenta soldados. onde foi presas Hous. com socorro de pólvora. desparou o inimigo da fortaleza uma peça de artilharia e toda nossa infantaria lhe respondeu com uma carga cerrada de mosquearia e tornou a secundar com outra ao levantar o calix consagrado e tão grande foi o estrondoque o inimigo ficou admirado". sem dúvida que isto deve ser as almas dos Paes defuntos que nos vem a socorrer. Caso miraculoso!". para mostrar ao povo. promettamos-lhe todos uma missa cantada. pondo graves penas a quem as levava. por que já estava enfadado de o terem ali tanto. a carne que tinham a repartiram. para levarem suas roupas para a Bahia e cavallos para os que foram por terra. Dêo-se embarcação as mulheres. aonde haviam de ser desarmados. desparassem os nossos soldados todas as armas de fogo e dessem duas cargas cerradas em signal de alegria e festa. isto é boa nova. appareceram no rio. o qual com muita dor encobrio a nova. 140 Enquanto Calado liga a rendição e capitulação do inimigo a um fato misterioso. achamos-lhes na fortaleza dez peças de artilharia de bronze. tanto que amanhecer. Isto tanto mais desanimou Koyn." "Approvaram os camaradas o bom intento e tanto que a nova aurora appareceo. "Tinha o Sacerdote consagrado o corpo de Christo Nosso Senhor Salvador. derrotado na várzea. para que o não dissesse a ninguém. Eis a verdadeira causa da rendição do forte. nos dezoito dias do mez estando na barra do Rio cinco embarcações cheias de gente. Poes amanhã e segunda-feira o dia em que a Santa Igreja Catholica costuma dizer Missa e fazer sufrágios por ellas. "Não se aproveitaram os soldados. nem outra alguma pessoa de cousa que os hollandezes tivessem na força. a qual ia tangendo por entre o nosso corpo da guarda e se ouvio por alguns dos nossos. naquella noite se ouvio o som de uma companhia. "Fez-lhe Nicoláo Aranha muito honrado partido a saber. e todos os dias as encommendo a Deus e agora nesse ponto acabar de resar as orações que todos os dias ofereço a Deus por ellas. responderam brandamente como quem o queria fazer". "Acabou-se a missa e o inimigo começou a chamar com um tambor mandamos ver o que 140 queria. Achamos sete cavallos vivos. que os iam socorrer. meninos e enfermos. até uns tantos passos. e logo se resolveu e mandou por um official com um tambor dizer ao Comendador da força que se rendessem. ou os passaria todos a cutelo. disse então o Capitão Pedro Aranha irmão do cabo da companhia de Nicoláo Aranha. já situado. para caminharem para a Bahia. bordando as nuvens de louvores e allegrando o mar e a terra com seu formoso aspecto. sendo mortos no cerco setenta e sete. pólvora pouca e essa molhada. duas léguas em distancia da força umas não três lanchas grandes que vinham aos hollandezes. notícia esta que lhe foi trazida pelos homens que tinham sido apreendidos no barco de João Hoen. uma música em tom de ladainha e vio uma clara de luz. e passados da outra banda do rio da parte do sul. que sahissem da fortaleza com suas armas e balas em boca. eu sou grande seu devoto. porém nenhumas de mosquete. e a nau vinha só com duas velas pequenas. achamos vinte e quatro mulheres e trinta e três meninos e desoito escravos.

que era grande consideração para impedir a passagem para a Bahia e a chave da capitania de Pernambuco. que diz: “ depois da partida do commandante e soldados. antes lhe deram muita graça pelo bom tratamento e offerecendo os moradores das terras (depois da Victoria alcançada) muitos dons e mimos de bois. nem sustentar bateria. e com a infantaria por terra e por mar em barcos e canoas as renderia facilmente. porém o capitão considerando que na fortaleza achava pouca pólvora e essa toda molhada. como os soldados da Bahia e com tanto esforço e valor. que era o signal de que estava dado para os hollandezes conhecerem que estava a fortaleza por sua. alguns que mais se extremaram. Porque dos moradores. nem morto nem ferido algum. e desparada a peça logo a não largou todo o plano e as lanchas com ella e se vieram em direitura para a fortaleza". Sei que ficando um vento rijo. não me atrevo a por uns em primeiro lugar. e assim desejando eu louval-os a todos. e estiveram mais chegados ao inimigo João Velho. sem fazer agravos aos outros. Mandou o commandante Aranha que fossem ao encontro do capitão Willem uma caravella (onde já haviam acondicionado a bagagem dos rendidos) e um barco com soldados. e por conselho de seis francezes que pediram praça para tomar armas por nossa parte. assim os moradores do rio S. nem causaram moléstia. que são merecedores de muito grande louvor. que não servia para carregar as peças. dos moradores do rio S. a nenhum morador fizeram os soldados damnos. os soldados como generosos não quiseram aceitar cousa alguma. os quaes em companhia do capitão Pedro Aranha sempre tiveram a vanguarda no cerco da fortaleza. Porto Calvo e Sergipe de El-Rei. de sorte que lhe fosse necessário esconder-se pelos matos. como os mais valerosos do mundo. nos quaes haviam de embarcar as guranições do forte Maurício. elle faria matar as mulheres e meninos. farinha. em suas casas. O capitão Willem houvera posto fogo à caravella se as mulheres neerllandezas não se intercedessem. com tanta pontualidade. não sahiu morador algum de sua casa. P. para se recolherem ao Recife. vacas. "Para se render esta fortaleza. galinhas e carneiros. leite. que chegaram a dar duas cargas cerradas ao inimigo e não posso affirmar se lhe mataram pouca ou muita gente. se occupavam em fazer de comer para os soldados e com tanto gosto. Francisco o capitão André da Rocha de Antas e o capitão Valentim da Rocha. e conhecessem o pouco cabedal que fortaleza tinha para lhe fazer danmo. mandou investir contra ellas. Manoel 141 Essa nau e lança eram comandados por Willem Lamberts. por quanto não tenho até as presentes testemunhas de vista". Pouco depois o capitão Willem despojou o rio. patos. Só ". segundo Matheus vam dem Broeck. 44 125 . Francisco. e assim perderam os rendidos tudo o que era seu. contra os hollandezes. novilhos para trazerem consigo para Pernambuco. esforço e brio. "Tomou o capitão Nicoláo Aranha conselho no que faria para tomar a não e as lanchas e alguns lhe disseram que as deixasse metter bem debaixo da fortaleza . fazendo sua obrigação com muito animo e as mulheres. com suas armas. Acercando-se uns dos outros. esquipou dous barcos e algumas canoas carregadas de bons e valerosos soldados e antes que a náo e as lanchas chegassem. disparou o capitão Willem suas peças e os portugueses vararam a caravella sobre um banco e lançaram-se à água depois de uma pequena escaramuça. vitellas. começou a náo a fazer bordos e a desparar sua artilharia e as lanchas suas roqueiras e se foram pelo rio abaixo e sahiram fora da barra na derrota do Recife e os nossos dous barcos e canoas se tornara. porque com a artilharia lhe faria grande damno. porque em tudo 141 os quis Deos favorecer". Para libertar os nossos devera ter chegado três dias antes” Obr. mandou o capitão Aranha desparar uma peça de artilharia da fortaleza. só os que vinham enfermos aceitaram alguns cavallos para poderem acompanhar a tropa e porque os moradores não desconfiassem vendo que se lhes não aceitavam seus oferecimentos". perus. os homens sempre assistiram com os soldados da Bahia. pois o commandante Aranha declarou que. doces e fructas que a terra dava. e que se náo e as lanchas chegassem a metter-se debaixo da artilharia da força. que nunca nos faltou.navegando. nos faria a nós muito mal com sua artilharia. Em cousas particulares. e os nossos soldados o fizeram com tanto brio. sem haver entre elles os nossos soldados. Porém assim por maior quero ir nomeando de uns aos outros. como merecem. porque o não mereceram. se os hollandezes queimassem a caravella. Cit. de modo que succedeu esbulharem os nossos os bem dos seus próprios compatriotas. "Tão extremamente o fizeram nesta ocasião. antes sempre sobejou o mantimento de vacas. antes todos acudiram com suas armas. porque lhes sahiu em sorte o ocupal-os o cabo do capitão Nicolão Aranha. que seguiam por terra a Bahia entroeu no Rio o capitão Willem Lamberts com um degre (barco hollandez de pesca) e tres barcos bem artilhados.

o capitão Francisco Lopes.. p. a cujo cargo veio esta gente com sessenta e cinco da sua companhia. e que o Recife esta assim apertado. senão a socorrer os moradores na grande tribulação e aperto em que estavam. enfim alcançada a vitória foi o capitão Nicoláo Aranha despedindo os outros capitães em suas companhias e tropas para onde estava o Governador da liberdade João Fernandes Vieira e os dous mestres de campo André Vidal e Martins Soares e elle depois de ordenar as cousas necessárias no rio. pelos companheiros de Hoen. 258. sabemos que os contrários estão aqui de vigia em numero de trezentos homens. Gaspar Gonçalves Nenoa. 142 143 Provavelmente este Marco Dias é um descendente da família de Belchior Dias Moreya. e outros muitos que não nomeio por ser enfadonho. Francisco Velanez. externa sua resolução e deputa-se o capitão Felipe Schatt e o escabino Lubbert van Coeverdeu para entrarem em acordo com o inimigo. segundo temos escrito atrás. e dez peças de artilharia de bronze que n‘ella achou. chamado Baltazar de Matos.. porque nem o governador geral mandou a infantaria por ordem de S. o capitão Diogo de Oliveira de Lacerda com vinte moradores do rio REAL. e por ordem dos governadores da liberdade. pólvora e morrões. e em baixo com embarcações para o fim de tomar os socorros que nos enviem. a fazer guerra aos hollandezes de Pernambuco. de modo que não dispomos de maior quantidade de pólvora que é necessária para prover por uma vez somente as bandeleiras. dos da Bahia não me atrevo a declarar o valor que nesta empresa mostraram. e no sítio sempre nos acompanhou com pessoa e fazenda. reuniu conselho de guerra. e senão vieram logo para o nosso arraial da Várzea de Capivaribe.Francisco. veio marchando detraz na retaguarda e todos 143 chegaram a várzea do Capivaribe com prospera viagem . Manoel Calado. fazendo toda a sua obrigação como honrado. "3-Segundo todas as probabilidades não sermos socorridos pelos do Recife. que os soldados gastaram. que mal se pode sustentar". e ele o fez como de seu valor se esperava. o qual foi em uma das canoas. foram rotos pelo inimigo. quando o inimigo trazia pelo mar náos de guerra e lanchas. pois sabemos com certeza que a maior parte dos nossos comandados pelo tenente coronel Hous. abaixo assinados. o qual com muito grande trabalho e dispêndio. Francisco de Almeida alferes reformado. O conselho de guerra resolvêo os seguintes artigos: "Nós. 126 . reunidos em conselho hoje 17 de setembro de 1645. João 142 Furtado de Mendonça. pois. com que defender as nossas vidas". isto é. Ganhada esta fortaleza a mandou o capitão Nicoláo Aranha arrasar. as mandou esconder em lugar seguro. O valoroso Lucideno. rendemos esta praça a partido": "1-As nossas munições de guerra. "2-Igualmente começam a escassear os viveres. Marcos Dias . Francisco Aguiar. também dez soldados da Bahia se avantajaram muito. que andavam sempre de vigia.M. como durante este cerco de perto de seis semanas.Gonçalves Marzagão. porém quero nomear os principais que nesta empresa se acharam. Não custou esta fortaleza cabedal algum a S. obrigados de imperiosa necessidade e movidos de poderosas razões que abaixo vão. que poupamos assim antes. mais que pólvora e bala. homem. capitão Nicolão Aranha. nem ferido. só digo que alcançaram a vcitória sem nos morrer soldado algum. oficiais do forte Mauricio no rio de S. os dous irmãos chamados os Brittos. porque o inimigo não tivesse esperanças de a tornar a possuir. foi porque era quase impossível o combatê-las por terra por ser a distancia de sessenta léguas e haver muitos rios navegáveis que passar e mais era grande o risco mandá-las em barcos. que fizeram fugir as lanchas até os deitarem pela barra fora: e este soldado é filho de um homem nobre. Eis ai as minundencias de Calado. assim dos da Bahia. por pedimento dos moradores. aonde estava a fortaleza. para nos aproveitarmos delas na primeira ocasião de importância. como já aconteceu". pois amanha será distribuída a ultima ração de carne". como dos da terra e lhe fizeram numero de sessenta. Fr. os capitães Gaspar Fernandes Villar a quem o cabo do capitão Nicolão Aranha proveo de uma companhia de bons e valerosos soldados. Gonçalo de Matos homem natural de Pernambuco. "E o caso suceder entrar por este rio em nossa assistência um ou dous barcos com gente ou provisões. Gonçalo Dias cabo da esquadra.M. resolvemos. Marcos de Oliveira alferes reformado. o capitão Pedro Aranha com vinte. Não temos. Capitulado e desesperançado Koyn de auxílios vindos do Recife. 64. o qual já tem perdido três filhos nesta guerra. sobre as condições de capitulação. acham-se ao presente esgotadas. mas com muita vontade e contentamento passou toda a nossa infantaria da outra parte do rio. com cinqüenta soldados.

"5-Tão pouco não tivemos meios de cortar a fortaleza. "2. Feito em nossa assembléia no forte Maurício. que por justas razões somos movidos a entrar em ajustes com sua nobreza a cerca da entrega da dita fortaleza. onde deve estar de continuo sete homens para a guarda e pronto socorro". que presentemente montão a oitocentos homens. "8. por entre a frota inimiga". segundo os estylos militares e aos seus foi anteriormente concedidos". ao general que mandar na praça. como pelo presente resolvemos. soldados. Era ut supra. caixas. a fim de nos escoltar livre e seguramente até o Recife. temos resolvido. bala em boca. depois de maduro conselho.O dito Senhor Aranha ordenará que um oficial nos acompanhe.Todos os rendidos. "1.Hans Pertersz.Huybert Dop – Hans Paap – Thomas Pouwelsz.Pieter Rotterdan. . Com essa força temos de ocupar: 1-a fortaleza cujo circuito é de duzentos e setenta e seis varas. negras e cavalos ". sem sermos molestados do inimigo e ali entregar-nos-ha aos nossos senhores. paisanos. fazemos saber ao honrado Senhor Nicoláo Aranha. "7. A nossa gente valida não excede a 147 soldados. "4. poderão retirar livremente e intacta as suas bagagens. corda acesa em ambas as partes. Smit. poderão igualmente levar seus negros.um parapeito na extremidade das pedras. "5.Antes de partimos seremos supridos com as necessidades vitualhas de modo que possamos fazer convenientemente a nossa viagem".O Senhor Nicoláo Aranha nos fornecerá embarcação capaz que nos transporte com as nossas bagagens para o Recife". sabemos que crescem de dia a dia. "6-A guarnição. antes da nossa chegada. pois. e as muralhas recentemente levantadas acham-se arruinadas e abatidas em conseqüência das continuas chuvas. "Assim que cada homem tem que ocupar perto de duas varas de terreno.Wolf Reurseits – Philip Schacht – Thomas ReBarent Vlieger. judeus. é impossível prevenir que se rebele". para o qual fins lhe deputam o capitão Philip Schacht e o escabino Lubbert van Coeverden". mal alimentada. começa a sentir-se fraca e desalentada que.Lubbert van Coverden. Francisco.. "Por estas e outras considerações. D. ao todo cento e noventa e sete homens em estado de prestar serviço. sem mais sermos encommodados. mulheres e meninos. pois.O Senhor Nicoláo Aranha conceder-nos-ha podermos sahir todos para o Recife. comandante das tropas portuguesas no rio S. que com tão poucas forças é impossível defender tão largas obras contra adversários numerosos". não há palissadas em terra de fortaleza. com bandeiras despregadas. Koyn. 2.Soltara e permitira que nos acompanhem os prisioneiros que se acham em seu poder". 3. dentro dela não se pode haver a terra necessária para levantar outra muralha". uma vez que sua nobreza nos conceda as seguintes condições e artigos. ao passo que as nossas. entrar amanha. o mesmo oficial nos entregara. caso o Recife se ache em cerco.Boudewijn de Jager. de modo que por fora é fácil galgá-las.Permittir-nos-há a levar três canhões de seis libras de bala com a sua carreta". em ajustes com o inimigo e aceitar as melhores condições que deles podemos obter. indicando as experiências militares. "3. a continuar este estado de cousas.O official que nos escoltar será obrigado. "6.V. trinta homens de trem e vinte paisanos. Em fé do que assinamos este termo com os nossos próprios punhos"."4-As forças inimigas. a conduzir-nos livre e desempedidamente a dita praça. e caso o Recife se haja rendido. 127 . 18 do corrente. todas as armas. "Nós oficias abaixo assinados reunidos na fortaleza Mauricio. desnudada. e este dar-nos livre passagem para a nossa pátria". como assenta sobre pedras. Está. Além disto como se sabe. arcos e caixas. como é manifesto vão pelo contrario diminuindo.uma obra exterior de sessenta varas diante da porta para defesa dos carregadores de água. vigiando continuadamente nas muralhas.

secretários. quartel-mestre. sargento. Sahirá a guarnição com armas ao hombro. "5º Forneceremos um barco em que vão os feridos. "4° Não se tocará nas roupas das mulheres. mestres de obras. porém. Sahirão com suas armas até onde nos aprouver.O capitão Aranha não aceitando todos os artigos. Willem Sloot. não vim para lhes fazer guerra e sim para ajudar os moradores. Francisco.Todos os oficiais. Feito em conselho no forte Mauricio ao rio de S. concederá o Senhor Aranha que as separemos das hasteas. caso não possamos levar as nossas bandeiras. declaramos que. Cinco paisanos poderão conservar seus sabres enterçados. sem serem visitadas". e estes não me permittem de modo algum que eu mais conceda. que não serão revistadas". Koyn. acompanhados de um capitão. para a Bahia. poderão levar seus negros e negras para lhes carregarem as bagagens". "3. escabinos. poderão ficar comigo na fortaleza o tempo que lhes parecer. acceitamos as condições que acima ficam e dellas somos contentes. V. poderá mandar no barco uma arca com suas bagagens. Francisco Lopes de Maltos. na margem norte do S. "2 Os officiaes levarão suas espadas. Philip Schacht. D. serão transportados com escolta para a Bahia em embarcação capaz.Os doentes e feridos. Em fé da verdade assignamos todos o presente termo. mulheres e meninos. tambor batente e b~ndeiras tendidas. Boudewijn de Jager. submetendo os seguintes ao seu parecer: "1. "2. Valentim da Rocha. Outrossim. sem serem revistadas as suas bagagens". Diago de Oliveira. "Nós. que obriga-se alli entregar suas nobrezas. "5. . isto é. ate 21 de setembro. Adriano da Rocha. "Eis o que concedo aos hoHandezes. Nicoláo Aranha Pacheco. pois não podemos mais obter. Pieter Boiterdamo Lubbert van Caeverden". Walf Keseits.Dar-nos o prazo de três dias. Aos officiaes principaes serão dados cavallos que os transportem para a Bahia. Thomas Pay. Francisco.Cada um dos oficiais.Conceder-nos-ha levarmos as bagagens que os nossos escravos e cavalos poderem carregar. bem como as mulheres e meninos. Pedra Aranha. 9 º Conquistado o forte Maurício.. segundo as praticas de guerra. alferes. passei o presente papel hoje 18 de Setembro de 1645. Hans Pietersz Smit. Em 'dito barco serão embarcadas as bagagens dos que as não poderem levar por terra. morrões accessos. cortavam-se 144 Diário de Matheus van den Broeck 128 . a saber: capitães. tenentes. Pra partirmos conforme as praticas militares". comissários e auditor. Serpa de Lacerda. paisanos e suas mulheres. a deputação teve de voltar. pois os moradores não permittem conceder maior espaço. " 3 O prazo que concedo é até as 8 horas da seguinte manhã. "4. bala em boca. officiaes do forte Mauricio abaixo assignados. G-aspar Fernande-s Vilar. "Os paisanos poderão sahir com sua roupa e mochilas. concederá levarmos nossas armas brancas". Resposta do Capitão Aranha: "1º Serão todos enviados.Depois de havermos deposto as armas. E para que isto não falte. pois. "6. os officiaes principaes. Rans 144 Paap.

exaurida pelas sucessivas destruições das lutas e das guerras. tanto mais assustadora. rendiam-se as duas fortificações dos holandeses. e outro no rio Real. pela sucessão de vitórias. situadas no limite sul do seu domínio. trazidos de diversos pontos. tinham edificado dois fortes: um em Vaza-Barris. Além de novos membros para o governo. acampados em Bom Jesus. não só para alimento do exército. João de Souza. quanto da metrópole não lhes vinha nenhum auxílio. que realmente chegaram a 19 de agosto. já contavam os dias. a fome e a indigência. onde causaram um geral desânimo. pedindo a capitulação. Sem combustível. cheia dê ruínas. que só de infantaria contava para mais de dois mil homens. pois. Cristóvão e no fortim de Sergipe. Schkoppe encarrega a Henderson a expedição a S. e entregava-se a capitania. Abandonando Olinda. como já vimos. de onde não podiam receber nenhum auxílio. por intermédio de Dirck Witte Paert e Lamberts. que a 27 de setembro partia. com o duplo fim de privar as comunicações da fronteira sul com o exército dos conquistados. sendo preso Hans Vagels. os holandeses que habitavam em S. Bem providos de munições de guerra e de pólvora. de Sergipe tiravam o gado. as horas. Era o trabalho de Camarão e Henrique Dias. Assim. Francisco duzentas cabeças de gado. comiam as carnes cruas. que desde esta época tinham permanecido em vigia. pois era impossível a continuação de um tal estado de coisas. entre os holandeses reinavam o desânimo. porém. encarregado deste serviço. juntamente com Koyn e Florys em uma caravela para Portugal. cercados pelo capitão D. de onde vinham importantes contingentes para o 129 . As guarnições de Recife e a fortaleza de Maurício. onde os holandeses. em setembro desde 1645. Perdendo os seus domínios do sul. que postaram-se na margem do rio Real. enquanto entre eles havia a abundância de víveres. enclasuraram-se no Recife. veio uma grande força militar comandada por Sigismundo Schkoppe e Henderson. Em suma. Francisco. Baldas de meios. As condições dos dois exércitos tornaram-se completamente desiguais. Enquanto entre os revoltosos reinavam o ânimo e a coragem. quando se rendiam ao cerco de D. os holandeses entravam em uma fase de decadência. comandante do forte. indo só do rio de S. como diz Varnhagen. João de Souza. quando chegam-lhes munições por dois navios. às mãos dos seus primitivos conquistadores. Por certo era uma grande perda para o inimigo. Abriu-se assim o ano de 1646. como para mover as fábricas açucareiras. Aquele desde 1642 tinha sido derruba·do pelo exército dos conquistados. As condições mudaram. rendiam-se. botavam no fogo o último pão. batidos pela fome.as comunicações entre o Recife e Sergipe. cheio de horrores para os holandeses. chegaram a alimentar-se de gatos. cercados pelo inimigo que até lhes dificultava a água. a não conseguir que os holandeses se espalhassem pelo território. cães e ratos e desenterrar animais. Estavam para capitular. devastada. e a certeza de que em breve lhes viriam amplos auxílios. Depois de tentativas para retomar o Recife. Agora. A notícia destas vitórias chegaram ao Recife a 30 de setembro. de que não dispunham os seus compatriotas do forte Maurício e Porto Calvo. estavam no auge da fome e o exército já começava a· revoltar-se. Um arranco ia efetuar o espírito batavo para reaver o que já tinha perdido. privados de comunicação com o Recife.

até 4 de fevereiro de 1647. quando pensava La Montagne em uma vitória. Foi vítima desta imperícia. Somente no forte ficou o coronel Henderson. Sem a. sob o comando do tenente van 130 . sendo a mais notável a em que foi àssaltado o tenente La Fleur. e trata de levantar. os tenentes Jeronymo Helleman. postados em Bom Jesus. em dias de dezembro. A 16 de novembro desembarcam em Cururipe e daí marcham por terra para São Francisco. em Urubu. em lugar melhor. Francisco. Antonio Bailjaert. quando os fugitivos. perante eles. A 24 de outubro de 1646 parte o coronel Handerson com uma frota sob sua direção e do almirante Lichthard e como comissário Paulo Antony Dames. para vigiar o inimigo. entre índios e soldados. por ordem do Governador Geral. bloqueando o inimigo. largaram em caminho as armas e por isso. desprevenidos para a defesa e ocupados ainda em demolir o forte. a 29 de dezembro.200 a 1. alferes do capitão Schut. fazendo o número de 1. Jan Jansz van Yssendyck. a guardar e defender o território. correm espavoridos e galgam a margem sul do rio. e não podendo mais atacar pela retaguarda os inimigos. onde está edificada hoje a cidade de Propriá. meia légua distante do forte.300 homens. Por diversas vezes algumas partidas se fizeram. com toda a companhia que tinha saído para ver o inimigo. centralizouse no forte. Francisco até março de 1647. além da perda de cento e quatorze soldados. Killiam Snyder. aquele mesmo que em companhia de Schoppe tinha pesquisado em 1637. que. Henderson encarrega ao capitão francês Samuel Lambert (La Montagne) que com quase toda a guarnição.exército. ia realizar o plano de bloquear a Bahia. Seus habitantes. tenente de Gisselingh e Adriaen Mebus. menos os 500 a 600 homens que ficaram no forte. menor resistência. e congraçados em número de duzentos. onde. onde se achava o Capitão Francisco Rabelo. quando grande parte dela incorporou-se ao comando de Sigismundo Schoppe e do conselheiro supremo Simon van Beaumont. Henderson conquista a fortificação. assim como os capitães Daniel Kein e Gernil Schut. sendo composta de 13 navios. em que iam 10 companhias de soldados e 3 de índios. em presença do historiador Nieuhoff. depois de atravessar o rio. comandados por Francisco Rabelo. cujo corpo foi conduzido para o Recife e ficou prisioneiro o valente capitão Gisselingh. já em melhores condições de luta. um outro forte. Para punir a insolência dos atacantes. atacam um posto avançado de vinte homens. Fogem os duzentos combatentes que lhe deviam resistir e. Apresenta-se Samuel. que continuava a cercá-Ia. com 500 a 600 homens. a voltàr para Holanda. Henderson permaneceu em S. e onde estava postada a sentinela avançada. e fazer do rio uma base de operações e daí dirigir-se para o norte. O resto da guarnição que pôde escapar à destruição. sabendo do desastre em S.Middelburg. elas lhes foram quebradas aos pés e eles condenados. Faleceu. quando o inimigo ataca e cerca uma casa. Duas grandes perdas assinalaram este feito militar. Era uma força militar demasiada para debelar a resistência que pudesse encontrar em Sergipe. perde a ação pela emboscada de que foi alvo. o conde italiano Bagnuolo. e Joost Comam! e o Alferes . como desleais. vai atacar os sitiantes. pelo território sergipano. o bravo almirante Licththardt.

Era. onde achava-se Sigismundo. indo a guarnição para Itaparica. Ficava assim o holandês eliminado do rio São Francisco. convencendo-se a Companhia de autorizar a retirada de Henderson. manda o capitão Chain Fleury que foi cercado pelo inimigo. impossível a permanência de Henderson em São Francisco. pois. O próprio Henderson teria idêntica sorte. ficando prisioneiro com 40 soldados e 60 índios. querendo socorrê-los. que ficaram nas mãos. a devastar. o forte com os seus 300 soldados. desde setembro de 1645.Westwout. para sua alimentação. são capturados 50 a 60 soldados. donde tirava aos milhares de cabeça por dia. se não recua para. com um passaporte para a Holanda. Perdeu o holandês os currais de gado. dos sitiantes. Henderson. força insuficiente para romper as forças inimigas . em 1647 e do território de Sergipe. de onde os holandeses não teriam nada a tirar. 131 .

que foi substituído. por ter expirado seu triênio. na metade de século XVII. por ser cúmplice no assassinato de Cipião Cardoso. até então. Queixa-se da conduta do ouvidor Felipe de Almeida. provavelmente em 1648. sob o comando de Baltazar dos Reis.CAPÍTULO VII NOVO DOMíNIO PORTUGUÊS Depois dos acontecimentos descritos nos últimos capítulos. Daí a razão principal de cedo começarem os tumultos em Sergipe. quando uma geração nova veio substituir aquela que batalhou tenazmente para eliminar o inimigo. eles trouxeram conseqüências de algum valor. por sua chegada ao Brasil. em mais de meio século de colonização. entregando-lhe seus haveres e suas casas. o contingente que se tirava de seus currais para o sustento do exército. amontoada. Se foram estes os males que apontamos. depois que a capitania passou de novo ao domínio português. En suma. como conseqüentes das lutas e que destruíram uma pequena riqueza pública e particular. As explorações do holandês na zona ocidental da capitania. que preferiram perder seus bens a conviver com o povo invasor. que veio à capitania sindicar judicialmente da questão. que deu lugar à existência de uma opinião mais autônoma. a desastrosa indiferença de Nassau para com a colonização da capitania. substitui-o na administração pelo capitão João Ribeiro Vila Franca. sem o querer. Compreende-se perfeitamente que um povo que se acostumou a uma luta tenaz. Em sua administração. abriam entre si larga separação. Até sua capital foi reedificada. pela defesa de uma causa comum. quando passou novamente ao domínio da colonização portuguesa. como a que o historiador estuda da capitania de Sergipe para o norte. em março de 1651. as devastações que seu exército fez em sua capital. pelo capitão Francisco 132 . passou Sergipe novamente ao domínio português. Rodrigo Castelo Branco. motivaram as posteriores explorações a cargo de D. foram as causas que reduziram Sergipe ao estado de decadência a que chegou. foi Baltazar ele Queiroz. As três raças que. nos sítios e nas fazendas: a falta de humanidade no tratamento que deram aos seus habitantes. para motivarem maior atividade nos períodos subseqüentes. denúncia que motivou a demissão daquele funcionário e o despacho do licenciado Francisco Alves Moreira. aproximaram-se. onde nota-se tendência bem visível até mesmo para romper-se os laços de subordinação do governo da capitania ao da Bahia. O primeiro captião-mor despachado. nesse tempo. com Baltazar Barrinhos. que se sucedem até o fim de século. em 1650. durante anos. uma companhia de infantaria. a permanência do holandês em Sergipe deixou no espírito da sua população um gérmen de revolta. os hábitos de paz e harmonia. porque em uma carta a si dirigida pelo conde de Castel Melhor."encetar. com sacrifícios. As lutas feridas em seu território. a câmara de São Cristóvão saúda o conde. O território da capitania foi descoberto. ferido em sua cobiça pelas belas formações geológicas. que muito tarde quis . Permanecia em Sergipe. porque houve necessidade de ser percorrido. Historiemos os fatos. perde. que serviu de ponto de espia ao exército conquistador.

por ordem do governador.José de Araújo. estava-o igualmente Sergipe. Logo em maio. não dá execução a uma ordem do conde de Castel Melhor. como receita municipal e a revogação da ordem. sendo as seguintes as palavras textuais do governador à câmara de Sergipe: "e com a maior brevidade execute a ordem e possa este' povo (Bahia) se ver livre da necessidade em que fica. uso e logro da passagem do Rio Real. com recomendação expressa do governador ao seu delegado. a fim de auxiliar a reedificação da cidade. em 1651. Em março de 1651 foi Baltazar de Queiroz substituído pelo capitão João Ribeiro Vila Franca. As idéias de invasões inimigas dominavam os espíritos. ela pede permissão para lançar novos impostos. Antes do sergipano ser lavrador. que tanto ou mais do que a finta lançada pela câmara da Bahia. passaram a ser cobradas por um comissário. pela qual os curraleiros não tinham mais obrigação de acudir à defesa da cidade. era quase a única verba de receita. Voltam para Sergipe. contra essa resolução. em ocasião de rebate do inimigo. como queria a câmara de Sergipe. ficassem transitoriamente pertencentes à jurisdição do capitão-mor da Vila do Rio de São Francisco. hoje Penedo. foi pastor. 133 . escrivão da câmara e Francisco Curvelo. Verifica-se aqui uma lei geral da marcha das civilizações. Francisco e Japaratuba. e os interesses econômicos da capitania. Além desta reclamação. outro em 1652. um emissário. e não pelo poder municipal. até mesmo com o próprio governador da Bahia. como fintar o gado dos moradores de Sergipe. por serem indecentes os motivos. para que não promova mais inquietações e não se aproveite do cargo que exerce. Toda sua zona ocidental. constituída por terrenos agrestados. cuja administração foi de lutas. de quem ele era delegado. com os capitães Vicente de Amorim. para vingança de paixões pessoais. E uma razão de ordem étnica influiu para este resultado. dirigidos ao Ouvidor Geral. não pertencentes à sua jurisdição. Esta medida revela os temores da época . De novo reclama. Só na administração de Vila Franca. servia também para abastecer a população da Bahia. além do contingente econômico para formação da riqueza pública. As rendas públicas da criação do gado que. promove divergências. conduz para a Bahia trezentas cabeças. os quais enviam presos para a Bahia. A criação do gado era a profissão dominante nesses tempos. da companhia de infantaria. por questões de vaidade pessoal. que não só tomou a si resolver assuntos. naquele tempo. Além disto a formação geológica da capitania não deixava também de prestar sua influência. porque defendido o rio contra invasões inimigas. pouco próprios ao desenvolvimento de qualquer lavoura. A câmara de então representa ao governador contra a usurpação de suas atribuições. O maior peso específico da população era dado pelas gerações mestiças. tão contrárias às profissões de hábitos fixos. pela qual ordenava que os moradores da zona compreendida entre os rios S. com os documentos de suas faltas. prestava-se à criação do gado. pela da Bahia. e o exército que ainda lutava no norte. maior quantidade. Além desta desobediência de Vila Franca ao seu superior. O gado de Sergipe. prejudica suas atribuições. por quem foi julgada a prisão ilegal. pouco tempo depois da posse.

que é muito grande". A um deixe livremente vender e levar todos os generos que quizerem. no mesmo momento o mandarei privar delle e embarcar para Portugal. como devia no Governo dessa capitania o capitão·mór della Manoel Pestana de Brito. (Carta do conde de Atouguia à Câmara. com a informaçã. lh'a entregue logo que receber esta para o continuar em virtude da patente que tinha e debaixo do mesmo. nem eu faço caso dos sujeitos se não emquanto elles O merecem no posto em que os occupam. apresentando·1hes a patente . que em tudo é contrario ao que se me havia feito. Os excessos das denúncias da câmara ficam ainda provados pela seguinte carta do governador a ela dirigida: "Tenho entendido que excedem Vm ces. para o que fiz eleição do capitão João Ribeiro Villa Franca que esta ha de dar a Vms. Aos capitães móres é justo se tenha obediencia devida. pleito e homenagem que dela tem dado".o que 'lhe envio do mal que Vm.que lhe envio. os termos de sua jurisdição e o respeito que devem ter ao capitão mór dessa capitania Manuel Pestana de Brito em quasi tudo o que obrão. etc. havendo nesse procedimento do governo prejudicial precipitação. me moveram a mandar-lhe sucessor. se não houver nesse. a 9 de março de 1654.145 Origina-se profunda desarmonia entre ele e a câmara de S. Vmces. que timbra em não cumprir as ordens do administrador. a quem envia diversas queixas. Não O mandei para ella. a outros faça os favores. Tendo em março assumido a administração. pelas quais foi Pestana de Brito destituído do posto 146. em outubro.M. daqui em diante com tal moderação e compostura em todas as occasiões que saiba eu que são os que deve a confiança que fiz de sua pessoa para lh'o encarregar. pelas devastações e incêndios. de outubro de 1656) . para seus moradores padecerem violencias. entrega-lhe de novo à administração. por carta de 8 de outubro de 1655. Si Vm. para assim se augmentar a capitania e terem antes occasião de lhe louvar o bem que corresponde as suas obrigações que de lhe reprehender ou castigar defeitos nellas". porque as acusações da câmara ressentiam-se de excesso de paixão.. E tanto assim é. me parece o restituil-o a ella. se hajão com elle de maneira que me não cheeguem Em 20 de outubro dirige·lhe O conde de Atouguia a seguinte carta: "Aqui me tem chegado varias queixas de differentes excessos que Vm. na maior penúria. nas quais critica seu irregular procedimento. occasionando-se desse procedimento andar essa cidade em varias inquietações. Sergipe decadente. nomeado capitão-mar pelo conde de Atouguia. Deus Guarde. tomando posse a 20 do mesmo mês. E não me venha segunda noticia da indecencia com que trata os moradores nobres dessa capitania e impede aos de nossas condições o trato de grangearias. tem procedido. destituído Pestana de Brito do posto de capitão-mor. Acusa-o perante o governador. alimentava a Bahia! A Vila Franca na administração sucedeu Manuel Pestana de Brito. Não menos autoritário do que Vila Franca. que é justo. foi Pestana de Brito. Cristóvão. dirigindo a este a seguinte carta: "Pela boa informação que se me faz dos procedimentos do capitão mór Manuel Pestana de Brito. principalmente nos da aguardente que prohibe a todos o leval-as e vendel·as. quando lhe mandei suspender o exercicio do governo dessa capitania. em outubro do mesmo ano já recebia do conde de Atouguia cartas recriminativas e insultuosas. para ser substituído por Vila Franca em dezembro. 146 As queixas que se me fizeram do mau proceder. donde não há de participar bem a queixa que fizer a S. que tendo o conde de Atouguia. usa nessa capitania. Vmce. 145 134 .

É isto o que o historiador vê nos acontecimentos que se filiaram à· revolta de Bríto e seus companheiros.segundas noticias de que faltão a essa obrigação". ordenando-lhe entregue a administração ao sargento-mor Baltazar dos Reis. como. Violentamente prendem o vigário Sebastião de Góes Pedroso. Brito então revolta-se e torna-se o chefe do movimento revolucionário. convidando os habitantes de S. levados a isso ou pela indisposição pessoal. ouvidores e câmaras. que abalaram profundamente a ordem pública. Elas determinam um fato comum em todas as administrações. como repetindo queixas contra o capitão-mar. como o maior Por carta de 13 de outubro de 1656 foi nomeado Baltazar dos Reis Barrenho. exorbitavam. Cristovão à revolta. nas quais incontestavelmente envolvia-se acusação direta ao ato da reintegração. capitão·mol' de Sergipe. Os membros da câmara no louvável intuito de manter a autonomia de seus atos. que não abstiveram-se de repetir as denúncias. cuja aspiração era a instituição de um governo emancipado. a romperem os laços de centralização ao governo colonial e assumirem uma posição hostil as determinações do poder então existente. Compreende-se que a reintegração de Brito descontentou profundamente os membros da câmara. em agosto de 1656. dizendo que tinha razões especiais para chamar o capitão-mor. 147 135 .147 Essa resolução comunica à câmara. ou pela convicção de que o capitão-mor não girava nas órbitas de suas atribuições E dessa luta que se levantou resultaram sérios aconteciimentos. E essa dubieza de ânimo foi uma circunstância ocasional de revoltas. Ele não só não vai à Bahia. É clara e patente a indecisão do conde de Atouguia nas medidas tomadas sobre os acontecimentos de Sergipe. a fim de defender-se das acusações. desde quando ele mostrava-se fraco e indiferente a manter ileso o prestígio do seu delegado. Essas lutas caracterizavam a vida oficial daqueles tempos. não só negando posse ao ouvidor Diogo Pereira de Aguiar. Dependiam da falta de precisão nas atribuições de cada um destes funcionários que. entre os capitãesmores. livre do da Bahia. com os seus partidários. publica uma proclamação. O conde de Atouguia é obrigado a chamar em outubro do mesmo ano o capitão-mor a Bahia. contra a autoridade do governo colonial. dão provas de uma rebeldia de que se ia apoderando o espírito público de então. entregues às suas paixões e sem um regimento que traçasse com clareza suas funções.

soltam as presos e fica ela sob a ação dessa revolta. que conduziu duzentos mosqueteiros. perante a qual foi impotente o governo local.Rainha". 149 Cartas do conde de Atouguia ao capitao-mor Baltazar dos Reis Barrenho e a câmara de Sergipe. Então o conde de Atouguia despacha para Sergipe o desembargador Bento Rabelo.conselheiro da câmara. de onde é arrancado a força e conduzido pelas ruas públicas para alem do rio Piramopama. onde havia recolhido. por muito culpado. não tendo forças para sufoca-Ia148. a qual se tinha homiziado em casa de um amigo. 10 de janeiro de 1658. E isto motivou acres censuras a si dirigidas pelo governador. e porque convem semelhante caso não fique sem castigo me pareceu dizer-vos e encommendar-vos. como fizeram. Os revolucionários tomam conta da cidade. 150 Manoel de Barros foi nomeado capitao-mor aos 15 de janeiro de 1657 e esteve no governo ate maio do mesmo ano. a quem o governador dirige sucessivas cartas. recebendo para isso auxílios do capitão João Ferraz Barreto. até meado de fevereiro não tinha alcançado debelar a revolta. também despachado para a capitania. Sendo improfícuos os meios postos em pratica por Baltazar dos Reis Barrenhos. de cuja occasiao sua mulher ficou ferida no rosto e levando o dito vigário preso pelas ruas publicas o levaram além do Piramopama. e tomam a si o encargo de dirigir as destinos da capitania. tão franca a desobediência dos revolucionários a autoridade do governo colonial da Bahia. Eu El·Rei vos envio muito saudar. etc. foi tirar a capitania de Sergipe d'EI-rei das culpas e excessos que alguns de seus moradores commetteram contra meu serviço e contra o vigário da vara e da Parochial Igreja da mesma capitania Sebastião Pedroso de Goes. penetram na cadeia. e substituído por Manoel de Barros150 em janeiro de 1657. se eles repugnarem as ordens de paz e obediência. a quem prenderam com violência em casa de um Thome de Aguiar. que desde outubro assumira a administração. os quaes assaltaram a mesma casa. onde fica detido e vigiado por sentinelas. a fim de abrir devassa do procedimento dos revolucionarios e prender Manoel Pestana de Brito. Eram de tal ordem os acontecimentos que se desdobravam em Sergipe. onde o deixaram com guardas e indo depois à cidade soltaram três presos que nella estavam e mandaram lançar pregões para que todos os moradores do termo se ajuntassem na cidade de S. por escapar da fúria dos amotinados. em que entrou o capitão·mor Manoel Pestana de Brito. abrindo buracos nas paredes para entrar nella. Tendo o desembargador partido da Bahia em começo de dezembro. governador e amigo. 136 . chefe do movimento. 148 Francisco Barreto. com força armada149. Voltam para a cidade. ordenando que debele a revolução e ponha em pratica os meios mais enérgicos. contra aqueles que promovem tantos males. que o conde de Atouguia dirige a seguinte carta ao seu delegado: "São tão grandes os desaforos dos moradores dessa capitania. que. por esperar se reduzissem ao socego e obediencia que convinha. de que resultou pronunciar o dito Bento Rabello cincoenta e oito pessoas a prisão. que me obrigam a chegar com eIles aquelle ultimo rigor que até agora repugnei. Lisboa. sendo posterioremente reforçada pelo sarrgento-mor Pedro Gomes. cujos habitantes fogem. com ordem do conde de Attouguia. . para fazerem a que se lhes ordenasse. Christovão. sem atender mais as ordens do governo da Bahia. Havendo mandado ver o que escreveu o desembargador Bento Rabello e alguns papeis que me enviou sobre a devassa. de 18 de dezembro de 1656.

sendo confiscados os seus bens. porque. os castigue com tal demonstração que sirva de exemplo a todos e todas as mortes e effusão de sangue que deste excesso resultarem tom a sabre mim para dar conta a S. Manuel de Barros só esteve na administração até maio. e um movimento emancipacionista por parte daqueles que acompanharam e prestaram adesão a causa levantada por Pestana de Brito. aos oIhos do observador.o governo. em vista da incoerência. para quietação o commum daquella Republica. da falta de energia do conde de Atouguia. a primeira que se opera em Sergipe. Bahia. 3 de Fevereiro de 1857. mostram exuberantemente uma aspiração de liberdade. restringindo as liberdades públicas. . 137 . Fez parte do combate que se feriu com os holandeses no Rio Real e achava-se em Sergipe. quando eles incendiaram a capital. que seja notoria a causa com que Vm. da indecisão. com a infantaria que tem e com a que agora lhe mando remetter neste barco. O que ressalta. estando nomeado capitão-mor Jeronimo de Albuquerrque. Aqueles. chegar a elle sobre todos os precedentes. vir nelles movimento algum contra as ordens deste governo e execução das que levou o desembargador Bento Rabello. possa estar sempre superior no poder e no posto. a qual serviu de exemplo e justificativa as revoltas subsequentes. que e toda sua companhia. uma aspiração para salvarem-se as Iiberdades contra a prepotência de Brito. Vm. pelo respeito as liberdades populares. Seus feitos vêm consignados em sua carta patente. prestou juuramento na Bahia em março de 1657 e tomou posse em 26 de maio do mesmo ano151. estará sempre com a vigilância que pede a naturesa dessa gente. O historiador nela não vê por certo. "E para que Vm. Nessa determinação ele não se deixou inspirar pelo interesse do bem publico. que foram entregues a justiça publica e conduzidos para a Bahia. Jerônimo de Albuquerque não ficou isento de ser o alvo do desacato e 151 Jerônimo de Albuquerque representou importante papel nas lutas com os holandeses. elegera o que lhe parecer melhor. Deixou-se mais arrastar pela paixão. porem. cujos delegados abusavam do poder. Só em março foram sufocados os tumultos. com a prisão de Brito e de seus companheiros. de emancipação. M" porque na rebelião fica justificado o rigor que merecem. Foi uma revolução verdadeiramente política. que não deixou de prejudicar com o seu autoritarismo. contra uma força eminentemente respeitada e acatada naqueles tempos . por carta regia de 10 de novembro de 1656. É este o primeiro sintoma de uma revolta do espírito público de Sergipe. sem a exaltação do despeito."Se ainda continuarem os successos e Vm. para o sustento da tropa que efetuou a diligência. mas porque esta resolução ha de ser no ultimo desengano da obstinação de seus moradores e no cuidado de novas perturbações e tumultos.Conde de Attouguia". E é este o lado instrutivo da revolução de outubro de 1656. no modo por que resolveu a questão de jurisdição entre ele e a câmara. Esta carta e bastante eloquente para mostrar a gravidade dos fatos. porem. Não obstante o rigorismo que houve na punição dos culpados dessa primeira manifestação de uma independência do espírito popular. contra o governo. as fazendas e os engenhos. todavia a capitania não entrou na ordem e na paz interna dos tempos passados. que o acompanharam.

que se esses moradores não experimentassem tanta brandura.. Além disto. cujos habitantes são incomodados pelos negros. abandonando as fazendas. por parecer prudente. a fim de acudirem com urgência às reclamações da segurança pública.Se o fundamento que Vm.. o do Lagarto. não obstante a punição infligida pelo desembargador Bento Rabello. nos diversos distritos. Agora o levante não se restringia aos homens de representação. em suas lavouras e gado. E são de importância as medidas tomadas por Jerônimo de Albuquerque. requisita força militar que Ihe garanta e conserve o prestígio de sua autoridade. em vez de abafar a revolta. Isto motiva excursões pelos sertões. 153 152 Carta de Francisco Barrenho a Jerônimo de Albuquerque de 27 de fevereiro de 1658. compreende como medida de alto valor. dividir Sergipe em distritos. e censurado por isto pelo governador. As pesquisas judiciárias que continuaram a ser feitas para punir os infratores. em deixar perder o respeito. Itabaiana. repetindo idêntica excursão em novembro do mesmo ano. Estende-se aos negros que fogem. 153 138 . Finalmente em 1671 vemos Fernão Carrilho prestando seu concurso na destruição dos mocambos da capitania. Rio de São Francisco. contra os infelizes índios. para reunirem-se em mocambos e aos índios que não perdem ocasião propícia para assaltar os habitantes de São Cristóvão. se faça respeitar e obedecer. não teriam elles tanto animo". como os mais antigos distritos. tem foi então ceder a exigência do Juiz. Encontramos já. nessas bandeiras. para se me queixar de que se Ihe atrevem. Com ordens positivas de manter a ordem. Albuquerque toma a providência de reunir os índios em uma aldeia. Em dezembro de 1661 parte Antônio de Faria com oitenta homens para prender os índios. estimulava-a. Cotegipe e Piauí. por ordem do governo colonial. e oferece excelente oportunidade para saciar-se a febre escravista. Vm. da qual extraímos o seguinte trecho: " . Em vista destes sucessivos ataques à propriedade e à segurança individual. pelo temor da pena. junto a São Cristóvão152.. pois teme que excessos semelhantes aos de outubro sejam praticados. que se rebelavam e oprimiam os moradores. De espírito tímido e receoso. agora parece que não faz Vm. O que deve a sua obrigação.desprestigio par parte dos membros do partido revolucionário. em carta de janeiro de 1658. para onde manda destacamentos. Nesta mesma data foram nomeados os oficiais que tinham de comandar os destacamentos do corpo de ordenanças. que ainda continuou a existir. de onde devia tirar a força precisa para essas excursões. em Vm. em janeiro de 1662 é despachada uma expedição aos mocambos de Sergipe e em outubro de 1663 o capitão Simão Fernandes Madeira vai aos mocambos de Itabaiana.

para cumprir as ordens que. cujo substituto foi Ambrósio Luiz de la Penha. o sejam em gênero. desde dezembro de 1667. 156 Por carta de março de 1667 o conde de Óbidos chama-o à Bahia. levando ao conhecimento do governador as faltas por eles cometidas e nos negócios da câmara. De suas atribuições. tendo se esgotado o provimento de AIbuquerque. o ouvidor Bernardo Correia Leitão. 139 . As sucessivas questões de jurisdição que provocavam lutas entre os provedores. por nomeação régia de 21 de janeiro de 1662. que a todo o momento esperava-se. prendeu. na fazenda e nos cargos de justiça. Em seu governo. Substituiu a Alvaro de Freitas. a marcha dos negócios públicos à intenção do legislador. Solicitou sua demissão e foi despachado em dezembro Alvaro Correia de Freitas. 155 V. tomando posse a 8 de abril de 1666.155 Foi com este regimento que Alvaro de Freitas e seus sucessores administraram Sergipe. salientamos as seguintes: não ter competência para fazer provimento na força pública. D. prisão que foi relaxada pelo governador e por cuja causa escreveu ao seu delegado uma carta acrimoniosa. ter o direito de suspensão. para mandar-lhe força militar. baixou o regimento dos capitães-mores. fiscalizá-los. Só em janeiro do ano seguinte prestou juramento e tomou posse. senão interinamente. Em sucessivas cartas de janeiro de 1668 ao seu delegado. pelo qual o conde de Óbidos. em vista do estado de pobreza de seus habitantes e pede para em vez de serem pagos em moeda. tinha-se distinguido nas guerras de Pernambuco. Antônio de Alemão. as repetidas queixas dos moradores. ouvidores e capitães-mores. João Ribeiro Vila Franca. a quem sucedeu. para explicar as razões por que não deu execução à provisão de um empregado. não ter a menor interferência nos negócios de fazenda. entretanto. que pertencia ao provedor. podendo. pois as lutas continuaram. foi nomeado capitão-mor Francisco de Braz. como Albuquerque. passando o governo ao capitão Alvaro Correia Leite. contra os excessos das administrações. daí em diante. não correspondendo. Em 1663 o ouvidor Bernardo Correia Leitão enceta uma devassa contra seus membros por terem protestado contra o lançamento e a cobrança do tabaco. como para a paz com a Holanda. no qual incita o patriotismo do povo para 154 Neste ano Sergipe começou a contribuir com o tributo anual de 80 mil cruzados para as despesas da Princesa da Grã·Bretanha.Em maio de 1659. e ainda mais. Além deste imposto Sergipe já pagava outros. em janeiro de 1662154. não ter atribuições para fazer concessões de terras devolutas. que. sem. lutou com grandes dificuldades. autorizou-o a publicar seu bando por toda capitania. Logo no começo de seu governo156. Vasco Mascarenhas. Regimentos dos Capitães-mores de lº de outubro de 1663. aliás. recebia de Alexandre de Souza Freire. para serem sancionados pelo governador. para o sustento da infantaria. não ter a menor interferência nas atribuições do ouvidor e oficiais de justiça. Por carta régia de 10 de fevereiro de 1665 foi ele nomeado capitão-mor. Encontramos diversas cartas em que a câmara de Sergipe reclama contra o peso dos impostos. foram as causas do ato de 1º de outubro de 1663. a fim de defender a Bahia da invasão de uma armada holandesa. por questões de jurisdição. a falta de um regimento que catalogasse as atribuições dos capitães-mores.

a ponto do povo reunir-se e depô-lo. 140 . e da fidelidade de seus moradores de que tão honradas noticias tem de que o obrarão todas as vezes que a Bahia os houver mister". Rio S. e esta praça o experimenta assim. Neste tempo foram feitas diversas nomeações de militares para os diversos distritos de Sergipe. à qual competia principalmente assegurar a ordem pública nos distritos. em lugar de mil. ampliou-se. seja reduzida a quinhentas arrobas e paga em dinheiro. A câmara de São Cristóvão. com a criação de uma companhia de ordenança.157 Só de Sergipe tinham de marchar duas companhias de innfantaria. seu capitão mor recebia ordens de enviar três mil cabeças de gado para os campos da Torre. não é justo que se defira aos aliados dessa e muito menos que sejam Vmes. 157 Na carta de Alexandre de Souza Freire. espera da camara que se adiante sempre no serviço de S. além de um corpo de homiziados e negros fugidos. cem homens de cavalaria.Carta aos officiaes da comarca de Sergipe pelo governador de 7 de janeiro de 1668. 159 Na carta de nomeação de Matias Leal. Sua criação.pegar em armas. quer pelas vexações das contribuções.159 Temos visto até aqui que a paz e a ordem não se tinham restabelecido na capitania. contra a invasão inimiga. quem o solicitem". pede para que a contribuição em que a capitania foi fintada de mil arrobas de tabaco anualmente para a paz da Holanda. quando foram feitas diversas nomeações para as diferentes circunscrições. no intuito de aliviar o peso dos impostos. Além desse contingente. sob o comando de um coronel artilheiro. por que a occasião da guerra que se espera. Se até aqui os antecessores de Alemão tinham caracterizado seus governos ou com o motim popular. não passando a pacificação que se revelou na administração de Antônio Alemão de uma pacificação puramente aparente. em 7 de janeiro de 1668. vemós o seguinte: ". E uma deposição nesses tempos em Sergipe.. O abuso do poder provocou esse levante em um povo eminentemente ordeiro e obediente. etc. revela já os primeiros delineamentos de uma integração na opinião. seu sucessor que foi Jorge Rabelo Leite (1670) deixou impressa na opinião a maior animadversão. Francisco. em Sergipe. dirigida ao Capitão-mor. para capitão da companhia de ordenanças de Sergipe. O descontentamento lavrava latente pelo espírito popular. quer pelo procedimento dos administradores.. data de 1668. como Itabaiana. a exemplo de que nesta praça resolvi se formasse a qual serve agregada a um dos terços deste presidio etc". que Sergipe prestava. a fim de servirem de sustento aos soldados e ao povo. M. reclamação que não foi atendida. ou com a sucessão de queixas levadas ao governador. 158 E quanto a pretender esse povo a satisfação do dote e paz só com quinhentas arrobas de tabaco.158 A guarnição que até então compunha-se de uma companhia de infantaria. também é negócio em que por ora não se pode tomar resolução. vemos o seguinte: "Porquanto convém que todos os homens de negocio. além de demonstrar tendências autoritárias do poder público. forasteiros da capitania de Sergipe d'El·Rei se organise uma companhia de infantaria de ordenanças. não dá lugar a ella. pertencente ao presídio da Bahia. na defesa da Bahia. Lagarto. . de abril de 1668. Os desmandos do ouvidor Sebastião de Lobo motivaram seu desterro (1663). pelo numero de infantaria que é preciso pagar e quando os moradores desta praça padecem com tanto excesso.

como ainda o prenderam. e agora diz Vm. não póde o povo por si depôl-o do lugar em que S. A espontaneidade com que procederam os membros da Câmara. por onde pudéssemos estudar suas cláusulas e ver se a opinião popular capitulou perante as ordens do poder público.. 161 Carta de 4 de dezembro de 1670 de Alexandre de Souza Freire. o pôz. o sargento-mor Manoel Faleiro Cabeça. Em vez de descrevermos os acontecimentos. continuando-se por evitar que se livrarão do castigo. deu lugar a uma anistia. depois de sua primeira manifestação na administração de Pestana de Brito. 141 . manda a este respeito. decretada por Alexandre de Souza Freire (abril de 1671). com gente branca que pede. que foi aceita pela Câmara (junho de 1671). Não só Rabelo Leite foi retirado do governo. como ele e outros tiverem de responder perante o poder judiciário pelas faltas cometidas. que está no Carmo. contra o elemento oficial. Eis o que dizia o governador ao capitão-mor: "Recebi duas cartas de Vm. estava este seu successo prognosticado. e poderia só adoçar este negócio si a camara arrependida do que fez restituis se o capitão e mór' antes que a gente que eu mandar para isso o faça. não encontramos esse documento de perdão. P . vae-se Vm. ao Lagarto e ordena dahi que o vão 160 esperar a Camara e os officiaes de justiça e milicia nas Quebradas . que me tracta sobre as cousas de José Rabello e Leite e ainda que seja tudo que V. o ouvidor Francisco Curvelo e o escrivão da câmara Aleixo Cabral que. Domingos de Loreto: "De 12 de Novembro recebo uma carta de V. porque então nada lhe valerá e V. o mandei restituir e os officiaes não só o não receberam. Eis ainda o que dizia o governador ao franciscano Fr. presos e acorrentados. lhe póde aconselhar como religioso o que lhe está melhor. sendo excluídos do perdão. Em sua carta patente vemos que sua nomeação liga-se ás lutas entre o povo a câmara e o capitão-mor. Por maiores que fossem os nossos esforços. restituindo Rabelo Leite (dezembro de 1670).Vejamos. 160 Lugar que existe na 'estrada de Itaporanga para o Lagarto. outra de 20 e antes que Vm. onde não se sabe se tem a vida segura e 161 antes disto queria fregir a todos". A. uma de 13 de Novembro. com cem infantes e ordens terminantes para garantir e levantar o prestígio da autoridade. que representa o ponto culminante a que chegou a revolta da opinião. depois da reintegração. o governo de Rabelo Leite. seguiram para a Bahia. cinco léguas de Sergipe e havendo Vm. mulatos e negros com armas de fogo e trombeta adiante a degolar. porém. mas isto não basta para fazer um povo desleal. de entrar com os braços abertos para todos. P . e assim chamado pelas grandes grutas que existem. oferecemos ao leitor a transcrição dos seguintes documentos. pois a elles lhes convem mais acertar em 162 cousas que lhes podem custar a vida e a fazenda". como mais culpados . não se conformaram com o Regimento que S. Chega Vm. e A intervenção do religioso foi benéfica. me diz. A. nomeado capitão-mor por portaria de 27 de junho de 1671. 162 Carta da mesma data e do mesmo governador. Os capítulos que deram delle se verão na Relação e posto que as culpas fossem grandes. antes que chegassem os capitães Manoel da Costa da Câmara e Domingos Antunes da Costa. P . na devassa que abriu o desembargador Antônio Nabo Peçanha. Rabelo leite foi substituído por João Munhos. porque o povo restituiu o administrador ao seu posto. Eu não gabarei os ruins modos de José Rabello Leite. sahisse da Bahia. a Igreja Matriz e dahi sae para a Camara a cavallo.

a que se poderá recolher tanto que o capitão-mor estiver satisfeito. e conservação do povo envio o dito capitão-mor João Munhos. a quem necessariamente se deve dar soldo com o exercício que leva e esta se registrará nos livros da Secretaria do Estado e nos da Fazenda Real em que estiver registrada a mesma patente para que a todo tempo conste esta minha disposição. conciliador. para que realmnte fique satisfeito de tudo. por isso que a fazenda continuou a pagar os de Rabelo leite. o que há por mim encarregasoa Vmces. a fim de esperar a senteça final do poder competente. que emquanto se não devassasse de seu precedimento para se avriguar o merecimnento delle. Bahia ejulho20 de 1671. Nada podemos adiantar sobre o resultado da devassa. Christovão que nesta se acham em nome do povo daquella capitania se ajustaram em fazer por conta delle o mesmo soldo ao dito capitão.mor em quanto da Fazenda Real se continuasse ao dito José Rabello de Leite o que vence em razão do dito posto que por justas considerações do serviço de S. por ato de 18 de junho de 1671. para aquiescer com as clásulas que foram oferecidas. Guarde deus e vimces. todavia S. 2º) que. E tenham entendido que em quanto completamente não estiver satisfeito de todas as suas dividas José Rabello Leite há de assitir um dos officiais dessa Camara nesta praça. na aquiescência que prestou ás cláusulas do perdão. Realmente desempenhou cabalmente a dificil incumbência que tomou a si. E porque não será justo que elle fique perdendo o cabedal alheio e sem que nessa capitania metteu por sua contra e ficou de seusmoradores: Vmces. Suas 163 “Porquanto suspendi o exercicio do Governador da Capitania de Sergipe ao capitão José Rabello Leite que della se ahavia a esta praça por lhe não consentir a câmara e os moradores della a restituição que este governo olhe mandara fazer do dito cargo e convier ao serviço de S. 142 . fazendo desaparecer a excitação dos animos e trazendo a capitania à paz e ordem indispensáveis à sua prosperidade. não obstante o governador não ter atribuições para conceder esse perdão aos povos de Sergipe. a fim de ele não voltar a Sergipe. era o único capaz de assumir seu governo. em sessão de 1675. para não promover novas alterações da ordem publica. representando nela um papel pacificador . o poder publico cedeu naquilo que constituía a maior aspiração do povo – a retirada de Rabelo leit. Essa aspiração era tão positiva. que o povo e a câmara obrigaram-se não só a pagar os ordenados do novo capitão-mor. lhes façam cobrar summaria e executivamente tudo que por créditos e clarezas equivalentes constar se lhe está devendo. que hora envio a governar a mesma capatania e a tenho mandado registrar nos livros da fazenda Real.Affonso Furtado de Castro de Rio Mendonça. enérgetico e que nas condições anormais em que se achava a capitania. A. por quanto aos officiais da Camara da cidade de S. como resgatar suas dividas164. Affonso Furtado de Castro do rio Mendonça. do governo.e isto foi feito. honesto. desde quando descansaram na legalidade do voto de graça. senão que o conselho ultramarino. até a publicação da sentença da justiça163. É este o primeiro regimento dado a um capitão-mor de sergipe. resolveu: 1º) que os excetuados do perdão fossem soltos.Se a vontade popular cedeu.. Seu governo foi longo e proveitoso. vença o seu ordenado sem embargo de em o haver concedido na patentye que passei ao capitão-mor João Munhoz. 164 [. O governador teve de conceder outro regimento a João Munhos. Critovão foram as de um homem prudente. Ordeno ao Provedor –mor della mande continuar ao dito José Rabello Leite o ordenado quem tem na folha.] os officiais da camara que nesta praça praça a se acham me representaram que a mesma câmara e povo dessa capitania se sujeitava a obrigava a não ser restituído no governo della José Rabello leite a fazer-lhe pagar tudo efectivamente o que estvesse devendo e se cobrasse sem dilação alguma e entregasse a seus procuradores. As credenciais com que Joao Munhos foi apresentado à câmara de S. A. de atribuições diferentes daquelas que já tinham sido discriminados no regimento de 1º de outubro de 1663. A.--.. Bahia e julho de 1671. devia sancioná-lo.

com a prudência e zelo que espero. e munição e de tudo me mandará relação muito distinta. onde lhes fará presente a patente que leva a nas costas della mandará fazer termo que assignarão aos mesmos officiais da camara da posse que em virtude da patente tiver dado. Mais havendo queixa das partes me dará conta. dando-me também conta de tudo que importar sobre estas matérias. 11—E porque S. se ajuste e venha para ir no anno que vem. encarrega que se faça guerra aos negros que estão fugidos nos mocambos de que 165 143 . em que considero haver muitos dignos. com declarações das terras. e se os que estão exercendo estiverem procedendo com satisfação.A. e conservação dos moradores de Sergipe d’El-Rei envio a alla apor Capitão mór ao capitão João Munhos de cuja prudência a zelo confio todos os acertos nas obrigações que lhe tocarem. 8—Também me dará conta muito particular de tudo. ao ouvido e mais ministros e officiais de justiças. que entender convém o abrar-se na dita capitania para sua conservação e sossego de seus povos. 5—A’ Camara daquella capitania remetti por via do ouvidor Francisco Curvelho velho uma Provisão com memoria de senado de camara desrta cidade de tudo o que se está devendo ao denotativo do dote e paz e muito particularmente encarrego ao dito capitão mór que com todo cuidado procure cobrar e remetter na forma della dito capitão mór que com todo cuidado procure cobrar e remetter na forma della a esta praça tudo o que se está devendo e não podendo se cobrar tudo para ir nesta frota a respeito das impossiblidades que resultaram das inquietações da dita capitania. 4—Com esta se lhe dará uma carta que lhe escrevo na forma que fiz a todos os capitães mores do estado para me mandar relação dos corpos que na dita capitania houver. A. conta a este governo. o que por seus regimentos se lhe ordenam. informando as pessoas mais nobres . aos outros o dito capitão passará as mostras dentro dos seus districtos.A. e idade que tiverem a qual vira firmada de sua mão para aqui se lhe assentarem as praças nas companhias que eu ordenar. na forma que eu já tenho ordenado ao provedor mór da fazenda. 9—Deixará exercer a Camara tudo que pela ordenação lhe toca.Procurará haver-se com a camara e moradores daquella capitania com todo o zelo que deve. mais a vendo queixa nas partes ou coluiu nas eleições. de ordenanças e de cavallos que houver na dita capitania na forma que semnpre foi estylo. ricas e capazes de os exercer . as capitanias de estado que vagando alguma companhia de ordenança. procedendo elles em seu exercício como são obrigados. 3--. entre os capitães móres e as camaras e para estas se evitarem a se guardar o que pelos referidos regimentos se tem disposto: ordeno ao dito capitão mor me dê conta dos que há no Regimento de auxiliares e ordenanças em toda capitania e me informe do seu procedimento e que sujeitos há beneméritos para occuparem.E porque na forma da ordem de S. como de outros que também o sejam para eu sobretudo mandar as patentes como me parecer mais justo. e eu lhe encomendo.E porque o regimento que se tem dado por esse governo aos capitães móres de todas. e sobre este particular tem havido naquella capitania algumas duvidas. A. e succedendo vagar alguns dos postos maiores. Cristovão dirá a carta que leva aos officiaes da camara. Pela qual se servio mandar que se dessem aos capitães móres daquella capitania os soldados que a este governo parece necessário. resolvi assistissem naquella capitania vinte com um cabo de que já leva cinco diste presidio: fará assentar praças. 6—Verá todos os officios que não tiverem provisão minha e proverá interinamente as serventias destes nas pessoas mais idoneas e benemeritas e de todas me dará logo conta para eu prover como me parecer e os providos serão obrigados a dentro de um mês apresentar provisão minha sem a qual não poderão continuar mais. de auxiliares.A. dêm logo. preferirá para serem de novo providos. e signaes que é estilo por-se na matrícula. procurá evitar uma e outra cousa. nella os quinze que faltam de que me remeterá uma lista dos nomes de cada um. para eu ordenara o que for mais conveniente ao serviço de S. Paes. e assim os providos por provisão de S. assim sejam dos actuaes. 10—Passará o dito capitão mostra em todas as companhias de auxiliares. para que se conservem sem pertubação. com a advertência que os moradores que forem vizinhos da cidade e não tiverem inconveniente em vir a ella. gente. na forma que na dita carta se declaro. lhes passará a mostra na praça e a todos os maes pelas grandes distancias.165 Por quanto por varias considerações do serviço de S. aramas. ordenanças e de cavallos . tractando-os benevolamente. mas de tal maneira que se não faça perder sempre o respeito com que deve ser obedecido e venerado como é justo. me dará conta. 2--. 7--. e minha conservará em seus officios. Hei por bem e lhe ordeno que enquanto nella estiver guarde a instrução seguinte: 1—Partirá para ella por terra com o ajudante que prover na mesma capitania onde lhes fará presente e chegando a cidade de S.atribuições ficavam bem determinadas.

não as podia pagar a tempo e a hora. E os que forem moradores dessa cidade. João Munhos solicita do governador licença para tratar-se. provocaram alterações na latitude do poder do administrador.” 167 Manoel de Abreu Sores foi nomeado capitão-mor por carta de 23 de dezembro de 1677. O dito capitão-mór se informará dos que houver e mandará a elles na forma que é estilo e os que forem dos moradores ficaram logo ali paragando o que é estylo e quintos para o capitão geral. em abriu de 1679. de sergipe tirava-se o alimento para a guarnição da Bahia. – Affonso Furtado de Castro do Rio Mendonça.166 A câmara que se achava a dever 1:782$000. morreu pobre. realizar o pagamento deste compromisso. pelo péssimo estado financeiro. A exploração foi feita com três serras. No seu governo que foi longo. Com despezas do rol do ponto de 12$318. das diversas fintas em que era tributada. deu lugar a que Castelo Branco se dirigisse para São Paulo. por D. Era possuidor de grande fortuna. Rodrigo de Castelo Branco. assumindo em junho a dministração167. chamados das minas de iatabaina em 32 dias. a qual foi concedida em maio de 1678. além de reclamarem um homem prudente à testa da administração. Se Munhos pôde remediar o estado de revolta da sociedade daqueles tempos. e que se estendeu até março de 1678. neste mesmo ano. que foi nomeado capitão em junho do mesmo ano. tinham depauperado a capitania e esse estado não servia de justificativa para que fosse ela dispensada das contribuições anuais. os fará remetter a ela toda a segurança e isto lhe hei. além das razões já expostas. em busca de minas. Depois de tão importantes serviços. deram-se as primeiras explorações de minas em Itabaiana. do meado do século em diante. como já dissemos. Em 21 de setembro trabalhou na serra dos macos e importou o rol do ponto em 8$239. Por um pleito em que envolveu-se sobre a administração do morgano da capela do desterro do rio Real. assistindo nesta administração como a contador Francisco Jose da Cunha. porque. para cujo pagamento vinham reiteradas ordens da Bahia. Os acontecimentos passados. em 1677. Bahia 18 de julho de 1671. costuma a ver algumas queixas. até 12 de agosto e importou o Rol do ponto deste pagamento em 35$836. 144 . que prestou juramento na Bahia. o estado econômico continuou precário. com a contribuição por parte de Sergipe de quinhentos mil reis para o sustento dos soldados que acompanharam o explorador. assumindo a administração o sargento-mor Antônio Prego de Castro. Tinha foros de fidalgo. desde a invasão holandesa. Isto contribuia ainda mais para agravar-se a situação financeira.As modificações operadas ligavam-se aos acontecimentos que se davam na capitania que. Além disto tirava-se o sustento das tropas que faziam entradas pelos sertões e à custa dos seus cofres pegava-se sua força pública. podê. “ 166 “Em 11 de julho de 1672 se deu principio a trabalhar no primeiro serro. até as revoltas que temos descrito. todas as vezes que qualquer noticia de invasão circulava. por scrivão João de Mayor e por thesoreiros o capitão de infataia Jorge Sores de Macedo . É descendente de Belchior Dias. desde quando o erário municipal. Desde dezembro de 1677 tinha sido nomeado pelo rei para o mesmo cargo Manoel de Abreu Soares. Em 20 de agosto se trabalhou no segundo serro das minas . por muito encarregado. e sendo de resultado negativo. Prego de Castro é o primeiro sergipano que mereceu a distinção de dirigir os destinos de seus concidadães. Em sua carta vem consignados seus feitos na guerra de Pernambuco. agravando-se de mais a mais. Foi educado por um professor vindo de Portugal.

contra o que protestou a camara de S. 168 169 Em 8 de fereiro de 1673 foi nomado o indio gonçalo de souza capitão da audeia do poxim. foram expulsos os índios da aldeia da japaratuba. Estendia-se por todo o país. não só no norte. Joana Pimentel. mais ou menos. onde exercitem suas missões. Em 1682 expede as mesmas ordens de cobrança. entrava o elemento oficial. Este indios depois requreram posse da terra da aldeia e obtiveram-na. 170 Em 21 de maio 1679 foi nomeado o alferez Pedro capitão da aldeia dos indios capajós junto ao rio S. acrescentando que. que inspirou a lei de 30 de agosto de 1689. Uma epidemia de varíola e uma febre semelhante à febre amarela. Canabrava. Nesse mesmo tempo. A informação do procurador da coroa é contra a requisição. ponderando que esta aldeia deveria ser destruida.E a falata de numerário chegou a ponto do capitão-mor dirigir-se ao rei. Cristovão. pela qual abriu-se na Bahia uma casa de moeda. em 1699. em vista da vida escandalosa que levavam. de acordo com as das autoridades de Sergipe. Em 1695 Frei Domingos Barbosa pede confirmação das terras que o capitão Belchior da Fonseca doou aos religiosos do Carmo. onde se cunhasse dinheiro de prata e ouro. sitas no rio Real . de produção da capitania. Em 1685 o vigário de S. o religioso Fr. por D. 145 . Essa crise não se circunscrevia a Sergipe. a quem os padres da companhia requereram lhes fossem entrgues 4 casas de indios. Levantavam-se lutas entre eles. Além de capitais. em carta 1ª de junho de 1679. Japaratuba. E não era pequeno o numero de aldeias que não existiam. Cristovão proibia expressamente fossem colocados. por isso que os escravos e alguns bens de raiz que iam à praça. não encontravam quem os arrematasse. onde os paulistas fazem novas entradas pelos sertões. Água azeda171. restituidas estas mesmas terras. Podemos enumerar as seguintes. a requerimento de Fr. Antônio da Piedade. junto ao rio S. que já tinham uma certa organização administrativa: Poxim168. Entretanto o governo central não pesava devidamente essas condições precárias. decretou a lei de 8 de março de 1894. 171 Está aldeia já tinha uma certa organização administrativa. Francisco170. desde o governo do conde atouguia. O número era mais que suficient para desfalcar da lavoura colonial o braço indígena. a exemplo de seus antecessores. como o tabaco. Aracaju169. Domingos e seu companheiro eram indignos do nome de missionário. E tanto assim é. Em Sergipe todas essas causas produziam seus efeitos. capitão da aldeia de aracaju. Geru. sendo-lhes. e permissão para os missionários nela edificarem igreja. os editais que o capitão mandava afixar. em vista das informações do governador. muita vez. nas quais. Em 4 de novembro de 1669 foi nomeado o indio jão mulato. As novas medidas legislativas sobre os Índios despertavam novas e incruentas lutas entre colonos e jesuitas. dezimava a população. no arco da igreja. pedindo permissão para que o denotivo fosse pago em qualquer gênero. Francisco. que o governo da metrópole para corresponder às informações do seu delegado no Brasil. açucar. dos Capojós. como no sul. o país inteiro ressesntia-se da falta de mantimentos. dando isto lugar à imigração africana. algodão. Os interesses dos agricultores julgavam-se prejudicados pela politica jesuitica. pela qual o plantio da mandioca era obrigatório.

Destas companhias saliento a que tinha por sede o distrito do rio Real. nas câmaras do Brasil. Sebastião Nunes Collares. Além destas companhias. o foi também em dezembro de 1674. o rei acabou com os lugares de juizes ordinarios. cuja jurisdição entendia-se da torre de Garcia D‘Ávila ao rio S. durante ele todos os elementos ficaram establecidos para ampliar-se o movimento colonial. o mestiço mais simpatizado naquele tempos. Além destes corpos. Realmente. Estas medidas provam que os sertões da capitania viviam infestdos de negros. desde 1646. Tomou parte nas lutas holandesas. A este corpo pertenciam as companhias de capitães de mato. ficante o de nova formação comprendido entre os rios Sergipe e Japaratuba. que compreendia toda a extensão do rio até a borda da mata de S . trazidos pelo capitão-mor e que não destacavam pelos distritos. já existia um corpo voluntário e intitulado – entrada dos mocambos—que nada recebia da fazenda. Tendo sido a capital da colônia dotada de privilegios identicos aos que gozavam as maiores cidades de metrópole. pela grande extensão (12 léguas) e pelo numero de habitantes (700). Belchior da Fonseca Saraiva Dias Moreya. Gonçalo de Lemos Mascarenhas. João e que era a sede dos mais temerosos mocambos. Escolhemos esta data não só como termo desse periodo. em dezembro de 1674. como deste capitulo. nomeado em janeiro de 1690 e assume a administração em junho172. sendo seu capitão-mor. Framcisco. tomando o ano de 1696. Presta juramento em junho e assume a administração em setembro. Os capitães-mores que sucederam a Manoel de Abreu Soares foram: Braz da Rocha Leite. nomeado por carta régia de 14 de março de 1687. por ter esgotado o triênio. Jorge de Barros Leite. Tendo sido criado na capitania uma companhia de ordenanças. Cristóvão. que em Sergipe tornaram-se célebres até mesmo nos periodos adiantados do movimento abolicionista. não só pela criação de novos funcionários. Terminamos aqui o estudo das administrações dos capitães-mores que se seguiram ao dominio holandes. Braz Soares dos Passos. 146 . é dividido em dois. Foi noemado seu primeiro cabo Sebastião Correia de Sá e incumbido de destruí-los. morador no lagarto. Presta juramento na Bahia e neste mesmo mês é apresentado à câmara de S. uma companhia de homens pardos. nomeado a 23 de outubro de 1692. Em 1674. nomeado a 15 de dezembro de 1695. Defendiam a cidade e a capitania de ataques de inimigos. como pela restrição ou ampliação das atribuições dos que já existiam. da qual o primeiro capitão foi o pardo Francisco de barros. A capitania tinha a guarnição de 50 soldados de infantaria. porque grandes modificações operaram-se. pelas quais a administração geral teve de obedecer a novos principios.Vimos que em 1668 a capitania já se apresentava dividida em distritos. como o termo de um largo periodo histórico. nomeado por carta régia de 14 de março de 1687. retirando-se em setembro de 1690. que atacavam a propriedade e a vida. a que denominamos período de formação. 172 Em sua carta de noemação vemos consignados srviços de ral valor prestados na guerra com os holandeses. a do Cotinguiba. e criou os lugares de juizes de Fora e corregedores das comarcas ou ouvidores.

Op. 173 174 Rocha Pita. Cit. que escolhe os vereadores e procurador que hão de servir nelas. desmemmbrada da paroquia de Nossa Senhora da Vitória. 147 . Por esse tempo diversos núcleos de população se tinhar levantado nos diversos distritos. Além disto. os oficiais das câmaras deixaram de ser eleitos por pelouros.Sergipe ficou reduzido a ser uma camaraca da Bahia. em 1679 a freguesia de Vila-Nova. Marcos de Souza . nesre msmoi ano a fregusia do Lagarto que foi elevada a vila em 1698. de que temos falado. Em 30 de outubro de 1675 foi erecta a paróquia de Itabaiana. remetendo-se agora as pautas dos eleitores ao desembargo do paço. veio uma nova divisão eclesiastica. em 1680 a paróquia de Sta. desmembrada da paróquia de Sto. por noemação passda pelo rei173. Amaro da Pitanga. Com a divisão distrital. como Alagoas de Pernambuco.. na Bahia. Luzia. sendo elevado a vila em 1698174.

em sua generalidade. reclamava uma medida administrativa que viesse corrigir esse estado. sob a tutela protecionista do jesuíta. ainda que em plano muito inferior. fizeram-les adquirir hábitos selvagens. reduzindo Sergipe a uma camaraca da Bahia. Acompanharam-no nesse abandono as duas raças. pois. depois de um abandono de alguns anos. o negro vivia a tirar do solo os fatores da riqueza. e é também a expressão de um protesto da raça contra a escravidão. com obliteração completa dos sentimentso de paz e de ordem. a vigiar o inimigo e a não escolher meio de luta para vencê-lo e eliminálo do território apossado. Além disso. no final do século XVII e sim a marcha geral dos fatos em todo o país. por conseguinte. por entre florestas virgens. E os sucessivos anos em que tiveram necessdade de levar uma vida de nômades. O mocambo é. na guerra da emancipação da pátria . Realemnte. foi uma medida de ordem geral. o colono teve necessidade de abandonar o trabalho agrícola e entregar-se a vida das armas. COMARCA DA BAHIA. Habituados as cenas de sangue. foi um efeito anticivilizador. E essa 148 . aproveitou a oportunidade da guerra para possuir a liberdade de força. depois do final da guerra. de sua atividade. O ato da coroa. Não era fácil e espontaneamente que voltaria ao trabalho. que essa tendência bem positiva da sociedade colonial. para o qual não influíram exclusivamente os acontecimentos dados em Sergipe. por pequnas causas. outros tantos focos de assassinato e de rapinagem. os negros. empenhado na guerra. As lutas com os holandeses dixaram no espirito do povo. pelo trabalho agrícola. Para conquistar o território usurpado. monopolizado em favor da raça branca. o trabalho. Compreende-se que o negro. e reunem-se em macambos. para não se perpetuar. de crimes e de desordens. não sentiam a menor repurgnância de praticá-las. e que ofereceram empecilho ao desenvolvimento das forças civilizadoras. Antes da guerra. sob a atrocidade de um cativeiro. E é esta feição que mais caracteriza a siciedade da colônia. para depois entregaremse a vida selvagem e criminosa dos mocambos que tornaram-se freqüentes. sem nada receber de seus esforços. na ultima metade daquele século. sem a fiscalizãodo senhor. um produto da guerra. a promover a alteração da ordem pública. uma tendecia à revolta. Compreende-se. abandonam as fazendas. onde a convivência com o elmento estrangeiro foi mais larga e demorada. e do índio. dirigindo-se a quase todasas capitanias que lhe igualavam em território e riqueza.LIVRO II EXPANSÃO COLONIAL (1696-1822) CAPITULO I SERGIPE. o efeito produzido nas raças africanas e índia. sem regalias. ao assassinato. não deixava de colaborar na civilização colonial. pela invasão holandesa e a guerra da emancipação. principalmente das regiões do norte. espoliado em seus direitos.

a vizinhança de seu território do centro colonial e. mostram-se simpáticos a causa da dasanexação. Sob o ponto de vista de prosperidade. e nas causas crimes procederia conformes ordenações do reino. a nosso ver. pela existência incontestável de uma degradação de caráter da sociedade colonial. dando apelação e agravo para relação àquelas que excedessem sua alçada. alargando suas prerrogativas e aumentando seus órgãos. não obstante isto. não era uma capitania com o eram Pernambuco. porem. onde chegaria. com a criação de diferentes corpos. não desviando dela nenhum de seus sucessores.ordenou que Sergipe exercesse suas funções ate Itapoã. como corpo militar. Eis. de civilização. desta data em diante. sua função não era punir o crime e sim. de 5 de julho de 1725 ao Vice-rei Vasco Fernandes Cesar Menezes. aquiescendo com as reclamações 175 C. não poderia corrigir o defeito social existente. Ela teve por fim melhorar os agentes fiscalizadores da justiça. seu provedor da fazenda. Sua alçada chegava a vinte mil reis.medida só podia afetar a organização judiciária. Seus antecedentes de conquista. O primeiro ouvidor mor despachado para Sergipe foi o Dr. Tinha-se ampliado por demais. Entretanto. a fim de abrir devassa dos inúmeros crimes que se cometiam. as causas da reforma administrativa que objetivou-se principalmente no lado judiciário. por que. sua guarnição de infantaria. contribuíram para que se apertassem aqueles laços. nos períodos passados. a força armada. a fim de traçar-se o limite de jurisdição e competência dos dois ouvidores – Bahia e Sergipe. Na hierarquia administrativa. R. nomeado a 15 de março de 1696. e os sucessores de Lencastre na Bahia. seus capitães-mores tinham atribuições quase idênticas as dos governadores daquelas capitanias. Em toda extensão da comarca tinha atribuições de conhecer por ação nova. Diogo Pacheco de Carvalho. o fato de ele já ter pertencido àquela capitania. Incontestavelmente perdeu em categoria política administrativa. nas causas cíveis e crimes. Desde Diogo Pacheco a ordem de Lencastre principiou a ser executada. a extensão territorial da nova comarca 175. Para elas dirigia-se em correição. por que cerraram-se os laços de centralização que presidiam a Bahia. feitos por um membro do governo da Bahia. a qual. além de outros corpos de que temos falado seu ouvidor. sujas funções ampliaram-se. nas novas paragens que lhe eram tributarias. Sergipe como comarca ficou com seu território ampliado. deslocando-se mais para o sul sua linha divisória. Tendo D. nas causas cíveis. colocando a propriedade e a vida a abrigo de ataques por meio da expansão e severidade da punição. tomando posse a 5 de junho do mesmo ano. executar as ordens de um poder competente. Sergipe passou a comarca por uma necessidade pública. Este ato de Lencastre foi a origem das questões que suscitaram entre Bahia e Sergipe. João de Lencastre ordem do soberano para dividir as duas comarcas. O ouvidor de Sergipe tratou daí em diante de exercer suas funções. povos daquelas localidades mostravam visível repugnância a aceitar a jurisdição do ouvidor de Sergipe. 149 . rio de Janeiro e algumas outras. Como dantes continuou a ter seu capitão mor.

a favor de quem propendia a coroa. Durante este mesmo período vemos ascenderem-se as prevenções dos colonos para os jesuítas. que faleceu 150 . O lugar escolhido para a edificação da primeira igreja foi doado pelo sargento –mor Bernardo Correia Leitão. 176 De 1696 a 1712 foram ouvidores de Sergipe Dr. uma representação da câmara daquela cidade. até quase o meado no século XVIII o que salienta-se e caracteriza o desenvolvimento histórico. Luzia exercerem jurisdição sobre moradores do rio Rela da Praia. O religioso incumbido de porpagar esta ordem em Sergipe foi Fr. Jorge de Barros Leite de (17111713 ). Em 1724 o ouvidor de Sergipe reclama também perante o rei contra o procedimento do vice. De 1696. Foi nomeado por carta régia de 19 de julho de 1713. foi atendido a pedido de desanexação. Prestou juramento na Bahia a 5 de maio do mesmo ano. por essas paragens. como mostraremos adiante. apelando para a ordem regia. 1695. perante o soberano e pede o aumento do território de seu município. Fernão de Lobo de Souza -1704. que tendem a exercer suas atribuições. perante o governador D. a 29 de janeiro de 1659. de que já falamos. Dr. Inhambuope e Abadia. Não houve porem até então um ato oficial que se confirma a revogação. João de Sá Souto Maior. em diligência. João de Lencaster: Dr. João de Sá Souto Mayor (janeiro de 1699 -1704): foi nomeado por carta régia de 11 de janeiro de 1699.que delas partiam. O clero já representava então uma força poderosa na capitania. em dezembro do mesmo ano. a câmara de Santa Luzia protesta contra a resolução. Francisco. Foi nomeado por carta régia de 22 de dezembro de 1695. como ordena a prisão dos oficiais de justiça. o governador da Bahia leva ao conhecimento do ouvidor de Sergipe Dr. Dr. Foi nomeado por carta régia de 9 de maio de 1711. Custódio Rabelo Pereira (1717. Os Capitães-mores foram: Sebastião Nunes Colares.1717. esquecendo os interesses dos lavradores. José Correia do Amaral (1715-1720). a luta de jurisdição em que viviam as principais autoridades das capitanias. além da falta de espírito prático dos funcionários.1711). Dr.1711). com prejuízo das do comandante das armas. Prestou juramento na Bahia a 13 de janeiro de 1712. as lutas continuaram. por que esses moradores não pertencem a jurisdição de Sergipe. O governador não só ordena que os juízes suspendam essas diligencias. Sendo em 1728 erectas em vilas aquelas povoações.é. onde os crimes sucediam-se. Por sua vez. enviando seus oficiais de justiça.176 Sob o regime de uma nova medida legislativa. Prestou juramento em outubro do mesmo ano. como dizia na reclamação. que foi mandada executar por Lencastre. Antonio vieira de 1713. Contribuía para isso. em vista da impunidade de que gozavam seus habitantes. se nelas ainda continuarem. Foi nomeado mestre de campo por carta régia 23 de julho de 1711. entre estes e os capitães-mores dos distritos. até que os limites foram deslocados para o rio Real. Foi nomeado por carta régia de 21 de janeiro de 1715. Havia mais a ordem de São Francisco177.1724) 177 No capítulo de 26 de agosto de 1657 se determinou a fundação do convento de S. revogandose assim a ordem regia. tornam-se comuns as divergências entre eles e os capitães-mores. contra o fato dos juízes de Sta. alem destas questões de limites. fato este que usurpava suas atribuições. Manoel Martins Falcato (1720-1726). Thomaz Feliciano Albernaz (1705. a modificação territorial. João Pereira de Vasconcelos (1711-1714). Em julho de 1704. Não obstante. Salvador da Silva Bragança (1708. que ampliou as atribuições dos ouvidores.rei Vasco Fernandes Cesar de Menezes pela ordem proibitiva que dele recebe para não exercer suas funções de juiz nas provações que Itapicuru. Luiz do Rosário.

Desarma a força pulblica. desobedecendo as ordens do governo que lhe autorizava a entrega dos índios que tinham fugido das aldeias da Bahia para esta. surgiram com a impunidade as viganças particulares e as ofensas das parcialidades. Essa medida mais excitou os ânimos. sendo o conselheiro o recôndito do lar doméstico. S. foi despachado o Dr. os diversos impostos que já pesavam sobre a população. para que vivesse em paz e sem perturbação o governo da capitania. O ouvidor comissionado para punir essa revolta. e incumbido o desembargador Manoel de Azevedo Soares de ir a Sergipe. ficando assim a capitania sem governo e sob o domínio da anarquia. Os jesuítas nas aldeias abusavam da influência que exerciam sobre os índios. junto da qual não se edificasse um templo. a retirar-se. Jaboatão. esquecendo seu papel de juiz . 151 . Os camaristas de São Cristóvão. que. para abrir a devassa dos revoltos. Não sendo castigados os culpados. Na adminstração do provincial Fr. o povo de Vila-Nova invade em dezembro de 1710. em setembro de 1693. que eram parte importante nas frações. à qual veio reunir-se. e deixavam de atender as ordens que lhes enviava o capitão-mor. As capelas ostentavam-se em grande numero e em favor delas eram instituídos encapelados. pediram ao governador da Bahia D. as ordens e às capelas. Lurenço de Almada anistia para os sediciosos.Manifestava-se pela posse do privilegio de dirigir as consciências. citando o fato de Fr. contribuiu para formarem-se parcialidades. penetra na igreja. abrindo-se larga divergência entre ele e os camaristas. sem a menor inspiração das parcialidades. fogem para os subúrbios e com ele o capitão-mor Salvador da Silva Bragança. Alem de muitos fatos que demonstram não circunscreverem-se eles a direção espiritual das aldeias. Por causa dessa mesma influencia do clero. prende-o e obriga-o assim. pela pressão do terror. que fosse por negócio às minas. eram causas poderosas para a impugnação franca à nova resolução do poder legislativo dos 10% e dos 6$000 sobre cabeça de negro. o acrescentamento do preço do sal. Então. Orb. acompanhado de vinte soldados. cujos habitantes. que preparavam resistência as ordens do governo para a cobrança de 10% das fazendas e 6$000 por cada escravo. as sucessivas remessas de alimento para a Bahia. debaixo de graves penas. que. Realmente o estado de pobreza da capitania. Cristóvão. Rara a propriedade açucareira. em 1659 sendo sepultado na mesma igreja. provocando protestos e revoltas populares. Os interesses das famílias eram esquecidos por alguns chefes. que tinha sido nomeado pároco daquela vila. José Correia do Amaral. o povo em ocasião em que o sarcedote celebrava. diretor da aldeia do Geru. cuja causa eles defendia como figuras proeminentes da parcialidade que era contrária ao ouvidor Vasconcelos. deixavam ricos legados as irmandades. Seraph. para ainda excitar os ânimos. Esta medida sossegou a cidade. manda os facciosos assinarem termo. no começo do século. permitido ao contratador. em verbas testamentárias. Não querendo estes habitantes prestar obediência ao seu vigário. Em 1709. apanhados de surpresa e sob o terror da invasão. veio o abuso. depõe os representantes da justiça. como fez a população de Vila-Nova. por ordem regia. Antonio Godinho. depois de tomar posse e alheio ao meio. Estevão de Santa Maria lançouse a primeira pedra para a edificação do convento. Nesse período de efervescência.

onde morava. não desobedecerá as ordens de S. sem ofensa ou prejuizzo dos inocentes‖. recolhendo-se por isso a um sitio do vigário Brun e depois ao convento São Francisco. quando os excessos que insolentemente cometeram no mesmo levantamento foram os mais escandalosos que ainda sucederam neste Estado e por essa razão merecedores de um tal castigo que sirva de formidável exemplo aos moradores de todas a capitanias do Brasil. o mando a Ella devassar do dito levantamento. 178 Tendo o capitão mor Salvador da Silva Bragança se retirado da cidade. O proprietário alegou que este procedimento ligava-se a não receber os alugueis. a mais prompta obediência. abalou a sociedade sergipense. suppõem) para a desculpa os apparentes pretextos que tomaram para o delicto que cometeram.M para que seu nome lhe conceda perdão geral de todos o delictos cometidos: e o faria com particular gosto se esta maneira não offendera tanto o respeito e soberania da própria majestade. 152 . por me constar que toda a nobreza dessa capitania e ainda a maior parte da gente de menos supposição obrara naquela sublevação constrangida de temor. por não ser justo que a culpa de poucos seja incentivo para a ruina de todos. o que só se poderia conseguir depois desse novo acreditar o mesmo arrependimento com as demonstrações mais sinceras. ―Ao capitão-mor dessa capitania ordenei que a fosse logo governar e ao ouvidor geral dela exercer o seu oficio: e por conhecer as partes que concorrem no dezembargador João de Sá Souto Mayor ouvidor geral do crime da Relação deste Estado. em que os vassalos faltam a obediência que devem ao seu príncipe e aos sujeitos que em seu nome governa. em 15 de julho de 1711: ―Recebi a carta de Vmcs. As autoridades que as infligem deixam-se cair no plano do partidarismo e daí resultavam as explosões dos ódios e das paixões. 15 de junho de 1711 – D. até mesmo sobre aqueles que substituíram os que foram testemunhas dos acontecimentos178. encontrou fechada a casa. sem usar o rigor e compaixão que se faz indispensável em todos os casos. para que se castiguem os culpados. dos pretextos que o da Vila-Nova e das mais villas tiveram para cometter outro absurdo semelhante. Mas eu que só procuro remediar estes damnos sem os estragos de castigo que merecem. Alem de separar os homens em frações. a fim de serem realizadas diligências de valor à justiça pública. ―Vmcs. fazendo esta com toda a capitania se restitua àquele socego em que se achava antes de tal levantamento‖. As divergências que separavam os membros da camara do antecessor do ouvidor Vasconcelos permaneceram e a este estava entegue o trabalho de auxiliar o desembargador Souto Maior em devassar os revoltosos. tenho mostrado até o presente que o meu maior empenho é que esses povos conheçam que procuro mais conservá-los que destrui-los. O espírito de partido continuou a influir sobre os membros do poder. Eis a carta que dirigiu aos seus membros. ao voltar para ela. o qual dizem Vmcs. Bahia. de 5 de abril deste anno em que me dão conta dos motivos que o povo dessa capitania tomou para o levantamento que cegamente emprehendeu. Sucede a Bragança.O próprio vigário de S. e finalmente do estado em que hoje se acha o mesmo povo. me seguram que esse povo mostra-se arrependido e vale-se da proteção de Deus N. O governador não aquiesce com os desejos da câmara e não concede o perdão. e violência popular. elas não desapareceram com as penas do poder competente. Isto serve de medida de exaltação dos ânimos e do espírito dos partidos em que estava dividida a sociedade naqueles tempos. por essas razões se não devem admitir tão facilmente (como Vmcs. Lourenço de Almada. pelo temor de ser assassinado pelo partido dos revoltosos da Vila Nova. Jorge de Barros Leite.M que D. Cristóvão Antonio de Souza Brunelas figurava pelo que teve ordem em 1715 de sair do território. Compreende-se perfeitamente que um motivo tão profundo como este. em janeiro de 1712.G nem as deste Governo Geral. As parcialidades não se acabaram. o desinteresse e acceitação com nella exerceu tantos annos lugar de corregedor e ouvidor na mesma capitania.S e da benigna clemência de S.

corroborada pela justeza de motivos. As lutas de jurisdição entre ele e Barros Leite incrementam-se . quer cíveis quer criminais. A fim de prevenir-se o contrabando. Pedro Garcia Pimentel. Taborda. sendo 3000 brancos. por sua topografia como a do norte devia pertencer a Laranjeiras. mais que o capitão-mor. e as representações contra o ouvidor sucedem-se perante o governador. em sessão de 31 de janeiro de 1715180. Existia a convicção no espírito dos exploradores do sertão da existência das minas de Belchior Dias Moreya. traziam essa atividade no corpo da justiça e faziam com que o ouvidor se tornra-se uma autoridade que preponderava nos destinos dos povos. O termo de Santa Luzia em 1707 tinha 156 fogos e 1054 habitantes. que procurava obte-los dos descendentes de Moreya. A falta de limites precisos nas doações e a tendência dos homens a verem no assassinato a vingança de seus ódios e o meio mais eloqüente de resolver questões. mataram o gado. que por esse tempo era um sítio. contra quem veio ordem de prisão. a ponto de chamar a atenção do governador e só desaparecerem. em outubro de 1714. recebeu uma repreensão do Conselho Ultramarino. O leitor procure ler um memorial dirigido ao imperador pelos habitantes do porto da Folha. elevando-se o numero em 1759 a 6672. sendo 2215 cativos. A posse destas terras deu lugar a uma secular questão que há bem pouco tempo agitava-se entre a família Tavares e o coronel Gouveia Lima. para onde concorria a exportação da zona do rio Piauí. 153 . reunidos em mocambos. A ela devia pertencer para o futuro a hegemonia do sul. capitão Manuel de Couto Dessa. Em 1802 a população era de 10000 habitantes. por que os negros. por Antônio Vieira. quando foi substituído o capitão-mor. Dr. quanto tinham o apoio do ouvidor de então da capitania. Hieronio da Costa Taborda. para ver as cenas de assassinato. em vista disto novas entradas foram abertas e se continuou a colonizar estas terras. 179 Em 1662. arrematações e outros atos judiciais na alternativa de juízes ordinários. o governo comissionava fiscais para prenderem os comboios que fossem às minas de ouro. cujos roteiros eram pesquisados pelo coronel Pedro Barbosa Leal. e destruíram as plantações. explorou estas terras. dada por carta de sesmaria de 25 de novembro de 1669 ao desembargador Cristóvão de Burgos. fundando um sítio da ilha do ouro. Não prosperou este sitio. Antonio de Almeida Maciel. O foro vivia agitado pelas sucessivas questões. As idéias de mineração não tinham morrido. Pelo lado crime a maior questão era a devassa dos revoltosos da Vila-Nova e a prisão do maior criminoso de então. como castigo dos abusos cometidos. entre os rios Vaza-Barris e São Francisco. 180 A provisão de 27 de abril de 1757 concedeu haver na povoação de Estância vereações. Em vista as vantagens de sua situação junto a um rio navegável. o maior explorador desses tempos. Antonio Rodrigues. Nelas penetraram os parentes de Pedro Gomes e determinaram todo o trabalho colonial realizado.179 A povoação de Estância prosperava e nela morava quase toda a representação oficial da Vila de Santa Luzia. morador em Sergipe. Em 1698 os índios Roumiris destruíram o mocambo. audiências. Pelo lado civil era a posse da doanção de trinta léguas de terra. Daí queixas sucessivas do povo. José Correia de Amaral que. Daí data a rivalidade entre os povos da Estância e Santa Luzia. autorizadas por uma das partes litigiantes.Os vereadores e juízes abandonam os cargos e retiram-se para suas casas. 3000 pretos e 4000 diversas raças. Era um destes comissários Manuel Pessoa de Albuquerque. os seus moradores pretenderam mudar a sede da vila para a povoação a animaram-se tanto mais para realizar essa pretensão. Os comissários aproveitavam-se do cargo para apreender as mercadorias dos lavradores. por esse apoio combatido e criticado pelos camaristas da Sta. Luzia.

até a margem do rio Cotinguiba. criados. sendo homens. 350$000. um cronista calcula em 17169. por provisão do acerbispo D. 725. Antonio Soares Pinto. A freguesia rendia . 420. Abreus. Rezende. criados.importante manual escrito em 1724. servindo a lagoa de Propriá de limite entre eles. calcula a freguesia de Nossa Senhora da Vitória. mulheres. As famílias que mais dominavam e representavam a nobreza da capitania. até o riacho Xingó. contava-se 32 engenhos de açúcar. Sebastião Monsteiro da Vide. no centro da freguesia. 1896. que foi elevada à paróquia em 18 de fevereiro de 1700. á qual fica pertencendo a metade da freguesia de Nossa Senhora do Socorro. no começo do século. eram as famílias dos Sás. 154 . dilatou os limites da paróquia ate o rio Sagüi. O número total dos habitantes. Limas. O termo de Sto. Possuía por estas paragens. 1600. erigese a vila de Sto Amaro em 1720. João Francisco de Oliveira. O Padre Gonçalo Soares da França em sua obra – Dissertaç~çoes da História Eclesiástica do Brasil. compreendida entre o sagüi e o Rio Real que era o limite antigo entre Santa Luzia e Abadia. A freguesia de Villa Nova estindia-se para o ocidente. 1266. Além das quatro vilas que existiam no século XVIII. Houve mudança de sede de sua primeira matriz da capela de Jesus Maria José. A Vila Nova 100 fogos e sua freguesia compreendia a paróquia de Sto Antônio do Urubu e tinha 2774 habitantes. Pachecos e Faros. Em 1718 foram desmembradas da vila do Lagarto e da Vila Nova as freguesias de Campos de Santo Antonio do Urubu (Propriá) que foram erectas181 em Paróquia. em novembro de 1727. pertenceram a Pedro de Abreu e Lima que. A mesma vila ficou pertencendo a freguesia de Pé do Banco. 29 e escravos. 181 As terras onde está hoje a cidade de Própria. sendo homens. Esta compreendia a paróquia a que pertencia toda a zona do Cotinquiba. Eis o que era Sergipe em 1724. Entre eles haivia o sítio do Urubu de baixo e Urubu de cima. 56 e escravos.Quando a Abadia foi erecta vila. antes da desanexação do Socorro. ter 7776 habitantes. Já era paróquia desde 28 de setembro de 1718. Amaro em 1761 contava com 2336 habitantes. Segundo o mesmo cronista a cidade de São Cristóvão possuía 450 fogos e em seu recôncavo. o ouvidor mor de Sergipe. que dominava a zona do Cotinguiba. pelo acerbispo D. Os núcleos de população aumentavam. em escritura de doação. erecta em 1617 e cuaja sede era a cidade de S. de 2 de dezembro de 1681 deixou-as aos filhos dos seus naturais. A expansão colonial já reclamava uma nova divisão civil e eclesiástica da capitania. Cristóvão. perdendo assim a paróquia de Santa Luzia a zona de três léguas de território.

Em 1740. que expede. foram sucessivas as reclamações dos habitantes destas localidades contra as autoridades de Sergipe. que estenderam até lá a colonização. Poe quem estas terras tinham sido exploradas à custa das forças baianas.CAPÍTULO II RESLTADO DAS QUESTÕES DE LIMITE MERIDIONAL EXPULSÃO DOS JESUÍTAS Desde 1696. foi servido ordenar-me por provisões de 24 e 28 de abril deste anno. no recurso interposto. porque a ação da lei lhes chegaria lenta e demorada. quando D. privnado-lhes a interferência nos negócios de justiça daquela circunscrição. João contra a ordem do vice-rei Vasco Fernandes Cesar de Menezes. Cesar de Menezes. 183 “Consta-me que os officiaes da Villa de de Itapicuru têm induzido os moradores de Geremoabo a que não consintão que passe mostra o capitão-mor de Sergipe. Os habitantes destas vilas não perderam a esperança de desanexarem-se do território sergipano . O ato da coroa anulou esse direito. advoga a causa da desanexação do território e diz ― que vai dar conta ao soberano dos excessos deste bacharel. quando o ouvidor de Sergipe. Dr Antônio Soares Pinto. para esse effeito. 182 Parece que este ato resolveria as questões que se agitavam. Jaó senado da camara da Bahia)”. M. Alèm disto. Suas reclamações encontraram sempre apoio no governador da Bahia. e por diversas vezes reclamam ainda aos poderes constituídos e levantam dificuldades à marcha administrativa de Sergipe. por diversas vezes. Bahia 7 de agosto de 1727. Itapicuru e Abadia. Assim . os vereadores de Itapicuru impedem que o capitão-mor Estevão de Faria Delgado passe mostra aso habitantes de Geremoabo183 pelo que o governo da 182 “S. Eram dominados pelas tradições de seus avós. que não obstante exercer jurisdição em uma zona tão limitada. na forma da ordem que tem de S. que passou a servir de linha divisória entre as duas comarcas. o senado da Camara desta cidade o tenha assim entendido na parte que pertencer ao termo della. que proibia-lhe exercer suas atribuições de juiz naquelas paragens. priva que os oficiais de justiça de Santa Luzia façam diligências nas povoações sitas ao sul do rio Real. a cuja jurisdição não queriama pertencer. M. por provisão de 24 e 28 de abril de 1727.até 1727 quando foram erecta as povoações de Inhambupe. não evira as desordens de distúrbios que nella dão-se. E por que tenho mandado cumprir aquellas ordens. mandasse erigir villas nos logares de Itapicuru e Abadia. representa perante D. Não obstante a causa da desanexação merecer simpatia dos representantes do governo colonial. João de Lancastro ampliou o território sergipano até Itapoã. Um dos seus antecessores. em carta de 31 de julho de 1704 ao ouvidor. pelo que os advirto que se me constar mais que se oppõem a passar-se aquella mostra os hei de mandar vir 155 . vice Rei (port. ordem aos ouvidores de Sergipe. ficando sujeitas a comarca de Sergipe de El-Rei. era de conveniência aos habitantes da zona de litígio a jusrisdição das autoridades da Bahia. foi encarregado de executar aso provisões régias. encarregando esta dilligência ao ouvidor geral daquella capitania. o ouvidor de então. dede quando apelavam para o uti possidetis. ordenava que elas ficassem sujeitas à capitania de Sergipe fazendo disto comunicação à comarca da Bahia. em 1724. Alem disto. Itapicuru e Abadia em vilas. À administração da Bahia queriam eles pertencer. todavia o ato do soberano pelo qual erigia em vilas as povoações de Inhambupe. que Deus guarde.

que ela depôs do poder. e hei já e logo por suspenso e o castigarei reigorosamente pela sua inobediência. Of. o mesmo não sucede relativamente a nossa fronteira ocidental. de que temos tantas vezes falado. pelo esforço que empregavam em angariar donativos. Assim fizeram as câmaras de Sergipe em 1789. quando querem intervir em suas atribuições. Daí as lutas contínuas entre eles as câmaras. O povo reúne-se dirige ao edifício do conselho. Inhambupe e Itapicuru. Finalmente vemo-las encarregadas de publicar o alvoará de 6 e 7 de junho de 1755. Vemo-las ajudando ao resgate das dívidas da metrópole. Representavam o governo local. por isso mesmo que à capitania de Sergipe não pertence o direito de posse sobre aquele território. denuncia os abusos do vigário Teodósio Semião Lopes Machado e exige que ele entregue as chaves da matriz. Ao capitão-mór de Sergipe)” 184 “Todos os oficiais de justiça da camra de Itapicuru executarão prontamente o que lhes ordenar o ouvidor geral da capitania de Sergipe. Vemo-las levantando a energia de um protesto à altura dos árbitros de um capitão-mór como Rabelo Leite. passando a administração espiritual da freguesia a outro sacerdote. conta os excessos das câmaras de Abadia. Vemo-las protestando contra os excessos dos ouvidores. fevereiro 10 de 1740 (port. a cuja ordem estarão para diligência que lhe tenha encarregado e o que faltar à execução della. concedendo aos índios de Sergipe. Os acontecimentos descritos até aquei já são suficientes para por eles apreciarmos a função histórica das câmaras. As reclamações sucederam-se até 1750. Bahia. seus recursos. para pagarem o tributo dos donativos. em que eram cotizadas. e levnado-os ao conhecimento do governo. Bahia . por onde podia aquilatar suas necessidades. no capítulo em que trataremos dos limites de Sergipe. Em Sergipe. Melhor resolveremos esta questão . 18 de maio de 1740. Continuou ainda a povoação de Geremoabo anexada ao terrirtório de Sergipe e sujeita às suas autoridades. Reconhecemos a justiça da resolução que foi dada às questões de limites meridionais. por alvará de 8 de maio de 1759. 156 . pelos quais o rei faz a abolição da escravidão indígena no Brasil. quando reclamam perante o soberano a isenção dos pagamentos dos donativos. Tal foi o procedimento da câmara de S. por onde estendeu-se a colonização até Geremoabo. vemo-las defendendo os direitos do contribuinte. cuja colonização não foi feita por ordem de seu governo. os mesmos favores já feitos aos de Maranhão e Pará. Em nossas buscas foram inúmera as reclamações que nos passaram pelos olhos. Inhambupe e Abadia que executem as ordens do capitãomór e ouvidor de Sergipe. quando . Port. o governo colonial resolve definitivamente a questão desanexando aquelas vilas de Sergipe e fazendo-as pertencer à frequesia de Nazaré. em vista do péssimo estado financeiro da capitania e seus habitantes. porque representavam o poder do município. ordenando às autoridades de Itapicuru. acusa-o levando-o à ação do poder judiciário. por carta de 14 de março do mesmo ano. Vemo-las pretestando em favor da integridade territorial. Daí podemos avaliar sua contribuição no desenvolvimento da civilização. no século XVIII. A câmara do Lagarto lança fintas sobre seus habitantes. a riqueza pública. Vemo-las traçando descrições minuciosas de seus municípios. quando o ouvidor de Sergipe foi presos a esta cidade e castigá-los rigorosamente pela sua inobediência e assim o tenha entendido. Da camara de Itapicurú.184 Os atos do governo eram sinsuficientes para promover a paz e submeter aquieles povos à jurisdição da capitania de Sergipe. Cristóvão.Bahia baixa as portarias de 10 de fevereiro e 18 de maio de 1740.

dirigidas ao governador. O capitão-mor de então era José Pereira de Araújo. p 25.tendia a piorar com a imposição desses e outros tributos. Responsabilizava-o pela da remessa do mesmo donativo em 1740. cuja decisão favorável é executada por Delgado. porque eles emanavam de eleição popular. Sergipe só tinha pago 57:951$000. Em 1727 havia as câmaras de S. Um certo espírito liberal presidia suas prerrogativas. Devia. onde casou-se com a filha do coronel Manoel Nunes coelho. julgavam as injúrias verbais. e impunham aos réus até a quantia de 6$000. em 1743. Sucederam-lhe no governo Francisco da costa (1733). que por atos anteriores já reconhecia o direito do coronel Furtado. tornaram-se chefes de duas facções. Prestavam contas ao Provedor da comarca que examinava as despesas. Em 1742. Na parte descritiva em que vamos entrar. nem agravo. 157 . Estevão de faria delgado (1737) e novamente Francisco da costa (1741). em que não podiam ingerir-se outras autoridades. lançando fintas. alegando motivos de servidão pública. estabelecendo posturas. Gozavam da imdependência em suas atribuições. pública. Vila Nova e S. e era por elas responsáveis. Isto isso foi bastante para que a câmara procurasse vingar-se na pessoa de Nunes coelho. taxando o mercado. Amaro. A capitania teve de pagá-lo durante 15 anos. por diversas vezes. O péssimo estado financeiro da comarca. 185 C Maia. por conseguinte. dentro da órbita de suas atribuições. avaliadores. havemos de ver as diversas resoluçõesdas câmaras de Sergipe. 14:048$000. que era encarregado de levar para a Bahia os donativos de Sergipe. Além da administração econômica que lhes competia dar ao município. Nemeavam os almotacés alcaides menores. Eis a comtribuição histórica das câmaras de Sergipe. até o meado século XVIII. todavia uns visos de autonomia selavam suas atribuições. em janeiro de 1759. Seus membros e todos os oficiais eram delegados do povo. representando os respectivos municípios. no intuito de isentála das diversas contribuições que sobre si pesavam. pelas comarcas de Sergipe perante o soberano. Não obstante acharemse ligadas à ação central do governo. Cristóvão. que foi a razão alegada. A indisposição pessoal que votava ao ouvidor Antônio Soares Pinto contribuiu para que seu governo fosse uma série de denúncias. de erigir a vila de Pombal. quer de outro. Achava-se Delgado na administração. que depois de deixar o governo ficou morando em Sergipe. Cristóvão não sancionam o arrendamento que tinha feito ao coronel Nicolau de Souza furtado de uns terrenos próximos à capital. Nesse tempo um novo imposto foi tributado a Sergipe. recebedores de sizas. Eram de sua competência as questões de infração de posturas com os almotacés. depositários úblicos. um bando.185 Eis as atribuições das câmaras do Brasil esse tempo. A parte apela para o governador.encarregado. Costa e Delgado. Costa. quando completa-se o tempo. quadrilheiros. quando ilegais. sem apelações. sucedendo a Delgado e para vingar-se dos seus amigos. que devia contribuir com uma quantia anual de 4:800$000 para o casamento do príncipe e dote da infanta D. quer de um. os seus membros. Itabaiana. Santa Luzia. quando em 1738 os camaristas de S. pelo qual seriam castigados com açoites os autores de qualquer revolta. sogro de Delgado. juízes de vintenas e outros funcionários locais. Maria. Lagarto. O Município.

como experimenta e contra as ordens do regimento de V. e marchante de gados. e o dito ouvidor Miguel de Aires lobo homem sem receio de suas e conveniências vai atropelando a justiça de V. R. Por esse tempo (1749) teve o lugar o maior desprestígio contra as autoridades de Sergipe. como sucedeu mandar e prender a um soldado fugido da praça da Bahia por um meu oficial desta praça. como as que foram postas em prática para trazer a obediência. Daí nasceu o levante de 1751. Sucederam na administração os seguintes capitães-mores: Manoel Francisco (1747). nem castigo do delinqüente mal posso dar conta dela pois todo meu emprego lhe servir a e V. Manoel da cruz silva contribuiu para torná-los mais efervescentes. que por isto. Cristóvão a diligência. Capelo na ouvidoria foi substituído pelo Dr. majestade que tudo se pode mostrar ser 158 . Miguel Aires lobo de carvalho (1756). em outubro do mesmo ano. R. e outros mais com quem se combinava para os ditos negócios. tendo sido nomeado em julho de 1755 pelo governador. principalmente na administração de Manuel da cruz silva. fica bem clara nas seguintes palavras que dirigiu ao soberano por carta de 2 de junho de 1755.bando que mereceu uma repreensão do governador. provocadas por questões pessoais. Além disso. pois. Duarte Fernandes lobo pontes. São presos pelo mesmo juiz. Mag me encarrega a dar conta destacapitania. como V. e contratador de solas. R. em numero de três mil. Manoel da cruz silva (1751). As desordens nas aldeias sucediam-se. Em casa de sua parenta D. que sendo mercador de loja de fazenda. Inês Carrilho homiziavam-se os índios que fugiam da aldeia do Geru. R. por ter sido nomeado pelo rei em 1755. ―Também represento a V. tornando-se preciso medidas enérgicas. que este de tal forma offendeo a justiça de V. Cristóvão. para serem restituídos ao padre João Honorato. R. por via de seu escrivam Antônio de Távora. o dito ouvidor me mandou prender por me obedecer e desta forma se intrometem nas e jurisdições dos capitães-mores. Os espíritos viviam em um choque de intrigas. R. e destribuidor das administraçones das capelas. As desinteligências ascenderam-se mais ainda entre as principais autoridades de então. e couros. servindo sem provimento de V. teve de ser conduzido algemado para a Bahia. R. cuja administração foi de poucos meses. Agostinho Teles Santos Capelo que com ambos os capitães-mores abriu divergências. para com o ouvidor. Mag de tal forma recebendo dádivas nas devassas que tira. Os índios revoltam-se contra seus capitães-mores e fugiam de umas para outras. e vindo o seu sucessor. criminoso em erros dos seus ofícios. Majestade. sem odediencia. a cidade de S. só afim de levar a sua residência limpa. Majestade que parece ser desgraça desta capitania pelas informações que tenho. ordenando sua revogação. o fez por rol que o dito Viegas lhe deu rejeitando todas tas as test que poderiam jurar contra o dito. Mag prendendo pretensiosamente e injustamente a varias pessoas. se me queixam pela boca pequena. O ouvidor de então era o Dr. a ordem pública foi perturbada pelo assalto que os índios fizeram. teve de dar posse a José de matos Henrique. para tornar e vender pelo seu valor. Sua indisposição. destruindo-as para arrematar os escravos por limitados preços. onde eles não podem dar remédio. o qual se acha nesta capitania a tirar-lhe a residência. que pôde ser vencido pela guarnição da capital. Mag interesadamente. ouvidor Miguel de Aires lobo de carvalho a rendê-lo. que até por empenhos conserva um escrivão José Ribeiro Setubal homem indigno. por parte do juiz ordinário da abadia. pois eles até as jurisdiçoens me usurpam. ficando privados os que poderão jurar contra eles escandalizados das suas injustiças que costumam fazer por não ter nesta terra quem viva a mão. e a este respt° todos os ouvidores assim fazem. cuja atenção ficava presa às dissensões. Foi substituído (1746) por Domingos João viegas. Fazem os oficias de justiça de S. como presenciado de Domingos Viegas ouvidor que foi desta capitania. diretor da mesma aldeia. como este povo pelas dependências que tem deles não podem falar com temor. O bem geral era completamente esquecido pelos representantes do poder.

digo.sem qeu obste a representação de Manoel da Cruz da Silva. ouvindo para isso as pessoa que me parecem. que verdadeiramente não é homem que mereça nenhum gênero de attenção em nenhum dos seus projetos. e este depois de solto se foi outra vez agregar e com a dita sua escolta. arazando-lhe os seus mantimentos. M. mandei vinte e cinco homens a prendê-lo pelo prejuízo que fazia. e só sim o consegui por indústria. ―O ponto principal da representação he exagerar Manoel da Cruz a grande abundancia de ouro. O soberano por carta de 1° de abril de 1756 manda ouvir o governador da Bahia. Mag antes que me chegasse à resposta o dito juiz Domingos Dias junto com o vigário geral mandou soltar espontaneamente pedindo as chaves ao carcereiro. que sobre o descobrimento também já derão conta a V. garantindo a existência de jazidas de ouro na serra de Itabaiana. sendo criminoso. R. o qual na sua informação. e para evitar este engano que se faz V. que nesta capitania se experimenta por causa da longitude. Manoel da cruz silva a respeito das minas de ouro que diz há. e agorado a sua empresa. m.melhor lhes poderia attribuir o epitheto de destruidores daquella comarca e daquelles povos. arruinando sua escolta de dezoito armas de fogo. empurrar os soldados. M servido aproval-a e madar-lhe declarar por provisão de 15 fevereiro de 1754. a mesma matéria e subindo a sua real presença aquella informação. Majestade por esta provisão que informe com o meu parecer sobre a representação que fez o capitão-mor que foi de Sergipe d‘EL-Rey. fazendo as diligências razoáveis sobre a existência das ditas minas e necessidade que há de segurança. parece que se deve continuar a mesma prohibição. e estes seguindo-o o foram tirar encostado ás portas do convento de S. por causa dellas. aqueles moradores do distrito da vila do Lagarto. mas como esta matéria se tem tratado neste Governo repetidas vezes pelo mesmo Manoel da Cruz Silva e pelos offciaes da Camara da cidade de e Sergipe d´EL-Rey. onde viu bonitas espécies. majestade e a república. e assim V. a vista pois desta informação e das ordens de V. serem tiradas pelos oficiais da câmara adjunta o capitão-mor de capitania. e fugir indo algemado. como também as justificaçoens que presenciei nesta capitania. Sobre esta mesma matéria não tem mais novidade nem discrepância alguma . a tempo que prendi um João Correia Cabral. de que trata da sua mesma conta. R. ordena-me V. Rey do Est° afim de ser punido e sucedendo esse prezente anno o dito Domingos Dias sair por juiz ordinário desta cidade. hia a casa dos juízes por serem amigos. mandei ouvir ao intendente geral do Ouro desembargador Vencesláo Pereira da Silva. por homem cigano por entrar na fazenda do sargento-mór pago das ordenanças e levá-la a escala. roubador. R Mag .sendo que se lograssem o desvanecimento de serem attendidos. e ficavam tendo a gloria de inventores . fora V. ententendo tanto eu como os outros que nisto faziam um grande serviço a V. serem menos verdadeiros que prendendo eu a um Domingos dias Coelho. Mag terá melhor efeito para o conhecimento da verdade. 159 . e matador. Mag porá os olhos em semilhantes desamparos. facínora. que diz ter das minas serra de Itabayana. seriamente e sem fundamento repetira a mesma causa que os officiaes da câmara da cidade de Sergipe d‘ El-Rei tinham dado a V. R. sobre o referido descobrimento. cuja resposta é a seguinte: ―Sr. R. no distrito da vila de Itabaiana. não querendo o dito ouvidor pôr o cumprase as provizoens dos rematadores. declarando também o que achar sobre os outros artigos.nulo. Francisco e metido que fosse na cadeia requereu logo ao padre guardião do dito convento ao vigário geral e municipalidade e mandar-me pedir o preso para assistir o dito auto. e resolvendo-se este caso na real coroa de V. em a dita Cadêia até dar conta a V.‖ Nesta mesma carta levanta a questão das minas. e este da dita cadeia saia de noite por conveniências que fazia ao carcereiro. respondi não ser meu por estar o assento feito no livro da Cadêa á ordem do governador geral do e Estado a quem tinha dado conta do sucedido.que pelo que respeitava as sobreditas minas da Itabaina tivesse ententido por ora não era conveniente o permittir-se que se continuasse naquelle descobrimento e que tinha por sem duvida que o capitão mor Manoel da Cruz da Silva informemente alcançando alguma nova do que sobre a suppostas minas de itabaiana se falava. que por copia remeto . que têm procedido a respeito destas minas. homem pardo. lembrando-me tão somente que fazendo elle intendente presente a V. o não poderão prender. todas são copiadas por dependências que tem uns dos e outros. M. R. e vindo preso á ordem do governo geral do estado. até. e faziam auto de câmara e justificaçoens e assinavam papeis pedindo para isso enganosamente o servente da câmara ao escrivão para fecharem os seus papeis para remeterem ao V. M. sendo estes capazes. de que o de descubridores de minas de ouro. sucedeu na entrada da Cadêa. e assim as residências tiradas pelos sucessores aos antecessores.meo antercessor. e de utilidade ao Real Serviço de V. Majestade de semelhante insolência.declara que me não póde dar outra mais genuína do que repetir-me a mesma que já dêo ao conde de Atouguia .

mais capazes para exercerem os empregos dos officios da Justiça e guerra. que forem precisos para o bom governo dos mesmos respectivos povos.Marcos de Noronha sobre Cruz Silva. convencido da superioridade topográfica da povoação da Estância. criou-se o seu município. sendo concedido. assim de raiz. igualmente ora também servira de tabelião das notas e escrivão do judicial e do orphãos o qual no caso de não haver na Aldeia Nacional dentre os Indios com a necessária inteligência e noticia de processar . No fim da administração de Matos Henrique operou-se uma nova divisão municipal na capitania. que será tutor dos orphoãos. fui servido em seu beneficio pelo alvará com força de Lei de 8 de maio do presente anno as leis de 6 e 7de junho de 1775. M. que. e de seu comercio. Bahia .Marcos de Noronha‘‘. cit. p.. três vereadores ou dous. digo. é summamente conveniente o mandar despejar daquelle districto para fora. 20. assim como os empregos criados. não devendo permitir sejam espoliados do domino daquellas terras. Navegação. para consigam a inteira liberdade de suas pessoas.. haver na povoação vereações. intituladoa Nossa Snhora do Socorro a sita na Freguezia dos Campos do Rio Real. e para os três anos futuros fareis eleição de semelhantes officiaes da forma da Ord. sou servido ordenar que passando logo a dita Aldêa. que por portaria de 23 de Setembro de 1757. porque este é o meio mais proporcionado para poderem aquelles habitantes viver. tem capacidade de Visinhos e cômodo preciso para o dito effeito. utilizarem-se da sua agricultura e comercio. Senhor de Guiné e da Conquista. e sendo a minha real intenção que elles conservem não só a referida liberdade e plena administração de suas famílias.na alternativa de juízos ordinários186. com socego de que necessitam. Erigiu-se em vila a aldeia do Geru. de seus bens. poderá ser nomeado um portuquez com as referidas qualidades e a elle se lhe 187 160 . “D. Eis a opinião do Conde D. devia ser ele exercido por um português187. M me manda que ouça pessoas que parecem. mais também que se goverrnem por seus naturaes nas disposições e particularidades de sua povoações. digo. Commercio da Ethiopia. porque na Secretaria deste Estado são infinitas os requerimentos que se tem feito contra elle. de idoneidade para cargo . todos mais hábeis do dito povo e ainda na suposição de não achardes nella quem saiba ler e escrever . O ouvidor Ares Lobo. por carta regia de 22 de novembro de 1758. não só em nome dos povos . Arábia . Da Leis. Ouvindor da Comarca de Sergipe d’El-Rei.Jose por Graça de Deus Rei de Portugal e dos Algarves . e d’alem mar em África. a Villa estabelecereis nella com o nome de Nova Távora – elegendo à votos do povo um de seus moradores para juiz della. como moveis e semoventes. de que elles foram os primeiros ocupadores e povoadores. no caso de não haver numero. Persia e Índia. 1775. que mandei publicar em favor dos índios do Gram-Pará e Maranhão. Nessa carta declararam-se livres os índios de Sergipe. quando já se achava na administração José de Matos Henrique. pede ao rei para que seja ela erecta em vila.mas as câmaras. arrematações e outros atos oficias . Por me ser presente que a Aldeia do Gerú. que este homem tem sido um enredador de toda ciadade de Sergipe d‘El-Rei e ainda desta Bahia. sempre com elles serão eleitos os mesmos Indios. 1° tt° 67 guardando em tudo a formalidade de que ela prescreve. Os lugares da câmara da nova vila. Contra isto opôs-se a câmara de Santa Luzia. não me offerece dizer nenhuma outra cousa mais senão. em que V. os ministros de V. pois tendo nascido livre. comarca da cidade de Sergipe de El-Rei. Seu escrivão do judicial. resolvi ser o meio próprio para conseguir todo o referido. 3 de Agosto de 1756. e um procurador do seu Comselho. e o melhor se civilisarem e poderem instituírem-se.―Sobre os mais artigos que ouça pessoas que se contem nesta carta. por provisão de 29 de Abril de 1757. não deve a minha paternal piedade permitir que constrangidos a espécie alguma de servidão contra os primeiros princípios de direito natural. etc. era o professor de primeiras letras da localidade e só em falta de algum natural. foi chamado à Bahia pelo governador.Conde D. termo da villa Lagarto. os eclesiásticos e ultimamente não há pessoa de qualidade alguma a quem deixe viver em socego. desejado eu favorecer em tudo quanto for possível a meus vassalos indios deste continente . . audiências. deviam ser exercidos pelos naturais da aldeia. com o nome de nova Távora ou Thomar. 186 Marco Antonio de Louza. Op. razão porque me parece que aos serviços de V. e estabelecer nellas algumas villas elegendo d’entre os ditos Índios seus habitantes. Faço saber a vós Bacharel Miguel Ayres Lobo de Carvalho.

e desembaraços ou duvidas que occoram a este respeito por este tribunal para eu vos ordenar o que parecer mais as minhas reaes intenções e ao serviço de Deus Nosso Senhor e bem comum de meus vassallos . ou portuquez casado com índia com as qualidades necessárias. Cristóvão em 30 de dezembro de 1759188 . ouvidor João Batista Davier. dito remetendo –se esta para por esta se lhe passarem as sua patentes. e todo o referido na forma acima declarada dando-se conta do que achardes. 30 de Dezembro de 1758. então. serão agora sem embargos disso novamente propostos. um porteiro que egualmente servira na camara. pelo qual ficaram expulsos os jesuítas e seqüestrados os bens moveis e raiz da Companhia. 161 . passados dous annos que lhe concedo para aproveitarem e receberem os frutoots de suas lavouras. as quaes medireis e demarcareis com o Pilotos que exigireis para que fiquem para sempre dividas. e fareis erguer pelourinho e estabelecereis o termo da nova Villa até os confins das terras que presentemente se acham de posse os indios. bem entendido que a todo tempo que hover Índio com aptidão par servir este officio. deixando na comara uma copia authentica do auto e medição que nellas fizeram. baixa o seguinte bando. sendo estas de sesmarias.lhes destribuireis o que regula o alvará sobredito de 1700 e a carta de 12 de Novembro de 1710.__ Baghis. dando um mêm às partes que se quisessem queixar. e no sitio que vos parecer mais próprio. – Por despacho do Conselho ultramarino. metendo-os sem demora de posse dellas. e sucedendo não possuam os índios terras algumas ao menos daquellas que abaixo se declaram. ou alguma casa grande e nobre. ficando inteiramente servindo os officiaes propostos. nem consetireis que fiquem conservadas arredemptorias algumas. e havendo possuidores que succedão a seu domínio com outra qualidade de libello ouvireis as partes. que logo dareis aos índios na forma determinada pelo alvará de 23 de novembro de 1700. em que não houver duvidas bem fundadas: junto as casas do parocho assignareis termo para o lugar dellas no caso de as não terem. e ficarão as outras e estabelecimentos as casas de habitação do parocho que lhes pertencerem no sitio que vos parecer mais próprios. os quaes ficarão continuando nos mesmos empregos. de 26 de novembro de 1759. em 1764. antes os mandareis notificar para despejarem dellas. e nos auditórios judiciaes: a todos os sobreditos officiaes novamente eleitos mandareis logo passar suas cartas de usanças para que possam sem demora entrar a exercer a jurisdição em seus officios. quando executou-se o bando do vice rei D. e para que as ditas arredemptorias fazendo outra de novo queiram ao depois com este pretexto vencer mais tempo contra esta minha disposição fareis eleições por votos dos officios de guerra e ordenança . e sempre será em parte posivel e de menos encomodo ao publico nas terras dos mesmos índios. não prejudicando a propriedade natural que ser entende ser engenho.Cumpra-se – El –Rei Nosso o mandou pelos Conselheiros de seu Conselho ultramarino abaixo assignados . – O Desembargador secretario Joaquim Jose d’Andrade o fiz subscrever e subescrevo . Desconhecemos as peripécias do fato em Sergipe e o numero de jesuítas que habitavam a capitania. A lei da expulsão dos jusuitas foi ampliada pela lei de 28 de agosto de 1767. remetendo-se as elleições. ou donativos. cuja copia mando se vos entregue. sem que leveis estipêndio algum pelas assgnaturas destes papeis. que morreu em S. neste caso regulareis o termo da nova Villa e confins pela terras. que substituiu Areis Lobo.Já não estava mais na administração Matos Henrique. que também mando se vos entregue nas terras que forem demarcadas para os índios. – Antonio de Azeredo Coltinho. – Manuel Estevão de Almeida e Vasconcellos. Um alcaide e seu escrivão e aquelle exercitará o ofício de carceiro. e remettendo o próprio para meu conselho. que por hora se faça as conferencias da camara e as audiências do juiz as quaes umas e outras nos dias em que aponta a ordenação do reino. Eram eles seus maiores proprietários e possuíam um numero não pequeno de propriedades açucareiras. qulaquer destes sujeitos preferirá na serventia do referido officio aquele em quem não concorrerem estas circunstâncias. dando-lhes o juramento e posse. bem estendido que tenham sempre os que actualmente servirem e forem capazes. cujo termo será peremptório e improrrogável. Marcos de Noronha. – Barberino. e se vierem com embargos os remetereis ao conselho fazendo inteiramente a medição nas terras. 22 de Novembro de 1758 188 Em agosto de 1659 foi publicado o edital régio pelo qual mandava tirar residencia do capitão-mor. que mata completamente a instituição em Sergipe: acarregara a obrigação de ensinar a ler e a escrever aos meninos da villa. nem também o escrivão que a xercer pelos os feitos dos mesmos : estabeleceries uma casa logo das que achardes mais decente. e medirão como acima vos ordeno . nas quaes o que se houver de dar ao Parocho para os seus passos.

e comuns inimigos de toda a potencia Temporal. – João Baptista Davier. desde o dia da puplicação da Lei. 162 . – Thimoteo Brboas de Siqueira. confessar e que logo à vista da Lei prestam juramento de fidelidade na forma delle e das penas estabelecidas contra os perturbadores do socego público – e que também exceptue aquelles indivíduos ainda não professos na dita Companhia e que depois de sairem d´ella e houverem entrando em outras ordens regulares e houverem n‘ellas feito profissões solemnes – que o mesmo se observara debaixo das mesmas penas com todas e quaesquer pessôas que introduzirem nos Reynos e Domínios quaesquer dos indivíduos expulsos da dita Companhia ou que sabendo que existem nas mesmas terras dos Reynos e Domínios os não denunciarem no termo de 24 horas ao mesmo Corregedor e Ouvidor da Comarca para serem presos e remettidos com toda a segurança ao juiz da Inconfidência – declara o mesmo Senhor o Breve . Aquellas pessôas que tiverão só havido as referidas cartas antes da puplicação desta Lei suppondo que tratão de espiritualidade quando se costumão passar a outros fins temporaes e preciosos. de assossiação ou de comunicação de previlégios do Geral da Companhia chamada de Jesus. nem dos seu Delegados ou Subdelegados de baixo das penas estabilidades contra os reos de crime de lesa-magestade. pregar. Escrivão da Camra. de toda a Suprema e legitima autoridade e manda immediatamente de Deos Todo Poderoso da Tranquilidade e vida dos Príncipes Soberanos e do socego puplico dos Reinos e Estados e que cada hum dos referidos Membros Puplicos e Secretos da mesma Companhia sejão providos do beneficio que lhes foi conceido pela sobre dita Lei de 3 de Setembro de 1759 debaixo das graves penas fora de seus Reynos e domínios na forma e Termos que determina a dita Lei e que exceptue por ora aquelle dos referidos egressios que obtiveram especiaes e pessoaes ordens suas as quaes não poderão ensinar. e todos os quaesquer naturaes de seus Reinos e Domynios de qualquer Estado ou condição que seja que se acharem encorporados à dita Companhia chamada de Jesus na boa fé de que se tratava somente de espiritualidade ou n‘ella professos dessossiados em alguma Confraria se manifestem debaixo das mesmas penas de proceder-se contra elles sinão se manifestarem ao dito Doutor Ouvidor Geral e Corregedor dentro do referido Termo e que explicando a ampliando a Lei de 3 de Setembro de 1759 declara a todos os Membros Puplicos e Secretos da mesma Companhia Chamada de Jesus por inseparáveis da sua perniciosa cabeça e por incorrigíveis.―Manda El-rei Nosso Senhor em observância da lei de 28 de Agosto do anno próximo passado de 1767 que nenhuma pessôa de qualquer estado ou condicção que seja poderá pedir ou receber carta de confraternidade.os exemplarem d‘elle pelo que pertence a seus Reynos e Domínios por abreticios e sobreticios e como taes nullos para produzir qualquer effeito. Data e passada n‘esta Cidade de Sergipe d‘El-Rei sob meu signal aos 18 de Junho de 1768. sejão obrigadas a entregal-as ao Doutor Ouvidor Geral Corregedor d‘esta Comarca d‘entro em dez dias perentorios.

Diversas são as cartas que dirige o governador ao capitão-mor e Ouvidor. A raça negra alia-se à sua companheira de martírios. declarando-lhes a que punam com severas penas. espavorito pela colonização. que foi substituído por Davier. que não obstante. Gonçalo Pais de Azevedo. continua em sua faina de escravizar os índios. Eles abandonavam seu território e embrenhavam-se pelo ocidente . o sossego e a paz não voltaram ao centro de habitações indígenas. chamando-lhes atenção para essa ilegalidade. Esse movimento escravista tem como principais chefes João Nunes de Barreto e Antônio Vieira de Carvalho. As mesmas cartas são dirigidas a João Nunes. a propósito da escravidão indígena. diretor da aldeia de Japaratuba e por causa de quem José Nunes de Barros assina um termo de responsabilidade. e leva a inquietação à vila de Thomar. talvez pela interferência do Jesuíta. Isidoro Gomes em 175 alia-se ao mesmo partido escravista. nomeado ouvidor efetivo. em1763. A imigração africana se fazia em larga escala. Se até então não mostrava essa tendência. Além disto. pela morte da Companhia de Jesus. Como chefe de um bando armado põe-se á sua frente. (1765-1766)189. concedida pela carta régia que erigiu em vila a aldeia do Geru. principalmente Carlos de Santa Helena. veio provocar na lavoura uma tendência escravista. escala-as a machado e encontrado resistência pó parte de seus habitantes. levando o pânico às famílias. Nesta mesma data foi autorizado a entregar a ouvidoria ao Juiz ordinário mais velho de S. o índio imigrava. que levam às aldeias o cativeiro. Cristóvão. penetra na vila. ESTADO ECONÔMICO DA CAQPITANIA Vimos no capitulo anterior que pequenas foram as lutas entre os lavradores e Jesuítas. MOVIMENTO COLONIAL ATÉ 1802. contra o atentado do branco e efetuam em S. 163 . Esse movimento de desordem estende-se a todos as aldeias e seria enfadonho estarmos enumerando estes fatos de valor puramente local. que lhe proibia penetrar nas aldeias. opunha-se a emancipação. centro poderoso dos naturais. Deram-se mortes e ferimentos. saciando assim suas paixões.Cristóvão.CAPITULO III RESULTADO DA ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO INDÍGENA. 189 Por carta de fevereiro de 1764 foi o ouvidor Aires Lobo dispensado do cargo que exercia em Sergipe. para não haver falta de braço na lavoura. e nomeado ouvidor dos Ilhéus. a emancipação da escravidão natural. depois do qual é preso e entregue à Justiça púplica. agora. que não tinha a lutar contra essa causa. Os missionários das aldeias julgam-se com vida pouco garantidas. antiga aldeia. (1765-1766) e João Batista Davier. Até quase o fim do século. Eis o efeito que produziu no seio da sociedade sergipana de então a importante lei da emancipação do cativeiro indígena. investe contra a câmara e cadeia. Entretanto. que eram Francisco Alves da Silva. revoltando-se assim contra a concessão altamente liberal da coroa. Elas tornam-se centros de desordem e tumulto. recorre à arma de fogo.

innabilidade para ser empregados nos lugares. e Senhor. tendo igualmente precizo puxar pelos outros Terços dos seus subúrbios para ajudarem a estes honrados Vassalos. Sr. sendo peões terão o trabalho das fortificações da cidade pelo tempo que eu lhes destinar. A sociedade da Bahia vivia sob a pressão do receiode uma invasão inimiga. em uma conjuntura tão crítica. huma contribuição me hé indispensavelmente necessária não só para preencher os Regimentos pagos desta Guarnição. reputados por traidores. além de todas as mais penas que ficam a meu arbítrio. porque sendo o mayor reparo não ter vindo hum só Individuo morador na comarca de Sergipe del-Rey. cavallaria della. para ocultarem-se às 190 191 José Gomes da Cruz (Borges) foi nomeado por carta régia de 4 de abril de 1763. No governo foi substituído pelo capitão-mor José Gomes da Cruz190. oferecedendo seus serviços em favor da nação. que esquecido das obrigações de honrado Vassalo se occultar. e degradados para Angola. Christovão de Sergipe del-Rei. Dado sob meu signal a sello de minhas armas na Bahia aos 12 de Novembro anno de 1776. S. Estavam bem frescos os feitos de Duguai-Trouin no Rio de Janeiro. autorizando que os moradores de Sergipe compareçam à sua presença. e o governo tomava medidas preventivas. Faço saber aos moradores da frequezia de N. pra defesa desta Capitania. A Davier na ouvidoria substituiu o Dr. dentro do termo de vinte dias. em defesa da pátria. E para que faça manifesto a todos. a contar da púplicação da lei. embrenharam-se pelos matos.Além destes fatos que denunciavam uma sociedade em sobressalto. E foi entranhado que nenhum sergipano desse testemunho de seu patriotismo. sou obriogado a denunnciar a todo aquelle que como Vassalo ama os eu Legitimo Rey. as suas Famílias. Esta ordem alarmou a população e tanto mais quanto ofereceu excelente oportunidade para as vinganças e dasabafos das paixões contra a classe pobre. que voluntariamente se offerecerão e todos promptamente vierão. e offcios de Justiça ou Fazenda: sendo nobres serão havidos por vez como indignos. quer de fazenda. os nobres seriam considerados como indignos e traidores e deportados para Angola e os peões iriam para as fortificações. que os lavradores abandonaram suas fazendas. Sua execução foi efetuada com tal excesso. mando se puplique este a som de cayxas em cada frequesia e se fixe no lugar mais puplico dessa cidade e seu termo. mas também os Terços Auxiliares de pé. para que a todo o tempo conste se de execução as penas declaradas contra aquelles que fingirem se mostrar que são Laes Vassalos de El-Rei N. o governador Manoel da Cunha Meneses baixa o edital de 12 de Novembro de 1776. encorrerá nas penas de perdição de todos seus bens. M. outros vieram contribuir para agravar esse estado. sob pena de confiscação dos bens e inabilitação para qualquer emprego púplico. da Victoria da cidade de S. hum saque. estendendo-se até 1776. e se registre em todas as câmaras das respectivas Villas daquela comarca. para que logo que este lhe for constante. Por uma carta circular de maio de 1775 ao capitão-mor. venha sem demora comparecer na minha presença para lhe destinar o exercício que deve ter. E muitos cidadãos voluntariamente já tinham-se alistado nas fileiras do exercito. Do mesmo teor e diria se expidiram mais seis Editaes para as Freguesias das Villas da mesma capital de Sergipe de El-Rei. offerecer-se nesta importanssima occazião .Sebastião Álvares da Fonseca ( 17701778). cuja administração foi uma das mais longas. e se achão destacados nesta mesma cidade mostrando hum ardentissimo dezejo de defenderem o Estado. e não comparecer dentro do tempo de vinte dias contados da puplicação deste.alem de outras penas191.que serão logo confiscados. Fidelíssimo. quando foi substituído por Bento José de Oliveira. Governador e Capitão General da capitania da Bahia etc. com famílias. quer de justiça. e todo aquelle individuo. e propriedades. que achando-se esta capital propinqua a receber hum bombardeamento. – Manoel da Cunha Menezes. o governador ordenou o recrutamento. Então. e como cidadão sua Pátria . “ Manoel da Cunha Menezes do Conselho de S.” 164 . pelo tempo que lhes fosse destinado.

que queria para si o privilégio da sua execução. Além disto. A revolução francesa ecoava profundamente no país. em vista do célebre terremoto de 1755. dirigidas aos capitães das vilas das capitanias.porque com ele viria o poder das concessões. São de valor puramente local os acontecimentos do fim do século. Além da atividade do foro.vistas dos agentes que recrutavam. cujos excessos são severamente criticados na carta a si dirigida em maio de 1775.quando quisesse fazê-las. Pelo lado da cultura popular o descuido dos governos era absoluto.auxiliares e os corpos de ordenanças existentes.que abandonou posteriormente a vida política pela vida sacerdotal. porque em 1661 todas as câmaras representaram ap soberano. pela abundância de causas cíveis e crimes.o sargento-mor Bento José de Oliveira. que voluntário. foi ele o sucessor de Cunha no governo.quando chamado à Bahia. o estado social da capitania vivia sob uma agitação continua. A carta circular de maio de 1775. as novas prisões e os processos militares dos desertores. o coronel José Caetano da Silva Loureiro(1782). Daí a luta entre o capitão-mor e o comandante da guarnição. E por este estado financeiro tornou-se responsável. no espírito do governador. um ou o outro levante dos índios de algumas aldeias. Não compreendiam eles as vantagens da instrução.chamando-lhe a atenção para defender a capitania de qualquer invasão inimiga. Desde o meado do século. e por conseguinte. foi também dirigida ao tenentecoronel Francisco Félix de Oliveira. até quase seu final. O estado financeiro da capitania já não era lisonjeiro. que foi imposto por carta do Conde Arcos. piorasse neste sentido. comunicando as deserções e ordenando as prisões. na importância anual de 2:828$. o maior partidário.l de 10 de abril de 1756 às mesmas câmaras. não só pela falta de clareza nos limites das propriedades como pelo grande número de assassinatos que perpetravam.em que foi envolvido. o capitão-mor. Os membros do próprio governo não viviam em harmonia. porque o trabalho agrícola quase suspendeu. alei contribuiu para que o estado social. e que é a primeira ordem para o recrutamento de Sergipe. que desde a liberdade dos índios não era pacífico. em vista de dissabores que lhe provieram de um processo crime. Pequenas lutas entre os capitães-mores e os ouvidores. a fim de defender as entradas dos franceses. pelo governador(1776). pelas barras dos rios navegáveis. pedindo isenção do donativo.Valério dos Santos(1793) e Joaquim José Monteiro(1797). que encontra em seu irmão. Por isso foi preso. para a redificaçaõ de Lisboa.Antônio Pereira Marinho(1790).a atividade do foro. em 1793 deu-se um movimento disciplinar na classe militar. porque as deserções do exercito sucediam-se. de que já falamos. cujas diligências foram dificultadas pelo capitãomor José Gomes da Cruz. Neste ano o governador escreve ao seu delegado. durante trinta anos. Reinava entre eles a divergência. Foram inúmeras as cartas que encontramos em nossas buscas. E este movimento foi até 1782. Sucederam a Bento José de Oliveira na administração.disciplinando os regimentos de cavalaria. antes mesmo de concorrer essa causa poderosa para agravá-lo. Os preços dos gêneros subiram extraordinariamente.Vimos que as aulas públicas de 165 . Entretanto.

.. algodão..............6400 Larangeiras (povoação)................................. Santo Amaro e Vila-Nova........................4315 Em 1808 a população está almentada e o número dos habitantes de cada município é o seguinte: Santo Amaro.... De curso secundário só ensinava-se a língua latina. e os gêneros exportados eram o açúcar. 1440 índios.os quais fabricavam 1000 caixas de açúcar anualmente.. A lavoura açucareira era a base da riqueza pública.............. além da exportação do açúcar...................5255 Pacatuba ....... Pacatuba....1600 Freguesia do Cotinguiba ....................a maior exportação era a de algodão e cereais...................... 20849 pardos............ escravos a troco de caixas de açúcar...3814 Santa Luzia..............Santo Amaro.541 “ Lagarto...........635 (índios) Socorro.......... Em 1808............................ sendo 20300 brancos....................... Procurando distribuir o valor da exportação pelos diversos municípios..............................a de couro e sola por Campos......além das de São Cristóvão... Cristóvão...a de gado pelo Lagarto......................4000 e 300 índios Pé de Banco.........................317 Vila Nova. 194 Eis o número de habitantes distribuído pelos municípios: Santo Amaro........... que era a capital-São Critóvão..................... São Cristóvão......Santa Luzia............. gado....... ferragens...................... O valor da produção total era de 1 milhão e 313 mil cruzados(233$500)..... Socorro e Laranjeiras194..7000 Sua Paróquia ......... (351$631)................30000 e 600 fogos 166 ...... couros secos... segundo Marcos de Souza (Memor..... porcos...... quatro povoações: Laranjeiras..................633 (índios) Socorro..... Lagarto........... Da capit.. Japaratuba e São Pedro (antigas missões). já exportava 30000 alqueires de sal....................... Santa Luzia.......................Sendo 13217 brancos................................... Já se cotavam uma cidade..6364 Thomar .. cereais............na Cotinguiba 20.. Vejamos a expansão colonial a que pé de prosperidade atingiu nesse ano............................. De Sergipe) era de 72236.......................... Sua exportação montava em 860000 cruzados (93$500).................... de onde importava fazendas de algodão.. Santa Luzia exportava 500 caixas e Poxim 800............a de açúcar por Cotinguiba........... 19954 pretos...................2427 Itabaiana.......................4500 Santa Luzia. Desde esse tempo...................................... sola branca....................................Vaza-Barris e Piauí.5468 Japaratuba...................6000 Água Azeda........ estudando a importação da capitania................ cavalos..........................5219 Água Azeda................. Própria192..Thomar.................. O comércio abastecia-se exclusivamente na Bahia............................... e 20 alambiques para destilar o álcool. linho...... tecidos de seda.....317 “ Vila Nova................1641 índios e 19893 pretos.........94 “ Pé de Banco... fumo...........sete vilas:Santa Luzia...14000 Japaratuba. No vale do Vaza-Barris já se contavam 10 engenhos.......4000 Thomar ...4154 S...........10500 Propriá .................8128 Propriá .................... Tomamos o ano de 1802 como termo deste capítulo.......................... 193 Os municípios mais populosos eram os de Santo Amaro................... de lona.primeiras letras havia um na vila do Geru.. Sua população era de 55600 habitantes...................... exportação e sua população......................................................10000 Campos ............ .. Itabaiana.... Itabaiana.....(vila)............................... o número de habitantes..........feita por Itabaiana..........2618 Itabaiana.. 30542 sem classificação descreminada...... pólvora........... 700 índios Lagarto.. da qual havia três cadeiras na capitania em 1799...................7500 Pacatuba ..................... no valor anual de 171 mil cruzados............. O Socorro....6758 Campos ................. 192 193 Elevada a vila por provisão de 5 de setembro de 1801.........

000 cr 32$100 336. Inquiridor e contador em 50$000. do socorro Santa Luzia Lagarto Campos Sant Amaro Pé do Banco Itabaiana Vila-Nova propriá 123 000 cr 165$200 388.000 cr 40$000 Importação 22. feita por Itabaiana. Entretanto transcrevemos com toda fidelidade.000 cr 309$520 23. Meirinho Geral e.000 cr 22. seu escrivão em 40$000. 195 O ofício de escrivão da correição era avaliado em 300$00. seu escrivão 15$000. a de gado pelo Lagarto.000cr 286$600 57. um carcereiro em 15$000. porque na baixa.000 cr 325$900 13.000 cr 144$000 22.800cr 41.000cr 133$100 52. dois avaliadores cada um 5$000.000 cr 288$900 197 195 152. Acreditamos que houvesse erro do autor.formularemos o seguinte mapa demonstrativo: Produção Consumo São Cristóvão Paroq. meirinho e seu escrivão 15$000. Meirinho do Campo.000cr 203$810 36. dois porteiros em 10$000 cada um.000 cr 396$600 70. A navegação fazia-se pelas quatro barras da capitania. N.000 cr 119$720 201 5. Achamos nos cálculos entre cruzados e a nossa meda.000 cr 364$140 200 8. A Câmara de S. Alcaide e seu escrivão 200$000.também de setembro a março202.000cr 326$200 215. demandam o influxo da maré.000 cr 36$440 6. Cada um fazia quatro viagens por ano. um alcaide em 27$000. 100$000.000 cr 237$410 198 8.000 cr 74$150 196 41. porteiro 10$000.000cr 399$200 63. seu escrivão.fazendo cada uma quatro viagens. Vaza-Barris e Piauí.006 cr 90$100 25. dois partidores. a de couro e sola por Campos. o da Recebedoria em 50$000. escrivão da Câmara em 100$000. Carcereiro18$400. S. Por esse tempo Laranjeiras já tinha duas capelas: a do Coração de Jesus. há lugares em que o volume d’ água não mede um palmo de profundidade. o da Provedoria em 25$000. destribuidor. Distribuidor. 196 Os ofícios de escrivão da Câmara de Sta Luzia. cuja construção foi começada em 1791 e a da Conceição. a de açúcar por Cotinquiba.000 cr 64$040 199 14.000 cr 364$480 34. que iam ancorar no porto de Laranjeiras onde recebiam o açúcar da fértil zona banhada por aquele rio.mar. 197 A receita da Câmara de Lagarto era de 621$300 e a despesa 48$500 198 A receita da câmara de Sto Amaro era 179$500 e a despesa de 107$000 199 A receita da Câmara de Itabaiana era 570$000 e a despesa de 21$220 200 A receita de sua Câmara era 430$ e a despesa 258$531 201 Este mapa é cópia de um man.000cr 126$080 37. junto ao engnho Comandoroba. Naquele tempo por ele entravam barcos. que era também o Tabelião do Judicial e notas e escrivão de órfãos eram avaliados em 212$000. Cristóvão rendia 123$600 e suas despesas montava em 125$375. Pela barra do rio Real entravam dez embarcações.000 cr 234$400 47.000 cr 122$880 222. Hoje embracações de pequeno calado para entrar no porto de Laranjeiras. existe na Biblioteca Nacional. o tabelião em 40$000. de setembro a março. escrivão de órfãos em 200$000.000cr 398$400 Exportação 86.000 cr 329$580 9. dois avaliadores em 3$200 cada um.000cr 20$880 67. inquiridor e contador em 30$000.000 cr 300$800 143. a maior exportação era a de algodão e cereais. cada um 12$800.000cr 796$500 Desde esse tempo. uma desproporção enorme. 167 .000 cr 322$540 11.000 cr 362$000 26..000 cr 763$200 6. Meirinho da Provedoria e seu escrivão 20$000 cada um.000cr 305$320 148. Pela barra do rio Cotinguiba entravam anualmente vinte barcos. 202 É admirável que no espaço de oitenta e tantos anos tenha-se dado uma transformação tão grande no rio Cotinguiba.000cr 234$720 31.000 cr 66$160 23. O rendimento da sua Câmara era de 119$000 e a despesa de 104$000.

em sua História do Brasil. Foi por conseguinte um grande serviço prestado a Sergipe sua publicação. Eis o estado de Sergipe no começo do século atual. Dos escritores dos séculos anteriores. manuscrito existente na Biblioteca Nacional. Marcos de Souza faz um estudo importante sobre a capitania. fazendo cada uma quatro viagens. da navegação. Foi escrito em 1802. Deste tempo datam os primeiros trabalhos geográficos e históricos sobre a capitania. Desconhecemos o nome de seu autor. como seus processos de trabalho. Sua publicação deve-se ao coronel Antonio José Fernandes de Barros. Estuda o estado da lavoura. O mesmo man.Vicente de Salvador refere-se mais extensamente a Sergipe. que foi vigário em Siriri em 1808. relativamente não só aos hábitos de seus habitantes. pesquisador. que na obra revela-se espírito muito descritivo e minucioso. Incontestavelmente é um importante livro. Espírito culto. Deste século encontramos uma Descrição Geográfica de Sergipe. por Marcos Antônio de Souza.Pela barra do rio Real entravam dez embarcações.que obteve cópia do man. Foram estas obras que pudemos encontrar em nossas procuras. Existente no Museu Britânico. 168 . Temos a citar ainda as Memórias da Capitania de Sergipe. Infelizmente só estuda a parte geográfica. ou cópia existe em nossa Biblioteca. também de setembro a março.e lembra medidas de grande alcance econômico. somente Fr.quando escreveu seu livro.

os frades e ecclesiasticos em geral. intelectual e moral daquela sociedade que com o andar dos tempos. ―A maior destes. extenuados de toda a casta de vexações. prendiam na questão abrasadora dos índios. ―Leis confusas. as matanças. as guerras estrangeiras.ora instantânea e fulminante dessa raça infeliz. é fácil imaginar-se a que grau de exasperação não subiriam os seus ódios mesquinhos. de resto impotentes para obviar a influência perniciosa dos pricípios geraes dominantes. a imolação ora lenta e gradual. igualmente pungidos pelo orgulho e pela miséria. inúteis para a fiscalisação e o equilíbrio. em fim transferida continuamente de uma para outra capital. porque apelar para os representantes da justiça. por uma da suas faces. entretinham esta funesta preoccupação. e de outros muitos males. elles só honravam a ociosidade. vendo-se. a residencia dos governadores.poderes rivaes e reluctantese. que nos propuzemos a esboçar. bem que ordinariamente avessos entre si. e as espoliações. envenenados demais a mais periodicamente. e as leis. ―Privados além disso de toda e qualquer distração.os tumultos. singularmente alimentada na execução pelas infracções incessantes e permanentes a que a ignorância. carregava exclusivamente sobre os escravos. falsos e viciosos. À História do Maranhão. os accidantes ordinários dessa vida mesquinha e tormentosa. . Seus habitantes não encontravam na lei. com tradictorias. diz João Francisco Lisboa. e em direcção opposta à dos governadores.CAPÍTULO IV SERGIPE E A REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA EM 1817 Vimos no capítulo anterior o estado a que chegara a capitania no começo do século. p. 171. as garantias de seus direitos. as câmaras e os magistrados ociosos. alternativamente animados e illudidos em suas esperanças. perpetua e monstruosa affirmação e negação dos mesmos principios favoneando ora a liberdade. a prepotência e a corrupção impeliam os governadores. a não serem algumas raras festividades de carater religioso. enchendo o tempo com maneiras intrigas políticas e particulares. incompletas. em vez de integrar-se e oferecer uma feição próspera. elevado 203 pelas leis ao caracter de instituição regular e permanente. poucos em numero. Apont. fomentando por todos os meios a sedicção e a discórdia e isolando na pratica os princípios de liberdade que no ardor das luctas pelo prodominio apregoavam a favor dos índios. contendo algumas boas disposições parciaes.admiráveis e efficacissimos para os conflictos . ora o captiveiro. continuava apresentar pontos de semelhança com os tempos passados. III. ―Infactuados da sua nobreza. nas residências e devassas janeirinhas –campo aberto a todas as facções para se degladiarem. e associando-se ao systema geral de opressão e tyrannia. era apelar em vão. em vez de manterem a dignidade própria e os foros dos cidadãos. a sua anarchia intrínseca. sem excepção dos principes e dignidade da igreja. as guerras. As forças civilizadoras parecem que se tornavam impotentes para corrigir o estado político. e vasto laboratório de calumnias e diffamação. eis ahi. haviam de prestar-lhes obediência passiva. 203 João F. e tão ávidos de riqueza como incapazes de grangeal-as pelos meios lícitos e ordinários. impellindo os cidadãos. é as revoltas. nem em seus funcionários. da energia e do furror à prostação e à ignovia. 169 . cousa baixa e vil. Lisboa. medindo-se e encontrando-se a cada passo. e quase bloqueados naquelles remotos e estreitos presídios. o trabalho. as capitanias reunidas. opressivas.‖ Estas palavras interpretam perfeitamente o estado social de Sergipe no fim do século XVII e começo do atual. Entregues às paixões dos dominadores.

mandam incendiar-lhes as choupanas e derribar-lhes as plantações. não poderia facilmente corrigir-se para. desprezados pelos agentes do poder público. em que vem descrito o modo irregular por que era administrada a justiça. em 1895. Em Vila-Nova levantaram a reação. Compreende-se perfeitamente que um meio social. Profundamente adeptos à causa do rei. ou à insolência do protesto e da impugnação. Ou sucumbia. ostentando assim perante as autoridades o prestígio das armas.Não passavam de instrumentos desses mesmos dominadores. cujo móvel dominante era o capricho de um régulo. nem adesão nos habitantes de Sergipe. a cujas vontades estavam entregues os destinos daquela população e os direitos daqueles cidadãos. instauram processos. nutridos das idéias de uma falsa aristocracia de família.sua proliferação na América. Pode-se prover. Bento de Oliveira e Felipe de Faro alcançam completa ascendência sobre o ouvidor. entram nos centros populosos armados e acompanhados de sequazes. que lhes podem prestar os ínfimos serviços. que viesse garantir os direitos do povo. de instrumentos de vingança. e então a lei não é mais do que a vontade destes dois poderosos. Eis o que faziam Bento de Melo e Felipe de Faro. procura ser o advogado das partes. levantados pelos revolucionários de Pernambuco. prendem aqueles que não se prestam a tão vil papel. a posição hostil ao movimento revolucionário. sem cultura para compreenderem os grandes benefícios futuros de cedo ser instituído um regime eminentemente democrático. O latim era a única língua que se ensinava. poucos anos depois (1817).como delegado da monarquia portuguesa. completamente descurada pelas administrações. O número de aulas públicas na capitania era pequeniníssimo e ainda menor o de aulas de ensino secundário. Por meio deles o conde dos Arcos pôs em prática seus planos realistas. os sargentosmores Bento José de Oliveira e Felipe de Faro Leitão. Sem instrução. peitadas para dizerem o que lhes ensinam. por sua vez. sendo eles mesmos os encarregados de fazer o interrogatório das testemunhas. que vencia até os princípios da justiça.a fim de assegurar seu desenvolvimento. Um espírito independente e livre não podia viver nesse meio. Figuravam como os dois homens de mais prestígio de então. os habitantes de Sergipe fizeram causa comum com os habitantes de Penedo. torna-se um terreno onde pudessem germinar os princípios de liberdade. obrigam os lavradores a pagarem-lhes altas porcentagens. do capricho pessoal. sem patriotismo. Não lhe foi difícil abafar a revolução. em vista do atraso mental e moral da capitania. em vista da dedicação realista dos 170 . E vem aqui ao caso falarmos da administração judiciária do Doutor José Antônio Alvarenga Barros Freire. O procedimento de Alvarenga era mais ou menos imitado pelos juízes ordinários da capitania. na reação que levantaram contra a vitória dos revolucionários republicanos. Seus iniciadores e propagandistas não encontraram apoio. Faltava a ação eminentemente poderosa da instrução popular. O Ministro da Justiça sanciona com sua aquiescência esses desmandos e. por crimes imaginários. assassinos. Contra ele tivemos de ler uma representação. e como resposta a qualquer protesto contra uma tal extorsão. pelo arrendamento das terras onde habitam. prestando obediência ao regime do arbítrio. Penetram nas cadeias e soltam os presos.

umas vezes. sendo entretanto. capitão-mor. justificadas pela pobreza em que viviam. no dia 31. pelas epidemias. que criavam embaraços ao trabalho agrícola. em vista de ordens de recrutamento. aclamam. e a administração nas mãos de Bento Pereira. Esqueciam que. vivessem com viviam nas trevas da ignorância. Esqueciam que suas reclamações contra esses impostos não eram atendidas pelo soberano. aniversário de sua morte.que as forças do conde dos Arcos chegassem a Vila-Nova e a Penedo. Historiemos os fatos. perante um concurso de duas mil pessoas. contra as perseguições que sofriam da pseudo nobreza. pela moralidade na administração. outras. acossados. Antes. sendo os governos completamente indiferentes às suas necessidades e até mesmo as reclamações que dirigiam ao poder competente. No dia 28 espalha-se a notícia de que a Bahia não aderia e que já vinham tropas em direção de Vila-Nova. que se prestavam aos caprichos dos dominadores. da prisão de seu governador e que em viagem para o sul achava-se o padre José Inácio Roma emissário daquele governo. que tudo espoliava. e cônscios do concurso que lhes prometeram suas autoridades204. quando a quinze do mesmo mês espalhou-se na vila a notícia de uma revolta em Pernambuco. à frente do qual colocam-se o coronel Inácio Francisco da Fonseca Calassa Galvão. A 25 do mesmo mês chegam à vila essas mesmas ordens. Esqueciam tudo isto e prestavam adesão a esse regímem que não era sensível às suas necessidades. espalhando ordens de obediência pelas localidades. Esqueciam que. 204 Francisco Guilherme da Rocha escrivão da camara e tabelião do público judicial e notas. ou não podia corrigir. a que obedecem seus habitantes. outras. o missionário Francisco José Correia. toda esperança de auxílio desaparece e fica Penedo em obediência ao governo revolucionário. depois de tanto tempo de uma evolução civilizadora. E nessa adesão que os sergipanos prestaram à causa monárquica. prestando o concurso de sua coragem aos planos do conde dos Arcos. comandante do corpo de milícias. que deviam ser celebradas no dia 20 de março. José Gregório da Cruz. para sufocar a revolução. e os membros do Conselho. mandam a Vila-Nova um emissário. Por conseguinte. Então uma idéia de resistência manifesta-se e organiza-se o partido realista. Esqueciam que seus direitos não eram garantidos pelas autoridades. esqueciam que viviam dominados por um regímem de arbítrio e prepotência. e preparavam-se para as exéquias. capitão Manoel José de Sant‘Ana. pelas secas. que o governo não queria. Retiram as bandeiras reais e as armas das barretinas e talabartes. em favor de um regímen que se caracterizasse pelo respeito à lei. e sem forças suficientes para oporem a resistência. Os insurgentes espalham a notícia de que a Bahia aderia ao movimento. Antônio da Silva. da organização de governo provisório.sergipanos e alagoanos. escrivão do crime e 171 . Resolvidos a resistência. pela vitória da justiça sobre as paixões pessoais. e contra o peso dos impostos de que se achavam sobrecarregados. sargento-mor. comandante do regimento dos pardos da comarca. pelo abandono das lavouras. ainda vissem a justiça nas mãos de Alvarengas e seus sucessores. Os habitantes de Penedo ainda choravam a perda de Dona Maria I. depois de mais de dois séculos de colonização. tomados de susto e surpresa. que não quiseram acompanhar a causa dos seus irmãos. porém.seus habitantes já preparavam-se para reação.

.coronel. visto declararem-se fieis e obedientes ao nosso soberano rei de Portugal o Senhor D. Nada mais houve que propor sobre o que passou-se o presente auto em que todos assignaram. motivo porque esta Villa Nova e seu termos se puzeram em armas. firmes e valorosos para combater tão honroso attentado. coronel. para que recebido o competente passaporte possa seguir livre o condutor delles.. João Sexto dignando-lhe toda a subordinação devida como fiéis vassalhos que eram. coronel. cível e mais impostos régios nesta Villa Nova de Sto. cujo enviadoo reverendo Francisco José Correia missionário apostólico. assim o esperamos de V. M. pelo qual motivo se sujeitaram os mesmos povos desta villa e todo seu districto a sacrificarem suas vidas e fazendas. nos passos do Conselho della. a quem juram fidelidade.do quanto executarem forão em auto publico para ser representado ao mesmo senhor General da Bahia. Cetifico aos senhores que a presente certidão virem que por mandado da camara desta Villa Nova extrahi a presente certidão do livro de vereações que presentemente serve com o theor seguinte: Aos trinta dias do mez de Março de 1817 nesta Villa Nova.. dos pardos da comarca. com assistência do capitão-mor das ordenanças desta villa Antonio José da Silva e capitão Manuel Ferreira Martins. ha de apresentar nosso enviado o fiel vassallo o reverendo padre Francisco José Correia verá V.sargento mór. a fidelidade que se deve guardar ao nosso soberano dizendo o seguinte: que os povos da Villa do Penedo e seus chefes respectivos atemorizados com os decretos do Governo Provisorio assim chamado o governo de Pernambuco lhe certificaram que esta capitania se dava também mutuamente as mãos. capitão commandante inerino do Regi.. Manuel José de Santa Anna. Ignacio Francisco da Fonseca Calassa Galvão.M. para o estado e para a tranqüilidade publica. fazendo receber os presos todos que despoticamente por fórma da mesma rebellião soltaram da cadeia da mesma villa de Penedo e assim satisfeito. seu tenente coronel José Gomes Ribeiro e toda a mais officialidade afim de que convém paz entre uma e outra villa. vamos rogar-lhe que quanto estiver de sua parte e quanto seu poder lhe permitir faça por conservar nessa villa a tropa militar o socorro preciso que nos possa auxiliar em qualquer ataque que nos vejamos. o capitão Bento de Mello Pereira. visto que o corpo militar da mesma villa se havia levantado uma sedição por commamdo do governo provisório. dera principio a uma discreta e sabia persuação. Antonio Real de El-Rei do rio S. Senhor Francisco Manoel da Rocha. Ignacio Francisco da Fonseca Calassa Galvão.. por muitos annos a quem perante as pessoas já aqui nomeadas esperam seu auxílio como seu socorro na presente crítica circumstancia em que se vém a vista do que responderam e aceitaram de commun accordo já nesta declarados. o capitão Antonio Manuel de Britto. Francisco e seu termo. Auto da Villa do Penedo enviado a Villa Nova. tenente. e declaram guerra aos rebeldes de Pernambuco. João Sexto e promettemos todo o auxílio fazendo os povos da villa de Penedo e seu termo uma publica aclamação.. João Sexto e por temermos ser combatidos pelos nossos inimigos revolucionários por termos hoje declarado guerra contra elles por parte de nosso soberano. o sargento commandante do destacamento Francisco Manuel da Rocha. assim chamado da praça de Pernambuco. sagrada pessoa do nosso Felicissimo rei o Senhor D.. Villa Nova 30 de Março de 1817.. M. Que olhando para a mesma religião. Deus G. Antonio da Silva. –Do auto publico que a V. a V. G. fazendo-lhes ver por meio da rasão e da justiça que era necessário disterrar as trevas da cegueira ignorância em que estão aquella e esta villa. fazendo causa commun na mesma rebelião . José Ignacio Ribeiro. sargento commandante do piquete de cavallaria paga destacada em Villa Nova. por parte não só dos povos da villa de Penedo. João Sexto que D.de que usam. por Sua Alteza Real que D. por bem do serviço de S. restituindo as armas das barretinas militares ao seu antigo estado. José Gregrorio da Cruz. alfares Antonio Ferreira de Mello e o terceiro vereador Caetano Gonsalves Freire e o procurador Vicente Augusto da Fonseca. contra o nosso Serenissimo rei dos três reinos unidos o senhor D. as publicas demonstrações da nossa fidelidade ao nosso Augusto Soberano o Senhor D. sobre. fazendo convocar a mesma camara da fórma que já dito fica. vereadores Silvestre Antonio de Souza. o alferes Félix da Conceição Barreto.vitoriosa a causa do rei. 172 . G. para o efeito de se receber em auto da mesma camara o enviado o reverendo padre Francisco José Correia. capitão-mor.. F: Ficamos tratando dos officios que sobre esta importante matéria devemos dirigir ao Ilustrissimo e Exmo. Villa do Penedo casa da camara em conselho de 31de Março de 1817. levantando bandeira real. José Ignacio Francisco da Fonseca Calassa Galvão. M.. porem agora que estão persuadidos terem todo o auxilio dos fiéis vassallos desta capitania da Bahia contra a rebelião de Pernambuco se declaram debaixo do mesmo juramento de fidelidade devida. Senhor Conde Governador capitão general da Bahia e o ilustríssimo senhor governador da cidade de Sergipe d’El-Rei e amanhã serão apresentados a vossas mercês os sobreditos officios. fazendo calcar aos pés.a quem por direito tocam. onde foram juntos o juiz ordinário presidente Luiz Ferreira Leite. M. como também por parte do coronel do regimento de milícias da mesma villa. temeram serem elles os únicos que tomassem o partido da fidelidade devida ao nosso soberano.

capitão mór . mande dous brigues armados de guerra para a barra de Jaraguá. mandar não será difficil reunirmo-nos e então contamos com feliz sucesso. –Nós abaixo assignados fazemos certo a V. Tememos todos a vista dos decretos e da infausta notícia e vendo as nossas poucas forças e o estado da capital se publicarem os ditos decretos para depois serem jogados aos pés. Ex. pedimos o pompto socorro da triste circumstancia em que nos vemos . João Sexto. General da Bahia. tenente-coronel. sob o que V. coronel governador da cidade de Sergipe d’El-Rei. S. Antônio Luiz da Fonseca Machado205 e ao conde dos Arcos. S. do que consta e esperamos da integérrima fidelidade de V. Antonio da Silva Lemos. Correo a voz popular de que toda a America portugueza se tinha dado as mãos em commum rebellião contra a sagrada pessoa do nosso augusto soberano. fomos atacados com terríveis ameaças de um entruso governo revolucionário na capital de Pernambuco. –Eu e os mais chefes das corporações militares. todo o auxílio como supplicamos. Penedo. Illm. sargento mor. e tudo consta do auto publico que fizemos na mesma occasião. Declaramos guerra a todos os rebeldes e conjurados contra a sagrada pessoa do nosso augusto soberano. comtudo a vista da tropa de linha que V. a quem jamais deixaremos de ser fieis. Devemos apresentar a V. os commerciantes desta villa e seu termo.Ignacio Francisco da Fonseca Callaça Galvão. nos persuadimos com muito fundamento que com uma simples proposição feita ao povo sem effusão de sangue resultará o feliz effeito que espermos. chefe das milícias dos homens brancos desta villa por si e da parte de todas as pessoas da governança enviou o Reverendo missionário apostólico Francisco José Correia para certificar as pessoas do governo de Villa Nova. M. porque agora conhecemos perfeitamente que temos a nosso favor V. que pela copia junta verá V. 1 de abril de 1817. e vendo as nossas poucas forças publicamos os ditos decretos do denominado governo provisorio dos rebelados para os pegar após logo que o podessemos fazer com vantagem do soberano e de seus fieis vassallos. Sr. Ex. que é fraquíssima pela falta de armas competentes. 205 Ilustrissimo Senhor Governador. apenas tivemos certesa que a capital da Bahia e suas comarcas eram fieis a obediência do nosso soberano rei o senhor D. Ainda se conservam nesta villa alguns dinheiros pertencentes a corda e poderiam ser mais se não tivesse ido a pouco tempo para a capital o que havia e com este pouco se vão sustentando os que estão no actual serviço. nosso Senhor D. o coronel Galvão.. a quem perante V. Ex. com a chegada de seus decretos. f. conservando sempre em nosso peito o amor. sargento-mór. além de medidas que tomaram. Miguel Velloso da Silveira Nobrega. chefes militares e todos os mais fieis vassallos dessa capitania. o clero. mandando-nos para a barra deste rio com uma embarcação com pessoas para defenderem as do commercio desta terra. coronel. Antonio Luiz da Fonseca M achado. por ser aonde mais promptamente podíamos certificar os nossos sentimentos de fidelidade e logo pedimos se conservasse na mesma villa um reforço militar para nos auxiliar contra os rebelados quando vieram sobre nós. a necessidade que temos de um regimento com peças de artilharia. por serviço de S. o Sr. que aterrados nossos districtos de uma revoltosa conspiração feita em Pernambuco e pelas noticias populares que toda artilharia portugueza tinha as mãos dadas na mesma rebelião. João 6º. condicção de pátria ou nação que forem contra o nosso soberano rei e lhe protestamos nossa fidelidade sempre interrupta. e Exm. José Gregorio da Cruz. Ex. na certeza de que a terra é pobríssima e precisa acudir com o dinheiro necessário para se pagarem os soldos. fidelidade e obediência. obediência e amor ao nosso rei. o qual deve estar nesta villa de Penedo para se unir com a nossa tropa miliciana. João 6º e ouvidos os seus fieis vassallos. o senado com o povo. E supposto que algumas das companhias della estejam muito appartadas quasi por toda comarca das Alagoas. José Gomes Ribeiro. Senhor rei D. Sr. João Sexto. Ex.Comunicam sua resolução ao governador de Sergipe. munições e seu competente chefe. S. temos declarado guerra contra todosos rebeldes de qualquer estado. Ex. tememos o estrago deshumano que farão os hespanhóes americanos. então sem mais temer immediatamente aos vinte nove de Março deste corrente anno. Representamos a V. abrimos os nossos corações e publicamente com as demonstrações da maior alegria declaramos os nossos sentimentos de fidelidade.seus governadores . S. clero e povos desta villa e com effeito no dia 31 do mesmo mez se declararam com maiores demonstrações de alegria os nossos continuos sentimentos de fidelidade ao nosso soberano Rei. que sem risco algum se podem nella conservar a ainda embarcação de alto bordo. Senhor D. Ex. João 6º e esperando occasião opportuna que pudessemos com vantagem ao soberano e dos seus povos declarar os nossos sentimentos. Nós vamos tomar as medidas para reunir no nosso partido o resto da comarca das Alagoas e para isto é preciso que V. e Exm. Deus Guarde a V. dará as providencias. D.. do que tudo fazendo certo ao governo de Villa Nova. Illm. devidas ao augusto rei. Nesta mesma occasião vae outro officio para o Illm. a vista do que vamos rogar a V. e bem dos seus fieis vassallos nos preste todo auxilio que julgar conveniente na presente circumstancia. não só para o 173 . quaes eram seus sentimentos de fidelidade e das pessoas da governança. S. a falta de pret que há nesta. S..

vereador. pregar nas esquinas della as primeiras proclamações impressas do Excellentissimo Conde General da Bahia de data de vinte e hum de Março: as quaes sendo vistas pelo povo. Ex. Antonio Moreira Lemos. que não obravão daquelle modo por zelo do Serviço de Sua Magestade. Francisco Manoel da Rocha. Simplicio Nery.e aprezar de dia e de noite as mesmas canôas. juiz ordinário. Era debalde que os penedenses pediam ao governador de Sergipe e ao conde dos Arcos providências contra as perseguições que sofriam de Vila-Nova e do sargento comandante do piquete de cavalaria aí destacado. no qual se lê a carta de data de oito de Abrilque dirigioo capitão de cavallaria Paga da Bahia Jozé Felis Machado ao Sargento Mór das ordenanças desta Villa Antonio da Silva Lemos para fazer regimento que V. Reprezentarão mais ao mesmo Excellentissimo Conde que davão a conhecer os Povos daquella Villa. Sr. Essas hostilidades não tinham justificativa.F. antes tudo soffrião por obdiencia as Leis de Sua Magestade. Exm. Antonio José da Silva. aos quaes do Penedo dse não fez a menor rezistencia. capitão commandante.. e em menos de duas oras ellas forão repostas nas mesmas esquinas. mesmo depois que Calassa Galvão e seus companheiros organizaram o partido da resistência. elles na noite do dia sete de Aril. nos Passos do Conselho. Illm. Conde dos Arcos. e tirando huns por curiosidade para copiar algumas dellas. pois em vez de nos prestarem os auxílios requiridos para a salvação publica. 1 de abril de 1817. E transcrevamos aqui um trecho de um manuscrito inédito.G. Man.. Manoel Prudente de Barros Leite. continuavão cada vez mais com ella digo com as referidas hostilidades. abriram-lhes hostilidades. Deus Guarde a V.R. e mesmo testemunhas oculares da nossa fidelidade. sobre os acontecimentos em Alagoas206.N. sabendo-o o Juiz Ordinario afim de que não dessem alguma sinistra interpretação à mesma curiozidade. e nem ainda mesmo aquelles que os perseguião com o titulo devassador. Vila-Nova não fez mais do que prestar-lhe auxílio. M. fieis. como também para os officiaes milicianos que comem soldo nesta villa.G. Inédito de 50 folhas. prourador. por isso que elles vinhão aqui todas as vezes que querião armados. Ex. nas quais continuaram. e vindo até as margens daquem do Rio roubar. 174 . juiz ordinário. logo que amanheceu o dia oito. como se vê no dito documento.V. desde quando eles já defendiam a causa do rei. mandar. vigário do Penedo. Antonio José da Silva Lamego. vierão como forão vistos de muitos desta villa. referente ao procedimento dos habitantes de VilaNova: ―No dia coatro dirigirão ao Excellentissimo Conde General da Bahia o officio no qual representarão as hostilidades terríveis que soffriam de Villa-Nova.C. prendendo as gentes forras e as –cativas que dizião que ião tratar. um córso formidável pelo Rio aprezando as sumacas desta villa vindas da Bahia saqueando e destruindo as canôas dos Povos que navegarão pello meio do Rio com negocio e mantimento. e bem conhecião que ella estava em paz. I. Villa do Penedo. F. José Leandro dos Santos. até restituir-se à capitania todo o seu legitimo domínio. não mostravam senão suas indisposições pessoais contra os penedenses. muito mais do que os próprios habitantes de Vila-Nova. atirando com pólvora e balla aos miseráveis que fugião a escapar-se a taes bravos ataques. Sant’Anna. Realmente o partido realista organizou-se em Penedo. J. Vejamos como procediam os habitantes de Vila-Nova. huma prova de que elles não obravão por zelo do serviço Real He mostrar-se que achando-se esta Villa já escudada com as Reaes bandeiras desde trinta e hum de Março e fazendo-se-lhes o aviso disto mesmo com o próprio documento e conhecendo que os seus povos não erão capazes de oppor-se ás ordens do Governo de Sua Magestade. porque sendo por elles inteirado. que nesse proceder. vereador. convocou a camara e deo a providencia constante do documento do numero vinte e três. 206 Carta que escreveu o Senado da Câmara de Penedo à sua Magestade sobre o que se praticou na Revolução Pernambucana.coronel. e de devermos fazer todos uma só e a mesma família para defender a mesma Real causa. e patrulhas dos mesmos corrião de noite esta Villa. que he o que nos devia somente entereçar por estarmos já no caso de olhar já para a causa do Soberano.S. tenente-coronel.. Desde que souberam da obediência que os penedenses tinham prestado à revolução.procurando a adesão das câmaras da comarca à resistência que levantaram. Outra prova da verdade do dito antecedente he o documento de numero vinte e coatro.

o capitão de cavalaria da Legião de Honra da Bahia. ao sargento-mor Miguel Veloso da Silva Nóbrega. quando já tinham posto em prática todas as medidas para oporem-se à vitória da revolução. Suspendem-se então as perseguições que os habitantes de Vila-Nova infligiam aos de Penedo. levando seus mais preciosos haveres. e o homem João Gacheiro setenta mil réis para o irem entregar por via de mar visto que de terra não eram favorecidos. Os maiores desatinos foram cometidos e a população teve de procurar os campos. promovesse as perseguições contra os chefes da reação. e mal acabavam seus membros de assinar a ata. Ela reúne-se no dia 16 de abril. o padre Correa. a fim de lançarem um protesto e tomarem medidas contra um tal estado de coisas. quando o primeiro emissário do Conde dos Arcos. continuavão os saques e as prisões dos que tranzitavão pelo Rio. As intrigas. foram conduzidos para VillaNova e depois para a Bahia. e finalmente só tínhamos a noticia dada por alguns daquella villa.‖ Além disto os emissários de Vila-Nova aprisionam um barco que vinha carregado de farinha de Cururipe para Penedo. que presos. lembrando nella que seria muito a favor desta mesma Villa hum. que já tinha solicitado do governador de alagoas permissão para fazê-la. chegou a Vila-Nova. apresentaram-se as autoridades militares de Villa-Nova e deram ordem de prisão ao coronel Calassa Galvão. Eles não se inspiravam na defesa da causa do rei. revolucionários. eram considerados patriotas. nos dias de março. prendem o ajudante do regimento dos Homens Pardos. porque inconstestavelmente a adesão prestada pelos penedenses à revolução. José Félix Machado. se não chega a Vila-Nova. como tudo se lê no mesmo documento‖. o mais perto que pudesse ser de Pernambuco. foram presos pela realistas de Vila-Nova e enviados para a Bahia. e fazem propalar que estavam dispostos a prender e até a matar impunemente os chefes da guarnição de Penedo. este foi preso. no dia 18 de abril. ―Desesperada com tantas oppressões a camara se ajunta no dia treze e accordam em mandar ao Excellentissimo Conde General da Bahia em que lhe participava as tristes circunstancias em que se vião estes povos sem dar ao Ajudante de ordenanças Antonio Fernandes dos Santos.. de Villa -Nova nada se nos respondia. cujos habitantes convocam a câmara. Ainda mais: logo que contaram com o auxílio das forças de Sergipe. a fim de não ser alvo do saque e da rapinagem. de que toda a hora vinhão saquear esta o que deu motivo a entrarem a dezertar della varias familias. Penedo foi declarado em sítio. que por ordem do conde dos Arcos ia a Pernambuco bater os revoltosos. Diz ainda o manuscrito: ―Mandando pois a camara a Villa-Nova entregar o referido officio de numero vinte e sete ao mencionado capitão de cavallaria Paga pelo referido Alferes Manoel José Gomes. Dirigiu-se a diligência o capitão de ordenanças Bento de Melo Pereira.do Clero e Povo pedindo um commandante de tropas à vontade do Excellentissimo Conde General da Bahia. Calassa Galvão já promovia a reação. E tanto assim é que. o despeito. da pressão. enviado para Sergipe de El-Rey. o marechal Joaquim de Mello Leite Cogominho Lacerda. Precedeu-a uma portaria do comandante da infantaria destacada em Villa-Nova. José Félix Machado..Nós abaixo assinados. Manoel Luiz das Chagas. Esse estado de coisas continuaria. do terror. foi o efeito do medo. faziam com que Bento de Melo Pereira. as prevenções anteriores. que entretanto. pedindo auxílios às forças de Vila-Nova. isto é. Anacleto do Rosário. ao capitão-mor José Gregório da Cruz. auxiliado pelo seu ajudante Miguel dos Anjos Souto Maior e o alferes do regimento dos Henrique. e que 175 . capitão de ordenanças de Vila-Nova. que lhes foram pedidas pelo emissário que mandaram a Vila-Nova.pregar as proclamações que com ella enviou. Entretanto .

Amaro. criando dois batalhões de voluntários – o dos brancos e o dos pardos. satisfaz a arrogante exigencia e remetteo-os presosa a sua rival. em sua Hist. Nosso fim é mostrar o papel de Sergipe perante a revolução de 1817. p. não tardaram receber justo prêmio: a villa rival muito mais ufana enviou dous dos seus officiaes. 207 De Sergipe marcharam as seguintes forças: cavalaria miliciana de Sergipe. Francisco. foi presa.182: “ A villa de Penedo foi a primeira a abaixar-se. pois. enviaram uma deputação a Bahia. Amaro. Estas forças combateram no engenho Guerra contra as tropas dos patriotas pernambucanos. E era isto mesmo o que eles pediam. milícias de Sto. enviada para S. a qual encorrentando-os os presos á Bahia..registraram em documento sua adesão à causa do soberano. onde aquella de Penedo é situada. foi a causa principal da contra revolução.207 Passa-se Cogominho a Penedo. p. para que exigissem com garantia a prisão immediata do capitão mor. Cristóvão e depois para a Bahia. suas paixões e seus ódios. fazendo parte das forças realistas. protestando fidelidade ao monarcha. que diziam estar próximo a chegar . Da Revol. como pedir-lhes auxílio. “Tendo os penedenses arvorado a bandeira real. E aí fica ele descrito. onde organiza as forças militares.coronel José Gomes Ribeiro e o coronel Francisco Manoel Martins Ramos partem para Pernambuco. Informados da marcha dos soldados da Bahia. Podemos. coronei e sargento-mor do Regimento dos Brancos reputados os principaes cabeças da revolta. 208 Achamos muito judiciosas as seguintes palavras do Dr. cujos membros eram: o missionário Francisco José Correa. 100 homens.que sob o comando do tenente. 176 . A ida da deputação antecedeu à chegada de José Félix em Vila-Nova. e ameaçando de extermínio legal com a força. 500 homens. Os Mártires Pernambucanos. que jaz sobre a margem opposta do rio S. e aquella mesma Camara curvou o cóllo. 59. concluir que o estímulo dos chefes legalistas de Vila-Nova não era defender simplesmente as instituições. cavalaria miliciana de Sto. como patriotas e revolucionários. A antiga rivalidade desta villa com outra denominada villa Nova. Tavares. o capitão de milícias Francisco de Souza Machado e o capitão de ordenanças Francisco Moreira da Silva Lemos. ao passar ela em Vila-Nova. os habitantes de villa Nova começaram a aprehender e roubar todas as canoas da sua rival. Pois bem. no intuito não só de comunicar ao vice-rei a posição que já tinham assumido. 100 homens. o qual comandava as forças que vinham bater os revolucionários. Eles satisfaziam. por intermédio da deputação. nas medidas que punham em prática.208 Não nos compete acompanhar as lutas.

Amigo: “Eu El-Rei vos envio muito saudar como aquelle que amo. O decreto rompia de todo os laços de dependência em que Sergipe tinha vivido até então para com a Bahia. reduziu seu governo à sua dependência. Hei por bem por Decreto da data desta. isentos da tutela em que tinham estado. comunicando-se directamente com a secretarias de Estado competentes e podendo conceder sesmarias na fórma das Minhas Reaes Ordens. angariou a simpatia do soberano. que na Bahia já se achava aclamada e jurada. no inicio de sua administração. pelos quais a Bahia levou o pânico a Sergipe. e uma nova vida administrativa e econômica ia prender a atividade de seus filhos. O procedimento que os habitantes de Sergipe e Alagoas e Rio Grande do Norte assumiram perante a revolução de 1817. 209 Conde de Palma do Meu Conselho. izenta-la absolutamente da sugeição em que até agora tem estado desse Governo. As palavras de Bulamarque não podem ser acoimadas de apaixonadas. JURAMENTO DA CONSTITUIÇÃO E ACLAMAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA. Adiante mostraremos ao leitor que esse fato não justifica o atentado cometido. Realmente. por Decreto de 8 de julho de 1820209 foi Sergipe elevada à categoria de capitania. e pela pressão da força. procurando justificar-se esse arbítrio com o obstáculo que ofereceu então o seu governador ao juramento da constituição. nomeado por carta régia de 24 de Outubro de 1820. levando seus governadores dirigem-se diretamente às secretarias do Estado. Governador e Capitão General da Capitania da Bahia.CAPÍTULO V SERGIPE. como dantes era. E da Bahia partiu esse atentado contra a autonomia administrativa da nova capitania. que lhes quis dar uma prova de reconhecimento. CAPITANIA INTERVENÇÃO DA BAHIA. Entreguemos a Bulamarque descrever os acontecimentos que se operaram. Tomou posse em 20 de fevereiro de 1821. Declarando-a independente totalmente para que os Governadores della a governem na fórma praticada nas mais capitanias independentes. por ter também satisfeito ao outro dever de bom cidadão. e a prosperidade a que Me proponho Eleva-lo. podendo conceder sesmarias. e pela outra. prestando importante contingente a vitória do partido realista. que a capitania de Sergipe d’El-Rei tenha hum Governo independente do dessa Capitania. privando-se a nova capitania da emancipação que o soberano lhe concedia. por uma parte. Convindo muito ao bom regimen deste Reino do Brazil. contra os ilustres democratas que quiseram fundar o governo republicano. Muito cedo. a quem tinha jurado preito a homenagem. Foi despachado primeiro governador de Sergipe o Brigadeiro Carlos Marcos Bulamarque. Eis o que ele dizia: ― Por ter feito o meu dever de Vassallo fiel de sua Magestade. pelos serviços prestados. 177 . porém. Por elas sente-se a integridade de caráter do ilustre governador. elevando estas comarcas à categoria de capitanias independentes. Escrevo no Palacio do Rio d Janeiro em oito de julho de mil oitocentos e vinte. Rey. este decreto tornou-se uma letra morta. O que Me pareceu participarvos para que assim o tenhais entendido. completamente independente do governo da Bahia.

depois da garantia pelos Chefes dos Corpos. ― Congregarão-se para isso em minha casa: a Camara. e me obrigarão que tomasse posse e eu aceitei. Vigario Geral. o que não se effectuou por então não convir. e despezas. desde o primeiro do dito mez de Janeiro em diante. ― O mesmo Senhor houve por bem nomear-me Governador da dita província em 25 do mesmo mez da independência. então Governador. e aos seus mandados. Não havia no sobredito dia 20. uma tratava do sucesso do dia 10 na Bahia. e independente. e afastando a guerra civil. e muito menos a sua letra. os Chefes e Officiaes Superiores dos Corpos. ― A má locação e arranjo deste relatório. homem de péssima conducta e caracter. Prelados das religiões. não esteve por nada disto. e que me repellisse para fora da Capitania. Cheguei a Sergipe na tarde do dia 19 do mesmo mez. e assignadas por José Caetano de Paiva. por sua Magestade El-rei D. a real Junta da Fazenda. e obrigou-me a tomar posse. até que saiba por modo authentico. vindos da Bahia. que ninguém conhecia. Capitães Móraes.) Fiz-lhe ler os tais papeis. a província de Sergipe d`El –rei. assignadas por hum homem chamado José Caetano de Paiva. ― Todos se conspirarão contra tal repugnância. podia. relatei-lheo estado das cousas e repugnância. ―No dia 20 de madrugada. que. ―Parti desta cidade a 5 de Fevereiro e a 9 do dito mez cheguei á Pitinga. por huma parte. João VI. e recomendável na capitania. tendo pedido a ultima á mais de dez annos. e derribado do logar para onde Sua Magestade me tinha nomeado. ou até quando a vontade geral de seus irmãos situados no Brazil e dêem a conhecer de um modo legal. 17 leguas da Bahia. mandar-me buscar ao caminho. ― Tendo-se creado em 8 de Julho de 1820. sem consultar primeiro a opinião. aparecerão em minha casa. é dividido ao estado por atribuição que devia rasultar de estar mettido em uma masmorra. o Senhor Juiz Ordinário Presidente da Camara desta Cidade. ( trabalhei muito para que não o matassem. e vontade geral. então havia. ou representou contra a independencia. evitando as desordens. servindo-se até da força. única authoridade. que tinha servido de latrina. o Procurador. e taes procedimentos. qual he a vontade e determinação de Sua Magestade. Naquella epocha nem a Bahia nem Sergipe se oppoz. fiquei deslocado. separada. que o Governo da Bahia escravisasse. e legal. que diz ser secretario de huma junta. distante da Bahia 5 leguas. ( hoje membro do Governo) e lhe disia que hia dormir no Engenho Barbado e sendo a revoluçãono dia 10. e manter nesta Provincia no mesmo estado em que esteve até hoje. preso e suplantado. para me poupar incomodo. que eu tinha que tomar posse. e que não devia ser emendada. os prelados das ordens. ― He de notar. e irregularidade de taes participações. e pozesse outra vez debaixo do seu jugo aquella Capitania. ― Cheguei a Bahia para hir ao meu destino a 3 de Janeiro de 1821 e então o Conde de Palma. que tem a El-Rei Nosso Sennhor. e Commandante dos Corpos foram presentes três cartas. tão desconhecidos nesta Capitania como o mesmo secretário. vinda da Bahia. 210 ―Fez-se de tudo hum termo . Devendo ser mui mortificante á sua Magestade. e nella vinhão taes cartas dirigidas ao sobredito Luiz Antonio da Fonseca Machado. visto ter já ido por duas vias para as côrtes em Lisboa.não compromettendo os povos. e ás cortes. assentão-se conservar-se firmes na sua fidelidade indelével. ― Luiz Antonio de Fonceca Machado. e outra em que me não desse posse. e na tarde do dia 9 escrevia Francisco de Paulo d`Oliveira. o que conseguião. no dia 11. o que eu não quis fazer. e tomando em consideração este congresso a muita fidelidade. e pela daquelles que lhes são subordinados dando-se parte immediantamente Sua Magetade de todo o acontecido para se esperar a Sua Ulterior Determinação: e para 178 . composta de nove membros. que lhe pertence. pois eu estava em Santa Anna. que a Bahia lá lhe levou. que naquelle dia achavan-se em Sergipe tudo o que há de bom. como tudo se verá pelo relatório abaixo excripto substanciado com documentos. com uma força armada de três Armas e hum parque d`Artilheria. Luiz Antonio da Fonseca Machado. as Authoridades Ecclesiasticas. outra em que ordenava o juramento geral. e o Ajudante das Milicias Jose Joaquim Ferreira. ou corrigida. e se alguém em Sergipe o sabia não dizia. e todo mais o povo que poude entrar. o Senhor Ouvidor pela Lei. o Ouvidor pela lei. por Decreto de 8 de Julho do anno passado. perseguido. no forte do Mar da Bahia. para que estas ficassem pertecendo a Sergipe. e na ocasião em que lavrou o termo 210 No dia vinte do corrente mez de Fevereiro do anno de mil oitocentos e vinte e um: sendo presente o Senhor Governador Luiz Antonia da Fonseca Machado. pelo que tinha feito quando serviu ali) o qual se apresentou um a malla que se abriu. e mais Officiaes das Ordenanças. e separada da Bahia. e nada eu sabia do que tinha se passado. independente. e eu fizemos um termo declaratório e relativo as rendas. e certo. e única a quem era indisputavel este direito. e pela ootra a incurialidade. garantir e manter tudo quanto neste termo vai declarado. cada hum pela parte. As authoridades acima nomeados affianção e protestão aoiar.

Esta demora não vos causa incomodo. Manoel Vicente de Carvalho Aranha. José Antonio Neves Horta. ―E como os membros nomeados. se fez o acto. acentão por unânime parecer este Congresso. tenente secretário. que não há um só homem. hum Escrivão. e a Policia dos distritos. tenente. comportamento e seriedade nos vossos juízos. capitão mor. e o chefe da Legião de Milicias. João Antonio Dine. até a chegada da embarcação que mandei ao Rio de Janeiro. Tendo toda a que vai o mesmo Senhor Luiz Antonio da Fonseca Machado. e o Senhor Tenente Coronel Manoel Rolemberg de Azevedo e Accioli. Carlos Valeriano Leitão Bandeira. Cristovão – Luiz Antônio da Fonseca Machado. que proclamassem a Constituição. e pela outra. O Juiz Ordinário Bento Antonio da Conceição e Mattos. o socego publico. que deve haver. que o tenente coronel Manoel Rolemberg de Azevedo Accioli fosse encarregado especialmente a Sua Magestade El-Rei Nosso Senhor o termo acima retro. onde se achava junto todo. José Alves Quaresma. O Ouvidor interino José Ribeiro Navarro. sargento mor Comandante. Manoel Rolemberg de Azevedo. capitão da primeira companhia de linha. Sergipe de El-Rei e Cidade de S. guardião do convento do Recife. Francisco Moreira de Sá Maramaqui. e obrigar ao carregador a assignar fiança ao Disimo. alastrada de desgraçados. os portos estão abertos. e para evitar assignaturas progressivas: o Ouvidor pel Lei. quereis perder todo o conceito. Era Supra. sargento mor commandante. Está conforme o Secretário do Governo José Antonio Fernandes. que pgnam pelo que não entendem? Lembrai-vos. a que se opposerão 211 as ditas authoridades e não houve effeito algum. ( não acontecendo assim com as minhas Cartas. Fiz sahir todas as embarcações que estavão carregadas e que continuasse o Comércio como até ali. o que há de recomendável nesta província. Hermenegildo José Telles. Major. coronel José de Barros Pimentel. o não querer eu. que mereceis. e O Presidente da Camara esta assignou. e expontaneo. e quiseram persuadilas. Prohibi-lhes que embargassem. José Agostinho da Silva Daltro. o escrivão José Carlos Novaes Lins. coronel Guilherme José Nabuco de Araújo. Frei Francisco de Sales e Souza. alferes. com d’antes e a navegação continua. não se seguindo prejuízo na pequena demora. Frei Jeronymo de São Pedro de Alcantara. hum fiscal. mandando para os portos de Cotinguiba. e nunca me forão restituídas. que se hia criar. o Procurador. das 179 . ― Os passaportes tanto por Mar como por terra forão sempre francos. como Presidente. e que por aquelle estado de cousas. prendessem. capitão Joaquim Francisco d’Albuquerque Lima Capitão. Ouvidor José Ribeiro Navarro: o Juiz ordinário.um soldado armado ou na fileira. o Lavrador. Angelo Antonio Mendes. para onde o remetto. quando pelo contrário vós vedes a margem do Sul de Itapicurú. Bento Antonio da Conceição Mattos. não foi preso ninguém por Opinião e quando no dia 4 de Março deste Anno. He sabido de todos . Estância e Itaporanga. três bêbados. Esta Repartição mandou chamar os differentes recebedores. tenente coronel commandante. qua az as vezes de Procurador da Corôa. entreguei aos sobreditos Chefes. e mandou também pôr em praça os Contratos Reaes: porem nada teve effeito porque só houve vinte e seis dias de Governo de facto. por actos irregulares dictados por facciosos. ou empedissem quem viesse ou fosse para a Bahia. Sustentai pois o que naquelle dia se fez. 211 Povos da Estancia e Villa de Santa Luzia que tendes tido até aqui por timbre a felicidade e regularidade. mais livre. capitão. o vereador Pedro Celestino de Souza Gama. capitão da segunda companhia do corpo de linha. que querem o que não sabem. para cada hum. estavão ainda na Côrte. que de graça esteja fora da sua casa empreado em serviço. Antonio Luiz. Francisco Manoel da Rocha. presidente em capítulo. prior do Convento do Carmo. vigário geral. o syndico da camara e fiscal da Real Fazenda. Luiz Antonio Esteves. nomeei uma inteiramente composto. e ali assumidas). tenente coronel. na Camara dessa Villa. e receber do mesmo Senhor as suas Determinações e Ordens. Simeão Telles de Menezes. o Ouvidor pela Lei. José da Motta Nunes. ter só a responsabilidade da Real Fazenda e não havendo naquella época nenhuma repartição de Fazenda. José do Carmo da Silva Ribeiro. e um Thesoureiro . como particulares: pois todas eram abertas. e até officiaes da Cortê forão interceptados no correio. Vós bem o sabeis vós o experimentaes. para darem as contas. Domingos Dias Coelho Mello. e os que havia estavão em suas casas e pertenciam ao chefe ali presentes que me obrigarão a posse e a garantião. deu motivo este sucesso ao Bando . o Negociante. por uma parte. não verião tão cedo. e o Artista não são incommodados no seu tráfico. quena História se tem lido: acto. Alexandre da Cruz Brandão. que lhe marquei. e ver nelle se assignou. as Authoridades civis. para tomar conta do que sahia. tenente. tenente. fazer disto assento. brigadeiro governador. que no dia sempre memorável vinte do passado nesta cidade. caso na Bahia lh‘o não tirassem. Post Scriptum. Frei Luiz da Virgem Maria. na Estancia convidarão a camara. ―Sucessivamente. o vereador José Rodrigues Bastos. o vigário. o vereador José Manoel Machado de Araujo. tantos officiaes. primeiro ajudante Francisco Sales de Thomaz. eu. para a junta da Real Fazenda. ― No decurso do meu Governo. que para o futuro fará sempre honraaos Sergipanos: o podeis ler. hum Fiscal. ou alguém empregado della.

que por cumprir o dever. Todos devem vir armados e municiados. e não sei a que. ó proprietários. Parei dahi em diante com mais medidas. olhai quem vos rodeia. auxiliada por quatro Companhias: duas da Cavallaria e duas da Infantaria ( todas de Milicias da Legião da Estancia) com um parque da artilharia marcharão no dia 14 sobre Sergipe. José Vaz Lopes. ficando a cidade entalada. com tudo espíritos ambiciosos. aqui recebe-las e gasta-las. jurou a constituição. só de dose léguas. demoraivos poi. como desembarcou 212 no dia 12 de Março. que se levantassem antes de chegar a força: o que não teve effeito porque o povo não approvou. que lhe He sagrado não consentiu ainda entre si a opinião. só como differença nas posições. que queirão atacar seus irmãos. não faz dúvidas a ninguém. e sabendo que já tinham 213 desembarcado. e Estancia. Ilmo Sr. e a persuadir gente da cidade. tendo no mesmo dia feito jurar a gente da Estancia. entre Ella. 11 de março de 1821 Carlos Cezar Burlamaque . situados nas diferentes Villas. e a Cavalaria nas immediaçãoe com os corpos de Infantaria. mas certificados. ― A força armada. e sendo a distancia. assim como hão de ser alimentados e se Vossa Senhoria achar embaraço. o bom resultado. que se lhe há de pagar. Missões e Arraiaes: vossos avós fizeram sempre huma grande figura na História. a toda sociedade e a todo mundo Vossa Senhoria convocará o corpo que está debaixo de suas ordens.Carlos Cezar Burlamaqui. e data se expedirão para tos os commandantes dos Corpos da Capitania. e eu vos afianço. o vosso comércio esta no pé antigo. velai. e pôren-se no risco de ver verter sangue. Não vos amedronte a força. e providencias. que não sendo tão violenta como aquela. nos corações de vossos filhos. Demorai-vos. Que conseqüências tão funestas senão poderão seguir de semelhantes insediações? Accautelai-vos ó povo bom mas ignorante. e desarmada. participe-me imediatamente por escripto. tem as suas famílias em orfandades. vossa honra. mandado o Commandante da dita força. visto aqui não o haver de Sua Magestade. grandes povoações. e o apronptará para defesa . e sordidamente da idéia. Esperai. A vossa lavoura não tem sido interrompida.B. onde estava hum Official. e em que número relativo a vós e conclui que quando si está em estado de convulção. o Ajudante de Milicias Francisco Correia da Silva. e fizesse saber-nos suas decisivas Ordens. mas por isto mostrão a sua imconsequência. entre a barra e a Povoação. que não tradão. que pela relações e paretescos se há de confundir com horror e natureza. a memória grata dos feitos dos seus ascendentes. e a desgraçada e sempre terrível sublevação de Pernambuco fez reviver. e fomentam insurreições. com tudo ameaça o vosso socego. a Sergipe. N. nem embaraçada.Sergipe d’El-Rei. no seis de suas famílias. Superior independente Da qualidade Ordenanças que não tendo o que comer. ― No dia 17 pela tarde veiu outra vez o tal Ajudante e o Tenente do Batalhão n. mandei publicar o Bando . e toma regularmente parte nella. e da Ordem Militar. os portos abertos e a estrada franca. e que desembarcava. ó Magistrados e preveni-vos. escrevi aos chefes dos Corpos circular . que só no dia 17 chegarão ao Rio Comprido. vossos interesses. a falta de respeito . a que não tem direito algum de governo. mais foi tal o motim que promoverão na cidade. emotin.certeza que a força armada estava na Barra da Estancia. Se se tal acontece infelizes habitantes! Sergipe 6 de narço de 1821 – Carlos Cezar Burlamaque. dados por Deus. com o que He seu. esperai mais um pouco. (quando somos atacados sem ter dado motivos) inata a todoanimal. por valor e lealdade aos vossos Legitimos soberanos. Sergipe d’El-Rei. a huma Capitania quieta. Toda a Infantaria. pois a Povoação das Laranjeiras. a espalhar Proclamações. Major Comandante da Legião de Santa Luzia . as reoluções de Sua Magestade não podem nas circunstancias actuaes serem morosas. 212 Jamais me persuadi. 13 de março de 1821. fazendo-lhe ver estas verdades. A guerra que houve a Sustentar com os Holandezes e com os Francezes nos subminstrão factos. ou dificuldade na execução desta . que me obrigarão a manda-los chamar. no dia 15. que dizem esta na Estância e não lhe possível. e separa da Bahia em 8 de Julho do anno passado por Sua Magestade. porque esta Capitania já mandou recebel-las e porque aquelle Augosto Senhor. não ignora a este tempo os sucessos da Bahia. Guilherme José Nabuco de Araujo. torno a repetir. – De igual theor. atição os que ca tem por delegados. e como a despeza natural. que voga na Bahia. Deus guarde a Vossa Senhoria. achamo-nos achamo-nos pois em uma crise. que o está de fcto e de direito. que para o futuro qui se hão de arrematar as Rendas. vierão tão devagar e tão assustados. huma légua distante da Cidade: tendo quatro dias antes. ellas nos serão anunciadas em pouco tempo. tende sofrimento. e muitos gozos. e depois de lhe extranhar a falta de delicadesa. Esta província instalada. 213 Povos Sergipanos.entrando em huma povoação. que amirão. dogo que sejamos atacados. e vossa fidelidade que prometestes aos órgãos de vossos superiores sustentar indelével até que Sua Magestade desse. conta vós é que se atirarão as setas envenenadas. todo o Mundo se presuade estar munido de igual direito . 180 . Deixai a Bahia e aprendamos della o que nos convem. 12 de Portugal. com tudo noticias certas que me tem que sendo poucas. qua a Bahia tivesse vistas hostis sobre uma Capitania.

Vigario Collado da Freguesia do Socorro. José Ribeiro Navarro. e o mesmo aconteceu aos inferiores. e o Capitão Mor. em que o sobredito Governador. respondeu-me que se lhe tinha prohibido o falar-me em Constituição. principalmente nesta cidade. e Camara nesta Cidade de São Christovão se Sergipe d’El-Rei. – O Procurador Francisco Moreira da Silva Marramaque. – Antonio José Gonçalves de Figueiredo. eu dto. e eu fechei as minhas portas. ―Mandei entregar a chave da Secretaria ao Ouvidor pela lei. o Major Rucel. Vigario. – Silvestre Gonçalves Barroso. 181 . com tudo.Termo de protesto. e que recebeu da dita Camara. Sergipe d’ El-Rei 18 de março de 1821. Faço saber. nem devendo. Tenente Comandante do Destacamento. Vigario Colado e Geral Forence e o das vacantes. lhe confiou. que eu não fosse preso por modo algum. Magestade. Tabelião do Publico. que Deus Gruade. e o das Vacantes. com força armada. Juiz Ordinário mais velho desta Cidade. escrivão da Camara o escrevi. Escrivão da Camara o subescrevi. com tudo os mais officiaes e inferiores deverião la hir. e de como assim o disse. a diser-me. Escrivão da Ouvidoria Geral. conduziu também preso o secretário). e em consequencia do estado das cousas. nesta Capitania. – Joaquim Inácio Ribeiro de Lima. Eu Francisco de Paula Madoreira. assignarão.de Governador: os prendi á ordem de Sua Majestade e os mandei entragar ao chefe da força armada . que tendo em frente a força armada e evazoura da Bahia. Collado. morrões acesos e a Cavallaria com as pistolas na mão. Major. que escrevi. Camara. – Luiz Antonio Esteves. José Carlos Novaes Lins. e Juiz de India e Mina. e pelo outro da promessa de mais soldo.O Ouvidor Interino José Ribeiro Navarro – O Juiz Bento Antonio da Conceição Mattos. que disião para a dita casa da Camara: ahi derão vivas: (porém elles sós) chamarão as Authoridades. e na mesma. e os mais todos abaixo assignados: declarou o dito Governador. a auxiliadora da Estancia e hum Parque de Artilheria. por Sua Magestade Fedelissima. – O Vereador Pedro Celestino de Souza Gama. e da força armada estar a porta. com quantos meios podem haver em Dierito contra a violência. – O Capitão José Ribeiro Navarro. que hei por justificado. Carlos Cesar Burlamaqui. que as assignaturas do concerto supra são dos próprios escrivães nelle contendo. Judicial. era inquietado com a requisição de que sahisse. e sua Comarca. – Henrique Luiz de Araujo Maciel. concedeu-se-me. cederão e jurarão. Ouvidor. que conferi com outro Official abaixo. Eu Francisco de Paula Madoreira. – Chistovão de Abreu de Carvalho Contreiras. no dia e era. para que o dito Coronel me forneceria os meios. & C. a dita Camara tomou entrega do sobredito Governo. e que eu me devia recolher á Bahia. que eu precisasse. com se vê . Na tarde pois do dito dia 17 convoquei a Camara. de fronte da casa da Camara com as baionetas. Capitão de Ordenanças. que ordens havia a meu respeito. que eu escrivão fielmente fiz passar a presente certidão. entreguei o 214 Governo interinamente no seio da Camara. odiosa e terrível ao coração de S. E concertado por mim Escrivão Francisco de Paula Madoreira. forão todos presos. e o dito Coronel mandou então a minha casa. tocando nos muros. José Carlos Novaes Lins. que bigudiou a prisão. que tendo ordem positiva para me não fallar em juramento nem a meus filhos. ―Perguntando ao Coronel Bento da França. Declaro que este termo foi feito nesta cidade de Sergipe d’El-Rei. vinda da Bahia. pedi alguns dias para me apromptar. que se lhe faz. – José Vianna Glascock. 214 Francisco de Palula Madureira. ―No dia 18 ás 7 horas da manhã. e Nottas. e a Artilheria embocada ás ruas. do Theor seguinte. o que fizerão immediatamente e não querendo nenhum delles jurar. Protestando. – O Vereador José Manuel Machado de Araújo. professo na ordem de christo estando present o corpo da camara desta cidade. – e comigo Escrivão da Correição. ao concerto. e a auxiliar da legião de Santa Luzia da Estancia. e as fiserão jurar. escrivão o declarei. nenhuma força. e Correição. e Civil. – Carlos Cesar Burlamarque. Escrivão de Crime . entrarão pela Cidade o Coronel Bento da França Pinto e Oliveira com a força armada. que revemdo o livro de Vereações. que lhe forão confiados. e o Capitão Mor. carregado de metralha. ao qual me reporto. – Cetific. e não havendo. mas todos os dias. Ouvidor Geral interino.O Vereador José Rodrigues Basto. e não querendo o dito Governador. que presentemente serve nelle se acha o Termo de Protesto feito pelo Excelentíssimo Senhor Governador desta Capitania Carlos Cezar Burlamaqui em presença da Camara. e mandou a mesma fazer este termo. a excepção se resistisse. que se acha escripto no livro. com as testemunhas presentes. por meio de uma gerra civil. o que effectuei no dia 25. Capitão Mór das Ordenanças. mas estes no outro dia sendo ameaçados de baixa e prenchadas por um lado. ut supra retro. acompanhado pelo tenente Vaz e uma escolta da Cavallaria.. ouvidor interino. em casa de Presidencia do Governador desta Provincia. – O Vigario Parochial. pôr em contingência a segurança dos povos.e nada mais se continha no dito termo de protesto. etc. e Geral Seraphim Alves da Rocha. e todas as authoridades. Vigario Geral das Vacantes. ―Formarão em batalha. .Aos dezoito dias do mês de março de mil oitocentos e vinte e hum annos. assignado. e Geral Forense. e soltou ( o que mais graça teve. foi que o Tenente Vaz foi quem me conduziu á Bahia excoltando os Officiaes presos e o dito Ajudante de Milicias Francisco Correia da Silva.

e exigo a sua soltura. Na data de hontem tive a honga de participar a Vossa Excellencias. ― Mandaram-me mudar para o Forte do Barbalho. o Tenente José de Carmo Ribeiro. – Senhor Capitão Manuel José de Castro. eu e os meus ajudantes d’Ordens. e em reverencia ao Decreto de 7 de março deste anno. prende então os meus dous filhos.Forte do Barbalho 12 de abril de 1821. toda a gente da Cidade era despedida para lhe procurarem papeis. Nesta data. e a jurarmos a Cosntituição do mesmo modo. e os meus Ajudantes d’Ordens. a Liberdade. e o Vigário de Nossa Senhora do Socorro: o primeiro porque tinha explicado o Evangelho. Carlos Cesar Burlamarque. ordenei ao Capitão Manoel José 216 de Castro. sendo mui coherente tal nomeação. e humidade. que não era Constitucional. isto mesmo.― No dia 21 foi instalado no governo da Provincia. a sua passagem franca para onde lhes convier. e que não havendo em o dito Forte nenhuma outra posição. ― Imediatamente que li o decreto de sua majestade de 7 de Março. pois que tendo sido derribado o conde de Palma e eu. e requeiro a Vossas excellencias a soltura dos fitos officiaes. datado em 7 de Março do corrente anno. Officiaes e Official interior. ― Atirarão comigo a huma masmorra. calor. que lhe é devida com o seu bem estar. os Oficiais. Magestade. ―Entramos na cidade ás 8 horas da noite. que sua Magestade o fez. todos prezos estávamos promptos. que se vai Organisar nas Cortes de Lisboa. ― Gastei 15 dias para chegar a Bahia e achei o lugar Congrurú ( distante da Bahia três léguas ) huma ordem para o Tenente Vaz que logo que ali chegasse se dirigisse comigo e mais Officiaes á Água de Meninos ou Quartel de Cavallaria e que ali recebia ordem. e hum Sargento. e com senitnelas à vista. e o segundo foi solto no dia 16 de abril. Illustrissimos e Excellentissimos Senhores do Governo Provisional. No dia 13 do corrente fui eu. que já até então havia. para sua Inteligência. e Felicio Paes. ou solução tinha. que não se podia viver nella. escripto aos mais Vigários. Santa Barbara e me disse que por ordem do Governo me condusia para o Forte do mar e que os Officiaes hião para S. com os despropósitos. ( ficando sujeito ao da Bahia ) o Brigadeiro reformado Pedro Vieira. e elle por sua authoridade. o communicassem na Missa Conventual: o segundo ignora-se. de não terme querido jurar a Constituição. que sua Magestade o fez. e ao depois passarãopara Santa Thereza onde o primeiro se conserva preso. escrevi 218 novamente ao mesmo Governo o que se vê . o representante. Bahia 10 de abril de 1821. e ocasião participo ao Governo desta Província. pelo único motivo. os ditos presos. 216 Em conseqüência das Ordens de Sua Magestade. que estava preso. o Geral da Província e Paroco da cidade. e o de muitos. que tendo sido lançado em uma masmorra horrível no Forte do Mar inhabitável. o Capitão Manoel Jose de Castro. Carlos Cezar Burlamarque. e irão havendo. que acha bastantemente doente pede a Vossas Excellencias llhe remova a prisão para outra parte: onde se reunão à decência. e Sargentos. e queríamos jurar a Constituição da mesma maneira. e o mesmo eu farei. mas já desde longe éramos Escoltados por Patrulhas de Cavallaria. para eu entrar de tal modo fedorenta. e pequena. do seu interino Commando. Forte do Barbalho 12 de abril de 1821. porque até jurou a Constituição. ambos estiverão no Aljube incommunicaveis. que tinha serviço de latrina. o que se vê e ao Governo 217 Provinincial escrevi o que se devisa . e vendo que nenhuma resposta. ― No caminho chegou-se a mim o Capitão de Cavallaria. fez a prisão dos Vigarios. quente. e porque o Governo de hum cheira a tyrannia. Vossa Senhoria. por sermos sós no Governo. Achando-se prezos no Forte de S. nos achamos pronptos. pelo tamanho. dejejamos. e Inferior. e os meus filhos soltos. 217 Ilustrissimos e Excellentissimos Senhores. Agora pelo decreto de S. ou casa. e que desentulhou aquella noite. que não cheira mais Despota por que foi nomeado pelo Governo liberal da Bahia cheirava eu por ter sido por El-rei! ― Nos dias em que me demorei em Sergipe ao depois de ter entrado a força armada. antes de vera força armada. humida. ficou em Sergipe um só . ―Entre as violências e prepotências praticadas pelo Governo da Bahia. jurão a Constituição. 215 ― Depois de quarenta e oito horas dirigi ao Governo o que se vê . e na mesma occasião pedia a Vossas Excellencias a soltura 182 . Illustrissimos e Excellentissimos Senhores do Governo Provincial. transcripta no decreto junto. que há. que tanto eu. que estavam 215 Representa a Vossa Excellencias o abaixo assignado Governador se Sergipe d’ El-Rei. com o fim de segurar a dependência e a escravidão das províncias e as suas rendas. Pedro. Em conseqüência do que peço. os officiaes. os Alferes João Maria Sampaio. Deus Guarde Vossas Excelências. os meus Ajudantes d’ Ordens. 218 Illustrissimos e excellentissimos Senhores. e quando estávamos dentro do porto. Pedro desta cidade. Comandante do Corpo que se havia de criar em Sergipe. o que lhe participo. e de mui bom coração a cumprir aquelle sobredito Decreto. – Carlos Cesar Burlamarque. he que me disse. Deus guarde a Vossa Senhoria.

que a apoiam. para ter a bondade de apresentar ao governo. com tudo como tenho visto nas atas das cortes em Lisboa a liberdade decente da Imprensa. nenhuma decisão tive. pois as cousas de face. que só a viam legal. e inferiores. M.‖ daquelles officiaes. e que me convém por satisfação pública.no forte de S. 220 Senhor redator do Semanário Cívico. por não quererem então jurar a Constituição. 12. O abaixo assinado. ou decisão. logo. que até o dia 18 do corrente. e em execução das suas ordens. 222 Ilustríssimo Senhor. – Tendo-se me fechado todas as portas por onde eu fizesse sair a minha justiça a luz do dia. não tendo anteriormente nenhum esclarecimento a este respeito. ― Vendo finalmente. repeti na data de 13 igual requisição. pois a Vossa Excelência em Nome das Cortes Gerais da Nação. 11. e para o Congresso da Nação. ajam de me dar por escrito ou mandar dar titulo para minha ulterior desforra. declarando-lhe: que eu e meus filhos . da mesma maneira.. e vendo que teimavão em não me 219 responder. m. Ilustríssimos e Excelentíssimos Senhores. pela força armada.Sua casa 19 de abril de 1821. Deus guarde a V. e aberta a mandei botar na caixa dos requerimentos.E. mais tendo a Cidade por homenagem. – Carlos Cezar Burlamarque. e ocasião escrevi a Excelentíssima Junta Provisional. M. ―Como até ao dia 24 a nada se me tinha dado decisão. e na mesma data. logo que eu o vi.Joaquim José da Silva Maia. primeiro que a Censura estabelecida pela Excellentissima Junta do Governo desta Província a aprove. e fazer-me igual mercê em me transmitir uma resposta categórica. foram todos presos. (Manoel de Castro. por legalíssima Autoridade. e eu no Forte do Mar. – Forte do Barbalho 13 de abril de 1821. Nenhuma resposta. R. que v. com os outros oficiais. ou mentirosos. que me deixarão. por não me poderem tirar. – Carlos César Burlamarque. repliquei com a representação . – Carlos Cezar Burlamarque. e instei terceira vez em data de 16. que aviam formar o Corpo de Linha de Sergipe d’El-Rei. o 220 221 que se divisa e respondeu-me por escrito o que se vê estando eu bem certo que tal nota não se imprimia. e oficial inferior. Fica as ordens de Vossa Senhoria quem tem a honra ser de Vossa Senhoria o mais attento venerador e Criado. naquela Cidade. Majestade de 7 de março. 219 Ilustríssimos e Excelentíssimos Senhores do Governo Provisional. transtornados. e mesmo aqui apoiada. a quem nunca se nos propôs tal juramento) e os oficiais estávamos prontos. que tenha a bondade transmitir ao público esta nota. tendo-se me constantemente protestado todos os meios de saber a única coisa. e despotismo em tudo. a vista do Decreto de S. e os seus oficiais para jurarem a Constituição. He necessário. e acrescentava. o 222 que se devisa . – Seu venerador e criado. e salva guarda do meu dever. e 12) e que por proteção da minha justiça. e honra. muitos anos. apresento a Vossa Senhoria a nota abaixo transcrita. – Apesar de alguma experiência ser havida pelos feitos transcritos na Gazeta desta Cidade. que me diz respeito resolvi-me a escrever ao Redator do semanário cívico. Peço a V. M.. parecer-me. que vão transcritas nas Notas (10. e até hoje estou. ordenei em data de 10 do corrente ao Capitão Comandante Interino do dito Corpo. que se puzesse pronto. Os oficiais. que aproveitava aquela ocasião. sobre as representações. prezo do Forte de S. que nomeiem pessoa idônea. Mudarão.Fico entregue de huma representação de Vossa Senhoria para se inserir na Folha que redijo. . e mais Oficiais presos tomam a confiança de lembrar a Vossas Excelências as suas petições que foram presentes a VV. Pedro. e franca passagem para onde lhes conviesse ir. o faço apelando para a lei. e li. os seus Ajudantes d’Ordens. não terá duvida de transcrever na sua folha. uma queixa contra Excelentíssimo Governo d’esta Província: queixa que não ofende. ou decisão.de V. e se me é possível exigi-lo. ou resolução tive. Barbalho 18 de Abril de 1821. como preso. escrevi a José Caetano de Paiva Pereira. considerados. valendo-me para mais força de a pedir em nome sagrado das Cortes invocadas em Lisboa. M. Forte do Barbalho 16 de abril de 1821. e desejamos jurar a Constituição.a que nada tive resposta. Peço. e no caso de negativa Vossas Excelências por sua bondade. EEx. Pedro e o secretário do governo que estava também preso no Forte do Mar. 221 Illustrissimo Senhor Carlos Cezar Burlamarque. Nas datas de 12 e 13 do corrente. visto que naquela Província se achava independente. e separada desta. e eles como estávamos antes de tais pedidos. não tinha tido resposta. que só se podia ter pela corte. Deus guarde a Vossas Excelências. e definitiva sobre os objetos seguintes: 183 . para prestarmos o sobredito juramento. para lhe pedir a soltura dos oficiais. e sancionada pelo Governo. que sua Majestade tinha jurado. que o faça a inserirei.

pelo qual não fui perjuro á Sua Magestade. ―Todos os meus desejos. Ilustríssimo Sr. tendo decorrido trinta dias de prisão. me fará a mercê de me responder definitivamente. M. aprovados em Lisboa nos §§ 4º. que tive em ocasião tão critica. que a honra prescreva. com intriga. á Constituição. e em 18 de Maio tive Ordem por escrito. 184 . como capitania independente da Bahia. e só foram os Oficiais. o qual não revela um espírito atrasado. que se há de fazer. com o transcripto dos três pedidos. de lhe ordenar. – Representa a Vossas Excelências. e compreendendo que o juramento da constituição portuguesa que a Bahia impôs a Sergipe não era mais do que um motivo para anular sua emancipação. conservando ainda o caráter de presos. pois este Governo não tem nenhuma a meu respeito. infligindo de modo.‖ Incontestavelmente César Burlamarque cumpriu seu dever. e eu escrevi ao Excellentíssimo Governo na mesma data. Seção primeira 8 de fevereiro em Cortes da cidade de Lisboa. nenhuma resposta. pois nem eu. ao juramento de preito e homenagem. e violência. que me deixão pelo artigo 6º. e o Governo Provisional da Bahia. 24 de Abril de 1821. e a religião pelo que pedem a Vossas Excellências que hajão por bem. que reiteram a Vossas Excelências. com a condição de ser pelo tempo que me demorasse na Capitania. nem fui contra a outra obrigação como português. nem os meus oficiais. por falta de jurisdição. e dos meus oficiais. que se está fazendo nas Cortês Congregadas em Lisboa. e a vista do Decreto de S. A conciência clara de seu dever e a responsabilidade que pesava sobre seus ombros. pois não somos seus súbditos. para as cortes. tendo em vista os deveres. fomos prisioneiros de guerra. com mais cinco officiaes. Em 12 do corrente. renovei em 13. Deus guarde a Vossa Senhoria muitos annos. Secretario de uma das Repartições do Governo Provisional da Bahia. e menoscabo da lei. sem que se me declarasse culpa. nem entregando o depósito que me tinha sido confiado. Que estou na maior duvida: qual é a minha situação – relativamente minha liberdade. decida do meu comportamento. e lugar para o dito juramento. para regressar para esta Corte. senão na extrema necessidade. R. o dia. fiquei do mesmo modo. e deu-se me depois a cidade por homenagem. para o fazer ao Excelentíssimo Governo. pela pequenhez da Embarcação. cuja administração estava a si confiada. do Juramento e Fidelidade a El-Rei. ―No dia 8 fui solto. ditaram-lhe um procedimento franco de oposição. e expressa nos artigos quarto e quinto. nem devo considerar. de 7 de março ordenei aos meus oficiais. Solto também me não posso considerar. E. que se acaba de jurar. o abaixo assinado. por falta de maneira. ―No dia três de Junho embarquei a bordo do Correio. Este é o primeiro objeto. recalcitrei em 16 por meio de um requerimento aberto metido na caixa deles. para minha ulterior desforra. que iriamos. 223 ―Em 10 requeri o que se devisa . não sabendo de quem devo haver a reação prometida no artigo 6º. seja qual for a sua opinião. ou com sugestões. o que se efetuou no dia 19. de defender a emancipação da capitania.M. não me posso. repugnando eu ao ultimo artigo do juramento. Reconhecendo do soberano a incumbência de administrar Sergipe. seja julgada na opinião publica. que se pusesse prestes a jurar a Constituição. 223 Ilustríssimos e Excelentíssimos Senhores. – Carlos César Burlamarque. e insultado os artigos Constitucionais. Aproveito esta ocasião de reiterar para com a Vossa Senhoria a minha alta consideração. 5º não se lembrando do direito. á Religião. pois tende sido metido em uma masmorra que servia de cloaca no forte do mar. 13. dizendo-lhe. tive a mesma sorte. pois preso. José Caetano de Paiva Pereira. e só o fiz. que não era impressa. e desejávamos jurar a Constituição. Por falta de jurisdição. Por falta de maneira. se tal juramento se me não desse ou que supprissem pela negativa com um titulo. 16 e 24 do passado. o seu pedido feito nas datas de 12. recebi ordem para embarcar. a Constituição. para ir ao Governo jurar obediência á El-rei. – Bahia. que a antecedente. appelando. pois não me opus com força. em 18 dirigi ao Relator do Semanário Cívico uma nota. que eu meus filhos e mais officiais. são: que a linha do comportamento. e seus filhos. esperando que todo o homem. ou circunstância. a bordo do Correio.―No dia primeiro de Maio. o que não teve effeito a meu respeito. foi mudado para o Barbalho. estima. César Burlamarque opôs-se a esses planos. mais fiquei certo pela sua resposta. Vossa Senhoria por sua especial bondade apresentando este negócio também ao governo. que ponho de baixo da vista de Vossa Senhoria. – Carlos César Burlamarque.

o brigadeiro Pedro Vieira. de fato. que aquela rende. O capitão-mor da Estância e câmara da Vila de 224 Publicamos nas notas que se seguem os artigos de impugnação de Burlamarque às acusações publicadas na Idade de Ouro. Ao contrario disto. chegou a ponto do capitão-mor da Estância Guilherme Nabuco. em favor da emancipação da capitania. A falta de patriotismo dos sergipanos que pertenciam ao partido da anexação. e a ele poderemos dar o nome de partido recolonizador. o ouvidor José Ribeiro Navarro e todos os europeus que habitavam então a capitania. mais os fatos o indicam e vem a ser. 225 Quais elas sejam ninguém o sabe. a mim dirigida. escrever o seguinte a Burlamarque: ―Ninguém quer a independência. mais não havendo ninguém. e que do qual faziam parte o corpo de milícia e toda a geração lusitana.. ou nele queiram entrar. é milícia. Dois partidos existiam então. porque. A este partido pertenciam em geral os capitães-mores de ordenanças e a maioria popular. que tivessem tendência a este 185 . Seus principais chefes eram os camaristas de São Cristóvão: Bento Antonio da Conceição Matos. O outro defendia a emancipação e era o prenuncio das idéias de independência.‖Ciosos da estima de V. ellas não pagam a metade das liberdades que se perdem‖. Damos-lhe parte. Pedro Cristino de Souza Gama etc. Seus principais chefes eram: o coronel José Guilherme Nabuco. em cujas mãos achavam-se grande parte da riqueza. logo que leu o decreto de 7 de março. publicasse o seguinte224. que era o órgão que defendia os interesses da metrópole na Bahia. pois que sejam quais forem as vantagens que se sigam da independência. porque não só Burlamarque não quis promover a revolução civil. ou outro qualquer papel d’onde se colija tal vontade? Se neste negocio tivesse havido alguma boa fé deveriam ter sido impressos todos os meus papeis. ordenou ao capitão Manuel José de Castro que jurasse a constituição em Sergipe. como se vê na carta do Capitão mór da Estância. José Manuel Machado de Araújo. eram muito pouco. não encontrasse adesão dos próprios filhos de maior representação.inadaptável a um regime constitucional. se em Sergipe houvesse alguém que quisesse resistir. 226 Com efeito. que a revolução de Portugal instituía no Brasil. Ficou vencido em suas aspirações. escravizar aquela Província. senão os que estão no governo. desmanchar o que fez El-Rei. que procurou seguir e por em pratica. e donos das casas das cidades. apelando para a opinião da aristocracia sergipana.. contra as aspirações do partido da independência. Aparecerão por acaso ordens. como os membros do outro partido ocupavam posição social saliente. Um defendia a anexação. pois não havia um homem a minha disposição. imposta e realizada pelas tropas da Bahia?. em vista da desigualdade das forças. contra a anexação de Sergipe. a submissão de Sergipe. Com que meio o outro partido podia reagir. está visto. que circunstancias superiores225 forçaram-nos a enviar um peque corpo226 para a capitania de Sergipe. Este modo de pensar fazia com que a Bahia justificasse a arbitrariedade cometida. e absorver nesta capitania da Bahia. que eu não a podia promover. como mais de uma vez tenho dito eram muitos. da qual os chefes eram do partido decidido da dependência. dando lugar a que o jornal Idade de Ouro. a fim de evitar a guerra civil que imprudentemente ali queria soprar o seu governador227. 227 Como hade de soprar quem não tem folles. os taverneiros. proclamas. originados da prepotência que a Bahia acabava de praticar. Exc. Muitos deles fizeram causa comum com a Bahia. a única tropa que há naquella província. E é lamentável ao caráter sergipano que o procedimento de Burlamarque. cento e vinte contos de réis.

e fazenda. E tanto assim é. pois com ela vinha mais para o Erário da Bahia. Substituiu na administração a Burlamarque o brigadeiro Pedro Vieira. que se houvesse por escrito. mas isto não convinha.m. Cristóvão estendeu-se pelas câmaras da negocio. destruindo o que elle tinha feito. que foi a Constituição jurada em São Cristóvão. 229 A petição foi ouvida com prazer. e não foi pouco. e donos das casas das cidades. para promover esta guerra intestina! Soldados os não tinha: pois os de milícias na cidade. senão os que estão no governo. melhor informado a reunisse outra vez á Bahia229 e animados de sentimentos naturais aos portuguezes. deviam fazer este pedido a El-Rei. o que ele bem explicou nas palavras memoráveis da dita carta. quando se quer cegar ao público. que tal cegueira indicasse. logo se conhece. e como não convinha publicá-lo para minha justificação. não convinha a independência. O procedimento da comarca de S. com acusações vagas.Santa Luzia e outras autoridades daquela província. elas não pagam. mais não pecisarão tanto. como já tenho dito. e sem se reparar que se insultava a majestade de El-Rei. Pedro Vieira. a 18 de março do mesmo ano. á religião e á uma liberal constituição230 e que ameaçados pela cegueira e falta de patriotismo do atual governador. ninguém quer a independência. lamentaram a separação como nociva aos seus verdadeiros interesses228 e rogaram-nos a união intima até S. em presença do Coronel Bento Garcez. Guilherme Nabuco e outros que defendiam a anexação. foi accrescentamento e voga. fama. munido naquele tempo. porque na Bahia era superabundante a vontade. 228 Lida a carta do Capitão mór. ou que recorressem ao El-Rei. 230 Tudo isto prometerão. não passam de vinte homens. mas quando se quer mal. para que o publico decidisse. o que elles aqui tinham feito ao Conde Palma. lhes eram mister um corpo auxiliar que o salvasse dos horrores de uma guerra civil‖ 231. pois que nunca tiverão nem por escripto nem palavra como. se Sergipe ficasse emancipado e independente. eram levados a isto pelos hábitos de arbitrariedade e prepotência em que viviam. sem porem os povos em colisão. M. de toda plena authoridade para o fazer. e que ao depois se entregassem a Bahia. Deixamos de transcrever os artigos que o leitor poderá ler no jornal Idade de Ouro. legais. eram. com amplos poderes de fiscalização. e nos quais não poderiam continuar. para conseguirem este fim. sem encontrar punição nos agentes dos poderes públicos. pois realizados. Foi este o prêmio que recebeu pela traição aos interesses da liberdade. cento e vinte contos de reis triennais. Cesar Burlamarque foi acremente censurado na imprensa da Bahia. He desgraça. nem a metade das liberdades. que se perdem. que me perdiam. com tais pessas. e só desacreditarem-me. ou este governo por humanidade. 186 . em Vila-Nova a 26 de agosto e Sergipe passou a comarca. Seu principal intuito era a anexação. v. que tanto se pregoe a favor da humanidade. não derivadas. o principal chefe e promotor da anexação. em Sto. e mais prometerião para conseguir aquilo a que se propunham. por elles o meu comportamento em crise tão terrível. esquecendo-se que tinham dous meios dessentes. Lagarto a 28 de março. Respondessem que os Sergipanos me fizessem. aos seus irmãos Sergipanos. Como comarca continuariam eles. para se conseguir o fim a que se propõe. Os desejos da Bahia ficaram. Não era só o juramento da Constituição portuguesa o que queria. e convém a interesses particulares tanta coisa insana se pratica. os Taverneiros. ou nele queiram entrar. porque seu governo. não se poupando honra. estaria para defender os direitos do povo e punir os atentados. e para os outros machuxos. 231 Eis aqui o que eles não disserão. precisas accusações. declaram-nos sua adesão ao nosso soberano respeito. que para ele. pois que sejam quais forem as vantagens que se segam da independência. ou falta de patriotismo. Escrevi. mandando-os evadir por força armada. Senhor redator faria gemer a imprensa. déspotas daquela província. O que he pois que me restava. e fraternidade. Amaro a 9 de julho. na Itabaiana a 25 de março. separada novamente desta. dos quais os chefes eram todos do toque do capitão-mor da Estância.

Pede a lista dos empregados civis.232‖ 232 Acuso a recepção do oficio de VV. e então terão V. Srs. e que se fizesse público. João VI e não chegaríamos a ver. por editais. e para tornar triunfante o elemento português. Expede ordens para que fizesse o recenseamento dos eleitores de todas as paróquias. Deus guarde a V.S. os membros do governo efetivo da Bahia. a fiscalização era severa.SS. então inda que tarde se arrependerão alguns que animarão a ajudar estes perversos! Eu bem quisera poder socorrer a todos os lugares que carecem de auxilio mas não posso dividir as forças porque isto é desejo dos facciosos. pelo decreto de 1º de outubro de 1821. que até meado de abril tinham jurado obediência ao governo provisional da Bahia. dão bem a conhecer o distinto caráter de VV. D. do Rio São Francisco – Inácio Luiz Madeira de Mello – Nada mais se contém em a dita carta. Os sergipanos não encontravam nas regalias da lei a defesa de seus direitos. O partido recolonizador tornou-se ainda mais poderoso. de El-Rei. e mais membros da câmara de V. mas elle breve será punido. Madeira não se cansava de animar-lhes o entusiasmo para apertarem os laços de submissão. lá ia entregar sua delegação. que logo lhes enviarei. Então. de ninguém tentar a independência da comarca. João Russel. que portugueses esquecidos. Os planos abortaram. os portugueses não perdiam ocasião para jogar sobre os sergipanos os maiores sarcasmos. assim tão bem fico certo que continuarão a tomar todas as medidas necessárias até que cheguem os socorros.capitania. tentam promover a emancipação. em que comunica-lhe a deliberação das cortes. porque abafava-se qualquer opinião que se levantasse em favor da emancipação. a expedição de Lisboa está próxima a entrar. de 26 do mês passado. partes das suas obras. alcançarão na constância da resistência o prêmio que é dividido aos que sabem sustentar a custa de todos os sacrifícios e o respeito devido ao Governo da Nação: Assim como não posso duvidar da probidade e zelo de V. Nova R. de que chegam a degenerar em monstros. e ao nosso amado Reio Sr. Quartel General da Bahia. 187 . Logo que o partido recolonizador assenhoreou-se do poder. A lei era esquecida. Serve de prova a seguinte carta sua dirigida à câmara de Vila-Nova. pela insuficiência de força para contrapor àquelas que mantinham a sujeição. a 1º de fevereiro de 1822. pr meios ilícitos.SS. depois que o general Madeira tomou a direção militar do governo da Bahia. 12 de dezembro de 1822. esta determinação. a fim de irem eleger. Presidentes. Sergipe ficou sob um regime de autoritarismo e de arbítrio. Em vez de eleger seu governo. Além disto.S. auxiliados por alguns filhos da província. junto a si irmãos fieis que irão suavizarlhes os trabalhos que agora passam. Em abril de 1821 estava conquistada a anexação de Sergipe pela Bahia e a junta começa a expedir ordens para Sergipe. porém. Cristóvão um oficio. assim. as expressões de fidelidade. conculcados pela prepotência dos lusitanos. Ele prestava-lhe os maiores auxílios em Sergipe. Os direitos olvidados. em sustentar o tom de patriotas e Verdadeiros Portugueses: se todas as corporações fossem compostas de membros tão respeitáveis não veríamos infelizmente ultrajado o respeito que é devido ao Soberano Congresso da Nação. criminosos e contrários à ordem pública. que contando dom o appoio de algumas câmaras. conspirando até contra seu pais. parentes e amigos! O crime é tão atroz que só a lembrança do mesmo horroriza. Gomes Coelho dirige à câmara de S. Desapareceria. enviaram proclamações a todas as câmaras a fim de reconhecer a legalidade da junta governamental da Bahia.SS. o poder político. o ouvidor Navarro e o comandante das tropas baianas. Nomeia o bacharel Manoel Gomes Coelho ouvidor. Ilms. Este estado de sujeição não era bem visto pelos bons patriotas de então. Espero por tanto que unidos esses povos considerando por divisa a honra. A compressão era absoluta. que o mesmo contém. em bem da nossa causa. que toma posse a 15 de outubro de 1821.

em vista dos procedimentos das cortes que queriam trazer o Brasil ao antigo estado de colônia. A oposição que Madeira na Bahia oferecia à aclamação de D. com a assistência de algumas autoridades civis e militares e do povo. em lugar do atual Igino Martins Fortes e o terceiro Francisco Moreira da Silva Marramaque e o procurador Joaquim José Pinto para effeito de si determinar o que for a bem do Real serviço e comum dos povos o seguinte: Neste anno foram apresentados dous ofícios fechados e lacrados como o sobrescrito – Serviço Nacional e Real. A notícia de sua chegada em Alagoas espalhou-se em Sergipe e fez reunir em Vila-Nova os adeptos do partido recolonizador. – Pela administração Geral dos Correios das Cortes do Reino – a câmara desta cidade os quais mandaram que fossem abertos e o seu conteúdo era o seguinte: Doze Massos de Leis com vinte e sete folhas constantes de decretos e leis todos numerados e mandaram que ajustasse as mais que das Cortes tem vindo para serem encadernados e dar a sua devida execução. Se na Bahia Madeira representava a defesa dos interesses portugueses. reúnem força neste porto e encarregam a defesa a Bento de Melo Pereira.Não obstante estes meios compressivos e terroristas. Pedro. dirige-se para Laranjeiras e daí para São Cristóvão. os membros do partido emancipacionista não perdiam a esperança de trazer a liberdade à capitania subjugada. pedindo a emancipação e independência da capitania. contra a independência do Brasil. que nada resolve. porém que chegasse qualquer decisão. A proclamação da Independência veio resolver positivamente a questão da desanexação de Sergipe. em Sergipe representavam os mesmos interesses o brigadeiro Pedro Vieira. As idéias da independência iam angariando a adesão dos brasileiros. alcança fazê-lo em Maceió. para não pisar em território Sergipano. Em favor do ideal desse partido contribuíram os acontecimentos que se iam dando no País. Ao mesmo tempo que em Vila-Nova aclamavam regente o príncipe D. deu lugar à viagem de Labatut que. A representação foi redigida pelo vigário Antonio Gonçalves de Figueiredo. como passamos a expor. os portugueses José Alves Quaresma. Antes. Estava vencida a causa de independência. no dia 29 de setembro. Labatut entra então em Sergipe. José de Barros Pimentel. e resolve dirigir uma representação a D. no dia 1º de outubro233. que também foi escolhido para levá-las às mãos régias. o segundo José Rodrigues Bastos. No dia 5 de maio reuni-se a câmara. no dia 2 de outubro. José Joaquim Ricardo e José Gustavo. em agosto de 1822. João VI e ao congresso das cortes portuguesas. 233 Ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oito centos e vinte e dous ao primeiro dia do mez de novembro do dito anno nesta cidade de Sergipe de El-Rei e casa da câmara della onde estão presentes o Juiz Ordinário presidente Capitão Luiz Francisco Freire e os vereadores Alferes Alexandre da Cruz Brandão. 188 . a aclamação. sem submeter a questão à opinião de Pedro Vieira. Nomeiam cabos policiais que fiscalizam a fronteira do rio. Pedro. fez debaixo de grande entusiasmo. Labatut envia então um emissário. em lugar do actual Alferes Domingos Rodrigues Mello. a câmara de São Cristóvão fazia mesma aclamação. sob a presidência do capitão Luiz Francisco Freire. o ouvidor Inácio Gomes Camacho. como príncipe regente. a conferenciar com Melo Pereira. não podendo desembarcar na Bahia. Estavam prontos e dispostos a resistir. que lhe ofereceram uma atitude hostil e ameaçadora. o povo no edifício do conselho municipal.

Clero e Povo. faz com que o major Cristóvão de Abreu Carvalho replique. – Vivas estes com que tem sido aclamado Sua Alteza Real o Principe Regente Constitucional pela Tropa. e outros officiaes dos ditos regimentos. ao Soberano Congresso Nacional da Corte de Lisboa. perante intimativa tão formal. por Decreto de 8 de julho de 1820. visto ser estar a vontade geral dos Povos desta.Viva nossa Santa Religião Católica e Apostólica Romana. – E logo pelo doto Brigadeiro Governador foi dito que tendo feito quando está no seu alcance para manter a boa ordem. o sargento Mór comandante da vila de Própria Manoel Mello Resende. – Viva o Soberano Congresso Nacional da Corte de Lisboa. o imediato e o mais mosso e o procurador todos acima declarados no auto de variação ahi apareceu o Ilustríssimo Brigadeiro Governador Pedro Viera de Mello com o Coronel do Regimento da segunda linha de cavalaria desta cidade Domingos Dias Coelho e Mello. Escrivão da Camara e escrevi. ambos desta capitania. A indecisão do Juiz Luiz Franacico Freire. Cristóvão capitania de Sergipe de El-Rei e Passos do Conselho dela onde se acha o Juiz Ordinário Presidente Capitão Luiz Francisco Freire o vereador mais velho.Viva a Dinastia da casa da Bragança. Era uma importante conquista do partido ds patriotas sergipanos. a fim de a província aproveitar a concessão feita pelo soberano. porque nesta mesma sessão o major Cristóvão de Abreu Carvalho. o respectivo Capitão Mór de Ordenanças Henrique Luiz de Araújo Maciel. pede que seja instalado um governo provisório e independente. que proximamente recebeu. Perpetuo Defensor do Reino do Brasil. todos presentes ao quaes foi novamente aplaudida a presente aclamação com o devido enthusiasmo satisfação e geral regosijo. passou o governo a um conselho militar e que era necessário aclamar o príncipe regente‖. porque essa aclamação seria o primeiro passo da emancipação e independência de Sergipe. Milícia. eterna felicidade desta capitania dirigindo-se pela fidelidade devido ao juramento que prestou e pelas ordens superiores que lhe foram encarregadas. dizendo que. – Viva El-Rei constitucional o senhor Dom João Sexto. o Capitão Mór da vila de S.Viva o Reino Luzo-Brasileiro. – Viva a constituição. – E para constar mandarão escrever este auto de veriação em que me assigno eu Francisco de Paula Madureira.As convicções políticas do governador Pedro Vieira de Melo tremeram em presença de Labatut. como representante da tropa e do povo. agora segundo algumas participações oficiais. que lhe foram encarregadas. João VI e a Dinastia da casa de Bragança e que ele governador indicava que nesta conformidade esta câmara em Nome da Nobreza. e mais oficiais da câmara comandaram que no dito Brigadeiro Governador fosse o primeiro que levantasse as vozes proferisse os vivas. – Viva a sereníssima Senhora Princeza Real. o sargento Mór do regimento de Infantaria de Milícias Cristóvão de Abreu Carvalho Contreiras. agora segundo algumas participações oficiais que proximamente recebeu passou o Governo a um Conselho Militar para que examinasse o quartel e os oficiais do Estado Maior todos unanimemente resolverão que nestas circunstancias atuais era necessária aclamação de sua Alteza Real. nesta cidade de S. e ser preciso evitar interpelações das Capitanias Vizinhas já haviam justo e bem fundado tudo que ele Governador expunha a câmara para que com a Tropa. sem sangue e sem alteração da ordem pública. o Reverendo Vigário Geral Luiz Antonio Esteves e mais clero. Nobreza. tendo em vista o na maior consideração o sagrado juramento que todos prestarão de obediência a Nossa Santa Religião Católica Apostólica Romana. o coronel da segunda linha de Infantaria dela José Agostinho da Silva Daltro. escrevendo-se nas altas na forma de estylo para assim constar: sendo esta representação ouvida pelo Juiz Ordinário Presidente. 189 . Nobreza. porque no ato da aclamação foram as seguintes suas palavras: ―dirigindo-se pela fidelidade devida ao juramento que prestou e pelas ordens superiores. a constituição de El-Rei o Senhor D. Clero e Povo desta cidade houvesse de ratificar a Aclamação que ele já com a tropa tinham feito. seculares. paz. o que ele de pronto assim executou pela ordem seguinte: . o corpo de Nobreza e Povo. . de cuja graça foi ela espoliada sem legítima ordem em contrário e à força das armas da Bahia. Clero e Povo presentes houvessem de celebrar tem necessárias e Gloriosa aclamação. ideal que o partido que a nutria realizou. Amaro das Grotas José da Motta Nunes. Tornou-se um apóstata do seu partido.Viva Sua Alteza Real o Senhor Pedro de Alcantara Principe Regente Constitucional Protector. Ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oito centos e vinte e dous ao primeiro do mez de outubro do dito anno.. o Príncipe regente Constitucional Protetor e Perpetuo d’este Reino do Brasil.

Esta junta foi de pouca duração. Sr. Barros de Pimentel alcança angariar as simpatias de Labatut. tinha em Sergipe francos oposicionistas. presidente da junta. para estabelecer e arranjar a causa da independência do Império. do qual. a fim de pôr em prática seus planos antipatrióticos. fá-lo cultivar essas relações com cuidado. precisamos levar avante a descrição das vitórias que ia obtendo o partido emancipacionista. O Senhor Dom Pedro Primeiro Imperador Constitucional e Defensor Perpetuo do Brasil aetcetera. o capitão José Mateus da Graça Leite Sampaio. Christóvão estavam presentes o juiz ordinário presidente capitão Luiz Francisco Freire e os veriadores Tenente Domingos Rodrigues de Melo e José Rodrigues Bastos em lugar de Igino Martins Fontes e Francisco Moreira da Silva Marramaue e o procurador Joaquim José Pinto para darem posse ao Illm. contra o que trabalhava a Bahia. o reverendo João Francisco de Meneses Sobral. 234 234 Aos 25 de novembro de 1822 nos passo do conselho de S. cujos membros foram eleitos pela mesma assembléia. Exmo. General em chefe do Exercíto Passificador Nacional e Imperial desta Provincia da Bahia em nome de Sua Magestade Imperial. membros. e a que a tropo estava firme no lugar em que estava postada. Então. sendo este auto escripto pelos escrivaens da camara Francisco de Paula Madureira e assignando-o empossado com a s pessoas referidas na ordem em que estão. Títullo de nomeação. o tenente coronel José Eloi Pessoa da Silva. não desejavam a independência do Brasil.―á tropa e o povo não convém em demora alguma e queiram que já se instalasse o governo. governador das armas. Fizeram participação disto ao príncipe regente. a 25 do mesmo mês toma posse. O despeito de não ter sido eleito um dos seus membros. Hei por bem em Nome de Sua Magestade Imperial e athé decisão do mesmo Sehor nomeal-o Governador do districto de Sergipe e suas dependências devendo regullar as Instrucçõis Gerais e existentes para este emprego modiciadas pelas particulares que as circunstancias actuais d’Esta Provincia Imperiosamente exigem ae mim. secretário. E para que a tudo conste e prestem o respeito divido a Dignidade o Revisto em Nome de Sua Magestade Imperial lhe mande passar este Diplona Patente por mim 190 . com temos dito. antes de descrevermos o procedimento de Barros Pimentel. A marcha de sua administração ofereceram embaraços aqueles que. protestava não mover-se em quanto o governo não fosse de prompto installado. Reconhecendo em José Eloy Pessoa da Silva TenenteCoronel do Regimento de Artilharia de Lisboa desta Província e Baxarel formado em Mathemática e Filosofia as qualidades e requerimentos precisos para firma o Socego da cidade de Sergipe de El-Rei e de todas as sua Villas. o vigário – geral Serafim Álvares da Rocha. o sargento. representado por uma junta. em 14 de novembro. Guilherme José Nabuco de Araújo. que há tanto tempo qour todos é desejado. que . dependências: para até estabelesser e arraigar a Santa Causa da Imdependência do Império do Bralsil sob a Protecção de Sua Magestade Imperial. moradores em Sergipe. – Pedro Labatut. A causa da independência do Brasil. por meio dos seus partidários.mor Dionísio Rodrigues Dantas. nem a emancipação de Sergipe. como Pedro Vieira de Melo e José de Barros Pimentel. aqual foi dada com as solenidades do estilo. o coronel Domingos Dias Coelho e Melo. Eles eram: o coronel da legião da Vila de Sana Luzia. Pedro Labatut nomeia. e que a tropa estava com as armas carregadas e balas em cartuxames‖. Governador da Capitania Tenente Coronel José Eloy Pessoa da Silva presente. lugares. Já circulava em novembro a notícia da proclamação da independência e em Sergipe não se ousava aderir a esse feito . Foi então resolvida a instalação do governo provisório. porque com ele viria a emancipação.

General. e toas asu autoridades civis e militares. Os inimigos não escolheram meios para torná-de nenhum efeito. alcança de Labatut por meio da intriga que pèm em jogo o decreto de sua dissolução e sua nomeação de governador militar. Simião da Mota Rabelo e o procuradodr Antônio José Pinto. Em sessão de 20 de janeiro de 1823 a câmara. Igino Martins Fortes. perante grande concurso popular. Em sessão de 30 de dezembro. em substituição de Elói Pessoa. Clero e Povo ahi com vehementes vozes júbilo. Cristóvão eram seus adeptos políticos. Governador desta Comara o Tenente –Coronel José Eloy Pessoa da Silva por participação deste afim de ahi se publicarem os vivas alegres pella acclamação do Senhor Dom Pedro Primeiro Imperador Protector e Defensor Perpétuo deste Imperio do Brazil depois de assim estar a dita corporação unida com o dito Governador com toda a tropa. Quartel Geral no Engenho Novo aos quatorze de novembro de mim oito centos e vinte dois annos. Francisco Moreira da Silva Marramaque e o Procurador Joaquim José Pinto. sobre quem recaiu a calúnia de Pimentel. resolveram pedir a Labatut a permanência de Barros Pimemtel no governo. 235 Ao primeiro dia do mez de dezembro de mil oito centos e vinte dois annos nesta cidade de Sergipe de El-Rei e casa da camara della onde estão o Juiz Presidente Capitão Luiz Francisco Freire. e para contrariar o feito da emancipação de Sergipe e proclamação da independência. juntos para effeiro de seguirem ao lado da praça onde se vão encoroporar com a Ilm. que determina anteceee ao ato da aclamação um edital. Aproveitou-se do cargo para serm perpetradas as maiores vinganças entre alguns membros do partido oposto.Labatut. com esta nomeação.235 O procedimento da câmara de S. que alcançaram posteriormente tornar sem efeito a proclamação feita por Pessoa. Este estado de coisas não podia satisfazer os intereses dos inimigos da independência. Em fevereiro foi então nomeado. estava. Eram Luiz Francisco Freire.Tendo Pesoa a da Silva tomado posse. 191 . no dia 1º de dezembro. o que com effeito foi obrado. e os veriadores. 236 Os membros de então da câmara de S.236 Barros Pimentel toma posse do governo a 12 de fevereiro de 1824. sem oposição franca dos recolonizadores. elle dito governador publicou a ordem do dia que por sedual foi transmitida a elle dito presidente da camara que vae abaixo registrada e depois de publicados os vivas da Gloriosa acclamação de Nosso Augusto Imperador o mesmo Presidente da camara ordenou e fez effectuar a solenisação deste tão ditoso acontecimento com um Te Deum Landamus na Igreja matriz para onde todos se dirigirão a dar Graças ao Deus do exércitos. entretanto. instituído em Sergipe o regímem Imperial e proclamada a independência do Brasil. um novo dia para efetuá-la com mais legalidade e aprarato. Já prolamada no dia 1º de dezembro de 1822. para alcançar ordem de prisão e ser remetido para o norte. Logo depois de dissolvida a junta e preso Eloi Barros tomou a administração. excitado pelo despeito de não ter sido eleito presidente da junta. e José Rodrigues Bastos. a requerimento de alguns habitantes. Escrivão o escrevi. marca. convocando o povo. assignado não hindo Sellado por falta de Sello. Antônio Rodrigues Fraga. e o melhor chefe que encontraram foi Barros Pimentel que. apé e a Cavallo e coma Nobreza. Cristóvão ecoou nas outra câmaras que aderiram à independência. em vista de um ofício de 20 de dezembro do jConselho interino da vila da Cachoeira. E para cosntar mandarão fazes este termo em que assigno eu Francisco de Paula digo termo em que assignaram o dito presidente e mais vereadores –Francisco de Paula Madureira. discutindo o expresso do ofício da vila de Cachoeira recebe dele ordem intimativa para não aclamar a independência. porque Laabatut nomeou-o em nome de Sua Magestade o Imperador Constitucional do Brasil.

Ainda mais: em sessão de 6 de fevereiro recebe um ofício do conselho interino da Bahia de 24 de janeiro em que comunica-lhe que. devia ser uma realidade. A vista do que todo o Povo sahio. quando esta comarca continuava nos seus trabalhos. S. a manter com o auxilio dos traidores sergipanos. Serafim Alves da Roxa. elevado à cathegoria de Província de 2ª ordem independente nella pelo seu saudável e Imperial decreto de oito de julho do anno passado. e syndico da mesma comarca do Ver. reverbera o procedimento antipatriótico do governador e ouvidor. obstando a emancipação que há dois anos. reuni-se dirige-se à câmara. A vista destes motivos a cama fez congregar digo motivos e por logo comparecem todas as corporações Militar. expondo por isso mesmo este Povo a uma Anarquia e guerra civil. I. levado pelo patriotismo e indignado pela prepotência da Bahia. José Francisco de Menezes Sobral: e apresentando-se todos cheios de gosto e tranqüilidade replicou com eloqüência e toda energia a esta camara que já não podião mais conter com seus corações o ardente desejo que sentião para o cumprimento da Graça consedida. A Câmara acede à reclamação popular. e são eles empossados debaixo de indescritível entusiasmo. conforme Decreto de 8 de julho de 1280 e que se elegesse um conselho de cinco membros. secretário o coronel Domingos Dias Coelho e Mello. sendo que elle não quer mais senão a paz e a tranquillidade: Pello que nos requeria instantemente que de bom grado fisessemos reiterar aquella anterior posse dada aos ditos Membros. por carta imperial de 5 de dezembro. Então o povo. M. para desde já entrarem no execício dos seus officios interinamente. e por não constar ter-se verificado esta mercê pela objeções do Governador Millitar acutal José de Barros Pimentel e Ouvidor Interino Ignacio Gomes Camacho: que elle povo quixa que se verificasse a Junta do Governo Provisório que em primeiro de Outubro de mil oitocentos e vinte dous havia sido isntalada legitima e legalmente para que os governasse Interinamente em quanto se não procede a eleição de nova junta pela instrucções de desenove de junho de memo anno assina. que fora instalada a 1º de outubro de 1822 e que lhes dê posse. o Ver. e exige que chame à adminstração os membros da junta. afim de assumirem a direção dos negócios públicos de Sergipe. visto que se axão nesta cidade quatro delles e que fosse xamado o quinto: e tudo isto ouvido por esta camara unanimimente respondeo.237 237 Anno do Nascimento do Nosso Senhor Jesus Christo de mil oito centos e vinte e três nos dês dias do mez de Fevereiro do dito anno nesta Cidade de Sergipe d’El-Rei e casa da camara della onde estão presentes o Juiz presidente José Rodrigues Bastos e os veriadores actuaes capitão João Simões dos Reis. M. e a falta que tinhão do Governo para providenciar seus negócios os quais não podião mais ser dissolvidos ou providos pelo dito Conselho Interino da Bahia em rasão desta Independência e separação: e que reiterada a posse da Junta entrasse leogo no seu exercício que a elle povo convinha e aprovava todos SOS seus feitos e protestavão ter cautella até que se possa obete as dividas instruções e a proceder a nova eleição. o Imperador tiha elevado Sergipe de Comarca a província de segunda ordem. apontadas no mesmo officio. Padre Luiz Corrêa Caldas de Lima para o que foi a bem do serviço de Deos. Ignacio Antonio Dormundo Roxa. as quaes ainda não consta haver aqui. o Impererador do Brasil requerendo a Ella que depois de lhe constou pelo oddicio de vinte e quatro de janeiro do mez passado do Conselho Interino da Bahia que affirma haver S. M. o capitão José Antonio Pinto e o Produrador Vicente José Mascarenhas. que apesar do conhecimento da dita graça concedida no citado Decreto pelas objeções dos ditos Governador e Ouvidor estão dispostos a procederm na forma das ditas instruções quando as ouvesse e que de outra maneira não pretendirão mover cousa alguma. um jugo ilegal. pela instruções que deviam chegar da corte. juntamente com o ouvidor Inácio Gomes Camacho. eo Rev. visto que reconheciam todos os Membros della com interia probidade e que foi arbitrariamente suspensa sem ser ouvida nem convencida. ahi compareceu o Povo desta cidade de todas as corporações sem armas e em nome de S. em 27 de fevereiro. completamente independente da Bahia. a toque de caixa tornou o mesmo Povo a aparecer nella trazendo com sigo os ditos membros da referida Junta o Capitão-Mór José Matheus da Graça Leite Sampaio Presidente. com igual despeito de todo o Povo: A fim de evitar tão retrógada marcha do actual Governo e do serviço do bem público desta Provincia. e a poucos momentos. de Sua Magestade Imperial e dos Povos: Nesse auto desta camara dispondo de arrecadar de Direitos a bem della. independentemente do governo da Bahia. Civil e Eclesiastica fez 192 . Barros Pimentel opõe-se à realização desta ordem inperial. até que se procedesse à eleição de seus membros.

Publicam então editais. e para que cosnte esta voluntária deliberação todos a uma vez requererão a esta camara se fizese acta que querião assignar e que esta mesma por cópia authentica se remetesse a S. a excepção do quinto Membro da dita Junta o Sanrgento – mor Dionizio Dantas que não compareceo por estar fora desta cidade. vos participo que posta que já nessa cidade se ouvesse alanado no dia 1º de Dezembro do anno passado de mil oitocentos e vinte dous ao Augusto Senhor Dompedro Primeiro Imperador do Brazil somente pelo Patriotismo de ex-Governador José Eloy Pessôa.vivao as soberanas cortes costituintes e legislativas da corte do Rio de Janeirovia o Augusto Imperador constitucional do Brasil o Senhor Dom Pedro Primeiro. pelo que logo cada um dos referidos membros de perci encarregou que verdadeira debaixo do juramento que havia prestado em o primeiro de Outubro de 1822 entrassem no exercício e funções dos seus officios. e outra vez tornou o mesmo povo que tos o seu excesso se prendia em bem da causa publica do Brazil e da appelação que esta cidade deve ter aos mais lugares de toda a Provincia aonde queserem que residão as Authoridades Governativas. Nobreza e todo o mais Povo. protestando a face da divindade que nos ouve e do mundo inteiro defendermos a ellese todos os direitos deste Império sempre athe a morte. Capitão José Antonio pInto e o Procurador Vicente Mascarenha para effeito de se dar cumprimento a aclamação de S. Procurador da Junta. que tem lugar no conselho municipal a 3 de março. que compareceu em conseqüência do antecedente edital para a Aclamação popular e Legiítima de S. defendendo e parocinando tudo quanto for a bem do Nacional e Imperial Serviço e da sagrada causa do Brasil e desta Província. o Imperador e para de tudo constar fiz este acto e a acta em que assignão o dito Presidente da Camara. quis outrora selebrar este tão desejado e aplausível acto.Viva a Augustissima família Imperante do Brazil.viva a Junta Interina do Governo desta Provincia – vivão o Provincianos de Sergipe. logo seguio com elles esa camara e então congregados todos foi pela mesma camara mandado ao procurador della que alçasse a voz com orgão do Povo e desse a conhecer a toda assembléia o motivo porque selbrão novamente a Aclamação do mesmo Augusto Imperador Senhor Dom Pedro Primeiro e logo o mesmo Procurador com satisfação rompeu com altisonantes vozes pela maneira seguinte. Magestade Imperial na forma seguinte – E depois de estar assim reunida a camara e na praça della principal da cidade. Clero. comtudo sabendo-se a maneira popular e legítima com que há sido aclamado em as Provincias so Sul pressedendo em cada uma camara a expressa declaração das vontades dos cidadãos do seu respectivo Termo cuja solenidade não consta das Leis desta camara: della querendo seguir aquella mesma marcha donde resulta Glória e honra a este povo. perant grande reunião popular. requereo o mesmo povo que fosse immediatamente xamada Eu Francisco de Paula Madureira que escrevi com Escrivão da Camara.Viva o nosso amabilíssimo e Augustissimo Imperador o Senhor Dom Pedro Primeiro. M. . o Imperador e ao tempo em que para ali se sencaminhava o Presidente. procurando.enhão e reconheção ao Mesmo Augusto Senhor por tal. congregar mais as Religiões desta cidade e vendo que também pugnavão pelo mesmo comprimento em Nome do mesmo Augustissimo Senhor Imperador respondeo publica e intelligivelmente que estava pompta em tal caso a ouvir como aos seus votos.Viva a Exma. 238 Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oito centos e vinte trez aos trez dias do mez de Marçao do dito anno nesta cidade de Sergipe de El-rei e casa da camra della onde estão presentes o Juiz Ordinario Presidente José Rodrigues Bastos eo os veriadores actuaes Capitão João Simões dos Reis. Ignacio António Dourmundo Roxa. Segue-me cento e quarenta e nove assignaturas.Viva a Assembleia Cosntitucional e Legislativa da Corte e da cidade do Rio de Janeiro. Veriadores.viavas estes que forão reprod 193 . para que assim conste em tod tempo e em toda parte que convier. e logo pel mesmo Povo e tropa forão dados com Altiçonantes bravos repetidos vivas: . vendo-se agora desarmada. M. Secretário da Exma. Secretario e todas as mais pessoas acima nomeadoas. convocando o povo para alamação da independência. quor unanimidades senso e consenso de todos nós o que não foi possível pela fortes objeções do Governador Militar José de Barros Pimenel com foi bem publico pela prelação este inculcava ter sobre todas as Authoridades desta Provincia.Iluste e comspicua Assembleia de cidadãos Sergipanos constitucionaes de todas as classes em nome desta camara órgão vosso. Junta Interina desta Provincia. E sendo por elle recebido o dito emcargo tudo prometerão obrar como lhes é incumbido. esta camara e vós hajão. a tropa. Junta interina do Governo desta Provincia – Vozes estas que responderão a dita suplica. e quando condizirão aos ditos Membros a esta comarca que igualmente os deus das janellas desta salla. a Tropa desta Guarnição.viva a Augusta imperatriz e toda a Dinastia reinante deste Império. o clero e autoridades238. prem agora que já somos Provincianos Imdependentes esta camara vos chama para que juntos reiteremos de bom grado a dita Aclamação com juramento de obediência e fidelidade a Augusta Pessôa do Mesmo Senhor Imperador e Sua Dinastia . esta camra por serto de vossa adhesão e firme reconhecimento diz com vosco-viva a religião catholica Apostolica Romana.

M. Imperial o Senhor Dom Pedro Primeiro por Imperador do Brasil com obediência e fidelidade a sua Augusta pessoa e a Dinastia Reinante do Brasil e dest modo lhes foi recebido seu juramento. Nobreze e o povo com toda a tropa para a Igreja Matriz a festiva Missa cantada e selebrada pelo Revdm. Uma nova vida administrativa e política ia abrir-se sob a direção da junta provisória. uzidos e repetidos com o maior enthusiasmo e ardente gosto da mesma Tropa. Camara da cidade da corte do Rio de Janeiro-e para constrar mandarão fazer este auto em que assignão as pessoas presentes Clero. composta de filho da província. Vejamos a direção que ela deu aos negócios públicos. os Exms Srs. Nobreza e Povo que logo ahi pediram instantemente a esta camara que querião se fizesse uma acta na forma indicada para assignarem e debaixo de juramento protestarão ter. Provincial Carmelita Frei Jose do Sacramento co sermão pelo padre Manuel Antonio Dormundo e Te-Deum com a Música. No mesmo dia mez e anno acima declarado depois de findo o acto da aclamação logo da Praça se encaminharão esta camara com o seu sendico Padre Luiz Corrêa Caldas de Lima. o Clero. Tropa e Povo e eu Francisco de Paula Madureira escrivão da camara o escrevi. Pedro Primeiro. 194 . Pela camara foi determinado que sendo extraída a aacta deste acontecimento fosse remetida aIlma. e para de tudo constar mandarão fazer esta acta em que assino eu Francisco de Paula Madureira Escrivão da camra. O acontecimento de 3 de março tornou uma realidade a emancipação de Sergipe e foi a expressãoda adesão de seus filhos ao regímem imperial. fazendo-se ouvir o grande orador Manoel Antônio Dormundo.Há festas religiosas. com o Senhor Exposto para se dar Graças a Deus dos Exercítos e em louvor ao nosso Augusto Imperador o Senhor D. Da Junta desta Provincia. Clero. reconhecere manter a S. Nobreza.

do que os do país e de Sergipe. Tinham de nascer agora novos partidos dentro da forma monárquica. Participam a junta que tome providencia. Giada pela prudência e no intuito de estabelecer a paz e a hamenia na província. Com a aclamação da independência e a declaração da emancipação de Sergipe. a chamada culpa de entrar a junta em seu exercício.. pela carta Inperial de 25 de dezembro do mesmo anno passado. assim como o ouvidor interino Ignacio Gomes Camacho foram os que influenciaram aos ditos Governador e ouvidor para se não instalar junta provisória interina para governança desta província. paz e tranqüilidade social principalmente entre as autoridades constituídas.. as causas da revolução de 15 de novembro. precisamos descrever os acontecimentos que se dram. que este senado instalou aos ditos governador e ouvidor pelas rogativas do povo o que déo causa a elle e governador proceder um conselho militar sem audiência deste senado. as relações políticas mudaram completamente. praticando o dito accessor de mais o excesso de na povoação de Larangeiras andar com antecedência pelas casas dos militares influindu-os para que annuissem com a verdade daquelle governador naquelle conselho que pretendiam por ser de certo. Dos dois partidos existentes e que giravam em redor das idéias de liberdade do país e da província.LIVRO III POLÍTICA IMPERIAL 1823-1855239 CAPÍTULO I GOVERNO DA JUNTA PROVISÓRIA PRIMEIRO PRESIDENTE. ao qual não só tratou não só de esperar-se pelas instruções da dita carta imperial. com o projecto deste senado para o abstar. promove aí todos os meios para dsolvê-la de depô-la240. sempre dominado pelo despeito. PROVÍNCIA. defendendo mais os intereses da metrópole e da Bahia. viva sob a ação de divergências que obstavam a marcha regular dos negócios públicos. 17 de fevereiro de 1823. período que fára parte de um outro volume. Tendo ele se formado em 1820. 195 . Tendo feito de Laranjeiras sua capital militar. como de facto influliu nelle que viesse força armada contra esta ciade ainda antes de . a junta comunica sua posse a José de Barros que. como os mesmos militares tém bradado geralmente contra o dito accessor é como o dito Governador e ouvidor estão de mãos dadas para seu projecto abstemos contra a segurança desta cidade e primeira como há supposição por indícios que elles continuam nelles por verem prestados seus projectos e as circusntancias actuaes das cousas exigem sem modificação. Antes de estudá-los. conseqüência da independência dela. depois que a junta novamente assumiu a administração. em vista da ilegalidade que cometeu a Bahia de submeter à sua jurisdição. com a transformação política e administrativa operada. qua há anos. (1822-1855) não trouxéssemos nosso estudo até 1889. não reconhece a legalidade e não lehe quer prstar obediência. 240 Acordaram que por haver nesta cidade uma queixa insanável entre os povos della por constar que Eusebio Vanerio secretário do Governador Militar José de Barros Pimentel e Manoel Vicente de Carvalho Aranha. desapareceu aquele que queria a permanência do regimen colonial. desapareciam em 1823. em que procuraremos estudar o movimento republicano em Sergipe e principalmente. SERGIPE. Para isso procura o apoio dos oficiais superiores dos corpos de segunda 239 O leitor não estranhará que no período que denominamos de Política Imperial. mas também de se mandar attacar este senado com força armada e a mesma junta.

Neta mesma sessão pedema deposição de Barros Pimentel. ás cortes constituintes e Legislativas desde Império na corte do Rio de Janeiro. Foi de pouca duração essa harmonia. sendo chamado então o Brigadeiro Guilherme José Nabuco de Araújo. nesta cidade de Sergipe de El-Rei e casa de camra dela onde estão postados promiscuamente o povo e Tropa Della e de unânime acordo e commum vontade do mesmo Povo e Tropa foram publicados com a maior elegância.5º porque. Junta do Governo da Bahia em Caxoeiras um officio em que participava ter Sua Magestade Imperial elevado esta Província a cathegoria de 2º ordem. fizeram-no absorver as atribuições dos membros da junta. só porque se finava o seu despótico. -Vivas a Santa Religião Catholica. quando por ordem deste governo em virtude de um decreto correo e se estão trocando nesta Província a sete mil e quinhentos réis. Pedro 1º Imperador constitucional e Defensor Perpetuo do Brazil. Independentes daquella por carta Imperial de cinco de dezembro do anno passado. e apezar do povo e a câmara o fazer commandante das armas por instancias do Exm. quis obstar com força armadaa a que se não instalasse Junta do Governo. . Barros Pimentel aquiesce com o apelo patriótico de seus camaradas e dirigese para S. – 3º por que estabelecendo-se uma caixa Militar para as despezas das fortes ações externas e internas desta Província entrando muitos Europeos com dinheiro para ella. José Joaquim Ricardo e João Gustavo. como pelo precedente que ficava plantado de sublevações da força pública contra o prestígio e autoridade do governo civil. . e outros sítios. não limitando-se às suas funções de governador militar. para garantia de sua autoridade. não só não tem o dito Brigadeiro apresentado sua conta de receita e despeza. pelo toque da sineta. arbitario e insufrivel governo. cuja somma monta a uns poucos de contos de réis. a ella se dirigirão a mesma Tropa. os malvados Europeos José Álvares Quaresma. pelo qual o chamava a bem do serviço Nacional Imperial e apezar do dito General recomendar-lhe que impetrasse vênia da Exma. Neste mesmo dia o povo e a tropa reunidos. obdecendo a um officio do General Labatú. que pesta juramento 15 de maio de 1823. as quaes subirão a uns poucos de mil cruzados e trocando-as em prata a preço de seis mil e quatro centos. á Sua Majestade o Senhor D. As idéias de domímio exclusivo que tanto influíam em seu espírito. Junta 196 . pelas estreitas reações que ligam à queles inimigos. a fim de assumir a direção do governo militar. perante a qual fazem um libelo acusatório contra o brigadeiro Pedro Vieira de Melo. porem trocou todas as peças recolhidas a dita caixa por differentes peças. que nela devia encontrar sompre o ponto do apoio mais sólido. e os mais Brazileiros que os patrocinão. que não pode inspirar-lhes mais confiança. e a junta do governo desta província e depois de congregada esta câmara no Passo do conselho. -2º porque o dito Brigadeiro Barros no tempo do seu dispotico governo consentia que José da Annunciação Borges. e Povo e em altas e inteligíveis vozes declararão o seguinte – Que querião que esta câmara da capital como representante delles Representassem ao governo para mandar prender os inimigos declarados da causa do Brazil o Brigadeiro Pedro Vieira. Abre luta e o resultado foi a fuga de Barros Pimentel para a Bahia. e que sejão remetidos ao Rio de Janeiro para darem conta da sua péssima conduta ao nosso Augusto Imperador . visto que não querem ao Brigadeiro José de Barros Pimentel por fortíssimas rasões todas estranhas de um bom Brazileiro – 1º porque o dito Brigadeiro Barros no tempo do seu dispotico governo sabia muito bem onde estavão ocultos os Europeos inimigos da causa do Brazil e desta Província e que os não prendia por estarem em casa dos seus parentes ou parentes de sua família. a titulo de serviço da causa militar. a fim de abandonar o plano de deposição. José Joaquim Ricardo. Contra ele depõe nos termos em que o leitor verá no documento transcrito. os portugueses José Alves Quaresma. que consideram inimigos da causa do Brasil e pedem que sejam presos.linha e ordenanças que.4º Porque recebendo elle da Exma. reúnem-se e apelam para seu patriotismo. assumindo interinamente o comando das armas. Cristóvão.Que esta câmara de posse de commandante das armas desta província a um official mais antigo athe que sua Magestade Imperial mande outro commandante das armas. compreendendo os perigos e males de uma gerra civil. capitão Miliciano e outros que estavão de ordem delle.241 241 Anno do nascimento do nosso Senhor Jesus Christo de mil oito centos e vinte trez aos quinze dias do mês de maio do dito anno. exigem a concocação da Câmara. roubassem aos europeos pacíficos residentes nas Laranjeiras. tão inconveniente à prosperidade do bem geral. á sua Augustissima família. General Labatú.

esqueceu os deveres de um governo honesto e moralizado. tendo assim de fazer as intrigas costumadas. General Labatú. Sindico. Este fato profundamente impressionou o espírito público que se viu sem garantias e sem governo. Cristóvão esta no trabalho de apuração. –O que sendo ouvido pela câmara mandou que já officiasse a Exma. que não escolhiam meios para oferecer dificuldades à marcha da administração. prestou o grande serviço de manter a emancipação de Sergipe a favor da qual trabalhou. contra o abuso do poder. a prova do despotismo. que se devia proceder. a junta provisória primeiro absta a apuração das ultimas atas enviadas pelos colégios. teve de fazer nomeações e promoções na guarnição. Incandesceram-se então os ânimos e os partidos.I. nos últimos momentos de sua administração. Exorbitou pela contigência das circunstâncias do momento. com esta mesma acta de todo o expendido. pois é constante que a nação tem percebido grande prejuízo na conta da receita e despeza que elle Brigadeiro Barros a seu molde já apresentou.M. sendo seus membros presos. que era o primeiro a alterar a ordem e a levar o pânico às classes sociais. e fugitivo e criminoso apenas deixou um officio a Exma. Eu Francisco de Paula Madureira. Povo e Tropa fazer este auto que todos assignão. dando-se outro sim parte a S. as vinganças do poder recaíram sobre João Fernandes e os outros membros eleitores eleitos. a escolha dos membros da junta efetiva.I. Junta do Governo desta província para que sem demora haja de dar uma prompta providência sobre o objecto tendente ao commandante das armas e a captura dos inimigos da nossa canta causa. Na descrição deste fato esta. sem ser preciso comentários. – E para constar mandarão o dito Juiz Ordinário Ignácio Antonio Dormundo Roxa. Uma representação assinada por dez aleitores e trinta cidadãos é dirigida à câmara. para. Escrivão da câmara o rscrevi.Por esse tempo chegaram do Rio as instruções para o pleito eleitoral. Em todo o caso. cuja conta não é verddeira segundo a fama publica aque a mesma câmara faça ver às providencias mais certas e os defeitos deste officil e sua conduta civil e Militar e representar a S. Junta remettendo o do Exm. colocado o bem público acima dos interesses dos partidos. Realmente. as atas e os livros roubados e entregues aos membros da junta. – Querendo finalmente esta câmara requisitasse a Exma. José Antonio Pinto e Francisco Moreira da Silva Marramaque. Ela reúne-se de novo para apurar os votos. que devem ser levadas em conta. Na resolução firme de não dar posse à junta efetiva. contra a ambição dos portugueses. Junta do governo para com a maior brevidade chamar o dito Brigadeiro Barros e o há de compelir com a presente conta legal e authentica da receita e despeza que teve em quanto poz dispoz da dita caixa. comtudo desamparou a Graça. porque suas do Governo desta província.M. com o que toda Tropa e poso assás se satisfarão. A câmara de S. A propriedade daquele foi saqueada por uma força de linha. A junta provisória que tinha. O regimen representativo em Sergipe impurificava-se desde logo. Em consideração aos serviços prestados por alguns habitantes da província. que foram processados. estas mesma cousas. fingir um despeito. Correu a eleição. pelas ambições dos homens e os excessos dos partidos. e muito principalmente dos acima declarados. em sua origem. em começo. debaixo da oposição dos portugueses. quando é cercada pela força armada. Não havia a garantia da lei. Como primeiro governo de um regimen que se iniciava. na passagem do exército de Labatut. por esta ser combinada com o calculo que se tiver feito ou houver de fazer. 197 . Havia certeza de que o eleito seria o abastado proprietário o major João Fernandes Chaves. de participar aos Governos das províncias mais antigas a esta na forma indicada. ela passou por serias dificuldades.

Eis o trabalho administrativo da junta. e Exm. não 198 . ainda que a administração não estivesse nas mãos de nenhum militar. não só pelo apoio que a guarnição prestou-lhe. O povo tinha uma ação de presença. De 1822 em diante a guarnição de S. ―Recebi a carta de V. o propugnador da emancipação de sua província. se fosse somente o elemento popular quem a promovesse. Aumentou o numero de cadeiras de primeiras letras e latim. E ninguém pinta melhor o estado de coisas existentes . juramentos de constituição foram por ela promovidos.Ex. em janeiro de 1824. contra tentativas de sublevações. criou a repartição da secretaria do governo e a repartição da fazenda. depois de 1823 os partidos perderam grandes princípios e idéias que os nutrissem. criou um armazém bélico. o primeiro presidente nomeado o brigadeiro Manoel Fernandes da Silveira. Se naquele tempo havia um principio formador dos partidos. Todas as aclamações. no seguinte oficio: ―Illm. Deixava-se dominar pelo abuso do poder de qualquer fração. A ambição pelo poder que se apossou dos seus membros. Ex. desaparcendo o partido do elemento europeu poderoso na província. novos partidos constituíram-se. que a emancipação de Sergipe. como o eram os portugueses. indicou. Cristóvão e Sto. Queriam ambos uma só coisa: a posse do poder. Daí nasceu para a guarnição a consciência do seu valor e da sua força. composto de ricos e proprietários.. chefe da recolonização de Sergipe. o governo da junta provisória incrementou ainda mais o valor militar. Eram destituídos de programas. cujo chefe era o capitão-mor José Matheus. Amaro. dos retardatários. tanto mais presada por me deixar de acordo contra as sugestoens inimigas do systema adoptado. fez-lhe cometer o grande crime de sufocar a liberdade do voto criando para eles uma impopularidade e grande alteração da ordem publica. como a obstal-a por medidas terminantes. cujo chefe era José de Barros Pimentel e o corcunda. ―Imediatamente passei a dar providencias que V. pela abundância da população mestiça. Em 1823. As condições políticas existentes então eram muito diversas daquelas que existiam antes de 1822. chefe também do partido liberal. Senhor. um batalhão de caçadores em Itabaiana. Os corpos abundavam em oficiais e diminuiam em soldados. que mais não se incandesceu por chegar na província. porque seria difícil ou impossível aclamar o príncipe regente e a independência. contra a oposição de um partido alias forte. um corpo de batalhão dos pardos em S. filho da província e que no mesmo mês assumia a administração. Cristóvão tendeu a interferir nos negócios públicos. O liberal. e me pareceram comcentaneas. não só ao conhecimento da realidade da emissão. José Matheus. O estado social de Sergipe não era favorável a uma calma e pacifica administração. É um verdadeiro dislate. que não tinha acesso aos outros corpos militares. Deixava-se dominar por um infrene militarismo. porém. Barros Pimentel. como pelas inúmera promoções e nomeações por ela feita. Além disto. presidente da junta. Os seus órgãos na imprensa nunca defenderam princípios e sim defeitos pessoais dos adversários. chefe dos corcundas.atribuições não chegaram até aí. nem armamento. Não havia disciplina. senão o próprio brigadeiro Silveira.

. Fui aconselhado pela lei.... Amigos e conhecidos delles... duzentas e cincoentas armas........ rescindir hum despacho e substituir com que o Agressor arrogantemente quizesse. e Euzébio Vanerio estavão de posse desta província.. Este Destacamento regressara...... ou quando.. enfim... encabeçada pelo commandante Antonio Joaquim da Silva Freitas. dictadas pelas Leis.. Cidadãos de toda consideração foram espancados em publico por assassinos fardados. e medidas decisivas. Ex. Ex... a proporção que concilião o amor e a opinião geral.. a officialidade do batalhão de primeira Linha. Ex.... por isso que.. por evitar algumas supreza.. Alguns paizanos se nutrirão em tão minguadas circunstancias. e incorruptível. se covier... exacerbão o ódio e dasefeição dos sabidos inimigos da Pátria.. Não era cousa extraordinária subir um destes desalmados a Palácio.. mas com a excepção. ―Depois que escrevi a V. que já o tem indicado..... a que se devera reunir. como ao Exmº Governador das Armas a escolhas dos officiaes. Ex... que para desafrontar os officiaes.. que sigo e agradeço. sendo sua missão sustentar e restituir a ordem... arrogado Membro. Euzébio Vanerio. ―O mesmo. As ordens que se expedem ou são mal executadas. Eis os inimigos árduos ao Governo actual. as funcções da administração presente.... o não possa fazer sem choque risco de conflagração... A Tropa de primeira linha ou para melhor dizer.. Parentes.... porque... ― Segunda – Dois officiaes de fazenda: hum que possa servir para Escrivão da Junta. Importa muito ocorrer a medidas correspondentes... ―Os despachos. e á vista das criticas circumstancias em que achei a Província a reduzir a hum termo médio o arrimo dos soldos que se pagavão. e fazer que os membros do Governo houvessem de cassar huma ordem. me continue a communicar quanto similhantemente aconteça para não me mostrar huma vez desconhecido aquilo mesmo.. Ex. se dignasse de escolher a Fillipe Manoel de Castro.. as portarias. de conformidade com o Illmº e Exmº Sr. Portanto: como sou obrigado a manter e sustentar a Autoridade e Confiança quem em mimha se depositada e com as forças da Província.. e ao Illmº e Exmº sr. terá de tomar exatas contas a Euzébio Vabeiro. Governador das Armas.. de tal forma azesou aos mesmo officiaes. como já prticipei a V.... ultimamente se resolveu. ou não cunpridas. e como resolver sua Magestade o Imperador.... Minha vontade existe inferior ás circunstancias do governo. revela que depreque... Por todos os commandantes dos corpos de segunda Linha... acquiesce porque a força.. e outro secundário.. Os soldados pagos com o mair gravame das rendas publicas. Ex.. ou mais que um fiel mandatário.. muito fora do agrado deste Governo. bem que não sejão expedidas de galope para não incendial-os. o não há sido somente pelo do Batalhão de primeira Linha. desde muito havia huma parte primaria em similhantes desacordos e malfeitorias. miseravelmente alguns destes achão-se premiados como duplicado accesso. tendo sentido peiorar de forma digna de sizuda rezolução.. Já se diz que o Prezidente e Secretario serão despostos. 199 . Ex. que depois de qualificadas repulsas ao recebimento do soldo... e munições milicianas... que tranmitto a V. dando-lhe uma idéia concisa do estado em que achei esta província.. servirão menos para guarnecer a cidade.. logo.. faça expedir quanto antese impreterivelmente para esta província em direcção ao Porto da Estância um destacamento de cento e cincoenta Caçoderes com os competentes officiaes.. he sem duvida o Batalhão inimigo. Ex...Governador das armas dessa Província. exebida no officio. não succeda de alguma forma o contrario do que tão justamente se deseja. em nome de sua Magestade o Imperadr Constitucional e Defensor Perpetuo do Brazil. O primeiro official deve de ser muito intruido em Finanças. expedito. que devera garantir assim mesmo a de que justamente se arrecea.. e a despeito de ser essa medida menos austera e vigorosa a face dos imperiaes Decretos e de motivos mui poderosos para se suppor que umtal Batalhão não seja confirmada... e. e.ou illudidas.. e assim mesmo. O governo que me precedeu ou era um mero simulacro.. por copia.. demais a mais. por Patentes não confirmadas e illegitimamente concedidas.. do em que estava.. e se V..... o seguinte: ―Primeiro – que V.. em que se achão semelhantes Defensores do Imperador e da pátria.. afim de colligir dos termos em que está concebido o estado de indisciplina. A única força que nos circumda e existe armada nesta cidade.. a Quem de tudo darei conta...... como de facto posso a depracar a V. Todos os termos de complecencia me tem sido baldado para alhanar amigos desafeitos a inconciliveis á ordem.... ―Recommendo muito e muito a V...recommendado a V...

e por em pratica as Leis. dificuldades que eram promovidas por cidadãos de alta representação. Cumpre. e imperiaes ordens sem perigo de revolta. hum mez de soldo ao mesmo destacamento. ultimamente recomenda a maior circumspecção. terceiro da Independência do Império. e responsabilidades. porque nele vê a alma da administração e a energia decidido e franco. ―Deus guarde a V. adverso ao que apoiava a administração. Cristóvão. que não permitao esperar pela Imperial Resolução. sobre quem caem principalmente os ódios do partido adverso. por isso. não pudia cuidar do vosso bem ser. ― Como não se duvide que nossa Província existão dinheiro de rendimentos desta por ahi arrecadados. e no Illmº e Exmº Sr. E á frente dela colocar-se-iam o comandante do batalhão. vinte e hum de abril de mil oitocentos e vinte quatro. Admiramos o estilo eloqüente e a energia da frase como que eram redigidos os papeis oficiais desta administração. Antônio Pereira Rebouças. aproveita a oportunidade de divergência. O plano chega ao conhecimento do presidente. Governador das Armas para não hesitar que satisfação com urgência ao deprecado. que expedir hum correio por terra a avisar-nos. foge para a Estância: ―Habitantes da província de Sergipe! Brazileiros! O presidente.―Na Povoação das Laranjeiras continuar-se-há nas funcções administrativas te que possamos regressar em circunstancias de refazerem respeitar as Authoridades. – Manoel Fernandes da Silveira‖ Descrevamos os acontecimentos. e prudência em qualquer alteração ou innovação. se interponho todos os Protestos. Exc. como os corcundas de então. Ex. pela rapinagem que fazem os soldados indisciplinados. V. dignar-se-há a abonar por ellas as despezas do transporte. Francisco Vicente Vianna. como desejava porque estava coacto. no dia 28 de abril. e Illmº e Exmº Sr. ou antes do embarque do Destacamento. à falta de dinheiro nos cofres. Eu confio muito em V. um homem de um talento superior e de um espírito liberal. As ordens não eram cumpridas. septuagenário. quando o presidente. Ex. em 1 de abril. 200 . sem força para resistir. como o que se ia proceder dos membros do conselho provincial. Realmente. Os interesses políticos inspiraram na força publica o plano de uma deposição do presidente. por não ter recebido seus prets. O partido corcunda. não há senão porque as preponderadas circumstancias m‘o instão. ― Quando concluo o presente officio tenho em consideração a Portaria de vinte e hum de Fevereiro pela qual a Sua Magestade o Imperador pela Secretaria d‘Estado dos Negócios da guerra. a que o Governo se veja forçado a proceder por imperiosas circumstancias de segurança publica. tenente-coronel Antônio Joaquim de Silva Freitas e o oficial Euzébio Valério. não poderia arcar vantajosamente com as dificuldades que vinham de um estado social tumultuoso. corre a authorisar o presente precatório. ―Palácio do Governo de Sergipe na cidade de S. Em vista disto a administração compreendeu que não podia apelar para o apoio da força publica. Assumindo o brigadeiro Silveira a administração no dia 7 de março contra ele revoltou-se a guarnição no dia 21 de abril. a fim de fazer maioria no conselho. Presidente da província da Bahia. o brigadeiro Silveira. de uma sociedade cheia de ambiciosos. em vésperas de um importante pleito eleitoral. e igualmente depreco a V. haja de immediatamente. Entre eles figuras a seguinte proclamação espalhadas pelas ruas de S. para angariar para si as simpatias da guarnição. se não fora Rebouças. e o mais preciso: emfim obrará a este respeito em forma que a salvação desta Província não perigue. como secretario. em caso de qualquer atentado. Cristóvão. A tropa amotina-se no quartel e lança o pânico aos habitantes da cidade. legitimo administrador da província. Ex. O que sem duvida. que tinha junto a si.

delegada pelo supremo Imperante. chamasse á ordem os indóceis e insuburdinados: chamei-os. nem a voz da razão. ―A salvação publica! A nossa salvação imperiosa m‘o instão! ―Dous portuguezes. Tendo novo acalmar-lhes a injusta cólera. para empregarem tudo aos auspícios de nossa indulgência. nem devo difirir ou desprezar. Na povoação da Estância para onde retiro-me e onde pensarei somente que possa trazer paz. paga a nossa custa. enfim um governo sem coacçao. dirigirme e expor=me vossas queixas. Não accederam. tem sido a primeira encabeçada de violar nosso direito. e vossos concidadãos. e ingenuidade. ‖Minha dignidade. e já não tarda de vulgarisar-se que o presidente e o secretario serão depostos pelo batalhão de primeira linha. nem pelas requererdas. ―Não Sergipenses! Casos extraordinários urgem medidas extraordinárias. pois que se eu não vol-as providenciar logo. O dinheiro que devia pagar o soldo a tantas ajudantes e sargentos mores para pela penúria. Somente o látego da severa justiça os tornara em si. Habitantes da cidade de S. homens affeitos ao vicio se não podiam amoldar ao aceno. Habituada a obedecer e desobedecer. O dinheiro que deveria pagar tantas pensões e outros tantos parochos. a segurança. sempre vol-as attenderei justiçosamente. não achareis na degradação o premio da industria agrícola a manufatura. mas em contradição ao que indigitavam os zangões e parasitas. si se deixasse em inação athé o momento terrível da conflagração dos horrores que ateasse o archote da insubordinação e da perfídia? Deixaria que a authoridade. caracterisando-vos de inocentes ante mim. fosse espaldado no asylo da amenidade publica. O outro julga a seu dispoor o dinheiro publico. á agrado de seus mandões. que um oficial militar. por diurnos e nocturnos assassinos. nem com assombro. para garantir-nos. para vossa felicidade! Viva a Santa Religião! Viva o Imperador Constitucional e Defensor Perpetuo do Brazil! Viva a Independência e Systema Constitucional! Vivam os Brazileiros! Palácio do Governo de Sergipe 28 de abril de 1824 201 . Ires trabalhar como dantes por vosso offícios. ―Enfim Sergipense (Deus nos ajuda!) uma completa administração. se abandonasse a descripçao! Seria digno de vós. desenganando-os de acharem arrimo no Conselho. e quando vós outros vierdes trazer ao útil mercado o fructo do vossos trabalhos. os cuidam de arruinar de todo. ―A maioria dos votos vendidos aos beneméritos da pátria. ou assipoados a arbitrio de um insolente commandante. porque com maior gosto e officio se empregassem nas funcçoes de seu edificante ministério! Brazileiros! ―São estes dous os seductores dos nossos concidadãos! Soldados! São elles que com a mira de obrigarem a initerrupta cadeia dos desvarios em que se nutriam. sem receio de vos serem agravados. Baldei medidas conciliatórias. que não conseguiam superar. cuja convocação determinei em virtude da lei. Eu as não posso. em tolher-lhe a sensibilidade. decide-os igualmente de obstar com armas a posse de Conselheiros. exarcebaram. me instavam.a tranqüilidade. guiada pela lei. mas de 2° linha. Providencias que penhorariam a gratidão de pessoas insensíveis. Chritovão! Approxima-se o dia em que terão fim os espetáculos que vos atemorizavam e flagelavam! ―De então por diante não vereis espancarem-se pelas ruas cidadões conspícuos. não serem constrangidos a ignotos procedimentos.. não pudia amalgamar-se com a administração de um presidente. a autoridade eminente que em mim delegou sua Majestade imperial. ambiciosamente frenticos e que se dizem brazileiros por adopçao. podereis livremente procurar-me. e contemplados de amigos desarmados Acaso o presidente da província merecia louvor. justificará vossa conduta. Brazileiros militares o só facto de abandonarem os malvados. sereis lançados no antro do calabouço. A opinião publica as aponta por taes. quando cercado de inimigos armados.. tendo pervertido os nossos soldados.―A força militar. Tratar úteis serviços de agricultura. como dever sagrado. ―Soldados voluntários! Políticos Agrícolas! Vossas baixas servos-hão conferidas. em distracção do útil serviço. Gênios exaltados e inexperientes. como se nos ameaça pelos próprios assasinos. que também estima e me estima?. o commandante militar e por meios brandos. As armas sim manejadas por pulsos brazileiros. fosse atrozmente anniquilada com a ruína de um povo. declama a opinião publica e sisudamente os accusa por motores de taes extraordinariedades. O gênio do mal suggere-lhes a revolta. de adestrar bellicamente os nossos concidadãos. vos certificareis. apenas serviram para tornalos mais altivos e resolutos: Espera-se pela eleição do conselho. legitimamente nomeados! Que! E de braços crusados me conservaria quedo. Contra elles alto declama! Eu não posso serrar-lhes os ouvidos. Um delles ainda tem o seu commando e obediência as armas. Em vez de alhanarem. menos suspeita-la.

espírito revolto. no dia 25 de julho. e dos representantes da administração. tomando posse a 5 de junho. perante o Imperador. o sapateiro Miguel Gomes e seus filhos. Foi grande a vitória do partido do governo. Antonio José dos Santos. Domingos José Jaquitibá. alferes José de Meio Travassos e seus filhos. A posição oficial de Rebouças mais animava os excessos. e seus bens sem garantias de lei. pelo partido que apelava para as tradições de nobreza. recebendo-as de todos os pontos da província. 242 Este fato é levado ao conhecimento do comandante das armas em uma em uma carta anônimas assinada por Philioordino. espírito livre. partido na opinião deles verdadeiramente revolucionários os princípios membros moravam em Laranjeiras e eram. por intermédio do comando das armas que as sanciona e fundamenta. José Alparcas. à extinção de tudo quanto é do reino. Compreende-se que a propagação destas idéias pela eloqüente demagogia de Rebouças. Em todas vimos como libelo de acusação. Os soldados abandonam os oficiais e vão buscar o presidente Fugitivo. principalmente a população mestiça. Todos lembravam-se dos fatos de 1820 e 22. Os portugueses foram maltratados. onde as questões de nobreza de família são tradicionais e aventadas por qualquer motivo.ofereceu-se oportunidade para as vinganças. capitão Borges Pau da Moda. Manoel José Bernardinho. Em um festim em Laranjeiras. O capitão-mor Silvestre Gonçalves Barroso Boticudo. que veio da Bahia. levantou três brindes. De entre os apologistas de Rebouças que formavam seu partido. o soldado Domingos. ouvindo de Rebouças as teorias de igualdade. e seus filhos. e seu pai Bento Gaspar. Seu domínio tornou-se violável. Rebouças. que revelaram a prepotência lusitana e a existência de uma camarilha que depôs Burlamarque e anulou a emancipação de Sergipe. O comando militar é então entregue ao coronel Manuel da Silva Daltro. 243 Por diversas vezes Daltro envia representações contra ele ao Imperador. Cristovão a 8 de maio. Filisberto de tal. Dionízio Jacaré. a prepotência que queria manter o partido corcunda. Bernardinho José Pau Brasil. apontando-o como um revolucionário. Ainda estavam bem vivas na memória de todas as violências praticadas sobre o povo. a quem chamavam caiporas. que volta a S. A paixão e o ódio apoderaram-se de seus membros. Severino Crioulo. Os oficiais são presos e enviados para a Bahia. revoltou-se por ver o autoritarismo e a prepotência que a aristocracia de Sergipe exercia sobre o povo. O povo. submetidos a conselho de guerra.. da Silveira‖. a que chamava maroto. O efeito produzido na opinião pública foi favorável à administração. e a igualdade de sangue e de direitos242. Não era tal.Manuel F. Fidelis José Sapucaia. sendo recebido com festas populares. um promotor de alterações da ordem pública 243. Agora que idéias mais livre eram incutidas na opinião pelo secretário Rebouças. à extinção de tudo quanto é branco. 202 . que tratava de fazer propaganda contra o privilégio de raças. dizíamos. os excessos da aristocracia. que ele pregava que o mulato fosse igual ao branco. exaltou-se contra a nobreza dos corcundas. As representações sucedem-se contra ele. apelidado pelos aristocratas partido de mata caiado os quais por sua vez chamavamnos caiporas. feriu de perto o espírito aristocrático da província. agora. e por isso mesmo deixou-se por ela embriagar e excedeu-se. Luiz Francisco das chagas. e que um pardo podia ser até general. alma rebelde.

Espalha-se a noticia de que projeta-se uma representação ao governo. Não podemos contestar que algumas vezes se deixou exceder. em que foram levantados morras aos marotos. Já vimos. O coronel Daltro envolveu-se na agitação dominante. pelo que não exercia suas funções de membro do conselho para que foi eleito. estava entregue á justiça pública. Daltro chegava excursão feita á fronteira de São Francisco. e da Nação determino a Vossa Senhoria escravos. José Fernandes Chaves. em períodos anteriores. pois hoje mesmo há declaração de Republica. Do partido do governo: Rebouças. Suas determinações não o levaram até aí somente. Do partido oposicionista faziam parte o coronel Daltro. depois do festim aludido. Daí o ódio. Opôs-se às pretensões que queria o partido corcunda exercer. e projeta depô-lo. que na força pública sempre viu um poderoso auxiliar. A conseqüência foi uma completa desarmonia entre o elemento militar e o civil. Eles entraram no exercício de seus postos. José de Barros Pimentel.Lutou contra tais hábitos e pregou a igualdade perante a lei. que se espalhavam em Alagoas e Sergipe. nem sempre podia domar o seu entusiasmo. que por mais de uma vez os partidos apelavam para o apoio da guarnição. e poucos soldados temos para essa defesa. com o concurso de Henrique Maciel. Deus Guarde a Vossa 203 . Subleva-se a tropa na noite de 1° de novembro. desarmonia que veio ainda mais agravar as condições de paz e ordem em que vivia a sociedade de então. sendo substituído por um irmão do presidente . Henrique de Araújo Maciel244. a guarda do brigadeiro Domingos Dias Coelho e Melo. contra o prestígio do governador civil. agora estava absolvido. Daltro. que fugitivo por algum tempo. e as nossas vidas que estão em perigo. sempre abafada. pela franca intervenção de Daltro no resultado da sentença sobre os culpados. onde fora pesquisar os revolucionários de Pernambuco. e agregados. Daltro esquecia o posto que ocupava. Ele foge para o Rio comprido. o coronel José Rodrigues Dantas e Meio e Major Manoel de Deus Machado. Quis defender os direitos de seus concidadãos. as 244 Como co-réu da deposição que quis a guarnição fazer em 29 de abril. deixando no meio daquela sociedade o gérmen da liberdade. projeta depor o governo civil no dia 8. Espírito incandescente e que levava às ultimas conseqüências práticas os seus princípios. E nisto cumpria o dever. Aliou-se ao partido oposicionista à administração. O descontentamento plantou-se na guarnição. de onde chegavam queixas. e o coronel José Mateus Leite Sampaio e outros. e todos os seus morador . Como prova damos a passeata em Laranjeiras. e para isso convoca as forças de Itaporanga245. como português que era. algumas de verdadeiros saques aos portugueses. O levantamento do povo se fez sentir com excesso em todos os pontos da província. sobre os oficiais culpados na deposição de 28 de abril. 245 Em nome do Nosso Augusto Imperador. O partido de Daltro acaba de obter uma vitória no julgamento da relação da Bahia. para poder-mos defender o Trono do nosso Augusto Imperador faça já marchar para esta cidade essa companhia de Itaporanga. as representações. o padre Francisco Félix Barreto de Menezes. pedindo a deportação dos portugueses. para ingerir-se nas lutas partidárias. membros do conselho.

que tem empregado o mesmo comandante das Armas contra a existência do Governo. que foram convocados para tractar do restabelecimento da causa publica em perigo. em que a Guerra civil alteasse. 204 . Ilustríssimo Senhor Brigadeiro Domingos Dias Coelho e Mello. Sebastião Gaspar de Almeida Boto. e venha consigo isso já. não melhorou contudo de conduta: Expoz o mesmo Exmo. Tornava-se impossível continuarem na administração civil e militar Silveira e Daltro. Christovão. que cuidaria. na Parada do Rosário pronto para marchar para Sergipe. cumpria que o Exmo. Senhoria muitos anos. São Cristovão de Sergipe d El-rei onze de Novembro de mil oito centos e vinte quatro. e Palácio do Governo. e já. declaradamente. pólvora. Cristovão de d El rei onze de Novembro de mil oito centos e vinte quatro. não o efetuando. não só Corpos de Segunda Linha. São Cristovão de Sergipe d´El-rei onze de Novembro de mil oitocentos e vinte quatro . pois assim lhe determino em Nome do Imperador. e cidadãos conspícuos. Quartel General de Sergipe seis de Novembro de mil oito centos e vinte quatro. e às determinações de S. talvez porque quase todos os militares o desobedecerão. Presidente Manuel Fernandes da Silveira. 246 Marche já. Manuel da Silva Daltro Comandante das armas. Foi pelo Exmo. O plano de deposição transpira e chega ao conhecimento oficial. e Francisco Felix Barreto. Convinha salvar a sociedade de uma sublevação. e se quiser defender o Trono Augusto da Sua Majestade Imperial convoque. na salla das Sessões. que o Exm. em oposição à boa ordem. por ordem do Excelentíssimo Senhor Comandante das armas. tendo sido dado o Governo para seu Regimento a Lei de vinte de outubro. e Japaratuba para atacar a cidade de São Cristovão sob o pretexto os mais absurdos. Senhor cadete Comandante do Destacamento das Laranjeiras. para restabelecer a ordem. arrancando o momento. resolvesse com o acerto conveniente. Conselho com a relação dos fatos. e do Imperio. e balia. olhando para ela. e enfim reclamou o testemunho do mesmo Exmo. convocando o dia três para quatro de Outubro. depois da conferencia de 9 de agosto. Conselho sobre o estado alarmozo. Reconheço a letra e firma retro ser do próprio por comparação. S. Ilustríssimo Senhor Alferes Manuel Ignácio Soares. José de Barros Pimentel. praticado pelo commandante das Armas. Joaquim Antonio Peixoto. capital da Província de Sergipe. Reconheço a letra. Quartel General de Sergipe seis de mil oitocentos e vinte quatro. e os Srs. em que estava a cidade.de laranjeiras246. quanto estivesse de sua parte.” Reconheço a letra e firma retro ser do próprio contheúdo. E concluiu. Em testemunho de verdade estava o signal publico Joaquim Antonio Peixoto. Comandante das armas. a vista do estado em que se acha a causa publica. Em nome da salvação publica. que. Imperial: ―Ponderou mais que. Em testemunho de verdade estava o signal publico Joaquim Antonio Peixoto. e Gonçalves Valença. que mataria preciosas vidas. nesta cidade de S. em que se viam as Famílias. medidas hostis. Manuel da Silva Daltro. Quartel do Maruim dois de Outubro de mil oito centos e vinte e quatro. Conselho. M. trazendo todo armamento. e cidadãos pacíficos dando mais evidente idéia do estado de consternação. como os Índios das Aldeãs de Pacatuba. Em testemunho de verdade estava o signal publico. por não comparecer os actuaes. e da Nação. João Fernandes Chaves e Manuel Vicente Carvalho e Aranha. e firma supra ser do próprio conteúdo. e Comandante interino. do Rosário247. Terceiro da Independência. José Rodrigues Dantas e Mello. tendo-se o mesmo Comandante das Armas comprometido perante este mesmo governo em conselho. que era preciso sufocar. e já com todo Destacamento para esta cidade. Conselheiros Manuel de Deus Machado. Presidente o notável procedimento. o presidente convoca o conselho que resolve o seguinte: ―Aos oito dias do mês de novembro de mil oitocentos e vinte quatro anos. e cidadãos comprometido perante este mesmo governo em conselho. a propósito de um movimento revolucionário republicano. O perigo público era iminente. onde se reunio Exm.” 247 Queira se achar amanhã três do corrente pelas dez horas da manhã. os Srs. Comandante das Armas Manuel da Silva Daltro desde a sua chegada a esta Província sempre caminhou fora da linha de seus deveres. Presidente ponderado ao Exm.

―No mesmo dia. João Fernandes Chaves. era participar ao Governo. Manoel Vicente de Carvalho e Aranha. E sendo pelo Exmo. que por esse impedimento se retirava a sua casa. De que para constar se fez a presente acta: Eu Antonio Pereira Rebouças o escrevi: Manoel Fernandes da Silveira presidente. continuando a Sessão. que foi chamado. Manoel Vicente de Carvalho e Aranha. secretario o escrevi. Manoel Fernandes da SilveiraPresidente. que. e que porque o Governo sabia que aqui não podia restabelecer por falta de remédios. o meio idôneo. e confiança publica. que se ia retirar para fora da Província. De que para constar se fez a prezente acta. e demais estar ameaçado duma hidropisia pela falta de respiração. E sendo pelo Exmo. José de Barros Pimentel. perpetrados contra a boa ordem e segurança publica. por ser athé medida tão conveniente. Manoel Vicente de Carvalo e Aranha. Presidente e Conselheiros a cima declarados. Manoel de Deus Machado. presidente. foi respondido pelo mesmo Comandante das Armas Manoel da Silva Daltro. que pelo motivo de moléstia que padecia. eram assim o de ficar reunido ao Governo da Província o Comando das Armas. resolvendo o Governo sobre quem deve recahir o comando interino das Armas no seu impedimento. vindo assim a não ser útil ao Imperador e á Nação. que foi chamado. e Professores. Presidente feita relação abreviada dos fatos pelo mesmo Comandante das Armas. secretario o escrevi . foi apresentado ao Governo uma Partecipação do Exm. Conselheiro José de Barros Pimentel. Commandante das Armas Manoel da Silva Dantro. em virtude da Resolução antecedente. se propunha participar ao Exmo. mez e anno. ficando. Presidente feita a relação abrevidada dos factos pelo mesmo Commandante das Armas. perpetrados conta a boa ordem e segurança pública.―Resolveu o Exmo.‖ ―No mesmo dia. que achava em circunstâncias tão extraordinárias. Manoel Fernandes da SilveiraPresidente. inxações em todo corpo. em virtude da Resolução antecedente. Francisco.‖ ―No mesmo dia. Manoel de Deos Machado. Manoel Ignácio da Silveira. Governo. ―Eu Antonio Pereira Rebouças.Manoel Fernandes da Silveira. Presidente e Conselheiro acima declarados.‖ 205 . portanto. e mais. ―Resolveu o Conselho estar pela Participação do Comando das Armas. tendo de recahir o Comando interino em alguns Officiais Militares. que entretanto se reunira: compareceu o Exmo. fomentados pelo sobredito Comandante das Armas. dizendo que não era occulto ao Governo as moléstias que soffreu de estupor na marcha. que pelo motivo de moléstia. mês e ano. ―Eu Antonio Pereira Rebouças. Comandante das Armas para vir perante o Governo quanto antes. Comandante das Armas Manoel da Silva Daltro. promettendo. Francisco Gonçalves Valença. João Fernandes Chaves. que assim praticara para destruir uma facção que lhe era denunciada. que sofria. Manoel Vicente de Carvalho e Aranha. Conselheiro José de Barros Pimentel. João Fernandes Chaves. Manoel Ignacio da Silveira. estando em Sessão permanente o Governo da Província composto do Exmos. Manoel Ignácio da Silveira. Francisco Gonçalves Valença. que fez para a beira do Rio S. junctamente com o Ilmo. Sr. capaz de destruir esses taes Partidos restabelecendo a harmonia. que. e salutar. juntamente com Ilustríssimo Sr. estando em Sessão permanente o Governo da Provincia composto dos Exmos. existentes. que entretanto se reunira: comparecêo o Exmo. Francisco Gonçalves Valença. prometendo. ―Eu Antonio Pereira Rebouças o escrevi. entretanto o mesmo Governo em Sessão permanente. e que logo que estivesse restabelecido se apresentaria. Francisco Gonçalves Valença. mez e anno. que se oficiasse ao Exmo. Do que para constar se fez a presente acta. que se ia retirar para fora da Província. Conselho. Commandante das Armas Manoel da Silva Daltro. que assim praticara para destruir uma facção que lhe era denunciado. Manoel de Deos Machado. José de Barros Pimentel. foi respondido pelo mesmo Comandante das Armas Manoel da Silva Daltro. De que para contar se fez a presente acta. nem por isso se acabariam as dissensões. responder sobre o ponderado. Manoel Ignácio da Silveira. José de Barros Pimentel. porque era susceptível pertencer a um dos Partidos.

que foi dirigida por Manoel Clemente Cavalcanti de Albuquerque. tomando posse a 15 de fevereiro de 1825. Em vista das medidas enérgicas postas em prática. 206 .Se a administração de Silveira não promoveu realização de melhoramentos que se tornava inadiáveis. preparou um bom terreno. conculcados pelos prepotentes da época. para a fatura administração. contudo prestou o inolvidável serviço de restringir as ousadias do militarismo e da aristocracia levantando uma opinião pública e defendendo os direitos do povo.

que formava então uma só comarca. Em sua administração recebe a comunicação do governo imperial de ter declarado guerra às repúblicas do Rio da Prata. para protestar contra fraude eleitoral. durante os quais a câmera esteve de sessão permanente. embarcando-se em Aracaju. tomaram a direção dos negócios públicos. como as outras províncias. promovido pelo tenente-coronel Manoel Rodrigues Montes. autorizou o calçamento de Laranjeiras e S. Alistaram-se voluntariamente alguns cidadãos a marchar para a guerra. Manteve a maior harmonia com o comandante das armas. Cristovão e promoveu os meios da edificação de um quartel. A administração da justiça foi entregue também ao Dr. a província voltou à paz e à ordem. abusando do poder. MOVIMENTOS DE ABRIL DE 1831 Elementos inteiramente estranhos às paixões que se agitavam por esses tempos. como a administração militar. desde 2 a 10. Por te falecido em dezembro de 1826. Membro de um partido. nos pleitos que então feriram-se para deputados á assembléia legislativa e membros da câmera da cidade de S. Edificou o palácio de S. em 9 de março de 1825. Sergipe. IDÉIAS REPUBLICANAS NA ESTÂNCIA E BREJO GRANDE. em começo de 1827. tomando posse do seu cargo. Cavalcanti de Albuquerque teve de dirigir sua atenção para melhoramentos que se tornavam inadiáveis. Tendo estado 207 . nos espaços do conselho. que nesta data. Tornou-se um administrador partidário. que não levou a cabo. ainda hoje existente. Daí os acontecimentos dos dias de janeiro de 1828. tomou posse de seu cargo. Sua administração não seguiu os ditames da justiça e da imparcialidade. contra não só os desatinos. que à força queria tomar posse do lugar de seu presidente. O comando militar. como membro do conselho mais votado. despachado ouvidor de Sergipe. a casa do trem militar. Cristovão. que tinha provisoriamente sido anexado à presidência da província. o batalhão 26° de Infantaria. O poder municipal não encontrou apoio na administração. como as ofensas que este dirigiu aos membros do senado. passava em 24 de outubro de outubo de 1825 à direção do brigadeiro Inácio José Vicente da Fonseca. passaram a ser exercidas por novos funcionários. tinha de prestar seu contingente na defesa nacional.CAPITULO II SUCESSORES DE MANOEL FERNADES DA SILVEIRA ATÉ 1831. Já estava então na administração interina Manoel de Deus Machado. de Montes. Não só administração civil. Mudado todo o pessoal dos negócios públicos. Cristovão. Joaquim Marcelino de Brito. para manter sua autoridade. não poupou esforços para sua vitória na eleição. filho da província e imbuído das paixões que se agitavam entre os membros dos dois partidos.

em sessão permanente seus membros a reclamarem providência, tiveram de ceder ao peso dos desvarios do poder. Propagavam pela província idéias republicanas emissárias dos revolucionários de 1824 de Pernambuco. Do norte ao sul eles percorreram-na, incitando o povo a instituir um novo regime de governos. Em Brejo Grande, Antônio José de Albuquerque Cavalcante e José de Albuquerque Cavalcanti propagam as novas idéias. São perseguidos por Bento de Melo Pereira, que desde que rebentou a revolução em Pernambuco, defendia a fronteira do rio S. Francisco. A mesma propaganda faz o padre Francisco, em Japaratuba. Os propangadistas fazem do engenho do sargento-mor Francisco Rolemberg seu ponto de reunião. O movimento no sul foi mais ativo. No seguinte ofício do comandante das armas Inácio José Vicente ao conde de Lages, o leitor verá a comunicação que fez ele da propaganda republicana pelo padre Manoel Moreira:
―Pelos meus officios anteriores tenho participado á V. Exa. as noticias que me tem sido comunicado pelo Comandante das Armas da Província das Alagoas, assim como a suspeita de haverem nesta Província Emissários destinados a seduzir os povos para fins sinistros; e tendo empregado toda a diligencia da minha parte, pude descobrir o que consta do depoimento, que por 248 cópia levo á Prezença de V.Exa. , e que igualmente passei ás mãos do Vice presidente , por ser a quem compete mandar fazer os necessários procedimentos : hum dos principais agentes mencionados no depoimento he o Padre Manoel Moreira , o qual tendo já sido prezo na ultima revolução de Pernambuco em uma Embarcação que foi aprezada, conduzindo armamento dali, para a Povoação da Estância , depois que foi solto nessa Corte, não tem parado , fazendo continuas viagens para o sertão de Pernambuco , Alagoas e pelas Villas e lugares desta Província ; já se acham presos alguns dos apontados no depoimento , incluso o Padre Moreira , e continuo na diligencia dos mais . ―Logo que pude certificar –me da existência deste criminoso ajuntamento , procurei informar-me de algumas circumstancias, como V.Exa. verá da Carta incluza de Manoel José Ribeiro
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Termo de Averiguação feito ao Ajudante de 2˚Linha da Povoação da Estância, Antonio Ignácio de Brito. Aos vinte três dias do mez de dezembro do anno de mil oitocentos e vinte seis, no Quartel do Commantante do batalhão n.26 o Tenente Coronel Antonio Joaquim da Silva Freitas, onde comparecéo acompanhado de um officio datado do mesmo dia, dirigido pelo Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Brigadeiro Governador das armas, para ser indagado dos acontecimentos que tiverão lugar na Povoação da Esteancia, em huma das noites do mez de Outubro próximo passado, em huma céa com assuada por hum ajuntamento de pessoas que a ella concorerrão: respondeu, que a céa foi dada pelo padre Moreira, Franklin, na casa deste da outra parte do Rio Piapitinga; e que sabe que assistirão a céa o Alferes Maximo das Ordenanças, o Alferes Victorino de Melicias, o Tenente João Alves, o estudante Lima, Antonio Agustinho paysano, e outras muitas pessoas que se não lembra dos nomes, e que sabe, posto que não assistice, que a saúdes da meza erão feitas á liberdade, e que ouviram gritos fora o imperador e que nessa occasião passando hum homem do campo foi surprehendido por elles, e por pancadas obrigado a dar os mesmos gritos; e que sabe igualmente que a casa do dito Franklin são freqüentes as seçõens sobre estes obijectos, e que tão bem sabe que das Províncias do Norte veio á mesma Povoação Martinho de tal ao mesmo fim. e que depois de dias se retirou. Sabe por ser publico na Estância que o Alferes Joaquim José da Rocha se propunha a saquear alguns negociantes, e que ouvio dizer que o quis pôr em pratica com o Major Potella, o que deu lugar a elle fugir para a Província da Bahia, e que outros se tem mudado da Povoação, hum e outros embarcados, e que para esse fim tem a Populaça a quem elle enthusiasma, e que sendo o interrogado commandante das rondas algumas partes deu ao seu Commandante o Coronel Manuel Ignácio, mas que esse não lhe dando ordem para prender o não executor. E nada mas disse, eu Manoel José deMagalhães Leal, Capitão que escrevi.-Antoni Ignácio de Brito, Ajudante. -Manuel José de Magalhães Leal, Capitão. _Antonio Joaquim da silva Freitas, Tenente Coronel Commandante.

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d‘Oliveira ; este homen foi proposto para Tenente-Coronel Refomado do Regimento de Cavalaria novamente organisado na Estância ; he homem de bem, rico, e estabelecido na Estância, mas como

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Illm.e Exm. Sr. -A vista do officio e V.Ex.que neste momento me foi entrege vou satisfazer do melhor modo possível, ao que V.Ex. me ordena, e serto na segurança, que V. Ex. me comunica hirei continuando quando occorrerem novos motivos: a 10 mezes pouco mais ou menos appareceu aqui hum Franquelin vinda da parte do Carires aonde consta foi envouvido nas desordens, que la ouverão ao norte daquelles; não legalisando a sua vinda por passaporte, também o não fez do estado de Casado: apoiado por alguns parentes achou muitas amizades de alguns mansebos, e mesmo de pessoas da primeira ordem que em sua casa se ajuntam para jogar, e tão bem fala: repetiam-se para fora algumas cousas, que se falavam menos decentes, mas como tudo se encobria com a capa do ódio dos Européos , e estes vivem abatidos apenas se contentavam de estranhar, estas e outras taes em políticas, mudando, passado algum tempo, a sua residência para além da ponte do Rio Piauytinga lá continuou a freqüência com mais calor : chegado aqui obra de 6 mezes o Padre Manoel Moreira obteve logo distinto lugar nesta sociedade : hum tal edjunto lá e ouzava as vezes suas desconfiança, mas desvancia-se esta com a lembrança, de que lá se achava tão bem algumas vezes o Coronel Manoel Ignácio, Capitão –mór Joaquim Fontes para jogarem, e outras mais pessoas desta natureza, as quaes não logram a melhor opnião pública: na noute de 22, ou 23 de Setembro passou a cousa maior excesso que ajuntando maior número de pessoas houve comezana, e bebida ém abundancia passou-se de caza a rua, a depois ao Rio, e em qualquer destas partes hé assás público se falar francamente em liberdade, igualdade se tratava o nosso Imperador com os Epithetos, que a modestia ma não permita pronunciar: as autoridades elevando de algum modo dar satisfação ficaram endolentes, tratando a cousa de liberdade, e bebedeira foi, mas eu sempre ouvi dizer, que a bebedeira serve para lançar do peito aquillo que nelle está occulto: as pessoas, que se acham nesta acção se póde V. Ex.informar com mais legalidade de José Alves Vicente, lemos mandando hir a prezença de V.Ex., e dirá tambem o mais que a este respeito souber, por que me dizem o obrigaram a acompanhar o ranxo : o Padre Manoel Pereira que foi um dos da sucia seguiu 2 dias depois para Masseyó, e regressou no fim de 2 mezes, este padre filho de paes honrados, e bons cathólicos , affeissuou-se ao sistema republicano, e foi hum teimoso emissário, e apaixonado de Manoel de Carvalho de Pernambuco, e recolhido a fortaleza de S. João de Masseyó, passou da li ao Rio de Janeiro, donde não ser por que fatalidade escapou ao castigo a que tinha justiça: voltando o que continuou na sua doutrina divergente da boa ordem, e de mais apostolo do atheismo, que vergonha! Estas, e outras pessoas, que por pecados a que se contam hoje da primeira representação, formaram o círculo das associações da Estância, aonde sem duvida se tratando do sistema republicano, e anequilamento do Governo Imperial, desfigurando-se a idéa constitucional como não existente: ou estas, e outras patranhas enganam o povo principal mesmo a mocidade anuncia-lhe assim como fiseram os Francezes a liberdade e igualdade, a bens communs para todos. Deferentes partes eu tive avisos de pessoa mals afeissoados, de que se falava em saqua na mesma casa, e mais alguma: nem me atirei em taes avisos, nem os desprezei para tomar algumas cautellas . Sendo chamado pelo Coronel Manoel Ignácio para conferenciarmos sobre isso que se fallava, lhe indiquei algumas providencias, que julgava precizas, mas tal vez lhe não agradarão, porque se não seguirão: queria eu, que se fizesse ver a V.Ex., e ao Governo de Sergipe o estado em que se achava essa povoação; que se prendesse Joaquim da Rocha Sá que tendo agregados a si muitos homens, e todos maus, era sempre procurado para qualquer insulto, e mesmo para que estes homens vivam só de fazer mal, e comer o gado alheio: ora nesta parte algumas providências tem dado o Capitão- mór David de Oliveira Lima que tem feito prender alguns do tais e com isto se tem afugentado outras. Este Joaquim da Rocha indo ao chamado de V.Exa. voltou da capital dizendo por ser do que avisado que não chegasse a Sergipe por que era lá preso talvez não fizesse conta a esse, que fez tal avizo , que elle lá chegasse para não descobrir o inredo. A chegada da tropa poz alguns temerato, e outros em fuga, ora se a sua consciência esta socegada de que se espantam: o certo he que aqui há solapa, e mui contatos serão os que não estão iscados : lembra-me a propósito, o que disse o Impperador na Bahia no Congresso de Vienna da Austalia, quando da Ilha de Elba entrou na França Napoleão; quando a causa não se via nada se de principio se tatasse como grande; mas que poderia ser grande , se de princípio se tratasse com nada, applico esta pratica para o caso prezente. O Capitãomór Jose de Mattos, Major José Correia ,juiz ordinário José Tavares Ferreira, e o mesmo Capitão –mór David, são homens probos, e podem dar a V.Exa. huma informação mas circonstamciada , mandando -os V.Ex. chamar a cada hum por sua vez e delles será enteirado athé do nome dos anarquistas. Deus Guarde a V.Ex.muitos annos .Estancia 25 de dezembro de 1816. De V.Ex. Súbdito muito attento Venerador e Obrigado – Manuel José Oliveira .

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he Europeo, e ainda nesta Província desgraçadamente são odiados pelos perturbadores da boa ordem, elle recêa que aparêça o seu nome, por ficar exposto á algum insulto, e até mesmo com perigo da sua vida, razão porque certifiquei-lhe que as suas communicações serião de confidencia e unicamente para esclarecerem-me as idéas precisas para o andamento do negocio, circumstancia que julgo necessária, visto que, tendo-se praticado tão criminozos attentados, estava eu ignorante de tudo, e até mesmo enganado por alguns officiaes de quem confiava. ―Este acontecimento merece muita attenção nestas Províncias do Norte, aonde há grande abundancia de escravos, que são nossos verdadeiros inimigos, e hum dos recursos com que contam os anarchistas, accrescendo além disto nesta Província há grande quantidade de vadios, facinorozos, sobre os quaes continuo a empregar todo cuidado a vigilância , pois são os perversos que tem espalhado temores e desconfianças sobre os povos; elles não tem recursos e apoio para a sua premeditada insurreição, porem tem toda a disposição para por meio da anarchia perpetrarem roubos e toda sorte de crimes; he quanto tenho a honra de participar a V.Exa.afin de que se digne igualmente levar ao Soberano Conhecimento de Sua Magestade o Imperador.- Deus Guarde a V.Exa. Quartel do Comando das Armas da Província de Sergipe,29 de Dezembro de 1826. ―Illmº e Exmº Sr. Conde de Lages. ―P. S. – Tão bem já fica preso o Alferes Joaquim da Rocha Silva. – Ignácio José Vicente da Fonseca, Commandante das Armas.‖

Sergipe não era um terreno preparado para frutificação dessas idéias. Se o autor dessas linhas, em 1887, quando organizou o partido republicano em Laranjeiras, com o concurso de bons amigos, a maior oposição que encontrou foi a indiferença, pela falta de cultura popular e de uma consciência clara dos deveres cívicos, que poderiam fazer o padre Moreira na Estância, e os Albuquerques em Brejo Grande?! A idéia não tomou corpo. E ainda que, pelos documentos do tempo, vejamos que em redor dela iam se agrupando as adesões, sedo os membros do governo mataram-na, infligindo as penas da lei áqueles que tomaram parte nas reuniões do padre Moreira. A administração de Inácio José Vicente, como a de seu antecessor, nada consignou de útil à província. Durante ela procederam-se às eleições para deputados à assembléia geral e membros do conselho. A administração acaricia a candidatura do vigário Antônio José Gonçalves de Figueiredo, português e um dos mais ardentes oposicionistas da independência do Brasil. Estavam bem vivas na memória de todos as perseguições que infligiu ele aos sergipanos e o grande serviço que prestou em Sergipe à política de Madeira. Esta candidatura determina a oposição dos liberais à administração ´que buscou apoio no partido corcunda . O próprio presidente era o outro candidato. Foi derrotado no pleito. Isto determinou a prática dos maiores excessos contra os liberais, que tiveram de retirar-se da província,à qual voltaram, depois da morte de Fonseca , a 11 de agosto de 1830 .

P.S. esqueceu-me dizer que Franquelin tendo se retirado com sua família para o Recôncavo da Bahia apereceu aqui repentinamente escoteiro na noite do dia 5 deste mez e sendo avizado voltou pello mesmo caminho nesta mesma noite, tendo primeiro brotado mesmo que com gente da Caxoeira voltaria para matar marotos e Brasileiros :corre agora nota não sei se certa, ol falsa, que José Dantas lhe declarasse no caminho, e não o podendo apanhar-lhe pegara um cavallo . Ausentou-se em avizo o Sr. José Alves do Valle , e Antonio Agostinho da Rocha, e alguns mais que se occultavam não apparecendo também dizem-se ausentara o heroe Joaquim da Rocha Silva. V.Ex. não se enfastia em escrita que hé feita sem ordem para que as causas também se contam diversamente, e não hé meu intento desacreditar ninguen sem causa.-Manuel José de Oliveira.

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Achava-se no comando interino das Armas Bento de Melo Pereira. Como membro do conselho voltou novamente à administração Manoel de Deus Machado, até maio de 1831. A situação era do partido corcunda. Este partido, que na vida imperial de Sergipe foi o prolongamento do partido colonizador, nas lutas pela independência e pela emancipação; que opôs-se a essa conquista liberal, sempre aliado ao elemento português; que vendeu S. Cristóvão aos poderes da Bahia ;que traiu Burlamarque ; que promoveu a deposição de Silveira ; que sentiu-se irritado contra a propaganda de Rebouças, sobre a igualdade dos cidadãos perante a lei, agora, em 1831, retardava, sem ter coragem de uma oposição franca , a aclamação de Pedro II . Chegaram em fim de abril, as notícias dos acontecimentos do Rio de Janeiro de 13 e 14 de março. O vice –presidente Machado e o comandante das armas Melo Pereira eram suspeitos ao povo, pelas tradições do partido a que pertenceu. No mesmo dia da chegada do correio amiúdam-se as conferências em palácio, nas quais tomam parte os portugueses, que dominavam a atual situação . O povo convence-se de que o partido do governo retardaria a aclamação do novo rei. Reúne-se na praça pública com a tropa, pede a convocação do conselho e intima- lhe não só a deposição do vice – presidente o comandante das armas, como de todos os empregados filho de Portugal, que exercessem cargos públicos na província. O povo considerava-os traidores, estendendo sua suspeita ao próprio administrador civil e militar. Pede também a retirada do destacamento de 1ª linha de Alagoas, que então achava-se em Sergipe, igualmente suspeito à opinião. Eis os documentos oficiais:
“Sessão extraordinária do dia vinte e nove de Abril de mil oitocentos e trinta e hum-Aos vinte e nove dias do mez de Abril de 1831, nesta cidade de S.Cristóvão capital da Província de Sergipe, no Palácio do Governo, e Salla das Sessões do Conselho do mesmo, compareceram o Exm. Sr.Vice-Presidente, e Conselheiros Luís Antonio Esteves, Ignácio Dias de Oliveira, Alexandre da Cruz Brandão, Serafim Alves da Rocha, e Antonio de Araujo Peixoto Bessa; e aberta a sessão, presente a Câmara Municipal desta cidade, foram lidas duas Representações, que hontem fizeram o Povo e Tropa reunidos, que moveram esta reunião extraordinária, as quaes são estas. -Primeira: Illm. e Exm. Sr.- o povo reunido e os abaixo assignados representam a V.Ex. o seguinte: Que quanto antes reuna o Conselho deste Governo para deliberar e dar providencias a certos Artigos, que tem de offerecer, afim de que em nome de S.M. o Imperador Constitucional o Sr. D.PedroII e a Regencia Brasileira, se satifaça a vontade do mesmo Povo e Tropa desta Província. Deus Guarde a V.Ex. Quartel em reunião do Povo e Topa desarmada em Sergipe 28 d’ Abril de 1831 .Illm. e Exm. Sr. Capitão mor Manuel de Deus Machado Vice – Presidente desta Província, Antonio José da Cruz e Menezes, Coronel Graduado e Comandante do Batalhão n.127 de 2ª linha, José Domingues de Souza Brandão, José Joaquim de Sant’Anna, Capitão Ignácio Marques de Vasconcellos, Alexandre da Cruz Brandão, Joaquim Moreira de Vasconcellos, Alferes José de Torres Jordão,Alferes da 1ª Compª, Florencio d’ Araujo Góes Tenente, Francisco Borges da Cruz Capitão, Marcellino Pereira de Vasconcellos, Antonio Manuel de Faro Leitão, Luis Antonio da Silva, Josá Malaquias Dormundo Rocha, Manuel Felipe Vanique, Silvério José Gomes, Francisco José Gomes, João José Gomes de Souza Prelelué, Tenente, José doValle da Penha Padilha Alferes, Manuel Francisco de Araújo Brazileiro, Manuel Benjamin da Rocha, Luiz Pereira Leitão, Vicente Ferreira de S. Paulo, José Joaquim Moreira, Antonio Soares d’ Andrade, Manuel do Amparo, Pedro de Ratos da Cruz Cabrinha, Rodolfo Caetano da Fonseca, João Chrisostomo, Manuel Ciriaco do Valle Neuma, Luis Moreira Jordão, José Manuel Pereira, Joaquim Ribeiro da Cunha , José Joaquim de Jesus, Pornício Ferreira, José dos Santos, José Nunes de Jesus Antonio da Cruz, Manuel Bonifácio: - Segunda: Illm. Exm. Sr. Vice –Presidente, - O Povo e Tropa reunido nesta Capital respeitosamente acaba de receber o officio de V.Ex. datado de hoje 28 do corrente pelas onze horas de noute;todavia não satisfeito com a demora da reunião do Conselho protesta a V. Ex. em Nome de S.M. o Imperador o Sr.D.Pedro2ª por toda e qualquer demora que passe de momentânea, significando á V.Ex. que casos taes exigem a maior brevidade. Designe-se pois V.Ex. a mandar logo e logo reunir o Conselho do Governo, que em

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tal caso podem servir os Supplentes até de hum voto , afim de que, ouçam a vontade do Povo e deliberem com justiça, na fórma da Constituição e da Lei, sem o que se não dissolverá o Povo e a Tropa reunida, affiançando porém a V.Ex. que se observará a maior tranqüilidade e público socego da parte do Povo e da Tropa reunida nessa Capital, assim como protesto em nome de S.M. o Imperador da Nação Brazileira por qualquer insulto ou perseguição que o pacífico Povo e Tropa possa receber de qualquer outra Tropa, que aqui não se acha reunida. Deus Guarde a V. Ex. Reunião do Povo e tropa na rua do Varadouro nesta Capital aos 28 de Abril de 1831 pelas onze horas da noute .Antonio José de Cruz e Menezes Coronel Commandante, José Joaquim de Sant’Anna Capitão, Ignácio Marques de Vasconcellos, Tenente, José de Torres Jordão Alferes da 1ª Compª, Joaquim Moreira de Vasconcellos Alferes, Luis Pereira Leite Particular Porta Bandeira, Manuel Joaquim de Araújo Brasileiro. “E offerecendo o Exm. Sr. Vice –Presidente todo o referido nas ditas duas Representações á Deliberação do Conselho, leu-se huma outra Representação que o povo e Tropa os dirigiram ao Exm. VicePresidente e Conselho, a qual hé a seguinte: - Terceira; Illm. e Exm. Sr.Vice-Presidente e Conselheiros do Governo – O Coronel Commandante do Batalhão de Caçadores n.127de 2ª 1ª do Exército Tropa e Povo a que reunidos, vendo que violentas infracções de Constituição se tem commettido nesta Província e dezejando a segurança da Tranqüilidade Pública, garantida pela mesma Constituição tem deliberado levar ao conhecimento de VV.EE. os seguintes quesitos, afim de serem justamente providenciado como urge o bem da Pátria. Primeiro: que seja demittido do Comando interino das Armas na fórma da Lei de 20 de Outubro de1823, o Coronel Bento de Mello Pereira, para responder as infracções que tem commetido, sendo para o mesmo nomeado o official de Patente superior mais antigo- Segundo: que sejam laçados fóra dos Empregos todos os indivíduos nascidos na Europa Portugueza por serem reconhecidamente inimigos da Constituição e do Thesouro Imperial bem como aquelles Brasileiros infames, traidores à sua Pátria: substituindo os ditos Empregos os Brazileiros da confiança Publica.Terceiro: que na reunião do Exm. Conselho sejam excluídos dous Membros delles o Portuguêz Vigário Geral Luiz Antonio Esteves, e o referido Coronel Bento de Mello Pereira, por serem assaz suspeitos. Quarto :que qualquer força contra a Tropa e Povo aqui reunidos será considerada como aggreção hostil, e em taes circumstancias o mesmo Povo e Tropa não hesitarão em vingar com todo o furor das Armas tamanha offença. Quinto:que o referido Coronel Commandantes do Batalhão n.127 a quinze meses preso por prepotente intriga do interino Commandante das Armas, fique em plena liberdade, gosando dos seus direitos, que lhe outorga a Lei, e que seja conservado no Comando do referido Batalhão, que por Concessão Imperial lhe foi conferido, visto que por sua probidade, intelligencia, patriotismo e bons serviços, se faz digno da opinião Publica, e de ser reconhecido por official Benemérito. Sergipe em reunião de Tropa e Povo vinte e nove de Abril de mil oito cento trinta e hum, décimo da independencia do Império. “Immediatamente em virtude do Art.º 3 da dita Representação se retirou o Conselheiro Luiz Antonio Esteves, e voluntariamente o Conselheiro supplente Antonio d’Araujo Peixoto Bessa. “Pondo-se em discurção o Primeiro artigo da citada Representação resouveo o Conselho depois de ouvida a Câmara Municipal, que fosse demittido do Comando interinodas Armas desta Provinsia o Coronel Bento de Mello Pereira, por assim instar a Cauza Publica, na forma do Artigo 24 § 14 da Lei de 20 de Outubro de 1823, e mais que o substituísse o Coronel José Antonio Neves Horta, por ser o official de Patente mais antigo, e que se officiasse ao mesmo para sua intelligencia, e devida execução. “Quanto ao segundo Artigo da terceira Representação do Povo e Tropa reunidos, deliberou o Conselho, que ficasse addiado para a próxima Sessão ordinária na parte relativa aos Empregados Portuguezes Civis e Eclesiásticos, que emquanto aos Militares se officiasse ao Commandante das Armas, para dar as providencias que forem análogas às circunstancias. “Resolveu o Conselho quanto ao Quinto e ultimo Artigo daquella Representação, que se officiasse ao Exm. Commandante das Armas, afim de, logo que tomar posse, fazer cumprir o mencionado Artigo Quinto e ultimo, como nelle se requisita. “E de tudo para contar se lavrou esta Acta, na qual assignarão o Exm. Vice-presidente, Conselho, e Câmara Municipal, que eu Francisco Benicio de Carvalho Aranha de Vasconsellos official Confirmado da Secretaria do Governo, do impedimento do secretario, escrevi.-Manuel de Deus Machado, Serafim Alvares da Rocha Rocha, Ignácio da Silva de Oliveira, Alexandre da Cruz Brandão, Antonio José Barbosa Leal, Innocencio da Costa Pinto, Francisco Gonsalves da Cunha, José Marques de Oliveira, José Domingues de Souza Brandão, Luiz Coréia de Caldas e Lima, Florêncio de Abreu Góes, Marcellino Pereira de Vasconcellos, Antonio Joaquim da Fonseca Neves. “Sessão extraordinária de trinta de Abril de 1831. “Aos trinta dias do mez de Abril de 1831, nesta cidade de S. Cristóvão, Capital da Província de Sergipe, em o Palácio do Governo e Salla das Sessões do Conselho, lida, approvada, e assignada a Acta antecedente presente

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o Exmº Sr. Vice Presidente, e Conselheiros e o Coronel José Antonio Neves Horta, Capm. Ignácio dias de Oliveira, o rev. Serafim Álvares da Rocha, o Capm. Alexandre da Cruz Brandão foi entregue huma nova Representação do Povo e Tropas reunidas, que hé a seguinte: - Quarta –Illmº e Exmº Conselho, a Tropa e Povo reunidos tem de mais á por na presença deste Exmº Conselho os dous quesitos seguintes, que, respeitosamente pedem o seu immediato cumprimento. Primeiroque o mesmo Exmº Conselho de quanto antes as providencias apontadas no Artigo da Representação de homem que condescentemente ficou adiado em que se pedio fossem demittidos dos Empregos Públicos todos os Potuguezes, ou Brazileiros nascidos em Portugal que se tem tornado suspeitos e de ma fé ao Systema que felismente nos rege, bem como todos aquelles que supposto tem o seu natalício no Brazil, na mesma forma tem incorrido no mesmo crime: por exemplo da Secretaria desta Presidência o Secretario della José Pedro de Faria, entrando no exercício deste Emprego hum Brazileiro de confiança Publica: da Administração do correio o Administrador della Manoel dos Santos Silva; da Administração da Fzenda Publica o Thesoureiro da mesma Francisco Soeres Vieira de Melo, o qual inda hontem no Acto desse Exmº Conselho deo, ou por melhor dizer confiremou a sua má fé para com o predicto Systema; da Barra do Cotiguiba o Patrão Mor della Ignácio José de Freitas, e o Fiscal da mesma João Coelho São Paio, da Cadeira de primeiras Letras desta Capital Antonio Jose Peixoto Valladares ; Finalmente todos os mais nas m esmas circunstancias, os quaes confiamos e entrgamos ao arbítrio do mesmo Exmº Conselho para o respeito delles executar na forma daquella requisição, bem como José Manoel Maxado e Joaquim Antonio Peixoto et cetera. Segundo, que de dous dias peremptórios seja retirado o destacamento das Alagoas, que guarnece esta Província para assim se evitar conflictos de jurisdicção entre o mesmo Destacamento, e a Tropa de Segunda Linha desta capital, visto que já tenha aparecido defeiçoens entre huns e outros soldados, e mesmo porque na faustíssima noute de 28 do corrente quando, divulgada a feliz notícia da Exaltação ao Throno Brazileiro do Muito Alto e Augusto Príncipe o Sr. D. Pedro 2º, congregados todos os Brazileiros Militares e Civis , só do predicto. Destacamento não se reunio hum só Soldado, antes correrão asseleradamente (suppõe-se que por ordem do seu chefe ) ao Quartel respectivo onde junctos esperavam, talvez o mais leve asseno das Authoridades para accometterem hostilmente a Brasileiros desarmados, que soltavam Vivas ao Nosso Monarcha Brazileiro, á Pátria, á Constituição e á Liberdade. Reunião da Tropa e Povo em Sergipe 30 de Abril de 1831. “E logo pondo o Exm. Vice-Presidente à discussão o primeiro Artigo daquella Representação, foi unanimmente resolvido, que fossem desde já demittidos provisoriamente todos os Empregados Civis e Eclesiasticos, nascidos em Portugal, até ulterior deteminação de S. M. o Imperador Constitucional o Sr. D. Pedro 2º a quemo Governo devia participar esta resolução que lhe extenciva aos Brasileiros apontados na citada Representação o Povo e Tropa reunidos. Pondo-se igualmente em execução a segunda parte da Representação foi resolvido que fosse mandado retirar para a sua província o destacamento de primeira linha aqui estacionado, substituindo-o as Milicias até Imperial determinação, effectuandosse a retirada no prazo de dous dias improrogaveis. “De tudo para constar se lavrou a prezente Acta na qual assignarão o Exmº vice-Presidente, Conselho e Camara Municipal, que eu Francisco Benicio de Carvalho Aranha Vasconcelos, official confirmado da Secretaria do Governo, no impedimento do Secretario o escrevi.- Manoel de Deus Machado. – Ignacio Dias de Oliveira.- José Antonio Neves Horta. – Serafim Alvares da Rocha. Alexandre da Cruz Brandão. – Antonio José Barbosa Leal. – Francisco Gonçalves da Cunha.- José Dominges de Souza Brandão. – Inocencio José da Costa Pinto. – Antonio Joaquim da Fonseca Neves. – Marcelino Pereira de Vasconcelos. – José Marques de Oliveira. – Luiz Correia Caldas. – Lima Florencio de Araujo Goés. (Sessão ordinária de 2 de maio de 1831). “Aos duos dias do mez de Maio do anno de mil oitocenteos e trinta e hum nesta cidade de S. Christóvão, Capital da Provincia de Sertipe no Conselho do Governo comparecerão o Exmº Vice – Presidente da Provincia, Capitão Mór Manoel de Deus Machado, o Coronel Bento de Mello Pereira, Capitão Joaquim Martins Fontes, e os Conselheiros supplentes o Capitão Mor Ignacio Dias de Oliveira, Tenente Coronel Manoel da Cunha Mesquita, e Tenente Coronel Antonio Rodrigues Montese o Rev. Vigario Geral das Cacantes Serafim Alvares da Rocha Rocha, por terem dado parte de doentes os actuaes o Ver. José Francisco de Menezes Sobral, Vigario Gonçallo Pereira Coelho e o Conselheiro José Pinto de Carvalho, que sendo chamado não compareceo. “Derão principio aos trabalhos da Sessão Ordinaia, mandando-se fazer a leitura da Lei de 20 de Outrubro de 1823, finda a qual exigio o Exmº Sr. Vice Presidente, que os Menbros do Exmº Conselho propuzessem e lembrassem o que melhor julgarem convir ao bem estar da Provincia. “Logo indicou o Exmº Conselheiro Rocha Rocha que a Camara Municipal desta cidade reuniada e mais cidadãos, que prezentes se achavão, receiozos coma noticia de que na Sessão de hoje se pretendia anular em todo ou em parte o que se havia deliberado e resolvido pelo Exm. º conselho nas duas ultimas Sessões extraordinárias de vinte e nove e trinta do mez passado pela menor falta e cumprimento dellas protestavão na prezença desta Excellentissimo Conselho levar o seu protesto de queixa à Regencia de S. M. o Imperador o Sr.

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Membro do conselho. – Manoel da Cunha Mesquita. depois de Manoel de Deus Machado. Do que para constar se lavrou a presente acta em que assignão o Exmº Vice Presidente e Conselho. Sr. o brigadeiro José Antonio Neves Horta. a fim de reivindicar os direitos de seu cunhado José Pinto. – Natonio Rodrigues Montes. pelas urgentes providências tomadas pelo Padre. comandante das armas. de acordo com o comandante interino. offial confirmado da Secretaria do Governo.Pedro 2º e que de mais requerirão. Sebastião Gaspar de Almeida Boto convoca reuniões em Maroim e no Rosário. e segundas para os trabalhos do mesmo conselho.” A José Pinto cabia o direito de assumir a administração. – Bento de Mello Pereira.. presidente da província. que assumisse a administração o padre José Francisco de Menezes Sobral. que eu Francisco Benicio de Carvalho Aranha e Vansconcelos. José Joaquim Machado de Oliveira.. Ele resolve porém. Então. que o Exm. por ser o membro mais votado do conselho. O governo imperial aprovou o procedimento do Conselho e nomeou o Dr. escrevi. Vice Presidente de acordo com o Conselho marcou os dias sabbados. Vice Presidente da Província sem a menor perda de tempo fizesse cumprir tudo quanto se havia resolvido nas ditas Sessões extraordinárias para o bem estar e segurança da província: ao que todo o Conselho reunido asseverou ser vaga a notícia que moveo ao dito Corpo Municipal e Cidadãos a comparecer nas salas das Sessões.Serafim Alves da Rocha Rocha. Foram improfícuos os protestos de Boto. Joaquim Marcelino Brito. “O Exmº. – Joaquim Martins Fontes.Manoel de Deus Machado. Sr. – Ignacio Dias de Oliveira. que tomavam a feição de revolta. por ser José Pinto português. o qual tomou posse a 23 de julho. e ao tenente-coronel de estado maior. 214 . no impedimento do Secretario.

pelo talento e pela ilustração.CAPÍTULO III GOVERNO DA REGENCIA. de critério e de ilustração. Pelo lado político caracterizou-se pelo congraçamento dos partidos. José Joaquim Geminiano de Moraes Navarro (1834). em ampliar a instrução pública. No período que se segue aos movimentos de abril de 31. Manoel Ribeiro da Silva Lisboa (1835). que por ser natural da província. de prepotência dos mandões. as administrações colocaram em plano inferior esses interesses. REVOLUÇÃO EM SANTO AMARO EM 1836 Os primeiro dias do governo dos delegados da regência foram dias calmos e pacíficos. mantendo a ordem e desenvolvendo o progresso. em defender os direitos do povo. Acabou as dissenções. de rapinagem. O segundo período. Dr. em manter a ordem e a paz no seio da população. ignorante. O renome que já tinha na província do Dr. Todos viram na pessoa do novo presidente a garantia de seus direitos e da ordem pública. que se caracteriza pela iniciativa do governo em promover o melhoramento da província. por Decreto de 9 de agosto de 1832 e preocupava-se com a canalização dos rios Japaratuba e Pomonga. Manoel Joaquim Fernandes de Barros (1836). saturado das paixões políticas. obstruiu as vias de prosperidade. e. com as feridas ainda sangrentas que lhe fizeram os promotores de sua deposição em 29 de abril. tão convulcionada pelos acontecimentos passados. de desprezo da lei. Dr.é um período de agitação de paixões políticas. e pelo lado administrativo caracterizou-se pela defesa da prosperidade pública. abetas por seus antecessores. O período de 1831. por iniciativa de Antônio José da 215 . estimulando a prosperidade geral. Marcelino de Brito. pelas provas de uma inteireza de caráter. Dr. que foi autorizada pelo Decreto de 25 de outubro de 1831: erigiu a vila de Laranjeiras. no desempenho do cargo de ouvidor que exerceu em 1825. por conseguinte não se acharem ligados aos interesses de família. Eles são: Dr.1836 forma o primeiro período da regência. Principiaram a convencer-se de que o papel do administrador não é zelar os interesses políticos do partido a que pertence e sim o bem público. abafou as paixões e fez uma administração que correu pacificamente. Além disto eram homens de reconhecida competência pelo caráter. Contribuíram para isto não só a maior disseminação da instrução como os primeiros administradores não serem filhos da província. fez com que sua nomeação fosse bem vista e geralmente bem aceita. que se estende de 1836 a 1842. Apresentou medidas para melhoramento das barras e das estradas. elevando a justiça acima de todos os interesses e paixões pessoais. No período anterior pensava-semais nos interesse partidários do que no bem geral. a fim de facilitar as vias de comunicação: lembrou a transferência da sede de vila de Santa Luzia para a Estância. aos interesses de uma política local. de assassinatos. Joaquim Marcelino de Brito. Ele começa na adminstração de Bento de Melo Pereira. pensando mais na prosperidade pública. tão alterada nos dias de abril.

com a abertura do canal entre Japaratuba e Pomonga. sendo concluído na administração do Dr. qua facilitasse as vias de comunicação tão atrasadas. José Antônio de Oliveira e Silva (1852). Não realizou sua aspiração. Plano gignatesco este de ligar os rios da província. desde o S. que juntamente com Travassos exploram a província e.. porque ele queria comunicar os rios da província. Da Provincia de Sergipe. p 44 216 . depois de três meses de trabalho. Os pleitos eleitorais eram causas ocasionais de alteração da ordem. E topogr. em 2 de outubro de 1828. ampliando o plano. Além das 250 251 Antonio José da SilvaTravassos . que tomou posse em 29 de Outubro de 1833250. Ele representa a manifestação do espírito de revolta contra a política autoritária dos mandões de então. em março de 1833. estabelecendo uma navegação interna. José Joaquim Geminiano de Moraes Navarro. ao Dr. convoca os lavradores de Sergipe na vila do Rosário.251 O simples fato de ter Travassos. Travassos . Dele falaremos adiante. Inácio Joaquim Barbosa (1854). porque passou a administração. porque ali eram depositados os gêneros exportados de Japaratuba. e enquanto pede auxílio aos cofres gerais. Navarro seguiu a mesma linha do seu antecessor. o outro entre este rio e o Pomonga. Os caprichos da política e os isteresses dos trapicheiros de Maroim. O governo Imperial atende à reclamação de seu delegado e manda o tenente coronel de engenheiros Euzébio Gomes Barreiros. Manoel Ribeiro da Silva Lisboa. demonstra a parcialidade da contestação. tal o restígio da autoridade do presidente. para facilitar a exportação dos produtos da bacia de Japaratuba.Silva Travassos. Para isso teve de pedir ao governo geral um engenheiro para dirigir os trabalhos. para comunicar o rio S. Francisco com Japaratuba. levando-a até o rio Real. p. Na administração de Brito feriu-se o pleito para deputado à assembléia legislativa252 e membros do conselho. Cit. sobrea navegação dos rios Pomonga e Japaratuba por um Japaratubeiro. que só veio ter começo de execução na administração do Dr. A idéia da canalização dos rios Japaratuba e Pomonga quis pôr em prática. 42. que se julgaram prejudicados coma abertura do canal de Japaratuba. lembrado a realização desse projeto. da S. Apont. em uma petição dirigida à câmara de Santo Amaro. passando a administração ao Dr. abre uma subscrição para encetar as obras. adiaram a realização desse melhoramento. quando foi demitido. para realizar melhoramento de tão grande monta. Hist. estabelecendo assim uma navegação fluvial. 253 A. apresentam seu relatório do seguinte plano de canalização: um canal entre o porto da Goiaba e Riachuelo Timbó.253 O estado financeiro da província não permitiu a realização deste gigantesco projeto. outro entre o rio Paraí e riacho Farinha. e não houve a menor alteração. para chegar a navegação até o rio poxim e o de Sta Maria. que não acariciou candidaturas mantendo-se completamente estranho à luta dos partidos. op.J. 252 Foram eleitos Antônio Fernandes da Silveira e Joaquim Martins fontes. Francisco até o rio Real. Travassos figura na política de Sergipe no tempo da regência e no segundo reinado. e levantar a carta histográfica. não obstante a contestação de alguns seus comtemporâneos. levando a navegação até o rio Vaza-Barris. no começo do ano de 1835. Refutação ao memorial do comendador Antônio José da Silva Travassos. Não se pode contestar a Silva Travassos a iniciativa deste importante melhoramento e de outras medidas.

não só pelas ligações políticas que os protegiam. elevnado-as a quatro: S. Elevou a vila a povoação de campos de Itabaianinha. Havia uma causa muito poderosa para não só terem-se eles implantado. como importante fator da civilização. Porto da Folha. com uma inevitável conseqüência. Compreende-se perfeitamente que sem cultura popular. Havia já em Sto Amaro o enisno do latim e ele transfere a cadeira para o Rosário. ampliou os reucursos da justiça. Criou 7 cadeiras de primeiras letras do sexo masculino e outras tantas do sexo feminino. de acordo com as tendências centralizadoras do regímem monárquico. tratou de pôr em vias de realização este melhoramento. hábitos inveterados na sociedade de Sergipe. E esse descuido era quase que absoluto. 254 Decret. Aumentou o número das comarcas da província. E convicto disto foi que o autor destas linhas. A justiça. Estabeleceu o regímen da publicidade dos atos oficiais. ficando seus promotores sem punição. não poderiam vencer os hábitos de arbítrio das autoridades e da pouca observância dos preceitos legais. e nãotinha um órgão de publicidade. que chegava a vencer a ação da lei. Sergipe já tinha certa emancipação política e administrativa. ter-se-ia antecipado a realização desse melhoramento. determinaria o povoamento rápido. Era o descuido da legislação colonial relativamente a instrução e sua distribuição pelas camadas sociais. como não serem prontamente e em pequeno período de tempo corrigidos por algum administrador que tivesse a consciência clara de seus deveres. que até então não eram publicados. depois da proclamação da Repúblia. O pouco tempo que duraram estas adminstrações foi insuficiente para acabar os abusos que se ptaticavam na província. entregue a mãos vingativas. nem impressos. prestava-se à satisfação de paixões pessoais. não há a compreensão nítida dos deveres sociais. com onome de Noticiador Sergipense. dando uma nova divisão aos municípios e termos. Na administração de Navarro teve lugar a primeira sessão da Assembleia Legislativa.vantagens reais de unir as zonas produtoras. Cristóvão. que foi por ele aberta. da Capela de Maroím. Por maiores que fossem os esforços destes adminstradores. contra aqueles que não estavam nas graças do poder. Estabeleceu na Estância o ension da filosofia e da língua francesa. e os agentes da arrecadação nem sempre prestavam suas contas. Estabeleceu o provimento por meio de concurso. corpo que já existia. como governador de Sergipe. elevando-o a duzentas praças. Aumentou o número da força dos Permanentes. e de alguns do primeiro reinado. Vimos que o primeiro jornal foi criado em 1835. Nem sempre a lei era a garantia dos direitos do cidadão. como pela força do elemento de família. Os dinheiros do erário público não eram fiscalizados. cujos benefícios se poderia aquilatar pela emancipação do comércio. e com o fim de garantir a autonomia do Estado. Além de disseminar a instrução. extinguido a Thomar do Geru. Se a política não preponderasse tanto no espírito dos homens da quele tempo. Santo Amaro de Maroím e Vila Nova254. que dela se ocupavam com detrimento do bem geral. Estância. De 6 de março de 1835 217 . e nesse ano imprime-se o primeiro jornal. Os antecedentes vinham de longo e extenso passado. às vezes.

Punindo e proibindo o tráfico. prestava o grande serviço de plantar hábitos de legalidade. não obstante a promulgação da lei que aboliu o tráfico. Por ela passavam os habitantes do norte que visitavam a capital. era diminutissimo. chamando ao cumprimento do dever as autoridades. hábitos que caracterizavam aquela sociedade completamente imersa na ignorância. ―nesse mesmo dia recebia eu as congratulações da Assembleia Provincial e os agradecimentos do povo por haver. para depor a Assembléa Provincial. ele em Sergipre. Enquanto no Rio. ―Nesse mesmo dia. cortados todas as avenidas da guerra civil. pelo dois deputados . e sem sangue. chamando às contas as autoridades imbecis e fraudulentas. Os representantes de Sergipe na Assembléia Geral. vejamos a adminstração do Dr. sustentado a lei. com a provocação de dous fortes poderosos partidos que tentavam reciprocamente hostilisarem. sendo depositados os infelizes na Estância. terminava eu o mais importante serviço para aquella província. ele prestava estes grandes serviços. E o fizeram e o alcançaram. Silva Lisboa compreendeu que a melhor soluçãoera comvocar a Assembléia. Ela era uma subcorte. e sem lagrima. Ele ainda fazia-se por mar. era o do triumpho da Lei. que compreende o ano de 1835. e com huma conspiração urdida na capital. dezia ele na resposta que deu à carta escrita ao ministro do império de então. Realmente a lei provincial de 17 de Janeiro de 1835 tinha transferido a sede da vila de Santo Amaro para Maroim. quase sem meios. cujo desenvolvimento já reclamava esse acesso. Ex. manter a sede da vila em Santo Amaro e criar a vila de Maroim. Pois bem.O número de escolas como veremos no seguinte capítulo. Ele se caracteriza principalmente pelo programa de corrigir esses hábitos . Determinada a causa mais geral desse hábitos. que se ia incendiando em Santo Amaro. esse miserável libello e lho prstava todo o apoio ministerial. O excesso da medida desaparece perante a nobreza da causa. obrigando à prestação de contas os agentes fiscais e proibindo completamente a imortação dos africanos. Aurorizou até a busca nos engenhos. padre Manoel Silveira e Joaquim Fontes. principiam a acusar o presidente. e da sua pacificação. essas faltas. que se continuou a fazer em larga escala na província. principal sede do comércio negreiro. Silva Lisboa proibi-o completamente. e aí escovavam sua casaca. punindo os contrabandistas com severas penas. 218 . ou por terra. cujo poder municipal tinha tanto contribuído para o desenvolvimento da civilização da província. relativamente ao número de habitantes. Isto descontentou profundamente seus habitantes. opor-se à execução da lei. em que lia V. a política da camarilha dos dois deputados incrementava as maiores calúnias contra o administrador. de educação cívica e abafava um movimentro revolucionário. em lucta durante vinte e dous dias com a sedição de Santo Amaro. E o fez pela Lei de 19 de agosto de 1835. compreende-se que sua adminstração havia de descontentar os interessados. Manoel Ribeiro da Silva Lisboa. consolidado a paz‖. Resolveram com as armas. enquanto os deputados entregavam-se à calúnia. a fim de ver se existia algum africano recentemente chegado. desse desrespeito à lei e do abuso do poder. Afagavam as tradições desta vila.

promovido a iluminação da cidade. a propósito do inventário do Coronel José de Barros Pimentel. Marcelino de Brito. Os meus esforços o conseguiram e nessa ocasião em que os seus deputados deprimiam o meu crédito. Realmente. Envolveu-se no pleito para Deputado à Assembleia Geral. Fernandes de Barros não era um produta do meio social de Sergipe. como para dar impulso ao seu comércio progressivamente decadente. contratado a abertura do canal Japaratuba. que ficou na presidência. exame que jamais se havia incetados por contemplações para com os seus devedores. Essa inimizade pessoal originou-se de pleitos judiciários. conquistando muita simpatia da opinião.E é ele memso quem define sua adminstração nas seguintes palavras: ―Deploravam os da capital uma Feira. achava-se concluído o quartel militar. Envolveu-se na política. no que me fi mister empregar para a conseguir inifinito trabalho. pelas suas qualidades. e de não saber governar nem a sua própria casa!‖ Solicitpou sua demissão. em total abandono. Veio da Europa para Sergipe. Em 19 de Outubro Dias de Oliveira passa a adminstração ao tenente-coronel Sebastião de Almeida Boto. no qual figurou Almeida Boto como tutor testaentário do menor Gaspar. que atestam o seu saber. corrigido inveterados abusos feitos à Ella e à moral e responsabilisado os empregados públicos malévolos. o capitãomor Inácio Dias de Oliveira que tomou posse no dia 10. não só para abastecê-la dos gêneros de primeira necessidade de que careciam . ela era um homem de espírito não vulgar. de entre os quaes se contavão as mais ricas e poderosas famílias da terra. comprado o terreno para cãs de correção ejá principiado: aberto novas ruas. Lá firmou a competência de um brasileiro de talento. e em todos era incansável em dispertar a inércia das camaras e chama-las às suas obrigações. melhorado o cáes. era um químico consumado. onde casou-se e morou no engenho Jesus Maria José. antes de estudarmos a sua adminstração. em 1836. estendião-se a todos os Municípios. como cessar innumeros assassinatos. ―Os deveres do meu cargo não se circumscrevião somente nos objectos da Capital. ―Repartido havia também a minha intenção com as obras publicas. ―Da mesma serte havia heu iniciado o exame e fiscalização da Santa Casa de Misericórdia. Estudemos o homem. filho do Coronel Pimentel. E aí estão suas obras sobre química e mineralogia. aplainado e mandado calçar outras. obtem os resultados dos melhoramentos que projecta. Além de um médico ilustrado. e Sebastião Gaspar de Almeida Boto. junto a Laranjeiras. tinha a educação européia. onde foi um distinto discípulo de Gay Lussac. ―Quem nos tirocínios de sua administraçã. seu inimigo político pessoal. dando aso executores forçaa para se fazer obedecer. 255 Silva Lisboa ocia à câmara em data de 9 de outubro passado a administração ao vice-presidente. Manoel Joaquim Fernandes de Barros que tomou posse a 6 de dezembro do mesmo ano. Formou-se em medicina em París. Manoel Joaquim Fernandes de Barros255. havia repartido por todas as comarcas para as policiar. Na França desempenhou comissões de valor cintífico. ―Igualmente tinha ordenado o arrolamento e estatística da Província. finalmente havia protegido com efficacia a Religião do Estado. seu correligionário. desfrutava a capiraç a abundância e o comércio que se tinha estabelecido ente ela e as vilas circunvizinhas. com o mesmo zelo tinha organizado as guardas N. passando a administração ao ilustrado Dr. e taes vantagens Lea a effeiro. com que consequi fazer não só cumprir as Leis. que nella antes desta providencia se commetião impunemente. impugnando à Assembleia Provincial a reducção do Corpo de Polícia e regularisando-o. 219 . juntamente com o Dr. até que chegasse da Bahia o Dr. de certo que bastantes provas dá da sua incapacidade mora.

fora. para deixar impune o assassinato de um cidadão de representação histórica. Este fato impressionou profundamente a opinião pública da Bahia. por certo. pormeio de uma medida radical. Tornava-sepreciso elimaná-lo do campo político. diretamente com outras nações. Em 1840 teve necessidades de ir à Bahia. o poder de sua mentalidade e a riqueza científica de seu espírito. em 1839. Não só na vida interna da província. o nome sergipano á altura que os seus sucessores nunca alcançaram. deixou-se vencer pela sugestão de interesses. Pede aos representantes leis que previnam os crimes. entretanto. a quem competia esse dever. reprimam os vagabundos. era a inveja. Quanto mais conquistava prestígio e influência na política. Eis as causas do assassinato de Fernandes de Barros. ficando. Desconfiou que desejavam assassina-lo pelo que mudou-se para Maceió. O que pertence-nos é indagar as causas desse fato. A fala que então pronunciou. Foi esplêndido o programa de adminstração que ele enunciou aos deputados. não querendo apontar à execração pública o seu autor. Sergipe. quando abriu. A conseqüência da cosnciência dessa desigualdade. e estudar suas conseqüências no meio social em que ele operou-se. No dia 2 de outubro do mesmo ano foi assassinado. Sergipe. Daí os acontecimentos de 1836 em Sto Amaro. Instaurou-se processo crime. a fim de tratar de sua saúde. fomentem o comércio interno. davam-lhe o privilégio de dominar os destinos da província. No campo político ninguém podia competir com o ilustrado médico. não nos pertence. a morte de Fernandes de Barros. Alagoas e aé da capital do Império. empreguem os viciosos. revela um espírito eminentemente rico de excelentes projetos e a devotação. Se a justiça pública. em 11 de janeiro de 1836. que descrevemos. porque ele plantaria uma nova orientação na política e elevaria. abandonando suas propriedades em Sergipe. corrijam os delitos. a Assembleia Provincial. As qualidades de que era dotado. que prosperem 220 . Compreende-se perfeitamente que os chefes políticos de então. em que se achavam os diretores da política. Não podiam apelar para o prestígio do talento e a nobreza do saber. Ele havia de impor-se à aceitação da opinião e conquistar a suprema direção dos partidos. Para ele a opinião popular olhava como um homem necessário. É fácil prever-se as conseqüências. na altura de Inhambupe. em terreno nenhum podiam com ele competir. e de quem a província tinha muito e muito a esperar. foi de reais desvantagens. Não nos compete o odioso papel de inquerir qual seu autor e aponta-lo à opinião. e criem o esterno. Tanto mais julgava sua vida pouco segura. Foi ele vitorioso naquele pleiro eleitoral. o odioso papel de entrarmos nessa inquirição. impune o assassino. com a morte dele. desde quando vencê-lo era impossível. na capital da província. em favor da prosperidade da província. assegurem a tranqüilidade pública. conservem intacta apropriedade e a vida dos comprovincianos. Era impossível vencê-lo na política. como na inferferência com que ela havia de obrar nos negócios do país. perdeu um poderoso fator de sua prosperidade.Contribuiu ainda mais o roubo de uma avultada quantia feito quando a viúva do Coronel Pimentel vinha da Bahia para Sergipe. pela competência.

e que agravaram-se durante o segundo reinado. a organização de um banco que facilite a circulação de capitais. Pede a criação do comércio direto. cuidar do gado e animais domésticos. da educação de animais domésticos. de outro a falta de braços educados e cultura do manufaturador. 4% de uma caixa econômica para plantar no espírito público a economia.a agricultura. de um lado pesados impostos. que fiquem sob a fiscalização de um ispetor. em obediência a um princípio de higiêni pública. onde se diplomem os professores. Pede a cração de escolas em todas as villas e povoados. Lembra medidas de valor para que a Assembléia ofereça-as ao poder competente. porque diz ele. que o governo premie a quem cruzar e melhorar as raças. que eram os chefes dos partidos. obrigando-os a adubar seus terrenos. espalhem as luzes. A par disto parece que o caráter das gerações degenerou. Pede leis proibitivas de enterramento dos mortos nas igrejas. no mesmo ano de 1836. onde aprendam a coser. Pede um novo plano de ensino. Pede a criação de um estabelecimento idêntico para as mulheres. A política tornou-se o assunto que preocupou adminstrações e administradores. pela preponderância dos régulos. pelos excessos do partidarismo. cuidar de hortas. a fim de que se estabeleça uma corrente imigratória para Sergipe de estrangeiros. em vista das boas condições de grandes zonas para estas lavouras. 221 . Lembra a criação de um Horto Agrícola. inconscientess e ignorantes. da construção rural. pelo esquecimento absoluto da lei. fiar. feita pelos plantadoes de algodão. por meio de Bóias e praticagem. Eis as idéias dominantes da administração do Dr. que tanto prejudicam a lavoura de cana. Deste período datam os males da província. porque tede de passar a presidência a Bento de Melo Pereira. sobre a justiça de çaz. Pede providencias que proíbam a derrubada das matas. lavar. Até então estavam a cargo das câmaras. a fim de privar a escandalosa agiotagem do dinheiro a 2. que as adminstrações não souberam ou não quiseram superar. Convida para iniciar-se a plantação do café. de plantá-la. toão ignorante e inconsciente. pelos arbítrios do poder. preparar seus frutos. por meio de uma escola normal. fazer flores. tão prejudicial à prosperidade da província. cujas funções sejam examiná-las. engomar. como veremos adiante. Pede que a assembléia legisle sobre colonização. excitem o gosta das artes. um estabelecimento onde se ensinem os princípios práticos de lavrar a terra. dispô-la para produzir as diversas colheitas. sobre a justiça territorial civil. Anima o povo a dedicar-se à indústria. Infelizmente nad disto pôde realizar. que renasceu as velhas paixões. Pede leis que melhorem esse estado de coisas. e cujas administrações caracterizam-se pela falta de segurança pública e individual. Há visível e palpável desfalecimento do civismo e obnublação do patriotismo. melhorando as condições das barras. a palavra colonização para os brasileiros deve ser sinônimo de prosperidade e segurança.3. Fernandes de Barros. Pede a centralização secundária em um liceu que se deve abrir na capital. para que as fontes de receita pública tornem-se mais segura e o desnvolviemento civilizador mais rápido. senão a criação da nova alfândega. e a quem descobrir um destruidor dos insetos. para não terem necessidade dessa devastação de florestas tão úteis. Descreve os males que cercam a lavoura da cana. Melo Pereira foi o primeiro da série dos presidentes que formam o segundo período da regência. cacau.

―Á vista deste extraordinário escandalo. e Dr. Dois partidos prepararam-se para as lutas. Transcrevemos aqui o seguinte trecho de uma mem´pria inédita. escrita pelo comendador Antônio José da Silva Travassos: ―Assim deu-se a separação e seguio-se a campanha eleitoral. contra os excessos do governo. para diplomar aqueles. Manoel Joaquim Fernandes de Barros. que ao contrario faria fogo contra elles. conhecia-se não alterar o vencido. que era de cincoenta. figurando ter sido elle composto composte de 3. capitaneada por aquelle candidato Boto. para deputados à Assembleia Geral. Aprecianremos as conseqüências destes dois fatos. pedindo ao Presidente da Provincia ordenar à camara da capital para tomar em separado a votação daquelle collegio. seno pelo commandante Manoel José Ribeiro. O escândalo a que quis o adminstrador chegar. classificando de ajuntamento illicito aquella evasão. O de Santo Amaro. ―Quando na Villa e Freguesia do Rosario. ―Quando esses eleitores se aproximavão do Palacio. ―Finda a eleição. tendo por ponto de horigem a vila de Santo Amaro. intimada ordem de retirarem-se. e como 222 . capitão de 2ª linha. requisitando força ao Juiz de Paz do districto vizinho. e em numero de 200 mais ou meos. rasgava-as e mandava prender aos portadores. e seguindo a seus districtos. de onde fugiram os habitantes para salvarem suas vidas. tanto os da capital como os de outros lugares. Manoel Joaquim de Souza Brio. para lançar o protesto e realizar u movimento de revolta. a pretexto de não lhe ter sido enviada a acta do collegio do Lagarto. ―Então já a necessidade aconselhava uma medida que hoje dispõe a Lei elitoral. ―O Juiz de Paz. Ela se espalha pela província. ―depois apresenou-se a acta daquelle collegio. A pressão era enorme sobre o sufrágio popular. reunirão-se os eleitores do partido liberal. com as formalidaddes determinadas no código do Processo Criminal. passou a proclamar de ajuntamente ilícito. por occasião do apuro geral. o qual apoderando-se da Villa. e por intermedio do Juiz de Paz respectivo. que ali se achavão. e manifestada na camara da capital. que era o Tenente Coronel Antonio Luiz de Araujo Maciel e Eleitores. ―Seguirão algumas representações nesse sentido. Todos os meios foram inprofícuos para uma vitória honesta do partido do governo. Foi um verdadeiro tumulto. já estava a guarda delle reforçada e posta em linha de atiradores. mas o Presidente a proporção que as hia recendo. cuja liberdade na escolah dos candidatos desaparecia pela falta de honestidade. ―Foi forçoso retirarem-se.627 eleitores. ouve um acordo de enviarem de cada Freguesia. contra a liberdade do voto. e não trepidavam na prática de meios. fez retirarem-se della o Juiz de Paz. As épocas eleitorais ofereciam oportunidade à prática dos maiores desatinos. uma grande maioria contra os candidatos do partido legal. dirigirão-se à palácio para representar ao Presidente verbalmente contra aquelle facto. cuja dandidatura patrocinava. e que pelo numro de eleitores. forão atacados por uma força armada. os Eleitores estavão com o Juiz de Paz tratando de igual representação. deu lugar a uma grande revolta dos membros do partido adverso. Os administradores defendiam os interesses dos partidos a que pertenciam.Desapareceu aquele sentimento da massa popular. por occasião da apuração geral. apresentando o partido legal para candidatos ao monsenhor Silveira e a Sebastião Gaspar de Almeida Boto e o liberal ao Dr. No ano de 1836 ia ter lugar um pleito eleitoral. que era o capitão Manoel Pereira Coelho. que era cunhado do Presidente. para dar vitória às candidaturas que patrocinavam. representações assignadas pel corpo elitoral. composta de paizanos e alguns escravos. sobre-estou a camara a apuração.

e contra aquillo que acabava de praticar seu cunhado. refugiando-se para as praias. pessoas mais gradas e de differentes districtos. e dispondo-se a vingar a afronta feita à Santo Amaro. que era elle Presidente o primeiro a reconhecer a nullidade do collegio do Lagarto. lhe disparou um tiro co a dita reúna. dizendo-se ir elle atacar aos reunidos no Engenho Sant‘Anna. sob a palavra do governo. dando vivas ao Presidente da Provincia. seguio com uma força de Permanentes. e concluía pedindo a apuração em separado da acta do collegio eleitoral do Lagarto. e paisanos. morrendo estantaneamente. que a applaudiram e dispersaram-se. não poderam retirar-se. ―O ponto concetado para essa reunião. que deixaram feixadas. que se achava inerme. eo que não fez conta conduzer-se. sob seu commando em chefe. e foi esto na noite do dia 15 de Novembro de 1836. dominaram-se de fanatismo alguns dos rapazes santamaristas. foi quebrado. consertaram os liberaes. Logo que o destacamento soube do que havia acontecido ao seu commandante. de seguir desermados à capital. levando-se em carros o precioso dellas. ―Voltou o coronel Graça com uma proclamação do Presidente. prata. enviaram estes uma representação ao Presidente. voltando tramquillos às suas casas. contra o qual ia represenar para a Côrte. toamram e expediente de embarcarem-se em canoas. e levaram as Âmbulas. ―apenas haviam ficado na Villa Manoel Alves Pereira. quebando a mão direita do Santo. para Larangeiras. ―Seguio-se o saque em todas as casas. ―Passados oito dias. e a cujos habitantes não podia elle perdoar o auxilio prestado ao Juiz de Paz do Rosário. acando assim a existência. ―Então estes muniram-se de gente e das armas para defenderem-se da aggressão. onde foram espingardeados. empregou a força e fez a dispersão. pessoa de confiança do Presidente. lançou mão de uma reúna. levando-se toalhas. e os reundos em Sant‘Anna. entregando-as ao dito vigário. deixando alli um destacamento de quarenta capangas sob o comando do facínora João Soares da Soledade. se poz em fuga. da qual foi o portador o coronel Francisco da Graça Leite Sampaio. ―Correndo Boto e os demais que elle capitaneava. foi lida em altas vozes em frente dos reunidos. postos no meio da praça. Retirou-se Boto de Santo Amaro. onde logo encontraram a sós João Bolacha. ―Esta representação narrava os acontecimentos. embora morressem. Daniel Canavieira. sem tempo de conduzirem nada das suas casas. às oito horas da manhã. ―Dado isto persuadio-se o Presidente que aquella Villa se achava ocupada por grande força. que se achavam refugiados fora da Villa. Antonio José Gonçalves de Figueiredo (aquelle candidato à deputação Geral. João Severo. e seus agentes. tomaram armas. contra o qual deram descarga. ―Ficando estacionados Boto em Larangeiras. Abriram o sacrário. sendo aquelles que vierão assassinar João Bolacha. conhecido por João Bolacha. de novo representar verbalmente ao Presidente contra seu procedimento. achando-se também algumas famílias pobres. ―Persuadido assim o Presidente. e outro do ornato dos santos. no fim de seis dias. ―Mesmo as igrejas não foram isentas do saque. nem mesmo roupas. no município de Larangeiras. ―No dia seguinte. foi o Engenho Santa‘ Anna. ―Não tendo este com quem brigar. ameaçando tomar vingança. não foi por isso preso. confiando. 223 . e seguiram para a dita Villa. ―Sabendo Boto daquella reunião. dirigio-se a Igreja Matriz. que dormiam descançados no promettimento pela proclamação do Presidente. ―Dado este acontecimento. que promettia deitar um véo sobre o passado. e alli existe ainda essa memória. que por doentes. Por este facto. mandou-as abrir sem precedência de formalidade legaes. mandou ali o vigário de Laranjeiras. que como ral não se tem mandado concertar. e depois de proferir blasfemias contra a Imagem de Santo Amaro que está collocada no Frontispício da dia Igreja. com a sua força lega. seuguiu Boto com uma força de 600 praças. despejaram as sagradas Formas. entrou Boto com aquella força em Santo Amaro. como era seu costume. sendo arrombadas a machado. companheiro do Presdidente Ignacio José Vicente) admoestar aos santamaristas para depor as armas. ―Acceita a proclamação. e foi cercar a Villa de Santo Amaro. queixando-se das artitrariedades praticadas pelo Presidente. que procuravão suas casa pela notica da retirada do destacamento. ―Chegando disso aviso aos habitantes da Villa de Santo Amaro. e achando todas as portas feixadas. quando apenas achavão-se vinte rapazes. os quaes foram conduzidos em braços. indo em seguida para a capital. estando embriagado. e do partido deste.não fosse obedecido. seguindo todas as famílias com o trajo que tinham. aconselhando aos reunidos de deporem as armas.

Indiferentes de todos ao bem publico. retirando-se os rapazes em vista da desigualdade da sua força. que se fez chefe absoluto do dito partido dominante e de tudo dispunha á vontade.que tomou posse no de 1837‖. acontecendo que alguns dos comondongos reunidos. não representava o Presidente outra causa mais do que authomato . e o coronel Wenceslau de Oliveira Belo257. e logo retirou-se para a Bahia.―Foi-lhe respondido que o Presidente não merecia confiança. foi o fato que determino a criação dos partidos. e os legais foram apelidados de rapinas.que emigravam uns para Bahia e a maior parte para a província das Alagoas.Estes tão bem instaurarão processos contra os rapinas. ―Então os do partido legal denominaram aos liberais de camundongos. continuavam a exercer empregos públicos. Por isso mesmo que os sergipanos o puderam obstar. classificação que deu aquellas representações populares. resultando a morte de um delles Amphrisio de Campos. que era juiz de Direito da comarca da capital. Seus habitantes sentiram-se irritado por um ato de tão inqualificável arbítrio. e ferimentos de alguns outros de partr a parte. Escrivão do Juiz de Paz de Santo Amaro. por alusão aos roubos praticados em Santo Amaro. que era . que ficou outra vez deserta. tratavam exclusivamente da política. ―chegando disso noticias na Villa. pelo facto de não ter cumprido o que prometteo na proclamação que foi lida em Sant‘Anna. ao mesmo tempo que estes tão bem pronuciados pelos crimes de roubos e assassinatos.a quem foi estranhado seu procedimento e notado inepto. ―Com aquelles procesos deo-se a preseguição da maior parte dos comondongos que não quizerão alistar-se na bandeira rapina. foi removido pelo presidente para comarca de Estância.de onde era natural. por alusão ao apelido que tinha aquele seu candidato Souza Brito.Manuel Joaquim de Souza Brito. mandando-os depois assassiar e roubar. comosta de cerca de quatrocentas praças. As administrações que se seguiram à Bento Pereira guiaram-se pela orientação por si traçada. E também eram procurados em outros municípios pessoas influentes do partido liberal. ―Tão bem a força do governo não se demorou na vila. escapando ao punhal assassino. ―No entretanto foi nulificada aquela desastrada eleição geral. por Decreto do Governo Imperial. pelos roubos e assassinatos que praticarão. pelo crime de revolta. e de um soldado da força do governo. ―O Dr. que para ali fugiu. As pessoa256 seguiram-se: o Dr.arrastado por seu cunhado Boto. e como aceitasse a ilegal remoção. 256 257 Tomou posse a 31 de maio de 1837 Tomou posse a 28 de agosto de 1839 224 . e dando esta resposta ao Presidente. onde rompeo fogo. ou reuniões dos ditos camundongos. Vimos nas paginas anteriores que o abuso cometido pela Bahia em 1820. uma nova força se dirigiu a Santo Amaro. agremiou-se em um partido. que foi o ultimo delegado do governo e da regência. e então buscou perseguir com assaltos nos diferentes Engenhos. Demitido o Presidente. e emboscarão a tropa na entrada da dita Villa. Voltando o vigário Figueiredo. em vista do extraordinário numero de Eleitores fictícios. ―Foi substituído por Jose Marino Cavalcanti de Albuquerque. Joaquim José Pacheco (1839). Uma idéia liberal foi. que mais tarde o postou sem vida em uma das ruas da Bahia. reduzindo a letra morta o decreto que elevava Sergipe a capitania. e que as armas conservavão para defenderem-se dos assassinos. sítios e mais lugares dos municípios sendo permittido o assassinato e o roubo. cujo programa era emancipação. ― D‘hai em diante chrismaram-se os partidos. que não encontro no centro do governo restrição ou punição. que ficarão sendo conhecidos uns de camundongos e outros de rapina. foi demitido por acto do mesmo Presidente. a que nutriu a primeira organização partidária.Manoel Joaquim Fernandes de Barros. natural daquela província. pois. disposerão-se os ditos rapazes.sendo um destes o Dr. ―Ocupando o rapina todas as posições oficiais na província.o partido dos corcundas dominou durante elas.

em cujo estudo vamos entrar. quando o partido adverso. Os acontecimentos de Santo Amaro determinam uma nova denominação nos partidos. e defender as garantias das classes populares. o partido liberal esteve na posse do poder. De 1840 em diante. juntamente com a tropa. ainda que poucos. Nesta seção de tempo. por causa da defesa ilimitada que seu secretario presta ao povo. que os levava a sufocarem suas convicções . da propaganda liberais. quis depô-lo. 225 . contra os preconceitos de nobreza. do corcunda. cego pela paixão política. o outro conversou o mesmo nome. Ai está ele impondo. a idéia dominante do partido desaparece. Dr. que o inteligente Rebouças tratava de espalhar. Pretendo essa aspiração emancipacionista.Fernandes de Barros. e um obstáculo contra os atentados do poder. em 1831 uma capitulação a Bento Pereira. em Santo Amaro. E ai esta o apóio que ele presta à administração do brigadeiro Silveira.Marcelino de Brito do liberal. Há um sintoma dominante de uma degeneração de caráter. ao o qual aliaram-se alguns sergipanos. no período da regência. Em vista da rapinagem que foi praticada pela troca na busca que deram nas casas dos habitantes daquela vila. pratica alguma coisa que desperta a desconfiança publica. e que foram o segundo reinado da monarquia.O partido antagonista deste era o dos portugueses. com o fato da independência do país. Eis a evolução dos partidos na província. a perda do civismo. Dr. eram Sebastião de Almeida Boto e Joaquim Martins Fontes. em vista da oposição da opinião. os privilégios de raça. em defesa da causa publica. não se podia nele manter. na esperança das graças do poder. e a ele demos o nome de partido recolonizador. por isto que seu ideal emancipacionista tornou-se uma realidade com a independência. o partido corcunda passou a denominar-se rapina. Os chefes principais. pela prepotência dos poderosos e dos ricos. Ai está ele na revolução de 1836. que com os seus. o povo torna-se morno e parece que degenerado. ainda lhe fica uma aspiração liberal. e oferecendo até o sangue dos seus membros. desse temperamento. Ele representava o elemento aristocrata da província. Daqui em diante o historiador nota. durante o primeiro reinado. dessas explosões de patriotismo. na sociedade daqueles tempos. A revolução de Santo Amaro é o ultimo sintoma que o historiador apanha desse espírito rebelde. porem. o poder da família.que intimidada os homens a protestarem contra as tiranias. a cuja prosperidade nada de útil prestou. por que seu programa é então fiscalizar essa emancipação. a largos traços. De 1824 para cá. O outro partido alcançou algumas vezes o poder. Desaparece da opinião a consciência da liberdade. protestando conta uma fraude eleitoral. sempre em perigo iminente. São estas as duas organizações partidárias de Sergipe. Notifica sua saída da administração. É esta a característica dos tempos. o desfalecimento do patriotismo. de 1820 a 1831. e de Sergipe constituir-se em Província.

Houve feridos e mortos. Os crimes amiudavam-se. às necessidade das classes produtoras.O povo foi massacrado pela tropa.viviam a zombar da justiça. o do juiz de paz da Capela. INSTRUÇÃO PÚBLICA.CAPITULO IV DELEGADOS DO SEGUNDO REINALDO ATÉ 1855.desde quando elas obedeciam aos mesmos princípios.Anselmo Francisco Pereti (1842-43). em 1840. José Alves Pereira. Entre aqueles apresenta-se o Dr. Dissemos no ultimo capitulo. em1841. Nenhuma manifestação de civismo encontra o historiador. quanto passam-se os dias do segundo reinado. sendo a sociedade testemunha das cenas de sangue. sendo sua mulher raptada e à força.Seria fastidioso a que descrevemos cada uma das administrações. para a fusão dos cargos públicos.e de José Ladislau e Silva.Fernandes de Barros. nota uma profunda diferença. emigravam para as duas províncias vizinhas. Entregues a paixão. casada com seu raptor. protegido pelos homens da situação. e sem as regalias os cidadãos do partido que não era o da situação. que a datar do segundo período da regência. Os criminosos. da forma de governo. percorrendo aramados os povoados e as vilas.como se deu em laranjeiras e Itabaiana. E é incontestável que essa degenerarão partida da instituição. todas as mais se caracterizaram pela indiferença à prosperidade geral. Alem do assassinato do Dr.que foi planejado em Sergipe.José Cupertino de Oliveira Sampaio. na administração de Zacarias de Góes e Vasconcelos (1848-49). depois da maioridade de Pedro II. desempregados por indevidos que se entregavam à vontade dos dominantes. Indiferentes à segurança pública. sobre todas as manifestações da saciedade. registra-se. não inquiriam da idoneidade do cidadão. contra os abusos que se cometiam.O caráter tendia a degenera-se.de Antônio Joaquim Álvares do Amaral (1845). o espírito público da província foi tornando-se indiferente as usurpações que o arbítrio tendia a conquista contra suas liberdades. e a degeneração liga-se ao predomínio da política. ficando em punição dos crimes que se perpetravam . Em uma síntese podemos traçar a macha que seguiram. foi o coronel João Pedro da silva Ferreira . OS PARTIDOS. A fim de se esquivarem às perseguições que se punham em pratica. Isto acentua-se tanto mais. Quem comparar os fatos anteriores e posteriores a 1840. como o mais seguro recurso de defesa. O primeiro presidente despachado para Sergipe.em 1845 que há pouco tinha deixado a chefia de política. empregavam a força armada contra liberdade do voto nos pleitos eleitorais. MUDANÇA DA CAPITAL. Com exceção da administração do Dr. Eram chamados os chefes de política. FINANÇAS. 226 .

Marunba na Capela. Na consciência das administrações não fazia a menos mossa a necessidade que tinha a província de melhoramentos. Eram estes os homens que levavam o luto e a orfandade às famílias. Se havia um outro patriota que sentia no fundo d‘alma a decência dessa sociedade que se corrompia. chegamos a um lamentável estado de selvageria pelo lado financeiro chegamos à bancarrota. Matias em Maruim Moura no Rosário. um sintoma eloqüente de uma profunda degeneração. porque viviam sobe a proteção dos poderosos. Se pelo lado de segurança publica. Instrumento cegos das paixões do chefes. senão a Bahia. durante o segundo reinado. Grandes diferenças nota o leitor entre esta sociedade e a das gerações passadas. suspenderam-se os pagamentos aos empregados públicos. Aquele mesmo partido que sempre timbrou em defender o bem público. contra a prepotência dos que queriam dominar. essa falta de patriotismo e de civismo que se ressentia a população de Sergipe então.|A política dominava com a corrupção. fazendo com que o prêço de gênero de consumo fossem muito diverso em lugares próximos. E ambos estes melhoramentos pertencem à iniciativa do comendador Travassos. para serem rebatidos no comercio com grandes especulações dos negociantes em lucros exagerados. Nas baixas regiões desaparecia o civismo e não se ouvia uma voz de protesto contra um tal estado de coisas. por que não o puniam. altamente atentatório à riqueza particular dos habitantes de 227 . Vicente Cardoso em Santo Amaro. basta dizermos que de melhoramentos materiais só foram feitos a abertura do canal que ume o rio Japaratuba ao rio Pomonga. Durante meses. Quincas em Própria. E esse estado decadência da sociedade. sem poder a justiça publica entrega-los à severidade dos castigos penais. não chega ao ouvido do historiador o grito do seu protesto. Eis o estado a que chegou a sociedade de Sergipe. degenerava-se a sociedade. como pelo escândalo que ostentava. na adimistração de Sebastião Gaspar de Almeida Boto.o estado do comercio que podia comunicar-se com outras praças. perdeu suas tradições e seus programas. pelo estado das barras que não se despertavam nas administrações de 1840 até 1855. A falta de fiscalização do dinheiros públicos chegou a ponto de não haver numerário para pagar-se o funcionalismo. citamos Inocêncio em Laranjeiras. diminuíram assim o numero de naufrágios dos navios que demandavam Sergipe. Como o leitor vê.o estado do comercio. e o trabalho de rebocarem nas barras. em 1842. nos quinze primeiros anos do segundo reinado. As autoridades animavam-no. revele-se claramente no fato de 1855. Nas regiões do poder o crime não desapertava a punição. elas o acoroçoavam. havia um criminoso que se tinha celebrizado. na impunidade dos seus crimes. a falta mesmo de estrada entre os centros de população. ao qual o governo entregava vales. Assim. O silencio popular parece que era uma prova de aquiescência de tantos desmandos.Em quase todas as povoações. As suas vias de comunicação muito difíceis. Xicão em Itabaiana. não só pelo numero de vitimas.

rodeada de 200 sítios de pequena lavoura. indo compacta. que foram os primeiros a reclamar pela mudança da capital. é uma 228 . buscar seus cartórios. cujo os interesses não se podem comparar. pela grande quantidade de pântanos existente. E foi o que se deu. de clima ameno. As tradições do tempo trazem-nos inúmeras perda de pais de família. o poder da sugestão a que seu espírito. e a assembléia de reunirce de baixo de um pé de cajueiro. ficando na orfandade e sem arrimo do esposo os infelizes filhos e esposas. anulando os inauditos esforços das gerações passadas. Entretanto vós todos concordareis que. sobre um solo arenosa. lançando pragas ao administrador. 11 alambiques. situada excelente local. e consentiu facilmente na realização dos planos oficiais. nova cidade. morrendo de febre palustre. ficou indiferente ao atentado. pouco depois da mudança da capital. longe de ser elle um grande Povoado.que em recentes períodos geológicos serviu de leito do Cotinguiba. Idealizou o plano e realizo-o. . que as mãos sacrílegas de um administrado viesse atirar na pobreza um sem-numero de famílias. E é para admirar-se que a deliberação da administração não recuasse perante a grande soma de interesses particulares que o ato da mudança ia prejudicar. em 1º de março de 1855. Estudemos. 12 fazendas de criação de gado. de ricos e belos edifícios. a população de S.S. que veio consignado para realizar esse atentado. incisivamente epidêmico. para satisfazer assim interesses políticos e individuais. Somente as velhas espreitavam das rotulas os carros que conduziam o cofre e os arquivos. para ir atira-la às praias do Aracaju. de saborosas frutas. As repartições publicas funcionando em casebres. O próprio presidente teve de habitar em uma casa de palha. e que já havia mais de trinta que nele se acha a sede da Capital da Província. o fato. aos representantes da província. ou por outra. sem tradições e sem edifícios. O próprio presidente foi vitima de sua ousadia. A falta de habitações era absoluta. retirando a vida oficial de uma cidade secular. com um município de 43 engenhos. Se admiramos sua coragem. Vejamo-las: ―Ninguém ignora o Povoado da Cidade de Sam Christóvão contra cerca de duzentos e cinqüenta annos de existência. de uma noite para o dia. unida e armada.Cristóvão. Foi o protesto.Inácio Joaquim Barbosa. Seu espírito não se deixou influenciar por nenhuma dessas inconveniências que seu ato acarretou. ―Era sem duvida tempo suficiente para ostentar-se rico e populoso. de excelentes águas. Obrigados a irem habitar em um meio paludoso. vitimadas pela febre paludosa. Isto é bem característico da degeneração do caráter e do civismos daquela sociedade.a mudança da capital para o Aracaju que era uma praia inóspita e inabitada. como é o corpo cuja cabeça ele representava. como o atestam alguns dos seus velho monumentos. Enquanto a população de Santo Amaro. sem a menor garantia e segurança.Cristóvão e seu município. pequena.Manuel Inácio da Silva Lisboa (1835). E daqui que a colonização melhorasse tais condições anti-higiênicas e que permanecia de um centro populoso espantasse os miasmas. Os cofres depositados em albergues. de abundancia de alimento. e o reclamava desde a administração do Dr. seriam inúmeras as vitimas desse meio tão pernicioso e epidêmico. vila pobre. Admira-se realmente a coragem do Dr. Os infelizes empregados públicos para garantirem o pão cotidiano. e que por isto não pode oferecer base suficiente para grandes e largas edificações. onde intenta edificar. As causas justificadas do ato vêm na fala que Inácio Barbosa dirigiu. o leitor viu quando o poder legislativo mudou a sede da vila para Maruim. cujas tradições deviam estimula o patriotismo de seus habitantes. porem. as suas causas e suas conseqüências. feitos à presa.

30..........170 Não era também a cidade menos populosa de então.. a cuja 229 ......3.... O único protesto que encontramos em nossas busca contra o ato do presidente.... Em 1850 o numero de habitantes de cidade de S..475 Vila-Nova....... que os ligasse e com que por certo............................ 258 Illm.................... pois que é pequeno recôncavo da ribeira do Vaza-barris....................... – A câmara Municipal d’esta Cidade de S....1..............................693 Total........ 2...... Não só o porto do Cotinguiba não é superior ao do Vaza-Barris........ Capital da província de Sergipe.. que no auge de desespero e exige a observância da lei fundamental do Estado...... como as barras de ambos os rios são iguais......................309 Propriá......... se............. acrescentando que diferente dos demais centro de população da mesma província.........807 Capela.............1................................... alem de ficar no fundo do rio Piramopana com dependência de marés.......664 Santo Amaro .. e poderia enterter-lhe a vida.......3............ com na formação geológica............. Pelo seguinte quadro do numero de fogos das povoações de Sergipe em 1852... o seu aspecto só revela decadência e miséria...............................Cristóvão........ que fica na margem do mesmo rio Vaza-barris?‖ Eram inexatas as alegações do presidente sobre a decadência de S...................... ..... ...... não dispõe esse povoado de recursos próprios......... e dificuldades de toda sorte para navegação.... comunicase diretamente com o Povoado de Itaporanga.. vê-se a inexatidão da legação: S..... Cristovão era 1.643 Campos ..3..............................1..............773 Divina Pastora....................... .....................Cristóvão................................ Inexatidão revela-se na própria incoerência de suas palavras............ junto a um excelente porto e de uma barra superior á do Vaza-Barris....1......... E Exm........976 Estância.................. não só em volume d‘água. nem seu município.. os cofres públicos despenderiam muito menos do que despenderam para edificar uma cidade em tão pouco tempo...............Cristóvão era a menor cidade da província.............. A outra causa alegada pelo presidente foi a superioridade topográfica do Aracaju. Cristovão.2......... Nenhuma localidade igualava-lhe em população....................das mais pequenas Cidades da Província. Sr.......... foi lançado pela câmara da capital nos ofícios e representações que o leitor pode ler na nota abaixo258.718 Maruim...........789 Itabaiana ..... A única circunstancia de valor real contra a permanência da capital em S............ ..624 Socorro....... a quem foi presente a representação verbal dos habitantes d’ella.Cristóvão. quando depois de ter dito que S........ não podendo ser indeferente aos justos clamores do povo.............. dificultando esta que podia ser remediada com a viação férrea.............................................2................................ que lhe fica próximo.......030 Rosário......................... condições estas que tornariam para o futuro a nova capital uma excelente praça comercial.......965 Porto da Folha......... transformando uma praia insalubre e deserta em um centro populoso.................... como sendo a menor e mesmo populosa cidade da província...958 Lagarto .......1......... diz pouco adiante: todos os demais povoados estão mais ou menos no caso da cidade de S......544.........231 Santa Luzia...570 Laranjeiras . E como não seria assim..... ... Cristóvão era sua distancia para o porto.....

– José da Rocha Bastos. – Ignacio de Paula Madureira. vos representa que toda e qualquer reunião. e por isso esta camara nada despresará para defender o pacífico. Ex. perante o Brazil inteiro. Illm. Ex. – P. e damnos de vez por vossos bens. Senhores. quando o povo considerando o completo extermínio de sua capital. hum commercio florescente. – Francisco José dos Santos Pinho. terá de levar sua voz ante o thorono Augusto de sua magestade Imperial e constitucional. Sr. por isso que no artigo quinto do mesmo está determinado que a reunião da Assembléia será em lugar por actos legislativos Provinciaes. e por isso desde já protesta Deos. que tenhaes de fazer para legislardes devera ser nesta capital da províncias. Ex. uma necessidade em mudar a sede do governo. usa reunia em outro qualquer ponto da Provincia He uma ferida gravemente feita ao Acto Adicional. parente a Lei. Sr. que tendo sido esquecida com sua recente emancipação. e os edifícios do estado que não menos importão da duzentos contos de reis. perdas. protesta ainda e o que mais importa por serdes os responsáveis perante Deos. e animador. único ponto de suas reuniões. por huma só gota de sangue sergipano que derramar-se possa quando o desrespeito exarcerbe os ânimos motivando esse desespero a aggressão. que se derramar possa. 230 . parente o Brazil. vem representar a esta Ilustre Assembleia. Dr. Exm. Permitta V. vem apresentar a V. a falta de economia política. e por qualquer repulsa a elle feito. e parente o mundo inteiro. e nem a assembléia se poderá justificar de huma infracção de lei fundamental do estado. Ignacio Joaquim Barbosa. e elevação de província do Brazil. e do direito que esta câmara em nome do povo reclama se tornará credor das nossas afeições: ao contrário. protesta de haver hum dia os habitantes desta capital seus prejuízos. perante o Thorono. comessava sua existência civil e política. ou antes o cumprimento do artigo quinto do acto addicional: certo de quem se V. que a 14 annos prosperava consideravelmente. e o Brazil inteiro de ser V. E não o tendo feito Emx. para que todos conheção da forma porque é transgredida a Lei: o que mais importa. Ex. Esta Camara confia que V. Ex. e o mundo inteiro. – Marcos José Martins. a fraqueza que hé própria a esta camara. Exm. e que a transgressão das leis e muitos tem abismado: e por isso esta câmara solicita de V. Não afiança esta camara a V. ou não e prottesta por isso por serem nullos e írritos quaesquer trabalho vossos que não forem de accordo com a lei fundamental do estado: promette mesmo levar seu protesto aos pés do thorono augusto de sua magestade imperial. e que edificava. – A camara Municipal desta capital da Província de Sergipe d’ElRei reunida em Sessão extraordinária. nem pode afiançar a que ponto chegar o desespero dos pacíficos habitante desta capital. e docilidade de que he dotado. se compenetrar da razão. só e unicamente convocação da assembléia provincial nesta capital. e leal. – Joaquim José Pereira. o único responsável por huma só gota de sangue Sergipano. e mudar e sede do governo com a maior precipitação para huma praia deserta. os reditos das estações publicas. senhores. não vos deram poderes para tanto. mas que lhe foram postergados. E Exm. por isso que desde sua instalação até hoje ainda não decretou para fora desta mesma Capital essa reunião. esquecendo-se todas as considerações. apoio que a lei longe de o dar reprova. os Sergipanos quando vos elegeram deputados. que representa . a sombra da qual todo o cidadão deve repousar tranqüilo. pedindo a restricta observância do artigo 5° do acto addicional: representa a V. e offerece hum futuro. Ex. e leal povo desta capital perante a Provincia perante o Brasil e o mundo inteiro. Ex. Parece que há quem pasando a razão deixe de conhecer a nenhuma utilidade publica. respeitava nosso direito de petição. ou seja ella ordinária. não jpodendo ser indiferente ao clamor publico e a dissolação que observa a mesma Capital. Esses casos até hoje se deram. e menos lhe presta apoio. Ex. E com effeito. compartilahdo do dissabores de seus concidadãos. capital da província de Sergipe. Ex. Anna. Sr. por ser hum acto nullo. Esta camara. em Sessão extraordinária de 28 de fevereiro de 1855. não deve consentir como primeira authoridade da província. é claro evidente ser a reunião da assembléia nas praias desertas do Aracaju huma medida que revolta os ânimos mais pacíficos dos cidadãos. emfim huma antiga capitania do reino de Portugal. e irrito. presidente desta província. o propósito firme que há de reduzir-se a miséria cinco mil habitantes da capital com ocupações honestas. Deus Guarde a paço da camara municipal da cidade de são Cristovão. Sr. e extorção de direitos que este povo julgava garantidos. V. para que faça reunir a assembléia nesta Capital. – João Simões da Silva Samango – Joaquim Felippe de S. para ser objetivo de desprezo. perca a natural resão. e inhabitavel por suas continuas epedemias. por si e em nome de seus concidadãos. Não vê esta Camara. sabe que da boa administração da justiça depende a felicidade dos povos. por não poder Ella reunir-se em outro algum ponto.sombra repousavão intertes por se julgarem garantia. esta Camara em nome do povo. em que V. Senhores da assembléia Província. permitida nossa linguagem verdadeira. Ex.

e ahi no dia 17 de fevereiro fez por carta officiaes assignadas por ambos. logo mandou o Presidente conduzir para aquelle terreno diserto os Archivos da Secretaria Presidencial. Imperial Senhor. e quando na boa fé almeja a Capital o seu regresso. Parece. mudado desta_ cidade para as praias do Aracaju a Capital da mesma Província. deve esperar. mas sim uma incurialidade. das puras intenções da vossa M. Manuel Vieira tosta Dezembargador Joaquim Marcellino de Brito. – a camara Municipal da cidade de S. he baziada na razão de ter sido elle praticado contra a Letra da Lei. Fundamental do Estado. o que não se dá no esteril. Não querendo esta Camara attribuir ao Presidente actual huma desonestidade pelo acto. n'essa praia está o Pessoal das Repartições soffrendo 231 . Christovão. que a lei lhe confere. pelos coffres da Província. – José da Rocha Bastos. insalubre e arenoso Aracajú. cuja maioria foi composta de Supplentes.alias este ponto para isso o primeiro da província. logo para alli transportou-se o Presidente. que se encare os interesse della. depois disso de tantos Edifícios Públicos com os quaes a Nação gastou milhões. esta Camara testimunhando tantoa absurdos e injustiças. que em linha recta. fazer violência ao acto legislativo da província pela inconstitucionalidade da vosa reunião. tendo igual destino os coffres provinciaes que alli estão sem a menor garantia. de quem o Povo oprimido desta Cidade e Província espera saudáveis providencias que o ponham a salvo dos incalculáveis males que podem provir dessa illegal. e sempre foi isso reconhecido por qualquer lado. e a pretesto de passar o carnaval no engenho – brejo – apresentou-se no da Unha do gatto propriedade do barão de Maroim. que praticou. decretou ele a precipitada e nulla mudança. Imperial. – João Simões da Silva Samango. precipitada e absurda mudança! O presidente de que se tracta. e o que he a bella Cidade de S. que elles diriam a Vossa Magestade Imperial o que he a praia do Aracajú. que inteiramente estanhou aos interesses della. reunir os deputados Provinciaes e deliberou que estes se passassem às ditas praias. que. para cuja infracção coadjuvaram esses deputados. Tendo o Bacharel Ignacio Joaquim Barbosa. Thezouraria Provincial e pessoal respectivo. e amantes das Instituições do seu Paiz se escuzaram de fazer parte do illegal e absurdo Congresso. abusando do poder. que de vossa Magestade Imperial. contra a disposição dos arts. – Marcos José Martins. se não importa de tanto de frente ferir. e ali fizessem sua sessão ordinária. para proval-a servia bastante que Vossa Magestade Imperial ouvisse aos conspícuos Conselheiros Zacharias Goez e Vascosellos. construídos nesta Cidade e que esta Camara deixa de enumerar. honestos. – Joaquim Felippe de Santa Anna. sempre aollicita em promover o bem público do seu Município. para sepulta!-o em uma cazinhola sem segurança. imperial senhor. Em conseqüência do que. Senhor. faltaria a um dos seus mais sagrados deveres se deixasse de levar este pensamento ao Soberano Conhecimento de Vosa Magestade Imperial. Paço da camara municipal de S. que tem elle feito. capital da província de Sergipe em sessão extraordinária aos 28 de fevereiro de 1855 . Cristovão dotada dos Comodos necessários para a existência de um Povo. Outro tanto pretende fazer com os coffres da Thezouraria Geral e Correio. que mostram com evidencia os nossos soffrimentos! E para comprehender-se a caprichosa tenacidade do actual Presidente. quando presidente desta Província oppoz-se a que fosse para alli transferida a Alfandega!! Hé desta forma Imperial Senhor. e ás conviniencias Publicas! Mas ahi estão os pactos.-capital da província de Sergipe. como deve constar de uma lei inconstitucionalmente feita e promulgada nas referidas praias do Aracaju!!! Sim. por ter terras perdidas no Aracajú quer approveital-as!!! Lá. Reunidos os deputados. que por fortuna ainda permanecem em um optimo edifício de grossas paredes de pedra e cal livres do menor risco. do Termo desta Cidade. incrlvel tanto desacato á Lei. por que alguns de numero. actual Presidente desta Província. – Ignacio de Paula Madureira P. e somente é essa verdade desfigurada pelo actual presidente da província. – Joaquim José Pereira. quando esta Camara declara nullo e insubsistente semilhante acto. Imperial Senhor. e se promove o engrandecimento do Paiz só por diferenças a alguem. para não fatigar a paciência de Vossa Magestade Imperial. e tanto assim hé que o bem intencionado Commendador Antonio Joaquim Alves do Amaral. que se abusa das boas intenções que a nosso respeito nutre Vossa Magestade Imperial. dispresando assim hum palacio dos melhores do Imperio onde esse Archivo estava. basta sómente attender-se ás enormes despesas. e o desprezo. depois de sua posse até hoje. vem com o maior respeito a acatamento ante a Augusta Pessoas de Vossa Magestadade Imperial e Constitucional representar e Suplicar o bem. 5° e 10 do acto addicional. e o da mesma Província a que pertence. que são convergidas á prol do bem estar de seus súbditos abandonou esta cidade. Christovão ex. como pai commum dos Brazileiros. lhe fica distante 3 legoas pouco mais ou menos. e outras. – Francisco José dos Santos Pinho.

. 764$000 1852 – 53.... como já a alguns se tem feito!!! Estas camara. que o prezidente de relativamente a retirada dos coffres da Fazenda Nacional......... em Sessão Ordinária de 30 de Abril de 1855...................46:484$000 1855 – 56... Realmente.21:741$000 1850 – 51....... imperial senhor.. DESPESA 122:530$500 141:713$206 172:142$000 202:065$000 232:925$000 232 ... Em 1835................... de que elle dispõem como senhor absoluto............... – Ignácio de Paula Madureira........... naquele ano............................. que abusando da bondade . Joaquim filippe de S..........56:571$000 1856 – 57........ Com o aumento da receita.............. P.151:896$000 1848 – 49................. esta Camara com a maior submissão requer a Vossa M.64:434$000 horriveis privações para não ser-Ihes tirado o pão.......... Anna............75:824$000 A despesa mais ou menos a mesma 1839..... À muita alta..... só por que assim o quer e o manda hum Presidente.......91:500$000 1837............ Joaquim José Pereira.............. poderosa e Sagrada Pessoa de Vossa M. Manoel Joaquim de Guia...... Até 1855 verifica-se sempre o aumento da receita. Imperial e Constitucional façam-os cessar d’uma vez......... e perseguido...................... Marcos José Martins. Miguel Correia Nunes.... Imperialrial e constituicional a suspensão de qualquer ordem... verifica-se a existência de saldos na província....................25:375$000 1836. a receita foi orçada em 25:375$000 e neste em 317:270$000. Cristóvão de Sergipe de El-Rei.101:406$000 1844.... deplora a consternação dessas famílias desterradas em uma praia inhospita sem abrigo..... encontramos a primeira lei orçamentária...43:806$000 1852 – 53.....279:410$164 1855 – 56....317:270$000 A marcha do saldo foi a seguinte: 1847 – 48............... pode-se demonstrar suas desvantagens............ É por tanto que..105:100$000 1838............ pelo aumento da prdução.... para o Aracaju...E no estudo comparativo do estado financeiro da província........................ em razão de dez e um quinto....... João Duarte Portugal... por que assim salvara Vossa M.... e para isso conseguir despresa a Constituição do Império...... anterior e posterior ao ato da mudança.... José Geilherme Machado de Araujo.. e da missão que lhe confiou VossaM...... chegando ele em 1857 a 138:257$000 Eis o quadro da receita e despesa RECEITA 1835............... onde já se acham as Provinciaes... Imperial pisa com alarde a um povo manso e pacifico..... Luiz Antonio de Leiros.......... Imperial Guarde Deus como havemos mister faço da Câmara Municipal da Cidade de S..154:142$000 1851 – 52....

o desequilíbrio entre a receita e despesa tornou-se cada vez maior. e 15 do feminino: 9 aulas de latim. Manoel da Cunha Galvão (1858).426 233 . contava 63 escolas com a freqüência de 3165 alunos. sob o ponto de vista da cultura popular. Daí em diante os déficits tenderam a aumentar e tornaram-se permanentes na história financeira da Província. Não podia competir com a vida oficial do Aracaju. seus efeitos foram de grande inconveniência nos centros populosos que já existiam nas circunvizinhanças do Aracaju. tirou-lhe grande parte do seu valor comercial. Eis. isto é um aluno sobre 517 habitantes livres. Por Lei de 31 de julho de 1847 centralizou-se a instrução secundária. A população da província em 1852 era de 222. em 1851de 3147 e em 1852 de 3165. Laranjeiras que era o melhor centro comercial.990 habitantes: sendo 166. filosofia. Vimos já o seu estado no primeiro reinado e no período da regência. sendo abundante as receitas de 1857-58 e de 1858-59. que além disto. A freqüência em 1851 foi de 2647 alunos. era preciso uma freqüência de 32. cuja aula foi supressa em abril de 1852.85 alunos 1849---------54 alunos 1850 --------113 aluns 1851 ---------88 alunos 1852 --------158 alunos 1853 -------119 alunos Em 1852 a província contava 39 escolas primárias do sexo masculino. Além dessa decadência para a qual tão poderosamente contribuiu a mudança da capital. nesse tempo. francês. cirandose o Liceu de Sergipe. na administração do Dr. geografia e comércio. a nosso ver. Tomaz Alves Júnior (1860). as conseqüências da mudança da capital. decaiu. além das que existiam no Liceu. Por mais de uma vez temos lastimado a incúria e indiferença dos governos para com a instrução pública.Em abril de 1857 o saldo tinha subido a 168:766$000. criada por lei de 16 de junho de 1851 e que em 1853 tinha 1043 volumes. era dez vezes menor.000 habitantes.729 alunos para 327 escolas. este saldo desapareceu. inglês. como podemos ver pelo seguinte mapa: 1848-------. de 163. e quando passou a administração ao Dr. Sua freqüência er pequeníssima. sua proporção na província. Pois bem. por esse tempo. aquela subindo a 460:177$000 e esta a 404:641$000. Bastam estas cifras para demosntrar o atraso em que vivia a província. latim. Sendo reconhecido que a população das escolas deve estar na razão de um quinto para a população livre. foi com o déficit de 82:020$000. quando se fizeram as obras do Aracaju. Sendo a população. em 1850. Não obstante o aumento da produção. Havia uma biblioteca pública. Nele ensinava-se geometria. Entretanto a província. retórica.

nos capítulos anteriores. que perdeu aqueles patrióticos princípios do primeiro reinado e do primeiro período da regência e assim. em alusão aos roubos praticados naquela vila. Vejamos agora a marcha e orientação que eles levaram no segundo período da regência e no segundo reinado. Depois da independência. o Dr. Isto produziu impressão na opinião do centro. sem programas nem idéias caminharam os partidos. o partido lusitano desapareceu. Em vista dos acontecimentos de 1836. atacou até a organização partidária de Sergipe. uma idéia que os vivifique. em 1836 era o partido da situação. em todas aso outra a administrações interferiu. desde 1820. contra aliberdade política e administrativa de Sergipe. Souza Brito. tornando-se alvo das desconfianças da justiça pública. de onde vieram ordens reservadas ao presidente José Antônio de Oliveira e Silva. Eis a nosso ver as causas da 234 . Vimos mais que. Ambos perderam seus programas e isto já foi por nós dito. durante àquele período. Menos um ou outro presidente. e foi substituído pelo partido do corcunda. De sua vontade dependiam todas as deliberações. que intitulou-se o partido legal naquele movimento revolucionário. eles tiveram programas: tornaram efetiva a emancipação da província e defenderam-na. De 1852 em diante seu partido deixou de ser o partido dominante e o seu chefe foi pouco a pouco perdendo o prestígio de que gosava. Durante este longo período Almeida Boto alcançou em Sergipe um domínio absoluto. Vimos que eles originaram-se do atentado praticado pela Bahia. pelo ilimitado prestígio de que gozava. eles tomaram novas denominações. ou injustamente. Dominava não só a administração da província. Almeida Boto é um dos mais responsáveis pelo atraso em que permaneceu a província. Estudamos estas lutas nos últimos tempos do primeiro reinado e durante o primeiro período da regência. até os últimos momentos da monarquia. para aliar-se ao outro partido. Fernandes de Barros. Temos. todas as resoluções. O liberal passou a ser chamado camundongo. por alguns anos. José Antonio de Oliveira e Silva. tendo por armas a corrupção e o egoísmo. passou a denominarse rapina. A degeneração do caráter naciona. Por conseguinte. de 1836 a 1852. que foi o mais visível sintoma das práticas políticas do segundo reinado. durante o primeiro reinado. O partido rapina dominou a província até 1852 quando assumiu a administração o Dr. cujos habitantes esperavam que Boto. Seu principal chefe era então Almeida Boto. se opusesse ao ato administrativo. que lhe ofereceu resistência. A opinião pública pensou e pensou muito bem que a oposição de Boto importaria a nulidade e revogação do ato.habitantes livres e 56564 escravos. em alusão a um de seus chefes. candidato no pleito de 1836. como as administrações locais. a ponto de podermos julga-lo como o administrador de Sergipe. não sabemos se justa. estudado a marcha que levaram os partdos. em Santo Amaro. com Pereti. Este partido que ocupou as posições oficiais. O corcunda. Contribuíram para isto os seguintes fatos: As dificuldades em que se colocou Almeida Boto no assassinato do Dr. Além deste fato contribuiu ainda a mudança da capital. O historiador não descobre mais um princípio.

Amaro. preparavam-se para a chefia suprema do partido comundongo. o que se compôs de frações do comundongo e do rapina. representam as duas agremiações partidárias.decadência política de Boto e do seu partido. e tolerante. sendo o dito Presidente defendido. cujo prospecto foi aquelle programma de conciliação. em luta contínua. Então o Barão de Maroim organisou um partido seu que denominou. que tanto a delaceravam. o jornal – Conciliador-. afim de cuidar-se dos melhoramentos mateiaes de que tanto precisava a Provincia. e. mostrando-se a necessidade de acabar com os partidos e infuências nocivas delles . Amaro. 235 . ligaram-se tão bem alguns membros do partido que tou a denominação do – Liberalnomo primitivo do partido comondongo. chamado o Conciliador. apresentado. Promovidos por novas agremiações políticas. dessa conciliação.O programa do Conciliador não alcançou implantar-se no pinião. generosa.saguarema. e teve de chocar-se com o Presidente. A esse partido. demonstra que suas origens não representam pricípios políticos. que a esse tempo se insinuava para chefe do partido comondongo. nem tradições históricas.saguarema. que não podia prosperar por causa desses partidos de índole de família. que acariciou a idéia da conciliação política e da liga. Com isto muito se encommodou o Barão de Maroim. Não passam de dois bandos. pelo governo Imperial. que mais tarde passou a denominar-se conservador. pretensão esta contestada por outras influências do dito partido. porqu continuaram os excessos partidários. As descrições que fizemos de seus antecedentes. contra o qual promoveu opposição na Assembleia provincial. Aqueles que como o Barão de Maroim. e então passei a publicar na Villa de S. so segundo reinado. Boto e outros membros de sua família. As outras frações constituíram o partido liberal que. contra os interesses da nação e a favor dos interesses dos seus chefes e dos seus adeptos. Em 1856 ecoou na província a liga dos partidos operada na corte do império. conservaram-se no seu retiro. abriram oposição ao presidente Salvador Correia de Sá e Benevides. por outras influências do mesmo partido. em um jornal que principiou a editar em Sto. em Sergipe.que mais tarde tomou a denominação de conservador. Este fato produziu uma dissolução completa nos partidos. e tornou-se Antônio da Silva Travassos o propagandista dessa liga.concorreu parte do comondongo. que representava as tradições liberais de 1820. devendo substitui-los uma política larga. sem a coesão de uma idíea. e o presidente convidou-me a propalar as idéias que eu já adoptava. organizando o partido saquarema. como no país. E são estas as suas palavras: Nesse ano appareceu o programa político de conciliação.

Na 29ª sessão da 30ª legislatura da assembléia provincial de Sergipe. desde quando o poder legislativo tem querido resolver a questão. Considero como medida urgentíssima a descriminação dos pontos onde ele confina com as outras. A incerteza em que vivemos é sempre má. afluente do S. sem que se achem a verdade e o direito do lado das alegações.CAPÍTULO V LIMITES. tem partindo das duas províncias para fundamentarem o direito territorial. sua vigilância. E quando não existisse esse direito. povoações situadas nessa zona. que partindo do riacho Ningó. geógrafos e historiadores do Brasil. e de acordo com os interesses da fazenda pública. para quem os documentos são inúmeros e comprobatórios dos limites que acabamos de traçar. Se nenhuma contestação histórica. não só pela grande extensão que lhe é tributária. a leste pelo oceano Atlântico e a oeste por uma linha imaginária. relativamente aos seus limites. Limite setentrional. que separa esta província de Alagoas. pela distância em que se acha do centro do governo. baseada em documentos. o território de Sergipe é limitado ao norte pelo rio São Francisco. Pelo menos esta razão devia inspirar a cessão. vai às nascenças do rio Real e o separa também da Bahia. por iniciativa dos interesses da política baiana. o mesmo não tem sucedido a Sergipe. que legalize sua jurisdição. tenente-coronel Francisco José Cardoso Júnior. pela alegação de sua incompetência. entre Sergipe e Alagoas e Bahia. pois. como sobre ela a sua ação legal. Francisco. afim de que a administração conheça qual a orbita em que deve girar. Seja por onde for. de quem deviam achar-se desligadas. afim de que a 236 . o presidente da província. seu direito político a Bahia. pela Bahia e ao norte pelas Alagoas. QUESTÕES COM ALAGOAS E BAHIA Segundo a opinião de todos os cronistas. a Bahia devia fazer cessão da zona que tão ilegalmente acha-se apensa á sua jurisdição. tornam-se morosas contra os interesses da justiça. que o separa da Bahia. afim de cessarem as reclamações de todos os dias . Não só a fronteira setentrional tem sido contestada pela província de Alagoas. na sua fronteira ocidental. Desmenbrando. Sergipe tem sofrido uma lesão enorme em sua economia. ou Brejo Grande. E por mais de uma vez a justiça de Sergipe tem sido suspensa em sua ação. quando a favor de Sergipe não falasse bem alto o testemunho do passado. determine-se uma linha divisória. dizia: ‖Ainda são contestados ao sul. não sabendo as autoridades até onde chegam os limites da sua competência. pela verdade do passado histórico. ao sul pelo rio Real. de acordo com os interesses da justiça. Se há essa unanimidade e acordo nas opiniões. Elucidemos estas questões. como a fronteira meridional e ocidental o tem sido pela Bahia. vão levar seus auxílios. os limites desta província. em 1871. sobre a qual compete exclusivamente sua jurisdição. que reclamou como pertencendo ao seu território à ilha Paraúna. é de estranhar que questões de limites tenham sido levantadas pelas duas províncias limítrofes.se de seu território uma grande zona de terreno ubérrimo.

em 23 de abril de 1655 Cosme Rodrigues Delgado e sua mulher venderam a Brás Vieira uma ilha em S. tornou-se terra firme. da ilha Paraúna. pelos limites traçados na escritura o capitão Domingos Casado a Manuel Dias de Oliveira a ilha dos Bois. Quando em 1732 erigiu-se a Vila Nova de S. Historiemos. fronteira ao penedo. Francisco. que tendo sido ilha. que resolveu da seguinte maneira: ―No que respeita ao terreno destinado para a Villa Nova. sobre a posse ilegítima que Sergipe queria reivindicar para si. quis desmembrar de Alagoas para Sergipe as ilhas circunvizinhas do rio.Francisco foram doadas pelos capitães – mor de Sergipe. O contra-senso e anomalia dessa pequena circunscrição pertencer ás duas províncias. pela imposição da administração de Sergipe à lavoura das paragens em litígio. no ano anterior. Tendo em 1755 se levantando de novo a questão de limites. eram os fundamentos em que se procurava basear a posse de Alagoas sobre Brejo Grande. Realmente. Francisco. a doação feita em Évora a Duarte Coelho Pereira. Muitos outros fatos poderiam citar. O presidente de Sergipe incluía este trecho em sua fala. junto a Piassabussu e que. da qual ficava mais vizinha. da justiça e da moral‖. a câmara de Penedo recorre e ao seu favor foi passado a provisão de 9 de fevereiro de 1758. por uma queixa dirigida ao vice Rei. donatário de Pernambuco. após a perpetração de um crime aqui. pelo lado civil. em menoscabo da lei. E por uma reclamação feita pela câmara desta vila ao poder competente. para pagarem em Vila . e assim ficam impunes. 237 . o ouvidor de então da comarca de Sergipe. pelo lado eclesiástico a Alagoas e pelo lado civil a Sergipe. o presidente de Alagoas. contra o que protestou a câmara de Penedo. É o ouvidor de Sergipe não abusava da lei e nem queria usurpar território estranho à sua jurisdição. que considerava pertencer a Alagoas. por decreto de 9 de junho de 1812. não raras vezes. que mandei erigir e em que se acha gravado a de Penedo também mandei se conservem na jurisdição desta às ilhas que até agora lhe estavam sujeitas. por se haver excedido a minha ordem‖. reclamava-lhe ordens para que as autoridades de Sergipe não exercessem sua jurisdição sobre a ilha do Brejo Grande. que queria ser tributária de Vila-Nova. porém os fatos. cujos autores dizem-se domiciliários ali. Francisco. como o aviso de 30 de abril de 1832. pois. Cipriano José da Rocha. desmembra ele. esquecendo não só o decreto de9 de junho de 1812. em tempos passados. não só em sesmarias algumas ilhas do rio S. no século XVII como as escrituras de vendas eram sancionadas pelos magistrados de Sergipe.Nova os dízimos. pois.ação da justiça não continue a ser iludida. pela qual sua jurisdição estendia-se a todo o rio S.a ilha de Paraúna da jurisdição de Penedo e a incorpora a Vila-Nova. Essa reclamação não era mais do que repetição de muitas outras. Essa deliberação ia contra os desejos da população.

por si só não prova que a jurisdição do governo de Sergipe se estendesse além do rio Real. Sempre foi este o limite entre Sergipe e Bahia. o conselheiro Joaquim Marcelino de Brito. desde remotas épocas? Ainda que não tenhamos podido obter o regimento dado a Cristovão de Barros. _ Hoje estes limites acham-se sancionados pela unanimidade de opiniões dos historiadores e geógrafos: o talvegue do rio Real.Nova o terreno em litígio. o desejo da câmara de Penedo. que tanto prejudicaram as duas províncias. Limites meridionais. duas léguas de terra ao norte da barra do Itapicuru.Francisco. contra o que houve formal recusa dos seus habitantes.A lei do soberano não foi suficiente para domar a ambição do poder municipal de Penedo que. a Baltasar Luiz. etc. Entretanto. Essas reclamações eram inoportunas. Logo. Domingos Fernandes e Cristovão Leal. pedia informações à Câmara de Vila-Nova. 2099 de 1º de fevereiro de 1873. cidade de S.era de vinte e cinco léguas. resolveu conservar anexada a Vila.concede de sesmaria. para responder. que são vinte e cinco léguas. o qual submeteu a questão ao extinto Conselho do Governo. Se este fato é real.que deveriam ser contadas da margem meridional do rio São Francisco até o rio Real.em maio de 1603. o qual.Supomos que a demarcação deve ser da margem do S. pela lei n. ficaram resolvidas. em fevereiro do mesmo ano. depois de um acordo entre a deputação de Sergipe e a de Alagoas. mas nenhuma reclamação. a Câmara de Penedo reclamava. dada pelo capitão-mor de Sergipe. Nada se tinha mais a reclamar.quando conquistou Sergipe. Em 1851 a Assembléia Legislativa de Alagoas requeria à Câmara dos Deputados o mesmo que. vemos. pois na carta de sesmaria de Luiz Alves. desde quando a posse de Sergipe sobre Paraúna estava legalizada pela legislação. de há muito. Em vista. que o capitão-mor Cosme Barbosa.em maio de 1604. em 1832.‖. 238 . a extensão de Sergipe. contudo. resolução que foi aprovada pelo Governo Geral.desde o começo do século XVII. que em sessão de 20 de março de 1832. o juiz ordinário de Vila-Nova. que deveria estabelecer a extensão de seu governo na nova capitania. por oficio de junho de 1832. Tomé da Rocha. Parecia agora que os fatos legalizavam e que não seriam permitidos. só em 1873. que lhe responde em data de 26 de março de1870. O presidente participa então à câmara a resolução do Governo. Assim não sucedeu. essas questões de limites. E muitas outras sesmarias foram concedidas na zona compreendida entre sete e o rio Real. em aviso de 30 de abril de 1832.Cristovão.de sul a norte. E em 1870 o presidente de Alagoas pedia ao de Sergipe providências para que as autoridades desta última província não exercessem sua jurisdição em Brejo Grande.em 1590. pelo sul. João Pereira de Oliveira. leva ao conhecimento do presidente da província de então.quis novamente incorporar ao território de Alagoas a pequena ilha.vemos as seguintes palavras em seu regimento: ―As terras e águas e ribeiras que estiverem dentro do território e limite desta capitania de Sergipe.entre os quais existe mais ou menos esta distância.

continuaria o da Abadia a exercer as funções eclesiásticas.dividindo-se ao sul pelo rio Real com a Abadia. Passando a comarca. margem esquerda do rio Real. pondo-se em luta aberta com as autoridades da vila Constitucional da Estância. dizia: ―Permanece o desgosto conflito surgido na extremidade sul da província. ―Avista desta resposta. de 5 Santo. desde a invasão de Sigisteiras.pois. respondeu que enquanto não houvesse parocho na nova freguesia. Quer nos parecer. Propriá e na foz do grande rio.foi formalmente erecta em freguesia a povoação do Espírito Santo.Itapicuru e Abadia. á 6 de março do ano passado. concedo a essa câmara (Sergipe). a requerimento dos povos de Inhambuque . declarou não reconhecer a divisão pela parte civil. e os próprios holandeses.nesse tempo doações foram feitas pelas autoridades de Sergipe na Tabanga. por lei n. quanto ao uso e logro de sua renda. ordenou ao juiz de direito da Estância que os juízes de paz de Santa Luzia estendessem sua jurisdição até á raia natural e política da província nomeando eles os respectivos inspetores de quarteirão. as autoridades desta vila quiseram penetrar no território sergipano. cujo insucesso o Brasil teve como uma das mais importantes causas o esquecimento que voltaram à colonização de Sergipe. ―Até o próprio professor de primeiras letras viu-se obrigado a retirar-se. mas não quanto ao seu provimento. seu território ampliou-se pela carta régia de 5 de junho de 1725. que ouvindo ao governador do arcebispado. Em todo caso. que pertencia à mesma freguesia.estas vilas foram de novo incorporadas à Bahia.que terríveis ameaças lhes foram dirigidas. Sergipe reduzida aos seus antigos limites. aquém dos limites da província. ―Procurando meu antecessor evitar cenas pouco animadoras que naturalmente resultariam da presença de forças militar. A assembléia provincial de Sergipe.onde a defensiva fortificou-se. Depois da explosão dos holandeses de Sergipe (1645) os limites se conservaram no rio Real. na fala com que abriu a 1º sessão da 5º legislatura. com cuja existência apareceram os insultos e ameaças. em vista de uma carta do conde Castel Melhor aos oficiais da câmara. Entretanto. tudo isto é muito hipotético.e apenas foram criadas as respectivas autoridades. inferido meu antecessor que duvida só havia do espiritual. E o presidente de então. a 11 de janeiro de 1842. Até 1651 o governo não estendeu sua jurisdição além do rio. para escapar a algum desagrado. que a concessão feita por isso que a zona não pertencia ao seu governo. entendeu-se de novo com o presidente da Bahia. porque este toca a este governo‖. pois. que contra toda expectativa. no entanto dirigiu-se o meu antecessor ao presidente da Bahia. Ficava. Eis qual foi o procedimento da Bahia! 239 . do período de 1658 a 1696. estende suas jurisdições. Em conseqüência do que legislastes. Sebastião Gaspar de Almeida Boto. pois. que até o Espírito Santo. de junho de 1651: ―A passagem do rio Real. entre as autoridades da vila da Abadia e as da comarca da Estância.65. os mesmos que tinha como capitania. Não obstante. por não caber á assembléia provincial legislar sobre o assunto que expressamente pertence á assembléia geral‖.

128 de 23 de setembro de 1843. idênticas lutas se levantassem. Pelo ocidente eles nunca foram determinados. Se pelos lados setentrionais e meridionais. os limites foram somente precisados no lado oriental. nem também ser apresentado como um argumento. Importantíssimo foi o trabalho que ele apresentou. De 3 de setembro do pretérito. É este um fato de capital importância e que não deve ser esquecido nas questões de limites. os quais suplicavam a s. desde quando essa falta de precisão dos limites nota-se em todas as capitanias e doações dos tempos coloniais. contra o procedimento do coletor da vila de Simão Dias. porém ser alegado pela Bahia. Tais eram as palavras que pronunciava o presidente de Sergipe em 1865.. No século XVI. em solução ao que ele me dirigiu em janeiro acima referido. o ilustrado Dr. desejando entrar no perfeito conhecimento do fundamento das referidas queixas.p.nos séculos passados. cujos limites não são traçados com esse caráter de clareza. oficiou ao desta província. que pedia esclarecimentos acerca de uma representação que a assembléia legislativa encaminhou á câmara dos deputados. não são os mesmos que separavam Sergipe da Bahia . Limites ocidentais.o próprio original e documento. Foi o que sucedeu a Sergipe. Pretendemos provar o seguinte: a)Os limites que hoje marca-se a Sergipe pelo ocidente. em relação aos contribuintes que diziam já ter pagado ali os impostos a que estavam sujeitos. as questões de limite duraram talvez um século.Tanto as reclamações se repetiram que a questão ficou resolvida a favor de Sergipe. 240 .Francisco __as duvidas levantaram-se por parte de Alagoas e Bahia.35 de 27 de maio de 1864. não é para estranhar-se que. pelos leitos de dois caudalosos rios __Real e S. presidente da Bahia. traçados por esta linha imaginaria que parte das cabeceiras do rio Real ao riacho Xingo. enviado igualmente em ofício sob nº47.quando elas foram feitas. em data de 21 de janeiro de 1863. se por estes lados. cujo presidente. ―Outra representação que acompanhou o ofício n. ___ desde longa data sérios conflitos se têm suscitado entre as autoridades de Sergipe e as da Bahia. prestou as informações que lhe foram exigidas. pelo lado ocidental.que o acompanharam á secretaria do Estado dos negócios só império.m. por isso mesmo que a geografia da colônia era completamente desconhecida pela metrópole. Tivemos o prazer de lê-lo. em que duvida nenhuma devia existir. assim como a todas as capitanias. em observância do aviso de 5 de Agosto do ano p. até onde ela chegasse. trazendo ao seu conhecimento diferentes queixas dos agentes fiscais da vila do Geremoabo e distrito Coité. onde os limites são traçados com muita clareza. em seu relatório. Eles iriam até onde lhes permitissem as forças da colonização. dirigiu-se ao então inspetor da tesouraria provincial. ―Em ofício de 19 de Julho de 1864 remeti cópia do indicado ao Exm. Isto não pode. O ex-presidente Joaquim Jacinto de Mendonça. pelo Decr. o imperador providencias em ordem a fazer cessar os conflitos que com tanta freqüência se reproduziam entre as autoridades da Bahia e de Sergipe‖. em favor da usurpação que tem feito em território sergipano. foi também dirigida ao governo imperial por diversos habitantes da vila de Simão Dias.Joaquim José de Oliveira.

a arrancá-las dos naturais. que diz que o rei das Espanhas deu 241 . Sergipe. era uma parte integrante da Bahia. porque dele dependia o futuro da riqueza publica e particular. o espírito do foro. Sendo Cristóvão de Barros quem efetuou a conquista. não só entre os donatários do primeiro processo de colonização. todavia esta lacuna é suprida pelo testemunho do cronista holandês.quando se institui a centralização administrativa. Tornava-se ela a causa que havia de ditar os limites. eles acham-se recuados para o oriente. nem mesmo o corpo geográfico da metrópole. e Sergipe foi então conquistado e na nova capitania encetado o trabalho colonizador (1590). com a perda territorial para Sergipe de muitos quilômetros. relativamente à distribuição da judicatura brasileira. No fim do século XVI ela tomou a direção do norte. Eis aí um lado importante do caráter da judicatura brasileira. sobre crimes praticados. como fator que havia de inspirar no espírito da judicatura. Tendo feito parte da doação que D. a supremacia do juiz. ao padrão da Bahia. E não obstante ser ele de alguma força para legalizar a posse.Manoel fez a Francisco Pereira Coutinho. a decisão. pelos protestos que levantavam. como entre as capitanias. por parte das autoridades que mutuamente protestavam contra a extensão de suas jurisdição. ficando assim imunes a ação da lei. provocou pleitos judiciários que dificultaram o processo da riqueza e a ação da justiça. nenhum limite poderia marcar a Sergipe. a falta de clareza dos limites entre as possessões. pelo ocidente. pois indica o direito do primeiro o uti possidetis. pelo poder competente. como governadores ou capitães. não só individuais. e a circunstâncias que havia de legalizar a posse a marcar a jurisdição. E para essas divergências apelavam os criminosos. cujo resultado foi a criação de uma abundante advocacia. em geral do século XVI e XVII. pelo desregramento de uma sociedade contaminada. do processo colonizador instituído por Portugal no Brasil aponta-se o caráter arbitrário da divisão territorial. quando a força da colonização penetrasse nas florestas do ocidente. porque não existiam em virtude do caráter indeciso e abstrato dos limites procurava-se a sugestão. Por esse lado eles se alargariam um tanto mais.o que deve ser levado em conta nas questões de limites . que não lhe eram fornecidos. as bases de uma vida administrativa. que fugiam espavoridos para esse lado e para o norte. aos pleitos judiciários sobre posses de terras. o espírito de chicana. dando lugar ás lutas de jurisdição. Dependendo dele fatos de tão vitais interesses. a força da posição social do cliente. quando em 1590 foi conquistada e se constituiu uma capitania. de 50 léguas de terra da barra de São Francisco.mores da nova capitania. e na impossibilidade de julgar e decidir as questões por meios de elementos verdadeiros e positivos. Por isso mesmo que nenhum conhecimento tinha o soberano de Portugal da geografia da colônia.b) Não obstante isto. quando iniciou-se a colonização no Brasil. Com o progresso da colonização dilatava-se a posse territorial. o patrono. como entre os governadores das capitanias do segundo processo. E não obstante não termos encontrado seu regimento e dos seus sucessores. como era a do Brasil. relativamente à distribuição da justiça. Alem de outros defeitos. a ele foram dadas. Ao mesmo tempo em que se torna preciso a punição severa. Eis um fato que é preciso não esquecer sobre as lutas intestinas que se levantavam. essa falta de clareza dos limites dificultava as autoridades no cumprimento de seus deveres.

E todo território que se estendia da barra do rio Lomba para o ocidente. que era assim chaamado todo território ao ocidente da serra do mesmo nome. Pedro Garcia Pimentel. sem ter a seu favor o direito de posse. E pela sesmaria do desembargador Cristóvão de Burgos. 242 . Sergipe e S. Além disto. junto às nascentes do rio Vaza-barris. as terras nas demarcações na Serra Negra até encontrar com a sesmaria de Pedro Gomes. até o rio de São Frnacisco. Piauí. Logo. foram-lhes doadas 30 leguas de terra. que no século XVII. por onde a Bahia quer que passe a linha divisória. por conseguinte. quer pelo norte quer pelo sul. Jacobina e Itabaiana. A colonização então dirigiu-se para o ocidente. Cristóvão Dias e Agostinho da Costa. concedida em novembro de 1669. Por estas doações vê-se que a colonização de Sergipe chegou até a as imediações de Geremoabo. foram doados a Simão Dias Fontes. em uma distância de mais de três léguas para o ocidente foi dado de sesmaria a divesos colonos. onde está edificada hoje a vila do coité ou Malhada Vermelha. Não será uma precipitação concluir-se que de 1590 a 1637 os limites de Sergipe não foram determinados. afluente do Vaza-Barris. o que vimos por umas alegações dos dizimeiros desta última vila. porém a colonização neste período de tempo. pois era impossível fazê-lo. o capitão Manuel do Couto Dessa. A partir do rio Jococa. pertencia à doação de Simão Dias Fontes. pois necessidade de acrescentar provas como Sergipe limitava-se ao norte pelo S. de 1637 a 1645. ente os rios Vaza-Barris.a Cristóvão de Barros as terras de Sergipe. onde completam-se as trinta léguas. que era em Porto da Folha. até as nascentes dos rios Sergipe em Serra Negra. em 1762 – Capitão Antônio José da Cunha e o Capitão Manoel Dias Coelho – ao ouvidor de Sergipe Dr. junto ao litoral doado. até onde a Bahia hoje estende sua jurisdição. mais de três léguas para o ocidente foram doadas também. para o ocidente? No começo do século XVI achava-se quase todo o território das bacias dos rios Real. que se estendia mais deuas léguas para o ocidente e. em direção ao sertão. Não é só isto. Depois do período holandês. Francisco e ao sul pelo rio Real.Barris. sobre a impugnação dos habitantes do sertão de Vaza-Barris. acompanhando o leito do Vaza. a colonização mais se alargou para aqueles lados. Miguel Aires Lobo de Carvalho e ao Governador da Bahia. que em 1603 adminstrou Sergipe. Pela sua sesmaria. Até onde chegou. deve pertencer a Sergipe. Francisco. Hieronimo da Costa Taborda. Vaza-Barris e Cotinguiba. eram pelo rio Vaza-Barris. os limites traçados entre as vilas de Itapicuru. a pagarem-lhes os dízimos. a doação foi em fevereiro de 1607 e compreendia as terras de Itabaianassu. e Antônio Rodrigues. e nele iniciado o trabalho agrícola. E tanto a colonização chegou lá. na extensão de 32 milhas no litoral. em uma extensão de 3 leguas da cidade de Itabaiana para o ocidente. como pelo regimento dado a Tomé da Rocha. antes do período holandês a colonização já se tinha internado em grande extensão pelo sertão. os terrenos onde está edificada hoje a vila de Simão Dias. Assim. Não há. nas ubérrimas terras que hoje se chamam Matas de Itabaiana e Matas de Simão Dias.

pelo mesmo rio de S. ―Sua costa é banhada pelo mar Atlantico. ficando como de cabos a dentro desde a ponta do sul da barra do rio de S. chamada de Paulo Affonso.‖ Diz Marcos Antonio de Souza: ― A capitania de Sergipe d‘El-Rey. matas de Simão Dias e riacho do Xingó. 58‘ de latitude e 347° e 18' de longitude e por este lado vae terminar com a comarca de Alagôas pertencente ao governo de Pernambuco. ainda que não chegasse a um ponto correspondente. buscando a parte central da 243 . Jacobina e Itapicuru era o rio Vaza – Barris. esta estende-se desde o rio Real. Não sendo oportuno aqui transcrever integralmente essas memórias. que desemboca no oceano na latitude de 11° e longitude de 360° ee 38‘ até o rio de S. como o Pombal ou Tucano. e foi levantada Villa em 1698. Eis o que vemos em uma desta memórias. até a do norte da barra do rio Real. Francisco. com o Julgado de Pombal. servindo de divisão entre a Comarca de Jacobina e a das Alagôas o sobredito rio de S. dista 12 leguas da Villa de Santa Luzia. Francisco. pelo poente pela comarca de Jacobina e seu Julgado de Cabrobó. desde Ella até o rio do sul nas vizinhanças da cachoeira grande. Francisco. Assim fica provado que a colonização de Sergipe. e daí para o norte e o ocidente. foi erecta pelos governadores do Arcebispado. pela sesmaria de Simão Dias Fontes. comprehendendo no seu districto. simplesmente aproveitamos os trechos referentes às questões de limites. com a sanção do governo da metrópole no Brasil. Francisco. Francisco. da capitania de Pernambuco. cuja foz está na latitude sul de 10° e 58‘. a quem o capitão-mor de Sergipe fez doação de 4 léguas na zona onde está edificada a vila de Campos.corrupto vocábulo Serygpe – no Brasil occupa grande parte das terras que estão ao norte da Bahia de Todos os Santos. até a Vila Nora Real d‘ El-Rey do referido rio de S. Lagarto. chamada antigamente Gerú e igualmente a Villa Nova Real de El-Rey ao norte de toda a comarca com a extensção de quase cem léguas. e talvez além das cabeceiras do Rio –Real pela sesmaria de Belchior Dias Caramuru. que passamos a descrever. em 11 de Dezembro de 1679.Analisando-se devidamente este documento. porque nele lemos: o Vaza-Barris faz demarcação para a parte do nascente até o rio do Peixe e por elle acima até o fim. beira rio de S. Se pela fronteira setentrional do Vaza-Barris a colonização caminhou até esses limites ocidentais. S. cuja embocadura fica em 10°. no séculu XVII. contando-se da divisão que faz com que a dita comarca da Bahia. hoje comarca. as ausência do primeiro arcebispo D. Dilata-se desde as costas do mar até Massacará. Francisco. nas imediações da nascença do Vaza-Barris. perto da cachoeira de Paulo Affonso. onde finda 55 leguas e da Extrema de Jacobina 50 leguas pouco mais ou menos até a pancada do mar. Francisco da comarca de Jacobina. lemos o seguinte: Limita-se esta capitania (Sergipe). e que no século XVII a jurisdição do seu governo estendia-se a essas paragens. 58 leguas acima de sua foz. pela fronteira meridional do mesmo rio. além da cidade do mesmo nome cabeça da comarca as Villa de Santo Amaro das Brotas. Em outra memória cujo autor igualmente desconhecemos. vemos que o limite entre os termos de Itabaiana. que se pudesse unir por uma paralela a Geremoabo. que deságua no sobredito rio de S. E esta nossa opinião é confirmada pela dos antigos cronistas. Santa Luzia e a de Thomar dos Indios. todavia ela muito estendeu-se até além das matas de Simão Dias. pelo sudoeste até o sul com o rio Real da comarca da Bahia. e com a das Alagôas. Francisco. e pela parte de leste é cercada do oceano que faz a enseada de Vasa Barris. pertencente ao districto da Villa de Itabaiana. por todo o seu norte pela margem austral do grande rio de S. tinha chegado até Geremoabo. de cujo autor não sabemos o nome: Divide-se esta capitania com a comarca da Bahia pelo rio Saguim e o termo do Julgado do Geremoabo. Itabaiana. da Piedade do Lagarto. Gaspar Barata de Mendonça. Diz o mesm autor: A freguesia de N.

pelo uti possidetis.Moendas. Lagoa Seca e Gravatá. quando Sergipe. nem dos presidentes de Sergipe. a serra do Capitão.até o rio vasa Barris. Eles não foram derrocados. passou de capitania a comarca. e vão contra o direito de posse adquirido por Sergipe. por uma linha que parte das cabeceiras do rio Real. não são veredictos. pugnou por esta questão. cumprindo assim um importante dever da representação. Só temos a lastimar que a deputação de Sergipe não tenha feito desta questão uma causa determinativa de reais e patrióticos esforços. em 1696. Mulungu. O seu trabalho recente-se da grande falta. Entretanto. estende-se 11 leguas desde a matta da serra pedregosa. Se já demostramos que os que são traçados pela linha imaginária do Xingó ao Rio Real. viesse a massacará. e sem achar auxílio na verdade histórica. a serra do João Grande. de não ter sido órgão no parlamento de todo o passado histórico do direito de posse de Sergipe sobre seu território. de onde o erário público tira grandes proveitos. que o espírito público delegou-lhe. terminasse nas nascenças do rio Real. passa entre Simão Dias e Coité. o Dr. termina na nascença do rio Real. Somente em sessão de 14 de agosto de 1822. que são as conseqüências de tantas ilegalidades. José Luiz Coelho e Campos. um dos deputados de Sergipe. que lhe fica a oeste. se diz que eles são traçados por uma linha que partindo do Xingó e passando por sobre a serra Negra.até a mata de Simão Dias. desfalcando-se assim do território sergipano uma extensão de muitos quilômetros. usurpando de Sergipe gande parte de seu território. em vista dos prejuízos. Com esta nova usurpação da Bahia. Podemos pois traçar os limites de Sergipe: por uma linha que partindo da cahoeira de Paulo Afonso. que fica ao norte. ainda que nem de longe duvidamos das boas intenções do seu autor. Dilata-se desde o engenho. acham-se hoje transferidos para o oriente. que marcava o limite da sesmaria de 30 léguas do desembargador Burgos. como toda a população de uma zona de terreno de talvez 30 quilômetros. assegurados pelo direito da colonização. para tirar-se de sua jurisdição uma zona territorial tão grande. contornando Pombal e tucano. Sergipe perde uma extensão territorial de muitos quilômetros. pelas alegações dos dizimeiros em 1722. colonizada à custa de seus recursos? Não osbstante os limites que estão geralmente reconhecidoos por uma linha do Xingó ao rio Real. Não preciso gastar tempo para mostrar ao leitor a falta de verdade destes novos limites.comarca. Espírito Santo. por sua colonização. Por que deslocaram-se os limites? Porque feriu-se o direito de psse seclar. Eis aí os limites de Sergipe. de tanto absurdo. a levar a convicção ao espírito do governo. Francisco. e que são confirmados pelo testemunho histórico. nem da representação. desde o século XVII. garrantido pela colonização. denominada –Mococa. das lesões econômicas do corpo eleitoral e do poder político. 244 . menos verdadeiros serão estes que a Bahia quer impor. hoje. E isto tudo a Bahia fez sem a sanção da lei. em vista da uberdade do terreno e pela enorme criação de gado nas fazendas de S. junto às cabeceiras do rio Vaza-Barris e daí partindo. a fim de que seja garantida e respeitadada a nossa integridade territorial. Sendo uma questão de interesse palpitante. este pedaço é mais de 12 léguas. sem o menor protesto. deveria merecer mais atenção da representação da província.

245 . quando a regeneração do caráter brasileiro efetuar-se pelas forças nacionais. Se os limites traçados pelo ilustre geógrafo Cândido Mendes de Almeida são mais naturais. Jacurici e Pontal. Por ele vê-se que seu autor já propagava as idéias republicanas. permanentes. Estamos certos de que. ainda que incompletas. pela vitória da república. for uma realidade. para conquista do direito de posse que Sergipe alcançou sobre esse território.Apelamos para opatriotismo da representação de Sergipe. têm o defeito de não representar o direito de posse adquirido. como pela linha do Xingó ao rio Real. são a expressão da verdade. são traçados pelos leitos dos rios – Itapicuru. teremos então uma época da justiça e do direito. São eles os verdadeiros limites ocidentais de Sergipe. em tempos coloniais. quando a rebelião que parte agora do espírito popular. porque até aestas paragens não chegou a colonização de Sergipe. Redigia então um jornal – o Horizonte. que foi um incidente na história brasileira. Itapicuru-mirim e Calitre. será para o autor destas linhas um justo motivo de um nobre orgulo.no qual já fazia a propaganda republicana. pois. essencialmente democrata e oposta aos hábitos aristocráticos. Os que apresentamos. E além da verdade histórica que representam. a fim de que uma questão de interesse tão útil seja resolvida. em suma mudar-se a forma do governo que tem gerido os negócios públicos. 259 Este capítulo foi escrito em 1884.259 E se as informações. que presto neste estudo. pelas duas cordilheiras. pela eliminação da monarquia. Eles não são marcados com um caráter tão abstrato. quando este país for dirigido por um governo patriota e livre. exprimem também uma divisão bastante acentuada. que não são inerentes ao elemento étnico do Brasil. quando. conta o odioso privilégio que se encarna em uma dinastia. ou pelo Itapicuru. contra a vontade popular. menos sujeitos a litígios. contribuírem para a vitória da verdade.

e por o dito Thomé Fernandes foi aseita a dita terra com todos condiçoens e obregasois nesta carta contendas e da ordenasan e fores desta capitania e se hobrigara a todo comprir pelo que lhe foi pasada a presente para sua guoarda da coal eu escrivão fomei e escrevi neste meu livros das dadas em nome do dito Thomé Fernandes e dos mais a que tocar esta auzentes e eu Manoel André. Visto esta petição do suplicante. Saibam quantos esta carta de semaria deste dia para sempre virem que no anno do nascimento de nosso snor. 246 . Faz-me e deu em nome de sua magestade a dita terra do dito Thomé Fernandes obrigado a fazer benfeitorias na dita terra no tempo que a ordenançan lhe limita porque com as ditas condições e obrigações o dito Sr. resalvando pontas em seadas com suas águas. de verbo ad verbo é o seguinte: diz Thomé Fernandes que ele veyo ajudar a dar guerra em Sergipe d‘el Rey em companhia de Cristovão de Barros Capitão geral das entradas com suas armas e escravos a sua custa sem premio nenhum nem cousa algua Del Rei e despois da terra já ganhada se for assim que neste serviço de sua Magestade gastou oito mezes. o qual dahy a um anno tendo noticias vinham moradores apouvar não quis ser dos derradeiros. J.APÊNDICE SESMARIAS DE SERGIPE CARTA DE THOMÉ FERNANDES 23 de julho de 1594 – Rio cotinguiba. Capitão e Governador por bem do regimento que para isso tendo dito Sr. e mandou pasar carta do dito Thomé Fernandes deste dia para todo sempre e mandou as justiças e oficiaes dela den e fasan dar a pose da dita terra ao dito Thomé Fernandes pelas confrontasois e demarcasois nesta carta conteúdas e nele e dela poderá fazer como cousa sua que já é conforme a ho dito despacho e ordenasão que em todo comprace a qual terá-lhe asin dou livre e isenta de todo foro tributo se mande que pagace o dizimo a Deus que se deve a ordem de nosso Sr. madrias e pastos e receberá mercê. e não atendendo ao muito trabalho que passão nas terras novas se veyo sua casa movida trazendo consigo hua filha casada onde já nesta capitania a três annos mora ajudando a pouvar assim na pás como Guerra: Peda a vossa mercê havendo respeito a ser dos premeiros e por seu officio permanecer a terra com embarcacoens lhe dê de sesmaria em cotemguiba pêra onde se acabam o Mangues Verdadeiros que chamão corropoiba. Ihus xpo de 1594 aos 23 de julho da diata era nesta cidade de S. Capitão e Governador da coal petisão e despacho o treslado. e o que importa ao bem da terra e serviço de Sua Magestade lhe dou em seu nome de sesmaria na parte do dito Rio ouver que não entrarão na medição e serão também suas e disso lhe passem sua carta porque lha dou. lhe fez m. Chistovão capitania de Sergipe de que é capitão e governador o Snr. nesta Capitania. três mil brassas de terra pelo rio asima e pêra o sul coatro mil brassas a qual terra se medirão d‘onde se acabam os ditos mangues que declara e pêra este assim e da maneira que corre odito Rio. Thomé da Rocha governador geral de todo este estado do Brasil nas pousadas de mim escrivão ao diante nomeado por despacho ao pé dela do dito Sr. com todas as madeiras e rios que dentro d‘ella houverem: Sergipe em 23 de julho de 1594 annos: Thomé Fernandes o que tudo isto era contendo no dito despacho e ho qual era assinado pelo dito Sr. e havendo respeyto a ser já morador. C. Despacho.

Saiban. R. m.escrivão dos dados nesta capitania por o Sr. – Diogo de Qoadros. 247 . Diz Domingos de Amorin Soares que elle quer ajudar a povoar a capitania de Serigipe e tem muitos servisos feitos a sua magestade asin nesta costa com em outros portos indo muitas veses a guerras assaltos de muito serviço de déos e bem das povoações de toda esta costa do Brasil em iesto gastando sempre de sua fazenda e de sua custa e tem muitos filhos e não tem terras aonde os agasalhar pello que pede a V. – Rio Real. afuente do rio Real. Diz Francisco Rodrigues morador nesta cidade de serigipe que ele He casado e tem mulher se filhos e não tem terras onde posa fazer sua abitação e suas pose e criasois. Dou aos sopricante que pede as tresentas brasas de terra de largo e oitosentas de conprido não sendo dade e sendo queira rumo direto até onde lhe cuber em Sergipe a seis de abril de noventa e sein anos. – Rio Real. Capitão e Governador a fiz em que o dito senhor asinou. CARTA DE FRANCISCO RODRIGUES 6 de Abril de 1596. ec. – Thomé da Rocha. respeitando os mesmos serviços que tem feito a sua magestade com que tem gastado de sua fazenda lhe dê de sesmaria em nome de sua magestade uma légua de terra na cabeceira de Jorge Pereira no rio real pello rio de goarujahi260 e do largo em qoadro e outra em légua rumo direito e receberam despacho. CARTA DE DOMINGOS D‘AMORIM SOARES 15 de Abril de 1596. Lhe fasa mercê de uma légua de terra pelo rio piauhy asima donde ora tem Tome Fernandes mimoso sua terra donde elle acabar pelo rio asima aonde se chama o porto das pedras e sendo dado que corra por diante a coal terra esta da banda do este com todas as agoas e madeiras que dentro em si tiver E. hora no Rio Real estan terras devolutas as mais san de matos maninhos e estan por dar pede a Vm. despacho. – Diogo Quadros 260 Goacujahy ou goarujaby é o nome indígena do rio hoje chamado Burarema. Dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade se for dada correra adiante nea legoa de terá em coadro com todas as agoas e matos que nela ouver em seregipe guynze abril de noventa e seis . M.

CARTA DE MANUEL DE BARROS 20 de abril de 1596 – Rio Piauhy Saiban.acabar da banda do sul do dito rio piauhy a quoal legoa de terra correra para aldeã de san tome norte e sul e leste ao este em coadro com todoas as agoas ilhas matos e lagoas que dentro ouver. despacho dou ao sopricante que pede não sendo dada duas mil brasa de terra de largos e mil e quinhentos de conprido e sendo dada correra adiante em serygipe vinte de abril de noventa e seis anos .CARTA DE GASPAR D‘ALMEIDA 20 de abril de 1596 – Rio Piauhy Saibam. etc .-Diogo Qoadros CARTA DE GASPAR GOMES 3 de Dezembro de 1595 – Rio Piauhy Saibam ..etc.Diogo de Qoadros. etc diz Manuel de Barros escrivão de Fabrico judisial morador nesta sidade que vai em dois anos que reside nela e nã ten terras em que posa fazer seus mantimentos pede a vossa merse lhe faça mercê de lhe dar no piauhy rio real meã legoa de terra a quoal pede no porto das pedras comesando aonde acabar tome fernades mymoso para ariba asin e da que corre o dito rio piauhy a quoal meã legoa seja em coadro a saber norte e sul leste ao este com todas as agoas lenhas matos lagoas que na dita dita meã legoa ouver –despacho dou ao sepricante coadro sentas 248 .diz Gaspar D‘Almeida provedor da fazenda de sua magestade desta sidade de san christovan e morador de cinquo annos a esta parte e não tem terras em que posa fazer seus mantimentos e criasões pede a vossa magestade lhe mercê de hua legoa de terra no rio piauhy a qual legoa de terra comesara a medisan de la adonde vossa m.diz Gaspar Gomes morador nesta capitania sidade de san Christovan que ele vejo em ajuda de dar guerra com Christovan de barros houtro sin veio com tome da rocha e ora assiste na capitania por morador ora é necessário terras para seus mantimentos e ora digo caros e porque ora no rio pe piauhy estão terras devolutas de terras em coadro no dito piauhy na testada de gaspar de oliveira da banda do norte ao longo do rio com todas as águas lenhas madeiras que na dita terra ouver e sendo dada cerrera adiante.despacho dou no sopricante em nome de sua magestade na parte que pede na testada de gaspar de oliveira oitosentas brasas de terra em coadro com todas agoas e matos que nas ditas oitosentas brasas ouver e sendo dado corra rumo direito em serygipe três de dezembro de noventa e cinco annos.

m.-despacho – dou aos sopricantes em nome de sua magestade na parte que pedem duas legoas de terra em coadro huma a cada hum deles não sendo dado visto muita pose que tem e ser servisso de sua magestade 261 262 Nome de uma serra .Rio Piauhy Diz Sebastião de Brito e Francisco de barros moradores na sidade de salvador que eles san homes de muitas pose e queren pouvoar e aver a terra suas criasois de gado vaqun e das mais criasois e ora no rio real digo do piauhy hum dos brasos do rios real estan terrras devolutas por dar e por ora seren o mesmo de muita pose que a podem povoar pedem a vossa merse lhes fasa mercê lhe dar de semariano dito Rio Piauy três léguas de terra em coadro as cuasis terras partirao com a dada de jeronymo da costa que esta fronteiro do bogio261 da banda do sul fasendo rumo direito ate dar no rio inajaroba262 e na sendo três léguas da dita terra donde acabar o dito Jeronymo da Costa se encabece pelo dito rio inajaroba assima de maneira que fiquem sendo as três legoas em coadro a saber norte e sul leste e oeste com todas as agoas lenhas madeiras e os ribeiros lagoas que nas ditas três legoas ouver no que R.m.dou ao supricante que pede quatro centas brasas de tera de largo e oito sentas de conprido para o sertan tomado o rumo do rio como correr não sendo dado e sendo careça ate onde lhe couber em serygipe a vinte seis de abril de noventa e seis . Hoje conserva o memo nome. de lhe dar as sobejas das terras de Manoel André de sesmaria na serraria do piauhy da banda de leste com todas as agoas e lagoas e ilhas matos que dentro na terra ouver R. 249 . avendo respeito a sua necessidade lhe fasa m.Diogo de Qoados CARTA DE SALVADOR FERNANDES 26 de abril de 1596 – Rio Piauhy Diz salvador Fernandes morador nesta cidade de san Christovan e capitania de serygipe que vae em dois anos que esta nesta capitanya com sua mulher e filhos e suas criações que a um ano pretende caso não tem na capitania terra em que posa lavrar não puder trazer as dittas criaçõis e visto estar aposentado em terras alheias e daqui amanha o mudaram levantar e não ter antan adonde se posa acomodar com sua mulher e filhos e família pelo que pede a v.m. A qual pode ser porque mais ou menos da serraria para leste mil e quinhentas brasas .-Diogo de Qoadros CARTA DE SEBASTIÃO DE BRITO E FRANCISCO DE BARROS 5 de amio de 1596. Inajaroba é o nome primitivo do rio piauí.brasas de terra de largo rumo direito do rio e oitosentas brasas de conprido com todas as agoas e matos que nela houver em serygipe a vinte de abril de noventa e seis ..

diz Jorge Coelho mor.m.en tatuapara que eleveio aconpanhando Christovão de barros quando veio a dar a guerra a este a sua custa. e ora quer ajudar a pouvar esta capitanya de serigipe e para isso lhe he nesesario terras para matimentos e pastos para gado lhe fasa m.despacho.Rio Real Saibam etc. – despacho -Dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede e sendo dada cueira por diante eu serigipe a oito de maio de noventa e seis anos – Diogo de Qoadroz.pouvoar-se e sendo dado careça para diante em sergipe a sinquo de majo de noventa e seis .-Diogo de Qoadros CARTA DE NUNO DE AMARAL 8 de maio de 1596.M.en nome de sua magestade havendo respeito ao asima dito de lhe dar de sesmaria para ele e seus filhos e desendentes duas legoas de terras em coadro na testada de J M0 Ribeiro da banda do sul com todas as agoas e madeiras que na dita terra se achar pelo dito rio de inajoroba asima asin e da mana que o dito rio correr regolando as pontas que o rio fiser os quoais também pede e sendo dado cora pordiente a dita dádiva q‘ora pede E. CARTA DE CALISTRO DA COSTA 10 de maio de 1596 – Rio Real Dis Calistro da costa mor na sidade do salvador q‘ele acopanhou Cristóvão de barros coando vejo dar a gerra a este sergipe por general com suas armas e cavalo a sua custa e por quanto ele ora quer ajudar a povoar esta capitanya de serigipe e para isso lhe ´e necessário terras para matimentos e criasois e por coanto ora no rio real há terras devolutas por dar pede a v. Diz Nuno de Amaral morado na baia do salvado que ora serve de escrivão da fasenda de sua magestade que ele quer ajudar a pouvoar esta capitania de seripe com suas criasões de gado e gente a para isso lhe he nesesario terra para suas criasois e antimentos pede a vossa Mag.en nome de sua magestade de lhe dar e 250 .R. lhe fasa mercê de lhe dar nas cabeseiras de Domingos de Amorim suares no rio guacujahi 4 duas legoas de terra em coadro ao longo do rio di uma banda e da outra que fique o rio por padran com todos matos lagoas e lenhas que nela ouver Rm.dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade não sendo dado comece por diente rumo direito aonde lhe couber m a legoa de terra em coadro com todas as agoas lenhas matos que nela ouver em serigipe a dês de mayo de noventa e seis – Diogo de Qodros CARTA DE JORGE COELHO 13 de maio de 1596.

m. etc.m .m. lhe fasa m. de lhe dar duas legoas de terras encoadro a coal terra se comesara a medisan dela onde acaba calistro da costa e jorge coelhos com a medisan pelo dito esteiro e lhe de a dita terra de sesmaria como pede pelo inajaroba asima da banda do sul e da mesma maneira que corre o dito rio resalvando as pontas que o rio fiser as coais pede diante E.despacho –dou ao sopicante na parte que pede en nome de sua magestade oitosentas brasas de terra em coadro e sendo dada a outren corra por diante en serigipe trese de maio de noventa e seis anos –Diogo de Quoadros.com todas as agoas e madeiras riais e ribeiras que na dita terra ouver e ilhas de matos que nelas se achar a quoal terra pede em coadro resalvando as pontas inseadas que o dito rio for fasendo as quoaes também pede e R. despacho. CARTA DE ESTEVÃO GOMES D‘AGUIAR 13 de maio de 1596 – rio real Saibian.etc .dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade mil brasas de terra en coadro não sendo dada a outrene se for dada quera por diente co a condisan que dentro nu ano a va pouvar e não a pouvando a tornanarão a dar por devolluta em serigipe trese de mayo de noventa e seis anos – Diogo Quoadros.na sidade do salvador que ele tem molher e filhos e ele aconpanhou Cristóvão de barros com seus escravos e armas e canoha (?)a sua custa e que ele ora quer vir ajudar a povoar esta capitanya de serigipe e que para isso lhe he nesesario para suas criasõis e matimentos terras e ora no rio real num esteiro que chamão Inajaroba estão terras devolutas por dar pede a Vm.respeito ao assim dito e ser dito serviso foi feito lhe fasa m.R. diz Estevão Gomes mor . CARTA DE DAMIÃO DA MOTA 13 maio de 1596 Saiban . na testada de Manoel de barros de duas legoas de terras em coadros para o sertan a quoal terra se comesara a medir onde acabar o dito Manoel de barros contado o que na dita tiver e agoas e madeiras para ele e sua molher e filhos e desendente de 251 .morador na sidade do salvador que ora veio em companhia do general cristovan de barros a guerra de seregipe com uas armas e cavalos e escravos tudo a sua custa onde na dita batalha lhe matarão o seu cavalo e coatro escravos seus e ele dito damião da motta com duas frechadas e assim mais o dito senhor o trazer por lingoa-mor e capitao de tresento índios forros das aldeias dos padres com os coaes vinha fasendo caminhos e estradas pontes por ribeiros e entulhando brejos e lagos por onde passou a artilheiria e munisões que gerra era nesesario e pasa sen caros e cavalos que para dita gerra erao nesesario e avendo V. diz Damião da Motta .sesmaria duas léguas de terra na testada de Calistro no rio que chama Inajaroba pelo dito rio asima assim e da maneira que corre o dito rio.

de duas legoas de terras para pastos dos ditos gados e criasois e seja a ho longo da que parte com a do mestre da capella e sendo dado corera adiante com as agoas lenhas e madeira que nela ouver e Rm. R..sesmaria hoje para todo sempre Reslbará m. CARTA DE THOME FERNADES 15 de maio de 1596 – Ru Vasa Barris Sabian. diz o dito Silveira do Rego que ele quer ajudar a povoar a sidade de San Cristovan da capitanya de serigipe para o efeito do quoal lhe é necessário mandar la sertos vacas e gado e outras criasois que nã pode fazer sem alguã terra de sesmaria nos limites da dita capitanyapelo que pede vm lhe fasa m.de Qoadros CARTA DE DIOGO SILVEIRA DR REGO 13 de maio de 1596 Saiban .etc. Despacho: dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede meia legoa de terra em coadro não sendo dado a outren e sendo dada coera por dianate condisan q‘dentro num ano a vira povoar e não a povoando no dito tempo se dara outren por devoluta en seregipe a trese de maio de noventa e seis anos .diz tome Fernandes morador nesta caitanya que tem necessidade de huã ilha que esta defronte de huã dada do sr . despacho: dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade a ilha que diz não sendo mayor do que sua petisan decrara em seregipe a quinze de maio de noventa e seis anos –Diogo de Cuadros.bispo em tinharé a cual ilha chama patatiba263e terá de comprido seis sentas brasa e de largo sem brasa e em parte menos a quoal pede a vm..lhe fasa m.M. junto a S.Diogo. Saiban etc. dar de sesmaria com seus portos e matos no que E. 252 . Despacho –dou ao sopricante em nome de sua magestade duas mil brasas de terras em coadro a qual terra começara a medir donde acabar o mestre de capela da sidade da baia correndo para o norte com suas agoass e lenhas na sendo dada a outren e sendo dada correra por diente com codizan que dentro de seis mezes a venha povoar em seregipe a trese de maio de noventa e seis anos .-Diogo Qoadros. CARTA DE MIGUEL SOARES DE SOUZA 16 de maio de 1596. Chistovão.etc .diz Mygel soares de souza que ele esta demorado digo demovido com molher e filhos para esta capitany e por falta de enbarcasan não trouxe sua molher consigo e porque ora esta aqui e quer fazer suas rosas e casas p‘ ir buscar 263 Nome de uma ilha que fica defronte de Thinharé.

...... R...........sua família e por não aver terras por dar ao redor desta sidade por serem todas dadas pede a vm. 253 ......... lhe fasa m............ – Rio Piahuy Saiban etc......... de lhe dar de sesmaria hos sobejos das terras donde acaba a dad de martin de.............. m....... Diogo de Quoadros..................... nos ditos sobejos ouver os quoais poderan 264 265 Nome primitivo de uma aldeia. a esta parte serve a sua majestade como foi no .... Nome indígena do rio chamado hoje poxim...... Despacho – dou ao sopricante em none da sua magestade o q pede não sendo dada mil brasas de terras em coadro com todas as agoas lenhas matos que nela ouver e sendo dada correra por diente Rumo direito onde couber em sergipe a dezesseis de majo de noventa e seis annos . –Rio Piahuy.................m. CARTA DE PEDRO ALVES ARANHA .......e porque ele sopricante não tem terras ....... e..... diz Pedro Alves Aranha morador na sidade de salvador q ela ele quer ajudar a pouvoar esta capitanya he omen de pose asin de gente como de criasois q há hu morador san pertensentes e para isso lhe é nesesario terras p a mantimentos e criasois e ora no rio piauhy estão terras devolutas por dar pede a Vm lhe caça m.....rio de piahuy a quoal começara e correra para a banda do norte em quadro de norte a sul e de leste a oeste com todas as rebeiras matas agoas que na dita terra se achar com todas as voltas q o dito rio vae fazendo no q..pelo q.Quoadro CARTAS DE GASPAR D` AMORIM 16 de Maio de 1596.... Saiban etc... junto ao rio Poxim.............................. em nome de sua magestade de lhe dar hua legoa de terra q........16 de Maio de 1596.de hua legoa de terra em coadro ..... pede a vm avendo respeito ...... visto passarde tenpo em q pudera fazer benfeitorias e por o pregan que o snr‖grd. é meã légua a qual meã legoa a hu frº vas coelho morador ora no espírito santo a quoal terra na tapera da tajoaba264 pelo ribeiro de hipoxy265 abaixo da banda do sul aonde começa domyngos frz nobre de camynho q ele tem por marquo pelos rumos que mylhor lhe pertence a coal terra pede a vmce por divoluto conforme aos pregois que vmfez deitar na sidade da baia e R..........diz gaspar d´amorim morador nesta capitanya de serigipe .................geral madou dar na baia e se casar em san visente e estar fora de vir povoar-dou ao sopricante em nome de sua mgde a dita terra por devoluta asin e da maneira que fro vs a tinha em sergipe em dezesseis de majo de noventa e seis anas D..a todos no rio Piauhy da banda de banda de leste com todas as agoas riberiros lagoas lenhas q. desta capitanya de um ano e meo .......

m lhe fasa m.ele quer morar e viver no rio real e traser suas poses pêra o quoal não tem terras onde se aposentar e hinformado que no dito rio real onde acaba a dada dos padres da conpanhia de Jesus estão terras devolutas por dar a pesoa algua pede a v.diz Domingos d Andrade morador na baja do salvador qe Ele ser morador na capitanya de serigipe e não tem terras aonde morar e viver he informado que no rio real .D. em nome de sua magestade de lhe dar pelo dito rio asima abacho longo dele uma legoa de conprido e duas para o sertan correndo rumo direito contodas as agoas os pastos serventias q. da dita legoa em quadro nas cabeceiras dada de frº de barros e sebastian de brito erm despacho – dou ao sopricante em nome de sus magestade nas terras cabesseiras de Francisco de barros e Sebastiam de brito meã legoa de terra em coadro não sendo dada corera por diente aonde rumo direito onde couber em sergipe a dezesseis de majo de noventa e seis annos .de Quoadros.Diogo de Quoados. CARTA DE CHRISTOVAM REBELLO 16 de maio de 1596. 254 .diz Cristovan de Rebello dasevedo morador na baia de salvador q‘. CARTA DE DOMINGOS DE ANDRADE 23 de maio de 1596 – Rio Real Saiban etc .dou ao sopricante em nome de sua magestade de lhe dar hua legoa de terra em coadre correndo pelo rio asima a onde acabar a dade de Cristovam Rabello e sendo dada Correa adiante onde não foi dada com todas as agoas q nela ouver digo com todas as agoas e matos q nela ouver e sendo dada correra por diante em sergipe e vinte e três dias de maio de noventa e seis anos .chamado pela hitanhi a terras por dar devolutas pede a vm lhe faça m.m despacho .de Quoadro. dentro na dita terra entrar e isto pede a vm por serem muitos campos e terras nan serven senão para pastos e sendo cousa que a dita terra q‘ pede seja dada a outren posa corer adiante honde não foi dada e isto pede por elle sopricante ter catorze poses e criasois para trazer erm despacho – dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede meã legoa de terra em coadro com todas as agoas lenhas matas q‘ nelas ouver vindo as pouvoar no termo da ordenasan e não vindo se daram por devolutas para quen quiser pouvar em sergipe a desesis de maio de noventa e seis annos D.en nome de sua magestade de lhe dar hua legoa de terra em coadro correndo pelo dito rio asima aonde acabar a dada de cristovan rabello e sendo dada correra adiante onde não foi dada com todas as agoas e matos e mais serventias as quoais pede e r.ser hua legoa pouquo mais ou menos e sendo cousa q seja dada lhe fasa m.Rio Real Saiban etc.

por ter muitos filhos familya erm.rio real Sabian etc.rio real .dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade quinhetas brasas de terras em coadro com todas as agoas lenhas matas que nelas ouver pouvando a dentro do termo da ordenasan em Serigipe a vinte coatro de maio de noventa e seis Diogo de Qoadros.despacho – dou 255 ... CARTA DE CHRISTOVÃO DIAS 24 de maio de 1996.fez m. nesta capitanya com sua molher e filhos e não tem terras onde posa viver he ele enformado que no rio real chamado dos índios hitanhi onde acaba a dada de dos.lhe fasam.Diogo de Qoadros CARTA DE FRANCISCO ALVARES 24 maio de 1596 . Despacho – dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que mea legoa de terra em coadro com todas as agoas e matos pue nela ouver e pouvoando–a dentro do tempo da ordenasan em serigipe vinte e coatro de mayo de noventa e seis annos.-Rio Real Saiban etc. Dandrade há terras por dar a pessoas alguma pede a com todas as lenhas matos servente que na dita legoa houver e seando caso que seja dada a pesoa outra corera a diente onde não for dada isto pede a vm.diz Cristovan dias almocharife de sua magestade que por tenpo de coatro anos que esta em serviso do dito senhor nesta capitanja de Serigipe ajudando a pouoar com sua fasenda e pesoa achando-se em todos dos assaltos e rebates que os contrários dela fizeram e ora quer ajuda a pouoar ho rio real com gado criasois e não tem terras em abatansa pede a Vm..dar a seu genro Baltasar Ferreira com todas as agoas matos que na dita terra ouver digo entrar e sendo dada corera adiente onde não for dada Rm despacho . Saiban etc.diz Baltazar Ferreira que ele quer ser mor.m.diz Francisco Álvares morador na haia que ele quer nesta capitanja ser morador com sua mulher e filhos e família e não tem terras onde viver e he informado que no rio real chamado hitanhi pelos índios ai terras por dar vaguas e devolutas pede a vm. de lhe dar de sesmaria em nome de sua magestade duas mil brasas de terra em coadro na testada de gaspar damorim da banda de noroeste corendo para o rio piauhy con todas as madeiras e agoas que na dita terra se achar no que e.visto o serviso lhe fasa m.CARTA DE BALTHASAR FERREIRA 24 de maio de 1596.de lhe dar huma legoa de terra ao longo do dito rio contra para o certan a quoal terra comesara onde acabar a dada que vm.r.

Diogo de Qoadros.dou ao sopricante na parte que pede duas mil brasas de terás em nomes de sua magestades em coadro com todas as agoas matos que nelas ouver e dada corera por diante ate onde lhe couber em serigipe a vnte e cinquo de majo de noventa e seis anos – Diogo de Qoadros.. 256 .Rio sergipe. CARTA DE MIGUEL SOARES DE SOUSA 26 de maio de 1596.rio Jacaré .dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede não sendo dada e sendo dada corera por diante quinhentas barasas de terras em coadro com todas as agoas e matos que nela ouver com condisan que dentro de quatro meses as venha poupar e não vindo serão dadas por devoluto em serigipe a vinte e seis de majo de noventa e seis anos . CARTA DE DOMINGOS FERNANDES NOBRE 25 de maio de 1596 . Saiban etc. 266 taymitiaia.Diogo de Quadros.diz Antonio Gonçalves se Santana morador nos limites de habia que ele vejo a este Serigipe ajudar a coquistar esta terra em compranhia do governador Cristovan de barros e assim mais a rebate nenhum em que se ele não ache com sua pessoa e escravos como é notorio e ora não tem terras em que possa lavrar pelo que ele se quer vir morar a esta capitania com sua casa e obrigações de filhos e filhas e irmãos pelo que pede a VM.despacho..ermdespacho. nome indígena do rio chamado hoje jacaré.ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede não sendo dada mil brasas de terra em coadro com todas as agoas lenhas matos que nelas ouver e sendo dada correra por diante em serigipe a vinte coatro de maio de noventa e seis .diz Domingos Fernandes nobre morador nesta capitanja que ele não tem terras neste lymite donde mora e ora quer pouvoar na banda do rio reale pelo que pede a vosamerce que em nome de sua magestade lhe de no rio de tãomytiaiaia266 braso do rio piauhy que core para a baoda do norte pera ele e sua filha joana nobre huma legoa de terá há quoall dada se comesara na boca do dito rio taomytiaiaia cuãoodo se aparta do rio piaguohy ao longo do rio da bãoda do poente a quoal terá seia em coadras com todas as agoas que na dita dada ouver no que recebra mercê . CARTA DE ANTONIO GONÇALVES DE SANT‘ANNA 26 de maio de 1596 – rio Piauhy Sabian etc.Respeitando que assima diz lhe de em nome de sua magestade pelo rio saibetiaia (14) acima do braso rio plauhy que corre para a banda do norte no fim da dada de gaspar demeneis huma legoa e meia de terra em coadro por coanto tem as sobre ditas obrigaçoes para nela agazalhar. afluente do Piauí..

diz pero domingues morador na baia que ele quer vyr ajudar a pouvar esta capitania e não tem terras em que lavrar e fazer suas roças e trazer criasois que tem para isso pede a vossa mercêem nome de sua m.Rio Real.-Rio de piauhy Saiban etc.-Diogo de Qoadros. 257 ..despacho-dou ao sopricante em nome de sua magestade parte que pede mil brasas de terra em coadro com todas agoas e lenhas que nelas ouver em serigipe a vinte sete de março de noventa e seis anos. CARTA DE PERO DOMINGUES 31 de maio de 1596. Saiban etc.diz miguel soares de souza estante ora nesa capitania serigipe ora quer mandar vir sua familia para ser melhor e por ora não tem terras para pouvar e trazer suas criasois e ser hu ome de calidade pede a vm avendo respeito e ao proveito del rei e prol da capitania lhe fasa mercê de lhe dar sesmaria todos os sobejos que ouver de bento de barbuda (?) ate dar no rio de serigipe correndo pelo norte os quoais sobejos sera hua legoa de terra pouco mais ou menos com todas as agoas e lenhas e madeiras ribeiras que na dita terra ouver e por este até entestar com as terras dos padres de jesus-despacho-dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede mil e quinhentas brasas de terras ouver e sendo dada correra por diante em serigipe vinte e seis de março de noventa e seis anos. diz gaspar de meneses mº nos lemytes da baia que ele veio a serigipe ajudar a conquistar em companhia de Cristovan de barros e assim não hai rebate nenhum em que ele se não ache com sua pessoa e escravos como he notorio e ora não tem terras em que possa lavrar e pela coal resan ele quer vir morar a esta capitania com sua mulher e filhos pelo que pede a VM respeitando ao q acima diz em nome de sua magestade digo-lhe de pelo rio piauhy que corre para a banda do norte no fim dada de Diogo Fernandes nobre hua legoa a mea de terra em coadro por canto tem muitas obrigasois para nela agasalhare rm. CARTA DE GASPAR DE MENESES 27 de maio de 1596. CARTA DE JOÃO GARCIA 10 de junho de 1596.-Diogo de quoadros.dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede hoitocentas brasas de terra em coadro com todas as agoas matas que nelas ouver e sendo dada correra por diante em serigipe aos trinta e hu de maio de noventa e seis.-Diogo de Quoadros.despacho.Saiban etc. lhe de no rio real nas cabeceiras de pero de paiva hua legoa de terra em quoadro de hoitocentas brasas por todas as bandascontanto que fique na legoa he sendo caso que seja dado nas testadas que não tem dadas e saltos e legoas que na dita dada ouver no que recebera m.

258 .Rio piauhy.de Quoadros. CARTA DE MANOEL THOME 10 de Outubro de 1596 Saiban etc .dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede as dozentas brasas que diz ter sobejos em serigipe a dez de outubro de noventa e seis anos. Saiban etc.Saiban etc.D.Despacho Dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade seiscentas brasas de terra em coadro com todas as agoas lenhas que dentro houver em serigipe a trez de desembro de 1595 anos. 267 Nas cartas de sesmarias lemos taiymytiaia e taipitiaia. De mea légua de terra no dito rio piauhy a qual tera pode adonde acabar a dada a francisco de Luis da banda de cima corendo ho rumo assim e da maneira que corre o rio em coadro com todas as aguas e madeiras que dentro houver.-Diogo de Quoadros.despacho.despacho.Diz domingos lourenso ora estante nesta cidade de san cristouvan que ele vai em tres anos que veio a esta capitania e nela ajudou a dar soldados ao capitao tome da rocha e agora hoferecendo este encontro dos franceses neste rio real acompanhou a um com suas armas e escravos donde o fez como valeroso soldado e ora quer ser maior nesta cidade e nao tem terras no que possa fazer mãotimentos e no rio do Piauhy estão terras devolutas por dar pelo que pede a vm.de Quoadros..diz manoel tome morador nesta capitania que vos merce lhe fez merce de hum pedaso de terra cãotidade de meja legoa a quoal parte com os padres de san bento e vaj correndo pello rio do porto de sãota cateryna hasima e porque amtre hos herdeiros de pedro alvares ha sobejos de caopinas que poden ser dosenstas brasas pouco mais ou menos pede a vosa merce avendo respeito a ter muitas criasois heser Õme que agasalha muitas ao longo dahy he por senao meter outra pessoa antre elle que lhe he rojm vesinhoça lhe fasa merce dar hosditos sobejos em nome de sua magestade no que recebera merce. . CARTA DE DOMINGOS DE LOURENÇO 3 de dezembro de 1595.dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede mil e dosentas brasas de terra na testada de francisco daraujo correndo para o rio tao mitaia com todas as agoas matos que nela ouver he estas mil e dosentas brasas serão em quoadro em serigipe a dez de junho de noventa e seis anos D.diz joão garcia morador nesta capitania que a quatro anos reside nela com sua caza e fazenda sem terras hem que possa viver elavrar e ora no rio real ahi muitas terras por dar pelo que pede a vossa merce lhe de desmaria pelo rio acima de berriga onde acaba a testada de Francisco daraujo toda a terra que ouver dela ateo rio de taipitaia267 aonde domingos tem a sua dadiva na quoal terra que pede avera duas mil e quinhentas ate treis mil brasas se menos não forem ao quoal tera corra pelo rio acima da baoda do norte salvaodo as pontas que o rio fizer tãobem pede correndo a dita sesmaria pelo rio acima rumo direito pelo este com matos que se nela achare quoal sesmaria pede em nome de sua magestade no que recebera merce pendinho tao bem a vossa merce mande por seu despacho que qual quer hoficiall de justiça o meta de pose dela visto vosa mercê estar andante por estes dias.

e receberam m.etc Diz Francisco Fernandes de Almeida e Antonio de Meira que eles se vira per moradores pera esta cidade de serigipe e oje de manha querem ir buscar suas molheres e suas criasoise por ora não terem terra onde aposentar asua casa e cural pedem a vosa merce lhe de de sesmaria treis sobejos que estão indo pelo caminho que vay desta cidade pera a aldea entre joao da costa e manuel cardoso e manuel tavares e banda de poente com a antonio saraiba e da do nortepartira com a pitangua e para a baoda do sul meua legua que isso podera ser comprimento antre os ereos acima nomeados as quoais teras não pedem e vyrã lloguo com suas mulher e filhos he receberao merce despacho .. despacho:Dou ao sopricante em nome de 259 .Diz Salvador Fernandes.-Diogo de Quoadros. .estão huns sobejos de terra que lorão dados a manoel de baros nas cabeceiras de joão da costa antre antonio barreiros e balthasar.CARTA DE FRANCISO FERNANDES DE ALMEIDA E ANTONIO DE MEIRA 15 de março de 1597.dou ao sopricante na parte que pede en nome de sua magestade a tera de que acima faz a mensao nao sendo dada cora por diente em seregipe a vinte he hum de março de noventa e sete anos..Diz Simao de andrade.Rio Real Saiban.etc..dou aos sopricantes na parte que pedem em nome de sua magestade a maia legua que pedem não sendo dada a outrem e sendo dada correrao por diante em serigipe ha quinze de março de mil e quinhentos e noventa e seis anos.. que he entre vasa barys e caipe que são seis centas brasas em quadro pede a vosa merce lhe de a dita dada de terra por devoluta em nome de sua magestade por quanto manuel de baros.-Diogo de Quoadros...etc...morador nesta capitania de seregipe que ele a dous anos e meio que esta na dita capitania enteras alheias com criasois e guado e gente e ora vosamerce lhe fez merce de lhe dar hoitocentas brasas de terra en coprido e coatro centas de larguo em o rio real ao piaoy da baoda de leste e ficarao setencentas brasas por dar pede a vosa merce avendo respeito a ele ter criasois e familia e ora a querer ir poupar lhe mande dar outras ditas setentas brasas pelos rumos acima ditos que sao os sobejos de Manuel André de bãoda de lleste com hás agoas e madeyras que nelas ouver he recebera m. CARTA DE SIMAO DE ANDRADE 20 de janeiro de 1599 Saiban.. CARTA DE SALVADOR FERNANDES 21 de março de 1597.....morador nesta capitania que esta nela casado vai em dois anos e não lhe derão terras onde posa lavrar e fazer bem feitorias e ora no rio.. Saiban.

Dou ao sopricante a terra que pede en nome de sua magestade por devoluta visto o que alega seregipe sete de agosto de 1599. CARTA DE FRANCISCO RODRIGUES 15 de Agosto de 1599.Dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra que pode oje desaseis de agosto de 1599. . 268 Água petiba.Diogo de Qoadros. etc. etc.ate agora lhe forao dadas e ora no esteiro de agua petiba 268 em caipe esta hua legoa de tera que foi dada a padre antonio moutinho vigario que foi en esta dita capitania a qual está devoluta por quanto o dito padre a não cultivou nem pouou hu ano pede a vm. Diz simao dias morador nesta capitania que ele ora está casado nela e que ora nao tem terras pede a vm. ..morador em esta capitania que ha quatro anos nela mora com sua mulher e filhos e ora eu caipe esta hua dada de terra devoluta a qual se deu antigamente a hun francisco velho o qual não pouou nem cultivou tres anos conforme a ordenassem a qual parte pela banda do sul co Simao da Rocha Vilas-Boas pela a banda de leste cõ Cristovan Dias que tera huã legoa pouco mais ou menos e ora tem criasois de gado vaqun e outros miudos e não tem terras onde posa rosar nem trazer suas criasois pede a VM..-Diogo de Quoadros. etc. Saiban.Diogo de Quoadros CARTA DE SIMÃO DIAS 16 de agosto de 1599 Saiban.lhe de em nome sua magestademea legoa de terra em quadro na testada de manoel andré con todas as agoas madeiras que na dita tera ouver a qual pede de sesmaria e se medira norte e sul e rumo direito resalvando as pontas enseadas que no dito rio fizer ho que tudo pede de sesmaria.m.-Diogo de Quadros.lhe fasa em nome de sua magestade de mea legoa de terra nas cabeceiras manoelamoré e gaspar de souza coredo rumo direito conforme a demarcaçao lenhas que nas ditas tera ouver. CARTA DE GASPAR DE SOUZA 7 de agosto de 1599 Saiban . nome indígena do rio chamado Santa Maria. 260 . que em nome de S.morador nesta capitania que ha quatro anos que pera esta capitania veo com sua pessoa escravos e criasois de gado vaqun e outras criasois miudas e ora não ten teras onde posa lavrar nem por vm. Diz gaspar de Souza.sua magestade a terra que pede per devoluta am seregipe a vinte de janeiro de noventa e nove anos. lhe de a dita terra que faz mensão por devoluta de sesmaria a qual pede co todos os matos lenhas e madeiras que na dita tera ouver e sendo caso que seja dada se posa encher da mesma cantidade de brasas.Despacho dou ao sopricante en nome de sua magestade mil e duzentas brasas de terra en quadro por devoluta hoje quinze de agosto de 1599.diz Fracisco rodrigues.

– Sergipe a cinquo de Outubro de 1602. Saiban etc. Só sabemos que era um afluente do Vasa –Barris. o capitão Cosme Barbosa. em nome de sua majestade de lhe dar de sesmaria por devalluta hua dada de terra que foi dada a pero Lopes criado de Diogo de coadros que nunqua foi cultivada de gente branqua e o dito pero Lopes foi ido pêra Portugal e nunqua a pouou e a tem perdida conforme aos pregoims que sobre isto dom Francisco de Souza sendo governador mandou llaurar a quoal terá meã llegoa em quoadro mais ou menos e esta ao llonguo do rio paratigim269 que he braso do vasabaris de porto para baixo entre a dada de Manoel amdre e a de guaspar damorim a quoal pede assim a da maneyra que foi dada ao dito pero Lopes pêra lloguo fazer nela bemfectorias erm – dou ao sopricante em nome de sua majestade a terá que pede por devoluto aoim e da maneira que foi dada a pero llepes. Lhe fasa m. nesta capitania com casa de família de mais de dous a três anos se achou nas guerras que nesta dita capitania se deram do gentio e fez muito serviço ã sua majestade e oyie lhe faz proveito con suas rendas e porque não tem terás em que laurar e traga suas de muito guado que tem de toda a sorte pede a vm. 261 .que en nome de sua magestade lhe de mea legoa de tera por devoluta conforme o preguao do mesmo governador geral despacho. dis Gaspar de meirems que ele é mor. CARTA DE FRANCISCO DA SILVEIRA 15 de Janeiro de 1600. Saiban etc.Diogo de Coadros.CARTA DE GASPAR DE MEIRENS 5 de Outubro de 1599.Diz Francisco da silveira que ele se veo para esta capitanjo para nela ser morador e por ora para iso ten comparado serta copia de gado vacum pera os quoais he necessario terras pera pastos e mantimentos aos quais não tem e ten por noticia que onde se ajuntao os dous brasos do rio iapochi ao llonguo de hun deles da banda do sull entra hua ribeira d'agua que se chama mocori e por ella asima está hua legua de tera que core pela 269 Não sabemos qual o rio que os índios chamavam paritigy. Saiban etc.diz gaspar fontes llemos morador nesta capitania que elle não teras na capitania para lavrar para mantimentos e para pastos de gado vaqun na testada de gaspar souza em ipochi da banda de sul estam terras devolutas pede a vm.Dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra que pede pord devoluta seregipe a trez de janeiro de 1600. CARTA DE GASPAR FONTES 1 de janeiro de 1600.

governador geral don francisco de souza con todas as madeiras e aguas que nelas ouver erm. Saiban etc.dou ao sopricante en nome de s.dou ao sopricante en nome de s.Diogo de Quoadros.Diogo de Qoadros. CARTA DE PERO LOPES 20 dse janeiro de 1600.. .m oito sentas brasas de tera en coadro por devoluta conforme o pregão do sr. da dita llegoa de tera de sesmaria en nome de sua magestade asin e da maneira que foi pedida e dada ao dito bernaldino ribeiro com tudo que nela se achar erm. governador geral erm. Saiban. CARTA DE THOMÉ FERNANDES 17 de janeiro de 1600. CARTA DE GASPAR RIBEIRO 20 de janeiro de 1600.dita ribeira asima pelo rumo de norte do sul e leste e oeste a qual foi dada hun bernaldino ribeiro na qual se devoluta pede a vm lhe fasa m ... . Saiban.. .vinte de janeiro de 1600.m lhe de mea llegoa de tera por devoluta coforme o pregão do sr.governador geral con todas as aguas llenhas e madeiras que nela ouver seregipe a desasete de janeiro de 1600.m mea legoa de tera na testada de francisco da silveira por divoluta conforme o pregão da sr.governador gerall serigipe vinte de janeiro de 1600.. que en nome de s.etc.-dou ao sopricante en nome de sua magestade oitocentas brasas de tera en coadro por devolutas conforme o pregão do sr. governador geral en seregipe . governador geral com todas as aguas llenhas que nela ouver serigipe aons quinze de janeiro de 1600.Diogo de Quoadros.Diogo de Quoadros. Diz tomé fernandes que elle he vindo a esta capitania con mulher e familia para pouvar a dita terra e por que ora não ten teras lavrar para seus mantimentos e criasois e ora na tera que foi dada a bernaldino ribeiro no rio de mocori e ora está devoluta pede a vm que em nome de sua magestade lhe de na testada de francisco da silveira no rio de mocory da banda do sull mea llegoa de tera en coadro com todas as aguas e madeiras e pastos que nela houver erm..m huns sobejos de tera que estan entre gaspar damori e pero llopes no rio do vasa baris da banda do norte adonde. 262 .diz gaspar bareto morador nesta capitania que ha dous annos pouco mais ou menos que nela esta ajudando a pouvar e ora não ten teras para suas criasois de gado vaqun e outras miudas que para iso ten pede a vm lhe de en nome de s.....piramopama os quaes sobejos serão oitocentas brasas pouquo mais ou menos os quoais pede en nome de sua magestade por devolutas conforme o pregão do sr. .dou ao conforme o pregão do sr.etc.diz pero lopes estante nesta capitania que ele quer ajudar a povoar com sua mulher e filhos e ora não ten teras con abastansa para suas criasois e mantimentos e ora na testada de manuel andre estan teras devolutas pede a vm..

CARTA DE DOMINGOS NARCISO 13 de janeiro de 1600 Saiban,etc.diz domingos narciso que ele está en hua tera no pochi da banda do norte en a qual ten feito sua casa e hun cural de gado e sua rosa a qual tera dizen que foi dada a manuel gomes e visto tela povado e estar nela pede a vm de por devoluta en nome de sua magestade conforme o pregao que mandou lavrar ho sr. governador geral a qual tera parte pelo caminho de gauquajú des.........desde os apequs até a barro como entra no rio seregipe suas enseadas e pontas que ha no rio erm.- dou ao sopricante en nome de sua magestade a tera que pede por devoluta hoje a trese de fevereiro de 1600.- Diogo de Qoadros.

CARTA DE MANOEL ANDRÉ 24 de janeiro de 1600. - Vasa Barris. Saiban etc. Diz manuell andre morador nesta capitania que ele vai en dous anos que esta povoando e servindo a s.m. entrando en todas as geras e assaltos que ate agora se fizeram com os gentios da terra como aos francezes que nela se tornarão acompanhado a VM e aos antepassados que nesta dita capitania servirao de capitao e hora tem mulher e filhos e não tem teras em abundansa para poder trazer suas criasois de gado vaqun e outros meudos que pra iso tem pede a vm. que en nome de s.m. lhe de de sesmaria na testada de pero lopes da banda de norte en vaza barris adonde chamão párratigi a qual dada delle dito.........como elle sopricante e co gaspar bareto a cal pede mea legoa de tera por devoluta conforme o pregan do sr.governador geral asin como corer a dita dada de pero lopes co todas as madeiras e aguas e llenhas que nelas ouver - dou ao sopricante en nome de sua magestade outro sentas brasas de tera en coadro por devoluto coforme o pregan do sr.governador geral na parte que pede a seregipe a vinte e quatro de fevereiro de 1600.-Diogo de Quoadros. CARTA DE DOMINGAS DINIZ 16 de .................. 1600. Saiban,etc. diz domingas diniz.........que ella nesta capitania co seus pai e sua mãi por morador sinquo anos e hora não ten teras para suas criasois o mantimentos e hora ao redor desta cidade está hua dada de tera devaluta pra banda de norte co manoel pires e poente con antonio seraiba e de norte sul tera llegua de largo a quoal foi dada a hu gaspar doliveira e nuqua fez benfeitorias nela como hera obrigado fazer coforme a ordenasan pede a v.m. en nome de s.m. por devoluta coforme o pregão do sr.governador geral con todas as agoas etc. erm dou a sopricante en nome de s.m. a terra que pede por devoluta en seregipe a desaseis de 1600.-Diogo de Quodros. CARTA DE SIMÃO D'ANDRADE

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4 de março de 1600. Saiban,etc.diz simão dandrade que ele a tres anos que esta pouvando esta capitania cazado co molher e filhos con gado e servindo a s.m. con tudo e que v.m. o ten encarregado do serviço do dito snr e porque agora lhe não é dado tera pera podea trazer suas criações fazer mantimentos para puder sustentar sua caza pede a vm en nome de s.m. lhe de ao llonga da ribeira de pirao mopama nas testadas de gaspar damorim hua legoa de tera fiquando a dita ribeira demtro da dita tera a call pede por devaluta coforme o pregão do snr governador geral erm - dou ao sopricante en nome de sua m. na parte que pede mil e dusentas brasas de tera de comprido e pera o sertão mil e quinhentos por devoluta con as agoas etc. seregipe a quarto de março de 1600.-Digoo de quoadros. CARTA DE MANOEL DE FONSECA 5 de Março de 1600. -Rio cajahiba Saiban etc. diz manoel da fonsequa mor.nesta capitania que ele en companhia de cristovan de barros veo ajudar a tomar esta terra e capitania pouvar a sua custa des então ate agora sempre rezidio nela con sua pesoa e familia ajudando a pouvar a todos em tradas he geras que em tempo dos outros capitais ouerão en serviso de s.m. e nã ten teras en que lavrar suas rosas he suas criasois pede en nome de s.m. hua dada de tera que foi dada ha hu simão fernandes gaguo por o capitão tome da rocha que foi desta capitania por quao a não veo pouvar dentro do tempo que lhe da o dr e ordenasan e não coprimento dos pregões que mandou deitar na prasa da cidade de saluador o snr governador geral não cumprio nem nuca tomou posse e esta por devoluta a qual tera he de mil brasas para ao llongo do rio de cajaiba e são tres mil brasas para o certão e porque ele dito ten filhos para casar pede mais outra tanta que serão duas mil brasas ao llongo do rio da cajahiba he as tres para o sertão corendo correndo as duas pelo sertão asima caminho da banda de noroeste as tres para o sertão para a banda de sudueste as qual tera esta amtre ho rio de cajahiba e potihipeba por o caminho que ia para a aldea de taperagua e pede asin como o dito tome da rocha a tinha dado a simão fernandez direitamente pelo rio asima resalvando pontas he enseadas no salgados co tanto que tudo cora avante erm - dou ao sopricante en nome de s.m. as mil brasas de tera e as tres mil para o sertão que foram dadas a sirmão firz seregipe a sinquo de março de 1600. - Diogo de Quoadros.

CARTA DE BARTHOLOMEU FERNANDES

10 de Março de 1600. Saiban etc. diz bartholomeu ferz mestre da capela da Bahia que ela éome de muita pose e quer vir ou mandar ajudar apovoar esta capitania e província o que lhe e necessário ter tera para mantimentos e criações pede a vm lhe de en nome de sua magestade hua llegoa de terra em coadro no rio reall na testada de Francisco

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daraujo e Baltasar feras e Melchior dias comesando de hu eteiro chamado ariticuiba270 per ele ariba rumo direito da banda de norte pede de ser marcar ermDou ao soplicante em nome de s. m. na parte eu pede meã legoa de terá com todas as águas etc. que nelas ouver Sergipe a dês de março de 1600.- Diogo de Qoadros. CARTA DE BENTO FERRAZ 12 de Março de 1600. Saibam etc. diz o padre bento feras vigário de Sergipe que ele esta actuamente pouvando esta terá com seus negros e gados e ciasois para o que não tem terás para mantimentos e trazer suas criaçois antes hua dada de meã legoa de terá que lhe Vossa magestade tinha dade mandou substituir com ella a quall hera em caipe, ho que ele sopricante fez e esta sem terá nenhuma pede a Vm lhe de en nome de sua magestade mea legoa de terá em coadro no rio reall mística co a de seu tio o mestre capela corendo pelos mesmos rumos e desmarcacois que a dita tera corer- Dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede Mill brasas de tera em coadro em auguas etc. seregipe doze de marso de 1600.- Diogo de Qoadros. CARTA DE PERO SANCHES 31 de Março de 1600. Saiban etc. diz pero Sanches morador nesta capitania que ele não tem terras em que laavrar He fasa suas rosas He targa suas criasois pede terá que pello rio asima de piramopana da banda de leste nos de .......... – Dou mil e quinhentas basas de tera. – Diogo de Qoadros. – ultimo de março de 1600. CARTA DE MARCOS FERNANDES. Sibam etc. diz marcos Fernandes morador na cidade de saluador que ele quer vir pouvar esta capitania com sua casa e famial e ora nela não tem terras para puder trazer seu gado e cisois e fazer suas rosarias por quanto ele he home de grade família pede a V.m. lhe de em nome de sua magestade nas cabeceiras de João da rocha visente ao llonguo do vasabaris da banda do sull hua legoa de terá llonguo do dito rio e llegoa e mea de terá dentro a quall terá pede por devlluta e se obrigara em dentro de quatro mezes – Dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede a terá que diz em sua petição com águas etc. seregipe a vinte de março de 1600.- Diogo de Qoadros.

CARTA DE MELCHIOR MACIEL 5 de Abril de 1600. – Rio Guitihiba271 Saiban etc. diz mellchior masiell dandraade mor. Nesta capitania que quando a Ella chegou se apresentou ao rio reall que achou desocupado adonde ora está co
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Afluente do rio Real, junto à foz. Conserva o mesmo nome. Nome indígena de um afluente do Rio Real

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sua casa e fanilia e porq‘ nesta dita capitania tem bem servido a s. m. e ora nella he morador pede a Vm. Em nome de s. m. lhe fasa m. duas mil brasas de terá em coadro ao llongo do rio guithiba ueq he onde ele sop. Ora está pouvoando a call terra pede por devoluta conforme ao pregão do Sr. governador gerall lhe será demarcada a dita terá de huma banda e de outra do rio guitihiba ficando o rio meo da demarcasan e será imedita por rumos direitos por fora dos mangues e ilhas que ouver as quais ilhas e pontas de terá e mãgues que ficarem dentro da demarcasão entre na dada que ele sopricante pede erm. – dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede mil e dusentas brasas de terá por devoluta cõforme o pregão do mesmo governador gerall seregipe a simquo de abril de 1600. – Diogo de Qoadros. CARTA DE MATIN LOPES 24 d‘Abril de 1600. - Aldeia de Taperoá. Saiban etc. diz Martim Lopes mor. Na habia que elle quer mandar ajudar a povoar esta capitania de Sergipe e por quanto he home de muita pose e famila para que lhe he necessário terás para suas ciasois e mantimentos pde a Vm. em nome de sua magestade huma llegoa de terá em coadro na aldeã que chamão tepahoqua adonde em tempo de Tome da Rocha quando era capitão os contrários (?) matarão os negros que chamavão neboiba a call dada de terá corera pelo caminho que vinha de uma banda e outra levando em meo e semdo causa que se a dada pede por devoluta erm.- Dou ao sopricante em nome de s. m. na parte que pede meã legoa de terá em coadro com águas seregipe a vinte e quatro dabril de 1600. – Diogo de Qoadros.

CARTA DE MATHEUS DE FREITAS 25 de Abril de 1600. – Rio Sergipe. Saiban etc. Mateus da Freitas dasevedo allcaide mor. Da capitania de pernãbuco que ele tem muita pose e quer mandar ajudar a povoar esta capitania de seigipe e porq‘ tem muitos filhos pede a Vm. lhe de em nome de sua magestade por devoluta cõforme o pregão do Sr. governador geral duas llegoas de terá em coadro pello rio de seregipe asima nas cabeseiras das terras de pero masiell dandrade e do padre Ambrosio Joardes a saber hum legoa para sua filha Jeronima outra llegoa para Clara ...........- Dou no sopricante em nome de sua magestade na parte que pede duas legoas de terá para as ditas suas filhas cõtanto que beneficie em hum ano seregipe a vinte e sinquo de abril de 1600. – Diogo Qoadros. CARTA DE AMBROSIO GUARDEZ 26 d‘Abril de 1600. – Rio Sergipe. Saiban etc. diz ambroso coardes vigário do são pedro e ouvidor da vara da capitania de penãobuquo que ele tem muita pose e quer ajudar a povoar a nova capitania de serigipe com gente e gado e outras ciasois pede a vin. Lhe de em nome de sua magestade por divolluta cõforme o pregão do Sr. governador gerall duas Mill

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brasas de terá em coadro ao llongo do rio de seregipe da bauda do sull na testada de pero masiell pra rosaria e pastos de gado com todas as agoas etc. – Dou ao sopricante na parte que pede em nome de s. m. mil brasas de terra em llargo e Mill e quinhentas de comprido com todas as agoas etc. seregipe a vinte e seis dabril de 1600. - Diogo de Qoadros. CARTA DE GASPAR DE AMORIM 4 de Março de 1600. – Rio Vasa-Barris. Saiban etc. Diz Gaspar damorim morador nesta capitania que a elle lhe não são dadas as terras que bastam para sua pesoa e suas criações e para fazer mantimentos conform ao regimento pede a Vm lhe de hua dade de terra que esta devoluta quoall se comecara a medir na varzea de peramopana que vossa magestade lhe tem dado até a dada de Manoel Andre para sima como vai do rio vasa basabaris porquanto elle sopricante esta nella com casa ...... e a tem pouvado pede a Vm lhe de em nome sua magestade por devoluta a call terra pode ser mea llegoa em coadro pouquo mais ou menos erm. – Dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede Mill e dusentas brasas pela sua testada de comprido e mil e quinhentas de largo para o sertão em Sergipe a quatro de marso de Mill e seis sentos anos. – Diogo Qoadros. CARTA DE GASPAR DO AMORIM 14 de Março de 1600.- Rio Vasa-Barris. Diz Gaspar damorim morador nesta capitania que elle com sua molher e criasois e escravos e ora o capitão dioguo de coadros lhe tem dado pouqua terras para suas criasois e mantimentos e porque lhe deu na varzia de piramopama hu pedaso de terá e no feito de Coll razão que ele em sua petisan pedia para a Vm que em nome de sua magestade lhe de outra vez de novo hus sobejos de terra que estão na dita varzia dos cajueiros para baixo e he hu canto entre elle sopricante e ho no rio vasa barris e o dito esteiro de de piramopama que pode ser mil brasas de terra pouque mais ou menos de conprido e de largo quinhentas brasas e por outra parte certo que he pouco mais ou menos pede a vosa mercê lha de por devolluto e inda que seja dada conforme ao pregão geral por se lhe não meter Ca ninguém na dita varzia porque lhe fasem ruim obra no que erm.- Dou ao sopricante a ponta de terá que pede em nome de sua magestade por devolluta cõforme ao pregão do governador gerall Don Francisco de Souza serigipe quatroze de março de mil e seiscentos anos o capitão Manoel Miranda Barbosa em auzencia de Diogo de Qoadros. CARTA DE GASAR D‘AMORIM 14 de Março de 1600. Saibam etc. diz Gaspar damorim nesta capitania que antre agoa petiba e o mar esta hua dade de terá que são quinhetas brasas ou seiscentas por costa e llargura ate agoa petiba e de norte parte com a terá de Baltasar de Barbosa o quoal serte de terra povoou de novo joam Garcia e nela reidio mais de quaro anos de sorte

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que ficou satisfazendo ao forali e por algus soberios que lhe cõcedram se for desta capitania e fes venda da mesma terra a elle sopricante e por quanto Joan garsia assim se foi allgus a pretendem por discre a não poder vender pois despovou pede a vossa mercê que de novo lha de de sesmaria ou por devalluto erm- Dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra que pede de sesmaria e por devalluto visto o dito joam Garcia depovoar e vender o direito que nella tinha seregipe a quatorze de marzo de mil e seis centos anos o capitão Manoel de Miranda Barbosa em ausência de Diogo de Qoadros. CARTA DE JOÃO DIAS 16 de Abril de 1600. Saiban etc, disem João dias morador em jaquipe que ele tem nesta capitania gado e gente pra fazer rosas e cirasois e para isso não tem terás onde possa pastar suas criasois e no agaipe para a banda do sul esta huma dada de terá que foi dada ao padre geronimo de garros a coal lhe foi dada a seis ou sete anos e ate hoje a não tem povoado nem feito bemfeitorias nenhuma pello quall respeito nas pede por devoluta assim e da maneira que foram dadas ao padre e pede lhe perfasa huma legoa de terá em coadro Erm.- Despacho- dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra que pede cõforme ao pregão do snr. Governador gerall por devolluta com todas as águas e llenhas que nelas em ouver em seregipe a deseis de abril de Mill seis senteos anos – Qoadros. O registro assinado por Manoel de Miranda Barbosa.

CARTA DE MELCHIOR MACIEL E PAULO 4 de julho de 1600. Saiban etc. disen Mellchior Maciel e Paulo…….. moradores na capitania que no rio reall da banda do norte junto ao cabedelo a que chamão ipelempe272 ao longo da terá esta hum pedaso de terá de pastos pêra gado e porque eles sopricantes estam pouando no dito rio reall e não tem onde posam trazer suas ciasois pedem a Vm lhe fasa mercê em nome de sua magestade duas llegoas de ttera por costa de mar e llargura que ouver da bara de hum riacho que esta na boqua do dito cabedelo..... até a costa que pode aver quinhentas brasas até seis centas pouquo mais ou menos e sendo dadas as peden por divolluta conforme os pregõis e mandados do snr. Governador gerall Erm. – dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que peden duas mil brasas de terá por costa e llonguo comesando do rio que dis em seregipe a quatro de Junho de 1600.- Diogo Qoadros.

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Nome indígena do cabelo que existe ainda hoje junto à foz do rio Real.

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dar-lhe em nome de sua majestade a dita llegoa de terá e comesara a medir onde o dito Martins de Souza acabar digo pretender e assim mais lhe fasa merse darlhe a dita llegoa de terá rumo direito ao norte posto que o dito rio pellas voltas que da não tem rumo direito e yuntamente lhe fasa m. para bem de nelas fazer seus mantimentos e meter suas criasois pede a Vm que respeitando ao que dis lhe fasa mercê em nome de sua magestade de lhe dar de sesmaria huma legoa de terra ao longo das cabeseiras que os ditos padres tem por sima da mesma llargura confrontante para o sertan corendo a dita llegoa de comprido ao llonguo do dito rio de vasabarris com todas as águas doses e sallgadas que na dita distansia se acharem com as pontas de mangues e ilhas que na dita dada caírem corendo com os mesmos rumos e confrontasois que corem a dos ditos padres e a dita demarcasan em seu comprimento chegue a sua distansia em embargo em embargos de rios e esteiros e fasendo-lhe mercê como ele sopricante o pede lhe mande pasar sua carta de sesmaria e resebera mercê.dou ao sopricante Mill brasas de terra em coadre corendo na forma em que pede em nome de sua magestade na baia dessanove de juho de Mill e seissentos anos. Saiban etc.. com huma petisan e despaacho do capitão e governador Diogo de qoadros etc.diz natias Moreira morador na capitania de seregipe cidade de san Cristovão que nas cabeseiras das dadas aos padres da companhia de Jesus tem em vasa barris estão terras devolutas.. ate agora pessoa alguma as veo povoar nem as cultivar e ora o sopricante as quer povoar conforme ao regimento de sua magestade e ao pregão do snr...... dis Gaspar Fernandes vigário ouvidor da vara e juiz dos seguimentos he utilizador nesta capitania de Sergipe que o capitão Cosme barbosa lhe fez m... CARTA DE MATHIAS MOREIRA 19 de julho de 1600 Saiban etc. de todos os pontos anseadas que na dita llegoa de terá ouver e sendo caso que seja dada corera adiante pello mesmo rumo ou como milhor lhe pareser erm.evendo respeito ao que o sopricante dis nesta sua pitisan lhe confirme a dada da tera da maneira que em sua petisão faz mensão e lhe dou demais em nome de sua majestade na dita terá as pontas que pedem e de tudo se lhe pase nova carta de sesmaria Sergipe onze de Julo de 1603 o capitão Tomé da Rocha.CARTA DO PADRE VIGARIO GASPAR FERNANDEZ 11 de Julho de 1600. 269 . No registro a assinatura é de Manoel de Miranda Barbosa.. Diogo Qoadros. Governador Don Francisco de Souza e a Vm. em nome de sua majestade de hua llegoa de terá em coadro no rio mocory nas cabeseiras donde acabar Martins de Souza e pello rio asima do dito mocory e por côamto elle suplicante não sabe se o dito martins de sousa tem terá a pede a vm lhe fasa m.

m. m. governador gera erm. CARTA DE SIMÃO DE ANDRADE 12 de Novembro de 1600 Saiban etc. Sr. Seregipe treze de outubro de Mill e seis sentos anos. Despacho – dou ao sopricante em nome de sua magestade os sobeios que quer entre Antonio barreiros e pero sandres mor nesta capitania ao llonguo do vasa barris e pela terra dentro hua legoa conforme ao pregão de m. duas legoas de terá em coadro no rio reall em hu esteiro ou rio por nome ariticuiba onde acabão os sopricante de hua bãda que lhe deu o capitão Diogo de coadros correndo pelos mesmos rumos demarcasois confrontasões que correm as dadas dos sopricantes as quais pedem de desmaria que seiam dadas e pedem por devollutas isto com llenhas madeiras agoas e pedreiras no que resebera m.CARTA DO PADRE BENTO FERRAZ E BARTHOLOMEU FERNANDEZ 13 de outubro de 1600. Sr. na testada de Antonio barreiros correndo até o esteiro de piramopama hua legoa de terra em coadro ao llõguo do vasa barris houtra banda de tinhare e outra legoa para o sertão a coal pede conforme pregão do Sr. diz Simão d‘andrade que ele vae com quarto anos que esta ajudando a povoar esta capitania com sua molher e família e servindo sempre a sua magestade em tudo o que lhe foi encarregado e porque hora ele sopricante tem gado vacum e outras muitas criasois e não tem terras per onde pastar por ate agora não ter rendado pello que se lhe perdem as ditas criasois e desaparecem e se da muita perda e ora onde a terra do snr bispo vindo do vasabarris estão oito sentas brassas de terra que foram de hu morador da Bahia a muitos anos e nuqua até agora digo até hoje as tem vimdo pousar conforme o regimento que sua magestade manda em sua ordenasão contra o pregão do m. governador gerall as tem 270 . diz João dias mor. De terra em coadro com as lenhas e agoas e maderias as quaes comesara a medir donde eles soprecantes acabão como pedem. CARTA DE JOÃO DIAS 11 de Novembro de 1600. Na tore que elle veio a esa capitania em companhia de cristovan de barros ajudal-o ganhar honde trouxe artilharia a sua conta que ora esta neste forte e outro si tem muito gado já nesta capitania para o quall não tem pastos bastantes nem matos pêra rosar porque quer ajudala a povoar e porque nela a terás devallutas que não são cultivadas pede a Vm lhe de em nome de s. Manoel de Miranda Barbosa locotenente. – despacho dou aos sopricantes na parte que pedem hua lleg. Saibam etc. governador geral Sergipe onze de novembro de 1600 anos o capitão Manoel de Miranda Barbosa. Disem Bartholomeu fernades e o padre bento Ferraz maiores nesta capitania de Sergipe que elles querem ajudar a pouvar e estão atuallmente pouvando e por não terem terás sufficientes para trazerem seus gados e criasois miúdas e fazeerem mantimentos pedem a Vm lhes de em nome de s.

perdidas pede à Vm. diz pero da llomba morador da Bahia por seu procurador q ele veo ajudar a ganhar esta capitania a sinquo anos hm curall de gado para o quall não tem pastos nem lhe há dado terás nenhuas peratra ser suas criasois e hora a terras devolutas na itaporãogua273 pede a vm lhe de em nome de s. Despacho . E porque ora não tem pastos para seus gados e 273 Vila de itaporanga 271 . CARTA DE SIMÃO DE ANDRADE E MANUEL ANDRÉ 17 de Novembro de 1600 Saiban etc disem Simão d‘andrade e manuell André q els estão pouvando co suas mulheres e filhos e servindo a sua magesade em tudo o que llhe he encarregado do serviso do dito snr. magestade duas mil brasas den coadro na parte q pede a saber nas cabeseiras de domingos daraujo da banda do sull serigipe onze de novembro de mil e seis entos anos. disem Simão dandrade e manjuel Andre moradores nesta capitania que eles estão pouvando nesta dita capitania e porque ora não tem terras que posão fazer seus mantimentos e traser suas criasois de gado vacum e outras meudas q pra isso tem pello q pedem a v. m. mersê em nome de sua magestade hus sobejos q estão entre Matias Moreira e Manuel Tomé allonguo do rio de vasabarris da banda do sul p podem ser hua légua pouque mais ou menos as quaes peden por desaletas conforme o pregão do snr. governador gerall Don franacisco de Sousa seregipe a dose de novembro de 1600. hua llegoa de terá em coadro a quall se comecara a medir na testada de Manuel tome quanto ao rio vasa baris e corera pelas cabeseiras dele e da dada de domingos saraujo pella bãoda do sull erm. O capitão Manuel de Miranda Barbosa CARTA DE PEDRO DA LOMBA 11 de Novembro de 1600 Saibam etc. CARTA DE SESMARIA DE MANUEL ANDRÉ E SIMÃO DE ANDRADE 13 de Novembro d 1600. ―Don Francisco de Sousa e recebera mercê. Manoel de Miranda Barbosa.dou ao sopricante em nome de s. Saiban etc. governador gerall Francisco de Souza seregipe dozo de novembro de Mill e seis sentos anos. O capitão e loco tenente Manuel de Miranda Barboza. Despacho – dou aos sopricantes em nome de sua magestade os sobeios q estão entre Matias Moreira e Manuel tome AL llonguo do vas baris da ganda do sull e pela terra dentro hua llegoa por divolluta conforme o pregão do Sr. visto o que alega lhe de em nome de sua magestade por devollutas quatro centas brassas de terra larguo e de comprido o que ouver da praia até o rio de auguapetiba comesando de meio a donde acaba o Snr bispo e resebera m – despacho – dou ao sopricante em nome de sua magestade trescentas brasas de terra de larguo por costa e de comprido ao longo do mar até o rio aguapetiba como pede conforme o pregão do Sr.

mais criasois q para isso tem peden-lhe de em nome de sua magestade de semaria hus sobeios de terá q estão antre Antonio Gedes e o esteiro de augiapioba 274 correndo pelas cabeceiras de balltesar e Sebastião de brito e antre os frades de san bento ate poxi os quais se den por devalluto conforme o pregão do snr governador gerall Don Francisco de Souza erm. Saibão etc. 272 . lhe de sesmaria no rio se seregipe na tstada de Simão da Rocha hua llego de terá em coadro para seus mantimentos e porquanto na dita terra na tem terás para pastos pede a vm outro assim de dar na varsea do dito rio de seregipe Mill brasas em coadro na testa do dito Simão da rocha com todas as augoas llenhas madeiras erm. por q ainda em caipe perto desta sidade estão huas quatro sentas brasas de terras que forão dadas aos filhos de Pedro Alves que eles tem sendo filhos família em ao a podião posuir e por quanto ele sopricante todo este tempo q há q esta pouvando a dita terá fasindo bemfeitorias nela o u he proll da fazend de sua magestade sisto ser terá nova e mandar ele as ditas terás se dem a quem hás pouvar sem regimento se lhes tire a quem as uão pouvar pede a vm lhas de de semaria por devoluta visto as p. magestade na parte q pede a llegoa de terra em coadro a call lhe dou de semaria outra se mil brasas em coadra na testada de Simão da rocha para pastos a call lhe dou com todas as augoas llenhas madeiras q nas ditas terras se acharem em seregipe vinte e seis de dezembro de 1600. Despacho dou ao sopricante em nome de s... de ouvidor e outros cargos do serviso de sua magestade de q foi encarregado e por q ora ele sopricante não tem terras oude posa fazer seus mantimentos perto desta sidade onde posa acudir a obrigasão de seu ofisio poquanto o que lhe he dado esta muito llonge e não pode ainda viver.. O capitão o padre Bento Ferras.despacho – dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra contuda em sua petisão de semaria em caso que este dade por devolluta seregipe a desoito de dezembro de sis sentos annos. magestade em seregipe a desasete de novembro de Mill e seis sentos anos Manoel de Miranda Barbosa. CARTAS DE PADRE AGOSTINHO MONTEIRO 26 de dezenbro de 1600..... O capitão o padre Bento Ferras.as ditas quatro sentas brasas de terras as não cultivarem nem pouarem outrosi não moram nesta capitania nem term nelas quem lhas pouvo............ diz o padre Agostinho monteiro q elle quer ser morador nesta capitania de seregipe ou mandar pouvar co rosarias e canaviais curais como he custume dos q pouvão a terá pra o q tem necessidade de terras pra ain o poder fazer pede a vm. 274 Nome indígena de um riacho que desemboca no Poxim..... m. Despacho dou aos sopricantes os sobeios q pedem de semaria por devallutos em nome de s..... Saiban etc diz Simão dandrade que ele vai em quatro annos q esta ajudando a pouvar esta capitania com sua mulher e filhos e servindo sempre a s. CARTA DE SIMÃO DE ANDRADE 18 de Dezembro de 1600..

estante nesta capitania de seregipe q ele veo ajuar a gahuar esta capitania co suas armas e escravos a sua custa e ora quer vir ajudar povoar co sua mulher e filhos e escravos e sua ciasois e outra gente de sua obrigasan e porq na dita capitania lhe não são dadas terras allgumas pra nelas puder llarvar e criar suas criasois e ora estao terras devollutas aonde chega o allagado de vasa baris pede a vm lhe de de sesmaria en nome de s. hu manoell pires ja defunto e ora o dito manoell pires nuqua fez bemfeitorias na dita terra nen della ouve pose esta a dita terra divolluta que são tresentas brasas de llarguo para a banda de ponente e mill e quinhentas de nordeste ao sudoeste pede a Vm lha de de sesmaria por respeito de se lhe não vir meter oitro nella que lhe de matarto a sua criasão respeitando ter muito a call pede por devolluta erm . M.dou ao sopricante en nome de sua magestade a terra que pede asin e de maneira que diz en sua petinsan a call lhe dou por devolluta en serigipe a vinte de janeiro de seis sentos e hu ânos o capitão o padre Bento Ferraz.CATA DE JOÃO MATINS BERTANHA 26 de dezembro de 1600 Saiban etc diz Jon martis betanha morador em . CARTA DO PADRE BENTO FERRAZ 273 ..B. don francisco de souza seregipe des de marso de seis centos e hu ãnos..... tera que foi dado. CARTA DE MANOEL THOMÉ 20 de Janeiro de 1601... O capitão locotenente M....dou ao sopricante en nome de sua magestade a terra que pede por devolluta cõforme o pregão do sr. Saiban ete diz manoel tome d'andrade morador nesta capitania que a ele lhe foi dado hu pedaso de tera ao llonguo desta cidade a call terra he pouqua para as criasois que ten e ao llonguo das ditas terras esta· hu pedaso de. m.dou ao sopricante en nome de sua magestatle nas partes q pede hua llegaa de terra asim e da manera q en sua petisan pede a call lhe dou de sesmaria en seregipe a desoito de janeiro de seis sentos e hum anos o capitão Bento Ferras. Saiban etc diz domingos gonsallves morador na bahia do saluador que ele quer mandar a esta capitania ajudar a pouoar e que na dita capitania Não tem terras para mantimentos e pastos e que pello rio de serigipe asima hesta hua dada de terra na testada de outra dada que foi dada sebastião da rocha quall tera foi dada ha hu manoell daraujo e esta devoluta e de sesmaria erm . duas llegoas de teras en coadra as quaes se comesarão a medir aonde acaba leandro baltasar ferras e não corendo pelo rio dose asima-rumo direito com todos as pontas e insiadas madeiras auguas q_ nas ditas teras ouver as quais pede pra banda de nasente en caso q sejão dadas as pede por devolluto erm ..... CARTA DE DOMINGOS GONSALVES 10 de Março de 1601.

Dou ao sopricante de sesmaria en nome de S. CARTA DE GONÇALO FRANCISCO 14 de Março de 1601. CARTA DE GASPAR FONTES 12 de março de 1601. diz gaspar de fontes lIemos mor. governador gerall d. erm . governador gerall não vindo paullo adorno a povoar a dita terra.. em auzensia de Diogo de qoadros. Saiban etc. 274 .. Manuel de Miranda Barbosa capitão e locotenente em ausensia de Diogo de Qoadros.dou ao sopricante en nome de sua magestade a terra que pede por devalluto cõforme o pregão do Sr. em a praça da bahia ellugares publicas a Call terra pede en nome de sua magestade asin e da maneira que foi dada ao dito paullo que ten mill barsas en coadro.m. lhe fasa m. Saiban etc. nesta capitania de seregipe que esta Autoalmente servindo na dita capitania a sua magestade de provedor da fasenda do dito sr. lhe de sesmaria nas cabeseiras de marcos fernandes mea llegoa de terra por devalluta no que erm . a terra que pede por devoluta cõforme o pregão do sr.a.dou ao sopricante en nome de sua magestade os sobeios· que se acharem da terra dada da que se achar mais das tres llegoas que lhe foram pedidas en vasabaris ate o abahi como sopricante pede en seregipe onze de marso de mil e seis sentas dous anos o capitão Manoell de Miranda Barbosa. e outro sim esta servindo de ouvidor cõ allçada na dita capitania e ajudando a povoar çõ molher e filhos fabriqua de que Tudo esta fasendo serviso a deus e Sua magestade e não ten teras em que llevar seus mantimentos e tarzer suas criasois e no rio do vasabaris onde se chama tinhare esta huma dada de terra devaliuta da banda do norte do dito rio que foi dada a hum paulo adorno a quall a dito paullo adorno numqua povoou nen cultivou nem fes bemfeitorias nela e esta devalluta pede a Vm. Francisco de sousa o call pregão . dentro de seis meses segintes em seregipe a doze de marso de mill e seis centos e hum anos. governador geral! don francisco de sousa en seregipe a quatorse de marso de seis centos e hum o capitão Manuell de Miranda Barbosa. dis gonsallo francisco estante ora nesta capitania que elle vem a povoar cõ vaquas e outras mais criasois que ora tem aqui nesta capitania porq' não tem teras em que se posa aposentar pede a Vm. de lhe dar de sesmaria en nome de sua magestade por devalluta cõforme o pregão do sr. lhe de en nome de sua magestade na parte que pede a terra que se achar donde acabarem os padres até o abahi a cuall pede com todas as lenhas matos e águas que na dita terra ouver erm .11 de março de 1001 Saiban etc diz o padre bento ferras vigairio confirmado nesta vigairaria de sergipe q ele esta alltualmente pouando esta terra e capitaneando e por que não tem terras em q traga seu gado e criasois como são pastos e antre o rio vasa baris e o cãbohi esta hua pequena de terra devolluta aonde acabão os padras da conpanhia e a dada que lhe deu thomé da rocha sendo capitão que são três llegoas como elIes em sua petisão pede a vmce.

Saiban etc. vaqum pra ajodar a pouvar a dita capitania e por ora não tem terras donde posa asentar. Ihe fasa merse en nome de sua magestade darlhe de sesmaria por pevalluta asin e da maneira que foi dada ao dito manuell gomes ermo. governador geraIl don francisco· de souza em seregipe a quatorze de marso de rnill e seis sentos e hum anos . . suas criasois e nas cabeseiras de simão da rocha en caipe corendo pera Ias cãopos de heperagua esta huma dada de terra que foi dada a hum antonio ferreira ho quoal não povoou porque elle sopricante se foi por nela onde esta já com currall de gado pede a Vm lhe de a dita terra por devoIluto conforme o pregão do snr. governador gerall a quoaIl tera esta no caminho novo que abrirão os indios feros . CARTA DE MARTIM DE SOUZA 14 de março de 1601. . diz francisco dalmeida mor.dou ao sopricante en nome de sua magestade mea Ilegoa de tera en coadro por devolluto na parte que pede cõforme o pregão do snr. Saiban etc dis joão francisco morador nesta capitania que ele veo para hajudar a povoar.dou ao sopricante en nome de sua magestade a terra que pede por devolluto conforme ao pregão do senhorgovernador gerall 275 .despacho .o capitão llocotente Manoel de Miranda Barbosa. Saiban etc diz martim de souza morador nesta capitania almocharife de sua magestade que ele a seis anos que esta nesta capitania ajudando a defender com sua pesoa e ora quer faser rosas e outras bemfeitorias e não ten teras em que as posa faser pello coall pede a Vm lhe de en nome de sua magestade huma Ilegoa de tera no rio de mocori ou mocoriria que vem entrar no rio pochim nas cabeseiras de francisco da sillva da banda do norte Erm . . a dita fabriqua acima dito e faser rosas e não ter pastos pª o dito gado e no rio do pochim da banda do norte esta mea legoa de terra que foi dada a hurn rnanuel gomes o call nunca povoou nen cultivou e esta devoluto pede a Vm. .dou ao sopricante en nome de sua magestade a terra que pede por devoluta a ca. ' CARTA DE JOÃO FRANCISCO 15 de Março de 1601.CARTA DE FRANCISCO D'ALMEIDA 14 de março de 1601. na bahia que elle tem mandado a esta capitania de seregipe fabriqua gente e gado.desta capitania corendo pera hopiramopama que fique por marquo huma tapera que no dito caminho esta comesando de medir deIla para o sudoeste contra a clada de dito simão da rocha da outra banda para o poente que são duas mill brasas de comprido e mill de llarguo com tonas as ilhas de mato asi e da manera que foi dada ao dito Antonio pereira Erm .ll lhe dou asin e da manera que foi dada a manuell gomes e dela lhe pasem sua carta en seregipe quatorze de marso de seis sentos e hum anos o capitão Manuell de Miranda Barbosa em ausensia de Diogo de Qoadros.

diz Manoel Raiz mestre dasucar morador na babia de Saluador que ele quer mandar ajudar a pouar esta capitania e que nela não ten teras para mantimentos de fabriqua de sua gente nem pastos pera seu gado e que nas cabeseiras de Migell Soares na tapera de tajaoba 21 está huã llegoa de terra pello rio ipochi asima llevando O dito rio em meo e esta devolluto nem no qua foi cultivada nen povoada· pede a Vm. diz o irmão Amaro Lopes em nome do padre reitor da companhia de Jesus que eles. M. M. B. lhe de em nome de sua magestade por devalluto com todas as augoas madeiras que na dita tera ouver e a medisão para rumo direito ho dito rio em meo erm.o capitão Manoel de Miranda Barbosa em ausencia de Diogo de Qoadros. B. CARTA DE MELCHIOR MACIEL 7 de Abril de 1601. CARTA DOS PADRES DA COMPANHIA DE JESUS 10 de março de 1601 Saiban etc.seregipe aos quinze de marso de seis centos e hum anos . Saiban etc. lhe de en nome de sua magestade por devoluta no primeiro vale que esta antes da dita tapera pera elles tres llegoas de terra a quall terra se demarcara pero dito vaIle direito ao rio Vasabaris e pelo rio asima tornãdo pellas fraldas da ltanhana e cajaiba para oeste de maneira que fique as ditas tres Ilegoas em quadro erm. CARTA DE MANOEL RODRIGUES 6 de Abril de 1601. em ausencia de Diogo de Qoadras. com todas as auguas e madeira a que nella se achar em Seregipe a des de marso de seis sentos e hu o capitão M. Val em quatro anos pouquo mais ou menos que estão ajudando a povoar esta capitania sustentado a pasagem do Vasa Baris e vindo todos os anos a esta capitania ajudar o espritualI com muito trabalho outro si aqui he moradores pera terra no que em tudo fasem muito serviso a déus e a sua magestade porque ora eIles sopricantes tem metido muito fabriqua asin de gentes como de gado e suas criasois e a terra que lhe he dada não he capaz de sustentar a sua fabríqua o mais que querem meter por quanto não servem mais que de pastos e ora junto a serra de cayaiba que podem ser oito legoas desta povoação esta huã tapera que se chama pixapoam a qual! se se povoar se fara muito serviso a déus e a sua magestade e bem crecemta muito a esta capitania por coanto he frontera e segura esta capitania pera que se posam allargar povoando suas terras que por medo dexao algus de povoar e ora elles a querem povoar e por nela fabriqua de gente e gado e cultivala pera que tenhão mantimentos pera poderem se sustentar visto serem moradores ja pedem a Vm. 276 . .dou ao sopricante em nome de sua magestade duas mil brasas de terra em coadro de sesmaria na parte que pede seregipe a seis de abrill de seis centos e tres anos o capitão locotenente M.dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede duas llegaas de terra em quadro de sesmaria.

CARTA DE AFFONSO PEREIRA 9 de Abril de 1601. em nome de s.. e da maneira que pede en nome de sua magestade por devolluta seregipe a nove de abril de 1601 o capitão locotenente m. CARTA DE FRANCISCO FERNANDES 9 de Abril de 1601.dou ao sopricante na parte que pede mea llegoa de tera asim. em nome de sua magestade lhe de no rio de vasabaris da banda do sull na testada na dada a afomso pereira huma llegoa de terra em coadro assim e da manera que os outros rumos direitamente corerem resallvando pontas e enseadas sallguados cõtãto que tudo fique na dita dada com todos os matos e madeiras agoas que nella ouver erm – dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede meã llegoa de terá asin e da manera que pede em sua petisan por devalluto em nove de abrill de Mill e seis 277 ... Saiban etc dis affonso pereira que no tempo que cristovão de barros veo povoar esta capitania veo elie en sua companhia he des então agora ficou nella por morador com sua molher e familia indo em todos os rebates he geras que no dito tempo se fiserão e ofereceirão indo sempre a sua custa he por q até agora lhes não foi nunqua dadas teras nhumas he ten dellas nesesidades asin pera pastos de gados como pera mantimentos he outras causas nesesarias pello que pede a vm a vendo respeito ao sobre dito lhe fasa merse dar em nome de sua magestade en ho rio vasa baris pela testada do mesmo rio ariba mea llegoa de terra en coadro a quall se comesara a medir aclonde acabar a dada de francisco da sillveira a quall pede com todas os matos he aguas he pastos he madeiras ensiada e sallgados que nelas ouver correndo a dita demarcasan pelos rumos que corem as mais demarcasois debaixo a quall tera pede por devolluta no que erm. M. nesta capitania de seregipe que ele tinha huma dada de tera que lhe deo tome da rocha em tinhare ao llongo do rio vasabaris e porq' a carta e os llivros das dadas são perdidos e a dita terra esta oje por haproveitar pede a vrn.. magestade se nenhum interesse solldade nem de outra cousa alguma ma antes ajudando a sustentar e não teu teras em que llavrar e fasa suas rosas e targua suas criasois peIlo que pede a vrn. magestade de sesmaria seregipe a sete de abrill de seis sentas e hum anos o capitão locotenente M. a deo a gaspar fontes a quall pede com toda as auguas e madeiras que na dita terra houver erm ..Saiban ete.dou ao sopricante a terra que pede asin e da manera que em sua petisão fas mensão e isto en nome de s.... m. diz mellchior masiell damdrade mor.... e que desde antão ate agora ficou por morador e povoador ajudando a defender e indo a todas as gerras e rebates que em tempo dos outros capitães se afreciam como os daguora cervindo a sua. b.. B.. ... em ausencia de Diogo de Qoadros. magestade mea llegoa de terra hao longo do rio vasabaris e para o sertão entra mea llegoa ou o que ouver entre a dada de antonio_ barreiros e a terra que foi dada a paullo de adorno que por nao Vir povoar vm. Saiban etc.. dis francisco fernandes morador nesta capitania que ele veo ajudar a ganhar esta capitania cõ sua pessoa e armas ..

dis antonio lopes que elle pessoalmente está nesta capitania com sua molher he familia helle sopricante esta servindo a sua magestade e ao povo trabalhando por seu ofisio de frº e que na dita capitania não tem terás para llavrar he no rio vasabaris esta meã llegoas de terra ho llonguo do dito rio da banda do sull acoall esta nas cabeseiras de affomso pereira he esta devalluta pede a vm. dis munoell corea que ele esta alltualmente nesta capitania com molher e pessoas e criaçois povoando e não tendo terras em que llavrar e traser suas criasois e por quanto no rio de seregipe esta huma dada de terra que foi dada a simão da rocha villas-boas o quoall a tem perdida conforme o pregão do sr. B. em ausensia de Diogo de Quadros CARTA DE FRANCISCO DA SILVEIRA 9 de Abril de 1601. M. dom francisco de sousa a quall dada comesa de huma dada que tem Manoell de miranda huma llegoa ao llongo do rio e de llarguo duas mill brasas bem asin na varzea mea llegoa em coadro comesando acaba o dito manoell de Miranda e corendo pelos mesmos rumos vistos serem lhe dadas mais teras que podia posuir sendo mansebo solteiro pede a Vm. b.centos e hum anos o capitão e o locotente M. Saiban etc. clis francisco da silveira que ele veo de pernãobuquo ter a esta capitania para nela ser morador he core em dous anos que nela reside com sua pobresa e criasois de gado vacum para o quuall lhe he Desesario terras para pasto do dito gado como para mantimentos he outras couzas nesesarias pello que pede a Vm. governador na forma que foi dada a simão da rocha erm Dou ao sopricante en nome de sua magestade por devolluto conforme o pregão do sr. governador don francisco de sousa a tera que pede assin e da manera que foi dada a simão da rocha villas bras seregipe a des de abrill de mil e seis sentas e hum o capitão loco tenente manuel rniranda barbosa CARTA DE ANTÔNIO LOPES 10 de Abril de 1601. CARTA DE MANOEL CORREIA 9 de Abril de 1601. em nome de sua magestade a de a dita tera por divalluta cõforme o pregão do sr. de 278 . avendo respeito ao sobre· dito fasa merse dar em nome de sua magestade en ho rio de vasabaris pela testada do mesmo rio por elle ariba huma llegoa de terra em coadro a quoall se comesara a medir adonde acabar a dada de manuell da fomsequa ha quall pede com todos os matos he auguas he pastos he enseadas pontos sálgados que nela ouver corendo a dita demarcasan pelos rumos que corerem as mais demarcasois debaixo a quall tera pede por devolluta no que erm. Saiban etc. Dou ao sopricante na parte que pede mea llegoa de tera por devolluta em nome de sua magestade a quall tera en coadro com todas as auguas e madeiras e esteiras como pede seregipe a nove de abrill de seis sentas e hum anos o capitão locotenente m. m. Saiban etc.

CARTA DE JOÃO GARCEZ 2 de Julho 1601...sesmaria em nome de sua magestade com suas aguas madeira e que na dita tera houver a coall pede em coadro erm. na sidade de salvador que elle possue hua sorte de terra nos llimites desta sidade de são cristovao que foi dada a gaspar tourinho que nella não povoar pedem a elle sopricante e he mea llegoa em coadro partindo da banda do sull có a terra que foi dada a joam garcia habem da dita mea llegoa fequar algus sobeios de terra que vão jutespor cõ hú braso de mar de vasabaris por nome agoa petiba os cais sobeios ora fique ao llongo da costa barba como do dito rio agoa petiba elle sopricante os tem possuido e possue e não tem dos ditos sobeios mais que a pose pede a vm lhes de de sesmariae sorte que lhe fique sendo dada a terra que houver da costa barba ate intestar com o dito barzo do mar agoa petiba na llargura da dita mea llegoa que já lhe he dado e avendo alguas pontas que...b.. do dito rio de seregipe para ao rio ipochi pede a vossa merse lhe de os ditos sobeios de tera erm .. CARTA DE GASPAR DE MENEZES 7 de Maio de 1601... CARTA DE ANTONIO GUEDES 5 de Junho de 1601... b. ten có o dito braso de mar agoa petiba tambem os pede con todas as madeiras agoas pretensois que ouver erm dou ao sopricante em nome de sua magestade os sobeiros de terra que pede não prejudicando o direito do que ouver seregipe a simquo do junho de 1601 o capitão locotenente m. Saiban etc. Saiban ete. dis joam garces mor.dou ao sopricante em nome de sua magestade de sesmaria os sabeios que pede não estando dados seregipe sete de maio de 1601 o capitão locotenente rn.. dis antonio guedes mar. Saiban etc. dis gaspar de menes morador nesta capitania que eIle esta povoando cõ sua molher e familia e lhe não são dados terras onde targua suas criasois e ora junto ao rio de seregipe estão huns sobeios de terra que podem ser mea llegoa de terra em coadro pouquo mais ou menos os quoais sobeios estão emtre a dada de antonio vas de jabotão e a dada de tome da rocha e gaspar de figeredo... b.... – dou ao sopricante a meã llegoa de terá asin e da maneira que pede em nome de sua magestade por devalluta seregipe a dês de abrill de 1601 o capitão locotenente m. 279 ..m. Nesta capitania sidade ele quer faser fasenda e crear gado vacum e outras criasoes na capitania de san cristovao de seregipe e povoar a dita capitania e porque não tem terras para o pader fazer e na testada de marcos fez defronte de taperogoi275 da banda do sull corendo pelo rio ariba esta terra por dar He povoar pello que pede a vossa mese lhe fasa dar de 275 Acredito ser o nome de Taberauá.... m. m.....

CARTA DE NUNO DE AMARAL 15 de julho de 1601. Não sabemos bem qual o rio que os índios chamavam caiaiaba. governador gerall con todas as auguas madeiras e todos os pretenses que na terra ouver erm . de terras pede a v m lhe fasa merse de duas lleguoas de terra em vasabaris nas cabesceiras de dominguos d‘araujo onde chamão taporanga corendo pelo dito rio de vasabaris acima por devalluto conforme ao pregão do snr. rn.. Rio caiaiba. Acredito ser o nome primitivo de cotinguiba. CARTA DE JOÃO GUERGO 16 de Outubro de 1601..dou ao sopricante na parte que pede mea llegoa de terra eu nome de sua magestade conforme o pregão do ... b. m. Saibam etc... b..sr.. dis joão guergo que ele veo a esta capitania com sua molher e famillia para ser nela morador e hora não tem terras devollutas da banda do sulI nas cabeseiras das dadas de francisco da sillveira a qual tem junto hua de manoell da fonsequa que ora tem no barso do dito por nome caiaiba 277 pede a vosa merse lhe de en nome de sua magestade hua llegoa de terra en coadro a coall pede por devoluta conforme o pregão do senhor governador ermo .dou ao sopricante em nome de sua magestade hua llegoa _de terra asim e da manera que pede por deva11uto conforme ao pregao do sr. locotenente. dis Nuno damaral que ele quer ajudar a povoar a capitania de seregipe e porque ten necesidade pera hos feitos . diz francisco Jorge que elie veo a esta capitania com sua famillia pêra ser nela noradora he hora não tem terras devollutas pera seus mantimentos e 276 277 Potegipe ou Cotegipe. Saiban etc... m. CARTA DE FRANCISCO JORGE 16 de Outubro de 1601. Saiban etc. b..que se reunen e vão desembocar no rio das pedras. Junto à serra deste nome correm dois riachos – Conde e Trahiras. governador don francisco de sousa com todas as agoas llenhas seregipe a deseseis de outubro de 1601 o capitão locotenente m. m. don Francisco de sousa governador deste estado bahia a quinze de julho de mill leis sentos e tres anos.sesmaria duas lleguas e meã de terra elo dito rio de potegipe 276 hariba por ho rumo que direito corer e para ho sertão outras duas lleguas meã de modo que fique em coadro e todas as pontas e auguas e ilhas que na dita terra houver e madeiras havendo respeito a ser sopricante home que tem pocibilidade pêra poder povoar e aproveitar e sendo caso que sei a dada posa corer por deante e disto lhe ande pasar sua carta de sesmaria em forma – dôu ao ao sopricante hua llegua de terra em coadro de sesmaria em nome de sua magestade não sendo dado de maneira que a pede e sendo dada cora avante cõ tanto que a pouve dentro de seis meses baia a dos de julho de seis centos e tres anos o capitão e llocotenente m. 280 .

m. impedimento allgu pede a vossa merse lhes de de sesmaria por devoliutas as ditas quatro sentas brasas de terra asin da manera que forão dadas aos ditos filhos de pedro alves o que pede cõforme ao regimento delrei de providor-mór e pregão do mesmo governador geral erm — dou ao sopricante de sésmaria em nome de sua magestade as quatro sentas brasas de tera que pede asin e da maneira que forão dadas aos filhos de pedro allves seregipe a vinte de outubro de mil e seis sentos e hu anos o capitão locotenente m...quato anos que ajuda a povoar esta capitania con molher e filhos servimdo sempre a deos e sua magestade de ouvidor e provedor de fasenda e capitão de solldados deste presidio em hua ausensia de capitão diogo de coadros e outros cargos do serviço de sua magestade e porque ora findo este praso que dito esteve porvoando quarto centas barsas de terra as coais foram dadas aos filhos de pedro alives sendo filhos familias sendo de meuoridades que era contra direito que elles não podiam povar. governador geral don francisco de sousa co todos as auguas e matos que nela ouver erm — dou ao sopricante mea llegoa de terra na parte que pede de sesmaria em nome de sua magestade cõ todas as auguas pastos lienhas que nelas ouver seregipe a desaseis de outubro 1601 o capitão locotenente tente m.. elle se sopricante todo este tempo que ho dito has tem cultivado as ditas quatro sentas brasas de terra com mantimentos e casas e mais criasoio como he prubiquo e notório. b..elle vai pera .. CARTA DE SIMÃO DE ANDRADE 20de Outubro de 1601. CARTA DE SEBASTIAO FRANCISCO VIEIRA 20 de Outubro de 16001 Saiban etc. dis sebastião francisco vieira que elle veo de morada com molher e famillia para esta capitania por quanto sua magestade manda que a todo o homorado que for povoar terras novas os senhorios he -capitais delas favorece são aos outros moradores asin de terra como de mais em que purerem outro assim manda que havendo e sendo algumas terras de sesmaria que seus donos as não povoasem as taes terras se darão as pessoas que as povoarem de novo e porque a joão martms de merelie foi dada huma dada de terra em vasabarris a não vem povoer e foi dada pelo padre bento de ferras sendo capitao em auzensia de vosa 281 . a.. b.. Saiban etc..criasois e nas cabeseiras da dada de terra que tem francisco fernandes em vasabaris da bando do sul estão terras devolutas pede a vosa merse lhe de de sesmaria mea liegoa de tera na dita testada ou cabeiseiras de francisco fernandes por divoiluto conforme o pregão do sr. dis simão dandrade que ..

. m. dis o padre bento ferras que ehie esta autoallmente pouoando esta terra com suas. lhe dê de sesmaria huma llegoa de terra em coadro no rio mocuri e sendo dada lha dê por devohhuto conforme o pregão do Snr.. — dou ao sopricante em nome de s.. de sesmaria não sendo dada e estando dadas por divolluta moa legoa de terra em qoadro asin e da manera que pede seregipe a vinte de outubro de mill seis sentos e hum o capitão llocotenente. mag. criasõis de vaquas égoas porcos cabras e outras muitas que tera para tarzer e porque elie sopricante não ten terras onde as posa tarzer e pastorar seu gado e nesta capitania estão muitas terras que foram dadas a omes que as não vieram povoar e estão devaliutas como são indo pello caminho de taperagua que vai ao areaiu por onde antiguamente se servião para taperagua a subridonde . governador don francisco de souza com todas as aguas lienhas e pastos E r m — dou ao sopricante na parte que pede de 282 . m. CARTA DE JOÃO PHILIPE 23 de Outubro de 1601... m. nas partes que pede duas llegoas de terra em coadro comesando se a medir do proprio caminho chegando a llagoa corendo pello caminho de taperagua ficando d‘uma parte e doutra huma hlegoa para cada parte a coal pede com todas as auguas lienhas que nelas ditas terras ouver as pede de sesmaria em caso que estando dadas lhas dê por divoliuta E r. m.. Saiban etc. mag. a dita dada de joão martins visto elie esta.. Saiban etc dis joam Felipe morador na habia que ele ajudou a vir a ganhar esta terra em companhia do governador cristovão de barros e que dita jornada fez muitos servisos a sua mag. b. — O cpitão llocotenente m. m. b. com casa e famihia E. mag. mea hlegoa de terra asin e da manera que foi dada a joam martins com todas as auguas lienhas pactos seregipa-a vinte de outubro de 1601.. r. CARTA DO PADRE BENTO FERRAZ 20 de Outubro de 1601.merse e não lha podia dar pede a vosa merse avendo respeito asima dito lhe dê de sesmaria en nome de s.. — dou ao sopricante na parte que pede de sesmaria em nome de a. em outras muito o servido de quinze annos e esta parte achando-se pesoalmente em muitas batalhas he geras que derão neste estado e que ora quer hajudar a povoar esta capitania de seregipe e porque tem muita fabrica e não tem teras donde ilavrar pede a vosa merse que em nome de sua mag.esta huma hlegoa que fecha maitacanema corendo peilo mesmo caminho que antiguamente ha pera o dito taperagua pasando o ipochimerim pede a vosa merse lhe dê en nome de sua mag..

. CARTA DE MELCHIOR DIAS CARAMURÚ 4 de Dezembro de 1601. – dou ao sopricante na parte que pede de semaria meã llegoa de terra em coadro em nome de sua magestade. he 278 Ibirarema é o rio hoje chamado Guararema. M. e madeiras que na dita terra ouver . governador geral don francisco de souza que mandou Ilansar sergipe a trinta de dezembro de 1601 o capitão llocotenente manuell m. Seregipe a vinte e tres de outubro de 1601 — o capitão llocotenente M. a terra que esta nos llemites do rio reall a saber da barra. Governador geral Don Francisco de Souza com todas as alguas lenhas e pastos. 283 . r. m. dis melchior dias caramurú morador na Bahia que Ella andou nas gerras que se fizeram ao gentio e franseses nesta capitania muito tempo com suas armas e cavallo e escarvos até realmente ser lansados fora e desbaratados o inimigo sempre a sua custa no que fez muita despesa de sua fasenda por servir a sua mag.dou ao soprecarite em nome de Sua Magestade por devoluta a terra que pede não estando dada conforme ao pregão que ho Snr. até outro mar que avera de rio a rio sallgado mea llegoa para o sertão tres llegoas pelio ibirarema278 o rumo direito e d‘ahi para o sull para faser as ditas tres llegoas donde sacabar a medisão a coal terra elle sopricante tem povoado com rosas e gente criasois he otras sustentados a dons anos he fronteira que sustenta deinimigos he negros de gene levantados no que fas sreviso a sua mag.em nome de sua mag. aflluente do rio real. e sendo dada lha dou por divohiuto conforme ao pregão do Snr. e porque ele sopricante tem muita pose e quer mandar escarvos e gado a povoar e culltivar terras na dita capitania pede a vosa merse lhe fasa merse de lhe dar de sesmaria eu nome de sua mag. dis francisco rodrigues morador nesta capitania que a sete anos que anda a povoar esta capitania com molher e filhos e não tem terras onde traga suas ciasois e ora no rio iopochi da banda norte esta hu pedaso de terra devoiluta pede a vosa merse que em nome de sua magestade lhe de huma llegoa de terra de comprido pnllo rio asima e mea Ilegoa de llarguo que começando a medir da ponte para sima o recebera merse resalivando pontas enseadas . governador don Francisco de Sousa com todas aguas llenha e pastos E.. b. E sendo dada lha dou por divolluto conforme ao pregão do Snr. Saibam etc..com tõdas as augoas. CARTA DE FRANCISCO RODRIGUES 30 de Dezembro de 1601 Saibam etc. B.sesmaria mea llegoa de terra em coadro ...

em são cristovão a quatro de dezembro de 1601 anos o capitão mellchior masiel en ausensia de manuel m... dis francisco da Silveira morador nesta capitania que vosa merse lhe fes merce en nome de S.... Saiban etc.. v... esta povoando e proveitando como . CARTA DE SIMÃO DIAS 2 de Janeiro de 1602.proveto de suas rendas a soall terra pede por não dada de devolluta visto não serem povoadas de brancos e o snr. seregipe adesouto de janeiro de 1602 o capitão manoel rn.. CARTA DE FRANCISCO DA SILVEIRA 18 de Janeiro de 1602. b. mandou en seu regimento se desse a todos os moradores e povoadores della visto sér casado na ta capitania e nella não tem teras e na pitanga termo desta sidade estão teras devoliuto as quais foram dadas a manoel de miranda morador na bahia termo de piraja avera como oito anos ou no tempo que por verdade se achar lhe foi dada hua. dis não dias morador nesta capitania que elle haverá dous anos que he morador nesta capitania e querendo fazer rosas para seus mantimentos não ten teras para as fazer povoar por lhe não serem dadas conforme o.. governador geral elle sopricante esta povoando por seu feitor e escravos visto o serviso que faz a des e a sua mag.dou ao sopricante em nome de sua mag. Magestade mea llegoa por divolluto não sendo dada seregipe a dous de Janeiro de 1602 o capitão manoel m. Saiban etc.. Magestade dar em o rio de vasa barris hua dada de terra a quall lhe foi pasada carta e lhe e dado pose em taperagua tem muito gado vacull para passar para as ditas terras e porque ora teme que em algum tempo tenha de se mandar sobre a dita terra por respeito de vm...dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra que lhe tenho dado e agora lha tornoa confirmar e por me parecer serviso de sua magestade.. lhe tem feito merse en nome de sua magestade erm. 284 . lhe fazer ver se antes deser porvido pello snr.... . — dou ao sopricante na parte que pede en nome de s. Legoa por devoluta não sendo dade se de terra a quall o capitão diogo de coadros• deu-a para masiel mea llegoa e outra mea llegoa esta devolluta pede a vosa merse lhe de a dita mea llegoa como en sua pitisão pede a quall pede por divolluta com todas as auguas matos pastos que na dita tera ouver erm. na parte que pede de sesmaria a terra que esta de pixaxiapa até ibirarema e pelo ibjiarema asima tres Ilegoas que serão medidas pellos rumos que en sua petisão diz conforme ao pregão do snr... b.. governador por tanto pede a vosa merse lhe fasa merse novamente confirmar a dita terra asin e da maneira que vm. governador gerall mandar llansar pregão que povoasem as terras dentro em seis meses sobe pena de se dar por devoiluta como a elle sopricante.

.CARTA DE CHRISTO VÃO DIAS 18 de Janeiro de 1602... CARTA DE MANOEL CASTANHO DE SOUZA 1º de Julho de 1602.. b.. — dou ao sopricante na parte que pede eu nome de sua mag. governador gerall don francisco de sousa e porque ele sopricante não pedio carta ate agora por estar de pose por tempo de seis anos pede a vm. m...lhe mande pasar sua carta da dita terra em nome de sua magestade aquall se comesara de hun outeiro alto que esta junto donde bastião dias teve hua casa ate chegar a dada a manuel gomes da banda doiopochi que vem do rumo direito ate a dada de domingos fez. por devolluto com todas as augoas pastos que na dita terra ouver Seregipe a desaseis de junho de 1602 — o capitão cosme barbosa.. primeiros e asin mais esta povoando pessoalmente com molher e familia e lauvrado em terra alheia e ate oje não lhe he dado terra nenhuma pera lavrar e trazer suas criasois de gado vacum e outras pelo que pede a vosa merse avendo respeito o asima dito lhe de de sesmaria em nome de sua mag. dis christovão dias que por tempo de des anos que nesta capitania esta morador e povoador e hora vai em seis anos que pormandado de capitão Diogo de quadro esta de pose de hum pedaso de terra jumta a hua dada de manoel gomes que esta junto ao rio iopochi da banda do suIl e por ele sopricante não pedio carta. dis gaspar de menese quelle veo em companhia de cristovão de barros ajudar a conquistar esta terra com seus escarvos a sua custa asistio a todos os rebates... nobre e daoutra banda ate chegar aocaminho que vai para a que há serão duas mill brasas em quadra ou que se achar a qual pede com todos os pontos enseadas que tiver erm. CARTA DEGASPAR DE MENESES 16 de Junho de 1602. Saiban etc... 285 . da ditaterra por ho dito capitão dizer que a terra que estiverem povoando serão suas poses que seião de dois conforme ao pregão do snr. — dou ao sopricante na parte que pede duas mill brasas ele terra em nome de sua magestade asim e da maneiraque as pede visto estar de pose deila e ser dos primeiro povoadores e no tem terras em que llavrar con tanto que pase avante das rosas do capitão diogo de coadros seregipe a desouto de janeiro de 1602 anos capitão mãnoel m.. duas legoas de terra na testada de uma dada de terra e que oje tem matias moreira hum curali de gado a qual dada esta no rio vasabaris e sendo dada cora adiante aquali terra pede por divoliuto no que pede E r... Duas mill brasas de terra em coadro pera a parte do rio reall e sendo dada cora por diante onde couber a quall lhe dou em nome do dito snr... Saiban etc.

dis manoel castanho de sousa que ele quer vir morar e ajudar a povoar esta capitania e hora nela não tem terras pêra lavrar e trazer suas criasois de gado vacum e de outras sortes e asin mais tem servido a sua mag. Saiban etc. na dita parte sendo testadas e cabeseiras de cuja for a terra adonde o sopricante pede divolluto não sendo dada corera por diante com condisão que dentro em um ano venha pouoar e não ha pouoando sera dada por divoiluta a quem a pouoar en primeiro de julho de 1602 —o capitão cosmo barbosa. — dou ao supricante em nome de sua mag. por divolluto serèjipe a vinte seis de julho de 1602 — o capitão cosme barbosa. CARTA DE ANTONIO VAZ 5 do Julho de 1502. por coamto he borne de muita pose e porcoamto elle sopricante não tem teras nesta capitania que posa apresentar sua fasenda e trazer suas criasoins e bemfeitorias pede a vosa merse em nome de sua mag. duas llegoas de terra de sesmaria ao lomguo do vasabarris da banda do sull onde acabar joão guarces da banda doeste e outras duas llegoas pera o sertão a quall tera pede por divoiluta E r m — dou ao sopricante em nome de Sua magestaade na parte que pede huma llegoa de terra em coadro e lha dou em nome do dito snr. em muitas geras em esta costa do brasill com sua pesoa escarvos e tudo a sua custa pello que avendo respeito ao que asima dis pede a vosa merse lhe dé em nome de sua mag. dia antonio vas de guotegi termo da baia de salvador cue alIe tara arrendados os dismos desta capitania e quer ora meter nela muita fabriqua de genho criasoims de que resultara muito acresentamento a fazenda de sua mag. CARTA DE MANOEL RODRIGUES 2 de agosto de 1602 Saiban etc.Saiban etc. dis manoel rodrigues que ele quer ser morador nesta capitania e ajudar a pouoar porque he borne casado e ten filhos e criasois de toda a sorte e não tem teras aonde ilaurar pede a Vm. quatro mill e quinhentas brasas de terra em coadro nas cabeseiras ou testada de manoei da fonsequa na dada que tem em vasabarris da banda do sul comesando a medir dada de gaspar de merses correndo pelo dito potigimirim a quall terra pede por divoliuto com todas auguas pastos llenhas madeiras que na dita terra ouver erm. na pate que pede tres mill brasas de tera de comprido pera o sertão de llarguo duas mili brasas as quoais lhe dou em nome de sua mag. lhe Lasa merse de huma llegoa de tara em coadro ao llongo do rio cotimgiba da banda do sull cormesando a medir rumo da banda de cornendaroba pello dito rio asima a coall tera pede por divlluta por coanto não foi nunca aproveitada e pouoada de gente branca E r m — dou ao sopricante na 286 .

duas llegoas de terra que se comesara de mydir da barra da ibura279 corendo onde e mesara mellhior masiell a sua dada e dahi para baixo pelo rio de cotindiba da banda do sull a coall terra pede em coadro rumo direito pello rio asima salvando as pontas ensiadas e com todos os matos e pastos augoas que na dita terra ouver a cuall terra pede por devolluto e nao se aproveitada e pouada de gente branca pede e.PERNANDES 2 de Agosto de 1602. disem manuel rodrigues e simão llopes mestre de asuquar quelles querem ainda a pouvar esta capitania e ora não tem terras em que posão llavrar esta capitania e ora não tem terras em que posão liavrar e que pello rio de cotingiba asim a da banda do sull onde chamão chamão ibura (?) que e hum rio asima estao terras devolutas e por cultivar pedem a vincé en nome de sua mag. em nome de sua mag. — dou ao sopricante na parte que pede em nome dê sua magestade huma llegoa de terra em coadro com condisão de fazer o que acima dis dentro em seis meses a cuall lhe dou por devolluta seregipe a dous de agosto de 1602 o capitão cosme barbosa. . 287 . CARTA DO PÀDRE GASPAR.r.dou aos sopricants em nome de sua mag. Saibam etc. r. mill brasas de tera em coadro de modo que fes mansão seregipe a dous de agosto de 1602 — o capitão cosme barbosa. 279 Nome de um córrego do cotinguiba. duas mill braças de tera em coadro na parte que pedem com condisan que dentro em hu ano venha morar a capitania seregipe a tres dias do mas de auguosto de 1802 o capitão cosme barbosa. dis gonsalo alvares morador em seregipe de conde que elle quer ajudar a esta capitania povoar e faser hum engenho por ter pose e tãbem nesta capitania gente e criasois e para fazer o dito engenho não tem terras pede a vmce.parte que pede em nome de sua mag. Saibam etc. CARTA DE MANUEL RODRIGUES E SIMÃO LOPES 3 de Agosto de 1602. Conserva o mesmo nome. CARTA DE GONSALO ALVARES 2 de Agosto de 1602. lhe de de sesmaria em a parte que pedem huma llegoa de terra pello dito rio acima resallvando pontas ensiadas e a medisan se comesara a fazer nas cabeseras de guonsalves soares pêlo rio asima em modo que fique em coadro e. m.m.

. e fazer senão elle sopricante e ora não tem terras para faser suas rosas e tarzer suas criasois e no rio vasabaris junto a tinhare esta huma dada de terra que foi dada a antonio bareiros para faser hum engenho a coall terra não he para iso nem o mandou fazer o dito antonio bareiros e parte allua ribeira a que chamão una (?) que esta por demarcasan mea Ilegoa para huna banda e mea para outra ao Ilonguo do dito rio vasabarís que he huma legoa em coadro pede por devolIuto asin e da maneira que foi dada ao dito antonio bareiros pelas ditas confrontasois erm... — dou ao sopricante a terra que pede por divaliuto em nome de sua magestade asin e da manera que pede seregipe a 21 de janeiro de 1602 o capitão cosme barbosa.Saibam etc.r. CARTA DO PADRE GASPAR FERNANDES 21 de Janeiro de 1602.. CARTA DE MANUEL ‗THOME D‘ANDRADE E FRANCISCO BORGES E GONÇALO FRANCISCO 21 de Janeiro de 1602. na parte que pede hua llegoa de tera a coall lhe dou em nome de sua mag. em nome de sua mag. de lhe dar hua llegoa de tera em coadro no ryo nocury que entra no rio ipochim da banda do norte e se comesara a mydir donde acaba martins de souza com todos os pastos madeiras ensiadas e augoas que na dita tera ouver por devolutas e... por devolluto a coall terra em coadro lha dou com todas as augoas madeiras e pastos que a dita terra ouver seregipe a dous dias de auguosto de 1602 o capitão cosme barbosa. dis Manuel tome dandrade morador nesta capitania e seu gemro francisco horges e gonsallo Francisco que eles tem muitas criasomes de gado nesta capitania de que si sustenta este prezidio o mais do tempo e nella não lhe foi dadas terras de sesmaria ao dito francisco borges nem a gonsailo francisco tão somentes a elle dito manuell tome que lhe foi dada ao llonguo desta sidade mea llegoa de terra na qoall não e bastante para puder sustentar as ditas criasomis asin lhe pede a mingoa de pastos as ditas criassomis diguo posto que detraz da Itabaiana para a banda de ponente des ou doze llegoas desta sidade estão teras pello sertão devollutas e por ser fora de mao e perigosa de gemtes e llugar onde hum ome so 288 ..m. Saiba etc..... — dou ao sopricante em nome de sua mag.. dis gaspar fernandes vigario desta capitania de seregipe que elle esta povando com a sua pesoa. Saiban etc. com seu Offisio a todos dizendo missa e administrando os mais sacramentos e ora não tem teras pella usar e trazer suas criasonis e ora as ha muitos pede a vm.. dis gaspar fernandes vigairo em esta capitania que ele esta pouvando e tem muita famulia outro sim não ha nesta capitania outro padre senão alie sopricante para encomendar a deos os moradores desta capitania e faser ofisios divinos.

lhe fasa merse dar-lhe na parte que diz huã llegoa de terra por divolluta com todas as auguas madeiras que na dita terra ouver erm. m. CARTA DE PERO DE NOVAES SAMPAIO 289 . b. Saiban etc. um a quail lhes dou de sesmaria asin e da maneira que pedem seregipe a vinte e hum de janeiro de 1602 o capitão cosme barbosa.não pode ir para sua fasenda pedem elles sopricantes a vosa merse lhe fasa merse em nome de sua magestade lhes de de sesmaria Seis Ilegoas de terra para todos tres amtre si repartirem irmãmente de tras da itabaiana pellã maneira que pedem fiquando uma ribeira que na dita parte esta em meio da dita data fazendo a dita medisão em quadro e como milhor lhes vier para pastos das ditas criasomis a quall terra pede por divaliuta e por ser para ben e ao regimento da dita capitania erm. — O coitão m. CARTA DE DUARTE MUNIZBARRETO 19 de Abril de 1602. na parte que pede mea llegoa de terra pelas confrontasois pede que em sua pitisão diz asi e da manera que pede seregipe a dezanove dabril de 1602.b. CARTA DE JORGE BARRETO 19 de Abril de 1602. — dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede mea llegoa de terra em coadro por divaliuto com todas as agoas madeiras asin e da manera que pede em sua petisão fas mensão pellos rumos e confrontasois deilas seregipe a desanove de abril de 1602 o capitão m. lhe fasa merce em nome de sua magestade duas llegoas de teras con todas as augoars madeiras matos que na dita terra ouver erm. Dou ao sopricante em nome de s m. diz jorge bareto morador na bahia que elle quer mandar ajudar e povoar esta capitania e que nella não tem terras para mandar fazer mantimentos e trazer gado vaqum e na tabaiana na testada de duarte munis bareto e sãpalo da banda do sull estão terras divolutas pede a v. m. dis duarte munis bareto allcaide morador na sidade da haia por seu procurador que elie mandou e veo ajudar a tomar esta terra ao jentio em Companhia de Cristovão de barros adomde gastou muitas de suas fazendas e hora manda hum curall de vaquas e gente he na dita capitania lhe não são dadas terras acahumas e hora na tabaiana nas cabeseiras de huma dada que foi dada a manuell tome dandrade e a gonsalo francisco e a francisco borges para a banda doeste e para o sertão estão terras divalutas pede a vm. — dou aos sopricantes na parte que pedem em nome de sua magestade llegoa e mea de terra mea o . Saiban etc.m.

O capitão Manoel M. CARTA DE PERO GONÇALVES 7 DE Agosto de 1602. diz pero goumçalves morador nesta capitania que de esta na dita capitania inda não povoou com mulheres e fabruqua e que na dita capitania não tem terras nenhumas para fazer seus mantimentos e pastos de guado e no cabo do rio Aracajú esta huma ponta de terra que me mete amtre dous apecus que puderam ser setecentas braças de llarguo pouquo mais ou menos e de comprimento para a banda de sueste seram como mill brasas e pede a Vm. na parte que pede mea llegoa de terra em coadro com as confrontasois que pede Sergipe a dezenove dabril de 1612 anos.Dou ao suplicante em nome de s. Saiban etc. . em nome de sua mgde lhe de a dita ponta de terra de sesmaria por devoluta com as confrontações acima nomeadas e com águas madeiras que na dita terra ouver e receberá merse. . mgde.Despacho: dou ao suplicante em nome de s. nas testadas dos sobreditos dar-lhe dus augoas madeiras que na dita terra houver e a midisão se fara rumu direito resallvando pontas enseadas de manera que fique em coadro a quall terra pede para a banda doeste erm. Saiban etc. mgde.19 de abril de 1602.. com todas a madeiras e aguoas e pastos que nela ouver e declarasan de fazer bemfeitorias e fazer pouvala dentro em seis mezes e não o fazendo perdera a sete daguosta de seis centos e dous annos. mgde.O quapitam Cosme Barbosa. na parte que pede mill brasas de comprido e de llarguo setesentas a qual lhe dou em nome do dito sr. Nas testadas dos sobreditos dar-lhe duas llegoas de terra em coadro por devolutas a qual pede com todos as merse em nome de s. Saiban etc. B. dizem Sebastião da sillva morador na baia e Francisco Rodrigues e guaspar fontes ambos moradores nesta capitania que eles estam povoando nesta capitania com molher e filhos e fabriqua e tem feito muitos servisos a sua majestade e que na dita capitania lhe san necesarios terras para mantimentos 290 . diz pero de Novais sãpaio morador nesta capitania que ele esta ajudando a povoar esta capitania e que nele não tem terras para mantimento nem para pastos de gado vacum e outros criações que ou menos para isso tem e que na tabaiana seis llegoas desta sidade pouquo mais ou menos na testada de huã dada de terra que foi dada a Manoel tome a Francisco Borges e a Gonçalo Francisco estão terras devolutas que nunca foram povoadas nem cultivadas pede a vossa mercê lhe fasa mercê em nome de s. CARTA DE SEBASTIÃO DA SILVA FRANCISCO RODRIGUES E GASPAR FONTES 7 de Agosto de 1602. mgde.

erm.dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede Mill e duzentas brasas de tera em coadro não sendo dada a maior cora avante lha dou em nome do dito sr. le fasa m. Saiban etc.Dou ao sopricante na parte que pedem huma llegoa de terra a qual lhe dou em nome do dito em coadro com declarasan de a povoarem e a cultivarem em hum ano e lha dou com todas os Mattos e pastos e madeiras que nela houver . CARTA DE JOÃO DIAS Saiban etc. lhe fasa merse em nome de s. por divalluto Sergipe a dezenove daguosto de 1602 o capitão Cosme Barbosa.. mgde. havendo 280 Jaraputanema. Não sabemos bem localizá-la entretanto acreditamos que seja o nome primitivo da Lagoa Seca. que fica na estrada de Itaabaiana para Itaporanga. dis João Dias morador em tatuapara termo da baia que ele veio ajudar a dar a guera que se deu ao gentis desta capitania no que fez muito serviço a sua majestade e despesa delle sopricante e a tres anos que tem homes branquos creados seos e muitos guado e mais cryasois e escravos e porque as teras que tem na dita capitania são muito pouquas e llonge desta capital pede a vm. na parte que acima dizem dar-lhes quatro llegoas de terra por devolluto e a midisan se fara em coadro pello dito rio asima correndo a tapera de serobim e da dita tapera em direitura ao poente e nos mais rumos de maneira que fiquem a midisan em coadro a quall pedem com todas as llenhas agoas e madeiras que na dita terra ouver resallvando pontas enseadas que ho mesmo pedem em nome de s. Seregipe a sete daguosto de 1602. 291 .e pastos de guado vacum e assim o dito Sebastião da sillva não ter muita fabriqua nesta capitania e que no rio de vasabaris da banda do sull onde se chama itaporangua estão terras devolutas que nunca foram povoadas nom cultivadas de branquo pedem a Vmce. dis Baltasar delleam morador nesta capitania que elle veio em companhia de Cristóvão de barros ajudar a guera ao gentio com suar armas e escravos e des antam casuou aqui ajudando a pouvar e a sostentar a tera com sua pesoa e molher e filhos e família indo en todas as guerras e saidas que se na dita capitania fiseram e ofereseram indo sempre a sua conta e porque aguora lhe não são dadas teras nenhuas e tem muito nesesidade assim pera pastos de guado como pera mantimentos e outros cousas nesesarias pello que pede a vm.O capitão Cosme Barbosa. . em nome de sua magestade de duas llegoas de tera em coadro nas cabeseiras de Antonio vas jabaatam de jaraputanema280 para o norte e sendo dada o morador cora pello mesmo rumo avante e perto que seja dada a pesoa moradora lhe seja dada a elle sopricante por devalluta erm. nome de uma lagoa. CARTA DE BALTASAR DE LEÃO 15 de Setembro de 1602. mgde.

e nome de sua magestade em quadro de coatro llegoas de terá que comesando a medir-se onde acabar os padres da companhia de Jesus e mellchior masiell com as suas dadas pala ribeira em meo da dita medisão e daly rumo direito por ella acima de maneira que fyquem as ditas quadro llegoas em coadro a qual pedem por divolluto e de sesmaria erm vindo os sopricantes em cada hu eeles pouvar esta capitania da maneira que dizem em sua pitisan que será neste ano em que estamos lhe dou de sesmaria em nome de sua magestade na parte que pedem por divalluto hua llegoa de terá em coadro que comesara de qualquer parte do pé de outeiro da tabanhana do que fazen mensão e acabarão donde chegar a demarquasan della seregipe a simquo de julho de 1603 o capitão Tomé da Rocha. Padre. na dita capitania no que fes muita despesa de sua fazenda e porque ora querem vir e mandar pouar esta capitania e são pesoas de muita pose e tem muito gado de toda a sorte e escravos no que fazem muito serviso a deus e sua majestade e acresentamento de suas rendas e não ten terás onde rosar e elaurar e traser suas criasoes e ao pe de tabanhama estão terás devallutas que numqua forão pouvadas ne sultivadas de bamquos pedem a vm. Saiban etc. CARTA DE FHILIPPE DA COSTA E MELCHIOR VELHO 5 de Outubro de 1603. CARTA DE RODRIGO DA ROCHA 18 de Agosto de 1603. disen o ldo. dar em nome de sua mrgestade em o rio vasa baris na testada de antonio llopes hua llegoa de tera em coadro a quoal se comesava a midir aonde aquabar a dada do dito antonio llopes a quoal pede com todos os matos e pastos e agoas e madeyras emsiadas e salguadas em nella ouver corendo a dita demarquasan pelles rumos que corem as mais demarcasoims – dou em nome de sua magestade ao sopricante na parte que pede meia llegoa de tera em coadro não sendo dada e sendo dada corera por deante pelas confrontasoims da sua petisan he lha dou por devallutas seregipe quinze de setembro de 1602. Saiban etc dis Rodrigo da rocha Peixoto que elle serve a sua magestade nesta capitania dailferes e provedor de sua fazenda a hum ano não tem terras onde fasa rosaryas e traga seu gado vacun e cavallar e mais criasois e ora no rio de cotindiba esta huma dada de terá de meã llegoa em coadro que foy dada a Gonçalo 292 . fellipe da costa e melchior Velho Moradores na baia que elles tem bem servido a sua majestade assim na gera que se deu ao gentio nesta capitania como depois que astio elle sopricante melchior velho na companhia de vm.respeito ao sobredito lhe fasa m. . lhe fasa m.O capitão Cosme Barbosa.

de sesmaria a terá que pede e della se pasem carta Sergipe a desoito dagosto de 1603 – o capitão tomé da rocha. Da dita dada de terá de sesmarya e della lhe mande pasar sua carta Erm ..Dou aos sopricantes em nome de sua mag. CARTA DE BARTHOLOMEU DIAS 20 de Janeiro de 1602...Alves morador na baia com comdisão que não a vindo pouar dentro de seis meses de daria a quem a pouoasse e por coamto o dito Gonçalo Alves morador na baia com condisão que não a vindo pouar dentre de seis meses se Darya a quem a pouoasse e por coamto o dito Gonçalo Alves ate agora não veo nem mandou pouar pede a Vm lhe fasa merse em nome de sua mag. que em nome de sua mag.. BENTO 5 de Agosto de 1603..allures corendo a coadro rumo direito Erm. lhas de pera o dito convento três llegoas de terá em coadra no rio de cotendiba da banda do noroeste a quall se comesara na testada de uma dada de terá que foi dada a Antonio Fernandes de Sergipe do comde corendo ao noroeste a quall terá pedem por devolluta com todas as auguas matos pastos madeiras e o que mais nella ouver e sendo dada corera para a banda do norte pêra o rio de Sergipe ao llonguo de. Nesta capitania lhe dou em nome de sua mag. Saiban etc dizem os padres de são bento convento da baia que eles querem novamente nesta sidade hordenar huma casa de sua ordem e para beneficio do sustamento della e dos religiosos que nesta cidade e mosteiro asistirem tem nesesidade de terás em que posam llaurar mantimentos canas e o mais que lhes for nesesario e nesta capitania há muitas terás que estão divollutas e por colltinuar pede a Vm. na testada que pedem pello rio de cotimdiba huma llegoa de tera em coadro com as llenhas e matos e ribeiros que dentro della ouver não sendo dada e sendo ira tomando pello dito rio asima donde não for dado a quall dada lhes dou com condisão que dentro em hum ano venhão cultivar e fazer na sidade o seu mosteiro que será no asento que para isso se ordenar e disto lhe dar sua carta Sergipe a vinte e sinquo dagosto de 1603 – o capitão tomé da rocha.avendo respeito ho que o sopricante dis e ter servido a sua mag. Saiban etc Dis Bartolomeu dias morador em tatuapara que ele quer vir para esta capitanja ajudar a pouoar e que na dita capitanja não tem terás para tarzer suas criasois e fazer seus mantimentos e que no rio moquori que vem entrar no rio chamado pochi estão terás devollutas que nuqua forão pouoadas nem cultivadas pede a vossa merse lhe de em nome de sua magestade por devolluto huma llegoa 293 . CARTA DOS PADRES DE S.

Saiban etc. Dis Nicolau de lluquas sargento deste prezido que a três anos que serve a sua magestade nesta capitania de sargento porque quer ser morador e não tem terras onde llavar nen onde posa tarzer suas criasois de gado vaqum e outras que para isso tem pede a vosa merse avendo respeito ao que lhe dis lhe de em nome de sua magestade huma llegoa de terá nas cabeiseiras de padre bento feras que ora tem sobre a llagoa de jaraquatenema com todas as agoas pastos llenhas erm. –Dou ao suplicante na parte que pede meã llegoa de terra por devalluto em nome de sua magestade da maneira que pede Sergipe a vinte e hum dias do mês de janeiro de 1602. CARTA DE DIOGO LOPES VELHO 20 de Janeiro de 1602. 294 . Sergipe a vinte de janeiro de 1602 – o capitão Manoel Miranda Barbosa. Saibão etc.na parte que pede a quall se comesara há medir nas cabeiseiras da testada de hua dada que foi dada a martin de souza allmocharife desta capitanja a quall terá pede com todas augoas madeiras que na dita terá ouver comdisão da dita terá seia em roda que fique em coadro corendo rumo direito resallvando pontas e enseadas Erm – Dou ao sopricante meã llegoa de terá na parte que pede por devalluto em nome de sua majestade asin e da manera que pede Sergipe vinte de ianeira de 1602 – o capitão Manoel Miranda Barbosa. CARTA DE NICOLLAU DE LUCAS 21 de Janeiro de 1602. o capitão Manoel Miranda Barbosa. Diz Diogo Lopes velho morador na cidade da Bahia que ele a muitos anos que reside na dita bahia e que tem feito muitos servisos a sua majestade com sua pesoa e fazenda assim em geras como na pás acodindo com seus escravos e muitos homens brancos a sua custa a todos os rebates que se darão a vinte anos a esta parte em que fez sempre gastos e na tomada desta capitania de Sergipe mandou sua gente e omes brancos e cavalo a sua custa em ajuda do governador Cristóvão de baros que ora esta fronteiro aos aimorés e por quanto quer ajudar a povoar esta capitania de Sergipe e quer elle ter nella fabriqua por quanto he ome de pose e não tem terás onde tarzer e targa suas criasois pede a vosa merse lhe de de sesmaria três llegoas de tera em coadro no rio quotidiba as quais se medirão meã llegoa abaixo donde chega a maré e fiqua o rio em meo com todas as auguas madeiras e pastos Erm – Dou ao sopricante em nome de sua majestade de sésmaria duas llegoas de terá asin e damaneira que pede em qoadro e se começarão a medir mea llegoa pelo dito rio de quotidiba abaixo donde chega a maré com todas as auguas e llenhas matos pastos pelo averá por serviso de sua majestade .

– Dou ao suplicante em nome de sua majestade mea llegoa de terá e na forma que pede por devalluta conforme ao preguão do snr.vão co sua pesoa e fabriqua e que ora não tem terás em que posa llarvar e tarzer suas criasois e que no rio por nome mocori que vem entrar em o rio ipochi em as cabeceiras de bretollomeu dias estão terás devallutas que nunqua forão povoadas nen cultivadas pede a vosa merse lhe de em nome de sua magestade huma llegoa de terá de conprido e outra de llarguo de maneira que fique huma llegoa em coadro com todas as augoas e matos madeiras e pastos que na dita medisão coubre erm. CARTA DE SEBASTIÃO VASQUES 21 e Janeiro de 1602. CARTA DE JOAN FEREIRA E FRÃCISCO DALMEIDA 21 de Janeiro de 1602. Saiban etc. diz Sebastião Vasquez morador na bahia de todos os Santos que elle quer vir ajudar a povoar esta capitania que sua fabriqua e que na dita capitania não tem terras para trazer suas cresois de gado e fazer suas rosarias e no rio ipochi da banda do sul na testada e cabeseiras de huma dada de terra que foi 295 . Dis balltesar de souza morador no porto callvo que elle quer vir ajudar e povoar esta capitania de seregipe sidade de são cristo. Saibão etc. Don frãcisco de souza e das quais terras lhe são pasadas suas contas e pose e povoadas pello que pede a vosa merse lhas aia cõfirmados lhe mande pasar sua carta de confirmasão erm.CARTA DE BALTHASAR DE SOUZA 21 de Janeiro de 1602. Saiban etc. Governador Don Francisco de Souza Sergipe a vinte e hum de janeiro de 1602. – Dou ao sopricante e com termo as terras que lhe tenho dado em nome de sua magestade antes que tivesse pervisão do snr don Francisco de Souza. Sergipe a vinte hum de janeiro de 1602 o capitão Manoel Miranda Barbosa. Dizem Joan fereira morador em esta capitania de Sergipe e Francisco dallmeida que vossa merse lhe deu huma sorte de terá de dada de sesmaria que vem acabar nas cabeiseiras de simão de rocha villas boas a elle dito joan fereira e outro sin a Francisco dallmeida no rio ipochi da banda do norte lhe deu meã llegoa de terra a quall foi dada a manoell gomes as quais dadas lhe forão dadas antes da partisão do snr. o capitão Manuel Miranda Barbosa.

diz dominguos fernandes morador em tatuapára termo da Bahia que elle quer morar nesta capitania e povoar e que nella não tem terras para mantimentos e criasois de gado e nas cabeceiras de huma dada de terra que foi dada a hum Manoel Rodrigo que esta da banda do rio ipochi junto a tapera de taiaoba281 estão terras devolutas que nunqua forão povoadas e cultivadas pede a vosa merse lhe fasa merse em nome de sua majestade de huma llegoa de terra na parte que pede de sesmaria a quall terra pede com todas as agoas e madeiras que na dita terra houver e a medisão dela seria feita de maneira que fique em coadro llevando o dito rio ipochi em meo erm. diz pero chaves morador nesta capitania que lhe foi dada huma dada de terra nas cabeiseiras de antobio barreiros ao llonguo da ribeira piranapama da banda de lleste porquanto a dita data... Saiban etc. CARTA DE PERO CHAVES 21 de Janeiro de 1602. – Dou ao sopricante em nome de sua majestade na parte que pede por devolluto meã llegoa de terra em coadro assim e da maneira que pede Sergipe a vinte e hum de ianeiro de 1602..a dada de antonio barreiros erdada delle pero chaves e a de simão dandrade estão huns sobeios que poderão ser pouquo mais ou menos quinhentas brasas ou o que se achar pello que pede a vosa merse avendo respeito a elle ser morador nesta capitania com sua molher e filhos lhe fasa merse em nome de sua majestade dar a dita terra co todos os matos e pastos e auguoas que nella ouver e 281 Tayaoba – habitação indígena junto ao rio poxim...... no local em que está edificado o engenho poxim.. 296 ... – Dou ao sopricante em nome de sua majestade na parte que pede por devoluto meã llegoa de terra em coadro asin e da maneira que pede Sergipe vinte e hum de janeiro de 1602. – O capitão Manoel Miranda Barbosa. A qual terra pede com todas as augoas e madeiras que na dita terra ouver e a medisão da dita terra que assim pede se fasa tomando direito resallvando todas as pontas enseadas de maneira que fique em coadro erm.e tem pouquos matos para suas rosas . CARTA DE DOMINGOS FERNANDES 21 de Janeiro de 1602.O capitão Manoel Miranda Barbosa...dada a gaspar de fontes lhe estão terras devolutas que nunqua forão povoadas nem cultivadas pede a vosa merse em nome de sua magestade lhe fasa merse nas ditas testadas e cabeiseiras do dito gaspar de fontes dar-lhe huma llegoa de terra em coadro por dovolluto conforme ao regimento de ell rei nosso sr.... Saiban etc....

– O capitão Manoel Miranda Barbosa. – Dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua majestade mill brasas de terra de sesmaria da maneira que pede e que me fará a medir para o sertão donde acabarem as seissentas brasas que tem dadas pello capitão tome da rocha e fiquãdo o rio em meo Seregipe vinte e hum dias de janeiro de 1602. –O capitão Manoel Miranda Barbosa. Diz antonio pereira morador nesta capitania que elle lhe foi dado huma dada de terra por vosa merse no rio de vasa barris da quall lhe foi pasado carta de dada e dado por se porque teme que tenha alguma demanda sobre as ditas terras por respeito de vosa merse antes que vosa merse for servido pello sr.quall pede de sesmaria por estar devoluto a quall terra esta na ribeira de piranapama da banda do morro erm. – Dou ao sopricante na parte que pede quinhentas brasas de terra de sesmaria em nome de sua majestade asin e da maneira que a pede Sergipe vinte e hum de ianeiro de 1602. Governador pede a vosa merse avendo respeito a elle ser morador e estar na terra com sua molher e filhos e filhas lhe fasa merse em nome se sua majestade confirmar a dita terra esim e da maneira que lhe esta dada no que erm. Diz Sebastião dias morador nesta capitania que a tempo de onze anos é povoador e ajudando de defender com suas armas escravos aonde tem muitos serviços feitos a sua majestade não tem terras aonde llavrar e ora na Ipitanga282 tem seiscentas brasas de terra as quais não são bastantes para se poder agasalhar com sua família pelo que pede a vossa merse lhe de sesmaria em nome de sua majestade mill e quinhentas brasas de terra a quall se começara a medir donde elle sopricante acaba a dita sua dada pondo-se na banda do rio da banda do norte correndo pello rio acima conforme o rumo que o rio llevar medindo direito sem vollta allguma que o rio fasa de modo que fique a dita dada em coadro fiquando o rio de premeo tanto da banda do norte como do sul erm. Saiban etc. 282 Ipitanga – rio pitanga 297 . – o capitão Manoel Miranda Barbosa. Saiban etc. – Dou e confirmo em nome de sua majestade a terra que tinha dado ao sopricante em seregipe a vinte e hum dias de janeiro de 1602. CARTA DE SEBASTIÃO DIAS 21 de Janeiro de 1602. CARTA DE ANTONIO PEREIRA 21 de Janeiro de 1602.

Saibam etc. ————— CARTA DE SESMARIA DE LUIZ ALVES 4 de Fevereiro de 1602. — Dou ao suplicante em nome de sua majestade a terra que pede com todas as águas lenhas madeiras pastos que tiver lha dou por devoluto conforme ao pregão do Sr. Governador geral Sergipe 1º de Fevereiro de 1602.. Diz Antonio damaral. 298 . em ausência de Manoel Miranda Barbosa..CARTA DE ANTONIO DO AMARAL 22 de Janeiro de 1602. da câmara de sua majestade morador nesta capitania de seregipe que elle não tem terras para fazer seus mantimentos e pastos de seus gados que a dita terra quer trazer pede a vossa mercê havendo respeito ao que alegue lhe de uma légua de terra em nome de sua majestade que esta no rio de Sergipe nas cabeceiras de Sebastião de brito a qual terra pede por devoluto em nome de sua majestade conforme ao regimento de sua majestade erm.. Gaspar Fernandes Vigário nesta capitania de Sergipe que ele esta atualmente povoando esta capitania com sua família criadores de gado vacum e outras meu das e não tem terras em abondansa para seus mantimentos e para as ditas criações e ora no rio de vazas barris da banda do norte estão terras devolutas como lhe uma dada que foi dada hum Joam Martins Bretanha morador em mame a qual foi dada pelo padre Bento Ferraz não podendo dar pede a vossa mercê lhe faça mercê de dar a dita dada em nome de sua majestade de sesmaria que em uma légua em quadro tirando da dita meia légua que foi dada um Sebastião Francisco Vieira a qual terra pede o devoluto conforme ao pregão do Sr.... — Dou ao suplicante em nome de sua majestade a terra que pede assim e da maneira que diz em sua petição a qual terra lhe dou de Sesmaria e por devoluto conforme ao pregão Sr. CARTA DO PADRE GASPAR FERNANDES 1º de Fevereiro de 1602.. Saiban etc. O capitão Manoel Miranda Barbosa. Don Francisco de Souza governador geral erm... Don Francisco de Souza governador geral de todo este estado do Brazil Sergipe a vinte e dois de janeiro de 1602. — O capitão e loquotenente Gaspar Barreto.

— Dou ao suplicante em nome de sua majestade uma légua em quadro de terra por devoluto e sendo dada a dou por devoluta de sesmaria conforme ao pregão do Sr.. 299 .Dou suplicante em nome de sua majestade na parte que pede duas mil brasas pelo rio acima e uma légua para o sertão com todas as águas madeiras e pastos que tiver a qual se começava a medir da dita testada ao longo do rio a qual terá dou de sesmaria por devoluta conforme ao pregão do Sr. Manuel de Miranda Barbosa capitão da capitania de Sergipe.Saibam etc. Governador geral Don Francisco de Souza se começara a medir no salgado do dito rio da banda do sul Sergipe a quarto de fevereiro de 1602. — O capitão e loquotenente Gaspar Barreto. — O dito rio da banda do sul Sergipe a quarto de fevereiro de 1602. Governador gera Don Francisco de Souza a qual terra pede lhe faça mercê em nome do dito Sr. em ausência de Manoel Miranda Barbosa. Saibam etc. diz Luiz Alves morador em Tatuapara que ele quer vir ainda a esta capitania e a ele trazer sua mulher e filhos e criações de gado vacum e outras muitas criações que pêra isso tem escravos que pêra he que não tem terras em que pasente e targua as ditas criações pede a vossa mercê de sesmaria em nome de sua majestade uma dada a terra que esta por da e sendo dada a pede a vossa mercê por devoluto conforme ao pregão do Sr. Diz Luis Álvares morador em Tatuapara que ele tem mulher e filhos e que hora quer vir povoar as terras de Sergipe e trazer para elas gado vacum e outras muitas criações e seus escravos e que para o tal efeito não tem terras e que hora ao longo do rio vaza barris da banda do Sul por um braço do dito rio chamado itaquandiba e as quais terras estam devolutas as quais não foram ainda cultivadas nem povoadas de brancos pede a vossa mercê que havendo respeito ao acima dito lhe dê de sesmarias em nome de sua majestade na testada de Luiz Francisco Pires três mil brasas pelo rio acima com todas as pontas enseadas e para o sertão légua meia com todas as águas e Ribeiras matos madeiras e pastos que na dita terá ouvirem a qual terá se começara a medir da dita testada ao longo do Rio Rumo direito e recebera mercê. Governador geral Don Francisco de Souza Sergipe a nove de fevereiro de mil seiscentos e dois anos Gaspar Barreto capitão e loguotenente em ausência do Sr. uma légua e meia em quadro no rio de guruahy283 começando do salgado por ele acima da banda do sul o qual pede por devoluta com todas as águas madeiras enseadas que na terra houver a qual medição se medira em quadro rumo direito no que erm. CARTA DE SESMARIA DE LUIS ALVARES 9 DE Fevereiro de 1602. 283 Guruahy afluente do rio Real.

CARTA DE ANTONIO DUARTE 19 de Abril de 1602. ————— CARTA DE ANTONIO LUIS VIEIRA CAMELLO 19 de Abril de 1602. Saibam etc. Diz Antonio Duarte morador na Bahia de todos os santos que ele quer mandar ainda a povoar esta capitania e que na dita capitania não tem terras 300 . Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede de sesmaria com todas as águas lenha pastos que nela houve meia légua de terra pelas confrontações que pede e dou lha em quadro Sergipe a quinze de abril de 1602 o capitão Manoel Miranda Barbosa. Dou ao suplicante na parte que pede em nome de sua majestade uma légua de terra em quadro por devoluta com todas as águas pastos e madeiras que na dita terra houver Sergipe a dezenove de abril de 1602 Manoel de Miranda Barbosa. Diz Antonio Vieira Camelo morador na Bahia que ele quer mandar ainda a povoar esta capitania he nela não tem terras para mandar fazer mantimentos nem para trazer suas criações de gado vacum e as mais e que em rio de Sergipe pela banda do sul nas cabeceiras de sua dada de terra e foi dada ao Sebastião da Rocha estão terras devolutas ao longo dito rio que nunca foram povoadas nem cultivadas pede a vossa mercê lhe faça mercê em nome de sua majestade dar-lhe na parte que acima diz duas léguas de terra por devolutas conforme ao regimento de sua majestade e pregão que o Sr. Saibam etc. Don Francisco de Souza mandou lançar na praça da Bahia a qual terra pede com todas as águas madeiras que na dita terra houver e a medição se fará rumo direito ressalvando esteiras portas enseadas erm. Diz Antonio Luiz morador na Bahia que ele mandou a esta capitania muita copia de gado quer mandar escravos para ainda a povoar esta capitania no que se resultaria em crescimento os dízimos de sua majestade e não tem terras em que posa pastorar o dito gado e hora na testada de Dominguos de Araujo e Salvador Fernandes na itaporanga estão terras devolutas da banda do sertão pede a vossa mercê lhe de em nome de sua majestade uma légua de terra em quadro pelas confrontações que pede da banda do poente a qual pede com os portos águas Mattos que nela houve erm.CARTA DE ANTONIO LUIS 15 DE Abril de 1602. Saibam etc.

CARTA DE GASPAR DEMORIM E FRANCISCO BORGES 25 DE Abril de 1602.Dou ao suplicante na parte que pode em nome de sua majestade de sesmaria uma légua de terra em quadro assim e de maneira que pede e ajuntamento dou por confirmado em nome de sua majestade a terra que diz Sergipe e vinte e cinco de abril de 1602 o capitão Manoel de Miranda Barbosa. Dou ao supricante em nome de sua majestade na parte que pede meia légua de terra de sesmaria assim e da maneira que pede Sergipe a dezenove de abril de 1602 o capitão Manoel de Miranda Barbosa CARTA DE FARNCISCO DA COSTA 22 de Abril de 1602.para mantimentos nem para pastos de gado vacum que tem na dita capitania e que no rio ipochi da banda do sul nas cabeceiras de uma dada de terra que foi dada a Migel Soares estão terras devolutas que nunca foram povoadas nem cultivadas pede a vossa mercê lhe faça mercê em nome de sua majestade de uma légua de terra na parte que acima diz a medição se fará levando o dito rio em meio de uma banda e outra ressalvando pontas enseadas de maneira que fique a dita légua de terra em quadro a qual pede por devoluta conforme o regimento de El rei nosso Snr. CARTA DO PADRE GASPAR FERNANDES 301 . Diz Gaspar Demorim morador nesta capitania e Francisco Borges que els ajudarão a povoar esta capitania com muitas criações de gado escravos e suas pessoas e nela reside com suas pessoas mulheres e família e não lhes dado terras em abastança e ora a muitas terras devolutas na dita capitania pede a vossa mercê lhes de em nome em nome de sua majestade duas léguas de terra na testada de Salvador Fernandes na taporãgua ao longo do rio de vasas barris erm. e pregão que o Sr. Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede de sesmaria meia légua de terra em quadro Sergipe a vinte e dois de abril de 1602 o capitão Manoel de Miranda Barbosa. Saibam etc. Governador gerall mandou llansar na praça da Bahia a qual terra pede com todas as águas madeiras que na dita terra houver erm. Saibam etc. Diz Francisco da Costa que ele quer ainda povoar esta capitania e que nela não tem terras para fazer seus mantimentos e pastos e gado vacum e mais criações e que no rio ipochi da banda do sul na testada de uma dada que foi dada a hu Mel Rõis estão terras devolutas que não foram povoadas nem cultivadas pede a vossa mercê lhe faça mercê em nome de sua majestade na parte que acima diz dando duas léguas de terra em quadro e a medição separa rumo direito ressalvando pontas e enseadas de maneira que fique em quadro a qual terra pede com todas as águas madeiras que na dita parte houver e sendo caso que seja dada Carrera com a medição por diante erm. .

.... Saibam etc....... pelo que pede a vossa mercê lhe faça mercê em nome de sua majestade dar outra meia légua e mais sobejos assim da maneira que Gaspar Barreto servindo de capitão loquotenente de Manoel de Miranda Barbosa lhe tinha dado erm.... Dou ao suplicante em nome de sua majestade a terra que Gaspar Barreto lhe tinha dado assim e da maneira que lhe tinha dado em Sergipe a vinte de maio de 1602 o capitão Cosme Barbosa.. Saibam etc.... Diz Gaspar Fernandes Vigário confirmado nesta cidade de São Cristovão capitania de Sergipe que a ele lhe e necessário terra para lavrar e trazer suas criações e por quanto ao longo do rio vasa barris da banda do norte esta uma légua do quadro de terra a qual foi dada pelo padre Bento Ferras ao Joan Martins da qual légua de terra e dada meia ao Sebastião Francisco escrivão de . Diz o desembargador Baltazar morador na Bahia que ele tem nesta capitania de Sergipe fazenda de criações de gado vacum e cavalar e outras criações de muita importância e por servir a El rei nosso Sr. CARTA DE JOAN GARCEZ 14 de Junho d 1602...... Diz Joan Garcez morador na Bahia por seu procurador que ele suplicante lhe foi dado nesta capitania uma légua de terra ao longo de vasa barris da banda do sul defronte de taperagua a velha a tapera que tem a arvore redonda pêra La pelo sertão onde ninguém tem povoado e ora ele suplicante tem já nesta capitania sua fazendo assim de gado vacum como cavalar e outras e outras criações de que resulta grande acrescentamento a fazendo de sua majestade e outro sim tem seus escravos e quer meter mais fabrica e por que ele suplicante acha ser a dita dada de terra de Joan da Rocha visente pelo qual respeito se lhe perde sua fazenda por não ter por onde apresentar pede a vossa mercê pede de sesmaria outra légua de terra ao longo da dita dada que se diz de Joan da Rocha visente da banda deste assim e da maneira que a outra lhe foi dada porquanto ele suplicante desiste da primeira a qual se medira ao longo dito rio da banda do sul quando para oeste ficando a do dito Joan da Rocha da banda do leste... e acrescenta nas rendas e para seu proveito e dos moradores da dita capitania quer nela fazer 302 .20 de Maio de 1602. CARTA DE BALTAZAR FERRAZ 15 de Junho de 1602 Saibam etc.Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede duas mil brasas de terra em quadro não sendo dada e sendo dada Carrera por diante a qual lhe dou em nome de dito Sr..... Por não usar da légua de terra de Joan da Rocha Vicente da qual não usara de hoje por diante e lhe dou as ditas duas mil brasas por devoluta com todas as águas pastos madeiras que nelas houver com condição que dentro do tempo digo em um ano povoe a dita terra e não a povoando será por devoluta a quem a quiser povoar em Sergipe a quartoze de junho de 1602 o capitão Cosme Barbosa..

...... terra para o sertão de mau.................. mereis coa todas as pontas augoas lenhas e madeiras a pede por devolluta erm. CARTA DE JOAN FERREIRA 7 de Junho de 1602 Saibam etc. e atualmente esta morador nela e ora não tem terá em que lavrar e targua suas criações de gado e mais criações e ora no rio de vasas barris a muitas terras devallutas pelo que pede a vossa mercê se lhe faça mercê pelo que acima diz de lhe dar em nome de sua majestade uma légua de terra em quadro nas cabeceiras..... devoluta visto estarem por aproveitar com a dita ribeira de algumas e mais algumas lenhas pastos matos e madeiras que na dada de terra houver e lha dou por assim ser em serviço de sua majestade e bem de se aproveitar esta capitania e haver engenho nela e lha dou em condição que dentro de um ano comece a fazer o dito engenho Sergipe a quinze de junho de 1602 o capitão Cosme Barbosa............ necessário pêra plantar canas fazer rosas e currais e outras criações assim para o engenho como para os moradores d‘ele que o suplicante há de levar da capitania da Bahia a que toda pede por devoluta e desaproveitada erm..... CARTA DE ANTONIO DA COSTA 16 de Junho de 1602 Saibam etc.......Dou ao supricante em nome de sua majestade na parte que pede em nome do dito Sr..... com as águas e madeiras que nelas houver porquanto.... meia légua de terra em quadro com todas as augoas e pastos madeiras que na dita terra houver e lha dou por devoluta visto povoar como diz Sergipe dezesseis de junho de 1602 o capitão Cosme Barbosa.... Diz Joan Ferreira morador nesta capitania de Sergipe que ele esta pessoalmente ajudando a povoar a dita capitania com negros e fábrica e que na dita capitania não tem terras em que trazer suas criações assim de gado vacum como cavalar e mais criações e fazer seus mantimentos e no ipochim da banda do norte em testada de Francisco de Almeida e terras de Melchior Masiel pelo dito rio do ipochim acima estão os sobejos de terra entre as duas sortes que acima nomeia 303 ..Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede duas léguas de terra a saber légua e meia da dita ribeira para acima e meia para baixo que fiquem sendo duas légua em quadro a qual lhe dou em nome do dito Sr....... que em quadro pelas.... ....... ...engenho ou engenhos de açúcar que nela não há e nas terras que tem não há água com que o possa fazer e que tem por informação que no rio de Sergipe esta numa ribeira que se chama tapecahy que não foi dada até agora e se o foi esta por aproveitar e devoluta pede a vossa mercê que havendo respeito ao que diz e a muito proveito que resultara nesta povoação com o dito engenho lhe faça mercê de dar de sesmaria água da dita ribeira de tapecahy com duas léguas de terra medidas pelo dito rio de Sergipe uma légua de uma banda da dita ribeira e outra légua da outra banda ficando em meio a dita ribeira. Diz Antonio da Costa sargento de presídio de sua majestade que a seis anos que reside nesta capitania de Sergipe servindo ao dito Sr.................

......... Diz Domingos de Vilacham morador na Bahia que ele quer vir ajudar esta capitania com fábrica de gado e escravos e com família que tem para o que lhe são necessários terras e ora manda seu filho a pedi-las.... Acreditamos que se refira ao rio cotinguiba 304 ...... Cristóvão.....pede a vossa mercê em nome de sua majestade lhe faça mercê dos ditos sobeios de sesmaria.. para com efeito vir de morada. o mesmo pede........ CARTA DE DOMINGOS DE VILACHAM 29 de Julho de 1602 Saibam etc...Dou ao sopricante em nome de sua majestade na parte que pede os sobejos que aponta em sua petição não sendo dadas a outra primeiro e assim mais lhe dou em nome do dito Sr... na Jabetinhaia setecentas brasas de terra em quadro na maneira que pede não sendo dada Sergipe a 7 de junho de 1602 o capitão Cosme Barbosa... por nome Jabetinhaia284...... Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede meia légua de terra medida como em sua petiscam diz e o que houver de um rio a outro Sergipe a 20 de julho de 1602 o capitão Cosme Barbosa...... Do