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GIPE HISTÓRIA DE SERGIPE
FELISBELO FREIRE

PROJETO DIGITALIZANDO A HISTÓRIA
Carta de Sesmaria de Jorge Coelho 1596 Documento copiado do acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe

FELISBELO FREIRE
PROJETO DIGITALIZANDO A HISTÓRIA
ARACAJU –SE ARACAJU –SE 2009 2009

PROJETO DIGITALIZANDO A HISTÓRIA

A preocupação e a responsabilidade com a preservação da memória recai sobre os ombros daques que estão vivos e conscientes de sua participação na construção do hoje. É mister saber para tanto, que o domímio de novas tecnologias e o seu uso adequado apresenta-se como uma necessidade que urge frente as adversidades do tempo, e em muitas vezes do descaso com o patrimônio histórico. Digitalizar obras literárias que cumpriram e cumprem seu papel façe a sua importância no cenário cultural, é uma forma de eternizar o homem naquilo que o torna imortal, e é nesse sentido que este projeto pretende somar esforços com aqueles que vislumbram na digitalização de documentos históricos, uma nova forma de preservar o patrimônio cultural. A digitalização do livro História de Sergipe de Felisbelo Freire é apenas o começo de uma proposta que visa angariar adeptos e que tem um fim claro de preservação e de acesso facilitado, torrnando de domímio público muitas obras importantes e que dificilmente grande parte da comunidade cintífica e popular teriam acesso às mesmas. É um trabalho árduo e cansativo, contudo a certeza de sua importância nos revigora, e dá a convicção de estarmos no rumo certo pois se aprendemos algo no decorrer de nossa vida é a consciência de que não se comquista um objetivo nobre sem o desgate do labor. Arionaldo Moura Santos

Este livro digital é fruto do projeto “DIGITALIZANDO A HISTÓRIA” , desenvolvido pelo Prof. Arionaldo Moura Santos e contou com a colaboração de alunos do 1º ano F do ensino médio do turno da tarde matriculados no Colégio Tobias Barreto no ano de 2008.

ABINAEL ALVES SANTOS ARIANNE SANTOS RIBEIRO BRENDA SIQUEIRA MENESES BRUNO SANTOS ALVES CARLA KAREN DOS SANTOS OLIVEIRA CAROLINE PAIXÃO DAMACENA CLEANE ANTUNES DA SILVA CRISTIANE RODRIGUES DOS SANTOS DENYKSON SANTOS LIMA BESERRA EDÊNIA BRAZ SILVA EDER SILVA MALANCONI FELIPE BRUNO FARIAS DOS SANTOS FRANCIELLE DOS SANTOS OLIVEIRA ISABELLA ALVES DE ANDRADE ITAMARA GOMES DA SILVA JÉSSICA TÂMARA OLIVEIRA DOS SANTOS JOCLÉCIA BISPO DOS SANTOS

JONH ANTHONY BRITO RODRIGUES JOSE RODOLFO MELO RODRIGUES JULIANA SILVA DE OLIVEIRA JULIANE BRAZ DE OMENA JULIANO CARRA IWERSEN LAURITA MENESES GONÇALVES MAISA CAROLINE SANTOS MAYKE WANDERSON SANTOS ARAUJO MILEISSE DE SOUZA SANTOS MURILLO NOU MACIEL FILHO NILSON ANDRÉ MENEZES BARBOSA STEPHANY SANTOS ARAUJO TALES LEVI FONTES DOS SANTOS THALITA GRACE SANTOS BARBOSA VALDIANE DA SILVA FREITAS VICTOR ALBERDAN ALVES REZENDE

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PREFÁCIO
Tornar Sergipe conhecido do país e do estrangeiro foi a causa que me levou a escrecer sua história. Em um período, como o que atravessamos, em que o espírito de iniciativa levanta-se em todas as direções, compreendi e compreendi muito bem que a indiferença que têm votado a Sergipe, não só os governos do regime decaído, como os historiadores nacionais, contribuiu poderosamente para o atraso em que tem ele permanecido. A fertilidade de seu solo, o caráter pacífico de seus laboriosos habitantes, suas excelentes condições climáticas, deviam assegurar-lhe maior prosperidade, que não existe. Faltou a interferência de uma instituição patriótica. Suas naturais riquezas foram desprezadas, pela falta de uma propaganda. Além disto, sua influência histórica, na civilização do Norte, é muito maior do que geralmente supôe-se. Os históriadores nacionais têm cometido a grande falta de esquecerem sua história, e não descrevem essa influência, donde grandes lacunas que se nota na explicação dos fatos. Com excessão do Frei Vicente do Salvador que lhe dedica um ou dois capítulos em sua História do Brasil, todos os outros historiadores nenhuma página dedicam-lhe. Entretanto, não se pode contestar qua a razão de muitos fatos vai o historiador encontar em sua história. Não só facilitou Sergipe as comunicações entre Bahia e Pernambuco, como pela agundante criação do gado prestou inovidável serviço à vitória do portugês contra os holandês, contribuindo para que não se desmembrasse o território da grande pátria brasileira. Seu território serviu de ponto de pousada do exército emancipador, e o primeiro grito de revolução contra os holandeses foi levantado nas margens do rio Real. O leitor convencer-se-á da importância de sua história, pela leitura deste pequeno trabalho. Bem sei que a tarefa que tomei a mem estaá muito além de minhas forças. Sem o recurso de obras já escritas sobre Sergipe, tendo necessidade de um trabalho paciente e longo na busca de manuscritos e documentos, em seus cartórios e arquivos, compreende-se que me foi preciso muito trabalhar, para oferecer ao público esta modesta obra. As dificuldades com que lutei, em seis anos de pesquisas, foram inúmeras, e muitas vezes, confesso-o quis desistir do meu plano. E se não fora o auxilio e animação de amigos, por certo não levaria avante meu projeto. E peço permissão para aqui registrar seus nomes, como uma prova de sincero agradecimento: João Ribeiro, Capistrano de Abreu, Dr. João de Oliveira, José Ladislau Periera da Silva, Baltazar Góes, Josino de Menezes Eugênio José de Lima, Dr. João José do Monte, a cujo concurso devo a publicação deste livro, e outros. Saliento principalmente o nome do ilustrado professor João Ribeiro, a cujo invejável talento e atividade devo grande parte dos materiais que reuni.

Antes que a crítica aponte os deveitos de meu pequeno trabalho, eu deles tenho plena consciência. Meus recursos não me permitiram fazer coisa melhor. Além disto, sendo o primeiro trabalho no gênero, contra o que antolharam-se dificuldades de toda ordem, não podia sair isento de defeitos. Será para mim motivo de contentamento, se ele fornecer alguma auxílio a quem, com mais competência de que eu queira escrever a História de Sergipe. Isto para mim é bastante. Rio, 6 de fevereiro de 1891 Felisbelo Freire

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SUMÁRIO

Prefácio Felisbelo Freire,um vulto da ilustração brasileira

Introdução
Capitulo I- Os primitivos habitantes do brasil Capitulo II - Elementos étinicos do brasileiro. Sua fisiologia e psicologia. Capitulo III- Fatores externos da civilização no Brasil. O evolucionismo,a melhor teoria histórica Capitulo IV- Geologia de Sergipe.Fauna e flora. Sua produção

Livro I
Época de formação(1575-1696)
Capitulo I-Descoberta e conquista de Sergipe Capitulo II-Colonização de Sergipe. Sucessores de Cristóvão de Barros até 1637 Capitulo III-Minas. Primeiras explorações Capitulo IV-Invasão holandesa em Sergipe Estado da Capitania Capitulo V-Domínio holandês em Sergipe.Doação da Capitania Capitulo VI-Lutas em Sergipe.Sua recuperação. Fim do domínio holandês Capitulo VII-Novo domínio português

LIVRO II
Expansão colonial (1696 -1822)
Capítulo I – Sergipe, comarca da Bahia Capítulo II – Resultado das questões de limite meridional expulsão dos Jesuitas Capítulo III – Reusltado da abolisão da escravidão indígena. Movimento colonial até 1802. Estado econômico da capitania. Capítulo IV – Sergipe e a revolução pernambucana em 1817. Capítulo V – Sergipe capitania. Intervenção da Bahia. Juramento da Constituição e aclamação da Independência.

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Livro III
Política Imperial (1823 – 1855)
Capítulo I – Governo da junta provisória. Primeiro presidente. Sergipe, Província. Capítulo II – Sucessores de Manoel Fernandes da Silveira até 183l. Idéias republicanas na Estância e Brejo Grande. Movimentos de abril de 1831. Capítulo III – Governo da regência. Revolção em Santo Amaro em 1836. Capítulo IV – Delegados e segundo reinado até 1855. Mudança da capital. Instrução pública. Finanças. Os partidos. Capítulo V – Limites. Questões com Alagoas e Bahia.

APÊNDICE Sesmarias de Sergipe
Diversas catas de sesmarias.

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ou maior ou menor índice de progresso material. assim. Era a doutrina ensinada nos cursos preparatórios às faculdades e em geral. de seus heróis e mártires. que a tecnologia favorece. com a redução das distâncias. a escassa ou densa população. A esse tempo. na poesia. Introduzir nesse quadro de forças vivas um acréscimo de gabinete. Preservar a história. São os alicerces de uma antiga província. A sua leitura torna-se indispensável à compreensão do presente. É de valia pouca a dimensão geográfica de cada uma. Correspondia à filosofia oficial do Segundo Reinado. 7 . que abrange quase três séculos de história. o vigor da atividade econômica. e que se puseram dispostas. por capricho de um gênio. quando começava a formar-se a Ilustração brasileira. Cada estado participa do conjunto.FELISBELO FREIRE. quando pouco. nas escolas normais e secundárias. trazendo as virtudes desenvolvidas no esforço do crescimento. Granjeara a doutrina de Victor Cousim importantes adesões entre os intelectuais. em seus limites geográficos. não permitir a ruptura de um processo paralelo de natureza cultural. Gumercindo Bessa e Fausto Cardoso. ainda que ornados dos melhores propósitos. SERGIPE E A ILUSTRAÇÃO BRASILEIRA A circunstância deve ser ressaltada diante de Sergipe. cuja influência na cultura nacional se acentua a partir do terceiro quartel do século passado. A repercussão da atividade intelectual alcançou a cultura brasileira. mas conservaram as suas raízes nas lutas pioneiras dos colonizadores. na crítica. formação e expansão colonial. maiores ou menores. pois este sempre resulta dos elementos que compõem a vida de uma comunidade. As velhas províncias armaram-se das mais novas conquistas . deixando as suas marcas na ciência. formou-se em razão de um processo natural. Afortunada. transfigurada em seu destino geográfico e político. no direito e na ideologia republicana. contava o Brasil apenas com uma corrente filosófica: o ecletismo espiritualista. O País embora adolescente. No acervo assim havido somam-se valores materiais e espirituais. Tobias Barreto. sejam psicológicos. a iniciativa de Dimensões do Brasil de incluir em seu programa uma série de história regional a fim de divulgar os traços comuns no processo de colonização e desenvolvimento econômico da antigas províncias. diversificam-se os primeiros em função de circunstâncias e momentos. sejam sócio-econômicos. todos nascidos em Sergipe. sempre constitui a mutilação desnecessária. deram início ao movimento de idéias conhecido como Escola do Recife. e as vicissitudes teceram ao longo no tempo de quase cinco séculos a fisionomia de seus membros políticos. As considerações acima nascem diante deste livro. significa. Silvio Romero.os últimos são resultados de um curso que acaba imprimindo nos costumes e comportamento dos habitantes um traço inconfundível e original. UM VULTO DA ILUSTRAÇÃO BRASILEIRA PAULO MERCADANTE A CONFIGURAÇÃO REGIONAL Os diferentes estados que configuram o território brasileiro não representam formas traçadas ao acaso.

Em e1884 nova orientação imprimia Tobias Barreto ao seu pensamento. a cujo destino se misturam indissoluvelmente a ciência e a filosofia. por motivos ainda pouco estudados. No Rio de Janeiro. seria o autor deste livro Felisbelo Freire. entre os profissionais. parece bastar-se a si própria. ao ter início o movimento do qual resultaria a Escola de Recife. durante a década de setenta. No primeiro aspecto. a exemplo dos jovens engenheiros e militares empolgados com os postulados do positivismo. Por tais razões. Imaginemos o que significava para a sociedade da capital da província e do interior a plêiade de doutores. Tal sentido soube Jesus Caraça expor com lucidez. retornados da Bahia. empenharam-se a fundo no combate ao ecletismo. também Artur Orlando. em meio século de vida independente. Ou se olha para ela como vem exposta nos livros de ensino. assistir à maneira como foi sendo elaborada. Em Sergipe no século passado. impregnado de condição humana. Clóvis Belviláqua e muitos outros simpatizavam com algumas teses do filosofo inglês. não fosse o brilho que imprimiu a faina de historiador. entre 8 . vê-se toda a influência que o ambiente da vida social exerce na criação dela. a formação dos conceitos e das teorias parece obedecer apenas a necessidades interiores: no segundo. simplesmente abandonados pelos partidários de Comte. A ciência. Diante disso. escreveu ele. se procedemos ao exame das profissões da elite local até 1872. ou seja. Deseja radicar no País o pensamento científico.Parece fora de dúvida que tanto Tobias Barreto como Silvio Romero. ligado à inquietação do tempo. aspiravam uma reforma total da ideologia. com as suas forças e as fraquezas e subordinado às grandes necessidades do homem na sua luta pelo entendimento e pela libertação. aparece-nos como um organismo vivo. a luta da época travada no terreno da fisiologia. apoiar-se-ia no evolucionismo para combater o positivismo ortodoxo.‖ SERGIPE E A ESCOLA DE RECIFE Revele o leitor o atalho por onde quase me perdi. pelo contrário. mais fácil se tornava o estudo superior na Bahia do que em Pernambuco. Silvio Romero voltava-se para a crítica parlamentar. Por isso em seus trabalhos. Porém se deve à personagem do Prefácio a necessária ênfase que se concede à importância da filosofia e da ciência na formação de seu espírito de historiador. que nasce na filosofia e que amadurece na história. Sua versatilidade dir-se-ia explicada pelas condições próprias da época. Outro vulto de Sergipe.a denúncia das insuficiências do mecanicismo de Haeckel e o empenho de aproximar-se do sistema kantiano. pode ser encarada sob dois aspectos diferentes. revelando. ou procuramos acompanhá-la no seu desenvolvimento progressivo. mas sem o sacrifício da filosofia. enfim. Juntos de Spencer ficavam seus companheiros Silvio Romero. Tobias Barreto teve a sensibilidade de verificar que o positivismo não poderia por muito tempo satisfazer as solicitações d intelectualidade. ao sabor de novas incursões do espiritualismo. como coisa criada. Marca-lhe a presença na vida cultural brasileira um insistente labor de pesquisa. o farol que lhe conduz o pensamento é ela. a história. na década de noventa. e tratou de fixar-se em pleno terreno dos problemas ditos metafísicos. parece-nos. A polêmica científica devia gerar. como um grande capítulo da vida humana social. ―ciência encarada assim. verificamos que o número de doutores em Medicina supera expressivamente o de bacharéis em Direito. passaria revista ao pensamento filosófico nacional e firmar-se-ia como crítico e pensador. nos lares e nos grêmios.

e afirma-se em desfio. sem imposições agnósticas ou antiespiritualistas. O médico. de uma cultura brasileira que se desenvolvia sob o estímulo de uma saudável diversidade ou pluralidade de influências e condições. Assim. apoiados numa fisiologia hipotética. defendeu-se por mais de meio século. Bichat divergira do condiscípulo Bordeu. O debate trava-se de um lado. Singular a circunstância. não haver especificidade da matéria viva. a admiração que proporciona o prestígio. Na Faculdade de Direito a influência do status do doutor em medicina teria assim. e sim para a Bahia. com uma tese de Justiniano da Silva Gomes sobre plano e método de um curso de Fisiologia. 9 . As idéias voltam-se contra os conceitos tradicionais. Tratava-se de um sistema especulativo. Interpenetram-se as idéias suscitadas no Recife por Tobias Barreto e seus companheiros e discípulos com o movimento de renovação científica da Bahia. o fundador da Biologia. as velhas correntes do mecanicismo. Predominara. extrínseca a intrinsecamente. Felisbelo Freire não seguiu para o Recife. a cuja doutrina repugnava o exame de cadáveres a fim de serem elucidados os problemas da vida. ligando-os às leis gerais da matéria sempre que disso forem suscetíveis. e particularmente na Anatomia e na Fisiologia. circunstância que desviava os médicos de conceitos patológicos e clínicos firmados na anatomia. conforme se vê das teses apresentadas na Faculdade de Medicina. conciliando o espiritualismo. Tratava-se da influência que Augusto Comte desencadeara no campo das ciências naturais. cujo eco chegaria até o Recife por intermédio do grupo de sergipanos que preferiria o curso jurídico. que estivera em Paris. Lá chegava em plena peleja de desde anos se renhia entre os adeptos de uma ciência tradicionalista e os entusiastas das correntes avançadas da biologia. Fausto Cardoso e Gumersindo Bessa se desviassem do causuísmo jurídico para o campo do biologismo social. que consagraria a unidade da observação médica e a experimentação fisiológica. O grande médico produzira Barthez e Bordeu. Adotava a definição de Biologia dada por Blainville: ― a ciência que analisa os animais os fenômenos da vida e procura explicálos. co correr dos anos. Bordeu produzira Bichat. em circunstâncias referidas por Gilberto Freyire. ao escrever um opúsculo sobre o tratado de Broussais. o fisiologista francês antepunha ao vitalismo a sua doutrina de determinismo biológico. As raízes das novas tendências estavam na orientação que um discípulo d Sthal imprimira às pesquisas científicas biológicas. porque todos se explicariam pelos princípios da Mecânica. Adveio uma tendência que se caracterizava pela aceitação do positivo nas ciências. quando de sua incursão na Fisiologia. o espiritualismo e o próprio vitalismo. Teve inicio o ataque ao vitalismo de Barthez quase na primeira metade do século. a cursar Direito. o materialismo e o positivismo no terreno da ciência pura. referia-se a li dos três estados fenômenos. O tradicionalismo. Os preconceitos existentes nas ciências naturais tinham criado à Medicina os maiores obstáculos no século passado. nem distinção entre os fenômenos vitais e físicoquímicos. contribuído para que Tobias Barreto Silvio Romero. Admita o conflito entre forças vitais e forças físico-quimicas . dificultavam o desenvolvimento das pesquisas em geral.os curiosos e diletantes. carregadas de retórica. que englobava o ecletismo. a concepção do vitalismo convencional. a resultante da divergência seria Claude Bernard. a estudar na Faculdade de Medicina. levando o vitalismoa a uma concepção biológica. Reminiscências medievais.

Darwin. um conjunto de obras importantes. Buckle e seus discípulos no Brasil. Felisbelo Freire dá inicio á sua atividade como escritor. Adota assim as correntes em voga. para o estudo de Medicina. a partir de 1886. os moços das Escolas de Direito do Recife e de Medicina da Bahia procuravam sacudir as instituições imperiais. Assim. a Severino da Fonseca. um inventário da atividade cultural já demonstrava. Felisbelo Freire. e a Paulino da Fonseca. Ao mesmo tempo. Significativo engajamento ao sabor do tempo. O lastro de ciência adquirido na Bahia mostrava-se em Felisbelo Freire ao divulgar a doutrina evolucionista. questão relativa a Geologia e aos elementos étnicos dos brasileiros do ponto de vista da doutrina evolucionista. e superar no campo da Ciência de da Filosofia o ranço do ecletismo francês. onde passou a clinicar. Familiarizara-se o doutor. concluído o curso em 1882. abordando. artigos sobre história no jornal A Reforma. e que nos falou outro sergipano Gilberto Amado. de Aracaju. no terreno da história regional. e mal chegado a Laranjeiras. que se embrenhava pelo Mato Grosso. Na província nordestina sem recursos. Em 1888 publicava na revista Trimestral do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro sua ― Memória sobre a Colonização de Sergipe de 1590 a 1600‖. e . em meio â ―fulgurante plebe‖ . A inquietação era tal. que preparava a história do Ceará. se o embate na Biologia o levara aos pensadores naturalistas e evolucionistas. aprofunda os seus estudos sobre Sergipe. A PESQUISA REGIONALISTA Naquele ano distante.outro trabalho da época seriam os Fatores Esternos da Civilização no Brasil. também a Filosofia o conduzia à política e a contestação do sistema monárquico. que introduzia o historiador nos círculos intelectuais brasileiro. Publica. A estrutura do País levantava-se pele exercício da pesquisa regionalista. referia-se a Augusto e Pereira da Costa que aprofundaram a história de Pernambuco : a Alcides Lima que revelara a história do Rio Grande do Sul: a Henriques Leal. Haeckel. escrevendo sobre o Visconde do Porto Seguro. que apurava a Crônica das Alagoas. A atmosfera polêmica entre o vitalismo agonizante e as concepções científicas despertaria no moço a inquietação filosófica. desafiados pelo atraso e pobreza. Irmanam-se em suas digressões. especialmente Tobias Barreto e Silvio Romero. as citações de Spencer e seus epígonos com o verbete do Dicionário de Medicina. tarefa que desempenha na militância republicana. sem sombra de dúvida. sobre nós esvoaçava de todos os pontos do horizonte.Nesse campo da luta chega à Bahia. Os limites do estado são tratados após 1888 na imprensa de Laranjeiras e posteriormente em O Republicano. provocandolhe os apontamentos publicados na imprensa.lá o alcança. inspirada num bando de idéias novas que segundo Silvio Romero. redimir o negro de sua condição. durante o curso de Medicina. Capistrano de Abreu. 10 . Uma obra política de Anfriso Fialho – O Processo da Momarquia Brasileira. na introdução de seu livro. que o situa. com as obras de Spencer. As novas correntes condenavam com veemência o instituto do cativeiro e eram simpáticas ao ideal republicano. que ciosamente arquivava as glórias do Maranhão: a Alencar Araripe.

1903/1905. depõe Armindo Guaraná. ainda em Laranjeiras. elementos de História Natural. História de Sergipe. onde. a história parlamentar do país. discorria com igual competência sobre Medicina. o interesse por temas médicos. sobre Política. extraiu novas considerações . Se encerrou. não se trata de uma obra elaborada de afogadilho. A respeito do período. no torvelinho dos primeiro meses republicanos. Direito Público. participando da elaboração do diploma que iria viger por quase quarenta anos. a pasta da Fazenda tendo acumulado interinamente as funções de Ministro dos Negócios Exteriores. de uma forma algo eclética. Da filiação ao naturalismo. promovendo. constituinte. com Baltasar de Araújo Góis e Josino Meneses já havia Felisbelo Freire constituído o núcleo de combate à escravidão e à monarquia. Figura notável. Novamente se 11 . ― A sua principal preocupação como o iniciador da forma republicana do governo. convocou-se um Congresso que redigiu um projeto de Constituição e estabeleceu uma assembléia do partido. Por ocasião dos debates na Câmara dos Deputados sobre os projetos de emissão de papel-moeda e do orçamento da receita e despesa revelou estudos especiais acerca desses temas. ao mesmo tempo. que lhe concederam os estudos universitários. Fechava-se num volume o resultado de quase dez anos de pesquisas e estudos. Acompanhou-o pela vida afora a admiração de fiel discípulo aos pensadores alemães e ingleses. Aparecia o historiador. 1912/1914. conferência que recitou em 1887. Da ―Evolução da Matéria‖. 1915/1917. Regressa como presidente de seu estado e delegado das novas instituições. apareceria mais tarde. viria a lume em 1891. no primeiro e único trabalho. entre os quais conseguiu realizar o da navegação direta para o Rio de Janeiro. 1909/1911.A fenda devia ser aberta no campo político. era proclamada a república. Fundaram jornais e. Finanças e Legislação Comparada. encarando-os com a largueza de vistas de um perfeito home de estado‖. num artigo sobre o evolucionismo. Poucos conhecia como ele a história financeira e orçamentária do Brasil. Firmam-se nesta iniciativa as raízes do futuro constitucionalista. a sua palavra sempre foi ouvida com o maior respeito nos instantes críticos da vida republicana. Reelege-se deputado nas legislaturas de 1897/1899. em Laranjeiras se instalara o quartel general das forças republicanas. Assumira Felisbele Freire. Desdobra-se Felisbelo Freire em sua multiforme atividade. a maior soma de benefícios para o Estado. foi adaptar o serviço público à índole das novas instituições. integrava a Comissão incumbida da reorganização dos estados. E um livro didático. Mandato que com a morte interromperia. como a história do constitucionalismo norte-americano. Em 1894 concluía a editoração dos três volumes da História Constitucional da República dos Estados Unidos do Brasil. na capital do País. manifestada repetidas vezes nos debates do Parlamento. ―tendo haurido no estudo dos melhores autores vasta cultura jurídica. onde poucos meses depois . diz um dos seus biógrafos.‖ O volume hora reeditado. nunca interromperia os estudos de ciências naturais. em 1893. dois anos após. muito se orgulhava o médico e escritor. mudava-se Felisbelo Freire para o Rio de Janeiro. vertente que acabou constituindo-se. A ATIVIDADE POLÍTICA E O HISTORIADOR Em 1889. no Brasil. inspirados na escola evolucionista. em dezembro de 1888.

publicados na imprensa carioca.incorporaria ao historiador a sólida base científica e filosófica. os motivos das linha de povoamento. que abrangessem a fusão das antigas capitanias. as ordens religiosas. vindo a lumeapenas o primeiro tomo. sucumbindo o sábio e humanista em face das desilusões que a política provoca em sensibilidades delicadas. formação das vilas e cidades. 12 . chegara a reger uma orquestra em concerto oferecido a famoso maestro. executava peças clássicas e variadas. antigas estradas. falecia no Rio de Janeiro Felisbelo Freire. e discursos pronunciados na Câmara dos Deputados. obra de importante significação na cultura brasileira. que fugia das preocupações maiores no velho hábito que trouxera da vida estudantil na Bahia. Desgastara-se na atividade incessante. Sergipe e Espírito Santo. Felisbelo Freire programara cinco volumes. com menos de sessenta anos. onde como um virtuose. Diversos trabalhos especializados em Economia e Finanças. Era o repouso do incansável trabalhador. Lá. referente à Bahia. prenunciam o autor da História Territorial do Brasil. cansara-se na clínica e no estudo. origem da manufatura. o devassamento dos sertões. como acadêmico de Medicina. Registram as crônicas da vida caria o brilho dos concertos em sua residência. figura singular da Ilustração Brasileira. O plano a que visava não se concretizou. bem como as questões relativas a limites. patrimônio das câmaras municipais e terras devolutas. Em 1916.

trabalhos mais ou menos importantes se tem feito. Lund. e o sentimento religioso nos ídolos. onde se contam Martius. Rodrigues Peixoto. Pelo avanço da ciência. a história a que fica reduzida? As afirmações sem nexo. a fim de prendê-lo aos tempos históricos. desde os caracteres simbólicos de Marajó. a lingüística. puramente descritivas. Eves d‘Evreux e muitos outros. Rio Grande do Sul. Por essa diversidade de auxílios que o historiador é obrigado a reclamar de diversas ciências. tanto mais importante. Léry. não obstante a força antagônica da adaptação. pó uma lei de sucessão. e entre brasileiros Gonçalves Dias. Ainda que não possamos fazer coro com aqueles que acham de nulo valor os estudos de pré-história. a geologia. que nele há de ver um fator de colaboração. uma brilhante plêiade se formou. o historiador tem necessidade de olhar para esse passado préhistórico. onde se tem podido. que não tendem a ligar os fatos. sem o que ficará um hiato que contribuirá para desvirtuar as leis da civilização humana. 13 . cujas afirmações são baseadas em uma multiplicidade de teorias. e não estão acumulados os grandes subsídios que reclamam de outra ciências. com admiráveis pontos de contato com a ideografia do México. tudo tem servido de objeto de estudo. Hartt. dos sanbaquís do Pará. para decifrar essas tradições antiqüíssimas. com as diversas diferenciações e integrações. Desde o século XVI . dos espíritos cientistas. para esclareces questões relativas aos povos brasileiros. compreende-se facilmente que a história brasileira acha-se muito longe do pé que o espírito científico requer. até as explorações das cavernas. essas obras deixam insolúveis os maiores problemas da pré-história. Não está feito o largo pedestal sobre o qual tem ela de descansar. quanto a herança tende a perpetuar seus caracteres. que nele vão se operando pelas ações recíprocas dos meios. entre estrangeiros. Egito e Índia: desde a exploração do mound de Pascoval. a etnologia. Batista de Lacerda. Hans Staden. Gabriel Soares. Destituídas de espírito filosófico. Couto de Magalhães. Por mais longínquos que estejam os seus antecedentes. Desde as inscrições gravadas em pedras e encontradas na serra da Escama. Ferreira Pena. O conhecimento completo do elemento autóctone de qualquer povo não deverá ser esquecido pelo historiador. por mais obscuros que sejam o intelecto e o grau de civilização e a natureza de sentimento dos seus progenitores. Poderemos citar Vaz de Caminha. ainda que imperfeitamente. descrever o grau artístico de seus primitivos habitantes na arte cerâmica. Derby e muitos outros. através do tempo e do espaço. Sta. China. Carlos Weiner. a antropologia. Catarina. esquecendo a marcha evolutiva do espírito humano. d‘Orbigny. Sem a biologia.INTRODUÇÃO CAPÍTULO I OS PRIMITIVOS HABITANTES DO BRASIL As exigências da orientação científica moderna dificultaram consideravelmente o encargo de escrever a história de um povo. todavia as afirmações nesse sentido não passam ainda de hipóteses não corroboradas por uma unidade de vistas. Pode-se bem compreender que o historiador tem necessidade de apelar para o concurso de diversas ciências. Ladislau Neto e outros. em Itamaracá. no vale do rio negro. e muitas outras ciências.

impressionado pela diversidade dos caracteres craniométricos do basco francês e do basco espanhol. principalmente de Hartt.. pela qual chegou ao autoctonismo dos indígenas da América. bem como o fenômeno da persistência da modinha brasileira. Deixando isto. vejamos se a primitiva raça que colonizou o Brasil foi a raça turaniana. em uma triáda de famílias. para o sul da Europa onde deixaram os vestígios na braquicefalia do basco francês e na dolicocefaleia do basco espanhol. na impossibilidade de uma divisão simétrica das línguas. Não obstante a nova estrada que abriu Morton na etnografia americana. E a refutação era tão magistral.Ainda que os trabalhos. de Martius e Lund. Hovelacque e outros já haviam refutado a tríada de Max-Muller. que na família humana vê uma tríada pertencente às línguas turanianas. Schleicher. Dentre as tórias de Max-Muller. com o berbere. procurando fundamentar suas vistas na suposta dolicocefaleia das raças da América do Norte. Sayce. Essa população turana descida da alta Ásia dividiu-se em dois grupos. Sylvio Romero já refutou o turanismo. de onde se conclui ser de onde se conclui ser o velho mundo a pátria da espécie humana. Nott e Gilddon. do mundo inteiro. revela-nos também o caminho por onde o turanismo da Ásia entrou no sul da Europa. convergindo ambos. todavia os materiais que o espírito de investigação tem reunido ainda não são suficientes para explicar a origem do homem primitivo do Brasil. Witney. gibon. chega a admitir a marca do povo turaniano na América. E aqui não fazemos mais do que resumir a oposição do ilustre crítico sergipano. arianas e semíticas.‖ Os trabalhos de Frederico Muller. que o ilustrado crítico sergipano Sylvio Romero põe em saliência. muito esclareçam as questões relativas às raças pré-históricas do Brasil. auxiliado pelos trabalhos de Meyer. É por isso que se torna legítima a comparação das canções prevençais. arang. porém. não se prestando a natureza a uma categorização tão simples. orientação para a qual convergiram homens como Mayer. um procurando norte da Europa e outro a América. onde uma parte estacionou. depois. mostrando que a substituição proposta pelo literato português do nome seytho mongólicas pelo de raças turanianas não indica mais do que a convicção do literato português sobre a inanidade do turanismo. fenômeno idêntico ao que se deu na Europa. porque nos outros 14 . E é isto. e o mesmo processo lava a grandes resultados. No Brasil. aproximando o romanceiro peninsular ou Aravias dos cantos históricos ou javaris do Peru. gorilho. chimpanzé. todavia se procura ver nos dois seguintes pontos a base sólida do asiatismo americano: a) a ausência na América dos antropomorfos. Teófilo Braga. de lado. como notou Broca. E é ele quem diz ― foi das raças nômadas da alta Ásia que se destacaram essas migrações que entraram a Europa antes dos indo-europeus. da mitografia. com diz gaidoz. da antropologia. quando Teófilo Braga em Portugal espalhava o turanismo. Brantz e outros. vindo através da África. e a braquicefaleia geral dos da América do sul. esta posição dúbia. com quer Teófilo Braga. que ele mesmo sentiu-se em sérias dificuldades. com os cânticos acádios e chineses. levou tanto a convicção ao próprio espírito do literato português. da etnografia. e que se conhecem pelo tipo braquicéfalo do basco francês: a coincidência da dolicocefaleia do basco espanhol. para conciliar o turanismo com as verdades cintíficas enunciadas pelos competentes órgãos da lingüística.

semelhantes aos enfeites de pedras que os Uaupés do Rio Negro trazem no pescoço. Realmente o botânico brasileiro. por que até o presente só chegou ao nosso conhecimento a existência de jazidas nativas de material bruto na Ásia e na Oceania. dos índios amazônicos. formula-se a hipótese de provirem da Ásia conjuntamente os objetos europeus e os americanos. Diz o sábio mineralogista de Dresde: ― por questão da nefrite deve entenderse o seguinte: encontram-se em muitos lugares. nas cidades lacustres. rochas exclusivas da Ásia. Europa. e para a América os outros. álibi. chamados pelos índios Cunuris. para quem os muiraquitãs. por parte de competentíssimos cientistas. levados uns para a Europa. quis-se concluir em favor de uma imigração asiática para a América.quirimbitás – chegou a convicção de que os muiraquitã é de jadeíte e cloromelanite. amuletos. alguns de nefrite e jadeíte. é obscura. A alta competência do ilustrado mineralogista Fischer que declara existirem as jazidas de nefrite. já ainda em uso entre povos incultos ou civilizados. Aproveitando o resumo de Sylvio das conclusões de Meyer. Da ausência absoluta de jadeítes e nefrites em outros continentes. O primeiro que impugnou no Brasil as asseverações de Fischer. Ásia. Oceania e no território de Alaska na América. sobre quase toda a superfície da terra. aqui o transcrevemos: ―Perdeu-se certamente o conhecimento das jazidas originárias do 15 . É uma aplicação errônea que o assiatismo faz do transformismo. que mostra ter encontrado jazidas de nefrite e jadeite na Europa. somente no Turkestan e a jadite no distrito de Junnan. Entretanto se a competência de Fischer levou a convicção ao espírito de Barbosa Rodrigues. foi Sylvio Romero utilizando-se dos trabalhos de Meyer. objetos tais como machados. nas estações funerárias. exceto na Ásia. Ásia e Nova Zelândia. já enterrados no solo. onde temse encontrado artefatos de pedras verdes. quando para aí deu-se a imigração dos povos. quando foi ela povoada pelos asiáticos. em muitos caso. senão os vestígios dessa imigração asiática quem em tempos idos. e de quartzo os brancos. Não só o darwinismo não assegura ser a espécie humana o descendente direto do antropomorfo. os verdes. cuja composição não deixa dúvida de ser de jadeíte e nefrite. nem a paleontologia assegura haver um só centro de criação do pithecantropo de Heackel. pedras que não existindo na América foram exportados da Ásia. Darwin e haeckel não afirmam senão que a espécie humana é um colateral afastado do pithecoide. levou o ilustre botânico brasileiro Barbosa Rodrigues a não ser no muiraquitã ou álibi.continentes falta o primeiro elo da cadeia antropológica: b) ter-se encontrado nos artefatos da América. A hipótese foi principalmente arquitetada pelo professor Henriques Fischer de Friburgo sendo aliás partilhada por muitos outros investigadores notáveis‖. pela corrente imigratória que primitivamente povoou-a. e cuaj origem. ― Para a explicação deste fato. especialmente na América. aplicadas por Barbosa Rodrigues à América. deu-se para o Brasil.a de Meyer . as mais das vezes verde. eram de feldspato. objetos de uma pedra muito dura. de onde o hiato que tem motivado a mão aceitação absoluta do transformismo: como a multiplicidade dos centros de criação humana está merecendo hoje adesões sinceras. outra opinião não menos importante levantou-se em oposição. ornatos e outros semelhantes.

para se aceitar uma migração asiática pela América. Demais. não representa uma verdade sancionada pela ciência. Achamos que as duas teorias devem se superar. perante as conclusões a que vai chegando a antropologia brasileira. que a lingüística e a arqueologia dos povos da America apresentam com os do continente oriental. chefes da escola indigenista nos Estados Unidos. é perigoso afirmar a descendência do índio americano de uma migração asiática dos chineses ou dos Egípcios. Além disso. temos os estudos dos ilustrados antropologistas brasileiros Rodrigues Peixoto e Batista de Lacerda. observa o sábio autor. são por demais eloqüentes as conclusões a que chegaram Nott e Gilddon. relativamente. Ora. um caráter puramente local e indígena. se a tendência de buscar na imigração dos povos asiáticos a explicação de ligeiras analogias. uma prova de serem preparados no país. como quer Varnhagen. São três considerações de peso‖. entre os povos da América e os do Oriente. todavia certos achados da etnografia mostram a falta de base desse exclusivismo. leva alguns espíritos a serem exclusivistas na origem dos povos americanos. Nota mais a circunstância de ser o tributo de muitas províncias o Império obrigatoriamente pago em jadeíte.e dos metais. Pelo que se refere especialmente ao império dos Aztecas. em cujos habitantes primitivos nota-se a ação de mais de um elemento étnico. o professor de Dresde nota que os objetos ali encontrados tem todos . para fundamentar o seu turanismo e que viu na braquicefalia dos índios da América do Sul e na dolicocefalia dos da América do Norte. Japão. invocada por Teófilo Braga. Quanto à dualidade dos caracteres caniométricos. morais e físicos. Se esse exclusivismo não se pode sustentar com os materiais que a préhistória americana vai reunindo. China. a falta de alfabeto. à Americana . elas. da antropologia e da etnografia e de todos os conhecimentos préhistóricos.mineral. que provam o predomino da dolicocefalia na América do Sul. pois. o mesmo não podemos dizer relativamente à bela teoria do indigenismo de Morton e Simonin. são fatos que protestam contra a transmigração. a reprodução do basco francês e espanhol . ao menos no México e na região amazônica. as diferenças do sistema aritmético o descobrimento do pequeno ciclo do tempo – a semana. não asseguram a verdade dessas exclusivas conclusões. dos Líbios ao Atlantes. que espírito de investigação vai reunindo. de um sistema de escrita fonética. as diferenças nas formas dos crânios . essas ligeiras analogias lingüística estão longe de indicar uma identidade de estrutura da língua e da organização gramatical. em sua escultura. Se Martius e Fidel Lopes apresentam um grande número de palavras com raízes do sânscrito. é inverossímel que servisse de moeda uma substância que se não encontrasse no próprio império. há improbabilidade manifesta de. Assim. com que Berlioux. como ponto exclusivo da origem do índio americano. Por mais esforços que façam aqueles que estabelecem como uma verdade a unidade 16 . que consideram o índio americano como um produto do solo ameriano. somente chegar ao México a jadeíte e jamais a nefrite. Como o Dr Ladislau Neto : dos Carios. ou Indochina. no caso de importação da Sibéria. devem existir no continente. porém. os traços característicos dos povos do continente americano. O asiatismo. de animais domésticos. Os ensinamentos da lingüística. a fauna e a flora muito distinta das do velho mundo.

como as do México. na lingüística. mostrou as civilizações primitivas como produto do meio físico. morais e intelectuais. e os geológicos e arqueológicos de Lund. em que os primeiros raios da história não tenham ainda apontado no horizonte do novo mundo. e que a América já era habitada em tempos. produto psicológico muito precoce na espécie humana. quando as mais partes do mundo estavam ainda submergidas no seio do oceano universal. sempre se encontram com uma força antagônica. é que houve uma uniformidade das leis que presidiram o desenvolvimento do espírito humano. na arte. dos quais são os pósteros representantes dos bugres do Paraná e os botocudos. dos ritos. No Brasil.i Lund chega à conclusão de que a Pelos estudos nas escavações das cavernas do Brasil. Quanto à America. Um produto semelhante a si nunca deixou o homem de encontrar na carreira de suas migrações. não provam uma unidade de origem. chegam a conclusão de que em temos primitivos existiram no Brasil dois tipos étnicos. dos costumes. deixaram alguma luz neste sentido. quer pelo espírito de conquistas. principalmente. Depois que o espírito altamente investigador do sábio historiador inglês Buckle . Os dois ilustres antropólogos brasileiros. de que acima falamos. Guatemala. de um cruzamento entre o elemento primitivo e o elemento estrangeiro. ainda que os povos não sejam. Peru. autóctone nos continentes. ou surgiram apenas como umas ilhas insignificantes. como observa Lund. não se pode duvidar desses focos de criação humana. dos povos espalhados pelo território americano. quer por condições locais. O elemento indígena foi sempre a força que se levantou contra o elemento alienígena. e com o qual colaborou para a formação das populações mestiças. donde rebentam outras formas ancestrais das civilizações. As normalidades que a espécie humana apresenta em sua mitografia. As grandes analogias das crenças. em todas as manifestações emocionais. representam esses dois tipos. não podem obscurece a verdade da história. todavia os trabalhos antropológicos de Batista e Lacerda e de Rodrigues Peixoto. bastantes distintos pelos caracteres craniométriocos. alimento e solo. em larga escala. em suma. dirigidas exclusivamente pelas leis físicas – de clima. 17 . o sábio Lund chega a conclusão de que a existência do homem neste continente data de tempos anteriores à época em que acabaram de existir as últimas raças de animais gigantescos. muito anterior à do velho são fatos que não devem ser desprezados. a formação geológica do novo continente. bem provadas por Morton. na existência de um elemento étnico. e que os povos que nessa remotíssima época habitavam –na . Realmente diz esse grande sábio. A conseqüência a que chegamos. e da língua. tocando assim ao Brasil o título de ser o mais antigo continente do nosso planeta ―. com um elemento étnico autóctone em todos os continentes . que eram motivadas. O homem da Lagoa Santa e o homem do Sambaqui. eram da mesma raça que os que no descobrimento foram aí encontrados. Não se pode muito duvidar da existência de um elemento autóctone na América e no Brasil. ― a natureza geológica do platô central do Brasil demonstra que ali existia como um extenso continente a parte central do Brasil. as duas tórias devem caminhar juntas.da criação humana. As imigrações de povos. Egito e Índia.

Pelos caracteres da face são parentes próximos da ração dos Sanbaquis. eles (botocudos) se aproximam mais da raça da Laguna Santa. porém. nas lendas. vê-se claramente mais de um elemento étnico. a diversidade de ornamentação e estilo gravada nas urnas funerárias. em tudo em suma que as pesquisas têm colocado debaixo de sua apreciação. ou do Sul como querem outros . Botocudos e diversas tribos. outros nas formas dos crânios. nos tempos pré-históricos. o que não se pode contestar é que mais de um elemento étnico 18 . na ornamentação. que procura inspirar-se em mais de um processo e que denomina Brasilio-Guarany. não exprimindo a verdade de uma seriação. que houve uma migração extra-americana. nos artefatos. em diversos graus de civilização foi o construtor desse admiráveis túmulos. nos instrumentos de sílex. no estilo. onde a arqueologia pretende levantar essa vida de um passado tão longínquo e marcar o grau de evolução mental a que chegaram esses antepassados. até um certo ponto a abaixar o diâmetro vetical. provam eloqüentemente que mais de uma raça devera existir no Brasil. e o autor acima citado diz que os últimos trabalhadores. deixa ver a existência demais de uma raça. dirigidas do Norte. era a expressão de mais de uma força étnica. como querem alguns. E os diferentes processos de classificações que se tem procurado para o índio americano. nos ídolos. como Guaraios. na ornamentação.Estes últimos Rodrigues Peixoto considera como o resultado do cruzamento de dois elementos formadores: um. imprimindo sobre os artefatos de cada seção as feições características de uma civilização. Ou se admita que as migrações. vasos. a semelhança de objetos e deformas cranianas em diversos continentes. Nas produções intelectuais. aqueles cua evolução mental achava-se mais atrasada. francamente dolicocéfalo e hipsistenocéfalo. Observa-se neles um grau decrescente na arte cerâmica. Ferreira Pena considera os Caribas e os Aruãs os construtores das cerâmicas do Pará. E hoje escreve-e que os índio do Brasil no tempo da colonização. ídolos. E a própria classificação de D‘Orbigny.‖ Analisando agora as pesquisas dos autores sobre os artefatos encontrados nas cerâmicas de Marajó e Pacova. deixa supor que ais de um povo tomou parte na construção dessas necrópoles. bem patenteados no homem fóssil da Lagoa Santa. a raça que habitava o Brasil e que se estendia das Antilhas até o Prata. ―Não será o botocudo o cruzamento destas duas raças? ―Os caracteres que neles temos encontrados nos autorizam essa hipótese. Rodrigues Peixoto assim se exprime: ―Pelos caracteres do crânio cerebral. Verificando sempre a justaposição desses dois elementos na craniologia botocuda. sem fundamento científico. foram-se cruzando com povos que iam encontrando nas correrias: ou se admita. vemos nas populações primitivas no Brasil uma fusão de mais de um elemento étnico. cujo estudo demonstra que mais de um povo. amuletos. nas inscrições. e o outro que tende a alargar o diâmetro transverso e. outros sobre a indústria. na lingüística. Nessas necrópoles tem-se notado três camadas de urnas funerárias. todos. Aceitando as proposições de Forster. mais de um fator humano a entrar na organização das raças brasílicas. na linguagem. etc. era um produto mestiço. que supõe que as gerações gendiam a degenerar gradualmente. pois a identidade de cor de relações subjetivas e psicológicas na semelhança das raízes. são os Aruâs.uns baseados na cor da epiderme. Tupis. prefixos e sufixos. representada pelos Guaranis. Chiriguanos.

antes o grande dilúvio chamado na geologia a Myocene ou geral inundação‖. como chama Rialle. ―Com estas provas pode-se garantir. é natural. macrotérios . E talvez seja desse elemento ético primitivo e autóctone que os dois ilustres antropologistas brasileiros descobrem os caracteres em seus estudos craniométricos. halitérios elefas meridional. descansava o homem as fadigas das lutas com o megatério. dizem Zaborowski e Moindron. porém. achou o homem contemporâneo do megatério. a África. explorou mais de oitenta cavernas e em uma delas encontrou ossadas de trinta indivíduos da espécie humana. a Oceania. Lund. chegando ao seguinte resultado: 19 . O sábio Carlos Rath também diz: ―Eu dei noticia sobre os sambaquis desde 1846. tornando-se assim a América um importante Centro de Criação. Cuja idade corresponde ao do mamute na Europa. nas mesmas jazidas dos ossso dos acerotérios. ou reino de aparição. com os seus sílex trabalhados. que o gênero humano existia por todo o mundo e mormente no Brasil. Savigné . cuja idade na América do Sul corresponde à do mamute na Europa. Aurignac. em alegres festins sob as grandes cavernas. como também na extinta Brasilia de Petrópolis e em outras descrições impressas nos meus Fragmentos geológicos. chegando à a formação de que o homem é contemporâneo da época terciária. nas escavações de Saint Acheui . Houve. contra quem manejava o seu dardo de pedra lascada. mastodontes. dinotérios. ainda que a hipótese de Lund e Rath não esteja ainda plenamente confirmada pelo veredicto da ciência. em diversos jornais europeus. dirigiu Lund e Rath a pesquisarem. assim como o foram a Europa. Abbeville. Assim. para poder conhecer vem toda a construção e idade destas sepulturas primitivas com suas particularidades. a Ásia. Moustier e com o cervus tarandus em Grenelle. todavia é mais do que provável que à sombra dessas espessas florestas que cobriam os ubérrimos vales do Brasil. e as ardências de alta temperatura. no meio de assadas dos grades proboscidianos. mamutes e outros. a demonstração da sua contemporaneidade dos mamíferos miocênicos. etc: porém era-me preciso examinar muitas casqueiras em diversos lugares e tempos. vindo saciar a fome nas carnes ainda vivas dos descomunais proboscianos. passando assim do mioceno ao plioceno e ao post-plioceno e do período arqueolítico ao neolítico. Era impossível não concluir daí ser o homem contemporâneo do megatério. nas escavações das cavernas do Brasil. ―o Dr. Lá chegou-se a afirmar a brilhante verdade de que o homem já existia na época miocênica. contemporâneo dos mastodontes. os vestígios fósseis do homem geológico. Pouancé e Saint Prest. Essas ossadas humanas sempre tem sido encontradas com ursus spelaeus. um homem geológico no Brasil? A nova estrada que abriu a antropologia na Europa. no mesmo grau de decomposição dos ossos dos animais fósseis que os acompanhavam . provam a existência do homem geológico na Europa. sem medo.cruzou-se nas populações brasílicas e que um deles é autóctone. Lund nas escavações das cavernas do Brasil. onde numeroso povo habitou. e concluiu que o Brasil é habitado desde a época pliocena. desde a primeira seção do período arqueolítico – a época miocênica. elefas primigenius. nos crânios dos botocudos. Os tipos antropológicos humanos de Thenay.

c) As raças por nós estudadas a que mais aproxima-se da raça primitiva é a dos Botocudos. e) O uso das deformações artificiais dos crânios era estranho à maior parte das raças indígenas do Brasil.a) A raça primitiva do Brasil era dolicocéfala. b) As raças indígenas atuais representam a mistura de dois tipos diferentes. 20 . d) Existiu em tempos remotos no Brasil uma raça caracterizada pela extrema depressão da fronte.

para olhar as sociedades como um organismo. porque representam as duas principais direções em que se colocará o movimento social. Sempre descobrindo nas duas categorias de matérias uma identidade de função e uma semelhança de causas. como divergirem a função e a forma . Da luta entre estes dois fatores. sintetizando por esse meio as leis que as dirigem. sem ser presidida em sua ação. Por esse caminho verdadeiramente analítico e naturalista chegou-se à afirmação de que a evolução é um princípio geral. Essa verdade sendo levada para a história. legitimamente filosóficas. o espírito filosófico da época chegou a conclusão de que a história da humanidade não poderá dar um passo. quer orgânica. pelas modificações do meio. pelos fatores que dela se derivam. que se opera no seio de um povo.CAPÍTULO II ELEMENTOS ÉTNICOS DO BRASILEIRO SUA FISIOLOGIA E PSICOLOGIA É de todo impossível penetrar-se no intelecto de um povo. Na herança e na adaptação viram estas últimas ciências as legítimas forças da evolução. quer organizada. sem relações recíprocas. fazendo não só perpetuarem-se as qualidades essenciais dos seres. cujas junções é preciso estudar. procurando os ensinamentos que lhe iam sendo ditados pelas ciências físico-biológicas. fundado sobre a herança e a adaptação. sem as quais a seleção na humanidade não poderia efetuar-se. do grau de ação que mutuamente hão de representar. os achados científicos não passavam de um corpo amorfo. ou a cultura do espírito vencendo a natureza para pô-la à disposição do bem–estar social ou esta tornando-se mais invulnerável na luta. resultará a diversidade do caráter das civilizações. assim também a matéria superorgânica não poderá evoluir. Sobre toda a matéria. presidem a todo trabalho íntimo. Enquanto estas últimas as pesquisas não foram presididas por uma orientação de profunda análise. em suas variadíssimas manifestações e nas relações subjetivas e psicológicas. No elemento étnico e na ação do meio irá a história buscar a casualidade mais geral de todos os fenômenos históricos. Por isso mesmo que a matéria orgânica e organizada não poderá evoluir sem a ação antagônica de duas forças. Essas duas forças. elas atuam poderosamente. Sem estas duas forças as integrações e distribuições de matéria não se efetuam. assim como traçar-se as suas leis evolutivas. 21 . coloca-a em um caminho verdadeiramente filosófico. que operam a integração e a diferenciação. Foi uma grande obra deste século a história guiar-se por um alto senso filosófico. não se poderá constituir como ciências enquanto não submeter-se aos conceitos e às verdades das ciências biológicas. sem ter-se em consideração a influência do elemento étnico e do meio. sem contribuições e sem filiações.

aplicada à história do Brasil. Perante a diversidade de origem do fator humano no povo brasileiro. puseram-se em contato no território brasileiro.―Na categoria dos fatores. considerado como uma unidade social. o africano e o índio. em cada caso. ‗Quando duas raças vivem no mesmo solo e se fusionam. formou-se uma sub-raça.‖ Na categoria dos fatores externos ou extrínsecos temos que apreciar a ação do clima que pode ser seco. força diretora a que todos os povos se submetem. temos a notar. Por uma lei antropológica. 1 2 Spencer. em suma. já entre si muito diversas e representando ainda cada um deles um diverso grau de equilíbrio entre os fatores internos e externos. melhor organizado para a concorrência. na série das gerações. mais ou menos. Nesse longo período que podemos chamar período de formação. e os progressos que as acompanham. a sub-raça tende a tomar os caracteres físicos da raça mãe a mais numerosa. Três forças étnicas. tornando-se por demais prolongado o período prodrônico de uma completa amálgama e fusão. é então o daquela raça que predomina numericamente. com mais ou menos pureza. depois a raça mestiçada tende a regressar. impedem ou modificam as ações da sociedade. em estado latente. em todas as manifestações mentais do povo. Tomo I. Principes de Sociologie. na literatura.276 22 . p. três raças muito diferentes e em diversos graus de evolução mental e emocional. deveria vencer.‖2 O mestiço no Brasil tendeu a assimilar o tipo físico do português. o verdadeiro grupo étnico que imprime em todos os produtos da cultura os sinais do seu autonomismo.15 Broca. a do solo que pó ser improdutivo. temos a apreciar neste somente a contribuição dos diversos elementos étnicos na organização do povo brasileiro. cada um deles com hábitos e tendências muito diferentes. para o produto mestiço constituir-se como um grupo étnico característico. paro o brasileiro alcançar essa feição própria e original. porém para o seguinte capítulo a discussão da melhor teoria. Men. as condições hidrográficas que podem ser favoráveis ou não a flora e a fauna que hão de selar um cunho específico no espírito da população. pelos caracteres emocionais que favorecem. ao tipo da raça mãe a mais numerosa. diz Spencer 1. p. 1º Vol. com caracteres físicos capazes de determinar o desenvolvimento e a estrutura da sociedade. de uma configuração simples ou complexa. o tipo físico alterase principalmente na proporção da intensidade do cruzamento. em suma. Distingue-se. brilhantemente formulada por Broca. que não foi por este lado somente que venceu na concorrência os outros elementos. são: o português . o acúmulo de trabalho de gerações passadas. quente. e representando. Todas estas condições. Temperado. havia de dar-lhe um caráter heterogêneo nas relações subjetivas e psicológicas. cuja origem tríplice. a colaborarem em uma civilização. que é o genuíno tipo brasileiro. têm uma influência nas ou menos direta no caráter da civilização. nas artes. que por aqui puseram-se em contato. Deixando. a legítima formação histórica brasileira. torna-se preciso um longo perpassar de séculos. úmido. de Antropologie. que é bem visível na história. ou fértil. ― O tipo físico que resiste ao cruzamento. nessa hegemonia em que o elemento étnico mais forte. o resultado deste cruzamento das três raças. . É a grande população mestiça. frio. da mesma maneira sua inteligência e as tendências do espírito que lhe são particulares têm sempre uma parte na imobilidade ou nas mudanças da sociedade. o homem individual. Estes três elementos.

a vitória colocou-se ao lado do elemento que representava a raça branca. pelas semelhanças não só das condições externas. os godos e os árabes. como pelos caracteres fisiológicos e psicológicos. por Taine. os fenícios.3 Já se vê. Ele nos prende ao grupo das civilizações ocidentais. Leur tempérament plus bite affiné lês port plus vite au faffinement. descoberto. Antes de constituir-se um grupo étnico característico. Revista dos Estudos Livres. que o português é um produto muito complexo de diversas raças que se fundiram. uma série de cruzamentos efetuaram-se no território da península. História da Literatura Brasileira. épicuriens. Sem procurarmos traçar a evolução dessa herança. les sensualités de l‘amour. Romero . il leur faut des plaisirs nombreux. a raça branca no Brasil ainda que não possa representar . para produzi-lo. nas idades da pedra lascada e polida. libertins. lorts. os cartagineses. Dan I‘talie Du XVI. o português representava uma heterogeneidade étnica. dans La Provence Du ciécle XII. desde os temos préhistóricos. vemos que os iberos pertencem à família uralo-altaicas. pois. lês symetries Harmonieuses dês formes et de phrases. entre os elementos alienígenas e autóctone. como dos fatores constitutivos dos dois povos. ils devienent aisement rhéthoriciens. Antes. l‘amusement de la conversation. varies. p. teve de nos infiltra os princípios de uma das duas civilizações em que se dividem os povos da Europa. enfin. o mais poderoso e principal fator da civilização brasileira. vemos que as leis mentais nunca tiveram nos povos da península uma grande latitude de ação. por acaso. antes dessa época. que se tinha sucedido através dos séculos. durante os quais deram-se diversos cruzamentos.‖4 Podendo aplicar à civilização do Portugal as mesmas leis que Bruckle estabeleceu para a Espanha. Tomo I. em um ponto de integração superior ao que as outra duas raças tinham alcançado. les satisfactions de la vanité. 4 Philosophie de l’Art dans les pys Bas. por diversas correntes migratórias. pois. les douceurs de la politesse. pelos navegadores portugueses e oferecido à cobiça real e ao espírito de conquista e de comércio da população lusitana. o português já era produto heterogêneo de diversas forças étnicas que. p. 3 S. Em effet . pela formação tardia de uma ciência. antes de integrar-se. ils sont exigeantes ent fait de Bonheur. precederam ao arianos. os romanos. volupteux. se superpuseram e amalgamaram-se . dilléttantes. os suevos. é porém a principal. galants et mondains. 11. a única força étnica. tão característico no século XVI. dos quais o ramo latino é assim descrito por Taine: ―Cette finesse et cette précocité naturelles aux peoples latins ont plusieurs suites mauvaises: ells leur donnent le besoin des sensations agréables. A eles sucederam os celtas. bem difundida pelas classes sociais. 72 Theófilo Braga. 23 . c‘est par ces vices que leur civilistion se corromptou finit: vous lês trouverez au declin de l‘ancienne Bréce e de l‖ancienne Rome. O português foi. dans l‘Espagne Du XVII. como muitos querem. a qual lhe fazia representar um papel histórico de alto valor. porém.Não só pelos caracteres físicos. dans La France Du XVIII. no decorrer dos tempos.. Quando um novo continente foi. Elementos da nacionalidade Brasileira. Como principal força colonizadora no Brasil. se causas estranhas não viessem tomar negativas nas melhores forças da metrópole. desse momento histórico em que Portugal chegou ao apogeu de sua glória da qual lucraria muito e muito a colonização do Brasil. Mais adiantada sob todos os pontos de vista. les jouissances de La nouveauté de l‘imprévu.

procurando o mais possível apoiar a tradição e a autoridade. Pelo lado filosófico e religioso no estado teológico e na época monotéica. determinadoras de todo o movimento e que centralizavam o poder. para vencer o jesuíta. poderoso meio contra a escravidão indígena e que levaria o jesuitismo a levantar uma perpétua teocracia no Brasil. entre as classes aristocráticas e populares. Sendo os móveis legítimos da colonização não só o espírito de riqueza da época. resultando para o Brasil a escravidão negra. verdadeiros feudos. que tem sido a clava de Hércules do nosso pauperismo. Debaixo desse regímen coloniza-se o Brasil. no culto externo. onde o donatário. dessa raça de mestiços que se organizava e que representava no Brasil o papel de meio transformador. contra as pesquisas do espírito indagador. trazem em auxílio da organização de uma ciência. fizeram mudar esse processo de colonização. para cujos progressos tornava-se preciso grande posse individual. a alimentar as verdades dogmáticas de uma religião. povo eminentemente metafísico. o espírito de ceticismo. o português do século XVI veio insuflar no Brasil esse estado mental e psicológico. o rei ao clero. representava o poder absoluto. pelo lado industrial na idade do homem agricultor. por onde caminham os povos de imaginação menos rica. com vislumbres bem acentuuados de antropomorfismo. pela 24 . que tem dificultado a organização de uma moralidade. Todavia. contra a escravidão que o colono português cedo lhes impôs. levantou-se ao lado do poder temporal o poder espiritual. como talvez a principal força auxiliadora da colonização. desviando-se do caminho puramente analítico. contra quem a coroa se colocou. Dessa luta resultou a imigração do africano. Os jesuítas se espalharam pelo Brasil. a teocracia jesuítica durou séculos e o poder clerical ainda hoje se faz sentir. Divide-se o território da colônia em zonas. como também o espírito religioso . em busca de almas que resgatavam para a religião. pelo caráter pouco fixo dos limites territoriais e a isto reunido o desenvolvimento lento destes focos coloniais. de nosso caráter. com quem o colono achou-se em contato.Povo eminentemente supersticioso e que não via na religião senão a força mais poderosa do progresso . do espírito científico: foi o português do século XVI o veículo desses hábitos mentais e morais para o Brasil. conta quem não se ousara pensar nem obrar. contra a qual o clericalismo se levantou. contra os irmãos de Loyola. como um outro Paraguai se o espírito da população do sul. ficando às classes populares a prerrogativa de serem passivas e obedientes. tornando-se impossível o espírito cético na política. que entre si partilhavam a riqueza. O liberalismo disfarçado do jesuíta plantou a luta entre ele e o colono português. dando lugar a que dificuldades se levantassem como força poderosa. o espírito de revolta para alcançar uma equitativa partilha do poder. continuando os delegados do governo colonial na posse de ilimitadas atribuições. por uma centralização administrativa. para prende-la nos limites estritos da tradição: povo excessivamente subserviente ao rei. Os poderes temporal e espiritual estavam unidos. como o barão feudal da Europa. eram duas entidades absolutas. As guerrilhas intestinas que se levantaram entre eles. pela união que prendia o trono à igreja. pelo lado político no regime teocrático. que se organizava. escolhendo-se uma colonização que plantasse o feudalismo e a teocracia. deixando de lado as deliberações que o espírito de cisão. onde novas condições ajudaram sua maior vitalidade. excessivamente rica no aparato. não levasse a guerra encarniçada. consentindo na criação das missões. pelo concubinato no lar doméstico. tomando a si a defesa do índio.

como geralmente se diz . pela falta de um senso popular. e quanto contribuiu no grande desequilíbrio do movimento econômico. organizando as irmandades. que constitui um verdadeiro período histórico. Nesta síntese deixamos as bases do nosso caráter. aquele que nos insuflou o regímen social e político. plantava a superstição. à custa da riqueza pública . Desfalcando-se pouco a pouco o braço indígena. que a organizava. o período de transformação. para integrar-se . Na arquitetura não foi o português o único obreiro. dificultando os progressos da população. toda a riqueza. obrar como meio reformador contra tantos males. a equitativa distribuição da riqueza pública. a escravidão negra era a matéria –prima do trabalho. quer a classe administrativa. do seu culto. Ai está o papel da raça mestiçada no Brasil verdadeiro agente transformador e cujo trabalho de regeneração se faz sentir no momento atual. pois. deixaram. que por sua vez . cuja passividade abriu campo a todas ilegalidade e absurdos. pelo hiato aberto entre as raças. a raça que tirava do solo a riqueza. porém encontrou forças acidentais. pela tendência dos espíritos a tratarem a liberdade da colônia. cujos antecedentes devemos ir procura nos primeiros séculos de nossa vida colonial. 25 . centralizando-se nas mãos do branco. Foi. a base da aristocracia colonial. os vestígios da colaboração de outros elementos étnicos. sob a pressão de um jugo que impossibilitava as pesquisas analíticas. centralizando as forças mentais em derredor da metafísica. se o jesuíta por esse lado predominava. as idéias religiosas que nos tem presidido. Foi por ele que o Brasil não tem sido mais. trouxe-nos os males que tanto nos têm depauperado. era o elemento mais poderoso do movimento econômico da colônia. de maior indigência. ainda que em menor escala. dificultava a organização de uma ciência. a estabelecer uma corrente de riqueza para a edificação de suntuosidades dos templos. era justamente a que era afetada de maior pauperismo. o português o maior fator de nossa organização.proliferação dos filhos naturais. Ela. encarada pó esse lado. um longo perpassar de séculos. por então como o legítimo produto nacional. assim como teve de sofrer uma ação fisiológica do meio. quer jesuíta . demandava. pela falta de concorrência. Eis o capital defeito de nossa vida política e social. para lutar contra o emancipacionismo indígena. das quais duas sempre espoliadas. que têm dificultado a marcha do progresso. a direção que ele dava ao ensino. ativava a imaginação. quer colono português. do meado desta século em diante. Estabelecendo-se assim. Se o grande poder do jesuíta. as confrarias. quem eram outros tantos centros de instrução. todo o poder . a insuficiência de braços ativou a imigração africana que se tornou o sustentáculo. Compreende-se facilmente a parte importante que representou o africano na formação da riqueza no Brasil. E a sub-raça que se formava pelo cruzamento das três raças mães. e a ela aliou-se o colono português. entre as raças que tendiam a cruzar-se prerrogativas e privilégios. do que o prolongamento da civilização ibérica. privilégio seu nos conventos. em que estão incluídos os defeitos e os obstáculos. na distribuição da riqueza por entre as classes. Com o trabalho sem remuneração. Essa centralização que se caracterizava em todas as manifestações da vida colonial.

os ídolos.5 Sob esta ponto de vista.Seu papel é saliente pelo fato que acabamos de analisar. pois o leitor as poderá ler nos Cantos e Contos de Syilvio Romero. afiguram-se-me indivíduos que houvessem guardado lembranças vagas de um longínquo passado. diversos estados já tinham sido passados por seu espírito. como a de uma dupla entidade. os artefatos. Maracá. que procurava não só idealiza a espécie humana. Deixando de transcrever as composições anônimas de origem portuguesa . que. uma espécie de ecletismo teogônico. suas obras nos servirão de guia. e manejava objetos de pedra polida. o venceu pelo lado econômico e mesmo antropológico. a pouco e pouco fundida ou incorporada em povos menos 5 Temos de aproveitar os belos estudos do ilustrado crítico sergipano Sylvio Romero. Por esse lado. muitos ídolos feitos em barro. às tradições populares. de caracteres antropomorfo uns. todvia. a sua força deveria ser mais poderosa do que a de outra qualquer. estava em um período adiantado do fetichismo. acham-se caracteres zoomorfos. Pelo lado religioso. era o índio o autor de uma arte cerâmica. formas do animismo. Não obstante haver um certo número de opiniões sobre o grua da idéia religiosa do índio do Brasil. bem como as vestes simuladas por algumas figuras. têm sido encontrados. achando-se em momentos ulteriores do fetichismo a astrolatria. uma grande mescla. são numerosas as figuras que representam o Falo. de que não sabiam dar esclarecimentos positivos. limito-me nesta ligeira introdução a resumir os resultados a que já se tem chagado. a fisionomia dos seus ídolos. Ao lado dos caracteres antropomorfos. não me cansarei de repeti-lo. como nos revelam as urnas funerárias. Assim. Se a falolatria ali realmente existiu não é permitido afiançá-lo. em que se enxerga a tradição de uma remota nacionalidade superior. ―Nas antiguidades dos mounds de Marajó. tudo isso é um amálgama imensamente heterogêneo. era caçador e pescador. sendo a raça branca a que implantou a língua nas raças vencidas. sobre etnografia e etnologia brasileira. Os mounds-builders de Marajó. o índio não é uma raça de belas tradições. Pelo lado artístico. assim como pela influência que trouxe às produções anônimas. Qual o grau de civilização do índio. a representação esculpida ou pintada de seus símbolos hieroglíficos. 26 . outros zoomorfos. anfibomorfos. no Egito. todavia as escavações feitas no Maranhão dão lugar a supor-se que algumas tribos já tinham galgado um estado religioso mais adiantado – a idolatria. sobre a contribuição com que cada raça entrou na poesia e nas tradições populares. Pleo lato industrial. Realmente. contribuiu mais do que o africano. como o nativismo primitivo. os toucados de que revestiam as cabeças de seus personagens. Acreditamos ser Sylvio o brasileiro que mais apurou e deixou a limpo essas questões. segundo o ilustrado crítico sergipano. procuremos ver a influência representada pelo índio e africano nessas produções. Ladislau Neto. por sua vez. diz o Dr. encontrados nos mounds de Marajó. do que de culto. Pacolval. e não há grande probabilidade de que eles fossem mais objetos de ornato. aos contos e cantos. os objetos de ornato. quando o português encetou a colonização no Brasil? Não nos cabendo aqui largas explanações sobre os materiais que a préhistória brasileira tem reunido. Alguns destes ídolos dão ligeiras formas do ídolo a que se prestava o culto de Falo. aceitando as conclusões dos competentes. Compreende-se que. A ornamentação de seus vasos. como os animais.

8 Hartt. No vale do rio cotinguiba. entre os povos antigos. 6 Em Sergipe. algum vislumbre de culto? ―Ninguém. para facilitar a catequese. era representado em Marajó sob as suas diversas formas míticas. Por informações de algumas pessoas.‖6 7 É por demais descritivo falarmos dos hábitos sociais do índio. os mantenedores do saber e da prática e os árbitros de seus irmãos. Museu Nacional. sempre infrutiferamente. de quem procuravam distanciar-se: por isso que o espírito emancipador. ela foi muito menor na transmissão dos caracteres físicos. em seus mitos do jabuti. quer gravado. vol 6º. compreende-se que o índio foi de mais larga contribuição nas tradições intelectuais. do curupira. pois da infeliz raça só se queria o braço para o trabalho. pela tendência em representar gênios zoomorfos. caximbos. mostraram-se saturados de palavras indígenas. Por isso mesmo que o processo de colonização. 333. 9 Rise. em sua dança e música rudimentares ao som do mimbitarará e do mime (buzina). o pode asseverar. ―O Falo. escravizavam a infeliz raça. Se pelo lado das tradições intelectuais. a ser falada e escrita. até mesmo pelo africano que tornou-se bilíngüe. nos aparatos festivos. etc. bem pintado nas bandeiras que penetravam nos sertões. ou pela adaptação irresistível e fatal aos meios de existência. encontramos duas inscrições gravadas nas faces lisas de duas pedra ferruginosas. do Caçador e dos Oiras. as quais representam um pé em círculos concêntricos. se antes não é uma natural degeneração realizada in situ e motivada pela separação absoluta da antiga metrópole. em vês de antropomorfos. a fim de apreciarmos o grau de civilização da tribo indígena. em seus instintos sanguinários. a política abolicionista. 153. vol 6º p. Por isso mesmo que a língua do índio se prestou por parte dos primeiros colonizadores.8 Isto é por demais descritivo para figurar em nosso estudo. por isso mesmo que a língua africana não foi estudada nem falada na colônia. a influência indígena tornou-se muito mais preponderante do que a influência africana. p. em um lugar que chama Pedra do Letreiro . 7 Arquivo do Museu Nacional. dos quais tiraremos a contribuição com que cada raça entrou para a formação do nosso caráter. ou pela morte daqueles que. levantada pelos jesuítas em favor do indígena. em sua poligamia. pratos. eram a tradição viva. pelo espírito de cobiça que dominava na raça colonizadora. dos Mexicanos. mas dar-se-ia porventura ainda ali à sua primitiva forma. sabemos que estes objetos nenhum trabalho de decoração ou desenho apresentam. afugentava-a. do Tupã e Tupi. muitos de origem portuguesa.adotado pela metrópole no Brasil. do que o africano. onde em nome da lei. do Paitumaré. dos centros da lavoura açucareira. nas escavações de roças se tem encontrado objetos feitos de barro. procuramos alguns tumuli ou sambaquis. da Oiara. contribuiu para segregá-lo dos centros coloniais. e os trabalhos de Sylvio Romero. ocupando o indígena o terceiro plano. im Braziliem. como porrões. que Andes visa os fatos gerais. e das tribos orientais da América. 27 . portanto. gerando-se assim no espírito do índio aversão e ódio ao português. O leitor pode ler a poesia popular indígena coligida por Spix e Martius9 na própria língua. mitologia que difere das dos Incas. quem em relevo. do pemi (corneta). em vez de congregar a raça indígena na cooperação do progresso. na carência de provas inconcussas. no sacrifício de prisioneiros. como esta.adiantados e através de países diversos. Além de cantos e contos verdadeiramente de origem índia.

resultado do cruzamento entre o branco e o índio. entre índio e negro. que vê nos mestiços de tronco indígena uma tendência às profissões pastoris. Seria de alto valor. como o mameluco. em favor da emancipação indígena: chamado para unir-se ao branco. relativamente aos outros produtos mestiços. dando lugar a supor-se uma futura heterogeneidade étnica. que levassem em estado latente o cunho de sua individualização. em virtude de um fato de ação muito geral. em que entra o tronco africano. Cujas diferenças são bem visíveis. Não sei até onde vai a verdade destas asseverações. as profissões fixas. mais do que qual quer outro gênero de trabalho. o mestiço entre o branco e o africano. o mulato foi o mestiço de maior representação. o africano preponderou consideravelmente por esse lado. Nos caracteres físicos os dois tipos divergem consideravelmente. pois ia contra o caráter messiânico de uma direção puramente espiritual: por isso mesmo que todas as causas eram favoráveis ao afugentamento do indígena. para a formação da riqueza.centralizando-o em uma comunidade espiritual. entre índios. portugueses e africanos. A causa do fato a que aludimos é cedo ter-se estancado o elemento indígena. escasseando-se assim um dos troncos progenitores do mameluco e do cabra. Queremos crer que. Ele foi o sustentáculo da aristocracia e da riqueza colonial. forneceu pouco blastemas. compreende-se facilmente que na transmissão hereditária dos caracteres físicos. tende a diluir-se com o branco. Chamado para ajudar o branco em defesa do liberalismo jesuítico. pois a lavoura açucareira e a do café. aquele que procurou mais assimilar os caracteres da raça branca. o maior fato étnico que ativou os primitivos elementos. pela diversidade de caracteres físicos. que entre as raças mestiças que do cruzamento originaramse. Além disto. porque o que sucedeu à raça indígena sucedeu igualmente a africana. Couto de Magalhães. tem contribuído para os progressos do país. se as pesquisas históricas fá fornecessem suficientes elementos para apreciar-se o grau de representação histórica dos produtos mestiços. 28 . cabendo ao branco e ao seu mestiço com o negro. do meado deste século em diante. Enquanto que na hegemonia como raça mãe. teríamos que concluir em favor do mulato. E tanto foi assim. na luta colonial que durou séculos: chamado para suprir a insuficiência de barcos que foi o resultado da política. O próprio mestiço. que dificultava o cruzamento das raças. compreende-se que o africano aliou-se mais intimamente ao branco do que o índio. de maior força transformadora. donde podemos concluir que o índio entre nós pouco colaborou. debaixo da ação destruidora da colonização. a sua expatriação. A julgar pelo modo de pensar do Dr. todos da raça branca – a italiana a alemã. ao passo que o branco e o africano tendiam sempre a crescer. a que vulgarmente se chama o mulato. vêm reunir-se ao cruzamento novos elementos étnicos. O que podemos asseverar é que em Sergipe o mulato abunda mais do que o cabra. figura como oferecendo maior contingente ao peso específico da população brasileira. o cafuz ou caburé ou cabra (Sergipe). seu papel está em plano inferior ao do africano.

dix o Dr. que é crespudo. ele está em plano inferior.―os traços físicos característicos. na luta pela vida em que entraram com o elemento europeu. Sobre esta penúltima canção popular. Couto de Magalhães. a largura das espáduas em contrate com o pouco desenvolvimento da bacia. Se pelo lado econômico o africano venceu o índio e forneceu mesmo maior força no cruzamento. a qual conserva a depressão da testa e a estrutura aproximando-se a do índio a vilosidade da fronte. o Antônio de Geraldo. e o elemento africano forneceu o vocabulário da vida doméstica. a Amiga folhagem. porém. o africano trazido para o Brasil pertencia ao grupo bantú. Silvio que o Antônio Geraldo era um homem inculto. todavia ele deixou ligeiros vestígios na poesia e nas lendas populares. Tayeras e Congos. vol. como um produto étnico próprio. Da Literatura Brasieira. a sólida e vasta estrutura do tronco. motivadas pela colonização. que é o herói desta rapsólia. Cheganças. pois nela há referência a homens.‖10 Ali está escrito também o tipo do mulato. observa o Dr. o cágado e o teiú. cantados em Sergipe nas festas do Natal e de Reis: os Marujos e os Mouros. pelo dado das composições anônimas. assim como pertencem-lhe muitas lendas e fábulas. O elemento tupi.14 Assim. com os vértices opostos. 103. Op. não obstante mesmo o africano tornar-se bilíngüe no Brasil. são de proveniência africana. 29 .cit 13 S Romero Hist. Religião e raças selvagens. o cágado e o jacaré. dos prefixos pronominais. que ainda existem. Vol I. o cágado e a fruta. com quem os portugueses entraram em relações nos séculos XV e XVII11 cuja língua é caracterizada pela particularidade que as relações das palavras não são indicadas pela modificação das desinências ou terminações. ―No corpo. dominou nos apelidos locais. foram produzindo uma seleção na língua d raça colonizadora. que subsistem da raça indígena nestes dois mestiçamentos (mameluco e caburé) são : a cabeça. moradores no Lagarto. Couto de Magalhãe. Dessa seleção tendia a resultar uma dialetação da língua. I p. Tendo estancado a corrente tupi. o cabelo corrido e extremamente negro. Em grau de evolução mental muito inferior ao índio. pela aposição. com o auxilio da força transformista do mestiço. Esta canção é de formação bastante moderna. tayeras 13. estendendo-se em ângulo saliente.134 12 Réville. Congos. barba e vilosidade do rosto e pescoço extremamente raras. das cozinhas e dos trabalhos agrícolas. em vez disso. o bumba – meu-boi. 10 11 Dr. José-Jure. o diâmetro transverso dos ângulos posteriores do maxilar posterior quase igual ao diâmetro parietal do crânio. a Raposa e o Tucano. e tendo se extinguido a imigração africana. O mesmo autor nos Contos Populares do Brasil apresenta diversos Reinados e Cheganças. nas fontes. as órbitas e o molar salientes. Religions dês peuples non civilises. são traços que ressaltam logo aos olhos do observador. para a formação de uma geração mestiça. 14 Em Sergipe Sylvio Romero colecionou muitas destas fábulas: o cágado e a festa no céu. pela devastação e expatriação da raça. p. com a diferença do cabelo. José do Vale. porque permanecia nos primeiros momentos do fetichismo. Assim os Reinados. pelas tradições intelectuais. morador de Estância. Réville. o Macaco e a cabaça e muitos outros. verdadeiro agente transformador – o mestiço.12 Não obstante essa incapacidade intelectual. e não é tão negro e a coloração do pigmento que é avermelhado. adiante da palavra. os elementos tupi e africano. como diz o ilustrado filólogo sergipano João Ribeiro. a energia de musculação e a finura e delicadeza das extremidades. nos nomes de seres da natureza americana e de fatos desconhecidos dos europeus. o cágado e a fonte.

―A mais fácil previsão autoriza crer que. duas tendem a aniquilar-se. sobretudo nas províncias do sul. desde quando as correntes migratórias têm sido centralizadas em certas zonas do país. não poderá resistir a elementos estranhos tão fortes. ―a estas tendências de dissolução se deve juntar a reação culta e literária. pela intervenção de uma política mesquinha e antipatriótica. se outras circunstâncias não se opuserem à evolução.compreende-se facilmente que o mestiço tende a fundir-se e cruzar-se mais diretamente com o tipo branco. que na percorreu o ciclo completo de uma evolução antropológica. porque o elemento étnico. 15 João Ribeiro. Gramática Portuguesa. que vão desaparecendo pela extinção da imigração negra e pelo caldeamento das raças. o resultado desse futuro é brilhantemente descrito pelo eminente filólogo. ―em compensação a imigração de outros povos estrangeiros torna-se cada vez mais intensa. o sul do Brasil destruirá a unidade étnica da pátria brasileira. constituído em grande parte por uma população mestiçada. que já se vai notando desde agora. onde já são familiares muitos vocábulos do italiano e do alemão. e que uma secular evolução histórica põe ao seu lado. dentro de um século. que ainda não integrou-se no processo da seleção. Pelo lado lingüístico. e são o elemento tupi e o africano.‖15 Previsão muito legítima. pelos poderosos meios de cultura de que dispõe. a quem acima nos referimos. sendo mais rápida a evolução para ele galgar os caracteres da raça. ―Das causas que favorecem a dealetação do português na América. que procura aproximar a linguagem das fontes vernáculas e clássicas. que ainda não constituiu-se um povo autônomo e completo. 310 30 . p. 3º curso. tão aglomerados e muito avantajados na luta.

e à marca da civilização do Brasil. pelo efeito de uma interpretação viciosa. pois nenhum desenvolvimento histórico se poderia efetuar. Nessa marcha evolutiva em que um povo coloca-se para progredir e prosperar. que formam a maior 31 . por isso que estende-se desde os trópicos aos grua 30 e 35 de latitude austral boreal. Temos. dos climas e das condições higrométricas. E a história não será mais do que a síntese. estereotipando os fenômenos de ideação desse poder. procurando mostrar as contribuições com que os fatores internos. tão poderosa para retardar ou acelerar o movimento civilizador. aproxima-se .o do Brasil é um clima quente. não passavam de fatos deque se ligavam a um poder superior. ao do pampas. descendo para o sul. Até ai temos somente um lado do problema resolvido. o conjunto de leis desse evolucionismo. a grande influência que têm sobre o homem a variabilidade de temperatura. Podemos estabelecer. a configuração do solo e sua constituição química. pois. ―O clima de uma região tão vasta. Vejamos a contribuição que o meio tem trazido à fisiologia do brasileiro. como indiscutível. temos de apreciar a ação dos fatores internos e externos. pela ação poderosa que o habitat exerce sobre o homem. Os fenômenos naturais em nada deviam influir sobre a marcha dos acontecimentos. foi que a história foi buscar nas condições do meio a razão de ser de muitos fenômenos históricos. úmido e bastante semelhante ao das Guianas. Só depois dos trabalhos de Taine. entraram para especializar e individualizar a civilização brasileira. Desprezando-se essas influências não se poderá nunca levantar o brilhante edifício da história. Buckle. a marcha histórica de um povo. dá lugar a contestar-se essa unidade mesológica. conforme a natureza de suas condições. As ciências naturais vieram abrir uma estrada nova.CAPÍTULO III FATORES EXTERNOS DA CIVILIZAÇÃO NO BRASIL. Spencer e outros. de apreciar a ação das condições do meio. A história ia reproduzindo. de acordo com os tês elementos característicos. Não obstante esta colocação astronômica. a confeição da flora e da fauna. Já dissemos que o movimento civilizador. Pela classificação que os autores fazem dos climas. A MELHOR TEORIA HISTÓRICA Até aqui temos tratado dos elementos étnicos do brasileiro. e para dar-lhe um cunho especial. como chama Spencer. O EVOLUCIONISMO. como as diversas condições de uberdade. em que a história se colocou. que até então. que confinam com a bacia do Amazonas : fresco e agradável nas montanhas do interior. sem o auxílio da ação do meio. Gervinus. diz Humboldt. mas províncias do norte. na realização de um plano. não pode ser por toda parte o mesmo: quente. de uma interpretação supersticiosa. Rénan. todavia a grande extensão ocupada pelo país. em obediência a um plano pré-estabelecido. Era a história então um jogo dos fenômenos. não passa de uma resultante destas duas forças.

preferindo o fundo à forma. Tomo 8º.pois os outros. que moderam entretanto as brisas do largo e por uma grande pureza do céu. deixando explodir o sistema nervoso em descargas elétricas.. onde o movimento colonial prosperava consideravelmente. que mede 8. uma dualidade mesológica no Brasil. enquanto ele. torna-se mais investigador. de quase quatro séculos. com a qual se tenta explicar a diversidade do caráter do brasileiro meridional e setentrional. com duas zonas climatéricas bem diversas. do que as científicas. 32º45‘ de latitude austral. De Med. vive mais do pensamento do que da imaginação. daí dirigiramse para o norte e sul. Enquanto o habitante do norte. 8º19‘ de longitude oriental e 30º58‘. mais pesquisador e mais descrente das instituições do seu país. Em um país de uma enorme extensão como o Brasil. não se deixa vencer pelas excitações. o que dificulta o espírito de iniciativa. de ocidental. rodeado de um ambiente quente. p. onde é úmido e quente. para entregar-se ao trabalho de análise e de pesquisa. entra na luta pela vida. e que patenteiam-se claramente no nosso movimento histórico. Itanhaém e outros muitos. de uma abundância de alimentos. à síntese do que à análise. Eis aí diferenças notáveis que separam no Brasil o habitante do norte do habitante do sul. pouco nutritivo. Enquanto no norte alcançaram somente um centro colonial de mais valor – Recife. representam pouca força no movimento histórico e são de formação tardia. ligando mais importância à forma do que ao fundo. como Maranhão. centralizando-se as forças colonizadoras na Bahia. enquanto ele no meio de uma natureza luxuriante. o levantamento da descrença contra as classes dirigentes da política. é um home mais pensador. pela frieza de seu sistema nervoso. nos tempos coloniais. habitando uma zona mais fértil. onde é quente e seco. pois. pela oxidação que neles opera-se a fim de estabelecer um equilíbrio de temperatura. procura um alimento amiláceo. Rio Grande do Norte. cujo resultado é afoguear-se a imaginação. por conseguinte. concorre na luta pela vida com uma maior soma de esforços nutre-se de uma alimentação azotada para equilibrar a destruição dos tecidos. pelo sensualismo. Dict. no sul formavam-se centros como Rio de Janeiro. sente a vida mais fácil e. sob a menor excitação.parte dos estados do Prata. com o sistema nervoso pouco excitável. Sendo as mesmas as raças que se cruzaram. mais industrioso. São Paulo.350. Sergipe. torna-se mais indolente. Alagoas. quanto as relações físicas não se mantêm idênticas. Sobre o litoral é caracterizado por m calor elevado. o habitante do sul. 167 32 . o útil ao belo.‖16 Existe. Piratininga. compreende-se que esssa dualidade mesológica há de imprimir diferenças de caráter. São Vicente. ativando mais as faculdades estéticas. desdobrando uma pequena soma de esforços.000 quilômetros. e o grau de saturação do ar pelo vapor d‘água varia do litoral. em que a temperatura oscila de 14º44‘ a 37º77‘. se é levado a concluir que essa diversidade se ligará a uma ação estranha á força étnica. Realmente. situado a 5º de latitude boreal. desde quando as modificações impressas pelo clima sobre o caráter divergem tanto mais. que sobrepuja o pensamente e as faculdades analíticas do espírito. a organização da indústria. para o ocidente. em suma. os jesuítas entraram como força poderosa da colonização. iniciando uma política protecionista ao 16 Rochard. Estabelecia a centralização administrativa na Bahia. er Cirurg.

Bitencourt e Sá. Foi essa população que o ceticismo político primeiramente atacou. um solene protesto contra uma tal política. A que se deve ligar essas diferenças? Fazê-las dependentes da diversidade do meio. e abrindo-se profundas linhas divisórias entre as classes. foi que nas regiões do norte levantou-se do seio da população um idêntico protesto. conta o regímen coercitivo e absoluto do governo colonial. que eles com todas as forças. grande meio político pelo qual a força religiosa queria plantar no Brasil um regímen teocrático. Somente quase meio século depois da Inconfidência. finalmente foram rechaçados para as regiões do norte. Realmente. tornando-se a região uma verdadeira feitoria da fidalguia portuguesa.indígena. sendo incontestavelmente a zona meridional aquela em que . pelo iniciamento e progresso da igreja protestante. com grande desfalque do braço para sustentar a lavoura e ativar a formação da riqueza. Veloso e Veloso de Miranda. motivou felizmente muito cedo. levantando-se os colonos contra os jesuítas que. e ela é por conseguinte a que goza de um espírito mais inquiridor. e suas missões. com a invasão holandesa. José Bonifácio. em começo. Foi no sul onde levantou-se o primeiro brado de revolta. mais pesquisador e progressista. procuram espalhar por todo o território. querendo a população infiltrar as bases de uma política democrática. e de onde vai irradiando-se para outros pontos do país. e onde gerou-se o espírito científico. como São Vicente. no sul ela resistiu à invasão dos franceses e ingleses. nas regiões do sul. de que se tornou São Paulo o foco. Foi no sul onde primeiramente revelou-se a tendência de estudar-se a natureza. Rio de Janeiro. perpetuariam uma teocracia. tornaram-se mais poderosos. pela pousada que se facilitou ao teólogo João de Bolés. Foi no sul finalmente onde gerou-se o movimento abolicionista do século atual. Martins Francisco. se circunstâncias muito posteriores não entrassem em ação. onde centralizavam as forças naturais. por meio das missões. conta a forma de governo. E foram os representantes desse movimento: José Vieira Couto. é estabelecer os elementos do 33 . e o século atual o espírito da população dá as provas dessa tolerância. Foi São Paulo – Piratininga – a primeira sede de um convento e onde procuraram centralizar suas forças. O monopólio do trabalho que partia dos jesuítas. Enquanto no norte a colonização era dificultada pelos prejuízos que partiam da classe clerical. no final do século XVIII e cujo resultado foi esse protesto da opinião popular. sem levar em conta os processos fisiológicos para tais modificações. Bahia. dirigiam-se para o norte. na Inconfidência de Minas. Não só em Piratininga. no século XVI. onde. no sul uma colonização livre se estabelecia. enquanto do sul o jesuíta afugentava-se em vista do espírito rebelde dos paulistas. onde infiltraram péssimos hábitos. Foi no sul onde encontrou mais asilo o espírito de tolerância religiosa. Enquanto no note o espírito da população não pôde resistir à crise do século XVII. contra a permanência de um regímen e governo centralizador. levantaram suntuosos templos e multiplicaram as missões. partindo de Pernambuco. sem a interferência de causas que plantassem tão profundamente hábitos de subserviência.

estabelecer qual delas seja a mais poderosa. a causa eficiente e exclusiva desses diferenças é a ação do meio. do seu equilíbrio.‖ Para o Dr. Neles não se deve ver senão o equilíbrio das duas potências. sem a transformação do homogêneo em heterogêneo. Araripe Júnior e Sylvio Romero. como um grupo sociológico. por uma ação que pela psicologia é elevada à altura de uma lei. Quer nos parecer. princípio este que deve ser levado para história.problema. não se pode ser exclusivista. que em um fato tão complexo como este. uma estática e outra dinâmica. ―É o único fator estável de nossa história. e é ele quem diz: ―A questão da história da literatura nacional. Assim como todos os fatos biológicos são mais do que o resultado. Sylvio Romero o fator estável. É a física geográfica. como uma determinada formação histórica. em tudo só pode ser resolvida pela concentração das nossas vistas sobre o meio físico. dois infatigáveis trabalhadores da literatura nacional. ela oferece larga divergência entre dois ilustrados espíritos deste país. e apela para o fato. os fatos históricos também devem ser presididos pelo mesmo princípio. da luta contínua entre a natureza e o homem. o único que se consegue acompanhar. sem todavia resolvê-lo. A função e a forma são por elas regidas e individualizam-se segundo seu jogo mútuo. cremos ser impossível pelos materiais que a ciência da história oferece ao historiador atualmente. assim um caráter nacional há de se delas o reflexo. Serão a expressão do equilíbrio entre o meio e as forças étnicas. de estabelecer a casualidade mais poderosa das integrações e diferenciações de um povo. para a explicação dos fenômenos mentais e emocionais. Spencer nela inspirou-se para fundar o seu evolucionismo. através do tempo. assim também na história. não se deve ver na formação do caráter de 34 . lado muito mais restrito do que o histórico. aliás incontestável. hão de resultar os fenômenos históricos. sem solução de continuidade. que tem por causa a instabilidade do homogêneo. A biologia e a fisiologia não vêem na morfologia e no funcionamento orgânico senão a soma das duas forças. em que se mantém a ação do meio e a das forças biológicas. Eis aí a larga divergência entre os dois ilustres literatos. Não obstante não se poder contestar as diferenças são o produto de duas forças. para cuja resolução não nos achamos convenientemente preparados. mais do que outra. é o elemento étnico. de indicar a causa da organização do tipo brasileiro. de que os climas foram agentes poderosos nas civilizações autóctones. passando para o segundo plano nas civilizações históricas. Desde que hoje não se pode conceber progresso e desenvolvimento. – Drs. Para o primeiro. característico e individualizado. nem tampouco salientar maior ação de uma sobe a outra. aquele que mais poderosamente vai produzindo a integração e a diferenciação do tipo brasileiro. a resultante. Depois que os filósofos alemães estabeleceram a lei do desenvolvimento. por uma idêntica orientação. a explicação dos fenômenos não deve inspirar-se em uma só das forças . por isso mesmo que de seu funcionamento recíproco. na opinião do filósofo inglês. o refluxo desse equilíbrio. pelo princípio da multiplicação dos efeitos. Uma interrogação se nos apresenta: por que a diversidade do meio produz grandes diferenças do caráter? Eis uma grande questão. porém. Encarada pelo lado da literatura.

um povo, em seu desenvolvimento civilizador, senão a soma das forças físicas e étnicas. Elas juntam-se, refletem-se, equilibram-se para dar em resultado o fenômeno da história. Eis sua lei mais geral e que domina todas as pesquisas. Qual delas, porém, é a mais poderosa? Nenhuma, pois os conhecimentos científicos atuais são insuficientes para uma tal averiguação. Assim como na nutrição intersticial não se sabe dizer qual o elemento mais poderoso, se as forças físico-químicas do oxigênio, ou se a força biológica dos tecidos; se na individualização de um organismo, pra a manutenção de uma morfologia e o desenvolvimento de sua função, não se sabe dizer qual a força mais poderosa das duas que se chocam, assim também para a individualização de um povo, para sua formação como um grupo histórico e o desenvolvimento de sua civilização, não se sabe dizer qual o fator de mais força , se o meio, se elemento étnico. Ambos são igualmente importantes, igualmente poderosos na fenomenação histórica, por isso que da reação que oferecem entre si, resultará o desenvolvimento. Qual deles, porém, entra em mais larga ação, para traçar esse desenvolvimento, é o que não se pode assegurar, pela insuficiência dos meios científicos atuais. Quando muito se pode traçar uma categorização de fenômenos, pertencentes a cada um dos fatores, e isto não deve levar ao espírito do historiador uma predominância de ação. A essa categorização pertencem, pelo lado do meio, os fenômenos de adaptação, de fisiologia de uma raça, em virtude dos quais tenderia a perder sua integração, sua unidade, se não entrasse em ação uma força antagônica: pelo outro lado tenderiam a perpetuar-se os caracteres étnicos,por meio da herança. O meio reage a diferenciação, pela adaptação; a força étnica reage a integração, pela herança. E como o caráter de um povo é a soma das duas forças. Devemos concluir que para a sua formação, para o desenvolvimento civilizador, ambas se equilibram. Estabelecemos, pois, o equilíbrio das forças mesológica e étnica como a lei geral que domina a história brasileira. Se uma prepondera sobre a outra, por exemplo, o meio sobre o elemento étnico, como o Dr Araripe Junior, as tendências divergentes serão poderosíssimas, pela pequena reação do elemento étnico, de sua ação antagônica e o resultado seria a falta de unidade do caráter brasileiro. Se há preponderância do elemento étnico como quer o Dr. Sylvio Romero, as tendências centralizadoras venceriam as tendências divergentes, pela ação da herança, e ficariam inexplicáveis as diferenças, ainda que não radicais, do brasileiro do norte para o brasileiro do sul. No primeiro caso o excesso de divergência levaria a um excesso de heterogeneidade de caráter, de relações mentais e emocionais, entre os habitantes da duas zonas, tão diferentes em suas condições físicas. Essas profundas diferenças não vemos na história das duas zonas, cujos habitantes se aproximam pela identidade dos elementos étnicos que se conservam, circunstancia bastante poderosa para opor-se à divergência da ação do habitat. Em ambas foram aplicados os mesmos processos de colonização, com igualdade de resultados; em ambas abriram-se linhas divisórias entre as classes

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populares de um lado e as do governo e clero, do outro; em ambas as relações subjetivas e psicológicas são idênticas; em ambas, finalmente, os períodos históricos são caracterizados por uma identidade de hábitos de reverência e superstição às classes dirigentes. Se diferenças se patenteiam, elas não são tão profundas a romper a unidade de caráter. E vemos mesmos que no norte o movimento histórico vai acentuando uma identidade ao que desdobra-se pelo sul. Nota-se o mesmo ceticismo contra a religião e o governo, com a diferença, porêm, de ser mais tardio. Os protestos que se levantaram contra essas duas forças foram idênticos em ambas as zonas. E isto nos leva a concluir que no sul o coeficiente de movimento é mais acelerado do que no norte, e que o estado de equilíbrio em que se mantêm as forças étnica e mesológicas é diverso. Em vez de dizer-se que há na civilização do Brasil predomínio da ação do meio, para se poder explicar as diferenças acidentais do caráter, acreditamos se mais acertado afirmar que a população das duas zonas acha-se em diferentes estados de equilíbrio. Na opinião do sábio filósofo inglês, o equilíbrio instável é o caráter da homogeneidade de um agregado, que seja um organismo, que uma sociedade. Tende a diferenciar-se a integrar-se pela instabilidade de equilíbrio em que permanece, pela persistência da força e pela impossibilidade de um agregado indefinido, a evoluir, pelo princípio da multiplicação dos efeitos, pois todo efeito é mais complexo do que a causa. Aplicando estes princípios ao desenvolvimento histórico no Brasil, vemos que a primeira população, formada pela geração de mestiços do século XVI, que é o elemento étnico nacional, representa um agregado em equilíbrio instável, pelas tendências a diferenciação e integração. ―Duas naturezas, diz Spencer, adaptadas a duas séries ligeiramente diferentes de condições sociais se unem; é de crer que sairá uma natureza m pouco mais plástica do que elas, mais fácil de receber as impressões de um meio que se renova pelos progressos da vida social, e por isso mais própria a criar idéias e a manifestar sentimentos de uma forma particular‖. Eis em síntese a função histórica do mestiço no Brasil. Por esta instabilidade de equilíbrio, a ação do meio produzirá uma multiplicidade de efeitos, e a geração mestiça tende a evoluir e a desenvolver a organização de um meio social, que, por sua vez, terá novas incidências de forças. E esse resultado é tanto maior, tanto mais largo, quanto a população vai alcançando feições adiantadas de heterogeneidade, o que vai se refletindo em seus produtos de cultura; ciência, literatura, arte, governo e religião. Assim, as sociedades, para a história, passam de um estado indefinido e incoerente, a um estado definido e coerente. Como, pois, se pode dizer que há preponderância da ação do meio sobre sua força antagônica, quando vemos que o desenvolvimento para percorrer todos os graus da evolução exige um completo equilíbrio? O ilustrado Dr. Araripe deixou-se inspirar pelas asseverações de Buckle, sobre as civilizações primitivas. Submetendo a história aos processos das ciências naturais, estabelecendo que as ações humanas são determinadas por seus antecedentes, o historiador

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inglês divide as civilizações em primitivas e históricas, tendo o meio sobre aqueles completa ação. As diferenças únicas que descobrimos são que, nesse caso, a ação do meio é direta, e nas civilizações históricas ela é indireta. Por isso mesmo que no primeiro caso, o desenvolvimento depende quase que exclusivamente da ação do habitat, de suas qualidades favoráveis ou desfavoráveis, a ação é imediata. No segundo caso ela é mediata, por isso mesmo que a humanidade já chegou a pontos adiantados de integração e diferenciação. Isto, porém, não faz desaparecer a ação do meio, que em ambas as civilizações, é contínua e interrompida. As diferenças estão, pois, no modo, no processo de ação. No mundo biológico o desenvolvimento orgânico depende da ação externa e da ação interna. As funções orgânicas, nos graus inferiores da escala animal, não estão localizadas, porque o agregado é homogêneo e indefinido: não está diferenciado. Elas são indefinidas e incoerentes. Neste caso, a sinergia funcional é mantida pela ação direta do meio. O órgão que se move é o que sente, o que respira,que digere, que absorve, que nutre e que excreta. Não há especialização de função, porque não há especialização de agregado, cujo total da força biológica apresenta-se aos olhos do observador como uma expressão da ação direta do meio. Nos graus superiores da escala as funções orgânicas acham-se especializadas, porque o agregado é mais diferenciado e heterogêneo. O órgão que respira não é o que digere, o que se move e que sente e excreta. Nestas condições, o total da força biológica é a soma destas funções, é o total da ação indireta do meio e da direta do agregado. É a expressão de um equilíbrio. Assim também na história. Nas civilizações primitivas, a ação do meio é direta, porque elas são mais o resultado de um bom solo, de um bom clima, do que dos esforços humanos. Nas civilizações históricas, em que a humanidade acha-se em pontos adiantados de integração, diferenciação e especialização, em vista da ação do meio e da reação étnica, a influência física torna-se mediata no desenvolvimento histórico, por meio do homem e dos seus órgãos sociais. As civilizações serão a expressão desse equilíbrio. Se prepondera a força étnica, como quer o Dr. Silvio, rompe-se esse equilíbrio que julgamos imprescindível para o desenvolvimento, para a normalidade dos fenômenos. Quer nos parecer legítimas e verdadeiras as seguintes conclusões: O elemento étnico e o meio são as duas forças que dirigem a civilização humana, obra em virtude da adaptação e da herança. Para vencer as tendências divergentes do segundo fator, opõe-se a força antagônica do primeiro, uma unidade no fundo do caráter; Em vista disto estabelece-se um equilíbrio entre as duas forças, do qual resulta o desenvolvimento histórico, que se tornará negativo, se uma dela preponderar sobre a outra;

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As diferenças entre as civilizações primitivas e históricas não consistem na preponderância de uma das forças sobre a outra, e sim nas diferenças do processo de ação. Da ação e reação é que resulta o equilíbrio das duas forças, não sendo nenhuma um fator preponderante, PIS desapareceria a normalidade da fenomenação, desapareceria o equilíbrio. A cada uma das integrações, pela ação reflexa entre as duas forças, corresponde uma feição especial de meio social, que por sua vez leva o seu contingente, na incidência sobre o elemento étnico; Sendo o mestiço o ponto intermédio entre o meio social e o meio físico, transforma aquele, pela sua cultura, à proporção que se integra pela ação deste. É ele o órgão da função histórica.

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CAPÍTULO IV GEOLOGIA DE SERGIPE FAUNA E FLORA. SUA PRODUÇÃO

Na descrição geológica de Sergipe, em que vamos entrar, utilizamo-nos dos trabalhos de Hartte Liasis, cujos estudos procuramos aqui resumir. Sergipe, sob o ponto de vista geográfico, pode ser dividido em duas zonas: A zona oriental, baixa, desigual, apresenta grandes extensões de areia, ao longo da costa, e algum terreno próprio para cultivar. Ela é conhecida pelo nome de matas, por causa de suas florestas. A linha da costa mede noventa milhas de extensão. A zona ocidental, chamada também de agreste, é estéril e seca, servindo somente para a pastagem. É montanhosa e mais alta do que a zona oriental, sendo a principal montanha a serra de Itabaiana. Na zona oriental está localizada principalmente a lavoura da cana, nas bacias dos rio Japaratuba, Sergipe, Cotinguiba, Vaza-Barris e Piauí. Na zona ocidental estão localizadas a criação do gado e a lavoura dos cereais, principalmente mandioca e a importante lavoura do algodão, nas matas de Itabaiana. Na formação geológica domina o sistema siluriano, composto por grés, xistos argilosos e calcários, não obstante encontrar-se o gneiss, formando largo terraço entre a costa e a base do grande planalto central do Brasil. A zona de gneiss, nas regiões do norte é mais seca do que a das regiões do sul. Sergipe apresenta três grandes massas de terras altas, separadas pelas bacias dos principais rios. A estas eminências daremos o nome de planaltos. De norte a sul colocam-se a primeira entre o rio S. Francisco e Sergipe e vem da Serra Negra; a segunda entre o rio Sergipe e Vaza-Barris; a terceira entre o Vaza –Barris e Piauí; a quarta entre Piauí e o Rio Real. Entre estas eminências correm os rios principais, em direção ao mar. Façamos a descrição do sistema hidrográfico e depois do orográfico. O rio Real forma a bacia, que limita a última eminência do sul, tem um curso talvez de 40 léguas. Em sua parte superior corre sobre terrenos secos e está arrodeado de fazendas de gado. Sua porção oriental é encachoeirada, ficando a última e mais importante cachoeira distante 9 léguas de sua barra. Aí forma um estuário, com os rios Piauí , Gurararema, o Jacaré o Pastorado, que passa junto à serra do Canini; pela margem direita o riacho Sena, que desemboca abaixo da vila de Campos e o Itapemerim, que banha o povoado Tabúa e a vila de campinhos. O Piauí nasce na serra dos palmares, tem um curso sinuoso. Em suas margens estão colocadas algumas propriedades. Forma o porto da cidade da Estância, que é edificada sobre a colina de rocha micácea, composta de pedra de ária de cor vermelha, completamente semelhantes, na opinião de Hartt, à formação geológica de New Jersey.

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Estas pedras são cobertas por um terreno argiloso e vermelho, árido e sem fertilidade, que as calcina, tornado-as ainda mas duras. Entretanto , para o interior os terrenos são férteis. Hartt não descobriu nenhum vestígio de fósseis nesta região. Ao norte da Estância o terreno apresenta-se em forma de colinas irregulares, e na opinião de Hartt são terrenos terciários. A vinte ou trinta milha da costa está a serra de Itabaiana, composta de gneiss e mica ardósia. O Vaza-Barris, que nasce na serra da Itiúba, banha os municípios de São Paulo, Itaporanga, e São Cristóvão e desemboca no Oceano. Encontra-se mármore em algumas porções de seu leito. Sua bacia é uma das mais importantes zonas agrícolas. Existem nela muitos engenhos, que fabricam importante açúcar. O Cotinguiba, que nasce nas matas do Engenho cafaz, banha o município de Laranjeiras e depois de desembocar no rio Sergipe, banha a capital. É navegável em alguma extensão. Suas margens são cobertas de mangues. Sua barra, como a do Vaza – Barris, é má, pelos bancos de areia que existem. Do lado oposto da barra, diz Hartt, estão extensas dunas de quatro ou cinco pés de altura, flanqueando um trato de areia recentemente elevado, estendendo-se na extensão de algumas milhas, coberto de coqueiros até a cidade de Aracaju, edificada sobre uma planície de terreno de aluvião. Esta área de terreno pouco elevado acima do mar, termina-se para o inteiro em um outeiro, onde esta edificado o povoado de Santo Antônio, de terreno terciário, cobrindo massas irregulares de pedras de areia de cor vermelha escura semelhantes às de Estância. Hartt não encontrou conchas nesta formação. Chamou sua atenção, na viagem que fez a Sergipe, a formação geológica de um lugar, colocado acima do Aracaju, na confluência dos rios Cotinguiba e Sergipe, chamado Sapucaí, o onde existe uma pedreira está situado em uma eminência composta de bancos e frouxas pedras de cal. Na superfície de alguns leitos desta formação calcária, o sábio geologista encontrou um grande número de válvulas de um lindo inoceramus, juntamente com um pequeno Ammonita e algumas escamas de teliostianos. Entre Maroim e Sapucaí o terreno é baixo e rico em calcário. Harrt, nas pedras que forma o calçamento de Maroim, encontrou lindo fósseis de grandes ammonitas e Ceralites e viu, em mãos de Mr. Nicolay, o desenho de uma Cidaris, trazida de Maroim. Na opinião de Harrt, são fósseis cretáceos que lembram as formas jurássicas, opinião confirmada pela do professor Alphens Heyatt, que considera a natica de Maroim idêntica à Natica proelonga de Seymeria, pertencendo à camada neocomiana inferior. Diz este ultimo autor: ―La présence d ‗espéces aussi bien caractériesées que la Natica proelonga, l‘Ammonites Peruvianus au Brésil er au Texas, et peut-être d‘autres espéces du coté oriental er occidental de la chaime des Andes et des montagnes Rocheuses, indique une connexion entre les deux versants, soit à travers l‘isthome er à l‘ouser du Bresil, quand um océan crétacé baignait encore tout la portion nord d l‘Amérique du sund. Ces faits, quand on les considére em connexion avec la decouvert d‘um fossile du genre Ananchytes sur l‘isthme, comme il été rappelé par M. Alexandre Agassiz, ont unid porteé directe au sujet d,une importante question.

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du coté de l‘isthume répondant au Pacifique. Hartt pour Maroim. dópôt dans lequel j‘ai trouvé des fossiles à Engenho. D fait. comme si cet autre poit était alors le rivage opposé à celui de Bahia. A Bahia. La ligne à partir de laquelle devait se faire cerre inclinaison du sud au nord devait être alors une ligne plus ou moins oblique.-N. comme nous venons de le voir. je n‘ai pas remarqué de formation d‘eau pouce supérieure à la formacion marine et je n‘ai pas connaissance d‘indications de cette formation dans les provinces du nord. c‘est à-dire le N. Cette identité des directions semble en outre indiquer une dislocation vers la même époque er em vertu des mêmes phénomènes. probablement marine. um libre passage aux animaux marines. de Espirito-Santo et Rio. et la grand terrasse centrale. comme le savet for bien aujourd‘hui tous les naturaliestes.-E Cette direction. et les eaus de la mer la couvraiente presque entièrement. d‘aprés laquelle. le golfe du Mexique et l‘océan Pacifique auraient été réllement des mers continues ». lesquelles auraient emigré à travers quelque anciem canal postérieurement fermé par le soulèvement par la bande de terre formant l‘isthme de Darien. er c‘est à trés-peu reés sous le même paralléle .de – Janeiro. laquelle devait étre hous des eaux aux époques jurassiques er crétacées qui se montre le dépôrt d‘eau douce également superieur à une puissante formations secondaire . et il a été biem demontré que les animax de la surface. de l‘autre côté de la gande des gneiss. le premier pas vers la solution de ce problème était de prouver l‘esistence d‘um canal ayant fourni. Hartt et Alport ont établi l‘esistence de depôts d‘eau douce sur les couches marines.‖Les expéditions du Coast Surrey. A Pernambuco. onte établi le fait d‘une ramaquable similitude entre la foune presente des mers profondes et les espéces des genres crétacés . Alexandre Agassiz. Alors s‘est elevée la question de savoir se. laquelle domine aujourd‘hui la formation de gneiss que la borde. les formes alleées ou identiques sont les descendants des espéces du golfe. les formes alliées. oui ou non. em comparant toutes les données rapportées précédemment. à quelque periode antérieure. la formations secondaire marine semble elle-même manquer. joignant le plateau de Barbacena au grand plateau Bolivien . on ne peut douter de l‘identité de la formation marine secondaire à Bahia. oui ou non. Elle se serait plutôt abaissée au sud e velevée au nord depuis cerre époque. 41 . au sud. du coté de l‘isthme repondante ou pacifique. sans doute par suite de la formations de lacs d‘eau douce prés de la côté . Alors s‘est elevée la qustion de savoir se. er ne laisser voir nulle part de formation marine. dans les provinces. A propósito disto diz Liais: ―incontestabement. Quelques indications que l‘on posséde sur Alagoas se trouvent en conformité pour ètablir la presque continité de cerre formation. est celle que M. car on ne l‘a encore signalée. La grande arête de gneiss bourdant la côte nord du Brésil parâit donc avoir été inclinée du sund vers le nord plus foremente à cerre époque qu‘aujourd‘hui. de maniére à faire dispareitre au sud sous la mer la formation d‘eau douce côtiére qui aurait pu s‘y former. les recherches de MM. notée par moi em 1859 pour les depôts de Pernambuco. étaient plus ou moins representés par des espéces identiques ou alliéesl. non recouvert par la mer crétacée er formant encore aujourd‘hui a premiére terrasse du continent. était alors beaucoup plus basse que cette derniére. Pissias d donnée pous Bahia er M. c‘est-à-dire du littoral. pendant la période cretacée. Sergipe et Pernambuco. mais l‘intérieu du continent était moins elevé qu‘aujourd‘hui. et parait confirmer la conclusion de M. Ceci donne um grand intérêt aux faits tels que le précédent. Les couches de cette même formation se trouvent relevées souvent suivant la direction génerale de la côte.

tandis que d‘autres espèces les differencieront plus ou moins completement. au moins dés la période colithique. nas quais encontrou o sábio geologista um grande número de fósseis. na Bahia Railroard. principalmente a que chamam de Pedra Furada. em uma grande extensão.«Ce puissant dépôt secondaire. achando-se misturada com pedras cobertas de argila e óxido de 42 . O solo é rico e a cidade é um centro comercial de açúcar. les deux époques ne sont pas nettemente séparèes comme em Europe. Sua barra é arenosa e por conseguinte má. ne peuvent être contemporaines. e junto a Aracaré. on reconnaitra des différences entre les couches inférieures et superieures de la série. « probablement. par l‘union d‘espèces jurassiques et cretcès dans les divers dépôts du Brésil. une puissante formation de grès contitue. comme nous l‘vons vu. de cor amarela ou pardacenta. lesquelles. dos quais o mais abundante é um pequeno bivalvo. de pedras micáceas. sendo montanhosa a zona que circunvizinha a cidade. On conçoit ainsi parfaitement la difficulté er le doute des classements. a dú fe former pendant au moins une grande partie de l‘époque creatacée. mais el ne doit pas être pris dans l‘acceptions restreinte d‘époque intermediaire aus dex autores. de nouvelles decouvertes paleíontologiques aurount fourni des bases plus sures. cuja abóboda apresenta uma perfuração em forma de sino. er par là s‘explique comment les espéces du commencement de la periode ont pu continuer d‘exister et se mêles aux espèces posterieures. Banhada pelo Cotinguiba e situada entre outeiros. A costa entre os rios Cotinguiba e São Francisco é de pouco interesse. sur la partie nord de la côte orientale du Bresil. formação que se assemelha à da Pitanga. Nestas paragens. a margem do rio apresenta grandes massas de uma grande variedade de rochas. O lado do sul do rio é pantanoso e coberto. Idêntica formação apresenta o local da Cidade de Laranjeiras. Cerre circonstance achèce d‘établir l‘identité entre l‘âge des depôts de la côte et ceux de l‘interieur. évidemment. de sorte que suivant la très-judicieuse remarque de Darwin. et cette circonstance justifie pleinement le nom de formatios crétaceío oolitique donné par Darwin à ses vastes dépôts. de Bahia à Pernambuco. Peu de perturbations auront em lieu dans ces immenses regions peudant cette longue durée. audessus du terrain secondaire. de grande importância. et la même espèce devra parfois se trouver souvent dans l‘ensemble de toutes les couches. de mangues. muito fértil e a sede de uma das mais importantes lavouras açucareiras. confirmée. quand. chamou a atenção de Hartt que encontrou formação estratificada. Em seu derredor existem algumas grutas calcárias. « Mais tour parait déjá indiquer l‘absence de différences trés tranchés entre les espèces contemporaines de divers points. « Sans nul doute. Uma eminência penhascosa. Destas rochas chamou a atenção de Hartt uma argilosa e porosa. dans ces regions. composta de pedras de areia de cor vermelha. São de tamanho regular as estalactites e estalagmites existentes na gruta. ce non convient à l‘ensemble du depôt em question. et a peut être commencé dés l ‗époque jurassique. » É opinião de Hartt que a zona calcária de Maroim está evidentemente sobre cretáceos e ocupa um plano muito mais baixo na série do que a zona calcária de Sapucaí. Do lado do norte não temos que falar. Ajoutons que.des couches horizontales creusèsses par la dénudation exactement comme sur le plateau central d l‘Empire. tout parait l‘indique d‘ailleursl. abaixo de Villa-nova.

....696:629$026 1860-61 8... cura raiz serve para o alimento do gado. 1858-59 25.774:521$447 1857-58 19... que tem sido a origem da riqueza pública e particular.. conchas .. E essa incúria revela-se perfeitamente no fato de que.ferro. de rochas semelhantes às de Vila-Nova.. apresentando-se como um calcário conglomerado. Ai abunda principalmente a lavoura do algodão i dos cereais.. 4.. mais ou menos arenosas e que contêm grãos e seixos de uma rocha metamórfica... entre as quais citamos a macambira. cujas rochas compõese de uma série de pedra de cal.. sem braços culturados para o trabalho livre e sem utilizarse dos aperfeiçoamentos modernos.985 1.... seixos de ágata e fósseis de fragmentos de conchas.. que levassem ao espírito dos agricultores a convicção de mudarem o processo do trabalho agrícola. sendo a camada profunda de pedras calcárias ... Entre elas Hartt descreve o Morro do Chaves ou Morro do Euzébio...612:935$065 1859-60 9. Nestas pedra Hartt encontrou ossos de teleosteanos e o desenho do dente de um notidamus.988. Sua indústria principal é a lavoura. Encontrou também fragmentos de uma rocha d estrutura oolítica.820. Por meio de estabelecimento de engenhos centrais ou usinas. somente construiu-se um engenho central. já descritas.. Hartt acredita que as camadas de fósseis são camadas cretáceas e são o plano superior da formação geológica de Villa Nova e Penedo.... São as pedras que vulgarmente chamam pedra de fogo. o governo imperial nunca quis ativar a prosperidade da lavoura açucareira.... na qual encontram-se quartzo.. nem produtivos.... uma alta cifra. pouco mais de duzentos substituíram a força animal pela máquina. É uma formação terciária. cristalino em alguns lugares. Além deste exclusivismo agrícola.. Ela tem por sede os importantes terrenos de massapé. atingindo a produção de açúcar me Sergipe. pedra de areia..158:147$741 1856-57 ....288. 3. E no seguinte quadro o leitor verá a produção de açúcar...... O terreno sobre o qual está edificada a Cida de Propriá é de uma formação de gneiss e mica ardósia..... não obstante os meios rotineiros... existem diversas espécies de cereus.. A cima da serra da Tbanga os terrenos tornam-se cada vez mais estéreis e penhascosos.. Além da falta de espírito de iniciativa de seus habitantes. Eis o resumo da geologia de Sergipe...... a indústria sacarina obedece ainda aos princípios da antiga rotina. de que o mais importante é o xique-xique.910 .914.. Estes terrenos não são férteis... nos vales dos rios principais.. De quase mil engenhos existentes no Estado. por meio dos quais é ele fabricado: EXERCÍCIOS QUILOGRAMAS VALOR OFICIAL 1855-56 ..845 1.... junto à cidade de Riachuelo..... e a vegetação mais esparsas de pequenas plantas bromeliáceas. de leitos xistosos.. Além das bromeliáceas..281:996$688 43 . Acima de Propriá estão situados outeiros de geneiss.. e ocasiões de secas...615 3... o qual é atualmente o único no país que deixa lucro à empresa que o dirige. dominando a lavoura da cana –de – açúcar. Na zona compreendida entre Vila-nova e Propriá vêem-se algumas colinas irregulares e isoladas..

..100 11......175....354 11....677:775$667 3.986.. 3...087....224:512$682 2..964. A indústria de fiação é.313:003$943 .221.... pode-se dizer que a lavoura de Sergipe restringia-se a açúcar de cana. A produção do algodão já reclama o estabelecimento de outras fábricas de tecido a fim de que o preço do algodão não seja monopolizado. 4.572 477:623$406 1865-66 ..514:371$131 1867-68 5..603 23..876... Antes da guerra dos Estados Unidos.701 ......538...533 17. pela falta de concorrência e pela impossibilidade do lavrador para exportá-lo.641:054$517 ....222...166. Esta lavoura localizou-se principalmente nas matas de Itabaiana e hoje acha-se bastante desenvolvida.... para a empresa que quiser explorá-la. em vista de uma fábrica de fiação já existente....789.147:891$691 6..325 39:178$054 1856-57 12..582 259:571$391 1864-65 374.673:671$697 3..825 3........1861-62 1862-63 1863-64 1864-65 1865-66 1866-67 1867-68 1868-69 1869-70 1870-71 1871-72 1872-73 1873-74 1874-75 1875-76 1876-77 1877-78 1878-79 1879-80 25..562.......128 29.092:879$293 3.. 1861-62 38..734 3...532:100$800 3..760 23.......407:797$005 1871-72 5.695.........553 19..970 1:315$350 1858-59 3..033:719$067 1872-73 3. pois... .730 26.021 2.987 1.848 20..729 26..... 39..700.. De 1864 ativou-se a produção do algodão que constitui hoje o segundo produto da exportação.... ....365 71:698$899 1863-64 194....... uma indústria de grandes lucros..134:731$190 2.....323.....855 5:889$025 1857-58 2...259:341$929 1870-71 5....773:267$659 5..041 23.318:034$438 2...........885 2..623........ Eis o produto do algodão: EXERCÍCIOS QUILOGRAMAS VALOR OFICIAL 1855-56 66.........035..068:186$118 1868-69 3...865:771$347 4..016......650:967$335 1869-70 2....805 17:682$320 1862-63 75..217:377$974 44 .943:201$826 3.365.210 1:460$550 1859-60 120 54$600 1860-61 ...310..420 2....661:236$434 3..565 30.365...... É crescente a produção do açúcar...598.430:644$312 2..792 ...380 18.413 2.... 1866-67 3271...653:254$587 3.175.. Seu consumo é muito maior.265 26..263:263$824 2.017 15.794.

......111:800$000 3...313:603$943 Algodão 3.........556 unid... que faz parte da pequena lavoura no interior: do cacau.365.. no litoral..... 2. Pelo seguinte quadro o leitor convencer-se-á das lavouras e indústrias que podem ser exploradas com muita vantagem...030 centos 824$000 Cocos 2.877 L 2:470$562 Baunilha 22 Kg 62$401 Lã de barriguda 44 Kg 18$000 Pedra de afiar 6. do trigo e do arroz em São Francisco. E não apresentamos a estatística..425 Kg 2:268$118 Ticum em rama 8... no litoral.916 L. 34$500 Óleo de coco 10.701 Kg 3..051 507...832:110$000 5.. 3:813$253 Milho 18.. É uma estatística de 1872-73...547 L...1873-74 1874-75 1875-76 1876-77 1877-78 1878-79 . 34:634$990 Couros secos 8.276 Kg 4:662$559 Solas 8...... que se faz nas Matas de Simão Dias e que é igual ao café de São Paulo.217:377$974 Aguardente 854. há outras que se acham em início.799.751 L. de importante futuro e outras.. 417$000 Madeiras 1..943:910$000 9.....763 unid..... 35:572$000 Peles curtidas 870 unid.......131.. Estrangeira Cabotagem Importação ...198 Kg 2:617$072 Fumo 665 Kg 275$464 Cestos de palha 69 unid.....775 1...... do sal.. que consideramos uma lavoura de grande futuro. Elas são: a do café. Hoje a produção está muito maior.705 1...... PRODUTO QUANTIDADES VALOR Açúcar 29....959 . do fumo...744:549$186 201:896$512 Alem da lavoura da cana e do algodão. 26:868$588 Couros salgados 6...439 806..730:910$063 45 ..520 ― 9:174$000 Mel 133 L 10$108 Caroços de algodão 369..292... 112:912$794 Sal 1.323... e que deviam desenvolver-se com grandes vantagens para a riqueza pública e particular......274.987 Kg 2...257 unid. 3:385$000 Arroz em casca 792 L 355$382 Fumo em corda 414 Kg Total . pela quase impossibilidade de obter os materiais.....268 Kg 14:476$062 Ticum em fio 1. nas várzeas do Japaratuba... 809:862$926 460:337$718 605:110$267 2.730:908$063 3.212 Kg 2:988$673 Mamona 23...do coco......

Isto demonstra que seu solo é admiravelmente fértil e cultivável. Daí duplos proventos. estabelecidas no Estado. porque seus diretores emprestam o capital aos lavradores. a instituição de estabelecimentos bancários e a imigração estrangeira são medidas inadiáveis. melhoramentos que já se acham em via de desenvolvimento. por meio de uma navegação direta. pode ver o movimento comercial do Estado: 46 . Ao mesmo tempo que são eles os fornecedores do capital. pelo juro excessivo de 2% ao mês. el ne peut que les céder à des maisons joissant. sem comunicar-se diretamente com praças estrangeiras. por falta de comunicações externas. suas excelentes condições naturais. Além destas condições. A importação faz-se pela navegação de cabotagem. não obstante suas forças produtivas. As mercadorias ficam sobrecarregadas de impostos e as que saem do Estado não deixam os lucros que deviam deixar. têm sido uma das mais importantes causas da sua decadência agrícola. e não pela livre concorrência no mercado. d‘une véritable monopole ». não obstante suas condições hidrográficas. Pensamos como Alfredo Mare. gràce à ces circonstances. diz ele. car il est soumis aux fluctuations des escales des grandes des grands paquebots. A navegação de cabotagem é. por falta de viação férrea e de navegação fluvial. pondo o comércio do Estado em relação com as praças da Bahia. que se ligam à falta de comunicação exteriores. compreende-se que o preço é por eles determinado. soit à Bahia. que tanto têm contribuído para a decadência da lavoura açucareira. basta desenvolver os meios de transporte. ―Actuellemente. E aqui seja dito de passagem : as casas importadoras de açúcar. Suas comunicações internas estão em idênticas circunstâncias. entrega o produto de seu trabalho. le cabotage lui même este forte lente. Representando elas a função de bancos. Seu comércio é dependente do da Bahia. Assim. Impõem o preço e o lavrador. a bem da prosperidade do Estado e do interesse daqueles que animarem essa exploração. Não há liberdade de comércio. Il n‘ya pas de Bourse de commerce . como sejam principalmente a falta de capitais e a falta de braços educados para o trabalho livre. que para desenvolver a indústria agrícola neste estado.Isto tudo demonstra a elasticidade de suas forças produtivas que devem ser exploradas. Do ano passado para cá ele iniciou relações com a praça do Rio de Janeiro. que devem desaparecer com a abertura da barra do Cotinguiba e da estrada de ferro de Aracaju a Simão Dias. que é preciso corrigir. soit à Maceió et Pernambuco. na posição passiva de devedor. Entretanto. Maceió e Pernambuco. Eis as condições do comércio de açúcar em Sergipe. le producteur ne connait pas les oscillations du prix de ses denrés sur les marchés où ils sont exportés . outros males existem. a única que existe. estabelecida pelo autor destas linhas. pela falta de um comércio emancipado e que se comunique com grandes centros comerciais. pois. Sergipe permanece em atraso. são os compradores das mercadorias. O leitor pelos seguintes quadros.

882:400$000 12.571:700$000 7. como os caititus. dos répteis. A fauna é tão rica e variada como a flora.Longo curso Cabotagem Totais EXERCÍCIO DE 1883-84 Importação Exportação 406:681$000 4.994:351$000 7. Das três zonas em que.370:012$000 Longo curso Cabotagem Totais Total 2. dos ruminantes. o mangle vermelho e outros. massaranduba. da litoral e da do interior. potumuju. dos peixes. (Shinus). Parnaíba. cutias. vemos: cedro (cedrella brasiliensis). vemos.220:700$000 9. dos desdentados. Moreira. arari.119:240$000 13. dos insetos.468:029$000 A flora é riquíssima e variada.384:789$000 11. De entre as madeiras que servem não só para construção civil e naval.858:973$000 3.281:443$000 6.563:138$000 3. baraúna.060:505$000 5.714:984$000 EXERCÍCIO DE 1884-85 Importação Exportação 157:938$000 3. de diversas espécies: algumas espécies dos carniceiros. se divide a flora brasileira. sob o ponto de vista botânico-geográfico.187:284$000 6.476:365$000 Longo curso Cabotagem Totais Total 3. sucupira (Bowdichia major). Na classe dos mamíferos. como as pacas. angico.527:700$000 6. Para a tintura vemos o cauabo. pau ferro (caesalpinea férrea). apresentam-se membros da zona equatorial. pau d‘arco. 47 . (acácia angico). a peroba (Aspidos perna peroba) a Arapiraca. jacarandá (jacarandá ovalifolia) e outras. na ordem dos quadrúmanos: os guaribas.439:143$000 Longo curso Cabotagem Totais Total 1.593:955$000 7. como os veados.762:301$000 5.490:808$000 4.355:700$000 1. ainda que raras. dos paquidermes.017:204$000 2.213:411$000 5. algumas famílias dos roedores.618:312$000 5. A mesma variedade e riqueza vemos na classe dos pássaros.886:005$000 EXERCÍCIO DE 1885-86 Importação Exportação 127:504$000 1. capivaras. tamanduás.254:618$000 Total 4.889:700$000 862:000$000 5. aroeira.352:808$000 EXERCÍCIO DE 1886-87 Importação Exportação 354:438$000 1. como as preguiças. que acredito ser a única espécie desta ordem existente em Sergipe. cujas espécies não descrevemos para não alongar este capítulo.260:267$000 8. como para marcenaria.395:200$000 825:500$000 5.

É para estranhar-se que a colonização de um continente. relativamente ao Brasil. O governo português cedeu à lógica de Diogo de Gouvêa. entretanto. cedendo assim a coroa grande parte de suas prerrogativas. que além de tudo. o absoluto poder dos donatários. Cron. que devia pôr em pratica. para aplicar-lhes o mesmo processo de colonização. para demover Portugal da inatividade em que se conservava ate então. teve o governo às provas da improficuidade do processo colonial posto em pratica. Não soube compreender as diferenças étnicas e mesológicas entre as duas possessões. cujo foral foi passado a 26 de agosto do mesmo ano17. do Brasil. doação que se estendia. I. fosse tão tardia. com ampla jurisdição no cível e no crime. foi a força produtora de muita atividade que se desdobrou neste país. Realizaram-se os intentos de Cristóvão Jacques. cuja influencia no espírito de Gouvêa foi poderosa. sacra um regime de autoritarismo absoluto. a 5 de abril de 1534.HISTÓRIA DE SERIGIPE LIVRO I ÉPOCA DE FORMAÇÃO (1575-1696) CAPÍTULO I DESCOBERTA E CONQUISTA DE SERGIPE O território de Sergipe era compreendido na doação que El-Rei D.capitanias hereditárias. representados nos condenados e exilados que Portugal enviava para Brasil. foram não só as circunstâncias ocasionais do insucesso das capitanias. não apressassem o trabalho colonial. em favor dos donatários das capitanias. que lhe patenteou os interesses ocultos de outras nações e então não teve mais tempo de pensar no processo colonial. o insólito despotismo no cativeiro do indígena. deixando que se passassem trinta e tantos anos. de cujas riquezas tinha a nação portuguesa as provas mais reais e evidentes. cujo processo foi idêntico ao que já tinha adotado na Madeira e nos Açores. Melo Moraes. A degenerescência moral que começou a grassar nas capitanias. pelo contato de elementos que deveriam ser eliminados na vida social. em distância de cinqüenta léguas . porém. se tentativas por parte de outras nações européias para compartirem seus domínios na América. Portugal deixou-se preocupar em excesso pelo comércio das índias. para iniciar a colonização do Brasil. João III fez da capitania da Bahia a Francisco Pereira Coutinho. Muito cedo. 297 48 . p. da barra do rio São Francisco a ponta da Bahia de Todos os Santos. a fim de sanar e salvaguardar interesses e direitos que outras potências lhe queriam roubar. cuja rejeição por parte do soberano seria inevitável. como o melhor estimulo de trabalho e que. do qual nunca se originaria uma civilização. que se utilizavam de suas atribuições com arbítrio e excesso. cuja colonização 17 Dr.

Ponto intermédio entre as duas capitanias. removeram a conquista e descoberta de Sergipe para períodos muito ulteriores ao estabelecimento do governo colonial na Bahia. pela insuficiência de recursos. e por haver Sergipe do Conde. inspiradolhe a carta régia de 7 de janeiro de 1549. quando se efetuou a conquista da nova capitania.não vingou. p. Entre as capitanias cujos donatários foram o objeto do insucesso. como a causa que convenceu a metrópoles do erro cometido. 2º. a oposição franca do indígena ao domínio de um elemento estrangeiro. assim. I. com jurisdição sobre todas as capitanias do Brasil e cuja função em mais heterogênea.Accioli de C. Hist. As riquezas naturais que a colonização ia descobrindo e que tomavam fácil a vida. não estimulando o espírito dos colonizadores a empreendimentos arriscados. Bahia. por isso que o grande princípio de divisão de trabalho foi mais observado do que no processo anterior.20 Como quase meio século de vida colonial achava-se o país. e Polv. desde quando as viagens marítimas entre Bahia e Pernambuco eram mais difíceis e perigosas do que entre aquela capitania e Portugal. da qual fazia parte o território de Sergipe. 297 Rocha Pitta. 18 19 T. a antecipação da conquista e descoberta de Sergipe. pela qual criava a coroa um governo central na Bahia. 49 . promovido pelo conjunto das circunstâncias que impossibilitou a marcha da colonização. havia de facilitar as comunicações entre elas. 19 Talvez por isso e pelo fato de que a conquista de Sergipe fosse efetuada por ordem régia e á custa da coroa. Permaneceu ele nesse descuido. os dois pontos mais populosos do tempo. 20 Visconde de Porto Seguro. Tornou-se o ponto de pausada dos selvagens que fugiam da colonização. as cinqüenta léguas doadas. Geral do Brasil. Mermor Hist. como veremos adiante. Durante esse tempo faltou a continuidade territorial. História da Capitania da Bahia. e Silva. atemorizados dos brancos e de onde fizeram tantos males á Bahia. Compreende-se perfeitamente que era de alto valor á prosperidade colonial da Bahia e Pernambuco. além de causas de ordem geral. aliados com os franceses. figura a de Francisco Pereira Coutinho. A morte de Coutinho fez suceder no direito de posse da capitania seu filho Manuel Pereira Coutinho que. chama-se — Sergipe d‘El-Rei. teve de cedê-la ao governo por um contrato18 passando. á posse da coroa. para desdobrarem-se com mais vigor as forças coloniais. 2. ate que no começo de 1575 teve de atender ao pedido de paz dos íncolas do rio Real que viviam em lutas com os portugueses. cuja propagação se fez debaixo de luta tenaz e encarniçada.

A. V. História do Brasil. Ignácio fogem seus habitantes. Southey. persegui-os. 441.incumbindo o governador ao Padre Gaspar Lourenço que em companhia de João Salonio. P.. a que Deus com a morte se sérvio libertar. Veja o livro de Sesmarias. 22 R. dado a está aldeia o nome de S. como em um cárcere. seu companheiro João Salonio e mais vinte neófitos da aldeia de S. para mercadejar com as naturais riquezas com quinquilharias. requerendo-lhe Surubi25. Tomé. 260 da obra de R. Tomé. O governador Luis de Brito veio com tropa para bater os índios de Aperipé e ao aproximar-se da aldeia de S. Op. em direção do rio Real. Cit. pois antecipava um acontecimento de alto valor á colonização das duas capitanias do norte. onde celebram missa. p. Leal. 23 Acredito que este lugar é onde está situada a Vila de Santa Luzia. A hábil administração de Mem de Sá ressente-se da falta de não ter levado a luta aos franceses até Sergipe. sob o comando de um capitão. o que se vê pela carta de sesmaria de Sebastião da Silva. Liv. Francisco Rodrigues e Gaspar de Fontes. Isto asseveramos pela carta da sesmaria de Gaspar de Almeida. Depois de alguns esforços. p. p. chefe entre lês respeitado e célebre pelas muitas mortes feitas em portugueses. XVII n. e o governador arrebanha todos quantos achou e arrasta para a Bahia. rechaçados de outros portos. à honra da edificação de uma igreja em sua aldeia. pedir paz. que distava seis léguas do lugar onde ficaram acompanhados os saldados. Destes extratos transcrevemos o seguinte: 1576 Arruinaram-se completamente os trabalhos do rio Real. á paz e não á guerra.23 Uma tal vizinhança desperto no espírito do indígena sério receios e não viram na vinda dos padres senão um disfarce para cativá-los e entregá-los indefesos aos seus senhores. Sergipe tornara-se um ponto de pausada dos piratas franceses22 que.21 Já por este tempo e talvez antes. IV. junto ao rio. ai se refugiavam. entregou-se á conquista da nova capitania. alcançam os jesuítas acalmar os ânimos e desvanecer os receios dos indígenas e encetem seus trabalho de catequese em uma igreja de pindoba que edificam. 24 Não sei positivamente localizar esta aldeia. Francisco Sacieta Jesu. Os 21 Dr. a fim de estabelecerem povoação em lugar próprio. dentro do anno do captiveiro”. 150 do liv. Captiva a todos e os encurrala na igreja de S. 261. 50 . “Os soldados assolam tudo quanto encontram. Sem essa medida tiveram os franceses tempo de sobra para melhor prepararem-se em Sergipe. A 5 de fevereiro de 1575 chegam ao rio e dirigem-se os padres para uma aldeia de mil almas. Antônio. e até do rio S. Partem o Padre Gaspar Lourenço.24 A notícia da chegada dos padres propala-se por entre as aldeias e Sergipe e a eles vêm os chefe de mais de trinta aldeias. Jesuítas no Brasil. livro de sesmarias. Francisco. Eles considera a fuga como quebra de paz. junto ou talvez no lugar em que se acha edificada a Vila do Itaporanga. veio realizar suas missões pela zona banhada por aquele rio de Sergipe. Ao Evangelho e não ás armas. II. H. acompanhado por uma companhia de vinte soldados. I. 25 A aldeia de Sarabi ficava nas margens do rio Vaza-Barris. Saraby morre e os mais entrega-se. entretanto acredito que ela ficasse nas imediações do rio Real.

P. na parte relativa às missões do Padre Gaspar Lourenço em Sergipe. 51 . quase todos queriam ir com ele. A coroa que nunca pensou nessa conquista. aliando-se á raça conquistadora. A devassidão da soldadesca levantou o tumulto nas aldeias que ficaram desertas. ―Agora vou cantar a V. quando. nem nos interesses que advinham à prosperidade colonial. Deixo de contar o sentimento que houve em aldeia de S. a permanência dos soldados no litoral sempre foi um motivo de susto para os naturais. todos em grande desejo de levar padres que os ensinassem as cousas de sua salvação e como era gente que antes estava de guerra. aguardou-se alguns mezes para ver se vinham bem movidos e constando claramente que Deus os trazia pareceu serviço de Deus aceitar esta empresa e assim no mês de fevereiro de 75 partiu o padre Gaspar Lourenço (que é grande língua entre eles muito afamado) com o irmão João Salonio. outro célebre chefe das aldeias de Sergipe. viriam desassombrados colaborar na grande obra da civilização. com o auxílio do índio e dão-lhe o nome de aldeia de Santo Inácio. o que até aqui há succedido na missão de Gaspar Lourenço‖. Acredito ser a primeira publicação deste preciosismo documento. porque tiraria da raça conquistada o temor e o receio que sempre nutria a respeito dos conquistadores. porque todos os desta aldeia se puzeram em um pranto. Pelo caminho a ocupação dele padre foi ensinar a doutrina aos Índios e brancos que iam em sua companhia. que tiveram de fugir para a aldeia de Apéripé. Cativou a simpatia dos índios e ter-se-ia antecipando a colonização de Sergipe. quando ela moralmente já estava efetuada. cinqüenta e sessentas léguas desta cidade. talvez não ficasse inutilizado o trabalho do jesuíta. roubando-lhe as amantes. sem ter commercio com os brancos. o Padre Gaspar Lourenço percorreu uma grande extensão de seu território. Viram do Rio Real. com alguns homens brancos.padres fazem-na erigir. Capistrano de Abreu. Antonio. ordem ao governador Luis de Brito a conquista. se despediu dela o padre. agora. se não fora execução de uma ordem régia para conquistar-se Sergipe. Nesta primeira missão que fez em Sergipe. Devemo-la à bondade do ilustrado Dr. a ensinar-lhes as cousas de sua salvação. muitos índios principais das aldeias comareans que estão naquelas partes: quarentena. como diziam. Ficaram frustrados os esforços do jesuíta Gaspar Lourenço. Entretanto. Enviou também o governador Luiz de Brito um capitão. Além disto. filhas e irmã. quanto a missão de Gaspar Lourenço tinha demonstrado as tendências daquela tribo a cristianizar-se. se causas posteriores não vivessem anular seus esforços. este processo de conquista ocasionaria benefícios resultados. mas não foram mais de vinte. que veio transtornar os planos pacíficos do padre. em vista das agressões que lhe começaram a fazer. 26 26 Transcrevemos aqui a íntegra da carta do Padre Inácio de Toloza ao padre geral. de suas almas. As mais esperançosas probabilidades estavam realizadas para uma conquista pacifica que traria para o seio da civilização os habitantes dessa circunscrição. e grandes e pequenos subiram com eles boa parte do caminho e se não se puzera numero na gente que havia de levar. fugindo os seus habitantes para a de um de seus chefes. com desejo de haver la alguma provocação. sentindo muito apartar-se deles o padre.

passou a visitar uma aldeia de Índios. que estava seis léguas d‘alli. ouviram grandes vozes diante da casa. me baptize para ser filho de Deus e não ir ao inferno. e depois muito anciado tomou um dardo. e fizeram juntos dela casa em que morassem e pudessem ter concerto religioso e de ali a poucos dias levantaram uma cruz de alguns oitenta palmos. O principal daquela aldeia. trazendo cada um algum presente ao padre. Pesa-me do tempo passado. e cousas semelhantes. mas era tanta a gente que vinha a visitar o padre. dizendo: Bendito Sr. Sabendo os da aldeia que vinham. Sebastião que o padre havia deixado. dizendo todos juntos as ladainhas. Outro dia pela manhã começou o padre a dar a razão aos principais da aldeia. aconteceu que os seus por não quererem ser bons. faziam o mesmo.Pela manhã. assim ele. porque não era batizado a ele com grande tristeza disse chorando: pesome muito disto. Logo começou o padre a ensinar-lhe a doutrina pela manhã. por que para eles principalmente era enviados. onde com muita caridade repartiam com eles a pesca que tomavam e o padre provia também os necessitados. e deu com eles em terra e fez que se abrissem as fontes e se apagassem todos e que elle fez uma casa de folhas muito bem tapada ahi se defendeu da água. com grandes choros. Já à noite no fim de sua jornada. declarando lhe a historia do Gênesis. Este principal pregava pela aldeia que havia sido causa que se perdesse a gente que em tempo passado fugiu das aldeias. acudia também com alguns brancos que estavam de ali a algumas seis léguas. Ouvindo o padre isto e entendendo que tinham alguma noticia do dilúvio. E como todo aquele caminho é despovoado. lhe explicou a verdade. onde moravam e era uma moça da escala de S. para que vigiasse pelas casas e que estava ensinando a doutrina aos meninos das aldeias e depois os fazia persignar e santificar por si a cada um. mas todos foram com grande paz e alegria. conforme sua pobreza. Thomé os consolou Deus Nosso. recolhiam-se em algumas choças que os índios faziam. porque o havia morto em sua aldeia um filho foi logo ao padre. Folgaram todos muito ouvindo isto e deram desejos de aprender as coisas de Deus. antes de começar a jornada. que foram nove dias. 52 . repartindo-os por todas as casas. como costuma fazer. onde se disse missa. donde o padre os ensinava as causas de nossa santa fé e o irmão tomou cargo da escola dos moços. de sua vinda. o apostolo. Chama-se a Igreja de S. acrescentando que por isto estão desunidos e não tem nada porque tudo perdeu com a água. Um índio de nossas aldeias ia tangendo a campainha por toda a aldeia e assim acudiam muitos diante da casa. se levantou contra eles um principal e os fez guerra. O que isto disse. assim daquela aldeia como das outras. saiu e assim começaram as gerações. que quase todo o dia gastava em trabalhos a consolá-los e assim o dia seguinte se acabou a Igreja. porque fez burla dele. Thomé. como farinha. Um principal conta a ele uma historia que eles têm por certa para explicar sua origem. pedindo a Deus que os desse prospera viagem. dizendo que eles descendiam desde cham e por isto andavam todos apartados de Deus. dizendo que vinha manifestar-lhe a lei de Deus e ensinar-lhe o caminho de sua salvação e livrá-los da cegueira em que estavam e começou logo a fazer uma maneira de Igreja para dizer missa e ensinar-lhes a doutrina. que foram a principio cinqüenta e depois chegaram até cem e em breve tempo sabiam as orações e a um que principalmente residiu com os índios. e depois de todos mortos e a água passada. por ventura vai ao inferno? O padre respondeu que sim. batatas. que a cousa é muito longa de contar. Em meio do caminho pela nova a um principal. e que ficou toda a gente espantada com ver a veneração. É sempre foram assim e muitas vezes descalços pelas águas que haviam de passar. Dizendo que em tempo passado. muito formosa. que ia com ele. como todos os Índios que tinham em sua companhia. dizendo já meu filho é morto. Deus que vejo já em inteira gloria isto é o que desejava. à tarde e a noite. Chegaram todos com boa disposição ao Rio Real a 28 de fevereiro e deixando o padre o capitão aposentado em lugar apto. com muitas caridades. saíram todos com grande alegria a recebê-los. com que a haviam levantado. quando se viu sem Igreja levantou as mãos para o céu. os ensinaram à doutrina com grande consolo de todos. e isto fez todo o tempo que esteve ausente. mas corrupta. consolando-os com dizerlhes missa e confessando-os e um dia volvendo para esta aldeia de S. ate chegar como Noé fez sua maldição à cham. e foi hospedado de um principal. até o Rio Real. porque estando em roda dela. e por isto fazia esta festa ao padre e o abraçando apenas o levou para sua casa.

visitando o padre a aldeia a achou já a cabo e depois de bem instruída nas cousas de sua salvação a baptisou com muito conselho e d‘ahí a poucos dias foi gozar de seu criador. dizendo que haviam sido soltos. Thomé as quinhentas eram escravas. pedindo-lhe com muita instancia que fosse a residir em sua aldeia. mas as obras mostraram que não foi esta sua intenção. Respondeu o índio. mas enviavam recados a outras aldeias que de nenhuma maneira os recebessem. e de ali a pouco foi goza de seu criador. este em sabendo que o padre havia chegado àquela aldeia. ate estar a terra pacifica e elas bem instruídas nas coisas de nossa santa fé) que ficaram disto tão consoladas que todo trabalho que levaram todo caminho lhes parecia nada. dizendo que as Igrejas não eram para filho de príncipas. Este índio pelas aldeias por onde passava ia pregando que ia a busca do padre. agora será.. Alguns baptismos fizeram em pessoas. Outros também em sabendo que ia o padre. Despediu o padre a este índio dando-lhe esperança que o iria visitar. foi logo o padre e batisou-a com a salvação a costumada. que estavam em extrema necessidade (porque as demais deram ordem que não batizassem. que devem ser os que Deus escolheu para bem-aventurança. ate não trazer o padre com alguma gente de sua aldeia. que estão acolhidos. Estas foram às premissas do Rio e estas me parecem não ser os patronos daquela cristandade. porque em os tempos passados tinha morto alguns brancos e nunca havia podido aceitar sua amizade. veio correndo pra onde estava o padre. porque onde estava nem conhecia quem era. todos vinham pedir ao padre que os fosse visitar e fazer igrejas em aldeias e o principal de todos foi um índio chamado por estas partes Curubi. O segundo batismo foi de uma velha. já que não vás. O terceiro foi de outra índia muito enferma e estando o padre falando nas coisas de sua salvação. o marido tinha já preparado para o batismo e ela com grande desejo que tinha de batizar-se. com tanta eloqüência e fervor que deitou o índio espantado a não saber que responder. isto dizia por que de mil almas que havia naquela aldeia de S. Deixando tudo que tinha entre as mãos. Daqui tomaram ocasião à gente entre si que não havia entrado em a aldeia com boa intenção. olhando-o e dizia que não podia mais falar e assim se tornou para sua aldeia. que a vida de fundo está para morrer. dizendo que não queriam Igreja. desampararam suas aldeias e se foram a morar pela terra dentro e a uns o Padre enviou muitos recados dizendo-lhes que não temessem. pós lhe o nome de Maria. Outro principal enviou em busca do padre um índio. baptizou-a o padre e d‘ hai há poucos dias se foi a gozar de seu criador. logo o enviou a visitar por um irmão seu. que parece. pois envia o irmão de tua companhia. E assim se despediu sem fazer mais palavras. não a guardavam outra coisa senão a ida dos padres para ir a goar de um creador.Teve em estes dias muitas visitas dos principais do Rio de São Francisco e de outras partes. do qual todos se temiam. nem sabiam estimar e que alguns tocavam Deus o coração para recebê-lo de boa vontade. que ele haverá sido causa de todo seu mal. dá-me uma carta tua para que leve comigo. todavia alguns se separando do principal. vendo aquilo.. O primeiro batismo foi de uma vida que estava já para expirar e vendo-a um índio Tapuia que ia a companhia do padre que apenas sabia falar a língua. se viveram a meter com os nossos. sim com desejos de quebrar a cabeça do padre adiante de todos. que em tempos passados foram de seus senhores. sim para apoucados e baixos e que não era outra coisa senão homem que o Padre era. e havia alguns que estavam esperando. foi de todos muito bem recebido e diante de todos deitou o padre uma pratica por grande espaço. e dando conversa ao irmão para que o levasse em uma rede ao que ele não quis ir que não era bom estar com aquela ruim gente. terror do homem. se levantou da rede em que estava muito enferma. dizendo-lhe: vem padre. porque vinha para dar remédio a suas almas. e que tornou todos os gentios atônitos. sim que ficou tão confundido com a pratica do padre e tão atado de pés e mão. nem envias nada. 53 . Deu-lhe o padre razão que não se podia fazer. mas com isto mais se endureciam. varrendo a casa onde haviam de morar. o padre respondeu que então não podia ir. que toda vida havia andado entre brancos e nunca tinha sido baptizada. vendo já dar remédio a algumas almas que custaram sangue do filho de Deus. agora será. e assim foi forçado o Padre dar-lhe carta para contentá-lo. mas o Curubi não pode descansa. sem o que haviam de mostrar aos padres e aos brancos e não só não recebiam os padres.

por estarem enfermos e temer que morressem sem baptismo. mas o padre dissimulou o melhor que poude.mas em breve tempo se soube a. para isso viemos. e assim breve vereis como dão em nós e serão todos presos e captivos. mataremos nós outros primeiros e fez-se a um indo principal que morava com o padre. fazer-lhe alegria e depois os capitval-os e entregal-os aos brancos. que nos quereis matar si isto é assim. mataram. que se haviam de metter todos em a Igreja e dizer-lhes: não nos captiveis. Uns diziam: vamos a sua busca. sem sua licença e alguns índios do Rio Real pouco afeiçoado a Igreja. Estando as cousas desta maneira. um delles fugiu aquella noite . tomou as mulheres aos índios que os tinham e do cuidado dela a um índio de Santo Antonio e desta maneira ficou o demônio frustrado em que desejava. comeram e tomaram suas mulheres por mancebas. e alguns moços discutiram depois que tinham isto determinado entre si que se os brancos viessem sobre eles. Também desta vez ficou o demônio burlado. vendo o demônio tão bom princípios na conversão daquelles gentios e que já começavam tirar-lhes as almas da boca.logo nos vem recado desta cidade que os padres dão já em corda para come-los e toda cidade estava alvoroçada com isto . por um deles começou a pregar que os nossos tinham por costume ajuntar os índios. O primeiro foi logo a principio. usou de diversos meios. O Padre como viu os índios com aqueles medos e enganados com mentiras. O principal desta aldeia chamado pepita disse a sua mulher: si o padre fugiu tomemos nossas redes e vamos com elle. Quando o branco fugiu. e o mandou que o ajudasse a atirar. mas que não tinham propósito de fazer mal a ninguém que bem sabiam que eram mentiras e com isto se despediam do padre. mas o padre não supôz nada disto até estar no Rio Real. onde vendo as mulheres que pouco antes havia casado perguntou: que é de vossos maridos? Responderam chorando estas índias: mataram. Se os brancos não deram não derem guerras. porque diziam estar desapercebido . si alguns os vierem matar morremos também com eles. foram seis índios com suas mulheres da Aldeia de Santo Antonio adiante delle. escusavam-se. assim para os índios. Outro meio foi pelos próprios índios escravos daquela aldeia. ouviu os dizer. dizendo que nem aquilo havia de ser bastante para deixa-os. disse ele. e o Curubi entra neste elleito. dizendo que bem os haviam dito e que não se ficassem nos brancos e que havia já chegado um barco com artilharia para seu senhor. Outros diziam: durmamos junto dos padres. que estavam na companhia do padre. Isto urdia o demônio. porque os índios ficaram mais confirmados na paz. chamou os principais e disse-lhes: esta fama ai. não o deixemos ir. os índios estão em concerto de metal-os está noite. para que se travasse guerra e desta maneira se impedisse a christandade.Depois batizou o padre outros quatorze innocentes. quais todos promptos em armas. isto é o que desejamos. estando os índios bebendo. e disse-lhe. e elles então descobriam a verdade: que aqueles escravos lhes haviam dado aquelas más novas.porque não sabemos o que há de acontecer.verdade. Outro escravo que fugiu dos brancos. Deo logo conta disto ao padre a ao que os índios com as más novas estavam não com medo dos brancos. seja esta noite.com medo e foi dar rebate ao capitão que estava seis léguas dali dizendo que os indos estavam levantados e queriam matar os padres e como em estas novas comumente se acrescenta . Acrescentou-se a isto que uma índia. mas não era menor o medo que tinham os nossos especialmente de outros brancos. nas quase tanto annos senhoreavam. como para os brancos pelo medo que todos tinham da morte. Os que não tinham culpa. Mas aquela noite foi muito trabalhosa. porque já somos filhos de Deus e temos igreja. e entenderam que o que o Padre pregava era verdade e o que os escravos diziam era mentira. 54 . que é o tempo em que ella consultou suas guerras. foi-lhes dar as mesma novas. começou a levantar as tempestades acostumadas para impedir está obra. antes da manhã. Outros vieram à noite ver si os padres estavam em as redes e quando os vieram muito alegres. acrescentavam também que o padre tinha fugido. Antes que o padre partisse para o Rio Real. mas eu quiz. Estavam alli alguns principais e disse o padre: enfim que mataste seus filhos e os comestes e sabendo que eu vinha ensinar-lhes cousas da nossa salvação. algumas gentes suas devotas ajuntaram-se muito sentidas a consultar o que havia.

por ser por montanhas em terras muito fragosas. o que foi maior espanto. Em uma procissão. Deo-se a isto tanto crédito que não faltou quem dissesse que enviasse loco a chamar o Padre Gaspar Lourenso. accrescentava-se a isto a falta de mantimentos especialmente que a quaresma os obrigava a jejuara. fal-os resgates injustos. a comida não era mais que bananas e farinha molhada em água. pimenta. e isto pretendem quando vem entre elles remediar sua pobresa ao em que perdem suas almas e como os padres. Depois de haver o Padre convertido a aldeia de S. e os ajuntasse a todos que lhes desse razão de sua vinda.. que não cabiam nelles. Foi uma partida muito contra a vontade dos Índios desta aldeia. passou a visitar as aldeias comarcans onde há tanto tempo havia que o desejava. a que fez o padre: depois. e nasceu dos próprios brancos que o Padre levou em a sua companhia e aqui já o tinha feito muito boas obras porque como estas commummente diziam. vendo um gentio que iam os círios diante da cruz. que puzesse remédio a isto. e por fructa tinham alguns caranguejos que os índios trazia seis léguas d‘alli. dizendo que costumava sempre dar uma orelha aos padres. E assim logo ao outro dia começaram a cortar madeira para Ella. foi correndo a sua casa e achou uma candeia. E até que depois mandou os dessem alguma cousa para comer e foram quatro espigas de milho. aos saltos que fazem . que os escravos não voltassem aos seus senhores e assim veio a camara com todos seus officiaes a dar-me quechas delles. onde quer que estejam sempre os vão . isto diziam pelo temor tinham de Surubi. A primeira aldeia onde entrou foi a do Surubi que está a dez ou doze léguas de S.O posterior meio que tomou o demônio para impedir esta obra. Passaram por algumas partes que as hervas os cortavam as pernas. por mui ruim caminho: foram mui bem recebidos e apresentados em a casa de Surubi e os Padres estiveram um grande espaço em pé diante delle . como é tornar-lhes suas mulheres e filhas por mancebas. mas claramente mostrei-lhes que o haviam escripto era falso. porque havia cousas porcas que elle merecia ser cosido em uma caldeira. todos a uma boca diziam e pregavam pela aldeia: vae o Padre morrer. parece que aguardava que o padre começasse a prática. mas os gentios ver os escravos que . Ficaram contentes e todos a uma vez. e que ia pôr os Padres em perigo de vida. se não só seu companheiro. E deram a entender que dariam guerra aquella terra. e ascendeo-a e poz-se também junto da cruz. passaram em estes caminhos grandes trabalhos. em que mostrava sua simplicidade: outros índios estando na Igreja e vendo a imagem do crucifixo estiveram muito tempo de joelhos vendo-a e um índio desta aldeia os ensinava o que sabia e entendia.. como aconteceo agora. Eu entendo esta manha que o demônio não desejava outra cousa senão ver os padres fora. Acontecia-lhes ir mais de meia légua PR um Arroyo que dava a água. que estava deitado em sua rede sem falar-lhes uma só palavra.. e não podiam andar calçados por haver muitas águas e atoleiros. fazendo-os vender sés filhos e parentes e como também os estorvam os pecados que entre eles fazem. Dissimulei o melhor que pude. Thomé e a gente pacifica.. Thomé. se fizeram algumas procissões solenes. porque o Padre depois que foi visitar aquellas partes me escreveu estas palavras: todos certificam o contrario do que se escreveu do Padre Gaspar Lourenço e assim pela bondade de Nosso Senhor nada aproveitaram aos demônios as invenções que buscam para impedir a chistandade e em que nunca cessa de buscar ardis. que eu havia de enviar prestes o Padre Luiz da Grãa para ajudar aquella chistandade e assim me informaria da verdade e assim foi. começou pela manhã a pregar-lhes as cousas de sua salvação. enganando os índios.que escreveram os mesmos à camara desta cidade muitas cartas. enramando a Igreja e as casas. dizendo-me que os padres impediam as cousas do serviço de Deus. as vezes do joelho. esta foi a ocasião para dirigir e escrever ao Governador muitas cousas contra os padres. mas o Padre confiando na graça de Deus começou seu caminho sem querer levar ninguém da aldeia. e com grande sentimento. e os mais honrados eram os primeiros 55 . disseram que folgavam muito com sua vinda e que queriam igreja.. Mas com tudo isto como a obra é de Deus. preparemo-nos para vingar a morte. porque nós outros somos pobres.. por bom espaço pela conservação dos gentios. confiança tínhamos que nos defendesse. e como vinha a dar remédio as suas almas e acabou depois do meio dia. dizendo que os padres eram impedimento. e elles mesmos diziam : vóz outros sois causa. E no tempo em que o Padre residio nesta aldeia. foi não menos efficaz que os passados. e algumas vezes tinham disciplina todos os cristãos.

Dahi passou a outras aldeias. porque todos estavam cerrados com as arvores. respondeo-lhe: bem podeis dormir com o sono de pousado. Alguns índios que iam com os Padres estavam atemorizados. folgo muito de ver-te. Paulo. e ahi esteve o Padre alguns dias ensinando-lhes as cousas de sua salvação. porque o principal estava determinado em quebar-lhe a cabeça. Para confirmar-se mais o Surubi nas pazes enviou um irmão seu com alguns índios a ver o governador e nossas Igrejas. em outras não os faziam bom rosto. prepando-lhes o Padre a virtude do santo baptismo e as penas do inferno. que estão guardadas para os não baptisados.mas foi N. mas o demônio o tinha já outra vez pervertido e estava com mais desejo de comer o padre. se os ensinavam a doutrina em a casa e acudiam a ela grandes e pequenos de muito grande vontade e como não tinham costume de ver brancos em suas aldeias estavam todos attonitos em vêl-os. Paulo. temendo que os iam ajuntar para seu mal e assim diziam porque estavam muito escandalizados dos tempos passados. O primeiro que fazia em entrando em uma aldeia. e o dia disseram missa e ensinaram a doutrina e pregaram. em algumas foi mui bem recebido. parece que já ao demônio estavam entregues aquellas almas. mas o Padre consolou-os. claramente respondiam. mas antes de algumas aldeias comarcans veriam alguns para defender o Padre e tudo foi necessário porque haviam já enviado índios a tormar-lhes os caminhos. Tinha aquella aldeia mais de mil almas: enquanto não tinham a igreja. que os vinham esperar ao caminho. com caridade e fizeram uma choça em que repouzaram esta noite e depois foram a sua aldeia onde foram recebidos de toda gente com tão grandes mostras de amor. porque chegaram véspera de S. Pedro e S. e dque para isso tinha já se reunido com elle. Ignácio. outros seus filhos. como os índios e logo repartiram com o Padre o que traziam. Já de noite. o Padre respondia que ao passado não sabiam dar remédio. Uns se queixavam que os haviam tomados suas mulheres. foram bem recebidos e o governador os mandou dar de vestir e algumas ferramentas. mas os índios os aconselharam que não se fiasse nelle. em que os brancos os tinham feito grandes damnos. porque há muito tempo te conheço por fama e que não dizias senão muito bem. em busca de um principal. que também elles tinham morto muitos brancos. Foi grande a alegria que tiveram em este encontro. servido de dar aviso ao Padre disto e foi desta maneira: um índio daquella aldeia enviou um filho seu ao padre mui depressa. Foram todos mui contentes. Desejando o Padre ir visitar outra aldeia que é postera de todas. onde morreres tu eu morrerei com minha gente. era visitar se havia alguns enfermos em extrema necessidade. vendo o conceito que tinham os christãos de nossas aldeias. Ao segundo dia da jornada encontraram com uns principaes. Tomé. porque a cobertura era de palha que há muito por aquellas partes e é a da invocação do glorioso S.a carregal-a a trazel-a às costas até o mesmo Surubi e assim em breve tempo a acabaram. Então tomou o Padre um tição e o poz juncto do enfermo. que não temiam o fogo do inferno. que tinha prometido de vir a igreja de S. Outro dia mandou Deus o coração ao outro principal e foi a visitar os padres e deu mostras que o presava do que tinha dito e pedio ao Padre que fosse também a sua aldeia. dizendo não temos arder como este fogo? Mas nem isto bastou! Assim morreram. que não haverá em minha aldeia quem se atreva a fazer-te mal e pois entrastes em minha casa. mas como era necessário acudir o Padre as outra aldeias. que causou nelles não pouca tristeza. mas que si elles queriam ser chistãos e amigos dos brancos que tivessem por certo que não seriam aggravados. os índios não só o consentiriam. todos como sahiam as casas para vel-os grandes e alguns pequenos perguntavam se os padres era gente com quem se podia converssar e habitar. dizendo que os havia de quebrar a cabeça. Ficaram os índios muito consolados e fazendo já as casas para sua habitação. Depois de deixar o Padre quietos e animados os desta aldeia de S. mas seguramente os passaram levrando-os Deus de todos os perigos e dando a volta para a aldeia de S. dizendo que de nenhuma maneira entrasse na aldeia. mas o Padre ficou com muita dor de ver sua perdição. S. como se fora muito tempo que os conversaram. expurgando-os de seus feiticeiros. que não tinha que ver com os brancos. assim os nossos. não queriam ser baptisados. e assim o fizeram com muita alegria dos índios e logo levantaram uma cruz e fizeram uma igreja da invocação de S. Em uma aldeia um principal estrangeiro começou a falar contra os Padres. Thomé de que na minha. Ignácio trouxeram gente de duas ou três aldeias. O Padre fallou com o senhor da aldeia e perguntou-lhe se estavam alli seguros. estava pouco tempo com elles. para ajuntal-os em uma igreja juncto do mar. dizendo que procurava acudir a todas as partes e assim 56 . abrindo-lhes os caminhos por onde haviam de passar. mas o Padre consolou-os dizendo que também era necessário dar as voas novas do Evangelho as outras gentes. do que se fazer christão. se fora cousa vinda do céu e quando sahiam de casa. e o padre ainda que quizesse com tudo isto passar.

levando algum refresco. Deus por sua infinita bondade os dê perseverança no bem começado e mande para tanta messe. Na aldeia de S. pareceu serviço de Deus pôr-lhe nas mãos esta empreza. Sebastião pelos habitantes da zona compreendida entre os rios Itapicuru e Real27 da utilidade de fundar-se um estabelecimento junto a este último rio. que não era bom determinar-lhe de baixo de casa alheia. Ignácio.Sendo informado D. levando por companheiro o irmão Francisco Pinto. pareceu-lhe que em baptisando-se logo havia de morrer. Mas outro dia visitando-a elle padre e dizendo-lhe que se não queria o inferno era necessário batisar-se. estando já a morrer. que infestavam a costa. exploravam a região. Mas dava-lhe também esforço que no caminho passando pelos trabalhos. §61 57 . e como ser já o padre velho de mais de cinqüenta annos. veio tão manso como um cordeiro. porque viam já com seus olhos o que desejavam. para conquistar e explorar tais regiões. op. a caridade com que trazia era muito. parecendo-lhe que só se batisasse logo havia de morrer que lhes ensinava o demônio. que todos daquela comarca se resolvem a fazer igrejas . tirando-lhe os produtos naturais que. mostrava pouca vontade disto. Isto é o que aqui aconteceu no rio Real.P. sempre foi a pé e muitas vezes descalço pelo caminho.. onde os franceses . dizendo que ia em peregrinação a S. porque como os padres agora não batisavam senão aos que estavam à morte. a todos consolou o padre. eram conduzidos pelos mercenários. op.I. e foi recebido de todos com grande caridade e alguns pediram o santo baptismo. Vieram também logo das outras aldeias comarcans a visitar o padre dizendo que se queriam ajuntar e ter igrejas. ella disse que o desejava muito. Thomé baptisaram outra índia. que o dia antes quando soltou algumas palavras foi porque não estava em seu entendimento e assim depois de bem instruída. 441. dizendo que só o Padre era seu irmão e o Padre perguntou-lhe que era sua determinação e elle respondeu-lhe que era cousa tão importante. Escusava.28 A colonização de Sergipe pelos franceses prejudicaria mais tarde os intereses da capitania da Bahia. em contrabando. Sabendo que os índios da aldeia de S. especialmente um. para que os que iam em sua companhia tinham a casa onde haviam de passar. enramada e com alguns arcos. e a alegra que o padre Gaspar Lourenço e seu companheiro foi mui grande. Vendo como o nosso senhor punha os olhos na gente de Marial pareceu necessário prover de mais obreiros e pelo Padre Luiz de Gran que tinha muita experiência na conversão destes índios e ser de todos muito conhecido e amado . Neste collegiado da Bahia. foram de todos recebidos com grande louvor e depois de haver o Padre fallado. dando-lhes esperança que os iria visitar prestes e assim me escreveu. a baptisou o Padre e assim dahi a três dias foi gosar de seu creador e enterraram-na na porta da igreja com a solenidade que se costuma em nestas aldeias e ficaram todos admirados de vel-o. responderam que faziam o que elle queizesse e que passariam a aldeias onde o senhor (?) mandasse e assim a passaram junto do mar para poder ser melhor visitada. que auferiria grandes vantagens da ocupação de seu resolve a visitar as outras igrejas. 3. vieram alguns índios de outras aldeias a falar com o Padre e a pedir-lhe para fazer-lhes igrejas em suas terras.P. conforma sua pobreza.. língua.. estava três légua de S. Dahi foi o padre onde estava o capitão a confessar alguns homens brancos onde também se fez muito serviço a Deus apartando-os de muitos pecados e fazendo-os pedir perdão do escândalo que o haviam dado. em paz. e assim que quando o Padre lhe fallava. Prometteu-lhe o Padre de ir a Ella e assim o fez dahi a poucos dias . Thomé. Logo trouxeram alli todas suas. It. com os tupinambás.. que fosse a sua aldeia que se lhe diria. Em traram todos com o padre na igreja e animando-os a perserverar no bem no bem começado. a qual aceitou com grande caridade e desejos de padecer muitos trabalhos por amor de Deus e assim foi este caminho obra de quarenta a cincoenta léguas. que antes havia ameaçado os padres. 7 de setembro de 1575 Indigno filho de V. parecia um mancebo de vinte anos. Cit. Rocha Pitta. 27 28 Itanhi era o nome indígena do rio Real. Não sofrer outra cousa e senão que um homem honrado que ia em sua companhia lhe offerecia sua cavalgadura de muita boa vontade nunca quis aceitar.e a um que era cousa pouca. Southey. expediu ordens ao governador da Bahia Luiz de Brito. Ignácio Toloza. que ia o Padre visital-os sahiu muita gente ao caminho a recebel-o. Thomé.

Salema. a outra adjacente a esta. publicado na revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil Tom. sem as cenas de carnificina que selaram esse feito de Luiz de Brito. Hist. a exploração. entregando a Garcia d‘Avila29 rico fazendeiro do recôncavo da Bahia. 19. que foi um dos primeiros feitos do seu governo. depois que a coroa dividiu o Brasil em dois estados. op. Luiz de Brito. Cit. com os quais vai efetuar a exploração do rio Real. com a permanência dos soldados ao litoral e a aproximação de um corpo militar. uma de água salgada. incendeiam as aldeias e volta Brito para a Bahia. Um tal insucesso convence Brito da necessidade de rodear-se de fortes elementos. Surubi. na distancia de 50 léguas. Trava-se a luta com os indígenas. como Pernambuco. 153. o Segundo diz ter o governador o acompanhado na fuga. Villa Real de Piagui. 33 Saliento aqui a divergência entre Porto Seguro e Fr. Da parte do governador devera haver mais tino. Ao aproximar-se ele da aldeia de Santo Inácio. Fr. Op. de Porto Seguro. uma povoação 30 que por distanciarse do litoral e dos lugares ricos de pau-brasil. não ficava sujeita à nova capitania. não pôde obter vitória na luta com os naturais. sem deixar seguras as bases de uma colonização. porque suas lagoas não são de água salgada. dirigidos pelos morubixabas Serigi. cuja sede era a cidade de São Sebastião. de 50 braças de largura. pelo que Brito deu uma feição hostil à sua exploração. Provavelmente estas lagoas não ficam em território de Sergipe. Brito obtém vitória na luta. Ao indígena tomou então caráter de verdade a suspeita da traição que lhe quiseram fazer os jesuítas. podendo alcançar a conquista. e Apéripé31 recebem o governador com hostilidades. para não consentir na precipitação de uma tentativa que levada a jeito. 3030 Guiado pela autoridade do Porto Seguro suponho ter sido esta povoação edificada no mesmo lugar em que está hoje a vila de Santa Luzia. Provavelmente foi neste lugar onde ficaram acampados os soldados que acompanharam Gaspar Lourenço. I pg 274. Tratado descritivo do Brasil em 1587. 3131 V. 58 . eles fogem e essa fuga indica o rompimento de paz entre os dominados e os dominadores. não teria inutilizado o trabalho de pacificação já tão bem encetado pelos religiosos. Gaspar de Madre Deus. que foi o primeiro governador das capitanias do Norte. em que morre Surubi32. a que D. Os índios. É desta opinião Sacchino. 34 Dr. Leal. do Brasil.34 Os soldados devastam as habitações indígenas. a três léguas da barra do rio Real. de pimenta e outros produtos.II. porque como parte dos domínios da coroa. H. que media 500 léguas de comprimento e 100 de largura. de Porto Seguro. 14. E não obstante o grande reforço que lhes vinha dos franceses e que já lhes tinham ensinado o manejo da arma de fogo. Vicente do Salvador. que 29 Gabriel Soares de Souza. Livro 3º Cap. rompendo a luta. sendo presos Serigi e Aperipé 33 e mais de mil e duzentos índios enclausurados na igerja de S. 32 V. confiando o do Sul ao Dr. Cit. foi abandonada por Brito e os seus depois que veio ao teatro da exploração de Ávila que por insuficiência de recursos. resolveu-se a cumprir as ordens régias.território. Sobre a Cap. Vicente de Salvador.p. Op. o qual funda. encontrando duas célebres lagoas. ao tributo da redízima feita aos donatários. O primeiro afirma ter sido o índio Aperipé preso por Luiz de Brito. em vez daquelas manifestações amistosas com que receberam o Padre Gaspar Lourenço. onde todos morrem. De Sergipe) dá o nome de Santa Luzia do Piagui e Fr. Marco de Souza (Mem. Tomé e depois conduzidos para a Bahia. A. Cit.

no tempo de Tomé de Souza. foi o motivo dos índios de Sergipe pedirem ao governador que garantissem sua passagem. ordenando aos capitães35 Cristóvão de Barros era filho natural de Antônio Cardoso de Barros. reataram as relações com os naturais. em geral. porém. Manoel Teles Barreto. Se a exploração de Luiz de Brito não deu lugar à organização política de uma nova capitania. o pedido é satisfeito. soldados que os acompanhassem até lá. realizando-se. até que as armas de Cristóvão de Barros vieram destroçá-los e expeli-los. Os indígenas de Sergipe por emissários seus. por uma traição. Procuramos esboçar as causas da exploração de Luiz de Brito. cuja vontade dominavam e de cuja força física se serviam para a realização de seus intentos. por entre aldeias inimigas. Do Brasil.confiou a Garcia D‘Ávila a quem não foi dado corresponder aos intuitos do governador. O representante do governo da capitania da Bahia vira as riquezas naturais da região. co quem continuaram a promover os males àqueles que tinham requerido a conquista. Sucedeu no governo do Rio de Janeiro a Salvador Correia de Sá. depois que dali expeliram os Tupinais. a ele ligada a causa determinante de novo assalto. A discórdia que se plantou nos Tupinambás que habitavam entre os rios de São Francisco e Real e os da Bahia. É esta a segunda missão feita em Sergipe. cujo resultado foi a conquista de Sergipe e sua colonização. como a prosperidade da colônia. que fora provedor da Fazenda. em convivência com as tribos de Sergipe e delas recebendo em aparência as mais sinceras provas de amizade e confiança. ficando de todo esquecidas não só a ordem régia. são mortos. os quais. muito posterior àquele acontecimento. feita ao governador da Bahia. já tinham rechaçado os Tapuias. os laços de simpatia que ligavam seus habitantes aos franceses. onde queriam receber a moral do evangelho. O governo não se preocupou mais com a sua sorte. em vista das reclamações dos interessados. chegando ao Rio de Janeiro em 1567. assim . mandaram pedir ao governador geral da Bahia. 1585). não seria por certo a traição dos indígenas de Sergipe. O procedimento altamente traiçoeiro do indígena exacerba o bom humor de Barreto nascer o desejo de vingar semelhante ousadia. que vota contra a aquiescência do pedido. que por sua vez . em 159035. as suspeitas de Cristóvão de Barros. a uberdade do seu solo. Os franceses voltaram. Barreto reúne um conselho de cinco membros em que toma parte Cristovão de Barros. 59 . Não obstante este voto divergente. Manuel Teles Barreto. pelo padre José de Anchieta. nele não vê senão uma alta traição. (inform. Veio para o Brasil fazendo parte da armada que el-rei mandou a Mem de Sá. passando-se assim alguns anos. pois. Barreto envia então cento e cinqüenta soldados acompanhando os jesuítas. quando as forças contrárias já tinham lucrado tempo suficiente para reconstituir-se. de novos encontros de armas. Agora estudemos os acontecimentos que inspiraram a viagem de Cristóvão de Barros. durante os quis o governo esqueceu os interesses da colônia.

Felipe de Moura e Pedro Lopes Lobo. que se preparassem para conquistar os domínios de tais indígenas. pelo menos uma garantia de segurança. nos campos de Alcácer-quebir. aqui o ruminar de uma vingança dos aliados e parente de Serigi. Uma contra –ordem do governador suspende os preparativos bélicos dos dois capitães. Este fato era bastante para promover a conquista .ao trono de Portugal. Vicente do Salvador. contra invasões altamente prejudiciais. porque não só os cargos da colônia continuaram a ser providos pelos seus filhos. manuscritos. Op. pela intervenção das armas do duque d‘Alba. A grande seção de tempo que nos separa de tal acontecimento. livro 5º cap. se a marca da colonização fosse próspera. memórias. Sebastião.vencedor da batalha de Alcântara. sua história é cheia de ensinamentos. até que nela visse o governo da Bahia. Alvo do comércio dos franceses e índios. Ainda que o Brasil fosse indiferente à questão dinástica.mores de Pernambuco e Itamaracá D. ordenando-lhes que socorressem a Paraíba. a escassez de documentos sobre que possamos externar uma afirmação uma afirmação positiva. para devidamente estabelecermos sua causa determinante. A capitania da Bahia para satisfazer a necessidade da expansão colonial. e Aperipé podia ser comprometedora à capitania da Bahia. que a requerimento dos habitantes da zona entre os rios Real e Itapicuru. pela parcialidade e antipatriótico julgamento de cinco juízes e mais do que isto.que veio demonstrar os direitos do rei de Catella. Traçar as causas de sua conquista é um empenho tão importante. que se enlutava pela perda da sua nobreza e de seu cavalheiroso rei D. 17 60 . são circunstancias por demais importantes para inquinar de inverídicas as asseverações que passamos a expor. como conserva ela o monopólio do seu comércio. todavia ele a converteu em novo alvo para os tiros das potências marítimas. Se lá o valente Pirajiba era um perigo iminente à marcha da colonização de Pernambuco. Surubi. pelo pouco ou nada que se tem escrito a esse respeito. Se o bem 36 Fr. Em geral se diz que a conquista de Sergipe foi motivada por uma ordem de Felipe I de Portugal. como a que se preparou em 1589 em Sergipe contra ele.Felipe II. quando não em estímulo de maior expansão.36 Preferiu-se a conquista da Paraíba à de Sergipe. que então levantaram-se a disputar a supremacia do oceano à vencedora de Lepanto ―depois do desastre de sua gloriosa armada em 1588‖ Além desta circunstância acidental que ecoou no Brasil. e cedo esse sentimento manifestou-se. etc. sentia grande insuficiência de auxílios vindos da metrópole. Eis a razão mais provável do adiamento da conquista de Sergipe. Explica os fatos obscuros da história geral. seu movimento civilizador encontrava tropeços em fatos de outra ordem. francamente autorizava que fossem expelidos e se promovesse a colonização da terra. não obstante termos empregados todos os meios na obtenção de crônicas. Cit . Entretanto. fato este que motivou a entrega de seu trono a um monarca de outra nação. e seus assaltos. quanto difícil.

Perigo era iminente e convinha 3737 V. todavia. que só quis fazer uma carnificina sobre os infelizes indígenas e o exército uma pesquisa de escravos. Era uma animação. que assumira as rédeas do governo da Bahia. A asseveração baseia-se em documento irrefragável. cláusula indispensável para a realização das guerras. cujas riquezas compravam com quinquilharias. aproveitou as garantias do cargo que então ocupava e que lhe assegurava probabilidades de bom sucesso. Conspiraram. O segredo. Os sucessos de Villegaignon não lhes eram talvez desconhecidos. a hospitalidade com atenções. dominarem a vontade e aguçarem o apetite de sangue e da presa. porém. bastante parciais para esquecer o direito de herança de D.eliminar a concorrência dos franceses com os naturais do Rio Real. para dirigirem o pensamento. a amizade com complacência. Sem contestarmos a veracidade histórica da ordem régia. porque a notícia chegou à Bahia. Sebastião. não seria por certo as determinações de um rei intruso. Se esta circunstância muito influiu para ser Cristovão quem se pusesse a frente da expedição. que já assustava a sede do governo colonial. ao simples aceno de suas veleidades. a ela reuniu-se uma causa de maior valor. com profundo descontentamento da nação portuguesa. Não é uma mera hipótese que aventamos. 61 . Fazendo ele parte de uma interinidade coletiva. segundo a lei corrente. Catarina. Por certo Cristovão de Barros. para quem era indiferente a condição precária desses indivíduos. transpirou. Julgando-se fortes pelo concurso da raça indígena. tiramos-lhe. a causa rela de uma conquista cheia de perigos e incômodos. ou foi traído. por morte de seu governador Manuel Teles Barreto (1587). por isso que se preparavam para assaltar a Bahia.37 A época era de tentativas aventurosas. não iria abrir a luta se razões mais poderosas não falassem a seu espírito. e quando elas já se tinham reconstituído para apagar todo o vestígio da vitória. o mesmo não sucedia com os membros do governo colonial. Se a vontade e ordem de um soberano legítimo. junto ao rio São Francisco. os seus delegados não procederam com o cumprimento restrito e absoluto de seus desejos. cuja ascensão ao trono fora resolvida por uma junta de juízes. Sesmaria do Braz de Abreu. para punir e vingar a morte de seu pai Antonio Cardoso de Barros. indo eles pelo mar e o gentio por terra. Livro de Sesmarias. como sucedeu entre Luis de Brito e D. depois do esforço de Luiz de Brito para desbaratar as forças inimigas. o valor de causa determinante da viagem de Cristóvão de Barros.público repercutiu no coração do rei a inspirar-lhe uma deliberação altamente útil a esses infelizes habitantes. Foi uma verdadeira bandeira. e disto já tinham dado provas dede Luiz de Brito. nas arriscadas empresas em que atiravam-se com a raça indígena. antes que o plano tivesse começo de execução. pelos Caetés. os franceses conceberam o projeto de atacar a cidade de São Salvador.

como em 1575.até quase três mil frecheiros. onde se temia maior dano. onde refrescassem os navios que navegavam entre Pernambuco e Bahia. e pô-la a abrigo de iguais tentativas para o futuro. Então foi resolvida a expedição por terra. Damião da Mota. João Martins.38 Não se tratava. um considerável exército. Man. Antônio Vaz Jaboatão. cláusula indispensável para a realização da conquista. o qual volta com três espias do inimigo. de onde avista um fumo.dois galpões de dado e uma peça de colher e abre caminho por entre florestas virgens. entrega a direção dela a Cristovão de Barros.esmagar a revolta. como pelos maiores interesses do erário. O governo colonial submete então o projeto à corte. Braz de Abreu.para a passagem d sua infantaria. João Dias.39 para a passagem de sua artilharia. que em caminho encontravam e que engrossavam seu exercito. Jorge Coelho. Pero da Lomba. iam devastando as aldeias inimiga. que lhes servem de guia. De 5 fls. nos fins de 1589. em vista do numero superior de índios e da posição que ocupavam. Estácio Gonçalves de S. nos quartéis de organização ou em marcha para seu destino. Os dois irmãos intentam atacá-los. porém. os companheiros de Cristovão de Barros: Calisto da Costa. em vista da lei de agosto de 1587. Tratava-se de salvar a Bahia de uma invasão de bárbaros. à frente do qual seguiu ao longo do mar. Cristovão Dias. onde alcançaram colocarse em posição altamente defensiva. Estevão Gomes de Aguiar. para o futuro. 333 39 Foram estes além de alguns citados no texto. composta de seis peças de bronze. Francisco da Silveira. entre franceses e mamelucos. Alcançou reunir. não só porque a colonização estendia-se a paragens mais longínquas. foi o poderoso incentivo para a esta expedição concorrem muitos habitantes de Pernambuco e Bahia. que nos campos de combate já tinha firmado ma respeitável competência. como concorreram. A escravidão a que se submeteriam os naturais que resistissem. Armando de Aguiar reconhecer o sítio do cerco. 38 39 Dr. Qualquer demora era de alta inconveniência. nem tampouco fundar estabelecimentos. Carta de sesmaria de Damião da Mota pg. Sebastião Dias Fragoso. depois que chega a um alto. de livrar os colonos do rio Real e Itapicuru das hostilidades praticadas pelos índios. Isto transmitem a Cristovão que apressa-se em defendê-los. Afonso Pereira. de Oliveira. 62 . alem dos tapuias. ávidos pelo aumento de sua riqueza. Francisco Fernandes.aterra grandes brejos. e confiando a vanguarda a Antônio Fernandes e a retaguarda a Sebastião de Faria. Mnaoel J. Incumbe o assalto pelo sertão aos irmãos Álvaro Rodrigues e Rodrigo Martins. Antônio Gonçalves de Sant'Ana. Apegoada a guerra e empregando o governo os esforços possíveis para seu feliz êxito. sobre os quais suspende pontes. concorrem muitos habitantes de Pernambuco e Bahia. em fuga foram centralizando-se em um ponto. atravessa caudalosos rios. a qual considera a guerra de Sergipe justa. Melchior Dias Moreya. Tomé. Manoel da Fonseca. ficam Álvaro e Rodrio em apertado cerco. Conquista de Sergipe.que com mil índios e cento e cinqüenta homens. Manda. pelos seus efeitos no Rio de Janeiro e em Cabo Frio. Gaspar de Abreu Ferraz (morreu na luta).cujos moradores. Gaspar de Menezes.

sofrendo a perda de seiscentos mortos e os portugueses de seis. saindo das duas cercas todos os frecheiros. comandados pelo próprio Cristovão de Barros. a qual os índios alcançaram reconstruir. como já recuavam.. em número de vinte mil frecheiros. já falto de água. o que na noite deste mesmo dia. A este seguiu-se o abalroamento da segunda cerca. junto à foz do rio Sergipe. onde fortificaram-se em três cercas ou tranqueiras. 40Depois de ser-lhes interceptado o caminho das fontes. morubixaba principal das tribos.41 Curados os feridos e destruídos os elementos que pudessem ser adversos ao povoamento do território conquistado. privando-lhes a água. resolve-se a abrir aminho a ferro e fogo. citando o man. situada na várzea da cidade e S. que tinha emigrado para o Norte. fora logo executadas. Dali o exército dirige-se para a aldeia de Mbapeva ou Baepeba.Então. e junto a ele funda um arraial. a que se deu nome de cidade de São Cristovão.de um curioso e a qual dá o nome de Mahapena. em honra do Santo de seu nome. op. hoje Cotinguiba. abalroaram a primeira cerca. com a perda de um. 40 Provavelmente é esta a aldeia de que fala Jaboatão. onde penetram os soldados. Vicente Salvador. 63 . que soltavam nuvens de flechadas. animado os seus. o território compreendido entre os rios Cotinguiba e São Francisco. Isto deu-se a 23 de dezembro. grandes espanto aos sitiantes.atravessa-se na rente dos índios. passando eles através dos arraiais inimigos. junto ao litoral. porque pelas costas podia sofrer um assalto dos da cerca de Baepeba. em uma escaramuça que de parte a parte custou mortos e feridos. cap. Cristovão. 42 Hoje não existe mais este istmo. cit. 41 Fr. quando Cristovão. que prestaram mútuo auxilio. Cristovão levanta um forte sobre o istmo que forma a barra do ro Poxim. com a perda de trezentos mortos para os naturais. causando os índios. Sendo dadas tais ordens no dia 1º de janeiro de 1590.a 9 de abril de 1590. Depois disto entrega o governo da nova capitania a Tomé da Rocha e incumbe a Rodrigo Martins perseguir o gentio. 2. com a nova perda. Este. resolveu um combate decisivo de todas três cercas e deu suas ordens a três índios para transmiti-las aos das outras duas. a cujo encontro vieram sessenta soldados de cavalaria. 42Fez doação de diversas terras aos que ajudaram a conquistar e deu de sesmaria ao seu filho Antônio Cardoso de Barros. que não consentiu segui-los a infantaria. o exercito dos conquistadores bate as cercas inimigas. que não só deram-lhes caminho franco. do lado em que estava Sebastião de Faria. fá-los retroceder e voltar para a cerca. na várzea do Vaza-Barris. cujos habitantes levantam o cerco e fogem.matando mil e seiscentos e cativando quatro mil índios. e a brados e com o couto da lança. Compreendendo Baepeba as desvantagens do cerco em que ia se colocando.

carta de sesmaria de Tomé Fernandes. X. Joaquim José de Oliveira. 191. na guerra de Sergipe.44 E depois de assistir a administração publica e estabelecer as bases da organização de uma capitania. em que podia. tomou parte importante.19. com a condição de estabelecer aí colônias. do Inst. depois da saída de Cristóvão. já o dissemos. ficando o forte na margem direita do Cotinguiba. Pelo seu mapa geográfico está situada na costa oriental da ilha dos Coqueiros. com a realização de uma conquista. ocupadas por índios bravios: e o que mais é. 46 V. Efetuada a conquista. com a colonização estendeu-se a novas paragens. que e muito claro na localização da primeira povoação de Sergipe. principalmente Varnhagen. p.45 que durou oito meses de grandes lutas. p. Hist. Em recompensa aos seus serviços. junto aos apicus que este último rio forma. recolhe-se à Bahia.43 Preferimos estas fontes em semelhante minudência. e temer os inconvenientes de sua ausência nos conselhos de um governo interino. As condições gerais do Brasil não eram favoráveis à prosperidade da colonização de Sergipe. formada pelo oceano e os rios Pomonga e Cotinguiba. para a qual se pôs a caminho. por entre florestas virgens. carta de sesmaria de Gaspar Gomes. É opinião de quase todos os historiadores. a que deu o nome de cidade de São Cristóvão. p. 43 Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Barloeus diverge deste modo de pensar. auxiliar-lhe e acabar a obra da conquista. cit 44 64 . com a ordem de vender estas terras ou reparti-las entre os colonos que quisesse e fosse de sua vontade. donde o erário tinha muitos proventos que tirar para o futuro. e. onde perto do mar faz barra o rio Poxim no Cotinguiba e junto ficava edificado o forte. com sua aposentadoria. junto à foz do rio Sergipe.Capitulo II COLONIZAÇÃO DE SERGIPE SUCESSORES DE SÃO CRISTÓVÃO DE BARROS ATÉ 1637. continuar a gozar. dentro do tempo prefixado pelo rei. 47 Dr. É esta também a opinião do autor da Razão de Estado. segundo ele. Rev.. p. vindo da Bahia. t.dando um belo exemplo da mais completa abnegação no momento preciso. encarregado da administração do país 47. hoje Cotinguiba. pelos quais não só a capitania da Bahia ficou isenta de uma invasão. deixando o governo entregue a Tomé da Rocha. ela foi edificada à margem esquerda do Cotinguiba e do Apicu Pomonga. 45 V.46 Assim ilustrou Cristóvão o governo da interinidade coletiva que dirigia a capitania da Bahia. sem censura legitima. XL. correndo os riscos e incômodos de uma viagem rápida. que. o rei das Espanhas fez doação a Cristóvão de Barros do território que acabava de conquistar. 330. 328. que ela foi situada sobre um istmo. as honras e imunidades da governação do Estado. t. loc. Cristóvão de Barros funda um arraial.

que penetram suas barras. Com idênticas atribuições aos capitães-mores dos lugares da áfrica. que tendiam a fortificar-se? Além das explorações francesas.50 Ao ouvidor e provedor-mor competia zelar pelos interesses da justiça e da fazenda. A administração compunha-se de um capitão-mor. As condições de prosperidade pioravam tanto mais. Nenhuma carta de nomeação ou regimento encontramos do funcionalismo de Sergipe. em vista da semelhança do elemento étnico e a política administrativa que Portugal tinha instituído. Jurid. Dic. A feição social em Sergipe não poderia fazer exceção da que se revela em todos os centros populosos da colônia. 1835. 95. para vencer os obstáculos que nasciam de invasões estrangeiras e do levantamento dos naturais. 135. De três navios. Historia Geral. que haviam de sobrevir.49 Com que dificuldade não lutaria a colonização da Bahia. 50 Joaquim J. o Brasil tornava-se o teatro de explorações inglesas. I. naufraga nas costas de Sergipe. Destroçados seus navios por uma tempestade que os dispersa.48 Da Rochella parte uma armada. por iniciativa de Relegh. e como colônias nascente. alguns naufragaram em Sergipe. 65 . ouvidor. inicia-se em Sergipe a colonização sob um conjunto de circunstância bem desfavorável. um Conselho. almoxarifes. I. onde ficam prisioneiros cento e dezesseis homens. para explorarem as riquezas do país. escrivães. desde então. Historia da América Portuguesa. onde são presos os náufragos e enviados por terra para a Bahia. provedor-mor da fazenda. que era o órgão do município e um presídio. promovidas pelo sentimento de riqueza. os armadores franceses aproveitaram-se dessa circunstância para a execução de suas piratarias. se a conquista de Sergipe não antecede a esse conjunto de circunstância tão desfavoráveis. C. acoçada a tripulação pelas doenças. a realização de excursões pela América. não só para piratear nas costas do Brasil. nesta pequena circunstância do país. p. onde a oposição ainda que forte em começo. os do Brasil tinham alcançados no cível e no crime. que desperta nos espíritos de Feuton. não fornece auxílios para destruir elementos contrários. Assim. Pereira e Souza. Por aí pode-se apreciar a grande interferência que representava a Bahia. vindos da África. nos negócios públicos de Sergipe. dirigia-a para zelar e defender sua integridade territorial. a fim de serem castigados. Withrington. Cavendisch e Lancaster. um comandado por Pires de Mil. Em direção ao Brasil cortam os mares diversas flotilhas francesas. e quem abdicava grande parte de suas atribuições. por onde se possa avaliar de suas respectivas prerrogativas. quanto o Brasil tinha de recorrer aos seus recursos.Em vista da declaração de guerra entre a Espanha e a França (1595). Em vez de o governo colonial dirigir a atenção para as colônias nascente. 391 Rocha Pita. mão poderia vencer os embaraços. 48 49 Porto Seguro. O capitão-mor era o delegado do governador da Bahia. sendo os ofícios de justiça e os empregos de fazenda por ele proposto. como para saquear a cidade da Bahia. se a atenção dos aventureiros não se prende ao El-Dorado. em substituição de enfeudação e sob a qual ia submeter-se a marcha dos acontecimentos.

em sua excursão ao rio de São Francisco. partiu de Lisboa. que mandou Tomé Rocha. para ensinar-lhe a entrada. Seu nome indígena era Potigipeba. Querendo penetrar na barra em uma arca flamenga. que predominava sobre tudo o que já assumia na colônia um grande poder. caracterizados por um clima quente e úmido. em cujas cabeceiras supunham existirem minas. em abril de 1591 e chegou a Sergipe a 13 de junho do mesmo ano. Descansados da primeira perda. quando teve ocasião de prestar importantes serviços a Gabriel Soares de Souza. esperando tudo da natureza. Gabriel Soares de Souza. que lhes vem prestar auxílios. Uma tal convivência que não requer do natural o menor esforço. A mesma semelhança vemos nos antecedentes físicos. Era o temperamento da época. ancorando junto a enseada de vaza-barris51. de nome Grifo Dourado. uma nova vida. Do Inst. e destroçado as forças não tinham perdido a esperança de reaver o território. e não pelo desejo de fundarem uma colônia e ativarem sua propriedade. Do inst. cujos roteiros possuía. em uma jangada.Ao lado do capitão-mor estava o governador. reuniu novos elementos para uma luta. por seu irmão João Coelho de Souza. No do historiador holandês ele traz o nome de Potiipeba. seus defeitos. capitão de Sergipe. tentativa bastante simpática à raça indígena. 66 . se idéias de um plano político guiassem os franceses nas excursões de Sergipe. 455. p. segundo as cartas de sesmarias de Manoel da Fonseca. Seriam eles seus encarniçados inimigos. Na classe dos antecedentes que falamos estava a identidade de sentimento religioso. Hist. Foi Tomé da Racha o primeiro sucessor de Cristóvão de Barros e achava-se na administração em 1591. Xiv. Eis ai as bases de osso desenvolvimento histórico. por isso que uma tentativa já tinha sido feita. em seu roteiro. 364. menos o de Barloeus. 33). resultando afogarem-se alguns passageiros e salvar-se a carga em uma cetea. 51 Este rio vem em todos os mapas geográficos. que de terra tinha ido com dois índios. na pessoa do rei. denomina-o Cotegipe (ver. por isso que os franceses guiados pelas idéias de riqueza. pela crença exclusiva em um só credo religioso. Tendo este rico fazendeiro da Bahia alcançando das cortes os despachos para explorar este rio. sem corrigir suas faltas. Aceitamos a denominação de Barloeus. para cuja adaptação sente o selvagem natural indisposição. 52 Porto Seguro. pela abundancia de alimento que cercava-o e pela impossibilidade de manter fixação e regularidade no trabalho. não lhe querem impor um novo estado social. havia três anos. bateu nos bancos e sossobrou a embarcação. p. de cujas riquezas tiravam tantos proventos. Seu habitante tenderia á indolência. Exprimia-se pela superstição. que procuraremos descrever na presente obra. por conselhos de um francês Honorato. pela reverencia ao clero. que naufragou em Sergipe. como ele na Europa achava-se ao lado do barão feudal. em virtude dos fortes ventos e correntes de água. gera-lhe uma simpatia tanto maior quanto a deslocação dos hábitos é nula. e então tempo de sobra tiveram eles para fortalecer-se de elementos que se opusessem à vitória das armas portuguesas. pois nestas paragens pirateavam de longas eras. á falta de iniciativa. ver. com o nome de Ipiranga. Hist. p.52 Não obstante as armas portuguesas terem conquistado as terras de Sergipe. na qual parte dela foi enviada para a Bahia. xxi. um solo ubérrimo e rico.

sendo substituído por Diogo de Qoadros.534 57 V. entrega o governo da nova capitania a Diogo de Qoadros. Nov.330 55 V.328 56 Barlaeus. carta de sesmaria de Gaspar Gomes. em 1596.58 almoxarife Martim de Souza59 e escrivão Jerônimo da Costa Fisão. por uma criação ativa. o movimento colonial foi mais ou menos próspero. e a modesta cidadinha já contava cem fogos. para realizar suas empresas. 120 62 Ainda existe neste oiteiro o Vestígio desta edificação. Durante seus quatro anos de administração e os primeiros da capitania. quatro anos depois da conquista. Foi escolhido um oiteiro escalvado que fica junto à barra do rio Poxim. Ainda que não nos seja possível determinar a data da substituição.62 Foi resolvido pois pelos poderes competentes e de acordo com a opinião do povo.53 Tendo-se oposto.. em quatro pequenos engenhos de açúcar. em presença do desembargador Gaspar de Figueiredo Homem. pelas barras dos rios navegáveis.54e depois de julho de 1594. ainda assinado por Tomé da Rocha. o conselho da capitania pede uma doação de terra ao capitão-mor Tomé da Rocha. convenceu-se o governo da necessidade de mudar a cidade para uma eminência. na nova luta que empreenderam. por isso que não podiam presenciar a entrada de flotilhas. por um idêntico documento de Tomé Fernandes. p. Orb. carta de sesmaria de Martins de Souza. op. talvez. nas águas do rio Real. a uma invasão inimiga. principalmente de gado. as profissões pastoris já tendiam a organizar-se. carta de sesmaria de Simão de Andrade p. Em vista disso. em vista da posição insular. que. carta de sesmaria de Gaspar d’ Almeida p. 67 . 330 58 V. todavia asseveramos que ela se deu antes de dezembro de 1595. O novo capitão teve de dirigir sua atenção para os franceses que.340 V. segundo Barloeus . donde se pudesse presenciar qualquer movimento marítimo. não obstante as tentativas dos piratas. carta de sesmaria de Manoel André. e neste documento alega-se a mudança da cidade. p. PL 356 60 V. pela segunda vez administra Sergipe. Carta de sesmaria de Domingos Lourenço. Cit. cujos habitantes ficaram em melhores condições para vigiar a entrada de inimigos. que de emboscada eram dados.60 As condições topográficas da Cidade não permitiam que os seus habitantes se prevenissem dos assaltos. sendo batidos por Tomé da Rocha em 1593 e por Diego de Qoadros . p. 344 61 Jaboatão.Em vista disso tiveram os franceses auxílio do indígena. 1594 e 1595 deixou o governo da capitania de Sergipe Tomé da Rocha. sendo provedor-mor da fazenda Gaspar d‘Almeida57 ouvidor Simão de Andrade. p. no tempo a cima indicado. em 1595 ou 1596.56 Diogo de Qoadros dirigiu a administração pública de 1595 a 1600. Seraph. carta de sesmaria de Tomé Fernandes. 53 54 V. a nova capitania já contava um trabalho agrícola. pois. por escassez de documentos.353 59 V. Em setembro de 1603. em vista da carta de sesmaria de Gaspar Gomes. para sede da nova São Cristóvão. elevando-se o número de currais a quarenta e sete. com heroísmo. além das duas tentativas já feitas tentaram ainda diversos assaltos e efetuaram diversas guerrilhas. Pream. a mudança da Cidade para o novo lugar. já assinada por Diogo de Qoadros.55 Assim entre.61ficando ainda a barra do rio Real fora da observação e por onde podiam ainda penetrar. P. para reaver sua antiga posse. então existentes.

É o mesmo de que fala Jaboatão (§ 117. por isso que se podia remediar o mal colocando um corpo de atalaia. ―Manoell Thomé‖. Manoel Thomé e Manoel Gomes. são de doações nas circunvizinhanças do oiteiro. foi para o lugar acima mencionado. donde o extraímos. que prevenisse ao poder central qualquer preparativo de invasão. 63 68 .64 Não obstante as sesmarias traçaram limites muito vagos. todavia tenderam a diminuir as agressões depois da mudança.or ouve pr bem He ora vosa merse manda a todos os moradores com graves penas que fasão casas e pesão chão para isto e p r nunqua se aprovetar pedem a vosa merse em nome de sua mag.Conservamos toda a fidelidade do documento. o que indica ter o franciscano folheado o livro de registro de sesmarias. p. 64 Carta de sesmaria de Belchior Dias Caramuru. 364. devido talvez á convicção que entrou no espírito dos franceses e indígenas da improficuidade de suas empresas. para os habitantes edificarem casas. os franceses tiveram de abandonar o teatro da guerra. 63 Efetuada a mudança da cidade e transferidos o forte e a igreja. a que se refere o documento. como pontos de limites. Não há duvidas de que a mudanças.ta a sete ou oito anos e a requerimento do povo consultou e asentou com os moradores e capitão de se mudar a sidade que no tall tempo estava no Aracaju que se asitoase neste outeiro adonde llogo se pasou a ygreja e o fore e diso se fiserão autos o que o sõr gd. de que às suas supostas garantias que a idéia da mudança criou. p. 131) em sua obra. de mill Brasas de terra que se começara donde acabar a dada de Sebastião de brito e balthezar feras correndo pelo caminho que vay de caipe ate chegar allagoa que esta alem de Manoel Thomé e pelo dito caminho que sai da ponte velha ate chegar a dada de xpõao dias correndo rumo drto allongo do outeiro he que se achar e recebera merse_ despacho _ dou é nome de sua magde para o conselho pera bem e acrescentamento da nova side desta capta todo o comprimento da terra donde acabam as ditas dada que em sua petição fazem menção correndo pello caminho velho que vay para caipe até dar na llagoa que esta alem de Manoell Thomé da banda celleste q‘ he o q‘ esta junto do caminho que vay para vaza Baris e de largo oito setas brasas que se começara do dito caminho da ponte velha e yra correndo pela testada da dada de Manoell Gomes ao loeste ate chegar a dada de xpoão que serve defronte desta cidade de dahy ira correndo ao sul ate entestar com Manoell Thomé o que se achar e desta maneira lhe passe carta e demarquem logo a qual lhe deu por devolluto. todavia as de Cristóvão Dias. o que motivou grandes pleitos. ―Saibão quantos este estromto de carta de sesmarya vyrem que no ano do nasimto de nosso sõr jhus Xpo de Mill e seis setos e tres anos aos tres dias do mês de setembro do dito ano nesta sidade de são xpoão capta de Sergipe terras do brasill nas pousadas de mim escryvão ao diento nomeado por Afonso pereira procurador do conselho me foy apresentado huã pitisão com hu despacho ao pee dela do sõr capitão mor Thomé da rocha de que o teor há o seguinte – ho juis e vereadores e procurador do conselho nesta capitania que o desembargador Gaspar de Figueiredo omem veo a esta cap. Ainda que a alegação não fosse uma circunstância bastante forte e de interesse real para o governo a mudar a cidade. até na ortografia. o capitão manda apregoar a ordem. pois tomamno e o rio Poxim. Sergipe três de setembro de seis centos e tres anos. com que o movimento colonial sofreu um estorvo. Depois de uma luta de alguns anos. e em 1601 eles achavam-se completamente eliminados do território de Sergipe.

Do Inst. Por esse tempo dominava como principal exploração colonial a criação de gado. acompanhando o litoral. Dificultaram a marcha da colonização em começo e nisto constituiu o papel que representaram os franceses em Sergipe. entregando-se as profissões pastoris. em que se refletisse um plano político. pois. Começou pelo sul. Grande porção das zonas vizinhas aos rios Piauí. dedicavam-lhes as naturais simpatia e lealdade. Hist. Dr. sedo tomou a lavoura. Pelo seu testamento que possuímos ainda vivia em dezembro de 1622. A constituição química do solo poderosamente influiu sobre a direção que. que a colonização não sabia aproveitar. em um importante artigo sobre Rubelio Dias (Ver. raras são as doações feitas junto aos rios que demoram ao norte. Hist.66 Por isto eram chamados por eles Maire. produtos que abundavam nas zonas dos rios real. Foi dada por sesmaria. com auxilio principalmente da africana por ser a mais rica e mais apta à espécie de exploração colonial que havia de dominar.65 Entretanto. furtando a escravidão que se lhe queria impor. Se formavam centro de resistência. o branco e o preto dedicam-se as profissões de hábitos fixos. p. O ilustrado professor de historia. XLI. para nela gerarem os focos de população. Esse domínio aprecia-se durante todo o século XVII e grande parte do XVIII. por ser a que mais se prestava á tendência muito inerente á raça que veio colonizar. 97. a pouca distancia do litoral. de um trabalho de colonização. algodão e pimenta da terra. Quase todo território que avizinha principalmente os dois primeiros rios ficou ocupado por lavradores e criadores. começando pelo sul a tirar-se do solo os elementos para a formação da riqueza. caracterizada pela cultura da cana e fabrico do açúcar. Nos dez primeiros anos. Esse caráter étnico guiou as duas raças a procurarem à zona oriental.Não obstante a permanência dos franceses de quase meio século em Sergipe foram nulos os vestígios de sua passagem guiados simplesmente por idéias de interesse. Do Inst. transcreve uma memória do Coronel Pedro Barbosa Leal. Capistrano. Durante a administração de Diogo de Qoadros. 65 Ver. 32. a fim de nela desdobrar a atividade de uma vida nômade. correria a busca do pau-brasil. vaza-barris e contiguiba. 33. em uma distancia de doze léguas para o ocidente. considerando-os como herdeiros e sucessores de Maire-monan. Para lá emigrava o indígena. Por uma hereditariedade que lhes vem de antecedente muito longínquo. de ambição pessoal. pela pobreza do seu solo para qualquer exploração agrícola. A colonização seguiu. nunca quiseram iniciar a organização de uma vida social. De Geografia de Lisboa). ficava a zona ocidental. Simplesmente realizaram piratarias. 69 . o movimento colonial ativouse. individualidade da teogonia tupi. a marcha da conquista. XIV. pela morte de Belchior deuse em 1619. concorrendo muintos indivíduos a pedir doações de terra. Real e vaza-barris. Da Soc. situando-se na zona oriental da capitania. com a expatriação do natural. Ao indígena e seus produtos de cruzamento com o branco e preto. 66 Ver. p.

onde se tinha estabelecido como criador. pela carta de sesmaria do desembargador Baltazar Ferraz. desde 1599. almoxarife Martins de Souza69 e escrivão Manuel André. Na administração de Manoel de Miranda Barbosa. p. que não só tinham tomado parte na conquista. a questão abrasadora. 71 Porto Seguro. 382.71 Em 1602 foi Manoel de Miranda Barbosa substituído no governo por Cosme Barbosa. descendente de Diogo Álvares e de quem extensamente falaremos adiante. p. 408. Por não termos encontrado a carta de nomeação de Cosme Barbosa. I. A primeira carta de sesmaria por ele assinada é de 13 de outubro de 1600 e a última de 25 de abril de 1602. op. Era o provedor. Foi pelo governador da Bahia entregue aos petiguazes a incumbência de desalojá-los deste sitio. Durante a administração de Diogo de Qoadros. Acreditamos mesmo que por estas paragens a colonização estendeu-se em períodos ulteriores. onde posteriormente instituiu um morgado e alega seus serviços na conquista de Sergipe. p. p. para o estudo de fatos de ordem geral. em que distinguiu-se mais do que ninguém o jovem camarão. não sabemos quando ele assumiu a administração publica. por onde dificultavam o trânsito por terra. Carta de sesmaria de Martim de Souza. depois e ter concedido sessenta e quatro doações de terras. Esta ausente da capitania.Só podemos encontrar duas doações. como alguém já 67 Não encontramos a carta de nomeação de Miranda Barbosa. p. cujo curso se faz na porção setentrional. como auxiliado depois à posse do território conquistado. Em 1601. Tão estudado pela jurisprudência daqueles tempos. nas vizinhanças do rio Sergipe. pois daí em diante foi substituída pelo seu locotenente Manoel de Miranda Barbosa. 364.mor da fazenda de então Gaspar de Fontes.72 Abramos uns parênteses na marcha descritiva que levamos. cuja responsabilidade direta e imediata vai ate julho de 1600. que também exercia o lugar de ouvidor68. formavam grandes mocambos nos palmares de Itapicuru. Sete lavradores pedem para colonizar as circunvizinhanças do rio Sergipe e quase oito léguas foram dadas em Itabaiana. Cit. em dezembro de 1601. sendo depois substituindo neste ultimo lugar pelo padre Gaspar Fernandes. solicita do capitão-amor uma grade doação no rio real. distribuindo entre si os centenares que fizeram na luta. que se estende de 1600 a abril de 160267 a colonização encaminha-se para o norte e para o centro. Belchior dias moréia (caramuru). a raça indígenas foi objeto da maior questão da política colonial.70 Por esse tempo os negros de Sergipe abandonaram as fazendas e reunidos com outros da Bahia. 70 Carta de sesmaria de Belchior Dias Caramuru. 355. Os petiguazes atacaram os mocambos. 356. entre as duas capitanias. já achava-se revestido do cargo de capitão-mor de Sergipe. Entretanto em junho de 1602. 72 Carta de sesmaria de Baltazar Ferraz. fizeram-se sessenta e uma doações de terra a indivíduos. 68 69 Sesmaria de Gaspar de Fontes. 70 .

pela indecisão da coroa. exclusivamente em favor da ordem. e então emigrou. que seguiram sempre uma política protecionista para com o selvagem. Ou a pequenez do território era desfavorável á sua permanência. As duas calasses alcançaram completa ascendência sobre a classe popular. assim. levando-se mesmo em linha de conta as circunstancias relativas. Na passagem do exercito conquistador pelo vaza-barris prestaram importantes serviço. Levantada pelos jesuítas. O mestiçamento em que ele entrou como elemento formador. como na hereditariedade das gerações mestiças. As aldeias eram. se causas muito gerais não tivessem sido seus antecedentes na historia da metrópole. a imigração africana para ai fez-se em larga escala. Estas medidas incrementavam o regimen dos aldeamentos e desfalcavam os braços da lavoura. essa grande questão que atravessou vida secular. No período compreendido entre 1590 e 1609. sem sua intervenção. que a lei abolia cujo resultado foi a grande preponderância da raça africana não só na elaboração da riqueza. deseja e realiza. Tornam-se elas o objeto de reverencia e lealdade. saciando-se. Ela mataria no Brasil os hábitos de reverencia ao clero e superstição á religião. ou então a desumanidade na luta para cativá-lo foi enorme. levantou uma luta entre a classe popular e os jesuítas. para suprir a insuficiência do braço indígena. ficando elas plenamente satisfeitas com a lei de 3 de junho de 1609. Cedo vieram os jesuítas desdobrar a atividade de sua política em Sergipe. roubando seus aposentos. O papel do indígena foi pequeno. provocando a imigração africana. sem cair nas garras do cativeiro. hoje representa diminuta ação pelo pequeno numero a que eleva-se a população desses mestiços. Em Sergipe não tem sido senão estas mesmas leis que têm dirigido o movimento social. na qual o sentimento de avareza do colono a escravizar indígena encontrou sempre muito apoio. cuja civilização e catequese eram entregues aos membros da companhia. entre nós.disse – a abolição da escravidão indígena. O fato e que o contingente do elemento indígena na historia de Sergipe não e tão grande como em outros estados. cuja escravidão pelo colono português era o móvel das lutas e conquista. 71 . centros de lavoura e comercio. bem característico naqueles tempos. as medidas legislativas correspondiam as aspirações abolicionistas dos jesuítas. Compreende-se perfeitamente que sendo estes vinte e um anos os primeiros da colonização de Sergipe. o espírito de riqueza. e debaixo de tais princípios tem caminhado a civilização brasileira. que nada aspira. que proibia em absoluto o cativeiro do natural. contribuindo também a colonização rápida que desbravava as florestas. e se o clero secular não tem feito harmonia com a classe do governo. porém.

78 Além desta posição oficial. além das funções espirituais que representa. duas léguas em vaza-barris. etc. junto ao rio Sergipe. o padre Gaspar Fernandes uma légua em Tinharé. 357. junto á capital. meia légua em Caipe. que serve de colégio. 77 A substituição foi de pequena duração. em cujas deliberações poderosamente influi. representados pelo Padre Amaro Lopes. sendo substituído pelo Padre Gaspar Fernandes.Bento Carta de sesmaria do padre Bento Ferraz. Assim. edificaram capelas nos engenho de suas propriedade: Dirá Colégio. Senhor de grandes posses territoriais e parte integrante da classe do governo. aplicava-a na edificação de suntuosos templos. no máximo. 78 Carta de sesmaria do Padre Gaspar Fernandes. Comandoroba. ele torna-se também proprietário e lavrador. O convento dos Jesuítas foi edificado junto a São Cristóvão. no mesmo ano. cuja contribuição é de capital importância para caracterizar a feição social daqueles tempos. . Retiro. organizando-se em povoações de trezentas casas. que é o Vigário da capitania76 é também o loco-tenente de Manoel Miranda Barbosa. Levantam propriedades açucareiras. os Beneditinos os concorrem a Sergipe (1603) e representados por frei domingos solicitam do capitão-mor um idêntico favor. 75 76 Carta de sesmaria dos padres de S. uma légua junto á serra de Itabaiana. em que procuramos estudar os fatos de ordem geral. comissionado três anos. o padre Agostinho Monteiro obtém a doação de meia légua de terra. E sem família legítima para com ela distribuir a fortuna que se acumulava. Não desempenhado somente as funções espirituais.77. uma légua no poxim. meia légua no poxim. em 1603 e o cônego Leandro Pedro velho. assumem a direção espiritual da capitania e pedem também doações de terra. o clero já representava então papel saliente no movimento social de Sergipe. em 1600.74 Além da ordem da companhia de Jesus. Está hoje em ruínas este templo. edificam capelas. 72 . em 1602 e duas léguas no rio Mocuri. Sua vigária terminou-se em 1602. em 1600. morador na Bahia. o padre Felipe da costa. p. cuja direção espiritual lhes pertence e a administração civil a um capitão-mor. alem do templo.Sob o duplo caráter de sacerdote e agricultor. o padre Bento Ferraz uma légua no rio real. Fechando aqui o parênteses. de dezembro de 1600 a janeiro de 1601. em 1601 e três léguas no vaza-barris. meia légua no rio Mocuri. Ibura.73 Com tão grade posse territorial que deviam colonizar para a prosperidade da ordem encetam o trabalho de aldeamento. 73 74 Certa de sesmaria dos padres da companhia de Jesus. continuemos a descrição das administrações que seguiram-se á de Miranda Barbosa. O padre Bento Ferraz. para onde convergia grade parte da riqueza pública. 75 O clero secular já faz parte do governo. Camassari. Além dele. aos lucros de sua congrua vêm reunir-se os proventos do trabalho agrícola. em cuja ausência dirige a administração em dezembro de 1600. em 1603. para criação de seus gados e iniciar a lavoura. O padre Gaspar Fernandes é o ouvidor e o juiz dos regimentos em 1602. no mesmo ano.

para edificar uma casa no assento da nova cidade. Francisco. A colonização caminha para o norte. á nova cidade deu-se o nome de cidade de Sergipe d‘el-rei. que foi de pouca duração. mais um terço era feito com o clero. em todo o estado do Brasil. em 1637. sendo-nos impossível verificar a marcha que seguia a receita que então era de 580$000. para uma elevação que fica nas margens do Piramopama. em 1606. de sentenças setenta braças de terra.Durante sua administração. já iniciada na capitania. Cedo teve a capitania de procurar um novo sitio para a edificação da cidade.81 Não obstante na petição não virem alegações que nos tragam a convicção de que a doação e na cidade que fica junto ao poxim ou piramopama. provinham do estanco do dizimo que a junta de Portugal dera em 1601 a Gabriel Ribeiro. 81 Carta de sesmaria de Padre Novaes de Sampaio. na razão de quarenta e dois contos anualmente.Cristóvão. Porto Seguro. onde fizeram-se quatorze doações e onde iria prosperar a lavoura da cana. em vista de outra doação pedida pelo mesmo Pero Moraes de Sampaio. As rendas da capitania. 73 . p.82 79 80 Porto Seguro. Por escassez de documentos nos é impossível determinar a data de sucessão no governo de diversos administradores que sucederam a Tomé da rocha. Cit. além das que Cristóvão de barros deixara. que foi substituído por Nicolau Faleiro de Vasconcelos. que para o futuro havia de conquistar supremacia sobre a criação do gado. por que em junho de 1603 foi substituído por Tomé da rocha. junto ao último rio. I. Sobre este ponto só podemos levantar hipóteses mais ou menos prováveis. Em março de 1607 pero Novaes de Sampaio pede ao capitão-mor de então. mudando-a do oiteiro. Com o alardo de cento e quarenta homens e com um armazém bélico de duas peças 80. Não encontrados nenhum documento que assinale a data real desta segunda mudança. p. 82 Carta de Pedro Novaes de Sampaio. as despesas montavam em 428$840. Desconhecendo a causa real dessa mudança. onde deu-se a invasão holandesa. junto ao rio poxim. sendo daí em diante substituído pelo de S. Antonio Pinheiro de Carvalho. op. afluente do vaza-barris. A despesa anual de Sergipe era de 396$000. despendendo-se com a milícia 333$920 e com a igreja 148$920. As doações são concedidas nas vizinhanças de S. I. para edificar uma casa. que novamente vem administrar Sergipe. proveniente do gado e meunças. por este tempo (1603). Cit. op. A uberdade desta zona assegurava a prosperidade dessa exploração agrícola. a colonização prosperou. dirigindo-se para o fertilíssimo vale do cotinguiba. 410. Em tão pequeno intervalo a despesa quase que duplicou. até a serra da Tabanga. doze braças de terreno. que se conservou durante todo o século XVII. desde 1611. na mesma data.79 Nove anos depois em 1612. 433. todavia acreditamos mais na segunda hipótese. Achava-se já na administração Antônio pinheiro de carvalho.

pois he para bem do povo. Sergipe hoje três de julho de mil e seis centos e dês anos. desde novembro de 1636. menos o livro de registro das sesmarias que foi conduzido pelos fugitivos. lenhas. (segue a formula do regimento. porém. pois. quando pela segunda vez administrou a capitania João Mendes. que pela segunda vez dirige o governo da capitania. em 1626. A escassez de documentos é enorme na história deste período. não sabemos quais foram os capitães-mores. quando os holandeses invadiram Sergipe._O capitão Antonio Pinheiro de Carvalho. Desta data a 1621. que para isso hão mister meia légua de terá a qual meia légua se comesara da ribeira do peramopabama ate a ribeira que corre da banda de Mathia Moreira. Ligamo-la ao saque e incêndio que os holandeses fizeram em S. em nome de sua magestade aos suplicantes a terá que pedem por ser assim necesaria para serviço desta cidade. sendo substituído por Pedro Barbosa que governou de agosto de 1630 a 1636. Achava-se no governo da capitania João Rodrigues Molemar. asseguramos é que em 1610 já se tinha dado a mudança para este local. Tudo foi entregue às chamas. na hipótese de ela ainda estar no oiteiro de poxim. o qual fora nomeado a 1º de outubro de 1631. Parece. cujacarta de nomeação é de 20 de dezembro de 1628. Cristovão. ate 1623.É muito pouco provável que o peticionário quisesse edificar uma casa tão distante da cidade. Dou de sesmaria. Resebera merse.)” A Antônio pinheiro de carvalho sucedeu João Mendes. supposto que seja dada a alguém a vosa merse em nome de sua magestade lhe dê a dita terá. a cidade já tinha sido transferida para as margens do Piramopama. hindo para cahype e para a banda do sertão. em 1607. Nenhum documento podemos encontrar anterior a esta invasão. O que. senão Amaro da cruz porto carreiro. Foi substituído em 1614 por Amaro da cruz porto carreiro. 74 . que nesse tempo. “Dizem os officiaes da câmara desta cidade que ao povo dela he necessario um pedaso de terá nos limites desta sidade para despejos de cavalgaduras e de madeiras para casas. nomeado a 19 de maio de 1611. em vista do seguinte documento: “Saibãõ quantos este publico instrumento de sesmaria virem que no ano do nascimento de nosso senhor Jesus cristo de mil e seiscentos e dez anos aos vinte dias do mês de setembro do dito ano nesta cidade de San Cristóvão capitania de Sergipe de El-Rei nas pousadas de mim escrivão ao diante nomeado apareceo Pedro Lopes procurador do conselho desta cidade e por ele me foi apresentado huma petiçam da câmara com um despacho posto ao pé dela do capitão mor desta dita capitania Antonio pinheiro de carvalho da qual petiçam e despacho o traslado dela é o seguinte. correra pelos pés dos outeiros que estão entre as mangabeira.

CAPÍTULO III MINAS. PRIMEIRAS EXPLORAÇÕES

O espírito de riqueza, o sentimento de avareza, que foram acima de tudo o real estímulo de muita atividade que se desdobrou neste país, por parte do corpo colonial, manifestaram-se sob uma forma dupla, cada qual mais poderosa para alargar a colonização e fazê-la estender-se a maiores extensões. Não só o índio tornou-se o objeto desse sentimento, como o território, para exploração de suas naturais riquezas. O colono que se dirigia para ultramar, antes de pensar na formação de uma nova pátria, antes de ativar-se pelo desejo do estabelecimento de uma nação , pensava na satisfação de seu egoísmo. A florescente natureza que se oferecia a seus olhos, a exuberância da vida tropical que agora o cercava, mostrando-lhes lindos espécimes de muita riqueza, aguçavam ainda mais sua avareza. Além disso, as grandes fortunas que se formaram pela exploração portuguesa nas Índias, os preciosos metais e minerais que foram arrancados do solo para o comercio português, que, por isso, tornou-se, nos séculos XV e XVI, o mais rico da Europa, o que concorria com maior competência no movimento econômico do velho mundo, trouxeram idênticos hábitos de exploração para o Brasil, desde o começo da colonização do século XVI, ainda pela convicção em que estava o espírito do colonizador, da semelhança de fauna e flora e das condições geológicas. Por indução, o colonizador conclui, dessas semelhanças, existirem minas no Brasil. Essa idéia, essa convicção, já foi gerada pela física do país, no espírito do colonizador. Em grande parte, era emigrada, por isso que na Europa ela era um importante fator das colonizações, um fato de caráter geral. A idéia política que tem por fim ampliar o espírito público, os direitos e a lei; que tem por fim tronar mais lata a soberania nacional, pelo largo desenvolvimento do comércio, da industria, da instrução; o espírito científico que tem por fim aumentar a cultura do povo, ampliar a liberdade do cidadão, tornar o homem soberano no meio da natureza que o cerca, não eram a causa eficiente das colonizações naqueles tempos, como o são hoje. Mais poderosos do que a idéia política, do que o espírito cientifico, eram o sentimento de riqueza, o sentimento religioso, para inspirarem as nações na colonização dos países selvagens. Salvar as almas em nome da religião e acumular riqueza em nome do interesse pessoal, eram característicos das determinadas nações coloniais daqueles séculos. Hoje salvar o cidadão da pressão autoritária de um governo, em nome da liberdade e da lei, e salvar a verdade em nome da ciência, é a causa das deliberações atuais e a feição dos tempos correntes.

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Eis por que quando o colonizador pisou o território brasileiro já trazia o espírito excitado pela febre desses sentimentos – pesquisar minas em satisfação própria, resgatar as almas das garras de Satã, em nome da religião. E as formações geológicas metamórficas, que se ofereceram a seus olhos, acenderam-lhe a cobiça e a avareza, a ponto que em cada quartzo, feldspato, mica, ametista, via as provas e os vestígios de ricas minas. Ao mesmo tempo que as formações geológicas aguçavam-lhe a ambição, uma raça desconhecida excitava-lhe a cobiça. Explorar minas e explorar as florestas brasileiras, em buscas de escravos, tornou-se um fato geral, em nossa história. Não só a classe popular, como a classe do governo se deixaram preocupar por ambas as explorações. Em ambas ficou plantado o privilégio, pelas tendência centralizadoras do governo. Prendeu o trabalho, cativando o braço, ficando sem equidade a distribuição da riqueza e prendeu os proventos das riquezas naturais. Instituiu o privilégio da escravidão, em beneficio da lavoura, e o privilegio da mineração em seu beneficio. E como ambos os fatos – o cativeiro do indígena e a exploração das minas – tinham por fim o primeiro passo de uma civilização – a formação da riqueza – e estavam centralizados nas mãos de duas classes, compreende-se facilmente que desde o começo, nossa vida econômica foi defeituosa, pelo poder centralizador em que ela vasou-se. Eis um fato de grande alcance para análise dos filósofos e que tanto contribuiu para a formação de um caráter nacional, como o que possuímos. Desde de que ambos os fatos foram monopolizados, o privilegio criado estabeleceu a corrente para o governo e a lavoura e com ela a corrente do poder, ficando assim as outras classes expoliadas. E procurando apreciar as ultimas conseqüências desses antecedentes, vemos que daí originaram-se a supremacia do governo, os ligeiros vestígios de uma aristocracia territorial, a passividade e subserviência da classe popular, a falta de um senso critico e analítico. E do caráter assim constituído ainda vemos bem visíveis provas, em nossas relações, psicológicas e econômicas. E se outros fatores representaram importante papel na formação do nosso caráter, a exploração das minas trouxe seu contingente, tanto mais importante, quanto ela tinha relações diretas com a formação econômica. O governo legislou sobre minas, tomando para si todos os proventos e quis levantar uma aristocracia sobre elas, por meio de baronatos, marquesatos, etc. E por isso temos de apreciar os desejos de muitos em obterem tais títulos, como Belchior Dias Moreyra, morador em Sergipe, um dos mais ousados exploradores das minas brasileiras, no século XVII, que tanto almejou o titulo de barão. Belchior Dias Moreyra tomou parte importante na conquista de Sergipe, acompanhando a expedição de Cristóvão de Barros, em 1590.

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Morou nas margens do Rio Real, onde está hoje edificada a vila de Campos, cuja capela foi por ele edificada. Iniciou naquelas paragens a profissão pastoril, constituindo-se talvez o maior fazendeiro daqueles tempos. Instituiu um morgado que motivou grandes pleitos e que duraram até poucos anos passados. Tinha foros de fidalgo e foi o tronco da família dos Caramurus, em Sergipe. Sua prole ramificou-se em Sergipe, constituindo diversos ramos, Pregos, Ávilas, Fonseca Saraiva, Dias, etc. Morreu em 1622 em sua modesta fazenda, com a idade de oitenta anos, deixando um filho natural Rubélio Dias, natural de Geru e filho da índia Lourença, de que adiante falaremos. Belchior Dias representa o homem que domina a história de Sergipe no começo do século XVII, pelas suas ousadas explorações. Os preciosos documentos dados à publicidade pelo meu honrado amigo e ilustrado professor Dr. Capistrano de Abreu, esclarecem as questões de minas, salvando a verdade que ate então, pela influencia de Rocha Pita, eram uma legenda em torno do nome de Rubélio Dias, a quem os historiadores sempre ligaram as questões de minas, no Brasil. O nome de Belchior desapareceu, para ser substituído pelo do seu filho, que na opinião de seus contemporâneos não teve tino nem atividade para seguir os passos de seu pai. A legenda foi substituída pela verdade da historia. Foi Belchior e não Rubélio quem se dedicou à exploração de minas. E compreendendo que na publicação dos documentos que esclarecem um ponto tão importante de nossa história, prestamos um serviço ao interesse de Sergipe, o fazemos, na esperança de que a iniciativa levante-se para arrancar do nosso solo as riquezas que ele possa conter. Na convicção em que estamos de que possuímos grande jazidas de preciosos metais, ficaremos contentíssimos se alguém utilizar-se dos ligeiros esclarecimentos que pretendemos dar neste trabalho, que se recomenda mais pela intenção de quem escreve, do que pelo seu valor real. Sendo de alto valor as excursões de Belchior, transcrevemos textualmente a carta que escreveu o coronel Pedro Barbosa Real ao Conde de Sabugosa em 1725, cuja publicidade deve-se ao espírito trabalhador do infatigável professor. Eis o que dizia o Coronel Leal ao Conde de Sabugosa: ―............................................................................................................................ ....‖vivia no sertão do Rio Real Belchior Dias Moreyra, dos primeiros naturais da Bahia, primo
de Gabriel Soares, abastado de terras e de bens que deixou por sua morte vinculados em morgado sobre o qual tem havido as contendas com a casa da Torre. ―Passados dous annos de perdição de Gabriel Soares sahiu seu gentio manso com algum gentio de Paramerim a buscar Belchior Dias pelo conhecimento que deste tinham. ―Com algumas amostras que trouxeram e com algumas noticias que já tinham de seu primo Gabriel Soares, resolveu a largar a sua casa e fazendas e entrar no sertão com o poder que tinha de seu gentio e o mais que de novo tinha vindo buscar, levando em sua companhia Marcos Ferreira, grande mineiro e se presume o mesmo que tinha acompanhado a Gabriel

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Soares – havendo duvidas que este mesmo Marcos Ferreira quando se perdeu Gabriel Soares sahio só do povoado ou ficou no sertão, entre aquelle gentio que foi quem os reduzio e convocou para buscarem Belchior Dias Moreyra. ―Preparado Belchior com a sua tropa no rio Real se encaminhou para as serras de Jacobina, fazendo seu caminho pelo rio Itapicuru acima, buscando o sertão de Massacará, passando pela serra a que os natures chamam – Bendutayu – que quer dizer na língua portuguesa – serra de Prata -, desta passou á serra do ―Puarassia‖ que se acha no meio da caatinga do ―Tocano‖, onde também fez exames, passou della ás serras de ―Jacobina‖ e continuando sua marcha por ellas para a parte do sul foi á ―Pedra Furada‖, d‘ahi passou ao rio Salitre e por elle acima foi buscar o logar onde se presume que morreu Gabriel Soares, passou a serra ―Branca‖, da serra ―Branca‖ passou ás serras de ―Osoroá‖ que se avisinham ao rio S. Francisco e dellas passou ao rio Verde e do rio Verde ao Paramerim e por elle acima procurou a aldeia dos Tubaijaras que existiu á beira do Paramerim, junto ao sitio que hoje chamam do Periperi, donde voltou não sei por onde, mas sei que tornou a buscar o rio Salitre, seguio por elle abaixo descobrindo as minas do ―Salitre‖, tornou a sahir ao rio S. Francisco, seguio por elle abaixo, foi ao ―Coraria‖ e onde descobrio as ametistas e novas minas de salitre na serra do ―Oroquery‖, continuou a marchar pelo rio abaixo, passou á outra parte de Pernambuco e se recolheu para ―Itabayana‖ a sua casa, gastando nessa estrada oito anos, no decurso dos quaes se não soube noticias delle, tanto assim que em sua casa o reputavam por morto. ― Com o trabalho, diligencias e exames de oito annos, sahio Belchior Dias Moreyra a povoado com o descobrimento de ouro, prata, pedras preciosas e salitre. ―Embarcou para Portugal, passou á corte de Hespanha, declarou os haveres que tinha achado, pretendeu mercês, e ou porque julgaram altas as mercês, ou porque julgassem que por ser natural do Brasil não merecia nenhuma attenção, o trouxeram quatro annos em requerimentos, até que desenganado voltou para o Brasil sem ser deferido. ―Passou segunda vez em Portugal e em dous annos de pretendente sem conseguir cousa alguma se tornou a voltar para o Brasil. Terceira vez intentou o mesmo, mandando seu sobrinho Domingos de Araujo remetido ao Conde de Almirante com todas as instruções. ―Voltou da mesma sorte sem despacho algum. ―Achou-se neste tempo governando Pernambuco D. Luiz de Sousa, avô ou bisavô do Sr. Marquez das Minas e tendo noticia dos grandes descobrimentos que havia feito Belchior e da sua desconsolação, lhe escreveu que se coarctasse nas mercêes que pretendia de Sua Magestade que elle queria ser seu procurador para na corte alcançar aquellas que pudesse conseguir. Sujeitou-se o velho Belchior Dias aquelle Mecenas cançado já de seu trabalho, da sua velhice e de tantos baldados requerimentos. ―Protegeu D. Luiz de Souza o requerimento de Belchior Dias na corte, offrecendo-se para com ele examinar e certificar umas e outras minas, alcançando, em primeiro logar a promessa do título de Marquez de minas para si, que então teve principio este titulo, tendo a sua confirmação depois da acclamação do Sr. Rei D. João IV e para Belchior Dias algumas mercês que se lhe destinaram. Conseguindo este despacho, escreveu D. Luiz de Souza, de Pernambuco, a Belchior Dias que Sua Magestade tinha deferido as mercêes , cujo escripto ficava em suas mãos para lh‘o entregar quando se ajustassem aquella diligencia e que em tal tempo o fosse esperar no rio S. Francisco para ahi se incorporarem e darem principio ao descobrimento, cuja carta firmada pelo dito governador D. Luiz de Souza se acha em meu poder. Resolveu-se depois vir á Bahia incorporar-se com o governador della o Sr. D. Francisco de Souza, seu primo, para ambos fazerem entrada no reconhecimento das minas. Desceu Belchior Dias á Bahia para guiar e acompanhar os governadores, como fez. ―Parece que Belchior Dias Moreyra com o uso das vezes quo foi áquellas côrtes se fez político e soube seguir algumas máximas que nellas só praticam, porque contam seus descendentes que, tendo peitado e obrigado a um pagem particular de um dos governadores, este sendo inconfidente a seu amo revelára a Belchior Dias que conversando ambos os governadores sobre as mercês que El-rei lhe fazia, dissera um para o outro: - mostre elle as

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minas, que o caboclo para que quer mercês? Do que procedeu entrar em desconfiança do que resultou o seguinte: Partiram da Bahia os dous governadores com Belchior Dias que os levou direto á serra de Itabaiana e que chegando a ella dissera aos governadores que suas senhorias estavam com os pés nas minas, mas que não lh‘as mostrava enquanto elles não lhe entregassem primeiro as cartas de mercêsque sua Magestade lhe fazia. ―Ao que elles lhes responderam que mostrasse as minas, que as mercês estavam certas, e se lhe entregariam o alvará de Sua Magestade depois que as mostrasse. ―Parece que ao mesmo tempo que cresceu a duvida em os governadores crescia mais a primeira desconfiança em Belchior Dias, que se resolveu a não patentear os descobrimentos, pelo que se precisaram os governadores a prendel-o, querendo por este meio obrigal-o a mostrar o que sabia, e vendo-se preso os levou a um serrote que chamam das minas em meio dos campos de Itabaiana, em o qual se fazendo exame se achou uma pedras cravadas de marquesita que não deram de si prata alguma, á vista do que voltaram os governadores para a praça da Bahia e Belchior Dias preso na cadêa della o obrigaram a pagar os nove mil cruzados que se tinha feito de despeza na jornada. ―Vendo-se Belchior Dias com dous annos de prisão e por não pagar os nove mil cruzados se resolveu em descobrir e mostrar o que sabia, ao que acudiram Pedro Garcia, o velho e outros parentes escandalisados do mau tratamento que lhe haviam feito os governadores, dizendo que não descobrisse, nem mostrasse nada e pagasse os nove mil cruzados que lhe supririam com elles, e com efeito pagou os nove mil cruzados, foi solto para o rio Real, aonde passados dous annos morreu, deixando todas as noticias daqueles descobrimentos sepultadas com a sua morte que succcedeu em o anno de 1619, tendo-se passado mais de um século sem que se tenha com certeza averiguado o lugar daquellas minas. ―Deixou este homem por sucessor a sua casa um filho natural havido em uma índia da aldêa do Gerú, a quem chamavam Rubélio Dias. Este com poucos brios, pouca actividade e temeroso do mau sucesso de seu pai, não só não quis seguir aquella empreza, se não deixou perder todas as memórias e roteiros que tinha deixado o dito seu pai. ―De Rubelio Dias procedeu D. Lourensa, que foi casada com Paulo de Araujo de cujo matrimonio nasceu o coronel Belchior da Fonseca Saraiva Dias Moreya, que entrou na casa em morgado do rio Real de sua bisavô Belchior Dias Moreya, e como este se casasse com a filha do desembargador João de Góes, vindo á cidade da Bahia, quis o Sr. Affonso Furtado que então governava este Estado, renovar aquelles descobrimentos de Belchior Dias, pelo que chamou o dito Coronel Belchior da Fonseca, a quem chamaram o Moribeca, para que declarasse os roteiros de seu bisavô e descobrisse aquelas minas. ―Foi o dito coronel ao sertão do rio Real á uma serra que esta defronte á fazenda do Jabibiry, onde morava e onde viveu seu bisavô, a que chamavam serra do Caniny, da qual tirou algumas pedras com marquesita, que parece prata e porque na sua casa se conservavam ainda algumas pedras de legítima prata do tempo de seu bisavô, introduzio estas com as que tirou da serra do Caniny e as trouxe ao Sr. Affonso Furtado que as mandou ensaiar pelo ourives Raphael Lobo, e como este entre todas escolhesse as que achou de líquida prata, tirou dellas a prata que tinham, o que vendo o Sr. Affonso Furtado mandou a seu filho João Furtado, com a amostra da prata e com as pedras que ficaram a ser apresentadas a Sua Magestade, Entendendo que tinha conseguido aquelle descobrimento em que sempre se tinha cuidado; mas como em Portugal se não achasse mais pedras de prata, ficou em duvida a certeza daquelas minas. ‘‘Governando este estado o Sr. Roque da Costa Barreto, mandou o Sr. Rei D. Pedro a D. Rodrigo Castello Branco, com 600$000 de ordenado e toda a despreza que fizesse por conta da fazenda real, averiguar e examinar as minas de Itabayana e Jacobina, pelas noticias e tradições de Belchior Dias. Foi D. Rodrigo com efeito a Itabayana ao mesmo serrote das minas a que Belchior levou os governadores, donde fez algum exame e somente achou que havia alguns criadeiros que indicavam prata, mas de pouca consideração e de nenhuma esperança para se romper aquela mina e retirou-se para Bahia, de onde passou para São

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Paulo, ambicioso então das noticias que corriam das esmeraldas, de ouro, e de prata de sabarabussú, onde o mataram, deixando na Bahia o tenente-general Jorge Soares de Macedo, seu cunhado, para ir examinar as minas de Jacobina ―E como a esse tempo se sabia já de um roteiro que Belchior Dias havia dado a seu sobrinho Francisco Dias, bisavô do coronel Garcia d‘Ávila, do haver que havia em Jacobina, foi Jorge Soares com João Peixoto a Jacobina, examinar o dito roteiro e correndo muitas serras e logares o não averiguaram e sucedeu o que o mesmo João Peixoto relata na noticia que deu e deixou escripta com o mesmo roteiro que é o seguinte: ―Copia da instrucção que deu o padre Antonio Pereira, o da torre de Garcia d‘Ávila, a João Calleta no ano 1655 para buscar na Jacobina as minas que descobriu Belchior Dias no ano de 1604 na mesma forma que ficou escrita pelo próprio Belchior Dias Moreya o seu sobrinho Francisco Dias d‘Ávila parente do dito padre, etc. ‘‘Na serra, na mais alta ponta dela que tem, pondo-se o homem da banda do sul, está o haver e a ponta está inclinada ao leste; e debaixo desta ponta de leste bem a baixo, quando faz grandes invernadas Leva uma bêta, si é de prata ou de ouro Deus sabe, e quando forem ao taboleiro em cima, pondo-se da parte do sul hão de achar muitos crystaes e da banda do sul para o norte outras pedras muitas, que me parecem de consideração.‖ ―Dizia mais o papel donde morreu Gabriel Soares de Souza está uma serra Itauiupeburá que é de chumbo. Tomem a ribeira donde nasce Tapuia Ubatuba, corram por ella abaixo, não fique grota que não vigiem.‖ ―Copia de um assento de Belchior Dias Moreya que foi dizer a El-Rei o anno de 1612 e por lhe não deferirem com as mercês que pedia e grande morreu no anno de 1619, ficando encobertas.‖ ―No de 675 fui eu com Jorge Soares uma das pessoas que Sua Alteza mandou a ver se eram minas, a serra de Itabaiana e Jacobina, vêr se fora por alli aquelle descobrimento de Melchior Dias. Achei um índio cariry, velho de cem annos, por nome Gaburú, na aldeia de Sahy e descobri com muita indústria haver acompanhado a Mechior Dias naquela jornada de seu descobrimento, o que ele tinha muito calado e negado ( disse ele) por assim o ordenado dito Melchior Dias. Levou-nos pelo campo firo ao do Salitre, cortando doze léguas de matto e catinga, sem água nem caravatá que a tivesse e com raízes de imbú e mandacarú se remediou a gente que abriu o caminho em dezenove dias. Mostrou o velho logar. onde Melchior Dias achou o que buscava, o qual ( disse o índio) os levará outro de outra nação que primeiro deu umas pedras ao Belchior Dias. Achamos signaes certíssimos de haver ahi estado gente branca, e não foi outro senão o dito Melchior Dias e depois do anno de 1628 seu sobrinho Francisco d‘Ávila mandado pelo governador Diego Luiz de Oliveira, sendo já morto o tio, mas não descobriu a mina por que não a conheceu, porque Belchior Dias escondeu da gente e índios que levou aparte donde tirou a pedra que ensaiou alli e disse o velho índio que coseu no fogo em m texto ou tacho e depois lavou muito e tirou uma pedrinha branca. Disso fizera muita festa com as espingardas e dissera era pólvora e lhes mandará não mostrar nunca a branco aquele logar. porque havia de saber os flamengos e vir tomar-lhe a sua terra, e por isso não quisera nunca falar nem mostrar. ―Em poder de Belchior da Fonseca, filho de Paulo de Araujo e de D. Lorença, neta do dito Belchior Dias, está um copiador de cartas que escrevia a El-Rei e ministros ( agora está este copiador na secretaria) instando de novo que não ficava por elle descobrirem-se as riquezas que as terras do Brasil tinham sonegado ha tantos annos com que S. M. poria freio ao turco e sopearia os potentados da Europa e estes termos de explicar o seu achado provam a riqueza e certeza della e instancia com que o affirmara e ser entendido em minas, e aquelle descobriu acompanhado de outro maior mineiro por nome Marcos Ferreira de que deu noticia o velho índio, e depois achei em João Callella e assim que por todas as razões que Belchior Dias achou ricas minas, e em sua casa há inda prata que tacitamente tirou delas, isto é fama constante e que foi aquele lugar se certifica pelo referido; mas por não haver quem conheça as pedras que estão incógnitas, Deus as descobrirá quando fôr servido.

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M. ―Partiu o dito coronel de sua casa do Rio Real e marchou até a serra do picarassá de que atrás tenho tocado. Roque da Costa tinha-o obrigado a acompanhar a D. Dr. E porque no mesmo tempo capitão-mor de Sergipe El-Rei. Fui buscar á aldeia do Gerù a falar com o principal de nome Birú. Rodrigo de Castello Branco e o ajudar a examinar aquella mina em que só acharam ao referidos criadeiros com alguns indícios de pouca prata que ahi havia. acrescentando que pela experiência que tinha e sabia das minas. tão maltratado e comido de cupim que em poucas folhas se deixa ler algumas partes. recolhendo-se a sua casa sem outra alguma satisfaçãs. donde voltou um pouco efeito e com poucas diligências. João de Alencastro mandasse pessoa de confiança a examinar se as minas de onde tinham saído aquellas amostras eram verdadeiras e seriam de rendimento. a prata se não criava senão de quarenta léguas afastadas do mar para o sertão. Mandou chamar o coronel Morimbeca e lhe encarregou fosse novamente investigar novamente o sertão em que seu bisavô tinha descoberto aquellas minas. nas casas de fundições de prata. 60. e se acharia no seu livro de razão a fls. mas não deram em nada porque são infinitas as serras e eles ignorantes em minas. seis léguas distantes de Itabaiana e que ouvindo fallar na prata d‘ella fôra por sua curiosidade a ver o serrote das minas e que ao Sr. um velho que vivia na Bahia defronte de S. ―Como esta e outras noticias me resolvi entrar pelo mesmo caminho e sertão por onde entrou Belchior Dias. de seu bisavô Belchior Dias Moreya. que tinha acompanhado a Belchior Dias e era tio de Rubelio Dias. fui à serra do Picurassá onde fazendo varias diligencias não descobri nada. donde voltou a buscar a estrada do rio São Francisco até o corassár. e fallando ao dito velho índio me certificou que tinha acompanhado Belchior Dias Moreya até a serra do picurassá sómente. e porque dele se acham seis ou sete folhas cortadas com assento do mesmo Belchior Dias em que se assignou que aquellas folhas que alli faltavam as rompera. João me ordenasse que fizesse passagem pelo rio Real. é que d‘ahi para diante o conduziram e guiariam taes índios e ele se voltára com outra gente para sua aldeia. Que se acha na secretaria para entender sobre os descobrimentos de minas. até que certificado da diligencia em que eu ia me veiu fallar. e a Amaro Gomes.―Os signaes que deu este papel acima deu o padre Antonio Ferreira (da Torre) a João Callella e a seus irmãos para buscarem o ano de 652 quando entraram a povoar aquelas terras e parte da Jacobina. Jorge de Barros Leite. que o Sr. E este velho me despersuadiu que não fosse a Itabaiana porquanto elle havia morado alguns anos na cidade Sergipe d‘El-Rei. João de Alencastro com ordem de S. ―Como o Sr. M. assim como estava o copiador que conservo em meu poder. o qual tinha assistido muitos anos nas Índias de Hespanha. ainda parente de Belchior Dias. levado em minha companhia ouvires experientes e a Manoel Vieira da Silva que havia acompanhado a D. para cuja diligencia me nomeou o mesmo senhor. a partir da Bahia. mas é sem duvida que pela tradição dos índios Oris daquella serra esteve nela Belchior Dias e sobre ella onde estive oito dias examinando-a achei duas marcas: a primeira consta de três 81 . Rodrigo de Castello Branco por ensaiador. ―Veio governar este estado o Sr. seu filho. Pedro. e que assim me dava de parecer que a buscasse mais ao sertão e que me não confiasse com a Itabaiana. e procurasse o coronel Belchior da Fonseca para que me comunicasse todas as notícias que tivesse. mandando S. e porque então me achava sem intelligencia alguma de minas. D. ―Passei d‘ahi à casa do coronel Moribeca que receioso de alguma execução se ocultou três dias. porque seu gênio não o inclinava à semelhantes serviços da qual diligencia não deu conta. procurei instruir-me na especulativa e pratica dos exames dos metaes com João Coutinho. introduziu umas pedras do serrote das minas de Itabaiana e de outras terras do mesmo continente introduzindo-lhe alguma prata industriosamente de que resultou tirar-se na casa da moeda em Portugal algumas porções de prata de cinco pedras que foram com as mais. que morava no rio Real e dava várias noticias de algumas entradas de Belchior Dias. o qual livro nunca apareceu e me certificou o dito coronel que fora comido e destruído do cupim. D. comunicando-me verbalmente algumas noticias e tradições que tinha sem certeza e me entregou um copiador de cartas de seu bisavô Belchior Dias.

e que os brancos tinham corrompido genericamente o nome de Jacobina por todas as aquelas serras e que como elles tinham procurado o roteiro naquele continente da primeira povoação da Jacobina. mas como me faltava o roteiro não pôde entender nem averiguar a significação della. Francisco. Declarou-me então o dito João Calhelha. me trouxe o 82 . D. seus irmãos. pelas informações que me deram os índios de que elle tinha ido à serra do Orocury chamado pela sua língua Podêcó. achando as amostras na dita serra vestígios de ter alli estado Belchior Dias. o padre Antonio Pereira e Francisco Dias. e Manoel Calhelha. Disse-lhe eu então que se ele e seus irmãos. que se tinham retirado de Sabarabussú quando mataram D. e me asseverou o principal daquelles índios que perto daquele morro se achava outro todo de pedras amarellas. seguindo até ali o mesmo caminho de Belchior Dias. donde me segurou havia ouro. o que elle e seus irmãos tinham feito sem que tivessem encontrado signaes delle. não podiam acertar pelo não terem buscado naquella parte que diziam os índios Payayaz. descobridores de Jacobina. ―Segui a derrota para Jacobina atravessando setenta léguas de catinga em que perdi vinte e oito cavalos e atravessando a serra Tuyuba pelas aldeias velhas dos Oris. mostrando-me uma memória que tinha no dedo tirado por uns carijoz de João de Maya. o capitão Lourenço de Matos. procurei o gentio da nação Orocuyú que me levaram a dita serra donde achei novas minas de salitre de que mandei as amostras ao Sr. fui sahir a Jacobina. junto a um olho de água que eu alimpei beneficiei para dar de beber à minha tropa a qual cata eu não vi quando estive na dita serra. e. João. ―Disse-me também que Francisco Dias. Em Jacobina procurei o velho João Calhelha. intentando descobril-o todo. eram as serras da Sapucaia distantes daquella mais de trinta léguas. um dia pela manhã até a noite. E na dita carta se tinha achado um cono biscainho que eu vi em poder de Luiz de Andrade o qual agora em Jacobina me segurou. o velho. Segui aquela derrota. mas que havia poucos annos que os principais índios velhos lhe tinham declarado que aquella não era a verdadeira legitima serra de Jacobina. que então estava descoberta e que não o averiguaram. certificando-me aquelle mesmo gentio. o que estava lembrado que ele entrou ao sertão por se achar já com dez ou doze anos de idade. João Calhelha que era o mais velho me assegurou que conhecera muito bem a Belchior Dias. no mesmo papel e da mesma letra que então me deu o velho João Calhelha. o velho.letras feitas de pedra posta a mão_ um A. e esta serra que é mui elevada se acha só no meio daquella campanha e as serrarias mais vizinhas que lhe ficara à parte do poente para o sertão é a serra da Tuyuba e fiquei na presunpção de que aquellas marcas desmarcariam uma antiga cata e que se acha em um morro perto da serra Tuyuba aberta em uma pedreira de cor verde de que o gentio então me deu um pedaço. que achara para a parte do poente ao pé da mesma serra uma carta antiga. ―Por então não averigüei o dito por seguir a derrota de Belchior Dias para o rio de S.Respondeu-lhe com o roteiro que agora remeto à V. lhe tinham feito tantas diligências sem proveito. que mal podia eu encontrar aquele lugar.. Ex. que elle e Francisco Dias e o padre Antonio Pereira era verdade que tinham deito exactas diligências.. Foi segunda vez com o mesmo roteiro o padre Antonio Pereira e com ele fizeram a mesma diligência e passaram a Jacobina nova e que não acharam nada e que o dito padre lhe deixara então o roteiro para elle e seus irmãos com mais vagar e maior diligência o averiguassem. um L e uma S e diante delas em pouca distância feita uma cruz em uma lage. indo alli de passagem e sem conhecimento algum daquelle país. fora a Jacobina com este roteiro. como experimentei capacitando-o ir me mostrar o rio Pindobussú. que com elle correram toda aquella parte da Jacobina. perto desta serra nos campos do Corassá perto ao sitio do Curral do Meio vi e passei pelo serrote de pedras amethistas roxas que descobriu o mesmo Belchior Dias Moreya do que eu tirei algumas e se tem tirado muitas por várias vezes. Rodrigo de Castello Branco. onde viveram e morreram. e que este depois que subiu de seus descobrimentos dissera a seu sobrinho Francisco Dias que em Jacobina havia um haver e quando ele e seus irmãos por ordem do dito Francisco Dias descobriram a Jacobina escrevera Francisco Dias a seu tio Belchior Dias que a tinha descoberto que lhe mandasse dizer onde estava o haver. o que ele não fora averiguar por se achar muito decrépito e incapaz de sahir de casa.

..... dizendo que seus pais lhes contavam................. e três morros sobre outra serra e promete aqui ouro e cobre...... ―O mesmo João Calhelha me certificou que Belchior Dias entrara no sertão aquelles descobrimentos com o gentio do Parámirim e com o gentio de Gabriel Soares........... ‖Como esta certeza já não é para desprezar o roteiro de Belchior Dias e por este se devem acreditar todos os seus descobrimentos......... pedindo-lhe licença para romper aquellas minas.......... oito ou dez léguas do rio Itapicurú-mirin da freguezia Jacobina donde se acha duas antigas catas........ Francisco abaixo e vim buscar á Itabaiana donde me dilatei três mezes correndo todas aquellas serras e acabando-o com três barris de pólvora que lhe metti em uma mina que lhe fiz........................ Francisco. João de Alencastro....... que já esta caída no chão. Paraguassú........... em uma das quais é fama constante que esta ferramenta enterrada....................... se conhece por ser a maior que alli há............índio correndo vários serrotes sem poder acertar com ele....... E como ahí são muitos e vi a variedade com que o índio m‘o buscava......... D........... Francisco................. mas como – nihil occultum quod non revelatur – por algumas intelligências de escravos e índios antigos se veiu a saber delle.... ................. achou-se a arvore de sucupira que tinha............ mas não se pode então dar com as catas. e talvez que Belchior Dias occultasse este àqueles governadores e que também naquellas mais no sertão tivesse descoberto mais alguma cousa que não quis descobrir........ mais elles não sabem o buraco. e porque também vi que ele fazia bastante diligencia para acertar com elle porque chegando a vários daquelles serrotes pesquisava ao redor buscando o seguinte para conhecer no que conheci que não fingia o seu descobrimento.. Jacobina........... ‖Os signaes do roteiro são uma grande arvore um brejo de cannas bravas............ e estar incorrupta e se sabe de brejo................. com quem no decurso de tantas jornadas tenho tratado e pesquisado. por quanto em alguns dos seus ribeiros se tem achado ouro e o vigário de Itabaiana remeteu as amostras dele ao Sr...... Este é na mesma Jacobina da missão de Nossa Senhora das Neves para a parte do rio S. Pará mirim. em alguns se acham ouro e o de 83 ............................ ―Nem por estas diligencias fica perdendo o descobrimento de Belchior Dias a opinião no que toca a Itabaiana......... e assim por todos os princípios e por todas as circunstâncias e noticias fez Belchior todos os descobrimentos no sertão da Bahia no quase rotundo território desde o rio de S...... Agora quando estive em Jacobina mandei examinar esses signaes............ ―De outro roteiro na mesma Jacobina há também individuaes noticias que o mesmo Belchior Dias.......... donde tirei quinze amostras que entreguei ao Sr......................‖ ...... crystaes e que é certo haver............ ―Daquela parte desci pelo rio S......... compreendendo as capitanias de Sergipe d‖El-Rei..... M...... mas como a serra é grande.... o que lhe não concedeu pela prohibição que havia de S.......... mas não deixei de acreditar aquela noticia................ as grotas muitas e muitos os anos....... porque se achando alli o serrote das pedras roxas.. governando este Estado...... nem póde haver controvérsia............ Luiz Cezar de Menezes...... deu a seu sobrinho Francisco Dias o qual pelos possuidores de sua casa se perdeu ou o ocultaram...................... o que me asseguraram os índios velhos cacherinheus práticos naquelle lugar pois alli é sua terra.............. ‖Botei escravos meus com um homem a socavar os ribeiros daquella serrania com o intento de correr aquelle districto a descobrir as ditas catas.. o tempo tem cegado tudo de sorte que é necessário um geral e positivo exame naquela serra............... ........... Eu sei que o rio das pedras da mesma Itabaiana se tem tirado ouro......... até o continente que comprehende as minas do rio de Contas em que atualmente se está tirando ouro no que nem há duvida.... e entre ellas se tem tirado algumas amarellas é factível que haja o morro das ditas pedras amarelas que dizia o índio.............‖ . ―O que suposto segundo as tradições e noticias que tenho alcançado por homens antigos e por índios daquelles sertões....... Falta descobrir a beta que diz o roteiro................ e dizem que prata da qual não há certeza donde seja. Fiz-lhe bastante diligencia....... passei adiante á diligencia em que ia sem outra averiguação............. como dito tenho............. que no sertão de Itabaiana descobriu ouro.......

..... Ex. não é real. Como pelas catas que recebi de V........ Joanna Cavalcante e o capitão Antonio da Guerra que morou no sertão do lagarto assegurava que tinha visto prata daquelas serras e me convidou a mim e ao donatário Manoel Garcia Pimentel para irmos a ellas e que elle se obrigava a mostrar os buracos da prata..Beribery o tem de conta de que mandei a mostra à V.. para que a historia conquistou a verdade do passado. se logre esta felicidade e que para o dirigir e franqueiar guarde Deus a V... cuja trilha não quis seguir. Tudo aquilo que até aqui se tem afirmado relativamente a Rubélio.. Novembro de 22 de 1725.. que abriram ao rio S. que não hão de faltar descobridores que se arrisquem como Belchior Dias e que descubrão o mesmo que ele descobriu que alguns não fazem por não correrem a mesma fortuna que ele correu... deve ser referido a seu pai Belchior..... nem é histórico... não pode ir para examinar a dita cata ou mina velha que La vira tempo que se reconheça e examine. me veio um sujeito a quem recommendei a diligencia dizer que a tinha descoberto umas das catas por um morro acima... que descobrir prata em logares do rio S...... ―Este homem chegou a affirmar por uma carta que se acha no seu copiador que havia de dar neste sertão do Brasil tanto ouro e tanta prata como ferro em Bilbáo.. Deste documento devemos tirar importantes conclusões... comprida e muito antiga e que levando-se o morro a escala... mais como chegasse o tempo de passar as minas do rio de contas para onde fui. – Pedro Barbosa Leal‖...... tiradas do seu copiador que tenho..... Francisco e pelo Paraguassu examinou também aquella parte do rio de contas e da a conhecer a carta que escreveu a Affonso Rodrigues da Cachoeira.. Ex. Francisco muito ao sul de Jacobina Nova e da grande serra Branca se acham catas antigas que ha tradições foram feitas por Belchior Dias e fama constante que nellas tirou prata e algumas pessoas viram já estas catas e o Capitãomór Damião Cosme me disse vira algumas... ―Quando de volta do rio de contas cheguei a Jacobina.. me faltou o tempo para aquella averiguação..... se verifica pelas copias de suas cartas que remeteu a V.. Os feitos que se imputavam a Rubelio não passam hoje de legendas......... Ex. .......... mais deixei recommendado a pessoa de satisfação a fizesse. É sem duvida que nellas esteve Belchior Dias e que por ser a mesma serrania dellas passou a do rio verde onde dizem achou uma pedreira de esmeralda... ―Isto me afirmaram alguns índios tubayjaras com quem falei..... no fim delle se abrira uma mina ou buraco e elle segurava e estava tapado com pedras arrumadas a mão e duvidando-lhe eu que se poderia e ser aquella ruína ou tapada por alguns desmanchos do morro e tornou a sererar que elle reflectira com attenção que achara e que fora artificialmente tapada... seu parente.. por ter sido infatigável descobridor de minas. Foi sempre indiferente aos trabalhos do seu pai... ―De que Belchior Dias foi a Portugal.... não estive mais de oito dias em Jacobina. Queira Deus que no tempo do governo de V. Ex.......... por muito annos.... cujo nome se auroela com grandes feitos.. Se V Ex. anime os seus vassallos com mercês e com algum proveito com que passa fazer as despesas.. e seu nome tornou-se popular pela influência de rocha pita em sua História da América Portuguesa.... nunca tratou de minas..... ―Na serras de Assuruá... Aquilo que ate aqui se tem afirmado relativamente a Rubélio Dias.. requereu e prometeu minas. 84 .. Nunca foi à Europa... Pedro. ― S... Ex . por serem hoje aquellas serras pastos de gado das fazendas de D... não quiser passar pela demora de um século como tem corrido desde o tempo de Belchior Dias até o presente... de que também remetteu a copia tirada do mesmo copiador............ Determinei passar pessoalmente aquelle exame depois de saber os primeiros signaes do roteiro..

o papel que representou Sergipe no movimento histórico. durante sua estada na velha capital sergipense. um sítio de criação de gado. O arrendamento foi feito. Como testamento de seu pai. 85 . A colonização amplia-se com as explorações de minas. por vinte mil reis anuais. a si pertences. de cuja fortuna apoderou-se. compreende-se por isso mesmo. para onde afluíam os exploradores de então. em novembro de 1637. Cristovão. por seu intermédio. A casa de Belchior Dias. no fim do século XVI e começo do XVII.Belchior foi o verdadeiro perquisador de minas . justamente o contrario de seu pai. fez em cessão da misericórdia de S. que alem de ter tomado parte na conquista de Sergipe. Na escritura passada. esta estudada a historia de Sergipe nesses tempos. E basta consignarmos aqui a época da conquista de Sergipe (1590) e a época da morte de Belchior (1622). Cristovão e ai achava-se quando passo o exercito fugitivo de Bagnuolo. até mesmo os governadores da Bahia e Pernambuco. ao domínio da legenda. na fazenda de Jabebiri. Nada mais importante sabemos Em Janeiro de 1636 arrenda. a Nicolau Pinheiro de Carvalho. Muito pesquisamos sua vida e nada de importante encontramos Sabemos que nasceu no Geru. para compreendermos que muito cedo entre nós o colonizador penetrou pelo interior do nosso território. sem patriotismo. Provavelmente dedicando-se ele à profissão de criar gado e arrendando o melhor curral existente naquela zona — fazenda de Jabebiri — onde morou seu pai. Ele é o centro de todo movimento de mineração daqueles tempos. É. motivando também a colonização dos sertões da Bahia e Alagoas. Estudado Belchior Dias. em uma doação à própria Misericórdia. a Belchior Dias que se devem ligar os acontecimentos de exploração de minas e que por isso mesmo representa a feição histórica de Sergipe. e nenhum auxilio prestou-lhe. por nove anos. Nisto limita-se a vida de Rubelio Dias. Acreditamos que não pegou nas armas na guerra da independência do norte do Brasil. Os fatos referidos a Rubélio Dias devem pertencer. quando tinha de idade trinta e tanto anos. O território sergipano foi percorrido por estas caravanas que se dirigiam para o ocidente e muito cedo tornavam-se conhecidos os sertões de Itabaiana e Simão Dias. nunca mais o encontramos no movimento da nossa historia de 1635 em diante. que é filho natural de Belchior Morou em S. de hoje em diante. sem atividade. Naturalmente teve a sorte de todo habitante de Sergipe: fugiu abandonado os lares. um compromisso de alimentar o exercito. nas terras de Jabebiri. E tendo sido ele morador em Sergipe. mudou-se por este tempo de Sergipe. Desaparece da critica do historiador. Rubélio declara ser morador do Rio Real. para não cair nas mãos do inimigo holandês. tornou-se um ponto. pois.

pelas explorações que efetuou. procurando explorar-se o leito do rio das pedras. Deve-se mudar deve-se mudar de rumo. vem a indicação das minas. escrita em latim. para nós de muita importância. quando ele contorna as serras do cajueiro. em companhia de Mauricio Nassau. para sua prosperidade. porem. como ele o chama. temos de consignar o fato muito significativo de muitos dos nossos sertanejos apanharem ouro em pó. Além destes documentos.contribuiu para sua colonização. Em 1642. 86 . levantou de Sergipe. Todas as explorações de minas feitas até aqui em Sergipe têm sido improfícuas. além de determinar em seu mapa o local das minas. No mapa geográfico que Barloues. Realmente desses pequenos montes descem regatos de leitos auríferos. em sua importante obra. Deixemos. por que todos os exploradores dirigem-se para a serra da Itabaiana. Já tivemos ocasião de ver um frasco destas belas amostras. em cascalho aurífero. em um ponto aproximado ao rio das pedras. O importante geógrafo holandês que esteve no Brasil no século XVII. isto e vejamos a questão de minas. fala muito e muito das minas do mameluco Belchior Dias Moreya.

Desde 1581 estas agressões tomaram um caráter mais serio por isso mesmo que erma dominadas por causas mais gerais pelo desejo de estabelecer uma política ultramarina na novas regiões. Dominado exclusivamente pelo sentimento religioso. como de uma vingança à rainha dos mares. Se as excursões anteriores àquela data eram presididas por sentimentos pessoais. iniciaram a luta pela liberdade de consciência. quis Felipe II impor uma religião aos países-Baixos. ao terror das nações – a Espanha. Desde os primeiros tempos do século XVI franceses e ingleses pirateavam pelos mares do Brasil. cujas tentativas e ambições forma grandemente auxiliadas pelo seu governo. pela abdicação de Carlos V em Felipe II. onde iam saciar o espírito de riqueza que nutriam. não só como resultados do espírito da época. com a fundação de colônias que seriam os rebentos de futuras nacionalidades. foram os primeiros a estabelecer os fundamentos de uma futura nacionalidade.CAPÍTULO IV Invasão Holandesa em Sergipe Estado da capitania Desastrosa à colônia foi a subjugação de sua metrópole à nação espanhola que. No correr da luta os oprimidos tomaram a ofensiva e as colônias espanholas forma dela o alvo. Não nos cabe aqui acompanhar esse movimento. o holandês levantou a revolta contra a política de Felipe II e guiado pelo seus rederykers. laborioso. para corrigir seus estragos. por isso 87 . A invasão holandesa no Brasil não é mais do que o prolongamento das lutas que as províncias unidas levantaram contra Espanha. habitando um solo que cedo lhe despertou o sentimento de associação. se já faziam excursões por suas costas. cujos antecedentes históricos levaram-nos a levantar o protesto contra a semelhante coerção. pelo grande domínio que representava no século XVI e pelos meios de coerção que pôs em pratica. sóbrio. de inquirição. figuram os holandeses. Sendo dos últimos a encetar correntes de imigração para o Brasil. a cuja coroa ficaram anexadas. De entre os povos que maior amplitude deram aos meios políticos que os deviam dirigir no Brasil. as que se seguiram traziam maior força de coesão. angariou para o Brasil a prevenção de outros povos que. se os seus sucessores não se desviassem da brilhante carreira de administração por ele traçada. contra o estabelecimento da inquisição. pertinaz. tenderam a fortalecer as correrias. Povo eminentemente livre. em suma. pela proteção dos Estados que as permitiam e auxiliavam. a guerra da emancipação. a luta contra as forças da natureza. do que do sentimento de liberdade nutrido pela classe popular. que propagavam o ódio contra o governo opressor. se a prosperidade da colônia dependesse mais do grau de saber de seus governadores. cheia de prosperidade se fosse mantida a orientação inteligente do conde de Nassau. para impor um sentimento religioso a outras nações.

nenhuma clausula foi estabelecida para realizá-las. até mesmo depois da recuperação da Bahia. Era completo o esquecimento votado aos interesses da colônia. encarregando-se do comando superior João Von Dorth e em maio de 1624 os habitantes de São Salvador avistaram em sua bela baía as velas inimigas. se não fossem as rícas presas. que se achava em Madri. limitaram-se a encarregar a defesa de Pernambuco a Matias de Albuquerque. escrivães. em 1630. A cobiça açulou-se com os lucros da companhia oriental e Guilherme Usselincx levanta a idéia da criação de uma companhia ocidental. aplicando para a tropa as despesas com este corpo de justiça. que se não faria por certo. em virtude da qual a metrópole aboliu a relação.1621). o predomínio do espírito religioso que tudo avassalava. de muita vantagem para os interesses profissionais. feitas por Piet Heyn nos mares da Bahia. que nenhuma oposição encontraram em assenhorearem-se da capital da colônia. tornou-se bem patentes nos meios de defesa que opuseram à invasão das armas inimigas na Bahia. O comercio do oriente foi o primeiro alvo do espírito ofensivo dos oprimidos. concluir pactos com os moradores e construir fortificações. a perda do sentimento de patriotismo que de sua população tinha-se apoderado. Os Holandeses no Brasil. não permitia um tão grande número do corpo da justiça e da advocacia. advogados. nenhuma providencia tomaram. rábulas. tendo como imediato s bravo Piet Heyn. estava vitorioso o plano e pouco depois já achava-se organizada a expedição. fazendo esquecer as medidas de defesa. no começo do século XVII. para cuja manutenção 83 Porto Seguro. 10 88 . de civismo e de homogeneidade de sua população. trazia vantagens pelo lado criminal. o atraso de seu movimento social. a morte do espírito militar. Os mesmo sentimentos tornam-se bem patentes na metrópole e na corte. p. durante vinte e quatro anos e com o direito de nomear governadores. com o monopólio do comercio da America e África. tornam-se bem visíveis do modo por que foram recebidas as armas inimigas. e que indenizaram as grandes despesas da companhia. confiada a Jacob Willekens. Avisadas a metrópole e a corte desta segunda tentativa. quando a companhia ocidental dirigiu a atenção para Pernambuco. do qual quase que se apoderaram. com o auxilio de vinte e sete soldados e algumas munições. como instigavam o capricho da clientela.que na trégua de doze anos celebrada entre os beligerantes (1609. que não só prolongavam a marcha dos pleitos judiciários. O mais direto resultado da invasão holandesa foi uma modificação da legislação da colônia. em 1630. A pequena vida da colônia. Se a instituição do Tribunal da Relação na Bahia. justamente quando se acabavam as tréguas. O estado do espírito publico da colônia. em 1624 e em Pernambuco. foi entretanto a causa de originar-se cedo no pais o espírito de chicana. que prevenidas dos intensos hostis dos Países-Baixos. pelo grande número de letrados . A falta de patriotismo.83 Em 1621.

Não esta no plano da presente obra acompanhar a evolução da invasão e domínio holandês em Pernambuco. 84 Porto Seguro história Geral. de rapinagem. E o modo de distribuir-se e agitar-se o direito. foi substituída por duas ouvidorias gerais. E hoje temos a prova desse hábito que se inoculou no Brasil. que reivindicaria para a Holanda todo o território setentrional. que estabelecem as bases de uma política verdadeiramente livre. Achava-se o Conde Bagnuolo no comando das tropas portuguesas. durante sua vida colonial.era preciso de preferência ativar-se o lado civil dos pleitos. Só nos pertence apreciar o alargamento do domínio até Sergipe. dirigindo uma guerra de emboscada. Os capitães-mores e ouvidores das capitanias que até então tinham alçada até cem mil reis. No crime ficaram igualmente restritas as atribuições dos capitães-mores. se não se manifestasse. contribui para a degeneração do caráter. ficaram com ela reduzida a vinte mil reis. pela abundancia de questões civis agitadas. do que o lado criminal. a tendência de substituir-se o espírito político. sem previa formação de processo. quando Nassau. assumindo a direção do governo holandês em Pernambuco.84 No próprio espírito da legislação pintava-se a profunda linha divisória entre as três raças que colonizavam o Brasil.Não nos compete nada dizer deste período. o espírito comercial é o que domina a fim de que a companhia não desista de seus planos de exploração. se à frente dos invasores não se coloca Domingos Calabar. que vai de 1637 a 1644. Pertencia-lhes inquirir do procedimento dos capitães-mores e das faltas das câmaras. pelo espírito mercenário. por parte da companhia e seus delegados. e fortificado em porto calvo. gentios e peões. e pela proliferação que se efetuou na classe de advogados. Na segunda. Para antecipar-se o saldo de despesas que se iriam tornando isolváveis. no começo do século XVII. Abolida a relação. seu ilustrado espírito. compreende toda a administração de Nassau (1637-1644). Na primeira que se entende da invasão à administração de Nassau (16301637). Seu alto tino administrativo. I. com alçada no cível até cem mil reis e no crime até morte natural dos escravos.p. de saques. que exclui a contribuição da clientela. o novo aspecto da civilização dado pela raça invasora. Na terceira fase que é a guerra da independência. pôs-se a campo com as tropas holandesas a estender os domínios para o sul. Três fases muitos diversas apresenta o domínio holandês no Brasil. com agravo a apelação para a ouvidoria geral. a invasão vai se estendendo a maiores âmbitos. 486 89 . ( 1645-1654) o heroísmo e patriotismo dos invadidos foram postos em ação. ficando suspensas durante a presença do ouvidor nas capitanias. estabelecendo as modificações operadas no norte do Brasil.

infundido pelo conde de Bagnuolo.p. onde desembarcou. a opulência que circunvizinha o grande rio. já tinha o exercito fugitivo alcançado descansar. pela certeza de que suas tropas já não encontrariam nenhuma resistência na capital da colônia. que por sua ordem. Bagnuolo manda reconhecê-las por Almiron. se não projeta o ataque o ataque da Bahia em 1638. Animado pela vitoria obtida nos dois postos. a fim de prestarem-lhe auxilio. ficando assim entregue às mãos inimigas. em pesquisa do exercito fugitivo. Bagnuolo na fuga atravessa S. onde chegou a 27 de março de 1637. e a convicção do erro. não pôde deter a soldadesca que caiu em debandada. que escolheu como fronteira de seu domínio e de suas conquistas. fazendo a derrota para a margem do rio S. para opor-lhe resistência. Francisco. 85 Porto Seguro. Segismundo Schkoppe. mandando para o sul. à falta de necessária provisões. 336 90 .Com a notícia da aproximação das forças inimigas. Francisco. Bagnuolo abandonou o posto que ocupava em porto calvo. Com a noticia da perda. a abundancia das pastagens de gado. Ainda que historiadores contemporâneos85 liguem a resolução de limitar suas fronteiras no rio S. Cristovão. edificou um forte. Neste rio. Francisco. e embarca em Barra Grande para Jaraguá. que sob a ação da covardia . onde aconselhou o estabelecimento de uma colônia alemã. fortifivada outro posto. em uma carta que dirigiu ao seu parente o príncipe de Orange. convocou os habitantes da margem sul do rio a passarem-se à outra ribeira acariciou as tribos indígenas. com presentes e agrados. sem nada participar a Gilberton. pelas presas que efetuou. o arrependimento que posteriormente externou. e chega à cidade de S. todavia. em suma. onde pôde fortalecer suas armas. abandonadas pelo exercito fugitivo. Os Holandeses no Brasil. O terror que se apoderou da soldadesca. dividiu Nassau suas forças. quando tentando o ataque da Bahia em 1638. Francisco. no ultimo dia do mês de março de 1637. que não obstante auxiliado por Francisco Rabelo. cuja gravidade não seria tão sensível. a que denominou de Mauritius. Vê-se por ai que a fuga era rápida e pequena a distancia entre os dois exércitos. por terra. Percorreu-o em distancia de 50 léguas para o centro. não respeitava as largas distancias que só poderiam ser percorridas com detrimento do exercito. História do Brasil II p. Francisco. era bastante para incitar em Nassau o desejo de levar avante esta marcha. Henrique Dias e Camarão. provam que os meios de luta achavam-se em bom pé. admirando a riqueza do território. onde as tropas avançadas de Nassau apresam as bagagens. sendo a 27 do mesmo mês a chegada de Nassau em S.166 Southey. Esta perda foi a conseqüência do erro cometido nas fronteiras de S. A insuficiência de documentos dificulta-nos inquirir as causas que suspenderam a marcha de Nassau. cuja linguagem não compreendia. Antes de empreender estas explorações. Foi esta uma das poucas descaídas que cometeu Nassau. não acompanhando mais o exercito fugitivo.

que posteriormente tão heroísmo mostrou na defesa da Bahia. com que poderia enfraquecer as forças inimigas. História do Brasil. em cuja mente não passava a probabilidade do inimigo assaltar a Bahia. Op cit II. Cristovão. realizasse a improfícua tentativa de defender Porto Claro. Francisco e Sergipe. Alagoas. conserva-se onde estava o. o que se não pode contestar pelo abandono em que deixou algumas porções do exercito. neste proceder nesta deliberação de fuga. até mesmo do coração da colônia? Se havia justeza de motivos para se lhe imputar fraqueza de ânimo. que trazer a Bahia a fortuna de Pernambuco. p. pela posse de um território de cuja riqueza o próprio Nassau era o primeiro a dar o testemunho. Avisa Bagnuolo à corte de Espanha o que ia sucedendo e em oficio ao governador geral do Brasil. Estes pontos estavam irremediavelmente perdidos. S. Cristovão. que montava talvez em dois mil homens. Enquanto o governo de Holanda. E para restringir-lhes os meios de subsistência que. assacavam a pecha de covarde. da agricultura. pelo compromisso de preciosas vidas. 91 . Portugal. em vista das esplendidas vitorias que suas armas iam conquistando em favor do governo holandês. se Nassau não suspende em S. Sua língua tinha deixado de ser a língua oficial. Beauchamps. Bagnuolo resolve estabelecer seus quartéis em S. O governador recusa o oferecimento de um general sobre quem os contemporâneos. da indústria. Francisco sua marcha. sucumbiu à covardia? Ou Concebeu o plano de não estragar seu exercito. cujo domínio já se estendia a tão largas distancias. 86 E Bagnuolo. ficou sob a ação do medo e do terror? Ele. prestava auxilio a companhia. Isso é a prova mais visível da fraqueza moral de Portugal. Pedro da Silva ofereceu-lhe o auxilio de sua tropa. diz o governador. de emboscadas. pelos sacrifícios de Gilberton e Almiron e pela recusa formal de oferecer combate à campo aberto. História do Brasil. de fuga. 345 Constâncio. que certamente seria assaltada por Nassau. há um vislumbre de plano e calculo. e iniciar a guerra de depredações. todavia. Como. pelo definhamento do comercio. para a defesa de Bahia. para opor franca resistência no assalto da capital da colônia? E como poderia prever que Nassau. com mais facilidade. nutriria o desejo de eliminar o português.Não descansaria em S. buscavam nos currais de 86 Southey. sentia morrerem todas as suas forças ativas. desde que os recursos enviados pelas duas metrópoles eram desiguais. o que motivou a demora de Bagnuolo na capital de Sergipe. os próprios inferiores. Serlhe-ia mais necessário. aguçado pelos lucros. pois se não pode conservar donde vinha. de emboscadas. pois. neste sistema de guerra. sob a tutela espanhola. Estava em sua convicção que estragava o exercito se em completa desigualdade de forças. Bagnuolo poderia resistir em campo aberto à luta? Repudiados seus oferecimentos pelo governador da Bahia.

sob o comando de Johan Gisselingh que devia unir-se à Schkoppe. para moverem-se. em vista de uma febre. D. morador em Sergipe desde 1599. Souto novamente cruza o S. 91 Ver. Era de alto valor para Bagnuolo pesquisar os movimentos de Nassau em S. Pernambucano. João de Estrada.107 92 . 105. Entregando a fortificação em S. em virtude do qual autoriza a remoção do gado para margem sul do Rio Real. que o atacou. carta de sesmaria de Simão Dias. João de Almeida. dando-lhes gado sob pena de prisão. confia a Souto verificar as forças que se vinham agregando. a 5 de maio. o qual não pôde permanecer muito tempo em S. Francisco a nado. 89 V. Moribeca e Recife. e que no começo do século XVII tinha obtido sesmaria na Itabaiana. onde mata quinze homens. 88 Dominavam Itabaiana todo o território compreendido entre esta cidade e a de Simão Dias.89 Daí vem o nome da atual cidade de Simão Dias. ao entrar a estação invernosa. com quarenta homens e índios. voltou a Recife para encetar o seu trabalho administrativo. Francisco. onde morava o célebre fazendeiro do mesmo nome. Francisco. e que nenhuma dúvida deixa no espírito dos fugitivos de um ataque iminente e da superioridade das forças dos seus companheiros. com a presença do inimigo em S. do exército holandês.Sergipe. reclama de Nassau sérias medidas. Além da fortificação de Mauritius. 90 Constâncio Op cit. Cristovão. um fortim de madeira. Para isso expede diversos destacamentos. vol. a fim de desalojarem o inimigo. 342. com três companheiros. cujo local deve ser o mesmo do curral e fazenda desse criador de gado. 106. aprisiona um oficial holandês que traz para seu acampamento. e a 26 prende dois auditores do forte Mauritius90. Essa guerra de depredações e emboscadas que Bagnuolo ia realizando em Sergipe.87 Manda um dos capitães de seu exército. Só dos currais de Simão dias são retiradas cento e cinco cabeças.34 p. Francisco. faz as mesmas excursões pela margem de S. mata sete dos onze que ele ataca em uma casa. a fim de retirar o gado da capitania para o sul do rio Real. Figurava como principal fazendeiro de então Simão Dias. Alagoas. tinha o inimigo construído.92 Bagnuolo. transmitir aos moradores de Itabaiana88 sua ordem. a quem tinha chegado a noticia dessa resolução. A cinco léguas acima do forte de Mauritius. Francisco. para uma definitiva ação. 92 Barloeus. Francisco. 87 O Capitão Alberto Fernandes é o encarregado de apregoar o bando de Bagnuolo. Francisco ao comando de Segismundo Schkoppe. sem ser apercebido. A 20 de maio Souto percorre o território circunvizinho à foz do rio. cuja fronteira agora não julgava bastante segura. na margem sul do rio e defronte dela. onde se pôs uma bateria sobre uma árvore com três peças de calibre seis91 e do mesmo lado do rio. aprisiona dois holandeses. Do Inst. junto à foz.180 pelo mapa de Barloeus verifica-se que esta fortificação fora construída no lugar em que está hoje edificada a Vila Nova. um reduto – Keert de Koe. Op cit p. suas operações. manda apregoar um bando. cruza o capitão Sebastião de Souto o rio em jangadas. com uma força talvez de 1600 homens e a exploração pelos mares do sul ao almirantado Lichthardt. p. Arq. onde mata 50 inimigos. No mapa de Barloeus vem determinando o local do seu curral. resolve expeli-lo de seu aposento e para isso manda convocar os batalhões aquartelados em S. do qual se desviara para levar o inimigo aos muros de S.

Bagnuolo reúne então seus oficiais em conselho. abrigavam-se à sombra das florestas onde serviam de pastos aos animais. deixando em pé inferior os planos de uma luta. em cujas mãos caiam. inspirando-se nos interesses gerais. pois. salvo-condutos. ou distanciados do exército pela marcha que levava. saqueadas. sempre quis ser prudente. para aceitar do inimigo. E pôs-se a caminho com os infelizes e míseros emigrantes das províncias conquistadas. mais calmos e mais políticos. expede diversas partidas a devastarem e assolarem a fogo o território que abandonavam. seguindo uma derrota. manchada por uma fuga. salva a capital. sempre analisou as conseqüências de uma derrota. Estas espadas que se embainhavam em Sergipe. Uns. entregando-se Sergipe à devastação dos inimigos. nunca lesiva ao sentimento de honra de seus generais? E para onde ir-se com estes peregrinos. outros. Antes de seguir. como Negreiros. Camarão. serviam de alimentos aos potiguares em seus festins. que poderia ser desvantajosa à colônia. deveriam tremular no coração da colônia. a probabilidade de um assalto a si. com uma possante cavalaria e uma infantaria de três mil homens. por entre a florestas. Estas bandeiras que nas ruas de S. justamente quando seus espias. A Bahia os recebia agora. votam que se continue na fuga. Salvador fechar-se-iam a este exército que sempre trepidou. a 14 de novembro. habitadas por animais e índios. Outros. que augurava para o Brasil um péssimo futuro e preparava-se para debelá-lo. deveriam ser desembainhadas para defender os muros de S. para 93 . é a força diretora das deliberações. presos pelo cansaço. com o abandono da família? Outros menos heróis e valentes. Sergipe não merecia ser o teatro tão importante acontecimento. Henrique Dias. mortos pela fome. porém. comunicam-lhe ter o inimigo passado as águas do S. perante baionetas inimigas. renunciavam às garantias de uma recompensa. nem calcular. em busca da Bahia. o grau de conveniência de suas longínquas conseqüências. quando as portas de S. E para onde ir-se. Salvador do fuzil do inimigo. Estes. reclamam que já é tempo de suspender-se uma fuga tão desairosa a brios militares. o civismo é o que mais alto fala. para defender-se o coração da colônia. para quem a coragem. o cansaço. arrostando a fome. Barbalho e muitos outros. pois deveria pesar a gravidade do momento. a fim de voltarem às suas abandonadas habitações. pois. Bagnuolo aceita este parecer e levanta o seu exercito para a fuga. pela miséria. Cristovão se enrolavam em seus postes. onde figuraram os heróis que posteriormente restituíram à metrópole as províncias conquistadas. A filha de Cristovão de Barros não poderia testemunhar o heroísmo deste exército. toda a coragem deveria potenciar-se. Lá todo heroísmo deveria ser posto em ação. que encontravam devastadas. com estes foragidos de pátrios lares. em cujas estacadas ficavam retidos. porem mais prudentes. e sentiam desaparecer da alma desse sentimento de patriotismo. cujo fim o espíritos não podiam prever. Os mais destemidos opinam pela luta franca e decidida. Francisco. o Brasil meridional ficaria em Posse da metrópole portuguesa. está a honra dos seus generais. acima das probabilidades da vitória de um exército. tática encetada.

afogando-se num arroio.95 em demanda de S. Ai fizeram alto. Poximerim. seguirem a reforçar o exercito fugitivo. que mal lhe dava pelos tornozelos” Brito Freire. caiu n’ água com o rosto para baixo. no intuito do inimigo nada encontrar na nascente capitania. Cit. daí enviam parte do exercito para percorrer a zona de Itabaiana. nesse heroísmo que se quebrava na aspereza da disciplina militar. logo depois o ouvindo gritar. entrega a tudo à destruição de seus soldados. o Ciriri. ate os areias de onde Santa Izabel e a ilha de Arambipe. Op. seguraria os interesses já presos ao norte de S. Depois de apagarem os holandeses todo o vestígio de vida que ainda restava na capitania. que entregam às chamas a pequena cidade. pára ai esperar novas decisões uma nova serie de calamidades e decepções. Francisco. enxotam-nos de seus lares para. o pitanga. aqueles cujas forças privaram de acompanhar os seus concidadãos. Southey. Francisco. A destruição encetada pelos conquistados é acabada pelos conquistadores. aos caprichos do infortúnio. nessa sucessão de dores e incômodos. em cujas ruas levantam entrincheiramento sem a menor resistência. nesse tumultuar de angustias que se erguiam de todos os peitos93. voutou-se e viu uma onça a devora-lo. que 93 “ enquanto a partida fazia alto. o Comandoroba.96 o Japaratuba grande pelas suas cabeceiras. e chagam aos muros da cidade em 17 de novembro. voltam para o rio S. foi uma mulher lavar roupa num regato e depôs o filho numa moita. matara cinco mil. afluente do Betume. que cedo organizada. desaparecendo uma pequena riqueza. desembarcam na fortificação que tinham defronte do forte de Mauritius. chegaram a 29 de novembro94 à torre de Garcia d‘Ávila. Atravessam o rio poxim. em uma incandescência de ódio e rancor. Cristovão. 95 No mapa de Barloeus esta fortificação vem o nome de Houte Wambis 96 No mapa de Barloeus esta ilha vem com o nome de paraúna. de onde mandam uma fração do exercito para a costa. Percorrem uma zona de Itabaiana até Simão Dias e a serra da Miaba. Francisco. devastam os canaviais e os sítios. 345 94 Constancio Op. seguiam o exercito. com a miséria e a dor.a colonização de quarenta e sete anos tinha acumulado. o Sergipe. o Ganhamoroba. tendo à frente Gysselingh e Schokoppe. sem nela deixar o menor sinal de administração publica. como o exercito de Xenofonte. Bagnuolo. E nesse peregrinar. Limitaram-se a efetuar correrias pelos território da capitania. 94 . e destruírem a pequena riqueza que um. acumulada em quarenta e sete anos de colonização. o Paxim-Assu. Conta-se até que. incendeiam os engenhos e em vez de protegerem os infelizes abandonados. pelo aspecto do terreno a probabilidade de riquezas naturais.quem a idéia de submissão era dolorosa. além de oito mil cabeças de gado que afugentara para além do rio Real.. atravessam o S. Perdidos os sentidos a esta vista. ficando o vestígio de uma completa destruição nos lugares por onde passaram. com o espírito entregue à desesperação da sorte. Cit II p. opressiva. Os holandeses. verificando. repugnante.

até a Bahia.p. 8º p. veio a suceder” Porto Seguro. durante sete meses. A invasão holandesa em Sergipe não foi presidida. nas margens do rio Real. tudo lhes inspirou ódio e vingança. Não lhe deveria ser indiferente fortificar Sergipe. pelo menos. o escolho do ilustrado conde. Não deveriam poupar nem o território onde. com poucos pés de profundidade. intenta uma invasão no coração da colônia. na historia.deveriam ser exploradas. teria poupado a Sergipe a calamidade de que foi alvo. se tivesse rebentado do seio própria província e não do rio Real. nos sete anos de governo. como em virtude destas exigências de Viera . não lhe deveria ser indiferente que a realização de tais medidas seria contribuir poderosamente para a perpetuidade de seu governo. que como diz o padre Vieira era os ossos da guerra e pelo seu valor e experiência digno de ser venerado como relíquia98. para a organização de uma nacionalidade no Brasil. por um corpo de guardas avançadas. levantou-se o primeiro grito da revolução. Os Holandeses no Brasil. E tanto a verdade esta nestas considerações. que Nassau que retificar o erro de 1637. dando descanso em Sergipe . pois. muitos difíceis as invasões portuguesas no rio S. Ai perpetuaram-se os efeitos dos seus três graves erros que tanto contribuíram para a decadência do domínio batavo no Brasil. Francisco. com uma difícil navegação para a entrada de grandes esquadras. desde Santa Maria até os areais de Santa Izabel. Viajam pela costa oriental. três mezes antes. não lhe tira a oportunidade de testemunhar as riquezas naturais da capitania. tomando-os a sua proteção. desde o litoral ao sertão. Vigiado o limite meridional de Sergipe.97 Não só deixa de pesquisar Bagnuolo. não puderam fugir. que obedecesse a outras leis mentais e morais. tornar-se-iam. em 1637. cujo começo já existia. que expatriados. estabelecendo entrincheiramento no rio Real e ascender à vida social. se ele faz parte dessa expedição. Muito mais difícil tornar-se-ia o assedio do forte Mauritius e das outras fortificações que os holandeses já tinham levantado no território de Alagoas e ao sul de Pernambuco. com a organização de uma administração que zelasse pelos interesses dos infelizes. com tanto maior garantia para segurança da colonização holandesa. repelindo de Sergipe os restos do exercito pernambucano. que sempre guiou o representante dos Oranges no Brasil. se a molestai que lhe atacou as forças. depois 97 “ forçar é reconhecer que mais fidalga e cavalheirosa se houvera apresentado a restauração de Pernambuco. Sergipe representa.108 95 . quanto não estavam inoculados na sociedade de Sergipe os maus antecedentes da raça colonizadora. descansou Bagnuolo. como veremos adiante. testemunham as riquezas dos pastos de criação de gado. promovendo a colonização de Sergipe em 1642. em vista das barras dos rios navegáveis. onde tirariam o alimento para a província conquistadas. como. 261 98 Sermões T. por um espírito político. durante sua estada no rio S. E acreditamos que. Francisco. pois. entretanto. quando nos impossíveis. ficando indiferentes às garantias futuras que a ocupação de Sergipe oferecia aos outros pontos já ocupados. pois.

pela ausência de proteção da capital da colônia e da metrópole. Brito Freire § 802-9 Barloeus. no próximo capítulo. o presente dado a Nassau para o aparato de seus triunfos. perante o provedor e irmãos da Misericórdia. além das três mil cabeças que Bagnuolo destruiu e conduziu para além do rio Real. do cart. e estabelecimentos de mão morta para provarem à posteridade a sua existência. entre os rios Seriri e Ganhamoroba 101 Southey. finalmente. os jesuítas e o clérigo secular --. a colonização de Sergipe.O. Melhor apreciaremos o papel de Sergipe na decadência holandesa. 99 A criação de gado era tão ativa em Sergipe que. na direção da sociedade. distribuídos por toda extensão do seu território100.63 100 De entre os currais figura o de Camarão. ainda que não muito próspero.de ser o primeiro a fornecer-lhes forças..” (Liv.99 Sergipe já contava então quatrocentos currais. p.. uma misericórdia e dois conventos101 e a sua recita subia a mais de 624$000.os carmelitas. natural do Rio Real. cuja localização. 15 103 Na escritura pública passada entre Rubélio Dias e os irmãos da Misericórdia de São Cristovão. em um pé de sofrível adiantamento. é onde hoje esta edificada a vila de Pé de Banco. não só pela diversidade de suas ordens religiosas existentes --. vai cumprir uma verba testamentária de seu pai Belchior Dias Moreya.II. oito engenhos de fabricação de açúcar. desde 1637. de 1635-37) 96 . a braços com as dificuldades.como pela ostentação material de sua força. segundo o mapa de Barloeus. apresentava-se poderosa. à qual deixava duzentas vacas parideiras em dois currais.. lemos o seguinte : “ . de not. Cristovão já tinha cem fogos. deixou de promover.102 O sentimento de caridade e o sentimento religioso já tinham levantado templos. cit p. a fim de acudir às necessidades públicas e socorrer os pobres e doentes do exercito de Bagnuolo. Os Holandeses no Brasil p. que a seus ensinamentos achava-se entregue. Eis seus três erros: Sergipe foi a bola com quem Bagnuolo saciou sua sede de vingança do exercito holandês. todavia já tinha espalhado pelo território da capitania uma população bastante laboriosa. A administração publica vigiava interesses gerais e o movimento colonizador. a 20 de setembro de 1637. os holandeses mataram três mil além das que conduziram para suas fortificações.. criadas pelo domínio espanhol. de sua vaidade militar. e S. Era capitão-mor João Rodrigues Molenar. em favor da Santa Casa. E Rubélio Dias. na edificação de capelas. que institui-o como administrador de seu morgado.103 A idéia religiosa que era a idéia dominante e que tinha dado à classe clerical o papel mais proeminente no movimento social. De órfãos de São Cristóvão. a influencia destes erros. a 20 de setembro de 1637 para o cumprimento de uma verba testamentária deixada por seu pai Belchior Dias Moreya a favor da santa casa. 343 102 Porto Seguro. para ir organizando um começo de lavoura e ostentar já a profissão pastoril. e ver elle dito rubelio dias a dita casa da santa mizericordia muito pobre e particularmente de ter tomado o inimigo a capitania a enfanteria a ordem do conde de banholo e não haver na dita casa com que se pudesse acudir aos pobres do exercito e retirados. Op cit.

que como conseqüência natural. Francisco. carta de sesmaria dos carmelitas. A favor da classe sacerdotal distribuía-se os recursos públicos e particulares. em 1657107. Tendo os jesuítas se estabelecido desde 1597. que lhes foi doada por um devoto. a de N. Poderosamente isto contribui para caminhar lento da população e para um desequilíbrio na distribuição da riqueza. a de Itaperoá. que se manifestava por três ordens religiosa e pelo clero secular. Cit. onde hoje está a vila do socorro. provavelmente onde se acha edificada a cidade de Laranjeiras. seriam causa de maior prosperidade. Depois transferiram-no para a cidade . de pesquisa. Cristovão na Ilha dos Coqueiros. incutido no espírito popular pelo clero. provavelmente onde está situado hoje o povoado do Brejo Grande. a de santa Izabel. com a incumbência de ensinar a nova geração e der ser o órgão da opinião nos púlpitos e confessionários. gerou o falso espírito aristocrático. abriu uma linha divisória entre as classes. na mesma margem. o clero em Sergipe. traria o desequilíbrio na distribuição do poder. de Souzaria. Só muito posteriormente vieram os franciscanos. § 540 p. nas margens de S. que deunos a seguinte tradução: A piedade cristã dedica este templo ao seu Senhor supremo. trazia embaraços ao progresso colonial. de inquirição. na margem direita do Cotinguiba. aplicando-a aos interesses próprios. de protecionismo. plantou no espírito público as idéias de superstição. do Rosário. Compreende-se facilmente que o domínio do sentimento religioso. Guiando-nos pelo mapa de Barloeus. onde edificaram um suntuoso templo. 105 V. Já nesse tempo tinham levantado monumentos à sua religião. Cristovão104 que aos carmelitas tinha sido dado por um devoto. de acordo com a classe do governo. a de S. no povoado hoje do mesmo nome. onde havia uma capela. op.105 tendo sido precedidos pelos capuchinhos em 1603106. a dos capuchinhos. com a proteção e prerrogativa de desviar para si grande parte da riqueza publica e particular. a de S. 106 V. de quem trataremos adiante. arrodeado de pompa e riqueza. ficando as famílias espoliadas voluntariamente de sua riqueza. ficando assim privadas as outras classes de utilidades que equitativamente distribuídas. em Comandoraba: a de Stº Antônio junto ao rio Jacaracica. seguiram-se a eles os carmelitas em 1618 ou 1619. por meio da proteção do estado e dos legados testamentários. de reverência. a de N. S. eliminando todo o espírito de análise. ligando toda a importância à manifestação externa desse culto. contamos a capela de Stº Antônio. Submetemo-la ao nosso parente Baltazar Góes. Com uma ascendência completa sobre o movimento social. Bento 107 Frei Jaboatão. carta de sesmaria dos padres de S. Gonçalo junto à cidade de Sergipe. vê-se que o seu primeiro convento foi em S. em favor das ordens. 585 97 . de levantar um culto com aparato. Gonçalo. que ali edificara uma capela. onde 104 Pela Sesmaria dos carmelitas na nota seguinte. em cujo frontespício vimos a seguinte inscrição ZELO ZELATUS SVNPRO DNODEO. junto ao engenho do mesmo nome. S. Gonçalo próximo à S.Acreditamos que os dois conventos existentes eram o colégio dos jesuítas e o do Carmo em S.

que em Sergipe se dava. 8$000 anualmente. com uma grande extensão territorial. todas as regalias dos serviços prestados por seu pai em favor da metrópole. aos princípios democráticos. Citamos aqui o texto referente a isto: ”.. no tempo de sua vida nas ocasiões de guerra e mais cousas que de serviço do dito senhor se offereceram. Arrendava-se um curral. Pelo mesmo documento vê-se que Antônio Barbalho. Encontramos em nossas buscas uma nota de um registro de um carregamento em um navio. reverente e tímida. eles tinham de servir para o alimento da aristocracia que se gerava. que era a característica da época. como o acúmulo de riqueza em favor do clero. supersticiosa. quando se deu a invasão holandesa. por duzentos cruzados (80$000). deveria. 109 Segundo os códices que folheamos do começo do século XVII.110 108 Neste tempo foi vendida por Antônio Barbalho Feio a Marsal Maciel. 98 . por bem do que perante mim tabelião e testemunhas adiante nomeadas. por 200 cruzados. de mil braças de largura sobre três mil de comprimento. ficando a classe popular a ser o alvo dessa espoliação. João Lopes Barbalho e Manoel Lopes Barbalho são filhos de Gaspar de Carvalho e Clara Barbalho. a do almoxarife cinco mil. trespassaram ao seu irmão o capitulo João Lopes Barbalho. O primeiro passo de civilização. De 1635-37. 110 Durante a estada de Bagnuolo em Sergipe. pois vendia-se uma zona de terra de mil braças de extensão sobre três mil de largura.109 com uma pequeníssima remuneração dos empregados públicos.108 com um valor territorial nulo. junto à cidade de Itabaiana. Antes de levantar-se o espírito da lavoura. cada vez mais. os irmãos Antônio Barbalho e Manoel Lopes Barbalho em escritura pública de 19 de Outubro de 1937.. um vaqueiro alugava-se para reunir todo o gado do dizimo a 12 vinténs a cabeça e 17 os que pertenciam ao dizimo da Bahia. com um baixo salário. presenciando os exemplos de aristocracia. Não obstante minguados e pequenos seus recursos. um porção de terra . era. de not. tabaco e açúcar para a Bahia. que hoje tanto nos oprime (1887) e que a vida de três séculos fornece eloqüentes exemplos. Cristovão. pois. tomou maiores proporções. levantou-se o espírito religioso. disseram que trespassavam como de feito deram e transpassaram ao dito seu irmão o capitão João Lopes Barbalho para que elle para se requeira ou mande requerer a Sua Magestade e delle se aproveite das mercês que por este repito lhe foram feitas como se fora o próprio seu pai por quanto delas desistiam e a renunciavam no dito seu irmão deste dia para todo o sempre virem como também desistiam dos serviços de um irmão seu por nome Gaspar Barbalho que morreu as mãos do inimigo holandês na batalha derradeira que com o inimigo tiveram na vila do porto calvo”. Neste tempo (1637) já exportava-se algodão.chamam hoje Igreja Velha. Eis o estudo de Sergipe. mais tarde. Um negro custava 36$000 um boi 4$000 e a fiança para tesoureiro das fazendas e defuntos era de mil cruzados. hábitos que posteriormente haviam de ser a causa de uma organização social defeituosa. liv. Ela sem iniciativa. ficar inativa. a classe popular tinha de contribuir para a pompa e esplendor do culto. e nas suntuosidades dos templos retratavam-se não só a tendência teocrática que. Paupérrima pela insuficiência de recursos. inteiramente contrários a liberdade popular. como também eram herdeiros de todos os serviços que o dito seu pai em sua vida avia feito a sua majestade. em obediência à ação dos hábitos. além dos templos da cidade de S.

tão favorável á prosperidade do governo holandês. sem se lhes preparar habitações seguras. 112 Os argumentos apresentados para abandonar-se o plano da colonização de Sergipe venceram. Pelas florestas encontrava-se um ou outro caçador. Pelos seus campos pastava o resto do gado. et in Sanctorum sinum propulsis. com esquadrões de cavalaria e infantaria. isentas das destruições inimigas. 536. levaram á convicção de abandonar-se o plano. rarum venatore adeatur”. no Brasil. que salvo da vingança dos fugitivos e da cobiça dos conquistadores.. encetando a colonização. que não deveria ficar abandonada. apelando para as grandes despesas que arbitraram em 150 florins. em busca de subsistência.CAPITULO V DOMINIO HOLANDÊS EM SERGIPE. de onde não se podia desfalcar forças. noticia tanto mais contristadora. cuja administração não daria tempo ao superintendente vigiar as baixezas. razões contrárias se levantaram e bastante poderosas abortarem esse grito de iniciativa. p. Ainda mesmo que se conseguisse colonos. e os males dessa resolução não se fizeram esperar. Estas.que ao chegarem a torre de Garcia d‘ Ávila espalharam o medo e o receio de um ataque á cidade do salvador. Cit. DOAÇÃO DA CAPITANIA Os saques e devastações de que foi alvo Sergipe. ut ab rarionem capturam. conduzindo o gado. Quod reliquum erat pecoris. Barloeus. Cit. de onde desapareceram completamente o trabalho agrícola e atrasada vida administrativa encetada e mantida. op. que se deveria colocar na província. servia agora de alimento aos tigres. contra a vontade dos naturais. que Bagnuolo julgava iminente. e durante os quais o exercito holandês.. 535. eles não podiam dar vida a um processo de reorganizações. O espírito batavo não se deixou dominar por nenhuma idéia de reconstruir as forças da capitania. p. usqueo adeo. quanto a Bahia não se achava preparada para uma luta como o exército como o de Nassau. fizeram da capitania um deserto. triste sui vertigium reliquere. Nesse abandono permaneceu desde novembro de 1637 até julho de 1639. sob os esforços dos primeiros colonizadores. o interesse iníquo e as explicações dos selvagens. incolis dilapsis. continuou nas correrias. vel hosti vel nobis vel trigidum vera citatem cessit. Sergipe não morreu a atenção da capital da colônia. 99 . pelos conquistadores e fugitivos. 111 abandonado dos conquistadores dos fugitivos. op. 111 “At. Haec bellis vastata. Ainda que algumas vezes se levantassem em favor da colonização de Sergipe. 112 Barloeus. Foram quase 2 anos de morte. colocado no forte de Mauritius. quando a Bahia manda um reforço para ficar destacado em Sergipe.

mostrando as garantias do comércio livre. a guerra á Bahia foi o primeiro resultado do erro cometido em Sergipe. que derrotada abre aos ventos as velas. O que queremos tomar bem patente é que sobre o movimento bélico de 1. e em cuja pesquisa não quis continuar. em favor dos interesses da companhia. comme anniva a Cannes”. alegre. destroçando as grandes forças de Rojas quiseram o conde holandês remediar uma falta. cansados e famintos nas ruas de S. são os meninos que na Bahia em 1638 gritaram a vitoria perante suas armas e suas esquadra.. e sim longamente discutido entre os membros do conselho. juntamente com as câmaras. em demanda do recife. em cuja consciência pesava a convicção do erro de não ter seguido bagnuolo. de que por um pano de interesse geral. que motivou-lhe um grande incômodo de espírito. que ele mesmo tinha sido o primeiro a consentir.638 influíram os acontecimentos dados em Sergipe em 1. Amsterdam. Não conceberia. Com ela. na realização do qual as novas e grandes despesas acumulavam-se. Brieve Relation de l’Etat de Phernambocq. em vista da concentração das forças.Nassau.de Paraíba a Sergipe. tratando de zelar os interesses. ativar a vida das capitanias. Salvador 113. A exigência da companhia. Sabendo das desinteligências que se tinha levantado entre o conde italiano e o governador da Bahia. Auguste de Qvelen. da qual esperava um próspero resultado. 17. 1640. p. o mesmo da companhia. realizando agora (1638) aquilo que já deveria ter feito. externado em sua correspondência. C. consertar um plano político. ainda não salda das despesas feitas. Cristóvão. Aquele exército que tantas vezes deu-lhe as costas. que se achavam sob seu domínio. quis retificá-lo e diminuir seus maus efeitos. Já era mais que suficiente a largar extensão de território que o seu domínio ocupava. era suficiente para inspirar-lhe a desistência do plano do ataque. Esta. 170. o que fez em abril de 1638. 100 . Cristóvão. se Sergipe não tem sido abandonado. Not. Os holandeses no Brasil. em vista da boa estrela que o guiou desde Porto Calvo a S. etc. em1637. que nem a menor resistência encontrou. Chez L. plano que não devia ser concebido e logo posto em prática. provocando isto ainda haver déficit em suas especulações. Excussão perigosa. 113 “Le Comte de Nassau aprés avoir pris Porto-Chaves se reprochait de ne pás être porte sur Bahia.. é que essa excursão foi mais motivada com o fim de apagar um desastre. que acremente o censurou por abandonar Sergipe. O que não sucedeu. foram enxotados pelo o seu exercito vitorioso. Foi esse o primeiro desastre de Nassau. que de direito pertence à história sergipana registra e cuja influência sobre os acontecimentos exteriores tem sido olvidada pelos historiadores pátrios. por que talvez lhe parecesse um bando de crianças tímidas. quer reivindicar para si todo o monopólio do comércio do Brasil. concede o plano de atacar Bahia. contra a qual Nassau se opõe. aqueles soldados estropiados. Porto Seguro. até os muros de S.637.

Efetuou então Luiz Barbalho a gloriosa marcha de quatrocentas léguas do rio grande do norte há Bahia. recebendo posteriormente as cartas de seu tio Luiz Barbalho. deixando em Sergipe o mulherio. 115 Carta de D. manda pesquisar os portos do sul. Os terços que vagavam pelo sertão de Sergipe. 34. assim como a infantaria e soldados do capitão. 116 Porto Seguro. e com a ordem de seguir Jol em julho para a ilha de cuba. Privar que tropa algumas passe o teatro da guerra. vigiar os inimigos e transmitir a Bagnuolo. 101 . Antonio Felipe camarão e o governo Henrique dias. João Lopes barbalho encontros sucessivos com esquadrões holandeses. por meio de espias colocadas além do S. para transmitirem-lhe todos os movimentos. p. As ordens eram expressas para arruinarem todos os engenhos. Opor-se as correrias holandesas. Francisco o almirante Cornélio Jol com oito navios. de 17 de novembro. Uma contra-ordem. camarão e Henrique barbalho. Provavelmente aí ficou. mais de emboscada do que de peito aberto. ao capitão João Lopes barbalho fortificar e ocupar Sergipe. despacha para o norte Vidal e camarão e incumbe. enviando para S. Expressamente ordena a Barbalho que use de todo ardil nas lutas. comandados por Luiz barbalho. os planos de Nassau. até quando o conde da torre assumiu o governo da colônia. quando veio com Sebastião do Souto. que ficara comandado as tropas em S. sustentaram diversas refregas e continuavam sempre a devastar tudo por onde passavam. Arq. em 31 de julho de 1639. Em suma. Francisco Mascarenhas ao Capitão João Lopes Barbalho de 31 de julho de 1639. Francisco.Continuou Sergipe abandonando. justamente com camarão. por escrito. em busca de gado. na torre de Garcia d’Ávila. Rev. Francisco. 210. em 1639. setecentos soldados e duzentos índios. manda barbalho passar o rio de S. Vigiar sobre os interesses dos habitantes. que também já tinha sido despachado para Sergipe114.116 Tendo ido o almirante lichthardt à Bahia. currais e incendiarem os canaviais. em abril de 1640. no rio real. Nassau manda o coronel koen. era uma guerra de emboscada. atacar camarão e Magalhães. os velhos e os doentes. Eis as do governo central. que recomenda-lhe não só escrupulosa atenção as ordens do governador. holandeses no Brasil. p.mor D. uma guerra de índio. do qual resultou a derrota para a sua aramada e exercito. Francisco. como realizá-las fielmente. Pernambuco número 34. 114 Não sabemos quando João Magalhães teve ordem de marchar para Sergipe. Não nos pertence apreciar a falta de tino do conde da torre no ataque intentou a Pernambuco.115 Eis as ordens com que manchou barbalho para Sergipe. O grande reforço militar que o grande governo tinha trazido permitiu que pudesse colocar alguma força em Sergipe. sem ordem sua. Não contente Nassau com os destroços do inimigo. não consentido os agravos que lhe possam fazer os negros e os índios. Vindo como plano de atacar Pernambuco. Deverá vigiar todos os passos do inimigo. com 100 infantis a quem devia reunir-se o capitão João Magalhães. Do Inst.

Cit. a recuperação de Sergipe em 1640. Cit. 143. Agostinho barbalho121 bezerra. 152. que se de frente não dizimavam suas forças. p. privando assim essas correias de caudilhos. II. De Mello. como um importante reduto. 160 e 180. o capitão Marcos de oliveira. 148.119 E no dia 1º de agosto obtêm a mesma vitória nas ruas de s. 151. 119 Mello.118 Satisfeitos os ânimos pela vitoria obtida. op. como extremo de seu domínio. 121 Mello. que durante cinco meses trabalhou na edificação das trincheiras e fortificações. Nas lutas travadas no rio real e na capital de Sergipe.. Durante este período de tempo. distinguiram-se. em que estará fortificado. Cit. o tenente Manoel de Azevedo da silva. que as rompeo. que se fizeram no rio real. Os dois caudillho não puderam levar vitória e tiveram de ceder o posto. 212. op. Porto Seguro. p. II. 120 Porto Seguro. vem o general D. onde fica prisioneiro o major van den Brande120. João de Souza. em provisão de 7 de dezembro de 1663. assegurando-se novamente do ponto. intentaram atacar a capital de Sergipe. Caía em 1640 novamente Sergipe sob o domínio português. foi a conseqüência dos acontecimentos aqui desdobrados em 1637. Cristóvão. auxiliado por Luiz Barbalho e João Lopes Barbalho117 e destroçou as forças holandesas colocadas no Rio Real. era o resultado do erro cometido por Nassau de não se ter convenientemente fortificado na capitania. p. o alferes Antonio Martins palha. p.. I. 158. que foi o primeiro sintoma da decadência do domínio batavo no Brasil. Por isso mesmo que se achava Sergipe mais aproximado do coração da colônia.onde ficaram fortificados por ordem de Luiz barbalho. logo que chegou a Bahia. p. que se achava então fortificada pelos holandeses. op. todavia enfraqueciam-nas. Op. 152. a desalojar o inimigo do rio real. Cit. o alferes Francisco de Figueiredo. Dessa incumbência foi encarregado o mestre de campo D. desde 1637. com o que largaram a campanha... Francisco de Moura. 117 118 Biogr. onde agora concentrava-se as forças portuguesas e por conseguinte de mais fácil assédio. o capitão Francisco pereira Guimarães. op. Se a derrota de Nassau em 1638. que mereceram louvores de seu rei. filho de Luiz barbalho e muitos outros. que saiu ferido. recebendo muito mais auxilio da companhia do que a colônia portuguesa de sua metrópole deveria fortificar a província novamente conquistada. na Bahia. Nesta peleja o heroísmo de Luiz Barbalho foi tal a merecer do monarca. as seguintes expressões: E marchando. 162. Cit. investiu com tanta resolução as suas fortificações. o ajudante Domingos Moreira da silva. 138. a quem reuniram-se as forças já postas no rio real. Chegando a noticia a Bahia. além dos acima mencionados. 212. e as desbaratou. para aí deveria Nassau convergir sua atenção. Mello. II. II. 102 . matando-lhes mais de trezentos homens.

com respeito aos holandeses122. pela devotação aos interesses de seu rei. não obstante.. do rio Real até seus limites ocidentais. uma atividade que chegou a ponto de recuperar a capital da capitania. e tentar ataques. em vista do sentimento de patriotismo. se não em maranhão. que. op. quando reais vantagens não lhes trouxesses. 103 . adiantados em certo grau de civilização. florestas virgens e espessas matas. 227. qualquer interseção desse movimento traria uma defervescência nos espíritos. por sertões inóspitos. fizeram de Sergipe um posto de guardas avançadas. tomar Sergipe até o rio Real. Sergipe serviu para animar e sustentar esse espírito de emboscada. do zelo pelo direito de posse de sua nação. Qualquer trégua estabelecida nestas lutas. para comunicá-los ao governo. dispondo outro tanto. de emboscadas. fazendo ai entrincheiramentos. em conferência com os conselheiros Theodoro Codd van der Borch e Nunin Olfers. desde o começo de 1641. 117. Porto Seguro. que os Portugueses fossem considerados como amigos. e sim de hordas selvagens. A fração inimiga não teria a seu favor as oportunidades para sustentar. Talvez não sucedessem assim.. e não desanimar o espírito de revolta. que seguia uma vida autônoma. Cit. não obstante a ordem dos Estados Gerais de 13 de Fevereiro de 1641. durante mais de um ano. por maio de carta régia de 20 de março. quisesse o português não desistir de protestar contra o pouso holandês. obedecendo aos seus próprios recursos. Cit. se. Reunir-se-ia a esta dificuldade o encontro de hordas selvagens. achar-se-ia em muitos maiores dificuldades em descrever itinerários mais longos. em que estavam os dois partidos. op.Quase que sem interesses mais presos ao norte. de guerra. que. para continuar-se nesse plano de guerra. a si enviados do Recife. e que se afugentavam para o ocidente. um efeito salutar operou-se nos espíritos pela recuperação de Sergipe. os portugueses neste período de guerras depredatórias. Calado. acompanhar seus passos. não obstante cartas de Montalvão de 2 de Março do mesmo ano. da Gama e a ordem para recolherem-se os campanhistas e guerrilheiros que continuavam a saquear e a incendiar e vir ao Recife Paulo da Cunha Souto Maior tratar de suspensão das hostilidades e ressalvar o direito de cada uma das partes. Além disso. correspondendo Portugal a essa declaração. com reforço de Quatro barcos. E tanto Nassau compreendeu a desvantagem de ficar Sergipe fora de seu domínio. cedo. E quando. não obstante o entabulamento de tréguas. de guerrilhas. comunicando-lhe um importante acontecimento da emancipação de Portugal e que esperaria começar entre Portugal e os Estados Gerais ―aquella paz e união com que sempre se trataram‖. 224. não obstante tudo isto. Andréas. Francisco. ser seu sentinela. que não pareciam de dois povos. Nassau manda que o comandante das tropas de S.123 122 123 Porto Seguro. que a colonização portuguesa não tinha ainda aproveitado. a animação. um ponto de pousada. mesmo debaixo deste plano. Nassau autoriza a sua fortificação. p. a restituição dos prisioneiros holandeses por Pedro Corrêa. p. traria uma de alto valor: vigiar o inimigo.

na América mandava que se realizassem agressões. sem um centro populoso. que todos os espíritos. pois. se na Europa dava uma mão amiga a Portugal. que Nassau. Se o erro de 1637 de Nassau foi a causa do seu insucesso em 1638 na Bahia. pois. perante os portugueses. Francisco. com a recuperação de Sergipe e o assédio de Angola. onde os interesses não podiam ser convenientemente zelados. compreendendo a segurança da posição que aí tinha o inimigo. a grande extensão inabitada entre este rio e a capital da colônia. É esta uma brilhante verdade da história sergipana. oficialmente podia justificar-se com o artigo 8º do mesmo tratado. de antecedentes históricos e hábitos tão diversos. A suspensão das hostilidades não poderia ser fielmente mantida. que na mesma ocasião autorizou. Havia de dar-se uma absorção por parte daquele que maior força mental possuísse. entra Andréas pela barra do Vaza-Barris. As condições mudariam. se ela fosse colocada no Rio Real. em 1641. Não obstante adiante apreciarmos devidamente o valor desta causa. rompia um pacto.Não era em obediência às sugestões. esqueceu todos 'os preparativos 'de tréguas. animavam e promoviam. dizemos. e tornava-se agressivo. convencido de que essa proximidade entre eles não era suficiente pala manter um zelo recíproco de interesses. Em 1641. privaria pequenas guerrilhas e as questões de jurisdição. Levantam na barra uma notável fortificação e encetam suas pesquisas de minas por Itabaiana. pela proximidade em que ficavam dois povos. que ainda não se tinha dado. pouco se importou que a posteridade apontasse um momento de sua vida. muito prováveis entre dois povos. pois. colocandose a linha divisória em S. considerava a emancipação portuguesa puramente transitória. até a ratificação do tratado. para tornar-se agressivo. arvorando bandeiras de tréguas. desconfiança que foi a maior causa da revolução pernambucana. com que largamente tinha comparticipado. retomando Sergipe. muito próximo de sua fronteira em S. antecipamo-nos em dizer que o procedimento de Nassau em 1641 plantou a desconfiança entre aqueles com quem entabulava pazes. Francisco. tão juntamente unidos. fechando os olhos às probabilidades de uma paz. apoderaram-se da cidade. foi uma poderosa causa da decadência do domínio batavo no Brasil. vindas da Holanda que. Sem a menor oposição desembarcaram. Convicto de que a separação de Sergipe do seu domínio poderia trazer desvantagens. não era em obediência a sugestões. Perante os interesses que visava em favor dos Estados Gerais. não promover a colonização em Sergipe. em que sua palavra. Cristóvão. com grande surpresa dos habitantes de S. das quais poderia resultar um rompi· mento de pazes. em virtude do qual a cessação das hostilidades só deveria começar. com a sua esquadra. quando fosse apresentada a ratificação do mesmo tratado. 104 . contra a expectativa geral. dignidade e honra comprometeram-se.

José Hygino Duart Pereira devemos a leitura de tão importante documento. Francisco. tão covardemente conquistada. prometendoIhes obedecer á todas as suas ordens. Estados Geraes das Províncias Unidas Neerlandezas.9. conformar-se-hão com a ordenança politica vigente no paiz. de uma parte. e não tratar ou contractar por nenhum modo com outrem. Os holandeses não podiam buscar munição pelo território da capitania. ou no futuro por alli introduzida. e não observarão outra ordem sobre a policia e justiça. que se achavam em guarnição. senão a que é guardada no paiz. não ter correspondência com potencia ou príncipe estrangeiro algum. primeiro que tudo. e da outra parte. com Theodoro Codd van der Borch. com a extensão e limites que adiante serão declarados." 1 "O dito Sr. e fazendo o contrario: incorrerão nas penas que o direito commum commina aos violadores da pública tranquilidade e obediência civil. prestarão Juramento de obediência e fidelidade ás suas Altas Potencias e á dita Companhia. fez com que Camarão não pudesse sustentar o cerco por mais tempo e em 28 de fevereiro de 1642. e não reconhecer outra authoridade suupenor. Cit. acampando bem a frente dela. com a retirada dos soldados napolitanos. que não sejão os agentes e os subditos das Unidas Provincias Neerlandezas. para haver em propriedade como feudo perpetuo e hereditário. em 1641. que ficou em cerco. aquele mesmo a quem Nassau tinha encarregado. abjurar e considerar como inimigos o rei da Hespanha e seus adherentes. o supremo Conselho faz doação da capitania de Sergipe a Nunin Olfers. Oliferdi e os seus colonos. 124 125 Soutey. especialmente para a boa manutenção da policia e a justiça. senão a que é guardada no paiz. recebiam a que por mar lhes vinham124. Eis a doação: 125 "Accordo provisorio concluido. Nommo Oliferdi. Entretanto.Sabedor deste fato de agressão. op. sujeito á confirmação da Assembléia dos dezenove e á aprovação dos Srs. As pesquisas nos arquivos da Holanda de tão ilustrado professor deve a história da pátria o conhecimento deste e outros documentos. o governador da Bahia encarrega a Camarão visitar a cidade. III p. 126 Porto Seguro escreve Nunin Olfers 105 . o Sr. povoar e cultivar as terras e lugares da capitania de Sergipe d'EI-Rei si ta ao sul do Rio S. foi tão mal recompensado pelo governo brasileiro que nenhuma vantagem e utilidade descobriu em buscas históricas. 8." 2 "Outro sim. Exas. e os nobres senhores do supremo e secreto Conselho do Brazil.126 conselheiro político do Conselho de justiça do Brazil. redigirem em latim tudo quanto se pactuasse com os emissários da Bahia. A bondade do Dr. A insuficiência de força do exército português. entre S. especialmente para a boa manutenção da policia e justiça. ou no futuro por alli introduzida.

passa porte para as referidas terras e fará transportar em seus navios as mesmas pessoas com os seus séquitos e moveis. se celebra o serviço divino. nem consentirão que publicamente seja observado outro cultu senão o que por pública authoridade for permittido observar no paiz.‖ 7 "A cada pessoa que deseje partir para ahi. que depois e mais circumstanciadamente serão determinados. à porção de terra ou terreno (urbano) que lhes for necessário para sustentar e manter a si. não será lícito aggravar em sua consciência aos que forem de outro sentimento. procedendo assim . que ―quizerem‖ do mesmo modo que d‘antes. no conhecimento da verdadeira religião chistã e pratica desta. expressamente será prohíbido que se offenda o santo nome de Deus com juras e blasphemias. dará fiança à companhia. fazer-lhes alguma moléstia ou deixar que a facão.‖ 6 ―A companhia concederá à todas as pessoas. de accôrdo com este. grangeem para suas famílias e colonos as fecundas bênçãos de Deus. 5 ―Porão todo zelo e diligencia em instruir. honrado comente facão aqui prova bastante de seu estado. em attenção ás suas famílias ou occupação em que elles quizerem empregar-se. punível pelos magistrados. a Companhia dará um bilhete de consentimento.‖ 4 ―Guardarão os domingos e os dias festivos. bem como as provisões que lhes forem necessárias para uma anno. por todos os meios possíveis os negros que estiverem em seu serviço. e.3 ―Não praticarão. pagando ellas as comedorias. e antes pelo contrário. o referido Senhor designará e distribuirá aos colonos. e assim. em que segundo a ordem da Igreja chistã. não os encommodarão com trabalhos nos domingos e outros dias festivos. algumas das ditas pessoas não as poder pagar. evitando as bárbaras cureldades dos Hespanhoes e Portuguezes para por estes meios attrahirem os referidos negros à religião e dar-lhes modos civis. obrigando-se a idemnisal-a nos devidos prasos. com toda a brandura. 106 . passar-se ao Brazil para ahi morar e permanecer. afim de que. e com toda a devoção. Si porém. e as respectivas familias". em paz. honrado comportamento e profissão. uma vez que primeiramente facão aqui prova bastante de seu estado. e á cada uma dellas. e vivão entre si. e não os tratarão deshumanamente. em que se costuma devidamente observar o culto divino. salvo si por esses taes for dado algum escândalo publico.

" 11 "E succedendo que por alguma necessidade ou outra rasão se ache conveniente. sem opposição. além dos outros. os moradores pagarão tambem este direito. ou réos. e em qualquer occurrencia cuidar da propria defeza." 10 "Nos logares onde morarem. no sexto anno se ache inteiramente amortizado o dito adiantamento." 107 . e mais pagarão a quarta parte das despezas adiantadas pela Companhia." 9 "Tendo expirado o praso d'este privilegio. ou proximos. pelos quaes os estófos d'este paiz possão ser utilisados. excepto o de qualquer gado vivo miudo. exercer somente os outros officios. serão obrigados a fazer guarda e tomar parte em todas as sahidas. para o qual fim cada homem será provido de um arcabuz ou mosquete de calibre ordinario da Companhia e arma branca á sua custa. com o nosso consentimento e approvação lançar uma pequena imposição sobre o consumo dos comesstiveis ou liquidas. como é costume nas cidades e povoações sem poderem por modo algum escusar-se. os moradores pagarão a decima parte dos fructos que produzirem ou de outro modo grangearem. ou sejão authores. como bois. a contar da data da tomada de posse. afim de proverem-se da necessaria plantação para o sustento de suas famílias.." 12 "Tambem comparecerão em juizo nos lugares proximos situados. terrrenos. obedecerão ás sentenças dos juizes. ou casas. ficarão inteiramente isemptos de pagar á Companhia. no praso do presente privilegio. o que se entende. para tecer o panno ou a lã. cavallos. mas. e durante os dous primeiros annos. de modo que. mas não assim do gado grosso. etc. bem como servirão os outros cargos civis. que não se cobrará.8 "Os colonos haverão em livre propriedade essas terras. depois de expirar o praso da dita inspeção." 13 "Não puderão ter manufacturas.

ou haverá ainda maior remuneração. proferidas pelo tribunal dos colonos." 18 "De todas as sentenças definitivas. o productor. o patrono (da colonia) escolherá dentre os colonos mais qualificados um certo numero delles. excedendo a somma de cem florins." 15 "Como é muito provavelmente que certos montes que exisstem na dita capitania contenham mineraes de ouro." 16 "Acontecendo que os lugares. por esta sua industria e diligencia será isempto pelo governo do Brazíl de pagar recognição de taes fructos. que julgará com quatro accessores nomeados por S. O patrono convocará a Assembléia dos eleitores toda a vez que fór necessario fazer a dita nomeação. e isto em razão da grande distancia dos lugares. e aos conselheiros supremos. onde residem os colonos particulares de tal modo augmentem que devam ser tidos como cidades. e os ministros que. primeiramente prestem juramento nas mãos do mesmo governador. que têm de fazer a dita nomeação. cobre. uma vez que. pela segunda vez se appellará para o collegio dos conselheiros politicos." 17 "E para que se faça com a devida ordem a nomeação das pessôas que têm de compôr o numero triplice. bem como as pedras preciosas e a pesca das perolas. composta por nomeação das pessôas mais qualificadas das mesmas povoações. sobre os magistrados. só poderá pela primeira vez appellar para o patrono. pelo tempo de dez annos. e sejão uteis e necessarios para a sustentação da vida humana.14 "Si algum morador. ou de seus delegados. por sua industria vier a descobrir o modo de produzir e cultivar alguns fructos. Outro sim. conforme a importancia do povo ou dos lugares para serem os eleitores. ou por outros administradores da companhia. villas ou povoações. serão escolhidas pelo governador e conselheiros. para ser enviada a S. Ex. conforme for o caso. quanndo o valor da causa for de 600 ou mais florins. a Companhia providenciará sobre o governo local." 108 . Ex. todos elles. que anteriormente não tenhão sido produzidos pelos portuguezes. ficam reservados para a Compaanhia das Indias Occidentaes. e à Assembléia dos dezenove cabe tractar com os inventores ou descobridores sobre a exploração das minas e a remuneração que se entender pertencer-Ihes. e esses ministros decidirão todas as questões e processos em seu direito. prata. em lista triplice. ou outros metaes. e pelo supremo Connselho.

transsmissivel assim pela linha masculina. a respeito dos mercadores livres." 109 . sendo tractados do mesmo modo que estes. possuir para sempre as referidas terras. estabelecer. contanto que elles tenhão as necessarias munições. conforme os usos da Hollanda." 22 "O dito Senhor e os colonos. que será entregue com 50 florins. Irlandia e Frisa. que dividindo-se o mesmo senhorio ou jurisdição. entregues com 50 florins." 21 "Quanto ao transporte das ditas pessôas. do modo que acima fica dito. e de processos ordinarios. nas ditas terras da Capitania de Sergipe d'EI-Rey. com um par de guantes. e a jurisdicção constituirá um feudo prepetuo e hereditario. o dito Sr. e. tal como este foi constituido. e para este fim a Companhia lhes dará algumas peças de artilharia. de fortificar-se. a saber. aguas e rios e estabelecer engenhos. como pela feminina e por cada transmissão será o feudo reconhecido com um par de luvas de ferro. depois que vier a approvação d' Assemmbléa dos dezenove. sob pena de. que de presente se observa. com esta declaração. a elle sujeitos com seu consentimento. a saber. seus bens. modo ou lei.19 "Tambem se appellará para o mesmo collegio de todas as sentenças que irrogarem infamia e de todas as sentenças sobre materia criminal. as partes ficarão sendo da mesma natureza do todo." 23 "Tratarão com a maior diligencia de levantar suas casas. que escolherem para sua residencia. e passarinhagem. até commpletar aquelle numero." 20 "Dentro de 3 annos. sendo necessario. e sempre manter e ter 80 famílias. instrumentos e mais cousas a ellas necessarias. no praso de um anno e seis semanas á Assembléa dos dezenove ou ao governo do Brazil. guardar-se-ha a ordem. desde o começo. e assim por diante. perder as concedidas franquêsas e gados. usando das matas. As terras ficarão sendo allodiaes. e cada parte deverá ser reconhecida de mesmo modo. e gosando do direito de livre caça. ou no futuro se observar. no caso de notoria negligencia. permissão ou accordo. na pesca nos mares. composta cada uma pelo menos marido e mulher. de anno a anno. conforme a situação dos lugares. as quaes serão proferidas em primeira instancia pelo patrono e seus quatro accessores. Oliferdi é obrigado a transpor. no primeiro anno introduzirá a terça parte.

pelos meios que entenderem mais apropriados a este fim. nomeadamente toda a sorte de madeiras (excepto a de Pernambuco) gommas e causas semelhantes. para terem as terras livres de bandidos e negros de mato (fugidos) onde os apprehendidos entregues ao governador e conselheiros da Companhia. de que dependerem. acerca do livre trafico do Brazil.‖ 26 "Quanto as novidades que suas terras produzirem naturalmente. que então vigorarem. Serão tambem obrigados a manter á sua custa em a referida capitania alguns capitães de campo.24 "Nos dous primeiros annos se empregão na plantação e cultura dos fructos." 28 "Para assistencía de seus colonos e lugares (de residencia) farão todas as diligencias por utilizar-se dos indígenas dessas terras. remunerando devidamente o seu trabalho e esforçarhão por tirar-lhes os seus modos e costumes barbaros e leval-os ao conhecimento da nossa fé christã." 29 "Os colonos d'estas terras serão obrigados a fazer. se não do que enviarem para a Hollanda. metade á companhia." 25 "Elles mesmo proverão a sustentação do governador e do ministro da palavra divina. cada anno. ás pessoas que estejão residindo sob obediencia da Companhia. e. pagando os direitos. um pertinente relatorio de suas terras e colonos ao Senhor ou patrono." 27 "Poderão vender ali os bens que adquirirem. mediante os premios que depois serão determinados. para os mesmos colonos. á cultura das terras e cousas semelhantes. ou aquelles com os quaes por permissão se pode traficar. não pagarão recognição alguma. e si os bens forem taes que mais lhes convenha vendeI-os na Hollanda. habituando-os. e este 110 . desde a infancia. que transportará a outra metade em seus navios. darão elles do que cortarem. residentes nestas provincias. applicando para este fim particularmente o meio de ensinar aos moços e meninos a nossa lingua. fizerem cortar e de outro modo grangearem. pooderão remetel-os aos seus patrões ou comissarios. e isto segundo as determinações da Companhia. ao trabalho. para a sustentação de suas famílias e do gado. sem que por isso paguem alguma cousa mais. além do dizimo e direitos acima mencionados. sem trabalho do homem. e os principias elementares da nossa religião. fretes e avarias estabelecidos pela ordem provisoria e impressa.

como foi dito. ficando isto á descripção da companhia. cavallos. cidades. tomará para si. todas as praias. apresentará o seu relatorio ao governador e conselheiros da Commpanhia. soberania e eminência. os terrenos que forem necessários. ou sejão estranhos que forem visinhos das ditas terras . usos estatutos que os mesmo declararem.sobre causas relativas a menores. gados. de moeda. matas e águas da capitania de Sergipe d´El-Rey . ou reserve acções ou pretenções contra ella. religião e todas as causas criminaes e excessos prescriptos e impunes. o qual governador e conselheiros que presentemente existem ou para o futuro forem postos pela Companhia. Oliferdi pra haver elle como feudo perpetuo e hereditário de todas as terras. e approprial-os-ha para com elles beneficiar os ditos lugares. o direito de levantar fortes. finanças e direitos da geral Companhia das Índias Occidentaes. Sobre os quais artigos. e por prevenção poderão ouvir (?) todas as pessoas para a expiação de causas que ahi forem punidas. declarar guerra e fazer a paz. conselheiro. bem como das queixas que alguém queira fazer. além dos colonos moradores. e os altos secretos Conselheiro do Brazil se accordaram com o Sr." 30 "Si a Companhia posteriormente entender que deva mandar levantar a arruinada cidade de Sergipe e povoal-a com moradores. poderá fazer onde lhe approuver. conservar a authoridade suprema. domínios. aldeias ou povoações. e geralmente tomar conhecimento de tudo o que disser respeito à administração da justiça e á suprema authoridade da Companhia. officiaes e outros ministros de justiça para protegerem os bons e castigarem os maus. que começa na 111 . fundos. autrhoridade suprema. o direito de tonelagem. com declaração das pessoas. conforme a situação local numero dos moradores e suas necessidades exigirem. cousas referentes à posse de benefícios. se assim cumpri. curraes. o mar. Assim que a Companhia poder pôr e enviar ahi um governador. e o direito de interpretar as duvidas que possão sirgir desta concessão. sobre costumes. crimes de lesa-magestade. Ex. ou moradores d`llas. vindo primeiramente queixar-se ao conselho ahi ficarão em juízo: todos os contractos ou obrigações sobre prorogação de jurisdição. abolindo corruptellas desarrosadas. clausulas e condições provisórias e sujeitas á approvação dos Dezenove. e todas as outras causas segundo o uso de paiz (Hollanda) ou a ordem e regulamento desta conquista emanadas da Assembléia dos dezenoves. sem que o senhor ou patrão á contradiga. e das terras sitas na circumvisinhança. fundar cidades. as estradas reaes.S. ou lhe parecer conveniente fundar em outros lugares fortes. terras cultivadas. aldeias e igrejas .por sua vez. e augmento que annualmente tiverem tido.viúvas orphãos ou outras pessoas miseráveis que. com relação à alta e baixa jurisdição. o que não quer dizer que não mude o diminua o que fica concedido aos patronos. tomarão conhecimento na primeira instancia das causas concernentes à liberdada. em caso de privilegio e inovação . 31 ―A Companhia reserva para si: os grandes e pequenos dízimos.

‖ 112 .‖ ―Assim feito e provisoriamente concluindo a 28 de Fevereiro de 1642‖ – Maurice. –D. Kodd van der Burgh. van Bullestrate. –Ad. e através da terra ate os ditos limites.ou pelo menos até onde esses limites forem levados sob o domínio e authoridade da Companhia das Índias Occidentaes. e ao longo do referido do rio para cima pela terra até a grande queda d´agua. dilatando. Conde de Nassau.se seus velhos limites. – Henrie Hamel.terra firme do lado meridional do rio de São Francisco para o sul.

pois. como permanência de vinte e cinco anos.CAPITULO VI LUTAS EM SERGIPE. não poderia ficar indiferente ás perdas de 1638 na Bahia. Dilatando os seus domínios pela grande área que a parte meridional do Brasil lhe oferecia. custou-lhe assistir ao começo de hostilidades por parte dos conquistados. já seja efeito de princípios mais gerais. E sem a formação de produtos mestiços entre as raças. sempre tardia. nos costumes. nem na religião. dos holandeses. empresa que foi feita para suavizar os males de não ter destroçado Bagnuolo em Sergipe. somente dois anos (1642-1644) tiveram os holandeses para estabelecer as bases de uma organização social. que se fundissem para formação de uma nova pátria. inspirada em princípios democráticos e guiada por um admirável tino político. em vez de fixa-la no rio Real. Se vestígios se fizeram sentir dessa passagem. nem a língua. na política. 113 . todavia. considerado como causa. Salvador. Foi uma hegemonia sem posteridade. com a evolução dos tempo. Não é na historia de Sergipe onde devemos procurar a origem desses princípios. Se a retificação do primeiro erro custou-lhe um desastre militar. por ocupar Sergipe. cuja retificação. que se não alcançou realizar em Pernambuco. para não acreditarem mais nas melhoras de sua condição. Ainda que este fato. Todas as vezes que sua atenção dirigia-se para esta capitania. isto é. em beneficio da Campanha. se pode ver hoje o vestígio do domínio holandês em Sergipe. ele entrou em larga escala a excitar e animar o patriotismo lusitano e brasileiro. teve ele de sentir os efeitos dos erros. etc. para revoltar-se contra o jugo. depois do entabulamento de pazes entre as duas metrópoles. SUA RECUPERAÇÃO. de uma nova nacionalidade. não promover a colonização de sergipe em seguimento á conquista. planta a desconfiança nas fileiras inimigas. Em uma família pode-se ver ainda um outro nome de origem holandesa. e tarde convencendo-se da desvantagem de fixar sua fronteira em S. na Europa. como se daria a transmissão de caracteres éticos? Assim. transferindo-a para quando a paz e harmonia se tinham estabelecido entre as duas potências européias. FIM DO DOMINIO HOLANDÊS Vimos nos capítulos anteriores que a administração de Nassau. nos hábitos. Francisco. nos negócios referentes a Sergipe. e cuja ruína não quis assistir. cheios de desconfiança. quanto mais em Sergipe. tornaram-se. maiores proporções dava aos males e inconveniências. por seus próprios olhos. excessivamente opressor. antecedentemente estabelecidos. desvio-se do plano que sempre traçou á sua conduta. completamente inapreciáveis. a retificação do segundo. que foram o prenúncio da decadência da obra que alcançou realizar. e pesquisa-lo até os muros de S. Estreando por uma sucessão de vitórias. como van der Ley.

intolerâncias e subserviências plantadas por um clero.cujo principal intuito não era melhorar as condições morais. Pernambucano de julho de 1886 – P. 128 Rev.É de pequeníssima interferência. assim como casas. pois. idênticos ou piores traria a colonização holandesa. não trouxe de prontos reais lucros para os déficits da Companhia. e do outro. a oporem-se á ação da intolerância. as devastações. durante as administrações. pelas superstições. dado pelos Estados Gerais a companhia das Indias Ocidentais. em 1639. Se males ao Brasil trouxe a colonização portuguesa. V.resolveu-se a venda com suas fabricas e pertence. cedo se estabelecessem. ainda que lá . pertencessem ao rei da Espanha. do Inst. em vista do qual as classes tornaram-se forças verdadeiramente ativas. ainda que lá gerou-se esse espírito de descrença. de um lado. a favor de uma Companhia. pelo móvel exclusivo dessa colonização ser o interesse monetário. Não tendo sido de bons resultados esta pratica. como já dissemos. Cit p. no método de colonização praticada pela Holanda no Brasil. de suas instituições.rendas e direitos senhoriais. sob o ponto de vista de sua civilização. Arq. distancie-se de Portugal. da superstição e a revoltarem-se contra o grande poder e prestigio que quisessem assumir a nobreza e o clero.engenhos. quer holandeses.completamente oposto as tendências de analise e de pesquisas. que vivia sob a pressão de causas que privaram-lhe a atividade de um espírito inquiridor. as rapacidades.os bens dos jesuítas e dos conventos. pela intervenção direta da vontade popular. em virtude da ação de antecedentes mais eficientes de um real progresso. 294. pelos martírios.Rev. Indo pôr-se em contato com um povo como o português. que trouxe como reais conseqüências o espírito de pesquisa. quer portugueses. que acima de tudo. que durante a administração de Nassau.o holandês estabeleceu no Brasil uma colonização.E isto torna-se bem claro no regimento de 13 de outubro de 1629. pela maior vigilância em favor dos direitos dos conquistados. em virtude do qual as terras seria confiscadas e apreendidas. Ainda que a Holanda. as anteriores. as causas da revolta que os conquistadores levantaram. realizadas pela raça 127 Artigo 16º do Regimento de 13 de outubro de 1629. todavia. de democráticas instituições . pois. colocava os lucros e proventos que poderia tirar do Brasil. duvida. Ao contrario disto. em proveito da Companhia. As bases da colonização holandesa eram muito pouco seguras para garantir a formação de uma futura nacionalidade. estava o gérmen de dissolução e de morte. Não nos compete descrever. elas pioraram consideravelmente. talvez pela intervenção de Nassau. severamente maltratados. fez contrabalançar seus maus efeito. nem as causa da decadência do domínio holandês. pelas ilimitadas atribuições de uma classe de governo. existente no pais em beneficio de seu desenvolvimento e prosperidade. as ilegalidades de toda sorte. 29 114 .128 Essa deliberação. o holandês sobre o caráter da civilização em Sergipe. pelas deferências profundas de seus hábitos.ou outros colégio do clero127.imóveis hereditários . acima do bem social do país. o arrendamento dessas terras a colonos. as instituições livres.

conquistadora. O comercio somente baseado até então sobre o credito. desde quando os próprios membros do governo eram os primeiros a iniciar uma norma de proceder tão adversa aos princípios de direito. a administração da colônia entregava-se a mãos inábeis. Sergipe e Angola. como dizíamos. na Assembléia Legislativa por ele constituída em 1640. pela vinda da armada do Conde da Torre. que não poderiam. como por que a Companhia. Ofereceu-se então a melhor ocasião para torna-se bem patente o sentimento de ódio que o conquistador votava ao conquistado. a quem entregava-se a administração? O resultado disto foi que o Conselho. o carpinteiro de Mildeburgo – A. Se o próprio Nassau julgou-se impotente para conjurá-las. por certo suavizariam o péssimo estado econômico da colônia. pois nutriam a esperança de que antes do prazo estariam livres do jugo que tanto os oprimia. que ofereceu um contingente ao depauperamento da vida colonial. Não podendo os pagamentos ser feitos. Um mero engano. Realmente.o que poderiam fazer o negociante de Amsterdam – Henrie Hamel. realizar medidas contra os males que se acumulavam. pelas expedições a Maranhão. o prolongamento de sua administração. de seu tino admirável de administrador. exigiram o saldo pronto dessas dividas. recuou e viu iminente o perigo. não só pelas perdas efetuadas. pois veio agravar a situação econômica ampliando as transações. realizou a venda dessas terras e dos escravos que exportava de Angola cuja. como pela escassez do numerário. agravaram-se as condições de vida de ambas as parte. em períodos ulteriores. e esse fato subjetivo talvez seja a causa mais direta de sua retirada. o estado econômico da colônia tornou-se mais precário. promoviam a concorrência de grande numero de portugueses aos mercados. 115 . Distanciados do espírito altamente inteligente de Nassau. assumiam as rédeas da administração. pois a produção tinha baixado pela destruição das guerras anteriores. van Bollestrate. Em nome da lei e da justiça. p. se o próprio Nassau. pela 129 Southey. nutria agora a esperança de reaver o saldo das despesas. multiplicando-lhe as despesas. descansando no tratado de tréguas. conquista foi realizada por ser considerada uma importante fonte de receita. III. o credor fazia uma pressão sobre o devedor para efetuar seu débito. teve de produzir inconvenientes. que subiu a 3% e 4%.não o sincero testemunho prestado a si de pedir-se-lhe. que se fossem a dinheiro. e então não se procurava mais os recursos dos tribunais. 72. nas quais a Companhia despendeu grandes somas. op cit.129 Malogradas essas esperanças e feitas em alta escala as transações. e por conseguinte suspender suas remessas. e pela destruição da varíola. Ao mesmo tempo que isto dava-se. e Kodd van der Burg. e as transações feitas sob tais condições. que afugentaram do campo os lavradores. eram aqueles que em um momento critico. em um momento em as causas destrutivas se concentravam. quando os encargos da Companhia. ficando sem lucros. mesmo transitoriamente.

se a interferência do príncipe foi de larga contribuição para a prosperidade da colônia. a formação de um caráter. fechando os olhos aos grandes serviços que prestou á causa da revolta e ao contingente que forneceu à realização da expulsão do inimigo. ao passo que as da Companhia Oriental achavam-se de 460%130 . pelo ilustre historiador brasileiro. eles realizaram-se á força. Achamos pouca filosofia e critica na apreciação de fatos que. gado caldeiras e todos os bens dos fazendeiros. esse resultado foi puramente transitório. a que se tinha chegado. por 46% de abatimento.insuficiência de recursos. 130 Southey. postos à conta de um homem. através de quem vê o movimento revolucionário. André Vidal representa a primeira manifestação do brasileiro ao português. do qual decidia para o futuro.cit. E neste sentido. Não era mais possível manter-se uma tal organização social. op. Perante o inimigo comum. porque as próprias apólices da Companhia vendiam-se no comércio. 72 116 . cujos elementos já se achavam em adiantada coesão. São cunhadas de grande parcialidade as palavras do visconde de Porto Seguro a Vidal de Negreiros. aquisição do território conquistado seria inevitável. pela apreensão da colheita do açúcar e dos negros. O seu real valor consiste em transformar em realidade aquilo que meramente existia em desejo. incandescem-se o rancor. igual administração nos merecem o digno representante da raça indígena – Camarão – e da raça africana – Henrique Dias. em beneficio próprio. com a expatriação daquelas que primeiro tinham desbravados as floresta e amanhado as terras. durante vinte e cinco anos de domínio. foram. A revolução rebentar-se-ia independente de sua intervenção. parece eu os antigos ódios que separavam as três raças desapareceram. e desperta-se o sentimento de patriotismo tão obliterado e sufocado. Não está em nosso intento desmerecer a gloria do herói paraibano. fazendo mostrar ao futuro historiador que a geração americana já sentia amor pela metrópole. perante a Assembléia dos XIX e mais do que isto. sem concorrência. Ainda mesmo que as terras confiscadas fossem entregues aos colonos holandeses. p. o ódio dos portugueses contra os dominadores. As cenas mais aviltantes e deponentes foram praticadas. Consiste em representar o elemento. aproximando-se eles em uma unidade de ação. em vez de serem ligados á ação de causas muito gerais. por isso que em sua organização achavam-se os gérmens dos caracteres éticos de seus antecessores. do que da ação de princípios e causas que fossem contínuos em seu funcionamento. já zelava pelos seus interesses. na gestão de um grande acontecimento. Realmente. que procurava afugentar-lhes dos seus domínios. brasileiro. III. as condições dos conquistados consideravelmente melhoraram. porque era a expressão de um estado psicológico dos dominados e nem de longe deve ser considerada como a criação de um só homem. se durante e administração de Nassau. Daí reclamações do comércio e da lavoura contra os Conselheiros. pois dependia mais da ação isolada de um homem. como este.

para retificar as disposições em que achava-se o governador da Bahia. auxilio que se executou. firma a 23 de maio o compromisso da rebelião. Antônio Felipe Camarão que estava alojado em Cerigipe D`EL. pelo próprio rei. 243 “ Também João Fernandes Vieira escreveu. logo que voltou de Pernambuco. a quem se repetiam as denuncias de que organizava-se a insurreição. de alguns anos. pelo prestigio que pudesse representar perante a coroa. que vem se pôr á disposição de João Fernandes Vieira e seus companheiros. relativamente á viagem de um capitão. Ou fosse ele quem pedisse o auxilio de Camarão e Henrique Dias. e trazer essa noticia aos insurgentes de Pernambuco. em maio 1645 em nome da liberdade divina e para vingar agravos e tiranias. engrossando a fileira dos insurgentes e já estava com os recursos que lhe havia prometido o governador da Bahia. e que mais largamente será adiante apreciado. que achavam-se aquartelados nas fronteiras do Rio Real. por um próprio por terra. em uma viagem aí feita em 1642. pois ela era o resultado da pouca importância ligada por Nassau ao tratado de tréguas e do abuso cometido pelo próprio Conselho. convictos de que esses movimentos não daria lugar a futuro males.” Calado.Foi este um importante resultado do domínio holandês. que ia se munindo de auxílios. Admiramos a inda o valor de Vidal em testemunhar desejos da coroa pra libertar as capitanias conquistadas. limitam-se a mandar emissários á Bahia. à D. e mostra-lhes documentos como seriam bem aceitos e recompensados pelo o rei os serviços prestados na insurreição. que adia para o dia 24 de junho. como asseguram algumas cronistas132. que não lhe faltasse agora na miséria em que seus moradores estavam. Para essa deliberação do soberano ele igualmente não podia ter contribuído. P. pois havia nascido na província de Pernambuco e havia feito tantas proezas na defensa della no tempo de Mathias de Albuquerque e do conde de Banholo. Os membros do conselho. não só vindas da Bahia. para relembrarem ao governador o tratado de paz e a comunicar para Holanda aquilo que iam sabendo pelos denunciantes. Valer. ou estes caudilhos viessem auxiliá-lo acendendo aos 131 Porto Seguro. Holandeses no Brasil. quando novamente vem a Pernambuco. 164. de auxiliar os insurgentes. O mesmo papel representa em 1644. depois de efetuadas as pazes. em que patenteia-lhes a disposição do governo de prestar-lhes auxílios. como de Gaspar Francisco da Cunha. quando despachados uns quatrocentos soldados.REI com todos os seus Brasilianos. pedindo-lhe com muitos rogos e encarecidas palavras. às ordens do capitão Antonio Dias Cardoso. a distribuir para esse fim em Pernambuco até seis hábitos de Cristo131. 132 117 . em alargar aos seus domínios. Vidal submeteu-se á ação das causas que estavam em atividade. alferes e soldados para sublevarem Pernambuco. sendo autorizado. Como os outros. João Fernandes Vieira. Lucid. e que bem estampadas estão no pacto que os insurgentes celebraram na várzea do Capibaribe. que. que transmitiu-lhes os intentos de Vidal Vieira.

o fato é que em vista dos planos de adiamento de Vieira. Ainda que Calado não determine a época desse convite. nas margens do Rio Real. a sua primeira manifestação foi levada pelo indígena e o africano. agora ficou certo de sua realidade. Nenhuma dúvida restava mais no espírito dos membros do Conselho da realização de um plano. E Geog. agora recebia do chefe político de Alagoas. Termos visto em alguns cronistas que Camarão morava em Sergipe. depois que foi obrigado a abandonar o território de Pernambuco. 190) diz: “aí se achava o curral ou fazendola de Camarão. pondo em atividade a primeira deliberação patriotica para romper as poderosas fortificações batavas. para romper a revolução com bastante segurança. com a O mesmo fato afirma Fr. no Recife. nem conservá-los em segredo. do qual dependeria o caráter de uma civilização futura.Desejos do governador da Bahia.. 2º p. que só poderia ter-se dado de 1642 – 45. 133 Por esse tempo Camarão e Henrique Dias estavam aquartelados em Sergipe. op cit. pelo contrário. Mandou efetuar prisões dos conjurados. colocado entre os rios Maniçoba e Lourenço da Veiga.133 Se até então o governo holandês não prestava bastante consideração ao movimento de revolta. Só cabia-lhe agora entrar na realização de medidas defensivas. naquela data. no rio Real. empregando sua gente em cultivar a terra134. Do Brasil. Moucheron. o governador dos pretos levantava acampamento pelo valente indígena. p.XL. É de grande glória à historia sergipana ter de registrar. É possível que durante este tempo ele habitasse em território holandês? Entretanto Cândido Mendes de Almeida(Ver. dar buscas. por achá-la inexeqüível. faz isto supor-se denominando com seu nome um dos currais de Sergipe. como seu. Rafael de Jesus. (Caster. as hostilidades rompem-se em Ipojuca. Do Inst.” 134 Southey. recebia de seu comandante em Sergipe. e daí elas continuam a repetir-se formando os gloriosos feitos deste grande acontecimento da história brasileira. hoje Ganhamoroba. Hist. 113 118 . antes de entrar na revolução e Barloeus. onde o inimigo tinha construído uma boa fortificação. Ele. Rafael diz ter sido em 1644. antes do levantamento de João Fernandes Vieira. de algum tempo meditado. que pouco antes. a comunicação de que Camarão e Henrique Dias fora passar a Páscoa na Bahia. o que não alcançou: e nesta ele já se achava com suas tropas nas fronteiras holandesas do rio Real. no dia 25 de março de 1645. É muito glorioso à história de Sergipe registrar o fato de se ter em seu território levantado o primeiro grito de revolta. Em junho. em seu mapa. Se não somos muito apologistas da política colonial portuguesa. o primeiro sinal de revolta. ele é despachado pelo governo para vir expelir o inimigo de S. como São Francisco. a notícia de que Camarão e Henrique Dias tinham rompido as fronteiras holandesas. Achamos não bem provada essa morada de Camarão em Sergipe. Luz. Cristovão. centralizar as tropas de algumas fortificações. que então achava-se nas lutas dos Palmares. Lic. lastimamos e sentimos os péssimos antecedentes históricos que ela nos atrasou. IV § XIV) que diz ter se estendido esse convite a Henrique Dias. em marcha para o norte. além da que ficava na barra do Vaza-Barris. pois. III. Realmente. esse fato. Finalmente as posições definiram-se não sendo mais possível a Fernandes Vieira adiar seus planos. t. pelos péssimos antecedentes históricos que ela nos transmitiu.

para originar uma nacionalidade vigorosa. tanto mais quando viviam agora dirigidos por novos princípios sociais. costumou-se a pôr acima das sensações a idéia. organizado sob o regímen batavo. Se a colonização portuguesa. se como dizemos. onde as condições de meio eram justamente opostas àquelas que sempre o cercaram. supersticiosos. achamos por demais defeituosos os princípios da colonização holandesa no Brasil. pelos péssimos exemplos de subserviência. os holandês do século XVII representava a soma desse ingente esforço. do gozo e prazer das ardências da imaginação.escravização de duas raças. a descomunal florescência. não sabemos se perante elas. Como quer que sejá. talvez maior oposição oferecesse a essa indiferença. nos traria igualmente males. fato este que denota a existência de um regímen centralizador. preocupando os espíritos mais ricos do país. matar a iniciativa. para torná-la habitável. Entretanto. como em todos os países protestantes tornando-se difícil por este lado a regeneração. de ser a política a força viva. seriam mais tarde o primeiro obstáculo à supremacia do elemento comercial. Nem de longe pomos em nível o intelecto do holandês com português. se ela em suma. construindo pedras com argila. a paz e a calma da verdade. que queria monopolizar o trabalho. pelo lado econômico. como aquela que os holandeses representavam. para retificar e vencer a natureza. alem dos males que nos insuflou. plantar-se-ia no Brasil a supremacia da idéia religiosa. prender a ciência. com os princípios metafísicos. da forma o fundo. uma nova natureza não se superporia na organização bastava. Possuidor de hábitos tão predisponentes para uma prosperidade. de perdas em nossa moralidade. todavia. e ainda mais. intolerantes de um clero que era egoísta. que lhe opôs. sentimos o legado que nos deixou a nossa metrópole. Povo eminentemente industrial. levantando diques às inundações. pesquisador . O povo brasileiro indiferente a assuntos religiosos. pela grande supremacia do Estado. toda a dificuldade para a primeira manifestação de uma civilização. povo. para cujo progresso não entrou larga contribuição da natureza. a colonização holandesa. que exprime a coisa de mais solida existência. trouxe a consequência. novos hábitos não se formariam. diferentes dos da mãe pátria. e que suas tendências liberais seriam as primeiras forças oponentes. 119 . em começo. pela marcha dos dois caudilhos. que tanto nos atrasou. ativo e que pelas condições telúricas e mesológicas. que se poderiam entregar a assuntos. sob o plano de uma companhia de mercadores. para as edificações e derribando florestas pantanosas para o aterramento dos cachos. da qual somos atualmente o testemunho. a atividade mais poderosa do processo. Além disto. de passividade. em fator de uma associação. com que caracterizava-se a colonização. que construiu todas as peças da nação. o que queremos tornar bem patente é que foi em Sergipe onde deu-se o primeiro movimento revolucionario. em que estiveram as gerações passada. foi a forca por meio da qual prolongou-se na America os hábitos da civilização ocidental todavia. que representam a riqueza. muito teriam que fazer neste país .

nos paços de S. colocava-se em embaraços para definir sua posição de auxiliar ou não a revolta. como dos membros do Supremo Conselho. Vejamos o que dava-se em Sergipe. Antonio Teles que sentindo desejo de por em ação o elemento oficial. Ninguém melhor do que André Vidal de Negreiros podia auxiliar a política maquiavélica de Antonio Teles. Sendo o intermediário entre eles e os heróis da revolução. que pudessem vir não só da metrópole. Tomé. e os tenentes de mestre de campo general Pedro Correa da Gama de Souza. 135 J. quando Camarão e Henrique Dias rompem a marcha. onde era larga ação a influencia do Padre Antonio Vieira para abandonar-se as capitanias conquistadas. em 1642. a cuja pista despachava Camarão. T.Camarão. De posse de toda confiança do governador. e a quem mesmo não era estranho o deserto que prendia todos os espiritos para realizarem a revolução. mandou o governador e capitão geral d‘este Estado. Do Brasil. que achava-se a lutar com os Zumbis dos Palmares. Comunica-lhe a deserção de Henrique Dias e seu terço para Pernambuco.M. Não nos compete descrever os acontecimentos que se deram além da margem norte do São Francisco. achava-se cercando o inimigo. que depois do entabulamento das pazes entre Holanda e Portugal. queria todavia salvaguardar-se de acusações . Os caudilhos rompem a marcha pelos agrestes sertões e deixando as ribas do rio Real. Ver. Essa dubiedade de ação era bem visível. pondo-o a salvo de qualquer responsabilidade. dirigido também a Henrique Dias.C. vadeam o São Francisco. e vão reunir-se aos revolucionários. depois da esplendida vitoria do Monte das Tabocas. O leitor nos permitira transcrever este documento: ― Em os trinta e um dias do mês de março de mil e seiscentos e quarenta e cinco nesta cidade do Salvador. Para fornecer documentos da irresponsabilidade do governador. Maranhão e Sergipe. quando recebeu o convite de João Fernandes. p. que tinha levantado uma fortaleza em São Cristovão. onde pelo Rio Real se extremava o Brasil holandês do Brasil português135. Neste ponto de vista é Vidal a maior força da revolução. a quem não era de todos indiferente a sorte dos infelizes habitantes de Pernambuco e das capitanias sob o jugo holandês. e privando que ele se espelhasse pelo território da capitania. Do Inst. nas duas viagens que fez a Pernambuco. E Geog. O governo colonial. através das fronteiras holandesas.. e incumbido de todos os negócios relativos à revolução. como no representante do governo colonial. não só da metrópole. Bahia de Todos os Santos. não obstante a Holanda já ter dado a prova de falta de lealdade e esquecimento de seu comprimento. e despachado por ele comandante da fronteira do norte. de cujas ordens não dependeria a marcha dos caudilhos e o rompimento das hostilidades aos olhos dos membros do Supremo Conselho. pelas conquistas de Angola. Hist. 32. Fernandes Pinheiro. veio com seu terço habitar em Sergipe. em vista da letra do tratado de paz. 132 120 . mostra-lhes os desejos auxiliadores do governo. Achava-se aí. S. entre as duas nações européias. Antonio Telles da Silva chamar a sua presença os mestres de campo João de Araujo e Francisco Rabello.

que partem para Pernambuco. Antonio. e procurador do tenente de mestre de campo general André Vidal Negreiros. Do Brasil. 370 ver.‖ E quando foram a Bahia dos emissários do governo holandês. e provedor mor da fazenda de S. foram com um próprio avisados Andre da Rocha de Antas e Valentim da Rocha seu parente.Domingos Delgado e Gaspar de Souza Uchoa. Pern. 34 p. T. e que a semana antecedentes o quizeram matar preso por estas e que outras liberdades que dizia. em 13 de junho. Baltasar van der Voorde e Theodoro van der Hoogstraten.M. que esta na fronteira do Rio Real. Francisco. roubar e ainda matar aos nobres moradores de toda a Capitania de Pernambuco. o primeiro rompimento foi feito exclusivamente por conta de seus habitantes. mas que nunca lhe pareceo que fizesse uma coisa tão mal feita. de quem vergonhosamente plagiou Diogo de Sant`Iago em sua Historia da Guerra de Pernambuco. Sebastiao Parni de Britto e o Dr.31 p. não foi sentido nem o soube. e que. assegurando também suas resoluções de paz e que enviaria ordens para serem suspensas as hostilidades. se retirou para o mato. dia de S. em Sergipe. a realidade das deliberações estava em que os terços dos dois heróis brasileiro vieram engrossar a fileira dos insurgentes. coevo desses tempos e testemunhas ocular desses acontecimentos. mostrou não ter responsabilidade nessa marcha. e resguardassem suas pessoas e fazendas desta comum tribulação. Antônio Teles em carta de 19 de julho. Se as forças oficias que aliavam-se aos insurgentes eram de grande importância para as vitorias que iam obtendo em Serinhaém. mas que serviram-se dele como se fôra captivo. como tinha a estrada provida com os seus soldados. os quais tanto que souberam esta nova logo se prepararam e avisaram a todos os 136 Ver. Entrega essa incumbência a Andre Vidal e Martins Soares Moreno. Arq. e que antes de fugir se queixara do Sr.do Inst. Pontal. pelas duas horas depois da meia-noite fugio Henrique Dias d‘aquella estancia. mas que como negro que era merecia um grande castigo para exemplo dos mais. com cartas dos membros do Supremo Conselho. Para não perdermos nenhuma das pequenas minudencias dos ataques. que estavam juramentadas para a facçção e empreza da liberdade. transcrevemos as paginas de Fr. a marcha de Camarão e Henrique Dias e lhe observar o cumprimento do tratado de paz. Governador por lhe não dar licença vir ver suas filhas e mulher. etc. em que diz em vinte e cinco deste mês de março. Hist. t. 107 121 . e outros muitos moradores da terra. em como o inimigo mandava prender. E Geog. senão depois de claro o dia. externando-lhe seus sentimento de aliança. muito agradaveis a alguns leitores. Antonio da Silva e Souza. E como conseqüência dessa aliança. cientificar a Antônio Teles. Casa Forte e Porto Calvo. pelo que estivessem de sobre aviso. Do Inst. que considerassem os ditos ministros o que lhe parecia se 136 devia fazer no caso e lhe dessem seu parecer. e que vai à trilha della na volta de Pernambuco. ― Tanto que João Fernandes Vieira. com as quais foi fazendo corpo de gente para resistir ao inimigo. as pessoas mais nobres. com toda a gente. que esta 60 leguas em distancia do Recife por costa do mar. que logo mandara o Camarão atrás dele com seus índios para que o tragam preso e a bom recado. contra a qual já tinha dado providencias. Manoel Calado. os revoltosos tiveram mais de registrara vitoria do forte de Serinhaém e das que seguiram-se. e defender-se do seu furor logo no rio de S. ainda que custára algumas mortes de uma e outra parte. ouvidor geral e provedor mor dos defuntos e ausentes. que lhe deram nada da fazenda real. e ajuntou a si as principais pessoas da varzea. Entretanto. com ordens de aplacar a revolta e por termo à guerra civil. e ricas daquele districto.

e bastimentos. acompanhados de alguns oitenta camponeses do rio Real. deita água doce sete e oito léguas ao mar. se armaram muitos dos moradores os quais estavam acanhados por lhes faltarem armas de fogos. se fiseram em um corpo. e fosse socorrer os moradores delle que estavam em grande tribulacão. que seriam entre brancos e indios e cento e oitenta armados. para subir para riba. balas. esperando por vento feito. Francisco. o comandante Samuel van Koyn ordenou que dois soldados fossem recomendar aos da campanha trouxessem para junto do forte as setentas cabeças de gado. e lhe fizeram com encarecidos rogos os protestos. de sorte que nenhum tornou com vida para a fortaleza. e roubassem todas as casas e os moradores deram sobre elles de emboscada e mataram a todos. 138 Neste mesmo dia. arcos. farinha e algumas mercancias e com estas armas. porque todos estavam com o cutelo quasi na garganta. e se aproveitaram das munições e armas que traziam. como ministro d`EL-REI D.moradores dos lugares visinhos a aquele Rio. que com muita pressa marchasse logo para o rio de S. os quais eram doze. que os passassem todos em cutelo. 122 . com as grandes enchentes e atropelando com todo este trabalho. os moradores acudiram. Em 11 do dito mez passou Nicoláo Aranha o rio da parte do Norte a onde a fortaleza estava com toda a gente que consigo trazia. porem ao largo onde não chegavam as balas da artilheria. e mataram ao sargento e a dez soldados Flamengos que levava consigo. Deos lhe tomaria estreita conta das mortes dos innocentes. o que 138 fez com muito valor. esses soldados foram cruelmente mortos. As cousas neste estado. e no meio do rigor do inverno. souberam os moradores do Rio. que estava por cabo de três companhias no rio Real. e que quando Sua Senhoria. que vinham entrando com socorro ao inimigo e lhe mataram vinte Flamengos . Tomaram-nos um batel grande. chegou em 10 dias de Agosto ao dito Rio a onde achou os moradores com as armas nas mãos. os quais se mostraram ao outro dia . os quais tinham cercado a fortaleza. que todas eram mosquetes. e assim não se pode navegar por ele ariba se não com vento feito. e do grande aperto em que de prezente estavam todos os moradores do Rio de São Francisco. Partio Nicoláo Aranha do Rio Real aos 27 de julho por caminhos desusados. e pretestos da parte de Deus que os mandasse socorrer logo. Chegaram os dous correios da Bahia. José Hgino. Hist. João seu Rei e senhor os não socorrense com a brevidade que o presente perigo pedia. Neste mesmo dia . muita polvora. e dos notaveis agravos que se haviam de fazer aos casados e donzelas. quando muitos rios iam de foz em fora. Do Inst. e logo o cabo dos capitães Nicoláo Aranha mandou ao capitão Francisco Lopes a queimar as lanchas ao inimigo. que iam abrindo. segundo Matheus van dem Broeck. aguardente. ecom haverem os soldados de levar em suas muchilas o mantimento e as armas às costas. e achava os marinheiros em terra e os mataram. traduzido pelo ilustrado Dr. em seu Diário. o nome do governador do forte de Mauritius era Samuel van Koyn. manteiga. vinho. para assim se defenderem com mais facilidade e tanto que 137 o governador da fortaleza mandou prender a um morador que habitava duas léguas em distancia a fortaleza. e acharam nele as armas de fogo. que foram necessários em tão apertada occasião. levando diante negros com fouces. aonde o mato estava mais fechado. Sabido isto pelo comendor da forca deitou fora um Capitao com setenta soldados. Estando pois o caravellão neste porto acudiram os moradores com diligencia. pelas dez horas. e esforço e boa fortuna ‗ . uns com espingardas. que estava ancorado em um porto seis léguas a baixo da fortaleza. o qual logo pelos mesmos portadores mandou ordem ao capitão Nicoláo Aranha Pacheco. por quanto aquele rio corre com tal fúria que deita água doce ao mar três e quatro léguas. Neste dia lhe matou a nossa 137 Pela leitura que fizemos do Diário de Matheus van dem Broeck. e com as que haviam tomado nos dois assaltos passados. diz ele. e flechas. para que em vingança daquelle agravo matassem aos moradores que achassem. outros com lanças e cavallos e os outros com facões dardos. Rev. quando não vai cheio. antes que os flamengos tivessem noticia do que no Rio se passava . T40 p. No mesmo rio os moradores da terra com alguns soldados da Bahia tomaram duas embarcações . pedindo-lhe com encarecidos rogos. e de palavra lhe contaram o miserável estado em que os moradores do rio se achavam. os quaes tirando a luz as armas que tinham escondidas. e entrando no caravellão o tomaram. e com isto ficaram os fortaleza com pouco cabedal de munição. e entregaram ao Governador Antonio Telles da Silva as cartas lavavam . que quando vai de enchente. em que tinham sido tributados pelos escabinos. que pela boca da barra havia entrado um caravellão do inimigo. e tanto que avistou a fortaleza a onde assistiam tresentos e quarenta e tres hollandeses soldados e flamengos livres e indios. queijo. causando-nos assim não pequeno dano. e o tiraram das mãos a um sargento que o trasia preso. E Geogr. dando-lhe conta de tudo o que passava na capitania de Pernambuco. 16. cerveja. e temendo que do Recife viesse infataria holandesa por mar. bem armados e comandados pelo capitão Diogo de Oliveira e Pedro Aranha. chegaram da Bahia por terra duas companhias ao mando de Nicolau Aranha e do capitão Francisco Lopes. despacharam dois correios para a Bahia ao governador Antonio Telles da Silva.

Era. havia de accometer a fortaleza e escalal-la. que lhas semeamos de mortos saindo elles de noite a rossar o mato que estava junto dellas. e mandou logo picar ao inimigo. e ainda não haviam aberto bem a porta. Manoel Calado e a de Samuel van Koyn. pelo que não devia elle esperar socorro alguma d’aquella praça. que foram os primeiros que sahiram e logo se tornaram a recolher e as fechou. como seu servidor e amigo ao que o Comendador hollandez respondeu que elle o faria como fosse tempo. entretanto este fato que o jeusuíta dá como sucedido em 23 de agosto. porque para verem a nossa gente. E Geog. aos 13 de agosto de chegou Nicoláo Aranha cm toda a infantaria à força. 123 . nem ferido. Neste mesmo dia morreram mais vinte inimigos e nenhum dos nossos foi morto. Os visitantes enviaram ao comandante da praça vários commissarios e lhe propuzeram comprar o forte por alguns curraes de gado. quando lhe matamos quatro soldados. iam a por as mãos nos chapéus e em as pondo. as fizeram voltar e fugir com grande vergonha. não quiz render o bordo ao mar. porém o que acovardou o inimigo não foi tanto à força da nossa gente. bastando só as barcaças. o cronista holandês assevera ter sido em 7 de setembro. declarando que estava bem provido de pólvora e balas. Com este recado retirou-se o emissário para donde veiu. e antes que amanhecesse o rederam. o qual atemorisado pela resolução não quiz sahir e lhe mandou diser pelo padre vigario Amaro Martins. e treze homens do mar. que quando não pudesse impedir ao inimigo aquele socorro. 40 p. e não tinha que ver com traidores e portanto não lhe faltassem em taes infâmias. t. e investindo-as com grande resolução. era impossível podel-la render por fome. pelos quaes ficou o commandante sabendo que o tenente Coronel Horus fora abatido na várzea. Eis suas palavras: “pouco mais ou menos. mandou Nicoláo Aranha acudir com as canoas armadas de valor. as quaes entraram logo pela barra dentro. o comandante. preso com os principais offiaes e conduzido por terra para a Bahia. porque em 28 de Agosto mandaram uma náo grande com duas barcaças. Já neste tempo tinha o Capitão Nicoláo Aranha tomado à resolução. que logo viria beijar-lhe as mãos . Estas notícias causaram grande desanimo entre os soldados.38. e depois de rendidos nos mostraram alguns as mãos passadas com pelouros. em como pelo rio acima vinha um barco grande com provimento para os da fortaleza deram-lhe aviso a noite e logo equipou duas canoas com vinte e cinco homens da sua companhia e da de Francisco Lopes e alguns moços da terra muito animosos soldados e por cabo o ajudante Francisco Rodrigues. como a resolução com que o investimos. de que resultou tomar-lhe o inimigo o barco. Informado da chegada do capitão. para virar as nossas canoas e mettel-as no fundo. morresse quem morresse. logo as nossas balas lhe furavam os chapéus e as mãos". Enfim a nossa gente se chegou tanto à fortaleza que não ousaram o hollandezes a se por em cima da muralha. Do Inst. com o que muito se encolerisou o commandante koyn. e assentando seu arraial lhe tomou todos os caminhos (assim entradas com sahidas) com emboscadas e corpo de guarda. os demais eram soldados . e o Fiscal daquella força. e com boa gente de sua companhia e a de Francisco Lopes e moradores da terra e por cabo ao alferes N. Dias depois o inimigo mandou aos nossos novo emissário com os homens que tinham sido apprehendidos no barco do capitão João Hoen. sendo cinco ou seis dos nossos feridos e um morto. sem mais gente de armas que os marinheiros.mas o capitão Hoen era atrevido. e é muito digno de notar que indo em uma lancha onze holandeses com ajudante foram investidos de dez moços nossos da terra em uma canoa e dando-lhes os hollandeses primeiro uma carga de mosquetaria não tocaram com balla a nenhum dos nossos e os nossos atirarm sua carga e mataram logo seis e aos outros degolaram a espada e tornaram as lanchas. Quis o inimigo fazer uma sahida no primeiro dia de Setembro. porque em deitando as cabeças por cima já estavam mortos com as nossas balas. destes hollandezes morreram seis e os 139 outros foram presos e feridos. pois voto geral que se tratasse de capitular” Ver. a 7 do corrente.gente vinte Flamengos. Koyn enviou dous soldados para melhor avisa-lo do cerco. bem como que o Recife estava também sitiado e muito tinham que fazer seus defensores para se desapressarem a si mesmo. Guedes Alcoforado. Vendo isto Nicoláo Aranha abalou todas suas estancias e se chegou a força até descubrir as suas casas a onde lhe matamos muita gente em particular em 23 de Agosto. Neste mesmo dia teve Nicoláo Aranha aviso. Animada a nossa gente com estes prosperos sucessos . Não se descuidavam os do Supremo Conselho do Recife em socorrer a sua gente cercada. e o Nicoláo Aranha lhe respondeu pelo mesmo portador que com muito contentamento o esperava e que se quizesse o iria buscar a porta da fortaleza para o hospedar na sua barraca. 139 Bastante semelhança há entre a descrição de Fr. porque se aquelle socorro se lhe não pudesse impedir e se lhe chegasse. Vinham no barco treze hollandezes e um commissario de Cirigipe d‘El-Rei. entrou pelo rio o capitão João Hoen com viveres para este forte e do de Sergipe d’El-Rei. Hist. Do Brasil.

e querendo levantar em alto. nem outra alguma pessoa de cousa que os hollandezes tivessem na força. para que o não dissesse a ninguém. tanto que amanhecer. para levarem suas roupas para a Bahia e cavallos para os que foram por terra. e a nau vinha só com duas velas pequenas. responderam brandamente como quem o queria fazer". ou os passaria todos a cutelo. e ocupado em defender Recife. de mantimentos trinta e sete barris de farinha. bordando as nuvens de louvores e allegrando o mar e a terra com seu formoso aspecto. meninos e enfermos. sendo mortos no cerco setenta e sete. dos quaes levaram quatorze". os quaes se lhes concedeo e lhe fez o partido muito favorável. e todos os dias as encommendo a Deus e agora nesse ponto acabar de resar as orações que todos os dias ofereço a Deus por ellas. quanto ele sentia grande falta de munição. desparassem os nossos soldados todas as armas de fogo e dessem duas cargas cerradas em signal de alegria e festa. com socorro de pólvora. a qual ia tangendo por entre o nosso corpo da guarda e se ouvio por alguns dos nossos. como o leitor já viu na nota anterior. que sahissem da fortaleza com suas armas e balas em boca. "Fez-lhe Nicoláo Aranha muito honrado partido a saber. respondeu que se queria logo entregar". eu sou grande seu devoto. 140 Enquanto Calado liga a rendição e capitulação do inimigo a um fato misterioso. Samuel van den Broeck. Isto tanto mais desanimou Koyn. duas léguas em distancia da força umas não três lanchas grandes que vinham aos hollandezes. Vendo os hollandeses a resolução. desparou o inimigo da fortaleza uma peça de artilharia e toda nossa infantaria lhe respondeu com uma carga cerrada de mosquearia e tornou a secundar com outra ao levantar o calix consagrado e tão grande foi o estrondoque o inimigo ficou admirado". já situado. 124 . pondo graves penas a quem as levava. porém nenhumas de mosquete." "Approvaram os camaradas o bom intento e tanto que a nova aurora appareceo. que os iam socorrer. bandeira estendida e os officiaes com suas insígnias militares. notícia esta que lhe foi trazida pelos homens que tinham sido apreendidos no barco de João Hoen. bala e armas e das mais munições de guerra com cento e oitenta soldados. Dêo-se embarcação as mulheres. com toda solemnidade que foi possível e ordenou Nicoláo Aranha que quando o sacerdote levantasse o Corpo do Senhor e seu precioso sangue em alto. isto é boa nova."Chegou a Nicoláo Aranha em 13 de Setembro a triste notícia em como o inimigo à falsa fé havia queimado aos nossos navios que estavam na enseada de Tamandaré. derrotado na várzea. Achamos sete cavallos vivos. liga a convicção de que não seria socorrido pelos seus compatriotas. "Aos 15 do mez pediram ao Capitão Aranha três dias de tréguas. muitas balas para ellas. Caso miraculoso!". se cantaram uma Missa de Requien pelas almas do purgatório. pólvora pouca e essa molhada. Depois que tivemos a fortaleza por nossa e os hollandezes reunidos e desarmados. sem dúvida que isto deve ser as almas dos Paes defuntos que nos vem a socorrer. nos dezoito dias do mez estando na barra do Rio cinco embarcações cheias de gente. achamos-lhes na fortaleza dez peças de artilharia de bronze. "Não se aproveitaram os soldados. Senhores camaradas. uma música em tom de ladainha e vio uma clara de luz. o qual com muita dor encobrio a nova. naquella noite se ouvio o som de uma companhia. achamos vinte e quatro mulheres e trinta e três meninos e desoito escravos. Eis a verdadeira causa da rendição do forte. appareceram no rio. achamos duzentos e sessenta e seis flamengos dentro na força e cinco Índios. para mostrar ao povo. "Acabou-se a missa e o inimigo começou a chamar com um tambor mandamos ver o que 140 queria. a carne que tinham a repartiram. até uns tantos passos. disse então o Capitão Pedro Aranha irmão do cabo da companhia de Nicoláo Aranha. "Tinha o Sacerdote consagrado o corpo de Christo Nosso Senhor Salvador. promettamos-lhe todos uma missa cantada. por que já estava enfadado de o terem ali tanto. e recolheu a si todas as cartas. Poes amanhã e segunda-feira o dia em que a Santa Igreja Catholica costuma dizer Missa e fazer sufrágios por ellas. aonde haviam de ser desarmados. para caminharem para a Bahia. e logo se resolveu e mandou por um official com um tambor dizer ao Comendador da força que se rendessem. onde foi presas Hous. e passados da outra banda do rio da parte do sul.

O capitão Willem houvera posto fogo à caravella se as mulheres neerllandezas não se intercedessem. Porque dos moradores. não me atrevo a por uns em primeiro lugar. os homens sempre assistiram com os soldados da Bahia. vacas. mandou o capitão Aranha desparar uma peça de artilharia da fortaleza. porque com a artilharia lhe faria grande damno. e assim perderam os rendidos tudo o que era seu. os soldados como generosos não quiseram aceitar cousa alguma. em suas casas. dos moradores do rio S. pois o commandante Aranha declarou que. "Tão extremamente o fizeram nesta ocasião. assim os moradores do rio S. nos faria a nós muito mal com sua artilharia. que era grande consideração para impedir a passagem para a Bahia e a chave da capitania de Pernambuco. Sei que ficando um vento rijo. esquipou dous barcos e algumas canoas carregadas de bons e valerosos soldados e antes que a náo e as lanchas chegassem. os quaes em companhia do capitão Pedro Aranha sempre tiveram a vanguarda no cerco da fortaleza. antes lhe deram muita graça pelo bom tratamento e offerecendo os moradores das terras (depois da Victoria alcançada) muitos dons e mimos de bois. nem causaram moléstia. Para libertar os nossos devera ter chegado três dias antes” Obr. e conhecessem o pouco cabedal que fortaleza tinha para lhe fazer danmo. por quanto não tenho até as presentes testemunhas de vista". e com a infantaria por terra e por mar em barcos e canoas as renderia facilmente. porque em tudo 141 os quis Deos favorecer". porque o não mereceram. que são merecedores de muito grande louvor. nem morto nem ferido algum. antes todos acudiram com suas armas. leite. que chegaram a dar duas cargas cerradas ao inimigo e não posso affirmar se lhe mataram pouca ou muita gente. se os hollandezes queimassem a caravella. porque lhes sahiu em sorte o ocupal-os o cabo do capitão Nicolão Aranha. alguns que mais se extremaram. mandou investir contra ellas. Porém assim por maior quero ir nomeando de uns aos outros. como os mais valerosos do mundo. e os nossos soldados o fizeram com tanto brio. P. e desparada a peça logo a não largou todo o plano e as lanchas com ella e se vieram em direitura para a fortaleza". e por conselho de seis francezes que pediram praça para tomar armas por nossa parte. a nenhum morador fizeram os soldados damnos. e que se náo e as lanchas chegassem a metter-se debaixo da artilharia da força. não sahiu morador algum de sua casa. como os soldados da Bahia e com tanto esforço e valor. elle faria matar as mulheres e meninos. patos. novilhos para trazerem consigo para Pernambuco. que diz: “ depois da partida do commandante e soldados. vitellas. farinha. que era o signal de que estava dado para os hollandezes conhecerem que estava a fortaleza por sua. Acercando-se uns dos outros. doces e fructas que a terra dava. que seguiam por terra a Bahia entroeu no Rio o capitão Willem Lamberts com um degre (barco hollandez de pesca) e tres barcos bem artilhados. com suas armas. disparou o capitão Willem suas peças e os portugueses vararam a caravella sobre um banco e lançaram-se à água depois de uma pequena escaramuça. fazendo sua obrigação com muito animo e as mulheres. e estiveram mais chegados ao inimigo João Velho. "Para se render esta fortaleza. se occupavam em fazer de comer para os soldados e com tanto gosto. nem sustentar bateria. Francisco o capitão André da Rocha de Antas e o capitão Valentim da Rocha. Manoel 141 Essa nau e lança eram comandados por Willem Lamberts. porém o capitão considerando que na fortaleza achava pouca pólvora e essa toda molhada. que nunca nos faltou. segundo Matheus vam dem Broeck. Cit. Em cousas particulares. Francisco. Só ". perus. com tanta pontualidade. "Tomou o capitão Nicoláo Aranha conselho no que faria para tomar a não e as lanchas e alguns lhe disseram que as deixasse metter bem debaixo da fortaleza . Pouco depois o capitão Willem despojou o rio. 44 125 . nos quaes haviam de embarcar as guranições do forte Maurício. de sorte que lhe fosse necessário esconder-se pelos matos. esforço e brio. Mandou o commandante Aranha que fossem ao encontro do capitão Willem uma caravella (onde já haviam acondicionado a bagagem dos rendidos) e um barco com soldados. sem fazer agravos aos outros.navegando. como merecem. de modo que succedeu esbulharem os nossos os bem dos seus próprios compatriotas. Porto Calvo e Sergipe de El-Rei. para se recolherem ao Recife. só os que vinham enfermos aceitaram alguns cavallos para poderem acompanhar a tropa e porque os moradores não desconfiassem vendo que se lhes não aceitavam seus oferecimentos". galinhas e carneiros. sem haver entre elles os nossos soldados. contra os hollandezes. começou a náo a fazer bordos e a desparar sua artilharia e as lanchas suas roqueiras e se foram pelo rio abaixo e sahiram fora da barra na derrota do Recife e os nossos dous barcos e canoas se tornara. e assim desejando eu louval-os a todos. antes sempre sobejou o mantimento de vacas. que não servia para carregar as peças.

mas com muita vontade e contentamento passou toda a nossa infantaria da outra parte do rio. "E o caso suceder entrar por este rio em nossa assistência um ou dous barcos com gente ou provisões. pelos companheiros de Hoen. para nos aproveitarmos delas na primeira ocasião de importância. Francisco de Almeida alferes reformado. foram rotos pelo inimigo. abaixo assinados. os dous irmãos chamados os Brittos. enfim alcançada a vitória foi o capitão Nicoláo Aranha despedindo os outros capitães em suas companhias e tropas para onde estava o Governador da liberdade João Fernandes Vieira e os dous mestres de campo André Vidal e Martins Soares e elle depois de ordenar as cousas necessárias no rio.M. foi porque era quase impossível o combatê-las por terra por ser a distancia de sessenta léguas e haver muitos rios navegáveis que passar e mais era grande o risco mandá-las em barcos. 258.M. externa sua resolução e deputa-se o capitão Felipe Schatt e o escabino Lubbert van Coeverdeu para entrarem em acordo com o inimigo. que poupamos assim antes..Gonçalves Marzagão. reunidos em conselho hoje 17 de setembro de 1645. e que o Recife esta assim apertado. O conselho de guerra resolvêo os seguintes artigos: "Nós. Ganhada esta fortaleza a mandou o capitão Nicoláo Aranha arrasar. de modo que não dispomos de maior quantidade de pólvora que é necessária para prover por uma vez somente as bandeleiras.. o capitão Pedro Aranha com vinte. porque o inimigo não tivesse esperanças de a tornar a possuir. o qual com muito grande trabalho e dispêndio. rendemos esta praça a partido": "1-As nossas munições de guerra. obrigados de imperiosa necessidade e movidos de poderosas razões que abaixo vão. 142 143 Provavelmente este Marco Dias é um descendente da família de Belchior Dias Moreya. pólvora e morrões. e dez peças de artilharia de bronze que n‘ella achou. sabemos que os contrários estão aqui de vigia em numero de trezentos homens. com que defender as nossas vidas".Francisco. isto é. por pedimento dos moradores. assim dos da Bahia. o capitão Francisco Lopes. a cujo cargo veio esta gente com sessenta e cinco da sua companhia. p. e senão vieram logo para o nosso arraial da Várzea de Capivaribe. Não custou esta fortaleza cabedal algum a S. 64. Gonçalo Dias cabo da esquadra. João 142 Furtado de Mendonça. dos da Bahia não me atrevo a declarar o valor que nesta empresa mostraram. as mandou esconder em lugar seguro. pois sabemos com certeza que a maior parte dos nossos comandados pelo tenente coronel Hous. e em baixo com embarcações para o fim de tomar os socorros que nos enviem. Marcos Dias . e outros muitos que não nomeio por ser enfadonho. nem ferido. que andavam sempre de vigia. mais que pólvora e bala. como já aconteceu". resolvemos. Francisco Velanez. Eis ai as minundencias de Calado. que os soldados gastaram. veio marchando detraz na retaguarda e todos 143 chegaram a várzea do Capivaribe com prospera viagem . aonde estava a fortaleza. Fr. e no sítio sempre nos acompanhou com pessoa e fazenda. porém quero nomear os principais que nesta empresa se acharam. e ele o fez como de seu valor se esperava. Gaspar Gonçalves Nenoa. Gonçalo de Matos homem natural de Pernambuco. reuniu conselho de guerra. O valoroso Lucideno. porque nem o governador geral mandou a infantaria por ordem de S. fazendo toda a sua obrigação como honrado. Capitulado e desesperançado Koyn de auxílios vindos do Recife. Francisco Aguiar. 126 . segundo temos escrito atrás. também dez soldados da Bahia se avantajaram muito. oficiais do forte Mauricio no rio de S. o qual foi em uma das canoas. o capitão Diogo de Oliveira de Lacerda com vinte moradores do rio REAL. chamado Baltazar de Matos. pois. o qual já tem perdido três filhos nesta guerra. acham-se ao presente esgotadas. homem. Marcos de Oliveira alferes reformado. capitão Nicolão Aranha. e por ordem dos governadores da liberdade. como dos da terra e lhe fizeram numero de sessenta. sobre as condições de capitulação. os capitães Gaspar Fernandes Villar a quem o cabo do capitão Nicolão Aranha proveo de uma companhia de bons e valerosos soldados. que fizeram fugir as lanchas até os deitarem pela barra fora: e este soldado é filho de um homem nobre. só digo que alcançaram a vcitória sem nos morrer soldado algum. "2-Igualmente começam a escassear os viveres. "3-Segundo todas as probabilidades não sermos socorridos pelos do Recife. senão a socorrer os moradores na grande tribulação e aperto em que estavam. com cinqüenta soldados. Manoel Calado. pois amanha será distribuída a ultima ração de carne". que mal se pode sustentar". Não temos. quando o inimigo trazia pelo mar náos de guerra e lanchas. a fazer guerra aos hollandezes de Pernambuco. como durante este cerco de perto de seis semanas.

Em fé do que assinamos este termo com os nossos próprios punhos". Com essa força temos de ocupar: 1-a fortaleza cujo circuito é de duzentos e setenta e seis varas.V.Lubbert van Coverden. negras e cavalos ".Boudewijn de Jager. trinta homens de trem e vinte paisanos. "6-A guarnição. caixas.um parapeito na extremidade das pedras.O dito Senhor Aranha ordenará que um oficial nos acompanhe.O Senhor Nicoláo Aranha nos fornecerá embarcação capaz que nos transporte com as nossas bagagens para o Recife". como pelo presente resolvemos. sabemos que crescem de dia a dia.. começa a sentir-se fraca e desalentada que. judeus. Além disto como se sabe. caso o Recife se ache em cerco. antes da nossa chegada. sem sermos molestados do inimigo e ali entregar-nos-ha aos nossos senhores.O Senhor Nicoláo Aranha conceder-nos-ha podermos sahir todos para o Recife. "5. 3. a continuar este estado de cousas. "8. não há palissadas em terra de fortaleza. ao passo que as nossas. dentro dela não se pode haver a terra necessária para levantar outra muralha". 2. sem mais sermos encommodados. .Pieter Rotterdan. o mesmo oficial nos entregara.Todos os rendidos. é impossível prevenir que se rebele". paisanos. 127 .O official que nos escoltar será obrigado. onde deve estar de continuo sete homens para a guarda e pronto socorro". entrar amanha. e as muralhas recentemente levantadas acham-se arruinadas e abatidas em conseqüência das continuas chuvas. "6.Permittir-nos-há a levar três canhões de seis libras de bala com a sua carreta". poderão igualmente levar seus negros. "Assim que cada homem tem que ocupar perto de duas varas de terreno. "2. com bandeiras despregadas. que por justas razões somos movidos a entrar em ajustes com sua nobreza a cerca da entrega da dita fortaleza. todas as armas."4-As forças inimigas. "3. "Nós oficias abaixo assinados reunidos na fortaleza Mauricio. como assenta sobre pedras. fazemos saber ao honrado Senhor Nicoláo Aranha. Feito em nossa assembléia no forte Maurício. pois. por entre a frota inimiga". ao todo cento e noventa e sete homens em estado de prestar serviço. depois de maduro conselho.Antes de partimos seremos supridos com as necessidades vitualhas de modo que possamos fazer convenientemente a nossa viagem". de modo que por fora é fácil galgá-las. para o qual fins lhe deputam o capitão Philip Schacht e o escabino Lubbert van Coeverden". a conduzir-nos livre e desempedidamente a dita praça. mulheres e meninos. em ajustes com o inimigo e aceitar as melhores condições que deles podemos obter. 18 do corrente. uma vez que sua nobreza nos conceda as seguintes condições e artigos. que com tão poucas forças é impossível defender tão largas obras contra adversários numerosos".Huybert Dop – Hans Paap – Thomas Pouwelsz. "Por estas e outras considerações. e caso o Recife se haja rendido. ao general que mandar na praça. Smit. que presentemente montão a oitocentos homens. Está. Koyn. pois. corda acesa em ambas as partes.uma obra exterior de sessenta varas diante da porta para defesa dos carregadores de água. desnudada. soldados. poderão retirar livremente e intacta as suas bagagens. "1. segundo os estylos militares e aos seus foi anteriormente concedidos". vigiando continuadamente nas muralhas. "7. mal alimentada.Wolf Reurseits – Philip Schacht – Thomas ReBarent Vlieger. "5-Tão pouco não tivemos meios de cortar a fortaleza. e este dar-nos livre passagem para a nossa pátria". como é manifesto vão pelo contrario diminuindo. bala em boca. A nossa gente valida não excede a 147 soldados. Era ut supra. arcos e caixas. comandante das tropas portuguesas no rio S.Soltara e permitira que nos acompanhem os prisioneiros que se acham em seu poder". "4. D. temos resolvido. a fim de nos escoltar livre e seguramente até o Recife. indicando as experiências militares.Hans Pertersz. Francisco.

Francisco Lopes de Maltos. Em fé da verdade assignamos todos o presente termo. a saber: capitães. poderão ficar comigo na fortaleza o tempo que lhes parecer. Sahirá a guarnição com armas ao hombro. V. concederá levarmos nossas armas brancas". Nicoláo Aranha Pacheco. officiaes do forte Mauricio abaixo assignados. concederá o Senhor Aranha que as separemos das hasteas.. poderão levar seus negros e negras para lhes carregarem as bagagens". não vim para lhes fazer guerra e sim para ajudar os moradores. para a Bahia. Boudewijn de Jager. bala em boca. escabinos. Resposta do Capitão Aranha: "1º Serão todos enviados. caso não possamos levar as nossas bandeiras. sem serem visitadas". Francisco. que não serão revistadas". sem serem revistadas as suas bagagens". "2. morrões accessos. na margem norte do S. comissários e auditor. secretários. Pieter Boiterdamo Lubbert van Caeverden". "4° Não se tocará nas roupas das mulheres. Hans Pietersz Smit. Diago de Oliveira. passei o presente papel hoje 18 de Setembro de 1645. Rans 144 Paap. "5. "Os paisanos poderão sahir com sua roupa e mochilas. "2 Os officiaes levarão suas espadas. porém. G-aspar Fernande-s Vilar. Sahirão com suas armas até onde nos aprouver. declaramos que. poderá mandar no barco uma arca com suas bagagens. Koyn.Os doentes e feridos. "Eis o que concedo aos hoHandezes. alferes. Em 'dito barco serão embarcadas as bagagens dos que as não poderem levar por terra. "6. Francisco.Conceder-nos-ha levarmos as bagagens que os nossos escravos e cavalos poderem carregar. tambor batente e b~ndeiras tendidas. 9 º Conquistado o forte Maurício. mulheres e meninos. Outrossim. mestres de obras. os officiaes principaes. "3. pois. Walf Keseits. acompanhados de um capitão. "5º Forneceremos um barco em que vão os feridos. ate 21 de setembro. bem como as mulheres e meninos. sargento. pois não podemos mais obter. Willem Sloot. Philip Schacht. Cinco paisanos poderão conservar seus sabres enterçados. isto é. a deputação teve de voltar. " 3 O prazo que concedo é até as 8 horas da seguinte manhã. quartel-mestre. submetendo os seguintes ao seu parecer: "1. paisanos e suas mulheres. serão transportados com escolta para a Bahia em embarcação capaz. Pra partirmos conforme as praticas militares". Feito em conselho no forte Mauricio ao rio de S. E para que isto não falte. segundo as praticas de guerra. "Nós.Dar-nos o prazo de três dias. tenentes. e estes não me permittem de modo algum que eu mais conceda. pois os moradores não permittem conceder maior espaço.O capitão Aranha não aceitando todos os artigos.Depois de havermos deposto as armas. Aos officiaes principaes serão dados cavallos que os transportem para a Bahia. D.Cada um dos oficiais. cortavam-se 144 Diário de Matheus van den Broeck 128 . Adriano da Rocha. que obriga-se alli entregar suas nobrezas.Todos os oficiais. Pedra Aranha. Valentim da Rocha. acceitamos as condições que acima ficam e dellas somos contentes. Thomas Pay. . Serpa de Lacerda. "4.

que só de infantaria contava para mais de dois mil homens. enquanto entre eles havia a abundância de víveres. comiam as carnes cruas. quando se rendiam ao cerco de D. entre os holandeses reinavam o desânimo. por intermédio de Dirck Witte Paert e Lamberts. Francisco. encarregado deste serviço. cheia dê ruínas. de onde vinham importantes contingentes para o 129 . porém. comandante do forte. Baldas de meios. cães e ratos e desenterrar animais. a não conseguir que os holandeses se espalhassem pelo território. cercados pelo inimigo que até lhes dificultava a água. rendiam-se. quando chegam-lhes munições por dois navios. Abriu-se assim o ano de 1646. Cristóvão e no fortim de Sergipe. e entregava-se a capitania. Um arranco ia efetuar o espírito batavo para reaver o que já tinha perdido. com o duplo fim de privar as comunicações da fronteira sul com o exército dos conquistados. pois. chegaram a alimentar-se de gatos. Abandonando Olinda. Enquanto entre os revoltosos reinavam o ânimo e a coragem. a fome e a indigência. tanto mais assustadora. às mãos dos seus primitivos conquistadores. Além de novos membros para o governo. não só para alimento do exército. Era o trabalho de Camarão e Henrique Dias. Bem providos de munições de guerra e de pólvora. Agora. de onde não podiam receber nenhum auxílio. Schkoppe encarrega a Henderson a expedição a S. pedindo a capitulação.as comunicações entre o Recife e Sergipe. como para mover as fábricas açucareiras. Estavam para capitular. A notícia destas vitórias chegaram ao Recife a 30 de setembro. veio uma grande força militar comandada por Sigismundo Schkoppe e Henderson. que realmente chegaram a 19 de agosto. de que não dispunham os seus compatriotas do forte Maurício e Porto Calvo. As guarnições de Recife e a fortaleza de Maurício. juntamente com Koyn e Florys em uma caravela para Portugal. pois era impossível a continuação de um tal estado de coisas. As condições dos dois exércitos tornaram-se completamente desiguais. João de Souza. batidos pela fome. privados de comunicação com o Recife. onde causaram um geral desânimo. enclasuraram-se no Recife. os holandeses entravam em uma fase de decadência. cheio de horrores para os holandeses. exaurida pelas sucessivas destruições das lutas e das guerras. indo só do rio de S. tinham edificado dois fortes: um em Vaza-Barris. onde os holandeses. já contavam os dias. rendiam-se as duas fortificações dos holandeses. as horas. quanto da metrópole não lhes vinha nenhum auxílio. em setembro desde 1645. que a 27 de setembro partia. devastada. Aquele desde 1642 tinha sido derruba·do pelo exército dos conquistados. e outro no rio Real. de Sergipe tiravam o gado. Em suma. Assim. Sem combustível. e a certeza de que em breve lhes viriam amplos auxílios. pela sucessão de vitórias. Depois de tentativas para retomar o Recife. Perdendo os seus domínios do sul. Francisco duzentas cabeças de gado. que desde esta época tinham permanecido em vigia. cercados pelo capitão D. Por certo era uma grande perda para o inimigo. botavam no fogo o último pão. estavam no auge da fome e o exército já começava a· revoltar-se. trazidos de diversos pontos. As condições mudaram. situadas no limite sul do seu domínio. como já vimos. os holandeses que habitavam em S. acampados em Bom Jesus. sendo preso Hans Vagels. que postaram-se na margem do rio Real. João de Souza. como diz Varnhagen.

tenente de Gisselingh e Adriaen Mebus. com toda a companhia que tinha saído para ver o inimigo. menor resistência. A 24 de outubro de 1646 parte o coronel Handerson com uma frota sob sua direção e do almirante Lichthard e como comissário Paulo Antony Dames. que continuava a cercá-Ia. Faleceu. que. Jan Jansz van Yssendyck. cujo corpo foi conduzido para o Recife e ficou prisioneiro o valente capitão Gisselingh. e onde estava postada a sentinela avançada. meia légua distante do forte. onde está edificada hoje a cidade de Propriá. O resto da guarnição que pôde escapar à destruição. e trata de levantar. a 29 de dezembro. quando grande parte dela incorporou-se ao comando de Sigismundo Schoppe e do conselheiro supremo Simon van Beaumont. Foi vítima desta imperícia. por ordem do Governador Geral. assim como os capitães Daniel Kein e Gernil Schut. elas lhes foram quebradas aos pés e eles condenados. Henderson permaneceu em S. Era uma força militar demasiada para debelar a resistência que pudesse encontrar em Sergipe. A 16 de novembro desembarcam em Cururipe e daí marcham por terra para São Francisco. Fogem os duzentos combatentes que lhe deviam resistir e. e congraçados em número de duzentos. alferes do capitão Schut. Antonio Bailjaert. em presença do historiador Nieuhoff. com 500 a 600 homens. Henderson conquista a fortificação. sob o comando do tenente van 130 . Duas grandes perdas assinalaram este feito militar. bloqueando o inimigo. em lugar melhor. desprevenidos para a defesa e ocupados ainda em demolir o forte. Por diversas vezes algumas partidas se fizeram. e Joost Comam! e o Alferes . perante eles. perde a ação pela emboscada de que foi alvo. além da perda de cento e quatorze soldados. Sem a. Henderson encarrega ao capitão francês Samuel Lambert (La Montagne) que com quase toda a guarnição. a voltàr para Holanda. já em melhores condições de luta. pelo território sergipano. largaram em caminho as armas e por isso. como desleais. sendo composta de 13 navios. vai atacar os sitiantes. e não podendo mais atacar pela retaguarda os inimigos. e fazer do rio uma base de operações e daí dirigir-se para o norte. onde. centralizouse no forte. quando o inimigo ataca e cerca uma casa. atacam um posto avançado de vinte homens. sendo a mais notável a em que foi àssaltado o tenente La Fleur. a guardar e defender o território. sabendo do desastre em S. menos os 500 a 600 homens que ficaram no forte. Somente no forte ficou o coronel Henderson. depois de atravessar o rio. fazendo o número de 1. Killiam Snyder. Francisco. o conde italiano Bagnuolo. Para punir a insolência dos atacantes. entre índios e soldados.Middelburg.300 homens. para vigiar o inimigo. Francisco até março de 1647. quando pensava La Montagne em uma vitória. o bravo almirante Licththardt. quando os fugitivos. aquele mesmo que em companhia de Schoppe tinha pesquisado em 1637. um outro forte. até 4 de fevereiro de 1647. onde se achava o Capitão Francisco Rabelo. correm espavoridos e galgam a margem sul do rio. os tenentes Jeronymo Helleman. comandados por Francisco Rabelo.200 a 1.exército. postados em Bom Jesus. Seus habitantes. ia realizar o plano de bloquear a Bahia. em Urubu. Apresenta-se Samuel. em dias de dezembro. em que iam 10 companhias de soldados e 3 de índios.

manda o capitão Chain Fleury que foi cercado pelo inimigo. com um passaporte para a Holanda. pois. convencendo-se a Companhia de autorizar a retirada de Henderson. em 1647 e do território de Sergipe. força insuficiente para romper as forças inimigas . o forte com os seus 300 soldados. para sua alimentação. donde tirava aos milhares de cabeça por dia. são capturados 50 a 60 soldados. onde achava-se Sigismundo. de onde os holandeses não teriam nada a tirar. a devastar. Ficava assim o holandês eliminado do rio São Francisco. dos sitiantes. Perdeu o holandês os currais de gado. que ficaram nas mãos. desde setembro de 1645. impossível a permanência de Henderson em São Francisco. indo a guarnição para Itaparica. O próprio Henderson teria idêntica sorte. Henderson. querendo socorrê-los. ficando prisioneiro com 40 soldados e 60 índios.Westwout. 131 . Era. se não recua para.

que deu lugar à existência de uma opinião mais autônoma. em mais de meio século de colonização. foi Baltazar ele Queiroz. aproximaram-se. sem o querer. En suma. porque houve necessidade de ser percorrido. passou Sergipe novamente ao domínio português. com Baltazar Barrinhos. Em sua administração. As lutas feridas em seu território. Compreende-se perfeitamente que um povo que se acostumou a uma luta tenaz. quando uma geração nova veio substituir aquela que batalhou tenazmente para eliminar o inimigo. até então. O território da capitania foi descoberto. eles trouxeram conseqüências de algum valor. Daí a razão principal de cedo começarem os tumultos em Sergipe. quando passou novamente ao domínio da colonização portuguesa. como conseqüentes das lutas e que destruíram uma pequena riqueza pública e particular. amontoada. como a que o historiador estuda da capitania de Sergipe para o norte. pelo capitão Francisco 132 . motivaram as posteriores explorações a cargo de D. Permanecia em Sergipe. a câmara de São Cristóvão saúda o conde. que preferiram perder seus bens a conviver com o povo invasor. a desastrosa indiferença de Nassau para com a colonização da capitania. O primeiro captião-mor despachado. Historiemos os fatos. As três raças que. que muito tarde quis . porque em uma carta a si dirigida pelo conde de Castel Melhor. o contingente que se tirava de seus currais para o sustento do exército. as devastações que seu exército fez em sua capital. foram as causas que reduziram Sergipe ao estado de decadência a que chegou. na metade de século XVII. que se sucedem até o fim de século. Rodrigo Castelo Branco.CAPÍTULO VII NOVO DOMíNIO PORTUGUÊS Depois dos acontecimentos descritos nos últimos capítulos. Queixa-se da conduta do ouvidor Felipe de Almeida. com sacrifícios. a permanência do holandês em Sergipe deixou no espírito da sua população um gérmen de revolta. que foi substituído. onde nota-se tendência bem visível até mesmo para romper-se os laços de subordinação do governo da capitania ao da Bahia. substitui-o na administração pelo capitão João Ribeiro Vila Franca. Até sua capital foi reedificada. em março de 1651. Se foram estes os males que apontamos. pela defesa de uma causa comum. por ser cúmplice no assassinato de Cipião Cardoso. para motivarem maior atividade nos períodos subseqüentes. As explorações do holandês na zona ocidental da capitania. sob o comando de Baltazar dos Reis."encetar. ferido em sua cobiça pelas belas formações geológicas. os hábitos de paz e harmonia. por ter expirado seu triênio. entregando-lhe seus haveres e suas casas. depois que a capitania passou de novo ao domínio português. em 1650. abriam entre si larga separação. que serviu de ponto de espia ao exército conquistador. perde. por sua chegada ao Brasil. durante anos. denúncia que motivou a demissão daquele funcionário e o despacho do licenciado Francisco Alves Moreira. uma companhia de infantaria. que veio à capitania sindicar judicialmente da questão. nesse tempo. provavelmente em 1648. nos sítios e nas fazendas: a falta de humanidade no tratamento que deram aos seus habitantes.

não pertencentes à sua jurisdição. E uma razão de ordem étnica influiu para este resultado. A criação do gado era a profissão dominante nesses tempos. por ordem do governador. por serem indecentes os motivos. Voltam para Sergipe. passaram a ser cobradas por um comissário. foi pastor. pela qual ordenava que os moradores da zona compreendida entre os rios S. estava-o igualmente Sergipe. escrivão da câmara e Francisco Curvelo. 133 . naquele tempo. como fintar o gado dos moradores de Sergipe. não dá execução a uma ordem do conde de Castel Melhor. A câmara de então representa ao governador contra a usurpação de suas atribuições. um emissário. como queria a câmara de Sergipe. Antes do sergipano ser lavrador. sendo as seguintes as palavras textuais do governador à câmara de Sergipe: "e com a maior brevidade execute a ordem e possa este' povo (Bahia) se ver livre da necessidade em que fica. da companhia de infantaria. e os interesses econômicos da capitania. era quase a única verba de receita. por quem foi julgada a prisão ilegal. como receita municipal e a revogação da ordem. para que não promova mais inquietações e não se aproveite do cargo que exerce.José de Araújo. até mesmo com o próprio governador da Bahia. pela qual os curraleiros não tinham mais obrigação de acudir à defesa da cidade. Francisco e Japaratuba. As idéias de invasões inimigas dominavam os espíritos. Só na administração de Vila Franca. além do contingente econômico para formação da riqueza pública. Esta medida revela os temores da época . prejudica suas atribuições. com recomendação expressa do governador ao seu delegado. conduz para a Bahia trezentas cabeças. que tanto ou mais do que a finta lançada pela câmara da Bahia. em 1651. O maior peso específico da população era dado pelas gerações mestiças. ela pede permissão para lançar novos impostos. maior quantidade. a fim de auxiliar a reedificação da cidade. porque defendido o rio contra invasões inimigas. pouco próprios ao desenvolvimento de qualquer lavoura. pela da Bahia. dirigidos ao Ouvidor Geral. outro em 1652. pouco tempo depois da posse. por questões de vaidade pessoal. ficassem transitoriamente pertencentes à jurisdição do capitão-mor da Vila do Rio de São Francisco. De novo reclama. prestava-se à criação do gado. hoje Penedo. em ocasião de rebate do inimigo. Em março de 1651 foi Baltazar de Queiroz substituído pelo capitão João Ribeiro Vila Franca. e o exército que ainda lutava no norte. contra essa resolução. servia também para abastecer a população da Bahia. para vingança de paixões pessoais. e não pelo poder municipal. constituída por terrenos agrestados. As rendas públicas da criação do gado que. tão contrárias às profissões de hábitos fixos. O gado de Sergipe. Além desta reclamação. Além desta desobediência de Vila Franca ao seu superior. de quem ele era delegado. Verifica-se aqui uma lei geral da marcha das civilizações. uso e logro da passagem do Rio Real. Além disto a formação geológica da capitania não deixava também de prestar sua influência. promove divergências. cuja administração foi de lutas. com os capitães Vicente de Amorim. que não só tomou a si resolver assuntos. os quais enviam presos para a Bahia. Toda sua zona ocidental. com os documentos de suas faltas. Logo em maio.

o que 'lhe envio do mal que Vm.que é muito grande". nem eu faço caso dos sujeitos se não emquanto elles O merecem no posto em que os occupam. que tendo o conde de Atouguia. em outubro do mesmo ano já recebia do conde de Atouguia cartas recriminativas e insultuosas. E não me venha segunda noticia da indecencia com que trata os moradores nobres dessa capitania e impede aos de nossas condições o trato de grangearias. a quem envia diversas queixas. com a informaçã. Vmce. quando lhe mandei suspender o exercicio do governo dessa capitania. se hajão com elle de maneira que me não cheeguem Em 20 de outubro dirige·lhe O conde de Atouguia a seguinte carta: "Aqui me tem chegado varias queixas de differentes excessos que Vm. Vmces. 146 As queixas que se me fizeram do mau proceder. principalmente nos da aguardente que prohibe a todos o leval-as e vendel·as. A um deixe livremente vender e levar todos os generos que quizerem. Os excessos das denúncias da câmara ficam ainda provados pela seguinte carta do governador a ela dirigida: "Tenho entendido que excedem Vm ces. tomando posse a 20 do mesmo mês. Deus Guarde. no mesmo momento o mandarei privar delle e embarcar para Portugal. pleito e homenagem que dela tem dado". para assim se augmentar a capitania e terem antes occasião de lhe louvar o bem que corresponde as suas obrigações que de lhe reprehender ou castigar defeitos nellas". foi Pestana de Brito. Aos capitães móres é justo se tenha obediencia devida. Não O mandei para ella. usa nessa capitania. Sergipe decadente. na maior penúria. alimentava a Bahia! A Vila Franca na administração sucedeu Manuel Pestana de Brito. me moveram a mandar-lhe sucessor. Tendo em março assumido a administração. apresentando·1hes a patente . Não menos autoritário do que Vila Franca. entrega-lhe de novo à administração. em outubro. Si Vm. tem procedido. nomeado capitão-mar pelo conde de Atouguia.que lhe envio.. havendo nesse procedimento do governo prejudicial precipitação. que timbra em não cumprir as ordens do administrador. de outubro de 1656) . me parece o restituil-o a ella. para seus moradores padecerem violencias. (Carta do conde de Atouguia à Câmara. donde não há de participar bem a queixa que fizer a S. para o que fiz eleição do capitão João Ribeiro Villa Franca que esta ha de dar a Vms. occasionando-se desse procedimento andar essa cidade em varias inquietações. nas quais critica seu irregular procedimento. os termos de sua jurisdição e o respeito que devem ter ao capitão mór dessa capitania Manuel Pestana de Brito em quasi tudo o que obrão. como devia no Governo dessa capitania o capitão·mór della Manoel Pestana de Brito. se não houver nesse. porque as acusações da câmara ressentiam-se de excesso de paixão. que é justo. por carta de 8 de outubro de 1655. daqui em diante com tal moderação e compostura em todas as occasiões que saiba eu que são os que deve a confiança que fiz de sua pessoa para lh'o encarregar. etc. destituído Pestana de Brito do posto de capitão-mor. a outros faça os favores.145 Origina-se profunda desarmonia entre ele e a câmara de S. pelas devastações e incêndios. Cristóvão. a 9 de março de 1654. dirigindo a este a seguinte carta: "Pela boa informação que se me faz dos procedimentos do capitão mór Manuel Pestana de Brito. E tanto assim é. lh'a entregue logo que receber esta para o continuar em virtude da patente que tinha e debaixo do mesmo. Acusa-o perante o governador. pelas quais foi Pestana de Brito destituído do posto 146. que em tudo é contrario ao que se me havia feito. para ser substituído por Vila Franca em dezembro. 145 134 .M.

capitão·mol' de Sergipe. como repetindo queixas contra o capitão-mar. com os seus partidários. dão provas de uma rebeldia de que se ia apoderando o espírito público de então. ordenando-lhe entregue a administração ao sargento-mor Baltazar dos Reis. É isto o que o historiador vê nos acontecimentos que se filiaram à· revolta de Bríto e seus companheiros. Violentamente prendem o vigário Sebastião de Góes Pedroso. dizendo que tinha razões especiais para chamar o capitão-mor. Elas determinam um fato comum em todas as administrações. entre os capitãesmores. cuja aspiração era a instituição de um governo emancipado. 147 135 . levados a isso ou pela indisposição pessoal. desde quando ele mostrava-se fraco e indiferente a manter ileso o prestígio do seu delegado. O conde de Atouguia é obrigado a chamar em outubro do mesmo ano o capitão-mor a Bahia. a romperem os laços de centralização ao governo colonial e assumirem uma posição hostil as determinações do poder então existente. não só negando posse ao ouvidor Diogo Pereira de Aguiar. exorbitavam. livre do da Bahia. Essas lutas caracterizavam a vida oficial daqueles tempos. Cristovão à revolta. publica uma proclamação. convidando os habitantes de S. a fim de defender-se das acusações.segundas noticias de que faltão a essa obrigação". que abalaram profundamente a ordem pública. Dependiam da falta de precisão nas atribuições de cada um destes funcionários que. E essa dubieza de ânimo foi uma circunstância ocasional de revoltas. É clara e patente a indecisão do conde de Atouguia nas medidas tomadas sobre os acontecimentos de Sergipe. contra a autoridade do governo colonial. Compreende-se que a reintegração de Brito descontentou profundamente os membros da câmara. entregues às suas paixões e sem um regimento que traçasse com clareza suas funções. ouvidores e câmaras. Ele não só não vai à Bahia. que não abstiveram-se de repetir as denúncias.147 Essa resolução comunica à câmara. como. como o maior Por carta de 13 de outubro de 1656 foi nomeado Baltazar dos Reis Barrenho. em agosto de 1656. nas quais incontestavelmente envolvia-se acusação direta ao ato da reintegração. ou pela convicção de que o capitão-mor não girava nas órbitas de suas atribuições E dessa luta que se levantou resultaram sérios aconteciimentos. Brito então revolta-se e torna-se o chefe do movimento revolucionário. Os membros da câmara no louvável intuito de manter a autonomia de seus atos.

Então o conde de Atouguia despacha para Sergipe o desembargador Bento Rabelo. os quaes assaltaram a mesma casa. que desde outubro assumira a administração. tão franca a desobediência dos revolucionários a autoridade do governo colonial da Bahia. Voltam para a cidade. até meado de fevereiro não tinha alcançado debelar a revolta. perante a qual foi impotente o governo local. sendo posterioremente reforçada pelo sarrgento-mor Pedro Gomes. a fim de abrir devassa do procedimento dos revolucionarios e prender Manoel Pestana de Brito. e substituído por Manoel de Barros150 em janeiro de 1657. recebendo para isso auxílios do capitão João Ferraz Barreto. contra aqueles que promovem tantos males. onde o deixaram com guardas e indo depois à cidade soltaram três presos que nella estavam e mandaram lançar pregões para que todos os moradores do termo se ajuntassem na cidade de S. a quem prenderam com violência em casa de um Thome de Aguiar. e tomam a si o encargo de dirigir as destinos da capitania.Rainha". governador e amigo. 10 de janeiro de 1658. 149 Cartas do conde de Atouguia ao capitao-mor Baltazar dos Reis Barrenho e a câmara de Sergipe. para fazerem a que se lhes ordenasse. chefe do movimento. cujos habitantes fogem. com ordem do conde de Attouguia. penetram na cadeia. como fizeram. por esperar se reduzissem ao socego e obediencia que convinha. que conduziu duzentos mosqueteiros. sem atender mais as ordens do governo da Bahia. Sendo improfícuos os meios postos em pratica por Baltazar dos Reis Barrenhos. e porque convem semelhante caso não fique sem castigo me pareceu dizer-vos e encommendar-vos. com força armada149. abrindo buracos nas paredes para entrar nella. onde havia recolhido. de cuja occasiao sua mulher ficou ferida no rosto e levando o dito vigário preso pelas ruas publicas o levaram além do Piramopama. que o conde de Atouguia dirige a seguinte carta ao seu delegado: "São tão grandes os desaforos dos moradores dessa capitania. 150 Manoel de Barros foi nomeado capitao-mor aos 15 de janeiro de 1657 e esteve no governo ate maio do mesmo ano. Lisboa. Havendo mandado ver o que escreveu o desembargador Bento Rabello e alguns papeis que me enviou sobre a devassa. 136 . Christovão. de 18 de dezembro de 1656. . de onde é arrancado a força e conduzido pelas ruas públicas para alem do rio Piramopama. se eles repugnarem as ordens de paz e obediência. 148 Francisco Barreto. de que resultou pronunciar o dito Bento Rabello cincoenta e oito pessoas a prisão. Os revolucionários tomam conta da cidade. que. E isto motivou acres censuras a si dirigidas pelo governador. onde fica detido e vigiado por sentinelas. que me obrigam a chegar com eIles aquelle ultimo rigor que até agora repugnei. foi tirar a capitania de Sergipe d'EI-rei das culpas e excessos que alguns de seus moradores commetteram contra meu serviço e contra o vigário da vara e da Parochial Igreja da mesma capitania Sebastião Pedroso de Goes. Eu El·Rei vos envio muito saudar. Tendo o desembargador partido da Bahia em começo de dezembro. ordenando que debele a revolução e ponha em pratica os meios mais enérgicos. em que entrou o capitão·mor Manoel Pestana de Brito. a qual se tinha homiziado em casa de um amigo. por muito culpado. por escapar da fúria dos amotinados.conselheiro da câmara. etc. não tendo forças para sufoca-Ia148. também despachado para a capitania. a quem o governador dirige sucessivas cartas. Eram de tal ordem os acontecimentos que se desdobravam em Sergipe. soltam as presos e fica ela sob a ação dessa revolta.

que o acompanharam. as fazendas e os engenhos. O historiador nela não vê por certo. mostram exuberantemente uma aspiração de liberdade. 3 de Fevereiro de 1857. É este o primeiro sintoma de uma revolta do espírito público de Sergipe. uma aspiração para salvarem-se as Iiberdades contra a prepotência de Brito. da falta de energia do conde de Atouguia. os castigue com tal demonstração que sirva de exemplo a todos e todas as mortes e effusão de sangue que deste excesso resultarem tom a sabre mim para dar conta a S. cujos delegados abusavam do poder. que não deixou de prejudicar com o seu autoritarismo. a primeira que se opera em Sergipe. que foram entregues a justiça publica e conduzidos para a Bahia. aos oIhos do observador. Bahia. sem a exaltação do despeito. chegar a elle sobre todos os precedentes. restringindo as liberdades públicas. Aqueles. Manuel de Barros só esteve na administração até maio. quando eles incendiaram a capital. vir nelles movimento algum contra as ordens deste governo e execução das que levou o desembargador Bento Rabello. sendo confiscados os seus bens. no modo por que resolveu a questão de jurisdição entre ele e a câmara. de emancipação. E é este o lado instrutivo da revolução de outubro de 1656. que seja notoria a causa com que Vm. 137 . "E para que Vm. em vista da incoerência. Vm. Esta carta e bastante eloquente para mostrar a gravidade dos fatos. para quietação o commum daquella Republica. elegera o que lhe parecer melhor. prestou juuramento na Bahia em março de 1657 e tomou posse em 26 de maio do mesmo ano151. e um movimento emancipacionista por parte daqueles que acompanharam e prestaram adesão a causa levantada por Pestana de Brito. possa estar sempre superior no poder e no posto. porem. Nessa determinação ele não se deixou inspirar pelo interesse do bem publico.Conde de Attouguia". Seus feitos vêm consignados em sua carta patente. porque. Só em março foram sufocados os tumultos. O que ressalta. todavia a capitania não entrou na ordem e na paz interna dos tempos passados. por carta regia de 10 de novembro de 1656. porem.o governo. com a prisão de Brito e de seus companheiros. da indecisão. Jerônimo de Albuquerque não ficou isento de ser o alvo do desacato e 151 Jerônimo de Albuquerque representou importante papel nas lutas com os holandeses. estando nomeado capitão-mor Jeronimo de Albuquerrque. pelo respeito as liberdades populares. . Não obstante o rigorismo que houve na punição dos culpados dessa primeira manifestação de uma independência do espírito popular."Se ainda continuarem os successos e Vm. Fez parte do combate que se feriu com os holandeses no Rio Real e achava-se em Sergipe. estará sempre com a vigilância que pede a naturesa dessa gente. M" porque na rebelião fica justificado o rigor que merecem. contra o governo. Foi uma revolução verdadeiramente política. Deixou-se mais arrastar pela paixão. contra uma força eminentemente respeitada e acatada naqueles tempos . a qual serviu de exemplo e justificativa as revoltas subsequentes. mas porque esta resolução ha de ser no ultimo desengano da obstinação de seus moradores e no cuidado de novas perturbações e tumultos. para o sustento da tropa que efetuou a diligência. que e toda sua companhia. com a infantaria que tem e com a que agora lhe mando remetter neste barco.

que se esses moradores não experimentassem tanta brandura. abandonando as fazendas. a fim de acudirem com urgência às reclamações da segurança pública. em carta de janeiro de 1658. não obstante a punição infligida pelo desembargador Bento Rabello. Nesta mesma data foram nomeados os oficiais que tinham de comandar os destacamentos do corpo de ordenanças. que ainda continuou a existir. contra os infelizes índios. o do Lagarto. Isto motiva excursões pelos sertões. repetindo idêntica excursão em novembro do mesmo ano. Rio de São Francisco. por ordem do governo colonial. pois teme que excessos semelhantes aos de outubro sejam praticados.Se o fundamento que Vm. nos diversos distritos. Cotegipe e Piauí. Agora o levante não se restringia aos homens de representação. para onde manda destacamentos. requisita força militar que Ihe garanta e conserve o prestígio de sua autoridade. Encontramos já. tem foi então ceder a exigência do Juiz. Em vista destes sucessivos ataques à propriedade e à segurança individual. em deixar perder o respeito. junto a São Cristóvão152. 153 152 Carta de Francisco Barrenho a Jerônimo de Albuquerque de 27 de fevereiro de 1658. agora parece que não faz Vm. em janeiro de 1662 é despachada uma expedição aos mocambos de Sergipe e em outubro de 1663 o capitão Simão Fernandes Madeira vai aos mocambos de Itabaiana. nessas bandeiras. dividir Sergipe em distritos. Albuquerque toma a providência de reunir os índios em uma aldeia. E são de importância as medidas tomadas por Jerônimo de Albuquerque. em suas lavouras e gado. em Vm. As pesquisas judiciárias que continuaram a ser feitas para punir os infratores. de onde devia tirar a força precisa para essas excursões.desprestigio par parte dos membros do partido revolucionário. O que deve a sua obrigação... cujos habitantes são incomodados pelos negros. De espírito tímido e receoso. pelo temor da pena. não teriam elles tanto animo". Vm. e oferece excelente oportunidade para saciar-se a febre escravista. compreende como medida de alto valor. se faça respeitar e obedecer. e censurado por isto pelo governador. para se me queixar de que se Ihe atrevem. Em dezembro de 1661 parte Antônio de Faria com oitenta homens para prender os índios. Com ordens positivas de manter a ordem. estimulava-a. por parecer prudente. da qual extraímos o seguinte trecho: " . Estende-se aos negros que fogem. como os mais antigos distritos. Itabaiana. que se rebelavam e oprimiam os moradores. Finalmente em 1671 vemos Fernão Carrilho prestando seu concurso na destruição dos mocambos da capitania. para reunirem-se em mocambos e aos índios que não perdem ocasião propícia para assaltar os habitantes de São Cristóvão.. 153 138 . Além disto. em vez de abafar a revolta.

contra os excessos das administrações. como Albuquerque. levando ao conhecimento do governador as faltas por eles cometidas e nos negócios da câmara. 139 . tomando posse a 8 de abril de 1666. a fim de defender a Bahia da invasão de uma armada holandesa. não ter a menor interferência nas atribuições do ouvidor e oficiais de justiça. para cumprir as ordens que. Vasco Mascarenhas. por nomeação régia de 21 de janeiro de 1662. o ouvidor Bernardo Correia Leitão. Só em janeiro do ano seguinte prestou juramento e tomou posse. Em 1663 o ouvidor Bernardo Correia Leitão enceta uma devassa contra seus membros por terem protestado contra o lançamento e a cobrança do tabaco. As sucessivas questões de jurisdição que provocavam lutas entre os provedores. e ainda mais. Solicitou sua demissão e foi despachado em dezembro Alvaro Correia de Freitas. baixou o regimento dos capitães-mores.Em maio de 1659. autorizou-o a publicar seu bando por toda capitania. que. que a todo o momento esperava-se. por questões de jurisdição. Além deste imposto Sergipe já pagava outros. que pertencia ao provedor. tendo se esgotado o provimento de AIbuquerque. aliás. não ter a menor interferência nos negócios de fazenda. passando o governo ao capitão Alvaro Correia Leite. Substituiu a Alvaro de Freitas. Regimentos dos Capitães-mores de lº de outubro de 1663. a falta de um regimento que catalogasse as atribuições dos capitães-mores. na fazenda e nos cargos de justiça. fiscalizá-los. para explicar as razões por que não deu execução à provisão de um empregado. em janeiro de 1662154. Em sucessivas cartas de janeiro de 1668 ao seu delegado. daí em diante. João Ribeiro Vila Franca. cujo substituto foi Ambrósio Luiz de la Penha. 156 Por carta de março de 1667 o conde de Óbidos chama-o à Bahia. recebia de Alexandre de Souza Freire. tinha-se distinguido nas guerras de Pernambuco. para o sustento da infantaria. não ter atribuições para fazer concessões de terras devolutas. desde dezembro de 1667. como para a paz com a Holanda. sem. Logo no começo de seu governo156. para serem sancionados pelo governador. ter o direito de suspensão. o sejam em gênero. em vista do estado de pobreza de seus habitantes e pede para em vez de serem pagos em moeda. pelo qual o conde de Óbidos. salientamos as seguintes: não ter competência para fazer provimento na força pública. foram as causas do ato de 1º de outubro de 1663. Em seu governo. entretanto. pois as lutas continuaram. prendeu. 155 V. De suas atribuições. para mandar-lhe força militar. ouvidores e capitães-mores. prisão que foi relaxada pelo governador e por cuja causa escreveu ao seu delegado uma carta acrimoniosa. lutou com grandes dificuldades. Antônio de Alemão. D. senão interinamente. podendo. a marcha dos negócios públicos à intenção do legislador. não correspondendo. Por carta régia de 10 de fevereiro de 1665 foi ele nomeado capitão-mor.155 Foi com este regimento que Alvaro de Freitas e seus sucessores administraram Sergipe. foi nomeado capitão-mor Francisco de Braz. Encontramos diversas cartas em que a câmara de Sergipe reclama contra o peso dos impostos. no qual incita o patriotismo do povo para 154 Neste ano Sergipe começou a contribuir com o tributo anual de 80 mil cruzados para as despesas da Princesa da Grã·Bretanha. as repetidas queixas dos moradores. a quem sucedeu.

. Além desse contingente. que Sergipe prestava.Carta aos officiaes da comarca de Sergipe pelo governador de 7 de janeiro de 1668. no intuito de aliviar o peso dos impostos. pelo numero de infantaria que é preciso pagar e quando os moradores desta praça padecem com tanto excesso. ampliou-se. a ponto do povo reunir-se e depô-lo. ou com a sucessão de queixas levadas ao governador. além de demonstrar tendências autoritárias do poder público. quem o solicitem". com a criação de uma companhia de ordenança. na defesa da Bahia. Se até aqui os antecessores de Alemão tinham caracterizado seus governos ou com o motim popular. Os desmandos do ouvidor Sebastião de Lobo motivaram seu desterro (1663). O descontentamento lavrava latente pelo espírito popular. quer pelas vexações das contribuções. em lugar de mil. como Itabaiana.. Francisco. pede para que a contribuição em que a capitania foi fintada de mil arrobas de tabaco anualmente para a paz da Holanda. M. espera da camara que se adiante sempre no serviço de S. data de 1668. 159 Na carta de nomeação de Matias Leal. revela já os primeiros delineamentos de uma integração na opinião. 158 E quanto a pretender esse povo a satisfação do dote e paz só com quinhentas arrobas de tabaco. O abuso do poder provocou esse levante em um povo eminentemente ordeiro e obediente. quando foram feitas diversas nomeações para as diferentes circunscrições. por que a occasião da guerra que se espera. vemos o seguinte: "Porquanto convém que todos os homens de negocio. Neste tempo foram feitas diversas nomeações de militares para os diversos distritos de Sergipe.158 A guarnição que até então compunha-se de uma companhia de infantaria. não é justo que se defira aos aliados dessa e muito menos que sejam Vmes. forasteiros da capitania de Sergipe d'El·Rei se organise uma companhia de infantaria de ordenanças.pegar em armas. além de um corpo de homiziados e negros fugidos.159 Temos visto até aqui que a paz e a ordem não se tinham restabelecido na capitania. sob o comando de um coronel artilheiro. 140 . à qual competia principalmente assegurar a ordem pública nos distritos. e da fidelidade de seus moradores de que tão honradas noticias tem de que o obrarão todas as vezes que a Bahia os houver mister". para capitão da companhia de ordenanças de Sergipe. contra a invasão inimiga. . E uma deposição nesses tempos em Sergipe. seu sucessor que foi Jorge Rabelo Leite (1670) deixou impressa na opinião a maior animadversão. a fim de servirem de sustento aos soldados e ao povo. dirigida ao Capitão-mor. não dá lugar a ella. Lagarto. a exemplo de que nesta praça resolvi se formasse a qual serve agregada a um dos terços deste presidio etc". em 7 de janeiro de 1668. em Sergipe. 157 Na carta de Alexandre de Souza Freire. quer pelo procedimento dos administradores. e esta praça o experimenta assim. de abril de 1668. seu capitão mor recebia ordens de enviar três mil cabeças de gado para os campos da Torre. Sua criação. também é negócio em que por ora não se pode tomar resolução. vemós o seguinte: ".157 Só de Sergipe tinham de marchar duas companhias de innfantaria. cem homens de cavalaria. reclamação que não foi atendida. Rio S. seja reduzida a quinhentas arrobas e paga em dinheiro. A câmara de São Cristóvão. pertencente ao presídio da Bahia. etc. não passando a pacificação que se revelou na administração de Antônio Alemão de uma pacificação puramente aparente.

mas isto não basta para fazer um povo desleal. Por maiores que fossem os nossos esforços. Os capítulos que deram delle se verão na Relação e posto que as culpas fossem grandes. porque então nada lhe valerá e V. me diz. não póde o povo por si depôl-o do lugar em que S. outra de 20 e antes que Vm. A. 141 . ao Lagarto e ordena dahi que o vão 160 esperar a Camara e os officiaes de justiça e milicia nas Quebradas . Eis o que dizia o governador ao capitão-mor: "Recebi duas cartas de Vm. A espontaneidade com que procederam os membros da Câmara. o sargento-mor Manoel Faleiro Cabeça. deu lugar a uma anistia. continuando-se por evitar que se livrarão do castigo. como mais culpados . porém. antes que chegassem os capitães Manoel da Costa da Câmara e Domingos Antunes da Costa. mulatos e negros com armas de fogo e trombeta adiante a degolar. Eu não gabarei os ruins modos de José Rabello Leite. depois de sua primeira manifestação na administração de Pestana de Brito. por onde pudéssemos estudar suas cláusulas e ver se a opinião popular capitulou perante as ordens do poder público. e assim chamado pelas grandes grutas que existem. Chega Vm. Domingos de Loreto: "De 12 de Novembro recebo uma carta de V. restituindo Rabelo Leite (dezembro de 1670). oferecemos ao leitor a transcrição dos seguintes documentos. o pôz. cinco léguas de Sergipe e havendo Vm. 162 Carta da mesma data e do mesmo governador. lhe póde aconselhar como religioso o que lhe está melhor. Em vez de descrevermos os acontecimentos. com cem infantes e ordens terminantes para garantir e levantar o prestígio da autoridade. porque o povo restituiu o administrador ao seu posto. o mandei restituir e os officiaes não só o não receberam. decretada por Alexandre de Souza Freire (abril de 1671). não se conformaram com o Regimento que S. contra o elemento oficial. uma de 13 de Novembro. A. Eis ainda o que dizia o governador ao franciscano Fr.Vejamos. e poderia só adoçar este negócio si a camara arrependida do que fez restituis se o capitão e mór' antes que a gente que eu mandar para isso o faça. pois a elles lhes convem mais acertar em 162 cousas que lhes podem custar a vida e a fazenda". o ouvidor Francisco Curvelo e o escrivão da câmara Aleixo Cabral que. na devassa que abriu o desembargador Antônio Nabo Peçanha. a Igreja Matriz e dahi sae para a Camara a cavallo. Não só Rabelo Leite foi retirado do governo. estava este seu successo prognosticado. sahisse da Bahia. Rabelo leite foi substituído por João Munhos. o governo de Rabelo Leite. e agora diz Vm. P . que está no Carmo. vae-se Vm. não encontramos esse documento de perdão. de entrar com os braços abertos para todos. 160 Lugar que existe na 'estrada de Itaporanga para o Lagarto. presos e acorrentados. sendo excluídos do perdão. como ainda o prenderam. e A intervenção do religioso foi benéfica. depois da reintegração. onde não se sabe se tem a vida segura e 161 antes disto queria fregir a todos". com gente branca que pede.. que foi aceita pela Câmara (junho de 1671). manda a este respeito. Em sua carta patente vemos que sua nomeação liga-se ás lutas entre o povo a câmara e o capitão-mor. que me tracta sobre as cousas de José Rabello e Leite e ainda que seja tudo que V. como ele e outros tiverem de responder perante o poder judiciário pelas faltas cometidas. seguiram para a Bahia. 161 Carta de 4 de dezembro de 1670 de Alexandre de Souza Freire. P . que representa o ponto culminante a que chegou a revolta da opinião. nomeado capitão-mor por portaria de 27 de junho de 1671. P .

por ato de 18 de junho de 1671. o poder publico cedeu naquilo que constituía a maior aspiração do povo – a retirada de Rabelo leit. honesto. Bahia ejulho20 de 1671. desde quando descansaram na legalidade do voto de graça. do governo. Nada podemos adiantar sobre o resultado da devassa. 142 . Affonso Furtado de Castro do rio Mendonça. Seu governo foi longo e proveitoso. e conservação do povo envio o dito capitão-mor João Munhos.] os officiais da camara que nesta praça praça a se acham me representaram que a mesma câmara e povo dessa capitania se sujeitava a obrigava a não ser restituído no governo della José Rabello leite a fazer-lhe pagar tudo efectivamente o que estvesse devendo e se cobrasse sem dilação alguma e entregasse a seus procuradores. até a publicação da sentença da justiça163. de atribuições diferentes daquelas que já tinham sido discriminados no regimento de 1º de outubro de 1663. conciliador. para que realmnte fique satisfeito de tudo. Christovão que nesta se acham em nome do povo daquella capitania se ajustaram em fazer por conta delle o mesmo soldo ao dito capitão. Realmente desempenhou cabalmente a dificil incumbência que tomou a si. era o único capaz de assumir seu governo. A. vença o seu ordenado sem embargo de em o haver concedido na patentye que passei ao capitão-mor João Munhoz. a fim de ele não voltar a Sergipe. senão que o conselho ultramarino. Ordeno ao Provedor –mor della mande continuar ao dito José Rabello Leite o ordenado quem tem na folha.Se a vontade popular cedeu.. resolveu: 1º) que os excetuados do perdão fossem soltos. como resgatar suas dividas164. representando nela um papel pacificador . fazendo desaparecer a excitação dos animos e trazendo a capitania à paz e ordem indispensáveis à sua prosperidade. que hora envio a governar a mesma capatania e a tenho mandado registrar nos livros da fazenda Real. As credenciais com que Joao Munhos foi apresentado à câmara de S. que o povo e a câmara obrigaram-se não só a pagar os ordenados do novo capitão-mor. não obstante o governador não ter atribuições para conceder esse perdão aos povos de Sergipe. enérgetico e que nas condições anormais em que se achava a capitania. Bahia e julho de 1671. Essa aspiração era tão positiva. em sessão de 1675.e isto foi feito. Guarde deus e vimces. A. E porque não será justo que elle fique perdendo o cabedal alheio e sem que nessa capitania metteu por sua contra e ficou de seusmoradores: Vmces.Affonso Furtado de Castro de Rio Mendonça. Suas 163 “Porquanto suspendi o exercicio do Governador da Capitania de Sergipe ao capitão José Rabello Leite que della se ahavia a esta praça por lhe não consentir a câmara e os moradores della a restituição que este governo olhe mandara fazer do dito cargo e convier ao serviço de S. para aquiescer com as clásulas que foram oferecidas. A. o que há por mim encarregasoa Vmces. a que se poderá recolher tanto que o capitão-mor estiver satisfeito. E tenham entendido que em quanto completamente não estiver satisfeito de todas as suas dividas José Rabello Leite há de assitir um dos officiais dessa Camara nesta praça. por isso que a fazenda continuou a pagar os de Rabelo leite. por quanto aos officiais da Camara da cidade de S. É este o primeiro regimento dado a um capitão-mor de sergipe.mor em quanto da Fazenda Real se continuasse ao dito José Rabello de Leite o que vence em razão do dito posto que por justas considerações do serviço de S. 164 [.--. O governador teve de conceder outro regimento a João Munhos. lhes façam cobrar summaria e executivamente tudo que por créditos e clarezas equivalentes constar se lhe está devendo. 2º) que. a fim de esperar a senteça final do poder competente. na aquiescência que prestou ás cláusulas do perdão. devia sancioná-lo. Critovão foram as de um homem prudente.. que emquanto se não devassasse de seu precedimento para se avriguar o merecimnento delle. todavia S. a quem necessariamente se deve dar soldo com o exercício que leva e esta se registrará nos livros da Secretaria do Estado e nos da Fazenda Real em que estiver registrada a mesma patente para que a todo tempo conste esta minha disposição. para não promover novas alterações da ordem publica.

resolvi assistissem naquella capitania vinte com um cabo de que já leva cinco diste presidio: fará assentar praças. e idade que tiverem a qual vira firmada de sua mão para aqui se lhe assentarem as praças nas companhias que eu ordenar. 2--. na forma que eu já tenho ordenado ao provedor mór da fazenda. me dará conta.atribuições ficavam bem determinadas. com declarações das terras. e minha conservará em seus officios. 5—A’ Camara daquella capitania remetti por via do ouvidor Francisco Curvelho velho uma Provisão com memoria de senado de camara desrta cidade de tudo o que se está devendo ao denotativo do dote e paz e muito particularmente encarrego ao dito capitão mór que com todo cuidado procure cobrar e remetter na forma della dito capitão mór que com todo cuidado procure cobrar e remetter na forma della a esta praça tudo o que se está devendo e não podendo se cobrar tudo para ir nesta frota a respeito das impossiblidades que resultaram das inquietações da dita capitania. se ajuste e venha para ir no anno que vem. e signaes que é estilo por-se na matrícula. entre os capitães móres e as camaras e para estas se evitarem a se guardar o que pelos referidos regimentos se tem disposto: ordeno ao dito capitão mor me dê conta dos que há no Regimento de auxiliares e ordenanças em toda capitania e me informe do seu procedimento e que sujeitos há beneméritos para occuparem. 10—Passará o dito capitão mostra em todas as companhias de auxiliares. 3--. informando as pessoas mais nobres . Cristovão dirá a carta que leva aos officiaes da camara.A. e conservação dos moradores de Sergipe d’El-Rei envio a alla apor Capitão mór ao capitão João Munhos de cuja prudência a zelo confio todos os acertos nas obrigações que lhe tocarem. como de outros que também o sejam para eu sobretudo mandar as patentes como me parecer mais justo. mais a vendo queixa nas partes ou coluiu nas eleições. dêm logo. encarrega que se faça guerra aos negros que estão fugidos nos mocambos de que 165 143 . ordenanças e de cavallos . dando-me também conta de tudo que importar sobre estas matérias. Paes. com a advertência que os moradores que forem vizinhos da cidade e não tiverem inconveniente em vir a ella. 4—Com esta se lhe dará uma carta que lhe escrevo na forma que fiz a todos os capitães mores do estado para me mandar relação dos corpos que na dita capitania houver. Hei por bem e lhe ordeno que enquanto nella estiver guarde a instrução seguinte: 1—Partirá para ella por terra com o ajudante que prover na mesma capitania onde lhes fará presente e chegando a cidade de S. e eu lhe encomendo. conta a este governo. gente. o que por seus regimentos se lhe ordenam.Procurará haver-se com a camara e moradores daquella capitania com todo o zelo que deve. procedendo elles em seu exercício como são obrigados. onde lhes fará presente a patente que leva a nas costas della mandará fazer termo que assignarão aos mesmos officiais da camara da posse que em virtude da patente tiver dado. tractando-os benevolamente. Pela qual se servio mandar que se dessem aos capitães móres daquella capitania os soldados que a este governo parece necessário. aos outros o dito capitão passará as mostras dentro dos seus districtos. A. procurá evitar uma e outra cousa. 9—Deixará exercer a Camara tudo que pela ordenação lhe toca. na forma que na dita carta se declaro. mas de tal maneira que se não faça perder sempre o respeito com que deve ser obedecido e venerado como é justo. preferirá para serem de novo providos. A. para eu ordenara o que for mais conveniente ao serviço de S. 7--. as capitanias de estado que vagando alguma companhia de ordenança. e munição e de tudo me mandará relação muito distinta. nella os quinze que faltam de que me remeterá uma lista dos nomes de cada um. que entender convém o abrar-se na dita capitania para sua conservação e sossego de seus povos. com a prudência e zelo que espero. de auxiliares. e succedendo vagar alguns dos postos maiores. Mais havendo queixa das partes me dará conta. lhes passará a mostra na praça e a todos os maes pelas grandes distancias.A. e se os que estão exercendo estiverem procedendo com satisfação. para que se conservem sem pertubação. e sobre este particular tem havido naquella capitania algumas duvidas. ao ouvido e mais ministros e officiais de justiças. em que considero haver muitos dignos. aramas. 11—E porque S. 6—Verá todos os officios que não tiverem provisão minha e proverá interinamente as serventias destes nas pessoas mais idoneas e benemeritas e de todas me dará logo conta para eu prover como me parecer e os providos serão obrigados a dentro de um mês apresentar provisão minha sem a qual não poderão continuar mais.E porque na forma da ordem de S. e assim os providos por provisão de S.A.165 Por quanto por varias considerações do serviço de S. de ordenanças e de cavallos que houver na dita capitania na forma que semnpre foi estylo.E porque o regimento que se tem dado por esse governo aos capitães móres de todas. ricas e capazes de os exercer . 8—Também me dará conta muito particular de tudo. assim sejam dos actuaes.

o estado econômico continuou precário.166 A câmara que se achava a dever 1:782$000. neste mesmo ano. tinham depauperado a capitania e esse estado não servia de justificativa para que fosse ela dispensada das contribuições anuais. em 1677. de sergipe tirava-se o alimento para a guarnição da Bahia. provocaram alterações na latitude do poder do administrador. Era possuidor de grande fortuna. que prestou juramento na Bahia. em abriu de 1679. costuma a ver algumas queixas. assumindo em junho a dministração167. até as revoltas que temos descrito. É descendente de Belchior Dias. que foi nomeado capitão em junho do mesmo ano. Prego de Castro é o primeiro sergipano que mereceu a distinção de dirigir os destinos de seus concidadães. A exploração foi feita com três serras. Bahia 18 de julho de 1671. até 12 de agosto e importou o Rol do ponto deste pagamento em 35$836. com a contribuição por parte de Sergipe de quinhentos mil reis para o sustento dos soldados que acompanharam o explorador. por scrivão João de Mayor e por thesoreiros o capitão de infataia Jorge Sores de Macedo . Em 20 de agosto se trabalhou no segundo serro das minas . chamados das minas de iatabaina em 32 dias.” 167 Manoel de Abreu Sores foi nomeado capitão-mor por carta de 23 de dezembro de 1677. 144 . desde quando o erário municipal. podê. Por um pleito em que envolveu-se sobre a administração do morgano da capela do desterro do rio Real. como já dissemos. deu lugar a que Castelo Branco se dirigisse para São Paulo. “ 166 “Em 11 de julho de 1672 se deu principio a trabalhar no primeiro serro. Em sua carta vem consignados seus feitos na guerra de Pernambuco. e sendo de resultado negativo. os fará remetter a ela toda a segurança e isto lhe hei. em busca de minas. E os que forem moradores dessa cidade. por muito encarregado. assumindo a administração o sargento-mor Antônio Prego de Castro. Foi educado por um professor vindo de Portugal. Os acontecimentos passados. João Munhos solicita do governador licença para tratar-se. Depois de tão importantes serviços. Tinha foros de fidalgo. assistindo nesta administração como a contador Francisco Jose da Cunha. além das razões já expostas. Rodrigo de Castelo Branco. do meado do século em diante. além de reclamarem um homem prudente à testa da administração. para cujo pagamento vinham reiteradas ordens da Bahia. O dito capitão-mór se informará dos que houver e mandará a elles na forma que é estilo e os que forem dos moradores ficaram logo ali paragando o que é estylo e quintos para o capitão geral. morreu pobre. das diversas fintas em que era tributada. Com despezas do rol do ponto de 12$318. porque. a qual foi concedida em maio de 1678. Desde dezembro de 1677 tinha sido nomeado pelo rei para o mesmo cargo Manoel de Abreu Soares. Além disto tirava-se o sustento das tropas que faziam entradas pelos sertões e à custa dos seus cofres pegava-se sua força pública. agravando-se de mais a mais. e que se estendeu até março de 1678. desde a invasão holandesa. Isto contribuia ainda mais para agravar-se a situação financeira. Em 21 de setembro trabalhou na serra dos macos e importou o rol do ponto em 8$239. No seu governo que foi longo. realizar o pagamento deste compromisso. todas as vezes que qualquer noticia de invasão circulava. Se Munhos pôde remediar o estado de revolta da sociedade daqueles tempos. por D. não as podia pagar a tempo e a hora. – Affonso Furtado de Castro do Rio Mendonça. deram-se as primeiras explorações de minas em Itabaiana.As modificações operadas ligavam-se aos acontecimentos que se davam na capitania que. pelo péssimo estado financeiro.

no arco da igreja. capitão da aldeia de aracaju. Antônio da Piedade. entrava o elemento oficial. 170 Em 21 de maio 1679 foi nomeado o alferez Pedro capitão da aldeia dos indios capajós junto ao rio S. a exemplo de seus antecessores. contra o que protestou a camara de S. O número era mais que suficient para desfalcar da lavoura colonial o braço indígena. Este indios depois requreram posse da terra da aldeia e obtiveram-na. que o governo da metrópole para corresponder às informações do seu delegado no Brasil. Estendia-se por todo o país. Geru. e permissão para os missionários nela edificarem igreja. Essa crise não se circunscrevia a Sergipe. não encontravam quem os arrematasse. como no sul. Francisco170. foram expulsos os índios da aldeia da japaratuba. Os interesses dos agricultores julgavam-se prejudicados pela politica jesuitica. restituidas estas mesmas terras. em vista das informações do governador. não só no norte. de produção da capitania. Nesse mesmo tempo. que inspirou a lei de 30 de agosto de 1689. sendo-lhes. Cristovão proibia expressamente fossem colocados. A informação do procurador da coroa é contra a requisição. algodão. Em 1685 o vigário de S. o país inteiro ressesntia-se da falta de mantimentos. junto ao rio S. Água azeda171. 145 . desde o governo do conde atouguia. dando isto lugar à imigração africana. o religioso Fr. Cristovão. E não era pequeno o numero de aldeias que não existiam. dezimava a população. ponderando que esta aldeia deveria ser destruida. a quem os padres da companhia requereram lhes fossem entrgues 4 casas de indios. Entretanto o governo central não pesava devidamente essas condições precárias. que já tinham uma certa organização administrativa: Poxim168. nas quais. sitas no rio Real . em 1699. Em 1682 expede as mesmas ordens de cobrança. os editais que o capitão mandava afixar. Podemos enumerar as seguintes. acrescentando que. pela qual o plantio da mandioca era obrigatório. em vista da vida escandalosa que levavam. em carta 1ª de junho de 1679. Em 4 de novembro de 1669 foi nomeado o indio jão mulato. 171 Está aldeia já tinha uma certa organização administrativa. pedindo permissão para que o denotivo fosse pago em qualquer gênero. por isso que os escravos e alguns bens de raiz que iam à praça. E tanto assim é. onde exercitem suas missões. Aracaju169. As novas medidas legislativas sobre os Índios despertavam novas e incruentas lutas entre colonos e jesuitas.E a falata de numerário chegou a ponto do capitão-mor dirigir-se ao rei. Em Sergipe todas essas causas produziam seus efeitos. açucar. Levantavam-se lutas entre eles. Uma epidemia de varíola e uma febre semelhante à febre amarela. por D. como o tabaco. 168 169 Em 8 de fereiro de 1673 foi nomado o indio gonçalo de souza capitão da audeia do poxim. dos Capojós. Japaratuba. Além de capitais. decretou a lei de 8 de março de 1894. Domingos e seu companheiro eram indignos do nome de missionário. onde os paulistas fazem novas entradas pelos sertões. onde se cunhasse dinheiro de prata e ouro. mais ou menos. Francisco. Em 1695 Frei Domingos Barbosa pede confirmação das terras que o capitão Belchior da Fonseca doou aos religiosos do Carmo. pela qual abriu-se na Bahia uma casa de moeda. Canabrava. Joana Pimentel. muita vez. de acordo com as das autoridades de Sergipe. a requerimento de Fr.

da qual o primeiro capitão foi o pardo Francisco de barros. não só pela criação de novos funcionários. Tomou parte nas lutas holandesas. pelas quais a administração geral teve de obedecer a novos principios. o foi também em dezembro de 1674. Framcisco. nomeado por carta régia de 14 de março de 1687. Foi noemado seu primeiro cabo Sebastião Correia de Sá e incumbido de destruí-los. o mestiço mais simpatizado naquele tempos. como o termo de um largo periodo histórico. Defendiam a cidade e a capitania de ataques de inimigos. 146 . a que denominamos período de formação. Presta juramento na Bahia e neste mesmo mês é apresentado à câmara de S. desde 1646. nomeado a 15 de dezembro de 1695. durante ele todos os elementos ficaram establecidos para ampliar-se o movimento colonial. porque grandes modificações operaram-se. nomeado em janeiro de 1690 e assume a administração em junho172. Sebastião Nunes Collares. sendo seu capitão-mor. e criou os lugares de juizes de Fora e corregedores das comarcas ou ouvidores. Além destas companhias.Vimos que em 1668 a capitania já se apresentava dividida em distritos. que em Sergipe tornaram-se célebres até mesmo nos periodos adiantados do movimento abolicionista. nomeado por carta régia de 14 de março de 1687. Belchior da Fonseca Saraiva Dias Moreya. Além destes corpos. Em 1674. Braz Soares dos Passos. Tendo sido a capital da colônia dotada de privilegios identicos aos que gozavam as maiores cidades de metrópole. ficante o de nova formação comprendido entre os rios Sergipe e Japaratuba. como deste capitulo. Escolhemos esta data não só como termo desse periodo. uma companhia de homens pardos. 172 Em sua carta de noemação vemos consignados srviços de ral valor prestados na guerra com os holandeses. A capitania tinha a guarnição de 50 soldados de infantaria. em dezembro de 1674. A este corpo pertenciam as companhias de capitães de mato. Cristóvão. Presta juramento em junho e assume a administração em setembro. morador no lagarto. trazidos pelo capitão-mor e que não destacavam pelos distritos. já existia um corpo voluntário e intitulado – entrada dos mocambos—que nada recebia da fazenda. nomeado a 23 de outubro de 1692. Os capitães-mores que sucederam a Manoel de Abreu Soares foram: Braz da Rocha Leite. Jorge de Barros Leite. Gonçalo de Lemos Mascarenhas. Realmente. como pela restrição ou ampliação das atribuições dos que já existiam. Tendo sido criado na capitania uma companhia de ordenanças. Terminamos aqui o estudo das administrações dos capitães-mores que se seguiram ao dominio holandes. a do Cotinguiba. por ter esgotado o triênio. cuja jurisdição entendia-se da torre de Garcia D‘Ávila ao rio S. tomando o ano de 1696. Estas medidas provam que os sertões da capitania viviam infestdos de negros. nas câmaras do Brasil. Destas companhias saliento a que tinha por sede o distrito do rio Real. que compreendia toda a extensão do rio até a borda da mata de S . é dividido em dois. João e que era a sede dos mais temerosos mocambos. retirando-se em setembro de 1690. que atacavam a propriedade e a vida. o rei acabou com os lugares de juizes ordinarios. pela grande extensão (12 léguas) e pelo numero de habitantes (700).

remetendo-se agora as pautas dos eleitores ao desembargo do paço. Por esse tempo diversos núcleos de população se tinhar levantado nos diversos distritos. em 1679 a freguesia de Vila-Nova. de que temos falado. por noemação passda pelo rei173. Marcos de Souza . 173 174 Rocha Pita. os oficiais das câmaras deixaram de ser eleitos por pelouros. 147 .Sergipe ficou reduzido a ser uma camaraca da Bahia. Amaro da Pitanga.. Luzia. Com a divisão distrital. Op. como Alagoas de Pernambuco. desmemmbrada da paroquia de Nossa Senhora da Vitória. que escolhe os vereadores e procurador que hão de servir nelas. veio uma nova divisão eclesiastica. em 1680 a paróquia de Sta. Cit. na Bahia. sendo elevado a vila em 1698174. nesre msmoi ano a fregusia do Lagarto que foi elevada a vila em 1698. Em 30 de outubro de 1675 foi erecta a paróquia de Itabaiana. Além disto. desmembrada da paróquia de Sto.

sem regalias. Para conquistar o território usurpado. empenhado na guerra. para não se perpetuar. a promover a alteração da ordem pública. sem nada receber de seus esforços. não sentiam a menor repurgnância de praticá-las. para depois entregaremse a vida selvagem e criminosa dos mocambos que tornaram-se freqüentes. sob a atrocidade de um cativeiro. pois. outros tantos focos de assassinato e de rapinagem. aproveitou a oportunidade da guerra para possuir a liberdade de força. pelo trabalho agrícola. depois do final da guerra. na guerra da emancipação da pátria . por entre florestas virgens. uma tendecia à revolta. com obliteração completa dos sentimentso de paz e de ordem. espoliado em seus direitos. foi uma medida de ordem geral. e do índio. por pequnas causas. reclamava uma medida administrativa que viesse corrigir esse estado. Acompanharam-no nesse abandono as duas raças. ainda que em plano muito inferior. E os sucessivos anos em que tiveram necessdade de levar uma vida de nômades. e reunem-se em macambos. E é esta feição que mais caracteriza a siciedade da colônia. foi um efeito anticivilizador. reduzindo Sergipe a uma camaraca da Bahia. fizeram-les adquirir hábitos selvagens. principalmente das regiões do norte. abandonam as fazendas. O ato da coroa. Além disso. As lutas com os holandeses dixaram no espirito do povo. O mocambo é. de sua atividade. sem a fiscalizãodo senhor. E essa 148 . por conseguinte. não deixava de colaborar na civilização colonial. Realemnte. monopolizado em favor da raça branca. um produto da guerra. sob a tutela protecionista do jesuíta. Compreende-se. os negros. a vigiar o inimigo e a não escolher meio de luta para vencê-lo e eliminálo do território apossado. Compreende-se que o negro. Antes da guerra. o efeito produzido nas raças africanas e índia. o negro vivia a tirar do solo os fatores da riqueza. COMARCA DA BAHIA. depois de um abandono de alguns anos. e é também a expressão de um protesto da raça contra a escravidão. em sua generalidade. Habituados as cenas de sangue. Não era fácil e espontaneamente que voltaria ao trabalho. dirigindo-se a quase todasas capitanias que lhe igualavam em território e riqueza. na ultima metade daquele século. de crimes e de desordens. e que ofereceram empecilho ao desenvolvimento das forças civilizadoras. pela invasão holandesa e a guerra da emancipação. o colono teve necessidade de abandonar o trabalho agrícola e entregar-se a vida das armas. o trabalho. que essa tendência bem positiva da sociedade colonial. onde a convivência com o elmento estrangeiro foi mais larga e demorada. ao assassinato. no final do século XVII e sim a marcha geral dos fatos em todo o país.LIVRO II EXPANSÃO COLONIAL (1696-1822) CAPITULO I SERGIPE. para o qual não influíram exclusivamente os acontecimentos dados em Sergipe.

feitos por um membro do governo da Bahia. seus capitães-mores tinham atribuições quase idênticas as dos governadores daquelas capitanias. colocando a propriedade e a vida a abrigo de ataques por meio da expansão e severidade da punição. onde chegaria. Na hierarquia administrativa. seu provedor da fazenda. Diogo Pacheco de Carvalho. Sua alçada chegava a vinte mil reis. contribuíram para que se apertassem aqueles laços. Em toda extensão da comarca tinha atribuições de conhecer por ação nova. e os sucessores de Lencastre na Bahia. a fim de traçar-se o limite de jurisdição e competência dos dois ouvidores – Bahia e Sergipe. povos daquelas localidades mostravam visível repugnância a aceitar a jurisdição do ouvidor de Sergipe. Sergipe passou a comarca por uma necessidade pública. sujas funções ampliaram-se. desta data em diante. com a criação de diferentes corpos. sua guarnição de infantaria. a fim de abrir devassa dos inúmeros crimes que se cometiam. por que. pela existência incontestável de uma degradação de caráter da sociedade colonial. o fato de ele já ter pertencido àquela capitania. Eis. e nas causas crimes procederia conformes ordenações do reino. porem. Como dantes continuou a ter seu capitão mor. dando apelação e agravo para relação àquelas que excedessem sua alçada. Para elas dirigia-se em correição. nos períodos passados. de civilização. Seus antecedentes de conquista.medida só podia afetar a organização judiciária. nas causas cíveis. tomando posse a 5 de junho do mesmo ano. como corpo militar. sua função não era punir o crime e sim. não desviando dela nenhum de seus sucessores. Incontestavelmente perdeu em categoria política administrativa. rio de Janeiro e algumas outras. a extensão territorial da nova comarca 175. Sob o ponto de vista de prosperidade. R. Desde Diogo Pacheco a ordem de Lencastre principiou a ser executada. executar as ordens de um poder competente. nas novas paragens que lhe eram tributarias. a vizinhança de seu território do centro colonial e. O primeiro ouvidor mor despachado para Sergipe foi o Dr. Sergipe como comarca ficou com seu território ampliado. as causas da reforma administrativa que objetivou-se principalmente no lado judiciário. a nosso ver.ordenou que Sergipe exercesse suas funções ate Itapoã. Tendo D. deslocando-se mais para o sul sua linha divisória. nomeado a 15 de março de 1696. por que cerraram-se os laços de centralização que presidiam a Bahia. nas causas cíveis e crimes. não obstante isto. não era uma capitania com o eram Pernambuco. não poderia corrigir o defeito social existente. Ela teve por fim melhorar os agentes fiscalizadores da justiça. mostram-se simpáticos a causa da dasanexação. Entretanto. a força armada. alargando suas prerrogativas e aumentando seus órgãos. Este ato de Lencastre foi a origem das questões que suscitaram entre Bahia e Sergipe. aquiescendo com as reclamações 175 C. Tinha-se ampliado por demais. de 5 de julho de 1725 ao Vice-rei Vasco Fernandes Cesar Menezes. a qual. João de Lencastre ordem do soberano para dividir as duas comarcas. O ouvidor de Sergipe tratou daí em diante de exercer suas funções. 149 . além de outros corpos de que temos falado seu ouvidor.

fato este que usurpava suas atribuições. uma representação da câmara daquela cidade. alem destas questões de limites. Contribuía para isso. esquecendo os interesses dos lavradores. Inhambuope e Abadia. Por sua vez. De 1696. o governador da Bahia leva ao conhecimento do ouvidor de Sergipe Dr. João de Lencaster: Dr. João Pereira de Vasconcelos (1711-1714). Francisco. em dezembro do mesmo ano.é. O governador não só ordena que os juízes suspendam essas diligencias. contra o fato dos juízes de Sta. perante o soberano e pede o aumento do território de seu município. 1695. em vista da impunidade de que gozavam seus habitantes. Havia mais a ordem de São Francisco177. José Correia do Amaral (1715-1720). Em 1724 o ouvidor de Sergipe reclama também perante o rei contra o procedimento do vice. Prestou juramento em outubro do mesmo ano. tornam-se comuns as divergências entre eles e os capitães-mores. perante o governador D. enviando seus oficiais de justiça. a favor de quem propendia a coroa. revogandose assim a ordem regia. João de Sá Souto Maior. de que já falamos.1711). em diligência. Não houve porem até então um ato oficial que se confirma a revogação. que tendem a exercer suas atribuições. Custódio Rabelo Pereira (1717. Foi nomeado por carta régia de 19 de julho de 1713. a modificação territorial. além da falta de espírito prático dos funcionários. Dr. até quase o meado no século XVIII o que salienta-se e caracteriza o desenvolvimento histórico. Os Capitães-mores foram: Sebastião Nunes Colares. até que os limites foram deslocados para o rio Real. Luzia exercerem jurisdição sobre moradores do rio Rela da Praia. Thomaz Feliciano Albernaz (1705. João de Sá Souto Mayor (janeiro de 1699 -1704): foi nomeado por carta régia de 11 de janeiro de 1699.1717. a 29 de janeiro de 1659. como dizia na reclamação. como ordena a prisão dos oficiais de justiça. Dr. Em julho de 1704. por essas paragens. onde os crimes sucediam-se. por que esses moradores não pertencem a jurisdição de Sergipe. foi atendido a pedido de desanexação. Foi nomeado por carta régia de 21 de janeiro de 1715. como mostraremos adiante. Fernão de Lobo de Souza -1704. com prejuízo das do comandante das armas. Luiz do Rosário. Jorge de Barros Leite de (17111713 ). Foi nomeado por carta régia de 22 de dezembro de 1695. Prestou juramento na Bahia a 13 de janeiro de 1712.que delas partiam. Antonio vieira de 1713. as lutas continuaram. que ampliou as atribuições dos ouvidores. a luta de jurisdição em que viviam as principais autoridades das capitanias. a câmara de Santa Luzia protesta contra a resolução. apelando para a ordem regia. Manoel Martins Falcato (1720-1726). Durante este mesmo período vemos ascenderem-se as prevenções dos colonos para os jesuítas. Foi nomeado mestre de campo por carta régia 23 de julho de 1711. que faleceu 150 . Sendo em 1728 erectas em vilas aquelas povoações.1724) 177 No capítulo de 26 de agosto de 1657 se determinou a fundação do convento de S. O religioso incumbido de porpagar esta ordem em Sergipe foi Fr. 176 De 1696 a 1712 foram ouvidores de Sergipe Dr. O clero já representava então uma força poderosa na capitania. Não obstante. Dr. Foi nomeado por carta régia de 9 de maio de 1711. Salvador da Silva Bragança (1708. Prestou juramento na Bahia a 5 de maio do mesmo ano.rei Vasco Fernandes Cesar de Menezes pela ordem proibitiva que dele recebe para não exercer suas funções de juiz nas provações que Itapicuru. se nelas ainda continuarem. O lugar escolhido para a edificação da primeira igreja foi doado pelo sargento –mor Bernardo Correia Leitão. que foi mandada executar por Lencastre.176 Sob o regime de uma nova medida legislativa. entre estes e os capitães-mores dos distritos.1711).

que. 151 . Orb. por ordem regia. Não sendo castigados os culpados. Cristóvão. em 1659 sendo sepultado na mesma igreja. Por causa dessa mesma influencia do clero. o povo em ocasião em que o sarcedote celebrava. que. Os camaristas de São Cristóvão. o acrescentamento do preço do sal. Jaboatão. pediram ao governador da Bahia D. Essa medida mais excitou os ânimos. surgiram com a impunidade as viganças particulares e as ofensas das parcialidades. esquecendo seu papel de juiz . Desarma a força pulblica. apanhados de surpresa e sob o terror da invasão. Então. as sucessivas remessas de alimento para a Bahia. penetra na igreja. a retirar-se. citando o fato de Fr. que tinha sido nomeado pároco daquela vila. foi despachado o Dr. que preparavam resistência as ordens do governo para a cobrança de 10% das fazendas e 6$000 por cada escravo. como fez a população de Vila-Nova. O ouvidor comissionado para punir essa revolta. para ainda excitar os ânimos. manda os facciosos assinarem termo. Lurenço de Almada anistia para os sediciosos. prende-o e obriga-o assim. em setembro de 1693. José Correia do Amaral. Não querendo estes habitantes prestar obediência ao seu vigário. debaixo de graves penas. Os jesuítas nas aldeias abusavam da influência que exerciam sobre os índios. cuja causa eles defendia como figuras proeminentes da parcialidade que era contrária ao ouvidor Vasconcelos. cujos habitantes. Na adminstração do provincial Fr. veio o abuso. provocando protestos e revoltas populares. Em 1709. para que vivesse em paz e sem perturbação o governo da capitania. Os interesses das famílias eram esquecidos por alguns chefes. que fosse por negócio às minas. e incumbido o desembargador Manoel de Azevedo Soares de ir a Sergipe. para abrir a devassa dos revoltos. os diversos impostos que já pesavam sobre a população. Esta medida sossegou a cidade. Seraph. junto da qual não se edificasse um templo. eram causas poderosas para a impugnação franca à nova resolução do poder legislativo dos 10% e dos 6$000 sobre cabeça de negro. As capelas ostentavam-se em grande numero e em favor delas eram instituídos encapelados. o povo de Vila-Nova invade em dezembro de 1710. S. as ordens e às capelas. depois de tomar posse e alheio ao meio. permitido ao contratador. desobedecendo as ordens do governo que lhe autorizava a entrega dos índios que tinham fugido das aldeias da Bahia para esta. Realmente o estado de pobreza da capitania. acompanhado de vinte soldados. sendo o conselheiro o recôndito do lar doméstico. e deixavam de atender as ordens que lhes enviava o capitão-mor. diretor da aldeia do Geru. Nesse período de efervescência. fogem para os subúrbios e com ele o capitão-mor Salvador da Silva Bragança.Manifestava-se pela posse do privilegio de dirigir as consciências. deixavam ricos legados as irmandades. no começo do século. abrindo-se larga divergência entre ele e os camaristas. depõe os representantes da justiça. Alem de muitos fatos que demonstram não circunscreverem-se eles a direção espiritual das aldeias. ficando assim a capitania sem governo e sob o domínio da anarquia. Estevão de Santa Maria lançouse a primeira pedra para a edificação do convento. Rara a propriedade açucareira. em verbas testamentárias. sem a menor inspiração das parcialidades. à qual veio reunir-se. contribuiu para formarem-se parcialidades. que eram parte importante nas frações. Antonio Godinho. pela pressão do terror.

M para que seu nome lhe conceda perdão geral de todos o delictos cometidos: e o faria com particular gosto se esta maneira não offendera tanto o respeito e soberania da própria majestade. Jorge de Barros Leite. o mando a Ella devassar do dito levantamento. de 5 de abril deste anno em que me dão conta dos motivos que o povo dessa capitania tomou para o levantamento que cegamente emprehendeu. até mesmo sobre aqueles que substituíram os que foram testemunhas dos acontecimentos178. em 15 de julho de 1711: ―Recebi a carta de Vmcs. Mas eu que só procuro remediar estes damnos sem os estragos de castigo que merecem. As parcialidades não se acabaram. por essas razões se não devem admitir tão facilmente (como Vmcs. me seguram que esse povo mostra-se arrependido e vale-se da proteção de Deus N. ao voltar para ela. Alem de separar os homens em frações. Cristóvão Antonio de Souza Brunelas figurava pelo que teve ordem em 1715 de sair do território. abalou a sociedade sergipense.G nem as deste Governo Geral. o qual dizem Vmcs. tenho mostrado até o presente que o meu maior empenho é que esses povos conheçam que procuro mais conservá-los que destrui-los.M que D. ―Vmcs. e finalmente do estado em que hoje se acha o mesmo povo. encontrou fechada a casa. em que os vassalos faltam a obediência que devem ao seu príncipe e aos sujeitos que em seu nome governa. sem usar o rigor e compaixão que se faz indispensável em todos os casos. a mais prompta obediência. Isto serve de medida de exaltação dos ânimos e do espírito dos partidos em que estava dividida a sociedade naqueles tempos. O espírito de partido continuou a influir sobre os membros do poder. em janeiro de 1712. 178 Tendo o capitão mor Salvador da Silva Bragança se retirado da cidade. onde morava. o que só se poderia conseguir depois desse novo acreditar o mesmo arrependimento com as demonstrações mais sinceras. Compreende-se perfeitamente que um motivo tão profundo como este. Eis a carta que dirigiu aos seus membros. O proprietário alegou que este procedimento ligava-se a não receber os alugueis. O governador não aquiesce com os desejos da câmara e não concede o perdão. a fim de serem realizadas diligências de valor à justiça pública.O próprio vigário de S. pelo temor de ser assassinado pelo partido dos revoltosos da Vila Nova. para que se castiguem os culpados. As autoridades que as infligem deixam-se cair no plano do partidarismo e daí resultavam as explosões dos ódios e das paixões. Bahia. dos pretextos que o da Vila-Nova e das mais villas tiveram para cometter outro absurdo semelhante. Lourenço de Almada. 15 de junho de 1711 – D. As divergências que separavam os membros da camara do antecessor do ouvidor Vasconcelos permaneceram e a este estava entegue o trabalho de auxiliar o desembargador Souto Maior em devassar os revoltosos. e violência popular. o desinteresse e acceitação com nella exerceu tantos annos lugar de corregedor e ouvidor na mesma capitania. sem ofensa ou prejuizzo dos inocentes‖. por me constar que toda a nobreza dessa capitania e ainda a maior parte da gente de menos supposição obrara naquela sublevação constrangida de temor. 152 . ―Ao capitão-mor dessa capitania ordenei que a fosse logo governar e ao ouvidor geral dela exercer o seu oficio: e por conhecer as partes que concorrem no dezembargador João de Sá Souto Mayor ouvidor geral do crime da Relação deste Estado. não desobedecerá as ordens de S. elas não desapareceram com as penas do poder competente. suppõem) para a desculpa os apparentes pretextos que tomaram para o delicto que cometeram.S e da benigna clemência de S. por não ser justo que a culpa de poucos seja incentivo para a ruina de todos. quando os excessos que insolentemente cometeram no mesmo levantamento foram os mais escandalosos que ainda sucederam neste Estado e por essa razão merecedores de um tal castigo que sirva de formidável exemplo aos moradores de todas a capitanias do Brasil. recolhendo-se por isso a um sitio do vigário Brun e depois ao convento São Francisco. Sucede a Bragança. fazendo esta com toda a capitania se restitua àquele socego em que se achava antes de tal levantamento‖.

como castigo dos abusos cometidos. por Antônio Vieira. Daí queixas sucessivas do povo. cujos roteiros eram pesquisados pelo coronel Pedro Barbosa Leal. fundando um sítio da ilha do ouro. A fim de prevenir-se o contrabando. e destruíram as plantações. Pedro Garcia Pimentel. mais que o capitão-mor. Existia a convicção no espírito dos exploradores do sertão da existência das minas de Belchior Dias Moreya. contra quem veio ordem de prisão. Hieronio da Costa Taborda. o maior explorador desses tempos. A ela devia pertencer para o futuro a hegemonia do sul. Pelo lado civil era a posse da doanção de trinta léguas de terra. em sessão de 31 de janeiro de 1715180. As lutas de jurisdição entre ele e Barros Leite incrementam-se . José Correia de Amaral que. 3000 pretos e 4000 diversas raças. audiências. Dr. sendo 2215 cativos. Daí data a rivalidade entre os povos da Estância e Santa Luzia. explorou estas terras. A falta de limites precisos nas doações e a tendência dos homens a verem no assassinato a vingança de seus ódios e o meio mais eloqüente de resolver questões. por esse apoio combatido e criticado pelos camaristas da Sta. O termo de Santa Luzia em 1707 tinha 156 fogos e 1054 habitantes. elevando-se o numero em 1759 a 6672. entre os rios Vaza-Barris e São Francisco. por que os negros. 153 .Os vereadores e juízes abandonam os cargos e retiram-se para suas casas.179 A povoação de Estância prosperava e nela morava quase toda a representação oficial da Vila de Santa Luzia. Antonio Rodrigues. As idéias de mineração não tinham morrido. Os comissários aproveitavam-se do cargo para apreender as mercadorias dos lavradores. 179 Em 1662. Luzia. autorizadas por uma das partes litigiantes. 180 A provisão de 27 de abril de 1757 concedeu haver na povoação de Estância vereações. recebeu uma repreensão do Conselho Ultramarino. arrematações e outros atos judiciais na alternativa de juízes ordinários. Pelo lado crime a maior questão era a devassa dos revoltosos da Vila-Nova e a prisão do maior criminoso de então. Nelas penetraram os parentes de Pedro Gomes e determinaram todo o trabalho colonial realizado. quanto tinham o apoio do ouvidor de então da capitania. O foro vivia agitado pelas sucessivas questões. e as representações contra o ouvidor sucedem-se perante o governador. O leitor procure ler um memorial dirigido ao imperador pelos habitantes do porto da Folha. Não prosperou este sitio. sendo 3000 brancos. Em 1698 os índios Roumiris destruíram o mocambo. capitão Manuel de Couto Dessa. quando foi substituído o capitão-mor. a ponto de chamar a atenção do governador e só desaparecerem. por sua topografia como a do norte devia pertencer a Laranjeiras. traziam essa atividade no corpo da justiça e faziam com que o ouvidor se tornra-se uma autoridade que preponderava nos destinos dos povos. em outubro de 1714. morador em Sergipe. o governo comissionava fiscais para prenderem os comboios que fossem às minas de ouro. Era um destes comissários Manuel Pessoa de Albuquerque. para onde concorria a exportação da zona do rio Piauí. quer cíveis quer criminais. Antonio de Almeida Maciel. mataram o gado. em vista disto novas entradas foram abertas e se continuou a colonizar estas terras. os seus moradores pretenderam mudar a sede da vila para a povoação a animaram-se tanto mais para realizar essa pretensão. Em vista as vantagens de sua situação junto a um rio navegável. A posse destas terras deu lugar a uma secular questão que há bem pouco tempo agitava-se entre a família Tavares e o coronel Gouveia Lima. reunidos em mocambos. que por esse tempo era um sítio. Em 1802 a população era de 10000 habitantes. dada por carta de sesmaria de 25 de novembro de 1669 ao desembargador Cristóvão de Burgos. que procurava obte-los dos descendentes de Moreya. Taborda. corroborada pela justeza de motivos. para ver as cenas de assassinato.

Houve mudança de sede de sua primeira matriz da capela de Jesus Maria José. O número total dos habitantes. Amaro em 1761 contava com 2336 habitantes. 29 e escravos. Sebastião Monsteiro da Vide. Já era paróquia desde 28 de setembro de 1718. Limas. A freguesia rendia . pertenceram a Pedro de Abreu e Lima que.Quando a Abadia foi erecta vila. ter 7776 habitantes. compreendida entre o sagüi e o Rio Real que era o limite antigo entre Santa Luzia e Abadia. dilatou os limites da paróquia ate o rio Sagüi. que dominava a zona do Cotinguiba. á qual fica pertencendo a metade da freguesia de Nossa Senhora do Socorro. Esta compreendia a paróquia a que pertencia toda a zona do Cotinquiba. 154 . Em 1718 foram desmembradas da vila do Lagarto e da Vila Nova as freguesias de Campos de Santo Antonio do Urubu (Propriá) que foram erectas181 em Paróquia. antes da desanexação do Socorro. sendo homens. 1896. contava-se 32 engenhos de açúcar. Possuía por estas paragens. em novembro de 1727. O termo de Sto. A Vila Nova 100 fogos e sua freguesia compreendia a paróquia de Sto Antônio do Urubu e tinha 2774 habitantes. pelo acerbispo D. até a margem do rio Cotinguiba. 725. As famílias que mais dominavam e representavam a nobreza da capitania. que foi elevada à paróquia em 18 de fevereiro de 1700. Entre eles haivia o sítio do Urubu de baixo e Urubu de cima. 420. eram as famílias dos Sás. até o riacho Xingó. calcula a freguesia de Nossa Senhora da Vitória. no centro da freguesia. 350$000. Cristóvão. Abreus. 181 As terras onde está hoje a cidade de Própria. por provisão do acerbispo D. perdendo assim a paróquia de Santa Luzia a zona de três léguas de território.importante manual escrito em 1724. Pachecos e Faros. Os núcleos de população aumentavam. mulheres. 56 e escravos. erecta em 1617 e cuaja sede era a cidade de S. o ouvidor mor de Sergipe. Rezende. de 2 de dezembro de 1681 deixou-as aos filhos dos seus naturais. servindo a lagoa de Propriá de limite entre eles. A mesma vila ficou pertencendo a freguesia de Pé do Banco. criados. A expansão colonial já reclamava uma nova divisão civil e eclesiástica da capitania. no começo do século. Além das quatro vilas que existiam no século XVIII. Antonio Soares Pinto. sendo homens. um cronista calcula em 17169. A freguesia de Villa Nova estindia-se para o ocidente. Segundo o mesmo cronista a cidade de São Cristóvão possuía 450 fogos e em seu recôncavo. criados. João Francisco de Oliveira. Eis o que era Sergipe em 1724. erigese a vila de Sto Amaro em 1720. em escritura de doação. 1266. 1600. O Padre Gonçalo Soares da França em sua obra – Dissertaç~çoes da História Eclesiástica do Brasil.

o ouvidor de então. M.CAPÍTULO II RESLTADO DAS QUESTÕES DE LIMITE MERIDIONAL EXPULSÃO DOS JESUÍTAS Desde 1696. ordenava que elas ficassem sujeitas à capitania de Sergipe fazendo disto comunicação à comarca da Bahia. Os habitantes destas vilas não perderam a esperança de desanexarem-se do território sergipano . João contra a ordem do vice-rei Vasco Fernandes Cesar de Menezes. representa perante D. que proibia-lhe exercer suas atribuições de juiz naquelas paragens. Dr Antônio Soares Pinto. por provisão de 24 e 28 de abril de 1727. os vereadores de Itapicuru impedem que o capitão-mor Estevão de Faria Delgado passe mostra aso habitantes de Geremoabo183 pelo que o governo da 182 “S. foi servido ordenar-me por provisões de 24 e 28 de abril deste anno. Alem disto. para esse effeito. privnado-lhes a interferência nos negócios de justiça daquela circunscrição. e por diversas vezes reclamam ainda aos poderes constituídos e levantam dificuldades à marcha administrativa de Sergipe. a cuja jurisdição não queriama pertencer. Não obstante a causa da desanexação merecer simpatia dos representantes do governo colonial. Suas reclamações encontraram sempre apoio no governador da Bahia. Um dos seus antecessores. em 1724. 183 “Consta-me que os officiaes da Villa de de Itapicuru têm induzido os moradores de Geremoabo a que não consintão que passe mostra o capitão-mor de Sergipe. que expede. por diversas vezes. 182 Parece que este ato resolveria as questões que se agitavam. no recurso interposto. quando o ouvidor de Sergipe. ficando sujeitas a comarca de Sergipe de El-Rei.até 1727 quando foram erecta as povoações de Inhambupe. Eram dominados pelas tradições de seus avós. em carta de 31 de julho de 1704 ao ouvidor. porque a ação da lei lhes chegaria lenta e demorada. que estenderam até lá a colonização. que Deus guarde. encarregando esta dilligência ao ouvidor geral daquella capitania. dede quando apelavam para o uti possidetis. todavia o ato do soberano pelo qual erigia em vilas as povoações de Inhambupe. João de Lancastro ampliou o território sergipano até Itapoã. Itapicuru e Abadia em vilas. priva que os oficiais de justiça de Santa Luzia façam diligências nas povoações sitas ao sul do rio Real. quando D. mandasse erigir villas nos logares de Itapicuru e Abadia. Bahia 7 de agosto de 1727. Cesar de Menezes. ordem aos ouvidores de Sergipe. não evira as desordens de distúrbios que nella dão-se. o senado da Camara desta cidade o tenha assim entendido na parte que pertencer ao termo della. vice Rei (port. Poe quem estas terras tinham sido exploradas à custa das forças baianas. Itapicuru e Abadia. foram sucessivas as reclamações dos habitantes destas localidades contra as autoridades de Sergipe. M. que não obstante exercer jurisdição em uma zona tão limitada. advoga a causa da desanexação do território e diz ― que vai dar conta ao soberano dos excessos deste bacharel. que passou a servir de linha divisória entre as duas comarcas. foi encarregado de executar aso provisões régias. pelo que os advirto que se me constar mais que se oppõem a passar-se aquella mostra os hei de mandar vir 155 . Jaó senado da camara da Bahia)”. na forma da ordem que tem de S. Alèm disto. O ato da coroa anulou esse direito. era de conveniência aos habitantes da zona de litígio a jusrisdição das autoridades da Bahia. Assim . Em 1740. À administração da Bahia queriam eles pertencer. E por que tenho mandado cumprir aquellas ordens.

a cuja ordem estarão para diligência que lhe tenha encarregado e o que faltar à execução della. Inhambupe e Abadia que executem as ordens do capitãomór e ouvidor de Sergipe. quando reclamam perante o soberano a isenção dos pagamentos dos donativos. quando o ouvidor de Sergipe foi presos a esta cidade e castigá-los rigorosamente pela sua inobediência e assim o tenha entendido. para pagarem o tributo dos donativos. concedendo aos índios de Sergipe. ordenando às autoridades de Itapicuru. Finalmente vemo-las encarregadas de publicar o alvoará de 6 e 7 de junho de 1755. A câmara do Lagarto lança fintas sobre seus habitantes. Em nossas buscas foram inúmera as reclamações que nos passaram pelos olhos. Em Sergipe. acusa-o levando-o à ação do poder judiciário. e hei já e logo por suspenso e o castigarei reigorosamente pela sua inobediência. Daí as lutas contínuas entre eles as câmaras. passando a administração espiritual da freguesia a outro sacerdote. Ao capitão-mór de Sergipe)” 184 “Todos os oficiais de justiça da camra de Itapicuru executarão prontamente o que lhes ordenar o ouvidor geral da capitania de Sergipe. Os acontecimentos descritos até aquei já são suficientes para por eles apreciarmos a função histórica das câmaras. a riqueza pública. Vemo-las ajudando ao resgate das dívidas da metrópole. Of. Representavam o governo local. no século XVIII. pelos quais o rei faz a abolição da escravidão indígena no Brasil. quando querem intervir em suas atribuições. Assim fizeram as câmaras de Sergipe em 1789. Da camara de Itapicurú. o mesmo não sucede relativamente a nossa fronteira ocidental. Continuou ainda a povoação de Geremoabo anexada ao terrirtório de Sergipe e sujeita às suas autoridades. por onde estendeu-se a colonização até Geremoabo. Daí podemos avaliar sua contribuição no desenvolvimento da civilização. quando . por alvará de 8 de maio de 1759. fevereiro 10 de 1740 (port. os mesmos favores já feitos aos de Maranhão e Pará. de que temos tantas vezes falado. denuncia os abusos do vigário Teodósio Semião Lopes Machado e exige que ele entregue as chaves da matriz. As reclamações sucederam-se até 1750. Port. em vista do péssimo estado financeiro da capitania e seus habitantes. Bahia . Tal foi o procedimento da câmara de S. seus recursos. que ela depôs do poder. porque representavam o poder do município. por carta de 14 de março do mesmo ano. 156 . pelo esforço que empregavam em angariar donativos. por isso mesmo que à capitania de Sergipe não pertence o direito de posse sobre aquele território. Bahia. Vemo-las pretestando em favor da integridade territorial. Inhambupe e Itapicuru. Vemo-las protestando contra os excessos dos ouvidores. Vemo-las levantando a energia de um protesto à altura dos árbitros de um capitão-mór como Rabelo Leite. no capítulo em que trataremos dos limites de Sergipe. Cristóvão. Reconhecemos a justiça da resolução que foi dada às questões de limites meridionais. Melhor resolveremos esta questão .Bahia baixa as portarias de 10 de fevereiro e 18 de maio de 1740. conta os excessos das câmaras de Abadia. cuja colonização não foi feita por ordem de seu governo. Vemo-las traçando descrições minuciosas de seus municípios. vemo-las defendendo os direitos do contribuinte. O povo reúne-se dirige ao edifício do conselho.184 Os atos do governo eram sinsuficientes para promover a paz e submeter aquieles povos à jurisdição da capitania de Sergipe. 18 de maio de 1740. por onde podia aquilatar suas necessidades. o governo colonial resolve definitivamente a questão desanexando aquelas vilas de Sergipe e fazendo-as pertencer à frequesia de Nazaré. em que eram cotizadas. e levnado-os ao conhecimento do governo.

Na parte descritiva em que vamos entrar. Costa e Delgado. sucedendo a Delgado e para vingar-se dos seus amigos. lançando fintas. taxando o mercado. Cristóvão não sancionam o arrendamento que tinha feito ao coronel Nicolau de Souza furtado de uns terrenos próximos à capital. O Município. por conseguinte. Sergipe só tinha pago 57:951$000. Além da administração econômica que lhes competia dar ao município. Maria. e era por elas responsáveis. Vila Nova e S. e impunham aos réus até a quantia de 6$000. Em 1742. 14:048$000. cuja decisão favorável é executada por Delgado. Achava-se Delgado na administração. A indisposição pessoal que votava ao ouvidor Antônio Soares Pinto contribuiu para que seu governo fosse uma série de denúncias. A capitania teve de pagá-lo durante 15 anos. dirigidas ao governador.tendia a piorar com a imposição desses e outros tributos. quer de um. por diversas vezes. Costa. em 1743. estabelecendo posturas. que devia contribuir com uma quantia anual de 4:800$000 para o casamento do príncipe e dote da infanta D. Devia. quando ilegais. todavia uns visos de autonomia selavam suas atribuições. que era encarregado de levar para a Bahia os donativos de Sergipe. O capitão-mor de então era José Pereira de Araújo. em janeiro de 1759. O péssimo estado financeiro da comarca. Um certo espírito liberal presidia suas prerrogativas. que foi a razão alegada. alegando motivos de servidão pública. julgavam as injúrias verbais. 157 . Itabaiana. Sucederam-lhe no governo Francisco da costa (1733). 185 C Maia. os seus membros.encarregado. p 25. quando em 1738 os camaristas de S. Nesse tempo um novo imposto foi tributado a Sergipe. quando completa-se o tempo. em que não podiam ingerir-se outras autoridades. Cristóvão. nem agravo.185 Eis as atribuições das câmaras do Brasil esse tempo. tornaram-se chefes de duas facções. pelo qual seriam castigados com açoites os autores de qualquer revolta. Gozavam da imdependência em suas atribuições. pelas comarcas de Sergipe perante o soberano. juízes de vintenas e outros funcionários locais. Em 1727 havia as câmaras de S. Prestavam contas ao Provedor da comarca que examinava as despesas. Eram de sua competência as questões de infração de posturas com os almotacés. no intuito de isentála das diversas contribuições que sobre si pesavam. que depois de deixar o governo ficou morando em Sergipe. Nemeavam os almotacés alcaides menores. Amaro. que por atos anteriores já reconhecia o direito do coronel Furtado. quadrilheiros. avaliadores. Seus membros e todos os oficiais eram delegados do povo. pública. de erigir a vila de Pombal. Santa Luzia. Estevão de faria delgado (1737) e novamente Francisco da costa (1741). sogro de Delgado. Não obstante acharemse ligadas à ação central do governo. Isto isso foi bastante para que a câmara procurasse vingar-se na pessoa de Nunes coelho. depositários úblicos. Eis a comtribuição histórica das câmaras de Sergipe. quer de outro. um bando. havemos de ver as diversas resoluçõesdas câmaras de Sergipe. representando os respectivos municípios. onde casou-se com a filha do coronel Manoel Nunes coelho. A parte apela para o governador. Lagarto. até o meado século XVIII. porque eles emanavam de eleição popular. recebedores de sizas. sem apelações. dentro da órbita de suas atribuições. Responsabilizava-o pela da remessa do mesmo donativo em 1740.

R. Sucederam na administração os seguintes capitães-mores: Manoel Francisco (1747). R. ―Também represento a V. o dito ouvidor me mandou prender por me obedecer e desta forma se intrometem nas e jurisdições dos capitães-mores. e o dito ouvidor Miguel de Aires lobo homem sem receio de suas e conveniências vai atropelando a justiça de V. nem castigo do delinqüente mal posso dar conta dela pois todo meu emprego lhe servir a e V. e couros. se me queixam pela boca pequena. Agostinho Teles Santos Capelo que com ambos os capitães-mores abriu divergências. Mag de tal forma recebendo dádivas nas devassas que tira. que até por empenhos conserva um escrivão José Ribeiro Setubal homem indigno. que por isto. Fazem os oficias de justiça de S. teve de ser conduzido algemado para a Bahia. em outubro do mesmo ano. As desinteligências ascenderam-se mais ainda entre as principais autoridades de então. para com o ouvidor. destruindo-as para arrematar os escravos por limitados preços. O bem geral era completamente esquecido pelos representantes do poder. como V. como presenciado de Domingos Viegas ouvidor que foi desta capitania. e contratador de solas. R. Capelo na ouvidoria foi substituído pelo Dr. Sua indisposição. Cristóvão a diligência. cuja atenção ficava presa às dissensões. fica bem clara nas seguintes palavras que dirigiu ao soberano por carta de 2 de junho de 1755. criminoso em erros dos seus ofícios. o fez por rol que o dito Viegas lhe deu rejeitando todas tas as test que poderiam jurar contra o dito. Além disso. Majestade que parece ser desgraça desta capitania pelas informações que tenho.bando que mereceu uma repreensão do governador. Mag me encarrega a dar conta destacapitania. em numero de três mil. majestade que tudo se pode mostrar ser 158 . como este povo pelas dependências que tem deles não podem falar com temor. R. R. Cristóvão. que sendo mercador de loja de fazenda. Em casa de sua parenta D. Mag interesadamente. Manoel da cruz silva contribuiu para torná-los mais efervescentes. sem odediencia. Os espíritos viviam em um choque de intrigas. a ordem pública foi perturbada pelo assalto que os índios fizeram. como sucedeu mandar e prender a um soldado fugido da praça da Bahia por um meu oficial desta praça. Por esse tempo (1749) teve o lugar o maior desprestígio contra as autoridades de Sergipe. São presos pelo mesmo juiz. para serem restituídos ao padre João Honorato. por parte do juiz ordinário da abadia. ficando privados os que poderão jurar contra eles escandalizados das suas injustiças que costumam fazer por não ter nesta terra quem viva a mão. e marchante de gados. pois eles até as jurisdiçoens me usurpam. onde eles não podem dar remédio. tornando-se preciso medidas enérgicas. diretor da mesma aldeia. O ouvidor de então era o Dr. por via de seu escrivam Antônio de Távora. R. ordenando sua revogação. e vindo o seu sucessor. como as que foram postas em prática para trazer a obediência. a cidade de S. Majestade. principalmente na administração de Manuel da cruz silva. servindo sem provimento de V. Os índios revoltam-se contra seus capitães-mores e fugiam de umas para outras. Duarte Fernandes lobo pontes. o qual se acha nesta capitania a tirar-lhe a residência. que pôde ser vencido pela guarnição da capital. teve de dar posse a José de matos Henrique. R. As desordens nas aldeias sucediam-se. cuja administração foi de poucos meses. para tornar e vender pelo seu valor. e a este respt° todos os ouvidores assim fazem. Daí nasceu o levante de 1751. provocadas por questões pessoais. como experimenta e contra as ordens do regimento de V. e outros mais com quem se combinava para os ditos negócios. e destribuidor das administraçones das capelas. Mag prendendo pretensiosamente e injustamente a varias pessoas. pois. por ter sido nomeado pelo rei em 1755. tendo sido nomeado em julho de 1755 pelo governador. que este de tal forma offendeo a justiça de V. Manoel da cruz silva (1751). ouvidor Miguel de Aires lobo de carvalho a rendê-lo. Foi substituído (1746) por Domingos João viegas. só afim de levar a sua residência limpa. Miguel Aires lobo de carvalho (1756). Inês Carrilho homiziavam-se os índios que fugiam da aldeia do Geru.

M servido aproval-a e madar-lhe declarar por provisão de 15 fevereiro de 1754. homem pardo. que por copia remeto . sendo estes capazes. e assim V. sendo criminoso. arruinando sua escolta de dezoito armas de fogo. o não poderão prender. ―O ponto principal da representação he exagerar Manoel da Cruz a grande abundancia de ouro. M. de que o de descubridores de minas de ouro. por causa dellas. R. a tempo que prendi um João Correia Cabral.que pelo que respeitava as sobreditas minas da Itabaina tivesse ententido por ora não era conveniente o permittir-se que se continuasse naquelle descobrimento e que tinha por sem duvida que o capitão mor Manoel da Cruz da Silva informemente alcançando alguma nova do que sobre a suppostas minas de itabaiana se falava. hia a casa dos juízes por serem amigos. ententendo tanto eu como os outros que nisto faziam um grande serviço a V. Mag porá os olhos em semilhantes desamparos. facínora. serem menos verdadeiros que prendendo eu a um Domingos dias Coelho. e matador. mandei ouvir ao intendente geral do Ouro desembargador Vencesláo Pereira da Silva. seriamente e sem fundamento repetira a mesma causa que os officiaes da câmara da cidade de Sergipe d‘ El-Rei tinham dado a V. e agorado a sua empresa. aqueles moradores do distrito da vila do Lagarto. a vista pois desta informação e das ordens de V.‖ Nesta mesma carta levanta a questão das minas. digo. onde viu bonitas espécies. que sobre o descobrimento também já derão conta a V. roubador. respondi não ser meu por estar o assento feito no livro da Cadêa á ordem do governador geral do e Estado a quem tinha dado conta do sucedido. Majestade de semelhante insolência. que nesta capitania se experimenta por causa da longitude.sendo que se lograssem o desvanecimento de serem attendidos. a mesma matéria e subindo a sua real presença aquella informação. Rey do Est° afim de ser punido e sucedendo esse prezente anno o dito Domingos Dias sair por juiz ordinário desta cidade. no distrito da vila de Itabaiana. m. e fugir indo algemado. como também as justificaçoens que presenciei nesta capitania.sem qeu obste a representação de Manoel da Cruz da Silva. que verdadeiramente não é homem que mereça nenhum gênero de attenção em nenhum dos seus projetos. que têm procedido a respeito destas minas. mandei vinte e cinco homens a prendê-lo pelo prejuízo que fazia. Manoel da cruz silva a respeito das minas de ouro que diz há. garantindo a existência de jazidas de ouro na serra de Itabaiana. em a dita Cadêia até dar conta a V.nulo. até. e estes seguindo-o o foram tirar encostado ás portas do convento de S. mas como esta matéria se tem tratado neste Governo repetidas vezes pelo mesmo Manoel da Cruz Silva e pelos offciaes da Camara da cidade de e Sergipe d´EL-Rey. que diz ter das minas serra de Itabayana. não querendo o dito ouvidor pôr o cumprase as provizoens dos rematadores. e vindo preso á ordem do governo geral do estado. de que trata da sua mesma conta. e faziam auto de câmara e justificaçoens e assinavam papeis pedindo para isso enganosamente o servente da câmara ao escrivão para fecharem os seus papeis para remeterem ao V. cuja resposta é a seguinte: ―Sr. e assim as residências tiradas pelos sucessores aos antecessores. e resolvendo-se este caso na real coroa de V. e para evitar este engano que se faz V. M. fora V. sobre o referido descobrimento.meo antercessor. por homem cigano por entrar na fazenda do sargento-mór pago das ordenanças e levá-la a escala. M. R Mag . lembrando-me tão somente que fazendo elle intendente presente a V. Majestade por esta provisão que informe com o meu parecer sobre a representação que fez o capitão-mor que foi de Sergipe d‘EL-Rey. Mag antes que me chegasse à resposta o dito juiz Domingos Dias junto com o vigário geral mandou soltar espontaneamente pedindo as chaves ao carcereiro. e de utilidade ao Real Serviço de V. majestade e a república. e este depois de solto se foi outra vez agregar e com a dita sua escolta. Sobre esta mesma matéria não tem mais novidade nem discrepância alguma . serem tiradas pelos oficiais da câmara adjunta o capitão-mor de capitania. empurrar os soldados. Mag terá melhor efeito para o conhecimento da verdade. todas são copiadas por dependências que tem uns dos e outros. o qual na sua informação. e só sim o consegui por indústria.declara que me não póde dar outra mais genuína do que repetir-me a mesma que já dêo ao conde de Atouguia . R. R. Francisco e metido que fosse na cadeia requereu logo ao padre guardião do dito convento ao vigário geral e municipalidade e mandar-me pedir o preso para assistir o dito auto. ouvindo para isso as pessoa que me parecem. declarando também o que achar sobre os outros artigos. parece que se deve continuar a mesma prohibição. 159 . R.melhor lhes poderia attribuir o epitheto de destruidores daquella comarca e daquelles povos. arazando-lhe os seus mantimentos. e este da dita cadeia saia de noite por conveniências que fazia ao carcereiro. fazendo as diligências razoáveis sobre a existência das ditas minas e necessidade que há de segurança. e ficavam tendo a gloria de inventores . R. ordena-me V. sucedeu na entrada da Cadêa. O soberano por carta de 1° de abril de 1756 manda ouvir o governador da Bahia.

fui servido em seu beneficio pelo alvará com força de Lei de 8 de maio do presente anno as leis de 6 e 7de junho de 1775. comarca da cidade de Sergipe de El-Rei. 1775.na alternativa de juízos ordinários186. para consigam a inteira liberdade de suas pessoas. 3 de Agosto de 1756. os eclesiásticos e ultimamente não há pessoa de qualidade alguma a quem deixe viver em socego. assim de raiz. com o nome de nova Távora ou Thomar. Senhor de Guiné e da Conquista. que. M me manda que ouça pessoas que parecem. M. etc. Commercio da Ethiopia. Erigiu-se em vila a aldeia do Geru.Conde D. digo. e de seu comercio. os ministros de V. quando já se achava na administração José de Matos Henrique.. assim como os empregos criados. criou-se o seu município. porque este é o meio mais proporcionado para poderem aquelles habitantes viver. pois tendo nascido livre. Navegação. era o professor de primeiras letras da localidade e só em falta de algum natural. e d’alem mar em África.―Sobre os mais artigos que ouça pessoas que se contem nesta carta. tem capacidade de Visinhos e cômodo preciso para o dito effeito. não devendo permitir sejam espoliados do domino daquellas terras. utilizarem-se da sua agricultura e comercio. no caso de não haver numero.. arrematações e outros atos oficias . Por me ser presente que a Aldeia do Gerú.Marcos de Noronha‘‘. razão porque me parece que aos serviços de V. mais também que se goverrnem por seus naturaes nas disposições e particularidades de sua povoações. como moveis e semoventes. 20. pede ao rei para que seja ela erecta em vila. Nessa carta declararam-se livres os índios de Sergipe. e estabelecer nellas algumas villas elegendo d’entre os ditos Índios seus habitantes. de idoneidade para cargo . não me offerece dizer nenhuma outra cousa mais senão. digo. audiências. é summamente conveniente o mandar despejar daquelle districto para fora. resolvi ser o meio próprio para conseguir todo o referido. deviam ser exercidos pelos naturais da aldeia. e para os três anos futuros fareis eleição de semelhantes officiaes da forma da Ord. Ouvindor da Comarca de Sergipe d’El-Rei. . 186 Marco Antonio de Louza. mais capazes para exercerem os empregos dos officios da Justiça e guerra. com socego de que necessitam. que mandei publicar em favor dos índios do Gram-Pará e Maranhão. de seus bens. Arábia . sempre com elles serão eleitos os mesmos Indios. Op. que por portaria de 23 de Setembro de 1757. de que elles foram os primeiros ocupadores e povoadores. três vereadores ou dous. Persia e Índia. não deve a minha paternal piedade permitir que constrangidos a espécie alguma de servidão contra os primeiros princípios de direito natural.Jose por Graça de Deus Rei de Portugal e dos Algarves . O ouvidor Ares Lobo. que será tutor dos orphoãos. Bahia . No fim da administração de Matos Henrique operou-se uma nova divisão municipal na capitania. foi chamado à Bahia pelo governador. Contra isto opôs-se a câmara de Santa Luzia. todos mais hábeis do dito povo e ainda na suposição de não achardes nella quem saiba ler e escrever . que este homem tem sido um enredador de toda ciadade de Sergipe d‘El-Rei e ainda desta Bahia. por provisão de 29 de Abril de 1757. Da Leis. e sendo a minha real intenção que elles conservem não só a referida liberdade e plena administração de suas famílias. Eis a opinião do Conde D. igualmente ora também servira de tabelião das notas e escrivão do judicial e do orphãos o qual no caso de não haver na Aldeia Nacional dentre os Indios com a necessária inteligência e noticia de processar . em que V. Os lugares da câmara da nova vila. termo da villa Lagarto. haver na povoação vereações. sou servido ordenar que passando logo a dita Aldêa. a Villa estabelecereis nella com o nome de Nova Távora – elegendo à votos do povo um de seus moradores para juiz della. e um procurador do seu Comselho. poderá ser nomeado um portuquez com as referidas qualidades e a elle se lhe 187 160 . intituladoa Nossa Snhora do Socorro a sita na Freguezia dos Campos do Rio Real. porque na Secretaria deste Estado são infinitas os requerimentos que se tem feito contra elle. “D. cit. Faço saber a vós Bacharel Miguel Ayres Lobo de Carvalho. e o melhor se civilisarem e poderem instituírem-se. sendo concedido. Seu escrivão do judicial. p. por carta regia de 22 de novembro de 1758. convencido da superioridade topográfica da povoação da Estância.mas as câmaras. que forem precisos para o bom governo dos mesmos respectivos povos. desejado eu favorecer em tudo quanto for possível a meus vassalos indios deste continente . não só em nome dos povos .Marcos de Noronha sobre Cruz Silva. 1° tt° 67 guardando em tudo a formalidade de que ela prescreve. devia ser ele exercido por um português187.

que mata completamente a instituição em Sergipe: acarregara a obrigação de ensinar a ler e a escrever aos meninos da villa. qulaquer destes sujeitos preferirá na serventia do referido officio aquele em quem não concorrerem estas circunstâncias. e desembaraços ou duvidas que occoram a este respeito por este tribunal para eu vos ordenar o que parecer mais as minhas reaes intenções e ao serviço de Deus Nosso Senhor e bem comum de meus vassallos . pelo qual ficaram expulsos os jesuítas e seqüestrados os bens moveis e raiz da Companhia. e se vierem com embargos os remetereis ao conselho fazendo inteiramente a medição nas terras. em que não houver duvidas bem fundadas: junto as casas do parocho assignareis termo para o lugar dellas no caso de as não terem. Marcos de Noronha. e ficarão as outras e estabelecimentos as casas de habitação do parocho que lhes pertencerem no sitio que vos parecer mais próprios. e havendo possuidores que succedão a seu domínio com outra qualidade de libello ouvireis as partes. e todo o referido na forma acima declarada dando-se conta do que achardes.__ Baghis. ou donativos. Eram eles seus maiores proprietários e possuíam um numero não pequeno de propriedades açucareiras. que substituiu Areis Lobo. que morreu em S. que por hora se faça as conferencias da camara e as audiências do juiz as quaes umas e outras nos dias em que aponta a ordenação do reino. ouvidor João Batista Davier. e para que as ditas arredemptorias fazendo outra de novo queiram ao depois com este pretexto vencer mais tempo contra esta minha disposição fareis eleições por votos dos officios de guerra e ordenança . antes os mandareis notificar para despejarem dellas. um porteiro que egualmente servira na camara. nas quaes o que se houver de dar ao Parocho para os seus passos. neste caso regulareis o termo da nova Villa e confins pela terras.Cumpra-se – El –Rei Nosso o mandou pelos Conselheiros de seu Conselho ultramarino abaixo assignados . – Barberino. sendo estas de sesmarias. dito remetendo –se esta para por esta se lhe passarem as sua patentes.Já não estava mais na administração Matos Henrique. dando-lhes o juramento e posse. baixa o seguinte bando. então. cujo termo será peremptório e improrrogável. os quaes ficarão continuando nos mesmos empregos. – Por despacho do Conselho ultramarino. em 1764. – Manuel Estevão de Almeida e Vasconcellos. as quaes medireis e demarcareis com o Pilotos que exigireis para que fiquem para sempre dividas. cuja copia mando se vos entregue. 30 de Dezembro de 1758.lhes destribuireis o que regula o alvará sobredito de 1700 e a carta de 12 de Novembro de 1710. 161 . deixando na comara uma copia authentica do auto e medição que nellas fizeram. remetendo-se as elleições. nem também o escrivão que a xercer pelos os feitos dos mesmos : estabeleceries uma casa logo das que achardes mais decente. Cristóvão em 30 de dezembro de 1759188 . bem estendido que tenham sempre os que actualmente servirem e forem capazes. sem que leveis estipêndio algum pelas assgnaturas destes papeis. ficando inteiramente servindo os officiaes propostos. quando executou-se o bando do vice rei D. e medirão como acima vos ordeno . dando um mêm às partes que se quisessem queixar. 22 de Novembro de 1758 188 Em agosto de 1659 foi publicado o edital régio pelo qual mandava tirar residencia do capitão-mor. nem consetireis que fiquem conservadas arredemptorias algumas. e sucedendo não possuam os índios terras algumas ao menos daquellas que abaixo se declaram. Um alcaide e seu escrivão e aquelle exercitará o ofício de carceiro. de 26 de novembro de 1759. não prejudicando a propriedade natural que ser entende ser engenho. serão agora sem embargos disso novamente propostos. que logo dareis aos índios na forma determinada pelo alvará de 23 de novembro de 1700. metendo-os sem demora de posse dellas. passados dous annos que lhe concedo para aproveitarem e receberem os frutoots de suas lavouras. e nos auditórios judiciaes: a todos os sobreditos officiaes novamente eleitos mandareis logo passar suas cartas de usanças para que possam sem demora entrar a exercer a jurisdição em seus officios. e fareis erguer pelourinho e estabelecereis o termo da nova Villa até os confins das terras que presentemente se acham de posse os indios. – O Desembargador secretario Joaquim Jose d’Andrade o fiz subscrever e subescrevo . ou portuquez casado com índia com as qualidades necessárias. A lei da expulsão dos jusuitas foi ampliada pela lei de 28 de agosto de 1767. ou alguma casa grande e nobre. Desconhecemos as peripécias do fato em Sergipe e o numero de jesuítas que habitavam a capitania. bem entendido que a todo tempo que hover Índio com aptidão par servir este officio. e no sitio que vos parecer mais próprio. e sempre será em parte posivel e de menos encomodo ao publico nas terras dos mesmos índios. que também mando se vos entregue nas terras que forem demarcadas para os índios. e remettendo o próprio para meu conselho. – Antonio de Azeredo Coltinho.

―Manda El-rei Nosso Senhor em observância da lei de 28 de Agosto do anno próximo passado de 1767 que nenhuma pessôa de qualquer estado ou condicção que seja poderá pedir ou receber carta de confraternidade. nem dos seu Delegados ou Subdelegados de baixo das penas estabilidades contra os reos de crime de lesa-magestade. de assossiação ou de comunicação de previlégios do Geral da Companhia chamada de Jesus. confessar e que logo à vista da Lei prestam juramento de fidelidade na forma delle e das penas estabelecidas contra os perturbadores do socego público – e que também exceptue aquelles indivíduos ainda não professos na dita Companhia e que depois de sairem d´ella e houverem entrando em outras ordens regulares e houverem n‘ellas feito profissões solemnes – que o mesmo se observara debaixo das mesmas penas com todas e quaesquer pessôas que introduzirem nos Reynos e Domínios quaesquer dos indivíduos expulsos da dita Companhia ou que sabendo que existem nas mesmas terras dos Reynos e Domínios os não denunciarem no termo de 24 horas ao mesmo Corregedor e Ouvidor da Comarca para serem presos e remettidos com toda a segurança ao juiz da Inconfidência – declara o mesmo Senhor o Breve . – João Baptista Davier. de toda a Suprema e legitima autoridade e manda immediatamente de Deos Todo Poderoso da Tranquilidade e vida dos Príncipes Soberanos e do socego puplico dos Reinos e Estados e que cada hum dos referidos Membros Puplicos e Secretos da mesma Companhia sejão providos do beneficio que lhes foi conceido pela sobre dita Lei de 3 de Setembro de 1759 debaixo das graves penas fora de seus Reynos e domínios na forma e Termos que determina a dita Lei e que exceptue por ora aquelle dos referidos egressios que obtiveram especiaes e pessoaes ordens suas as quaes não poderão ensinar. e todos os quaesquer naturaes de seus Reinos e Domynios de qualquer Estado ou condição que seja que se acharem encorporados à dita Companhia chamada de Jesus na boa fé de que se tratava somente de espiritualidade ou n‘ella professos dessossiados em alguma Confraria se manifestem debaixo das mesmas penas de proceder-se contra elles sinão se manifestarem ao dito Doutor Ouvidor Geral e Corregedor dentro do referido Termo e que explicando a ampliando a Lei de 3 de Setembro de 1759 declara a todos os Membros Puplicos e Secretos da mesma Companhia Chamada de Jesus por inseparáveis da sua perniciosa cabeça e por incorrigíveis. Data e passada n‘esta Cidade de Sergipe d‘El-Rei sob meu signal aos 18 de Junho de 1768. – Thimoteo Brboas de Siqueira. Escrivão da Camra. sejão obrigadas a entregal-as ao Doutor Ouvidor Geral Corregedor d‘esta Comarca d‘entro em dez dias perentorios.os exemplarem d‘elle pelo que pertence a seus Reynos e Domínios por abreticios e sobreticios e como taes nullos para produzir qualquer effeito. pregar. Aquellas pessôas que tiverão só havido as referidas cartas antes da puplicação desta Lei suppondo que tratão de espiritualidade quando se costumão passar a outros fins temporaes e preciosos. desde o dia da puplicação da Lei. 162 . e comuns inimigos de toda a potencia Temporal.

concedida pela carta régia que erigiu em vila a aldeia do Geru.CAPITULO III RESULTADO DA ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO INDÍGENA. continua em sua faina de escravizar os índios. que lhe proibia penetrar nas aldeias. Além disto. Elas tornam-se centros de desordem e tumulto. Entretanto. Gonçalo Pais de Azevedo. chamando-lhes atenção para essa ilegalidade. que foi substituído por Davier. Esse movimento escravista tem como principais chefes João Nunes de Barreto e Antônio Vieira de Carvalho. em1763. revoltando-se assim contra a concessão altamente liberal da coroa. As mesmas cartas são dirigidas a João Nunes. A imigração africana se fazia em larga escala. Nesta mesma data foi autorizado a entregar a ouvidoria ao Juiz ordinário mais velho de S. veio provocar na lavoura uma tendência escravista. a propósito da escravidão indígena. ESTADO ECONÔMICO DA CAQPITANIA Vimos no capitulo anterior que pequenas foram as lutas entre os lavradores e Jesuítas. penetra na vila. principalmente Carlos de Santa Helena. MOVIMENTO COLONIAL ATÉ 1802. Cristóvão. 189 Por carta de fevereiro de 1764 foi o ouvidor Aires Lobo dispensado do cargo que exercia em Sergipe. Até quase o fim do século. (1765-1766)189. que não obstante. recorre à arma de fogo. o índio imigrava. que levam às aldeias o cativeiro. antiga aldeia. A raça negra alia-se à sua companheira de martírios. Diversas são as cartas que dirige o governador ao capitão-mor e Ouvidor. e nomeado ouvidor dos Ilhéus. depois do qual é preso e entregue à Justiça púplica. Eis o efeito que produziu no seio da sociedade sergipana de então a importante lei da emancipação do cativeiro indígena. opunha-se a emancipação. diretor da aldeia de Japaratuba e por causa de quem José Nunes de Barros assina um termo de responsabilidade. Como chefe de um bando armado põe-se á sua frente. talvez pela interferência do Jesuíta. (1765-1766) e João Batista Davier. saciando assim suas paixões. espavorito pela colonização. a emancipação da escravidão natural. pela morte da Companhia de Jesus. nomeado ouvidor efetivo. Se até então não mostrava essa tendência. declarando-lhes a que punam com severas penas. que não tinha a lutar contra essa causa. escala-as a machado e encontrado resistência pó parte de seus habitantes. Esse movimento de desordem estende-se a todos as aldeias e seria enfadonho estarmos enumerando estes fatos de valor puramente local. Eles abandonavam seu território e embrenhavam-se pelo ocidente . centro poderoso dos naturais. Isidoro Gomes em 175 alia-se ao mesmo partido escravista. Os missionários das aldeias julgam-se com vida pouco garantidas. que eram Francisco Alves da Silva.Cristóvão. levando o pânico às famílias. e leva a inquietação à vila de Thomar. 163 . Deram-se mortes e ferimentos. agora. investe contra a câmara e cadeia. para não haver falta de braço na lavoura. o sossego e a paz não voltaram ao centro de habitações indígenas. contra o atentado do branco e efetuam em S.

tendo igualmente precizo puxar pelos outros Terços dos seus subúrbios para ajudarem a estes honrados Vassalos. e offcios de Justiça ou Fazenda: sendo nobres serão havidos por vez como indignos.Além destes fatos que denunciavam uma sociedade em sobressalto. sob pena de confiscação dos bens e inabilitação para qualquer emprego púplico. e se registre em todas as câmaras das respectivas Villas daquela comarca. E foi entranhado que nenhum sergipano desse testemunho de seu patriotismo. da Victoria da cidade de S. M. offerecer-se nesta importanssima occazião . E para que faça manifesto a todos. pelo tempo que lhes fosse destinado. embrenharam-se pelos matos. Sr. e propriedades. e não comparecer dentro do tempo de vinte dias contados da puplicação deste. e todo aquelle individuo. mando se puplique este a som de cayxas em cada frequesia e se fixe no lugar mais puplico dessa cidade e seu termo. quer de justiça. para que a todo o tempo conste se de execução as penas declaradas contra aquelles que fingirem se mostrar que são Laes Vassalos de El-Rei N.” 164 . que esquecido das obrigações de honrado Vassalo se occultar. hum saque. Faço saber aos moradores da frequezia de N. em uma conjuntura tão crítica. Então. e Senhor. No governo foi substituído pelo capitão-mor José Gomes da Cruz190. e se achão destacados nesta mesma cidade mostrando hum ardentissimo dezejo de defenderem o Estado. estendendo-se até 1776. A Davier na ouvidoria substituiu o Dr. o governador ordenou o recrutamento. o governador Manoel da Cunha Meneses baixa o edital de 12 de Novembro de 1776. outros vieram contribuir para agravar esse estado. Do mesmo teor e diria se expidiram mais seis Editaes para as Freguesias das Villas da mesma capital de Sergipe de El-Rei. Sua execução foi efetuada com tal excesso. e o governo tomava medidas preventivas.Sebastião Álvares da Fonseca ( 17701778). E muitos cidadãos voluntariamente já tinham-se alistado nas fileiras do exercito. as suas Famílias. mas também os Terços Auxiliares de pé. S. com famílias. “ Manoel da Cunha Menezes do Conselho de S. os nobres seriam considerados como indignos e traidores e deportados para Angola e os peões iriam para as fortificações. sendo peões terão o trabalho das fortificações da cidade pelo tempo que eu lhes destinar. Fidelíssimo. cuja administração foi uma das mais longas. que os lavradores abandonaram suas fazendas. A sociedade da Bahia vivia sob a pressão do receiode uma invasão inimiga. e como cidadão sua Pátria . Estavam bem frescos os feitos de Duguai-Trouin no Rio de Janeiro. autorizando que os moradores de Sergipe compareçam à sua presença. em defesa da pátria. e degradados para Angola. a contar da púplicação da lei. pra defesa desta Capitania. reputados por traidores. para que logo que este lhe for constante. que achando-se esta capital propinqua a receber hum bombardeamento. – Manoel da Cunha Menezes. venha sem demora comparecer na minha presença para lhe destinar o exercício que deve ter. huma contribuição me hé indispensavelmente necessária não só para preencher os Regimentos pagos desta Guarnição.alem de outras penas191. Governador e Capitão General da capitania da Bahia etc. para ocultarem-se às 190 191 José Gomes da Cruz (Borges) foi nomeado por carta régia de 4 de abril de 1763. dentro do termo de vinte dias. oferecedendo seus serviços em favor da nação. que voluntariamente se offerecerão e todos promptamente vierão. cavallaria della. innabilidade para ser empregados nos lugares. sou obriogado a denunnciar a todo aquelle que como Vassalo ama os eu Legitimo Rey. além de todas as mais penas que ficam a meu arbítrio. encorrerá nas penas de perdição de todos seus bens.que serão logo confiscados. quer de fazenda. quando foi substituído por Bento José de Oliveira. Esta ordem alarmou a população e tanto mais quanto ofereceu excelente oportunidade para as vinganças e dasabafos das paixões contra a classe pobre. porque sendo o mayor reparo não ter vindo hum só Individuo morador na comarca de Sergipe del-Rey. Christovão de Sergipe del-Rei. Por uma carta circular de maio de 1775 ao capitão-mor. Dado sob meu signal a sello de minhas armas na Bahia aos 12 de Novembro anno de 1776.

Reinava entre eles a divergência.o sargento-mor Bento José de Oliveira. Entretanto. Por isso foi preso. o maior partidário. São de valor puramente local os acontecimentos do fim do século.Vimos que as aulas públicas de 165 . o coronel José Caetano da Silva Loureiro(1782). de que já falamos. no espírito do governador.vistas dos agentes que recrutavam. a fim de defender as entradas dos franceses. que desde a liberdade dos índios não era pacífico. as novas prisões e os processos militares dos desertores. Foram inúmeras as cartas que encontramos em nossas buscas.Antônio Pereira Marinho(1790). e por conseguinte. Os preços dos gêneros subiram extraordinariamente. Além da atividade do foro. O estado financeiro da capitania já não era lisonjeiro. pelas barras dos rios navegáveis. em 1793 deu-se um movimento disciplinar na classe militar. Além disto. comunicando as deserções e ordenando as prisões. Não compreendiam eles as vantagens da instrução. Daí a luta entre o capitão-mor e o comandante da guarnição.quando chamado à Bahia. que foi imposto por carta do Conde Arcos.disciplinando os regimentos de cavalaria. o capitão-mor. não só pela falta de clareza nos limites das propriedades como pelo grande número de assassinatos que perpetravam. pela abundância de causas cíveis e crimes. A carta circular de maio de 1775.Valério dos Santos(1793) e Joaquim José Monteiro(1797).em que foi envolvido. até quase seu final. foi também dirigida ao tenentecoronel Francisco Félix de Oliveira. Pequenas lutas entre os capitães-mores e os ouvidores.a atividade do foro. cujas diligências foram dificultadas pelo capitãomor José Gomes da Cruz. Pelo lado da cultura popular o descuido dos governos era absoluto. em vista de dissabores que lhe provieram de um processo crime. Desde o meado do século. o estado social da capitania vivia sob uma agitação continua. um ou o outro levante dos índios de algumas aldeias. que voluntário. antes mesmo de concorrer essa causa poderosa para agravá-lo. pedindo isenção do donativo.porque com ele viria o poder das concessões.chamando-lhe a atenção para defender a capitania de qualquer invasão inimiga. na importância anual de 2:828$. A revolução francesa ecoava profundamente no país.auxiliares e os corpos de ordenanças existentes. Os membros do próprio governo não viviam em harmonia. para a redificaçaõ de Lisboa. porque em 1661 todas as câmaras representaram ap soberano.que queria para si o privilégio da sua execução. porque as deserções do exercito sucediam-se. E este movimento foi até 1782.l de 10 de abril de 1756 às mesmas câmaras. em vista do célebre terremoto de 1755. porque o trabalho agrícola quase suspendeu. durante trinta anos. dirigidas aos capitães das vilas das capitanias. foi ele o sucessor de Cunha no governo. cujos excessos são severamente criticados na carta a si dirigida em maio de 1775. piorasse neste sentido. Neste ano o governador escreve ao seu delegado. pelo governador(1776). alei contribuiu para que o estado social. que encontra em seu irmão. e que é a primeira ordem para o recrutamento de Sergipe.que abandonou posteriormente a vida política pela vida sacerdotal.quando quisesse fazê-las. Sucederam a Bento José de Oliveira na administração. E por este estado financeiro tornou-se responsável.

....... ... tecidos de seda...........Sendo 13217 brancos................................... Desde esse tempo.14000 Japaratuba.................. fumo. 1440 índios..4000 e 300 índios Pé de Banco..... Santo Amaro e Vila-Nova............... segundo Marcos de Souza (Memor. 192 193 Elevada a vila por provisão de 5 de setembro de 1801.......................541 “ Lagarto......................a de gado pelo Lagarto..... Pacatuba.............................. de lona... Da capit................................ (351$631)............. 700 índios Lagarto.. da qual havia três cadeiras na capitania em 1799.......... Procurando distribuir o valor da exportação pelos diversos municípios................10500 Propriá .sete vilas:Santa Luzia............................ Sua população era de 55600 habitantes............... Itabaiana..........7500 Pacatuba ............... escravos a troco de caixas de açúcar............ porcos.. exportação e sua população...10000 Campos .. gado..................6000 Água Azeda.............4154 S..................................... pólvora..................6364 Thomar ........2618 Itabaiana. além da exportação do açúcar..........1641 índios e 19893 pretos......317 Vila Nova.................... Itabaiana................4000 Thomar ...... e 20 alambiques para destilar o álcool. 30542 sem classificação descreminada.........................a maior exportação era a de algodão e cereais............8128 Propriá ..................5468 Japaratuba....7000 Sua Paróquia ............ Em 1808.................................... algodão... Sua exportação montava em 860000 cruzados (93$500)........................ Lagarto... 19954 pretos......................a de couro e sola por Campos....6400 Larangeiras (povoação).Santo Amaro...........................Vaza-Barris e Piauí...........................na Cotinguiba 20................. Cristóvão. De curso secundário só ensinava-se a língua latina... estudando a importação da capitania..........................3814 Santa Luzia............................ O valor da produção total era de 1 milhão e 313 mil cruzados(233$500).................................... 193 Os municípios mais populosos eram os de Santo Amaro...635 (índios) Socorro.. no valor anual de 171 mil cruzados............... quatro povoações: Laranjeiras................................. o número de habitantes... 194 Eis o número de habitantes distribuído pelos municípios: Santo Amaro....Santa Luzia....... cereais....2427 Itabaiana.................................................... linho.....94 “ Pé de Banco.. São Cristóvão... cavalos..........4500 Santa Luzia................. Própria192....................... já exportava 30000 alqueires de sal..(vila)..... sendo 20300 brancos......... De Sergipe) era de 72236.................................................317 “ Vila Nova.30000 e 600 fogos 166 ..................................1600 Freguesia do Cotinguiba .....................................................633 (índios) Socorro.....os quais fabricavam 1000 caixas de açúcar anualmente......6758 Campos ......... Socorro e Laranjeiras194....... couros secos..... 20849 pardos.........além das de São Cristóvão... sola branca........... O Socorro........ e os gêneros exportados eram o açúcar.. No vale do Vaza-Barris já se contavam 10 engenhos.a de açúcar por Cotinguiba....... A lavoura açucareira era a base da riqueza pública.......5219 Água Azeda................. Já se cotavam uma cidade.... de onde importava fazendas de algodão.........Thomar...........feita por Itabaiana.......... O comércio abastecia-se exclusivamente na Bahia.................. ferragens.. Japaratuba e São Pedro (antigas missões)............4315 Em 1808 a população está almentada e o número dos habitantes de cada município é o seguinte: Santo Amaro..... que era a capital-São Critóvão.................. Tomamos o ano de 1802 como termo deste capítulo.5255 Pacatuba ......primeiras letras havia um na vila do Geru........ Santa Luzia... Vejamos a expansão colonial a que pé de prosperidade atingiu nesse ano..................... Santa Luzia exportava 500 caixas e Poxim 800...........

a de açúcar por Cotinquiba. 100$000. um carcereiro em 15$000. a de gado pelo Lagarto. Alcaide e seu escrivão 200$000. A navegação fazia-se pelas quatro barras da capitania.000 cr 74$150 196 41.000cr 133$100 52. Carcereiro18$400. porque na baixa. destribuidor. 197 A receita da Câmara de Lagarto era de 621$300 e a despesa 48$500 198 A receita da câmara de Sto Amaro era 179$500 e a despesa de 107$000 199 A receita da Câmara de Itabaiana era 570$000 e a despesa de 21$220 200 A receita de sua Câmara era 430$ e a despesa 258$531 201 Este mapa é cópia de um man.000cr 126$080 37.000cr 305$320 148.000 cr 309$520 23. dois partidores.000 cr 119$720 201 5.000 cr 234$400 47. dois porteiros em 10$000 cada um. seu escrivão 15$000. junto ao engnho Comandoroba.000cr 20$880 67. Naquele tempo por ele entravam barcos. a de couro e sola por Campos.000cr 286$600 57.mar. dois avaliadores em 3$200 cada um.006 cr 90$100 25.000 cr 40$000 Importação 22. Acreditamos que houvesse erro do autor.000 cr 300$800 143. seu escrivão.000 cr 364$480 34.formularemos o seguinte mapa demonstrativo: Produção Consumo São Cristóvão Paroq. o da Recebedoria em 50$000. 195 O ofício de escrivão da correição era avaliado em 300$00.fazendo cada uma quatro viagens. inquiridor e contador em 30$000. Vaza-Barris e Piauí. Inquiridor e contador em 50$000.000cr 203$810 36. o da Provedoria em 25$000. Por esse tempo Laranjeiras já tinha duas capelas: a do Coração de Jesus. um alcaide em 27$000.000 cr 64$040 199 14.000 cr 396$600 70.000cr 398$400 Exportação 86. Pela barra do rio Real entravam dez embarcações. O rendimento da sua Câmara era de 119$000 e a despesa de 104$000.000 cr 22. de setembro a março.000 cr 122$880 222. cada um 12$800.000 cr 66$160 23.000 cr 288$900 197 195 152. S.000cr 399$200 63. Entretanto transcrevemos com toda fidelidade. a maior exportação era a de algodão e cereais.000 cr 329$580 9. Cada um fazia quatro viagens por ano.000 cr 237$410 198 8. Cristóvão rendia 123$600 e suas despesas montava em 125$375.. Distribuidor.000 cr 36$440 6. porteiro 10$000. 196 Os ofícios de escrivão da Câmara de Sta Luzia. existe na Biblioteca Nacional.000 cr 144$000 22. seu escrivão em 40$000. dois avaliadores cada um 5$000.000 cr 322$540 11.000 cr 32$100 336. N. cuja construção foi começada em 1791 e a da Conceição. que era também o Tabelião do Judicial e notas e escrivão de órfãos eram avaliados em 212$000. 202 É admirável que no espaço de oitenta e tantos anos tenha-se dado uma transformação tão grande no rio Cotinguiba.000cr 796$500 Desde esse tempo. feita por Itabaiana.000 cr 364$140 200 8.000cr 234$720 31. o tabelião em 40$000. Achamos nos cálculos entre cruzados e a nossa meda. do socorro Santa Luzia Lagarto Campos Sant Amaro Pé do Banco Itabaiana Vila-Nova propriá 123 000 cr 165$200 388. demandam o influxo da maré. Pela barra do rio Cotinguiba entravam anualmente vinte barcos. Hoje embracações de pequeno calado para entrar no porto de Laranjeiras.000 cr 763$200 6.000cr 326$200 215. há lugares em que o volume d’ água não mede um palmo de profundidade. meirinho e seu escrivão 15$000.000 cr 362$000 26. 167 . Meirinho da Provedoria e seu escrivão 20$000 cada um.800cr 41. escrivão de órfãos em 200$000.000 cr 325$900 13. escrivão da Câmara em 100$000. Meirinho do Campo. A Câmara de S. que iam ancorar no porto de Laranjeiras onde recebiam o açúcar da fértil zona banhada por aquele rio. uma desproporção enorme.também de setembro a março202. Meirinho Geral e.

ou cópia existe em nossa Biblioteca. Incontestavelmente é um importante livro. Eis o estado de Sergipe no começo do século atual. Deste século encontramos uma Descrição Geográfica de Sergipe.Vicente de Salvador refere-se mais extensamente a Sergipe. em sua História do Brasil. por Marcos Antônio de Souza. fazendo cada uma quatro viagens. como seus processos de trabalho. da navegação. Desconhecemos o nome de seu autor. Foi escrito em 1802. Foram estas obras que pudemos encontrar em nossas procuras. Existente no Museu Britânico. que foi vigário em Siriri em 1808. Deste tempo datam os primeiros trabalhos geográficos e históricos sobre a capitania. Sua publicação deve-se ao coronel Antonio José Fernandes de Barros.quando escreveu seu livro. Espírito culto. relativamente não só aos hábitos de seus habitantes.Pela barra do rio Real entravam dez embarcações. Estuda o estado da lavoura. Temos a citar ainda as Memórias da Capitania de Sergipe. Foi por conseguinte um grande serviço prestado a Sergipe sua publicação. Infelizmente só estuda a parte geográfica. 168 .e lembra medidas de grande alcance econômico. pesquisador.que obteve cópia do man. que na obra revela-se espírito muito descritivo e minucioso. manuscrito existente na Biblioteca Nacional. O mesmo man. somente Fr. também de setembro a março. Dos escritores dos séculos anteriores. Marcos de Souza faz um estudo importante sobre a capitania.

as guerras. as capitanias reunidas. 203 João F. é fácil imaginar-se a que grau de exasperação não subiriam os seus ódios mesquinhos. ―Infactuados da sua nobreza. porque apelar para os representantes da justiça. e tão ávidos de riqueza como incapazes de grangeal-as pelos meios lícitos e ordinários. Seus habitantes não encontravam na lei.‖ Estas palavras interpretam perfeitamente o estado social de Sergipe no fim do século XVII e começo do atual. inúteis para a fiscalisação e o equilíbrio. o trabalho. vendo-se. envenenados demais a mais periodicamente. poucos em numero. a sua anarchia intrínseca. intelectual e moral daquela sociedade que com o andar dos tempos. as guerras estrangeiras. alternativamente animados e illudidos em suas esperanças. singularmente alimentada na execução pelas infracções incessantes e permanentes a que a ignorância. medindo-se e encontrando-se a cada passo. em vez de integrar-se e oferecer uma feição próspera. com tradictorias. as matanças.os tumultos. por uma da suas faces.ora instantânea e fulminante dessa raça infeliz. era apelar em vão. entretinham esta funesta preoccupação. sem excepção dos principes e dignidade da igreja. ―A maior destes. III. 171. bem que ordinariamente avessos entre si. cousa baixa e vil. continuava apresentar pontos de semelhança com os tempos passados. diz João Francisco Lisboa. As forças civilizadoras parecem que se tornavam impotentes para corrigir o estado político. ―Privados além disso de toda e qualquer distração. e as leis. que nos propuzemos a esboçar. perpetua e monstruosa affirmação e negação dos mesmos principios favoneando ora a liberdade. opressivas. nem em seus funcionários. Entregues às paixões dos dominadores. em fim transferida continuamente de uma para outra capital. elevado 203 pelas leis ao caracter de instituição regular e permanente. a não serem algumas raras festividades de carater religioso. é as revoltas. enchendo o tempo com maneiras intrigas políticas e particulares. e quase bloqueados naquelles remotos e estreitos presídios. os accidantes ordinários dessa vida mesquinha e tormentosa. e vasto laboratório de calumnias e diffamação. as garantias de seus direitos. da energia e do furror à prostação e à ignovia. de resto impotentes para obviar a influência perniciosa dos pricípios geraes dominantes. contendo algumas boas disposições parciaes. incompletas.poderes rivaes e reluctantese. e de outros muitos males. e as espoliações. À História do Maranhão. extenuados de toda a casta de vexações. ―Leis confusas.CAPÍTULO IV SERGIPE E A REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA EM 1817 Vimos no capítulo anterior o estado a que chegara a capitania no começo do século. . igualmente pungidos pelo orgulho e pela miséria. elles só honravam a ociosidade. as câmaras e os magistrados ociosos. carregava exclusivamente sobre os escravos. impellindo os cidadãos. ora o captiveiro. p. eis ahi. haviam de prestar-lhes obediência passiva. em vez de manterem a dignidade própria e os foros dos cidadãos. prendiam na questão abrasadora dos índios. Lisboa. 169 . a residencia dos governadores. a imolação ora lenta e gradual.admiráveis e efficacissimos para os conflictos . fomentando por todos os meios a sedicção e a discórdia e isolando na pratica os princípios de liberdade que no ardor das luctas pelo prodominio apregoavam a favor dos índios. Apont. falsos e viciosos. e em direcção opposta à dos governadores. e associando-se ao systema geral de opressão e tyrannia. a prepotência e a corrupção impeliam os governadores. os frades e ecclesiasticos em geral. nas residências e devassas janeirinhas –campo aberto a todas as facções para se degladiarem.

O número de aulas públicas na capitania era pequeniníssimo e ainda menor o de aulas de ensino secundário. Profundamente adeptos à causa do rei. completamente descurada pelas administrações. em 1895. Em Vila-Nova levantaram a reação. e então a lei não é mais do que a vontade destes dois poderosos. prendem aqueles que não se prestam a tão vil papel. por crimes imaginários. torna-se um terreno onde pudessem germinar os princípios de liberdade. que vencia até os princípios da justiça. que lhes podem prestar os ínfimos serviços. desprezados pelos agentes do poder público. sem patriotismo. O latim era a única língua que se ensinava. Seus iniciadores e propagandistas não encontraram apoio. levantados pelos revolucionários de Pernambuco.como delegado da monarquia portuguesa. ostentando assim perante as autoridades o prestígio das armas. que viesse garantir os direitos do povo. O procedimento de Alvarenga era mais ou menos imitado pelos juízes ordinários da capitania. assassinos. ou à insolência do protesto e da impugnação. E vem aqui ao caso falarmos da administração judiciária do Doutor José Antônio Alvarenga Barros Freire. a posição hostil ao movimento revolucionário. Por meio deles o conde dos Arcos pôs em prática seus planos realistas. pelo arrendamento das terras onde habitam. Contra ele tivemos de ler uma representação. obrigam os lavradores a pagarem-lhes altas porcentagens. e como resposta a qualquer protesto contra uma tal extorsão. os sargentosmores Bento José de Oliveira e Felipe de Faro Leitão. sendo eles mesmos os encarregados de fazer o interrogatório das testemunhas. peitadas para dizerem o que lhes ensinam. Ou sucumbia. Eis o que faziam Bento de Melo e Felipe de Faro.sua proliferação na América. na reação que levantaram contra a vitória dos revolucionários republicanos. mandam incendiar-lhes as choupanas e derribar-lhes as plantações. Bento de Oliveira e Felipe de Faro alcançam completa ascendência sobre o ouvidor. procura ser o advogado das partes. cujo móvel dominante era o capricho de um régulo. prestando obediência ao regime do arbítrio. instauram processos. em vista do atraso mental e moral da capitania. O Ministro da Justiça sanciona com sua aquiescência esses desmandos e. a cujas vontades estavam entregues os destinos daquela população e os direitos daqueles cidadãos. nutridos das idéias de uma falsa aristocracia de família. os habitantes de Sergipe fizeram causa comum com os habitantes de Penedo.a fim de assegurar seu desenvolvimento. Sem instrução. em vista da dedicação realista dos 170 . Pode-se prover. sem cultura para compreenderem os grandes benefícios futuros de cedo ser instituído um regime eminentemente democrático. do capricho pessoal. Um espírito independente e livre não podia viver nesse meio. Figuravam como os dois homens de mais prestígio de então. poucos anos depois (1817). em que vem descrito o modo irregular por que era administrada a justiça. entram nos centros populosos armados e acompanhados de sequazes. nem adesão nos habitantes de Sergipe. de instrumentos de vingança. por sua vez. não poderia facilmente corrigir-se para.Não passavam de instrumentos desses mesmos dominadores. Penetram nas cadeias e soltam os presos. Faltava a ação eminentemente poderosa da instrução popular. Não lhe foi difícil abafar a revolução. Compreende-se perfeitamente que um meio social.

Retiram as bandeiras reais e as armas das barretinas e talabartes. capitão Manoel José de Sant‘Ana. e preparavam-se para as exéquias. e sem forças suficientes para oporem a resistência. pelas epidemias. outras. espalhando ordens de obediência pelas localidades. quando a quinze do mesmo mês espalhou-se na vila a notícia de uma revolta em Pernambuco. Esqueciam tudo isto e prestavam adesão a esse regímem que não era sensível às suas necessidades. comandante do regimento dos pardos da comarca. Esqueciam que suas reclamações contra esses impostos não eram atendidas pelo soberano. porém. mandam a Vila-Nova um emissário. sendo entretanto. esqueciam que viviam dominados por um regímem de arbítrio e prepotência. e contra o peso dos impostos de que se achavam sobrecarregados. da prisão de seu governador e que em viagem para o sul achava-se o padre José Inácio Roma emissário daquele governo. Resolvidos a resistência. pelo abandono das lavouras. sargento-mor. escrivão do crime e 171 . comandante do corpo de milícias. perante um concurso de duas mil pessoas. prestando o concurso de sua coragem aos planos do conde dos Arcos. toda esperança de auxílio desaparece e fica Penedo em obediência ao governo revolucionário. ou não podia corrigir. a que obedecem seus habitantes. capitão-mor. Historiemos os fatos.que as forças do conde dos Arcos chegassem a Vila-Nova e a Penedo. tomados de susto e surpresa. umas vezes. que não quiseram acompanhar a causa dos seus irmãos. depois de tanto tempo de uma evolução civilizadora. Os habitantes de Penedo ainda choravam a perda de Dona Maria I. da organização de governo provisório. em vista de ordens de recrutamento. Esqueciam que. aniversário de sua morte. vivessem com viviam nas trevas da ignorância. pela vitória da justiça sobre as paixões pessoais.seus habitantes já preparavam-se para reação. em favor de um regímen que se caracterizasse pelo respeito à lei. sendo os governos completamente indiferentes às suas necessidades e até mesmo as reclamações que dirigiam ao poder competente. para sufocar a revolução. e a administração nas mãos de Bento Pereira. Esqueciam que seus direitos não eram garantidos pelas autoridades. Esqueciam que. que deviam ser celebradas no dia 20 de março. que tudo espoliava. A 25 do mesmo mês chegam à vila essas mesmas ordens. justificadas pela pobreza em que viviam. contra as perseguições que sofriam da pseudo nobreza. no dia 31. José Gregório da Cruz. à frente do qual colocam-se o coronel Inácio Francisco da Fonseca Calassa Galvão. e cônscios do concurso que lhes prometeram suas autoridades204. ainda vissem a justiça nas mãos de Alvarengas e seus sucessores. Antônio da Silva. Os insurgentes espalham a notícia de que a Bahia aderia ao movimento. acossados. pela moralidade na administração. pelas secas. E nessa adesão que os sergipanos prestaram à causa monárquica. outras. Então uma idéia de resistência manifesta-se e organiza-se o partido realista. que criavam embaraços ao trabalho agrícola. Por conseguinte. depois de mais de dois séculos de colonização. 204 Francisco Guilherme da Rocha escrivão da camara e tabelião do público judicial e notas. que o governo não queria. que se prestavam aos caprichos dos dominadores. aclamam. No dia 28 espalha-se a notícia de que a Bahia não aderia e que já vinham tropas em direção de Vila-Nova. e os membros do Conselho. Antes.sergipanos e alagoanos. o missionário Francisco José Correia.

Cetifico aos senhores que a presente certidão virem que por mandado da camara desta Villa Nova extrahi a presente certidão do livro de vereações que presentemente serve com o theor seguinte: Aos trinta dias do mez de Março de 1817 nesta Villa Nova. motivo porque esta Villa Nova e seu termos se puzeram em armas. a quem juram fidelidade. vamos rogar-lhe que quanto estiver de sua parte e quanto seu poder lhe permitir faça por conservar nessa villa a tropa militar o socorro preciso que nos possa auxiliar em qualquer ataque que nos vejamos. João Sexto e promettemos todo o auxílio fazendo os povos da villa de Penedo e seu termo uma publica aclamação. porem agora que estão persuadidos terem todo o auxilio dos fiéis vassallos desta capitania da Bahia contra a rebelião de Pernambuco se declaram debaixo do mesmo juramento de fidelidade devida. sagrada pessoa do nosso Felicissimo rei o Senhor D. para o estado e para a tranqüilidade publica. tenente. fazendo convocar a mesma camara da fórma que já dito fica. Villa do Penedo casa da camara em conselho de 31de Março de 1817. Francisco e seu termo.a quem por direito tocam. José Gregrorio da Cruz. capitão commandante inerino do Regi. Ignacio Francisco da Fonseca Calassa Galvão. Manuel José de Santa Anna. M. contra o nosso Serenissimo rei dos três reinos unidos o senhor D. Villa Nova 30 de Março de 1817..M. alfares Antonio Ferreira de Mello e o terceiro vereador Caetano Gonsalves Freire e o procurador Vicente Augusto da Fonseca. o alferes Félix da Conceição Barreto. por bem do serviço de S. João Sexto e por temermos ser combatidos pelos nossos inimigos revolucionários por termos hoje declarado guerra contra elles por parte de nosso soberano. João Sexto dignando-lhe toda a subordinação devida como fiéis vassalhos que eram. coronel.. G. sargento commandante do piquete de cavallaria paga destacada em Villa Nova. dera principio a uma discreta e sabia persuação.coronel. nos passos do Conselho della. fazendo-lhes ver por meio da rasão e da justiça que era necessário disterrar as trevas da cegueira ignorância em que estão aquella e esta villa. seu tenente coronel José Gomes Ribeiro e toda a mais officialidade afim de que convém paz entre uma e outra villa. G. M. João Sexto que D. restituindo as armas das barretinas militares ao seu antigo estado.. Que olhando para a mesma religião. temeram serem elles os únicos que tomassem o partido da fidelidade devida ao nosso soberano. sobre. pelo qual motivo se sujeitaram os mesmos povos desta villa e todo seu districto a sacrificarem suas vidas e fazendas. a fidelidade que se deve guardar ao nosso soberano dizendo o seguinte: que os povos da Villa do Penedo e seus chefes respectivos atemorizados com os decretos do Governo Provisorio assim chamado o governo de Pernambuco lhe certificaram que esta capitania se dava também mutuamente as mãos. por Sua Alteza Real que D. para que recebido o competente passaporte possa seguir livre o condutor delles. –Do auto publico que a V. F: Ficamos tratando dos officios que sobre esta importante matéria devemos dirigir ao Ilustrissimo e Exmo. cível e mais impostos régios nesta Villa Nova de Sto. cujo enviadoo reverendo Francisco José Correia missionário apostólico. Senhor Conde Governador capitão general da Bahia e o ilustríssimo senhor governador da cidade de Sergipe d’El-Rei e amanhã serão apresentados a vossas mercês os sobreditos officios. como também por parte do coronel do regimento de milícias da mesma villa.do quanto executarem forão em auto publico para ser representado ao mesmo senhor General da Bahia. visto declararem-se fieis e obedientes ao nosso soberano rei de Portugal o Senhor D.sargento mór. fazendo causa commun na mesma rebelião . o sargento commandante do destacamento Francisco Manuel da Rocha. Auto da Villa do Penedo enviado a Villa Nova. onde foram juntos o juiz ordinário presidente Luiz Ferreira Leite.. o capitão Bento de Mello Pereira. vereadores Silvestre Antonio de Souza.. Nada mais houve que propor sobre o que passou-se o presente auto em que todos assignaram.. firmes e valorosos para combater tão honroso attentado. Senhor Francisco Manoel da Rocha. por muitos annos a quem perante as pessoas já aqui nomeadas esperam seu auxílio como seu socorro na presente crítica circumstancia em que se vém a vista do que responderam e aceitaram de commun accordo já nesta declarados. Antonio da Silva. Deus G. ha de apresentar nosso enviado o fiel vassallo o reverendo padre Francisco José Correia verá V.. M. assim o esperamos de V. assim chamado da praça de Pernambuco. José Ignacio Francisco da Fonseca Calassa Galvão. M. 172 . capitão-mor. fazendo receber os presos todos que despoticamente por fórma da mesma rebellião soltaram da cadeia da mesma villa de Penedo e assim satisfeito. com assistência do capitão-mor das ordenanças desta villa Antonio José da Silva e capitão Manuel Ferreira Martins. as publicas demonstrações da nossa fidelidade ao nosso Augusto Soberano o Senhor D.vitoriosa a causa do rei.. por parte não só dos povos da villa de Penedo. Ignacio Francisco da Fonseca Calassa Galvão. para o efeito de se receber em auto da mesma camara o enviado o reverendo padre Francisco José Correia. Antonio Real de El-Rei do rio S. o capitão Antonio Manuel de Britto. coronel. visto que o corpo militar da mesma villa se havia levantado uma sedição por commamdo do governo provisório.de que usam.. levantando bandeira real. e declaram guerra aos rebeldes de Pernambuco. a V. fazendo calcar aos pés. José Ignacio Ribeiro.. dos pardos da comarca.

Antonio Luiz da Fonseca M achado. Penedo. Correo a voz popular de que toda a America portugueza se tinha dado as mãos em commum rebellião contra a sagrada pessoa do nosso augusto soberano. coronel governador da cidade de Sergipe d’El-Rei. João 6º. a vista do que vamos rogar a V. abrimos os nossos corações e publicamente com as demonstrações da maior alegria declaramos os nossos sentimentos de fidelidade. fomos atacados com terríveis ameaças de um entruso governo revolucionário na capital de Pernambuco. na certeza de que a terra é pobríssima e precisa acudir com o dinheiro necessário para se pagarem os soldos. E supposto que algumas das companhias della estejam muito appartadas quasi por toda comarca das Alagoas. a quem jamais deixaremos de ser fieis. conservando sempre em nosso peito o amor. apenas tivemos certesa que a capital da Bahia e suas comarcas eram fieis a obediência do nosso soberano rei o senhor D. munições e seu competente chefe.Comunicam sua resolução ao governador de Sergipe. Miguel Velloso da Silveira Nobrega. mandar não será difficil reunirmo-nos e então contamos com feliz sucesso. obediência e amor ao nosso rei. S.Ignacio Francisco da Fonseca Callaça Galvão. e vendo as nossas poucas forças publicamos os ditos decretos do denominado governo provisorio dos rebelados para os pegar após logo que o podessemos fazer com vantagem do soberano e de seus fieis vassallos. o clero. e bem dos seus fieis vassallos nos preste todo auxilio que julgar conveniente na presente circumstancia. mandando-nos para a barra deste rio com uma embarcação com pessoas para defenderem as do commercio desta terra. D. Antonio da Silva Lemos. João 6º e esperando occasião opportuna que pudessemos com vantagem ao soberano e dos seus povos declarar os nossos sentimentos. todo o auxílio como supplicamos. Tememos todos a vista dos decretos e da infausta notícia e vendo as nossas poucas forças e o estado da capital se publicarem os ditos decretos para depois serem jogados aos pés. e Exm. devidas ao augusto rei. condicção de pátria ou nação que forem contra o nosso soberano rei e lhe protestamos nossa fidelidade sempre interrupta. Senhor D. por ser aonde mais promptamente podíamos certificar os nossos sentimentos de fidelidade e logo pedimos se conservasse na mesma villa um reforço militar para nos auxiliar contra os rebelados quando vieram sobre nós. pedimos o pompto socorro da triste circumstancia em que nos vemos . M. –Nós abaixo assignados fazemos certo a V. o senado com o povo. Sr. nos persuadimos com muito fundamento que com uma simples proposição feita ao povo sem effusão de sangue resultará o feliz effeito que espermos. Ex. os commerciantes desta villa e seu termo. então sem mais temer immediatamente aos vinte nove de Março deste corrente anno. mande dous brigues armados de guerra para a barra de Jaraguá. Sr. –Eu e os mais chefes das corporações militares. capitão mór . Antônio Luiz da Fonseca Machado205 e ao conde dos Arcos. porque agora conhecemos perfeitamente que temos a nosso favor V. Illm. que aterrados nossos districtos de uma revoltosa conspiração feita em Pernambuco e pelas noticias populares que toda artilharia portugueza tinha as mãos dadas na mesma rebelião. a necessidade que temos de um regimento com peças de artilharia. fidelidade e obediência. 1 de abril de 1817. 205 Ilustrissimo Senhor Governador. Devemos apresentar a V. João Sexto. Ex. o Sr. Representamos a V. tememos o estrago deshumano que farão os hespanhóes americanos.. S.seus governadores . dará as providencias.. S. Ex. que é fraquíssima pela falta de armas competentes. e Exm. Illm. General da Bahia. Ainda se conservam nesta villa alguns dinheiros pertencentes a corda e poderiam ser mais se não tivesse ido a pouco tempo para a capital o que havia e com este pouco se vão sustentando os que estão no actual serviço. S. Ex. que sem risco algum se podem nella conservar a ainda embarcação de alto bordo. do que consta e esperamos da integérrima fidelidade de V. Ex. comtudo a vista da tropa de linha que V. e tudo consta do auto publico que fizemos na mesma occasião. Ex. S. a quem perante V. Nós vamos tomar as medidas para reunir no nosso partido o resto da comarca das Alagoas e para isto é preciso que V. sargento mor. o coronel Galvão. S. temos declarado guerra contra todosos rebeldes de qualquer estado. sargento-mór. José Gomes Ribeiro. além de medidas que tomaram.. f. Ex. clero e povos desta villa e com effeito no dia 31 do mesmo mez se declararam com maiores demonstrações de alegria os nossos continuos sentimentos de fidelidade ao nosso soberano Rei. tenente-coronel. com a chegada de seus decretos. chefe das milícias dos homens brancos desta villa por si e da parte de todas as pessoas da governança enviou o Reverendo missionário apostólico Francisco José Correia para certificar as pessoas do governo de Villa Nova. Nesta mesma occasião vae outro officio para o Illm. coronel. sob o que V. João Sexto. José Gregorio da Cruz. quaes eram seus sentimentos de fidelidade e das pessoas da governança. Declaramos guerra a todos os rebeldes e conjurados contra a sagrada pessoa do nosso augusto soberano. por serviço de S. do que tudo fazendo certo ao governo de Villa Nova. a falta de pret que há nesta. nosso Senhor D. chefes militares e todos os mais fieis vassallos dessa capitania. o qual deve estar nesta villa de Penedo para se unir com a nossa tropa miliciana. Senhor rei D. Deus Guarde a V. que pela copia junta verá V. não só para o 173 . João 6º e ouvidos os seus fieis vassallos.

que nesse proceder. Simplicio Nery. Antonio José da Silva Lamego. J. mandar. que não obravão daquelle modo por zelo do Serviço de Sua Magestade. sabendo-o o Juiz Ordinario afim de que não dessem alguma sinistra interpretação à mesma curiozidade.coronel. Manoel Prudente de Barros Leite. sobre os acontecimentos em Alagoas206.G. não mostravam senão suas indisposições pessoais contra os penedenses. Illm. Essas hostilidades não tinham justificativa. convocou a camara e deo a providencia constante do documento do numero vinte e três. huma prova de que elles não obravão por zelo do serviço Real He mostrar-se que achando-se esta Villa já escudada com as Reaes bandeiras desde trinta e hum de Março e fazendo-se-lhes o aviso disto mesmo com o próprio documento e conhecendo que os seus povos não erão capazes de oppor-se ás ordens do Governo de Sua Magestade. Ex. elles na noite do dia sete de Aril. Man. Conde dos Arcos. Villa do Penedo. e nem ainda mesmo aquelles que os perseguião com o titulo devassador. Realmente o partido realista organizou-se em Penedo. Outra prova da verdade do dito antecedente he o documento de numero vinte e coatro. pois em vez de nos prestarem os auxílios requiridos para a salvação publica. referente ao procedimento dos habitantes de VilaNova: ―No dia coatro dirigirão ao Excellentissimo Conde General da Bahia o officio no qual representarão as hostilidades terríveis que soffriam de Villa-Nova.procurando a adesão das câmaras da comarca à resistência que levantaram. e em menos de duas oras ellas forão repostas nas mesmas esquinas.C. aos quaes do Penedo dse não fez a menor rezistencia. logo que amanheceu o dia oito. antes tudo soffrião por obdiencia as Leis de Sua Magestade. I.F. no qual se lê a carta de data de oito de Abrilque dirigioo capitão de cavallaria Paga da Bahia Jozé Felis Machado ao Sargento Mór das ordenanças desta Villa Antonio da Silva Lemos para fazer regimento que V.R. pregar nas esquinas della as primeiras proclamações impressas do Excellentissimo Conde General da Bahia de data de vinte e hum de Março: as quaes sendo vistas pelo povo. Vejamos como procediam os habitantes de Vila-Nova. Antonio José da Silva.S. como se vê no dito documento. Antonio Moreira Lemos. Desde que souberam da obediência que os penedenses tinham prestado à revolução. Inédito de 50 folhas. que he o que nos devia somente entereçar por estarmos já no caso de olhar já para a causa do Soberano. Vila-Nova não fez mais do que prestar-lhe auxílio. abriram-lhes hostilidades. F. Exm. por isso que elles vinhão aqui todas as vezes que querião armados. um córso formidável pelo Rio aprezando as sumacas desta villa vindas da Bahia saqueando e destruindo as canôas dos Povos que navegarão pello meio do Rio com negocio e mantimento. desde quando eles já defendiam a causa do rei. Sr.G. vierão como forão vistos de muitos desta villa. 206 Carta que escreveu o Senado da Câmara de Penedo à sua Magestade sobre o que se praticou na Revolução Pernambucana. prendendo as gentes forras e as –cativas que dizião que ião tratar. e bem conhecião que ella estava em paz. juiz ordinário. vigário do Penedo. Era debalde que os penedenses pediam ao governador de Sergipe e ao conde dos Arcos providências contra as perseguições que sofriam de Vila-Nova e do sargento comandante do piquete de cavalaria aí destacado. e patrulhas dos mesmos corrião de noite esta Villa.V. nos Passos do Conselho. 174 . Francisco Manoel da Rocha. porque sendo por elles inteirado. e de devermos fazer todos uma só e a mesma família para defender a mesma Real causa. E transcrevamos aqui um trecho de um manuscrito inédito...N. mesmo depois que Calassa Galvão e seus companheiros organizaram o partido da resistência. José Leandro dos Santos. como também para os officiaes milicianos que comem soldo nesta villa. vereador. Reprezentarão mais ao mesmo Excellentissimo Conde que davão a conhecer os Povos daquella Villa. M. e mesmo testemunhas oculares da nossa fidelidade. até restituir-se à capitania todo o seu legitimo domínio. tenente-coronel. continuavão cada vez mais com ella digo com as referidas hostilidades. Sant’Anna. muito mais do que os próprios habitantes de Vila-Nova. nas quais continuaram. 1 de abril de 1817. capitão commandante. e tirando huns por curiosidade para copiar algumas dellas. Ex. juiz ordinário. prourador. e vindo até as margens daquem do Rio roubar. vereador. Deus Guarde a V.e aprezar de dia e de noite as mesmas canôas. fieis. atirando com pólvora e balla aos miseráveis que fugião a escapar-se a taes bravos ataques..

Anacleto do Rosário. cujos habitantes convocam a câmara.. Diz ainda o manuscrito: ―Mandando pois a camara a Villa-Nova entregar o referido officio de numero vinte e sete ao mencionado capitão de cavallaria Paga pelo referido Alferes Manoel José Gomes. Os maiores desatinos foram cometidos e a população teve de procurar os campos. o despeito. foram presos pela realistas de Vila-Nova e enviados para a Bahia. Manoel Luiz das Chagas.‖ Além disto os emissários de Vila-Nova aprisionam um barco que vinha carregado de farinha de Cururipe para Penedo. lembrando nella que seria muito a favor desta mesma Villa hum. Eles não se inspiravam na defesa da causa do rei. Ela reúne-se no dia 16 de abril. como tudo se lê no mesmo documento‖.do Clero e Povo pedindo um commandante de tropas à vontade do Excellentissimo Conde General da Bahia. E tanto assim é que. no dia 18 de abril. a fim de não ser alvo do saque e da rapinagem. faziam com que Bento de Melo Pereira. porque inconstestavelmente a adesão prestada pelos penedenses à revolução. chegou a Vila-Nova. quando o primeiro emissário do Conde dos Arcos. a fim de lançarem um protesto e tomarem medidas contra um tal estado de coisas. e mal acabavam seus membros de assinar a ata. que lhes foram pedidas pelo emissário que mandaram a Vila-Nova. Dirigiu-se a diligência o capitão de ordenanças Bento de Melo Pereira. José Félix Machado. promovesse as perseguições contra os chefes da reação. pedindo auxílios às forças de Vila-Nova. e fazem propalar que estavam dispostos a prender e até a matar impunemente os chefes da guarnição de Penedo. prendem o ajudante do regimento dos Homens Pardos. o padre Correa. o marechal Joaquim de Mello Leite Cogominho Lacerda. as prevenções anteriores. o capitão de cavalaria da Legião de Honra da Bahia. Suspendem-se então as perseguições que os habitantes de Vila-Nova infligiam aos de Penedo. Precedeu-a uma portaria do comandante da infantaria destacada em Villa-Nova. Calassa Galvão já promovia a reação. revolucionários. Esse estado de coisas continuaria. eram considerados patriotas. Penedo foi declarado em sítio. este foi preso. ―Desesperada com tantas oppressões a camara se ajunta no dia treze e accordam em mandar ao Excellentissimo Conde General da Bahia em que lhe participava as tristes circunstancias em que se vião estes povos sem dar ao Ajudante de ordenanças Antonio Fernandes dos Santos. As intrigas. levando seus mais preciosos haveres. que já tinha solicitado do governador de alagoas permissão para fazê-la. auxiliado pelo seu ajudante Miguel dos Anjos Souto Maior e o alferes do regimento dos Henrique. ao sargento-mor Miguel Veloso da Silva Nóbrega.Nós abaixo assinados.. apresentaram-se as autoridades militares de Villa-Nova e deram ordem de prisão ao coronel Calassa Galvão. de que toda a hora vinhão saquear esta o que deu motivo a entrarem a dezertar della varias familias. que entretanto. capitão de ordenanças de Vila-Nova. que presos. ao capitão-mor José Gregório da Cruz. nos dias de março. se não chega a Vila-Nova. e o homem João Gacheiro setenta mil réis para o irem entregar por via de mar visto que de terra não eram favorecidos. Ainda mais: logo que contaram com o auxílio das forças de Sergipe. e finalmente só tínhamos a noticia dada por alguns daquella villa. continuavão os saques e as prisões dos que tranzitavão pelo Rio. isto é. de Villa -Nova nada se nos respondia. do terror. foram conduzidos para VillaNova e depois para a Bahia. quando já tinham posto em prática todas as medidas para oporem-se à vitória da revolução. o mais perto que pudesse ser de Pernambuco. e que 175 . Entretanto . que por ordem do conde dos Arcos ia a Pernambuco bater os revoltosos. da pressão. foi o efeito do medo. José Félix Machado. enviado para Sergipe de El-Rey.pregar as proclamações que com ella enviou.

Eles satisfaziam. 208 Achamos muito judiciosas as seguintes palavras do Dr. concluir que o estímulo dos chefes legalistas de Vila-Nova não era defender simplesmente as instituições. cujos membros eram: o missionário Francisco José Correa. o qual comandava as forças que vinham bater os revolucionários. ao passar ela em Vila-Nova. a qual encorrentando-os os presos á Bahia. cavalaria miliciana de Sto. 500 homens. Amaro. onde aquella de Penedo é situada. 176 . e aquella mesma Camara curvou o cóllo.208 Não nos compete acompanhar as lutas. milícias de Sto. coronei e sargento-mor do Regimento dos Brancos reputados os principaes cabeças da revolta. Nosso fim é mostrar o papel de Sergipe perante a revolução de 1817. para que exigissem com garantia a prisão immediata do capitão mor. protestando fidelidade ao monarcha. 59. criando dois batalhões de voluntários – o dos brancos e o dos pardos. 100 homens. não tardaram receber justo prêmio: a villa rival muito mais ufana enviou dous dos seus officiaes. enviaram uma deputação a Bahia.que sob o comando do tenente.coronel José Gomes Ribeiro e o coronel Francisco Manoel Martins Ramos partem para Pernambuco. p. pois. “Tendo os penedenses arvorado a bandeira real. 207 De Sergipe marcharam as seguintes forças: cavalaria miliciana de Sergipe. Tavares. fazendo parte das forças realistas.. no intuito não só de comunicar ao vice-rei a posição que já tinham assumido. Informados da marcha dos soldados da Bahia. os habitantes de villa Nova começaram a aprehender e roubar todas as canoas da sua rival.registraram em documento sua adesão à causa do soberano. Amaro. foi a causa principal da contra revolução. Francisco. suas paixões e seus ódios. Da Revol. por intermédio da deputação. 100 homens. A antiga rivalidade desta villa com outra denominada villa Nova. Pois bem. que jaz sobre a margem opposta do rio S. onde organiza as forças militares. e ameaçando de extermínio legal com a força. nas medidas que punham em prática. Podemos. como pedir-lhes auxílio. que diziam estar próximo a chegar . em sua Hist. A ida da deputação antecedeu à chegada de José Félix em Vila-Nova. satisfaz a arrogante exigencia e remetteo-os presosa a sua rival.182: “ A villa de Penedo foi a primeira a abaixar-se. p. E era isto mesmo o que eles pediam. E aí fica ele descrito. enviada para S. Os Mártires Pernambucanos. foi presa. o capitão de milícias Francisco de Souza Machado e o capitão de ordenanças Francisco Moreira da Silva Lemos.207 Passa-se Cogominho a Penedo. Estas forças combateram no engenho Guerra contra as tropas dos patriotas pernambucanos. como patriotas e revolucionários. Cristóvão e depois para a Bahia.

levando seus governadores dirigem-se diretamente às secretarias do Estado. Convindo muito ao bom regimen deste Reino do Brazil. 209 Conde de Palma do Meu Conselho. reduziu seu governo à sua dependência. que na Bahia já se achava aclamada e jurada. no inicio de sua administração. por Decreto de 8 de julho de 1820209 foi Sergipe elevada à categoria de capitania. porém. CAPITANIA INTERVENÇÃO DA BAHIA. e pela outra. Declarando-a independente totalmente para que os Governadores della a governem na fórma praticada nas mais capitanias independentes. JURAMENTO DA CONSTITUIÇÃO E ACLAMAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA. comunicando-se directamente com a secretarias de Estado competentes e podendo conceder sesmarias na fórma das Minhas Reaes Ordens. pelos serviços prestados. O que Me pareceu participarvos para que assim o tenhais entendido. O procedimento que os habitantes de Sergipe e Alagoas e Rio Grande do Norte assumiram perante a revolução de 1817. Realmente. por uma parte. Foi despachado primeiro governador de Sergipe o Brigadeiro Carlos Marcos Bulamarque. Tomou posse em 20 de fevereiro de 1821. Escrevo no Palacio do Rio d Janeiro em oito de julho de mil oitocentos e vinte. por ter também satisfeito ao outro dever de bom cidadão. Rey. O decreto rompia de todo os laços de dependência em que Sergipe tinha vivido até então para com a Bahia. este decreto tornou-se uma letra morta. completamente independente do governo da Bahia. privando-se a nova capitania da emancipação que o soberano lhe concedia. 177 . E da Bahia partiu esse atentado contra a autonomia administrativa da nova capitania. que a capitania de Sergipe d’El-Rei tenha hum Governo independente do dessa Capitania.CAPÍTULO V SERGIPE. contra os ilustres democratas que quiseram fundar o governo republicano. Adiante mostraremos ao leitor que esse fato não justifica o atentado cometido. Hei por bem por Decreto da data desta. pelos quais a Bahia levou o pânico a Sergipe. Muito cedo. e a prosperidade a que Me proponho Eleva-lo. podendo conceder sesmarias. As palavras de Bulamarque não podem ser acoimadas de apaixonadas. e uma nova vida administrativa e econômica ia prender a atividade de seus filhos. a quem tinha jurado preito a homenagem. procurando justificar-se esse arbítrio com o obstáculo que ofereceu então o seu governador ao juramento da constituição. Eis o que ele dizia: ― Por ter feito o meu dever de Vassallo fiel de sua Magestade. Governador e Capitão General da Capitania da Bahia. e pela pressão da força. nomeado por carta régia de 24 de Outubro de 1820. prestando importante contingente a vitória do partido realista. izenta-la absolutamente da sugeição em que até agora tem estado desse Governo. que lhes quis dar uma prova de reconhecimento. isentos da tutela em que tinham estado. angariou a simpatia do soberano. Entreguemos a Bulamarque descrever os acontecimentos que se operaram. Por elas sente-se a integridade de caráter do ilustre governador. Amigo: “Eu El-Rei vos envio muito saudar como aquelle que amo. como dantes era. elevando estas comarcas à categoria de capitanias independentes.

― Cheguei a Bahia para hir ao meu destino a 3 de Janeiro de 1821 e então o Conde de Palma. visto ter já ido por duas vias para as côrtes em Lisboa. e pozesse outra vez debaixo do seu jugo aquella Capitania. a província de Sergipe d`El –rei. cada hum pela parte. por Decreto de 8 de Julho do anno passado. relatei-lheo estado das cousas e repugnância. e taes procedimentos. ― O mesmo Senhor houve por bem nomear-me Governador da dita província em 25 do mesmo mez da independência. e separada da Bahia. independente. aparecerão em minha casa. o Ouvidor pela lei. assignadas por hum homem chamado José Caetano de Paiva. o que conseguião. e nella vinhão taes cartas dirigidas ao sobredito Luiz Antonio da Fonseca Machado. e obrigou-me a tomar posse. para que estas ficassem pertecendo a Sergipe. As authoridades acima nomeados affianção e protestão aoiar. e assignadas por José Caetano de Paiva. Vigario Geral. separada. desde o primeiro do dito mez de Janeiro em diante. que lhe pertence. por sua Magestade El-rei D. Naquella epocha nem a Bahia nem Sergipe se oppoz. pois eu estava em Santa Anna. e aos seus mandados. ou corrigida. Capitães Móraes. a real Junta da Fazenda. que eu tinha que tomar posse. Prelados das religiões. o que não se effectuou por então não convir. e pela ootra a incurialidade. o que eu não quis fazer. e eu fizemos um termo declaratório e relativo as rendas. tendo pedido a ultima á mais de dez annos. uma tratava do sucesso do dia 10 na Bahia. e se alguém em Sergipe o sabia não dizia. composta de nove membros. e pela daquelles que lhes são subordinados dando-se parte immediantamente Sua Magetade de todo o acontecido para se esperar a Sua Ulterior Determinação: e para 178 . que ninguém conhecia. perseguido. que. ― Tendo-se creado em 8 de Julho de 1820. ( hoje membro do Governo) e lhe disia que hia dormir no Engenho Barbado e sendo a revoluçãono dia 10. ―Parti desta cidade a 5 de Fevereiro e a 9 do dito mez cheguei á Pitinga. ( trabalhei muito para que não o matassem. os prelados das ordens. distante da Bahia 5 leguas. servindo-se até da força. não esteve por nada disto. que tinha servido de latrina. que diz ser secretario de huma junta. é dividido ao estado por atribuição que devia rasultar de estar mettido em uma masmorra. que naquelle dia achavan-se em Sergipe tudo o que há de bom. preso e suplantado. única authoridade. 210 ―Fez-se de tudo hum termo . qual he a vontade e determinação de Sua Magestade. e independente. que o Governo da Bahia escravisasse. fiquei deslocado. e que não devia ser emendada. e nada eu sabia do que tinha se passado. e despezas. 17 leguas da Bahia. evitando as desordens. então Governador. vindos da Bahia. mandar-me buscar ao caminho. que tem a El-Rei Nosso Sennhor. e na tarde do dia 9 escrevia Francisco de Paulo d`Oliveira. e me obrigarão que tomasse posse e eu aceitei. e outra em que me não desse posse. e mais Officiaes das Ordenanças. e afastando a guerra civil. tão desconhecidos nesta Capitania como o mesmo secretário. no forte do Mar da Bahia. e única a quem era indisputavel este direito. e todo mais o povo que poude entrar. depois da garantia pelos Chefes dos Corpos. ― Congregarão-se para isso em minha casa: a Camara. ―No dia 20 de madrugada. ou representou contra a independencia. e na ocasião em que lavrou o termo 210 No dia vinte do corrente mez de Fevereiro do anno de mil oitocentos e vinte e um: sendo presente o Senhor Governador Luiz Antonia da Fonseca Machado. e derribado do logar para onde Sua Magestade me tinha nomeado.) Fiz-lhe ler os tais papeis. assentão-se conservar-se firmes na sua fidelidade indelével. ou até quando a vontade geral de seus irmãos situados no Brazil e dêem a conhecer de um modo legal. para me poupar incomodo. e tomando em consideração este congresso a muita fidelidade. o Senhor Ouvidor pela Lei. e o Ajudante das Milicias Jose Joaquim Ferreira. e recomendável na capitania.não compromettendo os povos. sem consultar primeiro a opinião. e certo. e legal. até que saiba por modo authentico. ― A má locação e arranjo deste relatório. podia. como tudo se verá pelo relatório abaixo excripto substanciado com documentos. ― Luiz Antonio de Fonceca Machado. ― He de notar. e manter nesta Provincia no mesmo estado em que esteve até hoje. e irregularidade de taes participações. e Commandante dos Corpos foram presentes três cartas. João VI. e vontade geral. Não havia no sobredito dia 20. com uma força armada de três Armas e hum parque d`Artilheria. por huma parte. vinda da Bahia. as Authoridades Ecclesiasticas. que a Bahia lá lhe levou. o Senhor Juiz Ordinário Presidente da Camara desta Cidade. então havia. Luiz Antonio da Fonseca Machado. outra em que ordenava o juramento geral. e muito menos a sua letra. os Chefes e Officiaes Superiores dos Corpos. o Procurador. pelo que tinha feito quando serviu ali) o qual se apresentou um a malla que se abriu. e que me repellisse para fora da Capitania. Devendo ser mui mortificante á sua Magestade. e ás cortes. garantir e manter tudo quanto neste termo vai declarado. homem de péssima conducta e caracter. no dia 11. Cheguei a Sergipe na tarde do dia 19 do mesmo mez. ― Todos se conspirarão contra tal repugnância.

guardião do convento do Recife. Vós bem o sabeis vós o experimentaes. se fez o acto. Simeão Telles de Menezes. que querem o que não sabem. e os que havia estavão em suas casas e pertenciam ao chefe ali presentes que me obrigarão a posse e a garantião. que pgnam pelo que não entendem? Lembrai-vos. José Alves Quaresma. Luiz Antonio Esteves. coronel Guilherme José Nabuco de Araújo. três bêbados. primeiro ajudante Francisco Sales de Thomaz. e ver nelle se assignou. hum Escrivão. quereis perder todo o conceito. Angelo Antonio Mendes. Bento Antonio da Conceição Mattos. para cada hum. O Juiz Ordinário Bento Antonio da Conceição e Mattos. que proclamassem a Constituição. e a Policia dos distritos. que lhe marquei. Manoel Rolemberg de Azevedo. Sergipe de El-Rei e Cidade de S. estavão ainda na Côrte. Prohibi-lhes que embargassem. ―Sucessivamente. 211 Povos da Estancia e Villa de Santa Luzia que tendes tido até aqui por timbre a felicidade e regularidade. por uma parte. as Authoridades civis. capitão da primeira companhia de linha. quena História se tem lido: acto. tenente. que o tenente coronel Manoel Rolemberg de Azevedo Accioli fosse encarregado especialmente a Sua Magestade El-Rei Nosso Senhor o termo acima retro. caso na Bahia lh‘o não tirassem. capitão mor. alferes. não verião tão cedo. comportamento e seriedade nos vossos juízos. hum Fiscal. e mandou também pôr em praça os Contratos Reaes: porem nada teve effeito porque só houve vinte e seis dias de Governo de facto. e pela outra. o vigário. o Ouvidor pela Lei. a que se opposerão 211 as ditas authoridades e não houve effeito algum. prior do Convento do Carmo. das 179 . Sustentai pois o que naquelle dia se fez. Carlos Valeriano Leitão Bandeira. o que há de recomendável nesta província. Estância e Itaporanga. mais livre. na Camara dessa Villa. Era Supra. José Agostinho da Silva Daltro. tenente secretário. ou empedissem quem viesse ou fosse para a Bahia. o vereador José Rodrigues Bastos. e receber do mesmo Senhor as suas Determinações e Ordens. capitão. deu motivo este sucesso ao Bando . sargento mor Comandante. que de graça esteja fora da sua casa empreado em serviço. e O Presidente da Camara esta assignou. hum fiscal. por actos irregulares dictados por facciosos. Frei Jeronymo de São Pedro de Alcantara. e obrigar ao carregador a assignar fiança ao Disimo. o Lavrador. ― Os passaportes tanto por Mar como por terra forão sempre francos. eu. como Presidente. e até officiaes da Cortê forão interceptados no correio. acentão por unânime parecer este Congresso. e quiseram persuadilas. He sabido de todos . Frei Luiz da Virgem Maria. até a chegada da embarcação que mandei ao Rio de Janeiro. que não há um só homem. tenente. ―E como os membros nomeados. como particulares: pois todas eram abertas. que para o futuro fará sempre honraaos Sergipanos: o podeis ler. para darem as contas. e o chefe da Legião de Milicias. que no dia sempre memorável vinte do passado nesta cidade. e o Artista não são incommodados no seu tráfico. o Procurador. o vereador Pedro Celestino de Souza Gama. quando pelo contrário vós vedes a margem do Sul de Itapicurú. alastrada de desgraçados. e um Thesoureiro . na Estancia convidarão a camara. com d’antes e a navegação continua. Está conforme o Secretário do Governo José Antonio Fernandes. Alexandre da Cruz Brandão. não se seguindo prejuízo na pequena demora. José da Motta Nunes. Esta Repartição mandou chamar os differentes recebedores. que mereceis. Francisco Manoel da Rocha. os portos estão abertos. Post Scriptum. onde se achava junto todo. Esta demora não vos causa incomodo. Ouvidor José Ribeiro Navarro: o Juiz ordinário. presidente em capítulo. fazer disto assento. Hermenegildo José Telles. Antonio Luiz. mandando para os portos de Cotinguiba. Manoel Vicente de Carvalho Aranha. e expontaneo. tenente coronel commandante. Fiz sahir todas as embarcações que estavão carregadas e que continuasse o Comércio como até ali. capitão da segunda companhia do corpo de linha. Domingos Dias Coelho Mello. tenente coronel. o não querer eu. prendessem. vigário geral. José do Carmo da Silva Ribeiro. José Antonio Neves Horta. e nunca me forão restituídas. o escrivão José Carlos Novaes Lins. brigadeiro governador. e o Senhor Tenente Coronel Manoel Rolemberg de Azevedo e Accioli. coronel José de Barros Pimentel. entreguei aos sobreditos Chefes. qua az as vezes de Procurador da Corôa. o syndico da camara e fiscal da Real Fazenda. Francisco Moreira de Sá Maramaqui. Cristovão – Luiz Antônio da Fonseca Machado. Frei Francisco de Sales e Souza. que deve haver. para a junta da Real Fazenda. o socego publico. Major. ( não acontecendo assim com as minhas Cartas. O Ouvidor interino José Ribeiro Navarro. e ali assumidas). ou alguém empregado della. ― No decurso do meu Governo. não foi preso ninguém por Opinião e quando no dia 4 de Março deste Anno. que se hia criar.um soldado armado ou na fileira. e para evitar assignaturas progressivas: o Ouvidor pel Lei. nomeei uma inteiramente composto. tenente. para onde o remetto. Tendo toda a que vai o mesmo Senhor Luiz Antonio da Fonseca Machado. o Negociante. e que por aquelle estado de cousas. sargento mor commandante. o vereador José Manoel Machado de Araujo. ter só a responsabilidade da Real Fazenda e não havendo naquella época nenhuma repartição de Fazenda. tantos officiaes. para tomar conta do que sahia. João Antonio Dine. capitão Joaquim Francisco d’Albuquerque Lima Capitão.

nem embaraçada. que amirão. A vossa lavoura não tem sido interrompida. a Sergipe. achamo-nos achamo-nos pois em uma crise. não ignora a este tempo os sucessos da Bahia. fazendo-lhe ver estas verdades. Guilherme José Nabuco de Araujo.Carlos Cezar Burlamaqui. a que não tem direito algum de governo. ó proprietários. que o está de fcto e de direito.entrando em huma povoação. que só no dia 17 chegarão ao Rio Comprido. vossa honra. mas certificados. ficando a cidade entalada. e depois de lhe extranhar a falta de delicadesa. entre a barra e a Povoação. (quando somos atacados sem ter dado motivos) inata a todoanimal. qua a Bahia tivesse vistas hostis sobre uma Capitania. que me obrigarão a manda-los chamar. que não sendo tão violenta como aquela. as reoluções de Sua Magestade não podem nas circunstancias actuaes serem morosas. e sabendo que já tinham 213 desembarcado. o Ajudante de Milicias Francisco Correia da Silva. que queirão atacar seus irmãos. que se lhe há de pagar. pois a Povoação das Laranjeiras. que voga na Bahia. nos corações de vossos filhos. e sendo a distancia. tem as suas famílias em orfandades. Não vos amedronte a força. emotin. velai. o bom resultado. e não sei a que. que pela relações e paretescos se há de confundir com horror e natureza. 212 Jamais me persuadi.Sergipe d’El-Rei. Deus guarde a Vossa Senhoria. ellas nos serão anunciadas em pouco tempo. A guerra que houve a Sustentar com os Holandezes e com os Francezes nos subminstrão factos. Deixai a Bahia e aprendamos della o que nos convem. entre Ella. vierão tão devagar e tão assustados. os portos abertos e a estrada franca. tende sofrimento. – De igual theor. a huma Capitania quieta. Esperai. e que desembarcava. Demorai-vos. a toda sociedade e a todo mundo Vossa Senhoria convocará o corpo que está debaixo de suas ordens. e desarmada. por valor e lealdade aos vossos Legitimos soberanos. Que conseqüências tão funestas senão poderão seguir de semelhantes insediações? Accautelai-vos ó povo bom mas ignorante. auxiliada por quatro Companhias: duas da Cavallaria e duas da Infantaria ( todas de Milicias da Legião da Estancia) com um parque da artilharia marcharão no dia 14 sobre Sergipe. mandado o Commandante da dita força. participe-me imediatamente por escripto. Esta província instalada. no seis de suas famílias. a falta de respeito . o vosso comércio esta no pé antigo. vossos interesses. Se se tal acontece infelizes habitantes! Sergipe 6 de narço de 1821 – Carlos Cezar Burlamaque.B.certeza que a força armada estava na Barra da Estancia. e da Ordem Militar. mas por isto mostrão a sua imconsequência. tendo no mesmo dia feito jurar a gente da Estancia. esperai mais um pouco. mandei publicar o Bando . 11 de março de 1821 Carlos Cezar Burlamaque . dogo que sejamos atacados. e a Cavalaria nas immediaçãoe com os corpos de Infantaria. que dizem esta na Estância e não lhe possível. com o que He seu. demoraivos poi. olhai quem vos rodeia. visto aqui não o haver de Sua Magestade. que lhe He sagrado não consentiu ainda entre si a opinião. Toda a Infantaria. situados nas diferentes Villas. com tudo noticias certas que me tem que sendo poucas. que se levantassem antes de chegar a força: o que não teve effeito porque o povo não approvou. a memória grata dos feitos dos seus ascendentes. e em que número relativo a vós e conclui que quando si está em estado de convulção. e data se expedirão para tos os commandantes dos Corpos da Capitania. Sergipe d’El-Rei. grandes povoações. só de dose léguas. e vossa fidelidade que prometestes aos órgãos de vossos superiores sustentar indelével até que Sua Magestade desse. e separa da Bahia em 8 de Julho do anno passado por Sua Magestade. a espalhar Proclamações. ó Magistrados e preveni-vos. e Estancia. N. com tudo ameaça o vosso socego. Major Comandante da Legião de Santa Luzia . jurou a constituição. Todos devem vir armados e municiados. todo o Mundo se presuade estar munido de igual direito . no dia 15. e eu vos afianço. Missões e Arraiaes: vossos avós fizeram sempre huma grande figura na História. e a desgraçada e sempre terrível sublevação de Pernambuco fez reviver. 180 . e toma regularmente parte nella. que não tradão. ― No dia 17 pela tarde veiu outra vez o tal Ajudante e o Tenente do Batalhão n. porque esta Capitania já mandou recebel-las e porque aquelle Augosto Senhor. e fizesse saber-nos suas decisivas Ordens. Superior independente Da qualidade Ordenanças que não tendo o que comer. e muitos gozos. não faz dúvidas a ninguém. e fomentam insurreições. e pôren-se no risco de ver verter sangue. e a persuadir gente da cidade. e como a despeza natural. como desembarcou 212 no dia 12 de Março. huma légua distante da Cidade: tendo quatro dias antes. 13 de março de 1821. torno a repetir. 12 de Portugal. Parei dahi em diante com mais medidas. escrevi aos chefes dos Corpos circular . ou dificuldade na execução desta . e providencias. José Vaz Lopes. 213 Povos Sergipanos. dados por Deus. com tudo espíritos ambiciosos. mais foi tal o motim que promoverão na cidade. que por cumprir o dever. e o apronptará para defesa . atição os que ca tem por delegados. Ilmo Sr. aqui recebe-las e gasta-las. ― A força armada. e sordidamente da idéia. que para o futuro qui se hão de arrematar as Rendas. onde estava hum Official. só como differença nas posições. conta vós é que se atirarão as setas envenenadas. assim como hão de ser alimentados e se Vossa Senhoria achar embaraço.

e na mesma. – O Procurador Francisco Moreira da Silva Marramaque. com tudo os mais officiaes e inferiores deverião la hir.de Governador: os prendi á ordem de Sua Majestade e os mandei entragar ao chefe da força armada . e o mesmo aconteceu aos inferiores. e a Artilheria embocada ás ruas. que eu não fosse preso por modo algum. – José Vianna Glascock. & C. Escrivão da Camara o subescrevi. ao concerto. e o das Vacantes. e não querendo o dito Governador. que Deus Gruade. e os mais todos abaixo assignados: declarou o dito Governador. Vigario Collado da Freguesia do Socorro. que hei por justificado. a diser-me. – Chistovão de Abreu de Carvalho Contreiras. com se vê . que conferi com outro Official abaixo. Carlos Cesar Burlamaqui.Termo de protesto. e todas as authoridades. e o dito Coronel mandou então a minha casa. o que effectuei no dia 25. e Juiz de India e Mina. que disião para a dita casa da Camara: ahi derão vivas: (porém elles sós) chamarão as Authoridades. e Civil. que tendo em frente a força armada e evazoura da Bahia. principalmente nesta cidade. – Joaquim Inácio Ribeiro de Lima. e de como assim o disse. Vigario Colado e Geral Forence e o das vacantes. do Theor seguinte. e a auxiliar da legião de Santa Luzia da Estancia. ouvidor interino. e mandou a mesma fazer este termo.O Vereador José Rodrigues Basto. e o Capitão Mor. – O Vereador Pedro Celestino de Souza Gama. com as testemunhas presentes. a excepção se resistisse. com quantos meios podem haver em Dierito contra a violência. o Major Rucel. que tendo ordem positiva para me não fallar em juramento nem a meus filhos. carregado de metralha. . Juiz Ordinário mais velho desta Cidade. e soltou ( o que mais graça teve. era inquietado com a requisição de que sahisse. Capitão de Ordenanças. foi que o Tenente Vaz foi quem me conduziu á Bahia excoltando os Officiaes presos e o dito Ajudante de Milicias Francisco Correia da Silva. tocando nos muros. pôr em contingência a segurança dos povos. e da força armada estar a porta. a auxiliadora da Estancia e hum Parque de Artilheria. ut supra retro.Aos dezoito dias do mês de março de mil oitocentos e vinte e hum annos. acompanhado pelo tenente Vaz e uma escolta da Cavallaria. Escrivão de Crime . nenhuma força. Declaro que este termo foi feito nesta cidade de Sergipe d’El-Rei. Major. o que fizerão immediatamente e não querendo nenhum delles jurar. lhe confiou. ―Mandei entregar a chave da Secretaria ao Ouvidor pela lei. assignarão. assignado. ―Perguntando ao Coronel Bento da França.e nada mais se continha no dito termo de protesto. Magestade. concedeu-se-me. etc. Tenente Comandante do Destacamento. Faço saber. e Correição. 181 . – Henrique Luiz de Araujo Maciel. por meio de uma gerra civil. e o Capitão Mor. que lhe forão confiados. – O Capitão José Ribeiro Navarro. em casa de Presidencia do Governador desta Provincia. que se acha escripto no livro. Ouvidor. que escrevi. eu dto. entrarão pela Cidade o Coronel Bento da França Pinto e Oliveira com a força armada. nesta Capitania. que bigudiou a prisão. e em consequencia do estado das cousas. Vigario. Eu Francisco de Paula Madoreira. Na tarde pois do dito dia 17 convoquei a Camara. José Ribeiro Navarro. ―No dia 18 ás 7 horas da manhã. e as fiserão jurar. e Geral Forense. e Nottas. e eu fechei as minhas portas.. e Camara nesta Cidade de São Christovão se Sergipe d’El-Rei. mas estes no outro dia sendo ameaçados de baixa e prenchadas por um lado. Ouvidor Geral interino. Judicial. que presentemente serve nelle se acha o Termo de Protesto feito pelo Excelentíssimo Senhor Governador desta Capitania Carlos Cezar Burlamaqui em presença da Camara. 214 Francisco de Palula Madureira. – Cetific. e pelo outro da promessa de mais soldo. escrivão o declarei. forão todos presos. mas todos os dias. – Silvestre Gonçalves Barroso. no dia e era. – Carlos Cesar Burlamarque. José Carlos Novaes Lins. e que recebeu da dita Camara. Vigario Geral das Vacantes. Protestando. vinda da Bahia. – e comigo Escrivão da Correição. que ordens havia a meu respeito. Capitão Mór das Ordenanças. Camara. ao qual me reporto. nem devendo. Sergipe d’ El-Rei 18 de março de 1821. respondeu-me que se lhe tinha prohibido o falar-me em Constituição. escrivão da Camara o escrevi.O Ouvidor Interino José Ribeiro Navarro – O Juiz Bento Antonio da Conceição Mattos. – Luiz Antonio Esteves. Eu Francisco de Paula Madoreira. cederão e jurarão. que eu escrivão fielmente fiz passar a presente certidão. – O Vigario Parochial. Tabelião do Publico. por Sua Magestade Fedelissima. conduziu também preso o secretário). E concertado por mim Escrivão Francisco de Paula Madoreira. que eu precisasse. – Antonio José Gonçalves de Figueiredo. com força armada. e Geral Seraphim Alves da Rocha. Escrivão da Ouvidoria Geral. com tudo. de fronte da casa da Camara com as baionetas. professo na ordem de christo estando present o corpo da camara desta cidade. e que eu me devia recolher á Bahia. que se lhe faz. e sua Comarca. odiosa e terrível ao coração de S. que revemdo o livro de Vereações. que as assignaturas do concerto supra são dos próprios escrivães nelle contendo. para que o dito Coronel me forneceria os meios. em que o sobredito Governador. e não havendo. entreguei o 214 Governo interinamente no seio da Camara. José Carlos Novaes Lins. pedi alguns dias para me apromptar. Collado. a dita Camara tomou entrega do sobredito Governo. – O Vereador José Manuel Machado de Araújo. ―Formarão em batalha. morrões acesos e a Cavallaria com as pistolas na mão.

Santa Barbara e me disse que por ordem do Governo me condusia para o Forte do mar e que os Officiaes hião para S. e Inferior. e a jurarmos a Cosntituição do mesmo modo. toda a gente da Cidade era despedida para lhe procurarem papeis. 217 Ilustrissimos e Excellentissimos Senhores. e o de muitos. e pequena. eu e os meus ajudantes d’Ordens. e Sargentos. ―Entre as violências e prepotências praticadas pelo Governo da Bahia. Magestade. 218 Illustrissimos e excellentissimos Senhores.Forte do Barbalho 12 de abril de 1821. No dia 13 do corrente fui eu. datado em 7 de Março do corrente anno. ― Gastei 15 dias para chegar a Bahia e achei o lugar Congrurú ( distante da Bahia três léguas ) huma ordem para o Tenente Vaz que logo que ali chegasse se dirigisse comigo e mais Officiaes á Água de Meninos ou Quartel de Cavallaria e que ali recebia ordem. ― Imediatamente que li o decreto de sua majestade de 7 de Março. que sua Magestade o fez. que acha bastantemente doente pede a Vossas Excellencias llhe remova a prisão para outra parte: onde se reunão à decência. e irão havendo. que estava preso. os ditos presos. antes de vera força armada. dejejamos. pois que tendo sido derribado o conde de Palma e eu. e elle por sua authoridade. Nesta data. que não cheira mais Despota por que foi nomeado pelo Governo liberal da Bahia cheirava eu por ter sido por El-rei! ― Nos dias em que me demorei em Sergipe ao depois de ter entrado a força armada. ― Atirarão comigo a huma masmorra. a sua passagem franca para onde lhes convier. fez a prisão dos Vigarios. Carlos Cezar Burlamarque. ordenei ao Capitão Manoel José 216 de Castro. Deus Guarde Vossas Excelências. e quando estávamos dentro do porto. o Geral da Província e Paroco da cidade. he que me disse. – Carlos Cesar Burlamarque. ou solução tinha. e na mesma occasião pedia a Vossas Excellencias a soltura 182 . e em reverencia ao Decreto de 7 de março deste anno. Illustrissimos e Excellentissimos Senhores do Governo Provincial. que tanto eu. e com senitnelas à vista. que há. Carlos Cesar Burlamarque. e o Vigário de Nossa Senhora do Socorro: o primeiro porque tinha explicado o Evangelho. prende então os meus dous filhos. o Capitão Manoel Jose de Castro. ou casa. – Senhor Capitão Manuel José de Castro. do seu interino Commando. ( ficando sujeito ao da Bahia ) o Brigadeiro reformado Pedro Vieira. e ocasião participo ao Governo desta Província. que sua Magestade o fez.― No dia 21 foi instalado no governo da Provincia. isto mesmo. os Oficiais. com os despropósitos. e que desentulhou aquella noite. os meus Ajudantes d’ Ordens. e hum Sargento. ― Mandaram-me mudar para o Forte do Barbalho. Illustrissimos e Excellentissimos Senhores do Governo Provisional. e Felicio Paes. Pedro desta cidade. que tendo sido lançado em uma masmorra horrível no Forte do Mar inhabitável. e o mesmo eu farei. jurão a Constituição. por sermos sós no Governo. calor. para eu entrar de tal modo fedorenta. pelo tamanho. o que lhe participo. porque até jurou a Constituição. pelo único motivo. e exigo a sua soltura. Em conseqüência do que peço. humida. e os meus Ajudantes d’Ordens. 216 Em conseqüência das Ordens de Sua Magestade. para sua Inteligência. o representante. nos achamos pronptos. que tinha serviço de latrina. todos prezos estávamos promptos. mas já desde longe éramos Escoltados por Patrulhas de Cavallaria. Forte do Barbalho 12 de abril de 1821. Na data de hontem tive a honga de participar a Vossa Excellencias. que não era Constitucional. e humidade. ficou em Sergipe um só . sendo mui coherente tal nomeação. Agora pelo decreto de S. que lhe é devida com o seu bem estar. que estavam 215 Representa a Vossa Excellencias o abaixo assignado Governador se Sergipe d’ El-Rei. 215 ― Depois de quarenta e oito horas dirigi ao Governo o que se vê . que se vai Organisar nas Cortes de Lisboa. Deus guarde a Vossa Senhoria. e ao depois passarãopara Santa Thereza onde o primeiro se conserva preso. Comandante do Corpo que se havia de criar em Sergipe. Officiaes e Official interior. que não se podia viver nella. Vossa Senhoria. Pedro. e que não havendo em o dito Forte nenhuma outra posição. e queríamos jurar a Constituição da mesma maneira. e requeiro a Vossas excellencias a soltura dos fitos officiaes. escripto aos mais Vigários. de não terme querido jurar a Constituição. e os meus filhos soltos. o Tenente José de Carmo Ribeiro. Achando-se prezos no Forte de S. ―Entramos na cidade ás 8 horas da noite. o que se vê e ao Governo 217 Provinincial escrevi o que se devisa . quente. Bahia 10 de abril de 1821. e porque o Governo de hum cheira a tyrannia. a Liberdade. que já até então havia. transcripta no decreto junto. os Alferes João Maria Sampaio. e de mui bom coração a cumprir aquelle sobredito Decreto. ambos estiverão no Aljube incommunicaveis. e vendo que nenhuma resposta. com o fim de segurar a dependência e a escravidão das províncias e as suas rendas. escrevi 218 novamente ao mesmo Governo o que se vê . os officiaes. ― No caminho chegou-se a mim o Capitão de Cavallaria. o communicassem na Missa Conventual: o segundo ignora-se. e o segundo foi solto no dia 16 de abril.

escrevi a José Caetano de Paiva Pereira. que sua Majestade tinha jurado. 11. M. e fazer-me igual mercê em me transmitir uma resposta categórica.Fico entregue de huma representação de Vossa Senhoria para se inserir na Folha que redijo. e para o Congresso da Nação. O abaixo assinado. pois as cousas de face. e franca passagem para onde lhes conviesse ir. e que me convém por satisfação pública. mais tendo a Cidade por homenagem. e honra. Ilustríssimos e Excelentíssimos Senhores. não terá duvida de transcrever na sua folha. Peço a V. e até hoje estou.. declarando-lhe: que eu e meus filhos . e vendo que teimavão em não me 219 responder. pois a Vossa Excelência em Nome das Cortes Gerais da Nação. e eles como estávamos antes de tais pedidos. ―Como até ao dia 24 a nada se me tinha dado decisão. e separada desta. logo que eu o vi.a que nada tive resposta. sobre as representações.Sua casa 19 de abril de 1821. e salva guarda do meu dever. o 220 221 que se divisa e respondeu-me por escrito o que se vê estando eu bem certo que tal nota não se imprimia. como preso. a vista do Decreto de S. tendo-se me constantemente protestado todos os meios de saber a única coisa. Deus guarde a Vossas Excelências. que só a viam legal. com os outros oficiais. – Carlos Cezar Burlamarque. foram todos presos. por legalíssima Autoridade. com tudo como tenho visto nas atas das cortes em Lisboa a liberdade decente da Imprensa. ou resolução tive. e inferiores. – Carlos César Burlamarque. e definitiva sobre os objetos seguintes: 183 . Majestade de 7 de março. ― Vendo finalmente. Fica as ordens de Vossa Senhoria quem tem a honra ser de Vossa Senhoria o mais attento venerador e Criado. – Carlos Cezar Burlamarque. por não quererem então jurar a Constituição. e os seus oficiais para jurarem a Constituição. 222 Ilustríssimo Senhor. 221 Illustrissimo Senhor Carlos Cezar Burlamarque. – Forte do Barbalho 13 de abril de 1821. Deus guarde a V. valendo-me para mais força de a pedir em nome sagrado das Cortes invocadas em Lisboa. repliquei com a representação . Barbalho 18 de Abril de 1821. e em execução das suas ordens. para ter a bondade de apresentar ao governo. e desejamos jurar a Constituição. o 222 que se devisa . a quem nunca se nos propôs tal juramento) e os oficiais estávamos prontos. considerados. Nas datas de 12 e 13 do corrente.‖ daquelles officiaes. 12. ordenei em data de 10 do corrente ao Capitão Comandante Interino do dito Corpo. que se puzesse pronto. muitos anos. 219 Ilustríssimos e Excelentíssimos Senhores do Governo Provisional. e aberta a mandei botar na caixa dos requerimentos. Nenhuma resposta. ou mentirosos. (Manoel de Castro. nenhuma decisão tive. e despotismo em tudo. não tendo anteriormente nenhum esclarecimento a este respeito. para prestarmos o sobredito juramento. prezo do Forte de S. uma queixa contra Excelentíssimo Governo d’esta Província: queixa que não ofende. e 12) e que por proteção da minha justiça. visto que naquela Província se achava independente. e ocasião escrevi a Excelentíssima Junta Provisional. por não me poderem tirar. Pedro e o secretário do governo que estava também preso no Forte do Mar. m. que vão transcritas nas Notas (10. e oficial inferior. . transtornados. e li. que a apoiam. e se me é possível exigi-lo. que só se podia ter pela corte. e no caso de negativa Vossas Excelências por sua bondade. R. os seus Ajudantes d’Ordens.no forte de S. e mesmo aqui apoiada. ou decisão. que o faça a inserirei. repeti na data de 13 igual requisição.Joaquim José da Silva Maia. e mais Oficiais presos tomam a confiança de lembrar a Vossas Excelências as suas petições que foram presentes a VV. Os oficiais. EEx. que v.E. e sancionada pelo Governo. Peço. Mudarão. M. Forte do Barbalho 16 de abril de 1821. que me diz respeito resolvi-me a escrever ao Redator do semanário cívico. apresento a Vossa Senhoria a nota abaixo transcrita. – Tendo-se me fechado todas as portas por onde eu fizesse sair a minha justiça a luz do dia. ajam de me dar por escrito ou mandar dar titulo para minha ulterior desforra. que até o dia 18 do corrente. Pedro.de V. e na mesma data. – Apesar de alguma experiência ser havida pelos feitos transcritos na Gazeta desta Cidade.. que tenha a bondade transmitir ao público esta nota. 220 Senhor redator do Semanário Cívico. e instei terceira vez em data de 16. e acrescentava. pela força armada. naquela Cidade. e eu no Forte do Mar. da mesma maneira. que aproveitava aquela ocasião. He necessário. M. para lhe pedir a soltura dos oficiais. que me deixarão. que aviam formar o Corpo de Linha de Sergipe d’El-Rei. primeiro que a Censura estabelecida pela Excellentissima Junta do Governo desta Província a aprove. que nomeiem pessoa idônea. M. não tinha tido resposta. o faço apelando para a lei. ou decisão. – Seu venerador e criado. parecer-me. logo.

A conciência clara de seu dever e a responsabilidade que pesava sobre seus ombros. para minha ulterior desforra. Ilustríssimo Sr. e expressa nos artigos quarto e quinto. e o Governo Provisional da Bahia. seja qual for a sua opinião. nem entregando o depósito que me tinha sido confiado. que tive em ocasião tão critica. estima. que eu meus filhos e mais officiais. que a antecedente. e só foram os Oficiais. ou circunstância. como capitania independente da Bahia. appelando. que se há de fazer. com a condição de ser pelo tempo que me demorasse na Capitania. ―No dia 8 fui solto. Em 12 do corrente. esperando que todo o homem. que se está fazendo nas Cortês Congregadas em Lisboa. 223 ―Em 10 requeri o que se devisa . por falta de maneira.‖ Incontestavelmente César Burlamarque cumpriu seu dever. ou com sugestões.―No dia primeiro de Maio. e insultado os artigos Constitucionais. Vossa Senhoria por sua especial bondade apresentando este negócio também ao governo. pois este Governo não tem nenhuma a meu respeito. Aproveito esta ocasião de reiterar para com a Vossa Senhoria a minha alta consideração. o que se efetuou no dia 19. fiquei do mesmo modo. conservando ainda o caráter de presos. ditaram-lhe um procedimento franco de oposição. 13. que ponho de baixo da vista de Vossa Senhoria. nem fui contra a outra obrigação como português. não me posso. ―Todos os meus desejos. pois nem eu. e menoscabo da lei. dizendo-lhe. – Bahia. tendo em vista os deveres. Secretario de uma das Repartições do Governo Provisional da Bahia. Por falta de jurisdição. para as cortes. são: que a linha do comportamento. pois não me opus com força. pois tende sido metido em uma masmorra que servia de cloaca no forte do mar. e lugar para o dito juramento. a Constituição. me fará a mercê de me responder definitivamente. ao juramento de preito e homenagem. 5º não se lembrando do direito. á Religião. que se acaba de jurar. e em 18 de Maio tive Ordem por escrito. o qual não revela um espírito atrasado. e eu escrevi ao Excellentíssimo Governo na mesma data. Este é o primeiro objeto. se tal juramento se me não desse ou que supprissem pela negativa com um titulo. que se pusesse prestes a jurar a Constituição. fomos prisioneiros de guerra. tive a mesma sorte. M. cuja administração estava a si confiada. pelo qual não fui perjuro á Sua Magestade. – Representa a Vossas Excelências. não sabendo de quem devo haver a reação prometida no artigo 6º. mais fiquei certo pela sua resposta. nenhuma resposta. foi mudado para o Barbalho. á Constituição. o seu pedido feito nas datas de 12. – Carlos César Burlamarque. Reconhecendo do soberano a incumbência de administrar Sergipe. seja julgada na opinião publica. renovei em 13. infligindo de modo. para o fazer ao Excelentíssimo Governo.M. Deus guarde a Vossa Senhoria muitos annos. que me deixão pelo artigo 6º. e só o fiz. com o transcripto dos três pedidos. do Juramento e Fidelidade a El-Rei. nem devo considerar. e desejávamos jurar a Constituição. aprovados em Lisboa nos §§ 4º. ―No dia três de Junho embarquei a bordo do Correio. que reiteram a Vossas Excelências. de lhe ordenar. e violência. que iriamos. César Burlamarque opôs-se a esses planos. – Carlos César Burlamarque. Por falta de maneira. para ir ao Governo jurar obediência á El-rei. com mais cinco officiaes. Solto também me não posso considerar. que a honra prescreva. José Caetano de Paiva Pereira. R. 24 de Abril de 1821. que não era impressa. pela pequenhez da Embarcação. Que estou na maior duvida: qual é a minha situação – relativamente minha liberdade. decida do meu comportamento. pois não somos seus súbditos. recebi ordem para embarcar. E. a bordo do Correio. recalcitrei em 16 por meio de um requerimento aberto metido na caixa deles. pois preso. e seus filhos. o abaixo assinado. senão na extrema necessidade. e dos meus oficiais. com intriga. 184 . e a vista do Decreto de S. em 18 dirigi ao Relator do Semanário Cívico uma nota. 16 e 24 do passado. 223 Ilustríssimos e Excelentíssimos Senhores. sem que se me declarasse culpa. para regressar para esta Corte. e a religião pelo que pedem a Vossas Excellências que hajão por bem. o que não teve effeito a meu respeito. nem os meus oficiais. tendo decorrido trinta dias de prisão. e compreendendo que o juramento da constituição portuguesa que a Bahia impôs a Sergipe não era mais do que um motivo para anular sua emancipação. Seção primeira 8 de fevereiro em Cortes da cidade de Lisboa. por falta de jurisdição. repugnando eu ao ultimo artigo do juramento. o dia. de 7 de março ordenei aos meus oficiais. e deu-se me depois a cidade por homenagem. de defender a emancipação da capitania.

imposta e realizada pelas tropas da Bahia?. que tivessem tendência a este 185 . A este partido pertenciam em geral os capitães-mores de ordenanças e a maioria popular. é milícia.‖Ciosos da estima de V. em vista da desigualdade das forças. que aquela rende. mais os fatos o indicam e vem a ser. que eu não a podia promover. 225 Quais elas sejam ninguém o sabe. os taverneiros. o ouvidor José Ribeiro Navarro e todos os europeus que habitavam então a capitania. pois não havia um homem a minha disposição. que a revolução de Portugal instituía no Brasil. Ao contrario disto. publicasse o seguinte224. escrever o seguinte a Burlamarque: ―Ninguém quer a independência.. e donos das casas das cidades. A falta de patriotismo dos sergipanos que pertenciam ao partido da anexação. dando lugar a que o jornal Idade de Ouro. Ficou vencido em suas aspirações. a mim dirigida. em favor da emancipação da capitania. porque. cento e vinte contos de réis. de fato. eram muito pouco. ou nele queiram entrar.. contra a anexação de Sergipe. Dois partidos existiam então. como mais de uma vez tenho dito eram muitos. o brigadeiro Pedro Vieira. que era o órgão que defendia os interesses da metrópole na Bahia. porque não só Burlamarque não quis promover a revolução civil. proclamas. e a ele poderemos dar o nome de partido recolonizador. e que do qual faziam parte o corpo de milícia e toda a geração lusitana. apelando para a opinião da aristocracia sergipana. contra as aspirações do partido da independência. 227 Como hade de soprar quem não tem folles. senão os que estão no governo. Aparecerão por acaso ordens. e absorver nesta capitania da Bahia. O capitão-mor da Estância e câmara da Vila de 224 Publicamos nas notas que se seguem os artigos de impugnação de Burlamarque às acusações publicadas na Idade de Ouro. Damos-lhe parte. Pedro Cristino de Souza Gama etc. logo que leu o decreto de 7 de março. José Manuel Machado de Araújo. Este modo de pensar fazia com que a Bahia justificasse a arbitrariedade cometida. Muitos deles fizeram causa comum com a Bahia. O outro defendia a emancipação e era o prenuncio das idéias de independência. ordenou ao capitão Manuel José de Castro que jurasse a constituição em Sergipe. a submissão de Sergipe. que circunstancias superiores225 forçaram-nos a enviar um peque corpo226 para a capitania de Sergipe.inadaptável a um regime constitucional. Seus principais chefes eram: o coronel José Guilherme Nabuco. desmanchar o que fez El-Rei. como os membros do outro partido ocupavam posição social saliente. 226 Com efeito. em cujas mãos achavam-se grande parte da riqueza. não encontrasse adesão dos próprios filhos de maior representação. que procurou seguir e por em pratica. a fim de evitar a guerra civil que imprudentemente ali queria soprar o seu governador227. pois que sejam quais forem as vantagens que se sigam da independência. Exc. ou outro qualquer papel d’onde se colija tal vontade? Se neste negocio tivesse havido alguma boa fé deveriam ter sido impressos todos os meus papeis. mais não havendo ninguém. originados da prepotência que a Bahia acabava de praticar. da qual os chefes eram do partido decidido da dependência. E é lamentável ao caráter sergipano que o procedimento de Burlamarque. escravizar aquela Província. chegou a ponto do capitão-mor da Estância Guilherme Nabuco. está visto. ellas não pagam a metade das liberdades que se perdem‖. a única tropa que há naquella província. como se vê na carta do Capitão mór da Estância. Um defendia a anexação. Seus principais chefes eram os camaristas de São Cristóvão: Bento Antonio da Conceição Matos. se em Sergipe houvesse alguém que quisesse resistir. Com que meio o outro partido podia reagir.

fama. para se conseguir o fim a que se propõe. logo se conhece. e que ao depois se entregassem a Bahia. ou falta de patriotismo. para promover esta guerra intestina! Soldados os não tinha: pois os de milícias na cidade. se Sergipe ficasse emancipado e independente. para que o publico decidisse. e fraternidade. Guilherme Nabuco e outros que defendiam a anexação. e como não convinha publicá-lo para minha justificação. o que ele bem explicou nas palavras memoráveis da dita carta. com acusações vagas. não convinha a independência. aos seus irmãos Sergipanos. Respondessem que os Sergipanos me fizessem. os Taverneiros. M. sem porem os povos em colisão. separada novamente desta. E tanto assim é. e fazenda. de toda plena authoridade para o fazer. 228 Lida a carta do Capitão mór. 230 Tudo isto prometerão. Deixamos de transcrever os artigos que o leitor poderá ler no jornal Idade de Ouro. Lagarto a 28 de março. pois que sejam quais forem as vantagens que se segam da independência. por elles o meu comportamento em crise tão terrível. quando se quer cegar ao público. com tais pessas. não se poupando honra. pois com ela vinha mais para o Erário da Bahia. Como comarca continuariam eles. O que he pois que me restava. 231 Eis aqui o que eles não disserão. com amplos poderes de fiscalização. munido naquele tempo. mas quando se quer mal. mandando-os evadir por força armada. ninguém quer a independência. na Itabaiana a 25 de março. nem a metade das liberdades. em Vila-Nova a 26 de agosto e Sergipe passou a comarca. e só desacreditarem-me. lamentaram a separação como nociva aos seus verdadeiros interesses228 e rogaram-nos a união intima até S. e donos das casas das cidades. sem encontrar punição nos agentes dos poderes públicos. destruindo o que elle tinha feito. Não era só o juramento da Constituição portuguesa o que queria. e sem se reparar que se insultava a majestade de El-Rei. e mais prometerião para conseguir aquilo a que se propunham. Cristóvão estendeu-se pelas câmaras da negocio. ou que recorressem ao El-Rei. que para ele. Substituiu na administração a Burlamarque o brigadeiro Pedro Vieira. que se houvesse por escrito. precisas accusações. o principal chefe e promotor da anexação. melhor informado a reunisse outra vez á Bahia229 e animados de sentimentos naturais aos portuguezes. elas não pagam. pois realizados. eram levados a isto pelos hábitos de arbitrariedade e prepotência em que viviam. Amaro a 9 de julho. e convém a interesses particulares tanta coisa insana se pratica. legais. que se perdem. mais não pecisarão tanto. em presença do Coronel Bento Garcez.Santa Luzia e outras autoridades daquela província. foi accrescentamento e voga. porque na Bahia era superabundante a vontade. pois que nunca tiverão nem por escripto nem palavra como. e para os outros machuxos. Pedro Vieira. não derivadas. estaria para defender os direitos do povo e punir os atentados. ou este governo por humanidade. senão os que estão no governo. Senhor redator faria gemer a imprensa. como já tenho dito. não passam de vinte homens. em Sto. eram. declaram-nos sua adesão ao nosso soberano respeito. o que elles aqui tinham feito ao Conde Palma. He desgraça. que foi a Constituição jurada em São Cristóvão. Cesar Burlamarque foi acremente censurado na imprensa da Bahia. que me perdiam. 186 . que tanto se pregoe a favor da humanidade. á religião e á uma liberal constituição230 e que ameaçados pela cegueira e falta de patriotismo do atual governador. Escrevi. mas isto não convinha. esquecendo-se que tinham dous meios dessentes. e nos quais não poderiam continuar. deviam fazer este pedido a El-Rei. ou nele queiram entrar. e não foi pouco. porque seu governo. dos quais os chefes eram todos do toque do capitão-mor da Estância. que tal cegueira indicasse. lhes eram mister um corpo auxiliar que o salvasse dos horrores de uma guerra civil‖ 231. para conseguirem este fim. cento e vinte contos de reis triennais. déspotas daquela província. O procedimento da comarca de S. a 18 de março do mesmo ano. v. 229 A petição foi ouvida com prazer.m. Os desejos da Bahia ficaram. Foi este o prêmio que recebeu pela traição aos interesses da liberdade. Seu principal intuito era a anexação.

Gomes Coelho dirige à câmara de S. A compressão era absoluta. João VI e não chegaríamos a ver. em sustentar o tom de patriotas e Verdadeiros Portugueses: se todas as corporações fossem compostas de membros tão respeitáveis não veríamos infelizmente ultrajado o respeito que é devido ao Soberano Congresso da Nação. que até meado de abril tinham jurado obediência ao governo provisional da Bahia. e mais membros da câmara de V. pr meios ilícitos. Desapareceria. do Rio São Francisco – Inácio Luiz Madeira de Mello – Nada mais se contém em a dita carta.S. e que se fizesse público. 12 de dezembro de 1822. Cristóvão um oficio. Em abril de 1821 estava conquistada a anexação de Sergipe pela Bahia e a junta começa a expedir ordens para Sergipe.SS. que contando dom o appoio de algumas câmaras. os portugueses não perdiam ocasião para jogar sobre os sergipanos os maiores sarcasmos. A lei era esquecida. Pede a lista dos empregados civis. Quartel General da Bahia. Além disto. Nova R. que logo lhes enviarei. João Russel. pelo decreto de 1º de outubro de 1821. os membros do governo efetivo da Bahia. conculcados pela prepotência dos lusitanos. Espero por tanto que unidos esses povos considerando por divisa a honra. e para tornar triunfante o elemento português. em bem da nossa causa. Madeira não se cansava de animar-lhes o entusiasmo para apertarem os laços de submissão. a fiscalização era severa. Logo que o partido recolonizador assenhoreou-se do poder. Deus guarde a V. que o mesmo contém. em que comunica-lhe a deliberação das cortes. Em vez de eleger seu governo. a 1º de fevereiro de 1822. Nomeia o bacharel Manoel Gomes Coelho ouvidor. Então. pela insuficiência de força para contrapor àquelas que mantinham a sujeição. Expede ordens para que fizesse o recenseamento dos eleitores de todas as paróquias.capitania. de ninguém tentar a independência da comarca. Presidentes. assim. o ouvidor Navarro e o comandante das tropas baianas. Srs. Ilms. que toma posse a 15 de outubro de 1821. porque abafava-se qualquer opinião que se levantasse em favor da emancipação. dão bem a conhecer o distinto caráter de VV. D. porém.232‖ 232 Acuso a recepção do oficio de VV. Ele prestava-lhe os maiores auxílios em Sergipe. junto a si irmãos fieis que irão suavizarlhes os trabalhos que agora passam. de El-Rei. e ao nosso amado Reio Sr. Este estado de sujeição não era bem visto pelos bons patriotas de então. criminosos e contrários à ordem pública. Os planos abortaram. que portugueses esquecidos. Sergipe ficou sob um regime de autoritarismo e de arbítrio. e então terão V. lá ia entregar sua delegação.SS. de 26 do mês passado. assim tão bem fico certo que continuarão a tomar todas as medidas necessárias até que cheguem os socorros. Serve de prova a seguinte carta sua dirigida à câmara de Vila-Nova. por editais. esta determinação. mas elle breve será punido. parentes e amigos! O crime é tão atroz que só a lembrança do mesmo horroriza. conspirando até contra seu pais. Os direitos olvidados. então inda que tarde se arrependerão alguns que animarão a ajudar estes perversos! Eu bem quisera poder socorrer a todos os lugares que carecem de auxilio mas não posso dividir as forças porque isto é desejo dos facciosos. tentam promover a emancipação. O partido recolonizador tornou-se ainda mais poderoso.S. alcançarão na constância da resistência o prêmio que é dividido aos que sabem sustentar a custa de todos os sacrifícios e o respeito devido ao Governo da Nação: Assim como não posso duvidar da probidade e zelo de V. 187 . auxiliados por alguns filhos da província. a fim de irem eleger. enviaram proclamações a todas as câmaras a fim de reconhecer a legalidade da junta governamental da Bahia. depois que o general Madeira tomou a direção militar do governo da Bahia. de que chegam a degenerar em monstros. partes das suas obras. Os sergipanos não encontravam nas regalias da lei a defesa de seus direitos. as expressões de fidelidade.SS. o poder político. a expedição de Lisboa está próxima a entrar.

A oposição que Madeira na Bahia oferecia à aclamação de D. Ao mesmo tempo que em Vila-Nova aclamavam regente o príncipe D. deu lugar à viagem de Labatut que. que também foi escolhido para levá-las às mãos régias. porém que chegasse qualquer decisão. Labatut entra então em Sergipe. fez debaixo de grande entusiasmo. em agosto de 1822. para não pisar em território Sergipano. dirige-se para Laranjeiras e daí para São Cristóvão. que lhe ofereceram uma atitude hostil e ameaçadora. Antes. sem submeter a questão à opinião de Pedro Vieira. no dia 2 de outubro. reúnem força neste porto e encarregam a defesa a Bento de Melo Pereira. No dia 5 de maio reuni-se a câmara. a aclamação. A proclamação da Independência veio resolver positivamente a questão da desanexação de Sergipe. A notícia de sua chegada em Alagoas espalhou-se em Sergipe e fez reunir em Vila-Nova os adeptos do partido recolonizador. José de Barros Pimentel. José Joaquim Ricardo e José Gustavo. como príncipe regente. – Pela administração Geral dos Correios das Cortes do Reino – a câmara desta cidade os quais mandaram que fossem abertos e o seu conteúdo era o seguinte: Doze Massos de Leis com vinte e sete folhas constantes de decretos e leis todos numerados e mandaram que ajustasse as mais que das Cortes tem vindo para serem encadernados e dar a sua devida execução. Se na Bahia Madeira representava a defesa dos interesses portugueses. o ouvidor Inácio Gomes Camacho. o povo no edifício do conselho municipal. A representação foi redigida pelo vigário Antonio Gonçalves de Figueiredo. a conferenciar com Melo Pereira. Nomeiam cabos policiais que fiscalizam a fronteira do rio. em Sergipe representavam os mesmos interesses o brigadeiro Pedro Vieira. Em favor do ideal desse partido contribuíram os acontecimentos que se iam dando no País. sob a presidência do capitão Luiz Francisco Freire. como passamos a expor. os membros do partido emancipacionista não perdiam a esperança de trazer a liberdade à capitania subjugada. 188 . Labatut envia então um emissário. que nada resolve. a câmara de São Cristóvão fazia mesma aclamação. e resolve dirigir uma representação a D. os portugueses José Alves Quaresma. João VI e ao congresso das cortes portuguesas. com a assistência de algumas autoridades civis e militares e do povo. pedindo a emancipação e independência da capitania. o segundo José Rodrigues Bastos. Pedro. Pedro. alcança fazê-lo em Maceió. em lugar do actual Alferes Domingos Rodrigues Mello. no dia 29 de setembro. As idéias da independência iam angariando a adesão dos brasileiros. Estava vencida a causa de independência. no dia 1º de outubro233. não podendo desembarcar na Bahia. 233 Ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oito centos e vinte e dous ao primeiro dia do mez de novembro do dito anno nesta cidade de Sergipe de El-Rei e casa da câmara della onde estão presentes o Juiz Ordinário presidente Capitão Luiz Francisco Freire e os vereadores Alferes Alexandre da Cruz Brandão. contra a independência do Brasil. em vista dos procedimentos das cortes que queriam trazer o Brasil ao antigo estado de colônia. Estavam prontos e dispostos a resistir. em lugar do atual Igino Martins Fortes e o terceiro Francisco Moreira da Silva Marramaque e o procurador Joaquim José Pinto para effeito de si determinar o que for a bem do Real serviço e comum dos povos o seguinte: Neste anno foram apresentados dous ofícios fechados e lacrados como o sobrescrito – Serviço Nacional e Real.Não obstante estes meios compressivos e terroristas.

por Decreto de 8 de julho de 1820. Amaro das Grotas José da Motta Nunes. que proximamente recebeu. . que lhe foram encarregadas. Nobreza. Escrivão da Camara e escrevi. A indecisão do Juiz Luiz Franacico Freire. como representante da tropa e do povo. porque nesta mesma sessão o major Cristóvão de Abreu Carvalho. o que ele de pronto assim executou pela ordem seguinte: . de cuja graça foi ela espoliada sem legítima ordem em contrário e à força das armas da Bahia.Viva nossa Santa Religião Católica e Apostólica Romana. porque essa aclamação seria o primeiro passo da emancipação e independência de Sergipe. o Capitão Mór da vila de S.As convicções políticas do governador Pedro Vieira de Melo tremeram em presença de Labatut. ao Soberano Congresso Nacional da Corte de Lisboa. agora segundo algumas participações oficiais. todos presentes ao quaes foi novamente aplaudida a presente aclamação com o devido enthusiasmo satisfação e geral regosijo. Milícia. seculares. o Príncipe regente Constitucional Protetor e Perpetuo d’este Reino do Brasil. paz. – Viva a sereníssima Senhora Princeza Real. escrevendo-se nas altas na forma de estylo para assim constar: sendo esta representação ouvida pelo Juiz Ordinário Presidente. o sargento Mór do regimento de Infantaria de Milícias Cristóvão de Abreu Carvalho Contreiras. eterna felicidade desta capitania dirigindo-se pela fidelidade devido ao juramento que prestou e pelas ordens superiores que lhe foram encarregadas. o corpo de Nobreza e Povo. dizendo que. a fim de a província aproveitar a concessão feita pelo soberano. 189 .Viva Sua Alteza Real o Senhor Pedro de Alcantara Principe Regente Constitucional Protector.Viva a Dinastia da casa da Bragança. o coronel da segunda linha de Infantaria dela José Agostinho da Silva Daltro.Viva o Reino Luzo-Brasileiro. Era uma importante conquista do partido ds patriotas sergipanos. – Viva a constituição. passou o governo a um conselho militar e que era necessário aclamar o príncipe regente‖. o imediato e o mais mosso e o procurador todos acima declarados no auto de variação ahi apareceu o Ilustríssimo Brigadeiro Governador Pedro Viera de Mello com o Coronel do Regimento da segunda linha de cavalaria desta cidade Domingos Dias Coelho e Mello. e mais oficiais da câmara comandaram que no dito Brigadeiro Governador fosse o primeiro que levantasse as vozes proferisse os vivas. porque no ato da aclamação foram as seguintes suas palavras: ―dirigindo-se pela fidelidade devida ao juramento que prestou e pelas ordens superiores. pede que seja instalado um governo provisório e independente. – Viva o Soberano Congresso Nacional da Corte de Lisboa. – E para constar mandarão escrever este auto de veriação em que me assigno eu Francisco de Paula Madureira. Perpetuo Defensor do Reino do Brasil. ambos desta capitania. visto ser estar a vontade geral dos Povos desta. o respectivo Capitão Mór de Ordenanças Henrique Luiz de Araújo Maciel. perante intimativa tão formal. Cristóvão capitania de Sergipe de El-Rei e Passos do Conselho dela onde se acha o Juiz Ordinário Presidente Capitão Luiz Francisco Freire o vereador mais velho. Clero e Povo. o Reverendo Vigário Geral Luiz Antonio Esteves e mais clero. Nobreza. e ser preciso evitar interpelações das Capitanias Vizinhas já haviam justo e bem fundado tudo que ele Governador expunha a câmara para que com a Tropa. o sargento Mór comandante da vila de Própria Manoel Mello Resende. João VI e a Dinastia da casa de Bragança e que ele governador indicava que nesta conformidade esta câmara em Nome da Nobreza. – Vivas estes com que tem sido aclamado Sua Alteza Real o Principe Regente Constitucional pela Tropa. – E logo pelo doto Brigadeiro Governador foi dito que tendo feito quando está no seu alcance para manter a boa ordem. sem sangue e sem alteração da ordem pública. faz com que o major Cristóvão de Abreu Carvalho replique. Clero e Povo desta cidade houvesse de ratificar a Aclamação que ele já com a tropa tinham feito. agora segundo algumas participações oficiais que proximamente recebeu passou o Governo a um Conselho Militar para que examinasse o quartel e os oficiais do Estado Maior todos unanimemente resolverão que nestas circunstancias atuais era necessária aclamação de sua Alteza Real. e outros officiaes dos ditos regimentos. Clero e Povo presentes houvessem de celebrar tem necessárias e Gloriosa aclamação. ideal que o partido que a nutria realizou. Ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oito centos e vinte e dous ao primeiro do mez de outubro do dito anno. a constituição de El-Rei o Senhor D. – Viva El-Rei constitucional o senhor Dom João Sexto. nesta cidade de S.. tendo em vista o na maior consideração o sagrado juramento que todos prestarão de obediência a Nossa Santa Religião Católica Apostólica Romana. Tornou-se um apóstata do seu partido.

não desejavam a independência do Brasil. presidente da junta. Guilherme José Nabuco de Araújo. A marcha de sua administração ofereceram embaraços aqueles que. em 14 de novembro.mor Dionísio Rodrigues Dantas. o reverendo João Francisco de Meneses Sobral. Sr. como Pedro Vieira de Melo e José de Barros Pimentel. do qual. membros. A causa da independência do Brasil. lugares. e a que a tropo estava firme no lugar em que estava postada. dependências: para até estabelesser e arraigar a Santa Causa da Imdependência do Império do Bralsil sob a Protecção de Sua Magestade Imperial. governador das armas. Barros de Pimentel alcança angariar as simpatias de Labatut. por meio dos seus partidários. que há tanto tempo qour todos é desejado.―á tropa e o povo não convém em demora alguma e queiram que já se instalasse o governo. Fizeram participação disto ao príncipe regente. E para que a tudo conste e prestem o respeito divido a Dignidade o Revisto em Nome de Sua Magestade Imperial lhe mande passar este Diplona Patente por mim 190 . O Senhor Dom Pedro Primeiro Imperador Constitucional e Defensor Perpetuo do Brasil aetcetera. Já circulava em novembro a notícia da proclamação da independência e em Sergipe não se ousava aderir a esse feito . Pedro Labatut nomeia. Exmo. contra o que trabalhava a Bahia. o capitão José Mateus da Graça Leite Sampaio. o vigário – geral Serafim Álvares da Rocha. o tenente coronel José Eloi Pessoa da Silva. Foi então resolvida a instalação do governo provisório. protestava não mover-se em quanto o governo não fosse de prompto installado. General em chefe do Exercíto Passificador Nacional e Imperial desta Provincia da Bahia em nome de Sua Magestade Imperial. representado por uma junta. Christóvão estavam presentes o juiz ordinário presidente capitão Luiz Francisco Freire e os veriadores Tenente Domingos Rodrigues de Melo e José Rodrigues Bastos em lugar de Igino Martins Fontes e Francisco Moreira da Silva Marramaue e o procurador Joaquim José Pinto para darem posse ao Illm. nem a emancipação de Sergipe. porque com ele viria a emancipação. que . Esta junta foi de pouca duração. cujos membros foram eleitos pela mesma assembléia. 234 234 Aos 25 de novembro de 1822 nos passo do conselho de S. tinha em Sergipe francos oposicionistas. – Pedro Labatut. sendo este auto escripto pelos escrivaens da camara Francisco de Paula Madureira e assignando-o empossado com a s pessoas referidas na ordem em que estão. o sargento. e que a tropa estava com as armas carregadas e balas em cartuxames‖. fá-lo cultivar essas relações com cuidado. secretário. o coronel Domingos Dias Coelho e Melo. moradores em Sergipe. Eles eram: o coronel da legião da Vila de Sana Luzia. Hei por bem em Nome de Sua Magestade Imperial e athé decisão do mesmo Sehor nomeal-o Governador do districto de Sergipe e suas dependências devendo regullar as Instrucçõis Gerais e existentes para este emprego modiciadas pelas particulares que as circunstancias actuais d’Esta Provincia Imperiosamente exigem ae mim. a 25 do mesmo mês toma posse. Então. para estabelecer e arranjar a causa da independência do Império. aqual foi dada com as solenidades do estilo. Governador da Capitania Tenente Coronel José Eloy Pessoa da Silva presente. antes de descrevermos o procedimento de Barros Pimentel. com temos dito. a fim de pôr em prática seus planos antipatrióticos. Títullo de nomeação. Reconhecendo em José Eloy Pessoa da Silva TenenteCoronel do Regimento de Artilharia de Lisboa desta Província e Baxarel formado em Mathemática e Filosofia as qualidades e requerimentos precisos para firma o Socego da cidade de Sergipe de El-Rei e de todas as sua Villas. precisamos levar avante a descrição das vitórias que ia obtendo o partido emancipacionista. O despeito de não ter sido eleito um dos seus membros.

Quartel Geral no Engenho Novo aos quatorze de novembro de mim oito centos e vinte dois annos. Logo depois de dissolvida a junta e preso Eloi Barros tomou a administração. Este estado de coisas não podia satisfazer os intereses dos inimigos da independência. 236 Os membros de então da câmara de S. Os inimigos não escolheram meios para torná-de nenhum efeito.236 Barros Pimentel toma posse do governo a 12 de fevereiro de 1824. que determina anteceee ao ato da aclamação um edital. apé e a Cavallo e coma Nobreza. General. e para contrariar o feito da emancipação de Sergipe e proclamação da independência. sem oposição franca dos recolonizadores. excitado pelo despeito de não ter sido eleito presidente da junta. resolveram pedir a Labatut a permanência de Barros Pimemtel no governo. Clero e Povo ahi com vehementes vozes júbilo. em vista de um ofício de 20 de dezembro do jConselho interino da vila da Cachoeira. instituído em Sergipe o regímem Imperial e proclamada a independência do Brasil. e o melhor chefe que encontraram foi Barros Pimentel que. Francisco Moreira da Silva Marramaque e o Procurador Joaquim José Pinto. E para cosntar mandarão fazes este termo em que assigno eu Francisco de Paula digo termo em que assignaram o dito presidente e mais vereadores –Francisco de Paula Madureira.Labatut. Já prolamada no dia 1º de dezembro de 1822. Em sessão de 20 de janeiro de 1823 a câmara.235 O procedimento da câmara de S. Em sessão de 30 de dezembro. Igino Martins Fortes. e os veriadores. e toas asu autoridades civis e militares. Antônio Rodrigues Fraga. com esta nomeação. Cristóvão ecoou nas outra câmaras que aderiram à independência. Escrivão o escrevi. que alcançaram posteriormente tornar sem efeito a proclamação feita por Pessoa. para alcançar ordem de prisão e ser remetido para o norte. Eram Luiz Francisco Freire. 191 . Aproveitou-se do cargo para serm perpetradas as maiores vinganças entre alguns membros do partido oposto. juntos para effeiro de seguirem ao lado da praça onde se vão encoroporar com a Ilm. discutindo o expresso do ofício da vila de Cachoeira recebe dele ordem intimativa para não aclamar a independência. Cristóvão eram seus adeptos políticos.Tendo Pesoa a da Silva tomado posse. no dia 1º de dezembro. a requerimento de alguns habitantes. sobre quem recaiu a calúnia de Pimentel. convocando o povo. Governador desta Comara o Tenente –Coronel José Eloy Pessoa da Silva por participação deste afim de ahi se publicarem os vivas alegres pella acclamação do Senhor Dom Pedro Primeiro Imperador Protector e Defensor Perpétuo deste Imperio do Brazil depois de assim estar a dita corporação unida com o dito Governador com toda a tropa. elle dito governador publicou a ordem do dia que por sedual foi transmitida a elle dito presidente da camara que vae abaixo registrada e depois de publicados os vivas da Gloriosa acclamação de Nosso Augusto Imperador o mesmo Presidente da camara ordenou e fez effectuar a solenisação deste tão ditoso acontecimento com um Te Deum Landamus na Igreja matriz para onde todos se dirigirão a dar Graças ao Deus do exércitos. perante grande concurso popular. assignado não hindo Sellado por falta de Sello. e José Rodrigues Bastos. alcança de Labatut por meio da intriga que pèm em jogo o decreto de sua dissolução e sua nomeação de governador militar. entretanto. um novo dia para efetuá-la com mais legalidade e aprarato. estava. em substituição de Elói Pessoa. Simião da Mota Rabelo e o procuradodr Antônio José Pinto. 235 Ao primeiro dia do mez de dezembro de mil oito centos e vinte dois annos nesta cidade de Sergipe de El-Rei e casa da camara della onde estão o Juiz Presidente Capitão Luiz Francisco Freire. o que com effeito foi obrado. Em fevereiro foi então nomeado. porque Laabatut nomeou-o em nome de Sua Magestade o Imperador Constitucional do Brasil. marca.

para desde já entrarem no execício dos seus officios interinamente. a toque de caixa tornou o mesmo Povo a aparecer nella trazendo com sigo os ditos membros da referida Junta o Capitão-Mór José Matheus da Graça Leite Sampaio Presidente. com igual despeito de todo o Povo: A fim de evitar tão retrógada marcha do actual Governo e do serviço do bem público desta Provincia. e a falta que tinhão do Governo para providenciar seus negócios os quais não podião mais ser dissolvidos ou providos pelo dito Conselho Interino da Bahia em rasão desta Independência e separação: e que reiterada a posse da Junta entrasse leogo no seu exercício que a elle povo convinha e aprovava todos SOS seus feitos e protestavão ter cautella até que se possa obete as dividas instruções e a proceder a nova eleição. o capitão José Antonio Pinto e o Produrador Vicente José Mascarenhas. reuni-se dirige-se à câmara.237 237 Anno do Nascimento do Nosso Senhor Jesus Christo de mil oito centos e vinte e três nos dês dias do mez de Fevereiro do dito anno nesta Cidade de Sergipe d’El-Rei e casa da camara della onde estão presentes o Juiz presidente José Rodrigues Bastos e os veriadores actuaes capitão João Simões dos Reis. sendo que elle não quer mais senão a paz e a tranquillidade: Pello que nos requeria instantemente que de bom grado fisessemos reiterar aquella anterior posse dada aos ditos Membros. e a poucos momentos. as quaes ainda não consta haver aqui. quando esta comarca continuava nos seus trabalhos. obstando a emancipação que há dois anos. até que se procedesse à eleição de seus membros. secretário o coronel Domingos Dias Coelho e Mello. S. Civil e Eclesiastica fez 192 . I. visto que reconheciam todos os Membros della com interia probidade e que foi arbitrariamente suspensa sem ser ouvida nem convencida. conforme Decreto de 8 de julho de 1280 e que se elegesse um conselho de cinco membros. a manter com o auxilio dos traidores sergipanos. o Ver. o Imperador tiha elevado Sergipe de Comarca a província de segunda ordem. juntamente com o ouvidor Inácio Gomes Camacho. o Impererador do Brasil requerendo a Ella que depois de lhe constou pelo oddicio de vinte e quatro de janeiro do mez passado do Conselho Interino da Bahia que affirma haver S. A Câmara acede à reclamação popular. que apesar do conhecimento da dita graça concedida no citado Decreto pelas objeções dos ditos Governador e Ouvidor estão dispostos a procederm na forma das ditas instruções quando as ouvesse e que de outra maneira não pretendirão mover cousa alguma. Ignacio Antonio Dormundo Roxa. reverbera o procedimento antipatriótico do governador e ouvidor. e por não constar ter-se verificado esta mercê pela objeções do Governador Millitar acutal José de Barros Pimentel e Ouvidor Interino Ignacio Gomes Camacho: que elle povo quixa que se verificasse a Junta do Governo Provisório que em primeiro de Outubro de mil oitocentos e vinte dous havia sido isntalada legitima e legalmente para que os governasse Interinamente em quanto se não procede a eleição de nova junta pela instrucções de desenove de junho de memo anno assina.Ainda mais: em sessão de 6 de fevereiro recebe um ofício do conselho interino da Bahia de 24 de janeiro em que comunica-lhe que. por carta imperial de 5 de dezembro. Então o povo. devia ser uma realidade. M. e são eles empossados debaixo de indescritível entusiasmo. levado pelo patriotismo e indignado pela prepotência da Bahia. independentemente do governo da Bahia. visto que se axão nesta cidade quatro delles e que fosse xamado o quinto: e tudo isto ouvido por esta camara unanimimente respondeo. apontadas no mesmo officio. de Sua Magestade Imperial e dos Povos: Nesse auto desta camara dispondo de arrecadar de Direitos a bem della. A vista destes motivos a cama fez congregar digo motivos e por logo comparecem todas as corporações Militar. Serafim Alves da Roxa. José Francisco de Menezes Sobral: e apresentando-se todos cheios de gosto e tranqüilidade replicou com eloqüência e toda energia a esta camara que já não podião mais conter com seus corações o ardente desejo que sentião para o cumprimento da Graça consedida. eo Rev. A vista do que todo o Povo sahio. M. elevado à cathegoria de Província de 2ª ordem independente nella pelo seu saudável e Imperial decreto de oito de julho do anno passado. pela instruções que deviam chegar da corte. completamente independente da Bahia. Padre Luiz Corrêa Caldas de Lima para o que foi a bem do serviço de Deos. e syndico da mesma comarca do Ver. expondo por isso mesmo este Povo a uma Anarquia e guerra civil. ahi compareceu o Povo desta cidade de todas as corporações sem armas e em nome de S. que fora instalada a 1º de outubro de 1822 e que lhes dê posse. afim de assumirem a direção dos negócios públicos de Sergipe. M. e exige que chame à adminstração os membros da junta. um jugo ilegal. em 27 de fevereiro. Barros Pimentel opõe-se à realização desta ordem inperial.

procurando. Magestade Imperial na forma seguinte – E depois de estar assim reunida a camara e na praça della principal da cidade. a tropa. a Tropa desta Guarnição. a excepção do quinto Membro da dita Junta o Sanrgento – mor Dionizio Dantas que não compareceo por estar fora desta cidade.enhão e reconheção ao Mesmo Augusto Senhor por tal. que compareceu em conseqüência do antecedente edital para a Aclamação popular e Legiítima de S. quor unanimidades senso e consenso de todos nós o que não foi possível pela fortes objeções do Governador Militar José de Barros Pimenel com foi bem publico pela prelação este inculcava ter sobre todas as Authoridades desta Provincia. M. e quando condizirão aos ditos Membros a esta comarca que igualmente os deus das janellas desta salla. Capitão José Antonio pInto e o Procurador Vicente Mascarenha para effeito de se dar cumprimento a aclamação de S. Clero. e outra vez tornou o mesmo povo que tos o seu excesso se prendia em bem da causa publica do Brazil e da appelação que esta cidade deve ter aos mais lugares de toda a Provincia aonde queserem que residão as Authoridades Governativas.viva a Junta Interina do Governo desta Provincia – vivão o Provincianos de Sergipe.Viva a Assembleia Cosntitucional e Legislativa da Corte e da cidade do Rio de Janeiro. logo seguio com elles esa camara e então congregados todos foi pela mesma camara mandado ao procurador della que alçasse a voz com orgão do Povo e desse a conhecer a toda assembléia o motivo porque selbrão novamente a Aclamação do mesmo Augusto Imperador Senhor Dom Pedro Primeiro e logo o mesmo Procurador com satisfação rompeu com altisonantes vozes pela maneira seguinte. esta camara e vós hajão. vos participo que posta que já nessa cidade se ouvesse alanado no dia 1º de Dezembro do anno passado de mil oitocentos e vinte dous ao Augusto Senhor Dompedro Primeiro Imperador do Brazil somente pelo Patriotismo de ex-Governador José Eloy Pessôa. convocando o povo para alamação da independência. requereo o mesmo povo que fosse immediatamente xamada Eu Francisco de Paula Madureira que escrevi com Escrivão da Camara. defendendo e parocinando tudo quanto for a bem do Nacional e Imperial Serviço e da sagrada causa do Brasil e desta Província. Junta Interina desta Provincia. para que assim conste em tod tempo e em toda parte que convier. 238 Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oito centos e vinte trez aos trez dias do mez de Marçao do dito anno nesta cidade de Sergipe de El-rei e casa da camra della onde estão presentes o Juiz Ordinario Presidente José Rodrigues Bastos eo os veriadores actuaes Capitão João Simões dos Reis. Junta interina do Governo desta Provincia – Vozes estas que responderão a dita suplica. Veriadores. esta camra por serto de vossa adhesão e firme reconhecimento diz com vosco-viva a religião catholica Apostolica Romana. quis outrora selebrar este tão desejado e aplausível acto. Nobreza e todo o mais Povo. Procurador da Junta.viva a Augusta imperatriz e toda a Dinastia reinante deste Império. que tem lugar no conselho municipal a 3 de março. o Imperador e ao tempo em que para ali se sencaminhava o Presidente. o Imperador e para de tudo constar fiz este acto e a acta em que assignão o dito Presidente da Camara. congregar mais as Religiões desta cidade e vendo que também pugnavão pelo mesmo comprimento em Nome do mesmo Augustissimo Senhor Imperador respondeo publica e intelligivelmente que estava pompta em tal caso a ouvir como aos seus votos. perant grande reunião popular. Segue-me cento e quarenta e nove assignaturas.Viva a Augustissima família Imperante do Brazil. e para que cosnte esta voluntária deliberação todos a uma vez requererão a esta camara se fizese acta que querião assignar e que esta mesma por cópia authentica se remetesse a S. pelo que logo cada um dos referidos membros de perci encarregou que verdadeira debaixo do juramento que havia prestado em o primeiro de Outubro de 1822 entrassem no exercício e funções dos seus officios. Secretário da Exma.Iluste e comspicua Assembleia de cidadãos Sergipanos constitucionaes de todas as classes em nome desta camara órgão vosso. o clero e autoridades238. prem agora que já somos Provincianos Imdependentes esta camara vos chama para que juntos reiteremos de bom grado a dita Aclamação com juramento de obediência e fidelidade a Augusta Pessôa do Mesmo Senhor Imperador e Sua Dinastia . vendo-se agora desarmada.Publicam então editais. Ignacio António Dourmundo Roxa. Secretario e todas as mais pessoas acima nomeadoas.Viva o nosso amabilíssimo e Augustissimo Imperador o Senhor Dom Pedro Primeiro. . M. e logo pel mesmo Povo e tropa forão dados com Altiçonantes bravos repetidos vivas: .Viva a Exma.vivao as soberanas cortes costituintes e legislativas da corte do Rio de Janeirovia o Augusto Imperador constitucional do Brasil o Senhor Dom Pedro Primeiro. comtudo sabendo-se a maneira popular e legítima com que há sido aclamado em as Provincias so Sul pressedendo em cada uma camara a expressa declaração das vontades dos cidadãos do seu respectivo Termo cuja solenidade não consta das Leis desta camara: della querendo seguir aquella mesma marcha donde resulta Glória e honra a este povo. E sendo por elle recebido o dito emcargo tudo prometerão obrar como lhes é incumbido. protestando a face da divindade que nos ouve e do mundo inteiro defendermos a ellese todos os direitos deste Império sempre athe a morte.viavas estes que forão reprod 193 .

e para de tudo constar mandarão fazer esta acta em que assino eu Francisco de Paula Madureira Escrivão da camra. Pedro Primeiro. Tropa e Povo e eu Francisco de Paula Madureira escrivão da camara o escrevi. Uma nova vida administrativa e política ia abrir-se sob a direção da junta provisória. No mesmo dia mez e anno acima declarado depois de findo o acto da aclamação logo da Praça se encaminharão esta camara com o seu sendico Padre Luiz Corrêa Caldas de Lima. Pela camara foi determinado que sendo extraída a aacta deste acontecimento fosse remetida aIlma. Nobreza e Povo que logo ahi pediram instantemente a esta camara que querião se fizesse uma acta na forma indicada para assignarem e debaixo de juramento protestarão ter.Há festas religiosas. Camara da cidade da corte do Rio de Janeiro-e para constrar mandarão fazer este auto em que assignão as pessoas presentes Clero. composta de filho da província. Vejamos a direção que ela deu aos negócios públicos. uzidos e repetidos com o maior enthusiasmo e ardente gosto da mesma Tropa. Provincial Carmelita Frei Jose do Sacramento co sermão pelo padre Manuel Antonio Dormundo e Te-Deum com a Música. reconhecere manter a S. com o Senhor Exposto para se dar Graças a Deus dos Exercítos e em louvor ao nosso Augusto Imperador o Senhor D. o Clero. Da Junta desta Provincia. Nobreze e o povo com toda a tropa para a Igreja Matriz a festiva Missa cantada e selebrada pelo Revdm. os Exms Srs. Imperial o Senhor Dom Pedro Primeiro por Imperador do Brasil com obediência e fidelidade a sua Augusta pessoa e a Dinastia Reinante do Brasil e dest modo lhes foi recebido seu juramento. O acontecimento de 3 de março tornou uma realidade a emancipação de Sergipe e foi a expressãoda adesão de seus filhos ao regímem imperial. 194 . Nobreza. Clero. fazendo-se ouvir o grande orador Manoel Antônio Dormundo. M.

(1822-1855) não trouxéssemos nosso estudo até 1889. Dos dois partidos existentes e que giravam em redor das idéias de liberdade do país e da província. mas também de se mandar attacar este senado com força armada e a mesma junta. em que procuraremos estudar o movimento republicano em Sergipe e principalmente. PROVÍNCIA. como os mesmos militares tém bradado geralmente contra o dito accessor é como o dito Governador e ouvidor estão de mãos dadas para seu projecto abstemos contra a segurança desta cidade e primeira como há supposição por indícios que elles continuam nelles por verem prestados seus projectos e as circusntancias actuaes das cousas exigem sem modificação. Giada pela prudência e no intuito de estabelecer a paz e a hamenia na província. Tendo ele se formado em 1820. com a transformação política e administrativa operada. em vista da ilegalidade que cometeu a Bahia de submeter à sua jurisdição. ao qual não só tratou não só de esperar-se pelas instruções da dita carta imperial. SERGIPE. conseqüência da independência dela. período que fára parte de um outro volume.. precisamos descrever os acontecimentos que se dram. a chamada culpa de entrar a junta em seu exercício. assim como o ouvidor interino Ignacio Gomes Camacho foram os que influenciaram aos ditos Governador e ouvidor para se não instalar junta provisória interina para governança desta província.. que este senado instalou aos ditos governador e ouvidor pelas rogativas do povo o que déo causa a elle e governador proceder um conselho militar sem audiência deste senado. Tendo feito de Laranjeiras sua capital militar. desapareciam em 1823. Com a aclamação da independência e a declaração da emancipação de Sergipe. as relações políticas mudaram completamente. defendendo mais os intereses da metrópole e da Bahia. do que os do país e de Sergipe. viva sob a ação de divergências que obstavam a marcha regular dos negócios públicos. sempre dominado pelo despeito. a junta comunica sua posse a José de Barros que. paz e tranqüilidade social principalmente entre as autoridades constituídas. 17 de fevereiro de 1823. como de facto influliu nelle que viesse força armada contra esta ciade ainda antes de . desapareceu aquele que queria a permanência do regimen colonial. 195 . Para isso procura o apoio dos oficiais superiores dos corpos de segunda 239 O leitor não estranhará que no período que denominamos de Política Imperial. Antes de estudá-los. as causas da revolução de 15 de novembro. não reconhece a legalidade e não lehe quer prstar obediência. Participam a junta que tome providencia. depois que a junta novamente assumiu a administração. promove aí todos os meios para dsolvê-la de depô-la240. Tinham de nascer agora novos partidos dentro da forma monárquica. qua há anos. pela carta Inperial de 25 de dezembro do mesmo anno passado. 240 Acordaram que por haver nesta cidade uma queixa insanável entre os povos della por constar que Eusebio Vanerio secretário do Governador Militar José de Barros Pimentel e Manoel Vicente de Carvalho Aranha.LIVRO III POLÍTICA IMPERIAL 1823-1855239 CAPÍTULO I GOVERNO DA JUNTA PROVISÓRIA PRIMEIRO PRESIDENTE. com o projecto deste senado para o abstar. praticando o dito accessor de mais o excesso de na povoação de Larangeiras andar com antecedência pelas casas dos militares influindu-os para que annuissem com a verdade daquelle governador naquelle conselho que pretendiam por ser de certo.

compreendendo os perigos e males de uma gerra civil. Pedro 1º Imperador constitucional e Defensor Perpetuo do Brazil. para garantia de sua autoridade. só porque se finava o seu despótico. quando por ordem deste governo em virtude de um decreto correo e se estão trocando nesta Província a sete mil e quinhentos réis. obdecendo a um officio do General Labatú. e apezar do povo e a câmara o fazer commandante das armas por instancias do Exm. as quaes subirão a uns poucos de mil cruzados e trocando-as em prata a preço de seis mil e quatro centos. capitão Miliciano e outros que estavão de ordem delle. cuja somma monta a uns poucos de contos de réis. que consideram inimigos da causa do Brasil e pedem que sejam presos. a fim de assumir a direção do governo militar. que nela devia encontrar sompre o ponto do apoio mais sólido.Que esta câmara de posse de commandante das armas desta província a um official mais antigo athe que sua Magestade Imperial mande outro commandante das armas. Junta 196 . visto que não querem ao Brigadeiro José de Barros Pimentel por fortíssimas rasões todas estranhas de um bom Brazileiro – 1º porque o dito Brigadeiro Barros no tempo do seu dispotico governo sabia muito bem onde estavão ocultos os Europeos inimigos da causa do Brazil e desta Província e que os não prendia por estarem em casa dos seus parentes ou parentes de sua família. Junta do Governo da Bahia em Caxoeiras um officio em que participava ter Sua Magestade Imperial elevado esta Província a cathegoria de 2º ordem. os malvados Europeos José Álvares Quaresma. reúnem-se e apelam para seu patriotismo. roubassem aos europeos pacíficos residentes nas Laranjeiras. . a ella se dirigirão a mesma Tropa. Neta mesma sessão pedema deposição de Barros Pimentel. e a junta do governo desta província e depois de congregada esta câmara no Passo do conselho. – 3º por que estabelecendo-se uma caixa Militar para as despezas das fortes ações externas e internas desta Província entrando muitos Europeos com dinheiro para ella.241 241 Anno do nascimento do nosso Senhor Jesus Christo de mil oito centos e vinte trez aos quinze dias do mês de maio do dito anno. Barros Pimentel aquiesce com o apelo patriótico de seus camaradas e dirigese para S. que não pode inspirar-lhes mais confiança. pelas estreitas reações que ligam à queles inimigos. exigem a concocação da Câmara. á Sua Majestade o Senhor D. General Labatú. quis obstar com força armadaa a que se não instalasse Junta do Governo. Neste mesmo dia o povo e a tropa reunidos. sendo chamado então o Brigadeiro Guilherme José Nabuco de Araújo.linha e ordenanças que. os portugueses José Alves Quaresma. não só não tem o dito Brigadeiro apresentado sua conta de receita e despeza. -Vivas a Santa Religião Catholica. á sua Augustissima família. José Joaquim Ricardo e João Gustavo. José Joaquim Ricardo. Independentes daquella por carta Imperial de cinco de dezembro do anno passado. que pesta juramento 15 de maio de 1823. fizeram-no absorver as atribuições dos membros da junta. perante a qual fazem um libelo acusatório contra o brigadeiro Pedro Vieira de Melo. Foi de pouca duração essa harmonia. a titulo de serviço da causa militar. assumindo interinamente o comando das armas. nesta cidade de Sergipe de El-Rei e casa de camra dela onde estão postados promiscuamente o povo e Tropa Della e de unânime acordo e commum vontade do mesmo Povo e Tropa foram publicados com a maior elegância. e Povo e em altas e inteligíveis vozes declararão o seguinte – Que querião que esta câmara da capital como representante delles Representassem ao governo para mandar prender os inimigos declarados da causa do Brazil o Brigadeiro Pedro Vieira.4º Porque recebendo elle da Exma. e que sejão remetidos ao Rio de Janeiro para darem conta da sua péssima conduta ao nosso Augusto Imperador . e os mais Brazileiros que os patrocinão. tão inconveniente à prosperidade do bem geral. a fim de abandonar o plano de deposição. e outros sítios. Contra ele depõe nos termos em que o leitor verá no documento transcrito. As idéias de domímio exclusivo que tanto influíam em seu espírito. arbitario e insufrivel governo. não limitando-se às suas funções de governador militar. pelo qual o chamava a bem do serviço Nacional Imperial e apezar do dito General recomendar-lhe que impetrasse vênia da Exma. porem trocou todas as peças recolhidas a dita caixa por differentes peças. como pelo precedente que ficava plantado de sublevações da força pública contra o prestígio e autoridade do governo civil. Abre luta e o resultado foi a fuga de Barros Pimentel para a Bahia. Cristóvão. ás cortes constituintes e Legislativas desde Império na corte do Rio de Janeiro.5º porque. pelo toque da sineta. . -2º porque o dito Brigadeiro Barros no tempo do seu dispotico governo consentia que José da Annunciação Borges.

comtudo desamparou a Graça. Cristóvão esta no trabalho de apuração. –O que sendo ouvido pela câmara mandou que já officiasse a Exma. Havia certeza de que o eleito seria o abastado proprietário o major João Fernandes Chaves. fingir um despeito. Exorbitou pela contigência das circunstâncias do momento. Sindico. A junta provisória que tinha. – Querendo finalmente esta câmara requisitasse a Exma. Junta do Governo desta província para que sem demora haja de dar uma prompta providência sobre o objecto tendente ao commandante das armas e a captura dos inimigos da nossa canta causa. Como primeiro governo de um regimen que se iniciava. sem ser preciso comentários. e muito principalmente dos acima declarados. que era o primeiro a alterar a ordem e a levar o pânico às classes sociais. tendo assim de fazer as intrigas costumadas. Correu a eleição. que devem ser levadas em conta. colocado o bem público acima dos interesses dos partidos. ela passou por serias dificuldades. nos últimos momentos de sua administração. quando é cercada pela força armada. contra a ambição dos portugueses. que não escolhiam meios para oferecer dificuldades à marcha da administração. José Antonio Pinto e Francisco Moreira da Silva Marramaque. as atas e os livros roubados e entregues aos membros da junta. na passagem do exército de Labatut. prestou o grande serviço de manter a emancipação de Sergipe a favor da qual trabalhou. com esta mesma acta de todo o expendido. porque suas do Governo desta província. dando-se outro sim parte a S. O regimen representativo em Sergipe impurificava-se desde logo. e fugitivo e criminoso apenas deixou um officio a Exma. Povo e Tropa fazer este auto que todos assignão. pelas ambições dos homens e os excessos dos partidos. Na descrição deste fato esta. Na resolução firme de não dar posse à junta efetiva. por esta ser combinada com o calculo que se tiver feito ou houver de fazer. em começo. de participar aos Governos das províncias mais antigas a esta na forma indicada. Junta remettendo o do Exm.I. Uma representação assinada por dez aleitores e trinta cidadãos é dirigida à câmara. que se devia proceder. as vinganças do poder recaíram sobre João Fernandes e os outros membros eleitores eleitos. esqueceu os deveres de um governo honesto e moralizado. A câmara de S. 197 . para. contra o abuso do poder. estas mesma cousas. Escrivão da câmara o rscrevi. Não havia a garantia da lei. com o que toda Tropa e poso assás se satisfarão.M. General Labatú. Eu Francisco de Paula Madureira. a junta provisória primeiro absta a apuração das ultimas atas enviadas pelos colégios. A propriedade daquele foi saqueada por uma força de linha. Junta do governo para com a maior brevidade chamar o dito Brigadeiro Barros e o há de compelir com a presente conta legal e authentica da receita e despeza que teve em quanto poz dispoz da dita caixa. Ela reúne-se de novo para apurar os votos. em sua origem. debaixo da oposição dos portugueses. Em todo o caso. teve de fazer nomeações e promoções na guarnição. a escolha dos membros da junta efetiva. a prova do despotismo. Em consideração aos serviços prestados por alguns habitantes da província. – E para constar mandarão o dito Juiz Ordinário Ignácio Antonio Dormundo Roxa. cuja conta não é verddeira segundo a fama publica aque a mesma câmara faça ver às providencias mais certas e os defeitos deste officil e sua conduta civil e Militar e representar a S. Incandesceram-se então os ânimos e os partidos. Este fato profundamente impressionou o espírito público que se viu sem garantias e sem governo. pois é constante que a nação tem percebido grande prejuízo na conta da receita e despeza que elle Brigadeiro Barros a seu molde já apresentou. que foram processados.M. sendo seus membros presos.I. Realmente.Por esse tempo chegaram do Rio as instruções para o pleito eleitoral.

que a emancipação de Sergipe. Amaro.. Em 1823. indicou.atribuições não chegaram até aí. O estado social de Sergipe não era favorável a uma calma e pacifica administração. se fosse somente o elemento popular quem a promovesse. Eram destituídos de programas. Daí nasceu para a guarnição a consciência do seu valor e da sua força. não só ao conhecimento da realidade da emissão. pela abundância da população mestiça. Além disto. Os seus órgãos na imprensa nunca defenderam princípios e sim defeitos pessoais dos adversários. composto de ricos e proprietários. De 1822 em diante a guarnição de S. como pelas inúmera promoções e nomeações por ela feita. Deixava-se dominar por um infrene militarismo. Aumentou o numero de cadeiras de primeiras letras e latim. contra tentativas de sublevações. nem armamento. Deixava-se dominar pelo abuso do poder de qualquer fração. um corpo de batalhão dos pardos em S. Senhor. chefe dos corcundas. Se naquele tempo havia um principio formador dos partidos. cujo chefe era José de Barros Pimentel e o corcunda. Os corpos abundavam em oficiais e diminuiam em soldados. tanto mais presada por me deixar de acordo contra as sugestoens inimigas do systema adoptado. o primeiro presidente nomeado o brigadeiro Manoel Fernandes da Silveira. no seguinte oficio: ―Illm. porque seria difícil ou impossível aclamar o príncipe regente e a independência. dos retardatários. depois de 1823 os partidos perderam grandes princípios e idéias que os nutrissem. desaparcendo o partido do elemento europeu poderoso na província. Não havia disciplina. fez-lhe cometer o grande crime de sufocar a liberdade do voto criando para eles uma impopularidade e grande alteração da ordem publica. Todas as aclamações.Ex. E ninguém pinta melhor o estado de coisas existentes . e me pareceram comcentaneas. criou um armazém bélico. filho da província e que no mesmo mês assumia a administração. o governo da junta provisória incrementou ainda mais o valor militar. As condições políticas existentes então eram muito diversas daquelas que existiam antes de 1822. não 198 . ―Imediatamente passei a dar providencias que V. como o eram os portugueses. Cristóvão e Sto. em janeiro de 1824. Queriam ambos uma só coisa: a posse do poder. cujo chefe era o capitão-mor José Matheus. Cristóvão tendeu a interferir nos negócios públicos. o propugnador da emancipação de sua província. novos partidos constituíram-se. chefe também do partido liberal. O povo tinha uma ação de presença. ainda que a administração não estivesse nas mãos de nenhum militar. Eis o trabalho administrativo da junta. um batalhão de caçadores em Itabaiana. José Matheus. Barros Pimentel. É um verdadeiro dislate. e Exm. O liberal. que não tinha acesso aos outros corpos militares. que mais não se incandesceu por chegar na província. não só pelo apoio que a guarnição prestou-lhe. criou a repartição da secretaria do governo e a repartição da fazenda. porém. ―Recebi a carta de V. juramentos de constituição foram por ela promovidos. contra a oposição de um partido alias forte. senão o próprio brigadeiro Silveira. Ex. como a obstal-a por medidas terminantes. chefe da recolonização de Sergipe. presidente da junta. A ambição pelo poder que se apossou dos seus membros.

―Recommendo muito e muito a V.. faça expedir quanto antese impreterivelmente para esta província em direcção ao Porto da Estância um destacamento de cento e cincoenta Caçoderes com os competentes officiaes. que sigo e agradeço.. a que se devera reunir. miseravelmente alguns destes achão-se premiados como duplicado accesso. Os soldados pagos com o mair gravame das rendas publicas. o seguinte: ―Primeiro – que V.... que já o tem indicado. me continue a communicar quanto similhantemente aconteça para não me mostrar huma vez desconhecido aquilo mesmo.recommendado a V... e fazer que os membros do Governo houvessem de cassar huma ordem. dando-lhe uma idéia concisa do estado em que achei esta província.ou illudidas. As ordens que se expedem ou são mal executadas... servirão menos para guarnecer a cidade. sendo sua missão sustentar e restituir a ordem. que para desafrontar os officiaes. ― Segunda – Dois officiaes de fazenda: hum que possa servir para Escrivão da Junta.. ―Os despachos.. Não era cousa extraordinária subir um destes desalmados a Palácio.. e outro secundário.. que depois de qualificadas repulsas ao recebimento do soldo... por isso que.. Todos os termos de complecencia me tem sido baldado para alhanar amigos desafeitos a inconciliveis á ordem. e. demais a mais.... rescindir hum despacho e substituir com que o Agressor arrogantemente quizesse.. revela que depreque.. Fui aconselhado pela lei.. e como resolver sua Magestade o Imperador.. a proporção que concilião o amor e a opinião geral. O governo que me precedeu ou era um mero simulacro. ultimamente se resolveu.. muito fora do agrado deste Governo.. ―O mesmo. se dignasse de escolher a Fillipe Manoel de Castro. Ex.... as portarias.... dictadas pelas Leis. enfim. e. por copia... do em que estava.. como de facto posso a depracar a V... Ex.. O primeiro official deve de ser muito intruido em Finanças..... Eis os inimigos árduos ao Governo actual. desde muito havia huma parte primaria em similhantes desacordos e malfeitorias. e a despeito de ser essa medida menos austera e vigorosa a face dos imperiaes Decretos e de motivos mui poderosos para se suppor que umtal Batalhão não seja confirmada. em nome de sua Magestade o Imperadr Constitucional e Defensor Perpetuo do Brazil.. e munições milicianas... Amigos e conhecidos delles. como ao Exmº Governador das Armas a escolhas dos officiaes. Importa muito ocorrer a medidas correspondentes. bem que não sejão expedidas de galope para não incendial-os..... não succeda de alguma forma o contrario do que tão justamente se deseja... expedito. ou não cunpridas.. o não há sido somente pelo do Batalhão de primeira Linha. e se V. que devera garantir assim mesmo a de que justamente se arrecea............ as funcções da administração presente.. Ex. exebida no officio. porque. exacerbão o ódio e dasefeição dos sabidos inimigos da Pátria. em que se achão semelhantes Defensores do Imperador e da pátria.Governador das armas dessa Província.. encabeçada pelo commandante Antonio Joaquim da Silva Freitas.. e Euzébio Vanerio estavão de posse desta província. que tranmitto a V. Minha vontade existe inferior ás circunstancias do governo. Ex...... 199 . a Quem de tudo darei conta.. Portanto: como sou obrigado a manter e sustentar a Autoridade e Confiança quem em mimha se depositada e com as forças da Província. mas com a excepção. de tal forma azesou aos mesmo officiaes. Ex... ―Depois que escrevi a V. he sem duvida o Batalhão inimigo. A única força que nos circumda e existe armada nesta cidade. arrogado Membro... Ex... por Patentes não confirmadas e illegitimamente concedidas.. e á vista das criticas circumstancias em que achei a Província a reduzir a hum termo médio o arrimo dos soldos que se pagavão. se covier. Ex. terá de tomar exatas contas a Euzébio Vabeiro.... duzentas e cincoentas armas... A Tropa de primeira linha ou para melhor dizer. e ao Illmº e Exmº sr... a officialidade do batalhão de primeira Linha. Governador das Armas... como já prticipei a V. Ex. e medidas decisivas... Parentes. Euzébio Vanerio. por evitar algumas supreza. de conformidade com o Illmº e Exmº Sr. Já se diz que o Prezidente e Secretario serão despostos. Por todos os commandantes dos corpos de segunda Linha...... ou quando.. e incorruptível..... Alguns paizanos se nutrirão em tão minguadas circunstancias. ou mais que um fiel mandatário. Cidadãos de toda consideração foram espancados em publico por assassinos fardados... tendo sentido peiorar de forma digna de sizuda rezolução... Este Destacamento regressara.... o não possa fazer sem choque risco de conflagração. e assim mesmo. afim de colligir dos termos em que está concebido o estado de indisciplina.... logo.. acquiesce porque a força....

a que o Governo se veja forçado a proceder por imperiosas circumstancias de segurança publica. de uma sociedade cheia de ambiciosos.―Na Povoação das Laranjeiras continuar-se-há nas funcções administrativas te que possamos regressar em circunstancias de refazerem respeitar as Authoridades. como os corcundas de então. septuagenário. e Illmº e Exmº Sr. 200 . As ordens não eram cumpridas. no dia 28 de abril. em caso de qualquer atentado. Governador das Armas para não hesitar que satisfação com urgência ao deprecado. e prudência em qualquer alteração ou innovação. em 1 de abril. aproveita a oportunidade de divergência. E á frente dela colocar-se-iam o comandante do batalhão. O partido corcunda. haja de immediatamente. para angariar para si as simpatias da guarnição. V. hum mez de soldo ao mesmo destacamento. – Manoel Fernandes da Silveira‖ Descrevamos os acontecimentos. Cumpre. que tinha junto a si. pela rapinagem que fazem os soldados indisciplinados. corre a authorisar o presente precatório. Os interesses políticos inspiraram na força publica o plano de uma deposição do presidente. dignar-se-há a abonar por ellas as despezas do transporte. como secretario. porque nele vê a alma da administração e a energia decidido e franco. um homem de um talento superior e de um espírito liberal. ultimamente recomenda a maior circumspecção. tenente-coronel Antônio Joaquim de Silva Freitas e o oficial Euzébio Valério. sobre quem caem principalmente os ódios do partido adverso. e igualmente depreco a V. Admiramos o estilo eloqüente e a energia da frase como que eram redigidos os papeis oficiais desta administração. Cristóvão. Francisco Vicente Vianna. Assumindo o brigadeiro Silveira a administração no dia 7 de março contra ele revoltou-se a guarnição no dia 21 de abril. não há senão porque as preponderadas circumstancias m‘o instão. A tropa amotina-se no quartel e lança o pânico aos habitantes da cidade. Ex. dificuldades que eram promovidas por cidadãos de alta representação. Eu confio muito em V. em vésperas de um importante pleito eleitoral. foge para a Estância: ―Habitantes da província de Sergipe! Brazileiros! O presidente. se não fora Rebouças. se interponho todos os Protestos. Antônio Pereira Rebouças. O que sem duvida. o brigadeiro Silveira. não pudia cuidar do vosso bem ser. Ex. ―Deus guarde a V. Exc. que expedir hum correio por terra a avisar-nos. ―Palácio do Governo de Sergipe na cidade de S. e por em pratica as Leis. e no Illmº e Exmº Sr. Realmente. terceiro da Independência do Império. a fim de fazer maioria no conselho. que não permitao esperar pela Imperial Resolução. Ex. quando o presidente. não poderia arcar vantajosamente com as dificuldades que vinham de um estado social tumultuoso. legitimo administrador da província. e o mais preciso: emfim obrará a este respeito em forma que a salvação desta Província não perigue. como o que se ia proceder dos membros do conselho provincial. ou antes do embarque do Destacamento. ― Quando concluo o presente officio tenho em consideração a Portaria de vinte e hum de Fevereiro pela qual a Sua Magestade o Imperador pela Secretaria d‘Estado dos Negócios da guerra. ― Como não se duvide que nossa Província existão dinheiro de rendimentos desta por ahi arrecadados. adverso ao que apoiava a administração. e imperiaes ordens sem perigo de revolta. O plano chega ao conhecimento do presidente. como desejava porque estava coacto. sem força para resistir. por não ter recebido seus prets. à falta de dinheiro nos cofres. e responsabilidades. Entre eles figuras a seguinte proclamação espalhadas pelas ruas de S. vinte e hum de abril de mil oitocentos e vinte quatro. Em vista disto a administração compreendeu que não podia apelar para o apoio da força publica. Presidente da província da Bahia. por isso. Cristóvão.

Eu as não posso. Tratar úteis serviços de agricultura. por diurnos e nocturnos assassinos. e ingenuidade. os cuidam de arruinar de todo. Chritovão! Approxima-se o dia em que terão fim os espetáculos que vos atemorizavam e flagelavam! ―De então por diante não vereis espancarem-se pelas ruas cidadões conspícuos. A opinião publica as aponta por taes. Habituada a obedecer e desobedecer. As armas sim manejadas por pulsos brazileiros. homens affeitos ao vicio se não podiam amoldar ao aceno. declama a opinião publica e sisudamente os accusa por motores de taes extraordinariedades. caracterisando-vos de inocentes ante mim. para vossa felicidade! Viva a Santa Religião! Viva o Imperador Constitucional e Defensor Perpetuo do Brazil! Viva a Independência e Systema Constitucional! Vivam os Brazileiros! Palácio do Governo de Sergipe 28 de abril de 1824 201 . justificará vossa conduta. legitimamente nomeados! Que! E de braços crusados me conservaria quedo. decide-os igualmente de obstar com armas a posse de Conselheiros. Providencias que penhorariam a gratidão de pessoas insensíveis. O dinheiro que deveria pagar tantas pensões e outros tantos parochos. fosse atrozmente anniquilada com a ruína de um povo. Um delles ainda tem o seu commando e obediência as armas. ―Enfim Sergipense (Deus nos ajuda!) uma completa administração. ―A maioria dos votos vendidos aos beneméritos da pátria. Baldei medidas conciliatórias. chamasse á ordem os indóceis e insuburdinados: chamei-os. ou assipoados a arbitrio de um insolente commandante. Não accederam. Ires trabalhar como dantes por vosso offícios. Gênios exaltados e inexperientes. Tendo novo acalmar-lhes a injusta cólera. e contemplados de amigos desarmados Acaso o presidente da província merecia louvor. dirigirme e expor=me vossas queixas. mas de 2° linha. nem devo difirir ou desprezar. a segurança. O dinheiro que devia pagar o soldo a tantas ajudantes e sargentos mores para pela penúria. paga a nossa custa. O gênio do mal suggere-lhes a revolta. porque com maior gosto e officio se empregassem nas funcçoes de seu edificante ministério! Brazileiros! ―São estes dous os seductores dos nossos concidadãos! Soldados! São elles que com a mira de obrigarem a initerrupta cadeia dos desvarios em que se nutriam. fosse espaldado no asylo da amenidade publica. como se nos ameaça pelos próprios assasinos. que também estima e me estima?. me instavam. á agrado de seus mandões. cuja convocação determinei em virtude da lei. para empregarem tudo aos auspícios de nossa indulgência. desenganando-os de acharem arrimo no Conselho. nem pelas requererdas. nem a voz da razão. que não conseguiam superar. tendo pervertido os nossos soldados. sempre vol-as attenderei justiçosamente. Habitantes da cidade de S. apenas serviram para tornalos mais altivos e resolutos: Espera-se pela eleição do conselho. Em vez de alhanarem. ambiciosamente frenticos e que se dizem brazileiros por adopçao. não serem constrangidos a ignotos procedimentos. enfim um governo sem coacçao. sereis lançados no antro do calabouço. pois que se eu não vol-as providenciar logo. Na povoação da Estância para onde retiro-me e onde pensarei somente que possa trazer paz. ―Soldados voluntários! Políticos Agrícolas! Vossas baixas servos-hão conferidas. tem sido a primeira encabeçada de violar nosso direito. O outro julga a seu dispoor o dinheiro publico. ‖Minha dignidade. e vossos concidadãos. não achareis na degradação o premio da industria agrícola a manufatura. podereis livremente procurar-me. e já não tarda de vulgarisar-se que o presidente e o secretario serão depostos pelo batalhão de primeira linha. mas em contradição ao que indigitavam os zangões e parasitas. guiada pela lei. sem receio de vos serem agravados. de adestrar bellicamente os nossos concidadãos. a autoridade eminente que em mim delegou sua Majestade imperial. em tolher-lhe a sensibilidade.. Somente o látego da severa justiça os tornara em si. o commandante militar e por meios brandos. vos certificareis. Brazileiros militares o só facto de abandonarem os malvados.―A força militar. delegada pelo supremo Imperante. se abandonasse a descripçao! Seria digno de vós. em distracção do útil serviço. nem com assombro. para garantir-nos. ―A salvação publica! A nossa salvação imperiosa m‘o instão! ―Dous portuguezes. ―Não Sergipenses! Casos extraordinários urgem medidas extraordinárias. quando cercado de inimigos armados. que um oficial militar.a tranqüilidade.. exarcebaram. si se deixasse em inação athé o momento terrível da conflagração dos horrores que ateasse o archote da insubordinação e da perfídia? Deixaria que a authoridade. menos suspeita-la. como dever sagrado. não pudia amalgamar-se com a administração de um presidente. e quando vós outros vierdes trazer ao útil mercado o fructo do vossos trabalhos. Contra elles alto declama! Eu não posso serrar-lhes os ouvidos.

José Alparcas. da Silveira‖.Manuel F. no dia 25 de julho. Não era tal. e a igualdade de sangue e de direitos242. Todos lembravam-se dos fatos de 1820 e 22. Cristovão a 8 de maio. sendo recebido com festas populares. De entre os apologistas de Rebouças que formavam seu partido. à extinção de tudo quanto é branco. exaltou-se contra a nobreza dos corcundas. perante o Imperador. Antonio José dos Santos. recebendo-as de todos os pontos da província. Luiz Francisco das chagas. alma rebelde. capitão Borges Pau da Moda. espírito livre. O comando militar é então entregue ao coronel Manuel da Silva Daltro. Ainda estavam bem vivas na memória de todas as violências praticadas sobre o povo. Em um festim em Laranjeiras. e por isso mesmo deixou-se por ela embriagar e excedeu-se. Severino Crioulo. feriu de perto o espírito aristocrático da província. que ele pregava que o mulato fosse igual ao branco. apontando-o como um revolucionário. Rebouças. um promotor de alterações da ordem pública 243. O povo. Bernardinho José Pau Brasil. revoltou-se por ver o autoritarismo e a prepotência que a aristocracia de Sergipe exercia sobre o povo. e seus bens sem garantias de lei. e seu pai Bento Gaspar. apelidado pelos aristocratas partido de mata caiado os quais por sua vez chamavamnos caiporas. a prepotência que queria manter o partido corcunda. Os soldados abandonam os oficiais e vão buscar o presidente Fugitivo. submetidos a conselho de guerra. partido na opinião deles verdadeiramente revolucionários os princípios membros moravam em Laranjeiras e eram. A posição oficial de Rebouças mais animava os excessos. pelo partido que apelava para as tradições de nobreza. por intermédio do comando das armas que as sanciona e fundamenta. ouvindo de Rebouças as teorias de igualdade. O efeito produzido na opinião pública foi favorável à administração. Em todas vimos como libelo de acusação. que tratava de fazer propaganda contra o privilégio de raças. Foi grande a vitória do partido do governo. 243 Por diversas vezes Daltro envia representações contra ele ao Imperador. espírito revolto. Dionízio Jacaré. os excessos da aristocracia.ofereceu-se oportunidade para as vinganças. O capitão-mor Silvestre Gonçalves Barroso Boticudo. dizíamos. Filisberto de tal. que revelaram a prepotência lusitana e a existência de uma camarilha que depôs Burlamarque e anulou a emancipação de Sergipe. Seu domínio tornou-se violável. 242 Este fato é levado ao conhecimento do comandante das armas em uma em uma carta anônimas assinada por Philioordino. agora. a que chamava maroto. à extinção de tudo quanto é do reino. a quem chamavam caiporas. principalmente a população mestiça. Agora que idéias mais livre eram incutidas na opinião pelo secretário Rebouças. Os oficiais são presos e enviados para a Bahia. e dos representantes da administração. Os portugueses foram maltratados.. levantou três brindes. 202 . Domingos José Jaquitibá. e seus filhos. que volta a S. A paixão e o ódio apoderaram-se de seus membros. Compreende-se que a propagação destas idéias pela eloqüente demagogia de Rebouças. onde as questões de nobreza de família são tradicionais e aventadas por qualquer motivo. Manoel José Bernardinho. que veio da Bahia. tomando posse a 5 de junho. Fidelis José Sapucaia. alferes José de Meio Travassos e seus filhos. e que um pardo podia ser até general. o soldado Domingos. As representações sucedem-se contra ele. o sapateiro Miguel Gomes e seus filhos.

sempre abafada. Espírito incandescente e que levava às ultimas conseqüências práticas os seus princípios. José Fernandes Chaves. e poucos soldados temos para essa defesa. A conseqüência foi uma completa desarmonia entre o elemento militar e o civil. onde fora pesquisar os revolucionários de Pernambuco. em períodos anteriores. Como prova damos a passeata em Laranjeiras. estava entregue á justiça pública. projeta depor o governo civil no dia 8. e as nossas vidas que estão em perigo. algumas de verdadeiros saques aos portugueses. Aliou-se ao partido oposicionista à administração. O levantamento do povo se fez sentir com excesso em todos os pontos da província. Henrique de Araújo Maciel244. Do partido do governo: Rebouças. E nisto cumpria o dever. depois do festim aludido. Daltro esquecia o posto que ocupava. deixando no meio daquela sociedade o gérmen da liberdade. pelo que não exercia suas funções de membro do conselho para que foi eleito. pedindo a deportação dos portugueses. O coronel Daltro envolveu-se na agitação dominante. e projeta depô-lo. que por mais de uma vez os partidos apelavam para o apoio da guarnição. Eles entraram no exercício de seus postos. que fugitivo por algum tempo. Suas determinações não o levaram até aí somente. de onde chegavam queixas. pois hoje mesmo há declaração de Republica. Opôs-se às pretensões que queria o partido corcunda exercer. membros do conselho. e da Nação determino a Vossa Senhoria escravos. e para isso convoca as forças de Itaporanga245. O descontentamento plantou-se na guarnição. Já vimos. Do partido oposicionista faziam parte o coronel Daltro. Daltro chegava excursão feita á fronteira de São Francisco. o padre Francisco Félix Barreto de Menezes. nem sempre podia domar o seu entusiasmo. as 244 Como co-réu da deposição que quis a guarnição fazer em 29 de abril. Daí o ódio. com o concurso de Henrique Maciel. Deus Guarde a Vossa 203 . como português que era. Subleva-se a tropa na noite de 1° de novembro. que se espalhavam em Alagoas e Sergipe. pela franca intervenção de Daltro no resultado da sentença sobre os culpados. para poder-mos defender o Trono do nosso Augusto Imperador faça já marchar para esta cidade essa companhia de Itaporanga. Espalha-se a noticia de que projeta-se uma representação ao governo. Não podemos contestar que algumas vezes se deixou exceder. sobre os oficiais culpados na deposição de 28 de abril. Daltro. O partido de Daltro acaba de obter uma vitória no julgamento da relação da Bahia. em que foram levantados morras aos marotos. agora estava absolvido. e todos os seus morador . Ele foge para o Rio comprido. e o coronel José Mateus Leite Sampaio e outros. e agregados. Quis defender os direitos de seus concidadãos. desarmonia que veio ainda mais agravar as condições de paz e ordem em que vivia a sociedade de então. 245 Em nome do Nosso Augusto Imperador. que na força pública sempre viu um poderoso auxiliar.Lutou contra tais hábitos e pregou a igualdade perante a lei. o coronel José Rodrigues Dantas e Meio e Major Manoel de Deus Machado. para ingerir-se nas lutas partidárias. as representações. sendo substituído por um irmão do presidente . José de Barros Pimentel. contra o prestígio do governador civil. a guarda do brigadeiro Domingos Dias Coelho e Melo.

Quartel do Maruim dois de Outubro de mil oito centos e vinte e quatro. talvez porque quase todos os militares o desobedecerão. Quartel General de Sergipe seis de Novembro de mil oito centos e vinte quatro. Em nome da salvação publica. e balia. José Rodrigues Dantas e Mello. Comandante das Armas Manuel da Silva Daltro desde a sua chegada a esta Província sempre caminhou fora da linha de seus deveres. e os Srs. a vista do estado em que se acha a causa publica. que era preciso sufocar. declaradamente. depois da conferencia de 9 de agosto. Em testemunho de verdade estava o signal publico. cumpria que o Exmo.” Reconheço a letra e firma retro ser do próprio contheúdo. Manuel da Silva Daltro. e cidadãos pacíficos dando mais evidente idéia do estado de consternação. e às determinações de S. Cristovão de d El rei onze de Novembro de mil oito centos e vinte quatro. Sebastião Gaspar de Almeida Boto. Ilustríssimo Senhor Alferes Manuel Ignácio Soares. Christovão. Conselho com a relação dos fatos. arrancando o momento. Em testemunho de verdade estava o signal publico Joaquim Antonio Peixoto. e enfim reclamou o testemunho do mesmo Exmo. e do Imperio. e se quiser defender o Trono Augusto da Sua Majestade Imperial convoque. e Gonçalves Valença. em que se viam as Famílias. M. medidas hostis. O perigo público era iminente. do Rosário247. O plano de deposição transpira e chega ao conhecimento oficial. S. resolvesse com o acerto conveniente.de laranjeiras246. Conselho. pois assim lhe determino em Nome do Imperador. Imperial: ―Ponderou mais que. que mataria preciosas vidas. onde se reunio Exm. para restabelecer a ordem. e já com todo Destacamento para esta cidade. que. Presidente ponderado ao Exm. praticado pelo commandante das Armas. Reconheço a letra e firma retro ser do próprio por comparação. São Cristovão de Sergipe d El-rei onze de Novembro de mil oito centos e vinte quatro. convocando o dia três para quatro de Outubro. e firma supra ser do próprio conteúdo. que tem empregado o mesmo comandante das Armas contra a existência do Governo. na salla das Sessões. olhando para ela. Tornava-se impossível continuarem na administração civil e militar Silveira e Daltro. e venha consigo isso já. e cidadãos comprometido perante este mesmo governo em conselho. Quartel General de Sergipe seis de mil oitocentos e vinte quatro. os Srs. e Comandante interino. e já. o presidente convoca o conselho que resolve o seguinte: ―Aos oito dias do mês de novembro de mil oitocentos e vinte quatro anos. não só Corpos de Segunda Linha. que o Exm. Reconheço a letra. João Fernandes Chaves e Manuel Vicente Carvalho e Aranha. Comandante das armas. José de Barros Pimentel. Presidente Manuel Fernandes da Silveira. que cuidaria. e Palácio do Governo. 204 . não o efetuando. a propósito de um movimento revolucionário republicano. Foi pelo Exmo. Ilustríssimo Senhor Brigadeiro Domingos Dias Coelho e Mello. Conselho sobre o estado alarmozo. e cidadãos conspícuos.” 247 Queira se achar amanhã três do corrente pelas dez horas da manhã. e da Nação. Em testemunho de verdade estava o signal publico Joaquim Antonio Peixoto. Joaquim Antonio Peixoto. em que estava a cidade. por ordem do Excelentíssimo Senhor Comandante das armas. tendo sido dado o Governo para seu Regimento a Lei de vinte de outubro. pólvora. capital da Província de Sergipe. Conselheiros Manuel de Deus Machado. Presidente o notável procedimento. Manuel da Silva Daltro Comandante das armas. Senhoria muitos anos. nesta cidade de S. em oposição à boa ordem. que foram convocados para tractar do restabelecimento da causa publica em perigo. não melhorou contudo de conduta: Expoz o mesmo Exmo. E concluiu. tendo-se o mesmo Comandante das Armas comprometido perante este mesmo governo em conselho. Senhor cadete Comandante do Destacamento das Laranjeiras. e Francisco Felix Barreto. como os Índios das Aldeãs de Pacatuba. e Japaratuba para atacar a cidade de São Cristovão sob o pretexto os mais absurdos. 246 Marche já. São Cristovão de Sergipe d´El-rei onze de Novembro de mil oitocentos e vinte quatro . quanto estivesse de sua parte. Convinha salvar a sociedade de uma sublevação. na Parada do Rosário pronto para marchar para Sergipe. trazendo todo armamento. por não comparecer os actuaes. Terceiro da Independência. em que a Guerra civil alteasse.

que foi chamado. que sofria. mez e anno.‖ 205 . ―No mesmo dia. De que para constar se fez a presente acta: Eu Antonio Pereira Rebouças o escrevi: Manoel Fernandes da Silveira presidente. Presidente feita a relação abrevidada dos factos pelo mesmo Commandante das Armas. Manoel Ignacio da Silveira.‖ ―No mesmo dia. Comandante das Armas para vir perante o Governo quanto antes. tendo de recahir o Comando interino em alguns Officiais Militares. Manoel Vicente de Carvalo e Aranha. Francisco Gonçalves Valença. era participar ao Governo. José de Barros Pimentel. continuando a Sessão. e que logo que estivesse restabelecido se apresentaria. José de Barros Pimentel. Manoel Fernandes da SilveiraPresidente. secretario o escrevi. Manoel Ignácio da Silveira. Presidente e Conselheiros a cima declarados. Conselho. Manoel Ignácio da Silveira. porque era susceptível pertencer a um dos Partidos. Presidente feita relação abreviada dos fatos pelo mesmo Comandante das Armas. Commandante das Armas Manoel da Silva Daltro. inxações em todo corpo. Conselheiro José de Barros Pimentel. Manoel de Deus Machado. que pelo motivo de moléstia.‖ ―No mesmo dia. foi apresentado ao Governo uma Partecipação do Exm. resolvendo o Governo sobre quem deve recahir o comando interino das Armas no seu impedimento. se propunha participar ao Exmo. Comandante das Armas Manoel da Silva Daltro. que fez para a beira do Rio S. ―Eu Antonio Pereira Rebouças o escrevi. João Fernandes Chaves. junctamente com o Ilmo. e confiança publica. e mais. João Fernandes Chaves. Sr. presidente. secretario o escrevi . Conselheiro José de Barros Pimentel. De que para contar se fez a presente acta. existentes. Presidente e Conselheiro acima declarados. Manoel de Deos Machado. mez e anno. que. ―Eu Antonio Pereira Rebouças. Commandante das Armas Manoel da Silva Dantro. capaz de destruir esses taes Partidos restabelecendo a harmonia. e que porque o Governo sabia que aqui não podia restabelecer por falta de remédios. que por esse impedimento se retirava a sua casa. E sendo pelo Exmo. que assim praticara para destruir uma facção que lhe era denunciado. Francisco Gonçalves Valença. Francisco Gonçalves Valença. vindo assim a não ser útil ao Imperador e á Nação. Manoel Vicente de Carvalho e Aranha. que se ia retirar para fora da Província.Manoel Fernandes da Silveira. Manoel Ignácio da Silveira. Manoel Vicente de Carvalho e Aranha. entretanto o mesmo Governo em Sessão permanente. que entretanto se reunira: comparecêo o Exmo. prometendo. ficando. estando em Sessão permanente o Governo da Província composto do Exmos. Francisco Gonçalves Valença. e demais estar ameaçado duma hidropisia pela falta de respiração.―Resolveu o Exmo. responder sobre o ponderado. dizendo que não era occulto ao Governo as moléstias que soffreu de estupor na marcha. fomentados pelo sobredito Comandante das Armas. promettendo. Manoel Fernandes da SilveiraPresidente. em virtude da Resolução antecedente. juntamente com Ilustríssimo Sr. e Professores. portanto. que entretanto se reunira: compareceu o Exmo. eram assim o de ficar reunido ao Governo da Província o Comando das Armas. por ser athé medida tão conveniente. que. perpetrados conta a boa ordem e segurança pública. ―Eu Antonio Pereira Rebouças. que se oficiasse ao Exmo. que achava em circunstâncias tão extraordinárias. E sendo pelo Exmo. que assim praticara para destruir uma facção que lhe era denunciada. nem por isso se acabariam as dissensões. e salutar. foi respondido pelo mesmo Comandante das Armas Manoel da Silva Daltro. João Fernandes Chaves. Francisco. que foi chamado. De que para constar se fez a prezente acta. Manoel de Deos Machado. que se ia retirar para fora da Província. perpetrados contra a boa ordem e segurança publica. Do que para constar se fez a presente acta. Governo. o meio idôneo. José de Barros Pimentel. em virtude da Resolução antecedente. foi respondido pelo mesmo Comandante das Armas Manoel da Silva Daltro. ―Resolveu o Conselho estar pela Participação do Comando das Armas. Manoel Vicente de Carvalho e Aranha. que pelo motivo de moléstia que padecia. mês e ano. estando em Sessão permanente o Governo da Provincia composto dos Exmos.

tomando posse a 15 de fevereiro de 1825. Em vista das medidas enérgicas postas em prática.Se a administração de Silveira não promoveu realização de melhoramentos que se tornava inadiáveis. contudo prestou o inolvidável serviço de restringir as ousadias do militarismo e da aristocracia levantando uma opinião pública e defendendo os direitos do povo. para a fatura administração. preparou um bom terreno. 206 . que foi dirigida por Manoel Clemente Cavalcanti de Albuquerque. conculcados pelos prepotentes da época.

que à força queria tomar posse do lugar de seu presidente. Cristovão. passaram a ser exercidas por novos funcionários. em 9 de março de 1825. que tinha provisoriamente sido anexado à presidência da província. Manteve a maior harmonia com o comandante das armas. tomou posse de seu cargo. que não levou a cabo. despachado ouvidor de Sergipe. Cristovão e promoveu os meios da edificação de um quartel. tinha de prestar seu contingente na defesa nacional. O comando militar.CAPITULO II SUCESSORES DE MANOEL FERNADES DA SILVEIRA ATÉ 1831. Daí os acontecimentos dos dias de janeiro de 1828. nos espaços do conselho. Por te falecido em dezembro de 1826. embarcando-se em Aracaju. não poupou esforços para sua vitória na eleição. promovido pelo tenente-coronel Manoel Rodrigues Montes. como membro do conselho mais votado. Edificou o palácio de S. Sua administração não seguiu os ditames da justiça e da imparcialidade. para manter sua autoridade. Tendo estado 207 . desde 2 a 10. Não só administração civil. de Montes. Tornou-se um administrador partidário. como as outras províncias. IDÉIAS REPUBLICANAS NA ESTÂNCIA E BREJO GRANDE. que formava então uma só comarca. a casa do trem militar. que nesta data. contra não só os desatinos. Cavalcanti de Albuquerque teve de dirigir sua atenção para melhoramentos que se tornavam inadiáveis. Em sua administração recebe a comunicação do governo imperial de ter declarado guerra às repúblicas do Rio da Prata. O poder municipal não encontrou apoio na administração. a província voltou à paz e à ordem. passava em 24 de outubro de outubo de 1825 à direção do brigadeiro Inácio José Vicente da Fonseca. MOVIMENTOS DE ABRIL DE 1831 Elementos inteiramente estranhos às paixões que se agitavam por esses tempos. abusando do poder. Membro de um partido. nos pleitos que então feriram-se para deputados á assembléia legislativa e membros da câmera da cidade de S. filho da província e imbuído das paixões que se agitavam entre os membros dos dois partidos. ainda hoje existente. em começo de 1827. Já estava então na administração interina Manoel de Deus Machado. o batalhão 26° de Infantaria. durante os quais a câmera esteve de sessão permanente. Alistaram-se voluntariamente alguns cidadãos a marchar para a guerra. Joaquim Marcelino de Brito. tomando posse do seu cargo. como as ofensas que este dirigiu aos membros do senado. Cristovão. como a administração militar. para protestar contra fraude eleitoral. autorizou o calçamento de Laranjeiras e S. tomaram a direção dos negócios públicos. A administração da justiça foi entregue também ao Dr. Mudado todo o pessoal dos negócios públicos. Sergipe.

em sessão permanente seus membros a reclamarem providência, tiveram de ceder ao peso dos desvarios do poder. Propagavam pela província idéias republicanas emissárias dos revolucionários de 1824 de Pernambuco. Do norte ao sul eles percorreram-na, incitando o povo a instituir um novo regime de governos. Em Brejo Grande, Antônio José de Albuquerque Cavalcante e José de Albuquerque Cavalcanti propagam as novas idéias. São perseguidos por Bento de Melo Pereira, que desde que rebentou a revolução em Pernambuco, defendia a fronteira do rio S. Francisco. A mesma propaganda faz o padre Francisco, em Japaratuba. Os propangadistas fazem do engenho do sargento-mor Francisco Rolemberg seu ponto de reunião. O movimento no sul foi mais ativo. No seguinte ofício do comandante das armas Inácio José Vicente ao conde de Lages, o leitor verá a comunicação que fez ele da propaganda republicana pelo padre Manoel Moreira:
―Pelos meus officios anteriores tenho participado á V. Exa. as noticias que me tem sido comunicado pelo Comandante das Armas da Província das Alagoas, assim como a suspeita de haverem nesta Província Emissários destinados a seduzir os povos para fins sinistros; e tendo empregado toda a diligencia da minha parte, pude descobrir o que consta do depoimento, que por 248 cópia levo á Prezença de V.Exa. , e que igualmente passei ás mãos do Vice presidente , por ser a quem compete mandar fazer os necessários procedimentos : hum dos principais agentes mencionados no depoimento he o Padre Manoel Moreira , o qual tendo já sido prezo na ultima revolução de Pernambuco em uma Embarcação que foi aprezada, conduzindo armamento dali, para a Povoação da Estância , depois que foi solto nessa Corte, não tem parado , fazendo continuas viagens para o sertão de Pernambuco , Alagoas e pelas Villas e lugares desta Província ; já se acham presos alguns dos apontados no depoimento , incluso o Padre Moreira , e continuo na diligencia dos mais . ―Logo que pude certificar –me da existência deste criminoso ajuntamento , procurei informar-me de algumas circumstancias, como V.Exa. verá da Carta incluza de Manoel José Ribeiro
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Termo de Averiguação feito ao Ajudante de 2˚Linha da Povoação da Estância, Antonio Ignácio de Brito. Aos vinte três dias do mez de dezembro do anno de mil oitocentos e vinte seis, no Quartel do Commantante do batalhão n.26 o Tenente Coronel Antonio Joaquim da Silva Freitas, onde comparecéo acompanhado de um officio datado do mesmo dia, dirigido pelo Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Brigadeiro Governador das armas, para ser indagado dos acontecimentos que tiverão lugar na Povoação da Esteancia, em huma das noites do mez de Outubro próximo passado, em huma céa com assuada por hum ajuntamento de pessoas que a ella concorerrão: respondeu, que a céa foi dada pelo padre Moreira, Franklin, na casa deste da outra parte do Rio Piapitinga; e que sabe que assistirão a céa o Alferes Maximo das Ordenanças, o Alferes Victorino de Melicias, o Tenente João Alves, o estudante Lima, Antonio Agustinho paysano, e outras muitas pessoas que se não lembra dos nomes, e que sabe, posto que não assistice, que a saúdes da meza erão feitas á liberdade, e que ouviram gritos fora o imperador e que nessa occasião passando hum homem do campo foi surprehendido por elles, e por pancadas obrigado a dar os mesmos gritos; e que sabe igualmente que a casa do dito Franklin são freqüentes as seçõens sobre estes obijectos, e que tão bem sabe que das Províncias do Norte veio á mesma Povoação Martinho de tal ao mesmo fim. e que depois de dias se retirou. Sabe por ser publico na Estância que o Alferes Joaquim José da Rocha se propunha a saquear alguns negociantes, e que ouvio dizer que o quis pôr em pratica com o Major Potella, o que deu lugar a elle fugir para a Província da Bahia, e que outros se tem mudado da Povoação, hum e outros embarcados, e que para esse fim tem a Populaça a quem elle enthusiasma, e que sendo o interrogado commandante das rondas algumas partes deu ao seu Commandante o Coronel Manuel Ignácio, mas que esse não lhe dando ordem para prender o não executor. E nada mas disse, eu Manoel José deMagalhães Leal, Capitão que escrevi.-Antoni Ignácio de Brito, Ajudante. -Manuel José de Magalhães Leal, Capitão. _Antonio Joaquim da silva Freitas, Tenente Coronel Commandante.

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d‘Oliveira ; este homen foi proposto para Tenente-Coronel Refomado do Regimento de Cavalaria novamente organisado na Estância ; he homem de bem, rico, e estabelecido na Estância, mas como

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Illm.e Exm. Sr. -A vista do officio e V.Ex.que neste momento me foi entrege vou satisfazer do melhor modo possível, ao que V.Ex. me ordena, e serto na segurança, que V. Ex. me comunica hirei continuando quando occorrerem novos motivos: a 10 mezes pouco mais ou menos appareceu aqui hum Franquelin vinda da parte do Carires aonde consta foi envouvido nas desordens, que la ouverão ao norte daquelles; não legalisando a sua vinda por passaporte, também o não fez do estado de Casado: apoiado por alguns parentes achou muitas amizades de alguns mansebos, e mesmo de pessoas da primeira ordem que em sua casa se ajuntam para jogar, e tão bem fala: repetiam-se para fora algumas cousas, que se falavam menos decentes, mas como tudo se encobria com a capa do ódio dos Européos , e estes vivem abatidos apenas se contentavam de estranhar, estas e outras taes em políticas, mudando, passado algum tempo, a sua residência para além da ponte do Rio Piauytinga lá continuou a freqüência com mais calor : chegado aqui obra de 6 mezes o Padre Manoel Moreira obteve logo distinto lugar nesta sociedade : hum tal edjunto lá e ouzava as vezes suas desconfiança, mas desvancia-se esta com a lembrança, de que lá se achava tão bem algumas vezes o Coronel Manoel Ignácio, Capitão –mór Joaquim Fontes para jogarem, e outras mais pessoas desta natureza, as quaes não logram a melhor opnião pública: na noute de 22, ou 23 de Setembro passou a cousa maior excesso que ajuntando maior número de pessoas houve comezana, e bebida ém abundancia passou-se de caza a rua, a depois ao Rio, e em qualquer destas partes hé assás público se falar francamente em liberdade, igualdade se tratava o nosso Imperador com os Epithetos, que a modestia ma não permita pronunciar: as autoridades elevando de algum modo dar satisfação ficaram endolentes, tratando a cousa de liberdade, e bebedeira foi, mas eu sempre ouvi dizer, que a bebedeira serve para lançar do peito aquillo que nelle está occulto: as pessoas, que se acham nesta acção se póde V. Ex.informar com mais legalidade de José Alves Vicente, lemos mandando hir a prezença de V.Ex., e dirá tambem o mais que a este respeito souber, por que me dizem o obrigaram a acompanhar o ranxo : o Padre Manoel Pereira que foi um dos da sucia seguiu 2 dias depois para Masseyó, e regressou no fim de 2 mezes, este padre filho de paes honrados, e bons cathólicos , affeissuou-se ao sistema republicano, e foi hum teimoso emissário, e apaixonado de Manoel de Carvalho de Pernambuco, e recolhido a fortaleza de S. João de Masseyó, passou da li ao Rio de Janeiro, donde não ser por que fatalidade escapou ao castigo a que tinha justiça: voltando o que continuou na sua doutrina divergente da boa ordem, e de mais apostolo do atheismo, que vergonha! Estas, e outras pessoas, que por pecados a que se contam hoje da primeira representação, formaram o círculo das associações da Estância, aonde sem duvida se tratando do sistema republicano, e anequilamento do Governo Imperial, desfigurando-se a idéa constitucional como não existente: ou estas, e outras patranhas enganam o povo principal mesmo a mocidade anuncia-lhe assim como fiseram os Francezes a liberdade e igualdade, a bens communs para todos. Deferentes partes eu tive avisos de pessoa mals afeissoados, de que se falava em saqua na mesma casa, e mais alguma: nem me atirei em taes avisos, nem os desprezei para tomar algumas cautellas . Sendo chamado pelo Coronel Manoel Ignácio para conferenciarmos sobre isso que se fallava, lhe indiquei algumas providencias, que julgava precizas, mas tal vez lhe não agradarão, porque se não seguirão: queria eu, que se fizesse ver a V.Ex., e ao Governo de Sergipe o estado em que se achava essa povoação; que se prendesse Joaquim da Rocha Sá que tendo agregados a si muitos homens, e todos maus, era sempre procurado para qualquer insulto, e mesmo para que estes homens vivam só de fazer mal, e comer o gado alheio: ora nesta parte algumas providências tem dado o Capitão- mór David de Oliveira Lima que tem feito prender alguns do tais e com isto se tem afugentado outras. Este Joaquim da Rocha indo ao chamado de V.Exa. voltou da capital dizendo por ser do que avisado que não chegasse a Sergipe por que era lá preso talvez não fizesse conta a esse, que fez tal avizo , que elle lá chegasse para não descobrir o inredo. A chegada da tropa poz alguns temerato, e outros em fuga, ora se a sua consciência esta socegada de que se espantam: o certo he que aqui há solapa, e mui contatos serão os que não estão iscados : lembra-me a propósito, o que disse o Impperador na Bahia no Congresso de Vienna da Austalia, quando da Ilha de Elba entrou na França Napoleão; quando a causa não se via nada se de principio se tatasse como grande; mas que poderia ser grande , se de princípio se tratasse com nada, applico esta pratica para o caso prezente. O Capitãomór Jose de Mattos, Major José Correia ,juiz ordinário José Tavares Ferreira, e o mesmo Capitão –mór David, são homens probos, e podem dar a V.Exa. huma informação mas circonstamciada , mandando -os V.Ex. chamar a cada hum por sua vez e delles será enteirado athé do nome dos anarquistas. Deus Guarde a V.Ex.muitos annos .Estancia 25 de dezembro de 1816. De V.Ex. Súbdito muito attento Venerador e Obrigado – Manuel José Oliveira .

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he Europeo, e ainda nesta Província desgraçadamente são odiados pelos perturbadores da boa ordem, elle recêa que aparêça o seu nome, por ficar exposto á algum insulto, e até mesmo com perigo da sua vida, razão porque certifiquei-lhe que as suas communicações serião de confidencia e unicamente para esclarecerem-me as idéas precisas para o andamento do negocio, circumstancia que julgo necessária, visto que, tendo-se praticado tão criminozos attentados, estava eu ignorante de tudo, e até mesmo enganado por alguns officiaes de quem confiava. ―Este acontecimento merece muita attenção nestas Províncias do Norte, aonde há grande abundancia de escravos, que são nossos verdadeiros inimigos, e hum dos recursos com que contam os anarchistas, accrescendo além disto nesta Província há grande quantidade de vadios, facinorozos, sobre os quaes continuo a empregar todo cuidado a vigilância , pois são os perversos que tem espalhado temores e desconfianças sobre os povos; elles não tem recursos e apoio para a sua premeditada insurreição, porem tem toda a disposição para por meio da anarchia perpetrarem roubos e toda sorte de crimes; he quanto tenho a honra de participar a V.Exa.afin de que se digne igualmente levar ao Soberano Conhecimento de Sua Magestade o Imperador.- Deus Guarde a V.Exa. Quartel do Comando das Armas da Província de Sergipe,29 de Dezembro de 1826. ―Illmº e Exmº Sr. Conde de Lages. ―P. S. – Tão bem já fica preso o Alferes Joaquim da Rocha Silva. – Ignácio José Vicente da Fonseca, Commandante das Armas.‖

Sergipe não era um terreno preparado para frutificação dessas idéias. Se o autor dessas linhas, em 1887, quando organizou o partido republicano em Laranjeiras, com o concurso de bons amigos, a maior oposição que encontrou foi a indiferença, pela falta de cultura popular e de uma consciência clara dos deveres cívicos, que poderiam fazer o padre Moreira na Estância, e os Albuquerques em Brejo Grande?! A idéia não tomou corpo. E ainda que, pelos documentos do tempo, vejamos que em redor dela iam se agrupando as adesões, sedo os membros do governo mataram-na, infligindo as penas da lei áqueles que tomaram parte nas reuniões do padre Moreira. A administração de Inácio José Vicente, como a de seu antecessor, nada consignou de útil à província. Durante ela procederam-se às eleições para deputados à assembléia geral e membros do conselho. A administração acaricia a candidatura do vigário Antônio José Gonçalves de Figueiredo, português e um dos mais ardentes oposicionistas da independência do Brasil. Estavam bem vivas na memória de todos as perseguições que infligiu ele aos sergipanos e o grande serviço que prestou em Sergipe à política de Madeira. Esta candidatura determina a oposição dos liberais à administração ´que buscou apoio no partido corcunda . O próprio presidente era o outro candidato. Foi derrotado no pleito. Isto determinou a prática dos maiores excessos contra os liberais, que tiveram de retirar-se da província,à qual voltaram, depois da morte de Fonseca , a 11 de agosto de 1830 .

P.S. esqueceu-me dizer que Franquelin tendo se retirado com sua família para o Recôncavo da Bahia apereceu aqui repentinamente escoteiro na noite do dia 5 deste mez e sendo avizado voltou pello mesmo caminho nesta mesma noite, tendo primeiro brotado mesmo que com gente da Caxoeira voltaria para matar marotos e Brasileiros :corre agora nota não sei se certa, ol falsa, que José Dantas lhe declarasse no caminho, e não o podendo apanhar-lhe pegara um cavallo . Ausentou-se em avizo o Sr. José Alves do Valle , e Antonio Agostinho da Rocha, e alguns mais que se occultavam não apparecendo também dizem-se ausentara o heroe Joaquim da Rocha Silva. V.Ex. não se enfastia em escrita que hé feita sem ordem para que as causas também se contam diversamente, e não hé meu intento desacreditar ninguen sem causa.-Manuel José de Oliveira.

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Achava-se no comando interino das Armas Bento de Melo Pereira. Como membro do conselho voltou novamente à administração Manoel de Deus Machado, até maio de 1831. A situação era do partido corcunda. Este partido, que na vida imperial de Sergipe foi o prolongamento do partido colonizador, nas lutas pela independência e pela emancipação; que opôs-se a essa conquista liberal, sempre aliado ao elemento português; que vendeu S. Cristóvão aos poderes da Bahia ;que traiu Burlamarque ; que promoveu a deposição de Silveira ; que sentiu-se irritado contra a propaganda de Rebouças, sobre a igualdade dos cidadãos perante a lei, agora, em 1831, retardava, sem ter coragem de uma oposição franca , a aclamação de Pedro II . Chegaram em fim de abril, as notícias dos acontecimentos do Rio de Janeiro de 13 e 14 de março. O vice –presidente Machado e o comandante das armas Melo Pereira eram suspeitos ao povo, pelas tradições do partido a que pertenceu. No mesmo dia da chegada do correio amiúdam-se as conferências em palácio, nas quais tomam parte os portugueses, que dominavam a atual situação . O povo convence-se de que o partido do governo retardaria a aclamação do novo rei. Reúne-se na praça pública com a tropa, pede a convocação do conselho e intima- lhe não só a deposição do vice – presidente o comandante das armas, como de todos os empregados filho de Portugal, que exercessem cargos públicos na província. O povo considerava-os traidores, estendendo sua suspeita ao próprio administrador civil e militar. Pede também a retirada do destacamento de 1ª linha de Alagoas, que então achava-se em Sergipe, igualmente suspeito à opinião. Eis os documentos oficiais:
“Sessão extraordinária do dia vinte e nove de Abril de mil oitocentos e trinta e hum-Aos vinte e nove dias do mez de Abril de 1831, nesta cidade de S.Cristóvão capital da Província de Sergipe, no Palácio do Governo, e Salla das Sessões do Conselho do mesmo, compareceram o Exm. Sr.Vice-Presidente, e Conselheiros Luís Antonio Esteves, Ignácio Dias de Oliveira, Alexandre da Cruz Brandão, Serafim Alves da Rocha, e Antonio de Araujo Peixoto Bessa; e aberta a sessão, presente a Câmara Municipal desta cidade, foram lidas duas Representações, que hontem fizeram o Povo e Tropa reunidos, que moveram esta reunião extraordinária, as quaes são estas. -Primeira: Illm. e Exm. Sr.- o povo reunido e os abaixo assignados representam a V.Ex. o seguinte: Que quanto antes reuna o Conselho deste Governo para deliberar e dar providencias a certos Artigos, que tem de offerecer, afim de que em nome de S.M. o Imperador Constitucional o Sr. D.PedroII e a Regencia Brasileira, se satifaça a vontade do mesmo Povo e Tropa desta Província. Deus Guarde a V.Ex. Quartel em reunião do Povo e Topa desarmada em Sergipe 28 d’ Abril de 1831 .Illm. e Exm. Sr. Capitão mor Manuel de Deus Machado Vice – Presidente desta Província, Antonio José da Cruz e Menezes, Coronel Graduado e Comandante do Batalhão n.127 de 2ª linha, José Domingues de Souza Brandão, José Joaquim de Sant’Anna, Capitão Ignácio Marques de Vasconcellos, Alexandre da Cruz Brandão, Joaquim Moreira de Vasconcellos, Alferes José de Torres Jordão,Alferes da 1ª Compª, Florencio d’ Araujo Góes Tenente, Francisco Borges da Cruz Capitão, Marcellino Pereira de Vasconcellos, Antonio Manuel de Faro Leitão, Luis Antonio da Silva, Josá Malaquias Dormundo Rocha, Manuel Felipe Vanique, Silvério José Gomes, Francisco José Gomes, João José Gomes de Souza Prelelué, Tenente, José doValle da Penha Padilha Alferes, Manuel Francisco de Araújo Brazileiro, Manuel Benjamin da Rocha, Luiz Pereira Leitão, Vicente Ferreira de S. Paulo, José Joaquim Moreira, Antonio Soares d’ Andrade, Manuel do Amparo, Pedro de Ratos da Cruz Cabrinha, Rodolfo Caetano da Fonseca, João Chrisostomo, Manuel Ciriaco do Valle Neuma, Luis Moreira Jordão, José Manuel Pereira, Joaquim Ribeiro da Cunha , José Joaquim de Jesus, Pornício Ferreira, José dos Santos, José Nunes de Jesus Antonio da Cruz, Manuel Bonifácio: - Segunda: Illm. Exm. Sr. Vice –Presidente, - O Povo e Tropa reunido nesta Capital respeitosamente acaba de receber o officio de V.Ex. datado de hoje 28 do corrente pelas onze horas de noute;todavia não satisfeito com a demora da reunião do Conselho protesta a V. Ex. em Nome de S.M. o Imperador o Sr.D.Pedro2ª por toda e qualquer demora que passe de momentânea, significando á V.Ex. que casos taes exigem a maior brevidade. Designe-se pois V.Ex. a mandar logo e logo reunir o Conselho do Governo, que em

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tal caso podem servir os Supplentes até de hum voto , afim de que, ouçam a vontade do Povo e deliberem com justiça, na fórma da Constituição e da Lei, sem o que se não dissolverá o Povo e a Tropa reunida, affiançando porém a V.Ex. que se observará a maior tranqüilidade e público socego da parte do Povo e da Tropa reunida nessa Capital, assim como protesto em nome de S.M. o Imperador da Nação Brazileira por qualquer insulto ou perseguição que o pacífico Povo e Tropa possa receber de qualquer outra Tropa, que aqui não se acha reunida. Deus Guarde a V. Ex. Reunião do Povo e tropa na rua do Varadouro nesta Capital aos 28 de Abril de 1831 pelas onze horas da noute .Antonio José de Cruz e Menezes Coronel Commandante, José Joaquim de Sant’Anna Capitão, Ignácio Marques de Vasconcellos, Tenente, José de Torres Jordão Alferes da 1ª Compª, Joaquim Moreira de Vasconcellos Alferes, Luis Pereira Leite Particular Porta Bandeira, Manuel Joaquim de Araújo Brasileiro. “E offerecendo o Exm. Sr. Vice –Presidente todo o referido nas ditas duas Representações á Deliberação do Conselho, leu-se huma outra Representação que o povo e Tropa os dirigiram ao Exm. VicePresidente e Conselho, a qual hé a seguinte: - Terceira; Illm. e Exm. Sr.Vice-Presidente e Conselheiros do Governo – O Coronel Commandante do Batalhão de Caçadores n.127de 2ª 1ª do Exército Tropa e Povo a que reunidos, vendo que violentas infracções de Constituição se tem commettido nesta Província e dezejando a segurança da Tranqüilidade Pública, garantida pela mesma Constituição tem deliberado levar ao conhecimento de VV.EE. os seguintes quesitos, afim de serem justamente providenciado como urge o bem da Pátria. Primeiro: que seja demittido do Comando interino das Armas na fórma da Lei de 20 de Outubro de1823, o Coronel Bento de Mello Pereira, para responder as infracções que tem commetido, sendo para o mesmo nomeado o official de Patente superior mais antigo- Segundo: que sejam laçados fóra dos Empregos todos os indivíduos nascidos na Europa Portugueza por serem reconhecidamente inimigos da Constituição e do Thesouro Imperial bem como aquelles Brasileiros infames, traidores à sua Pátria: substituindo os ditos Empregos os Brazileiros da confiança Publica.Terceiro: que na reunião do Exm. Conselho sejam excluídos dous Membros delles o Portuguêz Vigário Geral Luiz Antonio Esteves, e o referido Coronel Bento de Mello Pereira, por serem assaz suspeitos. Quarto :que qualquer força contra a Tropa e Povo aqui reunidos será considerada como aggreção hostil, e em taes circumstancias o mesmo Povo e Tropa não hesitarão em vingar com todo o furor das Armas tamanha offença. Quinto:que o referido Coronel Commandantes do Batalhão n.127 a quinze meses preso por prepotente intriga do interino Commandante das Armas, fique em plena liberdade, gosando dos seus direitos, que lhe outorga a Lei, e que seja conservado no Comando do referido Batalhão, que por Concessão Imperial lhe foi conferido, visto que por sua probidade, intelligencia, patriotismo e bons serviços, se faz digno da opinião Publica, e de ser reconhecido por official Benemérito. Sergipe em reunião de Tropa e Povo vinte e nove de Abril de mil oito cento trinta e hum, décimo da independencia do Império. “Immediatamente em virtude do Art.º 3 da dita Representação se retirou o Conselheiro Luiz Antonio Esteves, e voluntariamente o Conselheiro supplente Antonio d’Araujo Peixoto Bessa. “Pondo-se em discurção o Primeiro artigo da citada Representação resouveo o Conselho depois de ouvida a Câmara Municipal, que fosse demittido do Comando interinodas Armas desta Provinsia o Coronel Bento de Mello Pereira, por assim instar a Cauza Publica, na forma do Artigo 24 § 14 da Lei de 20 de Outubro de 1823, e mais que o substituísse o Coronel José Antonio Neves Horta, por ser o official de Patente mais antigo, e que se officiasse ao mesmo para sua intelligencia, e devida execução. “Quanto ao segundo Artigo da terceira Representação do Povo e Tropa reunidos, deliberou o Conselho, que ficasse addiado para a próxima Sessão ordinária na parte relativa aos Empregados Portuguezes Civis e Eclesiásticos, que emquanto aos Militares se officiasse ao Commandante das Armas, para dar as providencias que forem análogas às circunstancias. “Resolveu o Conselho quanto ao Quinto e ultimo Artigo daquella Representação, que se officiasse ao Exm. Commandante das Armas, afim de, logo que tomar posse, fazer cumprir o mencionado Artigo Quinto e ultimo, como nelle se requisita. “E de tudo para contar se lavrou esta Acta, na qual assignarão o Exm. Vice-presidente, Conselho, e Câmara Municipal, que eu Francisco Benicio de Carvalho Aranha de Vasconsellos official Confirmado da Secretaria do Governo, do impedimento do secretario, escrevi.-Manuel de Deus Machado, Serafim Alvares da Rocha Rocha, Ignácio da Silva de Oliveira, Alexandre da Cruz Brandão, Antonio José Barbosa Leal, Innocencio da Costa Pinto, Francisco Gonsalves da Cunha, José Marques de Oliveira, José Domingues de Souza Brandão, Luiz Coréia de Caldas e Lima, Florêncio de Abreu Góes, Marcellino Pereira de Vasconcellos, Antonio Joaquim da Fonseca Neves. “Sessão extraordinária de trinta de Abril de 1831. “Aos trinta dias do mez de Abril de 1831, nesta cidade de S. Cristóvão, Capital da Província de Sergipe, em o Palácio do Governo e Salla das Sessões do Conselho, lida, approvada, e assignada a Acta antecedente presente

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o Exmº Sr. Vice Presidente, e Conselheiros e o Coronel José Antonio Neves Horta, Capm. Ignácio dias de Oliveira, o rev. Serafim Álvares da Rocha, o Capm. Alexandre da Cruz Brandão foi entregue huma nova Representação do Povo e Tropas reunidas, que hé a seguinte: - Quarta –Illmº e Exmº Conselho, a Tropa e Povo reunidos tem de mais á por na presença deste Exmº Conselho os dous quesitos seguintes, que, respeitosamente pedem o seu immediato cumprimento. Primeiroque o mesmo Exmº Conselho de quanto antes as providencias apontadas no Artigo da Representação de homem que condescentemente ficou adiado em que se pedio fossem demittidos dos Empregos Públicos todos os Potuguezes, ou Brazileiros nascidos em Portugal que se tem tornado suspeitos e de ma fé ao Systema que felismente nos rege, bem como todos aquelles que supposto tem o seu natalício no Brazil, na mesma forma tem incorrido no mesmo crime: por exemplo da Secretaria desta Presidência o Secretario della José Pedro de Faria, entrando no exercício deste Emprego hum Brazileiro de confiança Publica: da Administração do correio o Administrador della Manoel dos Santos Silva; da Administração da Fzenda Publica o Thesoureiro da mesma Francisco Soeres Vieira de Melo, o qual inda hontem no Acto desse Exmº Conselho deo, ou por melhor dizer confiremou a sua má fé para com o predicto Systema; da Barra do Cotiguiba o Patrão Mor della Ignácio José de Freitas, e o Fiscal da mesma João Coelho São Paio, da Cadeira de primeiras Letras desta Capital Antonio Jose Peixoto Valladares ; Finalmente todos os mais nas m esmas circunstancias, os quaes confiamos e entrgamos ao arbítrio do mesmo Exmº Conselho para o respeito delles executar na forma daquella requisição, bem como José Manoel Maxado e Joaquim Antonio Peixoto et cetera. Segundo, que de dous dias peremptórios seja retirado o destacamento das Alagoas, que guarnece esta Província para assim se evitar conflictos de jurisdicção entre o mesmo Destacamento, e a Tropa de Segunda Linha desta capital, visto que já tenha aparecido defeiçoens entre huns e outros soldados, e mesmo porque na faustíssima noute de 28 do corrente quando, divulgada a feliz notícia da Exaltação ao Throno Brazileiro do Muito Alto e Augusto Príncipe o Sr. D. Pedro 2º, congregados todos os Brazileiros Militares e Civis , só do predicto. Destacamento não se reunio hum só Soldado, antes correrão asseleradamente (suppõe-se que por ordem do seu chefe ) ao Quartel respectivo onde junctos esperavam, talvez o mais leve asseno das Authoridades para accometterem hostilmente a Brasileiros desarmados, que soltavam Vivas ao Nosso Monarcha Brazileiro, á Pátria, á Constituição e á Liberdade. Reunião da Tropa e Povo em Sergipe 30 de Abril de 1831. “E logo pondo o Exm. Vice-Presidente à discussão o primeiro Artigo daquella Representação, foi unanimmente resolvido, que fossem desde já demittidos provisoriamente todos os Empregados Civis e Eclesiasticos, nascidos em Portugal, até ulterior deteminação de S. M. o Imperador Constitucional o Sr. D. Pedro 2º a quemo Governo devia participar esta resolução que lhe extenciva aos Brasileiros apontados na citada Representação o Povo e Tropa reunidos. Pondo-se igualmente em execução a segunda parte da Representação foi resolvido que fosse mandado retirar para a sua província o destacamento de primeira linha aqui estacionado, substituindo-o as Milicias até Imperial determinação, effectuandosse a retirada no prazo de dous dias improrogaveis. “De tudo para constar se lavrou a prezente Acta na qual assignarão o Exmº vice-Presidente, Conselho e Camara Municipal, que eu Francisco Benicio de Carvalho Aranha Vasconcelos, official confirmado da Secretaria do Governo, no impedimento do Secretario o escrevi.- Manoel de Deus Machado. – Ignacio Dias de Oliveira.- José Antonio Neves Horta. – Serafim Alvares da Rocha. Alexandre da Cruz Brandão. – Antonio José Barbosa Leal. – Francisco Gonçalves da Cunha.- José Dominges de Souza Brandão. – Inocencio José da Costa Pinto. – Antonio Joaquim da Fonseca Neves. – Marcelino Pereira de Vasconcelos. – José Marques de Oliveira. – Luiz Correia Caldas. – Lima Florencio de Araujo Goés. (Sessão ordinária de 2 de maio de 1831). “Aos duos dias do mez de Maio do anno de mil oitocenteos e trinta e hum nesta cidade de S. Christóvão, Capital da Provincia de Sertipe no Conselho do Governo comparecerão o Exmº Vice – Presidente da Provincia, Capitão Mór Manoel de Deus Machado, o Coronel Bento de Mello Pereira, Capitão Joaquim Martins Fontes, e os Conselheiros supplentes o Capitão Mor Ignacio Dias de Oliveira, Tenente Coronel Manoel da Cunha Mesquita, e Tenente Coronel Antonio Rodrigues Montese o Rev. Vigario Geral das Cacantes Serafim Alvares da Rocha Rocha, por terem dado parte de doentes os actuaes o Ver. José Francisco de Menezes Sobral, Vigario Gonçallo Pereira Coelho e o Conselheiro José Pinto de Carvalho, que sendo chamado não compareceo. “Derão principio aos trabalhos da Sessão Ordinaia, mandando-se fazer a leitura da Lei de 20 de Outrubro de 1823, finda a qual exigio o Exmº Sr. Vice Presidente, que os Menbros do Exmº Conselho propuzessem e lembrassem o que melhor julgarem convir ao bem estar da Provincia. “Logo indicou o Exmº Conselheiro Rocha Rocha que a Camara Municipal desta cidade reuniada e mais cidadãos, que prezentes se achavão, receiozos coma noticia de que na Sessão de hoje se pretendia anular em todo ou em parte o que se havia deliberado e resolvido pelo Exm. º conselho nas duas ultimas Sessões extraordinárias de vinte e nove e trinta do mez passado pela menor falta e cumprimento dellas protestavão na prezença desta Excellentissimo Conselho levar o seu protesto de queixa à Regencia de S. M. o Imperador o Sr.

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Sr. que eu Francisco Benicio de Carvalho Aranha e Vansconcelos. por ser o membro mais votado do conselho. Ele resolve porém. por ser José Pinto português. Do que para constar se lavrou a presente acta em que assignão o Exmº Vice Presidente e Conselho. de acordo com o comandante interino. Sebastião Gaspar de Almeida Boto convoca reuniões em Maroim e no Rosário. Sr. que o Exm. “O Exmº. o qual tomou posse a 23 de julho. – Ignacio Dias de Oliveira.. e ao tenente-coronel de estado maior. – Manoel da Cunha Mesquita. que assumisse a administração o padre José Francisco de Menezes Sobral. Vice Presidente de acordo com o Conselho marcou os dias sabbados. pelas urgentes providências tomadas pelo Padre. escrevi. O governo imperial aprovou o procedimento do Conselho e nomeou o Dr. – Natonio Rodrigues Montes. – Joaquim Martins Fontes. depois de Manoel de Deus Machado. offial confirmado da Secretaria do Governo. Então. Vice Presidente da Província sem a menor perda de tempo fizesse cumprir tudo quanto se havia resolvido nas ditas Sessões extraordinárias para o bem estar e segurança da província: ao que todo o Conselho reunido asseverou ser vaga a notícia que moveo ao dito Corpo Municipal e Cidadãos a comparecer nas salas das Sessões. que tomavam a feição de revolta. a fim de reivindicar os direitos de seu cunhado José Pinto. – Bento de Mello Pereira. 214 . Foram improfícuos os protestos de Boto. no impedimento do Secretario.Manoel de Deus Machado. e segundas para os trabalhos do mesmo conselho. Membro do conselho.Pedro 2º e que de mais requerirão. comandante das armas..” A José Pinto cabia o direito de assumir a administração. José Joaquim Machado de Oliveira. o brigadeiro José Antonio Neves Horta.Serafim Alves da Rocha Rocha. presidente da província. Joaquim Marcelino Brito.

em manter a ordem e a paz no seio da população.é um período de agitação de paixões políticas. por Decreto de 9 de agosto de 1832 e preocupava-se com a canalização dos rios Japaratuba e Pomonga. e pelo lado administrativo caracterizou-se pela defesa da prosperidade pública. pelas provas de uma inteireza de caráter.CAPÍTULO III GOVERNO DA REGENCIA. Dr. com as feridas ainda sangrentas que lhe fizeram os promotores de sua deposição em 29 de abril. as administrações colocaram em plano inferior esses interesses. de assassinatos. abafou as paixões e fez uma administração que correu pacificamente. Dr. que foi autorizada pelo Decreto de 25 de outubro de 1831: erigiu a vila de Laranjeiras. pensando mais na prosperidade pública. aos interesses de uma política local. saturado das paixões políticas. Principiaram a convencer-se de que o papel do administrador não é zelar os interesses políticos do partido a que pertence e sim o bem público. fez com que sua nomeação fosse bem vista e geralmente bem aceita. por conseguinte não se acharem ligados aos interesses de família. Manoel Ribeiro da Silva Lisboa (1835). Ele começa na adminstração de Bento de Melo Pereira. Dr. No período anterior pensava-semais nos interesse partidários do que no bem geral. que por ser natural da província. Acabou as dissenções. e. pelo talento e pela ilustração. O renome que já tinha na província do Dr. a fim de facilitar as vias de comunicação: lembrou a transferência da sede de vila de Santa Luzia para a Estância. Marcelino de Brito. Além disto eram homens de reconhecida competência pelo caráter. Manoel Joaquim Fernandes de Barros (1836). tão convulcionada pelos acontecimentos passados. mantendo a ordem e desenvolvendo o progresso. elevando a justiça acima de todos os interesses e paixões pessoais. que se estende de 1836 a 1842. O segundo período. José Joaquim Geminiano de Moraes Navarro (1834). REVOLUÇÃO EM SANTO AMARO EM 1836 Os primeiro dias do governo dos delegados da regência foram dias calmos e pacíficos. Contribuíram para isto não só a maior disseminação da instrução como os primeiros administradores não serem filhos da província. em ampliar a instrução pública. no desempenho do cargo de ouvidor que exerceu em 1825.1836 forma o primeiro período da regência. Eles são: Dr. abetas por seus antecessores. de prepotência dos mandões. que se caracteriza pela iniciativa do governo em promover o melhoramento da província. O período de 1831. por iniciativa de Antônio José da 215 . Apresentou medidas para melhoramento das barras e das estradas. de critério e de ilustração. de desprezo da lei. tão alterada nos dias de abril. em defender os direitos do povo. estimulando a prosperidade geral. obstruiu as vias de prosperidade. de rapinagem. Joaquim Marcelino de Brito. No período que se segue aos movimentos de abril de 31. Todos viram na pessoa do novo presidente a garantia de seus direitos e da ordem pública. Pelo lado político caracterizou-se pelo congraçamento dos partidos. ignorante.

apresentam seu relatório do seguinte plano de canalização: um canal entre o porto da Goiaba e Riachuelo Timbó. ampliando o plano.J. Refutação ao memorial do comendador Antônio José da Silva Travassos. convoca os lavradores de Sergipe na vila do Rosário. Além das 250 251 Antonio José da SilvaTravassos . estabelecendo assim uma navegação fluvial.Silva Travassos. adiaram a realização desse melhoramento. quando foi demitido. Não se pode contestar a Silva Travassos a iniciativa deste importante melhoramento e de outras medidas. estabelecendo uma navegação interna. depois de três meses de trabalho. para realizar melhoramento de tão grande monta. demonstra a parcialidade da contestação. porque ele queria comunicar os rios da província. 42. o outro entre este rio e o Pomonga. E topogr. que juntamente com Travassos exploram a província e. em 2 de outubro de 1828. Navarro seguiu a mesma linha do seu antecessor. que só veio ter começo de execução na administração do Dr. para facilitar a exportação dos produtos da bacia de Japaratuba. no começo do ano de 1835. para chegar a navegação até o rio poxim e o de Sta Maria. Os caprichos da política e os isteresses dos trapicheiros de Maroim. Para isso teve de pedir ao governo geral um engenheiro para dirigir os trabalhos. lembrado a realização desse projeto. Manoel Ribeiro da Silva Lisboa. e levantar a carta histográfica. tal o restígio da autoridade do presidente. José Joaquim Geminiano de Moraes Navarro. O governo Imperial atende à reclamação de seu delegado e manda o tenente coronel de engenheiros Euzébio Gomes Barreiros. com a abertura do canal entre Japaratuba e Pomonga. Não realizou sua aspiração.251 O simples fato de ter Travassos. em uma petição dirigida à câmara de Santo Amaro. José Antônio de Oliveira e Silva (1852). p. Inácio Joaquim Barbosa (1854). p 44 216 . outro entre o rio Paraí e riacho Farinha. não obstante a contestação de alguns seus comtemporâneos. passando a administração ao Dr. que tomou posse em 29 de Outubro de 1833250. ao Dr. abre uma subscrição para encetar as obras.253 O estado financeiro da província não permitiu a realização deste gigantesco projeto. Ele representa a manifestação do espírito de revolta contra a política autoritária dos mandões de então. sendo concluído na administração do Dr. Hist. que se julgaram prejudicados coma abertura do canal de Japaratuba. qua facilitasse as vias de comunicação tão atrasadas. porque passou a administração. A idéia da canalização dos rios Japaratuba e Pomonga quis pôr em prática. e não houve a menor alteração. Na administração de Brito feriu-se o pleito para deputado à assembléia legislativa252 e membros do conselho. e enquanto pede auxílio aos cofres gerais. Plano gignatesco este de ligar os rios da província. para comunicar o rio S. Os pleitos eleitorais eram causas ocasionais de alteração da ordem. que não acariciou candidaturas mantendo-se completamente estranho à luta dos partidos. Da Provincia de Sergipe. Travassos . 252 Foram eleitos Antônio Fernandes da Silveira e Joaquim Martins fontes. Cit. sobrea navegação dos rios Pomonga e Japaratuba por um Japaratubeiro.. porque ali eram depositados os gêneros exportados de Japaratuba. Travassos figura na política de Sergipe no tempo da regência e no segundo reinado. levando-a até o rio Real. desde o S. em março de 1833. Francisco até o rio Real. Francisco com Japaratuba. Dele falaremos adiante. da S. Apont. op. 253 A. levando a navegação até o rio Vaza-Barris.

Vimos que o primeiro jornal foi criado em 1835. corpo que já existia. e os agentes da arrecadação nem sempre prestavam suas contas. como pela força do elemento de família. e nesse ano imprime-se o primeiro jornal. e de alguns do primeiro reinado. como importante fator da civilização. da Capela de Maroím. De 6 de março de 1835 217 . Estabeleceu na Estância o ension da filosofia e da língua francesa.vantagens reais de unir as zonas produtoras. 254 Decret. Estabeleceu o provimento por meio de concurso. como não serem prontamente e em pequeno período de tempo corrigidos por algum administrador que tivesse a consciência clara de seus deveres. ampliou os reucursos da justiça. determinaria o povoamento rápido. elevnado-as a quatro: S. Nem sempre a lei era a garantia dos direitos do cidadão. que chegava a vencer a ação da lei. ficando seus promotores sem punição. Cristóvão. às vezes. que até então não eram publicados. Os dinheiros do erário público não eram fiscalizados. não poderiam vencer os hábitos de arbítrio das autoridades e da pouca observância dos preceitos legais. contra aqueles que não estavam nas graças do poder. e com o fim de garantir a autonomia do Estado. Havia já em Sto Amaro o enisno do latim e ele transfere a cadeira para o Rosário. dando uma nova divisão aos municípios e termos. extinguido a Thomar do Geru. que dela se ocupavam com detrimento do bem geral. como governador de Sergipe. Aumentou o número da força dos Permanentes. Estabeleceu o regímen da publicidade dos atos oficiais. tratou de pôr em vias de realização este melhoramento. Elevou a vila a povoação de campos de Itabaianinha. e nãotinha um órgão de publicidade. não há a compreensão nítida dos deveres sociais. Era o descuido da legislação colonial relativamente a instrução e sua distribuição pelas camadas sociais. Estância. entregue a mãos vingativas. Compreende-se perfeitamente que sem cultura popular. A justiça. nem impressos. Havia uma causa muito poderosa para não só terem-se eles implantado. depois da proclamação da Repúblia. Porto da Folha. elevando-o a duzentas praças. que foi por ele aberta. Criou 7 cadeiras de primeiras letras do sexo masculino e outras tantas do sexo feminino. com uma inevitável conseqüência. Os antecedentes vinham de longo e extenso passado. com onome de Noticiador Sergipense. Se a política não preponderasse tanto no espírito dos homens da quele tempo. Por maiores que fossem os esforços destes adminstradores. cujos benefícios se poderia aquilatar pela emancipação do comércio. hábitos inveterados na sociedade de Sergipe. Aumentou o número das comarcas da província. O pouco tempo que duraram estas adminstrações foi insuficiente para acabar os abusos que se ptaticavam na província. ter-se-ia antecipado a realização desse melhoramento. E esse descuido era quase que absoluto. Santo Amaro de Maroím e Vila Nova254. prestava-se à satisfação de paixões pessoais. E convicto disto foi que o autor destas linhas. não só pelas ligações políticas que os protegiam. Na administração de Navarro teve lugar a primeira sessão da Assembleia Legislativa. de acordo com as tendências centralizadoras do regímem monárquico. Além de disseminar a instrução. Sergipe já tinha certa emancipação política e administrativa.

obrigando à prestação de contas os agentes fiscais e proibindo completamente a imortação dos africanos. era o do triumpho da Lei. Punindo e proibindo o tráfico. quase sem meios. principal sede do comércio negreiro. com a provocação de dous fortes poderosos partidos que tentavam reciprocamente hostilisarem.O número de escolas como veremos no seguinte capítulo. ele em Sergipre. enquanto os deputados entregavam-se à calúnia. Enquanto no Rio. Aurorizou até a busca nos engenhos. Ex. Os representantes de Sergipe na Assembléia Geral. que se ia incendiando em Santo Amaro. para depor a Assembléa Provincial. pelo dois deputados . ele prestava estes grandes serviços. O excesso da medida desaparece perante a nobreza da causa. a fim de ver se existia algum africano recentemente chegado. consolidado a paz‖. e aí escovavam sua casaca. de educação cívica e abafava um movimentro revolucionário. Resolveram com as armas. E o fizeram e o alcançaram. sendo depositados os infelizes na Estância. desse desrespeito à lei e do abuso do poder. a política da camarilha dos dois deputados incrementava as maiores calúnias contra o administrador. Silva Lisboa proibi-o completamente. Ela era uma subcorte. sustentado a lei. opor-se à execução da lei. Afagavam as tradições desta vila. cujo poder municipal tinha tanto contribuído para o desenvolvimento da civilização da província. Isto descontentou profundamente seus habitantes. ou por terra. não obstante a promulgação da lei que aboliu o tráfico. chamando ao cumprimento do dever as autoridades. padre Manoel Silveira e Joaquim Fontes. que se continuou a fazer em larga escala na província. Por ela passavam os habitantes do norte que visitavam a capital. 218 . cujo desenvolvimento já reclamava esse acesso. Pois bem. Ele ainda fazia-se por mar. principiam a acusar o presidente. vejamos a adminstração do Dr. e da sua pacificação. punindo os contrabandistas com severas penas. essas faltas. Determinada a causa mais geral desse hábitos. E o fez pela Lei de 19 de agosto de 1835. prestava o grande serviço de plantar hábitos de legalidade. e com huma conspiração urdida na capital. terminava eu o mais importante serviço para aquella província. que compreende o ano de 1835. dezia ele na resposta que deu à carta escrita ao ministro do império de então. ―nesse mesmo dia recebia eu as congratulações da Assembleia Provincial e os agradecimentos do povo por haver. cortados todas as avenidas da guerra civil. e sem sangue. ―Nesse mesmo dia. chamando às contas as autoridades imbecis e fraudulentas. Silva Lisboa compreendeu que a melhor soluçãoera comvocar a Assembléia. compreende-se que sua adminstração havia de descontentar os interessados. hábitos que caracterizavam aquela sociedade completamente imersa na ignorância. era diminutissimo. Ele se caracteriza principalmente pelo programa de corrigir esses hábitos . esse miserável libello e lho prstava todo o apoio ministerial. em que lia V. e sem lagrima. relativamente ao número de habitantes. manter a sede da vila em Santo Amaro e criar a vila de Maroim. Realmente a lei provincial de 17 de Janeiro de 1835 tinha transferido a sede da vila de Santo Amaro para Maroim. em lucta durante vinte e dous dias com a sedição de Santo Amaro. Manoel Ribeiro da Silva Lisboa.

onde casou-se e morou no engenho Jesus Maria José. Estudemos o homem. até que chegasse da Bahia o Dr. Em 19 de Outubro Dias de Oliveira passa a adminstração ao tenente-coronel Sebastião de Almeida Boto. ―Os deveres do meu cargo não se circumscrevião somente nos objectos da Capital. junto a Laranjeiras. e de não saber governar nem a sua própria casa!‖ Solicitpou sua demissão. como cessar innumeros assassinatos. Na França desempenhou comissões de valor cintífico. como para dar impulso ao seu comércio progressivamente decadente. tinha a educação européia. Envolveu-se na política. melhorado o cáes. no que me fi mister empregar para a conseguir inifinito trabalho. era um químico consumado. desfrutava a capiraç a abundância e o comércio que se tinha estabelecido ente ela e as vilas circunvizinhas. 255 Silva Lisboa ocia à câmara em data de 9 de outubro passado a administração ao vice-presidente. Lá firmou a competência de um brasileiro de talento. passando a administração ao ilustrado Dr. a propósito do inventário do Coronel José de Barros Pimentel. obtem os resultados dos melhoramentos que projecta. havia repartido por todas as comarcas para as policiar. que ficou na presidência. Realmente. Os meus esforços o conseguiram e nessa ocasião em que os seus deputados deprimiam o meu crédito. de certo que bastantes provas dá da sua incapacidade mora. Manoel Joaquim Fernandes de Barros255. seu correligionário. em 1836. Envolveu-se no pleito para Deputado à Assembleia Geral. com o mesmo zelo tinha organizado as guardas N. que atestam o seu saber. Formou-se em medicina em París. pelas suas qualidades. com que consequi fazer não só cumprir as Leis. comprado o terreno para cãs de correção ejá principiado: aberto novas ruas. no qual figurou Almeida Boto como tutor testaentário do menor Gaspar. Veio da Europa para Sergipe. E aí estão suas obras sobre química e mineralogia. promovido a iluminação da cidade. contratado a abertura do canal Japaratuba. e taes vantagens Lea a effeiro. ―Quem nos tirocínios de sua administraçã. de entre os quaes se contavão as mais ricas e poderosas famílias da terra. não só para abastecê-la dos gêneros de primeira necessidade de que careciam . filho do Coronel Pimentel. exame que jamais se havia incetados por contemplações para com os seus devedores. em total abandono. que nella antes desta providencia se commetião impunemente. ―Da mesma serte havia heu iniciado o exame e fiscalização da Santa Casa de Misericórdia. impugnando à Assembleia Provincial a reducção do Corpo de Polícia e regularisando-o. finalmente havia protegido com efficacia a Religião do Estado. corrigido inveterados abusos feitos à Ella e à moral e responsabilisado os empregados públicos malévolos. conquistando muita simpatia da opinião. juntamente com o Dr. o capitãomor Inácio Dias de Oliveira que tomou posse no dia 10. aplainado e mandado calçar outras. ―Repartido havia também a minha intenção com as obras publicas. 219 . estendião-se a todos os Municípios. achava-se concluído o quartel militar. Fernandes de Barros não era um produta do meio social de Sergipe. e Sebastião Gaspar de Almeida Boto. onde foi um distinto discípulo de Gay Lussac. dando aso executores forçaa para se fazer obedecer. Essa inimizade pessoal originou-se de pleitos judiciários. seu inimigo político pessoal. antes de estudarmos a sua adminstração. ―Igualmente tinha ordenado o arrolamento e estatística da Província. ela era um homem de espírito não vulgar. Manoel Joaquim Fernandes de Barros que tomou posse a 6 de dezembro do mesmo ano. Marcelino de Brito. Além de um médico ilustrado.E é ele memso quem define sua adminstração nas seguintes palavras: ―Deploravam os da capital uma Feira. e em todos era incansável em dispertar a inércia das camaras e chama-las às suas obrigações.

Para ele a opinião popular olhava como um homem necessário. entretanto. com a morte dele. na capital da província. Eis as causas do assassinato de Fernandes de Barros. Sergipe. e estudar suas conseqüências no meio social em que ele operou-se. perdeu um poderoso fator de sua prosperidade. por certo. ficando. o poder de sua mentalidade e a riqueza científica de seu espírito. a quem competia esse dever. Ele havia de impor-se à aceitação da opinião e conquistar a suprema direção dos partidos. A fala que então pronunciou. Sergipe. quando abriu. As qualidades de que era dotado. É fácil prever-se as conseqüências. Foi ele vitorioso naquele pleiro eleitoral. Compreende-se perfeitamente que os chefes políticos de então. a fim de tratar de sua saúde. o odioso papel de entrarmos nessa inquirição. pormeio de uma medida radical.Contribuiu ainda mais o roubo de uma avultada quantia feito quando a viúva do Coronel Pimentel vinha da Bahia para Sergipe. em que se achavam os diretores da política. era a inveja. desde quando vencê-lo era impossível. para deixar impune o assassinato de um cidadão de representação histórica. revela um espírito eminentemente rico de excelentes projetos e a devotação. Em 1840 teve necessidades de ir à Bahia. O que pertence-nos é indagar as causas desse fato. e de quem a província tinha muito e muito a esperar. o nome sergipano á altura que os seus sucessores nunca alcançaram. empreguem os viciosos. fora. No campo político ninguém podia competir com o ilustrado médico. Não nos compete o odioso papel de inquerir qual seu autor e aponta-lo à opinião. como na inferferência com que ela havia de obrar nos negócios do país. Tornava-sepreciso elimaná-lo do campo político. foi de reais desvantagens. porque ele plantaria uma nova orientação na política e elevaria. No dia 2 de outubro do mesmo ano foi assassinado. Daí os acontecimentos de 1836 em Sto Amaro. Se a justiça pública. reprimam os vagabundos. a morte de Fernandes de Barros. a Assembleia Provincial. Era impossível vencê-lo na política. conservem intacta apropriedade e a vida dos comprovincianos. em favor da prosperidade da província. Não só na vida interna da província. Pede aos representantes leis que previnam os crimes. Desconfiou que desejavam assassina-lo pelo que mudou-se para Maceió. deixou-se vencer pela sugestão de interesses. Alagoas e aé da capital do Império. corrijam os delitos. fomentem o comércio interno. diretamente com outras nações. na altura de Inhambupe. Este fato impressionou profundamente a opinião pública da Bahia. Foi esplêndido o programa de adminstração que ele enunciou aos deputados. davam-lhe o privilégio de dominar os destinos da província. assegurem a tranqüilidade pública. Não podiam apelar para o prestígio do talento e a nobreza do saber. que descrevemos. não nos pertence. impune o assassino. Quanto mais conquistava prestígio e influência na política. Tanto mais julgava sua vida pouco segura. Instaurou-se processo crime. em terreno nenhum podiam com ele competir. em 11 de janeiro de 1836. não querendo apontar à execração pública o seu autor. abandonando suas propriedades em Sergipe. em 1839. e criem o esterno. A conseqüência da cosnciência dessa desigualdade. pela competência. que prosperem 220 .

da educação de animais domésticos. toão ignorante e inconsciente. cuidar do gado e animais domésticos. obrigando-os a adubar seus terrenos. Infelizmente nad disto pôde realizar. feita pelos plantadoes de algodão. por meio de uma escola normal. Até então estavam a cargo das câmaras. como veremos adiante. que o governo premie a quem cruzar e melhorar as raças. engomar. fiar. Eis as idéias dominantes da administração do Dr. senão a criação da nova alfândega. no mesmo ano de 1836. que renasceu as velhas paixões. Pede providencias que proíbam a derrubada das matas. porque diz ele. onde aprendam a coser. Lembra medidas de valor para que a Assembléia ofereça-as ao poder competente. de plantá-la. A política tornou-se o assunto que preocupou adminstrações e administradores. que tanto prejudicam a lavoura de cana. Pede a centralização secundária em um liceu que se deve abrir na capital. pela preponderância dos régulos. a fim de privar a escandalosa agiotagem do dinheiro a 2. Descreve os males que cercam a lavoura da cana. a organização de um banco que facilite a circulação de capitais. dispô-la para produzir as diversas colheitas. sobre a justiça de çaz. de um lado pesados impostos. e a quem descobrir um destruidor dos insetos. 4% de uma caixa econômica para plantar no espírito público a economia. Há visível e palpável desfalecimento do civismo e obnublação do patriotismo. porque tede de passar a presidência a Bento de Melo Pereira. Pede leis proibitivas de enterramento dos mortos nas igrejas. de outro a falta de braços educados e cultura do manufaturador. da construção rural. Fernandes de Barros. Pede um novo plano de ensino. Pede que a assembléia legisle sobre colonização. que as adminstrações não souberam ou não quiseram superar. sobre a justiça territorial civil. melhorando as condições das barras. cuidar de hortas.a agricultura. Pede leis que melhorem esse estado de coisas. Convida para iniciar-se a plantação do café. espalhem as luzes. em vista das boas condições de grandes zonas para estas lavouras. onde se diplomem os professores. cacau. que eram os chefes dos partidos. Lembra a criação de um Horto Agrícola. tão prejudicial à prosperidade da província. a palavra colonização para os brasileiros deve ser sinônimo de prosperidade e segurança. Pede a criação do comércio direto. um estabelecimento onde se ensinem os princípios práticos de lavrar a terra. cujas funções sejam examiná-las. Melo Pereira foi o primeiro da série dos presidentes que formam o segundo período da regência. Anima o povo a dedicar-se à indústria. fazer flores. lavar. em obediência a um princípio de higiêni pública. pelo esquecimento absoluto da lei.3. pelos arbítrios do poder. pelos excessos do partidarismo. inconscientess e ignorantes. para que as fontes de receita pública tornem-se mais segura e o desnvolviemento civilizador mais rápido. para não terem necessidade dessa devastação de florestas tão úteis. e que agravaram-se durante o segundo reinado. a fim de que se estabeleça uma corrente imigratória para Sergipe de estrangeiros. que fiquem sob a fiscalização de um ispetor. Deste período datam os males da província. 221 . por meio de Bóias e praticagem. preparar seus frutos. Pede a cração de escolas em todas as villas e povoados. excitem o gosta das artes. Pede a criação de um estabelecimento idêntico para as mulheres. e cujas administrações caracterizam-se pela falta de segurança pública e individual. A par disto parece que o caráter das gerações degenerou.

que ao contrario faria fogo contra elles. e como 222 . figurando ter sido elle composto composte de 3. requisitando força ao Juiz de Paz do districto vizinho. já estava a guarda delle reforçada e posta em linha de atiradores.627 eleitores. e por intermedio do Juiz de Paz respectivo. por occasião do apuro geral. sobre-estou a camara a apuração. capitão de 2ª linha. escrita pelo comendador Antônio José da Silva Travassos: ―Assim deu-se a separação e seguio-se a campanha eleitoral. que era cunhado do Presidente. intimada ordem de retirarem-se. tanto os da capital como os de outros lugares. Manoel Joaquim de Souza Brio. ―Seguirão algumas representações nesse sentido. cuja liberdade na escolah dos candidatos desaparecia pela falta de honestidade. que era o capitão Manoel Pereira Coelho. por occasião da apuração geral. para deputados à Assembleia Geral. Ela se espalha pela província. que era de cincoenta. representações assignadas pel corpo elitoral. ―O Juiz de Paz. para lançar o protesto e realizar u movimento de revolta. ―Quando na Villa e Freguesia do Rosario. O escândalo a que quis o adminstrador chegar. Transcrevemos aqui o seguinte trecho de uma mem´pria inédita. os Eleitores estavão com o Juiz de Paz tratando de igual representação. O de Santo Amaro. de onde fugiram os habitantes para salvarem suas vidas. apresentando o partido legal para candidatos ao monsenhor Silveira e a Sebastião Gaspar de Almeida Boto e o liberal ao Dr. ―Á vista deste extraordinário escandalo. Os administradores defendiam os interesses dos partidos a que pertenciam. ―Foi forçoso retirarem-se. e manifestada na camara da capital. e Dr. que era o Tenente Coronel Antonio Luiz de Araujo Maciel e Eleitores. contra os excessos do governo. dirigirão-se à palácio para representar ao Presidente verbalmente contra aquelle facto. Manoel Joaquim Fernandes de Barros. capitaneada por aquelle candidato Boto. e em numero de 200 mais ou meos. para dar vitória às candidaturas que patrocinavam. Foi um verdadeiro tumulto. ouve um acordo de enviarem de cada Freguesia. composta de paizanos e alguns escravos. conhecia-se não alterar o vencido. cuja dandidatura patrocinava. ―Quando esses eleitores se aproximavão do Palacio. o qual apoderando-se da Villa. e seguindo a seus districtos.Desapareceu aquele sentimento da massa popular. fez retirarem-se della o Juiz de Paz. e não trepidavam na prática de meios. classificando de ajuntamento illicito aquella evasão. reunirão-se os eleitores do partido liberal. a pretexto de não lhe ter sido enviada a acta do collegio do Lagarto. e que pelo numro de eleitores. passou a proclamar de ajuntamente ilícito. forão atacados por uma força armada. com as formalidaddes determinadas no código do Processo Criminal. pedindo ao Presidente da Provincia ordenar à camara da capital para tomar em separado a votação daquelle collegio. Dois partidos prepararam-se para as lutas. Aprecianremos as conseqüências destes dois fatos. ―Finda a eleição. contra a liberdade do voto. rasgava-as e mandava prender aos portadores. ―Então já a necessidade aconselhava uma medida que hoje dispõe a Lei elitoral. deu lugar a uma grande revolta dos membros do partido adverso. Todos os meios foram inprofícuos para uma vitória honesta do partido do governo. para diplomar aqueles. No ano de 1836 ia ter lugar um pleito eleitoral. seno pelo commandante Manoel José Ribeiro. As épocas eleitorais ofereciam oportunidade à prática dos maiores desatinos. uma grande maioria contra os candidatos do partido legal. que ali se achavão. tendo por ponto de horigem a vila de Santo Amaro. A pressão era enorme sobre o sufrágio popular. mas o Presidente a proporção que as hia recendo. ―depois apresenou-se a acta daquelle collegio.

e os reundos em Sant‘Anna. voltando tramquillos às suas casas. ameaçando tomar vingança. lançou mão de uma reúna. não foi por isso preso. levando-se em carros o precioso dellas. e contra aquillo que acabava de praticar seu cunhado. e paisanos. ―Dado este acontecimento. seuguiu Boto com uma força de 600 praças. estando embriagado. não poderam retirar-se. mandou ali o vigário de Laranjeiras. para Larangeiras. ―No dia seguinte. contra o qual ia represenar para a Côrte. Abriram o sacrário. ―Mesmo as igrejas não foram isentas do saque. dirigio-se a Igreja Matriz.não fosse obedecido. lhe disparou um tiro co a dita reúna. e outro do ornato dos santos. e concluía pedindo a apuração em separado da acta do collegio eleitoral do Lagarto. e foi cercar a Villa de Santo Amaro. queixando-se das artitrariedades praticadas pelo Presidente. despejaram as sagradas Formas. quando apenas achavão-se vinte rapazes. deixando alli um destacamento de quarenta capangas sob o comando do facínora João Soares da Soledade. Antonio José Gonçalves de Figueiredo (aquelle candidato à deputação Geral. entrou Boto com aquella força em Santo Amaro. que procuravão suas casa pela notica da retirada do destacamento. sob a palavra do governo. seguindo todas as famílias com o trajo que tinham. acando assim a existência. tomaram armas. que por doentes. Por este facto. e seguiram para a dita Villa. nem mesmo roupas. dominaram-se de fanatismo alguns dos rapazes santamaristas. e achando todas as portas feixadas. onde foram espingardeados. às oito horas da manhã. ―Esta representação narrava os acontecimentos. João Severo. eo que não fez conta conduzer-se. pessoas mais gradas e de differentes districtos. que deixaram feixadas. os quaes foram conduzidos em braços. Retirou-se Boto de Santo Amaro. e depois de proferir blasfemias contra a Imagem de Santo Amaro que está collocada no Frontispício da dia Igreja. onde logo encontraram a sós João Bolacha. ―Seguio-se o saque em todas as casas. ―Sabendo Boto daquella reunião. pessoa de confiança do Presidente. foi quebrado. embora morressem. e foi esto na noite do dia 15 de Novembro de 1836. consertaram os liberaes. entregando-as ao dito vigário. que como ral não se tem mandado concertar. morrendo estantaneamente. ―Dado isto persuadio-se o Presidente que aquella Villa se achava ocupada por grande força. ―Então estes muniram-se de gente e das armas para defenderem-se da aggressão. se poz em fuga. indo em seguida para a capital. postos no meio da praça. toamram e expediente de embarcarem-se em canoas. no município de Larangeiras. aconselhando aos reunidos de deporem as armas. ―Correndo Boto e os demais que elle capitaneava. 223 . e a cujos habitantes não podia elle perdoar o auxilio prestado ao Juiz de Paz do Rosário. ―Persuadido assim o Presidente. ―O ponto concetado para essa reunião. companheiro do Presdidente Ignacio José Vicente) admoestar aos santamaristas para depor as armas. empregou a força e fez a dispersão. levando-se toalhas. que a applaudiram e dispersaram-se. ―Não tendo este com quem brigar. que se achavam refugiados fora da Villa. foi o Engenho Santa‘ Anna. dando vivas ao Presidente da Provincia. de novo representar verbalmente ao Presidente contra seu procedimento. que se achava inerme. que era elle Presidente o primeiro a reconhecer a nullidade do collegio do Lagarto. que dormiam descançados no promettimento pela proclamação do Presidente. quebando a mão direita do Santo. ―Chegando disso aviso aos habitantes da Villa de Santo Amaro. ―Ficando estacionados Boto em Larangeiras. conhecido por João Bolacha. sob seu commando em chefe. achando-se também algumas famílias pobres. Logo que o destacamento soube do que havia acontecido ao seu commandante. ―Passados oito dias. e seus agentes. dizendo-se ir elle atacar aos reunidos no Engenho Sant‘Anna. e do partido deste. no fim de seis dias. com a sua força lega. ―Acceita a proclamação. sendo aquelles que vierão assassinar João Bolacha. e levaram as Âmbulas. como era seu costume. Daniel Canavieira. da qual foi o portador o coronel Francisco da Graça Leite Sampaio. contra o qual deram descarga. ―apenas haviam ficado na Villa Manoel Alves Pereira. seguio com uma força de Permanentes. sem tempo de conduzirem nada das suas casas. sendo arrombadas a machado. refugiando-se para as praias. prata. e alli existe ainda essa memória. ―Voltou o coronel Graça com uma proclamação do Presidente. enviaram estes uma representação ao Presidente. foi lida em altas vozes em frente dos reunidos. mandou-as abrir sem precedência de formalidade legaes. de seguir desermados à capital. que promettia deitar um véo sobre o passado. confiando. e dispondo-se a vingar a afronta feita à Santo Amaro.

e então buscou perseguir com assaltos nos diferentes Engenhos. e os legais foram apelidados de rapinas. ―No entretanto foi nulificada aquela desastrada eleição geral.Manuel Joaquim de Souza Brito.o partido dos corcundas dominou durante elas.que tomou posse no de 1837‖. uma nova força se dirigiu a Santo Amaro. natural daquela província. e logo retirou-se para a Bahia.Manoel Joaquim Fernandes de Barros. tratavam exclusivamente da política. ―Ocupando o rapina todas as posições oficiais na província. por alusão ao apelido que tinha aquele seu candidato Souza Brito.Estes tão bem instaurarão processos contra os rapinas. não representava o Presidente outra causa mais do que authomato . Voltando o vigário Figueiredo. que era .sendo um destes o Dr. sítios e mais lugares dos municípios sendo permittido o assassinato e o roubo. pelo crime de revolta. e que as armas conservavão para defenderem-se dos assassinos. ― D‘hai em diante chrismaram-se os partidos. ―chegando disso noticias na Villa. ao mesmo tempo que estes tão bem pronuciados pelos crimes de roubos e assassinatos. foi demitido por acto do mesmo Presidente. que não encontro no centro do governo restrição ou punição. agremiou-se em um partido. ―Tão bem a força do governo não se demorou na vila. que ficou outra vez deserta. E também eram procurados em outros municípios pessoas influentes do partido liberal. continuavam a exercer empregos públicos. e como aceitasse a ilegal remoção. acontecendo que alguns dos comondongos reunidos. por Decreto do Governo Imperial. Vimos nas paginas anteriores que o abuso cometido pela Bahia em 1820. que para ali fugiu.que emigravam uns para Bahia e a maior parte para a província das Alagoas. e o coronel Wenceslau de Oliveira Belo257. ―Com aquelles procesos deo-se a preseguição da maior parte dos comondongos que não quizerão alistar-se na bandeira rapina. As administrações que se seguiram à Bento Pereira guiaram-se pela orientação por si traçada. reduzindo a letra morta o decreto que elevava Sergipe a capitania. As pessoa256 seguiram-se: o Dr. Uma idéia liberal foi.de onde era natural. pois. Joaquim José Pacheco (1839).arrastado por seu cunhado Boto. foi o fato que determino a criação dos partidos. e dando esta resposta ao Presidente. Seus habitantes sentiram-se irritado por um ato de tão inqualificável arbítrio. Por isso mesmo que os sergipanos o puderam obstar. ―Então os do partido legal denominaram aos liberais de camundongos. ―O Dr. em vista do extraordinário numero de Eleitores fictícios. que foi o ultimo delegado do governo e da regência. por alusão aos roubos praticados em Santo Amaro. 256 257 Tomou posse a 31 de maio de 1837 Tomou posse a 28 de agosto de 1839 224 . foi removido pelo presidente para comarca de Estância. que era juiz de Direito da comarca da capital. Indiferentes de todos ao bem publico. pelo facto de não ter cumprido o que prometteo na proclamação que foi lida em Sant‘Anna. que ficarão sendo conhecidos uns de camundongos e outros de rapina. retirando-se os rapazes em vista da desigualdade da sua força. que mais tarde o postou sem vida em uma das ruas da Bahia. ―Foi substituído por Jose Marino Cavalcanti de Albuquerque. e de um soldado da força do governo. Demitido o Presidente. pelos roubos e assassinatos que praticarão. comosta de cerca de quatrocentas praças. cujo programa era emancipação. e ferimentos de alguns outros de partr a parte.―Foi-lhe respondido que o Presidente não merecia confiança. Escrivão do Juiz de Paz de Santo Amaro. disposerão-se os ditos rapazes. escapando ao punhal assassino. mandando-os depois assassiar e roubar. onde rompeo fogo. e emboscarão a tropa na entrada da dita Villa.a quem foi estranhado seu procedimento e notado inepto. que se fez chefe absoluto do dito partido dominante e de tudo dispunha á vontade. ou reuniões dos ditos camundongos. resultando a morte de um delles Amphrisio de Campos. classificação que deu aquellas representações populares. a que nutriu a primeira organização partidária.

a largos traços. na sociedade daqueles tempos. por causa da defesa ilimitada que seu secretario presta ao povo. e um obstáculo contra os atentados do poder. a perda do civismo. que os levava a sufocarem suas convicções . Daqui em diante o historiador nota. no período da regência. cego pela paixão política. Eis a evolução dos partidos na província. que o inteligente Rebouças tratava de espalhar. Notifica sua saída da administração. Desaparece da opinião a consciência da liberdade. da propaganda liberais. a idéia dominante do partido desaparece. o partido liberal esteve na posse do poder. ainda lhe fica uma aspiração liberal. por que seu programa é então fiscalizar essa emancipação. o desfalecimento do patriotismo. ao o qual aliaram-se alguns sergipanos. o partido corcunda passou a denominar-se rapina. São estas as duas organizações partidárias de Sergipe.que intimidada os homens a protestarem contra as tiranias. em defesa da causa publica. de 1820 a 1831. desse temperamento. sempre em perigo iminente.Marcelino de Brito do liberal. juntamente com a tropa. por isto que seu ideal emancipacionista tornou-se uma realidade com a independência. os privilégios de raça. em Santo Amaro. em vista da oposição da opinião. Ai está ele na revolução de 1836.Fernandes de Barros. Dr. 225 . o povo torna-se morno e parece que degenerado. quis depô-lo. A revolução de Santo Amaro é o ultimo sintoma que o historiador apanha desse espírito rebelde. Dr. com o fato da independência do país. É esta a característica dos tempos. De 1840 em diante. a cuja prosperidade nada de útil prestou. e a ele demos o nome de partido recolonizador. e oferecendo até o sangue dos seus membros. quando o partido adverso. Nesta seção de tempo.O partido antagonista deste era o dos portugueses. Há um sintoma dominante de uma degeneração de caráter. pratica alguma coisa que desperta a desconfiança publica. Os acontecimentos de Santo Amaro determinam uma nova denominação nos partidos. contra os preconceitos de nobreza. em cujo estudo vamos entrar. Os chefes principais. não se podia nele manter. protestando conta uma fraude eleitoral. e de Sergipe constituir-se em Província. Ai está ele impondo. em 1831 uma capitulação a Bento Pereira. e defender as garantias das classes populares. Em vista da rapinagem que foi praticada pela troca na busca que deram nas casas dos habitantes daquela vila. Pretendo essa aspiração emancipacionista. e que foram o segundo reinado da monarquia. que com os seus. E ai esta o apóio que ele presta à administração do brigadeiro Silveira. eram Sebastião de Almeida Boto e Joaquim Martins Fontes. porem. o outro conversou o mesmo nome. o poder da família. O outro partido alcançou algumas vezes o poder. pela prepotência dos poderosos e dos ricos. ainda que poucos. durante o primeiro reinado. dessas explosões de patriotismo. De 1824 para cá. Ele representava o elemento aristocrata da província. do corcunda. na esperança das graças do poder.

nota uma profunda diferença. depois da maioridade de Pedro II. para a fusão dos cargos públicos. como o mais seguro recurso de defesa. percorrendo aramados os povoados e as vilas. Nenhuma manifestação de civismo encontra o historiador. contra os abusos que se cometiam. todas as mais se caracterizaram pela indiferença à prosperidade geral. FINANÇAS. o do juiz de paz da Capela. Isto acentua-se tanto mais. Em uma síntese podemos traçar a macha que seguiram. protegido pelos homens da situação. Os crimes amiudavam-se.CAPITULO IV DELEGADOS DO SEGUNDO REINALDO ATÉ 1855. Os criminosos. Houve feridos e mortos. 226 . Quem comparar os fatos anteriores e posteriores a 1840. emigravam para as duas províncias vizinhas. Alem do assassinato do Dr. registra-se.O caráter tendia a degenera-se. O primeiro presidente despachado para Sergipe.e de José Ladislau e Silva. quanto passam-se os dias do segundo reinado. empregavam a força armada contra liberdade do voto nos pleitos eleitorais. e a degeneração liga-se ao predomínio da política. José Alves Pereira.de Antônio Joaquim Álvares do Amaral (1845).como se deu em laranjeiras e Itabaiana. foi o coronel João Pedro da silva Ferreira . ficando em punição dos crimes que se perpetravam . na administração de Zacarias de Góes e Vasconcelos (1848-49). OS PARTIDOS. Dissemos no ultimo capitulo. Indiferentes à segurança pública. em 1840. não inquiriam da idoneidade do cidadão. e sem as regalias os cidadãos do partido que não era o da situação. desempregados por indevidos que se entregavam à vontade dos dominantes.Fernandes de Barros. Com exceção da administração do Dr.desde quando elas obedeciam aos mesmos princípios. às necessidade das classes produtoras. da forma de governo.Seria fastidioso a que descrevemos cada uma das administrações. sobre todas as manifestações da saciedade. sendo a sociedade testemunha das cenas de sangue. em1841. A fim de se esquivarem às perseguições que se punham em pratica.O povo foi massacrado pela tropa.Anselmo Francisco Pereti (1842-43). Entre aqueles apresenta-se o Dr. E é incontestável que essa degenerarão partida da instituição.José Cupertino de Oliveira Sampaio. sendo sua mulher raptada e à força. que a datar do segundo período da regência. MUDANÇA DA CAPITAL.viviam a zombar da justiça. casada com seu raptor. o espírito público da província foi tornando-se indiferente as usurpações que o arbítrio tendia a conquista contra suas liberdades. Eram chamados os chefes de política.que foi planejado em Sergipe.em 1845 que há pouco tinha deixado a chefia de política. Entregues a paixão. INSTRUÇÃO PÚBLICA.

o estado do comercio. na adimistração de Sebastião Gaspar de Almeida Boto. havia um criminoso que se tinha celebrizado. Nas baixas regiões desaparecia o civismo e não se ouvia uma voz de protesto contra um tal estado de coisas. Grandes diferenças nota o leitor entre esta sociedade e a das gerações passadas. Matias em Maruim Moura no Rosário. na impunidade dos seus crimes. a falta mesmo de estrada entre os centros de população. Durante meses. um sintoma eloqüente de uma profunda degeneração. Eis o estado a que chegou a sociedade de Sergipe. Xicão em Itabaiana. contra a prepotência dos que queriam dominar. sem poder a justiça publica entrega-los à severidade dos castigos penais. não chega ao ouvido do historiador o grito do seu protesto. Como o leitor vê. elas o acoroçoavam. degenerava-se a sociedade. basta dizermos que de melhoramentos materiais só foram feitos a abertura do canal que ume o rio Japaratuba ao rio Pomonga. para serem rebatidos no comercio com grandes especulações dos negociantes em lucros exagerados. diminuíram assim o numero de naufrágios dos navios que demandavam Sergipe. em 1842. citamos Inocêncio em Laranjeiras. porque viviam sobe a proteção dos poderosos. Na consciência das administrações não fazia a menos mossa a necessidade que tinha a província de melhoramentos. E esse estado decadência da sociedade. Assim. revele-se claramente no fato de 1855. chegamos a um lamentável estado de selvageria pelo lado financeiro chegamos à bancarrota. O silencio popular parece que era uma prova de aquiescência de tantos desmandos. Se havia um outro patriota que sentia no fundo d‘alma a decência dessa sociedade que se corrompia. senão a Bahia. não só pelo numero de vitimas. Quincas em Própria. e o trabalho de rebocarem nas barras. Se pelo lado de segurança publica. durante o segundo reinado. Aquele mesmo partido que sempre timbrou em defender o bem público. essa falta de patriotismo e de civismo que se ressentia a população de Sergipe então. suspenderam-se os pagamentos aos empregados públicos. nos quinze primeiros anos do segundo reinado. A falta de fiscalização do dinheiros públicos chegou a ponto de não haver numerário para pagar-se o funcionalismo. como pelo escândalo que ostentava. altamente atentatório à riqueza particular dos habitantes de 227 . ao qual o governo entregava vales.|A política dominava com a corrupção. fazendo com que o prêço de gênero de consumo fossem muito diverso em lugares próximos. As suas vias de comunicação muito difíceis. pelo estado das barras que não se despertavam nas administrações de 1840 até 1855. Instrumento cegos das paixões do chefes. E ambos estes melhoramentos pertencem à iniciativa do comendador Travassos. perdeu suas tradições e seus programas. Marunba na Capela. As autoridades animavam-no. Nas regiões do poder o crime não desapertava a punição.o estado do comercio que podia comunicar-se com outras praças. por que não o puniam.Em quase todas as povoações. Eram estes os homens que levavam o luto e a orfandade às famílias. Vicente Cardoso em Santo Amaro.

aos representantes da província. para satisfazer assim interesses políticos e individuais. rodeada de 200 sítios de pequena lavoura. Idealizou o plano e realizo-o. e consentiu facilmente na realização dos planos oficiais. de ricos e belos edifícios. E é para admirar-se que a deliberação da administração não recuasse perante a grande soma de interesses particulares que o ato da mudança ia prejudicar. Seu espírito não se deixou influenciar por nenhuma dessas inconveniências que seu ato acarretou. cujo os interesses não se podem comparar. longe de ser elle um grande Povoado. de abundancia de alimento. de uma noite para o dia. Somente as velhas espreitavam das rotulas os carros que conduziam o cofre e os arquivos.a mudança da capital para o Aracaju que era uma praia inóspita e inabitada. indo compacta. E foi o que se deu. de clima ameno. feitos à presa. Estudemos.Manuel Inácio da Silva Lisboa (1835). como o atestam alguns dos seus velho monumentos. sem tradições e sem edifícios. Admira-se realmente a coragem do Dr. anulando os inauditos esforços das gerações passadas. nova cidade. O próprio presidente foi vitima de sua ousadia. é uma 228 . que foram os primeiros a reclamar pela mudança da capital. com um município de 43 engenhos.Cristóvão e seu município. As tradições do tempo trazem-nos inúmeras perda de pais de família. e a assembléia de reunirce de baixo de um pé de cajueiro. . porem. sobre um solo arenosa. vitimadas pela febre paludosa. E daqui que a colonização melhorasse tais condições anti-higiênicas e que permanecia de um centro populoso espantasse os miasmas. ―Era sem duvida tempo suficiente para ostentar-se rico e populoso. Se admiramos sua coragem. sem a menor garantia e segurança. Isto é bem característico da degeneração do caráter e do civismos daquela sociedade.Cristóvão. pequena. 11 alambiques. A falta de habitações era absoluta. pouco depois da mudança da capital. Os infelizes empregados públicos para garantirem o pão cotidiano. Enquanto a população de Santo Amaro. ficando na orfandade e sem arrimo do esposo os infelizes filhos e esposas. as suas causas e suas conseqüências. retirando a vida oficial de uma cidade secular. e que já havia mais de trinta que nele se acha a sede da Capital da Província. As repartições publicas funcionando em casebres. Foi o protesto. cujas tradições deviam estimula o patriotismo de seus habitantes. que as mãos sacrílegas de um administrado viesse atirar na pobreza um sem-numero de famílias. que veio consignado para realizar esse atentado. a população de S.Inácio Joaquim Barbosa. situada excelente local. onde intenta edificar. para ir atira-la às praias do Aracaju. Entretanto vós todos concordareis que. ou por outra. Os cofres depositados em albergues. vila pobre. Obrigados a irem habitar em um meio paludoso. unida e armada.que em recentes períodos geológicos serviu de leito do Cotinguiba. lançando pragas ao administrador. o poder da sugestão a que seu espírito. o leitor viu quando o poder legislativo mudou a sede da vila para Maruim. de excelentes águas. morrendo de febre palustre. incisivamente epidêmico. pela grande quantidade de pântanos existente. Vejamo-las: ―Ninguém ignora o Povoado da Cidade de Sam Christóvão contra cerca de duzentos e cinqüenta annos de existência. e o reclamava desde a administração do Dr. ficou indiferente ao atentado.S. em 1º de março de 1855. seriam inúmeras as vitimas desse meio tão pernicioso e epidêmico. como é o corpo cuja cabeça ele representava. buscar seus cartórios. O próprio presidente teve de habitar em uma casa de palha. e que por isto não pode oferecer base suficiente para grandes e largas edificações. o fato. As causas justificadas do ato vêm na fala que Inácio Barbosa dirigiu. 12 fazendas de criação de gado. de saborosas frutas.

...... que os ligasse e com que por certo...das mais pequenas Cidades da Província.... a quem foi presente a representação verbal dos habitantes d’ella................... vê-se a inexatidão da legação: S.......976 Estância...570 Laranjeiras .....................1.......... como as barras de ambos os rios são iguais.................... .. com na formação geológica. que lhe fica próximo...... o seu aspecto só revela decadência e miséria... Capital da província de Sergipe..................... e dificuldades de toda sorte para navegação.170 Não era também a cidade menos populosa de então.... junto a um excelente porto e de uma barra superior á do Vaza-Barris.........3. não dispõe esse povoado de recursos próprios........ quando depois de ter dito que S.......3................... alem de ficar no fundo do rio Piramopana com dependência de marés..............1.....789 Itabaiana ......... pois que é pequeno recôncavo da ribeira do Vaza-barris. Inexatidão revela-se na própria incoerência de suas palavras................. dificultando esta que podia ser remediada com a viação férrea....Cristóvão......475 Vila-Nova......773 Divina Pastora.. os cofres públicos despenderiam muito menos do que despenderam para edificar uma cidade em tão pouco tempo..........1...958 Lagarto ....693 Total.......... .. A única circunstancia de valor real contra a permanência da capital em S..... foi lançado pela câmara da capital nos ofícios e representações que o leitor pode ler na nota abaixo258.643 Campos ..... 2............................ que no auge de desespero e exige a observância da lei fundamental do Estado......... – A câmara Municipal d’esta Cidade de S.......................965 Porto da Folha.......... Sr. A outra causa alegada pelo presidente foi a superioridade topográfica do Aracaju.. como sendo a menor e mesmo populosa cidade da província............................................3.......... transformando uma praia insalubre e deserta em um centro populoso...309 Propriá..............718 Maruim............. e poderia enterter-lhe a vida.2...... Não só o porto do Cotinguiba não é superior ao do Vaza-Barris....... se...................... nem seu município................ Cristovão era 1.. Cristovão.......... que fica na margem do mesmo rio Vaza-barris?‖ Eram inexatas as alegações do presidente sobre a decadência de S....................Cristóvão............... 258 Illm.........2............. ...........664 Santo Amaro ........ acrescentando que diferente dos demais centro de população da mesma província. comunicase diretamente com o Povoado de Itaporanga............. diz pouco adiante: todos os demais povoados estão mais ou menos no caso da cidade de S.......030 Rosário.................... Pelo seguinte quadro do numero de fogos das povoações de Sergipe em 1852..............231 Santa Luzia..544... Nenhuma localidade igualava-lhe em população............ .............. condições estas que tornariam para o futuro a nova capital uma excelente praça comercial.............. O único protesto que encontramos em nossas busca contra o ato do presidente.................624 Socorro.....1.........................1............Cristóvão..........Cristóvão era a menor cidade da província.........................30............807 Capela....................................... E Exm...... não podendo ser indeferente aos justos clamores do povo........... Cristóvão era sua distancia para o porto....................... não só em volume d‘água......... E como não seria assim..................... a cuja 229 . ................. Em 1850 o numero de habitantes de cidade de S....

Senhores. em que V. ou seja ella ordinária. por não poder Ella reunir-se em outro algum ponto. ou não e prottesta por isso por serem nullos e írritos quaesquer trabalho vossos que não forem de accordo com a lei fundamental do estado: promette mesmo levar seu protesto aos pés do thorono augusto de sua magestade imperial. os reditos das estações publicas. esquecendo-se todas as considerações. senhores. por huma só gota de sangue sergipano que derramar-se possa quando o desrespeito exarcerbe os ânimos motivando esse desespero a aggressão. não deve consentir como primeira authoridade da província. Illm. sabe que da boa administração da justiça depende a felicidade dos povos. esta Camara em nome do povo. quando o povo considerando o completo extermínio de sua capital. Ex. Sr. e menos lhe presta apoio. nem pode afiançar a que ponto chegar o desespero dos pacíficos habitante desta capital. e docilidade de que he dotado. pedindo a restricta observância do artigo 5° do acto addicional: representa a V. capital da província de Sergipe. não vos deram poderes para tanto. – Marcos José Martins. e leal. Ex. 230 . Sr. – A camara Municipal desta capital da Província de Sergipe d’ElRei reunida em Sessão extraordinária. Não afiança esta camara a V. e que edificava. e damnos de vez por vossos bens. por ser hum acto nullo. Não vê esta Camara. Ignacio Joaquim Barbosa. para que todos conheção da forma porque é transgredida a Lei: o que mais importa. por si e em nome de seus concidadãos. e mudar e sede do governo com a maior precipitação para huma praia deserta. E com effeito. E Exm. emfim huma antiga capitania do reino de Portugal. Dr. e extorção de direitos que este povo julgava garantidos. mas que lhe foram postergados. e offerece hum futuro.sombra repousavão intertes por se julgarem garantia. e os edifícios do estado que não menos importão da duzentos contos de reis. Anna. e elevação de província do Brazil. e irrito. comessava sua existência civil e política. e que a transgressão das leis e muitos tem abismado: e por isso esta câmara solicita de V. Exm. protesta ainda e o que mais importa por serdes os responsáveis perante Deos. Ex. Ex. e nem a assembléia se poderá justificar de huma infracção de lei fundamental do estado. Sr. para ser objetivo de desprezo. que a 14 annos prosperava consideravelmente. e por isso esta camara nada despresará para defender o pacífico. Parece que há quem pasando a razão deixe de conhecer a nenhuma utilidade publica. Ex. e o mundo inteiro. Esses casos até hoje se deram. o propósito firme que há de reduzir-se a miséria cinco mil habitantes da capital com ocupações honestas. perante o Brazil inteiro. perante o Thorono. e por isso desde já protesta Deos. Senhores da assembléia Província. vos representa que toda e qualquer reunião. apoio que a lei longe de o dar reprova. protesta de haver hum dia os habitantes desta capital seus prejuízos. o único responsável por huma só gota de sangue Sergipano. por isso que desde sua instalação até hoje ainda não decretou para fora desta mesma Capital essa reunião. vem apresentar a V. e parente o mundo inteiro. não jpodendo ser indiferente ao clamor publico e a dissolação que observa a mesma Capital. permitida nossa linguagem verdadeira. que tendo sido esquecida com sua recente emancipação. – Francisco José dos Santos Pinho. – José da Rocha Bastos. Permitta V. – Ignacio de Paula Madureira. presidente desta província. único ponto de suas reuniões. e inhabitavel por suas continuas epedemias. e do direito que esta câmara em nome do povo reclama se tornará credor das nossas afeições: ao contrário. hum commercio florescente. em Sessão extraordinária de 28 de fevereiro de 1855. usa reunia em outro qualquer ponto da Provincia He uma ferida gravemente feita ao Acto Adicional. é claro evidente ser a reunião da assembléia nas praias desertas do Aracaju huma medida que revolta os ânimos mais pacíficos dos cidadãos. Ex. parente o Brazil. ou antes o cumprimento do artigo quinto do acto addicional: certo de quem se V. Sr. perdas. a fraqueza que hé própria a esta camara. e animador. Esta Camara confia que V. Ex. vem representar a esta Ilustre Assembleia. os Sergipanos quando vos elegeram deputados. e leal povo desta capital perante a Provincia perante o Brasil e o mundo inteiro. e por qualquer repulsa a elle feito. V. a sombra da qual todo o cidadão deve repousar tranqüilo. por isso que no artigo quinto do mesmo está determinado que a reunião da Assembléia será em lugar por actos legislativos Provinciaes. para que faça reunir a assembléia nesta Capital. e o Brazil inteiro de ser V. parente a Lei. perca a natural resão. E não o tendo feito Emx. a falta de economia política. que tenhaes de fazer para legislardes devera ser nesta capital da províncias. que se derramar possa. Deus Guarde a paço da camara municipal da cidade de são Cristovão. – P. – Joaquim José Pereira. se compenetrar da razão. que representa . Ex. terá de levar sua voz ante o thorono Augusto de sua magestade Imperial e constitucional. Ex. uma necessidade em mudar a sede do governo. – João Simões da Silva Samango – Joaquim Felippe de S. Ex. Exm. só e unicamente convocação da assembléia provincial nesta capital. compartilahdo do dissabores de seus concidadãos. Esta camara. respeitava nosso direito de petição.

depois de sua posse até hoje. que tem elle feito. Reunidos os deputados. e tanto assim hé que o bem intencionado Commendador Antonio Joaquim Alves do Amaral. quando esta Camara declara nullo e insubsistente semilhante acto. Senhor. cuja maioria foi composta de Supplentes.alias este ponto para isso o primeiro da província. Thezouraria Provincial e pessoal respectivo. basta sómente attender-se ás enormes despesas. Imperial Senhor. Christovão. Fundamental do Estado. depois disso de tantos Edifícios Públicos com os quaes a Nação gastou milhões. decretou ele a precipitada e nulla mudança. e quando na boa fé almeja a Capital o seu regresso.-capital da província de Sergipe. que se abusa das boas intenções que a nosso respeito nutre Vossa Magestade Imperial. imperial senhor. e ahi no dia 17 de fevereiro fez por carta officiaes assignadas por ambos. pelos coffres da Província. por ter terras perdidas no Aracajú quer approveital-as!!! Lá. insalubre e arenoso Aracajú. dispresando assim hum palacio dos melhores do Imperio onde esse Archivo estava. Outro tanto pretende fazer com os coffres da Thezouraria Geral e Correio. he baziada na razão de ter sido elle praticado contra a Letra da Lei. que são convergidas á prol do bem estar de seus súbditos abandonou esta cidade. Cristovão dotada dos Comodos necessários para a existência de um Povo. Imperial. o que não se dá no esteril. deve esperar. faltaria a um dos seus mais sagrados deveres se deixasse de levar este pensamento ao Soberano Conhecimento de Vosa Magestade Imperial. que elles diriam a Vossa Magestade Imperial o que he a praia do Aracajú. – Ignacio de Paula Madureira P. logo mandou o Presidente conduzir para aquelle terreno diserto os Archivos da Secretaria Presidencial. que praticou. Paço da camara municipal de S. – Francisco José dos Santos Pinho. n'essa praia está o Pessoal das Repartições soffrendo 231 . por que alguns de numero. – Joaquim Felippe de Santa Anna. Tendo o Bacharel Ignacio Joaquim Barbosa. que em linha recta. actual Presidente desta Província. 5° e 10 do acto addicional. sempre aollicita em promover o bem público do seu Município. Em conseqüência do que. lhe fica distante 3 legoas pouco mais ou menos. e o da mesma Província a que pertence. capital da província de Sergipe em sessão extraordinária aos 28 de fevereiro de 1855 . para não fatigar a paciência de Vossa Magestade Imperial. abusando do poder. e ás conviniencias Publicas! Mas ahi estão os pactos. de quem o Povo oprimido desta Cidade e Província espera saudáveis providencias que o ponham a salvo dos incalculáveis males que podem provir dessa illegal. e ali fizessem sua sessão ordinária. reunir os deputados Provinciaes e deliberou que estes se passassem às ditas praias. Imperial Senhor. que se encare os interesse della. vem com o maior respeito a acatamento ante a Augusta Pessoas de Vossa Magestadade Imperial e Constitucional representar e Suplicar o bem. quando presidente desta Província oppoz-se a que fosse para alli transferida a Alfandega!! Hé desta forma Imperial Senhor. contra a disposição dos arts. do Termo desta Cidade. das puras intenções da vossa M. como deve constar de uma lei inconstitucionalmente feita e promulgada nas referidas praias do Aracaju!!! Sim. tendo igual destino os coffres provinciaes que alli estão sem a menor garantia. Manuel Vieira tosta Dezembargador Joaquim Marcellino de Brito. que. – Joaquim José Pereira. que inteiramente estanhou aos interesses della. precipitada e absurda mudança! O presidente de que se tracta. construídos nesta Cidade e que esta Camara deixa de enumerar. e somente é essa verdade desfigurada pelo actual presidente da província. como pai commum dos Brazileiros. e sempre foi isso reconhecido por qualquer lado. para cuja infracção coadjuvaram esses deputados. Christovão ex. logo para alli transportou-se o Presidente. que de vossa Magestade Imperial. Não querendo esta Camara attribuir ao Presidente actual huma desonestidade pelo acto. – a camara Municipal da cidade de S. e se promove o engrandecimento do Paiz só por diferenças a alguem. honestos. para proval-a servia bastante que Vossa Magestade Imperial ouvisse aos conspícuos Conselheiros Zacharias Goez e Vascosellos. e a pretesto de passar o carnaval no engenho – brejo – apresentou-se no da Unha do gatto propriedade do barão de Maroim. esta Camara testimunhando tantoa absurdos e injustiças. Parece. e amantes das Instituições do seu Paiz se escuzaram de fazer parte do illegal e absurdo Congresso. e o desprezo. e o que he a bella Cidade de S. – Marcos José Martins. – José da Rocha Bastos. que por fortuna ainda permanecem em um optimo edifício de grossas paredes de pedra e cal livres do menor risco. que mostram com evidencia os nossos soffrimentos! E para comprehender-se a caprichosa tenacidade do actual Presidente. fazer violência ao acto legislativo da província pela inconstitucionalidade da vosa reunião. e outras. para sepulta!-o em uma cazinhola sem segurança. que a lei lhe confere. mudado desta_ cidade para as praias do Aracaju a Capital da mesma Província. mas sim uma incurialidade. se não importa de tanto de frente ferir. – João Simões da Silva Samango. incrlvel tanto desacato á Lei.

Miguel Correia Nunes........... deplora a consternação dessas famílias desterradas em uma praia inhospita sem abrigo..... Realmente... João Duarte Portugal.............. só por que assim o quer e o manda hum Presidente.... Marcos José Martins..........46:484$000 1855 – 56.................... pode-se demonstrar suas desvantagens....154:142$000 1851 – 52.317:270$000 A marcha do saldo foi a seguinte: 1847 – 48.......91:500$000 1837..... Cristóvão de Sergipe de El-Rei........... como já a alguns se tem feito!!! Estas camara. Imperial pisa com alarde a um povo manso e pacifico............75:824$000 A despesa mais ou menos a mesma 1839.. Anna.....64:434$000 horriveis privações para não ser-Ihes tirado o pão....... Imperialrial e constituicional a suspensão de qualquer ordem. Luiz Antonio de Leiros.. Manoel Joaquim de Guia. É por tanto que.............. pelo aumento da prdução.... onde já se acham as Provinciaes. e da missão que lhe confiou VossaM......43:806$000 1852 – 53... esta Camara com a maior submissão requer a Vossa M...... a receita foi orçada em 25:375$000 e neste em 317:270$000............................... anterior e posterior ao ato da mudança.... P....... poderosa e Sagrada Pessoa de Vossa M...... e para isso conseguir despresa a Constituição do Império.151:896$000 1848 – 49.. em Sessão Ordinária de 30 de Abril de 1855.. que abusando da bondade .................. Em 1835... 764$000 1852 – 53..................279:410$164 1855 – 56..E no estudo comparativo do estado financeiro da província....... Com o aumento da receita............ Até 1855 verifica-se sempre o aumento da receita... Imperial Guarde Deus como havemos mister faço da Câmara Municipal da Cidade de S.................. verifica-se a existência de saldos na província................. que o prezidente de relativamente a retirada dos coffres da Fazenda Nacional...................21:741$000 1850 – 51.... naquele ano. chegando ele em 1857 a 138:257$000 Eis o quadro da receita e despesa RECEITA 1835... – Ignácio de Paula Madureira..... em razão de dez e um quinto....101:406$000 1844................... José Geilherme Machado de Araujo. Joaquim filippe de S........... À muita alta... de que elle dispõem como senhor absoluto...................... e perseguido.... DESPESA 122:530$500 141:713$206 172:142$000 202:065$000 232:925$000 232 ...... imperial senhor..... Imperial e Constitucional façam-os cessar d’uma vez..... Joaquim José Pereira...........56:571$000 1856 – 57.. encontramos a primeira lei orçamentária........... para o Aracaju.....25:375$000 1836....... por que assim salvara Vossa M.......105:100$000 1838.........

em 1850. decaiu. geografia e comércio. o desequilíbrio entre a receita e despesa tornou-se cada vez maior.Em abril de 1857 o saldo tinha subido a 168:766$000. Nele ensinava-se geometria. Não podia competir com a vida oficial do Aracaju. cirandose o Liceu de Sergipe. cuja aula foi supressa em abril de 1852. Além dessa decadência para a qual tão poderosamente contribuiu a mudança da capital. e quando passou a administração ao Dr. aquela subindo a 460:177$000 e esta a 404:641$000. inglês. Bastam estas cifras para demosntrar o atraso em que vivia a província. Tomaz Alves Júnior (1860).85 alunos 1849---------54 alunos 1850 --------113 aluns 1851 ---------88 alunos 1852 --------158 alunos 1853 -------119 alunos Em 1852 a província contava 39 escolas primárias do sexo masculino. sua proporção na província. as conseqüências da mudança da capital. Vimos já o seu estado no primeiro reinado e no período da regência. francês. era dez vezes menor. Não obstante o aumento da produção. retórica. de 163. foi com o déficit de 82:020$000. por esse tempo. Manoel da Cunha Galvão (1858).000 habitantes. em 1851de 3147 e em 1852 de 3165. Laranjeiras que era o melhor centro comercial. na administração do Dr. Daí em diante os déficits tenderam a aumentar e tornaram-se permanentes na história financeira da Província. filosofia. sendo abundante as receitas de 1857-58 e de 1858-59.990 habitantes: sendo 166. sob o ponto de vista da cultura popular. quando se fizeram as obras do Aracaju. Sendo a população. como podemos ver pelo seguinte mapa: 1848-------. Pois bem. além das que existiam no Liceu. Eis. isto é um aluno sobre 517 habitantes livres. e 15 do feminino: 9 aulas de latim. Entretanto a província. tirou-lhe grande parte do seu valor comercial. a nosso ver. Havia uma biblioteca pública. Sendo reconhecido que a população das escolas deve estar na razão de um quinto para a população livre. seus efeitos foram de grande inconveniência nos centros populosos que já existiam nas circunvizinhanças do Aracaju. era preciso uma freqüência de 32. contava 63 escolas com a freqüência de 3165 alunos. nesse tempo. este saldo desapareceu. que além disto.426 233 . A população da província em 1852 era de 222. A freqüência em 1851 foi de 2647 alunos. criada por lei de 16 de junho de 1851 e que em 1853 tinha 1043 volumes. latim. Por mais de uma vez temos lastimado a incúria e indiferença dos governos para com a instrução pública. Por Lei de 31 de julho de 1847 centralizou-se a instrução secundária. Sua freqüência er pequeníssima.729 alunos para 327 escolas.

se opusesse ao ato administrativo. Almeida Boto é um dos mais responsáveis pelo atraso em que permaneceu a província. que intitulou-se o partido legal naquele movimento revolucionário. tornando-se alvo das desconfianças da justiça pública. passou a denominarse rapina. eles tiveram programas: tornaram efetiva a emancipação da província e defenderam-na. de 1836 a 1852. em todas aso outra a administrações interferiu. A degeneração do caráter naciona. Dominava não só a administração da província. estudado a marcha que levaram os partdos. em Santo Amaro. a ponto de podermos julga-lo como o administrador de Sergipe. durante àquele período. não sabemos se justa. Seu principal chefe era então Almeida Boto. Fernandes de Barros. Isto produziu impressão na opinião do centro. tendo por armas a corrupção e o egoísmo. durante o primeiro reinado. Em vista dos acontecimentos de 1836. cujos habitantes esperavam que Boto. que foi o mais visível sintoma das práticas políticas do segundo reinado. ou injustamente. em alusão aos roubos praticados naquela vila. o partido lusitano desapareceu. De 1852 em diante seu partido deixou de ser o partido dominante e o seu chefe foi pouco a pouco perdendo o prestígio de que gosava. que perdeu aqueles patrióticos princípios do primeiro reinado e do primeiro período da regência e assim. Por conseguinte. desde 1820. A opinião pública pensou e pensou muito bem que a oposição de Boto importaria a nulidade e revogação do ato. que lhe ofereceu resistência. todas as resoluções. José Antonio de Oliveira e Silva.habitantes livres e 56564 escravos. Este partido que ocupou as posições oficiais. por alguns anos. Além deste fato contribuiu ainda a mudança da capital. Durante este longo período Almeida Boto alcançou em Sergipe um domínio absoluto. O corcunda. o Dr. atacou até a organização partidária de Sergipe. como as administrações locais. com Pereti. contra aliberdade política e administrativa de Sergipe. Menos um ou outro presidente. de onde vieram ordens reservadas ao presidente José Antônio de Oliveira e Silva. em 1836 era o partido da situação. eles tomaram novas denominações. Estudamos estas lutas nos últimos tempos do primeiro reinado e durante o primeiro período da regência. Contribuíram para isto os seguintes fatos: As dificuldades em que se colocou Almeida Boto no assassinato do Dr. até os últimos momentos da monarquia. O partido rapina dominou a província até 1852 quando assumiu a administração o Dr. nos capítulos anteriores. e foi substituído pelo partido do corcunda. para aliar-se ao outro partido. Depois da independência. O historiador não descobre mais um princípio. pelo ilimitado prestígio de que gozava. candidato no pleito de 1836. Souza Brito. sem programas nem idéias caminharam os partidos. O liberal passou a ser chamado camundongo. uma idéia que os vivifique. Vimos mais que. Vejamos agora a marcha e orientação que eles levaram no segundo período da regência e no segundo reinado. Eis a nosso ver as causas da 234 . De sua vontade dependiam todas as deliberações. Vimos que eles originaram-se do atentado praticado pela Bahia. Temos. Ambos perderam seus programas e isto já foi por nós dito. em alusão a um de seus chefes.

que acariciou a idéia da conciliação política e da liga. que tanto a delaceravam. o que se compôs de frações do comundongo e do rapina. ligaram-se tão bem alguns membros do partido que tou a denominação do – Liberalnomo primitivo do partido comondongo. sendo o dito Presidente defendido. cujo prospecto foi aquelle programma de conciliação. dessa conciliação. e o presidente convidou-me a propalar as idéias que eu já adoptava.decadência política de Boto e do seu partido. preparavam-se para a chefia suprema do partido comundongo. E são estas as suas palavras: Nesse ano appareceu o programa político de conciliação. contra o qual promoveu opposição na Assembleia provincial. 235 .saguarema. que não podia prosperar por causa desses partidos de índole de família. Amaro. que representava as tradições liberais de 1820. generosa. Então o Barão de Maroim organisou um partido seu que denominou. em luta contínua. representam as duas agremiações partidárias. afim de cuidar-se dos melhoramentos mateiaes de que tanto precisava a Provincia. A esse partido. apresentado. o jornal – Conciliador-. As outras frações constituíram o partido liberal que. e teve de chocar-se com o Presidente. e então passei a publicar na Villa de S. Boto e outros membros de sua família.concorreu parte do comondongo. Em 1856 ecoou na província a liga dos partidos operada na corte do império. Aqueles que como o Barão de Maroim.O programa do Conciliador não alcançou implantar-se no pinião. em um jornal que principiou a editar em Sto. pelo governo Imperial. organizando o partido saquarema. so segundo reinado. Amaro. Com isto muito se encommodou o Barão de Maroim. pretensão esta contestada por outras influências do dito partido. porqu continuaram os excessos partidários. demonstra que suas origens não representam pricípios políticos. como no país. conservaram-se no seu retiro. que mais tarde passou a denominar-se conservador. por outras influências do mesmo partido. e. mostrando-se a necessidade de acabar com os partidos e infuências nocivas delles . em Sergipe. e tornou-se Antônio da Silva Travassos o propagandista dessa liga. As descrições que fizemos de seus antecedentes. nem tradições históricas. contra os interesses da nação e a favor dos interesses dos seus chefes e dos seus adeptos. Não passam de dois bandos. sem a coesão de uma idíea.que mais tarde tomou a denominação de conservador.saguarema. que a esse tempo se insinuava para chefe do partido comondongo. Este fato produziu uma dissolução completa nos partidos. abriram oposição ao presidente Salvador Correia de Sá e Benevides. e tolerante. chamado o Conciliador. devendo substitui-los uma política larga. Promovidos por novas agremiações políticas.

Limite setentrional. que legalize sua jurisdição. Francisco. entre Sergipe e Alagoas e Bahia. seu direito político a Bahia. pois. desde quando o poder legislativo tem querido resolver a questão. Se há essa unanimidade e acordo nas opiniões. como a fronteira meridional e ocidental o tem sido pela Bahia. pela verdade do passado histórico. que o separa da Bahia. sua vigilância. e de acordo com os interesses da fazenda pública. o mesmo não tem sucedido a Sergipe. não só pela grande extensão que lhe é tributária. sobre a qual compete exclusivamente sua jurisdição. determine-se uma linha divisória. vai às nascenças do rio Real e o separa também da Bahia. relativamente aos seus limites. de quem deviam achar-se desligadas. tem partindo das duas províncias para fundamentarem o direito territorial. Desmenbrando. pela alegação de sua incompetência. vão levar seus auxílios. afluente do S. baseada em documentos. afim de que a administração conheça qual a orbita em que deve girar. Pelo menos esta razão devia inspirar a cessão. é de estranhar que questões de limites tenham sido levantadas pelas duas províncias limítrofes. Elucidemos estas questões. não sabendo as autoridades até onde chegam os limites da sua competência. a leste pelo oceano Atlântico e a oeste por uma linha imaginária. os limites desta província. de acordo com os interesses da justiça. E quando não existisse esse direito. ou Brejo Grande. Seja por onde for. afim de cessarem as reclamações de todos os dias . para quem os documentos são inúmeros e comprobatórios dos limites que acabamos de traçar. Não só a fronteira setentrional tem sido contestada pela província de Alagoas. tornam-se morosas contra os interesses da justiça.CAPÍTULO V LIMITES. sem que se achem a verdade e o direito do lado das alegações. que partindo do riacho Ningó. o presidente da província. dizia: ‖Ainda são contestados ao sul. afim de que a 236 . QUESTÕES COM ALAGOAS E BAHIA Segundo a opinião de todos os cronistas. pela Bahia e ao norte pelas Alagoas. a Bahia devia fazer cessão da zona que tão ilegalmente acha-se apensa á sua jurisdição. que reclamou como pertencendo ao seu território à ilha Paraúna. por iniciativa dos interesses da política baiana. ao sul pelo rio Real.Na 29ª sessão da 30ª legislatura da assembléia provincial de Sergipe. geógrafos e historiadores do Brasil. Se nenhuma contestação histórica. como sobre ela a sua ação legal. em 1871. Sergipe tem sofrido uma lesão enorme em sua economia. na sua fronteira ocidental. o território de Sergipe é limitado ao norte pelo rio São Francisco. E por mais de uma vez a justiça de Sergipe tem sido suspensa em sua ação.se de seu território uma grande zona de terreno ubérrimo. que separa esta província de Alagoas. povoações situadas nessa zona. A incerteza em que vivemos é sempre má. quando a favor de Sergipe não falasse bem alto o testemunho do passado. pela distância em que se acha do centro do governo. tenente-coronel Francisco José Cardoso Júnior. Considero como medida urgentíssima a descriminação dos pontos onde ele confina com as outras.

da qual ficava mais vizinha. pela qual sua jurisdição estendia-se a todo o rio S. 237 . a doação feita em Évora a Duarte Coelho Pereira. Cipriano José da Rocha. fronteira ao penedo. tornou-se terra firme. Muitos outros fatos poderiam citar. pelo lado eclesiástico a Alagoas e pelo lado civil a Sergipe. a câmara de Penedo recorre e ao seu favor foi passado a provisão de 9 de fevereiro de 1758. Tendo em 1755 se levantando de novo a questão de limites. que tendo sido ilha. que resolveu da seguinte maneira: ―No que respeita ao terreno destinado para a Villa Nova. E por uma reclamação feita pela câmara desta vila ao poder competente.a ilha de Paraúna da jurisdição de Penedo e a incorpora a Vila-Nova. donatário de Pernambuco. não raras vezes. no século XVII como as escrituras de vendas eram sancionadas pelos magistrados de Sergipe.Nova os dízimos. Essa reclamação não era mais do que repetição de muitas outras. reclamava-lhe ordens para que as autoridades de Sergipe não exercessem sua jurisdição sobre a ilha do Brejo Grande. pela imposição da administração de Sergipe à lavoura das paragens em litígio. pois. Essa deliberação ia contra os desejos da população. O presidente de Sergipe incluía este trecho em sua fala. É o ouvidor de Sergipe não abusava da lei e nem queria usurpar território estranho à sua jurisdição. pelos limites traçados na escritura o capitão Domingos Casado a Manuel Dias de Oliveira a ilha dos Bois. não só em sesmarias algumas ilhas do rio S. contra o que protestou a câmara de Penedo. eram os fundamentos em que se procurava basear a posse de Alagoas sobre Brejo Grande. como o aviso de 30 de abril de 1832. o ouvidor de então da comarca de Sergipe. quis desmembrar de Alagoas para Sergipe as ilhas circunvizinhas do rio. pois. em tempos passados. sobre a posse ilegítima que Sergipe queria reivindicar para si.ação da justiça não continue a ser iludida. junto a Piassabussu e que. por decreto de 9 de junho de 1812. Quando em 1732 erigiu-se a Vila Nova de S. porém os fatos. Francisco. da ilha Paraúna. que mandei erigir e em que se acha gravado a de Penedo também mandei se conservem na jurisdição desta às ilhas que até agora lhe estavam sujeitas. da justiça e da moral‖. Historiemos. no ano anterior. por se haver excedido a minha ordem‖. pelo lado civil. após a perpetração de um crime aqui. em 23 de abril de 1655 Cosme Rodrigues Delgado e sua mulher venderam a Brás Vieira uma ilha em S. Francisco. e assim ficam impunes. esquecendo não só o decreto de9 de junho de 1812. cujos autores dizem-se domiciliários ali. Realmente.Francisco foram doadas pelos capitães – mor de Sergipe. O contra-senso e anomalia dessa pequena circunscrição pertencer ás duas províncias. o presidente de Alagoas. por uma queixa dirigida ao vice Rei. Francisco. desmembra ele. para pagarem em Vila . que considerava pertencer a Alagoas. em menoscabo da lei. que queria ser tributária de Vila-Nova.

pedia informações à Câmara de Vila-Nova. etc. Assim não sucedeu.em maio de 1604.Francisco. O presidente participa então à câmara a resolução do Governo.em maio de 1603. duas léguas de terra ao norte da barra do Itapicuru. resolução que foi aprovada pelo Governo Geral. que são vinte e cinco léguas. o desejo da câmara de Penedo. pela lei n.Nova o terreno em litígio. a extensão de Sergipe.era de vinte e cinco léguas. Em 1851 a Assembléia Legislativa de Alagoas requeria à Câmara dos Deputados o mesmo que. E em 1870 o presidente de Alagoas pedia ao de Sergipe providências para que as autoridades desta última província não exercessem sua jurisdição em Brejo Grande. Em vista. mas nenhuma reclamação. só em 1873. Logo. pelo sul.em 1590. que tanto prejudicaram as duas províncias. _ Hoje estes limites acham-se sancionados pela unanimidade de opiniões dos historiadores e geógrafos: o talvegue do rio Real. que deveria estabelecer a extensão de seu governo na nova capitania. desde quando a posse de Sergipe sobre Paraúna estava legalizada pela legislação.A lei do soberano não foi suficiente para domar a ambição do poder municipal de Penedo que. E muitas outras sesmarias foram concedidas na zona compreendida entre sete e o rio Real. contudo. de há muito. para responder. Sempre foi este o limite entre Sergipe e Bahia. 238 . Nada se tinha mais a reclamar.de sul a norte.quando conquistou Sergipe. leva ao conhecimento do presidente da província de então. em fevereiro do mesmo ano.quis novamente incorporar ao território de Alagoas a pequena ilha. João Pereira de Oliveira. Essas reclamações eram inoportunas. por oficio de junho de 1832. essas questões de limites. ficaram resolvidas. o juiz ordinário de Vila-Nova. pois na carta de sesmaria de Luiz Alves. a Baltasar Luiz.‖. em aviso de 30 de abril de 1832. Limites meridionais. por si só não prova que a jurisdição do governo de Sergipe se estendesse além do rio Real. vemos. cidade de S.vemos as seguintes palavras em seu regimento: ―As terras e águas e ribeiras que estiverem dentro do território e limite desta capitania de Sergipe. desde remotas épocas? Ainda que não tenhamos podido obter o regimento dado a Cristovão de Barros. resolveu conservar anexada a Vila. contra o que houve formal recusa dos seus habitantes. Entretanto. Domingos Fernandes e Cristovão Leal.concede de sesmaria. depois de um acordo entre a deputação de Sergipe e a de Alagoas. Se este fato é real. o qual. Parecia agora que os fatos legalizavam e que não seriam permitidos. em 1832. que em sessão de 20 de março de 1832. dada pelo capitão-mor de Sergipe. Tomé da Rocha.desde o começo do século XVII.Supomos que a demarcação deve ser da margem do S.Cristovão. o qual submeteu a questão ao extinto Conselho do Governo. o conselheiro Joaquim Marcelino de Brito. que lhe responde em data de 26 de março de1870. 2099 de 1º de fevereiro de 1873.entre os quais existe mais ou menos esta distância. que o capitão-mor Cosme Barbosa. a Câmara de Penedo reclamava.que deveriam ser contadas da margem meridional do rio São Francisco até o rio Real.

onde a defensiva fortificou-se. Ficava. aquém dos limites da província. de 5 Santo. Passando a comarca. do período de 1658 a 1696. E o presidente de então.Itapicuru e Abadia. Não obstante. ―Procurando meu antecessor evitar cenas pouco animadoras que naturalmente resultariam da presença de forças militar. ―Até o próprio professor de primeiras letras viu-se obrigado a retirar-se. com cuja existência apareceram os insultos e ameaças. dizia: ―Permanece o desgosto conflito surgido na extremidade sul da província. as autoridades desta vila quiseram penetrar no território sergipano. para escapar a algum desagrado. tudo isto é muito hipotético. Depois da explosão dos holandeses de Sergipe (1645) os limites se conservaram no rio Real. concedo a essa câmara (Sergipe). a requerimento dos povos de Inhambuque . porque este toca a este governo‖. entendeu-se de novo com o presidente da Bahia. Em todo caso. os mesmos que tinha como capitania.65. por lei n. declarou não reconhecer a divisão pela parte civil. Quer nos parecer. a 11 de janeiro de 1842. A assembléia provincial de Sergipe. ordenou ao juiz de direito da Estância que os juízes de paz de Santa Luzia estendessem sua jurisdição até á raia natural e política da província nomeando eles os respectivos inspetores de quarteirão. cujo insucesso o Brasil teve como uma das mais importantes causas o esquecimento que voltaram à colonização de Sergipe. Entretanto. continuaria o da Abadia a exercer as funções eclesiásticas. Propriá e na foz do grande rio. mas não quanto ao seu provimento. na fala com que abriu a 1º sessão da 5º legislatura. pondo-se em luta aberta com as autoridades da vila Constitucional da Estância. respondeu que enquanto não houvesse parocho na nova freguesia.pois. ―Avista desta resposta. que contra toda expectativa.dividindo-se ao sul pelo rio Real com a Abadia. por não caber á assembléia provincial legislar sobre o assunto que expressamente pertence á assembléia geral‖. em vista de uma carta do conde Castel Melhor aos oficiais da câmara. Sergipe reduzida aos seus antigos limites. que ouvindo ao governador do arcebispado. Em conseqüência do que legislastes. e os próprios holandeses. Sebastião Gaspar de Almeida Boto. quanto ao uso e logro de sua renda. á 6 de março do ano passado. desde a invasão de Sigisteiras. que a concessão feita por isso que a zona não pertencia ao seu governo. que pertencia à mesma freguesia. no entanto dirigiu-se o meu antecessor ao presidente da Bahia.nesse tempo doações foram feitas pelas autoridades de Sergipe na Tabanga. Eis qual foi o procedimento da Bahia! 239 . margem esquerda do rio Real.que terríveis ameaças lhes foram dirigidas. inferido meu antecessor que duvida só havia do espiritual.e apenas foram criadas as respectivas autoridades. pois.estas vilas foram de novo incorporadas à Bahia. pois. estende suas jurisdições. entre as autoridades da vila da Abadia e as da comarca da Estância. seu território ampliou-se pela carta régia de 5 de junho de 1725.foi formalmente erecta em freguesia a povoação do Espírito Santo. Até 1651 o governo não estendeu sua jurisdição além do rio. de junho de 1651: ―A passagem do rio Real. que até o Espírito Santo.

em data de 21 de janeiro de 1863. não é para estranhar-se que. as questões de limite duraram talvez um século.35 de 27 de maio de 1864. É este um fato de capital importância e que não deve ser esquecido nas questões de limites.. ―Em ofício de 19 de Julho de 1864 remeti cópia do indicado ao Exm.nos séculos passados. pelo Decr. De 3 de setembro do pretérito. em observância do aviso de 5 de Agosto do ano p. Isto não pode. foi também dirigida ao governo imperial por diversos habitantes da vila de Simão Dias. onde os limites são traçados com muita clareza. Eles iriam até onde lhes permitissem as forças da colonização.que o acompanharam á secretaria do Estado dos negócios só império. desejando entrar no perfeito conhecimento do fundamento das referidas queixas. prestou as informações que lhe foram exigidas. nem também ser apresentado como um argumento. Se pelos lados setentrionais e meridionais. Limites ocidentais. presidente da Bahia. No século XVI. em seu relatório. o ilustrado Dr. O ex-presidente Joaquim Jacinto de Mendonça. cujos limites não são traçados com esse caráter de clareza. não são os mesmos que separavam Sergipe da Bahia . pelo lado ocidental. pelos leitos de dois caudalosos rios __Real e S. em favor da usurpação que tem feito em território sergipano. se por estes lados. Tais eram as palavras que pronunciava o presidente de Sergipe em 1865. os limites foram somente precisados no lado oriental.128 de 23 de setembro de 1843.Francisco __as duvidas levantaram-se por parte de Alagoas e Bahia. dirigiu-se ao então inspetor da tesouraria provincial. cujo presidente. assim como a todas as capitanias. oficiou ao desta província. o imperador providencias em ordem a fazer cessar os conflitos que com tanta freqüência se reproduziam entre as autoridades da Bahia e de Sergipe‖. idênticas lutas se levantassem.m. Pelo ocidente eles nunca foram determinados. que pedia esclarecimentos acerca de uma representação que a assembléia legislativa encaminhou á câmara dos deputados. por isso mesmo que a geografia da colônia era completamente desconhecida pela metrópole.o próprio original e documento. ___ desde longa data sérios conflitos se têm suscitado entre as autoridades de Sergipe e as da Bahia. Importantíssimo foi o trabalho que ele apresentou. trazendo ao seu conhecimento diferentes queixas dos agentes fiscais da vila do Geremoabo e distrito Coité.quando elas foram feitas. em solução ao que ele me dirigiu em janeiro acima referido.Tanto as reclamações se repetiram que a questão ficou resolvida a favor de Sergipe. enviado igualmente em ofício sob nº47. até onde ela chegasse. 240 . porém ser alegado pela Bahia. ―Outra representação que acompanhou o ofício n. Foi o que sucedeu a Sergipe. contra o procedimento do coletor da vila de Simão Dias.p. em relação aos contribuintes que diziam já ter pagado ali os impostos a que estavam sujeitos. Pretendemos provar o seguinte: a)Os limites que hoje marca-se a Sergipe pelo ocidente.Joaquim José de Oliveira. traçados por esta linha imaginaria que parte das cabeceiras do rio Real ao riacho Xingo. em que duvida nenhuma devia existir. desde quando essa falta de precisão dos limites nota-se em todas as capitanias e doações dos tempos coloniais. os quais suplicavam a s. Tivemos o prazer de lê-lo.

e Sergipe foi então conquistado e na nova capitania encetado o trabalho colonizador (1590). Alem de outros defeitos. que fugiam espavoridos para esse lado e para o norte. com a perda territorial para Sergipe de muitos quilômetros. E não obstante ser ele de alguma força para legalizar a posse. do processo colonizador instituído por Portugal no Brasil aponta-se o caráter arbitrário da divisão territorial.b) Não obstante isto. as bases de uma vida administrativa. o espírito do foro. como entre as capitanias. como entre os governadores das capitanias do segundo processo. que diz que o rei das Espanhas deu 241 . relativamente à distribuição da judicatura brasileira. porque dele dependia o futuro da riqueza publica e particular.mores da nova capitania. Sergipe. Ao mesmo tempo em que se torna preciso a punição severa. por parte das autoridades que mutuamente protestavam contra a extensão de suas jurisdição. provocou pleitos judiciários que dificultaram o processo da riqueza e a ação da justiça. cujo resultado foi a criação de uma abundante advocacia. ao padrão da Bahia. e a circunstâncias que havia de legalizar a posse a marcar a jurisdição. nem mesmo o corpo geográfico da metrópole. E para essas divergências apelavam os criminosos. a falta de clareza dos limites entre as possessões. essa falta de clareza dos limites dificultava as autoridades no cumprimento de seus deveres. o patrono. a decisão. como fator que havia de inspirar no espírito da judicatura. Tornava-se ela a causa que havia de ditar os limites. pois indica o direito do primeiro o uti possidetis. como era a do Brasil. não só individuais. nenhum limite poderia marcar a Sergipe. a força da posição social do cliente. E não obstante não termos encontrado seu regimento e dos seus sucessores. Com o progresso da colonização dilatava-se a posse territorial.o que deve ser levado em conta nas questões de limites .quando se institui a centralização administrativa.a arrancá-las dos naturais. pelos protestos que levantavam. a supremacia do juiz. era uma parte integrante da Bahia. pelo desregramento de uma sociedade contaminada. não só entre os donatários do primeiro processo de colonização. que não lhe eram fornecidos. pelo poder competente. sobre crimes praticados. Tendo feito parte da doação que D. Por esse lado eles se alargariam um tanto mais. ficando assim imunes a ação da lei. em geral do século XVI e XVII. No fim do século XVI ela tomou a direção do norte.Manoel fez a Francisco Pereira Coutinho. de 50 léguas de terra da barra de São Francisco. Sendo Cristóvão de Barros quem efetuou a conquista. Por isso mesmo que nenhum conhecimento tinha o soberano de Portugal da geografia da colônia. porque não existiam em virtude do caráter indeciso e abstrato dos limites procurava-se a sugestão. quando iniciou-se a colonização no Brasil. Dependendo dele fatos de tão vitais interesses. a ele foram dadas. como governadores ou capitães. eles acham-se recuados para o oriente. aos pleitos judiciários sobre posses de terras. quando em 1590 foi conquistada e se constituiu uma capitania. Eis aí um lado importante do caráter da judicatura brasileira. Eis um fato que é preciso não esquecer sobre as lutas intestinas que se levantavam. quando a força da colonização penetrasse nas florestas do ocidente. dando lugar ás lutas de jurisdição. relativamente à distribuição da justiça. todavia esta lacuna é suprida pelo testemunho do cronista holandês. o espírito de chicana. pelo ocidente. e na impossibilidade de julgar e decidir as questões por meios de elementos verdadeiros e positivos.

a doação foi em fevereiro de 1607 e compreendia as terras de Itabaianassu. Miguel Aires Lobo de Carvalho e ao Governador da Bahia. Vaza-Barris e Cotinguiba. E todo território que se estendia da barra do rio Lomba para o ocidente. porém a colonização neste período de tempo. os terrenos onde está edificada hoje a vila de Simão Dias. para o ocidente? No começo do século XVI achava-se quase todo o território das bacias dos rios Real. antes do período holandês a colonização já se tinha internado em grande extensão pelo sertão. acompanhando o leito do Vaza. deve pertencer a Sergipe. como pelo regimento dado a Tomé da Rocha. Depois do período holandês. até as nascentes dos rios Sergipe em Serra Negra. concedida em novembro de 1669. Francisco. E tanto a colonização chegou lá. pois necessidade de acrescentar provas como Sergipe limitava-se ao norte pelo S. em 1762 – Capitão Antônio José da Cunha e o Capitão Manoel Dias Coelho – ao ouvidor de Sergipe Dr. onde está edificada hoje a vila do coité ou Malhada Vermelha. os limites traçados entre as vilas de Itapicuru. que era em Porto da Folha. junto às nascentes do rio Vaza-barris. em uma distância de mais de três léguas para o ocidente foi dado de sesmaria a divesos colonos. foram doados a Simão Dias Fontes. mais de três léguas para o ocidente foram doadas também. Assim. em direção ao sertão. por onde a Bahia quer que passe a linha divisória. até o rio de São Frnacisco. até onde a Bahia hoje estende sua jurisdição.Barris. o capitão Manuel do Couto Dessa. sobre a impugnação dos habitantes do sertão de Vaza-Barris. afluente do Vaza-Barris. de 1637 a 1645. Não é só isto. foram-lhes doadas 30 leguas de terra. junto ao litoral doado. as terras nas demarcações na Serra Negra até encontrar com a sesmaria de Pedro Gomes. Até onde chegou. e nele iniciado o trabalho agrícola. A partir do rio Jococa. Francisco e ao sul pelo rio Real. que era assim chaamado todo território ao ocidente da serra do mesmo nome. Jacobina e Itabaiana. A colonização então dirigiu-se para o ocidente. Piauí. Não há. que se estendia mais deuas léguas para o ocidente e. a pagarem-lhes os dízimos. e Antônio Rodrigues. E pela sesmaria do desembargador Cristóvão de Burgos. 242 . que no século XVII. que em 1603 adminstrou Sergipe. Cristóvão Dias e Agostinho da Costa. quer pelo norte quer pelo sul. Pela sua sesmaria. eram pelo rio Vaza-Barris. na extensão de 32 milhas no litoral. nas ubérrimas terras que hoje se chamam Matas de Itabaiana e Matas de Simão Dias. Hieronimo da Costa Taborda. pertencia à doação de Simão Dias Fontes. Pedro Garcia Pimentel. o que vimos por umas alegações dos dizimeiros desta última vila. por conseguinte.a Cristóvão de Barros as terras de Sergipe. onde completam-se as trinta léguas. pois era impossível fazê-lo. Sergipe e S. em uma extensão de 3 leguas da cidade de Itabaiana para o ocidente. Não será uma precipitação concluir-se que de 1590 a 1637 os limites de Sergipe não foram determinados. Por estas doações vê-se que a colonização de Sergipe chegou até a as imediações de Geremoabo. ente os rios Vaza-Barris. a colonização mais se alargou para aqueles lados. Logo. Além disto. sem ter a seu favor o direito de posse.

Francisco. Francisco. no séculu XVII. que se pudesse unir por uma paralela a Geremoabo. Francisco. Assim fica provado que a colonização de Sergipe. desde Ella até o rio do sul nas vizinhanças da cachoeira grande. até a do norte da barra do rio Real. Não sendo oportuno aqui transcrever integralmente essas memórias. pelo mesmo rio de S. e talvez além das cabeceiras do Rio –Real pela sesmaria de Belchior Dias Caramuru. e daí para o norte e o ocidente. chamada antigamente Gerú e igualmente a Villa Nova Real de El-Rey ao norte de toda a comarca com a extensção de quase cem léguas. como o Pombal ou Tucano. ficando como de cabos a dentro desde a ponta do sul da barra do rio de S. porque nele lemos: o Vaza-Barris faz demarcação para a parte do nascente até o rio do Peixe e por elle acima até o fim. Francisco da comarca de Jacobina. e foi levantada Villa em 1698. beira rio de S. Lagarto. e que no século XVII a jurisdição do seu governo estendia-se a essas paragens. Se pela fronteira setentrional do Vaza-Barris a colonização caminhou até esses limites ocidentais. Itabaiana. pertencente ao districto da Villa de Itabaiana. onde finda 55 leguas e da Extrema de Jacobina 50 leguas pouco mais ou menos até a pancada do mar. simplesmente aproveitamos os trechos referentes às questões de limites. e pela parte de leste é cercada do oceano que faz a enseada de Vasa Barris. de cujo autor não sabemos o nome: Divide-se esta capitania com a comarca da Bahia pelo rio Saguim e o termo do Julgado do Geremoabo. esta estende-se desde o rio Real. servindo de divisão entre a Comarca de Jacobina e a das Alagôas o sobredito rio de S. hoje comarca. ―Sua costa é banhada pelo mar Atlantico. matas de Simão Dias e riacho do Xingó. Francisco. 58 leguas acima de sua foz. vemos que o limite entre os termos de Itabaiana. contando-se da divisão que faz com que a dita comarca da Bahia. pelo poente pela comarca de Jacobina e seu Julgado de Cabrobó. até a Vila Nora Real d‘ El-Rey do referido rio de S. que desemboca no oceano na latitude de 11° e longitude de 360° ee 38‘ até o rio de S. S. todavia ela muito estendeu-se até além das matas de Simão Dias. chamada de Paulo Affonso. com a sanção do governo da metrópole no Brasil. Francisco. foi erecta pelos governadores do Arcebispado. Diz o mesm autor: A freguesia de N. Francisco. E esta nossa opinião é confirmada pela dos antigos cronistas. Francisco. Santa Luzia e a de Thomar dos Indios. comprehendendo no seu districto. nas imediações da nascença do Vaza-Barris. da Piedade do Lagarto. e com a das Alagôas. pelo sudoeste até o sul com o rio Real da comarca da Bahia. Gaspar Barata de Mendonça. por todo o seu norte pela margem austral do grande rio de S. da capitania de Pernambuco. lemos o seguinte: Limita-se esta capitania (Sergipe). buscando a parte central da 243 . a quem o capitão-mor de Sergipe fez doação de 4 léguas na zona onde está edificada a vila de Campos. dista 12 leguas da Villa de Santa Luzia. que deságua no sobredito rio de S. 58‘ de latitude e 347° e 18' de longitude e por este lado vae terminar com a comarca de Alagôas pertencente ao governo de Pernambuco. que passamos a descrever. cuja foz está na latitude sul de 10° e 58‘.Analisando-se devidamente este documento. em 11 de Dezembro de 1679. com o Julgado de Pombal.corrupto vocábulo Serygpe – no Brasil occupa grande parte das terras que estão ao norte da Bahia de Todos os Santos. tinha chegado até Geremoabo. Jacobina e Itapicuru era o rio Vaza – Barris. ainda que não chegasse a um ponto correspondente.‖ Diz Marcos Antonio de Souza: ― A capitania de Sergipe d‘El-Rey. perto da cachoeira de Paulo Affonso. cuja embocadura fica em 10°. as ausência do primeiro arcebispo D. pela sesmaria de Simão Dias Fontes. além da cidade do mesmo nome cabeça da comarca as Villa de Santo Amaro das Brotas. pela fronteira meridional do mesmo rio. Dilata-se desde as costas do mar até Massacará. Em outra memória cujo autor igualmente desconhecemos. Eis o que vemos em uma desta memórias.

junto às cabeceiras do rio Vaza-Barris e daí partindo. deveria merecer mais atenção da representação da província. Somente em sessão de 14 de agosto de 1822. Entretanto. Podemos pois traçar os limites de Sergipe: por uma linha que partindo da cahoeira de Paulo Afonso. Só temos a lastimar que a deputação de Sergipe não tenha feito desta questão uma causa determinativa de reais e patrióticos esforços. por sua colonização. Por que deslocaram-se os limites? Porque feriu-se o direito de psse seclar.até a mata de Simão Dias. Lagoa Seca e Gravatá. a serra do Capitão. para tirar-se de sua jurisdição uma zona territorial tão grande. como toda a população de uma zona de terreno de talvez 30 quilômetros. 244 . que o espírito público delegou-lhe. viesse a massacará.Moendas.até o rio vasa Barris. termina na nascença do rio Real. colonizada à custa de seus recursos? Não osbstante os limites que estão geralmente reconhecidoos por uma linha do Xingó ao rio Real.comarca. cumprindo assim um importante dever da representação. o Dr. em vista dos prejuízos. Dilata-se desde o engenho. um dos deputados de Sergipe. Com esta nova usurpação da Bahia. contornando Pombal e tucano. se diz que eles são traçados por uma linha que partindo do Xingó e passando por sobre a serra Negra. pelo uti possidetis. pelas alegações dos dizimeiros em 1722. Sendo uma questão de interesse palpitante. este pedaço é mais de 12 léguas. de onde o erário público tira grandes proveitos. nem dos presidentes de Sergipe. das lesões econômicas do corpo eleitoral e do poder político. em 1696. E isto tudo a Bahia fez sem a sanção da lei. e vão contra o direito de posse adquirido por Sergipe. Mulungu. Eles não foram derrocados. pugnou por esta questão. ainda que nem de longe duvidamos das boas intenções do seu autor. usurpando de Sergipe gande parte de seu território. desfalcando-se assim do território sergipano uma extensão de muitos quilômetros. desde o século XVII. denominada –Mococa. Se já demostramos que os que são traçados pela linha imaginária do Xingó ao Rio Real. a serra do João Grande. menos verdadeiros serão estes que a Bahia quer impor. que lhe fica a oeste. José Luiz Coelho e Campos. assegurados pelo direito da colonização. Sergipe perde uma extensão territorial de muitos quilômetros. e sem achar auxílio na verdade histórica. a fim de que seja garantida e respeitadada a nossa integridade territorial. que são as conseqüências de tantas ilegalidades. em vista da uberdade do terreno e pela enorme criação de gado nas fazendas de S. acham-se hoje transferidos para o oriente. que marcava o limite da sesmaria de 30 léguas do desembargador Burgos. Espírito Santo. de não ter sido órgão no parlamento de todo o passado histórico do direito de posse de Sergipe sobre seu território. sem o menor protesto. O seu trabalho recente-se da grande falta. quando Sergipe. a levar a convicção ao espírito do governo. garrantido pela colonização. hoje. Francisco. de tanto absurdo. não são veredictos. nem da representação. estende-se 11 leguas desde a matta da serra pedregosa. que fica ao norte. terminasse nas nascenças do rio Real. por uma linha que parte das cabeceiras do rio Real. Não preciso gastar tempo para mostrar ao leitor a falta de verdade destes novos limites. passou de capitania a comarca. Eis aí os limites de Sergipe. e que são confirmados pelo testemunho histórico. passa entre Simão Dias e Coité.

pela eliminação da monarquia. porque até aestas paragens não chegou a colonização de Sergipe. conta o odioso privilégio que se encarna em uma dinastia. teremos então uma época da justiça e do direito. menos sujeitos a litígios. Por ele vê-se que seu autor já propagava as idéias republicanas.Apelamos para opatriotismo da representação de Sergipe. como pela linha do Xingó ao rio Real. permanentes. E além da verdade histórica que representam. quando a regeneração do caráter brasileiro efetuar-se pelas forças nacionais. a fim de que uma questão de interesse tão útil seja resolvida. Jacurici e Pontal. for uma realidade. exprimem também uma divisão bastante acentuada. que presto neste estudo. ainda que incompletas. quando a rebelião que parte agora do espírito popular. em suma mudar-se a forma do governo que tem gerido os negócios públicos. têm o defeito de não representar o direito de posse adquirido. são traçados pelos leitos dos rios – Itapicuru. contribuírem para a vitória da verdade. 245 . que não são inerentes ao elemento étnico do Brasil. ou pelo Itapicuru. quando. Itapicuru-mirim e Calitre. Eles não são marcados com um caráter tão abstrato. pela vitória da república. essencialmente democrata e oposta aos hábitos aristocráticos. será para o autor destas linhas um justo motivo de um nobre orgulo. Estamos certos de que. 259 Este capítulo foi escrito em 1884. quando este país for dirigido por um governo patriota e livre. contra a vontade popular. pois. que foi um incidente na história brasileira. Os que apresentamos. em tempos coloniais. Se os limites traçados pelo ilustre geógrafo Cândido Mendes de Almeida são mais naturais. são a expressão da verdade. São eles os verdadeiros limites ocidentais de Sergipe. Redigia então um jornal – o Horizonte.259 E se as informações.no qual já fazia a propaganda republicana. para conquista do direito de posse que Sergipe alcançou sobre esse território. pelas duas cordilheiras.

Thomé da Rocha governador geral de todo este estado do Brasil nas pousadas de mim escrivão ao diante nomeado por despacho ao pé dela do dito Sr. e por o dito Thomé Fernandes foi aseita a dita terra com todos condiçoens e obregasois nesta carta contendas e da ordenasan e fores desta capitania e se hobrigara a todo comprir pelo que lhe foi pasada a presente para sua guoarda da coal eu escrivão fomei e escrevi neste meu livros das dadas em nome do dito Thomé Fernandes e dos mais a que tocar esta auzentes e eu Manoel André. Capitão e Governador por bem do regimento que para isso tendo dito Sr. J. resalvando pontas em seadas com suas águas. e o que importa ao bem da terra e serviço de Sua Magestade lhe dou em seu nome de sesmaria na parte do dito Rio ouver que não entrarão na medição e serão também suas e disso lhe passem sua carta porque lha dou. lhe fez m. três mil brassas de terra pelo rio asima e pêra o sul coatro mil brassas a qual terra se medirão d‘onde se acabam os ditos mangues que declara e pêra este assim e da maneira que corre odito Rio.APÊNDICE SESMARIAS DE SERGIPE CARTA DE THOMÉ FERNANDES 23 de julho de 1594 – Rio cotinguiba. e mandou pasar carta do dito Thomé Fernandes deste dia para todo sempre e mandou as justiças e oficiaes dela den e fasan dar a pose da dita terra ao dito Thomé Fernandes pelas confrontasois e demarcasois nesta carta conteúdas e nele e dela poderá fazer como cousa sua que já é conforme a ho dito despacho e ordenasão que em todo comprace a qual terá-lhe asin dou livre e isenta de todo foro tributo se mande que pagace o dizimo a Deus que se deve a ordem de nosso Sr. Visto esta petição do suplicante. Despacho. Faz-me e deu em nome de sua magestade a dita terra do dito Thomé Fernandes obrigado a fazer benfeitorias na dita terra no tempo que a ordenançan lhe limita porque com as ditas condições e obrigações o dito Sr. madrias e pastos e receberá mercê. e não atendendo ao muito trabalho que passão nas terras novas se veyo sua casa movida trazendo consigo hua filha casada onde já nesta capitania a três annos mora ajudando a pouvar assim na pás como Guerra: Peda a vossa mercê havendo respeito a ser dos premeiros e por seu officio permanecer a terra com embarcacoens lhe dê de sesmaria em cotemguiba pêra onde se acabam o Mangues Verdadeiros que chamão corropoiba. com todas as madeiras e rios que dentro d‘ella houverem: Sergipe em 23 de julho de 1594 annos: Thomé Fernandes o que tudo isto era contendo no dito despacho e ho qual era assinado pelo dito Sr. Ihus xpo de 1594 aos 23 de julho da diata era nesta cidade de S. Chistovão capitania de Sergipe de que é capitão e governador o Snr. Saibam quantos esta carta de semaria deste dia para sempre virem que no anno do nascimento de nosso snor. C. Capitão e Governador da coal petisão e despacho o treslado. de verbo ad verbo é o seguinte: diz Thomé Fernandes que ele veyo ajudar a dar guerra em Sergipe d‘el Rey em companhia de Cristovão de Barros Capitão geral das entradas com suas armas e escravos a sua custa sem premio nenhum nem cousa algua Del Rei e despois da terra já ganhada se for assim que neste serviço de sua Magestade gastou oito mezes. o qual dahy a um anno tendo noticias vinham moradores apouvar não quis ser dos derradeiros. 246 . e havendo respeyto a ser já morador. nesta Capitania.

escrivão dos dados nesta capitania por o Sr. R. CARTA DE DOMINGOS D‘AMORIM SOARES 15 de Abril de 1596. CARTA DE FRANCISCO RODRIGUES 6 de Abril de 1596. – Diogo de Qoadros. hora no Rio Real estan terras devolutas as mais san de matos maninhos e estan por dar pede a Vm. Lhe fasa mercê de uma légua de terra pelo rio piauhy asima donde ora tem Tome Fernandes mimoso sua terra donde elle acabar pelo rio asima aonde se chama o porto das pedras e sendo dado que corra por diante a coal terra esta da banda do este com todas as agoas e madeiras que dentro em si tiver E. despacho. 247 . respeitando os mesmos serviços que tem feito a sua magestade com que tem gastado de sua fazenda lhe dê de sesmaria em nome de sua magestade uma légua de terra na cabeceira de Jorge Pereira no rio real pello rio de goarujahi260 e do largo em qoadro e outra em légua rumo direito e receberam despacho. Dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade se for dada correra adiante nea legoa de terá em coadro com todas as agoas e matos que nela ouver em seregipe guynze abril de noventa e seis . – Thomé da Rocha. – Diogo Quadros 260 Goacujahy ou goarujaby é o nome indígena do rio hoje chamado Burarema. Diz Domingos de Amorin Soares que elle quer ajudar a povoar a capitania de Serigipe e tem muitos servisos feitos a sua magestade asin nesta costa com em outros portos indo muitas veses a guerras assaltos de muito serviço de déos e bem das povoações de toda esta costa do Brasil em iesto gastando sempre de sua fazenda e de sua custa e tem muitos filhos e não tem terras aonde os agasalhar pello que pede a V. Saiban. Capitão e Governador a fiz em que o dito senhor asinou. Dou aos sopricante que pede as tresentas brasas de terra de largo e oitosentas de conprido não sendo dade e sendo queira rumo direto até onde lhe cuber em Sergipe a seis de abril de noventa e sein anos. m. – Rio Real. ec. Diz Francisco Rodrigues morador nesta cidade de serigipe que ele He casado e tem mulher se filhos e não tem terras onde posa fazer sua abitação e suas pose e criasois. M. afuente do rio Real. – Rio Real.

diz Gaspar Gomes morador nesta capitania sidade de san Christovan que ele vejo em ajuda de dar guerra com Christovan de barros houtro sin veio com tome da rocha e ora assiste na capitania por morador ora é necessário terras para seus mantimentos e ora digo caros e porque ora no rio pe piauhy estão terras devolutas de terras em coadro no dito piauhy na testada de gaspar de oliveira da banda do norte ao longo do rio com todas as águas lenhas madeiras que na dita terra ouver e sendo dada cerrera adiante..diz Gaspar D‘Almeida provedor da fazenda de sua magestade desta sidade de san christovan e morador de cinquo annos a esta parte e não tem terras em que posa fazer seus mantimentos e criasões pede a vossa magestade lhe mercê de hua legoa de terra no rio piauhy a qual legoa de terra comesara a medisan de la adonde vossa m.despacho dou no sopricante em nome de sua magestade na parte que pede na testada de gaspar de oliveira oitosentas brasas de terra em coadro com todas agoas e matos que nas ditas oitosentas brasas ouver e sendo dado corra rumo direito em serygipe três de dezembro de noventa e cinco annos.etc.-Diogo Qoadros CARTA DE GASPAR GOMES 3 de Dezembro de 1595 – Rio Piauhy Saibam .acabar da banda do sul do dito rio piauhy a quoal legoa de terra correra para aldeã de san tome norte e sul e leste ao este em coadro com todoas as agoas ilhas matos e lagoas que dentro ouver. etc diz Manuel de Barros escrivão de Fabrico judisial morador nesta sidade que vai em dois anos que reside nela e nã ten terras em que posa fazer seus mantimentos pede a vossa merse lhe faça mercê de lhe dar no piauhy rio real meã legoa de terra a quoal pede no porto das pedras comesando aonde acabar tome fernades mymoso para ariba asin e da que corre o dito rio piauhy a quoal meã legoa seja em coadro a saber norte e sul leste ao este com todas as agoas lenhas matos lagoas que na dita dita meã legoa ouver –despacho dou ao sepricante coadro sentas 248 . despacho dou ao sopricante que pede não sendo dada duas mil brasa de terra de largos e mil e quinhentos de conprido e sendo dada correra adiante em serygipe vinte de abril de noventa e seis anos . etc .Diogo de Qoadros.CARTA DE GASPAR D‘ALMEIDA 20 de abril de 1596 – Rio Piauhy Saibam. CARTA DE MANUEL DE BARROS 20 de abril de 1596 – Rio Piauhy Saiban.

-Diogo de Qoadros CARTA DE SEBASTIÃO DE BRITO E FRANCISCO DE BARROS 5 de amio de 1596. Hoje conserva o memo nome.m.-despacho – dou aos sopricantes em nome de sua magestade na parte que pedem duas legoas de terra em coadro huma a cada hum deles não sendo dado visto muita pose que tem e ser servisso de sua magestade 261 262 Nome de uma serra . de lhe dar as sobejas das terras de Manoel André de sesmaria na serraria do piauhy da banda de leste com todas as agoas e lagoas e ilhas matos que dentro na terra ouver R.m. 249 .dou ao supricante que pede quatro centas brasas de tera de largo e oito sentas de conprido para o sertan tomado o rumo do rio como correr não sendo dado e sendo careça ate onde lhe couber em serygipe a vinte seis de abril de noventa e seis . avendo respeito a sua necessidade lhe fasa m. Inajaroba é o nome primitivo do rio piauí.brasas de terra de largo rumo direito do rio e oitosentas brasas de conprido com todas as agoas e matos que nela houver em serygipe a vinte de abril de noventa e seis ..Rio Piauhy Diz Sebastião de Brito e Francisco de barros moradores na sidade de salvador que eles san homes de muitas pose e queren pouvoar e aver a terra suas criasois de gado vaqun e das mais criasois e ora no rio real digo do piauhy hum dos brasos do rios real estan terrras devolutas por dar e por ora seren o mesmo de muita pose que a podem povoar pedem a vossa merse lhes fasa mercê lhe dar de semariano dito Rio Piauy três léguas de terra em coadro as cuasis terras partirao com a dada de jeronymo da costa que esta fronteiro do bogio261 da banda do sul fasendo rumo direito ate dar no rio inajaroba262 e na sendo três léguas da dita terra donde acabar o dito Jeronymo da Costa se encabece pelo dito rio inajaroba assima de maneira que fiquem sendo as três legoas em coadro a saber norte e sul leste e oeste com todas as agoas lenhas madeiras e os ribeiros lagoas que nas ditas três legoas ouver no que R.Diogo de Qoados CARTA DE SALVADOR FERNANDES 26 de abril de 1596 – Rio Piauhy Diz salvador Fernandes morador nesta cidade de san Christovan e capitania de serygipe que vae em dois anos que esta nesta capitanya com sua mulher e filhos e suas criações que a um ano pretende caso não tem na capitania terra em que posa lavrar não puder trazer as dittas criaçõis e visto estar aposentado em terras alheias e daqui amanha o mudaram levantar e não ter antan adonde se posa acomodar com sua mulher e filhos e família pelo que pede a v. A qual pode ser porque mais ou menos da serraria para leste mil e quinhentas brasas .m.

CARTA DE CALISTRO DA COSTA 10 de maio de 1596 – Rio Real Dis Calistro da costa mor na sidade do salvador q‘ele acopanhou Cristóvão de barros coando vejo dar a gerra a este sergipe por general com suas armas e cavalo a sua custa e por quanto ele ora quer ajudar a povoar esta capitanya de serigipe e para isso lhe ´e necessário terras para matimentos e criasois e por coanto ora no rio real há terras devolutas por dar pede a v.m. – despacho -Dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede e sendo dada cueira por diante eu serigipe a oito de maio de noventa e seis anos – Diogo de Qoadroz.en tatuapara que eleveio aconpanhando Christovão de barros quando veio a dar a guerra a este a sua custa.despacho. lhe fasa mercê de lhe dar nas cabeseiras de Domingos de Amorim suares no rio guacujahi 4 duas legoas de terra em coadro ao longo do rio di uma banda e da outra que fique o rio por padran com todos matos lagoas e lenhas que nela ouver Rm.M.en nome de sua magestade de lhe dar e 250 .en nome de sua magestade havendo respeito ao asima dito de lhe dar de sesmaria para ele e seus filhos e desendentes duas legoas de terras em coadro na testada de J M0 Ribeiro da banda do sul com todas as agoas e madeiras que na dita terra se achar pelo dito rio de inajoroba asima asin e da mana que o dito rio correr regolando as pontas que o rio fiser os quoais também pede e sendo dado cora pordiente a dita dádiva q‘ora pede E.R. e ora quer ajudar a pouvar esta capitanya de serigipe e para isso lhe he nesesario terras para matimentos e pastos para gado lhe fasa m.pouvoar-se e sendo dado careça para diante em sergipe a sinquo de majo de noventa e seis .dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade não sendo dado comece por diente rumo direito aonde lhe couber m a legoa de terra em coadro com todas as agoas lenhas matos que nela ouver em serigipe a dês de mayo de noventa e seis – Diogo de Qodros CARTA DE JORGE COELHO 13 de maio de 1596.Rio Real Saibam etc.diz Jorge Coelho mor. Diz Nuno de Amaral morado na baia do salvado que ora serve de escrivão da fasenda de sua magestade que ele quer ajudar a pouvoar esta capitania de seripe com suas criasões de gado e gente a para isso lhe he nesesario terra para suas criasois e antimentos pede a vossa Mag.-Diogo de Qoadros CARTA DE NUNO DE AMARAL 8 de maio de 1596.

etc.m .respeito ao assim dito e ser dito serviso foi feito lhe fasa m. diz Estevão Gomes mor . diz Damião da Motta . CARTA DE ESTEVÃO GOMES D‘AGUIAR 13 de maio de 1596 – rio real Saibian.sesmaria duas léguas de terra na testada de Calistro no rio que chama Inajaroba pelo dito rio asima assim e da maneira que corre o dito rio. CARTA DE DAMIÃO DA MOTA 13 maio de 1596 Saiban . lhe fasa m. de lhe dar duas legoas de terras encoadro a coal terra se comesara a medisan dela onde acaba calistro da costa e jorge coelhos com a medisan pelo dito esteiro e lhe de a dita terra de sesmaria como pede pelo inajaroba asima da banda do sul e da mesma maneira que corre o dito rio resalvando as pontas que o rio fiser as coais pede diante E.etc .na sidade do salvador que ele tem molher e filhos e ele aconpanhou Cristóvão de barros com seus escravos e armas e canoha (?)a sua custa e que ele ora quer vir ajudar a povoar esta capitanya de serigipe e que para isso lhe he nesesario para suas criasõis e matimentos terras e ora no rio real num esteiro que chamão Inajaroba estão terras devolutas por dar pede a Vm. na testada de Manoel de barros de duas legoas de terras em coadros para o sertan a quoal terra se comesara a medir onde acabar o dito Manoel de barros contado o que na dita tiver e agoas e madeiras para ele e sua molher e filhos e desendente de 251 .despacho –dou ao sopicante na parte que pede en nome de sua magestade oitosentas brasas de terra em coadro e sendo dada a outren corra por diante en serigipe trese de maio de noventa e seis anos –Diogo de Quoadros.dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade mil brasas de terra en coadro não sendo dada a outrene se for dada quera por diente co a condisan que dentro nu ano a va pouvar e não a pouvando a tornanarão a dar por devolluta em serigipe trese de mayo de noventa e seis anos – Diogo Quoadros.R.com todas as agoas e madeiras riais e ribeiras que na dita terra ouver e ilhas de matos que nelas se achar a quoal terra pede em coadro resalvando as pontas inseadas que o dito rio for fasendo as quoaes também pede e R.m.morador na sidade do salvador que ora veio em companhia do general cristovan de barros a guerra de seregipe com uas armas e cavalos e escravos tudo a sua custa onde na dita batalha lhe matarão o seu cavalo e coatro escravos seus e ele dito damião da motta com duas frechadas e assim mais o dito senhor o trazer por lingoa-mor e capitao de tresento índios forros das aldeias dos padres com os coaes vinha fasendo caminhos e estradas pontes por ribeiros e entulhando brejos e lagos por onde passou a artilheiria e munisões que gerra era nesesario e pasa sen caros e cavalos que para dita gerra erao nesesario e avendo V.m. despacho.

Despacho: dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede meia legoa de terra em coadro não sendo dado a outren e sendo dada coera por dianate condisan q‘dentro num ano a vira povoar e não a povoando no dito tempo se dara outren por devoluta en seregipe a trese de maio de noventa e seis anos . 252 .etc . Despacho –dou ao sopricante em nome de sua magestade duas mil brasas de terras em coadro a qual terra começara a medir donde acabar o mestre de capela da sidade da baia correndo para o norte com suas agoass e lenhas na sendo dada a outren e sendo dada correra por diente com codizan que dentro de seis mezes a venha povoar em seregipe a trese de maio de noventa e seis anos . R. dar de sesmaria com seus portos e matos no que E. CARTA DE MIGUEL SOARES DE SOUZA 16 de maio de 1596. junto a S. de duas legoas de terras para pastos dos ditos gados e criasois e seja a ho longo da que parte com a do mestre da capella e sendo dado corera adiante com as agoas lenhas e madeira que nela ouver e Rm. diz o dito Silveira do Rego que ele quer ajudar a povoar a sidade de San Cristovan da capitanya de serigipe para o efeito do quoal lhe é necessário mandar la sertos vacas e gado e outras criasois que nã pode fazer sem alguã terra de sesmaria nos limites da dita capitanyapelo que pede vm lhe fasa m.bispo em tinharé a cual ilha chama patatiba263e terá de comprido seis sentas brasa e de largo sem brasa e em parte menos a quoal pede a vm.M.Diogo.sesmaria hoje para todo sempre Reslbará m. CARTA DE THOME FERNADES 15 de maio de 1596 – Ru Vasa Barris Sabian.-Diogo Qoadros. Saiban etc.diz Mygel soares de souza que ele esta demorado digo demovido com molher e filhos para esta capitany e por falta de enbarcasan não trouxe sua molher consigo e porque ora esta aqui e quer fazer suas rosas e casas p‘ ir buscar 263 Nome de uma ilha que fica defronte de Thinharé.diz tome Fernandes morador nesta caitanya que tem necessidade de huã ilha que esta defronte de huã dada do sr . despacho: dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade a ilha que diz não sendo mayor do que sua petisan decrara em seregipe a quinze de maio de noventa e seis anos –Diogo de Cuadros.de Qoadros CARTA DE DIOGO SILVEIRA DR REGO 13 de maio de 1596 Saiban .lhe fasa m. Chistovão...etc.

....a todos no rio Piauhy da banda de banda de leste com todas as agoas riberiros lagoas lenhas q.... Saiban etc......16 de Maio de 1596....... desta capitanya de um ano e meo .. diz Pedro Alves Aranha morador na sidade de salvador q ela ele quer ajudar a pouvoar esta capitanya he omen de pose asin de gente como de criasois q há hu morador san pertensentes e para isso lhe é nesesario terras p a mantimentos e criasois e ora no rio piauhy estão terras devolutas por dar pede a Vm lhe caça m............... é meã légua a qual meã legoa a hu frº vas coelho morador ora no espírito santo a quoal terra na tapera da tajoaba264 pelo ribeiro de hipoxy265 abaixo da banda do sul aonde começa domyngos frz nobre de camynho q ele tem por marquo pelos rumos que mylhor lhe pertence a coal terra pede a vmce por divoluto conforme aos pregois que vmfez deitar na sidade da baia e R. R... nos ditos sobejos ouver os quoais poderan 264 265 Nome primitivo de uma aldeia....... a esta parte serve a sua majestade como foi no ... – Rio Piahuy Saiban etc..... CARTA DE PEDRO ALVES ARANHA . de lhe dar de sesmaria hos sobejos das terras donde acaba a dad de martin de..de hua legoa de terra em coadro ....... lhe fasa m.. m..... em nome de sua magestade de lhe dar hua legoa de terra q......................m..geral madou dar na baia e se casar em san visente e estar fora de vir povoar-dou ao sopricante em nome de sua mgde a dita terra por devoluta asin e da maneira que fro vs a tinha em sergipe em dezesseis de majo de noventa e seis anas D........................ junto ao rio Poxim..... visto passarde tenpo em q pudera fazer benfeitorias e por o pregan que o snr‖grd............................e porque ele sopricante não tem terras ............... Despacho – dou ao sopricante em none da sua magestade o q pede não sendo dada mil brasas de terras em coadro com todas as agoas lenhas matos que nela ouver e sendo dada correra por diente Rumo direito onde couber em sergipe a dezesseis de majo de noventa e seis annos .... 253 ...........pelo q........ Diogo de Quoadros. Nome indígena do rio chamado hoje poxim....sua família e por não aver terras por dar ao redor desta sidade por serem todas dadas pede a vm....rio de piahuy a quoal começara e correra para a banda do norte em quadro de norte a sul e de leste a oeste com todas as rebeiras matas agoas que na dita terra se achar com todas as voltas q o dito rio vae fazendo no q.diz gaspar d´amorim morador nesta capitanya de serigipe ............. e.. –Rio Piahuy....Quoadro CARTAS DE GASPAR D` AMORIM 16 de Maio de 1596................. pede a vm avendo respeito ...

m despacho . dentro na dita terra entrar e isto pede a vm por serem muitos campos e terras nan serven senão para pastos e sendo cousa que a dita terra q‘ pede seja dada a outren posa corer adiante honde não foi dada e isto pede por elle sopricante ter catorze poses e criasois para trazer erm despacho – dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede meã legoa de terra em coadro com todas as agoas lenhas matas q‘ nelas ouver vindo as pouvoar no termo da ordenasan e não vindo se daram por devolutas para quen quiser pouvar em sergipe a desesis de maio de noventa e seis annos D.Rio Real Saiban etc.chamado pela hitanhi a terras por dar devolutas pede a vm lhe faça m. 254 . CARTA DE DOMINGOS DE ANDRADE 23 de maio de 1596 – Rio Real Saiban etc .ele quer morar e viver no rio real e traser suas poses pêra o quoal não tem terras onde se aposentar e hinformado que no dito rio real onde acaba a dada dos padres da conpanhia de Jesus estão terras devolutas por dar a pesoa algua pede a v. em nome de sua magestade de lhe dar pelo dito rio asima abacho longo dele uma legoa de conprido e duas para o sertan correndo rumo direito contodas as agoas os pastos serventias q.dou ao sopricante em nome de sua magestade de lhe dar hua legoa de terra em coadre correndo pelo rio asima a onde acabar a dade de Cristovam Rabello e sendo dada Correa adiante onde não foi dada com todas as agoas q nela ouver digo com todas as agoas e matos q nela ouver e sendo dada correra por diante em sergipe e vinte e três dias de maio de noventa e seis anos .diz Cristovan de Rebello dasevedo morador na baia de salvador q‘.ser hua legoa pouquo mais ou menos e sendo cousa q seja dada lhe fasa m.de Quoadro.D. CARTA DE CHRISTOVAM REBELLO 16 de maio de 1596.en nome de sua magestade de lhe dar hua legoa de terra em coadro correndo pelo dito rio asima aonde acabar a dada de cristovan rabello e sendo dada correra adiante onde não foi dada com todas as agoas e matos e mais serventias as quoais pede e r.m lhe fasa m.Diogo de Quoados.de Quoadros. da dita legoa em quadro nas cabeceiras dada de frº de barros e sebastian de brito erm despacho – dou ao sopricante em nome de sus magestade nas terras cabesseiras de Francisco de barros e Sebastiam de brito meã legoa de terra em coadro não sendo dada corera por diente aonde rumo direito onde couber em sergipe a dezesseis de majo de noventa e seis annos .diz Domingos d Andrade morador na baja do salvador qe Ele ser morador na capitanya de serigipe e não tem terras aonde morar e viver he informado que no rio real .

de lhe dar huma legoa de terra ao longo do dito rio contra para o certan a quoal terra comesara onde acabar a dada que vm..diz Cristovan dias almocharife de sua magestade que por tenpo de coatro anos que esta em serviso do dito senhor nesta capitanja de Serigipe ajudando a pouoar com sua fasenda e pesoa achando-se em todos dos assaltos e rebates que os contrários dela fizeram e ora quer ajuda a pouoar ho rio real com gado criasois e não tem terras em abatansa pede a Vm. CARTA DE CHRISTOVÃO DIAS 24 de maio de 1996. Saiban etc.Diogo de Qoadros CARTA DE FRANCISCO ALVARES 24 maio de 1596 .CARTA DE BALTHASAR FERREIRA 24 de maio de 1596.diz Francisco Álvares morador na haia que ele quer nesta capitanja ser morador com sua mulher e filhos e família e não tem terras onde viver e he informado que no rio real chamado hitanhi pelos índios ai terras por dar vaguas e devolutas pede a vm.visto o serviso lhe fasa m. Dandrade há terras por dar a pessoas alguma pede a com todas as lenhas matos servente que na dita legoa houver e seando caso que seja dada a pesoa outra corera a diente onde não for dada isto pede a vm. nesta capitanya com sua molher e filhos e não tem terras onde posa viver he ele enformado que no rio real chamado dos índios hitanhi onde acaba a dada de dos. por ter muitos filhos familya erm.fez m.rio real Sabian etc.dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade quinhetas brasas de terras em coadro com todas as agoas lenhas matas que nelas ouver pouvando a dentro do termo da ordenasan em Serigipe a vinte coatro de maio de noventa e seis Diogo de Qoadros.lhe fasam.diz Baltazar Ferreira que ele quer ser mor.m. Despacho – dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que mea legoa de terra em coadro com todas as agoas e matos pue nela ouver e pouvoando–a dentro do tempo da ordenasan em serigipe vinte e coatro de mayo de noventa e seis annos.rio real .despacho – dou 255 .-Rio Real Saiban etc..dar a seu genro Baltasar Ferreira com todas as agoas matos que na dita terra ouver digo entrar e sendo dada corera adiente onde não for dada Rm despacho ..r. de lhe dar de sesmaria em nome de sua magestade duas mil brasas de terra em coadro na testada de gaspar damorim da banda de noroeste corendo para o rio piauhy con todas as madeiras e agoas que na dita terra se achar no que e.

CARTA DE DOMINGOS FERNANDES NOBRE 25 de maio de 1596 .Diogo de Quadros.dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede não sendo dada e sendo dada corera por diante quinhentas barasas de terras em coadro com todas as agoas e matos que nela ouver com condisan que dentro de quatro meses as venha poupar e não vindo serão dadas por devoluto em serigipe a vinte e seis de majo de noventa e seis anos . CARTA DE ANTONIO GONÇALVES DE SANT‘ANNA 26 de maio de 1596 – rio Piauhy Sabian etc. nome indígena do rio chamado hoje jacaré. Saiban etc.diz Domingos Fernandes nobre morador nesta capitanja que ele não tem terras neste lymite donde mora e ora quer pouvoar na banda do rio reale pelo que pede a vosamerce que em nome de sua magestade lhe de no rio de tãomytiaiaia266 braso do rio piauhy que core para a baoda do norte pera ele e sua filha joana nobre huma legoa de terá há quoall dada se comesara na boca do dito rio taomytiaiaia cuãoodo se aparta do rio piaguohy ao longo do rio da bãoda do poente a quoal terá seia em coadras com todas as agoas que na dita dada ouver no que recebra mercê .dou ao sopricante na parte que pede duas mil brasas de terás em nomes de sua magestades em coadro com todas as agoas matos que nelas ouver e dada corera por diante ate onde lhe couber em serigipe a vnte e cinquo de majo de noventa e seis anos – Diogo de Qoadros. 256 .Diogo de Qoadros.despacho.diz Antonio Gonçalves se Santana morador nos limites de habia que ele vejo a este Serigipe ajudar a coquistar esta terra em compranhia do governador Cristovan de barros e assim mais a rebate nenhum em que se ele não ache com sua pessoa e escravos como é notorio e ora não tem terras em que possa lavrar pelo que ele se quer vir morar a esta capitania com sua casa e obrigações de filhos e filhas e irmãos pelo que pede a VM. CARTA DE MIGUEL SOARES DE SOUSA 26 de maio de 1596.rio Jacaré . 266 taymitiaia... afluente do Piauí.Rio sergipe.Respeitando que assima diz lhe de em nome de sua magestade pelo rio saibetiaia (14) acima do braso rio plauhy que corre para a banda do norte no fim da dada de gaspar demeneis huma legoa e meia de terra em coadro por coanto tem as sobre ditas obrigaçoes para nela agazalhar.ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede não sendo dada mil brasas de terra em coadro com todas as agoas lenhas matos que nelas ouver e sendo dada correra por diante em serigipe a vinte coatro de maio de noventa e seis .ermdespacho..

-Diogo de quoadros. 257 . CARTA DE GASPAR DE MENESES 27 de maio de 1596.Rio Real.-Diogo de Qoadros..diz miguel soares de souza estante ora nesa capitania serigipe ora quer mandar vir sua familia para ser melhor e por ora não tem terras para pouvar e trazer suas criasois e ser hu ome de calidade pede a vm avendo respeito e ao proveito del rei e prol da capitania lhe fasa mercê de lhe dar sesmaria todos os sobejos que ouver de bento de barbuda (?) ate dar no rio de serigipe correndo pelo norte os quoais sobejos sera hua legoa de terra pouco mais ou menos com todas as agoas e lenhas e madeiras ribeiras que na dita terra ouver e por este até entestar com as terras dos padres de jesus-despacho-dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede mil e quinhentas brasas de terras ouver e sendo dada correra por diante em serigipe vinte e seis de março de noventa e seis anos. lhe de no rio real nas cabeceiras de pero de paiva hua legoa de terra em quoadro de hoitocentas brasas por todas as bandascontanto que fique na legoa he sendo caso que seja dado nas testadas que não tem dadas e saltos e legoas que na dita dada ouver no que recebera m. diz pero domingues morador na baia que ele quer vyr ajudar a pouvar esta capitania e não tem terras em que lavrar e fazer suas roças e trazer criasois que tem para isso pede a vossa mercêem nome de sua m.-Rio de piauhy Saiban etc.despacho-dou ao sopricante em nome de sua magestade parte que pede mil brasas de terra em coadro com todas agoas e lenhas que nelas ouver em serigipe a vinte sete de março de noventa e seis anos.Saiban etc. Saiban etc. diz gaspar de meneses mº nos lemytes da baia que ele veio a serigipe ajudar a conquistar em companhia de Cristovan de barros e assim não hai rebate nenhum em que ele se não ache com sua pessoa e escravos como he notorio e ora não tem terras em que possa lavrar e pela coal resan ele quer vir morar a esta capitania com sua mulher e filhos pelo que pede a VM respeitando ao q acima diz em nome de sua magestade digo-lhe de pelo rio piauhy que corre para a banda do norte no fim dada de Diogo Fernandes nobre hua legoa a mea de terra em coadro por canto tem muitas obrigasois para nela agasalhare rm. CARTA DE PERO DOMINGUES 31 de maio de 1596.despacho.-Diogo de Quoadros. CARTA DE JOÃO GARCIA 10 de junho de 1596.dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede hoitocentas brasas de terra em coadro com todas as agoas matas que nelas ouver e sendo dada correra por diante em serigipe aos trinta e hu de maio de noventa e seis.

diz manoel tome morador nesta capitania que vos merce lhe fez merce de hum pedaso de terra cãotidade de meja legoa a quoal parte com os padres de san bento e vaj correndo pello rio do porto de sãota cateryna hasima e porque amtre hos herdeiros de pedro alvares ha sobejos de caopinas que poden ser dosenstas brasas pouco mais ou menos pede a vosa merce avendo respeito a ter muitas criasois heser Õme que agasalha muitas ao longo dahy he por senao meter outra pessoa antre elle que lhe he rojm vesinhoça lhe fasa merce dar hosditos sobejos em nome de sua magestade no que recebera merce.dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede mil e dosentas brasas de terra na testada de francisco daraujo correndo para o rio tao mitaia com todas as agoas matos que nela ouver he estas mil e dosentas brasas serão em quoadro em serigipe a dez de junho de noventa e seis anos D.Rio piauhy. De mea légua de terra no dito rio piauhy a qual tera pode adonde acabar a dada a francisco de Luis da banda de cima corendo ho rumo assim e da maneira que corre o rio em coadro com todas as aguas e madeiras que dentro houver.de Quoadros.despacho.Despacho Dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade seiscentas brasas de terra em coadro com todas as agoas lenhas que dentro houver em serigipe a trez de desembro de 1595 anos.diz joão garcia morador nesta capitania que a quatro anos reside nela com sua caza e fazenda sem terras hem que possa viver elavrar e ora no rio real ahi muitas terras por dar pelo que pede a vossa merce lhe de desmaria pelo rio acima de berriga onde acaba a testada de Francisco daraujo toda a terra que ouver dela ateo rio de taipitaia267 aonde domingos tem a sua dadiva na quoal terra que pede avera duas mil e quinhentas ate treis mil brasas se menos não forem ao quoal tera corra pelo rio acima da baoda do norte salvaodo as pontas que o rio fizer tãobem pede correndo a dita sesmaria pelo rio acima rumo direito pelo este com matos que se nela achare quoal sesmaria pede em nome de sua magestade no que recebera merce pendinho tao bem a vossa merce mande por seu despacho que qual quer hoficiall de justiça o meta de pose dela visto vosa mercê estar andante por estes dias. 258 . CARTA DE DOMINGOS DE LOURENÇO 3 de dezembro de 1595.dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede as dozentas brasas que diz ter sobejos em serigipe a dez de outubro de noventa e seis anos.Saiban etc. Saiban etc.Diz domingos lourenso ora estante nesta cidade de san cristouvan que ele vai em tres anos que veio a esta capitania e nela ajudou a dar soldados ao capitao tome da rocha e agora hoferecendo este encontro dos franceses neste rio real acompanhou a um com suas armas e escravos donde o fez como valeroso soldado e ora quer ser maior nesta cidade e nao tem terras no que possa fazer mãotimentos e no rio do Piauhy estão terras devolutas por dar pelo que pede a vm. CARTA DE MANOEL THOME 10 de Outubro de 1596 Saiban etc .-Diogo de Quoadros..D. 267 Nas cartas de sesmarias lemos taiymytiaia e taipitiaia.de Quoadros.despacho. .

morador nesta capitania que esta nela casado vai em dois anos e não lhe derão terras onde posa lavrar e fazer bem feitorias e ora no rio....etc..-Diogo de Quoadros..estão huns sobejos de terra que lorão dados a manoel de baros nas cabeceiras de joão da costa antre antonio barreiros e balthasar.. CARTA DE SIMAO DE ANDRADE 20 de janeiro de 1599 Saiban.etc Diz Francisco Fernandes de Almeida e Antonio de Meira que eles se vira per moradores pera esta cidade de serigipe e oje de manha querem ir buscar suas molheres e suas criasoise por ora não terem terra onde aposentar asua casa e cural pedem a vosa merce lhe de de sesmaria treis sobejos que estão indo pelo caminho que vay desta cidade pera a aldea entre joao da costa e manuel cardoso e manuel tavares e banda de poente com a antonio saraiba e da do nortepartira com a pitangua e para a baoda do sul meua legua que isso podera ser comprimento antre os ereos acima nomeados as quoais teras não pedem e vyrã lloguo com suas mulher e filhos he receberao merce despacho .etc.morador nesta capitania de seregipe que ele a dous anos e meio que esta na dita capitania enteras alheias com criasois e guado e gente e ora vosamerce lhe fez merce de lhe dar hoitocentas brasas de terra en coprido e coatro centas de larguo em o rio real ao piaoy da baoda de leste e ficarao setencentas brasas por dar pede a vosa merce avendo respeito a ele ter criasois e familia e ora a querer ir poupar lhe mande dar outras ditas setentas brasas pelos rumos acima ditos que sao os sobejos de Manuel André de bãoda de lleste com hás agoas e madeyras que nelas ouver he recebera m. e receberam m.. Saiban.. .. que he entre vasa barys e caipe que são seis centas brasas em quadro pede a vosa merce lhe de a dita dada de terra por devoluta em nome de sua magestade por quanto manuel de baros...dou aos sopricantes na parte que pedem em nome de sua magestade a maia legua que pedem não sendo dada a outrem e sendo dada correrao por diante em serigipe ha quinze de março de mil e quinhentos e noventa e seis anos.CARTA DE FRANCISO FERNANDES DE ALMEIDA E ANTONIO DE MEIRA 15 de março de 1597.Diz Salvador Fernandes..dou ao sopricante na parte que pede en nome de sua magestade a tera de que acima faz a mensao nao sendo dada cora por diente em seregipe a vinte he hum de março de noventa e sete anos.-Diogo de Quoadros.Rio Real Saiban. despacho:Dou ao sopricante em nome de 259 .. CARTA DE SALVADOR FERNANDES 21 de março de 1597.Diz Simao de andrade..

-Diogo de Quadros.ate agora lhe forao dadas e ora no esteiro de agua petiba 268 em caipe esta hua legoa de tera que foi dada a padre antonio moutinho vigario que foi en esta dita capitania a qual está devoluta por quanto o dito padre a não cultivou nem pouou hu ano pede a vm. .lhe fasa em nome de sua magestade de mea legoa de terra nas cabeceiras manoelamoré e gaspar de souza coredo rumo direito conforme a demarcaçao lenhas que nas ditas tera ouver. nome indígena do rio chamado Santa Maria.morador em esta capitania que ha quatro anos nela mora com sua mulher e filhos e ora eu caipe esta hua dada de terra devoluta a qual se deu antigamente a hun francisco velho o qual não pouou nem cultivou tres anos conforme a ordenassem a qual parte pela banda do sul co Simao da Rocha Vilas-Boas pela a banda de leste cõ Cristovan Dias que tera huã legoa pouco mais ou menos e ora tem criasois de gado vaqun e outros miudos e não tem terras onde posa rosar nem trazer suas criasois pede a VM.sua magestade a terra que pede per devoluta am seregipe a vinte de janeiro de noventa e nove anos.diz Fracisco rodrigues. Diz gaspar de Souza..lhe de em nome sua magestademea legoa de terra em quadro na testada de manoel andré con todas as agoas madeiras que na dita tera ouver a qual pede de sesmaria e se medira norte e sul e rumo direito resalvando as pontas enseadas que no dito rio fizer ho que tudo pede de sesmaria. que em nome de S. etc. Saiban. etc. 268 Água petiba..-Diogo de Quoadros. Diz simao dias morador nesta capitania que ele ora está casado nela e que ora nao tem terras pede a vm.Dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra que pode oje desaseis de agosto de 1599.Diogo de Qoadros.Diogo de Quoadros CARTA DE SIMÃO DIAS 16 de agosto de 1599 Saiban.m. etc.Dou ao sopricante a terra que pede en nome de sua magestade por devoluta visto o que alega seregipe sete de agosto de 1599. CARTA DE GASPAR DE SOUZA 7 de agosto de 1599 Saiban . CARTA DE FRANCISCO RODRIGUES 15 de Agosto de 1599.Despacho dou ao sopricante en nome de sua magestade mil e duzentas brasas de terra en quadro por devoluta hoje quinze de agosto de 1599. 260 . lhe de a dita terra que faz mensão por devoluta de sesmaria a qual pede co todos os matos lenhas e madeiras que na dita tera ouver e sendo caso que seja dada se posa encher da mesma cantidade de brasas. .morador nesta capitania que ha quatro anos que pera esta capitania veo com sua pessoa escravos e criasois de gado vaqun e outras criasois miudas e ora não ten teras onde posa lavrar nem por vm.

nesta capitania com casa de família de mais de dous a três anos se achou nas guerras que nesta dita capitania se deram do gentio e fez muito serviço ã sua majestade e oyie lhe faz proveito con suas rendas e porque não tem terás em que laurar e traga suas de muito guado que tem de toda a sorte pede a vm. Saiban etc. o capitão Cosme Barbosa. Saiban etc. CARTA DE GASPAR FONTES 1 de janeiro de 1600. 261 . em nome de sua majestade de lhe dar de sesmaria por devalluta hua dada de terra que foi dada a pero Lopes criado de Diogo de coadros que nunqua foi cultivada de gente branqua e o dito pero Lopes foi ido pêra Portugal e nunqua a pouou e a tem perdida conforme aos pregoims que sobre isto dom Francisco de Souza sendo governador mandou llaurar a quoal terá meã llegoa em quoadro mais ou menos e esta ao llonguo do rio paratigim269 que he braso do vasabaris de porto para baixo entre a dada de Manoel amdre e a de guaspar damorim a quoal pede assim a da maneyra que foi dada ao dito pero Lopes pêra lloguo fazer nela bemfectorias erm – dou ao sopricante em nome de sua majestade a terá que pede por devoluto aoim e da maneira que foi dada a pero llepes.Diz Francisco da silveira que ele se veo para esta capitanjo para nela ser morador e por ora para iso ten comparado serta copia de gado vacum pera os quoais he necessario terras pera pastos e mantimentos aos quais não tem e ten por noticia que onde se ajuntao os dous brasos do rio iapochi ao llonguo de hun deles da banda do sull entra hua ribeira d'agua que se chama mocori e por ella asima está hua legua de tera que core pela 269 Não sabemos qual o rio que os índios chamavam paritigy.diz gaspar fontes llemos morador nesta capitania que elle não teras na capitania para lavrar para mantimentos e para pastos de gado vaqun na testada de gaspar souza em ipochi da banda de sul estam terras devolutas pede a vm.Diogo de Coadros. Só sabemos que era um afluente do Vasa –Barris. Lhe fasa m.que en nome de sua magestade lhe de mea legoa de tera por devoluta conforme o preguao do mesmo governador geral despacho.Dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra que pede pord devoluta seregipe a trez de janeiro de 1600. – Sergipe a cinquo de Outubro de 1602. Saiban etc. dis Gaspar de meirems que ele é mor.CARTA DE GASPAR DE MEIRENS 5 de Outubro de 1599. CARTA DE FRANCISCO DA SILVEIRA 15 de Janeiro de 1600.

.etc.Diogo de Quoadros.m huns sobejos de tera que estan entre gaspar damori e pero llopes no rio do vasa baris da banda do norte adonde.. Saiban etc. .etc.vinte de janeiro de 1600.governador geral con todas as aguas llenhas e madeiras que nela ouver seregipe a desasete de janeiro de 1600.. 262 .Diogo de Quoadros. Saiban.dou ao conforme o pregão do sr..governador gerall serigipe vinte de janeiro de 1600.Diogo de Qoadros. . governador geral com todas as aguas llenhas que nela ouver serigipe aons quinze de janeiro de 1600.. Saiban.m oito sentas brasas de tera en coadro por devoluta conforme o pregão do sr.Diogo de Quoadros.dita ribeira asima pelo rumo de norte do sul e leste e oeste a qual foi dada hun bernaldino ribeiro na qual se devoluta pede a vm lhe fasa m .-dou ao sopricante en nome de sua magestade oitocentas brasas de tera en coadro por devolutas conforme o pregão do sr.. . CARTA DE PERO LOPES 20 dse janeiro de 1600. Diz tomé fernandes que elle he vindo a esta capitania con mulher e familia para pouvar a dita terra e por que ora não ten teras lavrar para seus mantimentos e criasois e ora na tera que foi dada a bernaldino ribeiro no rio de mocori e ora está devoluta pede a vm que em nome de sua magestade lhe de na testada de francisco da silveira no rio de mocory da banda do sull mea llegoa de tera en coadro com todas as aguas e madeiras e pastos que nela houver erm.dou ao sopricante en nome de s.dou ao sopricante en nome de s.m lhe de mea llegoa de tera por devoluta coforme o pregão do sr. CARTA DE THOMÉ FERNANDES 17 de janeiro de 1600. CARTA DE GASPAR RIBEIRO 20 de janeiro de 1600.governador geral don francisco de souza con todas as madeiras e aguas que nelas ouver erm.piramopama os quaes sobejos serão oitocentas brasas pouquo mais ou menos os quoais pede en nome de sua magestade por devolutas conforme o pregão do sr.diz gaspar bareto morador nesta capitania que ha dous annos pouco mais ou menos que nela esta ajudando a pouvar e ora não ten teras para suas criasois de gado vaqun e outras miudas que para iso ten pede a vm lhe de en nome de s. governador geral erm.m mea legoa de tera na testada de francisco da silveira por divoluta conforme o pregão da sr. . da dita llegoa de tera de sesmaria en nome de sua magestade asin e da maneira que foi pedida e dada ao dito bernaldino ribeiro com tudo que nela se achar erm.. governador geral en seregipe ... que en nome de s...diz pero lopes estante nesta capitania que ele quer ajudar a povoar com sua mulher e filhos e ora não ten teras con abastansa para suas criasois e mantimentos e ora na testada de manuel andre estan teras devolutas pede a vm.

CARTA DE DOMINGOS NARCISO 13 de janeiro de 1600 Saiban,etc.diz domingos narciso que ele está en hua tera no pochi da banda do norte en a qual ten feito sua casa e hun cural de gado e sua rosa a qual tera dizen que foi dada a manuel gomes e visto tela povado e estar nela pede a vm de por devoluta en nome de sua magestade conforme o pregao que mandou lavrar ho sr. governador geral a qual tera parte pelo caminho de gauquajú des.........desde os apequs até a barro como entra no rio seregipe suas enseadas e pontas que ha no rio erm.- dou ao sopricante en nome de sua magestade a tera que pede por devoluta hoje a trese de fevereiro de 1600.- Diogo de Qoadros.

CARTA DE MANOEL ANDRÉ 24 de janeiro de 1600. - Vasa Barris. Saiban etc. Diz manuell andre morador nesta capitania que ele vai en dous anos que esta povoando e servindo a s.m. entrando en todas as geras e assaltos que ate agora se fizeram com os gentios da terra como aos francezes que nela se tornarão acompanhado a VM e aos antepassados que nesta dita capitania servirao de capitao e hora tem mulher e filhos e não tem teras em abundansa para poder trazer suas criasois de gado vaqun e outros meudos que pra iso tem pede a vm. que en nome de s.m. lhe de de sesmaria na testada de pero lopes da banda de norte en vaza barris adonde chamão párratigi a qual dada delle dito.........como elle sopricante e co gaspar bareto a cal pede mea legoa de tera por devoluta conforme o pregan do sr.governador geral asin como corer a dita dada de pero lopes co todas as madeiras e aguas e llenhas que nelas ouver - dou ao sopricante en nome de sua magestade outro sentas brasas de tera en coadro por devoluto coforme o pregan do sr.governador geral na parte que pede a seregipe a vinte e quatro de fevereiro de 1600.-Diogo de Quoadros. CARTA DE DOMINGAS DINIZ 16 de .................. 1600. Saiban,etc. diz domingas diniz.........que ella nesta capitania co seus pai e sua mãi por morador sinquo anos e hora não ten teras para suas criasois o mantimentos e hora ao redor desta cidade está hua dada de tera devaluta pra banda de norte co manoel pires e poente con antonio seraiba e de norte sul tera llegua de largo a quoal foi dada a hu gaspar doliveira e nuqua fez benfeitorias nela como hera obrigado fazer coforme a ordenasan pede a v.m. en nome de s.m. por devoluta coforme o pregão do sr.governador geral con todas as agoas etc. erm dou a sopricante en nome de s.m. a terra que pede por devoluta en seregipe a desaseis de 1600.-Diogo de Quodros. CARTA DE SIMÃO D'ANDRADE

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4 de março de 1600. Saiban,etc.diz simão dandrade que ele a tres anos que esta pouvando esta capitania cazado co molher e filhos con gado e servindo a s.m. con tudo e que v.m. o ten encarregado do serviço do dito snr e porque agora lhe não é dado tera pera podea trazer suas criações fazer mantimentos para puder sustentar sua caza pede a vm en nome de s.m. lhe de ao llonga da ribeira de pirao mopama nas testadas de gaspar damorim hua legoa de tera fiquando a dita ribeira demtro da dita tera a call pede por devaluta coforme o pregão do snr governador geral erm - dou ao sopricante en nome de sua m. na parte que pede mil e dusentas brasas de tera de comprido e pera o sertão mil e quinhentos por devoluta con as agoas etc. seregipe a quarto de março de 1600.-Digoo de quoadros. CARTA DE MANOEL DE FONSECA 5 de Março de 1600. -Rio cajahiba Saiban etc. diz manoel da fonsequa mor.nesta capitania que ele en companhia de cristovan de barros veo ajudar a tomar esta terra e capitania pouvar a sua custa des então ate agora sempre rezidio nela con sua pesoa e familia ajudando a pouvar a todos em tradas he geras que em tempo dos outros capitais ouerão en serviso de s.m. e nã ten teras en que lavrar suas rosas he suas criasois pede en nome de s.m. hua dada de tera que foi dada ha hu simão fernandes gaguo por o capitão tome da rocha que foi desta capitania por quao a não veo pouvar dentro do tempo que lhe da o dr e ordenasan e não coprimento dos pregões que mandou deitar na prasa da cidade de saluador o snr governador geral não cumprio nem nuca tomou posse e esta por devoluta a qual tera he de mil brasas para ao llongo do rio de cajaiba e são tres mil brasas para o certão e porque ele dito ten filhos para casar pede mais outra tanta que serão duas mil brasas ao llongo do rio da cajahiba he as tres para o sertão corendo correndo as duas pelo sertão asima caminho da banda de noroeste as tres para o sertão para a banda de sudueste as qual tera esta amtre ho rio de cajahiba e potihipeba por o caminho que ia para a aldea de taperagua e pede asin como o dito tome da rocha a tinha dado a simão fernandez direitamente pelo rio asima resalvando pontas he enseadas no salgados co tanto que tudo cora avante erm - dou ao sopricante en nome de s.m. as mil brasas de tera e as tres mil para o sertão que foram dadas a sirmão firz seregipe a sinquo de março de 1600. - Diogo de Quoadros.

CARTA DE BARTHOLOMEU FERNANDES

10 de Março de 1600. Saiban etc. diz bartholomeu ferz mestre da capela da Bahia que ela éome de muita pose e quer vir ou mandar ajudar apovoar esta capitania e província o que lhe e necessário ter tera para mantimentos e criações pede a vm lhe de en nome de sua magestade hua llegoa de terra em coadro no rio reall na testada de Francisco

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daraujo e Baltasar feras e Melchior dias comesando de hu eteiro chamado ariticuiba270 per ele ariba rumo direito da banda de norte pede de ser marcar ermDou ao soplicante em nome de s. m. na parte eu pede meã legoa de terá com todas as águas etc. que nelas ouver Sergipe a dês de março de 1600.- Diogo de Qoadros. CARTA DE BENTO FERRAZ 12 de Março de 1600. Saibam etc. diz o padre bento feras vigário de Sergipe que ele esta actuamente pouvando esta terá com seus negros e gados e ciasois para o que não tem terás para mantimentos e trazer suas criaçois antes hua dada de meã legoa de terá que lhe Vossa magestade tinha dade mandou substituir com ella a quall hera em caipe, ho que ele sopricante fez e esta sem terá nenhuma pede a Vm lhe de en nome de sua magestade mea legoa de terá em coadro no rio reall mística co a de seu tio o mestre capela corendo pelos mesmos rumos e desmarcacois que a dita tera corer- Dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede Mill brasas de tera em coadro em auguas etc. seregipe doze de marso de 1600.- Diogo de Qoadros. CARTA DE PERO SANCHES 31 de Março de 1600. Saiban etc. diz pero Sanches morador nesta capitania que ele não tem terras em que laavrar He fasa suas rosas He targa suas criasois pede terá que pello rio asima de piramopana da banda de leste nos de .......... – Dou mil e quinhentas basas de tera. – Diogo de Qoadros. – ultimo de março de 1600. CARTA DE MARCOS FERNANDES. Sibam etc. diz marcos Fernandes morador na cidade de saluador que ele quer vir pouvar esta capitania com sua casa e famial e ora nela não tem terras para puder trazer seu gado e cisois e fazer suas rosarias por quanto ele he home de grade família pede a V.m. lhe de em nome de sua magestade nas cabeceiras de João da rocha visente ao llonguo do vasabaris da banda do sull hua legoa de terá llonguo do dito rio e llegoa e mea de terá dentro a quall terá pede por devlluta e se obrigara em dentro de quatro mezes – Dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede a terá que diz em sua petição com águas etc. seregipe a vinte de março de 1600.- Diogo de Qoadros.

CARTA DE MELCHIOR MACIEL 5 de Abril de 1600. – Rio Guitihiba271 Saiban etc. diz mellchior masiell dandraade mor. Nesta capitania que quando a Ella chegou se apresentou ao rio reall que achou desocupado adonde ora está co
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Afluente do rio Real, junto à foz. Conserva o mesmo nome. Nome indígena de um afluente do Rio Real

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sua casa e fanilia e porq‘ nesta dita capitania tem bem servido a s. m. e ora nella he morador pede a Vm. Em nome de s. m. lhe fasa m. duas mil brasas de terá em coadro ao llongo do rio guithiba ueq he onde ele sop. Ora está pouvoando a call terra pede por devoluta conforme ao pregão do Sr. governador gerall lhe será demarcada a dita terá de huma banda e de outra do rio guitihiba ficando o rio meo da demarcasan e será imedita por rumos direitos por fora dos mangues e ilhas que ouver as quais ilhas e pontas de terá e mãgues que ficarem dentro da demarcasão entre na dada que ele sopricante pede erm. – dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede mil e dusentas brasas de terá por devoluta cõforme o pregão do mesmo governador gerall seregipe a simquo de abril de 1600. – Diogo de Qoadros. CARTA DE MATIN LOPES 24 d‘Abril de 1600. - Aldeia de Taperoá. Saiban etc. diz Martim Lopes mor. Na habia que elle quer mandar ajudar a povoar esta capitania de Sergipe e por quanto he home de muita pose e famila para que lhe he necessário terás para suas ciasois e mantimentos pde a Vm. em nome de sua magestade huma llegoa de terá em coadro na aldeã que chamão tepahoqua adonde em tempo de Tome da Rocha quando era capitão os contrários (?) matarão os negros que chamavão neboiba a call dada de terá corera pelo caminho que vinha de uma banda e outra levando em meo e semdo causa que se a dada pede por devoluta erm.- Dou ao sopricante em nome de s. m. na parte que pede meã legoa de terá em coadro com águas seregipe a vinte e quatro dabril de 1600. – Diogo de Qoadros.

CARTA DE MATHEUS DE FREITAS 25 de Abril de 1600. – Rio Sergipe. Saiban etc. Mateus da Freitas dasevedo allcaide mor. Da capitania de pernãbuco que ele tem muita pose e quer mandar ajudar a povoar esta capitania de seigipe e porq‘ tem muitos filhos pede a Vm. lhe de em nome de sua magestade por devoluta cõforme o pregão do Sr. governador geral duas llegoas de terá em coadro pello rio de seregipe asima nas cabeseiras das terras de pero masiell dandrade e do padre Ambrosio Joardes a saber hum legoa para sua filha Jeronima outra llegoa para Clara ...........- Dou no sopricante em nome de sua magestade na parte que pede duas legoas de terá para as ditas suas filhas cõtanto que beneficie em hum ano seregipe a vinte e sinquo de abril de 1600. – Diogo Qoadros. CARTA DE AMBROSIO GUARDEZ 26 d‘Abril de 1600. – Rio Sergipe. Saiban etc. diz ambroso coardes vigário do são pedro e ouvidor da vara da capitania de penãobuquo que ele tem muita pose e quer ajudar a povoar a nova capitania de serigipe com gente e gado e outras ciasois pede a vin. Lhe de em nome de sua magestade por divolluta cõforme o pregão do Sr. governador gerall duas Mill

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brasas de terá em coadro ao llongo do rio de seregipe da bauda do sull na testada de pero masiell pra rosaria e pastos de gado com todas as agoas etc. – Dou ao sopricante na parte que pede em nome de s. m. mil brasas de terra em llargo e Mill e quinhentas de comprido com todas as agoas etc. seregipe a vinte e seis dabril de 1600. - Diogo de Qoadros. CARTA DE GASPAR DE AMORIM 4 de Março de 1600. – Rio Vasa-Barris. Saiban etc. Diz Gaspar damorim morador nesta capitania que a elle lhe não são dadas as terras que bastam para sua pesoa e suas criações e para fazer mantimentos conform ao regimento pede a Vm lhe de hua dade de terra que esta devoluta quoall se comecara a medir na varzea de peramopana que vossa magestade lhe tem dado até a dada de Manoel Andre para sima como vai do rio vasa basabaris porquanto elle sopricante esta nella com casa ...... e a tem pouvado pede a Vm lhe de em nome sua magestade por devoluta a call terra pode ser mea llegoa em coadro pouquo mais ou menos erm. – Dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede Mill e dusentas brasas pela sua testada de comprido e mil e quinhentas de largo para o sertão em Sergipe a quatro de marso de Mill e seis sentos anos. – Diogo Qoadros. CARTA DE GASPAR DO AMORIM 14 de Março de 1600.- Rio Vasa-Barris. Diz Gaspar damorim morador nesta capitania que elle com sua molher e criasois e escravos e ora o capitão dioguo de coadros lhe tem dado pouqua terras para suas criasois e mantimentos e porque lhe deu na varzia de piramopama hu pedaso de terá e no feito de Coll razão que ele em sua petisan pedia para a Vm que em nome de sua magestade lhe de outra vez de novo hus sobejos de terra que estão na dita varzia dos cajueiros para baixo e he hu canto entre elle sopricante e ho no rio vasa barris e o dito esteiro de de piramopama que pode ser mil brasas de terra pouque mais ou menos de conprido e de largo quinhentas brasas e por outra parte certo que he pouco mais ou menos pede a vosa mercê lha de por devolluto e inda que seja dada conforme ao pregão geral por se lhe não meter Ca ninguém na dita varzia porque lhe fasem ruim obra no que erm.- Dou ao sopricante a ponta de terá que pede em nome de sua magestade por devolluta cõforme ao pregão do governador gerall Don Francisco de Souza serigipe quatroze de março de mil e seiscentos anos o capitão Manoel Miranda Barbosa em auzencia de Diogo de Qoadros. CARTA DE GASAR D‘AMORIM 14 de Março de 1600. Saibam etc. diz Gaspar damorim nesta capitania que antre agoa petiba e o mar esta hua dade de terá que são quinhetas brasas ou seiscentas por costa e llargura ate agoa petiba e de norte parte com a terá de Baltasar de Barbosa o quoal serte de terra povoou de novo joam Garcia e nela reidio mais de quaro anos de sorte

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que ficou satisfazendo ao forali e por algus soberios que lhe cõcedram se for desta capitania e fes venda da mesma terra a elle sopricante e por quanto Joan garsia assim se foi allgus a pretendem por discre a não poder vender pois despovou pede a vossa mercê que de novo lha de de sesmaria ou por devalluto erm- Dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra que pede de sesmaria e por devalluto visto o dito joam Garcia depovoar e vender o direito que nella tinha seregipe a quatorze de marzo de mil e seis centos anos o capitão Manoel de Miranda Barbosa em ausência de Diogo de Qoadros. CARTA DE JOÃO DIAS 16 de Abril de 1600. Saiban etc, disem João dias morador em jaquipe que ele tem nesta capitania gado e gente pra fazer rosas e cirasois e para isso não tem terás onde possa pastar suas criasois e no agaipe para a banda do sul esta huma dada de terá que foi dada ao padre geronimo de garros a coal lhe foi dada a seis ou sete anos e ate hoje a não tem povoado nem feito bemfeitorias nenhuma pello quall respeito nas pede por devoluta assim e da maneira que foram dadas ao padre e pede lhe perfasa huma legoa de terá em coadro Erm.- Despacho- dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra que pede cõforme ao pregão do snr. Governador gerall por devolluta com todas as águas e llenhas que nelas em ouver em seregipe a deseis de abril de Mill seis senteos anos – Qoadros. O registro assinado por Manoel de Miranda Barbosa.

CARTA DE MELCHIOR MACIEL E PAULO 4 de julho de 1600. Saiban etc. disen Mellchior Maciel e Paulo…….. moradores na capitania que no rio reall da banda do norte junto ao cabedelo a que chamão ipelempe272 ao longo da terá esta hum pedaso de terá de pastos pêra gado e porque eles sopricantes estam pouando no dito rio reall e não tem onde posam trazer suas ciasois pedem a Vm lhe fasa mercê em nome de sua magestade duas llegoas de ttera por costa de mar e llargura que ouver da bara de hum riacho que esta na boqua do dito cabedelo..... até a costa que pode aver quinhentas brasas até seis centas pouquo mais ou menos e sendo dadas as peden por divolluta conforme os pregõis e mandados do snr. Governador gerall Erm. – dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que peden duas mil brasas de terá por costa e llonguo comesando do rio que dis em seregipe a quatro de Junho de 1600.- Diogo Qoadros.

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Nome indígena do cabelo que existe ainda hoje junto à foz do rio Real.

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.. 269 . de todos os pontos anseadas que na dita llegoa de terá ouver e sendo caso que seja dada corera adiante pello mesmo rumo ou como milhor lhe pareser erm. Saiban etc.. No registro a assinatura é de Manoel de Miranda Barbosa.. para bem de nelas fazer seus mantimentos e meter suas criasois pede a Vm que respeitando ao que dis lhe fasa mercê em nome de sua magestade de lhe dar de sesmaria huma legoa de terra ao longo das cabeseiras que os ditos padres tem por sima da mesma llargura confrontante para o sertan corendo a dita llegoa de comprido ao llonguo do dito rio de vasabarris com todas as águas doses e sallgadas que na dita distansia se acharem com as pontas de mangues e ilhas que na dita dada caírem corendo com os mesmos rumos e confrontasois que corem a dos ditos padres e a dita demarcasan em seu comprimento chegue a sua distansia em embargo em embargos de rios e esteiros e fasendo-lhe mercê como ele sopricante o pede lhe mande pasar sua carta de sesmaria e resebera mercê. dar-lhe em nome de sua majestade a dita llegoa de terá e comesara a medir onde o dito Martins de Souza acabar digo pretender e assim mais lhe fasa merse darlhe a dita llegoa de terá rumo direito ao norte posto que o dito rio pellas voltas que da não tem rumo direito e yuntamente lhe fasa m. Diogo Qoadros...dou ao sopricante Mill brasas de terra em coadre corendo na forma em que pede em nome de sua magestade na baia dessanove de juho de Mill e seissentos anos.. ate agora pessoa alguma as veo povoar nem as cultivar e ora o sopricante as quer povoar conforme ao regimento de sua magestade e ao pregão do snr.. Governador Don Francisco de Souza e a Vm. em nome de sua majestade de hua llegoa de terá em coadro no rio mocory nas cabeseiras donde acabar Martins de Souza e pello rio asima do dito mocory e por côamto elle suplicante não sabe se o dito martins de sousa tem terá a pede a vm lhe fasa m.. dis Gaspar Fernandes vigário ouvidor da vara e juiz dos seguimentos he utilizador nesta capitania de Sergipe que o capitão Cosme barbosa lhe fez m.diz natias Moreira morador na capitania de seregipe cidade de san Cristovão que nas cabeseiras das dadas aos padres da companhia de Jesus tem em vasa barris estão terras devolutas.evendo respeito ao que o sopricante dis nesta sua pitisan lhe confirme a dada da tera da maneira que em sua petisão faz mensão e lhe dou demais em nome de sua majestade na dita terá as pontas que pedem e de tudo se lhe pase nova carta de sesmaria Sergipe onze de Julo de 1603 o capitão Tomé da Rocha. CARTA DE MATHIAS MOREIRA 19 de julho de 1600 Saiban etc. com huma petisan e despaacho do capitão e governador Diogo de qoadros etc..CARTA DO PADRE VIGARIO GASPAR FERNANDEZ 11 de Julho de 1600.

Sr. Disem Bartholomeu fernades e o padre bento Ferraz maiores nesta capitania de Sergipe que elles querem ajudar a pouvar e estão atuallmente pouvando e por não terem terás sufficientes para trazerem seus gados e criasois miúdas e fazeerem mantimentos pedem a Vm lhes de em nome de s. – despacho dou aos sopricantes na parte que pedem hua lleg. Despacho – dou ao sopricante em nome de sua magestade os sobeios que quer entre Antonio barreiros e pero sandres mor nesta capitania ao llonguo do vasa barris e pela terra dentro hua legoa conforme ao pregão de m. m. Manoel de Miranda Barbosa locotenente. diz João dias mor. CARTA DE JOÃO DIAS 11 de Novembro de 1600. governador gera erm. Saibam etc. De terra em coadro com as lenhas e agoas e maderias as quaes comesara a medir donde eles soprecantes acabão como pedem. Na tore que elle veio a esa capitania em companhia de cristovan de barros ajudal-o ganhar honde trouxe artilharia a sua conta que ora esta neste forte e outro si tem muito gado já nesta capitania para o quall não tem pastos bastantes nem matos pêra rosar porque quer ajudala a povoar e porque nela a terás devallutas que não são cultivadas pede a Vm lhe de em nome de s. na testada de Antonio barreiros correndo até o esteiro de piramopama hua legoa de terra em coadro ao llõguo do vasa barris houtra banda de tinhare e outra legoa para o sertão a coal pede conforme pregão do Sr. duas legoas de terá em coadro no rio reall em hu esteiro ou rio por nome ariticuiba onde acabão os sopricante de hua bãda que lhe deu o capitão Diogo de coadros correndo pelos mesmos rumos demarcasois confrontasões que correm as dadas dos sopricantes as quais pedem de desmaria que seiam dadas e pedem por devollutas isto com llenhas madeiras agoas e pedreiras no que resebera m. governador geral Sergipe onze de novembro de 1600 anos o capitão Manoel de Miranda Barbosa. m. governador gerall as tem 270 .CARTA DO PADRE BENTO FERRAZ E BARTHOLOMEU FERNANDEZ 13 de outubro de 1600. diz Simão d‘andrade que ele vae com quarto anos que esta ajudando a povoar esta capitania com sua molher e família e servindo sempre a sua magestade em tudo o que lhe foi encarregado e porque hora ele sopricante tem gado vacum e outras muitas criasois e não tem terras per onde pastar por ate agora não ter rendado pello que se lhe perdem as ditas criasois e desaparecem e se da muita perda e ora onde a terra do snr bispo vindo do vasabarris estão oito sentas brassas de terra que foram de hu morador da Bahia a muitos anos e nuqua até agora digo até hoje as tem vimdo pousar conforme o regimento que sua magestade manda em sua ordenasão contra o pregão do m. Sr. CARTA DE SIMÃO DE ANDRADE 12 de Novembro de 1600 Saiban etc. Seregipe treze de outubro de Mill e seis sentos anos.

diz pero da llomba morador da Bahia por seu procurador q ele veo ajudar a ganhar esta capitania a sinquo anos hm curall de gado para o quall não tem pastos nem lhe há dado terás nenhuas peratra ser suas criasois e hora a terras devolutas na itaporãogua273 pede a vm lhe de em nome de s.perdidas pede à Vm. Manoel de Miranda Barbosa. Despacho . governador gerall Francisco de Souza seregipe dozo de novembro de Mill e seis sentos anos. E porque ora não tem pastos para seus gados e 273 Vila de itaporanga 271 . governador gerall Don franacisco de Sousa seregipe a dose de novembro de 1600. visto o que alega lhe de em nome de sua magestade por devollutas quatro centas brassas de terra larguo e de comprido o que ouver da praia até o rio de auguapetiba comesando de meio a donde acaba o Snr bispo e resebera m – despacho – dou ao sopricante em nome de sua magestade trescentas brasas de terra de larguo por costa e de comprido ao longo do mar até o rio aguapetiba como pede conforme o pregão do Sr. Saiban etc. CARTA DE SESMARIA DE MANUEL ANDRÉ E SIMÃO DE ANDRADE 13 de Novembro d 1600. hua llegoa de terá em coadro a quall se comecara a medir na testada de Manuel tome quanto ao rio vasa baris e corera pelas cabeseiras dele e da dada de domingos saraujo pella bãoda do sull erm. ―Don Francisco de Sousa e recebera mercê. O capitão e loco tenente Manuel de Miranda Barboza. CARTA DE SIMÃO DE ANDRADE E MANUEL ANDRÉ 17 de Novembro de 1600 Saiban etc disem Simão d‘andrade e manuell André q els estão pouvando co suas mulheres e filhos e servindo a sua magesade em tudo o que llhe he encarregado do serviso do dito snr.dou ao sopricante em nome de s. m. Despacho – dou aos sopricantes em nome de sua magestade os sobeios q estão entre Matias Moreira e Manuel tome AL llonguo do vas baris da ganda do sull e pela terra dentro hua llegoa por divolluta conforme o pregão do Sr. mersê em nome de sua magestade hus sobejos q estão entre Matias Moreira e Manuel Tomé allonguo do rio de vasabarris da banda do sul p podem ser hua légua pouque mais ou menos as quaes peden por desaletas conforme o pregão do snr. disem Simão dandrade e manjuel Andre moradores nesta capitania que eles estão pouvando nesta dita capitania e porque ora não tem terras que posão fazer seus mantimentos e traser suas criasois de gado vacum e outras meudas q pra isso tem pello q pedem a v. O capitão Manuel de Miranda Barbosa CARTA DE PEDRO DA LOMBA 11 de Novembro de 1600 Saibam etc. magestade duas mil brasas den coadro na parte q pede a saber nas cabeseiras de domingos daraujo da banda do sull serigipe onze de novembro de mil e seis entos anos.

..... m. magestade em seregipe a desasete de novembro de Mill e seis sentos anos Manoel de Miranda Barbosa..... Saiban etc diz Simão dandrade que ele vai em quatro annos q esta ajudando a pouvar esta capitania com sua mulher e filhos e servindo sempre a s.......as ditas quatro sentas brasas de terras as não cultivarem nem pouarem outrosi não moram nesta capitania nem term nelas quem lhas pouvo.. diz o padre Agostinho monteiro q elle quer ser morador nesta capitania de seregipe ou mandar pouvar co rosarias e canaviais curais como he custume dos q pouvão a terá pra o q tem necessidade de terras pra ain o poder fazer pede a vm. O capitão o padre Bento Ferras. de ouvidor e outros cargos do serviso de sua magestade de q foi encarregado e por q ora ele sopricante não tem terras oude posa fazer seus mantimentos perto desta sidade onde posa acudir a obrigasão de seu ofisio poquanto o que lhe he dado esta muito llonge e não pode ainda viver. magestade na parte q pede a llegoa de terra em coadro a call lhe dou de semaria outra se mil brasas em coadra na testada de Simão da rocha para pastos a call lhe dou com todas as augoas llenhas madeiras q nas ditas terras se acharem em seregipe vinte e seis de dezembro de 1600. CARTAS DE PADRE AGOSTINHO MONTEIRO 26 de dezenbro de 1600.. CARTA DE SIMÃO DE ANDRADE 18 de Dezembro de 1600. O capitão o padre Bento Ferras. lhe de sesmaria no rio se seregipe na tstada de Simão da Rocha hua llego de terá em coadro para seus mantimentos e porquanto na dita terra na tem terás para pastos pede a vm outro assim de dar na varsea do dito rio de seregipe Mill brasas em coadro na testa do dito Simão da rocha com todas as augoas llenhas madeiras erm. 272 .....despacho – dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra contuda em sua petisão de semaria em caso que este dade por devolluta seregipe a desoito de dezembro de sis sentos annos. Saibão etc.. 274 Nome indígena de um riacho que desemboca no Poxim.. Despacho dou ao sopricante em nome de s..mais criasois q para isso tem peden-lhe de em nome de sua magestade de semaria hus sobeios de terá q estão antre Antonio Gedes e o esteiro de augiapioba 274 correndo pelas cabeceiras de balltesar e Sebastião de brito e antre os frades de san bento ate poxi os quais se den por devalluto conforme o pregão do snr governador gerall Don Francisco de Souza erm... por q ainda em caipe perto desta sidade estão huas quatro sentas brasas de terras que forão dadas aos filhos de Pedro Alves que eles tem sendo filhos família em ao a podião posuir e por quanto ele sopricante todo este tempo q há q esta pouvando a dita terá fasindo bemfeitorias nela o u he proll da fazend de sua magestade sisto ser terá nova e mandar ele as ditas terás se dem a quem hás pouvar sem regimento se lhes tire a quem as uão pouvar pede a vm lhas de de semaria por devoluta visto as p. Despacho dou aos sopricantes os sobeios q pedem de semaria por devallutos em nome de s..

. m. tera que foi dado.dou ao sopricante en nome de sua magestatle nas partes q pede hua llegaa de terra asim e da manera q en sua petisan pede a call lhe dou de sesmaria en seregipe a desoito de janeiro de seis sentos e hum anos o capitão Bento Ferras.. don francisco de souza seregipe des de marso de seis centos e hu ãnos.dou ao sopricante en nome de sua magestade a terra que pede por devolluta cõforme o pregão do sr.. duas llegoas de teras en coadra as quaes se comesarão a medir aonde acaba leandro baltasar ferras e não corendo pelo rio dose asima-rumo direito com todos as pontas e insiadas madeiras auguas q_ nas ditas teras ouver as quais pede pra banda de nasente en caso q sejão dadas as pede por devolluto erm . CARTA DE MANOEL THOMÉ 20 de Janeiro de 1601.. O capitão locotenente M.. hu manoell pires ja defunto e ora o dito manoell pires nuqua fez bemfeitorias na dita terra nen della ouve pose esta a dita terra divolluta que são tresentas brasas de llarguo para a banda de ponente e mill e quinhentas de nordeste ao sudoeste pede a Vm lha de de sesmaria por respeito de se lhe não vir meter oitro nella que lhe de matarto a sua criasão respeitando ter muito a call pede por devolluta erm ... M. CARTA DE DOMINGOS GONSALVES 10 de Março de 1601..B.... CARTA DO PADRE BENTO FERRAZ 273 ..dou ao sopricante en nome de sua magestade a terra que pede asin e de maneira que diz en sua petinsan a call lhe dou por devolluta en serigipe a vinte de janeiro de seis sentos e hu ânos o capitão o padre Bento Ferraz. Saiban ete diz manoel tome d'andrade morador nesta capitania que a ele lhe foi dado hu pedaso de tera ao llonguo desta cidade a call terra he pouqua para as criasois que ten e ao llonguo das ditas terras esta· hu pedaso de. Saiban etc diz domingos gonsallves morador na bahia do saluador que ele quer mandar a esta capitania ajudar a pouoar e que na dita capitania Não tem terras para mantimentos e pastos e que pello rio de serigipe asima hesta hua dada de terra na testada de outra dada que foi dada sebastião da rocha quall tera foi dada ha hu manoell daraujo e esta devoluta e de sesmaria erm .CATA DE JOÃO MATINS BERTANHA 26 de dezembro de 1600 Saiban etc diz Jon martis betanha morador em . estante nesta capitania de seregipe q ele veo ajuar a gahuar esta capitania co suas armas e escravos a sua custa e ora quer vir ajudar povoar co sua mulher e filhos e escravos e sua ciasois e outra gente de sua obrigasan e porq na dita capitania lhe não são dadas terras allgumas pra nelas puder llarvar e criar suas criasois e ora estao terras devollutas aonde chega o allagado de vasa baris pede a vm lhe de de sesmaria en nome de s...

a. dis gonsallo francisco estante ora nesta capitania que elle vem a povoar cõ vaquas e outras mais criasois que ora tem aqui nesta capitania porq' não tem teras em que se posa aposentar pede a Vm. governador gerall d. em a praça da bahia ellugares publicas a Call terra pede en nome de sua magestade asin e da maneira que foi dada ao dito paullo que ten mill barsas en coadro. lhe de en nome de sua magestade na parte que pede a terra que se achar donde acabarem os padres até o abahi a cuall pede com todas as lenhas matos e águas que na dita terra ouver erm . CARTA DE GONÇALO FRANCISCO 14 de Março de 1601. lhe fasa m. Saiban etc.dou ao sopricante en nome de sua magestade a terra que pede por devalluto cõforme o pregão do Sr. nesta capitania de seregipe que esta Autoalmente servindo na dita capitania a sua magestade de provedor da fasenda do dito sr. em auzensia de Diogo de qoadros.dou ao sopricante en nome de sua magestade os sobeios· que se acharem da terra dada da que se achar mais das tres llegoas que lhe foram pedidas en vasabaris ate o abahi como sopricante pede en seregipe onze de marso de mil e seis sentas dous anos o capitão Manoell de Miranda Barbosa. a terra que pede por devoluta cõforme o pregão do sr. Manuel de Miranda Barbosa capitão e locotenente em ausensia de Diogo de Qoadros..m. CARTA DE GASPAR FONTES 12 de março de 1601. 274 . Francisco de sousa o call pregão . lhe de sesmaria nas cabeseiras de marcos fernandes mea llegoa de terra por devalluta no que erm . e outro sim esta servindo de ouvidor cõ allçada na dita capitania e ajudando a povoar çõ molher e filhos fabriqua de que Tudo esta fasendo serviso a deus e Sua magestade e não ten teras em que llevar seus mantimentos e tarzer suas criasois e no rio do vasabaris onde se chama tinhare esta huma dada de terra devaliuta da banda do norte do dito rio que foi dada a hum paulo adorno a quall a dito paullo adorno numqua povoou nen cultivou nem fes bemfeitorias nela e esta devalluta pede a Vm. Saiban etc. governador gerall não vindo paullo adorno a povoar a dita terra. erm .11 de março de 1001 Saiban etc diz o padre bento ferras vigairio confirmado nesta vigairaria de sergipe q ele esta alltualmente pouando esta terra e capitaneando e por que não tem terras em q traga seu gado e criasois como são pastos e antre o rio vasa baris e o cãbohi esta hua pequena de terra devolluta aonde acabão os padras da conpanhia e a dada que lhe deu thomé da rocha sendo capitão que são três llegoas como elIes em sua petisão pede a vmce.. diz gaspar de fontes lIemos mor.Dou ao sopricante de sesmaria en nome de S. dentro de seis meses segintes em seregipe a doze de marso de mill e seis centos e hum anos. de lhe dar de sesmaria en nome de sua magestade por devalluta cõforme o pregão do sr. governador geral! don francisco de sousa en seregipe a quatorse de marso de seis centos e hum o capitão Manuell de Miranda Barbosa.

. . governador geraIl don francisco· de souza em seregipe a quatorze de marso de rnill e seis sentos e hum anos . .o capitão llocotente Manoel de Miranda Barbosa. Saiban etc dis joão francisco morador nesta capitania que ele veo para hajudar a povoar. ' CARTA DE JOÃO FRANCISCO 15 de Março de 1601.dou ao sopricante en nome de sua magestade a terra que pede por devoluta a ca. vaqum pra ajodar a pouvar a dita capitania e por ora não tem terras donde posa asentar.desta capitania corendo pera hopiramopama que fique por marquo huma tapera que no dito caminho esta comesando de medir deIla para o sudoeste contra a clada de dito simão da rocha da outra banda para o poente que são duas mill brasas de comprido e mill de llarguo com tonas as ilhas de mato asi e da manera que foi dada ao dito Antonio pereira Erm .CARTA DE FRANCISCO D'ALMEIDA 14 de março de 1601. Saiban etc diz martim de souza morador nesta capitania almocharife de sua magestade que ele a seis anos que esta nesta capitania ajudando a defender com sua pesoa e ora quer faser rosas e outras bemfeitorias e não ten teras em que as posa faser pello coall pede a Vm lhe de en nome de sua magestade huma Ilegoa de tera no rio de mocori ou mocoriria que vem entrar no rio pochim nas cabeseiras de francisco da sillva da banda do norte Erm . Ihe fasa merse en nome de sua magestade darlhe de sesmaria por pevalluta asin e da maneira que foi dada ao dito manuell gomes ermo. governador gerall a quoaIl tera esta no caminho novo que abrirão os indios feros . . a dita fabriqua acima dito e faser rosas e não ter pastos pª o dito gado e no rio do pochim da banda do norte esta mea legoa de terra que foi dada a hurn rnanuel gomes o call nunca povoou nen cultivou e esta devoluto pede a Vm. suas criasois e nas cabeseiras de simão da rocha en caipe corendo pera Ias cãopos de heperagua esta huma dada de terra que foi dada a hum antonio ferreira ho quoal não povoou porque elle sopricante se foi por nela onde esta já com currall de gado pede a Vm lhe de a dita terra por devoIluto conforme o pregão do snr.dou ao sopricante en nome de sua magestade a terra que pede por devolluto conforme ao pregão do senhorgovernador gerall 275 . diz francisco dalmeida mor.despacho .ll lhe dou asin e da manera que foi dada a manuell gomes e dela lhe pasem sua carta en seregipe quatorze de marso de seis sentos e hum anos o capitão Manuell de Miranda Barbosa em ausensia de Diogo de Qoadros. na bahia que elle tem mandado a esta capitania de seregipe fabriqua gente e gado. CARTA DE MARTIM DE SOUZA 14 de março de 1601.dou ao sopricante en nome de sua magestade mea Ilegoa de tera en coadro por devolluto na parte que pede cõforme o pregão do snr. Saiban etc.

dou ao sopricante em nome de sua magestade duas mil brasas de terra em coadro de sesmaria na parte que pede seregipe a seis de abrill de seis centos e tres anos o capitão locotenente M. B. CARTA DE MELCHIOR MACIEL 7 de Abril de 1601. em ausencia de Diogo de Qoadras. .o capitão Manoel de Miranda Barbosa em ausencia de Diogo de Qoadros. M. Saiban etc. diz Manoel Raiz mestre dasucar morador na babia de Saluador que ele quer mandar ajudar a pouar esta capitania e que nela não ten teras para mantimentos de fabriqua de sua gente nem pastos pera seu gado e que nas cabeseiras de Migell Soares na tapera de tajaoba 21 está huã llegoa de terra pello rio ipochi asima llevando O dito rio em meo e esta devolluto nem no qua foi cultivada nen povoada· pede a Vm. CARTA DOS PADRES DA COMPANHIA DE JESUS 10 de março de 1601 Saiban etc. M. com todas as auguas e madeira a que nella se achar em Seregipe a des de marso de seis sentos e hu o capitão M.dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede duas llegaas de terra em quadro de sesmaria. CARTA DE MANOEL RODRIGUES 6 de Abril de 1601. 276 . Val em quatro anos pouquo mais ou menos que estão ajudando a povoar esta capitania sustentado a pasagem do Vasa Baris e vindo todos os anos a esta capitania ajudar o espritualI com muito trabalho outro si aqui he moradores pera terra no que em tudo fasem muito serviso a déus e a sua magestade porque ora eIles sopricantes tem metido muito fabriqua asin de gentes como de gado e suas criasois e a terra que lhe he dada não he capaz de sustentar a sua fabríqua o mais que querem meter por quanto não servem mais que de pastos e ora junto a serra de cayaiba que podem ser oito legoas desta povoação esta huã tapera que se chama pixapoam a qual! se se povoar se fara muito serviso a déus e a sua magestade e bem crecemta muito a esta capitania por coanto he frontera e segura esta capitania pera que se posam allargar povoando suas terras que por medo dexao algus de povoar e ora elles a querem povoar e por nela fabriqua de gente e gado e cultivala pera que tenhão mantimentos pera poderem se sustentar visto serem moradores ja pedem a Vm. B. diz o irmão Amaro Lopes em nome do padre reitor da companhia de Jesus que eles. lhe de em nome de sua magestade por devalluto com todas as augoas madeiras que na dita tera ouver e a medisão para rumo direito ho dito rio em meo erm.seregipe aos quinze de marso de seis centos e hum anos . lhe de en nome de sua magestade por devoluta no primeiro vale que esta antes da dita tapera pera elles tres llegoas de terra a quall terra se demarcara pero dito vaIle direito ao rio Vasabaris e pelo rio asima tornãdo pellas fraldas da ltanhana e cajaiba para oeste de maneira que fique as ditas tres Ilegoas em quadro erm.

dou ao sopricante na parte que pede mea llegoa de tera asim. B...dou ao sopricante a terra que pede asin e da manera que em sua petisão fas mensão e isto en nome de s.. em nome de s. magestade mea llegoa de terra hao longo do rio vasabaris e para o sertão entra mea llegoa ou o que ouver entre a dada de antonio_ barreiros e a terra que foi dada a paullo de adorno que por nao Vir povoar vm...... e que desde antão ate agora ficou por morador e povoador ajudando a defender e indo a todas as gerras e rebates que em tempo dos outros capitães se afreciam como os daguora cervindo a sua... .. e da maneira que pede en nome de sua magestade por devolluta seregipe a nove de abril de 1601 o capitão locotenente m. em nome de sua magestade lhe de no rio de vasabaris da banda do sull na testada na dada a afomso pereira huma llegoa de terra em coadro assim e da manera que os outros rumos direitamente corerem resallvando pontas e enseadas sallguados cõtãto que tudo fique na dita dada com todos os matos e madeiras agoas que nella ouver erm – dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede meã llegoa de terá asin e da manera que pede em sua petisan por devalluto em nove de abrill de Mill e seis 277 .. b. diz mellchior masiell damdrade mor.. m. M.Saiban ete. magestade de sesmaria seregipe a sete de abrill de seis sentas e hum anos o capitão locotenente M. dis francisco fernandes morador nesta capitania que ele veo ajudar a ganhar esta capitania cõ sua pessoa e armas . magestade se nenhum interesse solldade nem de outra cousa alguma ma antes ajudando a sustentar e não teu teras em que llavrar e fasa suas rosas e targua suas criasois peIlo que pede a vrn. em ausencia de Diogo de Qoadros. Saiban etc dis affonso pereira que no tempo que cristovão de barros veo povoar esta capitania veo elie en sua companhia he des então agora ficou nella por morador com sua molher e familia indo em todos os rebates he geras que no dito tempo se fiserão e ofereceirão indo sempre a sua custa he por q até agora lhes não foi nunqua dadas teras nhumas he ten dellas nesesidades asin pera pastos de gados como pera mantimentos he outras causas nesesarias pello que pede a vm a vendo respeito ao sobre dito lhe fasa merse dar em nome de sua magestade en ho rio vasa baris pela testada do mesmo rio ariba mea llegoa de terra en coadro a quall se comesara a medir aclonde acabar a dada de francisco da sillveira a quall pede com todas os matos he aguas he pastos he madeiras ensiada e sallgados que nelas ouver correndo a dita demarcasan pelos rumos que corem as mais demarcasois debaixo a quall tera pede por devolluta no que erm.. CARTA DE AFFONSO PEREIRA 9 de Abril de 1601. a deo a gaspar fontes a quall pede com toda as auguas e madeiras que na dita terra houver erm .. nesta capitania de seregipe que ele tinha huma dada de tera que lhe deo tome da rocha em tinhare ao llongo do rio vasabaris e porq' a carta e os llivros das dadas são perdidos e a dita terra esta oje por haproveitar pede a vrn.. Saiban etc.. CARTA DE FRANCISCO FERNANDES 9 de Abril de 1601.

governador don francisco de sousa a tera que pede assin e da manera que foi dada a simão da rocha villas bras seregipe a des de abrill de mil e seis sentas e hum o capitão loco tenente manuel rniranda barbosa CARTA DE ANTÔNIO LOPES 10 de Abril de 1601. Saiban etc. em nome de sua magestade a de a dita tera por divalluta cõforme o pregão do sr. dis antonio lopes que elle pessoalmente está nesta capitania com sua molher he familia helle sopricante esta servindo a sua magestade e ao povo trabalhando por seu ofisio de frº e que na dita capitania não tem terás para llavrar he no rio vasabaris esta meã llegoas de terra ho llonguo do dito rio da banda do sull acoall esta nas cabeseiras de affomso pereira he esta devalluta pede a vm. de 278 . Dou ao sopricante na parte que pede mea llegoa de tera por devolluta em nome de sua magestade a quall tera en coadro com todas as auguas e madeiras e esteiras como pede seregipe a nove de abrill de seis sentas e hum anos o capitão locotenente m. Saiban etc.centos e hum anos o capitão e o locotente M. dis munoell corea que ele esta alltualmente nesta capitania com molher e pessoas e criaçois povoando e não tendo terras em que llavrar e traser suas criasois e por quanto no rio de seregipe esta huma dada de terra que foi dada a simão da rocha villas-boas o quoall a tem perdida conforme o pregão do sr. m. avendo respeito ao sobre· dito fasa merse dar em nome de sua magestade en ho rio de vasabaris pela testada do mesmo rio por elle ariba huma llegoa de terra em coadro a quoall se comesara a medir adonde acabar a dada de manuell da fomsequa ha quall pede com todos os matos he auguas he pastos he enseadas pontos sálgados que nela ouver corendo a dita demarcasan pelos rumos que corerem as mais demarcasois debaixo a quall tera pede por devolluta no que erm. Saiban etc. CARTA DE MANOEL CORREIA 9 de Abril de 1601. b. clis francisco da silveira que ele veo de pernãobuquo ter a esta capitania para nela ser morador he core em dous anos que nela reside com sua pobresa e criasois de gado vacum para o quuall lhe he Desesario terras para pasto do dito gado como para mantimentos he outras couzas nesesarias pello que pede a Vm. B. governador na forma que foi dada a simão da rocha erm Dou ao sopricante en nome de sua magestade por devolluto conforme o pregão do sr. M. em ausensia de Diogo de Quadros CARTA DE FRANCISCO DA SILVEIRA 9 de Abril de 1601. dom francisco de sousa a quall dada comesa de huma dada que tem Manoell de miranda huma llegoa ao llongo do rio e de llarguo duas mill brasas bem asin na varzea mea llegoa em coadro comesando acaba o dito manoell de Miranda e corendo pelos mesmos rumos vistos serem lhe dadas mais teras que podia posuir sendo mansebo solteiro pede a Vm.

.... 279 .. m. ten có o dito braso de mar agoa petiba tambem os pede con todas as madeiras agoas pretensois que ouver erm dou ao sopricante em nome de sua magestade os sobeiros de terra que pede não prejudicando o direito do que ouver seregipe a simquo do junho de 1601 o capitão locotenente m. Nesta capitania sidade ele quer faser fasenda e crear gado vacum e outras criasoes na capitania de san cristovao de seregipe e povoar a dita capitania e porque não tem terras para o pader fazer e na testada de marcos fez defronte de taperogoi275 da banda do sull corendo pelo rio ariba esta terra por dar He povoar pello que pede a vossa mese lhe fasa dar de 275 Acredito ser o nome de Taberauá..... m.. Saiban etc.dou ao sopricante em nome de sua magestade de sesmaria os sabeios que pede não estando dados seregipe sete de maio de 1601 o capitão locotenente rn....... na sidade de salvador que elle possue hua sorte de terra nos llimites desta sidade de são cristovao que foi dada a gaspar tourinho que nella não povoar pedem a elle sopricante e he mea llegoa em coadro partindo da banda do sull có a terra que foi dada a joam garcia habem da dita mea llegoa fequar algus sobeios de terra que vão jutespor cõ hú braso de mar de vasabaris por nome agoa petiba os cais sobeios ora fique ao llongo da costa barba como do dito rio agoa petiba elle sopricante os tem possuido e possue e não tem dos ditos sobeios mais que a pose pede a vm lhes de de sesmariae sorte que lhe fique sendo dada a terra que houver da costa barba ate intestar com o dito barzo do mar agoa petiba na llargura da dita mea llegoa que já lhe he dado e avendo alguas pontas que. CARTA DE GASPAR DE MENEZES 7 de Maio de 1601.... b.. b. CARTA DE JOÃO GARCEZ 2 de Julho 1601..b. dis antonio guedes mar.sesmaria em nome de sua magestade com suas aguas madeira e que na dita tera houver a coall pede em coadro erm..m. Saiban ete. do dito rio de seregipe para ao rio ipochi pede a vossa merse lhe de os ditos sobeios de tera erm . dis gaspar de menes morador nesta capitania que eIle esta povoando cõ sua molher e familia e lhe não são dados terras onde targua suas criasois e ora junto ao rio de seregipe estão huns sobeios de terra que podem ser mea llegoa de terra em coadro pouquo mais ou menos os quoais sobeios estão emtre a dada de antonio vas de jabotão e a dada de tome da rocha e gaspar de figeredo... dis joam garces mor. – dou ao sopricante a meã llegoa de terá asin e da maneira que pede em nome de sua magestade por devalluta seregipe a dês de abrill de 1601 o capitão locotenente m. CARTA DE ANTONIO GUEDES 5 de Junho de 1601. Saiban etc.

. Saiban etc.dou ao sopricante na parte que pede mea llegoa de terra eu nome de sua magestade conforme o pregão do . CARTA DE JOÃO GUERGO 16 de Outubro de 1601... m.sr. Acredito ser o nome primitivo de cotinguiba.que se reunen e vão desembocar no rio das pedras. dis joão guergo que ele veo a esta capitania com sua molher e famillia para ser nela morador e hora não tem terras devollutas da banda do sulI nas cabeseiras das dadas de francisco da sillveira a qual tem junto hua de manoell da fonsequa que ora tem no barso do dito por nome caiaiba 277 pede a vosa merse lhe de en nome de sua magestade hua llegoa de terra en coadro a coall pede por devoluta conforme o pregão do senhor governador ermo . Saiban etc. m. diz francisco Jorge que elie veo a esta capitania com sua famillia pêra ser nela noradora he hora não tem terras devollutas pera seus mantimentos e 276 277 Potegipe ou Cotegipe. b. don Francisco de sousa governador deste estado bahia a quinze de julho de mill leis sentos e tres anos..sesmaria duas lleguas e meã de terra elo dito rio de potegipe 276 hariba por ho rumo que direito corer e para ho sertão outras duas lleguas meã de modo que fique em coadro e todas as pontas e auguas e ilhas que na dita terra houver e madeiras havendo respeito a ser sopricante home que tem pocibilidade pêra poder povoar e aproveitar e sendo caso que sei a dada posa corer por deante e disto lhe ande pasar sua carta de sesmaria em forma – dôu ao ao sopricante hua llegua de terra em coadro de sesmaria em nome de sua magestade não sendo dado de maneira que a pede e sendo dada cora avante cõ tanto que a pouve dentro de seis meses baia a dos de julho de seis centos e tres anos o capitão e llocotenente m. CARTA DE FRANCISCO JORGE 16 de Outubro de 1601. Junto à serra deste nome correm dois riachos – Conde e Trahiras. b. Rio caiaiba.dou ao sopricante em nome de sua magestade hua llegoa _de terra asim e da manera que pede por deva11uto conforme ao pregao do sr. Não sabemos bem qual o rio que os índios chamavam caiaiaba.... m. dis Nuno damaral que ele quer ajudar a povoar a capitania de seregipe e porque ten necesidade pera hos feitos .. de terras pede a v m lhe fasa merse de duas lleguoas de terra em vasabaris nas cabesceiras de dominguos d‘araujo onde chamão taporanga corendo pelo dito rio de vasabaris acima por devalluto conforme ao pregão do snr. CARTA DE NUNO DE AMARAL 15 de julho de 1601.. locotenente. governador gerall con todas as auguas madeiras e todos os pretenses que na terra ouver erm . 280 . rn... Saibam etc. b. governador don francisco de sousa com todas as agoas llenhas seregipe a deseseis de outubro de 1601 o capitão locotenente m.

..quato anos que ajuda a povoar esta capitania con molher e filhos servimdo sempre a deos e sua magestade de ouvidor e provedor de fasenda e capitão de solldados deste presidio em hua ausensia de capitão diogo de coadros e outros cargos do serviço de sua magestade e porque ora findo este praso que dito esteve porvoando quarto centas barsas de terra as coais foram dadas aos filhos de pedro alives sendo filhos familias sendo de meuoridades que era contra direito que elles não podiam povar. a.criasois e nas cabeseiras da dada de terra que tem francisco fernandes em vasabaris da bando do sul estão terras devolutas pede a vosa merse lhe de de sesmaria mea liegoa de tera na dita testada ou cabeiseiras de francisco fernandes por divoiluto conforme o pregão do sr. CARTA DE SEBASTIAO FRANCISCO VIEIRA 20 de Outubro de 16001 Saiban etc. CARTA DE SIMÃO DE ANDRADE 20de Outubro de 1601.. b. elle se sopricante todo este tempo que ho dito has tem cultivado as ditas quatro sentas brasas de terra com mantimentos e casas e mais criasoio como he prubiquo e notório. b.. impedimento allgu pede a vossa merse lhes de de sesmaria por devoliutas as ditas quatro sentas brasas de terra asin da manera que forão dadas aos ditos filhos de pedro alves o que pede cõforme ao regimento delrei de providor-mór e pregão do mesmo governador geral erm — dou ao sopricante de sésmaria em nome de sua magestade as quatro sentas brasas de tera que pede asin e da maneira que forão dadas aos filhos de pedro allves seregipe a vinte de outubro de mil e seis sentos e hu anos o capitão locotenente m...elle vai pera . governador geral don francisco de sousa co todos as auguas e matos que nela ouver erm — dou ao sopricante mea llegoa de terra na parte que pede de sesmaria em nome de sua magestade cõ todas as auguas pastos lienhas que nelas ouver seregipe a desaseis de outubro 1601 o capitão locotenente tente m. m. Saiban etc.. dis sebastião francisco vieira que elle veo de morada com molher e famillia para esta capitania por quanto sua magestade manda que a todo o homorado que for povoar terras novas os senhorios he -capitais delas favorece são aos outros moradores asin de terra como de mais em que purerem outro assim manda que havendo e sendo algumas terras de sesmaria que seus donos as não povoasem as taes terras se darão as pessoas que as povoarem de novo e porque a joão martms de merelie foi dada huma dada de terra em vasabarris a não vem povoer e foi dada pelo padre bento de ferras sendo capitao em auzensia de vosa 281 .. dis simão dandrade que ..

. m.. mag.. b. Saiban etc dis joam Felipe morador na habia que ele ajudou a vir a ganhar esta terra em companhia do governador cristovão de barros e que dita jornada fez muitos servisos a sua mag. CARTA DE JOÃO PHILIPE 23 de Outubro de 1601. lhe dê de sesmaria huma llegoa de terra em coadro no rio mocuri e sendo dada lha dê por devohhuto conforme o pregão do Snr. com casa e famihia E. Saiban etc.. criasõis de vaquas égoas porcos cabras e outras muitas que tera para tarzer e porque elie sopricante não ten terras onde as posa tarzer e pastorar seu gado e nesta capitania estão muitas terras que foram dadas a omes que as não vieram povoar e estão devaliutas como são indo pello caminho de taperagua que vai ao areaiu por onde antiguamente se servião para taperagua a subridonde ... — O cpitão llocotenente m.. de sesmaria não sendo dada e estando dadas por divolluta moa legoa de terra em qoadro asin e da manera que pede seregipe a vinte de outubro de mill seis sentos e hum o capitão llocotenente. m. dis o padre bento ferras que ehie esta autoallmente pouoando esta terra com suas. b. CARTA DO PADRE BENTO FERRAZ 20 de Outubro de 1601. em outras muito o servido de quinze annos e esta parte achando-se pesoalmente em muitas batalhas he geras que derão neste estado e que ora quer hajudar a povoar esta capitania de seregipe e porque tem muita fabrica e não tem teras donde ilavrar pede a vosa merse que em nome de sua mag. a dita dada de joão martins visto elie esta.esta huma hlegoa que fecha maitacanema corendo peilo mesmo caminho que antiguamente ha pera o dito taperagua pasando o ipochimerim pede a vosa merse lhe dê en nome de sua mag. mag. nas partes que pede duas llegoas de terra em coadro comesando se a medir do proprio caminho chegando a llagoa corendo pello caminho de taperagua ficando d‘uma parte e doutra huma hlegoa para cada parte a coal pede com todas as auguas lienhas que nelas ditas terras ouver as pede de sesmaria em caso que estando dadas lhas dê por divoliuta E r.. — dou ao sopricante em nome de s. m. r. mag. — dou ao sopricante na parte que pede de sesmaria em nome de a... m. governador don francisco de souza com todas as aguas lienhas e pastos E r m — dou ao sopricante na parte que pede de 282 . mea hlegoa de terra asin e da manera que foi dada a joam martins com todas as auguas lienhas pactos seregipa-a vinte de outubro de 1601. m.merse e não lha podia dar pede a vosa merse avendo respeito asima dito lhe dê de sesmaria en nome de s.

m.. b. CARTA DE MELCHIOR DIAS CARAMURÚ 4 de Dezembro de 1601. CARTA DE FRANCISCO RODRIGUES 30 de Dezembro de 1601 Saibam etc.. Seregipe a vinte e tres de outubro de 1601 — o capitão llocotenente M. e porque ele sopricante tem muita pose e quer mandar escarvos e gado a povoar e culltivar terras na dita capitania pede a vosa merse lhe fasa merse de lhe dar de sesmaria eu nome de sua mag. Saibam etc. aflluente do rio real. dis melchior dias caramurú morador na Bahia que Ella andou nas gerras que se fizeram ao gentio e franseses nesta capitania muito tempo com suas armas e cavallo e escarvos até realmente ser lansados fora e desbaratados o inimigo sempre a sua custa no que fez muita despesa de sua fasenda por servir a sua mag. – dou ao sopricante na parte que pede de semaria meã llegoa de terra em coadro em nome de sua magestade..dou ao soprecarite em nome de Sua Magestade por devoluta a terra que pede não estando dada conforme ao pregão que ho Snr. E sendo dada lha dou por divolluto conforme ao pregão do Snr.. dis francisco rodrigues morador nesta capitania que a sete anos que anda a povoar esta capitania com molher e filhos e não tem terras onde traga suas ciasois e ora no rio iopochi da banda norte esta hu pedaso de terra devoiluta pede a vosa merse que em nome de sua magestade lhe de huma llegoa de terra de comprido pnllo rio asima e mea Ilegoa de llarguo que começando a medir da ponte para sima o recebera merse resalivando pontas enseadas . Governador geral Don Francisco de Souza com todas as alguas lenhas e pastos. M. e sendo dada lha dou por divohiuto conforme ao pregão do Snr. 283 . B. governador geral don francisco de souza que mandou Ilansar sergipe a trinta de dezembro de 1601 o capitão llocotenente manuell m. he 278 Ibirarema é o rio hoje chamado Guararema.sesmaria mea llegoa de terra em coadro . governador don Francisco de Sousa com todas aguas llenha e pastos E. até outro mar que avera de rio a rio sallgado mea llegoa para o sertão tres llegoas pelio ibirarema278 o rumo direito e d‘ahi para o sull para faser as ditas tres llegoas donde sacabar a medisão a coal terra elle sopricante tem povoado com rosas e gente criasois he otras sustentados a dons anos he fronteira que sustenta deinimigos he negros de gene levantados no que fas sreviso a sua mag. a terra que esta nos llemites do rio reall a saber da barra.com tõdas as augoas. e madeiras que na dita terra ouver .em nome de sua mag.. r.

governador geral elle sopricante esta povoando por seu feitor e escravos visto o serviso que faz a des e a sua mag. em são cristovão a quatro de dezembro de 1601 anos o capitão mellchior masiel en ausensia de manuel m. esta povoando e proveitando como . v. na parte que pede de sesmaria a terra que esta de pixaxiapa até ibirarema e pelo ibjiarema asima tres Ilegoas que serão medidas pellos rumos que en sua petisão diz conforme ao pregão do snr. lhe tem feito merse en nome de sua magestade erm... governador por tanto pede a vosa merse lhe fasa merse novamente confirmar a dita terra asin e da maneira que vm.... CARTA DE FRANCISCO DA SILVEIRA 18 de Janeiro de 1602... Saiban etc. seregipe adesouto de janeiro de 1602 o capitão manoel rn. governador gerall mandar llansar pregão que povoasem as terras dentro em seis meses sobe pena de se dar por devoiluta como a elle sopricante.. b.proveto de suas rendas a soall terra pede por não dada de devolluta visto não serem povoadas de brancos e o snr.. Saiban etc... dis francisco da Silveira morador nesta capitania que vosa merse lhe fes merce en nome de S.. Magestade mea llegoa por divolluto não sendo dada seregipe a dous de Janeiro de 1602 o capitão manoel m..dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra que lhe tenho dado e agora lha tornoa confirmar e por me parecer serviso de sua magestade.. 284 ... — dou ao sopricante na parte que pede en nome de s...dou ao sopricante em nome de sua mag. dis não dias morador nesta capitania que elle haverá dous anos que he morador nesta capitania e querendo fazer rosas para seus mantimentos não ten teras para as fazer povoar por lhe não serem dadas conforme o. mandou en seu regimento se desse a todos os moradores e povoadores della visto sér casado na ta capitania e nella não tem teras e na pitanga termo desta sidade estão teras devoliuto as quais foram dadas a manoel de miranda morador na bahia termo de piraja avera como oito anos ou no tempo que por verdade se achar lhe foi dada hua. lhe fazer ver se antes deser porvido pello snr. b.. Magestade dar em o rio de vasa barris hua dada de terra a quall lhe foi pasada carta e lhe e dado pose em taperagua tem muito gado vacull para passar para as ditas terras e porque ora teme que em algum tempo tenha de se mandar sobre a dita terra por respeito de vm. CARTA DE SIMÃO DIAS 2 de Janeiro de 1602.. . Legoa por devoluta não sendo dade se de terra a quall o capitão diogo de coadros• deu-a para masiel mea llegoa e outra mea llegoa esta devolluta pede a vosa merse lhe de a dita mea llegoa como en sua pitisão pede a quall pede por divolluta com todas as auguas matos pastos que na dita tera ouver erm.

— dou ao sopricante na parte que pede eu nome de sua mag. nobre e daoutra banda ate chegar aocaminho que vai para a que há serão duas mill brasas em quadra ou que se achar a qual pede com todos os pontos enseadas que tiver erm. CARTA DE MANOEL CASTANHO DE SOUZA 1º de Julho de 1602. — dou ao sopricante na parte que pede duas mill brasas ele terra em nome de sua magestade asim e da maneiraque as pede visto estar de pose deila e ser dos primeiro povoadores e no tem terras em que llavrar con tanto que pase avante das rosas do capitão diogo de coadros seregipe a desouto de janeiro de 1602 anos capitão mãnoel m.... duas legoas de terra na testada de uma dada de terra e que oje tem matias moreira hum curali de gado a qual dada esta no rio vasabaris e sendo dada cora adiante aquali terra pede por divoliuto no que pede E r. b. primeiros e asin mais esta povoando pessoalmente com molher e familia e lauvrado em terra alheia e ate oje não lhe he dado terra nenhuma pera lavrar e trazer suas criasois de gado vacum e outras pelo que pede a vosa merse avendo respeito o asima dito lhe de de sesmaria em nome de sua mag.. da ditaterra por ho dito capitão dizer que a terra que estiverem povoando serão suas poses que seião de dois conforme ao pregão do snr... Saiban etc.. Saiban etc. por devolluto com todas as augoas pastos que na dita terra ouver Seregipe a desaseis de junho de 1602 — o capitão cosme barbosa. 285 ... m... governador gerall don francisco de sousa e porque ele sopricante não pedio carta ate agora por estar de pose por tempo de seis anos pede a vm. dis gaspar de menese quelle veo em companhia de cristovão de barros ajudar a conquistar esta terra com seus escarvos a sua custa asistio a todos os rebates.CARTA DE CHRISTO VÃO DIAS 18 de Janeiro de 1602. CARTA DEGASPAR DE MENESES 16 de Junho de 1602...lhe mande pasar sua carta da dita terra em nome de sua magestade aquall se comesara de hun outeiro alto que esta junto donde bastião dias teve hua casa ate chegar a dada a manuel gomes da banda doiopochi que vem do rumo direito ate a dada de domingos fez.. dis christovão dias que por tempo de des anos que nesta capitania esta morador e povoador e hora vai em seis anos que pormandado de capitão Diogo de quadro esta de pose de hum pedaso de terra jumta a hua dada de manoel gomes que esta junto ao rio iopochi da banda do suIl e por ele sopricante não pedio carta. Duas mill brasas de terra em coadro pera a parte do rio reall e sendo dada cora por diante onde couber a quall lhe dou em nome do dito snr....

— dou ao supricante em nome de sua mag. duas llegoas de terra de sesmaria ao lomguo do vasabarris da banda do sull onde acabar joão guarces da banda doeste e outras duas llegoas pera o sertão a quall tera pede por divoiluta E r m — dou ao sopricante em nome de Sua magestaade na parte que pede huma llegoa de terra em coadro e lha dou em nome do dito snr. por divolluto serèjipe a vinte seis de julho de 1602 — o capitão cosme barbosa. CARTA DE ANTONIO VAZ 5 do Julho de 1502. dia antonio vas de guotegi termo da baia de salvador cue alIe tara arrendados os dismos desta capitania e quer ora meter nela muita fabriqua de genho criasoims de que resultara muito acresentamento a fazenda de sua mag. na dita parte sendo testadas e cabeseiras de cuja for a terra adonde o sopricante pede divolluto não sendo dada corera por diante com condisão que dentro em um ano venha pouoar e não ha pouoando sera dada por divoiluta a quem a pouoar en primeiro de julho de 1602 —o capitão cosmo barbosa. Saiban etc. por coamto he borne de muita pose e porcoamto elle sopricante não tem teras nesta capitania que posa apresentar sua fasenda e trazer suas criasoins e bemfeitorias pede a vosa merse em nome de sua mag.Saiban etc. lhe Lasa merse de huma llegoa de tara em coadro ao llongo do rio cotimgiba da banda do sull cormesando a medir rumo da banda de cornendaroba pello dito rio asima a coall tera pede por divlluta por coanto não foi nunca aproveitada e pouoada de gente branca E r m — dou ao sopricante na 286 . em muitas geras em esta costa do brasill com sua pesoa escarvos e tudo a sua custa pello que avendo respeito ao que asima dis pede a vosa merse lhe dé em nome de sua mag. na pate que pede tres mill brasas de tera de comprido pera o sertão de llarguo duas mili brasas as quoais lhe dou em nome de sua mag. quatro mill e quinhentas brasas de terra em coadro nas cabeseiras ou testada de manoei da fonsequa na dada que tem em vasabarris da banda do sul comesando a medir dada de gaspar de merses correndo pelo dito potigimirim a quall terra pede por divoliuto com todas auguas pastos llenhas madeiras que na dita terra ouver erm. dis manoel castanho de sousa que ele quer vir morar e ajudar a povoar esta capitania e hora nela não tem terras pêra lavrar e trazer suas criasois de gado vacum e de outras sortes e asin mais tem servido a sua mag. dis manoel rodrigues que ele quer ser morador nesta capitania e ajudar a pouoar porque he borne casado e ten filhos e criasois de toda a sorte e não tem teras aonde ilaurar pede a Vm. CARTA DE MANOEL RODRIGUES 2 de agosto de 1602 Saiban etc.

Saibam etc. Conserva o mesmo nome. . dis gonsalo alvares morador em seregipe de conde que elle quer ajudar a esta capitania povoar e faser hum engenho por ter pose e tãbem nesta capitania gente e criasois e para fazer o dito engenho não tem terras pede a vmce. r. em nome de sua mag.dou aos sopricants em nome de sua mag. — dou ao sopricante na parte que pede em nome dê sua magestade huma llegoa de terra em coadro com condisão de fazer o que acima dis dentro em seis meses a cuall lhe dou por devolluta seregipe a dous de agosto de 1602 o capitão cosme barbosa.r. mill brasas de tera em coadro de modo que fes mansão seregipe a dous de agosto de 1602 — o capitão cosme barbosa. m. CARTA DE MANUEL RODRIGUES E SIMÃO LOPES 3 de Agosto de 1602. 287 .parte que pede em nome de sua mag. 279 Nome de um córrego do cotinguiba. disem manuel rodrigues e simão llopes mestre de asuquar quelles querem ainda a pouvar esta capitania e ora não tem terras em que posão llavrar esta capitania e ora não tem terras em que posão liavrar e que pello rio de cotingiba asim a da banda do sull onde chamão chamão ibura (?) que e hum rio asima estao terras devolutas e por cultivar pedem a vincé en nome de sua mag. CARTA DE GONSALO ALVARES 2 de Agosto de 1602. duas llegoas de terra que se comesara de mydir da barra da ibura279 corendo onde e mesara mellhior masiell a sua dada e dahi para baixo pelo rio de cotindiba da banda do sull a coall terra pede em coadro rumo direito pello rio asima salvando as pontas ensiadas e com todos os matos e pastos augoas que na dita terra ouver a cuall terra pede por devolluto e nao se aproveitada e pouada de gente branca pede e. duas mill braças de tera em coadro na parte que pedem com condisan que dentro em hu ano venha morar a capitania seregipe a tres dias do mas de auguosto de 1802 o capitão cosme barbosa. lhe de de sesmaria em a parte que pedem huma llegoa de terra pello dito rio acima resallvando pontas ensiadas e a medisan se comesara a fazer nas cabeseras de guonsalves soares pêlo rio asima em modo que fique em coadro e. Saibam etc.m. CARTA DO PÀDRE GASPAR.PERNANDES 2 de Agosto de 1602.

dis Manuel tome dandrade morador nesta capitania e seu gemro francisco horges e gonsallo Francisco que eles tem muitas criasomes de gado nesta capitania de que si sustenta este prezidio o mais do tempo e nella não lhe foi dadas terras de sesmaria ao dito francisco borges nem a gonsailo francisco tão somentes a elle dito manuell tome que lhe foi dada ao llonguo desta sidade mea llegoa de terra na qoall não e bastante para puder sustentar as ditas criasomis asin lhe pede a mingoa de pastos as ditas criassomis diguo posto que detraz da Itabaiana para a banda de ponente des ou doze llegoas desta sidade estão teras pello sertão devollutas e por ser fora de mao e perigosa de gemtes e llugar onde hum ome so 288 ..r. — dou ao sopricante a terra que pede por divaliuto em nome de sua magestade asin e da manera que pede seregipe a 21 de janeiro de 1602 o capitão cosme barbosa. por devolluto a coall terra em coadro lha dou com todas as augoas madeiras e pastos que a dita terra ouver seregipe a dous dias de auguosto de 1602 o capitão cosme barbosa.. — dou ao sopricante em nome de sua mag.m.. Saiba etc. em nome de sua mag.. CARTA DO PADRE GASPAR FERNANDES 21 de Janeiro de 1602. CARTA DE MANUEL ‗THOME D‘ANDRADE E FRANCISCO BORGES E GONÇALO FRANCISCO 21 de Janeiro de 1602...... de lhe dar hua llegoa de tera em coadro no ryo nocury que entra no rio ipochim da banda do norte e se comesara a mydir donde acaba martins de souza com todos os pastos madeiras ensiadas e augoas que na dita tera ouver por devolutas e. dis gaspar fernandes vigairo em esta capitania que ele esta pouvando e tem muita famulia outro sim não ha nesta capitania outro padre senão alie sopricante para encomendar a deos os moradores desta capitania e faser ofisios divinos. Saiban etc.. com seu Offisio a todos dizendo missa e administrando os mais sacramentos e ora não tem teras pella usar e trazer suas criasonis e ora as ha muitos pede a vm...Saibam etc. dis gaspar fernandes vigario desta capitania de seregipe que elle esta povando com a sua pesoa. na parte que pede hua llegoa de tera a coall lhe dou em nome de sua mag.. e fazer senão elle sopricante e ora não tem terras para faser suas rosas e tarzer suas criasois e no rio vasabaris junto a tinhare esta huma dada de terra que foi dada a antonio bareiros para faser hum engenho a coall terra não he para iso nem o mandou fazer o dito antonio bareiros e parte allua ribeira a que chamão una (?) que esta por demarcasan mea Ilegoa para huna banda e mea para outra ao Ilonguo do dito rio vasabarís que he huma legoa em coadro pede por devolIuto asin e da maneira que foi dada ao dito antonio bareiros pelas ditas confrontasois erm.

Dou ao sopricante em nome de s m. na parte que pede mea llegoa de terra pelas confrontasois pede que em sua pitisão diz asi e da manera que pede seregipe a dezanove dabril de 1602.b. CARTA DE JORGE BARRETO 19 de Abril de 1602. CARTA DE DUARTE MUNIZBARRETO 19 de Abril de 1602. m. lhe fasa merce em nome de sua magestade duas llegoas de teras con todas as augoars madeiras matos que na dita terra ouver erm. diz jorge bareto morador na bahia que elle quer mandar ajudar e povoar esta capitania e que nella não tem terras para mandar fazer mantimentos e trazer gado vaqum e na tabaiana na testada de duarte munis bareto e sãpalo da banda do sull estão terras divolutas pede a v.não pode ir para sua fasenda pedem elles sopricantes a vosa merse lhe fasa merse em nome de sua magestade lhes de de sesmaria Seis Ilegoas de terra para todos tres amtre si repartirem irmãmente de tras da itabaiana pellã maneira que pedem fiquando uma ribeira que na dita parte esta em meio da dita data fazendo a dita medisão em quadro e como milhor lhes vier para pastos das ditas criasomis a quall terra pede por divaliuta e por ser para ben e ao regimento da dita capitania erm. lhe fasa merse dar-lhe na parte que diz huã llegoa de terra por divolluta com todas as auguas madeiras que na dita terra ouver erm. um a quail lhes dou de sesmaria asin e da maneira que pedem seregipe a vinte e hum de janeiro de 1602 o capitão cosme barbosa. Saiban etc. m. CARTA DE PERO DE NOVAES SAMPAIO 289 .m. dis duarte munis bareto allcaide morador na sidade da haia por seu procurador que elie mandou e veo ajudar a tomar esta terra ao jentio em Companhia de Cristovão de barros adomde gastou muitas de suas fazendas e hora manda hum curall de vaquas e gente he na dita capitania lhe não são dadas terras acahumas e hora na tabaiana nas cabeseiras de huma dada que foi dada a manuell tome dandrade e a gonsalo francisco e a francisco borges para a banda doeste e para o sertão estão terras divalutas pede a vm. — dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede mea llegoa de terra em coadro por divaliuto com todas as agoas madeiras asin e da manera que pede em sua petisão fas mensão pellos rumos e confrontasois deilas seregipe a desanove de abril de 1602 o capitão m. Saiban etc. — O coitão m. — dou aos sopricantes na parte que pedem em nome de sua magestade llegoa e mea de terra mea o . b.

. dizem Sebastião da sillva morador na baia e Francisco Rodrigues e guaspar fontes ambos moradores nesta capitania que eles estam povoando nesta capitania com molher e filhos e fabriqua e tem feito muitos servisos a sua majestade e que na dita capitania lhe san necesarios terras para mantimentos 290 . na parte que pede mea llegoa de terra em coadro com as confrontasois que pede Sergipe a dezenove dabril de 1612 anos. Nas testadas dos sobreditos dar-lhe duas llegoas de terra em coadro por devolutas a qual pede com todos as merse em nome de s.Despacho: dou ao suplicante em nome de s. Saiban etc.. mgde.Dou ao suplicante em nome de s.O capitão Manoel M. diz pero goumçalves morador nesta capitania que de esta na dita capitania inda não povoou com mulheres e fabruqua e que na dita capitania não tem terras nenhumas para fazer seus mantimentos e pastos de guado e no cabo do rio Aracajú esta huma ponta de terra que me mete amtre dous apecus que puderam ser setecentas braças de llarguo pouquo mais ou menos e de comprimento para a banda de sueste seram como mill brasas e pede a Vm. . CARTA DE PERO GONÇALVES 7 DE Agosto de 1602. B. em nome de sua mgde lhe de a dita ponta de terra de sesmaria por devoluta com as confrontações acima nomeadas e com águas madeiras que na dita terra ouver e receberá merse. mgde.O quapitam Cosme Barbosa. CARTA DE SEBASTIÃO DA SILVA FRANCISCO RODRIGUES E GASPAR FONTES 7 de Agosto de 1602.19 de abril de 1602. Saiban etc. na parte que pede mill brasas de comprido e de llarguo setesentas a qual lhe dou em nome do dito sr. mgde. Saiban etc. com todas a madeiras e aguoas e pastos que nela ouver e declarasan de fazer bemfeitorias e fazer pouvala dentro em seis mezes e não o fazendo perdera a sete daguosta de seis centos e dous annos. nas testadas dos sobreditos dar-lhe dus augoas madeiras que na dita terra houver e a midisão se fara rumu direito resallvando pontas enseadas de manera que fique em coadro a quall terra pede para a banda doeste erm. mgde. diz pero de Novais sãpaio morador nesta capitania que ele esta ajudando a povoar esta capitania e que nele não tem terras para mantimento nem para pastos de gado vacum e outros criações que ou menos para isso tem e que na tabaiana seis llegoas desta sidade pouquo mais ou menos na testada de huã dada de terra que foi dada a Manoel tome a Francisco Borges e a Gonçalo Francisco estão terras devolutas que nunca foram povoadas nem cultivadas pede a vossa mercê lhe fasa mercê em nome de s.

CARTA DE JOÃO DIAS Saiban etc. mgde. dis Baltasar delleam morador nesta capitania que elle veio em companhia de Cristóvão de barros ajudar a guera ao gentio com suar armas e escravos e des antam casuou aqui ajudando a pouvar e a sostentar a tera com sua pesoa e molher e filhos e família indo en todas as guerras e saidas que se na dita capitania fiseram e ofereseram indo sempre a sua conta e porque aguora lhe não são dadas teras nenhuas e tem muito nesesidade assim pera pastos de guado como pera mantimentos e outros cousas nesesarias pello que pede a vm.Dou ao sopricante na parte que pedem huma llegoa de terra a qual lhe dou em nome do dito em coadro com declarasan de a povoarem e a cultivarem em hum ano e lha dou com todas os Mattos e pastos e madeiras que nela houver .dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede Mill e duzentas brasas de tera em coadro não sendo dada a maior cora avante lha dou em nome do dito sr.e pastos de guado vacum e assim o dito Sebastião da sillva não ter muita fabriqua nesta capitania e que no rio de vasabaris da banda do sull onde se chama itaporangua estão terras devolutas que nunca foram povoadas nom cultivadas de branquo pedem a Vmce. mgde. dis João Dias morador em tatuapara termo da baia que ele veio ajudar a dar a guera que se deu ao gentis desta capitania no que fez muito serviço a sua majestade e despesa delle sopricante e a tres anos que tem homes branquos creados seos e muitos guado e mais cryasois e escravos e porque as teras que tem na dita capitania são muito pouquas e llonge desta capital pede a vm. . lhe fasa merse em nome de s. erm. 291 . por divalluto Sergipe a dezenove daguosto de 1602 o capitão Cosme Barbosa. CARTA DE BALTASAR DE LEÃO 15 de Setembro de 1602. nome de uma lagoa. Saiban etc.. que fica na estrada de Itaabaiana para Itaporanga. le fasa m. na parte que acima dizem dar-lhes quatro llegoas de terra por devolluto e a midisan se fara em coadro pello dito rio asima correndo a tapera de serobim e da dita tapera em direitura ao poente e nos mais rumos de maneira que fiquem a midisan em coadro a quall pedem com todas as llenhas agoas e madeiras que na dita terra ouver resallvando pontas enseadas que ho mesmo pedem em nome de s. em nome de sua magestade de duas llegoas de tera em coadro nas cabeseiras de Antonio vas jabaatam de jaraputanema280 para o norte e sendo dada o morador cora pello mesmo rumo avante e perto que seja dada a pesoa moradora lhe seja dada a elle sopricante por devalluta erm. Não sabemos bem localizá-la entretanto acreditamos que seja o nome primitivo da Lagoa Seca.O capitão Cosme Barbosa. Seregipe a sete daguosto de 1602. havendo 280 Jaraputanema.

CARTA DE RODRIGO DA ROCHA 18 de Agosto de 1603. Saiban etc dis Rodrigo da rocha Peixoto que elle serve a sua magestade nesta capitania dailferes e provedor de sua fazenda a hum ano não tem terras onde fasa rosaryas e traga seu gado vacun e cavallar e mais criasois e ora no rio de cotindiba esta huma dada de terá de meã llegoa em coadro que foy dada a Gonçalo 292 . Padre. lhe fasa m. CARTA DE FHILIPPE DA COSTA E MELCHIOR VELHO 5 de Outubro de 1603. disen o ldo.respeito ao sobredito lhe fasa m. dar em nome de sua mrgestade em o rio vasa baris na testada de antonio llopes hua llegoa de tera em coadro a quoal se comesava a midir aonde aquabar a dada do dito antonio llopes a quoal pede com todos os matos e pastos e agoas e madeyras emsiadas e salguadas em nella ouver corendo a dita demarquasan pelles rumos que corem as mais demarcasoims – dou em nome de sua magestade ao sopricante na parte que pede meia llegoa de tera em coadro não sendo dada e sendo dada corera por deante pelas confrontasoims da sua petisan he lha dou por devallutas seregipe quinze de setembro de 1602. . Saiban etc. fellipe da costa e melchior Velho Moradores na baia que elles tem bem servido a sua majestade assim na gera que se deu ao gentio nesta capitania como depois que astio elle sopricante melchior velho na companhia de vm.O capitão Cosme Barbosa. na dita capitania no que fes muita despesa de sua fazenda e porque ora querem vir e mandar pouar esta capitania e são pesoas de muita pose e tem muito gado de toda a sorte e escravos no que fazem muito serviso a deus e sua majestade e acresentamento de suas rendas e não ten terás onde rosar e elaurar e traser suas criasoes e ao pe de tabanhama estão terás devallutas que numqua forão pouvadas ne sultivadas de bamquos pedem a vm. e nome de sua magestade em quadro de coatro llegoas de terá que comesando a medir-se onde acabar os padres da companhia de Jesus e mellchior masiell com as suas dadas pala ribeira em meo da dita medisão e daly rumo direito por ella acima de maneira que fyquem as ditas quadro llegoas em coadro a qual pedem por divolluto e de sesmaria erm vindo os sopricantes em cada hu eeles pouvar esta capitania da maneira que dizem em sua pitisan que será neste ano em que estamos lhe dou de sesmaria em nome de sua magestade na parte que pedem por divalluto hua llegoa de terá em coadro que comesara de qualquer parte do pé de outeiro da tabanhana do que fazen mensão e acabarão donde chegar a demarquasan della seregipe a simquo de julho de 1603 o capitão Tomé da Rocha.

avendo respeito ho que o sopricante dis e ter servido a sua mag..Alves morador na baia com comdisão que não a vindo pouar dentro de seis meses de daria a quem a pouoasse e por coamto o dito Gonçalo Alves morador na baia com condisão que não a vindo pouar dentre de seis meses se Darya a quem a pouoasse e por coamto o dito Gonçalo Alves ate agora não veo nem mandou pouar pede a Vm lhe fasa merse em nome de sua mag.. Saiban etc dizem os padres de são bento convento da baia que eles querem novamente nesta sidade hordenar huma casa de sua ordem e para beneficio do sustamento della e dos religiosos que nesta cidade e mosteiro asistirem tem nesesidade de terás em que posam llaurar mantimentos canas e o mais que lhes for nesesario e nesta capitania há muitas terás que estão divollutas e por colltinuar pede a Vm. Da dita dada de terá de sesmarya e della lhe mande pasar sua carta Erm . Saiban etc Dis Bartolomeu dias morador em tatuapara que ele quer vir para esta capitanja ajudar a pouoar e que na dita capitanja não tem terás para tarzer suas criasois e fazer seus mantimentos e que no rio moquori que vem entrar no rio chamado pochi estão terás devollutas que nuqua forão pouoadas nem cultivadas pede a vossa merse lhe de em nome de sua magestade por devolluto huma llegoa 293 . na testada que pedem pello rio de cotimdiba huma llegoa de tera em coadro com as llenhas e matos e ribeiros que dentro della ouver não sendo dada e sendo ira tomando pello dito rio asima donde não for dado a quall dada lhes dou com condisão que dentro em hum ano venhão cultivar e fazer na sidade o seu mosteiro que será no asento que para isso se ordenar e disto lhe dar sua carta Sergipe a vinte e sinquo dagosto de 1603 – o capitão tomé da rocha..Dou aos sopricantes em nome de sua mag. lhas de pera o dito convento três llegoas de terá em coadra no rio de cotendiba da banda do noroeste a quall se comesara na testada de uma dada de terá que foi dada a Antonio Fernandes de Sergipe do comde corendo ao noroeste a quall terá pedem por devolluta com todas as auguas matos pastos madeiras e o que mais nella ouver e sendo dada corera para a banda do norte pêra o rio de Sergipe ao llonguo de.. de sesmaria a terá que pede e della se pasem carta Sergipe a desoito dagosto de 1603 – o capitão tomé da rocha. BENTO 5 de Agosto de 1603. que em nome de sua mag.allures corendo a coadro rumo direito Erm. CARTA DOS PADRES DE S.. CARTA DE BARTHOLOMEU DIAS 20 de Janeiro de 1602. Nesta capitania lhe dou em nome de sua mag.

CARTA DE DIOGO LOPES VELHO 20 de Janeiro de 1602. o capitão Manoel Miranda Barbosa. CARTA DE NICOLLAU DE LUCAS 21 de Janeiro de 1602. Saiban etc. Sergipe a vinte de janeiro de 1602 – o capitão Manoel Miranda Barbosa. Saibão etc.na parte que pede a quall se comesara há medir nas cabeiseiras da testada de hua dada que foi dada a martin de souza allmocharife desta capitanja a quall terá pede com todas augoas madeiras que na dita terá ouver comdisão da dita terá seia em roda que fique em coadro corendo rumo direito resallvando pontas e enseadas Erm – Dou ao sopricante meã llegoa de terá na parte que pede por devalluto em nome de sua majestade asin e da manera que pede Sergipe vinte de ianeira de 1602 – o capitão Manoel Miranda Barbosa. Diz Diogo Lopes velho morador na cidade da Bahia que ele a muitos anos que reside na dita bahia e que tem feito muitos servisos a sua majestade com sua pesoa e fazenda assim em geras como na pás acodindo com seus escravos e muitos homens brancos a sua custa a todos os rebates que se darão a vinte anos a esta parte em que fez sempre gastos e na tomada desta capitania de Sergipe mandou sua gente e omes brancos e cavalo a sua custa em ajuda do governador Cristóvão de baros que ora esta fronteiro aos aimorés e por quanto quer ajudar a povoar esta capitania de Sergipe e quer elle ter nella fabriqua por quanto he ome de pose e não tem terás onde tarzer e targa suas criasois pede a vosa merse lhe de de sesmaria três llegoas de tera em coadro no rio quotidiba as quais se medirão meã llegoa abaixo donde chega a maré e fiqua o rio em meo com todas as auguas madeiras e pastos Erm – Dou ao sopricante em nome de sua majestade de sésmaria duas llegoas de terá asin e damaneira que pede em qoadro e se começarão a medir mea llegoa pelo dito rio de quotidiba abaixo donde chega a maré com todas as auguas e llenhas matos pastos pelo averá por serviso de sua majestade . –Dou ao suplicante na parte que pede meã llegoa de terra por devalluto em nome de sua magestade da maneira que pede Sergipe a vinte e hum dias do mês de janeiro de 1602. Dis Nicolau de lluquas sargento deste prezido que a três anos que serve a sua magestade nesta capitania de sargento porque quer ser morador e não tem terras onde llavar nen onde posa tarzer suas criasois de gado vaqum e outras que para isso tem pede a vosa merse avendo respeito ao que lhe dis lhe de em nome de sua magestade huma llegoa de terá nas cabeiseiras de padre bento feras que ora tem sobre a llagoa de jaraquatenema com todas as agoas pastos llenhas erm. 294 .

diz Sebastião Vasquez morador na bahia de todos os Santos que elle quer vir ajudar a povoar esta capitania que sua fabriqua e que na dita capitania não tem terras para trazer suas cresois de gado e fazer suas rosarias e no rio ipochi da banda do sul na testada e cabeseiras de huma dada de terra que foi 295 . CARTA DE JOAN FEREIRA E FRÃCISCO DALMEIDA 21 de Janeiro de 1602. Saibão etc. Dis balltesar de souza morador no porto callvo que elle quer vir ajudar e povoar esta capitania de seregipe sidade de são cristo. Don frãcisco de souza e das quais terras lhe são pasadas suas contas e pose e povoadas pello que pede a vosa merse lhas aia cõfirmados lhe mande pasar sua carta de confirmasão erm. – Dou ao sopricante e com termo as terras que lhe tenho dado em nome de sua magestade antes que tivesse pervisão do snr don Francisco de Souza. Sergipe a vinte hum de janeiro de 1602 o capitão Manoel Miranda Barbosa. CARTA DE SEBASTIÃO VASQUES 21 e Janeiro de 1602.vão co sua pesoa e fabriqua e que ora não tem terás em que posa llarvar e tarzer suas criasois e que no rio por nome mocori que vem entrar em o rio ipochi em as cabeceiras de bretollomeu dias estão terás devallutas que nunqua forão povoadas nen cultivadas pede a vosa merse lhe de em nome de sua magestade huma llegoa de terá de conprido e outra de llarguo de maneira que fique huma llegoa em coadro com todas as augoas e matos madeiras e pastos que na dita medisão coubre erm.CARTA DE BALTHASAR DE SOUZA 21 de Janeiro de 1602. Governador Don Francisco de Souza Sergipe a vinte e hum de janeiro de 1602. Saiban etc. Saiban etc. Dizem Joan fereira morador em esta capitania de Sergipe e Francisco dallmeida que vossa merse lhe deu huma sorte de terá de dada de sesmaria que vem acabar nas cabeiseiras de simão de rocha villas boas a elle dito joan fereira e outro sin a Francisco dallmeida no rio ipochi da banda do norte lhe deu meã llegoa de terra a quall foi dada a manoell gomes as quais dadas lhe forão dadas antes da partisão do snr. – Dou ao suplicante em nome de sua majestade mea llegoa de terá e na forma que pede por devalluta conforme ao preguão do snr. o capitão Manuel Miranda Barbosa.

. – Dou ao sopricante em nome de sua majestade na parte que pede por devolluto meã llegoa de terra em coadro assim e da maneira que pede Sergipe a vinte e hum de ianeiro de 1602. Saiban etc.... diz dominguos fernandes morador em tatuapára termo da Bahia que elle quer morar nesta capitania e povoar e que nella não tem terras para mantimentos e criasois de gado e nas cabeceiras de huma dada de terra que foi dada a hum Manoel Rodrigo que esta da banda do rio ipochi junto a tapera de taiaoba281 estão terras devolutas que nunqua forão povoadas e cultivadas pede a vosa merse lhe fasa merse em nome de sua majestade de huma llegoa de terra na parte que pede de sesmaria a quall terra pede com todas as agoas e madeiras que na dita terra houver e a medisão dela seria feita de maneira que fique em coadro llevando o dito rio ipochi em meo erm. – Dou ao sopricante em nome de sua majestade na parte que pede por devoluto meã llegoa de terra em coadro asin e da maneira que pede Sergipe vinte e hum de janeiro de 1602..e tem pouquos matos para suas rosas .a dada de antonio barreiros erdada delle pero chaves e a de simão dandrade estão huns sobeios que poderão ser pouquo mais ou menos quinhentas brasas ou o que se achar pello que pede a vosa merse avendo respeito a elle ser morador nesta capitania com sua molher e filhos lhe fasa merse em nome de sua majestade dar a dita terra co todos os matos e pastos e auguoas que nella ouver e 281 Tayaoba – habitação indígena junto ao rio poxim.. no local em que está edificado o engenho poxim..... diz pero chaves morador nesta capitania que lhe foi dada huma dada de terra nas cabeiseiras de antobio barreiros ao llonguo da ribeira piranapama da banda de lleste porquanto a dita data. CARTA DE DOMINGOS FERNANDES 21 de Janeiro de 1602. Saiban etc...dada a gaspar de fontes lhe estão terras devolutas que nunqua forão povoadas nem cultivadas pede a vosa merse em nome de sua magestade lhe fasa merse nas ditas testadas e cabeiseiras do dito gaspar de fontes dar-lhe huma llegoa de terra em coadro por dovolluto conforme ao regimento de ell rei nosso sr.O capitão Manoel Miranda Barbosa.... A qual terra pede com todas as augoas e madeiras que na dita terra ouver e a medisão da dita terra que assim pede se fasa tomando direito resallvando todas as pontas enseadas de maneira que fique em coadro erm.. CARTA DE PERO CHAVES 21 de Janeiro de 1602... 296 .. – O capitão Manoel Miranda Barbosa.

282 Ipitanga – rio pitanga 297 . Diz Sebastião dias morador nesta capitania que a tempo de onze anos é povoador e ajudando de defender com suas armas escravos aonde tem muitos serviços feitos a sua majestade não tem terras aonde llavrar e ora na Ipitanga282 tem seiscentas brasas de terra as quais não são bastantes para se poder agasalhar com sua família pelo que pede a vossa merse lhe de sesmaria em nome de sua majestade mill e quinhentas brasas de terra a quall se começara a medir donde elle sopricante acaba a dita sua dada pondo-se na banda do rio da banda do norte correndo pello rio acima conforme o rumo que o rio llevar medindo direito sem vollta allguma que o rio fasa de modo que fique a dita dada em coadro fiquando o rio de premeo tanto da banda do norte como do sul erm. CARTA DE SEBASTIÃO DIAS 21 de Janeiro de 1602. – O capitão Manoel Miranda Barbosa. Saiban etc. – Dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua majestade mill brasas de terra de sesmaria da maneira que pede e que me fará a medir para o sertão donde acabarem as seissentas brasas que tem dadas pello capitão tome da rocha e fiquãdo o rio em meo Seregipe vinte e hum dias de janeiro de 1602. Governador pede a vosa merse avendo respeito a elle ser morador e estar na terra com sua molher e filhos e filhas lhe fasa merse em nome se sua majestade confirmar a dita terra esim e da maneira que lhe esta dada no que erm. – o capitão Manoel Miranda Barbosa. CARTA DE ANTONIO PEREIRA 21 de Janeiro de 1602. Diz antonio pereira morador nesta capitania que elle lhe foi dado huma dada de terra por vosa merse no rio de vasa barris da quall lhe foi pasado carta de dada e dado por se porque teme que tenha alguma demanda sobre as ditas terras por respeito de vosa merse antes que vosa merse for servido pello sr. Saiban etc.quall pede de sesmaria por estar devoluto a quall terra esta na ribeira de piranapama da banda do morro erm. –O capitão Manoel Miranda Barbosa. – Dou ao sopricante na parte que pede quinhentas brasas de terra de sesmaria em nome de sua majestade asin e da maneira que a pede Sergipe vinte e hum de ianeiro de 1602. – Dou e confirmo em nome de sua majestade a terra que tinha dado ao sopricante em seregipe a vinte e hum dias de janeiro de 1602.

.. Governador geral Sergipe 1º de Fevereiro de 1602. Don Francisco de Souza governador geral erm. — Dou ao suplicante em nome de sua majestade a terra que pede assim e da maneira que diz em sua petição a qual terra lhe dou de Sesmaria e por devoluto conforme ao pregão Sr. Don Francisco de Souza governador geral de todo este estado do Brazil Sergipe a vinte e dois de janeiro de 1602.. em ausência de Manoel Miranda Barbosa.. Gaspar Fernandes Vigário nesta capitania de Sergipe que ele esta atualmente povoando esta capitania com sua família criadores de gado vacum e outras meu das e não tem terras em abondansa para seus mantimentos e para as ditas criações e ora no rio de vazas barris da banda do norte estão terras devolutas como lhe uma dada que foi dada hum Joam Martins Bretanha morador em mame a qual foi dada pelo padre Bento Ferraz não podendo dar pede a vossa mercê lhe faça mercê de dar a dita dada em nome de sua majestade de sesmaria que em uma légua em quadro tirando da dita meia légua que foi dada um Sebastião Francisco Vieira a qual terra pede o devoluto conforme ao pregão do Sr. Diz Antonio damaral.. da câmara de sua majestade morador nesta capitania de seregipe que elle não tem terras para fazer seus mantimentos e pastos de seus gados que a dita terra quer trazer pede a vossa mercê havendo respeito ao que alegue lhe de uma légua de terra em nome de sua majestade que esta no rio de Sergipe nas cabeceiras de Sebastião de brito a qual terra pede por devoluto em nome de sua majestade conforme ao regimento de sua majestade erm. Saiban etc. ————— CARTA DE SESMARIA DE LUIZ ALVES 4 de Fevereiro de 1602. — O capitão e loquotenente Gaspar Barreto.. Saibam etc. 298 ..CARTA DE ANTONIO DO AMARAL 22 de Janeiro de 1602. O capitão Manoel Miranda Barbosa. CARTA DO PADRE GASPAR FERNANDES 1º de Fevereiro de 1602. — Dou ao suplicante em nome de sua majestade a terra que pede com todas as águas lenhas madeiras pastos que tiver lha dou por devoluto conforme ao pregão do Sr...

CARTA DE SESMARIA DE LUIS ALVARES 9 DE Fevereiro de 1602. em ausência de Manoel Miranda Barbosa. diz Luiz Alves morador em Tatuapara que ele quer vir ainda a esta capitania e a ele trazer sua mulher e filhos e criações de gado vacum e outras muitas criações que pêra isso tem escravos que pêra he que não tem terras em que pasente e targua as ditas criações pede a vossa mercê de sesmaria em nome de sua majestade uma dada a terra que esta por da e sendo dada a pede a vossa mercê por devoluto conforme ao pregão do Sr. Governador gera Don Francisco de Souza a qual terra pede lhe faça mercê em nome do dito Sr. Governador geral Don Francisco de Souza Sergipe a nove de fevereiro de mil seiscentos e dois anos Gaspar Barreto capitão e loguotenente em ausência do Sr.Dou suplicante em nome de sua majestade na parte que pede duas mil brasas pelo rio acima e uma légua para o sertão com todas as águas madeiras e pastos que tiver a qual se começava a medir da dita testada ao longo do rio a qual terá dou de sesmaria por devoluta conforme ao pregão do Sr.Saibam etc. — Dou ao suplicante em nome de sua majestade uma légua em quadro de terra por devoluto e sendo dada a dou por devoluta de sesmaria conforme ao pregão do Sr. Saibam etc. Diz Luis Álvares morador em Tatuapara que ele tem mulher e filhos e que hora quer vir povoar as terras de Sergipe e trazer para elas gado vacum e outras muitas criações e seus escravos e que para o tal efeito não tem terras e que hora ao longo do rio vaza barris da banda do Sul por um braço do dito rio chamado itaquandiba e as quais terras estam devolutas as quais não foram ainda cultivadas nem povoadas de brancos pede a vossa mercê que havendo respeito ao acima dito lhe dê de sesmarias em nome de sua majestade na testada de Luiz Francisco Pires três mil brasas pelo rio acima com todas as pontas enseadas e para o sertão légua meia com todas as águas e Ribeiras matos madeiras e pastos que na dita terá ouvirem a qual terá se começara a medir da dita testada ao longo do Rio Rumo direito e recebera mercê. — O dito rio da banda do sul Sergipe a quarto de fevereiro de 1602. 299 .. Governador geral Don Francisco de Souza se começara a medir no salgado do dito rio da banda do sul Sergipe a quarto de fevereiro de 1602. — O capitão e loquotenente Gaspar Barreto. 283 Guruahy afluente do rio Real. Manuel de Miranda Barbosa capitão da capitania de Sergipe. uma légua e meia em quadro no rio de guruahy283 começando do salgado por ele acima da banda do sul o qual pede por devoluta com todas as águas madeiras enseadas que na terra houver a qual medição se medira em quadro rumo direito no que erm.

Dou ao suplicante na parte que pede em nome de sua majestade uma légua de terra em quadro por devoluta com todas as águas pastos e madeiras que na dita terra houver Sergipe a dezenove de abril de 1602 Manoel de Miranda Barbosa. Don Francisco de Souza mandou lançar na praça da Bahia a qual terra pede com todas as águas madeiras que na dita terra houver e a medição se fará rumo direito ressalvando esteiras portas enseadas erm. Diz Antonio Duarte morador na Bahia de todos os santos que ele quer mandar ainda a povoar esta capitania e que na dita capitania não tem terras 300 . Saibam etc. CARTA DE ANTONIO DUARTE 19 de Abril de 1602.CARTA DE ANTONIO LUIS 15 DE Abril de 1602. Saibam etc. Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede de sesmaria com todas as águas lenha pastos que nela houve meia légua de terra pelas confrontações que pede e dou lha em quadro Sergipe a quinze de abril de 1602 o capitão Manoel Miranda Barbosa. ————— CARTA DE ANTONIO LUIS VIEIRA CAMELLO 19 de Abril de 1602. Diz Antonio Luiz morador na Bahia que ele mandou a esta capitania muita copia de gado quer mandar escravos para ainda a povoar esta capitania no que se resultaria em crescimento os dízimos de sua majestade e não tem terras em que posa pastorar o dito gado e hora na testada de Dominguos de Araujo e Salvador Fernandes na itaporanga estão terras devolutas da banda do sertão pede a vossa mercê lhe de em nome de sua majestade uma légua de terra em quadro pelas confrontações que pede da banda do poente a qual pede com os portos águas Mattos que nela houve erm. Saibam etc. Diz Antonio Vieira Camelo morador na Bahia que ele quer mandar ainda a povoar esta capitania he nela não tem terras para mandar fazer mantimentos nem para trazer suas criações de gado vacum e as mais e que em rio de Sergipe pela banda do sul nas cabeceiras de sua dada de terra e foi dada ao Sebastião da Rocha estão terras devolutas ao longo dito rio que nunca foram povoadas nem cultivadas pede a vossa mercê lhe faça mercê em nome de sua majestade dar-lhe na parte que acima diz duas léguas de terra por devolutas conforme ao regimento de sua majestade e pregão que o Sr.

Dou ao supricante em nome de sua majestade na parte que pede meia légua de terra de sesmaria assim e da maneira que pede Sergipe a dezenove de abril de 1602 o capitão Manoel de Miranda Barbosa CARTA DE FARNCISCO DA COSTA 22 de Abril de 1602. Diz Francisco da Costa que ele quer ainda povoar esta capitania e que nela não tem terras para fazer seus mantimentos e pastos e gado vacum e mais criações e que no rio ipochi da banda do sul na testada de uma dada que foi dada a hu Mel Rõis estão terras devolutas que não foram povoadas nem cultivadas pede a vossa mercê lhe faça mercê em nome de sua majestade na parte que acima diz dando duas léguas de terra em quadro e a medição separa rumo direito ressalvando pontas e enseadas de maneira que fique em quadro a qual terra pede com todas as águas madeiras que na dita parte houver e sendo caso que seja dada Carrera com a medição por diante erm. Saibam etc. Diz Gaspar Demorim morador nesta capitania e Francisco Borges que els ajudarão a povoar esta capitania com muitas criações de gado escravos e suas pessoas e nela reside com suas pessoas mulheres e família e não lhes dado terras em abastança e ora a muitas terras devolutas na dita capitania pede a vossa mercê lhes de em nome em nome de sua majestade duas léguas de terra na testada de Salvador Fernandes na taporãgua ao longo do rio de vasas barris erm. CARTA DE GASPAR DEMORIM E FRANCISCO BORGES 25 DE Abril de 1602. .Dou ao suplicante na parte que pode em nome de sua majestade de sesmaria uma légua de terra em quadro assim e de maneira que pede e ajuntamento dou por confirmado em nome de sua majestade a terra que diz Sergipe e vinte e cinco de abril de 1602 o capitão Manoel de Miranda Barbosa. Saibam etc. e pregão que o Sr.para mantimentos nem para pastos de gado vacum que tem na dita capitania e que no rio ipochi da banda do sul nas cabeceiras de uma dada de terra que foi dada a Migel Soares estão terras devolutas que nunca foram povoadas nem cultivadas pede a vossa mercê lhe faça mercê em nome de sua majestade de uma légua de terra na parte que acima diz a medição se fará levando o dito rio em meio de uma banda e outra ressalvando pontas enseadas de maneira que fique a dita légua de terra em quadro a qual pede por devoluta conforme o regimento de El rei nosso Snr. Governador gerall mandou llansar na praça da Bahia a qual terra pede com todas as águas madeiras que na dita terra houver erm. Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede de sesmaria meia légua de terra em quadro Sergipe a vinte e dois de abril de 1602 o capitão Manoel de Miranda Barbosa. CARTA DO PADRE GASPAR FERNANDES 301 .

. Por não usar da légua de terra de Joan da Rocha Vicente da qual não usara de hoje por diante e lhe dou as ditas duas mil brasas por devoluta com todas as águas pastos madeiras que nelas houver com condição que dentro do tempo digo em um ano povoe a dita terra e não a povoando será por devoluta a quem a quiser povoar em Sergipe a quartoze de junho de 1602 o capitão Cosme Barbosa.. CARTA DE JOAN GARCEZ 14 de Junho d 1602.. Dou ao suplicante em nome de sua majestade a terra que Gaspar Barreto lhe tinha dado assim e da maneira que lhe tinha dado em Sergipe a vinte de maio de 1602 o capitão Cosme Barbosa.... ... pelo que pede a vossa mercê lhe faça mercê em nome de sua majestade dar outra meia légua e mais sobejos assim da maneira que Gaspar Barreto servindo de capitão loquotenente de Manoel de Miranda Barbosa lhe tinha dado erm..20 de Maio de 1602. Diz o desembargador Baltazar morador na Bahia que ele tem nesta capitania de Sergipe fazenda de criações de gado vacum e cavalar e outras criações de muita importância e por servir a El rei nosso Sr.. CARTA DE BALTAZAR FERRAZ 15 de Junho de 1602 Saibam etc.. e acrescenta nas rendas e para seu proveito e dos moradores da dita capitania quer nela fazer 302 ... Diz Gaspar Fernandes Vigário confirmado nesta cidade de São Cristovão capitania de Sergipe que a ele lhe e necessário terra para lavrar e trazer suas criações e por quanto ao longo do rio vasa barris da banda do norte esta uma légua do quadro de terra a qual foi dada pelo padre Bento Ferras ao Joan Martins da qual légua de terra e dada meia ao Sebastião Francisco escrivão de ..... Saibam etc...Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede duas mil brasas de terra em quadro não sendo dada e sendo dada Carrera por diante a qual lhe dou em nome de dito Sr... Diz Joan Garcez morador na Bahia por seu procurador que ele suplicante lhe foi dado nesta capitania uma légua de terra ao longo de vasa barris da banda do sul defronte de taperagua a velha a tapera que tem a arvore redonda pêra La pelo sertão onde ninguém tem povoado e ora ele suplicante tem já nesta capitania sua fazendo assim de gado vacum como cavalar e outras e outras criações de que resulta grande acrescentamento a fazendo de sua majestade e outro sim tem seus escravos e quer meter mais fabrica e por que ele suplicante acha ser a dita dada de terra de Joan da Rocha visente pelo qual respeito se lhe perde sua fazenda por não ter por onde apresentar pede a vossa mercê pede de sesmaria outra légua de terra ao longo da dita dada que se diz de Joan da Rocha visente da banda deste assim e da maneira que a outra lhe foi dada porquanto ele suplicante desiste da primeira a qual se medira ao longo dito rio da banda do sul quando para oeste ficando a do dito Joan da Rocha da banda do leste.. Saibam etc.......

.........engenho ou engenhos de açúcar que nela não há e nas terras que tem não há água com que o possa fazer e que tem por informação que no rio de Sergipe esta numa ribeira que se chama tapecahy que não foi dada até agora e se o foi esta por aproveitar e devoluta pede a vossa mercê que havendo respeito ao que diz e a muito proveito que resultara nesta povoação com o dito engenho lhe faça mercê de dar de sesmaria água da dita ribeira de tapecahy com duas léguas de terra medidas pelo dito rio de Sergipe uma légua de uma banda da dita ribeira e outra légua da outra banda ficando em meio a dita ribeira..................... devoluta visto estarem por aproveitar com a dita ribeira de algumas e mais algumas lenhas pastos matos e madeiras que na dada de terra houver e lha dou por assim ser em serviço de sua majestade e bem de se aproveitar esta capitania e haver engenho nela e lha dou em condição que dentro de um ano comece a fazer o dito engenho Sergipe a quinze de junho de 1602 o capitão Cosme Barbosa.. que em quadro pelas... .................. e atualmente esta morador nela e ora não tem terá em que lavrar e targua suas criações de gado e mais criações e ora no rio de vasas barris a muitas terras devallutas pelo que pede a vossa mercê se lhe faça mercê pelo que acima diz de lhe dar em nome de sua majestade uma légua de terra em quadro nas cabeceiras..... terra para o sertão de mau..... mereis coa todas as pontas augoas lenhas e madeiras a pede por devolluta erm....Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede duas léguas de terra a saber légua e meia da dita ribeira para acima e meia para baixo que fiquem sendo duas légua em quadro a qual lhe dou em nome do dito Sr...... meia légua de terra em quadro com todas as augoas e pastos madeiras que na dita terra houver e lha dou por devoluta visto povoar como diz Sergipe dezesseis de junho de 1602 o capitão Cosme Barbosa...... necessário pêra plantar canas fazer rosas e currais e outras criações assim para o engenho como para os moradores d‘ele que o suplicante há de levar da capitania da Bahia a que toda pede por devoluta e desaproveitada erm.... CARTA DE ANTONIO DA COSTA 16 de Junho de 1602 Saibam etc..... com as águas e madeiras que nelas houver porquanto. CARTA DE JOAN FERREIRA 7 de Junho de 1602 Saibam etc....Dou ao supricante em nome de sua majestade na parte que pede em nome do dito Sr... ...... Diz Joan Ferreira morador nesta capitania de Sergipe que ele esta pessoalmente ajudando a povoar a dita capitania com negros e fábrica e que na dita capitania não tem terras em que trazer suas criações assim de gado vacum como cavalar e mais criações e fazer seus mantimentos e no ipochim da banda do norte em testada de Francisco de Almeida e terras de Melchior Masiel pelo dito rio do ipochim acima estão os sobejos de terra entre as duas sortes que acima nomeia 303 . Diz Antonio da Costa sargento de presídio de sua majestade que a seis anos que reside nesta capitania de Sergipe servindo ao dito Sr......

......... Diz Domingos de Vilacham morador na Bahia que ele quer vir ajudar esta capitania com fábrica de gado e escravos e com família que tem para o que lhe são necessários terras e ora manda seu filho a pedi-las........pede a vossa mercê em nome de sua majestade lhe faça mercê dos ditos sobeios de sesmaria...... que erm...... nome de uma lagoa ...... Jabotiana....erm.............. Diz Melchior Masiel de Andrade morador nesta capitania que ele a mais de dez anos que serve a sua majestade nas guerras e povoações desta capitania e nela o morador como esta e família e porque tem muita fábrica e poucas terras e quer llauvrar pede a bem lhe faça mercê em nome de sua majestade de um pedaço de terra que esta ante os rios de Comendaroba e Ibura que serão mil brasas de um rio ao outro porque mais ou menos e pelos ditos rios acima hua llégua medida por rumo direito com o que houver de hu rio a outro das barras que se metem em quantigeriba285 acima erm... na Jabetinhaia setecentas brasas de terra em quadro na maneira que pede não sendo dada Sergipe a 7 de junho de 1602 o capitão Cosme Barbosa.. Acreditamos que se refira ao rio cotinguiba 304 ... que fica no rio poxim......... CARTA DE MELCHIOR MASIEL DE ANDRADE 20de Julho de 1602 Saibam etc........ brasas em quadro pero longo do dito......... CARTA DE DOMINGOS DE VILACHAM 29 de Julho de 1602 Saibam etc.... e a medição della se fará rumo direito ressallvando pontas e enseadas as quais sortes de terra pede por devolluto com todas as augoas madeiras que na dita terra houver conforme o regimento El rei nosso Sr........... entre Aracaju e S...... Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede meia légua de terra medida como em sua petiscam diz e o que houver de um rio a outro Sergipe a 20 de julho de 1602 o capitão Cosme Barbosa..... o mesmo pede.... aqui tem necedade digno...Dou ao sopricante em nome de sua majestade na parte que pede os sobejos que aponta em sua petição não sendo dadas a outra primeiro e assim mais lhe dou em nome do dito Sr.... Dou ao suplicante em nome de sua majestade por devoluto na parte que pede meia légua de terras em quadro a qual lhe dou de sesmaria vindo povoar no tempo da ordenação Sergipe a 29 de julho de 1602 o capitão Cosme Barbosa. por nome Jabetinhaia284........ CARTA DE MARTINS DE SOUSA 29 de Julho de 1602 284 285 Jabeetinhaia.... para com efeito vir de morada. Cristóvão....

... com os pastos matos algumas que na dita terra houver Sergipe a 29 de julho de 1602 o capitão Cosme Barbosa... lhe faça mercê duas léguas de terra que de novo pede ao longo do rio Quotinguyba serão medidas em quando por ruma direito ressalvando as voltas que faz o dito rio a qual pede de novo e começaram a ser medidas de uma pedra 305 ....... Diz Martin de Sousa feitor e almoxarife de sua majestade nesta capitania que elle a seis anos que esta nesta capitania ajudando a defendella com sua pessoa e ora quer fazer rosas e outras bem feitorias e quer por curral de gado e não tem terras em que possa fazer as ditas bem feitorias pede a bem lhe de em nome de sua majestade uma légua de terra no rio mocory rio que vem entrar no rio ipochi nas cabeceiras de Francisco de Silveira da banda do norte com todos os portos e algumas e matos e lenhas e sendo dada lhe de por devoluto conforme um pregão que mãodou lansar o Sr.... e na dita capitania serviu a sua majestade na. .... de dez anos a esta parte mora.... governador Don Francisco de Souza e por quanto lhe foi dada a dita terra pelo capitão Manoell de Miranda Barbosa capitão lloquotenente em ausência de Diogo de Quadros capitão e governador nesta dita capitania pede a Vm.Dou em nome de sua majestade ao supricaute na parte que pede meia lléguoa de terra que lhe tinha dado Manoel Miranda de Barbosa em tempo que serviu de capitão nesta capitania a qual lhe dou por devoluto. de sua fazenda he capitão Tomé da Rocha lhe deu terras a ele suplicante não tem titulo por se lhe perder os livros das dadas de sesmaria daquele tempo pede a Vm..... lhe mande confirmar erm..... CARTA DE MELCHIOR MASIEL DE ANDRADE 2 de Agosto de 1602 Saibam etc................ lhe faça mercê em nome de sua majestade na parte que pede de lhe dar duas lléguas de terra por devolluto de sesmaria por ser ome de muita pose e a medição separadas ditas duas lléguas em quando rumo direito resallvando outeiros e pontas e enseadas a qual tera pede com todas as augoas e madeiras que na dita tera houver erm — Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede duas mill brasas de tera não sendo dada as quais duas mill brasas será em coadro e lha dou em nome do dito Sr.. com todas as augoas pastos madeiras que na dita terra houver com declaração de dentro em seis meses a vir povoar e não fazendo assim se Dara a quem a povoar Sergipe a 2 de agosto de 1602 — o capitão Cosme Barbosa...Saibam etc........ Diz Melchior Masiel de Andrade de que ele esta morador nesta capitania com casa família ajudando a povoar com escravo. CARTA DE HEITOR GONÇALVES VELHO 2 de Agosto de 1602 Saibam etc.......... Diz eithor Gonçalves Velho morador na Baja que elle quer mãndar ajudar a povoar esta capitania donde nela não tem terras para fazer seus mantimentos e para pastos de gado vacum e que no rio ipochim da banda do norte estão terras devolluto por llongo do dito rio acima nas testadas de huã dada de terra que foi dada a Francisco de Barbuda escrivão dos feitos dellrei pede a Vm.....

o capitão Cosme Barbosa.. na cidade de Laranjeiras 306 .que chamam itaboca286 uma légua para cima . lhe de em nome de sua majestade três léguas de terra que se mediram de contiguiba acima da banda do norte légua e meia e outra légua e meia da banda do sul que fique o dito rio em meio e a dita terra em quando a qual medição para rumo direito salvando pontas pontas e enseadas que ao longo do