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GIPE HISTÓRIA DE SERGIPE
FELISBELO FREIRE

PROJETO DIGITALIZANDO A HISTÓRIA
Carta de Sesmaria de Jorge Coelho 1596 Documento copiado do acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe

FELISBELO FREIRE
PROJETO DIGITALIZANDO A HISTÓRIA
ARACAJU –SE ARACAJU –SE 2009 2009

PROJETO DIGITALIZANDO A HISTÓRIA

A preocupação e a responsabilidade com a preservação da memória recai sobre os ombros daques que estão vivos e conscientes de sua participação na construção do hoje. É mister saber para tanto, que o domímio de novas tecnologias e o seu uso adequado apresenta-se como uma necessidade que urge frente as adversidades do tempo, e em muitas vezes do descaso com o patrimônio histórico. Digitalizar obras literárias que cumpriram e cumprem seu papel façe a sua importância no cenário cultural, é uma forma de eternizar o homem naquilo que o torna imortal, e é nesse sentido que este projeto pretende somar esforços com aqueles que vislumbram na digitalização de documentos históricos, uma nova forma de preservar o patrimônio cultural. A digitalização do livro História de Sergipe de Felisbelo Freire é apenas o começo de uma proposta que visa angariar adeptos e que tem um fim claro de preservação e de acesso facilitado, torrnando de domímio público muitas obras importantes e que dificilmente grande parte da comunidade cintífica e popular teriam acesso às mesmas. É um trabalho árduo e cansativo, contudo a certeza de sua importância nos revigora, e dá a convicção de estarmos no rumo certo pois se aprendemos algo no decorrer de nossa vida é a consciência de que não se comquista um objetivo nobre sem o desgate do labor. Arionaldo Moura Santos

Este livro digital é fruto do projeto “DIGITALIZANDO A HISTÓRIA” , desenvolvido pelo Prof. Arionaldo Moura Santos e contou com a colaboração de alunos do 1º ano F do ensino médio do turno da tarde matriculados no Colégio Tobias Barreto no ano de 2008.

ABINAEL ALVES SANTOS ARIANNE SANTOS RIBEIRO BRENDA SIQUEIRA MENESES BRUNO SANTOS ALVES CARLA KAREN DOS SANTOS OLIVEIRA CAROLINE PAIXÃO DAMACENA CLEANE ANTUNES DA SILVA CRISTIANE RODRIGUES DOS SANTOS DENYKSON SANTOS LIMA BESERRA EDÊNIA BRAZ SILVA EDER SILVA MALANCONI FELIPE BRUNO FARIAS DOS SANTOS FRANCIELLE DOS SANTOS OLIVEIRA ISABELLA ALVES DE ANDRADE ITAMARA GOMES DA SILVA JÉSSICA TÂMARA OLIVEIRA DOS SANTOS JOCLÉCIA BISPO DOS SANTOS

JONH ANTHONY BRITO RODRIGUES JOSE RODOLFO MELO RODRIGUES JULIANA SILVA DE OLIVEIRA JULIANE BRAZ DE OMENA JULIANO CARRA IWERSEN LAURITA MENESES GONÇALVES MAISA CAROLINE SANTOS MAYKE WANDERSON SANTOS ARAUJO MILEISSE DE SOUZA SANTOS MURILLO NOU MACIEL FILHO NILSON ANDRÉ MENEZES BARBOSA STEPHANY SANTOS ARAUJO TALES LEVI FONTES DOS SANTOS THALITA GRACE SANTOS BARBOSA VALDIANE DA SILVA FREITAS VICTOR ALBERDAN ALVES REZENDE

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PREFÁCIO
Tornar Sergipe conhecido do país e do estrangeiro foi a causa que me levou a escrecer sua história. Em um período, como o que atravessamos, em que o espírito de iniciativa levanta-se em todas as direções, compreendi e compreendi muito bem que a indiferença que têm votado a Sergipe, não só os governos do regime decaído, como os historiadores nacionais, contribuiu poderosamente para o atraso em que tem ele permanecido. A fertilidade de seu solo, o caráter pacífico de seus laboriosos habitantes, suas excelentes condições climáticas, deviam assegurar-lhe maior prosperidade, que não existe. Faltou a interferência de uma instituição patriótica. Suas naturais riquezas foram desprezadas, pela falta de uma propaganda. Além disto, sua influência histórica, na civilização do Norte, é muito maior do que geralmente supôe-se. Os históriadores nacionais têm cometido a grande falta de esquecerem sua história, e não descrevem essa influência, donde grandes lacunas que se nota na explicação dos fatos. Com excessão do Frei Vicente do Salvador que lhe dedica um ou dois capítulos em sua História do Brasil, todos os outros historiadores nenhuma página dedicam-lhe. Entretanto, não se pode contestar qua a razão de muitos fatos vai o historiador encontar em sua história. Não só facilitou Sergipe as comunicações entre Bahia e Pernambuco, como pela agundante criação do gado prestou inovidável serviço à vitória do portugês contra os holandês, contribuindo para que não se desmembrasse o território da grande pátria brasileira. Seu território serviu de ponto de pousada do exército emancipador, e o primeiro grito de revolução contra os holandeses foi levantado nas margens do rio Real. O leitor convencer-se-á da importância de sua história, pela leitura deste pequeno trabalho. Bem sei que a tarefa que tomei a mem estaá muito além de minhas forças. Sem o recurso de obras já escritas sobre Sergipe, tendo necessidade de um trabalho paciente e longo na busca de manuscritos e documentos, em seus cartórios e arquivos, compreende-se que me foi preciso muito trabalhar, para oferecer ao público esta modesta obra. As dificuldades com que lutei, em seis anos de pesquisas, foram inúmeras, e muitas vezes, confesso-o quis desistir do meu plano. E se não fora o auxilio e animação de amigos, por certo não levaria avante meu projeto. E peço permissão para aqui registrar seus nomes, como uma prova de sincero agradecimento: João Ribeiro, Capistrano de Abreu, Dr. João de Oliveira, José Ladislau Periera da Silva, Baltazar Góes, Josino de Menezes Eugênio José de Lima, Dr. João José do Monte, a cujo concurso devo a publicação deste livro, e outros. Saliento principalmente o nome do ilustrado professor João Ribeiro, a cujo invejável talento e atividade devo grande parte dos materiais que reuni.

Antes que a crítica aponte os deveitos de meu pequeno trabalho, eu deles tenho plena consciência. Meus recursos não me permitiram fazer coisa melhor. Além disto, sendo o primeiro trabalho no gênero, contra o que antolharam-se dificuldades de toda ordem, não podia sair isento de defeitos. Será para mim motivo de contentamento, se ele fornecer alguma auxílio a quem, com mais competência de que eu queira escrever a História de Sergipe. Isto para mim é bastante. Rio, 6 de fevereiro de 1891 Felisbelo Freire

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SUMÁRIO

Prefácio Felisbelo Freire,um vulto da ilustração brasileira

Introdução
Capitulo I- Os primitivos habitantes do brasil Capitulo II - Elementos étinicos do brasileiro. Sua fisiologia e psicologia. Capitulo III- Fatores externos da civilização no Brasil. O evolucionismo,a melhor teoria histórica Capitulo IV- Geologia de Sergipe.Fauna e flora. Sua produção

Livro I
Época de formação(1575-1696)
Capitulo I-Descoberta e conquista de Sergipe Capitulo II-Colonização de Sergipe. Sucessores de Cristóvão de Barros até 1637 Capitulo III-Minas. Primeiras explorações Capitulo IV-Invasão holandesa em Sergipe Estado da Capitania Capitulo V-Domínio holandês em Sergipe.Doação da Capitania Capitulo VI-Lutas em Sergipe.Sua recuperação. Fim do domínio holandês Capitulo VII-Novo domínio português

LIVRO II
Expansão colonial (1696 -1822)
Capítulo I – Sergipe, comarca da Bahia Capítulo II – Resultado das questões de limite meridional expulsão dos Jesuitas Capítulo III – Reusltado da abolisão da escravidão indígena. Movimento colonial até 1802. Estado econômico da capitania. Capítulo IV – Sergipe e a revolução pernambucana em 1817. Capítulo V – Sergipe capitania. Intervenção da Bahia. Juramento da Constituição e aclamação da Independência.

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Livro III
Política Imperial (1823 – 1855)
Capítulo I – Governo da junta provisória. Primeiro presidente. Sergipe, Província. Capítulo II – Sucessores de Manoel Fernandes da Silveira até 183l. Idéias republicanas na Estância e Brejo Grande. Movimentos de abril de 1831. Capítulo III – Governo da regência. Revolção em Santo Amaro em 1836. Capítulo IV – Delegados e segundo reinado até 1855. Mudança da capital. Instrução pública. Finanças. Os partidos. Capítulo V – Limites. Questões com Alagoas e Bahia.

APÊNDICE Sesmarias de Sergipe
Diversas catas de sesmarias.

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É de valia pouca a dimensão geográfica de cada uma. significa. No acervo assim havido somam-se valores materiais e espirituais. contava o Brasil apenas com uma corrente filosófica: o ecletismo espiritualista.ou maior ou menor índice de progresso material. Gumercindo Bessa e Fausto Cardoso. As considerações acima nascem diante deste livro. diversificam-se os primeiros em função de circunstâncias e momentos. que a tecnologia favorece. na crítica. SERGIPE E A ILUSTRAÇÃO BRASILEIRA A circunstância deve ser ressaltada diante de Sergipe. no direito e na ideologia republicana. não permitir a ruptura de um processo paralelo de natureza cultural. cuja influência na cultura nacional se acentua a partir do terceiro quartel do século passado. que abrange quase três séculos de história. quando começava a formar-se a Ilustração brasileira. na poesia. por capricho de um gênio. formação e expansão colonial. sempre constitui a mutilação desnecessária. São os alicerces de uma antiga província. As velhas províncias armaram-se das mais novas conquistas . quando pouco. Granjeara a doutrina de Victor Cousim importantes adesões entre os intelectuais. sejam sócio-econômicos. O País embora adolescente.FELISBELO FREIRE. pois este sempre resulta dos elementos que compõem a vida de uma comunidade. com a redução das distâncias. todos nascidos em Sergipe. 7 . o vigor da atividade econômica. A repercussão da atividade intelectual alcançou a cultura brasileira. Cada estado participa do conjunto. deixando as suas marcas na ciência. ainda que ornados dos melhores propósitos. transfigurada em seu destino geográfico e político. Introduzir nesse quadro de forças vivas um acréscimo de gabinete. Afortunada. maiores ou menores. Preservar a história. nas escolas normais e secundárias. mas conservaram as suas raízes nas lutas pioneiras dos colonizadores. a escassa ou densa população. deram início ao movimento de idéias conhecido como Escola do Recife. A esse tempo. A sua leitura torna-se indispensável à compreensão do presente. Era a doutrina ensinada nos cursos preparatórios às faculdades e em geral.os últimos são resultados de um curso que acaba imprimindo nos costumes e comportamento dos habitantes um traço inconfundível e original. Tobias Barreto. e que se puseram dispostas. Silvio Romero. e as vicissitudes teceram ao longo no tempo de quase cinco séculos a fisionomia de seus membros políticos. trazendo as virtudes desenvolvidas no esforço do crescimento. Correspondia à filosofia oficial do Segundo Reinado. UM VULTO DA ILUSTRAÇÃO BRASILEIRA PAULO MERCADANTE A CONFIGURAÇÃO REGIONAL Os diferentes estados que configuram o território brasileiro não representam formas traçadas ao acaso. de seus heróis e mártires. formou-se em razão de um processo natural. sejam psicológicos. em seus limites geográficos. assim. a iniciativa de Dimensões do Brasil de incluir em seu programa uma série de história regional a fim de divulgar os traços comuns no processo de colonização e desenvolvimento econômico da antigas províncias.

Marca-lhe a presença na vida cultural brasileira um insistente labor de pesquisa. ao sabor de novas incursões do espiritualismo. Sua versatilidade dir-se-ia explicada pelas condições próprias da época. na década de noventa. ―ciência encarada assim. passaria revista ao pensamento filosófico nacional e firmar-se-ia como crítico e pensador. Em e1884 nova orientação imprimia Tobias Barreto ao seu pensamento. escreveu ele. apoiar-se-ia no evolucionismo para combater o positivismo ortodoxo. também Artur Orlando. Juntos de Spencer ficavam seus companheiros Silvio Romero. que nasce na filosofia e que amadurece na história. pelo contrário. Por isso em seus trabalhos. por motivos ainda pouco estudados.Parece fora de dúvida que tanto Tobias Barreto como Silvio Romero. retornados da Bahia. Em Sergipe no século passado. como coisa criada. seria o autor deste livro Felisbelo Freire. A ciência. ou seja. Tobias Barreto teve a sensibilidade de verificar que o positivismo não poderia por muito tempo satisfazer as solicitações d intelectualidade. não fosse o brilho que imprimiu a faina de historiador. No Rio de Janeiro. A polêmica científica devia gerar. a cujo destino se misturam indissoluvelmente a ciência e a filosofia. nos lares e nos grêmios. o farol que lhe conduz o pensamento é ela. Imaginemos o que significava para a sociedade da capital da província e do interior a plêiade de doutores. durante a década de setenta. assistir à maneira como foi sendo elaborada. enfim. Outro vulto de Sergipe. Porém se deve à personagem do Prefácio a necessária ênfase que se concede à importância da filosofia e da ciência na formação de seu espírito de historiador. com as suas forças e as fraquezas e subordinado às grandes necessidades do homem na sua luta pelo entendimento e pela libertação. Ou se olha para ela como vem exposta nos livros de ensino. mais fácil se tornava o estudo superior na Bahia do que em Pernambuco. simplesmente abandonados pelos partidários de Comte. Diante disso. a luta da época travada no terreno da fisiologia. como um grande capítulo da vida humana social. Tal sentido soube Jesus Caraça expor com lucidez. a história. em meio século de vida independente. parece bastar-se a si própria. entre os profissionais. pode ser encarada sob dois aspectos diferentes. a formação dos conceitos e das teorias parece obedecer apenas a necessidades interiores: no segundo. Silvio Romero voltava-se para a crítica parlamentar. a exemplo dos jovens engenheiros e militares empolgados com os postulados do positivismo. Deseja radicar no País o pensamento científico. verificamos que o número de doutores em Medicina supera expressivamente o de bacharéis em Direito. entre 8 . impregnado de condição humana.a denúncia das insuficiências do mecanicismo de Haeckel e o empenho de aproximar-se do sistema kantiano. aspiravam uma reforma total da ideologia. ou procuramos acompanhá-la no seu desenvolvimento progressivo. e tratou de fixar-se em pleno terreno dos problemas ditos metafísicos. parece-nos. aparece-nos como um organismo vivo. mas sem o sacrifício da filosofia.‖ SERGIPE E A ESCOLA DE RECIFE Revele o leitor o atalho por onde quase me perdi. vê-se toda a influência que o ambiente da vida social exerce na criação dela. ligado à inquietação do tempo. No primeiro aspecto. se procedemos ao exame das profissões da elite local até 1872. Clóvis Belviláqua e muitos outros simpatizavam com algumas teses do filosofo inglês. revelando. Por tais razões. ao ter início o movimento do qual resultaria a Escola de Recife. empenharam-se a fundo no combate ao ecletismo.

Bichat divergira do condiscípulo Bordeu. a estudar na Faculdade de Medicina. referia-se a li dos três estados fenômenos. Adotava a definição de Biologia dada por Blainville: ― a ciência que analisa os animais os fenômenos da vida e procura explicálos. O grande médico produzira Barthez e Bordeu. Interpenetram-se as idéias suscitadas no Recife por Tobias Barreto e seus companheiros e discípulos com o movimento de renovação científica da Bahia. Lá chegava em plena peleja de desde anos se renhia entre os adeptos de uma ciência tradicionalista e os entusiastas das correntes avançadas da biologia. em circunstâncias referidas por Gilberto Freyire. conforme se vê das teses apresentadas na Faculdade de Medicina. e afirma-se em desfio. que englobava o ecletismo. Bordeu produzira Bichat. O médico. a cuja doutrina repugnava o exame de cadáveres a fim de serem elucidados os problemas da vida. co correr dos anos. Na Faculdade de Direito a influência do status do doutor em medicina teria assim. o fundador da Biologia. Teve inicio o ataque ao vitalismo de Barthez quase na primeira metade do século. Adveio uma tendência que se caracterizava pela aceitação do positivo nas ciências. cujo eco chegaria até o Recife por intermédio do grupo de sergipanos que preferiria o curso jurídico. Predominara. porque todos se explicariam pelos princípios da Mecânica. Assim. apoiados numa fisiologia hipotética. extrínseca a intrinsecamente. levando o vitalismoa a uma concepção biológica. Felisbelo Freire não seguiu para o Recife. defendeu-se por mais de meio século.os curiosos e diletantes. a admiração que proporciona o prestígio. contribuído para que Tobias Barreto Silvio Romero. Os preconceitos existentes nas ciências naturais tinham criado à Medicina os maiores obstáculos no século passado. nem distinção entre os fenômenos vitais e físicoquímicos. sem imposições agnósticas ou antiespiritualistas. Reminiscências medievais. Fausto Cardoso e Gumersindo Bessa se desviassem do causuísmo jurídico para o campo do biologismo social. dificultavam o desenvolvimento das pesquisas em geral. O debate trava-se de um lado. que consagraria a unidade da observação médica e a experimentação fisiológica. circunstância que desviava os médicos de conceitos patológicos e clínicos firmados na anatomia. Singular a circunstância. e sim para a Bahia. a cursar Direito. Tratava-se de um sistema especulativo. e particularmente na Anatomia e na Fisiologia. o fisiologista francês antepunha ao vitalismo a sua doutrina de determinismo biológico. Admita o conflito entre forças vitais e forças físico-quimicas . conciliando o espiritualismo. o espiritualismo e o próprio vitalismo. ao escrever um opúsculo sobre o tratado de Broussais. As raízes das novas tendências estavam na orientação que um discípulo d Sthal imprimira às pesquisas científicas biológicas. Tratava-se da influência que Augusto Comte desencadeara no campo das ciências naturais. o materialismo e o positivismo no terreno da ciência pura. não haver especificidade da matéria viva. as velhas correntes do mecanicismo. que estivera em Paris. As idéias voltam-se contra os conceitos tradicionais. de uma cultura brasileira que se desenvolvia sob o estímulo de uma saudável diversidade ou pluralidade de influências e condições. com uma tese de Justiniano da Silva Gomes sobre plano e método de um curso de Fisiologia. quando de sua incursão na Fisiologia. 9 . a resultante da divergência seria Claude Bernard. ligando-os às leis gerais da matéria sempre que disso forem suscetíveis. O tradicionalismo. carregadas de retórica. a concepção do vitalismo convencional.

referia-se a Augusto e Pereira da Costa que aprofundaram a história de Pernambuco : a Alcides Lima que revelara a história do Rio Grande do Sul: a Henriques Leal. A PESQUISA REGIONALISTA Naquele ano distante. concluído o curso em 1882. Uma obra política de Anfriso Fialho – O Processo da Momarquia Brasileira. Irmanam-se em suas digressões. e superar no campo da Ciência de da Filosofia o ranço do ecletismo francês. A estrutura do País levantava-se pele exercício da pesquisa regionalista. Ao mesmo tempo. e mal chegado a Laranjeiras. escrevendo sobre o Visconde do Porto Seguro. abordando.outro trabalho da época seriam os Fatores Esternos da Civilização no Brasil. e . provocandolhe os apontamentos publicados na imprensa. O lastro de ciência adquirido na Bahia mostrava-se em Felisbelo Freire ao divulgar a doutrina evolucionista. Felisbelo Freire dá inicio á sua atividade como escritor. Capistrano de Abreu. 10 . onde passou a clinicar. que apurava a Crônica das Alagoas. com as obras de Spencer. questão relativa a Geologia e aos elementos étnicos dos brasileiros do ponto de vista da doutrina evolucionista. um inventário da atividade cultural já demonstrava. um conjunto de obras importantes. A inquietação era tal.lá o alcança. Haeckel. Significativo engajamento ao sabor do tempo. tarefa que desempenha na militância republicana. que preparava a história do Ceará. também a Filosofia o conduzia à política e a contestação do sistema monárquico. no terreno da história regional. inspirada num bando de idéias novas que segundo Silvio Romero. As novas correntes condenavam com veemência o instituto do cativeiro e eram simpáticas ao ideal republicano. se o embate na Biologia o levara aos pensadores naturalistas e evolucionistas. Assim. e que nos falou outro sergipano Gilberto Amado. para o estudo de Medicina. aprofunda os seus estudos sobre Sergipe. Familiarizara-se o doutor. Publica. desafiados pelo atraso e pobreza. sobre nós esvoaçava de todos os pontos do horizonte. Em 1888 publicava na revista Trimestral do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro sua ― Memória sobre a Colonização de Sergipe de 1590 a 1600‖. de Aracaju. Os limites do estado são tratados após 1888 na imprensa de Laranjeiras e posteriormente em O Republicano. que ciosamente arquivava as glórias do Maranhão: a Alencar Araripe. os moços das Escolas de Direito do Recife e de Medicina da Bahia procuravam sacudir as instituições imperiais. especialmente Tobias Barreto e Silvio Romero. e a Paulino da Fonseca. que se embrenhava pelo Mato Grosso. Adota assim as correntes em voga.Nesse campo da luta chega à Bahia. que o situa. que introduzia o historiador nos círculos intelectuais brasileiro. Felisbelo Freire. as citações de Spencer e seus epígonos com o verbete do Dicionário de Medicina. na introdução de seu livro. Darwin. sem sombra de dúvida. artigos sobre história no jornal A Reforma. a partir de 1886. Na província nordestina sem recursos. em meio â ―fulgurante plebe‖ . Buckle e seus discípulos no Brasil. durante o curso de Medicina. a Severino da Fonseca. A atmosfera polêmica entre o vitalismo agonizante e as concepções científicas despertaria no moço a inquietação filosófica. redimir o negro de sua condição.

ao mesmo tempo. no Brasil. Novamente se 11 . participando da elaboração do diploma que iria viger por quase quarenta anos. dois anos após. que lhe concederam os estudos universitários. era proclamada a república. integrava a Comissão incumbida da reorganização dos estados. apareceria mais tarde. Reelege-se deputado nas legislaturas de 1897/1899. com Baltasar de Araújo Góis e Josino Meneses já havia Felisbelo Freire constituído o núcleo de combate à escravidão e à monarquia. E um livro didático. convocou-se um Congresso que redigiu um projeto de Constituição e estabeleceu uma assembléia do partido.‖ O volume hora reeditado. em 1893. ― A sua principal preocupação como o iniciador da forma republicana do governo. Aparecia o historiador. 1912/1914. a maior soma de benefícios para o Estado. em Laranjeiras se instalara o quartel general das forças republicanas. Da filiação ao naturalismo. discorria com igual competência sobre Medicina. a pasta da Fazenda tendo acumulado interinamente as funções de Ministro dos Negócios Exteriores. extraiu novas considerações . Acompanhou-o pela vida afora a admiração de fiel discípulo aos pensadores alemães e ingleses. Finanças e Legislação Comparada. promovendo. inspirados na escola evolucionista. diz um dos seus biógrafos. onde poucos meses depois . 1915/1917. como a história do constitucionalismo norte-americano. depõe Armindo Guaraná. onde. Fechava-se num volume o resultado de quase dez anos de pesquisas e estudos. elementos de História Natural. Direito Público.A fenda devia ser aberta no campo político. na capital do País. a sua palavra sempre foi ouvida com o maior respeito nos instantes críticos da vida republicana. mudava-se Felisbelo Freire para o Rio de Janeiro. em dezembro de 1888. conferência que recitou em 1887. encarando-os com a largueza de vistas de um perfeito home de estado‖. 1903/1905. Por ocasião dos debates na Câmara dos Deputados sobre os projetos de emissão de papel-moeda e do orçamento da receita e despesa revelou estudos especiais acerca desses temas. o interesse por temas médicos. entre os quais conseguiu realizar o da navegação direta para o Rio de Janeiro. Regressa como presidente de seu estado e delegado das novas instituições. ―tendo haurido no estudo dos melhores autores vasta cultura jurídica. de uma forma algo eclética. Desdobra-se Felisbelo Freire em sua multiforme atividade. Em 1894 concluía a editoração dos três volumes da História Constitucional da República dos Estados Unidos do Brasil. a história parlamentar do país. Poucos conhecia como ele a história financeira e orçamentária do Brasil. 1909/1911. Figura notável. viria a lume em 1891. História de Sergipe. muito se orgulhava o médico e escritor. A ATIVIDADE POLÍTICA E O HISTORIADOR Em 1889. num artigo sobre o evolucionismo. ainda em Laranjeiras. não se trata de uma obra elaborada de afogadilho. Assumira Felisbele Freire. A respeito do período. constituinte. Da ―Evolução da Matéria‖. Se encerrou. no primeiro e único trabalho. nunca interromperia os estudos de ciências naturais. vertente que acabou constituindo-se. Firmam-se nesta iniciativa as raízes do futuro constitucionalista. Fundaram jornais e. sobre Política. foi adaptar o serviço público à índole das novas instituições. no torvelinho dos primeiro meses republicanos. Mandato que com a morte interromperia. manifestada repetidas vezes nos debates do Parlamento.

12 . publicados na imprensa carioca. patrimônio das câmaras municipais e terras devolutas. obra de importante significação na cultura brasileira. sucumbindo o sábio e humanista em face das desilusões que a política provoca em sensibilidades delicadas. e discursos pronunciados na Câmara dos Deputados. Em 1916. falecia no Rio de Janeiro Felisbelo Freire. com menos de sessenta anos. o devassamento dos sertões. antigas estradas. que abrangessem a fusão das antigas capitanias. origem da manufatura. vindo a lumeapenas o primeiro tomo. executava peças clássicas e variadas. formação das vilas e cidades. figura singular da Ilustração Brasileira. chegara a reger uma orquestra em concerto oferecido a famoso maestro. Diversos trabalhos especializados em Economia e Finanças. como acadêmico de Medicina. os motivos das linha de povoamento. onde como um virtuose. cansara-se na clínica e no estudo. Desgastara-se na atividade incessante. prenunciam o autor da História Territorial do Brasil. bem como as questões relativas a limites. Registram as crônicas da vida caria o brilho dos concertos em sua residência. que fugia das preocupações maiores no velho hábito que trouxera da vida estudantil na Bahia. Lá. as ordens religiosas. O plano a que visava não se concretizou. referente à Bahia. Felisbelo Freire programara cinco volumes.incorporaria ao historiador a sólida base científica e filosófica. Sergipe e Espírito Santo. Era o repouso do incansável trabalhador.

ainda que imperfeitamente. que nele vão se operando pelas ações recíprocas dos meios. a antropologia. d‘Orbigny. descrever o grau artístico de seus primitivos habitantes na arte cerâmica. a geologia. que não tendem a ligar os fatos. Destituídas de espírito filosófico. a etnologia. tanto mais importante. Hans Staden. desde os caracteres simbólicos de Marajó. através do tempo e do espaço. 13 . Derby e muitos outros. onde se tem podido. Pelo avanço da ciência. Couto de Magalhães. essas obras deixam insolúveis os maiores problemas da pré-história.INTRODUÇÃO CAPÍTULO I OS PRIMITIVOS HABITANTES DO BRASIL As exigências da orientação científica moderna dificultaram consideravelmente o encargo de escrever a história de um povo. compreende-se facilmente que a história brasileira acha-se muito longe do pé que o espírito científico requer. Rio Grande do Sul. Por essa diversidade de auxílios que o historiador é obrigado a reclamar de diversas ciências. Carlos Weiner. até as explorações das cavernas. esquecendo a marcha evolutiva do espírito humano. Eves d‘Evreux e muitos outros. uma brilhante plêiade se formou. Ferreira Pena. dos espíritos cientistas. puramente descritivas. Egito e Índia: desde a exploração do mound de Pascoval. não obstante a força antagônica da adaptação. Sem a biologia. Por mais longínquos que estejam os seus antecedentes. Gabriel Soares. Rodrigues Peixoto. a fim de prendê-lo aos tempos históricos. a lingüística. com as diversas diferenciações e integrações. e o sentimento religioso nos ídolos. Léry. sem o que ficará um hiato que contribuirá para desvirtuar as leis da civilização humana. todavia as afirmações nesse sentido não passam ainda de hipóteses não corroboradas por uma unidade de vistas. e entre brasileiros Gonçalves Dias. que nele há de ver um fator de colaboração. trabalhos mais ou menos importantes se tem feito. pó uma lei de sucessão. Não está feito o largo pedestal sobre o qual tem ela de descansar. para esclareces questões relativas aos povos brasileiros. Desde as inscrições gravadas em pedras e encontradas na serra da Escama. para decifrar essas tradições antiqüíssimas. Hartt. Ladislau Neto e outros. no vale do rio negro. quanto a herança tende a perpetuar seus caracteres. por mais obscuros que sejam o intelecto e o grau de civilização e a natureza de sentimento dos seus progenitores. Pode-se bem compreender que o historiador tem necessidade de apelar para o concurso de diversas ciências. entre estrangeiros. China. Poderemos citar Vaz de Caminha. Batista de Lacerda. O conhecimento completo do elemento autóctone de qualquer povo não deverá ser esquecido pelo historiador. Lund. Catarina. cujas afirmações são baseadas em uma multiplicidade de teorias. o historiador tem necessidade de olhar para esse passado préhistórico. dos sanbaquís do Pará. a história a que fica reduzida? As afirmações sem nexo. Sta. Desde o século XVI . em Itamaracá. com admiráveis pontos de contato com a ideografia do México. onde se contam Martius. e não estão acumulados os grandes subsídios que reclamam de outra ciências. Ainda que não possamos fazer coro com aqueles que acham de nulo valor os estudos de pré-história. e muitas outras ciências. tudo tem servido de objeto de estudo.

na impossibilidade de uma divisão simétrica das línguas. gibon. com o berbere. com os cânticos acádios e chineses. aproximando o romanceiro peninsular ou Aravias dos cantos históricos ou javaris do Peru. arianas e semíticas. pela qual chegou ao autoctonismo dos indígenas da América. não se prestando a natureza a uma categorização tão simples. da antropologia. bem como o fenômeno da persistência da modinha brasileira. em uma triáda de famílias. para conciliar o turanismo com as verdades cintíficas enunciadas pelos competentes órgãos da lingüística. E é isto. orientação para a qual convergiram homens como Mayer. No Brasil. Sayce. Hovelacque e outros já haviam refutado a tríada de Max-Muller. Nott e Gilddon. da mitografia. Dentre as tórias de Max-Muller. com diz gaidoz. E a refutação era tão magistral. e que se conhecem pelo tipo braquicéfalo do basco francês: a coincidência da dolicocefaleia do basco espanhol. mostrando que a substituição proposta pelo literato português do nome seytho mongólicas pelo de raças turanianas não indica mais do que a convicção do literato português sobre a inanidade do turanismo. e o mesmo processo lava a grandes resultados. É por isso que se torna legítima a comparação das canções prevençais. de lado. de onde se conclui ser de onde se conclui ser o velho mundo a pátria da espécie humana. Teófilo Braga. para o sul da Europa onde deixaram os vestígios na braquicefalia do basco francês e na dolicocefaleia do basco espanhol. fenômeno idêntico ao que se deu na Europa. porém. levou tanto a convicção ao próprio espírito do literato português. principalmente de Hartt. depois. auxiliado pelos trabalhos de Meyer. procurando fundamentar suas vistas na suposta dolicocefaleia das raças da América do Norte. chega a admitir a marca do povo turaniano na América. muito esclareçam as questões relativas às raças pré-históricas do Brasil. todavia se procura ver nos dois seguintes pontos a base sólida do asiatismo americano: a) a ausência na América dos antropomorfos.‖ Os trabalhos de Frederico Muller. que na família humana vê uma tríada pertencente às línguas turanianas. quando Teófilo Braga em Portugal espalhava o turanismo. Essa população turana descida da alta Ásia dividiu-se em dois grupos..Ainda que os trabalhos. como notou Broca. Não obstante a nova estrada que abriu Morton na etnografia americana. E é ele quem diz ― foi das raças nômadas da alta Ásia que se destacaram essas migrações que entraram a Europa antes dos indo-europeus. da etnografia. com quer Teófilo Braga. chimpanzé. vejamos se a primitiva raça que colonizou o Brasil foi a raça turaniana. porque nos outros 14 . Witney. todavia os materiais que o espírito de investigação tem reunido ainda não são suficientes para explicar a origem do homem primitivo do Brasil. arang. gorilho. e a braquicefaleia geral dos da América do sul. revela-nos também o caminho por onde o turanismo da Ásia entrou no sul da Europa. vindo através da África. um procurando norte da Europa e outro a América. de Martius e Lund. convergindo ambos. Schleicher. E aqui não fazemos mais do que resumir a oposição do ilustre crítico sergipano. esta posição dúbia. Brantz e outros. Deixando isto. Sylvio Romero já refutou o turanismo. que ele mesmo sentiu-se em sérias dificuldades. que o ilustrado crítico sergipano Sylvio Romero põe em saliência. impressionado pela diversidade dos caracteres craniométricos do basco francês e do basco espanhol. do mundo inteiro. onde uma parte estacionou.

senão os vestígios dessa imigração asiática quem em tempos idos. quando foi ela povoada pelos asiáticos. ― Para a explicação deste fato. dos índios amazônicos. Darwin e haeckel não afirmam senão que a espécie humana é um colateral afastado do pithecoide. onde temse encontrado artefatos de pedras verdes. Ásia e Nova Zelândia. nem a paleontologia assegura haver um só centro de criação do pithecantropo de Heackel. deu-se para o Brasil. outra opinião não menos importante levantou-se em oposição. somente no Turkestan e a jadite no distrito de Junnan. sobre quase toda a superfície da terra. amuletos. chamados pelos índios Cunuris. cuja composição não deixa dúvida de ser de jadeíte e nefrite. foi Sylvio Romero utilizando-se dos trabalhos de Meyer. já ainda em uso entre povos incultos ou civilizados. O primeiro que impugnou no Brasil as asseverações de Fischer. A alta competência do ilustrado mineralogista Fischer que declara existirem as jazidas de nefrite. Oceania e no território de Alaska na América. e para a América os outros. já enterrados no solo. exceto na Ásia. objetos tais como machados. Entretanto se a competência de Fischer levou a convicção ao espírito de Barbosa Rodrigues. para quem os muiraquitãs. e de quartzo os brancos. por que até o presente só chegou ao nosso conhecimento a existência de jazidas nativas de material bruto na Ásia e na Oceania. levou o ilustre botânico brasileiro Barbosa Rodrigues a não ser no muiraquitã ou álibi. as mais das vezes verde. objetos de uma pedra muito dura. Aproveitando o resumo de Sylvio das conclusões de Meyer. de onde o hiato que tem motivado a mão aceitação absoluta do transformismo: como a multiplicidade dos centros de criação humana está merecendo hoje adesões sinceras. ornatos e outros semelhantes. alguns de nefrite e jadeíte.quirimbitás – chegou a convicção de que os muiraquitã é de jadeíte e cloromelanite. que mostra ter encontrado jazidas de nefrite e jadeite na Europa. quis-se concluir em favor de uma imigração asiática para a América. Europa. É uma aplicação errônea que o assiatismo faz do transformismo. quando para aí deu-se a imigração dos povos. por parte de competentíssimos cientistas. nas estações funerárias. aplicadas por Barbosa Rodrigues à América. em muitos caso. nas cidades lacustres. eram de feldspato. rochas exclusivas da Ásia. Não só o darwinismo não assegura ser a espécie humana o descendente direto do antropomorfo. pedras que não existindo na América foram exportados da Ásia. Ásia. é obscura.continentes falta o primeiro elo da cadeia antropológica: b) ter-se encontrado nos artefatos da América. e cuaj origem. especialmente na América. pela corrente imigratória que primitivamente povoou-a. Realmente o botânico brasileiro. formula-se a hipótese de provirem da Ásia conjuntamente os objetos europeus e os americanos. álibi.a de Meyer . Diz o sábio mineralogista de Dresde: ― por questão da nefrite deve entenderse o seguinte: encontram-se em muitos lugares. Da ausência absoluta de jadeítes e nefrites em outros continentes. levados uns para a Europa. A hipótese foi principalmente arquitetada pelo professor Henriques Fischer de Friburgo sendo aliás partilhada por muitos outros investigadores notáveis‖. os verdes. aqui o transcrevemos: ―Perdeu-se certamente o conhecimento das jazidas originárias do 15 . semelhantes aos enfeites de pedras que os Uaupés do Rio Negro trazem no pescoço.

elas. São três considerações de peso‖. à Americana . para fundamentar o seu turanismo e que viu na braquicefalia dos índios da América do Sul e na dolicocefalia dos da América do Norte. se a tendência de buscar na imigração dos povos asiáticos a explicação de ligeiras analogias. que consideram o índio americano como um produto do solo ameriano. entre os povos da América e os do Oriente. pois. é inverossímel que servisse de moeda uma substância que se não encontrasse no próprio império. ou Indochina. Ora. que a lingüística e a arqueologia dos povos da America apresentam com os do continente oriental. o mesmo não podemos dizer relativamente à bela teoria do indigenismo de Morton e Simonin. a fauna e a flora muito distinta das do velho mundo. em cujos habitantes primitivos nota-se a ação de mais de um elemento étnico. um caráter puramente local e indígena. Além disso. morais e físicos. Se Martius e Fidel Lopes apresentam um grande número de palavras com raízes do sânscrito. dos Líbios ao Atlantes. os traços característicos dos povos do continente americano. chefes da escola indigenista nos Estados Unidos. são fatos que protestam contra a transmigração. Se esse exclusivismo não se pode sustentar com os materiais que a préhistória americana vai reunindo. no caso de importação da Sibéria. Assim. essas ligeiras analogias lingüística estão longe de indicar uma identidade de estrutura da língua e da organização gramatical. em sua escultura. as diferenças do sistema aritmético o descobrimento do pequeno ciclo do tempo – a semana. a reprodução do basco francês e espanhol . relativamente. ao menos no México e na região amazônica. para se aceitar uma migração asiática pela América. como quer Varnhagen. Nota mais a circunstância de ser o tributo de muitas províncias o Império obrigatoriamente pago em jadeíte. Como o Dr Ladislau Neto : dos Carios. devem existir no continente. Demais. todavia certos achados da etnografia mostram a falta de base desse exclusivismo. da antropologia e da etnografia e de todos os conhecimentos préhistóricos. o professor de Dresde nota que os objetos ali encontrados tem todos . que provam o predomino da dolicocefalia na América do Sul. Achamos que as duas teorias devem se superar. observa o sábio autor. Por mais esforços que façam aqueles que estabelecem como uma verdade a unidade 16 . com que Berlioux. as diferenças nas formas dos crânios .e dos metais. porém. Japão. Os ensinamentos da lingüística. como ponto exclusivo da origem do índio americano.mineral. leva alguns espíritos a serem exclusivistas na origem dos povos americanos. que espírito de investigação vai reunindo. a falta de alfabeto. perante as conclusões a que vai chegando a antropologia brasileira. uma prova de serem preparados no país. Quanto à dualidade dos caracteres caniométricos. são por demais eloqüentes as conclusões a que chegaram Nott e Gilddon. de animais domésticos. Pelo que se refere especialmente ao império dos Aztecas. de um sistema de escrita fonética. O asiatismo. China. somente chegar ao México a jadeíte e jamais a nefrite. invocada por Teófilo Braga. temos os estudos dos ilustrados antropologistas brasileiros Rodrigues Peixoto e Batista de Lacerda. é perigoso afirmar a descendência do índio americano de uma migração asiática dos chineses ou dos Egípcios. não asseguram a verdade dessas exclusivas conclusões. há improbabilidade manifesta de. não representa uma verdade sancionada pela ciência.

ainda que os povos não sejam. sempre se encontram com uma força antagônica. As normalidades que a espécie humana apresenta em sua mitografia. muito anterior à do velho são fatos que não devem ser desprezados. produto psicológico muito precoce na espécie humana. ou surgiram apenas como umas ilhas insignificantes. em suma. Os dois ilustres antropólogos brasileiros. principalmente. na arte. donde rebentam outras formas ancestrais das civilizações. dos ritos. As imigrações de povos. 17 . de que acima falamos. não podem obscurece a verdade da história. bastantes distintos pelos caracteres craniométriocos. com um elemento étnico autóctone em todos os continentes . e da língua. A conseqüência a que chegamos. autóctone nos continentes. dos povos espalhados pelo território americano. Egito e Índia. não se pode duvidar desses focos de criação humana. a formação geológica do novo continente. todavia os trabalhos antropológicos de Batista e Lacerda e de Rodrigues Peixoto. quando as mais partes do mundo estavam ainda submergidas no seio do oceano universal. Guatemala. bem provadas por Morton. chegam a conclusão de que em temos primitivos existiram no Brasil dois tipos étnicos. quer pelo espírito de conquistas. Realmente diz esse grande sábio. o sábio Lund chega a conclusão de que a existência do homem neste continente data de tempos anteriores à época em que acabaram de existir as últimas raças de animais gigantescos. tocando assim ao Brasil o título de ser o mais antigo continente do nosso planeta ―. de um cruzamento entre o elemento primitivo e o elemento estrangeiro. em larga escala. dos costumes. e que a América já era habitada em tempos. Depois que o espírito altamente investigador do sábio historiador inglês Buckle . como observa Lund. e os geológicos e arqueológicos de Lund. quer por condições locais. em todas as manifestações emocionais. No Brasil. é que houve uma uniformidade das leis que presidiram o desenvolvimento do espírito humano. Peru.como as do México. as duas tórias devem caminhar juntas. Um produto semelhante a si nunca deixou o homem de encontrar na carreira de suas migrações. na lingüística. e com o qual colaborou para a formação das populações mestiças. em que os primeiros raios da história não tenham ainda apontado no horizonte do novo mundo. Não se pode muito duvidar da existência de um elemento autóctone na América e no Brasil.i Lund chega à conclusão de que a Pelos estudos nas escavações das cavernas do Brasil. mostrou as civilizações primitivas como produto do meio físico. não provam uma unidade de origem. morais e intelectuais. As grandes analogias das crenças. deixaram alguma luz neste sentido.da criação humana. alimento e solo. O elemento indígena foi sempre a força que se levantou contra o elemento alienígena. eram da mesma raça que os que no descobrimento foram aí encontrados. representam esses dois tipos. dirigidas exclusivamente pelas leis físicas – de clima. ― a natureza geológica do platô central do Brasil demonstra que ali existia como um extenso continente a parte central do Brasil. na existência de um elemento étnico. Quanto à America. e que os povos que nessa remotíssima época habitavam –na . que eram motivadas. O homem da Lagoa Santa e o homem do Sambaqui. dos quais são os pósteros representantes dos bugres do Paraná e os botocudos.

porém. Pelos caracteres da face são parentes próximos da ração dos Sanbaquis. Nessas necrópoles tem-se notado três camadas de urnas funerárias. na ornamentação. onde a arqueologia pretende levantar essa vida de um passado tão longínquo e marcar o grau de evolução mental a que chegaram esses antepassados. nos tempos pré-históricos. eles (botocudos) se aproximam mais da raça da Laguna Santa. provam eloqüentemente que mais de uma raça devera existir no Brasil. sem fundamento científico. imprimindo sobre os artefatos de cada seção as feições características de uma civilização. Tupis. vasos. na ornamentação. a diversidade de ornamentação e estilo gravada nas urnas funerárias. na lingüística. como Guaraios. nos ídolos. que supõe que as gerações gendiam a degenerar gradualmente. Verificando sempre a justaposição desses dois elementos na craniologia botocuda. era a expressão de mais de uma força étnica. etc. E os diferentes processos de classificações que se tem procurado para o índio americano. bem patenteados no homem fóssil da Lagoa Santa. o que não se pode contestar é que mais de um elemento étnico 18 . vê-se claramente mais de um elemento étnico. não exprimindo a verdade de uma seriação. no estilo. prefixos e sufixos. E hoje escreve-e que os índio do Brasil no tempo da colonização. Observa-se neles um grau decrescente na arte cerâmica. a raça que habitava o Brasil e que se estendia das Antilhas até o Prata. até um certo ponto a abaixar o diâmetro vetical. Botocudos e diversas tribos. em tudo em suma que as pesquisas têm colocado debaixo de sua apreciação.‖ Analisando agora as pesquisas dos autores sobre os artefatos encontrados nas cerâmicas de Marajó e Pacova.Estes últimos Rodrigues Peixoto considera como o resultado do cruzamento de dois elementos formadores: um. representada pelos Guaranis. cujo estudo demonstra que mais de um povo. ―Não será o botocudo o cruzamento destas duas raças? ―Os caracteres que neles temos encontrados nos autorizam essa hipótese. foram-se cruzando com povos que iam encontrando nas correrias: ou se admita. nas lendas. são os Aruâs. nos artefatos. francamente dolicocéfalo e hipsistenocéfalo. Chiriguanos. dirigidas do Norte. nas inscrições. outros nas formas dos crânios. em diversos graus de civilização foi o construtor desse admiráveis túmulos. que houve uma migração extra-americana. E a própria classificação de D‘Orbigny. amuletos. deixa supor que ais de um povo tomou parte na construção dessas necrópoles. e o outro que tende a alargar o diâmetro transverso e. deixa ver a existência demais de uma raça. ou do Sul como querem outros . Ou se admita que as migrações. Rodrigues Peixoto assim se exprime: ―Pelos caracteres do crânio cerebral. Aceitando as proposições de Forster. ídolos. como querem alguns. vemos nas populações primitivas no Brasil uma fusão de mais de um elemento étnico. era um produto mestiço. a semelhança de objetos e deformas cranianas em diversos continentes.uns baseados na cor da epiderme. outros sobre a indústria. pois a identidade de cor de relações subjetivas e psicológicas na semelhança das raízes. que procura inspirar-se em mais de um processo e que denomina Brasilio-Guarany. e o autor acima citado diz que os últimos trabalhadores. na linguagem. nos instrumentos de sílex. aqueles cua evolução mental achava-se mais atrasada. Ferreira Pena considera os Caribas e os Aruãs os construtores das cerâmicas do Pará. todos. Nas produções intelectuais. mais de um fator humano a entrar na organização das raças brasílicas.

chegando ao seguinte resultado: 19 . dizem Zaborowski e Moindron. macrotérios . Lund nas escavações das cavernas do Brasil. em diversos jornais europeus. tornando-se assim a América um importante Centro de Criação. O sábio Carlos Rath também diz: ―Eu dei noticia sobre os sambaquis desde 1846. onde numeroso povo habitou. desde a primeira seção do período arqueolítico – a época miocênica. halitérios elefas meridional. a demonstração da sua contemporaneidade dos mamíferos miocênicos. Moustier e com o cervus tarandus em Grenelle. como também na extinta Brasilia de Petrópolis e em outras descrições impressas nos meus Fragmentos geológicos. nas escavações de Saint Acheui . Abbeville. nas mesmas jazidas dos ossso dos acerotérios. e as ardências de alta temperatura. Cuja idade corresponde ao do mamute na Europa. ―o Dr. antes o grande dilúvio chamado na geologia a Myocene ou geral inundação‖. como chama Rialle. Pouancé e Saint Prest. Aurignac. etc: porém era-me preciso examinar muitas casqueiras em diversos lugares e tempos. Essas ossadas humanas sempre tem sido encontradas com ursus spelaeus. no mesmo grau de decomposição dos ossos dos animais fósseis que os acompanhavam . para poder conhecer vem toda a construção e idade destas sepulturas primitivas com suas particularidades. Lá chegou-se a afirmar a brilhante verdade de que o homem já existia na época miocênica. um homem geológico no Brasil? A nova estrada que abriu a antropologia na Europa. nas escavações das cavernas do Brasil. é natural. Lund. com os seus sílex trabalhados. nos crânios dos botocudos. achou o homem contemporâneo do megatério. Assim. Savigné . chegando à a formação de que o homem é contemporâneo da época terciária. E talvez seja desse elemento ético primitivo e autóctone que os dois ilustres antropologistas brasileiros descobrem os caracteres em seus estudos craniométricos. a Ásia. todavia é mais do que provável que à sombra dessas espessas florestas que cobriam os ubérrimos vales do Brasil. descansava o homem as fadigas das lutas com o megatério. em alegres festins sob as grandes cavernas. porém. que o gênero humano existia por todo o mundo e mormente no Brasil. a África. dirigiu Lund e Rath a pesquisarem. assim como o foram a Europa. dinotérios. cuja idade na América do Sul corresponde à do mamute na Europa. explorou mais de oitenta cavernas e em uma delas encontrou ossadas de trinta indivíduos da espécie humana.cruzou-se nas populações brasílicas e que um deles é autóctone. Houve. mamutes e outros. sem medo. provam a existência do homem geológico na Europa. a Oceania. ainda que a hipótese de Lund e Rath não esteja ainda plenamente confirmada pelo veredicto da ciência. vindo saciar a fome nas carnes ainda vivas dos descomunais proboscianos. os vestígios fósseis do homem geológico. ou reino de aparição. elefas primigenius. passando assim do mioceno ao plioceno e ao post-plioceno e do período arqueolítico ao neolítico. e concluiu que o Brasil é habitado desde a época pliocena. Os tipos antropológicos humanos de Thenay. ―Com estas provas pode-se garantir. contra quem manejava o seu dardo de pedra lascada. contemporâneo dos mastodontes. mastodontes. Era impossível não concluir daí ser o homem contemporâneo do megatério. no meio de assadas dos grades proboscidianos.

d) Existiu em tempos remotos no Brasil uma raça caracterizada pela extrema depressão da fronte.a) A raça primitiva do Brasil era dolicocéfala. c) As raças por nós estudadas a que mais aproxima-se da raça primitiva é a dos Botocudos. b) As raças indígenas atuais representam a mistura de dois tipos diferentes. e) O uso das deformações artificiais dos crânios era estranho à maior parte das raças indígenas do Brasil. 20 .

não se poderá constituir como ciências enquanto não submeter-se aos conceitos e às verdades das ciências biológicas. cujas junções é preciso estudar. sem relações recíprocas. sem as quais a seleção na humanidade não poderia efetuar-se.CAPÍTULO II ELEMENTOS ÉTNICOS DO BRASILEIRO SUA FISIOLOGIA E PSICOLOGIA É de todo impossível penetrar-se no intelecto de um povo. coloca-a em um caminho verdadeiramente filosófico. sem ser presidida em sua ação. legitimamente filosóficas. ou a cultura do espírito vencendo a natureza para pô-la à disposição do bem–estar social ou esta tornando-se mais invulnerável na luta. Essa verdade sendo levada para a história. Essas duas forças. do grau de ação que mutuamente hão de representar. para olhar as sociedades como um organismo. 21 . Na herança e na adaptação viram estas últimas ciências as legítimas forças da evolução. que operam a integração e a diferenciação. presidem a todo trabalho íntimo. Sobre toda a matéria. sem ter-se em consideração a influência do elemento étnico e do meio. quer orgânica. os achados científicos não passavam de um corpo amorfo. o espírito filosófico da época chegou a conclusão de que a história da humanidade não poderá dar um passo. procurando os ensinamentos que lhe iam sendo ditados pelas ciências físico-biológicas. Sem estas duas forças as integrações e distribuições de matéria não se efetuam. elas atuam poderosamente. assim como traçar-se as suas leis evolutivas. Sempre descobrindo nas duas categorias de matérias uma identidade de função e uma semelhança de causas. No elemento étnico e na ação do meio irá a história buscar a casualidade mais geral de todos os fenômenos históricos. pelos fatores que dela se derivam. porque representam as duas principais direções em que se colocará o movimento social. fundado sobre a herança e a adaptação. sem contribuições e sem filiações. como divergirem a função e a forma . fazendo não só perpetuarem-se as qualidades essenciais dos seres. Por isso mesmo que a matéria orgânica e organizada não poderá evoluir sem a ação antagônica de duas forças. Enquanto estas últimas as pesquisas não foram presididas por uma orientação de profunda análise. sintetizando por esse meio as leis que as dirigem. Da luta entre estes dois fatores. pelas modificações do meio. resultará a diversidade do caráter das civilizações. que se opera no seio de um povo. quer organizada. em suas variadíssimas manifestações e nas relações subjetivas e psicológicas. Por esse caminho verdadeiramente analítico e naturalista chegou-se à afirmação de que a evolução é um princípio geral. assim também a matéria superorgânica não poderá evoluir. Foi uma grande obra deste século a história guiar-se por um alto senso filosófico.

mais ou menos. em suma. já entre si muito diversas e representando ainda cada um deles um diverso grau de equilíbrio entre os fatores internos e externos. a sub-raça tende a tomar os caracteres físicos da raça mãe a mais numerosa. ao tipo da raça mãe a mais numerosa. pelos caracteres emocionais que favorecem. que não foi por este lado somente que venceu na concorrência os outros elementos. considerado como uma unidade social. Principes de Sociologie. diz Spencer 1. o africano e o índio. o homem individual. em suma. o acúmulo de trabalho de gerações passadas. nessa hegemonia em que o elemento étnico mais forte. Perante a diversidade de origem do fator humano no povo brasileiro. Todas estas condições. formou-se uma sub-raça. para o produto mestiço constituir-se como um grupo étnico característico. depois a raça mestiçada tende a regressar. em estado latente. nas artes. Distingue-se. cada um deles com hábitos e tendências muito diferentes.―Na categoria dos fatores. tornando-se por demais prolongado o período prodrônico de uma completa amálgama e fusão. a do solo que pó ser improdutivo. Tomo I. são: o português .‖ Na categoria dos fatores externos ou extrínsecos temos que apreciar a ação do clima que pode ser seco. é então o daquela raça que predomina numericamente. temos a notar. que é bem visível na história. de Antropologie. três raças muito diferentes e em diversos graus de evolução mental e emocional. em cada caso. ou fértil. as condições hidrográficas que podem ser favoráveis ou não a flora e a fauna que hão de selar um cunho específico no espírito da população. porém para o seguinte capítulo a discussão da melhor teoria. de uma configuração simples ou complexa. têm uma influência nas ou menos direta no caráter da civilização. Estes três elementos. e os progressos que as acompanham. na série das gerações. frio. a colaborarem em uma civilização. deveria vencer. a legítima formação histórica brasileira. quente. Men. o tipo físico alterase principalmente na proporção da intensidade do cruzamento. da mesma maneira sua inteligência e as tendências do espírito que lhe são particulares têm sempre uma parte na imobilidade ou nas mudanças da sociedade. que por aqui puseram-se em contato.‖2 O mestiço no Brasil tendeu a assimilar o tipo físico do português. ‗Quando duas raças vivem no mesmo solo e se fusionam. com mais ou menos pureza. aplicada à história do Brasil. 1º Vol. o verdadeiro grupo étnico que imprime em todos os produtos da cultura os sinais do seu autonomismo. e representando. p. Por uma lei antropológica. Temperado. úmido.276 22 . paro o brasileiro alcançar essa feição própria e original. puseram-se em contato no território brasileiro. que é o genuíno tipo brasileiro. p. temos a apreciar neste somente a contribuição dos diversos elementos étnicos na organização do povo brasileiro. melhor organizado para a concorrência. brilhantemente formulada por Broca. . 1 2 Spencer. Três forças étnicas. torna-se preciso um longo perpassar de séculos. Deixando. com caracteres físicos capazes de determinar o desenvolvimento e a estrutura da sociedade. ― O tipo físico que resiste ao cruzamento. cuja origem tríplice. Nesse longo período que podemos chamar período de formação. É a grande população mestiça.15 Broca. em todas as manifestações mentais do povo. força diretora a que todos os povos se submetem. o resultado deste cruzamento das três raças. impedem ou modificam as ações da sociedade. na literatura. havia de dar-lhe um caráter heterogêneo nas relações subjetivas e psicológicas.

Em effet . Ele nos prende ao grupo das civilizações ocidentais. Quando um novo continente foi. o mais poderoso e principal fator da civilização brasileira. l‘amusement de la conversation. 11. durante os quais deram-se diversos cruzamentos. em um ponto de integração superior ao que as outra duas raças tinham alcançado. Revista dos Estudos Livres. dans La France Du XVIII. a única força étnica. Romero . A eles sucederam os celtas. Leur tempérament plus bite affiné lês port plus vite au faffinement. vemos que os iberos pertencem à família uralo-altaicas.Não só pelos caracteres físicos. galants et mondains. libertins. Como principal força colonizadora no Brasil. a raça branca no Brasil ainda que não possa representar . dilléttantes. pois. ils devienent aisement rhéthoriciens. antes de integrar-se. enfin. a vitória colocou-se ao lado do elemento que representava a raça branca. lês symetries Harmonieuses dês formes et de phrases. Mais adiantada sob todos os pontos de vista. O português foi. como dos fatores constitutivos dos dois povos. pelas semelhanças não só das condições externas. desde os temos préhistóricos. por acaso. dans La Provence Du ciécle XII. no decorrer dos tempos. a qual lhe fazia representar um papel histórico de alto valor. antes dessa época. les douceurs de la politesse. épicuriens. pois. nas idades da pedra lascada e polida. o português já era produto heterogêneo de diversas forças étnicas que. 23 . porém. por diversas correntes migratórias. vemos que as leis mentais nunca tiveram nos povos da península uma grande latitude de ação. os godos e os árabes. precederam ao arianos. tão característico no século XVI. il leur faut des plaisirs nombreux. pela formação tardia de uma ciência. é porém a principal. les jouissances de La nouveauté de l‘imprévu. uma série de cruzamentos efetuaram-se no território da península. os suevos. volupteux. entre os elementos alienígenas e autóctone. Elementos da nacionalidade Brasileira. para produzi-lo. se causas estranhas não viessem tomar negativas nas melhores forças da metrópole. se superpuseram e amalgamaram-se .. que o português é um produto muito complexo de diversas raças que se fundiram. os fenícios.3 Já se vê. desse momento histórico em que Portugal chegou ao apogeu de sua glória da qual lucraria muito e muito a colonização do Brasil. Antes de constituir-se um grupo étnico característico. os cartagineses. pelos navegadores portugueses e oferecido à cobiça real e ao espírito de conquista e de comércio da população lusitana. 72 Theófilo Braga. p. 3 S. ils sont exigeantes ent fait de Bonheur. les satisfactions de la vanité. bem difundida pelas classes sociais. por Taine. Dan I‘talie Du XVI. História da Literatura Brasileira. o português representava uma heterogeneidade étnica. teve de nos infiltra os princípios de uma das duas civilizações em que se dividem os povos da Europa. 4 Philosophie de l’Art dans les pys Bas. Sem procurarmos traçar a evolução dessa herança. Tomo I.‖4 Podendo aplicar à civilização do Portugal as mesmas leis que Bruckle estabeleceu para a Espanha. lorts. os romanos. dans l‘Espagne Du XVII. descoberto. c‘est par ces vices que leur civilistion se corromptou finit: vous lês trouverez au declin de l‘ancienne Bréce e de l‖ancienne Rome. como pelos caracteres fisiológicos e psicológicos. varies. como muitos querem. Antes. que se tinha sucedido através dos séculos. p. dos quais o ramo latino é assim descrito por Taine: ―Cette finesse et cette précocité naturelles aux peoples latins ont plusieurs suites mauvaises: ells leur donnent le besoin des sensations agréables. les sensualités de l‘amour.

As guerrilhas intestinas que se levantaram entre eles. levantou-se ao lado do poder temporal o poder espiritual. fizeram mudar esse processo de colonização.Povo eminentemente supersticioso e que não via na religião senão a força mais poderosa do progresso . contra a escravidão que o colono português cedo lhes impôs. como o barão feudal da Europa. para vencer o jesuíta. determinadoras de todo o movimento e que centralizavam o poder. Os jesuítas se espalharam pelo Brasil. pelo concubinato no lar doméstico. que entre si partilhavam a riqueza. Todavia. Divide-se o território da colônia em zonas. Sendo os móveis legítimos da colonização não só o espírito de riqueza da época. Os poderes temporal e espiritual estavam unidos. por uma centralização administrativa. para cujos progressos tornava-se preciso grande posse individual. dessa raça de mestiços que se organizava e que representava no Brasil o papel de meio transformador. no culto externo. que se organizava. desviando-se do caminho puramente analítico. o português do século XVI veio insuflar no Brasil esse estado mental e psicológico. por onde caminham os povos de imaginação menos rica. que tem sido a clava de Hércules do nosso pauperismo. excessivamente rica no aparato. resultando para o Brasil a escravidão negra. procurando o mais possível apoiar a tradição e a autoridade. conta quem não se ousara pensar nem obrar. onde o donatário. a teocracia jesuítica durou séculos e o poder clerical ainda hoje se faz sentir. onde novas condições ajudaram sua maior vitalidade. consentindo na criação das missões. pelo lado industrial na idade do homem agricultor. ficando às classes populares a prerrogativa de serem passivas e obedientes. contra as pesquisas do espírito indagador. do espírito científico: foi o português do século XVI o veículo desses hábitos mentais e morais para o Brasil. contra quem a coroa se colocou. com vislumbres bem acentuuados de antropomorfismo. a alimentar as verdades dogmáticas de uma religião. eram duas entidades absolutas. de nosso caráter. trazem em auxílio da organização de uma ciência. com quem o colono achou-se em contato. contra os irmãos de Loyola. dando lugar a que dificuldades se levantassem como força poderosa. o espírito de ceticismo. Debaixo desse regímen coloniza-se o Brasil. contra a qual o clericalismo se levantou. tomando a si a defesa do índio. entre as classes aristocráticas e populares. não levasse a guerra encarniçada. pela união que prendia o trono à igreja. representava o poder absoluto. que tem dificultado a organização de uma moralidade. o rei ao clero. como um outro Paraguai se o espírito da população do sul. O liberalismo disfarçado do jesuíta plantou a luta entre ele e o colono português. poderoso meio contra a escravidão indígena e que levaria o jesuitismo a levantar uma perpétua teocracia no Brasil. como talvez a principal força auxiliadora da colonização. continuando os delegados do governo colonial na posse de ilimitadas atribuições. em busca de almas que resgatavam para a religião. tornando-se impossível o espírito cético na política. deixando de lado as deliberações que o espírito de cisão. pelo caráter pouco fixo dos limites territoriais e a isto reunido o desenvolvimento lento destes focos coloniais. como também o espírito religioso . para prende-la nos limites estritos da tradição: povo excessivamente subserviente ao rei. Dessa luta resultou a imigração do africano. verdadeiros feudos. Pelo lado filosófico e religioso no estado teológico e na época monotéica. escolhendo-se uma colonização que plantasse o feudalismo e a teocracia. povo eminentemente metafísico. pela 24 . pelo lado político no regime teocrático. o espírito de revolta para alcançar uma equitativa partilha do poder.

centralizando as forças mentais em derredor da metafísica. e a ela aliou-se o colono português. que têm dificultado a marcha do progresso. de maior indigência. Se o grande poder do jesuíta. a direção que ele dava ao ensino. a escravidão negra era a matéria –prima do trabalho. um longo perpassar de séculos. deixaram. em que estão incluídos os defeitos e os obstáculos. se o jesuíta por esse lado predominava. pela tendência dos espíritos a tratarem a liberdade da colônia. Ai está o papel da raça mestiçada no Brasil verdadeiro agente transformador e cujo trabalho de regeneração se faz sentir no momento atual. Estabelecendo-se assim. organizando as irmandades. sob a pressão de um jugo que impossibilitava as pesquisas analíticas. o período de transformação. a insuficiência de braços ativou a imigração africana que se tornou o sustentáculo. 25 . toda a riqueza. do seu culto. Compreende-se facilmente a parte importante que representou o africano na formação da riqueza no Brasil. Eis o capital defeito de nossa vida política e social. do meado desta século em diante. obrar como meio reformador contra tantos males. Ela. Desfalcando-se pouco a pouco o braço indígena. Foi por ele que o Brasil não tem sido mais. pela falta de um senso popular. as confrarias. porém encontrou forças acidentais. na distribuição da riqueza por entre as classes. dificultando os progressos da população. a estabelecer uma corrente de riqueza para a edificação de suntuosidades dos templos. ainda que em menor escala. que por sua vez . para integrar-se .proliferação dos filhos naturais. dificultava a organização de uma ciência. entre as raças que tendiam a cruzar-se prerrogativas e privilégios. a base da aristocracia colonial. pois. a equitativa distribuição da riqueza pública. a raça que tirava do solo a riqueza. cuja passividade abriu campo a todas ilegalidade e absurdos. demandava. pelo hiato aberto entre as raças. Essa centralização que se caracterizava em todas as manifestações da vida colonial. era justamente a que era afetada de maior pauperismo. quer a classe administrativa. os vestígios da colaboração de outros elementos étnicos. e quanto contribuiu no grande desequilíbrio do movimento econômico. como geralmente se diz . do que o prolongamento da civilização ibérica. ativava a imaginação. E a sub-raça que se formava pelo cruzamento das três raças mães. as idéias religiosas que nos tem presidido. cujos antecedentes devemos ir procura nos primeiros séculos de nossa vida colonial. quer colono português. que constitui um verdadeiro período histórico. todo o poder . trouxe-nos os males que tanto nos têm depauperado. para lutar contra o emancipacionismo indígena. privilégio seu nos conventos. quer jesuíta . Nesta síntese deixamos as bases do nosso caráter. das quais duas sempre espoliadas. o português o maior fator de nossa organização. plantava a superstição. pela falta de concorrência. que a organizava. encarada pó esse lado. Foi. centralizando-se nas mãos do branco. aquele que nos insuflou o regímen social e político. assim como teve de sofrer uma ação fisiológica do meio. Na arquitetura não foi o português o único obreiro. Com o trabalho sem remuneração. quem eram outros tantos centros de instrução. por então como o legítimo produto nacional. à custa da riqueza pública . era o elemento mais poderoso do movimento econômico da colônia.

Por esse lado. em que se enxerga a tradição de uma remota nacionalidade superior. Pelo lado artístico. Os mounds-builders de Marajó. procuremos ver a influência representada pelo índio e africano nessas produções. anfibomorfos. estava em um período adiantado do fetichismo. Assim. uma espécie de ecletismo teogônico. pois o leitor as poderá ler nos Cantos e Contos de Syilvio Romero. a fisionomia dos seus ídolos. o venceu pelo lado econômico e mesmo antropológico. Ladislau Neto. não me cansarei de repeti-lo. quando o português encetou a colonização no Brasil? Não nos cabendo aqui largas explanações sobre os materiais que a préhistória brasileira tem reunido. o índio não é uma raça de belas tradições. limito-me nesta ligeira introdução a resumir os resultados a que já se tem chagado. diz o Dr. era caçador e pescador. como nos revelam as urnas funerárias. acham-se caracteres zoomorfos. Pelo lado religioso. Pleo lato industrial. os ídolos. Maracá. era o índio o autor de uma arte cerâmica. Ao lado dos caracteres antropomorfos. aceitando as conclusões dos competentes. são numerosas as figuras que representam o Falo. como o nativismo primitivo. de que não sabiam dar esclarecimentos positivos. todavia as escavações feitas no Maranhão dão lugar a supor-se que algumas tribos já tinham galgado um estado religioso mais adiantado – a idolatria. encontrados nos mounds de Marajó. afiguram-se-me indivíduos que houvessem guardado lembranças vagas de um longínquo passado. às tradições populares. Deixando de transcrever as composições anônimas de origem portuguesa . Compreende-se que. têm sido encontrados. sobre a contribuição com que cada raça entrou na poesia e nas tradições populares. Acreditamos ser Sylvio o brasileiro que mais apurou e deixou a limpo essas questões. formas do animismo. sendo a raça branca a que implantou a língua nas raças vencidas. assim como pela influência que trouxe às produções anônimas. os objetos de ornato. como os animais. Qual o grau de civilização do índio. todvia. os toucados de que revestiam as cabeças de seus personagens. os artefatos. e não há grande probabilidade de que eles fossem mais objetos de ornato. Alguns destes ídolos dão ligeiras formas do ídolo a que se prestava o culto de Falo. Se a falolatria ali realmente existiu não é permitido afiançá-lo. no Egito. diversos estados já tinham sido passados por seu espírito. achando-se em momentos ulteriores do fetichismo a astrolatria. de caracteres antropomorfo uns. 26 . que. sobre etnografia e etnologia brasileira. bem como as vestes simuladas por algumas figuras. que procurava não só idealiza a espécie humana. aos contos e cantos. muitos ídolos feitos em barro. contribuiu mais do que o africano. a representação esculpida ou pintada de seus símbolos hieroglíficos. por sua vez. do que de culto. A ornamentação de seus vasos.5 Sob esta ponto de vista. Realmente. suas obras nos servirão de guia. a sua força deveria ser mais poderosa do que a de outra qualquer. como a de uma dupla entidade. outros zoomorfos. ―Nas antiguidades dos mounds de Marajó.Seu papel é saliente pelo fato que acabamos de analisar. tudo isso é um amálgama imensamente heterogêneo. segundo o ilustrado crítico sergipano. uma grande mescla. Não obstante haver um certo número de opiniões sobre o grua da idéia religiosa do índio do Brasil. e manejava objetos de pedra polida. Pacolval. a pouco e pouco fundida ou incorporada em povos menos 5 Temos de aproveitar os belos estudos do ilustrado crítico sergipano Sylvio Romero.

ocupando o indígena o terceiro plano. e das tribos orientais da América. compreende-se que o índio foi de mais larga contribuição nas tradições intelectuais.adiantados e através de países diversos. vol 6º p. ou pela morte daqueles que. em seus mitos do jabuti. 6 Em Sergipe. que Andes visa os fatos gerais. Por informações de algumas pessoas. 153. como esta.adotado pela metrópole no Brasil. 27 . afugentava-a. pela tendência em representar gênios zoomorfos. os mantenedores do saber e da prática e os árbitros de seus irmãos. entre os povos antigos. gerando-se assim no espírito do índio aversão e ódio ao português. no sacrifício de prisioneiros. eram a tradição viva. por isso mesmo que a língua africana não foi estudada nem falada na colônia. Se pelo lado das tradições intelectuais. em vês de antropomorfos. sabemos que estes objetos nenhum trabalho de decoração ou desenho apresentam. procuramos alguns tumuli ou sambaquis. do curupira. na carência de provas inconcussas. em seus instintos sanguinários. 9 Rise. p. muitos de origem portuguesa.8 Isto é por demais descritivo para figurar em nosso estudo. algum vislumbre de culto? ―Ninguém. ela foi muito menor na transmissão dos caracteres físicos. Por isso mesmo que a língua do índio se prestou por parte dos primeiros colonizadores. caximbos. a fim de apreciarmos o grau de civilização da tribo indígena. Além de cantos e contos verdadeiramente de origem índia. ―O Falo. im Braziliem. 333. a política abolicionista. e os trabalhos de Sylvio Romero. levantada pelos jesuítas em favor do indígena. em vez de congregar a raça indígena na cooperação do progresso. quem em relevo. como porrões. a ser falada e escrita. para facilitar a catequese. dos Mexicanos. do Caçador e dos Oiras. a influência indígena tornou-se muito mais preponderante do que a influência africana. 7 Arquivo do Museu Nacional. pratos.‖6 7 É por demais descritivo falarmos dos hábitos sociais do índio. era representado em Marajó sob as suas diversas formas míticas. quer gravado. 8 Hartt. pelo espírito de cobiça que dominava na raça colonizadora. do que o africano. pois da infeliz raça só se queria o braço para o trabalho. sempre infrutiferamente. em sua dança e música rudimentares ao som do mimbitarará e do mime (buzina). de quem procuravam distanciar-se: por isso que o espírito emancipador. dos quais tiraremos a contribuição com que cada raça entrou para a formação do nosso caráter. onde em nome da lei. mitologia que difere das dos Incas. portanto. se antes não é uma natural degeneração realizada in situ e motivada pela separação absoluta da antiga metrópole. mas dar-se-ia porventura ainda ali à sua primitiva forma. nos aparatos festivos. escravizavam a infeliz raça. do Tupã e Tupi. vol 6º. dos centros da lavoura açucareira. as quais representam um pé em círculos concêntricos. bem pintado nas bandeiras que penetravam nos sertões. até mesmo pelo africano que tornou-se bilíngüe. encontramos duas inscrições gravadas nas faces lisas de duas pedra ferruginosas. nas escavações de roças se tem encontrado objetos feitos de barro. em sua poligamia. mostraram-se saturados de palavras indígenas. Museu Nacional. contribuiu para segregá-lo dos centros coloniais. o pode asseverar. No vale do rio cotinguiba. ou pela adaptação irresistível e fatal aos meios de existência. etc. O leitor pode ler a poesia popular indígena coligida por Spix e Martius9 na própria língua. do pemi (corneta). Por isso mesmo que o processo de colonização. do Paitumaré. da Oiara. em um lugar que chama Pedra do Letreiro .

em que entra o tronco africano. O que podemos asseverar é que em Sergipe o mulato abunda mais do que o cabra. o mestiço entre o branco e o africano. seu papel está em plano inferior ao do africano. mais do que qual quer outro gênero de trabalho. que entre as raças mestiças que do cruzamento originaramse.centralizando-o em uma comunidade espiritual. E tanto foi assim. Seria de alto valor. debaixo da ação destruidora da colonização. compreende-se facilmente que na transmissão hereditária dos caracteres físicos. o mulato foi o mestiço de maior representação. todos da raça branca – a italiana a alemã. Queremos crer que. tem contribuído para os progressos do país. Enquanto que na hegemonia como raça mãe. na luta colonial que durou séculos: chamado para suprir a insuficiência de barcos que foi o resultado da política. pela diversidade de caracteres físicos. 28 . o maior fato étnico que ativou os primitivos elementos. portugueses e africanos. Cujas diferenças são bem visíveis. ao passo que o branco e o africano tendiam sempre a crescer. que levassem em estado latente o cunho de sua individualização. de maior força transformadora. as profissões fixas. a sua expatriação. figura como oferecendo maior contingente ao peso específico da população brasileira. pois a lavoura açucareira e a do café. para a formação da riqueza. o africano preponderou consideravelmente por esse lado. entre índios. que vê nos mestiços de tronco indígena uma tendência às profissões pastoris. escasseando-se assim um dos troncos progenitores do mameluco e do cabra. Nos caracteres físicos os dois tipos divergem consideravelmente. do meado deste século em diante. que dificultava o cruzamento das raças. tende a diluir-se com o branco. Não sei até onde vai a verdade destas asseverações. o cafuz ou caburé ou cabra (Sergipe). a que vulgarmente se chama o mulato. A causa do fato a que aludimos é cedo ter-se estancado o elemento indígena. porque o que sucedeu à raça indígena sucedeu igualmente a africana. donde podemos concluir que o índio entre nós pouco colaborou. compreende-se que o africano aliou-se mais intimamente ao branco do que o índio. dando lugar a supor-se uma futura heterogeneidade étnica. aquele que procurou mais assimilar os caracteres da raça branca. cabendo ao branco e ao seu mestiço com o negro. se as pesquisas históricas fá fornecessem suficientes elementos para apreciar-se o grau de representação histórica dos produtos mestiços. entre índio e negro. Couto de Magalhães. relativamente aos outros produtos mestiços. forneceu pouco blastemas. O próprio mestiço. como o mameluco. resultado do cruzamento entre o branco e o índio. A julgar pelo modo de pensar do Dr. em virtude de um fato de ação muito geral. Ele foi o sustentáculo da aristocracia e da riqueza colonial. Chamado para ajudar o branco em defesa do liberalismo jesuítico. vêm reunir-se ao cruzamento novos elementos étnicos. Além disto. em favor da emancipação indígena: chamado para unir-se ao branco. pois ia contra o caráter messiânico de uma direção puramente espiritual: por isso mesmo que todas as causas eram favoráveis ao afugentamento do indígena. teríamos que concluir em favor do mulato.

pelas tradições intelectuais. O elemento tupi. a qual conserva a depressão da testa e a estrutura aproximando-se a do índio a vilosidade da fronte. o cabelo corrido e extremamente negro. José do Vale. dominou nos apelidos locais. são de proveniência africana. Couto de Magalhães. com a diferença do cabelo. porque permanecia nos primeiros momentos do fetichismo. Couto de Magalhãe. o africano trazido para o Brasil pertencia ao grupo bantú. o bumba – meu-boi. I p. Congos. vol. Da Literatura Brasieira. Op. que é o herói desta rapsólia. o cágado e o teiú. a sólida e vasta estrutura do tronco. pois nela há referência a homens. das cozinhas e dos trabalhos agrícolas. Tendo estancado a corrente tupi. a Amiga folhagem. dix o Dr. Silvio que o Antônio Geraldo era um homem inculto. o Macaco e a cabaça e muitos outros. ―No corpo. e o elemento africano forneceu o vocabulário da vida doméstica. na luta pela vida em que entraram com o elemento europeu. barba e vilosidade do rosto e pescoço extremamente raras. nos nomes de seres da natureza americana e de fatos desconhecidos dos europeus. nas fontes. porém. a Raposa e o Tucano. em vez disso. José-Jure. o Antônio de Geraldo. Vol I. com quem os portugueses entraram em relações nos séculos XV e XVII11 cuja língua é caracterizada pela particularidade que as relações das palavras não são indicadas pela modificação das desinências ou terminações.134 12 Réville. o diâmetro transverso dos ângulos posteriores do maxilar posterior quase igual ao diâmetro parietal do crânio. p. 103. tayeras 13. e não é tão negro e a coloração do pigmento que é avermelhado. ele está em plano inferior. 29 .―os traços físicos característicos. Em grau de evolução mental muito inferior ao índio. pela aposição. são traços que ressaltam logo aos olhos do observador. a energia de musculação e a finura e delicadeza das extremidades. morador de Estância. Esta canção é de formação bastante moderna. para a formação de uma geração mestiça. como um produto étnico próprio. Se pelo lado econômico o africano venceu o índio e forneceu mesmo maior força no cruzamento. como diz o ilustrado filólogo sergipano João Ribeiro. dos prefixos pronominais. Tayeras e Congos. O mesmo autor nos Contos Populares do Brasil apresenta diversos Reinados e Cheganças. Assim os Reinados. as órbitas e o molar salientes. o cágado e a fruta.cit 13 S Romero Hist. Dessa seleção tendia a resultar uma dialetação da língua. assim como pertencem-lhe muitas lendas e fábulas. que subsistem da raça indígena nestes dois mestiçamentos (mameluco e caburé) são : a cabeça. pela devastação e expatriação da raça. motivadas pela colonização. o cágado e o jacaré. cantados em Sergipe nas festas do Natal e de Reis: os Marujos e os Mouros. Religião e raças selvagens. adiante da palavra. que é crespudo. moradores no Lagarto. estendendo-se em ângulo saliente. foram produzindo uma seleção na língua d raça colonizadora. não obstante mesmo o africano tornar-se bilíngüe no Brasil. verdadeiro agente transformador – o mestiço. todavia ele deixou ligeiros vestígios na poesia e nas lendas populares. observa o Dr. Religions dês peuples non civilises. e tendo se extinguido a imigração africana. 10 11 Dr. que ainda existem. a largura das espáduas em contrate com o pouco desenvolvimento da bacia. Sobre esta penúltima canção popular. os elementos tupi e africano. com os vértices opostos.12 Não obstante essa incapacidade intelectual.‖10 Ali está escrito também o tipo do mulato. Réville. com o auxilio da força transformista do mestiço. o cágado e a fonte. 14 Em Sergipe Sylvio Romero colecionou muitas destas fábulas: o cágado e a festa no céu.14 Assim. pelo dado das composições anônimas. Cheganças.

―em compensação a imigração de outros povos estrangeiros torna-se cada vez mais intensa. que ainda não integrou-se no processo da seleção. pela intervenção de uma política mesquinha e antipatriótica. que ainda não constituiu-se um povo autônomo e completo. que na percorreu o ciclo completo de uma evolução antropológica. que já se vai notando desde agora. dentro de um século. e são o elemento tupi e o africano. ―a estas tendências de dissolução se deve juntar a reação culta e literária. desde quando as correntes migratórias têm sido centralizadas em certas zonas do país. ―A mais fácil previsão autoriza crer que. tão aglomerados e muito avantajados na luta. que procura aproximar a linguagem das fontes vernáculas e clássicas. onde já são familiares muitos vocábulos do italiano e do alemão. e que uma secular evolução histórica põe ao seu lado. porque o elemento étnico. que vão desaparecendo pela extinção da imigração negra e pelo caldeamento das raças. p. se outras circunstâncias não se opuserem à evolução. Gramática Portuguesa. sobretudo nas províncias do sul. constituído em grande parte por uma população mestiçada. 15 João Ribeiro. pelos poderosos meios de cultura de que dispõe. o sul do Brasil destruirá a unidade étnica da pátria brasileira.‖15 Previsão muito legítima. Pelo lado lingüístico.compreende-se facilmente que o mestiço tende a fundir-se e cruzar-se mais diretamente com o tipo branco. não poderá resistir a elementos estranhos tão fortes. a quem acima nos referimos. 3º curso. o resultado desse futuro é brilhantemente descrito pelo eminente filólogo. 310 30 . duas tendem a aniquilar-se. ―Das causas que favorecem a dealetação do português na América. sendo mais rápida a evolução para ele galgar os caracteres da raça.

descendo para o sul. A MELHOR TEORIA HISTÓRICA Até aqui temos tratado dos elementos étnicos do brasileiro. na realização de um plano. Até ai temos somente um lado do problema resolvido. Já dissemos que o movimento civilizador. e à marca da civilização do Brasil. que formam a maior 31 . de apreciar a ação das condições do meio. a grande influência que têm sobre o homem a variabilidade de temperatura. ―O clima de uma região tão vasta. Buckle. e para dar-lhe um cunho especial. Desprezando-se essas influências não se poderá nunca levantar o brilhante edifício da história. como as diversas condições de uberdade. As ciências naturais vieram abrir uma estrada nova. mas províncias do norte. todavia a grande extensão ocupada pelo país. pela ação poderosa que o habitat exerce sobre o homem.CAPÍTULO III FATORES EXTERNOS DA CIVILIZAÇÃO NO BRASIL. Pela classificação que os autores fazem dos climas. como chama Spencer. Rénan. A história ia reproduzindo. procurando mostrar as contribuições com que os fatores internos. Não obstante esta colocação astronômica. em que a história se colocou. que confinam com a bacia do Amazonas : fresco e agradável nas montanhas do interior. tão poderosa para retardar ou acelerar o movimento civilizador. como indiscutível. de acordo com os tês elementos característicos. em obediência a um plano pré-estabelecido. O EVOLUCIONISMO. pelo efeito de uma interpretação viciosa. Era a história então um jogo dos fenômenos. de uma interpretação supersticiosa. ao do pampas. Podemos estabelecer. Vejamos a contribuição que o meio tem trazido à fisiologia do brasileiro. aproxima-se . Gervinus. pois nenhum desenvolvimento histórico se poderia efetuar. entraram para especializar e individualizar a civilização brasileira. a marcha histórica de um povo. pois. não passavam de fatos deque se ligavam a um poder superior. foi que a história foi buscar nas condições do meio a razão de ser de muitos fenômenos históricos. Só depois dos trabalhos de Taine. o conjunto de leis desse evolucionismo. Temos. diz Humboldt.o do Brasil é um clima quente. E a história não será mais do que a síntese. não pode ser por toda parte o mesmo: quente. não passa de uma resultante destas duas forças. dá lugar a contestar-se essa unidade mesológica. Spencer e outros. a configuração do solo e sua constituição química. Nessa marcha evolutiva em que um povo coloca-se para progredir e prosperar. estereotipando os fenômenos de ideação desse poder. conforme a natureza de suas condições. Os fenômenos naturais em nada deviam influir sobre a marcha dos acontecimentos. dos climas e das condições higrométricas. temos de apreciar a ação dos fatores internos e externos. por isso que estende-se desde os trópicos aos grua 30 e 35 de latitude austral boreal. úmido e bastante semelhante ao das Guianas. sem o auxílio da ação do meio. a confeição da flora e da fauna. que até então.

com a qual se tenta explicar a diversidade do caráter do brasileiro meridional e setentrional. torna-se mais investigador.350. se é levado a concluir que essa diversidade se ligará a uma ação estranha á força étnica. deixando explodir o sistema nervoso em descargas elétricas. habitando uma zona mais fértil. 32º45‘ de latitude austral. pela oxidação que neles opera-se a fim de estabelecer um equilíbrio de temperatura. à síntese do que à análise. em suma. Eis aí diferenças notáveis que separam no Brasil o habitante do norte do habitante do sul. Piratininga. de ocidental. rodeado de um ambiente quente. para o ocidente. representam pouca força no movimento histórico e são de formação tardia. que sobrepuja o pensamente e as faculdades analíticas do espírito. mais industrioso. de quase quatro séculos. Estabelecia a centralização administrativa na Bahia. compreende-se que esssa dualidade mesológica há de imprimir diferenças de caráter.. torna-se mais indolente. Alagoas. o que dificulta o espírito de iniciativa. é um home mais pensador. e o grau de saturação do ar pelo vapor d‘água varia do litoral.‖16 Existe. mais pesquisador e mais descrente das instituições do seu país. por conseguinte. Itanhaém e outros muitos. pela frieza de seu sistema nervoso. onde é úmido e quente. Sergipe. os jesuítas entraram como força poderosa da colonização. Sobre o litoral é caracterizado por m calor elevado. o habitante do sul. iniciando uma política protecionista ao 16 Rochard. Rio Grande do Norte. Tomo 8º. com o sistema nervoso pouco excitável. como Maranhão. Em um país de uma enorme extensão como o Brasil. enquanto ele no meio de uma natureza luxuriante. preferindo o fundo à forma. São Vicente. Enquanto o habitante do norte. 8º19‘ de longitude oriental e 30º58‘. do que as científicas. De Med. onde o movimento colonial prosperava consideravelmente. sob a menor excitação. vive mais do pensamento do que da imaginação. concorre na luta pela vida com uma maior soma de esforços nutre-se de uma alimentação azotada para equilibrar a destruição dos tecidos. a organização da indústria. situado a 5º de latitude boreal. em que a temperatura oscila de 14º44‘ a 37º77‘. para entregar-se ao trabalho de análise e de pesquisa. nos tempos coloniais. Realmente. não se deixa vencer pelas excitações.000 quilômetros.pois os outros. p. de uma abundância de alimentos. Dict. ativando mais as faculdades estéticas. enquanto ele. o levantamento da descrença contra as classes dirigentes da política. no sul formavam-se centros como Rio de Janeiro. pouco nutritivo. quanto as relações físicas não se mantêm idênticas. entra na luta pela vida. com duas zonas climatéricas bem diversas. desdobrando uma pequena soma de esforços. e que patenteiam-se claramente no nosso movimento histórico. Enquanto no norte alcançaram somente um centro colonial de mais valor – Recife. uma dualidade mesológica no Brasil. 167 32 . cujo resultado é afoguear-se a imaginação. Sendo as mesmas as raças que se cruzaram. onde é quente e seco. o útil ao belo. que moderam entretanto as brisas do largo e por uma grande pureza do céu. sente a vida mais fácil e. pelo sensualismo. ligando mais importância à forma do que ao fundo. pois.parte dos estados do Prata. daí dirigiramse para o norte e sul. procura um alimento amiláceo. que mede 8. er Cirurg. centralizando-se as forças colonizadoras na Bahia. desde quando as modificações impressas pelo clima sobre o caráter divergem tanto mais. São Paulo.

Realmente. onde. Bahia. Martins Francisco. pelo iniciamento e progresso da igreja protestante. Enquanto no note o espírito da população não pôde resistir à crise do século XVII. perpetuariam uma teocracia. tornando-se a região uma verdadeira feitoria da fidalguia portuguesa. grande meio político pelo qual a força religiosa queria plantar no Brasil um regímen teocrático. Somente quase meio século depois da Inconfidência. pela pousada que se facilitou ao teólogo João de Bolés. onde infiltraram péssimos hábitos. e onde gerou-se o espírito científico. levantaram suntuosos templos e multiplicaram as missões. Foi no sul onde primeiramente revelou-se a tendência de estudar-se a natureza. Foi no sul finalmente onde gerou-se o movimento abolicionista do século atual. na Inconfidência de Minas. tornaram-se mais poderosos. Foi no sul onde levantou-se o primeiro brado de revolta. no final do século XVIII e cujo resultado foi esse protesto da opinião popular. dirigiam-se para o norte. como São Vicente. nas regiões do sul. Foi São Paulo – Piratininga – a primeira sede de um convento e onde procuraram centralizar suas forças. e ela é por conseguinte a que goza de um espírito mais inquiridor. e de onde vai irradiando-se para outros pontos do país. partindo de Pernambuco. com grande desfalque do braço para sustentar a lavoura e ativar a formação da riqueza. José Bonifácio. e abrindo-se profundas linhas divisórias entre as classes. levantando-se os colonos contra os jesuítas que. é estabelecer os elementos do 33 . conta a forma de governo. no sul uma colonização livre se estabelecia. contra a permanência de um regímen e governo centralizador. querendo a população infiltrar as bases de uma política democrática. no sul ela resistiu à invasão dos franceses e ingleses. procuram espalhar por todo o território. sendo incontestavelmente a zona meridional aquela em que . Foi essa população que o ceticismo político primeiramente atacou. finalmente foram rechaçados para as regiões do norte. em começo. Enquanto no norte a colonização era dificultada pelos prejuízos que partiam da classe clerical.indígena. foi que nas regiões do norte levantou-se do seio da população um idêntico protesto. E foram os representantes desse movimento: José Vieira Couto. um solene protesto contra uma tal política. e suas missões. sem levar em conta os processos fisiológicos para tais modificações. e o século atual o espírito da população dá as provas dessa tolerância. Bitencourt e Sá. onde centralizavam as forças naturais. Foi no sul onde encontrou mais asilo o espírito de tolerância religiosa. sem a interferência de causas que plantassem tão profundamente hábitos de subserviência. se circunstâncias muito posteriores não entrassem em ação. conta o regímen coercitivo e absoluto do governo colonial. com a invasão holandesa. O monopólio do trabalho que partia dos jesuítas. mais pesquisador e progressista. de que se tornou São Paulo o foco. Veloso e Veloso de Miranda. por meio das missões. Rio de Janeiro. no século XVI. Não só em Piratininga. que eles com todas as forças. enquanto do sul o jesuíta afugentava-se em vista do espírito rebelde dos paulistas. motivou felizmente muito cedo. A que se deve ligar essas diferenças? Fazê-las dependentes da diversidade do meio.

problema. Quer nos parecer. A biologia e a fisiologia não vêem na morfologia e no funcionamento orgânico senão a soma das duas forças. Desde que hoje não se pode conceber progresso e desenvolvimento. aliás incontestável. é o elemento étnico. assim também na história. Para o primeiro. Spencer nela inspirou-se para fundar o seu evolucionismo. uma estática e outra dinâmica. por isso mesmo que de seu funcionamento recíproco. para cuja resolução não nos achamos convenientemente preparados. de indicar a causa da organização do tipo brasileiro. aquele que mais poderosamente vai produzindo a integração e a diferenciação do tipo brasileiro. em tudo só pode ser resolvida pela concentração das nossas vistas sobre o meio físico. hão de resultar os fenômenos históricos. por uma ação que pela psicologia é elevada à altura de uma lei. Serão a expressão do equilíbrio entre o meio e as forças étnicas. A função e a forma são por elas regidas e individualizam-se segundo seu jogo mútuo. a explicação dos fenômenos não deve inspirar-se em uma só das forças . Neles não se deve ver senão o equilíbrio das duas potências. da luta contínua entre a natureza e o homem. característico e individualizado. Depois que os filósofos alemães estabeleceram a lei do desenvolvimento. Eis aí a larga divergência entre os dois ilustres literatos. ela oferece larga divergência entre dois ilustrados espíritos deste país. Sylvio Romero o fator estável. e é ele quem diz: ―A questão da história da literatura nacional. de que os climas foram agentes poderosos nas civilizações autóctones. sem todavia resolvê-lo. estabelecer qual delas seja a mais poderosa. e apela para o fato. lado muito mais restrito do que o histórico. – Drs. o único que se consegue acompanhar. Araripe Júnior e Sylvio Romero. por uma idêntica orientação. ―É o único fator estável de nossa história. através do tempo. assim um caráter nacional há de se delas o reflexo. Encarada pelo lado da literatura. como um grupo sociológico. os fatos históricos também devem ser presididos pelo mesmo princípio. a resultante. passando para o segundo plano nas civilizações históricas. como uma determinada formação histórica. sem a transformação do homogêneo em heterogêneo. do seu equilíbrio. Assim como todos os fatos biológicos são mais do que o resultado. a causa eficiente e exclusiva desses diferenças é a ação do meio. cremos ser impossível pelos materiais que a ciência da história oferece ao historiador atualmente. o refluxo desse equilíbrio. É a física geográfica.‖ Para o Dr. em que se mantém a ação do meio e a das forças biológicas. Uma interrogação se nos apresenta: por que a diversidade do meio produz grandes diferenças do caráter? Eis uma grande questão. dois infatigáveis trabalhadores da literatura nacional. para a explicação dos fenômenos mentais e emocionais. não se pode ser exclusivista. não se deve ver na formação do caráter de 34 . porém. que tem por causa a instabilidade do homogêneo. Não obstante não se poder contestar as diferenças são o produto de duas forças. que em um fato tão complexo como este. nem tampouco salientar maior ação de uma sobe a outra. mais do que outra. na opinião do filósofo inglês. de estabelecer a casualidade mais poderosa das integrações e diferenciações de um povo. pelo princípio da multiplicação dos efeitos. princípio este que deve ser levado para história. sem solução de continuidade.

um povo, em seu desenvolvimento civilizador, senão a soma das forças físicas e étnicas. Elas juntam-se, refletem-se, equilibram-se para dar em resultado o fenômeno da história. Eis sua lei mais geral e que domina todas as pesquisas. Qual delas, porém, é a mais poderosa? Nenhuma, pois os conhecimentos científicos atuais são insuficientes para uma tal averiguação. Assim como na nutrição intersticial não se sabe dizer qual o elemento mais poderoso, se as forças físico-químicas do oxigênio, ou se a força biológica dos tecidos; se na individualização de um organismo, pra a manutenção de uma morfologia e o desenvolvimento de sua função, não se sabe dizer qual a força mais poderosa das duas que se chocam, assim também para a individualização de um povo, para sua formação como um grupo histórico e o desenvolvimento de sua civilização, não se sabe dizer qual o fator de mais força , se o meio, se elemento étnico. Ambos são igualmente importantes, igualmente poderosos na fenomenação histórica, por isso que da reação que oferecem entre si, resultará o desenvolvimento. Qual deles, porém, entra em mais larga ação, para traçar esse desenvolvimento, é o que não se pode assegurar, pela insuficiência dos meios científicos atuais. Quando muito se pode traçar uma categorização de fenômenos, pertencentes a cada um dos fatores, e isto não deve levar ao espírito do historiador uma predominância de ação. A essa categorização pertencem, pelo lado do meio, os fenômenos de adaptação, de fisiologia de uma raça, em virtude dos quais tenderia a perder sua integração, sua unidade, se não entrasse em ação uma força antagônica: pelo outro lado tenderiam a perpetuar-se os caracteres étnicos,por meio da herança. O meio reage a diferenciação, pela adaptação; a força étnica reage a integração, pela herança. E como o caráter de um povo é a soma das duas forças. Devemos concluir que para a sua formação, para o desenvolvimento civilizador, ambas se equilibram. Estabelecemos, pois, o equilíbrio das forças mesológica e étnica como a lei geral que domina a história brasileira. Se uma prepondera sobre a outra, por exemplo, o meio sobre o elemento étnico, como o Dr Araripe Junior, as tendências divergentes serão poderosíssimas, pela pequena reação do elemento étnico, de sua ação antagônica e o resultado seria a falta de unidade do caráter brasileiro. Se há preponderância do elemento étnico como quer o Dr. Sylvio Romero, as tendências centralizadoras venceriam as tendências divergentes, pela ação da herança, e ficariam inexplicáveis as diferenças, ainda que não radicais, do brasileiro do norte para o brasileiro do sul. No primeiro caso o excesso de divergência levaria a um excesso de heterogeneidade de caráter, de relações mentais e emocionais, entre os habitantes da duas zonas, tão diferentes em suas condições físicas. Essas profundas diferenças não vemos na história das duas zonas, cujos habitantes se aproximam pela identidade dos elementos étnicos que se conservam, circunstancia bastante poderosa para opor-se à divergência da ação do habitat. Em ambas foram aplicados os mesmos processos de colonização, com igualdade de resultados; em ambas abriram-se linhas divisórias entre as classes

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populares de um lado e as do governo e clero, do outro; em ambas as relações subjetivas e psicológicas são idênticas; em ambas, finalmente, os períodos históricos são caracterizados por uma identidade de hábitos de reverência e superstição às classes dirigentes. Se diferenças se patenteiam, elas não são tão profundas a romper a unidade de caráter. E vemos mesmos que no norte o movimento histórico vai acentuando uma identidade ao que desdobra-se pelo sul. Nota-se o mesmo ceticismo contra a religião e o governo, com a diferença, porêm, de ser mais tardio. Os protestos que se levantaram contra essas duas forças foram idênticos em ambas as zonas. E isto nos leva a concluir que no sul o coeficiente de movimento é mais acelerado do que no norte, e que o estado de equilíbrio em que se mantêm as forças étnica e mesológicas é diverso. Em vez de dizer-se que há na civilização do Brasil predomínio da ação do meio, para se poder explicar as diferenças acidentais do caráter, acreditamos se mais acertado afirmar que a população das duas zonas acha-se em diferentes estados de equilíbrio. Na opinião do sábio filósofo inglês, o equilíbrio instável é o caráter da homogeneidade de um agregado, que seja um organismo, que uma sociedade. Tende a diferenciar-se a integrar-se pela instabilidade de equilíbrio em que permanece, pela persistência da força e pela impossibilidade de um agregado indefinido, a evoluir, pelo princípio da multiplicação dos efeitos, pois todo efeito é mais complexo do que a causa. Aplicando estes princípios ao desenvolvimento histórico no Brasil, vemos que a primeira população, formada pela geração de mestiços do século XVI, que é o elemento étnico nacional, representa um agregado em equilíbrio instável, pelas tendências a diferenciação e integração. ―Duas naturezas, diz Spencer, adaptadas a duas séries ligeiramente diferentes de condições sociais se unem; é de crer que sairá uma natureza m pouco mais plástica do que elas, mais fácil de receber as impressões de um meio que se renova pelos progressos da vida social, e por isso mais própria a criar idéias e a manifestar sentimentos de uma forma particular‖. Eis em síntese a função histórica do mestiço no Brasil. Por esta instabilidade de equilíbrio, a ação do meio produzirá uma multiplicidade de efeitos, e a geração mestiça tende a evoluir e a desenvolver a organização de um meio social, que, por sua vez, terá novas incidências de forças. E esse resultado é tanto maior, tanto mais largo, quanto a população vai alcançando feições adiantadas de heterogeneidade, o que vai se refletindo em seus produtos de cultura; ciência, literatura, arte, governo e religião. Assim, as sociedades, para a história, passam de um estado indefinido e incoerente, a um estado definido e coerente. Como, pois, se pode dizer que há preponderância da ação do meio sobre sua força antagônica, quando vemos que o desenvolvimento para percorrer todos os graus da evolução exige um completo equilíbrio? O ilustrado Dr. Araripe deixou-se inspirar pelas asseverações de Buckle, sobre as civilizações primitivas. Submetendo a história aos processos das ciências naturais, estabelecendo que as ações humanas são determinadas por seus antecedentes, o historiador

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inglês divide as civilizações em primitivas e históricas, tendo o meio sobre aqueles completa ação. As diferenças únicas que descobrimos são que, nesse caso, a ação do meio é direta, e nas civilizações históricas ela é indireta. Por isso mesmo que no primeiro caso, o desenvolvimento depende quase que exclusivamente da ação do habitat, de suas qualidades favoráveis ou desfavoráveis, a ação é imediata. No segundo caso ela é mediata, por isso mesmo que a humanidade já chegou a pontos adiantados de integração e diferenciação. Isto, porém, não faz desaparecer a ação do meio, que em ambas as civilizações, é contínua e interrompida. As diferenças estão, pois, no modo, no processo de ação. No mundo biológico o desenvolvimento orgânico depende da ação externa e da ação interna. As funções orgânicas, nos graus inferiores da escala animal, não estão localizadas, porque o agregado é homogêneo e indefinido: não está diferenciado. Elas são indefinidas e incoerentes. Neste caso, a sinergia funcional é mantida pela ação direta do meio. O órgão que se move é o que sente, o que respira,que digere, que absorve, que nutre e que excreta. Não há especialização de função, porque não há especialização de agregado, cujo total da força biológica apresenta-se aos olhos do observador como uma expressão da ação direta do meio. Nos graus superiores da escala as funções orgânicas acham-se especializadas, porque o agregado é mais diferenciado e heterogêneo. O órgão que respira não é o que digere, o que se move e que sente e excreta. Nestas condições, o total da força biológica é a soma destas funções, é o total da ação indireta do meio e da direta do agregado. É a expressão de um equilíbrio. Assim também na história. Nas civilizações primitivas, a ação do meio é direta, porque elas são mais o resultado de um bom solo, de um bom clima, do que dos esforços humanos. Nas civilizações históricas, em que a humanidade acha-se em pontos adiantados de integração, diferenciação e especialização, em vista da ação do meio e da reação étnica, a influência física torna-se mediata no desenvolvimento histórico, por meio do homem e dos seus órgãos sociais. As civilizações serão a expressão desse equilíbrio. Se prepondera a força étnica, como quer o Dr. Silvio, rompe-se esse equilíbrio que julgamos imprescindível para o desenvolvimento, para a normalidade dos fenômenos. Quer nos parecer legítimas e verdadeiras as seguintes conclusões: O elemento étnico e o meio são as duas forças que dirigem a civilização humana, obra em virtude da adaptação e da herança. Para vencer as tendências divergentes do segundo fator, opõe-se a força antagônica do primeiro, uma unidade no fundo do caráter; Em vista disto estabelece-se um equilíbrio entre as duas forças, do qual resulta o desenvolvimento histórico, que se tornará negativo, se uma dela preponderar sobre a outra;

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As diferenças entre as civilizações primitivas e históricas não consistem na preponderância de uma das forças sobre a outra, e sim nas diferenças do processo de ação. Da ação e reação é que resulta o equilíbrio das duas forças, não sendo nenhuma um fator preponderante, PIS desapareceria a normalidade da fenomenação, desapareceria o equilíbrio. A cada uma das integrações, pela ação reflexa entre as duas forças, corresponde uma feição especial de meio social, que por sua vez leva o seu contingente, na incidência sobre o elemento étnico; Sendo o mestiço o ponto intermédio entre o meio social e o meio físico, transforma aquele, pela sua cultura, à proporção que se integra pela ação deste. É ele o órgão da função histórica.

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CAPÍTULO IV GEOLOGIA DE SERGIPE FAUNA E FLORA. SUA PRODUÇÃO

Na descrição geológica de Sergipe, em que vamos entrar, utilizamo-nos dos trabalhos de Hartte Liasis, cujos estudos procuramos aqui resumir. Sergipe, sob o ponto de vista geográfico, pode ser dividido em duas zonas: A zona oriental, baixa, desigual, apresenta grandes extensões de areia, ao longo da costa, e algum terreno próprio para cultivar. Ela é conhecida pelo nome de matas, por causa de suas florestas. A linha da costa mede noventa milhas de extensão. A zona ocidental, chamada também de agreste, é estéril e seca, servindo somente para a pastagem. É montanhosa e mais alta do que a zona oriental, sendo a principal montanha a serra de Itabaiana. Na zona oriental está localizada principalmente a lavoura da cana, nas bacias dos rio Japaratuba, Sergipe, Cotinguiba, Vaza-Barris e Piauí. Na zona ocidental estão localizadas a criação do gado e a lavoura dos cereais, principalmente mandioca e a importante lavoura do algodão, nas matas de Itabaiana. Na formação geológica domina o sistema siluriano, composto por grés, xistos argilosos e calcários, não obstante encontrar-se o gneiss, formando largo terraço entre a costa e a base do grande planalto central do Brasil. A zona de gneiss, nas regiões do norte é mais seca do que a das regiões do sul. Sergipe apresenta três grandes massas de terras altas, separadas pelas bacias dos principais rios. A estas eminências daremos o nome de planaltos. De norte a sul colocam-se a primeira entre o rio S. Francisco e Sergipe e vem da Serra Negra; a segunda entre o rio Sergipe e Vaza-Barris; a terceira entre o Vaza –Barris e Piauí; a quarta entre Piauí e o Rio Real. Entre estas eminências correm os rios principais, em direção ao mar. Façamos a descrição do sistema hidrográfico e depois do orográfico. O rio Real forma a bacia, que limita a última eminência do sul, tem um curso talvez de 40 léguas. Em sua parte superior corre sobre terrenos secos e está arrodeado de fazendas de gado. Sua porção oriental é encachoeirada, ficando a última e mais importante cachoeira distante 9 léguas de sua barra. Aí forma um estuário, com os rios Piauí , Gurararema, o Jacaré o Pastorado, que passa junto à serra do Canini; pela margem direita o riacho Sena, que desemboca abaixo da vila de Campos e o Itapemerim, que banha o povoado Tabúa e a vila de campinhos. O Piauí nasce na serra dos palmares, tem um curso sinuoso. Em suas margens estão colocadas algumas propriedades. Forma o porto da cidade da Estância, que é edificada sobre a colina de rocha micácea, composta de pedra de ária de cor vermelha, completamente semelhantes, na opinião de Hartt, à formação geológica de New Jersey.

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Estas pedras são cobertas por um terreno argiloso e vermelho, árido e sem fertilidade, que as calcina, tornado-as ainda mas duras. Entretanto , para o interior os terrenos são férteis. Hartt não descobriu nenhum vestígio de fósseis nesta região. Ao norte da Estância o terreno apresenta-se em forma de colinas irregulares, e na opinião de Hartt são terrenos terciários. A vinte ou trinta milha da costa está a serra de Itabaiana, composta de gneiss e mica ardósia. O Vaza-Barris, que nasce na serra da Itiúba, banha os municípios de São Paulo, Itaporanga, e São Cristóvão e desemboca no Oceano. Encontra-se mármore em algumas porções de seu leito. Sua bacia é uma das mais importantes zonas agrícolas. Existem nela muitos engenhos, que fabricam importante açúcar. O Cotinguiba, que nasce nas matas do Engenho cafaz, banha o município de Laranjeiras e depois de desembocar no rio Sergipe, banha a capital. É navegável em alguma extensão. Suas margens são cobertas de mangues. Sua barra, como a do Vaza – Barris, é má, pelos bancos de areia que existem. Do lado oposto da barra, diz Hartt, estão extensas dunas de quatro ou cinco pés de altura, flanqueando um trato de areia recentemente elevado, estendendo-se na extensão de algumas milhas, coberto de coqueiros até a cidade de Aracaju, edificada sobre uma planície de terreno de aluvião. Esta área de terreno pouco elevado acima do mar, termina-se para o inteiro em um outeiro, onde esta edificado o povoado de Santo Antônio, de terreno terciário, cobrindo massas irregulares de pedras de areia de cor vermelha escura semelhantes às de Estância. Hartt não encontrou conchas nesta formação. Chamou sua atenção, na viagem que fez a Sergipe, a formação geológica de um lugar, colocado acima do Aracaju, na confluência dos rios Cotinguiba e Sergipe, chamado Sapucaí, o onde existe uma pedreira está situado em uma eminência composta de bancos e frouxas pedras de cal. Na superfície de alguns leitos desta formação calcária, o sábio geologista encontrou um grande número de válvulas de um lindo inoceramus, juntamente com um pequeno Ammonita e algumas escamas de teliostianos. Entre Maroim e Sapucaí o terreno é baixo e rico em calcário. Harrt, nas pedras que forma o calçamento de Maroim, encontrou lindo fósseis de grandes ammonitas e Ceralites e viu, em mãos de Mr. Nicolay, o desenho de uma Cidaris, trazida de Maroim. Na opinião de Harrt, são fósseis cretáceos que lembram as formas jurássicas, opinião confirmada pela do professor Alphens Heyatt, que considera a natica de Maroim idêntica à Natica proelonga de Seymeria, pertencendo à camada neocomiana inferior. Diz este ultimo autor: ―La présence d ‗espéces aussi bien caractériesées que la Natica proelonga, l‘Ammonites Peruvianus au Brésil er au Texas, et peut-être d‘autres espéces du coté oriental er occidental de la chaime des Andes et des montagnes Rocheuses, indique une connexion entre les deux versants, soit à travers l‘isthome er à l‘ouser du Bresil, quand um océan crétacé baignait encore tout la portion nord d l‘Amérique du sund. Ces faits, quand on les considére em connexion avec la decouvert d‘um fossile du genre Ananchytes sur l‘isthme, comme il été rappelé par M. Alexandre Agassiz, ont unid porteé directe au sujet d,une importante question.

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de l‘autre côté de la gande des gneiss. du coté de l‘isthme repondante ou pacifique. lesquelles auraient emigré à travers quelque anciem canal postérieurement fermé par le soulèvement par la bande de terre formant l‘isthme de Darien. les formes alleées ou identiques sont les descendants des espéces du golfe. les formes alliées. à quelque periode antérieure. de Espirito-Santo et Rio. au sud. um libre passage aux animaux marines. 41 . Les couches de cette même formation se trouvent relevées souvent suivant la direction génerale de la côte. D fait. est celle que M. de maniére à faire dispareitre au sud sous la mer la formation d‘eau douce côtiére qui aurait pu s‘y former. A Bahia. onte établi le fait d‘une ramaquable similitude entre la foune presente des mers profondes et les espéces des genres crétacés . car on ne l‘a encore signalée.-N. non recouvert par la mer crétacée er formant encore aujourd‘hui a premiére terrasse du continent. et les eaus de la mer la couvraiente presque entièrement. les recherches de MM. joignant le plateau de Barbacena au grand plateau Bolivien . Hartt et Alport ont établi l‘esistence de depôts d‘eau douce sur les couches marines. on ne peut douter de l‘identité de la formation marine secondaire à Bahia. comme si cet autre poit était alors le rivage opposé à celui de Bahia. Cette identité des directions semble en outre indiquer une dislocation vers la même époque er em vertu des mêmes phénomènes. em comparant toutes les données rapportées précédemment. et il a été biem demontré que les animax de la surface. le golfe du Mexique et l‘océan Pacifique auraient été réllement des mers continues ». d‘aprés laquelle. Alors s‘est elevée la qustion de savoir se. Alors s‘est elevée la question de savoir se. Alexandre Agassiz. A propósito disto diz Liais: ―incontestabement. laquelle domine aujourd‘hui la formation de gneiss que la borde. et parait confirmer la conclusion de M. La grande arête de gneiss bourdant la côte nord du Brésil parâit donc avoir été inclinée du sund vers le nord plus foremente à cerre époque qu‘aujourd‘hui.de – Janeiro. notée par moi em 1859 pour les depôts de Pernambuco. laquelle devait étre hous des eaux aux époques jurassiques er crétacées qui se montre le dépôrt d‘eau douce également superieur à une puissante formations secondaire . du coté de l‘isthume répondant au Pacifique. comme le savet for bien aujourd‘hui tous les naturaliestes. le premier pas vers la solution de ce problème était de prouver l‘esistence d‘um canal ayant fourni. Pissias d donnée pous Bahia er M. c‘est à-dire le N. probablement marine.‖Les expéditions du Coast Surrey. comme nous venons de le voir. er ne laisser voir nulle part de formation marine. La ligne à partir de laquelle devait se faire cerre inclinaison du sud au nord devait être alors une ligne plus ou moins oblique. oui ou non. Quelques indications que l‘on posséde sur Alagoas se trouvent en conformité pour ètablir la presque continité de cerre formation. Sergipe et Pernambuco.-E Cette direction. Hartt pour Maroim. sans doute par suite de la formations de lacs d‘eau douce prés de la côté . étaient plus ou moins representés par des espéces identiques ou alliéesl. A Pernambuco. pendant la période cretacée. er c‘est à trés-peu reés sous le même paralléle . oui ou non. dans les provinces. dópôt dans lequel j‘ai trouvé des fossiles à Engenho. mais l‘intérieu du continent était moins elevé qu‘aujourd‘hui. c‘est-à-dire du littoral. je n‘ai pas remarqué de formation d‘eau pouce supérieure à la formacion marine et je n‘ai pas connaissance d‘indications de cette formation dans les provinces du nord. la formations secondaire marine semble elle-même manquer. Ceci donne um grand intérêt aux faits tels que le précédent. était alors beaucoup plus basse que cette derniére. et la grand terrasse centrale. Elle se serait plutôt abaissée au sud e velevée au nord depuis cerre époque.

de grande importância. São de tamanho regular as estalactites e estalagmites existentes na gruta. Banhada pelo Cotinguiba e situada entre outeiros. Destas rochas chamou a atenção de Hartt uma argilosa e porosa. mais el ne doit pas être pris dans l‘acceptions restreinte d‘époque intermediaire aus dex autores. Peu de perturbations auront em lieu dans ces immenses regions peudant cette longue durée. chamou a atenção de Hartt que encontrou formação estratificada. de sorte que suivant la très-judicieuse remarque de Darwin. audessus du terrain secondaire. e junto a Aracaré. dos quais o mais abundante é um pequeno bivalvo.«Ce puissant dépôt secondaire. composta de pedras de areia de cor vermelha. Idêntica formação apresenta o local da Cidade de Laranjeiras. de cor amarela ou pardacenta. Nestas paragens. Em seu derredor existem algumas grutas calcárias.des couches horizontales creusèsses par la dénudation exactement comme sur le plateau central d l‘Empire. de mangues. une puissante formation de grès contitue. lesquelles. « probablement. de nouvelles decouvertes paleíontologiques aurount fourni des bases plus sures. sur la partie nord de la côte orientale du Bresil. « Mais tour parait déjá indiquer l‘absence de différences trés tranchés entre les espèces contemporaines de divers points. de pedras micáceas. tandis que d‘autres espèces les differencieront plus ou moins completement. les deux époques ne sont pas nettemente séparèes comme em Europe. de Bahia à Pernambuco. a margem do rio apresenta grandes massas de uma grande variedade de rochas. et cette circonstance justifie pleinement le nom de formatios crétaceío oolitique donné par Darwin à ses vastes dépôts. dans ces regions. tout parait l‘indique d‘ailleursl. nas quais encontrou o sábio geologista um grande número de fósseis. er par là s‘explique comment les espéces du commencement de la periode ont pu continuer d‘exister et se mêles aux espèces posterieures. comme nous l‘vons vu. ne peuvent être contemporaines. achando-se misturada com pedras cobertas de argila e óxido de 42 . principalmente a que chamam de Pedra Furada. par l‘union d‘espèces jurassiques et cretcès dans les divers dépôts du Brésil. O solo é rico e a cidade é um centro comercial de açúcar. muito fértil e a sede de uma das mais importantes lavouras açucareiras. au moins dés la période colithique. em uma grande extensão. Cerre circonstance achèce d‘établir l‘identité entre l‘âge des depôts de la côte et ceux de l‘interieur. Uma eminência penhascosa. « Sans nul doute. cuja abóboda apresenta uma perfuração em forma de sino. sendo montanhosa a zona que circunvizinha a cidade. On conçoit ainsi parfaitement la difficulté er le doute des classements. évidemment. confirmée. O lado do sul do rio é pantanoso e coberto. quand. formação que se assemelha à da Pitanga. » É opinião de Hartt que a zona calcária de Maroim está evidentemente sobre cretáceos e ocupa um plano muito mais baixo na série do que a zona calcária de Sapucaí. Ajoutons que. a dú fe former pendant au moins une grande partie de l‘époque creatacée. on reconnaitra des différences entre les couches inférieures et superieures de la série. et a peut être commencé dés l ‗époque jurassique. ce non convient à l‘ensemble du depôt em question. A costa entre os rios Cotinguiba e São Francisco é de pouco interesse. Do lado do norte não temos que falar. abaixo de Villa-nova. na Bahia Railroard. Sua barra é arenosa e por conseguinte má. et la même espèce devra parfois se trouver souvent dans l‘ensemble de toutes les couches.

Encontrou também fragmentos de uma rocha d estrutura oolítica.. sem braços culturados para o trabalho livre e sem utilizarse dos aperfeiçoamentos modernos... nem produtivos. somente construiu-se um engenho central. Entre elas Hartt descreve o Morro do Chaves ou Morro do Euzébio.. Além da falta de espírito de iniciativa de seus habitantes.. sendo a camada profunda de pedras calcárias . que tem sido a origem da riqueza pública e particular.... Ela tem por sede os importantes terrenos de massapé.. o qual é atualmente o único no país que deixa lucro à empresa que o dirige. São as pedras que vulgarmente chamam pedra de fogo....612:935$065 1859-60 9.. seixos de ágata e fósseis de fragmentos de conchas. já descritas. Ai abunda principalmente a lavoura do algodão i dos cereais. E no seguinte quadro o leitor verá a produção de açúcar........ que levassem ao espírito dos agricultores a convicção de mudarem o processo do trabalho agrícola. Além deste exclusivismo agrícola.988.845 1...774:521$447 1857-58 19.696:629$026 1860-61 8... E essa incúria revela-se perfeitamente no fato de que. não obstante os meios rotineiros... mais ou menos arenosas e que contêm grãos e seixos de uma rocha metamórfica.. na qual encontram-se quartzo.820... nos vales dos rios principais. uma alta cifra.ferro. atingindo a produção de açúcar me Sergipe.. Nestas pedra Hartt encontrou ossos de teleosteanos e o desenho do dente de um notidamus. Eis o resumo da geologia de Sergipe.281:996$688 43 ... pouco mais de duzentos substituíram a força animal pela máquina. pedra de areia.914.... Por meio de estabelecimento de engenhos centrais ou usinas... de rochas semelhantes às de Vila-Nova. Hartt acredita que as camadas de fósseis são camadas cretáceas e são o plano superior da formação geológica de Villa Nova e Penedo.. De quase mil engenhos existentes no Estado. Estes terrenos não são férteis... cristalino em alguns lugares........ existem diversas espécies de cereus.. Além das bromeliáceas. e ocasiões de secas. 1858-59 25.. entre as quais citamos a macambira. O terreno sobre o qual está edificada a Cida de Propriá é de uma formação de gneiss e mica ardósia.... apresentando-se como um calcário conglomerado... conchas .... e a vegetação mais esparsas de pequenas plantas bromeliáceas.... dominando a lavoura da cana –de – açúcar... Acima de Propriá estão situados outeiros de geneiss. 3. A cima da serra da Tbanga os terrenos tornam-se cada vez mais estéreis e penhascosos.910 . cura raiz serve para o alimento do gado. o governo imperial nunca quis ativar a prosperidade da lavoura açucareira. junto à cidade de Riachuelo..288. cujas rochas compõese de uma série de pedra de cal..158:147$741 1856-57 .. 4. a indústria sacarina obedece ainda aos princípios da antiga rotina.615 3.... de leitos xistosos. Na zona compreendida entre Vila-nova e Propriá vêem-se algumas colinas irregulares e isoladas. por meio dos quais é ele fabricado: EXERCÍCIOS QUILOGRAMAS VALOR OFICIAL 1855-56 .......985 1.. de que o mais importante é o xique-xique. É uma formação terciária. Sua indústria principal é a lavoura....

354 11.. É crescente a produção do açúcar........380 18..623..016..729 26...653:254$587 3...217:377$974 44 . .......673:671$697 3.532:100$800 3.......210 1:460$550 1859-60 120 54$600 1860-61 .. Eis o produto do algodão: EXERCÍCIOS QUILOGRAMAS VALOR OFICIAL 1855-56 66.021 2.603 23. 1866-67 3271..964..572 477:623$406 1865-66 .661:236$434 3..325 39:178$054 1856-57 12...677:775$667 3.035..310..128 29....794..323...701 . . 3.730 26. A produção do algodão já reclama o estabelecimento de outras fábricas de tecido a fim de que o preço do algodão não seja monopolizado.....033:719$067 1872-73 3.582 259:571$391 1864-65 374....553 19......533 17.407:797$005 1871-72 5. pode-se dizer que a lavoura de Sergipe restringia-se a açúcar de cana.538....792 .............365......943:201$826 3..017 15.. De 1864 ativou-se a produção do algodão que constitui hoje o segundo produto da exportação. 4.....865:771$347 4...100 11........ uma indústria de grandes lucros.....092:879$293 3... para a empresa que quiser explorá-la.175...318:034$438 2...700...365.760 23....147:891$691 6......855 5:889$025 1857-58 2.876..313:003$943 ...848 20...773:267$659 5...420 2..134:731$190 2.805 17:682$320 1862-63 75.......087. pois..598.987 1..734 3......413 2.. Seu consumo é muito maior..365 71:698$899 1863-64 194. 1861-62 38...224:512$682 2....222.221..514:371$131 1867-68 5..175.986.825 3.....970 1:315$350 1858-59 3....265 26....565 30.041 23...263:263$824 2... 39.....068:186$118 1868-69 3. Antes da guerra dos Estados Unidos.. pela falta de concorrência e pela impossibilidade do lavrador para exportá-lo..... A indústria de fiação é..430:644$312 2....1861-62 1862-63 1863-64 1864-65 1865-66 1866-67 1867-68 1868-69 1869-70 1870-71 1871-72 1872-73 1873-74 1874-75 1875-76 1876-77 1877-78 1878-79 1879-80 25.695. em vista de uma fábrica de fiação já existente....650:967$335 1869-70 2. Esta lavoura localizou-se principalmente nas matas de Itabaiana e hoje acha-se bastante desenvolvida....789.....562....641:054$517 .259:341$929 1870-71 5..166....885 2..

. nas várzeas do Japaratuba..520 ― 9:174$000 Mel 133 L 10$108 Caroços de algodão 369.. no litoral...... do sal....276 Kg 4:662$559 Solas 8..730:908$063 3... pela quase impossibilidade de obter os materiais.916 L...943:910$000 9.775 1.799......365. 2.959 .. 34$500 Óleo de coco 10. Elas são: a do café.111:800$000 3.. e que deviam desenvolver-se com grandes vantagens para a riqueza pública e particular.do coco..439 806.. Hoje a produção está muito maior.... 3:813$253 Milho 18. PRODUTO QUANTIDADES VALOR Açúcar 29. 3:385$000 Arroz em casca 792 L 355$382 Fumo em corda 414 Kg Total . 34:634$990 Couros secos 8........547 L.... 417$000 Madeiras 1.. do trigo e do arroz em São Francisco. que se faz nas Matas de Simão Dias e que é igual ao café de São Paulo..030 centos 824$000 Cocos 2........292..425 Kg 2:268$118 Ticum em rama 8.131.. 26:868$588 Couros salgados 6.268 Kg 14:476$062 Ticum em fio 1.........1873-74 1874-75 1875-76 1876-77 1877-78 1878-79 ...751 L.832:110$000 5. que consideramos uma lavoura de grande futuro.... de importante futuro e outras... 35:572$000 Peles curtidas 870 unid.. É uma estatística de 1872-73. Estrangeira Cabotagem Importação ...763 unid.. que faz parte da pequena lavoura no interior: do cacau.. há outras que se acham em início.. Pelo seguinte quadro o leitor convencer-se-á das lavouras e indústrias que podem ser exploradas com muita vantagem...323... do fumo.. 112:912$794 Sal 1. 809:862$926 460:337$718 605:110$267 2.877 L 2:470$562 Baunilha 22 Kg 62$401 Lã de barriguda 44 Kg 18$000 Pedra de afiar 6.705 1..556 unid..730:910$063 45 .....257 unid..987 Kg 2.....051 507..274...701 Kg 3. E não apresentamos a estatística....744:549$186 201:896$512 Alem da lavoura da cana e do algodão.212 Kg 2:988$673 Mamona 23... no litoral......217:377$974 Aguardente 854.......198 Kg 2:617$072 Fumo 665 Kg 275$464 Cestos de palha 69 unid......313:603$943 Algodão 3.

melhoramentos que já se acham em via de desenvolvimento. Entretanto. que tanto têm contribuído para a decadência da lavoura açucareira. el ne peut que les céder à des maisons joissant. Pensamos como Alfredo Mare. entrega o produto de seu trabalho. le cabotage lui même este forte lente.Isto tudo demonstra a elasticidade de suas forças produtivas que devem ser exploradas. que é preciso corrigir. pode ver o movimento comercial do Estado: 46 . e não pela livre concorrência no mercado. a bem da prosperidade do Estado e do interesse daqueles que animarem essa exploração. d‘une véritable monopole ». não obstante suas condições hidrográficas. basta desenvolver os meios de transporte. que devem desaparecer com a abertura da barra do Cotinguiba e da estrada de ferro de Aracaju a Simão Dias. ―Actuellemente. Do ano passado para cá ele iniciou relações com a praça do Rio de Janeiro. estabelecida pelo autor destas linhas. não obstante suas forças produtivas. Além destas condições. como sejam principalmente a falta de capitais e a falta de braços educados para o trabalho livre. A importação faz-se pela navegação de cabotagem. Suas comunicações internas estão em idênticas circunstâncias. que se ligam à falta de comunicação exteriores. Assim. por falta de viação férrea e de navegação fluvial. sem comunicar-se diretamente com praças estrangeiras. Maceió e Pernambuco. por falta de comunicações externas. soit à Bahia. O leitor pelos seguintes quadros. pelo juro excessivo de 2% ao mês. car il est soumis aux fluctuations des escales des grandes des grands paquebots. gràce à ces circonstances. A navegação de cabotagem é. Eis as condições do comércio de açúcar em Sergipe. Daí duplos proventos. Impõem o preço e o lavrador. estabelecidas no Estado. são os compradores das mercadorias. Sergipe permanece em atraso. compreende-se que o preço é por eles determinado. diz ele. suas excelentes condições naturais. pondo o comércio do Estado em relação com as praças da Bahia. porque seus diretores emprestam o capital aos lavradores. que para desenvolver a indústria agrícola neste estado. Não há liberdade de comércio. pela falta de um comércio emancipado e que se comunique com grandes centros comerciais. le producteur ne connait pas les oscillations du prix de ses denrés sur les marchés où ils sont exportés . a instituição de estabelecimentos bancários e a imigração estrangeira são medidas inadiáveis. Ao mesmo tempo que são eles os fornecedores do capital. As mercadorias ficam sobrecarregadas de impostos e as que saem do Estado não deixam os lucros que deviam deixar. Representando elas a função de bancos. na posição passiva de devedor. a única que existe. Isto demonstra que seu solo é admiravelmente fértil e cultivável. soit à Maceió et Pernambuco. outros males existem. Il n‘ya pas de Bourse de commerce . E aqui seja dito de passagem : as casas importadoras de açúcar. têm sido uma das mais importantes causas da sua decadência agrícola. por meio de uma navegação direta. pois. Seu comércio é dependente do da Bahia.

Na classe dos mamíferos. Parnaíba. A fauna é tão rica e variada como a flora. A mesma variedade e riqueza vemos na classe dos pássaros. dos répteis. dos peixes. que acredito ser a única espécie desta ordem existente em Sergipe. Das três zonas em que.994:351$000 7. Para a tintura vemos o cauabo. o mangle vermelho e outros. dos paquidermes. de diversas espécies: algumas espécies dos carniceiros.563:138$000 3. ainda que raras. se divide a flora brasileira.490:808$000 4.355:700$000 1.Longo curso Cabotagem Totais EXERCÍCIO DE 1883-84 Importação Exportação 406:681$000 4.254:618$000 Total 4. a peroba (Aspidos perna peroba) a Arapiraca.593:955$000 7.119:240$000 13.187:284$000 6. como os caititus.618:312$000 5. arari. De entre as madeiras que servem não só para construção civil e naval. como para marcenaria. na ordem dos quadrúmanos: os guaribas. (acácia angico). capivaras. dos ruminantes. dos desdentados. cujas espécies não descrevemos para não alongar este capítulo. cutias.527:700$000 6.762:301$000 5. sob o ponto de vista botânico-geográfico. algumas famílias dos roedores.889:700$000 862:000$000 5. como os veados. potumuju. Moreira.886:005$000 EXERCÍCIO DE 1885-86 Importação Exportação 127:504$000 1. como as preguiças. vemos: cedro (cedrella brasiliensis).476:365$000 Longo curso Cabotagem Totais Total 3.714:984$000 EXERCÍCIO DE 1884-85 Importação Exportação 157:938$000 3. dos insetos. apresentam-se membros da zona equatorial. tamanduás. 47 .017:204$000 2. da litoral e da do interior.352:808$000 EXERCÍCIO DE 1886-87 Importação Exportação 354:438$000 1.060:505$000 5. pau ferro (caesalpinea férrea).220:700$000 9.260:267$000 8.384:789$000 11.370:012$000 Longo curso Cabotagem Totais Total 2. sucupira (Bowdichia major). aroeira. baraúna.439:143$000 Longo curso Cabotagem Totais Total 1. angico.571:700$000 7.395:200$000 825:500$000 5. vemos. (Shinus).468:029$000 A flora é riquíssima e variada.281:443$000 6.858:973$000 3.882:400$000 12. massaranduba. como as pacas. jacarandá (jacarandá ovalifolia) e outras.213:411$000 5. pau d‘arco.

que devia pôr em pratica. como o melhor estimulo de trabalho e que. Cron. cujo processo foi idêntico ao que já tinha adotado na Madeira e nos Açores. deixando que se passassem trinta e tantos anos. Melo Moraes. I. do Brasil. É para estranhar-se que a colonização de um continente.HISTÓRIA DE SERIGIPE LIVRO I ÉPOCA DE FORMAÇÃO (1575-1696) CAPÍTULO I DESCOBERTA E CONQUISTA DE SERGIPE O território de Sergipe era compreendido na doação que El-Rei D. que se utilizavam de suas atribuições com arbítrio e excesso. fosse tão tardia. pelo contato de elementos que deveriam ser eliminados na vida social. cuja colonização 17 Dr. da barra do rio São Francisco a ponta da Bahia de Todos os Santos. de cujas riquezas tinha a nação portuguesa as provas mais reais e evidentes. a fim de sanar e salvaguardar interesses e direitos que outras potências lhe queriam roubar. teve o governo às provas da improficuidade do processo colonial posto em pratica. para aplicar-lhes o mesmo processo de colonização. Realizaram-se os intentos de Cristóvão Jacques. para demover Portugal da inatividade em que se conservava ate então. Muito cedo. a 5 de abril de 1534. com ampla jurisdição no cível e no crime.capitanias hereditárias. do qual nunca se originaria uma civilização. cuja rejeição por parte do soberano seria inevitável. cedendo assim a coroa grande parte de suas prerrogativas. porém. o insólito despotismo no cativeiro do indígena. Não soube compreender as diferenças étnicas e mesológicas entre as duas possessões. se tentativas por parte de outras nações européias para compartirem seus domínios na América. entretanto. cujo foral foi passado a 26 de agosto do mesmo ano17. relativamente ao Brasil. 297 48 . representados nos condenados e exilados que Portugal enviava para Brasil. que lhe patenteou os interesses ocultos de outras nações e então não teve mais tempo de pensar no processo colonial. A degenerescência moral que começou a grassar nas capitanias. sacra um regime de autoritarismo absoluto. o absoluto poder dos donatários. O governo português cedeu à lógica de Diogo de Gouvêa. cuja influencia no espírito de Gouvêa foi poderosa. para iniciar a colonização do Brasil. foram não só as circunstâncias ocasionais do insucesso das capitanias. em favor dos donatários das capitanias. foi a força produtora de muita atividade que se desdobrou neste país. não apressassem o trabalho colonial. João III fez da capitania da Bahia a Francisco Pereira Coutinho. Portugal deixou-se preocupar em excesso pelo comércio das índias. em distância de cinqüenta léguas . que além de tudo. doação que se estendia. p.

com jurisdição sobre todas as capitanias do Brasil e cuja função em mais heterogênea. inspiradolhe a carta régia de 7 de janeiro de 1549. pela insuficiência de recursos. 49 . I. Mermor Hist. 2. História da Capitania da Bahia. os dois pontos mais populosos do tempo. 20 Visconde de Porto Seguro. as cinqüenta léguas doadas.não vingou. Bahia. para desdobrarem-se com mais vigor as forças coloniais. a antecipação da conquista e descoberta de Sergipe. Durante esse tempo faltou a continuidade territorial. promovido pelo conjunto das circunstâncias que impossibilitou a marcha da colonização. e por haver Sergipe do Conde. assim. não estimulando o espírito dos colonizadores a empreendimentos arriscados. 18 19 T. Compreende-se perfeitamente que era de alto valor á prosperidade colonial da Bahia e Pernambuco. á posse da coroa. por isso que o grande princípio de divisão de trabalho foi mais observado do que no processo anterior. como veremos adiante. 19 Talvez por isso e pelo fato de que a conquista de Sergipe fosse efetuada por ordem régia e á custa da coroa. além de causas de ordem geral. ate que no começo de 1575 teve de atender ao pedido de paz dos íncolas do rio Real que viviam em lutas com os portugueses. Entre as capitanias cujos donatários foram o objeto do insucesso. desde quando as viagens marítimas entre Bahia e Pernambuco eram mais difíceis e perigosas do que entre aquela capitania e Portugal. como a causa que convenceu a metrópoles do erro cometido. a oposição franca do indígena ao domínio de um elemento estrangeiro. pela qual criava a coroa um governo central na Bahia. A morte de Coutinho fez suceder no direito de posse da capitania seu filho Manuel Pereira Coutinho que. cuja propagação se fez debaixo de luta tenaz e encarniçada. Ponto intermédio entre as duas capitanias. e Silva. p. Permaneceu ele nesse descuido. Tornou-se o ponto de pausada dos selvagens que fugiam da colonização. Hist. 297 Rocha Pitta. 2º. quando se efetuou a conquista da nova capitania. havia de facilitar as comunicações entre elas. teve de cedê-la ao governo por um contrato18 passando. figura a de Francisco Pereira Coutinho. aliados com os franceses. atemorizados dos brancos e de onde fizeram tantos males á Bahia. removeram a conquista e descoberta de Sergipe para períodos muito ulteriores ao estabelecimento do governo colonial na Bahia. chama-se — Sergipe d‘El-Rei.20 Como quase meio século de vida colonial achava-se o país. e Polv.Accioli de C. da qual fazia parte o território de Sergipe. Geral do Brasil. As riquezas naturais que a colonização ia descobrindo e que tomavam fácil a vida.

História do Brasil. V. Sergipe tornara-se um ponto de pausada dos piratas franceses22 que. Op. XVII n. 23 Acredito que este lugar é onde está situada a Vila de Santa Luzia. 261. A hábil administração de Mem de Sá ressente-se da falta de não ter levado a luta aos franceses até Sergipe. Cit.23 Uma tal vizinhança desperto no espírito do indígena sério receios e não viram na vinda dos padres senão um disfarce para cativá-los e entregá-los indefesos aos seus senhores. I. 24 Não sei positivamente localizar esta aldeia. Liv. seu companheiro João Salonio e mais vinte neófitos da aldeia de S. em direção do rio Real. requerendo-lhe Surubi25. 50 . Destes extratos transcrevemos o seguinte: 1576 Arruinaram-se completamente os trabalhos do rio Real. IV. Leal. a fim de estabelecerem povoação em lugar próprio.. para mercadejar com as naturais riquezas com quinquilharias. Francisco Sacieta Jesu.24 A notícia da chegada dos padres propala-se por entre as aldeias e Sergipe e a eles vêm os chefe de mais de trinta aldeias. entregou-se á conquista da nova capitania. alcançam os jesuítas acalmar os ânimos e desvanecer os receios dos indígenas e encetem seus trabalho de catequese em uma igreja de pindoba que edificam. O governador Luis de Brito veio com tropa para bater os índios de Aperipé e ao aproximar-se da aldeia de S. Antônio. acompanhado por uma companhia de vinte soldados. como em um cárcere. Sem essa medida tiveram os franceses tempo de sobra para melhor prepararem-se em Sergipe. A 5 de fevereiro de 1575 chegam ao rio e dirigem-se os padres para uma aldeia de mil almas. onde celebram missa. 22 R. Captiva a todos e os encurrala na igreja de S. p. chefe entre lês respeitado e célebre pelas muitas mortes feitas em portugueses. Os 21 Dr. junto ao rio. p. 441. Depois de alguns esforços. Francisco Rodrigues e Gaspar de Fontes. dado a está aldeia o nome de S. pedir paz. o que se vê pela carta de sesmaria de Sebastião da Silva. Southey. Francisco. a que Deus com a morte se sérvio libertar. junto ou talvez no lugar em que se acha edificada a Vila do Itaporanga. Eles considera a fuga como quebra de paz. P. 260 da obra de R. e o governador arrebanha todos quantos achou e arrasta para a Bahia. A.21 Já por este tempo e talvez antes. á paz e não á guerra. Tomé. à honra da edificação de uma igreja em sua aldeia. Isto asseveramos pela carta da sesmaria de Gaspar de Almeida. Veja o livro de Sesmarias. p. Ao Evangelho e não ás armas. “Os soldados assolam tudo quanto encontram. e até do rio S. rechaçados de outros portos. 150 do liv. pois antecipava um acontecimento de alto valor á colonização das duas capitanias do norte. entretanto acredito que ela ficasse nas imediações do rio Real.incumbindo o governador ao Padre Gaspar Lourenço que em companhia de João Salonio. H. Jesuítas no Brasil. que distava seis léguas do lugar onde ficaram acompanhados os saldados. Partem o Padre Gaspar Lourenço. sob o comando de um capitão. dentro do anno do captiveiro”. Tomé. 25 A aldeia de Sarabi ficava nas margens do rio Vaza-Barris. II. livro de sesmarias. veio realizar suas missões pela zona banhada por aquele rio de Sergipe. Ignácio fogem seus habitantes. persegui-os. ai se refugiavam. Saraby morre e os mais entrega-se.

Capistrano de Abreu. e grandes e pequenos subiram com eles boa parte do caminho e se não se puzera numero na gente que havia de levar. porque todos os desta aldeia se puzeram em um pranto. quando ela moralmente já estava efetuada. o que até aqui há succedido na missão de Gaspar Lourenço‖. com desejo de haver la alguma provocação. o Padre Gaspar Lourenço percorreu uma grande extensão de seu território. Ficaram frustrados os esforços do jesuíta Gaspar Lourenço.padres fazem-na erigir. fugindo os seus habitantes para a de um de seus chefes. sentindo muito apartar-se deles o padre. A coroa que nunca pensou nessa conquista. Cativou a simpatia dos índios e ter-se-ia antecipando a colonização de Sergipe. Além disto. Pelo caminho a ocupação dele padre foi ensinar a doutrina aos Índios e brancos que iam em sua companhia. como diziam. filhas e irmã. na parte relativa às missões do Padre Gaspar Lourenço em Sergipe. agora. com o auxílio do índio e dão-lhe o nome de aldeia de Santo Inácio. se causas posteriores não vivessem anular seus esforços. outro célebre chefe das aldeias de Sergipe. Entretanto. quase todos queriam ir com ele. sem ter commercio com os brancos. quando. quanto a missão de Gaspar Lourenço tinha demonstrado as tendências daquela tribo a cristianizar-se. de suas almas. 51 . com alguns homens brancos. talvez não ficasse inutilizado o trabalho do jesuíta. todos em grande desejo de levar padres que os ensinassem as cousas de sua salvação e como era gente que antes estava de guerra. mas não foram mais de vinte. 26 26 Transcrevemos aqui a íntegra da carta do Padre Inácio de Toloza ao padre geral. A devassidão da soldadesca levantou o tumulto nas aldeias que ficaram desertas. que veio transtornar os planos pacíficos do padre. porque tiraria da raça conquistada o temor e o receio que sempre nutria a respeito dos conquistadores. este processo de conquista ocasionaria benefícios resultados. se não fora execução de uma ordem régia para conquistar-se Sergipe. que tiveram de fugir para a aldeia de Apéripé. P. Acredito ser a primeira publicação deste preciosismo documento. Nesta primeira missão que fez em Sergipe. viriam desassombrados colaborar na grande obra da civilização. muitos índios principais das aldeias comareans que estão naquelas partes: quarentena. aliando-se á raça conquistadora. cinqüenta e sessentas léguas desta cidade. Viram do Rio Real. aguardou-se alguns mezes para ver se vinham bem movidos e constando claramente que Deus os trazia pareceu serviço de Deus aceitar esta empresa e assim no mês de fevereiro de 75 partiu o padre Gaspar Lourenço (que é grande língua entre eles muito afamado) com o irmão João Salonio. em vista das agressões que lhe começaram a fazer. a ensinar-lhes as cousas de sua salvação. ―Agora vou cantar a V. roubando-lhe as amantes. As mais esperançosas probabilidades estavam realizadas para uma conquista pacifica que traria para o seio da civilização os habitantes dessa circunscrição. se despediu dela o padre. Enviou também o governador Luiz de Brito um capitão. nem nos interesses que advinham à prosperidade colonial. Devemo-la à bondade do ilustrado Dr. a permanência dos soldados no litoral sempre foi um motivo de susto para os naturais. Antonio. Deixo de contar o sentimento que houve em aldeia de S. ordem ao governador Luis de Brito a conquista.

Thomé os consolou Deus Nosso. mas todos foram com grande paz e alegria. consolando-os com dizerlhes missa e confessando-os e um dia volvendo para esta aldeia de S. mas era tanta a gente que vinha a visitar o padre. Outro dia pela manhã começou o padre a dar a razão aos principais da aldeia. recolhiam-se em algumas choças que os índios faziam. Sebastião que o padre havia deixado. dizendo que vinha manifestar-lhe a lei de Deus e ensinar-lhe o caminho de sua salvação e livrá-los da cegueira em que estavam e começou logo a fazer uma maneira de Igreja para dizer missa e ensinar-lhes a doutrina. antes de começar a jornada. O que isto disse. se levantou contra eles um principal e os fez guerra. Em meio do caminho pela nova a um principal. Chegaram todos com boa disposição ao Rio Real a 28 de fevereiro e deixando o padre o capitão aposentado em lugar apto. 52 . dizendo já meu filho é morto. e foi hospedado de um principal. e depois muito anciado tomou um dardo. o apostolo. batatas. e cousas semelhantes. e deu com eles em terra e fez que se abrissem as fontes e se apagassem todos e que elle fez uma casa de folhas muito bem tapada ahi se defendeu da água. Um principal conta a ele uma historia que eles têm por certa para explicar sua origem. conforme sua pobreza. É sempre foram assim e muitas vezes descalços pelas águas que haviam de passar. assim ele. O principal daquela aldeia. acudia também com alguns brancos que estavam de ali a algumas seis léguas. acrescentando que por isto estão desunidos e não tem nada porque tudo perdeu com a água. Folgaram todos muito ouvindo isto e deram desejos de aprender as coisas de Deus. repartindo-os por todas as casas. e isto fez todo o tempo que esteve ausente. saiu e assim começaram as gerações. dizendo todos juntos as ladainhas. mas corrupta. porque o havia morto em sua aldeia um filho foi logo ao padre. que a cousa é muito longa de contar. os ensinaram à doutrina com grande consolo de todos. por ventura vai ao inferno? O padre respondeu que sim. pedindo a Deus que os desse prospera viagem. e que ficou toda a gente espantada com ver a veneração. onde se disse missa. como farinha. trazendo cada um algum presente ao padre. que estava seis léguas d‘alli. Dizendo que em tempo passado. E como todo aquele caminho é despovoado. porque estando em roda dela. como costuma fazer. com que a haviam levantado. à tarde e a noite. para que vigiasse pelas casas e que estava ensinando a doutrina aos meninos das aldeias e depois os fazia persignar e santificar por si a cada um. como todos os Índios que tinham em sua companhia. Um índio de nossas aldeias ia tangendo a campainha por toda a aldeia e assim acudiam muitos diante da casa. que ia com ele. faziam o mesmo. aconteceu que os seus por não quererem ser bons. porque fez burla dele. me baptize para ser filho de Deus e não ir ao inferno. de sua vinda. quando se viu sem Igreja levantou as mãos para o céu. Já à noite no fim de sua jornada. ouviram grandes vozes diante da casa. muito formosa. onde moravam e era uma moça da escala de S. donde o padre os ensinava as causas de nossa santa fé e o irmão tomou cargo da escola dos moços.Pela manhã. Logo começou o padre a ensinar-lhe a doutrina pela manhã. dizendo: Bendito Sr. declarando lhe a historia do Gênesis. dizendo que eles descendiam desde cham e por isto andavam todos apartados de Deus. Este principal pregava pela aldeia que havia sido causa que se perdesse a gente que em tempo passado fugiu das aldeias. e depois de todos mortos e a água passada. Pesa-me do tempo passado. Ouvindo o padre isto e entendendo que tinham alguma noticia do dilúvio. com muitas caridades. Chama-se a Igreja de S. lhe explicou a verdade. e fizeram juntos dela casa em que morassem e pudessem ter concerto religioso e de ali a poucos dias levantaram uma cruz de alguns oitenta palmos. que foram a principio cinqüenta e depois chegaram até cem e em breve tempo sabiam as orações e a um que principalmente residiu com os índios. porque não era batizado a ele com grande tristeza disse chorando: pesome muito disto. que quase todo o dia gastava em trabalhos a consolá-los e assim o dia seguinte se acabou a Igreja. e por isto fazia esta festa ao padre e o abraçando apenas o levou para sua casa. assim daquela aldeia como das outras. com grandes choros. saíram todos com grande alegria a recebê-los. Deus que vejo já em inteira gloria isto é o que desejava. ate chegar como Noé fez sua maldição à cham. Sabendo os da aldeia que vinham. Thomé. onde com muita caridade repartiam com eles a pesca que tomavam e o padre provia também os necessitados. por que para eles principalmente era enviados. passou a visitar uma aldeia de Índios. até o Rio Real. que foram nove dias.

sem o que haviam de mostrar aos padres e aos brancos e não só não recebiam os padres. que estavam em extrema necessidade (porque as demais deram ordem que não batizassem. vendo já dar remédio a algumas almas que custaram sangue do filho de Deus. dizendo que haviam sido soltos. dizendo-lhe: vem padre. já que não vás. terror do homem. que estão acolhidos.. O segundo batismo foi de uma velha.. E assim se despediu sem fazer mais palavras. Despediu o padre a este índio dando-lhe esperança que o iria visitar. pós lhe o nome de Maria. e havia alguns que estavam esperando. Deu-lhe o padre razão que não se podia fazer. Deixando tudo que tinha entre as mãos. O terceiro foi de outra índia muito enferma e estando o padre falando nas coisas de sua salvação. Respondeu o índio. Outro principal enviou em busca do padre um índio. mas as obras mostraram que não foi esta sua intenção. que a vida de fundo está para morrer. logo o enviou a visitar por um irmão seu. ate não trazer o padre com alguma gente de sua aldeia. porque em os tempos passados tinha morto alguns brancos e nunca havia podido aceitar sua amizade. dizendo que as Igrejas não eram para filho de príncipas. 53 . agora será. foi logo o padre e batisou-a com a salvação a costumada. sim para apoucados e baixos e que não era outra coisa senão homem que o Padre era. mas o Curubi não pode descansa. todos vinham pedir ao padre que os fosse visitar e fazer igrejas em aldeias e o principal de todos foi um índio chamado por estas partes Curubi. sim com desejos de quebrar a cabeça do padre adiante de todos. o marido tinha já preparado para o batismo e ela com grande desejo que tinha de batizar-se. sim que ficou tão confundido com a pratica do padre e tão atado de pés e mão. mas com isto mais se endureciam. Este índio pelas aldeias por onde passava ia pregando que ia a busca do padre. e dando conversa ao irmão para que o levasse em uma rede ao que ele não quis ir que não era bom estar com aquela ruim gente. que ele haverá sido causa de todo seu mal. que devem ser os que Deus escolheu para bem-aventurança. isto dizia por que de mil almas que havia naquela aldeia de S. este em sabendo que o padre havia chegado àquela aldeia. Alguns baptismos fizeram em pessoas. todavia alguns se separando do principal. ate estar a terra pacifica e elas bem instruídas nas coisas de nossa santa fé) que ficaram disto tão consoladas que todo trabalho que levaram todo caminho lhes parecia nada. desampararam suas aldeias e se foram a morar pela terra dentro e a uns o Padre enviou muitos recados dizendo-lhes que não temessem. pois envia o irmão de tua companhia. nem envias nada. dá-me uma carta tua para que leve comigo. que em tempos passados foram de seus senhores.Teve em estes dias muitas visitas dos principais do Rio de São Francisco e de outras partes. pedindo-lhe com muita instancia que fosse a residir em sua aldeia. Daqui tomaram ocasião à gente entre si que não havia entrado em a aldeia com boa intenção. O primeiro batismo foi de uma vida que estava já para expirar e vendo-a um índio Tapuia que ia a companhia do padre que apenas sabia falar a língua. nem sabiam estimar e que alguns tocavam Deus o coração para recebê-lo de boa vontade. não a guardavam outra coisa senão a ida dos padres para ir a goar de um creador. e de ali a pouco foi goza de seu criador. agora será. varrendo a casa onde haviam de morar. Thomé as quinhentas eram escravas. se viveram a meter com os nossos. foi de todos muito bem recebido e diante de todos deitou o padre uma pratica por grande espaço. veio correndo pra onde estava o padre. baptizou-a o padre e d‘ hai há poucos dias se foi a gozar de seu criador. com tanta eloqüência e fervor que deitou o índio espantado a não saber que responder. porque vinha para dar remédio a suas almas. Estas foram às premissas do Rio e estas me parecem não ser os patronos daquela cristandade. e assim foi forçado o Padre dar-lhe carta para contentá-lo. do qual todos se temiam. olhando-o e dizia que não podia mais falar e assim se tornou para sua aldeia. visitando o padre a aldeia a achou já a cabo e depois de bem instruída nas cousas de sua salvação a baptisou com muito conselho e d‘ahí a poucos dias foi gozar de seu criador. Outros também em sabendo que ia o padre. mas enviavam recados a outras aldeias que de nenhuma maneira os recebessem. dizendo que não queriam Igreja. porque onde estava nem conhecia quem era. vendo aquilo. o padre respondeu que então não podia ir. que toda vida havia andado entre brancos e nunca tinha sido baptizada. se levantou da rede em que estava muito enferma. e que tornou todos os gentios atônitos. que parece.

Mas aquela noite foi muito trabalhosa. si alguns os vierem matar morremos também com eles. tomou as mulheres aos índios que os tinham e do cuidado dela a um índio de Santo Antonio e desta maneira ficou o demônio frustrado em que desejava. onde vendo as mulheres que pouco antes havia casado perguntou: que é de vossos maridos? Responderam chorando estas índias: mataram. e assim breve vereis como dão em nós e serão todos presos e captivos. mas o padre dissimulou o melhor que poude. seja esta noite. comeram e tomaram suas mulheres por mancebas. algumas gentes suas devotas ajuntaram-se muito sentidas a consultar o que havia. Outro meio foi pelos próprios índios escravos daquela aldeia. Uns diziam: vamos a sua busca.com medo e foi dar rebate ao capitão que estava seis léguas dali dizendo que os indos estavam levantados e queriam matar os padres e como em estas novas comumente se acrescenta .porque não sabemos o que há de acontecer. que estavam na companhia do padre. quais todos promptos em armas. por estarem enfermos e temer que morressem sem baptismo. mas o padre não supôz nada disto até estar no Rio Real. Se os brancos não deram não derem guerras. Outros diziam: durmamos junto dos padres. e entenderam que o que o Padre pregava era verdade e o que os escravos diziam era mentira.verdade. e alguns moços discutiram depois que tinham isto determinado entre si que se os brancos viessem sobre eles. mas não era menor o medo que tinham os nossos especialmente de outros brancos. Outros vieram à noite ver si os padres estavam em as redes e quando os vieram muito alegres. um delles fugiu aquella noite . não o deixemos ir. 54 . e disse-lhe. para isso viemos. mataram. e o Curubi entra neste elleito. que se haviam de metter todos em a Igreja e dizer-lhes: não nos captiveis. Isto urdia o demônio. antes da manhã. vendo o demônio tão bom princípios na conversão daquelles gentios e que já começavam tirar-lhes as almas da boca. e o mandou que o ajudasse a atirar. Acrescentou-se a isto que uma índia. O primeiro foi logo a principio. Também desta vez ficou o demônio burlado. porque já somos filhos de Deus e temos igreja. foi-lhes dar as mesma novas. começou a levantar as tempestades acostumadas para impedir está obra. para que se travasse guerra e desta maneira se impedisse a christandade. por um deles começou a pregar que os nossos tinham por costume ajuntar os índios. acrescentavam também que o padre tinha fugido. Quando o branco fugiu. foram seis índios com suas mulheres da Aldeia de Santo Antonio adiante delle. e elles então descobriam a verdade: que aqueles escravos lhes haviam dado aquelas más novas. que nos quereis matar si isto é assim. Antes que o padre partisse para o Rio Real. porque os índios ficaram mais confirmados na paz. usou de diversos meios. O Padre como viu os índios com aqueles medos e enganados com mentiras. fazer-lhe alegria e depois os capitval-os e entregal-os aos brancos. assim para os índios. escusavam-se. ouviu os dizer. chamou os principais e disse-lhes: esta fama ai. porque diziam estar desapercebido . que é o tempo em que ella consultou suas guerras. mas eu quiz. Os que não tinham culpa. como para os brancos pelo medo que todos tinham da morte. os índios estão em concerto de metal-os está noite.Depois batizou o padre outros quatorze innocentes. estando os índios bebendo. mas que não tinham propósito de fazer mal a ninguém que bem sabiam que eram mentiras e com isto se despediam do padre. isto é o que desejamos.logo nos vem recado desta cidade que os padres dão já em corda para come-los e toda cidade estava alvoroçada com isto . dizendo que nem aquilo havia de ser bastante para deixa-os. sem sua licença e alguns índios do Rio Real pouco afeiçoado a Igreja. Estavam alli alguns principais e disse o padre: enfim que mataste seus filhos e os comestes e sabendo que eu vinha ensinar-lhes cousas da nossa salvação. Outro escravo que fugiu dos brancos. Estando as cousas desta maneira. dizendo que bem os haviam dito e que não se ficassem nos brancos e que havia já chegado um barco com artilharia para seu senhor. mataremos nós outros primeiros e fez-se a um indo principal que morava com o padre. nas quase tanto annos senhoreavam.mas em breve tempo se soube a. O principal desta aldeia chamado pepita disse a sua mulher: si o padre fugiu tomemos nossas redes e vamos com elle. Deo logo conta disto ao padre a ao que os índios com as más novas estavam não com medo dos brancos. disse ele.

e por fructa tinham alguns caranguejos que os índios trazia seis léguas d‘alli. accrescentava-se a isto a falta de mantimentos especialmente que a quaresma os obrigava a jejuara. E deram a entender que dariam guerra aquella terra. A primeira aldeia onde entrou foi a do Surubi que está a dez ou doze léguas de S.. aos saltos que fazem .. e não podiam andar calçados por haver muitas águas e atoleiros. se fizeram algumas procissões solenes. por bom espaço pela conservação dos gentios. porque havia cousas porcas que elle merecia ser cosido em uma caldeira. dizendo-me que os padres impediam as cousas do serviço de Deus. Passaram por algumas partes que as hervas os cortavam as pernas. a que fez o padre: depois. e ascendeo-a e poz-se também junto da cruz. em que mostrava sua simplicidade: outros índios estando na Igreja e vendo a imagem do crucifixo estiveram muito tempo de joelhos vendo-a e um índio desta aldeia os ensinava o que sabia e entendia. mas os gentios ver os escravos que . Ficaram contentes e todos a uma vez. pimenta.que escreveram os mesmos à camara desta cidade muitas cartas. dizendo que os padres eram impedimento. e os mais honrados eram os primeiros 55 . e nasceu dos próprios brancos que o Padre levou em a sua companhia e aqui já o tinha feito muito boas obras porque como estas commummente diziam. Deo-se a isto tanto crédito que não faltou quem dissesse que enviasse loco a chamar o Padre Gaspar Lourenso. foi correndo a sua casa e achou uma candeia.O posterior meio que tomou o demônio para impedir esta obra. e que ia pôr os Padres em perigo de vida. E no tempo em que o Padre residio nesta aldeia. Dissimulei o melhor que pude. como aconteceo agora. onde quer que estejam sempre os vão . parece que aguardava que o padre começasse a prática. e isto pretendem quando vem entre elles remediar sua pobresa ao em que perdem suas almas e como os padres. as vezes do joelho. e algumas vezes tinham disciplina todos os cristãos. Acontecia-lhes ir mais de meia légua PR um Arroyo que dava a água. Eu entendo esta manha que o demônio não desejava outra cousa senão ver os padres fora. porque o Padre depois que foi visitar aquellas partes me escreveu estas palavras: todos certificam o contrario do que se escreveu do Padre Gaspar Lourenço e assim pela bondade de Nosso Senhor nada aproveitaram aos demônios as invenções que buscam para impedir a chistandade e em que nunca cessa de buscar ardis. passou a visitar as aldeias comarcans onde há tanto tempo havia que o desejava. que não cabiam nelles. e como vinha a dar remédio as suas almas e acabou depois do meio dia. por mui ruim caminho: foram mui bem recebidos e apresentados em a casa de Surubi e os Padres estiveram um grande espaço em pé diante delle . esta foi a ocasião para dirigir e escrever ao Governador muitas cousas contra os padres. E assim logo ao outro dia começaram a cortar madeira para Ella. enganando os índios. que eu havia de enviar prestes o Padre Luiz da Grãa para ajudar aquella chistandade e assim me informaria da verdade e assim foi. o que foi maior espanto. todos a uma boca diziam e pregavam pela aldeia: vae o Padre morrer. passaram em estes caminhos grandes trabalhos.. como é tornar-lhes suas mulheres e filhas por mancebas.. disseram que folgavam muito com sua vinda e que queriam igreja. e elles mesmos diziam : vóz outros sois causa. e os ajuntasse a todos que lhes desse razão de sua vinda. mas claramente mostrei-lhes que o haviam escripto era falso. se não só seu companheiro. Thomé. por ser por montanhas em terras muito fragosas. mas o Padre confiando na graça de Deus começou seu caminho sem querer levar ninguém da aldeia. dizendo que costumava sempre dar uma orelha aos padres. enramando a Igreja e as casas.. porque nós outros somos pobres. isto diziam pelo temor tinham de Surubi. E até que depois mandou os dessem alguma cousa para comer e foram quatro espigas de milho. Depois de haver o Padre convertido a aldeia de S. preparemo-nos para vingar a morte. e com grande sentimento. confiança tínhamos que nos defendesse. fal-os resgates injustos. começou pela manhã a pregar-lhes as cousas de sua salvação. que os escravos não voltassem aos seus senhores e assim veio a camara com todos seus officiaes a dar-me quechas delles. que puzesse remédio a isto. foi não menos efficaz que os passados. que estava deitado em sua rede sem falar-lhes uma só palavra. Thomé e a gente pacifica. Em uma procissão. Mas com tudo isto como a obra é de Deus. fazendo-os vender sés filhos e parentes e como também os estorvam os pecados que entre eles fazem. Foi uma partida muito contra a vontade dos Índios desta aldeia. vendo um gentio que iam os círios diante da cruz. a comida não era mais que bananas e farinha molhada em água..

os índios não só o consentiriam. como os índios e logo repartiram com o Padre o que traziam. respondeo-lhe: bem podeis dormir com o sono de pousado. que estão guardadas para os não baptisados. porque todos estavam cerrados com as arvores. em outras não os faziam bom rosto. que não tinha que ver com os brancos. não queriam ser baptisados. mas os índios os aconselharam que não se fiasse nelle. que não temiam o fogo do inferno. em que os brancos os tinham feito grandes damnos. Dahi passou a outras aldeias. mas como era necessário acudir o Padre as outra aldeias. que também elles tinham morto muitos brancos.a carregal-a a trazel-a às costas até o mesmo Surubi e assim em breve tempo a acabaram. Então tomou o Padre um tição e o poz juncto do enfermo. S. se os ensinavam a doutrina em a casa e acudiam a ela grandes e pequenos de muito grande vontade e como não tinham costume de ver brancos em suas aldeias estavam todos attonitos em vêl-os. Ao segundo dia da jornada encontraram com uns principaes. porque há muito tempo te conheço por fama e que não dizias senão muito bem. estava pouco tempo com elles. dizendo que de nenhuma maneira entrasse na aldeia. que causou nelles não pouca tristeza. porque a cobertura era de palha que há muito por aquellas partes e é a da invocação do glorioso S. porque o principal estava determinado em quebar-lhe a cabeça. se fora cousa vinda do céu e quando sahiam de casa. Desejando o Padre ir visitar outra aldeia que é postera de todas. Outro dia mandou Deus o coração ao outro principal e foi a visitar os padres e deu mostras que o presava do que tinha dito e pedio ao Padre que fosse também a sua aldeia. para ajuntal-os em uma igreja juncto do mar. mas que si elles queriam ser chistãos e amigos dos brancos que tivessem por certo que não seriam aggravados. expurgando-os de seus feiticeiros. o Padre respondia que ao passado não sabiam dar remédio. mas o demônio o tinha já outra vez pervertido e estava com mais desejo de comer o padre. outros seus filhos. vendo o conceito que tinham os christãos de nossas aldeias. O Padre fallou com o senhor da aldeia e perguntou-lhe se estavam alli seguros. com caridade e fizeram uma choça em que repouzaram esta noite e depois foram a sua aldeia onde foram recebidos de toda gente com tão grandes mostras de amor. do que se fazer christão. e assim o fizeram com muita alegria dos índios e logo levantaram uma cruz e fizeram uma igreja da invocação de S. e dque para isso tinha já se reunido com elle. dizendo não temos arder como este fogo? Mas nem isto bastou! Assim morreram. mas o Padre ficou com muita dor de ver sua perdição. Alguns índios que iam com os Padres estavam atemorizados. O primeiro que fazia em entrando em uma aldeia. e o padre ainda que quizesse com tudo isto passar. foram bem recebidos e o governador os mandou dar de vestir e algumas ferramentas. que tinha prometido de vir a igreja de S. Já de noite.mas foi N. e ahi esteve o Padre alguns dias ensinando-lhes as cousas de sua salvação. Paulo. que os vinham esperar ao caminho. Thomé de que na minha. porque chegaram véspera de S. temendo que os iam ajuntar para seu mal e assim diziam porque estavam muito escandalizados dos tempos passados. era visitar se havia alguns enfermos em extrema necessidade. Foi grande a alegria que tiveram em este encontro. e o dia disseram missa e ensinaram a doutrina e pregaram. servido de dar aviso ao Padre disto e foi desta maneira: um índio daquella aldeia enviou um filho seu ao padre mui depressa. mas seguramente os passaram levrando-os Deus de todos os perigos e dando a volta para a aldeia de S. parece que já ao demônio estavam entregues aquellas almas. Ficaram os índios muito consolados e fazendo já as casas para sua habitação. Para confirmar-se mais o Surubi nas pazes enviou um irmão seu com alguns índios a ver o governador e nossas Igrejas. dizendo que procurava acudir a todas as partes e assim 56 . onde morreres tu eu morrerei com minha gente. todos como sahiam as casas para vel-os grandes e alguns pequenos perguntavam se os padres era gente com quem se podia converssar e habitar. Ignácio trouxeram gente de duas ou três aldeias. Tomé. em algumas foi mui bem recebido. Ignácio. em busca de um principal. Paulo. mas o Padre consolou-os. Em uma aldeia um principal estrangeiro começou a falar contra os Padres. Uns se queixavam que os haviam tomados suas mulheres. dizendo que os havia de quebrar a cabeça. prepando-lhes o Padre a virtude do santo baptismo e as penas do inferno. Foram todos mui contentes. abrindo-lhes os caminhos por onde haviam de passar. Pedro e S. como se fora muito tempo que os conversaram. assim os nossos. mas antes de algumas aldeias comarcans veriam alguns para defender o Padre e tudo foi necessário porque haviam já enviado índios a tormar-lhes os caminhos. Tinha aquella aldeia mais de mil almas: enquanto não tinham a igreja. que não haverá em minha aldeia quem se atreva a fazer-te mal e pois entrastes em minha casa. mas o Padre consolou-os dizendo que também era necessário dar as voas novas do Evangelho as outras gentes. Depois de deixar o Padre quietos e animados os desta aldeia de S. claramente respondiam. folgo muito de ver-te.

parecendo-lhe que só se batisasse logo havia de morrer que lhes ensinava o demônio. Thomé. que auferiria grandes vantagens da ocupação de seu resolve a visitar as outras igrejas. Mas outro dia visitando-a elle padre e dizendo-lhe que se não queria o inferno era necessário batisar-se.Sendo informado D. em contrabando. 7 de setembro de 1575 Indigno filho de V. exploravam a região. §61 57 .I.. que fosse a sua aldeia que se lhe diria. Vieram também logo das outras aldeias comarcans a visitar o padre dizendo que se queriam ajuntar e ter igrejas. Vendo como o nosso senhor punha os olhos na gente de Marial pareceu necessário prover de mais obreiros e pelo Padre Luiz de Gran que tinha muita experiência na conversão destes índios e ser de todos muito conhecido e amado . Mas dava-lhe também esforço que no caminho passando pelos trabalhos. estava três légua de S. eram conduzidos pelos mercenários. Sebastião pelos habitantes da zona compreendida entre os rios Itapicuru e Real27 da utilidade de fundar-se um estabelecimento junto a este último rio. tirando-lhe os produtos naturais que. veio tão manso como um cordeiro. Rocha Pitta. e como ser já o padre velho de mais de cinqüenta annos. que ia o Padre visital-os sahiu muita gente ao caminho a recebel-o.28 A colonização de Sergipe pelos franceses prejudicaria mais tarde os intereses da capitania da Bahia. sempre foi a pé e muitas vezes descalço pelo caminho.e a um que era cousa pouca. e a alegra que o padre Gaspar Lourenço e seu companheiro foi mui grande. língua. dizendo que só o Padre era seu irmão e o Padre perguntou-lhe que era sua determinação e elle respondeu-lhe que era cousa tão importante. Prometteu-lhe o Padre de ir a Ella e assim o fez dahi a poucos dias . 27 28 Itanhi era o nome indígena do rio Real. responderam que faziam o que elle queizesse e que passariam a aldeias onde o senhor (?) mandasse e assim a passaram junto do mar para poder ser melhor visitada. e foi recebido de todos com grande caridade e alguns pediram o santo baptismo. porque viam já com seus olhos o que desejavam. Não sofrer outra cousa e senão que um homem honrado que ia em sua companhia lhe offerecia sua cavalgadura de muita boa vontade nunca quis aceitar. Ignácio Toloza. que o dia antes quando soltou algumas palavras foi porque não estava em seu entendimento e assim depois de bem instruída. vieram alguns índios de outras aldeias a falar com o Padre e a pedir-lhe para fazer-lhes igrejas em suas terras. ella disse que o desejava muito. Neste collegiado da Bahia. a caridade com que trazia era muito. porque como os padres agora não batisavam senão aos que estavam à morte. 441. expediu ordens ao governador da Bahia Luiz de Brito. dizendo que ia em peregrinação a S. enramada e com alguns arcos. que antes havia ameaçado os padres. dando-lhes esperança que os iria visitar prestes e assim me escreveu. Ignácio. Isto é o que aqui aconteceu no rio Real. Na aldeia de S. a baptisou o Padre e assim dahi a três dias foi gosar de seu creador e enterraram-na na porta da igreja com a solenidade que se costuma em nestas aldeias e ficaram todos admirados de vel-o. parecia um mancebo de vinte anos. 3. Deus por sua infinita bondade os dê perseverança no bem começado e mande para tanta messe.. estando já a morrer. a todos consolou o padre. Cit. Dahi foi o padre onde estava o capitão a confessar alguns homens brancos onde também se fez muito serviço a Deus apartando-os de muitos pecados e fazendo-os pedir perdão do escândalo que o haviam dado. Logo trouxeram alli todas suas. foram de todos recebidos com grande louvor e depois de haver o Padre fallado. Thomé baptisaram outra índia. para conquistar e explorar tais regiões. Thomé. mostrava pouca vontade disto.. op. Sabendo que os índios da aldeia de S.P. que não era bom determinar-lhe de baixo de casa alheia. Southey. para que os que iam em sua companhia tinham a casa onde haviam de passar. que infestavam a costa. levando algum refresco.. Em traram todos com o padre na igreja e animando-os a perserverar no bem no bem começado. e assim que quando o Padre lhe fallava. em paz.P. que todos daquela comarca se resolvem a fazer igrejas . op. especialmente um. Escusava. onde os franceses . com os tupinambás. pareceu serviço de Deus pôr-lhe nas mãos esta empreza. levando por companheiro o irmão Francisco Pinto. It. pareceu-lhe que em baptisando-se logo havia de morrer. a qual aceitou com grande caridade e desejos de padecer muitos trabalhos por amor de Deus e assim foi este caminho obra de quarenta a cincoenta léguas. conforma sua pobreza.

que foi o primeiro governador das capitanias do Norte. eles fogem e essa fuga indica o rompimento de paz entre os dominados e os dominadores. Op. com a permanência dos soldados ao litoral e a aproximação de um corpo militar. Hist. em vez daquelas manifestações amistosas com que receberam o Padre Gaspar Lourenço. E não obstante o grande reforço que lhes vinha dos franceses e que já lhes tinham ensinado o manejo da arma de fogo. sem as cenas de carnificina que selaram esse feito de Luiz de Brito. a exploração. de pimenta e outros produtos. Cit. do Brasil. A. a que D. Cit. de 50 braças de largura. entregando a Garcia d‘Avila29 rico fazendeiro do recôncavo da Bahia. Da parte do governador devera haver mais tino. resolveu-se a cumprir as ordens régias. I pg 274. uma de água salgada. Tomé e depois conduzidos para a Bahia. que 29 Gabriel Soares de Souza. com os quais vai efetuar a exploração do rio Real. 34 Dr. cuja sede era a cidade de São Sebastião. ao tributo da redízima feita aos donatários. 14. H. rompendo a luta. 32 V. que media 500 léguas de comprimento e 100 de largura. sendo presos Serigi e Aperipé 33 e mais de mil e duzentos índios enclausurados na igerja de S. porque suas lagoas não são de água salgada. 3030 Guiado pela autoridade do Porto Seguro suponho ter sido esta povoação edificada no mesmo lugar em que está hoje a vila de Santa Luzia. não teria inutilizado o trabalho de pacificação já tão bem encetado pelos religiosos. Ao indígena tomou então caráter de verdade a suspeita da traição que lhe quiseram fazer os jesuítas. Os índios. em que morre Surubi32. É desta opinião Sacchino. Surubi. Livro 3º Cap. Trava-se a luta com os indígenas. o Segundo diz ter o governador o acompanhado na fuga.território. Um tal insucesso convence Brito da necessidade de rodear-se de fortes elementos. Provavelmente foi neste lugar onde ficaram acampados os soldados que acompanharam Gaspar Lourenço. o qual funda. para não consentir na precipitação de uma tentativa que levada a jeito.34 Os soldados devastam as habitações indígenas. depois que a coroa dividiu o Brasil em dois estados. Op. Marco de Souza (Mem. podendo alcançar a conquista. Ao aproximar-se ele da aldeia de Santo Inácio. a três léguas da barra do rio Real. Villa Real de Piagui. a outra adjacente a esta. dirigidos pelos morubixabas Serigi. uma povoação 30 que por distanciarse do litoral e dos lugares ricos de pau-brasil. Vicente de Salvador. pelo que Brito deu uma feição hostil à sua exploração. De Sergipe) dá o nome de Santa Luzia do Piagui e Fr. 19. Leal. onde todos morrem. confiando o do Sul ao Dr. Fr. de Porto Seguro. 153. Provavelmente estas lagoas não ficam em território de Sergipe. Gaspar de Madre Deus. como Pernambuco. Tratado descritivo do Brasil em 1587. incendeiam as aldeias e volta Brito para a Bahia. Luiz de Brito. encontrando duas célebres lagoas. na distancia de 50 léguas. foi abandonada por Brito e os seus depois que veio ao teatro da exploração de Ávila que por insuficiência de recursos. 3131 V. sem deixar seguras as bases de uma colonização. não pôde obter vitória na luta com os naturais.II. 58 . O primeiro afirma ter sido o índio Aperipé preso por Luiz de Brito. de Porto Seguro. Brito obtém vitória na luta. Salema. Sobre a Cap.p. Cit. e Apéripé31 recebem o governador com hostilidades. que foi um dos primeiros feitos do seu governo. porque como parte dos domínios da coroa. Vicente do Salvador. não ficava sujeita à nova capitania. 33 Saliento aqui a divergência entre Porto Seguro e Fr. op. publicado na revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil Tom.

em geral.confiou a Garcia D‘Ávila a quem não foi dado corresponder aos intuitos do governador. 59 . ficando de todo esquecidas não só a ordem régia. Manoel Teles Barreto. Agora estudemos os acontecimentos que inspiraram a viagem de Cristóvão de Barros. Barreto envia então cento e cinqüenta soldados acompanhando os jesuítas. durante os quis o governo esqueceu os interesses da colônia. cujo resultado foi a conquista de Sergipe e sua colonização. soldados que os acompanhassem até lá. A discórdia que se plantou nos Tupinambás que habitavam entre os rios de São Francisco e Real e os da Bahia. Manuel Teles Barreto. nele não vê senão uma alta traição. em convivência com as tribos de Sergipe e delas recebendo em aparência as mais sinceras provas de amizade e confiança. Barreto reúne um conselho de cinco membros em que toma parte Cristovão de Barros. assim . O representante do governo da capitania da Bahia vira as riquezas naturais da região. Sucedeu no governo do Rio de Janeiro a Salvador Correia de Sá. a ele ligada a causa determinante de novo assalto. Os franceses voltaram. até que as armas de Cristóvão de Barros vieram destroçá-los e expeli-los. já tinham rechaçado os Tapuias. Veio para o Brasil fazendo parte da armada que el-rei mandou a Mem de Sá. quando as forças contrárias já tinham lucrado tempo suficiente para reconstituir-se. os laços de simpatia que ligavam seus habitantes aos franceses. feita ao governador da Bahia. porém. Não obstante este voto divergente. co quem continuaram a promover os males àqueles que tinham requerido a conquista. não seria por certo a traição dos indígenas de Sergipe. cuja vontade dominavam e de cuja força física se serviam para a realização de seus intentos. (inform. as suspeitas de Cristóvão de Barros. Procuramos esboçar as causas da exploração de Luiz de Brito. Se a exploração de Luiz de Brito não deu lugar à organização política de uma nova capitania. ordenando aos capitães35 Cristóvão de Barros era filho natural de Antônio Cardoso de Barros. a uberdade do seu solo. muito posterior àquele acontecimento. onde queriam receber a moral do evangelho. mandaram pedir ao governador geral da Bahia. de novos encontros de armas. passando-se assim alguns anos. É esta a segunda missão feita em Sergipe. por entre aldeias inimigas. por uma traição. depois que dali expeliram os Tupinais. o pedido é satisfeito. reataram as relações com os naturais. realizando-se. em 159035. são mortos. como a prosperidade da colônia. 1585). que vota contra a aquiescência do pedido. que fora provedor da Fazenda. pois. O procedimento altamente traiçoeiro do indígena exacerba o bom humor de Barreto nascer o desejo de vingar semelhante ousadia. no tempo de Tomé de Souza. Os indígenas de Sergipe por emissários seus. pelo padre José de Anchieta. Do Brasil. O governo não se preocupou mais com a sua sorte. que por sua vez . em vista das reclamações dos interessados. chegando ao Rio de Janeiro em 1567. foi o motivo dos índios de Sergipe pedirem ao governador que garantissem sua passagem. os quais.

sua história é cheia de ensinamentos. contra invasões altamente prejudiciais. fato este que motivou a entrega de seu trono a um monarca de outra nação.36 Preferiu-se a conquista da Paraíba à de Sergipe. e seus assaltos. Op. Em geral se diz que a conquista de Sergipe foi motivada por uma ordem de Felipe I de Portugal. que a requerimento dos habitantes da zona entre os rios Real e Itapicuru. Cit .mores de Pernambuco e Itamaracá D. Explica os fatos obscuros da história geral. Eis a razão mais provável do adiamento da conquista de Sergipe. a escassez de documentos sobre que possamos externar uma afirmação uma afirmação positiva. Sebastião. sentia grande insuficiência de auxílios vindos da metrópole. como conserva ela o monopólio do seu comércio. A capitania da Bahia para satisfazer a necessidade da expansão colonial. não obstante termos empregados todos os meios na obtenção de crônicas. e cedo esse sentimento manifestou-se. quanto difícil. 17 60 . e Aperipé podia ser comprometedora à capitania da Bahia. Entretanto. Ainda que o Brasil fosse indiferente à questão dinástica. livro 5º cap. etc. pela parcialidade e antipatriótico julgamento de cinco juízes e mais do que isto. aqui o ruminar de uma vingança dos aliados e parente de Serigi. pela intervenção das armas do duque d‘Alba. quando não em estímulo de maior expansão. são circunstancias por demais importantes para inquinar de inverídicas as asseverações que passamos a expor. manuscritos. ordenando-lhes que socorressem a Paraíba. Felipe de Moura e Pedro Lopes Lobo. Uma contra –ordem do governador suspende os preparativos bélicos dos dois capitães. francamente autorizava que fossem expelidos e se promovesse a colonização da terra. Alvo do comércio dos franceses e índios. seu movimento civilizador encontrava tropeços em fatos de outra ordem. todavia ele a converteu em novo alvo para os tiros das potências marítimas. memórias. pelo menos uma garantia de segurança. Este fato era bastante para promover a conquista . nos campos de Alcácer-quebir. que se preparassem para conquistar os domínios de tais indígenas. Se lá o valente Pirajiba era um perigo iminente à marcha da colonização de Pernambuco.ao trono de Portugal.Felipe II. A grande seção de tempo que nos separa de tal acontecimento.que veio demonstrar os direitos do rei de Catella. Se o bem 36 Fr. porque não só os cargos da colônia continuaram a ser providos pelos seus filhos. que então levantaram-se a disputar a supremacia do oceano à vencedora de Lepanto ―depois do desastre de sua gloriosa armada em 1588‖ Além desta circunstância acidental que ecoou no Brasil. Vicente do Salvador. Traçar as causas de sua conquista é um empenho tão importante. Surubi. como a que se preparou em 1589 em Sergipe contra ele. até que nela visse o governo da Bahia. que se enlutava pela perda da sua nobreza e de seu cavalheiroso rei D.vencedor da batalha de Alcântara. para devidamente estabelecermos sua causa determinante. pelo pouco ou nada que se tem escrito a esse respeito. se a marca da colonização fosse próspera.

a amizade com complacência. porém. Os sucessos de Villegaignon não lhes eram talvez desconhecidos. A asseveração baseia-se em documento irrefragável. Foi uma verdadeira bandeira. indo eles pelo mar e o gentio por terra. a hospitalidade com atenções. depois do esforço de Luiz de Brito para desbaratar as forças inimigas. por isso que se preparavam para assaltar a Bahia. ao simples aceno de suas veleidades. aproveitou as garantias do cargo que então ocupava e que lhe assegurava probabilidades de bom sucesso. e disto já tinham dado provas dede Luiz de Brito. Fazendo ele parte de uma interinidade coletiva. ou foi traído. segundo a lei corrente. que só quis fazer uma carnificina sobre os infelizes indígenas e o exército uma pesquisa de escravos. transpirou. tiramos-lhe. o valor de causa determinante da viagem de Cristóvão de Barros. Se esta circunstância muito influiu para ser Cristovão quem se pusesse a frente da expedição.eliminar a concorrência dos franceses com os naturais do Rio Real. cujas riquezas compravam com quinquilharias. Por certo Cristovão de Barros. com profundo descontentamento da nação portuguesa. nas arriscadas empresas em que atiravam-se com a raça indígena. Se a vontade e ordem de um soberano legítimo. como sucedeu entre Luis de Brito e D. Sebastião. Perigo era iminente e convinha 3737 V. para quem era indiferente a condição precária desses indivíduos. Sem contestarmos a veracidade histórica da ordem régia. porque a notícia chegou à Bahia. Sesmaria do Braz de Abreu. que assumira as rédeas do governo da Bahia.37 A época era de tentativas aventurosas. Julgando-se fortes pelo concurso da raça indígena. os franceses conceberam o projeto de atacar a cidade de São Salvador. pelos Caetés. não iria abrir a luta se razões mais poderosas não falassem a seu espírito. o mesmo não sucedia com os membros do governo colonial. a causa rela de uma conquista cheia de perigos e incômodos. que já assustava a sede do governo colonial. cuja ascensão ao trono fora resolvida por uma junta de juízes. e quando elas já se tinham reconstituído para apagar todo o vestígio da vitória. por morte de seu governador Manuel Teles Barreto (1587). todavia. para dirigirem o pensamento. Conspiraram. Não é uma mera hipótese que aventamos. não seria por certo as determinações de um rei intruso. para punir e vingar a morte de seu pai Antonio Cardoso de Barros. 61 . os seus delegados não procederam com o cumprimento restrito e absoluto de seus desejos. a ela reuniu-se uma causa de maior valor. dominarem a vontade e aguçarem o apetite de sangue e da presa.público repercutiu no coração do rei a inspirar-lhe uma deliberação altamente útil a esses infelizes habitantes. bastante parciais para esquecer o direito de herança de D. Era uma animação. O segredo. antes que o plano tivesse começo de execução. junto ao rio São Francisco. Livro de Sesmarias. Catarina. cláusula indispensável para a realização das guerras.

Damião da Mota. 38 39 Dr. Manda. Pero da Lomba. Então foi resolvida a expedição por terra. que nos campos de combate já tinha firmado ma respeitável competência. nos fins de 1589. alem dos tapuias. atravessa caudalosos rios. ávidos pelo aumento de sua riqueza.até quase três mil frecheiros. depois que chega a um alto. Gaspar de Abreu Ferraz (morreu na luta). Qualquer demora era de alta inconveniência. Estácio Gonçalves de S. Antônio Gonçalves de Sant'Ana. O governo colonial submete então o projeto à corte. que lhes servem de guia.esmagar a revolta. Gaspar de Menezes. A escravidão a que se submeteriam os naturais que resistissem. em fuga foram centralizando-se em um ponto. sobre os quais suspende pontes. Melchior Dias Moreya. Braz de Abreu. Tomé. porém. e pô-la a abrigo de iguais tentativas para o futuro. ficam Álvaro e Rodrio em apertado cerco. Sebastião Dias Fragoso. Mnaoel J. Antônio Vaz Jaboatão. não só porque a colonização estendia-se a paragens mais longínquas.dois galpões de dado e uma peça de colher e abre caminho por entre florestas virgens. para o futuro. entrega a direção dela a Cristovão de Barros. de Oliveira. como pelos maiores interesses do erário. Cristovão Dias. Tratava-se de salvar a Bahia de uma invasão de bárbaros.cujos moradores. onde alcançaram colocarse em posição altamente defensiva. Estevão Gomes de Aguiar. como concorreram. um considerável exército. 62 .38 Não se tratava. iam devastando as aldeias inimiga.que com mil índios e cento e cinqüenta homens. Jorge Coelho. onde se temia maior dano. Francisco Fernandes. Man. pelos seus efeitos no Rio de Janeiro e em Cabo Frio. 333 39 Foram estes além de alguns citados no texto. composta de seis peças de bronze.aterra grandes brejos. Apegoada a guerra e empregando o governo os esforços possíveis para seu feliz êxito. onde refrescassem os navios que navegavam entre Pernambuco e Bahia. Afonso Pereira.39 para a passagem de sua artilharia. concorrem muitos habitantes de Pernambuco e Bahia. nem tampouco fundar estabelecimentos. Os dois irmãos intentam atacá-los. entre franceses e mamelucos. cláusula indispensável para a realização da conquista.para a passagem d sua infantaria. em vista da lei de agosto de 1587. João Dias. e confiando a vanguarda a Antônio Fernandes e a retaguarda a Sebastião de Faria. Incumbe o assalto pelo sertão aos irmãos Álvaro Rodrigues e Rodrigo Martins. como em 1575. Alcançou reunir. foi o poderoso incentivo para a esta expedição concorrem muitos habitantes de Pernambuco e Bahia. Manoel da Fonseca. João Martins. Isto transmitem a Cristovão que apressa-se em defendê-los. Carta de sesmaria de Damião da Mota pg. que em caminho encontravam e que engrossavam seu exercito. Armando de Aguiar reconhecer o sítio do cerco. De 5 fls. em vista do numero superior de índios e da posição que ocupavam. Conquista de Sergipe. a qual considera a guerra de Sergipe justa. os companheiros de Cristovão de Barros: Calisto da Costa. à frente do qual seguiu ao longo do mar. Francisco da Silveira. nos quartéis de organização ou em marcha para seu destino. de onde avista um fumo. o qual volta com três espias do inimigo. de livrar os colonos do rio Real e Itapicuru das hostilidades praticadas pelos índios.

citando o man. em número de vinte mil frecheiros. fá-los retroceder e voltar para a cerca. Sendo dadas tais ordens no dia 1º de janeiro de 1590. com a perda de trezentos mortos para os naturais. com a nova perda. o território compreendido entre os rios Cotinguiba e São Francisco. já falto de água. a que se deu nome de cidade de São Cristovão. em uma escaramuça que de parte a parte custou mortos e feridos. hoje Cotinguiba. o que na noite deste mesmo dia. saindo das duas cercas todos os frecheiros. causando os índios.atravessa-se na rente dos índios. 42Fez doação de diversas terras aos que ajudaram a conquistar e deu de sesmaria ao seu filho Antônio Cardoso de Barros. op. animado os seus. grandes espanto aos sitiantes. 41 Fr. na várzea do Vaza-Barris. Depois disto entrega o governo da nova capitania a Tomé da Rocha e incumbe a Rodrigo Martins perseguir o gentio. que soltavam nuvens de flechadas. Isto deu-se a 23 de dezembro.matando mil e seiscentos e cativando quatro mil índios. A este seguiu-se o abalroamento da segunda cerca. que não só deram-lhes caminho franco. porque pelas costas podia sofrer um assalto dos da cerca de Baepeba. como já recuavam. que tinha emigrado para o Norte. morubixaba principal das tribos. o exercito dos conquistadores bate as cercas inimigas. com a perda de um. Compreendendo Baepeba as desvantagens do cerco em que ia se colocando. cujos habitantes levantam o cerco e fogem. comandados pelo próprio Cristovão de Barros. onde penetram os soldados. que prestaram mútuo auxilio.41 Curados os feridos e destruídos os elementos que pudessem ser adversos ao povoamento do território conquistado. onde fortificaram-se em três cercas ou tranqueiras. 40Depois de ser-lhes interceptado o caminho das fontes. privando-lhes a água. Cristovão.a 9 de abril de 1590. Este. Vicente Salvador. que não consentiu segui-los a infantaria. resolveu um combate decisivo de todas três cercas e deu suas ordens a três índios para transmiti-las aos das outras duas. passando eles através dos arraiais inimigos. sofrendo a perda de seiscentos mortos e os portugueses de seis. 2. abalroaram a primeira cerca. cap. a qual os índios alcançaram reconstruir. Dali o exército dirige-se para a aldeia de Mbapeva ou Baepeba. Cristovão levanta um forte sobre o istmo que forma a barra do ro Poxim. a cujo encontro vieram sessenta soldados de cavalaria. fora logo executadas. e a brados e com o couto da lança.de um curioso e a qual dá o nome de Mahapena. 40 Provavelmente é esta a aldeia de que fala Jaboatão. situada na várzea da cidade e S. cit. junto ao litoral. e junto a ele funda um arraial. em honra do Santo de seu nome.. 63 .Então. resolve-se a abrir aminho a ferro e fogo. quando Cristovão. junto à foz do rio Sergipe. do lado em que estava Sebastião de Faria. 42 Hoje não existe mais este istmo.

donde o erário tinha muitos proventos que tirar para o futuro. formada pelo oceano e os rios Pomonga e Cotinguiba. 47 Dr. t. por entre florestas virgens. 191. para a qual se pôs a caminho. na guerra de Sergipe. sem censura legitima.19. auxiliar-lhe e acabar a obra da conquista.45 que durou oito meses de grandes lutas. p. tomou parte importante. t. ocupadas por índios bravios: e o que mais é. Rev. pelos quais não só a capitania da Bahia ficou isenta de uma invasão. que. dentro do tempo prefixado pelo rei. principalmente Varnhagen. p. com a ordem de vender estas terras ou reparti-las entre os colonos que quisesse e fosse de sua vontade. com a realização de uma conquista. que e muito claro na localização da primeira povoação de Sergipe. depois da saída de Cristóvão. Pelo seu mapa geográfico está situada na costa oriental da ilha dos Coqueiros. É opinião de quase todos os historiadores. loc. Hist. segundo ele. 46 V. Cristóvão de Barros funda um arraial. já o dissemos. correndo os riscos e incômodos de uma viagem rápida. As condições gerais do Brasil não eram favoráveis à prosperidade da colonização de Sergipe. p. É esta também a opinião do autor da Razão de Estado. do Inst. Barloeus diverge deste modo de pensar. recolhe-se à Bahia. 45 V. XL. junto à foz do rio Sergipe. ela foi edificada à margem esquerda do Cotinguiba e do Apicu Pomonga. 328. p. junto aos apicus que este último rio forma. e. continuar a gozar.46 Assim ilustrou Cristóvão o governo da interinidade coletiva que dirigia a capitania da Bahia. Joaquim José de Oliveira. o rei das Espanhas fez doação a Cristóvão de Barros do território que acabava de conquistar. carta de sesmaria de Gaspar Gomes. vindo da Bahia. com sua aposentadoria. cit 44 64 .. Em recompensa aos seus serviços. hoje Cotinguiba. e temer os inconvenientes de sua ausência nos conselhos de um governo interino. ficando o forte na margem direita do Cotinguiba. 330.dando um belo exemplo da mais completa abnegação no momento preciso. X. em que podia. que ela foi situada sobre um istmo. com a condição de estabelecer aí colônias. carta de sesmaria de Tomé Fernandes. encarregado da administração do país 47. com a colonização estendeu-se a novas paragens. Efetuada a conquista. onde perto do mar faz barra o rio Poxim no Cotinguiba e junto ficava edificado o forte. a que deu o nome de cidade de São Cristóvão.43 Preferimos estas fontes em semelhante minudência. 43 Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. deixando o governo entregue a Tomé da Rocha. as honras e imunidades da governação do Estado.44 E depois de assistir a administração publica e estabelecer as bases da organização de uma capitania.Capitulo II COLONIZAÇÃO DE SERGIPE SUCESSORES DE SÃO CRISTÓVÃO DE BARROS ATÉ 1637.

provedor-mor da fazenda. escrivães. em vista da semelhança do elemento étnico e a política administrativa que Portugal tinha instituído. A feição social em Sergipe não poderia fazer exceção da que se revela em todos os centros populosos da colônia. vindos da África. 65 . os armadores franceses aproveitaram-se dessa circunstância para a execução de suas piratarias. naufraga nas costas de Sergipe. que penetram suas barras. desde então. almoxarifes. nesta pequena circunstância do país. dirigia-a para zelar e defender sua integridade territorial. não só para piratear nas costas do Brasil. Cavendisch e Lancaster. a fim de serem castigados. Com idênticas atribuições aos capitães-mores dos lugares da áfrica. Assim. os do Brasil tinham alcançados no cível e no crime. que tendiam a fortificar-se? Além das explorações francesas. Destroçados seus navios por uma tempestade que os dispersa. em substituição de enfeudação e sob a qual ia submeter-se a marcha dos acontecimentos. a realização de excursões pela América. para vencer os obstáculos que nasciam de invasões estrangeiras e do levantamento dos naturais. 50 Joaquim J. o Brasil tornava-se o teatro de explorações inglesas. inicia-se em Sergipe a colonização sob um conjunto de circunstância bem desfavorável.Em vista da declaração de guerra entre a Espanha e a França (1595). Em direção ao Brasil cortam os mares diversas flotilhas francesas. Jurid. A administração compunha-se de um capitão-mor.48 Da Rochella parte uma armada. As condições de prosperidade pioravam tanto mais. 48 49 Porto Seguro. alguns naufragaram em Sergipe. um Conselho. acoçada a tripulação pelas doenças. Withrington. por onde se possa avaliar de suas respectivas prerrogativas. que haviam de sobrevir. e quem abdicava grande parte de suas atribuições. 1835. Dic. quanto o Brasil tinha de recorrer aos seus recursos. mão poderia vencer os embaraços. para explorarem as riquezas do país. I. não fornece auxílios para destruir elementos contrários. C. Em vez de o governo colonial dirigir a atenção para as colônias nascente. onde são presos os náufragos e enviados por terra para a Bahia. I. por iniciativa de Relegh. e como colônias nascente. se a atenção dos aventureiros não se prende ao El-Dorado. 135. onde a oposição ainda que forte em começo. sendo os ofícios de justiça e os empregos de fazenda por ele proposto. um comandado por Pires de Mil. se a conquista de Sergipe não antecede a esse conjunto de circunstância tão desfavoráveis. O capitão-mor era o delegado do governador da Bahia. ouvidor. 95. Historia Geral. promovidas pelo sentimento de riqueza. onde ficam prisioneiros cento e dezesseis homens. 391 Rocha Pita. Pereira e Souza. Historia da América Portuguesa. que desperta nos espíritos de Feuton. p. nos negócios públicos de Sergipe. Por aí pode-se apreciar a grande interferência que representava a Bahia. como para saquear a cidade da Bahia. que era o órgão do município e um presídio. De três navios.50 Ao ouvidor e provedor-mor competia zelar pelos interesses da justiça e da fazenda. Nenhuma carta de nomeação ou regimento encontramos do funcionalismo de Sergipe.49 Com que dificuldade não lutaria a colonização da Bahia.

por seu irmão João Coelho de Souza. p. Era o temperamento da época. que procuraremos descrever na presente obra. tentativa bastante simpática à raça indígena. bateu nos bancos e sossobrou a embarcação. e destroçado as forças não tinham perdido a esperança de reaver o território. Querendo penetrar na barra em uma arca flamenga. 51 Este rio vem em todos os mapas geográficos. 364. um solo ubérrimo e rico. segundo as cartas de sesmarias de Manoel da Fonseca. Seu habitante tenderia á indolência. pela abundancia de alimento que cercava-o e pela impossibilidade de manter fixação e regularidade no trabalho. esperando tudo da natureza. em seu roteiro. para cuja adaptação sente o selvagem natural indisposição. na qual parte dela foi enviada para a Bahia. Exprimia-se pela superstição. xxi. em cujas cabeceiras supunham existirem minas. ancorando junto a enseada de vaza-barris51. pela crença exclusiva em um só credo religioso. Tendo este rico fazendeiro da Bahia alcançando das cortes os despachos para explorar este rio. 52 Porto Seguro. Descansados da primeira perda. em virtude dos fortes ventos e correntes de água. quando teve ocasião de prestar importantes serviços a Gabriel Soares de Souza. ver. Aceitamos a denominação de Barloeus.Ao lado do capitão-mor estava o governador. como ele na Europa achava-se ao lado do barão feudal. capitão de Sergipe. á falta de iniciativa. Do inst. caracterizados por um clima quente e úmido. não lhe querem impor um novo estado social. havia três anos.52 Não obstante as armas portuguesas terem conquistado as terras de Sergipe. menos o de Barloeus. em abril de 1591 e chegou a Sergipe a 13 de junho do mesmo ano. seus defeitos. em sua excursão ao rio de São Francisco. por isso que os franceses guiados pelas idéias de riqueza. Gabriel Soares de Souza. No do historiador holandês ele traz o nome de Potiipeba. Seriam eles seus encarniçados inimigos. p. para ensinar-lhe a entrada. que predominava sobre tudo o que já assumia na colônia um grande poder. Eis ai as bases de osso desenvolvimento histórico. por conselhos de um francês Honorato. por isso que uma tentativa já tinha sido feita. que lhes vem prestar auxílios. Do Inst. com o nome de Ipiranga. A mesma semelhança vemos nos antecedentes físicos. resultando afogarem-se alguns passageiros e salvar-se a carga em uma cetea. sem corrigir suas faltas. em uma jangada. e então tempo de sobra tiveram eles para fortalecer-se de elementos que se opusessem à vitória das armas portuguesas. Seu nome indígena era Potigipeba. 33). denomina-o Cotegipe (ver. Hist. de nome Grifo Dourado. Xiv. se idéias de um plano político guiassem os franceses nas excursões de Sergipe. que mandou Tomé Rocha. que naufragou em Sergipe. Uma tal convivência que não requer do natural o menor esforço. reuniu novos elementos para uma luta. na pessoa do rei. pela reverencia ao clero. gera-lhe uma simpatia tanto maior quanto a deslocação dos hábitos é nula. pois nestas paragens pirateavam de longas eras. Na classe dos antecedentes que falamos estava a identidade de sentimento religioso. cujos roteiros possuía. 455. Foi Tomé da Racha o primeiro sucessor de Cristóvão de Barros e achava-se na administração em 1591. e não pelo desejo de fundarem uma colônia e ativarem sua propriedade. 66 . de cujas riquezas tiravam tantos proventos. p. Hist. partiu de Lisboa. uma nova vida. que de terra tinha ido com dois índios.

sendo batidos por Tomé da Rocha em 1593 e por Diego de Qoadros . carta de sesmaria de Simão de Andrade p. carta de sesmaria de Martins de Souza. principalmente de gado.328 56 Barlaeus. Durante seus quatro anos de administração e os primeiros da capitania. por escassez de documentos.56 Diogo de Qoadros dirigiu a administração pública de 1595 a 1600. op. em vista da carta de sesmaria de Gaspar Gomes.61ficando ainda a barra do rio Real fora da observação e por onde podiam ainda penetrar. em 1595 ou 1596. 67 . pois. em presença do desembargador Gaspar de Figueiredo Homem. Em vista disso. Pream. donde se pudesse presenciar qualquer movimento marítimo. p. sendo substituído por Diogo de Qoadros.330 55 V. Em setembro de 1603. p. Orb. 1594 e 1595 deixou o governo da capitania de Sergipe Tomé da Rocha. a mudança da Cidade para o novo lugar. carta de sesmaria de Manoel André. Foi escolhido um oiteiro escalvado que fica junto à barra do rio Poxim. quatro anos depois da conquista. em 1596. para reaver sua antiga posse. p. e neste documento alega-se a mudança da cidade. então existentes. P. segundo Barloeus . em quatro pequenos engenhos de açúcar. na nova luta que empreenderam. com heroísmo. para realizar suas empresas. que. convenceu-se o governo da necessidade de mudar a cidade para uma eminência. Carta de sesmaria de Domingos Lourenço.534 57 V. Ainda que não nos seja possível determinar a data da substituição.340 V. não obstante as tentativas dos piratas. por isso que não podiam presenciar a entrada de flotilhas. por um idêntico documento de Tomé Fernandes. a nova capitania já contava um trabalho agrícola. 344 61 Jaboatão. por uma criação ativa.55 Assim entre. nas águas do rio Real. talvez. já assinada por Diogo de Qoadros.58 almoxarife Martim de Souza59 e escrivão Jerônimo da Costa Fisão. a uma invasão inimiga. pela segunda vez administra Sergipe. todavia asseveramos que ela se deu antes de dezembro de 1595. as profissões pastoris já tendiam a organizar-se.62 Foi resolvido pois pelos poderes competentes e de acordo com a opinião do povo. 53 54 V. e a modesta cidadinha já contava cem fogos. no tempo a cima indicado. PL 356 60 V.54e depois de julho de 1594. elevando-se o número de currais a quarenta e sete. Nov. Cit. carta de sesmaria de Tomé Fernandes. Seraph. sendo provedor-mor da fazenda Gaspar d‘Almeida57 ouvidor Simão de Andrade. cujos habitantes ficaram em melhores condições para vigiar a entrada de inimigos. além das duas tentativas já feitas tentaram ainda diversos assaltos e efetuaram diversas guerrilhas.353 59 V. O novo capitão teve de dirigir sua atenção para os franceses que. ainda assinado por Tomé da Rocha. p. 120 62 Ainda existe neste oiteiro o Vestígio desta edificação. para sede da nova São Cristóvão. o conselho da capitania pede uma doação de terra ao capitão-mor Tomé da Rocha.. entrega o governo da nova capitania a Diogo de Qoadros.60 As condições topográficas da Cidade não permitiam que os seus habitantes se prevenissem dos assaltos. carta de sesmaria de Gaspar d’ Almeida p.53 Tendo-se oposto.Em vista disso tiveram os franceses auxílio do indígena. carta de sesmaria de Gaspar Gomes. em vista da posição insular. que de emboscada eram dados. o movimento colonial foi mais ou menos próspero. pelas barras dos rios navegáveis. 330 58 V.

todavia as de Cristóvão Dias. como pontos de limites. Ainda que a alegação não fosse uma circunstância bastante forte e de interesse real para o governo a mudar a cidade. a que se refere o documento. ―Manoell Thomé‖. 64 Carta de sesmaria de Belchior Dias Caramuru. o que motivou grandes pleitos. para os habitantes edificarem casas. com que o movimento colonial sofreu um estorvo.or ouve pr bem He ora vosa merse manda a todos os moradores com graves penas que fasão casas e pesão chão para isto e p r nunqua se aprovetar pedem a vosa merse em nome de sua mag. donde o extraímos. são de doações nas circunvizinhanças do oiteiro. 63 68 . por isso que se podia remediar o mal colocando um corpo de atalaia.ta a sete ou oito anos e a requerimento do povo consultou e asentou com os moradores e capitão de se mudar a sidade que no tall tempo estava no Aracaju que se asitoase neste outeiro adonde llogo se pasou a ygreja e o fore e diso se fiserão autos o que o sõr gd. ―Saibão quantos este estromto de carta de sesmarya vyrem que no ano do nasimto de nosso sõr jhus Xpo de Mill e seis setos e tres anos aos tres dias do mês de setembro do dito ano nesta sidade de são xpoão capta de Sergipe terras do brasill nas pousadas de mim escryvão ao diento nomeado por Afonso pereira procurador do conselho me foy apresentado huã pitisão com hu despacho ao pee dela do sõr capitão mor Thomé da rocha de que o teor há o seguinte – ho juis e vereadores e procurador do conselho nesta capitania que o desembargador Gaspar de Figueiredo omem veo a esta cap. Sergipe três de setembro de seis centos e tres anos. Manoel Thomé e Manoel Gomes. o capitão manda apregoar a ordem. Depois de uma luta de alguns anos. 364. que prevenisse ao poder central qualquer preparativo de invasão. 131) em sua obra. 63 Efetuada a mudança da cidade e transferidos o forte e a igreja.Conservamos toda a fidelidade do documento. Não há duvidas de que a mudanças. p. pois tomamno e o rio Poxim. É o mesmo de que fala Jaboatão (§ 117. foi para o lugar acima mencionado. os franceses tiveram de abandonar o teatro da guerra. devido talvez á convicção que entrou no espírito dos franceses e indígenas da improficuidade de suas empresas.64 Não obstante as sesmarias traçaram limites muito vagos. o que indica ter o franciscano folheado o livro de registro de sesmarias. de mill Brasas de terra que se começara donde acabar a dada de Sebastião de brito e balthezar feras correndo pelo caminho que vay de caipe ate chegar allagoa que esta alem de Manoel Thomé e pelo dito caminho que sai da ponte velha ate chegar a dada de xpõao dias correndo rumo drto allongo do outeiro he que se achar e recebera merse_ despacho _ dou é nome de sua magde para o conselho pera bem e acrescentamento da nova side desta capta todo o comprimento da terra donde acabam as ditas dada que em sua petição fazem menção correndo pello caminho velho que vay para caipe até dar na llagoa que esta alem de Manoell Thomé da banda celleste q‘ he o q‘ esta junto do caminho que vay para vaza Baris e de largo oito setas brasas que se começara do dito caminho da ponte velha e yra correndo pela testada da dada de Manoell Gomes ao loeste ate chegar a dada de xpoão que serve defronte desta cidade de dahy ira correndo ao sul ate entestar com Manoell Thomé o que se achar e desta maneira lhe passe carta e demarquem logo a qual lhe deu por devolluto. p. de que às suas supostas garantias que a idéia da mudança criou. até na ortografia. todavia tenderam a diminuir as agressões depois da mudança. e em 1601 eles achavam-se completamente eliminados do território de Sergipe.

XIV. para nela gerarem os focos de população. o movimento colonial ativouse. Começou pelo sul. 97. algodão e pimenta da terra. p. Para lá emigrava o indígena. raras são as doações feitas junto aos rios que demoram ao norte. Se formavam centro de resistência. Grande porção das zonas vizinhas aos rios Piauí. 66 Ver. Do Inst. concorrendo muintos indivíduos a pedir doações de terra. O ilustrado professor de historia. situando-se na zona oriental da capitania. Hist. 33. Da Soc. começando pelo sul a tirar-se do solo os elementos para a formação da riqueza. pois. Por uma hereditariedade que lhes vem de antecedente muito longínquo. nunca quiseram iniciar a organização de uma vida social. 69 . com auxilio principalmente da africana por ser a mais rica e mais apta à espécie de exploração colonial que havia de dominar. o branco e o preto dedicam-se as profissões de hábitos fixos. XLI. sedo tomou a lavoura. Dr. Por esse tempo dominava como principal exploração colonial a criação de gado. Simplesmente realizaram piratarias.Não obstante a permanência dos franceses de quase meio século em Sergipe foram nulos os vestígios de sua passagem guiados simplesmente por idéias de interesse. acompanhando o litoral. Quase todo território que avizinha principalmente os dois primeiros rios ficou ocupado por lavradores e criadores. por ser a que mais se prestava á tendência muito inerente á raça que veio colonizar.65 Entretanto. 32. considerando-os como herdeiros e sucessores de Maire-monan. Pelo seu testamento que possuímos ainda vivia em dezembro de 1622. Foi dada por sesmaria. em um importante artigo sobre Rubelio Dias (Ver. Esse domínio aprecia-se durante todo o século XVII e grande parte do XVIII. A constituição química do solo poderosamente influiu sobre a direção que. A colonização seguiu. pela pobreza do seu solo para qualquer exploração agrícola. ficava a zona ocidental. Durante a administração de Diogo de Qoadros. Real e vaza-barris. de ambição pessoal. correria a busca do pau-brasil. 65 Ver. transcreve uma memória do Coronel Pedro Barbosa Leal.66 Por isto eram chamados por eles Maire. entregando-se as profissões pastoris. a fim de nela desdobrar a atividade de uma vida nômade. em que se refletisse um plano político. produtos que abundavam nas zonas dos rios real. com a expatriação do natural. Nos dez primeiros anos. Esse caráter étnico guiou as duas raças a procurarem à zona oriental. vaza-barris e contiguiba. a pouca distancia do litoral. pela morte de Belchior deuse em 1619. a marcha da conquista. furtando a escravidão que se lhe queria impor. Ao indígena e seus produtos de cruzamento com o branco e preto. de um trabalho de colonização. De Geografia de Lisboa). Dificultaram a marcha da colonização em começo e nisto constituiu o papel que representaram os franceses em Sergipe. em uma distancia de doze léguas para o ocidente. Capistrano. Do Inst. Hist. caracterizada pela cultura da cana e fabrico do açúcar. individualidade da teogonia tupi. dedicavam-lhes as naturais simpatia e lealdade. que a colonização não sabia aproveitar. p.

p. formavam grandes mocambos nos palmares de Itapicuru. a raça indígenas foi objeto da maior questão da política colonial. nas vizinhanças do rio Sergipe. em que distinguiu-se mais do que ninguém o jovem camarão. 382.71 Em 1602 foi Manoel de Miranda Barbosa substituído no governo por Cosme Barbosa. 70 Carta de sesmaria de Belchior Dias Caramuru. op. que se estende de 1600 a abril de 160267 a colonização encaminha-se para o norte e para o centro. onde posteriormente instituiu um morgado e alega seus serviços na conquista de Sergipe. que não só tinham tomado parte na conquista. I. 68 69 Sesmaria de Gaspar de Fontes. 72 Carta de sesmaria de Baltazar Ferraz. pela carta de sesmaria do desembargador Baltazar Ferraz. Durante a administração de Diogo de Qoadros.mor da fazenda de então Gaspar de Fontes. Era o provedor. fizeram-se sessenta e uma doações de terra a indivíduos. p. 408. Carta de sesmaria de Martim de Souza. p. sendo depois substituindo neste ultimo lugar pelo padre Gaspar Fernandes. entre as duas capitanias. solicita do capitão-amor uma grade doação no rio real. Entretanto em junho de 1602. onde se tinha estabelecido como criador. não sabemos quando ele assumiu a administração publica. para o estudo de fatos de ordem geral. descendente de Diogo Álvares e de quem extensamente falaremos adiante. 356. por onde dificultavam o trânsito por terra. já achava-se revestido do cargo de capitão-mor de Sergipe. como alguém já 67 Não encontramos a carta de nomeação de Miranda Barbosa. p.70 Por esse tempo os negros de Sergipe abandonaram as fazendas e reunidos com outros da Bahia. 70 . 364. almoxarife Martins de Souza69 e escrivão Manuel André. Esta ausente da capitania. depois e ter concedido sessenta e quatro doações de terras. Na administração de Manoel de Miranda Barbosa. como auxiliado depois à posse do território conquistado. distribuindo entre si os centenares que fizeram na luta. a questão abrasadora. Belchior dias moréia (caramuru). em dezembro de 1601.Só podemos encontrar duas doações. p. Os petiguazes atacaram os mocambos. Cit. Por não termos encontrado a carta de nomeação de Cosme Barbosa. Foi pelo governador da Bahia entregue aos petiguazes a incumbência de desalojá-los deste sitio.72 Abramos uns parênteses na marcha descritiva que levamos. que também exercia o lugar de ouvidor68. desde 1599. Sete lavradores pedem para colonizar as circunvizinhanças do rio Sergipe e quase oito léguas foram dadas em Itabaiana. A primeira carta de sesmaria por ele assinada é de 13 de outubro de 1600 e a última de 25 de abril de 1602. cuja responsabilidade direta e imediata vai ate julho de 1600. pois daí em diante foi substituída pelo seu locotenente Manoel de Miranda Barbosa. 355. Em 1601. cujo curso se faz na porção setentrional. 71 Porto Seguro. Acreditamos mesmo que por estas paragens a colonização estendeu-se em períodos ulteriores. Tão estudado pela jurisprudência daqueles tempos.

ou então a desumanidade na luta para cativá-lo foi enorme. que seguiram sempre uma política protecionista para com o selvagem. e debaixo de tais princípios tem caminhado a civilização brasileira. 71 . bem característico naqueles tempos. e se o clero secular não tem feito harmonia com a classe do governo. No período compreendido entre 1590 e 1609. que nada aspira. levantou uma luta entre a classe popular e os jesuítas. para suprir a insuficiência do braço indígena. cuja civilização e catequese eram entregues aos membros da companhia. as medidas legislativas correspondiam as aspirações abolicionistas dos jesuítas. hoje representa diminuta ação pelo pequeno numero a que eleva-se a população desses mestiços. provocando a imigração africana. Estas medidas incrementavam o regimen dos aldeamentos e desfalcavam os braços da lavoura. a imigração africana para ai fez-se em larga escala. pela indecisão da coroa. na qual o sentimento de avareza do colono a escravizar indígena encontrou sempre muito apoio. sem cair nas garras do cativeiro. como na hereditariedade das gerações mestiças. sem sua intervenção. As aldeias eram. Cedo vieram os jesuítas desdobrar a atividade de sua política em Sergipe. exclusivamente em favor da ordem. O papel do indígena foi pequeno. saciando-se. ficando elas plenamente satisfeitas com a lei de 3 de junho de 1609. roubando seus aposentos. Compreende-se perfeitamente que sendo estes vinte e um anos os primeiros da colonização de Sergipe. o espírito de riqueza. O fato e que o contingente do elemento indígena na historia de Sergipe não e tão grande como em outros estados. cuja escravidão pelo colono português era o móvel das lutas e conquista. Tornam-se elas o objeto de reverencia e lealdade. O mestiçamento em que ele entrou como elemento formador. essa grande questão que atravessou vida secular. Levantada pelos jesuítas. contribuindo também a colonização rápida que desbravava as florestas. Ela mataria no Brasil os hábitos de reverencia ao clero e superstição á religião.disse – a abolição da escravidão indígena. porém. levando-se mesmo em linha de conta as circunstancias relativas. Em Sergipe não tem sido senão estas mesmas leis que têm dirigido o movimento social. As duas calasses alcançaram completa ascendência sobre a classe popular. Ou a pequenez do território era desfavorável á sua permanência. deseja e realiza. que a lei abolia cujo resultado foi a grande preponderância da raça africana não só na elaboração da riqueza. Na passagem do exercito conquistador pelo vaza-barris prestaram importantes serviço. se causas muito gerais não tivessem sido seus antecedentes na historia da metrópole. centros de lavoura e comercio. que proibia em absoluto o cativeiro do natural. e então emigrou. entre nós. assim.

Assim. em 1602 e duas léguas no rio Mocuri. 75 76 Carta de sesmaria dos padres de S.Bento Carta de sesmaria do padre Bento Ferraz. para onde convergia grade parte da riqueza pública. junto á capital.73 Com tão grade posse territorial que deviam colonizar para a prosperidade da ordem encetam o trabalho de aldeamento. o padre Agostinho Monteiro obtém a doação de meia légua de terra. cuja direção espiritual lhes pertence e a administração civil a um capitão-mor. o clero já representava então papel saliente no movimento social de Sergipe. O padre Bento Ferraz. além das funções espirituais que representa. Não desempenhado somente as funções espirituais. para criação de seus gados e iniciar a lavoura. 72 . cuja contribuição é de capital importância para caracterizar a feição social daqueles tempos. no mesmo ano. em 1600. Levantam propriedades açucareiras. representados pelo Padre Amaro Lopes. o padre Bento Ferraz uma légua no rio real. . junto ao rio Sergipe. Retiro. em 1601 e três léguas no vaza-barris. em que procuramos estudar os fatos de ordem geral. em cuja ausência dirige a administração em dezembro de 1600. Camassari. ele torna-se também proprietário e lavrador. 73 74 Certa de sesmaria dos padres da companhia de Jesus.77. Está hoje em ruínas este templo.74 Além da ordem da companhia de Jesus.Sob o duplo caráter de sacerdote e agricultor. sendo substituído pelo Padre Gaspar Fernandes. assumem a direção espiritual da capitania e pedem também doações de terra.78 Além desta posição oficial. meia légua em Caipe. 357. uma légua junto á serra de Itabaiana. O convento dos Jesuítas foi edificado junto a São Cristóvão. meia légua no rio Mocuri. de dezembro de 1600 a janeiro de 1601. o padre Gaspar Fernandes uma légua em Tinharé. em 1603. aos lucros de sua congrua vêm reunir-se os proventos do trabalho agrícola. O padre Gaspar Fernandes é o ouvidor e o juiz dos regimentos em 1602. os Beneditinos os concorrem a Sergipe (1603) e representados por frei domingos solicitam do capitão-mor um idêntico favor. Fechando aqui o parênteses. duas léguas em vaza-barris. aplicava-a na edificação de suntuosos templos. o padre Felipe da costa. 75 O clero secular já faz parte do governo. continuemos a descrição das administrações que seguiram-se á de Miranda Barbosa. que serve de colégio. no mesmo ano. Comandoroba. uma légua no poxim. etc. alem do templo. Senhor de grandes posses territoriais e parte integrante da classe do governo. Além dele. em 1600. em 1603 e o cônego Leandro Pedro velho. organizando-se em povoações de trezentas casas. meia légua no poxim. edificam capelas. 78 Carta de sesmaria do Padre Gaspar Fernandes. comissionado três anos. E sem família legítima para com ela distribuir a fortuna que se acumulava. que é o Vigário da capitania76 é também o loco-tenente de Manoel Miranda Barbosa. em cujas deliberações poderosamente influi. morador na Bahia. Ibura. Sua vigária terminou-se em 1602. no máximo. 77 A substituição foi de pequena duração. edificaram capelas nos engenho de suas propriedade: Dirá Colégio. p.

82 Carta de Pedro Novaes de Sampaio. As rendas da capitania. dirigindo-se para o fertilíssimo vale do cotinguiba. as despesas montavam em 428$840.79 Nove anos depois em 1612.82 79 80 Porto Seguro. Porto Seguro. junto ao último rio. mais um terço era feito com o clero. em vista de outra doação pedida pelo mesmo Pero Moraes de Sampaio.81 Não obstante na petição não virem alegações que nos tragam a convicção de que a doação e na cidade que fica junto ao poxim ou piramopama. desde 1611. na mesma data. mudando-a do oiteiro. doze braças de terreno. Cit. Cedo teve a capitania de procurar um novo sitio para a edificação da cidade. afluente do vaza-barris. Desconhecendo a causa real dessa mudança. A uberdade desta zona assegurava a prosperidade dessa exploração agrícola. A despesa anual de Sergipe era de 396$000.Cristóvão. op. que novamente vem administrar Sergipe. já iniciada na capitania. 73 . Antonio Pinheiro de Carvalho. onde fizeram-se quatorze doações e onde iria prosperar a lavoura da cana. para edificar uma casa. p. Com o alardo de cento e quarenta homens e com um armazém bélico de duas peças 80. além das que Cristóvão de barros deixara. que se conservou durante todo o século XVII. As doações são concedidas nas vizinhanças de S. p. por que em junho de 1603 foi substituído por Tomé da rocha. onde deu-se a invasão holandesa. por este tempo (1603). que foi substituído por Nicolau Faleiro de Vasconcelos. Sobre este ponto só podemos levantar hipóteses mais ou menos prováveis. que foi de pouca duração. até a serra da Tabanga. despendendo-se com a milícia 333$920 e com a igreja 148$920. I. provinham do estanco do dizimo que a junta de Portugal dera em 1601 a Gabriel Ribeiro. a colonização prosperou. Em tão pequeno intervalo a despesa quase que duplicou. Cit. 410. sendo-nos impossível verificar a marcha que seguia a receita que então era de 580$000. A colonização caminha para o norte. 433.Durante sua administração. em todo o estado do Brasil. Achava-se já na administração Antônio pinheiro de carvalho. Francisco. 81 Carta de sesmaria de Padre Novaes de Sampaio. op. em 1606. Não encontrados nenhum documento que assinale a data real desta segunda mudança. para edificar uma casa no assento da nova cidade. sendo daí em diante substituído pelo de S. todavia acreditamos mais na segunda hipótese. que para o futuro havia de conquistar supremacia sobre a criação do gado. junto ao rio poxim. na razão de quarenta e dois contos anualmente. proveniente do gado e meunças. I. para uma elevação que fica nas margens do Piramopama. Por escassez de documentos nos é impossível determinar a data de sucessão no governo de diversos administradores que sucederam a Tomé da rocha. Em março de 1607 pero Novaes de Sampaio pede ao capitão-mor de então. de sentenças setenta braças de terra. á nova cidade deu-se o nome de cidade de Sergipe d‘el-rei. em 1637.

Tudo foi entregue às chamas. 74 . em 1607.É muito pouco provável que o peticionário quisesse edificar uma casa tão distante da cidade. Desta data a 1621. asseguramos é que em 1610 já se tinha dado a mudança para este local. “Dizem os officiaes da câmara desta cidade que ao povo dela he necessario um pedaso de terá nos limites desta sidade para despejos de cavalgaduras e de madeiras para casas. desde novembro de 1636. senão Amaro da cruz porto carreiro. em vista do seguinte documento: “Saibãõ quantos este publico instrumento de sesmaria virem que no ano do nascimento de nosso senhor Jesus cristo de mil e seiscentos e dez anos aos vinte dias do mês de setembro do dito ano nesta cidade de San Cristóvão capitania de Sergipe de El-Rei nas pousadas de mim escrivão ao diante nomeado apareceo Pedro Lopes procurador do conselho desta cidade e por ele me foi apresentado huma petiçam da câmara com um despacho posto ao pé dela do capitão mor desta dita capitania Antonio pinheiro de carvalho da qual petiçam e despacho o traslado dela é o seguinte. quando os holandeses invadiram Sergipe. ate 1623. Sergipe hoje três de julho de mil e seis centos e dês anos. correra pelos pés dos outeiros que estão entre as mangabeira._O capitão Antonio Pinheiro de Carvalho. que para isso hão mister meia légua de terá a qual meia légua se comesara da ribeira do peramopabama ate a ribeira que corre da banda de Mathia Moreira. que pela segunda vez dirige o governo da capitania. Achava-se no governo da capitania João Rodrigues Molemar. o qual fora nomeado a 1º de outubro de 1631. a cidade já tinha sido transferida para as margens do Piramopama. porém. Resebera merse. pois. (segue a formula do regimento. Nenhum documento podemos encontrar anterior a esta invasão. A escassez de documentos é enorme na história deste período. sendo substituído por Pedro Barbosa que governou de agosto de 1630 a 1636. supposto que seja dada a alguém a vosa merse em nome de sua magestade lhe dê a dita terá. quando pela segunda vez administrou a capitania João Mendes. em nome de sua magestade aos suplicantes a terá que pedem por ser assim necesaria para serviço desta cidade. Parece. na hipótese de ela ainda estar no oiteiro de poxim. nomeado a 19 de maio de 1611. O que. Dou de sesmaria. não sabemos quais foram os capitães-mores. hindo para cahype e para a banda do sertão. lenhas. pois he para bem do povo. menos o livro de registro das sesmarias que foi conduzido pelos fugitivos. Foi substituído em 1614 por Amaro da cruz porto carreiro. cujacarta de nomeação é de 20 de dezembro de 1628. que nesse tempo. Cristovão.)” A Antônio pinheiro de carvalho sucedeu João Mendes. Ligamo-la ao saque e incêndio que os holandeses fizeram em S. em 1626.

CAPÍTULO III MINAS. PRIMEIRAS EXPLORAÇÕES

O espírito de riqueza, o sentimento de avareza, que foram acima de tudo o real estímulo de muita atividade que se desdobrou neste país, por parte do corpo colonial, manifestaram-se sob uma forma dupla, cada qual mais poderosa para alargar a colonização e fazê-la estender-se a maiores extensões. Não só o índio tornou-se o objeto desse sentimento, como o território, para exploração de suas naturais riquezas. O colono que se dirigia para ultramar, antes de pensar na formação de uma nova pátria, antes de ativar-se pelo desejo do estabelecimento de uma nação , pensava na satisfação de seu egoísmo. A florescente natureza que se oferecia a seus olhos, a exuberância da vida tropical que agora o cercava, mostrando-lhes lindos espécimes de muita riqueza, aguçavam ainda mais sua avareza. Além disso, as grandes fortunas que se formaram pela exploração portuguesa nas Índias, os preciosos metais e minerais que foram arrancados do solo para o comercio português, que, por isso, tornou-se, nos séculos XV e XVI, o mais rico da Europa, o que concorria com maior competência no movimento econômico do velho mundo, trouxeram idênticos hábitos de exploração para o Brasil, desde o começo da colonização do século XVI, ainda pela convicção em que estava o espírito do colonizador, da semelhança de fauna e flora e das condições geológicas. Por indução, o colonizador conclui, dessas semelhanças, existirem minas no Brasil. Essa idéia, essa convicção, já foi gerada pela física do país, no espírito do colonizador. Em grande parte, era emigrada, por isso que na Europa ela era um importante fator das colonizações, um fato de caráter geral. A idéia política que tem por fim ampliar o espírito público, os direitos e a lei; que tem por fim tronar mais lata a soberania nacional, pelo largo desenvolvimento do comércio, da industria, da instrução; o espírito científico que tem por fim aumentar a cultura do povo, ampliar a liberdade do cidadão, tornar o homem soberano no meio da natureza que o cerca, não eram a causa eficiente das colonizações naqueles tempos, como o são hoje. Mais poderosos do que a idéia política, do que o espírito cientifico, eram o sentimento de riqueza, o sentimento religioso, para inspirarem as nações na colonização dos países selvagens. Salvar as almas em nome da religião e acumular riqueza em nome do interesse pessoal, eram característicos das determinadas nações coloniais daqueles séculos. Hoje salvar o cidadão da pressão autoritária de um governo, em nome da liberdade e da lei, e salvar a verdade em nome da ciência, é a causa das deliberações atuais e a feição dos tempos correntes.

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Eis por que quando o colonizador pisou o território brasileiro já trazia o espírito excitado pela febre desses sentimentos – pesquisar minas em satisfação própria, resgatar as almas das garras de Satã, em nome da religião. E as formações geológicas metamórficas, que se ofereceram a seus olhos, acenderam-lhe a cobiça e a avareza, a ponto que em cada quartzo, feldspato, mica, ametista, via as provas e os vestígios de ricas minas. Ao mesmo tempo que as formações geológicas aguçavam-lhe a ambição, uma raça desconhecida excitava-lhe a cobiça. Explorar minas e explorar as florestas brasileiras, em buscas de escravos, tornou-se um fato geral, em nossa história. Não só a classe popular, como a classe do governo se deixaram preocupar por ambas as explorações. Em ambas ficou plantado o privilégio, pelas tendência centralizadoras do governo. Prendeu o trabalho, cativando o braço, ficando sem equidade a distribuição da riqueza e prendeu os proventos das riquezas naturais. Instituiu o privilégio da escravidão, em beneficio da lavoura, e o privilegio da mineração em seu beneficio. E como ambos os fatos – o cativeiro do indígena e a exploração das minas – tinham por fim o primeiro passo de uma civilização – a formação da riqueza – e estavam centralizados nas mãos de duas classes, compreende-se facilmente que desde o começo, nossa vida econômica foi defeituosa, pelo poder centralizador em que ela vasou-se. Eis um fato de grande alcance para análise dos filósofos e que tanto contribuiu para a formação de um caráter nacional, como o que possuímos. Desde de que ambos os fatos foram monopolizados, o privilegio criado estabeleceu a corrente para o governo e a lavoura e com ela a corrente do poder, ficando assim as outras classes expoliadas. E procurando apreciar as ultimas conseqüências desses antecedentes, vemos que daí originaram-se a supremacia do governo, os ligeiros vestígios de uma aristocracia territorial, a passividade e subserviência da classe popular, a falta de um senso critico e analítico. E do caráter assim constituído ainda vemos bem visíveis provas, em nossas relações, psicológicas e econômicas. E se outros fatores representaram importante papel na formação do nosso caráter, a exploração das minas trouxe seu contingente, tanto mais importante, quanto ela tinha relações diretas com a formação econômica. O governo legislou sobre minas, tomando para si todos os proventos e quis levantar uma aristocracia sobre elas, por meio de baronatos, marquesatos, etc. E por isso temos de apreciar os desejos de muitos em obterem tais títulos, como Belchior Dias Moreyra, morador em Sergipe, um dos mais ousados exploradores das minas brasileiras, no século XVII, que tanto almejou o titulo de barão. Belchior Dias Moreyra tomou parte importante na conquista de Sergipe, acompanhando a expedição de Cristóvão de Barros, em 1590.

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Morou nas margens do Rio Real, onde está hoje edificada a vila de Campos, cuja capela foi por ele edificada. Iniciou naquelas paragens a profissão pastoril, constituindo-se talvez o maior fazendeiro daqueles tempos. Instituiu um morgado que motivou grandes pleitos e que duraram até poucos anos passados. Tinha foros de fidalgo e foi o tronco da família dos Caramurus, em Sergipe. Sua prole ramificou-se em Sergipe, constituindo diversos ramos, Pregos, Ávilas, Fonseca Saraiva, Dias, etc. Morreu em 1622 em sua modesta fazenda, com a idade de oitenta anos, deixando um filho natural Rubélio Dias, natural de Geru e filho da índia Lourença, de que adiante falaremos. Belchior Dias representa o homem que domina a história de Sergipe no começo do século XVII, pelas suas ousadas explorações. Os preciosos documentos dados à publicidade pelo meu honrado amigo e ilustrado professor Dr. Capistrano de Abreu, esclarecem as questões de minas, salvando a verdade que ate então, pela influencia de Rocha Pita, eram uma legenda em torno do nome de Rubélio Dias, a quem os historiadores sempre ligaram as questões de minas, no Brasil. O nome de Belchior desapareceu, para ser substituído pelo do seu filho, que na opinião de seus contemporâneos não teve tino nem atividade para seguir os passos de seu pai. A legenda foi substituída pela verdade da historia. Foi Belchior e não Rubélio quem se dedicou à exploração de minas. E compreendendo que na publicação dos documentos que esclarecem um ponto tão importante de nossa história, prestamos um serviço ao interesse de Sergipe, o fazemos, na esperança de que a iniciativa levante-se para arrancar do nosso solo as riquezas que ele possa conter. Na convicção em que estamos de que possuímos grande jazidas de preciosos metais, ficaremos contentíssimos se alguém utilizar-se dos ligeiros esclarecimentos que pretendemos dar neste trabalho, que se recomenda mais pela intenção de quem escreve, do que pelo seu valor real. Sendo de alto valor as excursões de Belchior, transcrevemos textualmente a carta que escreveu o coronel Pedro Barbosa Real ao Conde de Sabugosa em 1725, cuja publicidade deve-se ao espírito trabalhador do infatigável professor. Eis o que dizia o Coronel Leal ao Conde de Sabugosa: ―............................................................................................................................ ....‖vivia no sertão do Rio Real Belchior Dias Moreyra, dos primeiros naturais da Bahia, primo
de Gabriel Soares, abastado de terras e de bens que deixou por sua morte vinculados em morgado sobre o qual tem havido as contendas com a casa da Torre. ―Passados dous annos de perdição de Gabriel Soares sahiu seu gentio manso com algum gentio de Paramerim a buscar Belchior Dias pelo conhecimento que deste tinham. ―Com algumas amostras que trouxeram e com algumas noticias que já tinham de seu primo Gabriel Soares, resolveu a largar a sua casa e fazendas e entrar no sertão com o poder que tinha de seu gentio e o mais que de novo tinha vindo buscar, levando em sua companhia Marcos Ferreira, grande mineiro e se presume o mesmo que tinha acompanhado a Gabriel

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Soares – havendo duvidas que este mesmo Marcos Ferreira quando se perdeu Gabriel Soares sahio só do povoado ou ficou no sertão, entre aquelle gentio que foi quem os reduzio e convocou para buscarem Belchior Dias Moreyra. ―Preparado Belchior com a sua tropa no rio Real se encaminhou para as serras de Jacobina, fazendo seu caminho pelo rio Itapicuru acima, buscando o sertão de Massacará, passando pela serra a que os natures chamam – Bendutayu – que quer dizer na língua portuguesa – serra de Prata -, desta passou á serra do ―Puarassia‖ que se acha no meio da caatinga do ―Tocano‖, onde também fez exames, passou della ás serras de ―Jacobina‖ e continuando sua marcha por ellas para a parte do sul foi á ―Pedra Furada‖, d‘ahi passou ao rio Salitre e por elle acima foi buscar o logar onde se presume que morreu Gabriel Soares, passou a serra ―Branca‖, da serra ―Branca‖ passou ás serras de ―Osoroá‖ que se avisinham ao rio S. Francisco e dellas passou ao rio Verde e do rio Verde ao Paramerim e por elle acima procurou a aldeia dos Tubaijaras que existiu á beira do Paramerim, junto ao sitio que hoje chamam do Periperi, donde voltou não sei por onde, mas sei que tornou a buscar o rio Salitre, seguio por elle abaixo descobrindo as minas do ―Salitre‖, tornou a sahir ao rio S. Francisco, seguio por elle abaixo, foi ao ―Coraria‖ e onde descobrio as ametistas e novas minas de salitre na serra do ―Oroquery‖, continuou a marchar pelo rio abaixo, passou á outra parte de Pernambuco e se recolheu para ―Itabayana‖ a sua casa, gastando nessa estrada oito anos, no decurso dos quaes se não soube noticias delle, tanto assim que em sua casa o reputavam por morto. ― Com o trabalho, diligencias e exames de oito annos, sahio Belchior Dias Moreyra a povoado com o descobrimento de ouro, prata, pedras preciosas e salitre. ―Embarcou para Portugal, passou á corte de Hespanha, declarou os haveres que tinha achado, pretendeu mercês, e ou porque julgaram altas as mercês, ou porque julgassem que por ser natural do Brasil não merecia nenhuma attenção, o trouxeram quatro annos em requerimentos, até que desenganado voltou para o Brasil sem ser deferido. ―Passou segunda vez em Portugal e em dous annos de pretendente sem conseguir cousa alguma se tornou a voltar para o Brasil. Terceira vez intentou o mesmo, mandando seu sobrinho Domingos de Araujo remetido ao Conde de Almirante com todas as instruções. ―Voltou da mesma sorte sem despacho algum. ―Achou-se neste tempo governando Pernambuco D. Luiz de Sousa, avô ou bisavô do Sr. Marquez das Minas e tendo noticia dos grandes descobrimentos que havia feito Belchior e da sua desconsolação, lhe escreveu que se coarctasse nas mercêes que pretendia de Sua Magestade que elle queria ser seu procurador para na corte alcançar aquellas que pudesse conseguir. Sujeitou-se o velho Belchior Dias aquelle Mecenas cançado já de seu trabalho, da sua velhice e de tantos baldados requerimentos. ―Protegeu D. Luiz de Souza o requerimento de Belchior Dias na corte, offrecendo-se para com ele examinar e certificar umas e outras minas, alcançando, em primeiro logar a promessa do título de Marquez de minas para si, que então teve principio este titulo, tendo a sua confirmação depois da acclamação do Sr. Rei D. João IV e para Belchior Dias algumas mercês que se lhe destinaram. Conseguindo este despacho, escreveu D. Luiz de Souza, de Pernambuco, a Belchior Dias que Sua Magestade tinha deferido as mercêes , cujo escripto ficava em suas mãos para lh‘o entregar quando se ajustassem aquella diligencia e que em tal tempo o fosse esperar no rio S. Francisco para ahi se incorporarem e darem principio ao descobrimento, cuja carta firmada pelo dito governador D. Luiz de Souza se acha em meu poder. Resolveu-se depois vir á Bahia incorporar-se com o governador della o Sr. D. Francisco de Souza, seu primo, para ambos fazerem entrada no reconhecimento das minas. Desceu Belchior Dias á Bahia para guiar e acompanhar os governadores, como fez. ―Parece que Belchior Dias Moreyra com o uso das vezes quo foi áquellas côrtes se fez político e soube seguir algumas máximas que nellas só praticam, porque contam seus descendentes que, tendo peitado e obrigado a um pagem particular de um dos governadores, este sendo inconfidente a seu amo revelára a Belchior Dias que conversando ambos os governadores sobre as mercês que El-rei lhe fazia, dissera um para o outro: - mostre elle as

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minas, que o caboclo para que quer mercês? Do que procedeu entrar em desconfiança do que resultou o seguinte: Partiram da Bahia os dous governadores com Belchior Dias que os levou direto á serra de Itabaiana e que chegando a ella dissera aos governadores que suas senhorias estavam com os pés nas minas, mas que não lh‘as mostrava enquanto elles não lhe entregassem primeiro as cartas de mercêsque sua Magestade lhe fazia. ―Ao que elles lhes responderam que mostrasse as minas, que as mercês estavam certas, e se lhe entregariam o alvará de Sua Magestade depois que as mostrasse. ―Parece que ao mesmo tempo que cresceu a duvida em os governadores crescia mais a primeira desconfiança em Belchior Dias, que se resolveu a não patentear os descobrimentos, pelo que se precisaram os governadores a prendel-o, querendo por este meio obrigal-o a mostrar o que sabia, e vendo-se preso os levou a um serrote que chamam das minas em meio dos campos de Itabaiana, em o qual se fazendo exame se achou uma pedras cravadas de marquesita que não deram de si prata alguma, á vista do que voltaram os governadores para a praça da Bahia e Belchior Dias preso na cadêa della o obrigaram a pagar os nove mil cruzados que se tinha feito de despeza na jornada. ―Vendo-se Belchior Dias com dous annos de prisão e por não pagar os nove mil cruzados se resolveu em descobrir e mostrar o que sabia, ao que acudiram Pedro Garcia, o velho e outros parentes escandalisados do mau tratamento que lhe haviam feito os governadores, dizendo que não descobrisse, nem mostrasse nada e pagasse os nove mil cruzados que lhe supririam com elles, e com efeito pagou os nove mil cruzados, foi solto para o rio Real, aonde passados dous annos morreu, deixando todas as noticias daqueles descobrimentos sepultadas com a sua morte que succcedeu em o anno de 1619, tendo-se passado mais de um século sem que se tenha com certeza averiguado o lugar daquellas minas. ―Deixou este homem por sucessor a sua casa um filho natural havido em uma índia da aldêa do Gerú, a quem chamavam Rubélio Dias. Este com poucos brios, pouca actividade e temeroso do mau sucesso de seu pai, não só não quis seguir aquella empreza, se não deixou perder todas as memórias e roteiros que tinha deixado o dito seu pai. ―De Rubelio Dias procedeu D. Lourensa, que foi casada com Paulo de Araujo de cujo matrimonio nasceu o coronel Belchior da Fonseca Saraiva Dias Moreya, que entrou na casa em morgado do rio Real de sua bisavô Belchior Dias Moreya, e como este se casasse com a filha do desembargador João de Góes, vindo á cidade da Bahia, quis o Sr. Affonso Furtado que então governava este Estado, renovar aquelles descobrimentos de Belchior Dias, pelo que chamou o dito Coronel Belchior da Fonseca, a quem chamaram o Moribeca, para que declarasse os roteiros de seu bisavô e descobrisse aquelas minas. ―Foi o dito coronel ao sertão do rio Real á uma serra que esta defronte á fazenda do Jabibiry, onde morava e onde viveu seu bisavô, a que chamavam serra do Caniny, da qual tirou algumas pedras com marquesita, que parece prata e porque na sua casa se conservavam ainda algumas pedras de legítima prata do tempo de seu bisavô, introduzio estas com as que tirou da serra do Caniny e as trouxe ao Sr. Affonso Furtado que as mandou ensaiar pelo ourives Raphael Lobo, e como este entre todas escolhesse as que achou de líquida prata, tirou dellas a prata que tinham, o que vendo o Sr. Affonso Furtado mandou a seu filho João Furtado, com a amostra da prata e com as pedras que ficaram a ser apresentadas a Sua Magestade, Entendendo que tinha conseguido aquelle descobrimento em que sempre se tinha cuidado; mas como em Portugal se não achasse mais pedras de prata, ficou em duvida a certeza daquelas minas. ‘‘Governando este estado o Sr. Roque da Costa Barreto, mandou o Sr. Rei D. Pedro a D. Rodrigo Castello Branco, com 600$000 de ordenado e toda a despreza que fizesse por conta da fazenda real, averiguar e examinar as minas de Itabayana e Jacobina, pelas noticias e tradições de Belchior Dias. Foi D. Rodrigo com efeito a Itabayana ao mesmo serrote das minas a que Belchior levou os governadores, donde fez algum exame e somente achou que havia alguns criadeiros que indicavam prata, mas de pouca consideração e de nenhuma esperança para se romper aquela mina e retirou-se para Bahia, de onde passou para São

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Paulo, ambicioso então das noticias que corriam das esmeraldas, de ouro, e de prata de sabarabussú, onde o mataram, deixando na Bahia o tenente-general Jorge Soares de Macedo, seu cunhado, para ir examinar as minas de Jacobina ―E como a esse tempo se sabia já de um roteiro que Belchior Dias havia dado a seu sobrinho Francisco Dias, bisavô do coronel Garcia d‘Ávila, do haver que havia em Jacobina, foi Jorge Soares com João Peixoto a Jacobina, examinar o dito roteiro e correndo muitas serras e logares o não averiguaram e sucedeu o que o mesmo João Peixoto relata na noticia que deu e deixou escripta com o mesmo roteiro que é o seguinte: ―Copia da instrucção que deu o padre Antonio Pereira, o da torre de Garcia d‘Ávila, a João Calleta no ano 1655 para buscar na Jacobina as minas que descobriu Belchior Dias no ano de 1604 na mesma forma que ficou escrita pelo próprio Belchior Dias Moreya o seu sobrinho Francisco Dias d‘Ávila parente do dito padre, etc. ‘‘Na serra, na mais alta ponta dela que tem, pondo-se o homem da banda do sul, está o haver e a ponta está inclinada ao leste; e debaixo desta ponta de leste bem a baixo, quando faz grandes invernadas Leva uma bêta, si é de prata ou de ouro Deus sabe, e quando forem ao taboleiro em cima, pondo-se da parte do sul hão de achar muitos crystaes e da banda do sul para o norte outras pedras muitas, que me parecem de consideração.‖ ―Dizia mais o papel donde morreu Gabriel Soares de Souza está uma serra Itauiupeburá que é de chumbo. Tomem a ribeira donde nasce Tapuia Ubatuba, corram por ella abaixo, não fique grota que não vigiem.‖ ―Copia de um assento de Belchior Dias Moreya que foi dizer a El-Rei o anno de 1612 e por lhe não deferirem com as mercês que pedia e grande morreu no anno de 1619, ficando encobertas.‖ ―No de 675 fui eu com Jorge Soares uma das pessoas que Sua Alteza mandou a ver se eram minas, a serra de Itabaiana e Jacobina, vêr se fora por alli aquelle descobrimento de Melchior Dias. Achei um índio cariry, velho de cem annos, por nome Gaburú, na aldeia de Sahy e descobri com muita indústria haver acompanhado a Mechior Dias naquela jornada de seu descobrimento, o que ele tinha muito calado e negado ( disse ele) por assim o ordenado dito Melchior Dias. Levou-nos pelo campo firo ao do Salitre, cortando doze léguas de matto e catinga, sem água nem caravatá que a tivesse e com raízes de imbú e mandacarú se remediou a gente que abriu o caminho em dezenove dias. Mostrou o velho logar. onde Melchior Dias achou o que buscava, o qual ( disse o índio) os levará outro de outra nação que primeiro deu umas pedras ao Belchior Dias. Achamos signaes certíssimos de haver ahi estado gente branca, e não foi outro senão o dito Melchior Dias e depois do anno de 1628 seu sobrinho Francisco d‘Ávila mandado pelo governador Diego Luiz de Oliveira, sendo já morto o tio, mas não descobriu a mina por que não a conheceu, porque Belchior Dias escondeu da gente e índios que levou aparte donde tirou a pedra que ensaiou alli e disse o velho índio que coseu no fogo em m texto ou tacho e depois lavou muito e tirou uma pedrinha branca. Disso fizera muita festa com as espingardas e dissera era pólvora e lhes mandará não mostrar nunca a branco aquele logar. porque havia de saber os flamengos e vir tomar-lhe a sua terra, e por isso não quisera nunca falar nem mostrar. ―Em poder de Belchior da Fonseca, filho de Paulo de Araujo e de D. Lorença, neta do dito Belchior Dias, está um copiador de cartas que escrevia a El-Rei e ministros ( agora está este copiador na secretaria) instando de novo que não ficava por elle descobrirem-se as riquezas que as terras do Brasil tinham sonegado ha tantos annos com que S. M. poria freio ao turco e sopearia os potentados da Europa e estes termos de explicar o seu achado provam a riqueza e certeza della e instancia com que o affirmara e ser entendido em minas, e aquelle descobriu acompanhado de outro maior mineiro por nome Marcos Ferreira de que deu noticia o velho índio, e depois achei em João Callella e assim que por todas as razões que Belchior Dias achou ricas minas, e em sua casa há inda prata que tacitamente tirou delas, isto é fama constante e que foi aquele lugar se certifica pelo referido; mas por não haver quem conheça as pedras que estão incógnitas, Deus as descobrirá quando fôr servido.

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Mandou chamar o coronel Morimbeca e lhe encarregou fosse novamente investigar novamente o sertão em que seu bisavô tinha descoberto aquellas minas. é que d‘ahi para diante o conduziram e guiariam taes índios e ele se voltára com outra gente para sua aldeia. levado em minha companhia ouvires experientes e a Manoel Vieira da Silva que havia acompanhado a D. João de Alencastro com ordem de S. comunicando-me verbalmente algumas noticias e tradições que tinha sem certeza e me entregou um copiador de cartas de seu bisavô Belchior Dias. mas é sem duvida que pela tradição dos índios Oris daquella serra esteve nela Belchior Dias e sobre ella onde estive oito dias examinando-a achei duas marcas: a primeira consta de três 81 . Fui buscar á aldeia do Gerù a falar com o principal de nome Birú. D. Rodrigo de Castello Branco e o ajudar a examinar aquella mina em que só acharam ao referidos criadeiros com alguns indícios de pouca prata que ahi havia. donde voltou um pouco efeito e com poucas diligências. tão maltratado e comido de cupim que em poucas folhas se deixa ler algumas partes. mas não deram em nada porque são infinitas as serras e eles ignorantes em minas. Pedro. e que assim me dava de parecer que a buscasse mais ao sertão e que me não confiasse com a Itabaiana. E este velho me despersuadiu que não fosse a Itabaiana porquanto elle havia morado alguns anos na cidade Sergipe d‘El-Rei. e procurasse o coronel Belchior da Fonseca para que me comunicasse todas as notícias que tivesse. assim como estava o copiador que conservo em meu poder. ainda parente de Belchior Dias. o qual livro nunca apareceu e me certificou o dito coronel que fora comido e destruído do cupim. porque seu gênio não o inclinava à semelhantes serviços da qual diligencia não deu conta. que morava no rio Real e dava várias noticias de algumas entradas de Belchior Dias. procurei instruir-me na especulativa e pratica dos exames dos metaes com João Coutinho. mandando S. Rodrigo de Castello Branco por ensaiador. Que se acha na secretaria para entender sobre os descobrimentos de minas. acrescentando que pela experiência que tinha e sabia das minas. que tinha acompanhado a Belchior Dias e era tio de Rubelio Dias. o qual tinha assistido muitos anos nas Índias de Hespanha. ―Partiu o dito coronel de sua casa do Rio Real e marchou até a serra do picarassá de que atrás tenho tocado. a prata se não criava senão de quarenta léguas afastadas do mar para o sertão. e a Amaro Gomes. E porque no mesmo tempo capitão-mor de Sergipe El-Rei. ―Veio governar este estado o Sr. M. a partir da Bahia. para cuja diligencia me nomeou o mesmo senhor. ―Como o Sr. Jorge de Barros Leite.―Os signaes que deu este papel acima deu o padre Antonio Ferreira (da Torre) a João Callella e a seus irmãos para buscarem o ano de 652 quando entraram a povoar aquelas terras e parte da Jacobina. M. e fallando ao dito velho índio me certificou que tinha acompanhado Belchior Dias Moreya até a serra do picurassá sómente. seis léguas distantes de Itabaiana e que ouvindo fallar na prata d‘ella fôra por sua curiosidade a ver o serrote das minas e que ao Sr. seu filho. e porque então me achava sem intelligencia alguma de minas. Dr. donde voltou a buscar a estrada do rio São Francisco até o corassár. e se acharia no seu livro de razão a fls. até que certificado da diligencia em que eu ia me veiu fallar. de seu bisavô Belchior Dias Moreya. D. João de Alencastro mandasse pessoa de confiança a examinar se as minas de onde tinham saído aquellas amostras eram verdadeiras e seriam de rendimento. fui à serra do Picurassá onde fazendo varias diligencias não descobri nada. ―Como esta e outras noticias me resolvi entrar pelo mesmo caminho e sertão por onde entrou Belchior Dias. nas casas de fundições de prata. Roque da Costa tinha-o obrigado a acompanhar a D. e porque dele se acham seis ou sete folhas cortadas com assento do mesmo Belchior Dias em que se assignou que aquellas folhas que alli faltavam as rompera. João me ordenasse que fizesse passagem pelo rio Real. introduziu umas pedras do serrote das minas de Itabaiana e de outras terras do mesmo continente introduzindo-lhe alguma prata industriosamente de que resultou tirar-se na casa da moeda em Portugal algumas porções de prata de cinco pedras que foram com as mais. 60. que o Sr. ―Passei d‘ahi à casa do coronel Moribeca que receioso de alguma execução se ocultou três dias. um velho que vivia na Bahia defronte de S. recolhendo-se a sua casa sem outra alguma satisfaçãs.

João. e. E na dita carta se tinha achado um cono biscainho que eu vi em poder de Luiz de Andrade o qual agora em Jacobina me segurou. um dia pela manhã até a noite. o velho. o padre Antonio Pereira e Francisco Dias. Segui aquela derrota. Declarou-me então o dito João Calhelha. mostrando-me uma memória que tinha no dedo tirado por uns carijoz de João de Maya. o que ele não fora averiguar por se achar muito decrépito e incapaz de sahir de casa.letras feitas de pedra posta a mão_ um A. mas que havia poucos annos que os principais índios velhos lhe tinham declarado que aquella não era a verdadeira legitima serra de Jacobina. onde viveram e morreram. pelas informações que me deram os índios de que elle tinha ido à serra do Orocury chamado pela sua língua Podêcó. que se tinham retirado de Sabarabussú quando mataram D. procurei o gentio da nação Orocuyú que me levaram a dita serra donde achei novas minas de salitre de que mandei as amostras ao Sr. Disse-lhe eu então que se ele e seus irmãos. seguindo até ali o mesmo caminho de Belchior Dias. seus irmãos. no mesmo papel e da mesma letra que então me deu o velho João Calhelha. fui sahir a Jacobina. Rodrigo de Castello Branco. mas como me faltava o roteiro não pôde entender nem averiguar a significação della. o capitão Lourenço de Matos. D. descobridores de Jacobina. achando as amostras na dita serra vestígios de ter alli estado Belchior Dias. eram as serras da Sapucaia distantes daquella mais de trinta léguas. que achara para a parte do poente ao pé da mesma serra uma carta antiga. o que elle e seus irmãos tinham feito sem que tivessem encontrado signaes delle. que então estava descoberta e que não o averiguaram. e que este depois que subiu de seus descobrimentos dissera a seu sobrinho Francisco Dias que em Jacobina havia um haver e quando ele e seus irmãos por ordem do dito Francisco Dias descobriram a Jacobina escrevera Francisco Dias a seu tio Belchior Dias que a tinha descoberto que lhe mandasse dizer onde estava o haver. indo alli de passagem e sem conhecimento algum daquelle país.. Foi segunda vez com o mesmo roteiro o padre Antonio Pereira e com ele fizeram a mesma diligência e passaram a Jacobina nova e que não acharam nada e que o dito padre lhe deixara então o roteiro para elle e seus irmãos com mais vagar e maior diligência o averiguassem..Respondeu-lhe com o roteiro que agora remeto à V. e que os brancos tinham corrompido genericamente o nome de Jacobina por todas as aquelas serras e que como elles tinham procurado o roteiro naquele continente da primeira povoação da Jacobina. intentando descobril-o todo. e me asseverou o principal daquelles índios que perto daquele morro se achava outro todo de pedras amarellas. João Calhelha que era o mais velho me assegurou que conhecera muito bem a Belchior Dias. um L e uma S e diante delas em pouca distância feita uma cruz em uma lage. Francisco. que com elle correram toda aquella parte da Jacobina. ―Por então não averigüei o dito por seguir a derrota de Belchior Dias para o rio de S. ―Disse-me também que Francisco Dias. Ex. lhe tinham feito tantas diligências sem proveito. certificando-me aquelle mesmo gentio. ―Segui a derrota para Jacobina atravessando setenta léguas de catinga em que perdi vinte e oito cavalos e atravessando a serra Tuyuba pelas aldeias velhas dos Oris. o que estava lembrado que ele entrou ao sertão por se achar já com dez ou doze anos de idade. não podiam acertar pelo não terem buscado naquella parte que diziam os índios Payayaz. junto a um olho de água que eu alimpei beneficiei para dar de beber à minha tropa a qual cata eu não vi quando estive na dita serra. donde me segurou havia ouro. perto desta serra nos campos do Corassá perto ao sitio do Curral do Meio vi e passei pelo serrote de pedras amethistas roxas que descobriu o mesmo Belchior Dias Moreya do que eu tirei algumas e se tem tirado muitas por várias vezes. e Manoel Calhelha. me trouxe o 82 . que mal podia eu encontrar aquele lugar. Em Jacobina procurei o velho João Calhelha. que elle e Francisco Dias e o padre Antonio Pereira era verdade que tinham deito exactas diligências. o velho. fora a Jacobina com este roteiro. e esta serra que é mui elevada se acha só no meio daquella campanha e as serrarias mais vizinhas que lhe ficara à parte do poente para o sertão é a serra da Tuyuba e fiquei na presunpção de que aquellas marcas desmarcariam uma antiga cata e que se acha em um morro perto da serra Tuyuba aberta em uma pedreira de cor verde de que o gentio então me deu um pedaço. como experimentei capacitando-o ir me mostrar o rio Pindobussú.

.......... ―O que suposto segundo as tradições e noticias que tenho alcançado por homens antigos e por índios daquelles sertões............. nem póde haver controvérsia.................. as grotas muitas e muitos os anos.. o tempo tem cegado tudo de sorte que é necessário um geral e positivo exame naquela serra...... deu a seu sobrinho Francisco Dias o qual pelos possuidores de sua casa se perdeu ou o ocultaram........ Francisco....... ................. e três morros sobre outra serra e promete aqui ouro e cobre. porque se achando alli o serrote das pedras roxas................................... Falta descobrir a beta que diz o roteiro.. se conhece por ser a maior que alli há........ M.... dizendo que seus pais lhes contavam... achou-se a arvore de sucupira que tinha...... D. por quanto em alguns dos seus ribeiros se tem achado ouro e o vigário de Itabaiana remeteu as amostras dele ao Sr........... E como ahí são muitos e vi a variedade com que o índio m‘o buscava....... mas como – nihil occultum quod non revelatur – por algumas intelligências de escravos e índios antigos se veiu a saber delle....... compreendendo as capitanias de Sergipe d‖El-Rei.. crystaes e que é certo haver........ ‖Botei escravos meus com um homem a socavar os ribeiros daquella serrania com o intento de correr aquelle districto a descobrir as ditas catas.........índio correndo vários serrotes sem poder acertar com ele.........‖ ... até o continente que comprehende as minas do rio de Contas em que atualmente se está tirando ouro no que nem há duvida...... João de Alencastro....... que já esta caída no chão. e dizem que prata da qual não há certeza donde seja...... o que lhe não concedeu pela prohibição que havia de S. mas como a serra é grande......... o que me asseguraram os índios velhos cacherinheus práticos naquelle lugar pois alli é sua terra... Francisco abaixo e vim buscar á Itabaiana donde me dilatei três mezes correndo todas aquellas serras e acabando-o com três barris de pólvora que lhe metti em uma mina que lhe fiz...................................... ‖Os signaes do roteiro são uma grande arvore um brejo de cannas bravas....... Pará mirim... pedindo-lhe licença para romper aquellas minas.......... que no sertão de Itabaiana descobriu ouro.................... .......................... e porque também vi que ele fazia bastante diligencia para acertar com elle porque chegando a vários daquelles serrotes pesquisava ao redor buscando o seguinte para conhecer no que conheci que não fingia o seu descobrimento..... mas não deixei de acreditar aquela noticia......... Jacobina....... mas não se pode então dar com as catas....... Fiz-lhe bastante diligencia................ governando este Estado... donde tirei quinze amostras que entreguei ao Sr. ―Daquela parte desci pelo rio S...... ―O mesmo João Calhelha me certificou que Belchior Dias entrara no sertão aquelles descobrimentos com o gentio do Parámirim e com o gentio de Gabriel Soares.......... Francisco......... como dito tenho............. Eu sei que o rio das pedras da mesma Itabaiana se tem tirado ouro....... e estar incorrupta e se sabe de brejo............. com quem no decurso de tantas jornadas tenho tratado e pesquisado. em uma das quais é fama constante que esta ferramenta enterrada................... ―De outro roteiro na mesma Jacobina há também individuaes noticias que o mesmo Belchior Dias... e assim por todos os princípios e por todas as circunstâncias e noticias fez Belchior todos os descobrimentos no sertão da Bahia no quase rotundo território desde o rio de S....... em alguns se acham ouro e o de 83 .. ―Nem por estas diligencias fica perdendo o descobrimento de Belchior Dias a opinião no que toca a Itabaiana.............................. mais elles não sabem o buraco........... passei adiante á diligencia em que ia sem outra averiguação............................. Luiz Cezar de Menezes........................‖ ................. e entre ellas se tem tirado algumas amarellas é factível que haja o morro das ditas pedras amarelas que dizia o índio.... e talvez que Belchior Dias occultasse este àqueles governadores e que também naquellas mais no sertão tivesse descoberto mais alguma cousa que não quis descobrir...... Agora quando estive em Jacobina mandei examinar esses signaes.............. oito ou dez léguas do rio Itapicurú-mirin da freguezia Jacobina donde se acha duas antigas catas. ‖Como esta certeza já não é para desprezar o roteiro de Belchior Dias e por este se devem acreditar todos os seus descobrimentos.............. Este é na mesma Jacobina da missão de Nossa Senhora das Neves para a parte do rio S. Paraguassú...

. Ex .... que abriram ao rio S..... Determinei passar pessoalmente aquelle exame depois de saber os primeiros signaes do roteiro... Os feitos que se imputavam a Rubelio não passam hoje de legendas... ―Quando de volta do rio de contas cheguei a Jacobina.......... que não hão de faltar descobridores que se arrisquem como Belchior Dias e que descubrão o mesmo que ele descobriu que alguns não fazem por não correrem a mesma fortuna que ele correu. Como pelas catas que recebi de V. Aquilo que ate aqui se tem afirmado relativamente a Rubélio Dias...... Ex.... 84 ..... me veio um sujeito a quem recommendei a diligencia dizer que a tinha descoberto umas das catas por um morro acima.. cuja trilha não quis seguir..... se logre esta felicidade e que para o dirigir e franqueiar guarde Deus a V.. mais como chegasse o tempo de passar as minas do rio de contas para onde fui...... de que também remetteu a copia tirada do mesmo copiador. mais deixei recommendado a pessoa de satisfação a fizesse..... Foi sempre indiferente aos trabalhos do seu pai. ― S...Beribery o tem de conta de que mandei a mostra à V.. Queira Deus que no tempo do governo de V. seu parente. Deste documento devemos tirar importantes conclusões. por ter sido infatigável descobridor de minas.. cujo nome se auroela com grandes feitos......... que descobrir prata em logares do rio S.... nem é histórico... me faltou o tempo para aquella averiguação.. ―Isto me afirmaram alguns índios tubayjaras com quem falei...... comprida e muito antiga e que levando-se o morro a escala.... Francisco muito ao sul de Jacobina Nova e da grande serra Branca se acham catas antigas que ha tradições foram feitas por Belchior Dias e fama constante que nellas tirou prata e algumas pessoas viram já estas catas e o Capitãomór Damião Cosme me disse vira algumas..... deve ser referido a seu pai Belchior. ..... Francisco e pelo Paraguassu examinou também aquella parte do rio de contas e da a conhecer a carta que escreveu a Affonso Rodrigues da Cachoeira... no fim delle se abrira uma mina ou buraco e elle segurava e estava tapado com pedras arrumadas a mão e duvidando-lhe eu que se poderia e ser aquella ruína ou tapada por alguns desmanchos do morro e tornou a sererar que elle reflectira com attenção que achara e que fora artificialmente tapada. Tudo aquilo que até aqui se tem afirmado relativamente a Rubélio... ―Na serras de Assuruá. por serem hoje aquellas serras pastos de gado das fazendas de D... Novembro de 22 de 1725..... Ex... se verifica pelas copias de suas cartas que remeteu a V.... Nunca foi à Europa. Pedro..... Se V Ex... não estive mais de oito dias em Jacobina.. ―Este homem chegou a affirmar por uma carta que se acha no seu copiador que havia de dar neste sertão do Brasil tanto ouro e tanta prata como ferro em Bilbáo. tiradas do seu copiador que tenho... anime os seus vassallos com mercês e com algum proveito com que passa fazer as despesas..... não quiser passar pela demora de um século como tem corrido desde o tempo de Belchior Dias até o presente...... Ex. É sem duvida que nellas esteve Belchior Dias e que por ser a mesma serrania dellas passou a do rio verde onde dizem achou uma pedreira de esmeralda..... não é real... nunca tratou de minas. requereu e prometeu minas. para que a historia conquistou a verdade do passado. Joanna Cavalcante e o capitão Antonio da Guerra que morou no sertão do lagarto assegurava que tinha visto prata daquelas serras e me convidou a mim e ao donatário Manoel Garcia Pimentel para irmos a ellas e que elle se obrigava a mostrar os buracos da prata. por muito annos. Ex.. não pode ir para examinar a dita cata ou mina velha que La vira tempo que se reconheça e examine.. – Pedro Barbosa Leal‖...... ―De que Belchior Dias foi a Portugal.... e seu nome tornou-se popular pela influência de rocha pita em sua História da América Portuguesa..

Cristovão e ai achava-se quando passo o exercito fugitivo de Bagnuolo. na fazenda de Jabebiri. no fim do século XVI e começo do XVII. por seu intermédio. o papel que representou Sergipe no movimento histórico. que alem de ter tomado parte na conquista de Sergipe. por nove anos. Como testamento de seu pai. para compreendermos que muito cedo entre nós o colonizador penetrou pelo interior do nosso território. A colonização amplia-se com as explorações de minas. sem atividade. Acreditamos que não pegou nas armas na guerra da independência do norte do Brasil. a Nicolau Pinheiro de Carvalho. compreende-se por isso mesmo. Desaparece da critica do historiador. durante sua estada na velha capital sergipense. em uma doação à própria Misericórdia. em novembro de 1637. E basta consignarmos aqui a época da conquista de Sergipe (1590) e a época da morte de Belchior (1622). a Belchior Dias que se devem ligar os acontecimentos de exploração de minas e que por isso mesmo representa a feição histórica de Sergipe. de hoje em diante. que é filho natural de Belchior Morou em S. 85 . É.Belchior foi o verdadeiro perquisador de minas . de cuja fortuna apoderou-se. pois. Nada mais importante sabemos Em Janeiro de 1636 arrenda. quando tinha de idade trinta e tanto anos. esta estudada a historia de Sergipe nesses tempos. Cristovão. fez em cessão da misericórdia de S. um sítio de criação de gado. Nisto limita-se a vida de Rubelio Dias. nunca mais o encontramos no movimento da nossa historia de 1635 em diante. a si pertences. para onde afluíam os exploradores de então. sem patriotismo. O território sergipano foi percorrido por estas caravanas que se dirigiam para o ocidente e muito cedo tornavam-se conhecidos os sertões de Itabaiana e Simão Dias. Rubélio declara ser morador do Rio Real. Provavelmente dedicando-se ele à profissão de criar gado e arrendando o melhor curral existente naquela zona — fazenda de Jabebiri — onde morou seu pai. justamente o contrario de seu pai. Estudado Belchior Dias. mudou-se por este tempo de Sergipe. Na escritura passada. até mesmo os governadores da Bahia e Pernambuco. um compromisso de alimentar o exercito. Ele é o centro de todo movimento de mineração daqueles tempos. motivando também a colonização dos sertões da Bahia e Alagoas. ao domínio da legenda. e nenhum auxilio prestou-lhe. Muito pesquisamos sua vida e nada de importante encontramos Sabemos que nasceu no Geru. Os fatos referidos a Rubélio Dias devem pertencer. por vinte mil reis anuais. nas terras de Jabebiri. para não cair nas mãos do inimigo holandês. A casa de Belchior Dias. tornou-se um ponto. Naturalmente teve a sorte de todo habitante de Sergipe: fugiu abandonado os lares. O arrendamento foi feito. E tendo sido ele morador em Sergipe.

Deixemos. fala muito e muito das minas do mameluco Belchior Dias Moreya. Todas as explorações de minas feitas até aqui em Sergipe têm sido improfícuas. para nós de muita importância. levantou de Sergipe. procurando explorar-se o leito do rio das pedras. em sua importante obra. escrita em latim. Já tivemos ocasião de ver um frasco destas belas amostras. além de determinar em seu mapa o local das minas. Além destes documentos. por que todos os exploradores dirigem-se para a serra da Itabaiana. em cascalho aurífero. como ele o chama. Em 1642. vem a indicação das minas. em um ponto aproximado ao rio das pedras. porem. pelas explorações que efetuou. Deve-se mudar deve-se mudar de rumo. em companhia de Mauricio Nassau. No mapa geográfico que Barloues. isto e vejamos a questão de minas. Realmente desses pequenos montes descem regatos de leitos auríferos. 86 . temos de consignar o fato muito significativo de muitos dos nossos sertanejos apanharem ouro em pó. para sua prosperidade. quando ele contorna as serras do cajueiro.contribuiu para sua colonização. O importante geógrafo holandês que esteve no Brasil no século XVII.

em suma. do que do sentimento de liberdade nutrido pela classe popular. por isso 87 . para impor um sentimento religioso a outras nações. A invasão holandesa no Brasil não é mais do que o prolongamento das lutas que as províncias unidas levantaram contra Espanha. iniciaram a luta pela liberdade de consciência. angariou para o Brasil a prevenção de outros povos que. as que se seguiram traziam maior força de coesão. foram os primeiros a estabelecer os fundamentos de uma futura nacionalidade. No correr da luta os oprimidos tomaram a ofensiva e as colônias espanholas forma dela o alvo. De entre os povos que maior amplitude deram aos meios políticos que os deviam dirigir no Brasil. Não nos cabe aqui acompanhar esse movimento. a luta contra as forças da natureza. para corrigir seus estragos. que propagavam o ódio contra o governo opressor. Sendo dos últimos a encetar correntes de imigração para o Brasil. quis Felipe II impor uma religião aos países-Baixos. Desde 1581 estas agressões tomaram um caráter mais serio por isso mesmo que erma dominadas por causas mais gerais pelo desejo de estabelecer uma política ultramarina na novas regiões. Povo eminentemente livre. pelo grande domínio que representava no século XVI e pelos meios de coerção que pôs em pratica. sóbrio. a cuja coroa ficaram anexadas. Dominado exclusivamente pelo sentimento religioso. não só como resultados do espírito da época. pela proteção dos Estados que as permitiam e auxiliavam. onde iam saciar o espírito de riqueza que nutriam. a guerra da emancipação. com a fundação de colônias que seriam os rebentos de futuras nacionalidades. contra o estabelecimento da inquisição. laborioso. se a prosperidade da colônia dependesse mais do grau de saber de seus governadores. cheia de prosperidade se fosse mantida a orientação inteligente do conde de Nassau. Desde os primeiros tempos do século XVI franceses e ingleses pirateavam pelos mares do Brasil. tenderam a fortalecer as correrias. se já faziam excursões por suas costas. o holandês levantou a revolta contra a política de Felipe II e guiado pelo seus rederykers. figuram os holandeses. de inquirição. Se as excursões anteriores àquela data eram presididas por sentimentos pessoais. se os seus sucessores não se desviassem da brilhante carreira de administração por ele traçada. pertinaz. cujos antecedentes históricos levaram-nos a levantar o protesto contra a semelhante coerção. como de uma vingança à rainha dos mares. cujas tentativas e ambições forma grandemente auxiliadas pelo seu governo.CAPÍTULO IV Invasão Holandesa em Sergipe Estado da capitania Desastrosa à colônia foi a subjugação de sua metrópole à nação espanhola que. pela abdicação de Carlos V em Felipe II. ao terror das nações – a Espanha. habitando um solo que cedo lhe despertou o sentimento de associação.

tendo como imediato s bravo Piet Heyn. advogados. fazendo esquecer as medidas de defesa. limitaram-se a encarregar a defesa de Pernambuco a Matias de Albuquerque. tornou-se bem patentes nos meios de defesa que opuseram à invasão das armas inimigas na Bahia. durante vinte e quatro anos e com o direito de nomear governadores. que prevenidas dos intensos hostis dos Países-Baixos. em 1624 e em Pernambuco. estava vitorioso o plano e pouco depois já achava-se organizada a expedição. feitas por Piet Heyn nos mares da Bahia. p. que se não faria por certo. que não só prolongavam a marcha dos pleitos judiciários. não permitia um tão grande número do corpo da justiça e da advocacia. concluir pactos com os moradores e construir fortificações. escrivães. de muita vantagem para os interesses profissionais. O estado do espírito publico da colônia. Os Holandeses no Brasil. a morte do espírito militar. aplicando para a tropa as despesas com este corpo de justiça. com o auxilio de vinte e sete soldados e algumas munições. foi entretanto a causa de originar-se cedo no pais o espírito de chicana. confiada a Jacob Willekens. A cobiça açulou-se com os lucros da companhia oriental e Guilherme Usselincx levanta a idéia da criação de uma companhia ocidental. nenhuma clausula foi estabelecida para realizá-las. A falta de patriotismo. no começo do século XVII. O comercio do oriente foi o primeiro alvo do espírito ofensivo dos oprimidos. 10 88 . a perda do sentimento de patriotismo que de sua população tinha-se apoderado. até mesmo depois da recuperação da Bahia.que na trégua de doze anos celebrada entre os beligerantes (1609.83 Em 1621. Se a instituição do Tribunal da Relação na Bahia. se não fossem as rícas presas. que se achava em Madri. em 1630. nenhuma providencia tomaram. A pequena vida da colônia. de civismo e de homogeneidade de sua população. quando a companhia ocidental dirigiu a atenção para Pernambuco. o predomínio do espírito religioso que tudo avassalava. justamente quando se acabavam as tréguas. em 1630. pelo grande número de letrados . que nenhuma oposição encontraram em assenhorearem-se da capital da colônia. para cuja manutenção 83 Porto Seguro. Os mesmo sentimentos tornam-se bem patentes na metrópole e na corte. Era completo o esquecimento votado aos interesses da colônia. O mais direto resultado da invasão holandesa foi uma modificação da legislação da colônia. como instigavam o capricho da clientela. com o monopólio do comercio da America e África. e que indenizaram as grandes despesas da companhia. encarregando-se do comando superior João Von Dorth e em maio de 1624 os habitantes de São Salvador avistaram em sua bela baía as velas inimigas. trazia vantagens pelo lado criminal.1621). do qual quase que se apoderaram. tornam-se bem visíveis do modo por que foram recebidas as armas inimigas. em virtude da qual a metrópole aboliu a relação. rábulas. Avisadas a metrópole e a corte desta segunda tentativa. o atraso de seu movimento social.

a tendência de substituir-se o espírito político. do que o lado criminal. E o modo de distribuir-se e agitar-se o direito. contribui para a degeneração do caráter. durante sua vida colonial. no começo do século XVII. Três fases muitos diversas apresenta o domínio holandês no Brasil. Seu alto tino administrativo. pela abundancia de questões civis agitadas. ficaram com ela reduzida a vinte mil reis. Pertencia-lhes inquirir do procedimento dos capitães-mores e das faltas das câmaras. seu ilustrado espírito. de rapinagem. compreende toda a administração de Nassau (1637-1644). que vai de 1637 a 1644. 486 89 . com agravo a apelação para a ouvidoria geral. 84 Porto Seguro história Geral. que exclui a contribuição da clientela. de saques. gentios e peões. que estabelecem as bases de uma política verdadeiramente livre. sem previa formação de processo. Na terceira fase que é a guerra da independência. dirigindo uma guerra de emboscada. que reivindicaria para a Holanda todo o território setentrional. e fortificado em porto calvo. o espírito comercial é o que domina a fim de que a companhia não desista de seus planos de exploração. I. se à frente dos invasores não se coloca Domingos Calabar. ( 1645-1654) o heroísmo e patriotismo dos invadidos foram postos em ação. Não esta no plano da presente obra acompanhar a evolução da invasão e domínio holandês em Pernambuco.Não nos compete nada dizer deste período. Na primeira que se entende da invasão à administração de Nassau (16301637).84 No próprio espírito da legislação pintava-se a profunda linha divisória entre as três raças que colonizavam o Brasil. se não se manifestasse. por parte da companhia e seus delegados. E hoje temos a prova desse hábito que se inoculou no Brasil. com alçada no cível até cem mil reis e no crime até morte natural dos escravos. pôs-se a campo com as tropas holandesas a estender os domínios para o sul. Na segunda. pelo espírito mercenário. foi substituída por duas ouvidorias gerais. Os capitães-mores e ouvidores das capitanias que até então tinham alçada até cem mil reis. assumindo a direção do governo holandês em Pernambuco. o novo aspecto da civilização dado pela raça invasora. e pela proliferação que se efetuou na classe de advogados. a invasão vai se estendendo a maiores âmbitos. Abolida a relação. Achava-se o Conde Bagnuolo no comando das tropas portuguesas.p. estabelecendo as modificações operadas no norte do Brasil.era preciso de preferência ativar-se o lado civil dos pleitos. Só nos pertence apreciar o alargamento do domínio até Sergipe. ficando suspensas durante a presença do ouvidor nas capitanias. No crime ficaram igualmente restritas as atribuições dos capitães-mores. quando Nassau. Para antecipar-se o saldo de despesas que se iriam tornando isolváveis.

Esta perda foi a conseqüência do erro cometido nas fronteiras de S. Francisco. para opor-lhe resistência. fortifivada outro posto. o arrependimento que posteriormente externou. História do Brasil II p. 336 90 . quando tentando o ataque da Bahia em 1638. Bagnuolo manda reconhecê-las por Almiron. pela certeza de que suas tropas já não encontrariam nenhuma resistência na capital da colônia. Cristovão. fazendo a derrota para a margem do rio S. Animado pela vitoria obtida nos dois postos. Ainda que historiadores contemporâneos85 liguem a resolução de limitar suas fronteiras no rio S. se não projeta o ataque o ataque da Bahia em 1638. e a convicção do erro. pelas presas que efetuou. por terra. que por sua ordem. já tinha o exercito fugitivo alcançado descansar. Francisco. sendo a 27 do mesmo mês a chegada de Nassau em S. cuja linguagem não compreendia. Vê-se por ai que a fuga era rápida e pequena a distancia entre os dois exércitos. Neste rio. O terror que se apoderou da soldadesca. A insuficiência de documentos dificulta-nos inquirir as causas que suspenderam a marcha de Nassau. a que denominou de Mauritius. no ultimo dia do mês de março de 1637. onde desembarcou. convocou os habitantes da margem sul do rio a passarem-se à outra ribeira acariciou as tribos indígenas. Os Holandeses no Brasil. a fim de prestarem-lhe auxilio. Bagnuolo na fuga atravessa S. Antes de empreender estas explorações. com presentes e agrados. todavia. em pesquisa do exercito fugitivo. que não obstante auxiliado por Francisco Rabelo. Francisco. onde aconselhou o estabelecimento de uma colônia alemã. Foi esta uma das poucas descaídas que cometeu Nassau. 85 Porto Seguro. que escolheu como fronteira de seu domínio e de suas conquistas. e embarca em Barra Grande para Jaraguá. não pôde deter a soldadesca que caiu em debandada.p. Segismundo Schkoppe. não respeitava as largas distancias que só poderiam ser percorridas com detrimento do exercito. dividiu Nassau suas forças. edificou um forte. infundido pelo conde de Bagnuolo. provam que os meios de luta achavam-se em bom pé. em uma carta que dirigiu ao seu parente o príncipe de Orange. Percorreu-o em distancia de 50 léguas para o centro. onde chegou a 27 de março de 1637.Com a notícia da aproximação das forças inimigas. onde as tropas avançadas de Nassau apresam as bagagens. a opulência que circunvizinha o grande rio. mandando para o sul. Francisco. cuja gravidade não seria tão sensível. à falta de necessária provisões. era bastante para incitar em Nassau o desejo de levar avante esta marcha. que sob a ação da covardia . Bagnuolo abandonou o posto que ocupava em porto calvo. Com a noticia da perda. admirando a riqueza do território. não acompanhando mais o exercito fugitivo. ficando assim entregue às mãos inimigas. Henrique Dias e Camarão. onde pôde fortalecer suas armas. Francisco. sem nada participar a Gilberton.166 Southey. abandonadas pelo exercito fugitivo. a abundancia das pastagens de gado. e chega à cidade de S. em suma.

em cuja mente não passava a probabilidade do inimigo assaltar a Bahia. Bagnuolo poderia resistir em campo aberto à luta? Repudiados seus oferecimentos pelo governador da Bahia. Cristovão. Francisco sua marcha. Portugal. Como. buscavam nos currais de 86 Southey. 86 E Bagnuolo. o que se não pode contestar pelo abandono em que deixou algumas porções do exercito. que trazer a Bahia a fortuna de Pernambuco. para opor franca resistência no assalto da capital da colônia? E como poderia prever que Nassau. História do Brasil. Op cit II. sob a tutela espanhola. Enquanto o governo de Holanda. E para restringir-lhes os meios de subsistência que. ficou sob a ação do medo e do terror? Ele. realizasse a improfícua tentativa de defender Porto Claro. Estava em sua convicção que estragava o exercito se em completa desigualdade de forças. que certamente seria assaltada por Nassau. aguçado pelos lucros. da agricultura. sentia morrerem todas as suas forças ativas. Pedro da Silva ofereceu-lhe o auxilio de sua tropa. com mais facilidade. 345 Constâncio. para a defesa de Bahia. até mesmo do coração da colônia? Se havia justeza de motivos para se lhe imputar fraqueza de ânimo. há um vislumbre de plano e calculo. pois. Beauchamps. prestava auxilio a companhia. O governador recusa o oferecimento de um general sobre quem os contemporâneos. conserva-se onde estava o. S. que montava talvez em dois mil homens. Francisco e Sergipe. com que poderia enfraquecer as forças inimigas. que posteriormente tão heroísmo mostrou na defesa da Bahia. os próprios inferiores. assacavam a pecha de covarde. p. de fuga. de emboscadas. Bagnuolo resolve estabelecer seus quartéis em S.Não descansaria em S. pelo definhamento do comercio. pela posse de um território de cuja riqueza o próprio Nassau era o primeiro a dar o testemunho. Avisa Bagnuolo à corte de Espanha o que ia sucedendo e em oficio ao governador geral do Brasil. Sua língua tinha deixado de ser a língua oficial. pelos sacrifícios de Gilberton e Almiron e pela recusa formal de oferecer combate à campo aberto. o que motivou a demora de Bagnuolo na capital de Sergipe. Cristovão. Isso é a prova mais visível da fraqueza moral de Portugal. da indústria. neste sistema de guerra. cujo domínio já se estendia a tão largas distancias. sucumbiu à covardia? Ou Concebeu o plano de não estragar seu exercito. pois se não pode conservar donde vinha. de emboscadas. e iniciar a guerra de depredações. desde que os recursos enviados pelas duas metrópoles eram desiguais. em vista das esplendidas vitorias que suas armas iam conquistando em favor do governo holandês. nutriria o desejo de eliminar o português. pelo compromisso de preciosas vidas. todavia. Serlhe-ia mais necessário. neste proceder nesta deliberação de fuga. diz o governador. se Nassau não suspende em S. 91 . Estes pontos estavam irremediavelmente perdidos. Alagoas. História do Brasil.

voltou a Recife para encetar o seu trabalho administrativo. em vista de uma febre. 89 V. um reduto – Keert de Koe. vol. Cristovão. Figurava como principal fazendeiro de então Simão Dias. onde se pôs uma bateria sobre uma árvore com três peças de calibre seis91 e do mesmo lado do rio. confia a Souto verificar as forças que se vinham agregando. cujo local deve ser o mesmo do curral e fazenda desse criador de gado. com quarenta homens e índios. Além da fortificação de Mauritius.Sergipe. cuja fronteira agora não julgava bastante segura. Entregando a fortificação em S. a fim de desalojarem o inimigo. aprisiona dois holandeses. na margem sul do rio e defronte dela. 91 Ver. e a 26 prende dois auditores do forte Mauritius90. A cinco léguas acima do forte de Mauritius. manda apregoar um bando.92 Bagnuolo. 106. e que no começo do século XVII tinha obtido sesmaria na Itabaiana. João de Estrada. dando-lhes gado sob pena de prisão. Francisco a nado. resolve expeli-lo de seu aposento e para isso manda convocar os batalhões aquartelados em S. com três companheiros. Para isso expede diversos destacamentos. tinha o inimigo construído. sem ser apercebido. a quem tinha chegado a noticia dessa resolução. sob o comando de Johan Gisselingh que devia unir-se à Schkoppe. ao entrar a estação invernosa. Alagoas. em virtude do qual autoriza a remoção do gado para margem sul do Rio Real.180 pelo mapa de Barloeus verifica-se que esta fortificação fora construída no lugar em que está hoje edificada a Vila Nova. cruza o capitão Sebastião de Souto o rio em jangadas. Francisco. Só dos currais de Simão dias são retiradas cento e cinco cabeças. Francisco. 87 O Capitão Alberto Fernandes é o encarregado de apregoar o bando de Bagnuolo. faz as mesmas excursões pela margem de S. onde mata quinze homens. 105. onde mata 50 inimigos.34 p. transmitir aos moradores de Itabaiana88 sua ordem. Francisco. que o atacou. carta de sesmaria de Simão Dias. para moverem-se. João de Almeida. 92 Barloeus.89 Daí vem o nome da atual cidade de Simão Dias. 90 Constâncio Op cit. 88 Dominavam Itabaiana todo o território compreendido entre esta cidade e a de Simão Dias. Pernambucano. do exército holandês. No mapa de Barloeus vem determinando o local do seu curral. e que nenhuma dúvida deixa no espírito dos fugitivos de um ataque iminente e da superioridade das forças dos seus companheiros. o qual não pôde permanecer muito tempo em S. do qual se desviara para levar o inimigo aos muros de S. a 5 de maio. junto à foz. morador em Sergipe desde 1599. D. reclama de Nassau sérias medidas. com uma força talvez de 1600 homens e a exploração pelos mares do sul ao almirantado Lichthardt. onde morava o célebre fazendeiro do mesmo nome. Francisco ao comando de Segismundo Schkoppe. A 20 de maio Souto percorre o território circunvizinho à foz do rio. Francisco. Souto novamente cruza o S. p. Op cit p. Arq. aprisiona um oficial holandês que traz para seu acampamento. suas operações. 342. com a presença do inimigo em S. mata sete dos onze que ele ataca em uma casa. Francisco.107 92 . a fim de retirar o gado da capitania para o sul do rio Real. Moribeca e Recife.87 Manda um dos capitães de seu exército. um fortim de madeira. para uma definitiva ação. Do Inst. Era de alto valor para Bagnuolo pesquisar os movimentos de Nassau em S. Essa guerra de depredações e emboscadas que Bagnuolo ia realizando em Sergipe.

cujo fim o espíritos não podiam prever. a probabilidade de um assalto a si. pela miséria. e sentiam desaparecer da alma desse sentimento de patriotismo. expede diversas partidas a devastarem e assolarem a fogo o território que abandonavam. Os mais destemidos opinam pela luta franca e decidida. salva a capital. é a força diretora das deliberações. pois. renunciavam às garantias de uma recompensa. toda a coragem deveria potenciar-se. arrostando a fome. salvo-condutos.Bagnuolo reúne então seus oficiais em conselho. comunicam-lhe ter o inimigo passado as águas do S. sempre quis ser prudente. tática encetada. ou distanciados do exército pela marcha que levava. Estes. o cansaço. Salvador fechar-se-iam a este exército que sempre trepidou. deixando em pé inferior os planos de uma luta. o Brasil meridional ficaria em Posse da metrópole portuguesa. para 93 . nem calcular. em busca da Bahia. habitadas por animais e índios. manchada por uma fuga. em cujas estacadas ficavam retidos. reclamam que já é tempo de suspender-se uma fuga tão desairosa a brios militares. sempre analisou as conseqüências de uma derrota. porem mais prudentes. outros. como Negreiros. inspirando-se nos interesses gerais. Uns. justamente quando seus espias. Outros. para defender-se o coração da colônia. deveriam ser desembainhadas para defender os muros de S. que poderia ser desvantajosa à colônia. que augurava para o Brasil um péssimo futuro e preparava-se para debelá-lo. A filha de Cristovão de Barros não poderia testemunhar o heroísmo deste exército. o civismo é o que mais alto fala. deveriam tremular no coração da colônia. seguindo uma derrota. Estas bandeiras que nas ruas de S. a fim de voltarem às suas abandonadas habitações. Henrique Dias. para aceitar do inimigo. votam que se continue na fuga. Barbalho e muitos outros. com uma possante cavalaria e uma infantaria de três mil homens. abrigavam-se à sombra das florestas onde serviam de pastos aos animais. nunca lesiva ao sentimento de honra de seus generais? E para onde ir-se com estes peregrinos. Camarão. presos pelo cansaço. E pôs-se a caminho com os infelizes e míseros emigrantes das províncias conquistadas. acima das probabilidades da vitória de um exército. saqueadas. mortos pela fome. pois. Lá todo heroísmo deveria ser posto em ação. quando as portas de S. por entre a florestas. Francisco. Cristovão se enrolavam em seus postes. que encontravam devastadas. porém. Sergipe não merecia ser o teatro tão importante acontecimento. pois deveria pesar a gravidade do momento. está a honra dos seus generais. A Bahia os recebia agora. para quem a coragem. onde figuraram os heróis que posteriormente restituíram à metrópole as províncias conquistadas. Estas espadas que se embainhavam em Sergipe. Antes de seguir. Salvador do fuzil do inimigo. mais calmos e mais políticos. Bagnuolo aceita este parecer e levanta o seu exercito para a fuga. com o abandono da família? Outros menos heróis e valentes. a 14 de novembro. serviam de alimentos aos potiguares em seus festins. com estes foragidos de pátrios lares. perante baionetas inimigas. E para onde ir-se. entregando-se Sergipe à devastação dos inimigos. o grau de conveniência de suas longínquas conseqüências. em cujas mãos caiam.

aqueles cujas forças privaram de acompanhar os seus concidadãos. daí enviam parte do exercito para percorrer a zona de Itabaiana.a colonização de quarenta e sete anos tinha acumulado. 94 . desembarcam na fortificação que tinham defronte do forte de Mauritius. voltam para o rio S. sem nela deixar o menor sinal de administração publica.quem a idéia de submissão era dolorosa. Limitaram-se a efetuar correrias pelos território da capitania. que cedo organizada. Poximerim. repugnante. pelo aspecto do terreno a probabilidade de riquezas naturais. logo depois o ouvindo gritar. verificando. incendeiam os engenhos e em vez de protegerem os infelizes abandonados. desaparecendo uma pequena riqueza. 345 94 Constancio Op. Percorrem uma zona de Itabaiana até Simão Dias e a serra da Miaba. como o exercito de Xenofonte. opressiva. Os holandeses. seguirem a reforçar o exercito fugitivo. entrega a tudo à destruição de seus soldados. Cit II p. Perdidos os sentidos a esta vista.. o Sergipe. nesse tumultuar de angustias que se erguiam de todos os peitos93. em cujas ruas levantam entrincheiramento sem a menor resistência. ate os areias de onde Santa Izabel e a ilha de Arambipe. que 93 “ enquanto a partida fazia alto. seguiam o exercito. nessa sucessão de dores e incômodos. seguraria os interesses já presos ao norte de S. no intuito do inimigo nada encontrar na nascente capitania.96 o Japaratuba grande pelas suas cabeceiras. o Comandoroba. Cit. com o espírito entregue à desesperação da sorte. Atravessam o rio poxim. pára ai esperar novas decisões uma nova serie de calamidades e decepções. atravessam o S. que entregam às chamas a pequena cidade. o Ciriri. e destruírem a pequena riqueza que um. o Paxim-Assu. em uma incandescência de ódio e rancor. Depois de apagarem os holandeses todo o vestígio de vida que ainda restava na capitania. afluente do Betume. Cristovão. Op. voutou-se e viu uma onça a devora-lo. de onde mandam uma fração do exercito para a costa. devastam os canaviais e os sítios. aos caprichos do infortúnio. enxotam-nos de seus lares para. ficando o vestígio de uma completa destruição nos lugares por onde passaram. foi uma mulher lavar roupa num regato e depôs o filho numa moita. Francisco. nesse heroísmo que se quebrava na aspereza da disciplina militar. que mal lhe dava pelos tornozelos” Brito Freire. 95 No mapa de Barloeus esta fortificação vem o nome de Houte Wambis 96 No mapa de Barloeus esta ilha vem com o nome de paraúna. tendo à frente Gysselingh e Schokoppe. Bagnuolo.95 em demanda de S. A destruição encetada pelos conquistados é acabada pelos conquistadores. E nesse peregrinar. afogando-se num arroio. além de oito mil cabeças de gado que afugentara para além do rio Real. e chagam aos muros da cidade em 17 de novembro. Francisco. matara cinco mil. Francisco. Ai fizeram alto. chegaram a 29 de novembro94 à torre de Garcia d‘Ávila. acumulada em quarenta e sete anos de colonização. com a miséria e a dor. Southey. caiu n’ água com o rosto para baixo. o pitanga. o Ganhamoroba. Conta-se até que.

por um corpo de guardas avançadas. nas margens do rio Real. o escolho do ilustrado conde. ficando indiferentes às garantias futuras que a ocupação de Sergipe oferecia aos outros pontos já ocupados. pois. entretanto. como veremos adiante. Vigiado o limite meridional de Sergipe. que sempre guiou o representante dos Oranges no Brasil. três mezes antes. descansou Bagnuolo. 8º p. se a molestai que lhe atacou as forças. que Nassau que retificar o erro de 1637. tornar-se-iam. Ai perpetuaram-se os efeitos dos seus três graves erros que tanto contribuíram para a decadência do domínio batavo no Brasil. tudo lhes inspirou ódio e vingança. testemunham as riquezas dos pastos de criação de gado. quanto não estavam inoculados na sociedade de Sergipe os maus antecedentes da raça colonizadora. Não deveriam poupar nem o território onde. em vista das barras dos rios navegáveis. pois. que como diz o padre Vieira era os ossos da guerra e pelo seu valor e experiência digno de ser venerado como relíquia98. desde Santa Maria até os areais de Santa Izabel. quando nos impossíveis. nos sete anos de governo. desde o litoral ao sertão. 261 98 Sermões T. como em virtude destas exigências de Viera . estabelecendo entrincheiramento no rio Real e ascender à vida social. cujo começo já existia. pois. teria poupado a Sergipe a calamidade de que foi alvo. não lhe tira a oportunidade de testemunhar as riquezas naturais da capitania. com tanto maior garantia para segurança da colonização holandesa. com uma difícil navegação para a entrada de grandes esquadras. que obedecesse a outras leis mentais e morais. que expatriados. Muito mais difícil tornar-se-ia o assedio do forte Mauritius e das outras fortificações que os holandeses já tinham levantado no território de Alagoas e ao sul de Pernambuco. muitos difíceis as invasões portuguesas no rio S. se tivesse rebentado do seio própria província e não do rio Real. não lhe deveria ser indiferente que a realização de tais medidas seria contribuir poderosamente para a perpetuidade de seu governo. para a organização de uma nacionalidade no Brasil.p. Os Holandeses no Brasil. Sergipe representa. na historia. tomando-os a sua proteção.97 Não só deixa de pesquisar Bagnuolo. promovendo a colonização de Sergipe em 1642. pelo menos. intenta uma invasão no coração da colônia. E acreditamos que. A invasão holandesa em Sergipe não foi presidida. com poucos pés de profundidade. levantou-se o primeiro grito da revolução. em 1637. se ele faz parte dessa expedição. veio a suceder” Porto Seguro. Francisco. com a organização de uma administração que zelasse pelos interesses dos infelizes.108 95 . Viajam pela costa oriental. durante sua estada no rio S. não puderam fugir. depois 97 “ forçar é reconhecer que mais fidalga e cavalheirosa se houvera apresentado a restauração de Pernambuco. durante sete meses. repelindo de Sergipe os restos do exercito pernambucano. Francisco. dando descanso em Sergipe . por um espírito político. onde tirariam o alimento para a província conquistadas. E tanto a verdade esta nestas considerações. Não lhe deveria ser indiferente fortificar Sergipe. como. até a Bahia.deveriam ser exploradas.

finalmente. desde 1637. na edificação de capelas.II. lemos o seguinte : “ . Eis seus três erros: Sergipe foi a bola com quem Bagnuolo saciou sua sede de vingança do exercito holandês.99 Sergipe já contava então quatrocentos currais. perante o provedor e irmãos da Misericórdia. oito engenhos de fabricação de açúcar. E Rubélio Dias. no próximo capítulo. do cart. e estabelecimentos de mão morta para provarem à posteridade a sua existência.. De órfãos de São Cristóvão. entre os rios Seriri e Ganhamoroba 101 Southey.103 A idéia religiosa que era a idéia dominante e que tinha dado à classe clerical o papel mais proeminente no movimento social.” (Liv. p. 343 102 Porto Seguro. cuja localização. Op cit.de ser o primeiro a fornecer-lhes forças. de not. não só pela diversidade de suas ordens religiosas existentes --. ainda que não muito próspero. Melhor apreciaremos o papel de Sergipe na decadência holandesa. de 1635-37) 96 . todavia já tinha espalhado pelo território da capitania uma população bastante laboriosa. os jesuítas e o clérigo secular --. distribuídos por toda extensão do seu território100.. a influencia destes erros. de sua vaidade militar. e S. criadas pelo domínio espanhol. natural do Rio Real. o presente dado a Nassau para o aparato de seus triunfos. a colonização de Sergipe. 15 103 Na escritura pública passada entre Rubélio Dias e os irmãos da Misericórdia de São Cristovão.. cit p. Era capitão-mor João Rodrigues Molenar.. que a seus ensinamentos achava-se entregue.102 O sentimento de caridade e o sentimento religioso já tinham levantado templos. deixou de promover. e ver elle dito rubelio dias a dita casa da santa mizericordia muito pobre e particularmente de ter tomado o inimigo a capitania a enfanteria a ordem do conde de banholo e não haver na dita casa com que se pudesse acudir aos pobres do exercito e retirados. a fim de acudir às necessidades públicas e socorrer os pobres e doentes do exercito de Bagnuolo. Cristovão já tinha cem fogos. para ir organizando um começo de lavoura e ostentar já a profissão pastoril. Brito Freire § 802-9 Barloeus. segundo o mapa de Barloeus. a braços com as dificuldades. 99 A criação de gado era tão ativa em Sergipe que. A administração publica vigiava interesses gerais e o movimento colonizador. a 20 de setembro de 1637 para o cumprimento de uma verba testamentária deixada por seu pai Belchior Dias Moreya a favor da santa casa.os carmelitas.como pela ostentação material de sua força. Os Holandeses no Brasil p. que institui-o como administrador de seu morgado.O. apresentava-se poderosa. é onde hoje esta edificada a vila de Pé de Banco. pela ausência de proteção da capital da colônia e da metrópole. na direção da sociedade.63 100 De entre os currais figura o de Camarão. em um pé de sofrível adiantamento. a 20 de setembro de 1637. em favor da Santa Casa. vai cumprir uma verba testamentária de seu pai Belchior Dias Moreya. uma misericórdia e dois conventos101 e a sua recita subia a mais de 624$000. os holandeses mataram três mil além das que conduziram para suas fortificações. além das três mil cabeças que Bagnuolo destruiu e conduziu para além do rio Real. à qual deixava duzentas vacas parideiras em dois currais.

em cujo frontespício vimos a seguinte inscrição ZELO ZELATUS SVNPRO DNODEO. contamos a capela de Stº Antônio. que ali edificara uma capela. trazia embaraços ao progresso colonial. seguiram-se a eles os carmelitas em 1618 ou 1619. do Rosário. vê-se que o seu primeiro convento foi em S. na margem direita do Cotinguiba. junto ao engenho do mesmo nome. de inquirição. de protecionismo. que como conseqüência natural. Gonçalo próximo à S. o clero em Sergipe. onde hoje está a vila do socorro. que se manifestava por três ordens religiosa e pelo clero secular. onde havia uma capela. Guiando-nos pelo mapa de Barloeus. carta de sesmaria dos padres de S. 106 V. Gonçalo. na mesma margem. em 1657107. ficando as famílias espoliadas voluntariamente de sua riqueza. Com uma ascendência completa sobre o movimento social. provavelmente onde está situado hoje o povoado do Brejo Grande. ficando assim privadas as outras classes de utilidades que equitativamente distribuídas. 105 V. por meio da proteção do estado e dos legados testamentários. Tendo os jesuítas se estabelecido desde 1597. arrodeado de pompa e riqueza. S. traria o desequilíbrio na distribuição do poder. de reverência. nas margens de S. Cristovão na Ilha dos Coqueiros. gerou o falso espírito aristocrático. Depois transferiram-no para a cidade . incutido no espírito popular pelo clero. de acordo com a classe do governo. Submetemo-la ao nosso parente Baltazar Góes. Compreende-se facilmente que o domínio do sentimento religioso. a de Itaperoá. de Souzaria. aplicando-a aos interesses próprios. em favor das ordens. a de N. Já nesse tempo tinham levantado monumentos à sua religião. provavelmente onde se acha edificada a cidade de Laranjeiras. ligando toda a importância à manifestação externa desse culto. op. que deunos a seguinte tradução: A piedade cristã dedica este templo ao seu Senhor supremo. abriu uma linha divisória entre as classes.105 tendo sido precedidos pelos capuchinhos em 1603106. a de santa Izabel. em Comandoraba: a de Stº Antônio junto ao rio Jacaracica. que lhes foi doada por um devoto. no povoado hoje do mesmo nome. Só muito posteriormente vieram os franciscanos. 585 97 . de pesquisa. seriam causa de maior prosperidade. a de S. plantou no espírito público as idéias de superstição. de levantar um culto com aparato. a de S. de quem trataremos adiante. a de N.Acreditamos que os dois conventos existentes eram o colégio dos jesuítas e o do Carmo em S. carta de sesmaria dos carmelitas. onde 104 Pela Sesmaria dos carmelitas na nota seguinte. onde edificaram um suntuoso templo. Francisco. A favor da classe sacerdotal distribuía-se os recursos públicos e particulares. com a incumbência de ensinar a nova geração e der ser o órgão da opinião nos púlpitos e confessionários. Gonçalo junto à cidade de Sergipe. com a proteção e prerrogativa de desviar para si grande parte da riqueza publica e particular. a dos capuchinhos. S. Bento 107 Frei Jaboatão. Cit. Poderosamente isto contribui para caminhar lento da população e para um desequilíbrio na distribuição da riqueza. eliminando todo o espírito de análise. Cristovão104 que aos carmelitas tinha sido dado por um devoto. § 540 p.

Encontramos em nossas buscas uma nota de um registro de um carregamento em um navio. que era a característica da época. Pelo mesmo documento vê-se que Antônio Barbalho.chamam hoje Igreja Velha. junto à cidade de Itabaiana. e nas suntuosidades dos templos retratavam-se não só a tendência teocrática que. mais tarde. Não obstante minguados e pequenos seus recursos. com um baixo salário. ficar inativa. a do almoxarife cinco mil. um porção de terra . os irmãos Antônio Barbalho e Manoel Lopes Barbalho em escritura pública de 19 de Outubro de 1937. por 200 cruzados. de mil braças de largura sobre três mil de comprimento. Ela sem iniciativa. levantou-se o espírito religioso. Antes de levantar-se o espírito da lavoura. tomou maiores proporções. reverente e tímida. era. supersticiosa. um vaqueiro alugava-se para reunir todo o gado do dizimo a 12 vinténs a cabeça e 17 os que pertenciam ao dizimo da Bahia. pois vendia-se uma zona de terra de mil braças de extensão sobre três mil de largura. Cristovão. como também eram herdeiros de todos os serviços que o dito seu pai em sua vida avia feito a sua majestade. com uma grande extensão territorial. a classe popular tinha de contribuir para a pompa e esplendor do culto. 109 Segundo os códices que folheamos do começo do século XVII. 98 . ficando a classe popular a ser o alvo dessa espoliação. Arrendava-se um curral. como o acúmulo de riqueza em favor do clero. 110 Durante a estada de Bagnuolo em Sergipe. inteiramente contrários a liberdade popular.110 108 Neste tempo foi vendida por Antônio Barbalho Feio a Marsal Maciel. presenciando os exemplos de aristocracia. no tempo de sua vida nas ocasiões de guerra e mais cousas que de serviço do dito senhor se offereceram. por duzentos cruzados (80$000). O primeiro passo de civilização. em obediência à ação dos hábitos. pois. Neste tempo (1637) já exportava-se algodão.109 com uma pequeníssima remuneração dos empregados públicos. tabaco e açúcar para a Bahia. Um negro custava 36$000 um boi 4$000 e a fiança para tesoureiro das fazendas e defuntos era de mil cruzados. aos princípios democráticos. que hoje tanto nos oprime (1887) e que a vida de três séculos fornece eloqüentes exemplos. hábitos que posteriormente haviam de ser a causa de uma organização social defeituosa. quando se deu a invasão holandesa.. que em Sergipe se dava. trespassaram ao seu irmão o capitulo João Lopes Barbalho. liv. por bem do que perante mim tabelião e testemunhas adiante nomeadas. 8$000 anualmente. Citamos aqui o texto referente a isto: ”. deveria. João Lopes Barbalho e Manoel Lopes Barbalho são filhos de Gaspar de Carvalho e Clara Barbalho. Eis o estudo de Sergipe. cada vez mais. De 1635-37. eles tinham de servir para o alimento da aristocracia que se gerava. de not. além dos templos da cidade de S. Paupérrima pela insuficiência de recursos.108 com um valor territorial nulo.. disseram que trespassavam como de feito deram e transpassaram ao dito seu irmão o capitão João Lopes Barbalho para que elle para se requeira ou mande requerer a Sua Magestade e delle se aproveite das mercês que por este repito lhe foram feitas como se fora o próprio seu pai por quanto delas desistiam e a renunciavam no dito seu irmão deste dia para todo o sempre virem como também desistiam dos serviços de um irmão seu por nome Gaspar Barbalho que morreu as mãos do inimigo holandês na batalha derradeira que com o inimigo tiveram na vila do porto calvo”. todas as regalias dos serviços prestados por seu pai em favor da metrópole.

op. incolis dilapsis. sob os esforços dos primeiros colonizadores. de onde não se podia desfalcar forças. que não deveria ficar abandonada. fizeram da capitania um deserto. quando a Bahia manda um reforço para ficar destacado em Sergipe. de onde desapareceram completamente o trabalho agrícola e atrasada vida administrativa encetada e mantida. que se deveria colocar na província. 112 Barloeus. Pelas florestas encontrava-se um ou outro caçador. sem se lhes preparar habitações seguras. op. Quod reliquum erat pecoris. 111 abandonado dos conquistadores dos fugitivos. 535. quanto a Bahia não se achava preparada para uma luta como o exército como o de Nassau. isentas das destruições inimigas.. 536. e os males dessa resolução não se fizeram esperar. encetando a colonização. Haec bellis vastata. rarum venatore adeatur”. com esquadrões de cavalaria e infantaria. Sergipe não morreu a atenção da capital da colônia. triste sui vertigium reliquere. tão favorável á prosperidade do governo holandês. Cit.que ao chegarem a torre de Garcia d‘ Ávila espalharam o medo e o receio de um ataque á cidade do salvador. colocado no forte de Mauritius. O espírito batavo não se deixou dominar por nenhuma idéia de reconstruir as forças da capitania. 99 . que Bagnuolo julgava iminente. cuja administração não daria tempo ao superintendente vigiar as baixezas. DOAÇÃO DA CAPITANIA Os saques e devastações de que foi alvo Sergipe.. Pelos seus campos pastava o resto do gado. continuou nas correrias. noticia tanto mais contristadora. Estas. vel hosti vel nobis vel trigidum vera citatem cessit. usqueo adeo. que salvo da vingança dos fugitivos e da cobiça dos conquistadores. em busca de subsistência.CAPITULO V DOMINIO HOLANDÊS EM SERGIPE. ut ab rarionem capturam. e durante os quais o exercito holandês. Barloeus. servia agora de alimento aos tigres. Nesse abandono permaneceu desde novembro de 1637 até julho de 1639. eles não podiam dar vida a um processo de reorganizações. conduzindo o gado. 112 Os argumentos apresentados para abandonar-se o plano da colonização de Sergipe venceram. contra a vontade dos naturais. Foram quase 2 anos de morte. p. et in Sanctorum sinum propulsis. no Brasil. Cit. Ainda que algumas vezes se levantassem em favor da colonização de Sergipe. o interesse iníquo e as explicações dos selvagens. 111 “At. apelando para as grandes despesas que arbitraram em 150 florins. razões contrárias se levantaram e bastante poderosas abortarem esse grito de iniciativa. levaram á convicção de abandonar-se o plano. p. pelos conquistadores e fugitivos. Ainda mesmo que se conseguisse colonos.

mostrando as garantias do comércio livre. que ele mesmo tinha sido o primeiro a consentir. cansados e famintos nas ruas de S.. Cristóvão. O que queremos tomar bem patente é que sobre o movimento bélico de 1. Chez L. comme anniva a Cannes”.Nassau. Com ela. Cristóvão.. Não conceberia. Amsterdam. que derrotada abre aos ventos as velas. em vista da boa estrela que o guiou desde Porto Calvo a S. 1640. quer reivindicar para si todo o monopólio do comércio do Brasil. Esta. Salvador 113. alegre.de Paraíba a Sergipe. é que essa excursão foi mais motivada com o fim de apagar um desastre. na realização do qual as novas e grandes despesas acumulavam-se. até os muros de S. da qual esperava um próspero resultado. juntamente com as câmaras. a guerra á Bahia foi o primeiro resultado do erro cometido em Sergipe. Já era mais que suficiente a largar extensão de território que o seu domínio ocupava.638 influíram os acontecimentos dados em Sergipe em 1. Foi esse o primeiro desastre de Nassau. concede o plano de atacar Bahia. Auguste de Qvelen. que nem a menor resistência encontrou. A exigência da companhia. o mesmo da companhia. destroçando as grandes forças de Rojas quiseram o conde holandês remediar uma falta. 100 .637. ainda não salda das despesas feitas. que se achavam sob seu domínio. em demanda do recife. Sabendo das desinteligências que se tinha levantado entre o conde italiano e o governador da Bahia. Brieve Relation de l’Etat de Phernambocq. que motivou-lhe um grande incômodo de espírito. que acremente o censurou por abandonar Sergipe. 170. em vista da concentração das forças. Not. são os meninos que na Bahia em 1638 gritaram a vitoria perante suas armas e suas esquadra. o que fez em abril de 1638. 17. etc. Porto Seguro. O que não sucedeu. realizando agora (1638) aquilo que já deveria ter feito. consertar um plano político. contra a qual Nassau se opõe. ativar a vida das capitanias. em cuja consciência pesava a convicção do erro de não ter seguido bagnuolo. quis retificá-lo e diminuir seus maus efeitos. externado em sua correspondência. era suficiente para inspirar-lhe a desistência do plano do ataque. aqueles soldados estropiados. 113 “Le Comte de Nassau aprés avoir pris Porto-Chaves se reprochait de ne pás être porte sur Bahia. plano que não devia ser concebido e logo posto em prática. Excussão perigosa. que de direito pertence à história sergipana registra e cuja influência sobre os acontecimentos exteriores tem sido olvidada pelos historiadores pátrios. foram enxotados pelo o seu exercito vitorioso. provocando isto ainda haver déficit em suas especulações. se Sergipe não tem sido abandonado. em1637. por que talvez lhe parecesse um bando de crianças tímidas. e sim longamente discutido entre os membros do conselho. p. C. Os holandeses no Brasil. em favor dos interesses da companhia. tratando de zelar os interesses. Aquele exército que tantas vezes deu-lhe as costas. e em cuja pesquisa não quis continuar. de que por um pano de interesse geral.

Não contente Nassau com os destroços do inimigo. 114 Não sabemos quando João Magalhães teve ordem de marchar para Sergipe. manda barbalho passar o rio de S. O grande reforço militar que o grande governo tinha trazido permitiu que pudesse colocar alguma força em Sergipe. em busca de gado.116 Tendo ido o almirante lichthardt à Bahia. Francisco. na torre de Garcia d’Ávila. Francisco. até quando o conde da torre assumiu o governo da colônia. As ordens eram expressas para arruinarem todos os engenhos. Pernambuco número 34. que também já tinha sido despachado para Sergipe114. sem ordem sua. por escrito. Francisco o almirante Cornélio Jol com oito navios.mor D. Expressamente ordena a Barbalho que use de todo ardil nas lutas. setecentos soldados e duzentos índios. que recomenda-lhe não só escrupulosa atenção as ordens do governador. currais e incendiarem os canaviais. uma guerra de índio. em 31 de julho de 1639. Arq. comandados por Luiz barbalho. os planos de Nassau. de 17 de novembro. por meio de espias colocadas além do S. vigiar os inimigos e transmitir a Bagnuolo. mais de emboscada do que de peito aberto. 210. para transmitirem-lhe todos os movimentos. Vigiar sobre os interesses dos habitantes. Efetuou então Luiz Barbalho a gloriosa marcha de quatrocentas léguas do rio grande do norte há Bahia. Em suma. e com a ordem de seguir Jol em julho para a ilha de cuba. Privar que tropa algumas passe o teatro da guerra. Francisco. despacha para o norte Vidal e camarão e incumbe. Opor-se as correrias holandesas. quando veio com Sebastião do Souto. p. 101 . com 100 infantis a quem devia reunir-se o capitão João Magalhães. não consentido os agravos que lhe possam fazer os negros e os índios. Provavelmente aí ficou.115 Eis as ordens com que manchou barbalho para Sergipe. que ficara comandado as tropas em S. Deverá vigiar todos os passos do inimigo. era uma guerra de emboscada. Uma contra-ordem. Antonio Felipe camarão e o governo Henrique dias. enviando para S. holandeses no Brasil. ao capitão João Lopes barbalho fortificar e ocupar Sergipe. atacar camarão e Magalhães. como realizá-las fielmente. Os terços que vagavam pelo sertão de Sergipe. justamente com camarão. 115 Carta de D. os velhos e os doentes. manda pesquisar os portos do sul. sustentaram diversas refregas e continuavam sempre a devastar tudo por onde passavam. assim como a infantaria e soldados do capitão. p. Eis as do governo central. em 1639.Continuou Sergipe abandonando. João Lopes barbalho encontros sucessivos com esquadrões holandeses. Do Inst. do qual resultou a derrota para a sua aramada e exercito. Rev. deixando em Sergipe o mulherio. em abril de 1640. camarão e Henrique barbalho. 34. Nassau manda o coronel koen. Francisco Mascarenhas ao Capitão João Lopes Barbalho de 31 de julho de 1639. no rio real. recebendo posteriormente as cartas de seu tio Luiz Barbalho. Vindo como plano de atacar Pernambuco. 116 Porto Seguro. Não nos pertence apreciar a falta de tino do conde da torre no ataque intentou a Pernambuco.

o tenente Manoel de Azevedo da silva. 158. 152. recebendo muito mais auxilio da companhia do que a colônia portuguesa de sua metrópole deveria fortificar a província novamente conquistada. que foi o primeiro sintoma da decadência do domínio batavo no Brasil. para aí deveria Nassau convergir sua atenção. II. Por isso mesmo que se achava Sergipe mais aproximado do coração da colônia. que se de frente não dizimavam suas forças.119 E no dia 1º de agosto obtêm a mesma vitória nas ruas de s. intentaram atacar a capital de Sergipe. todavia enfraqueciam-nas. o ajudante Domingos Moreira da silva. 121 Mello. Agostinho barbalho121 bezerra.. Nesta peleja o heroísmo de Luiz Barbalho foi tal a merecer do monarca. assegurando-se novamente do ponto. a quem reuniram-se as forças já postas no rio real. Os dois caudillho não puderam levar vitória e tiveram de ceder o posto. op. p. distinguiram-se.. 212. 120 Porto Seguro. 152. Cit. op. que se fizeram no rio real. investiu com tanta resolução as suas fortificações. auxiliado por Luiz Barbalho e João Lopes Barbalho117 e destroçou as forças holandesas colocadas no Rio Real. a desalojar o inimigo do rio real. Francisco de Moura. Porto Seguro. Op. op.. o alferes Francisco de Figueiredo. 138. logo que chegou a Bahia. que as rompeo. Cit. o capitão Francisco pereira Guimarães. p. 160 e 180. as seguintes expressões: E marchando. De Mello. 162. que mereceram louvores de seu rei. 119 Mello. I. Caía em 1640 novamente Sergipe sob o domínio português. Cit. p. 212. que durante cinco meses trabalhou na edificação das trincheiras e fortificações. que saiu ferido. com o que largaram a campanha. onde fica prisioneiro o major van den Brande120. em que estará fortificado. foi a conseqüência dos acontecimentos aqui desdobrados em 1637.onde ficaram fortificados por ordem de Luiz barbalho. Chegando a noticia a Bahia. II. 151.118 Satisfeitos os ânimos pela vitoria obtida. p. 102 . II. que se achava então fortificada pelos holandeses. Nas lutas travadas no rio real e na capital de Sergipe. 143.. em provisão de 7 de dezembro de 1663. era o resultado do erro cometido por Nassau de não se ter convenientemente fortificado na capitania. p. como um importante reduto. privando assim essas correias de caudilhos. João de Souza. Durante este período de tempo. matando-lhes mais de trezentos homens. o alferes Antonio Martins palha. Se a derrota de Nassau em 1638. como extremo de seu domínio. Dessa incumbência foi encarregado o mestre de campo D. e as desbaratou. filho de Luiz barbalho e muitos outros. 117 118 Biogr. Mello. o capitão Marcos de oliveira. vem o general D. Cit. Cristóvão. 148. além dos acima mencionados. desde 1637. a recuperação de Sergipe em 1640. Cit. na Bahia. II. op. onde agora concentrava-se as forças portuguesas e por conseguinte de mais fácil assédio.

traria uma de alto valor: vigiar o inimigo. a animação. fizeram de Sergipe um posto de guardas avançadas. cedo. que seguia uma vida autônoma. em que estavam os dois partidos. que os Portugueses fossem considerados como amigos. por maio de carta régia de 20 de março. A fração inimiga não teria a seu favor as oportunidades para sustentar. e não desanimar o espírito de revolta. Talvez não sucedessem assim. durante mais de um ano. em vista do sentimento de patriotismo. a si enviados do Recife. para comunicá-los ao governo. dispondo outro tanto. Porto Seguro. op. quisesse o português não desistir de protestar contra o pouso holandês. p. e que se afugentavam para o ocidente. com respeito aos holandeses122. Calado. um ponto de pousada. os portugueses neste período de guerras depredatórias. desde o começo de 1641. tomar Sergipe até o rio Real. da Gama e a ordem para recolherem-se os campanhistas e guerrilheiros que continuavam a saquear e a incendiar e vir ao Recife Paulo da Cunha Souto Maior tratar de suspensão das hostilidades e ressalvar o direito de cada uma das partes. Cit. Reunir-se-ia a esta dificuldade o encontro de hordas selvagens.123 122 123 Porto Seguro. do zelo pelo direito de posse de sua nação. 117. se não em maranhão. com reforço de Quatro barcos. adiantados em certo grau de civilização. Qualquer trégua estabelecida nestas lutas. que não pareciam de dois povos. Francisco. e tentar ataques. e sim de hordas selvagens. ser seu sentinela. não obstante a ordem dos Estados Gerais de 13 de Fevereiro de 1641. Nassau manda que o comandante das tropas de S. não obstante o entabulamento de tréguas. do rio Real até seus limites ocidentais. mesmo debaixo deste plano. 227. Sergipe serviu para animar e sustentar esse espírito de emboscada. op. não obstante. achar-se-ia em muitos maiores dificuldades em descrever itinerários mais longos. que. por sertões inóspitos. uma atividade que chegou a ponto de recuperar a capital da capitania. que a colonização portuguesa não tinha ainda aproveitado. a restituição dos prisioneiros holandeses por Pedro Corrêa. fazendo ai entrincheiramentos. não obstante cartas de Montalvão de 2 de Março do mesmo ano. quando reais vantagens não lhes trouxesses. se. para continuar-se nesse plano de guerra. p. E quando. 103 . de guerra. acompanhar seus passos. E tanto Nassau compreendeu a desvantagem de ficar Sergipe fora de seu domínio. não obstante tudo isto. correspondendo Portugal a essa declaração.Quase que sem interesses mais presos ao norte. comunicando-lhe um importante acontecimento da emancipação de Portugal e que esperaria começar entre Portugal e os Estados Gerais ―aquella paz e união com que sempre se trataram‖. Nassau autoriza a sua fortificação. Além disso. Cit. de emboscadas. um efeito salutar operou-se nos espíritos pela recuperação de Sergipe. pela devotação aos interesses de seu rei. de guerrilhas.. Andréas. 224. em conferência com os conselheiros Theodoro Codd van der Borch e Nunin Olfers. florestas virgens e espessas matas. obedecendo aos seus próprios recursos. qualquer interseção desse movimento traria uma defervescência nos espíritos. que..

oficialmente podia justificar-se com o artigo 8º do mesmo tratado. É esta uma brilhante verdade da história sergipana. pela proximidade em que ficavam dois povos. colocandose a linha divisória em S. até a ratificação do tratado. A suspensão das hostilidades não poderia ser fielmente mantida. muito prováveis entre dois povos. dizemos. Em 1641. Havia de dar-se uma absorção por parte daquele que maior força mental possuísse. pois.Não era em obediência às sugestões. entra Andréas pela barra do Vaza-Barris. Convicto de que a separação de Sergipe do seu domínio poderia trazer desvantagens. com grande surpresa dos habitantes de S. quando fosse apresentada a ratificação do mesmo tratado. Não obstante adiante apreciarmos devidamente o valor desta causa. se ela fosse colocada no Rio Real. que ainda não se tinha dado. não promover a colonização em Sergipe. foi uma poderosa causa da decadência do domínio batavo no Brasil. em 1641. dignidade e honra comprometeram-se. tão juntamente unidos. não era em obediência a sugestões. vindas da Holanda que. se na Europa dava uma mão amiga a Portugal. de antecedentes históricos e hábitos tão diversos. que Nassau. apoderaram-se da cidade. a grande extensão inabitada entre este rio e a capital da colônia. e tornava-se agressivo. com a recuperação de Sergipe e o assédio de Angola. que todos os espíritos. pois. perante os portugueses. muito próximo de sua fronteira em S. 104 . considerava a emancipação portuguesa puramente transitória. pois. que na mesma ocasião autorizou. sem um centro populoso. na América mandava que se realizassem agressões. onde os interesses não podiam ser convenientemente zelados. esqueceu todos 'os preparativos 'de tréguas. pouco se importou que a posteridade apontasse um momento de sua vida. para tornar-se agressivo. retomando Sergipe. convencido de que essa proximidade entre eles não era suficiente pala manter um zelo recíproco de interesses. compreendendo a segurança da posição que aí tinha o inimigo. Cristóvão. arvorando bandeiras de tréguas. em virtude do qual a cessação das hostilidades só deveria começar. rompia um pacto. Francisco. animavam e promoviam. com a sua esquadra. fechando os olhos às probabilidades de uma paz. das quais poderia resultar um rompi· mento de pazes. privaria pequenas guerrilhas e as questões de jurisdição. Sem a menor oposição desembarcaram. Se o erro de 1637 de Nassau foi a causa do seu insucesso em 1638 na Bahia. contra a expectativa geral. Perante os interesses que visava em favor dos Estados Gerais. desconfiança que foi a maior causa da revolução pernambucana. com que largamente tinha comparticipado. Levantam na barra uma notável fortificação e encetam suas pesquisas de minas por Itabaiana. antecipamo-nos em dizer que o procedimento de Nassau em 1641 plantou a desconfiança entre aqueles com quem entabulava pazes. As condições mudariam. em que sua palavra. Francisco.

8. para haver em propriedade como feudo perpetuo e hereditário. Exas. entre S.Sabedor deste fato de agressão. e não reconhecer outra authoridade suupenor. recebiam a que por mar lhes vinham124. Os holandeses não podiam buscar munição pelo território da capitania. e não tratar ou contractar por nenhum modo com outrem. Nommo Oliferdi. op. senão a que é guardada no paiz. ou no futuro por alli introduzida. que não sejão os agentes e os subditos das Unidas Provincias Neerlandezas. e fazendo o contrario: incorrerão nas penas que o direito commum commina aos violadores da pública tranquilidade e obediência civil. abjurar e considerar como inimigos o rei da Hespanha e seus adherentes. fez com que Camarão não pudesse sustentar o cerco por mais tempo e em 28 de fevereiro de 1642. senão a que é guardada no paiz. e não observarão outra ordem sobre a policia e justiça.126 conselheiro político do Conselho de justiça do Brazil. redigirem em latim tudo quanto se pactuasse com os emissários da Bahia. não ter correspondência com potencia ou príncipe estrangeiro algum. A insuficiência de força do exército português. aquele mesmo a quem Nassau tinha encarregado. conformar-se-hão com a ordenança politica vigente no paiz. com Theodoro Codd van der Borch. Francisco. Oliferdi e os seus colonos. povoar e cultivar as terras e lugares da capitania de Sergipe d'EI-Rei si ta ao sul do Rio S." 1 "O dito Sr. 126 Porto Seguro escreve Nunin Olfers 105 . Estados Geraes das Províncias Unidas Neerlandezas. que ficou em cerco. acampando bem a frente dela. José Hygino Duart Pereira devemos a leitura de tão importante documento. especialmente para a boa manutenção da policia e justiça. e os nobres senhores do supremo e secreto Conselho do Brazil. o governador da Bahia encarrega a Camarão visitar a cidade.9. As pesquisas nos arquivos da Holanda de tão ilustrado professor deve a história da pátria o conhecimento deste e outros documentos. III p. tão covardemente conquistada. primeiro que tudo. em 1641. foi tão mal recompensado pelo governo brasileiro que nenhuma vantagem e utilidade descobriu em buscas históricas. o supremo Conselho faz doação da capitania de Sergipe a Nunin Olfers. sujeito á confirmação da Assembléia dos dezenove e á aprovação dos Srs. com a retirada dos soldados napolitanos. Eis a doação: 125 "Accordo provisorio concluido. Entretanto. que se achavam em guarnição. 124 125 Soutey. de uma parte. e da outra parte. prestarão Juramento de obediência e fidelidade ás suas Altas Potencias e á dita Companhia. prometendoIhes obedecer á todas as suas ordens. A bondade do Dr. o Sr. Cit. especialmente para a boa manutenção da policia e a justiça. ou no futuro por alli introduzida." 2 "Outro sim. com a extensão e limites que adiante serão declarados.

a Companhia dará um bilhete de consentimento. e antes pelo contrário. 106 . à porção de terra ou terreno (urbano) que lhes for necessário para sustentar e manter a si. pagando ellas as comedorias. obrigando-se a idemnisal-a nos devidos prasos. que ―quizerem‖ do mesmo modo que d‘antes. e não os tratarão deshumanamente. não os encommodarão com trabalhos nos domingos e outros dias festivos. em attenção ás suas famílias ou occupação em que elles quizerem empregar-se. honrado comportamento e profissão. dará fiança à companhia. no conhecimento da verdadeira religião chistã e pratica desta. grangeem para suas famílias e colonos as fecundas bênçãos de Deus. e assim. por todos os meios possíveis os negros que estiverem em seu serviço. e as respectivas familias". fazer-lhes alguma moléstia ou deixar que a facão. e á cada uma dellas. bem como as provisões que lhes forem necessárias para uma anno.‖ 6 ―A companhia concederá à todas as pessoas. em que se costuma devidamente observar o culto divino. 5 ―Porão todo zelo e diligencia em instruir.‖ 4 ―Guardarão os domingos e os dias festivos. e. passar-se ao Brazil para ahi morar e permanecer. procedendo assim . e com toda a devoção. não será lícito aggravar em sua consciência aos que forem de outro sentimento. com toda a brandura. de accôrdo com este. e vivão entre si. Si porém. afim de que. em que segundo a ordem da Igreja chistã. se celebra o serviço divino. punível pelos magistrados. passa porte para as referidas terras e fará transportar em seus navios as mesmas pessoas com os seus séquitos e moveis. que depois e mais circumstanciadamente serão determinados. salvo si por esses taes for dado algum escândalo publico. nem consentirão que publicamente seja observado outro cultu senão o que por pública authoridade for permittido observar no paiz. em paz. expressamente será prohíbido que se offenda o santo nome de Deus com juras e blasphemias. uma vez que primeiramente facão aqui prova bastante de seu estado.‖ 7 "A cada pessoa que deseje partir para ahi. evitando as bárbaras cureldades dos Hespanhoes e Portuguezes para por estes meios attrahirem os referidos negros à religião e dar-lhes modos civis. honrado comente facão aqui prova bastante de seu estado. algumas das ditas pessoas não as poder pagar. o referido Senhor designará e distribuirá aos colonos.3 ―Não praticarão.

ficarão inteiramente isemptos de pagar á Companhia. no sexto anno se ache inteiramente amortizado o dito adiantamento. o que se entende. os moradores pagarão tambem este direito. mas não assim do gado grosso. exercer somente os outros officios. a contar da data da tomada de posse. depois de expirar o praso da dita inspeção.8 "Os colonos haverão em livre propriedade essas terras. para o qual fim cada homem será provido de um arcabuz ou mosquete de calibre ordinario da Companhia e arma branca á sua custa. afim de proverem-se da necessaria plantação para o sustento de suas famílias." 12 "Tambem comparecerão em juizo nos lugares proximos situados. ou réos. excepto o de qualquer gado vivo miudo." 13 "Não puderão ter manufacturas." 107 ." 11 "E succedendo que por alguma necessidade ou outra rasão se ache conveniente. como bois. bem como servirão os outros cargos civis.. no praso do presente privilegio. como é costume nas cidades e povoações sem poderem por modo algum escusar-se. obedecerão ás sentenças dos juizes. e mais pagarão a quarta parte das despezas adiantadas pela Companhia. os moradores pagarão a decima parte dos fructos que produzirem ou de outro modo grangearem. ou casas. ou proximos. pelos quaes os estófos d'este paiz possão ser utilisados. cavallos. que não se cobrará. e em qualquer occurrencia cuidar da propria defeza. e durante os dous primeiros annos. serão obrigados a fazer guarda e tomar parte em todas as sahidas. etc. de modo que. sem opposição. com o nosso consentimento e approvação lançar uma pequena imposição sobre o consumo dos comesstiveis ou liquidas." 10 "Nos logares onde morarem. terrrenos. mas. além dos outros." 9 "Tendo expirado o praso d'este privilegio. ou sejão authores. para tecer o panno ou a lã.

ou de seus delegados. uma vez que. e sejão uteis e necessarios para a sustentação da vida humana. o patrono (da colonia) escolherá dentre os colonos mais qualificados um certo numero delles. que julgará com quatro accessores nomeados por S." 18 "De todas as sentenças definitivas. ou por outros administradores da companhia. O patrono convocará a Assembléia dos eleitores toda a vez que fór necessario fazer a dita nomeação. proferidas pelo tribunal dos colonos. que anteriormente não tenhão sido produzidos pelos portuguezes. onde residem os colonos particulares de tal modo augmentem que devam ser tidos como cidades. por esta sua industria e diligencia será isempto pelo governo do Brazíl de pagar recognição de taes fructos. Ex. o productor. em lista triplice." 17 "E para que se faça com a devida ordem a nomeação das pessôas que têm de compôr o numero triplice.14 "Si algum morador. todos elles. cobre. que têm de fazer a dita nomeação. excedendo a somma de cem florins. e esses ministros decidirão todas as questões e processos em seu direito. composta por nomeação das pessôas mais qualificadas das mesmas povoações. villas ou povoações. ou haverá ainda maior remuneração. Outro sim. bem como as pedras preciosas e a pesca das perolas. para ser enviada a S. por sua industria vier a descobrir o modo de produzir e cultivar alguns fructos. e aos conselheiros supremos. só poderá pela primeira vez appellar para o patrono. sobre os magistrados. e os ministros que. conforme a importancia do povo ou dos lugares para serem os eleitores. e à Assembléia dos dezenove cabe tractar com os inventores ou descobridores sobre a exploração das minas e a remuneração que se entender pertencer-Ihes. Ex. quanndo o valor da causa for de 600 ou mais florins." 16 "Acontecendo que os lugares. primeiramente prestem juramento nas mãos do mesmo governador. a Companhia providenciará sobre o governo local. pela segunda vez se appellará para o collegio dos conselheiros politicos. serão escolhidas pelo governador e conselheiros. e isto em razão da grande distancia dos lugares. pelo tempo de dez annos. prata. ou outros metaes." 108 ." 15 "Como é muito provavelmente que certos montes que exisstem na dita capitania contenham mineraes de ouro. e pelo supremo Connselho. ficam reservados para a Compaanhia das Indias Occidentaes. conforme for o caso.

o dito Sr. no praso de um anno e seis semanas á Assembléa dos dezenove ou ao governo do Brazil. a elle sujeitos com seu consentimento. as quaes serão proferidas em primeira instancia pelo patrono e seus quatro accessores. entregues com 50 florins. e para este fim a Companhia lhes dará algumas peças de artilharia. As terras ficarão sendo allodiaes.19 "Tambem se appellará para o mesmo collegio de todas as sentenças que irrogarem infamia e de todas as sentenças sobre materia criminal. desde o começo." 20 "Dentro de 3 annos. guardar-se-ha a ordem." 21 "Quanto ao transporte das ditas pessôas. as partes ficarão sendo da mesma natureza do todo. conforme a situação dos lugares." 23 "Tratarão com a maior diligencia de levantar suas casas. depois que vier a approvação d' Assemmbléa dos dezenove. usando das matas. instrumentos e mais cousas a ellas necessarias. aguas e rios e estabelecer engenhos. sob pena de. transsmissivel assim pela linha masculina. e. e cada parte deverá ser reconhecida de mesmo modo. com esta declaração. seus bens. Irlandia e Frisa. modo ou lei. conforme os usos da Hollanda. que de presente se observa. contanto que elles tenhão as necessarias munições. no primeiro anno introduzirá a terça parte. a saber. possuir para sempre as referidas terras. a saber." 109 . e de processos ordinarios. que será entregue com 50 florins. até commpletar aquelle numero. no caso de notoria negligencia. de anno a anno." 22 "O dito Senhor e os colonos. com um par de guantes. e sempre manter e ter 80 famílias. sendo tractados do mesmo modo que estes. perder as concedidas franquêsas e gados. que escolherem para sua residencia. e gosando do direito de livre caça. composta cada uma pelo menos marido e mulher. sendo necessario. estabelecer. e a jurisdicção constituirá um feudo prepetuo e hereditario. ou no futuro se observar. como pela feminina e por cada transmissão será o feudo reconhecido com um par de luvas de ferro. que dividindo-se o mesmo senhorio ou jurisdição. na pesca nos mares. nas ditas terras da Capitania de Sergipe d'EI-Rey. e passarinhagem. e assim por diante. de fortificar-se. tal como este foi constituido. Oliferdi é obrigado a transpor. do modo que acima fica dito. permissão ou accordo. a respeito dos mercadores livres.

para a sustentação de suas famílias e do gado. e este 110 . mediante os premios que depois serão determinados. habituando-os. para os mesmos colonos.‖ 26 "Quanto as novidades que suas terras produzirem naturalmente. se não do que enviarem para a Hollanda. para terem as terras livres de bandidos e negros de mato (fugidos) onde os apprehendidos entregues ao governador e conselheiros da Companhia. residentes nestas provincias. sem trabalho do homem.24 "Nos dous primeiros annos se empregão na plantação e cultura dos fructos." 25 "Elles mesmo proverão a sustentação do governador e do ministro da palavra divina. pelos meios que entenderem mais apropriados a este fim." 27 "Poderão vender ali os bens que adquirirem. pooderão remetel-os aos seus patrões ou comissarios. sem que por isso paguem alguma cousa mais. que transportará a outra metade em seus navios. além do dizimo e direitos acima mencionados. e si os bens forem taes que mais lhes convenha vendeI-os na Hollanda. que então vigorarem. acerca do livre trafico do Brazil. á cultura das terras e cousas semelhantes. de que dependerem. darão elles do que cortarem. e. applicando para este fim particularmente o meio de ensinar aos moços e meninos a nossa lingua. ao trabalho. metade á companhia. remunerando devidamente o seu trabalho e esforçarhão por tirar-lhes os seus modos e costumes barbaros e leval-os ao conhecimento da nossa fé christã. fretes e avarias estabelecidos pela ordem provisoria e impressa. desde a infancia." 28 "Para assistencía de seus colonos e lugares (de residencia) farão todas as diligencias por utilizar-se dos indígenas dessas terras. cada anno. nomeadamente toda a sorte de madeiras (excepto a de Pernambuco) gommas e causas semelhantes. pagando os direitos." 29 "Os colonos d'estas terras serão obrigados a fazer. ás pessoas que estejão residindo sob obediencia da Companhia. e isto segundo as determinações da Companhia. e os principias elementares da nossa religião. ou aquelles com os quaes por permissão se pode traficar. Serão tambem obrigados a manter á sua custa em a referida capitania alguns capitães de campo. um pertinente relatorio de suas terras e colonos ao Senhor ou patrono. não pagarão recognição alguma. fizerem cortar e de outro modo grangearem.

e geralmente tomar conhecimento de tudo o que disser respeito à administração da justiça e á suprema authoridade da Companhia. sobre costumes. ou sejão estranhos que forem visinhos das ditas terras . todas as praias. curraes.viúvas orphãos ou outras pessoas miseráveis que. domínios. e todas as outras causas segundo o uso de paiz (Hollanda) ou a ordem e regulamento desta conquista emanadas da Assembléia dos dezenoves. autrhoridade suprema. Assim que a Companhia poder pôr e enviar ahi um governador." 30 "Si a Companhia posteriormente entender que deva mandar levantar a arruinada cidade de Sergipe e povoal-a com moradores. os terrenos que forem necessários. bem como das queixas que alguém queira fazer. Ex. aldeias ou povoações. o qual governador e conselheiros que presentemente existem ou para o futuro forem postos pela Companhia. e o direito de interpretar as duvidas que possão sirgir desta concessão. se assim cumpri. cousas referentes à posse de benefícios. religião e todas as causas criminaes e excessos prescriptos e impunes. apresentará o seu relatorio ao governador e conselheiros da Commpanhia. aldeias e igrejas . abolindo corruptellas desarrosadas. com declaração das pessoas. declarar guerra e fazer a paz. conselheiro.sobre causas relativas a menores. matas e águas da capitania de Sergipe d´El-Rey . tomarão conhecimento na primeira instancia das causas concernentes à liberdada. e os altos secretos Conselheiro do Brazil se accordaram com o Sr. com relação à alta e baixa jurisdição. ficando isto á descripção da companhia. tomará para si. que começa na 111 . officiaes e outros ministros de justiça para protegerem os bons e castigarem os maus. sem que o senhor ou patrão á contradiga. conservar a authoridade suprema. Sobre os quais artigos. terras cultivadas. poderá fazer onde lhe approuver. 31 ―A Companhia reserva para si: os grandes e pequenos dízimos. finanças e direitos da geral Companhia das Índias Occidentaes. clausulas e condições provisórias e sujeitas á approvação dos Dezenove. ou lhe parecer conveniente fundar em outros lugares fortes. e por prevenção poderão ouvir (?) todas as pessoas para a expiação de causas que ahi forem punidas. o direito de tonelagem. como foi dito. soberania e eminência. além dos colonos moradores. e das terras sitas na circumvisinhança. conforme a situação local numero dos moradores e suas necessidades exigirem. usos estatutos que os mesmo declararem. cavallos. ou reserve acções ou pretenções contra ella. o que não quer dizer que não mude o diminua o que fica concedido aos patronos. as estradas reaes. gados.S. ou moradores d`llas. Oliferdi pra haver elle como feudo perpetuo e hereditário de todas as terras. crimes de lesa-magestade. fundos. e approprial-os-ha para com elles beneficiar os ditos lugares. cidades. de moeda. o mar. fundar cidades.por sua vez. o direito de levantar fortes. vindo primeiramente queixar-se ao conselho ahi ficarão em juízo: todos os contractos ou obrigações sobre prorogação de jurisdição. e augmento que annualmente tiverem tido. em caso de privilegio e inovação .

ou pelo menos até onde esses limites forem levados sob o domínio e authoridade da Companhia das Índias Occidentaes. –Ad. van Bullestrate. dilatando. Kodd van der Burgh.‖ ―Assim feito e provisoriamente concluindo a 28 de Fevereiro de 1642‖ – Maurice. e através da terra ate os ditos limites. e ao longo do referido do rio para cima pela terra até a grande queda d´agua.terra firme do lado meridional do rio de São Francisco para o sul. – Henrie Hamel.se seus velhos limites. Conde de Nassau. –D.‖ 112 .

excessivamente opressor. pois. somente dois anos (1642-1644) tiveram os holandeses para estabelecer as bases de uma organização social. Se vestígios se fizeram sentir dessa passagem. para revoltar-se contra o jugo. com a evolução dos tempo. etc. por ocupar Sergipe. Em uma família pode-se ver ainda um outro nome de origem holandesa. empresa que foi feita para suavizar os males de não ter destroçado Bagnuolo em Sergipe. não promover a colonização de sergipe em seguimento á conquista. dos holandeses. tornaram-se. maiores proporções dava aos males e inconveniências. que foram o prenúncio da decadência da obra que alcançou realizar. transferindo-a para quando a paz e harmonia se tinham estabelecido entre as duas potências européias. desvio-se do plano que sempre traçou á sua conduta. Ainda que este fato. considerado como causa. Dilatando os seus domínios pela grande área que a parte meridional do Brasil lhe oferecia. por seus próprios olhos. inspirada em princípios democráticos e guiada por um admirável tino político. para não acreditarem mais nas melhoras de sua condição. teve ele de sentir os efeitos dos erros. e cuja ruína não quis assistir. custou-lhe assistir ao começo de hostilidades por parte dos conquistados. em beneficio da Campanha. não poderia ficar indiferente ás perdas de 1638 na Bahia.CAPITULO VI LUTAS EM SERGIPE. sempre tardia. em vez de fixa-la no rio Real. Se a retificação do primeiro erro custou-lhe um desastre militar. Foi uma hegemonia sem posteridade. já seja efeito de princípios mais gerais. e tarde convencendo-se da desvantagem de fixar sua fronteira em S. nem a língua. Salvador. se pode ver hoje o vestígio do domínio holandês em Sergipe. todavia. que se não alcançou realizar em Pernambuco. como van der Ley. ele entrou em larga escala a excitar e animar o patriotismo lusitano e brasileiro. nos costumes. e pesquisa-lo até os muros de S. que se fundissem para formação de uma nova pátria. Francisco. nos negócios referentes a Sergipe. quanto mais em Sergipe. Não é na historia de Sergipe onde devemos procurar a origem desses princípios. depois do entabulamento de pazes entre as duas metrópoles. Todas as vezes que sua atenção dirigia-se para esta capitania. na Europa. cheios de desconfiança. nos hábitos. como se daria a transmissão de caracteres éticos? Assim. SUA RECUPERAÇÃO. a retificação do segundo. Estreando por uma sucessão de vitórias. 113 . de uma nova nacionalidade. completamente inapreciáveis. E sem a formação de produtos mestiços entre as raças. cuja retificação. nem na religião. isto é. planta a desconfiança nas fileiras inimigas. FIM DO DOMINIO HOLANDÊS Vimos nos capítulos anteriores que a administração de Nassau. como permanência de vinte e cinco anos. antecedentemente estabelecidos. na política.

pela maior vigilância em favor dos direitos dos conquistados. 294. realizadas pela raça 127 Artigo 16º do Regimento de 13 de outubro de 1629. 29 114 . Se males ao Brasil trouxe a colonização portuguesa. idênticos ou piores traria a colonização holandesa.imóveis hereditários . de suas instituições. Arq. pelas superstições. duvida. ainda que lá . e do outro. As bases da colonização holandesa eram muito pouco seguras para garantir a formação de uma futura nacionalidade. cedo se estabelecessem. pelo móvel exclusivo dessa colonização ser o interesse monetário. severamente maltratados. em 1639. como já dissemos. elas pioraram consideravelmente. dado pelos Estados Gerais a companhia das Indias Ocidentais.128 Essa deliberação. que vivia sob a pressão de causas que privaram-lhe a atividade de um espírito inquiridor. estava o gérmen de dissolução e de morte. acima do bem social do país. Cit p. V. a favor de uma Companhia. todavia. o arrendamento dessas terras a colonos. as ilegalidades de toda sorte. durante as administrações. sob o ponto de vista de sua civilização.rendas e direitos senhoriais. quer holandeses. não trouxe de prontos reais lucros para os déficits da Companhia. distancie-se de Portugal. pelas deferências profundas de seus hábitos. pelos martírios.os bens dos jesuítas e dos conventos. as instituições livres. em virtude do qual as terras seria confiscadas e apreendidas. ainda que lá gerou-se esse espírito de descrença. no método de colonização praticada pela Holanda no Brasil.E isto torna-se bem claro no regimento de 13 de outubro de 1629. as causas da revolta que os conquistadores levantaram. pela intervenção direta da vontade popular. quer portugueses. que acima de tudo. talvez pela intervenção de Nassau.ou outros colégio do clero127. Pernambucano de julho de 1886 – P. Não tendo sido de bons resultados esta pratica. Não nos compete descrever. do Inst. nem as causa da decadência do domínio holandês. Ainda que a Holanda. Ao contrario disto. em vista do qual as classes tornaram-se forças verdadeiramente ativas. assim como casas. 128 Rev.resolveu-se a venda com suas fabricas e pertence.É de pequeníssima interferência. pertencessem ao rei da Espanha. Indo pôr-se em contato com um povo como o português.engenhos. as devastações. em proveito da Companhia.cujo principal intuito não era melhorar as condições morais. colocava os lucros e proventos que poderia tirar do Brasil. intolerâncias e subserviências plantadas por um clero. que durante a administração de Nassau. da superstição e a revoltarem-se contra o grande poder e prestigio que quisessem assumir a nobreza e o clero. existente no pais em beneficio de seu desenvolvimento e prosperidade.o holandês estabeleceu no Brasil uma colonização. as anteriores. pois. pelas ilimitadas atribuições de uma classe de governo. de democráticas instituições . o holandês sobre o caráter da civilização em Sergipe. as rapacidades.Rev. de um lado. pois. fez contrabalançar seus maus efeito. em virtude da ação de antecedentes mais eficientes de um real progresso.completamente oposto as tendências de analise e de pesquisas. a oporem-se á ação da intolerância. que trouxe como reais conseqüências o espírito de pesquisa.

e por conseguinte suspender suas remessas. como por que a Companhia. por certo suavizariam o péssimo estado econômico da colônia. quando os encargos da Companhia. que subiu a 3% e 4%. realizar medidas contra os males que se acumulavam. recuou e viu iminente o perigo.o que poderiam fazer o negociante de Amsterdam – Henrie Hamel. o credor fazia uma pressão sobre o devedor para efetuar seu débito. Sergipe e Angola. em períodos ulteriores.não o sincero testemunho prestado a si de pedir-se-lhe. e então não se procurava mais os recursos dos tribunais. Ao mesmo tempo que isto dava-se. Se o próprio Nassau julgou-se impotente para conjurá-las. que não poderiam. e as transações feitas sob tais condições.conquistadora. a quem entregava-se a administração? O resultado disto foi que o Conselho. em um momento em as causas destrutivas se concentravam. p. de seu tino admirável de administrador. pelas expedições a Maranhão. o carpinteiro de Mildeburgo – A. o estado econômico da colônia tornou-se mais precário. não só pelas perdas efetuadas. assumiam as rédeas da administração. pois veio agravar a situação econômica ampliando as transações. agravaram-se as condições de vida de ambas as parte. ficando sem lucros. 72. Um mero engano. que afugentaram do campo os lavradores. pela 129 Southey. conquista foi realizada por ser considerada uma importante fonte de receita. Ofereceu-se então a melhor ocasião para torna-se bem patente o sentimento de ódio que o conquistador votava ao conquistado. pela vinda da armada do Conde da Torre. que se fossem a dinheiro. teve de produzir inconvenientes. desde quando os próprios membros do governo eram os primeiros a iniciar uma norma de proceder tão adversa aos princípios de direito. Não podendo os pagamentos ser feitos. e pela destruição da varíola. eram aqueles que em um momento critico. nutria agora a esperança de reaver o saldo das despesas. nas quais a Companhia despendeu grandes somas. que ofereceu um contingente ao depauperamento da vida colonial. e Kodd van der Burg. pois nutriam a esperança de que antes do prazo estariam livres do jugo que tanto os oprimia. O comercio somente baseado até então sobre o credito. o prolongamento de sua administração. como pela escassez do numerário. promoviam a concorrência de grande numero de portugueses aos mercados. realizou a venda dessas terras e dos escravos que exportava de Angola cuja. se o próprio Nassau. descansando no tratado de tréguas. como dizíamos. III. Realmente. e esse fato subjetivo talvez seja a causa mais direta de sua retirada. exigiram o saldo pronto dessas dividas. 115 . van Bollestrate. op cit.129 Malogradas essas esperanças e feitas em alta escala as transações. na Assembléia Legislativa por ele constituída em 1640. Distanciados do espírito altamente inteligente de Nassau. mesmo transitoriamente. Em nome da lei e da justiça. a administração da colônia entregava-se a mãos inábeis. multiplicando-lhe as despesas. pois a produção tinha baixado pela destruição das guerras anteriores.

cujos elementos já se achavam em adiantada coesão. e desperta-se o sentimento de patriotismo tão obliterado e sufocado. com a expatriação daquelas que primeiro tinham desbravados as floresta e amanhado as terras. fazendo mostrar ao futuro historiador que a geração americana já sentia amor pela metrópole. parece eu os antigos ódios que separavam as três raças desapareceram. foram. a que se tinha chegado. E neste sentido. O seu real valor consiste em transformar em realidade aquilo que meramente existia em desejo. Achamos pouca filosofia e critica na apreciação de fatos que. sem concorrência. Ainda mesmo que as terras confiscadas fossem entregues aos colonos holandeses. na gestão de um grande acontecimento. III. o ódio dos portugueses contra os dominadores. igual administração nos merecem o digno representante da raça indígena – Camarão – e da raça africana – Henrique Dias. porque as próprias apólices da Companhia vendiam-se no comércio. aproximando-se eles em uma unidade de ação. através de quem vê o movimento revolucionário. durante vinte e cinco anos de domínio. a formação de um caráter. do qual decidia para o futuro. por 46% de abatimento. esse resultado foi puramente transitório. que procurava afugentar-lhes dos seus domínios. 72 116 . postos à conta de um homem. Consiste em representar o elemento. Daí reclamações do comércio e da lavoura contra os Conselheiros. Não era mais possível manter-se uma tal organização social. p. em vez de serem ligados á ação de causas muito gerais. Perante o inimigo comum. eles realizaram-se á força. se durante e administração de Nassau. em beneficio próprio. André Vidal representa a primeira manifestação do brasileiro ao português. por isso que em sua organização achavam-se os gérmens dos caracteres éticos de seus antecessores. pois dependia mais da ação isolada de um homem. pela apreensão da colheita do açúcar e dos negros. pelo ilustre historiador brasileiro. São cunhadas de grande parcialidade as palavras do visconde de Porto Seguro a Vidal de Negreiros. 130 Southey.insuficiência de recursos. As cenas mais aviltantes e deponentes foram praticadas. perante a Assembléia dos XIX e mais do que isto. ao passo que as da Companhia Oriental achavam-se de 460%130 . do que da ação de princípios e causas que fossem contínuos em seu funcionamento. aquisição do território conquistado seria inevitável. Realmente. como este. porque era a expressão de um estado psicológico dos dominados e nem de longe deve ser considerada como a criação de um só homem. fechando os olhos aos grandes serviços que prestou á causa da revolta e ao contingente que forneceu à realização da expulsão do inimigo. já zelava pelos seus interesses. as condições dos conquistados consideravelmente melhoraram. A revolução rebentar-se-ia independente de sua intervenção. se a interferência do príncipe foi de larga contribuição para a prosperidade da colônia. gado caldeiras e todos os bens dos fazendeiros. incandescem-se o rancor. op. Não está em nosso intento desmerecer a gloria do herói paraibano. brasileiro.cit.

pois havia nascido na província de Pernambuco e havia feito tantas proezas na defensa della no tempo de Mathias de Albuquerque e do conde de Banholo. engrossando a fileira dos insurgentes e já estava com os recursos que lhe havia prometido o governador da Bahia. e que mais largamente será adiante apreciado. pelo próprio rei. como de Gaspar Francisco da Cunha. pelo prestigio que pudesse representar perante a coroa. Valer. depois de efetuadas as pazes. Ou fosse ele quem pedisse o auxilio de Camarão e Henrique Dias. quando novamente vem a Pernambuco. a quem se repetiam as denuncias de que organizava-se a insurreição. 132 117 . e mostra-lhes documentos como seriam bem aceitos e recompensados pelo o rei os serviços prestados na insurreição. Vidal submeteu-se á ação das causas que estavam em atividade. a distribuir para esse fim em Pernambuco até seis hábitos de Cristo131. Lucid. Holandeses no Brasil. em maio 1645 em nome da liberdade divina e para vingar agravos e tiranias. e que bem estampadas estão no pacto que os insurgentes celebraram na várzea do Capibaribe. alferes e soldados para sublevarem Pernambuco. logo que voltou de Pernambuco. firma a 23 de maio o compromisso da rebelião. que transmitiu-lhes os intentos de Vidal Vieira. em alargar aos seus domínios. que ia se munindo de auxílios. pedindo-lhe com muitos rogos e encarecidas palavras. João Fernandes Vieira. de alguns anos.” Calado. por um próprio por terra. em uma viagem aí feita em 1642. que. de auxiliar os insurgentes. que adia para o dia 24 de junho. que vem se pôr á disposição de João Fernandes Vieira e seus companheiros. pois ela era o resultado da pouca importância ligada por Nassau ao tratado de tréguas e do abuso cometido pelo próprio Conselho. sendo autorizado. auxilio que se executou. não só vindas da Bahia. 164. ou estes caudilhos viessem auxiliá-lo acendendo aos 131 Porto Seguro. Antônio Felipe Camarão que estava alojado em Cerigipe D`EL.Foi este um importante resultado do domínio holandês. Os membros do conselho. Para essa deliberação do soberano ele igualmente não podia ter contribuído. como asseguram algumas cronistas132. e trazer essa noticia aos insurgentes de Pernambuco. Admiramos a inda o valor de Vidal em testemunhar desejos da coroa pra libertar as capitanias conquistadas. para retificar as disposições em que achava-se o governador da Bahia. que não lhe faltasse agora na miséria em que seus moradores estavam. quando despachados uns quatrocentos soldados. relativamente á viagem de um capitão. em que patenteia-lhes a disposição do governo de prestar-lhes auxílios. à D.REI com todos os seus Brasilianos. O mesmo papel representa em 1644. para relembrarem ao governador o tratado de paz e a comunicar para Holanda aquilo que iam sabendo pelos denunciantes. 243 “ Também João Fernandes Vieira escreveu. às ordens do capitão Antonio Dias Cardoso. convictos de que esses movimentos não daria lugar a futuro males. limitam-se a mandar emissários á Bahia. Como os outros. que achavam-se aquartelados nas fronteiras do Rio Real. P.

o que não alcançou: e nesta ele já se achava com suas tropas nas fronteiras holandesas do rio Real. Hist. antes do levantamento de João Fernandes Vieira. Termos visto em alguns cronistas que Camarão morava em Sergipe.133 Se até então o governo holandês não prestava bastante consideração ao movimento de revolta. pelos péssimos antecedentes históricos que ela nos transmitiu. Nenhuma dúvida restava mais no espírito dos membros do Conselho da realização de um plano. pois.Desejos do governador da Bahia. hoje Ganhamoroba. Rafael de Jesus. agora ficou certo de sua realidade. depois que foi obrigado a abandonar o território de Pernambuco. Se não somos muito apologistas da política colonial portuguesa. E Geog. É de grande glória à historia sergipana ter de registrar. a sua primeira manifestação foi levada pelo indígena e o africano. 113 118 . em marcha para o norte. antes de entrar na revolução e Barloeus. empregando sua gente em cultivar a terra134. que então achava-se nas lutas dos Palmares. lastimamos e sentimos os péssimos antecedentes históricos que ela nos atrasou. Rafael diz ter sido em 1644. (Caster. centralizar as tropas de algumas fortificações. esse fato. Luz. Lic. op cit. para romper a revolução com bastante segurança. Em junho. a notícia de que Camarão e Henrique Dias tinham rompido as fronteiras holandesas. como São Francisco. Achamos não bem provada essa morada de Camarão em Sergipe. no Recife. com a O mesmo fato afirma Fr. Só cabia-lhe agora entrar na realização de medidas defensivas. e daí elas continuam a repetir-se formando os gloriosos feitos deste grande acontecimento da história brasileira. o governador dos pretos levantava acampamento pelo valente indígena. nem conservá-los em segredo. recebia de seu comandante em Sergipe. as hostilidades rompem-se em Ipojuca. IV § XIV) que diz ter se estendido esse convite a Henrique Dias. ele é despachado pelo governo para vir expelir o inimigo de S. Realmente. 190) diz: “aí se achava o curral ou fazendola de Camarão. É possível que durante este tempo ele habitasse em território holandês? Entretanto Cândido Mendes de Almeida(Ver. em seu mapa. além da que ficava na barra do Vaza-Barris. o fato é que em vista dos planos de adiamento de Vieira. nas margens do Rio Real. p. faz isto supor-se denominando com seu nome um dos currais de Sergipe. no rio Real. É muito glorioso à história de Sergipe registrar o fato de se ter em seu território levantado o primeiro grito de revolta. colocado entre os rios Maniçoba e Lourenço da Veiga. Finalmente as posições definiram-se não sendo mais possível a Fernandes Vieira adiar seus planos. 2º p. dar buscas. Moucheron. de algum tempo meditado. como seu. Ele. que pouco antes. no dia 25 de março de 1645. agora recebia do chefe político de Alagoas. pelo contrário. Do Brasil. Cristovão. o primeiro sinal de revolta. Do Inst. t. 133 Por esse tempo Camarão e Henrique Dias estavam aquartelados em Sergipe. Ainda que Calado não determine a época desse convite. do qual dependeria o caráter de uma civilização futura. que só poderia ter-se dado de 1642 – 45.. por achá-la inexeqüível. pondo em atividade a primeira deliberação patriotica para romper as poderosas fortificações batavas. a comunicação de que Camarão e Henrique Dias fora passar a Páscoa na Bahia. naquela data. onde o inimigo tinha construído uma boa fortificação. III.XL. Mandou efetuar prisões dos conjurados.” 134 Southey.

alem dos males que nos insuflou. onde as condições de meio eram justamente opostas àquelas que sempre o cercaram. prender a ciência. do gozo e prazer das ardências da imaginação. plantar-se-ia no Brasil a supremacia da idéia religiosa. matar a iniciativa. achamos por demais defeituosos os princípios da colonização holandesa no Brasil. 119 . não sabemos se perante elas. com os princípios metafísicos. a atividade mais poderosa do processo. que lhe opôs. sentimos o legado que nos deixou a nossa metrópole. pelo lado econômico. construindo pedras com argila. toda a dificuldade para a primeira manifestação de uma civilização. que tanto nos atrasou. todavia. seriam mais tarde o primeiro obstáculo à supremacia do elemento comercial. que exprime a coisa de mais solida existência. Entretanto.escravização de duas raças. novos hábitos não se formariam. em que estiveram as gerações passada. Além disto. Povo eminentemente industrial. para originar uma nacionalidade vigorosa. pela marcha dos dois caudilhos. costumou-se a pôr acima das sensações a idéia. se ela em suma. talvez maior oposição oferecesse a essa indiferença. Possuidor de hábitos tão predisponentes para uma prosperidade. para as edificações e derribando florestas pantanosas para o aterramento dos cachos. organizado sob o regímen batavo. se como dizemos. a colonização holandesa. que queria monopolizar o trabalho. ativo e que pelas condições telúricas e mesológicas. da qual somos atualmente o testemunho. em começo. para torná-la habitável. supersticiosos. de ser a política a força viva. os holandês do século XVII representava a soma desse ingente esforço. que representam a riqueza. pelos péssimos exemplos de subserviência. de perdas em nossa moralidade. preocupando os espíritos mais ricos do país. povo. que se poderiam entregar a assuntos. como em todos os países protestantes tornando-se difícil por este lado a regeneração. a paz e a calma da verdade. uma nova natureza não se superporia na organização bastava. para retificar e vencer a natureza. pela grande supremacia do Estado. o que queremos tornar bem patente é que foi em Sergipe onde deu-se o primeiro movimento revolucionario. intolerantes de um clero que era egoísta. e ainda mais. a descomunal florescência. levantando diques às inundações. Nem de longe pomos em nível o intelecto do holandês com português. trouxe a consequência. nos traria igualmente males. pesquisador . tanto mais quando viviam agora dirigidos por novos princípios sociais. como aquela que os holandeses representavam. foi a forca por meio da qual prolongou-se na America os hábitos da civilização ocidental todavia. O povo brasileiro indiferente a assuntos religiosos. Se a colonização portuguesa. que construiu todas as peças da nação. de passividade. da forma o fundo. fato este que denota a existência de um regímen centralizador. e que suas tendências liberais seriam as primeiras forças oponentes. diferentes dos da mãe pátria. muito teriam que fazer neste país . sob o plano de uma companhia de mercadores. Como quer que sejá. com que caracterizava-se a colonização. para cujo progresso não entrou larga contribuição da natureza. em fator de uma associação.

Camarão. que pudessem vir não só da metrópole. Sendo o intermediário entre eles e os heróis da revolução. Fernandes Pinheiro. Do Inst. como dos membros do Supremo Conselho. a cuja pista despachava Camarão. p. nas duas viagens que fez a Pernambuco. que tinha levantado uma fortaleza em São Cristovão. que achava-se a lutar com os Zumbis dos Palmares. pondo-o a salvo de qualquer responsabilidade. e vão reunir-se aos revolucionários. T. e despachado por ele comandante da fronteira do norte. dirigido também a Henrique Dias. Ver. Os caudilhos rompem a marcha pelos agrestes sertões e deixando as ribas do rio Real. em 1642. Maranhão e Sergipe. Comunica-lhe a deserção de Henrique Dias e seu terço para Pernambuco. depois da esplendida vitoria do Monte das Tabocas. queria todavia salvaguardar-se de acusações .M. e incumbido de todos os negócios relativos à revolução. Para fornecer documentos da irresponsabilidade do governador. Tomé. quando recebeu o convite de João Fernandes. e os tenentes de mestre de campo general Pedro Correa da Gama de Souza. de cujas ordens não dependeria a marcha dos caudilhos e o rompimento das hostilidades aos olhos dos membros do Supremo Conselho. em vista da letra do tratado de paz. achava-se cercando o inimigo. quando Camarão e Henrique Dias rompem a marcha. veio com seu terço habitar em Sergipe. 132 120 . nos paços de S. S. pelas conquistas de Angola. e a quem mesmo não era estranho o deserto que prendia todos os espiritos para realizarem a revolução.C. e privando que ele se espelhasse pelo território da capitania. mandou o governador e capitão geral d‘este Estado. vadeam o São Francisco. como no representante do governo colonial. Neste ponto de vista é Vidal a maior força da revolução. onde pelo Rio Real se extremava o Brasil holandês do Brasil português135. Vejamos o que dava-se em Sergipe. Essa dubiedade de ação era bem visível. Bahia de Todos os Santos. 32. Não nos compete descrever os acontecimentos que se deram além da margem norte do São Francisco. Antonio Teles que sentindo desejo de por em ação o elemento oficial. Antonio Telles da Silva chamar a sua presença os mestres de campo João de Araujo e Francisco Rabello. Achava-se aí. O leitor nos permitira transcrever este documento: ― Em os trinta e um dias do mês de março de mil e seiscentos e quarenta e cinco nesta cidade do Salvador. 135 J. De posse de toda confiança do governador. Hist. onde era larga ação a influencia do Padre Antonio Vieira para abandonar-se as capitanias conquistadas. E Geog. entre as duas nações européias. a quem não era de todos indiferente a sorte dos infelizes habitantes de Pernambuco e das capitanias sob o jugo holandês. Do Brasil.. que depois do entabulamento das pazes entre Holanda e Portugal. através das fronteiras holandesas. colocava-se em embaraços para definir sua posição de auxiliar ou não a revolta. não só da metrópole. não obstante a Holanda já ter dado a prova de falta de lealdade e esquecimento de seu comprimento. O governo colonial. Ninguém melhor do que André Vidal de Negreiros podia auxiliar a política maquiavélica de Antonio Teles. mostra-lhes os desejos auxiliadores do governo.

foram com um próprio avisados Andre da Rocha de Antas e Valentim da Rocha seu parente. Hist. dia de S. pelas duas horas depois da meia-noite fugio Henrique Dias d‘aquella estancia. em como o inimigo mandava prender. e outros muitos moradores da terra. Do Brasil. e ajuntou a si as principais pessoas da varzea.Domingos Delgado e Gaspar de Souza Uchoa. e que antes de fugir se queixara do Sr. com as quais foi fazendo corpo de gente para resistir ao inimigo. e defender-se do seu furor logo no rio de S. ainda que custára algumas mortes de uma e outra parte. Arq. Baltasar van der Voorde e Theodoro van der Hoogstraten. os quais tanto que souberam esta nova logo se prepararam e avisaram a todos os 136 Ver. mostrou não ter responsabilidade nessa marcha. Casa Forte e Porto Calvo. muito agradaveis a alguns leitores. que esta 60 leguas em distancia do Recife por costa do mar. ouvidor geral e provedor mor dos defuntos e ausentes. Antonio da Silva e Souza. Antônio Teles em carta de 19 de julho. transcrevemos as paginas de Fr. Para não perdermos nenhuma das pequenas minudencias dos ataques. que lhe deram nada da fazenda real. que esta na fronteira do Rio Real.31 p. externando-lhe seus sentimento de aliança. que partem para Pernambuco. Pern. E Geog. Francisco. mas que nunca lhe pareceo que fizesse uma coisa tão mal feita. Pontal. os revoltosos tiveram mais de registrara vitoria do forte de Serinhaém e das que seguiram-se. se retirou para o mato. Entrega essa incumbência a Andre Vidal e Martins Soares Moreno. contra a qual já tinha dado providencias. cientificar a Antônio Teles.‖ E quando foram a Bahia dos emissários do governo holandês. roubar e ainda matar aos nobres moradores de toda a Capitania de Pernambuco. senão depois de claro o dia. em que diz em vinte e cinco deste mês de março. e ricas daquele districto. assegurando também suas resoluções de paz e que enviaria ordens para serem suspensas as hostilidades. mas que como negro que era merecia um grande castigo para exemplo dos mais. 34 p. t. que estavam juramentadas para a facçção e empreza da liberdade. Manoel Calado. a marcha de Camarão e Henrique Dias e lhe observar o cumprimento do tratado de paz. o primeiro rompimento foi feito exclusivamente por conta de seus habitantes. e resguardassem suas pessoas e fazendas desta comum tribulação. e provedor mor da fazenda de S. ― Tanto que João Fernandes Vieira. em Sergipe. Antonio. e procurador do tenente de mestre de campo general André Vidal Negreiros. em 13 de junho. Sebastiao Parni de Britto e o Dr. etc. que considerassem os ditos ministros o que lhe parecia se 136 devia fazer no caso e lhe dessem seu parecer. como tinha a estrada provida com os seus soldados. 107 121 . Se as forças oficias que aliavam-se aos insurgentes eram de grande importância para as vitorias que iam obtendo em Serinhaém. com ordens de aplacar a revolta e por termo à guerra civil. que logo mandara o Camarão atrás dele com seus índios para que o tragam preso e a bom recado. com cartas dos membros do Supremo Conselho. e que a semana antecedentes o quizeram matar preso por estas e que outras liberdades que dizia. 370 ver. Entretanto. E como conseqüência dessa aliança. pelo que estivessem de sobre aviso. e que vai à trilha della na volta de Pernambuco.do Inst. a realidade das deliberações estava em que os terços dos dois heróis brasileiro vieram engrossar a fileira dos insurgentes. Governador por lhe não dar licença vir ver suas filhas e mulher. coevo desses tempos e testemunhas ocular desses acontecimentos. de quem vergonhosamente plagiou Diogo de Sant`Iago em sua Historia da Guerra de Pernambuco. mas que serviram-se dele como se fôra captivo. Do Inst. e que.M. com toda a gente. as pessoas mais nobres. T. não foi sentido nem o soube.

que vinham entrando com socorro ao inimigo e lhe mataram vinte Flamengos . que seriam entre brancos e indios e cento e oitenta armados. queijo. Do Inst. que estava por cabo de três companhias no rio Real. e temendo que do Recife viesse infataria holandesa por mar. e de palavra lhe contaram o miserável estado em que os moradores do rio se achavam. os quais se mostraram ao outro dia . que os passassem todos em cutelo. o nome do governador do forte de Mauritius era Samuel van Koyn. o comandante Samuel van Koyn ordenou que dois soldados fossem recomendar aos da campanha trouxessem para junto do forte as setentas cabeças de gado. Sabido isto pelo comendor da forca deitou fora um Capitao com setenta soldados. para subir para riba. quando muitos rios iam de foz em fora. quando não vai cheio. e dos notaveis agravos que se haviam de fazer aos casados e donzelas. aonde o mato estava mais fechado. e do grande aperto em que de prezente estavam todos os moradores do Rio de São Francisco. e lhe fizeram com encarecidos rogos os protestos. e acharam nele as armas de fogo. em seu Diário. causando-nos assim não pequeno dano. e que quando Sua Senhoria. que pela boca da barra havia entrado um caravellão do inimigo. esses soldados foram cruelmente mortos. e achava os marinheiros em terra e os mataram. balas.moradores dos lugares visinhos a aquele Rio. ecom haverem os soldados de levar em suas muchilas o mantimento e as armas às costas. 138 Neste mesmo dia. aguardente. bem armados e comandados pelo capitão Diogo de Oliveira e Pedro Aranha. 16. arcos. que iam abrindo. outros com lanças e cavallos e os outros com facões dardos. manteiga. como ministro d`EL-REI D. T40 p. em que tinham sido tributados pelos escabinos. pelas dez horas. os quaes tirando a luz as armas que tinham escondidas. e no meio do rigor do inverno. os quais eram doze. Deos lhe tomaria estreita conta das mortes dos innocentes. de sorte que nenhum tornou com vida para a fortaleza. para assim se defenderem com mais facilidade e tanto que 137 o governador da fortaleza mandou prender a um morador que habitava duas léguas em distancia a fortaleza. vinho. chegaram da Bahia por terra duas companhias ao mando de Nicolau Aranha e do capitão Francisco Lopes. Chegaram os dous correios da Bahia. que todas eram mosquetes. com as grandes enchentes e atropelando com todo este trabalho. Estando pois o caravellão neste porto acudiram os moradores com diligencia. e entrando no caravellão o tomaram. e entregaram ao Governador Antonio Telles da Silva as cartas lavavam . que quando vai de enchente. muita polvora. e bastimentos. segundo Matheus van dem Broeck. e com isto ficaram os fortaleza com pouco cabedal de munição. para que em vingança daquelle agravo matassem aos moradores que achassem. o qual logo pelos mesmos portadores mandou ordem ao capitão Nicoláo Aranha Pacheco. acompanhados de alguns oitenta camponeses do rio Real. pedindo-lhe com encarecidos rogos. No mesmo rio os moradores da terra com alguns soldados da Bahia tomaram duas embarcações . o que 138 fez com muito valor. diz ele. farinha e algumas mercancias e com estas armas. Rev. que foram necessários em tão apertada occasião. e roubassem todas as casas e os moradores deram sobre elles de emboscada e mataram a todos. e logo o cabo dos capitães Nicoláo Aranha mandou ao capitão Francisco Lopes a queimar as lanchas ao inimigo. dando-lhe conta de tudo o que passava na capitania de Pernambuco. esperando por vento feito. Neste mesmo dia . porem ao largo onde não chegavam as balas da artilheria. Neste dia lhe matou a nossa 137 Pela leitura que fizemos do Diário de Matheus van dem Broeck. que com muita pressa marchasse logo para o rio de S. souberam os moradores do Rio. traduzido pelo ilustrado Dr. E Geogr. e assim não se pode navegar por ele ariba se não com vento feito. deita água doce sete e oito léguas ao mar. Em 11 do dito mez passou Nicoláo Aranha o rio da parte do Norte a onde a fortaleza estava com toda a gente que consigo trazia. por quanto aquele rio corre com tal fúria que deita água doce ao mar três e quatro léguas. e com as que haviam tomado nos dois assaltos passados. Partio Nicoláo Aranha do Rio Real aos 27 de julho por caminhos desusados. Francisco. despacharam dois correios para a Bahia ao governador Antonio Telles da Silva. porque todos estavam com o cutelo quasi na garganta. os moradores acudiram. 122 . os quais tinham cercado a fortaleza. As cousas neste estado. uns com espingardas. e fosse socorrer os moradores delle que estavam em grande tribulacão. e flechas. antes que os flamengos tivessem noticia do que no Rio se passava . que estava ancorado em um porto seis léguas a baixo da fortaleza. levando diante negros com fouces. Tomaram-nos um batel grande. e o tiraram das mãos a um sargento que o trasia preso. cerveja. e tanto que avistou a fortaleza a onde assistiam tresentos e quarenta e tres hollandeses soldados e flamengos livres e indios. Hist. José Hgino. João seu Rei e senhor os não socorrense com a brevidade que o presente perigo pedia. e esforço e boa fortuna ‗ . e pretestos da parte de Deus que os mandasse socorrer logo. se armaram muitos dos moradores os quais estavam acanhados por lhes faltarem armas de fogos. chegou em 10 dias de Agosto ao dito Rio a onde achou os moradores com as armas nas mãos. e se aproveitaram das munições e armas que traziam. se fiseram em um corpo. e mataram ao sargento e a dez soldados Flamengos que levava consigo.

porque se aquelle socorro se lhe não pudesse impedir e se lhe chegasse. Neste mesmo dia morreram mais vinte inimigos e nenhum dos nossos foi morto. Manoel Calado e a de Samuel van Koyn. e o Nicoláo Aranha lhe respondeu pelo mesmo portador que com muito contentamento o esperava e que se quizesse o iria buscar a porta da fortaleza para o hospedar na sua barraca. que quando não pudesse impedir ao inimigo aquele socorro. E Geog. sem mais gente de armas que os marinheiros. declarando que estava bem provido de pólvora e balas. e não tinha que ver com traidores e portanto não lhe faltassem em taes infâmias. Quis o inimigo fazer uma sahida no primeiro dia de Setembro. Guedes Alcoforado. 40 p.mas o capitão Hoen era atrevido. Estas notícias causaram grande desanimo entre os soldados. porque para verem a nossa gente. e ainda não haviam aberto bem a porta. que foram os primeiros que sahiram e logo se tornaram a recolher e as fechou. e mandou logo picar ao inimigo. não quiz render o bordo ao mar. Do Brasil. havia de accometer a fortaleza e escalal-la. Eis suas palavras: “pouco mais ou menos. e assentando seu arraial lhe tomou todos os caminhos (assim entradas com sahidas) com emboscadas e corpo de guarda. preso com os principais offiaes e conduzido por terra para a Bahia. como seu servidor e amigo ao que o Comendador hollandez respondeu que elle o faria como fosse tempo. como a resolução com que o investimos. t. e o Fiscal daquella força. pelos quaes ficou o commandante sabendo que o tenente Coronel Horus fora abatido na várzea. bem como que o Recife estava também sitiado e muito tinham que fazer seus defensores para se desapressarem a si mesmo. e treze homens do mar. iam a por as mãos nos chapéus e em as pondo. os demais eram soldados . destes hollandezes morreram seis e os 139 outros foram presos e feridos. porém o que acovardou o inimigo não foi tanto à força da nossa gente. Era. porque em deitando as cabeças por cima já estavam mortos com as nossas balas. pois voto geral que se tratasse de capitular” Ver. era impossível podel-la render por fome. logo as nossas balas lhe furavam os chapéus e as mãos". entrou pelo rio o capitão João Hoen com viveres para este forte e do de Sergipe d’El-Rei. que lhas semeamos de mortos saindo elles de noite a rossar o mato que estava junto dellas. pelo que não devia elle esperar socorro alguma d’aquella praça. as fizeram voltar e fugir com grande vergonha.38. mandou Nicoláo Aranha acudir com as canoas armadas de valor. o cronista holandês assevera ter sido em 7 de setembro. Com este recado retirou-se o emissário para donde veiu. e com boa gente de sua companhia e a de Francisco Lopes e moradores da terra e por cabo ao alferes N. quando lhe matamos quatro soldados. porque em 28 de Agosto mandaram uma náo grande com duas barcaças. Koyn enviou dous soldados para melhor avisa-lo do cerco. o comandante. Vinham no barco treze hollandezes e um commissario de Cirigipe d‘El-Rei. Hist. Do Inst. Dias depois o inimigo mandou aos nossos novo emissário com os homens que tinham sido apprehendidos no barco do capitão João Hoen. e antes que amanhecesse o rederam. Enfim a nossa gente se chegou tanto à fortaleza que não ousaram o hollandezes a se por em cima da muralha. aos 13 de agosto de chegou Nicoláo Aranha cm toda a infantaria à força. Neste mesmo dia teve Nicoláo Aranha aviso. Os visitantes enviaram ao comandante da praça vários commissarios e lhe propuzeram comprar o forte por alguns curraes de gado.gente vinte Flamengos. com o que muito se encolerisou o commandante koyn. Não se descuidavam os do Supremo Conselho do Recife em socorrer a sua gente cercada. 123 . Vendo isto Nicoláo Aranha abalou todas suas estancias e se chegou a força até descubrir as suas casas a onde lhe matamos muita gente em particular em 23 de Agosto. em como pelo rio acima vinha um barco grande com provimento para os da fortaleza deram-lhe aviso a noite e logo equipou duas canoas com vinte e cinco homens da sua companhia e da de Francisco Lopes e alguns moços da terra muito animosos soldados e por cabo o ajudante Francisco Rodrigues. sendo cinco ou seis dos nossos feridos e um morto. e é muito digno de notar que indo em uma lancha onze holandeses com ajudante foram investidos de dez moços nossos da terra em uma canoa e dando-lhes os hollandeses primeiro uma carga de mosquetaria não tocaram com balla a nenhum dos nossos e os nossos atirarm sua carga e mataram logo seis e aos outros degolaram a espada e tornaram as lanchas. o qual atemorisado pela resolução não quiz sahir e lhe mandou diser pelo padre vigario Amaro Martins. que logo viria beijar-lhe as mãos . para virar as nossas canoas e mettel-as no fundo. Animada a nossa gente com estes prosperos sucessos . a 7 do corrente. de que resultou tomar-lhe o inimigo o barco. as quaes entraram logo pela barra dentro. Informado da chegada do capitão. Já neste tempo tinha o Capitão Nicoláo Aranha tomado à resolução. nem ferido. 139 Bastante semelhança há entre a descrição de Fr. e investindo-as com grande resolução. entretanto este fato que o jeusuíta dá como sucedido em 23 de agosto. bastando só as barcaças. e depois de rendidos nos mostraram alguns as mãos passadas com pelouros. morresse quem morresse.

a qual ia tangendo por entre o nosso corpo da guarda e se ouvio por alguns dos nossos. desparassem os nossos soldados todas as armas de fogo e dessem duas cargas cerradas em signal de alegria e festa. Vendo os hollandeses a resolução. Depois que tivemos a fortaleza por nossa e os hollandezes reunidos e desarmados. appareceram no rio. a carne que tinham a repartiram. tanto que amanhecer. se cantaram uma Missa de Requien pelas almas do purgatório. e a nau vinha só com duas velas pequenas."Chegou a Nicoláo Aranha em 13 de Setembro a triste notícia em como o inimigo à falsa fé havia queimado aos nossos navios que estavam na enseada de Tamandaré. Dêo-se embarcação as mulheres. Isto tanto mais desanimou Koyn. bandeira estendida e os officiaes com suas insígnias militares. achamos duzentos e sessenta e seis flamengos dentro na força e cinco Índios. de mantimentos trinta e sete barris de farinha. que sahissem da fortaleza com suas armas e balas em boca. nem outra alguma pessoa de cousa que os hollandezes tivessem na força. "Fez-lhe Nicoláo Aranha muito honrado partido a saber. duas léguas em distancia da força umas não três lanchas grandes que vinham aos hollandezes. liga a convicção de que não seria socorrido pelos seus compatriotas. "Não se aproveitaram os soldados. e querendo levantar em alto. onde foi presas Hous. "Aos 15 do mez pediram ao Capitão Aranha três dias de tréguas. pólvora pouca e essa molhada. Caso miraculoso!". "Tinha o Sacerdote consagrado o corpo de Christo Nosso Senhor Salvador. "Acabou-se a missa e o inimigo começou a chamar com um tambor mandamos ver o que 140 queria. e todos os dias as encommendo a Deus e agora nesse ponto acabar de resar as orações que todos os dias ofereço a Deus por ellas. para que o não dissesse a ninguém. responderam brandamente como quem o queria fazer". para mostrar ao povo. que os iam socorrer. Achamos sete cavallos vivos. e passados da outra banda do rio da parte do sul. pondo graves penas a quem as levava. e ocupado em defender Recife. isto é boa nova. meninos e enfermos. respondeu que se queria logo entregar". com toda solemnidade que foi possível e ordenou Nicoláo Aranha que quando o sacerdote levantasse o Corpo do Senhor e seu precioso sangue em alto. dos quaes levaram quatorze". 124 . para levarem suas roupas para a Bahia e cavallos para os que foram por terra. disse então o Capitão Pedro Aranha irmão do cabo da companhia de Nicoláo Aranha." "Approvaram os camaradas o bom intento e tanto que a nova aurora appareceo. por que já estava enfadado de o terem ali tanto. como o leitor já viu na nota anterior. para caminharem para a Bahia. aonde haviam de ser desarmados. quanto ele sentia grande falta de munição. uma música em tom de ladainha e vio uma clara de luz. nos dezoito dias do mez estando na barra do Rio cinco embarcações cheias de gente. naquella noite se ouvio o som de uma companhia. e recolheu a si todas as cartas. bordando as nuvens de louvores e allegrando o mar e a terra com seu formoso aspecto. muitas balas para ellas. promettamos-lhe todos uma missa cantada. os quaes se lhes concedeo e lhe fez o partido muito favorável. Poes amanhã e segunda-feira o dia em que a Santa Igreja Catholica costuma dizer Missa e fazer sufrágios por ellas. e logo se resolveu e mandou por um official com um tambor dizer ao Comendador da força que se rendessem. já situado. Senhores camaradas. desparou o inimigo da fortaleza uma peça de artilharia e toda nossa infantaria lhe respondeu com uma carga cerrada de mosquearia e tornou a secundar com outra ao levantar o calix consagrado e tão grande foi o estrondoque o inimigo ficou admirado". derrotado na várzea. ou os passaria todos a cutelo. porém nenhumas de mosquete. bala e armas e das mais munições de guerra com cento e oitenta soldados. Samuel van den Broeck. até uns tantos passos. sendo mortos no cerco setenta e sete. achamos-lhes na fortaleza dez peças de artilharia de bronze. eu sou grande seu devoto. com socorro de pólvora. notícia esta que lhe foi trazida pelos homens que tinham sido apreendidos no barco de João Hoen. 140 Enquanto Calado liga a rendição e capitulação do inimigo a um fato misterioso. sem dúvida que isto deve ser as almas dos Paes defuntos que nos vem a socorrer. achamos vinte e quatro mulheres e trinta e três meninos e desoito escravos. o qual com muita dor encobrio a nova. Eis a verdadeira causa da rendição do forte.

"Tomou o capitão Nicoláo Aranha conselho no que faria para tomar a não e as lanchas e alguns lhe disseram que as deixasse metter bem debaixo da fortaleza . porque lhes sahiu em sorte o ocupal-os o cabo do capitão Nicolão Aranha. por quanto não tenho até as presentes testemunhas de vista". nem morto nem ferido algum. nem sustentar bateria. 44 125 . que era grande consideração para impedir a passagem para a Bahia e a chave da capitania de Pernambuco. vacas. como os mais valerosos do mundo. e assim desejando eu louval-os a todos. que chegaram a dar duas cargas cerradas ao inimigo e não posso affirmar se lhe mataram pouca ou muita gente. "Tão extremamente o fizeram nesta ocasião. em suas casas. antes sempre sobejou o mantimento de vacas. galinhas e carneiros. só os que vinham enfermos aceitaram alguns cavallos para poderem acompanhar a tropa e porque os moradores não desconfiassem vendo que se lhes não aceitavam seus oferecimentos". com tanta pontualidade. sem haver entre elles os nossos soldados. alguns que mais se extremaram. doces e fructas que a terra dava. Francisco o capitão André da Rocha de Antas e o capitão Valentim da Rocha.navegando. e assim perderam os rendidos tudo o que era seu. sem fazer agravos aos outros. e por conselho de seis francezes que pediram praça para tomar armas por nossa parte. que seguiam por terra a Bahia entroeu no Rio o capitão Willem Lamberts com um degre (barco hollandez de pesca) e tres barcos bem artilhados. e desparada a peça logo a não largou todo o plano e as lanchas com ella e se vieram em direitura para a fortaleza". porém o capitão considerando que na fortaleza achava pouca pólvora e essa toda molhada. leite. se os hollandezes queimassem a caravella. os soldados como generosos não quiseram aceitar cousa alguma. vitellas. assim os moradores do rio S. porque o não mereceram. que nunca nos faltou. "Para se render esta fortaleza. fazendo sua obrigação com muito animo e as mulheres. antes todos acudiram com suas armas. contra os hollandezes. segundo Matheus vam dem Broeck. Francisco. pois o commandante Aranha declarou que. antes lhe deram muita graça pelo bom tratamento e offerecendo os moradores das terras (depois da Victoria alcançada) muitos dons e mimos de bois. nem causaram moléstia. que diz: “ depois da partida do commandante e soldados. Mandou o commandante Aranha que fossem ao encontro do capitão Willem uma caravella (onde já haviam acondicionado a bagagem dos rendidos) e um barco com soldados. O capitão Willem houvera posto fogo à caravella se as mulheres neerllandezas não se intercedessem. Porque dos moradores. começou a náo a fazer bordos e a desparar sua artilharia e as lanchas suas roqueiras e se foram pelo rio abaixo e sahiram fora da barra na derrota do Recife e os nossos dous barcos e canoas se tornara. de modo que succedeu esbulharem os nossos os bem dos seus próprios compatriotas. e com a infantaria por terra e por mar em barcos e canoas as renderia facilmente. para se recolherem ao Recife. nos quaes haviam de embarcar as guranições do forte Maurício. Em cousas particulares. e que se náo e as lanchas chegassem a metter-se debaixo da artilharia da força. Porém assim por maior quero ir nomeando de uns aos outros. que era o signal de que estava dado para os hollandezes conhecerem que estava a fortaleza por sua. nos faria a nós muito mal com sua artilharia. Pouco depois o capitão Willem despojou o rio. Sei que ficando um vento rijo. Acercando-se uns dos outros. porque com a artilharia lhe faria grande damno. dos moradores do rio S. perus. disparou o capitão Willem suas peças e os portugueses vararam a caravella sobre um banco e lançaram-se à água depois de uma pequena escaramuça. que não servia para carregar as peças. a nenhum morador fizeram os soldados damnos. com suas armas. Porto Calvo e Sergipe de El-Rei. Cit. novilhos para trazerem consigo para Pernambuco. mandou o capitão Aranha desparar uma peça de artilharia da fortaleza. farinha. que são merecedores de muito grande louvor. elle faria matar as mulheres e meninos. porque em tudo 141 os quis Deos favorecer". Só ". como merecem. não me atrevo a por uns em primeiro lugar. Para libertar os nossos devera ter chegado três dias antes” Obr. e os nossos soldados o fizeram com tanto brio. se occupavam em fazer de comer para os soldados e com tanto gosto. P. mandou investir contra ellas. os quaes em companhia do capitão Pedro Aranha sempre tiveram a vanguarda no cerco da fortaleza. os homens sempre assistiram com os soldados da Bahia. não sahiu morador algum de sua casa. Manoel 141 Essa nau e lança eram comandados por Willem Lamberts. como os soldados da Bahia e com tanto esforço e valor. esforço e brio. patos. e conhecessem o pouco cabedal que fortaleza tinha para lhe fazer danmo. esquipou dous barcos e algumas canoas carregadas de bons e valerosos soldados e antes que a náo e as lanchas chegassem. e estiveram mais chegados ao inimigo João Velho. de sorte que lhe fosse necessário esconder-se pelos matos.

Eis ai as minundencias de Calado. resolvemos. o qual foi em uma das canoas. mas com muita vontade e contentamento passou toda a nossa infantaria da outra parte do rio. pois. O conselho de guerra resolvêo os seguintes artigos: "Nós. "3-Segundo todas as probabilidades não sermos socorridos pelos do Recife. o capitão Pedro Aranha com vinte. pelos companheiros de Hoen. como já aconteceu". o capitão Francisco Lopes. 64. foi porque era quase impossível o combatê-las por terra por ser a distancia de sessenta léguas e haver muitos rios navegáveis que passar e mais era grande o risco mandá-las em barcos. e por ordem dos governadores da liberdade. abaixo assinados. quando o inimigo trazia pelo mar náos de guerra e lanchas. Francisco de Almeida alferes reformado. a fazer guerra aos hollandezes de Pernambuco. que fizeram fugir as lanchas até os deitarem pela barra fora: e este soldado é filho de um homem nobre. e no sítio sempre nos acompanhou com pessoa e fazenda. e em baixo com embarcações para o fim de tomar os socorros que nos enviem. externa sua resolução e deputa-se o capitão Felipe Schatt e o escabino Lubbert van Coeverdeu para entrarem em acordo com o inimigo. o qual com muito grande trabalho e dispêndio. homem. e ele o fez como de seu valor se esperava. e senão vieram logo para o nosso arraial da Várzea de Capivaribe. oficiais do forte Mauricio no rio de S. Gonçalo Dias cabo da esquadra. segundo temos escrito atrás. aonde estava a fortaleza. assim dos da Bahia. o qual já tem perdido três filhos nesta guerra. chamado Baltazar de Matos. capitão Nicolão Aranha. com cinqüenta soldados. sobre as condições de capitulação. mais que pólvora e bala. o capitão Diogo de Oliveira de Lacerda com vinte moradores do rio REAL. os capitães Gaspar Fernandes Villar a quem o cabo do capitão Nicolão Aranha proveo de uma companhia de bons e valerosos soldados. isto é. Francisco Velanez. Gonçalo de Matos homem natural de Pernambuco. pois sabemos com certeza que a maior parte dos nossos comandados pelo tenente coronel Hous. rendemos esta praça a partido": "1-As nossas munições de guerra. que poupamos assim antes. enfim alcançada a vitória foi o capitão Nicoláo Aranha despedindo os outros capitães em suas companhias e tropas para onde estava o Governador da liberdade João Fernandes Vieira e os dous mestres de campo André Vidal e Martins Soares e elle depois de ordenar as cousas necessárias no rio.M. porém quero nomear os principais que nesta empresa se acharam. Capitulado e desesperançado Koyn de auxílios vindos do Recife. fazendo toda a sua obrigação como honrado. com que defender as nossas vidas". Marcos Dias . 142 143 Provavelmente este Marco Dias é um descendente da família de Belchior Dias Moreya.. senão a socorrer os moradores na grande tribulação e aperto em que estavam. dos da Bahia não me atrevo a declarar o valor que nesta empresa mostraram. também dez soldados da Bahia se avantajaram muito. nem ferido.M. as mandou esconder em lugar seguro. "E o caso suceder entrar por este rio em nossa assistência um ou dous barcos com gente ou provisões. pois amanha será distribuída a ultima ração de carne". porque o inimigo não tivesse esperanças de a tornar a possuir. por pedimento dos moradores. e outros muitos que não nomeio por ser enfadonho. que os soldados gastaram. 126 . sabemos que os contrários estão aqui de vigia em numero de trezentos homens. a cujo cargo veio esta gente com sessenta e cinco da sua companhia. Ganhada esta fortaleza a mandou o capitão Nicoláo Aranha arrasar. reunidos em conselho hoje 17 de setembro de 1645. Manoel Calado. Não temos. Marcos de Oliveira alferes reformado. "2-Igualmente começam a escassear os viveres. acham-se ao presente esgotadas. para nos aproveitarmos delas na primeira ocasião de importância. como dos da terra e lhe fizeram numero de sessenta. como durante este cerco de perto de seis semanas. pólvora e morrões. e que o Recife esta assim apertado. p. que andavam sempre de vigia. de modo que não dispomos de maior quantidade de pólvora que é necessária para prover por uma vez somente as bandeleiras. Francisco Aguiar.. 258. O valoroso Lucideno. foram rotos pelo inimigo. veio marchando detraz na retaguarda e todos 143 chegaram a várzea do Capivaribe com prospera viagem . que mal se pode sustentar". obrigados de imperiosa necessidade e movidos de poderosas razões que abaixo vão. reuniu conselho de guerra. os dous irmãos chamados os Brittos. e dez peças de artilharia de bronze que n‘ella achou.Francisco. Não custou esta fortaleza cabedal algum a S.Gonçalves Marzagão. Fr. Gaspar Gonçalves Nenoa. João 142 Furtado de Mendonça. só digo que alcançaram a vcitória sem nos morrer soldado algum. porque nem o governador geral mandou a infantaria por ordem de S.

Boudewijn de Jager. segundo os estylos militares e aos seus foi anteriormente concedidos". a continuar este estado de cousas. "4. "6-A guarnição. não há palissadas em terra de fortaleza. é impossível prevenir que se rebele". "Nós oficias abaixo assinados reunidos na fortaleza Mauricio.O Senhor Nicoláo Aranha conceder-nos-ha podermos sahir todos para o Recife. A nossa gente valida não excede a 147 soldados. Está.O official que nos escoltar será obrigado.Lubbert van Coverden. ao general que mandar na praça.Soltara e permitira que nos acompanhem os prisioneiros que se acham em seu poder". por entre a frota inimiga". bala em boca. "1. antes da nossa chegada. sabemos que crescem de dia a dia.O Senhor Nicoláo Aranha nos fornecerá embarcação capaz que nos transporte com as nossas bagagens para o Recife"."4-As forças inimigas. "2. Feito em nossa assembléia no forte Maurício. mal alimentada. poderão igualmente levar seus negros. "Por estas e outras considerações. começa a sentir-se fraca e desalentada que. ao todo cento e noventa e sete homens em estado de prestar serviço.um parapeito na extremidade das pedras. entrar amanha. com bandeiras despregadas.Todos os rendidos. como é manifesto vão pelo contrario diminuindo. que com tão poucas forças é impossível defender tão largas obras contra adversários numerosos". "5. Era ut supra. como pelo presente resolvemos. depois de maduro conselho. "6. caso o Recife se ache em cerco. para o qual fins lhe deputam o capitão Philip Schacht e o escabino Lubbert van Coeverden". 127 . paisanos. "7. pois.uma obra exterior de sessenta varas diante da porta para defesa dos carregadores de água. ao passo que as nossas. 18 do corrente. Smit.O dito Senhor Aranha ordenará que um oficial nos acompanhe. onde deve estar de continuo sete homens para a guarda e pronto socorro". o mesmo oficial nos entregara. pois. uma vez que sua nobreza nos conceda as seguintes condições e artigos. soldados.Hans Pertersz. "3. de modo que por fora é fácil galgá-las. Em fé do que assinamos este termo com os nossos próprios punhos". fazemos saber ao honrado Senhor Nicoláo Aranha. que presentemente montão a oitocentos homens.. "8. comandante das tropas portuguesas no rio S. mulheres e meninos. D. poderão retirar livremente e intacta as suas bagagens.Antes de partimos seremos supridos com as necessidades vitualhas de modo que possamos fazer convenientemente a nossa viagem".Permittir-nos-há a levar três canhões de seis libras de bala com a sua carreta". e este dar-nos livre passagem para a nossa pátria". sem mais sermos encommodados. e caso o Recife se haja rendido. desnudada. 2. e as muralhas recentemente levantadas acham-se arruinadas e abatidas em conseqüência das continuas chuvas. arcos e caixas. "5-Tão pouco não tivemos meios de cortar a fortaleza. indicando as experiências militares. como assenta sobre pedras. Além disto como se sabe.V. "Assim que cada homem tem que ocupar perto de duas varas de terreno. Com essa força temos de ocupar: 1-a fortaleza cujo circuito é de duzentos e setenta e seis varas. que por justas razões somos movidos a entrar em ajustes com sua nobreza a cerca da entrega da dita fortaleza. 3. sem sermos molestados do inimigo e ali entregar-nos-ha aos nossos senhores. trinta homens de trem e vinte paisanos. Francisco.Pieter Rotterdan. Koyn. negras e cavalos ". temos resolvido. vigiando continuadamente nas muralhas.Huybert Dop – Hans Paap – Thomas Pouwelsz. . em ajustes com o inimigo e aceitar as melhores condições que deles podemos obter. a fim de nos escoltar livre e seguramente até o Recife. a conduzir-nos livre e desempedidamente a dita praça. caixas. corda acesa em ambas as partes.Wolf Reurseits – Philip Schacht – Thomas ReBarent Vlieger. dentro dela não se pode haver a terra necessária para levantar outra muralha". judeus. todas as armas.

Diago de Oliveira. D.Todos os oficiais. secretários. sem serem visitadas". submetendo os seguintes ao seu parecer: "1. "3. "5º Forneceremos um barco em que vão os feridos. "Nós. a deputação teve de voltar. Outrossim. Walf Keseits. Sahirão com suas armas até onde nos aprouver. concederá o Senhor Aranha que as separemos das hasteas. mestres de obras. . Hans Pietersz Smit.. "5. Em 'dito barco serão embarcadas as bagagens dos que as não poderem levar por terra. que obriga-se alli entregar suas nobrezas. Francisco. Pra partirmos conforme as praticas militares". Sahirá a guarnição com armas ao hombro. segundo as praticas de guerra. Nicoláo Aranha Pacheco. bem como as mulheres e meninos. para a Bahia. a saber: capitães. Adriano da Rocha. declaramos que. pois os moradores não permittem conceder maior espaço. "6. morrões accessos. poderão levar seus negros e negras para lhes carregarem as bagagens". 9 º Conquistado o forte Maurício. "4° Não se tocará nas roupas das mulheres. Aos officiaes principaes serão dados cavallos que os transportem para a Bahia. "2. Francisco. comissários e auditor. escabinos. "Os paisanos poderão sahir com sua roupa e mochilas. Cinco paisanos poderão conservar seus sabres enterçados. pois não podemos mais obter. não vim para lhes fazer guerra e sim para ajudar os moradores. Boudewijn de Jager. ate 21 de setembro.Conceder-nos-ha levarmos as bagagens que os nossos escravos e cavalos poderem carregar. concederá levarmos nossas armas brancas". Pieter Boiterdamo Lubbert van Caeverden". Serpa de Lacerda. paisanos e suas mulheres. E para que isto não falte. poderão ficar comigo na fortaleza o tempo que lhes parecer. Thomas Pay. "4. sargento. "2 Os officiaes levarão suas espadas. V. pois. quartel-mestre. bala em boca.Os doentes e feridos. sem serem revistadas as suas bagagens".Dar-nos o prazo de três dias. os officiaes principaes. porém. acompanhados de um capitão.Depois de havermos deposto as armas. Resposta do Capitão Aranha: "1º Serão todos enviados.Cada um dos oficiais. poderá mandar no barco uma arca com suas bagagens. acceitamos as condições que acima ficam e dellas somos contentes. Koyn.O capitão Aranha não aceitando todos os artigos. Feito em conselho no forte Mauricio ao rio de S. alferes. Pedra Aranha. Francisco Lopes de Maltos. e estes não me permittem de modo algum que eu mais conceda. tambor batente e b~ndeiras tendidas. cortavam-se 144 Diário de Matheus van den Broeck 128 . tenentes. mulheres e meninos. serão transportados com escolta para a Bahia em embarcação capaz. Willem Sloot. que não serão revistadas". G-aspar Fernande-s Vilar. Em fé da verdade assignamos todos o presente termo. " 3 O prazo que concedo é até as 8 horas da seguinte manhã. caso não possamos levar as nossas bandeiras. "Eis o que concedo aos hoHandezes. passei o presente papel hoje 18 de Setembro de 1645. officiaes do forte Mauricio abaixo assignados. Valentim da Rocha. Rans 144 Paap. Philip Schacht. na margem norte do S. isto é.

que realmente chegaram a 19 de agosto. as horas. os holandeses que habitavam em S. trazidos de diversos pontos. As condições dos dois exércitos tornaram-se completamente desiguais. enclasuraram-se no Recife. porém. estavam no auge da fome e o exército já começava a· revoltar-se. situadas no limite sul do seu domínio. e outro no rio Real. que só de infantaria contava para mais de dois mil homens. às mãos dos seus primitivos conquistadores. como já vimos. rendiam-se as duas fortificações dos holandeses. Em suma. As condições mudaram. Abriu-se assim o ano de 1646. Baldas de meios. cercados pelo capitão D. João de Souza. pedindo a capitulação. já contavam os dias. pois. Bem providos de munições de guerra e de pólvora. a fome e a indigência. Por certo era uma grande perda para o inimigo. que a 27 de setembro partia. batidos pela fome. de que não dispunham os seus compatriotas do forte Maurício e Porto Calvo. Francisco duzentas cabeças de gado. acampados em Bom Jesus. Estavam para capitular. A notícia destas vitórias chegaram ao Recife a 30 de setembro. Cristóvão e no fortim de Sergipe. tanto mais assustadora. Um arranco ia efetuar o espírito batavo para reaver o que já tinha perdido. e a certeza de que em breve lhes viriam amplos auxílios. Schkoppe encarrega a Henderson a expedição a S. com o duplo fim de privar as comunicações da fronteira sul com o exército dos conquistados. Francisco. privados de comunicação com o Recife. Assim.as comunicações entre o Recife e Sergipe. onde os holandeses. pela sucessão de vitórias. Sem combustível. por intermédio de Dirck Witte Paert e Lamberts. encarregado deste serviço. chegaram a alimentar-se de gatos. Além de novos membros para o governo. indo só do rio de S. exaurida pelas sucessivas destruições das lutas e das guerras. As guarnições de Recife e a fortaleza de Maurício. que postaram-se na margem do rio Real. Perdendo os seus domínios do sul. a não conseguir que os holandeses se espalhassem pelo território. cheia dê ruínas. quando chegam-lhes munições por dois navios. de onde não podiam receber nenhum auxílio. entre os holandeses reinavam o desânimo. Enquanto entre os revoltosos reinavam o ânimo e a coragem. onde causaram um geral desânimo. Depois de tentativas para retomar o Recife. Abandonando Olinda. sendo preso Hans Vagels. Era o trabalho de Camarão e Henrique Dias. cercados pelo inimigo que até lhes dificultava a água. comiam as carnes cruas. cheio de horrores para os holandeses. em setembro desde 1645. que desde esta época tinham permanecido em vigia. comandante do forte. juntamente com Koyn e Florys em uma caravela para Portugal. Aquele desde 1642 tinha sido derruba·do pelo exército dos conquistados. João de Souza. como para mover as fábricas açucareiras. Agora. cães e ratos e desenterrar animais. não só para alimento do exército. os holandeses entravam em uma fase de decadência. e entregava-se a capitania. veio uma grande força militar comandada por Sigismundo Schkoppe e Henderson. botavam no fogo o último pão. pois era impossível a continuação de um tal estado de coisas. rendiam-se. enquanto entre eles havia a abundância de víveres. de onde vinham importantes contingentes para o 129 . quando se rendiam ao cerco de D. quanto da metrópole não lhes vinha nenhum auxílio. devastada. como diz Varnhagen. tinham edificado dois fortes: um em Vaza-Barris. de Sergipe tiravam o gado.

A 16 de novembro desembarcam em Cururipe e daí marcham por terra para São Francisco. para vigiar o inimigo. Era uma força militar demasiada para debelar a resistência que pudesse encontrar em Sergipe. onde. Henderson conquista a fortificação. com 500 a 600 homens.Middelburg. com toda a companhia que tinha saído para ver o inimigo. meia légua distante do forte. Apresenta-se Samuel. Jan Jansz van Yssendyck. elas lhes foram quebradas aos pés e eles condenados. vai atacar os sitiantes. a guardar e defender o território. sob o comando do tenente van 130 . os tenentes Jeronymo Helleman. pelo território sergipano. atacam um posto avançado de vinte homens. onde está edificada hoje a cidade de Propriá. sabendo do desastre em S. O resto da guarnição que pôde escapar à destruição. Foi vítima desta imperícia. assim como os capitães Daniel Kein e Gernil Schut. e fazer do rio uma base de operações e daí dirigir-se para o norte. Duas grandes perdas assinalaram este feito militar. menos os 500 a 600 homens que ficaram no forte. Somente no forte ficou o coronel Henderson. Francisco. e congraçados em número de duzentos. fazendo o número de 1. depois de atravessar o rio. largaram em caminho as armas e por isso. postados em Bom Jesus. Para punir a insolência dos atacantes. Francisco até março de 1647. centralizouse no forte. quando os fugitivos. como desleais. a voltàr para Holanda. o conde italiano Bagnuolo. em que iam 10 companhias de soldados e 3 de índios. Seus habitantes. que continuava a cercá-Ia. Killiam Snyder. a 29 de dezembro. aquele mesmo que em companhia de Schoppe tinha pesquisado em 1637. sendo a mais notável a em que foi àssaltado o tenente La Fleur. sendo composta de 13 navios.200 a 1. e Joost Comam! e o Alferes . quando pensava La Montagne em uma vitória. ia realizar o plano de bloquear a Bahia. Fogem os duzentos combatentes que lhe deviam resistir e. que. quando o inimigo ataca e cerca uma casa. Henderson permaneceu em S. por ordem do Governador Geral. além da perda de cento e quatorze soldados.exército. A 24 de outubro de 1646 parte o coronel Handerson com uma frota sob sua direção e do almirante Lichthard e como comissário Paulo Antony Dames. onde se achava o Capitão Francisco Rabelo. o bravo almirante Licththardt. menor resistência.300 homens. desprevenidos para a defesa e ocupados ainda em demolir o forte. Henderson encarrega ao capitão francês Samuel Lambert (La Montagne) que com quase toda a guarnição. comandados por Francisco Rabelo. entre índios e soldados. em dias de dezembro. quando grande parte dela incorporou-se ao comando de Sigismundo Schoppe e do conselheiro supremo Simon van Beaumont. e trata de levantar. e não podendo mais atacar pela retaguarda os inimigos. correm espavoridos e galgam a margem sul do rio. perante eles. Por diversas vezes algumas partidas se fizeram. Antonio Bailjaert. em Urubu. em presença do historiador Nieuhoff. até 4 de fevereiro de 1647. perde a ação pela emboscada de que foi alvo. bloqueando o inimigo. já em melhores condições de luta. Faleceu. tenente de Gisselingh e Adriaen Mebus. alferes do capitão Schut. um outro forte. cujo corpo foi conduzido para o Recife e ficou prisioneiro o valente capitão Gisselingh. e onde estava postada a sentinela avançada. em lugar melhor. Sem a.

que ficaram nas mãos. dos sitiantes. manda o capitão Chain Fleury que foi cercado pelo inimigo. se não recua para. pois. Perdeu o holandês os currais de gado. O próprio Henderson teria idêntica sorte.Westwout. em 1647 e do território de Sergipe. com um passaporte para a Holanda. o forte com os seus 300 soldados. indo a guarnição para Itaparica. impossível a permanência de Henderson em São Francisco. ficando prisioneiro com 40 soldados e 60 índios. são capturados 50 a 60 soldados. Henderson. de onde os holandeses não teriam nada a tirar. querendo socorrê-los. convencendo-se a Companhia de autorizar a retirada de Henderson. para sua alimentação. força insuficiente para romper as forças inimigas . desde setembro de 1645. Era. donde tirava aos milhares de cabeça por dia. onde achava-se Sigismundo. a devastar. 131 . Ficava assim o holandês eliminado do rio São Francisco.

CAPÍTULO VII NOVO DOMíNIO PORTUGUÊS Depois dos acontecimentos descritos nos últimos capítulos. por ser cúmplice no assassinato de Cipião Cardoso. por sua chegada ao Brasil. quando passou novamente ao domínio da colonização portuguesa. Queixa-se da conduta do ouvidor Felipe de Almeida. que deu lugar à existência de uma opinião mais autônoma. entregando-lhe seus haveres e suas casas. até então. que veio à capitania sindicar judicialmente da questão. Daí a razão principal de cedo começarem os tumultos em Sergipe. Permanecia em Sergipe. em março de 1651. os hábitos de paz e harmonia. durante anos. a câmara de São Cristóvão saúda o conde. En suma. eles trouxeram conseqüências de algum valor. por ter expirado seu triênio. com Baltazar Barrinhos. nos sítios e nas fazendas: a falta de humanidade no tratamento que deram aos seus habitantes. foi Baltazar ele Queiroz. denúncia que motivou a demissão daquele funcionário e o despacho do licenciado Francisco Alves Moreira. uma companhia de infantaria. quando uma geração nova veio substituir aquela que batalhou tenazmente para eliminar o inimigo. que foi substituído. O primeiro captião-mor despachado. com sacrifícios. foram as causas que reduziram Sergipe ao estado de decadência a que chegou. aproximaram-se. amontoada. que se sucedem até o fim de século. As explorações do holandês na zona ocidental da capitania. ferido em sua cobiça pelas belas formações geológicas. nesse tempo. Historiemos os fatos. Até sua capital foi reedificada. pelo capitão Francisco 132 . sem o querer. Rodrigo Castelo Branco. substitui-o na administração pelo capitão João Ribeiro Vila Franca. sob o comando de Baltazar dos Reis. o contingente que se tirava de seus currais para o sustento do exército."encetar. como conseqüentes das lutas e que destruíram uma pequena riqueza pública e particular. O território da capitania foi descoberto. que preferiram perder seus bens a conviver com o povo invasor. perde. pela defesa de uma causa comum. depois que a capitania passou de novo ao domínio português. Em sua administração. para motivarem maior atividade nos períodos subseqüentes. porque houve necessidade de ser percorrido. que muito tarde quis . na metade de século XVII. As lutas feridas em seu território. motivaram as posteriores explorações a cargo de D. a desastrosa indiferença de Nassau para com a colonização da capitania. que serviu de ponto de espia ao exército conquistador. Se foram estes os males que apontamos. em 1650. como a que o historiador estuda da capitania de Sergipe para o norte. porque em uma carta a si dirigida pelo conde de Castel Melhor. passou Sergipe novamente ao domínio português. as devastações que seu exército fez em sua capital. abriam entre si larga separação. onde nota-se tendência bem visível até mesmo para romper-se os laços de subordinação do governo da capitania ao da Bahia. As três raças que. em mais de meio século de colonização. a permanência do holandês em Sergipe deixou no espírito da sua população um gérmen de revolta. Compreende-se perfeitamente que um povo que se acostumou a uma luta tenaz. provavelmente em 1648.

e o exército que ainda lutava no norte. tão contrárias às profissões de hábitos fixos. pela qual ordenava que os moradores da zona compreendida entre os rios S. pouco tempo depois da posse. os quais enviam presos para a Bahia. contra essa resolução. em ocasião de rebate do inimigo. Além desta reclamação. Verifica-se aqui uma lei geral da marcha das civilizações. ela pede permissão para lançar novos impostos. pouco próprios ao desenvolvimento de qualquer lavoura. estava-o igualmente Sergipe. para que não promova mais inquietações e não se aproveite do cargo que exerce. Além desta desobediência de Vila Franca ao seu superior. por quem foi julgada a prisão ilegal. ficassem transitoriamente pertencentes à jurisdição do capitão-mor da Vila do Rio de São Francisco. As rendas públicas da criação do gado que. Toda sua zona ocidental. Só na administração de Vila Franca. A câmara de então representa ao governador contra a usurpação de suas atribuições. O gado de Sergipe. servia também para abastecer a população da Bahia. que não só tomou a si resolver assuntos. promove divergências. Esta medida revela os temores da época . Antes do sergipano ser lavrador. foi pastor. escrivão da câmara e Francisco Curvelo. um emissário. dirigidos ao Ouvidor Geral. com os documentos de suas faltas. pela qual os curraleiros não tinham mais obrigação de acudir à defesa da cidade. prestava-se à criação do gado. além do contingente econômico para formação da riqueza pública. com recomendação expressa do governador ao seu delegado. da companhia de infantaria. Francisco e Japaratuba. como receita municipal e a revogação da ordem. prejudica suas atribuições. até mesmo com o próprio governador da Bahia. porque defendido o rio contra invasões inimigas. O maior peso específico da população era dado pelas gerações mestiças. que tanto ou mais do que a finta lançada pela câmara da Bahia. De novo reclama. constituída por terrenos agrestados. não pertencentes à sua jurisdição. de quem ele era delegado. outro em 1652. Logo em maio. conduz para a Bahia trezentas cabeças. por serem indecentes os motivos. Voltam para Sergipe. maior quantidade. como queria a câmara de Sergipe. por ordem do governador. E uma razão de ordem étnica influiu para este resultado. e não pelo poder municipal. hoje Penedo. passaram a ser cobradas por um comissário. a fim de auxiliar a reedificação da cidade. Além disto a formação geológica da capitania não deixava também de prestar sua influência. como fintar o gado dos moradores de Sergipe. uso e logro da passagem do Rio Real. sendo as seguintes as palavras textuais do governador à câmara de Sergipe: "e com a maior brevidade execute a ordem e possa este' povo (Bahia) se ver livre da necessidade em que fica. As idéias de invasões inimigas dominavam os espíritos. 133 . por questões de vaidade pessoal. Em março de 1651 foi Baltazar de Queiroz substituído pelo capitão João Ribeiro Vila Franca. e os interesses econômicos da capitania.José de Araújo. naquele tempo. cuja administração foi de lutas. para vingança de paixões pessoais. com os capitães Vicente de Amorim. em 1651. era quase a única verba de receita. não dá execução a uma ordem do conde de Castel Melhor. A criação do gado era a profissão dominante nesses tempos. pela da Bahia.

na maior penúria. Aos capitães móres é justo se tenha obediencia devida. Deus Guarde. porque as acusações da câmara ressentiam-se de excesso de paixão. nas quais critica seu irregular procedimento. tem procedido. em outubro. a quem envia diversas queixas. destituído Pestana de Brito do posto de capitão-mor. principalmente nos da aguardente que prohibe a todos o leval-as e vendel·as. havendo nesse procedimento do governo prejudicial precipitação. foi Pestana de Brito. por carta de 8 de outubro de 1655.145 Origina-se profunda desarmonia entre ele e a câmara de S. usa nessa capitania. Os excessos das denúncias da câmara ficam ainda provados pela seguinte carta do governador a ela dirigida: "Tenho entendido que excedem Vm ces. se hajão com elle de maneira que me não cheeguem Em 20 de outubro dirige·lhe O conde de Atouguia a seguinte carta: "Aqui me tem chegado varias queixas de differentes excessos que Vm. para assim se augmentar a capitania e terem antes occasião de lhe louvar o bem que corresponde as suas obrigações que de lhe reprehender ou castigar defeitos nellas". com a informaçã. (Carta do conde de Atouguia à Câmara. daqui em diante com tal moderação e compostura em todas as occasiões que saiba eu que são os que deve a confiança que fiz de sua pessoa para lh'o encarregar. como devia no Governo dessa capitania o capitão·mór della Manoel Pestana de Brito. alimentava a Bahia! A Vila Franca na administração sucedeu Manuel Pestana de Brito. Cristóvão. para ser substituído por Vila Franca em dezembro. 145 134 . de outubro de 1656) . E tanto assim é. Vmce. quando lhe mandei suspender o exercicio do governo dessa capitania. dirigindo a este a seguinte carta: "Pela boa informação que se me faz dos procedimentos do capitão mór Manuel Pestana de Brito. Tendo em março assumido a administração. em outubro do mesmo ano já recebia do conde de Atouguia cartas recriminativas e insultuosas. para o que fiz eleição do capitão João Ribeiro Villa Franca que esta ha de dar a Vms. a 9 de março de 1654. Acusa-o perante o governador. Sergipe decadente. etc. no mesmo momento o mandarei privar delle e embarcar para Portugal. apresentando·1hes a patente . me moveram a mandar-lhe sucessor. que é justo. pelas quais foi Pestana de Brito destituído do posto 146. nem eu faço caso dos sujeitos se não emquanto elles O merecem no posto em que os occupam. a outros faça os favores. que timbra em não cumprir as ordens do administrador. Vmces. os termos de sua jurisdição e o respeito que devem ter ao capitão mór dessa capitania Manuel Pestana de Brito em quasi tudo o que obrão. occasionando-se desse procedimento andar essa cidade em varias inquietações. se não houver nesse. que tendo o conde de Atouguia.que é muito grande". nomeado capitão-mar pelo conde de Atouguia. 146 As queixas que se me fizeram do mau proceder. entrega-lhe de novo à administração. E não me venha segunda noticia da indecencia com que trata os moradores nobres dessa capitania e impede aos de nossas condições o trato de grangearias.. que em tudo é contrario ao que se me havia feito. pleito e homenagem que dela tem dado". Não menos autoritário do que Vila Franca. Si Vm. para seus moradores padecerem violencias. lh'a entregue logo que receber esta para o continuar em virtude da patente que tinha e debaixo do mesmo. Não O mandei para ella.que lhe envio.M. donde não há de participar bem a queixa que fizer a S. me parece o restituil-o a ella. tomando posse a 20 do mesmo mês. A um deixe livremente vender e levar todos os generos que quizerem. pelas devastações e incêndios.o que 'lhe envio do mal que Vm.

Brito então revolta-se e torna-se o chefe do movimento revolucionário. Os membros da câmara no louvável intuito de manter a autonomia de seus atos. com os seus partidários. convidando os habitantes de S. dão provas de uma rebeldia de que se ia apoderando o espírito público de então. Ele não só não vai à Bahia. Dependiam da falta de precisão nas atribuições de cada um destes funcionários que. Violentamente prendem o vigário Sebastião de Góes Pedroso. E essa dubieza de ânimo foi uma circunstância ocasional de revoltas. como. Elas determinam um fato comum em todas as administrações. 147 135 .147 Essa resolução comunica à câmara. ou pela convicção de que o capitão-mor não girava nas órbitas de suas atribuições E dessa luta que se levantou resultaram sérios aconteciimentos. Compreende-se que a reintegração de Brito descontentou profundamente os membros da câmara. O conde de Atouguia é obrigado a chamar em outubro do mesmo ano o capitão-mor a Bahia. entregues às suas paixões e sem um regimento que traçasse com clareza suas funções. como repetindo queixas contra o capitão-mar. dizendo que tinha razões especiais para chamar o capitão-mor. Cristovão à revolta. como o maior Por carta de 13 de outubro de 1656 foi nomeado Baltazar dos Reis Barrenho. desde quando ele mostrava-se fraco e indiferente a manter ileso o prestígio do seu delegado. ouvidores e câmaras.segundas noticias de que faltão a essa obrigação". que abalaram profundamente a ordem pública. publica uma proclamação. entre os capitãesmores. a romperem os laços de centralização ao governo colonial e assumirem uma posição hostil as determinações do poder então existente. em agosto de 1656. exorbitavam. não só negando posse ao ouvidor Diogo Pereira de Aguiar. que não abstiveram-se de repetir as denúncias. cuja aspiração era a instituição de um governo emancipado. Essas lutas caracterizavam a vida oficial daqueles tempos. contra a autoridade do governo colonial. É clara e patente a indecisão do conde de Atouguia nas medidas tomadas sobre os acontecimentos de Sergipe. a fim de defender-se das acusações. ordenando-lhe entregue a administração ao sargento-mor Baltazar dos Reis. É isto o que o historiador vê nos acontecimentos que se filiaram à· revolta de Bríto e seus companheiros. livre do da Bahia. capitão·mol' de Sergipe. nas quais incontestavelmente envolvia-se acusação direta ao ato da reintegração. levados a isso ou pela indisposição pessoal.

ordenando que debele a revolução e ponha em pratica os meios mais enérgicos. como fizeram. Tendo o desembargador partido da Bahia em começo de dezembro. chefe do movimento.conselheiro da câmara. onde havia recolhido. e tomam a si o encargo de dirigir as destinos da capitania. penetram na cadeia. tão franca a desobediência dos revolucionários a autoridade do governo colonial da Bahia. Os revolucionários tomam conta da cidade. a qual se tinha homiziado em casa de um amigo. também despachado para a capitania. que. para fazerem a que se lhes ordenasse. de que resultou pronunciar o dito Bento Rabello cincoenta e oito pessoas a prisão. que o conde de Atouguia dirige a seguinte carta ao seu delegado: "São tão grandes os desaforos dos moradores dessa capitania. abrindo buracos nas paredes para entrar nella. sendo posterioremente reforçada pelo sarrgento-mor Pedro Gomes. governador e amigo. perante a qual foi impotente o governo local. onde fica detido e vigiado por sentinelas. 150 Manoel de Barros foi nomeado capitao-mor aos 15 de janeiro de 1657 e esteve no governo ate maio do mesmo ano. que conduziu duzentos mosqueteiros. por escapar da fúria dos amotinados. a quem o governador dirige sucessivas cartas. por esperar se reduzissem ao socego e obediencia que convinha. com ordem do conde de Attouguia. que me obrigam a chegar com eIles aquelle ultimo rigor que até agora repugnei. etc. Eram de tal ordem os acontecimentos que se desdobravam em Sergipe. . E isto motivou acres censuras a si dirigidas pelo governador. onde o deixaram com guardas e indo depois à cidade soltaram três presos que nella estavam e mandaram lançar pregões para que todos os moradores do termo se ajuntassem na cidade de S. que desde outubro assumira a administração. Então o conde de Atouguia despacha para Sergipe o desembargador Bento Rabelo. Christovão. Lisboa. os quaes assaltaram a mesma casa. 10 de janeiro de 1658. recebendo para isso auxílios do capitão João Ferraz Barreto. sem atender mais as ordens do governo da Bahia. a quem prenderam com violência em casa de um Thome de Aguiar. de cuja occasiao sua mulher ficou ferida no rosto e levando o dito vigário preso pelas ruas publicas o levaram além do Piramopama. não tendo forças para sufoca-Ia148.Rainha". até meado de fevereiro não tinha alcançado debelar a revolta. Eu El·Rei vos envio muito saudar. contra aqueles que promovem tantos males. de onde é arrancado a força e conduzido pelas ruas públicas para alem do rio Piramopama. a fim de abrir devassa do procedimento dos revolucionarios e prender Manoel Pestana de Brito. se eles repugnarem as ordens de paz e obediência. cujos habitantes fogem. Havendo mandado ver o que escreveu o desembargador Bento Rabello e alguns papeis que me enviou sobre a devassa. 149 Cartas do conde de Atouguia ao capitao-mor Baltazar dos Reis Barrenho e a câmara de Sergipe. e substituído por Manoel de Barros150 em janeiro de 1657. Voltam para a cidade. 136 . foi tirar a capitania de Sergipe d'EI-rei das culpas e excessos que alguns de seus moradores commetteram contra meu serviço e contra o vigário da vara e da Parochial Igreja da mesma capitania Sebastião Pedroso de Goes. e porque convem semelhante caso não fique sem castigo me pareceu dizer-vos e encommendar-vos. 148 Francisco Barreto. Sendo improfícuos os meios postos em pratica por Baltazar dos Reis Barrenhos. soltam as presos e fica ela sob a ação dessa revolta. por muito culpado. em que entrou o capitão·mor Manoel Pestana de Brito. de 18 de dezembro de 1656. com força armada149.

Bahia. que o acompanharam. possa estar sempre superior no poder e no posto. estará sempre com a vigilância que pede a naturesa dessa gente. para o sustento da tropa que efetuou a diligência. de emancipação. estando nomeado capitão-mor Jeronimo de Albuquerrque. Não obstante o rigorismo que houve na punição dos culpados dessa primeira manifestação de uma independência do espírito popular. para quietação o commum daquella Republica. M" porque na rebelião fica justificado o rigor que merecem. por carta regia de 10 de novembro de 1656. da indecisão. aos oIhos do observador."Se ainda continuarem os successos e Vm. que foram entregues a justiça publica e conduzidos para a Bahia. Jerônimo de Albuquerque não ficou isento de ser o alvo do desacato e 151 Jerônimo de Albuquerque representou importante papel nas lutas com os holandeses. todavia a capitania não entrou na ordem e na paz interna dos tempos passados. Manuel de Barros só esteve na administração até maio. contra o governo. em vista da incoerência. 137 . que não deixou de prejudicar com o seu autoritarismo. e um movimento emancipacionista por parte daqueles que acompanharam e prestaram adesão a causa levantada por Pestana de Brito. mostram exuberantemente uma aspiração de liberdade. porem. quando eles incendiaram a capital. contra uma força eminentemente respeitada e acatada naqueles tempos . da falta de energia do conde de Atouguia. Nessa determinação ele não se deixou inspirar pelo interesse do bem publico. pelo respeito as liberdades populares. Só em março foram sufocados os tumultos. mas porque esta resolução ha de ser no ultimo desengano da obstinação de seus moradores e no cuidado de novas perturbações e tumultos. que seja notoria a causa com que Vm. chegar a elle sobre todos os precedentes. as fazendas e os engenhos. "E para que Vm. É este o primeiro sintoma de uma revolta do espírito público de Sergipe. a primeira que se opera em Sergipe. Vm. Seus feitos vêm consignados em sua carta patente. no modo por que resolveu a questão de jurisdição entre ele e a câmara. Foi uma revolução verdadeiramente política. porem. O historiador nela não vê por certo. com a prisão de Brito e de seus companheiros. Aqueles. E é este o lado instrutivo da revolução de outubro de 1656. vir nelles movimento algum contra as ordens deste governo e execução das que levou o desembargador Bento Rabello. Fez parte do combate que se feriu com os holandeses no Rio Real e achava-se em Sergipe. uma aspiração para salvarem-se as Iiberdades contra a prepotência de Brito. . Esta carta e bastante eloquente para mostrar a gravidade dos fatos. O que ressalta. cujos delegados abusavam do poder.o governo. elegera o que lhe parecer melhor. restringindo as liberdades públicas. que e toda sua companhia. sendo confiscados os seus bens. a qual serviu de exemplo e justificativa as revoltas subsequentes. Deixou-se mais arrastar pela paixão. porque. sem a exaltação do despeito. prestou juuramento na Bahia em março de 1657 e tomou posse em 26 de maio do mesmo ano151. com a infantaria que tem e com a que agora lhe mando remetter neste barco. os castigue com tal demonstração que sirva de exemplo a todos e todas as mortes e effusão de sangue que deste excesso resultarem tom a sabre mim para dar conta a S. 3 de Fevereiro de 1857.Conde de Attouguia".

requisita força militar que Ihe garanta e conserve o prestígio de sua autoridade. pois teme que excessos semelhantes aos de outubro sejam praticados. que se rebelavam e oprimiam os moradores. de onde devia tirar a força precisa para essas excursões. Nesta mesma data foram nomeados os oficiais que tinham de comandar os destacamentos do corpo de ordenanças. que ainda continuou a existir. e censurado por isto pelo governador.desprestigio par parte dos membros do partido revolucionário. Em dezembro de 1661 parte Antônio de Faria com oitenta homens para prender os índios. para se me queixar de que se Ihe atrevem. em carta de janeiro de 1658. Com ordens positivas de manter a ordem. Rio de São Francisco. a fim de acudirem com urgência às reclamações da segurança pública. cujos habitantes são incomodados pelos negros. em deixar perder o respeito. Encontramos já. As pesquisas judiciárias que continuaram a ser feitas para punir os infratores. junto a São Cristóvão152. 153 138 . o do Lagarto. tem foi então ceder a exigência do Juiz. nos diversos distritos. Em vista destes sucessivos ataques à propriedade e à segurança individual. Estende-se aos negros que fogem. da qual extraímos o seguinte trecho: " . Vm. Agora o levante não se restringia aos homens de representação. não teriam elles tanto animo". em janeiro de 1662 é despachada uma expedição aos mocambos de Sergipe e em outubro de 1663 o capitão Simão Fernandes Madeira vai aos mocambos de Itabaiana. por parecer prudente. Além disto. não obstante a punição infligida pelo desembargador Bento Rabello. Finalmente em 1671 vemos Fernão Carrilho prestando seu concurso na destruição dos mocambos da capitania. Cotegipe e Piauí. para reunirem-se em mocambos e aos índios que não perdem ocasião propícia para assaltar os habitantes de São Cristóvão. em suas lavouras e gado. que se esses moradores não experimentassem tanta brandura.Se o fundamento que Vm. Itabaiana. abandonando as fazendas. pelo temor da pena. repetindo idêntica excursão em novembro do mesmo ano. para onde manda destacamentos. estimulava-a. 153 152 Carta de Francisco Barrenho a Jerônimo de Albuquerque de 27 de fevereiro de 1658. agora parece que não faz Vm. E são de importância as medidas tomadas por Jerônimo de Albuquerque. como os mais antigos distritos. compreende como medida de alto valor. Albuquerque toma a providência de reunir os índios em uma aldeia. De espírito tímido e receoso. e oferece excelente oportunidade para saciar-se a febre escravista.. contra os infelizes índios. em Vm. se faça respeitar e obedecer. Isto motiva excursões pelos sertões. dividir Sergipe em distritos. por ordem do governo colonial. nessas bandeiras. O que deve a sua obrigação. em vez de abafar a revolta...

para explicar as razões por que não deu execução à provisão de um empregado. contra os excessos das administrações. senão interinamente. levando ao conhecimento do governador as faltas por eles cometidas e nos negócios da câmara. não ter atribuições para fazer concessões de terras devolutas. as repetidas queixas dos moradores. Antônio de Alemão. para serem sancionados pelo governador. pelo qual o conde de Óbidos. podendo. entretanto.Em maio de 1659. que a todo o momento esperava-se. Encontramos diversas cartas em que a câmara de Sergipe reclama contra o peso dos impostos. Em seu governo. salientamos as seguintes: não ter competência para fazer provimento na força pública. João Ribeiro Vila Franca. a quem sucedeu. 139 . Além deste imposto Sergipe já pagava outros. lutou com grandes dificuldades. ouvidores e capitães-mores.155 Foi com este regimento que Alvaro de Freitas e seus sucessores administraram Sergipe. 155 V. que. tendo se esgotado o provimento de AIbuquerque. recebia de Alexandre de Souza Freire. a marcha dos negócios públicos à intenção do legislador. Substituiu a Alvaro de Freitas. para o sustento da infantaria. cujo substituto foi Ambrósio Luiz de la Penha. não ter a menor interferência nas atribuições do ouvidor e oficiais de justiça. foi nomeado capitão-mor Francisco de Braz. em vista do estado de pobreza de seus habitantes e pede para em vez de serem pagos em moeda. baixou o regimento dos capitães-mores. a falta de um regimento que catalogasse as atribuições dos capitães-mores. Em sucessivas cartas de janeiro de 1668 ao seu delegado. ter o direito de suspensão. tomando posse a 8 de abril de 1666. prisão que foi relaxada pelo governador e por cuja causa escreveu ao seu delegado uma carta acrimoniosa. por questões de jurisdição. pois as lutas continuaram. para cumprir as ordens que. como para a paz com a Holanda. em janeiro de 1662154. Em 1663 o ouvidor Bernardo Correia Leitão enceta uma devassa contra seus membros por terem protestado contra o lançamento e a cobrança do tabaco. foram as causas do ato de 1º de outubro de 1663. 156 Por carta de março de 1667 o conde de Óbidos chama-o à Bahia. Logo no começo de seu governo156. não correspondendo. Regimentos dos Capitães-mores de lº de outubro de 1663. Vasco Mascarenhas. sem. na fazenda e nos cargos de justiça. Por carta régia de 10 de fevereiro de 1665 foi ele nomeado capitão-mor. As sucessivas questões de jurisdição que provocavam lutas entre os provedores. que pertencia ao provedor. não ter a menor interferência nos negócios de fazenda. D. autorizou-o a publicar seu bando por toda capitania. aliás. o sejam em gênero. Só em janeiro do ano seguinte prestou juramento e tomou posse. para mandar-lhe força militar. desde dezembro de 1667. prendeu. por nomeação régia de 21 de janeiro de 1662. Solicitou sua demissão e foi despachado em dezembro Alvaro Correia de Freitas. fiscalizá-los. no qual incita o patriotismo do povo para 154 Neste ano Sergipe começou a contribuir com o tributo anual de 80 mil cruzados para as despesas da Princesa da Grã·Bretanha. a fim de defender a Bahia da invasão de uma armada holandesa. e ainda mais. o ouvidor Bernardo Correia Leitão. como Albuquerque. daí em diante. tinha-se distinguido nas guerras de Pernambuco. passando o governo ao capitão Alvaro Correia Leite. De suas atribuições.

quer pelas vexações das contribuções. dirigida ao Capitão-mor. . contra a invasão inimiga. 140 . O abuso do poder provocou esse levante em um povo eminentemente ordeiro e obediente. Neste tempo foram feitas diversas nomeações de militares para os diversos distritos de Sergipe. etc. quer pelo procedimento dos administradores. Sua criação. cem homens de cavalaria.pegar em armas. quando foram feitas diversas nomeações para as diferentes circunscrições. pertencente ao presídio da Bahia. pede para que a contribuição em que a capitania foi fintada de mil arrobas de tabaco anualmente para a paz da Holanda. vemós o seguinte: ". Os desmandos do ouvidor Sebastião de Lobo motivaram seu desterro (1663). a exemplo de que nesta praça resolvi se formasse a qual serve agregada a um dos terços deste presidio etc". não dá lugar a ella. por que a occasião da guerra que se espera. com a criação de uma companhia de ordenança.159 Temos visto até aqui que a paz e a ordem não se tinham restabelecido na capitania. Se até aqui os antecessores de Alemão tinham caracterizado seus governos ou com o motim popular. 157 Na carta de Alexandre de Souza Freire. não é justo que se defira aos aliados dessa e muito menos que sejam Vmes. não passando a pacificação que se revelou na administração de Antônio Alemão de uma pacificação puramente aparente. data de 1668. A câmara de São Cristóvão. sob o comando de um coronel artilheiro. de abril de 1668. seu sucessor que foi Jorge Rabelo Leite (1670) deixou impressa na opinião a maior animadversão. em Sergipe.158 A guarnição que até então compunha-se de uma companhia de infantaria. além de um corpo de homiziados e negros fugidos. a ponto do povo reunir-se e depô-lo. forasteiros da capitania de Sergipe d'El·Rei se organise uma companhia de infantaria de ordenanças.. Rio S. O descontentamento lavrava latente pelo espírito popular. a fim de servirem de sustento aos soldados e ao povo. à qual competia principalmente assegurar a ordem pública nos distritos. seu capitão mor recebia ordens de enviar três mil cabeças de gado para os campos da Torre. como Itabaiana. espera da camara que se adiante sempre no serviço de S. além de demonstrar tendências autoritárias do poder público. quem o solicitem". pelo numero de infantaria que é preciso pagar e quando os moradores desta praça padecem com tanto excesso. revela já os primeiros delineamentos de uma integração na opinião. em 7 de janeiro de 1668. ampliou-se. seja reduzida a quinhentas arrobas e paga em dinheiro. e da fidelidade de seus moradores de que tão honradas noticias tem de que o obrarão todas as vezes que a Bahia os houver mister". no intuito de aliviar o peso dos impostos. na defesa da Bahia.157 Só de Sergipe tinham de marchar duas companhias de innfantaria. Além desse contingente. M. 159 Na carta de nomeação de Matias Leal. em lugar de mil. Lagarto. que Sergipe prestava. E uma deposição nesses tempos em Sergipe. Francisco. e esta praça o experimenta assim. 158 E quanto a pretender esse povo a satisfação do dote e paz só com quinhentas arrobas de tabaco. para capitão da companhia de ordenanças de Sergipe. ou com a sucessão de queixas levadas ao governador.Carta aos officiaes da comarca de Sergipe pelo governador de 7 de janeiro de 1668. reclamação que não foi atendida. vemos o seguinte: "Porquanto convém que todos os homens de negocio.. também é negócio em que por ora não se pode tomar resolução.

o mandei restituir e os officiaes não só o não receberam. Em vez de descrevermos os acontecimentos. mulatos e negros com armas de fogo e trombeta adiante a degolar. depois de sua primeira manifestação na administração de Pestana de Brito. porque então nada lhe valerá e V. Rabelo leite foi substituído por João Munhos. porque o povo restituiu o administrador ao seu posto. e A intervenção do religioso foi benéfica. 160 Lugar que existe na 'estrada de Itaporanga para o Lagarto. que me tracta sobre as cousas de José Rabello e Leite e ainda que seja tudo que V. Eis ainda o que dizia o governador ao franciscano Fr. como ainda o prenderam. contra o elemento oficial. e assim chamado pelas grandes grutas que existem. que representa o ponto culminante a que chegou a revolta da opinião. P . 162 Carta da mesma data e do mesmo governador. 141 . Não só Rabelo Leite foi retirado do governo. porém.Vejamos. não encontramos esse documento de perdão. me diz. presos e acorrentados. A. deu lugar a uma anistia. com cem infantes e ordens terminantes para garantir e levantar o prestígio da autoridade. Eis o que dizia o governador ao capitão-mor: "Recebi duas cartas de Vm. e agora diz Vm. o governo de Rabelo Leite. por onde pudéssemos estudar suas cláusulas e ver se a opinião popular capitulou perante as ordens do poder público. outra de 20 e antes que Vm. depois da reintegração. uma de 13 de Novembro. Em sua carta patente vemos que sua nomeação liga-se ás lutas entre o povo a câmara e o capitão-mor. P . Eu não gabarei os ruins modos de José Rabello Leite. Por maiores que fossem os nossos esforços. lhe póde aconselhar como religioso o que lhe está melhor. sahisse da Bahia. na devassa que abriu o desembargador Antônio Nabo Peçanha. com gente branca que pede. 161 Carta de 4 de dezembro de 1670 de Alexandre de Souza Freire. seguiram para a Bahia. P . cinco léguas de Sergipe e havendo Vm. manda a este respeito. o sargento-mor Manoel Faleiro Cabeça. Domingos de Loreto: "De 12 de Novembro recebo uma carta de V. não se conformaram com o Regimento que S. Chega Vm. estava este seu successo prognosticado. decretada por Alexandre de Souza Freire (abril de 1671). restituindo Rabelo Leite (dezembro de 1670).. oferecemos ao leitor a transcrição dos seguintes documentos. onde não se sabe se tem a vida segura e 161 antes disto queria fregir a todos". vae-se Vm. A. sendo excluídos do perdão. a Igreja Matriz e dahi sae para a Camara a cavallo. não póde o povo por si depôl-o do lugar em que S. e poderia só adoçar este negócio si a camara arrependida do que fez restituis se o capitão e mór' antes que a gente que eu mandar para isso o faça. Os capítulos que deram delle se verão na Relação e posto que as culpas fossem grandes. continuando-se por evitar que se livrarão do castigo. nomeado capitão-mor por portaria de 27 de junho de 1671. que foi aceita pela Câmara (junho de 1671). o ouvidor Francisco Curvelo e o escrivão da câmara Aleixo Cabral que. de entrar com os braços abertos para todos. A espontaneidade com que procederam os membros da Câmara. que está no Carmo. como mais culpados . antes que chegassem os capitães Manoel da Costa da Câmara e Domingos Antunes da Costa. como ele e outros tiverem de responder perante o poder judiciário pelas faltas cometidas. pois a elles lhes convem mais acertar em 162 cousas que lhes podem custar a vida e a fazenda". ao Lagarto e ordena dahi que o vão 160 esperar a Camara e os officiaes de justiça e milicia nas Quebradas . mas isto não basta para fazer um povo desleal. o pôz.

por quanto aos officiais da Camara da cidade de S. todavia S. de atribuições diferentes daquelas que já tinham sido discriminados no regimento de 1º de outubro de 1663. na aquiescência que prestou ás cláusulas do perdão. Affonso Furtado de Castro do rio Mendonça. que o povo e a câmara obrigaram-se não só a pagar os ordenados do novo capitão-mor. Seu governo foi longo e proveitoso. por isso que a fazenda continuou a pagar os de Rabelo leite. senão que o conselho ultramarino. vença o seu ordenado sem embargo de em o haver concedido na patentye que passei ao capitão-mor João Munhoz. a fim de esperar a senteça final do poder competente. Bahia e julho de 1671. A. 2º) que. era o único capaz de assumir seu governo. 164 [.Se a vontade popular cedeu. desde quando descansaram na legalidade do voto de graça. o poder publico cedeu naquilo que constituía a maior aspiração do povo – a retirada de Rabelo leit.mor em quanto da Fazenda Real se continuasse ao dito José Rabello de Leite o que vence em razão do dito posto que por justas considerações do serviço de S. que hora envio a governar a mesma capatania e a tenho mandado registrar nos livros da fazenda Real. Ordeno ao Provedor –mor della mande continuar ao dito José Rabello Leite o ordenado quem tem na folha. a quem necessariamente se deve dar soldo com o exercício que leva e esta se registrará nos livros da Secretaria do Estado e nos da Fazenda Real em que estiver registrada a mesma patente para que a todo tempo conste esta minha disposição. representando nela um papel pacificador . que emquanto se não devassasse de seu precedimento para se avriguar o merecimnento delle. como resgatar suas dividas164. conciliador. Essa aspiração era tão positiva. e conservação do povo envio o dito capitão-mor João Munhos. em sessão de 1675.] os officiais da camara que nesta praça praça a se acham me representaram que a mesma câmara e povo dessa capitania se sujeitava a obrigava a não ser restituído no governo della José Rabello leite a fazer-lhe pagar tudo efectivamente o que estvesse devendo e se cobrasse sem dilação alguma e entregasse a seus procuradores. 142 . para aquiescer com as clásulas que foram oferecidas.. Guarde deus e vimces. O governador teve de conceder outro regimento a João Munhos. a fim de ele não voltar a Sergipe. Nada podemos adiantar sobre o resultado da devassa. Christovão que nesta se acham em nome do povo daquella capitania se ajustaram em fazer por conta delle o mesmo soldo ao dito capitão. Suas 163 “Porquanto suspendi o exercicio do Governador da Capitania de Sergipe ao capitão José Rabello Leite que della se ahavia a esta praça por lhe não consentir a câmara e os moradores della a restituição que este governo olhe mandara fazer do dito cargo e convier ao serviço de S. A.--. até a publicação da sentença da justiça163. Bahia ejulho20 de 1671. para não promover novas alterações da ordem publica.. fazendo desaparecer a excitação dos animos e trazendo a capitania à paz e ordem indispensáveis à sua prosperidade. por ato de 18 de junho de 1671. Realmente desempenhou cabalmente a dificil incumbência que tomou a si. A. para que realmnte fique satisfeito de tudo. honesto. não obstante o governador não ter atribuições para conceder esse perdão aos povos de Sergipe. E porque não será justo que elle fique perdendo o cabedal alheio e sem que nessa capitania metteu por sua contra e ficou de seusmoradores: Vmces. É este o primeiro regimento dado a um capitão-mor de sergipe. enérgetico e que nas condições anormais em que se achava a capitania. devia sancioná-lo. E tenham entendido que em quanto completamente não estiver satisfeito de todas as suas dividas José Rabello Leite há de assitir um dos officiais dessa Camara nesta praça. a que se poderá recolher tanto que o capitão-mor estiver satisfeito. As credenciais com que Joao Munhos foi apresentado à câmara de S.Affonso Furtado de Castro de Rio Mendonça. o que há por mim encarregasoa Vmces. resolveu: 1º) que os excetuados do perdão fossem soltos. Critovão foram as de um homem prudente.e isto foi feito. do governo. lhes façam cobrar summaria e executivamente tudo que por créditos e clarezas equivalentes constar se lhe está devendo.

e succedendo vagar alguns dos postos maiores. 4—Com esta se lhe dará uma carta que lhe escrevo na forma que fiz a todos os capitães mores do estado para me mandar relação dos corpos que na dita capitania houver. nella os quinze que faltam de que me remeterá uma lista dos nomes de cada um. em que considero haver muitos dignos. tractando-os benevolamente. ordenanças e de cavallos . mais a vendo queixa nas partes ou coluiu nas eleições. ricas e capazes de os exercer . A. onde lhes fará presente a patente que leva a nas costas della mandará fazer termo que assignarão aos mesmos officiais da camara da posse que em virtude da patente tiver dado. A. conta a este governo. resolvi assistissem naquella capitania vinte com um cabo de que já leva cinco diste presidio: fará assentar praças. aramas. 5—A’ Camara daquella capitania remetti por via do ouvidor Francisco Curvelho velho uma Provisão com memoria de senado de camara desrta cidade de tudo o que se está devendo ao denotativo do dote e paz e muito particularmente encarrego ao dito capitão mór que com todo cuidado procure cobrar e remetter na forma della dito capitão mór que com todo cuidado procure cobrar e remetter na forma della a esta praça tudo o que se está devendo e não podendo se cobrar tudo para ir nesta frota a respeito das impossiblidades que resultaram das inquietações da dita capitania. Pela qual se servio mandar que se dessem aos capitães móres daquella capitania os soldados que a este governo parece necessário. 3--. como de outros que também o sejam para eu sobretudo mandar as patentes como me parecer mais justo. informando as pessoas mais nobres . me dará conta. Hei por bem e lhe ordeno que enquanto nella estiver guarde a instrução seguinte: 1—Partirá para ella por terra com o ajudante que prover na mesma capitania onde lhes fará presente e chegando a cidade de S. e signaes que é estilo por-se na matrícula.165 Por quanto por varias considerações do serviço de S. para eu ordenara o que for mais conveniente ao serviço de S. de ordenanças e de cavallos que houver na dita capitania na forma que semnpre foi estylo. entre os capitães móres e as camaras e para estas se evitarem a se guardar o que pelos referidos regimentos se tem disposto: ordeno ao dito capitão mor me dê conta dos que há no Regimento de auxiliares e ordenanças em toda capitania e me informe do seu procedimento e que sujeitos há beneméritos para occuparem. 9—Deixará exercer a Camara tudo que pela ordenação lhe toca. Mais havendo queixa das partes me dará conta. e munição e de tudo me mandará relação muito distinta. para que se conservem sem pertubação. 10—Passará o dito capitão mostra em todas as companhias de auxiliares. preferirá para serem de novo providos. de auxiliares. com a advertência que os moradores que forem vizinhos da cidade e não tiverem inconveniente em vir a ella.Procurará haver-se com a camara e moradores daquella capitania com todo o zelo que deve.E porque na forma da ordem de S.A.A. lhes passará a mostra na praça e a todos os maes pelas grandes distancias. o que por seus regimentos se lhe ordenam.atribuições ficavam bem determinadas. dêm logo. na forma que eu já tenho ordenado ao provedor mór da fazenda. e conservação dos moradores de Sergipe d’El-Rei envio a alla apor Capitão mór ao capitão João Munhos de cuja prudência a zelo confio todos os acertos nas obrigações que lhe tocarem. Paes. e eu lhe encomendo. Cristovão dirá a carta que leva aos officiaes da camara. 11—E porque S. procedendo elles em seu exercício como são obrigados. que entender convém o abrar-se na dita capitania para sua conservação e sossego de seus povos. e idade que tiverem a qual vira firmada de sua mão para aqui se lhe assentarem as praças nas companhias que eu ordenar. encarrega que se faça guerra aos negros que estão fugidos nos mocambos de que 165 143 . 8—Também me dará conta muito particular de tudo. com a prudência e zelo que espero. e sobre este particular tem havido naquella capitania algumas duvidas. dando-me também conta de tudo que importar sobre estas matérias. e se os que estão exercendo estiverem procedendo com satisfação. na forma que na dita carta se declaro. ao ouvido e mais ministros e officiais de justiças. e minha conservará em seus officios.E porque o regimento que se tem dado por esse governo aos capitães móres de todas. procurá evitar uma e outra cousa. gente. 6—Verá todos os officios que não tiverem provisão minha e proverá interinamente as serventias destes nas pessoas mais idoneas e benemeritas e de todas me dará logo conta para eu prover como me parecer e os providos serão obrigados a dentro de um mês apresentar provisão minha sem a qual não poderão continuar mais. 2--. as capitanias de estado que vagando alguma companhia de ordenança. se ajuste e venha para ir no anno que vem. mas de tal maneira que se não faça perder sempre o respeito com que deve ser obedecido e venerado como é justo. com declarações das terras. e assim os providos por provisão de S. assim sejam dos actuaes. 7--. aos outros o dito capitão passará as mostras dentro dos seus districtos.A.

Rodrigo de Castelo Branco. Foi educado por um professor vindo de Portugal. Isto contribuia ainda mais para agravar-se a situação financeira. assistindo nesta administração como a contador Francisco Jose da Cunha. Depois de tão importantes serviços. com a contribuição por parte de Sergipe de quinhentos mil reis para o sustento dos soldados que acompanharam o explorador. morreu pobre. a qual foi concedida em maio de 1678. porque. pelo péssimo estado financeiro. – Affonso Furtado de Castro do Rio Mendonça. No seu governo que foi longo. e que se estendeu até março de 1678. por muito encarregado. em 1677. que prestou juramento na Bahia. Com despezas do rol do ponto de 12$318. provocaram alterações na latitude do poder do administrador. desde a invasão holandesa. que foi nomeado capitão em junho do mesmo ano. de sergipe tirava-se o alimento para a guarnição da Bahia. Se Munhos pôde remediar o estado de revolta da sociedade daqueles tempos. deu lugar a que Castelo Branco se dirigisse para São Paulo. assumindo a administração o sargento-mor Antônio Prego de Castro. 144 . realizar o pagamento deste compromisso. desde quando o erário municipal. Em 21 de setembro trabalhou na serra dos macos e importou o rol do ponto em 8$239. costuma a ver algumas queixas. os fará remetter a ela toda a segurança e isto lhe hei. além de reclamarem um homem prudente à testa da administração.As modificações operadas ligavam-se aos acontecimentos que se davam na capitania que. Em 20 de agosto se trabalhou no segundo serro das minas . o estado econômico continuou precário. como já dissemos. todas as vezes que qualquer noticia de invasão circulava. neste mesmo ano. Era possuidor de grande fortuna. em busca de minas. não as podia pagar a tempo e a hora. E os que forem moradores dessa cidade. O dito capitão-mór se informará dos que houver e mandará a elles na forma que é estilo e os que forem dos moradores ficaram logo ali paragando o que é estylo e quintos para o capitão geral. Desde dezembro de 1677 tinha sido nomeado pelo rei para o mesmo cargo Manoel de Abreu Soares. assumindo em junho a dministração167. Além disto tirava-se o sustento das tropas que faziam entradas pelos sertões e à custa dos seus cofres pegava-se sua força pública.” 167 Manoel de Abreu Sores foi nomeado capitão-mor por carta de 23 de dezembro de 1677. Prego de Castro é o primeiro sergipano que mereceu a distinção de dirigir os destinos de seus concidadães. em abriu de 1679.166 A câmara que se achava a dever 1:782$000. Tinha foros de fidalgo. João Munhos solicita do governador licença para tratar-se. agravando-se de mais a mais. chamados das minas de iatabaina em 32 dias. por scrivão João de Mayor e por thesoreiros o capitão de infataia Jorge Sores de Macedo . deram-se as primeiras explorações de minas em Itabaiana. por D. “ 166 “Em 11 de julho de 1672 se deu principio a trabalhar no primeiro serro. para cujo pagamento vinham reiteradas ordens da Bahia. Por um pleito em que envolveu-se sobre a administração do morgano da capela do desterro do rio Real. além das razões já expostas. Os acontecimentos passados. das diversas fintas em que era tributada. tinham depauperado a capitania e esse estado não servia de justificativa para que fosse ela dispensada das contribuições anuais. É descendente de Belchior Dias. até 12 de agosto e importou o Rol do ponto deste pagamento em 35$836. podê. do meado do século em diante. e sendo de resultado negativo. Em sua carta vem consignados seus feitos na guerra de Pernambuco. A exploração foi feita com três serras. até as revoltas que temos descrito. Bahia 18 de julho de 1671.

de produção da capitania. pela qual o plantio da mandioca era obrigatório. Aracaju169. os editais que o capitão mandava afixar. não encontravam quem os arrematasse. Em 1685 o vigário de S. Este indios depois requreram posse da terra da aldeia e obtiveram-na. a exemplo de seus antecessores. E tanto assim é. onde exercitem suas missões. pedindo permissão para que o denotivo fosse pago em qualquer gênero. decretou a lei de 8 de março de 1894. que o governo da metrópole para corresponder às informações do seu delegado no Brasil. Canabrava. não só no norte. mais ou menos. Cristovão. Francisco. por isso que os escravos e alguns bens de raiz que iam à praça. Estendia-se por todo o país. que já tinham uma certa organização administrativa: Poxim168. no arco da igreja. por D. em carta 1ª de junho de 1679. Água azeda171. onde se cunhasse dinheiro de prata e ouro. dezimava a população. como o tabaco. dos Capojós. como no sul. em vista da vida escandalosa que levavam. Em 4 de novembro de 1669 foi nomeado o indio jão mulato.E a falata de numerário chegou a ponto do capitão-mor dirigir-se ao rei. E não era pequeno o numero de aldeias que não existiam. dando isto lugar à imigração africana. Em 1695 Frei Domingos Barbosa pede confirmação das terras que o capitão Belchior da Fonseca doou aos religiosos do Carmo. Além de capitais. 168 169 Em 8 de fereiro de 1673 foi nomado o indio gonçalo de souza capitão da audeia do poxim. a quem os padres da companhia requereram lhes fossem entrgues 4 casas de indios. Levantavam-se lutas entre eles. Cristovão proibia expressamente fossem colocados. Joana Pimentel. O número era mais que suficient para desfalcar da lavoura colonial o braço indígena. Em Sergipe todas essas causas produziam seus efeitos. Japaratuba. Nesse mesmo tempo. açucar. ponderando que esta aldeia deveria ser destruida. 171 Está aldeia já tinha uma certa organização administrativa. Geru. sitas no rio Real . em 1699. entrava o elemento oficial. Em 1682 expede as mesmas ordens de cobrança. contra o que protestou a camara de S. Uma epidemia de varíola e uma febre semelhante à febre amarela. junto ao rio S. As novas medidas legislativas sobre os Índios despertavam novas e incruentas lutas entre colonos e jesuitas. sendo-lhes. a requerimento de Fr. o país inteiro ressesntia-se da falta de mantimentos. nas quais. foram expulsos os índios da aldeia da japaratuba. Podemos enumerar as seguintes. que inspirou a lei de 30 de agosto de 1689. algodão. Antônio da Piedade. 145 . Entretanto o governo central não pesava devidamente essas condições precárias. desde o governo do conde atouguia. acrescentando que. Essa crise não se circunscrevia a Sergipe. capitão da aldeia de aracaju. o religioso Fr. e permissão para os missionários nela edificarem igreja. onde os paulistas fazem novas entradas pelos sertões. A informação do procurador da coroa é contra a requisição. restituidas estas mesmas terras. muita vez. de acordo com as das autoridades de Sergipe. em vista das informações do governador. Os interesses dos agricultores julgavam-se prejudicados pela politica jesuitica. 170 Em 21 de maio 1679 foi nomeado o alferez Pedro capitão da aldeia dos indios capajós junto ao rio S. Domingos e seu companheiro eram indignos do nome de missionário. pela qual abriu-se na Bahia uma casa de moeda. Francisco170.

Estas medidas provam que os sertões da capitania viviam infestdos de negros. tomando o ano de 1696. Escolhemos esta data não só como termo desse periodo. Tendo sido a capital da colônia dotada de privilegios identicos aos que gozavam as maiores cidades de metrópole. Presta juramento em junho e assume a administração em setembro. ficante o de nova formação comprendido entre os rios Sergipe e Japaratuba. o mestiço mais simpatizado naquele tempos. Em 1674. A este corpo pertenciam as companhias de capitães de mato. Além destas companhias. João e que era a sede dos mais temerosos mocambos. a do Cotinguiba. como pela restrição ou ampliação das atribuições dos que já existiam.Vimos que em 1668 a capitania já se apresentava dividida em distritos. já existia um corpo voluntário e intitulado – entrada dos mocambos—que nada recebia da fazenda. Foi noemado seu primeiro cabo Sebastião Correia de Sá e incumbido de destruí-los. pelas quais a administração geral teve de obedecer a novos principios. por ter esgotado o triênio. Tendo sido criado na capitania uma companhia de ordenanças. morador no lagarto. e criou os lugares de juizes de Fora e corregedores das comarcas ou ouvidores. porque grandes modificações operaram-se. pela grande extensão (12 léguas) e pelo numero de habitantes (700). Tomou parte nas lutas holandesas. nomeado por carta régia de 14 de março de 1687. Sebastião Nunes Collares. nas câmaras do Brasil. nomeado em janeiro de 1690 e assume a administração em junho172. trazidos pelo capitão-mor e que não destacavam pelos distritos. Terminamos aqui o estudo das administrações dos capitães-mores que se seguiram ao dominio holandes. Destas companhias saliento a que tinha por sede o distrito do rio Real. não só pela criação de novos funcionários. A capitania tinha a guarnição de 50 soldados de infantaria. Realmente. nomeado a 23 de outubro de 1692. como o termo de um largo periodo histórico. Jorge de Barros Leite. Braz Soares dos Passos. a que denominamos período de formação. em dezembro de 1674. é dividido em dois. Além destes corpos. Cristóvão. Belchior da Fonseca Saraiva Dias Moreya. Gonçalo de Lemos Mascarenhas. desde 1646. cuja jurisdição entendia-se da torre de Garcia D‘Ávila ao rio S. Os capitães-mores que sucederam a Manoel de Abreu Soares foram: Braz da Rocha Leite. Framcisco. retirando-se em setembro de 1690. Defendiam a cidade e a capitania de ataques de inimigos. sendo seu capitão-mor. o foi também em dezembro de 1674. durante ele todos os elementos ficaram establecidos para ampliar-se o movimento colonial. uma companhia de homens pardos. Presta juramento na Bahia e neste mesmo mês é apresentado à câmara de S. o rei acabou com os lugares de juizes ordinarios. da qual o primeiro capitão foi o pardo Francisco de barros. como deste capitulo. 146 . que em Sergipe tornaram-se célebres até mesmo nos periodos adiantados do movimento abolicionista. nomeado por carta régia de 14 de março de 1687. 172 Em sua carta de noemação vemos consignados srviços de ral valor prestados na guerra com os holandeses. nomeado a 15 de dezembro de 1695. que compreendia toda a extensão do rio até a borda da mata de S . que atacavam a propriedade e a vida.

Em 30 de outubro de 1675 foi erecta a paróquia de Itabaiana. desmemmbrada da paroquia de Nossa Senhora da Vitória. nesre msmoi ano a fregusia do Lagarto que foi elevada a vila em 1698. de que temos falado. em 1680 a paróquia de Sta. Marcos de Souza . que escolhe os vereadores e procurador que hão de servir nelas. desmembrada da paróquia de Sto. remetendo-se agora as pautas dos eleitores ao desembargo do paço. Luzia. Amaro da Pitanga.Sergipe ficou reduzido a ser uma camaraca da Bahia. 147 . por noemação passda pelo rei173. Além disto. Op. os oficiais das câmaras deixaram de ser eleitos por pelouros. na Bahia.. Por esse tempo diversos núcleos de população se tinhar levantado nos diversos distritos. veio uma nova divisão eclesiastica. em 1679 a freguesia de Vila-Nova. como Alagoas de Pernambuco. Cit. 173 174 Rocha Pita. Com a divisão distrital. sendo elevado a vila em 1698174.

ao assassinato. pelo trabalho agrícola. sem a fiscalizãodo senhor. Acompanharam-no nesse abandono as duas raças. e reunem-se em macambos. O mocambo é. sob a atrocidade de um cativeiro. E essa 148 . foi uma medida de ordem geral. principalmente das regiões do norte. para não se perpetuar. com obliteração completa dos sentimentso de paz e de ordem. por entre florestas virgens. reclamava uma medida administrativa que viesse corrigir esse estado. Compreende-se. o colono teve necessidade de abandonar o trabalho agrícola e entregar-se a vida das armas. E é esta feição que mais caracteriza a siciedade da colônia. dirigindo-se a quase todasas capitanias que lhe igualavam em território e riqueza. no final do século XVII e sim a marcha geral dos fatos em todo o país. COMARCA DA BAHIA. de crimes e de desordens. e é também a expressão de um protesto da raça contra a escravidão. As lutas com os holandeses dixaram no espirito do povo. uma tendecia à revolta. Além disso. onde a convivência com o elmento estrangeiro foi mais larga e demorada. Compreende-se que o negro. aproveitou a oportunidade da guerra para possuir a liberdade de força. o trabalho. e do índio. sob a tutela protecionista do jesuíta. pois. um produto da guerra. Para conquistar o território usurpado. a vigiar o inimigo e a não escolher meio de luta para vencê-lo e eliminálo do território apossado. fizeram-les adquirir hábitos selvagens. Habituados as cenas de sangue. O ato da coroa. pela invasão holandesa e a guerra da emancipação. de sua atividade. para depois entregaremse a vida selvagem e criminosa dos mocambos que tornaram-se freqüentes. por pequnas causas. monopolizado em favor da raça branca. foi um efeito anticivilizador. Antes da guerra. para o qual não influíram exclusivamente os acontecimentos dados em Sergipe. o efeito produzido nas raças africanas e índia. a promover a alteração da ordem pública.LIVRO II EXPANSÃO COLONIAL (1696-1822) CAPITULO I SERGIPE. depois do final da guerra. os negros. na guerra da emancipação da pátria . sem regalias. depois de um abandono de alguns anos. Realemnte. não deixava de colaborar na civilização colonial. sem nada receber de seus esforços. por conseguinte. em sua generalidade. ainda que em plano muito inferior. e que ofereceram empecilho ao desenvolvimento das forças civilizadoras. que essa tendência bem positiva da sociedade colonial. Não era fácil e espontaneamente que voltaria ao trabalho. o negro vivia a tirar do solo os fatores da riqueza. E os sucessivos anos em que tiveram necessdade de levar uma vida de nômades. na ultima metade daquele século. abandonam as fazendas. reduzindo Sergipe a uma camaraca da Bahia. outros tantos focos de assassinato e de rapinagem. não sentiam a menor repurgnância de praticá-las. espoliado em seus direitos. empenhado na guerra.

executar as ordens de um poder competente. Tendo D. dando apelação e agravo para relação àquelas que excedessem sua alçada. contribuíram para que se apertassem aqueles laços. Em toda extensão da comarca tinha atribuições de conhecer por ação nova. Sob o ponto de vista de prosperidade. Entretanto. alargando suas prerrogativas e aumentando seus órgãos. onde chegaria. a qual. a vizinhança de seu território do centro colonial e. a fim de traçar-se o limite de jurisdição e competência dos dois ouvidores – Bahia e Sergipe. e os sucessores de Lencastre na Bahia. porem. Sergipe como comarca ficou com seu território ampliado. como corpo militar. povos daquelas localidades mostravam visível repugnância a aceitar a jurisdição do ouvidor de Sergipe. nos períodos passados. o fato de ele já ter pertencido àquela capitania. além de outros corpos de que temos falado seu ouvidor. Para elas dirigia-se em correição. Sergipe passou a comarca por uma necessidade pública. Eis. de civilização. seus capitães-mores tinham atribuições quase idênticas as dos governadores daquelas capitanias. nas causas cíveis e crimes. a força armada. mostram-se simpáticos a causa da dasanexação. Como dantes continuou a ter seu capitão mor. a fim de abrir devassa dos inúmeros crimes que se cometiam. sua guarnição de infantaria. por que.medida só podia afetar a organização judiciária. tomando posse a 5 de junho do mesmo ano. com a criação de diferentes corpos. Ela teve por fim melhorar os agentes fiscalizadores da justiça. Diogo Pacheco de Carvalho. sujas funções ampliaram-se. rio de Janeiro e algumas outras. não obstante isto. pela existência incontestável de uma degradação de caráter da sociedade colonial. Sua alçada chegava a vinte mil reis. O primeiro ouvidor mor despachado para Sergipe foi o Dr. não era uma capitania com o eram Pernambuco. Tinha-se ampliado por demais. O ouvidor de Sergipe tratou daí em diante de exercer suas funções. Incontestavelmente perdeu em categoria política administrativa. R. desta data em diante. não desviando dela nenhum de seus sucessores. nas causas cíveis. a extensão territorial da nova comarca 175. aquiescendo com as reclamações 175 C. por que cerraram-se os laços de centralização que presidiam a Bahia. Este ato de Lencastre foi a origem das questões que suscitaram entre Bahia e Sergipe. de 5 de julho de 1725 ao Vice-rei Vasco Fernandes Cesar Menezes. Desde Diogo Pacheco a ordem de Lencastre principiou a ser executada. João de Lencastre ordem do soberano para dividir as duas comarcas. nas novas paragens que lhe eram tributarias. sua função não era punir o crime e sim. Seus antecedentes de conquista. deslocando-se mais para o sul sua linha divisória. colocando a propriedade e a vida a abrigo de ataques por meio da expansão e severidade da punição.ordenou que Sergipe exercesse suas funções ate Itapoã. nomeado a 15 de março de 1696. as causas da reforma administrativa que objetivou-se principalmente no lado judiciário. a nosso ver. não poderia corrigir o defeito social existente. e nas causas crimes procederia conformes ordenações do reino. Na hierarquia administrativa. seu provedor da fazenda. feitos por um membro do governo da Bahia. 149 .

Em julho de 1704. uma representação da câmara daquela cidade. enviando seus oficiais de justiça.rei Vasco Fernandes Cesar de Menezes pela ordem proibitiva que dele recebe para não exercer suas funções de juiz nas provações que Itapicuru. Prestou juramento na Bahia a 13 de janeiro de 1712. a luta de jurisdição em que viviam as principais autoridades das capitanias. 176 De 1696 a 1712 foram ouvidores de Sergipe Dr. Prestou juramento em outubro do mesmo ano. Foi nomeado por carta régia de 19 de julho de 1713. foi atendido a pedido de desanexação. 1695. em dezembro do mesmo ano.1717. O clero já representava então uma força poderosa na capitania. João de Sá Souto Maior. o governador da Bahia leva ao conhecimento do ouvidor de Sergipe Dr. Por sua vez. O religioso incumbido de porpagar esta ordem em Sergipe foi Fr. a 29 de janeiro de 1659. Manoel Martins Falcato (1720-1726). como dizia na reclamação. De 1696. Foi nomeado por carta régia de 9 de maio de 1711. Jorge de Barros Leite de (17111713 ). tornam-se comuns as divergências entre eles e os capitães-mores. José Correia do Amaral (1715-1720). por que esses moradores não pertencem a jurisdição de Sergipe. como ordena a prisão dos oficiais de justiça. esquecendo os interesses dos lavradores. que faleceu 150 . O governador não só ordena que os juízes suspendam essas diligencias. Luzia exercerem jurisdição sobre moradores do rio Rela da Praia. João de Sá Souto Mayor (janeiro de 1699 -1704): foi nomeado por carta régia de 11 de janeiro de 1699.1711). Durante este mesmo período vemos ascenderem-se as prevenções dos colonos para os jesuítas. que foi mandada executar por Lencastre. revogandose assim a ordem regia. Salvador da Silva Bragança (1708. por essas paragens. como mostraremos adiante. Foi nomeado mestre de campo por carta régia 23 de julho de 1711. Custódio Rabelo Pereira (1717. Os Capitães-mores foram: Sebastião Nunes Colares. Inhambuope e Abadia. a modificação territorial. Fernão de Lobo de Souza -1704.que delas partiam. além da falta de espírito prático dos funcionários. alem destas questões de limites. Não obstante. Foi nomeado por carta régia de 22 de dezembro de 1695. João de Lencaster: Dr. Havia mais a ordem de São Francisco177. até que os limites foram deslocados para o rio Real. O lugar escolhido para a edificação da primeira igreja foi doado pelo sargento –mor Bernardo Correia Leitão. Dr. João Pereira de Vasconcelos (1711-1714).1711). entre estes e os capitães-mores dos distritos. em diligência. a câmara de Santa Luzia protesta contra a resolução. Foi nomeado por carta régia de 21 de janeiro de 1715. fato este que usurpava suas atribuições. Francisco. até quase o meado no século XVIII o que salienta-se e caracteriza o desenvolvimento histórico. que ampliou as atribuições dos ouvidores. contra o fato dos juízes de Sta. perante o soberano e pede o aumento do território de seu município. Dr. em vista da impunidade de que gozavam seus habitantes. com prejuízo das do comandante das armas.é. Em 1724 o ouvidor de Sergipe reclama também perante o rei contra o procedimento do vice. a favor de quem propendia a coroa. Prestou juramento na Bahia a 5 de maio do mesmo ano. Dr. perante o governador D. as lutas continuaram. Thomaz Feliciano Albernaz (1705. Sendo em 1728 erectas em vilas aquelas povoações. apelando para a ordem regia.1724) 177 No capítulo de 26 de agosto de 1657 se determinou a fundação do convento de S. de que já falamos. onde os crimes sucediam-se. Luiz do Rosário. Contribuía para isso.176 Sob o regime de uma nova medida legislativa. Antonio vieira de 1713. que tendem a exercer suas atribuições. se nelas ainda continuarem. Não houve porem até então um ato oficial que se confirma a revogação.

esquecendo seu papel de juiz . por ordem regia. 151 . Essa medida mais excitou os ânimos. acompanhado de vinte soldados. à qual veio reunir-se. Cristóvão. o povo em ocasião em que o sarcedote celebrava. para abrir a devassa dos revoltos. as sucessivas remessas de alimento para a Bahia. no começo do século. a retirar-se. Então. os diversos impostos que já pesavam sobre a população. em setembro de 1693. o povo de Vila-Nova invade em dezembro de 1710. ficando assim a capitania sem governo e sob o domínio da anarquia. Estevão de Santa Maria lançouse a primeira pedra para a edificação do convento. sem a menor inspiração das parcialidades. Alem de muitos fatos que demonstram não circunscreverem-se eles a direção espiritual das aldeias. Os jesuítas nas aldeias abusavam da influência que exerciam sobre os índios. Na adminstração do provincial Fr. As capelas ostentavam-se em grande numero e em favor delas eram instituídos encapelados. desobedecendo as ordens do governo que lhe autorizava a entrega dos índios que tinham fugido das aldeias da Bahia para esta. que. surgiram com a impunidade as viganças particulares e as ofensas das parcialidades. e deixavam de atender as ordens que lhes enviava o capitão-mor. as ordens e às capelas. contribuiu para formarem-se parcialidades. para ainda excitar os ânimos. Os interesses das famílias eram esquecidos por alguns chefes. Esta medida sossegou a cidade. que tinha sido nomeado pároco daquela vila. e incumbido o desembargador Manoel de Azevedo Soares de ir a Sergipe. Realmente o estado de pobreza da capitania. prende-o e obriga-o assim. Em 1709. Orb. manda os facciosos assinarem termo. penetra na igreja. pediram ao governador da Bahia D. Jaboatão. debaixo de graves penas. que fosse por negócio às minas. diretor da aldeia do Geru. permitido ao contratador. em 1659 sendo sepultado na mesma igreja. junto da qual não se edificasse um templo. apanhados de surpresa e sob o terror da invasão. citando o fato de Fr. sendo o conselheiro o recôndito do lar doméstico. pela pressão do terror. cuja causa eles defendia como figuras proeminentes da parcialidade que era contrária ao ouvidor Vasconcelos. Por causa dessa mesma influencia do clero. Lurenço de Almada anistia para os sediciosos. S. o acrescentamento do preço do sal. para que vivesse em paz e sem perturbação o governo da capitania. Os camaristas de São Cristóvão. que eram parte importante nas frações. abrindo-se larga divergência entre ele e os camaristas. Antonio Godinho. como fez a população de Vila-Nova. provocando protestos e revoltas populares. cujos habitantes. depõe os representantes da justiça. Seraph. eram causas poderosas para a impugnação franca à nova resolução do poder legislativo dos 10% e dos 6$000 sobre cabeça de negro. O ouvidor comissionado para punir essa revolta. Não querendo estes habitantes prestar obediência ao seu vigário. deixavam ricos legados as irmandades. José Correia do Amaral. Nesse período de efervescência. foi despachado o Dr. fogem para os subúrbios e com ele o capitão-mor Salvador da Silva Bragança. Desarma a força pulblica. Não sendo castigados os culpados. veio o abuso. que preparavam resistência as ordens do governo para a cobrança de 10% das fazendas e 6$000 por cada escravo. Rara a propriedade açucareira. em verbas testamentárias. que. depois de tomar posse e alheio ao meio.Manifestava-se pela posse do privilegio de dirigir as consciências.

tenho mostrado até o presente que o meu maior empenho é que esses povos conheçam que procuro mais conservá-los que destrui-los. O proprietário alegou que este procedimento ligava-se a não receber os alugueis. Jorge de Barros Leite. fazendo esta com toda a capitania se restitua àquele socego em que se achava antes de tal levantamento‖. até mesmo sobre aqueles que substituíram os que foram testemunhas dos acontecimentos178. 15 de junho de 1711 – D. As divergências que separavam os membros da camara do antecessor do ouvidor Vasconcelos permaneceram e a este estava entegue o trabalho de auxiliar o desembargador Souto Maior em devassar os revoltosos. em que os vassalos faltam a obediência que devem ao seu príncipe e aos sujeitos que em seu nome governa. As autoridades que as infligem deixam-se cair no plano do partidarismo e daí resultavam as explosões dos ódios e das paixões. dos pretextos que o da Vila-Nova e das mais villas tiveram para cometter outro absurdo semelhante. Cristóvão Antonio de Souza Brunelas figurava pelo que teve ordem em 1715 de sair do território. ―Ao capitão-mor dessa capitania ordenei que a fosse logo governar e ao ouvidor geral dela exercer o seu oficio: e por conhecer as partes que concorrem no dezembargador João de Sá Souto Mayor ouvidor geral do crime da Relação deste Estado. não desobedecerá as ordens de S. O governador não aquiesce com os desejos da câmara e não concede o perdão. Bahia. elas não desapareceram com as penas do poder competente. 152 . o mando a Ella devassar do dito levantamento. onde morava. suppõem) para a desculpa os apparentes pretextos que tomaram para o delicto que cometeram. em janeiro de 1712. sem usar o rigor e compaixão que se faz indispensável em todos os casos. Eis a carta que dirigiu aos seus membros. quando os excessos que insolentemente cometeram no mesmo levantamento foram os mais escandalosos que ainda sucederam neste Estado e por essa razão merecedores de um tal castigo que sirva de formidável exemplo aos moradores de todas a capitanias do Brasil. Compreende-se perfeitamente que um motivo tão profundo como este. o que só se poderia conseguir depois desse novo acreditar o mesmo arrependimento com as demonstrações mais sinceras.M para que seu nome lhe conceda perdão geral de todos o delictos cometidos: e o faria com particular gosto se esta maneira não offendera tanto o respeito e soberania da própria majestade. encontrou fechada a casa. Isto serve de medida de exaltação dos ânimos e do espírito dos partidos em que estava dividida a sociedade naqueles tempos. recolhendo-se por isso a um sitio do vigário Brun e depois ao convento São Francisco. por essas razões se não devem admitir tão facilmente (como Vmcs. por não ser justo que a culpa de poucos seja incentivo para a ruina de todos. Sucede a Bragança. em 15 de julho de 1711: ―Recebi a carta de Vmcs. o desinteresse e acceitação com nella exerceu tantos annos lugar de corregedor e ouvidor na mesma capitania. de 5 de abril deste anno em que me dão conta dos motivos que o povo dessa capitania tomou para o levantamento que cegamente emprehendeu. Alem de separar os homens em frações. a mais prompta obediência.S e da benigna clemência de S. O espírito de partido continuou a influir sobre os membros do poder. abalou a sociedade sergipense. ao voltar para ela. Lourenço de Almada. pelo temor de ser assassinado pelo partido dos revoltosos da Vila Nova.O próprio vigário de S. e violência popular. 178 Tendo o capitão mor Salvador da Silva Bragança se retirado da cidade. por me constar que toda a nobreza dessa capitania e ainda a maior parte da gente de menos supposição obrara naquela sublevação constrangida de temor.M que D. a fim de serem realizadas diligências de valor à justiça pública. Mas eu que só procuro remediar estes damnos sem os estragos de castigo que merecem. me seguram que esse povo mostra-se arrependido e vale-se da proteção de Deus N. As parcialidades não se acabaram. para que se castiguem os culpados. e finalmente do estado em que hoje se acha o mesmo povo. ―Vmcs. sem ofensa ou prejuizzo dos inocentes‖.G nem as deste Governo Geral. o qual dizem Vmcs.

A ela devia pertencer para o futuro a hegemonia do sul. A falta de limites precisos nas doações e a tendência dos homens a verem no assassinato a vingança de seus ódios e o meio mais eloqüente de resolver questões. Existia a convicção no espírito dos exploradores do sertão da existência das minas de Belchior Dias Moreya. para ver as cenas de assassinato. sendo 3000 brancos. por sua topografia como a do norte devia pertencer a Laranjeiras. sendo 2215 cativos. o maior explorador desses tempos. A posse destas terras deu lugar a uma secular questão que há bem pouco tempo agitava-se entre a família Tavares e o coronel Gouveia Lima. fundando um sítio da ilha do ouro. corroborada pela justeza de motivos. entre os rios Vaza-Barris e São Francisco. reunidos em mocambos. Era um destes comissários Manuel Pessoa de Albuquerque. explorou estas terras. Não prosperou este sitio. por esse apoio combatido e criticado pelos camaristas da Sta. que procurava obte-los dos descendentes de Moreya.179 A povoação de Estância prosperava e nela morava quase toda a representação oficial da Vila de Santa Luzia. quer cíveis quer criminais. Em 1802 a população era de 10000 habitantes. quando foi substituído o capitão-mor. quanto tinham o apoio do ouvidor de então da capitania. 153 . 180 A provisão de 27 de abril de 1757 concedeu haver na povoação de Estância vereações. que por esse tempo era um sítio. capitão Manuel de Couto Dessa. Em vista as vantagens de sua situação junto a um rio navegável. por Antônio Vieira. O foro vivia agitado pelas sucessivas questões. por que os negros. Pelo lado civil era a posse da doanção de trinta léguas de terra. Antonio de Almeida Maciel. em vista disto novas entradas foram abertas e se continuou a colonizar estas terras. As idéias de mineração não tinham morrido. a ponto de chamar a atenção do governador e só desaparecerem. Dr. dada por carta de sesmaria de 25 de novembro de 1669 ao desembargador Cristóvão de Burgos.Os vereadores e juízes abandonam os cargos e retiram-se para suas casas. e as representações contra o ouvidor sucedem-se perante o governador. o governo comissionava fiscais para prenderem os comboios que fossem às minas de ouro. Pedro Garcia Pimentel. Em 1698 os índios Roumiris destruíram o mocambo. 179 Em 1662. Luzia. A fim de prevenir-se o contrabando. cujos roteiros eram pesquisados pelo coronel Pedro Barbosa Leal. As lutas de jurisdição entre ele e Barros Leite incrementam-se . recebeu uma repreensão do Conselho Ultramarino. O leitor procure ler um memorial dirigido ao imperador pelos habitantes do porto da Folha. Daí queixas sucessivas do povo. Daí data a rivalidade entre os povos da Estância e Santa Luzia. para onde concorria a exportação da zona do rio Piauí. morador em Sergipe. 3000 pretos e 4000 diversas raças. O termo de Santa Luzia em 1707 tinha 156 fogos e 1054 habitantes. em outubro de 1714. traziam essa atividade no corpo da justiça e faziam com que o ouvidor se tornra-se uma autoridade que preponderava nos destinos dos povos. José Correia de Amaral que. Nelas penetraram os parentes de Pedro Gomes e determinaram todo o trabalho colonial realizado. autorizadas por uma das partes litigiantes. e destruíram as plantações. contra quem veio ordem de prisão. Taborda. em sessão de 31 de janeiro de 1715180. elevando-se o numero em 1759 a 6672. arrematações e outros atos judiciais na alternativa de juízes ordinários. Hieronio da Costa Taborda. Antonio Rodrigues. Pelo lado crime a maior questão era a devassa dos revoltosos da Vila-Nova e a prisão do maior criminoso de então. como castigo dos abusos cometidos. mataram o gado. audiências. os seus moradores pretenderam mudar a sede da vila para a povoação a animaram-se tanto mais para realizar essa pretensão. Os comissários aproveitavam-se do cargo para apreender as mercadorias dos lavradores. mais que o capitão-mor.

no centro da freguesia.importante manual escrito em 1724. até a margem do rio Cotinguiba. pelo acerbispo D. Sebastião Monsteiro da Vide. A freguesia rendia . Em 1718 foram desmembradas da vila do Lagarto e da Vila Nova as freguesias de Campos de Santo Antonio do Urubu (Propriá) que foram erectas181 em Paróquia. Amaro em 1761 contava com 2336 habitantes. Os núcleos de população aumentavam. sendo homens. 725. dilatou os limites da paróquia ate o rio Sagüi. servindo a lagoa de Propriá de limite entre eles. Rezende. A expansão colonial já reclamava uma nova divisão civil e eclesiástica da capitania. ter 7776 habitantes. 1600. Entre eles haivia o sítio do Urubu de baixo e Urubu de cima. 56 e escravos. criados. O número total dos habitantes. O Padre Gonçalo Soares da França em sua obra – Dissertaç~çoes da História Eclesiástica do Brasil. 1266. 420. Limas. no começo do século. perdendo assim a paróquia de Santa Luzia a zona de três léguas de território. João Francisco de Oliveira. sendo homens. Além das quatro vilas que existiam no século XVIII. contava-se 32 engenhos de açúcar. compreendida entre o sagüi e o Rio Real que era o limite antigo entre Santa Luzia e Abadia. As famílias que mais dominavam e representavam a nobreza da capitania. em novembro de 1727. que dominava a zona do Cotinguiba. 350$000. A Vila Nova 100 fogos e sua freguesia compreendia a paróquia de Sto Antônio do Urubu e tinha 2774 habitantes. Já era paróquia desde 28 de setembro de 1718. mulheres. O termo de Sto. Segundo o mesmo cronista a cidade de São Cristóvão possuía 450 fogos e em seu recôncavo. Cristóvão. que foi elevada à paróquia em 18 de fevereiro de 1700.Quando a Abadia foi erecta vila. criados. Antonio Soares Pinto. até o riacho Xingó. Esta compreendia a paróquia a que pertencia toda a zona do Cotinquiba. 181 As terras onde está hoje a cidade de Própria. pertenceram a Pedro de Abreu e Lima que. Possuía por estas paragens. o ouvidor mor de Sergipe. 1896. A mesma vila ficou pertencendo a freguesia de Pé do Banco. Eis o que era Sergipe em 1724. em escritura de doação. erecta em 1617 e cuaja sede era a cidade de S. Pachecos e Faros. por provisão do acerbispo D. antes da desanexação do Socorro. calcula a freguesia de Nossa Senhora da Vitória. Abreus. eram as famílias dos Sás. 154 . 29 e escravos. A freguesia de Villa Nova estindia-se para o ocidente. erigese a vila de Sto Amaro em 1720. um cronista calcula em 17169. á qual fica pertencendo a metade da freguesia de Nossa Senhora do Socorro. de 2 de dezembro de 1681 deixou-as aos filhos dos seus naturais. Houve mudança de sede de sua primeira matriz da capela de Jesus Maria José.

Itapicuru e Abadia. foi encarregado de executar aso provisões régias. Itapicuru e Abadia em vilas. Poe quem estas terras tinham sido exploradas à custa das forças baianas. por diversas vezes. Os habitantes destas vilas não perderam a esperança de desanexarem-se do território sergipano . na forma da ordem que tem de S. ficando sujeitas a comarca de Sergipe de El-Rei. À administração da Bahia queriam eles pertencer. que Deus guarde. encarregando esta dilligência ao ouvidor geral daquella capitania. privnado-lhes a interferência nos negócios de justiça daquela circunscrição. Jaó senado da camara da Bahia)”. pelo que os advirto que se me constar mais que se oppõem a passar-se aquella mostra os hei de mandar vir 155 . e por diversas vezes reclamam ainda aos poderes constituídos e levantam dificuldades à marcha administrativa de Sergipe. O ato da coroa anulou esse direito. os vereadores de Itapicuru impedem que o capitão-mor Estevão de Faria Delgado passe mostra aso habitantes de Geremoabo183 pelo que o governo da 182 “S. quando o ouvidor de Sergipe. que passou a servir de linha divisória entre as duas comarcas. 183 “Consta-me que os officiaes da Villa de de Itapicuru têm induzido os moradores de Geremoabo a que não consintão que passe mostra o capitão-mor de Sergipe. que expede. dede quando apelavam para o uti possidetis. Bahia 7 de agosto de 1727. que proibia-lhe exercer suas atribuições de juiz naquelas paragens. priva que os oficiais de justiça de Santa Luzia façam diligências nas povoações sitas ao sul do rio Real. representa perante D. que estenderam até lá a colonização. o senado da Camara desta cidade o tenha assim entendido na parte que pertencer ao termo della. E por que tenho mandado cumprir aquellas ordens. Não obstante a causa da desanexação merecer simpatia dos representantes do governo colonial. a cuja jurisdição não queriama pertencer.até 1727 quando foram erecta as povoações de Inhambupe. advoga a causa da desanexação do território e diz ― que vai dar conta ao soberano dos excessos deste bacharel. Cesar de Menezes. no recurso interposto. João de Lancastro ampliou o território sergipano até Itapoã. vice Rei (port. Eram dominados pelas tradições de seus avós. ordem aos ouvidores de Sergipe. quando D. foram sucessivas as reclamações dos habitantes destas localidades contra as autoridades de Sergipe.CAPÍTULO II RESLTADO DAS QUESTÕES DE LIMITE MERIDIONAL EXPULSÃO DOS JESUÍTAS Desde 1696. Dr Antônio Soares Pinto. por provisão de 24 e 28 de abril de 1727. M. não evira as desordens de distúrbios que nella dão-se. ordenava que elas ficassem sujeitas à capitania de Sergipe fazendo disto comunicação à comarca da Bahia. Alem disto. mandasse erigir villas nos logares de Itapicuru e Abadia. todavia o ato do soberano pelo qual erigia em vilas as povoações de Inhambupe. era de conveniência aos habitantes da zona de litígio a jusrisdição das autoridades da Bahia. Em 1740. que não obstante exercer jurisdição em uma zona tão limitada. João contra a ordem do vice-rei Vasco Fernandes Cesar de Menezes. para esse effeito. o ouvidor de então. Suas reclamações encontraram sempre apoio no governador da Bahia. porque a ação da lei lhes chegaria lenta e demorada. em carta de 31 de julho de 1704 ao ouvidor. em 1724. Assim . 182 Parece que este ato resolveria as questões que se agitavam. Um dos seus antecessores. Alèm disto. M. foi servido ordenar-me por provisões de 24 e 28 de abril deste anno.

Continuou ainda a povoação de Geremoabo anexada ao terrirtório de Sergipe e sujeita às suas autoridades. cuja colonização não foi feita por ordem de seu governo. Inhambupe e Abadia que executem as ordens do capitãomór e ouvidor de Sergipe. conta os excessos das câmaras de Abadia. os mesmos favores já feitos aos de Maranhão e Pará. denuncia os abusos do vigário Teodósio Semião Lopes Machado e exige que ele entregue as chaves da matriz. em vista do péssimo estado financeiro da capitania e seus habitantes. Inhambupe e Itapicuru. Melhor resolveremos esta questão . Vemo-las ajudando ao resgate das dívidas da metrópole. a cuja ordem estarão para diligência que lhe tenha encarregado e o que faltar à execução della. Ao capitão-mór de Sergipe)” 184 “Todos os oficiais de justiça da camra de Itapicuru executarão prontamente o que lhes ordenar o ouvidor geral da capitania de Sergipe. pelos quais o rei faz a abolição da escravidão indígena no Brasil. seus recursos. de que temos tantas vezes falado. e hei já e logo por suspenso e o castigarei reigorosamente pela sua inobediência. Finalmente vemo-las encarregadas de publicar o alvoará de 6 e 7 de junho de 1755. Vemo-las pretestando em favor da integridade territorial. no capítulo em que trataremos dos limites de Sergipe. Of. Bahia. Em Sergipe. As reclamações sucederam-se até 1750. Vemo-las protestando contra os excessos dos ouvidores. ordenando às autoridades de Itapicuru. que ela depôs do poder. acusa-o levando-o à ação do poder judiciário. no século XVIII. por onde estendeu-se a colonização até Geremoabo.Bahia baixa as portarias de 10 de fevereiro e 18 de maio de 1740. por onde podia aquilatar suas necessidades. por carta de 14 de março do mesmo ano. para pagarem o tributo dos donativos. Vemo-las traçando descrições minuciosas de seus municípios. e levnado-os ao conhecimento do governo. porque representavam o poder do município. a riqueza pública. quando reclamam perante o soberano a isenção dos pagamentos dos donativos. o mesmo não sucede relativamente a nossa fronteira ocidental. Daí as lutas contínuas entre eles as câmaras. quando . Bahia . A câmara do Lagarto lança fintas sobre seus habitantes. Representavam o governo local. Assim fizeram as câmaras de Sergipe em 1789. por alvará de 8 de maio de 1759.184 Os atos do governo eram sinsuficientes para promover a paz e submeter aquieles povos à jurisdição da capitania de Sergipe. Tal foi o procedimento da câmara de S. por isso mesmo que à capitania de Sergipe não pertence o direito de posse sobre aquele território. fevereiro 10 de 1740 (port. Port. Vemo-las levantando a energia de um protesto à altura dos árbitros de um capitão-mór como Rabelo Leite. Da camara de Itapicurú. 18 de maio de 1740. o governo colonial resolve definitivamente a questão desanexando aquelas vilas de Sergipe e fazendo-as pertencer à frequesia de Nazaré. quando o ouvidor de Sergipe foi presos a esta cidade e castigá-los rigorosamente pela sua inobediência e assim o tenha entendido. Daí podemos avaliar sua contribuição no desenvolvimento da civilização. Reconhecemos a justiça da resolução que foi dada às questões de limites meridionais. Cristóvão. concedendo aos índios de Sergipe. 156 . vemo-las defendendo os direitos do contribuinte. O povo reúne-se dirige ao edifício do conselho. Em nossas buscas foram inúmera as reclamações que nos passaram pelos olhos. Os acontecimentos descritos até aquei já são suficientes para por eles apreciarmos a função histórica das câmaras. passando a administração espiritual da freguesia a outro sacerdote. pelo esforço que empregavam em angariar donativos. quando querem intervir em suas atribuições. em que eram cotizadas.

recebedores de sizas. quer de um. que devia contribuir com uma quantia anual de 4:800$000 para o casamento do príncipe e dote da infanta D. porque eles emanavam de eleição popular. sucedendo a Delgado e para vingar-se dos seus amigos. Maria. 185 C Maia. onde casou-se com a filha do coronel Manoel Nunes coelho. O péssimo estado financeiro da comarca. Em 1727 havia as câmaras de S.tendia a piorar com a imposição desses e outros tributos. Devia. Itabaiana. Eis a comtribuição histórica das câmaras de Sergipe. Lagarto. avaliadores. Cristóvão. A parte apela para o governador. Seus membros e todos os oficiais eram delegados do povo. por diversas vezes. no intuito de isentála das diversas contribuições que sobre si pesavam. quer de outro. alegando motivos de servidão pública. julgavam as injúrias verbais.185 Eis as atribuições das câmaras do Brasil esse tempo. em janeiro de 1759. depositários úblicos. Costa. Estevão de faria delgado (1737) e novamente Francisco da costa (1741). Na parte descritiva em que vamos entrar. que era encarregado de levar para a Bahia os donativos de Sergipe. pelo qual seriam castigados com açoites os autores de qualquer revolta. e era por elas responsáveis. cuja decisão favorável é executada por Delgado. quando em 1738 os camaristas de S. que depois de deixar o governo ficou morando em Sergipe. estabelecendo posturas. lançando fintas. pública. representando os respectivos municípios. Sergipe só tinha pago 57:951$000. Nesse tempo um novo imposto foi tributado a Sergipe. tornaram-se chefes de duas facções. O Município. p 25. Sucederam-lhe no governo Francisco da costa (1733). Prestavam contas ao Provedor da comarca que examinava as despesas. Um certo espírito liberal presidia suas prerrogativas. havemos de ver as diversas resoluçõesdas câmaras de Sergipe. Gozavam da imdependência em suas atribuições. um bando. A indisposição pessoal que votava ao ouvidor Antônio Soares Pinto contribuiu para que seu governo fosse uma série de denúncias. nem agravo. Cristóvão não sancionam o arrendamento que tinha feito ao coronel Nicolau de Souza furtado de uns terrenos próximos à capital. por conseguinte. de erigir a vila de Pombal. taxando o mercado. juízes de vintenas e outros funcionários locais. 14:048$000. A capitania teve de pagá-lo durante 15 anos. dirigidas ao governador. Achava-se Delgado na administração. Não obstante acharemse ligadas à ação central do governo. Isto isso foi bastante para que a câmara procurasse vingar-se na pessoa de Nunes coelho. quadrilheiros. sogro de Delgado. dentro da órbita de suas atribuições. Responsabilizava-o pela da remessa do mesmo donativo em 1740.encarregado. 157 . até o meado século XVIII. em que não podiam ingerir-se outras autoridades. pelas comarcas de Sergipe perante o soberano. sem apelações. Além da administração econômica que lhes competia dar ao município. todavia uns visos de autonomia selavam suas atribuições. que por atos anteriores já reconhecia o direito do coronel Furtado. Nemeavam os almotacés alcaides menores. Costa e Delgado. Santa Luzia. O capitão-mor de então era José Pereira de Araújo. Vila Nova e S. quando completa-se o tempo. Eram de sua competência as questões de infração de posturas com os almotacés. Amaro. Em 1742. quando ilegais. que foi a razão alegada. em 1743. os seus membros. e impunham aos réus até a quantia de 6$000.

e marchante de gados. São presos pelo mesmo juiz. e contratador de solas. que sendo mercador de loja de fazenda. ordenando sua revogação. e vindo o seu sucessor. Mag de tal forma recebendo dádivas nas devassas que tira. O bem geral era completamente esquecido pelos representantes do poder. Mag prendendo pretensiosamente e injustamente a varias pessoas. provocadas por questões pessoais. a ordem pública foi perturbada pelo assalto que os índios fizeram. Agostinho Teles Santos Capelo que com ambos os capitães-mores abriu divergências. que por isto. Miguel Aires lobo de carvalho (1756). principalmente na administração de Manuel da cruz silva. Cristóvão. criminoso em erros dos seus ofícios. servindo sem provimento de V. tendo sido nomeado em julho de 1755 pelo governador. R. Manoel da cruz silva (1751). se me queixam pela boca pequena. Em casa de sua parenta D. ficando privados os que poderão jurar contra eles escandalizados das suas injustiças que costumam fazer por não ter nesta terra quem viva a mão. para serem restituídos ao padre João Honorato. em numero de três mil. Sucederam na administração os seguintes capitães-mores: Manoel Francisco (1747). por parte do juiz ordinário da abadia. o qual se acha nesta capitania a tirar-lhe a residência. Por esse tempo (1749) teve o lugar o maior desprestígio contra as autoridades de Sergipe. como este povo pelas dependências que tem deles não podem falar com temor. Além disso. teve de dar posse a José de matos Henrique. Daí nasceu o levante de 1751. Fazem os oficias de justiça de S. cuja administração foi de poucos meses. Inês Carrilho homiziavam-se os índios que fugiam da aldeia do Geru. e outros mais com quem se combinava para os ditos negócios. nem castigo do delinqüente mal posso dar conta dela pois todo meu emprego lhe servir a e V. majestade que tudo se pode mostrar ser 158 . Os índios revoltam-se contra seus capitães-mores e fugiam de umas para outras. O ouvidor de então era o Dr. Mag interesadamente. como presenciado de Domingos Viegas ouvidor que foi desta capitania. R. por ter sido nomeado pelo rei em 1755. como experimenta e contra as ordens do regimento de V. como as que foram postas em prática para trazer a obediência. ouvidor Miguel de Aires lobo de carvalho a rendê-lo. R. cuja atenção ficava presa às dissensões. Sua indisposição. fica bem clara nas seguintes palavras que dirigiu ao soberano por carta de 2 de junho de 1755. Majestade que parece ser desgraça desta capitania pelas informações que tenho. ―Também represento a V. como sucedeu mandar e prender a um soldado fugido da praça da Bahia por um meu oficial desta praça. As desordens nas aldeias sucediam-se. As desinteligências ascenderam-se mais ainda entre as principais autoridades de então. e couros. que pôde ser vencido pela guarnição da capital. sem odediencia. e a este respt° todos os ouvidores assim fazem. Manoel da cruz silva contribuiu para torná-los mais efervescentes. a cidade de S. que este de tal forma offendeo a justiça de V. R. para tornar e vender pelo seu valor. R. Os espíritos viviam em um choque de intrigas. o dito ouvidor me mandou prender por me obedecer e desta forma se intrometem nas e jurisdições dos capitães-mores. para com o ouvidor. Cristóvão a diligência. onde eles não podem dar remédio. por via de seu escrivam Antônio de Távora. Foi substituído (1746) por Domingos João viegas. que até por empenhos conserva um escrivão José Ribeiro Setubal homem indigno. Mag me encarrega a dar conta destacapitania. Capelo na ouvidoria foi substituído pelo Dr. como V. R. tornando-se preciso medidas enérgicas. teve de ser conduzido algemado para a Bahia. diretor da mesma aldeia. em outubro do mesmo ano. Majestade. R. pois. destruindo-as para arrematar os escravos por limitados preços.bando que mereceu uma repreensão do governador. e o dito ouvidor Miguel de Aires lobo homem sem receio de suas e conveniências vai atropelando a justiça de V. pois eles até as jurisdiçoens me usurpam. e destribuidor das administraçones das capelas. Duarte Fernandes lobo pontes. o fez por rol que o dito Viegas lhe deu rejeitando todas tas as test que poderiam jurar contra o dito. só afim de levar a sua residência limpa.

sucedeu na entrada da Cadêa. M. ordena-me V. mandei ouvir ao intendente geral do Ouro desembargador Vencesláo Pereira da Silva. todas são copiadas por dependências que tem uns dos e outros. a mesma matéria e subindo a sua real presença aquella informação. que por copia remeto . e assim V. O soberano por carta de 1° de abril de 1756 manda ouvir o governador da Bahia. ententendo tanto eu como os outros que nisto faziam um grande serviço a V. Manoel da cruz silva a respeito das minas de ouro que diz há. de que o de descubridores de minas de ouro. cuja resposta é a seguinte: ―Sr. e agorado a sua empresa. arruinando sua escolta de dezoito armas de fogo. e ficavam tendo a gloria de inventores . onde viu bonitas espécies. e este depois de solto se foi outra vez agregar e com a dita sua escolta. e só sim o consegui por indústria. e de utilidade ao Real Serviço de V. fazendo as diligências razoáveis sobre a existência das ditas minas e necessidade que há de segurança. mas como esta matéria se tem tratado neste Governo repetidas vezes pelo mesmo Manoel da Cruz Silva e pelos offciaes da Camara da cidade de e Sergipe d´EL-Rey. por homem cigano por entrar na fazenda do sargento-mór pago das ordenanças e levá-la a escala.melhor lhes poderia attribuir o epitheto de destruidores daquella comarca e daquelles povos. homem pardo. que nesta capitania se experimenta por causa da longitude. arazando-lhe os seus mantimentos. lembrando-me tão somente que fazendo elle intendente presente a V. como também as justificaçoens que presenciei nesta capitania. 159 . sobre o referido descobrimento. no distrito da vila de Itabaiana. digo. garantindo a existência de jazidas de ouro na serra de Itabaiana. e fugir indo algemado. e estes seguindo-o o foram tirar encostado ás portas do convento de S.sem qeu obste a representação de Manoel da Cruz da Silva. e vindo preso á ordem do governo geral do estado. empurrar os soldados. sendo estes capazes. Rey do Est° afim de ser punido e sucedendo esse prezente anno o dito Domingos Dias sair por juiz ordinário desta cidade. R. parece que se deve continuar a mesma prohibição. a vista pois desta informação e das ordens de V. que têm procedido a respeito destas minas. Mag antes que me chegasse à resposta o dito juiz Domingos Dias junto com o vigário geral mandou soltar espontaneamente pedindo as chaves ao carcereiro. roubador. e assim as residências tiradas pelos sucessores aos antecessores. e matador. m. M. seriamente e sem fundamento repetira a mesma causa que os officiaes da câmara da cidade de Sergipe d‘ El-Rei tinham dado a V. de que trata da sua mesma conta. Sobre esta mesma matéria não tem mais novidade nem discrepância alguma . R Mag .meo antercessor. e resolvendo-se este caso na real coroa de V. Mag porá os olhos em semilhantes desamparos. serem tiradas pelos oficiais da câmara adjunta o capitão-mor de capitania. R. ouvindo para isso as pessoa que me parecem. Majestade por esta provisão que informe com o meu parecer sobre a representação que fez o capitão-mor que foi de Sergipe d‘EL-Rey. R. que diz ter das minas serra de Itabayana. Mag terá melhor efeito para o conhecimento da verdade. mandei vinte e cinco homens a prendê-lo pelo prejuízo que fazia.‖ Nesta mesma carta levanta a questão das minas. respondi não ser meu por estar o assento feito no livro da Cadêa á ordem do governador geral do e Estado a quem tinha dado conta do sucedido. não querendo o dito ouvidor pôr o cumprase as provizoens dos rematadores.que pelo que respeitava as sobreditas minas da Itabaina tivesse ententido por ora não era conveniente o permittir-se que se continuasse naquelle descobrimento e que tinha por sem duvida que o capitão mor Manoel da Cruz da Silva informemente alcançando alguma nova do que sobre a suppostas minas de itabaiana se falava. ―O ponto principal da representação he exagerar Manoel da Cruz a grande abundancia de ouro. em a dita Cadêia até dar conta a V. declarando também o que achar sobre os outros artigos. o não poderão prender. hia a casa dos juízes por serem amigos. M servido aproval-a e madar-lhe declarar por provisão de 15 fevereiro de 1754. serem menos verdadeiros que prendendo eu a um Domingos dias Coelho. e para evitar este engano que se faz V. o qual na sua informação. a tempo que prendi um João Correia Cabral. que verdadeiramente não é homem que mereça nenhum gênero de attenção em nenhum dos seus projetos. que sobre o descobrimento também já derão conta a V. R. e este da dita cadeia saia de noite por conveniências que fazia ao carcereiro. e faziam auto de câmara e justificaçoens e assinavam papeis pedindo para isso enganosamente o servente da câmara ao escrivão para fecharem os seus papeis para remeterem ao V.declara que me não póde dar outra mais genuína do que repetir-me a mesma que já dêo ao conde de Atouguia .sendo que se lograssem o desvanecimento de serem attendidos.nulo. M. R. aqueles moradores do distrito da vila do Lagarto. até. Majestade de semelhante insolência. facínora. sendo criminoso. fora V. por causa dellas. majestade e a república. Francisco e metido que fosse na cadeia requereu logo ao padre guardião do dito convento ao vigário geral e municipalidade e mandar-me pedir o preso para assistir o dito auto.

sempre com elles serão eleitos os mesmos Indios. . p. 1° tt° 67 guardando em tudo a formalidade de que ela prescreve. haver na povoação vereações. M. desejado eu favorecer em tudo quanto for possível a meus vassalos indios deste continente . Arábia . Bahia . pois tendo nascido livre. que será tutor dos orphoãos.mas as câmaras. e d’alem mar em África.Marcos de Noronha sobre Cruz Silva. digo. comarca da cidade de Sergipe de El-Rei. Por me ser presente que a Aldeia do Gerú. Seu escrivão do judicial. é summamente conveniente o mandar despejar daquelle districto para fora. Faço saber a vós Bacharel Miguel Ayres Lobo de Carvalho. era o professor de primeiras letras da localidade e só em falta de algum natural. 20.. pede ao rei para que seja ela erecta em vila. todos mais hábeis do dito povo e ainda na suposição de não achardes nella quem saiba ler e escrever . deviam ser exercidos pelos naturais da aldeia. quando já se achava na administração José de Matos Henrique. para consigam a inteira liberdade de suas pessoas. de que elles foram os primeiros ocupadores e povoadores. etc. audiências. não deve a minha paternal piedade permitir que constrangidos a espécie alguma de servidão contra os primeiros princípios de direito natural. porque na Secretaria deste Estado são infinitas os requerimentos que se tem feito contra elle. cit. e estabelecer nellas algumas villas elegendo d’entre os ditos Índios seus habitantes. e de seu comercio. criou-se o seu município. utilizarem-se da sua agricultura e comercio. que forem precisos para o bom governo dos mesmos respectivos povos. Senhor de Guiné e da Conquista. Navegação. tem capacidade de Visinhos e cômodo preciso para o dito effeito. sou servido ordenar que passando logo a dita Aldêa. e para os três anos futuros fareis eleição de semelhantes officiaes da forma da Ord.Jose por Graça de Deus Rei de Portugal e dos Algarves . poderá ser nomeado um portuquez com as referidas qualidades e a elle se lhe 187 160 . fui servido em seu beneficio pelo alvará com força de Lei de 8 de maio do presente anno as leis de 6 e 7de junho de 1775. Op. “D. sendo concedido. assim como os empregos criados. não me offerece dizer nenhuma outra cousa mais senão. que este homem tem sido um enredador de toda ciadade de Sergipe d‘El-Rei e ainda desta Bahia. porque este é o meio mais proporcionado para poderem aquelles habitantes viver. Nessa carta declararam-se livres os índios de Sergipe. por carta regia de 22 de novembro de 1758. 1775. foi chamado à Bahia pelo governador. e o melhor se civilisarem e poderem instituírem-se. três vereadores ou dous. devia ser ele exercido por um português187. Os lugares da câmara da nova vila. a Villa estabelecereis nella com o nome de Nova Távora – elegendo à votos do povo um de seus moradores para juiz della. como moveis e semoventes. Persia e Índia. e um procurador do seu Comselho. Erigiu-se em vila a aldeia do Geru. de idoneidade para cargo . que. de seus bens. os eclesiásticos e ultimamente não há pessoa de qualidade alguma a quem deixe viver em socego. digo. por provisão de 29 de Abril de 1757.―Sobre os mais artigos que ouça pessoas que se contem nesta carta. não devendo permitir sejam espoliados do domino daquellas terras. intituladoa Nossa Snhora do Socorro a sita na Freguezia dos Campos do Rio Real. em que V. arrematações e outros atos oficias . No fim da administração de Matos Henrique operou-se uma nova divisão municipal na capitania. Commercio da Ethiopia. O ouvidor Ares Lobo.Conde D. resolvi ser o meio próprio para conseguir todo o referido. que mandei publicar em favor dos índios do Gram-Pará e Maranhão. e sendo a minha real intenção que elles conservem não só a referida liberdade e plena administração de suas famílias.Marcos de Noronha‘‘. Ouvindor da Comarca de Sergipe d’El-Rei. com o nome de nova Távora ou Thomar. que por portaria de 23 de Setembro de 1757. razão porque me parece que aos serviços de V. 186 Marco Antonio de Louza. 3 de Agosto de 1756. Da Leis. termo da villa Lagarto. com socego de que necessitam. no caso de não haver numero.. assim de raiz. mais também que se goverrnem por seus naturaes nas disposições e particularidades de sua povoações. M me manda que ouça pessoas que parecem.na alternativa de juízos ordinários186. não só em nome dos povos . os ministros de V. convencido da superioridade topográfica da povoação da Estância. Eis a opinião do Conde D. mais capazes para exercerem os empregos dos officios da Justiça e guerra. igualmente ora também servira de tabelião das notas e escrivão do judicial e do orphãos o qual no caso de não haver na Aldeia Nacional dentre os Indios com a necessária inteligência e noticia de processar . Contra isto opôs-se a câmara de Santa Luzia.

e no sitio que vos parecer mais próprio. cujo termo será peremptório e improrrogável. e desembaraços ou duvidas que occoram a este respeito por este tribunal para eu vos ordenar o que parecer mais as minhas reaes intenções e ao serviço de Deus Nosso Senhor e bem comum de meus vassallos . que também mando se vos entregue nas terras que forem demarcadas para os índios. deixando na comara uma copia authentica do auto e medição que nellas fizeram. ficando inteiramente servindo os officiaes propostos. nem consetireis que fiquem conservadas arredemptorias algumas. Cristóvão em 30 de dezembro de 1759188 . remetendo-se as elleições.__ Baghis. – Antonio de Azeredo Coltinho. bem entendido que a todo tempo que hover Índio com aptidão par servir este officio. ou portuquez casado com índia com as qualidades necessárias. pelo qual ficaram expulsos os jesuítas e seqüestrados os bens moveis e raiz da Companhia. qulaquer destes sujeitos preferirá na serventia do referido officio aquele em quem não concorrerem estas circunstâncias.lhes destribuireis o que regula o alvará sobredito de 1700 e a carta de 12 de Novembro de 1710. Marcos de Noronha. os quaes ficarão continuando nos mesmos empregos. antes os mandareis notificar para despejarem dellas. nas quaes o que se houver de dar ao Parocho para os seus passos.Cumpra-se – El –Rei Nosso o mandou pelos Conselheiros de seu Conselho ultramarino abaixo assignados . sem que leveis estipêndio algum pelas assgnaturas destes papeis. e sucedendo não possuam os índios terras algumas ao menos daquellas que abaixo se declaram. 22 de Novembro de 1758 188 Em agosto de 1659 foi publicado o edital régio pelo qual mandava tirar residencia do capitão-mor. e medirão como acima vos ordeno . que morreu em S. Um alcaide e seu escrivão e aquelle exercitará o ofício de carceiro. bem estendido que tenham sempre os que actualmente servirem e forem capazes. – Barberino. 161 . dito remetendo –se esta para por esta se lhe passarem as sua patentes. dando um mêm às partes que se quisessem queixar. cuja copia mando se vos entregue. A lei da expulsão dos jusuitas foi ampliada pela lei de 28 de agosto de 1767. sendo estas de sesmarias. passados dous annos que lhe concedo para aproveitarem e receberem os frutoots de suas lavouras. e sempre será em parte posivel e de menos encomodo ao publico nas terras dos mesmos índios.Já não estava mais na administração Matos Henrique. – Por despacho do Conselho ultramarino. Desconhecemos as peripécias do fato em Sergipe e o numero de jesuítas que habitavam a capitania. e remettendo o próprio para meu conselho. que substituiu Areis Lobo. – Manuel Estevão de Almeida e Vasconcellos. ou donativos. – O Desembargador secretario Joaquim Jose d’Andrade o fiz subscrever e subescrevo . um porteiro que egualmente servira na camara. e todo o referido na forma acima declarada dando-se conta do que achardes. que logo dareis aos índios na forma determinada pelo alvará de 23 de novembro de 1700. serão agora sem embargos disso novamente propostos. nem também o escrivão que a xercer pelos os feitos dos mesmos : estabeleceries uma casa logo das que achardes mais decente. dando-lhes o juramento e posse. e fareis erguer pelourinho e estabelecereis o termo da nova Villa até os confins das terras que presentemente se acham de posse os indios. ou alguma casa grande e nobre. de 26 de novembro de 1759. que por hora se faça as conferencias da camara e as audiências do juiz as quaes umas e outras nos dias em que aponta a ordenação do reino. e nos auditórios judiciaes: a todos os sobreditos officiaes novamente eleitos mandareis logo passar suas cartas de usanças para que possam sem demora entrar a exercer a jurisdição em seus officios. que mata completamente a instituição em Sergipe: acarregara a obrigação de ensinar a ler e a escrever aos meninos da villa. e para que as ditas arredemptorias fazendo outra de novo queiram ao depois com este pretexto vencer mais tempo contra esta minha disposição fareis eleições por votos dos officios de guerra e ordenança . e ficarão as outras e estabelecimentos as casas de habitação do parocho que lhes pertencerem no sitio que vos parecer mais próprios. as quaes medireis e demarcareis com o Pilotos que exigireis para que fiquem para sempre dividas. metendo-os sem demora de posse dellas. não prejudicando a propriedade natural que ser entende ser engenho. neste caso regulareis o termo da nova Villa e confins pela terras. e se vierem com embargos os remetereis ao conselho fazendo inteiramente a medição nas terras. baixa o seguinte bando. então. em 1764. ouvidor João Batista Davier. em que não houver duvidas bem fundadas: junto as casas do parocho assignareis termo para o lugar dellas no caso de as não terem. 30 de Dezembro de 1758. quando executou-se o bando do vice rei D. Eram eles seus maiores proprietários e possuíam um numero não pequeno de propriedades açucareiras. e havendo possuidores que succedão a seu domínio com outra qualidade de libello ouvireis as partes.

confessar e que logo à vista da Lei prestam juramento de fidelidade na forma delle e das penas estabelecidas contra os perturbadores do socego público – e que também exceptue aquelles indivíduos ainda não professos na dita Companhia e que depois de sairem d´ella e houverem entrando em outras ordens regulares e houverem n‘ellas feito profissões solemnes – que o mesmo se observara debaixo das mesmas penas com todas e quaesquer pessôas que introduzirem nos Reynos e Domínios quaesquer dos indivíduos expulsos da dita Companhia ou que sabendo que existem nas mesmas terras dos Reynos e Domínios os não denunciarem no termo de 24 horas ao mesmo Corregedor e Ouvidor da Comarca para serem presos e remettidos com toda a segurança ao juiz da Inconfidência – declara o mesmo Senhor o Breve . – João Baptista Davier. – Thimoteo Brboas de Siqueira. e todos os quaesquer naturaes de seus Reinos e Domynios de qualquer Estado ou condição que seja que se acharem encorporados à dita Companhia chamada de Jesus na boa fé de que se tratava somente de espiritualidade ou n‘ella professos dessossiados em alguma Confraria se manifestem debaixo das mesmas penas de proceder-se contra elles sinão se manifestarem ao dito Doutor Ouvidor Geral e Corregedor dentro do referido Termo e que explicando a ampliando a Lei de 3 de Setembro de 1759 declara a todos os Membros Puplicos e Secretos da mesma Companhia Chamada de Jesus por inseparáveis da sua perniciosa cabeça e por incorrigíveis.os exemplarem d‘elle pelo que pertence a seus Reynos e Domínios por abreticios e sobreticios e como taes nullos para produzir qualquer effeito. nem dos seu Delegados ou Subdelegados de baixo das penas estabilidades contra os reos de crime de lesa-magestade. pregar. Escrivão da Camra. sejão obrigadas a entregal-as ao Doutor Ouvidor Geral Corregedor d‘esta Comarca d‘entro em dez dias perentorios. de toda a Suprema e legitima autoridade e manda immediatamente de Deos Todo Poderoso da Tranquilidade e vida dos Príncipes Soberanos e do socego puplico dos Reinos e Estados e que cada hum dos referidos Membros Puplicos e Secretos da mesma Companhia sejão providos do beneficio que lhes foi conceido pela sobre dita Lei de 3 de Setembro de 1759 debaixo das graves penas fora de seus Reynos e domínios na forma e Termos que determina a dita Lei e que exceptue por ora aquelle dos referidos egressios que obtiveram especiaes e pessoaes ordens suas as quaes não poderão ensinar. Aquellas pessôas que tiverão só havido as referidas cartas antes da puplicação desta Lei suppondo que tratão de espiritualidade quando se costumão passar a outros fins temporaes e preciosos. Data e passada n‘esta Cidade de Sergipe d‘El-Rei sob meu signal aos 18 de Junho de 1768.―Manda El-rei Nosso Senhor em observância da lei de 28 de Agosto do anno próximo passado de 1767 que nenhuma pessôa de qualquer estado ou condicção que seja poderá pedir ou receber carta de confraternidade. 162 . de assossiação ou de comunicação de previlégios do Geral da Companhia chamada de Jesus. e comuns inimigos de toda a potencia Temporal. desde o dia da puplicação da Lei.

principalmente Carlos de Santa Helena. o índio imigrava. declarando-lhes a que punam com severas penas. concedida pela carta régia que erigiu em vila a aldeia do Geru. As mesmas cartas são dirigidas a João Nunes. Isidoro Gomes em 175 alia-se ao mesmo partido escravista. e nomeado ouvidor dos Ilhéus. nomeado ouvidor efetivo. Deram-se mortes e ferimentos. A imigração africana se fazia em larga escala.CAPITULO III RESULTADO DA ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO INDÍGENA. espavorito pela colonização. levando o pânico às famílias. escala-as a machado e encontrado resistência pó parte de seus habitantes. Elas tornam-se centros de desordem e tumulto. que não tinha a lutar contra essa causa. Até quase o fim do século. centro poderoso dos naturais. 163 . que foi substituído por Davier. depois do qual é preso e entregue à Justiça púplica. Eis o efeito que produziu no seio da sociedade sergipana de então a importante lei da emancipação do cativeiro indígena. Gonçalo Pais de Azevedo. MOVIMENTO COLONIAL ATÉ 1802. Esse movimento de desordem estende-se a todos as aldeias e seria enfadonho estarmos enumerando estes fatos de valor puramente local. que eram Francisco Alves da Silva. Os missionários das aldeias julgam-se com vida pouco garantidas. a emancipação da escravidão natural. Esse movimento escravista tem como principais chefes João Nunes de Barreto e Antônio Vieira de Carvalho. talvez pela interferência do Jesuíta. antiga aldeia. e leva a inquietação à vila de Thomar. ESTADO ECONÔMICO DA CAQPITANIA Vimos no capitulo anterior que pequenas foram as lutas entre os lavradores e Jesuítas. Cristóvão. Eles abandonavam seu território e embrenhavam-se pelo ocidente . 189 Por carta de fevereiro de 1764 foi o ouvidor Aires Lobo dispensado do cargo que exercia em Sergipe. opunha-se a emancipação. contra o atentado do branco e efetuam em S. saciando assim suas paixões. que não obstante. Além disto. A raça negra alia-se à sua companheira de martírios. Como chefe de um bando armado põe-se á sua frente. revoltando-se assim contra a concessão altamente liberal da coroa. continua em sua faina de escravizar os índios. Nesta mesma data foi autorizado a entregar a ouvidoria ao Juiz ordinário mais velho de S. Diversas são as cartas que dirige o governador ao capitão-mor e Ouvidor. penetra na vila. chamando-lhes atenção para essa ilegalidade. veio provocar na lavoura uma tendência escravista.Cristóvão. o sossego e a paz não voltaram ao centro de habitações indígenas. em1763. que levam às aldeias o cativeiro. que lhe proibia penetrar nas aldeias. Se até então não mostrava essa tendência. investe contra a câmara e cadeia. pela morte da Companhia de Jesus. agora. a propósito da escravidão indígena. (1765-1766)189. Entretanto. diretor da aldeia de Japaratuba e por causa de quem José Nunes de Barros assina um termo de responsabilidade. para não haver falta de braço na lavoura. (1765-1766) e João Batista Davier. recorre à arma de fogo.

e se achão destacados nesta mesma cidade mostrando hum ardentissimo dezejo de defenderem o Estado. E foi entranhado que nenhum sergipano desse testemunho de seu patriotismo. cavallaria della. huma contribuição me hé indispensavelmente necessária não só para preencher os Regimentos pagos desta Guarnição. mando se puplique este a som de cayxas em cada frequesia e se fixe no lugar mais puplico dessa cidade e seu termo. Estavam bem frescos os feitos de Duguai-Trouin no Rio de Janeiro. mas também os Terços Auxiliares de pé. dentro do termo de vinte dias. a contar da púplicação da lei.” 164 . e propriedades. e se registre em todas as câmaras das respectivas Villas daquela comarca. “ Manoel da Cunha Menezes do Conselho de S. e todo aquelle individuo. para que a todo o tempo conste se de execução as penas declaradas contra aquelles que fingirem se mostrar que são Laes Vassalos de El-Rei N. o governador Manoel da Cunha Meneses baixa o edital de 12 de Novembro de 1776. e offcios de Justiça ou Fazenda: sendo nobres serão havidos por vez como indignos. innabilidade para ser empregados nos lugares. Dado sob meu signal a sello de minhas armas na Bahia aos 12 de Novembro anno de 1776. em uma conjuntura tão crítica. E muitos cidadãos voluntariamente já tinham-se alistado nas fileiras do exercito. Então. A Davier na ouvidoria substituiu o Dr. sendo peões terão o trabalho das fortificações da cidade pelo tempo que eu lhes destinar. sob pena de confiscação dos bens e inabilitação para qualquer emprego púplico. além de todas as mais penas que ficam a meu arbítrio. que esquecido das obrigações de honrado Vassalo se occultar. quer de fazenda. Christovão de Sergipe del-Rei.alem de outras penas191. quer de justiça. M. com famílias. No governo foi substituído pelo capitão-mor José Gomes da Cruz190. os nobres seriam considerados como indignos e traidores e deportados para Angola e os peões iriam para as fortificações. porque sendo o mayor reparo não ter vindo hum só Individuo morador na comarca de Sergipe del-Rey. outros vieram contribuir para agravar esse estado. E para que faça manifesto a todos. Fidelíssimo. para que logo que este lhe for constante. estendendo-se até 1776. sou obriogado a denunnciar a todo aquelle que como Vassalo ama os eu Legitimo Rey. oferecedendo seus serviços em favor da nação. e degradados para Angola. cuja administração foi uma das mais longas. venha sem demora comparecer na minha presença para lhe destinar o exercício que deve ter. Sua execução foi efetuada com tal excesso. da Victoria da cidade de S. em defesa da pátria. autorizando que os moradores de Sergipe compareçam à sua presença. S. pelo tempo que lhes fosse destinado. que os lavradores abandonaram suas fazendas. hum saque. para ocultarem-se às 190 191 José Gomes da Cruz (Borges) foi nomeado por carta régia de 4 de abril de 1763. e não comparecer dentro do tempo de vinte dias contados da puplicação deste. A sociedade da Bahia vivia sob a pressão do receiode uma invasão inimiga. o governador ordenou o recrutamento. e Senhor. encorrerá nas penas de perdição de todos seus bens. Do mesmo teor e diria se expidiram mais seis Editaes para as Freguesias das Villas da mesma capital de Sergipe de El-Rei. reputados por traidores. Por uma carta circular de maio de 1775 ao capitão-mor. offerecer-se nesta importanssima occazião . pra defesa desta Capitania. Faço saber aos moradores da frequezia de N. Sr.Além destes fatos que denunciavam uma sociedade em sobressalto. tendo igualmente precizo puxar pelos outros Terços dos seus subúrbios para ajudarem a estes honrados Vassalos. as suas Famílias. quando foi substituído por Bento José de Oliveira. que voluntariamente se offerecerão e todos promptamente vierão. e o governo tomava medidas preventivas. embrenharam-se pelos matos.que serão logo confiscados. Esta ordem alarmou a população e tanto mais quanto ofereceu excelente oportunidade para as vinganças e dasabafos das paixões contra a classe pobre. Governador e Capitão General da capitania da Bahia etc.Sebastião Álvares da Fonseca ( 17701778). e como cidadão sua Pátria . que achando-se esta capital propinqua a receber hum bombardeamento. – Manoel da Cunha Menezes.

quando quisesse fazê-las. pela abundância de causas cíveis e crimes.disciplinando os regimentos de cavalaria.auxiliares e os corpos de ordenanças existentes. O estado financeiro da capitania já não era lisonjeiro. que voluntário. e por conseguinte. piorasse neste sentido. Os preços dos gêneros subiram extraordinariamente. alei contribuiu para que o estado social. pelas barras dos rios navegáveis. em 1793 deu-se um movimento disciplinar na classe militar. o estado social da capitania vivia sob uma agitação continua. porque as deserções do exercito sucediam-se. foi ele o sucessor de Cunha no governo. Além disto. Entretanto. e que é a primeira ordem para o recrutamento de Sergipe.Valério dos Santos(1793) e Joaquim José Monteiro(1797). antes mesmo de concorrer essa causa poderosa para agravá-lo. Não compreendiam eles as vantagens da instrução. na importância anual de 2:828$. em vista do célebre terremoto de 1755. A revolução francesa ecoava profundamente no país. Foram inúmeras as cartas que encontramos em nossas buscas. A carta circular de maio de 1775. Sucederam a Bento José de Oliveira na administração. Além da atividade do foro. de que já falamos. não só pela falta de clareza nos limites das propriedades como pelo grande número de assassinatos que perpetravam. que foi imposto por carta do Conde Arcos. cujas diligências foram dificultadas pelo capitãomor José Gomes da Cruz. Pelo lado da cultura popular o descuido dos governos era absoluto.o sargento-mor Bento José de Oliveira. até quase seu final. comunicando as deserções e ordenando as prisões. pedindo isenção do donativo. o coronel José Caetano da Silva Loureiro(1782). o maior partidário. E este movimento foi até 1782. em vista de dissabores que lhe provieram de um processo crime. cujos excessos são severamente criticados na carta a si dirigida em maio de 1775.Antônio Pereira Marinho(1790).quando chamado à Bahia. Neste ano o governador escreve ao seu delegado.Vimos que as aulas públicas de 165 .porque com ele viria o poder das concessões. pelo governador(1776). a fim de defender as entradas dos franceses.chamando-lhe a atenção para defender a capitania de qualquer invasão inimiga. dirigidas aos capitães das vilas das capitanias.l de 10 de abril de 1756 às mesmas câmaras.que queria para si o privilégio da sua execução.a atividade do foro. que desde a liberdade dos índios não era pacífico. foi também dirigida ao tenentecoronel Francisco Félix de Oliveira. durante trinta anos. porque em 1661 todas as câmaras representaram ap soberano. Reinava entre eles a divergência.que abandonou posteriormente a vida política pela vida sacerdotal.em que foi envolvido. no espírito do governador. as novas prisões e os processos militares dos desertores. Por isso foi preso. Desde o meado do século. que encontra em seu irmão.vistas dos agentes que recrutavam. para a redificaçaõ de Lisboa. Daí a luta entre o capitão-mor e o comandante da guarnição. Os membros do próprio governo não viviam em harmonia. o capitão-mor. porque o trabalho agrícola quase suspendeu. São de valor puramente local os acontecimentos do fim do século. E por este estado financeiro tornou-se responsável. um ou o outro levante dos índios de algumas aldeias. Pequenas lutas entre os capitães-mores e os ouvidores.

. 700 índios Lagarto......sete vilas:Santa Luzia. 30542 sem classificação descreminada.... (351$631).... segundo Marcos de Souza (Memor................ Procurando distribuir o valor da exportação pelos diversos municípios.....................541 “ Lagarto.......... da qual havia três cadeiras na capitania em 1799. Já se cotavam uma cidade............. Tomamos o ano de 1802 como termo deste capítulo..Santo Amaro.... e os gêneros exportados eram o açúcar.....2427 Itabaiana......... Santa Luzia......635 (índios) Socorro.............feita por Itabaiana..na Cotinguiba 20.... Da capit........ 192 193 Elevada a vila por provisão de 5 de setembro de 1801.... couros secos..... 19954 pretos.....5255 Pacatuba ........................4315 Em 1808 a população está almentada e o número dos habitantes de cada município é o seguinte: Santo Amaro.a maior exportação era a de algodão e cereais........ de lona........................317 Vila Nova.....a de couro e sola por Campos.(vila)....................... Sua exportação montava em 860000 cruzados (93$500).. De curso secundário só ensinava-se a língua latina..........................7000 Sua Paróquia ................ Vejamos a expansão colonial a que pé de prosperidade atingiu nesse ano.....................10000 Campos ........7500 Pacatuba .................a de gado pelo Lagarto........................... porcos........5468 Japaratuba...............Sendo 13217 brancos. 20849 pardos.... ferragens....... que era a capital-São Critóvão....... 194 Eis o número de habitantes distribuído pelos municípios: Santo Amaro.....................4000 e 300 índios Pé de Banco......10500 Propriá ....2618 Itabaiana.........317 “ Vila Nova...14000 Japaratuba.............. de onde importava fazendas de algodão.........1600 Freguesia do Cotinguiba .............8128 Propriá .....6400 Larangeiras (povoação)........94 “ Pé de Banco.......6758 Campos . tecidos de seda.......Santa Luzia.......................................3814 Santa Luzia....................................... algodão........... A lavoura açucareira era a base da riqueza pública.............................. o número de habitantes...... 1440 índios...além das de São Cristóvão.........................6000 Água Azeda...........30000 e 600 fogos 166 ................................................. Própria192..1641 índios e 19893 pretos........... Santo Amaro e Vila-Nova... Itabaiana............ cereais................ Desde esse tempo................................. além da exportação do açúcar..............633 (índios) Socorro.......................a de açúcar por Cotinguiba....6364 Thomar .......... ....... O comércio abastecia-se exclusivamente na Bahia...... sendo 20300 brancos...................4154 S....... escravos a troco de caixas de açúcar.... sola branca........ gado......Thomar...... O valor da produção total era de 1 milhão e 313 mil cruzados(233$500)...................................4000 Thomar . exportação e sua população...................4500 Santa Luzia......... e 20 alambiques para destilar o álcool..... O Socorro................... Sua população era de 55600 habitantes............................ Em 1808.................................... quatro povoações: Laranjeiras.....os quais fabricavam 1000 caixas de açúcar anualmente...................................... estudando a importação da capitania..... Socorro e Laranjeiras194. Itabaiana......primeiras letras havia um na vila do Geru........ São Cristóvão.......5219 Água Azeda..... pólvora. Japaratuba e São Pedro (antigas missões)... linho...................... fumo....................... cavalos............................. De Sergipe) era de 72236..................... 193 Os municípios mais populosos eram os de Santo Amaro.......................... Cristóvão............. já exportava 30000 alqueires de sal... Santa Luzia exportava 500 caixas e Poxim 800..... no valor anual de 171 mil cruzados................................................... Lagarto.......... No vale do Vaza-Barris já se contavam 10 engenhos........................ Pacatuba.....................Vaza-Barris e Piauí...................

do socorro Santa Luzia Lagarto Campos Sant Amaro Pé do Banco Itabaiana Vila-Nova propriá 123 000 cr 165$200 388.000cr 398$400 Exportação 86. inquiridor e contador em 30$000. porque na baixa.000 cr 325$900 13.000 cr 144$000 22.000 cr 362$000 26. cada um 12$800. A Câmara de S.000 cr 64$040 199 14.000cr 796$500 Desde esse tempo.000 cr 36$440 6. Entretanto transcrevemos com toda fidelidade. Inquiridor e contador em 50$000.formularemos o seguinte mapa demonstrativo: Produção Consumo São Cristóvão Paroq.000 cr 322$540 11. cuja construção foi começada em 1791 e a da Conceição. S. meirinho e seu escrivão 15$000. 202 É admirável que no espaço de oitenta e tantos anos tenha-se dado uma transformação tão grande no rio Cotinguiba.000 cr 364$140 200 8. dois porteiros em 10$000 cada um. dois partidores. seu escrivão 15$000. seu escrivão em 40$000. dois avaliadores em 3$200 cada um.000cr 305$320 148. seu escrivão.000 cr 763$200 6. Distribuidor. porteiro 10$000.000 cr 237$410 198 8. feita por Itabaiana. um carcereiro em 15$000.000cr 399$200 63. a de gado pelo Lagarto.fazendo cada uma quatro viagens. dois avaliadores cada um 5$000.000 cr 309$520 23.000 cr 300$800 143. 195 O ofício de escrivão da correição era avaliado em 300$00. uma desproporção enorme.800cr 41.000 cr 396$600 70. Vaza-Barris e Piauí. que iam ancorar no porto de Laranjeiras onde recebiam o açúcar da fértil zona banhada por aquele rio.006 cr 90$100 25.000 cr 32$100 336.000cr 126$080 37.000 cr 119$720 201 5.000 cr 22.também de setembro a março202. 197 A receita da Câmara de Lagarto era de 621$300 e a despesa 48$500 198 A receita da câmara de Sto Amaro era 179$500 e a despesa de 107$000 199 A receita da Câmara de Itabaiana era 570$000 e a despesa de 21$220 200 A receita de sua Câmara era 430$ e a despesa 258$531 201 Este mapa é cópia de um man.000cr 234$720 31. Alcaide e seu escrivão 200$000. 196 Os ofícios de escrivão da Câmara de Sta Luzia. N. O rendimento da sua Câmara era de 119$000 e a despesa de 104$000. um alcaide em 27$000.000cr 133$100 52.000 cr 364$480 34. 167 . existe na Biblioteca Nacional.000cr 203$810 36.000 cr 234$400 47. Acreditamos que houvesse erro do autor. Carcereiro18$400. escrivão da Câmara em 100$000. destribuidor.mar. há lugares em que o volume d’ água não mede um palmo de profundidade. escrivão de órfãos em 200$000. Cada um fazia quatro viagens por ano.000 cr 122$880 222. demandam o influxo da maré.000 cr 66$160 23.000cr 286$600 57. Pela barra do rio Cotinguiba entravam anualmente vinte barcos. Meirinho do Campo.000 cr 74$150 196 41.000 cr 40$000 Importação 22. o da Provedoria em 25$000. A navegação fazia-se pelas quatro barras da capitania. Hoje embracações de pequeno calado para entrar no porto de Laranjeiras. de setembro a março. a de couro e sola por Campos. Meirinho Geral e. o tabelião em 40$000.000cr 326$200 215. que era também o Tabelião do Judicial e notas e escrivão de órfãos eram avaliados em 212$000.. Meirinho da Provedoria e seu escrivão 20$000 cada um. Achamos nos cálculos entre cruzados e a nossa meda. Pela barra do rio Real entravam dez embarcações. o da Recebedoria em 50$000. Por esse tempo Laranjeiras já tinha duas capelas: a do Coração de Jesus. a maior exportação era a de algodão e cereais. Naquele tempo por ele entravam barcos.000 cr 288$900 197 195 152. a de açúcar por Cotinquiba. junto ao engnho Comandoroba.000cr 20$880 67. Cristóvão rendia 123$600 e suas despesas montava em 125$375. 100$000.000 cr 329$580 9.

em sua História do Brasil.que obteve cópia do man. Incontestavelmente é um importante livro. Foram estas obras que pudemos encontrar em nossas procuras. ou cópia existe em nossa Biblioteca.e lembra medidas de grande alcance econômico. pesquisador. Dos escritores dos séculos anteriores. Temos a citar ainda as Memórias da Capitania de Sergipe. Sua publicação deve-se ao coronel Antonio José Fernandes de Barros. 168 . somente Fr. Existente no Museu Britânico. da navegação. Deste tempo datam os primeiros trabalhos geográficos e históricos sobre a capitania. manuscrito existente na Biblioteca Nacional.Vicente de Salvador refere-se mais extensamente a Sergipe. Foi por conseguinte um grande serviço prestado a Sergipe sua publicação. relativamente não só aos hábitos de seus habitantes. Eis o estado de Sergipe no começo do século atual. Estuda o estado da lavoura. Marcos de Souza faz um estudo importante sobre a capitania. também de setembro a março. Foi escrito em 1802. que foi vigário em Siriri em 1808. Desconhecemos o nome de seu autor. fazendo cada uma quatro viagens. como seus processos de trabalho. Espírito culto. por Marcos Antônio de Souza. Deste século encontramos uma Descrição Geográfica de Sergipe. Infelizmente só estuda a parte geográfica.quando escreveu seu livro. que na obra revela-se espírito muito descritivo e minucioso.Pela barra do rio Real entravam dez embarcações. O mesmo man.

poderes rivaes e reluctantese. carregava exclusivamente sobre os escravos. em fim transferida continuamente de uma para outra capital. prendiam na questão abrasadora dos índios. as câmaras e os magistrados ociosos. inúteis para a fiscalisação e o equilíbrio. opressivas. com tradictorias. as guerras estrangeiras. ora o captiveiro. a imolação ora lenta e gradual.CAPÍTULO IV SERGIPE E A REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA EM 1817 Vimos no capítulo anterior o estado a que chegara a capitania no começo do século. eis ahi. da energia e do furror à prostação e à ignovia. nem em seus funcionários. 169 . III. a residencia dos governadores. elles só honravam a ociosidade. ―Infactuados da sua nobreza. enchendo o tempo com maneiras intrigas políticas e particulares. e associando-se ao systema geral de opressão e tyrannia. alternativamente animados e illudidos em suas esperanças. envenenados demais a mais periodicamente. os accidantes ordinários dessa vida mesquinha e tormentosa. Lisboa. 171.ora instantânea e fulminante dessa raça infeliz. ―Leis confusas. os frades e ecclesiasticos em geral. 203 João F. cousa baixa e vil.os tumultos. e vasto laboratório de calumnias e diffamação. As forças civilizadoras parecem que se tornavam impotentes para corrigir o estado político. por uma da suas faces. . intelectual e moral daquela sociedade que com o andar dos tempos. o trabalho. e em direcção opposta à dos governadores. as garantias de seus direitos. e tão ávidos de riqueza como incapazes de grangeal-as pelos meios lícitos e ordinários. continuava apresentar pontos de semelhança com os tempos passados. a não serem algumas raras festividades de carater religioso. a prepotência e a corrupção impeliam os governadores. é as revoltas. sem excepção dos principes e dignidade da igreja. elevado 203 pelas leis ao caracter de instituição regular e permanente. ―A maior destes. é fácil imaginar-se a que grau de exasperação não subiriam os seus ódios mesquinhos.‖ Estas palavras interpretam perfeitamente o estado social de Sergipe no fim do século XVII e começo do atual. Apont. falsos e viciosos. nas residências e devassas janeirinhas –campo aberto a todas as facções para se degladiarem. contendo algumas boas disposições parciaes. de resto impotentes para obviar a influência perniciosa dos pricípios geraes dominantes. Seus habitantes não encontravam na lei. extenuados de toda a casta de vexações. perpetua e monstruosa affirmação e negação dos mesmos principios favoneando ora a liberdade. as matanças. a sua anarchia intrínseca. e de outros muitos males. as guerras. bem que ordinariamente avessos entre si. Entregues às paixões dos dominadores. vendo-se. e quase bloqueados naquelles remotos e estreitos presídios. p. fomentando por todos os meios a sedicção e a discórdia e isolando na pratica os princípios de liberdade que no ardor das luctas pelo prodominio apregoavam a favor dos índios. singularmente alimentada na execução pelas infracções incessantes e permanentes a que a ignorância. medindo-se e encontrando-se a cada passo. e as leis. igualmente pungidos pelo orgulho e pela miséria. em vez de manterem a dignidade própria e os foros dos cidadãos. era apelar em vão. que nos propuzemos a esboçar. impellindo os cidadãos. as capitanias reunidas. porque apelar para os representantes da justiça.admiráveis e efficacissimos para os conflictos . poucos em numero. diz João Francisco Lisboa. incompletas. entretinham esta funesta preoccupação. À História do Maranhão. haviam de prestar-lhes obediência passiva. ―Privados além disso de toda e qualquer distração. em vez de integrar-se e oferecer uma feição próspera. e as espoliações.

e então a lei não é mais do que a vontade destes dois poderosos.a fim de assegurar seu desenvolvimento. Compreende-se perfeitamente que um meio social. por sua vez. desprezados pelos agentes do poder público. os habitantes de Sergipe fizeram causa comum com os habitantes de Penedo. os sargentosmores Bento José de Oliveira e Felipe de Faro Leitão. Profundamente adeptos à causa do rei. sem patriotismo. instauram processos. Ou sucumbia. poucos anos depois (1817). Um espírito independente e livre não podia viver nesse meio. entram nos centros populosos armados e acompanhados de sequazes. Não lhe foi difícil abafar a revolução. Bento de Oliveira e Felipe de Faro alcançam completa ascendência sobre o ouvidor. O Ministro da Justiça sanciona com sua aquiescência esses desmandos e. Pode-se prover. Figuravam como os dois homens de mais prestígio de então. em vista da dedicação realista dos 170 . nem adesão nos habitantes de Sergipe. pelo arrendamento das terras onde habitam. torna-se um terreno onde pudessem germinar os princípios de liberdade. Penetram nas cadeias e soltam os presos. Seus iniciadores e propagandistas não encontraram apoio. ou à insolência do protesto e da impugnação. procura ser o advogado das partes. a posição hostil ao movimento revolucionário. por crimes imaginários. Contra ele tivemos de ler uma representação. cujo móvel dominante era o capricho de um régulo. Faltava a ação eminentemente poderosa da instrução popular. O número de aulas públicas na capitania era pequeniníssimo e ainda menor o de aulas de ensino secundário. na reação que levantaram contra a vitória dos revolucionários republicanos. mandam incendiar-lhes as choupanas e derribar-lhes as plantações. sem cultura para compreenderem os grandes benefícios futuros de cedo ser instituído um regime eminentemente democrático. que viesse garantir os direitos do povo. O latim era a única língua que se ensinava. peitadas para dizerem o que lhes ensinam.como delegado da monarquia portuguesa. que vencia até os princípios da justiça. não poderia facilmente corrigir-se para.sua proliferação na América. ostentando assim perante as autoridades o prestígio das armas. Eis o que faziam Bento de Melo e Felipe de Faro. sendo eles mesmos os encarregados de fazer o interrogatório das testemunhas. de instrumentos de vingança. em vista do atraso mental e moral da capitania. prendem aqueles que não se prestam a tão vil papel. do capricho pessoal.Não passavam de instrumentos desses mesmos dominadores. e como resposta a qualquer protesto contra uma tal extorsão. nutridos das idéias de uma falsa aristocracia de família. levantados pelos revolucionários de Pernambuco. em que vem descrito o modo irregular por que era administrada a justiça. E vem aqui ao caso falarmos da administração judiciária do Doutor José Antônio Alvarenga Barros Freire. obrigam os lavradores a pagarem-lhes altas porcentagens. O procedimento de Alvarenga era mais ou menos imitado pelos juízes ordinários da capitania. completamente descurada pelas administrações. prestando obediência ao regime do arbítrio. assassinos. a cujas vontades estavam entregues os destinos daquela população e os direitos daqueles cidadãos. Por meio deles o conde dos Arcos pôs em prática seus planos realistas. em 1895. Sem instrução. que lhes podem prestar os ínfimos serviços. Em Vila-Nova levantaram a reação.

Antes. Então uma idéia de resistência manifesta-se e organiza-se o partido realista. Esqueciam que. e os membros do Conselho. Os insurgentes espalham a notícia de que a Bahia aderia ao movimento. prestando o concurso de sua coragem aos planos do conde dos Arcos. 204 Francisco Guilherme da Rocha escrivão da camara e tabelião do público judicial e notas. para sufocar a revolução. justificadas pela pobreza em que viviam. Retiram as bandeiras reais e as armas das barretinas e talabartes. sendo entretanto. capitão Manoel José de Sant‘Ana. que deviam ser celebradas no dia 20 de março. Esqueciam que. contra as perseguições que sofriam da pseudo nobreza. outras. sendo os governos completamente indiferentes às suas necessidades e até mesmo as reclamações que dirigiam ao poder competente. espalhando ordens de obediência pelas localidades. que criavam embaraços ao trabalho agrícola. No dia 28 espalha-se a notícia de que a Bahia não aderia e que já vinham tropas em direção de Vila-Nova. que não quiseram acompanhar a causa dos seus irmãos. toda esperança de auxílio desaparece e fica Penedo em obediência ao governo revolucionário.que as forças do conde dos Arcos chegassem a Vila-Nova e a Penedo.seus habitantes já preparavam-se para reação. depois de mais de dois séculos de colonização. outras. José Gregório da Cruz. comandante do regimento dos pardos da comarca. pela vitória da justiça sobre as paixões pessoais. que tudo espoliava. em vista de ordens de recrutamento. Antônio da Silva. esqueciam que viviam dominados por um regímem de arbítrio e prepotência. sargento-mor. e contra o peso dos impostos de que se achavam sobrecarregados. E nessa adesão que os sergipanos prestaram à causa monárquica. e sem forças suficientes para oporem a resistência. vivessem com viviam nas trevas da ignorância. no dia 31. Esqueciam tudo isto e prestavam adesão a esse regímem que não era sensível às suas necessidades. quando a quinze do mesmo mês espalhou-se na vila a notícia de uma revolta em Pernambuco. que se prestavam aos caprichos dos dominadores. mandam a Vila-Nova um emissário. e a administração nas mãos de Bento Pereira. ainda vissem a justiça nas mãos de Alvarengas e seus sucessores. capitão-mor. A 25 do mesmo mês chegam à vila essas mesmas ordens. tomados de susto e surpresa. acossados. pelo abandono das lavouras. o missionário Francisco José Correia. Esqueciam que seus direitos não eram garantidos pelas autoridades. escrivão do crime e 171 . perante um concurso de duas mil pessoas. porém. Esqueciam que suas reclamações contra esses impostos não eram atendidas pelo soberano. ou não podia corrigir. a que obedecem seus habitantes. Por conseguinte. à frente do qual colocam-se o coronel Inácio Francisco da Fonseca Calassa Galvão. pelas epidemias. umas vezes. pelas secas. Os habitantes de Penedo ainda choravam a perda de Dona Maria I. Resolvidos a resistência. da organização de governo provisório. em favor de um regímen que se caracterizasse pelo respeito à lei. Historiemos os fatos. e preparavam-se para as exéquias. da prisão de seu governador e que em viagem para o sul achava-se o padre José Inácio Roma emissário daquele governo. que o governo não queria. aclamam. e cônscios do concurso que lhes prometeram suas autoridades204. pela moralidade na administração. aniversário de sua morte.sergipanos e alagoanos. comandante do corpo de milícias. depois de tanto tempo de uma evolução civilizadora.

Antonio Real de El-Rei do rio S. sagrada pessoa do nosso Felicissimo rei o Senhor D. M.. e declaram guerra aos rebeldes de Pernambuco. G. o sargento commandante do destacamento Francisco Manuel da Rocha. assim chamado da praça de Pernambuco. M. levantando bandeira real. Francisco e seu termo. visto que o corpo militar da mesma villa se havia levantado uma sedição por commamdo do governo provisório. José Gregrorio da Cruz.. vamos rogar-lhe que quanto estiver de sua parte e quanto seu poder lhe permitir faça por conservar nessa villa a tropa militar o socorro preciso que nos possa auxiliar em qualquer ataque que nos vejamos. fazendo receber os presos todos que despoticamente por fórma da mesma rebellião soltaram da cadeia da mesma villa de Penedo e assim satisfeito. tenente.de que usam.. por parte não só dos povos da villa de Penedo. sargento commandante do piquete de cavallaria paga destacada em Villa Nova. temeram serem elles os únicos que tomassem o partido da fidelidade devida ao nosso soberano. Auto da Villa do Penedo enviado a Villa Nova. as publicas demonstrações da nossa fidelidade ao nosso Augusto Soberano o Senhor D. nos passos do Conselho della.vitoriosa a causa do rei. M. a fidelidade que se deve guardar ao nosso soberano dizendo o seguinte: que os povos da Villa do Penedo e seus chefes respectivos atemorizados com os decretos do Governo Provisorio assim chamado o governo de Pernambuco lhe certificaram que esta capitania se dava também mutuamente as mãos. Ignacio Francisco da Fonseca Calassa Galvão.a quem por direito tocam. M.. João Sexto que D. cujo enviadoo reverendo Francisco José Correia missionário apostólico. a V. por bem do serviço de S. o capitão Bento de Mello Pereira. –Do auto publico que a V. vereadores Silvestre Antonio de Souza.. João Sexto e promettemos todo o auxílio fazendo os povos da villa de Penedo e seu termo uma publica aclamação. João Sexto dignando-lhe toda a subordinação devida como fiéis vassalhos que eram. o alferes Félix da Conceição Barreto. alfares Antonio Ferreira de Mello e o terceiro vereador Caetano Gonsalves Freire e o procurador Vicente Augusto da Fonseca. Ignacio Francisco da Fonseca Calassa Galvão.. onde foram juntos o juiz ordinário presidente Luiz Ferreira Leite. por Sua Alteza Real que D. contra o nosso Serenissimo rei dos três reinos unidos o senhor D. dos pardos da comarca. 172 . visto declararem-se fieis e obedientes ao nosso soberano rei de Portugal o Senhor D. cível e mais impostos régios nesta Villa Nova de Sto. como também por parte do coronel do regimento de milícias da mesma villa. capitão commandante inerino do Regi. fazendo convocar a mesma camara da fórma que já dito fica. Deus G. Villa do Penedo casa da camara em conselho de 31de Março de 1817. com assistência do capitão-mor das ordenanças desta villa Antonio José da Silva e capitão Manuel Ferreira Martins. sobre. F: Ficamos tratando dos officios que sobre esta importante matéria devemos dirigir ao Ilustrissimo e Exmo. Senhor Francisco Manoel da Rocha. Senhor Conde Governador capitão general da Bahia e o ilustríssimo senhor governador da cidade de Sergipe d’El-Rei e amanhã serão apresentados a vossas mercês os sobreditos officios. para que recebido o competente passaporte possa seguir livre o condutor delles. porem agora que estão persuadidos terem todo o auxilio dos fiéis vassallos desta capitania da Bahia contra a rebelião de Pernambuco se declaram debaixo do mesmo juramento de fidelidade devida. coronel. o capitão Antonio Manuel de Britto. motivo porque esta Villa Nova e seu termos se puzeram em armas. a quem juram fidelidade.. João Sexto e por temermos ser combatidos pelos nossos inimigos revolucionários por termos hoje declarado guerra contra elles por parte de nosso soberano.. Nada mais houve que propor sobre o que passou-se o presente auto em que todos assignaram.do quanto executarem forão em auto publico para ser representado ao mesmo senhor General da Bahia. para o efeito de se receber em auto da mesma camara o enviado o reverendo padre Francisco José Correia. José Ignacio Ribeiro. Que olhando para a mesma religião. José Ignacio Francisco da Fonseca Calassa Galvão. pelo qual motivo se sujeitaram os mesmos povos desta villa e todo seu districto a sacrificarem suas vidas e fazendas. assim o esperamos de V. fazendo causa commun na mesma rebelião . coronel. seu tenente coronel José Gomes Ribeiro e toda a mais officialidade afim de que convém paz entre uma e outra villa. dera principio a uma discreta e sabia persuação..coronel. firmes e valorosos para combater tão honroso attentado. Manuel José de Santa Anna. Cetifico aos senhores que a presente certidão virem que por mandado da camara desta Villa Nova extrahi a presente certidão do livro de vereações que presentemente serve com o theor seguinte: Aos trinta dias do mez de Março de 1817 nesta Villa Nova. restituindo as armas das barretinas militares ao seu antigo estado. ha de apresentar nosso enviado o fiel vassallo o reverendo padre Francisco José Correia verá V.sargento mór. capitão-mor. Antonio da Silva. para o estado e para a tranqüilidade publica. Villa Nova 30 de Março de 1817.M. fazendo calcar aos pés. por muitos annos a quem perante as pessoas já aqui nomeadas esperam seu auxílio como seu socorro na presente crítica circumstancia em que se vém a vista do que responderam e aceitaram de commun accordo já nesta declarados.. fazendo-lhes ver por meio da rasão e da justiça que era necessário disterrar as trevas da cegueira ignorância em que estão aquella e esta villa. G.

que sem risco algum se podem nella conservar a ainda embarcação de alto bordo. o clero. Sr. condicção de pátria ou nação que forem contra o nosso soberano rei e lhe protestamos nossa fidelidade sempre interrupta. chefes militares e todos os mais fieis vassallos dessa capitania. munições e seu competente chefe. Antônio Luiz da Fonseca Machado205 e ao conde dos Arcos. na certeza de que a terra é pobríssima e precisa acudir com o dinheiro necessário para se pagarem os soldos. e tudo consta do auto publico que fizemos na mesma occasião. devidas ao augusto rei. além de medidas que tomaram. Correo a voz popular de que toda a America portugueza se tinha dado as mãos em commum rebellião contra a sagrada pessoa do nosso augusto soberano. S. Antonio da Silva Lemos. Ex. S. General da Bahia. E supposto que algumas das companhias della estejam muito appartadas quasi por toda comarca das Alagoas. quaes eram seus sentimentos de fidelidade e das pessoas da governança. João 6º. o coronel Galvão. que pela copia junta verá V. Declaramos guerra a todos os rebeldes e conjurados contra a sagrada pessoa do nosso augusto soberano. Representamos a V.. Ex. José Gregorio da Cruz. S. Sr. D. a falta de pret que há nesta. e Exm. chefe das milícias dos homens brancos desta villa por si e da parte de todas as pessoas da governança enviou o Reverendo missionário apostólico Francisco José Correia para certificar as pessoas do governo de Villa Nova. Senhor D. clero e povos desta villa e com effeito no dia 31 do mesmo mez se declararam com maiores demonstrações de alegria os nossos continuos sentimentos de fidelidade ao nosso soberano Rei. José Gomes Ribeiro. f. Tememos todos a vista dos decretos e da infausta notícia e vendo as nossas poucas forças e o estado da capital se publicarem os ditos decretos para depois serem jogados aos pés. e bem dos seus fieis vassallos nos preste todo auxilio que julgar conveniente na presente circumstancia. a quem perante V. Ex. S. conservando sempre em nosso peito o amor. Illm. comtudo a vista da tropa de linha que V. temos declarado guerra contra todosos rebeldes de qualquer estado. Senhor rei D. que é fraquíssima pela falta de armas competentes. mandando-nos para a barra deste rio com uma embarcação com pessoas para defenderem as do commercio desta terra. Devemos apresentar a V. o senado com o povo. S. a necessidade que temos de um regimento com peças de artilharia. capitão mór . pedimos o pompto socorro da triste circumstancia em que nos vemos . a quem jamais deixaremos de ser fieis. nos persuadimos com muito fundamento que com uma simples proposição feita ao povo sem effusão de sangue resultará o feliz effeito que espermos. obediência e amor ao nosso rei. tenente-coronel. Nesta mesma occasião vae outro officio para o Illm. Nós vamos tomar as medidas para reunir no nosso partido o resto da comarca das Alagoas e para isto é preciso que V. João 6º e ouvidos os seus fieis vassallos. S. do que tudo fazendo certo ao governo de Villa Nova. o Sr. João 6º e esperando occasião opportuna que pudessemos com vantagem ao soberano e dos seus povos declarar os nossos sentimentos. fidelidade e obediência. Antonio Luiz da Fonseca M achado. Illm. todo o auxílio como supplicamos. Penedo. dará as providencias. Ex. –Eu e os mais chefes das corporações militares. por ser aonde mais promptamente podíamos certificar os nossos sentimentos de fidelidade e logo pedimos se conservasse na mesma villa um reforço militar para nos auxiliar contra os rebelados quando vieram sobre nós. com a chegada de seus decretos. sargento-mór. Ex.Comunicam sua resolução ao governador de Sergipe. porque agora conhecemos perfeitamente que temos a nosso favor V. 1 de abril de 1817. a vista do que vamos rogar a V.Ignacio Francisco da Fonseca Callaça Galvão. tememos o estrago deshumano que farão os hespanhóes americanos. Deus Guarde a V. coronel governador da cidade de Sergipe d’El-Rei. 205 Ilustrissimo Senhor Governador. sob o que V.seus governadores . apenas tivemos certesa que a capital da Bahia e suas comarcas eram fieis a obediência do nosso soberano rei o senhor D. Ex. João Sexto. e Exm.. Ainda se conservam nesta villa alguns dinheiros pertencentes a corda e poderiam ser mais se não tivesse ido a pouco tempo para a capital o que havia e com este pouco se vão sustentando os que estão no actual serviço. e vendo as nossas poucas forças publicamos os ditos decretos do denominado governo provisorio dos rebelados para os pegar após logo que o podessemos fazer com vantagem do soberano e de seus fieis vassallos. –Nós abaixo assignados fazemos certo a V. não só para o 173 . então sem mais temer immediatamente aos vinte nove de Março deste corrente anno. João Sexto. os commerciantes desta villa e seu termo. Miguel Velloso da Silveira Nobrega.. do que consta e esperamos da integérrima fidelidade de V. coronel. M. que aterrados nossos districtos de uma revoltosa conspiração feita em Pernambuco e pelas noticias populares que toda artilharia portugueza tinha as mãos dadas na mesma rebelião. sargento mor. por serviço de S. mande dous brigues armados de guerra para a barra de Jaraguá. mandar não será difficil reunirmo-nos e então contamos com feliz sucesso. Ex. o qual deve estar nesta villa de Penedo para se unir com a nossa tropa miliciana. fomos atacados com terríveis ameaças de um entruso governo revolucionário na capital de Pernambuco. nosso Senhor D. abrimos os nossos corações e publicamente com as demonstrações da maior alegria declaramos os nossos sentimentos de fidelidade.

mandar.. 1 de abril de 1817. e patrulhas dos mesmos corrião de noite esta Villa. huma prova de que elles não obravão por zelo do serviço Real He mostrar-se que achando-se esta Villa já escudada com as Reaes bandeiras desde trinta e hum de Março e fazendo-se-lhes o aviso disto mesmo com o próprio documento e conhecendo que os seus povos não erão capazes de oppor-se ás ordens do Governo de Sua Magestade..F. prourador. Ex.C. e vindo até as margens daquem do Rio roubar. Essas hostilidades não tinham justificativa.N. prendendo as gentes forras e as –cativas que dizião que ião tratar. nas quais continuaram. e nem ainda mesmo aquelles que os perseguião com o titulo devassador. José Leandro dos Santos. como se vê no dito documento. Antonio José da Silva. Simplicio Nery. fieis.R. tenente-coronel. um córso formidável pelo Rio aprezando as sumacas desta villa vindas da Bahia saqueando e destruindo as canôas dos Povos que navegarão pello meio do Rio com negocio e mantimento. porque sendo por elles inteirado. Vila-Nova não fez mais do que prestar-lhe auxílio. juiz ordinário. mesmo depois que Calassa Galvão e seus companheiros organizaram o partido da resistência. não mostravam senão suas indisposições pessoais contra os penedenses. até restituir-se à capitania todo o seu legitimo domínio. Francisco Manoel da Rocha. 174 . e mesmo testemunhas oculares da nossa fidelidade. que nesse proceder.e aprezar de dia e de noite as mesmas canôas. Sr. antes tudo soffrião por obdiencia as Leis de Sua Magestade. aos quaes do Penedo dse não fez a menor rezistencia. J. muito mais do que os próprios habitantes de Vila-Nova. E transcrevamos aqui um trecho de um manuscrito inédito.procurando a adesão das câmaras da comarca à resistência que levantaram. vereador. F. vigário do Penedo. Deus Guarde a V. capitão commandante. abriram-lhes hostilidades. sabendo-o o Juiz Ordinario afim de que não dessem alguma sinistra interpretação à mesma curiozidade. que he o que nos devia somente entereçar por estarmos já no caso de olhar já para a causa do Soberano. e bem conhecião que ella estava em paz. vierão como forão vistos de muitos desta villa. e em menos de duas oras ellas forão repostas nas mesmas esquinas. Ex. juiz ordinário. Outra prova da verdade do dito antecedente he o documento de numero vinte e coatro. Illm. atirando com pólvora e balla aos miseráveis que fugião a escapar-se a taes bravos ataques. e tirando huns por curiosidade para copiar algumas dellas. Antonio Moreira Lemos. convocou a camara e deo a providencia constante do documento do numero vinte e três. sobre os acontecimentos em Alagoas206.G. Vejamos como procediam os habitantes de Vila-Nova. logo que amanheceu o dia oito.G. Era debalde que os penedenses pediam ao governador de Sergipe e ao conde dos Arcos providências contra as perseguições que sofriam de Vila-Nova e do sargento comandante do piquete de cavalaria aí destacado. que não obravão daquelle modo por zelo do Serviço de Sua Magestade. Man. M. Antonio José da Silva Lamego. nos Passos do Conselho. como também para os officiaes milicianos que comem soldo nesta villa. Conde dos Arcos. por isso que elles vinhão aqui todas as vezes que querião armados.. vereador. Villa do Penedo. pois em vez de nos prestarem os auxílios requiridos para a salvação publica. pregar nas esquinas della as primeiras proclamações impressas do Excellentissimo Conde General da Bahia de data de vinte e hum de Março: as quaes sendo vistas pelo povo. Sant’Anna.S. Desde que souberam da obediência que os penedenses tinham prestado à revolução.coronel. Exm. I. Realmente o partido realista organizou-se em Penedo. no qual se lê a carta de data de oito de Abrilque dirigioo capitão de cavallaria Paga da Bahia Jozé Felis Machado ao Sargento Mór das ordenanças desta Villa Antonio da Silva Lemos para fazer regimento que V. Inédito de 50 folhas. e de devermos fazer todos uma só e a mesma família para defender a mesma Real causa. Manoel Prudente de Barros Leite. continuavão cada vez mais com ella digo com as referidas hostilidades. 206 Carta que escreveu o Senado da Câmara de Penedo à sua Magestade sobre o que se praticou na Revolução Pernambucana. elles na noite do dia sete de Aril. Reprezentarão mais ao mesmo Excellentissimo Conde que davão a conhecer os Povos daquella Villa. referente ao procedimento dos habitantes de VilaNova: ―No dia coatro dirigirão ao Excellentissimo Conde General da Bahia o officio no qual representarão as hostilidades terríveis que soffriam de Villa-Nova.V. desde quando eles já defendiam a causa do rei.

apresentaram-se as autoridades militares de Villa-Nova e deram ordem de prisão ao coronel Calassa Galvão. a fim de lançarem um protesto e tomarem medidas contra um tal estado de coisas. o padre Correa. o despeito. e finalmente só tínhamos a noticia dada por alguns daquella villa. e que 175 . como tudo se lê no mesmo documento‖. Ainda mais: logo que contaram com o auxílio das forças de Sergipe. porque inconstestavelmente a adesão prestada pelos penedenses à revolução. José Félix Machado. que já tinha solicitado do governador de alagoas permissão para fazê-la. que presos. E tanto assim é que. que entretanto. revolucionários. do terror. ―Desesperada com tantas oppressões a camara se ajunta no dia treze e accordam em mandar ao Excellentissimo Conde General da Bahia em que lhe participava as tristes circunstancias em que se vião estes povos sem dar ao Ajudante de ordenanças Antonio Fernandes dos Santos. levando seus mais preciosos haveres. que lhes foram pedidas pelo emissário que mandaram a Vila-Nova. Dirigiu-se a diligência o capitão de ordenanças Bento de Melo Pereira. Calassa Galvão já promovia a reação. de que toda a hora vinhão saquear esta o que deu motivo a entrarem a dezertar della varias familias. e o homem João Gacheiro setenta mil réis para o irem entregar por via de mar visto que de terra não eram favorecidos. Os maiores desatinos foram cometidos e a população teve de procurar os campos. José Félix Machado. lembrando nella que seria muito a favor desta mesma Villa hum. e fazem propalar que estavam dispostos a prender e até a matar impunemente os chefes da guarnição de Penedo. foram presos pela realistas de Vila-Nova e enviados para a Bahia. o mais perto que pudesse ser de Pernambuco. foi o efeito do medo. cujos habitantes convocam a câmara. foram conduzidos para VillaNova e depois para a Bahia. continuavão os saques e as prisões dos que tranzitavão pelo Rio. Ela reúne-se no dia 16 de abril. Esse estado de coisas continuaria. e mal acabavam seus membros de assinar a ata. prendem o ajudante do regimento dos Homens Pardos. este foi preso.Nós abaixo assinados. o capitão de cavalaria da Legião de Honra da Bahia. Eles não se inspiravam na defesa da causa do rei. Manoel Luiz das Chagas. capitão de ordenanças de Vila-Nova. Diz ainda o manuscrito: ―Mandando pois a camara a Villa-Nova entregar o referido officio de numero vinte e sete ao mencionado capitão de cavallaria Paga pelo referido Alferes Manoel José Gomes. da pressão. isto é. o marechal Joaquim de Mello Leite Cogominho Lacerda.pregar as proclamações que com ella enviou. as prevenções anteriores. promovesse as perseguições contra os chefes da reação. faziam com que Bento de Melo Pereira. de Villa -Nova nada se nos respondia. a fim de não ser alvo do saque e da rapinagem. Entretanto . chegou a Vila-Nova. ao capitão-mor José Gregório da Cruz. eram considerados patriotas. Anacleto do Rosário.‖ Além disto os emissários de Vila-Nova aprisionam um barco que vinha carregado de farinha de Cururipe para Penedo. enviado para Sergipe de El-Rey. auxiliado pelo seu ajudante Miguel dos Anjos Souto Maior e o alferes do regimento dos Henrique. Precedeu-a uma portaria do comandante da infantaria destacada em Villa-Nova. no dia 18 de abril.. ao sargento-mor Miguel Veloso da Silva Nóbrega. quando o primeiro emissário do Conde dos Arcos. que por ordem do conde dos Arcos ia a Pernambuco bater os revoltosos..do Clero e Povo pedindo um commandante de tropas à vontade do Excellentissimo Conde General da Bahia. Penedo foi declarado em sítio. nos dias de março. pedindo auxílios às forças de Vila-Nova. se não chega a Vila-Nova. As intrigas. Suspendem-se então as perseguições que os habitantes de Vila-Nova infligiam aos de Penedo. quando já tinham posto em prática todas as medidas para oporem-se à vitória da revolução.

Estas forças combateram no engenho Guerra contra as tropas dos patriotas pernambucanos. a qual encorrentando-os os presos á Bahia. como pedir-lhes auxílio. Da Revol. Tavares. “Tendo os penedenses arvorado a bandeira real. suas paixões e seus ódios. 208 Achamos muito judiciosas as seguintes palavras do Dr. coronei e sargento-mor do Regimento dos Brancos reputados os principaes cabeças da revolta.207 Passa-se Cogominho a Penedo. onde aquella de Penedo é situada. E era isto mesmo o que eles pediam. p. Podemos. por intermédio da deputação. que diziam estar próximo a chegar . foi presa. Cristóvão e depois para a Bahia. enviaram uma deputação a Bahia. 100 homens. Os Mártires Pernambucanos. Pois bem. para que exigissem com garantia a prisão immediata do capitão mor. no intuito não só de comunicar ao vice-rei a posição que já tinham assumido. criando dois batalhões de voluntários – o dos brancos e o dos pardos. 500 homens. Nosso fim é mostrar o papel de Sergipe perante a revolução de 1817. o capitão de milícias Francisco de Souza Machado e o capitão de ordenanças Francisco Moreira da Silva Lemos. protestando fidelidade ao monarcha. A ida da deputação antecedeu à chegada de José Félix em Vila-Nova. 207 De Sergipe marcharam as seguintes forças: cavalaria miliciana de Sergipe. em sua Hist. os habitantes de villa Nova começaram a aprehender e roubar todas as canoas da sua rival. 100 homens. foi a causa principal da contra revolução. E aí fica ele descrito. p. concluir que o estímulo dos chefes legalistas de Vila-Nova não era defender simplesmente as instituições. como patriotas e revolucionários. milícias de Sto. 59.. e aquella mesma Camara curvou o cóllo. não tardaram receber justo prêmio: a villa rival muito mais ufana enviou dous dos seus officiaes.registraram em documento sua adesão à causa do soberano.208 Não nos compete acompanhar as lutas. 176 . e ameaçando de extermínio legal com a força. nas medidas que punham em prática. Informados da marcha dos soldados da Bahia. fazendo parte das forças realistas. Eles satisfaziam. onde organiza as forças militares. satisfaz a arrogante exigencia e remetteo-os presosa a sua rival. cavalaria miliciana de Sto. A antiga rivalidade desta villa com outra denominada villa Nova. cujos membros eram: o missionário Francisco José Correa. enviada para S. o qual comandava as forças que vinham bater os revolucionários. Amaro. ao passar ela em Vila-Nova. Francisco.182: “ A villa de Penedo foi a primeira a abaixar-se. que jaz sobre a margem opposta do rio S. Amaro. pois.coronel José Gomes Ribeiro e o coronel Francisco Manoel Martins Ramos partem para Pernambuco.que sob o comando do tenente.

privando-se a nova capitania da emancipação que o soberano lhe concedia. a quem tinha jurado preito a homenagem. este decreto tornou-se uma letra morta. no inicio de sua administração. CAPITANIA INTERVENÇÃO DA BAHIA. Por elas sente-se a integridade de caráter do ilustre governador. que lhes quis dar uma prova de reconhecimento. e pela pressão da força.CAPÍTULO V SERGIPE. Foi despachado primeiro governador de Sergipe o Brigadeiro Carlos Marcos Bulamarque. prestando importante contingente a vitória do partido realista. Escrevo no Palacio do Rio d Janeiro em oito de julho de mil oitocentos e vinte. Rey. Realmente. O que Me pareceu participarvos para que assim o tenhais entendido. e uma nova vida administrativa e econômica ia prender a atividade de seus filhos. por uma parte. angariou a simpatia do soberano. Convindo muito ao bom regimen deste Reino do Brazil. por ter também satisfeito ao outro dever de bom cidadão. contra os ilustres democratas que quiseram fundar o governo republicano. Entreguemos a Bulamarque descrever os acontecimentos que se operaram. que na Bahia já se achava aclamada e jurada. O procedimento que os habitantes de Sergipe e Alagoas e Rio Grande do Norte assumiram perante a revolução de 1817. Muito cedo. 209 Conde de Palma do Meu Conselho. Governador e Capitão General da Capitania da Bahia. Declarando-a independente totalmente para que os Governadores della a governem na fórma praticada nas mais capitanias independentes. Adiante mostraremos ao leitor que esse fato não justifica o atentado cometido. O decreto rompia de todo os laços de dependência em que Sergipe tinha vivido até então para com a Bahia. elevando estas comarcas à categoria de capitanias independentes. completamente independente do governo da Bahia. e a prosperidade a que Me proponho Eleva-lo. que a capitania de Sergipe d’El-Rei tenha hum Governo independente do dessa Capitania. Tomou posse em 20 de fevereiro de 1821. por Decreto de 8 de julho de 1820209 foi Sergipe elevada à categoria de capitania. JURAMENTO DA CONSTITUIÇÃO E ACLAMAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA. nomeado por carta régia de 24 de Outubro de 1820. Hei por bem por Decreto da data desta. Eis o que ele dizia: ― Por ter feito o meu dever de Vassallo fiel de sua Magestade. pelos serviços prestados. isentos da tutela em que tinham estado. podendo conceder sesmarias. como dantes era. procurando justificar-se esse arbítrio com o obstáculo que ofereceu então o seu governador ao juramento da constituição. levando seus governadores dirigem-se diretamente às secretarias do Estado. comunicando-se directamente com a secretarias de Estado competentes e podendo conceder sesmarias na fórma das Minhas Reaes Ordens. reduziu seu governo à sua dependência. izenta-la absolutamente da sugeição em que até agora tem estado desse Governo. pelos quais a Bahia levou o pânico a Sergipe. E da Bahia partiu esse atentado contra a autonomia administrativa da nova capitania. e pela outra. Amigo: “Eu El-Rei vos envio muito saudar como aquelle que amo. As palavras de Bulamarque não podem ser acoimadas de apaixonadas. 177 . porém.

cada hum pela parte. independente. no dia 11. Cheguei a Sergipe na tarde do dia 19 do mesmo mez. e mais Officiaes das Ordenanças. as Authoridades Ecclesiasticas. que. ou corrigida. homem de péssima conducta e caracter. 17 leguas da Bahia. 210 ―Fez-se de tudo hum termo . fiquei deslocado. e pozesse outra vez debaixo do seu jugo aquella Capitania. que tinha servido de latrina. assentão-se conservar-se firmes na sua fidelidade indelével. e na tarde do dia 9 escrevia Francisco de Paulo d`Oliveira. e todo mais o povo que poude entrar. que lhe pertence. o Senhor Ouvidor pela Lei. Não havia no sobredito dia 20. e muito menos a sua letra. e pela daquelles que lhes são subordinados dando-se parte immediantamente Sua Magetade de todo o acontecido para se esperar a Sua Ulterior Determinação: e para 178 . no forte do Mar da Bahia. e afastando a guerra civil. e certo. ― Tendo-se creado em 8 de Julho de 1820. que ninguém conhecia. desde o primeiro do dito mez de Janeiro em diante. assignadas por hum homem chamado José Caetano de Paiva. e irregularidade de taes participações. que eu tinha que tomar posse. tão desconhecidos nesta Capitania como o mesmo secretário. então Governador. Naquella epocha nem a Bahia nem Sergipe se oppoz. que diz ser secretario de huma junta. e derribado do logar para onde Sua Magestade me tinha nomeado.) Fiz-lhe ler os tais papeis. Luiz Antonio da Fonseca Machado. sem consultar primeiro a opinião. não esteve por nada disto. e despezas. ― Congregarão-se para isso em minha casa: a Camara. o Ouvidor pela lei. servindo-se até da força. ― He de notar.não compromettendo os povos. e se alguém em Sergipe o sabia não dizia. o que eu não quis fazer. qual he a vontade e determinação de Sua Magestade. os prelados das ordens. ( hoje membro do Governo) e lhe disia que hia dormir no Engenho Barbado e sendo a revoluçãono dia 10. mandar-me buscar ao caminho. o Procurador. que naquelle dia achavan-se em Sergipe tudo o que há de bom. e ás cortes. com uma força armada de três Armas e hum parque d`Artilheria. ― Todos se conspirarão contra tal repugnância. o que conseguião. Devendo ser mui mortificante á sua Magestade. depois da garantia pelos Chefes dos Corpos. ( trabalhei muito para que não o matassem. e Commandante dos Corpos foram presentes três cartas. Vigario Geral. os Chefes e Officiaes Superiores dos Corpos. ― Luiz Antonio de Fonceca Machado. para me poupar incomodo. e que me repellisse para fora da Capitania. e pela ootra a incurialidade. uma tratava do sucesso do dia 10 na Bahia. e legal. e que não devia ser emendada. que o Governo da Bahia escravisasse. ― A má locação e arranjo deste relatório. tendo pedido a ultima á mais de dez annos. a província de Sergipe d`El –rei. ou até quando a vontade geral de seus irmãos situados no Brazil e dêem a conhecer de um modo legal. até que saiba por modo authentico. distante da Bahia 5 leguas. ― Cheguei a Bahia para hir ao meu destino a 3 de Janeiro de 1821 e então o Conde de Palma. e eu fizemos um termo declaratório e relativo as rendas. o que não se effectuou por então não convir. ―No dia 20 de madrugada. evitando as desordens. preso e suplantado. por sua Magestade El-rei D. e nada eu sabia do que tinha se passado. única authoridade. e o Ajudante das Milicias Jose Joaquim Ferreira. separada. então havia. composta de nove membros. perseguido. outra em que ordenava o juramento geral. por Decreto de 8 de Julho do anno passado. pelo que tinha feito quando serviu ali) o qual se apresentou um a malla que se abriu. e tomando em consideração este congresso a muita fidelidade. o Senhor Juiz Ordinário Presidente da Camara desta Cidade. As authoridades acima nomeados affianção e protestão aoiar. para que estas ficassem pertecendo a Sergipe. e na ocasião em que lavrou o termo 210 No dia vinte do corrente mez de Fevereiro do anno de mil oitocentos e vinte e um: sendo presente o Senhor Governador Luiz Antonia da Fonseca Machado. ou representou contra a independencia. visto ter já ido por duas vias para as côrtes em Lisboa. ―Parti desta cidade a 5 de Fevereiro e a 9 do dito mez cheguei á Pitinga. e manter nesta Provincia no mesmo estado em que esteve até hoje. vindos da Bahia. por huma parte. e vontade geral. e taes procedimentos. e única a quem era indisputavel este direito. e outra em que me não desse posse. ― O mesmo Senhor houve por bem nomear-me Governador da dita província em 25 do mesmo mez da independência. e obrigou-me a tomar posse. e independente. João VI. e aos seus mandados. como tudo se verá pelo relatório abaixo excripto substanciado com documentos. Prelados das religiões. vinda da Bahia. e assignadas por José Caetano de Paiva. pois eu estava em Santa Anna. e recomendável na capitania. e separada da Bahia. que a Bahia lá lhe levou. podia. a real Junta da Fazenda. Capitães Móraes. garantir e manter tudo quanto neste termo vai declarado. e nella vinhão taes cartas dirigidas ao sobredito Luiz Antonio da Fonseca Machado. relatei-lheo estado das cousas e repugnância. que tem a El-Rei Nosso Sennhor. e me obrigarão que tomasse posse e eu aceitei. é dividido ao estado por atribuição que devia rasultar de estar mettido em uma masmorra. aparecerão em minha casa.

Domingos Dias Coelho Mello. não se seguindo prejuízo na pequena demora. com d’antes e a navegação continua. tantos officiaes. e o chefe da Legião de Milicias. O Juiz Ordinário Bento Antonio da Conceição e Mattos. para onde o remetto. Era Supra. Frei Luiz da Virgem Maria. Esta demora não vos causa incomodo. Simeão Telles de Menezes. o syndico da camara e fiscal da Real Fazenda. 211 Povos da Estancia e Villa de Santa Luzia que tendes tido até aqui por timbre a felicidade e regularidade. sargento mor commandante. Major. como particulares: pois todas eram abertas. tenente coronel. quena História se tem lido: acto. prior do Convento do Carmo. primeiro ajudante Francisco Sales de Thomaz. o vereador José Rodrigues Bastos. Post Scriptum. o Negociante. José Antonio Neves Horta. a que se opposerão 211 as ditas authoridades e não houve effeito algum. eu. o não querer eu. Sergipe de El-Rei e Cidade de S. tenente. hum fiscal. mais livre. He sabido de todos . Manoel Rolemberg de Azevedo. que para o futuro fará sempre honraaos Sergipanos: o podeis ler. Manoel Vicente de Carvalho Aranha. Está conforme o Secretário do Governo José Antonio Fernandes. o Procurador. hum Fiscal. Estância e Itaporanga. e ali assumidas). e ver nelle se assignou. ( não acontecendo assim com as minhas Cartas. alferes. e um Thesoureiro . mandando para os portos de Cotinguiba. quereis perder todo o conceito. José Alves Quaresma. estavão ainda na Côrte. tenente coronel commandante. que lhe marquei. capitão da primeira companhia de linha. na Camara dessa Villa. para tomar conta do que sahia. José da Motta Nunes. Prohibi-lhes que embargassem. para a junta da Real Fazenda. ou empedissem quem viesse ou fosse para a Bahia. o Ouvidor pela Lei. ― Os passaportes tanto por Mar como por terra forão sempre francos. por uma parte. o escrivão José Carlos Novaes Lins. e expontaneo. caso na Bahia lh‘o não tirassem. capitão Joaquim Francisco d’Albuquerque Lima Capitão. o vereador José Manoel Machado de Araujo. Antonio Luiz. que proclamassem a Constituição. Vós bem o sabeis vós o experimentaes. tenente secretário. coronel Guilherme José Nabuco de Araújo. José Agostinho da Silva Daltro. Cristovão – Luiz Antônio da Fonseca Machado. prendessem. Frei Jeronymo de São Pedro de Alcantara. que não há um só homem. Angelo Antonio Mendes. e o Senhor Tenente Coronel Manoel Rolemberg de Azevedo e Accioli. O Ouvidor interino José Ribeiro Navarro. que pgnam pelo que não entendem? Lembrai-vos. capitão mor. tenente. Bento Antonio da Conceição Mattos. e mandou também pôr em praça os Contratos Reaes: porem nada teve effeito porque só houve vinte e seis dias de Governo de facto.um soldado armado ou na fileira. o Lavrador. não foi preso ninguém por Opinião e quando no dia 4 de Março deste Anno. e a Policia dos distritos. Francisco Moreira de Sá Maramaqui. tenente. o socego publico. e receber do mesmo Senhor as suas Determinações e Ordens. ―Sucessivamente. brigadeiro governador. hum Escrivão. presidente em capítulo. e que por aquelle estado de cousas. deu motivo este sucesso ao Bando . Fiz sahir todas as embarcações que estavão carregadas e que continuasse o Comércio como até ali. que querem o que não sabem. acentão por unânime parecer este Congresso. que de graça esteja fora da sua casa empreado em serviço. na Estancia convidarão a camara. coronel José de Barros Pimentel. que deve haver. e nunca me forão restituídas. e pela outra. para cada hum. se fez o acto. Carlos Valeriano Leitão Bandeira. João Antonio Dine. capitão da segunda companhia do corpo de linha. e até officiaes da Cortê forão interceptados no correio. sargento mor Comandante. o vereador Pedro Celestino de Souza Gama. o vigário. qua az as vezes de Procurador da Corôa. que no dia sempre memorável vinte do passado nesta cidade. nomeei uma inteiramente composto. Francisco Manoel da Rocha. como Presidente. Alexandre da Cruz Brandão. guardião do convento do Recife. e os que havia estavão em suas casas e pertenciam ao chefe ali presentes que me obrigarão a posse e a garantião. vigário geral. comportamento e seriedade nos vossos juízos. José do Carmo da Silva Ribeiro. que o tenente coronel Manoel Rolemberg de Azevedo Accioli fosse encarregado especialmente a Sua Magestade El-Rei Nosso Senhor o termo acima retro. não verião tão cedo. Frei Francisco de Sales e Souza. Esta Repartição mandou chamar os differentes recebedores. Hermenegildo José Telles. quando pelo contrário vós vedes a margem do Sul de Itapicurú. fazer disto assento. das 179 . entreguei aos sobreditos Chefes. e o Artista não são incommodados no seu tráfico. capitão. o que há de recomendável nesta província. e quiseram persuadilas. Ouvidor José Ribeiro Navarro: o Juiz ordinário. e obrigar ao carregador a assignar fiança ao Disimo. que mereceis. Sustentai pois o que naquelle dia se fez. ter só a responsabilidade da Real Fazenda e não havendo naquella época nenhuma repartição de Fazenda. Luiz Antonio Esteves. as Authoridades civis. onde se achava junto todo. para darem as contas. que se hia criar. e O Presidente da Camara esta assignou. por actos irregulares dictados por facciosos. e para evitar assignaturas progressivas: o Ouvidor pel Lei. três bêbados. ―E como os membros nomeados. até a chegada da embarcação que mandei ao Rio de Janeiro. Tendo toda a que vai o mesmo Senhor Luiz Antonio da Fonseca Machado. ou alguém empregado della. alastrada de desgraçados. ― No decurso do meu Governo. os portos estão abertos.

tende sofrimento. no seis de suas famílias. Sergipe d’El-Rei. que não tradão. demoraivos poi. com tudo espíritos ambiciosos. e providencias. que se levantassem antes de chegar a força: o que não teve effeito porque o povo não approvou. Deus guarde a Vossa Senhoria. mas por isto mostrão a sua imconsequência. auxiliada por quatro Companhias: duas da Cavallaria e duas da Infantaria ( todas de Milicias da Legião da Estancia) com um parque da artilharia marcharão no dia 14 sobre Sergipe. qua a Bahia tivesse vistas hostis sobre uma Capitania. as reoluções de Sua Magestade não podem nas circunstancias actuaes serem morosas. que queirão atacar seus irmãos. vossos interesses. 12 de Portugal. emotin. olhai quem vos rodeia. Guilherme José Nabuco de Araujo. Ilmo Sr. mas certificados.Carlos Cezar Burlamaqui. a espalhar Proclamações. e eu vos afianço. e depois de lhe extranhar a falta de delicadesa. entre a barra e a Povoação.entrando em huma povoação. ó Magistrados e preveni-vos. não faz dúvidas a ninguém. assim como hão de ser alimentados e se Vossa Senhoria achar embaraço. e desarmada. 13 de março de 1821. vossa honra. vierão tão devagar e tão assustados. esperai mais um pouco. A guerra que houve a Sustentar com os Holandezes e com os Francezes nos subminstrão factos. o Ajudante de Milicias Francisco Correia da Silva. escrevi aos chefes dos Corpos circular . só de dose léguas. aqui recebe-las e gasta-las. nos corações de vossos filhos. não ignora a este tempo os sucessos da Bahia. jurou a constituição. Missões e Arraiaes: vossos avós fizeram sempre huma grande figura na História.certeza que a força armada estava na Barra da Estancia. Todos devem vir armados e municiados. tem as suas famílias em orfandades.B. com tudo noticias certas que me tem que sendo poucas. Que conseqüências tão funestas senão poderão seguir de semelhantes insediações? Accautelai-vos ó povo bom mas ignorante. Esta província instalada. só como differença nas posições. por valor e lealdade aos vossos Legitimos soberanos. e que desembarcava. e a Cavalaria nas immediaçãoe com os corpos de Infantaria. conta vós é que se atirarão as setas envenenadas. onde estava hum Official. Superior independente Da qualidade Ordenanças que não tendo o que comer. e sendo a distancia. Deixai a Bahia e aprendamos della o que nos convem. e fomentam insurreições. Demorai-vos. e separa da Bahia em 8 de Julho do anno passado por Sua Magestade. e o apronptará para defesa . todo o Mundo se presuade estar munido de igual direito . e vossa fidelidade que prometestes aos órgãos de vossos superiores sustentar indelével até que Sua Magestade desse. e pôren-se no risco de ver verter sangue.Sergipe d’El-Rei. grandes povoações. a Sergipe. que amirão. e muitos gozos. o bom resultado. ellas nos serão anunciadas em pouco tempo. que se lhe há de pagar. e sordidamente da idéia. no dia 15. que por cumprir o dever. fazendo-lhe ver estas verdades. ― A força armada. Major Comandante da Legião de Santa Luzia . a que não tem direito algum de governo. e Estancia. mandado o Commandante da dita força. velai. mais foi tal o motim que promoverão na cidade. e fizesse saber-nos suas decisivas Ordens. e não sei a que. pois a Povoação das Laranjeiras. dados por Deus. 11 de março de 1821 Carlos Cezar Burlamaque . mandei publicar o Bando . dogo que sejamos atacados. Se se tal acontece infelizes habitantes! Sergipe 6 de narço de 1821 – Carlos Cezar Burlamaque. a huma Capitania quieta. como desembarcou 212 no dia 12 de Março. 180 . A vossa lavoura não tem sido interrompida. N. o vosso comércio esta no pé antigo. ficando a cidade entalada. com o que He seu. que não sendo tão violenta como aquela. e data se expedirão para tos os commandantes dos Corpos da Capitania. achamo-nos achamo-nos pois em uma crise. e como a despeza natural. que me obrigarão a manda-los chamar. ou dificuldade na execução desta . porque esta Capitania já mandou recebel-las e porque aquelle Augosto Senhor. que o está de fcto e de direito. participe-me imediatamente por escripto. visto aqui não o haver de Sua Magestade. e a persuadir gente da cidade. que lhe He sagrado não consentiu ainda entre si a opinião. ó proprietários. com tudo ameaça o vosso socego. (quando somos atacados sem ter dado motivos) inata a todoanimal. e em que número relativo a vós e conclui que quando si está em estado de convulção. torno a repetir. 212 Jamais me persuadi. José Vaz Lopes. nem embaraçada. tendo no mesmo dia feito jurar a gente da Estancia. Esperai. e toma regularmente parte nella. a falta de respeito . Toda a Infantaria. Parei dahi em diante com mais medidas. a memória grata dos feitos dos seus ascendentes. entre Ella. huma légua distante da Cidade: tendo quatro dias antes. Não vos amedronte a força. e a desgraçada e sempre terrível sublevação de Pernambuco fez reviver. que dizem esta na Estância e não lhe possível. a toda sociedade e a todo mundo Vossa Senhoria convocará o corpo que está debaixo de suas ordens. 213 Povos Sergipanos. que voga na Bahia. que para o futuro qui se hão de arrematar as Rendas. situados nas diferentes Villas. ― No dia 17 pela tarde veiu outra vez o tal Ajudante e o Tenente do Batalhão n. – De igual theor. e sabendo que já tinham 213 desembarcado. atição os que ca tem por delegados. e da Ordem Militar. que só no dia 17 chegarão ao Rio Comprido. os portos abertos e a estrada franca. que pela relações e paretescos se há de confundir com horror e natureza.

Capitão de Ordenanças. Escrivão de Crime .O Ouvidor Interino José Ribeiro Navarro – O Juiz Bento Antonio da Conceição Mattos. tocando nos muros. – Henrique Luiz de Araujo Maciel. Declaro que este termo foi feito nesta cidade de Sergipe d’El-Rei. – Antonio José Gonçalves de Figueiredo. etc. eu dto. ―Mandei entregar a chave da Secretaria ao Ouvidor pela lei. carregado de metralha. e de como assim o disse.e nada mais se continha no dito termo de protesto. e não querendo o dito Governador. com as testemunhas presentes. e Geral Forense. lhe confiou. e o Capitão Mor. o que effectuei no dia 25. e o Capitão Mor. que eu precisasse. Tenente Comandante do Destacamento. pôr em contingência a segurança dos povos. era inquietado com a requisição de que sahisse. e eu fechei as minhas portas. e não havendo. a dita Camara tomou entrega do sobredito Governo. respondeu-me que se lhe tinha prohibido o falar-me em Constituição. que as assignaturas do concerto supra são dos próprios escrivães nelle contendo. José Carlos Novaes Lins. que disião para a dita casa da Camara: ahi derão vivas: (porém elles sós) chamarão as Authoridades. e todas as authoridades. ―Perguntando ao Coronel Bento da França. E concertado por mim Escrivão Francisco de Paula Madoreira. que eu escrivão fielmente fiz passar a presente certidão. pedi alguns dias para me apromptar. ―No dia 18 ás 7 horas da manhã. Ouvidor Geral interino. – Cetific. Camara. que se acha escripto no livro. entrarão pela Cidade o Coronel Bento da França Pinto e Oliveira com a força armada. Vigario Geral das Vacantes. 214 Francisco de Palula Madureira. – Silvestre Gonçalves Barroso. e da força armada estar a porta. ut supra retro.Termo de protesto. e pelo outro da promessa de mais soldo. em que o sobredito Governador. a diser-me. e Correição. e o dito Coronel mandou então a minha casa. para que o dito Coronel me forneceria os meios. Juiz Ordinário mais velho desta Cidade. e Geral Seraphim Alves da Rocha. concedeu-se-me. José Ribeiro Navarro. que eu não fosse preso por modo algum. ao qual me reporto. que bigudiou a prisão. – O Procurador Francisco Moreira da Silva Marramaque. mas estes no outro dia sendo ameaçados de baixa e prenchadas por um lado. Ouvidor. – Luiz Antonio Esteves. – O Vigario Parochial. de fronte da casa da Camara com as baionetas. que revemdo o livro de Vereações. foi que o Tenente Vaz foi quem me conduziu á Bahia excoltando os Officiaes presos e o dito Ajudante de Milicias Francisco Correia da Silva. – e comigo Escrivão da Correição. e Civil. Capitão Mór das Ordenanças. – O Vereador Pedro Celestino de Souza Gama. – O Vereador José Manuel Machado de Araújo. Vigario. o que fizerão immediatamente e não querendo nenhum delles jurar. e que eu me devia recolher á Bahia. que conferi com outro Official abaixo. do Theor seguinte. Eu Francisco de Paula Madoreira. e o mesmo aconteceu aos inferiores. em casa de Presidencia do Governador desta Provincia. principalmente nesta cidade. cederão e jurarão.. o Major Rucel. Carlos Cesar Burlamaqui. a excepção se resistisse. e mandou a mesma fazer este termo. professo na ordem de christo estando present o corpo da camara desta cidade. e Juiz de India e Mina. que se lhe faz. ―Formarão em batalha. – José Vianna Glascock. & C. escrivão o declarei. vinda da Bahia. forão todos presos. 181 . que hei por justificado. mas todos os dias. Protestando. – Joaquim Inácio Ribeiro de Lima.Aos dezoito dias do mês de março de mil oitocentos e vinte e hum annos. que tendo em frente a força armada e evazoura da Bahia. Judicial. e as fiserão jurar. com força armada. que tendo ordem positiva para me não fallar em juramento nem a meus filhos. Magestade. que Deus Gruade. e Nottas. e os mais todos abaixo assignados: declarou o dito Governador. Vigario Collado da Freguesia do Socorro. no dia e era. José Carlos Novaes Lins. que presentemente serve nelle se acha o Termo de Protesto feito pelo Excelentíssimo Senhor Governador desta Capitania Carlos Cezar Burlamaqui em presença da Camara. e o das Vacantes. Eu Francisco de Paula Madoreira. Escrivão da Ouvidoria Geral.de Governador: os prendi á ordem de Sua Majestade e os mandei entragar ao chefe da força armada . que ordens havia a meu respeito. acompanhado pelo tenente Vaz e uma escolta da Cavallaria. Escrivão da Camara o subescrevi. Major. Collado. – Carlos Cesar Burlamarque. escrivão da Camara o escrevi. entreguei o 214 Governo interinamente no seio da Camara. por meio de uma gerra civil. e sua Comarca. com tudo. . Na tarde pois do dito dia 17 convoquei a Camara. nem devendo. que escrevi.O Vereador José Rodrigues Basto. – O Capitão José Ribeiro Navarro. e que recebeu da dita Camara. com quantos meios podem haver em Dierito contra a violência. e soltou ( o que mais graça teve. com se vê . ouvidor interino. Faço saber. e a Artilheria embocada ás ruas. e na mesma. odiosa e terrível ao coração de S. Sergipe d’ El-Rei 18 de março de 1821. Tabelião do Publico. que lhe forão confiados. e Camara nesta Cidade de São Christovão se Sergipe d’El-Rei. nenhuma força. Vigario Colado e Geral Forence e o das vacantes. morrões acesos e a Cavallaria com as pistolas na mão. a auxiliadora da Estancia e hum Parque de Artilheria. por Sua Magestade Fedelissima. assignarão. e em consequencia do estado das cousas. – Chistovão de Abreu de Carvalho Contreiras. com tudo os mais officiaes e inferiores deverião la hir. ao concerto. assignado. e a auxiliar da legião de Santa Luzia da Estancia. nesta Capitania. conduziu também preso o secretário).

pelo único motivo. Illustrissimos e Excellentissimos Senhores do Governo Provincial. he que me disse. os officiaes. os Oficiais. Nesta data. prende então os meus dous filhos. ficou em Sergipe um só . ou solução tinha. Magestade. com o fim de segurar a dependência e a escravidão das províncias e as suas rendas. e o de muitos. que estavam 215 Representa a Vossa Excellencias o abaixo assignado Governador se Sergipe d’ El-Rei. Santa Barbara e me disse que por ordem do Governo me condusia para o Forte do mar e que os Officiaes hião para S. e o segundo foi solto no dia 16 de abril. Na data de hontem tive a honga de participar a Vossa Excellencias. para eu entrar de tal modo fedorenta. quente. e com senitnelas à vista. todos prezos estávamos promptos. que se vai Organisar nas Cortes de Lisboa. No dia 13 do corrente fui eu. calor. ― Gastei 15 dias para chegar a Bahia e achei o lugar Congrurú ( distante da Bahia três léguas ) huma ordem para o Tenente Vaz que logo que ali chegasse se dirigisse comigo e mais Officiaes á Água de Meninos ou Quartel de Cavallaria e que ali recebia ordem. e o mesmo eu farei. pelo tamanho. mas já desde longe éramos Escoltados por Patrulhas de Cavallaria. dejejamos. e porque o Governo de hum cheira a tyrannia. Em conseqüência do que peço. eu e os meus ajudantes d’Ordens. o que se vê e ao Governo 217 Provinincial escrevi o que se devisa . Officiaes e Official interior. – Senhor Capitão Manuel José de Castro. e os meus Ajudantes d’Ordens. 217 Ilustrissimos e Excellentissimos Senhores.― No dia 21 foi instalado no governo da Provincia. transcripta no decreto junto. Deus Guarde Vossas Excelências. o Geral da Província e Paroco da cidade. Forte do Barbalho 12 de abril de 1821. Comandante do Corpo que se havia de criar em Sergipe. humida. a sua passagem franca para onde lhes convier. que tinha serviço de latrina. datado em 7 de Março do corrente anno. e Sargentos. Carlos Cesar Burlamarque. antes de vera força armada. escrevi 218 novamente ao mesmo Governo o que se vê . o representante. e os meus filhos soltos. os ditos presos. e vendo que nenhuma resposta. 218 Illustrissimos e excellentissimos Senhores. o Tenente José de Carmo Ribeiro. e na mesma occasião pedia a Vossas Excellencias a soltura 182 . e em reverencia ao Decreto de 7 de março deste anno. que sua Magestade o fez. ou casa. ambos estiverão no Aljube incommunicaveis. fez a prisão dos Vigarios. escripto aos mais Vigários. e que desentulhou aquella noite. e humidade. ―Entramos na cidade ás 8 horas da noite. Carlos Cezar Burlamarque. Pedro. de não terme querido jurar a Constituição. Bahia 10 de abril de 1821. sendo mui coherente tal nomeação. e quando estávamos dentro do porto. e Felicio Paes. ― Imediatamente que li o decreto de sua majestade de 7 de Março. e ao depois passarãopara Santa Thereza onde o primeiro se conserva preso. e requeiro a Vossas excellencias a soltura dos fitos officiaes. porque até jurou a Constituição. – Carlos Cesar Burlamarque. do seu interino Commando. ― Mandaram-me mudar para o Forte do Barbalho.Forte do Barbalho 12 de abril de 1821. ― No caminho chegou-se a mim o Capitão de Cavallaria. Pedro desta cidade. toda a gente da Cidade era despedida para lhe procurarem papeis. que há. ordenei ao Capitão Manoel José 216 de Castro. que tanto eu. que lhe é devida com o seu bem estar. Achando-se prezos no Forte de S. e Inferior. com os despropósitos. e elle por sua authoridade. a Liberdade. e pequena. que tendo sido lançado em uma masmorra horrível no Forte do Mar inhabitável. jurão a Constituição. por sermos sós no Governo. nos achamos pronptos. e que não havendo em o dito Forte nenhuma outra posição. que não se podia viver nella. pois que tendo sido derribado o conde de Palma e eu. os meus Ajudantes d’ Ordens. e irão havendo. o communicassem na Missa Conventual: o segundo ignora-se. que não era Constitucional. e hum Sargento. 216 Em conseqüência das Ordens de Sua Magestade. que não cheira mais Despota por que foi nomeado pelo Governo liberal da Bahia cheirava eu por ter sido por El-rei! ― Nos dias em que me demorei em Sergipe ao depois de ter entrado a força armada. Illustrissimos e Excellentissimos Senhores do Governo Provisional. que sua Magestade o fez. e a jurarmos a Cosntituição do mesmo modo. e o Vigário de Nossa Senhora do Socorro: o primeiro porque tinha explicado o Evangelho. que já até então havia. e ocasião participo ao Governo desta Província. ―Entre as violências e prepotências praticadas pelo Governo da Bahia. e exigo a sua soltura. Deus guarde a Vossa Senhoria. o que lhe participo. ― Atirarão comigo a huma masmorra. os Alferes João Maria Sampaio. isto mesmo. Agora pelo decreto de S. que acha bastantemente doente pede a Vossas Excellencias llhe remova a prisão para outra parte: onde se reunão à decência. ( ficando sujeito ao da Bahia ) o Brigadeiro reformado Pedro Vieira. e de mui bom coração a cumprir aquelle sobredito Decreto. o Capitão Manoel Jose de Castro. para sua Inteligência. que estava preso. Vossa Senhoria. e queríamos jurar a Constituição da mesma maneira. 215 ― Depois de quarenta e oito horas dirigi ao Governo o que se vê .

e na mesma data. a quem nunca se nos propôs tal juramento) e os oficiais estávamos prontos. EEx. com os outros oficiais. e oficial inferior. que tenha a bondade transmitir ao público esta nota. M. e salva guarda do meu dever. muitos anos. por não quererem então jurar a Constituição. apresento a Vossa Senhoria a nota abaixo transcrita. 222 Ilustríssimo Senhor. que me diz respeito resolvi-me a escrever ao Redator do semanário cívico. Ilustríssimos e Excelentíssimos Senhores. que o faça a inserirei. e eles como estávamos antes de tais pedidos. e até hoje estou. não tinha tido resposta. e fazer-me igual mercê em me transmitir uma resposta categórica. (Manoel de Castro. e instei terceira vez em data de 16. escrevi a José Caetano de Paiva Pereira. Peço. primeiro que a Censura estabelecida pela Excellentissima Junta do Governo desta Província a aprove. O abaixo assinado. e em execução das suas ordens. e mais Oficiais presos tomam a confiança de lembrar a Vossas Excelências as suas petições que foram presentes a VV. para lhe pedir a soltura dos oficiais. e separada desta. que até o dia 18 do corrente. e vendo que teimavão em não me 219 responder. e honra. e os seus oficiais para jurarem a Constituição. visto que naquela Província se achava independente. He necessário.de V. como preso. para ter a bondade de apresentar ao governo. repeti na data de 13 igual requisição. Mudarão.Fico entregue de huma representação de Vossa Senhoria para se inserir na Folha que redijo.‖ daquelles officiaes. – Apesar de alguma experiência ser havida pelos feitos transcritos na Gazeta desta Cidade. M. os seus Ajudantes d’Ordens.Joaquim José da Silva Maia. – Carlos Cezar Burlamarque. que só a viam legal. que a apoiam. ordenei em data de 10 do corrente ao Capitão Comandante Interino do dito Corpo. e mesmo aqui apoiada.no forte de S.. o 220 221 que se divisa e respondeu-me por escrito o que se vê estando eu bem certo que tal nota não se imprimia. e definitiva sobre os objetos seguintes: 183 . que aproveitava aquela ocasião. M. ajam de me dar por escrito ou mandar dar titulo para minha ulterior desforra.. e aberta a mandei botar na caixa dos requerimentos. e ocasião escrevi a Excelentíssima Junta Provisional. Nenhuma resposta. e para o Congresso da Nação. sobre as representações. Deus guarde a V. repliquei com a representação . 219 Ilustríssimos e Excelentíssimos Senhores do Governo Provisional. e no caso de negativa Vossas Excelências por sua bondade. e 12) e que por proteção da minha justiça. parecer-me. que sua Majestade tinha jurado. e li. logo que eu o vi. uma queixa contra Excelentíssimo Governo d’esta Província: queixa que não ofende. por legalíssima Autoridade. – Carlos César Burlamarque. e sancionada pelo Governo. nenhuma decisão tive. pois as cousas de face. o faço apelando para a lei. pois a Vossa Excelência em Nome das Cortes Gerais da Nação. – Forte do Barbalho 13 de abril de 1821. Barbalho 18 de Abril de 1821. Deus guarde a Vossas Excelências. mais tendo a Cidade por homenagem. o 222 que se devisa . Forte do Barbalho 16 de abril de 1821. que só se podia ter pela corte. e se me é possível exigi-lo. ou decisão. e eu no Forte do Mar. e franca passagem para onde lhes conviesse ir. por não me poderem tirar. que v. e inferiores. 221 Illustrissimo Senhor Carlos Cezar Burlamarque. 220 Senhor redator do Semanário Cívico. Pedro. Peço a V.Sua casa 19 de abril de 1821. m. . Nas datas de 12 e 13 do corrente. pela força armada. Fica as ordens de Vossa Senhoria quem tem a honra ser de Vossa Senhoria o mais attento venerador e Criado. 11. não terá duvida de transcrever na sua folha. que nomeiem pessoa idônea. valendo-me para mais força de a pedir em nome sagrado das Cortes invocadas em Lisboa. ―Como até ao dia 24 a nada se me tinha dado decisão. M. 12. e desejamos jurar a Constituição. – Tendo-se me fechado todas as portas por onde eu fizesse sair a minha justiça a luz do dia. R.E. prezo do Forte de S. que vão transcritas nas Notas (10. e despotismo em tudo.a que nada tive resposta. Os oficiais. não tendo anteriormente nenhum esclarecimento a este respeito. ― Vendo finalmente. ou decisão. logo. e que me convém por satisfação pública. considerados. – Carlos Cezar Burlamarque. foram todos presos. que aviam formar o Corpo de Linha de Sergipe d’El-Rei. a vista do Decreto de S. Majestade de 7 de março. que se puzesse pronto. com tudo como tenho visto nas atas das cortes em Lisboa a liberdade decente da Imprensa. e acrescentava. declarando-lhe: que eu e meus filhos . ou resolução tive. da mesma maneira. transtornados. – Seu venerador e criado. tendo-se me constantemente protestado todos os meios de saber a única coisa. para prestarmos o sobredito juramento. que me deixarão. naquela Cidade. Pedro e o secretário do governo que estava também preso no Forte do Mar. ou mentirosos.

decida do meu comportamento. em 18 dirigi ao Relator do Semanário Cívico uma nota. aprovados em Lisboa nos §§ 4º. que me deixão pelo artigo 6º. o abaixo assinado. R. e deu-se me depois a cidade por homenagem. Por falta de jurisdição. Vossa Senhoria por sua especial bondade apresentando este negócio também ao governo. infligindo de modo. e só foram os Oficiais. que reiteram a Vossas Excelências. de lhe ordenar. 223 Ilustríssimos e Excelentíssimos Senhores. Secretario de uma das Repartições do Governo Provisional da Bahia. nem devo considerar. nem fui contra a outra obrigação como português. para minha ulterior desforra. foi mudado para o Barbalho. são: que a linha do comportamento. não me posso. e compreendendo que o juramento da constituição portuguesa que a Bahia impôs a Sergipe não era mais do que um motivo para anular sua emancipação. que se acaba de jurar. tendo em vista os deveres. Ilustríssimo Sr.‖ Incontestavelmente César Burlamarque cumpriu seu dever.M. por falta de jurisdição. nem os meus oficiais. repugnando eu ao ultimo artigo do juramento. sem que se me declarasse culpa. e insultado os artigos Constitucionais. que a honra prescreva. a bordo do Correio. pela pequenhez da Embarcação. por falta de maneira. Deus guarde a Vossa Senhoria muitos annos. e a vista do Decreto de S. ao juramento de preito e homenagem. 13. e seus filhos. fomos prisioneiros de guerra. E. tive a mesma sorte. – Bahia. mais fiquei certo pela sua resposta. o que não teve effeito a meu respeito. dizendo-lhe. para o fazer ao Excelentíssimo Governo. Aproveito esta ocasião de reiterar para com a Vossa Senhoria a minha alta consideração. Em 12 do corrente. 184 . seja julgada na opinião publica. que a antecedente. e lugar para o dito juramento. ―No dia 8 fui solto. Reconhecendo do soberano a incumbência de administrar Sergipe. Seção primeira 8 de fevereiro em Cortes da cidade de Lisboa. conservando ainda o caráter de presos. pois tende sido metido em uma masmorra que servia de cloaca no forte do mar. que ponho de baixo da vista de Vossa Senhoria. pois não me opus com força. nenhuma resposta. e dos meus oficiais. Solto também me não posso considerar. – Carlos César Burlamarque. José Caetano de Paiva Pereira. e violência. pelo qual não fui perjuro á Sua Magestade. senão na extrema necessidade.―No dia primeiro de Maio. com mais cinco officiaes. recalcitrei em 16 por meio de um requerimento aberto metido na caixa deles. pois este Governo não tem nenhuma a meu respeito. cuja administração estava a si confiada. recebi ordem para embarcar. seja qual for a sua opinião. Que estou na maior duvida: qual é a minha situação – relativamente minha liberdade. o que se efetuou no dia 19. e desejávamos jurar a Constituição. ―No dia três de Junho embarquei a bordo do Correio. ou circunstância. á Constituição. – Carlos César Burlamarque. tendo decorrido trinta dias de prisão. que se está fazendo nas Cortês Congregadas em Lisboa. César Burlamarque opôs-se a esses planos. estima. Este é o primeiro objeto. A conciência clara de seu dever e a responsabilidade que pesava sobre seus ombros. e eu escrevi ao Excellentíssimo Governo na mesma data. com o transcripto dos três pedidos. e em 18 de Maio tive Ordem por escrito. ditaram-lhe um procedimento franco de oposição. para ir ao Governo jurar obediência á El-rei. não sabendo de quem devo haver a reação prometida no artigo 6º. que eu meus filhos e mais officiais. 223 ―Em 10 requeri o que se devisa . que iriamos. nem entregando o depósito que me tinha sido confiado. – Representa a Vossas Excelências. para as cortes. pois nem eu. com a condição de ser pelo tempo que me demorasse na Capitania. pois não somos seus súbditos. e a religião pelo que pedem a Vossas Excellências que hajão por bem. de defender a emancipação da capitania. e só o fiz. fiquei do mesmo modo. e o Governo Provisional da Bahia. 5º não se lembrando do direito. se tal juramento se me não desse ou que supprissem pela negativa com um titulo. que não era impressa. que se há de fazer. 24 de Abril de 1821. que se pusesse prestes a jurar a Constituição. e expressa nos artigos quarto e quinto. o dia. pois preso. com intriga. appelando. me fará a mercê de me responder definitivamente. de 7 de março ordenei aos meus oficiais. ―Todos os meus desejos. esperando que todo o homem. renovei em 13. á Religião. Por falta de maneira. o qual não revela um espírito atrasado. como capitania independente da Bahia. para regressar para esta Corte. 16 e 24 do passado. ou com sugestões. a Constituição. que tive em ocasião tão critica. do Juramento e Fidelidade a El-Rei. e menoscabo da lei. o seu pedido feito nas datas de 12. M.

Seus principais chefes eram os camaristas de São Cristóvão: Bento Antonio da Conceição Matos. que aquela rende. contra a anexação de Sergipe. que a revolução de Portugal instituía no Brasil. a submissão de Sergipe. escrever o seguinte a Burlamarque: ―Ninguém quer a independência. 227 Como hade de soprar quem não tem folles. e que do qual faziam parte o corpo de milícia e toda a geração lusitana. em favor da emancipação da capitania. Aparecerão por acaso ordens. os taverneiros. está visto. logo que leu o decreto de 7 de março. ordenou ao capitão Manuel José de Castro que jurasse a constituição em Sergipe. Seus principais chefes eram: o coronel José Guilherme Nabuco.‖Ciosos da estima de V. A falta de patriotismo dos sergipanos que pertenciam ao partido da anexação. 225 Quais elas sejam ninguém o sabe. Ao contrario disto. como se vê na carta do Capitão mór da Estância. A este partido pertenciam em geral os capitães-mores de ordenanças e a maioria popular. e donos das casas das cidades.inadaptável a um regime constitucional. em cujas mãos achavam-se grande parte da riqueza. senão os que estão no governo. E é lamentável ao caráter sergipano que o procedimento de Burlamarque. o brigadeiro Pedro Vieira. eram muito pouco. Um defendia a anexação. a fim de evitar a guerra civil que imprudentemente ali queria soprar o seu governador227. não encontrasse adesão dos próprios filhos de maior representação. proclamas. Damos-lhe parte. ellas não pagam a metade das liberdades que se perdem‖. de fato. que tivessem tendência a este 185 . Pedro Cristino de Souza Gama etc. ou outro qualquer papel d’onde se colija tal vontade? Se neste negocio tivesse havido alguma boa fé deveriam ter sido impressos todos os meus papeis. a mim dirigida.. mais os fatos o indicam e vem a ser. Dois partidos existiam então. em vista da desigualdade das forças. chegou a ponto do capitão-mor da Estância Guilherme Nabuco. se em Sergipe houvesse alguém que quisesse resistir. cento e vinte contos de réis. Com que meio o outro partido podia reagir.. pois não havia um homem a minha disposição. Este modo de pensar fazia com que a Bahia justificasse a arbitrariedade cometida. ou nele queiram entrar. a única tropa que há naquella província. é milícia. porque. que eu não a podia promover. mais não havendo ninguém. publicasse o seguinte224. o ouvidor José Ribeiro Navarro e todos os europeus que habitavam então a capitania. e absorver nesta capitania da Bahia. José Manuel Machado de Araújo. dando lugar a que o jornal Idade de Ouro. que era o órgão que defendia os interesses da metrópole na Bahia. como os membros do outro partido ocupavam posição social saliente. que procurou seguir e por em pratica. Ficou vencido em suas aspirações. apelando para a opinião da aristocracia sergipana. que circunstancias superiores225 forçaram-nos a enviar um peque corpo226 para a capitania de Sergipe. da qual os chefes eram do partido decidido da dependência. contra as aspirações do partido da independência. desmanchar o que fez El-Rei. escravizar aquela Província. 226 Com efeito. Exc. porque não só Burlamarque não quis promover a revolução civil. O capitão-mor da Estância e câmara da Vila de 224 Publicamos nas notas que se seguem os artigos de impugnação de Burlamarque às acusações publicadas na Idade de Ouro. pois que sejam quais forem as vantagens que se sigam da independência. originados da prepotência que a Bahia acabava de praticar. O outro defendia a emancipação e era o prenuncio das idéias de independência. e a ele poderemos dar o nome de partido recolonizador. Muitos deles fizeram causa comum com a Bahia. como mais de uma vez tenho dito eram muitos. imposta e realizada pelas tropas da Bahia?.

eram. legais. M. 186 .Santa Luzia e outras autoridades daquela província. Senhor redator faria gemer a imprensa. Escrevi. ou falta de patriotismo. não se poupando honra. e só desacreditarem-me. que me perdiam. o que elles aqui tinham feito ao Conde Palma. que tal cegueira indicasse. Respondessem que os Sergipanos me fizessem. pois que sejam quais forem as vantagens que se segam da independência. ou este governo por humanidade. Guilherme Nabuco e outros que defendiam a anexação. foi accrescentamento e voga. Seu principal intuito era a anexação. declaram-nos sua adesão ao nosso soberano respeito. em Sto. Os desejos da Bahia ficaram. porque na Bahia era superabundante a vontade. ou que recorressem ao El-Rei. sem encontrar punição nos agentes dos poderes públicos. mais não pecisarão tanto. e não foi pouco. ninguém quer a independência. cento e vinte contos de reis triennais. Cristóvão estendeu-se pelas câmaras da negocio. e fraternidade. pois realizados. porque seu governo. Foi este o prêmio que recebeu pela traição aos interesses da liberdade. de toda plena authoridade para o fazer. munido naquele tempo. Substituiu na administração a Burlamarque o brigadeiro Pedro Vieira. logo se conhece. pois que nunca tiverão nem por escripto nem palavra como. com acusações vagas. déspotas daquela província. que se perdem. e fazenda. e sem se reparar que se insultava a majestade de El-Rei. lamentaram a separação como nociva aos seus verdadeiros interesses228 e rogaram-nos a união intima até S. Não era só o juramento da Constituição portuguesa o que queria. esquecendo-se que tinham dous meios dessentes. Amaro a 9 de julho. senão os que estão no governo. na Itabaiana a 25 de março. e para os outros machuxos. 230 Tudo isto prometerão. fama. se Sergipe ficasse emancipado e independente. dos quais os chefes eram todos do toque do capitão-mor da Estância. a 18 de março do mesmo ano. mandando-os evadir por força armada. Cesar Burlamarque foi acremente censurado na imprensa da Bahia. lhes eram mister um corpo auxiliar que o salvasse dos horrores de uma guerra civil‖ 231. o principal chefe e promotor da anexação. quando se quer cegar ao público. Como comarca continuariam eles. He desgraça. os Taverneiros. separada novamente desta. que se houvesse por escrito. Lagarto a 28 de março. com amplos poderes de fiscalização. E tanto assim é. e donos das casas das cidades. pois com ela vinha mais para o Erário da Bahia. em Vila-Nova a 26 de agosto e Sergipe passou a comarca. como já tenho dito. e como não convinha publicá-lo para minha justificação. destruindo o que elle tinha feito. 231 Eis aqui o que eles não disserão. Deixamos de transcrever os artigos que o leitor poderá ler no jornal Idade de Ouro. e convém a interesses particulares tanta coisa insana se pratica. á religião e á uma liberal constituição230 e que ameaçados pela cegueira e falta de patriotismo do atual governador. não derivadas. Pedro Vieira. ou nele queiram entrar. e que ao depois se entregassem a Bahia. com tais pessas. que tanto se pregoe a favor da humanidade. para conseguirem este fim. sem porem os povos em colisão. melhor informado a reunisse outra vez á Bahia229 e animados de sentimentos naturais aos portuguezes. v. para que o publico decidisse. e mais prometerião para conseguir aquilo a que se propunham. precisas accusações. o que ele bem explicou nas palavras memoráveis da dita carta. em presença do Coronel Bento Garcez. O que he pois que me restava. mas isto não convinha. eram levados a isto pelos hábitos de arbitrariedade e prepotência em que viviam. para promover esta guerra intestina! Soldados os não tinha: pois os de milícias na cidade. deviam fazer este pedido a El-Rei. estaria para defender os direitos do povo e punir os atentados. 229 A petição foi ouvida com prazer. O procedimento da comarca de S. aos seus irmãos Sergipanos.m. para se conseguir o fim a que se propõe. por elles o meu comportamento em crise tão terrível. não passam de vinte homens. não convinha a independência. elas não pagam. nem a metade das liberdades. mas quando se quer mal. e nos quais não poderiam continuar. que para ele. 228 Lida a carta do Capitão mór. que foi a Constituição jurada em São Cristóvão.

Logo que o partido recolonizador assenhoreou-se do poder. Presidentes. Ilms. por editais. assim tão bem fico certo que continuarão a tomar todas as medidas necessárias até que cheguem os socorros. Os direitos olvidados. que contando dom o appoio de algumas câmaras. esta determinação. A lei era esquecida. então inda que tarde se arrependerão alguns que animarão a ajudar estes perversos! Eu bem quisera poder socorrer a todos os lugares que carecem de auxilio mas não posso dividir as forças porque isto é desejo dos facciosos. e então terão V. em sustentar o tom de patriotas e Verdadeiros Portugueses: se todas as corporações fossem compostas de membros tão respeitáveis não veríamos infelizmente ultrajado o respeito que é devido ao Soberano Congresso da Nação.S. parentes e amigos! O crime é tão atroz que só a lembrança do mesmo horroriza. A compressão era absoluta. assim. em bem da nossa causa. tentam promover a emancipação. D. de El-Rei. Pede a lista dos empregados civis. as expressões de fidelidade. de que chegam a degenerar em monstros. Então. alcançarão na constância da resistência o prêmio que é dividido aos que sabem sustentar a custa de todos os sacrifícios e o respeito devido ao Governo da Nação: Assim como não posso duvidar da probidade e zelo de V.SS. Srs. João Russel. Gomes Coelho dirige à câmara de S. enviaram proclamações a todas as câmaras a fim de reconhecer a legalidade da junta governamental da Bahia. lá ia entregar sua delegação. Este estado de sujeição não era bem visto pelos bons patriotas de então. e que se fizesse público. os membros do governo efetivo da Bahia. Cristóvão um oficio. o poder político. junto a si irmãos fieis que irão suavizarlhes os trabalhos que agora passam. Em vez de eleger seu governo. de 26 do mês passado. que toma posse a 15 de outubro de 1821. pela insuficiência de força para contrapor àquelas que mantinham a sujeição. a 1º de fevereiro de 1822. porque abafava-se qualquer opinião que se levantasse em favor da emancipação. O partido recolonizador tornou-se ainda mais poderoso. Nova R. 187 . do Rio São Francisco – Inácio Luiz Madeira de Mello – Nada mais se contém em a dita carta. Os sergipanos não encontravam nas regalias da lei a defesa de seus direitos. Desapareceria. mas elle breve será punido. Nomeia o bacharel Manoel Gomes Coelho ouvidor.S. Deus guarde a V. partes das suas obras. João VI e não chegaríamos a ver. e para tornar triunfante o elemento português. a fim de irem eleger. que logo lhes enviarei. e mais membros da câmara de V. que até meado de abril tinham jurado obediência ao governo provisional da Bahia. conspirando até contra seu pais. 12 de dezembro de 1822. Os planos abortaram. Além disto. a fiscalização era severa. de ninguém tentar a independência da comarca.232‖ 232 Acuso a recepção do oficio de VV. depois que o general Madeira tomou a direção militar do governo da Bahia. que portugueses esquecidos. pr meios ilícitos.SS. e ao nosso amado Reio Sr. pelo decreto de 1º de outubro de 1821. que o mesmo contém. Serve de prova a seguinte carta sua dirigida à câmara de Vila-Nova. Espero por tanto que unidos esses povos considerando por divisa a honra.capitania. Ele prestava-lhe os maiores auxílios em Sergipe. o ouvidor Navarro e o comandante das tropas baianas. porém. dão bem a conhecer o distinto caráter de VV. conculcados pela prepotência dos lusitanos. Em abril de 1821 estava conquistada a anexação de Sergipe pela Bahia e a junta começa a expedir ordens para Sergipe. os portugueses não perdiam ocasião para jogar sobre os sergipanos os maiores sarcasmos. Expede ordens para que fizesse o recenseamento dos eleitores de todas as paróquias. a expedição de Lisboa está próxima a entrar. criminosos e contrários à ordem pública. Sergipe ficou sob um regime de autoritarismo e de arbítrio.SS. Quartel General da Bahia. em que comunica-lhe a deliberação das cortes. auxiliados por alguns filhos da província. Madeira não se cansava de animar-lhes o entusiasmo para apertarem os laços de submissão.

dirige-se para Laranjeiras e daí para São Cristóvão. no dia 2 de outubro. que lhe ofereceram uma atitude hostil e ameaçadora. o povo no edifício do conselho municipal. não podendo desembarcar na Bahia. para não pisar em território Sergipano. em lugar do atual Igino Martins Fortes e o terceiro Francisco Moreira da Silva Marramaque e o procurador Joaquim José Pinto para effeito de si determinar o que for a bem do Real serviço e comum dos povos o seguinte: Neste anno foram apresentados dous ofícios fechados e lacrados como o sobrescrito – Serviço Nacional e Real. No dia 5 de maio reuni-se a câmara. que também foi escolhido para levá-las às mãos régias. contra a independência do Brasil. em lugar do actual Alferes Domingos Rodrigues Mello. A oposição que Madeira na Bahia oferecia à aclamação de D. o ouvidor Inácio Gomes Camacho. em agosto de 1822. reúnem força neste porto e encarregam a defesa a Bento de Melo Pereira. em Sergipe representavam os mesmos interesses o brigadeiro Pedro Vieira. como príncipe regente. com a assistência de algumas autoridades civis e militares e do povo.Não obstante estes meios compressivos e terroristas. porém que chegasse qualquer decisão. Pedro. Ao mesmo tempo que em Vila-Nova aclamavam regente o príncipe D. As idéias da independência iam angariando a adesão dos brasileiros. em vista dos procedimentos das cortes que queriam trazer o Brasil ao antigo estado de colônia. a câmara de São Cristóvão fazia mesma aclamação. fez debaixo de grande entusiasmo. Em favor do ideal desse partido contribuíram os acontecimentos que se iam dando no País. que nada resolve. A notícia de sua chegada em Alagoas espalhou-se em Sergipe e fez reunir em Vila-Nova os adeptos do partido recolonizador. A proclamação da Independência veio resolver positivamente a questão da desanexação de Sergipe. José de Barros Pimentel. Se na Bahia Madeira representava a defesa dos interesses portugueses. os membros do partido emancipacionista não perdiam a esperança de trazer a liberdade à capitania subjugada. 188 . no dia 29 de setembro. 233 Ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oito centos e vinte e dous ao primeiro dia do mez de novembro do dito anno nesta cidade de Sergipe de El-Rei e casa da câmara della onde estão presentes o Juiz Ordinário presidente Capitão Luiz Francisco Freire e os vereadores Alferes Alexandre da Cruz Brandão. a aclamação. sem submeter a questão à opinião de Pedro Vieira. sob a presidência do capitão Luiz Francisco Freire. Pedro. e resolve dirigir uma representação a D. a conferenciar com Melo Pereira. deu lugar à viagem de Labatut que. no dia 1º de outubro233. Antes. pedindo a emancipação e independência da capitania. Labatut entra então em Sergipe. A representação foi redigida pelo vigário Antonio Gonçalves de Figueiredo. Estavam prontos e dispostos a resistir. Labatut envia então um emissário. – Pela administração Geral dos Correios das Cortes do Reino – a câmara desta cidade os quais mandaram que fossem abertos e o seu conteúdo era o seguinte: Doze Massos de Leis com vinte e sete folhas constantes de decretos e leis todos numerados e mandaram que ajustasse as mais que das Cortes tem vindo para serem encadernados e dar a sua devida execução. Estava vencida a causa de independência. os portugueses José Alves Quaresma. José Joaquim Ricardo e José Gustavo. como passamos a expor. o segundo José Rodrigues Bastos. João VI e ao congresso das cortes portuguesas. alcança fazê-lo em Maceió. Nomeiam cabos policiais que fiscalizam a fronteira do rio.

dizendo que. seculares. ambos desta capitania. – Viva o Soberano Congresso Nacional da Corte de Lisboa. Era uma importante conquista do partido ds patriotas sergipanos. Ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oito centos e vinte e dous ao primeiro do mez de outubro do dito anno. – Viva El-Rei constitucional o senhor Dom João Sexto.Viva nossa Santa Religião Católica e Apostólica Romana. – Vivas estes com que tem sido aclamado Sua Alteza Real o Principe Regente Constitucional pela Tropa. agora segundo algumas participações oficiais. de cuja graça foi ela espoliada sem legítima ordem em contrário e à força das armas da Bahia. o Príncipe regente Constitucional Protetor e Perpetuo d’este Reino do Brasil. escrevendo-se nas altas na forma de estylo para assim constar: sendo esta representação ouvida pelo Juiz Ordinário Presidente. o respectivo Capitão Mór de Ordenanças Henrique Luiz de Araújo Maciel. Nobreza. – Viva a constituição. . porque nesta mesma sessão o major Cristóvão de Abreu Carvalho. Cristóvão capitania de Sergipe de El-Rei e Passos do Conselho dela onde se acha o Juiz Ordinário Presidente Capitão Luiz Francisco Freire o vereador mais velho. ao Soberano Congresso Nacional da Corte de Lisboa. o sargento Mór do regimento de Infantaria de Milícias Cristóvão de Abreu Carvalho Contreiras. pede que seja instalado um governo provisório e independente. o Capitão Mór da vila de S. Clero e Povo desta cidade houvesse de ratificar a Aclamação que ele já com a tropa tinham feito. sem sangue e sem alteração da ordem pública.As convicções políticas do governador Pedro Vieira de Melo tremeram em presença de Labatut. a fim de a província aproveitar a concessão feita pelo soberano. Perpetuo Defensor do Reino do Brasil. – Viva a sereníssima Senhora Princeza Real. porque essa aclamação seria o primeiro passo da emancipação e independência de Sergipe. passou o governo a um conselho militar e que era necessário aclamar o príncipe regente‖. – E logo pelo doto Brigadeiro Governador foi dito que tendo feito quando está no seu alcance para manter a boa ordem. o imediato e o mais mosso e o procurador todos acima declarados no auto de variação ahi apareceu o Ilustríssimo Brigadeiro Governador Pedro Viera de Mello com o Coronel do Regimento da segunda linha de cavalaria desta cidade Domingos Dias Coelho e Mello. A indecisão do Juiz Luiz Franacico Freire. como representante da tropa e do povo.. o sargento Mór comandante da vila de Própria Manoel Mello Resende. e outros officiaes dos ditos regimentos. João VI e a Dinastia da casa de Bragança e que ele governador indicava que nesta conformidade esta câmara em Nome da Nobreza. paz.Viva Sua Alteza Real o Senhor Pedro de Alcantara Principe Regente Constitucional Protector. faz com que o major Cristóvão de Abreu Carvalho replique. Clero e Povo presentes houvessem de celebrar tem necessárias e Gloriosa aclamação. Tornou-se um apóstata do seu partido. nesta cidade de S. Clero e Povo. agora segundo algumas participações oficiais que proximamente recebeu passou o Governo a um Conselho Militar para que examinasse o quartel e os oficiais do Estado Maior todos unanimemente resolverão que nestas circunstancias atuais era necessária aclamação de sua Alteza Real. Amaro das Grotas José da Motta Nunes. perante intimativa tão formal. o Reverendo Vigário Geral Luiz Antonio Esteves e mais clero. e ser preciso evitar interpelações das Capitanias Vizinhas já haviam justo e bem fundado tudo que ele Governador expunha a câmara para que com a Tropa. o coronel da segunda linha de Infantaria dela José Agostinho da Silva Daltro. tendo em vista o na maior consideração o sagrado juramento que todos prestarão de obediência a Nossa Santa Religião Católica Apostólica Romana.Viva a Dinastia da casa da Bragança. por Decreto de 8 de julho de 1820. ideal que o partido que a nutria realizou. o que ele de pronto assim executou pela ordem seguinte: . porque no ato da aclamação foram as seguintes suas palavras: ―dirigindo-se pela fidelidade devida ao juramento que prestou e pelas ordens superiores. o corpo de Nobreza e Povo. todos presentes ao quaes foi novamente aplaudida a presente aclamação com o devido enthusiasmo satisfação e geral regosijo. e mais oficiais da câmara comandaram que no dito Brigadeiro Governador fosse o primeiro que levantasse as vozes proferisse os vivas. – E para constar mandarão escrever este auto de veriação em que me assigno eu Francisco de Paula Madureira.Viva o Reino Luzo-Brasileiro. Nobreza. a constituição de El-Rei o Senhor D. Escrivão da Camara e escrevi. eterna felicidade desta capitania dirigindo-se pela fidelidade devido ao juramento que prestou e pelas ordens superiores que lhe foram encarregadas. Milícia. que proximamente recebeu. que lhe foram encarregadas. visto ser estar a vontade geral dos Povos desta. 189 .

234 234 Aos 25 de novembro de 1822 nos passo do conselho de S. Barros de Pimentel alcança angariar as simpatias de Labatut. secretário. Hei por bem em Nome de Sua Magestade Imperial e athé decisão do mesmo Sehor nomeal-o Governador do districto de Sergipe e suas dependências devendo regullar as Instrucçõis Gerais e existentes para este emprego modiciadas pelas particulares que as circunstancias actuais d’Esta Provincia Imperiosamente exigem ae mim. aqual foi dada com as solenidades do estilo. Então. em 14 de novembro. antes de descrevermos o procedimento de Barros Pimentel. por meio dos seus partidários. protestava não mover-se em quanto o governo não fosse de prompto installado. do qual. nem a emancipação de Sergipe. Guilherme José Nabuco de Araújo. como Pedro Vieira de Melo e José de Barros Pimentel. Reconhecendo em José Eloy Pessoa da Silva TenenteCoronel do Regimento de Artilharia de Lisboa desta Província e Baxarel formado em Mathemática e Filosofia as qualidades e requerimentos precisos para firma o Socego da cidade de Sergipe de El-Rei e de todas as sua Villas. para estabelecer e arranjar a causa da independência do Império. o sargento. com temos dito. Christóvão estavam presentes o juiz ordinário presidente capitão Luiz Francisco Freire e os veriadores Tenente Domingos Rodrigues de Melo e José Rodrigues Bastos em lugar de Igino Martins Fontes e Francisco Moreira da Silva Marramaue e o procurador Joaquim José Pinto para darem posse ao Illm. representado por uma junta. O despeito de não ter sido eleito um dos seus membros. o coronel Domingos Dias Coelho e Melo.―á tropa e o povo não convém em demora alguma e queiram que já se instalasse o governo.mor Dionísio Rodrigues Dantas. Esta junta foi de pouca duração. o tenente coronel José Eloi Pessoa da Silva. Eles eram: o coronel da legião da Vila de Sana Luzia. que . dependências: para até estabelesser e arraigar a Santa Causa da Imdependência do Império do Bralsil sob a Protecção de Sua Magestade Imperial. Foi então resolvida a instalação do governo provisório. governador das armas. presidente da junta. moradores em Sergipe. o vigário – geral Serafim Álvares da Rocha. E para que a tudo conste e prestem o respeito divido a Dignidade o Revisto em Nome de Sua Magestade Imperial lhe mande passar este Diplona Patente por mim 190 . o reverendo João Francisco de Meneses Sobral. General em chefe do Exercíto Passificador Nacional e Imperial desta Provincia da Bahia em nome de Sua Magestade Imperial. Fizeram participação disto ao príncipe regente. precisamos levar avante a descrição das vitórias que ia obtendo o partido emancipacionista. cujos membros foram eleitos pela mesma assembléia. membros. Pedro Labatut nomeia. lugares. o capitão José Mateus da Graça Leite Sampaio. Já circulava em novembro a notícia da proclamação da independência e em Sergipe não se ousava aderir a esse feito . – Pedro Labatut. a 25 do mesmo mês toma posse. tinha em Sergipe francos oposicionistas. não desejavam a independência do Brasil. A marcha de sua administração ofereceram embaraços aqueles que. porque com ele viria a emancipação. Exmo. fá-lo cultivar essas relações com cuidado. a fim de pôr em prática seus planos antipatrióticos. O Senhor Dom Pedro Primeiro Imperador Constitucional e Defensor Perpetuo do Brasil aetcetera. Sr. Governador da Capitania Tenente Coronel José Eloy Pessoa da Silva presente. Títullo de nomeação. e que a tropa estava com as armas carregadas e balas em cartuxames‖. sendo este auto escripto pelos escrivaens da camara Francisco de Paula Madureira e assignando-o empossado com a s pessoas referidas na ordem em que estão. e a que a tropo estava firme no lugar em que estava postada. A causa da independência do Brasil. contra o que trabalhava a Bahia. que há tanto tempo qour todos é desejado.

Já prolamada no dia 1º de dezembro de 1822. e para contrariar o feito da emancipação de Sergipe e proclamação da independência. que determina anteceee ao ato da aclamação um edital. 235 Ao primeiro dia do mez de dezembro de mil oito centos e vinte dois annos nesta cidade de Sergipe de El-Rei e casa da camara della onde estão o Juiz Presidente Capitão Luiz Francisco Freire. Em fevereiro foi então nomeado. Simião da Mota Rabelo e o procuradodr Antônio José Pinto.Tendo Pesoa a da Silva tomado posse. Governador desta Comara o Tenente –Coronel José Eloy Pessoa da Silva por participação deste afim de ahi se publicarem os vivas alegres pella acclamação do Senhor Dom Pedro Primeiro Imperador Protector e Defensor Perpétuo deste Imperio do Brazil depois de assim estar a dita corporação unida com o dito Governador com toda a tropa. e os veriadores. Francisco Moreira da Silva Marramaque e o Procurador Joaquim José Pinto. Antônio Rodrigues Fraga. marca. entretanto. resolveram pedir a Labatut a permanência de Barros Pimemtel no governo.236 Barros Pimentel toma posse do governo a 12 de fevereiro de 1824. perante grande concurso popular.Labatut. no dia 1º de dezembro. para alcançar ordem de prisão e ser remetido para o norte. em substituição de Elói Pessoa. Em sessão de 20 de janeiro de 1823 a câmara. discutindo o expresso do ofício da vila de Cachoeira recebe dele ordem intimativa para não aclamar a independência. Em sessão de 30 de dezembro. e toas asu autoridades civis e militares. Quartel Geral no Engenho Novo aos quatorze de novembro de mim oito centos e vinte dois annos. e José Rodrigues Bastos. Igino Martins Fortes. e o melhor chefe que encontraram foi Barros Pimentel que. estava. com esta nomeação. assignado não hindo Sellado por falta de Sello. Escrivão o escrevi. Clero e Povo ahi com vehementes vozes júbilo. Logo depois de dissolvida a junta e preso Eloi Barros tomou a administração. instituído em Sergipe o regímem Imperial e proclamada a independência do Brasil. Este estado de coisas não podia satisfazer os intereses dos inimigos da independência.235 O procedimento da câmara de S. porque Laabatut nomeou-o em nome de Sua Magestade o Imperador Constitucional do Brasil. alcança de Labatut por meio da intriga que pèm em jogo o decreto de sua dissolução e sua nomeação de governador militar. a requerimento de alguns habitantes. Cristóvão ecoou nas outra câmaras que aderiram à independência. sem oposição franca dos recolonizadores. convocando o povo. em vista de um ofício de 20 de dezembro do jConselho interino da vila da Cachoeira. excitado pelo despeito de não ter sido eleito presidente da junta. 236 Os membros de então da câmara de S. o que com effeito foi obrado. Cristóvão eram seus adeptos políticos. General. sobre quem recaiu a calúnia de Pimentel. Eram Luiz Francisco Freire. apé e a Cavallo e coma Nobreza. 191 . um novo dia para efetuá-la com mais legalidade e aprarato. que alcançaram posteriormente tornar sem efeito a proclamação feita por Pessoa. Os inimigos não escolheram meios para torná-de nenhum efeito. elle dito governador publicou a ordem do dia que por sedual foi transmitida a elle dito presidente da camara que vae abaixo registrada e depois de publicados os vivas da Gloriosa acclamação de Nosso Augusto Imperador o mesmo Presidente da camara ordenou e fez effectuar a solenisação deste tão ditoso acontecimento com um Te Deum Landamus na Igreja matriz para onde todos se dirigirão a dar Graças ao Deus do exércitos. Aproveitou-se do cargo para serm perpetradas as maiores vinganças entre alguns membros do partido oposto. E para cosntar mandarão fazes este termo em que assigno eu Francisco de Paula digo termo em que assignaram o dito presidente e mais vereadores –Francisco de Paula Madureira. juntos para effeiro de seguirem ao lado da praça onde se vão encoroporar com a Ilm.

para desde já entrarem no execício dos seus officios interinamente. por carta imperial de 5 de dezembro. expondo por isso mesmo este Povo a uma Anarquia e guerra civil. Serafim Alves da Roxa. Então o povo. visto que se axão nesta cidade quatro delles e que fosse xamado o quinto: e tudo isto ouvido por esta camara unanimimente respondeo. afim de assumirem a direção dos negócios públicos de Sergipe. elevado à cathegoria de Província de 2ª ordem independente nella pelo seu saudável e Imperial decreto de oito de julho do anno passado. M. Padre Luiz Corrêa Caldas de Lima para o que foi a bem do serviço de Deos. um jugo ilegal. Barros Pimentel opõe-se à realização desta ordem inperial. levado pelo patriotismo e indignado pela prepotência da Bahia. eo Rev.237 237 Anno do Nascimento do Nosso Senhor Jesus Christo de mil oito centos e vinte e três nos dês dias do mez de Fevereiro do dito anno nesta Cidade de Sergipe d’El-Rei e casa da camara della onde estão presentes o Juiz presidente José Rodrigues Bastos e os veriadores actuaes capitão João Simões dos Reis. ahi compareceu o Povo desta cidade de todas as corporações sem armas e em nome de S. A vista destes motivos a cama fez congregar digo motivos e por logo comparecem todas as corporações Militar. Civil e Eclesiastica fez 192 . e exige que chame à adminstração os membros da junta. independentemente do governo da Bahia.Ainda mais: em sessão de 6 de fevereiro recebe um ofício do conselho interino da Bahia de 24 de janeiro em que comunica-lhe que. em 27 de fevereiro. M. quando esta comarca continuava nos seus trabalhos. devia ser uma realidade. a manter com o auxilio dos traidores sergipanos. e a poucos momentos. obstando a emancipação que há dois anos. A vista do que todo o Povo sahio. e por não constar ter-se verificado esta mercê pela objeções do Governador Millitar acutal José de Barros Pimentel e Ouvidor Interino Ignacio Gomes Camacho: que elle povo quixa que se verificasse a Junta do Governo Provisório que em primeiro de Outubro de mil oitocentos e vinte dous havia sido isntalada legitima e legalmente para que os governasse Interinamente em quanto se não procede a eleição de nova junta pela instrucções de desenove de junho de memo anno assina. as quaes ainda não consta haver aqui. S. apontadas no mesmo officio. a toque de caixa tornou o mesmo Povo a aparecer nella trazendo com sigo os ditos membros da referida Junta o Capitão-Mór José Matheus da Graça Leite Sampaio Presidente. conforme Decreto de 8 de julho de 1280 e que se elegesse um conselho de cinco membros. e são eles empossados debaixo de indescritível entusiasmo. completamente independente da Bahia. o capitão José Antonio Pinto e o Produrador Vicente José Mascarenhas. Ignacio Antonio Dormundo Roxa. que apesar do conhecimento da dita graça concedida no citado Decreto pelas objeções dos ditos Governador e Ouvidor estão dispostos a procederm na forma das ditas instruções quando as ouvesse e que de outra maneira não pretendirão mover cousa alguma. secretário o coronel Domingos Dias Coelho e Mello. A Câmara acede à reclamação popular. e a falta que tinhão do Governo para providenciar seus negócios os quais não podião mais ser dissolvidos ou providos pelo dito Conselho Interino da Bahia em rasão desta Independência e separação: e que reiterada a posse da Junta entrasse leogo no seu exercício que a elle povo convinha e aprovava todos SOS seus feitos e protestavão ter cautella até que se possa obete as dividas instruções e a proceder a nova eleição. com igual despeito de todo o Povo: A fim de evitar tão retrógada marcha do actual Governo e do serviço do bem público desta Provincia. que fora instalada a 1º de outubro de 1822 e que lhes dê posse. reuni-se dirige-se à câmara. José Francisco de Menezes Sobral: e apresentando-se todos cheios de gosto e tranqüilidade replicou com eloqüência e toda energia a esta camara que já não podião mais conter com seus corações o ardente desejo que sentião para o cumprimento da Graça consedida. o Impererador do Brasil requerendo a Ella que depois de lhe constou pelo oddicio de vinte e quatro de janeiro do mez passado do Conselho Interino da Bahia que affirma haver S. o Ver. visto que reconheciam todos os Membros della com interia probidade e que foi arbitrariamente suspensa sem ser ouvida nem convencida. I. até que se procedesse à eleição de seus membros. pela instruções que deviam chegar da corte. o Imperador tiha elevado Sergipe de Comarca a província de segunda ordem. sendo que elle não quer mais senão a paz e a tranquillidade: Pello que nos requeria instantemente que de bom grado fisessemos reiterar aquella anterior posse dada aos ditos Membros. M. de Sua Magestade Imperial e dos Povos: Nesse auto desta camara dispondo de arrecadar de Direitos a bem della. reverbera o procedimento antipatriótico do governador e ouvidor. juntamente com o ouvidor Inácio Gomes Camacho. e syndico da mesma comarca do Ver.

viva a Augusta imperatriz e toda a Dinastia reinante deste Império. o clero e autoridades238. e para que cosnte esta voluntária deliberação todos a uma vez requererão a esta camara se fizese acta que querião assignar e que esta mesma por cópia authentica se remetesse a S. prem agora que já somos Provincianos Imdependentes esta camara vos chama para que juntos reiteremos de bom grado a dita Aclamação com juramento de obediência e fidelidade a Augusta Pessôa do Mesmo Senhor Imperador e Sua Dinastia . Clero. Capitão José Antonio pInto e o Procurador Vicente Mascarenha para effeito de se dar cumprimento a aclamação de S. quis outrora selebrar este tão desejado e aplausível acto.Viva a Exma. protestando a face da divindade que nos ouve e do mundo inteiro defendermos a ellese todos os direitos deste Império sempre athe a morte.enhão e reconheção ao Mesmo Augusto Senhor por tal. esta camara e vós hajão. 238 Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oito centos e vinte trez aos trez dias do mez de Marçao do dito anno nesta cidade de Sergipe de El-rei e casa da camra della onde estão presentes o Juiz Ordinario Presidente José Rodrigues Bastos eo os veriadores actuaes Capitão João Simões dos Reis. convocando o povo para alamação da independência. pelo que logo cada um dos referidos membros de perci encarregou que verdadeira debaixo do juramento que havia prestado em o primeiro de Outubro de 1822 entrassem no exercício e funções dos seus officios. e logo pel mesmo Povo e tropa forão dados com Altiçonantes bravos repetidos vivas: . . E sendo por elle recebido o dito emcargo tudo prometerão obrar como lhes é incumbido. quor unanimidades senso e consenso de todos nós o que não foi possível pela fortes objeções do Governador Militar José de Barros Pimenel com foi bem publico pela prelação este inculcava ter sobre todas as Authoridades desta Provincia. congregar mais as Religiões desta cidade e vendo que também pugnavão pelo mesmo comprimento em Nome do mesmo Augustissimo Senhor Imperador respondeo publica e intelligivelmente que estava pompta em tal caso a ouvir como aos seus votos. Junta interina do Governo desta Provincia – Vozes estas que responderão a dita suplica.Viva o nosso amabilíssimo e Augustissimo Imperador o Senhor Dom Pedro Primeiro. a excepção do quinto Membro da dita Junta o Sanrgento – mor Dionizio Dantas que não compareceo por estar fora desta cidade. Magestade Imperial na forma seguinte – E depois de estar assim reunida a camara e na praça della principal da cidade.Viva a Assembleia Cosntitucional e Legislativa da Corte e da cidade do Rio de Janeiro. Secretario e todas as mais pessoas acima nomeadoas. e quando condizirão aos ditos Membros a esta comarca que igualmente os deus das janellas desta salla.viavas estes que forão reprod 193 . Segue-me cento e quarenta e nove assignaturas. Veriadores. requereo o mesmo povo que fosse immediatamente xamada Eu Francisco de Paula Madureira que escrevi com Escrivão da Camara. procurando. Junta Interina desta Provincia. esta camra por serto de vossa adhesão e firme reconhecimento diz com vosco-viva a religião catholica Apostolica Romana. Nobreza e todo o mais Povo. vendo-se agora desarmada. Procurador da Junta.Publicam então editais. logo seguio com elles esa camara e então congregados todos foi pela mesma camara mandado ao procurador della que alçasse a voz com orgão do Povo e desse a conhecer a toda assembléia o motivo porque selbrão novamente a Aclamação do mesmo Augusto Imperador Senhor Dom Pedro Primeiro e logo o mesmo Procurador com satisfação rompeu com altisonantes vozes pela maneira seguinte. para que assim conste em tod tempo e em toda parte que convier. M. comtudo sabendo-se a maneira popular e legítima com que há sido aclamado em as Provincias so Sul pressedendo em cada uma camara a expressa declaração das vontades dos cidadãos do seu respectivo Termo cuja solenidade não consta das Leis desta camara: della querendo seguir aquella mesma marcha donde resulta Glória e honra a este povo. perant grande reunião popular. a Tropa desta Guarnição. M. defendendo e parocinando tudo quanto for a bem do Nacional e Imperial Serviço e da sagrada causa do Brasil e desta Província. que compareceu em conseqüência do antecedente edital para a Aclamação popular e Legiítima de S.viva a Junta Interina do Governo desta Provincia – vivão o Provincianos de Sergipe. que tem lugar no conselho municipal a 3 de março. Ignacio António Dourmundo Roxa. vos participo que posta que já nessa cidade se ouvesse alanado no dia 1º de Dezembro do anno passado de mil oitocentos e vinte dous ao Augusto Senhor Dompedro Primeiro Imperador do Brazil somente pelo Patriotismo de ex-Governador José Eloy Pessôa. a tropa. e outra vez tornou o mesmo povo que tos o seu excesso se prendia em bem da causa publica do Brazil e da appelação que esta cidade deve ter aos mais lugares de toda a Provincia aonde queserem que residão as Authoridades Governativas.Iluste e comspicua Assembleia de cidadãos Sergipanos constitucionaes de todas as classes em nome desta camara órgão vosso.vivao as soberanas cortes costituintes e legislativas da corte do Rio de Janeirovia o Augusto Imperador constitucional do Brasil o Senhor Dom Pedro Primeiro. Secretário da Exma. o Imperador e para de tudo constar fiz este acto e a acta em que assignão o dito Presidente da Camara.Viva a Augustissima família Imperante do Brazil. o Imperador e ao tempo em que para ali se sencaminhava o Presidente.

M. Clero. Pedro Primeiro. Camara da cidade da corte do Rio de Janeiro-e para constrar mandarão fazer este auto em que assignão as pessoas presentes Clero.Há festas religiosas. com o Senhor Exposto para se dar Graças a Deus dos Exercítos e em louvor ao nosso Augusto Imperador o Senhor D. No mesmo dia mez e anno acima declarado depois de findo o acto da aclamação logo da Praça se encaminharão esta camara com o seu sendico Padre Luiz Corrêa Caldas de Lima. Imperial o Senhor Dom Pedro Primeiro por Imperador do Brasil com obediência e fidelidade a sua Augusta pessoa e a Dinastia Reinante do Brasil e dest modo lhes foi recebido seu juramento. reconhecere manter a S. Nobreza. Uma nova vida administrativa e política ia abrir-se sob a direção da junta provisória. O acontecimento de 3 de março tornou uma realidade a emancipação de Sergipe e foi a expressãoda adesão de seus filhos ao regímem imperial. os Exms Srs. Provincial Carmelita Frei Jose do Sacramento co sermão pelo padre Manuel Antonio Dormundo e Te-Deum com a Música. Da Junta desta Provincia. fazendo-se ouvir o grande orador Manoel Antônio Dormundo. Vejamos a direção que ela deu aos negócios públicos. composta de filho da província. Nobreza e Povo que logo ahi pediram instantemente a esta camara que querião se fizesse uma acta na forma indicada para assignarem e debaixo de juramento protestarão ter. o Clero. Tropa e Povo e eu Francisco de Paula Madureira escrivão da camara o escrevi. Pela camara foi determinado que sendo extraída a aacta deste acontecimento fosse remetida aIlma. e para de tudo constar mandarão fazer esta acta em que assino eu Francisco de Paula Madureira Escrivão da camra. uzidos e repetidos com o maior enthusiasmo e ardente gosto da mesma Tropa. 194 . Nobreze e o povo com toda a tropa para a Igreja Matriz a festiva Missa cantada e selebrada pelo Revdm.

Tendo ele se formado em 1820. SERGIPE. a junta comunica sua posse a José de Barros que. Com a aclamação da independência e a declaração da emancipação de Sergipe. PROVÍNCIA. Giada pela prudência e no intuito de estabelecer a paz e a hamenia na província. as relações políticas mudaram completamente. 240 Acordaram que por haver nesta cidade uma queixa insanável entre os povos della por constar que Eusebio Vanerio secretário do Governador Militar José de Barros Pimentel e Manoel Vicente de Carvalho Aranha. não reconhece a legalidade e não lehe quer prstar obediência.. defendendo mais os intereses da metrópole e da Bahia. que este senado instalou aos ditos governador e ouvidor pelas rogativas do povo o que déo causa a elle e governador proceder um conselho militar sem audiência deste senado. viva sob a ação de divergências que obstavam a marcha regular dos negócios públicos. 195 . em que procuraremos estudar o movimento republicano em Sergipe e principalmente. praticando o dito accessor de mais o excesso de na povoação de Larangeiras andar com antecedência pelas casas dos militares influindu-os para que annuissem com a verdade daquelle governador naquelle conselho que pretendiam por ser de certo. promove aí todos os meios para dsolvê-la de depô-la240.. desapareciam em 1823. pela carta Inperial de 25 de dezembro do mesmo anno passado. sempre dominado pelo despeito. assim como o ouvidor interino Ignacio Gomes Camacho foram os que influenciaram aos ditos Governador e ouvidor para se não instalar junta provisória interina para governança desta província. período que fára parte de um outro volume. Participam a junta que tome providencia. em vista da ilegalidade que cometeu a Bahia de submeter à sua jurisdição. paz e tranqüilidade social principalmente entre as autoridades constituídas. como os mesmos militares tém bradado geralmente contra o dito accessor é como o dito Governador e ouvidor estão de mãos dadas para seu projecto abstemos contra a segurança desta cidade e primeira como há supposição por indícios que elles continuam nelles por verem prestados seus projectos e as circusntancias actuaes das cousas exigem sem modificação. Tinham de nascer agora novos partidos dentro da forma monárquica. com a transformação política e administrativa operada. 17 de fevereiro de 1823. como de facto influliu nelle que viesse força armada contra esta ciade ainda antes de . qua há anos. Tendo feito de Laranjeiras sua capital militar. mas também de se mandar attacar este senado com força armada e a mesma junta. (1822-1855) não trouxéssemos nosso estudo até 1889. depois que a junta novamente assumiu a administração. ao qual não só tratou não só de esperar-se pelas instruções da dita carta imperial. Dos dois partidos existentes e que giravam em redor das idéias de liberdade do país e da província. Para isso procura o apoio dos oficiais superiores dos corpos de segunda 239 O leitor não estranhará que no período que denominamos de Política Imperial. Antes de estudá-los. do que os do país e de Sergipe. desapareceu aquele que queria a permanência do regimen colonial. as causas da revolução de 15 de novembro. conseqüência da independência dela. a chamada culpa de entrar a junta em seu exercício.LIVRO III POLÍTICA IMPERIAL 1823-1855239 CAPÍTULO I GOVERNO DA JUNTA PROVISÓRIA PRIMEIRO PRESIDENTE. precisamos descrever os acontecimentos que se dram. com o projecto deste senado para o abstar.

Foi de pouca duração essa harmonia. cuja somma monta a uns poucos de contos de réis. exigem a concocação da Câmara. sendo chamado então o Brigadeiro Guilherme José Nabuco de Araújo. capitão Miliciano e outros que estavão de ordem delle. visto que não querem ao Brigadeiro José de Barros Pimentel por fortíssimas rasões todas estranhas de um bom Brazileiro – 1º porque o dito Brigadeiro Barros no tempo do seu dispotico governo sabia muito bem onde estavão ocultos os Europeos inimigos da causa do Brazil e desta Província e que os não prendia por estarem em casa dos seus parentes ou parentes de sua família. quando por ordem deste governo em virtude de um decreto correo e se estão trocando nesta Província a sete mil e quinhentos réis. Abre luta e o resultado foi a fuga de Barros Pimentel para a Bahia.241 241 Anno do nascimento do nosso Senhor Jesus Christo de mil oito centos e vinte trez aos quinze dias do mês de maio do dito anno. As idéias de domímio exclusivo que tanto influíam em seu espírito. e que sejão remetidos ao Rio de Janeiro para darem conta da sua péssima conduta ao nosso Augusto Imperador . obdecendo a um officio do General Labatú. roubassem aos europeos pacíficos residentes nas Laranjeiras.4º Porque recebendo elle da Exma. nesta cidade de Sergipe de El-Rei e casa de camra dela onde estão postados promiscuamente o povo e Tropa Della e de unânime acordo e commum vontade do mesmo Povo e Tropa foram publicados com a maior elegância. Cristóvão. os malvados Europeos José Álvares Quaresma. Contra ele depõe nos termos em que o leitor verá no documento transcrito. a fim de assumir a direção do governo militar. ás cortes constituintes e Legislativas desde Império na corte do Rio de Janeiro. perante a qual fazem um libelo acusatório contra o brigadeiro Pedro Vieira de Melo. Junta do Governo da Bahia em Caxoeiras um officio em que participava ter Sua Magestade Imperial elevado esta Província a cathegoria de 2º ordem. a fim de abandonar o plano de deposição. a ella se dirigirão a mesma Tropa. que não pode inspirar-lhes mais confiança. os portugueses José Alves Quaresma. como pelo precedente que ficava plantado de sublevações da força pública contra o prestígio e autoridade do governo civil. José Joaquim Ricardo. tão inconveniente à prosperidade do bem geral. assumindo interinamente o comando das armas. que consideram inimigos da causa do Brasil e pedem que sejam presos. á Sua Majestade o Senhor D. e outros sítios. não só não tem o dito Brigadeiro apresentado sua conta de receita e despeza. Barros Pimentel aquiesce com o apelo patriótico de seus camaradas e dirigese para S. a titulo de serviço da causa militar. Junta 196 . as quaes subirão a uns poucos de mil cruzados e trocando-as em prata a preço de seis mil e quatro centos. . só porque se finava o seu despótico. pelas estreitas reações que ligam à queles inimigos. pelo qual o chamava a bem do serviço Nacional Imperial e apezar do dito General recomendar-lhe que impetrasse vênia da Exma. e a junta do governo desta província e depois de congregada esta câmara no Passo do conselho. . – 3º por que estabelecendo-se uma caixa Militar para as despezas das fortes ações externas e internas desta Província entrando muitos Europeos com dinheiro para ella. General Labatú. que pesta juramento 15 de maio de 1823. Pedro 1º Imperador constitucional e Defensor Perpetuo do Brazil. -Vivas a Santa Religião Catholica. -2º porque o dito Brigadeiro Barros no tempo do seu dispotico governo consentia que José da Annunciação Borges.linha e ordenanças que. que nela devia encontrar sompre o ponto do apoio mais sólido. e os mais Brazileiros que os patrocinão. porem trocou todas as peças recolhidas a dita caixa por differentes peças.5º porque. Independentes daquella por carta Imperial de cinco de dezembro do anno passado. e apezar do povo e a câmara o fazer commandante das armas por instancias do Exm. pelo toque da sineta. Neta mesma sessão pedema deposição de Barros Pimentel. compreendendo os perigos e males de uma gerra civil. á sua Augustissima família. não limitando-se às suas funções de governador militar. para garantia de sua autoridade. quis obstar com força armadaa a que se não instalasse Junta do Governo.Que esta câmara de posse de commandante das armas desta província a um official mais antigo athe que sua Magestade Imperial mande outro commandante das armas. Neste mesmo dia o povo e a tropa reunidos. e Povo e em altas e inteligíveis vozes declararão o seguinte – Que querião que esta câmara da capital como representante delles Representassem ao governo para mandar prender os inimigos declarados da causa do Brazil o Brigadeiro Pedro Vieira. José Joaquim Ricardo e João Gustavo. fizeram-no absorver as atribuições dos membros da junta. reúnem-se e apelam para seu patriotismo. arbitario e insufrivel governo.

Incandesceram-se então os ânimos e os partidos. contra o abuso do poder. Correu a eleição.M. a junta provisória primeiro absta a apuração das ultimas atas enviadas pelos colégios. Escrivão da câmara o rscrevi. Junta do governo para com a maior brevidade chamar o dito Brigadeiro Barros e o há de compelir com a presente conta legal e authentica da receita e despeza que teve em quanto poz dispoz da dita caixa. tendo assim de fazer as intrigas costumadas. por esta ser combinada com o calculo que se tiver feito ou houver de fazer. comtudo desamparou a Graça. em começo. – E para constar mandarão o dito Juiz Ordinário Ignácio Antonio Dormundo Roxa. que se devia proceder. estas mesma cousas. que era o primeiro a alterar a ordem e a levar o pânico às classes sociais.I. fingir um despeito. Em consideração aos serviços prestados por alguns habitantes da província. Na descrição deste fato esta.I. O regimen representativo em Sergipe impurificava-se desde logo. as vinganças do poder recaíram sobre João Fernandes e os outros membros eleitores eleitos. Havia certeza de que o eleito seria o abastado proprietário o major João Fernandes Chaves. sem ser preciso comentários. porque suas do Governo desta província. Eu Francisco de Paula Madureira. pois é constante que a nação tem percebido grande prejuízo na conta da receita e despeza que elle Brigadeiro Barros a seu molde já apresentou. colocado o bem público acima dos interesses dos partidos. José Antonio Pinto e Francisco Moreira da Silva Marramaque. e fugitivo e criminoso apenas deixou um officio a Exma. Uma representação assinada por dez aleitores e trinta cidadãos é dirigida à câmara. que foram processados. A câmara de S. com esta mesma acta de todo o expendido. Este fato profundamente impressionou o espírito público que se viu sem garantias e sem governo. Junta remettendo o do Exm. pelas ambições dos homens e os excessos dos partidos. 197 . a prova do despotismo. Realmente. dando-se outro sim parte a S. nos últimos momentos de sua administração. de participar aos Governos das províncias mais antigas a esta na forma indicada. debaixo da oposição dos portugueses. e muito principalmente dos acima declarados.Por esse tempo chegaram do Rio as instruções para o pleito eleitoral. Em todo o caso. em sua origem.M. A junta provisória que tinha. cuja conta não é verddeira segundo a fama publica aque a mesma câmara faça ver às providencias mais certas e os defeitos deste officil e sua conduta civil e Militar e representar a S. sendo seus membros presos. contra a ambição dos portugueses. – Querendo finalmente esta câmara requisitasse a Exma. ela passou por serias dificuldades. Como primeiro governo de um regimen que se iniciava. que não escolhiam meios para oferecer dificuldades à marcha da administração. Sindico. com o que toda Tropa e poso assás se satisfarão. Na resolução firme de não dar posse à junta efetiva. A propriedade daquele foi saqueada por uma força de linha. teve de fazer nomeações e promoções na guarnição. Povo e Tropa fazer este auto que todos assignão. –O que sendo ouvido pela câmara mandou que já officiasse a Exma. General Labatú. quando é cercada pela força armada. as atas e os livros roubados e entregues aos membros da junta. Não havia a garantia da lei. que devem ser levadas em conta. Cristóvão esta no trabalho de apuração. Ela reúne-se de novo para apurar os votos. para. prestou o grande serviço de manter a emancipação de Sergipe a favor da qual trabalhou. Junta do Governo desta província para que sem demora haja de dar uma prompta providência sobre o objecto tendente ao commandante das armas e a captura dos inimigos da nossa canta causa. na passagem do exército de Labatut. Exorbitou pela contigência das circunstâncias do momento. a escolha dos membros da junta efetiva. esqueceu os deveres de um governo honesto e moralizado.

filho da província e que no mesmo mês assumia a administração. o governo da junta provisória incrementou ainda mais o valor militar. o propugnador da emancipação de sua província. como pelas inúmera promoções e nomeações por ela feita. pela abundância da população mestiça. Além disto. não 198 . novos partidos constituíram-se. ainda que a administração não estivesse nas mãos de nenhum militar. chefe dos corcundas. não só pelo apoio que a guarnição prestou-lhe. cujo chefe era o capitão-mor José Matheus. Amaro. fez-lhe cometer o grande crime de sufocar a liberdade do voto criando para eles uma impopularidade e grande alteração da ordem publica. Cristóvão tendeu a interferir nos negócios públicos. Queriam ambos uma só coisa: a posse do poder. A ambição pelo poder que se apossou dos seus membros. como o eram os portugueses. que não tinha acesso aos outros corpos militares. Em 1823. composto de ricos e proprietários. não só ao conhecimento da realidade da emissão. depois de 1823 os partidos perderam grandes princípios e idéias que os nutrissem.atribuições não chegaram até aí. porém. Barros Pimentel. contra tentativas de sublevações. chefe da recolonização de Sergipe. Daí nasceu para a guarnição a consciência do seu valor e da sua força. O povo tinha uma ação de presença. senão o próprio brigadeiro Silveira. tanto mais presada por me deixar de acordo contra as sugestoens inimigas do systema adoptado. De 1822 em diante a guarnição de S. Cristóvão e Sto. É um verdadeiro dislate. O estado social de Sergipe não era favorável a uma calma e pacifica administração. Deixava-se dominar pelo abuso do poder de qualquer fração. contra a oposição de um partido alias forte. em janeiro de 1824. que a emancipação de Sergipe. no seguinte oficio: ―Illm. E ninguém pinta melhor o estado de coisas existentes . Todas as aclamações. presidente da junta. Ex. juramentos de constituição foram por ela promovidos. Os seus órgãos na imprensa nunca defenderam princípios e sim defeitos pessoais dos adversários. nem armamento. porque seria difícil ou impossível aclamar o príncipe regente e a independência. Eram destituídos de programas. José Matheus. O liberal. como a obstal-a por medidas terminantes. um corpo de batalhão dos pardos em S. Eis o trabalho administrativo da junta. desaparcendo o partido do elemento europeu poderoso na província. Deixava-se dominar por um infrene militarismo. que mais não se incandesceu por chegar na província. ―Imediatamente passei a dar providencias que V. se fosse somente o elemento popular quem a promovesse. Aumentou o numero de cadeiras de primeiras letras e latim. cujo chefe era José de Barros Pimentel e o corcunda. e Exm.. ―Recebi a carta de V. chefe também do partido liberal. Os corpos abundavam em oficiais e diminuiam em soldados. um batalhão de caçadores em Itabaiana. Senhor. o primeiro presidente nomeado o brigadeiro Manoel Fernandes da Silveira. criou um armazém bélico. As condições políticas existentes então eram muito diversas daquelas que existiam antes de 1822. dos retardatários. e me pareceram comcentaneas.Ex. indicou. Não havia disciplina. criou a repartição da secretaria do governo e a repartição da fazenda. Se naquele tempo havia um principio formador dos partidos.

.. acquiesce porque a força.. e ao Illmº e Exmº sr... as funcções da administração presente.. que para desafrontar os officiaes. Este Destacamento regressara. duzentas e cincoentas armas.. o não há sido somente pelo do Batalhão de primeira Linha. por copia. que depois de qualificadas repulsas ao recebimento do soldo. Por todos os commandantes dos corpos de segunda Linha.. me continue a communicar quanto similhantemente aconteça para não me mostrar huma vez desconhecido aquilo mesmo. por Patentes não confirmadas e illegitimamente concedidas. em que se achão semelhantes Defensores do Imperador e da pátria. como ao Exmº Governador das Armas a escolhas dos officiaes... mas com a excepção.. ―Recommendo muito e muito a V.. Ex.. ou não cunpridas. ―Os despachos. Parentes.. Alguns paizanos se nutrirão em tão minguadas circunstancias....... tendo sentido peiorar de forma digna de sizuda rezolução.. Ex.. a que se devera reunir.. a Quem de tudo darei conta. ultimamente se resolveu.. o não possa fazer sem choque risco de conflagração. Minha vontade existe inferior ás circunstancias do governo. e Euzébio Vanerio estavão de posse desta província. Os soldados pagos com o mair gravame das rendas publicas. desde muito havia huma parte primaria em similhantes desacordos e malfeitorias.... a officialidade do batalhão de primeira Linha.. dictadas pelas Leis.. rescindir hum despacho e substituir com que o Agressor arrogantemente quizesse.. exebida no officio...ou illudidas.. ―Depois que escrevi a V. Euzébio Vanerio.. e a despeito de ser essa medida menos austera e vigorosa a face dos imperiaes Decretos e de motivos mui poderosos para se suppor que umtal Batalhão não seja confirmada. A única força que nos circumda e existe armada nesta cidade.... O governo que me precedeu ou era um mero simulacro.. se dignasse de escolher a Fillipe Manoel de Castro. Cidadãos de toda consideração foram espancados em publico por assassinos fardados.... afim de colligir dos termos em que está concebido o estado de indisciplina.... de tal forma azesou aos mesmo officiaes..... Ex. as portarias. Já se diz que o Prezidente e Secretario serão despostos... ou quando.... demais a mais..Governador das armas dessa Província. Todos os termos de complecencia me tem sido baldado para alhanar amigos desafeitos a inconciliveis á ordem.... A Tropa de primeira linha ou para melhor dizer.... e munições milicianas. Portanto: como sou obrigado a manter e sustentar a Autoridade e Confiança quem em mimha se depositada e com as forças da Província. sendo sua missão sustentar e restituir a ordem.. ― Segunda – Dois officiaes de fazenda: hum que possa servir para Escrivão da Junta.. expedito. encabeçada pelo commandante Antonio Joaquim da Silva Freitas... he sem duvida o Batalhão inimigo. e como resolver sua Magestade o Imperador. e medidas decisivas.recommendado a V.. e fazer que os membros do Governo houvessem de cassar huma ordem. miseravelmente alguns destes achão-se premiados como duplicado accesso.. do em que estava. revela que depreque... que devera garantir assim mesmo a de que justamente se arrecea. Eis os inimigos árduos ao Governo actual.. Não era cousa extraordinária subir um destes desalmados a Palácio... Ex... que tranmitto a V. Fui aconselhado pela lei. o seguinte: ―Primeiro – que V.... bem que não sejão expedidas de galope para não incendial-os..... que sigo e agradeço..... 199 . porque. As ordens que se expedem ou são mal executadas.. e se V.. ―O mesmo. e..... Ex. que já o tem indicado. por evitar algumas supreza.. dando-lhe uma idéia concisa do estado em que achei esta província.. servirão menos para guarnecer a cidade.. enfim.. ou mais que um fiel mandatário. terá de tomar exatas contas a Euzébio Vabeiro. e á vista das criticas circumstancias em que achei a Província a reduzir a hum termo médio o arrimo dos soldos que se pagavão. por isso que. exacerbão o ódio e dasefeição dos sabidos inimigos da Pátria.. Amigos e conhecidos delles. não succeda de alguma forma o contrario do que tão justamente se deseja.. como de facto posso a depracar a V.. e outro secundário. Importa muito ocorrer a medidas correspondentes.. se covier. em nome de sua Magestade o Imperadr Constitucional e Defensor Perpetuo do Brazil. logo. e incorruptível. Ex. de conformidade com o Illmº e Exmº Sr....... muito fora do agrado deste Governo. arrogado Membro.. faça expedir quanto antese impreterivelmente para esta província em direcção ao Porto da Estância um destacamento de cento e cincoenta Caçoderes com os competentes officiaes. e. Ex..... O primeiro official deve de ser muito intruido em Finanças. a proporção que concilião o amor e a opinião geral.. Governador das Armas. e assim mesmo.. como já prticipei a V... Ex.

que expedir hum correio por terra a avisar-nos. que não permitao esperar pela Imperial Resolução. em 1 de abril. sem força para resistir. vinte e hum de abril de mil oitocentos e vinte quatro. Presidente da província da Bahia. a fim de fazer maioria no conselho. Admiramos o estilo eloqüente e a energia da frase como que eram redigidos os papeis oficiais desta administração. ― Quando concluo o presente officio tenho em consideração a Portaria de vinte e hum de Fevereiro pela qual a Sua Magestade o Imperador pela Secretaria d‘Estado dos Negócios da guerra. 200 . terceiro da Independência do Império. o brigadeiro Silveira. quando o presidente. um homem de um talento superior e de um espírito liberal. e por em pratica as Leis. para angariar para si as simpatias da guarnição. tenente-coronel Antônio Joaquim de Silva Freitas e o oficial Euzébio Valério. E á frente dela colocar-se-iam o comandante do batalhão. O partido corcunda. Assumindo o brigadeiro Silveira a administração no dia 7 de março contra ele revoltou-se a guarnição no dia 21 de abril. foge para a Estância: ―Habitantes da província de Sergipe! Brazileiros! O presidente. e responsabilidades. Os interesses políticos inspiraram na força publica o plano de uma deposição do presidente. e o mais preciso: emfim obrará a este respeito em forma que a salvação desta Província não perigue. As ordens não eram cumpridas. Eu confio muito em V.―Na Povoação das Laranjeiras continuar-se-há nas funcções administrativas te que possamos regressar em circunstancias de refazerem respeitar as Authoridades. como secretario. Francisco Vicente Vianna. Governador das Armas para não hesitar que satisfação com urgência ao deprecado. Exc. não há senão porque as preponderadas circumstancias m‘o instão. Em vista disto a administração compreendeu que não podia apelar para o apoio da força publica. ou antes do embarque do Destacamento. que tinha junto a si. haja de immediatamente. septuagenário. – Manoel Fernandes da Silveira‖ Descrevamos os acontecimentos. dignar-se-há a abonar por ellas as despezas do transporte. e igualmente depreco a V. Cristóvão. A tropa amotina-se no quartel e lança o pânico aos habitantes da cidade. ―Palácio do Governo de Sergipe na cidade de S. e prudência em qualquer alteração ou innovação. Realmente. por não ter recebido seus prets. como desejava porque estava coacto. adverso ao que apoiava a administração. ― Como não se duvide que nossa Província existão dinheiro de rendimentos desta por ahi arrecadados. e imperiaes ordens sem perigo de revolta. pela rapinagem que fazem os soldados indisciplinados. dificuldades que eram promovidas por cidadãos de alta representação. aproveita a oportunidade de divergência. não poderia arcar vantajosamente com as dificuldades que vinham de um estado social tumultuoso. se interponho todos os Protestos. Antônio Pereira Rebouças. Ex. hum mez de soldo ao mesmo destacamento. corre a authorisar o presente precatório. de uma sociedade cheia de ambiciosos. sobre quem caem principalmente os ódios do partido adverso. a que o Governo se veja forçado a proceder por imperiosas circumstancias de segurança publica. no dia 28 de abril. e no Illmº e Exmº Sr. O plano chega ao conhecimento do presidente. Ex. Ex. Cristóvão. à falta de dinheiro nos cofres. em vésperas de um importante pleito eleitoral. legitimo administrador da província. V. como o que se ia proceder dos membros do conselho provincial. se não fora Rebouças. Cumpre. porque nele vê a alma da administração e a energia decidido e franco. ―Deus guarde a V. não pudia cuidar do vosso bem ser. Entre eles figuras a seguinte proclamação espalhadas pelas ruas de S. como os corcundas de então. ultimamente recomenda a maior circumspecção. O que sem duvida. e Illmº e Exmº Sr. por isso. em caso de qualquer atentado.

Brazileiros militares o só facto de abandonarem os malvados. para garantir-nos. homens affeitos ao vicio se não podiam amoldar ao aceno. o commandante militar e por meios brandos. e vossos concidadãos. Um delles ainda tem o seu commando e obediência as armas. Em vez de alhanarem. apenas serviram para tornalos mais altivos e resolutos: Espera-se pela eleição do conselho. O gênio do mal suggere-lhes a revolta. tem sido a primeira encabeçada de violar nosso direito. os cuidam de arruinar de todo. por diurnos e nocturnos assassinos. a segurança. Eu as não posso. sereis lançados no antro do calabouço. Habitantes da cidade de S. ―Soldados voluntários! Políticos Agrícolas! Vossas baixas servos-hão conferidas. se abandonasse a descripçao! Seria digno de vós. As armas sim manejadas por pulsos brazileiros. ‖Minha dignidade. fosse atrozmente anniquilada com a ruína de um povo. em distracção do útil serviço. delegada pelo supremo Imperante. ambiciosamente frenticos e que se dizem brazileiros por adopçao. A opinião publica as aponta por taes.a tranqüilidade. Gênios exaltados e inexperientes. nem a voz da razão. tendo pervertido os nossos soldados. e já não tarda de vulgarisar-se que o presidente e o secretario serão depostos pelo batalhão de primeira linha. declama a opinião publica e sisudamente os accusa por motores de taes extraordinariedades. ―A salvação publica! A nossa salvação imperiosa m‘o instão! ―Dous portuguezes. si se deixasse em inação athé o momento terrível da conflagração dos horrores que ateasse o archote da insubordinação e da perfídia? Deixaria que a authoridade. porque com maior gosto e officio se empregassem nas funcçoes de seu edificante ministério! Brazileiros! ―São estes dous os seductores dos nossos concidadãos! Soldados! São elles que com a mira de obrigarem a initerrupta cadeia dos desvarios em que se nutriam. como se nos ameaça pelos próprios assasinos. Somente o látego da severa justiça os tornara em si. dirigirme e expor=me vossas queixas. que não conseguiam superar. guiada pela lei. sem receio de vos serem agravados. como dever sagrado. O outro julga a seu dispoor o dinheiro publico. mas de 2° linha. Habituada a obedecer e desobedecer. á agrado de seus mandões. decide-os igualmente de obstar com armas a posse de Conselheiros.. pois que se eu não vol-as providenciar logo. mas em contradição ao que indigitavam os zangões e parasitas. e quando vós outros vierdes trazer ao útil mercado o fructo do vossos trabalhos. a autoridade eminente que em mim delegou sua Majestade imperial. sempre vol-as attenderei justiçosamente. Não accederam. que um oficial militar.―A força militar. caracterisando-vos de inocentes ante mim. em tolher-lhe a sensibilidade.. que também estima e me estima?. Ires trabalhar como dantes por vosso offícios. Providencias que penhorariam a gratidão de pessoas insensíveis. ou assipoados a arbitrio de um insolente commandante. quando cercado de inimigos armados. ―A maioria dos votos vendidos aos beneméritos da pátria. Chritovão! Approxima-se o dia em que terão fim os espetáculos que vos atemorizavam e flagelavam! ―De então por diante não vereis espancarem-se pelas ruas cidadões conspícuos. Tendo novo acalmar-lhes a injusta cólera. ―Não Sergipenses! Casos extraordinários urgem medidas extraordinárias. nem devo difirir ou desprezar. Baldei medidas conciliatórias. vos certificareis. não pudia amalgamar-se com a administração de um presidente. enfim um governo sem coacçao. nem pelas requererdas. me instavam. paga a nossa custa. e ingenuidade. para empregarem tudo aos auspícios de nossa indulgência. Na povoação da Estância para onde retiro-me e onde pensarei somente que possa trazer paz. desenganando-os de acharem arrimo no Conselho. cuja convocação determinei em virtude da lei. Contra elles alto declama! Eu não posso serrar-lhes os ouvidos. podereis livremente procurar-me. legitimamente nomeados! Que! E de braços crusados me conservaria quedo. menos suspeita-la. Tratar úteis serviços de agricultura. de adestrar bellicamente os nossos concidadãos. justificará vossa conduta. não serem constrangidos a ignotos procedimentos. fosse espaldado no asylo da amenidade publica. O dinheiro que devia pagar o soldo a tantas ajudantes e sargentos mores para pela penúria. O dinheiro que deveria pagar tantas pensões e outros tantos parochos. exarcebaram. ―Enfim Sergipense (Deus nos ajuda!) uma completa administração. para vossa felicidade! Viva a Santa Religião! Viva o Imperador Constitucional e Defensor Perpetuo do Brazil! Viva a Independência e Systema Constitucional! Vivam os Brazileiros! Palácio do Governo de Sergipe 28 de abril de 1824 201 . e contemplados de amigos desarmados Acaso o presidente da província merecia louvor. chamasse á ordem os indóceis e insuburdinados: chamei-os. nem com assombro. não achareis na degradação o premio da industria agrícola a manufatura.

revoltou-se por ver o autoritarismo e a prepotência que a aristocracia de Sergipe exercia sobre o povo. Antonio José dos Santos. perante o Imperador. tomando posse a 5 de junho. Ainda estavam bem vivas na memória de todas as violências praticadas sobre o povo. Seu domínio tornou-se violável. principalmente a população mestiça. exaltou-se contra a nobreza dos corcundas. Os portugueses foram maltratados. Em todas vimos como libelo de acusação. Os oficiais são presos e enviados para a Bahia. por intermédio do comando das armas que as sanciona e fundamenta. Compreende-se que a propagação destas idéias pela eloqüente demagogia de Rebouças. pelo partido que apelava para as tradições de nobreza. Fidelis José Sapucaia. Foi grande a vitória do partido do governo. que volta a S. espírito revolto. Luiz Francisco das chagas. Todos lembravam-se dos fatos de 1820 e 22. Rebouças. e seus filhos. Domingos José Jaquitibá. e dos representantes da administração. onde as questões de nobreza de família são tradicionais e aventadas por qualquer motivo. Bernardinho José Pau Brasil. José Alparcas. e que um pardo podia ser até general. o soldado Domingos. e seus bens sem garantias de lei. apelidado pelos aristocratas partido de mata caiado os quais por sua vez chamavamnos caiporas. e seu pai Bento Gaspar. e por isso mesmo deixou-se por ela embriagar e excedeu-se. que veio da Bahia. A posição oficial de Rebouças mais animava os excessos. As representações sucedem-se contra ele. 202 . apontando-o como um revolucionário. Os soldados abandonam os oficiais e vão buscar o presidente Fugitivo. espírito livre. no dia 25 de julho. que revelaram a prepotência lusitana e a existência de uma camarilha que depôs Burlamarque e anulou a emancipação de Sergipe. submetidos a conselho de guerra. O povo. ouvindo de Rebouças as teorias de igualdade. à extinção de tudo quanto é branco. Não era tal. à extinção de tudo quanto é do reino. o sapateiro Miguel Gomes e seus filhos. a prepotência que queria manter o partido corcunda. De entre os apologistas de Rebouças que formavam seu partido. Severino Crioulo. O capitão-mor Silvestre Gonçalves Barroso Boticudo. e a igualdade de sangue e de direitos242. agora. recebendo-as de todos os pontos da província. sendo recebido com festas populares. partido na opinião deles verdadeiramente revolucionários os princípios membros moravam em Laranjeiras e eram. 243 Por diversas vezes Daltro envia representações contra ele ao Imperador.ofereceu-se oportunidade para as vinganças. O comando militar é então entregue ao coronel Manuel da Silva Daltro.Manuel F. dizíamos. 242 Este fato é levado ao conhecimento do comandante das armas em uma em uma carta anônimas assinada por Philioordino. os excessos da aristocracia. Agora que idéias mais livre eram incutidas na opinião pelo secretário Rebouças. da Silveira‖. capitão Borges Pau da Moda. um promotor de alterações da ordem pública 243. que ele pregava que o mulato fosse igual ao branco. Filisberto de tal. Manoel José Bernardinho.. A paixão e o ódio apoderaram-se de seus membros. O efeito produzido na opinião pública foi favorável à administração. feriu de perto o espírito aristocrático da província. a quem chamavam caiporas. alma rebelde. Em um festim em Laranjeiras. Dionízio Jacaré. alferes José de Meio Travassos e seus filhos. a que chamava maroto. levantou três brindes. Cristovão a 8 de maio. que tratava de fazer propaganda contra o privilégio de raças.

Daltro esquecia o posto que ocupava. em períodos anteriores. agora estava absolvido. Deus Guarde a Vossa 203 . de onde chegavam queixas. Henrique de Araújo Maciel244. em que foram levantados morras aos marotos. Aliou-se ao partido oposicionista à administração. Eles entraram no exercício de seus postos. as 244 Como co-réu da deposição que quis a guarnição fazer em 29 de abril. Daltro chegava excursão feita á fronteira de São Francisco. Como prova damos a passeata em Laranjeiras. nem sempre podia domar o seu entusiasmo. sempre abafada. o coronel José Rodrigues Dantas e Meio e Major Manoel de Deus Machado. Quis defender os direitos de seus concidadãos. Daí o ódio. que na força pública sempre viu um poderoso auxiliar. 245 Em nome do Nosso Augusto Imperador. O levantamento do povo se fez sentir com excesso em todos os pontos da província. e projeta depô-lo. Subleva-se a tropa na noite de 1° de novembro. e o coronel José Mateus Leite Sampaio e outros.Lutou contra tais hábitos e pregou a igualdade perante a lei. a guarda do brigadeiro Domingos Dias Coelho e Melo. Opôs-se às pretensões que queria o partido corcunda exercer. e as nossas vidas que estão em perigo. para ingerir-se nas lutas partidárias. depois do festim aludido. Espírito incandescente e que levava às ultimas conseqüências práticas os seus princípios. que fugitivo por algum tempo. as representações. Espalha-se a noticia de que projeta-se uma representação ao governo. o padre Francisco Félix Barreto de Menezes. pois hoje mesmo há declaração de Republica. O coronel Daltro envolveu-se na agitação dominante. O descontentamento plantou-se na guarnição. A conseqüência foi uma completa desarmonia entre o elemento militar e o civil. com o concurso de Henrique Maciel. sendo substituído por um irmão do presidente . pelo que não exercia suas funções de membro do conselho para que foi eleito. deixando no meio daquela sociedade o gérmen da liberdade. Já vimos. que por mais de uma vez os partidos apelavam para o apoio da guarnição. José Fernandes Chaves. projeta depor o governo civil no dia 8. Ele foge para o Rio comprido. O partido de Daltro acaba de obter uma vitória no julgamento da relação da Bahia. pedindo a deportação dos portugueses. sobre os oficiais culpados na deposição de 28 de abril. algumas de verdadeiros saques aos portugueses. Não podemos contestar que algumas vezes se deixou exceder. Do partido oposicionista faziam parte o coronel Daltro. José de Barros Pimentel. pela franca intervenção de Daltro no resultado da sentença sobre os culpados. e para isso convoca as forças de Itaporanga245. que se espalhavam em Alagoas e Sergipe. e da Nação determino a Vossa Senhoria escravos. como português que era. onde fora pesquisar os revolucionários de Pernambuco. membros do conselho. Do partido do governo: Rebouças. e agregados. para poder-mos defender o Trono do nosso Augusto Imperador faça já marchar para esta cidade essa companhia de Itaporanga. desarmonia que veio ainda mais agravar as condições de paz e ordem em que vivia a sociedade de então. Daltro. Suas determinações não o levaram até aí somente. estava entregue á justiça pública. e todos os seus morador . E nisto cumpria o dever. contra o prestígio do governador civil. e poucos soldados temos para essa defesa.

Tornava-se impossível continuarem na administração civil e militar Silveira e Daltro. e firma supra ser do próprio conteúdo. a vista do estado em que se acha a causa publica. E concluiu. Presidente ponderado ao Exm. por ordem do Excelentíssimo Senhor Comandante das armas. que cuidaria. Conselho com a relação dos fatos. em que a Guerra civil alteasse. S. talvez porque quase todos os militares o desobedecerão. que. e já. e Francisco Felix Barreto. Conselho. e já com todo Destacamento para esta cidade.” Reconheço a letra e firma retro ser do próprio contheúdo. que era preciso sufocar. São Cristovão de Sergipe d´El-rei onze de Novembro de mil oitocentos e vinte quatro . e Gonçalves Valença. M. Presidente o notável procedimento. Imperial: ―Ponderou mais que. e enfim reclamou o testemunho do mesmo Exmo. Cristovão de d El rei onze de Novembro de mil oito centos e vinte quatro. Joaquim Antonio Peixoto. Em testemunho de verdade estava o signal publico Joaquim Antonio Peixoto. os Srs. para restabelecer a ordem. olhando para ela. e balia. e cidadãos comprometido perante este mesmo governo em conselho. onde se reunio Exm. José de Barros Pimentel. pólvora. Foi pelo Exmo. resolvesse com o acerto conveniente. Comandante das armas. cumpria que o Exmo. O perigo público era iminente. e Palácio do Governo. convocando o dia três para quatro de Outubro. que tem empregado o mesmo comandante das Armas contra a existência do Governo. João Fernandes Chaves e Manuel Vicente Carvalho e Aranha. Conselho sobre o estado alarmozo. Terceiro da Independência.de laranjeiras246. não melhorou contudo de conduta: Expoz o mesmo Exmo. Convinha salvar a sociedade de uma sublevação. e cidadãos pacíficos dando mais evidente idéia do estado de consternação. não só Corpos de Segunda Linha. por não comparecer os actuaes. e às determinações de S. quanto estivesse de sua parte. em que se viam as Famílias. na salla das Sessões. capital da Província de Sergipe. e da Nação. São Cristovão de Sergipe d El-rei onze de Novembro de mil oito centos e vinte quatro. em que estava a cidade. depois da conferencia de 9 de agosto. Reconheço a letra. Quartel General de Sergipe seis de Novembro de mil oito centos e vinte quatro. Conselheiros Manuel de Deus Machado. em oposição à boa ordem. 246 Marche já. e os Srs. José Rodrigues Dantas e Mello. como os Índios das Aldeãs de Pacatuba. pois assim lhe determino em Nome do Imperador. tendo sido dado o Governo para seu Regimento a Lei de vinte de outubro. 204 . Ilustríssimo Senhor Alferes Manuel Ignácio Soares. e se quiser defender o Trono Augusto da Sua Majestade Imperial convoque. declaradamente. Senhor cadete Comandante do Destacamento das Laranjeiras. não o efetuando. tendo-se o mesmo Comandante das Armas comprometido perante este mesmo governo em conselho. e Japaratuba para atacar a cidade de São Cristovão sob o pretexto os mais absurdos. na Parada do Rosário pronto para marchar para Sergipe. do Rosário247. Reconheço a letra e firma retro ser do próprio por comparação. Sebastião Gaspar de Almeida Boto. Senhoria muitos anos. o presidente convoca o conselho que resolve o seguinte: ―Aos oito dias do mês de novembro de mil oitocentos e vinte quatro anos. Em testemunho de verdade estava o signal publico Joaquim Antonio Peixoto. praticado pelo commandante das Armas. medidas hostis. Em testemunho de verdade estava o signal publico. e Comandante interino. Presidente Manuel Fernandes da Silveira. Manuel da Silva Daltro Comandante das armas. e do Imperio. que o Exm. que mataria preciosas vidas.” 247 Queira se achar amanhã três do corrente pelas dez horas da manhã. e venha consigo isso já. que foram convocados para tractar do restabelecimento da causa publica em perigo. arrancando o momento. Comandante das Armas Manuel da Silva Daltro desde a sua chegada a esta Província sempre caminhou fora da linha de seus deveres. Quartel do Maruim dois de Outubro de mil oito centos e vinte e quatro. Christovão. nesta cidade de S. a propósito de um movimento revolucionário republicano. Em nome da salvação publica. Manuel da Silva Daltro. trazendo todo armamento. e cidadãos conspícuos. Ilustríssimo Senhor Brigadeiro Domingos Dias Coelho e Mello. Quartel General de Sergipe seis de mil oitocentos e vinte quatro. O plano de deposição transpira e chega ao conhecimento oficial.

que foi chamado. Francisco Gonçalves Valença. responder sobre o ponderado. João Fernandes Chaves. e confiança publica. Comandante das Armas Manoel da Silva Daltro. Presidente feita a relação abrevidada dos factos pelo mesmo Commandante das Armas. promettendo. estando em Sessão permanente o Governo da Província composto do Exmos. fomentados pelo sobredito Comandante das Armas. porque era susceptível pertencer a um dos Partidos. Manoel Vicente de Carvalo e Aranha. Manoel Ignácio da Silveira.‖ 205 . De que para contar se fez a presente acta. que achava em circunstâncias tão extraordinárias. e demais estar ameaçado duma hidropisia pela falta de respiração. que pelo motivo de moléstia que padecia. José de Barros Pimentel. Manoel de Deos Machado. perpetrados contra a boa ordem e segurança publica. Francisco Gonçalves Valença. Manoel Vicente de Carvalho e Aranha. Manoel Ignácio da Silveira. mez e anno. continuando a Sessão. secretario o escrevi. José de Barros Pimentel.―Resolveu o Exmo.‖ ―No mesmo dia. que entretanto se reunira: comparecêo o Exmo. Manoel Vicente de Carvalho e Aranha. Sr. que. Manoel Fernandes da SilveiraPresidente. que por esse impedimento se retirava a sua casa. prometendo. e que porque o Governo sabia que aqui não podia restabelecer por falta de remédios. que se ia retirar para fora da Província. E sendo pelo Exmo. que sofria. mez e anno. resolvendo o Governo sobre quem deve recahir o comando interino das Armas no seu impedimento. Commandante das Armas Manoel da Silva Dantro. Commandante das Armas Manoel da Silva Daltro. Francisco Gonçalves Valença. foi apresentado ao Governo uma Partecipação do Exm. Presidente e Conselheiro acima declarados. foi respondido pelo mesmo Comandante das Armas Manoel da Silva Daltro. entretanto o mesmo Governo em Sessão permanente. Francisco Gonçalves Valença. foi respondido pelo mesmo Comandante das Armas Manoel da Silva Daltro. que assim praticara para destruir uma facção que lhe era denunciado. em virtude da Resolução antecedente. era participar ao Governo. João Fernandes Chaves. Manoel Ignacio da Silveira. E sendo pelo Exmo. vindo assim a não ser útil ao Imperador e á Nação. Do que para constar se fez a presente acta. que pelo motivo de moléstia. ―Eu Antonio Pereira Rebouças o escrevi. junctamente com o Ilmo. De que para constar se fez a prezente acta.‖ ―No mesmo dia. José de Barros Pimentel. ―Resolveu o Conselho estar pela Participação do Comando das Armas. ficando. que se oficiasse ao Exmo. Francisco. que se ia retirar para fora da Província. Manoel de Deos Machado. perpetrados conta a boa ordem e segurança pública. eram assim o de ficar reunido ao Governo da Província o Comando das Armas. e salutar. Presidente feita relação abreviada dos fatos pelo mesmo Comandante das Armas. Conselho. inxações em todo corpo. ―Eu Antonio Pereira Rebouças. que assim praticara para destruir uma facção que lhe era denunciada. portanto. juntamente com Ilustríssimo Sr. ―No mesmo dia. tendo de recahir o Comando interino em alguns Officiais Militares. dizendo que não era occulto ao Governo as moléstias que soffreu de estupor na marcha. que. De que para constar se fez a presente acta: Eu Antonio Pereira Rebouças o escrevi: Manoel Fernandes da Silveira presidente. secretario o escrevi . Comandante das Armas para vir perante o Governo quanto antes. e mais. mês e ano. o meio idôneo. nem por isso se acabariam as dissensões. ―Eu Antonio Pereira Rebouças. por ser athé medida tão conveniente. estando em Sessão permanente o Governo da Provincia composto dos Exmos. em virtude da Resolução antecedente. presidente. que foi chamado. e Professores. Manoel de Deus Machado. que entretanto se reunira: compareceu o Exmo. Presidente e Conselheiros a cima declarados. Conselheiro José de Barros Pimentel. se propunha participar ao Exmo. Governo. existentes. Manoel Vicente de Carvalho e Aranha. que fez para a beira do Rio S. João Fernandes Chaves. Manoel Fernandes da SilveiraPresidente. Manoel Ignácio da Silveira. e que logo que estivesse restabelecido se apresentaria.Manoel Fernandes da Silveira. capaz de destruir esses taes Partidos restabelecendo a harmonia. Conselheiro José de Barros Pimentel.

preparou um bom terreno. tomando posse a 15 de fevereiro de 1825. que foi dirigida por Manoel Clemente Cavalcanti de Albuquerque. contudo prestou o inolvidável serviço de restringir as ousadias do militarismo e da aristocracia levantando uma opinião pública e defendendo os direitos do povo. conculcados pelos prepotentes da época. 206 .Se a administração de Silveira não promoveu realização de melhoramentos que se tornava inadiáveis. Em vista das medidas enérgicas postas em prática. para a fatura administração.

Edificou o palácio de S. Alistaram-se voluntariamente alguns cidadãos a marchar para a guerra. promovido pelo tenente-coronel Manoel Rodrigues Montes. Mudado todo o pessoal dos negócios públicos. Membro de um partido. Cavalcanti de Albuquerque teve de dirigir sua atenção para melhoramentos que se tornavam inadiáveis. abusando do poder. embarcando-se em Aracaju. ainda hoje existente. em começo de 1827. desde 2 a 10. contra não só os desatinos. filho da província e imbuído das paixões que se agitavam entre os membros dos dois partidos. nos espaços do conselho. Já estava então na administração interina Manoel de Deus Machado. O poder municipal não encontrou apoio na administração. como membro do conselho mais votado. que tinha provisoriamente sido anexado à presidência da província. Cristovão. Tornou-se um administrador partidário. O comando militar. o batalhão 26° de Infantaria. tinha de prestar seu contingente na defesa nacional. Daí os acontecimentos dos dias de janeiro de 1828. Não só administração civil. Manteve a maior harmonia com o comandante das armas. autorizou o calçamento de Laranjeiras e S. de Montes. MOVIMENTOS DE ABRIL DE 1831 Elementos inteiramente estranhos às paixões que se agitavam por esses tempos. Sua administração não seguiu os ditames da justiça e da imparcialidade. que formava então uma só comarca. que não levou a cabo. para protestar contra fraude eleitoral.CAPITULO II SUCESSORES DE MANOEL FERNADES DA SILVEIRA ATÉ 1831. A administração da justiça foi entregue também ao Dr. como as ofensas que este dirigiu aos membros do senado. Joaquim Marcelino de Brito. como a administração militar. passaram a ser exercidas por novos funcionários. durante os quais a câmera esteve de sessão permanente. a província voltou à paz e à ordem. Cristovão. passava em 24 de outubro de outubo de 1825 à direção do brigadeiro Inácio José Vicente da Fonseca. Em sua administração recebe a comunicação do governo imperial de ter declarado guerra às repúblicas do Rio da Prata. não poupou esforços para sua vitória na eleição. a casa do trem militar. Tendo estado 207 . para manter sua autoridade. Por te falecido em dezembro de 1826. Sergipe. tomando posse do seu cargo. tomaram a direção dos negócios públicos. que nesta data. IDÉIAS REPUBLICANAS NA ESTÂNCIA E BREJO GRANDE. nos pleitos que então feriram-se para deputados á assembléia legislativa e membros da câmera da cidade de S. tomou posse de seu cargo. como as outras províncias. em 9 de março de 1825. Cristovão e promoveu os meios da edificação de um quartel. despachado ouvidor de Sergipe. que à força queria tomar posse do lugar de seu presidente.

em sessão permanente seus membros a reclamarem providência, tiveram de ceder ao peso dos desvarios do poder. Propagavam pela província idéias republicanas emissárias dos revolucionários de 1824 de Pernambuco. Do norte ao sul eles percorreram-na, incitando o povo a instituir um novo regime de governos. Em Brejo Grande, Antônio José de Albuquerque Cavalcante e José de Albuquerque Cavalcanti propagam as novas idéias. São perseguidos por Bento de Melo Pereira, que desde que rebentou a revolução em Pernambuco, defendia a fronteira do rio S. Francisco. A mesma propaganda faz o padre Francisco, em Japaratuba. Os propangadistas fazem do engenho do sargento-mor Francisco Rolemberg seu ponto de reunião. O movimento no sul foi mais ativo. No seguinte ofício do comandante das armas Inácio José Vicente ao conde de Lages, o leitor verá a comunicação que fez ele da propaganda republicana pelo padre Manoel Moreira:
―Pelos meus officios anteriores tenho participado á V. Exa. as noticias que me tem sido comunicado pelo Comandante das Armas da Província das Alagoas, assim como a suspeita de haverem nesta Província Emissários destinados a seduzir os povos para fins sinistros; e tendo empregado toda a diligencia da minha parte, pude descobrir o que consta do depoimento, que por 248 cópia levo á Prezença de V.Exa. , e que igualmente passei ás mãos do Vice presidente , por ser a quem compete mandar fazer os necessários procedimentos : hum dos principais agentes mencionados no depoimento he o Padre Manoel Moreira , o qual tendo já sido prezo na ultima revolução de Pernambuco em uma Embarcação que foi aprezada, conduzindo armamento dali, para a Povoação da Estância , depois que foi solto nessa Corte, não tem parado , fazendo continuas viagens para o sertão de Pernambuco , Alagoas e pelas Villas e lugares desta Província ; já se acham presos alguns dos apontados no depoimento , incluso o Padre Moreira , e continuo na diligencia dos mais . ―Logo que pude certificar –me da existência deste criminoso ajuntamento , procurei informar-me de algumas circumstancias, como V.Exa. verá da Carta incluza de Manoel José Ribeiro
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Termo de Averiguação feito ao Ajudante de 2˚Linha da Povoação da Estância, Antonio Ignácio de Brito. Aos vinte três dias do mez de dezembro do anno de mil oitocentos e vinte seis, no Quartel do Commantante do batalhão n.26 o Tenente Coronel Antonio Joaquim da Silva Freitas, onde comparecéo acompanhado de um officio datado do mesmo dia, dirigido pelo Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Brigadeiro Governador das armas, para ser indagado dos acontecimentos que tiverão lugar na Povoação da Esteancia, em huma das noites do mez de Outubro próximo passado, em huma céa com assuada por hum ajuntamento de pessoas que a ella concorerrão: respondeu, que a céa foi dada pelo padre Moreira, Franklin, na casa deste da outra parte do Rio Piapitinga; e que sabe que assistirão a céa o Alferes Maximo das Ordenanças, o Alferes Victorino de Melicias, o Tenente João Alves, o estudante Lima, Antonio Agustinho paysano, e outras muitas pessoas que se não lembra dos nomes, e que sabe, posto que não assistice, que a saúdes da meza erão feitas á liberdade, e que ouviram gritos fora o imperador e que nessa occasião passando hum homem do campo foi surprehendido por elles, e por pancadas obrigado a dar os mesmos gritos; e que sabe igualmente que a casa do dito Franklin são freqüentes as seçõens sobre estes obijectos, e que tão bem sabe que das Províncias do Norte veio á mesma Povoação Martinho de tal ao mesmo fim. e que depois de dias se retirou. Sabe por ser publico na Estância que o Alferes Joaquim José da Rocha se propunha a saquear alguns negociantes, e que ouvio dizer que o quis pôr em pratica com o Major Potella, o que deu lugar a elle fugir para a Província da Bahia, e que outros se tem mudado da Povoação, hum e outros embarcados, e que para esse fim tem a Populaça a quem elle enthusiasma, e que sendo o interrogado commandante das rondas algumas partes deu ao seu Commandante o Coronel Manuel Ignácio, mas que esse não lhe dando ordem para prender o não executor. E nada mas disse, eu Manoel José deMagalhães Leal, Capitão que escrevi.-Antoni Ignácio de Brito, Ajudante. -Manuel José de Magalhães Leal, Capitão. _Antonio Joaquim da silva Freitas, Tenente Coronel Commandante.

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d‘Oliveira ; este homen foi proposto para Tenente-Coronel Refomado do Regimento de Cavalaria novamente organisado na Estância ; he homem de bem, rico, e estabelecido na Estância, mas como

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Illm.e Exm. Sr. -A vista do officio e V.Ex.que neste momento me foi entrege vou satisfazer do melhor modo possível, ao que V.Ex. me ordena, e serto na segurança, que V. Ex. me comunica hirei continuando quando occorrerem novos motivos: a 10 mezes pouco mais ou menos appareceu aqui hum Franquelin vinda da parte do Carires aonde consta foi envouvido nas desordens, que la ouverão ao norte daquelles; não legalisando a sua vinda por passaporte, também o não fez do estado de Casado: apoiado por alguns parentes achou muitas amizades de alguns mansebos, e mesmo de pessoas da primeira ordem que em sua casa se ajuntam para jogar, e tão bem fala: repetiam-se para fora algumas cousas, que se falavam menos decentes, mas como tudo se encobria com a capa do ódio dos Européos , e estes vivem abatidos apenas se contentavam de estranhar, estas e outras taes em políticas, mudando, passado algum tempo, a sua residência para além da ponte do Rio Piauytinga lá continuou a freqüência com mais calor : chegado aqui obra de 6 mezes o Padre Manoel Moreira obteve logo distinto lugar nesta sociedade : hum tal edjunto lá e ouzava as vezes suas desconfiança, mas desvancia-se esta com a lembrança, de que lá se achava tão bem algumas vezes o Coronel Manoel Ignácio, Capitão –mór Joaquim Fontes para jogarem, e outras mais pessoas desta natureza, as quaes não logram a melhor opnião pública: na noute de 22, ou 23 de Setembro passou a cousa maior excesso que ajuntando maior número de pessoas houve comezana, e bebida ém abundancia passou-se de caza a rua, a depois ao Rio, e em qualquer destas partes hé assás público se falar francamente em liberdade, igualdade se tratava o nosso Imperador com os Epithetos, que a modestia ma não permita pronunciar: as autoridades elevando de algum modo dar satisfação ficaram endolentes, tratando a cousa de liberdade, e bebedeira foi, mas eu sempre ouvi dizer, que a bebedeira serve para lançar do peito aquillo que nelle está occulto: as pessoas, que se acham nesta acção se póde V. Ex.informar com mais legalidade de José Alves Vicente, lemos mandando hir a prezença de V.Ex., e dirá tambem o mais que a este respeito souber, por que me dizem o obrigaram a acompanhar o ranxo : o Padre Manoel Pereira que foi um dos da sucia seguiu 2 dias depois para Masseyó, e regressou no fim de 2 mezes, este padre filho de paes honrados, e bons cathólicos , affeissuou-se ao sistema republicano, e foi hum teimoso emissário, e apaixonado de Manoel de Carvalho de Pernambuco, e recolhido a fortaleza de S. João de Masseyó, passou da li ao Rio de Janeiro, donde não ser por que fatalidade escapou ao castigo a que tinha justiça: voltando o que continuou na sua doutrina divergente da boa ordem, e de mais apostolo do atheismo, que vergonha! Estas, e outras pessoas, que por pecados a que se contam hoje da primeira representação, formaram o círculo das associações da Estância, aonde sem duvida se tratando do sistema republicano, e anequilamento do Governo Imperial, desfigurando-se a idéa constitucional como não existente: ou estas, e outras patranhas enganam o povo principal mesmo a mocidade anuncia-lhe assim como fiseram os Francezes a liberdade e igualdade, a bens communs para todos. Deferentes partes eu tive avisos de pessoa mals afeissoados, de que se falava em saqua na mesma casa, e mais alguma: nem me atirei em taes avisos, nem os desprezei para tomar algumas cautellas . Sendo chamado pelo Coronel Manoel Ignácio para conferenciarmos sobre isso que se fallava, lhe indiquei algumas providencias, que julgava precizas, mas tal vez lhe não agradarão, porque se não seguirão: queria eu, que se fizesse ver a V.Ex., e ao Governo de Sergipe o estado em que se achava essa povoação; que se prendesse Joaquim da Rocha Sá que tendo agregados a si muitos homens, e todos maus, era sempre procurado para qualquer insulto, e mesmo para que estes homens vivam só de fazer mal, e comer o gado alheio: ora nesta parte algumas providências tem dado o Capitão- mór David de Oliveira Lima que tem feito prender alguns do tais e com isto se tem afugentado outras. Este Joaquim da Rocha indo ao chamado de V.Exa. voltou da capital dizendo por ser do que avisado que não chegasse a Sergipe por que era lá preso talvez não fizesse conta a esse, que fez tal avizo , que elle lá chegasse para não descobrir o inredo. A chegada da tropa poz alguns temerato, e outros em fuga, ora se a sua consciência esta socegada de que se espantam: o certo he que aqui há solapa, e mui contatos serão os que não estão iscados : lembra-me a propósito, o que disse o Impperador na Bahia no Congresso de Vienna da Austalia, quando da Ilha de Elba entrou na França Napoleão; quando a causa não se via nada se de principio se tatasse como grande; mas que poderia ser grande , se de princípio se tratasse com nada, applico esta pratica para o caso prezente. O Capitãomór Jose de Mattos, Major José Correia ,juiz ordinário José Tavares Ferreira, e o mesmo Capitão –mór David, são homens probos, e podem dar a V.Exa. huma informação mas circonstamciada , mandando -os V.Ex. chamar a cada hum por sua vez e delles será enteirado athé do nome dos anarquistas. Deus Guarde a V.Ex.muitos annos .Estancia 25 de dezembro de 1816. De V.Ex. Súbdito muito attento Venerador e Obrigado – Manuel José Oliveira .

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he Europeo, e ainda nesta Província desgraçadamente são odiados pelos perturbadores da boa ordem, elle recêa que aparêça o seu nome, por ficar exposto á algum insulto, e até mesmo com perigo da sua vida, razão porque certifiquei-lhe que as suas communicações serião de confidencia e unicamente para esclarecerem-me as idéas precisas para o andamento do negocio, circumstancia que julgo necessária, visto que, tendo-se praticado tão criminozos attentados, estava eu ignorante de tudo, e até mesmo enganado por alguns officiaes de quem confiava. ―Este acontecimento merece muita attenção nestas Províncias do Norte, aonde há grande abundancia de escravos, que são nossos verdadeiros inimigos, e hum dos recursos com que contam os anarchistas, accrescendo além disto nesta Província há grande quantidade de vadios, facinorozos, sobre os quaes continuo a empregar todo cuidado a vigilância , pois são os perversos que tem espalhado temores e desconfianças sobre os povos; elles não tem recursos e apoio para a sua premeditada insurreição, porem tem toda a disposição para por meio da anarchia perpetrarem roubos e toda sorte de crimes; he quanto tenho a honra de participar a V.Exa.afin de que se digne igualmente levar ao Soberano Conhecimento de Sua Magestade o Imperador.- Deus Guarde a V.Exa. Quartel do Comando das Armas da Província de Sergipe,29 de Dezembro de 1826. ―Illmº e Exmº Sr. Conde de Lages. ―P. S. – Tão bem já fica preso o Alferes Joaquim da Rocha Silva. – Ignácio José Vicente da Fonseca, Commandante das Armas.‖

Sergipe não era um terreno preparado para frutificação dessas idéias. Se o autor dessas linhas, em 1887, quando organizou o partido republicano em Laranjeiras, com o concurso de bons amigos, a maior oposição que encontrou foi a indiferença, pela falta de cultura popular e de uma consciência clara dos deveres cívicos, que poderiam fazer o padre Moreira na Estância, e os Albuquerques em Brejo Grande?! A idéia não tomou corpo. E ainda que, pelos documentos do tempo, vejamos que em redor dela iam se agrupando as adesões, sedo os membros do governo mataram-na, infligindo as penas da lei áqueles que tomaram parte nas reuniões do padre Moreira. A administração de Inácio José Vicente, como a de seu antecessor, nada consignou de útil à província. Durante ela procederam-se às eleições para deputados à assembléia geral e membros do conselho. A administração acaricia a candidatura do vigário Antônio José Gonçalves de Figueiredo, português e um dos mais ardentes oposicionistas da independência do Brasil. Estavam bem vivas na memória de todos as perseguições que infligiu ele aos sergipanos e o grande serviço que prestou em Sergipe à política de Madeira. Esta candidatura determina a oposição dos liberais à administração ´que buscou apoio no partido corcunda . O próprio presidente era o outro candidato. Foi derrotado no pleito. Isto determinou a prática dos maiores excessos contra os liberais, que tiveram de retirar-se da província,à qual voltaram, depois da morte de Fonseca , a 11 de agosto de 1830 .

P.S. esqueceu-me dizer que Franquelin tendo se retirado com sua família para o Recôncavo da Bahia apereceu aqui repentinamente escoteiro na noite do dia 5 deste mez e sendo avizado voltou pello mesmo caminho nesta mesma noite, tendo primeiro brotado mesmo que com gente da Caxoeira voltaria para matar marotos e Brasileiros :corre agora nota não sei se certa, ol falsa, que José Dantas lhe declarasse no caminho, e não o podendo apanhar-lhe pegara um cavallo . Ausentou-se em avizo o Sr. José Alves do Valle , e Antonio Agostinho da Rocha, e alguns mais que se occultavam não apparecendo também dizem-se ausentara o heroe Joaquim da Rocha Silva. V.Ex. não se enfastia em escrita que hé feita sem ordem para que as causas também se contam diversamente, e não hé meu intento desacreditar ninguen sem causa.-Manuel José de Oliveira.

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Achava-se no comando interino das Armas Bento de Melo Pereira. Como membro do conselho voltou novamente à administração Manoel de Deus Machado, até maio de 1831. A situação era do partido corcunda. Este partido, que na vida imperial de Sergipe foi o prolongamento do partido colonizador, nas lutas pela independência e pela emancipação; que opôs-se a essa conquista liberal, sempre aliado ao elemento português; que vendeu S. Cristóvão aos poderes da Bahia ;que traiu Burlamarque ; que promoveu a deposição de Silveira ; que sentiu-se irritado contra a propaganda de Rebouças, sobre a igualdade dos cidadãos perante a lei, agora, em 1831, retardava, sem ter coragem de uma oposição franca , a aclamação de Pedro II . Chegaram em fim de abril, as notícias dos acontecimentos do Rio de Janeiro de 13 e 14 de março. O vice –presidente Machado e o comandante das armas Melo Pereira eram suspeitos ao povo, pelas tradições do partido a que pertenceu. No mesmo dia da chegada do correio amiúdam-se as conferências em palácio, nas quais tomam parte os portugueses, que dominavam a atual situação . O povo convence-se de que o partido do governo retardaria a aclamação do novo rei. Reúne-se na praça pública com a tropa, pede a convocação do conselho e intima- lhe não só a deposição do vice – presidente o comandante das armas, como de todos os empregados filho de Portugal, que exercessem cargos públicos na província. O povo considerava-os traidores, estendendo sua suspeita ao próprio administrador civil e militar. Pede também a retirada do destacamento de 1ª linha de Alagoas, que então achava-se em Sergipe, igualmente suspeito à opinião. Eis os documentos oficiais:
“Sessão extraordinária do dia vinte e nove de Abril de mil oitocentos e trinta e hum-Aos vinte e nove dias do mez de Abril de 1831, nesta cidade de S.Cristóvão capital da Província de Sergipe, no Palácio do Governo, e Salla das Sessões do Conselho do mesmo, compareceram o Exm. Sr.Vice-Presidente, e Conselheiros Luís Antonio Esteves, Ignácio Dias de Oliveira, Alexandre da Cruz Brandão, Serafim Alves da Rocha, e Antonio de Araujo Peixoto Bessa; e aberta a sessão, presente a Câmara Municipal desta cidade, foram lidas duas Representações, que hontem fizeram o Povo e Tropa reunidos, que moveram esta reunião extraordinária, as quaes são estas. -Primeira: Illm. e Exm. Sr.- o povo reunido e os abaixo assignados representam a V.Ex. o seguinte: Que quanto antes reuna o Conselho deste Governo para deliberar e dar providencias a certos Artigos, que tem de offerecer, afim de que em nome de S.M. o Imperador Constitucional o Sr. D.PedroII e a Regencia Brasileira, se satifaça a vontade do mesmo Povo e Tropa desta Província. Deus Guarde a V.Ex. Quartel em reunião do Povo e Topa desarmada em Sergipe 28 d’ Abril de 1831 .Illm. e Exm. Sr. Capitão mor Manuel de Deus Machado Vice – Presidente desta Província, Antonio José da Cruz e Menezes, Coronel Graduado e Comandante do Batalhão n.127 de 2ª linha, José Domingues de Souza Brandão, José Joaquim de Sant’Anna, Capitão Ignácio Marques de Vasconcellos, Alexandre da Cruz Brandão, Joaquim Moreira de Vasconcellos, Alferes José de Torres Jordão,Alferes da 1ª Compª, Florencio d’ Araujo Góes Tenente, Francisco Borges da Cruz Capitão, Marcellino Pereira de Vasconcellos, Antonio Manuel de Faro Leitão, Luis Antonio da Silva, Josá Malaquias Dormundo Rocha, Manuel Felipe Vanique, Silvério José Gomes, Francisco José Gomes, João José Gomes de Souza Prelelué, Tenente, José doValle da Penha Padilha Alferes, Manuel Francisco de Araújo Brazileiro, Manuel Benjamin da Rocha, Luiz Pereira Leitão, Vicente Ferreira de S. Paulo, José Joaquim Moreira, Antonio Soares d’ Andrade, Manuel do Amparo, Pedro de Ratos da Cruz Cabrinha, Rodolfo Caetano da Fonseca, João Chrisostomo, Manuel Ciriaco do Valle Neuma, Luis Moreira Jordão, José Manuel Pereira, Joaquim Ribeiro da Cunha , José Joaquim de Jesus, Pornício Ferreira, José dos Santos, José Nunes de Jesus Antonio da Cruz, Manuel Bonifácio: - Segunda: Illm. Exm. Sr. Vice –Presidente, - O Povo e Tropa reunido nesta Capital respeitosamente acaba de receber o officio de V.Ex. datado de hoje 28 do corrente pelas onze horas de noute;todavia não satisfeito com a demora da reunião do Conselho protesta a V. Ex. em Nome de S.M. o Imperador o Sr.D.Pedro2ª por toda e qualquer demora que passe de momentânea, significando á V.Ex. que casos taes exigem a maior brevidade. Designe-se pois V.Ex. a mandar logo e logo reunir o Conselho do Governo, que em

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tal caso podem servir os Supplentes até de hum voto , afim de que, ouçam a vontade do Povo e deliberem com justiça, na fórma da Constituição e da Lei, sem o que se não dissolverá o Povo e a Tropa reunida, affiançando porém a V.Ex. que se observará a maior tranqüilidade e público socego da parte do Povo e da Tropa reunida nessa Capital, assim como protesto em nome de S.M. o Imperador da Nação Brazileira por qualquer insulto ou perseguição que o pacífico Povo e Tropa possa receber de qualquer outra Tropa, que aqui não se acha reunida. Deus Guarde a V. Ex. Reunião do Povo e tropa na rua do Varadouro nesta Capital aos 28 de Abril de 1831 pelas onze horas da noute .Antonio José de Cruz e Menezes Coronel Commandante, José Joaquim de Sant’Anna Capitão, Ignácio Marques de Vasconcellos, Tenente, José de Torres Jordão Alferes da 1ª Compª, Joaquim Moreira de Vasconcellos Alferes, Luis Pereira Leite Particular Porta Bandeira, Manuel Joaquim de Araújo Brasileiro. “E offerecendo o Exm. Sr. Vice –Presidente todo o referido nas ditas duas Representações á Deliberação do Conselho, leu-se huma outra Representação que o povo e Tropa os dirigiram ao Exm. VicePresidente e Conselho, a qual hé a seguinte: - Terceira; Illm. e Exm. Sr.Vice-Presidente e Conselheiros do Governo – O Coronel Commandante do Batalhão de Caçadores n.127de 2ª 1ª do Exército Tropa e Povo a que reunidos, vendo que violentas infracções de Constituição se tem commettido nesta Província e dezejando a segurança da Tranqüilidade Pública, garantida pela mesma Constituição tem deliberado levar ao conhecimento de VV.EE. os seguintes quesitos, afim de serem justamente providenciado como urge o bem da Pátria. Primeiro: que seja demittido do Comando interino das Armas na fórma da Lei de 20 de Outubro de1823, o Coronel Bento de Mello Pereira, para responder as infracções que tem commetido, sendo para o mesmo nomeado o official de Patente superior mais antigo- Segundo: que sejam laçados fóra dos Empregos todos os indivíduos nascidos na Europa Portugueza por serem reconhecidamente inimigos da Constituição e do Thesouro Imperial bem como aquelles Brasileiros infames, traidores à sua Pátria: substituindo os ditos Empregos os Brazileiros da confiança Publica.Terceiro: que na reunião do Exm. Conselho sejam excluídos dous Membros delles o Portuguêz Vigário Geral Luiz Antonio Esteves, e o referido Coronel Bento de Mello Pereira, por serem assaz suspeitos. Quarto :que qualquer força contra a Tropa e Povo aqui reunidos será considerada como aggreção hostil, e em taes circumstancias o mesmo Povo e Tropa não hesitarão em vingar com todo o furor das Armas tamanha offença. Quinto:que o referido Coronel Commandantes do Batalhão n.127 a quinze meses preso por prepotente intriga do interino Commandante das Armas, fique em plena liberdade, gosando dos seus direitos, que lhe outorga a Lei, e que seja conservado no Comando do referido Batalhão, que por Concessão Imperial lhe foi conferido, visto que por sua probidade, intelligencia, patriotismo e bons serviços, se faz digno da opinião Publica, e de ser reconhecido por official Benemérito. Sergipe em reunião de Tropa e Povo vinte e nove de Abril de mil oito cento trinta e hum, décimo da independencia do Império. “Immediatamente em virtude do Art.º 3 da dita Representação se retirou o Conselheiro Luiz Antonio Esteves, e voluntariamente o Conselheiro supplente Antonio d’Araujo Peixoto Bessa. “Pondo-se em discurção o Primeiro artigo da citada Representação resouveo o Conselho depois de ouvida a Câmara Municipal, que fosse demittido do Comando interinodas Armas desta Provinsia o Coronel Bento de Mello Pereira, por assim instar a Cauza Publica, na forma do Artigo 24 § 14 da Lei de 20 de Outubro de 1823, e mais que o substituísse o Coronel José Antonio Neves Horta, por ser o official de Patente mais antigo, e que se officiasse ao mesmo para sua intelligencia, e devida execução. “Quanto ao segundo Artigo da terceira Representação do Povo e Tropa reunidos, deliberou o Conselho, que ficasse addiado para a próxima Sessão ordinária na parte relativa aos Empregados Portuguezes Civis e Eclesiásticos, que emquanto aos Militares se officiasse ao Commandante das Armas, para dar as providencias que forem análogas às circunstancias. “Resolveu o Conselho quanto ao Quinto e ultimo Artigo daquella Representação, que se officiasse ao Exm. Commandante das Armas, afim de, logo que tomar posse, fazer cumprir o mencionado Artigo Quinto e ultimo, como nelle se requisita. “E de tudo para contar se lavrou esta Acta, na qual assignarão o Exm. Vice-presidente, Conselho, e Câmara Municipal, que eu Francisco Benicio de Carvalho Aranha de Vasconsellos official Confirmado da Secretaria do Governo, do impedimento do secretario, escrevi.-Manuel de Deus Machado, Serafim Alvares da Rocha Rocha, Ignácio da Silva de Oliveira, Alexandre da Cruz Brandão, Antonio José Barbosa Leal, Innocencio da Costa Pinto, Francisco Gonsalves da Cunha, José Marques de Oliveira, José Domingues de Souza Brandão, Luiz Coréia de Caldas e Lima, Florêncio de Abreu Góes, Marcellino Pereira de Vasconcellos, Antonio Joaquim da Fonseca Neves. “Sessão extraordinária de trinta de Abril de 1831. “Aos trinta dias do mez de Abril de 1831, nesta cidade de S. Cristóvão, Capital da Província de Sergipe, em o Palácio do Governo e Salla das Sessões do Conselho, lida, approvada, e assignada a Acta antecedente presente

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o Exmº Sr. Vice Presidente, e Conselheiros e o Coronel José Antonio Neves Horta, Capm. Ignácio dias de Oliveira, o rev. Serafim Álvares da Rocha, o Capm. Alexandre da Cruz Brandão foi entregue huma nova Representação do Povo e Tropas reunidas, que hé a seguinte: - Quarta –Illmº e Exmº Conselho, a Tropa e Povo reunidos tem de mais á por na presença deste Exmº Conselho os dous quesitos seguintes, que, respeitosamente pedem o seu immediato cumprimento. Primeiroque o mesmo Exmº Conselho de quanto antes as providencias apontadas no Artigo da Representação de homem que condescentemente ficou adiado em que se pedio fossem demittidos dos Empregos Públicos todos os Potuguezes, ou Brazileiros nascidos em Portugal que se tem tornado suspeitos e de ma fé ao Systema que felismente nos rege, bem como todos aquelles que supposto tem o seu natalício no Brazil, na mesma forma tem incorrido no mesmo crime: por exemplo da Secretaria desta Presidência o Secretario della José Pedro de Faria, entrando no exercício deste Emprego hum Brazileiro de confiança Publica: da Administração do correio o Administrador della Manoel dos Santos Silva; da Administração da Fzenda Publica o Thesoureiro da mesma Francisco Soeres Vieira de Melo, o qual inda hontem no Acto desse Exmº Conselho deo, ou por melhor dizer confiremou a sua má fé para com o predicto Systema; da Barra do Cotiguiba o Patrão Mor della Ignácio José de Freitas, e o Fiscal da mesma João Coelho São Paio, da Cadeira de primeiras Letras desta Capital Antonio Jose Peixoto Valladares ; Finalmente todos os mais nas m esmas circunstancias, os quaes confiamos e entrgamos ao arbítrio do mesmo Exmº Conselho para o respeito delles executar na forma daquella requisição, bem como José Manoel Maxado e Joaquim Antonio Peixoto et cetera. Segundo, que de dous dias peremptórios seja retirado o destacamento das Alagoas, que guarnece esta Província para assim se evitar conflictos de jurisdicção entre o mesmo Destacamento, e a Tropa de Segunda Linha desta capital, visto que já tenha aparecido defeiçoens entre huns e outros soldados, e mesmo porque na faustíssima noute de 28 do corrente quando, divulgada a feliz notícia da Exaltação ao Throno Brazileiro do Muito Alto e Augusto Príncipe o Sr. D. Pedro 2º, congregados todos os Brazileiros Militares e Civis , só do predicto. Destacamento não se reunio hum só Soldado, antes correrão asseleradamente (suppõe-se que por ordem do seu chefe ) ao Quartel respectivo onde junctos esperavam, talvez o mais leve asseno das Authoridades para accometterem hostilmente a Brasileiros desarmados, que soltavam Vivas ao Nosso Monarcha Brazileiro, á Pátria, á Constituição e á Liberdade. Reunião da Tropa e Povo em Sergipe 30 de Abril de 1831. “E logo pondo o Exm. Vice-Presidente à discussão o primeiro Artigo daquella Representação, foi unanimmente resolvido, que fossem desde já demittidos provisoriamente todos os Empregados Civis e Eclesiasticos, nascidos em Portugal, até ulterior deteminação de S. M. o Imperador Constitucional o Sr. D. Pedro 2º a quemo Governo devia participar esta resolução que lhe extenciva aos Brasileiros apontados na citada Representação o Povo e Tropa reunidos. Pondo-se igualmente em execução a segunda parte da Representação foi resolvido que fosse mandado retirar para a sua província o destacamento de primeira linha aqui estacionado, substituindo-o as Milicias até Imperial determinação, effectuandosse a retirada no prazo de dous dias improrogaveis. “De tudo para constar se lavrou a prezente Acta na qual assignarão o Exmº vice-Presidente, Conselho e Camara Municipal, que eu Francisco Benicio de Carvalho Aranha Vasconcelos, official confirmado da Secretaria do Governo, no impedimento do Secretario o escrevi.- Manoel de Deus Machado. – Ignacio Dias de Oliveira.- José Antonio Neves Horta. – Serafim Alvares da Rocha. Alexandre da Cruz Brandão. – Antonio José Barbosa Leal. – Francisco Gonçalves da Cunha.- José Dominges de Souza Brandão. – Inocencio José da Costa Pinto. – Antonio Joaquim da Fonseca Neves. – Marcelino Pereira de Vasconcelos. – José Marques de Oliveira. – Luiz Correia Caldas. – Lima Florencio de Araujo Goés. (Sessão ordinária de 2 de maio de 1831). “Aos duos dias do mez de Maio do anno de mil oitocenteos e trinta e hum nesta cidade de S. Christóvão, Capital da Provincia de Sertipe no Conselho do Governo comparecerão o Exmº Vice – Presidente da Provincia, Capitão Mór Manoel de Deus Machado, o Coronel Bento de Mello Pereira, Capitão Joaquim Martins Fontes, e os Conselheiros supplentes o Capitão Mor Ignacio Dias de Oliveira, Tenente Coronel Manoel da Cunha Mesquita, e Tenente Coronel Antonio Rodrigues Montese o Rev. Vigario Geral das Cacantes Serafim Alvares da Rocha Rocha, por terem dado parte de doentes os actuaes o Ver. José Francisco de Menezes Sobral, Vigario Gonçallo Pereira Coelho e o Conselheiro José Pinto de Carvalho, que sendo chamado não compareceo. “Derão principio aos trabalhos da Sessão Ordinaia, mandando-se fazer a leitura da Lei de 20 de Outrubro de 1823, finda a qual exigio o Exmº Sr. Vice Presidente, que os Menbros do Exmº Conselho propuzessem e lembrassem o que melhor julgarem convir ao bem estar da Provincia. “Logo indicou o Exmº Conselheiro Rocha Rocha que a Camara Municipal desta cidade reuniada e mais cidadãos, que prezentes se achavão, receiozos coma noticia de que na Sessão de hoje se pretendia anular em todo ou em parte o que se havia deliberado e resolvido pelo Exm. º conselho nas duas ultimas Sessões extraordinárias de vinte e nove e trinta do mez passado pela menor falta e cumprimento dellas protestavão na prezença desta Excellentissimo Conselho levar o seu protesto de queixa à Regencia de S. M. o Imperador o Sr.

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que o Exm. o qual tomou posse a 23 de julho.Serafim Alves da Rocha Rocha.Manoel de Deus Machado. Foram improfícuos os protestos de Boto. offial confirmado da Secretaria do Governo. depois de Manoel de Deus Machado. que tomavam a feição de revolta. Vice Presidente de acordo com o Conselho marcou os dias sabbados. 214 . e ao tenente-coronel de estado maior. por ser o membro mais votado do conselho. que eu Francisco Benicio de Carvalho Aranha e Vansconcelos. de acordo com o comandante interino.. por ser José Pinto português. – Joaquim Martins Fontes. o brigadeiro José Antonio Neves Horta. Joaquim Marcelino Brito. Então. Sr. – Ignacio Dias de Oliveira. – Bento de Mello Pereira. e segundas para os trabalhos do mesmo conselho. presidente da província.” A José Pinto cabia o direito de assumir a administração. pelas urgentes providências tomadas pelo Padre. – Manoel da Cunha Mesquita. a fim de reivindicar os direitos de seu cunhado José Pinto. – Natonio Rodrigues Montes. no impedimento do Secretario. Do que para constar se lavrou a presente acta em que assignão o Exmº Vice Presidente e Conselho. Membro do conselho. Vice Presidente da Província sem a menor perda de tempo fizesse cumprir tudo quanto se havia resolvido nas ditas Sessões extraordinárias para o bem estar e segurança da província: ao que todo o Conselho reunido asseverou ser vaga a notícia que moveo ao dito Corpo Municipal e Cidadãos a comparecer nas salas das Sessões. “O Exmº. Ele resolve porém. José Joaquim Machado de Oliveira. escrevi. Sr.. comandante das armas.Pedro 2º e que de mais requerirão. O governo imperial aprovou o procedimento do Conselho e nomeou o Dr. que assumisse a administração o padre José Francisco de Menezes Sobral. Sebastião Gaspar de Almeida Boto convoca reuniões em Maroim e no Rosário.

Pelo lado político caracterizou-se pelo congraçamento dos partidos. abetas por seus antecessores. José Joaquim Geminiano de Moraes Navarro (1834). No período anterior pensava-semais nos interesse partidários do que no bem geral. O renome que já tinha na província do Dr. O segundo período. Joaquim Marcelino de Brito. Eles são: Dr. por iniciativa de Antônio José da 215 . abafou as paixões e fez uma administração que correu pacificamente.é um período de agitação de paixões políticas. com as feridas ainda sangrentas que lhe fizeram os promotores de sua deposição em 29 de abril. de critério e de ilustração. obstruiu as vias de prosperidade. por conseguinte não se acharem ligados aos interesses de família. em manter a ordem e a paz no seio da população.CAPÍTULO III GOVERNO DA REGENCIA. por Decreto de 9 de agosto de 1832 e preocupava-se com a canalização dos rios Japaratuba e Pomonga. Manoel Joaquim Fernandes de Barros (1836). que foi autorizada pelo Decreto de 25 de outubro de 1831: erigiu a vila de Laranjeiras. No período que se segue aos movimentos de abril de 31. em defender os direitos do povo. Marcelino de Brito. de rapinagem. Manoel Ribeiro da Silva Lisboa (1835). Principiaram a convencer-se de que o papel do administrador não é zelar os interesses políticos do partido a que pertence e sim o bem público. REVOLUÇÃO EM SANTO AMARO EM 1836 Os primeiro dias do governo dos delegados da regência foram dias calmos e pacíficos. as administrações colocaram em plano inferior esses interesses. de prepotência dos mandões. saturado das paixões políticas. estimulando a prosperidade geral. que se caracteriza pela iniciativa do governo em promover o melhoramento da província. tão convulcionada pelos acontecimentos passados. Ele começa na adminstração de Bento de Melo Pereira. e pelo lado administrativo caracterizou-se pela defesa da prosperidade pública. Além disto eram homens de reconhecida competência pelo caráter. pensando mais na prosperidade pública. e. pelo talento e pela ilustração. elevando a justiça acima de todos os interesses e paixões pessoais. fez com que sua nomeação fosse bem vista e geralmente bem aceita. ignorante. tão alterada nos dias de abril. Apresentou medidas para melhoramento das barras e das estradas. Contribuíram para isto não só a maior disseminação da instrução como os primeiros administradores não serem filhos da província. que se estende de 1836 a 1842. de desprezo da lei. mantendo a ordem e desenvolvendo o progresso. Todos viram na pessoa do novo presidente a garantia de seus direitos e da ordem pública. Dr. no desempenho do cargo de ouvidor que exerceu em 1825. pelas provas de uma inteireza de caráter. a fim de facilitar as vias de comunicação: lembrou a transferência da sede de vila de Santa Luzia para a Estância.1836 forma o primeiro período da regência. Acabou as dissenções. Dr. que por ser natural da província. de assassinatos. Dr. em ampliar a instrução pública. O período de 1831. aos interesses de uma política local.

levando a navegação até o rio Vaza-Barris. e não houve a menor alteração. Para isso teve de pedir ao governo geral um engenheiro para dirigir os trabalhos. porque ele queria comunicar os rios da província.253 O estado financeiro da província não permitiu a realização deste gigantesco projeto. Apont. para chegar a navegação até o rio poxim e o de Sta Maria. e enquanto pede auxílio aos cofres gerais. estabelecendo assim uma navegação fluvial. que tomou posse em 29 de Outubro de 1833250. Francisco até o rio Real. sobrea navegação dos rios Pomonga e Japaratuba por um Japaratubeiro. para facilitar a exportação dos produtos da bacia de Japaratuba. quando foi demitido. Não se pode contestar a Silva Travassos a iniciativa deste importante melhoramento e de outras medidas. Navarro seguiu a mesma linha do seu antecessor. Refutação ao memorial do comendador Antônio José da Silva Travassos. em uma petição dirigida à câmara de Santo Amaro. o outro entre este rio e o Pomonga. p 44 216 . ampliando o plano.J. desde o S. abre uma subscrição para encetar as obras. porque ali eram depositados os gêneros exportados de Japaratuba. A idéia da canalização dos rios Japaratuba e Pomonga quis pôr em prática. Ele representa a manifestação do espírito de revolta contra a política autoritária dos mandões de então. que juntamente com Travassos exploram a província e. depois de três meses de trabalho. José Antônio de Oliveira e Silva (1852). não obstante a contestação de alguns seus comtemporâneos. Manoel Ribeiro da Silva Lisboa. adiaram a realização desse melhoramento. para comunicar o rio S. apresentam seu relatório do seguinte plano de canalização: um canal entre o porto da Goiaba e Riachuelo Timbó.Silva Travassos. que só veio ter começo de execução na administração do Dr. outro entre o rio Paraí e riacho Farinha. 252 Foram eleitos Antônio Fernandes da Silveira e Joaquim Martins fontes. convoca os lavradores de Sergipe na vila do Rosário. Da Provincia de Sergipe.251 O simples fato de ter Travassos. da S. Plano gignatesco este de ligar os rios da província. e levantar a carta histográfica. ao Dr. Os caprichos da política e os isteresses dos trapicheiros de Maroim. porque passou a administração. no começo do ano de 1835. Travassos figura na política de Sergipe no tempo da regência e no segundo reinado. lembrado a realização desse projeto. Dele falaremos adiante. com a abertura do canal entre Japaratuba e Pomonga. Inácio Joaquim Barbosa (1854). que não acariciou candidaturas mantendo-se completamente estranho à luta dos partidos. José Joaquim Geminiano de Moraes Navarro. E topogr. 253 A. em 2 de outubro de 1828. Cit. Os pleitos eleitorais eram causas ocasionais de alteração da ordem. Não realizou sua aspiração. sendo concluído na administração do Dr. em março de 1833.. Travassos . p. estabelecendo uma navegação interna. O governo Imperial atende à reclamação de seu delegado e manda o tenente coronel de engenheiros Euzébio Gomes Barreiros. demonstra a parcialidade da contestação. Além das 250 251 Antonio José da SilvaTravassos . levando-a até o rio Real. op. qua facilitasse as vias de comunicação tão atrasadas. para realizar melhoramento de tão grande monta. que se julgaram prejudicados coma abertura do canal de Japaratuba. 42. Na administração de Brito feriu-se o pleito para deputado à assembléia legislativa252 e membros do conselho. Francisco com Japaratuba. tal o restígio da autoridade do presidente. passando a administração ao Dr. Hist.

Porto da Folha. Estabeleceu o regímen da publicidade dos atos oficiais. e nesse ano imprime-se o primeiro jornal. 254 Decret. De 6 de março de 1835 217 . Estabeleceu o provimento por meio de concurso. Estabeleceu na Estância o ension da filosofia e da língua francesa. ter-se-ia antecipado a realização desse melhoramento. Na administração de Navarro teve lugar a primeira sessão da Assembleia Legislativa. Sergipe já tinha certa emancipação política e administrativa. da Capela de Maroím. Os dinheiros do erário público não eram fiscalizados. Vimos que o primeiro jornal foi criado em 1835. com onome de Noticiador Sergipense. tratou de pôr em vias de realização este melhoramento. não poderiam vencer os hábitos de arbítrio das autoridades e da pouca observância dos preceitos legais. Havia uma causa muito poderosa para não só terem-se eles implantado. e com o fim de garantir a autonomia do Estado. Aumentou o número das comarcas da província. Havia já em Sto Amaro o enisno do latim e ele transfere a cadeira para o Rosário. que foi por ele aberta. com uma inevitável conseqüência. ampliou os reucursos da justiça. corpo que já existia. que até então não eram publicados. entregue a mãos vingativas. Nem sempre a lei era a garantia dos direitos do cidadão. prestava-se à satisfação de paixões pessoais. e de alguns do primeiro reinado. elevando-o a duzentas praças. e os agentes da arrecadação nem sempre prestavam suas contas. como governador de Sergipe. determinaria o povoamento rápido. Compreende-se perfeitamente que sem cultura popular. ficando seus promotores sem punição. E convicto disto foi que o autor destas linhas. não só pelas ligações políticas que os protegiam. E esse descuido era quase que absoluto. Criou 7 cadeiras de primeiras letras do sexo masculino e outras tantas do sexo feminino. que chegava a vencer a ação da lei. O pouco tempo que duraram estas adminstrações foi insuficiente para acabar os abusos que se ptaticavam na província. não há a compreensão nítida dos deveres sociais. dando uma nova divisão aos municípios e termos. como pela força do elemento de família. cujos benefícios se poderia aquilatar pela emancipação do comércio. extinguido a Thomar do Geru. A justiça. Além de disseminar a instrução. depois da proclamação da Repúblia. Era o descuido da legislação colonial relativamente a instrução e sua distribuição pelas camadas sociais. como não serem prontamente e em pequeno período de tempo corrigidos por algum administrador que tivesse a consciência clara de seus deveres. Por maiores que fossem os esforços destes adminstradores. como importante fator da civilização.vantagens reais de unir as zonas produtoras. Santo Amaro de Maroím e Vila Nova254. Cristóvão. elevnado-as a quatro: S. Elevou a vila a povoação de campos de Itabaianinha. Aumentou o número da força dos Permanentes. e nãotinha um órgão de publicidade. nem impressos. Estância. contra aqueles que não estavam nas graças do poder. que dela se ocupavam com detrimento do bem geral. Os antecedentes vinham de longo e extenso passado. às vezes. hábitos inveterados na sociedade de Sergipe. Se a política não preponderasse tanto no espírito dos homens da quele tempo. de acordo com as tendências centralizadoras do regímem monárquico.

opor-se à execução da lei. Por ela passavam os habitantes do norte que visitavam a capital. e sem lagrima. Ele se caracteriza principalmente pelo programa de corrigir esses hábitos . Determinada a causa mais geral desse hábitos. Os representantes de Sergipe na Assembléia Geral. manter a sede da vila em Santo Amaro e criar a vila de Maroim. Ele ainda fazia-se por mar. Silva Lisboa proibi-o completamente. Manoel Ribeiro da Silva Lisboa. Enquanto no Rio. quase sem meios. e da sua pacificação. com a provocação de dous fortes poderosos partidos que tentavam reciprocamente hostilisarem. cujo desenvolvimento já reclamava esse acesso. O excesso da medida desaparece perante a nobreza da causa. E o fez pela Lei de 19 de agosto de 1835. cortados todas as avenidas da guerra civil. enquanto os deputados entregavam-se à calúnia. sustentado a lei. padre Manoel Silveira e Joaquim Fontes. Afagavam as tradições desta vila. a política da camarilha dos dois deputados incrementava as maiores calúnias contra o administrador. era o do triumpho da Lei. não obstante a promulgação da lei que aboliu o tráfico. sendo depositados os infelizes na Estância. e sem sangue. principiam a acusar o presidente. compreende-se que sua adminstração havia de descontentar os interessados. pelo dois deputados . desse desrespeito à lei e do abuso do poder. e com huma conspiração urdida na capital. ele prestava estes grandes serviços. e aí escovavam sua casaca. Punindo e proibindo o tráfico. ele em Sergipre. ―Nesse mesmo dia. ―nesse mesmo dia recebia eu as congratulações da Assembleia Provincial e os agradecimentos do povo por haver. que se continuou a fazer em larga escala na província. que se ia incendiando em Santo Amaro. E o fizeram e o alcançaram. Ex. dezia ele na resposta que deu à carta escrita ao ministro do império de então. em lucta durante vinte e dous dias com a sedição de Santo Amaro. Pois bem. de educação cívica e abafava um movimentro revolucionário. punindo os contrabandistas com severas penas. hábitos que caracterizavam aquela sociedade completamente imersa na ignorância. esse miserável libello e lho prstava todo o apoio ministerial. obrigando à prestação de contas os agentes fiscais e proibindo completamente a imortação dos africanos. chamando às contas as autoridades imbecis e fraudulentas. cujo poder municipal tinha tanto contribuído para o desenvolvimento da civilização da província. ou por terra. consolidado a paz‖. prestava o grande serviço de plantar hábitos de legalidade. terminava eu o mais importante serviço para aquella província. era diminutissimo. principal sede do comércio negreiro. para depor a Assembléa Provincial. Aurorizou até a busca nos engenhos. Isto descontentou profundamente seus habitantes. 218 . vejamos a adminstração do Dr. em que lia V. que compreende o ano de 1835. Resolveram com as armas. relativamente ao número de habitantes. Realmente a lei provincial de 17 de Janeiro de 1835 tinha transferido a sede da vila de Santo Amaro para Maroim. essas faltas. Ela era uma subcorte.O número de escolas como veremos no seguinte capítulo. chamando ao cumprimento do dever as autoridades. a fim de ver se existia algum africano recentemente chegado. Silva Lisboa compreendeu que a melhor soluçãoera comvocar a Assembléia.

desfrutava a capiraç a abundância e o comércio que se tinha estabelecido ente ela e as vilas circunvizinhas. Lá firmou a competência de um brasileiro de talento. conquistando muita simpatia da opinião. e de não saber governar nem a sua própria casa!‖ Solicitpou sua demissão. e Sebastião Gaspar de Almeida Boto. impugnando à Assembleia Provincial a reducção do Corpo de Polícia e regularisando-o. Manoel Joaquim Fernandes de Barros que tomou posse a 6 de dezembro do mesmo ano. que nella antes desta providencia se commetião impunemente. Manoel Joaquim Fernandes de Barros255. havia repartido por todas as comarcas para as policiar. em 1836. finalmente havia protegido com efficacia a Religião do Estado. exame que jamais se havia incetados por contemplações para com os seus devedores. seu correligionário. filho do Coronel Pimentel. Envolveu-se na política. era um químico consumado. juntamente com o Dr. ―Quem nos tirocínios de sua administraçã. não só para abastecê-la dos gêneros de primeira necessidade de que careciam . antes de estudarmos a sua adminstração. Formou-se em medicina em París. que atestam o seu saber. Essa inimizade pessoal originou-se de pleitos judiciários. com que consequi fazer não só cumprir as Leis. ela era um homem de espírito não vulgar. seu inimigo político pessoal. 219 . até que chegasse da Bahia o Dr. junto a Laranjeiras. achava-se concluído o quartel militar. aplainado e mandado calçar outras. pelas suas qualidades. com o mesmo zelo tinha organizado as guardas N. Estudemos o homem. o capitãomor Inácio Dias de Oliveira que tomou posse no dia 10. Fernandes de Barros não era um produta do meio social de Sergipe.E é ele memso quem define sua adminstração nas seguintes palavras: ―Deploravam os da capital uma Feira. comprado o terreno para cãs de correção ejá principiado: aberto novas ruas. onde casou-se e morou no engenho Jesus Maria José. no que me fi mister empregar para a conseguir inifinito trabalho. como para dar impulso ao seu comércio progressivamente decadente. de certo que bastantes provas dá da sua incapacidade mora. que ficou na presidência. promovido a iluminação da cidade. corrigido inveterados abusos feitos à Ella e à moral e responsabilisado os empregados públicos malévolos. Na França desempenhou comissões de valor cintífico. e taes vantagens Lea a effeiro. tinha a educação européia. onde foi um distinto discípulo de Gay Lussac. ―Da mesma serte havia heu iniciado o exame e fiscalização da Santa Casa de Misericórdia. ―Os deveres do meu cargo não se circumscrevião somente nos objectos da Capital. de entre os quaes se contavão as mais ricas e poderosas famílias da terra. Além de um médico ilustrado. 255 Silva Lisboa ocia à câmara em data de 9 de outubro passado a administração ao vice-presidente. obtem os resultados dos melhoramentos que projecta. e em todos era incansável em dispertar a inércia das camaras e chama-las às suas obrigações. dando aso executores forçaa para se fazer obedecer. a propósito do inventário do Coronel José de Barros Pimentel. passando a administração ao ilustrado Dr. melhorado o cáes. Envolveu-se no pleito para Deputado à Assembleia Geral. Veio da Europa para Sergipe. em total abandono. ―Repartido havia também a minha intenção com as obras publicas. ―Igualmente tinha ordenado o arrolamento e estatística da Província. E aí estão suas obras sobre química e mineralogia. como cessar innumeros assassinatos. contratado a abertura do canal Japaratuba. Marcelino de Brito. Realmente. Em 19 de Outubro Dias de Oliveira passa a adminstração ao tenente-coronel Sebastião de Almeida Boto. no qual figurou Almeida Boto como tutor testaentário do menor Gaspar. estendião-se a todos os Municípios. Os meus esforços o conseguiram e nessa ocasião em que os seus deputados deprimiam o meu crédito.

a fim de tratar de sua saúde. fomentem o comércio interno. e de quem a província tinha muito e muito a esperar. em que se achavam os diretores da política. em 1839. deixou-se vencer pela sugestão de interesses. fora. Pede aos representantes leis que previnam os crimes. Alagoas e aé da capital do Império. para deixar impune o assassinato de um cidadão de representação histórica. diretamente com outras nações. em 11 de janeiro de 1836. desde quando vencê-lo era impossível. Ele havia de impor-se à aceitação da opinião e conquistar a suprema direção dos partidos. que prosperem 220 . o poder de sua mentalidade e a riqueza científica de seu espírito. Para ele a opinião popular olhava como um homem necessário. impune o assassino. era a inveja. Não podiam apelar para o prestígio do talento e a nobreza do saber. No campo político ninguém podia competir com o ilustrado médico. Sergipe. Quanto mais conquistava prestígio e influência na política. e estudar suas conseqüências no meio social em que ele operou-se. É fácil prever-se as conseqüências. No dia 2 de outubro do mesmo ano foi assassinado. O que pertence-nos é indagar as causas desse fato. na capital da província. a quem competia esse dever. Este fato impressionou profundamente a opinião pública da Bahia. que descrevemos. em terreno nenhum podiam com ele competir. corrijam os delitos. Instaurou-se processo crime. revela um espírito eminentemente rico de excelentes projetos e a devotação. quando abriu. entretanto. Era impossível vencê-lo na política. davam-lhe o privilégio de dominar os destinos da província. não querendo apontar à execração pública o seu autor. Tanto mais julgava sua vida pouco segura. a Assembleia Provincial. Não nos compete o odioso papel de inquerir qual seu autor e aponta-lo à opinião. a morte de Fernandes de Barros. assegurem a tranqüilidade pública. Desconfiou que desejavam assassina-lo pelo que mudou-se para Maceió. em favor da prosperidade da província. na altura de Inhambupe. Não só na vida interna da província. pormeio de uma medida radical. empreguem os viciosos. abandonando suas propriedades em Sergipe. A conseqüência da cosnciência dessa desigualdade. Se a justiça pública. Eis as causas do assassinato de Fernandes de Barros. pela competência. Sergipe. não nos pertence. como na inferferência com que ela havia de obrar nos negócios do país. Foi ele vitorioso naquele pleiro eleitoral. Em 1840 teve necessidades de ir à Bahia. reprimam os vagabundos. ficando. A fala que então pronunciou. o nome sergipano á altura que os seus sucessores nunca alcançaram.Contribuiu ainda mais o roubo de uma avultada quantia feito quando a viúva do Coronel Pimentel vinha da Bahia para Sergipe. o odioso papel de entrarmos nessa inquirição. e criem o esterno. por certo. Foi esplêndido o programa de adminstração que ele enunciou aos deputados. As qualidades de que era dotado. Compreende-se perfeitamente que os chefes políticos de então. conservem intacta apropriedade e a vida dos comprovincianos. foi de reais desvantagens. com a morte dele. porque ele plantaria uma nova orientação na política e elevaria. Tornava-sepreciso elimaná-lo do campo político. perdeu um poderoso fator de sua prosperidade. Daí os acontecimentos de 1836 em Sto Amaro.

dispô-la para produzir as diversas colheitas. Convida para iniciar-se a plantação do café. Até então estavam a cargo das câmaras. pelos arbítrios do poder. sobre a justiça de çaz. da construção rural. por meio de uma escola normal. inconscientess e ignorantes. Pede um novo plano de ensino. Deste período datam os males da província. fiar. que eram os chefes dos partidos. Pede a centralização secundária em um liceu que se deve abrir na capital. porque diz ele. Eis as idéias dominantes da administração do Dr. para que as fontes de receita pública tornem-se mais segura e o desnvolviemento civilizador mais rápido. Descreve os males que cercam a lavoura da cana. melhorando as condições das barras. Há visível e palpável desfalecimento do civismo e obnublação do patriotismo. Pede a criação de um estabelecimento idêntico para as mulheres. Infelizmente nad disto pôde realizar. onde se diplomem os professores. preparar seus frutos. Lembra a criação de um Horto Agrícola. A política tornou-se o assunto que preocupou adminstrações e administradores. obrigando-os a adubar seus terrenos. espalhem as luzes. em vista das boas condições de grandes zonas para estas lavouras. Anima o povo a dedicar-se à indústria. da educação de animais domésticos. Pede leis que melhorem esse estado de coisas. em obediência a um princípio de higiêni pública. pela preponderância dos régulos.a agricultura. cuidar de hortas. Lembra medidas de valor para que a Assembléia ofereça-as ao poder competente. 4% de uma caixa econômica para plantar no espírito público a economia. pelo esquecimento absoluto da lei. engomar. e que agravaram-se durante o segundo reinado. que fiquem sob a fiscalização de um ispetor. pelos excessos do partidarismo. cujas funções sejam examiná-las. sobre a justiça territorial civil. no mesmo ano de 1836. de um lado pesados impostos. Pede leis proibitivas de enterramento dos mortos nas igrejas. que o governo premie a quem cruzar e melhorar as raças. a palavra colonização para os brasileiros deve ser sinônimo de prosperidade e segurança. a fim de que se estabeleça uma corrente imigratória para Sergipe de estrangeiros. cacau. toão ignorante e inconsciente. Pede a cração de escolas em todas as villas e povoados. tão prejudicial à prosperidade da província. 221 . de outro a falta de braços educados e cultura do manufaturador. que tanto prejudicam a lavoura de cana. a organização de um banco que facilite a circulação de capitais. para não terem necessidade dessa devastação de florestas tão úteis. fazer flores. de plantá-la. um estabelecimento onde se ensinem os princípios práticos de lavrar a terra. Pede a criação do comércio direto. que as adminstrações não souberam ou não quiseram superar. Melo Pereira foi o primeiro da série dos presidentes que formam o segundo período da regência. e a quem descobrir um destruidor dos insetos. Fernandes de Barros. excitem o gosta das artes. Pede providencias que proíbam a derrubada das matas. senão a criação da nova alfândega. A par disto parece que o caráter das gerações degenerou. porque tede de passar a presidência a Bento de Melo Pereira. cuidar do gado e animais domésticos. feita pelos plantadoes de algodão. lavar. Pede que a assembléia legisle sobre colonização. a fim de privar a escandalosa agiotagem do dinheiro a 2. que renasceu as velhas paixões. e cujas administrações caracterizam-se pela falta de segurança pública e individual. como veremos adiante.3. por meio de Bóias e praticagem. onde aprendam a coser.

fez retirarem-se della o Juiz de Paz. ―Então já a necessidade aconselhava uma medida que hoje dispõe a Lei elitoral. seno pelo commandante Manoel José Ribeiro. já estava a guarda delle reforçada e posta em linha de atiradores. Foi um verdadeiro tumulto. pedindo ao Presidente da Provincia ordenar à camara da capital para tomar em separado a votação daquelle collegio. e como 222 . ―Seguirão algumas representações nesse sentido. Aprecianremos as conseqüências destes dois fatos. para deputados à Assembleia Geral. capitaneada por aquelle candidato Boto. que era de cincoenta. contra os excessos do governo. ouve um acordo de enviarem de cada Freguesia. que era o capitão Manoel Pereira Coelho. que ali se achavão. requisitando força ao Juiz de Paz do districto vizinho. A pressão era enorme sobre o sufrágio popular. ―Foi forçoso retirarem-se. intimada ordem de retirarem-se. dirigirão-se à palácio para representar ao Presidente verbalmente contra aquelle facto. que era cunhado do Presidente. O de Santo Amaro. cuja dandidatura patrocinava. passou a proclamar de ajuntamente ilícito. que ao contrario faria fogo contra elles. e manifestada na camara da capital. os Eleitores estavão com o Juiz de Paz tratando de igual representação. Todos os meios foram inprofícuos para uma vitória honesta do partido do governo. No ano de 1836 ia ter lugar um pleito eleitoral. de onde fugiram os habitantes para salvarem suas vidas. tendo por ponto de horigem a vila de Santo Amaro. ―depois apresenou-se a acta daquelle collegio. classificando de ajuntamento illicito aquella evasão. ―Quando esses eleitores se aproximavão do Palacio. com as formalidaddes determinadas no código do Processo Criminal. o qual apoderando-se da Villa.Desapareceu aquele sentimento da massa popular. Manoel Joaquim de Souza Brio. ―Quando na Villa e Freguesia do Rosario. tanto os da capital como os de outros lugares. Transcrevemos aqui o seguinte trecho de uma mem´pria inédita. para dar vitória às candidaturas que patrocinavam. e em numero de 200 mais ou meos. e por intermedio do Juiz de Paz respectivo. forão atacados por uma força armada. composta de paizanos e alguns escravos. Dois partidos prepararam-se para as lutas. ―Á vista deste extraordinário escandalo. e seguindo a seus districtos.627 eleitores. Ela se espalha pela província. para diplomar aqueles. que era o Tenente Coronel Antonio Luiz de Araujo Maciel e Eleitores. ―O Juiz de Paz. apresentando o partido legal para candidatos ao monsenhor Silveira e a Sebastião Gaspar de Almeida Boto e o liberal ao Dr. deu lugar a uma grande revolta dos membros do partido adverso. escrita pelo comendador Antônio José da Silva Travassos: ―Assim deu-se a separação e seguio-se a campanha eleitoral. ―Finda a eleição. Os administradores defendiam os interesses dos partidos a que pertenciam. reunirão-se os eleitores do partido liberal. e não trepidavam na prática de meios. representações assignadas pel corpo elitoral. cuja liberdade na escolah dos candidatos desaparecia pela falta de honestidade. para lançar o protesto e realizar u movimento de revolta. e que pelo numro de eleitores. O escândalo a que quis o adminstrador chegar. por occasião da apuração geral. conhecia-se não alterar o vencido. As épocas eleitorais ofereciam oportunidade à prática dos maiores desatinos. capitão de 2ª linha. figurando ter sido elle composto composte de 3. sobre-estou a camara a apuração. contra a liberdade do voto. e Dr. uma grande maioria contra os candidatos do partido legal. a pretexto de não lhe ter sido enviada a acta do collegio do Lagarto. mas o Presidente a proporção que as hia recendo. rasgava-as e mandava prender aos portadores. Manoel Joaquim Fernandes de Barros. por occasião do apuro geral.

companheiro do Presdidente Ignacio José Vicente) admoestar aos santamaristas para depor as armas. e achando todas as portas feixadas. contra o qual ia represenar para a Côrte. pessoa de confiança do Presidente. ―Então estes muniram-se de gente e das armas para defenderem-se da aggressão. com a sua força lega. seuguiu Boto com uma força de 600 praças. embora morressem. os quaes foram conduzidos em braços. Por este facto. e paisanos. prata. aconselhando aos reunidos de deporem as armas. sendo arrombadas a machado. onde foram espingardeados. mandou ali o vigário de Laranjeiras. foi quebrado. levando-se toalhas. queixando-se das artitrariedades praticadas pelo Presidente. confiando. ―Persuadido assim o Presidente. foi o Engenho Santa‘ Anna. contra o qual deram descarga. dominaram-se de fanatismo alguns dos rapazes santamaristas. que a applaudiram e dispersaram-se. e dispondo-se a vingar a afronta feita à Santo Amaro. que se achavam refugiados fora da Villa. sendo aquelles que vierão assassinar João Bolacha. tomaram armas. ―Voltou o coronel Graça com uma proclamação do Presidente. toamram e expediente de embarcarem-se em canoas. ―Mesmo as igrejas não foram isentas do saque. ―Dado isto persuadio-se o Presidente que aquella Villa se achava ocupada por grande força. que deixaram feixadas. achando-se também algumas famílias pobres. sob seu commando em chefe. de seguir desermados à capital. ―Ficando estacionados Boto em Larangeiras. para Larangeiras. ―O ponto concetado para essa reunião. Logo que o destacamento soube do que havia acontecido ao seu commandante. ―No dia seguinte. levando-se em carros o precioso dellas. deixando alli um destacamento de quarenta capangas sob o comando do facínora João Soares da Soledade. lançou mão de uma reúna. ―Não tendo este com quem brigar. nem mesmo roupas. ―Dado este acontecimento. que promettia deitar um véo sobre o passado. mandou-as abrir sem precedência de formalidade legaes. dizendo-se ir elle atacar aos reunidos no Engenho Sant‘Anna. ameaçando tomar vingança. e outro do ornato dos santos. despejaram as sagradas Formas. e concluía pedindo a apuração em separado da acta do collegio eleitoral do Lagarto. seguio com uma força de Permanentes.não fosse obedecido. ―Seguio-se o saque em todas as casas. eo que não fez conta conduzer-se. que por doentes. Daniel Canavieira. se poz em fuga. voltando tramquillos às suas casas. sem tempo de conduzirem nada das suas casas. e seguiram para a dita Villa. enviaram estes uma representação ao Presidente. que procuravão suas casa pela notica da retirada do destacamento. indo em seguida para a capital. de novo representar verbalmente ao Presidente contra seu procedimento. dirigio-se a Igreja Matriz. pessoas mais gradas e de differentes districtos. 223 . dando vivas ao Presidente da Provincia. sob a palavra do governo. e levaram as Âmbulas. ―Esta representação narrava os acontecimentos. que dormiam descançados no promettimento pela proclamação do Presidente. conhecido por João Bolacha. e seus agentes. João Severo. ―apenas haviam ficado na Villa Manoel Alves Pereira. que como ral não se tem mandado concertar. quando apenas achavão-se vinte rapazes. seguindo todas as famílias com o trajo que tinham. e os reundos em Sant‘Anna. estando embriagado. refugiando-se para as praias. que se achava inerme. consertaram os liberaes. entregando-as ao dito vigário. ―Chegando disso aviso aos habitantes da Villa de Santo Amaro. Retirou-se Boto de Santo Amaro. foi lida em altas vozes em frente dos reunidos. ―Sabendo Boto daquella reunião. postos no meio da praça. Abriram o sacrário. quebando a mão direita do Santo. não foi por isso preso. que era elle Presidente o primeiro a reconhecer a nullidade do collegio do Lagarto. às oito horas da manhã. da qual foi o portador o coronel Francisco da Graça Leite Sampaio. e contra aquillo que acabava de praticar seu cunhado. morrendo estantaneamente. e foi cercar a Villa de Santo Amaro. lhe disparou um tiro co a dita reúna. não poderam retirar-se. acando assim a existência. no fim de seis dias. ―Acceita a proclamação. empregou a força e fez a dispersão. e do partido deste. Antonio José Gonçalves de Figueiredo (aquelle candidato à deputação Geral. onde logo encontraram a sós João Bolacha. e a cujos habitantes não podia elle perdoar o auxilio prestado ao Juiz de Paz do Rosário. como era seu costume. entrou Boto com aquella força em Santo Amaro. e alli existe ainda essa memória. no município de Larangeiras. e depois de proferir blasfemias contra a Imagem de Santo Amaro que está collocada no Frontispício da dia Igreja. ―Passados oito dias. ―Correndo Boto e os demais que elle capitaneava. e foi esto na noite do dia 15 de Novembro de 1836.

e ferimentos de alguns outros de partr a parte. e como aceitasse a ilegal remoção. foi demitido por acto do mesmo Presidente. ―Ocupando o rapina todas as posições oficiais na província. que ficarão sendo conhecidos uns de camundongos e outros de rapina. Por isso mesmo que os sergipanos o puderam obstar.a quem foi estranhado seu procedimento e notado inepto.Manoel Joaquim Fernandes de Barros. que foi o ultimo delegado do governo e da regência. pelo crime de revolta.que emigravam uns para Bahia e a maior parte para a província das Alagoas. ―Então os do partido legal denominaram aos liberais de camundongos. Vimos nas paginas anteriores que o abuso cometido pela Bahia em 1820. ―Foi substituído por Jose Marino Cavalcanti de Albuquerque. e o coronel Wenceslau de Oliveira Belo257. ―chegando disso noticias na Villa. classificação que deu aquellas representações populares. por alusão aos roubos praticados em Santo Amaro. ―Tão bem a força do governo não se demorou na vila. pelo facto de não ter cumprido o que prometteo na proclamação que foi lida em Sant‘Anna.arrastado por seu cunhado Boto. As administrações que se seguiram à Bento Pereira guiaram-se pela orientação por si traçada. que para ali fugiu. ― D‘hai em diante chrismaram-se os partidos. que não encontro no centro do governo restrição ou punição. onde rompeo fogo. Joaquim José Pacheco (1839).Manuel Joaquim de Souza Brito. Seus habitantes sentiram-se irritado por um ato de tão inqualificável arbítrio. Indiferentes de todos ao bem publico.sendo um destes o Dr.de onde era natural. cujo programa era emancipação. As pessoa256 seguiram-se: o Dr. a que nutriu a primeira organização partidária. que se fez chefe absoluto do dito partido dominante e de tudo dispunha á vontade. retirando-se os rapazes em vista da desigualdade da sua força. disposerão-se os ditos rapazes.Estes tão bem instaurarão processos contra os rapinas. reduzindo a letra morta o decreto que elevava Sergipe a capitania.o partido dos corcundas dominou durante elas.que tomou posse no de 1837‖. ou reuniões dos ditos camundongos. e de um soldado da força do governo. foi removido pelo presidente para comarca de Estância. ―Com aquelles procesos deo-se a preseguição da maior parte dos comondongos que não quizerão alistar-se na bandeira rapina. ―No entretanto foi nulificada aquela desastrada eleição geral. que era juiz de Direito da comarca da capital. não representava o Presidente outra causa mais do que authomato . em vista do extraordinário numero de Eleitores fictícios. ―O Dr. que era . que mais tarde o postou sem vida em uma das ruas da Bahia. Escrivão do Juiz de Paz de Santo Amaro. Demitido o Presidente. por alusão ao apelido que tinha aquele seu candidato Souza Brito. escapando ao punhal assassino. e logo retirou-se para a Bahia. pois. Voltando o vigário Figueiredo. e emboscarão a tropa na entrada da dita Villa. sítios e mais lugares dos municípios sendo permittido o assassinato e o roubo. comosta de cerca de quatrocentas praças. por Decreto do Governo Imperial. uma nova força se dirigiu a Santo Amaro. resultando a morte de um delles Amphrisio de Campos. agremiou-se em um partido. 256 257 Tomou posse a 31 de maio de 1837 Tomou posse a 28 de agosto de 1839 224 . natural daquela província. continuavam a exercer empregos públicos. foi o fato que determino a criação dos partidos. acontecendo que alguns dos comondongos reunidos. e dando esta resposta ao Presidente. tratavam exclusivamente da política. e os legais foram apelidados de rapinas. pelos roubos e assassinatos que praticarão. e então buscou perseguir com assaltos nos diferentes Engenhos. Uma idéia liberal foi. E também eram procurados em outros municípios pessoas influentes do partido liberal. mandando-os depois assassiar e roubar.―Foi-lhe respondido que o Presidente não merecia confiança. que ficou outra vez deserta. ao mesmo tempo que estes tão bem pronuciados pelos crimes de roubos e assassinatos. e que as armas conservavão para defenderem-se dos assassinos.

a idéia dominante do partido desaparece. o desfalecimento do patriotismo. que com os seus. com o fato da independência do país. a largos traços. São estas as duas organizações partidárias de Sergipe. os privilégios de raça. no período da regência. não se podia nele manter. e defender as garantias das classes populares. a perda do civismo. Em vista da rapinagem que foi praticada pela troca na busca que deram nas casas dos habitantes daquela vila. ainda que poucos. em 1831 uma capitulação a Bento Pereira. quando o partido adverso. Dr. o povo torna-se morno e parece que degenerado. a cuja prosperidade nada de útil prestou. Os chefes principais. Daqui em diante o historiador nota. em defesa da causa publica. A revolução de Santo Amaro é o ultimo sintoma que o historiador apanha desse espírito rebelde. desse temperamento. em vista da oposição da opinião. Há um sintoma dominante de uma degeneração de caráter. o partido corcunda passou a denominar-se rapina. É esta a característica dos tempos.que intimidada os homens a protestarem contra as tiranias. do corcunda. da propaganda liberais. Eis a evolução dos partidos na província. ainda lhe fica uma aspiração liberal.Marcelino de Brito do liberal. durante o primeiro reinado. E ai esta o apóio que ele presta à administração do brigadeiro Silveira. dessas explosões de patriotismo.O partido antagonista deste era o dos portugueses. o poder da família. e de Sergipe constituir-se em Província. e a ele demos o nome de partido recolonizador. contra os preconceitos de nobreza. eram Sebastião de Almeida Boto e Joaquim Martins Fontes. pratica alguma coisa que desperta a desconfiança publica. Ele representava o elemento aristocrata da província. ao o qual aliaram-se alguns sergipanos. na sociedade daqueles tempos. de 1820 a 1831. o partido liberal esteve na posse do poder. em Santo Amaro. Dr. juntamente com a tropa. e um obstáculo contra os atentados do poder. pela prepotência dos poderosos e dos ricos. De 1824 para cá. Os acontecimentos de Santo Amaro determinam uma nova denominação nos partidos. e que foram o segundo reinado da monarquia. por causa da defesa ilimitada que seu secretario presta ao povo. quis depô-lo. cego pela paixão política. e oferecendo até o sangue dos seus membros. 225 . em cujo estudo vamos entrar. Notifica sua saída da administração. Ai está ele na revolução de 1836. Pretendo essa aspiração emancipacionista. Ai está ele impondo. protestando conta uma fraude eleitoral. O outro partido alcançou algumas vezes o poder. sempre em perigo iminente. na esperança das graças do poder. que os levava a sufocarem suas convicções . Desaparece da opinião a consciência da liberdade. De 1840 em diante. porem. por que seu programa é então fiscalizar essa emancipação.Fernandes de Barros. que o inteligente Rebouças tratava de espalhar. Nesta seção de tempo. por isto que seu ideal emancipacionista tornou-se uma realidade com a independência. o outro conversou o mesmo nome.

e a degeneração liga-se ao predomínio da política. E é incontestável que essa degenerarão partida da instituição. desempregados por indevidos que se entregavam à vontade dos dominantes.e de José Ladislau e Silva. em 1840. Em uma síntese podemos traçar a macha que seguiram. Indiferentes à segurança pública. Com exceção da administração do Dr.viviam a zombar da justiça. sobre todas as manifestações da saciedade. contra os abusos que se cometiam.que foi planejado em Sergipe.José Cupertino de Oliveira Sampaio. OS PARTIDOS. em1841. Os criminosos.O caráter tendia a degenera-se. Nenhuma manifestação de civismo encontra o historiador. Eram chamados os chefes de política. emigravam para as duas províncias vizinhas.em 1845 que há pouco tinha deixado a chefia de política. INSTRUÇÃO PÚBLICA.CAPITULO IV DELEGADOS DO SEGUNDO REINALDO ATÉ 1855.de Antônio Joaquim Álvares do Amaral (1845).O povo foi massacrado pela tropa. na administração de Zacarias de Góes e Vasconcelos (1848-49). todas as mais se caracterizaram pela indiferença à prosperidade geral. quanto passam-se os dias do segundo reinado. FINANÇAS. Alem do assassinato do Dr. Quem comparar os fatos anteriores e posteriores a 1840. percorrendo aramados os povoados e as vilas. nota uma profunda diferença. não inquiriam da idoneidade do cidadão. Dissemos no ultimo capitulo.como se deu em laranjeiras e Itabaiana. Isto acentua-se tanto mais. Entregues a paixão. registra-se. ficando em punição dos crimes que se perpetravam . Houve feridos e mortos. protegido pelos homens da situação. foi o coronel João Pedro da silva Ferreira . depois da maioridade de Pedro II.Fernandes de Barros. que a datar do segundo período da regência. 226 . às necessidade das classes produtoras. como o mais seguro recurso de defesa. MUDANÇA DA CAPITAL.Anselmo Francisco Pereti (1842-43). o do juiz de paz da Capela. A fim de se esquivarem às perseguições que se punham em pratica. para a fusão dos cargos públicos. Os crimes amiudavam-se. sendo sua mulher raptada e à força. o espírito público da província foi tornando-se indiferente as usurpações que o arbítrio tendia a conquista contra suas liberdades. casada com seu raptor. O primeiro presidente despachado para Sergipe.desde quando elas obedeciam aos mesmos princípios.Seria fastidioso a que descrevemos cada uma das administrações. da forma de governo. empregavam a força armada contra liberdade do voto nos pleitos eleitorais. Entre aqueles apresenta-se o Dr. e sem as regalias os cidadãos do partido que não era o da situação. sendo a sociedade testemunha das cenas de sangue. José Alves Pereira.

diminuíram assim o numero de naufrágios dos navios que demandavam Sergipe. Se pelo lado de segurança publica. nos quinze primeiros anos do segundo reinado. pelo estado das barras que não se despertavam nas administrações de 1840 até 1855. Grandes diferenças nota o leitor entre esta sociedade e a das gerações passadas. por que não o puniam. como pelo escândalo que ostentava. suspenderam-se os pagamentos aos empregados públicos. Marunba na Capela. perdeu suas tradições e seus programas.o estado do comercio que podia comunicar-se com outras praças. elas o acoroçoavam. chegamos a um lamentável estado de selvageria pelo lado financeiro chegamos à bancarrota. Como o leitor vê. não só pelo numero de vitimas. E ambos estes melhoramentos pertencem à iniciativa do comendador Travassos. Vicente Cardoso em Santo Amaro. Aquele mesmo partido que sempre timbrou em defender o bem público. altamente atentatório à riqueza particular dos habitantes de 227 .Em quase todas as povoações. essa falta de patriotismo e de civismo que se ressentia a população de Sergipe então. contra a prepotência dos que queriam dominar. Assim. A falta de fiscalização do dinheiros públicos chegou a ponto de não haver numerário para pagar-se o funcionalismo.|A política dominava com a corrupção. não chega ao ouvido do historiador o grito do seu protesto. na adimistração de Sebastião Gaspar de Almeida Boto. Instrumento cegos das paixões do chefes. revele-se claramente no fato de 1855. Quincas em Própria. sem poder a justiça publica entrega-los à severidade dos castigos penais. para serem rebatidos no comercio com grandes especulações dos negociantes em lucros exagerados. As suas vias de comunicação muito difíceis. Durante meses. Se havia um outro patriota que sentia no fundo d‘alma a decência dessa sociedade que se corrompia. senão a Bahia. fazendo com que o prêço de gênero de consumo fossem muito diverso em lugares próximos. basta dizermos que de melhoramentos materiais só foram feitos a abertura do canal que ume o rio Japaratuba ao rio Pomonga. em 1842. a falta mesmo de estrada entre os centros de população. Matias em Maruim Moura no Rosário. durante o segundo reinado. Eis o estado a que chegou a sociedade de Sergipe. havia um criminoso que se tinha celebrizado. Eram estes os homens que levavam o luto e a orfandade às famílias. E esse estado decadência da sociedade. O silencio popular parece que era uma prova de aquiescência de tantos desmandos.o estado do comercio. Xicão em Itabaiana. degenerava-se a sociedade. Na consciência das administrações não fazia a menos mossa a necessidade que tinha a província de melhoramentos. citamos Inocêncio em Laranjeiras. um sintoma eloqüente de uma profunda degeneração. e o trabalho de rebocarem nas barras. Nas regiões do poder o crime não desapertava a punição. Nas baixas regiões desaparecia o civismo e não se ouvia uma voz de protesto contra um tal estado de coisas. ao qual o governo entregava vales. porque viviam sobe a proteção dos poderosos. As autoridades animavam-no. na impunidade dos seus crimes.

Os cofres depositados em albergues. de uma noite para o dia.Cristóvão. Isto é bem característico da degeneração do caráter e do civismos daquela sociedade. as suas causas e suas conseqüências. situada excelente local. sem tradições e sem edifícios. 11 alambiques. anulando os inauditos esforços das gerações passadas.S.que em recentes períodos geológicos serviu de leito do Cotinguiba. O próprio presidente teve de habitar em uma casa de palha. vitimadas pela febre paludosa. sobre um solo arenosa. como é o corpo cuja cabeça ele representava. longe de ser elle um grande Povoado. Seu espírito não se deixou influenciar por nenhuma dessas inconveniências que seu ato acarretou. para satisfazer assim interesses políticos e individuais. aos representantes da província. o fato. As repartições publicas funcionando em casebres. de saborosas frutas. e o reclamava desde a administração do Dr. é uma 228 . de excelentes águas. o poder da sugestão a que seu espírito. e a assembléia de reunirce de baixo de um pé de cajueiro. feitos à presa.a mudança da capital para o Aracaju que era uma praia inóspita e inabitada. de clima ameno. Entretanto vós todos concordareis que. a população de S. lançando pragas ao administrador. em 1º de março de 1855.Inácio Joaquim Barbosa. ficou indiferente ao atentado. nova cidade. o leitor viu quando o poder legislativo mudou a sede da vila para Maruim. que as mãos sacrílegas de um administrado viesse atirar na pobreza um sem-numero de famílias. E foi o que se deu. Os infelizes empregados públicos para garantirem o pão cotidiano. vila pobre. Foi o protesto. cujas tradições deviam estimula o patriotismo de seus habitantes. e que já havia mais de trinta que nele se acha a sede da Capital da Província. pela grande quantidade de pântanos existente. unida e armada. onde intenta edificar. Se admiramos sua coragem. e consentiu facilmente na realização dos planos oficiais. sem a menor garantia e segurança.Manuel Inácio da Silva Lisboa (1835). incisivamente epidêmico. de abundancia de alimento. morrendo de febre palustre. retirando a vida oficial de uma cidade secular. Estudemos. para ir atira-la às praias do Aracaju. 12 fazendas de criação de gado. Somente as velhas espreitavam das rotulas os carros que conduziam o cofre e os arquivos. ―Era sem duvida tempo suficiente para ostentar-se rico e populoso. como o atestam alguns dos seus velho monumentos. de ricos e belos edifícios. com um município de 43 engenhos. que veio consignado para realizar esse atentado. Enquanto a população de Santo Amaro. As tradições do tempo trazem-nos inúmeras perda de pais de família. O próprio presidente foi vitima de sua ousadia. buscar seus cartórios. As causas justificadas do ato vêm na fala que Inácio Barbosa dirigiu. Vejamo-las: ―Ninguém ignora o Povoado da Cidade de Sam Christóvão contra cerca de duzentos e cinqüenta annos de existência. A falta de habitações era absoluta. ficando na orfandade e sem arrimo do esposo os infelizes filhos e esposas. e que por isto não pode oferecer base suficiente para grandes e largas edificações. que foram os primeiros a reclamar pela mudança da capital. E daqui que a colonização melhorasse tais condições anti-higiênicas e que permanecia de um centro populoso espantasse os miasmas. Admira-se realmente a coragem do Dr. Idealizou o plano e realizo-o. . cujo os interesses não se podem comparar.Cristóvão e seu município. pequena. porem. indo compacta. rodeada de 200 sítios de pequena lavoura. ou por outra. Obrigados a irem habitar em um meio paludoso. E é para admirar-se que a deliberação da administração não recuasse perante a grande soma de interesses particulares que o ato da mudança ia prejudicar. seriam inúmeras as vitimas desse meio tão pernicioso e epidêmico. pouco depois da mudança da capital.

.................. e dificuldades de toda sorte para navegação.. ........................... comunicase diretamente com o Povoado de Itaporanga.......... ...... que fica na margem do mesmo rio Vaza-barris?‖ Eram inexatas as alegações do presidente sobre a decadência de S....... ....1.. a quem foi presente a representação verbal dos habitantes d’ella.....624 Socorro......170 Não era também a cidade menos populosa de então........... ............ A outra causa alegada pelo presidente foi a superioridade topográfica do Aracaju... foi lançado pela câmara da capital nos ofícios e representações que o leitor pode ler na nota abaixo258...... não podendo ser indeferente aos justos clamores do povo................30........ Nenhuma localidade igualava-lhe em população.............231 Santa Luzia...... o seu aspecto só revela decadência e miséria.......... Pelo seguinte quadro do numero de fogos das povoações de Sergipe em 1852........ que lhe fica próximo....... Cristovão.............................544...1.................. Cristóvão era sua distancia para o porto..... nem seu município... transformando uma praia insalubre e deserta em um centro populoso..............................3........... vê-se a inexatidão da legação: S........... E como não seria assim... Não só o porto do Cotinguiba não é superior ao do Vaza-Barris... se...... com na formação geológica....030 Rosário.664 Santo Amaro ......773 Divina Pastora.... ............. – A câmara Municipal d’esta Cidade de S...3..............1.............Cristóvão. Em 1850 o numero de habitantes de cidade de S.....693 Total...Cristóvão era a menor cidade da província.................... junto a um excelente porto e de uma barra superior á do Vaza-Barris...309 Propriá........................... pois que é pequeno recôncavo da ribeira do Vaza-barris...976 Estância..........................807 Capela............... Sr.... A única circunstancia de valor real contra a permanência da capital em S.. como as barras de ambos os rios são iguais...... O único protesto que encontramos em nossas busca contra o ato do presidente.... acrescentando que diferente dos demais centro de população da mesma província...............................2.... quando depois de ter dito que S..... não dispõe esse povoado de recursos próprios.... diz pouco adiante: todos os demais povoados estão mais ou menos no caso da cidade de S.................. dificultando esta que podia ser remediada com a viação férrea.................... que no auge de desespero e exige a observância da lei fundamental do Estado..........das mais pequenas Cidades da Província.................................................... Inexatidão revela-se na própria incoerência de suas palavras..1. E Exm..3............. os cofres públicos despenderiam muito menos do que despenderam para edificar uma cidade em tão pouco tempo.......1........Cristóvão................965 Porto da Folha....................643 Campos .... a cuja 229 ......718 Maruim....................475 Vila-Nova.......... 2................ 258 Illm....................... e poderia enterter-lhe a vida................................ condições estas que tornariam para o futuro a nova capital uma excelente praça comercial.......958 Lagarto .................... Capital da província de Sergipe.2.....570 Laranjeiras ...........Cristóvão........ que os ligasse e com que por certo......... alem de ficar no fundo do rio Piramopana com dependência de marés.. como sendo a menor e mesmo populosa cidade da província.......789 Itabaiana ............ Cristovão era 1....... não só em volume d‘água..............

para que faça reunir a assembléia nesta Capital. – A camara Municipal desta capital da Província de Sergipe d’ElRei reunida em Sessão extraordinária. Ex. e offerece hum futuro. e irrito. ou seja ella ordinária. e que edificava. e damnos de vez por vossos bens. que tenhaes de fazer para legislardes devera ser nesta capital da províncias. e mudar e sede do governo com a maior precipitação para huma praia deserta. hum commercio florescente. e por isso desde já protesta Deos. se compenetrar da razão. não vos deram poderes para tanto. por si e em nome de seus concidadãos. Exm. – Joaquim José Pereira. a falta de economia política. Sr. para ser objetivo de desprezo. e do direito que esta câmara em nome do povo reclama se tornará credor das nossas afeições: ao contrário. respeitava nosso direito de petição. protesta de haver hum dia os habitantes desta capital seus prejuízos. os Sergipanos quando vos elegeram deputados. quando o povo considerando o completo extermínio de sua capital. a fraqueza que hé própria a esta camara. terá de levar sua voz ante o thorono Augusto de sua magestade Imperial e constitucional. que se derramar possa. não deve consentir como primeira authoridade da província. e parente o mundo inteiro. – Ignacio de Paula Madureira. o único responsável por huma só gota de sangue Sergipano. Não vê esta Camara. E não o tendo feito Emx. Ex. capital da província de Sergipe. e os edifícios do estado que não menos importão da duzentos contos de reis. compartilahdo do dissabores de seus concidadãos. emfim huma antiga capitania do reino de Portugal. senhores. Senhores da assembléia Província. que tendo sido esquecida com sua recente emancipação. Ex. e inhabitavel por suas continuas epedemias. Permitta V. pedindo a restricta observância do artigo 5° do acto addicional: representa a V. sabe que da boa administração da justiça depende a felicidade dos povos. e o Brazil inteiro de ser V. e nem a assembléia se poderá justificar de huma infracção de lei fundamental do estado. por isso que desde sua instalação até hoje ainda não decretou para fora desta mesma Capital essa reunião. que representa . Ignacio Joaquim Barbosa. vem apresentar a V. o propósito firme que há de reduzir-se a miséria cinco mil habitantes da capital com ocupações honestas. 230 . e por isso esta camara nada despresará para defender o pacífico. E com effeito. presidente desta província. mas que lhe foram postergados. protesta ainda e o que mais importa por serdes os responsáveis perante Deos. vos representa que toda e qualquer reunião. esta Camara em nome do povo. em Sessão extraordinária de 28 de fevereiro de 1855. permitida nossa linguagem verdadeira. Ex. que a 14 annos prosperava consideravelmente. Não afiança esta camara a V. é claro evidente ser a reunião da assembléia nas praias desertas do Aracaju huma medida que revolta os ânimos mais pacíficos dos cidadãos. nem pode afiançar a que ponto chegar o desespero dos pacíficos habitante desta capital. Sr. por huma só gota de sangue sergipano que derramar-se possa quando o desrespeito exarcerbe os ânimos motivando esse desespero a aggressão. e animador. Deus Guarde a paço da camara municipal da cidade de são Cristovão. Ex. por não poder Ella reunir-se em outro algum ponto. perante o Thorono. usa reunia em outro qualquer ponto da Provincia He uma ferida gravemente feita ao Acto Adicional. esquecendo-se todas as considerações. V. – P. os reditos das estações publicas. apoio que a lei longe de o dar reprova. Esta Camara confia que V. Ex. Senhores. e o mundo inteiro.sombra repousavão intertes por se julgarem garantia. Ex. perca a natural resão. e menos lhe presta apoio. único ponto de suas reuniões. Ex. e docilidade de que he dotado. Dr. perante o Brazil inteiro. uma necessidade em mudar a sede do governo. Parece que há quem pasando a razão deixe de conhecer a nenhuma utilidade publica. Ex. só e unicamente convocação da assembléia provincial nesta capital. a sombra da qual todo o cidadão deve repousar tranqüilo. e que a transgressão das leis e muitos tem abismado: e por isso esta câmara solicita de V. Ex. por ser hum acto nullo. e por qualquer repulsa a elle feito. parente a Lei. Sr. E Exm. em que V. por isso que no artigo quinto do mesmo está determinado que a reunião da Assembléia será em lugar por actos legislativos Provinciaes. Sr. Esses casos até hoje se deram. e elevação de província do Brazil. e leal povo desta capital perante a Provincia perante o Brasil e o mundo inteiro. e extorção de direitos que este povo julgava garantidos. perdas. ou antes o cumprimento do artigo quinto do acto addicional: certo de quem se V. Anna. parente o Brazil. para que todos conheção da forma porque é transgredida a Lei: o que mais importa. e leal. comessava sua existência civil e política. – João Simões da Silva Samango – Joaquim Felippe de S. vem representar a esta Ilustre Assembleia. – Marcos José Martins. não jpodendo ser indiferente ao clamor publico e a dissolação que observa a mesma Capital. Esta camara. Illm. ou não e prottesta por isso por serem nullos e írritos quaesquer trabalho vossos que não forem de accordo com a lei fundamental do estado: promette mesmo levar seu protesto aos pés do thorono augusto de sua magestade imperial. Exm. – José da Rocha Bastos. – Francisco José dos Santos Pinho.

basta sómente attender-se ás enormes despesas. como deve constar de uma lei inconstitucionalmente feita e promulgada nas referidas praias do Aracaju!!! Sim. n'essa praia está o Pessoal das Repartições soffrendo 231 . por que alguns de numero. – João Simões da Silva Samango. para sepulta!-o em uma cazinhola sem segurança. abusando do poder. Não querendo esta Camara attribuir ao Presidente actual huma desonestidade pelo acto. Imperial Senhor. por ter terras perdidas no Aracajú quer approveital-as!!! Lá. cuja maioria foi composta de Supplentes. e outras. de quem o Povo oprimido desta Cidade e Província espera saudáveis providencias que o ponham a salvo dos incalculáveis males que podem provir dessa illegal. insalubre e arenoso Aracajú. o que não se dá no esteril. e tanto assim hé que o bem intencionado Commendador Antonio Joaquim Alves do Amaral. quando esta Camara declara nullo e insubsistente semilhante acto. para proval-a servia bastante que Vossa Magestade Imperial ouvisse aos conspícuos Conselheiros Zacharias Goez e Vascosellos. e se promove o engrandecimento do Paiz só por diferenças a alguem. sempre aollicita em promover o bem público do seu Município. precipitada e absurda mudança! O presidente de que se tracta. como pai commum dos Brazileiros. e ás conviniencias Publicas! Mas ahi estão os pactos.-capital da província de Sergipe. que. para cuja infracção coadjuvaram esses deputados. Senhor. e a pretesto de passar o carnaval no engenho – brejo – apresentou-se no da Unha do gatto propriedade do barão de Maroim. Cristovão dotada dos Comodos necessários para a existência de um Povo. depois disso de tantos Edifícios Públicos com os quaes a Nação gastou milhões. faltaria a um dos seus mais sagrados deveres se deixasse de levar este pensamento ao Soberano Conhecimento de Vosa Magestade Imperial. fazer violência ao acto legislativo da província pela inconstitucionalidade da vosa reunião. mas sim uma incurialidade. mudado desta_ cidade para as praias do Aracaju a Capital da mesma Província. – a camara Municipal da cidade de S. – Francisco José dos Santos Pinho. 5° e 10 do acto addicional. construídos nesta Cidade e que esta Camara deixa de enumerar. Imperial Senhor. Parece. vem com o maior respeito a acatamento ante a Augusta Pessoas de Vossa Magestadade Imperial e Constitucional representar e Suplicar o bem. que são convergidas á prol do bem estar de seus súbditos abandonou esta cidade. e ahi no dia 17 de fevereiro fez por carta officiaes assignadas por ambos. que elles diriam a Vossa Magestade Imperial o que he a praia do Aracajú. Fundamental do Estado. logo mandou o Presidente conduzir para aquelle terreno diserto os Archivos da Secretaria Presidencial. capital da província de Sergipe em sessão extraordinária aos 28 de fevereiro de 1855 . que por fortuna ainda permanecem em um optimo edifício de grossas paredes de pedra e cal livres do menor risco. Outro tanto pretende fazer com os coffres da Thezouraria Geral e Correio. deve esperar. que de vossa Magestade Imperial. que praticou. contra a disposição dos arts. quando presidente desta Província oppoz-se a que fosse para alli transferida a Alfandega!! Hé desta forma Imperial Senhor. para não fatigar a paciência de Vossa Magestade Imperial. pelos coffres da Província. Christovão. e sempre foi isso reconhecido por qualquer lado. imperial senhor. do Termo desta Cidade. das puras intenções da vossa M. Paço da camara municipal de S. he baziada na razão de ter sido elle praticado contra a Letra da Lei. Reunidos os deputados. e quando na boa fé almeja a Capital o seu regresso. lhe fica distante 3 legoas pouco mais ou menos. – Joaquim Felippe de Santa Anna. – José da Rocha Bastos. incrlvel tanto desacato á Lei. e ali fizessem sua sessão ordinária. se não importa de tanto de frente ferir. depois de sua posse até hoje.alias este ponto para isso o primeiro da província. honestos. dispresando assim hum palacio dos melhores do Imperio onde esse Archivo estava. e o que he a bella Cidade de S. Imperial. – Marcos José Martins. reunir os deputados Provinciaes e deliberou que estes se passassem às ditas praias. Christovão ex. decretou ele a precipitada e nulla mudança. que a lei lhe confere. Tendo o Bacharel Ignacio Joaquim Barbosa. e o desprezo. que inteiramente estanhou aos interesses della. e o da mesma Província a que pertence. que se encare os interesse della. Thezouraria Provincial e pessoal respectivo. – Ignacio de Paula Madureira P. esta Camara testimunhando tantoa absurdos e injustiças. tendo igual destino os coffres provinciaes que alli estão sem a menor garantia. que tem elle feito. logo para alli transportou-se o Presidente. e somente é essa verdade desfigurada pelo actual presidente da província. que em linha recta. Em conseqüência do que. – Joaquim José Pereira. e amantes das Instituições do seu Paiz se escuzaram de fazer parte do illegal e absurdo Congresso. Manuel Vieira tosta Dezembargador Joaquim Marcellino de Brito. que se abusa das boas intenções que a nosso respeito nutre Vossa Magestade Imperial. que mostram com evidencia os nossos soffrimentos! E para comprehender-se a caprichosa tenacidade do actual Presidente. actual Presidente desta Província.

...... Miguel Correia Nunes.. Cristóvão de Sergipe de El-Rei... encontramos a primeira lei orçamentária........... e perseguido..... Com o aumento da receita.........75:824$000 A despesa mais ou menos a mesma 1839. a receita foi orçada em 25:375$000 e neste em 317:270$000.............. e da missão que lhe confiou VossaM. naquele ano........... em Sessão Ordinária de 30 de Abril de 1855........151:896$000 1848 – 49. P.25:375$000 1836..............46:484$000 1855 – 56.......154:142$000 1851 – 52.......... Luiz Antonio de Leiros. 764$000 1852 – 53.. Imperial e Constitucional façam-os cessar d’uma vez........................ É por tanto que..........................64:434$000 horriveis privações para não ser-Ihes tirado o pão.. Em 1835.. Imperialrial e constituicional a suspensão de qualquer ordem....................105:100$000 1838. João Duarte Portugal. só por que assim o quer e o manda hum Presidente.......................... em razão de dez e um quinto..... À muita alta. e para isso conseguir despresa a Constituição do Império.......... pelo aumento da prdução........ José Geilherme Machado de Araujo....... como já a alguns se tem feito!!! Estas camara.... Realmente...... poderosa e Sagrada Pessoa de Vossa M........ DESPESA 122:530$500 141:713$206 172:142$000 202:065$000 232:925$000 232 .. deplora a consternação dessas famílias desterradas em uma praia inhospita sem abrigo........101:406$000 1844..... Joaquim José Pereira....................... Imperial Guarde Deus como havemos mister faço da Câmara Municipal da Cidade de S..... anterior e posterior ao ato da mudança....... verifica-se a existência de saldos na província... Até 1855 verifica-se sempre o aumento da receita... imperial senhor.317:270$000 A marcha do saldo foi a seguinte: 1847 – 48........43:806$000 1852 – 53. chegando ele em 1857 a 138:257$000 Eis o quadro da receita e despesa RECEITA 1835....... onde já se acham as Provinciaes.. por que assim salvara Vossa M........... de que elle dispõem como senhor absoluto..... Anna......... para o Aracaju.... Imperial pisa com alarde a um povo manso e pacifico.......... – Ignácio de Paula Madureira.21:741$000 1850 – 51..... Marcos José Martins. Joaquim filippe de S.91:500$000 1837.............. que abusando da bondade .................. que o prezidente de relativamente a retirada dos coffres da Fazenda Nacional........... pode-se demonstrar suas desvantagens.279:410$164 1855 – 56......... Manoel Joaquim de Guia.. esta Camara com a maior submissão requer a Vossa M...........E no estudo comparativo do estado financeiro da província............................56:571$000 1856 – 57.

quando se fizeram as obras do Aracaju. criada por lei de 16 de junho de 1851 e que em 1853 tinha 1043 volumes. Sendo a população. a nosso ver. em 1850. cuja aula foi supressa em abril de 1852. sendo abundante as receitas de 1857-58 e de 1858-59. Além dessa decadência para a qual tão poderosamente contribuiu a mudança da capital. A freqüência em 1851 foi de 2647 alunos.000 habitantes.990 habitantes: sendo 166. era dez vezes menor. tirou-lhe grande parte do seu valor comercial. Por Lei de 31 de julho de 1847 centralizou-se a instrução secundária.729 alunos para 327 escolas. seus efeitos foram de grande inconveniência nos centros populosos que já existiam nas circunvizinhanças do Aracaju. latim. geografia e comércio. Pois bem. de 163. A população da província em 1852 era de 222. Bastam estas cifras para demosntrar o atraso em que vivia a província. retórica.426 233 . Daí em diante os déficits tenderam a aumentar e tornaram-se permanentes na história financeira da Província.85 alunos 1849---------54 alunos 1850 --------113 aluns 1851 ---------88 alunos 1852 --------158 alunos 1853 -------119 alunos Em 1852 a província contava 39 escolas primárias do sexo masculino. e quando passou a administração ao Dr. Sua freqüência er pequeníssima. Laranjeiras que era o melhor centro comercial. inglês. cirandose o Liceu de Sergipe. em 1851de 3147 e em 1852 de 3165. além das que existiam no Liceu. Não podia competir com a vida oficial do Aracaju. Sendo reconhecido que a população das escolas deve estar na razão de um quinto para a população livre. Manoel da Cunha Galvão (1858). filosofia. sua proporção na província. aquela subindo a 460:177$000 e esta a 404:641$000. Havia uma biblioteca pública. Por mais de uma vez temos lastimado a incúria e indiferença dos governos para com a instrução pública. na administração do Dr. Tomaz Alves Júnior (1860). por esse tempo. Vimos já o seu estado no primeiro reinado e no período da regência. nesse tempo.Em abril de 1857 o saldo tinha subido a 168:766$000. Nele ensinava-se geometria. que além disto. decaiu. este saldo desapareceu. era preciso uma freqüência de 32. Não obstante o aumento da produção. contava 63 escolas com a freqüência de 3165 alunos. Entretanto a província. Eis. como podemos ver pelo seguinte mapa: 1848-------. foi com o déficit de 82:020$000. sob o ponto de vista da cultura popular. francês. o desequilíbrio entre a receita e despesa tornou-se cada vez maior. as conseqüências da mudança da capital. e 15 do feminino: 9 aulas de latim. isto é um aluno sobre 517 habitantes livres.

Vejamos agora a marcha e orientação que eles levaram no segundo período da regência e no segundo reinado. O liberal passou a ser chamado camundongo. Isto produziu impressão na opinião do centro. contra aliberdade política e administrativa de Sergipe. passou a denominarse rapina. eles tiveram programas: tornaram efetiva a emancipação da província e defenderam-na. em alusão a um de seus chefes. em todas aso outra a administrações interferiu. Menos um ou outro presidente. Temos. para aliar-se ao outro partido. O historiador não descobre mais um princípio. de 1836 a 1852. se opusesse ao ato administrativo. tornando-se alvo das desconfianças da justiça pública. Fernandes de Barros. com Pereti. De 1852 em diante seu partido deixou de ser o partido dominante e o seu chefe foi pouco a pouco perdendo o prestígio de que gosava. Vimos mais que. o partido lusitano desapareceu. como as administrações locais. Souza Brito. Eis a nosso ver as causas da 234 .habitantes livres e 56564 escravos. atacou até a organização partidária de Sergipe. em 1836 era o partido da situação. em Santo Amaro. sem programas nem idéias caminharam os partidos. ou injustamente. Durante este longo período Almeida Boto alcançou em Sergipe um domínio absoluto. Dominava não só a administração da província. Em vista dos acontecimentos de 1836. O partido rapina dominou a província até 1852 quando assumiu a administração o Dr. De sua vontade dependiam todas as deliberações. eles tomaram novas denominações. Contribuíram para isto os seguintes fatos: As dificuldades em que se colocou Almeida Boto no assassinato do Dr. e foi substituído pelo partido do corcunda. cujos habitantes esperavam que Boto. A degeneração do caráter naciona. Este partido que ocupou as posições oficiais. a ponto de podermos julga-lo como o administrador de Sergipe. A opinião pública pensou e pensou muito bem que a oposição de Boto importaria a nulidade e revogação do ato. pelo ilimitado prestígio de que gozava. Ambos perderam seus programas e isto já foi por nós dito. José Antonio de Oliveira e Silva. O corcunda. tendo por armas a corrupção e o egoísmo. uma idéia que os vivifique. Depois da independência. que perdeu aqueles patrióticos princípios do primeiro reinado e do primeiro período da regência e assim. Estudamos estas lutas nos últimos tempos do primeiro reinado e durante o primeiro período da regência. nos capítulos anteriores. Por conseguinte. candidato no pleito de 1836. por alguns anos. todas as resoluções. estudado a marcha que levaram os partdos. durante o primeiro reinado. Almeida Boto é um dos mais responsáveis pelo atraso em que permaneceu a província. Vimos que eles originaram-se do atentado praticado pela Bahia. até os últimos momentos da monarquia. que foi o mais visível sintoma das práticas políticas do segundo reinado. o Dr. que lhe ofereceu resistência. Seu principal chefe era então Almeida Boto. de onde vieram ordens reservadas ao presidente José Antônio de Oliveira e Silva. não sabemos se justa. desde 1820. Além deste fato contribuiu ainda a mudança da capital. em alusão aos roubos praticados naquela vila. durante àquele período. que intitulou-se o partido legal naquele movimento revolucionário.

sendo o dito Presidente defendido. sem a coesão de uma idíea. generosa. em Sergipe. preparavam-se para a chefia suprema do partido comundongo. Aqueles que como o Barão de Maroim.que mais tarde tomou a denominação de conservador. contra o qual promoveu opposição na Assembleia provincial. Boto e outros membros de sua família. que mais tarde passou a denominar-se conservador. cujo prospecto foi aquelle programma de conciliação. Promovidos por novas agremiações políticas. 235 . Este fato produziu uma dissolução completa nos partidos. A esse partido. ligaram-se tão bem alguns membros do partido que tou a denominação do – Liberalnomo primitivo do partido comondongo. representam as duas agremiações partidárias. organizando o partido saquarema.saguarema. que não podia prosperar por causa desses partidos de índole de família. e tornou-se Antônio da Silva Travassos o propagandista dessa liga. demonstra que suas origens não representam pricípios políticos. por outras influências do mesmo partido. Com isto muito se encommodou o Barão de Maroim. e o presidente convidou-me a propalar as idéias que eu já adoptava. e. o que se compôs de frações do comundongo e do rapina. e tolerante. contra os interesses da nação e a favor dos interesses dos seus chefes e dos seus adeptos. apresentado.saguarema. que representava as tradições liberais de 1820. nem tradições históricas.decadência política de Boto e do seu partido. porqu continuaram os excessos partidários. mostrando-se a necessidade de acabar com os partidos e infuências nocivas delles . so segundo reinado. pretensão esta contestada por outras influências do dito partido. o jornal – Conciliador-. devendo substitui-los uma política larga. em luta contínua. Em 1856 ecoou na província a liga dos partidos operada na corte do império. afim de cuidar-se dos melhoramentos mateiaes de que tanto precisava a Provincia. E são estas as suas palavras: Nesse ano appareceu o programa político de conciliação. Não passam de dois bandos.concorreu parte do comondongo. que tanto a delaceravam. dessa conciliação. As outras frações constituíram o partido liberal que.O programa do Conciliador não alcançou implantar-se no pinião. pelo governo Imperial. As descrições que fizemos de seus antecedentes. Então o Barão de Maroim organisou um partido seu que denominou. abriram oposição ao presidente Salvador Correia de Sá e Benevides. que acariciou a idéia da conciliação política e da liga. e então passei a publicar na Villa de S. que a esse tempo se insinuava para chefe do partido comondongo. Amaro. em um jornal que principiou a editar em Sto. e teve de chocar-se com o Presidente. conservaram-se no seu retiro. chamado o Conciliador. Amaro. como no país.

pela verdade do passado histórico. tenente-coronel Francisco José Cardoso Júnior. pela alegação de sua incompetência. Francisco. em 1871. não sabendo as autoridades até onde chegam os limites da sua competência. tem partindo das duas províncias para fundamentarem o direito territorial.Na 29ª sessão da 30ª legislatura da assembléia provincial de Sergipe. Considero como medida urgentíssima a descriminação dos pontos onde ele confina com as outras. entre Sergipe e Alagoas e Bahia. Elucidemos estas questões. os limites desta província. que separa esta província de Alagoas. E quando não existisse esse direito. Se nenhuma contestação histórica. Desmenbrando. afim de que a 236 . vai às nascenças do rio Real e o separa também da Bahia. é de estranhar que questões de limites tenham sido levantadas pelas duas províncias limítrofes. que o separa da Bahia. de quem deviam achar-se desligadas. desde quando o poder legislativo tem querido resolver a questão. relativamente aos seus limites.CAPÍTULO V LIMITES. a leste pelo oceano Atlântico e a oeste por uma linha imaginária. de acordo com os interesses da justiça. pois. Não só a fronteira setentrional tem sido contestada pela província de Alagoas. que partindo do riacho Ningó.se de seu território uma grande zona de terreno ubérrimo. sem que se achem a verdade e o direito do lado das alegações. pela Bahia e ao norte pelas Alagoas. sobre a qual compete exclusivamente sua jurisdição. o presidente da província. A incerteza em que vivemos é sempre má. o território de Sergipe é limitado ao norte pelo rio São Francisco. afluente do S. pela distância em que se acha do centro do governo. seu direito político a Bahia. Se há essa unanimidade e acordo nas opiniões. ou Brejo Grande. E por mais de uma vez a justiça de Sergipe tem sido suspensa em sua ação. não só pela grande extensão que lhe é tributária. vão levar seus auxílios. povoações situadas nessa zona. ao sul pelo rio Real. baseada em documentos. como a fronteira meridional e ocidental o tem sido pela Bahia. Seja por onde for. afim de que a administração conheça qual a orbita em que deve girar. que legalize sua jurisdição. o mesmo não tem sucedido a Sergipe. por iniciativa dos interesses da política baiana. que reclamou como pertencendo ao seu território à ilha Paraúna. como sobre ela a sua ação legal. geógrafos e historiadores do Brasil. tornam-se morosas contra os interesses da justiça. Sergipe tem sofrido uma lesão enorme em sua economia. dizia: ‖Ainda são contestados ao sul. determine-se uma linha divisória. na sua fronteira ocidental. quando a favor de Sergipe não falasse bem alto o testemunho do passado. Pelo menos esta razão devia inspirar a cessão. para quem os documentos são inúmeros e comprobatórios dos limites que acabamos de traçar. Limite setentrional. sua vigilância. a Bahia devia fazer cessão da zona que tão ilegalmente acha-se apensa á sua jurisdição. afim de cessarem as reclamações de todos os dias . e de acordo com os interesses da fazenda pública. QUESTÕES COM ALAGOAS E BAHIA Segundo a opinião de todos os cronistas.

que resolveu da seguinte maneira: ―No que respeita ao terreno destinado para a Villa Nova. a câmara de Penedo recorre e ao seu favor foi passado a provisão de 9 de fevereiro de 1758. por uma queixa dirigida ao vice Rei.Nova os dízimos. O presidente de Sergipe incluía este trecho em sua fala. fronteira ao penedo. Francisco. O contra-senso e anomalia dessa pequena circunscrição pertencer ás duas províncias. reclamava-lhe ordens para que as autoridades de Sergipe não exercessem sua jurisdição sobre a ilha do Brejo Grande. o presidente de Alagoas. que queria ser tributária de Vila-Nova. cujos autores dizem-se domiciliários ali. da qual ficava mais vizinha. pelo lado eclesiástico a Alagoas e pelo lado civil a Sergipe. desmembra ele. donatário de Pernambuco.Francisco foram doadas pelos capitães – mor de Sergipe. a doação feita em Évora a Duarte Coelho Pereira. Francisco. no século XVII como as escrituras de vendas eram sancionadas pelos magistrados de Sergipe. porém os fatos. junto a Piassabussu e que. que considerava pertencer a Alagoas. não só em sesmarias algumas ilhas do rio S. E por uma reclamação feita pela câmara desta vila ao poder competente. Tendo em 1755 se levantando de novo a questão de limites. 237 . da ilha Paraúna. Quando em 1732 erigiu-se a Vila Nova de S. não raras vezes. Historiemos. sobre a posse ilegítima que Sergipe queria reivindicar para si. por decreto de 9 de junho de 1812. para pagarem em Vila . pelos limites traçados na escritura o capitão Domingos Casado a Manuel Dias de Oliveira a ilha dos Bois. pelo lado civil. pois. o ouvidor de então da comarca de Sergipe. que tendo sido ilha. eram os fundamentos em que se procurava basear a posse de Alagoas sobre Brejo Grande. pois. Muitos outros fatos poderiam citar. contra o que protestou a câmara de Penedo. Essa reclamação não era mais do que repetição de muitas outras. tornou-se terra firme. e assim ficam impunes.ação da justiça não continue a ser iludida. Francisco. Cipriano José da Rocha. em 23 de abril de 1655 Cosme Rodrigues Delgado e sua mulher venderam a Brás Vieira uma ilha em S. no ano anterior. Essa deliberação ia contra os desejos da população. como o aviso de 30 de abril de 1832. É o ouvidor de Sergipe não abusava da lei e nem queria usurpar território estranho à sua jurisdição. esquecendo não só o decreto de9 de junho de 1812. da justiça e da moral‖. em menoscabo da lei. pela imposição da administração de Sergipe à lavoura das paragens em litígio.a ilha de Paraúna da jurisdição de Penedo e a incorpora a Vila-Nova. em tempos passados. que mandei erigir e em que se acha gravado a de Penedo também mandei se conservem na jurisdição desta às ilhas que até agora lhe estavam sujeitas. por se haver excedido a minha ordem‖. quis desmembrar de Alagoas para Sergipe as ilhas circunvizinhas do rio. após a perpetração de um crime aqui. pela qual sua jurisdição estendia-se a todo o rio S. Realmente.

por si só não prova que a jurisdição do governo de Sergipe se estendesse além do rio Real. pelo sul. O presidente participa então à câmara a resolução do Governo.quando conquistou Sergipe.quis novamente incorporar ao território de Alagoas a pequena ilha.em 1590. o desejo da câmara de Penedo. a Câmara de Penedo reclamava.entre os quais existe mais ou menos esta distância. em fevereiro do mesmo ano. contudo. Sempre foi este o limite entre Sergipe e Bahia. leva ao conhecimento do presidente da província de então. para responder. pedia informações à Câmara de Vila-Nova. que são vinte e cinco léguas. depois de um acordo entre a deputação de Sergipe e a de Alagoas. Logo. só em 1873. Se este fato é real.Supomos que a demarcação deve ser da margem do S. resolveu conservar anexada a Vila. duas léguas de terra ao norte da barra do Itapicuru.que deveriam ser contadas da margem meridional do rio São Francisco até o rio Real.era de vinte e cinco léguas. Domingos Fernandes e Cristovão Leal. etc. desde remotas épocas? Ainda que não tenhamos podido obter o regimento dado a Cristovão de Barros. o qual submeteu a questão ao extinto Conselho do Governo. pela lei n.em maio de 1603. de há muito. a extensão de Sergipe. o qual. João Pereira de Oliveira. por oficio de junho de 1832.‖. Em 1851 a Assembléia Legislativa de Alagoas requeria à Câmara dos Deputados o mesmo que. em 1832.em maio de 1604. o conselheiro Joaquim Marcelino de Brito. 2099 de 1º de fevereiro de 1873. que em sessão de 20 de março de 1832. Nada se tinha mais a reclamar. Assim não sucedeu. em aviso de 30 de abril de 1832. que tanto prejudicaram as duas províncias.Francisco.concede de sesmaria. que deveria estabelecer a extensão de seu governo na nova capitania. E em 1870 o presidente de Alagoas pedia ao de Sergipe providências para que as autoridades desta última província não exercessem sua jurisdição em Brejo Grande. E muitas outras sesmarias foram concedidas na zona compreendida entre sete e o rio Real. o juiz ordinário de Vila-Nova. mas nenhuma reclamação. cidade de S. contra o que houve formal recusa dos seus habitantes. _ Hoje estes limites acham-se sancionados pela unanimidade de opiniões dos historiadores e geógrafos: o talvegue do rio Real. essas questões de limites. Parecia agora que os fatos legalizavam e que não seriam permitidos.A lei do soberano não foi suficiente para domar a ambição do poder municipal de Penedo que. desde quando a posse de Sergipe sobre Paraúna estava legalizada pela legislação.de sul a norte. vemos.Cristovão. que lhe responde em data de 26 de março de1870. Entretanto. pois na carta de sesmaria de Luiz Alves. 238 .Nova o terreno em litígio. que o capitão-mor Cosme Barbosa. resolução que foi aprovada pelo Governo Geral. dada pelo capitão-mor de Sergipe. ficaram resolvidas. Em vista. a Baltasar Luiz. Limites meridionais. Essas reclamações eram inoportunas.desde o começo do século XVII.vemos as seguintes palavras em seu regimento: ―As terras e águas e ribeiras que estiverem dentro do território e limite desta capitania de Sergipe. Tomé da Rocha.

que pertencia à mesma freguesia. inferido meu antecessor que duvida só havia do espiritual. Sergipe reduzida aos seus antigos limites. Propriá e na foz do grande rio. a 11 de janeiro de 1842. Ficava.Itapicuru e Abadia. concedo a essa câmara (Sergipe). Não obstante. ―Avista desta resposta. ordenou ao juiz de direito da Estância que os juízes de paz de Santa Luzia estendessem sua jurisdição até á raia natural e política da província nomeando eles os respectivos inspetores de quarteirão. ―Até o próprio professor de primeiras letras viu-se obrigado a retirar-se. de 5 Santo.e apenas foram criadas as respectivas autoridades. Quer nos parecer. entendeu-se de novo com o presidente da Bahia. Entretanto. os mesmos que tinha como capitania. Até 1651 o governo não estendeu sua jurisdição além do rio. estende suas jurisdições. respondeu que enquanto não houvesse parocho na nova freguesia. e os próprios holandeses.pois.dividindo-se ao sul pelo rio Real com a Abadia. pondo-se em luta aberta com as autoridades da vila Constitucional da Estância. E o presidente de então. quanto ao uso e logro de sua renda. as autoridades desta vila quiseram penetrar no território sergipano. Depois da explosão dos holandeses de Sergipe (1645) os limites se conservaram no rio Real. que ouvindo ao governador do arcebispado. dizia: ―Permanece o desgosto conflito surgido na extremidade sul da província.65. declarou não reconhecer a divisão pela parte civil. tudo isto é muito hipotético. desde a invasão de Sigisteiras. Passando a comarca. A assembléia provincial de Sergipe. Sebastião Gaspar de Almeida Boto. por não caber á assembléia provincial legislar sobre o assunto que expressamente pertence á assembléia geral‖.onde a defensiva fortificou-se. ―Procurando meu antecessor evitar cenas pouco animadoras que naturalmente resultariam da presença de forças militar. a requerimento dos povos de Inhambuque .nesse tempo doações foram feitas pelas autoridades de Sergipe na Tabanga. Em todo caso. margem esquerda do rio Real.que terríveis ameaças lhes foram dirigidas. para escapar a algum desagrado. seu território ampliou-se pela carta régia de 5 de junho de 1725. com cuja existência apareceram os insultos e ameaças.foi formalmente erecta em freguesia a povoação do Espírito Santo. que contra toda expectativa. aquém dos limites da província. na fala com que abriu a 1º sessão da 5º legislatura. continuaria o da Abadia a exercer as funções eclesiásticas. pois. em vista de uma carta do conde Castel Melhor aos oficiais da câmara. entre as autoridades da vila da Abadia e as da comarca da Estância. porque este toca a este governo‖. mas não quanto ao seu provimento. pois. do período de 1658 a 1696. cujo insucesso o Brasil teve como uma das mais importantes causas o esquecimento que voltaram à colonização de Sergipe. por lei n. que a concessão feita por isso que a zona não pertencia ao seu governo. no entanto dirigiu-se o meu antecessor ao presidente da Bahia. Em conseqüência do que legislastes. que até o Espírito Santo. á 6 de março do ano passado. de junho de 1651: ―A passagem do rio Real. Eis qual foi o procedimento da Bahia! 239 .estas vilas foram de novo incorporadas à Bahia.

o imperador providencias em ordem a fazer cessar os conflitos que com tanta freqüência se reproduziam entre as autoridades da Bahia e de Sergipe‖. pelo Decr. até onde ela chegasse.35 de 27 de maio de 1864. É este um fato de capital importância e que não deve ser esquecido nas questões de limites. em solução ao que ele me dirigiu em janeiro acima referido.. assim como a todas as capitanias.p. Tivemos o prazer de lê-lo. cujos limites não são traçados com esse caráter de clareza. prestou as informações que lhe foram exigidas. não são os mesmos que separavam Sergipe da Bahia . em seu relatório. ―Em ofício de 19 de Julho de 1864 remeti cópia do indicado ao Exm. Pretendemos provar o seguinte: a)Os limites que hoje marca-se a Sergipe pelo ocidente. contra o procedimento do coletor da vila de Simão Dias.Tanto as reclamações se repetiram que a questão ficou resolvida a favor de Sergipe. em favor da usurpação que tem feito em território sergipano.nos séculos passados. pelo lado ocidental. traçados por esta linha imaginaria que parte das cabeceiras do rio Real ao riacho Xingo. De 3 de setembro do pretérito. presidente da Bahia.que o acompanharam á secretaria do Estado dos negócios só império. Foi o que sucedeu a Sergipe. dirigiu-se ao então inspetor da tesouraria provincial. se por estes lados. os quais suplicavam a s.o próprio original e documento. Se pelos lados setentrionais e meridionais. ___ desde longa data sérios conflitos se têm suscitado entre as autoridades de Sergipe e as da Bahia. que pedia esclarecimentos acerca de uma representação que a assembléia legislativa encaminhou á câmara dos deputados. em que duvida nenhuma devia existir.128 de 23 de setembro de 1843. idênticas lutas se levantassem. Limites ocidentais. onde os limites são traçados com muita clareza. em relação aos contribuintes que diziam já ter pagado ali os impostos a que estavam sujeitos. Tais eram as palavras que pronunciava o presidente de Sergipe em 1865. 240 . nem também ser apresentado como um argumento.m. os limites foram somente precisados no lado oriental. Isto não pode. Eles iriam até onde lhes permitissem as forças da colonização.Joaquim José de Oliveira. Importantíssimo foi o trabalho que ele apresentou. as questões de limite duraram talvez um século. porém ser alegado pela Bahia. em observância do aviso de 5 de Agosto do ano p. cujo presidente.quando elas foram feitas. desde quando essa falta de precisão dos limites nota-se em todas as capitanias e doações dos tempos coloniais.Francisco __as duvidas levantaram-se por parte de Alagoas e Bahia. por isso mesmo que a geografia da colônia era completamente desconhecida pela metrópole. No século XVI. não é para estranhar-se que. desejando entrar no perfeito conhecimento do fundamento das referidas queixas. ―Outra representação que acompanhou o ofício n. o ilustrado Dr. enviado igualmente em ofício sob nº47. foi também dirigida ao governo imperial por diversos habitantes da vila de Simão Dias. trazendo ao seu conhecimento diferentes queixas dos agentes fiscais da vila do Geremoabo e distrito Coité. pelos leitos de dois caudalosos rios __Real e S. O ex-presidente Joaquim Jacinto de Mendonça. oficiou ao desta província. Pelo ocidente eles nunca foram determinados. em data de 21 de janeiro de 1863.

Ao mesmo tempo em que se torna preciso a punição severa. Eis aí um lado importante do caráter da judicatura brasileira. não só individuais. a supremacia do juiz. Eis um fato que é preciso não esquecer sobre as lutas intestinas que se levantavam. a decisão. a força da posição social do cliente. a ele foram dadas. todavia esta lacuna é suprida pelo testemunho do cronista holandês. Tornava-se ela a causa que havia de ditar os limites. E não obstante não termos encontrado seu regimento e dos seus sucessores. pelos protestos que levantavam.mores da nova capitania. quando a força da colonização penetrasse nas florestas do ocidente. que diz que o rei das Espanhas deu 241 . que não lhe eram fornecidos. Alem de outros defeitos. quando em 1590 foi conquistada e se constituiu uma capitania. Dependendo dele fatos de tão vitais interesses. essa falta de clareza dos limites dificultava as autoridades no cumprimento de seus deveres.o que deve ser levado em conta nas questões de limites . era uma parte integrante da Bahia. ao padrão da Bahia. não só entre os donatários do primeiro processo de colonização. eles acham-se recuados para o oriente. Com o progresso da colonização dilatava-se a posse territorial. Por esse lado eles se alargariam um tanto mais. nem mesmo o corpo geográfico da metrópole. aos pleitos judiciários sobre posses de terras. relativamente à distribuição da justiça. de 50 léguas de terra da barra de São Francisco. que fugiam espavoridos para esse lado e para o norte. quando iniciou-se a colonização no Brasil. pois indica o direito do primeiro o uti possidetis. pelo poder competente. nenhum limite poderia marcar a Sergipe. o espírito do foro. a falta de clareza dos limites entre as possessões. cujo resultado foi a criação de uma abundante advocacia. com a perda territorial para Sergipe de muitos quilômetros. e Sergipe foi então conquistado e na nova capitania encetado o trabalho colonizador (1590). como era a do Brasil. pelo desregramento de uma sociedade contaminada. o espírito de chicana. as bases de uma vida administrativa. como governadores ou capitães. como entre as capitanias. dando lugar ás lutas de jurisdição. relativamente à distribuição da judicatura brasileira. provocou pleitos judiciários que dificultaram o processo da riqueza e a ação da justiça.b) Não obstante isto. Sendo Cristóvão de Barros quem efetuou a conquista. do processo colonizador instituído por Portugal no Brasil aponta-se o caráter arbitrário da divisão territorial.a arrancá-las dos naturais. ficando assim imunes a ação da lei. Por isso mesmo que nenhum conhecimento tinha o soberano de Portugal da geografia da colônia. sobre crimes praticados. e a circunstâncias que havia de legalizar a posse a marcar a jurisdição. E não obstante ser ele de alguma força para legalizar a posse. e na impossibilidade de julgar e decidir as questões por meios de elementos verdadeiros e positivos.quando se institui a centralização administrativa. porque dele dependia o futuro da riqueza publica e particular. porque não existiam em virtude do caráter indeciso e abstrato dos limites procurava-se a sugestão. o patrono.Manoel fez a Francisco Pereira Coutinho. em geral do século XVI e XVII. pelo ocidente. por parte das autoridades que mutuamente protestavam contra a extensão de suas jurisdição. Sergipe. No fim do século XVI ela tomou a direção do norte. como fator que havia de inspirar no espírito da judicatura. como entre os governadores das capitanias do segundo processo. Tendo feito parte da doação que D. E para essas divergências apelavam os criminosos.

Francisco e ao sul pelo rio Real. como pelo regimento dado a Tomé da Rocha. junto ao litoral doado. Pedro Garcia Pimentel. o que vimos por umas alegações dos dizimeiros desta última vila. até o rio de São Frnacisco. e nele iniciado o trabalho agrícola. ente os rios Vaza-Barris. deve pertencer a Sergipe. Por estas doações vê-se que a colonização de Sergipe chegou até a as imediações de Geremoabo. mais de três léguas para o ocidente foram doadas também. Francisco. sobre a impugnação dos habitantes do sertão de Vaza-Barris. até onde a Bahia hoje estende sua jurisdição. acompanhando o leito do Vaza. Até onde chegou. o capitão Manuel do Couto Dessa. Jacobina e Itabaiana. pois era impossível fazê-lo. por onde a Bahia quer que passe a linha divisória. eram pelo rio Vaza-Barris. Vaza-Barris e Cotinguiba. Piauí. de 1637 a 1645. Sergipe e S. em 1762 – Capitão Antônio José da Cunha e o Capitão Manoel Dias Coelho – ao ouvidor de Sergipe Dr. os limites traçados entre as vilas de Itapicuru. 242 . na extensão de 32 milhas no litoral. Além disto. Não é só isto. Assim. Cristóvão Dias e Agostinho da Costa. foram-lhes doadas 30 leguas de terra. E todo território que se estendia da barra do rio Lomba para o ocidente. a colonização mais se alargou para aqueles lados. em uma distância de mais de três léguas para o ocidente foi dado de sesmaria a divesos colonos. quer pelo norte quer pelo sul. afluente do Vaza-Barris. que se estendia mais deuas léguas para o ocidente e. a pagarem-lhes os dízimos. porém a colonização neste período de tempo. E tanto a colonização chegou lá. A partir do rio Jococa. em direção ao sertão. antes do período holandês a colonização já se tinha internado em grande extensão pelo sertão. Pela sua sesmaria. onde está edificada hoje a vila do coité ou Malhada Vermelha. pois necessidade de acrescentar provas como Sergipe limitava-se ao norte pelo S. Logo. para o ocidente? No começo do século XVI achava-se quase todo o território das bacias dos rios Real. Hieronimo da Costa Taborda. as terras nas demarcações na Serra Negra até encontrar com a sesmaria de Pedro Gomes. que era em Porto da Folha. e Antônio Rodrigues. junto às nascentes do rio Vaza-barris. que era assim chaamado todo território ao ocidente da serra do mesmo nome. Não há. pertencia à doação de Simão Dias Fontes. a doação foi em fevereiro de 1607 e compreendia as terras de Itabaianassu. concedida em novembro de 1669. foram doados a Simão Dias Fontes. E pela sesmaria do desembargador Cristóvão de Burgos. A colonização então dirigiu-se para o ocidente. sem ter a seu favor o direito de posse. onde completam-se as trinta léguas. que em 1603 adminstrou Sergipe.a Cristóvão de Barros as terras de Sergipe. até as nascentes dos rios Sergipe em Serra Negra. nas ubérrimas terras que hoje se chamam Matas de Itabaiana e Matas de Simão Dias. Depois do período holandês. Não será uma precipitação concluir-se que de 1590 a 1637 os limites de Sergipe não foram determinados. os terrenos onde está edificada hoje a vila de Simão Dias. em uma extensão de 3 leguas da cidade de Itabaiana para o ocidente. Miguel Aires Lobo de Carvalho e ao Governador da Bahia. que no século XVII.Barris. por conseguinte.

cuja embocadura fica em 10°. cuja foz está na latitude sul de 10° e 58‘. com a sanção do governo da metrópole no Brasil. Francisco. da Piedade do Lagarto. e talvez além das cabeceiras do Rio –Real pela sesmaria de Belchior Dias Caramuru. Dilata-se desde as costas do mar até Massacará. que passamos a descrever. Francisco. de cujo autor não sabemos o nome: Divide-se esta capitania com a comarca da Bahia pelo rio Saguim e o termo do Julgado do Geremoabo. chamada antigamente Gerú e igualmente a Villa Nova Real de El-Rey ao norte de toda a comarca com a extensção de quase cem léguas. Santa Luzia e a de Thomar dos Indios.Analisando-se devidamente este documento. perto da cachoeira de Paulo Affonso. lemos o seguinte: Limita-se esta capitania (Sergipe). ainda que não chegasse a um ponto correspondente. no séculu XVII. as ausência do primeiro arcebispo D. hoje comarca. chamada de Paulo Affonso. da capitania de Pernambuco. ―Sua costa é banhada pelo mar Atlantico. dista 12 leguas da Villa de Santa Luzia. Lagarto. simplesmente aproveitamos os trechos referentes às questões de limites. Gaspar Barata de Mendonça. Francisco. Eis o que vemos em uma desta memórias. pelo poente pela comarca de Jacobina e seu Julgado de Cabrobó. Francisco. pela sesmaria de Simão Dias Fontes. ficando como de cabos a dentro desde a ponta do sul da barra do rio de S. onde finda 55 leguas e da Extrema de Jacobina 50 leguas pouco mais ou menos até a pancada do mar. e daí para o norte e o ocidente. tinha chegado até Geremoabo.‖ Diz Marcos Antonio de Souza: ― A capitania de Sergipe d‘El-Rey. com o Julgado de Pombal. a quem o capitão-mor de Sergipe fez doação de 4 léguas na zona onde está edificada a vila de Campos. até a Vila Nora Real d‘ El-Rey do referido rio de S. Francisco da comarca de Jacobina. pertencente ao districto da Villa de Itabaiana. Assim fica provado que a colonização de Sergipe. servindo de divisão entre a Comarca de Jacobina e a das Alagôas o sobredito rio de S. e que no século XVII a jurisdição do seu governo estendia-se a essas paragens. porque nele lemos: o Vaza-Barris faz demarcação para a parte do nascente até o rio do Peixe e por elle acima até o fim. contando-se da divisão que faz com que a dita comarca da Bahia. beira rio de S. pelo mesmo rio de S. E esta nossa opinião é confirmada pela dos antigos cronistas. esta estende-se desde o rio Real. foi erecta pelos governadores do Arcebispado. como o Pombal ou Tucano. Itabaiana. pelo sudoeste até o sul com o rio Real da comarca da Bahia. Francisco. e com a das Alagôas. Francisco. pela fronteira meridional do mesmo rio. além da cidade do mesmo nome cabeça da comarca as Villa de Santo Amaro das Brotas. todavia ela muito estendeu-se até além das matas de Simão Dias. por todo o seu norte pela margem austral do grande rio de S.corrupto vocábulo Serygpe – no Brasil occupa grande parte das terras que estão ao norte da Bahia de Todos os Santos. Em outra memória cujo autor igualmente desconhecemos. que deságua no sobredito rio de S. Se pela fronteira setentrional do Vaza-Barris a colonização caminhou até esses limites ocidentais. 58 leguas acima de sua foz. até a do norte da barra do rio Real. Diz o mesm autor: A freguesia de N. em 11 de Dezembro de 1679. desde Ella até o rio do sul nas vizinhanças da cachoeira grande. Francisco. 58‘ de latitude e 347° e 18' de longitude e por este lado vae terminar com a comarca de Alagôas pertencente ao governo de Pernambuco. Jacobina e Itapicuru era o rio Vaza – Barris. e foi levantada Villa em 1698. matas de Simão Dias e riacho do Xingó. que se pudesse unir por uma paralela a Geremoabo. comprehendendo no seu districto. que desemboca no oceano na latitude de 11° e longitude de 360° ee 38‘ até o rio de S. vemos que o limite entre os termos de Itabaiana. buscando a parte central da 243 . S. e pela parte de leste é cercada do oceano que faz a enseada de Vasa Barris. Não sendo oportuno aqui transcrever integralmente essas memórias. nas imediações da nascença do Vaza-Barris.

para tirar-se de sua jurisdição uma zona territorial tão grande. por uma linha que parte das cabeceiras do rio Real. desfalcando-se assim do território sergipano uma extensão de muitos quilômetros. o Dr. O seu trabalho recente-se da grande falta. garrantido pela colonização. Sergipe perde uma extensão territorial de muitos quilômetros. Eles não foram derrocados. e vão contra o direito de posse adquirido por Sergipe. denominada –Mococa. que fica ao norte. assegurados pelo direito da colonização. se diz que eles são traçados por uma linha que partindo do Xingó e passando por sobre a serra Negra. em 1696. que são as conseqüências de tantas ilegalidades. Com esta nova usurpação da Bahia. viesse a massacará. 244 . que lhe fica a oeste. por sua colonização. este pedaço é mais de 12 léguas. E isto tudo a Bahia fez sem a sanção da lei. a levar a convicção ao espírito do governo. estende-se 11 leguas desde a matta da serra pedregosa. deveria merecer mais atenção da representação da província. colonizada à custa de seus recursos? Não osbstante os limites que estão geralmente reconhecidoos por uma linha do Xingó ao rio Real. usurpando de Sergipe gande parte de seu território. passou de capitania a comarca. e sem achar auxílio na verdade histórica. cumprindo assim um importante dever da representação. Não preciso gastar tempo para mostrar ao leitor a falta de verdade destes novos limites. não são veredictos. pelo uti possidetis. Francisco. Entretanto. acham-se hoje transferidos para o oriente. de tanto absurdo. José Luiz Coelho e Campos. Dilata-se desde o engenho.comarca. um dos deputados de Sergipe. que o espírito público delegou-lhe.Moendas. Lagoa Seca e Gravatá.até o rio vasa Barris. menos verdadeiros serão estes que a Bahia quer impor. Se já demostramos que os que são traçados pela linha imaginária do Xingó ao Rio Real. em vista da uberdade do terreno e pela enorme criação de gado nas fazendas de S. hoje.até a mata de Simão Dias. Somente em sessão de 14 de agosto de 1822. pugnou por esta questão. a serra do Capitão. pelas alegações dos dizimeiros em 1722. de não ter sido órgão no parlamento de todo o passado histórico do direito de posse de Sergipe sobre seu território. termina na nascença do rio Real. junto às cabeceiras do rio Vaza-Barris e daí partindo. e que são confirmados pelo testemunho histórico. Eis aí os limites de Sergipe. desde o século XVII. Só temos a lastimar que a deputação de Sergipe não tenha feito desta questão uma causa determinativa de reais e patrióticos esforços. como toda a população de uma zona de terreno de talvez 30 quilômetros. terminasse nas nascenças do rio Real. Espírito Santo. que marcava o limite da sesmaria de 30 léguas do desembargador Burgos. quando Sergipe. sem o menor protesto. nem da representação. das lesões econômicas do corpo eleitoral e do poder político. de onde o erário público tira grandes proveitos. passa entre Simão Dias e Coité. Sendo uma questão de interesse palpitante. ainda que nem de longe duvidamos das boas intenções do seu autor. Podemos pois traçar os limites de Sergipe: por uma linha que partindo da cahoeira de Paulo Afonso. em vista dos prejuízos. a serra do João Grande. contornando Pombal e tucano. Por que deslocaram-se os limites? Porque feriu-se o direito de psse seclar. a fim de que seja garantida e respeitadada a nossa integridade territorial. Mulungu. nem dos presidentes de Sergipe.

que foi um incidente na história brasileira. Se os limites traçados pelo ilustre geógrafo Cândido Mendes de Almeida são mais naturais. são traçados pelos leitos dos rios – Itapicuru. são a expressão da verdade. Itapicuru-mirim e Calitre. 259 Este capítulo foi escrito em 1884.259 E se as informações.no qual já fazia a propaganda republicana. teremos então uma época da justiça e do direito. Redigia então um jornal – o Horizonte. porque até aestas paragens não chegou a colonização de Sergipe. E além da verdade histórica que representam. em suma mudar-se a forma do governo que tem gerido os negócios públicos. têm o defeito de não representar o direito de posse adquirido. Estamos certos de que. pelas duas cordilheiras. para conquista do direito de posse que Sergipe alcançou sobre esse território. como pela linha do Xingó ao rio Real. em tempos coloniais. será para o autor destas linhas um justo motivo de um nobre orgulo. que presto neste estudo. a fim de que uma questão de interesse tão útil seja resolvida. São eles os verdadeiros limites ocidentais de Sergipe. permanentes. conta o odioso privilégio que se encarna em uma dinastia. contribuírem para a vitória da verdade. quando. for uma realidade. que não são inerentes ao elemento étnico do Brasil. Por ele vê-se que seu autor já propagava as idéias republicanas.Apelamos para opatriotismo da representação de Sergipe. Os que apresentamos. Eles não são marcados com um caráter tão abstrato. essencialmente democrata e oposta aos hábitos aristocráticos. ainda que incompletas. exprimem também uma divisão bastante acentuada. contra a vontade popular. pela vitória da república. 245 . pela eliminação da monarquia. quando a rebelião que parte agora do espírito popular. ou pelo Itapicuru. quando este país for dirigido por um governo patriota e livre. pois. quando a regeneração do caráter brasileiro efetuar-se pelas forças nacionais. menos sujeitos a litígios. Jacurici e Pontal.

Faz-me e deu em nome de sua magestade a dita terra do dito Thomé Fernandes obrigado a fazer benfeitorias na dita terra no tempo que a ordenançan lhe limita porque com as ditas condições e obrigações o dito Sr. e havendo respeyto a ser já morador. Thomé da Rocha governador geral de todo este estado do Brasil nas pousadas de mim escrivão ao diante nomeado por despacho ao pé dela do dito Sr. três mil brassas de terra pelo rio asima e pêra o sul coatro mil brassas a qual terra se medirão d‘onde se acabam os ditos mangues que declara e pêra este assim e da maneira que corre odito Rio. e não atendendo ao muito trabalho que passão nas terras novas se veyo sua casa movida trazendo consigo hua filha casada onde já nesta capitania a três annos mora ajudando a pouvar assim na pás como Guerra: Peda a vossa mercê havendo respeito a ser dos premeiros e por seu officio permanecer a terra com embarcacoens lhe dê de sesmaria em cotemguiba pêra onde se acabam o Mangues Verdadeiros que chamão corropoiba. Capitão e Governador da coal petisão e despacho o treslado. C. madrias e pastos e receberá mercê. Saibam quantos esta carta de semaria deste dia para sempre virem que no anno do nascimento de nosso snor. Chistovão capitania de Sergipe de que é capitão e governador o Snr. Capitão e Governador por bem do regimento que para isso tendo dito Sr. de verbo ad verbo é o seguinte: diz Thomé Fernandes que ele veyo ajudar a dar guerra em Sergipe d‘el Rey em companhia de Cristovão de Barros Capitão geral das entradas com suas armas e escravos a sua custa sem premio nenhum nem cousa algua Del Rei e despois da terra já ganhada se for assim que neste serviço de sua Magestade gastou oito mezes. com todas as madeiras e rios que dentro d‘ella houverem: Sergipe em 23 de julho de 1594 annos: Thomé Fernandes o que tudo isto era contendo no dito despacho e ho qual era assinado pelo dito Sr. resalvando pontas em seadas com suas águas. o qual dahy a um anno tendo noticias vinham moradores apouvar não quis ser dos derradeiros. e o que importa ao bem da terra e serviço de Sua Magestade lhe dou em seu nome de sesmaria na parte do dito Rio ouver que não entrarão na medição e serão também suas e disso lhe passem sua carta porque lha dou. lhe fez m. e por o dito Thomé Fernandes foi aseita a dita terra com todos condiçoens e obregasois nesta carta contendas e da ordenasan e fores desta capitania e se hobrigara a todo comprir pelo que lhe foi pasada a presente para sua guoarda da coal eu escrivão fomei e escrevi neste meu livros das dadas em nome do dito Thomé Fernandes e dos mais a que tocar esta auzentes e eu Manoel André. e mandou pasar carta do dito Thomé Fernandes deste dia para todo sempre e mandou as justiças e oficiaes dela den e fasan dar a pose da dita terra ao dito Thomé Fernandes pelas confrontasois e demarcasois nesta carta conteúdas e nele e dela poderá fazer como cousa sua que já é conforme a ho dito despacho e ordenasão que em todo comprace a qual terá-lhe asin dou livre e isenta de todo foro tributo se mande que pagace o dizimo a Deus que se deve a ordem de nosso Sr. 246 .APÊNDICE SESMARIAS DE SERGIPE CARTA DE THOMÉ FERNANDES 23 de julho de 1594 – Rio cotinguiba. J. nesta Capitania. Visto esta petição do suplicante. Despacho. Ihus xpo de 1594 aos 23 de julho da diata era nesta cidade de S.

– Rio Real. CARTA DE DOMINGOS D‘AMORIM SOARES 15 de Abril de 1596. despacho. – Diogo de Qoadros. M. afuente do rio Real. – Diogo Quadros 260 Goacujahy ou goarujaby é o nome indígena do rio hoje chamado Burarema. Dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade se for dada correra adiante nea legoa de terá em coadro com todas as agoas e matos que nela ouver em seregipe guynze abril de noventa e seis . Diz Domingos de Amorin Soares que elle quer ajudar a povoar a capitania de Serigipe e tem muitos servisos feitos a sua magestade asin nesta costa com em outros portos indo muitas veses a guerras assaltos de muito serviço de déos e bem das povoações de toda esta costa do Brasil em iesto gastando sempre de sua fazenda e de sua custa e tem muitos filhos e não tem terras aonde os agasalhar pello que pede a V. hora no Rio Real estan terras devolutas as mais san de matos maninhos e estan por dar pede a Vm. CARTA DE FRANCISCO RODRIGUES 6 de Abril de 1596. 247 . m. ec. – Thomé da Rocha.escrivão dos dados nesta capitania por o Sr. Capitão e Governador a fiz em que o dito senhor asinou. Saiban. Diz Francisco Rodrigues morador nesta cidade de serigipe que ele He casado e tem mulher se filhos e não tem terras onde posa fazer sua abitação e suas pose e criasois. – Rio Real. respeitando os mesmos serviços que tem feito a sua magestade com que tem gastado de sua fazenda lhe dê de sesmaria em nome de sua magestade uma légua de terra na cabeceira de Jorge Pereira no rio real pello rio de goarujahi260 e do largo em qoadro e outra em légua rumo direito e receberam despacho. R. Lhe fasa mercê de uma légua de terra pelo rio piauhy asima donde ora tem Tome Fernandes mimoso sua terra donde elle acabar pelo rio asima aonde se chama o porto das pedras e sendo dado que corra por diante a coal terra esta da banda do este com todas as agoas e madeiras que dentro em si tiver E. Dou aos sopricante que pede as tresentas brasas de terra de largo e oitosentas de conprido não sendo dade e sendo queira rumo direto até onde lhe cuber em Sergipe a seis de abril de noventa e sein anos.

despacho dou no sopricante em nome de sua magestade na parte que pede na testada de gaspar de oliveira oitosentas brasas de terra em coadro com todas agoas e matos que nas ditas oitosentas brasas ouver e sendo dado corra rumo direito em serygipe três de dezembro de noventa e cinco annos.acabar da banda do sul do dito rio piauhy a quoal legoa de terra correra para aldeã de san tome norte e sul e leste ao este em coadro com todoas as agoas ilhas matos e lagoas que dentro ouver.Diogo de Qoadros.diz Gaspar Gomes morador nesta capitania sidade de san Christovan que ele vejo em ajuda de dar guerra com Christovan de barros houtro sin veio com tome da rocha e ora assiste na capitania por morador ora é necessário terras para seus mantimentos e ora digo caros e porque ora no rio pe piauhy estão terras devolutas de terras em coadro no dito piauhy na testada de gaspar de oliveira da banda do norte ao longo do rio com todas as águas lenhas madeiras que na dita terra ouver e sendo dada cerrera adiante. etc diz Manuel de Barros escrivão de Fabrico judisial morador nesta sidade que vai em dois anos que reside nela e nã ten terras em que posa fazer seus mantimentos pede a vossa merse lhe faça mercê de lhe dar no piauhy rio real meã legoa de terra a quoal pede no porto das pedras comesando aonde acabar tome fernades mymoso para ariba asin e da que corre o dito rio piauhy a quoal meã legoa seja em coadro a saber norte e sul leste ao este com todas as agoas lenhas matos lagoas que na dita dita meã legoa ouver –despacho dou ao sepricante coadro sentas 248 . CARTA DE MANUEL DE BARROS 20 de abril de 1596 – Rio Piauhy Saiban. etc .etc. despacho dou ao sopricante que pede não sendo dada duas mil brasa de terra de largos e mil e quinhentos de conprido e sendo dada correra adiante em serygipe vinte de abril de noventa e seis anos .-Diogo Qoadros CARTA DE GASPAR GOMES 3 de Dezembro de 1595 – Rio Piauhy Saibam .diz Gaspar D‘Almeida provedor da fazenda de sua magestade desta sidade de san christovan e morador de cinquo annos a esta parte e não tem terras em que posa fazer seus mantimentos e criasões pede a vossa magestade lhe mercê de hua legoa de terra no rio piauhy a qual legoa de terra comesara a medisan de la adonde vossa m.CARTA DE GASPAR D‘ALMEIDA 20 de abril de 1596 – Rio Piauhy Saibam..

m..Rio Piauhy Diz Sebastião de Brito e Francisco de barros moradores na sidade de salvador que eles san homes de muitas pose e queren pouvoar e aver a terra suas criasois de gado vaqun e das mais criasois e ora no rio real digo do piauhy hum dos brasos do rios real estan terrras devolutas por dar e por ora seren o mesmo de muita pose que a podem povoar pedem a vossa merse lhes fasa mercê lhe dar de semariano dito Rio Piauy três léguas de terra em coadro as cuasis terras partirao com a dada de jeronymo da costa que esta fronteiro do bogio261 da banda do sul fasendo rumo direito ate dar no rio inajaroba262 e na sendo três léguas da dita terra donde acabar o dito Jeronymo da Costa se encabece pelo dito rio inajaroba assima de maneira que fiquem sendo as três legoas em coadro a saber norte e sul leste e oeste com todas as agoas lenhas madeiras e os ribeiros lagoas que nas ditas três legoas ouver no que R.-Diogo de Qoadros CARTA DE SEBASTIÃO DE BRITO E FRANCISCO DE BARROS 5 de amio de 1596.m. Inajaroba é o nome primitivo do rio piauí. avendo respeito a sua necessidade lhe fasa m. A qual pode ser porque mais ou menos da serraria para leste mil e quinhentas brasas .Diogo de Qoados CARTA DE SALVADOR FERNANDES 26 de abril de 1596 – Rio Piauhy Diz salvador Fernandes morador nesta cidade de san Christovan e capitania de serygipe que vae em dois anos que esta nesta capitanya com sua mulher e filhos e suas criações que a um ano pretende caso não tem na capitania terra em que posa lavrar não puder trazer as dittas criaçõis e visto estar aposentado em terras alheias e daqui amanha o mudaram levantar e não ter antan adonde se posa acomodar com sua mulher e filhos e família pelo que pede a v. Hoje conserva o memo nome.brasas de terra de largo rumo direito do rio e oitosentas brasas de conprido com todas as agoas e matos que nela houver em serygipe a vinte de abril de noventa e seis .m. de lhe dar as sobejas das terras de Manoel André de sesmaria na serraria do piauhy da banda de leste com todas as agoas e lagoas e ilhas matos que dentro na terra ouver R. 249 .-despacho – dou aos sopricantes em nome de sua magestade na parte que pedem duas legoas de terra em coadro huma a cada hum deles não sendo dado visto muita pose que tem e ser servisso de sua magestade 261 262 Nome de uma serra .dou ao supricante que pede quatro centas brasas de tera de largo e oito sentas de conprido para o sertan tomado o rumo do rio como correr não sendo dado e sendo careça ate onde lhe couber em serygipe a vinte seis de abril de noventa e seis .

M.dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade não sendo dado comece por diente rumo direito aonde lhe couber m a legoa de terra em coadro com todas as agoas lenhas matos que nela ouver em serigipe a dês de mayo de noventa e seis – Diogo de Qodros CARTA DE JORGE COELHO 13 de maio de 1596. Diz Nuno de Amaral morado na baia do salvado que ora serve de escrivão da fasenda de sua magestade que ele quer ajudar a pouvoar esta capitania de seripe com suas criasões de gado e gente a para isso lhe he nesesario terra para suas criasois e antimentos pede a vossa Mag.m.despacho. lhe fasa mercê de lhe dar nas cabeseiras de Domingos de Amorim suares no rio guacujahi 4 duas legoas de terra em coadro ao longo do rio di uma banda e da outra que fique o rio por padran com todos matos lagoas e lenhas que nela ouver Rm. e ora quer ajudar a pouvar esta capitanya de serigipe e para isso lhe he nesesario terras para matimentos e pastos para gado lhe fasa m. – despacho -Dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede e sendo dada cueira por diante eu serigipe a oito de maio de noventa e seis anos – Diogo de Qoadroz. CARTA DE CALISTRO DA COSTA 10 de maio de 1596 – Rio Real Dis Calistro da costa mor na sidade do salvador q‘ele acopanhou Cristóvão de barros coando vejo dar a gerra a este sergipe por general com suas armas e cavalo a sua custa e por quanto ele ora quer ajudar a povoar esta capitanya de serigipe e para isso lhe ´e necessário terras para matimentos e criasois e por coanto ora no rio real há terras devolutas por dar pede a v.pouvoar-se e sendo dado careça para diante em sergipe a sinquo de majo de noventa e seis .R.en nome de sua magestade de lhe dar e 250 .Rio Real Saibam etc.en nome de sua magestade havendo respeito ao asima dito de lhe dar de sesmaria para ele e seus filhos e desendentes duas legoas de terras em coadro na testada de J M0 Ribeiro da banda do sul com todas as agoas e madeiras que na dita terra se achar pelo dito rio de inajoroba asima asin e da mana que o dito rio correr regolando as pontas que o rio fiser os quoais também pede e sendo dado cora pordiente a dita dádiva q‘ora pede E.-Diogo de Qoadros CARTA DE NUNO DE AMARAL 8 de maio de 1596.diz Jorge Coelho mor.en tatuapara que eleveio aconpanhando Christovão de barros quando veio a dar a guerra a este a sua custa.

respeito ao assim dito e ser dito serviso foi feito lhe fasa m. diz Damião da Motta . etc.despacho –dou ao sopicante na parte que pede en nome de sua magestade oitosentas brasas de terra em coadro e sendo dada a outren corra por diante en serigipe trese de maio de noventa e seis anos –Diogo de Quoadros. na testada de Manoel de barros de duas legoas de terras em coadros para o sertan a quoal terra se comesara a medir onde acabar o dito Manoel de barros contado o que na dita tiver e agoas e madeiras para ele e sua molher e filhos e desendente de 251 . despacho.m.m. diz Estevão Gomes mor .etc .R. lhe fasa m. CARTA DE ESTEVÃO GOMES D‘AGUIAR 13 de maio de 1596 – rio real Saibian.morador na sidade do salvador que ora veio em companhia do general cristovan de barros a guerra de seregipe com uas armas e cavalos e escravos tudo a sua custa onde na dita batalha lhe matarão o seu cavalo e coatro escravos seus e ele dito damião da motta com duas frechadas e assim mais o dito senhor o trazer por lingoa-mor e capitao de tresento índios forros das aldeias dos padres com os coaes vinha fasendo caminhos e estradas pontes por ribeiros e entulhando brejos e lagos por onde passou a artilheiria e munisões que gerra era nesesario e pasa sen caros e cavalos que para dita gerra erao nesesario e avendo V.com todas as agoas e madeiras riais e ribeiras que na dita terra ouver e ilhas de matos que nelas se achar a quoal terra pede em coadro resalvando as pontas inseadas que o dito rio for fasendo as quoaes também pede e R. CARTA DE DAMIÃO DA MOTA 13 maio de 1596 Saiban .m .na sidade do salvador que ele tem molher e filhos e ele aconpanhou Cristóvão de barros com seus escravos e armas e canoha (?)a sua custa e que ele ora quer vir ajudar a povoar esta capitanya de serigipe e que para isso lhe he nesesario para suas criasõis e matimentos terras e ora no rio real num esteiro que chamão Inajaroba estão terras devolutas por dar pede a Vm.sesmaria duas léguas de terra na testada de Calistro no rio que chama Inajaroba pelo dito rio asima assim e da maneira que corre o dito rio. de lhe dar duas legoas de terras encoadro a coal terra se comesara a medisan dela onde acaba calistro da costa e jorge coelhos com a medisan pelo dito esteiro e lhe de a dita terra de sesmaria como pede pelo inajaroba asima da banda do sul e da mesma maneira que corre o dito rio resalvando as pontas que o rio fiser as coais pede diante E.dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade mil brasas de terra en coadro não sendo dada a outrene se for dada quera por diente co a condisan que dentro nu ano a va pouvar e não a pouvando a tornanarão a dar por devolluta em serigipe trese de mayo de noventa e seis anos – Diogo Quoadros.

Saiban etc.sesmaria hoje para todo sempre Reslbará m. Despacho –dou ao sopricante em nome de sua magestade duas mil brasas de terras em coadro a qual terra começara a medir donde acabar o mestre de capela da sidade da baia correndo para o norte com suas agoass e lenhas na sendo dada a outren e sendo dada correra por diente com codizan que dentro de seis mezes a venha povoar em seregipe a trese de maio de noventa e seis anos . Chistovão. de duas legoas de terras para pastos dos ditos gados e criasois e seja a ho longo da que parte com a do mestre da capella e sendo dado corera adiante com as agoas lenhas e madeira que nela ouver e Rm.bispo em tinharé a cual ilha chama patatiba263e terá de comprido seis sentas brasa e de largo sem brasa e em parte menos a quoal pede a vm.etc.lhe fasa m. CARTA DE MIGUEL SOARES DE SOUZA 16 de maio de 1596.M.diz Mygel soares de souza que ele esta demorado digo demovido com molher e filhos para esta capitany e por falta de enbarcasan não trouxe sua molher consigo e porque ora esta aqui e quer fazer suas rosas e casas p‘ ir buscar 263 Nome de uma ilha que fica defronte de Thinharé.-Diogo Qoadros.de Qoadros CARTA DE DIOGO SILVEIRA DR REGO 13 de maio de 1596 Saiban . R.Diogo. Despacho: dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede meia legoa de terra em coadro não sendo dado a outren e sendo dada coera por dianate condisan q‘dentro num ano a vira povoar e não a povoando no dito tempo se dara outren por devoluta en seregipe a trese de maio de noventa e seis anos .etc . despacho: dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade a ilha que diz não sendo mayor do que sua petisan decrara em seregipe a quinze de maio de noventa e seis anos –Diogo de Cuadros..diz tome Fernandes morador nesta caitanya que tem necessidade de huã ilha que esta defronte de huã dada do sr .. dar de sesmaria com seus portos e matos no que E. junto a S. diz o dito Silveira do Rego que ele quer ajudar a povoar a sidade de San Cristovan da capitanya de serigipe para o efeito do quoal lhe é necessário mandar la sertos vacas e gado e outras criasois que nã pode fazer sem alguã terra de sesmaria nos limites da dita capitanyapelo que pede vm lhe fasa m. 252 . CARTA DE THOME FERNADES 15 de maio de 1596 – Ru Vasa Barris Sabian.

. lhe fasa m..de hua legoa de terra em coadro .................. desta capitanya de um ano e meo . 253 .rio de piahuy a quoal começara e correra para a banda do norte em quadro de norte a sul e de leste a oeste com todas as rebeiras matas agoas que na dita terra se achar com todas as voltas q o dito rio vae fazendo no q..................... Saiban etc...... é meã légua a qual meã legoa a hu frº vas coelho morador ora no espírito santo a quoal terra na tapera da tajoaba264 pelo ribeiro de hipoxy265 abaixo da banda do sul aonde começa domyngos frz nobre de camynho q ele tem por marquo pelos rumos que mylhor lhe pertence a coal terra pede a vmce por divoluto conforme aos pregois que vmfez deitar na sidade da baia e R.......... nos ditos sobejos ouver os quoais poderan 264 265 Nome primitivo de uma aldeia.. diz Pedro Alves Aranha morador na sidade de salvador q ela ele quer ajudar a pouvoar esta capitanya he omen de pose asin de gente como de criasois q há hu morador san pertensentes e para isso lhe é nesesario terras p a mantimentos e criasois e ora no rio piauhy estão terras devolutas por dar pede a Vm lhe caça m.......m...... Despacho – dou ao sopricante em none da sua magestade o q pede não sendo dada mil brasas de terras em coadro com todas as agoas lenhas matos que nela ouver e sendo dada correra por diente Rumo direito onde couber em sergipe a dezesseis de majo de noventa e seis annos .....geral madou dar na baia e se casar em san visente e estar fora de vir povoar-dou ao sopricante em nome de sua mgde a dita terra por devoluta asin e da maneira que fro vs a tinha em sergipe em dezesseis de majo de noventa e seis anas D.... junto ao rio Poxim..... – Rio Piahuy Saiban etc..... a esta parte serve a sua majestade como foi no .......16 de Maio de 1596. Diogo de Quoadros... Nome indígena do rio chamado hoje poxim.......... em nome de sua magestade de lhe dar hua legoa de terra q.......pelo q............................ e.e porque ele sopricante não tem terras ..... R...... de lhe dar de sesmaria hos sobejos das terras donde acaba a dad de martin de....sua família e por não aver terras por dar ao redor desta sidade por serem todas dadas pede a vm.............. visto passarde tenpo em q pudera fazer benfeitorias e por o pregan que o snr‖grd.a todos no rio Piauhy da banda de banda de leste com todas as agoas riberiros lagoas lenhas q..... m....... –Rio Piahuy.... pede a vm avendo respeito ................................... CARTA DE PEDRO ALVES ARANHA ..diz gaspar d´amorim morador nesta capitanya de serigipe ...Quoadro CARTAS DE GASPAR D` AMORIM 16 de Maio de 1596.....

m despacho .dou ao sopricante em nome de sua magestade de lhe dar hua legoa de terra em coadre correndo pelo rio asima a onde acabar a dade de Cristovam Rabello e sendo dada Correa adiante onde não foi dada com todas as agoas q nela ouver digo com todas as agoas e matos q nela ouver e sendo dada correra por diante em sergipe e vinte e três dias de maio de noventa e seis anos . CARTA DE DOMINGOS DE ANDRADE 23 de maio de 1596 – Rio Real Saiban etc .diz Domingos d Andrade morador na baja do salvador qe Ele ser morador na capitanya de serigipe e não tem terras aonde morar e viver he informado que no rio real .m lhe fasa m.Rio Real Saiban etc. CARTA DE CHRISTOVAM REBELLO 16 de maio de 1596.diz Cristovan de Rebello dasevedo morador na baia de salvador q‘.Diogo de Quoados.D. da dita legoa em quadro nas cabeceiras dada de frº de barros e sebastian de brito erm despacho – dou ao sopricante em nome de sus magestade nas terras cabesseiras de Francisco de barros e Sebastiam de brito meã legoa de terra em coadro não sendo dada corera por diente aonde rumo direito onde couber em sergipe a dezesseis de majo de noventa e seis annos . dentro na dita terra entrar e isto pede a vm por serem muitos campos e terras nan serven senão para pastos e sendo cousa que a dita terra q‘ pede seja dada a outren posa corer adiante honde não foi dada e isto pede por elle sopricante ter catorze poses e criasois para trazer erm despacho – dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede meã legoa de terra em coadro com todas as agoas lenhas matas q‘ nelas ouver vindo as pouvoar no termo da ordenasan e não vindo se daram por devolutas para quen quiser pouvar em sergipe a desesis de maio de noventa e seis annos D.ser hua legoa pouquo mais ou menos e sendo cousa q seja dada lhe fasa m. 254 .de Quoadro.en nome de sua magestade de lhe dar hua legoa de terra em coadro correndo pelo dito rio asima aonde acabar a dada de cristovan rabello e sendo dada correra adiante onde não foi dada com todas as agoas e matos e mais serventias as quoais pede e r. em nome de sua magestade de lhe dar pelo dito rio asima abacho longo dele uma legoa de conprido e duas para o sertan correndo rumo direito contodas as agoas os pastos serventias q.chamado pela hitanhi a terras por dar devolutas pede a vm lhe faça m.de Quoadros.ele quer morar e viver no rio real e traser suas poses pêra o quoal não tem terras onde se aposentar e hinformado que no dito rio real onde acaba a dada dos padres da conpanhia de Jesus estão terras devolutas por dar a pesoa algua pede a v.

de lhe dar de sesmaria em nome de sua magestade duas mil brasas de terra em coadro na testada de gaspar damorim da banda de noroeste corendo para o rio piauhy con todas as madeiras e agoas que na dita terra se achar no que e.r.de lhe dar huma legoa de terra ao longo do dito rio contra para o certan a quoal terra comesara onde acabar a dada que vm.diz Francisco Álvares morador na haia que ele quer nesta capitanja ser morador com sua mulher e filhos e família e não tem terras onde viver e he informado que no rio real chamado hitanhi pelos índios ai terras por dar vaguas e devolutas pede a vm. Dandrade há terras por dar a pessoas alguma pede a com todas as lenhas matos servente que na dita legoa houver e seando caso que seja dada a pesoa outra corera a diente onde não for dada isto pede a vm.rio real . por ter muitos filhos familya erm. Saiban etc.rio real Sabian etc.lhe fasam.fez m.visto o serviso lhe fasa m. CARTA DE CHRISTOVÃO DIAS 24 de maio de 1996..CARTA DE BALTHASAR FERREIRA 24 de maio de 1596..Diogo de Qoadros CARTA DE FRANCISCO ALVARES 24 maio de 1596 . nesta capitanya com sua molher e filhos e não tem terras onde posa viver he ele enformado que no rio real chamado dos índios hitanhi onde acaba a dada de dos.m.diz Cristovan dias almocharife de sua magestade que por tenpo de coatro anos que esta em serviso do dito senhor nesta capitanja de Serigipe ajudando a pouoar com sua fasenda e pesoa achando-se em todos dos assaltos e rebates que os contrários dela fizeram e ora quer ajuda a pouoar ho rio real com gado criasois e não tem terras em abatansa pede a Vm..diz Baltazar Ferreira que ele quer ser mor.dar a seu genro Baltasar Ferreira com todas as agoas matos que na dita terra ouver digo entrar e sendo dada corera adiente onde não for dada Rm despacho .dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade quinhetas brasas de terras em coadro com todas as agoas lenhas matas que nelas ouver pouvando a dentro do termo da ordenasan em Serigipe a vinte coatro de maio de noventa e seis Diogo de Qoadros.despacho – dou 255 .-Rio Real Saiban etc. Despacho – dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que mea legoa de terra em coadro com todas as agoas e matos pue nela ouver e pouvoando–a dentro do tempo da ordenasan em serigipe vinte e coatro de mayo de noventa e seis annos.

CARTA DE DOMINGOS FERNANDES NOBRE 25 de maio de 1596 . nome indígena do rio chamado hoje jacaré.ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede não sendo dada mil brasas de terra em coadro com todas as agoas lenhas matos que nelas ouver e sendo dada correra por diante em serigipe a vinte coatro de maio de noventa e seis ...Respeitando que assima diz lhe de em nome de sua magestade pelo rio saibetiaia (14) acima do braso rio plauhy que corre para a banda do norte no fim da dada de gaspar demeneis huma legoa e meia de terra em coadro por coanto tem as sobre ditas obrigaçoes para nela agazalhar..Rio sergipe. CARTA DE MIGUEL SOARES DE SOUSA 26 de maio de 1596. 266 taymitiaia. CARTA DE ANTONIO GONÇALVES DE SANT‘ANNA 26 de maio de 1596 – rio Piauhy Sabian etc.Diogo de Quadros.dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede não sendo dada e sendo dada corera por diante quinhentas barasas de terras em coadro com todas as agoas e matos que nela ouver com condisan que dentro de quatro meses as venha poupar e não vindo serão dadas por devoluto em serigipe a vinte e seis de majo de noventa e seis anos .rio Jacaré .ermdespacho.diz Domingos Fernandes nobre morador nesta capitanja que ele não tem terras neste lymite donde mora e ora quer pouvoar na banda do rio reale pelo que pede a vosamerce que em nome de sua magestade lhe de no rio de tãomytiaiaia266 braso do rio piauhy que core para a baoda do norte pera ele e sua filha joana nobre huma legoa de terá há quoall dada se comesara na boca do dito rio taomytiaiaia cuãoodo se aparta do rio piaguohy ao longo do rio da bãoda do poente a quoal terá seia em coadras com todas as agoas que na dita dada ouver no que recebra mercê . Saiban etc. 256 .diz Antonio Gonçalves se Santana morador nos limites de habia que ele vejo a este Serigipe ajudar a coquistar esta terra em compranhia do governador Cristovan de barros e assim mais a rebate nenhum em que se ele não ache com sua pessoa e escravos como é notorio e ora não tem terras em que possa lavrar pelo que ele se quer vir morar a esta capitania com sua casa e obrigações de filhos e filhas e irmãos pelo que pede a VM.despacho.dou ao sopricante na parte que pede duas mil brasas de terás em nomes de sua magestades em coadro com todas as agoas matos que nelas ouver e dada corera por diante ate onde lhe couber em serigipe a vnte e cinquo de majo de noventa e seis anos – Diogo de Qoadros. afluente do Piauí.Diogo de Qoadros.

despacho.-Diogo de quoadros.Saiban etc. lhe de no rio real nas cabeceiras de pero de paiva hua legoa de terra em quoadro de hoitocentas brasas por todas as bandascontanto que fique na legoa he sendo caso que seja dado nas testadas que não tem dadas e saltos e legoas que na dita dada ouver no que recebera m. 257 .-Diogo de Qoadros. Saiban etc.-Rio de piauhy Saiban etc.dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede hoitocentas brasas de terra em coadro com todas as agoas matas que nelas ouver e sendo dada correra por diante em serigipe aos trinta e hu de maio de noventa e seis. CARTA DE GASPAR DE MENESES 27 de maio de 1596. CARTA DE PERO DOMINGUES 31 de maio de 1596.diz miguel soares de souza estante ora nesa capitania serigipe ora quer mandar vir sua familia para ser melhor e por ora não tem terras para pouvar e trazer suas criasois e ser hu ome de calidade pede a vm avendo respeito e ao proveito del rei e prol da capitania lhe fasa mercê de lhe dar sesmaria todos os sobejos que ouver de bento de barbuda (?) ate dar no rio de serigipe correndo pelo norte os quoais sobejos sera hua legoa de terra pouco mais ou menos com todas as agoas e lenhas e madeiras ribeiras que na dita terra ouver e por este até entestar com as terras dos padres de jesus-despacho-dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede mil e quinhentas brasas de terras ouver e sendo dada correra por diante em serigipe vinte e seis de março de noventa e seis anos. CARTA DE JOÃO GARCIA 10 de junho de 1596.despacho-dou ao sopricante em nome de sua magestade parte que pede mil brasas de terra em coadro com todas agoas e lenhas que nelas ouver em serigipe a vinte sete de março de noventa e seis anos..Rio Real.-Diogo de Quoadros. diz gaspar de meneses mº nos lemytes da baia que ele veio a serigipe ajudar a conquistar em companhia de Cristovan de barros e assim não hai rebate nenhum em que ele se não ache com sua pessoa e escravos como he notorio e ora não tem terras em que possa lavrar e pela coal resan ele quer vir morar a esta capitania com sua mulher e filhos pelo que pede a VM respeitando ao q acima diz em nome de sua magestade digo-lhe de pelo rio piauhy que corre para a banda do norte no fim dada de Diogo Fernandes nobre hua legoa a mea de terra em coadro por canto tem muitas obrigasois para nela agasalhare rm. diz pero domingues morador na baia que ele quer vyr ajudar a pouvar esta capitania e não tem terras em que lavrar e fazer suas roças e trazer criasois que tem para isso pede a vossa mercêem nome de sua m.

-Diogo de Quoadros.Saiban etc.despacho.de Quoadros. 258 . Saiban etc.diz joão garcia morador nesta capitania que a quatro anos reside nela com sua caza e fazenda sem terras hem que possa viver elavrar e ora no rio real ahi muitas terras por dar pelo que pede a vossa merce lhe de desmaria pelo rio acima de berriga onde acaba a testada de Francisco daraujo toda a terra que ouver dela ateo rio de taipitaia267 aonde domingos tem a sua dadiva na quoal terra que pede avera duas mil e quinhentas ate treis mil brasas se menos não forem ao quoal tera corra pelo rio acima da baoda do norte salvaodo as pontas que o rio fizer tãobem pede correndo a dita sesmaria pelo rio acima rumo direito pelo este com matos que se nela achare quoal sesmaria pede em nome de sua magestade no que recebera merce pendinho tao bem a vossa merce mande por seu despacho que qual quer hoficiall de justiça o meta de pose dela visto vosa mercê estar andante por estes dias.despacho. CARTA DE MANOEL THOME 10 de Outubro de 1596 Saiban etc .dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede as dozentas brasas que diz ter sobejos em serigipe a dez de outubro de noventa e seis anos. CARTA DE DOMINGOS DE LOURENÇO 3 de dezembro de 1595. .diz manoel tome morador nesta capitania que vos merce lhe fez merce de hum pedaso de terra cãotidade de meja legoa a quoal parte com os padres de san bento e vaj correndo pello rio do porto de sãota cateryna hasima e porque amtre hos herdeiros de pedro alvares ha sobejos de caopinas que poden ser dosenstas brasas pouco mais ou menos pede a vosa merce avendo respeito a ter muitas criasois heser Õme que agasalha muitas ao longo dahy he por senao meter outra pessoa antre elle que lhe he rojm vesinhoça lhe fasa merce dar hosditos sobejos em nome de sua magestade no que recebera merce.Diz domingos lourenso ora estante nesta cidade de san cristouvan que ele vai em tres anos que veio a esta capitania e nela ajudou a dar soldados ao capitao tome da rocha e agora hoferecendo este encontro dos franceses neste rio real acompanhou a um com suas armas e escravos donde o fez como valeroso soldado e ora quer ser maior nesta cidade e nao tem terras no que possa fazer mãotimentos e no rio do Piauhy estão terras devolutas por dar pelo que pede a vm..D.Rio piauhy.dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede mil e dosentas brasas de terra na testada de francisco daraujo correndo para o rio tao mitaia com todas as agoas matos que nela ouver he estas mil e dosentas brasas serão em quoadro em serigipe a dez de junho de noventa e seis anos D. De mea légua de terra no dito rio piauhy a qual tera pode adonde acabar a dada a francisco de Luis da banda de cima corendo ho rumo assim e da maneira que corre o rio em coadro com todas as aguas e madeiras que dentro houver.Despacho Dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade seiscentas brasas de terra em coadro com todas as agoas lenhas que dentro houver em serigipe a trez de desembro de 1595 anos. 267 Nas cartas de sesmarias lemos taiymytiaia e taipitiaia.de Quoadros.

CARTA DE SALVADOR FERNANDES 21 de março de 1597.-Diogo de Quoadros...morador nesta capitania que esta nela casado vai em dois anos e não lhe derão terras onde posa lavrar e fazer bem feitorias e ora no rio..-Diogo de Quoadros.... que he entre vasa barys e caipe que são seis centas brasas em quadro pede a vosa merce lhe de a dita dada de terra por devoluta em nome de sua magestade por quanto manuel de baros. despacho:Dou ao sopricante em nome de 259 .CARTA DE FRANCISO FERNANDES DE ALMEIDA E ANTONIO DE MEIRA 15 de março de 1597. .Diz Simao de andrade.dou ao sopricante na parte que pede en nome de sua magestade a tera de que acima faz a mensao nao sendo dada cora por diente em seregipe a vinte he hum de março de noventa e sete anos.. e receberam m. CARTA DE SIMAO DE ANDRADE 20 de janeiro de 1599 Saiban.....dou aos sopricantes na parte que pedem em nome de sua magestade a maia legua que pedem não sendo dada a outrem e sendo dada correrao por diante em serigipe ha quinze de março de mil e quinhentos e noventa e seis anos.morador nesta capitania de seregipe que ele a dous anos e meio que esta na dita capitania enteras alheias com criasois e guado e gente e ora vosamerce lhe fez merce de lhe dar hoitocentas brasas de terra en coprido e coatro centas de larguo em o rio real ao piaoy da baoda de leste e ficarao setencentas brasas por dar pede a vosa merce avendo respeito a ele ter criasois e familia e ora a querer ir poupar lhe mande dar outras ditas setentas brasas pelos rumos acima ditos que sao os sobejos de Manuel André de bãoda de lleste com hás agoas e madeyras que nelas ouver he recebera m...etc.Diz Salvador Fernandes.Rio Real Saiban.estão huns sobejos de terra que lorão dados a manoel de baros nas cabeceiras de joão da costa antre antonio barreiros e balthasar. Saiban.etc.etc Diz Francisco Fernandes de Almeida e Antonio de Meira que eles se vira per moradores pera esta cidade de serigipe e oje de manha querem ir buscar suas molheres e suas criasoise por ora não terem terra onde aposentar asua casa e cural pedem a vosa merce lhe de de sesmaria treis sobejos que estão indo pelo caminho que vay desta cidade pera a aldea entre joao da costa e manuel cardoso e manuel tavares e banda de poente com a antonio saraiba e da do nortepartira com a pitangua e para a baoda do sul meua legua que isso podera ser comprimento antre os ereos acima nomeados as quoais teras não pedem e vyrã lloguo com suas mulher e filhos he receberao merce despacho ..

.m.morador em esta capitania que ha quatro anos nela mora com sua mulher e filhos e ora eu caipe esta hua dada de terra devoluta a qual se deu antigamente a hun francisco velho o qual não pouou nem cultivou tres anos conforme a ordenassem a qual parte pela banda do sul co Simao da Rocha Vilas-Boas pela a banda de leste cõ Cristovan Dias que tera huã legoa pouco mais ou menos e ora tem criasois de gado vaqun e outros miudos e não tem terras onde posa rosar nem trazer suas criasois pede a VM.Despacho dou ao sopricante en nome de sua magestade mil e duzentas brasas de terra en quadro por devoluta hoje quinze de agosto de 1599.lhe de em nome sua magestademea legoa de terra em quadro na testada de manoel andré con todas as agoas madeiras que na dita tera ouver a qual pede de sesmaria e se medira norte e sul e rumo direito resalvando as pontas enseadas que no dito rio fizer ho que tudo pede de sesmaria. Diz simao dias morador nesta capitania que ele ora está casado nela e que ora nao tem terras pede a vm. etc. nome indígena do rio chamado Santa Maria. etc. etc.-Diogo de Quadros. ..Diogo de Quoadros CARTA DE SIMÃO DIAS 16 de agosto de 1599 Saiban. 260 . lhe de a dita terra que faz mensão por devoluta de sesmaria a qual pede co todos os matos lenhas e madeiras que na dita tera ouver e sendo caso que seja dada se posa encher da mesma cantidade de brasas. 268 Água petiba.Dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra que pode oje desaseis de agosto de 1599. CARTA DE GASPAR DE SOUZA 7 de agosto de 1599 Saiban . CARTA DE FRANCISCO RODRIGUES 15 de Agosto de 1599.Diogo de Qoadros.-Diogo de Quoadros. que em nome de S. Diz gaspar de Souza.diz Fracisco rodrigues.morador nesta capitania que ha quatro anos que pera esta capitania veo com sua pessoa escravos e criasois de gado vaqun e outras criasois miudas e ora não ten teras onde posa lavrar nem por vm. Saiban..lhe fasa em nome de sua magestade de mea legoa de terra nas cabeceiras manoelamoré e gaspar de souza coredo rumo direito conforme a demarcaçao lenhas que nas ditas tera ouver.sua magestade a terra que pede per devoluta am seregipe a vinte de janeiro de noventa e nove anos.ate agora lhe forao dadas e ora no esteiro de agua petiba 268 em caipe esta hua legoa de tera que foi dada a padre antonio moutinho vigario que foi en esta dita capitania a qual está devoluta por quanto o dito padre a não cultivou nem pouou hu ano pede a vm.Dou ao sopricante a terra que pede en nome de sua magestade por devoluta visto o que alega seregipe sete de agosto de 1599.

nesta capitania com casa de família de mais de dous a três anos se achou nas guerras que nesta dita capitania se deram do gentio e fez muito serviço ã sua majestade e oyie lhe faz proveito con suas rendas e porque não tem terás em que laurar e traga suas de muito guado que tem de toda a sorte pede a vm. Saiban etc.Diz Francisco da silveira que ele se veo para esta capitanjo para nela ser morador e por ora para iso ten comparado serta copia de gado vacum pera os quoais he necessario terras pera pastos e mantimentos aos quais não tem e ten por noticia que onde se ajuntao os dous brasos do rio iapochi ao llonguo de hun deles da banda do sull entra hua ribeira d'agua que se chama mocori e por ella asima está hua legua de tera que core pela 269 Não sabemos qual o rio que os índios chamavam paritigy. 261 . Lhe fasa m.Diogo de Coadros. CARTA DE FRANCISCO DA SILVEIRA 15 de Janeiro de 1600. Saiban etc. CARTA DE GASPAR FONTES 1 de janeiro de 1600. o capitão Cosme Barbosa. Só sabemos que era um afluente do Vasa –Barris.que en nome de sua magestade lhe de mea legoa de tera por devoluta conforme o preguao do mesmo governador geral despacho.Dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra que pede pord devoluta seregipe a trez de janeiro de 1600. – Sergipe a cinquo de Outubro de 1602. em nome de sua majestade de lhe dar de sesmaria por devalluta hua dada de terra que foi dada a pero Lopes criado de Diogo de coadros que nunqua foi cultivada de gente branqua e o dito pero Lopes foi ido pêra Portugal e nunqua a pouou e a tem perdida conforme aos pregoims que sobre isto dom Francisco de Souza sendo governador mandou llaurar a quoal terá meã llegoa em quoadro mais ou menos e esta ao llonguo do rio paratigim269 que he braso do vasabaris de porto para baixo entre a dada de Manoel amdre e a de guaspar damorim a quoal pede assim a da maneyra que foi dada ao dito pero Lopes pêra lloguo fazer nela bemfectorias erm – dou ao sopricante em nome de sua majestade a terá que pede por devoluto aoim e da maneira que foi dada a pero llepes.CARTA DE GASPAR DE MEIRENS 5 de Outubro de 1599. dis Gaspar de meirems que ele é mor.diz gaspar fontes llemos morador nesta capitania que elle não teras na capitania para lavrar para mantimentos e para pastos de gado vaqun na testada de gaspar souza em ipochi da banda de sul estam terras devolutas pede a vm. Saiban etc.

.m mea legoa de tera na testada de francisco da silveira por divoluta conforme o pregão da sr. .piramopama os quaes sobejos serão oitocentas brasas pouquo mais ou menos os quoais pede en nome de sua magestade por devolutas conforme o pregão do sr. CARTA DE THOMÉ FERNANDES 17 de janeiro de 1600. Saiban etc.m lhe de mea llegoa de tera por devoluta coforme o pregão do sr...Diogo de Quoadros. Saiban...dou ao sopricante en nome de s. governador geral en seregipe .governador geral don francisco de souza con todas as madeiras e aguas que nelas ouver erm. Diz tomé fernandes que elle he vindo a esta capitania con mulher e familia para pouvar a dita terra e por que ora não ten teras lavrar para seus mantimentos e criasois e ora na tera que foi dada a bernaldino ribeiro no rio de mocori e ora está devoluta pede a vm que em nome de sua magestade lhe de na testada de francisco da silveira no rio de mocory da banda do sull mea llegoa de tera en coadro com todas as aguas e madeiras e pastos que nela houver erm.Diogo de Qoadros.dou ao conforme o pregão do sr. Saiban. .diz gaspar bareto morador nesta capitania que ha dous annos pouco mais ou menos que nela esta ajudando a pouvar e ora não ten teras para suas criasois de gado vaqun e outras miudas que para iso ten pede a vm lhe de en nome de s. governador geral com todas as aguas llenhas que nela ouver serigipe aons quinze de janeiro de 1600.governador geral con todas as aguas llenhas e madeiras que nela ouver seregipe a desasete de janeiro de 1600..Diogo de Quoadros. ..diz pero lopes estante nesta capitania que ele quer ajudar a povoar com sua mulher e filhos e ora não ten teras con abastansa para suas criasois e mantimentos e ora na testada de manuel andre estan teras devolutas pede a vm.vinte de janeiro de 1600..etc.etc. . governador geral erm.dou ao sopricante en nome de s.. 262 .m huns sobejos de tera que estan entre gaspar damori e pero llopes no rio do vasa baris da banda do norte adonde..Diogo de Quoadros. que en nome de s. CARTA DE PERO LOPES 20 dse janeiro de 1600..-dou ao sopricante en nome de sua magestade oitocentas brasas de tera en coadro por devolutas conforme o pregão do sr. da dita llegoa de tera de sesmaria en nome de sua magestade asin e da maneira que foi pedida e dada ao dito bernaldino ribeiro com tudo que nela se achar erm.governador gerall serigipe vinte de janeiro de 1600. CARTA DE GASPAR RIBEIRO 20 de janeiro de 1600.dita ribeira asima pelo rumo de norte do sul e leste e oeste a qual foi dada hun bernaldino ribeiro na qual se devoluta pede a vm lhe fasa m .m oito sentas brasas de tera en coadro por devoluta conforme o pregão do sr.

CARTA DE DOMINGOS NARCISO 13 de janeiro de 1600 Saiban,etc.diz domingos narciso que ele está en hua tera no pochi da banda do norte en a qual ten feito sua casa e hun cural de gado e sua rosa a qual tera dizen que foi dada a manuel gomes e visto tela povado e estar nela pede a vm de por devoluta en nome de sua magestade conforme o pregao que mandou lavrar ho sr. governador geral a qual tera parte pelo caminho de gauquajú des.........desde os apequs até a barro como entra no rio seregipe suas enseadas e pontas que ha no rio erm.- dou ao sopricante en nome de sua magestade a tera que pede por devoluta hoje a trese de fevereiro de 1600.- Diogo de Qoadros.

CARTA DE MANOEL ANDRÉ 24 de janeiro de 1600. - Vasa Barris. Saiban etc. Diz manuell andre morador nesta capitania que ele vai en dous anos que esta povoando e servindo a s.m. entrando en todas as geras e assaltos que ate agora se fizeram com os gentios da terra como aos francezes que nela se tornarão acompanhado a VM e aos antepassados que nesta dita capitania servirao de capitao e hora tem mulher e filhos e não tem teras em abundansa para poder trazer suas criasois de gado vaqun e outros meudos que pra iso tem pede a vm. que en nome de s.m. lhe de de sesmaria na testada de pero lopes da banda de norte en vaza barris adonde chamão párratigi a qual dada delle dito.........como elle sopricante e co gaspar bareto a cal pede mea legoa de tera por devoluta conforme o pregan do sr.governador geral asin como corer a dita dada de pero lopes co todas as madeiras e aguas e llenhas que nelas ouver - dou ao sopricante en nome de sua magestade outro sentas brasas de tera en coadro por devoluto coforme o pregan do sr.governador geral na parte que pede a seregipe a vinte e quatro de fevereiro de 1600.-Diogo de Quoadros. CARTA DE DOMINGAS DINIZ 16 de .................. 1600. Saiban,etc. diz domingas diniz.........que ella nesta capitania co seus pai e sua mãi por morador sinquo anos e hora não ten teras para suas criasois o mantimentos e hora ao redor desta cidade está hua dada de tera devaluta pra banda de norte co manoel pires e poente con antonio seraiba e de norte sul tera llegua de largo a quoal foi dada a hu gaspar doliveira e nuqua fez benfeitorias nela como hera obrigado fazer coforme a ordenasan pede a v.m. en nome de s.m. por devoluta coforme o pregão do sr.governador geral con todas as agoas etc. erm dou a sopricante en nome de s.m. a terra que pede por devoluta en seregipe a desaseis de 1600.-Diogo de Quodros. CARTA DE SIMÃO D'ANDRADE

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4 de março de 1600. Saiban,etc.diz simão dandrade que ele a tres anos que esta pouvando esta capitania cazado co molher e filhos con gado e servindo a s.m. con tudo e que v.m. o ten encarregado do serviço do dito snr e porque agora lhe não é dado tera pera podea trazer suas criações fazer mantimentos para puder sustentar sua caza pede a vm en nome de s.m. lhe de ao llonga da ribeira de pirao mopama nas testadas de gaspar damorim hua legoa de tera fiquando a dita ribeira demtro da dita tera a call pede por devaluta coforme o pregão do snr governador geral erm - dou ao sopricante en nome de sua m. na parte que pede mil e dusentas brasas de tera de comprido e pera o sertão mil e quinhentos por devoluta con as agoas etc. seregipe a quarto de março de 1600.-Digoo de quoadros. CARTA DE MANOEL DE FONSECA 5 de Março de 1600. -Rio cajahiba Saiban etc. diz manoel da fonsequa mor.nesta capitania que ele en companhia de cristovan de barros veo ajudar a tomar esta terra e capitania pouvar a sua custa des então ate agora sempre rezidio nela con sua pesoa e familia ajudando a pouvar a todos em tradas he geras que em tempo dos outros capitais ouerão en serviso de s.m. e nã ten teras en que lavrar suas rosas he suas criasois pede en nome de s.m. hua dada de tera que foi dada ha hu simão fernandes gaguo por o capitão tome da rocha que foi desta capitania por quao a não veo pouvar dentro do tempo que lhe da o dr e ordenasan e não coprimento dos pregões que mandou deitar na prasa da cidade de saluador o snr governador geral não cumprio nem nuca tomou posse e esta por devoluta a qual tera he de mil brasas para ao llongo do rio de cajaiba e são tres mil brasas para o certão e porque ele dito ten filhos para casar pede mais outra tanta que serão duas mil brasas ao llongo do rio da cajahiba he as tres para o sertão corendo correndo as duas pelo sertão asima caminho da banda de noroeste as tres para o sertão para a banda de sudueste as qual tera esta amtre ho rio de cajahiba e potihipeba por o caminho que ia para a aldea de taperagua e pede asin como o dito tome da rocha a tinha dado a simão fernandez direitamente pelo rio asima resalvando pontas he enseadas no salgados co tanto que tudo cora avante erm - dou ao sopricante en nome de s.m. as mil brasas de tera e as tres mil para o sertão que foram dadas a sirmão firz seregipe a sinquo de março de 1600. - Diogo de Quoadros.

CARTA DE BARTHOLOMEU FERNANDES

10 de Março de 1600. Saiban etc. diz bartholomeu ferz mestre da capela da Bahia que ela éome de muita pose e quer vir ou mandar ajudar apovoar esta capitania e província o que lhe e necessário ter tera para mantimentos e criações pede a vm lhe de en nome de sua magestade hua llegoa de terra em coadro no rio reall na testada de Francisco

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daraujo e Baltasar feras e Melchior dias comesando de hu eteiro chamado ariticuiba270 per ele ariba rumo direito da banda de norte pede de ser marcar ermDou ao soplicante em nome de s. m. na parte eu pede meã legoa de terá com todas as águas etc. que nelas ouver Sergipe a dês de março de 1600.- Diogo de Qoadros. CARTA DE BENTO FERRAZ 12 de Março de 1600. Saibam etc. diz o padre bento feras vigário de Sergipe que ele esta actuamente pouvando esta terá com seus negros e gados e ciasois para o que não tem terás para mantimentos e trazer suas criaçois antes hua dada de meã legoa de terá que lhe Vossa magestade tinha dade mandou substituir com ella a quall hera em caipe, ho que ele sopricante fez e esta sem terá nenhuma pede a Vm lhe de en nome de sua magestade mea legoa de terá em coadro no rio reall mística co a de seu tio o mestre capela corendo pelos mesmos rumos e desmarcacois que a dita tera corer- Dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede Mill brasas de tera em coadro em auguas etc. seregipe doze de marso de 1600.- Diogo de Qoadros. CARTA DE PERO SANCHES 31 de Março de 1600. Saiban etc. diz pero Sanches morador nesta capitania que ele não tem terras em que laavrar He fasa suas rosas He targa suas criasois pede terá que pello rio asima de piramopana da banda de leste nos de .......... – Dou mil e quinhentas basas de tera. – Diogo de Qoadros. – ultimo de março de 1600. CARTA DE MARCOS FERNANDES. Sibam etc. diz marcos Fernandes morador na cidade de saluador que ele quer vir pouvar esta capitania com sua casa e famial e ora nela não tem terras para puder trazer seu gado e cisois e fazer suas rosarias por quanto ele he home de grade família pede a V.m. lhe de em nome de sua magestade nas cabeceiras de João da rocha visente ao llonguo do vasabaris da banda do sull hua legoa de terá llonguo do dito rio e llegoa e mea de terá dentro a quall terá pede por devlluta e se obrigara em dentro de quatro mezes – Dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede a terá que diz em sua petição com águas etc. seregipe a vinte de março de 1600.- Diogo de Qoadros.

CARTA DE MELCHIOR MACIEL 5 de Abril de 1600. – Rio Guitihiba271 Saiban etc. diz mellchior masiell dandraade mor. Nesta capitania que quando a Ella chegou se apresentou ao rio reall que achou desocupado adonde ora está co
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Afluente do rio Real, junto à foz. Conserva o mesmo nome. Nome indígena de um afluente do Rio Real

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sua casa e fanilia e porq‘ nesta dita capitania tem bem servido a s. m. e ora nella he morador pede a Vm. Em nome de s. m. lhe fasa m. duas mil brasas de terá em coadro ao llongo do rio guithiba ueq he onde ele sop. Ora está pouvoando a call terra pede por devoluta conforme ao pregão do Sr. governador gerall lhe será demarcada a dita terá de huma banda e de outra do rio guitihiba ficando o rio meo da demarcasan e será imedita por rumos direitos por fora dos mangues e ilhas que ouver as quais ilhas e pontas de terá e mãgues que ficarem dentro da demarcasão entre na dada que ele sopricante pede erm. – dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede mil e dusentas brasas de terá por devoluta cõforme o pregão do mesmo governador gerall seregipe a simquo de abril de 1600. – Diogo de Qoadros. CARTA DE MATIN LOPES 24 d‘Abril de 1600. - Aldeia de Taperoá. Saiban etc. diz Martim Lopes mor. Na habia que elle quer mandar ajudar a povoar esta capitania de Sergipe e por quanto he home de muita pose e famila para que lhe he necessário terás para suas ciasois e mantimentos pde a Vm. em nome de sua magestade huma llegoa de terá em coadro na aldeã que chamão tepahoqua adonde em tempo de Tome da Rocha quando era capitão os contrários (?) matarão os negros que chamavão neboiba a call dada de terá corera pelo caminho que vinha de uma banda e outra levando em meo e semdo causa que se a dada pede por devoluta erm.- Dou ao sopricante em nome de s. m. na parte que pede meã legoa de terá em coadro com águas seregipe a vinte e quatro dabril de 1600. – Diogo de Qoadros.

CARTA DE MATHEUS DE FREITAS 25 de Abril de 1600. – Rio Sergipe. Saiban etc. Mateus da Freitas dasevedo allcaide mor. Da capitania de pernãbuco que ele tem muita pose e quer mandar ajudar a povoar esta capitania de seigipe e porq‘ tem muitos filhos pede a Vm. lhe de em nome de sua magestade por devoluta cõforme o pregão do Sr. governador geral duas llegoas de terá em coadro pello rio de seregipe asima nas cabeseiras das terras de pero masiell dandrade e do padre Ambrosio Joardes a saber hum legoa para sua filha Jeronima outra llegoa para Clara ...........- Dou no sopricante em nome de sua magestade na parte que pede duas legoas de terá para as ditas suas filhas cõtanto que beneficie em hum ano seregipe a vinte e sinquo de abril de 1600. – Diogo Qoadros. CARTA DE AMBROSIO GUARDEZ 26 d‘Abril de 1600. – Rio Sergipe. Saiban etc. diz ambroso coardes vigário do são pedro e ouvidor da vara da capitania de penãobuquo que ele tem muita pose e quer ajudar a povoar a nova capitania de serigipe com gente e gado e outras ciasois pede a vin. Lhe de em nome de sua magestade por divolluta cõforme o pregão do Sr. governador gerall duas Mill

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brasas de terá em coadro ao llongo do rio de seregipe da bauda do sull na testada de pero masiell pra rosaria e pastos de gado com todas as agoas etc. – Dou ao sopricante na parte que pede em nome de s. m. mil brasas de terra em llargo e Mill e quinhentas de comprido com todas as agoas etc. seregipe a vinte e seis dabril de 1600. - Diogo de Qoadros. CARTA DE GASPAR DE AMORIM 4 de Março de 1600. – Rio Vasa-Barris. Saiban etc. Diz Gaspar damorim morador nesta capitania que a elle lhe não são dadas as terras que bastam para sua pesoa e suas criações e para fazer mantimentos conform ao regimento pede a Vm lhe de hua dade de terra que esta devoluta quoall se comecara a medir na varzea de peramopana que vossa magestade lhe tem dado até a dada de Manoel Andre para sima como vai do rio vasa basabaris porquanto elle sopricante esta nella com casa ...... e a tem pouvado pede a Vm lhe de em nome sua magestade por devoluta a call terra pode ser mea llegoa em coadro pouquo mais ou menos erm. – Dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede Mill e dusentas brasas pela sua testada de comprido e mil e quinhentas de largo para o sertão em Sergipe a quatro de marso de Mill e seis sentos anos. – Diogo Qoadros. CARTA DE GASPAR DO AMORIM 14 de Março de 1600.- Rio Vasa-Barris. Diz Gaspar damorim morador nesta capitania que elle com sua molher e criasois e escravos e ora o capitão dioguo de coadros lhe tem dado pouqua terras para suas criasois e mantimentos e porque lhe deu na varzia de piramopama hu pedaso de terá e no feito de Coll razão que ele em sua petisan pedia para a Vm que em nome de sua magestade lhe de outra vez de novo hus sobejos de terra que estão na dita varzia dos cajueiros para baixo e he hu canto entre elle sopricante e ho no rio vasa barris e o dito esteiro de de piramopama que pode ser mil brasas de terra pouque mais ou menos de conprido e de largo quinhentas brasas e por outra parte certo que he pouco mais ou menos pede a vosa mercê lha de por devolluto e inda que seja dada conforme ao pregão geral por se lhe não meter Ca ninguém na dita varzia porque lhe fasem ruim obra no que erm.- Dou ao sopricante a ponta de terá que pede em nome de sua magestade por devolluta cõforme ao pregão do governador gerall Don Francisco de Souza serigipe quatroze de março de mil e seiscentos anos o capitão Manoel Miranda Barbosa em auzencia de Diogo de Qoadros. CARTA DE GASAR D‘AMORIM 14 de Março de 1600. Saibam etc. diz Gaspar damorim nesta capitania que antre agoa petiba e o mar esta hua dade de terá que são quinhetas brasas ou seiscentas por costa e llargura ate agoa petiba e de norte parte com a terá de Baltasar de Barbosa o quoal serte de terra povoou de novo joam Garcia e nela reidio mais de quaro anos de sorte

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que ficou satisfazendo ao forali e por algus soberios que lhe cõcedram se for desta capitania e fes venda da mesma terra a elle sopricante e por quanto Joan garsia assim se foi allgus a pretendem por discre a não poder vender pois despovou pede a vossa mercê que de novo lha de de sesmaria ou por devalluto erm- Dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra que pede de sesmaria e por devalluto visto o dito joam Garcia depovoar e vender o direito que nella tinha seregipe a quatorze de marzo de mil e seis centos anos o capitão Manoel de Miranda Barbosa em ausência de Diogo de Qoadros. CARTA DE JOÃO DIAS 16 de Abril de 1600. Saiban etc, disem João dias morador em jaquipe que ele tem nesta capitania gado e gente pra fazer rosas e cirasois e para isso não tem terás onde possa pastar suas criasois e no agaipe para a banda do sul esta huma dada de terá que foi dada ao padre geronimo de garros a coal lhe foi dada a seis ou sete anos e ate hoje a não tem povoado nem feito bemfeitorias nenhuma pello quall respeito nas pede por devoluta assim e da maneira que foram dadas ao padre e pede lhe perfasa huma legoa de terá em coadro Erm.- Despacho- dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra que pede cõforme ao pregão do snr. Governador gerall por devolluta com todas as águas e llenhas que nelas em ouver em seregipe a deseis de abril de Mill seis senteos anos – Qoadros. O registro assinado por Manoel de Miranda Barbosa.

CARTA DE MELCHIOR MACIEL E PAULO 4 de julho de 1600. Saiban etc. disen Mellchior Maciel e Paulo…….. moradores na capitania que no rio reall da banda do norte junto ao cabedelo a que chamão ipelempe272 ao longo da terá esta hum pedaso de terá de pastos pêra gado e porque eles sopricantes estam pouando no dito rio reall e não tem onde posam trazer suas ciasois pedem a Vm lhe fasa mercê em nome de sua magestade duas llegoas de ttera por costa de mar e llargura que ouver da bara de hum riacho que esta na boqua do dito cabedelo..... até a costa que pode aver quinhentas brasas até seis centas pouquo mais ou menos e sendo dadas as peden por divolluta conforme os pregõis e mandados do snr. Governador gerall Erm. – dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que peden duas mil brasas de terá por costa e llonguo comesando do rio que dis em seregipe a quatro de Junho de 1600.- Diogo Qoadros.

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Nome indígena do cabelo que existe ainda hoje junto à foz do rio Real.

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269 .. dis Gaspar Fernandes vigário ouvidor da vara e juiz dos seguimentos he utilizador nesta capitania de Sergipe que o capitão Cosme barbosa lhe fez m. de todos os pontos anseadas que na dita llegoa de terá ouver e sendo caso que seja dada corera adiante pello mesmo rumo ou como milhor lhe pareser erm.evendo respeito ao que o sopricante dis nesta sua pitisan lhe confirme a dada da tera da maneira que em sua petisão faz mensão e lhe dou demais em nome de sua majestade na dita terá as pontas que pedem e de tudo se lhe pase nova carta de sesmaria Sergipe onze de Julo de 1603 o capitão Tomé da Rocha. com huma petisan e despaacho do capitão e governador Diogo de qoadros etc. CARTA DE MATHIAS MOREIRA 19 de julho de 1600 Saiban etc.. dar-lhe em nome de sua majestade a dita llegoa de terá e comesara a medir onde o dito Martins de Souza acabar digo pretender e assim mais lhe fasa merse darlhe a dita llegoa de terá rumo direito ao norte posto que o dito rio pellas voltas que da não tem rumo direito e yuntamente lhe fasa m.diz natias Moreira morador na capitania de seregipe cidade de san Cristovão que nas cabeseiras das dadas aos padres da companhia de Jesus tem em vasa barris estão terras devolutas. Saiban etc. No registro a assinatura é de Manoel de Miranda Barbosa.... Governador Don Francisco de Souza e a Vm.. Diogo Qoadros.CARTA DO PADRE VIGARIO GASPAR FERNANDEZ 11 de Julho de 1600.dou ao sopricante Mill brasas de terra em coadre corendo na forma em que pede em nome de sua magestade na baia dessanove de juho de Mill e seissentos anos. para bem de nelas fazer seus mantimentos e meter suas criasois pede a Vm que respeitando ao que dis lhe fasa mercê em nome de sua magestade de lhe dar de sesmaria huma legoa de terra ao longo das cabeseiras que os ditos padres tem por sima da mesma llargura confrontante para o sertan corendo a dita llegoa de comprido ao llonguo do dito rio de vasabarris com todas as águas doses e sallgadas que na dita distansia se acharem com as pontas de mangues e ilhas que na dita dada caírem corendo com os mesmos rumos e confrontasois que corem a dos ditos padres e a dita demarcasan em seu comprimento chegue a sua distansia em embargo em embargos de rios e esteiros e fasendo-lhe mercê como ele sopricante o pede lhe mande pasar sua carta de sesmaria e resebera mercê. ate agora pessoa alguma as veo povoar nem as cultivar e ora o sopricante as quer povoar conforme ao regimento de sua magestade e ao pregão do snr. em nome de sua majestade de hua llegoa de terá em coadro no rio mocory nas cabeseiras donde acabar Martins de Souza e pello rio asima do dito mocory e por côamto elle suplicante não sabe se o dito martins de sousa tem terá a pede a vm lhe fasa m.....

Saibam etc. m. governador geral Sergipe onze de novembro de 1600 anos o capitão Manoel de Miranda Barbosa. Disem Bartholomeu fernades e o padre bento Ferraz maiores nesta capitania de Sergipe que elles querem ajudar a pouvar e estão atuallmente pouvando e por não terem terás sufficientes para trazerem seus gados e criasois miúdas e fazeerem mantimentos pedem a Vm lhes de em nome de s. CARTA DE SIMÃO DE ANDRADE 12 de Novembro de 1600 Saiban etc. Manoel de Miranda Barbosa locotenente. governador gera erm.CARTA DO PADRE BENTO FERRAZ E BARTHOLOMEU FERNANDEZ 13 de outubro de 1600. CARTA DE JOÃO DIAS 11 de Novembro de 1600. Na tore que elle veio a esa capitania em companhia de cristovan de barros ajudal-o ganhar honde trouxe artilharia a sua conta que ora esta neste forte e outro si tem muito gado já nesta capitania para o quall não tem pastos bastantes nem matos pêra rosar porque quer ajudala a povoar e porque nela a terás devallutas que não são cultivadas pede a Vm lhe de em nome de s. Despacho – dou ao sopricante em nome de sua magestade os sobeios que quer entre Antonio barreiros e pero sandres mor nesta capitania ao llonguo do vasa barris e pela terra dentro hua legoa conforme ao pregão de m. – despacho dou aos sopricantes na parte que pedem hua lleg. De terra em coadro com as lenhas e agoas e maderias as quaes comesara a medir donde eles soprecantes acabão como pedem. diz João dias mor. Seregipe treze de outubro de Mill e seis sentos anos. na testada de Antonio barreiros correndo até o esteiro de piramopama hua legoa de terra em coadro ao llõguo do vasa barris houtra banda de tinhare e outra legoa para o sertão a coal pede conforme pregão do Sr. duas legoas de terá em coadro no rio reall em hu esteiro ou rio por nome ariticuiba onde acabão os sopricante de hua bãda que lhe deu o capitão Diogo de coadros correndo pelos mesmos rumos demarcasois confrontasões que correm as dadas dos sopricantes as quais pedem de desmaria que seiam dadas e pedem por devollutas isto com llenhas madeiras agoas e pedreiras no que resebera m. Sr. m. diz Simão d‘andrade que ele vae com quarto anos que esta ajudando a povoar esta capitania com sua molher e família e servindo sempre a sua magestade em tudo o que lhe foi encarregado e porque hora ele sopricante tem gado vacum e outras muitas criasois e não tem terras per onde pastar por ate agora não ter rendado pello que se lhe perdem as ditas criasois e desaparecem e se da muita perda e ora onde a terra do snr bispo vindo do vasabarris estão oito sentas brassas de terra que foram de hu morador da Bahia a muitos anos e nuqua até agora digo até hoje as tem vimdo pousar conforme o regimento que sua magestade manda em sua ordenasão contra o pregão do m. governador gerall as tem 270 . Sr.

perdidas pede à Vm. CARTA DE SESMARIA DE MANUEL ANDRÉ E SIMÃO DE ANDRADE 13 de Novembro d 1600. magestade duas mil brasas den coadro na parte q pede a saber nas cabeseiras de domingos daraujo da banda do sull serigipe onze de novembro de mil e seis entos anos. ―Don Francisco de Sousa e recebera mercê. CARTA DE SIMÃO DE ANDRADE E MANUEL ANDRÉ 17 de Novembro de 1600 Saiban etc disem Simão d‘andrade e manuell André q els estão pouvando co suas mulheres e filhos e servindo a sua magesade em tudo o que llhe he encarregado do serviso do dito snr.dou ao sopricante em nome de s. hua llegoa de terá em coadro a quall se comecara a medir na testada de Manuel tome quanto ao rio vasa baris e corera pelas cabeseiras dele e da dada de domingos saraujo pella bãoda do sull erm. Saiban etc. mersê em nome de sua magestade hus sobejos q estão entre Matias Moreira e Manuel Tomé allonguo do rio de vasabarris da banda do sul p podem ser hua légua pouque mais ou menos as quaes peden por desaletas conforme o pregão do snr. visto o que alega lhe de em nome de sua magestade por devollutas quatro centas brassas de terra larguo e de comprido o que ouver da praia até o rio de auguapetiba comesando de meio a donde acaba o Snr bispo e resebera m – despacho – dou ao sopricante em nome de sua magestade trescentas brasas de terra de larguo por costa e de comprido ao longo do mar até o rio aguapetiba como pede conforme o pregão do Sr. Despacho . diz pero da llomba morador da Bahia por seu procurador q ele veo ajudar a ganhar esta capitania a sinquo anos hm curall de gado para o quall não tem pastos nem lhe há dado terás nenhuas peratra ser suas criasois e hora a terras devolutas na itaporãogua273 pede a vm lhe de em nome de s. E porque ora não tem pastos para seus gados e 273 Vila de itaporanga 271 . O capitão e loco tenente Manuel de Miranda Barboza. governador gerall Don franacisco de Sousa seregipe a dose de novembro de 1600. O capitão Manuel de Miranda Barbosa CARTA DE PEDRO DA LOMBA 11 de Novembro de 1600 Saibam etc. disem Simão dandrade e manjuel Andre moradores nesta capitania que eles estão pouvando nesta dita capitania e porque ora não tem terras que posão fazer seus mantimentos e traser suas criasois de gado vacum e outras meudas q pra isso tem pello q pedem a v. Despacho – dou aos sopricantes em nome de sua magestade os sobeios q estão entre Matias Moreira e Manuel tome AL llonguo do vas baris da ganda do sull e pela terra dentro hua llegoa por divolluta conforme o pregão do Sr. m. Manoel de Miranda Barbosa. governador gerall Francisco de Souza seregipe dozo de novembro de Mill e seis sentos anos.

O capitão o padre Bento Ferras. diz o padre Agostinho monteiro q elle quer ser morador nesta capitania de seregipe ou mandar pouvar co rosarias e canaviais curais como he custume dos q pouvão a terá pra o q tem necessidade de terras pra ain o poder fazer pede a vm. CARTA DE SIMÃO DE ANDRADE 18 de Dezembro de 1600. 272 . por q ainda em caipe perto desta sidade estão huas quatro sentas brasas de terras que forão dadas aos filhos de Pedro Alves que eles tem sendo filhos família em ao a podião posuir e por quanto ele sopricante todo este tempo q há q esta pouvando a dita terá fasindo bemfeitorias nela o u he proll da fazend de sua magestade sisto ser terá nova e mandar ele as ditas terás se dem a quem hás pouvar sem regimento se lhes tire a quem as uão pouvar pede a vm lhas de de semaria por devoluta visto as p.. magestade em seregipe a desasete de novembro de Mill e seis sentos anos Manoel de Miranda Barbosa... Despacho dou aos sopricantes os sobeios q pedem de semaria por devallutos em nome de s..mais criasois q para isso tem peden-lhe de em nome de sua magestade de semaria hus sobeios de terá q estão antre Antonio Gedes e o esteiro de augiapioba 274 correndo pelas cabeceiras de balltesar e Sebastião de brito e antre os frades de san bento ate poxi os quais se den por devalluto conforme o pregão do snr governador gerall Don Francisco de Souza erm. m............... Saibão etc.. CARTAS DE PADRE AGOSTINHO MONTEIRO 26 de dezenbro de 1600.... lhe de sesmaria no rio se seregipe na tstada de Simão da Rocha hua llego de terá em coadro para seus mantimentos e porquanto na dita terra na tem terás para pastos pede a vm outro assim de dar na varsea do dito rio de seregipe Mill brasas em coadro na testa do dito Simão da rocha com todas as augoas llenhas madeiras erm... magestade na parte q pede a llegoa de terra em coadro a call lhe dou de semaria outra se mil brasas em coadra na testada de Simão da rocha para pastos a call lhe dou com todas as augoas llenhas madeiras q nas ditas terras se acharem em seregipe vinte e seis de dezembro de 1600.. O capitão o padre Bento Ferras.as ditas quatro sentas brasas de terras as não cultivarem nem pouarem outrosi não moram nesta capitania nem term nelas quem lhas pouvo... 274 Nome indígena de um riacho que desemboca no Poxim. de ouvidor e outros cargos do serviso de sua magestade de q foi encarregado e por q ora ele sopricante não tem terras oude posa fazer seus mantimentos perto desta sidade onde posa acudir a obrigasão de seu ofisio poquanto o que lhe he dado esta muito llonge e não pode ainda viver.despacho – dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra contuda em sua petisão de semaria em caso que este dade por devolluta seregipe a desoito de dezembro de sis sentos annos. Despacho dou ao sopricante em nome de s. Saiban etc diz Simão dandrade que ele vai em quatro annos q esta ajudando a pouvar esta capitania com sua mulher e filhos e servindo sempre a s.

. Saiban ete diz manoel tome d'andrade morador nesta capitania que a ele lhe foi dado hu pedaso de tera ao llonguo desta cidade a call terra he pouqua para as criasois que ten e ao llonguo das ditas terras esta· hu pedaso de..CATA DE JOÃO MATINS BERTANHA 26 de dezembro de 1600 Saiban etc diz Jon martis betanha morador em . tera que foi dado. CARTA DE DOMINGOS GONSALVES 10 de Março de 1601. don francisco de souza seregipe des de marso de seis centos e hu ãnos.B.....dou ao sopricante en nome de sua magestatle nas partes q pede hua llegaa de terra asim e da manera q en sua petisan pede a call lhe dou de sesmaria en seregipe a desoito de janeiro de seis sentos e hum anos o capitão Bento Ferras.. O capitão locotenente M. duas llegoas de teras en coadra as quaes se comesarão a medir aonde acaba leandro baltasar ferras e não corendo pelo rio dose asima-rumo direito com todos as pontas e insiadas madeiras auguas q_ nas ditas teras ouver as quais pede pra banda de nasente en caso q sejão dadas as pede por devolluto erm . m. estante nesta capitania de seregipe q ele veo ajuar a gahuar esta capitania co suas armas e escravos a sua custa e ora quer vir ajudar povoar co sua mulher e filhos e escravos e sua ciasois e outra gente de sua obrigasan e porq na dita capitania lhe não são dadas terras allgumas pra nelas puder llarvar e criar suas criasois e ora estao terras devollutas aonde chega o allagado de vasa baris pede a vm lhe de de sesmaria en nome de s.dou ao sopricante en nome de sua magestade a terra que pede por devolluta cõforme o pregão do sr. Saiban etc diz domingos gonsallves morador na bahia do saluador que ele quer mandar a esta capitania ajudar a pouoar e que na dita capitania Não tem terras para mantimentos e pastos e que pello rio de serigipe asima hesta hua dada de terra na testada de outra dada que foi dada sebastião da rocha quall tera foi dada ha hu manoell daraujo e esta devoluta e de sesmaria erm ... CARTA DO PADRE BENTO FERRAZ 273 .dou ao sopricante en nome de sua magestade a terra que pede asin e de maneira que diz en sua petinsan a call lhe dou por devolluta en serigipe a vinte de janeiro de seis sentos e hu ânos o capitão o padre Bento Ferraz. M... hu manoell pires ja defunto e ora o dito manoell pires nuqua fez bemfeitorias na dita terra nen della ouve pose esta a dita terra divolluta que são tresentas brasas de llarguo para a banda de ponente e mill e quinhentas de nordeste ao sudoeste pede a Vm lha de de sesmaria por respeito de se lhe não vir meter oitro nella que lhe de matarto a sua criasão respeitando ter muito a call pede por devolluta erm .. CARTA DE MANOEL THOMÉ 20 de Janeiro de 1601...

dou ao sopricante en nome de sua magestade os sobeios· que se acharem da terra dada da que se achar mais das tres llegoas que lhe foram pedidas en vasabaris ate o abahi como sopricante pede en seregipe onze de marso de mil e seis sentas dous anos o capitão Manoell de Miranda Barbosa. Francisco de sousa o call pregão .Dou ao sopricante de sesmaria en nome de S. governador gerall não vindo paullo adorno a povoar a dita terra. e outro sim esta servindo de ouvidor cõ allçada na dita capitania e ajudando a povoar çõ molher e filhos fabriqua de que Tudo esta fasendo serviso a deus e Sua magestade e não ten teras em que llevar seus mantimentos e tarzer suas criasois e no rio do vasabaris onde se chama tinhare esta huma dada de terra devaliuta da banda do norte do dito rio que foi dada a hum paulo adorno a quall a dito paullo adorno numqua povoou nen cultivou nem fes bemfeitorias nela e esta devalluta pede a Vm. governador geral! don francisco de sousa en seregipe a quatorse de marso de seis centos e hum o capitão Manuell de Miranda Barbosa. Manuel de Miranda Barbosa capitão e locotenente em ausensia de Diogo de Qoadros. Saiban etc. governador gerall d. nesta capitania de seregipe que esta Autoalmente servindo na dita capitania a sua magestade de provedor da fasenda do dito sr. diz gaspar de fontes lIemos mor. CARTA DE GONÇALO FRANCISCO 14 de Março de 1601. lhe fasa m. dis gonsallo francisco estante ora nesta capitania que elle vem a povoar cõ vaquas e outras mais criasois que ora tem aqui nesta capitania porq' não tem teras em que se posa aposentar pede a Vm.11 de março de 1001 Saiban etc diz o padre bento ferras vigairio confirmado nesta vigairaria de sergipe q ele esta alltualmente pouando esta terra e capitaneando e por que não tem terras em q traga seu gado e criasois como são pastos e antre o rio vasa baris e o cãbohi esta hua pequena de terra devolluta aonde acabão os padras da conpanhia e a dada que lhe deu thomé da rocha sendo capitão que são três llegoas como elIes em sua petisão pede a vmce. lhe de sesmaria nas cabeseiras de marcos fernandes mea llegoa de terra por devalluta no que erm .. dentro de seis meses segintes em seregipe a doze de marso de mill e seis centos e hum anos. em a praça da bahia ellugares publicas a Call terra pede en nome de sua magestade asin e da maneira que foi dada ao dito paullo que ten mill barsas en coadro. lhe de en nome de sua magestade na parte que pede a terra que se achar donde acabarem os padres até o abahi a cuall pede com todas as lenhas matos e águas que na dita terra ouver erm .dou ao sopricante en nome de sua magestade a terra que pede por devalluto cõforme o pregão do Sr. 274 . erm . Saiban etc. a terra que pede por devoluta cõforme o pregão do sr.m. em auzensia de Diogo de qoadros. de lhe dar de sesmaria en nome de sua magestade por devalluta cõforme o pregão do sr.a.. CARTA DE GASPAR FONTES 12 de março de 1601.

diz francisco dalmeida mor.ll lhe dou asin e da manera que foi dada a manuell gomes e dela lhe pasem sua carta en seregipe quatorze de marso de seis sentos e hum anos o capitão Manuell de Miranda Barbosa em ausensia de Diogo de Qoadros. suas criasois e nas cabeseiras de simão da rocha en caipe corendo pera Ias cãopos de heperagua esta huma dada de terra que foi dada a hum antonio ferreira ho quoal não povoou porque elle sopricante se foi por nela onde esta já com currall de gado pede a Vm lhe de a dita terra por devoIluto conforme o pregão do snr. vaqum pra ajodar a pouvar a dita capitania e por ora não tem terras donde posa asentar. ' CARTA DE JOÃO FRANCISCO 15 de Março de 1601. .dou ao sopricante en nome de sua magestade mea Ilegoa de tera en coadro por devolluto na parte que pede cõforme o pregão do snr. governador geraIl don francisco· de souza em seregipe a quatorze de marso de rnill e seis sentos e hum anos . a dita fabriqua acima dito e faser rosas e não ter pastos pª o dito gado e no rio do pochim da banda do norte esta mea legoa de terra que foi dada a hurn rnanuel gomes o call nunca povoou nen cultivou e esta devoluto pede a Vm.despacho . Saiban etc. Saiban etc diz martim de souza morador nesta capitania almocharife de sua magestade que ele a seis anos que esta nesta capitania ajudando a defender com sua pesoa e ora quer faser rosas e outras bemfeitorias e não ten teras em que as posa faser pello coall pede a Vm lhe de en nome de sua magestade huma Ilegoa de tera no rio de mocori ou mocoriria que vem entrar no rio pochim nas cabeseiras de francisco da sillva da banda do norte Erm . . . na bahia que elle tem mandado a esta capitania de seregipe fabriqua gente e gado. . Ihe fasa merse en nome de sua magestade darlhe de sesmaria por pevalluta asin e da maneira que foi dada ao dito manuell gomes ermo.dou ao sopricante en nome de sua magestade a terra que pede por devolluto conforme ao pregão do senhorgovernador gerall 275 . CARTA DE MARTIM DE SOUZA 14 de março de 1601.o capitão llocotente Manoel de Miranda Barbosa. governador gerall a quoaIl tera esta no caminho novo que abrirão os indios feros .dou ao sopricante en nome de sua magestade a terra que pede por devoluta a ca. Saiban etc dis joão francisco morador nesta capitania que ele veo para hajudar a povoar.CARTA DE FRANCISCO D'ALMEIDA 14 de março de 1601.desta capitania corendo pera hopiramopama que fique por marquo huma tapera que no dito caminho esta comesando de medir deIla para o sudoeste contra a clada de dito simão da rocha da outra banda para o poente que são duas mill brasas de comprido e mill de llarguo com tonas as ilhas de mato asi e da manera que foi dada ao dito Antonio pereira Erm .

diz o irmão Amaro Lopes em nome do padre reitor da companhia de Jesus que eles. B. Val em quatro anos pouquo mais ou menos que estão ajudando a povoar esta capitania sustentado a pasagem do Vasa Baris e vindo todos os anos a esta capitania ajudar o espritualI com muito trabalho outro si aqui he moradores pera terra no que em tudo fasem muito serviso a déus e a sua magestade porque ora eIles sopricantes tem metido muito fabriqua asin de gentes como de gado e suas criasois e a terra que lhe he dada não he capaz de sustentar a sua fabríqua o mais que querem meter por quanto não servem mais que de pastos e ora junto a serra de cayaiba que podem ser oito legoas desta povoação esta huã tapera que se chama pixapoam a qual! se se povoar se fara muito serviso a déus e a sua magestade e bem crecemta muito a esta capitania por coanto he frontera e segura esta capitania pera que se posam allargar povoando suas terras que por medo dexao algus de povoar e ora elles a querem povoar e por nela fabriqua de gente e gado e cultivala pera que tenhão mantimentos pera poderem se sustentar visto serem moradores ja pedem a Vm.dou ao sopricante em nome de sua magestade duas mil brasas de terra em coadro de sesmaria na parte que pede seregipe a seis de abrill de seis centos e tres anos o capitão locotenente M. lhe de em nome de sua magestade por devalluto com todas as augoas madeiras que na dita tera ouver e a medisão para rumo direito ho dito rio em meo erm.dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede duas llegaas de terra em quadro de sesmaria. CARTA DE MELCHIOR MACIEL 7 de Abril de 1601. em ausencia de Diogo de Qoadras.o capitão Manoel de Miranda Barbosa em ausencia de Diogo de Qoadros. . com todas as auguas e madeira a que nella se achar em Seregipe a des de marso de seis sentos e hu o capitão M. CARTA DOS PADRES DA COMPANHIA DE JESUS 10 de março de 1601 Saiban etc. CARTA DE MANOEL RODRIGUES 6 de Abril de 1601. M. lhe de en nome de sua magestade por devoluta no primeiro vale que esta antes da dita tapera pera elles tres llegoas de terra a quall terra se demarcara pero dito vaIle direito ao rio Vasabaris e pelo rio asima tornãdo pellas fraldas da ltanhana e cajaiba para oeste de maneira que fique as ditas tres Ilegoas em quadro erm. Saiban etc. 276 .seregipe aos quinze de marso de seis centos e hum anos . diz Manoel Raiz mestre dasucar morador na babia de Saluador que ele quer mandar ajudar a pouar esta capitania e que nela não ten teras para mantimentos de fabriqua de sua gente nem pastos pera seu gado e que nas cabeseiras de Migell Soares na tapera de tajaoba 21 está huã llegoa de terra pello rio ipochi asima llevando O dito rio em meo e esta devolluto nem no qua foi cultivada nen povoada· pede a Vm. M. B.

... m.. em nome de s. em ausencia de Diogo de Qoadros..Saiban ete. a deo a gaspar fontes a quall pede com toda as auguas e madeiras que na dita terra houver erm .. dis francisco fernandes morador nesta capitania que ele veo ajudar a ganhar esta capitania cõ sua pessoa e armas ... CARTA DE FRANCISCO FERNANDES 9 de Abril de 1601.. Saiban etc dis affonso pereira que no tempo que cristovão de barros veo povoar esta capitania veo elie en sua companhia he des então agora ficou nella por morador com sua molher e familia indo em todos os rebates he geras que no dito tempo se fiserão e ofereceirão indo sempre a sua custa he por q até agora lhes não foi nunqua dadas teras nhumas he ten dellas nesesidades asin pera pastos de gados como pera mantimentos he outras causas nesesarias pello que pede a vm a vendo respeito ao sobre dito lhe fasa merse dar em nome de sua magestade en ho rio vasa baris pela testada do mesmo rio ariba mea llegoa de terra en coadro a quall se comesara a medir aclonde acabar a dada de francisco da sillveira a quall pede com todas os matos he aguas he pastos he madeiras ensiada e sallgados que nelas ouver correndo a dita demarcasan pelos rumos que corem as mais demarcasois debaixo a quall tera pede por devolluta no que erm. nesta capitania de seregipe que ele tinha huma dada de tera que lhe deo tome da rocha em tinhare ao llongo do rio vasabaris e porq' a carta e os llivros das dadas são perdidos e a dita terra esta oje por haproveitar pede a vrn..dou ao sopricante na parte que pede mea llegoa de tera asim. diz mellchior masiell damdrade mor... . magestade de sesmaria seregipe a sete de abrill de seis sentas e hum anos o capitão locotenente M. e da maneira que pede en nome de sua magestade por devolluta seregipe a nove de abril de 1601 o capitão locotenente m. magestade se nenhum interesse solldade nem de outra cousa alguma ma antes ajudando a sustentar e não teu teras em que llavrar e fasa suas rosas e targua suas criasois peIlo que pede a vrn. M.... b. magestade mea llegoa de terra hao longo do rio vasabaris e para o sertão entra mea llegoa ou o que ouver entre a dada de antonio_ barreiros e a terra que foi dada a paullo de adorno que por nao Vir povoar vm.. Saiban etc.dou ao sopricante a terra que pede asin e da manera que em sua petisão fas mensão e isto en nome de s. em nome de sua magestade lhe de no rio de vasabaris da banda do sull na testada na dada a afomso pereira huma llegoa de terra em coadro assim e da manera que os outros rumos direitamente corerem resallvando pontas e enseadas sallguados cõtãto que tudo fique na dita dada com todos os matos e madeiras agoas que nella ouver erm – dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede meã llegoa de terá asin e da manera que pede em sua petisan por devalluto em nove de abrill de Mill e seis 277 . B. CARTA DE AFFONSO PEREIRA 9 de Abril de 1601.. e que desde antão ate agora ficou por morador e povoador ajudando a defender e indo a todas as gerras e rebates que em tempo dos outros capitães se afreciam como os daguora cervindo a sua.

dis munoell corea que ele esta alltualmente nesta capitania com molher e pessoas e criaçois povoando e não tendo terras em que llavrar e traser suas criasois e por quanto no rio de seregipe esta huma dada de terra que foi dada a simão da rocha villas-boas o quoall a tem perdida conforme o pregão do sr. b. Saiban etc. B. clis francisco da silveira que ele veo de pernãobuquo ter a esta capitania para nela ser morador he core em dous anos que nela reside com sua pobresa e criasois de gado vacum para o quuall lhe he Desesario terras para pasto do dito gado como para mantimentos he outras couzas nesesarias pello que pede a Vm. CARTA DE MANOEL CORREIA 9 de Abril de 1601.centos e hum anos o capitão e o locotente M. dom francisco de sousa a quall dada comesa de huma dada que tem Manoell de miranda huma llegoa ao llongo do rio e de llarguo duas mill brasas bem asin na varzea mea llegoa em coadro comesando acaba o dito manoell de Miranda e corendo pelos mesmos rumos vistos serem lhe dadas mais teras que podia posuir sendo mansebo solteiro pede a Vm. dis antonio lopes que elle pessoalmente está nesta capitania com sua molher he familia helle sopricante esta servindo a sua magestade e ao povo trabalhando por seu ofisio de frº e que na dita capitania não tem terás para llavrar he no rio vasabaris esta meã llegoas de terra ho llonguo do dito rio da banda do sull acoall esta nas cabeseiras de affomso pereira he esta devalluta pede a vm. Saiban etc. Dou ao sopricante na parte que pede mea llegoa de tera por devolluta em nome de sua magestade a quall tera en coadro com todas as auguas e madeiras e esteiras como pede seregipe a nove de abrill de seis sentas e hum anos o capitão locotenente m. em ausensia de Diogo de Quadros CARTA DE FRANCISCO DA SILVEIRA 9 de Abril de 1601. Saiban etc. avendo respeito ao sobre· dito fasa merse dar em nome de sua magestade en ho rio de vasabaris pela testada do mesmo rio por elle ariba huma llegoa de terra em coadro a quoall se comesara a medir adonde acabar a dada de manuell da fomsequa ha quall pede com todos os matos he auguas he pastos he enseadas pontos sálgados que nela ouver corendo a dita demarcasan pelos rumos que corerem as mais demarcasois debaixo a quall tera pede por devolluta no que erm. m. em nome de sua magestade a de a dita tera por divalluta cõforme o pregão do sr. de 278 . governador na forma que foi dada a simão da rocha erm Dou ao sopricante en nome de sua magestade por devolluto conforme o pregão do sr. M. governador don francisco de sousa a tera que pede assin e da manera que foi dada a simão da rocha villas bras seregipe a des de abrill de mil e seis sentas e hum o capitão loco tenente manuel rniranda barbosa CARTA DE ANTÔNIO LOPES 10 de Abril de 1601.

dis antonio guedes mar.. CARTA DE ANTONIO GUEDES 5 de Junho de 1601....dou ao sopricante em nome de sua magestade de sesmaria os sabeios que pede não estando dados seregipe sete de maio de 1601 o capitão locotenente rn. Saiban etc...... Nesta capitania sidade ele quer faser fasenda e crear gado vacum e outras criasoes na capitania de san cristovao de seregipe e povoar a dita capitania e porque não tem terras para o pader fazer e na testada de marcos fez defronte de taperogoi275 da banda do sull corendo pelo rio ariba esta terra por dar He povoar pello que pede a vossa mese lhe fasa dar de 275 Acredito ser o nome de Taberauá..... b. Saiban ete.. do dito rio de seregipe para ao rio ipochi pede a vossa merse lhe de os ditos sobeios de tera erm . dis gaspar de menes morador nesta capitania que eIle esta povoando cõ sua molher e familia e lhe não são dados terras onde targua suas criasois e ora junto ao rio de seregipe estão huns sobeios de terra que podem ser mea llegoa de terra em coadro pouquo mais ou menos os quoais sobeios estão emtre a dada de antonio vas de jabotão e a dada de tome da rocha e gaspar de figeredo..m... Saiban etc..b. CARTA DE JOÃO GARCEZ 2 de Julho 1601.....sesmaria em nome de sua magestade com suas aguas madeira e que na dita tera houver a coall pede em coadro erm. b. m.. dis joam garces mor.. CARTA DE GASPAR DE MENEZES 7 de Maio de 1601. 279 . ten có o dito braso de mar agoa petiba tambem os pede con todas as madeiras agoas pretensois que ouver erm dou ao sopricante em nome de sua magestade os sobeiros de terra que pede não prejudicando o direito do que ouver seregipe a simquo do junho de 1601 o capitão locotenente m. m. na sidade de salvador que elle possue hua sorte de terra nos llimites desta sidade de são cristovao que foi dada a gaspar tourinho que nella não povoar pedem a elle sopricante e he mea llegoa em coadro partindo da banda do sull có a terra que foi dada a joam garcia habem da dita mea llegoa fequar algus sobeios de terra que vão jutespor cõ hú braso de mar de vasabaris por nome agoa petiba os cais sobeios ora fique ao llongo da costa barba como do dito rio agoa petiba elle sopricante os tem possuido e possue e não tem dos ditos sobeios mais que a pose pede a vm lhes de de sesmariae sorte que lhe fique sendo dada a terra que houver da costa barba ate intestar com o dito barzo do mar agoa petiba na llargura da dita mea llegoa que já lhe he dado e avendo alguas pontas que. – dou ao sopricante a meã llegoa de terá asin e da maneira que pede em nome de sua magestade por devalluta seregipe a dês de abrill de 1601 o capitão locotenente m.

. m.. dis joão guergo que ele veo a esta capitania com sua molher e famillia para ser nela morador e hora não tem terras devollutas da banda do sulI nas cabeseiras das dadas de francisco da sillveira a qual tem junto hua de manoell da fonsequa que ora tem no barso do dito por nome caiaiba 277 pede a vosa merse lhe de en nome de sua magestade hua llegoa de terra en coadro a coall pede por devoluta conforme o pregão do senhor governador ermo . CARTA DE FRANCISCO JORGE 16 de Outubro de 1601. Rio caiaiba. b. Junto à serra deste nome correm dois riachos – Conde e Trahiras.. diz francisco Jorge que elie veo a esta capitania com sua famillia pêra ser nela noradora he hora não tem terras devollutas pera seus mantimentos e 276 277 Potegipe ou Cotegipe. m. m. rn. governador don francisco de sousa com todas as agoas llenhas seregipe a deseseis de outubro de 1601 o capitão locotenente m.. dis Nuno damaral que ele quer ajudar a povoar a capitania de seregipe e porque ten necesidade pera hos feitos ..dou ao sopricante na parte que pede mea llegoa de terra eu nome de sua magestade conforme o pregão do . don Francisco de sousa governador deste estado bahia a quinze de julho de mill leis sentos e tres anos... Saiban etc.dou ao sopricante em nome de sua magestade hua llegoa _de terra asim e da manera que pede por deva11uto conforme ao pregao do sr.que se reunen e vão desembocar no rio das pedras. 280 . de terras pede a v m lhe fasa merse de duas lleguoas de terra em vasabaris nas cabesceiras de dominguos d‘araujo onde chamão taporanga corendo pelo dito rio de vasabaris acima por devalluto conforme ao pregão do snr.. Saibam etc..sesmaria duas lleguas e meã de terra elo dito rio de potegipe 276 hariba por ho rumo que direito corer e para ho sertão outras duas lleguas meã de modo que fique em coadro e todas as pontas e auguas e ilhas que na dita terra houver e madeiras havendo respeito a ser sopricante home que tem pocibilidade pêra poder povoar e aproveitar e sendo caso que sei a dada posa corer por deante e disto lhe ande pasar sua carta de sesmaria em forma – dôu ao ao sopricante hua llegua de terra em coadro de sesmaria em nome de sua magestade não sendo dado de maneira que a pede e sendo dada cora avante cõ tanto que a pouve dentro de seis meses baia a dos de julho de seis centos e tres anos o capitão e llocotenente m. Saiban etc. CARTA DE NUNO DE AMARAL 15 de julho de 1601.sr. CARTA DE JOÃO GUERGO 16 de Outubro de 1601. governador gerall con todas as auguas madeiras e todos os pretenses que na terra ouver erm . b. Acredito ser o nome primitivo de cotinguiba.. b. Não sabemos bem qual o rio que os índios chamavam caiaiaba.. locotenente.

m. elle se sopricante todo este tempo que ho dito has tem cultivado as ditas quatro sentas brasas de terra com mantimentos e casas e mais criasoio como he prubiquo e notório.elle vai pera . b.. CARTA DE SEBASTIAO FRANCISCO VIEIRA 20 de Outubro de 16001 Saiban etc. dis sebastião francisco vieira que elle veo de morada com molher e famillia para esta capitania por quanto sua magestade manda que a todo o homorado que for povoar terras novas os senhorios he -capitais delas favorece são aos outros moradores asin de terra como de mais em que purerem outro assim manda que havendo e sendo algumas terras de sesmaria que seus donos as não povoasem as taes terras se darão as pessoas que as povoarem de novo e porque a joão martms de merelie foi dada huma dada de terra em vasabarris a não vem povoer e foi dada pelo padre bento de ferras sendo capitao em auzensia de vosa 281 .. governador geral don francisco de sousa co todos as auguas e matos que nela ouver erm — dou ao sopricante mea llegoa de terra na parte que pede de sesmaria em nome de sua magestade cõ todas as auguas pastos lienhas que nelas ouver seregipe a desaseis de outubro 1601 o capitão locotenente tente m. impedimento allgu pede a vossa merse lhes de de sesmaria por devoliutas as ditas quatro sentas brasas de terra asin da manera que forão dadas aos ditos filhos de pedro alves o que pede cõforme ao regimento delrei de providor-mór e pregão do mesmo governador geral erm — dou ao sopricante de sésmaria em nome de sua magestade as quatro sentas brasas de tera que pede asin e da maneira que forão dadas aos filhos de pedro allves seregipe a vinte de outubro de mil e seis sentos e hu anos o capitão locotenente m. CARTA DE SIMÃO DE ANDRADE 20de Outubro de 1601.criasois e nas cabeseiras da dada de terra que tem francisco fernandes em vasabaris da bando do sul estão terras devolutas pede a vosa merse lhe de de sesmaria mea liegoa de tera na dita testada ou cabeiseiras de francisco fernandes por divoiluto conforme o pregão do sr. b. Saiban etc.. dis simão dandrade que .quato anos que ajuda a povoar esta capitania con molher e filhos servimdo sempre a deos e sua magestade de ouvidor e provedor de fasenda e capitão de solldados deste presidio em hua ausensia de capitão diogo de coadros e outros cargos do serviço de sua magestade e porque ora findo este praso que dito esteve porvoando quarto centas barsas de terra as coais foram dadas aos filhos de pedro alives sendo filhos familias sendo de meuoridades que era contra direito que elles não podiam povar. a.......

.. CARTA DO PADRE BENTO FERRAZ 20 de Outubro de 1601. CARTA DE JOÃO PHILIPE 23 de Outubro de 1601. m.. m. dis o padre bento ferras que ehie esta autoallmente pouoando esta terra com suas. r.. nas partes que pede duas llegoas de terra em coadro comesando se a medir do proprio caminho chegando a llagoa corendo pello caminho de taperagua ficando d‘uma parte e doutra huma hlegoa para cada parte a coal pede com todas as auguas lienhas que nelas ditas terras ouver as pede de sesmaria em caso que estando dadas lhas dê por divoliuta E r.merse e não lha podia dar pede a vosa merse avendo respeito asima dito lhe dê de sesmaria en nome de s. — dou ao sopricante em nome de s. governador don francisco de souza com todas as aguas lienhas e pastos E r m — dou ao sopricante na parte que pede de 282 . Saiban etc. criasõis de vaquas égoas porcos cabras e outras muitas que tera para tarzer e porque elie sopricante não ten terras onde as posa tarzer e pastorar seu gado e nesta capitania estão muitas terras que foram dadas a omes que as não vieram povoar e estão devaliutas como são indo pello caminho de taperagua que vai ao areaiu por onde antiguamente se servião para taperagua a subridonde ...esta huma hlegoa que fecha maitacanema corendo peilo mesmo caminho que antiguamente ha pera o dito taperagua pasando o ipochimerim pede a vosa merse lhe dê en nome de sua mag.. mag.. mag. Saiban etc dis joam Felipe morador na habia que ele ajudou a vir a ganhar esta terra em companhia do governador cristovão de barros e que dita jornada fez muitos servisos a sua mag. a dita dada de joão martins visto elie esta. b.. b. mea hlegoa de terra asin e da manera que foi dada a joam martins com todas as auguas lienhas pactos seregipa-a vinte de outubro de 1601. — dou ao sopricante na parte que pede de sesmaria em nome de a. de sesmaria não sendo dada e estando dadas por divolluta moa legoa de terra em qoadro asin e da manera que pede seregipe a vinte de outubro de mill seis sentos e hum o capitão llocotenente. com casa e famihia E. em outras muito o servido de quinze annos e esta parte achando-se pesoalmente em muitas batalhas he geras que derão neste estado e que ora quer hajudar a povoar esta capitania de seregipe e porque tem muita fabrica e não tem teras donde ilavrar pede a vosa merse que em nome de sua mag.. m. m. m. — O cpitão llocotenente m. lhe dê de sesmaria huma llegoa de terra em coadro no rio mocuri e sendo dada lha dê por devohhuto conforme o pregão do Snr. mag.

. dis melchior dias caramurú morador na Bahia que Ella andou nas gerras que se fizeram ao gentio e franseses nesta capitania muito tempo com suas armas e cavallo e escarvos até realmente ser lansados fora e desbaratados o inimigo sempre a sua custa no que fez muita despesa de sua fasenda por servir a sua mag. Seregipe a vinte e tres de outubro de 1601 — o capitão llocotenente M. r.. Governador geral Don Francisco de Souza com todas as alguas lenhas e pastos. CARTA DE MELCHIOR DIAS CARAMURÚ 4 de Dezembro de 1601. – dou ao sopricante na parte que pede de semaria meã llegoa de terra em coadro em nome de sua magestade. dis francisco rodrigues morador nesta capitania que a sete anos que anda a povoar esta capitania com molher e filhos e não tem terras onde traga suas ciasois e ora no rio iopochi da banda norte esta hu pedaso de terra devoiluta pede a vosa merse que em nome de sua magestade lhe de huma llegoa de terra de comprido pnllo rio asima e mea Ilegoa de llarguo que começando a medir da ponte para sima o recebera merse resalivando pontas enseadas . e sendo dada lha dou por divohiuto conforme ao pregão do Snr. governador don Francisco de Sousa com todas aguas llenha e pastos E. b. B.com tõdas as augoas... a terra que esta nos llemites do rio reall a saber da barra. até outro mar que avera de rio a rio sallgado mea llegoa para o sertão tres llegoas pelio ibirarema278 o rumo direito e d‘ahi para o sull para faser as ditas tres llegoas donde sacabar a medisão a coal terra elle sopricante tem povoado com rosas e gente criasois he otras sustentados a dons anos he fronteira que sustenta deinimigos he negros de gene levantados no que fas sreviso a sua mag. Saibam etc. aflluente do rio real. e madeiras que na dita terra ouver . M. e porque ele sopricante tem muita pose e quer mandar escarvos e gado a povoar e culltivar terras na dita capitania pede a vosa merse lhe fasa merse de lhe dar de sesmaria eu nome de sua mag. m. he 278 Ibirarema é o rio hoje chamado Guararema.dou ao soprecarite em nome de Sua Magestade por devoluta a terra que pede não estando dada conforme ao pregão que ho Snr. CARTA DE FRANCISCO RODRIGUES 30 de Dezembro de 1601 Saibam etc. E sendo dada lha dou por divolluto conforme ao pregão do Snr.em nome de sua mag. governador geral don francisco de souza que mandou Ilansar sergipe a trinta de dezembro de 1601 o capitão llocotenente manuell m..sesmaria mea llegoa de terra em coadro . 283 .

. na parte que pede de sesmaria a terra que esta de pixaxiapa até ibirarema e pelo ibjiarema asima tres Ilegoas que serão medidas pellos rumos que en sua petisão diz conforme ao pregão do snr. CARTA DE FRANCISCO DA SILVEIRA 18 de Janeiro de 1602. Saiban etc.. v.. governador geral elle sopricante esta povoando por seu feitor e escravos visto o serviso que faz a des e a sua mag. mandou en seu regimento se desse a todos os moradores e povoadores della visto sér casado na ta capitania e nella não tem teras e na pitanga termo desta sidade estão teras devoliuto as quais foram dadas a manoel de miranda morador na bahia termo de piraja avera como oito anos ou no tempo que por verdade se achar lhe foi dada hua. dis francisco da Silveira morador nesta capitania que vosa merse lhe fes merce en nome de S. governador por tanto pede a vosa merse lhe fasa merse novamente confirmar a dita terra asin e da maneira que vm.dou ao sopricante em nome de sua mag. lhe tem feito merse en nome de sua magestade erm. Saiban etc...proveto de suas rendas a soall terra pede por não dada de devolluta visto não serem povoadas de brancos e o snr. — dou ao sopricante na parte que pede en nome de s. CARTA DE SIMÃO DIAS 2 de Janeiro de 1602.. dis não dias morador nesta capitania que elle haverá dous anos que he morador nesta capitania e querendo fazer rosas para seus mantimentos não ten teras para as fazer povoar por lhe não serem dadas conforme o.. 284 .. b...... b..dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra que lhe tenho dado e agora lha tornoa confirmar e por me parecer serviso de sua magestade. Magestade dar em o rio de vasa barris hua dada de terra a quall lhe foi pasada carta e lhe e dado pose em taperagua tem muito gado vacull para passar para as ditas terras e porque ora teme que em algum tempo tenha de se mandar sobre a dita terra por respeito de vm. em são cristovão a quatro de dezembro de 1601 anos o capitão mellchior masiel en ausensia de manuel m.. lhe fazer ver se antes deser porvido pello snr. Magestade mea llegoa por divolluto não sendo dada seregipe a dous de Janeiro de 1602 o capitão manoel m. governador gerall mandar llansar pregão que povoasem as terras dentro em seis meses sobe pena de se dar por devoiluta como a elle sopricante. . seregipe adesouto de janeiro de 1602 o capitão manoel rn. Legoa por devoluta não sendo dade se de terra a quall o capitão diogo de coadros• deu-a para masiel mea llegoa e outra mea llegoa esta devolluta pede a vosa merse lhe de a dita mea llegoa como en sua pitisão pede a quall pede por divolluta com todas as auguas matos pastos que na dita tera ouver erm.. esta povoando e proveitando como .....

.. CARTA DEGASPAR DE MENESES 16 de Junho de 1602.. Duas mill brasas de terra em coadro pera a parte do rio reall e sendo dada cora por diante onde couber a quall lhe dou em nome do dito snr. 285 ..... da ditaterra por ho dito capitão dizer que a terra que estiverem povoando serão suas poses que seião de dois conforme ao pregão do snr.. — dou ao sopricante na parte que pede eu nome de sua mag.CARTA DE CHRISTO VÃO DIAS 18 de Janeiro de 1602... b. Saiban etc.... nobre e daoutra banda ate chegar aocaminho que vai para a que há serão duas mill brasas em quadra ou que se achar a qual pede com todos os pontos enseadas que tiver erm. por devolluto com todas as augoas pastos que na dita terra ouver Seregipe a desaseis de junho de 1602 — o capitão cosme barbosa.. — dou ao sopricante na parte que pede duas mill brasas ele terra em nome de sua magestade asim e da maneiraque as pede visto estar de pose deila e ser dos primeiro povoadores e no tem terras em que llavrar con tanto que pase avante das rosas do capitão diogo de coadros seregipe a desouto de janeiro de 1602 anos capitão mãnoel m.lhe mande pasar sua carta da dita terra em nome de sua magestade aquall se comesara de hun outeiro alto que esta junto donde bastião dias teve hua casa ate chegar a dada a manuel gomes da banda doiopochi que vem do rumo direito ate a dada de domingos fez. CARTA DE MANOEL CASTANHO DE SOUZA 1º de Julho de 1602. governador gerall don francisco de sousa e porque ele sopricante não pedio carta ate agora por estar de pose por tempo de seis anos pede a vm.. dis gaspar de menese quelle veo em companhia de cristovão de barros ajudar a conquistar esta terra com seus escarvos a sua custa asistio a todos os rebates. dis christovão dias que por tempo de des anos que nesta capitania esta morador e povoador e hora vai em seis anos que pormandado de capitão Diogo de quadro esta de pose de hum pedaso de terra jumta a hua dada de manoel gomes que esta junto ao rio iopochi da banda do suIl e por ele sopricante não pedio carta. Saiban etc.. m. primeiros e asin mais esta povoando pessoalmente com molher e familia e lauvrado em terra alheia e ate oje não lhe he dado terra nenhuma pera lavrar e trazer suas criasois de gado vacum e outras pelo que pede a vosa merse avendo respeito o asima dito lhe de de sesmaria em nome de sua mag. duas legoas de terra na testada de uma dada de terra e que oje tem matias moreira hum curali de gado a qual dada esta no rio vasabaris e sendo dada cora adiante aquali terra pede por divoliuto no que pede E r..

em muitas geras em esta costa do brasill com sua pesoa escarvos e tudo a sua custa pello que avendo respeito ao que asima dis pede a vosa merse lhe dé em nome de sua mag. dis manoel castanho de sousa que ele quer vir morar e ajudar a povoar esta capitania e hora nela não tem terras pêra lavrar e trazer suas criasois de gado vacum e de outras sortes e asin mais tem servido a sua mag. dia antonio vas de guotegi termo da baia de salvador cue alIe tara arrendados os dismos desta capitania e quer ora meter nela muita fabriqua de genho criasoims de que resultara muito acresentamento a fazenda de sua mag. na pate que pede tres mill brasas de tera de comprido pera o sertão de llarguo duas mili brasas as quoais lhe dou em nome de sua mag. dis manoel rodrigues que ele quer ser morador nesta capitania e ajudar a pouoar porque he borne casado e ten filhos e criasois de toda a sorte e não tem teras aonde ilaurar pede a Vm. CARTA DE MANOEL RODRIGUES 2 de agosto de 1602 Saiban etc. Saiban etc. — dou ao supricante em nome de sua mag.Saiban etc. lhe Lasa merse de huma llegoa de tara em coadro ao llongo do rio cotimgiba da banda do sull cormesando a medir rumo da banda de cornendaroba pello dito rio asima a coall tera pede por divlluta por coanto não foi nunca aproveitada e pouoada de gente branca E r m — dou ao sopricante na 286 . duas llegoas de terra de sesmaria ao lomguo do vasabarris da banda do sull onde acabar joão guarces da banda doeste e outras duas llegoas pera o sertão a quall tera pede por divoiluta E r m — dou ao sopricante em nome de Sua magestaade na parte que pede huma llegoa de terra em coadro e lha dou em nome do dito snr. quatro mill e quinhentas brasas de terra em coadro nas cabeseiras ou testada de manoei da fonsequa na dada que tem em vasabarris da banda do sul comesando a medir dada de gaspar de merses correndo pelo dito potigimirim a quall terra pede por divoliuto com todas auguas pastos llenhas madeiras que na dita terra ouver erm. por divolluto serèjipe a vinte seis de julho de 1602 — o capitão cosme barbosa. CARTA DE ANTONIO VAZ 5 do Julho de 1502. na dita parte sendo testadas e cabeseiras de cuja for a terra adonde o sopricante pede divolluto não sendo dada corera por diante com condisão que dentro em um ano venha pouoar e não ha pouoando sera dada por divoiluta a quem a pouoar en primeiro de julho de 1602 —o capitão cosmo barbosa. por coamto he borne de muita pose e porcoamto elle sopricante não tem teras nesta capitania que posa apresentar sua fasenda e trazer suas criasoins e bemfeitorias pede a vosa merse em nome de sua mag.

r.dou aos sopricants em nome de sua mag. CARTA DO PÀDRE GASPAR. CARTA DE MANUEL RODRIGUES E SIMÃO LOPES 3 de Agosto de 1602.parte que pede em nome de sua mag. 279 Nome de um córrego do cotinguiba. r. 287 . Saibam etc.PERNANDES 2 de Agosto de 1602. Conserva o mesmo nome. duas llegoas de terra que se comesara de mydir da barra da ibura279 corendo onde e mesara mellhior masiell a sua dada e dahi para baixo pelo rio de cotindiba da banda do sull a coall terra pede em coadro rumo direito pello rio asima salvando as pontas ensiadas e com todos os matos e pastos augoas que na dita terra ouver a cuall terra pede por devolluto e nao se aproveitada e pouada de gente branca pede e. lhe de de sesmaria em a parte que pedem huma llegoa de terra pello dito rio acima resallvando pontas ensiadas e a medisan se comesara a fazer nas cabeseras de guonsalves soares pêlo rio asima em modo que fique em coadro e. — dou ao sopricante na parte que pede em nome dê sua magestade huma llegoa de terra em coadro com condisão de fazer o que acima dis dentro em seis meses a cuall lhe dou por devolluta seregipe a dous de agosto de 1602 o capitão cosme barbosa. m. Saibam etc. CARTA DE GONSALO ALVARES 2 de Agosto de 1602.m. disem manuel rodrigues e simão llopes mestre de asuquar quelles querem ainda a pouvar esta capitania e ora não tem terras em que posão llavrar esta capitania e ora não tem terras em que posão liavrar e que pello rio de cotingiba asim a da banda do sull onde chamão chamão ibura (?) que e hum rio asima estao terras devolutas e por cultivar pedem a vincé en nome de sua mag. mill brasas de tera em coadro de modo que fes mansão seregipe a dous de agosto de 1602 — o capitão cosme barbosa. dis gonsalo alvares morador em seregipe de conde que elle quer ajudar a esta capitania povoar e faser hum engenho por ter pose e tãbem nesta capitania gente e criasois e para fazer o dito engenho não tem terras pede a vmce. duas mill braças de tera em coadro na parte que pedem com condisan que dentro em hu ano venha morar a capitania seregipe a tres dias do mas de auguosto de 1802 o capitão cosme barbosa. em nome de sua mag. .

CARTA DO PADRE GASPAR FERNANDES 21 de Janeiro de 1602... dis gaspar fernandes vigario desta capitania de seregipe que elle esta povando com a sua pesoa. Saiban etc.r.Saibam etc.m. CARTA DE MANUEL ‗THOME D‘ANDRADE E FRANCISCO BORGES E GONÇALO FRANCISCO 21 de Janeiro de 1602.... por devolluto a coall terra em coadro lha dou com todas as augoas madeiras e pastos que a dita terra ouver seregipe a dous dias de auguosto de 1602 o capitão cosme barbosa... dis gaspar fernandes vigairo em esta capitania que ele esta pouvando e tem muita famulia outro sim não ha nesta capitania outro padre senão alie sopricante para encomendar a deos os moradores desta capitania e faser ofisios divinos. de lhe dar hua llegoa de tera em coadro no ryo nocury que entra no rio ipochim da banda do norte e se comesara a mydir donde acaba martins de souza com todos os pastos madeiras ensiadas e augoas que na dita tera ouver por devolutas e. dis Manuel tome dandrade morador nesta capitania e seu gemro francisco horges e gonsallo Francisco que eles tem muitas criasomes de gado nesta capitania de que si sustenta este prezidio o mais do tempo e nella não lhe foi dadas terras de sesmaria ao dito francisco borges nem a gonsailo francisco tão somentes a elle dito manuell tome que lhe foi dada ao llonguo desta sidade mea llegoa de terra na qoall não e bastante para puder sustentar as ditas criasomis asin lhe pede a mingoa de pastos as ditas criassomis diguo posto que detraz da Itabaiana para a banda de ponente des ou doze llegoas desta sidade estão teras pello sertão devollutas e por ser fora de mao e perigosa de gemtes e llugar onde hum ome so 288 . Saiba etc. e fazer senão elle sopricante e ora não tem terras para faser suas rosas e tarzer suas criasois e no rio vasabaris junto a tinhare esta huma dada de terra que foi dada a antonio bareiros para faser hum engenho a coall terra não he para iso nem o mandou fazer o dito antonio bareiros e parte allua ribeira a que chamão una (?) que esta por demarcasan mea Ilegoa para huna banda e mea para outra ao Ilonguo do dito rio vasabarís que he huma legoa em coadro pede por devolIuto asin e da maneira que foi dada ao dito antonio bareiros pelas ditas confrontasois erm. com seu Offisio a todos dizendo missa e administrando os mais sacramentos e ora não tem teras pella usar e trazer suas criasonis e ora as ha muitos pede a vm.... na parte que pede hua llegoa de tera a coall lhe dou em nome de sua mag... — dou ao sopricante em nome de sua mag.. — dou ao sopricante a terra que pede por divaliuto em nome de sua magestade asin e da manera que pede seregipe a 21 de janeiro de 1602 o capitão cosme barbosa. em nome de sua mag.

diz jorge bareto morador na bahia que elle quer mandar ajudar e povoar esta capitania e que nella não tem terras para mandar fazer mantimentos e trazer gado vaqum e na tabaiana na testada de duarte munis bareto e sãpalo da banda do sull estão terras divolutas pede a v. m. m. b. na parte que pede mea llegoa de terra pelas confrontasois pede que em sua pitisão diz asi e da manera que pede seregipe a dezanove dabril de 1602. Saiban etc. lhe fasa merse dar-lhe na parte que diz huã llegoa de terra por divolluta com todas as auguas madeiras que na dita terra ouver erm. — dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede mea llegoa de terra em coadro por divaliuto com todas as agoas madeiras asin e da manera que pede em sua petisão fas mensão pellos rumos e confrontasois deilas seregipe a desanove de abril de 1602 o capitão m. Saiban etc. um a quail lhes dou de sesmaria asin e da maneira que pedem seregipe a vinte e hum de janeiro de 1602 o capitão cosme barbosa. Dou ao sopricante em nome de s m.m.não pode ir para sua fasenda pedem elles sopricantes a vosa merse lhe fasa merse em nome de sua magestade lhes de de sesmaria Seis Ilegoas de terra para todos tres amtre si repartirem irmãmente de tras da itabaiana pellã maneira que pedem fiquando uma ribeira que na dita parte esta em meio da dita data fazendo a dita medisão em quadro e como milhor lhes vier para pastos das ditas criasomis a quall terra pede por divaliuta e por ser para ben e ao regimento da dita capitania erm. dis duarte munis bareto allcaide morador na sidade da haia por seu procurador que elie mandou e veo ajudar a tomar esta terra ao jentio em Companhia de Cristovão de barros adomde gastou muitas de suas fazendas e hora manda hum curall de vaquas e gente he na dita capitania lhe não são dadas terras acahumas e hora na tabaiana nas cabeseiras de huma dada que foi dada a manuell tome dandrade e a gonsalo francisco e a francisco borges para a banda doeste e para o sertão estão terras divalutas pede a vm. CARTA DE JORGE BARRETO 19 de Abril de 1602. — O coitão m. CARTA DE PERO DE NOVAES SAMPAIO 289 . — dou aos sopricantes na parte que pedem em nome de sua magestade llegoa e mea de terra mea o . CARTA DE DUARTE MUNIZBARRETO 19 de Abril de 1602. lhe fasa merce em nome de sua magestade duas llegoas de teras con todas as augoars madeiras matos que na dita terra ouver erm.b.

Nas testadas dos sobreditos dar-lhe duas llegoas de terra em coadro por devolutas a qual pede com todos as merse em nome de s. Saiban etc. Saiban etc. CARTA DE PERO GONÇALVES 7 DE Agosto de 1602. Saiban etc.19 de abril de 1602. mgde. .Dou ao suplicante em nome de s. diz pero de Novais sãpaio morador nesta capitania que ele esta ajudando a povoar esta capitania e que nele não tem terras para mantimento nem para pastos de gado vacum e outros criações que ou menos para isso tem e que na tabaiana seis llegoas desta sidade pouquo mais ou menos na testada de huã dada de terra que foi dada a Manoel tome a Francisco Borges e a Gonçalo Francisco estão terras devolutas que nunca foram povoadas nem cultivadas pede a vossa mercê lhe fasa mercê em nome de s. em nome de sua mgde lhe de a dita ponta de terra de sesmaria por devoluta com as confrontações acima nomeadas e com águas madeiras que na dita terra ouver e receberá merse. diz pero goumçalves morador nesta capitania que de esta na dita capitania inda não povoou com mulheres e fabruqua e que na dita capitania não tem terras nenhumas para fazer seus mantimentos e pastos de guado e no cabo do rio Aracajú esta huma ponta de terra que me mete amtre dous apecus que puderam ser setecentas braças de llarguo pouquo mais ou menos e de comprimento para a banda de sueste seram como mill brasas e pede a Vm. CARTA DE SEBASTIÃO DA SILVA FRANCISCO RODRIGUES E GASPAR FONTES 7 de Agosto de 1602. mgde. com todas a madeiras e aguoas e pastos que nela ouver e declarasan de fazer bemfeitorias e fazer pouvala dentro em seis mezes e não o fazendo perdera a sete daguosta de seis centos e dous annos. na parte que pede mill brasas de comprido e de llarguo setesentas a qual lhe dou em nome do dito sr. mgde.O capitão Manoel M. B. mgde.Despacho: dou ao suplicante em nome de s. dizem Sebastião da sillva morador na baia e Francisco Rodrigues e guaspar fontes ambos moradores nesta capitania que eles estam povoando nesta capitania com molher e filhos e fabriqua e tem feito muitos servisos a sua majestade e que na dita capitania lhe san necesarios terras para mantimentos 290 . nas testadas dos sobreditos dar-lhe dus augoas madeiras que na dita terra houver e a midisão se fara rumu direito resallvando pontas enseadas de manera que fique em coadro a quall terra pede para a banda doeste erm.. .O quapitam Cosme Barbosa. na parte que pede mea llegoa de terra em coadro com as confrontasois que pede Sergipe a dezenove dabril de 1612 anos.

mgde. erm.O capitão Cosme Barbosa. havendo 280 Jaraputanema. Saiban etc. que fica na estrada de Itaabaiana para Itaporanga. lhe fasa merse em nome de s. por divalluto Sergipe a dezenove daguosto de 1602 o capitão Cosme Barbosa. mgde.. em nome de sua magestade de duas llegoas de tera em coadro nas cabeseiras de Antonio vas jabaatam de jaraputanema280 para o norte e sendo dada o morador cora pello mesmo rumo avante e perto que seja dada a pesoa moradora lhe seja dada a elle sopricante por devalluta erm. na parte que acima dizem dar-lhes quatro llegoas de terra por devolluto e a midisan se fara em coadro pello dito rio asima correndo a tapera de serobim e da dita tapera em direitura ao poente e nos mais rumos de maneira que fiquem a midisan em coadro a quall pedem com todas as llenhas agoas e madeiras que na dita terra ouver resallvando pontas enseadas que ho mesmo pedem em nome de s.Dou ao sopricante na parte que pedem huma llegoa de terra a qual lhe dou em nome do dito em coadro com declarasan de a povoarem e a cultivarem em hum ano e lha dou com todas os Mattos e pastos e madeiras que nela houver .dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede Mill e duzentas brasas de tera em coadro não sendo dada a maior cora avante lha dou em nome do dito sr. dis João Dias morador em tatuapara termo da baia que ele veio ajudar a dar a guera que se deu ao gentis desta capitania no que fez muito serviço a sua majestade e despesa delle sopricante e a tres anos que tem homes branquos creados seos e muitos guado e mais cryasois e escravos e porque as teras que tem na dita capitania são muito pouquas e llonge desta capital pede a vm. CARTA DE BALTASAR DE LEÃO 15 de Setembro de 1602. Seregipe a sete daguosto de 1602. nome de uma lagoa. 291 . .e pastos de guado vacum e assim o dito Sebastião da sillva não ter muita fabriqua nesta capitania e que no rio de vasabaris da banda do sull onde se chama itaporangua estão terras devolutas que nunca foram povoadas nom cultivadas de branquo pedem a Vmce. Não sabemos bem localizá-la entretanto acreditamos que seja o nome primitivo da Lagoa Seca. CARTA DE JOÃO DIAS Saiban etc. le fasa m. dis Baltasar delleam morador nesta capitania que elle veio em companhia de Cristóvão de barros ajudar a guera ao gentio com suar armas e escravos e des antam casuou aqui ajudando a pouvar e a sostentar a tera com sua pesoa e molher e filhos e família indo en todas as guerras e saidas que se na dita capitania fiseram e ofereseram indo sempre a sua conta e porque aguora lhe não são dadas teras nenhuas e tem muito nesesidade assim pera pastos de guado como pera mantimentos e outros cousas nesesarias pello que pede a vm.

O capitão Cosme Barbosa. dar em nome de sua mrgestade em o rio vasa baris na testada de antonio llopes hua llegoa de tera em coadro a quoal se comesava a midir aonde aquabar a dada do dito antonio llopes a quoal pede com todos os matos e pastos e agoas e madeyras emsiadas e salguadas em nella ouver corendo a dita demarquasan pelles rumos que corem as mais demarcasoims – dou em nome de sua magestade ao sopricante na parte que pede meia llegoa de tera em coadro não sendo dada e sendo dada corera por deante pelas confrontasoims da sua petisan he lha dou por devallutas seregipe quinze de setembro de 1602. Saiban etc dis Rodrigo da rocha Peixoto que elle serve a sua magestade nesta capitania dailferes e provedor de sua fazenda a hum ano não tem terras onde fasa rosaryas e traga seu gado vacun e cavallar e mais criasois e ora no rio de cotindiba esta huma dada de terá de meã llegoa em coadro que foy dada a Gonçalo 292 . CARTA DE FHILIPPE DA COSTA E MELCHIOR VELHO 5 de Outubro de 1603. CARTA DE RODRIGO DA ROCHA 18 de Agosto de 1603. lhe fasa m. na dita capitania no que fes muita despesa de sua fazenda e porque ora querem vir e mandar pouar esta capitania e são pesoas de muita pose e tem muito gado de toda a sorte e escravos no que fazem muito serviso a deus e sua majestade e acresentamento de suas rendas e não ten terás onde rosar e elaurar e traser suas criasoes e ao pe de tabanhama estão terás devallutas que numqua forão pouvadas ne sultivadas de bamquos pedem a vm. disen o ldo. fellipe da costa e melchior Velho Moradores na baia que elles tem bem servido a sua majestade assim na gera que se deu ao gentio nesta capitania como depois que astio elle sopricante melchior velho na companhia de vm. .respeito ao sobredito lhe fasa m. e nome de sua magestade em quadro de coatro llegoas de terá que comesando a medir-se onde acabar os padres da companhia de Jesus e mellchior masiell com as suas dadas pala ribeira em meo da dita medisão e daly rumo direito por ella acima de maneira que fyquem as ditas quadro llegoas em coadro a qual pedem por divolluto e de sesmaria erm vindo os sopricantes em cada hu eeles pouvar esta capitania da maneira que dizem em sua pitisan que será neste ano em que estamos lhe dou de sesmaria em nome de sua magestade na parte que pedem por divalluto hua llegoa de terá em coadro que comesara de qualquer parte do pé de outeiro da tabanhana do que fazen mensão e acabarão donde chegar a demarquasan della seregipe a simquo de julho de 1603 o capitão Tomé da Rocha. Saiban etc. Padre.

avendo respeito ho que o sopricante dis e ter servido a sua mag.. que em nome de sua mag. CARTA DOS PADRES DE S. lhas de pera o dito convento três llegoas de terá em coadra no rio de cotendiba da banda do noroeste a quall se comesara na testada de uma dada de terá que foi dada a Antonio Fernandes de Sergipe do comde corendo ao noroeste a quall terá pedem por devolluta com todas as auguas matos pastos madeiras e o que mais nella ouver e sendo dada corera para a banda do norte pêra o rio de Sergipe ao llonguo de. BENTO 5 de Agosto de 1603. na testada que pedem pello rio de cotimdiba huma llegoa de tera em coadro com as llenhas e matos e ribeiros que dentro della ouver não sendo dada e sendo ira tomando pello dito rio asima donde não for dado a quall dada lhes dou com condisão que dentro em hum ano venhão cultivar e fazer na sidade o seu mosteiro que será no asento que para isso se ordenar e disto lhe dar sua carta Sergipe a vinte e sinquo dagosto de 1603 – o capitão tomé da rocha..Alves morador na baia com comdisão que não a vindo pouar dentro de seis meses de daria a quem a pouoasse e por coamto o dito Gonçalo Alves morador na baia com condisão que não a vindo pouar dentre de seis meses se Darya a quem a pouoasse e por coamto o dito Gonçalo Alves ate agora não veo nem mandou pouar pede a Vm lhe fasa merse em nome de sua mag.. Saiban etc dizem os padres de são bento convento da baia que eles querem novamente nesta sidade hordenar huma casa de sua ordem e para beneficio do sustamento della e dos religiosos que nesta cidade e mosteiro asistirem tem nesesidade de terás em que posam llaurar mantimentos canas e o mais que lhes for nesesario e nesta capitania há muitas terás que estão divollutas e por colltinuar pede a Vm. Saiban etc Dis Bartolomeu dias morador em tatuapara que ele quer vir para esta capitanja ajudar a pouoar e que na dita capitanja não tem terás para tarzer suas criasois e fazer seus mantimentos e que no rio moquori que vem entrar no rio chamado pochi estão terás devollutas que nuqua forão pouoadas nem cultivadas pede a vossa merse lhe de em nome de sua magestade por devolluto huma llegoa 293 .allures corendo a coadro rumo direito Erm. de sesmaria a terá que pede e della se pasem carta Sergipe a desoito dagosto de 1603 – o capitão tomé da rocha. Da dita dada de terá de sesmarya e della lhe mande pasar sua carta Erm .. Nesta capitania lhe dou em nome de sua mag. CARTA DE BARTHOLOMEU DIAS 20 de Janeiro de 1602..Dou aos sopricantes em nome de sua mag.

Sergipe a vinte de janeiro de 1602 – o capitão Manoel Miranda Barbosa. –Dou ao suplicante na parte que pede meã llegoa de terra por devalluto em nome de sua magestade da maneira que pede Sergipe a vinte e hum dias do mês de janeiro de 1602. CARTA DE NICOLLAU DE LUCAS 21 de Janeiro de 1602. CARTA DE DIOGO LOPES VELHO 20 de Janeiro de 1602. Diz Diogo Lopes velho morador na cidade da Bahia que ele a muitos anos que reside na dita bahia e que tem feito muitos servisos a sua majestade com sua pesoa e fazenda assim em geras como na pás acodindo com seus escravos e muitos homens brancos a sua custa a todos os rebates que se darão a vinte anos a esta parte em que fez sempre gastos e na tomada desta capitania de Sergipe mandou sua gente e omes brancos e cavalo a sua custa em ajuda do governador Cristóvão de baros que ora esta fronteiro aos aimorés e por quanto quer ajudar a povoar esta capitania de Sergipe e quer elle ter nella fabriqua por quanto he ome de pose e não tem terás onde tarzer e targa suas criasois pede a vosa merse lhe de de sesmaria três llegoas de tera em coadro no rio quotidiba as quais se medirão meã llegoa abaixo donde chega a maré e fiqua o rio em meo com todas as auguas madeiras e pastos Erm – Dou ao sopricante em nome de sua majestade de sésmaria duas llegoas de terá asin e damaneira que pede em qoadro e se começarão a medir mea llegoa pelo dito rio de quotidiba abaixo donde chega a maré com todas as auguas e llenhas matos pastos pelo averá por serviso de sua majestade . Saiban etc. 294 . Dis Nicolau de lluquas sargento deste prezido que a três anos que serve a sua magestade nesta capitania de sargento porque quer ser morador e não tem terras onde llavar nen onde posa tarzer suas criasois de gado vaqum e outras que para isso tem pede a vosa merse avendo respeito ao que lhe dis lhe de em nome de sua magestade huma llegoa de terá nas cabeiseiras de padre bento feras que ora tem sobre a llagoa de jaraquatenema com todas as agoas pastos llenhas erm.na parte que pede a quall se comesara há medir nas cabeiseiras da testada de hua dada que foi dada a martin de souza allmocharife desta capitanja a quall terá pede com todas augoas madeiras que na dita terá ouver comdisão da dita terá seia em roda que fique em coadro corendo rumo direito resallvando pontas e enseadas Erm – Dou ao sopricante meã llegoa de terá na parte que pede por devalluto em nome de sua majestade asin e da manera que pede Sergipe vinte de ianeira de 1602 – o capitão Manoel Miranda Barbosa. o capitão Manoel Miranda Barbosa. Saibão etc.

vão co sua pesoa e fabriqua e que ora não tem terás em que posa llarvar e tarzer suas criasois e que no rio por nome mocori que vem entrar em o rio ipochi em as cabeceiras de bretollomeu dias estão terás devallutas que nunqua forão povoadas nen cultivadas pede a vosa merse lhe de em nome de sua magestade huma llegoa de terá de conprido e outra de llarguo de maneira que fique huma llegoa em coadro com todas as augoas e matos madeiras e pastos que na dita medisão coubre erm. o capitão Manuel Miranda Barbosa. Dis balltesar de souza morador no porto callvo que elle quer vir ajudar e povoar esta capitania de seregipe sidade de são cristo. Dizem Joan fereira morador em esta capitania de Sergipe e Francisco dallmeida que vossa merse lhe deu huma sorte de terá de dada de sesmaria que vem acabar nas cabeiseiras de simão de rocha villas boas a elle dito joan fereira e outro sin a Francisco dallmeida no rio ipochi da banda do norte lhe deu meã llegoa de terra a quall foi dada a manoell gomes as quais dadas lhe forão dadas antes da partisão do snr. diz Sebastião Vasquez morador na bahia de todos os Santos que elle quer vir ajudar a povoar esta capitania que sua fabriqua e que na dita capitania não tem terras para trazer suas cresois de gado e fazer suas rosarias e no rio ipochi da banda do sul na testada e cabeseiras de huma dada de terra que foi 295 . – Dou ao suplicante em nome de sua majestade mea llegoa de terá e na forma que pede por devalluta conforme ao preguão do snr. Saiban etc. CARTA DE JOAN FEREIRA E FRÃCISCO DALMEIDA 21 de Janeiro de 1602. Saiban etc. Don frãcisco de souza e das quais terras lhe são pasadas suas contas e pose e povoadas pello que pede a vosa merse lhas aia cõfirmados lhe mande pasar sua carta de confirmasão erm. Governador Don Francisco de Souza Sergipe a vinte e hum de janeiro de 1602. – Dou ao sopricante e com termo as terras que lhe tenho dado em nome de sua magestade antes que tivesse pervisão do snr don Francisco de Souza. CARTA DE SEBASTIÃO VASQUES 21 e Janeiro de 1602. Saibão etc. Sergipe a vinte hum de janeiro de 1602 o capitão Manoel Miranda Barbosa.CARTA DE BALTHASAR DE SOUZA 21 de Janeiro de 1602.

– Dou ao sopricante em nome de sua majestade na parte que pede por devolluto meã llegoa de terra em coadro assim e da maneira que pede Sergipe a vinte e hum de ianeiro de 1602.....dada a gaspar de fontes lhe estão terras devolutas que nunqua forão povoadas nem cultivadas pede a vosa merse em nome de sua magestade lhe fasa merse nas ditas testadas e cabeiseiras do dito gaspar de fontes dar-lhe huma llegoa de terra em coadro por dovolluto conforme ao regimento de ell rei nosso sr..a dada de antonio barreiros erdada delle pero chaves e a de simão dandrade estão huns sobeios que poderão ser pouquo mais ou menos quinhentas brasas ou o que se achar pello que pede a vosa merse avendo respeito a elle ser morador nesta capitania com sua molher e filhos lhe fasa merse em nome de sua majestade dar a dita terra co todos os matos e pastos e auguoas que nella ouver e 281 Tayaoba – habitação indígena junto ao rio poxim.e tem pouquos matos para suas rosas ... – O capitão Manoel Miranda Barbosa.... CARTA DE DOMINGOS FERNANDES 21 de Janeiro de 1602.. – Dou ao sopricante em nome de sua majestade na parte que pede por devoluto meã llegoa de terra em coadro asin e da maneira que pede Sergipe vinte e hum de janeiro de 1602.. 296 .. Saiban etc.. A qual terra pede com todas as augoas e madeiras que na dita terra ouver e a medisão da dita terra que assim pede se fasa tomando direito resallvando todas as pontas enseadas de maneira que fique em coadro erm. no local em que está edificado o engenho poxim. CARTA DE PERO CHAVES 21 de Janeiro de 1602... Saiban etc.. diz dominguos fernandes morador em tatuapára termo da Bahia que elle quer morar nesta capitania e povoar e que nella não tem terras para mantimentos e criasois de gado e nas cabeceiras de huma dada de terra que foi dada a hum Manoel Rodrigo que esta da banda do rio ipochi junto a tapera de taiaoba281 estão terras devolutas que nunqua forão povoadas e cultivadas pede a vosa merse lhe fasa merse em nome de sua majestade de huma llegoa de terra na parte que pede de sesmaria a quall terra pede com todas as agoas e madeiras que na dita terra houver e a medisão dela seria feita de maneira que fique em coadro llevando o dito rio ipochi em meo erm..O capitão Manoel Miranda Barbosa.. diz pero chaves morador nesta capitania que lhe foi dada huma dada de terra nas cabeiseiras de antobio barreiros ao llonguo da ribeira piranapama da banda de lleste porquanto a dita data.

– O capitão Manoel Miranda Barbosa. Diz antonio pereira morador nesta capitania que elle lhe foi dado huma dada de terra por vosa merse no rio de vasa barris da quall lhe foi pasado carta de dada e dado por se porque teme que tenha alguma demanda sobre as ditas terras por respeito de vosa merse antes que vosa merse for servido pello sr. Governador pede a vosa merse avendo respeito a elle ser morador e estar na terra com sua molher e filhos e filhas lhe fasa merse em nome se sua majestade confirmar a dita terra esim e da maneira que lhe esta dada no que erm. CARTA DE ANTONIO PEREIRA 21 de Janeiro de 1602. – Dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua majestade mill brasas de terra de sesmaria da maneira que pede e que me fará a medir para o sertão donde acabarem as seissentas brasas que tem dadas pello capitão tome da rocha e fiquãdo o rio em meo Seregipe vinte e hum dias de janeiro de 1602. Saiban etc. 282 Ipitanga – rio pitanga 297 . – Dou e confirmo em nome de sua majestade a terra que tinha dado ao sopricante em seregipe a vinte e hum dias de janeiro de 1602.quall pede de sesmaria por estar devoluto a quall terra esta na ribeira de piranapama da banda do morro erm. – o capitão Manoel Miranda Barbosa. CARTA DE SEBASTIÃO DIAS 21 de Janeiro de 1602. –O capitão Manoel Miranda Barbosa. – Dou ao sopricante na parte que pede quinhentas brasas de terra de sesmaria em nome de sua majestade asin e da maneira que a pede Sergipe vinte e hum de ianeiro de 1602. Diz Sebastião dias morador nesta capitania que a tempo de onze anos é povoador e ajudando de defender com suas armas escravos aonde tem muitos serviços feitos a sua majestade não tem terras aonde llavrar e ora na Ipitanga282 tem seiscentas brasas de terra as quais não são bastantes para se poder agasalhar com sua família pelo que pede a vossa merse lhe de sesmaria em nome de sua majestade mill e quinhentas brasas de terra a quall se começara a medir donde elle sopricante acaba a dita sua dada pondo-se na banda do rio da banda do norte correndo pello rio acima conforme o rumo que o rio llevar medindo direito sem vollta allguma que o rio fasa de modo que fique a dita dada em coadro fiquando o rio de premeo tanto da banda do norte como do sul erm. Saiban etc.

. O capitão Manoel Miranda Barbosa. Saibam etc. Saiban etc. Don Francisco de Souza governador geral de todo este estado do Brazil Sergipe a vinte e dois de janeiro de 1602..... — O capitão e loquotenente Gaspar Barreto. Don Francisco de Souza governador geral erm.. da câmara de sua majestade morador nesta capitania de seregipe que elle não tem terras para fazer seus mantimentos e pastos de seus gados que a dita terra quer trazer pede a vossa mercê havendo respeito ao que alegue lhe de uma légua de terra em nome de sua majestade que esta no rio de Sergipe nas cabeceiras de Sebastião de brito a qual terra pede por devoluto em nome de sua majestade conforme ao regimento de sua majestade erm.. Gaspar Fernandes Vigário nesta capitania de Sergipe que ele esta atualmente povoando esta capitania com sua família criadores de gado vacum e outras meu das e não tem terras em abondansa para seus mantimentos e para as ditas criações e ora no rio de vazas barris da banda do norte estão terras devolutas como lhe uma dada que foi dada hum Joam Martins Bretanha morador em mame a qual foi dada pelo padre Bento Ferraz não podendo dar pede a vossa mercê lhe faça mercê de dar a dita dada em nome de sua majestade de sesmaria que em uma légua em quadro tirando da dita meia légua que foi dada um Sebastião Francisco Vieira a qual terra pede o devoluto conforme ao pregão do Sr. — Dou ao suplicante em nome de sua majestade a terra que pede com todas as águas lenhas madeiras pastos que tiver lha dou por devoluto conforme ao pregão do Sr. Governador geral Sergipe 1º de Fevereiro de 1602.CARTA DE ANTONIO DO AMARAL 22 de Janeiro de 1602. CARTA DO PADRE GASPAR FERNANDES 1º de Fevereiro de 1602. 298 . ————— CARTA DE SESMARIA DE LUIZ ALVES 4 de Fevereiro de 1602.. em ausência de Manoel Miranda Barbosa. — Dou ao suplicante em nome de sua majestade a terra que pede assim e da maneira que diz em sua petição a qual terra lhe dou de Sesmaria e por devoluto conforme ao pregão Sr. Diz Antonio damaral..

— Dou ao suplicante em nome de sua majestade uma légua em quadro de terra por devoluto e sendo dada a dou por devoluta de sesmaria conforme ao pregão do Sr. 283 Guruahy afluente do rio Real.Saibam etc. uma légua e meia em quadro no rio de guruahy283 começando do salgado por ele acima da banda do sul o qual pede por devoluta com todas as águas madeiras enseadas que na terra houver a qual medição se medira em quadro rumo direito no que erm.. Saibam etc. Governador gera Don Francisco de Souza a qual terra pede lhe faça mercê em nome do dito Sr. em ausência de Manoel Miranda Barbosa. diz Luiz Alves morador em Tatuapara que ele quer vir ainda a esta capitania e a ele trazer sua mulher e filhos e criações de gado vacum e outras muitas criações que pêra isso tem escravos que pêra he que não tem terras em que pasente e targua as ditas criações pede a vossa mercê de sesmaria em nome de sua majestade uma dada a terra que esta por da e sendo dada a pede a vossa mercê por devoluto conforme ao pregão do Sr. Diz Luis Álvares morador em Tatuapara que ele tem mulher e filhos e que hora quer vir povoar as terras de Sergipe e trazer para elas gado vacum e outras muitas criações e seus escravos e que para o tal efeito não tem terras e que hora ao longo do rio vaza barris da banda do Sul por um braço do dito rio chamado itaquandiba e as quais terras estam devolutas as quais não foram ainda cultivadas nem povoadas de brancos pede a vossa mercê que havendo respeito ao acima dito lhe dê de sesmarias em nome de sua majestade na testada de Luiz Francisco Pires três mil brasas pelo rio acima com todas as pontas enseadas e para o sertão légua meia com todas as águas e Ribeiras matos madeiras e pastos que na dita terá ouvirem a qual terá se começara a medir da dita testada ao longo do Rio Rumo direito e recebera mercê. 299 . — O dito rio da banda do sul Sergipe a quarto de fevereiro de 1602. Governador geral Don Francisco de Souza Sergipe a nove de fevereiro de mil seiscentos e dois anos Gaspar Barreto capitão e loguotenente em ausência do Sr.Dou suplicante em nome de sua majestade na parte que pede duas mil brasas pelo rio acima e uma légua para o sertão com todas as águas madeiras e pastos que tiver a qual se começava a medir da dita testada ao longo do rio a qual terá dou de sesmaria por devoluta conforme ao pregão do Sr. Governador geral Don Francisco de Souza se começara a medir no salgado do dito rio da banda do sul Sergipe a quarto de fevereiro de 1602. — O capitão e loquotenente Gaspar Barreto. Manuel de Miranda Barbosa capitão da capitania de Sergipe. CARTA DE SESMARIA DE LUIS ALVARES 9 DE Fevereiro de 1602.

Don Francisco de Souza mandou lançar na praça da Bahia a qual terra pede com todas as águas madeiras que na dita terra houver e a medição se fará rumo direito ressalvando esteiras portas enseadas erm. ————— CARTA DE ANTONIO LUIS VIEIRA CAMELLO 19 de Abril de 1602. Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede de sesmaria com todas as águas lenha pastos que nela houve meia légua de terra pelas confrontações que pede e dou lha em quadro Sergipe a quinze de abril de 1602 o capitão Manoel Miranda Barbosa. CARTA DE ANTONIO DUARTE 19 de Abril de 1602. Saibam etc. Saibam etc. Diz Antonio Luiz morador na Bahia que ele mandou a esta capitania muita copia de gado quer mandar escravos para ainda a povoar esta capitania no que se resultaria em crescimento os dízimos de sua majestade e não tem terras em que posa pastorar o dito gado e hora na testada de Dominguos de Araujo e Salvador Fernandes na itaporanga estão terras devolutas da banda do sertão pede a vossa mercê lhe de em nome de sua majestade uma légua de terra em quadro pelas confrontações que pede da banda do poente a qual pede com os portos águas Mattos que nela houve erm. Saibam etc. Dou ao suplicante na parte que pede em nome de sua majestade uma légua de terra em quadro por devoluta com todas as águas pastos e madeiras que na dita terra houver Sergipe a dezenove de abril de 1602 Manoel de Miranda Barbosa. Diz Antonio Vieira Camelo morador na Bahia que ele quer mandar ainda a povoar esta capitania he nela não tem terras para mandar fazer mantimentos nem para trazer suas criações de gado vacum e as mais e que em rio de Sergipe pela banda do sul nas cabeceiras de sua dada de terra e foi dada ao Sebastião da Rocha estão terras devolutas ao longo dito rio que nunca foram povoadas nem cultivadas pede a vossa mercê lhe faça mercê em nome de sua majestade dar-lhe na parte que acima diz duas léguas de terra por devolutas conforme ao regimento de sua majestade e pregão que o Sr.CARTA DE ANTONIO LUIS 15 DE Abril de 1602. Diz Antonio Duarte morador na Bahia de todos os santos que ele quer mandar ainda a povoar esta capitania e que na dita capitania não tem terras 300 .

e pregão que o Sr. Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede de sesmaria meia légua de terra em quadro Sergipe a vinte e dois de abril de 1602 o capitão Manoel de Miranda Barbosa. Diz Francisco da Costa que ele quer ainda povoar esta capitania e que nela não tem terras para fazer seus mantimentos e pastos e gado vacum e mais criações e que no rio ipochi da banda do sul na testada de uma dada que foi dada a hu Mel Rõis estão terras devolutas que não foram povoadas nem cultivadas pede a vossa mercê lhe faça mercê em nome de sua majestade na parte que acima diz dando duas léguas de terra em quadro e a medição separa rumo direito ressalvando pontas e enseadas de maneira que fique em quadro a qual terra pede com todas as águas madeiras que na dita parte houver e sendo caso que seja dada Carrera com a medição por diante erm. CARTA DE GASPAR DEMORIM E FRANCISCO BORGES 25 DE Abril de 1602. CARTA DO PADRE GASPAR FERNANDES 301 . Dou ao supricante em nome de sua majestade na parte que pede meia légua de terra de sesmaria assim e da maneira que pede Sergipe a dezenove de abril de 1602 o capitão Manoel de Miranda Barbosa CARTA DE FARNCISCO DA COSTA 22 de Abril de 1602. Saibam etc.para mantimentos nem para pastos de gado vacum que tem na dita capitania e que no rio ipochi da banda do sul nas cabeceiras de uma dada de terra que foi dada a Migel Soares estão terras devolutas que nunca foram povoadas nem cultivadas pede a vossa mercê lhe faça mercê em nome de sua majestade de uma légua de terra na parte que acima diz a medição se fará levando o dito rio em meio de uma banda e outra ressalvando pontas enseadas de maneira que fique a dita légua de terra em quadro a qual pede por devoluta conforme o regimento de El rei nosso Snr. Diz Gaspar Demorim morador nesta capitania e Francisco Borges que els ajudarão a povoar esta capitania com muitas criações de gado escravos e suas pessoas e nela reside com suas pessoas mulheres e família e não lhes dado terras em abastança e ora a muitas terras devolutas na dita capitania pede a vossa mercê lhes de em nome em nome de sua majestade duas léguas de terra na testada de Salvador Fernandes na taporãgua ao longo do rio de vasas barris erm. Saibam etc.Dou ao suplicante na parte que pode em nome de sua majestade de sesmaria uma légua de terra em quadro assim e de maneira que pede e ajuntamento dou por confirmado em nome de sua majestade a terra que diz Sergipe e vinte e cinco de abril de 1602 o capitão Manoel de Miranda Barbosa. . Governador gerall mandou llansar na praça da Bahia a qual terra pede com todas as águas madeiras que na dita terra houver erm.

.. Diz Gaspar Fernandes Vigário confirmado nesta cidade de São Cristovão capitania de Sergipe que a ele lhe e necessário terra para lavrar e trazer suas criações e por quanto ao longo do rio vasa barris da banda do norte esta uma légua do quadro de terra a qual foi dada pelo padre Bento Ferras ao Joan Martins da qual légua de terra e dada meia ao Sebastião Francisco escrivão de .. CARTA DE JOAN GARCEZ 14 de Junho d 1602.. Por não usar da légua de terra de Joan da Rocha Vicente da qual não usara de hoje por diante e lhe dou as ditas duas mil brasas por devoluta com todas as águas pastos madeiras que nelas houver com condição que dentro do tempo digo em um ano povoe a dita terra e não a povoando será por devoluta a quem a quiser povoar em Sergipe a quartoze de junho de 1602 o capitão Cosme Barbosa. Saibam etc...... e acrescenta nas rendas e para seu proveito e dos moradores da dita capitania quer nela fazer 302 . Diz o desembargador Baltazar morador na Bahia que ele tem nesta capitania de Sergipe fazenda de criações de gado vacum e cavalar e outras criações de muita importância e por servir a El rei nosso Sr.. Saibam etc. pelo que pede a vossa mercê lhe faça mercê em nome de sua majestade dar outra meia légua e mais sobejos assim da maneira que Gaspar Barreto servindo de capitão loquotenente de Manoel de Miranda Barbosa lhe tinha dado erm... Dou ao suplicante em nome de sua majestade a terra que Gaspar Barreto lhe tinha dado assim e da maneira que lhe tinha dado em Sergipe a vinte de maio de 1602 o capitão Cosme Barbosa.....20 de Maio de 1602. CARTA DE BALTAZAR FERRAZ 15 de Junho de 1602 Saibam etc. Diz Joan Garcez morador na Bahia por seu procurador que ele suplicante lhe foi dado nesta capitania uma légua de terra ao longo de vasa barris da banda do sul defronte de taperagua a velha a tapera que tem a arvore redonda pêra La pelo sertão onde ninguém tem povoado e ora ele suplicante tem já nesta capitania sua fazendo assim de gado vacum como cavalar e outras e outras criações de que resulta grande acrescentamento a fazendo de sua majestade e outro sim tem seus escravos e quer meter mais fabrica e por que ele suplicante acha ser a dita dada de terra de Joan da Rocha visente pelo qual respeito se lhe perde sua fazenda por não ter por onde apresentar pede a vossa mercê pede de sesmaria outra légua de terra ao longo da dita dada que se diz de Joan da Rocha visente da banda deste assim e da maneira que a outra lhe foi dada porquanto ele suplicante desiste da primeira a qual se medira ao longo dito rio da banda do sul quando para oeste ficando a do dito Joan da Rocha da banda do leste..........Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede duas mil brasas de terra em quadro não sendo dada e sendo dada Carrera por diante a qual lhe dou em nome de dito Sr... ..

.....Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede duas léguas de terra a saber légua e meia da dita ribeira para acima e meia para baixo que fiquem sendo duas légua em quadro a qual lhe dou em nome do dito Sr..... CARTA DE ANTONIO DA COSTA 16 de Junho de 1602 Saibam etc.. e atualmente esta morador nela e ora não tem terá em que lavrar e targua suas criações de gado e mais criações e ora no rio de vasas barris a muitas terras devallutas pelo que pede a vossa mercê se lhe faça mercê pelo que acima diz de lhe dar em nome de sua majestade uma légua de terra em quadro nas cabeceiras.. mereis coa todas as pontas augoas lenhas e madeiras a pede por devolluta erm.......Dou ao supricante em nome de sua majestade na parte que pede em nome do dito Sr....... CARTA DE JOAN FERREIRA 7 de Junho de 1602 Saibam etc.. Diz Antonio da Costa sargento de presídio de sua majestade que a seis anos que reside nesta capitania de Sergipe servindo ao dito Sr. terra para o sertão de mau.................engenho ou engenhos de açúcar que nela não há e nas terras que tem não há água com que o possa fazer e que tem por informação que no rio de Sergipe esta numa ribeira que se chama tapecahy que não foi dada até agora e se o foi esta por aproveitar e devoluta pede a vossa mercê que havendo respeito ao que diz e a muito proveito que resultara nesta povoação com o dito engenho lhe faça mercê de dar de sesmaria água da dita ribeira de tapecahy com duas léguas de terra medidas pelo dito rio de Sergipe uma légua de uma banda da dita ribeira e outra légua da outra banda ficando em meio a dita ribeira................ devoluta visto estarem por aproveitar com a dita ribeira de algumas e mais algumas lenhas pastos matos e madeiras que na dada de terra houver e lha dou por assim ser em serviço de sua majestade e bem de se aproveitar esta capitania e haver engenho nela e lha dou em condição que dentro de um ano comece a fazer o dito engenho Sergipe a quinze de junho de 1602 o capitão Cosme Barbosa.. com as águas e madeiras que nelas houver porquanto. meia légua de terra em quadro com todas as augoas e pastos madeiras que na dita terra houver e lha dou por devoluta visto povoar como diz Sergipe dezesseis de junho de 1602 o capitão Cosme Barbosa.......... Diz Joan Ferreira morador nesta capitania de Sergipe que ele esta pessoalmente ajudando a povoar a dita capitania com negros e fábrica e que na dita capitania não tem terras em que trazer suas criações assim de gado vacum como cavalar e mais criações e fazer seus mantimentos e no ipochim da banda do norte em testada de Francisco de Almeida e terras de Melchior Masiel pelo dito rio do ipochim acima estão os sobejos de terra entre as duas sortes que acima nomeia 303 .......... necessário pêra plantar canas fazer rosas e currais e outras criações assim para o engenho como para os moradores d‘ele que o suplicante há de levar da capitania da Bahia a que toda pede por devoluta e desaproveitada erm.. ... que em quadro pelas... ..............

...... o mesmo pede........ que fica no rio poxim.... entre Aracaju e S............. por nome Jabetinhaia284.........Dou ao sopricante em nome de sua majestade na parte que pede os sobejos que aponta em sua petição não sendo dadas a outra primeiro e assim mais lhe dou em nome do dito Sr............ para com efeito vir de morada.. Jabotiana... CARTA DE MARTINS DE SOUSA 29 de Julho de 1602 284 285 Jabeetinhaia.. Diz Melchior Masiel de Andrade morador nesta capitania que ele a mais de dez anos que serve a sua majestade nas guerras e povoações desta capitania e nela o morador como esta e família e porque tem muita fábrica e poucas terras e quer llauvrar pede a bem lhe faça mercê em nome de sua majestade de um pedaço de terra que esta ante os rios de Comendaroba e Ibura que serão mil brasas de um rio ao outro porque mais ou menos e pelos ditos rios acima hua llégua medida por rumo direito com o que houver de hu rio a outro das barras que se metem em quantigeriba285 acima erm. na Jabetinhaia setecentas brasas de terra em quadro na maneira que pede não sendo dada Sergipe a 7 de junho de 1602 o capitão Cosme Barbosa... Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede meia légua de terra medida como em sua petiscam diz e o que houver de um rio a outro Sergipe a 20 de julho de 1602 o capitão Cosme Barbosa...... Cristóvão.... e a medição della se fará rumo direito ressallvando pontas e enseadas as quais sortes de terra pede por devolluto com todas as augoas madeiras que na dita terra houver conforme o regimento El rei nosso Sr.... aqui tem necedade digno........... nome de uma lagoa ... Acreditamos que se refira ao rio cotinguiba 304 ... Dou ao suplicante em nome de sua majestade por devoluto na parte que pede meia légua de terras em quadro a qual lhe dou de sesmaria vindo povoar no tempo da ordenação Sergipe a 29 de julho de 1602 o capitão Cosme Barbosa... que erm.............. CARTA DE MELCHIOR MASIEL DE ANDRADE 20de Julho de 1602 Saibam etc.........erm....... brasas em quadro pero longo do dito.......pede a vossa mercê em nome de sua majestade lhe faça mercê dos ditos sobeios de sesmaria... Diz Domingos de Vilacham morador na Bahia que ele quer vir ajudar esta capitania com fábrica de gado e escravos e com família que tem para o que lhe são necessários terras e ora manda seu filho a pedi-las. CARTA DE DOMINGOS DE VILACHAM 29 de Julho de 1602 Saibam etc....

.... CARTA DE HEITOR GONÇALVES VELHO 2 de Agosto de 1602 Saibam etc. CARTA DE MELCHIOR MASIEL DE ANDRADE 2 de Agosto de 1602 Saibam etc........... .... lhe faça mercê duas léguas de terra que de novo pede ao longo do rio Quotinguyba serão medidas em quando por ruma direito ressalvando as voltas que faz o dito rio a qual pede de novo e começaram a ser medidas de uma pedra 305 . Diz Melchior Masiel de Andrade de que ele esta morador nesta capitania com casa família ajudando a povoar com escravo.. de sua fazenda he capitão Tomé da Rocha lhe deu terras a ele suplicante não tem titulo por se lhe perder os livros das dadas de sesmaria daquele tempo pede a Vm.Saibam etc....... com todas as augoas pastos madeiras que na dita terra houver com declaração de dentro em seis meses a vir povoar e não fazendo assim se Dara a quem a povoar Sergipe a 2 de agosto de 1602 — o capitão Cosme Barbosa..... governador Don Francisco de Souza e por quanto lhe foi dada a dita terra pelo capitão Manoell de Miranda Barbosa capitão lloquotenente em ausência de Diogo de Quadros capitão e governador nesta dita capitania pede a Vm...... Diz eithor Gonçalves Velho morador na Baja que elle quer mãndar ajudar a povoar esta capitania donde nela não tem terras para fazer seus mantimentos e para pastos de gado vacum e que no rio ipochim da banda do norte estão terras devolluto por llongo do dito rio acima nas testadas de huã dada de terra que foi dada a Francisco de Barbuda escrivão dos feitos dellrei pede a Vm.... com os pastos matos algumas que na dita terra houver Sergipe a 29 de julho de 1602 o capitão Cosme Barbosa..... Diz Martin de Sousa feitor e almoxarife de sua majestade nesta capitania que elle a seis anos que esta nesta capitania ajudando a defendella com sua pessoa e ora quer fazer rosas e outras bem feitorias e quer por curral de gado e não tem terras em que possa fazer as ditas bem feitorias pede a bem lhe de em nome de sua majestade uma légua de terra no rio mocory rio que vem entrar no rio ipochi nas cabeceiras de Francisco de Silveira da banda do norte com todos os portos e algumas e matos e lenhas e sendo dada lhe de por devoluto conforme um pregão que mãodou lansar o Sr. lhe faça mercê em nome de sua majestade na parte que pede de lhe dar duas lléguas de terra por devolluto de sesmaria por ser ome de muita pose e a medição separadas ditas duas lléguas em quando rumo direito resallvando outeiros e pontas e enseadas a qual tera pede com todas as augoas e madeiras que na dita tera houver erm — Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede duas mill brasas de tera não sendo dada as quais duas mill brasas será em coadro e lha dou em nome do dito Sr... lhe mande confirmar erm............... de dez anos a esta parte mora... e na dita capitania serviu a sua majestade na.......Dou em nome de sua majestade ao supricaute na parte que pede meia lléguoa de terra que lhe tinha dado Manoel Miranda de Barbosa em tempo que serviu de capitão nesta capitania a qual lhe dou por devoluto...

CARTA DE PERO NOVAIS DE SAMPAIO 2 dagousto de 1602. lhe de em nome de sua majestade três léguas de terra que se mediram de contiguiba acima da banda do norte légua e meia e outra légua e meia da banda do sul que fique o dito rio em meio e a dita terra em quando a qual medição para rumo direito salvando pontas pontas e enseadas que ao longo do dito rio a meio e se começarão de medir onde acabar Melchior masiel e corera sempre ao llonguo do dito rio e oiteiro inda que seja daugua dose e sendo caso que dall gumas das ditas bandas do diro rio . CARTA DE GASPAR DAMORIM E MANOEL TOMÉ 2 de Agosto de 1602 Saibam etc.... na cidade de Laranjeiras 306 .. Saibã