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Historia_de_Sergipe_de_Felisbelo_Freire__2009

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GIPE HISTÓRIA DE SERGIPE
FELISBELO FREIRE

PROJETO DIGITALIZANDO A HISTÓRIA
Carta de Sesmaria de Jorge Coelho 1596 Documento copiado do acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe

FELISBELO FREIRE
PROJETO DIGITALIZANDO A HISTÓRIA
ARACAJU –SE ARACAJU –SE 2009 2009

PROJETO DIGITALIZANDO A HISTÓRIA

A preocupação e a responsabilidade com a preservação da memória recai sobre os ombros daques que estão vivos e conscientes de sua participação na construção do hoje. É mister saber para tanto, que o domímio de novas tecnologias e o seu uso adequado apresenta-se como uma necessidade que urge frente as adversidades do tempo, e em muitas vezes do descaso com o patrimônio histórico. Digitalizar obras literárias que cumpriram e cumprem seu papel façe a sua importância no cenário cultural, é uma forma de eternizar o homem naquilo que o torna imortal, e é nesse sentido que este projeto pretende somar esforços com aqueles que vislumbram na digitalização de documentos históricos, uma nova forma de preservar o patrimônio cultural. A digitalização do livro História de Sergipe de Felisbelo Freire é apenas o começo de uma proposta que visa angariar adeptos e que tem um fim claro de preservação e de acesso facilitado, torrnando de domímio público muitas obras importantes e que dificilmente grande parte da comunidade cintífica e popular teriam acesso às mesmas. É um trabalho árduo e cansativo, contudo a certeza de sua importância nos revigora, e dá a convicção de estarmos no rumo certo pois se aprendemos algo no decorrer de nossa vida é a consciência de que não se comquista um objetivo nobre sem o desgate do labor. Arionaldo Moura Santos

Este livro digital é fruto do projeto “DIGITALIZANDO A HISTÓRIA” , desenvolvido pelo Prof. Arionaldo Moura Santos e contou com a colaboração de alunos do 1º ano F do ensino médio do turno da tarde matriculados no Colégio Tobias Barreto no ano de 2008.

ABINAEL ALVES SANTOS ARIANNE SANTOS RIBEIRO BRENDA SIQUEIRA MENESES BRUNO SANTOS ALVES CARLA KAREN DOS SANTOS OLIVEIRA CAROLINE PAIXÃO DAMACENA CLEANE ANTUNES DA SILVA CRISTIANE RODRIGUES DOS SANTOS DENYKSON SANTOS LIMA BESERRA EDÊNIA BRAZ SILVA EDER SILVA MALANCONI FELIPE BRUNO FARIAS DOS SANTOS FRANCIELLE DOS SANTOS OLIVEIRA ISABELLA ALVES DE ANDRADE ITAMARA GOMES DA SILVA JÉSSICA TÂMARA OLIVEIRA DOS SANTOS JOCLÉCIA BISPO DOS SANTOS

JONH ANTHONY BRITO RODRIGUES JOSE RODOLFO MELO RODRIGUES JULIANA SILVA DE OLIVEIRA JULIANE BRAZ DE OMENA JULIANO CARRA IWERSEN LAURITA MENESES GONÇALVES MAISA CAROLINE SANTOS MAYKE WANDERSON SANTOS ARAUJO MILEISSE DE SOUZA SANTOS MURILLO NOU MACIEL FILHO NILSON ANDRÉ MENEZES BARBOSA STEPHANY SANTOS ARAUJO TALES LEVI FONTES DOS SANTOS THALITA GRACE SANTOS BARBOSA VALDIANE DA SILVA FREITAS VICTOR ALBERDAN ALVES REZENDE

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PREFÁCIO
Tornar Sergipe conhecido do país e do estrangeiro foi a causa que me levou a escrecer sua história. Em um período, como o que atravessamos, em que o espírito de iniciativa levanta-se em todas as direções, compreendi e compreendi muito bem que a indiferença que têm votado a Sergipe, não só os governos do regime decaído, como os historiadores nacionais, contribuiu poderosamente para o atraso em que tem ele permanecido. A fertilidade de seu solo, o caráter pacífico de seus laboriosos habitantes, suas excelentes condições climáticas, deviam assegurar-lhe maior prosperidade, que não existe. Faltou a interferência de uma instituição patriótica. Suas naturais riquezas foram desprezadas, pela falta de uma propaganda. Além disto, sua influência histórica, na civilização do Norte, é muito maior do que geralmente supôe-se. Os históriadores nacionais têm cometido a grande falta de esquecerem sua história, e não descrevem essa influência, donde grandes lacunas que se nota na explicação dos fatos. Com excessão do Frei Vicente do Salvador que lhe dedica um ou dois capítulos em sua História do Brasil, todos os outros historiadores nenhuma página dedicam-lhe. Entretanto, não se pode contestar qua a razão de muitos fatos vai o historiador encontar em sua história. Não só facilitou Sergipe as comunicações entre Bahia e Pernambuco, como pela agundante criação do gado prestou inovidável serviço à vitória do portugês contra os holandês, contribuindo para que não se desmembrasse o território da grande pátria brasileira. Seu território serviu de ponto de pousada do exército emancipador, e o primeiro grito de revolução contra os holandeses foi levantado nas margens do rio Real. O leitor convencer-se-á da importância de sua história, pela leitura deste pequeno trabalho. Bem sei que a tarefa que tomei a mem estaá muito além de minhas forças. Sem o recurso de obras já escritas sobre Sergipe, tendo necessidade de um trabalho paciente e longo na busca de manuscritos e documentos, em seus cartórios e arquivos, compreende-se que me foi preciso muito trabalhar, para oferecer ao público esta modesta obra. As dificuldades com que lutei, em seis anos de pesquisas, foram inúmeras, e muitas vezes, confesso-o quis desistir do meu plano. E se não fora o auxilio e animação de amigos, por certo não levaria avante meu projeto. E peço permissão para aqui registrar seus nomes, como uma prova de sincero agradecimento: João Ribeiro, Capistrano de Abreu, Dr. João de Oliveira, José Ladislau Periera da Silva, Baltazar Góes, Josino de Menezes Eugênio José de Lima, Dr. João José do Monte, a cujo concurso devo a publicação deste livro, e outros. Saliento principalmente o nome do ilustrado professor João Ribeiro, a cujo invejável talento e atividade devo grande parte dos materiais que reuni.

Antes que a crítica aponte os deveitos de meu pequeno trabalho, eu deles tenho plena consciência. Meus recursos não me permitiram fazer coisa melhor. Além disto, sendo o primeiro trabalho no gênero, contra o que antolharam-se dificuldades de toda ordem, não podia sair isento de defeitos. Será para mim motivo de contentamento, se ele fornecer alguma auxílio a quem, com mais competência de que eu queira escrever a História de Sergipe. Isto para mim é bastante. Rio, 6 de fevereiro de 1891 Felisbelo Freire

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SUMÁRIO

Prefácio Felisbelo Freire,um vulto da ilustração brasileira

Introdução
Capitulo I- Os primitivos habitantes do brasil Capitulo II - Elementos étinicos do brasileiro. Sua fisiologia e psicologia. Capitulo III- Fatores externos da civilização no Brasil. O evolucionismo,a melhor teoria histórica Capitulo IV- Geologia de Sergipe.Fauna e flora. Sua produção

Livro I
Época de formação(1575-1696)
Capitulo I-Descoberta e conquista de Sergipe Capitulo II-Colonização de Sergipe. Sucessores de Cristóvão de Barros até 1637 Capitulo III-Minas. Primeiras explorações Capitulo IV-Invasão holandesa em Sergipe Estado da Capitania Capitulo V-Domínio holandês em Sergipe.Doação da Capitania Capitulo VI-Lutas em Sergipe.Sua recuperação. Fim do domínio holandês Capitulo VII-Novo domínio português

LIVRO II
Expansão colonial (1696 -1822)
Capítulo I – Sergipe, comarca da Bahia Capítulo II – Resultado das questões de limite meridional expulsão dos Jesuitas Capítulo III – Reusltado da abolisão da escravidão indígena. Movimento colonial até 1802. Estado econômico da capitania. Capítulo IV – Sergipe e a revolução pernambucana em 1817. Capítulo V – Sergipe capitania. Intervenção da Bahia. Juramento da Constituição e aclamação da Independência.

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Livro III
Política Imperial (1823 – 1855)
Capítulo I – Governo da junta provisória. Primeiro presidente. Sergipe, Província. Capítulo II – Sucessores de Manoel Fernandes da Silveira até 183l. Idéias republicanas na Estância e Brejo Grande. Movimentos de abril de 1831. Capítulo III – Governo da regência. Revolção em Santo Amaro em 1836. Capítulo IV – Delegados e segundo reinado até 1855. Mudança da capital. Instrução pública. Finanças. Os partidos. Capítulo V – Limites. Questões com Alagoas e Bahia.

APÊNDICE Sesmarias de Sergipe
Diversas catas de sesmarias.

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mas conservaram as suas raízes nas lutas pioneiras dos colonizadores. por capricho de um gênio. significa. UM VULTO DA ILUSTRAÇÃO BRASILEIRA PAULO MERCADANTE A CONFIGURAÇÃO REGIONAL Os diferentes estados que configuram o território brasileiro não representam formas traçadas ao acaso. quando começava a formar-se a Ilustração brasileira. Era a doutrina ensinada nos cursos preparatórios às faculdades e em geral. a iniciativa de Dimensões do Brasil de incluir em seu programa uma série de história regional a fim de divulgar os traços comuns no processo de colonização e desenvolvimento econômico da antigas províncias.FELISBELO FREIRE. assim. Afortunada. trazendo as virtudes desenvolvidas no esforço do crescimento. formou-se em razão de um processo natural. que a tecnologia favorece. As considerações acima nascem diante deste livro.os últimos são resultados de um curso que acaba imprimindo nos costumes e comportamento dos habitantes um traço inconfundível e original. Tobias Barreto. Introduzir nesse quadro de forças vivas um acréscimo de gabinete. na poesia. contava o Brasil apenas com uma corrente filosófica: o ecletismo espiritualista. As velhas províncias armaram-se das mais novas conquistas . na crítica. diversificam-se os primeiros em função de circunstâncias e momentos. 7 .ou maior ou menor índice de progresso material. A repercussão da atividade intelectual alcançou a cultura brasileira. ainda que ornados dos melhores propósitos. Gumercindo Bessa e Fausto Cardoso. maiores ou menores. em seus limites geográficos. todos nascidos em Sergipe. Granjeara a doutrina de Victor Cousim importantes adesões entre os intelectuais. O País embora adolescente. transfigurada em seu destino geográfico e político. No acervo assim havido somam-se valores materiais e espirituais. Silvio Romero. não permitir a ruptura de um processo paralelo de natureza cultural. no direito e na ideologia republicana. que abrange quase três séculos de história. pois este sempre resulta dos elementos que compõem a vida de uma comunidade. SERGIPE E A ILUSTRAÇÃO BRASILEIRA A circunstância deve ser ressaltada diante de Sergipe. e as vicissitudes teceram ao longo no tempo de quase cinco séculos a fisionomia de seus membros políticos. cuja influência na cultura nacional se acentua a partir do terceiro quartel do século passado. A sua leitura torna-se indispensável à compreensão do presente. deixando as suas marcas na ciência. É de valia pouca a dimensão geográfica de cada uma. o vigor da atividade econômica. A esse tempo. e que se puseram dispostas. nas escolas normais e secundárias. sejam sócio-econômicos. com a redução das distâncias. Preservar a história. Cada estado participa do conjunto. São os alicerces de uma antiga província. quando pouco. sejam psicológicos. de seus heróis e mártires. a escassa ou densa população. Correspondia à filosofia oficial do Segundo Reinado. deram início ao movimento de idéias conhecido como Escola do Recife. formação e expansão colonial. sempre constitui a mutilação desnecessária.

Em e1884 nova orientação imprimia Tobias Barreto ao seu pensamento. nos lares e nos grêmios. e tratou de fixar-se em pleno terreno dos problemas ditos metafísicos. mas sem o sacrifício da filosofia. seria o autor deste livro Felisbelo Freire. como um grande capítulo da vida humana social. também Artur Orlando. mais fácil se tornava o estudo superior na Bahia do que em Pernambuco. Imaginemos o que significava para a sociedade da capital da província e do interior a plêiade de doutores. em meio século de vida independente. Por tais razões. na década de noventa.‖ SERGIPE E A ESCOLA DE RECIFE Revele o leitor o atalho por onde quase me perdi. pode ser encarada sob dois aspectos diferentes. Tal sentido soube Jesus Caraça expor com lucidez. assistir à maneira como foi sendo elaborada. Deseja radicar no País o pensamento científico. ao sabor de novas incursões do espiritualismo. ou seja. No Rio de Janeiro. verificamos que o número de doutores em Medicina supera expressivamente o de bacharéis em Direito. Silvio Romero voltava-se para a crítica parlamentar. aspiravam uma reforma total da ideologia.Parece fora de dúvida que tanto Tobias Barreto como Silvio Romero. retornados da Bahia. que nasce na filosofia e que amadurece na história. parece bastar-se a si própria.a denúncia das insuficiências do mecanicismo de Haeckel e o empenho de aproximar-se do sistema kantiano. entre os profissionais. escreveu ele. Em Sergipe no século passado. a história. simplesmente abandonados pelos partidários de Comte. impregnado de condição humana. o farol que lhe conduz o pensamento é ela. durante a década de setenta. empenharam-se a fundo no combate ao ecletismo. Sua versatilidade dir-se-ia explicada pelas condições próprias da época. enfim. apoiar-se-ia no evolucionismo para combater o positivismo ortodoxo. a luta da época travada no terreno da fisiologia. Tobias Barreto teve a sensibilidade de verificar que o positivismo não poderia por muito tempo satisfazer as solicitações d intelectualidade. ligado à inquietação do tempo. pelo contrário. por motivos ainda pouco estudados. Marca-lhe a presença na vida cultural brasileira um insistente labor de pesquisa. com as suas forças e as fraquezas e subordinado às grandes necessidades do homem na sua luta pelo entendimento e pela libertação. Clóvis Belviláqua e muitos outros simpatizavam com algumas teses do filosofo inglês. A ciência. vê-se toda a influência que o ambiente da vida social exerce na criação dela. Juntos de Spencer ficavam seus companheiros Silvio Romero. como coisa criada. entre 8 . A polêmica científica devia gerar. ao ter início o movimento do qual resultaria a Escola de Recife. Porém se deve à personagem do Prefácio a necessária ênfase que se concede à importância da filosofia e da ciência na formação de seu espírito de historiador. Outro vulto de Sergipe. No primeiro aspecto. a formação dos conceitos e das teorias parece obedecer apenas a necessidades interiores: no segundo. passaria revista ao pensamento filosófico nacional e firmar-se-ia como crítico e pensador. se procedemos ao exame das profissões da elite local até 1872. Ou se olha para ela como vem exposta nos livros de ensino. revelando. a cujo destino se misturam indissoluvelmente a ciência e a filosofia. Por isso em seus trabalhos. ―ciência encarada assim. Diante disso. aparece-nos como um organismo vivo. ou procuramos acompanhá-la no seu desenvolvimento progressivo. a exemplo dos jovens engenheiros e militares empolgados com os postulados do positivismo. parece-nos. não fosse o brilho que imprimiu a faina de historiador.

O tradicionalismo. Tratava-se de um sistema especulativo. conciliando o espiritualismo. referia-se a li dos três estados fenômenos. Admita o conflito entre forças vitais e forças físico-quimicas . e particularmente na Anatomia e na Fisiologia.os curiosos e diletantes. dificultavam o desenvolvimento das pesquisas em geral. extrínseca a intrinsecamente. a cuja doutrina repugnava o exame de cadáveres a fim de serem elucidados os problemas da vida. nem distinção entre os fenômenos vitais e físicoquímicos. Assim. carregadas de retórica. Adveio uma tendência que se caracterizava pela aceitação do positivo nas ciências. a concepção do vitalismo convencional. as velhas correntes do mecanicismo. a resultante da divergência seria Claude Bernard. de uma cultura brasileira que se desenvolvia sob o estímulo de uma saudável diversidade ou pluralidade de influências e condições. Felisbelo Freire não seguiu para o Recife. e sim para a Bahia. a admiração que proporciona o prestígio. O grande médico produzira Barthez e Bordeu. As idéias voltam-se contra os conceitos tradicionais. Os preconceitos existentes nas ciências naturais tinham criado à Medicina os maiores obstáculos no século passado. com uma tese de Justiniano da Silva Gomes sobre plano e método de um curso de Fisiologia. O debate trava-se de um lado. que estivera em Paris. e afirma-se em desfio. co correr dos anos. apoiados numa fisiologia hipotética. cujo eco chegaria até o Recife por intermédio do grupo de sergipanos que preferiria o curso jurídico. o materialismo e o positivismo no terreno da ciência pura. Singular a circunstância. Na Faculdade de Direito a influência do status do doutor em medicina teria assim. porque todos se explicariam pelos princípios da Mecânica. Bordeu produzira Bichat. As raízes das novas tendências estavam na orientação que um discípulo d Sthal imprimira às pesquisas científicas biológicas. Reminiscências medievais. defendeu-se por mais de meio século. que englobava o ecletismo. a estudar na Faculdade de Medicina. circunstância que desviava os médicos de conceitos patológicos e clínicos firmados na anatomia. Fausto Cardoso e Gumersindo Bessa se desviassem do causuísmo jurídico para o campo do biologismo social. sem imposições agnósticas ou antiespiritualistas. quando de sua incursão na Fisiologia. Teve inicio o ataque ao vitalismo de Barthez quase na primeira metade do século. a cursar Direito. o fisiologista francês antepunha ao vitalismo a sua doutrina de determinismo biológico. Bichat divergira do condiscípulo Bordeu. levando o vitalismoa a uma concepção biológica. Predominara. em circunstâncias referidas por Gilberto Freyire. que consagraria a unidade da observação médica e a experimentação fisiológica. contribuído para que Tobias Barreto Silvio Romero. ligando-os às leis gerais da matéria sempre que disso forem suscetíveis. Interpenetram-se as idéias suscitadas no Recife por Tobias Barreto e seus companheiros e discípulos com o movimento de renovação científica da Bahia. o fundador da Biologia. Tratava-se da influência que Augusto Comte desencadeara no campo das ciências naturais. Adotava a definição de Biologia dada por Blainville: ― a ciência que analisa os animais os fenômenos da vida e procura explicálos. 9 . Lá chegava em plena peleja de desde anos se renhia entre os adeptos de uma ciência tradicionalista e os entusiastas das correntes avançadas da biologia. não haver especificidade da matéria viva. O médico. conforme se vê das teses apresentadas na Faculdade de Medicina. o espiritualismo e o próprio vitalismo. ao escrever um opúsculo sobre o tratado de Broussais.

Em 1888 publicava na revista Trimestral do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro sua ― Memória sobre a Colonização de Sergipe de 1590 a 1600‖. que se embrenhava pelo Mato Grosso. Irmanam-se em suas digressões. Os limites do estado são tratados após 1888 na imprensa de Laranjeiras e posteriormente em O Republicano. artigos sobre história no jornal A Reforma. em meio â ―fulgurante plebe‖ . Capistrano de Abreu. Uma obra política de Anfriso Fialho – O Processo da Momarquia Brasileira. durante o curso de Medicina. para o estudo de Medicina. A inquietação era tal. onde passou a clinicar. A atmosfera polêmica entre o vitalismo agonizante e as concepções científicas despertaria no moço a inquietação filosófica. Adota assim as correntes em voga. O lastro de ciência adquirido na Bahia mostrava-se em Felisbelo Freire ao divulgar a doutrina evolucionista. Publica. Assim. 10 . que introduzia o historiador nos círculos intelectuais brasileiro. com as obras de Spencer.outro trabalho da época seriam os Fatores Esternos da Civilização no Brasil. tarefa que desempenha na militância republicana. e superar no campo da Ciência de da Filosofia o ranço do ecletismo francês. e a Paulino da Fonseca. especialmente Tobias Barreto e Silvio Romero. abordando. aprofunda os seus estudos sobre Sergipe. os moços das Escolas de Direito do Recife e de Medicina da Bahia procuravam sacudir as instituições imperiais. Darwin.lá o alcança. Significativo engajamento ao sabor do tempo. sem sombra de dúvida. Na província nordestina sem recursos. sobre nós esvoaçava de todos os pontos do horizonte. também a Filosofia o conduzia à política e a contestação do sistema monárquico. concluído o curso em 1882. que preparava a história do Ceará. questão relativa a Geologia e aos elementos étnicos dos brasileiros do ponto de vista da doutrina evolucionista. Ao mesmo tempo. se o embate na Biologia o levara aos pensadores naturalistas e evolucionistas. Felisbelo Freire dá inicio á sua atividade como escritor. A estrutura do País levantava-se pele exercício da pesquisa regionalista. inspirada num bando de idéias novas que segundo Silvio Romero. e mal chegado a Laranjeiras. Felisbelo Freire. Haeckel. escrevendo sobre o Visconde do Porto Seguro. que o situa. redimir o negro de sua condição. de Aracaju.Nesse campo da luta chega à Bahia. que apurava a Crônica das Alagoas. que ciosamente arquivava as glórias do Maranhão: a Alencar Araripe. Buckle e seus discípulos no Brasil. Familiarizara-se o doutor. provocandolhe os apontamentos publicados na imprensa. as citações de Spencer e seus epígonos com o verbete do Dicionário de Medicina. a partir de 1886. um conjunto de obras importantes. e . desafiados pelo atraso e pobreza. As novas correntes condenavam com veemência o instituto do cativeiro e eram simpáticas ao ideal republicano. na introdução de seu livro. a Severino da Fonseca. no terreno da história regional. um inventário da atividade cultural já demonstrava. referia-se a Augusto e Pereira da Costa que aprofundaram a história de Pernambuco : a Alcides Lima que revelara a história do Rio Grande do Sul: a Henriques Leal. e que nos falou outro sergipano Gilberto Amado. A PESQUISA REGIONALISTA Naquele ano distante.

Em 1894 concluía a editoração dos três volumes da História Constitucional da República dos Estados Unidos do Brasil. História de Sergipe. como a história do constitucionalismo norte-americano. ― A sua principal preocupação como o iniciador da forma republicana do governo. inspirados na escola evolucionista. mudava-se Felisbelo Freire para o Rio de Janeiro. 1915/1917. na capital do País. depõe Armindo Guaraná. a história parlamentar do país. que lhe concederam os estudos universitários. convocou-se um Congresso que redigiu um projeto de Constituição e estabeleceu uma assembléia do partido. em dezembro de 1888. 1903/1905. a maior soma de benefícios para o Estado. de uma forma algo eclética. A ATIVIDADE POLÍTICA E O HISTORIADOR Em 1889. Reelege-se deputado nas legislaturas de 1897/1899. Por ocasião dos debates na Câmara dos Deputados sobre os projetos de emissão de papel-moeda e do orçamento da receita e despesa revelou estudos especiais acerca desses temas. muito se orgulhava o médico e escritor. com Baltasar de Araújo Góis e Josino Meneses já havia Felisbelo Freire constituído o núcleo de combate à escravidão e à monarquia. ―tendo haurido no estudo dos melhores autores vasta cultura jurídica. nunca interromperia os estudos de ciências naturais. foi adaptar o serviço público à índole das novas instituições. Da ―Evolução da Matéria‖. sobre Política. Direito Público. discorria com igual competência sobre Medicina. o interesse por temas médicos. a pasta da Fazenda tendo acumulado interinamente as funções de Ministro dos Negócios Exteriores. Desdobra-se Felisbelo Freire em sua multiforme atividade. em Laranjeiras se instalara o quartel general das forças republicanas. conferência que recitou em 1887. Aparecia o historiador. dois anos após. constituinte. 1912/1914. Se encerrou. 1909/1911.A fenda devia ser aberta no campo político. no Brasil. Fundaram jornais e. manifestada repetidas vezes nos debates do Parlamento. no primeiro e único trabalho. Mandato que com a morte interromperia. Assumira Felisbele Freire. onde poucos meses depois . promovendo. ao mesmo tempo. entre os quais conseguiu realizar o da navegação direta para o Rio de Janeiro. Novamente se 11 . não se trata de uma obra elaborada de afogadilho. E um livro didático. viria a lume em 1891. Da filiação ao naturalismo. participando da elaboração do diploma que iria viger por quase quarenta anos. Acompanhou-o pela vida afora a admiração de fiel discípulo aos pensadores alemães e ingleses. vertente que acabou constituindo-se. Fechava-se num volume o resultado de quase dez anos de pesquisas e estudos. no torvelinho dos primeiro meses republicanos. integrava a Comissão incumbida da reorganização dos estados. era proclamada a república. onde. extraiu novas considerações .‖ O volume hora reeditado. Finanças e Legislação Comparada. diz um dos seus biógrafos. elementos de História Natural. Regressa como presidente de seu estado e delegado das novas instituições. ainda em Laranjeiras. Poucos conhecia como ele a história financeira e orçamentária do Brasil. encarando-os com a largueza de vistas de um perfeito home de estado‖. em 1893. apareceria mais tarde. A respeito do período. num artigo sobre o evolucionismo. a sua palavra sempre foi ouvida com o maior respeito nos instantes críticos da vida republicana. Figura notável. Firmam-se nesta iniciativa as raízes do futuro constitucionalista.

bem como as questões relativas a limites. onde como um virtuose. Em 1916.incorporaria ao historiador a sólida base científica e filosófica. prenunciam o autor da História Territorial do Brasil. cansara-se na clínica e no estudo. sucumbindo o sábio e humanista em face das desilusões que a política provoca em sensibilidades delicadas. O plano a que visava não se concretizou. Registram as crônicas da vida caria o brilho dos concertos em sua residência. vindo a lumeapenas o primeiro tomo. Era o repouso do incansável trabalhador. origem da manufatura. o devassamento dos sertões. 12 . as ordens religiosas. figura singular da Ilustração Brasileira. chegara a reger uma orquestra em concerto oferecido a famoso maestro. Desgastara-se na atividade incessante. Lá. publicados na imprensa carioca. antigas estradas. formação das vilas e cidades. Diversos trabalhos especializados em Economia e Finanças. e discursos pronunciados na Câmara dos Deputados. patrimônio das câmaras municipais e terras devolutas. que fugia das preocupações maiores no velho hábito que trouxera da vida estudantil na Bahia. que abrangessem a fusão das antigas capitanias. com menos de sessenta anos. Felisbelo Freire programara cinco volumes. referente à Bahia. como acadêmico de Medicina. falecia no Rio de Janeiro Felisbelo Freire. executava peças clássicas e variadas. os motivos das linha de povoamento. Sergipe e Espírito Santo. obra de importante significação na cultura brasileira.

Por essa diversidade de auxílios que o historiador é obrigado a reclamar de diversas ciências. ainda que imperfeitamente. em Itamaracá.INTRODUÇÃO CAPÍTULO I OS PRIMITIVOS HABITANTES DO BRASIL As exigências da orientação científica moderna dificultaram consideravelmente o encargo de escrever a história de um povo. a etnologia. Gabriel Soares. para decifrar essas tradições antiqüíssimas. trabalhos mais ou menos importantes se tem feito. onde se tem podido. Rio Grande do Sul. dos sanbaquís do Pará. no vale do rio negro. Sta. através do tempo e do espaço. que nele vão se operando pelas ações recíprocas dos meios. tanto mais importante. puramente descritivas. Batista de Lacerda. o historiador tem necessidade de olhar para esse passado préhistórico. a antropologia. Couto de Magalhães. Carlos Weiner. entre estrangeiros. Sem a biologia. compreende-se facilmente que a história brasileira acha-se muito longe do pé que o espírito científico requer. descrever o grau artístico de seus primitivos habitantes na arte cerâmica. a história a que fica reduzida? As afirmações sem nexo. uma brilhante plêiade se formou. Lund. e não estão acumulados os grandes subsídios que reclamam de outra ciências. essas obras deixam insolúveis os maiores problemas da pré-história. Desde o século XVI . Desde as inscrições gravadas em pedras e encontradas na serra da Escama. Eves d‘Evreux e muitos outros. que não tendem a ligar os fatos. Egito e Índia: desde a exploração do mound de Pascoval. tudo tem servido de objeto de estudo. cujas afirmações são baseadas em uma multiplicidade de teorias. onde se contam Martius. d‘Orbigny. a geologia. todavia as afirmações nesse sentido não passam ainda de hipóteses não corroboradas por uma unidade de vistas. não obstante a força antagônica da adaptação. Catarina. com admiráveis pontos de contato com a ideografia do México. Pelo avanço da ciência. dos espíritos cientistas. Ferreira Pena. Derby e muitos outros. a fim de prendê-lo aos tempos históricos. para esclareces questões relativas aos povos brasileiros. esquecendo a marcha evolutiva do espírito humano. 13 . Hartt. e o sentimento religioso nos ídolos. Hans Staden. que nele há de ver um fator de colaboração. com as diversas diferenciações e integrações. a lingüística. e muitas outras ciências. pó uma lei de sucessão. Ladislau Neto e outros. Rodrigues Peixoto. quanto a herança tende a perpetuar seus caracteres. sem o que ficará um hiato que contribuirá para desvirtuar as leis da civilização humana. e entre brasileiros Gonçalves Dias. Não está feito o largo pedestal sobre o qual tem ela de descansar. Destituídas de espírito filosófico. Pode-se bem compreender que o historiador tem necessidade de apelar para o concurso de diversas ciências. desde os caracteres simbólicos de Marajó. Por mais longínquos que estejam os seus antecedentes. por mais obscuros que sejam o intelecto e o grau de civilização e a natureza de sentimento dos seus progenitores. Poderemos citar Vaz de Caminha. até as explorações das cavernas. O conhecimento completo do elemento autóctone de qualquer povo não deverá ser esquecido pelo historiador. Ainda que não possamos fazer coro com aqueles que acham de nulo valor os estudos de pré-história. Léry. China.

Teófilo Braga. vejamos se a primitiva raça que colonizou o Brasil foi a raça turaniana. com diz gaidoz. Sayce. de Martius e Lund. da mitografia.‖ Os trabalhos de Frederico Muller. para o sul da Europa onde deixaram os vestígios na braquicefalia do basco francês e na dolicocefaleia do basco espanhol. vindo através da África. com quer Teófilo Braga. Nott e Gilddon. procurando fundamentar suas vistas na suposta dolicocefaleia das raças da América do Norte. chega a admitir a marca do povo turaniano na América. na impossibilidade de uma divisão simétrica das línguas. porque nos outros 14 . do mundo inteiro. E a refutação era tão magistral. da etnografia. de lado. e o mesmo processo lava a grandes resultados. depois. Hovelacque e outros já haviam refutado a tríada de Max-Muller. gorilho. bem como o fenômeno da persistência da modinha brasileira. pela qual chegou ao autoctonismo dos indígenas da América. fenômeno idêntico ao que se deu na Europa. esta posição dúbia. mostrando que a substituição proposta pelo literato português do nome seytho mongólicas pelo de raças turanianas não indica mais do que a convicção do literato português sobre a inanidade do turanismo. com os cânticos acádios e chineses. arianas e semíticas.. principalmente de Hartt. No Brasil. Essa população turana descida da alta Ásia dividiu-se em dois grupos. orientação para a qual convergiram homens como Mayer. Brantz e outros. e a braquicefaleia geral dos da América do sul. Deixando isto. arang. chimpanzé. impressionado pela diversidade dos caracteres craniométricos do basco francês e do basco espanhol. quando Teófilo Braga em Portugal espalhava o turanismo. E é isto. E é ele quem diz ― foi das raças nômadas da alta Ásia que se destacaram essas migrações que entraram a Europa antes dos indo-europeus. E aqui não fazemos mais do que resumir a oposição do ilustre crítico sergipano. não se prestando a natureza a uma categorização tão simples. que ele mesmo sentiu-se em sérias dificuldades.Ainda que os trabalhos. que o ilustrado crítico sergipano Sylvio Romero põe em saliência. todavia os materiais que o espírito de investigação tem reunido ainda não são suficientes para explicar a origem do homem primitivo do Brasil. convergindo ambos. muito esclareçam as questões relativas às raças pré-históricas do Brasil. da antropologia. que na família humana vê uma tríada pertencente às línguas turanianas. de onde se conclui ser de onde se conclui ser o velho mundo a pátria da espécie humana. revela-nos também o caminho por onde o turanismo da Ásia entrou no sul da Europa. e que se conhecem pelo tipo braquicéfalo do basco francês: a coincidência da dolicocefaleia do basco espanhol. com o berbere. auxiliado pelos trabalhos de Meyer. gibon. É por isso que se torna legítima a comparação das canções prevençais. para conciliar o turanismo com as verdades cintíficas enunciadas pelos competentes órgãos da lingüística. aproximando o romanceiro peninsular ou Aravias dos cantos históricos ou javaris do Peru. Sylvio Romero já refutou o turanismo. porém. todavia se procura ver nos dois seguintes pontos a base sólida do asiatismo americano: a) a ausência na América dos antropomorfos. levou tanto a convicção ao próprio espírito do literato português. Dentre as tórias de Max-Muller. Não obstante a nova estrada que abriu Morton na etnografia americana. como notou Broca. um procurando norte da Europa e outro a América. Schleicher. onde uma parte estacionou. em uma triáda de famílias. Witney.

Realmente o botânico brasileiro. ― Para a explicação deste fato. especialmente na América. por que até o presente só chegou ao nosso conhecimento a existência de jazidas nativas de material bruto na Ásia e na Oceania. rochas exclusivas da Ásia. A alta competência do ilustrado mineralogista Fischer que declara existirem as jazidas de nefrite. objetos tais como machados. já enterrados no solo. em muitos caso. as mais das vezes verde. aplicadas por Barbosa Rodrigues à América. amuletos. alguns de nefrite e jadeíte. por parte de competentíssimos cientistas. chamados pelos índios Cunuris. já ainda em uso entre povos incultos ou civilizados. Da ausência absoluta de jadeítes e nefrites em outros continentes. Europa. Oceania e no território de Alaska na América. nas estações funerárias. quando foi ela povoada pelos asiáticos. e de quartzo os brancos. dos índios amazônicos. Aproveitando o resumo de Sylvio das conclusões de Meyer. quis-se concluir em favor de uma imigração asiática para a América. nas cidades lacustres. Ásia e Nova Zelândia. cuja composição não deixa dúvida de ser de jadeíte e nefrite. A hipótese foi principalmente arquitetada pelo professor Henriques Fischer de Friburgo sendo aliás partilhada por muitos outros investigadores notáveis‖. quando para aí deu-se a imigração dos povos. Ásia. eram de feldspato.a de Meyer . e cuaj origem. levou o ilustre botânico brasileiro Barbosa Rodrigues a não ser no muiraquitã ou álibi. senão os vestígios dessa imigração asiática quem em tempos idos. Entretanto se a competência de Fischer levou a convicção ao espírito de Barbosa Rodrigues. outra opinião não menos importante levantou-se em oposição. levados uns para a Europa. os verdes. É uma aplicação errônea que o assiatismo faz do transformismo. semelhantes aos enfeites de pedras que os Uaupés do Rio Negro trazem no pescoço. onde temse encontrado artefatos de pedras verdes. de onde o hiato que tem motivado a mão aceitação absoluta do transformismo: como a multiplicidade dos centros de criação humana está merecendo hoje adesões sinceras.quirimbitás – chegou a convicção de que os muiraquitã é de jadeíte e cloromelanite. objetos de uma pedra muito dura. sobre quase toda a superfície da terra. Diz o sábio mineralogista de Dresde: ― por questão da nefrite deve entenderse o seguinte: encontram-se em muitos lugares. foi Sylvio Romero utilizando-se dos trabalhos de Meyer. pela corrente imigratória que primitivamente povoou-a.continentes falta o primeiro elo da cadeia antropológica: b) ter-se encontrado nos artefatos da América. pedras que não existindo na América foram exportados da Ásia. O primeiro que impugnou no Brasil as asseverações de Fischer. ornatos e outros semelhantes. nem a paleontologia assegura haver um só centro de criação do pithecantropo de Heackel. deu-se para o Brasil. aqui o transcrevemos: ―Perdeu-se certamente o conhecimento das jazidas originárias do 15 . Darwin e haeckel não afirmam senão que a espécie humana é um colateral afastado do pithecoide. e para a América os outros. que mostra ter encontrado jazidas de nefrite e jadeite na Europa. álibi. é obscura. Não só o darwinismo não assegura ser a espécie humana o descendente direto do antropomorfo. exceto na Ásia. formula-se a hipótese de provirem da Ásia conjuntamente os objetos europeus e os americanos. somente no Turkestan e a jadite no distrito de Junnan. para quem os muiraquitãs.

como quer Varnhagen. ao menos no México e na região amazônica. porém. de um sistema de escrita fonética. como ponto exclusivo da origem do índio americano. a falta de alfabeto. que provam o predomino da dolicocefalia na América do Sul. Demais. a reprodução do basco francês e espanhol . relativamente. uma prova de serem preparados no país. da antropologia e da etnografia e de todos os conhecimentos préhistóricos. observa o sábio autor. pois. invocada por Teófilo Braga. somente chegar ao México a jadeíte e jamais a nefrite. um caráter puramente local e indígena. que consideram o índio americano como um produto do solo ameriano. ou Indochina. elas. Achamos que as duas teorias devem se superar. em sua escultura. entre os povos da América e os do Oriente. que espírito de investigação vai reunindo. Ora. Nota mais a circunstância de ser o tributo de muitas províncias o Império obrigatoriamente pago em jadeíte. devem existir no continente. é inverossímel que servisse de moeda uma substância que se não encontrasse no próprio império. Além disso. as diferenças nas formas dos crânios . a fauna e a flora muito distinta das do velho mundo. Japão. Assim. Se esse exclusivismo não se pode sustentar com os materiais que a préhistória americana vai reunindo. há improbabilidade manifesta de. chefes da escola indigenista nos Estados Unidos. à Americana . não representa uma verdade sancionada pela ciência. no caso de importação da Sibéria. são por demais eloqüentes as conclusões a que chegaram Nott e Gilddon. dos Líbios ao Atlantes. Pelo que se refere especialmente ao império dos Aztecas. São três considerações de peso‖. China. o mesmo não podemos dizer relativamente à bela teoria do indigenismo de Morton e Simonin. Os ensinamentos da lingüística. Por mais esforços que façam aqueles que estabelecem como uma verdade a unidade 16 . que a lingüística e a arqueologia dos povos da America apresentam com os do continente oriental. os traços característicos dos povos do continente americano. com que Berlioux. temos os estudos dos ilustrados antropologistas brasileiros Rodrigues Peixoto e Batista de Lacerda. Como o Dr Ladislau Neto : dos Carios. perante as conclusões a que vai chegando a antropologia brasileira. todavia certos achados da etnografia mostram a falta de base desse exclusivismo.e dos metais. não asseguram a verdade dessas exclusivas conclusões. se a tendência de buscar na imigração dos povos asiáticos a explicação de ligeiras analogias. de animais domésticos. para se aceitar uma migração asiática pela América. Se Martius e Fidel Lopes apresentam um grande número de palavras com raízes do sânscrito. em cujos habitantes primitivos nota-se a ação de mais de um elemento étnico. essas ligeiras analogias lingüística estão longe de indicar uma identidade de estrutura da língua e da organização gramatical. leva alguns espíritos a serem exclusivistas na origem dos povos americanos. morais e físicos. para fundamentar o seu turanismo e que viu na braquicefalia dos índios da América do Sul e na dolicocefalia dos da América do Norte. as diferenças do sistema aritmético o descobrimento do pequeno ciclo do tempo – a semana. são fatos que protestam contra a transmigração. é perigoso afirmar a descendência do índio americano de uma migração asiática dos chineses ou dos Egípcios. Quanto à dualidade dos caracteres caniométricos.mineral. o professor de Dresde nota que os objetos ali encontrados tem todos . O asiatismo.

dos ritos. donde rebentam outras formas ancestrais das civilizações. tocando assim ao Brasil o título de ser o mais antigo continente do nosso planeta ―. morais e intelectuais. na existência de um elemento étnico. No Brasil. mostrou as civilizações primitivas como produto do meio físico. bastantes distintos pelos caracteres craniométriocos. o sábio Lund chega a conclusão de que a existência do homem neste continente data de tempos anteriores à época em que acabaram de existir as últimas raças de animais gigantescos. quando as mais partes do mundo estavam ainda submergidas no seio do oceano universal. 17 . Um produto semelhante a si nunca deixou o homem de encontrar na carreira de suas migrações.da criação humana. que eram motivadas. e da língua. Quanto à America. e os geológicos e arqueológicos de Lund. Não se pode muito duvidar da existência de um elemento autóctone na América e no Brasil. quer pelo espírito de conquistas. dos povos espalhados pelo território americano. a formação geológica do novo continente. ― a natureza geológica do platô central do Brasil demonstra que ali existia como um extenso continente a parte central do Brasil. ou surgiram apenas como umas ilhas insignificantes. de que acima falamos. e que a América já era habitada em tempos. de um cruzamento entre o elemento primitivo e o elemento estrangeiro. como observa Lund. A conseqüência a que chegamos.como as do México. dos costumes. Depois que o espírito altamente investigador do sábio historiador inglês Buckle . em suma.i Lund chega à conclusão de que a Pelos estudos nas escavações das cavernas do Brasil. todavia os trabalhos antropológicos de Batista e Lacerda e de Rodrigues Peixoto. na arte. não podem obscurece a verdade da história. principalmente. autóctone nos continentes. com um elemento étnico autóctone em todos os continentes . as duas tórias devem caminhar juntas. não provam uma unidade de origem. ainda que os povos não sejam. não se pode duvidar desses focos de criação humana. As imigrações de povos. em todas as manifestações emocionais. Egito e Índia. alimento e solo. em que os primeiros raios da história não tenham ainda apontado no horizonte do novo mundo. bem provadas por Morton. Realmente diz esse grande sábio. produto psicológico muito precoce na espécie humana. e que os povos que nessa remotíssima época habitavam –na . Os dois ilustres antropólogos brasileiros. eram da mesma raça que os que no descobrimento foram aí encontrados. muito anterior à do velho são fatos que não devem ser desprezados. Peru. dirigidas exclusivamente pelas leis físicas – de clima. O homem da Lagoa Santa e o homem do Sambaqui. As grandes analogias das crenças. deixaram alguma luz neste sentido. O elemento indígena foi sempre a força que se levantou contra o elemento alienígena. sempre se encontram com uma força antagônica. representam esses dois tipos. é que houve uma uniformidade das leis que presidiram o desenvolvimento do espírito humano. Guatemala. As normalidades que a espécie humana apresenta em sua mitografia. chegam a conclusão de que em temos primitivos existiram no Brasil dois tipos étnicos. e com o qual colaborou para a formação das populações mestiças. em larga escala. quer por condições locais. dos quais são os pósteros representantes dos bugres do Paraná e os botocudos. na lingüística.

uns baseados na cor da epiderme. aqueles cua evolução mental achava-se mais atrasada.Estes últimos Rodrigues Peixoto considera como o resultado do cruzamento de dois elementos formadores: um. pois a identidade de cor de relações subjetivas e psicológicas na semelhança das raízes. são os Aruâs. ―Não será o botocudo o cruzamento destas duas raças? ―Os caracteres que neles temos encontrados nos autorizam essa hipótese. vemos nas populações primitivas no Brasil uma fusão de mais de um elemento étnico. a diversidade de ornamentação e estilo gravada nas urnas funerárias. como querem alguns. E os diferentes processos de classificações que se tem procurado para o índio americano. outros sobre a indústria. Nessas necrópoles tem-se notado três camadas de urnas funerárias. cujo estudo demonstra que mais de um povo. porém. foram-se cruzando com povos que iam encontrando nas correrias: ou se admita. nos ídolos. etc. Nas produções intelectuais.‖ Analisando agora as pesquisas dos autores sobre os artefatos encontrados nas cerâmicas de Marajó e Pacova. E hoje escreve-e que os índio do Brasil no tempo da colonização. a semelhança de objetos e deformas cranianas em diversos continentes. na lingüística. não exprimindo a verdade de uma seriação. imprimindo sobre os artefatos de cada seção as feições características de uma civilização. na linguagem. deixa ver a existência demais de uma raça. outros nas formas dos crânios. Pelos caracteres da face são parentes próximos da ração dos Sanbaquis. nas inscrições. amuletos. dirigidas do Norte. que supõe que as gerações gendiam a degenerar gradualmente. mais de um fator humano a entrar na organização das raças brasílicas. Aceitando as proposições de Forster. como Guaraios. Chiriguanos. nas lendas. a raça que habitava o Brasil e que se estendia das Antilhas até o Prata. em tudo em suma que as pesquisas têm colocado debaixo de sua apreciação. vasos. Botocudos e diversas tribos. Ou se admita que as migrações. representada pelos Guaranis. vê-se claramente mais de um elemento étnico. no estilo. eles (botocudos) se aproximam mais da raça da Laguna Santa. até um certo ponto a abaixar o diâmetro vetical. e o autor acima citado diz que os últimos trabalhadores. em diversos graus de civilização foi o construtor desse admiráveis túmulos. onde a arqueologia pretende levantar essa vida de um passado tão longínquo e marcar o grau de evolução mental a que chegaram esses antepassados. ídolos. Tupis. nos instrumentos de sílex. sem fundamento científico. Ferreira Pena considera os Caribas e os Aruãs os construtores das cerâmicas do Pará. provam eloqüentemente que mais de uma raça devera existir no Brasil. na ornamentação. era a expressão de mais de uma força étnica. bem patenteados no homem fóssil da Lagoa Santa. na ornamentação. era um produto mestiço. que procura inspirar-se em mais de um processo e que denomina Brasilio-Guarany. que houve uma migração extra-americana. ou do Sul como querem outros . Rodrigues Peixoto assim se exprime: ―Pelos caracteres do crânio cerebral. nos artefatos. e o outro que tende a alargar o diâmetro transverso e. deixa supor que ais de um povo tomou parte na construção dessas necrópoles. prefixos e sufixos. todos. nos tempos pré-históricos. o que não se pode contestar é que mais de um elemento étnico 18 . Observa-se neles um grau decrescente na arte cerâmica. francamente dolicocéfalo e hipsistenocéfalo. E a própria classificação de D‘Orbigny. Verificando sempre a justaposição desses dois elementos na craniologia botocuda.

Lund. macrotérios . Cuja idade corresponde ao do mamute na Europa. um homem geológico no Brasil? A nova estrada que abriu a antropologia na Europa. nas escavações de Saint Acheui . O sábio Carlos Rath também diz: ―Eu dei noticia sobre os sambaquis desde 1846. a demonstração da sua contemporaneidade dos mamíferos miocênicos. ainda que a hipótese de Lund e Rath não esteja ainda plenamente confirmada pelo veredicto da ciência. para poder conhecer vem toda a construção e idade destas sepulturas primitivas com suas particularidades. que o gênero humano existia por todo o mundo e mormente no Brasil. nos crânios dos botocudos. assim como o foram a Europa. chegando ao seguinte resultado: 19 . todavia é mais do que provável que à sombra dessas espessas florestas que cobriam os ubérrimos vales do Brasil. Moustier e com o cervus tarandus em Grenelle. descansava o homem as fadigas das lutas com o megatério. e as ardências de alta temperatura. mamutes e outros. desde a primeira seção do período arqueolítico – a época miocênica. nas escavações das cavernas do Brasil. nas mesmas jazidas dos ossso dos acerotérios. Houve. cuja idade na América do Sul corresponde à do mamute na Europa. como também na extinta Brasilia de Petrópolis e em outras descrições impressas nos meus Fragmentos geológicos. no meio de assadas dos grades proboscidianos. ―Com estas provas pode-se garantir. sem medo. Os tipos antropológicos humanos de Thenay. a África. no mesmo grau de decomposição dos ossos dos animais fósseis que os acompanhavam . como chama Rialle. provam a existência do homem geológico na Europa. dizem Zaborowski e Moindron. antes o grande dilúvio chamado na geologia a Myocene ou geral inundação‖. porém. em alegres festins sob as grandes cavernas. Abbeville. é natural. vindo saciar a fome nas carnes ainda vivas dos descomunais proboscianos. elefas primigenius. com os seus sílex trabalhados. a Ásia. ―o Dr. Aurignac. Assim. a Oceania. achou o homem contemporâneo do megatério. Lá chegou-se a afirmar a brilhante verdade de que o homem já existia na época miocênica. ou reino de aparição. passando assim do mioceno ao plioceno e ao post-plioceno e do período arqueolítico ao neolítico.cruzou-se nas populações brasílicas e que um deles é autóctone. dirigiu Lund e Rath a pesquisarem. mastodontes. Era impossível não concluir daí ser o homem contemporâneo do megatério. Lund nas escavações das cavernas do Brasil. dinotérios. chegando à a formação de que o homem é contemporâneo da época terciária. E talvez seja desse elemento ético primitivo e autóctone que os dois ilustres antropologistas brasileiros descobrem os caracteres em seus estudos craniométricos. tornando-se assim a América um importante Centro de Criação. halitérios elefas meridional. os vestígios fósseis do homem geológico. Pouancé e Saint Prest. em diversos jornais europeus. contra quem manejava o seu dardo de pedra lascada. contemporâneo dos mastodontes. explorou mais de oitenta cavernas e em uma delas encontrou ossadas de trinta indivíduos da espécie humana. Essas ossadas humanas sempre tem sido encontradas com ursus spelaeus. Savigné . etc: porém era-me preciso examinar muitas casqueiras em diversos lugares e tempos. onde numeroso povo habitou. e concluiu que o Brasil é habitado desde a época pliocena.

d) Existiu em tempos remotos no Brasil uma raça caracterizada pela extrema depressão da fronte. 20 . e) O uso das deformações artificiais dos crânios era estranho à maior parte das raças indígenas do Brasil. c) As raças por nós estudadas a que mais aproxima-se da raça primitiva é a dos Botocudos. b) As raças indígenas atuais representam a mistura de dois tipos diferentes.a) A raça primitiva do Brasil era dolicocéfala.

Na herança e na adaptação viram estas últimas ciências as legítimas forças da evolução. que operam a integração e a diferenciação. Sem estas duas forças as integrações e distribuições de matéria não se efetuam. Sempre descobrindo nas duas categorias de matérias uma identidade de função e uma semelhança de causas. pelas modificações do meio. Por isso mesmo que a matéria orgânica e organizada não poderá evoluir sem a ação antagônica de duas forças. fazendo não só perpetuarem-se as qualidades essenciais dos seres. pelos fatores que dela se derivam. Sobre toda a matéria. Enquanto estas últimas as pesquisas não foram presididas por uma orientação de profunda análise. sem ser presidida em sua ação. legitimamente filosóficas. em suas variadíssimas manifestações e nas relações subjetivas e psicológicas. sem as quais a seleção na humanidade não poderia efetuar-se. presidem a todo trabalho íntimo. não se poderá constituir como ciências enquanto não submeter-se aos conceitos e às verdades das ciências biológicas. para olhar as sociedades como um organismo. como divergirem a função e a forma . que se opera no seio de um povo. Por esse caminho verdadeiramente analítico e naturalista chegou-se à afirmação de que a evolução é um princípio geral. Essas duas forças. assim como traçar-se as suas leis evolutivas. No elemento étnico e na ação do meio irá a história buscar a casualidade mais geral de todos os fenômenos históricos. sem ter-se em consideração a influência do elemento étnico e do meio. elas atuam poderosamente. fundado sobre a herança e a adaptação.CAPÍTULO II ELEMENTOS ÉTNICOS DO BRASILEIRO SUA FISIOLOGIA E PSICOLOGIA É de todo impossível penetrar-se no intelecto de um povo. sintetizando por esse meio as leis que as dirigem. cujas junções é preciso estudar. do grau de ação que mutuamente hão de representar. assim também a matéria superorgânica não poderá evoluir. procurando os ensinamentos que lhe iam sendo ditados pelas ciências físico-biológicas. 21 . resultará a diversidade do caráter das civilizações. sem relações recíprocas. o espírito filosófico da época chegou a conclusão de que a história da humanidade não poderá dar um passo. quer orgânica. os achados científicos não passavam de um corpo amorfo. Da luta entre estes dois fatores. sem contribuições e sem filiações. ou a cultura do espírito vencendo a natureza para pô-la à disposição do bem–estar social ou esta tornando-se mais invulnerável na luta. quer organizada. Foi uma grande obra deste século a história guiar-se por um alto senso filosófico. porque representam as duas principais direções em que se colocará o movimento social. coloca-a em um caminho verdadeiramente filosófico. Essa verdade sendo levada para a história.

nessa hegemonia em que o elemento étnico mais forte. em cada caso. pelos caracteres emocionais que favorecem. puseram-se em contato no território brasileiro. melhor organizado para a concorrência. a sub-raça tende a tomar os caracteres físicos da raça mãe a mais numerosa. têm uma influência nas ou menos direta no caráter da civilização. Distingue-se. frio. na literatura. ― O tipo físico que resiste ao cruzamento. Por uma lei antropológica. que é bem visível na história. são: o português . É a grande população mestiça. Tomo I. com caracteres físicos capazes de determinar o desenvolvimento e a estrutura da sociedade. Perante a diversidade de origem do fator humano no povo brasileiro. o tipo físico alterase principalmente na proporção da intensidade do cruzamento. aplicada à história do Brasil. brilhantemente formulada por Broca. que por aqui puseram-se em contato. mais ou menos. considerado como uma unidade social. o homem individual. impedem ou modificam as ações da sociedade. quente. ou fértil. paro o brasileiro alcançar essa feição própria e original. Três forças étnicas. Estes três elementos. que é o genuíno tipo brasileiro. porém para o seguinte capítulo a discussão da melhor teoria. o africano e o índio. a do solo que pó ser improdutivo. 1º Vol. tornando-se por demais prolongado o período prodrônico de uma completa amálgama e fusão. na série das gerações. a legítima formação histórica brasileira.‖ Na categoria dos fatores externos ou extrínsecos temos que apreciar a ação do clima que pode ser seco. cada um deles com hábitos e tendências muito diferentes. temos a notar. havia de dar-lhe um caráter heterogêneo nas relações subjetivas e psicológicas. para o produto mestiço constituir-se como um grupo étnico característico. 1 2 Spencer. em suma. em estado latente. de Antropologie. Men. em todas as manifestações mentais do povo. temos a apreciar neste somente a contribuição dos diversos elementos étnicos na organização do povo brasileiro. com mais ou menos pureza. Temperado. que não foi por este lado somente que venceu na concorrência os outros elementos. p.276 22 . e representando. . úmido.‖2 O mestiço no Brasil tendeu a assimilar o tipo físico do português. depois a raça mestiçada tende a regressar. Deixando. força diretora a que todos os povos se submetem. ‗Quando duas raças vivem no mesmo solo e se fusionam. três raças muito diferentes e em diversos graus de evolução mental e emocional. cuja origem tríplice. torna-se preciso um longo perpassar de séculos. as condições hidrográficas que podem ser favoráveis ou não a flora e a fauna que hão de selar um cunho específico no espírito da população. Todas estas condições.―Na categoria dos fatores. de uma configuração simples ou complexa. é então o daquela raça que predomina numericamente. já entre si muito diversas e representando ainda cada um deles um diverso grau de equilíbrio entre os fatores internos e externos. Nesse longo período que podemos chamar período de formação. p. ao tipo da raça mãe a mais numerosa. diz Spencer 1. em suma. o acúmulo de trabalho de gerações passadas. nas artes. a colaborarem em uma civilização. Principes de Sociologie. formou-se uma sub-raça. deveria vencer. da mesma maneira sua inteligência e as tendências do espírito que lhe são particulares têm sempre uma parte na imobilidade ou nas mudanças da sociedade.15 Broca. o verdadeiro grupo étnico que imprime em todos os produtos da cultura os sinais do seu autonomismo. e os progressos que as acompanham. o resultado deste cruzamento das três raças.

les douceurs de la politesse. que se tinha sucedido através dos séculos. il leur faut des plaisirs nombreux. galants et mondains. em um ponto de integração superior ao que as outra duas raças tinham alcançado. para produzi-lo. pois. enfin. como pelos caracteres fisiológicos e psicológicos. vemos que os iberos pertencem à família uralo-altaicas. libertins. antes de integrar-se. os suevos. os cartagineses. a única força étnica. épicuriens. Como principal força colonizadora no Brasil. l‘amusement de la conversation.‖4 Podendo aplicar à civilização do Portugal as mesmas leis que Bruckle estabeleceu para a Espanha. no decorrer dos tempos. o português já era produto heterogêneo de diversas forças étnicas que. c‘est par ces vices que leur civilistion se corromptou finit: vous lês trouverez au declin de l‘ancienne Bréce e de l‖ancienne Rome. o português representava uma heterogeneidade étnica. Em effet . 4 Philosophie de l’Art dans les pys Bas. pela formação tardia de uma ciência. Dan I‘talie Du XVI. se superpuseram e amalgamaram-se . o mais poderoso e principal fator da civilização brasileira. pois. Leur tempérament plus bite affiné lês port plus vite au faffinement. p. Elementos da nacionalidade Brasileira. por diversas correntes migratórias. lês symetries Harmonieuses dês formes et de phrases. 23 . os godos e os árabes. 3 S. p. os romanos.Não só pelos caracteres físicos. Romero . durante os quais deram-se diversos cruzamentos. tão característico no século XVI. dans La France Du XVIII. por Taine. porém. Ele nos prende ao grupo das civilizações ocidentais. les jouissances de La nouveauté de l‘imprévu. pelos navegadores portugueses e oferecido à cobiça real e ao espírito de conquista e de comércio da população lusitana. 72 Theófilo Braga. entre os elementos alienígenas e autóctone. que o português é um produto muito complexo de diversas raças que se fundiram. vemos que as leis mentais nunca tiveram nos povos da península uma grande latitude de ação. ils devienent aisement rhéthoriciens. dans La Provence Du ciécle XII. les sensualités de l‘amour. por acaso.3 Já se vê. bem difundida pelas classes sociais. volupteux. desse momento histórico em que Portugal chegou ao apogeu de sua glória da qual lucraria muito e muito a colonização do Brasil. uma série de cruzamentos efetuaram-se no território da península. é porém a principal. como dos fatores constitutivos dos dois povos. Tomo I. como muitos querem. descoberto. a qual lhe fazia representar um papel histórico de alto valor. Antes de constituir-se um grupo étnico característico. precederam ao arianos. teve de nos infiltra os princípios de uma das duas civilizações em que se dividem os povos da Europa. ils sont exigeantes ent fait de Bonheur. a raça branca no Brasil ainda que não possa representar . dos quais o ramo latino é assim descrito por Taine: ―Cette finesse et cette précocité naturelles aux peoples latins ont plusieurs suites mauvaises: ells leur donnent le besoin des sensations agréables. Antes. pelas semelhanças não só das condições externas. História da Literatura Brasileira. lorts. Quando um novo continente foi. varies. 11. les satisfactions de la vanité. antes dessa época. nas idades da pedra lascada e polida. a vitória colocou-se ao lado do elemento que representava a raça branca. os fenícios. se causas estranhas não viessem tomar negativas nas melhores forças da metrópole. A eles sucederam os celtas. desde os temos préhistóricos. Mais adiantada sob todos os pontos de vista.. dans l‘Espagne Du XVII. dilléttantes. Revista dos Estudos Livres. Sem procurarmos traçar a evolução dessa herança. O português foi.

ficando às classes populares a prerrogativa de serem passivas e obedientes. o rei ao clero. o espírito de ceticismo. em busca de almas que resgatavam para a religião. dando lugar a que dificuldades se levantassem como força poderosa. o espírito de revolta para alcançar uma equitativa partilha do poder. para cujos progressos tornava-se preciso grande posse individual. povo eminentemente metafísico. consentindo na criação das missões. verdadeiros feudos. Os poderes temporal e espiritual estavam unidos. a alimentar as verdades dogmáticas de uma religião. o português do século XVI veio insuflar no Brasil esse estado mental e psicológico. continuando os delegados do governo colonial na posse de ilimitadas atribuições. eram duas entidades absolutas. de nosso caráter. Debaixo desse regímen coloniza-se o Brasil. contra os irmãos de Loyola. pelo lado político no regime teocrático. pelo lado industrial na idade do homem agricultor. contra a qual o clericalismo se levantou. entre as classes aristocráticas e populares. Divide-se o território da colônia em zonas. fizeram mudar esse processo de colonização. contra quem a coroa se colocou. As guerrilhas intestinas que se levantaram entre eles. determinadoras de todo o movimento e que centralizavam o poder. pelo caráter pouco fixo dos limites territoriais e a isto reunido o desenvolvimento lento destes focos coloniais. resultando para o Brasil a escravidão negra. por uma centralização administrativa. como talvez a principal força auxiliadora da colonização. conta quem não se ousara pensar nem obrar. como um outro Paraguai se o espírito da população do sul. que tem dificultado a organização de uma moralidade. Todavia. Pelo lado filosófico e religioso no estado teológico e na época monotéica. para vencer o jesuíta. O liberalismo disfarçado do jesuíta plantou a luta entre ele e o colono português. Sendo os móveis legítimos da colonização não só o espírito de riqueza da época. pela 24 . no culto externo. representava o poder absoluto. deixando de lado as deliberações que o espírito de cisão. onde novas condições ajudaram sua maior vitalidade. do espírito científico: foi o português do século XVI o veículo desses hábitos mentais e morais para o Brasil. pela união que prendia o trono à igreja. poderoso meio contra a escravidão indígena e que levaria o jesuitismo a levantar uma perpétua teocracia no Brasil. pelo concubinato no lar doméstico. para prende-la nos limites estritos da tradição: povo excessivamente subserviente ao rei. desviando-se do caminho puramente analítico. tomando a si a defesa do índio. que entre si partilhavam a riqueza. como também o espírito religioso . por onde caminham os povos de imaginação menos rica. dessa raça de mestiços que se organizava e que representava no Brasil o papel de meio transformador. não levasse a guerra encarniçada. trazem em auxílio da organização de uma ciência. onde o donatário. que se organizava. com quem o colono achou-se em contato. com vislumbres bem acentuuados de antropomorfismo. excessivamente rica no aparato. que tem sido a clava de Hércules do nosso pauperismo. Dessa luta resultou a imigração do africano. levantou-se ao lado do poder temporal o poder espiritual. escolhendo-se uma colonização que plantasse o feudalismo e a teocracia. como o barão feudal da Europa. contra as pesquisas do espírito indagador. tornando-se impossível o espírito cético na política.Povo eminentemente supersticioso e que não via na religião senão a força mais poderosa do progresso . procurando o mais possível apoiar a tradição e a autoridade. Os jesuítas se espalharam pelo Brasil. a teocracia jesuítica durou séculos e o poder clerical ainda hoje se faz sentir. contra a escravidão que o colono português cedo lhes impôs.

de maior indigência. dificultava a organização de uma ciência. as confrarias. por então como o legítimo produto nacional. para lutar contra o emancipacionismo indígena. Nesta síntese deixamos as bases do nosso caráter. pela falta de concorrência. o período de transformação. quer a classe administrativa. demandava. aquele que nos insuflou o regímen social e político. a equitativa distribuição da riqueza pública. privilégio seu nos conventos. do meado desta século em diante. do seu culto. que constitui um verdadeiro período histórico. que por sua vez . sob a pressão de um jugo que impossibilitava as pesquisas analíticas. Ai está o papel da raça mestiçada no Brasil verdadeiro agente transformador e cujo trabalho de regeneração se faz sentir no momento atual. Ela. obrar como meio reformador contra tantos males. cujos antecedentes devemos ir procura nos primeiros séculos de nossa vida colonial. ativava a imaginação. do que o prolongamento da civilização ibérica. à custa da riqueza pública . pela falta de um senso popular. para integrar-se . Essa centralização que se caracterizava em todas as manifestações da vida colonial. Foi por ele que o Brasil não tem sido mais. Com o trabalho sem remuneração. Na arquitetura não foi o português o único obreiro. Eis o capital defeito de nossa vida política e social. Compreende-se facilmente a parte importante que representou o africano na formação da riqueza no Brasil. encarada pó esse lado. Foi. quer jesuíta . pela tendência dos espíritos a tratarem a liberdade da colônia. quer colono português. plantava a superstição. quem eram outros tantos centros de instrução. um longo perpassar de séculos. porém encontrou forças acidentais. era justamente a que era afetada de maior pauperismo. as idéias religiosas que nos tem presidido. a insuficiência de braços ativou a imigração africana que se tornou o sustentáculo. que têm dificultado a marcha do progresso. a raça que tirava do solo a riqueza. E a sub-raça que se formava pelo cruzamento das três raças mães. trouxe-nos os males que tanto nos têm depauperado. os vestígios da colaboração de outros elementos étnicos. que a organizava. na distribuição da riqueza por entre as classes. das quais duas sempre espoliadas. assim como teve de sofrer uma ação fisiológica do meio. toda a riqueza. a direção que ele dava ao ensino. se o jesuíta por esse lado predominava. pois. a escravidão negra era a matéria –prima do trabalho. organizando as irmandades.proliferação dos filhos naturais. pelo hiato aberto entre as raças. centralizando as forças mentais em derredor da metafísica. todo o poder . em que estão incluídos os defeitos e os obstáculos. o português o maior fator de nossa organização. dificultando os progressos da população. a estabelecer uma corrente de riqueza para a edificação de suntuosidades dos templos. deixaram. como geralmente se diz . Estabelecendo-se assim. centralizando-se nas mãos do branco. ainda que em menor escala. e quanto contribuiu no grande desequilíbrio do movimento econômico. e a ela aliou-se o colono português. era o elemento mais poderoso do movimento econômico da colônia. entre as raças que tendiam a cruzar-se prerrogativas e privilégios. a base da aristocracia colonial. cuja passividade abriu campo a todas ilegalidade e absurdos. Desfalcando-se pouco a pouco o braço indígena. 25 . Se o grande poder do jesuíta.

anfibomorfos. Não obstante haver um certo número de opiniões sobre o grua da idéia religiosa do índio do Brasil. encontrados nos mounds de Marajó. os ídolos. A ornamentação de seus vasos. e manejava objetos de pedra polida. estava em um período adiantado do fetichismo. Por esse lado. formas do animismo. Compreende-se que. Deixando de transcrever as composições anônimas de origem portuguesa . aos contos e cantos. os objetos de ornato. Pleo lato industrial.Seu papel é saliente pelo fato que acabamos de analisar. todavia as escavações feitas no Maranhão dão lugar a supor-se que algumas tribos já tinham galgado um estado religioso mais adiantado – a idolatria. de que não sabiam dar esclarecimentos positivos. quando o português encetou a colonização no Brasil? Não nos cabendo aqui largas explanações sobre os materiais que a préhistória brasileira tem reunido. aceitando as conclusões dos competentes. Pacolval. que procurava não só idealiza a espécie humana. diversos estados já tinham sido passados por seu espírito. os toucados de que revestiam as cabeças de seus personagens. Assim. os artefatos. bem como as vestes simuladas por algumas figuras. ―Nas antiguidades dos mounds de Marajó. procuremos ver a influência representada pelo índio e africano nessas produções. sendo a raça branca a que implantou a língua nas raças vencidas. Se a falolatria ali realmente existiu não é permitido afiançá-lo. como nos revelam as urnas funerárias. diz o Dr. Ladislau Neto. Realmente. Pelo lado artístico. como os animais. assim como pela influência que trouxe às produções anônimas. contribuiu mais do que o africano. Qual o grau de civilização do índio. todvia. Ao lado dos caracteres antropomorfos. achando-se em momentos ulteriores do fetichismo a astrolatria. no Egito. Alguns destes ídolos dão ligeiras formas do ídolo a que se prestava o culto de Falo. e não há grande probabilidade de que eles fossem mais objetos de ornato. era o índio o autor de uma arte cerâmica. limito-me nesta ligeira introdução a resumir os resultados a que já se tem chagado. afiguram-se-me indivíduos que houvessem guardado lembranças vagas de um longínquo passado. uma espécie de ecletismo teogônico. de caracteres antropomorfo uns. acham-se caracteres zoomorfos. o índio não é uma raça de belas tradições. a sua força deveria ser mais poderosa do que a de outra qualquer.5 Sob esta ponto de vista. uma grande mescla. como a de uma dupla entidade. sobre etnografia e etnologia brasileira. Pelo lado religioso. sobre a contribuição com que cada raça entrou na poesia e nas tradições populares. segundo o ilustrado crítico sergipano. têm sido encontrados. a representação esculpida ou pintada de seus símbolos hieroglíficos. outros zoomorfos. como o nativismo primitivo. muitos ídolos feitos em barro. Os mounds-builders de Marajó. o venceu pelo lado econômico e mesmo antropológico. pois o leitor as poderá ler nos Cantos e Contos de Syilvio Romero. era caçador e pescador. do que de culto. às tradições populares. são numerosas as figuras que representam o Falo. que. tudo isso é um amálgama imensamente heterogêneo. a pouco e pouco fundida ou incorporada em povos menos 5 Temos de aproveitar os belos estudos do ilustrado crítico sergipano Sylvio Romero. a fisionomia dos seus ídolos. Maracá. em que se enxerga a tradição de uma remota nacionalidade superior. por sua vez. Acreditamos ser Sylvio o brasileiro que mais apurou e deixou a limpo essas questões. suas obras nos servirão de guia. 26 . não me cansarei de repeti-lo.

por isso mesmo que a língua africana não foi estudada nem falada na colônia. em um lugar que chama Pedra do Letreiro .adiantados e através de países diversos. ou pela adaptação irresistível e fatal aos meios de existência. em seus mitos do jabuti. dos quais tiraremos a contribuição com que cada raça entrou para a formação do nosso caráter. até mesmo pelo africano que tornou-se bilíngüe. Por isso mesmo que o processo de colonização. contribuiu para segregá-lo dos centros coloniais. era representado em Marajó sob as suas diversas formas míticas. que Andes visa os fatos gerais. 6 Em Sergipe. Por informações de algumas pessoas. nas escavações de roças se tem encontrado objetos feitos de barro. Se pelo lado das tradições intelectuais. pelo espírito de cobiça que dominava na raça colonizadora. sempre infrutiferamente. e os trabalhos de Sylvio Romero. algum vislumbre de culto? ―Ninguém. eram a tradição viva. mas dar-se-ia porventura ainda ali à sua primitiva forma. pois da infeliz raça só se queria o braço para o trabalho. a fim de apreciarmos o grau de civilização da tribo indígena. as quais representam um pé em círculos concêntricos. ela foi muito menor na transmissão dos caracteres físicos. 153. do pemi (corneta). portanto. e das tribos orientais da América. como esta. no sacrifício de prisioneiros. procuramos alguns tumuli ou sambaquis. Além de cantos e contos verdadeiramente de origem índia. do Caçador e dos Oiras. pratos. compreende-se que o índio foi de mais larga contribuição nas tradições intelectuais. na carência de provas inconcussas. 9 Rise. a influência indígena tornou-se muito mais preponderante do que a influência africana. quer gravado. do Tupã e Tupi. em sua dança e música rudimentares ao som do mimbitarará e do mime (buzina). etc. im Braziliem. pela tendência em representar gênios zoomorfos. quem em relevo. vol 6º. Museu Nacional. bem pintado nas bandeiras que penetravam nos sertões. nos aparatos festivos.adotado pela metrópole no Brasil. mitologia que difere das dos Incas. em vês de antropomorfos. sabemos que estes objetos nenhum trabalho de decoração ou desenho apresentam. afugentava-a. 27 . do que o africano. como porrões. os mantenedores do saber e da prática e os árbitros de seus irmãos. ou pela morte daqueles que. 333. o pode asseverar. caximbos. a política abolicionista. escravizavam a infeliz raça. O leitor pode ler a poesia popular indígena coligida por Spix e Martius9 na própria língua. Por isso mesmo que a língua do índio se prestou por parte dos primeiros colonizadores. a ser falada e escrita. entre os povos antigos. em vez de congregar a raça indígena na cooperação do progresso. dos centros da lavoura açucareira. ocupando o indígena o terceiro plano. se antes não é uma natural degeneração realizada in situ e motivada pela separação absoluta da antiga metrópole. 8 Hartt. mostraram-se saturados de palavras indígenas. onde em nome da lei.8 Isto é por demais descritivo para figurar em nosso estudo. do curupira. de quem procuravam distanciar-se: por isso que o espírito emancipador. para facilitar a catequese. vol 6º p. gerando-se assim no espírito do índio aversão e ódio ao português. No vale do rio cotinguiba. dos Mexicanos. 7 Arquivo do Museu Nacional. ―O Falo. encontramos duas inscrições gravadas nas faces lisas de duas pedra ferruginosas. da Oiara. levantada pelos jesuítas em favor do indígena. em seus instintos sanguinários. p. em sua poligamia. do Paitumaré.‖6 7 É por demais descritivo falarmos dos hábitos sociais do índio. muitos de origem portuguesa.

Ele foi o sustentáculo da aristocracia e da riqueza colonial. portugueses e africanos. o mestiço entre o branco e o africano. Além disto. de maior força transformadora. o mulato foi o mestiço de maior representação. que dificultava o cruzamento das raças. para a formação da riqueza. compreende-se que o africano aliou-se mais intimamente ao branco do que o índio. cabendo ao branco e ao seu mestiço com o negro. o cafuz ou caburé ou cabra (Sergipe). na luta colonial que durou séculos: chamado para suprir a insuficiência de barcos que foi o resultado da política. pois a lavoura açucareira e a do café. seu papel está em plano inferior ao do africano. donde podemos concluir que o índio entre nós pouco colaborou. ao passo que o branco e o africano tendiam sempre a crescer. as profissões fixas. relativamente aos outros produtos mestiços. entre índios. A causa do fato a que aludimos é cedo ter-se estancado o elemento indígena. aquele que procurou mais assimilar os caracteres da raça branca. A julgar pelo modo de pensar do Dr.centralizando-o em uma comunidade espiritual. tem contribuído para os progressos do país. que entre as raças mestiças que do cruzamento originaramse. vêm reunir-se ao cruzamento novos elementos étnicos. o africano preponderou consideravelmente por esse lado. figura como oferecendo maior contingente ao peso específico da população brasileira. forneceu pouco blastemas. debaixo da ação destruidora da colonização. mais do que qual quer outro gênero de trabalho. entre índio e negro. Seria de alto valor. Couto de Magalhães. Enquanto que na hegemonia como raça mãe. a sua expatriação. E tanto foi assim. Não sei até onde vai a verdade destas asseverações. que vê nos mestiços de tronco indígena uma tendência às profissões pastoris. a que vulgarmente se chama o mulato. como o mameluco. pela diversidade de caracteres físicos. do meado deste século em diante. teríamos que concluir em favor do mulato. em virtude de um fato de ação muito geral. resultado do cruzamento entre o branco e o índio. dando lugar a supor-se uma futura heterogeneidade étnica. O que podemos asseverar é que em Sergipe o mulato abunda mais do que o cabra. em favor da emancipação indígena: chamado para unir-se ao branco. o maior fato étnico que ativou os primitivos elementos. porque o que sucedeu à raça indígena sucedeu igualmente a africana. Chamado para ajudar o branco em defesa do liberalismo jesuítico. pois ia contra o caráter messiânico de uma direção puramente espiritual: por isso mesmo que todas as causas eram favoráveis ao afugentamento do indígena. 28 . escasseando-se assim um dos troncos progenitores do mameluco e do cabra. Queremos crer que. em que entra o tronco africano. todos da raça branca – a italiana a alemã. Nos caracteres físicos os dois tipos divergem consideravelmente. compreende-se facilmente que na transmissão hereditária dos caracteres físicos. que levassem em estado latente o cunho de sua individualização. O próprio mestiço. tende a diluir-se com o branco. Cujas diferenças são bem visíveis. se as pesquisas históricas fá fornecessem suficientes elementos para apreciar-se o grau de representação histórica dos produtos mestiços.

não obstante mesmo o africano tornar-se bilíngüe no Brasil. Tendo estancado a corrente tupi. das cozinhas e dos trabalhos agrícolas. em vez disso. assim como pertencem-lhe muitas lendas e fábulas. Réville. o africano trazido para o Brasil pertencia ao grupo bantú. o Antônio de Geraldo. Silvio que o Antônio Geraldo era um homem inculto. com a diferença do cabelo. estendendo-se em ângulo saliente. que é o herói desta rapsólia. pelo dado das composições anônimas. Congos. Da Literatura Brasieira. pelas tradições intelectuais. o cágado e a fonte. e não é tão negro e a coloração do pigmento que é avermelhado. observa o Dr. o Macaco e a cabaça e muitos outros. Tayeras e Congos. as órbitas e o molar salientes. a qual conserva a depressão da testa e a estrutura aproximando-se a do índio a vilosidade da fronte. o cágado e o jacaré. o cágado e o teiú. Couto de Magalhãe. cantados em Sergipe nas festas do Natal e de Reis: os Marujos e os Mouros. José do Vale. que é crespudo. 10 11 Dr. como diz o ilustrado filólogo sergipano João Ribeiro. nas fontes. Religião e raças selvagens. pela devastação e expatriação da raça. Esta canção é de formação bastante moderna. são de proveniência africana. adiante da palavra. dominou nos apelidos locais. e o elemento africano forneceu o vocabulário da vida doméstica. Se pelo lado econômico o africano venceu o índio e forneceu mesmo maior força no cruzamento. a Raposa e o Tucano. foram produzindo uma seleção na língua d raça colonizadora. na luta pela vida em que entraram com o elemento europeu. O mesmo autor nos Contos Populares do Brasil apresenta diversos Reinados e Cheganças. o cágado e a fruta. Cheganças.―os traços físicos característicos. são traços que ressaltam logo aos olhos do observador. a energia de musculação e a finura e delicadeza das extremidades. Op. com o auxilio da força transformista do mestiço. Religions dês peuples non civilises. e tendo se extinguido a imigração africana. 29 . morador de Estância. tayeras 13.14 Assim. Sobre esta penúltima canção popular. que ainda existem. Assim os Reinados. José-Jure. I p. motivadas pela colonização. Em grau de evolução mental muito inferior ao índio. que subsistem da raça indígena nestes dois mestiçamentos (mameluco e caburé) são : a cabeça. a largura das espáduas em contrate com o pouco desenvolvimento da bacia. como um produto étnico próprio.134 12 Réville. dos prefixos pronominais. o cabelo corrido e extremamente negro.‖10 Ali está escrito também o tipo do mulato. nos nomes de seres da natureza americana e de fatos desconhecidos dos europeus. o bumba – meu-boi. ele está em plano inferior. dix o Dr. 14 Em Sergipe Sylvio Romero colecionou muitas destas fábulas: o cágado e a festa no céu.cit 13 S Romero Hist. moradores no Lagarto. os elementos tupi e africano. Couto de Magalhães. com os vértices opostos. pois nela há referência a homens. p. todavia ele deixou ligeiros vestígios na poesia e nas lendas populares. Dessa seleção tendia a resultar uma dialetação da língua. 103. para a formação de uma geração mestiça. com quem os portugueses entraram em relações nos séculos XV e XVII11 cuja língua é caracterizada pela particularidade que as relações das palavras não são indicadas pela modificação das desinências ou terminações. vol.12 Não obstante essa incapacidade intelectual. pela aposição. a sólida e vasta estrutura do tronco. verdadeiro agente transformador – o mestiço. o diâmetro transverso dos ângulos posteriores do maxilar posterior quase igual ao diâmetro parietal do crânio. porém. porque permanecia nos primeiros momentos do fetichismo. a Amiga folhagem. ―No corpo. O elemento tupi. barba e vilosidade do rosto e pescoço extremamente raras. Vol I.

duas tendem a aniquilar-se. 3º curso. a quem acima nos referimos. o resultado desse futuro é brilhantemente descrito pelo eminente filólogo.compreende-se facilmente que o mestiço tende a fundir-se e cruzar-se mais diretamente com o tipo branco. que procura aproximar a linguagem das fontes vernáculas e clássicas. ―A mais fácil previsão autoriza crer que. onde já são familiares muitos vocábulos do italiano e do alemão. ―Das causas que favorecem a dealetação do português na América. que vão desaparecendo pela extinção da imigração negra e pelo caldeamento das raças. desde quando as correntes migratórias têm sido centralizadas em certas zonas do país. e que uma secular evolução histórica põe ao seu lado. dentro de um século. p. sendo mais rápida a evolução para ele galgar os caracteres da raça. porque o elemento étnico. que ainda não integrou-se no processo da seleção. pela intervenção de uma política mesquinha e antipatriótica. 310 30 . constituído em grande parte por uma população mestiçada. que já se vai notando desde agora. não poderá resistir a elementos estranhos tão fortes. Pelo lado lingüístico. tão aglomerados e muito avantajados na luta. sobretudo nas províncias do sul. pelos poderosos meios de cultura de que dispõe. se outras circunstâncias não se opuserem à evolução. que na percorreu o ciclo completo de uma evolução antropológica. Gramática Portuguesa.‖15 Previsão muito legítima. ―a estas tendências de dissolução se deve juntar a reação culta e literária. 15 João Ribeiro. o sul do Brasil destruirá a unidade étnica da pátria brasileira. que ainda não constituiu-se um povo autônomo e completo. ―em compensação a imigração de outros povos estrangeiros torna-se cada vez mais intensa. e são o elemento tupi e o africano.

Já dissemos que o movimento civilizador. Só depois dos trabalhos de Taine. pela ação poderosa que o habitat exerce sobre o homem. Gervinus. em obediência a um plano pré-estabelecido. ―O clima de uma região tão vasta. A MELHOR TEORIA HISTÓRICA Até aqui temos tratado dos elementos étnicos do brasileiro. As ciências naturais vieram abrir uma estrada nova. que formam a maior 31 . pois nenhum desenvolvimento histórico se poderia efetuar. Spencer e outros. como chama Spencer. o conjunto de leis desse evolucionismo. e para dar-lhe um cunho especial. a confeição da flora e da fauna. temos de apreciar a ação dos fatores internos e externos. de acordo com os tês elementos característicos. Podemos estabelecer. que até então. mas províncias do norte. como as diversas condições de uberdade. Vejamos a contribuição que o meio tem trazido à fisiologia do brasileiro. na realização de um plano. não pode ser por toda parte o mesmo: quente. aproxima-se . tão poderosa para retardar ou acelerar o movimento civilizador. diz Humboldt. como indiscutível. a configuração do solo e sua constituição química. E a história não será mais do que a síntese. Desprezando-se essas influências não se poderá nunca levantar o brilhante edifício da história. pois. todavia a grande extensão ocupada pelo país. Até ai temos somente um lado do problema resolvido. foi que a história foi buscar nas condições do meio a razão de ser de muitos fenômenos históricos. Pela classificação que os autores fazem dos climas. Buckle. a grande influência que têm sobre o homem a variabilidade de temperatura. Os fenômenos naturais em nada deviam influir sobre a marcha dos acontecimentos. sem o auxílio da ação do meio. procurando mostrar as contribuições com que os fatores internos. de apreciar a ação das condições do meio. Nessa marcha evolutiva em que um povo coloca-se para progredir e prosperar. conforme a natureza de suas condições. não passavam de fatos deque se ligavam a um poder superior. por isso que estende-se desde os trópicos aos grua 30 e 35 de latitude austral boreal. ao do pampas. entraram para especializar e individualizar a civilização brasileira. de uma interpretação supersticiosa. não passa de uma resultante destas duas forças. Rénan. estereotipando os fenômenos de ideação desse poder. Era a história então um jogo dos fenômenos.CAPÍTULO III FATORES EXTERNOS DA CIVILIZAÇÃO NO BRASIL. a marcha histórica de um povo. úmido e bastante semelhante ao das Guianas. e à marca da civilização do Brasil. dos climas e das condições higrométricas. dá lugar a contestar-se essa unidade mesológica. A história ia reproduzindo. pelo efeito de uma interpretação viciosa. Temos. O EVOLUCIONISMO. que confinam com a bacia do Amazonas : fresco e agradável nas montanhas do interior. em que a história se colocou.o do Brasil é um clima quente. Não obstante esta colocação astronômica. descendo para o sul.

rodeado de um ambiente quente. no sul formavam-se centros como Rio de Janeiro. onde é úmido e quente.350. representam pouca força no movimento histórico e são de formação tardia. que mede 8. Realmente. nos tempos coloniais. Enquanto no norte alcançaram somente um centro colonial de mais valor – Recife. p. situado a 5º de latitude boreal. de quase quatro séculos. Itanhaém e outros muitos. Estabelecia a centralização administrativa na Bahia. Sobre o litoral é caracterizado por m calor elevado. os jesuítas entraram como força poderosa da colonização. Rio Grande do Norte. 8º19‘ de longitude oriental e 30º58‘. 32º45‘ de latitude austral. Piratininga. onde é quente e seco. iniciando uma política protecionista ao 16 Rochard. que sobrepuja o pensamente e as faculdades analíticas do espírito. Tomo 8º. sente a vida mais fácil e. ligando mais importância à forma do que ao fundo.‖16 Existe. enquanto ele. Sergipe. pouco nutritivo. São Paulo. a organização da indústria. Em um país de uma enorme extensão como o Brasil. do que as científicas. compreende-se que esssa dualidade mesológica há de imprimir diferenças de caráter. o levantamento da descrença contra as classes dirigentes da política. concorre na luta pela vida com uma maior soma de esforços nutre-se de uma alimentação azotada para equilibrar a destruição dos tecidos. mais pesquisador e mais descrente das instituições do seu país. quanto as relações físicas não se mantêm idênticas. enquanto ele no meio de uma natureza luxuriante. Alagoas. habitando uma zona mais fértil.000 quilômetros. de ocidental. cujo resultado é afoguear-se a imaginação. de uma abundância de alimentos.. centralizando-se as forças colonizadoras na Bahia. Eis aí diferenças notáveis que separam no Brasil o habitante do norte do habitante do sul. ativando mais as faculdades estéticas. e que patenteiam-se claramente no nosso movimento histórico. torna-se mais investigador. vive mais do pensamento do que da imaginação. preferindo o fundo à forma. e o grau de saturação do ar pelo vapor d‘água varia do litoral.pois os outros. procura um alimento amiláceo. 167 32 . Sendo as mesmas as raças que se cruzaram. er Cirurg. com duas zonas climatéricas bem diversas. por conseguinte.parte dos estados do Prata. pela frieza de seu sistema nervoso. desdobrando uma pequena soma de esforços. o útil ao belo. se é levado a concluir que essa diversidade se ligará a uma ação estranha á força étnica. desde quando as modificações impressas pelo clima sobre o caráter divergem tanto mais. para entregar-se ao trabalho de análise e de pesquisa. onde o movimento colonial prosperava consideravelmente. que moderam entretanto as brisas do largo e por uma grande pureza do céu. entra na luta pela vida. torna-se mais indolente. sob a menor excitação. De Med. daí dirigiramse para o norte e sul. o habitante do sul. é um home mais pensador. como Maranhão. o que dificulta o espírito de iniciativa. mais industrioso. em que a temperatura oscila de 14º44‘ a 37º77‘. pelo sensualismo. em suma. para o ocidente. Enquanto o habitante do norte. uma dualidade mesológica no Brasil. Dict. São Vicente. não se deixa vencer pelas excitações. com a qual se tenta explicar a diversidade do caráter do brasileiro meridional e setentrional. deixando explodir o sistema nervoso em descargas elétricas. à síntese do que à análise. pela oxidação que neles opera-se a fim de estabelecer um equilíbrio de temperatura. com o sistema nervoso pouco excitável. pois.

Martins Francisco. por meio das missões. em começo. motivou felizmente muito cedo. Bitencourt e Sá. perpetuariam uma teocracia. contra a permanência de um regímen e governo centralizador. sem levar em conta os processos fisiológicos para tais modificações. nas regiões do sul. e o século atual o espírito da população dá as provas dessa tolerância. levantando-se os colonos contra os jesuítas que. e de onde vai irradiando-se para outros pontos do país. é estabelecer os elementos do 33 . Foi no sul finalmente onde gerou-se o movimento abolicionista do século atual. e ela é por conseguinte a que goza de um espírito mais inquiridor. foi que nas regiões do norte levantou-se do seio da população um idêntico protesto. Enquanto no norte a colonização era dificultada pelos prejuízos que partiam da classe clerical. querendo a população infiltrar as bases de uma política democrática. onde. Foi no sul onde primeiramente revelou-se a tendência de estudar-se a natureza. mais pesquisador e progressista. conta o regímen coercitivo e absoluto do governo colonial. José Bonifácio. finalmente foram rechaçados para as regiões do norte. no sul ela resistiu à invasão dos franceses e ingleses. tornaram-se mais poderosos. no século XVI. Veloso e Veloso de Miranda. no final do século XVIII e cujo resultado foi esse protesto da opinião popular. pelo iniciamento e progresso da igreja protestante. grande meio político pelo qual a força religiosa queria plantar no Brasil um regímen teocrático. tornando-se a região uma verdadeira feitoria da fidalguia portuguesa. enquanto do sul o jesuíta afugentava-se em vista do espírito rebelde dos paulistas. e onde gerou-se o espírito científico. Bahia. na Inconfidência de Minas. Foi no sul onde encontrou mais asilo o espírito de tolerância religiosa. Foi São Paulo – Piratininga – a primeira sede de um convento e onde procuraram centralizar suas forças. procuram espalhar por todo o território. que eles com todas as forças. Foi essa população que o ceticismo político primeiramente atacou. dirigiam-se para o norte. com a invasão holandesa.indígena. Foi no sul onde levantou-se o primeiro brado de revolta. Realmente. sendo incontestavelmente a zona meridional aquela em que . Rio de Janeiro. com grande desfalque do braço para sustentar a lavoura e ativar a formação da riqueza. levantaram suntuosos templos e multiplicaram as missões. e abrindo-se profundas linhas divisórias entre as classes. pela pousada que se facilitou ao teólogo João de Bolés. de que se tornou São Paulo o foco. onde infiltraram péssimos hábitos. conta a forma de governo. A que se deve ligar essas diferenças? Fazê-las dependentes da diversidade do meio. sem a interferência de causas que plantassem tão profundamente hábitos de subserviência. onde centralizavam as forças naturais. e suas missões. O monopólio do trabalho que partia dos jesuítas. no sul uma colonização livre se estabelecia. um solene protesto contra uma tal política. como São Vicente. Não só em Piratininga. se circunstâncias muito posteriores não entrassem em ação. Enquanto no note o espírito da população não pôde resistir à crise do século XVII. E foram os representantes desse movimento: José Vieira Couto. partindo de Pernambuco. Somente quase meio século depois da Inconfidência.

problema. por uma ação que pela psicologia é elevada à altura de uma lei. Uma interrogação se nos apresenta: por que a diversidade do meio produz grandes diferenças do caráter? Eis uma grande questão. na opinião do filósofo inglês. Encarada pelo lado da literatura. A biologia e a fisiologia não vêem na morfologia e no funcionamento orgânico senão a soma das duas forças. mais do que outra. Sylvio Romero o fator estável. estabelecer qual delas seja a mais poderosa.‖ Para o Dr. uma estática e outra dinâmica. nem tampouco salientar maior ação de uma sobe a outra. Quer nos parecer. Assim como todos os fatos biológicos são mais do que o resultado. o único que se consegue acompanhar. Spencer nela inspirou-se para fundar o seu evolucionismo. de indicar a causa da organização do tipo brasileiro. que tem por causa a instabilidade do homogêneo. aliás incontestável. em tudo só pode ser resolvida pela concentração das nossas vistas sobre o meio físico. cremos ser impossível pelos materiais que a ciência da história oferece ao historiador atualmente. que em um fato tão complexo como este. por isso mesmo que de seu funcionamento recíproco. os fatos históricos também devem ser presididos pelo mesmo princípio. para cuja resolução não nos achamos convenientemente preparados. do seu equilíbrio. sem a transformação do homogêneo em heterogêneo. Para o primeiro. Serão a expressão do equilíbrio entre o meio e as forças étnicas. o refluxo desse equilíbrio. sem solução de continuidade. Eis aí a larga divergência entre os dois ilustres literatos. não se pode ser exclusivista. porém. como uma determinada formação histórica. ela oferece larga divergência entre dois ilustrados espíritos deste país. princípio este que deve ser levado para história. a explicação dos fenômenos não deve inspirar-se em uma só das forças . da luta contínua entre a natureza e o homem. característico e individualizado. de estabelecer a casualidade mais poderosa das integrações e diferenciações de um povo. para a explicação dos fenômenos mentais e emocionais. é o elemento étnico. por uma idêntica orientação. Araripe Júnior e Sylvio Romero. a resultante. passando para o segundo plano nas civilizações históricas. não se deve ver na formação do caráter de 34 . sem todavia resolvê-lo. a causa eficiente e exclusiva desses diferenças é a ação do meio. É a física geográfica. assim um caráter nacional há de se delas o reflexo. assim também na história. através do tempo. lado muito mais restrito do que o histórico. hão de resultar os fenômenos históricos. em que se mantém a ação do meio e a das forças biológicas. aquele que mais poderosamente vai produzindo a integração e a diferenciação do tipo brasileiro. e é ele quem diz: ―A questão da história da literatura nacional. de que os climas foram agentes poderosos nas civilizações autóctones. e apela para o fato. Depois que os filósofos alemães estabeleceram a lei do desenvolvimento. dois infatigáveis trabalhadores da literatura nacional. Desde que hoje não se pode conceber progresso e desenvolvimento. A função e a forma são por elas regidas e individualizam-se segundo seu jogo mútuo. Neles não se deve ver senão o equilíbrio das duas potências. – Drs. Não obstante não se poder contestar as diferenças são o produto de duas forças. ―É o único fator estável de nossa história. pelo princípio da multiplicação dos efeitos. como um grupo sociológico.

um povo, em seu desenvolvimento civilizador, senão a soma das forças físicas e étnicas. Elas juntam-se, refletem-se, equilibram-se para dar em resultado o fenômeno da história. Eis sua lei mais geral e que domina todas as pesquisas. Qual delas, porém, é a mais poderosa? Nenhuma, pois os conhecimentos científicos atuais são insuficientes para uma tal averiguação. Assim como na nutrição intersticial não se sabe dizer qual o elemento mais poderoso, se as forças físico-químicas do oxigênio, ou se a força biológica dos tecidos; se na individualização de um organismo, pra a manutenção de uma morfologia e o desenvolvimento de sua função, não se sabe dizer qual a força mais poderosa das duas que se chocam, assim também para a individualização de um povo, para sua formação como um grupo histórico e o desenvolvimento de sua civilização, não se sabe dizer qual o fator de mais força , se o meio, se elemento étnico. Ambos são igualmente importantes, igualmente poderosos na fenomenação histórica, por isso que da reação que oferecem entre si, resultará o desenvolvimento. Qual deles, porém, entra em mais larga ação, para traçar esse desenvolvimento, é o que não se pode assegurar, pela insuficiência dos meios científicos atuais. Quando muito se pode traçar uma categorização de fenômenos, pertencentes a cada um dos fatores, e isto não deve levar ao espírito do historiador uma predominância de ação. A essa categorização pertencem, pelo lado do meio, os fenômenos de adaptação, de fisiologia de uma raça, em virtude dos quais tenderia a perder sua integração, sua unidade, se não entrasse em ação uma força antagônica: pelo outro lado tenderiam a perpetuar-se os caracteres étnicos,por meio da herança. O meio reage a diferenciação, pela adaptação; a força étnica reage a integração, pela herança. E como o caráter de um povo é a soma das duas forças. Devemos concluir que para a sua formação, para o desenvolvimento civilizador, ambas se equilibram. Estabelecemos, pois, o equilíbrio das forças mesológica e étnica como a lei geral que domina a história brasileira. Se uma prepondera sobre a outra, por exemplo, o meio sobre o elemento étnico, como o Dr Araripe Junior, as tendências divergentes serão poderosíssimas, pela pequena reação do elemento étnico, de sua ação antagônica e o resultado seria a falta de unidade do caráter brasileiro. Se há preponderância do elemento étnico como quer o Dr. Sylvio Romero, as tendências centralizadoras venceriam as tendências divergentes, pela ação da herança, e ficariam inexplicáveis as diferenças, ainda que não radicais, do brasileiro do norte para o brasileiro do sul. No primeiro caso o excesso de divergência levaria a um excesso de heterogeneidade de caráter, de relações mentais e emocionais, entre os habitantes da duas zonas, tão diferentes em suas condições físicas. Essas profundas diferenças não vemos na história das duas zonas, cujos habitantes se aproximam pela identidade dos elementos étnicos que se conservam, circunstancia bastante poderosa para opor-se à divergência da ação do habitat. Em ambas foram aplicados os mesmos processos de colonização, com igualdade de resultados; em ambas abriram-se linhas divisórias entre as classes

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populares de um lado e as do governo e clero, do outro; em ambas as relações subjetivas e psicológicas são idênticas; em ambas, finalmente, os períodos históricos são caracterizados por uma identidade de hábitos de reverência e superstição às classes dirigentes. Se diferenças se patenteiam, elas não são tão profundas a romper a unidade de caráter. E vemos mesmos que no norte o movimento histórico vai acentuando uma identidade ao que desdobra-se pelo sul. Nota-se o mesmo ceticismo contra a religião e o governo, com a diferença, porêm, de ser mais tardio. Os protestos que se levantaram contra essas duas forças foram idênticos em ambas as zonas. E isto nos leva a concluir que no sul o coeficiente de movimento é mais acelerado do que no norte, e que o estado de equilíbrio em que se mantêm as forças étnica e mesológicas é diverso. Em vez de dizer-se que há na civilização do Brasil predomínio da ação do meio, para se poder explicar as diferenças acidentais do caráter, acreditamos se mais acertado afirmar que a população das duas zonas acha-se em diferentes estados de equilíbrio. Na opinião do sábio filósofo inglês, o equilíbrio instável é o caráter da homogeneidade de um agregado, que seja um organismo, que uma sociedade. Tende a diferenciar-se a integrar-se pela instabilidade de equilíbrio em que permanece, pela persistência da força e pela impossibilidade de um agregado indefinido, a evoluir, pelo princípio da multiplicação dos efeitos, pois todo efeito é mais complexo do que a causa. Aplicando estes princípios ao desenvolvimento histórico no Brasil, vemos que a primeira população, formada pela geração de mestiços do século XVI, que é o elemento étnico nacional, representa um agregado em equilíbrio instável, pelas tendências a diferenciação e integração. ―Duas naturezas, diz Spencer, adaptadas a duas séries ligeiramente diferentes de condições sociais se unem; é de crer que sairá uma natureza m pouco mais plástica do que elas, mais fácil de receber as impressões de um meio que se renova pelos progressos da vida social, e por isso mais própria a criar idéias e a manifestar sentimentos de uma forma particular‖. Eis em síntese a função histórica do mestiço no Brasil. Por esta instabilidade de equilíbrio, a ação do meio produzirá uma multiplicidade de efeitos, e a geração mestiça tende a evoluir e a desenvolver a organização de um meio social, que, por sua vez, terá novas incidências de forças. E esse resultado é tanto maior, tanto mais largo, quanto a população vai alcançando feições adiantadas de heterogeneidade, o que vai se refletindo em seus produtos de cultura; ciência, literatura, arte, governo e religião. Assim, as sociedades, para a história, passam de um estado indefinido e incoerente, a um estado definido e coerente. Como, pois, se pode dizer que há preponderância da ação do meio sobre sua força antagônica, quando vemos que o desenvolvimento para percorrer todos os graus da evolução exige um completo equilíbrio? O ilustrado Dr. Araripe deixou-se inspirar pelas asseverações de Buckle, sobre as civilizações primitivas. Submetendo a história aos processos das ciências naturais, estabelecendo que as ações humanas são determinadas por seus antecedentes, o historiador

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inglês divide as civilizações em primitivas e históricas, tendo o meio sobre aqueles completa ação. As diferenças únicas que descobrimos são que, nesse caso, a ação do meio é direta, e nas civilizações históricas ela é indireta. Por isso mesmo que no primeiro caso, o desenvolvimento depende quase que exclusivamente da ação do habitat, de suas qualidades favoráveis ou desfavoráveis, a ação é imediata. No segundo caso ela é mediata, por isso mesmo que a humanidade já chegou a pontos adiantados de integração e diferenciação. Isto, porém, não faz desaparecer a ação do meio, que em ambas as civilizações, é contínua e interrompida. As diferenças estão, pois, no modo, no processo de ação. No mundo biológico o desenvolvimento orgânico depende da ação externa e da ação interna. As funções orgânicas, nos graus inferiores da escala animal, não estão localizadas, porque o agregado é homogêneo e indefinido: não está diferenciado. Elas são indefinidas e incoerentes. Neste caso, a sinergia funcional é mantida pela ação direta do meio. O órgão que se move é o que sente, o que respira,que digere, que absorve, que nutre e que excreta. Não há especialização de função, porque não há especialização de agregado, cujo total da força biológica apresenta-se aos olhos do observador como uma expressão da ação direta do meio. Nos graus superiores da escala as funções orgânicas acham-se especializadas, porque o agregado é mais diferenciado e heterogêneo. O órgão que respira não é o que digere, o que se move e que sente e excreta. Nestas condições, o total da força biológica é a soma destas funções, é o total da ação indireta do meio e da direta do agregado. É a expressão de um equilíbrio. Assim também na história. Nas civilizações primitivas, a ação do meio é direta, porque elas são mais o resultado de um bom solo, de um bom clima, do que dos esforços humanos. Nas civilizações históricas, em que a humanidade acha-se em pontos adiantados de integração, diferenciação e especialização, em vista da ação do meio e da reação étnica, a influência física torna-se mediata no desenvolvimento histórico, por meio do homem e dos seus órgãos sociais. As civilizações serão a expressão desse equilíbrio. Se prepondera a força étnica, como quer o Dr. Silvio, rompe-se esse equilíbrio que julgamos imprescindível para o desenvolvimento, para a normalidade dos fenômenos. Quer nos parecer legítimas e verdadeiras as seguintes conclusões: O elemento étnico e o meio são as duas forças que dirigem a civilização humana, obra em virtude da adaptação e da herança. Para vencer as tendências divergentes do segundo fator, opõe-se a força antagônica do primeiro, uma unidade no fundo do caráter; Em vista disto estabelece-se um equilíbrio entre as duas forças, do qual resulta o desenvolvimento histórico, que se tornará negativo, se uma dela preponderar sobre a outra;

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As diferenças entre as civilizações primitivas e históricas não consistem na preponderância de uma das forças sobre a outra, e sim nas diferenças do processo de ação. Da ação e reação é que resulta o equilíbrio das duas forças, não sendo nenhuma um fator preponderante, PIS desapareceria a normalidade da fenomenação, desapareceria o equilíbrio. A cada uma das integrações, pela ação reflexa entre as duas forças, corresponde uma feição especial de meio social, que por sua vez leva o seu contingente, na incidência sobre o elemento étnico; Sendo o mestiço o ponto intermédio entre o meio social e o meio físico, transforma aquele, pela sua cultura, à proporção que se integra pela ação deste. É ele o órgão da função histórica.

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CAPÍTULO IV GEOLOGIA DE SERGIPE FAUNA E FLORA. SUA PRODUÇÃO

Na descrição geológica de Sergipe, em que vamos entrar, utilizamo-nos dos trabalhos de Hartte Liasis, cujos estudos procuramos aqui resumir. Sergipe, sob o ponto de vista geográfico, pode ser dividido em duas zonas: A zona oriental, baixa, desigual, apresenta grandes extensões de areia, ao longo da costa, e algum terreno próprio para cultivar. Ela é conhecida pelo nome de matas, por causa de suas florestas. A linha da costa mede noventa milhas de extensão. A zona ocidental, chamada também de agreste, é estéril e seca, servindo somente para a pastagem. É montanhosa e mais alta do que a zona oriental, sendo a principal montanha a serra de Itabaiana. Na zona oriental está localizada principalmente a lavoura da cana, nas bacias dos rio Japaratuba, Sergipe, Cotinguiba, Vaza-Barris e Piauí. Na zona ocidental estão localizadas a criação do gado e a lavoura dos cereais, principalmente mandioca e a importante lavoura do algodão, nas matas de Itabaiana. Na formação geológica domina o sistema siluriano, composto por grés, xistos argilosos e calcários, não obstante encontrar-se o gneiss, formando largo terraço entre a costa e a base do grande planalto central do Brasil. A zona de gneiss, nas regiões do norte é mais seca do que a das regiões do sul. Sergipe apresenta três grandes massas de terras altas, separadas pelas bacias dos principais rios. A estas eminências daremos o nome de planaltos. De norte a sul colocam-se a primeira entre o rio S. Francisco e Sergipe e vem da Serra Negra; a segunda entre o rio Sergipe e Vaza-Barris; a terceira entre o Vaza –Barris e Piauí; a quarta entre Piauí e o Rio Real. Entre estas eminências correm os rios principais, em direção ao mar. Façamos a descrição do sistema hidrográfico e depois do orográfico. O rio Real forma a bacia, que limita a última eminência do sul, tem um curso talvez de 40 léguas. Em sua parte superior corre sobre terrenos secos e está arrodeado de fazendas de gado. Sua porção oriental é encachoeirada, ficando a última e mais importante cachoeira distante 9 léguas de sua barra. Aí forma um estuário, com os rios Piauí , Gurararema, o Jacaré o Pastorado, que passa junto à serra do Canini; pela margem direita o riacho Sena, que desemboca abaixo da vila de Campos e o Itapemerim, que banha o povoado Tabúa e a vila de campinhos. O Piauí nasce na serra dos palmares, tem um curso sinuoso. Em suas margens estão colocadas algumas propriedades. Forma o porto da cidade da Estância, que é edificada sobre a colina de rocha micácea, composta de pedra de ária de cor vermelha, completamente semelhantes, na opinião de Hartt, à formação geológica de New Jersey.

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Estas pedras são cobertas por um terreno argiloso e vermelho, árido e sem fertilidade, que as calcina, tornado-as ainda mas duras. Entretanto , para o interior os terrenos são férteis. Hartt não descobriu nenhum vestígio de fósseis nesta região. Ao norte da Estância o terreno apresenta-se em forma de colinas irregulares, e na opinião de Hartt são terrenos terciários. A vinte ou trinta milha da costa está a serra de Itabaiana, composta de gneiss e mica ardósia. O Vaza-Barris, que nasce na serra da Itiúba, banha os municípios de São Paulo, Itaporanga, e São Cristóvão e desemboca no Oceano. Encontra-se mármore em algumas porções de seu leito. Sua bacia é uma das mais importantes zonas agrícolas. Existem nela muitos engenhos, que fabricam importante açúcar. O Cotinguiba, que nasce nas matas do Engenho cafaz, banha o município de Laranjeiras e depois de desembocar no rio Sergipe, banha a capital. É navegável em alguma extensão. Suas margens são cobertas de mangues. Sua barra, como a do Vaza – Barris, é má, pelos bancos de areia que existem. Do lado oposto da barra, diz Hartt, estão extensas dunas de quatro ou cinco pés de altura, flanqueando um trato de areia recentemente elevado, estendendo-se na extensão de algumas milhas, coberto de coqueiros até a cidade de Aracaju, edificada sobre uma planície de terreno de aluvião. Esta área de terreno pouco elevado acima do mar, termina-se para o inteiro em um outeiro, onde esta edificado o povoado de Santo Antônio, de terreno terciário, cobrindo massas irregulares de pedras de areia de cor vermelha escura semelhantes às de Estância. Hartt não encontrou conchas nesta formação. Chamou sua atenção, na viagem que fez a Sergipe, a formação geológica de um lugar, colocado acima do Aracaju, na confluência dos rios Cotinguiba e Sergipe, chamado Sapucaí, o onde existe uma pedreira está situado em uma eminência composta de bancos e frouxas pedras de cal. Na superfície de alguns leitos desta formação calcária, o sábio geologista encontrou um grande número de válvulas de um lindo inoceramus, juntamente com um pequeno Ammonita e algumas escamas de teliostianos. Entre Maroim e Sapucaí o terreno é baixo e rico em calcário. Harrt, nas pedras que forma o calçamento de Maroim, encontrou lindo fósseis de grandes ammonitas e Ceralites e viu, em mãos de Mr. Nicolay, o desenho de uma Cidaris, trazida de Maroim. Na opinião de Harrt, são fósseis cretáceos que lembram as formas jurássicas, opinião confirmada pela do professor Alphens Heyatt, que considera a natica de Maroim idêntica à Natica proelonga de Seymeria, pertencendo à camada neocomiana inferior. Diz este ultimo autor: ―La présence d ‗espéces aussi bien caractériesées que la Natica proelonga, l‘Ammonites Peruvianus au Brésil er au Texas, et peut-être d‘autres espéces du coté oriental er occidental de la chaime des Andes et des montagnes Rocheuses, indique une connexion entre les deux versants, soit à travers l‘isthome er à l‘ouser du Bresil, quand um océan crétacé baignait encore tout la portion nord d l‘Amérique du sund. Ces faits, quand on les considére em connexion avec la decouvert d‘um fossile du genre Ananchytes sur l‘isthme, comme il été rappelé par M. Alexandre Agassiz, ont unid porteé directe au sujet d,une importante question.

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de maniére à faire dispareitre au sud sous la mer la formation d‘eau douce côtiére qui aurait pu s‘y former. du coté de l‘isthume répondant au Pacifique. et la grand terrasse centrale. le premier pas vers la solution de ce problème était de prouver l‘esistence d‘um canal ayant fourni.de – Janeiro. La ligne à partir de laquelle devait se faire cerre inclinaison du sud au nord devait être alors une ligne plus ou moins oblique. la formations secondaire marine semble elle-même manquer. laquelle domine aujourd‘hui la formation de gneiss que la borde. était alors beaucoup plus basse que cette derniére. comme le savet for bien aujourd‘hui tous les naturaliestes. est celle que M. Sergipe et Pernambuco. Ceci donne um grand intérêt aux faits tels que le précédent. c‘est-à-dire du littoral. A Pernambuco. les recherches de MM. Hartt et Alport ont établi l‘esistence de depôts d‘eau douce sur les couches marines. A propósito disto diz Liais: ―incontestabement. joignant le plateau de Barbacena au grand plateau Bolivien . je n‘ai pas remarqué de formation d‘eau pouce supérieure à la formacion marine et je n‘ai pas connaissance d‘indications de cette formation dans les provinces du nord. notée par moi em 1859 pour les depôts de Pernambuco. les formes alleées ou identiques sont les descendants des espéces du golfe. à quelque periode antérieure. Cette identité des directions semble en outre indiquer une dislocation vers la même époque er em vertu des mêmes phénomènes. 41 .‖Les expéditions du Coast Surrey. c‘est à-dire le N. le golfe du Mexique et l‘océan Pacifique auraient été réllement des mers continues ». dópôt dans lequel j‘ai trouvé des fossiles à Engenho. Alors s‘est elevée la question de savoir se. Pissias d donnée pous Bahia er M. Elle se serait plutôt abaissée au sud e velevée au nord depuis cerre époque. em comparant toutes les données rapportées précédemment. er ne laisser voir nulle part de formation marine. pendant la période cretacée. étaient plus ou moins representés par des espéces identiques ou alliéesl. d‘aprés laquelle. de l‘autre côté de la gande des gneiss. Alexandre Agassiz. non recouvert par la mer crétacée er formant encore aujourd‘hui a premiére terrasse du continent. mais l‘intérieu du continent était moins elevé qu‘aujourd‘hui. probablement marine. La grande arête de gneiss bourdant la côte nord du Brésil parâit donc avoir été inclinée du sund vers le nord plus foremente à cerre époque qu‘aujourd‘hui. oui ou non. A Bahia. dans les provinces. les formes alliées. Quelques indications que l‘on posséde sur Alagoas se trouvent en conformité pour ètablir la presque continité de cerre formation. laquelle devait étre hous des eaux aux époques jurassiques er crétacées qui se montre le dépôrt d‘eau douce également superieur à une puissante formations secondaire . Alors s‘est elevée la qustion de savoir se. et il a été biem demontré que les animax de la surface. et parait confirmer la conclusion de M. de Espirito-Santo et Rio. er c‘est à trés-peu reés sous le même paralléle . lesquelles auraient emigré à travers quelque anciem canal postérieurement fermé par le soulèvement par la bande de terre formant l‘isthme de Darien. Les couches de cette même formation se trouvent relevées souvent suivant la direction génerale de la côte. on ne peut douter de l‘identité de la formation marine secondaire à Bahia. comme si cet autre poit était alors le rivage opposé à celui de Bahia. um libre passage aux animaux marines. du coté de l‘isthme repondante ou pacifique. sans doute par suite de la formations de lacs d‘eau douce prés de la côté . oui ou non. Hartt pour Maroim.-E Cette direction. et les eaus de la mer la couvraiente presque entièrement. comme nous venons de le voir. onte établi le fait d‘une ramaquable similitude entre la foune presente des mers profondes et les espéces des genres crétacés .-N. au sud. car on ne l‘a encore signalée. D fait.

de sorte que suivant la très-judicieuse remarque de Darwin. par l‘union d‘espèces jurassiques et cretcès dans les divers dépôts du Brésil. et a peut être commencé dés l ‗époque jurassique. lesquelles. On conçoit ainsi parfaitement la difficulté er le doute des classements. composta de pedras de areia de cor vermelha. chamou a atenção de Hartt que encontrou formação estratificada. ce non convient à l‘ensemble du depôt em question. » É opinião de Hartt que a zona calcária de Maroim está evidentemente sobre cretáceos e ocupa um plano muito mais baixo na série do que a zona calcária de Sapucaí. principalmente a que chamam de Pedra Furada. Uma eminência penhascosa. évidemment. Nestas paragens. tout parait l‘indique d‘ailleursl. « probablement. sendo montanhosa a zona que circunvizinha a cidade. a margem do rio apresenta grandes massas de uma grande variedade de rochas. comme nous l‘vons vu. « Mais tour parait déjá indiquer l‘absence de différences trés tranchés entre les espèces contemporaines de divers points. muito fértil e a sede de uma das mais importantes lavouras açucareiras. Banhada pelo Cotinguiba e situada entre outeiros. et cette circonstance justifie pleinement le nom de formatios crétaceío oolitique donné par Darwin à ses vastes dépôts. er par là s‘explique comment les espéces du commencement de la periode ont pu continuer d‘exister et se mêles aux espèces posterieures. de Bahia à Pernambuco. confirmée. tandis que d‘autres espèces les differencieront plus ou moins completement. Em seu derredor existem algumas grutas calcárias. de mangues. Destas rochas chamou a atenção de Hartt uma argilosa e porosa. « Sans nul doute. ne peuvent être contemporaines. mais el ne doit pas être pris dans l‘acceptions restreinte d‘époque intermediaire aus dex autores. achando-se misturada com pedras cobertas de argila e óxido de 42 . les deux époques ne sont pas nettemente séparèes comme em Europe. a dú fe former pendant au moins une grande partie de l‘époque creatacée. on reconnaitra des différences entre les couches inférieures et superieures de la série. et la même espèce devra parfois se trouver souvent dans l‘ensemble de toutes les couches. e junto a Aracaré. Sua barra é arenosa e por conseguinte má. abaixo de Villa-nova. na Bahia Railroard. audessus du terrain secondaire. une puissante formation de grès contitue. em uma grande extensão. Peu de perturbations auront em lieu dans ces immenses regions peudant cette longue durée. dos quais o mais abundante é um pequeno bivalvo. Cerre circonstance achèce d‘établir l‘identité entre l‘âge des depôts de la côte et ceux de l‘interieur. de grande importância. dans ces regions. sur la partie nord de la côte orientale du Bresil. Ajoutons que. de cor amarela ou pardacenta. de nouvelles decouvertes paleíontologiques aurount fourni des bases plus sures. au moins dés la période colithique. quand. Do lado do norte não temos que falar. São de tamanho regular as estalactites e estalagmites existentes na gruta. O solo é rico e a cidade é um centro comercial de açúcar. O lado do sul do rio é pantanoso e coberto.«Ce puissant dépôt secondaire. de pedras micáceas.des couches horizontales creusèsses par la dénudation exactement comme sur le plateau central d l‘Empire. nas quais encontrou o sábio geologista um grande número de fósseis. cuja abóboda apresenta uma perfuração em forma de sino. A costa entre os rios Cotinguiba e São Francisco é de pouco interesse. Idêntica formação apresenta o local da Cidade de Laranjeiras. formação que se assemelha à da Pitanga.

. Na zona compreendida entre Vila-nova e Propriá vêem-se algumas colinas irregulares e isoladas...... na qual encontram-se quartzo....... seixos de ágata e fósseis de fragmentos de conchas...... 4. É uma formação terciária. nem produtivos...... 1858-59 25..... não obstante os meios rotineiros.. somente construiu-se um engenho central. de rochas semelhantes às de Vila-Nova.... o qual é atualmente o único no país que deixa lucro à empresa que o dirige.988. existem diversas espécies de cereus. Além da falta de espírito de iniciativa de seus habitantes. e a vegetação mais esparsas de pequenas plantas bromeliáceas. E no seguinte quadro o leitor verá a produção de açúcar... Além deste exclusivismo agrícola.. de leitos xistosos.158:147$741 1856-57 ...288.... Eis o resumo da geologia de Sergipe.696:629$026 1860-61 8... dominando a lavoura da cana –de – açúcar. já descritas.281:996$688 43 .. uma alta cifra.910 ... cristalino em alguns lugares.845 1.. Estes terrenos não são férteis.. Acima de Propriá estão situados outeiros de geneiss... o governo imperial nunca quis ativar a prosperidade da lavoura açucareira. Por meio de estabelecimento de engenhos centrais ou usinas. Nestas pedra Hartt encontrou ossos de teleosteanos e o desenho do dente de um notidamus. Sua indústria principal é a lavoura. Encontrou também fragmentos de uma rocha d estrutura oolítica..615 3.. A cima da serra da Tbanga os terrenos tornam-se cada vez mais estéreis e penhascosos.. que tem sido a origem da riqueza pública e particular. de que o mais importante é o xique-xique. junto à cidade de Riachuelo.. cura raiz serve para o alimento do gado.. conchas . Entre elas Hartt descreve o Morro do Chaves ou Morro do Euzébio.. cujas rochas compõese de uma série de pedra de cal.. Ai abunda principalmente a lavoura do algodão i dos cereais.. São as pedras que vulgarmente chamam pedra de fogo. sendo a camada profunda de pedras calcárias ... por meio dos quais é ele fabricado: EXERCÍCIOS QUILOGRAMAS VALOR OFICIAL 1855-56 . atingindo a produção de açúcar me Sergipe. De quase mil engenhos existentes no Estado. mais ou menos arenosas e que contêm grãos e seixos de uma rocha metamórfica.914.... 3..... nos vales dos rios principais.820. entre as quais citamos a macambira. Hartt acredita que as camadas de fósseis são camadas cretáceas e são o plano superior da formação geológica de Villa Nova e Penedo. Ela tem por sede os importantes terrenos de massapé.. e ocasiões de secas. apresentando-se como um calcário conglomerado. que levassem ao espírito dos agricultores a convicção de mudarem o processo do trabalho agrícola.612:935$065 1859-60 9.. a indústria sacarina obedece ainda aos princípios da antiga rotina..ferro.. O terreno sobre o qual está edificada a Cida de Propriá é de uma formação de gneiss e mica ardósia. Além das bromeliáceas.774:521$447 1857-58 19.... pouco mais de duzentos substituíram a força animal pela máquina... sem braços culturados para o trabalho livre e sem utilizarse dos aperfeiçoamentos modernos. pedra de areia.... E essa incúria revela-se perfeitamente no fato de que..985 1..

.538. A indústria de fiação é.....365.407:797$005 1871-72 5.016.021 2......562.... 3.789..970 1:315$350 1858-59 3.603 23.794.572 477:623$406 1865-66 ........413 2..805 17:682$320 1862-63 75.092:879$293 3....582 259:571$391 1864-65 374.760 23.653:254$587 3. De 1864 ativou-se a produção do algodão que constitui hoje o segundo produto da exportação....773:267$659 5..623.......... pois.....986..147:891$691 6.701 ...........848 20.033:719$067 1872-73 3.. É crescente a produção do açúcar.734 3..217:377$974 44 ....565 30...323.729 26...222...... 1866-67 3271.......100 11......265 26.263:263$824 2....128 29. Antes da guerra dos Estados Unidos.....318:034$438 2.... para a empresa que quiser explorá-la.... Eis o produto do algodão: EXERCÍCIOS QUILOGRAMAS VALOR OFICIAL 1855-56 66.532:100$800 3.068:186$118 1868-69 3...259:341$929 1870-71 5.017 15.943:201$826 3.....673:671$697 3. em vista de uma fábrica de fiação já existente..514:371$131 1867-68 5.. 1861-62 38.....677:775$667 3....221... 4...420 2...310....695. Seu consumo é muito maior.641:054$517 ..313:003$943 ..825 3.......175.365...792 .............166.598...865:771$347 4...... ..650:967$335 1869-70 2..730 26.087... A produção do algodão já reclama o estabelecimento de outras fábricas de tecido a fim de que o preço do algodão não seja monopolizado..365 71:698$899 1863-64 194...661:236$434 3.533 17..885 2.035..354 11.210 1:460$550 1859-60 120 54$600 1860-61 .1861-62 1862-63 1863-64 1864-65 1865-66 1866-67 1867-68 1868-69 1869-70 1870-71 1871-72 1872-73 1873-74 1874-75 1875-76 1876-77 1877-78 1878-79 1879-80 25.... pela falta de concorrência e pela impossibilidade do lavrador para exportá-lo..134:731$190 2.855 5:889$025 1857-58 2..430:644$312 2.. 39.700...325 39:178$054 1856-57 12....... Esta lavoura localizou-se principalmente nas matas de Itabaiana e hoje acha-se bastante desenvolvida.876.....224:512$682 2.....987 1.. .553 19. uma indústria de grandes lucros...175.380 18....964..041 23.. pode-se dizer que a lavoura de Sergipe restringia-se a açúcar de cana.

.943:910$000 9. e que deviam desenvolver-se com grandes vantagens para a riqueza pública e particular....... que consideramos uma lavoura de grande futuro. Hoje a produção está muito maior.... Estrangeira Cabotagem Importação . Pelo seguinte quadro o leitor convencer-se-á das lavouras e indústrias que podem ser exploradas com muita vantagem...323. PRODUTO QUANTIDADES VALOR Açúcar 29. Elas são: a do café.. 26:868$588 Couros salgados 6... 3:813$253 Milho 18.959 .274. É uma estatística de 1872-73... no litoral....... que se faz nas Matas de Simão Dias e que é igual ao café de São Paulo......217:377$974 Aguardente 854...763 unid...701 Kg 3.. nas várzeas do Japaratuba.111:800$000 3. 35:572$000 Peles curtidas 870 unid.. 417$000 Madeiras 1..916 L. 112:912$794 Sal 1........257 unid..1873-74 1874-75 1875-76 1876-77 1877-78 1878-79 ... no litoral..877 L 2:470$562 Baunilha 22 Kg 62$401 Lã de barriguda 44 Kg 18$000 Pedra de afiar 6... E não apresentamos a estatística.030 centos 824$000 Cocos 2.276 Kg 4:662$559 Solas 8......198 Kg 2:617$072 Fumo 665 Kg 275$464 Cestos de palha 69 unid..313:603$943 Algodão 3. do fumo.425 Kg 2:268$118 Ticum em rama 8.....987 Kg 2.744:549$186 201:896$512 Alem da lavoura da cana e do algodão..... 34:634$990 Couros secos 8....556 unid.292.520 ― 9:174$000 Mel 133 L 10$108 Caroços de algodão 369..547 L.365.. há outras que se acham em início.730:910$063 45 .. 34$500 Óleo de coco 10..799..do coco..212 Kg 2:988$673 Mamona 23.775 1.832:110$000 5.730:908$063 3.......051 507. de importante futuro e outras. do trigo e do arroz em São Francisco..... pela quase impossibilidade de obter os materiais..439 806.. que faz parte da pequena lavoura no interior: do cacau........131..268 Kg 14:476$062 Ticum em fio 1.. 3:385$000 Arroz em casca 792 L 355$382 Fumo em corda 414 Kg Total ........ do sal. 809:862$926 460:337$718 605:110$267 2...751 L.......705 1.. 2...

melhoramentos que já se acham em via de desenvolvimento. estabelecida pelo autor destas linhas. el ne peut que les céder à des maisons joissant. que devem desaparecer com a abertura da barra do Cotinguiba e da estrada de ferro de Aracaju a Simão Dias. Entretanto. não obstante suas forças produtivas. Representando elas a função de bancos. como sejam principalmente a falta de capitais e a falta de braços educados para o trabalho livre. Do ano passado para cá ele iniciou relações com a praça do Rio de Janeiro. Daí duplos proventos. estabelecidas no Estado. entrega o produto de seu trabalho. A importação faz-se pela navegação de cabotagem. suas excelentes condições naturais. por meio de uma navegação direta. a bem da prosperidade do Estado e do interesse daqueles que animarem essa exploração. sem comunicar-se diretamente com praças estrangeiras. soit à Bahia. Il n‘ya pas de Bourse de commerce . pode ver o movimento comercial do Estado: 46 . na posição passiva de devedor. por falta de viação férrea e de navegação fluvial. por falta de comunicações externas. pela falta de um comércio emancipado e que se comunique com grandes centros comerciais. Maceió e Pernambuco. Ao mesmo tempo que são eles os fornecedores do capital. têm sido uma das mais importantes causas da sua decadência agrícola. e não pela livre concorrência no mercado. diz ele. As mercadorias ficam sobrecarregadas de impostos e as que saem do Estado não deixam os lucros que deviam deixar. que para desenvolver a indústria agrícola neste estado. gràce à ces circonstances. soit à Maceió et Pernambuco. car il est soumis aux fluctuations des escales des grandes des grands paquebots. compreende-se que o preço é por eles determinado. não obstante suas condições hidrográficas. são os compradores das mercadorias. a única que existe. O leitor pelos seguintes quadros. Eis as condições do comércio de açúcar em Sergipe. outros males existem. que tanto têm contribuído para a decadência da lavoura açucareira. Impõem o preço e o lavrador. que é preciso corrigir. pois. Seu comércio é dependente do da Bahia. Sergipe permanece em atraso. Não há liberdade de comércio.Isto tudo demonstra a elasticidade de suas forças produtivas que devem ser exploradas. E aqui seja dito de passagem : as casas importadoras de açúcar. le cabotage lui même este forte lente. Suas comunicações internas estão em idênticas circunstâncias. basta desenvolver os meios de transporte. d‘une véritable monopole ». a instituição de estabelecimentos bancários e a imigração estrangeira são medidas inadiáveis. le producteur ne connait pas les oscillations du prix de ses denrés sur les marchés où ils sont exportés . ―Actuellemente. porque seus diretores emprestam o capital aos lavradores. pondo o comércio do Estado em relação com as praças da Bahia. pelo juro excessivo de 2% ao mês. A navegação de cabotagem é. Assim. Pensamos como Alfredo Mare. Isto demonstra que seu solo é admiravelmente fértil e cultivável. Além destas condições. que se ligam à falta de comunicação exteriores.

A mesma variedade e riqueza vemos na classe dos pássaros. Na classe dos mamíferos.886:005$000 EXERCÍCIO DE 1885-86 Importação Exportação 127:504$000 1. ainda que raras.490:808$000 4.119:240$000 13. baraúna. como os veados. da litoral e da do interior. Moreira. angico.355:700$000 1.571:700$000 7. vemos.882:400$000 12.254:618$000 Total 4. Das três zonas em que. apresentam-se membros da zona equatorial. sucupira (Bowdichia major). tamanduás. A fauna é tão rica e variada como a flora.060:505$000 5.858:973$000 3. dos desdentados. (acácia angico).281:443$000 6.Longo curso Cabotagem Totais EXERCÍCIO DE 1883-84 Importação Exportação 406:681$000 4. o mangle vermelho e outros. se divide a flora brasileira.260:267$000 8. dos insetos. vemos: cedro (cedrella brasiliensis). arari.370:012$000 Longo curso Cabotagem Totais Total 2. pau ferro (caesalpinea férrea).395:200$000 825:500$000 5.352:808$000 EXERCÍCIO DE 1886-87 Importação Exportação 354:438$000 1.889:700$000 862:000$000 5.017:204$000 2.714:984$000 EXERCÍCIO DE 1884-85 Importação Exportação 157:938$000 3.476:365$000 Longo curso Cabotagem Totais Total 3. 47 . dos peixes.593:955$000 7.563:138$000 3. dos répteis.762:301$000 5. cujas espécies não descrevemos para não alongar este capítulo. como as preguiças. De entre as madeiras que servem não só para construção civil e naval. cutias. sob o ponto de vista botânico-geográfico. como as pacas. a peroba (Aspidos perna peroba) a Arapiraca.994:351$000 7. aroeira.439:143$000 Longo curso Cabotagem Totais Total 1. potumuju.220:700$000 9. como para marcenaria. dos paquidermes. capivaras. pau d‘arco. dos ruminantes. (Shinus).618:312$000 5. como os caititus.384:789$000 11. que acredito ser a única espécie desta ordem existente em Sergipe.213:411$000 5.187:284$000 6. na ordem dos quadrúmanos: os guaribas. de diversas espécies: algumas espécies dos carniceiros. Parnaíba. jacarandá (jacarandá ovalifolia) e outras.527:700$000 6.468:029$000 A flora é riquíssima e variada. Para a tintura vemos o cauabo. algumas famílias dos roedores. massaranduba.

teve o governo às provas da improficuidade do processo colonial posto em pratica. do Brasil. Muito cedo. cuja rejeição por parte do soberano seria inevitável. Não soube compreender as diferenças étnicas e mesológicas entre as duas possessões. Portugal deixou-se preocupar em excesso pelo comércio das índias. cuja colonização 17 Dr. cujo foral foi passado a 26 de agosto do mesmo ano17. entretanto. para aplicar-lhes o mesmo processo de colonização. o absoluto poder dos donatários. do qual nunca se originaria uma civilização. não apressassem o trabalho colonial. como o melhor estimulo de trabalho e que.capitanias hereditárias. Realizaram-se os intentos de Cristóvão Jacques. representados nos condenados e exilados que Portugal enviava para Brasil. que se utilizavam de suas atribuições com arbítrio e excesso. para demover Portugal da inatividade em que se conservava ate então. Cron. pelo contato de elementos que deveriam ser eliminados na vida social. porém. doação que se estendia. relativamente ao Brasil. da barra do rio São Francisco a ponta da Bahia de Todos os Santos. cuja influencia no espírito de Gouvêa foi poderosa. foram não só as circunstâncias ocasionais do insucesso das capitanias. se tentativas por parte de outras nações européias para compartirem seus domínios na América. em favor dos donatários das capitanias. o insólito despotismo no cativeiro do indígena. I. que lhe patenteou os interesses ocultos de outras nações e então não teve mais tempo de pensar no processo colonial. sacra um regime de autoritarismo absoluto. p. deixando que se passassem trinta e tantos anos. a fim de sanar e salvaguardar interesses e direitos que outras potências lhe queriam roubar. para iniciar a colonização do Brasil. com ampla jurisdição no cível e no crime. que devia pôr em pratica. cedendo assim a coroa grande parte de suas prerrogativas. A degenerescência moral que começou a grassar nas capitanias. em distância de cinqüenta léguas . que além de tudo. É para estranhar-se que a colonização de um continente. 297 48 . Melo Moraes. O governo português cedeu à lógica de Diogo de Gouvêa. fosse tão tardia. cujo processo foi idêntico ao que já tinha adotado na Madeira e nos Açores. João III fez da capitania da Bahia a Francisco Pereira Coutinho.HISTÓRIA DE SERIGIPE LIVRO I ÉPOCA DE FORMAÇÃO (1575-1696) CAPÍTULO I DESCOBERTA E CONQUISTA DE SERGIPE O território de Sergipe era compreendido na doação que El-Rei D. de cujas riquezas tinha a nação portuguesa as provas mais reais e evidentes. foi a força produtora de muita atividade que se desdobrou neste país. a 5 de abril de 1534.

além de causas de ordem geral. Mermor Hist. 18 19 T. assim. como veremos adiante. com jurisdição sobre todas as capitanias do Brasil e cuja função em mais heterogênea. Tornou-se o ponto de pausada dos selvagens que fugiam da colonização. 297 Rocha Pitta. atemorizados dos brancos e de onde fizeram tantos males á Bahia. aliados com os franceses. Geral do Brasil. pela insuficiência de recursos. História da Capitania da Bahia. 2º. 20 Visconde de Porto Seguro. chama-se — Sergipe d‘El-Rei. ate que no começo de 1575 teve de atender ao pedido de paz dos íncolas do rio Real que viviam em lutas com os portugueses. p. cuja propagação se fez debaixo de luta tenaz e encarniçada. Bahia. pela qual criava a coroa um governo central na Bahia. a oposição franca do indígena ao domínio de um elemento estrangeiro. e por haver Sergipe do Conde. 2. figura a de Francisco Pereira Coutinho. 19 Talvez por isso e pelo fato de que a conquista de Sergipe fosse efetuada por ordem régia e á custa da coroa.Accioli de C. os dois pontos mais populosos do tempo.20 Como quase meio século de vida colonial achava-se o país. removeram a conquista e descoberta de Sergipe para períodos muito ulteriores ao estabelecimento do governo colonial na Bahia. 49 . da qual fazia parte o território de Sergipe. como a causa que convenceu a metrópoles do erro cometido. por isso que o grande princípio de divisão de trabalho foi mais observado do que no processo anterior. I. havia de facilitar as comunicações entre elas. promovido pelo conjunto das circunstâncias que impossibilitou a marcha da colonização. Entre as capitanias cujos donatários foram o objeto do insucesso. quando se efetuou a conquista da nova capitania. á posse da coroa. as cinqüenta léguas doadas. e Silva. Compreende-se perfeitamente que era de alto valor á prosperidade colonial da Bahia e Pernambuco. e Polv.não vingou. a antecipação da conquista e descoberta de Sergipe. Hist. A morte de Coutinho fez suceder no direito de posse da capitania seu filho Manuel Pereira Coutinho que. Permaneceu ele nesse descuido. As riquezas naturais que a colonização ia descobrindo e que tomavam fácil a vida. inspiradolhe a carta régia de 7 de janeiro de 1549. para desdobrarem-se com mais vigor as forças coloniais. Durante esse tempo faltou a continuidade territorial. teve de cedê-la ao governo por um contrato18 passando. desde quando as viagens marítimas entre Bahia e Pernambuco eram mais difíceis e perigosas do que entre aquela capitania e Portugal. Ponto intermédio entre as duas capitanias. não estimulando o espírito dos colonizadores a empreendimentos arriscados.

24 A notícia da chegada dos padres propala-se por entre as aldeias e Sergipe e a eles vêm os chefe de mais de trinta aldeias. Leal. Captiva a todos e os encurrala na igreja de S. junto ou talvez no lugar em que se acha edificada a Vila do Itaporanga. Ignácio fogem seus habitantes. alcançam os jesuítas acalmar os ânimos e desvanecer os receios dos indígenas e encetem seus trabalho de catequese em uma igreja de pindoba que edificam. como em um cárcere. P. Sergipe tornara-se um ponto de pausada dos piratas franceses22 que. A hábil administração de Mem de Sá ressente-se da falta de não ter levado a luta aos franceses até Sergipe.incumbindo o governador ao Padre Gaspar Lourenço que em companhia de João Salonio. á paz e não á guerra. a fim de estabelecerem povoação em lugar próprio. junto ao rio. Southey. A 5 de fevereiro de 1575 chegam ao rio e dirigem-se os padres para uma aldeia de mil almas. 441. Os 21 Dr. “Os soldados assolam tudo quanto encontram. e até do rio S. Francisco Rodrigues e Gaspar de Fontes. 23 Acredito que este lugar é onde está situada a Vila de Santa Luzia. I. p. o que se vê pela carta de sesmaria de Sebastião da Silva. 260 da obra de R. rechaçados de outros portos. chefe entre lês respeitado e célebre pelas muitas mortes feitas em portugueses. dado a está aldeia o nome de S. Veja o livro de Sesmarias. pedir paz. Saraby morre e os mais entrega-se. Ao Evangelho e não ás armas. 261. entregou-se á conquista da nova capitania. acompanhado por uma companhia de vinte soldados. II. veio realizar suas missões pela zona banhada por aquele rio de Sergipe. Sem essa medida tiveram os franceses tempo de sobra para melhor prepararem-se em Sergipe. Isto asseveramos pela carta da sesmaria de Gaspar de Almeida. O governador Luis de Brito veio com tropa para bater os índios de Aperipé e ao aproximar-se da aldeia de S. sob o comando de um capitão. Francisco Sacieta Jesu. H. Jesuítas no Brasil. a que Deus com a morte se sérvio libertar. onde celebram missa. Cit. ai se refugiavam. que distava seis léguas do lugar onde ficaram acompanhados os saldados. para mercadejar com as naturais riquezas com quinquilharias. Francisco. persegui-os. A. seu companheiro João Salonio e mais vinte neófitos da aldeia de S.21 Já por este tempo e talvez antes. V. p. Depois de alguns esforços. 24 Não sei positivamente localizar esta aldeia. livro de sesmarias. Op. 22 R. Destes extratos transcrevemos o seguinte: 1576 Arruinaram-se completamente os trabalhos do rio Real. Antônio. Tomé. Eles considera a fuga como quebra de paz. entretanto acredito que ela ficasse nas imediações do rio Real. Partem o Padre Gaspar Lourenço. Tomé. requerendo-lhe Surubi25. 25 A aldeia de Sarabi ficava nas margens do rio Vaza-Barris. p. IV. dentro do anno do captiveiro”..23 Uma tal vizinhança desperto no espírito do indígena sério receios e não viram na vinda dos padres senão um disfarce para cativá-los e entregá-los indefesos aos seus senhores. Liv. XVII n. pois antecipava um acontecimento de alto valor á colonização das duas capitanias do norte. História do Brasil. em direção do rio Real. à honra da edificação de uma igreja em sua aldeia. 50 . 150 do liv. e o governador arrebanha todos quantos achou e arrasta para a Bahia.

aguardou-se alguns mezes para ver se vinham bem movidos e constando claramente que Deus os trazia pareceu serviço de Deus aceitar esta empresa e assim no mês de fevereiro de 75 partiu o padre Gaspar Lourenço (que é grande língua entre eles muito afamado) com o irmão João Salonio. este processo de conquista ocasionaria benefícios resultados. se não fora execução de uma ordem régia para conquistar-se Sergipe. talvez não ficasse inutilizado o trabalho do jesuíta. sentindo muito apartar-se deles o padre. viriam desassombrados colaborar na grande obra da civilização. Viram do Rio Real. Devemo-la à bondade do ilustrado Dr. o que até aqui há succedido na missão de Gaspar Lourenço‖. quando ela moralmente já estava efetuada. Pelo caminho a ocupação dele padre foi ensinar a doutrina aos Índios e brancos que iam em sua companhia. Enviou também o governador Luiz de Brito um capitão. A devassidão da soldadesca levantou o tumulto nas aldeias que ficaram desertas. cinqüenta e sessentas léguas desta cidade. ordem ao governador Luis de Brito a conquista. a permanência dos soldados no litoral sempre foi um motivo de susto para os naturais. mas não foram mais de vinte. porque todos os desta aldeia se puzeram em um pranto. se despediu dela o padre. Cativou a simpatia dos índios e ter-se-ia antecipando a colonização de Sergipe. As mais esperançosas probabilidades estavam realizadas para uma conquista pacifica que traria para o seio da civilização os habitantes dessa circunscrição. roubando-lhe as amantes. se causas posteriores não vivessem anular seus esforços. ―Agora vou cantar a V. nem nos interesses que advinham à prosperidade colonial. quando. quase todos queriam ir com ele. com o auxílio do índio e dão-lhe o nome de aldeia de Santo Inácio. sem ter commercio com os brancos.padres fazem-na erigir. Além disto. Acredito ser a primeira publicação deste preciosismo documento. Capistrano de Abreu. com desejo de haver la alguma provocação. Entretanto. 26 26 Transcrevemos aqui a íntegra da carta do Padre Inácio de Toloza ao padre geral. aliando-se á raça conquistadora. muitos índios principais das aldeias comareans que estão naquelas partes: quarentena. porque tiraria da raça conquistada o temor e o receio que sempre nutria a respeito dos conquistadores. na parte relativa às missões do Padre Gaspar Lourenço em Sergipe. Deixo de contar o sentimento que houve em aldeia de S. como diziam. Nesta primeira missão que fez em Sergipe. Antonio. todos em grande desejo de levar padres que os ensinassem as cousas de sua salvação e como era gente que antes estava de guerra. a ensinar-lhes as cousas de sua salvação. o Padre Gaspar Lourenço percorreu uma grande extensão de seu território. outro célebre chefe das aldeias de Sergipe. 51 . que veio transtornar os planos pacíficos do padre. e grandes e pequenos subiram com eles boa parte do caminho e se não se puzera numero na gente que havia de levar. com alguns homens brancos. agora. fugindo os seus habitantes para a de um de seus chefes. Ficaram frustrados os esforços do jesuíta Gaspar Lourenço. quanto a missão de Gaspar Lourenço tinha demonstrado as tendências daquela tribo a cristianizar-se. que tiveram de fugir para a aldeia de Apéripé. em vista das agressões que lhe começaram a fazer. filhas e irmã. A coroa que nunca pensou nessa conquista. P. de suas almas.

que a cousa é muito longa de contar. Pesa-me do tempo passado. Um principal conta a ele uma historia que eles têm por certa para explicar sua origem. e que ficou toda a gente espantada com ver a veneração. os ensinaram à doutrina com grande consolo de todos. e cousas semelhantes. por que para eles principalmente era enviados. e deu com eles em terra e fez que se abrissem as fontes e se apagassem todos e que elle fez uma casa de folhas muito bem tapada ahi se defendeu da água. consolando-os com dizerlhes missa e confessando-os e um dia volvendo para esta aldeia de S. à tarde e a noite. dizendo: Bendito Sr. o apostolo. acrescentando que por isto estão desunidos e não tem nada porque tudo perdeu com a água. saiu e assim começaram as gerações. como farinha. com que a haviam levantado. que quase todo o dia gastava em trabalhos a consolá-los e assim o dia seguinte se acabou a Igreja. porque o havia morto em sua aldeia um filho foi logo ao padre. de sua vinda. acudia também com alguns brancos que estavam de ali a algumas seis léguas. com muitas caridades. mas era tanta a gente que vinha a visitar o padre. porque fez burla dele. Thomé. dizendo todos juntos as ladainhas. dizendo já meu filho é morto. batatas. saíram todos com grande alegria a recebê-los. ouviram grandes vozes diante da casa. dizendo que vinha manifestar-lhe a lei de Deus e ensinar-lhe o caminho de sua salvação e livrá-los da cegueira em que estavam e começou logo a fazer uma maneira de Igreja para dizer missa e ensinar-lhes a doutrina. e fizeram juntos dela casa em que morassem e pudessem ter concerto religioso e de ali a poucos dias levantaram uma cruz de alguns oitenta palmos. e depois de todos mortos e a água passada. onde moravam e era uma moça da escala de S. por ventura vai ao inferno? O padre respondeu que sim. porque estando em roda dela. até o Rio Real. Dizendo que em tempo passado. Folgaram todos muito ouvindo isto e deram desejos de aprender as coisas de Deus. passou a visitar uma aldeia de Índios. Sebastião que o padre havia deixado. com grandes choros. E como todo aquele caminho é despovoado. Outro dia pela manhã começou o padre a dar a razão aos principais da aldeia. ate chegar como Noé fez sua maldição à cham. onde se disse missa. muito formosa. Ouvindo o padre isto e entendendo que tinham alguma noticia do dilúvio. 52 . e depois muito anciado tomou um dardo. quando se viu sem Igreja levantou as mãos para o céu. faziam o mesmo. Um índio de nossas aldeias ia tangendo a campainha por toda a aldeia e assim acudiam muitos diante da casa. porque não era batizado a ele com grande tristeza disse chorando: pesome muito disto. Em meio do caminho pela nova a um principal. que ia com ele. que foram a principio cinqüenta e depois chegaram até cem e em breve tempo sabiam as orações e a um que principalmente residiu com os índios. recolhiam-se em algumas choças que os índios faziam. Sabendo os da aldeia que vinham. para que vigiasse pelas casas e que estava ensinando a doutrina aos meninos das aldeias e depois os fazia persignar e santificar por si a cada um. declarando lhe a historia do Gênesis. É sempre foram assim e muitas vezes descalços pelas águas que haviam de passar. Este principal pregava pela aldeia que havia sido causa que se perdesse a gente que em tempo passado fugiu das aldeias. conforme sua pobreza.Pela manhã. Chegaram todos com boa disposição ao Rio Real a 28 de fevereiro e deixando o padre o capitão aposentado em lugar apto. como todos os Índios que tinham em sua companhia. me baptize para ser filho de Deus e não ir ao inferno. pedindo a Deus que os desse prospera viagem. lhe explicou a verdade. trazendo cada um algum presente ao padre. repartindo-os por todas as casas. dizendo que eles descendiam desde cham e por isto andavam todos apartados de Deus. Deus que vejo já em inteira gloria isto é o que desejava. antes de começar a jornada. que foram nove dias. Já à noite no fim de sua jornada. O que isto disse. e foi hospedado de um principal. donde o padre os ensinava as causas de nossa santa fé e o irmão tomou cargo da escola dos moços. aconteceu que os seus por não quererem ser bons. assim daquela aldeia como das outras. e isto fez todo o tempo que esteve ausente. O principal daquela aldeia. que estava seis léguas d‘alli. mas todos foram com grande paz e alegria. onde com muita caridade repartiam com eles a pesca que tomavam e o padre provia também os necessitados. Logo começou o padre a ensinar-lhe a doutrina pela manhã. se levantou contra eles um principal e os fez guerra. e por isto fazia esta festa ao padre e o abraçando apenas o levou para sua casa. mas corrupta. assim ele. Thomé os consolou Deus Nosso. como costuma fazer. Chama-se a Igreja de S.

O terceiro foi de outra índia muito enferma e estando o padre falando nas coisas de sua salvação. foi logo o padre e batisou-a com a salvação a costumada.. Respondeu o índio. vendo já dar remédio a algumas almas que custaram sangue do filho de Deus. Despediu o padre a este índio dando-lhe esperança que o iria visitar. Outros também em sabendo que ia o padre. nem envias nada.Teve em estes dias muitas visitas dos principais do Rio de São Francisco e de outras partes. não a guardavam outra coisa senão a ida dos padres para ir a goar de um creador. agora será. se viveram a meter com os nossos. pois envia o irmão de tua companhia. logo o enviou a visitar por um irmão seu. dizendo que não queriam Igreja. baptizou-a o padre e d‘ hai há poucos dias se foi a gozar de seu criador. Alguns baptismos fizeram em pessoas. já que não vás. porque vinha para dar remédio a suas almas. O primeiro batismo foi de uma vida que estava já para expirar e vendo-a um índio Tapuia que ia a companhia do padre que apenas sabia falar a língua. pós lhe o nome de Maria. sim que ficou tão confundido com a pratica do padre e tão atado de pés e mão. 53 . se levantou da rede em que estava muito enferma. veio correndo pra onde estava o padre. sem o que haviam de mostrar aos padres e aos brancos e não só não recebiam os padres. Daqui tomaram ocasião à gente entre si que não havia entrado em a aldeia com boa intenção. e havia alguns que estavam esperando. Deu-lhe o padre razão que não se podia fazer. do qual todos se temiam. com tanta eloqüência e fervor que deitou o índio espantado a não saber que responder. que estavam em extrema necessidade (porque as demais deram ordem que não batizassem. este em sabendo que o padre havia chegado àquela aldeia. que a vida de fundo está para morrer. e que tornou todos os gentios atônitos. ate não trazer o padre com alguma gente de sua aldeia. Outro principal enviou em busca do padre um índio. dizendo-lhe: vem padre. mas as obras mostraram que não foi esta sua intenção. que toda vida havia andado entre brancos e nunca tinha sido baptizada. vendo aquilo. mas o Curubi não pode descansa. e dando conversa ao irmão para que o levasse em uma rede ao que ele não quis ir que não era bom estar com aquela ruim gente. foi de todos muito bem recebido e diante de todos deitou o padre uma pratica por grande espaço. porque onde estava nem conhecia quem era. E assim se despediu sem fazer mais palavras. porque em os tempos passados tinha morto alguns brancos e nunca havia podido aceitar sua amizade. dizendo que as Igrejas não eram para filho de príncipas. o padre respondeu que então não podia ir. isto dizia por que de mil almas que havia naquela aldeia de S. sim para apoucados e baixos e que não era outra coisa senão homem que o Padre era. que estão acolhidos. ate estar a terra pacifica e elas bem instruídas nas coisas de nossa santa fé) que ficaram disto tão consoladas que todo trabalho que levaram todo caminho lhes parecia nada. Deixando tudo que tinha entre as mãos. dizendo que haviam sido soltos. Este índio pelas aldeias por onde passava ia pregando que ia a busca do padre. Estas foram às premissas do Rio e estas me parecem não ser os patronos daquela cristandade. e de ali a pouco foi goza de seu criador. todos vinham pedir ao padre que os fosse visitar e fazer igrejas em aldeias e o principal de todos foi um índio chamado por estas partes Curubi. todavia alguns se separando do principal. sim com desejos de quebrar a cabeça do padre adiante de todos. que em tempos passados foram de seus senhores. olhando-o e dizia que não podia mais falar e assim se tornou para sua aldeia. Thomé as quinhentas eram escravas. que ele haverá sido causa de todo seu mal. nem sabiam estimar e que alguns tocavam Deus o coração para recebê-lo de boa vontade. e assim foi forçado o Padre dar-lhe carta para contentá-lo. que devem ser os que Deus escolheu para bem-aventurança. dá-me uma carta tua para que leve comigo. mas enviavam recados a outras aldeias que de nenhuma maneira os recebessem. O segundo batismo foi de uma velha. terror do homem. o marido tinha já preparado para o batismo e ela com grande desejo que tinha de batizar-se. desampararam suas aldeias e se foram a morar pela terra dentro e a uns o Padre enviou muitos recados dizendo-lhes que não temessem. varrendo a casa onde haviam de morar. visitando o padre a aldeia a achou já a cabo e depois de bem instruída nas cousas de sua salvação a baptisou com muito conselho e d‘ahí a poucos dias foi gozar de seu criador. agora será. mas com isto mais se endureciam.. pedindo-lhe com muita instancia que fosse a residir em sua aldeia. que parece.

chamou os principais e disse-lhes: esta fama ai. Uns diziam: vamos a sua busca. isto é o que desejamos. como para os brancos pelo medo que todos tinham da morte. para que se travasse guerra e desta maneira se impedisse a christandade. sem sua licença e alguns índios do Rio Real pouco afeiçoado a Igreja. mas eu quiz. mas o padre dissimulou o melhor que poude. e elles então descobriam a verdade: que aqueles escravos lhes haviam dado aquelas más novas. Deo logo conta disto ao padre a ao que os índios com as más novas estavam não com medo dos brancos. foram seis índios com suas mulheres da Aldeia de Santo Antonio adiante delle. vendo o demônio tão bom princípios na conversão daquelles gentios e que já começavam tirar-lhes as almas da boca. Mas aquela noite foi muito trabalhosa. foi-lhes dar as mesma novas. acrescentavam também que o padre tinha fugido. e alguns moços discutiram depois que tinham isto determinado entre si que se os brancos viessem sobre eles.com medo e foi dar rebate ao capitão que estava seis léguas dali dizendo que os indos estavam levantados e queriam matar os padres e como em estas novas comumente se acrescenta . seja esta noite. Antes que o padre partisse para o Rio Real. Os que não tinham culpa. O primeiro foi logo a principio. por estarem enfermos e temer que morressem sem baptismo. Outros diziam: durmamos junto dos padres. e o Curubi entra neste elleito. os índios estão em concerto de metal-os está noite. por um deles começou a pregar que os nossos tinham por costume ajuntar os índios. algumas gentes suas devotas ajuntaram-se muito sentidas a consultar o que havia. porque já somos filhos de Deus e temos igreja. e assim breve vereis como dão em nós e serão todos presos e captivos. porque diziam estar desapercebido . mas não era menor o medo que tinham os nossos especialmente de outros brancos. e o mandou que o ajudasse a atirar. Acrescentou-se a isto que uma índia. que nos quereis matar si isto é assim. dizendo que bem os haviam dito e que não se ficassem nos brancos e que havia já chegado um barco com artilharia para seu senhor. ouviu os dizer.mas em breve tempo se soube a. que se haviam de metter todos em a Igreja e dizer-lhes: não nos captiveis. dizendo que nem aquilo havia de ser bastante para deixa-os. Quando o branco fugiu. escusavam-se. mas que não tinham propósito de fazer mal a ninguém que bem sabiam que eram mentiras e com isto se despediam do padre. fazer-lhe alegria e depois os capitval-os e entregal-os aos brancos. antes da manhã. Também desta vez ficou o demônio burlado. Outro meio foi pelos próprios índios escravos daquela aldeia. e disse-lhe. que estavam na companhia do padre. Estavam alli alguns principais e disse o padre: enfim que mataste seus filhos e os comestes e sabendo que eu vinha ensinar-lhes cousas da nossa salvação. si alguns os vierem matar morremos também com eles.porque não sabemos o que há de acontecer. não o deixemos ir. um delles fugiu aquella noite . comeram e tomaram suas mulheres por mancebas. para isso viemos.Depois batizou o padre outros quatorze innocentes. nas quase tanto annos senhoreavam.logo nos vem recado desta cidade que os padres dão já em corda para come-los e toda cidade estava alvoroçada com isto . disse ele. Se os brancos não deram não derem guerras. mataram.verdade. O principal desta aldeia chamado pepita disse a sua mulher: si o padre fugiu tomemos nossas redes e vamos com elle. Isto urdia o demônio. assim para os índios. estando os índios bebendo. 54 . porque os índios ficaram mais confirmados na paz. quais todos promptos em armas. tomou as mulheres aos índios que os tinham e do cuidado dela a um índio de Santo Antonio e desta maneira ficou o demônio frustrado em que desejava. Outros vieram à noite ver si os padres estavam em as redes e quando os vieram muito alegres. Estando as cousas desta maneira. onde vendo as mulheres que pouco antes havia casado perguntou: que é de vossos maridos? Responderam chorando estas índias: mataram. Outro escravo que fugiu dos brancos. e entenderam que o que o Padre pregava era verdade e o que os escravos diziam era mentira. que é o tempo em que ella consultou suas guerras. usou de diversos meios. O Padre como viu os índios com aqueles medos e enganados com mentiras. começou a levantar as tempestades acostumadas para impedir está obra. mas o padre não supôz nada disto até estar no Rio Real. mataremos nós outros primeiros e fez-se a um indo principal que morava com o padre.

e os ajuntasse a todos que lhes desse razão de sua vinda. Ficaram contentes e todos a uma vez. como é tornar-lhes suas mulheres e filhas por mancebas. a comida não era mais que bananas e farinha molhada em água. e isto pretendem quando vem entre elles remediar sua pobresa ao em que perdem suas almas e como os padres. se não só seu companheiro. porque o Padre depois que foi visitar aquellas partes me escreveu estas palavras: todos certificam o contrario do que se escreveu do Padre Gaspar Lourenço e assim pela bondade de Nosso Senhor nada aproveitaram aos demônios as invenções que buscam para impedir a chistandade e em que nunca cessa de buscar ardis. Deo-se a isto tanto crédito que não faltou quem dissesse que enviasse loco a chamar o Padre Gaspar Lourenso. parece que aguardava que o padre começasse a prática. enramando a Igreja e as casas. E no tempo em que o Padre residio nesta aldeia.. que eu havia de enviar prestes o Padre Luiz da Grãa para ajudar aquella chistandade e assim me informaria da verdade e assim foi. mas o Padre confiando na graça de Deus começou seu caminho sem querer levar ninguém da aldeia. e não podiam andar calçados por haver muitas águas e atoleiros. isto diziam pelo temor tinham de Surubi. como aconteceo agora. e que ia pôr os Padres em perigo de vida. passou a visitar as aldeias comarcans onde há tanto tempo havia que o desejava. disseram que folgavam muito com sua vinda e que queriam igreja. a que fez o padre: depois. Eu entendo esta manha que o demônio não desejava outra cousa senão ver os padres fora. Foi uma partida muito contra a vontade dos Índios desta aldeia. E deram a entender que dariam guerra aquella terra.. em que mostrava sua simplicidade: outros índios estando na Igreja e vendo a imagem do crucifixo estiveram muito tempo de joelhos vendo-a e um índio desta aldeia os ensinava o que sabia e entendia. E até que depois mandou os dessem alguma cousa para comer e foram quatro espigas de milho. por mui ruim caminho: foram mui bem recebidos e apresentados em a casa de Surubi e os Padres estiveram um grande espaço em pé diante delle . confiança tínhamos que nos defendesse. e ascendeo-a e poz-se também junto da cruz. dizendo-me que os padres impediam as cousas do serviço de Deus. por bom espaço pela conservação dos gentios... dizendo que costumava sempre dar uma orelha aos padres. que os escravos não voltassem aos seus senhores e assim veio a camara com todos seus officiaes a dar-me quechas delles. enganando os índios. foi correndo a sua casa e achou uma candeia. pimenta. aos saltos que fazem . Passaram por algumas partes que as hervas os cortavam as pernas. accrescentava-se a isto a falta de mantimentos especialmente que a quaresma os obrigava a jejuara. e elles mesmos diziam : vóz outros sois causa. E assim logo ao outro dia começaram a cortar madeira para Ella. Dissimulei o melhor que pude. Mas com tudo isto como a obra é de Deus. que puzesse remédio a isto. mas os gentios ver os escravos que . porque nós outros somos pobres. porque havia cousas porcas que elle merecia ser cosido em uma caldeira. foi não menos efficaz que os passados. fazendo-os vender sés filhos e parentes e como também os estorvam os pecados que entre eles fazem. vendo um gentio que iam os círios diante da cruz. preparemo-nos para vingar a morte. todos a uma boca diziam e pregavam pela aldeia: vae o Padre morrer. que não cabiam nelles. Thomé e a gente pacifica.. por ser por montanhas em terras muito fragosas. se fizeram algumas procissões solenes. mas claramente mostrei-lhes que o haviam escripto era falso. Acontecia-lhes ir mais de meia légua PR um Arroyo que dava a água. e os mais honrados eram os primeiros 55 . onde quer que estejam sempre os vão . Thomé. e com grande sentimento. e algumas vezes tinham disciplina todos os cristãos.. e por fructa tinham alguns caranguejos que os índios trazia seis léguas d‘alli. esta foi a ocasião para dirigir e escrever ao Governador muitas cousas contra os padres. as vezes do joelho. que estava deitado em sua rede sem falar-lhes uma só palavra. passaram em estes caminhos grandes trabalhos. dizendo que os padres eram impedimento. Em uma procissão. fal-os resgates injustos.que escreveram os mesmos à camara desta cidade muitas cartas. começou pela manhã a pregar-lhes as cousas de sua salvação. Depois de haver o Padre convertido a aldeia de S. A primeira aldeia onde entrou foi a do Surubi que está a dez ou doze léguas de S. e como vinha a dar remédio as suas almas e acabou depois do meio dia. o que foi maior espanto. e nasceu dos próprios brancos que o Padre levou em a sua companhia e aqui já o tinha feito muito boas obras porque como estas commummente diziam.O posterior meio que tomou o demônio para impedir esta obra.

que não tinha que ver com os brancos. mas seguramente os passaram levrando-os Deus de todos os perigos e dando a volta para a aldeia de S. porque o principal estava determinado em quebar-lhe a cabeça. os índios não só o consentiriam. Pedro e S. e assim o fizeram com muita alegria dos índios e logo levantaram uma cruz e fizeram uma igreja da invocação de S. dizendo que de nenhuma maneira entrasse na aldeia. dizendo não temos arder como este fogo? Mas nem isto bastou! Assim morreram. assim os nossos. Foram todos mui contentes. Paulo. mas como era necessário acudir o Padre as outra aldeias. Então tomou o Padre um tição e o poz juncto do enfermo. que também elles tinham morto muitos brancos. que causou nelles não pouca tristeza. se fora cousa vinda do céu e quando sahiam de casa. e o padre ainda que quizesse com tudo isto passar. dizendo que procurava acudir a todas as partes e assim 56 . S. Uns se queixavam que os haviam tomados suas mulheres. mas o demônio o tinha já outra vez pervertido e estava com mais desejo de comer o padre. Depois de deixar o Padre quietos e animados os desta aldeia de S. Desejando o Padre ir visitar outra aldeia que é postera de todas. Thomé de que na minha.mas foi N. O primeiro que fazia em entrando em uma aldeia. vendo o conceito que tinham os christãos de nossas aldeias. Paulo. Tomé. que não haverá em minha aldeia quem se atreva a fazer-te mal e pois entrastes em minha casa. Tinha aquella aldeia mais de mil almas: enquanto não tinham a igreja. O Padre fallou com o senhor da aldeia e perguntou-lhe se estavam alli seguros. dizendo que os havia de quebrar a cabeça. com caridade e fizeram uma choça em que repouzaram esta noite e depois foram a sua aldeia onde foram recebidos de toda gente com tão grandes mostras de amor. e o dia disseram missa e ensinaram a doutrina e pregaram. porque há muito tempo te conheço por fama e que não dizias senão muito bem. Foi grande a alegria que tiveram em este encontro. Em uma aldeia um principal estrangeiro começou a falar contra os Padres. em que os brancos os tinham feito grandes damnos. mas o Padre consolou-os dizendo que também era necessário dar as voas novas do Evangelho as outras gentes. para ajuntal-os em uma igreja juncto do mar. como se fora muito tempo que os conversaram. todos como sahiam as casas para vel-os grandes e alguns pequenos perguntavam se os padres era gente com quem se podia converssar e habitar. e ahi esteve o Padre alguns dias ensinando-lhes as cousas de sua salvação. porque chegaram véspera de S. abrindo-lhes os caminhos por onde haviam de passar. que não temiam o fogo do inferno. Outro dia mandou Deus o coração ao outro principal e foi a visitar os padres e deu mostras que o presava do que tinha dito e pedio ao Padre que fosse também a sua aldeia. Dahi passou a outras aldeias. Ficaram os índios muito consolados e fazendo já as casas para sua habitação. foram bem recebidos e o governador os mandou dar de vestir e algumas ferramentas. respondeo-lhe: bem podeis dormir com o sono de pousado. folgo muito de ver-te. o Padre respondia que ao passado não sabiam dar remédio. em busca de um principal. em algumas foi mui bem recebido. Alguns índios que iam com os Padres estavam atemorizados. que os vinham esperar ao caminho. prepando-lhes o Padre a virtude do santo baptismo e as penas do inferno. do que se fazer christão. expurgando-os de seus feiticeiros. em outras não os faziam bom rosto. Ignácio trouxeram gente de duas ou três aldeias.a carregal-a a trazel-a às costas até o mesmo Surubi e assim em breve tempo a acabaram. Ignácio. temendo que os iam ajuntar para seu mal e assim diziam porque estavam muito escandalizados dos tempos passados. não queriam ser baptisados. servido de dar aviso ao Padre disto e foi desta maneira: um índio daquella aldeia enviou um filho seu ao padre mui depressa. outros seus filhos. Ao segundo dia da jornada encontraram com uns principaes. era visitar se havia alguns enfermos em extrema necessidade. que tinha prometido de vir a igreja de S. Já de noite. porque a cobertura era de palha que há muito por aquellas partes e é a da invocação do glorioso S. se os ensinavam a doutrina em a casa e acudiam a ela grandes e pequenos de muito grande vontade e como não tinham costume de ver brancos em suas aldeias estavam todos attonitos em vêl-os. que estão guardadas para os não baptisados. mas que si elles queriam ser chistãos e amigos dos brancos que tivessem por certo que não seriam aggravados. parece que já ao demônio estavam entregues aquellas almas. mas os índios os aconselharam que não se fiasse nelle. como os índios e logo repartiram com o Padre o que traziam. onde morreres tu eu morrerei com minha gente. estava pouco tempo com elles. mas o Padre ficou com muita dor de ver sua perdição. claramente respondiam. Para confirmar-se mais o Surubi nas pazes enviou um irmão seu com alguns índios a ver o governador e nossas Igrejas. porque todos estavam cerrados com as arvores. mas antes de algumas aldeias comarcans veriam alguns para defender o Padre e tudo foi necessário porque haviam já enviado índios a tormar-lhes os caminhos. mas o Padre consolou-os. e dque para isso tinha já se reunido com elle.

Mas outro dia visitando-a elle padre e dizendo-lhe que se não queria o inferno era necessário batisar-se. para conquistar e explorar tais regiões. 27 28 Itanhi era o nome indígena do rio Real. Sabendo que os índios da aldeia de S. op. Thomé baptisaram outra índia. que todos daquela comarca se resolvem a fazer igrejas . que infestavam a costa. Vendo como o nosso senhor punha os olhos na gente de Marial pareceu necessário prover de mais obreiros e pelo Padre Luiz de Gran que tinha muita experiência na conversão destes índios e ser de todos muito conhecido e amado . para que os que iam em sua companhia tinham a casa onde haviam de passar. estava três légua de S. que auferiria grandes vantagens da ocupação de seu resolve a visitar as outras igrejas. em contrabando. foram de todos recebidos com grande louvor e depois de haver o Padre fallado.P.Sendo informado D. Isto é o que aqui aconteceu no rio Real. estando já a morrer. a baptisou o Padre e assim dahi a três dias foi gosar de seu creador e enterraram-na na porta da igreja com a solenidade que se costuma em nestas aldeias e ficaram todos admirados de vel-o. Rocha Pitta. e assim que quando o Padre lhe fallava. Escusava. e como ser já o padre velho de mais de cinqüenta annos. língua. dizendo que só o Padre era seu irmão e o Padre perguntou-lhe que era sua determinação e elle respondeu-lhe que era cousa tão importante. em paz. responderam que faziam o que elle queizesse e que passariam a aldeias onde o senhor (?) mandasse e assim a passaram junto do mar para poder ser melhor visitada. Neste collegiado da Bahia. que ia o Padre visital-os sahiu muita gente ao caminho a recebel-o. porque viam já com seus olhos o que desejavam. Thomé. Não sofrer outra cousa e senão que um homem honrado que ia em sua companhia lhe offerecia sua cavalgadura de muita boa vontade nunca quis aceitar. a todos consolou o padre. com os tupinambás. Ignácio Toloza.P. veio tão manso como um cordeiro. Mas dava-lhe também esforço que no caminho passando pelos trabalhos. 3. Thomé. mostrava pouca vontade disto. expediu ordens ao governador da Bahia Luiz de Brito. Vieram também logo das outras aldeias comarcans a visitar o padre dizendo que se queriam ajuntar e ter igrejas. parecia um mancebo de vinte anos. op. vieram alguns índios de outras aldeias a falar com o Padre e a pedir-lhe para fazer-lhes igrejas em suas terras. pareceu-lhe que em baptisando-se logo havia de morrer. a qual aceitou com grande caridade e desejos de padecer muitos trabalhos por amor de Deus e assim foi este caminho obra de quarenta a cincoenta léguas. §61 57 .. 7 de setembro de 1575 Indigno filho de V. Em traram todos com o padre na igreja e animando-os a perserverar no bem no bem começado. levando algum refresco. sempre foi a pé e muitas vezes descalço pelo caminho. onde os franceses . Logo trouxeram alli todas suas.. especialmente um.28 A colonização de Sergipe pelos franceses prejudicaria mais tarde os intereses da capitania da Bahia..e a um que era cousa pouca. que fosse a sua aldeia que se lhe diria. 441. Dahi foi o padre onde estava o capitão a confessar alguns homens brancos onde também se fez muito serviço a Deus apartando-os de muitos pecados e fazendo-os pedir perdão do escândalo que o haviam dado. levando por companheiro o irmão Francisco Pinto. ella disse que o desejava muito. Deus por sua infinita bondade os dê perseverança no bem começado e mande para tanta messe.. tirando-lhe os produtos naturais que. porque como os padres agora não batisavam senão aos que estavam à morte. dizendo que ia em peregrinação a S. pareceu serviço de Deus pôr-lhe nas mãos esta empreza. e foi recebido de todos com grande caridade e alguns pediram o santo baptismo. eram conduzidos pelos mercenários. Ignácio. Cit. parecendo-lhe que só se batisasse logo havia de morrer que lhes ensinava o demônio. a caridade com que trazia era muito. Sebastião pelos habitantes da zona compreendida entre os rios Itapicuru e Real27 da utilidade de fundar-se um estabelecimento junto a este último rio. conforma sua pobreza. Na aldeia de S. It. e a alegra que o padre Gaspar Lourenço e seu companheiro foi mui grande. que antes havia ameaçado os padres. Southey. que o dia antes quando soltou algumas palavras foi porque não estava em seu entendimento e assim depois de bem instruída. Prometteu-lhe o Padre de ir a Ella e assim o fez dahi a poucos dias . que não era bom determinar-lhe de baixo de casa alheia.I. exploravam a região. enramada e com alguns arcos. dando-lhes esperança que os iria visitar prestes e assim me escreveu.

Vicente do Salvador. não ficava sujeita à nova capitania. 34 Dr. podendo alcançar a conquista. Hist. 58 . Op. 32 V. H. Cit. 153. op. Cit. Trava-se a luta com os indígenas. pelo que Brito deu uma feição hostil à sua exploração. de Porto Seguro. eles fogem e essa fuga indica o rompimento de paz entre os dominados e os dominadores. com os quais vai efetuar a exploração do rio Real. confiando o do Sul ao Dr. uma povoação 30 que por distanciarse do litoral e dos lugares ricos de pau-brasil. Da parte do governador devera haver mais tino. na distancia de 50 léguas. Luiz de Brito. Tratado descritivo do Brasil em 1587. a que D. É desta opinião Sacchino. Os índios. incendeiam as aldeias e volta Brito para a Bahia.34 Os soldados devastam as habitações indígenas. Fr. com a permanência dos soldados ao litoral e a aproximação de um corpo militar. não pôde obter vitória na luta com os naturais. 14. do Brasil. Provavelmente foi neste lugar onde ficaram acampados os soldados que acompanharam Gaspar Lourenço. cuja sede era a cidade de São Sebastião. entregando a Garcia d‘Avila29 rico fazendeiro do recôncavo da Bahia. onde todos morrem. de Porto Seguro. uma de água salgada. Surubi.p. Brito obtém vitória na luta. a outra adjacente a esta. que 29 Gabriel Soares de Souza. Cit. Livro 3º Cap. o qual funda. para não consentir na precipitação de uma tentativa que levada a jeito. Sobre a Cap. em que morre Surubi32. Vicente de Salvador. Ao aproximar-se ele da aldeia de Santo Inácio. rompendo a luta. foi abandonada por Brito e os seus depois que veio ao teatro da exploração de Ávila que por insuficiência de recursos. a três léguas da barra do rio Real. que foi o primeiro governador das capitanias do Norte. Um tal insucesso convence Brito da necessidade de rodear-se de fortes elementos. publicado na revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil Tom. de 50 braças de largura. Tomé e depois conduzidos para a Bahia. porque suas lagoas não são de água salgada. 3030 Guiado pela autoridade do Porto Seguro suponho ter sido esta povoação edificada no mesmo lugar em que está hoje a vila de Santa Luzia. em vez daquelas manifestações amistosas com que receberam o Padre Gaspar Lourenço. Gaspar de Madre Deus.território. I pg 274. Villa Real de Piagui. a exploração. de pimenta e outros produtos. o Segundo diz ter o governador o acompanhado na fuga. ao tributo da redízima feita aos donatários. Salema. A. depois que a coroa dividiu o Brasil em dois estados. Provavelmente estas lagoas não ficam em território de Sergipe. O primeiro afirma ter sido o índio Aperipé preso por Luiz de Brito. que media 500 léguas de comprimento e 100 de largura. sem as cenas de carnificina que selaram esse feito de Luiz de Brito. sendo presos Serigi e Aperipé 33 e mais de mil e duzentos índios enclausurados na igerja de S. resolveu-se a cumprir as ordens régias. 3131 V.II. encontrando duas célebres lagoas. Ao indígena tomou então caráter de verdade a suspeita da traição que lhe quiseram fazer os jesuítas. não teria inutilizado o trabalho de pacificação já tão bem encetado pelos religiosos. 19. porque como parte dos domínios da coroa. como Pernambuco. De Sergipe) dá o nome de Santa Luzia do Piagui e Fr. que foi um dos primeiros feitos do seu governo. E não obstante o grande reforço que lhes vinha dos franceses e que já lhes tinham ensinado o manejo da arma de fogo. sem deixar seguras as bases de uma colonização. e Apéripé31 recebem o governador com hostilidades. 33 Saliento aqui a divergência entre Porto Seguro e Fr. Marco de Souza (Mem. Leal. dirigidos pelos morubixabas Serigi. Op.

por uma traição. chegando ao Rio de Janeiro em 1567. feita ao governador da Bahia. Manoel Teles Barreto. pelo padre José de Anchieta. passando-se assim alguns anos. É esta a segunda missão feita em Sergipe. Os indígenas de Sergipe por emissários seus. O procedimento altamente traiçoeiro do indígena exacerba o bom humor de Barreto nascer o desejo de vingar semelhante ousadia. a uberdade do seu solo. em vista das reclamações dos interessados. Os franceses voltaram. O governo não se preocupou mais com a sua sorte. Agora estudemos os acontecimentos que inspiraram a viagem de Cristóvão de Barros. O representante do governo da capitania da Bahia vira as riquezas naturais da região. Do Brasil. em 159035. Sucedeu no governo do Rio de Janeiro a Salvador Correia de Sá. Se a exploração de Luiz de Brito não deu lugar à organização política de uma nova capitania. mandaram pedir ao governador geral da Bahia. porém. que fora provedor da Fazenda. de novos encontros de armas. realizando-se. cujo resultado foi a conquista de Sergipe e sua colonização. Barreto reúne um conselho de cinco membros em que toma parte Cristovão de Barros. como a prosperidade da colônia. Barreto envia então cento e cinqüenta soldados acompanhando os jesuítas. já tinham rechaçado os Tapuias. que por sua vez . Manuel Teles Barreto. no tempo de Tomé de Souza. Procuramos esboçar as causas da exploração de Luiz de Brito. assim . até que as armas de Cristóvão de Barros vieram destroçá-los e expeli-los. reataram as relações com os naturais. em convivência com as tribos de Sergipe e delas recebendo em aparência as mais sinceras provas de amizade e confiança. durante os quis o governo esqueceu os interesses da colônia. as suspeitas de Cristóvão de Barros. são mortos. em geral. depois que dali expeliram os Tupinais. co quem continuaram a promover os males àqueles que tinham requerido a conquista. a ele ligada a causa determinante de novo assalto. quando as forças contrárias já tinham lucrado tempo suficiente para reconstituir-se. 59 . (inform. ordenando aos capitães35 Cristóvão de Barros era filho natural de Antônio Cardoso de Barros. muito posterior àquele acontecimento. foi o motivo dos índios de Sergipe pedirem ao governador que garantissem sua passagem. os quais. Veio para o Brasil fazendo parte da armada que el-rei mandou a Mem de Sá. Não obstante este voto divergente. onde queriam receber a moral do evangelho. 1585). não seria por certo a traição dos indígenas de Sergipe. os laços de simpatia que ligavam seus habitantes aos franceses. que vota contra a aquiescência do pedido. soldados que os acompanhassem até lá. pois. A discórdia que se plantou nos Tupinambás que habitavam entre os rios de São Francisco e Real e os da Bahia. por entre aldeias inimigas.confiou a Garcia D‘Ávila a quem não foi dado corresponder aos intuitos do governador. nele não vê senão uma alta traição. cuja vontade dominavam e de cuja força física se serviam para a realização de seus intentos. ficando de todo esquecidas não só a ordem régia. o pedido é satisfeito.

que se preparassem para conquistar os domínios de tais indígenas. 17 60 . Surubi. até que nela visse o governo da Bahia. quando não em estímulo de maior expansão. quanto difícil. Felipe de Moura e Pedro Lopes Lobo. Sebastião. são circunstancias por demais importantes para inquinar de inverídicas as asseverações que passamos a expor. nos campos de Alcácer-quebir. para devidamente estabelecermos sua causa determinante. fato este que motivou a entrega de seu trono a um monarca de outra nação. e seus assaltos. e cedo esse sentimento manifestou-se. sentia grande insuficiência de auxílios vindos da metrópole. Em geral se diz que a conquista de Sergipe foi motivada por uma ordem de Felipe I de Portugal. memórias. aqui o ruminar de uma vingança dos aliados e parente de Serigi. pela intervenção das armas do duque d‘Alba. Este fato era bastante para promover a conquista . manuscritos. como a que se preparou em 1589 em Sergipe contra ele. a escassez de documentos sobre que possamos externar uma afirmação uma afirmação positiva. não obstante termos empregados todos os meios na obtenção de crônicas. Entretanto. pelo menos uma garantia de segurança. Vicente do Salvador. Explica os fatos obscuros da história geral. livro 5º cap. Eis a razão mais provável do adiamento da conquista de Sergipe. etc.ao trono de Portugal. se a marca da colonização fosse próspera. A grande seção de tempo que nos separa de tal acontecimento. pelo pouco ou nada que se tem escrito a esse respeito. Se o bem 36 Fr. Ainda que o Brasil fosse indiferente à questão dinástica. e Aperipé podia ser comprometedora à capitania da Bahia. porque não só os cargos da colônia continuaram a ser providos pelos seus filhos. Traçar as causas de sua conquista é um empenho tão importante. Cit . que se enlutava pela perda da sua nobreza e de seu cavalheiroso rei D. contra invasões altamente prejudiciais.vencedor da batalha de Alcântara. seu movimento civilizador encontrava tropeços em fatos de outra ordem. pela parcialidade e antipatriótico julgamento de cinco juízes e mais do que isto. sua história é cheia de ensinamentos. Uma contra –ordem do governador suspende os preparativos bélicos dos dois capitães. francamente autorizava que fossem expelidos e se promovesse a colonização da terra. como conserva ela o monopólio do seu comércio. todavia ele a converteu em novo alvo para os tiros das potências marítimas. ordenando-lhes que socorressem a Paraíba. Se lá o valente Pirajiba era um perigo iminente à marcha da colonização de Pernambuco. que a requerimento dos habitantes da zona entre os rios Real e Itapicuru. que então levantaram-se a disputar a supremacia do oceano à vencedora de Lepanto ―depois do desastre de sua gloriosa armada em 1588‖ Além desta circunstância acidental que ecoou no Brasil. Alvo do comércio dos franceses e índios. A capitania da Bahia para satisfazer a necessidade da expansão colonial.36 Preferiu-se a conquista da Paraíba à de Sergipe.que veio demonstrar os direitos do rei de Catella.Felipe II.mores de Pernambuco e Itamaracá D. Op.

os seus delegados não procederam com o cumprimento restrito e absoluto de seus desejos. para quem era indiferente a condição precária desses indivíduos. dominarem a vontade e aguçarem o apetite de sangue e da presa. não seria por certo as determinações de um rei intruso. e disto já tinham dado provas dede Luiz de Brito. Os sucessos de Villegaignon não lhes eram talvez desconhecidos. Catarina. Sem contestarmos a veracidade histórica da ordem régia. que assumira as rédeas do governo da Bahia. cuja ascensão ao trono fora resolvida por uma junta de juízes. Sesmaria do Braz de Abreu.eliminar a concorrência dos franceses com os naturais do Rio Real. Perigo era iminente e convinha 3737 V. Conspiraram. porém. transpirou. o valor de causa determinante da viagem de Cristóvão de Barros. A asseveração baseia-se em documento irrefragável. para dirigirem o pensamento. 61 . ou foi traído. Não é uma mera hipótese que aventamos. aproveitou as garantias do cargo que então ocupava e que lhe assegurava probabilidades de bom sucesso. cláusula indispensável para a realização das guerras. para punir e vingar a morte de seu pai Antonio Cardoso de Barros. e quando elas já se tinham reconstituído para apagar todo o vestígio da vitória.público repercutiu no coração do rei a inspirar-lhe uma deliberação altamente útil a esses infelizes habitantes. antes que o plano tivesse começo de execução. a amizade com complacência. que já assustava a sede do governo colonial. por morte de seu governador Manuel Teles Barreto (1587). que só quis fazer uma carnificina sobre os infelizes indígenas e o exército uma pesquisa de escravos. Sebastião. a ela reuniu-se uma causa de maior valor. junto ao rio São Francisco. Era uma animação.37 A época era de tentativas aventurosas. porque a notícia chegou à Bahia. bastante parciais para esquecer o direito de herança de D. Julgando-se fortes pelo concurso da raça indígena. Fazendo ele parte de uma interinidade coletiva. Se esta circunstância muito influiu para ser Cristovão quem se pusesse a frente da expedição. a hospitalidade com atenções. depois do esforço de Luiz de Brito para desbaratar as forças inimigas. nas arriscadas empresas em que atiravam-se com a raça indígena. o mesmo não sucedia com os membros do governo colonial. tiramos-lhe. Se a vontade e ordem de um soberano legítimo. O segredo. Por certo Cristovão de Barros. Livro de Sesmarias. a causa rela de uma conquista cheia de perigos e incômodos. por isso que se preparavam para assaltar a Bahia. indo eles pelo mar e o gentio por terra. todavia. segundo a lei corrente. como sucedeu entre Luis de Brito e D. pelos Caetés. Foi uma verdadeira bandeira. cujas riquezas compravam com quinquilharias. não iria abrir a luta se razões mais poderosas não falassem a seu espírito. com profundo descontentamento da nação portuguesa. os franceses conceberam o projeto de atacar a cidade de São Salvador. ao simples aceno de suas veleidades.

pelos seus efeitos no Rio de Janeiro e em Cabo Frio. para o futuro. em vista da lei de agosto de 1587. nos fins de 1589. onde refrescassem os navios que navegavam entre Pernambuco e Bahia. Afonso Pereira. os companheiros de Cristovão de Barros: Calisto da Costa. Então foi resolvida a expedição por terra. iam devastando as aldeias inimiga. composta de seis peças de bronze. que em caminho encontravam e que engrossavam seu exercito. 333 39 Foram estes além de alguns citados no texto. Cristovão Dias. O governo colonial submete então o projeto à corte. Estevão Gomes de Aguiar. Francisco Fernandes. 38 39 Dr. Pero da Lomba. o qual volta com três espias do inimigo. Francisco da Silveira. de onde avista um fumo. Melchior Dias Moreya. nem tampouco fundar estabelecimentos. Man. alem dos tapuias. onde se temia maior dano. nos quartéis de organização ou em marcha para seu destino. como em 1575. Isto transmitem a Cristovão que apressa-se em defendê-los. Os dois irmãos intentam atacá-los. De 5 fls. em fuga foram centralizando-se em um ponto. Apegoada a guerra e empregando o governo os esforços possíveis para seu feliz êxito. Braz de Abreu. Sebastião Dias Fragoso. Qualquer demora era de alta inconveniência.até quase três mil frecheiros. porém. Alcançou reunir. Gaspar de Abreu Ferraz (morreu na luta). Gaspar de Menezes. que nos campos de combate já tinha firmado ma respeitável competência. A escravidão a que se submeteriam os naturais que resistissem. à frente do qual seguiu ao longo do mar. onde alcançaram colocarse em posição altamente defensiva. 62 . um considerável exército. Tomé. em vista do numero superior de índios e da posição que ocupavam.39 para a passagem de sua artilharia. Estácio Gonçalves de S. foi o poderoso incentivo para a esta expedição concorrem muitos habitantes de Pernambuco e Bahia. Antônio Gonçalves de Sant'Ana. como pelos maiores interesses do erário. Damião da Mota. como concorreram. a qual considera a guerra de Sergipe justa. depois que chega a um alto. não só porque a colonização estendia-se a paragens mais longínquas. entre franceses e mamelucos. atravessa caudalosos rios. concorrem muitos habitantes de Pernambuco e Bahia. de livrar os colonos do rio Real e Itapicuru das hostilidades praticadas pelos índios. Jorge Coelho. Tratava-se de salvar a Bahia de uma invasão de bárbaros. sobre os quais suspende pontes. cláusula indispensável para a realização da conquista. João Martins. Armando de Aguiar reconhecer o sítio do cerco. Manoel da Fonseca. entrega a direção dela a Cristovão de Barros.dois galpões de dado e uma peça de colher e abre caminho por entre florestas virgens. ávidos pelo aumento de sua riqueza.esmagar a revolta.aterra grandes brejos.para a passagem d sua infantaria. Antônio Vaz Jaboatão.38 Não se tratava.cujos moradores. e confiando a vanguarda a Antônio Fernandes e a retaguarda a Sebastião de Faria. Incumbe o assalto pelo sertão aos irmãos Álvaro Rodrigues e Rodrigo Martins. Conquista de Sergipe. e pô-la a abrigo de iguais tentativas para o futuro. Carta de sesmaria de Damião da Mota pg. ficam Álvaro e Rodrio em apertado cerco. João Dias. Mnaoel J.que com mil índios e cento e cinqüenta homens. de Oliveira. que lhes servem de guia. Manda.

Isto deu-se a 23 de dezembro. cujos habitantes levantam o cerco e fogem.Então. cit.41 Curados os feridos e destruídos os elementos que pudessem ser adversos ao povoamento do território conquistado. com a nova perda. onde penetram os soldados.. resolve-se a abrir aminho a ferro e fogo. com a perda de um. em uma escaramuça que de parte a parte custou mortos e feridos. Cristovão levanta um forte sobre o istmo que forma a barra do ro Poxim. o exercito dos conquistadores bate as cercas inimigas. 40Depois de ser-lhes interceptado o caminho das fontes. 2.matando mil e seiscentos e cativando quatro mil índios.a 9 de abril de 1590. citando o man. passando eles através dos arraiais inimigos. morubixaba principal das tribos. Dali o exército dirige-se para a aldeia de Mbapeva ou Baepeba. Sendo dadas tais ordens no dia 1º de janeiro de 1590. já falto de água. em número de vinte mil frecheiros. 42 Hoje não existe mais este istmo. grandes espanto aos sitiantes. A este seguiu-se o abalroamento da segunda cerca. onde fortificaram-se em três cercas ou tranqueiras. com a perda de trezentos mortos para os naturais. 63 . comandados pelo próprio Cristovão de Barros. cap. resolveu um combate decisivo de todas três cercas e deu suas ordens a três índios para transmiti-las aos das outras duas. situada na várzea da cidade e S. saindo das duas cercas todos os frecheiros. Compreendendo Baepeba as desvantagens do cerco em que ia se colocando. o território compreendido entre os rios Cotinguiba e São Francisco.de um curioso e a qual dá o nome de Mahapena. como já recuavam. quando Cristovão. Vicente Salvador. 40 Provavelmente é esta a aldeia de que fala Jaboatão. e a brados e com o couto da lança. Cristovão.atravessa-se na rente dos índios. animado os seus. que tinha emigrado para o Norte. a qual os índios alcançaram reconstruir. e junto a ele funda um arraial. 41 Fr. do lado em que estava Sebastião de Faria. 42Fez doação de diversas terras aos que ajudaram a conquistar e deu de sesmaria ao seu filho Antônio Cardoso de Barros. a que se deu nome de cidade de São Cristovão. op. Depois disto entrega o governo da nova capitania a Tomé da Rocha e incumbe a Rodrigo Martins perseguir o gentio. em honra do Santo de seu nome. hoje Cotinguiba. que não consentiu segui-los a infantaria. junto à foz do rio Sergipe. porque pelas costas podia sofrer um assalto dos da cerca de Baepeba. causando os índios. fora logo executadas. que prestaram mútuo auxilio. Este. na várzea do Vaza-Barris. a cujo encontro vieram sessenta soldados de cavalaria. o que na noite deste mesmo dia. fá-los retroceder e voltar para a cerca. abalroaram a primeira cerca. que soltavam nuvens de flechadas. junto ao litoral. sofrendo a perda de seiscentos mortos e os portugueses de seis. que não só deram-lhes caminho franco. privando-lhes a água.

X.Capitulo II COLONIZAÇÃO DE SERGIPE SUCESSORES DE SÃO CRISTÓVÃO DE BARROS ATÉ 1637. que. cit 44 64 . ficando o forte na margem direita do Cotinguiba.45 que durou oito meses de grandes lutas. já o dissemos. loc. 191. que e muito claro na localização da primeira povoação de Sergipe. ocupadas por índios bravios: e o que mais é. com a condição de estabelecer aí colônias. e temer os inconvenientes de sua ausência nos conselhos de um governo interino. donde o erário tinha muitos proventos que tirar para o futuro. t. com sua aposentadoria. encarregado da administração do país 47. com a colonização estendeu-se a novas paragens.. as honras e imunidades da governação do Estado.dando um belo exemplo da mais completa abnegação no momento preciso. Barloeus diverge deste modo de pensar. a que deu o nome de cidade de São Cristóvão. segundo ele. Em recompensa aos seus serviços. continuar a gozar. Joaquim José de Oliveira. Pelo seu mapa geográfico está situada na costa oriental da ilha dos Coqueiros. junto à foz do rio Sergipe. pelos quais não só a capitania da Bahia ficou isenta de uma invasão. p. 330. 47 Dr. p. formada pelo oceano e os rios Pomonga e Cotinguiba. para a qual se pôs a caminho. carta de sesmaria de Tomé Fernandes. o rei das Espanhas fez doação a Cristóvão de Barros do território que acabava de conquistar. 43 Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. correndo os riscos e incômodos de uma viagem rápida. É opinião de quase todos os historiadores. As condições gerais do Brasil não eram favoráveis à prosperidade da colonização de Sergipe.46 Assim ilustrou Cristóvão o governo da interinidade coletiva que dirigia a capitania da Bahia. sem censura legitima. p. principalmente Varnhagen. dentro do tempo prefixado pelo rei. p. Rev. em que podia. 328. É esta também a opinião do autor da Razão de Estado.19. e. por entre florestas virgens. 45 V. ela foi edificada à margem esquerda do Cotinguiba e do Apicu Pomonga. Efetuada a conquista. auxiliar-lhe e acabar a obra da conquista. com a realização de uma conquista. deixando o governo entregue a Tomé da Rocha. onde perto do mar faz barra o rio Poxim no Cotinguiba e junto ficava edificado o forte. depois da saída de Cristóvão. na guerra de Sergipe. 46 V. XL. junto aos apicus que este último rio forma. carta de sesmaria de Gaspar Gomes. tomou parte importante. do Inst.43 Preferimos estas fontes em semelhante minudência.44 E depois de assistir a administração publica e estabelecer as bases da organização de uma capitania. com a ordem de vender estas terras ou reparti-las entre os colonos que quisesse e fosse de sua vontade. t. vindo da Bahia. que ela foi situada sobre um istmo. recolhe-se à Bahia. Cristóvão de Barros funda um arraial. Hist. hoje Cotinguiba.

um Conselho.Em vista da declaração de guerra entre a Espanha e a França (1595). vindos da África. nos negócios públicos de Sergipe. por iniciativa de Relegh. Historia da América Portuguesa. se a atenção dos aventureiros não se prende ao El-Dorado. escrivães. um comandado por Pires de Mil. O capitão-mor era o delegado do governador da Bahia. C.50 Ao ouvidor e provedor-mor competia zelar pelos interesses da justiça e da fazenda. mão poderia vencer os embaraços. para explorarem as riquezas do país.48 Da Rochella parte uma armada. que penetram suas barras. 65 . De três navios. inicia-se em Sergipe a colonização sob um conjunto de circunstância bem desfavorável. dirigia-a para zelar e defender sua integridade territorial. Destroçados seus navios por uma tempestade que os dispersa. e como colônias nascente. promovidas pelo sentimento de riqueza. naufraga nas costas de Sergipe. As condições de prosperidade pioravam tanto mais. provedor-mor da fazenda. os armadores franceses aproveitaram-se dessa circunstância para a execução de suas piratarias. almoxarifes. 1835. ouvidor. onde a oposição ainda que forte em começo. como para saquear a cidade da Bahia. a realização de excursões pela América. e quem abdicava grande parte de suas atribuições. Por aí pode-se apreciar a grande interferência que representava a Bahia. Assim. I. a fim de serem castigados. Com idênticas atribuições aos capitães-mores dos lugares da áfrica. 391 Rocha Pita. que era o órgão do município e um presídio. onde ficam prisioneiros cento e dezesseis homens. 95. quanto o Brasil tinha de recorrer aos seus recursos. Cavendisch e Lancaster. que haviam de sobrevir. o Brasil tornava-se o teatro de explorações inglesas. não só para piratear nas costas do Brasil. os do Brasil tinham alcançados no cível e no crime. Pereira e Souza. Withrington. se a conquista de Sergipe não antecede a esse conjunto de circunstância tão desfavoráveis. em vista da semelhança do elemento étnico e a política administrativa que Portugal tinha instituído. 135. Em direção ao Brasil cortam os mares diversas flotilhas francesas. 48 49 Porto Seguro. 50 Joaquim J. A administração compunha-se de um capitão-mor. que desperta nos espíritos de Feuton. não fornece auxílios para destruir elementos contrários. sendo os ofícios de justiça e os empregos de fazenda por ele proposto.49 Com que dificuldade não lutaria a colonização da Bahia. Jurid. em substituição de enfeudação e sob a qual ia submeter-se a marcha dos acontecimentos. A feição social em Sergipe não poderia fazer exceção da que se revela em todos os centros populosos da colônia. para vencer os obstáculos que nasciam de invasões estrangeiras e do levantamento dos naturais. por onde se possa avaliar de suas respectivas prerrogativas. que tendiam a fortificar-se? Além das explorações francesas. acoçada a tripulação pelas doenças. I. onde são presos os náufragos e enviados por terra para a Bahia. desde então. p. Em vez de o governo colonial dirigir a atenção para as colônias nascente. alguns naufragaram em Sergipe. Historia Geral. Nenhuma carta de nomeação ou regimento encontramos do funcionalismo de Sergipe. nesta pequena circunstância do país. Dic.

ancorando junto a enseada de vaza-barris51. em uma jangada. ver. 66 . segundo as cartas de sesmarias de Manoel da Fonseca. resultando afogarem-se alguns passageiros e salvar-se a carga em uma cetea. á falta de iniciativa. partiu de Lisboa. como ele na Europa achava-se ao lado do barão feudal. Seu nome indígena era Potigipeba. na qual parte dela foi enviada para a Bahia. p. p. de nome Grifo Dourado. Aceitamos a denominação de Barloeus. Eis ai as bases de osso desenvolvimento histórico. que procuraremos descrever na presente obra. denomina-o Cotegipe (ver. na pessoa do rei. pela crença exclusiva em um só credo religioso. Exprimia-se pela superstição. em abril de 1591 e chegou a Sergipe a 13 de junho do mesmo ano. 51 Este rio vem em todos os mapas geográficos. Foi Tomé da Racha o primeiro sucessor de Cristóvão de Barros e achava-se na administração em 1591. Do Inst. em sua excursão ao rio de São Francisco. 455. havia três anos. e não pelo desejo de fundarem uma colônia e ativarem sua propriedade. pois nestas paragens pirateavam de longas eras. caracterizados por um clima quente e úmido. cujos roteiros possuía. pela reverencia ao clero. Era o temperamento da época. capitão de Sergipe. que predominava sobre tudo o que já assumia na colônia um grande poder. 52 Porto Seguro. reuniu novos elementos para uma luta. Do inst. menos o de Barloeus. gera-lhe uma simpatia tanto maior quanto a deslocação dos hábitos é nula. um solo ubérrimo e rico. que de terra tinha ido com dois índios. por isso que os franceses guiados pelas idéias de riqueza. que mandou Tomé Rocha. por seu irmão João Coelho de Souza. se idéias de um plano político guiassem os franceses nas excursões de Sergipe. não lhe querem impor um novo estado social. A mesma semelhança vemos nos antecedentes físicos. sem corrigir suas faltas. xxi. 33). Seu habitante tenderia á indolência. uma nova vida. para ensinar-lhe a entrada. pela abundancia de alimento que cercava-o e pela impossibilidade de manter fixação e regularidade no trabalho. Querendo penetrar na barra em uma arca flamenga. de cujas riquezas tiravam tantos proventos. Na classe dos antecedentes que falamos estava a identidade de sentimento religioso. em cujas cabeceiras supunham existirem minas. p. esperando tudo da natureza. 364. Descansados da primeira perda. Seriam eles seus encarniçados inimigos. e destroçado as forças não tinham perdido a esperança de reaver o território. Tendo este rico fazendeiro da Bahia alcançando das cortes os despachos para explorar este rio. e então tempo de sobra tiveram eles para fortalecer-se de elementos que se opusessem à vitória das armas portuguesas. que lhes vem prestar auxílios. por isso que uma tentativa já tinha sido feita. Uma tal convivência que não requer do natural o menor esforço. em virtude dos fortes ventos e correntes de água. Hist.52 Não obstante as armas portuguesas terem conquistado as terras de Sergipe. com o nome de Ipiranga. por conselhos de um francês Honorato.Ao lado do capitão-mor estava o governador. No do historiador holandês ele traz o nome de Potiipeba. Hist. que naufragou em Sergipe. para cuja adaptação sente o selvagem natural indisposição. seus defeitos. em seu roteiro. bateu nos bancos e sossobrou a embarcação. tentativa bastante simpática à raça indígena. Gabriel Soares de Souza. Xiv. quando teve ocasião de prestar importantes serviços a Gabriel Soares de Souza.

quatro anos depois da conquista.62 Foi resolvido pois pelos poderes competentes e de acordo com a opinião do povo. P. 330 58 V. a uma invasão inimiga. Nov. carta de sesmaria de Manoel André. pela segunda vez administra Sergipe. elevando-se o número de currais a quarenta e sete. op. em vista da posição insular. ainda assinado por Tomé da Rocha. p. para reaver sua antiga posse. 1594 e 1595 deixou o governo da capitania de Sergipe Tomé da Rocha. e a modesta cidadinha já contava cem fogos. O novo capitão teve de dirigir sua atenção para os franceses que.353 59 V.56 Diogo de Qoadros dirigiu a administração pública de 1595 a 1600.54e depois de julho de 1594.53 Tendo-se oposto. Carta de sesmaria de Domingos Lourenço.61ficando ainda a barra do rio Real fora da observação e por onde podiam ainda penetrar. em 1595 ou 1596. o conselho da capitania pede uma doação de terra ao capitão-mor Tomé da Rocha. nas águas do rio Real. para sede da nova São Cristóvão. todavia asseveramos que ela se deu antes de dezembro de 1595. sendo batidos por Tomé da Rocha em 1593 e por Diego de Qoadros . donde se pudesse presenciar qualquer movimento marítimo. no tempo a cima indicado. 53 54 V. para realizar suas empresas. em quatro pequenos engenhos de açúcar. p. sendo substituído por Diogo de Qoadros. Ainda que não nos seja possível determinar a data da substituição. carta de sesmaria de Martins de Souza. carta de sesmaria de Gaspar Gomes. Cit. por escassez de documentos.55 Assim entre. Durante seus quatro anos de administração e os primeiros da capitania. o movimento colonial foi mais ou menos próspero. que.534 57 V. carta de sesmaria de Gaspar d’ Almeida p. já assinada por Diogo de Qoadros. 344 61 Jaboatão. Seraph. carta de sesmaria de Tomé Fernandes. Em setembro de 1603.. segundo Barloeus . não obstante as tentativas dos piratas. Pream. p. as profissões pastoris já tendiam a organizar-se. em vista da carta de sesmaria de Gaspar Gomes.340 V. PL 356 60 V. então existentes. cujos habitantes ficaram em melhores condições para vigiar a entrada de inimigos. pois. com heroísmo. em presença do desembargador Gaspar de Figueiredo Homem.Em vista disso tiveram os franceses auxílio do indígena.60 As condições topográficas da Cidade não permitiam que os seus habitantes se prevenissem dos assaltos. por uma criação ativa. p. que de emboscada eram dados. carta de sesmaria de Simão de Andrade p. e neste documento alega-se a mudança da cidade. 120 62 Ainda existe neste oiteiro o Vestígio desta edificação. 67 . além das duas tentativas já feitas tentaram ainda diversos assaltos e efetuaram diversas guerrilhas. por isso que não podiam presenciar a entrada de flotilhas. a mudança da Cidade para o novo lugar. Orb. Em vista disso. em 1596. convenceu-se o governo da necessidade de mudar a cidade para uma eminência. na nova luta que empreenderam. por um idêntico documento de Tomé Fernandes. talvez. sendo provedor-mor da fazenda Gaspar d‘Almeida57 ouvidor Simão de Andrade.330 55 V. pelas barras dos rios navegáveis.328 56 Barlaeus. entrega o governo da nova capitania a Diogo de Qoadros. a nova capitania já contava um trabalho agrícola. principalmente de gado. Foi escolhido um oiteiro escalvado que fica junto à barra do rio Poxim.58 almoxarife Martim de Souza59 e escrivão Jerônimo da Costa Fisão.

os franceses tiveram de abandonar o teatro da guerra.ta a sete ou oito anos e a requerimento do povo consultou e asentou com os moradores e capitão de se mudar a sidade que no tall tempo estava no Aracaju que se asitoase neste outeiro adonde llogo se pasou a ygreja e o fore e diso se fiserão autos o que o sõr gd. o capitão manda apregoar a ordem. todavia tenderam a diminuir as agressões depois da mudança. como pontos de limites. de que às suas supostas garantias que a idéia da mudança criou. por isso que se podia remediar o mal colocando um corpo de atalaia. que prevenisse ao poder central qualquer preparativo de invasão. É o mesmo de que fala Jaboatão (§ 117. 364. de mill Brasas de terra que se começara donde acabar a dada de Sebastião de brito e balthezar feras correndo pelo caminho que vay de caipe ate chegar allagoa que esta alem de Manoel Thomé e pelo dito caminho que sai da ponte velha ate chegar a dada de xpõao dias correndo rumo drto allongo do outeiro he que se achar e recebera merse_ despacho _ dou é nome de sua magde para o conselho pera bem e acrescentamento da nova side desta capta todo o comprimento da terra donde acabam as ditas dada que em sua petição fazem menção correndo pello caminho velho que vay para caipe até dar na llagoa que esta alem de Manoell Thomé da banda celleste q‘ he o q‘ esta junto do caminho que vay para vaza Baris e de largo oito setas brasas que se começara do dito caminho da ponte velha e yra correndo pela testada da dada de Manoell Gomes ao loeste ate chegar a dada de xpoão que serve defronte desta cidade de dahy ira correndo ao sul ate entestar com Manoell Thomé o que se achar e desta maneira lhe passe carta e demarquem logo a qual lhe deu por devolluto. foi para o lugar acima mencionado. e em 1601 eles achavam-se completamente eliminados do território de Sergipe. todavia as de Cristóvão Dias. para os habitantes edificarem casas. 63 Efetuada a mudança da cidade e transferidos o forte e a igreja.Conservamos toda a fidelidade do documento. 131) em sua obra. Ainda que a alegação não fosse uma circunstância bastante forte e de interesse real para o governo a mudar a cidade. Sergipe três de setembro de seis centos e tres anos. 63 68 . devido talvez á convicção que entrou no espírito dos franceses e indígenas da improficuidade de suas empresas.64 Não obstante as sesmarias traçaram limites muito vagos. a que se refere o documento. até na ortografia. p. donde o extraímos. ―Manoell Thomé‖. Manoel Thomé e Manoel Gomes. pois tomamno e o rio Poxim. o que motivou grandes pleitos. ―Saibão quantos este estromto de carta de sesmarya vyrem que no ano do nasimto de nosso sõr jhus Xpo de Mill e seis setos e tres anos aos tres dias do mês de setembro do dito ano nesta sidade de são xpoão capta de Sergipe terras do brasill nas pousadas de mim escryvão ao diento nomeado por Afonso pereira procurador do conselho me foy apresentado huã pitisão com hu despacho ao pee dela do sõr capitão mor Thomé da rocha de que o teor há o seguinte – ho juis e vereadores e procurador do conselho nesta capitania que o desembargador Gaspar de Figueiredo omem veo a esta cap. p. Não há duvidas de que a mudanças. Depois de uma luta de alguns anos. são de doações nas circunvizinhanças do oiteiro.or ouve pr bem He ora vosa merse manda a todos os moradores com graves penas que fasão casas e pesão chão para isto e p r nunqua se aprovetar pedem a vosa merse em nome de sua mag. 64 Carta de sesmaria de Belchior Dias Caramuru. com que o movimento colonial sofreu um estorvo. o que indica ter o franciscano folheado o livro de registro de sesmarias.

furtando a escravidão que se lhe queria impor. Da Soc. concorrendo muintos indivíduos a pedir doações de terra. com auxilio principalmente da africana por ser a mais rica e mais apta à espécie de exploração colonial que havia de dominar. acompanhando o litoral. ficava a zona ocidental. p. Real e vaza-barris. A colonização seguiu. Foi dada por sesmaria. O ilustrado professor de historia. 69 . de um trabalho de colonização. Por esse tempo dominava como principal exploração colonial a criação de gado. que a colonização não sabia aproveitar. considerando-os como herdeiros e sucessores de Maire-monan. de ambição pessoal.Não obstante a permanência dos franceses de quase meio século em Sergipe foram nulos os vestígios de sua passagem guiados simplesmente por idéias de interesse. pela pobreza do seu solo para qualquer exploração agrícola. Se formavam centro de resistência. Hist. a fim de nela desdobrar a atividade de uma vida nômade. em que se refletisse um plano político. pela morte de Belchior deuse em 1619. a pouca distancia do litoral. correria a busca do pau-brasil. p. Do Inst. Esse caráter étnico guiou as duas raças a procurarem à zona oriental. Simplesmente realizaram piratarias. 32. a marcha da conquista. entregando-se as profissões pastoris. De Geografia de Lisboa). A constituição química do solo poderosamente influiu sobre a direção que. XLI. o movimento colonial ativouse. dedicavam-lhes as naturais simpatia e lealdade. XIV. transcreve uma memória do Coronel Pedro Barbosa Leal. situando-se na zona oriental da capitania. vaza-barris e contiguiba. Pelo seu testamento que possuímos ainda vivia em dezembro de 1622. em um importante artigo sobre Rubelio Dias (Ver. Ao indígena e seus produtos de cruzamento com o branco e preto. com a expatriação do natural. Esse domínio aprecia-se durante todo o século XVII e grande parte do XVIII. produtos que abundavam nas zonas dos rios real. Do Inst. Durante a administração de Diogo de Qoadros. Quase todo território que avizinha principalmente os dois primeiros rios ficou ocupado por lavradores e criadores. 97. Começou pelo sul. Dr. por ser a que mais se prestava á tendência muito inerente á raça que veio colonizar.65 Entretanto. 33. raras são as doações feitas junto aos rios que demoram ao norte. Para lá emigrava o indígena. começando pelo sul a tirar-se do solo os elementos para a formação da riqueza.66 Por isto eram chamados por eles Maire. Nos dez primeiros anos. nunca quiseram iniciar a organização de uma vida social. em uma distancia de doze léguas para o ocidente. Grande porção das zonas vizinhas aos rios Piauí. pois. sedo tomou a lavoura. 66 Ver. Por uma hereditariedade que lhes vem de antecedente muito longínquo. Hist. Dificultaram a marcha da colonização em começo e nisto constituiu o papel que representaram os franceses em Sergipe. 65 Ver. o branco e o preto dedicam-se as profissões de hábitos fixos. caracterizada pela cultura da cana e fabrico do açúcar. individualidade da teogonia tupi. algodão e pimenta da terra. Capistrano. para nela gerarem os focos de população.

descendente de Diogo Álvares e de quem extensamente falaremos adiante. almoxarife Martins de Souza69 e escrivão Manuel André. fizeram-se sessenta e uma doações de terra a indivíduos. cuja responsabilidade direta e imediata vai ate julho de 1600. em dezembro de 1601. depois e ter concedido sessenta e quatro doações de terras. p. desde 1599. não sabemos quando ele assumiu a administração publica. para o estudo de fatos de ordem geral. como alguém já 67 Não encontramos a carta de nomeação de Miranda Barbosa. por onde dificultavam o trânsito por terra. p. Sete lavradores pedem para colonizar as circunvizinhanças do rio Sergipe e quase oito léguas foram dadas em Itabaiana. 356. onde posteriormente instituiu um morgado e alega seus serviços na conquista de Sergipe. 68 69 Sesmaria de Gaspar de Fontes. 382.71 Em 1602 foi Manoel de Miranda Barbosa substituído no governo por Cosme Barbosa. 71 Porto Seguro. a questão abrasadora. nas vizinhanças do rio Sergipe. I. p. que também exercia o lugar de ouvidor68. p. Entretanto em junho de 1602. solicita do capitão-amor uma grade doação no rio real. 70 . Na administração de Manoel de Miranda Barbosa. já achava-se revestido do cargo de capitão-mor de Sergipe. A primeira carta de sesmaria por ele assinada é de 13 de outubro de 1600 e a última de 25 de abril de 1602. pois daí em diante foi substituída pelo seu locotenente Manoel de Miranda Barbosa. 70 Carta de sesmaria de Belchior Dias Caramuru. Os petiguazes atacaram os mocambos. entre as duas capitanias. formavam grandes mocambos nos palmares de Itapicuru. cujo curso se faz na porção setentrional. Tão estudado pela jurisprudência daqueles tempos. pela carta de sesmaria do desembargador Baltazar Ferraz. sendo depois substituindo neste ultimo lugar pelo padre Gaspar Fernandes. Cit. que se estende de 1600 a abril de 160267 a colonização encaminha-se para o norte e para o centro. Era o provedor. em que distinguiu-se mais do que ninguém o jovem camarão. Em 1601. Acreditamos mesmo que por estas paragens a colonização estendeu-se em períodos ulteriores. 72 Carta de sesmaria de Baltazar Ferraz.mor da fazenda de então Gaspar de Fontes. como auxiliado depois à posse do território conquistado.70 Por esse tempo os negros de Sergipe abandonaram as fazendas e reunidos com outros da Bahia. 408. a raça indígenas foi objeto da maior questão da política colonial. Belchior dias moréia (caramuru). op.Só podemos encontrar duas doações. Durante a administração de Diogo de Qoadros. onde se tinha estabelecido como criador.72 Abramos uns parênteses na marcha descritiva que levamos. Carta de sesmaria de Martim de Souza. 355. 364. Esta ausente da capitania. que não só tinham tomado parte na conquista. p. Foi pelo governador da Bahia entregue aos petiguazes a incumbência de desalojá-los deste sitio. Por não termos encontrado a carta de nomeação de Cosme Barbosa. distribuindo entre si os centenares que fizeram na luta.

e se o clero secular não tem feito harmonia com a classe do governo. sem sua intervenção. que seguiram sempre uma política protecionista para com o selvagem. Tornam-se elas o objeto de reverencia e lealdade. exclusivamente em favor da ordem. provocando a imigração africana. Ou a pequenez do território era desfavorável á sua permanência. Em Sergipe não tem sido senão estas mesmas leis que têm dirigido o movimento social. Levantada pelos jesuítas. sem cair nas garras do cativeiro. o espírito de riqueza. para suprir a insuficiência do braço indígena. As duas calasses alcançaram completa ascendência sobre a classe popular. O fato e que o contingente do elemento indígena na historia de Sergipe não e tão grande como em outros estados. a imigração africana para ai fez-se em larga escala. contribuindo também a colonização rápida que desbravava as florestas. Cedo vieram os jesuítas desdobrar a atividade de sua política em Sergipe. cuja civilização e catequese eram entregues aos membros da companhia. que a lei abolia cujo resultado foi a grande preponderância da raça africana não só na elaboração da riqueza. levantou uma luta entre a classe popular e os jesuítas. cuja escravidão pelo colono português era o móvel das lutas e conquista. se causas muito gerais não tivessem sido seus antecedentes na historia da metrópole. bem característico naqueles tempos. porém. que proibia em absoluto o cativeiro do natural. hoje representa diminuta ação pelo pequeno numero a que eleva-se a população desses mestiços. e debaixo de tais princípios tem caminhado a civilização brasileira. na qual o sentimento de avareza do colono a escravizar indígena encontrou sempre muito apoio. O papel do indígena foi pequeno. centros de lavoura e comercio.disse – a abolição da escravidão indígena. Estas medidas incrementavam o regimen dos aldeamentos e desfalcavam os braços da lavoura. Compreende-se perfeitamente que sendo estes vinte e um anos os primeiros da colonização de Sergipe. pela indecisão da coroa. roubando seus aposentos. Na passagem do exercito conquistador pelo vaza-barris prestaram importantes serviço. As aldeias eram. que nada aspira. 71 . ficando elas plenamente satisfeitas com a lei de 3 de junho de 1609. Ela mataria no Brasil os hábitos de reverencia ao clero e superstição á religião. ou então a desumanidade na luta para cativá-lo foi enorme. as medidas legislativas correspondiam as aspirações abolicionistas dos jesuítas. O mestiçamento em que ele entrou como elemento formador. No período compreendido entre 1590 e 1609. levando-se mesmo em linha de conta as circunstancias relativas. e então emigrou. entre nós. deseja e realiza. essa grande questão que atravessou vida secular. assim. saciando-se. como na hereditariedade das gerações mestiças.

para criação de seus gados e iniciar a lavoura. em 1601 e três léguas no vaza-barris. Levantam propriedades açucareiras. cuja direção espiritual lhes pertence e a administração civil a um capitão-mor. organizando-se em povoações de trezentas casas. sendo substituído pelo Padre Gaspar Fernandes. uma légua junto á serra de Itabaiana. de dezembro de 1600 a janeiro de 1601. 75 76 Carta de sesmaria dos padres de S. no mesmo ano. em 1602 e duas léguas no rio Mocuri. Ibura. que é o Vigário da capitania76 é também o loco-tenente de Manoel Miranda Barbosa. meia légua no rio Mocuri. Além dele. edificam capelas. 73 74 Certa de sesmaria dos padres da companhia de Jesus. 75 O clero secular já faz parte do governo. em 1603. duas léguas em vaza-barris. em 1600. O padre Bento Ferraz. etc. em que procuramos estudar os fatos de ordem geral. em cuja ausência dirige a administração em dezembro de 1600. os Beneditinos os concorrem a Sergipe (1603) e representados por frei domingos solicitam do capitão-mor um idêntico favor. meia légua no poxim. Retiro. O padre Gaspar Fernandes é o ouvidor e o juiz dos regimentos em 1602. Senhor de grandes posses territoriais e parte integrante da classe do governo.73 Com tão grade posse territorial que deviam colonizar para a prosperidade da ordem encetam o trabalho de aldeamento. Assim. E sem família legítima para com ela distribuir a fortuna que se acumulava. 357. junto á capital. que serve de colégio. edificaram capelas nos engenho de suas propriedade: Dirá Colégio. 77 A substituição foi de pequena duração. no mesmo ano. Não desempenhado somente as funções espirituais. Sua vigária terminou-se em 1602. p. uma légua no poxim. aos lucros de sua congrua vêm reunir-se os proventos do trabalho agrícola. Está hoje em ruínas este templo. ele torna-se também proprietário e lavrador. além das funções espirituais que representa. comissionado três anos.74 Além da ordem da companhia de Jesus. morador na Bahia. o padre Bento Ferraz uma légua no rio real. no máximo. o padre Agostinho Monteiro obtém a doação de meia légua de terra. em 1603 e o cônego Leandro Pedro velho. para onde convergia grade parte da riqueza pública. em cujas deliberações poderosamente influi. Fechando aqui o parênteses. 72 .78 Além desta posição oficial. o padre Gaspar Fernandes uma légua em Tinharé. continuemos a descrição das administrações que seguiram-se á de Miranda Barbosa. aplicava-a na edificação de suntuosos templos. 78 Carta de sesmaria do Padre Gaspar Fernandes.Sob o duplo caráter de sacerdote e agricultor. alem do templo. cuja contribuição é de capital importância para caracterizar a feição social daqueles tempos. representados pelo Padre Amaro Lopes. Comandoroba. o clero já representava então papel saliente no movimento social de Sergipe. assumem a direção espiritual da capitania e pedem também doações de terra. junto ao rio Sergipe. Camassari.77. o padre Felipe da costa. em 1600. meia légua em Caipe. . O convento dos Jesuítas foi edificado junto a São Cristóvão.Bento Carta de sesmaria do padre Bento Ferraz.

433. Achava-se já na administração Antônio pinheiro de carvalho. além das que Cristóvão de barros deixara. I.Cristóvão. despendendo-se com a milícia 333$920 e com a igreja 148$920. Por escassez de documentos nos é impossível determinar a data de sucessão no governo de diversos administradores que sucederam a Tomé da rocha. para edificar uma casa no assento da nova cidade. que para o futuro havia de conquistar supremacia sobre a criação do gado. em vista de outra doação pedida pelo mesmo Pero Moraes de Sampaio. op. junto ao último rio. sendo-nos impossível verificar a marcha que seguia a receita que então era de 580$000. Não encontrados nenhum documento que assinale a data real desta segunda mudança. que se conservou durante todo o século XVII. op.Durante sua administração. desde 1611. Em tão pequeno intervalo a despesa quase que duplicou. A despesa anual de Sergipe era de 396$000. as despesas montavam em 428$840. que foi substituído por Nicolau Faleiro de Vasconcelos. por que em junho de 1603 foi substituído por Tomé da rocha. 81 Carta de sesmaria de Padre Novaes de Sampaio. em 1637. a colonização prosperou. de sentenças setenta braças de terra. Desconhecendo a causa real dessa mudança. Francisco. 73 . em todo o estado do Brasil. mais um terço era feito com o clero. em 1606. que foi de pouca duração. provinham do estanco do dizimo que a junta de Portugal dera em 1601 a Gabriel Ribeiro. doze braças de terreno. na mesma data. p. á nova cidade deu-se o nome de cidade de Sergipe d‘el-rei. I. Cit. todavia acreditamos mais na segunda hipótese. dirigindo-se para o fertilíssimo vale do cotinguiba. na razão de quarenta e dois contos anualmente. A colonização caminha para o norte. mudando-a do oiteiro. que novamente vem administrar Sergipe.82 79 80 Porto Seguro. onde deu-se a invasão holandesa. para uma elevação que fica nas margens do Piramopama. 410. sendo daí em diante substituído pelo de S. junto ao rio poxim. onde fizeram-se quatorze doações e onde iria prosperar a lavoura da cana. Com o alardo de cento e quarenta homens e com um armazém bélico de duas peças 80. até a serra da Tabanga. Antonio Pinheiro de Carvalho. Cedo teve a capitania de procurar um novo sitio para a edificação da cidade. Cit. proveniente do gado e meunças.79 Nove anos depois em 1612. por este tempo (1603). Sobre este ponto só podemos levantar hipóteses mais ou menos prováveis. p. 82 Carta de Pedro Novaes de Sampaio. Em março de 1607 pero Novaes de Sampaio pede ao capitão-mor de então. As doações são concedidas nas vizinhanças de S. afluente do vaza-barris. A uberdade desta zona assegurava a prosperidade dessa exploração agrícola. As rendas da capitania. já iniciada na capitania.81 Não obstante na petição não virem alegações que nos tragam a convicção de que a doação e na cidade que fica junto ao poxim ou piramopama. para edificar uma casa. Porto Seguro.

Dou de sesmaria. O que. que nesse tempo. sendo substituído por Pedro Barbosa que governou de agosto de 1630 a 1636. lenhas. em 1626.)” A Antônio pinheiro de carvalho sucedeu João Mendes. correra pelos pés dos outeiros que estão entre as mangabeira. supposto que seja dada a alguém a vosa merse em nome de sua magestade lhe dê a dita terá. hindo para cahype e para a banda do sertão. Ligamo-la ao saque e incêndio que os holandeses fizeram em S. ate 1623. em vista do seguinte documento: “Saibãõ quantos este publico instrumento de sesmaria virem que no ano do nascimento de nosso senhor Jesus cristo de mil e seiscentos e dez anos aos vinte dias do mês de setembro do dito ano nesta cidade de San Cristóvão capitania de Sergipe de El-Rei nas pousadas de mim escrivão ao diante nomeado apareceo Pedro Lopes procurador do conselho desta cidade e por ele me foi apresentado huma petiçam da câmara com um despacho posto ao pé dela do capitão mor desta dita capitania Antonio pinheiro de carvalho da qual petiçam e despacho o traslado dela é o seguinte._O capitão Antonio Pinheiro de Carvalho. Resebera merse. Sergipe hoje três de julho de mil e seis centos e dês anos. cujacarta de nomeação é de 20 de dezembro de 1628. que para isso hão mister meia légua de terá a qual meia légua se comesara da ribeira do peramopabama ate a ribeira que corre da banda de Mathia Moreira. Nenhum documento podemos encontrar anterior a esta invasão. senão Amaro da cruz porto carreiro. Tudo foi entregue às chamas. menos o livro de registro das sesmarias que foi conduzido pelos fugitivos. Cristovão. a cidade já tinha sido transferida para as margens do Piramopama. pois.É muito pouco provável que o peticionário quisesse edificar uma casa tão distante da cidade. quando pela segunda vez administrou a capitania João Mendes. em 1607. “Dizem os officiaes da câmara desta cidade que ao povo dela he necessario um pedaso de terá nos limites desta sidade para despejos de cavalgaduras e de madeiras para casas. em nome de sua magestade aos suplicantes a terá que pedem por ser assim necesaria para serviço desta cidade. quando os holandeses invadiram Sergipe. que pela segunda vez dirige o governo da capitania. Parece. 74 . o qual fora nomeado a 1º de outubro de 1631. asseguramos é que em 1610 já se tinha dado a mudança para este local. nomeado a 19 de maio de 1611. desde novembro de 1636. pois he para bem do povo. A escassez de documentos é enorme na história deste período. não sabemos quais foram os capitães-mores. porém. (segue a formula do regimento. na hipótese de ela ainda estar no oiteiro de poxim. Desta data a 1621. Achava-se no governo da capitania João Rodrigues Molemar. Foi substituído em 1614 por Amaro da cruz porto carreiro.

CAPÍTULO III MINAS. PRIMEIRAS EXPLORAÇÕES

O espírito de riqueza, o sentimento de avareza, que foram acima de tudo o real estímulo de muita atividade que se desdobrou neste país, por parte do corpo colonial, manifestaram-se sob uma forma dupla, cada qual mais poderosa para alargar a colonização e fazê-la estender-se a maiores extensões. Não só o índio tornou-se o objeto desse sentimento, como o território, para exploração de suas naturais riquezas. O colono que se dirigia para ultramar, antes de pensar na formação de uma nova pátria, antes de ativar-se pelo desejo do estabelecimento de uma nação , pensava na satisfação de seu egoísmo. A florescente natureza que se oferecia a seus olhos, a exuberância da vida tropical que agora o cercava, mostrando-lhes lindos espécimes de muita riqueza, aguçavam ainda mais sua avareza. Além disso, as grandes fortunas que se formaram pela exploração portuguesa nas Índias, os preciosos metais e minerais que foram arrancados do solo para o comercio português, que, por isso, tornou-se, nos séculos XV e XVI, o mais rico da Europa, o que concorria com maior competência no movimento econômico do velho mundo, trouxeram idênticos hábitos de exploração para o Brasil, desde o começo da colonização do século XVI, ainda pela convicção em que estava o espírito do colonizador, da semelhança de fauna e flora e das condições geológicas. Por indução, o colonizador conclui, dessas semelhanças, existirem minas no Brasil. Essa idéia, essa convicção, já foi gerada pela física do país, no espírito do colonizador. Em grande parte, era emigrada, por isso que na Europa ela era um importante fator das colonizações, um fato de caráter geral. A idéia política que tem por fim ampliar o espírito público, os direitos e a lei; que tem por fim tronar mais lata a soberania nacional, pelo largo desenvolvimento do comércio, da industria, da instrução; o espírito científico que tem por fim aumentar a cultura do povo, ampliar a liberdade do cidadão, tornar o homem soberano no meio da natureza que o cerca, não eram a causa eficiente das colonizações naqueles tempos, como o são hoje. Mais poderosos do que a idéia política, do que o espírito cientifico, eram o sentimento de riqueza, o sentimento religioso, para inspirarem as nações na colonização dos países selvagens. Salvar as almas em nome da religião e acumular riqueza em nome do interesse pessoal, eram característicos das determinadas nações coloniais daqueles séculos. Hoje salvar o cidadão da pressão autoritária de um governo, em nome da liberdade e da lei, e salvar a verdade em nome da ciência, é a causa das deliberações atuais e a feição dos tempos correntes.

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Eis por que quando o colonizador pisou o território brasileiro já trazia o espírito excitado pela febre desses sentimentos – pesquisar minas em satisfação própria, resgatar as almas das garras de Satã, em nome da religião. E as formações geológicas metamórficas, que se ofereceram a seus olhos, acenderam-lhe a cobiça e a avareza, a ponto que em cada quartzo, feldspato, mica, ametista, via as provas e os vestígios de ricas minas. Ao mesmo tempo que as formações geológicas aguçavam-lhe a ambição, uma raça desconhecida excitava-lhe a cobiça. Explorar minas e explorar as florestas brasileiras, em buscas de escravos, tornou-se um fato geral, em nossa história. Não só a classe popular, como a classe do governo se deixaram preocupar por ambas as explorações. Em ambas ficou plantado o privilégio, pelas tendência centralizadoras do governo. Prendeu o trabalho, cativando o braço, ficando sem equidade a distribuição da riqueza e prendeu os proventos das riquezas naturais. Instituiu o privilégio da escravidão, em beneficio da lavoura, e o privilegio da mineração em seu beneficio. E como ambos os fatos – o cativeiro do indígena e a exploração das minas – tinham por fim o primeiro passo de uma civilização – a formação da riqueza – e estavam centralizados nas mãos de duas classes, compreende-se facilmente que desde o começo, nossa vida econômica foi defeituosa, pelo poder centralizador em que ela vasou-se. Eis um fato de grande alcance para análise dos filósofos e que tanto contribuiu para a formação de um caráter nacional, como o que possuímos. Desde de que ambos os fatos foram monopolizados, o privilegio criado estabeleceu a corrente para o governo e a lavoura e com ela a corrente do poder, ficando assim as outras classes expoliadas. E procurando apreciar as ultimas conseqüências desses antecedentes, vemos que daí originaram-se a supremacia do governo, os ligeiros vestígios de uma aristocracia territorial, a passividade e subserviência da classe popular, a falta de um senso critico e analítico. E do caráter assim constituído ainda vemos bem visíveis provas, em nossas relações, psicológicas e econômicas. E se outros fatores representaram importante papel na formação do nosso caráter, a exploração das minas trouxe seu contingente, tanto mais importante, quanto ela tinha relações diretas com a formação econômica. O governo legislou sobre minas, tomando para si todos os proventos e quis levantar uma aristocracia sobre elas, por meio de baronatos, marquesatos, etc. E por isso temos de apreciar os desejos de muitos em obterem tais títulos, como Belchior Dias Moreyra, morador em Sergipe, um dos mais ousados exploradores das minas brasileiras, no século XVII, que tanto almejou o titulo de barão. Belchior Dias Moreyra tomou parte importante na conquista de Sergipe, acompanhando a expedição de Cristóvão de Barros, em 1590.

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Morou nas margens do Rio Real, onde está hoje edificada a vila de Campos, cuja capela foi por ele edificada. Iniciou naquelas paragens a profissão pastoril, constituindo-se talvez o maior fazendeiro daqueles tempos. Instituiu um morgado que motivou grandes pleitos e que duraram até poucos anos passados. Tinha foros de fidalgo e foi o tronco da família dos Caramurus, em Sergipe. Sua prole ramificou-se em Sergipe, constituindo diversos ramos, Pregos, Ávilas, Fonseca Saraiva, Dias, etc. Morreu em 1622 em sua modesta fazenda, com a idade de oitenta anos, deixando um filho natural Rubélio Dias, natural de Geru e filho da índia Lourença, de que adiante falaremos. Belchior Dias representa o homem que domina a história de Sergipe no começo do século XVII, pelas suas ousadas explorações. Os preciosos documentos dados à publicidade pelo meu honrado amigo e ilustrado professor Dr. Capistrano de Abreu, esclarecem as questões de minas, salvando a verdade que ate então, pela influencia de Rocha Pita, eram uma legenda em torno do nome de Rubélio Dias, a quem os historiadores sempre ligaram as questões de minas, no Brasil. O nome de Belchior desapareceu, para ser substituído pelo do seu filho, que na opinião de seus contemporâneos não teve tino nem atividade para seguir os passos de seu pai. A legenda foi substituída pela verdade da historia. Foi Belchior e não Rubélio quem se dedicou à exploração de minas. E compreendendo que na publicação dos documentos que esclarecem um ponto tão importante de nossa história, prestamos um serviço ao interesse de Sergipe, o fazemos, na esperança de que a iniciativa levante-se para arrancar do nosso solo as riquezas que ele possa conter. Na convicção em que estamos de que possuímos grande jazidas de preciosos metais, ficaremos contentíssimos se alguém utilizar-se dos ligeiros esclarecimentos que pretendemos dar neste trabalho, que se recomenda mais pela intenção de quem escreve, do que pelo seu valor real. Sendo de alto valor as excursões de Belchior, transcrevemos textualmente a carta que escreveu o coronel Pedro Barbosa Real ao Conde de Sabugosa em 1725, cuja publicidade deve-se ao espírito trabalhador do infatigável professor. Eis o que dizia o Coronel Leal ao Conde de Sabugosa: ―............................................................................................................................ ....‖vivia no sertão do Rio Real Belchior Dias Moreyra, dos primeiros naturais da Bahia, primo
de Gabriel Soares, abastado de terras e de bens que deixou por sua morte vinculados em morgado sobre o qual tem havido as contendas com a casa da Torre. ―Passados dous annos de perdição de Gabriel Soares sahiu seu gentio manso com algum gentio de Paramerim a buscar Belchior Dias pelo conhecimento que deste tinham. ―Com algumas amostras que trouxeram e com algumas noticias que já tinham de seu primo Gabriel Soares, resolveu a largar a sua casa e fazendas e entrar no sertão com o poder que tinha de seu gentio e o mais que de novo tinha vindo buscar, levando em sua companhia Marcos Ferreira, grande mineiro e se presume o mesmo que tinha acompanhado a Gabriel

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Soares – havendo duvidas que este mesmo Marcos Ferreira quando se perdeu Gabriel Soares sahio só do povoado ou ficou no sertão, entre aquelle gentio que foi quem os reduzio e convocou para buscarem Belchior Dias Moreyra. ―Preparado Belchior com a sua tropa no rio Real se encaminhou para as serras de Jacobina, fazendo seu caminho pelo rio Itapicuru acima, buscando o sertão de Massacará, passando pela serra a que os natures chamam – Bendutayu – que quer dizer na língua portuguesa – serra de Prata -, desta passou á serra do ―Puarassia‖ que se acha no meio da caatinga do ―Tocano‖, onde também fez exames, passou della ás serras de ―Jacobina‖ e continuando sua marcha por ellas para a parte do sul foi á ―Pedra Furada‖, d‘ahi passou ao rio Salitre e por elle acima foi buscar o logar onde se presume que morreu Gabriel Soares, passou a serra ―Branca‖, da serra ―Branca‖ passou ás serras de ―Osoroá‖ que se avisinham ao rio S. Francisco e dellas passou ao rio Verde e do rio Verde ao Paramerim e por elle acima procurou a aldeia dos Tubaijaras que existiu á beira do Paramerim, junto ao sitio que hoje chamam do Periperi, donde voltou não sei por onde, mas sei que tornou a buscar o rio Salitre, seguio por elle abaixo descobrindo as minas do ―Salitre‖, tornou a sahir ao rio S. Francisco, seguio por elle abaixo, foi ao ―Coraria‖ e onde descobrio as ametistas e novas minas de salitre na serra do ―Oroquery‖, continuou a marchar pelo rio abaixo, passou á outra parte de Pernambuco e se recolheu para ―Itabayana‖ a sua casa, gastando nessa estrada oito anos, no decurso dos quaes se não soube noticias delle, tanto assim que em sua casa o reputavam por morto. ― Com o trabalho, diligencias e exames de oito annos, sahio Belchior Dias Moreyra a povoado com o descobrimento de ouro, prata, pedras preciosas e salitre. ―Embarcou para Portugal, passou á corte de Hespanha, declarou os haveres que tinha achado, pretendeu mercês, e ou porque julgaram altas as mercês, ou porque julgassem que por ser natural do Brasil não merecia nenhuma attenção, o trouxeram quatro annos em requerimentos, até que desenganado voltou para o Brasil sem ser deferido. ―Passou segunda vez em Portugal e em dous annos de pretendente sem conseguir cousa alguma se tornou a voltar para o Brasil. Terceira vez intentou o mesmo, mandando seu sobrinho Domingos de Araujo remetido ao Conde de Almirante com todas as instruções. ―Voltou da mesma sorte sem despacho algum. ―Achou-se neste tempo governando Pernambuco D. Luiz de Sousa, avô ou bisavô do Sr. Marquez das Minas e tendo noticia dos grandes descobrimentos que havia feito Belchior e da sua desconsolação, lhe escreveu que se coarctasse nas mercêes que pretendia de Sua Magestade que elle queria ser seu procurador para na corte alcançar aquellas que pudesse conseguir. Sujeitou-se o velho Belchior Dias aquelle Mecenas cançado já de seu trabalho, da sua velhice e de tantos baldados requerimentos. ―Protegeu D. Luiz de Souza o requerimento de Belchior Dias na corte, offrecendo-se para com ele examinar e certificar umas e outras minas, alcançando, em primeiro logar a promessa do título de Marquez de minas para si, que então teve principio este titulo, tendo a sua confirmação depois da acclamação do Sr. Rei D. João IV e para Belchior Dias algumas mercês que se lhe destinaram. Conseguindo este despacho, escreveu D. Luiz de Souza, de Pernambuco, a Belchior Dias que Sua Magestade tinha deferido as mercêes , cujo escripto ficava em suas mãos para lh‘o entregar quando se ajustassem aquella diligencia e que em tal tempo o fosse esperar no rio S. Francisco para ahi se incorporarem e darem principio ao descobrimento, cuja carta firmada pelo dito governador D. Luiz de Souza se acha em meu poder. Resolveu-se depois vir á Bahia incorporar-se com o governador della o Sr. D. Francisco de Souza, seu primo, para ambos fazerem entrada no reconhecimento das minas. Desceu Belchior Dias á Bahia para guiar e acompanhar os governadores, como fez. ―Parece que Belchior Dias Moreyra com o uso das vezes quo foi áquellas côrtes se fez político e soube seguir algumas máximas que nellas só praticam, porque contam seus descendentes que, tendo peitado e obrigado a um pagem particular de um dos governadores, este sendo inconfidente a seu amo revelára a Belchior Dias que conversando ambos os governadores sobre as mercês que El-rei lhe fazia, dissera um para o outro: - mostre elle as

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minas, que o caboclo para que quer mercês? Do que procedeu entrar em desconfiança do que resultou o seguinte: Partiram da Bahia os dous governadores com Belchior Dias que os levou direto á serra de Itabaiana e que chegando a ella dissera aos governadores que suas senhorias estavam com os pés nas minas, mas que não lh‘as mostrava enquanto elles não lhe entregassem primeiro as cartas de mercêsque sua Magestade lhe fazia. ―Ao que elles lhes responderam que mostrasse as minas, que as mercês estavam certas, e se lhe entregariam o alvará de Sua Magestade depois que as mostrasse. ―Parece que ao mesmo tempo que cresceu a duvida em os governadores crescia mais a primeira desconfiança em Belchior Dias, que se resolveu a não patentear os descobrimentos, pelo que se precisaram os governadores a prendel-o, querendo por este meio obrigal-o a mostrar o que sabia, e vendo-se preso os levou a um serrote que chamam das minas em meio dos campos de Itabaiana, em o qual se fazendo exame se achou uma pedras cravadas de marquesita que não deram de si prata alguma, á vista do que voltaram os governadores para a praça da Bahia e Belchior Dias preso na cadêa della o obrigaram a pagar os nove mil cruzados que se tinha feito de despeza na jornada. ―Vendo-se Belchior Dias com dous annos de prisão e por não pagar os nove mil cruzados se resolveu em descobrir e mostrar o que sabia, ao que acudiram Pedro Garcia, o velho e outros parentes escandalisados do mau tratamento que lhe haviam feito os governadores, dizendo que não descobrisse, nem mostrasse nada e pagasse os nove mil cruzados que lhe supririam com elles, e com efeito pagou os nove mil cruzados, foi solto para o rio Real, aonde passados dous annos morreu, deixando todas as noticias daqueles descobrimentos sepultadas com a sua morte que succcedeu em o anno de 1619, tendo-se passado mais de um século sem que se tenha com certeza averiguado o lugar daquellas minas. ―Deixou este homem por sucessor a sua casa um filho natural havido em uma índia da aldêa do Gerú, a quem chamavam Rubélio Dias. Este com poucos brios, pouca actividade e temeroso do mau sucesso de seu pai, não só não quis seguir aquella empreza, se não deixou perder todas as memórias e roteiros que tinha deixado o dito seu pai. ―De Rubelio Dias procedeu D. Lourensa, que foi casada com Paulo de Araujo de cujo matrimonio nasceu o coronel Belchior da Fonseca Saraiva Dias Moreya, que entrou na casa em morgado do rio Real de sua bisavô Belchior Dias Moreya, e como este se casasse com a filha do desembargador João de Góes, vindo á cidade da Bahia, quis o Sr. Affonso Furtado que então governava este Estado, renovar aquelles descobrimentos de Belchior Dias, pelo que chamou o dito Coronel Belchior da Fonseca, a quem chamaram o Moribeca, para que declarasse os roteiros de seu bisavô e descobrisse aquelas minas. ―Foi o dito coronel ao sertão do rio Real á uma serra que esta defronte á fazenda do Jabibiry, onde morava e onde viveu seu bisavô, a que chamavam serra do Caniny, da qual tirou algumas pedras com marquesita, que parece prata e porque na sua casa se conservavam ainda algumas pedras de legítima prata do tempo de seu bisavô, introduzio estas com as que tirou da serra do Caniny e as trouxe ao Sr. Affonso Furtado que as mandou ensaiar pelo ourives Raphael Lobo, e como este entre todas escolhesse as que achou de líquida prata, tirou dellas a prata que tinham, o que vendo o Sr. Affonso Furtado mandou a seu filho João Furtado, com a amostra da prata e com as pedras que ficaram a ser apresentadas a Sua Magestade, Entendendo que tinha conseguido aquelle descobrimento em que sempre se tinha cuidado; mas como em Portugal se não achasse mais pedras de prata, ficou em duvida a certeza daquelas minas. ‘‘Governando este estado o Sr. Roque da Costa Barreto, mandou o Sr. Rei D. Pedro a D. Rodrigo Castello Branco, com 600$000 de ordenado e toda a despreza que fizesse por conta da fazenda real, averiguar e examinar as minas de Itabayana e Jacobina, pelas noticias e tradições de Belchior Dias. Foi D. Rodrigo com efeito a Itabayana ao mesmo serrote das minas a que Belchior levou os governadores, donde fez algum exame e somente achou que havia alguns criadeiros que indicavam prata, mas de pouca consideração e de nenhuma esperança para se romper aquela mina e retirou-se para Bahia, de onde passou para São

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Paulo, ambicioso então das noticias que corriam das esmeraldas, de ouro, e de prata de sabarabussú, onde o mataram, deixando na Bahia o tenente-general Jorge Soares de Macedo, seu cunhado, para ir examinar as minas de Jacobina ―E como a esse tempo se sabia já de um roteiro que Belchior Dias havia dado a seu sobrinho Francisco Dias, bisavô do coronel Garcia d‘Ávila, do haver que havia em Jacobina, foi Jorge Soares com João Peixoto a Jacobina, examinar o dito roteiro e correndo muitas serras e logares o não averiguaram e sucedeu o que o mesmo João Peixoto relata na noticia que deu e deixou escripta com o mesmo roteiro que é o seguinte: ―Copia da instrucção que deu o padre Antonio Pereira, o da torre de Garcia d‘Ávila, a João Calleta no ano 1655 para buscar na Jacobina as minas que descobriu Belchior Dias no ano de 1604 na mesma forma que ficou escrita pelo próprio Belchior Dias Moreya o seu sobrinho Francisco Dias d‘Ávila parente do dito padre, etc. ‘‘Na serra, na mais alta ponta dela que tem, pondo-se o homem da banda do sul, está o haver e a ponta está inclinada ao leste; e debaixo desta ponta de leste bem a baixo, quando faz grandes invernadas Leva uma bêta, si é de prata ou de ouro Deus sabe, e quando forem ao taboleiro em cima, pondo-se da parte do sul hão de achar muitos crystaes e da banda do sul para o norte outras pedras muitas, que me parecem de consideração.‖ ―Dizia mais o papel donde morreu Gabriel Soares de Souza está uma serra Itauiupeburá que é de chumbo. Tomem a ribeira donde nasce Tapuia Ubatuba, corram por ella abaixo, não fique grota que não vigiem.‖ ―Copia de um assento de Belchior Dias Moreya que foi dizer a El-Rei o anno de 1612 e por lhe não deferirem com as mercês que pedia e grande morreu no anno de 1619, ficando encobertas.‖ ―No de 675 fui eu com Jorge Soares uma das pessoas que Sua Alteza mandou a ver se eram minas, a serra de Itabaiana e Jacobina, vêr se fora por alli aquelle descobrimento de Melchior Dias. Achei um índio cariry, velho de cem annos, por nome Gaburú, na aldeia de Sahy e descobri com muita indústria haver acompanhado a Mechior Dias naquela jornada de seu descobrimento, o que ele tinha muito calado e negado ( disse ele) por assim o ordenado dito Melchior Dias. Levou-nos pelo campo firo ao do Salitre, cortando doze léguas de matto e catinga, sem água nem caravatá que a tivesse e com raízes de imbú e mandacarú se remediou a gente que abriu o caminho em dezenove dias. Mostrou o velho logar. onde Melchior Dias achou o que buscava, o qual ( disse o índio) os levará outro de outra nação que primeiro deu umas pedras ao Belchior Dias. Achamos signaes certíssimos de haver ahi estado gente branca, e não foi outro senão o dito Melchior Dias e depois do anno de 1628 seu sobrinho Francisco d‘Ávila mandado pelo governador Diego Luiz de Oliveira, sendo já morto o tio, mas não descobriu a mina por que não a conheceu, porque Belchior Dias escondeu da gente e índios que levou aparte donde tirou a pedra que ensaiou alli e disse o velho índio que coseu no fogo em m texto ou tacho e depois lavou muito e tirou uma pedrinha branca. Disso fizera muita festa com as espingardas e dissera era pólvora e lhes mandará não mostrar nunca a branco aquele logar. porque havia de saber os flamengos e vir tomar-lhe a sua terra, e por isso não quisera nunca falar nem mostrar. ―Em poder de Belchior da Fonseca, filho de Paulo de Araujo e de D. Lorença, neta do dito Belchior Dias, está um copiador de cartas que escrevia a El-Rei e ministros ( agora está este copiador na secretaria) instando de novo que não ficava por elle descobrirem-se as riquezas que as terras do Brasil tinham sonegado ha tantos annos com que S. M. poria freio ao turco e sopearia os potentados da Europa e estes termos de explicar o seu achado provam a riqueza e certeza della e instancia com que o affirmara e ser entendido em minas, e aquelle descobriu acompanhado de outro maior mineiro por nome Marcos Ferreira de que deu noticia o velho índio, e depois achei em João Callella e assim que por todas as razões que Belchior Dias achou ricas minas, e em sua casa há inda prata que tacitamente tirou delas, isto é fama constante e que foi aquele lugar se certifica pelo referido; mas por não haver quem conheça as pedras que estão incógnitas, Deus as descobrirá quando fôr servido.

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João me ordenasse que fizesse passagem pelo rio Real. a prata se não criava senão de quarenta léguas afastadas do mar para o sertão. E porque no mesmo tempo capitão-mor de Sergipe El-Rei. Pedro. para cuja diligencia me nomeou o mesmo senhor. comunicando-me verbalmente algumas noticias e tradições que tinha sem certeza e me entregou um copiador de cartas de seu bisavô Belchior Dias. ―Passei d‘ahi à casa do coronel Moribeca que receioso de alguma execução se ocultou três dias. donde voltou a buscar a estrada do rio São Francisco até o corassár. que morava no rio Real e dava várias noticias de algumas entradas de Belchior Dias. 60. e porque dele se acham seis ou sete folhas cortadas com assento do mesmo Belchior Dias em que se assignou que aquellas folhas que alli faltavam as rompera. assim como estava o copiador que conservo em meu poder. que o Sr. e a Amaro Gomes. recolhendo-se a sua casa sem outra alguma satisfaçãs. e fallando ao dito velho índio me certificou que tinha acompanhado Belchior Dias Moreya até a serra do picurassá sómente. um velho que vivia na Bahia defronte de S. M. ―Partiu o dito coronel de sua casa do Rio Real e marchou até a serra do picarassá de que atrás tenho tocado. Fui buscar á aldeia do Gerù a falar com o principal de nome Birú. Mandou chamar o coronel Morimbeca e lhe encarregou fosse novamente investigar novamente o sertão em que seu bisavô tinha descoberto aquellas minas. até que certificado da diligencia em que eu ia me veiu fallar. mas não deram em nada porque são infinitas as serras e eles ignorantes em minas. seu filho. Roque da Costa tinha-o obrigado a acompanhar a D. Dr. Jorge de Barros Leite. e se acharia no seu livro de razão a fls. ainda parente de Belchior Dias. levado em minha companhia ouvires experientes e a Manoel Vieira da Silva que havia acompanhado a D. João de Alencastro com ordem de S. ―Como esta e outras noticias me resolvi entrar pelo mesmo caminho e sertão por onde entrou Belchior Dias. de seu bisavô Belchior Dias Moreya. que tinha acompanhado a Belchior Dias e era tio de Rubelio Dias. seis léguas distantes de Itabaiana e que ouvindo fallar na prata d‘ella fôra por sua curiosidade a ver o serrote das minas e que ao Sr. a partir da Bahia. tão maltratado e comido de cupim que em poucas folhas se deixa ler algumas partes.―Os signaes que deu este papel acima deu o padre Antonio Ferreira (da Torre) a João Callella e a seus irmãos para buscarem o ano de 652 quando entraram a povoar aquelas terras e parte da Jacobina. ―Como o Sr. é que d‘ahi para diante o conduziram e guiariam taes índios e ele se voltára com outra gente para sua aldeia. o qual tinha assistido muitos anos nas Índias de Hespanha. Rodrigo de Castello Branco e o ajudar a examinar aquella mina em que só acharam ao referidos criadeiros com alguns indícios de pouca prata que ahi havia. fui à serra do Picurassá onde fazendo varias diligencias não descobri nada. e procurasse o coronel Belchior da Fonseca para que me comunicasse todas as notícias que tivesse. acrescentando que pela experiência que tinha e sabia das minas. João de Alencastro mandasse pessoa de confiança a examinar se as minas de onde tinham saído aquellas amostras eram verdadeiras e seriam de rendimento. Rodrigo de Castello Branco por ensaiador. mas é sem duvida que pela tradição dos índios Oris daquella serra esteve nela Belchior Dias e sobre ella onde estive oito dias examinando-a achei duas marcas: a primeira consta de três 81 . E este velho me despersuadiu que não fosse a Itabaiana porquanto elle havia morado alguns anos na cidade Sergipe d‘El-Rei. Que se acha na secretaria para entender sobre os descobrimentos de minas. mandando S. o qual livro nunca apareceu e me certificou o dito coronel que fora comido e destruído do cupim. e que assim me dava de parecer que a buscasse mais ao sertão e que me não confiasse com a Itabaiana. e porque então me achava sem intelligencia alguma de minas. porque seu gênio não o inclinava à semelhantes serviços da qual diligencia não deu conta. M. donde voltou um pouco efeito e com poucas diligências. D. D. nas casas de fundições de prata. ―Veio governar este estado o Sr. procurei instruir-me na especulativa e pratica dos exames dos metaes com João Coutinho. introduziu umas pedras do serrote das minas de Itabaiana e de outras terras do mesmo continente introduzindo-lhe alguma prata industriosamente de que resultou tirar-se na casa da moeda em Portugal algumas porções de prata de cinco pedras que foram com as mais.

o velho. que mal podia eu encontrar aquele lugar. me trouxe o 82 . ―Segui a derrota para Jacobina atravessando setenta léguas de catinga em que perdi vinte e oito cavalos e atravessando a serra Tuyuba pelas aldeias velhas dos Oris. e Manoel Calhelha.. como experimentei capacitando-o ir me mostrar o rio Pindobussú.Respondeu-lhe com o roteiro que agora remeto à V. eram as serras da Sapucaia distantes daquella mais de trinta léguas. achando as amostras na dita serra vestígios de ter alli estado Belchior Dias. que então estava descoberta e que não o averiguaram. no mesmo papel e da mesma letra que então me deu o velho João Calhelha. ―Por então não averigüei o dito por seguir a derrota de Belchior Dias para o rio de S. Disse-lhe eu então que se ele e seus irmãos. seus irmãos. não podiam acertar pelo não terem buscado naquella parte que diziam os índios Payayaz. que se tinham retirado de Sabarabussú quando mataram D. que achara para a parte do poente ao pé da mesma serra uma carta antiga. um dia pela manhã até a noite. D. e esta serra que é mui elevada se acha só no meio daquella campanha e as serrarias mais vizinhas que lhe ficara à parte do poente para o sertão é a serra da Tuyuba e fiquei na presunpção de que aquellas marcas desmarcariam uma antiga cata e que se acha em um morro perto da serra Tuyuba aberta em uma pedreira de cor verde de que o gentio então me deu um pedaço. e me asseverou o principal daquelles índios que perto daquele morro se achava outro todo de pedras amarellas. certificando-me aquelle mesmo gentio. junto a um olho de água que eu alimpei beneficiei para dar de beber à minha tropa a qual cata eu não vi quando estive na dita serra. e que os brancos tinham corrompido genericamente o nome de Jacobina por todas as aquelas serras e que como elles tinham procurado o roteiro naquele continente da primeira povoação da Jacobina. lhe tinham feito tantas diligências sem proveito. que elle e Francisco Dias e o padre Antonio Pereira era verdade que tinham deito exactas diligências. e que este depois que subiu de seus descobrimentos dissera a seu sobrinho Francisco Dias que em Jacobina havia um haver e quando ele e seus irmãos por ordem do dito Francisco Dias descobriram a Jacobina escrevera Francisco Dias a seu tio Belchior Dias que a tinha descoberto que lhe mandasse dizer onde estava o haver. João Calhelha que era o mais velho me assegurou que conhecera muito bem a Belchior Dias. o padre Antonio Pereira e Francisco Dias. perto desta serra nos campos do Corassá perto ao sitio do Curral do Meio vi e passei pelo serrote de pedras amethistas roxas que descobriu o mesmo Belchior Dias Moreya do que eu tirei algumas e se tem tirado muitas por várias vezes. o que ele não fora averiguar por se achar muito decrépito e incapaz de sahir de casa. onde viveram e morreram. João. Francisco.. Segui aquela derrota. o que estava lembrado que ele entrou ao sertão por se achar já com dez ou doze anos de idade. Declarou-me então o dito João Calhelha. Ex. mas como me faltava o roteiro não pôde entender nem averiguar a significação della. fora a Jacobina com este roteiro. o capitão Lourenço de Matos. procurei o gentio da nação Orocuyú que me levaram a dita serra donde achei novas minas de salitre de que mandei as amostras ao Sr. um L e uma S e diante delas em pouca distância feita uma cruz em uma lage. descobridores de Jacobina. E na dita carta se tinha achado um cono biscainho que eu vi em poder de Luiz de Andrade o qual agora em Jacobina me segurou. que com elle correram toda aquella parte da Jacobina. Rodrigo de Castello Branco. mostrando-me uma memória que tinha no dedo tirado por uns carijoz de João de Maya. donde me segurou havia ouro. seguindo até ali o mesmo caminho de Belchior Dias. o velho. e. mas que havia poucos annos que os principais índios velhos lhe tinham declarado que aquella não era a verdadeira legitima serra de Jacobina. indo alli de passagem e sem conhecimento algum daquelle país.letras feitas de pedra posta a mão_ um A. intentando descobril-o todo. fui sahir a Jacobina. pelas informações que me deram os índios de que elle tinha ido à serra do Orocury chamado pela sua língua Podêcó. o que elle e seus irmãos tinham feito sem que tivessem encontrado signaes delle. Foi segunda vez com o mesmo roteiro o padre Antonio Pereira e com ele fizeram a mesma diligência e passaram a Jacobina nova e que não acharam nada e que o dito padre lhe deixara então o roteiro para elle e seus irmãos com mais vagar e maior diligência o averiguassem. Em Jacobina procurei o velho João Calhelha. ―Disse-me também que Francisco Dias.

oito ou dez léguas do rio Itapicurú-mirin da freguezia Jacobina donde se acha duas antigas catas................. as grotas muitas e muitos os anos.. Paraguassú.. donde tirei quinze amostras que entreguei ao Sr......... deu a seu sobrinho Francisco Dias o qual pelos possuidores de sua casa se perdeu ou o ocultaram................ por quanto em alguns dos seus ribeiros se tem achado ouro e o vigário de Itabaiana remeteu as amostras dele ao Sr... Agora quando estive em Jacobina mandei examinar esses signaes..‖ ............. o que lhe não concedeu pela prohibição que havia de S.... com quem no decurso de tantas jornadas tenho tratado e pesquisado..... Francisco.... ―Daquela parte desci pelo rio S. Fiz-lhe bastante diligencia................ Luiz Cezar de Menezes.............. Falta descobrir a beta que diz o roteiro. M.. E como ahí são muitos e vi a variedade com que o índio m‘o buscava............... o tempo tem cegado tudo de sorte que é necessário um geral e positivo exame naquela serra........................ crystaes e que é certo haver..... ........ mas como a serra é grande.... Francisco abaixo e vim buscar á Itabaiana donde me dilatei três mezes correndo todas aquellas serras e acabando-o com três barris de pólvora que lhe metti em uma mina que lhe fiz.............. porque se achando alli o serrote das pedras roxas.. em uma das quais é fama constante que esta ferramenta enterrada.......... em alguns se acham ouro e o de 83 .......... se conhece por ser a maior que alli há.... ... e assim por todos os princípios e por todas as circunstâncias e noticias fez Belchior todos os descobrimentos no sertão da Bahia no quase rotundo território desde o rio de S.. e estar incorrupta e se sabe de brejo............... como dito tenho. mas não se pode então dar com as catas.... e três morros sobre outra serra e promete aqui ouro e cobre. governando este Estado................................... dizendo que seus pais lhes contavam.. compreendendo as capitanias de Sergipe d‖El-Rei.................... Francisco.......... D............................ e dizem que prata da qual não há certeza donde seja..................... nem póde haver controvérsia..... ‖Botei escravos meus com um homem a socavar os ribeiros daquella serrania com o intento de correr aquelle districto a descobrir as ditas catas....... mas não deixei de acreditar aquela noticia............. pedindo-lhe licença para romper aquellas minas.............. Pará mirim....................‖ ................... e porque também vi que ele fazia bastante diligencia para acertar com elle porque chegando a vários daquelles serrotes pesquisava ao redor buscando o seguinte para conhecer no que conheci que não fingia o seu descobrimento..... e entre ellas se tem tirado algumas amarellas é factível que haja o morro das ditas pedras amarelas que dizia o índio...... mais elles não sabem o buraco.. passei adiante á diligencia em que ia sem outra averiguação.. Este é na mesma Jacobina da missão de Nossa Senhora das Neves para a parte do rio S.. ‖Os signaes do roteiro são uma grande arvore um brejo de cannas bravas. achou-se a arvore de sucupira que tinha......... ―Nem por estas diligencias fica perdendo o descobrimento de Belchior Dias a opinião no que toca a Itabaiana.................................... ‖Como esta certeza já não é para desprezar o roteiro de Belchior Dias e por este se devem acreditar todos os seus descobrimentos. que no sertão de Itabaiana descobriu ouro.........índio correndo vários serrotes sem poder acertar com ele... Jacobina.. que já esta caída no chão........ e talvez que Belchior Dias occultasse este àqueles governadores e que também naquellas mais no sertão tivesse descoberto mais alguma cousa que não quis descobrir.......................... mas como – nihil occultum quod non revelatur – por algumas intelligências de escravos e índios antigos se veiu a saber delle.... ―O mesmo João Calhelha me certificou que Belchior Dias entrara no sertão aquelles descobrimentos com o gentio do Parámirim e com o gentio de Gabriel Soares... o que me asseguraram os índios velhos cacherinheus práticos naquelle lugar pois alli é sua terra.. Eu sei que o rio das pedras da mesma Itabaiana se tem tirado ouro.................... João de Alencastro.. ―O que suposto segundo as tradições e noticias que tenho alcançado por homens antigos e por índios daquelles sertões........................... ―De outro roteiro na mesma Jacobina há também individuaes noticias que o mesmo Belchior Dias.. até o continente que comprehende as minas do rio de Contas em que atualmente se está tirando ouro no que nem há duvida...........................

Tudo aquilo que até aqui se tem afirmado relativamente a Rubélio. que abriram ao rio S.Beribery o tem de conta de que mandei a mostra à V..... por serem hoje aquellas serras pastos de gado das fazendas de D.. Ex... ... Francisco e pelo Paraguassu examinou também aquella parte do rio de contas e da a conhecer a carta que escreveu a Affonso Rodrigues da Cachoeira. que descobrir prata em logares do rio S. por ter sido infatigável descobridor de minas. cuja trilha não quis seguir............. que não hão de faltar descobridores que se arrisquem como Belchior Dias e que descubrão o mesmo que ele descobriu que alguns não fazem por não correrem a mesma fortuna que ele correu.. Deste documento devemos tirar importantes conclusões....... de que também remetteu a copia tirada do mesmo copiador.. ―Na serras de Assuruá. Se V Ex. comprida e muito antiga e que levando-se o morro a escala.. para que a historia conquistou a verdade do passado...... nem é histórico. – Pedro Barbosa Leal‖. não estive mais de oito dias em Jacobina..... cujo nome se auroela com grandes feitos.... e seu nome tornou-se popular pela influência de rocha pita em sua História da América Portuguesa.. não quiser passar pela demora de um século como tem corrido desde o tempo de Belchior Dias até o presente... Ex...... Os feitos que se imputavam a Rubelio não passam hoje de legendas... não é real.... anime os seus vassallos com mercês e com algum proveito com que passa fazer as despesas.. Ex .. por muito annos..... nunca tratou de minas.. É sem duvida que nellas esteve Belchior Dias e que por ser a mesma serrania dellas passou a do rio verde onde dizem achou uma pedreira de esmeralda... mais como chegasse o tempo de passar as minas do rio de contas para onde fui.......... se logre esta felicidade e que para o dirigir e franqueiar guarde Deus a V... Ex. me faltou o tempo para aquella averiguação. Queira Deus que no tempo do governo de V. no fim delle se abrira uma mina ou buraco e elle segurava e estava tapado com pedras arrumadas a mão e duvidando-lhe eu que se poderia e ser aquella ruína ou tapada por alguns desmanchos do morro e tornou a sererar que elle reflectira com attenção que achara e que fora artificialmente tapada. Nunca foi à Europa... Foi sempre indiferente aos trabalhos do seu pai..... Francisco muito ao sul de Jacobina Nova e da grande serra Branca se acham catas antigas que ha tradições foram feitas por Belchior Dias e fama constante que nellas tirou prata e algumas pessoas viram já estas catas e o Capitãomór Damião Cosme me disse vira algumas. ―De que Belchior Dias foi a Portugal.... Novembro de 22 de 1725..... não pode ir para examinar a dita cata ou mina velha que La vira tempo que se reconheça e examine.. mais deixei recommendado a pessoa de satisfação a fizesse. requereu e prometeu minas.. 84 .... ― S.. ―Isto me afirmaram alguns índios tubayjaras com quem falei...... Joanna Cavalcante e o capitão Antonio da Guerra que morou no sertão do lagarto assegurava que tinha visto prata daquelas serras e me convidou a mim e ao donatário Manoel Garcia Pimentel para irmos a ellas e que elle se obrigava a mostrar os buracos da prata... se verifica pelas copias de suas cartas que remeteu a V.. seu parente....... Determinei passar pessoalmente aquelle exame depois de saber os primeiros signaes do roteiro...... Aquilo que ate aqui se tem afirmado relativamente a Rubélio Dias....... Ex. ―Este homem chegou a affirmar por uma carta que se acha no seu copiador que havia de dar neste sertão do Brasil tanto ouro e tanta prata como ferro em Bilbáo. Pedro... me veio um sujeito a quem recommendei a diligencia dizer que a tinha descoberto umas das catas por um morro acima. deve ser referido a seu pai Belchior.. ―Quando de volta do rio de contas cheguei a Jacobina...... tiradas do seu copiador que tenho...... Como pelas catas que recebi de V.

Os fatos referidos a Rubélio Dias devem pertencer. nunca mais o encontramos no movimento da nossa historia de 1635 em diante. fez em cessão da misericórdia de S. de hoje em diante. Provavelmente dedicando-se ele à profissão de criar gado e arrendando o melhor curral existente naquela zona — fazenda de Jabebiri — onde morou seu pai. motivando também a colonização dos sertões da Bahia e Alagoas. justamente o contrario de seu pai. na fazenda de Jabebiri. Desaparece da critica do historiador. e nenhum auxilio prestou-lhe. Rubélio declara ser morador do Rio Real. sem atividade. compreende-se por isso mesmo. em novembro de 1637. quando tinha de idade trinta e tanto anos. A colonização amplia-se com as explorações de minas. de cuja fortuna apoderou-se. que é filho natural de Belchior Morou em S. para não cair nas mãos do inimigo holandês. um sítio de criação de gado. Nada mais importante sabemos Em Janeiro de 1636 arrenda. Cristovão e ai achava-se quando passo o exercito fugitivo de Bagnuolo. O arrendamento foi feito. por seu intermédio. Ele é o centro de todo movimento de mineração daqueles tempos. por nove anos. Na escritura passada. sem patriotismo. para compreendermos que muito cedo entre nós o colonizador penetrou pelo interior do nosso território. Nisto limita-se a vida de Rubelio Dias. por vinte mil reis anuais. no fim do século XVI e começo do XVII.Belchior foi o verdadeiro perquisador de minas . que alem de ter tomado parte na conquista de Sergipe. Como testamento de seu pai. nas terras de Jabebiri. a si pertences. Muito pesquisamos sua vida e nada de importante encontramos Sabemos que nasceu no Geru. Cristovão. até mesmo os governadores da Bahia e Pernambuco. tornou-se um ponto. 85 . E tendo sido ele morador em Sergipe. o papel que representou Sergipe no movimento histórico. O território sergipano foi percorrido por estas caravanas que se dirigiam para o ocidente e muito cedo tornavam-se conhecidos os sertões de Itabaiana e Simão Dias. em uma doação à própria Misericórdia. um compromisso de alimentar o exercito. a Nicolau Pinheiro de Carvalho. durante sua estada na velha capital sergipense. Estudado Belchior Dias. para onde afluíam os exploradores de então. E basta consignarmos aqui a época da conquista de Sergipe (1590) e a época da morte de Belchior (1622). A casa de Belchior Dias. mudou-se por este tempo de Sergipe. É. esta estudada a historia de Sergipe nesses tempos. a Belchior Dias que se devem ligar os acontecimentos de exploração de minas e que por isso mesmo representa a feição histórica de Sergipe. Acreditamos que não pegou nas armas na guerra da independência do norte do Brasil. Naturalmente teve a sorte de todo habitante de Sergipe: fugiu abandonado os lares. ao domínio da legenda. pois.

além de determinar em seu mapa o local das minas. Realmente desses pequenos montes descem regatos de leitos auríferos. Deve-se mudar deve-se mudar de rumo. escrita em latim. vem a indicação das minas. Todas as explorações de minas feitas até aqui em Sergipe têm sido improfícuas. em um ponto aproximado ao rio das pedras. como ele o chama. em companhia de Mauricio Nassau. pelas explorações que efetuou. para sua prosperidade. Deixemos. levantou de Sergipe. procurando explorar-se o leito do rio das pedras. em cascalho aurífero. em sua importante obra. porem. para nós de muita importância. No mapa geográfico que Barloues. Já tivemos ocasião de ver um frasco destas belas amostras. Além destes documentos. fala muito e muito das minas do mameluco Belchior Dias Moreya. quando ele contorna as serras do cajueiro. O importante geógrafo holandês que esteve no Brasil no século XVII. 86 . isto e vejamos a questão de minas.contribuiu para sua colonização. Em 1642. por que todos os exploradores dirigem-se para a serra da Itabaiana. temos de consignar o fato muito significativo de muitos dos nossos sertanejos apanharem ouro em pó.

laborioso. Se as excursões anteriores àquela data eram presididas por sentimentos pessoais. habitando um solo que cedo lhe despertou o sentimento de associação. foram os primeiros a estabelecer os fundamentos de uma futura nacionalidade. a cuja coroa ficaram anexadas. cujas tentativas e ambições forma grandemente auxiliadas pelo seu governo. No correr da luta os oprimidos tomaram a ofensiva e as colônias espanholas forma dela o alvo. Desde 1581 estas agressões tomaram um caráter mais serio por isso mesmo que erma dominadas por causas mais gerais pelo desejo de estabelecer uma política ultramarina na novas regiões. Povo eminentemente livre. de inquirição. Dominado exclusivamente pelo sentimento religioso. em suma. Sendo dos últimos a encetar correntes de imigração para o Brasil. se já faziam excursões por suas costas. com a fundação de colônias que seriam os rebentos de futuras nacionalidades. pela proteção dos Estados que as permitiam e auxiliavam. para impor um sentimento religioso a outras nações. A invasão holandesa no Brasil não é mais do que o prolongamento das lutas que as províncias unidas levantaram contra Espanha. Não nos cabe aqui acompanhar esse movimento. não só como resultados do espírito da época. como de uma vingança à rainha dos mares. cujos antecedentes históricos levaram-nos a levantar o protesto contra a semelhante coerção. De entre os povos que maior amplitude deram aos meios políticos que os deviam dirigir no Brasil. ao terror das nações – a Espanha.CAPÍTULO IV Invasão Holandesa em Sergipe Estado da capitania Desastrosa à colônia foi a subjugação de sua metrópole à nação espanhola que. pelo grande domínio que representava no século XVI e pelos meios de coerção que pôs em pratica. do que do sentimento de liberdade nutrido pela classe popular. contra o estabelecimento da inquisição. angariou para o Brasil a prevenção de outros povos que. quis Felipe II impor uma religião aos países-Baixos. pertinaz. a guerra da emancipação. iniciaram a luta pela liberdade de consciência. figuram os holandeses. Desde os primeiros tempos do século XVI franceses e ingleses pirateavam pelos mares do Brasil. o holandês levantou a revolta contra a política de Felipe II e guiado pelo seus rederykers. por isso 87 . que propagavam o ódio contra o governo opressor. se a prosperidade da colônia dependesse mais do grau de saber de seus governadores. pela abdicação de Carlos V em Felipe II. sóbrio. para corrigir seus estragos. tenderam a fortalecer as correrias. cheia de prosperidade se fosse mantida a orientação inteligente do conde de Nassau. onde iam saciar o espírito de riqueza que nutriam. as que se seguiram traziam maior força de coesão. se os seus sucessores não se desviassem da brilhante carreira de administração por ele traçada. a luta contra as forças da natureza.

p. Se a instituição do Tribunal da Relação na Bahia. a perda do sentimento de patriotismo que de sua população tinha-se apoderado. em 1630. a morte do espírito militar. feitas por Piet Heyn nos mares da Bahia. trazia vantagens pelo lado criminal. o atraso de seu movimento social. tornam-se bem visíveis do modo por que foram recebidas as armas inimigas. em 1624 e em Pernambuco. tendo como imediato s bravo Piet Heyn. quando a companhia ocidental dirigiu a atenção para Pernambuco. do qual quase que se apoderaram. que não só prolongavam a marcha dos pleitos judiciários. Os mesmo sentimentos tornam-se bem patentes na metrópole e na corte. que se achava em Madri. e que indenizaram as grandes despesas da companhia.83 Em 1621. 10 88 . justamente quando se acabavam as tréguas. nenhuma clausula foi estabelecida para realizá-las. A pequena vida da colônia. encarregando-se do comando superior João Von Dorth e em maio de 1624 os habitantes de São Salvador avistaram em sua bela baía as velas inimigas. rábulas. O estado do espírito publico da colônia. Os Holandeses no Brasil. A falta de patriotismo. de muita vantagem para os interesses profissionais. para cuja manutenção 83 Porto Seguro. O comercio do oriente foi o primeiro alvo do espírito ofensivo dos oprimidos. confiada a Jacob Willekens. pelo grande número de letrados . com o monopólio do comercio da America e África. durante vinte e quatro anos e com o direito de nomear governadores. foi entretanto a causa de originar-se cedo no pais o espírito de chicana. nenhuma providencia tomaram. que prevenidas dos intensos hostis dos Países-Baixos. escrivães. fazendo esquecer as medidas de defesa.que na trégua de doze anos celebrada entre os beligerantes (1609. advogados. não permitia um tão grande número do corpo da justiça e da advocacia. O mais direto resultado da invasão holandesa foi uma modificação da legislação da colônia. que nenhuma oposição encontraram em assenhorearem-se da capital da colônia. tornou-se bem patentes nos meios de defesa que opuseram à invasão das armas inimigas na Bahia. estava vitorioso o plano e pouco depois já achava-se organizada a expedição. no começo do século XVII. Era completo o esquecimento votado aos interesses da colônia. aplicando para a tropa as despesas com este corpo de justiça. A cobiça açulou-se com os lucros da companhia oriental e Guilherme Usselincx levanta a idéia da criação de uma companhia ocidental. em virtude da qual a metrópole aboliu a relação. se não fossem as rícas presas. de civismo e de homogeneidade de sua população. concluir pactos com os moradores e construir fortificações. como instigavam o capricho da clientela. o predomínio do espírito religioso que tudo avassalava. que se não faria por certo. com o auxilio de vinte e sete soldados e algumas munições. até mesmo depois da recuperação da Bahia.1621). limitaram-se a encarregar a defesa de Pernambuco a Matias de Albuquerque. em 1630. Avisadas a metrópole e a corte desta segunda tentativa.

era preciso de preferência ativar-se o lado civil dos pleitos. Na segunda. a tendência de substituir-se o espírito político. E o modo de distribuir-se e agitar-se o direito. E hoje temos a prova desse hábito que se inoculou no Brasil. sem previa formação de processo. No crime ficaram igualmente restritas as atribuições dos capitães-mores. de rapinagem. que exclui a contribuição da clientela. 84 Porto Seguro história Geral. Os capitães-mores e ouvidores das capitanias que até então tinham alçada até cem mil reis. pelo espírito mercenário. do que o lado criminal. pôs-se a campo com as tropas holandesas a estender os domínios para o sul. que vai de 1637 a 1644. Achava-se o Conde Bagnuolo no comando das tropas portuguesas. durante sua vida colonial. quando Nassau. que estabelecem as bases de uma política verdadeiramente livre. assumindo a direção do governo holandês em Pernambuco. com agravo a apelação para a ouvidoria geral. por parte da companhia e seus delegados. compreende toda a administração de Nassau (1637-1644). Não esta no plano da presente obra acompanhar a evolução da invasão e domínio holandês em Pernambuco. dirigindo uma guerra de emboscada. no começo do século XVII. pela abundancia de questões civis agitadas. Só nos pertence apreciar o alargamento do domínio até Sergipe. ficaram com ela reduzida a vinte mil reis. estabelecendo as modificações operadas no norte do Brasil. seu ilustrado espírito. que reivindicaria para a Holanda todo o território setentrional.p. foi substituída por duas ouvidorias gerais.Não nos compete nada dizer deste período. Na terceira fase que é a guerra da independência. se à frente dos invasores não se coloca Domingos Calabar. e pela proliferação que se efetuou na classe de advogados. Pertencia-lhes inquirir do procedimento dos capitães-mores e das faltas das câmaras. de saques. I. Na primeira que se entende da invasão à administração de Nassau (16301637). o espírito comercial é o que domina a fim de que a companhia não desista de seus planos de exploração. com alçada no cível até cem mil reis e no crime até morte natural dos escravos. se não se manifestasse. e fortificado em porto calvo. gentios e peões. Para antecipar-se o saldo de despesas que se iriam tornando isolváveis. contribui para a degeneração do caráter. Abolida a relação. Seu alto tino administrativo. o novo aspecto da civilização dado pela raça invasora.84 No próprio espírito da legislação pintava-se a profunda linha divisória entre as três raças que colonizavam o Brasil. a invasão vai se estendendo a maiores âmbitos. 486 89 . Três fases muitos diversas apresenta o domínio holandês no Brasil. ( 1645-1654) o heroísmo e patriotismo dos invadidos foram postos em ação. ficando suspensas durante a presença do ouvidor nas capitanias.

Cristovão.166 Southey. Ainda que historiadores contemporâneos85 liguem a resolução de limitar suas fronteiras no rio S. o arrependimento que posteriormente externou. cuja linguagem não compreendia. onde chegou a 27 de março de 1637. onde aconselhou o estabelecimento de uma colônia alemã. onde desembarcou. infundido pelo conde de Bagnuolo. para opor-lhe resistência. admirando a riqueza do território. pelas presas que efetuou. Vê-se por ai que a fuga era rápida e pequena a distancia entre os dois exércitos. 336 90 . Segismundo Schkoppe. a opulência que circunvizinha o grande rio. A insuficiência de documentos dificulta-nos inquirir as causas que suspenderam a marcha de Nassau. sem nada participar a Gilberton. Bagnuolo abandonou o posto que ocupava em porto calvo. e chega à cidade de S. convocou os habitantes da margem sul do rio a passarem-se à outra ribeira acariciou as tribos indígenas. Animado pela vitoria obtida nos dois postos. edificou um forte. se não projeta o ataque o ataque da Bahia em 1638. não respeitava as largas distancias que só poderiam ser percorridas com detrimento do exercito. a que denominou de Mauritius. onde as tropas avançadas de Nassau apresam as bagagens. Esta perda foi a conseqüência do erro cometido nas fronteiras de S. Foi esta uma das poucas descaídas que cometeu Nassau. Os Holandeses no Brasil. sendo a 27 do mesmo mês a chegada de Nassau em S. Francisco. fazendo a derrota para a margem do rio S. que por sua ordem. quando tentando o ataque da Bahia em 1638. Francisco.Com a notícia da aproximação das forças inimigas. pela certeza de que suas tropas já não encontrariam nenhuma resistência na capital da colônia. não pôde deter a soldadesca que caiu em debandada. no ultimo dia do mês de março de 1637. já tinha o exercito fugitivo alcançado descansar. História do Brasil II p. que sob a ação da covardia . e a convicção do erro. Bagnuolo na fuga atravessa S. em pesquisa do exercito fugitivo. Com a noticia da perda. Henrique Dias e Camarão. em suma. com presentes e agrados. Bagnuolo manda reconhecê-las por Almiron. ficando assim entregue às mãos inimigas. a abundancia das pastagens de gado. por terra. que escolheu como fronteira de seu domínio e de suas conquistas. à falta de necessária provisões. Neste rio. Francisco. O terror que se apoderou da soldadesca. Antes de empreender estas explorações. Francisco. não acompanhando mais o exercito fugitivo. que não obstante auxiliado por Francisco Rabelo. e embarca em Barra Grande para Jaraguá. 85 Porto Seguro. a fim de prestarem-lhe auxilio. era bastante para incitar em Nassau o desejo de levar avante esta marcha. Percorreu-o em distancia de 50 léguas para o centro. mandando para o sul. provam que os meios de luta achavam-se em bom pé. Francisco. fortifivada outro posto. onde pôde fortalecer suas armas. dividiu Nassau suas forças. em uma carta que dirigiu ao seu parente o príncipe de Orange.p. todavia. cuja gravidade não seria tão sensível. abandonadas pelo exercito fugitivo.

Cristovão. pelos sacrifícios de Gilberton e Almiron e pela recusa formal de oferecer combate à campo aberto. aguçado pelos lucros. O governador recusa o oferecimento de um general sobre quem os contemporâneos. conserva-se onde estava o. o que motivou a demora de Bagnuolo na capital de Sergipe. o que se não pode contestar pelo abandono em que deixou algumas porções do exercito. pelo compromisso de preciosas vidas. Pedro da Silva ofereceu-lhe o auxilio de sua tropa. 345 Constâncio. pelo definhamento do comercio. neste proceder nesta deliberação de fuga. com que poderia enfraquecer as forças inimigas. cujo domínio já se estendia a tão largas distancias. ficou sob a ação do medo e do terror? Ele. diz o governador. da indústria. realizasse a improfícua tentativa de defender Porto Claro. Isso é a prova mais visível da fraqueza moral de Portugal. os próprios inferiores. Enquanto o governo de Holanda. todavia. prestava auxilio a companhia. em cuja mente não passava a probabilidade do inimigo assaltar a Bahia. de emboscadas. Bagnuolo poderia resistir em campo aberto à luta? Repudiados seus oferecimentos pelo governador da Bahia. Alagoas. Francisco e Sergipe. S. nutriria o desejo de eliminar o português. para a defesa de Bahia. Sua língua tinha deixado de ser a língua oficial. História do Brasil. Bagnuolo resolve estabelecer seus quartéis em S. buscavam nos currais de 86 Southey. em vista das esplendidas vitorias que suas armas iam conquistando em favor do governo holandês. e iniciar a guerra de depredações. sentia morrerem todas as suas forças ativas. desde que os recursos enviados pelas duas metrópoles eram desiguais. de fuga. Francisco sua marcha. neste sistema de guerra. Op cit II. História do Brasil. que posteriormente tão heroísmo mostrou na defesa da Bahia. 91 . 86 E Bagnuolo. Estes pontos estavam irremediavelmente perdidos. da agricultura. E para restringir-lhes os meios de subsistência que. pela posse de um território de cuja riqueza o próprio Nassau era o primeiro a dar o testemunho. até mesmo do coração da colônia? Se havia justeza de motivos para se lhe imputar fraqueza de ânimo. que certamente seria assaltada por Nassau. de emboscadas. Avisa Bagnuolo à corte de Espanha o que ia sucedendo e em oficio ao governador geral do Brasil. há um vislumbre de plano e calculo. com mais facilidade. p. que montava talvez em dois mil homens. Portugal. Beauchamps. sucumbiu à covardia? Ou Concebeu o plano de não estragar seu exercito.Não descansaria em S. Cristovão. se Nassau não suspende em S. pois. assacavam a pecha de covarde. Serlhe-ia mais necessário. que trazer a Bahia a fortuna de Pernambuco. Como. pois se não pode conservar donde vinha. para opor franca resistência no assalto da capital da colônia? E como poderia prever que Nassau. sob a tutela espanhola. Estava em sua convicção que estragava o exercito se em completa desigualdade de forças.

107 92 . 342. um fortim de madeira. para uma definitiva ação. faz as mesmas excursões pela margem de S. Francisco. João de Estrada. p. e que nenhuma dúvida deixa no espírito dos fugitivos de um ataque iminente e da superioridade das forças dos seus companheiros. manda apregoar um bando. Francisco. Essa guerra de depredações e emboscadas que Bagnuolo ia realizando em Sergipe. do qual se desviara para levar o inimigo aos muros de S. Alagoas. Só dos currais de Simão dias são retiradas cento e cinco cabeças. do exército holandês. e que no começo do século XVII tinha obtido sesmaria na Itabaiana.87 Manda um dos capitães de seu exército. com quarenta homens e índios.92 Bagnuolo. 106. Francisco a nado. aprisiona um oficial holandês que traz para seu acampamento. o qual não pôde permanecer muito tempo em S. com três companheiros. resolve expeli-lo de seu aposento e para isso manda convocar os batalhões aquartelados em S. para moverem-se. Moribeca e Recife. Souto novamente cruza o S. João de Almeida. mata sete dos onze que ele ataca em uma casa. sob o comando de Johan Gisselingh que devia unir-se à Schkoppe. tinha o inimigo construído. voltou a Recife para encetar o seu trabalho administrativo. Francisco.89 Daí vem o nome da atual cidade de Simão Dias. dando-lhes gado sob pena de prisão. No mapa de Barloeus vem determinando o local do seu curral. Cristovão. onde se pôs uma bateria sobre uma árvore com três peças de calibre seis91 e do mesmo lado do rio. 105. em vista de uma febre. onde morava o célebre fazendeiro do mesmo nome.34 p. vol. junto à foz. na margem sul do rio e defronte dela. Francisco. Arq. sem ser apercebido. a quem tinha chegado a noticia dessa resolução. onde mata quinze homens. 88 Dominavam Itabaiana todo o território compreendido entre esta cidade e a de Simão Dias.180 pelo mapa de Barloeus verifica-se que esta fortificação fora construída no lugar em que está hoje edificada a Vila Nova. cruza o capitão Sebastião de Souto o rio em jangadas. um reduto – Keert de Koe. Era de alto valor para Bagnuolo pesquisar os movimentos de Nassau em S. onde mata 50 inimigos. Francisco ao comando de Segismundo Schkoppe. aprisiona dois holandeses. Op cit p. em virtude do qual autoriza a remoção do gado para margem sul do Rio Real. D. transmitir aos moradores de Itabaiana88 sua ordem. Do Inst. Para isso expede diversos destacamentos. 91 Ver. Francisco.Sergipe. confia a Souto verificar as forças que se vinham agregando. cujo local deve ser o mesmo do curral e fazenda desse criador de gado. Além da fortificação de Mauritius. que o atacou. 90 Constâncio Op cit. A cinco léguas acima do forte de Mauritius. Pernambucano. A 20 de maio Souto percorre o território circunvizinho à foz do rio. com uma força talvez de 1600 homens e a exploração pelos mares do sul ao almirantado Lichthardt. 92 Barloeus. carta de sesmaria de Simão Dias. a fim de desalojarem o inimigo. ao entrar a estação invernosa. com a presença do inimigo em S. e a 26 prende dois auditores do forte Mauritius90. suas operações. Entregando a fortificação em S. cuja fronteira agora não julgava bastante segura. reclama de Nassau sérias medidas. 89 V. a fim de retirar o gado da capitania para o sul do rio Real. a 5 de maio. Figurava como principal fazendeiro de então Simão Dias. 87 O Capitão Alberto Fernandes é o encarregado de apregoar o bando de Bagnuolo. morador em Sergipe desde 1599.

serviam de alimentos aos potiguares em seus festins. pois. a fim de voltarem às suas abandonadas habitações. para defender-se o coração da colônia. Bagnuolo aceita este parecer e levanta o seu exercito para a fuga. por entre a florestas. mortos pela fome. entregando-se Sergipe à devastação dos inimigos. porem mais prudentes. a probabilidade de um assalto a si. em cujas mãos caiam. habitadas por animais e índios. Estas espadas que se embainhavam em Sergipe. pela miséria. Sergipe não merecia ser o teatro tão importante acontecimento. acima das probabilidades da vitória de um exército. presos pelo cansaço. inspirando-se nos interesses gerais. salvo-condutos. pois. para aceitar do inimigo. para quem a coragem. expede diversas partidas a devastarem e assolarem a fogo o território que abandonavam. porém. abrigavam-se à sombra das florestas onde serviam de pastos aos animais. renunciavam às garantias de uma recompensa. E pôs-se a caminho com os infelizes e míseros emigrantes das províncias conquistadas. o civismo é o que mais alto fala. está a honra dos seus generais. em cujas estacadas ficavam retidos. cujo fim o espíritos não podiam prever. nunca lesiva ao sentimento de honra de seus generais? E para onde ir-se com estes peregrinos. com uma possante cavalaria e uma infantaria de três mil homens. Francisco. Estas bandeiras que nas ruas de S. tática encetada. Barbalho e muitos outros. deixando em pé inferior os planos de uma luta. Henrique Dias. Salvador do fuzil do inimigo. deveriam ser desembainhadas para defender os muros de S. outros. quando as portas de S. Lá todo heroísmo deveria ser posto em ação. Uns. onde figuraram os heróis que posteriormente restituíram à metrópole as províncias conquistadas. o Brasil meridional ficaria em Posse da metrópole portuguesa. Estes. a 14 de novembro. que encontravam devastadas. é a força diretora das deliberações. que augurava para o Brasil um péssimo futuro e preparava-se para debelá-lo. pois deveria pesar a gravidade do momento. reclamam que já é tempo de suspender-se uma fuga tão desairosa a brios militares. deveriam tremular no coração da colônia. arrostando a fome. como Negreiros. A Bahia os recebia agora. o grau de conveniência de suas longínquas conseqüências. o cansaço. Antes de seguir. e sentiam desaparecer da alma desse sentimento de patriotismo. justamente quando seus espias. saqueadas. Os mais destemidos opinam pela luta franca e decidida. salva a capital. mais calmos e mais políticos.Bagnuolo reúne então seus oficiais em conselho. comunicam-lhe ter o inimigo passado as águas do S. Cristovão se enrolavam em seus postes. seguindo uma derrota. com o abandono da família? Outros menos heróis e valentes. A filha de Cristovão de Barros não poderia testemunhar o heroísmo deste exército. sempre quis ser prudente. votam que se continue na fuga. Outros. perante baionetas inimigas. manchada por uma fuga. Salvador fechar-se-iam a este exército que sempre trepidou. com estes foragidos de pátrios lares. sempre analisou as conseqüências de uma derrota. Camarão. E para onde ir-se. em busca da Bahia. que poderia ser desvantajosa à colônia. toda a coragem deveria potenciar-se. ou distanciados do exército pela marcha que levava. nem calcular. para 93 .

no intuito do inimigo nada encontrar na nascente capitania. que 93 “ enquanto a partida fazia alto. aos caprichos do infortúnio. desaparecendo uma pequena riqueza. repugnante. Depois de apagarem os holandeses todo o vestígio de vida que ainda restava na capitania. E nesse peregrinar. como o exercito de Xenofonte. opressiva. Francisco. seguraria os interesses já presos ao norte de S. desembarcam na fortificação que tinham defronte do forte de Mauritius. pelo aspecto do terreno a probabilidade de riquezas naturais. Cit. Atravessam o rio poxim. com a miséria e a dor. afogando-se num arroio. aqueles cujas forças privaram de acompanhar os seus concidadãos. em uma incandescência de ódio e rancor.95 em demanda de S. o pitanga.. A destruição encetada pelos conquistados é acabada pelos conquistadores. Ai fizeram alto. Cristovão. nessa sucessão de dores e incômodos. ficando o vestígio de uma completa destruição nos lugares por onde passaram. e chagam aos muros da cidade em 17 de novembro. atravessam o S.quem a idéia de submissão era dolorosa. de onde mandam uma fração do exercito para a costa. nesse tumultuar de angustias que se erguiam de todos os peitos93. tendo à frente Gysselingh e Schokoppe. entrega a tudo à destruição de seus soldados. que entregam às chamas a pequena cidade. Conta-se até que. acumulada em quarenta e sete anos de colonização. ate os areias de onde Santa Izabel e a ilha de Arambipe. daí enviam parte do exercito para percorrer a zona de Itabaiana. com o espírito entregue à desesperação da sorte. o Paxim-Assu. matara cinco mil. foi uma mulher lavar roupa num regato e depôs o filho numa moita. incendeiam os engenhos e em vez de protegerem os infelizes abandonados. enxotam-nos de seus lares para. Op. o Ganhamoroba. além de oito mil cabeças de gado que afugentara para além do rio Real. voutou-se e viu uma onça a devora-lo. 95 No mapa de Barloeus esta fortificação vem o nome de Houte Wambis 96 No mapa de Barloeus esta ilha vem com o nome de paraúna. Southey. sem nela deixar o menor sinal de administração publica. Os holandeses. Bagnuolo. o Sergipe. caiu n’ água com o rosto para baixo. 94 . 345 94 Constancio Op. Francisco. Percorrem uma zona de Itabaiana até Simão Dias e a serra da Miaba. que cedo organizada. seguirem a reforçar o exercito fugitivo. Poximerim. que mal lhe dava pelos tornozelos” Brito Freire. e destruírem a pequena riqueza que um. o Comandoroba. devastam os canaviais e os sítios.96 o Japaratuba grande pelas suas cabeceiras. nesse heroísmo que se quebrava na aspereza da disciplina militar. afluente do Betume. seguiam o exercito.a colonização de quarenta e sete anos tinha acumulado. Perdidos os sentidos a esta vista. chegaram a 29 de novembro94 à torre de Garcia d‘Ávila. voltam para o rio S. Limitaram-se a efetuar correrias pelos território da capitania. verificando. Cit II p. o Ciriri. logo depois o ouvindo gritar. pára ai esperar novas decisões uma nova serie de calamidades e decepções. Francisco. em cujas ruas levantam entrincheiramento sem a menor resistência.

Ai perpetuaram-se os efeitos dos seus três graves erros que tanto contribuíram para a decadência do domínio batavo no Brasil. levantou-se o primeiro grito da revolução. tudo lhes inspirou ódio e vingança. com poucos pés de profundidade. durante sua estada no rio S. Muito mais difícil tornar-se-ia o assedio do forte Mauritius e das outras fortificações que os holandeses já tinham levantado no território de Alagoas e ao sul de Pernambuco. por um espírito político. Francisco. Não lhe deveria ser indiferente fortificar Sergipe. desde Santa Maria até os areais de Santa Izabel. até a Bahia. E acreditamos que. como em virtude destas exigências de Viera . quanto não estavam inoculados na sociedade de Sergipe os maus antecedentes da raça colonizadora. três mezes antes. descansou Bagnuolo. nas margens do rio Real. em 1637. pois. Francisco. que obedecesse a outras leis mentais e morais. muitos difíceis as invasões portuguesas no rio S. como veremos adiante. 261 98 Sermões T. na historia. não puderam fugir. se a molestai que lhe atacou as forças. nos sete anos de governo. depois 97 “ forçar é reconhecer que mais fidalga e cavalheirosa se houvera apresentado a restauração de Pernambuco. não lhe deveria ser indiferente que a realização de tais medidas seria contribuir poderosamente para a perpetuidade de seu governo. A invasão holandesa em Sergipe não foi presidida. Não deveriam poupar nem o território onde.p. Viajam pela costa oriental. que Nassau que retificar o erro de 1637. tomando-os a sua proteção. intenta uma invasão no coração da colônia. tornar-se-iam.deveriam ser exploradas. por um corpo de guardas avançadas. para a organização de uma nacionalidade no Brasil. como. desde o litoral ao sertão. pelo menos. E tanto a verdade esta nestas considerações. dando descanso em Sergipe . que expatriados. ficando indiferentes às garantias futuras que a ocupação de Sergipe oferecia aos outros pontos já ocupados. 8º p.97 Não só deixa de pesquisar Bagnuolo. testemunham as riquezas dos pastos de criação de gado. com a organização de uma administração que zelasse pelos interesses dos infelizes. entretanto. repelindo de Sergipe os restos do exercito pernambucano. que sempre guiou o representante dos Oranges no Brasil. Os Holandeses no Brasil. pois. que como diz o padre Vieira era os ossos da guerra e pelo seu valor e experiência digno de ser venerado como relíquia98. com uma difícil navegação para a entrada de grandes esquadras. promovendo a colonização de Sergipe em 1642. quando nos impossíveis. o escolho do ilustrado conde. não lhe tira a oportunidade de testemunhar as riquezas naturais da capitania. pois. onde tirariam o alimento para a província conquistadas. cujo começo já existia.108 95 . em vista das barras dos rios navegáveis. estabelecendo entrincheiramento no rio Real e ascender à vida social. teria poupado a Sergipe a calamidade de que foi alvo. Sergipe representa. se tivesse rebentado do seio própria província e não do rio Real. com tanto maior garantia para segurança da colonização holandesa. durante sete meses. se ele faz parte dessa expedição. veio a suceder” Porto Seguro. Vigiado o limite meridional de Sergipe.

De órfãos de São Cristóvão.” (Liv.102 O sentimento de caridade e o sentimento religioso já tinham levantado templos. e ver elle dito rubelio dias a dita casa da santa mizericordia muito pobre e particularmente de ter tomado o inimigo a capitania a enfanteria a ordem do conde de banholo e não haver na dita casa com que se pudesse acudir aos pobres do exercito e retirados. 15 103 Na escritura pública passada entre Rubélio Dias e os irmãos da Misericórdia de São Cristovão. E Rubélio Dias. Era capitão-mor João Rodrigues Molenar.os carmelitas. no próximo capítulo. pela ausência de proteção da capital da colônia e da metrópole. a 20 de setembro de 1637 para o cumprimento de uma verba testamentária deixada por seu pai Belchior Dias Moreya a favor da santa casa. p. a influencia destes erros.63 100 De entre os currais figura o de Camarão.. cit p. de sua vaidade militar. a 20 de setembro de 1637. a fim de acudir às necessidades públicas e socorrer os pobres e doentes do exercito de Bagnuolo.103 A idéia religiosa que era a idéia dominante e que tinha dado à classe clerical o papel mais proeminente no movimento social. os holandeses mataram três mil além das que conduziram para suas fortificações. A administração publica vigiava interesses gerais e o movimento colonizador.como pela ostentação material de sua força. à qual deixava duzentas vacas parideiras em dois currais. o presente dado a Nassau para o aparato de seus triunfos. entre os rios Seriri e Ganhamoroba 101 Southey. natural do Rio Real. desde 1637.. lemos o seguinte : “ . Op cit. a colonização de Sergipe. Eis seus três erros: Sergipe foi a bola com quem Bagnuolo saciou sua sede de vingança do exercito holandês. perante o provedor e irmãos da Misericórdia. finalmente. na direção da sociedade. e S. Cristovão já tinha cem fogos. Melhor apreciaremos o papel de Sergipe na decadência holandesa. além das três mil cabeças que Bagnuolo destruiu e conduziu para além do rio Real. segundo o mapa de Barloeus. não só pela diversidade de suas ordens religiosas existentes --. distribuídos por toda extensão do seu território100.. que institui-o como administrador de seu morgado.de ser o primeiro a fornecer-lhes forças. criadas pelo domínio espanhol. ainda que não muito próspero. Brito Freire § 802-9 Barloeus. a braços com as dificuldades. Os Holandeses no Brasil p. oito engenhos de fabricação de açúcar. do cart. vai cumprir uma verba testamentária de seu pai Belchior Dias Moreya. de 1635-37) 96 . em favor da Santa Casa. e estabelecimentos de mão morta para provarem à posteridade a sua existência.II. que a seus ensinamentos achava-se entregue. cuja localização. os jesuítas e o clérigo secular --.O. todavia já tinha espalhado pelo território da capitania uma população bastante laboriosa. de not. deixou de promover. para ir organizando um começo de lavoura e ostentar já a profissão pastoril. na edificação de capelas.99 Sergipe já contava então quatrocentos currais. 99 A criação de gado era tão ativa em Sergipe que. apresentava-se poderosa. é onde hoje esta edificada a vila de Pé de Banco.. uma misericórdia e dois conventos101 e a sua recita subia a mais de 624$000. em um pé de sofrível adiantamento. 343 102 Porto Seguro.

provavelmente onde se acha edificada a cidade de Laranjeiras. ficando as famílias espoliadas voluntariamente de sua riqueza. Cit. em Comandoraba: a de Stº Antônio junto ao rio Jacaracica. a de S. o clero em Sergipe. seriam causa de maior prosperidade. Guiando-nos pelo mapa de Barloeus. que como conseqüência natural. provavelmente onde está situado hoje o povoado do Brejo Grande. Poderosamente isto contribui para caminhar lento da população e para um desequilíbrio na distribuição da riqueza. S. a dos capuchinhos. Gonçalo próximo à S. onde edificaram um suntuoso templo. Depois transferiram-no para a cidade . junto ao engenho do mesmo nome. Francisco. plantou no espírito público as idéias de superstição. Gonçalo. em favor das ordens. Cristovão104 que aos carmelitas tinha sido dado por um devoto. a de N. seguiram-se a eles os carmelitas em 1618 ou 1619. Com uma ascendência completa sobre o movimento social. ligando toda a importância à manifestação externa desse culto. aplicando-a aos interesses próprios. de inquirição. traria o desequilíbrio na distribuição do poder. a de Itaperoá. 585 97 . que deunos a seguinte tradução: A piedade cristã dedica este templo ao seu Senhor supremo. a de santa Izabel. na mesma margem. op. de acordo com a classe do governo. de protecionismo. nas margens de S. Bento 107 Frei Jaboatão. § 540 p. que se manifestava por três ordens religiosa e pelo clero secular. de pesquisa. de levantar um culto com aparato. por meio da proteção do estado e dos legados testamentários. a de S. S. Já nesse tempo tinham levantado monumentos à sua religião. carta de sesmaria dos carmelitas. que lhes foi doada por um devoto. em cujo frontespício vimos a seguinte inscrição ZELO ZELATUS SVNPRO DNODEO. Tendo os jesuítas se estabelecido desde 1597. arrodeado de pompa e riqueza. 106 V. na margem direita do Cotinguiba. em 1657107. Compreende-se facilmente que o domínio do sentimento religioso. onde havia uma capela. com a incumbência de ensinar a nova geração e der ser o órgão da opinião nos púlpitos e confessionários. carta de sesmaria dos padres de S. Só muito posteriormente vieram os franciscanos. 105 V. onde hoje está a vila do socorro. de reverência. que ali edificara uma capela. contamos a capela de Stº Antônio. eliminando todo o espírito de análise. trazia embaraços ao progresso colonial. no povoado hoje do mesmo nome. onde 104 Pela Sesmaria dos carmelitas na nota seguinte. Cristovão na Ilha dos Coqueiros. incutido no espírito popular pelo clero. gerou o falso espírito aristocrático. de quem trataremos adiante. A favor da classe sacerdotal distribuía-se os recursos públicos e particulares. vê-se que o seu primeiro convento foi em S. do Rosário.105 tendo sido precedidos pelos capuchinhos em 1603106. com a proteção e prerrogativa de desviar para si grande parte da riqueza publica e particular. Gonçalo junto à cidade de Sergipe. Submetemo-la ao nosso parente Baltazar Góes. de Souzaria. abriu uma linha divisória entre as classes.Acreditamos que os dois conventos existentes eram o colégio dos jesuítas e o do Carmo em S. ficando assim privadas as outras classes de utilidades que equitativamente distribuídas. a de N.

Neste tempo (1637) já exportava-se algodão. com um baixo salário. pois vendia-se uma zona de terra de mil braças de extensão sobre três mil de largura. mais tarde..chamam hoje Igreja Velha. que em Sergipe se dava. como o acúmulo de riqueza em favor do clero. Eis o estudo de Sergipe. tabaco e açúcar para a Bahia. um porção de terra . e nas suntuosidades dos templos retratavam-se não só a tendência teocrática que. junto à cidade de Itabaiana.. por 200 cruzados. que era a característica da época. Ela sem iniciativa. ficar inativa. liv. presenciando os exemplos de aristocracia. a classe popular tinha de contribuir para a pompa e esplendor do culto. levantou-se o espírito religioso. Citamos aqui o texto referente a isto: ”. eles tinham de servir para o alimento da aristocracia que se gerava. que hoje tanto nos oprime (1887) e que a vida de três séculos fornece eloqüentes exemplos. um vaqueiro alugava-se para reunir todo o gado do dizimo a 12 vinténs a cabeça e 17 os que pertenciam ao dizimo da Bahia. Um negro custava 36$000 um boi 4$000 e a fiança para tesoureiro das fazendas e defuntos era de mil cruzados. tomou maiores proporções. no tempo de sua vida nas ocasiões de guerra e mais cousas que de serviço do dito senhor se offereceram. inteiramente contrários a liberdade popular. a do almoxarife cinco mil. ficando a classe popular a ser o alvo dessa espoliação.109 com uma pequeníssima remuneração dos empregados públicos.110 108 Neste tempo foi vendida por Antônio Barbalho Feio a Marsal Maciel. supersticiosa. disseram que trespassavam como de feito deram e transpassaram ao dito seu irmão o capitão João Lopes Barbalho para que elle para se requeira ou mande requerer a Sua Magestade e delle se aproveite das mercês que por este repito lhe foram feitas como se fora o próprio seu pai por quanto delas desistiam e a renunciavam no dito seu irmão deste dia para todo o sempre virem como também desistiam dos serviços de um irmão seu por nome Gaspar Barbalho que morreu as mãos do inimigo holandês na batalha derradeira que com o inimigo tiveram na vila do porto calvo”. por bem do que perante mim tabelião e testemunhas adiante nomeadas. João Lopes Barbalho e Manoel Lopes Barbalho são filhos de Gaspar de Carvalho e Clara Barbalho. os irmãos Antônio Barbalho e Manoel Lopes Barbalho em escritura pública de 19 de Outubro de 1937. Cristovão. 98 . todas as regalias dos serviços prestados por seu pai em favor da metrópole. Antes de levantar-se o espírito da lavoura. Não obstante minguados e pequenos seus recursos. Arrendava-se um curral. reverente e tímida. com uma grande extensão territorial. trespassaram ao seu irmão o capitulo João Lopes Barbalho. pois. deveria. aos princípios democráticos.108 com um valor territorial nulo. Paupérrima pela insuficiência de recursos. como também eram herdeiros de todos os serviços que o dito seu pai em sua vida avia feito a sua majestade. Pelo mesmo documento vê-se que Antônio Barbalho. De 1635-37. hábitos que posteriormente haviam de ser a causa de uma organização social defeituosa. Encontramos em nossas buscas uma nota de um registro de um carregamento em um navio. 8$000 anualmente. cada vez mais. além dos templos da cidade de S. O primeiro passo de civilização. de mil braças de largura sobre três mil de comprimento. era. por duzentos cruzados (80$000). quando se deu a invasão holandesa. 109 Segundo os códices que folheamos do começo do século XVII. em obediência à ação dos hábitos. de not. 110 Durante a estada de Bagnuolo em Sergipe.

razões contrárias se levantaram e bastante poderosas abortarem esse grito de iniciativa. Cit. quanto a Bahia não se achava preparada para uma luta como o exército como o de Nassau. Pelos seus campos pastava o resto do gado. quando a Bahia manda um reforço para ficar destacado em Sergipe.. 111 abandonado dos conquistadores dos fugitivos. continuou nas correrias. p. DOAÇÃO DA CAPITANIA Os saques e devastações de que foi alvo Sergipe. Nesse abandono permaneceu desde novembro de 1637 até julho de 1639. conduzindo o gado. rarum venatore adeatur”. 536. em busca de subsistência. Ainda que algumas vezes se levantassem em favor da colonização de Sergipe. que Bagnuolo julgava iminente.. sem se lhes preparar habitações seguras. Ainda mesmo que se conseguisse colonos. 112 Os argumentos apresentados para abandonar-se o plano da colonização de Sergipe venceram. de onde não se podia desfalcar forças. Haec bellis vastata. contra a vontade dos naturais. colocado no forte de Mauritius. vel hosti vel nobis vel trigidum vera citatem cessit. Sergipe não morreu a atenção da capital da colônia. e durante os quais o exercito holandês. 535. triste sui vertigium reliquere. eles não podiam dar vida a um processo de reorganizações. Estas. 99 . incolis dilapsis. com esquadrões de cavalaria e infantaria. pelos conquistadores e fugitivos. isentas das destruições inimigas. servia agora de alimento aos tigres. Quod reliquum erat pecoris. op. 111 “At. 112 Barloeus. apelando para as grandes despesas que arbitraram em 150 florins. ut ab rarionem capturam. que salvo da vingança dos fugitivos e da cobiça dos conquistadores. Foram quase 2 anos de morte. Cit. que não deveria ficar abandonada. encetando a colonização. que se deveria colocar na província. fizeram da capitania um deserto. cuja administração não daria tempo ao superintendente vigiar as baixezas. Pelas florestas encontrava-se um ou outro caçador. sob os esforços dos primeiros colonizadores.CAPITULO V DOMINIO HOLANDÊS EM SERGIPE. Barloeus. o interesse iníquo e as explicações dos selvagens. noticia tanto mais contristadora. op. no Brasil. levaram á convicção de abandonar-se o plano.que ao chegarem a torre de Garcia d‘ Ávila espalharam o medo e o receio de um ataque á cidade do salvador. O espírito batavo não se deixou dominar por nenhuma idéia de reconstruir as forças da capitania. tão favorável á prosperidade do governo holandês. p. e os males dessa resolução não se fizeram esperar. et in Sanctorum sinum propulsis. de onde desapareceram completamente o trabalho agrícola e atrasada vida administrativa encetada e mantida. usqueo adeo.

p. realizando agora (1638) aquilo que já deveria ter feito. em vista da boa estrela que o guiou desde Porto Calvo a S. 100 . é que essa excursão foi mais motivada com o fim de apagar um desastre. e em cuja pesquisa não quis continuar.de Paraíba a Sergipe. consertar um plano político. Com ela. em vista da concentração das forças. que de direito pertence à história sergipana registra e cuja influência sobre os acontecimentos exteriores tem sido olvidada pelos historiadores pátrios. Auguste de Qvelen. por que talvez lhe parecesse um bando de crianças tímidas. concede o plano de atacar Bahia. aqueles soldados estropiados. O que queremos tomar bem patente é que sobre o movimento bélico de 1. Cristóvão. Not. plano que não devia ser concebido e logo posto em prática. de que por um pano de interesse geral. tratando de zelar os interesses. são os meninos que na Bahia em 1638 gritaram a vitoria perante suas armas e suas esquadra. Sabendo das desinteligências que se tinha levantado entre o conde italiano e o governador da Bahia. foram enxotados pelo o seu exercito vitorioso. que motivou-lhe um grande incômodo de espírito.637. comme anniva a Cannes”. Porto Seguro. em demanda do recife. Salvador 113. externado em sua correspondência. 1640. Esta. quer reivindicar para si todo o monopólio do comércio do Brasil. Excussão perigosa. até os muros de S. juntamente com as câmaras. que se achavam sob seu domínio. Amsterdam.. C. que acremente o censurou por abandonar Sergipe. O que não sucedeu. Já era mais que suficiente a largar extensão de território que o seu domínio ocupava. mostrando as garantias do comércio livre. A exigência da companhia. Foi esse o primeiro desastre de Nassau. a guerra á Bahia foi o primeiro resultado do erro cometido em Sergipe. que nem a menor resistência encontrou. que derrotada abre aos ventos as velas. e sim longamente discutido entre os membros do conselho. Chez L. Não conceberia. Brieve Relation de l’Etat de Phernambocq. ainda não salda das despesas feitas. contra a qual Nassau se opõe. da qual esperava um próspero resultado. em1637. cansados e famintos nas ruas de S. na realização do qual as novas e grandes despesas acumulavam-se.Nassau. que ele mesmo tinha sido o primeiro a consentir. 17. provocando isto ainda haver déficit em suas especulações. em favor dos interesses da companhia. o que fez em abril de 1638. se Sergipe não tem sido abandonado. 170. Os holandeses no Brasil. era suficiente para inspirar-lhe a desistência do plano do ataque. o mesmo da companhia.. quis retificá-lo e diminuir seus maus efeitos. destroçando as grandes forças de Rojas quiseram o conde holandês remediar uma falta. etc. Aquele exército que tantas vezes deu-lhe as costas. 113 “Le Comte de Nassau aprés avoir pris Porto-Chaves se reprochait de ne pás être porte sur Bahia. em cuja consciência pesava a convicção do erro de não ter seguido bagnuolo. Cristóvão. ativar a vida das capitanias.638 influíram os acontecimentos dados em Sergipe em 1. alegre.

os planos de Nassau. camarão e Henrique barbalho. e com a ordem de seguir Jol em julho para a ilha de cuba. sem ordem sua. mais de emboscada do que de peito aberto. era uma guerra de emboscada. Arq. por meio de espias colocadas além do S. João Lopes barbalho encontros sucessivos com esquadrões holandeses. Francisco. Rev. Francisco.Continuou Sergipe abandonando. deixando em Sergipe o mulherio. na torre de Garcia d’Ávila. As ordens eram expressas para arruinarem todos os engenhos. em abril de 1640. 101 . de 17 de novembro. Os terços que vagavam pelo sertão de Sergipe. Privar que tropa algumas passe o teatro da guerra. Efetuou então Luiz Barbalho a gloriosa marcha de quatrocentas léguas do rio grande do norte há Bahia. Francisco o almirante Cornélio Jol com oito navios. manda pesquisar os portos do sul. despacha para o norte Vidal e camarão e incumbe. atacar camarão e Magalhães. Francisco. os velhos e os doentes. vigiar os inimigos e transmitir a Bagnuolo. Vindo como plano de atacar Pernambuco. como realizá-las fielmente. em 31 de julho de 1639. para transmitirem-lhe todos os movimentos. 114 Não sabemos quando João Magalhães teve ordem de marchar para Sergipe. do qual resultou a derrota para a sua aramada e exercito. em 1639. holandeses no Brasil. Nassau manda o coronel koen. assim como a infantaria e soldados do capitão. comandados por Luiz barbalho. Eis as do governo central.116 Tendo ido o almirante lichthardt à Bahia. que também já tinha sido despachado para Sergipe114. uma guerra de índio. em busca de gado. até quando o conde da torre assumiu o governo da colônia. quando veio com Sebastião do Souto. Expressamente ordena a Barbalho que use de todo ardil nas lutas. justamente com camarão. Provavelmente aí ficou. setecentos soldados e duzentos índios. 210. Opor-se as correrias holandesas. que recomenda-lhe não só escrupulosa atenção as ordens do governador. no rio real. que ficara comandado as tropas em S.mor D. 115 Carta de D. manda barbalho passar o rio de S. Não contente Nassau com os destroços do inimigo. Vigiar sobre os interesses dos habitantes. Pernambuco número 34. com 100 infantis a quem devia reunir-se o capitão João Magalhães. não consentido os agravos que lhe possam fazer os negros e os índios. O grande reforço militar que o grande governo tinha trazido permitiu que pudesse colocar alguma força em Sergipe. p. 116 Porto Seguro. currais e incendiarem os canaviais. Francisco Mascarenhas ao Capitão João Lopes Barbalho de 31 de julho de 1639. enviando para S. sustentaram diversas refregas e continuavam sempre a devastar tudo por onde passavam. 34. por escrito. Do Inst. Antonio Felipe camarão e o governo Henrique dias.115 Eis as ordens com que manchou barbalho para Sergipe. recebendo posteriormente as cartas de seu tio Luiz Barbalho. Uma contra-ordem. Deverá vigiar todos os passos do inimigo. ao capitão João Lopes barbalho fortificar e ocupar Sergipe. Em suma. Não nos pertence apreciar a falta de tino do conde da torre no ataque intentou a Pernambuco. p.

Cristóvão. p. 117 118 Biogr. 152. Mello. Cit. assegurando-se novamente do ponto. a quem reuniram-se as forças já postas no rio real. op. desde 1637.. 212. 151.. Nesta peleja o heroísmo de Luiz Barbalho foi tal a merecer do monarca. 212. Cit. distinguiram-se. o tenente Manoel de Azevedo da silva. que se fizeram no rio real. como extremo de seu domínio. recebendo muito mais auxilio da companhia do que a colônia portuguesa de sua metrópole deveria fortificar a província novamente conquistada. além dos acima mencionados. que foi o primeiro sintoma da decadência do domínio batavo no Brasil. op. na Bahia. João de Souza. 138. p. 158. Dessa incumbência foi encarregado o mestre de campo D.. p. como um importante reduto. o capitão Marcos de oliveira. que se de frente não dizimavam suas forças. todavia enfraqueciam-nas. o ajudante Domingos Moreira da silva. Cit. o alferes Francisco de Figueiredo. auxiliado por Luiz Barbalho e João Lopes Barbalho117 e destroçou as forças holandesas colocadas no Rio Real. onde fica prisioneiro o major van den Brande120. Nas lutas travadas no rio real e na capital de Sergipe. Op. intentaram atacar a capital de Sergipe. para aí deveria Nassau convergir sua atenção. 102 . foi a conseqüência dos acontecimentos aqui desdobrados em 1637. que mereceram louvores de seu rei. com o que largaram a campanha. op. 162. Porto Seguro.119 E no dia 1º de agosto obtêm a mesma vitória nas ruas de s. 143. 160 e 180. a recuperação de Sergipe em 1640. as seguintes expressões: E marchando. II. logo que chegou a Bahia. Cit. onde agora concentrava-se as forças portuguesas e por conseguinte de mais fácil assédio. 152. 148. que durante cinco meses trabalhou na edificação das trincheiras e fortificações. em provisão de 7 de dezembro de 1663. privando assim essas correias de caudilhos. II. Durante este período de tempo. que se achava então fortificada pelos holandeses. filho de Luiz barbalho e muitos outros. 119 Mello. II. II. que as rompeo. a desalojar o inimigo do rio real. investiu com tanta resolução as suas fortificações. Os dois caudillho não puderam levar vitória e tiveram de ceder o posto. I. que saiu ferido. p. Por isso mesmo que se achava Sergipe mais aproximado do coração da colônia. o capitão Francisco pereira Guimarães.118 Satisfeitos os ânimos pela vitoria obtida. Francisco de Moura.onde ficaram fortificados por ordem de Luiz barbalho. e as desbaratou.. 120 Porto Seguro. De Mello. 121 Mello. Cit. vem o general D. Chegando a noticia a Bahia. Agostinho barbalho121 bezerra. Caía em 1640 novamente Sergipe sob o domínio português. em que estará fortificado. p. o alferes Antonio Martins palha. era o resultado do erro cometido por Nassau de não se ter convenientemente fortificado na capitania. op. matando-lhes mais de trezentos homens. Se a derrota de Nassau em 1638.

se não em maranhão. Calado. op. a restituição dos prisioneiros holandeses por Pedro Corrêa. adiantados em certo grau de civilização. 224. não obstante tudo isto. p. em que estavam os dois partidos. que a colonização portuguesa não tinha ainda aproveitado. de guerra. os portugueses neste período de guerras depredatórias. que. e sim de hordas selvagens. desde o começo de 1641. em vista do sentimento de patriotismo. e não desanimar o espírito de revolta. do rio Real até seus limites ocidentais. para continuar-se nesse plano de guerra. se. de guerrilhas. Qualquer trégua estabelecida nestas lutas. A fração inimiga não teria a seu favor as oportunidades para sustentar. que seguia uma vida autônoma. ser seu sentinela.Quase que sem interesses mais presos ao norte. florestas virgens e espessas matas. não obstante o entabulamento de tréguas. a animação.. Andréas. um efeito salutar operou-se nos espíritos pela recuperação de Sergipe. 227. cedo. correspondendo Portugal a essa declaração. não obstante. E tanto Nassau compreendeu a desvantagem de ficar Sergipe fora de seu domínio. a si enviados do Recife. Nassau manda que o comandante das tropas de S. tomar Sergipe até o rio Real. Talvez não sucedessem assim. Além disso. dispondo outro tanto. uma atividade que chegou a ponto de recuperar a capital da capitania. de emboscadas. mesmo debaixo deste plano. traria uma de alto valor: vigiar o inimigo. quando reais vantagens não lhes trouxesses. acompanhar seus passos. qualquer interseção desse movimento traria uma defervescência nos espíritos. com respeito aos holandeses122. que os Portugueses fossem considerados como amigos. e tentar ataques. Francisco. E quando. fazendo ai entrincheiramentos. do zelo pelo direito de posse de sua nação. fizeram de Sergipe um posto de guardas avançadas. obedecendo aos seus próprios recursos. por maio de carta régia de 20 de março. Reunir-se-ia a esta dificuldade o encontro de hordas selvagens.. Sergipe serviu para animar e sustentar esse espírito de emboscada. que não pareciam de dois povos. para comunicá-los ao governo. que. e que se afugentavam para o ocidente. achar-se-ia em muitos maiores dificuldades em descrever itinerários mais longos. pela devotação aos interesses de seu rei. op. da Gama e a ordem para recolherem-se os campanhistas e guerrilheiros que continuavam a saquear e a incendiar e vir ao Recife Paulo da Cunha Souto Maior tratar de suspensão das hostilidades e ressalvar o direito de cada uma das partes. Porto Seguro. com reforço de Quatro barcos. em conferência com os conselheiros Theodoro Codd van der Borch e Nunin Olfers. quisesse o português não desistir de protestar contra o pouso holandês. um ponto de pousada. por sertões inóspitos. durante mais de um ano. 117. Cit. não obstante cartas de Montalvão de 2 de Março do mesmo ano.123 122 123 Porto Seguro. comunicando-lhe um importante acontecimento da emancipação de Portugal e que esperaria começar entre Portugal e os Estados Gerais ―aquella paz e união com que sempre se trataram‖. não obstante a ordem dos Estados Gerais de 13 de Fevereiro de 1641. Nassau autoriza a sua fortificação. p. Cit. 103 .

perante os portugueses. e tornava-se agressivo. Em 1641. em virtude do qual a cessação das hostilidades só deveria começar. com grande surpresa dos habitantes de S. onde os interesses não podiam ser convenientemente zelados. Havia de dar-se uma absorção por parte daquele que maior força mental possuísse. entra Andréas pela barra do Vaza-Barris. vindas da Holanda que. convencido de que essa proximidade entre eles não era suficiente pala manter um zelo recíproco de interesses. até a ratificação do tratado. Se o erro de 1637 de Nassau foi a causa do seu insucesso em 1638 na Bahia. muito prováveis entre dois povos. muito próximo de sua fronteira em S.Não era em obediência às sugestões. Sem a menor oposição desembarcaram. colocandose a linha divisória em S. Cristóvão. pela proximidade em que ficavam dois povos. com a sua esquadra. oficialmente podia justificar-se com o artigo 8º do mesmo tratado. que Nassau. não promover a colonização em Sergipe. não era em obediência a sugestões. se na Europa dava uma mão amiga a Portugal. tão juntamente unidos. pois. quando fosse apresentada a ratificação do mesmo tratado. das quais poderia resultar um rompi· mento de pazes. em 1641. foi uma poderosa causa da decadência do domínio batavo no Brasil. de antecedentes históricos e hábitos tão diversos. apoderaram-se da cidade. pois. 104 . É esta uma brilhante verdade da história sergipana. Francisco. compreendendo a segurança da posição que aí tinha o inimigo. se ela fosse colocada no Rio Real. animavam e promoviam. que todos os espíritos. que ainda não se tinha dado. Convicto de que a separação de Sergipe do seu domínio poderia trazer desvantagens. sem um centro populoso. retomando Sergipe. para tornar-se agressivo. privaria pequenas guerrilhas e as questões de jurisdição. pouco se importou que a posteridade apontasse um momento de sua vida. Não obstante adiante apreciarmos devidamente o valor desta causa. fechando os olhos às probabilidades de uma paz. Levantam na barra uma notável fortificação e encetam suas pesquisas de minas por Itabaiana. Francisco. dignidade e honra comprometeram-se. com que largamente tinha comparticipado. contra a expectativa geral. a grande extensão inabitada entre este rio e a capital da colônia. que na mesma ocasião autorizou. dizemos. pois. arvorando bandeiras de tréguas. As condições mudariam. desconfiança que foi a maior causa da revolução pernambucana. A suspensão das hostilidades não poderia ser fielmente mantida. antecipamo-nos em dizer que o procedimento de Nassau em 1641 plantou a desconfiança entre aqueles com quem entabulava pazes. na América mandava que se realizassem agressões. rompia um pacto. esqueceu todos 'os preparativos 'de tréguas. em que sua palavra. considerava a emancipação portuguesa puramente transitória. com a recuperação de Sergipe e o assédio de Angola. Perante os interesses que visava em favor dos Estados Gerais.

Sabedor deste fato de agressão. especialmente para a boa manutenção da policia e justiça. que se achavam em guarnição. Cit. conformar-se-hão com a ordenança politica vigente no paiz. Os holandeses não podiam buscar munição pelo território da capitania. recebiam a que por mar lhes vinham124. Oliferdi e os seus colonos. com a extensão e limites que adiante serão declarados. fez com que Camarão não pudesse sustentar o cerco por mais tempo e em 28 de fevereiro de 1642." 1 "O dito Sr. Estados Geraes das Províncias Unidas Neerlandezas. primeiro que tudo. Exas. e não observarão outra ordem sobre a policia e justiça. Francisco. abjurar e considerar como inimigos o rei da Hespanha e seus adherentes. e os nobres senhores do supremo e secreto Conselho do Brazil. aquele mesmo a quem Nassau tinha encarregado. foi tão mal recompensado pelo governo brasileiro que nenhuma vantagem e utilidade descobriu em buscas históricas. povoar e cultivar as terras e lugares da capitania de Sergipe d'EI-Rei si ta ao sul do Rio S.126 conselheiro político do Conselho de justiça do Brazil. op. senão a que é guardada no paiz." 2 "Outro sim. com Theodoro Codd van der Borch. o supremo Conselho faz doação da capitania de Sergipe a Nunin Olfers. em 1641. ou no futuro por alli introduzida. e da outra parte. 126 Porto Seguro escreve Nunin Olfers 105 . III p. A bondade do Dr. redigirem em latim tudo quanto se pactuasse com os emissários da Bahia. que ficou em cerco. que não sejão os agentes e os subditos das Unidas Provincias Neerlandezas. As pesquisas nos arquivos da Holanda de tão ilustrado professor deve a história da pátria o conhecimento deste e outros documentos. 8. para haver em propriedade como feudo perpetuo e hereditário. e não reconhecer outra authoridade suupenor. ou no futuro por alli introduzida. tão covardemente conquistada. Nommo Oliferdi. o governador da Bahia encarrega a Camarão visitar a cidade. o Sr. com a retirada dos soldados napolitanos. 124 125 Soutey. e fazendo o contrario: incorrerão nas penas que o direito commum commina aos violadores da pública tranquilidade e obediência civil. Entretanto. acampando bem a frente dela. não ter correspondência com potencia ou príncipe estrangeiro algum. entre S. A insuficiência de força do exército português. e não tratar ou contractar por nenhum modo com outrem. de uma parte. prestarão Juramento de obediência e fidelidade ás suas Altas Potencias e á dita Companhia. senão a que é guardada no paiz. sujeito á confirmação da Assembléia dos dezenove e á aprovação dos Srs. Eis a doação: 125 "Accordo provisorio concluido. José Hygino Duart Pereira devemos a leitura de tão importante documento. especialmente para a boa manutenção da policia e a justiça. prometendoIhes obedecer á todas as suas ordens.9.

obrigando-se a idemnisal-a nos devidos prasos. grangeem para suas famílias e colonos as fecundas bênçãos de Deus. 5 ―Porão todo zelo e diligencia em instruir. punível pelos magistrados. 106 . procedendo assim . à porção de terra ou terreno (urbano) que lhes for necessário para sustentar e manter a si. com toda a brandura. uma vez que primeiramente facão aqui prova bastante de seu estado. honrado comportamento e profissão. bem como as provisões que lhes forem necessárias para uma anno. e vivão entre si. e as respectivas familias". dará fiança à companhia. no conhecimento da verdadeira religião chistã e pratica desta. em que segundo a ordem da Igreja chistã. em attenção ás suas famílias ou occupação em que elles quizerem empregar-se. que depois e mais circumstanciadamente serão determinados. expressamente será prohíbido que se offenda o santo nome de Deus com juras e blasphemias. de accôrdo com este. se celebra o serviço divino.‖ 7 "A cada pessoa que deseje partir para ahi. a Companhia dará um bilhete de consentimento. afim de que.‖ 4 ―Guardarão os domingos e os dias festivos. e antes pelo contrário. que ―quizerem‖ do mesmo modo que d‘antes. não será lícito aggravar em sua consciência aos que forem de outro sentimento. e á cada uma dellas. e. em que se costuma devidamente observar o culto divino.‖ 6 ―A companhia concederá à todas as pessoas. passa porte para as referidas terras e fará transportar em seus navios as mesmas pessoas com os seus séquitos e moveis. e assim. honrado comente facão aqui prova bastante de seu estado. fazer-lhes alguma moléstia ou deixar que a facão. algumas das ditas pessoas não as poder pagar. evitando as bárbaras cureldades dos Hespanhoes e Portuguezes para por estes meios attrahirem os referidos negros à religião e dar-lhes modos civis. passar-se ao Brazil para ahi morar e permanecer. em paz. não os encommodarão com trabalhos nos domingos e outros dias festivos. por todos os meios possíveis os negros que estiverem em seu serviço. e não os tratarão deshumanamente. salvo si por esses taes for dado algum escândalo publico. Si porém. nem consentirão que publicamente seja observado outro cultu senão o que por pública authoridade for permittido observar no paiz.3 ―Não praticarão. pagando ellas as comedorias. o referido Senhor designará e distribuirá aos colonos. e com toda a devoção.

o que se entende." 13 "Não puderão ter manufacturas. com o nosso consentimento e approvação lançar uma pequena imposição sobre o consumo dos comesstiveis ou liquidas. e durante os dous primeiros annos. exercer somente os outros officios. serão obrigados a fazer guarda e tomar parte em todas as sahidas. e em qualquer occurrencia cuidar da propria defeza. ou proximos. afim de proverem-se da necessaria plantação para o sustento de suas famílias. depois de expirar o praso da dita inspeção." 9 "Tendo expirado o praso d'este privilegio. ficarão inteiramente isemptos de pagar á Companhia. além dos outros. ou sejão authores. a contar da data da tomada de posse. de modo que. para o qual fim cada homem será provido de um arcabuz ou mosquete de calibre ordinario da Companhia e arma branca á sua custa." 107 .. terrrenos. como bois. os moradores pagarão tambem este direito. sem opposição.8 "Os colonos haverão em livre propriedade essas terras." 10 "Nos logares onde morarem." 11 "E succedendo que por alguma necessidade ou outra rasão se ache conveniente. e mais pagarão a quarta parte das despezas adiantadas pela Companhia. como é costume nas cidades e povoações sem poderem por modo algum escusar-se. ou casas. para tecer o panno ou a lã. excepto o de qualquer gado vivo miudo. mas não assim do gado grosso." 12 "Tambem comparecerão em juizo nos lugares proximos situados. pelos quaes os estófos d'este paiz possão ser utilisados. ou réos. no sexto anno se ache inteiramente amortizado o dito adiantamento. no praso do presente privilegio. etc. cavallos. os moradores pagarão a decima parte dos fructos que produzirem ou de outro modo grangearem. obedecerão ás sentenças dos juizes. bem como servirão os outros cargos civis. que não se cobrará. mas.

primeiramente prestem juramento nas mãos do mesmo governador. a Companhia providenciará sobre o governo local. ou de seus delegados. excedendo a somma de cem florins. onde residem os colonos particulares de tal modo augmentem que devam ser tidos como cidades. prata. proferidas pelo tribunal dos colonos. cobre." 16 "Acontecendo que os lugares. e aos conselheiros supremos. pela segunda vez se appellará para o collegio dos conselheiros politicos. ficam reservados para a Compaanhia das Indias Occidentaes. e à Assembléia dos dezenove cabe tractar com os inventores ou descobridores sobre a exploração das minas e a remuneração que se entender pertencer-Ihes." 18 "De todas as sentenças definitivas. conforme a importancia do povo ou dos lugares para serem os eleitores. o productor. composta por nomeação das pessôas mais qualificadas das mesmas povoações. ou outros metaes. bem como as pedras preciosas e a pesca das perolas. Outro sim. e esses ministros decidirão todas as questões e processos em seu direito. conforme for o caso. quanndo o valor da causa for de 600 ou mais florins. para ser enviada a S. e pelo supremo Connselho. Ex. pelo tempo de dez annos. que têm de fazer a dita nomeação. todos elles." 108 . e sejão uteis e necessarios para a sustentação da vida humana. por esta sua industria e diligencia será isempto pelo governo do Brazíl de pagar recognição de taes fructos. ou haverá ainda maior remuneração." 17 "E para que se faça com a devida ordem a nomeação das pessôas que têm de compôr o numero triplice. e isto em razão da grande distancia dos lugares. só poderá pela primeira vez appellar para o patrono. serão escolhidas pelo governador e conselheiros. O patrono convocará a Assembléia dos eleitores toda a vez que fór necessario fazer a dita nomeação. villas ou povoações. que julgará com quatro accessores nomeados por S. Ex. o patrono (da colonia) escolherá dentre os colonos mais qualificados um certo numero delles.14 "Si algum morador. que anteriormente não tenhão sido produzidos pelos portuguezes. e os ministros que. ou por outros administradores da companhia. por sua industria vier a descobrir o modo de produzir e cultivar alguns fructos." 15 "Como é muito provavelmente que certos montes que exisstem na dita capitania contenham mineraes de ouro. sobre os magistrados. uma vez que. em lista triplice.

do modo que acima fica dito. aguas e rios e estabelecer engenhos. instrumentos e mais cousas a ellas necessarias. contanto que elles tenhão as necessarias munições. e passarinhagem. a elle sujeitos com seu consentimento. na pesca nos mares. seus bens. com um par de guantes. a saber. Irlandia e Frisa. até commpletar aquelle numero. o dito Sr. usando das matas. e assim por diante. a respeito dos mercadores livres. depois que vier a approvação d' Assemmbléa dos dezenove. e a jurisdicção constituirá um feudo prepetuo e hereditario. sob pena de. a saber. e de processos ordinarios. permissão ou accordo. de anno a anno." 21 "Quanto ao transporte das ditas pessôas. e cada parte deverá ser reconhecida de mesmo modo. Oliferdi é obrigado a transpor. e. entregues com 50 florins. sendo necessario. perder as concedidas franquêsas e gados. possuir para sempre as referidas terras." 109 . no caso de notoria negligencia. ou no futuro se observar. as quaes serão proferidas em primeira instancia pelo patrono e seus quatro accessores.19 "Tambem se appellará para o mesmo collegio de todas as sentenças que irrogarem infamia e de todas as sentenças sobre materia criminal. como pela feminina e por cada transmissão será o feudo reconhecido com um par de luvas de ferro." 22 "O dito Senhor e os colonos. conforme os usos da Hollanda. no primeiro anno introduzirá a terça parte. de fortificar-se." 23 "Tratarão com a maior diligencia de levantar suas casas. que dividindo-se o mesmo senhorio ou jurisdição. que será entregue com 50 florins." 20 "Dentro de 3 annos. com esta declaração. As terras ficarão sendo allodiaes. sendo tractados do mesmo modo que estes. tal como este foi constituido. composta cada uma pelo menos marido e mulher. nas ditas terras da Capitania de Sergipe d'EI-Rey. estabelecer. conforme a situação dos lugares. as partes ficarão sendo da mesma natureza do todo. e sempre manter e ter 80 famílias. que de presente se observa. e gosando do direito de livre caça. no praso de um anno e seis semanas á Assembléa dos dezenove ou ao governo do Brazil. e para este fim a Companhia lhes dará algumas peças de artilharia. guardar-se-ha a ordem. modo ou lei. transsmissivel assim pela linha masculina. desde o começo. que escolherem para sua residencia.

para terem as terras livres de bandidos e negros de mato (fugidos) onde os apprehendidos entregues ao governador e conselheiros da Companhia. para os mesmos colonos. e. metade á companhia.‖ 26 "Quanto as novidades que suas terras produzirem naturalmente. se não do que enviarem para a Hollanda. ás pessoas que estejão residindo sob obediencia da Companhia. e isto segundo as determinações da Companhia. residentes nestas provincias. applicando para este fim particularmente o meio de ensinar aos moços e meninos a nossa lingua. ao trabalho." 28 "Para assistencía de seus colonos e lugares (de residencia) farão todas as diligencias por utilizar-se dos indígenas dessas terras. mediante os premios que depois serão determinados. pagando os direitos." 27 "Poderão vender ali os bens que adquirirem. para a sustentação de suas famílias e do gado. sem que por isso paguem alguma cousa mais. pooderão remetel-os aos seus patrões ou comissarios. á cultura das terras e cousas semelhantes. que transportará a outra metade em seus navios." 25 "Elles mesmo proverão a sustentação do governador e do ministro da palavra divina. que então vigorarem. e si os bens forem taes que mais lhes convenha vendeI-os na Hollanda." 29 "Os colonos d'estas terras serão obrigados a fazer. desde a infancia. não pagarão recognição alguma. darão elles do que cortarem. remunerando devidamente o seu trabalho e esforçarhão por tirar-lhes os seus modos e costumes barbaros e leval-os ao conhecimento da nossa fé christã. habituando-os. um pertinente relatorio de suas terras e colonos ao Senhor ou patrono. nomeadamente toda a sorte de madeiras (excepto a de Pernambuco) gommas e causas semelhantes.24 "Nos dous primeiros annos se empregão na plantação e cultura dos fructos. sem trabalho do homem. ou aquelles com os quaes por permissão se pode traficar. fizerem cortar e de outro modo grangearem. além do dizimo e direitos acima mencionados. cada anno. e este 110 . fretes e avarias estabelecidos pela ordem provisoria e impressa. Serão tambem obrigados a manter á sua custa em a referida capitania alguns capitães de campo. pelos meios que entenderem mais apropriados a este fim. de que dependerem. e os principias elementares da nossa religião. acerca do livre trafico do Brazil.

ficando isto á descripção da companhia. cousas referentes à posse de benefícios. vindo primeiramente queixar-se ao conselho ahi ficarão em juízo: todos os contractos ou obrigações sobre prorogação de jurisdição. conforme a situação local numero dos moradores e suas necessidades exigirem.sobre causas relativas a menores. todas as praias. aldeias ou povoações. religião e todas as causas criminaes e excessos prescriptos e impunes. os terrenos que forem necessários. Sobre os quais artigos. o qual governador e conselheiros que presentemente existem ou para o futuro forem postos pela Companhia. que começa na 111 . e das terras sitas na circumvisinhança. ou reserve acções ou pretenções contra ella. o que não quer dizer que não mude o diminua o que fica concedido aos patronos. abolindo corruptellas desarrosadas. as estradas reaes. Assim que a Companhia poder pôr e enviar ahi um governador." 30 "Si a Companhia posteriormente entender que deva mandar levantar a arruinada cidade de Sergipe e povoal-a com moradores. cavallos. e approprial-os-ha para com elles beneficiar os ditos lugares. e augmento que annualmente tiverem tido. poderá fazer onde lhe approuver. e os altos secretos Conselheiro do Brazil se accordaram com o Sr. com declaração das pessoas. soberania e eminência. e o direito de interpretar as duvidas que possão sirgir desta concessão. ou moradores d`llas. Ex. sobre costumes. o mar. de moeda. tomarão conhecimento na primeira instancia das causas concernentes à liberdada. Oliferdi pra haver elle como feudo perpetuo e hereditário de todas as terras. bem como das queixas que alguém queira fazer.viúvas orphãos ou outras pessoas miseráveis que. tomará para si. além dos colonos moradores. crimes de lesa-magestade. matas e águas da capitania de Sergipe d´El-Rey . gados. officiaes e outros ministros de justiça para protegerem os bons e castigarem os maus. curraes. 31 ―A Companhia reserva para si: os grandes e pequenos dízimos. ou lhe parecer conveniente fundar em outros lugares fortes. como foi dito. fundar cidades. e por prevenção poderão ouvir (?) todas as pessoas para a expiação de causas que ahi forem punidas. em caso de privilegio e inovação . clausulas e condições provisórias e sujeitas á approvação dos Dezenove. ou sejão estranhos que forem visinhos das ditas terras . terras cultivadas. o direito de tonelagem. o direito de levantar fortes. declarar guerra e fazer a paz. com relação à alta e baixa jurisdição. fundos. se assim cumpri. conselheiro. domínios. usos estatutos que os mesmo declararem. conservar a authoridade suprema. e geralmente tomar conhecimento de tudo o que disser respeito à administração da justiça e á suprema authoridade da Companhia. aldeias e igrejas . e todas as outras causas segundo o uso de paiz (Hollanda) ou a ordem e regulamento desta conquista emanadas da Assembléia dos dezenoves. sem que o senhor ou patrão á contradiga. finanças e direitos da geral Companhia das Índias Occidentaes. apresentará o seu relatorio ao governador e conselheiros da Commpanhia. autrhoridade suprema. cidades.S.por sua vez.

Conde de Nassau. e através da terra ate os ditos limites.ou pelo menos até onde esses limites forem levados sob o domínio e authoridade da Companhia das Índias Occidentaes. e ao longo do referido do rio para cima pela terra até a grande queda d´agua. van Bullestrate. – Henrie Hamel. dilatando.‖ ―Assim feito e provisoriamente concluindo a 28 de Fevereiro de 1642‖ – Maurice. Kodd van der Burgh.se seus velhos limites. –D.terra firme do lado meridional do rio de São Francisco para o sul.‖ 112 . –Ad.

antecedentemente estabelecidos. todavia. para revoltar-se contra o jugo. Estreando por uma sucessão de vitórias. pois. Salvador. considerado como causa. Se a retificação do primeiro erro custou-lhe um desastre militar. Não é na historia de Sergipe onde devemos procurar a origem desses princípios. custou-lhe assistir ao começo de hostilidades por parte dos conquistados. Em uma família pode-se ver ainda um outro nome de origem holandesa. isto é. planta a desconfiança nas fileiras inimigas. tornaram-se. se pode ver hoje o vestígio do domínio holandês em Sergipe. quanto mais em Sergipe.CAPITULO VI LUTAS EM SERGIPE. E sem a formação de produtos mestiços entre as raças. como van der Ley. completamente inapreciáveis. que se fundissem para formação de uma nova pátria. etc. e tarde convencendo-se da desvantagem de fixar sua fronteira em S. Se vestígios se fizeram sentir dessa passagem. ele entrou em larga escala a excitar e animar o patriotismo lusitano e brasileiro. teve ele de sentir os efeitos dos erros. depois do entabulamento de pazes entre as duas metrópoles. Dilatando os seus domínios pela grande área que a parte meridional do Brasil lhe oferecia. não promover a colonização de sergipe em seguimento á conquista. inspirada em princípios democráticos e guiada por um admirável tino político. como se daria a transmissão de caracteres éticos? Assim. já seja efeito de princípios mais gerais. nem a língua. por seus próprios olhos. na Europa. para não acreditarem mais nas melhoras de sua condição. empresa que foi feita para suavizar os males de não ter destroçado Bagnuolo em Sergipe. FIM DO DOMINIO HOLANDÊS Vimos nos capítulos anteriores que a administração de Nassau. que foram o prenúncio da decadência da obra que alcançou realizar. na política. a retificação do segundo. maiores proporções dava aos males e inconveniências. desvio-se do plano que sempre traçou á sua conduta. de uma nova nacionalidade. nos costumes. que se não alcançou realizar em Pernambuco. nem na religião. em vez de fixa-la no rio Real. por ocupar Sergipe. cuja retificação. cheios de desconfiança. nos negócios referentes a Sergipe. somente dois anos (1642-1644) tiveram os holandeses para estabelecer as bases de uma organização social. como permanência de vinte e cinco anos. e cuja ruína não quis assistir. sempre tardia. dos holandeses. Foi uma hegemonia sem posteridade. em beneficio da Campanha. Francisco. nos hábitos. Ainda que este fato. transferindo-a para quando a paz e harmonia se tinham estabelecido entre as duas potências européias. e pesquisa-lo até os muros de S. não poderia ficar indiferente ás perdas de 1638 na Bahia. 113 . com a evolução dos tempo. excessivamente opressor. Todas as vezes que sua atenção dirigia-se para esta capitania. SUA RECUPERAÇÃO.

de democráticas instituições . pelos martírios. pela intervenção direta da vontade popular. 29 114 . distancie-se de Portugal. o arrendamento dessas terras a colonos. Se males ao Brasil trouxe a colonização portuguesa. elas pioraram consideravelmente. Ainda que a Holanda.É de pequeníssima interferência. V. as instituições livres. a favor de uma Companhia. pelas superstições. Não nos compete descrever. de suas instituições. as anteriores.rendas e direitos senhoriais. pertencessem ao rei da Espanha. quer portugueses. pela maior vigilância em favor dos direitos dos conquistados. as devastações. em virtude da ação de antecedentes mais eficientes de um real progresso. estava o gérmen de dissolução e de morte. em virtude do qual as terras seria confiscadas e apreendidas. pelo móvel exclusivo dessa colonização ser o interesse monetário. sob o ponto de vista de sua civilização. nem as causa da decadência do domínio holandês. como já dissemos.os bens dos jesuítas e dos conventos. 128 Rev. pois. cedo se estabelecessem. que acima de tudo. quer holandeses. de um lado. idênticos ou piores traria a colonização holandesa. severamente maltratados. Pernambucano de julho de 1886 – P. Não tendo sido de bons resultados esta pratica. a oporem-se á ação da intolerância. Cit p. assim como casas.imóveis hereditários . em proveito da Companhia. As bases da colonização holandesa eram muito pouco seguras para garantir a formação de uma futura nacionalidade. não trouxe de prontos reais lucros para os déficits da Companhia.engenhos. no método de colonização praticada pela Holanda no Brasil. Arq. talvez pela intervenção de Nassau. do Inst. todavia.resolveu-se a venda com suas fabricas e pertence.Rev. realizadas pela raça 127 Artigo 16º do Regimento de 13 de outubro de 1629. Indo pôr-se em contato com um povo como o português.cujo principal intuito não era melhorar as condições morais.o holandês estabeleceu no Brasil uma colonização.128 Essa deliberação.ou outros colégio do clero127. o holandês sobre o caráter da civilização em Sergipe. ainda que lá . intolerâncias e subserviências plantadas por um clero. que trouxe como reais conseqüências o espírito de pesquisa. as rapacidades. as causas da revolta que os conquistadores levantaram. pelas deferências profundas de seus hábitos. em vista do qual as classes tornaram-se forças verdadeiramente ativas. e do outro. Ao contrario disto. existente no pais em beneficio de seu desenvolvimento e prosperidade. dado pelos Estados Gerais a companhia das Indias Ocidentais.E isto torna-se bem claro no regimento de 13 de outubro de 1629. durante as administrações. acima do bem social do país. ainda que lá gerou-se esse espírito de descrença. da superstição e a revoltarem-se contra o grande poder e prestigio que quisessem assumir a nobreza e o clero. que vivia sob a pressão de causas que privaram-lhe a atividade de um espírito inquiridor. as ilegalidades de toda sorte. colocava os lucros e proventos que poderia tirar do Brasil. pois. pelas ilimitadas atribuições de uma classe de governo. que durante a administração de Nassau. duvida. em 1639. 294. fez contrabalançar seus maus efeito.completamente oposto as tendências de analise e de pesquisas.

que não poderiam. Realmente. desde quando os próprios membros do governo eram os primeiros a iniciar uma norma de proceder tão adversa aos princípios de direito. recuou e viu iminente o perigo. e então não se procurava mais os recursos dos tribunais. assumiam as rédeas da administração. a quem entregava-se a administração? O resultado disto foi que o Conselho. eram aqueles que em um momento critico. pois nutriam a esperança de que antes do prazo estariam livres do jugo que tanto os oprimia. nas quais a Companhia despendeu grandes somas. como por que a Companhia. e Kodd van der Burg. Não podendo os pagamentos ser feitos. em um momento em as causas destrutivas se concentravam. 115 . que se fossem a dinheiro. realizar medidas contra os males que se acumulavam. a administração da colônia entregava-se a mãos inábeis. pelas expedições a Maranhão. Sergipe e Angola. o estado econômico da colônia tornou-se mais precário. se o próprio Nassau. e por conseguinte suspender suas remessas.129 Malogradas essas esperanças e feitas em alta escala as transações. van Bollestrate. e as transações feitas sob tais condições. op cit. 72. e pela destruição da varíola. pois a produção tinha baixado pela destruição das guerras anteriores. p. Se o próprio Nassau julgou-se impotente para conjurá-las.conquistadora. teve de produzir inconvenientes. em períodos ulteriores. descansando no tratado de tréguas. ficando sem lucros. o prolongamento de sua administração. exigiram o saldo pronto dessas dividas. Ofereceu-se então a melhor ocasião para torna-se bem patente o sentimento de ódio que o conquistador votava ao conquistado. conquista foi realizada por ser considerada uma importante fonte de receita. mesmo transitoriamente. o carpinteiro de Mildeburgo – A. nutria agora a esperança de reaver o saldo das despesas. pela 129 Southey. na Assembléia Legislativa por ele constituída em 1640. O comercio somente baseado até então sobre o credito. pois veio agravar a situação econômica ampliando as transações. Distanciados do espírito altamente inteligente de Nassau.o que poderiam fazer o negociante de Amsterdam – Henrie Hamel. Em nome da lei e da justiça. Um mero engano. multiplicando-lhe as despesas. realizou a venda dessas terras e dos escravos que exportava de Angola cuja. e esse fato subjetivo talvez seja a causa mais direta de sua retirada. Ao mesmo tempo que isto dava-se. o credor fazia uma pressão sobre o devedor para efetuar seu débito. que ofereceu um contingente ao depauperamento da vida colonial. quando os encargos da Companhia. pela vinda da armada do Conde da Torre. de seu tino admirável de administrador. que afugentaram do campo os lavradores. não só pelas perdas efetuadas. promoviam a concorrência de grande numero de portugueses aos mercados. agravaram-se as condições de vida de ambas as parte.não o sincero testemunho prestado a si de pedir-se-lhe. que subiu a 3% e 4%. III. por certo suavizariam o péssimo estado econômico da colônia. como pela escassez do numerário. como dizíamos.

p. Realmente. postos à conta de um homem. cujos elementos já se achavam em adiantada coesão. igual administração nos merecem o digno representante da raça indígena – Camarão – e da raça africana – Henrique Dias. do que da ação de princípios e causas que fossem contínuos em seu funcionamento. eles realizaram-se á força. a formação de um caráter. porque as próprias apólices da Companhia vendiam-se no comércio. por isso que em sua organização achavam-se os gérmens dos caracteres éticos de seus antecessores. incandescem-se o rancor. pela apreensão da colheita do açúcar e dos negros. Consiste em representar o elemento. 130 Southey. fechando os olhos aos grandes serviços que prestou á causa da revolta e ao contingente que forneceu à realização da expulsão do inimigo. Daí reclamações do comércio e da lavoura contra os Conselheiros. O seu real valor consiste em transformar em realidade aquilo que meramente existia em desejo. André Vidal representa a primeira manifestação do brasileiro ao português. que procurava afugentar-lhes dos seus domínios. se durante e administração de Nassau. com a expatriação daquelas que primeiro tinham desbravados as floresta e amanhado as terras. As cenas mais aviltantes e deponentes foram praticadas. E neste sentido. como este. o ódio dos portugueses contra os dominadores. Achamos pouca filosofia e critica na apreciação de fatos que. parece eu os antigos ódios que separavam as três raças desapareceram. porque era a expressão de um estado psicológico dos dominados e nem de longe deve ser considerada como a criação de um só homem. a que se tinha chegado. sem concorrência. aquisição do território conquistado seria inevitável. esse resultado foi puramente transitório. Não era mais possível manter-se uma tal organização social. Ainda mesmo que as terras confiscadas fossem entregues aos colonos holandeses. Perante o inimigo comum. perante a Assembléia dos XIX e mais do que isto. do qual decidia para o futuro. se a interferência do príncipe foi de larga contribuição para a prosperidade da colônia. gado caldeiras e todos os bens dos fazendeiros. e desperta-se o sentimento de patriotismo tão obliterado e sufocado. São cunhadas de grande parcialidade as palavras do visconde de Porto Seguro a Vidal de Negreiros. Não está em nosso intento desmerecer a gloria do herói paraibano. A revolução rebentar-se-ia independente de sua intervenção. em vez de serem ligados á ação de causas muito gerais. 72 116 . brasileiro. fazendo mostrar ao futuro historiador que a geração americana já sentia amor pela metrópole. através de quem vê o movimento revolucionário. pois dependia mais da ação isolada de um homem. op. ao passo que as da Companhia Oriental achavam-se de 460%130 . foram. as condições dos conquistados consideravelmente melhoraram. durante vinte e cinco anos de domínio. por 46% de abatimento. pelo ilustre historiador brasileiro. já zelava pelos seus interesses. III. em beneficio próprio.cit. na gestão de um grande acontecimento.insuficiência de recursos. aproximando-se eles em uma unidade de ação.

por um próprio por terra. em maio 1645 em nome da liberdade divina e para vingar agravos e tiranias. que transmitiu-lhes os intentos de Vidal Vieira. alferes e soldados para sublevarem Pernambuco. Os membros do conselho.REI com todos os seus Brasilianos. P. quando novamente vem a Pernambuco. ou estes caudilhos viessem auxiliá-lo acendendo aos 131 Porto Seguro. em alargar aos seus domínios. como de Gaspar Francisco da Cunha. Admiramos a inda o valor de Vidal em testemunhar desejos da coroa pra libertar as capitanias conquistadas. às ordens do capitão Antonio Dias Cardoso. que adia para o dia 24 de junho. Para essa deliberação do soberano ele igualmente não podia ter contribuído. pelo próprio rei. que. limitam-se a mandar emissários á Bahia. e que mais largamente será adiante apreciado. Valer. a distribuir para esse fim em Pernambuco até seis hábitos de Cristo131. que não lhe faltasse agora na miséria em que seus moradores estavam. Holandeses no Brasil. para retificar as disposições em que achava-se o governador da Bahia. pedindo-lhe com muitos rogos e encarecidas palavras. engrossando a fileira dos insurgentes e já estava com os recursos que lhe havia prometido o governador da Bahia. convictos de que esses movimentos não daria lugar a futuro males. que vem se pôr á disposição de João Fernandes Vieira e seus companheiros. 132 117 . firma a 23 de maio o compromisso da rebelião.” Calado. auxilio que se executou. Como os outros. e mostra-lhes documentos como seriam bem aceitos e recompensados pelo o rei os serviços prestados na insurreição. Lucid. Antônio Felipe Camarão que estava alojado em Cerigipe D`EL. em que patenteia-lhes a disposição do governo de prestar-lhes auxílios.Foi este um importante resultado do domínio holandês. João Fernandes Vieira. que achavam-se aquartelados nas fronteiras do Rio Real. como asseguram algumas cronistas132. sendo autorizado. depois de efetuadas as pazes. não só vindas da Bahia. à D. para relembrarem ao governador o tratado de paz e a comunicar para Holanda aquilo que iam sabendo pelos denunciantes. pois havia nascido na província de Pernambuco e havia feito tantas proezas na defensa della no tempo de Mathias de Albuquerque e do conde de Banholo. Vidal submeteu-se á ação das causas que estavam em atividade. relativamente á viagem de um capitão. e que bem estampadas estão no pacto que os insurgentes celebraram na várzea do Capibaribe. de alguns anos. de auxiliar os insurgentes. quando despachados uns quatrocentos soldados. que ia se munindo de auxílios. pois ela era o resultado da pouca importância ligada por Nassau ao tratado de tréguas e do abuso cometido pelo próprio Conselho. 164. 243 “ Também João Fernandes Vieira escreveu. a quem se repetiam as denuncias de que organizava-se a insurreição. O mesmo papel representa em 1644. logo que voltou de Pernambuco. Ou fosse ele quem pedisse o auxilio de Camarão e Henrique Dias. pelo prestigio que pudesse representar perante a coroa. e trazer essa noticia aos insurgentes de Pernambuco. em uma viagem aí feita em 1642.

o que não alcançou: e nesta ele já se achava com suas tropas nas fronteiras holandesas do rio Real. por achá-la inexeqüível. antes de entrar na revolução e Barloeus. a notícia de que Camarão e Henrique Dias tinham rompido as fronteiras holandesas. no rio Real. as hostilidades rompem-se em Ipojuca. Luz. op cit. pondo em atividade a primeira deliberação patriotica para romper as poderosas fortificações batavas. colocado entre os rios Maniçoba e Lourenço da Veiga. e daí elas continuam a repetir-se formando os gloriosos feitos deste grande acontecimento da história brasileira.Desejos do governador da Bahia. além da que ficava na barra do Vaza-Barris. agora ficou certo de sua realidade. Do Brasil. Hist. empregando sua gente em cultivar a terra134. 2º p. IV § XIV) que diz ter se estendido esse convite a Henrique Dias.XL. como São Francisco. Cristovão. o fato é que em vista dos planos de adiamento de Vieira. o primeiro sinal de revolta. como seu. dar buscas. Do Inst. naquela data. que só poderia ter-se dado de 1642 – 45. pelo contrário. a sua primeira manifestação foi levada pelo indígena e o africano. Se não somos muito apologistas da política colonial portuguesa. 190) diz: “aí se achava o curral ou fazendola de Camarão. Moucheron. p. que pouco antes. É muito glorioso à história de Sergipe registrar o fato de se ter em seu território levantado o primeiro grito de revolta. com a O mesmo fato afirma Fr. Nenhuma dúvida restava mais no espírito dos membros do Conselho da realização de um plano. 133 Por esse tempo Camarão e Henrique Dias estavam aquartelados em Sergipe. faz isto supor-se denominando com seu nome um dos currais de Sergipe. antes do levantamento de João Fernandes Vieira. onde o inimigo tinha construído uma boa fortificação. agora recebia do chefe político de Alagoas. para romper a revolução com bastante segurança. Ainda que Calado não determine a época desse convite. Em junho. em marcha para o norte. Rafael de Jesus. hoje Ganhamoroba. lastimamos e sentimos os péssimos antecedentes históricos que ela nos atrasou. (Caster.. ele é despachado pelo governo para vir expelir o inimigo de S. Rafael diz ter sido em 1644. Só cabia-lhe agora entrar na realização de medidas defensivas. Achamos não bem provada essa morada de Camarão em Sergipe. Finalmente as posições definiram-se não sendo mais possível a Fernandes Vieira adiar seus planos. t. Mandou efetuar prisões dos conjurados. esse fato.” 134 Southey. de algum tempo meditado. pelos péssimos antecedentes históricos que ela nos transmitiu. Realmente. É possível que durante este tempo ele habitasse em território holandês? Entretanto Cândido Mendes de Almeida(Ver. pois. em seu mapa. recebia de seu comandante em Sergipe. Ele. E Geog. nem conservá-los em segredo. 113 118 . nas margens do Rio Real. que então achava-se nas lutas dos Palmares. depois que foi obrigado a abandonar o território de Pernambuco. a comunicação de que Camarão e Henrique Dias fora passar a Páscoa na Bahia. Termos visto em alguns cronistas que Camarão morava em Sergipe.133 Se até então o governo holandês não prestava bastante consideração ao movimento de revolta. no dia 25 de março de 1645. III. centralizar as tropas de algumas fortificações. o governador dos pretos levantava acampamento pelo valente indígena. no Recife. do qual dependeria o caráter de uma civilização futura. Lic. É de grande glória à historia sergipana ter de registrar.

organizado sob o regímen batavo. uma nova natureza não se superporia na organização bastava. em que estiveram as gerações passada. construindo pedras com argila. que se poderiam entregar a assuntos. onde as condições de meio eram justamente opostas àquelas que sempre o cercaram. ativo e que pelas condições telúricas e mesológicas. para as edificações e derribando florestas pantanosas para o aterramento dos cachos. da qual somos atualmente o testemunho. matar a iniciativa. que exprime a coisa de mais solida existência. de passividade. de ser a política a força viva. todavia. não sabemos se perante elas. que lhe opôs. para torná-la habitável. Povo eminentemente industrial. seriam mais tarde o primeiro obstáculo à supremacia do elemento comercial. Se a colonização portuguesa. pela marcha dos dois caudilhos. Entretanto. a descomunal florescência. para retificar e vencer a natureza. como aquela que os holandeses representavam. da forma o fundo. com os princípios metafísicos. supersticiosos. do gozo e prazer das ardências da imaginação. O povo brasileiro indiferente a assuntos religiosos. Como quer que sejá. foi a forca por meio da qual prolongou-se na America os hábitos da civilização ocidental todavia. Além disto. em fator de uma associação. de perdas em nossa moralidade. a colonização holandesa. como em todos os países protestantes tornando-se difícil por este lado a regeneração. intolerantes de um clero que era egoísta. que construiu todas as peças da nação. para originar uma nacionalidade vigorosa. costumou-se a pôr acima das sensações a idéia. se ela em suma.escravização de duas raças. trouxe a consequência. com que caracterizava-se a colonização. achamos por demais defeituosos os princípios da colonização holandesa no Brasil. o que queremos tornar bem patente é que foi em Sergipe onde deu-se o primeiro movimento revolucionario. muito teriam que fazer neste país . talvez maior oposição oferecesse a essa indiferença. que queria monopolizar o trabalho. os holandês do século XVII representava a soma desse ingente esforço. a atividade mais poderosa do processo. plantar-se-ia no Brasil a supremacia da idéia religiosa. Nem de longe pomos em nível o intelecto do holandês com português. se como dizemos. sob o plano de uma companhia de mercadores. nos traria igualmente males. em começo. prender a ciência. novos hábitos não se formariam. diferentes dos da mãe pátria. que tanto nos atrasou. para cujo progresso não entrou larga contribuição da natureza. a paz e a calma da verdade. Possuidor de hábitos tão predisponentes para uma prosperidade. pelos péssimos exemplos de subserviência. e que suas tendências liberais seriam as primeiras forças oponentes. povo. sentimos o legado que nos deixou a nossa metrópole. pelo lado econômico. e ainda mais. fato este que denota a existência de um regímen centralizador. preocupando os espíritos mais ricos do país. levantando diques às inundações. pela grande supremacia do Estado. que representam a riqueza. toda a dificuldade para a primeira manifestação de uma civilização. alem dos males que nos insuflou. 119 . pesquisador . tanto mais quando viviam agora dirigidos por novos princípios sociais.

onde pelo Rio Real se extremava o Brasil holandês do Brasil português135. Essa dubiedade de ação era bem visível. Maranhão e Sergipe. T. p. onde era larga ação a influencia do Padre Antonio Vieira para abandonar-se as capitanias conquistadas. vadeam o São Francisco. e despachado por ele comandante da fronteira do norte. O governo colonial. Neste ponto de vista é Vidal a maior força da revolução. depois da esplendida vitoria do Monte das Tabocas. Ninguém melhor do que André Vidal de Negreiros podia auxiliar a política maquiavélica de Antonio Teles. mostra-lhes os desejos auxiliadores do governo. Do Inst. veio com seu terço habitar em Sergipe. como no representante do governo colonial. E Geog.M. e os tenentes de mestre de campo general Pedro Correa da Gama de Souza. de cujas ordens não dependeria a marcha dos caudilhos e o rompimento das hostilidades aos olhos dos membros do Supremo Conselho. e vão reunir-se aos revolucionários. quando recebeu o convite de João Fernandes.C. que depois do entabulamento das pazes entre Holanda e Portugal. a cuja pista despachava Camarão. em vista da letra do tratado de paz. Fernandes Pinheiro. entre as duas nações européias. queria todavia salvaguardar-se de acusações . Ver. que pudessem vir não só da metrópole. Comunica-lhe a deserção de Henrique Dias e seu terço para Pernambuco. Não nos compete descrever os acontecimentos que se deram além da margem norte do São Francisco. Antonio Teles que sentindo desejo de por em ação o elemento oficial. nas duas viagens que fez a Pernambuco. nos paços de S. mandou o governador e capitão geral d‘este Estado. Os caudilhos rompem a marcha pelos agrestes sertões e deixando as ribas do rio Real. Tomé. O leitor nos permitira transcrever este documento: ― Em os trinta e um dias do mês de março de mil e seiscentos e quarenta e cinco nesta cidade do Salvador. e incumbido de todos os negócios relativos à revolução. Hist.. achava-se cercando o inimigo. quando Camarão e Henrique Dias rompem a marcha. não só da metrópole. através das fronteiras holandesas. e a quem mesmo não era estranho o deserto que prendia todos os espiritos para realizarem a revolução. Sendo o intermediário entre eles e os heróis da revolução. que tinha levantado uma fortaleza em São Cristovão. 132 120 . como dos membros do Supremo Conselho. Vejamos o que dava-se em Sergipe. não obstante a Holanda já ter dado a prova de falta de lealdade e esquecimento de seu comprimento. Achava-se aí. S. Para fornecer documentos da irresponsabilidade do governador. Do Brasil. Antonio Telles da Silva chamar a sua presença os mestres de campo João de Araujo e Francisco Rabello. dirigido também a Henrique Dias. a quem não era de todos indiferente a sorte dos infelizes habitantes de Pernambuco e das capitanias sob o jugo holandês. 135 J.Camarão. colocava-se em embaraços para definir sua posição de auxiliar ou não a revolta. em 1642. pondo-o a salvo de qualquer responsabilidade. pelas conquistas de Angola. que achava-se a lutar com os Zumbis dos Palmares. Bahia de Todos os Santos. e privando que ele se espelhasse pelo território da capitania. De posse de toda confiança do governador. 32.

não foi sentido nem o soube. E Geog. como tinha a estrada provida com os seus soldados. etc. T. que lhe deram nada da fazenda real. e defender-se do seu furor logo no rio de S. Governador por lhe não dar licença vir ver suas filhas e mulher. as pessoas mais nobres. coevo desses tempos e testemunhas ocular desses acontecimentos. e ajuntou a si as principais pessoas da varzea. Arq. ainda que custára algumas mortes de uma e outra parte. com cartas dos membros do Supremo Conselho. 34 p. os quais tanto que souberam esta nova logo se prepararam e avisaram a todos os 136 Ver. em que diz em vinte e cinco deste mês de março. com ordens de aplacar a revolta e por termo à guerra civil. contra a qual já tinha dado providencias. Para não perdermos nenhuma das pequenas minudencias dos ataques. em 13 de junho. de quem vergonhosamente plagiou Diogo de Sant`Iago em sua Historia da Guerra de Pernambuco. transcrevemos as paginas de Fr. pelas duas horas depois da meia-noite fugio Henrique Dias d‘aquella estancia. 107 121 . mas que nunca lhe pareceo que fizesse uma coisa tão mal feita. 370 ver. ― Tanto que João Fernandes Vieira. Manoel Calado. Do Brasil. que esta na fronteira do Rio Real. que esta 60 leguas em distancia do Recife por costa do mar. Hist. e que antes de fugir se queixara do Sr. a realidade das deliberações estava em que os terços dos dois heróis brasileiro vieram engrossar a fileira dos insurgentes. Baltasar van der Voorde e Theodoro van der Hoogstraten. Se as forças oficias que aliavam-se aos insurgentes eram de grande importância para as vitorias que iam obtendo em Serinhaém.Domingos Delgado e Gaspar de Souza Uchoa. que logo mandara o Camarão atrás dele com seus índios para que o tragam preso e a bom recado.do Inst. que partem para Pernambuco. externando-lhe seus sentimento de aliança. Entrega essa incumbência a Andre Vidal e Martins Soares Moreno. em como o inimigo mandava prender. E como conseqüência dessa aliança. assegurando também suas resoluções de paz e que enviaria ordens para serem suspensas as hostilidades. e outros muitos moradores da terra. Antonio da Silva e Souza.M. com as quais foi fazendo corpo de gente para resistir ao inimigo. que considerassem os ditos ministros o que lhe parecia se 136 devia fazer no caso e lhe dessem seu parecer. mas que serviram-se dele como se fôra captivo. Antonio. e que. e resguardassem suas pessoas e fazendas desta comum tribulação. cientificar a Antônio Teles. senão depois de claro o dia. mas que como negro que era merecia um grande castigo para exemplo dos mais. roubar e ainda matar aos nobres moradores de toda a Capitania de Pernambuco. e que vai à trilha della na volta de Pernambuco. Antônio Teles em carta de 19 de julho. pelo que estivessem de sobre aviso.‖ E quando foram a Bahia dos emissários do governo holandês. Casa Forte e Porto Calvo. e ricas daquele districto. com toda a gente. e procurador do tenente de mestre de campo general André Vidal Negreiros. e que a semana antecedentes o quizeram matar preso por estas e que outras liberdades que dizia. Sebastiao Parni de Britto e o Dr. Pontal. que estavam juramentadas para a facçção e empreza da liberdade. em Sergipe.31 p. Do Inst. os revoltosos tiveram mais de registrara vitoria do forte de Serinhaém e das que seguiram-se. a marcha de Camarão e Henrique Dias e lhe observar o cumprimento do tratado de paz. Entretanto. t. Pern. e provedor mor da fazenda de S. se retirou para o mato. dia de S. foram com um próprio avisados Andre da Rocha de Antas e Valentim da Rocha seu parente. o primeiro rompimento foi feito exclusivamente por conta de seus habitantes. ouvidor geral e provedor mor dos defuntos e ausentes. muito agradaveis a alguns leitores. mostrou não ter responsabilidade nessa marcha. Francisco.

que seriam entre brancos e indios e cento e oitenta armados. e mataram ao sargento e a dez soldados Flamengos que levava consigo. e que quando Sua Senhoria. e logo o cabo dos capitães Nicoláo Aranha mandou ao capitão Francisco Lopes a queimar as lanchas ao inimigo. bem armados e comandados pelo capitão Diogo de Oliveira e Pedro Aranha. chegou em 10 dias de Agosto ao dito Rio a onde achou os moradores com as armas nas mãos. Neste dia lhe matou a nossa 137 Pela leitura que fizemos do Diário de Matheus van dem Broeck. para subir para riba. e tanto que avistou a fortaleza a onde assistiam tresentos e quarenta e tres hollandeses soldados e flamengos livres e indios. balas. e flechas. queijo. Rev. acompanhados de alguns oitenta camponeses do rio Real. e entregaram ao Governador Antonio Telles da Silva as cartas lavavam . e pretestos da parte de Deus que os mandasse socorrer logo. e roubassem todas as casas e os moradores deram sobre elles de emboscada e mataram a todos. se fiseram em um corpo. e esforço e boa fortuna ‗ . que pela boca da barra havia entrado um caravellão do inimigo. que quando vai de enchente. arcos. ecom haverem os soldados de levar em suas muchilas o mantimento e as armas às costas. quando não vai cheio. muita polvora. e o tiraram das mãos a um sargento que o trasia preso. e fosse socorrer os moradores delle que estavam em grande tribulacão. Chegaram os dous correios da Bahia. Estando pois o caravellão neste porto acudiram os moradores com diligencia. Do Inst. souberam os moradores do Rio. e assim não se pode navegar por ele ariba se não com vento feito. e achava os marinheiros em terra e os mataram. os quaes tirando a luz as armas que tinham escondidas. Deos lhe tomaria estreita conta das mortes dos innocentes. porque todos estavam com o cutelo quasi na garganta. com as grandes enchentes e atropelando com todo este trabalho. e dos notaveis agravos que se haviam de fazer aos casados e donzelas. pelas dez horas. Sabido isto pelo comendor da forca deitou fora um Capitao com setenta soldados. uns com espingardas. esperando por vento feito. de sorte que nenhum tornou com vida para a fortaleza. o qual logo pelos mesmos portadores mandou ordem ao capitão Nicoláo Aranha Pacheco. e do grande aperto em que de prezente estavam todos os moradores do Rio de São Francisco. que os passassem todos em cutelo. deita água doce sete e oito léguas ao mar. que estava por cabo de três companhias no rio Real. pedindo-lhe com encarecidos rogos. para que em vingança daquelle agravo matassem aos moradores que achassem. porem ao largo onde não chegavam as balas da artilheria. e temendo que do Recife viesse infataria holandesa por mar. segundo Matheus van dem Broeck. levando diante negros com fouces. E Geogr. José Hgino. vinho. dando-lhe conta de tudo o que passava na capitania de Pernambuco. No mesmo rio os moradores da terra com alguns soldados da Bahia tomaram duas embarcações . esses soldados foram cruelmente mortos. 16. que estava ancorado em um porto seis léguas a baixo da fortaleza. Em 11 do dito mez passou Nicoláo Aranha o rio da parte do Norte a onde a fortaleza estava com toda a gente que consigo trazia. por quanto aquele rio corre com tal fúria que deita água doce ao mar três e quatro léguas. Neste mesmo dia . e bastimentos. Hist. As cousas neste estado. Francisco. chegaram da Bahia por terra duas companhias ao mando de Nicolau Aranha e do capitão Francisco Lopes. em que tinham sido tributados pelos escabinos. que todas eram mosquetes. e acharam nele as armas de fogo. traduzido pelo ilustrado Dr. se armaram muitos dos moradores os quais estavam acanhados por lhes faltarem armas de fogos. os moradores acudiram. outros com lanças e cavallos e os outros com facões dardos. cerveja. 122 . despacharam dois correios para a Bahia ao governador Antonio Telles da Silva. antes que os flamengos tivessem noticia do que no Rio se passava . e no meio do rigor do inverno. aguardente. os quais eram doze. Tomaram-nos um batel grande. T40 p. e lhe fizeram com encarecidos rogos os protestos. que foram necessários em tão apertada occasião. aonde o mato estava mais fechado. causando-nos assim não pequeno dano. o comandante Samuel van Koyn ordenou que dois soldados fossem recomendar aos da campanha trouxessem para junto do forte as setentas cabeças de gado. que vinham entrando com socorro ao inimigo e lhe mataram vinte Flamengos . e com isto ficaram os fortaleza com pouco cabedal de munição. Partio Nicoláo Aranha do Rio Real aos 27 de julho por caminhos desusados. quando muitos rios iam de foz em fora.moradores dos lugares visinhos a aquele Rio. diz ele. farinha e algumas mercancias e com estas armas. e se aproveitaram das munições e armas que traziam. como ministro d`EL-REI D. o que 138 fez com muito valor. os quais se mostraram ao outro dia . e entrando no caravellão o tomaram. que iam abrindo. e de palavra lhe contaram o miserável estado em que os moradores do rio se achavam. João seu Rei e senhor os não socorrense com a brevidade que o presente perigo pedia. em seu Diário. manteiga. o nome do governador do forte de Mauritius era Samuel van Koyn. 138 Neste mesmo dia. para assim se defenderem com mais facilidade e tanto que 137 o governador da fortaleza mandou prender a um morador que habitava duas léguas em distancia a fortaleza. e com as que haviam tomado nos dois assaltos passados. que com muita pressa marchasse logo para o rio de S. os quais tinham cercado a fortaleza.

e o Fiscal daquella força. que foram os primeiros que sahiram e logo se tornaram a recolher e as fechou. Eis suas palavras: “pouco mais ou menos. o qual atemorisado pela resolução não quiz sahir e lhe mandou diser pelo padre vigario Amaro Martins. logo as nossas balas lhe furavam os chapéus e as mãos". Neste mesmo dia teve Nicoláo Aranha aviso. bem como que o Recife estava também sitiado e muito tinham que fazer seus defensores para se desapressarem a si mesmo. e depois de rendidos nos mostraram alguns as mãos passadas com pelouros. porque se aquelle socorro se lhe não pudesse impedir e se lhe chegasse. 40 p. e é muito digno de notar que indo em uma lancha onze holandeses com ajudante foram investidos de dez moços nossos da terra em uma canoa e dando-lhes os hollandeses primeiro uma carga de mosquetaria não tocaram com balla a nenhum dos nossos e os nossos atirarm sua carga e mataram logo seis e aos outros degolaram a espada e tornaram as lanchas. pelo que não devia elle esperar socorro alguma d’aquella praça. Quis o inimigo fazer uma sahida no primeiro dia de Setembro. e não tinha que ver com traidores e portanto não lhe faltassem em taes infâmias. Animada a nossa gente com estes prosperos sucessos . o cronista holandês assevera ter sido em 7 de setembro. pois voto geral que se tratasse de capitular” Ver. a 7 do corrente.38. Não se descuidavam os do Supremo Conselho do Recife em socorrer a sua gente cercada. para virar as nossas canoas e mettel-as no fundo. Enfim a nossa gente se chegou tanto à fortaleza que não ousaram o hollandezes a se por em cima da muralha. sem mais gente de armas que os marinheiros. destes hollandezes morreram seis e os 139 outros foram presos e feridos. porém o que acovardou o inimigo não foi tanto à força da nossa gente. Informado da chegada do capitão. Com este recado retirou-se o emissário para donde veiu. entrou pelo rio o capitão João Hoen com viveres para este forte e do de Sergipe d’El-Rei. as fizeram voltar e fugir com grande vergonha. porque em deitando as cabeças por cima já estavam mortos com as nossas balas. Manoel Calado e a de Samuel van Koyn. mandou Nicoláo Aranha acudir com as canoas armadas de valor. e antes que amanhecesse o rederam. Estas notícias causaram grande desanimo entre os soldados. Do Brasil. t. era impossível podel-la render por fome.gente vinte Flamengos. havia de accometer a fortaleza e escalal-la. porque em 28 de Agosto mandaram uma náo grande com duas barcaças. aos 13 de agosto de chegou Nicoláo Aranha cm toda a infantaria à força. entretanto este fato que o jeusuíta dá como sucedido em 23 de agosto. declarando que estava bem provido de pólvora e balas. como seu servidor e amigo ao que o Comendador hollandez respondeu que elle o faria como fosse tempo. e o Nicoláo Aranha lhe respondeu pelo mesmo portador que com muito contentamento o esperava e que se quizesse o iria buscar a porta da fortaleza para o hospedar na sua barraca. Vinham no barco treze hollandezes e um commissario de Cirigipe d‘El-Rei. os demais eram soldados . E Geog. pelos quaes ficou o commandante sabendo que o tenente Coronel Horus fora abatido na várzea. e assentando seu arraial lhe tomou todos os caminhos (assim entradas com sahidas) com emboscadas e corpo de guarda. Vendo isto Nicoláo Aranha abalou todas suas estancias e se chegou a força até descubrir as suas casas a onde lhe matamos muita gente em particular em 23 de Agosto. porque para verem a nossa gente. o comandante. 139 Bastante semelhança há entre a descrição de Fr. Hist. nem ferido. que logo viria beijar-lhe as mãos . não quiz render o bordo ao mar. em como pelo rio acima vinha um barco grande com provimento para os da fortaleza deram-lhe aviso a noite e logo equipou duas canoas com vinte e cinco homens da sua companhia e da de Francisco Lopes e alguns moços da terra muito animosos soldados e por cabo o ajudante Francisco Rodrigues. e investindo-as com grande resolução. morresse quem morresse. Do Inst. bastando só as barcaças. que lhas semeamos de mortos saindo elles de noite a rossar o mato que estava junto dellas. Já neste tempo tinha o Capitão Nicoláo Aranha tomado à resolução. Os visitantes enviaram ao comandante da praça vários commissarios e lhe propuzeram comprar o forte por alguns curraes de gado. iam a por as mãos nos chapéus e em as pondo. como a resolução com que o investimos. as quaes entraram logo pela barra dentro. e com boa gente de sua companhia e a de Francisco Lopes e moradores da terra e por cabo ao alferes N. Koyn enviou dous soldados para melhor avisa-lo do cerco. que quando não pudesse impedir ao inimigo aquele socorro. quando lhe matamos quatro soldados. de que resultou tomar-lhe o inimigo o barco. Neste mesmo dia morreram mais vinte inimigos e nenhum dos nossos foi morto. Guedes Alcoforado. Dias depois o inimigo mandou aos nossos novo emissário com os homens que tinham sido apprehendidos no barco do capitão João Hoen. preso com os principais offiaes e conduzido por terra para a Bahia. com o que muito se encolerisou o commandante koyn. e treze homens do mar.mas o capitão Hoen era atrevido. sendo cinco ou seis dos nossos feridos e um morto. e mandou logo picar ao inimigo. 123 . Era. e ainda não haviam aberto bem a porta.

derrotado na várzea. de mantimentos trinta e sete barris de farinha. aonde haviam de ser desarmados. dos quaes levaram quatorze". desparassem os nossos soldados todas as armas de fogo e dessem duas cargas cerradas em signal de alegria e festa. bordando as nuvens de louvores e allegrando o mar e a terra com seu formoso aspecto. por que já estava enfadado de o terem ali tanto. o qual com muita dor encobrio a nova. sem dúvida que isto deve ser as almas dos Paes defuntos que nos vem a socorrer. promettamos-lhe todos uma missa cantada. quanto ele sentia grande falta de munição. a carne que tinham a repartiram. achamos vinte e quatro mulheres e trinta e três meninos e desoito escravos. bandeira estendida e os officiaes com suas insígnias militares. como o leitor já viu na nota anterior. Caso miraculoso!". desparou o inimigo da fortaleza uma peça de artilharia e toda nossa infantaria lhe respondeu com uma carga cerrada de mosquearia e tornou a secundar com outra ao levantar o calix consagrado e tão grande foi o estrondoque o inimigo ficou admirado". Achamos sete cavallos vivos. para levarem suas roupas para a Bahia e cavallos para os que foram por terra. para que o não dissesse a ninguém. que sahissem da fortaleza com suas armas e balas em boca. onde foi presas Hous. achamos duzentos e sessenta e seis flamengos dentro na força e cinco Índios. 124 . naquella noite se ouvio o som de uma companhia. disse então o Capitão Pedro Aranha irmão do cabo da companhia de Nicoláo Aranha. Vendo os hollandeses a resolução. Eis a verdadeira causa da rendição do forte. muitas balas para ellas. até uns tantos passos. e todos os dias as encommendo a Deus e agora nesse ponto acabar de resar as orações que todos os dias ofereço a Deus por ellas. notícia esta que lhe foi trazida pelos homens que tinham sido apreendidos no barco de João Hoen. bala e armas e das mais munições de guerra com cento e oitenta soldados. e recolheu a si todas as cartas."Chegou a Nicoláo Aranha em 13 de Setembro a triste notícia em como o inimigo à falsa fé havia queimado aos nossos navios que estavam na enseada de Tamandaré. Poes amanhã e segunda-feira o dia em que a Santa Igreja Catholica costuma dizer Missa e fazer sufrágios por ellas. eu sou grande seu devoto. que os iam socorrer. nem outra alguma pessoa de cousa que os hollandezes tivessem na força. a qual ia tangendo por entre o nosso corpo da guarda e se ouvio por alguns dos nossos. pondo graves penas a quem as levava. duas léguas em distancia da força umas não três lanchas grandes que vinham aos hollandezes. sendo mortos no cerco setenta e sete. com toda solemnidade que foi possível e ordenou Nicoláo Aranha que quando o sacerdote levantasse o Corpo do Senhor e seu precioso sangue em alto." "Approvaram os camaradas o bom intento e tanto que a nova aurora appareceo. nos dezoito dias do mez estando na barra do Rio cinco embarcações cheias de gente. "Não se aproveitaram os soldados. e a nau vinha só com duas velas pequenas. meninos e enfermos. liga a convicção de que não seria socorrido pelos seus compatriotas. responderam brandamente como quem o queria fazer". "Aos 15 do mez pediram ao Capitão Aranha três dias de tréguas. appareceram no rio. e passados da outra banda do rio da parte do sul. porém nenhumas de mosquete. "Fez-lhe Nicoláo Aranha muito honrado partido a saber. pólvora pouca e essa molhada. com socorro de pólvora. Samuel van den Broeck. "Acabou-se a missa e o inimigo começou a chamar com um tambor mandamos ver o que 140 queria. e logo se resolveu e mandou por um official com um tambor dizer ao Comendador da força que se rendessem. achamos-lhes na fortaleza dez peças de artilharia de bronze. Dêo-se embarcação as mulheres. uma música em tom de ladainha e vio uma clara de luz. respondeu que se queria logo entregar". e querendo levantar em alto. se cantaram uma Missa de Requien pelas almas do purgatório. tanto que amanhecer. Depois que tivemos a fortaleza por nossa e os hollandezes reunidos e desarmados. ou os passaria todos a cutelo. e ocupado em defender Recife. "Tinha o Sacerdote consagrado o corpo de Christo Nosso Senhor Salvador. isto é boa nova. os quaes se lhes concedeo e lhe fez o partido muito favorável. Isto tanto mais desanimou Koyn. já situado. 140 Enquanto Calado liga a rendição e capitulação do inimigo a um fato misterioso. para mostrar ao povo. para caminharem para a Bahia. Senhores camaradas.

Sei que ficando um vento rijo. não me atrevo a por uns em primeiro lugar. Porém assim por maior quero ir nomeando de uns aos outros. em suas casas. contra os hollandezes. Porque dos moradores. porém o capitão considerando que na fortaleza achava pouca pólvora e essa toda molhada. não sahiu morador algum de sua casa. e com a infantaria por terra e por mar em barcos e canoas as renderia facilmente. e por conselho de seis francezes que pediram praça para tomar armas por nossa parte. vitellas. antes todos acudiram com suas armas. a nenhum morador fizeram os soldados damnos. que não servia para carregar as peças. Porto Calvo e Sergipe de El-Rei. "Tão extremamente o fizeram nesta ocasião. mandou investir contra ellas. que diz: “ depois da partida do commandante e soldados. porque com a artilharia lhe faria grande damno. antes sempre sobejou o mantimento de vacas. como merecem. sem haver entre elles os nossos soldados. antes lhe deram muita graça pelo bom tratamento e offerecendo os moradores das terras (depois da Victoria alcançada) muitos dons e mimos de bois. e assim perderam os rendidos tudo o que era seu. e os nossos soldados o fizeram com tanto brio. e que se náo e as lanchas chegassem a metter-se debaixo da artilharia da força. só os que vinham enfermos aceitaram alguns cavallos para poderem acompanhar a tropa e porque os moradores não desconfiassem vendo que se lhes não aceitavam seus oferecimentos". Francisco. O capitão Willem houvera posto fogo à caravella se as mulheres neerllandezas não se intercedessem. que era o signal de que estava dado para os hollandezes conhecerem que estava a fortaleza por sua. galinhas e carneiros. Só ". se os hollandezes queimassem a caravella. pois o commandante Aranha declarou que. esforço e brio. doces e fructas que a terra dava. e estiveram mais chegados ao inimigo João Velho. segundo Matheus vam dem Broeck. de sorte que lhe fosse necessário esconder-se pelos matos. patos. nem morto nem ferido algum. leite. e assim desejando eu louval-os a todos. P. que chegaram a dar duas cargas cerradas ao inimigo e não posso affirmar se lhe mataram pouca ou muita gente. Francisco o capitão André da Rocha de Antas e o capitão Valentim da Rocha. fazendo sua obrigação com muito animo e as mulheres. os quaes em companhia do capitão Pedro Aranha sempre tiveram a vanguarda no cerco da fortaleza. porque lhes sahiu em sorte o ocupal-os o cabo do capitão Nicolão Aranha. disparou o capitão Willem suas peças e os portugueses vararam a caravella sobre um banco e lançaram-se à água depois de uma pequena escaramuça. esquipou dous barcos e algumas canoas carregadas de bons e valerosos soldados e antes que a náo e as lanchas chegassem.navegando. Manoel 141 Essa nau e lança eram comandados por Willem Lamberts. sem fazer agravos aos outros. "Para se render esta fortaleza. novilhos para trazerem consigo para Pernambuco. e desparada a peça logo a não largou todo o plano e as lanchas com ella e se vieram em direitura para a fortaleza". porque em tudo 141 os quis Deos favorecer". nem causaram moléstia. que nunca nos faltou. com suas armas. 44 125 . porque o não mereceram. os homens sempre assistiram com os soldados da Bahia. perus. elle faria matar as mulheres e meninos. dos moradores do rio S. assim os moradores do rio S. se occupavam em fazer de comer para os soldados e com tanto gosto. Para libertar os nossos devera ter chegado três dias antes” Obr. como os mais valerosos do mundo. os soldados como generosos não quiseram aceitar cousa alguma. para se recolherem ao Recife. vacas. com tanta pontualidade. começou a náo a fazer bordos e a desparar sua artilharia e as lanchas suas roqueiras e se foram pelo rio abaixo e sahiram fora da barra na derrota do Recife e os nossos dous barcos e canoas se tornara. Pouco depois o capitão Willem despojou o rio. por quanto não tenho até as presentes testemunhas de vista". mandou o capitão Aranha desparar uma peça de artilharia da fortaleza. Acercando-se uns dos outros. de modo que succedeu esbulharem os nossos os bem dos seus próprios compatriotas. e conhecessem o pouco cabedal que fortaleza tinha para lhe fazer danmo. Mandou o commandante Aranha que fossem ao encontro do capitão Willem uma caravella (onde já haviam acondicionado a bagagem dos rendidos) e um barco com soldados. que seguiam por terra a Bahia entroeu no Rio o capitão Willem Lamberts com um degre (barco hollandez de pesca) e tres barcos bem artilhados. que era grande consideração para impedir a passagem para a Bahia e a chave da capitania de Pernambuco. Em cousas particulares. alguns que mais se extremaram. que são merecedores de muito grande louvor. "Tomou o capitão Nicoláo Aranha conselho no que faria para tomar a não e as lanchas e alguns lhe disseram que as deixasse metter bem debaixo da fortaleza . farinha. nos quaes haviam de embarcar as guranições do forte Maurício. nos faria a nós muito mal com sua artilharia. como os soldados da Bahia e com tanto esforço e valor. Cit. nem sustentar bateria.

o capitão Pedro Aranha com vinte. para nos aproveitarmos delas na primeira ocasião de importância. 142 143 Provavelmente este Marco Dias é um descendente da família de Belchior Dias Moreya. que os soldados gastaram. foi porque era quase impossível o combatê-las por terra por ser a distancia de sessenta léguas e haver muitos rios navegáveis que passar e mais era grande o risco mandá-las em barcos. como durante este cerco de perto de seis semanas. e por ordem dos governadores da liberdade. e dez peças de artilharia de bronze que n‘ella achou. com cinqüenta soldados. assim dos da Bahia. capitão Nicolão Aranha. porque nem o governador geral mandou a infantaria por ordem de S. abaixo assinados. chamado Baltazar de Matos. o qual já tem perdido três filhos nesta guerra.Gonçalves Marzagão. João 142 Furtado de Mendonça. isto é.M. segundo temos escrito atrás. mas com muita vontade e contentamento passou toda a nossa infantaria da outra parte do rio. e outros muitos que não nomeio por ser enfadonho. que fizeram fugir as lanchas até os deitarem pela barra fora: e este soldado é filho de um homem nobre. veio marchando detraz na retaguarda e todos 143 chegaram a várzea do Capivaribe com prospera viagem . de modo que não dispomos de maior quantidade de pólvora que é necessária para prover por uma vez somente as bandeleiras. por pedimento dos moradores. que mal se pode sustentar". os dous irmãos chamados os Brittos. foram rotos pelo inimigo. sobre as condições de capitulação.Francisco. aonde estava a fortaleza. a cujo cargo veio esta gente com sessenta e cinco da sua companhia. a fazer guerra aos hollandezes de Pernambuco. "E o caso suceder entrar por este rio em nossa assistência um ou dous barcos com gente ou provisões. senão a socorrer os moradores na grande tribulação e aperto em que estavam. e que o Recife esta assim apertado. Gaspar Gonçalves Nenoa. e no sítio sempre nos acompanhou com pessoa e fazenda. Gonçalo de Matos homem natural de Pernambuco. o capitão Francisco Lopes. com que defender as nossas vidas". acham-se ao presente esgotadas. Eis ai as minundencias de Calado. o qual foi em uma das canoas. 64. porém quero nomear os principais que nesta empresa se acharam. homem.. reunidos em conselho hoje 17 de setembro de 1645. as mandou esconder em lugar seguro. pólvora e morrões. só digo que alcançaram a vcitória sem nos morrer soldado algum. resolvemos. O valoroso Lucideno. como já aconteceu". Marcos Dias . e ele o fez como de seu valor se esperava. Capitulado e desesperançado Koyn de auxílios vindos do Recife. Francisco Aguiar. "3-Segundo todas as probabilidades não sermos socorridos pelos do Recife. oficiais do forte Mauricio no rio de S. dos da Bahia não me atrevo a declarar o valor que nesta empresa mostraram. como dos da terra e lhe fizeram numero de sessenta.M. nem ferido. enfim alcançada a vitória foi o capitão Nicoláo Aranha despedindo os outros capitães em suas companhias e tropas para onde estava o Governador da liberdade João Fernandes Vieira e os dous mestres de campo André Vidal e Martins Soares e elle depois de ordenar as cousas necessárias no rio. obrigados de imperiosa necessidade e movidos de poderosas razões que abaixo vão. pois amanha será distribuída a ultima ração de carne".. Gonçalo Dias cabo da esquadra. e em baixo com embarcações para o fim de tomar os socorros que nos enviem. "2-Igualmente começam a escassear os viveres. mais que pólvora e bala. que andavam sempre de vigia. pelos companheiros de Hoen. rendemos esta praça a partido": "1-As nossas munições de guerra. Marcos de Oliveira alferes reformado. quando o inimigo trazia pelo mar náos de guerra e lanchas. o capitão Diogo de Oliveira de Lacerda com vinte moradores do rio REAL. também dez soldados da Bahia se avantajaram muito. e senão vieram logo para o nosso arraial da Várzea de Capivaribe. 126 . Francisco Velanez. externa sua resolução e deputa-se o capitão Felipe Schatt e o escabino Lubbert van Coeverdeu para entrarem em acordo com o inimigo. sabemos que os contrários estão aqui de vigia em numero de trezentos homens. Francisco de Almeida alferes reformado. p. porque o inimigo não tivesse esperanças de a tornar a possuir. 258. Fr. reuniu conselho de guerra. O conselho de guerra resolvêo os seguintes artigos: "Nós. Manoel Calado. o qual com muito grande trabalho e dispêndio. Não temos. Ganhada esta fortaleza a mandou o capitão Nicoláo Aranha arrasar. pois sabemos com certeza que a maior parte dos nossos comandados pelo tenente coronel Hous. que poupamos assim antes. pois. os capitães Gaspar Fernandes Villar a quem o cabo do capitão Nicolão Aranha proveo de uma companhia de bons e valerosos soldados. Não custou esta fortaleza cabedal algum a S. fazendo toda a sua obrigação como honrado.

Em fé do que assinamos este termo com os nossos próprios punhos". "6. mal alimentada. como é manifesto vão pelo contrario diminuindo.um parapeito na extremidade das pedras. soldados. "Por estas e outras considerações.Pieter Rotterdan. pois. o mesmo oficial nos entregara. antes da nossa chegada. sabemos que crescem de dia a dia. começa a sentir-se fraca e desalentada que. a fim de nos escoltar livre e seguramente até o Recife. "2. uma vez que sua nobreza nos conceda as seguintes condições e artigos. e este dar-nos livre passagem para a nossa pátria". poderão igualmente levar seus negros.Permittir-nos-há a levar três canhões de seis libras de bala com a sua carreta". segundo os estylos militares e aos seus foi anteriormente concedidos". corda acesa em ambas as partes. "6-A guarnição. Além disto como se sabe.V. a conduzir-nos livre e desempedidamente a dita praça.uma obra exterior de sessenta varas diante da porta para defesa dos carregadores de água. 2. "3. e as muralhas recentemente levantadas acham-se arruinadas e abatidas em conseqüência das continuas chuvas. por entre a frota inimiga". 18 do corrente.Lubbert van Coverden. paisanos. "8.O official que nos escoltar será obrigado. "5. sem sermos molestados do inimigo e ali entregar-nos-ha aos nossos senhores. dentro dela não se pode haver a terra necessária para levantar outra muralha". que presentemente montão a oitocentos homens. e caso o Recife se haja rendido.Boudewijn de Jager. é impossível prevenir que se rebele".O Senhor Nicoláo Aranha conceder-nos-ha podermos sahir todos para o Recife. poderão retirar livremente e intacta as suas bagagens. trinta homens de trem e vinte paisanos. indicando as experiências militares. como assenta sobre pedras. Smit. "7. Francisco. ao passo que as nossas.Wolf Reurseits – Philip Schacht – Thomas ReBarent Vlieger. judeus. pois. todas as armas.Antes de partimos seremos supridos com as necessidades vitualhas de modo que possamos fazer convenientemente a nossa viagem". A nossa gente valida não excede a 147 soldados. que por justas razões somos movidos a entrar em ajustes com sua nobreza a cerca da entrega da dita fortaleza. entrar amanha. Está. desnudada. onde deve estar de continuo sete homens para a guarda e pronto socorro". "5-Tão pouco não tivemos meios de cortar a fortaleza. de modo que por fora é fácil galgá-las.Hans Pertersz.O Senhor Nicoláo Aranha nos fornecerá embarcação capaz que nos transporte com as nossas bagagens para o Recife". fazemos saber ao honrado Senhor Nicoláo Aranha. bala em boca. em ajustes com o inimigo e aceitar as melhores condições que deles podemos obter. caixas. comandante das tropas portuguesas no rio S.Todos os rendidos.Huybert Dop – Hans Paap – Thomas Pouwelsz. 127 . ao general que mandar na praça. com bandeiras despregadas. Era ut supra.. "1. caso o Recife se ache em cerco. para o qual fins lhe deputam o capitão Philip Schacht e o escabino Lubbert van Coeverden". não há palissadas em terra de fortaleza. "4. sem mais sermos encommodados. arcos e caixas. vigiando continuadamente nas muralhas. . depois de maduro conselho. temos resolvido. mulheres e meninos. "Assim que cada homem tem que ocupar perto de duas varas de terreno. "Nós oficias abaixo assinados reunidos na fortaleza Mauricio. ao todo cento e noventa e sete homens em estado de prestar serviço. Com essa força temos de ocupar: 1-a fortaleza cujo circuito é de duzentos e setenta e seis varas. como pelo presente resolvemos. que com tão poucas forças é impossível defender tão largas obras contra adversários numerosos".O dito Senhor Aranha ordenará que um oficial nos acompanhe. Koyn. a continuar este estado de cousas. 3. D."4-As forças inimigas. Feito em nossa assembléia no forte Maurício. negras e cavalos ".Soltara e permitira que nos acompanhem os prisioneiros que se acham em seu poder".

Dar-nos o prazo de três dias. quartel-mestre. Em fé da verdade assignamos todos o presente termo. E para que isto não falte. passei o presente papel hoje 18 de Setembro de 1645. tenentes. pois. officiaes do forte Mauricio abaixo assignados. "2. Em 'dito barco serão embarcadas as bagagens dos que as não poderem levar por terra. a deputação teve de voltar.Conceder-nos-ha levarmos as bagagens que os nossos escravos e cavalos poderem carregar. concederá levarmos nossas armas brancas". "Eis o que concedo aos hoHandezes. "4° Não se tocará nas roupas das mulheres. "4. porém. Pra partirmos conforme as praticas militares". pois não podemos mais obter. concederá o Senhor Aranha que as separemos das hasteas. cortavam-se 144 Diário de Matheus van den Broeck 128 . Nicoláo Aranha Pacheco. isto é. declaramos que. Serpa de Lacerda.O capitão Aranha não aceitando todos os artigos. . pois os moradores não permittem conceder maior espaço. Sahirão com suas armas até onde nos aprouver. acompanhados de um capitão. Aos officiaes principaes serão dados cavallos que os transportem para a Bahia. 9 º Conquistado o forte Maurício. mulheres e meninos. Diago de Oliveira. "6. sem serem visitadas". bala em boca. Feito em conselho no forte Mauricio ao rio de S. acceitamos as condições que acima ficam e dellas somos contentes. secretários. alferes. " 3 O prazo que concedo é até as 8 horas da seguinte manhã. a saber: capitães. D. escabinos. sargento.Depois de havermos deposto as armas. Pieter Boiterdamo Lubbert van Caeverden". serão transportados com escolta para a Bahia em embarcação capaz. segundo as praticas de guerra. Cinco paisanos poderão conservar seus sabres enterçados. G-aspar Fernande-s Vilar. bem como as mulheres e meninos. não vim para lhes fazer guerra e sim para ajudar os moradores. Outrossim. Sahirá a guarnição com armas ao hombro. Koyn..Cada um dos oficiais. Francisco. que não serão revistadas". ate 21 de setembro. Francisco Lopes de Maltos. os officiaes principaes. comissários e auditor. Rans 144 Paap. Valentim da Rocha. e estes não me permittem de modo algum que eu mais conceda. na margem norte do S. Adriano da Rocha. poderão levar seus negros e negras para lhes carregarem as bagagens". "2 Os officiaes levarão suas espadas. poderão ficar comigo na fortaleza o tempo que lhes parecer. Pedra Aranha. submetendo os seguintes ao seu parecer: "1. tambor batente e b~ndeiras tendidas. Francisco. paisanos e suas mulheres. "5º Forneceremos um barco em que vão os feridos. Willem Sloot. Resposta do Capitão Aranha: "1º Serão todos enviados. morrões accessos. "3. V. "5. que obriga-se alli entregar suas nobrezas. caso não possamos levar as nossas bandeiras. sem serem revistadas as suas bagagens". Hans Pietersz Smit. poderá mandar no barco uma arca com suas bagagens.Os doentes e feridos.Todos os oficiais. Boudewijn de Jager. Philip Schacht. "Nós. "Os paisanos poderão sahir com sua roupa e mochilas. mestres de obras. Walf Keseits. Thomas Pay. para a Bahia.

Francisco duzentas cabeças de gado. botavam no fogo o último pão. Por certo era uma grande perda para o inimigo. cercados pelo inimigo que até lhes dificultava a água. de onde não podiam receber nenhum auxílio.as comunicações entre o Recife e Sergipe. de Sergipe tiravam o gado. como já vimos. indo só do rio de S. entre os holandeses reinavam o desânimo. pedindo a capitulação. Abriu-se assim o ano de 1646. a não conseguir que os holandeses se espalhassem pelo território. Era o trabalho de Camarão e Henrique Dias. e entregava-se a capitania. cheio de horrores para os holandeses. quanto da metrópole não lhes vinha nenhum auxílio. batidos pela fome. Enquanto entre os revoltosos reinavam o ânimo e a coragem. os holandeses entravam em uma fase de decadência. como para mover as fábricas açucareiras. comandante do forte. já contavam os dias. As condições mudaram. Bem providos de munições de guerra e de pólvora. rendiam-se as duas fortificações dos holandeses. juntamente com Koyn e Florys em uma caravela para Portugal. acampados em Bom Jesus. Perdendo os seus domínios do sul. Aquele desde 1642 tinha sido derruba·do pelo exército dos conquistados. enclasuraram-se no Recife. e a certeza de que em breve lhes viriam amplos auxílios. Sem combustível. com o duplo fim de privar as comunicações da fronteira sul com o exército dos conquistados. Depois de tentativas para retomar o Recife. chegaram a alimentar-se de gatos. e outro no rio Real. Baldas de meios. a fome e a indigência. Estavam para capitular. A notícia destas vitórias chegaram ao Recife a 30 de setembro. trazidos de diversos pontos. As guarnições de Recife e a fortaleza de Maurício. por intermédio de Dirck Witte Paert e Lamberts. João de Souza. Cristóvão e no fortim de Sergipe. que desde esta época tinham permanecido em vigia. veio uma grande força militar comandada por Sigismundo Schkoppe e Henderson. não só para alimento do exército. comiam as carnes cruas. Em suma. cercados pelo capitão D. pela sucessão de vitórias. estavam no auge da fome e o exército já começava a· revoltar-se. que só de infantaria contava para mais de dois mil homens. Francisco. encarregado deste serviço. onde causaram um geral desânimo. Abandonando Olinda. situadas no limite sul do seu domínio. porém. onde os holandeses. exaurida pelas sucessivas destruições das lutas e das guerras. tanto mais assustadora. sendo preso Hans Vagels. Um arranco ia efetuar o espírito batavo para reaver o que já tinha perdido. os holandeses que habitavam em S. como diz Varnhagen. que postaram-se na margem do rio Real. pois era impossível a continuação de um tal estado de coisas. de que não dispunham os seus compatriotas do forte Maurício e Porto Calvo. em setembro desde 1645. de onde vinham importantes contingentes para o 129 . As condições dos dois exércitos tornaram-se completamente desiguais. pois. que realmente chegaram a 19 de agosto. as horas. Assim. Agora. que a 27 de setembro partia. tinham edificado dois fortes: um em Vaza-Barris. privados de comunicação com o Recife. João de Souza. quando chegam-lhes munições por dois navios. às mãos dos seus primitivos conquistadores. enquanto entre eles havia a abundância de víveres. Schkoppe encarrega a Henderson a expedição a S. devastada. quando se rendiam ao cerco de D. Além de novos membros para o governo. rendiam-se. cães e ratos e desenterrar animais. cheia dê ruínas.

bloqueando o inimigo. elas lhes foram quebradas aos pés e eles condenados. em Urubu.200 a 1. sendo composta de 13 navios. comandados por Francisco Rabelo. O resto da guarnição que pôde escapar à destruição. sabendo do desastre em S. Jan Jansz van Yssendyck. aquele mesmo que em companhia de Schoppe tinha pesquisado em 1637. onde está edificada hoje a cidade de Propriá. entre índios e soldados. Somente no forte ficou o coronel Henderson. postados em Bom Jesus. em que iam 10 companhias de soldados e 3 de índios. correm espavoridos e galgam a margem sul do rio. menos os 500 a 600 homens que ficaram no forte. que continuava a cercá-Ia. meia légua distante do forte. para vigiar o inimigo. atacam um posto avançado de vinte homens. tenente de Gisselingh e Adriaen Mebus. que. até 4 de fevereiro de 1647. o conde italiano Bagnuolo. o bravo almirante Licththardt.Middelburg. os tenentes Jeronymo Helleman. a guardar e defender o território. e não podendo mais atacar pela retaguarda os inimigos. e fazer do rio uma base de operações e daí dirigir-se para o norte. Para punir a insolência dos atacantes. centralizouse no forte. quando os fugitivos. Por diversas vezes algumas partidas se fizeram. em presença do historiador Nieuhoff. vai atacar os sitiantes. quando grande parte dela incorporou-se ao comando de Sigismundo Schoppe e do conselheiro supremo Simon van Beaumont. menor resistência. fazendo o número de 1. como desleais. alferes do capitão Schut. e trata de levantar. a voltàr para Holanda. perde a ação pela emboscada de que foi alvo. perante eles. com toda a companhia que tinha saído para ver o inimigo. Henderson conquista a fortificação. Fogem os duzentos combatentes que lhe deviam resistir e. sob o comando do tenente van 130 . Henderson permaneceu em S. um outro forte. desprevenidos para a defesa e ocupados ainda em demolir o forte. A 16 de novembro desembarcam em Cururipe e daí marcham por terra para São Francisco. além da perda de cento e quatorze soldados. sendo a mais notável a em que foi àssaltado o tenente La Fleur. Era uma força militar demasiada para debelar a resistência que pudesse encontrar em Sergipe. Apresenta-se Samuel. A 24 de outubro de 1646 parte o coronel Handerson com uma frota sob sua direção e do almirante Lichthard e como comissário Paulo Antony Dames. em lugar melhor. quando o inimigo ataca e cerca uma casa. Killiam Snyder. Foi vítima desta imperícia. Antonio Bailjaert. Faleceu. onde se achava o Capitão Francisco Rabelo. e Joost Comam! e o Alferes . em dias de dezembro. com 500 a 600 homens. quando pensava La Montagne em uma vitória.exército. Sem a. a 29 de dezembro. assim como os capitães Daniel Kein e Gernil Schut.300 homens. largaram em caminho as armas e por isso. por ordem do Governador Geral. já em melhores condições de luta. e onde estava postada a sentinela avançada. Henderson encarrega ao capitão francês Samuel Lambert (La Montagne) que com quase toda a guarnição. pelo território sergipano. Seus habitantes. Francisco até março de 1647. Francisco. Duas grandes perdas assinalaram este feito militar. onde. cujo corpo foi conduzido para o Recife e ficou prisioneiro o valente capitão Gisselingh. ia realizar o plano de bloquear a Bahia. depois de atravessar o rio. e congraçados em número de duzentos.

Henderson. Ficava assim o holandês eliminado do rio São Francisco. O próprio Henderson teria idêntica sorte. convencendo-se a Companhia de autorizar a retirada de Henderson. para sua alimentação. ficando prisioneiro com 40 soldados e 60 índios. pois. força insuficiente para romper as forças inimigas . desde setembro de 1645. 131 . que ficaram nas mãos. Perdeu o holandês os currais de gado. Era. com um passaporte para a Holanda. donde tirava aos milhares de cabeça por dia. indo a guarnição para Itaparica. se não recua para. onde achava-se Sigismundo. o forte com os seus 300 soldados. manda o capitão Chain Fleury que foi cercado pelo inimigo. a devastar. são capturados 50 a 60 soldados.Westwout. em 1647 e do território de Sergipe. querendo socorrê-los. de onde os holandeses não teriam nada a tirar. dos sitiantes. impossível a permanência de Henderson em São Francisco.

passou Sergipe novamente ao domínio português. abriam entre si larga separação. entregando-lhe seus haveres e suas casas. O território da capitania foi descoberto. por sua chegada ao Brasil. quando passou novamente ao domínio da colonização portuguesa. por ter expirado seu triênio. Até sua capital foi reedificada. os hábitos de paz e harmonia. quando uma geração nova veio substituir aquela que batalhou tenazmente para eliminar o inimigo. Se foram estes os males que apontamos. o contingente que se tirava de seus currais para o sustento do exército. As lutas feridas em seu território. provavelmente em 1648. amontoada. a permanência do holandês em Sergipe deixou no espírito da sua população um gérmen de revolta. onde nota-se tendência bem visível até mesmo para romper-se os laços de subordinação do governo da capitania ao da Bahia. que veio à capitania sindicar judicialmente da questão. em 1650. denúncia que motivou a demissão daquele funcionário e o despacho do licenciado Francisco Alves Moreira. pelo capitão Francisco 132 . Historiemos os fatos. com sacrifícios. por ser cúmplice no assassinato de Cipião Cardoso. pela defesa de uma causa comum. porque houve necessidade de ser percorrido. nos sítios e nas fazendas: a falta de humanidade no tratamento que deram aos seus habitantes. sem o querer. durante anos. En suma. Queixa-se da conduta do ouvidor Felipe de Almeida. que deu lugar à existência de uma opinião mais autônoma. até então. com Baltazar Barrinhos. que preferiram perder seus bens a conviver com o povo invasor. porque em uma carta a si dirigida pelo conde de Castel Melhor. depois que a capitania passou de novo ao domínio português. aproximaram-se. Rodrigo Castelo Branco. para motivarem maior atividade nos períodos subseqüentes. As três raças que. em mais de meio século de colonização. que muito tarde quis . sob o comando de Baltazar dos Reis. Daí a razão principal de cedo começarem os tumultos em Sergipe. como a que o historiador estuda da capitania de Sergipe para o norte. perde."encetar. que foi substituído. a desastrosa indiferença de Nassau para com a colonização da capitania. Compreende-se perfeitamente que um povo que se acostumou a uma luta tenaz. em março de 1651. que serviu de ponto de espia ao exército conquistador. foram as causas que reduziram Sergipe ao estado de decadência a que chegou. as devastações que seu exército fez em sua capital. substitui-o na administração pelo capitão João Ribeiro Vila Franca. que se sucedem até o fim de século. a câmara de São Cristóvão saúda o conde. motivaram as posteriores explorações a cargo de D. Permanecia em Sergipe.CAPÍTULO VII NOVO DOMíNIO PORTUGUÊS Depois dos acontecimentos descritos nos últimos capítulos. na metade de século XVII. foi Baltazar ele Queiroz. nesse tempo. uma companhia de infantaria. eles trouxeram conseqüências de algum valor. As explorações do holandês na zona ocidental da capitania. Em sua administração. O primeiro captião-mor despachado. ferido em sua cobiça pelas belas formações geológicas. como conseqüentes das lutas e que destruíram uma pequena riqueza pública e particular.

que não só tomou a si resolver assuntos. não dá execução a uma ordem do conde de Castel Melhor. com os documentos de suas faltas. por quem foi julgada a prisão ilegal. era quase a única verba de receita. por questões de vaidade pessoal. Logo em maio. De novo reclama. promove divergências. ela pede permissão para lançar novos impostos. Em março de 1651 foi Baltazar de Queiroz substituído pelo capitão João Ribeiro Vila Franca. pouco tempo depois da posse. cuja administração foi de lutas. para que não promova mais inquietações e não se aproveite do cargo que exerce. e não pelo poder municipal. sendo as seguintes as palavras textuais do governador à câmara de Sergipe: "e com a maior brevidade execute a ordem e possa este' povo (Bahia) se ver livre da necessidade em que fica.José de Araújo. O gado de Sergipe. e o exército que ainda lutava no norte. para vingança de paixões pessoais. A criação do gado era a profissão dominante nesses tempos. dirigidos ao Ouvidor Geral. Voltam para Sergipe. Toda sua zona ocidental. foi pastor. estava-o igualmente Sergipe. Além desta reclamação. ficassem transitoriamente pertencentes à jurisdição do capitão-mor da Vila do Rio de São Francisco. a fim de auxiliar a reedificação da cidade. Só na administração de Vila Franca. como queria a câmara de Sergipe. prestava-se à criação do gado. como fintar o gado dos moradores de Sergipe. Além disto a formação geológica da capitania não deixava também de prestar sua influência. em 1651. uso e logro da passagem do Rio Real. tão contrárias às profissões de hábitos fixos. Esta medida revela os temores da época . pela qual ordenava que os moradores da zona compreendida entre os rios S. até mesmo com o próprio governador da Bahia. Antes do sergipano ser lavrador. de quem ele era delegado. A câmara de então representa ao governador contra a usurpação de suas atribuições. escrivão da câmara e Francisco Curvelo. um emissário. por ordem do governador. Além desta desobediência de Vila Franca ao seu superior. como receita municipal e a revogação da ordem. hoje Penedo. com os capitães Vicente de Amorim. As rendas públicas da criação do gado que. por serem indecentes os motivos. naquele tempo. não pertencentes à sua jurisdição. Verifica-se aqui uma lei geral da marcha das civilizações. prejudica suas atribuições. passaram a ser cobradas por um comissário. contra essa resolução. da companhia de infantaria. com recomendação expressa do governador ao seu delegado. As idéias de invasões inimigas dominavam os espíritos. e os interesses econômicos da capitania. além do contingente econômico para formação da riqueza pública. pela qual os curraleiros não tinham mais obrigação de acudir à defesa da cidade. porque defendido o rio contra invasões inimigas. E uma razão de ordem étnica influiu para este resultado. O maior peso específico da população era dado pelas gerações mestiças. pouco próprios ao desenvolvimento de qualquer lavoura. Francisco e Japaratuba. servia também para abastecer a população da Bahia. constituída por terrenos agrestados. outro em 1652. 133 . em ocasião de rebate do inimigo. pela da Bahia. os quais enviam presos para a Bahia. conduz para a Bahia trezentas cabeças. maior quantidade. que tanto ou mais do que a finta lançada pela câmara da Bahia.

para o que fiz eleição do capitão João Ribeiro Villa Franca que esta ha de dar a Vms. principalmente nos da aguardente que prohibe a todos o leval-as e vendel·as. E não me venha segunda noticia da indecencia com que trata os moradores nobres dessa capitania e impede aos de nossas condições o trato de grangearias. para assim se augmentar a capitania e terem antes occasião de lhe louvar o bem que corresponde as suas obrigações que de lhe reprehender ou castigar defeitos nellas". Tendo em março assumido a administração. lh'a entregue logo que receber esta para o continuar em virtude da patente que tinha e debaixo do mesmo. foi Pestana de Brito. a quem envia diversas queixas. para ser substituído por Vila Franca em dezembro. havendo nesse procedimento do governo prejudicial precipitação. se hajão com elle de maneira que me não cheeguem Em 20 de outubro dirige·lhe O conde de Atouguia a seguinte carta: "Aqui me tem chegado varias queixas de differentes excessos que Vm. occasionando-se desse procedimento andar essa cidade em varias inquietações. E tanto assim é. Si Vm. 145 134 . Sergipe decadente. tomando posse a 20 do mesmo mês. porque as acusações da câmara ressentiam-se de excesso de paixão. Cristóvão. Os excessos das denúncias da câmara ficam ainda provados pela seguinte carta do governador a ela dirigida: "Tenho entendido que excedem Vm ces. que timbra em não cumprir as ordens do administrador.que é muito grande". quando lhe mandei suspender o exercicio do governo dessa capitania. nem eu faço caso dos sujeitos se não emquanto elles O merecem no posto em que os occupam. Vmce. me moveram a mandar-lhe sucessor. em outubro. se não houver nesse. nas quais critica seu irregular procedimento. entrega-lhe de novo à administração. Deus Guarde. Acusa-o perante o governador. Aos capitães móres é justo se tenha obediencia devida. a outros faça os favores. dirigindo a este a seguinte carta: "Pela boa informação que se me faz dos procedimentos do capitão mór Manuel Pestana de Brito. daqui em diante com tal moderação e compostura em todas as occasiões que saiba eu que são os que deve a confiança que fiz de sua pessoa para lh'o encarregar. na maior penúria.que lhe envio. A um deixe livremente vender e levar todos os generos que quizerem. alimentava a Bahia! A Vila Franca na administração sucedeu Manuel Pestana de Brito. com a informaçã. donde não há de participar bem a queixa que fizer a S.o que 'lhe envio do mal que Vm. pelas quais foi Pestana de Brito destituído do posto 146.M. nomeado capitão-mar pelo conde de Atouguia. no mesmo momento o mandarei privar delle e embarcar para Portugal.145 Origina-se profunda desarmonia entre ele e a câmara de S. que tendo o conde de Atouguia. (Carta do conde de Atouguia à Câmara.. tem procedido. 146 As queixas que se me fizeram do mau proceder. de outubro de 1656) . como devia no Governo dessa capitania o capitão·mór della Manoel Pestana de Brito. Não menos autoritário do que Vila Franca. pelas devastações e incêndios. em outubro do mesmo ano já recebia do conde de Atouguia cartas recriminativas e insultuosas. pleito e homenagem que dela tem dado". para seus moradores padecerem violencias. a 9 de março de 1654. os termos de sua jurisdição e o respeito que devem ter ao capitão mór dessa capitania Manuel Pestana de Brito em quasi tudo o que obrão. usa nessa capitania. me parece o restituil-o a ella. Vmces. etc. destituído Pestana de Brito do posto de capitão-mor. que é justo. que em tudo é contrario ao que se me havia feito. Não O mandei para ella. apresentando·1hes a patente . por carta de 8 de outubro de 1655.

como. com os seus partidários. Cristovão à revolta. dizendo que tinha razões especiais para chamar o capitão-mor. Essas lutas caracterizavam a vida oficial daqueles tempos. capitão·mol' de Sergipe. como o maior Por carta de 13 de outubro de 1656 foi nomeado Baltazar dos Reis Barrenho. dão provas de uma rebeldia de que se ia apoderando o espírito público de então. Violentamente prendem o vigário Sebastião de Góes Pedroso. Os membros da câmara no louvável intuito de manter a autonomia de seus atos. 147 135 . Elas determinam um fato comum em todas as administrações. entregues às suas paixões e sem um regimento que traçasse com clareza suas funções. convidando os habitantes de S. como repetindo queixas contra o capitão-mar. E essa dubieza de ânimo foi uma circunstância ocasional de revoltas. O conde de Atouguia é obrigado a chamar em outubro do mesmo ano o capitão-mor a Bahia. ou pela convicção de que o capitão-mor não girava nas órbitas de suas atribuições E dessa luta que se levantou resultaram sérios aconteciimentos. contra a autoridade do governo colonial.147 Essa resolução comunica à câmara. que não abstiveram-se de repetir as denúncias. ordenando-lhe entregue a administração ao sargento-mor Baltazar dos Reis. a romperem os laços de centralização ao governo colonial e assumirem uma posição hostil as determinações do poder então existente. levados a isso ou pela indisposição pessoal. que abalaram profundamente a ordem pública. não só negando posse ao ouvidor Diogo Pereira de Aguiar. livre do da Bahia. É isto o que o historiador vê nos acontecimentos que se filiaram à· revolta de Bríto e seus companheiros. Dependiam da falta de precisão nas atribuições de cada um destes funcionários que. Ele não só não vai à Bahia. Brito então revolta-se e torna-se o chefe do movimento revolucionário. a fim de defender-se das acusações. publica uma proclamação. ouvidores e câmaras. Compreende-se que a reintegração de Brito descontentou profundamente os membros da câmara. cuja aspiração era a instituição de um governo emancipado. nas quais incontestavelmente envolvia-se acusação direta ao ato da reintegração. em agosto de 1656. É clara e patente a indecisão do conde de Atouguia nas medidas tomadas sobre os acontecimentos de Sergipe. exorbitavam. desde quando ele mostrava-se fraco e indiferente a manter ileso o prestígio do seu delegado.segundas noticias de que faltão a essa obrigação". entre os capitãesmores.

perante a qual foi impotente o governo local. 148 Francisco Barreto. etc. contra aqueles que promovem tantos males. Então o conde de Atouguia despacha para Sergipe o desembargador Bento Rabelo. os quaes assaltaram a mesma casa. Havendo mandado ver o que escreveu o desembargador Bento Rabello e alguns papeis que me enviou sobre a devassa. de cuja occasiao sua mulher ficou ferida no rosto e levando o dito vigário preso pelas ruas publicas o levaram além do Piramopama. sendo posterioremente reforçada pelo sarrgento-mor Pedro Gomes. foi tirar a capitania de Sergipe d'EI-rei das culpas e excessos que alguns de seus moradores commetteram contra meu serviço e contra o vigário da vara e da Parochial Igreja da mesma capitania Sebastião Pedroso de Goes. 149 Cartas do conde de Atouguia ao capitao-mor Baltazar dos Reis Barrenho e a câmara de Sergipe. Eu El·Rei vos envio muito saudar. que conduziu duzentos mosqueteiros.Rainha". Eram de tal ordem os acontecimentos que se desdobravam em Sergipe.conselheiro da câmara. a quem prenderam com violência em casa de um Thome de Aguiar. em que entrou o capitão·mor Manoel Pestana de Brito. . onde fica detido e vigiado por sentinelas. Voltam para a cidade. e porque convem semelhante caso não fique sem castigo me pareceu dizer-vos e encommendar-vos. chefe do movimento. cujos habitantes fogem. a qual se tinha homiziado em casa de um amigo. sem atender mais as ordens do governo da Bahia. soltam as presos e fica ela sob a ação dessa revolta. E isto motivou acres censuras a si dirigidas pelo governador. também despachado para a capitania. com ordem do conde de Attouguia. recebendo para isso auxílios do capitão João Ferraz Barreto. governador e amigo. a quem o governador dirige sucessivas cartas. que me obrigam a chegar com eIles aquelle ultimo rigor que até agora repugnei. se eles repugnarem as ordens de paz e obediência. não tendo forças para sufoca-Ia148. e tomam a si o encargo de dirigir as destinos da capitania. 136 . Christovão. por escapar da fúria dos amotinados. que o conde de Atouguia dirige a seguinte carta ao seu delegado: "São tão grandes os desaforos dos moradores dessa capitania. Tendo o desembargador partido da Bahia em começo de dezembro. por muito culpado. Sendo improfícuos os meios postos em pratica por Baltazar dos Reis Barrenhos. onde havia recolhido. de 18 de dezembro de 1656. por esperar se reduzissem ao socego e obediencia que convinha. Lisboa. com força armada149. tão franca a desobediência dos revolucionários a autoridade do governo colonial da Bahia. que. para fazerem a que se lhes ordenasse. Os revolucionários tomam conta da cidade. que desde outubro assumira a administração. abrindo buracos nas paredes para entrar nella. de onde é arrancado a força e conduzido pelas ruas públicas para alem do rio Piramopama. como fizeram. 150 Manoel de Barros foi nomeado capitao-mor aos 15 de janeiro de 1657 e esteve no governo ate maio do mesmo ano. 10 de janeiro de 1658. de que resultou pronunciar o dito Bento Rabello cincoenta e oito pessoas a prisão. penetram na cadeia. ordenando que debele a revolução e ponha em pratica os meios mais enérgicos. e substituído por Manoel de Barros150 em janeiro de 1657. até meado de fevereiro não tinha alcançado debelar a revolta. onde o deixaram com guardas e indo depois à cidade soltaram três presos que nella estavam e mandaram lançar pregões para que todos os moradores do termo se ajuntassem na cidade de S. a fim de abrir devassa do procedimento dos revolucionarios e prender Manoel Pestana de Brito.

Vm. estará sempre com a vigilância que pede a naturesa dessa gente. O que ressalta. por carta regia de 10 de novembro de 1656. porem. mostram exuberantemente uma aspiração de liberdade. Fez parte do combate que se feriu com os holandeses no Rio Real e achava-se em Sergipe."Se ainda continuarem os successos e Vm. cujos delegados abusavam do poder. que não deixou de prejudicar com o seu autoritarismo. todavia a capitania não entrou na ordem e na paz interna dos tempos passados. contra uma força eminentemente respeitada e acatada naqueles tempos . "E para que Vm. Nessa determinação ele não se deixou inspirar pelo interesse do bem publico. os castigue com tal demonstração que sirva de exemplo a todos e todas as mortes e effusão de sangue que deste excesso resultarem tom a sabre mim para dar conta a S. 3 de Fevereiro de 1857. O historiador nela não vê por certo. que foram entregues a justiça publica e conduzidos para a Bahia. E é este o lado instrutivo da revolução de outubro de 1656. porque. 137 . M" porque na rebelião fica justificado o rigor que merecem. porem. restringindo as liberdades públicas. da indecisão. estando nomeado capitão-mor Jeronimo de Albuquerrque. Manuel de Barros só esteve na administração até maio. mas porque esta resolução ha de ser no ultimo desengano da obstinação de seus moradores e no cuidado de novas perturbações e tumultos. a primeira que se opera em Sergipe. Deixou-se mais arrastar pela paixão.o governo. sem a exaltação do despeito. pelo respeito as liberdades populares.Conde de Attouguia". com a infantaria que tem e com a que agora lhe mando remetter neste barco. e um movimento emancipacionista por parte daqueles que acompanharam e prestaram adesão a causa levantada por Pestana de Brito. contra o governo. sendo confiscados os seus bens. para o sustento da tropa que efetuou a diligência. vir nelles movimento algum contra as ordens deste governo e execução das que levou o desembargador Bento Rabello. no modo por que resolveu a questão de jurisdição entre ele e a câmara. uma aspiração para salvarem-se as Iiberdades contra a prepotência de Brito. de emancipação. para quietação o commum daquella Republica. Seus feitos vêm consignados em sua carta patente. as fazendas e os engenhos. da falta de energia do conde de Atouguia. aos oIhos do observador. que o acompanharam. possa estar sempre superior no poder e no posto. quando eles incendiaram a capital. Bahia. Só em março foram sufocados os tumultos. . Jerônimo de Albuquerque não ficou isento de ser o alvo do desacato e 151 Jerônimo de Albuquerque representou importante papel nas lutas com os holandeses. a qual serviu de exemplo e justificativa as revoltas subsequentes. elegera o que lhe parecer melhor. com a prisão de Brito e de seus companheiros. que e toda sua companhia. chegar a elle sobre todos os precedentes. prestou juuramento na Bahia em março de 1657 e tomou posse em 26 de maio do mesmo ano151. Foi uma revolução verdadeiramente política. Não obstante o rigorismo que houve na punição dos culpados dessa primeira manifestação de uma independência do espírito popular. Esta carta e bastante eloquente para mostrar a gravidade dos fatos. em vista da incoerência. Aqueles. que seja notoria a causa com que Vm. É este o primeiro sintoma de uma revolta do espírito público de Sergipe.

153 138 . em Vm. De espírito tímido e receoso. não obstante a punição infligida pelo desembargador Bento Rabello. em janeiro de 1662 é despachada uma expedição aos mocambos de Sergipe e em outubro de 1663 o capitão Simão Fernandes Madeira vai aos mocambos de Itabaiana. em vez de abafar a revolta. tem foi então ceder a exigência do Juiz. Com ordens positivas de manter a ordem. de onde devia tirar a força precisa para essas excursões.Se o fundamento que Vm. agora parece que não faz Vm. Em vista destes sucessivos ataques à propriedade e à segurança individual.. pois teme que excessos semelhantes aos de outubro sejam praticados. abandonando as fazendas. Finalmente em 1671 vemos Fernão Carrilho prestando seu concurso na destruição dos mocambos da capitania. Rio de São Francisco. nos diversos distritos. em deixar perder o respeito. da qual extraímos o seguinte trecho: " . se faça respeitar e obedecer. Nesta mesma data foram nomeados os oficiais que tinham de comandar os destacamentos do corpo de ordenanças. repetindo idêntica excursão em novembro do mesmo ano. o do Lagarto.. compreende como medida de alto valor. Albuquerque toma a providência de reunir os índios em uma aldeia. requisita força militar que Ihe garanta e conserve o prestígio de sua autoridade. por ordem do governo colonial. Em dezembro de 1661 parte Antônio de Faria com oitenta homens para prender os índios. contra os infelizes índios. que se esses moradores não experimentassem tanta brandura. não teriam elles tanto animo". que ainda continuou a existir. nessas bandeiras. O que deve a sua obrigação. e censurado por isto pelo governador. para onde manda destacamentos. a fim de acudirem com urgência às reclamações da segurança pública. 153 152 Carta de Francisco Barrenho a Jerônimo de Albuquerque de 27 de fevereiro de 1658. para se me queixar de que se Ihe atrevem. Vm. que se rebelavam e oprimiam os moradores. Agora o levante não se restringia aos homens de representação. E são de importância as medidas tomadas por Jerônimo de Albuquerque. por parecer prudente. Estende-se aos negros que fogem. e oferece excelente oportunidade para saciar-se a febre escravista. Itabaiana. em carta de janeiro de 1658.desprestigio par parte dos membros do partido revolucionário. cujos habitantes são incomodados pelos negros.. Cotegipe e Piauí. como os mais antigos distritos. estimulava-a. em suas lavouras e gado. pelo temor da pena. Isto motiva excursões pelos sertões. dividir Sergipe em distritos. As pesquisas judiciárias que continuaram a ser feitas para punir os infratores. Encontramos já. para reunirem-se em mocambos e aos índios que não perdem ocasião propícia para assaltar os habitantes de São Cristóvão. Além disto. junto a São Cristóvão152.

que a todo o momento esperava-se. tendo se esgotado o provimento de AIbuquerque. que pertencia ao provedor. que. o sejam em gênero. levando ao conhecimento do governador as faltas por eles cometidas e nos negócios da câmara. prendeu. o ouvidor Bernardo Correia Leitão. Regimentos dos Capitães-mores de lº de outubro de 1663. aliás. não ter a menor interferência nos negócios de fazenda. tinha-se distinguido nas guerras de Pernambuco. na fazenda e nos cargos de justiça. como Albuquerque. foi nomeado capitão-mor Francisco de Braz. João Ribeiro Vila Franca. As sucessivas questões de jurisdição que provocavam lutas entre os provedores. lutou com grandes dificuldades. prisão que foi relaxada pelo governador e por cuja causa escreveu ao seu delegado uma carta acrimoniosa. para cumprir as ordens que. recebia de Alexandre de Souza Freire. no qual incita o patriotismo do povo para 154 Neste ano Sergipe começou a contribuir com o tributo anual de 80 mil cruzados para as despesas da Princesa da Grã·Bretanha. contra os excessos das administrações. 156 Por carta de março de 1667 o conde de Óbidos chama-o à Bahia. Substituiu a Alvaro de Freitas. Logo no começo de seu governo156. para mandar-lhe força militar. sem. daí em diante. 155 V. passando o governo ao capitão Alvaro Correia Leite. e ainda mais.Em maio de 1659. Em sucessivas cartas de janeiro de 1668 ao seu delegado. autorizou-o a publicar seu bando por toda capitania. baixou o regimento dos capitães-mores. salientamos as seguintes: não ter competência para fazer provimento na força pública. Além deste imposto Sergipe já pagava outros. foram as causas do ato de 1º de outubro de 1663. a falta de um regimento que catalogasse as atribuições dos capitães-mores. por questões de jurisdição. para explicar as razões por que não deu execução à provisão de um empregado. para o sustento da infantaria. a quem sucedeu. cujo substituto foi Ambrósio Luiz de la Penha. Em seu governo. não correspondendo. Em 1663 o ouvidor Bernardo Correia Leitão enceta uma devassa contra seus membros por terem protestado contra o lançamento e a cobrança do tabaco. para serem sancionados pelo governador. 139 . não ter a menor interferência nas atribuições do ouvidor e oficiais de justiça. entretanto. tomando posse a 8 de abril de 1666. Só em janeiro do ano seguinte prestou juramento e tomou posse. como para a paz com a Holanda. em janeiro de 1662154. D. Por carta régia de 10 de fevereiro de 1665 foi ele nomeado capitão-mor. Vasco Mascarenhas. pois as lutas continuaram. podendo. Encontramos diversas cartas em que a câmara de Sergipe reclama contra o peso dos impostos. em vista do estado de pobreza de seus habitantes e pede para em vez de serem pagos em moeda. desde dezembro de 1667. fiscalizá-los. Solicitou sua demissão e foi despachado em dezembro Alvaro Correia de Freitas. ter o direito de suspensão. por nomeação régia de 21 de janeiro de 1662. a fim de defender a Bahia da invasão de uma armada holandesa. De suas atribuições. não ter atribuições para fazer concessões de terras devolutas. a marcha dos negócios públicos à intenção do legislador. Antônio de Alemão. ouvidores e capitães-mores. senão interinamente. pelo qual o conde de Óbidos.155 Foi com este regimento que Alvaro de Freitas e seus sucessores administraram Sergipe. as repetidas queixas dos moradores.

além de demonstrar tendências autoritárias do poder público. além de um corpo de homiziados e negros fugidos. também é negócio em que por ora não se pode tomar resolução. pelo numero de infantaria que é preciso pagar e quando os moradores desta praça padecem com tanto excesso. para capitão da companhia de ordenanças de Sergipe. Rio S. Francisco. vemós o seguinte: ". quer pelo procedimento dos administradores. . não dá lugar a ella. ampliou-se. e esta praça o experimenta assim. de abril de 1668.. no intuito de aliviar o peso dos impostos. 157 Na carta de Alexandre de Souza Freire. na defesa da Bahia. espera da camara que se adiante sempre no serviço de S. quer pelas vexações das contribuções. vemos o seguinte: "Porquanto convém que todos os homens de negocio. a exemplo de que nesta praça resolvi se formasse a qual serve agregada a um dos terços deste presidio etc". cem homens de cavalaria. dirigida ao Capitão-mor. 158 E quanto a pretender esse povo a satisfação do dote e paz só com quinhentas arrobas de tabaco. reclamação que não foi atendida. sob o comando de um coronel artilheiro. por que a occasião da guerra que se espera. que Sergipe prestava. 140 . e da fidelidade de seus moradores de que tão honradas noticias tem de que o obrarão todas as vezes que a Bahia os houver mister".. M. 159 Na carta de nomeação de Matias Leal. O abuso do poder provocou esse levante em um povo eminentemente ordeiro e obediente. revela já os primeiros delineamentos de uma integração na opinião.Carta aos officiaes da comarca de Sergipe pelo governador de 7 de janeiro de 1668. Neste tempo foram feitas diversas nomeações de militares para os diversos distritos de Sergipe. em Sergipe. quem o solicitem". O descontentamento lavrava latente pelo espírito popular.pegar em armas. Lagarto. em 7 de janeiro de 1668. A câmara de São Cristóvão. ou com a sucessão de queixas levadas ao governador. pertencente ao presídio da Bahia. com a criação de uma companhia de ordenança. não é justo que se defira aos aliados dessa e muito menos que sejam Vmes. Os desmandos do ouvidor Sebastião de Lobo motivaram seu desterro (1663). não passando a pacificação que se revelou na administração de Antônio Alemão de uma pacificação puramente aparente. seu sucessor que foi Jorge Rabelo Leite (1670) deixou impressa na opinião a maior animadversão. em lugar de mil. E uma deposição nesses tempos em Sergipe. Sua criação. etc. contra a invasão inimiga. Além desse contingente. forasteiros da capitania de Sergipe d'El·Rei se organise uma companhia de infantaria de ordenanças. à qual competia principalmente assegurar a ordem pública nos distritos. data de 1668. quando foram feitas diversas nomeações para as diferentes circunscrições. a ponto do povo reunir-se e depô-lo.159 Temos visto até aqui que a paz e a ordem não se tinham restabelecido na capitania. pede para que a contribuição em que a capitania foi fintada de mil arrobas de tabaco anualmente para a paz da Holanda. como Itabaiana.157 Só de Sergipe tinham de marchar duas companhias de innfantaria. seja reduzida a quinhentas arrobas e paga em dinheiro. seu capitão mor recebia ordens de enviar três mil cabeças de gado para os campos da Torre. Se até aqui os antecessores de Alemão tinham caracterizado seus governos ou com o motim popular. a fim de servirem de sustento aos soldados e ao povo.158 A guarnição que até então compunha-se de uma companhia de infantaria.

porém. que foi aceita pela Câmara (junho de 1671). me diz. onde não se sabe se tem a vida segura e 161 antes disto queria fregir a todos". decretada por Alexandre de Souza Freire (abril de 1671). que representa o ponto culminante a que chegou a revolta da opinião.Vejamos. não póde o povo por si depôl-o do lugar em que S. Não só Rabelo Leite foi retirado do governo. A espontaneidade com que procederam os membros da Câmara. P . não se conformaram com o Regimento que S. que me tracta sobre as cousas de José Rabello e Leite e ainda que seja tudo que V. depois de sua primeira manifestação na administração de Pestana de Brito. como ainda o prenderam. o sargento-mor Manoel Faleiro Cabeça. de entrar com os braços abertos para todos. mas isto não basta para fazer um povo desleal. P . contra o elemento oficial. Chega Vm. seguiram para a Bahia. Em vez de descrevermos os acontecimentos. como mais culpados . lhe póde aconselhar como religioso o que lhe está melhor. deu lugar a uma anistia. Os capítulos que deram delle se verão na Relação e posto que as culpas fossem grandes. porque então nada lhe valerá e V. com cem infantes e ordens terminantes para garantir e levantar o prestígio da autoridade. e A intervenção do religioso foi benéfica. 162 Carta da mesma data e do mesmo governador. com gente branca que pede. manda a este respeito. depois da reintegração. Em sua carta patente vemos que sua nomeação liga-se ás lutas entre o povo a câmara e o capitão-mor. A.. antes que chegassem os capitães Manoel da Costa da Câmara e Domingos Antunes da Costa. pois a elles lhes convem mais acertar em 162 cousas que lhes podem custar a vida e a fazenda". o mandei restituir e os officiaes não só o não receberam. 141 . estava este seu successo prognosticado. não encontramos esse documento de perdão. porque o povo restituiu o administrador ao seu posto. restituindo Rabelo Leite (dezembro de 1670). Eu não gabarei os ruins modos de José Rabello Leite. continuando-se por evitar que se livrarão do castigo. nomeado capitão-mor por portaria de 27 de junho de 1671. vae-se Vm. Domingos de Loreto: "De 12 de Novembro recebo uma carta de V. Eis o que dizia o governador ao capitão-mor: "Recebi duas cartas de Vm. oferecemos ao leitor a transcrição dos seguintes documentos. que está no Carmo. 160 Lugar que existe na 'estrada de Itaporanga para o Lagarto. ao Lagarto e ordena dahi que o vão 160 esperar a Camara e os officiaes de justiça e milicia nas Quebradas . A. mulatos e negros com armas de fogo e trombeta adiante a degolar. e poderia só adoçar este negócio si a camara arrependida do que fez restituis se o capitão e mór' antes que a gente que eu mandar para isso o faça. como ele e outros tiverem de responder perante o poder judiciário pelas faltas cometidas. a Igreja Matriz e dahi sae para a Camara a cavallo. Por maiores que fossem os nossos esforços. Eis ainda o que dizia o governador ao franciscano Fr. e assim chamado pelas grandes grutas que existem. 161 Carta de 4 de dezembro de 1670 de Alexandre de Souza Freire. Rabelo leite foi substituído por João Munhos. o pôz. o governo de Rabelo Leite. P . sahisse da Bahia. na devassa que abriu o desembargador Antônio Nabo Peçanha. presos e acorrentados. por onde pudéssemos estudar suas cláusulas e ver se a opinião popular capitulou perante as ordens do poder público. outra de 20 e antes que Vm. e agora diz Vm. cinco léguas de Sergipe e havendo Vm. uma de 13 de Novembro. sendo excluídos do perdão. o ouvidor Francisco Curvelo e o escrivão da câmara Aleixo Cabral que.

honesto. fazendo desaparecer a excitação dos animos e trazendo a capitania à paz e ordem indispensáveis à sua prosperidade. que emquanto se não devassasse de seu precedimento para se avriguar o merecimnento delle. até a publicação da sentença da justiça163. 142 . vença o seu ordenado sem embargo de em o haver concedido na patentye que passei ao capitão-mor João Munhoz. por ato de 18 de junho de 1671. E porque não será justo que elle fique perdendo o cabedal alheio e sem que nessa capitania metteu por sua contra e ficou de seusmoradores: Vmces. para aquiescer com as clásulas que foram oferecidas. Seu governo foi longo e proveitoso. A. todavia S. Guarde deus e vimces. por isso que a fazenda continuou a pagar os de Rabelo leite. Critovão foram as de um homem prudente. enérgetico e que nas condições anormais em que se achava a capitania. que o povo e a câmara obrigaram-se não só a pagar os ordenados do novo capitão-mor. lhes façam cobrar summaria e executivamente tudo que por créditos e clarezas equivalentes constar se lhe está devendo. o que há por mim encarregasoa Vmces. resolveu: 1º) que os excetuados do perdão fossem soltos. A.. para que realmnte fique satisfeito de tudo. conciliador. como resgatar suas dividas164. Bahia ejulho20 de 1671.e isto foi feito. era o único capaz de assumir seu governo. O governador teve de conceder outro regimento a João Munhos. Ordeno ao Provedor –mor della mande continuar ao dito José Rabello Leite o ordenado quem tem na folha. a que se poderá recolher tanto que o capitão-mor estiver satisfeito. É este o primeiro regimento dado a um capitão-mor de sergipe. 2º) que.mor em quanto da Fazenda Real se continuasse ao dito José Rabello de Leite o que vence em razão do dito posto que por justas considerações do serviço de S. do governo. Essa aspiração era tão positiva. o poder publico cedeu naquilo que constituía a maior aspiração do povo – a retirada de Rabelo leit. e conservação do povo envio o dito capitão-mor João Munhos.Affonso Furtado de Castro de Rio Mendonça. Nada podemos adiantar sobre o resultado da devassa. a quem necessariamente se deve dar soldo com o exercício que leva e esta se registrará nos livros da Secretaria do Estado e nos da Fazenda Real em que estiver registrada a mesma patente para que a todo tempo conste esta minha disposição. As credenciais com que Joao Munhos foi apresentado à câmara de S. representando nela um papel pacificador .--. A. Suas 163 “Porquanto suspendi o exercicio do Governador da Capitania de Sergipe ao capitão José Rabello Leite que della se ahavia a esta praça por lhe não consentir a câmara e os moradores della a restituição que este governo olhe mandara fazer do dito cargo e convier ao serviço de S. Bahia e julho de 1671.. senão que o conselho ultramarino.Se a vontade popular cedeu. a fim de ele não voltar a Sergipe.] os officiais da camara que nesta praça praça a se acham me representaram que a mesma câmara e povo dessa capitania se sujeitava a obrigava a não ser restituído no governo della José Rabello leite a fazer-lhe pagar tudo efectivamente o que estvesse devendo e se cobrasse sem dilação alguma e entregasse a seus procuradores. de atribuições diferentes daquelas que já tinham sido discriminados no regimento de 1º de outubro de 1663. para não promover novas alterações da ordem publica. E tenham entendido que em quanto completamente não estiver satisfeito de todas as suas dividas José Rabello Leite há de assitir um dos officiais dessa Camara nesta praça. devia sancioná-lo. 164 [. não obstante o governador não ter atribuições para conceder esse perdão aos povos de Sergipe. Christovão que nesta se acham em nome do povo daquella capitania se ajustaram em fazer por conta delle o mesmo soldo ao dito capitão. que hora envio a governar a mesma capatania e a tenho mandado registrar nos livros da fazenda Real. Realmente desempenhou cabalmente a dificil incumbência que tomou a si. Affonso Furtado de Castro do rio Mendonça. a fim de esperar a senteça final do poder competente. por quanto aos officiais da Camara da cidade de S. na aquiescência que prestou ás cláusulas do perdão. em sessão de 1675. desde quando descansaram na legalidade do voto de graça.

procedendo elles em seu exercício como são obrigados. 9—Deixará exercer a Camara tudo que pela ordenação lhe toca. e minha conservará em seus officios.A. mas de tal maneira que se não faça perder sempre o respeito com que deve ser obedecido e venerado como é justo. 4—Com esta se lhe dará uma carta que lhe escrevo na forma que fiz a todos os capitães mores do estado para me mandar relação dos corpos que na dita capitania houver. A. preferirá para serem de novo providos. 3--.E porque o regimento que se tem dado por esse governo aos capitães móres de todas. 11—E porque S. e signaes que é estilo por-se na matrícula.A. na forma que eu já tenho ordenado ao provedor mór da fazenda. as capitanias de estado que vagando alguma companhia de ordenança.Procurará haver-se com a camara e moradores daquella capitania com todo o zelo que deve. que entender convém o abrar-se na dita capitania para sua conservação e sossego de seus povos. com declarações das terras. 10—Passará o dito capitão mostra em todas as companhias de auxiliares. Mais havendo queixa das partes me dará conta. Hei por bem e lhe ordeno que enquanto nella estiver guarde a instrução seguinte: 1—Partirá para ella por terra com o ajudante que prover na mesma capitania onde lhes fará presente e chegando a cidade de S. de ordenanças e de cavallos que houver na dita capitania na forma que semnpre foi estylo. conta a este governo. com a prudência e zelo que espero. o que por seus regimentos se lhe ordenam.165 Por quanto por varias considerações do serviço de S. Cristovão dirá a carta que leva aos officiaes da camara. dando-me também conta de tudo que importar sobre estas matérias. Pela qual se servio mandar que se dessem aos capitães móres daquella capitania os soldados que a este governo parece necessário. e idade que tiverem a qual vira firmada de sua mão para aqui se lhe assentarem as praças nas companhias que eu ordenar. como de outros que também o sejam para eu sobretudo mandar as patentes como me parecer mais justo. e succedendo vagar alguns dos postos maiores. gente. me dará conta. resolvi assistissem naquella capitania vinte com um cabo de que já leva cinco diste presidio: fará assentar praças. em que considero haver muitos dignos. assim sejam dos actuaes. ordenanças e de cavallos . e se os que estão exercendo estiverem procedendo com satisfação. Paes.E porque na forma da ordem de S. se ajuste e venha para ir no anno que vem. e sobre este particular tem havido naquella capitania algumas duvidas. aramas. mais a vendo queixa nas partes ou coluiu nas eleições. 6—Verá todos os officios que não tiverem provisão minha e proverá interinamente as serventias destes nas pessoas mais idoneas e benemeritas e de todas me dará logo conta para eu prover como me parecer e os providos serão obrigados a dentro de um mês apresentar provisão minha sem a qual não poderão continuar mais. para eu ordenara o que for mais conveniente ao serviço de S. de auxiliares. dêm logo. A. 2--. onde lhes fará presente a patente que leva a nas costas della mandará fazer termo que assignarão aos mesmos officiais da camara da posse que em virtude da patente tiver dado. e assim os providos por provisão de S. e eu lhe encomendo. com a advertência que os moradores que forem vizinhos da cidade e não tiverem inconveniente em vir a ella. e munição e de tudo me mandará relação muito distinta. para que se conservem sem pertubação. aos outros o dito capitão passará as mostras dentro dos seus districtos. 7--. encarrega que se faça guerra aos negros que estão fugidos nos mocambos de que 165 143 . tractando-os benevolamente. nella os quinze que faltam de que me remeterá uma lista dos nomes de cada um. lhes passará a mostra na praça e a todos os maes pelas grandes distancias. entre os capitães móres e as camaras e para estas se evitarem a se guardar o que pelos referidos regimentos se tem disposto: ordeno ao dito capitão mor me dê conta dos que há no Regimento de auxiliares e ordenanças em toda capitania e me informe do seu procedimento e que sujeitos há beneméritos para occuparem. 8—Também me dará conta muito particular de tudo.A. e conservação dos moradores de Sergipe d’El-Rei envio a alla apor Capitão mór ao capitão João Munhos de cuja prudência a zelo confio todos os acertos nas obrigações que lhe tocarem. procurá evitar uma e outra cousa. ao ouvido e mais ministros e officiais de justiças. 5—A’ Camara daquella capitania remetti por via do ouvidor Francisco Curvelho velho uma Provisão com memoria de senado de camara desrta cidade de tudo o que se está devendo ao denotativo do dote e paz e muito particularmente encarrego ao dito capitão mór que com todo cuidado procure cobrar e remetter na forma della dito capitão mór que com todo cuidado procure cobrar e remetter na forma della a esta praça tudo o que se está devendo e não podendo se cobrar tudo para ir nesta frota a respeito das impossiblidades que resultaram das inquietações da dita capitania. na forma que na dita carta se declaro. informando as pessoas mais nobres .atribuições ficavam bem determinadas. ricas e capazes de os exercer .

Com despezas do rol do ponto de 12$318. Se Munhos pôde remediar o estado de revolta da sociedade daqueles tempos. com a contribuição por parte de Sergipe de quinhentos mil reis para o sustento dos soldados que acompanharam o explorador. por muito encarregado. assumindo em junho a dministração167. em 1677. O dito capitão-mór se informará dos que houver e mandará a elles na forma que é estilo e os que forem dos moradores ficaram logo ali paragando o que é estylo e quintos para o capitão geral. em abriu de 1679. do meado do século em diante. e que se estendeu até março de 1678.” 167 Manoel de Abreu Sores foi nomeado capitão-mor por carta de 23 de dezembro de 1677. até 12 de agosto e importou o Rol do ponto deste pagamento em 35$836. realizar o pagamento deste compromisso. Foi educado por um professor vindo de Portugal. João Munhos solicita do governador licença para tratar-se. Bahia 18 de julho de 1671.As modificações operadas ligavam-se aos acontecimentos que se davam na capitania que. assumindo a administração o sargento-mor Antônio Prego de Castro. e sendo de resultado negativo. tinham depauperado a capitania e esse estado não servia de justificativa para que fosse ela dispensada das contribuições anuais. a qual foi concedida em maio de 1678. para cujo pagamento vinham reiteradas ordens da Bahia. neste mesmo ano. Em sua carta vem consignados seus feitos na guerra de Pernambuco. Em 20 de agosto se trabalhou no segundo serro das minas . Rodrigo de Castelo Branco. podê. costuma a ver algumas queixas. que prestou juramento na Bahia. Desde dezembro de 1677 tinha sido nomeado pelo rei para o mesmo cargo Manoel de Abreu Soares. Era possuidor de grande fortuna. Por um pleito em que envolveu-se sobre a administração do morgano da capela do desterro do rio Real. deram-se as primeiras explorações de minas em Itabaiana. deu lugar a que Castelo Branco se dirigisse para São Paulo. 144 . Os acontecimentos passados. A exploração foi feita com três serras. de sergipe tirava-se o alimento para a guarnição da Bahia. por scrivão João de Mayor e por thesoreiros o capitão de infataia Jorge Sores de Macedo . além de reclamarem um homem prudente à testa da administração. É descendente de Belchior Dias. chamados das minas de iatabaina em 32 dias. os fará remetter a ela toda a segurança e isto lhe hei. E os que forem moradores dessa cidade. “ 166 “Em 11 de julho de 1672 se deu principio a trabalhar no primeiro serro. agravando-se de mais a mais. Depois de tão importantes serviços. até as revoltas que temos descrito. além das razões já expostas. que foi nomeado capitão em junho do mesmo ano. todas as vezes que qualquer noticia de invasão circulava. Além disto tirava-se o sustento das tropas que faziam entradas pelos sertões e à custa dos seus cofres pegava-se sua força pública. pelo péssimo estado financeiro. Isto contribuia ainda mais para agravar-se a situação financeira. morreu pobre. Tinha foros de fidalgo. Em 21 de setembro trabalhou na serra dos macos e importou o rol do ponto em 8$239. desde quando o erário municipal. porque. – Affonso Furtado de Castro do Rio Mendonça.166 A câmara que se achava a dever 1:782$000. Prego de Castro é o primeiro sergipano que mereceu a distinção de dirigir os destinos de seus concidadães. das diversas fintas em que era tributada. assistindo nesta administração como a contador Francisco Jose da Cunha. No seu governo que foi longo. o estado econômico continuou precário. como já dissemos. em busca de minas. provocaram alterações na latitude do poder do administrador. por D. não as podia pagar a tempo e a hora. desde a invasão holandesa.

Em 1685 o vigário de S. onde os paulistas fazem novas entradas pelos sertões. Francisco. As novas medidas legislativas sobre os Índios despertavam novas e incruentas lutas entre colonos e jesuitas. o religioso Fr. Aracaju169. capitão da aldeia de aracaju. açucar. Podemos enumerar as seguintes. onde se cunhasse dinheiro de prata e ouro. como no sul. Antônio da Piedade. foram expulsos os índios da aldeia da japaratuba. Cristovão proibia expressamente fossem colocados. Levantavam-se lutas entre eles. em vista da vida escandalosa que levavam. sendo-lhes. algodão. de produção da capitania. dezimava a população. decretou a lei de 8 de março de 1894. 168 169 Em 8 de fereiro de 1673 foi nomado o indio gonçalo de souza capitão da audeia do poxim. em carta 1ª de junho de 1679. a requerimento de Fr. ponderando que esta aldeia deveria ser destruida.E a falata de numerário chegou a ponto do capitão-mor dirigir-se ao rei. O número era mais que suficient para desfalcar da lavoura colonial o braço indígena. 170 Em 21 de maio 1679 foi nomeado o alferez Pedro capitão da aldeia dos indios capajós junto ao rio S. E não era pequeno o numero de aldeias que não existiam. acrescentando que. onde exercitem suas missões. que inspirou a lei de 30 de agosto de 1689. que já tinham uma certa organização administrativa: Poxim168. muita vez. o país inteiro ressesntia-se da falta de mantimentos. Uma epidemia de varíola e uma febre semelhante à febre amarela. os editais que o capitão mandava afixar. E tanto assim é. mais ou menos. pela qual o plantio da mandioca era obrigatório. a exemplo de seus antecessores. entrava o elemento oficial. não só no norte. 171 Está aldeia já tinha uma certa organização administrativa. Em 1682 expede as mesmas ordens de cobrança. Canabrava. restituidas estas mesmas terras. dos Capojós. por isso que os escravos e alguns bens de raiz que iam à praça. Entretanto o governo central não pesava devidamente essas condições precárias. no arco da igreja. Em 4 de novembro de 1669 foi nomeado o indio jão mulato. Este indios depois requreram posse da terra da aldeia e obtiveram-na. não encontravam quem os arrematasse. em vista das informações do governador. e permissão para os missionários nela edificarem igreja. Cristovão. junto ao rio S. 145 . Japaratuba. Os interesses dos agricultores julgavam-se prejudicados pela politica jesuitica. Francisco170. Domingos e seu companheiro eram indignos do nome de missionário. de acordo com as das autoridades de Sergipe. Em Sergipe todas essas causas produziam seus efeitos. Além de capitais. Essa crise não se circunscrevia a Sergipe. que o governo da metrópole para corresponder às informações do seu delegado no Brasil. pela qual abriu-se na Bahia uma casa de moeda. como o tabaco. Estendia-se por todo o país. em 1699. Água azeda171. Joana Pimentel. Nesse mesmo tempo. pedindo permissão para que o denotivo fosse pago em qualquer gênero. contra o que protestou a camara de S. sitas no rio Real . A informação do procurador da coroa é contra a requisição. Geru. dando isto lugar à imigração africana. a quem os padres da companhia requereram lhes fossem entrgues 4 casas de indios. desde o governo do conde atouguia. por D. Em 1695 Frei Domingos Barbosa pede confirmação das terras que o capitão Belchior da Fonseca doou aos religiosos do Carmo. nas quais.

durante ele todos os elementos ficaram establecidos para ampliar-se o movimento colonial. Framcisco. Destas companhias saliento a que tinha por sede o distrito do rio Real. nomeado por carta régia de 14 de março de 1687. ficante o de nova formação comprendido entre os rios Sergipe e Japaratuba. trazidos pelo capitão-mor e que não destacavam pelos distritos. Braz Soares dos Passos. Defendiam a cidade e a capitania de ataques de inimigos. nomeado por carta régia de 14 de março de 1687. cuja jurisdição entendia-se da torre de Garcia D‘Ávila ao rio S. por ter esgotado o triênio. desde 1646. Em 1674. da qual o primeiro capitão foi o pardo Francisco de barros. 172 Em sua carta de noemação vemos consignados srviços de ral valor prestados na guerra com os holandeses. e criou os lugares de juizes de Fora e corregedores das comarcas ou ouvidores. Terminamos aqui o estudo das administrações dos capitães-mores que se seguiram ao dominio holandes. Tomou parte nas lutas holandesas. porque grandes modificações operaram-se. tomando o ano de 1696. retirando-se em setembro de 1690. Gonçalo de Lemos Mascarenhas. nas câmaras do Brasil. 146 . Foi noemado seu primeiro cabo Sebastião Correia de Sá e incumbido de destruí-los. o foi também em dezembro de 1674. pela grande extensão (12 léguas) e pelo numero de habitantes (700). sendo seu capitão-mor. Estas medidas provam que os sertões da capitania viviam infestdos de negros. nomeado a 15 de dezembro de 1695. morador no lagarto. Belchior da Fonseca Saraiva Dias Moreya. A capitania tinha a guarnição de 50 soldados de infantaria. Tendo sido a capital da colônia dotada de privilegios identicos aos que gozavam as maiores cidades de metrópole. A este corpo pertenciam as companhias de capitães de mato. Escolhemos esta data não só como termo desse periodo. a do Cotinguiba. Além destes corpos. o rei acabou com os lugares de juizes ordinarios. Tendo sido criado na capitania uma companhia de ordenanças. como o termo de um largo periodo histórico. Os capitães-mores que sucederam a Manoel de Abreu Soares foram: Braz da Rocha Leite. o mestiço mais simpatizado naquele tempos. Jorge de Barros Leite. a que denominamos período de formação. Presta juramento em junho e assume a administração em setembro. que em Sergipe tornaram-se célebres até mesmo nos periodos adiantados do movimento abolicionista. Realmente. Presta juramento na Bahia e neste mesmo mês é apresentado à câmara de S. em dezembro de 1674. como pela restrição ou ampliação das atribuições dos que já existiam. já existia um corpo voluntário e intitulado – entrada dos mocambos—que nada recebia da fazenda. como deste capitulo. uma companhia de homens pardos. pelas quais a administração geral teve de obedecer a novos principios. é dividido em dois. não só pela criação de novos funcionários.Vimos que em 1668 a capitania já se apresentava dividida em distritos. Cristóvão. Além destas companhias. João e que era a sede dos mais temerosos mocambos. que compreendia toda a extensão do rio até a borda da mata de S . nomeado em janeiro de 1690 e assume a administração em junho172. Sebastião Nunes Collares. nomeado a 23 de outubro de 1692. que atacavam a propriedade e a vida.

veio uma nova divisão eclesiastica. em 1680 a paróquia de Sta. Por esse tempo diversos núcleos de população se tinhar levantado nos diversos distritos. como Alagoas de Pernambuco. de que temos falado. os oficiais das câmaras deixaram de ser eleitos por pelouros. desmembrada da paróquia de Sto. Marcos de Souza . Amaro da Pitanga. na Bahia. sendo elevado a vila em 1698174. em 1679 a freguesia de Vila-Nova. 147 . 173 174 Rocha Pita. Com a divisão distrital. nesre msmoi ano a fregusia do Lagarto que foi elevada a vila em 1698.Sergipe ficou reduzido a ser uma camaraca da Bahia. por noemação passda pelo rei173.. Luzia. Em 30 de outubro de 1675 foi erecta a paróquia de Itabaiana. Cit. Além disto. remetendo-se agora as pautas dos eleitores ao desembargo do paço. Op. que escolhe os vereadores e procurador que hão de servir nelas. desmemmbrada da paroquia de Nossa Senhora da Vitória.

E é esta feição que mais caracteriza a siciedade da colônia. uma tendecia à revolta. Acompanharam-no nesse abandono as duas raças. sob a tutela protecionista do jesuíta. Para conquistar o território usurpado. O ato da coroa. Compreende-se. fizeram-les adquirir hábitos selvagens. para não se perpetuar. para depois entregaremse a vida selvagem e criminosa dos mocambos que tornaram-se freqüentes. Não era fácil e espontaneamente que voltaria ao trabalho. outros tantos focos de assassinato e de rapinagem. por entre florestas virgens. abandonam as fazendas. Antes da guerra. a vigiar o inimigo e a não escolher meio de luta para vencê-lo e eliminálo do território apossado. principalmente das regiões do norte. com obliteração completa dos sentimentso de paz e de ordem. COMARCA DA BAHIA. na ultima metade daquele século. a promover a alteração da ordem pública. empenhado na guerra. monopolizado em favor da raça branca.LIVRO II EXPANSÃO COLONIAL (1696-1822) CAPITULO I SERGIPE. sob a atrocidade de um cativeiro. pelo trabalho agrícola. na guerra da emancipação da pátria . por conseguinte. foi um efeito anticivilizador. dirigindo-se a quase todasas capitanias que lhe igualavam em território e riqueza. sem regalias. espoliado em seus direitos. o colono teve necessidade de abandonar o trabalho agrícola e entregar-se a vida das armas. As lutas com os holandeses dixaram no espirito do povo. ainda que em plano muito inferior. e reunem-se em macambos. pois. foi uma medida de ordem geral. depois de um abandono de alguns anos. os negros. um produto da guerra. reduzindo Sergipe a uma camaraca da Bahia. sem a fiscalizãodo senhor. no final do século XVII e sim a marcha geral dos fatos em todo o país. e que ofereceram empecilho ao desenvolvimento das forças civilizadoras. depois do final da guerra. O mocambo é. de crimes e de desordens. E essa 148 . o efeito produzido nas raças africanas e índia. de sua atividade. para o qual não influíram exclusivamente os acontecimentos dados em Sergipe. onde a convivência com o elmento estrangeiro foi mais larga e demorada. ao assassinato. sem nada receber de seus esforços. Além disso. não sentiam a menor repurgnância de praticá-las. e do índio. que essa tendência bem positiva da sociedade colonial. reclamava uma medida administrativa que viesse corrigir esse estado. não deixava de colaborar na civilização colonial. Realemnte. em sua generalidade. por pequnas causas. o trabalho. o negro vivia a tirar do solo os fatores da riqueza. Compreende-se que o negro. e é também a expressão de um protesto da raça contra a escravidão. aproveitou a oportunidade da guerra para possuir a liberdade de força. Habituados as cenas de sangue. E os sucessivos anos em que tiveram necessdade de levar uma vida de nômades. pela invasão holandesa e a guerra da emancipação.

nas causas cíveis e crimes. colocando a propriedade e a vida a abrigo de ataques por meio da expansão e severidade da punição. e os sucessores de Lencastre na Bahia. desta data em diante. seus capitães-mores tinham atribuições quase idênticas as dos governadores daquelas capitanias. não obstante isto. o fato de ele já ter pertencido àquela capitania. Sergipe como comarca ficou com seu território ampliado. Eis. não desviando dela nenhum de seus sucessores. João de Lencastre ordem do soberano para dividir as duas comarcas. O ouvidor de Sergipe tratou daí em diante de exercer suas funções. rio de Janeiro e algumas outras. nomeado a 15 de março de 1696. Este ato de Lencastre foi a origem das questões que suscitaram entre Bahia e Sergipe. pela existência incontestável de uma degradação de caráter da sociedade colonial. sujas funções ampliaram-se. Na hierarquia administrativa. não poderia corrigir o defeito social existente. Como dantes continuou a ter seu capitão mor. não era uma capitania com o eram Pernambuco.medida só podia afetar a organização judiciária. alargando suas prerrogativas e aumentando seus órgãos. a extensão territorial da nova comarca 175. e nas causas crimes procederia conformes ordenações do reino. as causas da reforma administrativa que objetivou-se principalmente no lado judiciário. Sob o ponto de vista de prosperidade. seu provedor da fazenda. deslocando-se mais para o sul sua linha divisória. Desde Diogo Pacheco a ordem de Lencastre principiou a ser executada.ordenou que Sergipe exercesse suas funções ate Itapoã. aquiescendo com as reclamações 175 C. a nosso ver. com a criação de diferentes corpos. nos períodos passados. a vizinhança de seu território do centro colonial e. Ela teve por fim melhorar os agentes fiscalizadores da justiça. Para elas dirigia-se em correição. Tinha-se ampliado por demais. a força armada. dando apelação e agravo para relação àquelas que excedessem sua alçada. onde chegaria. mostram-se simpáticos a causa da dasanexação. 149 . Sergipe passou a comarca por uma necessidade pública. tomando posse a 5 de junho do mesmo ano. sua guarnição de infantaria. Tendo D. executar as ordens de um poder competente. por que. a fim de traçar-se o limite de jurisdição e competência dos dois ouvidores – Bahia e Sergipe. porem. povos daquelas localidades mostravam visível repugnância a aceitar a jurisdição do ouvidor de Sergipe. R. nas novas paragens que lhe eram tributarias. contribuíram para que se apertassem aqueles laços. Incontestavelmente perdeu em categoria política administrativa. Entretanto. Sua alçada chegava a vinte mil reis. de civilização. sua função não era punir o crime e sim. por que cerraram-se os laços de centralização que presidiam a Bahia. a qual. além de outros corpos de que temos falado seu ouvidor. a fim de abrir devassa dos inúmeros crimes que se cometiam. O primeiro ouvidor mor despachado para Sergipe foi o Dr. como corpo militar. de 5 de julho de 1725 ao Vice-rei Vasco Fernandes Cesar Menezes. feitos por um membro do governo da Bahia. Seus antecedentes de conquista. Diogo Pacheco de Carvalho. nas causas cíveis. Em toda extensão da comarca tinha atribuições de conhecer por ação nova.

Manoel Martins Falcato (1720-1726).1717. José Correia do Amaral (1715-1720). se nelas ainda continuarem. Jorge de Barros Leite de (17111713 ). Não houve porem até então um ato oficial que se confirma a revogação. a favor de quem propendia a coroa. Prestou juramento em outubro do mesmo ano. que tendem a exercer suas atribuições. Prestou juramento na Bahia a 13 de janeiro de 1712. o governador da Bahia leva ao conhecimento do ouvidor de Sergipe Dr.1724) 177 No capítulo de 26 de agosto de 1657 se determinou a fundação do convento de S. como dizia na reclamação. 1695. as lutas continuaram. revogandose assim a ordem regia. em dezembro do mesmo ano. fato este que usurpava suas atribuições.1711). Em 1724 o ouvidor de Sergipe reclama também perante o rei contra o procedimento do vice. foi atendido a pedido de desanexação. Foi nomeado por carta régia de 22 de dezembro de 1695. contra o fato dos juízes de Sta. perante o governador D. que foi mandada executar por Lencastre. Os Capitães-mores foram: Sebastião Nunes Colares. Foi nomeado mestre de campo por carta régia 23 de julho de 1711. até quase o meado no século XVIII o que salienta-se e caracteriza o desenvolvimento histórico. onde os crimes sucediam-se. Foi nomeado por carta régia de 19 de julho de 1713. Fernão de Lobo de Souza -1704. com prejuízo das do comandante das armas. até que os limites foram deslocados para o rio Real. apelando para a ordem regia. De 1696. Prestou juramento na Bahia a 5 de maio do mesmo ano. alem destas questões de limites. Inhambuope e Abadia. por que esses moradores não pertencem a jurisdição de Sergipe. O religioso incumbido de porpagar esta ordem em Sergipe foi Fr. em vista da impunidade de que gozavam seus habitantes. Foi nomeado por carta régia de 21 de janeiro de 1715. 176 De 1696 a 1712 foram ouvidores de Sergipe Dr. Luiz do Rosário. além da falta de espírito prático dos funcionários. Salvador da Silva Bragança (1708. Sendo em 1728 erectas em vilas aquelas povoações. a 29 de janeiro de 1659. esquecendo os interesses dos lavradores. de que já falamos. Francisco. O lugar escolhido para a edificação da primeira igreja foi doado pelo sargento –mor Bernardo Correia Leitão. tornam-se comuns as divergências entre eles e os capitães-mores. entre estes e os capitães-mores dos distritos. João de Sá Souto Maior. perante o soberano e pede o aumento do território de seu município.rei Vasco Fernandes Cesar de Menezes pela ordem proibitiva que dele recebe para não exercer suas funções de juiz nas provações que Itapicuru. que faleceu 150 . como mostraremos adiante. Durante este mesmo período vemos ascenderem-se as prevenções dos colonos para os jesuítas. a câmara de Santa Luzia protesta contra a resolução. Contribuía para isso. uma representação da câmara daquela cidade. Havia mais a ordem de São Francisco177. Em julho de 1704. Dr. Dr.176 Sob o regime de uma nova medida legislativa. a luta de jurisdição em que viviam as principais autoridades das capitanias. Dr. Por sua vez. Foi nomeado por carta régia de 9 de maio de 1711.é. Não obstante. João de Sá Souto Mayor (janeiro de 1699 -1704): foi nomeado por carta régia de 11 de janeiro de 1699. como ordena a prisão dos oficiais de justiça. João de Lencaster: Dr. Antonio vieira de 1713. em diligência. enviando seus oficiais de justiça.1711). que ampliou as atribuições dos ouvidores. Thomaz Feliciano Albernaz (1705. a modificação territorial. por essas paragens. João Pereira de Vasconcelos (1711-1714). Custódio Rabelo Pereira (1717. Luzia exercerem jurisdição sobre moradores do rio Rela da Praia. O clero já representava então uma força poderosa na capitania. O governador não só ordena que os juízes suspendam essas diligencias.que delas partiam.

deixavam ricos legados as irmandades. abrindo-se larga divergência entre ele e os camaristas. pediram ao governador da Bahia D. Por causa dessa mesma influencia do clero. Os jesuítas nas aldeias abusavam da influência que exerciam sobre os índios. Estevão de Santa Maria lançouse a primeira pedra para a edificação do convento. Cristóvão. Os interesses das famílias eram esquecidos por alguns chefes. Esta medida sossegou a cidade. acompanhado de vinte soldados. cujos habitantes. junto da qual não se edificasse um templo. S. As capelas ostentavam-se em grande numero e em favor delas eram instituídos encapelados. Alem de muitos fatos que demonstram não circunscreverem-se eles a direção espiritual das aldeias. para que vivesse em paz e sem perturbação o governo da capitania. Não sendo castigados os culpados. o povo em ocasião em que o sarcedote celebrava. desobedecendo as ordens do governo que lhe autorizava a entrega dos índios que tinham fugido das aldeias da Bahia para esta. apanhados de surpresa e sob o terror da invasão. Então. penetra na igreja. José Correia do Amaral. sem a menor inspiração das parcialidades. Realmente o estado de pobreza da capitania. a retirar-se. cuja causa eles defendia como figuras proeminentes da parcialidade que era contrária ao ouvidor Vasconcelos. Lurenço de Almada anistia para os sediciosos. diretor da aldeia do Geru. surgiram com a impunidade as viganças particulares e as ofensas das parcialidades. sendo o conselheiro o recôndito do lar doméstico. depõe os representantes da justiça. Jaboatão. Os camaristas de São Cristóvão. para ainda excitar os ânimos. eram causas poderosas para a impugnação franca à nova resolução do poder legislativo dos 10% e dos 6$000 sobre cabeça de negro. Essa medida mais excitou os ânimos. em verbas testamentárias. que eram parte importante nas frações. e incumbido o desembargador Manoel de Azevedo Soares de ir a Sergipe. por ordem regia. o acrescentamento do preço do sal. O ouvidor comissionado para punir essa revolta. ficando assim a capitania sem governo e sob o domínio da anarquia. debaixo de graves penas.Manifestava-se pela posse do privilegio de dirigir as consciências. pela pressão do terror. fogem para os subúrbios e com ele o capitão-mor Salvador da Silva Bragança. Nesse período de efervescência. as ordens e às capelas. no começo do século. Rara a propriedade açucareira. Em 1709. que. contribuiu para formarem-se parcialidades. em 1659 sendo sepultado na mesma igreja. Antonio Godinho. em setembro de 1693. Na adminstração do provincial Fr. prende-o e obriga-o assim. que. depois de tomar posse e alheio ao meio. que tinha sido nomeado pároco daquela vila. foi despachado o Dr. permitido ao contratador. à qual veio reunir-se. Seraph. Orb. para abrir a devassa dos revoltos. esquecendo seu papel de juiz . as sucessivas remessas de alimento para a Bahia. veio o abuso. que preparavam resistência as ordens do governo para a cobrança de 10% das fazendas e 6$000 por cada escravo. como fez a população de Vila-Nova. citando o fato de Fr. os diversos impostos que já pesavam sobre a população. Desarma a força pulblica. e deixavam de atender as ordens que lhes enviava o capitão-mor. provocando protestos e revoltas populares. Não querendo estes habitantes prestar obediência ao seu vigário. 151 . que fosse por negócio às minas. o povo de Vila-Nova invade em dezembro de 1710. manda os facciosos assinarem termo.

o qual dizem Vmcs. a fim de serem realizadas diligências de valor à justiça pública. As autoridades que as infligem deixam-se cair no plano do partidarismo e daí resultavam as explosões dos ódios e das paixões. recolhendo-se por isso a um sitio do vigário Brun e depois ao convento São Francisco. Mas eu que só procuro remediar estes damnos sem os estragos de castigo que merecem. 15 de junho de 1711 – D. o mando a Ella devassar do dito levantamento. abalou a sociedade sergipense. 178 Tendo o capitão mor Salvador da Silva Bragança se retirado da cidade. Alem de separar os homens em frações. sem usar o rigor e compaixão que se faz indispensável em todos os casos. em que os vassalos faltam a obediência que devem ao seu príncipe e aos sujeitos que em seu nome governa. Bahia. até mesmo sobre aqueles que substituíram os que foram testemunhas dos acontecimentos178.M que D. Isto serve de medida de exaltação dos ânimos e do espírito dos partidos em que estava dividida a sociedade naqueles tempos. em janeiro de 1712. quando os excessos que insolentemente cometeram no mesmo levantamento foram os mais escandalosos que ainda sucederam neste Estado e por essa razão merecedores de um tal castigo que sirva de formidável exemplo aos moradores de todas a capitanias do Brasil. suppõem) para a desculpa os apparentes pretextos que tomaram para o delicto que cometeram. Cristóvão Antonio de Souza Brunelas figurava pelo que teve ordem em 1715 de sair do território. Compreende-se perfeitamente que um motivo tão profundo como este. de 5 de abril deste anno em que me dão conta dos motivos que o povo dessa capitania tomou para o levantamento que cegamente emprehendeu. onde morava. para que se castiguem os culpados. por me constar que toda a nobreza dessa capitania e ainda a maior parte da gente de menos supposição obrara naquela sublevação constrangida de temor. não desobedecerá as ordens de S. Jorge de Barros Leite. Lourenço de Almada.S e da benigna clemência de S. Sucede a Bragança. O espírito de partido continuou a influir sobre os membros do poder. O proprietário alegou que este procedimento ligava-se a não receber os alugueis. por essas razões se não devem admitir tão facilmente (como Vmcs. me seguram que esse povo mostra-se arrependido e vale-se da proteção de Deus N. e violência popular. por não ser justo que a culpa de poucos seja incentivo para a ruina de todos. ao voltar para ela. O governador não aquiesce com os desejos da câmara e não concede o perdão. ―Ao capitão-mor dessa capitania ordenei que a fosse logo governar e ao ouvidor geral dela exercer o seu oficio: e por conhecer as partes que concorrem no dezembargador João de Sá Souto Mayor ouvidor geral do crime da Relação deste Estado. elas não desapareceram com as penas do poder competente. 152 . tenho mostrado até o presente que o meu maior empenho é que esses povos conheçam que procuro mais conservá-los que destrui-los. As parcialidades não se acabaram. a mais prompta obediência. pelo temor de ser assassinado pelo partido dos revoltosos da Vila Nova.M para que seu nome lhe conceda perdão geral de todos o delictos cometidos: e o faria com particular gosto se esta maneira não offendera tanto o respeito e soberania da própria majestade. encontrou fechada a casa. As divergências que separavam os membros da camara do antecessor do ouvidor Vasconcelos permaneceram e a este estava entegue o trabalho de auxiliar o desembargador Souto Maior em devassar os revoltosos. dos pretextos que o da Vila-Nova e das mais villas tiveram para cometter outro absurdo semelhante.G nem as deste Governo Geral. o desinteresse e acceitação com nella exerceu tantos annos lugar de corregedor e ouvidor na mesma capitania. sem ofensa ou prejuizzo dos inocentes‖. fazendo esta com toda a capitania se restitua àquele socego em que se achava antes de tal levantamento‖. Eis a carta que dirigiu aos seus membros. em 15 de julho de 1711: ―Recebi a carta de Vmcs. e finalmente do estado em que hoje se acha o mesmo povo. o que só se poderia conseguir depois desse novo acreditar o mesmo arrependimento com as demonstrações mais sinceras. ―Vmcs.O próprio vigário de S.

Nelas penetraram os parentes de Pedro Gomes e determinaram todo o trabalho colonial realizado. para onde concorria a exportação da zona do rio Piauí. fundando um sítio da ilha do ouro. a ponto de chamar a atenção do governador e só desaparecerem. Não prosperou este sitio. arrematações e outros atos judiciais na alternativa de juízes ordinários. 153 . Daí queixas sucessivas do povo. e destruíram as plantações. Em vista as vantagens de sua situação junto a um rio navegável. o maior explorador desses tempos. audiências. por esse apoio combatido e criticado pelos camaristas da Sta. Pelo lado crime a maior questão era a devassa dos revoltosos da Vila-Nova e a prisão do maior criminoso de então. quer cíveis quer criminais. O foro vivia agitado pelas sucessivas questões. corroborada pela justeza de motivos. mataram o gado. que procurava obte-los dos descendentes de Moreya. elevando-se o numero em 1759 a 6672. como castigo dos abusos cometidos. Antonio de Almeida Maciel. explorou estas terras. Daí data a rivalidade entre os povos da Estância e Santa Luzia. Os comissários aproveitavam-se do cargo para apreender as mercadorias dos lavradores. dada por carta de sesmaria de 25 de novembro de 1669 ao desembargador Cristóvão de Burgos. Taborda. A ela devia pertencer para o futuro a hegemonia do sul. Existia a convicção no espírito dos exploradores do sertão da existência das minas de Belchior Dias Moreya. quando foi substituído o capitão-mor. em sessão de 31 de janeiro de 1715180. 180 A provisão de 27 de abril de 1757 concedeu haver na povoação de Estância vereações. morador em Sergipe. O termo de Santa Luzia em 1707 tinha 156 fogos e 1054 habitantes. Antonio Rodrigues. Era um destes comissários Manuel Pessoa de Albuquerque.Os vereadores e juízes abandonam os cargos e retiram-se para suas casas. As idéias de mineração não tinham morrido. A falta de limites precisos nas doações e a tendência dos homens a verem no assassinato a vingança de seus ódios e o meio mais eloqüente de resolver questões. por sua topografia como a do norte devia pertencer a Laranjeiras. Pedro Garcia Pimentel. quanto tinham o apoio do ouvidor de então da capitania. em outubro de 1714. Dr. Pelo lado civil era a posse da doanção de trinta léguas de terra. em vista disto novas entradas foram abertas e se continuou a colonizar estas terras. Hieronio da Costa Taborda. O leitor procure ler um memorial dirigido ao imperador pelos habitantes do porto da Folha. autorizadas por uma das partes litigiantes. 3000 pretos e 4000 diversas raças. cujos roteiros eram pesquisados pelo coronel Pedro Barbosa Leal. A posse destas terras deu lugar a uma secular questão que há bem pouco tempo agitava-se entre a família Tavares e o coronel Gouveia Lima. José Correia de Amaral que. As lutas de jurisdição entre ele e Barros Leite incrementam-se . Em 1698 os índios Roumiris destruíram o mocambo. contra quem veio ordem de prisão. traziam essa atividade no corpo da justiça e faziam com que o ouvidor se tornra-se uma autoridade que preponderava nos destinos dos povos. por que os negros. e as representações contra o ouvidor sucedem-se perante o governador. A fim de prevenir-se o contrabando. entre os rios Vaza-Barris e São Francisco. 179 Em 1662. capitão Manuel de Couto Dessa. mais que o capitão-mor. que por esse tempo era um sítio.179 A povoação de Estância prosperava e nela morava quase toda a representação oficial da Vila de Santa Luzia. Em 1802 a população era de 10000 habitantes. recebeu uma repreensão do Conselho Ultramarino. sendo 3000 brancos. para ver as cenas de assassinato. sendo 2215 cativos. por Antônio Vieira. o governo comissionava fiscais para prenderem os comboios que fossem às minas de ouro. reunidos em mocambos. Luzia. os seus moradores pretenderam mudar a sede da vila para a povoação a animaram-se tanto mais para realizar essa pretensão.

420. um cronista calcula em 17169. 1896. Amaro em 1761 contava com 2336 habitantes. perdendo assim a paróquia de Santa Luzia a zona de três léguas de território. Cristóvão. de 2 de dezembro de 1681 deixou-as aos filhos dos seus naturais. Possuía por estas paragens. dilatou os limites da paróquia ate o rio Sagüi. contava-se 32 engenhos de açúcar. mulheres. que dominava a zona do Cotinguiba. 350$000. A expansão colonial já reclamava uma nova divisão civil e eclesiástica da capitania. erigese a vila de Sto Amaro em 1720. criados. Limas. Esta compreendia a paróquia a que pertencia toda a zona do Cotinquiba. João Francisco de Oliveira. Sebastião Monsteiro da Vide. Além das quatro vilas que existiam no século XVIII. Segundo o mesmo cronista a cidade de São Cristóvão possuía 450 fogos e em seu recôncavo. Abreus. no começo do século. á qual fica pertencendo a metade da freguesia de Nossa Senhora do Socorro. 181 As terras onde está hoje a cidade de Própria. no centro da freguesia. Já era paróquia desde 28 de setembro de 1718. ter 7776 habitantes. A Vila Nova 100 fogos e sua freguesia compreendia a paróquia de Sto Antônio do Urubu e tinha 2774 habitantes. erecta em 1617 e cuaja sede era a cidade de S. 154 . Eis o que era Sergipe em 1724. A freguesia de Villa Nova estindia-se para o ocidente. A freguesia rendia . compreendida entre o sagüi e o Rio Real que era o limite antigo entre Santa Luzia e Abadia. Em 1718 foram desmembradas da vila do Lagarto e da Vila Nova as freguesias de Campos de Santo Antonio do Urubu (Propriá) que foram erectas181 em Paróquia. As famílias que mais dominavam e representavam a nobreza da capitania. O Padre Gonçalo Soares da França em sua obra – Dissertaç~çoes da História Eclesiástica do Brasil. até a margem do rio Cotinguiba. por provisão do acerbispo D. servindo a lagoa de Propriá de limite entre eles.importante manual escrito em 1724. 1600. pertenceram a Pedro de Abreu e Lima que. A mesma vila ficou pertencendo a freguesia de Pé do Banco. Houve mudança de sede de sua primeira matriz da capela de Jesus Maria José. 725. 29 e escravos. sendo homens. pelo acerbispo D. calcula a freguesia de Nossa Senhora da Vitória. Rezende. que foi elevada à paróquia em 18 de fevereiro de 1700. 56 e escravos.Quando a Abadia foi erecta vila. Antonio Soares Pinto. Os núcleos de população aumentavam. Entre eles haivia o sítio do Urubu de baixo e Urubu de cima. O termo de Sto. o ouvidor mor de Sergipe. criados. em escritura de doação. em novembro de 1727. eram as famílias dos Sás. O número total dos habitantes. sendo homens. Pachecos e Faros. 1266. antes da desanexação do Socorro. até o riacho Xingó.

Eram dominados pelas tradições de seus avós. na forma da ordem que tem de S. João contra a ordem do vice-rei Vasco Fernandes Cesar de Menezes. em 1724. encarregando esta dilligência ao ouvidor geral daquella capitania. Jaó senado da camara da Bahia)”. que Deus guarde. privnado-lhes a interferência nos negócios de justiça daquela circunscrição. Alèm disto. o ouvidor de então. que proibia-lhe exercer suas atribuições de juiz naquelas paragens. foi servido ordenar-me por provisões de 24 e 28 de abril deste anno. e por diversas vezes reclamam ainda aos poderes constituídos e levantam dificuldades à marcha administrativa de Sergipe. a cuja jurisdição não queriama pertencer. João de Lancastro ampliou o território sergipano até Itapoã. ordenava que elas ficassem sujeitas à capitania de Sergipe fazendo disto comunicação à comarca da Bahia. Bahia 7 de agosto de 1727. para esse effeito. pelo que os advirto que se me constar mais que se oppõem a passar-se aquella mostra os hei de mandar vir 155 . em carta de 31 de julho de 1704 ao ouvidor. dede quando apelavam para o uti possidetis. Assim . Alem disto. representa perante D. priva que os oficiais de justiça de Santa Luzia façam diligências nas povoações sitas ao sul do rio Real. Os habitantes destas vilas não perderam a esperança de desanexarem-se do território sergipano . 183 “Consta-me que os officiaes da Villa de de Itapicuru têm induzido os moradores de Geremoabo a que não consintão que passe mostra o capitão-mor de Sergipe. quando o ouvidor de Sergipe. 182 Parece que este ato resolveria as questões que se agitavam.CAPÍTULO II RESLTADO DAS QUESTÕES DE LIMITE MERIDIONAL EXPULSÃO DOS JESUÍTAS Desde 1696. Não obstante a causa da desanexação merecer simpatia dos representantes do governo colonial. M. quando D. À administração da Bahia queriam eles pertencer. vice Rei (port. Itapicuru e Abadia. Em 1740. porque a ação da lei lhes chegaria lenta e demorada. que expede. E por que tenho mandado cumprir aquellas ordens. Cesar de Menezes. foram sucessivas as reclamações dos habitantes destas localidades contra as autoridades de Sergipe. O ato da coroa anulou esse direito. os vereadores de Itapicuru impedem que o capitão-mor Estevão de Faria Delgado passe mostra aso habitantes de Geremoabo183 pelo que o governo da 182 “S. não evira as desordens de distúrbios que nella dão-se. ordem aos ouvidores de Sergipe. por provisão de 24 e 28 de abril de 1727. Poe quem estas terras tinham sido exploradas à custa das forças baianas. o senado da Camara desta cidade o tenha assim entendido na parte que pertencer ao termo della. mandasse erigir villas nos logares de Itapicuru e Abadia. M. no recurso interposto. Dr Antônio Soares Pinto. por diversas vezes. que estenderam até lá a colonização. advoga a causa da desanexação do território e diz ― que vai dar conta ao soberano dos excessos deste bacharel. que passou a servir de linha divisória entre as duas comarcas. Um dos seus antecessores. que não obstante exercer jurisdição em uma zona tão limitada. foi encarregado de executar aso provisões régias.até 1727 quando foram erecta as povoações de Inhambupe. Suas reclamações encontraram sempre apoio no governador da Bahia. Itapicuru e Abadia em vilas. ficando sujeitas a comarca de Sergipe de El-Rei. todavia o ato do soberano pelo qual erigia em vilas as povoações de Inhambupe. era de conveniência aos habitantes da zona de litígio a jusrisdição das autoridades da Bahia.

de que temos tantas vezes falado. Daí podemos avaliar sua contribuição no desenvolvimento da civilização. e levnado-os ao conhecimento do governo. As reclamações sucederam-se até 1750. Finalmente vemo-las encarregadas de publicar o alvoará de 6 e 7 de junho de 1755. por onde podia aquilatar suas necessidades. quando . Continuou ainda a povoação de Geremoabo anexada ao terrirtório de Sergipe e sujeita às suas autoridades. os mesmos favores já feitos aos de Maranhão e Pará. Em Sergipe. que ela depôs do poder. quando o ouvidor de Sergipe foi presos a esta cidade e castigá-los rigorosamente pela sua inobediência e assim o tenha entendido. 18 de maio de 1740. denuncia os abusos do vigário Teodósio Semião Lopes Machado e exige que ele entregue as chaves da matriz. Cristóvão. Inhambupe e Abadia que executem as ordens do capitãomór e ouvidor de Sergipe. Ao capitão-mór de Sergipe)” 184 “Todos os oficiais de justiça da camra de Itapicuru executarão prontamente o que lhes ordenar o ouvidor geral da capitania de Sergipe. no século XVIII. Bahia. por alvará de 8 de maio de 1759. vemo-las defendendo os direitos do contribuinte. por onde estendeu-se a colonização até Geremoabo. Daí as lutas contínuas entre eles as câmaras. conta os excessos das câmaras de Abadia. Inhambupe e Itapicuru.Bahia baixa as portarias de 10 de fevereiro e 18 de maio de 1740. ordenando às autoridades de Itapicuru. Reconhecemos a justiça da resolução que foi dada às questões de limites meridionais. cuja colonização não foi feita por ordem de seu governo. Assim fizeram as câmaras de Sergipe em 1789. Os acontecimentos descritos até aquei já são suficientes para por eles apreciarmos a função histórica das câmaras. por carta de 14 de março do mesmo ano. Da camara de Itapicurú. Representavam o governo local. Vemo-las traçando descrições minuciosas de seus municípios. passando a administração espiritual da freguesia a outro sacerdote. a riqueza pública. A câmara do Lagarto lança fintas sobre seus habitantes. pelos quais o rei faz a abolição da escravidão indígena no Brasil. Of. seus recursos. quando querem intervir em suas atribuições. Vemo-las ajudando ao resgate das dívidas da metrópole. Bahia . por isso mesmo que à capitania de Sergipe não pertence o direito de posse sobre aquele território. concedendo aos índios de Sergipe. o governo colonial resolve definitivamente a questão desanexando aquelas vilas de Sergipe e fazendo-as pertencer à frequesia de Nazaré. acusa-o levando-o à ação do poder judiciário. quando reclamam perante o soberano a isenção dos pagamentos dos donativos. Vemo-las pretestando em favor da integridade territorial. e hei já e logo por suspenso e o castigarei reigorosamente pela sua inobediência. Melhor resolveremos esta questão . porque representavam o poder do município. o mesmo não sucede relativamente a nossa fronteira ocidental. fevereiro 10 de 1740 (port. para pagarem o tributo dos donativos.184 Os atos do governo eram sinsuficientes para promover a paz e submeter aquieles povos à jurisdição da capitania de Sergipe. 156 . Vemo-las protestando contra os excessos dos ouvidores. em que eram cotizadas. O povo reúne-se dirige ao edifício do conselho. Tal foi o procedimento da câmara de S. Vemo-las levantando a energia de um protesto à altura dos árbitros de um capitão-mór como Rabelo Leite. Port. em vista do péssimo estado financeiro da capitania e seus habitantes. Em nossas buscas foram inúmera as reclamações que nos passaram pelos olhos. pelo esforço que empregavam em angariar donativos. a cuja ordem estarão para diligência que lhe tenha encarregado e o que faltar à execução della. no capítulo em que trataremos dos limites de Sergipe.

porque eles emanavam de eleição popular. O péssimo estado financeiro da comarca. pública. todavia uns visos de autonomia selavam suas atribuições. Maria. Achava-se Delgado na administração. p 25. quer de outro. Santa Luzia. Cristóvão. Em 1742. Um certo espírito liberal presidia suas prerrogativas. Cristóvão não sancionam o arrendamento que tinha feito ao coronel Nicolau de Souza furtado de uns terrenos próximos à capital. e impunham aos réus até a quantia de 6$000. 185 C Maia. Em 1727 havia as câmaras de S. 14:048$000. quadrilheiros. julgavam as injúrias verbais. lançando fintas. Responsabilizava-o pela da remessa do mesmo donativo em 1740. A capitania teve de pagá-lo durante 15 anos. Nemeavam os almotacés alcaides menores. Seus membros e todos os oficiais eram delegados do povo. em janeiro de 1759.encarregado. quando ilegais. O capitão-mor de então era José Pereira de Araújo. sogro de Delgado. que era encarregado de levar para a Bahia os donativos de Sergipe. sem apelações. tornaram-se chefes de duas facções.tendia a piorar com a imposição desses e outros tributos. Prestavam contas ao Provedor da comarca que examinava as despesas. Isto isso foi bastante para que a câmara procurasse vingar-se na pessoa de Nunes coelho. por conseguinte. em 1743. Costa e Delgado. os seus membros. Sucederam-lhe no governo Francisco da costa (1733). um bando. Sergipe só tinha pago 57:951$000. depositários úblicos. de erigir a vila de Pombal. Eram de sua competência as questões de infração de posturas com os almotacés. dirigidas ao governador. Itabaiana. onde casou-se com a filha do coronel Manoel Nunes coelho. pelas comarcas de Sergipe perante o soberano. Na parte descritiva em que vamos entrar. juízes de vintenas e outros funcionários locais. estabelecendo posturas. Nesse tempo um novo imposto foi tributado a Sergipe. A parte apela para o governador. que foi a razão alegada. Não obstante acharemse ligadas à ação central do governo. representando os respectivos municípios. nem agravo. taxando o mercado. cuja decisão favorável é executada por Delgado. Devia. que depois de deixar o governo ficou morando em Sergipe. pelo qual seriam castigados com açoites os autores de qualquer revolta. Eis a comtribuição histórica das câmaras de Sergipe. Estevão de faria delgado (1737) e novamente Francisco da costa (1741). sucedendo a Delgado e para vingar-se dos seus amigos. 157 . por diversas vezes. no intuito de isentála das diversas contribuições que sobre si pesavam. Lagarto. até o meado século XVIII. O Município. dentro da órbita de suas atribuições. em que não podiam ingerir-se outras autoridades. quando em 1738 os camaristas de S. havemos de ver as diversas resoluçõesdas câmaras de Sergipe. Além da administração econômica que lhes competia dar ao município. quando completa-se o tempo. avaliadores. quer de um. e era por elas responsáveis. Costa. Vila Nova e S. Amaro. alegando motivos de servidão pública. que devia contribuir com uma quantia anual de 4:800$000 para o casamento do príncipe e dote da infanta D. que por atos anteriores já reconhecia o direito do coronel Furtado. Gozavam da imdependência em suas atribuições. recebedores de sizas. A indisposição pessoal que votava ao ouvidor Antônio Soares Pinto contribuiu para que seu governo fosse uma série de denúncias.185 Eis as atribuições das câmaras do Brasil esse tempo.

Mag interesadamente. Cristóvão. o fez por rol que o dito Viegas lhe deu rejeitando todas tas as test que poderiam jurar contra o dito. a cidade de S. Mag de tal forma recebendo dádivas nas devassas que tira. onde eles não podem dar remédio. Miguel Aires lobo de carvalho (1756). e o dito ouvidor Miguel de Aires lobo homem sem receio de suas e conveniências vai atropelando a justiça de V. que sendo mercador de loja de fazenda. Os espíritos viviam em um choque de intrigas. como as que foram postas em prática para trazer a obediência. tornando-se preciso medidas enérgicas. majestade que tudo se pode mostrar ser 158 . que até por empenhos conserva um escrivão José Ribeiro Setubal homem indigno. R. teve de ser conduzido algemado para a Bahia. e vindo o seu sucessor. R. provocadas por questões pessoais. principalmente na administração de Manuel da cruz silva. como este povo pelas dependências que tem deles não podem falar com temor. para serem restituídos ao padre João Honorato. a ordem pública foi perturbada pelo assalto que os índios fizeram. teve de dar posse a José de matos Henrique. Por esse tempo (1749) teve o lugar o maior desprestígio contra as autoridades de Sergipe. Sua indisposição. só afim de levar a sua residência limpa. por ter sido nomeado pelo rei em 1755. sem odediencia. o qual se acha nesta capitania a tirar-lhe a residência. fica bem clara nas seguintes palavras que dirigiu ao soberano por carta de 2 de junho de 1755.bando que mereceu uma repreensão do governador. o dito ouvidor me mandou prender por me obedecer e desta forma se intrometem nas e jurisdições dos capitães-mores. cuja atenção ficava presa às dissensões. Foi substituído (1746) por Domingos João viegas. nem castigo do delinqüente mal posso dar conta dela pois todo meu emprego lhe servir a e V. pois eles até as jurisdiçoens me usurpam. As desinteligências ascenderam-se mais ainda entre as principais autoridades de então. diretor da mesma aldeia. ―Também represento a V. por parte do juiz ordinário da abadia. como presenciado de Domingos Viegas ouvidor que foi desta capitania. Mag prendendo pretensiosamente e injustamente a varias pessoas. para tornar e vender pelo seu valor. São presos pelo mesmo juiz. Manoel da cruz silva (1751). Além disso. cuja administração foi de poucos meses. Sucederam na administração os seguintes capitães-mores: Manoel Francisco (1747). em outubro do mesmo ano. para com o ouvidor. destruindo-as para arrematar os escravos por limitados preços. por via de seu escrivam Antônio de Távora. Majestade. pois. como sucedeu mandar e prender a um soldado fugido da praça da Bahia por um meu oficial desta praça. Daí nasceu o levante de 1751. e contratador de solas. se me queixam pela boca pequena. O ouvidor de então era o Dr. O bem geral era completamente esquecido pelos representantes do poder. que pôde ser vencido pela guarnição da capital. e marchante de gados. As desordens nas aldeias sucediam-se. e destribuidor das administraçones das capelas. e couros. Agostinho Teles Santos Capelo que com ambos os capitães-mores abriu divergências. ouvidor Miguel de Aires lobo de carvalho a rendê-lo. Cristóvão a diligência. R. Os índios revoltam-se contra seus capitães-mores e fugiam de umas para outras. como experimenta e contra as ordens do regimento de V. criminoso em erros dos seus ofícios. tendo sido nomeado em julho de 1755 pelo governador. e a este respt° todos os ouvidores assim fazem. que por isto. que este de tal forma offendeo a justiça de V. como V. R. Manoel da cruz silva contribuiu para torná-los mais efervescentes. servindo sem provimento de V. R. Em casa de sua parenta D. Inês Carrilho homiziavam-se os índios que fugiam da aldeia do Geru. ficando privados os que poderão jurar contra eles escandalizados das suas injustiças que costumam fazer por não ter nesta terra quem viva a mão. Majestade que parece ser desgraça desta capitania pelas informações que tenho. ordenando sua revogação. em numero de três mil. Fazem os oficias de justiça de S. Duarte Fernandes lobo pontes. R. R. Mag me encarrega a dar conta destacapitania. e outros mais com quem se combinava para os ditos negócios. Capelo na ouvidoria foi substituído pelo Dr.

que sobre o descobrimento também já derão conta a V. facínora. M. e este da dita cadeia saia de noite por conveniências que fazia ao carcereiro. que têm procedido a respeito destas minas. respondi não ser meu por estar o assento feito no livro da Cadêa á ordem do governador geral do e Estado a quem tinha dado conta do sucedido. de que trata da sua mesma conta. no distrito da vila de Itabaiana. serem tiradas pelos oficiais da câmara adjunta o capitão-mor de capitania. arazando-lhe os seus mantimentos. majestade e a república.declara que me não póde dar outra mais genuína do que repetir-me a mesma que já dêo ao conde de Atouguia . mandei vinte e cinco homens a prendê-lo pelo prejuízo que fazia. lembrando-me tão somente que fazendo elle intendente presente a V. e assim as residências tiradas pelos sucessores aos antecessores. ―O ponto principal da representação he exagerar Manoel da Cruz a grande abundancia de ouro. que verdadeiramente não é homem que mereça nenhum gênero de attenção em nenhum dos seus projetos. 159 . o não poderão prender. parece que se deve continuar a mesma prohibição. Mag terá melhor efeito para o conhecimento da verdade. M servido aproval-a e madar-lhe declarar por provisão de 15 fevereiro de 1754. que nesta capitania se experimenta por causa da longitude. o qual na sua informação. cuja resposta é a seguinte: ―Sr. que diz ter das minas serra de Itabayana. Sobre esta mesma matéria não tem mais novidade nem discrepância alguma . declarando também o que achar sobre os outros artigos. R. não querendo o dito ouvidor pôr o cumprase as provizoens dos rematadores. por homem cigano por entrar na fazenda do sargento-mór pago das ordenanças e levá-la a escala.sem qeu obste a representação de Manoel da Cruz da Silva. e assim V. a mesma matéria e subindo a sua real presença aquella informação. seriamente e sem fundamento repetira a mesma causa que os officiaes da câmara da cidade de Sergipe d‘ El-Rei tinham dado a V. mandei ouvir ao intendente geral do Ouro desembargador Vencesláo Pereira da Silva. e agorado a sua empresa. até.meo antercessor. e de utilidade ao Real Serviço de V. aqueles moradores do distrito da vila do Lagarto. como também as justificaçoens que presenciei nesta capitania. e matador. Majestade por esta provisão que informe com o meu parecer sobre a representação que fez o capitão-mor que foi de Sergipe d‘EL-Rey. Manoel da cruz silva a respeito das minas de ouro que diz há. a vista pois desta informação e das ordens de V. hia a casa dos juízes por serem amigos. ordena-me V. e só sim o consegui por indústria. M. ouvindo para isso as pessoa que me parecem. mas como esta matéria se tem tratado neste Governo repetidas vezes pelo mesmo Manoel da Cruz Silva e pelos offciaes da Camara da cidade de e Sergipe d´EL-Rey. R. sendo estes capazes. e resolvendo-se este caso na real coroa de V. Mag porá os olhos em semilhantes desamparos. empurrar os soldados. R.sendo que se lograssem o desvanecimento de serem attendidos. e fugir indo algemado. m. fora V.que pelo que respeitava as sobreditas minas da Itabaina tivesse ententido por ora não era conveniente o permittir-se que se continuasse naquelle descobrimento e que tinha por sem duvida que o capitão mor Manoel da Cruz da Silva informemente alcançando alguma nova do que sobre a suppostas minas de itabaiana se falava. digo. de que o de descubridores de minas de ouro.nulo. Majestade de semelhante insolência. e estes seguindo-o o foram tirar encostado ás portas do convento de S. todas são copiadas por dependências que tem uns dos e outros. serem menos verdadeiros que prendendo eu a um Domingos dias Coelho. em a dita Cadêia até dar conta a V. M. homem pardo. garantindo a existência de jazidas de ouro na serra de Itabaiana. arruinando sua escolta de dezoito armas de fogo. por causa dellas. e para evitar este engano que se faz V.melhor lhes poderia attribuir o epitheto de destruidores daquella comarca e daquelles povos. roubador. e vindo preso á ordem do governo geral do estado. e este depois de solto se foi outra vez agregar e com a dita sua escolta. sucedeu na entrada da Cadêa.‖ Nesta mesma carta levanta a questão das minas. Rey do Est° afim de ser punido e sucedendo esse prezente anno o dito Domingos Dias sair por juiz ordinário desta cidade. e faziam auto de câmara e justificaçoens e assinavam papeis pedindo para isso enganosamente o servente da câmara ao escrivão para fecharem os seus papeis para remeterem ao V. e ficavam tendo a gloria de inventores . Mag antes que me chegasse à resposta o dito juiz Domingos Dias junto com o vigário geral mandou soltar espontaneamente pedindo as chaves ao carcereiro. que por copia remeto . R Mag . O soberano por carta de 1° de abril de 1756 manda ouvir o governador da Bahia. fazendo as diligências razoáveis sobre a existência das ditas minas e necessidade que há de segurança. R. ententendo tanto eu como os outros que nisto faziam um grande serviço a V. R. Francisco e metido que fosse na cadeia requereu logo ao padre guardião do dito convento ao vigário geral e municipalidade e mandar-me pedir o preso para assistir o dito auto. a tempo que prendi um João Correia Cabral. onde viu bonitas espécies. sendo criminoso. sobre o referido descobrimento.

assim de raiz. os eclesiásticos e ultimamente não há pessoa de qualidade alguma a quem deixe viver em socego. todos mais hábeis do dito povo e ainda na suposição de não achardes nella quem saiba ler e escrever . 3 de Agosto de 1756. 20. arrematações e outros atos oficias . Da Leis. Os lugares da câmara da nova vila. não deve a minha paternal piedade permitir que constrangidos a espécie alguma de servidão contra os primeiros princípios de direito natural. Commercio da Ethiopia. cit. não só em nome dos povos .na alternativa de juízos ordinários186. não devendo permitir sejam espoliados do domino daquellas terras. é summamente conveniente o mandar despejar daquelle districto para fora. intituladoa Nossa Snhora do Socorro a sita na Freguezia dos Campos do Rio Real. com o nome de nova Távora ou Thomar. em que V. Op. deviam ser exercidos pelos naturais da aldeia. foi chamado à Bahia pelo governador. pois tendo nascido livre. sou servido ordenar que passando logo a dita Aldêa. Ouvindor da Comarca de Sergipe d’El-Rei. Nessa carta declararam-se livres os índios de Sergipe. Eis a opinião do Conde D. e d’alem mar em África. tem capacidade de Visinhos e cômodo preciso para o dito effeito. e de seu comercio. Contra isto opôs-se a câmara de Santa Luzia. que mandei publicar em favor dos índios do Gram-Pará e Maranhão. p. Erigiu-se em vila a aldeia do Geru. era o professor de primeiras letras da localidade e só em falta de algum natural. três vereadores ou dous. haver na povoação vereações. fui servido em seu beneficio pelo alvará com força de Lei de 8 de maio do presente anno as leis de 6 e 7de junho de 1775. os ministros de V. com socego de que necessitam. Navegação. e o melhor se civilisarem e poderem instituírem-se. que será tutor dos orphoãos. mais também que se goverrnem por seus naturaes nas disposições e particularidades de sua povoações. M. utilizarem-se da sua agricultura e comercio. por provisão de 29 de Abril de 1757. criou-se o seu município. para consigam a inteira liberdade de suas pessoas. “D. e sendo a minha real intenção que elles conservem não só a referida liberdade e plena administração de suas famílias. quando já se achava na administração José de Matos Henrique. digo.. razão porque me parece que aos serviços de V. e um procurador do seu Comselho. No fim da administração de Matos Henrique operou-se uma nova divisão municipal na capitania. resolvi ser o meio próprio para conseguir todo o referido. Seu escrivão do judicial. termo da villa Lagarto. comarca da cidade de Sergipe de El-Rei. O ouvidor Ares Lobo. que. . etc. sempre com elles serão eleitos os mesmos Indios. de idoneidade para cargo . por carta regia de 22 de novembro de 1758. devia ser ele exercido por um português187. convencido da superioridade topográfica da povoação da Estância. digo. Por me ser presente que a Aldeia do Gerú.Marcos de Noronha sobre Cruz Silva.. desejado eu favorecer em tudo quanto for possível a meus vassalos indios deste continente . Bahia . porque na Secretaria deste Estado são infinitas os requerimentos que se tem feito contra elle. poderá ser nomeado um portuquez com as referidas qualidades e a elle se lhe 187 160 . 186 Marco Antonio de Louza. 1775. e para os três anos futuros fareis eleição de semelhantes officiaes da forma da Ord. a Villa estabelecereis nella com o nome de Nova Távora – elegendo à votos do povo um de seus moradores para juiz della. assim como os empregos criados.Marcos de Noronha‘‘. Senhor de Guiné e da Conquista. no caso de não haver numero. pede ao rei para que seja ela erecta em vila.mas as câmaras. porque este é o meio mais proporcionado para poderem aquelles habitantes viver. Arábia .―Sobre os mais artigos que ouça pessoas que se contem nesta carta. igualmente ora também servira de tabelião das notas e escrivão do judicial e do orphãos o qual no caso de não haver na Aldeia Nacional dentre os Indios com a necessária inteligência e noticia de processar . que forem precisos para o bom governo dos mesmos respectivos povos. sendo concedido. e estabelecer nellas algumas villas elegendo d’entre os ditos Índios seus habitantes. que este homem tem sido um enredador de toda ciadade de Sergipe d‘El-Rei e ainda desta Bahia. 1° tt° 67 guardando em tudo a formalidade de que ela prescreve. Persia e Índia. de que elles foram os primeiros ocupadores e povoadores. que por portaria de 23 de Setembro de 1757. não me offerece dizer nenhuma outra cousa mais senão.Conde D. M me manda que ouça pessoas que parecem.Jose por Graça de Deus Rei de Portugal e dos Algarves . audiências. como moveis e semoventes. Faço saber a vós Bacharel Miguel Ayres Lobo de Carvalho. de seus bens. mais capazes para exercerem os empregos dos officios da Justiça e guerra.

os quaes ficarão continuando nos mesmos empregos. e desembaraços ou duvidas que occoram a este respeito por este tribunal para eu vos ordenar o que parecer mais as minhas reaes intenções e ao serviço de Deus Nosso Senhor e bem comum de meus vassallos . – Por despacho do Conselho ultramarino. – Barberino. dando-lhes o juramento e posse. antes os mandareis notificar para despejarem dellas. nem também o escrivão que a xercer pelos os feitos dos mesmos : estabeleceries uma casa logo das que achardes mais decente. bem entendido que a todo tempo que hover Índio com aptidão par servir este officio.__ Baghis. dando um mêm às partes que se quisessem queixar. e sucedendo não possuam os índios terras algumas ao menos daquellas que abaixo se declaram. nem consetireis que fiquem conservadas arredemptorias algumas. e remettendo o próprio para meu conselho. nas quaes o que se houver de dar ao Parocho para os seus passos. sem que leveis estipêndio algum pelas assgnaturas destes papeis. e nos auditórios judiciaes: a todos os sobreditos officiaes novamente eleitos mandareis logo passar suas cartas de usanças para que possam sem demora entrar a exercer a jurisdição em seus officios. que por hora se faça as conferencias da camara e as audiências do juiz as quaes umas e outras nos dias em que aponta a ordenação do reino. – O Desembargador secretario Joaquim Jose d’Andrade o fiz subscrever e subescrevo . e ficarão as outras e estabelecimentos as casas de habitação do parocho que lhes pertencerem no sitio que vos parecer mais próprios. e no sitio que vos parecer mais próprio. e sempre será em parte posivel e de menos encomodo ao publico nas terras dos mesmos índios. sendo estas de sesmarias. então. que substituiu Areis Lobo. pelo qual ficaram expulsos os jesuítas e seqüestrados os bens moveis e raiz da Companhia. em que não houver duvidas bem fundadas: junto as casas do parocho assignareis termo para o lugar dellas no caso de as não terem. metendo-os sem demora de posse dellas. e havendo possuidores que succedão a seu domínio com outra qualidade de libello ouvireis as partes.Já não estava mais na administração Matos Henrique. deixando na comara uma copia authentica do auto e medição que nellas fizeram. e todo o referido na forma acima declarada dando-se conta do que achardes. Cristóvão em 30 de dezembro de 1759188 . A lei da expulsão dos jusuitas foi ampliada pela lei de 28 de agosto de 1767. baixa o seguinte bando. neste caso regulareis o termo da nova Villa e confins pela terras. Desconhecemos as peripécias do fato em Sergipe e o numero de jesuítas que habitavam a capitania. e para que as ditas arredemptorias fazendo outra de novo queiram ao depois com este pretexto vencer mais tempo contra esta minha disposição fareis eleições por votos dos officios de guerra e ordenança . 22 de Novembro de 1758 188 Em agosto de 1659 foi publicado o edital régio pelo qual mandava tirar residencia do capitão-mor. ficando inteiramente servindo os officiaes propostos. qulaquer destes sujeitos preferirá na serventia do referido officio aquele em quem não concorrerem estas circunstâncias. 30 de Dezembro de 1758. passados dous annos que lhe concedo para aproveitarem e receberem os frutoots de suas lavouras. ouvidor João Batista Davier. bem estendido que tenham sempre os que actualmente servirem e forem capazes. Um alcaide e seu escrivão e aquelle exercitará o ofício de carceiro. – Manuel Estevão de Almeida e Vasconcellos. um porteiro que egualmente servira na camara. Eram eles seus maiores proprietários e possuíam um numero não pequeno de propriedades açucareiras. e medirão como acima vos ordeno . em 1764. que logo dareis aos índios na forma determinada pelo alvará de 23 de novembro de 1700. remetendo-se as elleições. ou alguma casa grande e nobre. não prejudicando a propriedade natural que ser entende ser engenho. 161 . quando executou-se o bando do vice rei D. Marcos de Noronha. e se vierem com embargos os remetereis ao conselho fazendo inteiramente a medição nas terras. e fareis erguer pelourinho e estabelecereis o termo da nova Villa até os confins das terras que presentemente se acham de posse os indios. serão agora sem embargos disso novamente propostos. cujo termo será peremptório e improrrogável.lhes destribuireis o que regula o alvará sobredito de 1700 e a carta de 12 de Novembro de 1710. que também mando se vos entregue nas terras que forem demarcadas para os índios. que mata completamente a instituição em Sergipe: acarregara a obrigação de ensinar a ler e a escrever aos meninos da villa. ou portuquez casado com índia com as qualidades necessárias. – Antonio de Azeredo Coltinho. que morreu em S. ou donativos. as quaes medireis e demarcareis com o Pilotos que exigireis para que fiquem para sempre dividas. de 26 de novembro de 1759. dito remetendo –se esta para por esta se lhe passarem as sua patentes.Cumpra-se – El –Rei Nosso o mandou pelos Conselheiros de seu Conselho ultramarino abaixo assignados . cuja copia mando se vos entregue.

162 . de assossiação ou de comunicação de previlégios do Geral da Companhia chamada de Jesus. – Thimoteo Brboas de Siqueira. de toda a Suprema e legitima autoridade e manda immediatamente de Deos Todo Poderoso da Tranquilidade e vida dos Príncipes Soberanos e do socego puplico dos Reinos e Estados e que cada hum dos referidos Membros Puplicos e Secretos da mesma Companhia sejão providos do beneficio que lhes foi conceido pela sobre dita Lei de 3 de Setembro de 1759 debaixo das graves penas fora de seus Reynos e domínios na forma e Termos que determina a dita Lei e que exceptue por ora aquelle dos referidos egressios que obtiveram especiaes e pessoaes ordens suas as quaes não poderão ensinar. – João Baptista Davier.―Manda El-rei Nosso Senhor em observância da lei de 28 de Agosto do anno próximo passado de 1767 que nenhuma pessôa de qualquer estado ou condicção que seja poderá pedir ou receber carta de confraternidade. pregar. e todos os quaesquer naturaes de seus Reinos e Domynios de qualquer Estado ou condição que seja que se acharem encorporados à dita Companhia chamada de Jesus na boa fé de que se tratava somente de espiritualidade ou n‘ella professos dessossiados em alguma Confraria se manifestem debaixo das mesmas penas de proceder-se contra elles sinão se manifestarem ao dito Doutor Ouvidor Geral e Corregedor dentro do referido Termo e que explicando a ampliando a Lei de 3 de Setembro de 1759 declara a todos os Membros Puplicos e Secretos da mesma Companhia Chamada de Jesus por inseparáveis da sua perniciosa cabeça e por incorrigíveis. e comuns inimigos de toda a potencia Temporal. Aquellas pessôas que tiverão só havido as referidas cartas antes da puplicação desta Lei suppondo que tratão de espiritualidade quando se costumão passar a outros fins temporaes e preciosos. desde o dia da puplicação da Lei. Escrivão da Camra.os exemplarem d‘elle pelo que pertence a seus Reynos e Domínios por abreticios e sobreticios e como taes nullos para produzir qualquer effeito. confessar e que logo à vista da Lei prestam juramento de fidelidade na forma delle e das penas estabelecidas contra os perturbadores do socego público – e que também exceptue aquelles indivíduos ainda não professos na dita Companhia e que depois de sairem d´ella e houverem entrando em outras ordens regulares e houverem n‘ellas feito profissões solemnes – que o mesmo se observara debaixo das mesmas penas com todas e quaesquer pessôas que introduzirem nos Reynos e Domínios quaesquer dos indivíduos expulsos da dita Companhia ou que sabendo que existem nas mesmas terras dos Reynos e Domínios os não denunciarem no termo de 24 horas ao mesmo Corregedor e Ouvidor da Comarca para serem presos e remettidos com toda a segurança ao juiz da Inconfidência – declara o mesmo Senhor o Breve . nem dos seu Delegados ou Subdelegados de baixo das penas estabilidades contra os reos de crime de lesa-magestade. sejão obrigadas a entregal-as ao Doutor Ouvidor Geral Corregedor d‘esta Comarca d‘entro em dez dias perentorios. Data e passada n‘esta Cidade de Sergipe d‘El-Rei sob meu signal aos 18 de Junho de 1768.

revoltando-se assim contra a concessão altamente liberal da coroa. em1763. espavorito pela colonização. opunha-se a emancipação. nomeado ouvidor efetivo. depois do qual é preso e entregue à Justiça púplica. Diversas são as cartas que dirige o governador ao capitão-mor e Ouvidor. principalmente Carlos de Santa Helena. que levam às aldeias o cativeiro. veio provocar na lavoura uma tendência escravista. Isidoro Gomes em 175 alia-se ao mesmo partido escravista. A imigração africana se fazia em larga escala. agora. e nomeado ouvidor dos Ilhéus. centro poderoso dos naturais. escala-as a machado e encontrado resistência pó parte de seus habitantes. que eram Francisco Alves da Silva. investe contra a câmara e cadeia. concedida pela carta régia que erigiu em vila a aldeia do Geru. 189 Por carta de fevereiro de 1764 foi o ouvidor Aires Lobo dispensado do cargo que exercia em Sergipe. talvez pela interferência do Jesuíta. diretor da aldeia de Japaratuba e por causa de quem José Nunes de Barros assina um termo de responsabilidade. Como chefe de um bando armado põe-se á sua frente. que lhe proibia penetrar nas aldeias. a emancipação da escravidão natural. a propósito da escravidão indígena. que não obstante. que não tinha a lutar contra essa causa. pela morte da Companhia de Jesus. para não haver falta de braço na lavoura. Cristóvão. Entretanto. Os missionários das aldeias julgam-se com vida pouco garantidas. As mesmas cartas são dirigidas a João Nunes. A raça negra alia-se à sua companheira de martírios. Nesta mesma data foi autorizado a entregar a ouvidoria ao Juiz ordinário mais velho de S.Cristóvão. e leva a inquietação à vila de Thomar. (1765-1766) e João Batista Davier. continua em sua faina de escravizar os índios. Além disto. ESTADO ECONÔMICO DA CAQPITANIA Vimos no capitulo anterior que pequenas foram as lutas entre os lavradores e Jesuítas. Deram-se mortes e ferimentos. penetra na vila. chamando-lhes atenção para essa ilegalidade. recorre à arma de fogo. Até quase o fim do século. Esse movimento de desordem estende-se a todos as aldeias e seria enfadonho estarmos enumerando estes fatos de valor puramente local. (1765-1766)189. declarando-lhes a que punam com severas penas. MOVIMENTO COLONIAL ATÉ 1802. Eles abandonavam seu território e embrenhavam-se pelo ocidente . o sossego e a paz não voltaram ao centro de habitações indígenas. Se até então não mostrava essa tendência. Gonçalo Pais de Azevedo. o índio imigrava. Esse movimento escravista tem como principais chefes João Nunes de Barreto e Antônio Vieira de Carvalho.CAPITULO III RESULTADO DA ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO INDÍGENA. Eis o efeito que produziu no seio da sociedade sergipana de então a importante lei da emancipação do cativeiro indígena. que foi substituído por Davier. antiga aldeia. 163 . levando o pânico às famílias. saciando assim suas paixões. Elas tornam-se centros de desordem e tumulto. contra o atentado do branco e efetuam em S.

Então. Faço saber aos moradores da frequezia de N. quer de justiça. estendendo-se até 1776. E muitos cidadãos voluntariamente já tinham-se alistado nas fileiras do exercito. innabilidade para ser empregados nos lugares. pra defesa desta Capitania. reputados por traidores. os nobres seriam considerados como indignos e traidores e deportados para Angola e os peões iriam para as fortificações. que achando-se esta capital propinqua a receber hum bombardeamento. Sr. No governo foi substituído pelo capitão-mor José Gomes da Cruz190. mando se puplique este a som de cayxas em cada frequesia e se fixe no lugar mais puplico dessa cidade e seu termo. cavallaria della. A sociedade da Bahia vivia sob a pressão do receiode uma invasão inimiga. E foi entranhado que nenhum sergipano desse testemunho de seu patriotismo. e Senhor. huma contribuição me hé indispensavelmente necessária não só para preencher os Regimentos pagos desta Guarnição.” 164 . que os lavradores abandonaram suas fazendas. oferecedendo seus serviços em favor da nação. porque sendo o mayor reparo não ter vindo hum só Individuo morador na comarca de Sergipe del-Rey. mas também os Terços Auxiliares de pé.alem de outras penas191. em uma conjuntura tão crítica. pelo tempo que lhes fosse destinado. para que logo que este lhe for constante. – Manoel da Cunha Menezes. e propriedades. dentro do termo de vinte dias. e todo aquelle individuo.Além destes fatos que denunciavam uma sociedade em sobressalto. o governador Manoel da Cunha Meneses baixa o edital de 12 de Novembro de 1776. com famílias. e se achão destacados nesta mesma cidade mostrando hum ardentissimo dezejo de defenderem o Estado. sou obriogado a denunnciar a todo aquelle que como Vassalo ama os eu Legitimo Rey. e o governo tomava medidas preventivas.que serão logo confiscados. quer de fazenda. e não comparecer dentro do tempo de vinte dias contados da puplicação deste.Sebastião Álvares da Fonseca ( 17701778). e degradados para Angola. que esquecido das obrigações de honrado Vassalo se occultar. Do mesmo teor e diria se expidiram mais seis Editaes para as Freguesias das Villas da mesma capital de Sergipe de El-Rei. além de todas as mais penas que ficam a meu arbítrio. o governador ordenou o recrutamento. para que a todo o tempo conste se de execução as penas declaradas contra aquelles que fingirem se mostrar que são Laes Vassalos de El-Rei N. Christovão de Sergipe del-Rei. encorrerá nas penas de perdição de todos seus bens. Dado sob meu signal a sello de minhas armas na Bahia aos 12 de Novembro anno de 1776. embrenharam-se pelos matos. em defesa da pátria. E para que faça manifesto a todos. Esta ordem alarmou a população e tanto mais quanto ofereceu excelente oportunidade para as vinganças e dasabafos das paixões contra a classe pobre. e como cidadão sua Pátria . Fidelíssimo. e se registre em todas as câmaras das respectivas Villas daquela comarca. M. Sua execução foi efetuada com tal excesso. tendo igualmente precizo puxar pelos outros Terços dos seus subúrbios para ajudarem a estes honrados Vassalos. S. da Victoria da cidade de S. offerecer-se nesta importanssima occazião . quando foi substituído por Bento José de Oliveira. a contar da púplicação da lei. Por uma carta circular de maio de 1775 ao capitão-mor. que voluntariamente se offerecerão e todos promptamente vierão. venha sem demora comparecer na minha presença para lhe destinar o exercício que deve ter. Estavam bem frescos os feitos de Duguai-Trouin no Rio de Janeiro. sob pena de confiscação dos bens e inabilitação para qualquer emprego púplico. cuja administração foi uma das mais longas. as suas Famílias. autorizando que os moradores de Sergipe compareçam à sua presença. “ Manoel da Cunha Menezes do Conselho de S. outros vieram contribuir para agravar esse estado. sendo peões terão o trabalho das fortificações da cidade pelo tempo que eu lhes destinar. para ocultarem-se às 190 191 José Gomes da Cruz (Borges) foi nomeado por carta régia de 4 de abril de 1763. e offcios de Justiça ou Fazenda: sendo nobres serão havidos por vez como indignos. A Davier na ouvidoria substituiu o Dr. Governador e Capitão General da capitania da Bahia etc. hum saque.

Além disto. porque em 1661 todas as câmaras representaram ap soberano. pela abundância de causas cíveis e crimes. Neste ano o governador escreve ao seu delegado.quando quisesse fazê-las.porque com ele viria o poder das concessões. o coronel José Caetano da Silva Loureiro(1782). São de valor puramente local os acontecimentos do fim do século. Os preços dos gêneros subiram extraordinariamente.que queria para si o privilégio da sua execução. Além da atividade do foro.quando chamado à Bahia. pelo governador(1776). na importância anual de 2:828$. Daí a luta entre o capitão-mor e o comandante da guarnição. que voluntário. no espírito do governador. Foram inúmeras as cartas que encontramos em nossas buscas.em que foi envolvido.a atividade do foro. as novas prisões e os processos militares dos desertores. em 1793 deu-se um movimento disciplinar na classe militar.chamando-lhe a atenção para defender a capitania de qualquer invasão inimiga. cujos excessos são severamente criticados na carta a si dirigida em maio de 1775.auxiliares e os corpos de ordenanças existentes. Por isso foi preso. A carta circular de maio de 1775.Valério dos Santos(1793) e Joaquim José Monteiro(1797).o sargento-mor Bento José de Oliveira.que abandonou posteriormente a vida política pela vida sacerdotal. Os membros do próprio governo não viviam em harmonia. pedindo isenção do donativo. que desde a liberdade dos índios não era pacífico.disciplinando os regimentos de cavalaria. cujas diligências foram dificultadas pelo capitãomor José Gomes da Cruz. até quase seu final. o capitão-mor. em vista do célebre terremoto de 1755. o maior partidário. Sucederam a Bento José de Oliveira na administração. em vista de dissabores que lhe provieram de um processo crime.Vimos que as aulas públicas de 165 . E por este estado financeiro tornou-se responsável. comunicando as deserções e ordenando as prisões. alei contribuiu para que o estado social. Pequenas lutas entre os capitães-mores e os ouvidores. Pelo lado da cultura popular o descuido dos governos era absoluto.vistas dos agentes que recrutavam. que encontra em seu irmão. o estado social da capitania vivia sob uma agitação continua. a fim de defender as entradas dos franceses. foi ele o sucessor de Cunha no governo. piorasse neste sentido. durante trinta anos. que foi imposto por carta do Conde Arcos. e por conseguinte. Desde o meado do século. E este movimento foi até 1782. O estado financeiro da capitania já não era lisonjeiro. para a redificaçaõ de Lisboa. Não compreendiam eles as vantagens da instrução. Entretanto. de que já falamos. pelas barras dos rios navegáveis.l de 10 de abril de 1756 às mesmas câmaras. A revolução francesa ecoava profundamente no país.Antônio Pereira Marinho(1790). dirigidas aos capitães das vilas das capitanias. foi também dirigida ao tenentecoronel Francisco Félix de Oliveira. e que é a primeira ordem para o recrutamento de Sergipe. porque o trabalho agrícola quase suspendeu. não só pela falta de clareza nos limites das propriedades como pelo grande número de assassinatos que perpetravam. porque as deserções do exercito sucediam-se. Reinava entre eles a divergência. antes mesmo de concorrer essa causa poderosa para agravá-lo. um ou o outro levante dos índios de algumas aldeias.

....317 “ Vila Nova..................... de lona. Sua população era de 55600 habitantes..................................... algodão.. De Sergipe) era de 72236.......................... escravos a troco de caixas de açúcar.. Itabaiana.............. São Cristóvão. e os gêneros exportados eram o açúcar........541 “ Lagarto.....8128 Propriá ...................... estudando a importação da capitania...4000 e 300 índios Pé de Banco..................sete vilas:Santa Luzia.......94 “ Pé de Banco............................. Pacatuba...... (351$631)..4154 S..... O valor da produção total era de 1 milhão e 313 mil cruzados(233$500)... De curso secundário só ensinava-se a língua latina......... Procurando distribuir o valor da exportação pelos diversos municípios........ exportação e sua população.... Japaratuba e São Pedro (antigas missões)............. A lavoura açucareira era a base da riqueza pública.......... no valor anual de 171 mil cruzados...................................... Vejamos a expansão colonial a que pé de prosperidade atingiu nesse ano.......................além das de São Cristóvão..................... 1440 índios....... fumo......... ferragens............ Em 1808......317 Vila Nova...........5219 Água Azeda...................... Itabaiana..........Santo Amaro............ O comércio abastecia-se exclusivamente na Bahia........ 194 Eis o número de habitantes distribuído pelos municípios: Santo Amaro..............................Vaza-Barris e Piauí.1641 índios e 19893 pretos........... Desde esse tempo.................................... Da capit....a de açúcar por Cotinguiba............. Lagarto................................................5468 Japaratuba................... linho................................... O Socorro........... 192 193 Elevada a vila por provisão de 5 de setembro de 1801.............. 30542 sem classificação descreminada........... que era a capital-São Critóvão....... sola branca. porcos..............5255 Pacatuba .........30000 e 600 fogos 166 ...............................635 (índios) Socorro........... Tomamos o ano de 1802 como termo deste capítulo... 20849 pardos.......................a maior exportação era a de algodão e cereais.... quatro povoações: Laranjeiras.........................4315 Em 1808 a população está almentada e o número dos habitantes de cada município é o seguinte: Santo Amaro......................... gado......6364 Thomar ...........3814 Santa Luzia................Thomar............ Própria192. tecidos de seda........................7500 Pacatuba ....... além da exportação do açúcar..... 19954 pretos.... No vale do Vaza-Barris já se contavam 10 engenhos.................6400 Larangeiras (povoação)................ couros secos..........1600 Freguesia do Cotinguiba ....4500 Santa Luzia........ da qual havia três cadeiras na capitania em 1799... cavalos..a de gado pelo Lagarto...... segundo Marcos de Souza (Memor..7000 Sua Paróquia .. cereais........... pólvora.........2427 Itabaiana...... e 20 alambiques para destilar o álcool.....Santa Luzia............. de onde importava fazendas de algodão............... sendo 20300 brancos.................................feita por Itabaiana. Já se cotavam uma cidade................na Cotinguiba 20... .14000 Japaratuba......10500 Propriá .... 193 Os municípios mais populosos eram os de Santo Amaro.............4000 Thomar ................ Socorro e Laranjeiras194........................os quais fabricavam 1000 caixas de açúcar anualmente......................a de couro e sola por Campos..... Santo Amaro e Vila-Nova... Santa Luzia exportava 500 caixas e Poxim 800..6000 Água Azeda..................... Santa Luzia...........10000 Campos .....................6758 Campos .........Sendo 13217 brancos..... o número de habitantes. Sua exportação montava em 860000 cruzados (93$500).................... Cristóvão... já exportava 30000 alqueires de sal.633 (índios) Socorro...(vila)..........................................primeiras letras havia um na vila do Geru.................2618 Itabaiana...................................................... 700 índios Lagarto.

o tabelião em 40$000. a de couro e sola por Campos.000cr 326$200 215. dois partidores. demandam o influxo da maré.000 cr 234$400 47.000 cr 119$720 201 5.000 cr 64$040 199 14. seu escrivão. o da Recebedoria em 50$000. inquiridor e contador em 30$000. S. Hoje embracações de pequeno calado para entrar no porto de Laranjeiras. Pela barra do rio Real entravam dez embarcações.006 cr 90$100 25. N. dois avaliadores em 3$200 cada um.000cr 20$880 67. junto ao engnho Comandoroba. cada um 12$800.fazendo cada uma quatro viagens. Naquele tempo por ele entravam barcos. a de gado pelo Lagarto. escrivão de órfãos em 200$000.000 cr 40$000 Importação 22.. há lugares em que o volume d’ água não mede um palmo de profundidade.000 cr 309$520 23. a de açúcar por Cotinquiba. dois porteiros em 10$000 cada um. Inquiridor e contador em 50$000. porteiro 10$000. feita por Itabaiana. Acreditamos que houvesse erro do autor. O rendimento da sua Câmara era de 119$000 e a despesa de 104$000.000 cr 362$000 26. Alcaide e seu escrivão 200$000. do socorro Santa Luzia Lagarto Campos Sant Amaro Pé do Banco Itabaiana Vila-Nova propriá 123 000 cr 165$200 388. Entretanto transcrevemos com toda fidelidade. 202 É admirável que no espaço de oitenta e tantos anos tenha-se dado uma transformação tão grande no rio Cotinguiba.800cr 41. seu escrivão 15$000.000 cr 66$160 23. 196 Os ofícios de escrivão da Câmara de Sta Luzia.000 cr 288$900 197 195 152. Cristóvão rendia 123$600 e suas despesas montava em 125$375.000cr 203$810 36.000 cr 364$480 34. a maior exportação era a de algodão e cereais.000 cr 237$410 198 8. destribuidor.000 cr 396$600 70.000cr 305$320 148.000cr 398$400 Exportação 86.000cr 126$080 37. Cada um fazia quatro viagens por ano. existe na Biblioteca Nacional. que era também o Tabelião do Judicial e notas e escrivão de órfãos eram avaliados em 212$000.000 cr 74$150 196 41.000 cr 300$800 143.000 cr 325$900 13. de setembro a março. Distribuidor. escrivão da Câmara em 100$000.000 cr 22.000 cr 36$440 6. um alcaide em 27$000.000 cr 144$000 22.000 cr 763$200 6.000cr 399$200 63. meirinho e seu escrivão 15$000. A navegação fazia-se pelas quatro barras da capitania.000cr 796$500 Desde esse tempo. um carcereiro em 15$000. Carcereiro18$400. 195 O ofício de escrivão da correição era avaliado em 300$00.000 cr 364$140 200 8. seu escrivão em 40$000. 100$000. 197 A receita da Câmara de Lagarto era de 621$300 e a despesa 48$500 198 A receita da câmara de Sto Amaro era 179$500 e a despesa de 107$000 199 A receita da Câmara de Itabaiana era 570$000 e a despesa de 21$220 200 A receita de sua Câmara era 430$ e a despesa 258$531 201 Este mapa é cópia de um man.000cr 286$600 57.mar. o da Provedoria em 25$000. Meirinho da Provedoria e seu escrivão 20$000 cada um. 167 . Achamos nos cálculos entre cruzados e a nossa meda. Vaza-Barris e Piauí. Por esse tempo Laranjeiras já tinha duas capelas: a do Coração de Jesus. A Câmara de S.000 cr 32$100 336.000 cr 329$580 9. porque na baixa. uma desproporção enorme.000 cr 322$540 11. Meirinho Geral e.também de setembro a março202.000cr 133$100 52. cuja construção foi começada em 1791 e a da Conceição. Pela barra do rio Cotinguiba entravam anualmente vinte barcos. Meirinho do Campo.000cr 234$720 31. que iam ancorar no porto de Laranjeiras onde recebiam o açúcar da fértil zona banhada por aquele rio.formularemos o seguinte mapa demonstrativo: Produção Consumo São Cristóvão Paroq.000 cr 122$880 222. dois avaliadores cada um 5$000.

Foi escrito em 1802. Sua publicação deve-se ao coronel Antonio José Fernandes de Barros. relativamente não só aos hábitos de seus habitantes. fazendo cada uma quatro viagens. Incontestavelmente é um importante livro. como seus processos de trabalho. em sua História do Brasil. Eis o estado de Sergipe no começo do século atual. por Marcos Antônio de Souza. Marcos de Souza faz um estudo importante sobre a capitania. Temos a citar ainda as Memórias da Capitania de Sergipe. Desconhecemos o nome de seu autor. que na obra revela-se espírito muito descritivo e minucioso. Existente no Museu Britânico. ou cópia existe em nossa Biblioteca. O mesmo man. Foram estas obras que pudemos encontrar em nossas procuras.e lembra medidas de grande alcance econômico. Deste século encontramos uma Descrição Geográfica de Sergipe.Pela barra do rio Real entravam dez embarcações.que obteve cópia do man. somente Fr. que foi vigário em Siriri em 1808. da navegação. Deste tempo datam os primeiros trabalhos geográficos e históricos sobre a capitania.quando escreveu seu livro. pesquisador.Vicente de Salvador refere-se mais extensamente a Sergipe. Estuda o estado da lavoura. Infelizmente só estuda a parte geográfica. Espírito culto. 168 . Foi por conseguinte um grande serviço prestado a Sergipe sua publicação. também de setembro a março. Dos escritores dos séculos anteriores. manuscrito existente na Biblioteca Nacional.

diz João Francisco Lisboa. e de outros muitos males. a sua anarchia intrínseca. é as revoltas.poderes rivaes e reluctantese. . as capitanias reunidas. as garantias de seus direitos. nem em seus funcionários. as guerras. e quase bloqueados naquelles remotos e estreitos presídios. as câmaras e os magistrados ociosos. e tão ávidos de riqueza como incapazes de grangeal-as pelos meios lícitos e ordinários. opressivas. 169 .CAPÍTULO IV SERGIPE E A REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA EM 1817 Vimos no capítulo anterior o estado a que chegara a capitania no começo do século.os tumultos. e vasto laboratório de calumnias e diffamação. intelectual e moral daquela sociedade que com o andar dos tempos. eis ahi. era apelar em vão. porque apelar para os representantes da justiça. haviam de prestar-lhes obediência passiva. sem excepção dos principes e dignidade da igreja. prendiam na questão abrasadora dos índios. Apont. elles só honravam a ociosidade. 203 João F. nas residências e devassas janeirinhas –campo aberto a todas as facções para se degladiarem. ―A maior destes. as guerras estrangeiras. os accidantes ordinários dessa vida mesquinha e tormentosa. as matanças. 171. carregava exclusivamente sobre os escravos. medindo-se e encontrando-se a cada passo. da energia e do furror à prostação e à ignovia. impellindo os cidadãos. Entregues às paixões dos dominadores. contendo algumas boas disposições parciaes. que nos propuzemos a esboçar. o trabalho. em fim transferida continuamente de uma para outra capital.admiráveis e efficacissimos para os conflictos . igualmente pungidos pelo orgulho e pela miséria. em vez de integrar-se e oferecer uma feição próspera. em vez de manterem a dignidade própria e os foros dos cidadãos. com tradictorias. por uma da suas faces. a imolação ora lenta e gradual. e associando-se ao systema geral de opressão e tyrannia. ―Infactuados da sua nobreza. elevado 203 pelas leis ao caracter de instituição regular e permanente. falsos e viciosos. é fácil imaginar-se a que grau de exasperação não subiriam os seus ódios mesquinhos. Lisboa. a não serem algumas raras festividades de carater religioso. e as leis. envenenados demais a mais periodicamente. incompletas. ―Leis confusas. a residencia dos governadores.‖ Estas palavras interpretam perfeitamente o estado social de Sergipe no fim do século XVII e começo do atual. singularmente alimentada na execução pelas infracções incessantes e permanentes a que a ignorância. perpetua e monstruosa affirmação e negação dos mesmos principios favoneando ora a liberdade. a prepotência e a corrupção impeliam os governadores. vendo-se. enchendo o tempo com maneiras intrigas políticas e particulares. e as espoliações. poucos em numero. As forças civilizadoras parecem que se tornavam impotentes para corrigir o estado político. e em direcção opposta à dos governadores. inúteis para a fiscalisação e o equilíbrio.ora instantânea e fulminante dessa raça infeliz. À História do Maranhão. alternativamente animados e illudidos em suas esperanças. de resto impotentes para obviar a influência perniciosa dos pricípios geraes dominantes. III. fomentando por todos os meios a sedicção e a discórdia e isolando na pratica os princípios de liberdade que no ardor das luctas pelo prodominio apregoavam a favor dos índios. p. os frades e ecclesiasticos em geral. bem que ordinariamente avessos entre si. ora o captiveiro. entretinham esta funesta preoccupação. ―Privados além disso de toda e qualquer distração. cousa baixa e vil. extenuados de toda a casta de vexações. Seus habitantes não encontravam na lei. continuava apresentar pontos de semelhança com os tempos passados.

em que vem descrito o modo irregular por que era administrada a justiça. que lhes podem prestar os ínfimos serviços. cujo móvel dominante era o capricho de um régulo. em 1895. Ou sucumbia. de instrumentos de vingança. obrigam os lavradores a pagarem-lhes altas porcentagens. levantados pelos revolucionários de Pernambuco. e como resposta a qualquer protesto contra uma tal extorsão.sua proliferação na América. Eis o que faziam Bento de Melo e Felipe de Faro. que vencia até os princípios da justiça. não poderia facilmente corrigir-se para. instauram processos. em vista do atraso mental e moral da capitania. assassinos. sem cultura para compreenderem os grandes benefícios futuros de cedo ser instituído um regime eminentemente democrático. desprezados pelos agentes do poder público. completamente descurada pelas administrações. Faltava a ação eminentemente poderosa da instrução popular. Bento de Oliveira e Felipe de Faro alcançam completa ascendência sobre o ouvidor. Não lhe foi difícil abafar a revolução. Profundamente adeptos à causa do rei. O Ministro da Justiça sanciona com sua aquiescência esses desmandos e. pelo arrendamento das terras onde habitam. Seus iniciadores e propagandistas não encontraram apoio. os sargentosmores Bento José de Oliveira e Felipe de Faro Leitão. por sua vez. ostentando assim perante as autoridades o prestígio das armas. Penetram nas cadeias e soltam os presos. Em Vila-Nova levantaram a reação. E vem aqui ao caso falarmos da administração judiciária do Doutor José Antônio Alvarenga Barros Freire. sendo eles mesmos os encarregados de fazer o interrogatório das testemunhas. torna-se um terreno onde pudessem germinar os princípios de liberdade. os habitantes de Sergipe fizeram causa comum com os habitantes de Penedo. O número de aulas públicas na capitania era pequeniníssimo e ainda menor o de aulas de ensino secundário. e então a lei não é mais do que a vontade destes dois poderosos. Pode-se prover. Contra ele tivemos de ler uma representação.a fim de assegurar seu desenvolvimento. Por meio deles o conde dos Arcos pôs em prática seus planos realistas. entram nos centros populosos armados e acompanhados de sequazes. por crimes imaginários. Figuravam como os dois homens de mais prestígio de então. que viesse garantir os direitos do povo. em vista da dedicação realista dos 170 . O latim era a única língua que se ensinava. Um espírito independente e livre não podia viver nesse meio. nutridos das idéias de uma falsa aristocracia de família. Sem instrução. a cujas vontades estavam entregues os destinos daquela população e os direitos daqueles cidadãos. ou à insolência do protesto e da impugnação. procura ser o advogado das partes. prestando obediência ao regime do arbítrio. sem patriotismo. poucos anos depois (1817).Não passavam de instrumentos desses mesmos dominadores. a posição hostil ao movimento revolucionário. mandam incendiar-lhes as choupanas e derribar-lhes as plantações. peitadas para dizerem o que lhes ensinam. O procedimento de Alvarenga era mais ou menos imitado pelos juízes ordinários da capitania. nem adesão nos habitantes de Sergipe. na reação que levantaram contra a vitória dos revolucionários republicanos. Compreende-se perfeitamente que um meio social.como delegado da monarquia portuguesa. do capricho pessoal. prendem aqueles que não se prestam a tão vil papel.

para sufocar a revolução. 204 Francisco Guilherme da Rocha escrivão da camara e tabelião do público judicial e notas. que criavam embaraços ao trabalho agrícola. e preparavam-se para as exéquias. vivessem com viviam nas trevas da ignorância. que não quiseram acompanhar a causa dos seus irmãos. mandam a Vila-Nova um emissário. tomados de susto e surpresa. porém. justificadas pela pobreza em que viviam. sendo os governos completamente indiferentes às suas necessidades e até mesmo as reclamações que dirigiam ao poder competente. esqueciam que viviam dominados por um regímem de arbítrio e prepotência. o missionário Francisco José Correia. contra as perseguições que sofriam da pseudo nobreza. Resolvidos a resistência. quando a quinze do mesmo mês espalhou-se na vila a notícia de uma revolta em Pernambuco. Esqueciam que. A 25 do mesmo mês chegam à vila essas mesmas ordens. José Gregório da Cruz. aniversário de sua morte. sendo entretanto. que o governo não queria. pelo abandono das lavouras. em favor de um regímen que se caracterizasse pelo respeito à lei. e cônscios do concurso que lhes prometeram suas autoridades204. a que obedecem seus habitantes. E nessa adesão que os sergipanos prestaram à causa monárquica. acossados. depois de mais de dois séculos de colonização. outras. comandante do regimento dos pardos da comarca. que se prestavam aos caprichos dos dominadores. Os habitantes de Penedo ainda choravam a perda de Dona Maria I. Retiram as bandeiras reais e as armas das barretinas e talabartes. espalhando ordens de obediência pelas localidades. à frente do qual colocam-se o coronel Inácio Francisco da Fonseca Calassa Galvão. e a administração nas mãos de Bento Pereira. ainda vissem a justiça nas mãos de Alvarengas e seus sucessores. Os insurgentes espalham a notícia de que a Bahia aderia ao movimento. sargento-mor. escrivão do crime e 171 . Então uma idéia de resistência manifesta-se e organiza-se o partido realista. toda esperança de auxílio desaparece e fica Penedo em obediência ao governo revolucionário. pelas secas. Esqueciam que.seus habitantes já preparavam-se para reação. Esqueciam que suas reclamações contra esses impostos não eram atendidas pelo soberano. outras. pelas epidemias. e sem forças suficientes para oporem a resistência. e contra o peso dos impostos de que se achavam sobrecarregados. perante um concurso de duas mil pessoas. capitão Manoel José de Sant‘Ana. pela vitória da justiça sobre as paixões pessoais. pela moralidade na administração. Esqueciam que seus direitos não eram garantidos pelas autoridades. que deviam ser celebradas no dia 20 de março. depois de tanto tempo de uma evolução civilizadora. Por conseguinte. e os membros do Conselho. Historiemos os fatos.que as forças do conde dos Arcos chegassem a Vila-Nova e a Penedo. em vista de ordens de recrutamento. prestando o concurso de sua coragem aos planos do conde dos Arcos. Antes. que tudo espoliava. da organização de governo provisório. umas vezes. Antônio da Silva. ou não podia corrigir. aclamam.sergipanos e alagoanos. capitão-mor. No dia 28 espalha-se a notícia de que a Bahia não aderia e que já vinham tropas em direção de Vila-Nova. no dia 31. da prisão de seu governador e que em viagem para o sul achava-se o padre José Inácio Roma emissário daquele governo. Esqueciam tudo isto e prestavam adesão a esse regímem que não era sensível às suas necessidades. comandante do corpo de milícias.

cível e mais impostos régios nesta Villa Nova de Sto. para o efeito de se receber em auto da mesma camara o enviado o reverendo padre Francisco José Correia. José Ignacio Francisco da Fonseca Calassa Galvão. M.sargento mór. Antonio da Silva. visto que o corpo militar da mesma villa se havia levantado uma sedição por commamdo do governo provisório. visto declararem-se fieis e obedientes ao nosso soberano rei de Portugal o Senhor D. Que olhando para a mesma religião.vitoriosa a causa do rei. ha de apresentar nosso enviado o fiel vassallo o reverendo padre Francisco José Correia verá V. sagrada pessoa do nosso Felicissimo rei o Senhor D. dos pardos da comarca. porem agora que estão persuadidos terem todo o auxilio dos fiéis vassallos desta capitania da Bahia contra a rebelião de Pernambuco se declaram debaixo do mesmo juramento de fidelidade devida. João Sexto dignando-lhe toda a subordinação devida como fiéis vassalhos que eram. tenente. Nada mais houve que propor sobre o que passou-se o presente auto em que todos assignaram. Ignacio Francisco da Fonseca Calassa Galvão. Antonio Real de El-Rei do rio S. M. –Do auto publico que a V. com assistência do capitão-mor das ordenanças desta villa Antonio José da Silva e capitão Manuel Ferreira Martins. Senhor Francisco Manoel da Rocha. o capitão Antonio Manuel de Britto. e declaram guerra aos rebeldes de Pernambuco.. a quem juram fidelidade. M. José Gregrorio da Cruz. capitão commandante inerino do Regi. vereadores Silvestre Antonio de Souza. as publicas demonstrações da nossa fidelidade ao nosso Augusto Soberano o Senhor D. fazendo causa commun na mesma rebelião . Villa Nova 30 de Março de 1817. coronel. nos passos do Conselho della..a quem por direito tocam. por Sua Alteza Real que D. João Sexto que D. firmes e valorosos para combater tão honroso attentado. temeram serem elles os únicos que tomassem o partido da fidelidade devida ao nosso soberano. Manuel José de Santa Anna. João Sexto e por temermos ser combatidos pelos nossos inimigos revolucionários por termos hoje declarado guerra contra elles por parte de nosso soberano. coronel. assim o esperamos de V. F: Ficamos tratando dos officios que sobre esta importante matéria devemos dirigir ao Ilustrissimo e Exmo. o alferes Félix da Conceição Barreto. levantando bandeira real. Francisco e seu termo. por muitos annos a quem perante as pessoas já aqui nomeadas esperam seu auxílio como seu socorro na presente crítica circumstancia em que se vém a vista do que responderam e aceitaram de commun accordo já nesta declarados. a V. sobre. fazendo receber os presos todos que despoticamente por fórma da mesma rebellião soltaram da cadeia da mesma villa de Penedo e assim satisfeito. G. cujo enviadoo reverendo Francisco José Correia missionário apostólico.. João Sexto e promettemos todo o auxílio fazendo os povos da villa de Penedo e seu termo uma publica aclamação. assim chamado da praça de Pernambuco... 172 .. M. capitão-mor. o sargento commandante do destacamento Francisco Manuel da Rocha. o capitão Bento de Mello Pereira. Villa do Penedo casa da camara em conselho de 31de Março de 1817. fazendo convocar a mesma camara da fórma que já dito fica. Senhor Conde Governador capitão general da Bahia e o ilustríssimo senhor governador da cidade de Sergipe d’El-Rei e amanhã serão apresentados a vossas mercês os sobreditos officios.M.. para o estado e para a tranqüilidade publica. Deus G. Ignacio Francisco da Fonseca Calassa Galvão.. fazendo calcar aos pés. Auto da Villa do Penedo enviado a Villa Nova.de que usam. a fidelidade que se deve guardar ao nosso soberano dizendo o seguinte: que os povos da Villa do Penedo e seus chefes respectivos atemorizados com os decretos do Governo Provisorio assim chamado o governo de Pernambuco lhe certificaram que esta capitania se dava também mutuamente as mãos. dera principio a uma discreta e sabia persuação. pelo qual motivo se sujeitaram os mesmos povos desta villa e todo seu districto a sacrificarem suas vidas e fazendas.do quanto executarem forão em auto publico para ser representado ao mesmo senhor General da Bahia.. G.coronel.. sargento commandante do piquete de cavallaria paga destacada em Villa Nova. motivo porque esta Villa Nova e seu termos se puzeram em armas. contra o nosso Serenissimo rei dos três reinos unidos o senhor D. fazendo-lhes ver por meio da rasão e da justiça que era necessário disterrar as trevas da cegueira ignorância em que estão aquella e esta villa. restituindo as armas das barretinas militares ao seu antigo estado. José Ignacio Ribeiro. Cetifico aos senhores que a presente certidão virem que por mandado da camara desta Villa Nova extrahi a presente certidão do livro de vereações que presentemente serve com o theor seguinte: Aos trinta dias do mez de Março de 1817 nesta Villa Nova. vamos rogar-lhe que quanto estiver de sua parte e quanto seu poder lhe permitir faça por conservar nessa villa a tropa militar o socorro preciso que nos possa auxiliar em qualquer ataque que nos vejamos. alfares Antonio Ferreira de Mello e o terceiro vereador Caetano Gonsalves Freire e o procurador Vicente Augusto da Fonseca. por bem do serviço de S. como também por parte do coronel do regimento de milícias da mesma villa. onde foram juntos o juiz ordinário presidente Luiz Ferreira Leite. por parte não só dos povos da villa de Penedo. para que recebido o competente passaporte possa seguir livre o condutor delles. seu tenente coronel José Gomes Ribeiro e toda a mais officialidade afim de que convém paz entre uma e outra villa.

que é fraquíssima pela falta de armas competentes. Ex. porque agora conhecemos perfeitamente que temos a nosso favor V. Deus Guarde a V. condicção de pátria ou nação que forem contra o nosso soberano rei e lhe protestamos nossa fidelidade sempre interrupta. por serviço de S. fidelidade e obediência. João 6º e esperando occasião opportuna que pudessemos com vantagem ao soberano e dos seus povos declarar os nossos sentimentos. Ex. General da Bahia. Declaramos guerra a todos os rebeldes e conjurados contra a sagrada pessoa do nosso augusto soberano. o Sr. Senhor D. Illm. que pela copia junta verá V. a quem perante V. dará as providencias. além de medidas que tomaram. Ainda se conservam nesta villa alguns dinheiros pertencentes a corda e poderiam ser mais se não tivesse ido a pouco tempo para a capital o que havia e com este pouco se vão sustentando os que estão no actual serviço. pedimos o pompto socorro da triste circumstancia em que nos vemos . S. Tememos todos a vista dos decretos e da infausta notícia e vendo as nossas poucas forças e o estado da capital se publicarem os ditos decretos para depois serem jogados aos pés. e Exm. José Gregorio da Cruz. S. coronel governador da cidade de Sergipe d’El-Rei. e Exm. do que tudo fazendo certo ao governo de Villa Nova. tememos o estrago deshumano que farão os hespanhóes americanos. então sem mais temer immediatamente aos vinte nove de Março deste corrente anno. Illm. João 6º.Ignacio Francisco da Fonseca Callaça Galvão. f. na certeza de que a terra é pobríssima e precisa acudir com o dinheiro necessário para se pagarem os soldos. –Nós abaixo assignados fazemos certo a V. E supposto que algumas das companhias della estejam muito appartadas quasi por toda comarca das Alagoas. Antonio Luiz da Fonseca M achado. Nesta mesma occasião vae outro officio para o Illm. Representamos a V. mandando-nos para a barra deste rio com uma embarcação com pessoas para defenderem as do commercio desta terra. clero e povos desta villa e com effeito no dia 31 do mesmo mez se declararam com maiores demonstrações de alegria os nossos continuos sentimentos de fidelidade ao nosso soberano Rei. Ex. os commerciantes desta villa e seu termo. Antônio Luiz da Fonseca Machado205 e ao conde dos Arcos. Devemos apresentar a V. fomos atacados com terríveis ameaças de um entruso governo revolucionário na capital de Pernambuco. e vendo as nossas poucas forças publicamos os ditos decretos do denominado governo provisorio dos rebelados para os pegar após logo que o podessemos fazer com vantagem do soberano e de seus fieis vassallos. e bem dos seus fieis vassallos nos preste todo auxilio que julgar conveniente na presente circumstancia. que aterrados nossos districtos de uma revoltosa conspiração feita em Pernambuco e pelas noticias populares que toda artilharia portugueza tinha as mãos dadas na mesma rebelião. João 6º e ouvidos os seus fieis vassallos. a falta de pret que há nesta. e tudo consta do auto publico que fizemos na mesma occasião. com a chegada de seus decretos. nosso Senhor D. comtudo a vista da tropa de linha que V. Sr. o coronel Galvão. o qual deve estar nesta villa de Penedo para se unir com a nossa tropa miliciana. Ex. Miguel Velloso da Silveira Nobrega. Antonio da Silva Lemos. apenas tivemos certesa que a capital da Bahia e suas comarcas eram fieis a obediência do nosso soberano rei o senhor D.. a vista do que vamos rogar a V. D. Ex. a necessidade que temos de um regimento com peças de artilharia. mandar não será difficil reunirmo-nos e então contamos com feliz sucesso. Penedo. Nós vamos tomar as medidas para reunir no nosso partido o resto da comarca das Alagoas e para isto é preciso que V. o clero. a quem jamais deixaremos de ser fieis. 205 Ilustrissimo Senhor Governador. S.. Sr. sargento mor.seus governadores . S. abrimos os nossos corações e publicamente com as demonstrações da maior alegria declaramos os nossos sentimentos de fidelidade. capitão mór . Senhor rei D. não só para o 173 . sob o que V. S. Correo a voz popular de que toda a America portugueza se tinha dado as mãos em commum rebellião contra a sagrada pessoa do nosso augusto soberano.Comunicam sua resolução ao governador de Sergipe. coronel. –Eu e os mais chefes das corporações militares. obediência e amor ao nosso rei. sargento-mór. chefe das milícias dos homens brancos desta villa por si e da parte de todas as pessoas da governança enviou o Reverendo missionário apostólico Francisco José Correia para certificar as pessoas do governo de Villa Nova. tenente-coronel. todo o auxílio como supplicamos. nos persuadimos com muito fundamento que com uma simples proposição feita ao povo sem effusão de sangue resultará o feliz effeito que espermos. João Sexto. devidas ao augusto rei. munições e seu competente chefe. Ex. conservando sempre em nosso peito o amor. chefes militares e todos os mais fieis vassallos dessa capitania. mande dous brigues armados de guerra para a barra de Jaraguá. M. que sem risco algum se podem nella conservar a ainda embarcação de alto bordo.. do que consta e esperamos da integérrima fidelidade de V. o senado com o povo. Ex. temos declarado guerra contra todosos rebeldes de qualquer estado. 1 de abril de 1817. José Gomes Ribeiro. quaes eram seus sentimentos de fidelidade e das pessoas da governança. por ser aonde mais promptamente podíamos certificar os nossos sentimentos de fidelidade e logo pedimos se conservasse na mesma villa um reforço militar para nos auxiliar contra os rebelados quando vieram sobre nós. João Sexto. S.

e em menos de duas oras ellas forão repostas nas mesmas esquinas. Sant’Anna. convocou a camara e deo a providencia constante do documento do numero vinte e três. um córso formidável pelo Rio aprezando as sumacas desta villa vindas da Bahia saqueando e destruindo as canôas dos Povos que navegarão pello meio do Rio com negocio e mantimento. huma prova de que elles não obravão por zelo do serviço Real He mostrar-se que achando-se esta Villa já escudada com as Reaes bandeiras desde trinta e hum de Março e fazendo-se-lhes o aviso disto mesmo com o próprio documento e conhecendo que os seus povos não erão capazes de oppor-se ás ordens do Governo de Sua Magestade. Desde que souberam da obediência que os penedenses tinham prestado à revolução. Outra prova da verdade do dito antecedente he o documento de numero vinte e coatro. abriram-lhes hostilidades. E transcrevamos aqui um trecho de um manuscrito inédito. até restituir-se à capitania todo o seu legitimo domínio. e de devermos fazer todos uma só e a mesma família para defender a mesma Real causa. Sr. juiz ordinário. F. e vindo até as margens daquem do Rio roubar. desde quando eles já defendiam a causa do rei. sobre os acontecimentos em Alagoas206. Vila-Nova não fez mais do que prestar-lhe auxílio. Manoel Prudente de Barros Leite. aos quaes do Penedo dse não fez a menor rezistencia. vereador. e patrulhas dos mesmos corrião de noite esta Villa. Antonio José da Silva Lamego. M. nos Passos do Conselho. Simplicio Nery. e nem ainda mesmo aquelles que os perseguião com o titulo devassador. 206 Carta que escreveu o Senado da Câmara de Penedo à sua Magestade sobre o que se praticou na Revolução Pernambucana. vereador. pois em vez de nos prestarem os auxílios requiridos para a salvação publica. Reprezentarão mais ao mesmo Excellentissimo Conde que davão a conhecer os Povos daquella Villa. no qual se lê a carta de data de oito de Abrilque dirigioo capitão de cavallaria Paga da Bahia Jozé Felis Machado ao Sargento Mór das ordenanças desta Villa Antonio da Silva Lemos para fazer regimento que V. e mesmo testemunhas oculares da nossa fidelidade.coronel. J. fieis. Era debalde que os penedenses pediam ao governador de Sergipe e ao conde dos Arcos providências contra as perseguições que sofriam de Vila-Nova e do sargento comandante do piquete de cavalaria aí destacado. 174 . Inédito de 50 folhas. vierão como forão vistos de muitos desta villa. muito mais do que os próprios habitantes de Vila-Nova. Conde dos Arcos. continuavão cada vez mais com ella digo com as referidas hostilidades..N. Essas hostilidades não tinham justificativa. capitão commandante. como se vê no dito documento. Ex. prendendo as gentes forras e as –cativas que dizião que ião tratar. 1 de abril de 1817. e tirando huns por curiosidade para copiar algumas dellas. mandar. tenente-coronel.G. José Leandro dos Santos. Illm. que he o que nos devia somente entereçar por estarmos já no caso de olhar já para a causa do Soberano. juiz ordinário. porque sendo por elles inteirado. por isso que elles vinhão aqui todas as vezes que querião armados. Antonio Moreira Lemos. que nesse proceder. prourador.V. Realmente o partido realista organizou-se em Penedo.. Exm. Ex.F. Man. Villa do Penedo. e bem conhecião que ella estava em paz. I. atirando com pólvora e balla aos miseráveis que fugião a escapar-se a taes bravos ataques. antes tudo soffrião por obdiencia as Leis de Sua Magestade. elles na noite do dia sete de Aril.S.procurando a adesão das câmaras da comarca à resistência que levantaram.G. Deus Guarde a V. não mostravam senão suas indisposições pessoais contra os penedenses. nas quais continuaram. vigário do Penedo. como também para os officiaes milicianos que comem soldo nesta villa. pregar nas esquinas della as primeiras proclamações impressas do Excellentissimo Conde General da Bahia de data de vinte e hum de Março: as quaes sendo vistas pelo povo.C. mesmo depois que Calassa Galvão e seus companheiros organizaram o partido da resistência. sabendo-o o Juiz Ordinario afim de que não dessem alguma sinistra interpretação à mesma curiozidade. Vejamos como procediam os habitantes de Vila-Nova.. logo que amanheceu o dia oito. referente ao procedimento dos habitantes de VilaNova: ―No dia coatro dirigirão ao Excellentissimo Conde General da Bahia o officio no qual representarão as hostilidades terríveis que soffriam de Villa-Nova.e aprezar de dia e de noite as mesmas canôas.R. que não obravão daquelle modo por zelo do Serviço de Sua Magestade. Antonio José da Silva. Francisco Manoel da Rocha.

Suspendem-se então as perseguições que os habitantes de Vila-Nova infligiam aos de Penedo. levando seus mais preciosos haveres. faziam com que Bento de Melo Pereira. e o homem João Gacheiro setenta mil réis para o irem entregar por via de mar visto que de terra não eram favorecidos. o mais perto que pudesse ser de Pernambuco. isto é. continuavão os saques e as prisões dos que tranzitavão pelo Rio. Os maiores desatinos foram cometidos e a população teve de procurar os campos.. nos dias de março.pregar as proclamações que com ella enviou. José Félix Machado. lembrando nella que seria muito a favor desta mesma Villa hum. auxiliado pelo seu ajudante Miguel dos Anjos Souto Maior e o alferes do regimento dos Henrique. revolucionários. Dirigiu-se a diligência o capitão de ordenanças Bento de Melo Pereira. as prevenções anteriores. ―Desesperada com tantas oppressões a camara se ajunta no dia treze e accordam em mandar ao Excellentissimo Conde General da Bahia em que lhe participava as tristes circunstancias em que se vião estes povos sem dar ao Ajudante de ordenanças Antonio Fernandes dos Santos. enviado para Sergipe de El-Rey. Precedeu-a uma portaria do comandante da infantaria destacada em Villa-Nova. de Villa -Nova nada se nos respondia. Manoel Luiz das Chagas. Ela reúne-se no dia 16 de abril. prendem o ajudante do regimento dos Homens Pardos. a fim de não ser alvo do saque e da rapinagem. este foi preso. a fim de lançarem um protesto e tomarem medidas contra um tal estado de coisas. foi o efeito do medo. Eles não se inspiravam na defesa da causa do rei. chegou a Vila-Nova. E tanto assim é que. Anacleto do Rosário. e fazem propalar que estavam dispostos a prender e até a matar impunemente os chefes da guarnição de Penedo. o padre Correa. ao sargento-mor Miguel Veloso da Silva Nóbrega. capitão de ordenanças de Vila-Nova. de que toda a hora vinhão saquear esta o que deu motivo a entrarem a dezertar della varias familias. As intrigas. porque inconstestavelmente a adesão prestada pelos penedenses à revolução. foram conduzidos para VillaNova e depois para a Bahia. e mal acabavam seus membros de assinar a ata. quando o primeiro emissário do Conde dos Arcos. e finalmente só tínhamos a noticia dada por alguns daquella villa.Nós abaixo assinados. cujos habitantes convocam a câmara. e que 175 . o marechal Joaquim de Mello Leite Cogominho Lacerda. se não chega a Vila-Nova. pedindo auxílios às forças de Vila-Nova. quando já tinham posto em prática todas as medidas para oporem-se à vitória da revolução. no dia 18 de abril. que entretanto. Diz ainda o manuscrito: ―Mandando pois a camara a Villa-Nova entregar o referido officio de numero vinte e sete ao mencionado capitão de cavallaria Paga pelo referido Alferes Manoel José Gomes. Penedo foi declarado em sítio.. o despeito. Calassa Galvão já promovia a reação. foram presos pela realistas de Vila-Nova e enviados para a Bahia. que por ordem do conde dos Arcos ia a Pernambuco bater os revoltosos.‖ Além disto os emissários de Vila-Nova aprisionam um barco que vinha carregado de farinha de Cururipe para Penedo. da pressão. apresentaram-se as autoridades militares de Villa-Nova e deram ordem de prisão ao coronel Calassa Galvão. que lhes foram pedidas pelo emissário que mandaram a Vila-Nova. Entretanto . ao capitão-mor José Gregório da Cruz. Esse estado de coisas continuaria. o capitão de cavalaria da Legião de Honra da Bahia. eram considerados patriotas. como tudo se lê no mesmo documento‖. Ainda mais: logo que contaram com o auxílio das forças de Sergipe.do Clero e Povo pedindo um commandante de tropas à vontade do Excellentissimo Conde General da Bahia. do terror. José Félix Machado. que presos. que já tinha solicitado do governador de alagoas permissão para fazê-la. promovesse as perseguições contra os chefes da reação.

protestando fidelidade ao monarcha. em sua Hist. Amaro. que jaz sobre a margem opposta do rio S. a qual encorrentando-os os presos á Bahia. fazendo parte das forças realistas. Da Revol. ao passar ela em Vila-Nova. 500 homens. como pedir-lhes auxílio. Estas forças combateram no engenho Guerra contra as tropas dos patriotas pernambucanos. suas paixões e seus ódios. enviaram uma deputação a Bahia. como patriotas e revolucionários. Podemos. concluir que o estímulo dos chefes legalistas de Vila-Nova não era defender simplesmente as instituições. E era isto mesmo o que eles pediam. Os Mártires Pernambucanos.207 Passa-se Cogominho a Penedo. no intuito não só de comunicar ao vice-rei a posição que já tinham assumido. Amaro.208 Não nos compete acompanhar as lutas. cujos membros eram: o missionário Francisco José Correa.coronel José Gomes Ribeiro e o coronel Francisco Manoel Martins Ramos partem para Pernambuco. criando dois batalhões de voluntários – o dos brancos e o dos pardos. Francisco. Tavares. os habitantes de villa Nova começaram a aprehender e roubar todas as canoas da sua rival. 207 De Sergipe marcharam as seguintes forças: cavalaria miliciana de Sergipe. onde aquella de Penedo é situada. p. 176 . foi a causa principal da contra revolução. nas medidas que punham em prática. não tardaram receber justo prêmio: a villa rival muito mais ufana enviou dous dos seus officiaes. o qual comandava as forças que vinham bater os revolucionários.. E aí fica ele descrito. para que exigissem com garantia a prisão immediata do capitão mor. A ida da deputação antecedeu à chegada de José Félix em Vila-Nova. 100 homens. satisfaz a arrogante exigencia e remetteo-os presosa a sua rival. Nosso fim é mostrar o papel de Sergipe perante a revolução de 1817. o capitão de milícias Francisco de Souza Machado e o capitão de ordenanças Francisco Moreira da Silva Lemos. e aquella mesma Camara curvou o cóllo. e ameaçando de extermínio legal com a força.182: “ A villa de Penedo foi a primeira a abaixar-se. A antiga rivalidade desta villa com outra denominada villa Nova. por intermédio da deputação. enviada para S. p. 208 Achamos muito judiciosas as seguintes palavras do Dr. que diziam estar próximo a chegar . milícias de Sto.registraram em documento sua adesão à causa do soberano.que sob o comando do tenente. Informados da marcha dos soldados da Bahia. 59. Pois bem. 100 homens. Cristóvão e depois para a Bahia. cavalaria miliciana de Sto. “Tendo os penedenses arvorado a bandeira real. foi presa. Eles satisfaziam. onde organiza as forças militares. pois. coronei e sargento-mor do Regimento dos Brancos reputados os principaes cabeças da revolta.

e uma nova vida administrativa e econômica ia prender a atividade de seus filhos. Realmente. JURAMENTO DA CONSTITUIÇÃO E ACLAMAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA. Foi despachado primeiro governador de Sergipe o Brigadeiro Carlos Marcos Bulamarque. E da Bahia partiu esse atentado contra a autonomia administrativa da nova capitania. Adiante mostraremos ao leitor que esse fato não justifica o atentado cometido. 209 Conde de Palma do Meu Conselho. Amigo: “Eu El-Rei vos envio muito saudar como aquelle que amo. As palavras de Bulamarque não podem ser acoimadas de apaixonadas. que na Bahia já se achava aclamada e jurada. e pela outra. Declarando-a independente totalmente para que os Governadores della a governem na fórma praticada nas mais capitanias independentes. Entreguemos a Bulamarque descrever os acontecimentos que se operaram. e pela pressão da força. elevando estas comarcas à categoria de capitanias independentes. pelos quais a Bahia levou o pânico a Sergipe. CAPITANIA INTERVENÇÃO DA BAHIA. podendo conceder sesmarias. no inicio de sua administração. por ter também satisfeito ao outro dever de bom cidadão. Eis o que ele dizia: ― Por ter feito o meu dever de Vassallo fiel de sua Magestade. izenta-la absolutamente da sugeição em que até agora tem estado desse Governo. O decreto rompia de todo os laços de dependência em que Sergipe tinha vivido até então para com a Bahia. porém. Rey. e a prosperidade a que Me proponho Eleva-lo. Convindo muito ao bom regimen deste Reino do Brazil. por uma parte. procurando justificar-se esse arbítrio com o obstáculo que ofereceu então o seu governador ao juramento da constituição. privando-se a nova capitania da emancipação que o soberano lhe concedia. Por elas sente-se a integridade de caráter do ilustre governador. Muito cedo. comunicando-se directamente com a secretarias de Estado competentes e podendo conceder sesmarias na fórma das Minhas Reaes Ordens. como dantes era.CAPÍTULO V SERGIPE. completamente independente do governo da Bahia. isentos da tutela em que tinham estado. a quem tinha jurado preito a homenagem. levando seus governadores dirigem-se diretamente às secretarias do Estado. nomeado por carta régia de 24 de Outubro de 1820. prestando importante contingente a vitória do partido realista. 177 . que a capitania de Sergipe d’El-Rei tenha hum Governo independente do dessa Capitania. por Decreto de 8 de julho de 1820209 foi Sergipe elevada à categoria de capitania. que lhes quis dar uma prova de reconhecimento. O procedimento que os habitantes de Sergipe e Alagoas e Rio Grande do Norte assumiram perante a revolução de 1817. Escrevo no Palacio do Rio d Janeiro em oito de julho de mil oitocentos e vinte. Governador e Capitão General da Capitania da Bahia. pelos serviços prestados. angariou a simpatia do soberano. O que Me pareceu participarvos para que assim o tenhais entendido. Hei por bem por Decreto da data desta. reduziu seu governo à sua dependência. Tomou posse em 20 de fevereiro de 1821. contra os ilustres democratas que quiseram fundar o governo republicano. este decreto tornou-se uma letra morta.

e recomendável na capitania. 210 ―Fez-se de tudo hum termo . e pela ootra a incurialidade. o que eu não quis fazer. até que saiba por modo authentico. servindo-se até da força. depois da garantia pelos Chefes dos Corpos. e afastando a guerra civil. ―No dia 20 de madrugada. assentão-se conservar-se firmes na sua fidelidade indelével. Vigario Geral. ― A má locação e arranjo deste relatório. ― Congregarão-se para isso em minha casa: a Camara. perseguido. Devendo ser mui mortificante á sua Magestade. e me obrigarão que tomasse posse e eu aceitei. homem de péssima conducta e caracter. então Governador. relatei-lheo estado das cousas e repugnância. e ás cortes. e se alguém em Sergipe o sabia não dizia. que diz ser secretario de huma junta. Cheguei a Sergipe na tarde do dia 19 do mesmo mez. aparecerão em minha casa. e legal. Prelados das religiões. e vontade geral. ou representou contra a independencia. e todo mais o povo que poude entrar. independente. e pela daquelles que lhes são subordinados dando-se parte immediantamente Sua Magetade de todo o acontecido para se esperar a Sua Ulterior Determinação: e para 178 . então havia. a real Junta da Fazenda. separada. e na ocasião em que lavrou o termo 210 No dia vinte do corrente mez de Fevereiro do anno de mil oitocentos e vinte e um: sendo presente o Senhor Governador Luiz Antonia da Fonseca Machado. e única a quem era indisputavel este direito. e mais Officiaes das Ordenanças. e derribado do logar para onde Sua Magestade me tinha nomeado. com uma força armada de três Armas e hum parque d`Artilheria. distante da Bahia 5 leguas. Não havia no sobredito dia 20. composta de nove membros. e nada eu sabia do que tinha se passado. preso e suplantado. Capitães Móraes. e obrigou-me a tomar posse. desde o primeiro do dito mez de Janeiro em diante.não compromettendo os povos. a província de Sergipe d`El –rei. que lhe pertence. sem consultar primeiro a opinião. única authoridade. por huma parte. e eu fizemos um termo declaratório e relativo as rendas. e que me repellisse para fora da Capitania. não esteve por nada disto. o Senhor Juiz Ordinário Presidente da Camara desta Cidade. tão desconhecidos nesta Capitania como o mesmo secretário. ― He de notar. e assignadas por José Caetano de Paiva. e tomando em consideração este congresso a muita fidelidade. vindos da Bahia. que a Bahia lá lhe levou. e Commandante dos Corpos foram presentes três cartas. no forte do Mar da Bahia. o que conseguião. e taes procedimentos. ―Parti desta cidade a 5 de Fevereiro e a 9 do dito mez cheguei á Pitinga. Luiz Antonio da Fonseca Machado. o Procurador. tendo pedido a ultima á mais de dez annos. é dividido ao estado por atribuição que devia rasultar de estar mettido em uma masmorra. o Senhor Ouvidor pela Lei. e que não devia ser emendada. ― Todos se conspirarão contra tal repugnância. o Ouvidor pela lei. e nella vinhão taes cartas dirigidas ao sobredito Luiz Antonio da Fonseca Machado. por Decreto de 8 de Julho do anno passado. e irregularidade de taes participações. e pozesse outra vez debaixo do seu jugo aquella Capitania. pois eu estava em Santa Anna. que tem a El-Rei Nosso Sennhor. visto ter já ido por duas vias para as côrtes em Lisboa. e outra em que me não desse posse. o que não se effectuou por então não convir. que tinha servido de latrina. As authoridades acima nomeados affianção e protestão aoiar. pelo que tinha feito quando serviu ali) o qual se apresentou um a malla que se abriu. no dia 11. garantir e manter tudo quanto neste termo vai declarado. e o Ajudante das Milicias Jose Joaquim Ferreira. e independente. vinda da Bahia. 17 leguas da Bahia. ― O mesmo Senhor houve por bem nomear-me Governador da dita província em 25 do mesmo mez da independência. que eu tinha que tomar posse. uma tratava do sucesso do dia 10 na Bahia. qual he a vontade e determinação de Sua Magestade. e manter nesta Provincia no mesmo estado em que esteve até hoje. e despezas. e certo. e aos seus mandados. e na tarde do dia 9 escrevia Francisco de Paulo d`Oliveira. ( hoje membro do Governo) e lhe disia que hia dormir no Engenho Barbado e sendo a revoluçãono dia 10. como tudo se verá pelo relatório abaixo excripto substanciado com documentos. Naquella epocha nem a Bahia nem Sergipe se oppoz. que naquelle dia achavan-se em Sergipe tudo o que há de bom. cada hum pela parte. que. os prelados das ordens. evitando as desordens. assignadas por hum homem chamado José Caetano de Paiva. e separada da Bahia. por sua Magestade El-rei D. ― Tendo-se creado em 8 de Julho de 1820. ― Cheguei a Bahia para hir ao meu destino a 3 de Janeiro de 1821 e então o Conde de Palma. outra em que ordenava o juramento geral. ― Luiz Antonio de Fonceca Machado. ( trabalhei muito para que não o matassem. ou até quando a vontade geral de seus irmãos situados no Brazil e dêem a conhecer de um modo legal. João VI. os Chefes e Officiaes Superiores dos Corpos. para que estas ficassem pertecendo a Sergipe. que ninguém conhecia. e muito menos a sua letra. as Authoridades Ecclesiasticas. mandar-me buscar ao caminho. para me poupar incomodo. que o Governo da Bahia escravisasse. ou corrigida.) Fiz-lhe ler os tais papeis. fiquei deslocado. podia.

José Agostinho da Silva Daltro. o Ouvidor pela Lei. ter só a responsabilidade da Real Fazenda e não havendo naquella época nenhuma repartição de Fazenda. por actos irregulares dictados por facciosos. e os que havia estavão em suas casas e pertenciam ao chefe ali presentes que me obrigarão a posse e a garantião. brigadeiro governador. que de graça esteja fora da sua casa empreado em serviço. tenente secretário. Esta demora não vos causa incomodo. quena História se tem lido: acto. para onde o remetto. ―Sucessivamente. primeiro ajudante Francisco Sales de Thomaz. mandando para os portos de Cotinguiba. e a Policia dos distritos. o que há de recomendável nesta província. Manoel Vicente de Carvalho Aranha. Ouvidor José Ribeiro Navarro: o Juiz ordinário. estavão ainda na Côrte. e o chefe da Legião de Milicias. que proclamassem a Constituição. não se seguindo prejuízo na pequena demora. José Alves Quaresma. ―E como os membros nomeados. deu motivo este sucesso ao Bando . os portos estão abertos. e obrigar ao carregador a assignar fiança ao Disimo. para tomar conta do que sahia. o Negociante. Tendo toda a que vai o mesmo Senhor Luiz Antonio da Fonseca Machado. e um Thesoureiro . para a junta da Real Fazenda. coronel José de Barros Pimentel. guardião do convento do Recife. hum fiscal. e o Senhor Tenente Coronel Manoel Rolemberg de Azevedo e Accioli. as Authoridades civis. tantos officiaes. capitão da primeira companhia de linha. sargento mor Comandante. e receber do mesmo Senhor as suas Determinações e Ordens. tenente. acentão por unânime parecer este Congresso. a que se opposerão 211 as ditas authoridades e não houve effeito algum. e expontaneo. Alexandre da Cruz Brandão. tenente coronel.um soldado armado ou na fileira. o socego publico. ― Os passaportes tanto por Mar como por terra forão sempre francos. alferes. quereis perder todo o conceito. Bento Antonio da Conceição Mattos. o não querer eu. e que por aquelle estado de cousas. ou empedissem quem viesse ou fosse para a Bahia. na Camara dessa Villa. e nunca me forão restituídas. Era Supra. hum Escrivão. José do Carmo da Silva Ribeiro. que no dia sempre memorável vinte do passado nesta cidade. que querem o que não sabem. o vereador Pedro Celestino de Souza Gama. tenente coronel commandante. Angelo Antonio Mendes. José da Motta Nunes. prior do Convento do Carmo. Manoel Rolemberg de Azevedo. e mandou também pôr em praça os Contratos Reaes: porem nada teve effeito porque só houve vinte e seis dias de Governo de facto. José Antonio Neves Horta. O Ouvidor interino José Ribeiro Navarro. na Estancia convidarão a camara. que mereceis. com d’antes e a navegação continua. Fiz sahir todas as embarcações que estavão carregadas e que continuasse o Comércio como até ali. que não há um só homem. que se hia criar. Frei Luiz da Virgem Maria. se fez o acto. o vereador José Rodrigues Bastos. mais livre. Frei Francisco de Sales e Souza. e o Artista não são incommodados no seu tráfico. onde se achava junto todo. que lhe marquei. e ver nelle se assignou. Luiz Antonio Esteves. Vós bem o sabeis vós o experimentaes. que para o futuro fará sempre honraaos Sergipanos: o podeis ler. e O Presidente da Camara esta assignou. e pela outra. tenente. coronel Guilherme José Nabuco de Araújo. sargento mor commandante. Simeão Telles de Menezes. que deve haver. o escrivão José Carlos Novaes Lins. e até officiaes da Cortê forão interceptados no correio. ou alguém empregado della. para cada hum. capitão. Post Scriptum. não foi preso ninguém por Opinião e quando no dia 4 de Março deste Anno. Francisco Moreira de Sá Maramaqui. O Juiz Ordinário Bento Antonio da Conceição e Mattos. ― No decurso do meu Governo. e para evitar assignaturas progressivas: o Ouvidor pel Lei. Estância e Itaporanga. capitão Joaquim Francisco d’Albuquerque Lima Capitão. Prohibi-lhes que embargassem. comportamento e seriedade nos vossos juízos. capitão da segunda companhia do corpo de linha. para darem as contas. Frei Jeronymo de São Pedro de Alcantara. quando pelo contrário vós vedes a margem do Sul de Itapicurú. prendessem. como Presidente. o syndico da camara e fiscal da Real Fazenda. por uma parte. Cristovão – Luiz Antônio da Fonseca Machado. o vereador José Manoel Machado de Araujo. entreguei aos sobreditos Chefes. alastrada de desgraçados. até a chegada da embarcação que mandei ao Rio de Janeiro. Antonio Luiz. o vigário. eu. Carlos Valeriano Leitão Bandeira. Está conforme o Secretário do Governo José Antonio Fernandes. He sabido de todos . hum Fiscal. o Procurador. 211 Povos da Estancia e Villa de Santa Luzia que tendes tido até aqui por timbre a felicidade e regularidade. Sustentai pois o que naquelle dia se fez. e quiseram persuadilas. Sergipe de El-Rei e Cidade de S. Major. o Lavrador. tenente. capitão mor. fazer disto assento. João Antonio Dine. Domingos Dias Coelho Mello. nomeei uma inteiramente composto. Esta Repartição mandou chamar os differentes recebedores. qua az as vezes de Procurador da Corôa. vigário geral. que pgnam pelo que não entendem? Lembrai-vos. não verião tão cedo. Francisco Manoel da Rocha. presidente em capítulo. que o tenente coronel Manoel Rolemberg de Azevedo Accioli fosse encarregado especialmente a Sua Magestade El-Rei Nosso Senhor o termo acima retro. das 179 . três bêbados. Hermenegildo José Telles. e ali assumidas). caso na Bahia lh‘o não tirassem. ( não acontecendo assim com as minhas Cartas. como particulares: pois todas eram abertas.

e Estancia. e não sei a que. e sabendo que já tinham 213 desembarcado. Não vos amedronte a força. os portos abertos e a estrada franca. ó proprietários. conta vós é que se atirarão as setas envenenadas. mas por isto mostrão a sua imconsequência. a espalhar Proclamações. o Ajudante de Milicias Francisco Correia da Silva. que amirão. 212 Jamais me persuadi. com tudo ameaça o vosso socego.Carlos Cezar Burlamaqui. participe-me imediatamente por escripto. e fomentam insurreições. e toma regularmente parte nella. e sendo a distancia. 213 Povos Sergipanos. ou dificuldade na execução desta . esperai mais um pouco. a huma Capitania quieta. e em que número relativo a vós e conclui que quando si está em estado de convulção. – De igual theor. e desarmada. com o que He seu. só de dose léguas. Esperai. o bom resultado. atição os que ca tem por delegados. mandei publicar o Bando . no dia 15. tem as suas famílias em orfandades. que não tradão. o vosso comércio esta no pé antigo. entre Ella. Major Comandante da Legião de Santa Luzia . que pela relações e paretescos se há de confundir com horror e natureza. Esta província instalada. Superior independente Da qualidade Ordenanças que não tendo o que comer. vossos interesses. demoraivos poi. e como a despeza natural. ficando a cidade entalada. N. grandes povoações. mais foi tal o motim que promoverão na cidade. ― A força armada. não ignora a este tempo os sucessos da Bahia. tende sofrimento. Se se tal acontece infelizes habitantes! Sergipe 6 de narço de 1821 – Carlos Cezar Burlamaque. que dizem esta na Estância e não lhe possível. mas certificados. vossa honra. e eu vos afianço. que o está de fcto e de direito. a que não tem direito algum de governo. e pôren-se no risco de ver verter sangue. velai. Deixai a Bahia e aprendamos della o que nos convem. achamo-nos achamo-nos pois em uma crise. Guilherme José Nabuco de Araujo. (quando somos atacados sem ter dado motivos) inata a todoanimal. porque esta Capitania já mandou recebel-las e porque aquelle Augosto Senhor. Demorai-vos. no seis de suas famílias. a Sergipe. e separa da Bahia em 8 de Julho do anno passado por Sua Magestade. 12 de Portugal. e data se expedirão para tos os commandantes dos Corpos da Capitania. que me obrigarão a manda-los chamar. torno a repetir. por valor e lealdade aos vossos Legitimos soberanos. com tudo espíritos ambiciosos. a memória grata dos feitos dos seus ascendentes. e o apronptará para defesa . e fizesse saber-nos suas decisivas Ordens. que por cumprir o dever. 13 de março de 1821. emotin. pois a Povoação das Laranjeiras. Sergipe d’El-Rei. entre a barra e a Povoação.Sergipe d’El-Rei. só como differença nas posições. ― No dia 17 pela tarde veiu outra vez o tal Ajudante e o Tenente do Batalhão n. tendo no mesmo dia feito jurar a gente da Estancia. não faz dúvidas a ninguém. com tudo noticias certas que me tem que sendo poucas. ó Magistrados e preveni-vos. e a Cavalaria nas immediaçãoe com os corpos de Infantaria. 180 .certeza que a força armada estava na Barra da Estancia. Parei dahi em diante com mais medidas. dogo que sejamos atacados. huma légua distante da Cidade: tendo quatro dias antes. vierão tão devagar e tão assustados. Toda a Infantaria. Deus guarde a Vossa Senhoria. ellas nos serão anunciadas em pouco tempo. que se levantassem antes de chegar a força: o que não teve effeito porque o povo não approvou. mandado o Commandante da dita força. qua a Bahia tivesse vistas hostis sobre uma Capitania. Que conseqüências tão funestas senão poderão seguir de semelhantes insediações? Accautelai-vos ó povo bom mas ignorante. situados nas diferentes Villas. José Vaz Lopes. fazendo-lhe ver estas verdades. que não sendo tão violenta como aquela. olhai quem vos rodeia. e providencias. escrevi aos chefes dos Corpos circular . que para o futuro qui se hão de arrematar as Rendas. que só no dia 17 chegarão ao Rio Comprido. A vossa lavoura não tem sido interrompida. que lhe He sagrado não consentiu ainda entre si a opinião.B. e depois de lhe extranhar a falta de delicadesa. e que desembarcava. e muitos gozos. que se lhe há de pagar. auxiliada por quatro Companhias: duas da Cavallaria e duas da Infantaria ( todas de Milicias da Legião da Estancia) com um parque da artilharia marcharão no dia 14 sobre Sergipe. Missões e Arraiaes: vossos avós fizeram sempre huma grande figura na História. todo o Mundo se presuade estar munido de igual direito .entrando em huma povoação. nos corações de vossos filhos. onde estava hum Official. a toda sociedade e a todo mundo Vossa Senhoria convocará o corpo que está debaixo de suas ordens. a falta de respeito . que voga na Bahia. Ilmo Sr. e vossa fidelidade que prometestes aos órgãos de vossos superiores sustentar indelével até que Sua Magestade desse. dados por Deus. assim como hão de ser alimentados e se Vossa Senhoria achar embaraço. nem embaraçada. e a persuadir gente da cidade. as reoluções de Sua Magestade não podem nas circunstancias actuaes serem morosas. Todos devem vir armados e municiados. e a desgraçada e sempre terrível sublevação de Pernambuco fez reviver. e sordidamente da idéia. aqui recebe-las e gasta-las. como desembarcou 212 no dia 12 de Março. e da Ordem Militar. 11 de março de 1821 Carlos Cezar Burlamaque . visto aqui não o haver de Sua Magestade. A guerra que houve a Sustentar com os Holandezes e com os Francezes nos subminstrão factos. jurou a constituição. que queirão atacar seus irmãos.

e que eu me devia recolher á Bahia. e todas as authoridades. de fronte da casa da Camara com as baionetas. mas todos os dias. ao concerto. conduziu também preso o secretário). assignado. concedeu-se-me. e sua Comarca. Tabelião do Publico. ―No dia 18 ás 7 horas da manhã. Faço saber. e Juiz de India e Mina. mas estes no outro dia sendo ameaçados de baixa e prenchadas por um lado. Ouvidor Geral interino. e Geral Forense. – Antonio José Gonçalves de Figueiredo. Eu Francisco de Paula Madoreira. por Sua Magestade Fedelissima. Protestando. e eu fechei as minhas portas. e as fiserão jurar. – O Vigario Parochial. . o que fizerão immediatamente e não querendo nenhum delles jurar. Ouvidor. Sergipe d’ El-Rei 18 de março de 1821. carregado de metralha. – Chistovão de Abreu de Carvalho Contreiras. do Theor seguinte. Major. Vigario Geral das Vacantes. pedi alguns dias para me apromptar. – O Vereador Pedro Celestino de Souza Gama. ―Formarão em batalha. Escrivão de Crime . com força armada. Capitão de Ordenanças. Vigario. o Major Rucel. a diser-me. José Ribeiro Navarro. Camara. Vigario Collado da Freguesia do Socorro. que escrevi. e o mesmo aconteceu aos inferiores. Escrivão da Camara o subescrevi. pôr em contingência a segurança dos povos. com as testemunhas presentes. Tenente Comandante do Destacamento. e Civil. e Correição. que se lhe faz. e pelo outro da promessa de mais soldo. professo na ordem de christo estando present o corpo da camara desta cidade. entreguei o 214 Governo interinamente no seio da Camara.O Ouvidor Interino José Ribeiro Navarro – O Juiz Bento Antonio da Conceição Mattos. nenhuma força.e nada mais se continha no dito termo de protesto. e Geral Seraphim Alves da Rocha. – Carlos Cesar Burlamarque. – O Capitão José Ribeiro Navarro. Eu Francisco de Paula Madoreira. que lhe forão confiados. a excepção se resistisse. e os mais todos abaixo assignados: declarou o dito Governador. com se vê . era inquietado com a requisição de que sahisse. Carlos Cesar Burlamaqui. e o Capitão Mor. que hei por justificado. com quantos meios podem haver em Dierito contra a violência. e Nottas. com tudo os mais officiaes e inferiores deverião la hir. e o dito Coronel mandou então a minha casa. principalmente nesta cidade. e da força armada estar a porta. 214 Francisco de Palula Madureira. Vigario Colado e Geral Forence e o das vacantes.O Vereador José Rodrigues Basto. que eu não fosse preso por modo algum. José Carlos Novaes Lins. que bigudiou a prisão. que revemdo o livro de Vereações. 181 . foi que o Tenente Vaz foi quem me conduziu á Bahia excoltando os Officiaes presos e o dito Ajudante de Milicias Francisco Correia da Silva. – Joaquim Inácio Ribeiro de Lima. respondeu-me que se lhe tinha prohibido o falar-me em Constituição. E concertado por mim Escrivão Francisco de Paula Madoreira. eu dto. etc. assignarão. ao qual me reporto. morrões acesos e a Cavallaria com as pistolas na mão. tocando nos muros. Juiz Ordinário mais velho desta Cidade. odiosa e terrível ao coração de S.Termo de protesto. para que o dito Coronel me forneceria os meios. que tendo ordem positiva para me não fallar em juramento nem a meus filhos. a dita Camara tomou entrega do sobredito Governo. a auxiliadora da Estancia e hum Parque de Artilheria. Na tarde pois do dito dia 17 convoquei a Camara. em casa de Presidencia do Governador desta Provincia. – Cetific. no dia e era. e na mesma. e de como assim o disse.Aos dezoito dias do mês de março de mil oitocentos e vinte e hum annos. Magestade. Collado.. escrivão o declarei. nesta Capitania. – Luiz Antonio Esteves. e a Artilheria embocada ás ruas. e Camara nesta Cidade de São Christovão se Sergipe d’El-Rei. que ordens havia a meu respeito. Capitão Mór das Ordenanças. e não havendo. – Henrique Luiz de Araujo Maciel. que conferi com outro Official abaixo. por meio de uma gerra civil. acompanhado pelo tenente Vaz e uma escolta da Cavallaria. Judicial. nem devendo. e em consequencia do estado das cousas. e o Capitão Mor. ―Perguntando ao Coronel Bento da França. forão todos presos. e que recebeu da dita Camara. – O Vereador José Manuel Machado de Araújo. com tudo. Declaro que este termo foi feito nesta cidade de Sergipe d’El-Rei. lhe confiou. e soltou ( o que mais graça teve. e o das Vacantes. José Carlos Novaes Lins. Escrivão da Ouvidoria Geral. e não querendo o dito Governador. e a auxiliar da legião de Santa Luzia da Estancia. – Silvestre Gonçalves Barroso. entrarão pela Cidade o Coronel Bento da França Pinto e Oliveira com a força armada. que Deus Gruade. escrivão da Camara o escrevi. ut supra retro. ―Mandei entregar a chave da Secretaria ao Ouvidor pela lei. ouvidor interino. que eu escrivão fielmente fiz passar a presente certidão. em que o sobredito Governador. que as assignaturas do concerto supra são dos próprios escrivães nelle contendo. vinda da Bahia. que tendo em frente a força armada e evazoura da Bahia. e mandou a mesma fazer este termo. que disião para a dita casa da Camara: ahi derão vivas: (porém elles sós) chamarão as Authoridades. – José Vianna Glascock. que se acha escripto no livro. cederão e jurarão. – O Procurador Francisco Moreira da Silva Marramaque. que presentemente serve nelle se acha o Termo de Protesto feito pelo Excelentíssimo Senhor Governador desta Capitania Carlos Cezar Burlamaqui em presença da Camara. que eu precisasse.de Governador: os prendi á ordem de Sua Majestade e os mandei entragar ao chefe da força armada . – e comigo Escrivão da Correição. o que effectuei no dia 25. & C.

ambos estiverão no Aljube incommunicaveis. Deus guarde a Vossa Senhoria. pelo tamanho. que acha bastantemente doente pede a Vossas Excellencias llhe remova a prisão para outra parte: onde se reunão à decência. e humidade. ficou em Sergipe um só . os Oficiais. ― Mandaram-me mudar para o Forte do Barbalho. e Felicio Paes. ― Imediatamente que li o decreto de sua majestade de 7 de Março.Forte do Barbalho 12 de abril de 1821. Agora pelo decreto de S. com os despropósitos. ou solução tinha. que lhe é devida com o seu bem estar. o Capitão Manoel Jose de Castro. e exigo a sua soltura. e hum Sargento. e quando estávamos dentro do porto. Na data de hontem tive a honga de participar a Vossa Excellencias. Vossa Senhoria. Bahia 10 de abril de 1821. e queríamos jurar a Constituição da mesma maneira. e o Vigário de Nossa Senhora do Socorro: o primeiro porque tinha explicado o Evangelho. 217 Ilustrissimos e Excellentissimos Senhores. jurão a Constituição. que não se podia viver nella. Forte do Barbalho 12 de abril de 1821. – Carlos Cesar Burlamarque. ― Atirarão comigo a huma masmorra. quente. os ditos presos. para eu entrar de tal modo fedorenta. prende então os meus dous filhos. ( ficando sujeito ao da Bahia ) o Brigadeiro reformado Pedro Vieira. e vendo que nenhuma resposta. 215 ― Depois de quarenta e oito horas dirigi ao Governo o que se vê . que já até então havia. mas já desde longe éramos Escoltados por Patrulhas de Cavallaria. e porque o Governo de hum cheira a tyrannia. que estava preso. e com senitnelas à vista. humida. Illustrissimos e Excellentissimos Senhores do Governo Provincial. que sua Magestade o fez. Magestade. e que desentulhou aquella noite. e ocasião participo ao Governo desta Província. e o de muitos. ―Entre as violências e prepotências praticadas pelo Governo da Bahia. o que se vê e ao Governo 217 Provinincial escrevi o que se devisa . o representante. Officiaes e Official interior. e o mesmo eu farei. datado em 7 de Março do corrente anno. Carlos Cezar Burlamarque. escrevi 218 novamente ao mesmo Governo o que se vê . Em conseqüência do que peço. e irão havendo. porque até jurou a Constituição. com o fim de segurar a dependência e a escravidão das províncias e as suas rendas. que há. e elle por sua authoridade. que não era Constitucional. Nesta data. que tanto eu. os meus Ajudantes d’ Ordens. que sua Magestade o fez. e requeiro a Vossas excellencias a soltura dos fitos officiaes. o communicassem na Missa Conventual: o segundo ignora-se. e Inferior. o Tenente José de Carmo Ribeiro. toda a gente da Cidade era despedida para lhe procurarem papeis.― No dia 21 foi instalado no governo da Provincia. Pedro. que não cheira mais Despota por que foi nomeado pelo Governo liberal da Bahia cheirava eu por ter sido por El-rei! ― Nos dias em que me demorei em Sergipe ao depois de ter entrado a força armada. e o segundo foi solto no dia 16 de abril. e ao depois passarãopara Santa Thereza onde o primeiro se conserva preso. escripto aos mais Vigários. antes de vera força armada. os officiaes. os Alferes João Maria Sampaio. a sua passagem franca para onde lhes convier. e que não havendo em o dito Forte nenhuma outra posição. e Sargentos. Pedro desta cidade. he que me disse. e os meus Ajudantes d’Ordens. No dia 13 do corrente fui eu. 216 Em conseqüência das Ordens de Sua Magestade. e os meus filhos soltos. Achando-se prezos no Forte de S. o que lhe participo. calor. 218 Illustrissimos e excellentissimos Senhores. pelo único motivo. ―Entramos na cidade ás 8 horas da noite. e pequena. ordenei ao Capitão Manoel José 216 de Castro. Deus Guarde Vossas Excelências. ou casa. eu e os meus ajudantes d’Ordens. o Geral da Província e Paroco da cidade. ― Gastei 15 dias para chegar a Bahia e achei o lugar Congrurú ( distante da Bahia três léguas ) huma ordem para o Tenente Vaz que logo que ali chegasse se dirigisse comigo e mais Officiaes á Água de Meninos ou Quartel de Cavallaria e que ali recebia ordem. dejejamos. fez a prisão dos Vigarios. e a jurarmos a Cosntituição do mesmo modo. Santa Barbara e me disse que por ordem do Governo me condusia para o Forte do mar e que os Officiaes hião para S. Comandante do Corpo que se havia de criar em Sergipe. para sua Inteligência. sendo mui coherente tal nomeação. de não terme querido jurar a Constituição. que tendo sido lançado em uma masmorra horrível no Forte do Mar inhabitável. do seu interino Commando. por sermos sós no Governo. e em reverencia ao Decreto de 7 de março deste anno. transcripta no decreto junto. e de mui bom coração a cumprir aquelle sobredito Decreto. – Senhor Capitão Manuel José de Castro. a Liberdade. que estavam 215 Representa a Vossa Excellencias o abaixo assignado Governador se Sergipe d’ El-Rei. pois que tendo sido derribado o conde de Palma e eu. isto mesmo. Carlos Cesar Burlamarque. Illustrissimos e Excellentissimos Senhores do Governo Provisional. e na mesma occasião pedia a Vossas Excellencias a soltura 182 . que se vai Organisar nas Cortes de Lisboa. nos achamos pronptos. todos prezos estávamos promptos. que tinha serviço de latrina. ― No caminho chegou-se a mim o Capitão de Cavallaria.

R. e os seus oficiais para jurarem a Constituição. primeiro que a Censura estabelecida pela Excellentissima Junta do Governo desta Província a aprove. – Carlos Cezar Burlamarque. parecer-me. ordenei em data de 10 do corrente ao Capitão Comandante Interino do dito Corpo. que aviam formar o Corpo de Linha de Sergipe d’El-Rei. EEx. Barbalho 18 de Abril de 1821. por não me poderem tirar. para prestarmos o sobredito juramento. Nas datas de 12 e 13 do corrente. prezo do Forte de S. a quem nunca se nos propôs tal juramento) e os oficiais estávamos prontos. Pedro. o faço apelando para a lei. – Seu venerador e criado. que nomeiem pessoa idônea. logo. que aproveitava aquela ocasião. e eu no Forte do Mar. ― Vendo finalmente.. não tendo anteriormente nenhum esclarecimento a este respeito. com tudo como tenho visto nas atas das cortes em Lisboa a liberdade decente da Imprensa. pois as cousas de face. que tenha a bondade transmitir ao público esta nota. ou resolução tive. e desejamos jurar a Constituição. M. pela força armada.Joaquim José da Silva Maia. Os oficiais. e instei terceira vez em data de 16. ou decisão. – Forte do Barbalho 13 de abril de 1821. 222 Ilustríssimo Senhor. e definitiva sobre os objetos seguintes: 183 . e acrescentava. que só a viam legal. e em execução das suas ordens. apresento a Vossa Senhoria a nota abaixo transcrita. e mesmo aqui apoiada.‖ daquelles officiaes. que só se podia ter pela corte. Peço a V. para ter a bondade de apresentar ao governo. logo que eu o vi. M. repeti na data de 13 igual requisição. foram todos presos. que me diz respeito resolvi-me a escrever ao Redator do semanário cívico. e mais Oficiais presos tomam a confiança de lembrar a Vossas Excelências as suas petições que foram presentes a VV. que v. – Carlos César Burlamarque. – Carlos Cezar Burlamarque. e salva guarda do meu dever. 219 Ilustríssimos e Excelentíssimos Senhores do Governo Provisional. que até o dia 18 do corrente. que se puzesse pronto. e aberta a mandei botar na caixa dos requerimentos. He necessário. e sancionada pelo Governo. ―Como até ao dia 24 a nada se me tinha dado decisão.Sua casa 19 de abril de 1821. M. valendo-me para mais força de a pedir em nome sagrado das Cortes invocadas em Lisboa. não tinha tido resposta. que o faça a inserirei. pois a Vossa Excelência em Nome das Cortes Gerais da Nação. que vão transcritas nas Notas (10. ou decisão. da mesma maneira. e honra. Forte do Barbalho 16 de abril de 1821. para lhe pedir a soltura dos oficiais.no forte de S. O abaixo assinado. declarando-lhe: que eu e meus filhos .. com os outros oficiais. que sua Majestade tinha jurado. e oficial inferior. Nenhuma resposta.E.a que nada tive resposta. muitos anos. Ilustríssimos e Excelentíssimos Senhores. escrevi a José Caetano de Paiva Pereira. 221 Illustrissimo Senhor Carlos Cezar Burlamarque. Deus guarde a Vossas Excelências.de V. e ocasião escrevi a Excelentíssima Junta Provisional. visto que naquela Província se achava independente. naquela Cidade. repliquei com a representação . Deus guarde a V. mais tendo a Cidade por homenagem. considerados. o 220 221 que se divisa e respondeu-me por escrito o que se vê estando eu bem certo que tal nota não se imprimia. e até hoje estou. e franca passagem para onde lhes conviesse ir.Fico entregue de huma representação de Vossa Senhoria para se inserir na Folha que redijo. 11. uma queixa contra Excelentíssimo Governo d’esta Província: queixa que não ofende. e se me é possível exigi-lo. Mudarão. e no caso de negativa Vossas Excelências por sua bondade. M. sobre as representações. por legalíssima Autoridade. tendo-se me constantemente protestado todos os meios de saber a única coisa. que a apoiam. e na mesma data. nenhuma decisão tive. Majestade de 7 de março. transtornados. e inferiores. que me deixarão. e vendo que teimavão em não me 219 responder. a vista do Decreto de S. e 12) e que por proteção da minha justiça. os seus Ajudantes d’Ordens. m. ou mentirosos. 220 Senhor redator do Semanário Cívico. por não quererem então jurar a Constituição. e li. o 222 que se devisa . Fica as ordens de Vossa Senhoria quem tem a honra ser de Vossa Senhoria o mais attento venerador e Criado. Pedro e o secretário do governo que estava também preso no Forte do Mar. e que me convém por satisfação pública. e eles como estávamos antes de tais pedidos. (Manoel de Castro. e para o Congresso da Nação. ajam de me dar por escrito ou mandar dar titulo para minha ulterior desforra. como preso. – Tendo-se me fechado todas as portas por onde eu fizesse sair a minha justiça a luz do dia. e separada desta. e despotismo em tudo. e fazer-me igual mercê em me transmitir uma resposta categórica. Peço. não terá duvida de transcrever na sua folha. – Apesar de alguma experiência ser havida pelos feitos transcritos na Gazeta desta Cidade. 12. .

5º não se lembrando do direito. renovei em 13. e dos meus oficiais. o que não teve effeito a meu respeito. foi mudado para o Barbalho. appelando. por falta de jurisdição. e insultado os artigos Constitucionais. com o transcripto dos três pedidos. José Caetano de Paiva Pereira. e o Governo Provisional da Bahia. – Carlos César Burlamarque. com intriga. fiquei do mesmo modo. e a vista do Decreto de S. dizendo-lhe. á Constituição. por falta de maneira. Por falta de jurisdição. cuja administração estava a si confiada. e a religião pelo que pedem a Vossas Excellências que hajão por bem. recalcitrei em 16 por meio de um requerimento aberto metido na caixa deles. ou circunstância. ao juramento de preito e homenagem. Solto também me não posso considerar. pelo qual não fui perjuro á Sua Magestade. pois preso. que me deixão pelo artigo 6º.M. de defender a emancipação da capitania. 24 de Abril de 1821. 184 . se tal juramento se me não desse ou que supprissem pela negativa com um titulo. que se está fazendo nas Cortês Congregadas em Lisboa. nem entregando o depósito que me tinha sido confiado. me fará a mercê de me responder definitivamente. e expressa nos artigos quarto e quinto. e violência. para regressar para esta Corte. que iriamos.―No dia primeiro de Maio. que se acaba de jurar. e lugar para o dito juramento. não me posso. aprovados em Lisboa nos §§ 4º. de lhe ordenar. tendo em vista os deveres. 16 e 24 do passado. Secretario de uma das Repartições do Governo Provisional da Bahia. César Burlamarque opôs-se a esses planos. Deus guarde a Vossa Senhoria muitos annos. que reiteram a Vossas Excelências. estima. e desejávamos jurar a Constituição. Que estou na maior duvida: qual é a minha situação – relativamente minha liberdade. não sabendo de quem devo haver a reação prometida no artigo 6º. nem devo considerar. infligindo de modo. como capitania independente da Bahia. a bordo do Correio. a Constituição. que tive em ocasião tão critica. pois não somos seus súbditos. repugnando eu ao ultimo artigo do juramento. que ponho de baixo da vista de Vossa Senhoria. o dia. que a antecedente. ditaram-lhe um procedimento franco de oposição. e só foram os Oficiais. o que se efetuou no dia 19. A conciência clara de seu dever e a responsabilidade que pesava sobre seus ombros. Este é o primeiro objeto. nem os meus oficiais. seja qual for a sua opinião. – Representa a Vossas Excelências. nem fui contra a outra obrigação como português. o abaixo assinado. pois este Governo não tem nenhuma a meu respeito. tive a mesma sorte.‖ Incontestavelmente César Burlamarque cumpriu seu dever. com a condição de ser pelo tempo que me demorasse na Capitania. Seção primeira 8 de fevereiro em Cortes da cidade de Lisboa. – Carlos César Burlamarque. 223 Ilustríssimos e Excelentíssimos Senhores. e menoscabo da lei. ―No dia três de Junho embarquei a bordo do Correio. que se há de fazer. que não era impressa. o seu pedido feito nas datas de 12. para minha ulterior desforra. e seus filhos. ―Todos os meus desejos. senão na extrema necessidade. Ilustríssimo Sr. pois nem eu. seja julgada na opinião publica. e compreendendo que o juramento da constituição portuguesa que a Bahia impôs a Sergipe não era mais do que um motivo para anular sua emancipação. nenhuma resposta. pois não me opus com força. que a honra prescreva. para as cortes. e em 18 de Maio tive Ordem por escrito. esperando que todo o homem. Por falta de maneira. ou com sugestões. decida do meu comportamento. em 18 dirigi ao Relator do Semanário Cívico uma nota. mais fiquei certo pela sua resposta. ―No dia 8 fui solto. M. R. do Juramento e Fidelidade a El-Rei. de 7 de março ordenei aos meus oficiais. o qual não revela um espírito atrasado. que eu meus filhos e mais officiais. Aproveito esta ocasião de reiterar para com a Vossa Senhoria a minha alta consideração. – Bahia. E. e eu escrevi ao Excellentíssimo Governo na mesma data. pois tende sido metido em uma masmorra que servia de cloaca no forte do mar. são: que a linha do comportamento. tendo decorrido trinta dias de prisão. Em 12 do corrente. sem que se me declarasse culpa. Vossa Senhoria por sua especial bondade apresentando este negócio também ao governo. e deu-se me depois a cidade por homenagem. á Religião. 223 ―Em 10 requeri o que se devisa . com mais cinco officiaes. para o fazer ao Excelentíssimo Governo. que se pusesse prestes a jurar a Constituição. e só o fiz. Reconhecendo do soberano a incumbência de administrar Sergipe. recebi ordem para embarcar. 13. fomos prisioneiros de guerra. pela pequenhez da Embarcação. para ir ao Governo jurar obediência á El-rei. conservando ainda o caráter de presos.

Exc. proclamas. que circunstancias superiores225 forçaram-nos a enviar um peque corpo226 para a capitania de Sergipe. ellas não pagam a metade das liberdades que se perdem‖.. que a revolução de Portugal instituía no Brasil. está visto. ordenou ao capitão Manuel José de Castro que jurasse a constituição em Sergipe. Damos-lhe parte. de fato. mais os fatos o indicam e vem a ser. pois não havia um homem a minha disposição. Este modo de pensar fazia com que a Bahia justificasse a arbitrariedade cometida. da qual os chefes eram do partido decidido da dependência. Muitos deles fizeram causa comum com a Bahia. que era o órgão que defendia os interesses da metrópole na Bahia. apelando para a opinião da aristocracia sergipana. originados da prepotência que a Bahia acabava de praticar.. 227 Como hade de soprar quem não tem folles.‖Ciosos da estima de V.inadaptável a um regime constitucional. como se vê na carta do Capitão mór da Estância. mais não havendo ninguém. desmanchar o que fez El-Rei. não encontrasse adesão dos próprios filhos de maior representação. contra as aspirações do partido da independência. em favor da emancipação da capitania. Ao contrario disto. publicasse o seguinte224. contra a anexação de Sergipe. José Manuel Machado de Araújo. A este partido pertenciam em geral os capitães-mores de ordenanças e a maioria popular. ou outro qualquer papel d’onde se colija tal vontade? Se neste negocio tivesse havido alguma boa fé deveriam ter sido impressos todos os meus papeis. dando lugar a que o jornal Idade de Ouro. a submissão de Sergipe. 225 Quais elas sejam ninguém o sabe. eram muito pouco. em cujas mãos achavam-se grande parte da riqueza. Com que meio o outro partido podia reagir. 226 Com efeito. escrever o seguinte a Burlamarque: ―Ninguém quer a independência. que eu não a podia promover. E é lamentável ao caráter sergipano que o procedimento de Burlamarque. Seus principais chefes eram: o coronel José Guilherme Nabuco. escravizar aquela Província. e absorver nesta capitania da Bahia. Dois partidos existiam então. porque. a mim dirigida. Pedro Cristino de Souza Gama etc. é milícia. o ouvidor José Ribeiro Navarro e todos os europeus que habitavam então a capitania. logo que leu o decreto de 7 de março. que aquela rende. O capitão-mor da Estância e câmara da Vila de 224 Publicamos nas notas que se seguem os artigos de impugnação de Burlamarque às acusações publicadas na Idade de Ouro. e que do qual faziam parte o corpo de milícia e toda a geração lusitana. a única tropa que há naquella província. a fim de evitar a guerra civil que imprudentemente ali queria soprar o seu governador227. imposta e realizada pelas tropas da Bahia?. Aparecerão por acaso ordens. Um defendia a anexação. que procurou seguir e por em pratica. ou nele queiram entrar. se em Sergipe houvesse alguém que quisesse resistir. Ficou vencido em suas aspirações. como os membros do outro partido ocupavam posição social saliente. como mais de uma vez tenho dito eram muitos. os taverneiros. O outro defendia a emancipação e era o prenuncio das idéias de independência. e donos das casas das cidades. A falta de patriotismo dos sergipanos que pertenciam ao partido da anexação. cento e vinte contos de réis. chegou a ponto do capitão-mor da Estância Guilherme Nabuco. pois que sejam quais forem as vantagens que se sigam da independência. que tivessem tendência a este 185 . em vista da desigualdade das forças. senão os que estão no governo. o brigadeiro Pedro Vieira. Seus principais chefes eram os camaristas de São Cristóvão: Bento Antonio da Conceição Matos. porque não só Burlamarque não quis promover a revolução civil. e a ele poderemos dar o nome de partido recolonizador.

foi accrescentamento e voga. não passam de vinte homens. nem a metade das liberdades. Substituiu na administração a Burlamarque o brigadeiro Pedro Vieira. lamentaram a separação como nociva aos seus verdadeiros interesses228 e rogaram-nos a união intima até S. Escrevi. Como comarca continuariam eles. ou nele queiram entrar. logo se conhece. aos seus irmãos Sergipanos. Lagarto a 28 de março. Cesar Burlamarque foi acremente censurado na imprensa da Bahia. pois realizados. Seu principal intuito era a anexação. precisas accusações. eram. eram levados a isto pelos hábitos de arbitrariedade e prepotência em que viviam.Santa Luzia e outras autoridades daquela província. á religião e á uma liberal constituição230 e que ameaçados pela cegueira e falta de patriotismo do atual governador. legais. O procedimento da comarca de S. déspotas daquela província. v. Senhor redator faria gemer a imprensa. não se poupando honra. 230 Tudo isto prometerão. para promover esta guerra intestina! Soldados os não tinha: pois os de milícias na cidade. e nos quais não poderiam continuar. cento e vinte contos de reis triennais. de toda plena authoridade para o fazer. que se perdem. E tanto assim é. que tanto se pregoe a favor da humanidade. com acusações vagas. e não foi pouco. mas isto não convinha. e mais prometerião para conseguir aquilo a que se propunham. com tais pessas. dos quais os chefes eram todos do toque do capitão-mor da Estância. munido naquele tempo. porque seu governo. ou que recorressem ao El-Rei. com amplos poderes de fiscalização. O que he pois que me restava. esquecendo-se que tinham dous meios dessentes. porque na Bahia era superabundante a vontade. não derivadas. Deixamos de transcrever os artigos que o leitor poderá ler no jornal Idade de Ouro. deviam fazer este pedido a El-Rei. Respondessem que os Sergipanos me fizessem. na Itabaiana a 25 de março. o que ele bem explicou nas palavras memoráveis da dita carta. mas quando se quer mal. sem porem os povos em colisão. e que ao depois se entregassem a Bahia. que tal cegueira indicasse. o principal chefe e promotor da anexação. mais não pecisarão tanto. os Taverneiros. que foi a Constituição jurada em São Cristóvão. Pedro Vieira. Os desejos da Bahia ficaram. para se conseguir o fim a que se propõe. lhes eram mister um corpo auxiliar que o salvasse dos horrores de uma guerra civil‖ 231. e só desacreditarem-me. a 18 de março do mesmo ano. o que elles aqui tinham feito ao Conde Palma. Foi este o prêmio que recebeu pela traição aos interesses da liberdade. e fraternidade. que se houvesse por escrito. fama. por elles o meu comportamento em crise tão terrível. em Sto. 231 Eis aqui o que eles não disserão. 186 . destruindo o que elle tinha feito. e como não convinha publicá-lo para minha justificação.m. e sem se reparar que se insultava a majestade de El-Rei. se Sergipe ficasse emancipado e independente. quando se quer cegar ao público. melhor informado a reunisse outra vez á Bahia229 e animados de sentimentos naturais aos portuguezes. declaram-nos sua adesão ao nosso soberano respeito. em Vila-Nova a 26 de agosto e Sergipe passou a comarca. que me perdiam. 229 A petição foi ouvida com prazer. pois com ela vinha mais para o Erário da Bahia. e para os outros machuxos. mandando-os evadir por força armada. pois que nunca tiverão nem por escripto nem palavra como. Guilherme Nabuco e outros que defendiam a anexação. para que o publico decidisse. separada novamente desta. Não era só o juramento da Constituição portuguesa o que queria. 228 Lida a carta do Capitão mór. He desgraça. que para ele. em presença do Coronel Bento Garcez. Cristóvão estendeu-se pelas câmaras da negocio. estaria para defender os direitos do povo e punir os atentados. para conseguirem este fim. como já tenho dito. sem encontrar punição nos agentes dos poderes públicos. e fazenda. ninguém quer a independência. ou este governo por humanidade. senão os que estão no governo. não convinha a independência. ou falta de patriotismo. M. e convém a interesses particulares tanta coisa insana se pratica. Amaro a 9 de julho. e donos das casas das cidades. pois que sejam quais forem as vantagens que se segam da independência. elas não pagam.

os membros do governo efetivo da Bahia. por editais.232‖ 232 Acuso a recepção do oficio de VV.capitania. Nomeia o bacharel Manoel Gomes Coelho ouvidor. o ouvidor Navarro e o comandante das tropas baianas. o poder político. Ele prestava-lhe os maiores auxílios em Sergipe.SS. em que comunica-lhe a deliberação das cortes. porque abafava-se qualquer opinião que se levantasse em favor da emancipação.S. Em abril de 1821 estava conquistada a anexação de Sergipe pela Bahia e a junta começa a expedir ordens para Sergipe. criminosos e contrários à ordem pública. Gomes Coelho dirige à câmara de S. que logo lhes enviarei. Cristóvão um oficio.S. Madeira não se cansava de animar-lhes o entusiasmo para apertarem os laços de submissão. porém. os portugueses não perdiam ocasião para jogar sobre os sergipanos os maiores sarcasmos. a fim de irem eleger. esta determinação. lá ia entregar sua delegação. D. Nova R. Srs. de ninguém tentar a independência da comarca. pela insuficiência de força para contrapor àquelas que mantinham a sujeição. e para tornar triunfante o elemento português. Presidentes. que contando dom o appoio de algumas câmaras. 187 . Logo que o partido recolonizador assenhoreou-se do poder. Os planos abortaram. então inda que tarde se arrependerão alguns que animarão a ajudar estes perversos! Eu bem quisera poder socorrer a todos os lugares que carecem de auxilio mas não posso dividir as forças porque isto é desejo dos facciosos. Além disto. 12 de dezembro de 1822. e mais membros da câmara de V. Ilms. as expressões de fidelidade. João Russel. Pede a lista dos empregados civis. auxiliados por alguns filhos da província. Sergipe ficou sob um regime de autoritarismo e de arbítrio. Os direitos olvidados. e que se fizesse público.SS. do Rio São Francisco – Inácio Luiz Madeira de Mello – Nada mais se contém em a dita carta. Os sergipanos não encontravam nas regalias da lei a defesa de seus direitos. de 26 do mês passado. a expedição de Lisboa está próxima a entrar. Expede ordens para que fizesse o recenseamento dos eleitores de todas as paróquias. de que chegam a degenerar em monstros. enviaram proclamações a todas as câmaras a fim de reconhecer a legalidade da junta governamental da Bahia. Desapareceria. em sustentar o tom de patriotas e Verdadeiros Portugueses: se todas as corporações fossem compostas de membros tão respeitáveis não veríamos infelizmente ultrajado o respeito que é devido ao Soberano Congresso da Nação. dão bem a conhecer o distinto caráter de VV. depois que o general Madeira tomou a direção militar do governo da Bahia. a fiscalização era severa. alcançarão na constância da resistência o prêmio que é dividido aos que sabem sustentar a custa de todos os sacrifícios e o respeito devido ao Governo da Nação: Assim como não posso duvidar da probidade e zelo de V. Serve de prova a seguinte carta sua dirigida à câmara de Vila-Nova. que até meado de abril tinham jurado obediência ao governo provisional da Bahia. O partido recolonizador tornou-se ainda mais poderoso. tentam promover a emancipação. pelo decreto de 1º de outubro de 1821. e ao nosso amado Reio Sr. que portugueses esquecidos. que toma posse a 15 de outubro de 1821. que o mesmo contém. assim. Quartel General da Bahia. partes das suas obras. conspirando até contra seu pais. Espero por tanto que unidos esses povos considerando por divisa a honra. João VI e não chegaríamos a ver. Este estado de sujeição não era bem visto pelos bons patriotas de então. junto a si irmãos fieis que irão suavizarlhes os trabalhos que agora passam. conculcados pela prepotência dos lusitanos. e então terão V. Deus guarde a V. assim tão bem fico certo que continuarão a tomar todas as medidas necessárias até que cheguem os socorros. parentes e amigos! O crime é tão atroz que só a lembrança do mesmo horroriza. A lei era esquecida. pr meios ilícitos. de El-Rei.SS. Em vez de eleger seu governo. A compressão era absoluta. Então. mas elle breve será punido. a 1º de fevereiro de 1822. em bem da nossa causa.

reúnem força neste porto e encarregam a defesa a Bento de Melo Pereira. 188 . em agosto de 1822. deu lugar à viagem de Labatut que. No dia 5 de maio reuni-se a câmara. Labatut envia então um emissário. no dia 29 de setembro. o povo no edifício do conselho municipal. alcança fazê-lo em Maceió. o segundo José Rodrigues Bastos. os portugueses José Alves Quaresma.Não obstante estes meios compressivos e terroristas. com a assistência de algumas autoridades civis e militares e do povo. porém que chegasse qualquer decisão. no dia 2 de outubro. 233 Ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oito centos e vinte e dous ao primeiro dia do mez de novembro do dito anno nesta cidade de Sergipe de El-Rei e casa da câmara della onde estão presentes o Juiz Ordinário presidente Capitão Luiz Francisco Freire e os vereadores Alferes Alexandre da Cruz Brandão. – Pela administração Geral dos Correios das Cortes do Reino – a câmara desta cidade os quais mandaram que fossem abertos e o seu conteúdo era o seguinte: Doze Massos de Leis com vinte e sete folhas constantes de decretos e leis todos numerados e mandaram que ajustasse as mais que das Cortes tem vindo para serem encadernados e dar a sua devida execução. no dia 1º de outubro233. Pedro. em lugar do actual Alferes Domingos Rodrigues Mello. Estavam prontos e dispostos a resistir. A notícia de sua chegada em Alagoas espalhou-se em Sergipe e fez reunir em Vila-Nova os adeptos do partido recolonizador. contra a independência do Brasil. Antes. fez debaixo de grande entusiasmo. A oposição que Madeira na Bahia oferecia à aclamação de D. que nada resolve. como passamos a expor. José Joaquim Ricardo e José Gustavo. e resolve dirigir uma representação a D. José de Barros Pimentel. a conferenciar com Melo Pereira. João VI e ao congresso das cortes portuguesas. As idéias da independência iam angariando a adesão dos brasileiros. Ao mesmo tempo que em Vila-Nova aclamavam regente o príncipe D. Nomeiam cabos policiais que fiscalizam a fronteira do rio. dirige-se para Laranjeiras e daí para São Cristóvão. não podendo desembarcar na Bahia. pedindo a emancipação e independência da capitania. Estava vencida a causa de independência. como príncipe regente. o ouvidor Inácio Gomes Camacho. Pedro. que lhe ofereceram uma atitude hostil e ameaçadora. a aclamação. sem submeter a questão à opinião de Pedro Vieira. Em favor do ideal desse partido contribuíram os acontecimentos que se iam dando no País. que também foi escolhido para levá-las às mãos régias. sob a presidência do capitão Luiz Francisco Freire. em vista dos procedimentos das cortes que queriam trazer o Brasil ao antigo estado de colônia. os membros do partido emancipacionista não perdiam a esperança de trazer a liberdade à capitania subjugada. para não pisar em território Sergipano. em Sergipe representavam os mesmos interesses o brigadeiro Pedro Vieira. Labatut entra então em Sergipe. em lugar do atual Igino Martins Fortes e o terceiro Francisco Moreira da Silva Marramaque e o procurador Joaquim José Pinto para effeito de si determinar o que for a bem do Real serviço e comum dos povos o seguinte: Neste anno foram apresentados dous ofícios fechados e lacrados como o sobrescrito – Serviço Nacional e Real. a câmara de São Cristóvão fazia mesma aclamação. A proclamação da Independência veio resolver positivamente a questão da desanexação de Sergipe. Se na Bahia Madeira representava a defesa dos interesses portugueses. A representação foi redigida pelo vigário Antonio Gonçalves de Figueiredo.

Era uma importante conquista do partido ds patriotas sergipanos. o sargento Mór comandante da vila de Própria Manoel Mello Resende. e mais oficiais da câmara comandaram que no dito Brigadeiro Governador fosse o primeiro que levantasse as vozes proferisse os vivas. como representante da tropa e do povo. agora segundo algumas participações oficiais. – Viva o Soberano Congresso Nacional da Corte de Lisboa.Viva Sua Alteza Real o Senhor Pedro de Alcantara Principe Regente Constitucional Protector. Amaro das Grotas José da Motta Nunes. visto ser estar a vontade geral dos Povos desta. ambos desta capitania. Escrivão da Camara e escrevi. – E logo pelo doto Brigadeiro Governador foi dito que tendo feito quando está no seu alcance para manter a boa ordem. porque no ato da aclamação foram as seguintes suas palavras: ―dirigindo-se pela fidelidade devida ao juramento que prestou e pelas ordens superiores. ao Soberano Congresso Nacional da Corte de Lisboa. o Capitão Mór da vila de S. agora segundo algumas participações oficiais que proximamente recebeu passou o Governo a um Conselho Militar para que examinasse o quartel e os oficiais do Estado Maior todos unanimemente resolverão que nestas circunstancias atuais era necessária aclamação de sua Alteza Real. – Viva a constituição. e ser preciso evitar interpelações das Capitanias Vizinhas já haviam justo e bem fundado tudo que ele Governador expunha a câmara para que com a Tropa. seculares. o imediato e o mais mosso e o procurador todos acima declarados no auto de variação ahi apareceu o Ilustríssimo Brigadeiro Governador Pedro Viera de Mello com o Coronel do Regimento da segunda linha de cavalaria desta cidade Domingos Dias Coelho e Mello. – E para constar mandarão escrever este auto de veriação em que me assigno eu Francisco de Paula Madureira. sem sangue e sem alteração da ordem pública. A indecisão do Juiz Luiz Franacico Freire. o coronel da segunda linha de Infantaria dela José Agostinho da Silva Daltro. todos presentes ao quaes foi novamente aplaudida a presente aclamação com o devido enthusiasmo satisfação e geral regosijo. perante intimativa tão formal.Viva nossa Santa Religião Católica e Apostólica Romana. o sargento Mór do regimento de Infantaria de Milícias Cristóvão de Abreu Carvalho Contreiras. Clero e Povo desta cidade houvesse de ratificar a Aclamação que ele já com a tropa tinham feito. Nobreza. que proximamente recebeu. Ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oito centos e vinte e dous ao primeiro do mez de outubro do dito anno. Clero e Povo presentes houvessem de celebrar tem necessárias e Gloriosa aclamação. por Decreto de 8 de julho de 1820. o Reverendo Vigário Geral Luiz Antonio Esteves e mais clero. paz. Tornou-se um apóstata do seu partido. de cuja graça foi ela espoliada sem legítima ordem em contrário e à força das armas da Bahia. o corpo de Nobreza e Povo. João VI e a Dinastia da casa de Bragança e que ele governador indicava que nesta conformidade esta câmara em Nome da Nobreza. pede que seja instalado um governo provisório e independente. eterna felicidade desta capitania dirigindo-se pela fidelidade devido ao juramento que prestou e pelas ordens superiores que lhe foram encarregadas. o respectivo Capitão Mór de Ordenanças Henrique Luiz de Araújo Maciel. escrevendo-se nas altas na forma de estylo para assim constar: sendo esta representação ouvida pelo Juiz Ordinário Presidente. Clero e Povo. tendo em vista o na maior consideração o sagrado juramento que todos prestarão de obediência a Nossa Santa Religião Católica Apostólica Romana. o Príncipe regente Constitucional Protetor e Perpetuo d’este Reino do Brasil. porque nesta mesma sessão o major Cristóvão de Abreu Carvalho.As convicções políticas do governador Pedro Vieira de Melo tremeram em presença de Labatut.Viva a Dinastia da casa da Bragança. a constituição de El-Rei o Senhor D. e outros officiaes dos ditos regimentos. Perpetuo Defensor do Reino do Brasil. faz com que o major Cristóvão de Abreu Carvalho replique. o que ele de pronto assim executou pela ordem seguinte: . Nobreza. porque essa aclamação seria o primeiro passo da emancipação e independência de Sergipe.. nesta cidade de S. – Vivas estes com que tem sido aclamado Sua Alteza Real o Principe Regente Constitucional pela Tropa. – Viva El-Rei constitucional o senhor Dom João Sexto. – Viva a sereníssima Senhora Princeza Real. Milícia. passou o governo a um conselho militar e que era necessário aclamar o príncipe regente‖.Viva o Reino Luzo-Brasileiro. Cristóvão capitania de Sergipe de El-Rei e Passos do Conselho dela onde se acha o Juiz Ordinário Presidente Capitão Luiz Francisco Freire o vereador mais velho. a fim de a província aproveitar a concessão feita pelo soberano. dizendo que. que lhe foram encarregadas. 189 . ideal que o partido que a nutria realizou. .

moradores em Sergipe. o vigário – geral Serafim Álvares da Rocha. Pedro Labatut nomeia. representado por uma junta. tinha em Sergipe francos oposicionistas. secretário. presidente da junta. A causa da independência do Brasil. Guilherme José Nabuco de Araújo. Fizeram participação disto ao príncipe regente. dependências: para até estabelesser e arraigar a Santa Causa da Imdependência do Império do Bralsil sob a Protecção de Sua Magestade Imperial. porque com ele viria a emancipação. contra o que trabalhava a Bahia.mor Dionísio Rodrigues Dantas. Já circulava em novembro a notícia da proclamação da independência e em Sergipe não se ousava aderir a esse feito . Eles eram: o coronel da legião da Vila de Sana Luzia. A marcha de sua administração ofereceram embaraços aqueles que. que há tanto tempo qour todos é desejado. nem a emancipação de Sergipe. precisamos levar avante a descrição das vitórias que ia obtendo o partido emancipacionista. E para que a tudo conste e prestem o respeito divido a Dignidade o Revisto em Nome de Sua Magestade Imperial lhe mande passar este Diplona Patente por mim 190 . o capitão José Mateus da Graça Leite Sampaio. cujos membros foram eleitos pela mesma assembléia. O despeito de não ter sido eleito um dos seus membros. Hei por bem em Nome de Sua Magestade Imperial e athé decisão do mesmo Sehor nomeal-o Governador do districto de Sergipe e suas dependências devendo regullar as Instrucçõis Gerais e existentes para este emprego modiciadas pelas particulares que as circunstancias actuais d’Esta Provincia Imperiosamente exigem ae mim. e a que a tropo estava firme no lugar em que estava postada. o sargento. Barros de Pimentel alcança angariar as simpatias de Labatut. por meio dos seus partidários. com temos dito. o reverendo João Francisco de Meneses Sobral. Governador da Capitania Tenente Coronel José Eloy Pessoa da Silva presente. O Senhor Dom Pedro Primeiro Imperador Constitucional e Defensor Perpetuo do Brasil aetcetera. Foi então resolvida a instalação do governo provisório. Esta junta foi de pouca duração. e que a tropa estava com as armas carregadas e balas em cartuxames‖. – Pedro Labatut. o tenente coronel José Eloi Pessoa da Silva. governador das armas. lugares. General em chefe do Exercíto Passificador Nacional e Imperial desta Provincia da Bahia em nome de Sua Magestade Imperial. fá-lo cultivar essas relações com cuidado. não desejavam a independência do Brasil. a 25 do mesmo mês toma posse. Exmo. como Pedro Vieira de Melo e José de Barros Pimentel. Sr. Christóvão estavam presentes o juiz ordinário presidente capitão Luiz Francisco Freire e os veriadores Tenente Domingos Rodrigues de Melo e José Rodrigues Bastos em lugar de Igino Martins Fontes e Francisco Moreira da Silva Marramaue e o procurador Joaquim José Pinto para darem posse ao Illm. protestava não mover-se em quanto o governo não fosse de prompto installado. Reconhecendo em José Eloy Pessoa da Silva TenenteCoronel do Regimento de Artilharia de Lisboa desta Província e Baxarel formado em Mathemática e Filosofia as qualidades e requerimentos precisos para firma o Socego da cidade de Sergipe de El-Rei e de todas as sua Villas. do qual. antes de descrevermos o procedimento de Barros Pimentel. a fim de pôr em prática seus planos antipatrióticos. aqual foi dada com as solenidades do estilo. que .―á tropa e o povo não convém em demora alguma e queiram que já se instalasse o governo. 234 234 Aos 25 de novembro de 1822 nos passo do conselho de S. Então. em 14 de novembro. membros. o coronel Domingos Dias Coelho e Melo. sendo este auto escripto pelos escrivaens da camara Francisco de Paula Madureira e assignando-o empossado com a s pessoas referidas na ordem em que estão. para estabelecer e arranjar a causa da independência do Império. Títullo de nomeação.

236 Os membros de então da câmara de S. marca.236 Barros Pimentel toma posse do governo a 12 de fevereiro de 1824. e José Rodrigues Bastos. com esta nomeação. Este estado de coisas não podia satisfazer os intereses dos inimigos da independência. e os veriadores.235 O procedimento da câmara de S. Antônio Rodrigues Fraga. entretanto. Quartel Geral no Engenho Novo aos quatorze de novembro de mim oito centos e vinte dois annos. Escrivão o escrevi. Em sessão de 30 de dezembro. Clero e Povo ahi com vehementes vozes júbilo. que alcançaram posteriormente tornar sem efeito a proclamação feita por Pessoa. um novo dia para efetuá-la com mais legalidade e aprarato. alcança de Labatut por meio da intriga que pèm em jogo o decreto de sua dissolução e sua nomeação de governador militar. Francisco Moreira da Silva Marramaque e o Procurador Joaquim José Pinto. Governador desta Comara o Tenente –Coronel José Eloy Pessoa da Silva por participação deste afim de ahi se publicarem os vivas alegres pella acclamação do Senhor Dom Pedro Primeiro Imperador Protector e Defensor Perpétuo deste Imperio do Brazil depois de assim estar a dita corporação unida com o dito Governador com toda a tropa. estava. Em sessão de 20 de janeiro de 1823 a câmara. Cristóvão eram seus adeptos políticos. assignado não hindo Sellado por falta de Sello. E para cosntar mandarão fazes este termo em que assigno eu Francisco de Paula digo termo em que assignaram o dito presidente e mais vereadores –Francisco de Paula Madureira. Igino Martins Fortes. discutindo o expresso do ofício da vila de Cachoeira recebe dele ordem intimativa para não aclamar a independência. sobre quem recaiu a calúnia de Pimentel. para alcançar ordem de prisão e ser remetido para o norte. e toas asu autoridades civis e militares.Tendo Pesoa a da Silva tomado posse. elle dito governador publicou a ordem do dia que por sedual foi transmitida a elle dito presidente da camara que vae abaixo registrada e depois de publicados os vivas da Gloriosa acclamação de Nosso Augusto Imperador o mesmo Presidente da camara ordenou e fez effectuar a solenisação deste tão ditoso acontecimento com um Te Deum Landamus na Igreja matriz para onde todos se dirigirão a dar Graças ao Deus do exércitos. excitado pelo despeito de não ter sido eleito presidente da junta. a requerimento de alguns habitantes. perante grande concurso popular.Labatut. apé e a Cavallo e coma Nobreza. o que com effeito foi obrado. Eram Luiz Francisco Freire. Logo depois de dissolvida a junta e preso Eloi Barros tomou a administração. porque Laabatut nomeou-o em nome de Sua Magestade o Imperador Constitucional do Brasil. instituído em Sergipe o regímem Imperial e proclamada a independência do Brasil. General. Em fevereiro foi então nomeado. Simião da Mota Rabelo e o procuradodr Antônio José Pinto. Cristóvão ecoou nas outra câmaras que aderiram à independência. em vista de um ofício de 20 de dezembro do jConselho interino da vila da Cachoeira. Já prolamada no dia 1º de dezembro de 1822. e para contrariar o feito da emancipação de Sergipe e proclamação da independência. convocando o povo. Os inimigos não escolheram meios para torná-de nenhum efeito. em substituição de Elói Pessoa. no dia 1º de dezembro. resolveram pedir a Labatut a permanência de Barros Pimemtel no governo. 191 . e o melhor chefe que encontraram foi Barros Pimentel que. 235 Ao primeiro dia do mez de dezembro de mil oito centos e vinte dois annos nesta cidade de Sergipe de El-Rei e casa da camara della onde estão o Juiz Presidente Capitão Luiz Francisco Freire. Aproveitou-se do cargo para serm perpetradas as maiores vinganças entre alguns membros do partido oposto. sem oposição franca dos recolonizadores. que determina anteceee ao ato da aclamação um edital. juntos para effeiro de seguirem ao lado da praça onde se vão encoroporar com a Ilm.

para desde já entrarem no execício dos seus officios interinamente. visto que se axão nesta cidade quatro delles e que fosse xamado o quinto: e tudo isto ouvido por esta camara unanimimente respondeo. afim de assumirem a direção dos negócios públicos de Sergipe. o Imperador tiha elevado Sergipe de Comarca a província de segunda ordem. levado pelo patriotismo e indignado pela prepotência da Bahia. apontadas no mesmo officio. a toque de caixa tornou o mesmo Povo a aparecer nella trazendo com sigo os ditos membros da referida Junta o Capitão-Mór José Matheus da Graça Leite Sampaio Presidente. o capitão José Antonio Pinto e o Produrador Vicente José Mascarenhas.Ainda mais: em sessão de 6 de fevereiro recebe um ofício do conselho interino da Bahia de 24 de janeiro em que comunica-lhe que. juntamente com o ouvidor Inácio Gomes Camacho. e a poucos momentos. e a falta que tinhão do Governo para providenciar seus negócios os quais não podião mais ser dissolvidos ou providos pelo dito Conselho Interino da Bahia em rasão desta Independência e separação: e que reiterada a posse da Junta entrasse leogo no seu exercício que a elle povo convinha e aprovava todos SOS seus feitos e protestavão ter cautella até que se possa obete as dividas instruções e a proceder a nova eleição. que fora instalada a 1º de outubro de 1822 e que lhes dê posse. completamente independente da Bahia. secretário o coronel Domingos Dias Coelho e Mello. elevado à cathegoria de Província de 2ª ordem independente nella pelo seu saudável e Imperial decreto de oito de julho do anno passado. Então o povo. por carta imperial de 5 de dezembro. a manter com o auxilio dos traidores sergipanos. obstando a emancipação que há dois anos. e por não constar ter-se verificado esta mercê pela objeções do Governador Millitar acutal José de Barros Pimentel e Ouvidor Interino Ignacio Gomes Camacho: que elle povo quixa que se verificasse a Junta do Governo Provisório que em primeiro de Outubro de mil oitocentos e vinte dous havia sido isntalada legitima e legalmente para que os governasse Interinamente em quanto se não procede a eleição de nova junta pela instrucções de desenove de junho de memo anno assina. e são eles empossados debaixo de indescritível entusiasmo. conforme Decreto de 8 de julho de 1280 e que se elegesse um conselho de cinco membros. A vista do que todo o Povo sahio. I. até que se procedesse à eleição de seus membros. A vista destes motivos a cama fez congregar digo motivos e por logo comparecem todas as corporações Militar. José Francisco de Menezes Sobral: e apresentando-se todos cheios de gosto e tranqüilidade replicou com eloqüência e toda energia a esta camara que já não podião mais conter com seus corações o ardente desejo que sentião para o cumprimento da Graça consedida. eo Rev. e exige que chame à adminstração os membros da junta. um jugo ilegal. S. em 27 de fevereiro. devia ser uma realidade. de Sua Magestade Imperial e dos Povos: Nesse auto desta camara dispondo de arrecadar de Direitos a bem della. o Impererador do Brasil requerendo a Ella que depois de lhe constou pelo oddicio de vinte e quatro de janeiro do mez passado do Conselho Interino da Bahia que affirma haver S. que apesar do conhecimento da dita graça concedida no citado Decreto pelas objeções dos ditos Governador e Ouvidor estão dispostos a procederm na forma das ditas instruções quando as ouvesse e que de outra maneira não pretendirão mover cousa alguma. M. reuni-se dirige-se à câmara. visto que reconheciam todos os Membros della com interia probidade e que foi arbitrariamente suspensa sem ser ouvida nem convencida. o Ver. Barros Pimentel opõe-se à realização desta ordem inperial. Serafim Alves da Roxa. com igual despeito de todo o Povo: A fim de evitar tão retrógada marcha do actual Governo e do serviço do bem público desta Provincia.237 237 Anno do Nascimento do Nosso Senhor Jesus Christo de mil oito centos e vinte e três nos dês dias do mez de Fevereiro do dito anno nesta Cidade de Sergipe d’El-Rei e casa da camara della onde estão presentes o Juiz presidente José Rodrigues Bastos e os veriadores actuaes capitão João Simões dos Reis. quando esta comarca continuava nos seus trabalhos. ahi compareceu o Povo desta cidade de todas as corporações sem armas e em nome de S. Padre Luiz Corrêa Caldas de Lima para o que foi a bem do serviço de Deos. reverbera o procedimento antipatriótico do governador e ouvidor. pela instruções que deviam chegar da corte. e syndico da mesma comarca do Ver. M. expondo por isso mesmo este Povo a uma Anarquia e guerra civil. Ignacio Antonio Dormundo Roxa. independentemente do governo da Bahia. as quaes ainda não consta haver aqui. Civil e Eclesiastica fez 192 . A Câmara acede à reclamação popular. M. sendo que elle não quer mais senão a paz e a tranquillidade: Pello que nos requeria instantemente que de bom grado fisessemos reiterar aquella anterior posse dada aos ditos Membros.

viavas estes que forão reprod 193 .vivao as soberanas cortes costituintes e legislativas da corte do Rio de Janeirovia o Augusto Imperador constitucional do Brasil o Senhor Dom Pedro Primeiro. perant grande reunião popular. o clero e autoridades238. e quando condizirão aos ditos Membros a esta comarca que igualmente os deus das janellas desta salla. pelo que logo cada um dos referidos membros de perci encarregou que verdadeira debaixo do juramento que havia prestado em o primeiro de Outubro de 1822 entrassem no exercício e funções dos seus officios. para que assim conste em tod tempo e em toda parte que convier. comtudo sabendo-se a maneira popular e legítima com que há sido aclamado em as Provincias so Sul pressedendo em cada uma camara a expressa declaração das vontades dos cidadãos do seu respectivo Termo cuja solenidade não consta das Leis desta camara: della querendo seguir aquella mesma marcha donde resulta Glória e honra a este povo.enhão e reconheção ao Mesmo Augusto Senhor por tal. M. e logo pel mesmo Povo e tropa forão dados com Altiçonantes bravos repetidos vivas: . 238 Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oito centos e vinte trez aos trez dias do mez de Marçao do dito anno nesta cidade de Sergipe de El-rei e casa da camra della onde estão presentes o Juiz Ordinario Presidente José Rodrigues Bastos eo os veriadores actuaes Capitão João Simões dos Reis. que compareceu em conseqüência do antecedente edital para a Aclamação popular e Legiítima de S. prem agora que já somos Provincianos Imdependentes esta camara vos chama para que juntos reiteremos de bom grado a dita Aclamação com juramento de obediência e fidelidade a Augusta Pessôa do Mesmo Senhor Imperador e Sua Dinastia .viva a Augusta imperatriz e toda a Dinastia reinante deste Império. Nobreza e todo o mais Povo. congregar mais as Religiões desta cidade e vendo que também pugnavão pelo mesmo comprimento em Nome do mesmo Augustissimo Senhor Imperador respondeo publica e intelligivelmente que estava pompta em tal caso a ouvir como aos seus votos. Magestade Imperial na forma seguinte – E depois de estar assim reunida a camara e na praça della principal da cidade. M. e para que cosnte esta voluntária deliberação todos a uma vez requererão a esta camara se fizese acta que querião assignar e que esta mesma por cópia authentica se remetesse a S. procurando. o Imperador e ao tempo em que para ali se sencaminhava o Presidente. Capitão José Antonio pInto e o Procurador Vicente Mascarenha para effeito de se dar cumprimento a aclamação de S.Publicam então editais. E sendo por elle recebido o dito emcargo tudo prometerão obrar como lhes é incumbido. Ignacio António Dourmundo Roxa. Junta interina do Governo desta Provincia – Vozes estas que responderão a dita suplica. Veriadores. Clero. protestando a face da divindade que nos ouve e do mundo inteiro defendermos a ellese todos os direitos deste Império sempre athe a morte. requereo o mesmo povo que fosse immediatamente xamada Eu Francisco de Paula Madureira que escrevi com Escrivão da Camara. e outra vez tornou o mesmo povo que tos o seu excesso se prendia em bem da causa publica do Brazil e da appelação que esta cidade deve ter aos mais lugares de toda a Provincia aonde queserem que residão as Authoridades Governativas. logo seguio com elles esa camara e então congregados todos foi pela mesma camara mandado ao procurador della que alçasse a voz com orgão do Povo e desse a conhecer a toda assembléia o motivo porque selbrão novamente a Aclamação do mesmo Augusto Imperador Senhor Dom Pedro Primeiro e logo o mesmo Procurador com satisfação rompeu com altisonantes vozes pela maneira seguinte.Viva a Assembleia Cosntitucional e Legislativa da Corte e da cidade do Rio de Janeiro. o Imperador e para de tudo constar fiz este acto e a acta em que assignão o dito Presidente da Camara.Viva a Augustissima família Imperante do Brazil. Junta Interina desta Provincia.Iluste e comspicua Assembleia de cidadãos Sergipanos constitucionaes de todas as classes em nome desta camara órgão vosso. esta camra por serto de vossa adhesão e firme reconhecimento diz com vosco-viva a religião catholica Apostolica Romana. quis outrora selebrar este tão desejado e aplausível acto.Viva o nosso amabilíssimo e Augustissimo Imperador o Senhor Dom Pedro Primeiro. defendendo e parocinando tudo quanto for a bem do Nacional e Imperial Serviço e da sagrada causa do Brasil e desta Província. que tem lugar no conselho municipal a 3 de março.Viva a Exma. convocando o povo para alamação da independência. Procurador da Junta. vendo-se agora desarmada. a Tropa desta Guarnição. Segue-me cento e quarenta e nove assignaturas.viva a Junta Interina do Governo desta Provincia – vivão o Provincianos de Sergipe. a excepção do quinto Membro da dita Junta o Sanrgento – mor Dionizio Dantas que não compareceo por estar fora desta cidade. vos participo que posta que já nessa cidade se ouvesse alanado no dia 1º de Dezembro do anno passado de mil oitocentos e vinte dous ao Augusto Senhor Dompedro Primeiro Imperador do Brazil somente pelo Patriotismo de ex-Governador José Eloy Pessôa. quor unanimidades senso e consenso de todos nós o que não foi possível pela fortes objeções do Governador Militar José de Barros Pimenel com foi bem publico pela prelação este inculcava ter sobre todas as Authoridades desta Provincia. . Secretário da Exma. a tropa. Secretario e todas as mais pessoas acima nomeadoas. esta camara e vós hajão.

Pela camara foi determinado que sendo extraída a aacta deste acontecimento fosse remetida aIlma. os Exms Srs. Da Junta desta Provincia. Uma nova vida administrativa e política ia abrir-se sob a direção da junta provisória.Há festas religiosas. 194 . Vejamos a direção que ela deu aos negócios públicos. Clero. o Clero. Provincial Carmelita Frei Jose do Sacramento co sermão pelo padre Manuel Antonio Dormundo e Te-Deum com a Música. Nobreze e o povo com toda a tropa para a Igreja Matriz a festiva Missa cantada e selebrada pelo Revdm. Nobreza e Povo que logo ahi pediram instantemente a esta camara que querião se fizesse uma acta na forma indicada para assignarem e debaixo de juramento protestarão ter. com o Senhor Exposto para se dar Graças a Deus dos Exercítos e em louvor ao nosso Augusto Imperador o Senhor D. No mesmo dia mez e anno acima declarado depois de findo o acto da aclamação logo da Praça se encaminharão esta camara com o seu sendico Padre Luiz Corrêa Caldas de Lima. Imperial o Senhor Dom Pedro Primeiro por Imperador do Brasil com obediência e fidelidade a sua Augusta pessoa e a Dinastia Reinante do Brasil e dest modo lhes foi recebido seu juramento. fazendo-se ouvir o grande orador Manoel Antônio Dormundo. M. Nobreza. uzidos e repetidos com o maior enthusiasmo e ardente gosto da mesma Tropa. composta de filho da província. Tropa e Povo e eu Francisco de Paula Madureira escrivão da camara o escrevi. Pedro Primeiro. e para de tudo constar mandarão fazer esta acta em que assino eu Francisco de Paula Madureira Escrivão da camra. O acontecimento de 3 de março tornou uma realidade a emancipação de Sergipe e foi a expressãoda adesão de seus filhos ao regímem imperial. Camara da cidade da corte do Rio de Janeiro-e para constrar mandarão fazer este auto em que assignão as pessoas presentes Clero. reconhecere manter a S.

Antes de estudá-los. Participam a junta que tome providencia. as relações políticas mudaram completamente. sempre dominado pelo despeito. período que fára parte de um outro volume. conseqüência da independência dela. Para isso procura o apoio dos oficiais superiores dos corpos de segunda 239 O leitor não estranhará que no período que denominamos de Política Imperial. SERGIPE. que este senado instalou aos ditos governador e ouvidor pelas rogativas do povo o que déo causa a elle e governador proceder um conselho militar sem audiência deste senado. em que procuraremos estudar o movimento republicano em Sergipe e principalmente. Tendo feito de Laranjeiras sua capital militar. qua há anos. a chamada culpa de entrar a junta em seu exercício. 240 Acordaram que por haver nesta cidade uma queixa insanável entre os povos della por constar que Eusebio Vanerio secretário do Governador Militar José de Barros Pimentel e Manoel Vicente de Carvalho Aranha. Com a aclamação da independência e a declaração da emancipação de Sergipe. como os mesmos militares tém bradado geralmente contra o dito accessor é como o dito Governador e ouvidor estão de mãos dadas para seu projecto abstemos contra a segurança desta cidade e primeira como há supposição por indícios que elles continuam nelles por verem prestados seus projectos e as circusntancias actuaes das cousas exigem sem modificação. Giada pela prudência e no intuito de estabelecer a paz e a hamenia na província. com o projecto deste senado para o abstar. precisamos descrever os acontecimentos que se dram. com a transformação política e administrativa operada. promove aí todos os meios para dsolvê-la de depô-la240.. depois que a junta novamente assumiu a administração. 17 de fevereiro de 1823. a junta comunica sua posse a José de Barros que. como de facto influliu nelle que viesse força armada contra esta ciade ainda antes de . (1822-1855) não trouxéssemos nosso estudo até 1889. mas também de se mandar attacar este senado com força armada e a mesma junta. viva sob a ação de divergências que obstavam a marcha regular dos negócios públicos. não reconhece a legalidade e não lehe quer prstar obediência. desapareciam em 1823. assim como o ouvidor interino Ignacio Gomes Camacho foram os que influenciaram aos ditos Governador e ouvidor para se não instalar junta provisória interina para governança desta província. defendendo mais os intereses da metrópole e da Bahia. desapareceu aquele que queria a permanência do regimen colonial. pela carta Inperial de 25 de dezembro do mesmo anno passado. Tendo ele se formado em 1820. do que os do país e de Sergipe.LIVRO III POLÍTICA IMPERIAL 1823-1855239 CAPÍTULO I GOVERNO DA JUNTA PROVISÓRIA PRIMEIRO PRESIDENTE.. 195 . PROVÍNCIA. em vista da ilegalidade que cometeu a Bahia de submeter à sua jurisdição. Tinham de nascer agora novos partidos dentro da forma monárquica. ao qual não só tratou não só de esperar-se pelas instruções da dita carta imperial. paz e tranqüilidade social principalmente entre as autoridades constituídas. as causas da revolução de 15 de novembro. praticando o dito accessor de mais o excesso de na povoação de Larangeiras andar com antecedência pelas casas dos militares influindu-os para que annuissem com a verdade daquelle governador naquelle conselho que pretendiam por ser de certo. Dos dois partidos existentes e que giravam em redor das idéias de liberdade do país e da província.

a fim de assumir a direção do governo militar. Junta do Governo da Bahia em Caxoeiras um officio em que participava ter Sua Magestade Imperial elevado esta Província a cathegoria de 2º ordem. pelo toque da sineta. porem trocou todas as peças recolhidas a dita caixa por differentes peças. e a junta do governo desta província e depois de congregada esta câmara no Passo do conselho. compreendendo os perigos e males de uma gerra civil. . As idéias de domímio exclusivo que tanto influíam em seu espírito. Barros Pimentel aquiesce com o apelo patriótico de seus camaradas e dirigese para S. Pedro 1º Imperador constitucional e Defensor Perpetuo do Brazil. á sua Augustissima família. nesta cidade de Sergipe de El-Rei e casa de camra dela onde estão postados promiscuamente o povo e Tropa Della e de unânime acordo e commum vontade do mesmo Povo e Tropa foram publicados com a maior elegância. -2º porque o dito Brigadeiro Barros no tempo do seu dispotico governo consentia que José da Annunciação Borges. pelas estreitas reações que ligam à queles inimigos. Cristóvão. os malvados Europeos José Álvares Quaresma. e que sejão remetidos ao Rio de Janeiro para darem conta da sua péssima conduta ao nosso Augusto Imperador . -Vivas a Santa Religião Catholica. visto que não querem ao Brigadeiro José de Barros Pimentel por fortíssimas rasões todas estranhas de um bom Brazileiro – 1º porque o dito Brigadeiro Barros no tempo do seu dispotico governo sabia muito bem onde estavão ocultos os Europeos inimigos da causa do Brazil e desta Província e que os não prendia por estarem em casa dos seus parentes ou parentes de sua família. á Sua Majestade o Senhor D. José Joaquim Ricardo e João Gustavo. as quaes subirão a uns poucos de mil cruzados e trocando-as em prata a preço de seis mil e quatro centos. como pelo precedente que ficava plantado de sublevações da força pública contra o prestígio e autoridade do governo civil. só porque se finava o seu despótico. e apezar do povo e a câmara o fazer commandante das armas por instancias do Exm.linha e ordenanças que. que nela devia encontrar sompre o ponto do apoio mais sólido. reúnem-se e apelam para seu patriotismo.Que esta câmara de posse de commandante das armas desta província a um official mais antigo athe que sua Magestade Imperial mande outro commandante das armas. capitão Miliciano e outros que estavão de ordem delle. quando por ordem deste governo em virtude de um decreto correo e se estão trocando nesta Província a sete mil e quinhentos réis. a fim de abandonar o plano de deposição. perante a qual fazem um libelo acusatório contra o brigadeiro Pedro Vieira de Melo. ás cortes constituintes e Legislativas desde Império na corte do Rio de Janeiro.4º Porque recebendo elle da Exma. arbitario e insufrivel governo. Abre luta e o resultado foi a fuga de Barros Pimentel para a Bahia. não só não tem o dito Brigadeiro apresentado sua conta de receita e despeza. Independentes daquella por carta Imperial de cinco de dezembro do anno passado. para garantia de sua autoridade. Foi de pouca duração essa harmonia. que pesta juramento 15 de maio de 1823. os portugueses José Alves Quaresma. tão inconveniente à prosperidade do bem geral. sendo chamado então o Brigadeiro Guilherme José Nabuco de Araújo. quis obstar com força armadaa a que se não instalasse Junta do Governo. pelo qual o chamava a bem do serviço Nacional Imperial e apezar do dito General recomendar-lhe que impetrasse vênia da Exma. exigem a concocação da Câmara. General Labatú. Neste mesmo dia o povo e a tropa reunidos. – 3º por que estabelecendo-se uma caixa Militar para as despezas das fortes ações externas e internas desta Província entrando muitos Europeos com dinheiro para ella.241 241 Anno do nascimento do nosso Senhor Jesus Christo de mil oito centos e vinte trez aos quinze dias do mês de maio do dito anno. José Joaquim Ricardo. Contra ele depõe nos termos em que o leitor verá no documento transcrito. Junta 196 . não limitando-se às suas funções de governador militar. e outros sítios. . Neta mesma sessão pedema deposição de Barros Pimentel. e os mais Brazileiros que os patrocinão. roubassem aos europeos pacíficos residentes nas Laranjeiras. que não pode inspirar-lhes mais confiança. a titulo de serviço da causa militar. cuja somma monta a uns poucos de contos de réis. obdecendo a um officio do General Labatú. a ella se dirigirão a mesma Tropa. fizeram-no absorver as atribuições dos membros da junta. que consideram inimigos da causa do Brasil e pedem que sejam presos.5º porque. e Povo e em altas e inteligíveis vozes declararão o seguinte – Que querião que esta câmara da capital como representante delles Representassem ao governo para mandar prender os inimigos declarados da causa do Brazil o Brigadeiro Pedro Vieira. assumindo interinamente o comando das armas.

pelas ambições dos homens e os excessos dos partidos. a prova do despotismo. a escolha dos membros da junta efetiva. – Querendo finalmente esta câmara requisitasse a Exma. Como primeiro governo de um regimen que se iniciava. e fugitivo e criminoso apenas deixou um officio a Exma. que devem ser levadas em conta. Este fato profundamente impressionou o espírito público que se viu sem garantias e sem governo. debaixo da oposição dos portugueses. a junta provisória primeiro absta a apuração das ultimas atas enviadas pelos colégios. O regimen representativo em Sergipe impurificava-se desde logo. Correu a eleição. Junta do governo para com a maior brevidade chamar o dito Brigadeiro Barros e o há de compelir com a presente conta legal e authentica da receita e despeza que teve em quanto poz dispoz da dita caixa. Na resolução firme de não dar posse à junta efetiva. Não havia a garantia da lei. e muito principalmente dos acima declarados. Havia certeza de que o eleito seria o abastado proprietário o major João Fernandes Chaves. Eu Francisco de Paula Madureira. teve de fazer nomeações e promoções na guarnição. Escrivão da câmara o rscrevi. com esta mesma acta de todo o expendido. Exorbitou pela contigência das circunstâncias do momento. na passagem do exército de Labatut. Realmente. pois é constante que a nação tem percebido grande prejuízo na conta da receita e despeza que elle Brigadeiro Barros a seu molde já apresentou. cuja conta não é verddeira segundo a fama publica aque a mesma câmara faça ver às providencias mais certas e os defeitos deste officil e sua conduta civil e Militar e representar a S. –O que sendo ouvido pela câmara mandou que já officiasse a Exma. Povo e Tropa fazer este auto que todos assignão. prestou o grande serviço de manter a emancipação de Sergipe a favor da qual trabalhou. com o que toda Tropa e poso assás se satisfarão. A junta provisória que tinha. em sua origem. as atas e os livros roubados e entregues aos membros da junta. as vinganças do poder recaíram sobre João Fernandes e os outros membros eleitores eleitos. tendo assim de fazer as intrigas costumadas. esqueceu os deveres de um governo honesto e moralizado.Por esse tempo chegaram do Rio as instruções para o pleito eleitoral. Incandesceram-se então os ânimos e os partidos. estas mesma cousas. para. quando é cercada pela força armada. que era o primeiro a alterar a ordem e a levar o pânico às classes sociais. Na descrição deste fato esta. dando-se outro sim parte a S. Uma representação assinada por dez aleitores e trinta cidadãos é dirigida à câmara. General Labatú.I.I. em começo. contra o abuso do poder.M. Ela reúne-se de novo para apurar os votos.M. Sindico. 197 . por esta ser combinada com o calculo que se tiver feito ou houver de fazer. José Antonio Pinto e Francisco Moreira da Silva Marramaque. Junta remettendo o do Exm. A câmara de S. – E para constar mandarão o dito Juiz Ordinário Ignácio Antonio Dormundo Roxa. fingir um despeito. nos últimos momentos de sua administração. que se devia proceder. Cristóvão esta no trabalho de apuração. A propriedade daquele foi saqueada por uma força de linha. que foram processados. Em consideração aos serviços prestados por alguns habitantes da província. comtudo desamparou a Graça. contra a ambição dos portugueses. Em todo o caso. que não escolhiam meios para oferecer dificuldades à marcha da administração. de participar aos Governos das províncias mais antigas a esta na forma indicada. sendo seus membros presos. sem ser preciso comentários. Junta do Governo desta província para que sem demora haja de dar uma prompta providência sobre o objecto tendente ao commandante das armas e a captura dos inimigos da nossa canta causa. colocado o bem público acima dos interesses dos partidos. porque suas do Governo desta província. ela passou por serias dificuldades.

filho da província e que no mesmo mês assumia a administração. depois de 1823 os partidos perderam grandes princípios e idéias que os nutrissem. pela abundância da população mestiça. e me pareceram comcentaneas. em janeiro de 1824. Se naquele tempo havia um principio formador dos partidos. É um verdadeiro dislate. senão o próprio brigadeiro Silveira. Os seus órgãos na imprensa nunca defenderam princípios e sim defeitos pessoais dos adversários. que mais não se incandesceu por chegar na província. Senhor. Cristóvão e Sto. o governo da junta provisória incrementou ainda mais o valor militar. Deixava-se dominar por um infrene militarismo. um corpo de batalhão dos pardos em S. que a emancipação de Sergipe.Ex. como pelas inúmera promoções e nomeações por ela feita. que não tinha acesso aos outros corpos militares. Daí nasceu para a guarnição a consciência do seu valor e da sua força. cujo chefe era José de Barros Pimentel e o corcunda. Eram destituídos de programas. chefe dos corcundas. Os corpos abundavam em oficiais e diminuiam em soldados. O povo tinha uma ação de presença. cujo chefe era o capitão-mor José Matheus. nem armamento. criou um armazém bélico. Aumentou o numero de cadeiras de primeiras letras e latim. criou a repartição da secretaria do governo e a repartição da fazenda.. o primeiro presidente nomeado o brigadeiro Manoel Fernandes da Silveira. E ninguém pinta melhor o estado de coisas existentes . não só ao conhecimento da realidade da emissão. desaparcendo o partido do elemento europeu poderoso na província. Além disto. A ambição pelo poder que se apossou dos seus membros. presidente da junta. não 198 . composto de ricos e proprietários. Todas as aclamações. Amaro. no seguinte oficio: ―Illm. chefe também do partido liberal. tanto mais presada por me deixar de acordo contra as sugestoens inimigas do systema adoptado. ―Imediatamente passei a dar providencias que V. O liberal. Deixava-se dominar pelo abuso do poder de qualquer fração. ainda que a administração não estivesse nas mãos de nenhum militar. ―Recebi a carta de V. porém. como a obstal-a por medidas terminantes. O estado social de Sergipe não era favorável a uma calma e pacifica administração. novos partidos constituíram-se. chefe da recolonização de Sergipe. De 1822 em diante a guarnição de S. José Matheus. Cristóvão tendeu a interferir nos negócios públicos. se fosse somente o elemento popular quem a promovesse. As condições políticas existentes então eram muito diversas daquelas que existiam antes de 1822. não só pelo apoio que a guarnição prestou-lhe. Em 1823. juramentos de constituição foram por ela promovidos. e Exm. Não havia disciplina. porque seria difícil ou impossível aclamar o príncipe regente e a independência. como o eram os portugueses.atribuições não chegaram até aí. contra tentativas de sublevações. contra a oposição de um partido alias forte. Eis o trabalho administrativo da junta. Queriam ambos uma só coisa: a posse do poder. fez-lhe cometer o grande crime de sufocar a liberdade do voto criando para eles uma impopularidade e grande alteração da ordem publica. indicou. o propugnador da emancipação de sua província. um batalhão de caçadores em Itabaiana. dos retardatários. Ex. Barros Pimentel.

. como já prticipei a V.. ou mais que um fiel mandatário... exacerbão o ódio e dasefeição dos sabidos inimigos da Pátria.. sendo sua missão sustentar e restituir a ordem. dictadas pelas Leis. Ex... não succeda de alguma forma o contrario do que tão justamente se deseja... Ex.. Todos os termos de complecencia me tem sido baldado para alhanar amigos desafeitos a inconciliveis á ordem.... As ordens que se expedem ou são mal executadas. que devera garantir assim mesmo a de que justamente se arrecea. O governo que me precedeu ou era um mero simulacro... Ex. que para desafrontar os officiaes..... por Patentes não confirmadas e illegitimamente concedidas.. Os soldados pagos com o mair gravame das rendas publicas. servirão menos para guarnecer a cidade.... Portanto: como sou obrigado a manter e sustentar a Autoridade e Confiança quem em mimha se depositada e com as forças da Província.. Este Destacamento regressara........ como de facto posso a depracar a V.... Importa muito ocorrer a medidas correspondentes... Não era cousa extraordinária subir um destes desalmados a Palácio.. e á vista das criticas circumstancias em que achei a Província a reduzir a hum termo médio o arrimo dos soldos que se pagavão.. as funcções da administração presente.. por evitar algumas supreza.... que sigo e agradeço. e outro secundário... A Tropa de primeira linha ou para melhor dizer.. e medidas decisivas.. e a despeito de ser essa medida menos austera e vigorosa a face dos imperiaes Decretos e de motivos mui poderosos para se suppor que umtal Batalhão não seja confirmada... e fazer que os membros do Governo houvessem de cassar huma ordem. rescindir hum despacho e substituir com que o Agressor arrogantemente quizesse. bem que não sejão expedidas de galope para não incendial-os. faça expedir quanto antese impreterivelmente para esta província em direcção ao Porto da Estância um destacamento de cento e cincoenta Caçoderes com os competentes officiaes... que tranmitto a V..... duzentas e cincoentas armas.. Euzébio Vanerio. terá de tomar exatas contas a Euzébio Vabeiro. revela que depreque... e.. que já o tem indicado. e como resolver sua Magestade o Imperador.. a proporção que concilião o amor e a opinião geral. por copia. a officialidade do batalhão de primeira Linha.. que depois de qualificadas repulsas ao recebimento do soldo. 199 . mas com a excepção.... e se V. se covier. tendo sentido peiorar de forma digna de sizuda rezolução. e assim mesmo. exebida no officio. afim de colligir dos termos em que está concebido o estado de indisciplina. a que se devera reunir. arrogado Membro. o seguinte: ―Primeiro – que V.. e incorruptível. ―Recommendo muito e muito a V... em nome de sua Magestade o Imperadr Constitucional e Defensor Perpetuo do Brazil. as portarias. muito fora do agrado deste Governo. Alguns paizanos se nutrirão em tão minguadas circunstancias. me continue a communicar quanto similhantemente aconteça para não me mostrar huma vez desconhecido aquilo mesmo... ― Segunda – Dois officiaes de fazenda: hum que possa servir para Escrivão da Junta.. porque. Ex... de tal forma azesou aos mesmo officiaes..Governador das armas dessa Província... e ao Illmº e Exmº sr.... em que se achão semelhantes Defensores do Imperador e da pátria. Por todos os commandantes dos corpos de segunda Linha. miseravelmente alguns destes achão-se premiados como duplicado accesso. encabeçada pelo commandante Antonio Joaquim da Silva Freitas. como ao Exmº Governador das Armas a escolhas dos officiaes. A única força que nos circumda e existe armada nesta cidade. Eis os inimigos árduos ao Governo actual. Parentes... e.. dando-lhe uma idéia concisa do estado em que achei esta província..... desde muito havia huma parte primaria em similhantes desacordos e malfeitorias.. e Euzébio Vanerio estavão de posse desta província.. ―O mesmo. do em que estava. logo.. enfim. Amigos e conhecidos delles. e munições milicianas....ou illudidas. ultimamente se resolveu.recommendado a V.. a Quem de tudo darei conta.. Ex.. Ex... Governador das Armas..... Fui aconselhado pela lei. ―Os despachos. por isso que. de conformidade com o Illmº e Exmº Sr.. Já se diz que o Prezidente e Secretario serão despostos.. o não há sido somente pelo do Batalhão de primeira Linha.... se dignasse de escolher a Fillipe Manoel de Castro. ―Depois que escrevi a V. expedito. o não possa fazer sem choque risco de conflagração. ou não cunpridas. he sem duvida o Batalhão inimigo... Cidadãos de toda consideração foram espancados em publico por assassinos fardados.. Minha vontade existe inferior ás circunstancias do governo.. demais a mais... Ex. ou quando. acquiesce porque a força. O primeiro official deve de ser muito intruido em Finanças.... Ex.

que tinha junto a si. Assumindo o brigadeiro Silveira a administração no dia 7 de março contra ele revoltou-se a guarnição no dia 21 de abril. Ex. V. dignar-se-há a abonar por ellas as despezas do transporte. tenente-coronel Antônio Joaquim de Silva Freitas e o oficial Euzébio Valério. dificuldades que eram promovidas por cidadãos de alta representação. porque nele vê a alma da administração e a energia decidido e franco. e igualmente depreco a V. sobre quem caem principalmente os ódios do partido adverso. Admiramos o estilo eloqüente e a energia da frase como que eram redigidos os papeis oficiais desta administração. em vésperas de um importante pleito eleitoral. o brigadeiro Silveira. E á frente dela colocar-se-iam o comandante do batalhão. como o que se ia proceder dos membros do conselho provincial. de uma sociedade cheia de ambiciosos. Os interesses políticos inspiraram na força publica o plano de uma deposição do presidente. legitimo administrador da província. como secretario. e por em pratica as Leis. um homem de um talento superior e de um espírito liberal. Governador das Armas para não hesitar que satisfação com urgência ao deprecado. e Illmº e Exmº Sr. A tropa amotina-se no quartel e lança o pânico aos habitantes da cidade. Francisco Vicente Vianna. e no Illmº e Exmº Sr. se interponho todos os Protestos. O plano chega ao conhecimento do presidente. terceiro da Independência do Império. Realmente. ultimamente recomenda a maior circumspecção. Ex. a fim de fazer maioria no conselho. aproveita a oportunidade de divergência. adverso ao que apoiava a administração. que não permitao esperar pela Imperial Resolução. O que sem duvida. e prudência em qualquer alteração ou innovação. à falta de dinheiro nos cofres. O partido corcunda. não há senão porque as preponderadas circumstancias m‘o instão. e o mais preciso: emfim obrará a este respeito em forma que a salvação desta Província não perigue. ―Palácio do Governo de Sergipe na cidade de S. hum mez de soldo ao mesmo destacamento. foge para a Estância: ―Habitantes da província de Sergipe! Brazileiros! O presidente. como desejava porque estava coacto. não pudia cuidar do vosso bem ser. em caso de qualquer atentado.―Na Povoação das Laranjeiras continuar-se-há nas funcções administrativas te que possamos regressar em circunstancias de refazerem respeitar as Authoridades. ― Como não se duvide que nossa Província existão dinheiro de rendimentos desta por ahi arrecadados. sem força para resistir. ― Quando concluo o presente officio tenho em consideração a Portaria de vinte e hum de Fevereiro pela qual a Sua Magestade o Imperador pela Secretaria d‘Estado dos Negócios da guerra. como os corcundas de então. corre a authorisar o presente precatório. quando o presidente. e imperiaes ordens sem perigo de revolta. Cumpre. 200 . septuagenário. Antônio Pereira Rebouças. por isso. Em vista disto a administração compreendeu que não podia apelar para o apoio da força publica. não poderia arcar vantajosamente com as dificuldades que vinham de um estado social tumultuoso. Exc. para angariar para si as simpatias da guarnição. Ex. ou antes do embarque do Destacamento. a que o Governo se veja forçado a proceder por imperiosas circumstancias de segurança publica. Eu confio muito em V. no dia 28 de abril. em 1 de abril. Cristóvão. que expedir hum correio por terra a avisar-nos. por não ter recebido seus prets. pela rapinagem que fazem os soldados indisciplinados. Entre eles figuras a seguinte proclamação espalhadas pelas ruas de S. vinte e hum de abril de mil oitocentos e vinte quatro. se não fora Rebouças. Presidente da província da Bahia. As ordens não eram cumpridas. e responsabilidades. – Manoel Fernandes da Silveira‖ Descrevamos os acontecimentos. Cristóvão. ―Deus guarde a V. haja de immediatamente.

Não accederam. guiada pela lei. sem receio de vos serem agravados. como se nos ameaça pelos próprios assasinos. paga a nossa custa. ambiciosamente frenticos e que se dizem brazileiros por adopçao. legitimamente nomeados! Que! E de braços crusados me conservaria quedo. tem sido a primeira encabeçada de violar nosso direito. Habituada a obedecer e desobedecer. não achareis na degradação o premio da industria agrícola a manufatura. desenganando-os de acharem arrimo no Conselho. Chritovão! Approxima-se o dia em que terão fim os espetáculos que vos atemorizavam e flagelavam! ―De então por diante não vereis espancarem-se pelas ruas cidadões conspícuos. A opinião publica as aponta por taes.a tranqüilidade. para empregarem tudo aos auspícios de nossa indulgência. como dever sagrado. podereis livremente procurar-me. Habitantes da cidade de S. para garantir-nos. Brazileiros militares o só facto de abandonarem os malvados. O dinheiro que devia pagar o soldo a tantas ajudantes e sargentos mores para pela penúria. Contra elles alto declama! Eu não posso serrar-lhes os ouvidos. se abandonasse a descripçao! Seria digno de vós. Ires trabalhar como dantes por vosso offícios. ―Enfim Sergipense (Deus nos ajuda!) uma completa administração. nem a voz da razão.―A força militar. enfim um governo sem coacçao. decide-os igualmente de obstar com armas a posse de Conselheiros. dirigirme e expor=me vossas queixas. Somente o látego da severa justiça os tornara em si. justificará vossa conduta. homens affeitos ao vicio se não podiam amoldar ao aceno. nem pelas requererdas. e contemplados de amigos desarmados Acaso o presidente da província merecia louvor. que um oficial militar. que não conseguiam superar. Um delles ainda tem o seu commando e obediência as armas. sereis lançados no antro do calabouço. e ingenuidade. vos certificareis. a segurança. por diurnos e nocturnos assassinos. em distracção do útil serviço.. fosse atrozmente anniquilada com a ruína de um povo. me instavam. não serem constrangidos a ignotos procedimentos. Em vez de alhanarem. mas de 2° linha. de adestrar bellicamente os nossos concidadãos. e já não tarda de vulgarisar-se que o presidente e o secretario serão depostos pelo batalhão de primeira linha. ―A maioria dos votos vendidos aos beneméritos da pátria. O gênio do mal suggere-lhes a revolta. Baldei medidas conciliatórias.. ―Soldados voluntários! Políticos Agrícolas! Vossas baixas servos-hão conferidas. Providencias que penhorariam a gratidão de pessoas insensíveis. O dinheiro que deveria pagar tantas pensões e outros tantos parochos. caracterisando-vos de inocentes ante mim. quando cercado de inimigos armados. tendo pervertido os nossos soldados. exarcebaram. porque com maior gosto e officio se empregassem nas funcçoes de seu edificante ministério! Brazileiros! ―São estes dous os seductores dos nossos concidadãos! Soldados! São elles que com a mira de obrigarem a initerrupta cadeia dos desvarios em que se nutriam. Eu as não posso. que também estima e me estima?. ―Não Sergipenses! Casos extraordinários urgem medidas extraordinárias. ‖Minha dignidade. chamasse á ordem os indóceis e insuburdinados: chamei-os. delegada pelo supremo Imperante. Na povoação da Estância para onde retiro-me e onde pensarei somente que possa trazer paz. ―A salvação publica! A nossa salvação imperiosa m‘o instão! ―Dous portuguezes. para vossa felicidade! Viva a Santa Religião! Viva o Imperador Constitucional e Defensor Perpetuo do Brazil! Viva a Independência e Systema Constitucional! Vivam os Brazileiros! Palácio do Governo de Sergipe 28 de abril de 1824 201 . fosse espaldado no asylo da amenidade publica. sempre vol-as attenderei justiçosamente. a autoridade eminente que em mim delegou sua Majestade imperial. mas em contradição ao que indigitavam os zangões e parasitas. ou assipoados a arbitrio de um insolente commandante. e quando vós outros vierdes trazer ao útil mercado o fructo do vossos trabalhos. O outro julga a seu dispoor o dinheiro publico. cuja convocação determinei em virtude da lei. menos suspeita-la. Tratar úteis serviços de agricultura. á agrado de seus mandões. declama a opinião publica e sisudamente os accusa por motores de taes extraordinariedades. apenas serviram para tornalos mais altivos e resolutos: Espera-se pela eleição do conselho. si se deixasse em inação athé o momento terrível da conflagração dos horrores que ateasse o archote da insubordinação e da perfídia? Deixaria que a authoridade. em tolher-lhe a sensibilidade. o commandante militar e por meios brandos. não pudia amalgamar-se com a administração de um presidente. nem com assombro. As armas sim manejadas por pulsos brazileiros. Tendo novo acalmar-lhes a injusta cólera. pois que se eu não vol-as providenciar logo. nem devo difirir ou desprezar. Gênios exaltados e inexperientes. e vossos concidadãos. os cuidam de arruinar de todo.

A paixão e o ódio apoderaram-se de seus membros. apontando-o como um revolucionário. que tratava de fazer propaganda contra o privilégio de raças. Ainda estavam bem vivas na memória de todas as violências praticadas sobre o povo. o sapateiro Miguel Gomes e seus filhos.. o soldado Domingos. perante o Imperador. José Alparcas. por intermédio do comando das armas que as sanciona e fundamenta. Severino Crioulo. A posição oficial de Rebouças mais animava os excessos. levantou três brindes. a prepotência que queria manter o partido corcunda. a que chamava maroto. ouvindo de Rebouças as teorias de igualdade. alferes José de Meio Travassos e seus filhos. alma rebelde. Dionízio Jacaré. Domingos José Jaquitibá. que revelaram a prepotência lusitana e a existência de uma camarilha que depôs Burlamarque e anulou a emancipação de Sergipe. e por isso mesmo deixou-se por ela embriagar e excedeu-se. feriu de perto o espírito aristocrático da província. revoltou-se por ver o autoritarismo e a prepotência que a aristocracia de Sergipe exercia sobre o povo. a quem chamavam caiporas. e seu pai Bento Gaspar. sendo recebido com festas populares.Manuel F. e seus bens sem garantias de lei. e seus filhos. 243 Por diversas vezes Daltro envia representações contra ele ao Imperador. Em todas vimos como libelo de acusação. Compreende-se que a propagação destas idéias pela eloqüente demagogia de Rebouças. Foi grande a vitória do partido do governo. Todos lembravam-se dos fatos de 1820 e 22. O efeito produzido na opinião pública foi favorável à administração. espírito revolto. O povo. Fidelis José Sapucaia. que volta a S. Antonio José dos Santos. Filisberto de tal. onde as questões de nobreza de família são tradicionais e aventadas por qualquer motivo. e a igualdade de sangue e de direitos242. da Silveira‖. um promotor de alterações da ordem pública 243. O capitão-mor Silvestre Gonçalves Barroso Boticudo. Os oficiais são presos e enviados para a Bahia. espírito livre. que ele pregava que o mulato fosse igual ao branco. no dia 25 de julho. tomando posse a 5 de junho. Luiz Francisco das chagas. apelidado pelos aristocratas partido de mata caiado os quais por sua vez chamavamnos caiporas. dizíamos. Não era tal. agora. à extinção de tudo quanto é do reino. O comando militar é então entregue ao coronel Manuel da Silva Daltro. Bernardinho José Pau Brasil. exaltou-se contra a nobreza dos corcundas.ofereceu-se oportunidade para as vinganças. Os portugueses foram maltratados. pelo partido que apelava para as tradições de nobreza. Os soldados abandonam os oficiais e vão buscar o presidente Fugitivo. 202 . e dos representantes da administração. 242 Este fato é levado ao conhecimento do comandante das armas em uma em uma carta anônimas assinada por Philioordino. os excessos da aristocracia. As representações sucedem-se contra ele. submetidos a conselho de guerra. que veio da Bahia. principalmente a população mestiça. e que um pardo podia ser até general. recebendo-as de todos os pontos da província. capitão Borges Pau da Moda. Manoel José Bernardinho. Em um festim em Laranjeiras. Seu domínio tornou-se violável. Rebouças. Cristovão a 8 de maio. Agora que idéias mais livre eram incutidas na opinião pelo secretário Rebouças. De entre os apologistas de Rebouças que formavam seu partido. partido na opinião deles verdadeiramente revolucionários os princípios membros moravam em Laranjeiras e eram. à extinção de tudo quanto é branco.

e as nossas vidas que estão em perigo. para poder-mos defender o Trono do nosso Augusto Imperador faça já marchar para esta cidade essa companhia de Itaporanga. sendo substituído por um irmão do presidente . José de Barros Pimentel. Daltro chegava excursão feita á fronteira de São Francisco. Opôs-se às pretensões que queria o partido corcunda exercer. Do partido do governo: Rebouças. Henrique de Araújo Maciel244. sobre os oficiais culpados na deposição de 28 de abril. Como prova damos a passeata em Laranjeiras. Daí o ódio. Não podemos contestar que algumas vezes se deixou exceder. e todos os seus morador . algumas de verdadeiros saques aos portugueses. Espírito incandescente e que levava às ultimas conseqüências práticas os seus princípios. e agregados. que fugitivo por algum tempo. sempre abafada. O levantamento do povo se fez sentir com excesso em todos os pontos da província. pedindo a deportação dos portugueses. José Fernandes Chaves. desarmonia que veio ainda mais agravar as condições de paz e ordem em que vivia a sociedade de então. O partido de Daltro acaba de obter uma vitória no julgamento da relação da Bahia. Ele foge para o Rio comprido. Deus Guarde a Vossa 203 . Suas determinações não o levaram até aí somente. que se espalhavam em Alagoas e Sergipe. agora estava absolvido. pela franca intervenção de Daltro no resultado da sentença sobre os culpados. deixando no meio daquela sociedade o gérmen da liberdade. e o coronel José Mateus Leite Sampaio e outros. depois do festim aludido. e projeta depô-lo. membros do conselho. estava entregue á justiça pública. Do partido oposicionista faziam parte o coronel Daltro. e da Nação determino a Vossa Senhoria escravos. Eles entraram no exercício de seus postos. E nisto cumpria o dever. com o concurso de Henrique Maciel. Daltro. o padre Francisco Félix Barreto de Menezes. em que foram levantados morras aos marotos. A conseqüência foi uma completa desarmonia entre o elemento militar e o civil. projeta depor o governo civil no dia 8. para ingerir-se nas lutas partidárias. 245 Em nome do Nosso Augusto Imperador. O descontentamento plantou-se na guarnição.Lutou contra tais hábitos e pregou a igualdade perante a lei. Espalha-se a noticia de que projeta-se uma representação ao governo. Quis defender os direitos de seus concidadãos. que na força pública sempre viu um poderoso auxiliar. Aliou-se ao partido oposicionista à administração. O coronel Daltro envolveu-se na agitação dominante. e poucos soldados temos para essa defesa. o coronel José Rodrigues Dantas e Meio e Major Manoel de Deus Machado. Já vimos. nem sempre podia domar o seu entusiasmo. pelo que não exercia suas funções de membro do conselho para que foi eleito. em períodos anteriores. que por mais de uma vez os partidos apelavam para o apoio da guarnição. Daltro esquecia o posto que ocupava. contra o prestígio do governador civil. onde fora pesquisar os revolucionários de Pernambuco. a guarda do brigadeiro Domingos Dias Coelho e Melo. de onde chegavam queixas. as representações. as 244 Como co-réu da deposição que quis a guarnição fazer em 29 de abril. Subleva-se a tropa na noite de 1° de novembro. e para isso convoca as forças de Itaporanga245. pois hoje mesmo há declaração de Republica. como português que era.

onde se reunio Exm. por não comparecer os actuaes. Joaquim Antonio Peixoto. M. quanto estivesse de sua parte. e Japaratuba para atacar a cidade de São Cristovão sob o pretexto os mais absurdos. Em testemunho de verdade estava o signal publico. e Gonçalves Valença. como os Índios das Aldeãs de Pacatuba. Conselheiros Manuel de Deus Machado. não o efetuando. declaradamente. e do Imperio. Presidente o notável procedimento. Em testemunho de verdade estava o signal publico Joaquim Antonio Peixoto. O plano de deposição transpira e chega ao conhecimento oficial. medidas hostis. nesta cidade de S. que mataria preciosas vidas. em oposição à boa ordem. que foram convocados para tractar do restabelecimento da causa publica em perigo. José Rodrigues Dantas e Mello. Quartel General de Sergipe seis de mil oitocentos e vinte quatro. São Cristovão de Sergipe d El-rei onze de Novembro de mil oito centos e vinte quatro. não só Corpos de Segunda Linha. que era preciso sufocar. resolvesse com o acerto conveniente. depois da conferencia de 9 de agosto. Presidente Manuel Fernandes da Silveira. João Fernandes Chaves e Manuel Vicente Carvalho e Aranha. talvez porque quase todos os militares o desobedecerão. que tem empregado o mesmo comandante das Armas contra a existência do Governo. e já com todo Destacamento para esta cidade. em que a Guerra civil alteasse. em que se viam as Famílias. e cidadãos conspícuos. e cidadãos pacíficos dando mais evidente idéia do estado de consternação. Cristovão de d El rei onze de Novembro de mil oito centos e vinte quatro. Manuel da Silva Daltro. arrancando o momento. 246 Marche já. Presidente ponderado ao Exm. por ordem do Excelentíssimo Senhor Comandante das armas. e venha consigo isso já. O perigo público era iminente. cumpria que o Exmo. Quartel do Maruim dois de Outubro de mil oito centos e vinte e quatro. e cidadãos comprometido perante este mesmo governo em conselho. Senhor cadete Comandante do Destacamento das Laranjeiras. Reconheço a letra. Em testemunho de verdade estava o signal publico Joaquim Antonio Peixoto. e da Nação. não melhorou contudo de conduta: Expoz o mesmo Exmo. na Parada do Rosário pronto para marchar para Sergipe. Christovão. E concluiu. praticado pelo commandante das Armas. e às determinações de S. na salla das Sessões.de laranjeiras246. que cuidaria. a propósito de um movimento revolucionário republicano. o presidente convoca o conselho que resolve o seguinte: ―Aos oito dias do mês de novembro de mil oitocentos e vinte quatro anos. São Cristovão de Sergipe d´El-rei onze de Novembro de mil oitocentos e vinte quatro . e balia. Quartel General de Sergipe seis de Novembro de mil oito centos e vinte quatro. Manuel da Silva Daltro Comandante das armas. S. convocando o dia três para quatro de Outubro. Sebastião Gaspar de Almeida Boto. Tornava-se impossível continuarem na administração civil e militar Silveira e Daltro. pólvora. Imperial: ―Ponderou mais que.” 247 Queira se achar amanhã três do corrente pelas dez horas da manhã. e já. Convinha salvar a sociedade de uma sublevação. para restabelecer a ordem. e os Srs. que. José de Barros Pimentel. trazendo todo armamento. Conselho sobre o estado alarmozo. olhando para ela. e Francisco Felix Barreto. e se quiser defender o Trono Augusto da Sua Majestade Imperial convoque. pois assim lhe determino em Nome do Imperador.” Reconheço a letra e firma retro ser do próprio contheúdo. Terceiro da Independência. Comandante das armas. do Rosário247. Foi pelo Exmo. os Srs. a vista do estado em que se acha a causa publica. e firma supra ser do próprio conteúdo. tendo sido dado o Governo para seu Regimento a Lei de vinte de outubro. e Comandante interino. e Palácio do Governo. Ilustríssimo Senhor Brigadeiro Domingos Dias Coelho e Mello. 204 . que o Exm. Comandante das Armas Manuel da Silva Daltro desde a sua chegada a esta Província sempre caminhou fora da linha de seus deveres. Ilustríssimo Senhor Alferes Manuel Ignácio Soares. Conselho com a relação dos fatos. tendo-se o mesmo Comandante das Armas comprometido perante este mesmo governo em conselho. e enfim reclamou o testemunho do mesmo Exmo. Em nome da salvação publica. Conselho. capital da Província de Sergipe. Senhoria muitos anos. Reconheço a letra e firma retro ser do próprio por comparação. em que estava a cidade.

‖ 205 . fomentados pelo sobredito Comandante das Armas. mez e anno. e salutar. João Fernandes Chaves. era participar ao Governo. foi apresentado ao Governo uma Partecipação do Exm. João Fernandes Chaves. Manoel Ignácio da Silveira. De que para constar se fez a presente acta: Eu Antonio Pereira Rebouças o escrevi: Manoel Fernandes da Silveira presidente. vindo assim a não ser útil ao Imperador e á Nação. que foi chamado. que se ia retirar para fora da Província. Manoel Fernandes da SilveiraPresidente. perpetrados contra a boa ordem e segurança publica. Sr. eram assim o de ficar reunido ao Governo da Província o Comando das Armas. Conselheiro José de Barros Pimentel. que pelo motivo de moléstia que padecia. ―Eu Antonio Pereira Rebouças o escrevi. se propunha participar ao Exmo. ficando. que achava em circunstâncias tão extraordinárias. Commandante das Armas Manoel da Silva Daltro. João Fernandes Chaves. que. ―Resolveu o Conselho estar pela Participação do Comando das Armas. Presidente e Conselheiro acima declarados. Francisco Gonçalves Valença. secretario o escrevi . e que logo que estivesse restabelecido se apresentaria. que pelo motivo de moléstia. em virtude da Resolução antecedente.Manoel Fernandes da Silveira. Francisco Gonçalves Valença. junctamente com o Ilmo. prometendo. Manoel Ignácio da Silveira. foi respondido pelo mesmo Comandante das Armas Manoel da Silva Daltro. Conselho. em virtude da Resolução antecedente. Francisco Gonçalves Valença. Francisco Gonçalves Valença. que sofria. Francisco. Comandante das Armas para vir perante o Governo quanto antes. que assim praticara para destruir uma facção que lhe era denunciada. inxações em todo corpo. E sendo pelo Exmo. José de Barros Pimentel. que. o meio idôneo. estando em Sessão permanente o Governo da Provincia composto dos Exmos. secretario o escrevi. nem por isso se acabariam as dissensões. perpetrados conta a boa ordem e segurança pública. resolvendo o Governo sobre quem deve recahir o comando interino das Armas no seu impedimento. e Professores. Manoel Vicente de Carvalo e Aranha. continuando a Sessão. Manoel Fernandes da SilveiraPresidente. ―Eu Antonio Pereira Rebouças. Manoel Vicente de Carvalho e Aranha. José de Barros Pimentel.‖ ―No mesmo dia. promettendo. E sendo pelo Exmo. dizendo que não era occulto ao Governo as moléstias que soffreu de estupor na marcha. foi respondido pelo mesmo Comandante das Armas Manoel da Silva Daltro. mez e anno. De que para constar se fez a prezente acta. capaz de destruir esses taes Partidos restabelecendo a harmonia. que por esse impedimento se retirava a sua casa. Manoel Vicente de Carvalho e Aranha. Manoel Ignácio da Silveira. ―Eu Antonio Pereira Rebouças. porque era susceptível pertencer a um dos Partidos. que foi chamado. Manoel de Deos Machado. Conselheiro José de Barros Pimentel. juntamente com Ilustríssimo Sr. que se oficiasse ao Exmo. Presidente e Conselheiros a cima declarados. Commandante das Armas Manoel da Silva Dantro. e que porque o Governo sabia que aqui não podia restabelecer por falta de remédios. tendo de recahir o Comando interino em alguns Officiais Militares. por ser athé medida tão conveniente. Manoel de Deus Machado. Presidente feita a relação abrevidada dos factos pelo mesmo Commandante das Armas. Presidente feita relação abreviada dos fatos pelo mesmo Comandante das Armas. entretanto o mesmo Governo em Sessão permanente. José de Barros Pimentel. Do que para constar se fez a presente acta.‖ ―No mesmo dia.―Resolveu o Exmo. e mais. Manoel Ignacio da Silveira. mês e ano. que fez para a beira do Rio S. portanto. que se ia retirar para fora da Província. que entretanto se reunira: compareceu o Exmo. que assim praticara para destruir uma facção que lhe era denunciado. Manoel de Deos Machado. e confiança publica. Manoel Vicente de Carvalho e Aranha. estando em Sessão permanente o Governo da Província composto do Exmos. que entretanto se reunira: comparecêo o Exmo. presidente. responder sobre o ponderado. existentes. Governo. ―No mesmo dia. De que para contar se fez a presente acta. e demais estar ameaçado duma hidropisia pela falta de respiração. Comandante das Armas Manoel da Silva Daltro.

que foi dirigida por Manoel Clemente Cavalcanti de Albuquerque. para a fatura administração. 206 . Em vista das medidas enérgicas postas em prática. contudo prestou o inolvidável serviço de restringir as ousadias do militarismo e da aristocracia levantando uma opinião pública e defendendo os direitos do povo. tomando posse a 15 de fevereiro de 1825.Se a administração de Silveira não promoveu realização de melhoramentos que se tornava inadiáveis. conculcados pelos prepotentes da época. preparou um bom terreno.

ainda hoje existente. A administração da justiça foi entregue também ao Dr. tomaram a direção dos negócios públicos. não poupou esforços para sua vitória na eleição. Mudado todo o pessoal dos negócios públicos. Não só administração civil. autorizou o calçamento de Laranjeiras e S. Já estava então na administração interina Manoel de Deus Machado. O poder municipal não encontrou apoio na administração. Joaquim Marcelino de Brito. despachado ouvidor de Sergipe. que tinha provisoriamente sido anexado à presidência da província. que formava então uma só comarca. Cavalcanti de Albuquerque teve de dirigir sua atenção para melhoramentos que se tornavam inadiáveis. a casa do trem militar. tinha de prestar seu contingente na defesa nacional. Edificou o palácio de S. como as ofensas que este dirigiu aos membros do senado. Cristovão. contra não só os desatinos. passava em 24 de outubro de outubo de 1825 à direção do brigadeiro Inácio José Vicente da Fonseca. para manter sua autoridade. embarcando-se em Aracaju. Cristovão. a província voltou à paz e à ordem.CAPITULO II SUCESSORES DE MANOEL FERNADES DA SILVEIRA ATÉ 1831. Sua administração não seguiu os ditames da justiça e da imparcialidade. que não levou a cabo. passaram a ser exercidas por novos funcionários. Tendo estado 207 . para protestar contra fraude eleitoral. em 9 de março de 1825. MOVIMENTOS DE ABRIL DE 1831 Elementos inteiramente estranhos às paixões que se agitavam por esses tempos. IDÉIAS REPUBLICANAS NA ESTÂNCIA E BREJO GRANDE. Membro de um partido. desde 2 a 10. Alistaram-se voluntariamente alguns cidadãos a marchar para a guerra. como as outras províncias. Sergipe. como membro do conselho mais votado. o batalhão 26° de Infantaria. filho da província e imbuído das paixões que se agitavam entre os membros dos dois partidos. promovido pelo tenente-coronel Manoel Rodrigues Montes. Cristovão e promoveu os meios da edificação de um quartel. tomou posse de seu cargo. de Montes. O comando militar. durante os quais a câmera esteve de sessão permanente. como a administração militar. Manteve a maior harmonia com o comandante das armas. Por te falecido em dezembro de 1826. que nesta data. em começo de 1827. Tornou-se um administrador partidário. Em sua administração recebe a comunicação do governo imperial de ter declarado guerra às repúblicas do Rio da Prata. nos espaços do conselho. que à força queria tomar posse do lugar de seu presidente. tomando posse do seu cargo. abusando do poder. nos pleitos que então feriram-se para deputados á assembléia legislativa e membros da câmera da cidade de S. Daí os acontecimentos dos dias de janeiro de 1828.

em sessão permanente seus membros a reclamarem providência, tiveram de ceder ao peso dos desvarios do poder. Propagavam pela província idéias republicanas emissárias dos revolucionários de 1824 de Pernambuco. Do norte ao sul eles percorreram-na, incitando o povo a instituir um novo regime de governos. Em Brejo Grande, Antônio José de Albuquerque Cavalcante e José de Albuquerque Cavalcanti propagam as novas idéias. São perseguidos por Bento de Melo Pereira, que desde que rebentou a revolução em Pernambuco, defendia a fronteira do rio S. Francisco. A mesma propaganda faz o padre Francisco, em Japaratuba. Os propangadistas fazem do engenho do sargento-mor Francisco Rolemberg seu ponto de reunião. O movimento no sul foi mais ativo. No seguinte ofício do comandante das armas Inácio José Vicente ao conde de Lages, o leitor verá a comunicação que fez ele da propaganda republicana pelo padre Manoel Moreira:
―Pelos meus officios anteriores tenho participado á V. Exa. as noticias que me tem sido comunicado pelo Comandante das Armas da Província das Alagoas, assim como a suspeita de haverem nesta Província Emissários destinados a seduzir os povos para fins sinistros; e tendo empregado toda a diligencia da minha parte, pude descobrir o que consta do depoimento, que por 248 cópia levo á Prezença de V.Exa. , e que igualmente passei ás mãos do Vice presidente , por ser a quem compete mandar fazer os necessários procedimentos : hum dos principais agentes mencionados no depoimento he o Padre Manoel Moreira , o qual tendo já sido prezo na ultima revolução de Pernambuco em uma Embarcação que foi aprezada, conduzindo armamento dali, para a Povoação da Estância , depois que foi solto nessa Corte, não tem parado , fazendo continuas viagens para o sertão de Pernambuco , Alagoas e pelas Villas e lugares desta Província ; já se acham presos alguns dos apontados no depoimento , incluso o Padre Moreira , e continuo na diligencia dos mais . ―Logo que pude certificar –me da existência deste criminoso ajuntamento , procurei informar-me de algumas circumstancias, como V.Exa. verá da Carta incluza de Manoel José Ribeiro
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Termo de Averiguação feito ao Ajudante de 2˚Linha da Povoação da Estância, Antonio Ignácio de Brito. Aos vinte três dias do mez de dezembro do anno de mil oitocentos e vinte seis, no Quartel do Commantante do batalhão n.26 o Tenente Coronel Antonio Joaquim da Silva Freitas, onde comparecéo acompanhado de um officio datado do mesmo dia, dirigido pelo Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Brigadeiro Governador das armas, para ser indagado dos acontecimentos que tiverão lugar na Povoação da Esteancia, em huma das noites do mez de Outubro próximo passado, em huma céa com assuada por hum ajuntamento de pessoas que a ella concorerrão: respondeu, que a céa foi dada pelo padre Moreira, Franklin, na casa deste da outra parte do Rio Piapitinga; e que sabe que assistirão a céa o Alferes Maximo das Ordenanças, o Alferes Victorino de Melicias, o Tenente João Alves, o estudante Lima, Antonio Agustinho paysano, e outras muitas pessoas que se não lembra dos nomes, e que sabe, posto que não assistice, que a saúdes da meza erão feitas á liberdade, e que ouviram gritos fora o imperador e que nessa occasião passando hum homem do campo foi surprehendido por elles, e por pancadas obrigado a dar os mesmos gritos; e que sabe igualmente que a casa do dito Franklin são freqüentes as seçõens sobre estes obijectos, e que tão bem sabe que das Províncias do Norte veio á mesma Povoação Martinho de tal ao mesmo fim. e que depois de dias se retirou. Sabe por ser publico na Estância que o Alferes Joaquim José da Rocha se propunha a saquear alguns negociantes, e que ouvio dizer que o quis pôr em pratica com o Major Potella, o que deu lugar a elle fugir para a Província da Bahia, e que outros se tem mudado da Povoação, hum e outros embarcados, e que para esse fim tem a Populaça a quem elle enthusiasma, e que sendo o interrogado commandante das rondas algumas partes deu ao seu Commandante o Coronel Manuel Ignácio, mas que esse não lhe dando ordem para prender o não executor. E nada mas disse, eu Manoel José deMagalhães Leal, Capitão que escrevi.-Antoni Ignácio de Brito, Ajudante. -Manuel José de Magalhães Leal, Capitão. _Antonio Joaquim da silva Freitas, Tenente Coronel Commandante.

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d‘Oliveira ; este homen foi proposto para Tenente-Coronel Refomado do Regimento de Cavalaria novamente organisado na Estância ; he homem de bem, rico, e estabelecido na Estância, mas como

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Illm.e Exm. Sr. -A vista do officio e V.Ex.que neste momento me foi entrege vou satisfazer do melhor modo possível, ao que V.Ex. me ordena, e serto na segurança, que V. Ex. me comunica hirei continuando quando occorrerem novos motivos: a 10 mezes pouco mais ou menos appareceu aqui hum Franquelin vinda da parte do Carires aonde consta foi envouvido nas desordens, que la ouverão ao norte daquelles; não legalisando a sua vinda por passaporte, também o não fez do estado de Casado: apoiado por alguns parentes achou muitas amizades de alguns mansebos, e mesmo de pessoas da primeira ordem que em sua casa se ajuntam para jogar, e tão bem fala: repetiam-se para fora algumas cousas, que se falavam menos decentes, mas como tudo se encobria com a capa do ódio dos Européos , e estes vivem abatidos apenas se contentavam de estranhar, estas e outras taes em políticas, mudando, passado algum tempo, a sua residência para além da ponte do Rio Piauytinga lá continuou a freqüência com mais calor : chegado aqui obra de 6 mezes o Padre Manoel Moreira obteve logo distinto lugar nesta sociedade : hum tal edjunto lá e ouzava as vezes suas desconfiança, mas desvancia-se esta com a lembrança, de que lá se achava tão bem algumas vezes o Coronel Manoel Ignácio, Capitão –mór Joaquim Fontes para jogarem, e outras mais pessoas desta natureza, as quaes não logram a melhor opnião pública: na noute de 22, ou 23 de Setembro passou a cousa maior excesso que ajuntando maior número de pessoas houve comezana, e bebida ém abundancia passou-se de caza a rua, a depois ao Rio, e em qualquer destas partes hé assás público se falar francamente em liberdade, igualdade se tratava o nosso Imperador com os Epithetos, que a modestia ma não permita pronunciar: as autoridades elevando de algum modo dar satisfação ficaram endolentes, tratando a cousa de liberdade, e bebedeira foi, mas eu sempre ouvi dizer, que a bebedeira serve para lançar do peito aquillo que nelle está occulto: as pessoas, que se acham nesta acção se póde V. Ex.informar com mais legalidade de José Alves Vicente, lemos mandando hir a prezença de V.Ex., e dirá tambem o mais que a este respeito souber, por que me dizem o obrigaram a acompanhar o ranxo : o Padre Manoel Pereira que foi um dos da sucia seguiu 2 dias depois para Masseyó, e regressou no fim de 2 mezes, este padre filho de paes honrados, e bons cathólicos , affeissuou-se ao sistema republicano, e foi hum teimoso emissário, e apaixonado de Manoel de Carvalho de Pernambuco, e recolhido a fortaleza de S. João de Masseyó, passou da li ao Rio de Janeiro, donde não ser por que fatalidade escapou ao castigo a que tinha justiça: voltando o que continuou na sua doutrina divergente da boa ordem, e de mais apostolo do atheismo, que vergonha! Estas, e outras pessoas, que por pecados a que se contam hoje da primeira representação, formaram o círculo das associações da Estância, aonde sem duvida se tratando do sistema republicano, e anequilamento do Governo Imperial, desfigurando-se a idéa constitucional como não existente: ou estas, e outras patranhas enganam o povo principal mesmo a mocidade anuncia-lhe assim como fiseram os Francezes a liberdade e igualdade, a bens communs para todos. Deferentes partes eu tive avisos de pessoa mals afeissoados, de que se falava em saqua na mesma casa, e mais alguma: nem me atirei em taes avisos, nem os desprezei para tomar algumas cautellas . Sendo chamado pelo Coronel Manoel Ignácio para conferenciarmos sobre isso que se fallava, lhe indiquei algumas providencias, que julgava precizas, mas tal vez lhe não agradarão, porque se não seguirão: queria eu, que se fizesse ver a V.Ex., e ao Governo de Sergipe o estado em que se achava essa povoação; que se prendesse Joaquim da Rocha Sá que tendo agregados a si muitos homens, e todos maus, era sempre procurado para qualquer insulto, e mesmo para que estes homens vivam só de fazer mal, e comer o gado alheio: ora nesta parte algumas providências tem dado o Capitão- mór David de Oliveira Lima que tem feito prender alguns do tais e com isto se tem afugentado outras. Este Joaquim da Rocha indo ao chamado de V.Exa. voltou da capital dizendo por ser do que avisado que não chegasse a Sergipe por que era lá preso talvez não fizesse conta a esse, que fez tal avizo , que elle lá chegasse para não descobrir o inredo. A chegada da tropa poz alguns temerato, e outros em fuga, ora se a sua consciência esta socegada de que se espantam: o certo he que aqui há solapa, e mui contatos serão os que não estão iscados : lembra-me a propósito, o que disse o Impperador na Bahia no Congresso de Vienna da Austalia, quando da Ilha de Elba entrou na França Napoleão; quando a causa não se via nada se de principio se tatasse como grande; mas que poderia ser grande , se de princípio se tratasse com nada, applico esta pratica para o caso prezente. O Capitãomór Jose de Mattos, Major José Correia ,juiz ordinário José Tavares Ferreira, e o mesmo Capitão –mór David, são homens probos, e podem dar a V.Exa. huma informação mas circonstamciada , mandando -os V.Ex. chamar a cada hum por sua vez e delles será enteirado athé do nome dos anarquistas. Deus Guarde a V.Ex.muitos annos .Estancia 25 de dezembro de 1816. De V.Ex. Súbdito muito attento Venerador e Obrigado – Manuel José Oliveira .

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he Europeo, e ainda nesta Província desgraçadamente são odiados pelos perturbadores da boa ordem, elle recêa que aparêça o seu nome, por ficar exposto á algum insulto, e até mesmo com perigo da sua vida, razão porque certifiquei-lhe que as suas communicações serião de confidencia e unicamente para esclarecerem-me as idéas precisas para o andamento do negocio, circumstancia que julgo necessária, visto que, tendo-se praticado tão criminozos attentados, estava eu ignorante de tudo, e até mesmo enganado por alguns officiaes de quem confiava. ―Este acontecimento merece muita attenção nestas Províncias do Norte, aonde há grande abundancia de escravos, que são nossos verdadeiros inimigos, e hum dos recursos com que contam os anarchistas, accrescendo além disto nesta Província há grande quantidade de vadios, facinorozos, sobre os quaes continuo a empregar todo cuidado a vigilância , pois são os perversos que tem espalhado temores e desconfianças sobre os povos; elles não tem recursos e apoio para a sua premeditada insurreição, porem tem toda a disposição para por meio da anarchia perpetrarem roubos e toda sorte de crimes; he quanto tenho a honra de participar a V.Exa.afin de que se digne igualmente levar ao Soberano Conhecimento de Sua Magestade o Imperador.- Deus Guarde a V.Exa. Quartel do Comando das Armas da Província de Sergipe,29 de Dezembro de 1826. ―Illmº e Exmº Sr. Conde de Lages. ―P. S. – Tão bem já fica preso o Alferes Joaquim da Rocha Silva. – Ignácio José Vicente da Fonseca, Commandante das Armas.‖

Sergipe não era um terreno preparado para frutificação dessas idéias. Se o autor dessas linhas, em 1887, quando organizou o partido republicano em Laranjeiras, com o concurso de bons amigos, a maior oposição que encontrou foi a indiferença, pela falta de cultura popular e de uma consciência clara dos deveres cívicos, que poderiam fazer o padre Moreira na Estância, e os Albuquerques em Brejo Grande?! A idéia não tomou corpo. E ainda que, pelos documentos do tempo, vejamos que em redor dela iam se agrupando as adesões, sedo os membros do governo mataram-na, infligindo as penas da lei áqueles que tomaram parte nas reuniões do padre Moreira. A administração de Inácio José Vicente, como a de seu antecessor, nada consignou de útil à província. Durante ela procederam-se às eleições para deputados à assembléia geral e membros do conselho. A administração acaricia a candidatura do vigário Antônio José Gonçalves de Figueiredo, português e um dos mais ardentes oposicionistas da independência do Brasil. Estavam bem vivas na memória de todos as perseguições que infligiu ele aos sergipanos e o grande serviço que prestou em Sergipe à política de Madeira. Esta candidatura determina a oposição dos liberais à administração ´que buscou apoio no partido corcunda . O próprio presidente era o outro candidato. Foi derrotado no pleito. Isto determinou a prática dos maiores excessos contra os liberais, que tiveram de retirar-se da província,à qual voltaram, depois da morte de Fonseca , a 11 de agosto de 1830 .

P.S. esqueceu-me dizer que Franquelin tendo se retirado com sua família para o Recôncavo da Bahia apereceu aqui repentinamente escoteiro na noite do dia 5 deste mez e sendo avizado voltou pello mesmo caminho nesta mesma noite, tendo primeiro brotado mesmo que com gente da Caxoeira voltaria para matar marotos e Brasileiros :corre agora nota não sei se certa, ol falsa, que José Dantas lhe declarasse no caminho, e não o podendo apanhar-lhe pegara um cavallo . Ausentou-se em avizo o Sr. José Alves do Valle , e Antonio Agostinho da Rocha, e alguns mais que se occultavam não apparecendo também dizem-se ausentara o heroe Joaquim da Rocha Silva. V.Ex. não se enfastia em escrita que hé feita sem ordem para que as causas também se contam diversamente, e não hé meu intento desacreditar ninguen sem causa.-Manuel José de Oliveira.

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Achava-se no comando interino das Armas Bento de Melo Pereira. Como membro do conselho voltou novamente à administração Manoel de Deus Machado, até maio de 1831. A situação era do partido corcunda. Este partido, que na vida imperial de Sergipe foi o prolongamento do partido colonizador, nas lutas pela independência e pela emancipação; que opôs-se a essa conquista liberal, sempre aliado ao elemento português; que vendeu S. Cristóvão aos poderes da Bahia ;que traiu Burlamarque ; que promoveu a deposição de Silveira ; que sentiu-se irritado contra a propaganda de Rebouças, sobre a igualdade dos cidadãos perante a lei, agora, em 1831, retardava, sem ter coragem de uma oposição franca , a aclamação de Pedro II . Chegaram em fim de abril, as notícias dos acontecimentos do Rio de Janeiro de 13 e 14 de março. O vice –presidente Machado e o comandante das armas Melo Pereira eram suspeitos ao povo, pelas tradições do partido a que pertenceu. No mesmo dia da chegada do correio amiúdam-se as conferências em palácio, nas quais tomam parte os portugueses, que dominavam a atual situação . O povo convence-se de que o partido do governo retardaria a aclamação do novo rei. Reúne-se na praça pública com a tropa, pede a convocação do conselho e intima- lhe não só a deposição do vice – presidente o comandante das armas, como de todos os empregados filho de Portugal, que exercessem cargos públicos na província. O povo considerava-os traidores, estendendo sua suspeita ao próprio administrador civil e militar. Pede também a retirada do destacamento de 1ª linha de Alagoas, que então achava-se em Sergipe, igualmente suspeito à opinião. Eis os documentos oficiais:
“Sessão extraordinária do dia vinte e nove de Abril de mil oitocentos e trinta e hum-Aos vinte e nove dias do mez de Abril de 1831, nesta cidade de S.Cristóvão capital da Província de Sergipe, no Palácio do Governo, e Salla das Sessões do Conselho do mesmo, compareceram o Exm. Sr.Vice-Presidente, e Conselheiros Luís Antonio Esteves, Ignácio Dias de Oliveira, Alexandre da Cruz Brandão, Serafim Alves da Rocha, e Antonio de Araujo Peixoto Bessa; e aberta a sessão, presente a Câmara Municipal desta cidade, foram lidas duas Representações, que hontem fizeram o Povo e Tropa reunidos, que moveram esta reunião extraordinária, as quaes são estas. -Primeira: Illm. e Exm. Sr.- o povo reunido e os abaixo assignados representam a V.Ex. o seguinte: Que quanto antes reuna o Conselho deste Governo para deliberar e dar providencias a certos Artigos, que tem de offerecer, afim de que em nome de S.M. o Imperador Constitucional o Sr. D.PedroII e a Regencia Brasileira, se satifaça a vontade do mesmo Povo e Tropa desta Província. Deus Guarde a V.Ex. Quartel em reunião do Povo e Topa desarmada em Sergipe 28 d’ Abril de 1831 .Illm. e Exm. Sr. Capitão mor Manuel de Deus Machado Vice – Presidente desta Província, Antonio José da Cruz e Menezes, Coronel Graduado e Comandante do Batalhão n.127 de 2ª linha, José Domingues de Souza Brandão, José Joaquim de Sant’Anna, Capitão Ignácio Marques de Vasconcellos, Alexandre da Cruz Brandão, Joaquim Moreira de Vasconcellos, Alferes José de Torres Jordão,Alferes da 1ª Compª, Florencio d’ Araujo Góes Tenente, Francisco Borges da Cruz Capitão, Marcellino Pereira de Vasconcellos, Antonio Manuel de Faro Leitão, Luis Antonio da Silva, Josá Malaquias Dormundo Rocha, Manuel Felipe Vanique, Silvério José Gomes, Francisco José Gomes, João José Gomes de Souza Prelelué, Tenente, José doValle da Penha Padilha Alferes, Manuel Francisco de Araújo Brazileiro, Manuel Benjamin da Rocha, Luiz Pereira Leitão, Vicente Ferreira de S. Paulo, José Joaquim Moreira, Antonio Soares d’ Andrade, Manuel do Amparo, Pedro de Ratos da Cruz Cabrinha, Rodolfo Caetano da Fonseca, João Chrisostomo, Manuel Ciriaco do Valle Neuma, Luis Moreira Jordão, José Manuel Pereira, Joaquim Ribeiro da Cunha , José Joaquim de Jesus, Pornício Ferreira, José dos Santos, José Nunes de Jesus Antonio da Cruz, Manuel Bonifácio: - Segunda: Illm. Exm. Sr. Vice –Presidente, - O Povo e Tropa reunido nesta Capital respeitosamente acaba de receber o officio de V.Ex. datado de hoje 28 do corrente pelas onze horas de noute;todavia não satisfeito com a demora da reunião do Conselho protesta a V. Ex. em Nome de S.M. o Imperador o Sr.D.Pedro2ª por toda e qualquer demora que passe de momentânea, significando á V.Ex. que casos taes exigem a maior brevidade. Designe-se pois V.Ex. a mandar logo e logo reunir o Conselho do Governo, que em

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tal caso podem servir os Supplentes até de hum voto , afim de que, ouçam a vontade do Povo e deliberem com justiça, na fórma da Constituição e da Lei, sem o que se não dissolverá o Povo e a Tropa reunida, affiançando porém a V.Ex. que se observará a maior tranqüilidade e público socego da parte do Povo e da Tropa reunida nessa Capital, assim como protesto em nome de S.M. o Imperador da Nação Brazileira por qualquer insulto ou perseguição que o pacífico Povo e Tropa possa receber de qualquer outra Tropa, que aqui não se acha reunida. Deus Guarde a V. Ex. Reunião do Povo e tropa na rua do Varadouro nesta Capital aos 28 de Abril de 1831 pelas onze horas da noute .Antonio José de Cruz e Menezes Coronel Commandante, José Joaquim de Sant’Anna Capitão, Ignácio Marques de Vasconcellos, Tenente, José de Torres Jordão Alferes da 1ª Compª, Joaquim Moreira de Vasconcellos Alferes, Luis Pereira Leite Particular Porta Bandeira, Manuel Joaquim de Araújo Brasileiro. “E offerecendo o Exm. Sr. Vice –Presidente todo o referido nas ditas duas Representações á Deliberação do Conselho, leu-se huma outra Representação que o povo e Tropa os dirigiram ao Exm. VicePresidente e Conselho, a qual hé a seguinte: - Terceira; Illm. e Exm. Sr.Vice-Presidente e Conselheiros do Governo – O Coronel Commandante do Batalhão de Caçadores n.127de 2ª 1ª do Exército Tropa e Povo a que reunidos, vendo que violentas infracções de Constituição se tem commettido nesta Província e dezejando a segurança da Tranqüilidade Pública, garantida pela mesma Constituição tem deliberado levar ao conhecimento de VV.EE. os seguintes quesitos, afim de serem justamente providenciado como urge o bem da Pátria. Primeiro: que seja demittido do Comando interino das Armas na fórma da Lei de 20 de Outubro de1823, o Coronel Bento de Mello Pereira, para responder as infracções que tem commetido, sendo para o mesmo nomeado o official de Patente superior mais antigo- Segundo: que sejam laçados fóra dos Empregos todos os indivíduos nascidos na Europa Portugueza por serem reconhecidamente inimigos da Constituição e do Thesouro Imperial bem como aquelles Brasileiros infames, traidores à sua Pátria: substituindo os ditos Empregos os Brazileiros da confiança Publica.Terceiro: que na reunião do Exm. Conselho sejam excluídos dous Membros delles o Portuguêz Vigário Geral Luiz Antonio Esteves, e o referido Coronel Bento de Mello Pereira, por serem assaz suspeitos. Quarto :que qualquer força contra a Tropa e Povo aqui reunidos será considerada como aggreção hostil, e em taes circumstancias o mesmo Povo e Tropa não hesitarão em vingar com todo o furor das Armas tamanha offença. Quinto:que o referido Coronel Commandantes do Batalhão n.127 a quinze meses preso por prepotente intriga do interino Commandante das Armas, fique em plena liberdade, gosando dos seus direitos, que lhe outorga a Lei, e que seja conservado no Comando do referido Batalhão, que por Concessão Imperial lhe foi conferido, visto que por sua probidade, intelligencia, patriotismo e bons serviços, se faz digno da opinião Publica, e de ser reconhecido por official Benemérito. Sergipe em reunião de Tropa e Povo vinte e nove de Abril de mil oito cento trinta e hum, décimo da independencia do Império. “Immediatamente em virtude do Art.º 3 da dita Representação se retirou o Conselheiro Luiz Antonio Esteves, e voluntariamente o Conselheiro supplente Antonio d’Araujo Peixoto Bessa. “Pondo-se em discurção o Primeiro artigo da citada Representação resouveo o Conselho depois de ouvida a Câmara Municipal, que fosse demittido do Comando interinodas Armas desta Provinsia o Coronel Bento de Mello Pereira, por assim instar a Cauza Publica, na forma do Artigo 24 § 14 da Lei de 20 de Outubro de 1823, e mais que o substituísse o Coronel José Antonio Neves Horta, por ser o official de Patente mais antigo, e que se officiasse ao mesmo para sua intelligencia, e devida execução. “Quanto ao segundo Artigo da terceira Representação do Povo e Tropa reunidos, deliberou o Conselho, que ficasse addiado para a próxima Sessão ordinária na parte relativa aos Empregados Portuguezes Civis e Eclesiásticos, que emquanto aos Militares se officiasse ao Commandante das Armas, para dar as providencias que forem análogas às circunstancias. “Resolveu o Conselho quanto ao Quinto e ultimo Artigo daquella Representação, que se officiasse ao Exm. Commandante das Armas, afim de, logo que tomar posse, fazer cumprir o mencionado Artigo Quinto e ultimo, como nelle se requisita. “E de tudo para contar se lavrou esta Acta, na qual assignarão o Exm. Vice-presidente, Conselho, e Câmara Municipal, que eu Francisco Benicio de Carvalho Aranha de Vasconsellos official Confirmado da Secretaria do Governo, do impedimento do secretario, escrevi.-Manuel de Deus Machado, Serafim Alvares da Rocha Rocha, Ignácio da Silva de Oliveira, Alexandre da Cruz Brandão, Antonio José Barbosa Leal, Innocencio da Costa Pinto, Francisco Gonsalves da Cunha, José Marques de Oliveira, José Domingues de Souza Brandão, Luiz Coréia de Caldas e Lima, Florêncio de Abreu Góes, Marcellino Pereira de Vasconcellos, Antonio Joaquim da Fonseca Neves. “Sessão extraordinária de trinta de Abril de 1831. “Aos trinta dias do mez de Abril de 1831, nesta cidade de S. Cristóvão, Capital da Província de Sergipe, em o Palácio do Governo e Salla das Sessões do Conselho, lida, approvada, e assignada a Acta antecedente presente

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o Exmº Sr. Vice Presidente, e Conselheiros e o Coronel José Antonio Neves Horta, Capm. Ignácio dias de Oliveira, o rev. Serafim Álvares da Rocha, o Capm. Alexandre da Cruz Brandão foi entregue huma nova Representação do Povo e Tropas reunidas, que hé a seguinte: - Quarta –Illmº e Exmº Conselho, a Tropa e Povo reunidos tem de mais á por na presença deste Exmº Conselho os dous quesitos seguintes, que, respeitosamente pedem o seu immediato cumprimento. Primeiroque o mesmo Exmº Conselho de quanto antes as providencias apontadas no Artigo da Representação de homem que condescentemente ficou adiado em que se pedio fossem demittidos dos Empregos Públicos todos os Potuguezes, ou Brazileiros nascidos em Portugal que se tem tornado suspeitos e de ma fé ao Systema que felismente nos rege, bem como todos aquelles que supposto tem o seu natalício no Brazil, na mesma forma tem incorrido no mesmo crime: por exemplo da Secretaria desta Presidência o Secretario della José Pedro de Faria, entrando no exercício deste Emprego hum Brazileiro de confiança Publica: da Administração do correio o Administrador della Manoel dos Santos Silva; da Administração da Fzenda Publica o Thesoureiro da mesma Francisco Soeres Vieira de Melo, o qual inda hontem no Acto desse Exmº Conselho deo, ou por melhor dizer confiremou a sua má fé para com o predicto Systema; da Barra do Cotiguiba o Patrão Mor della Ignácio José de Freitas, e o Fiscal da mesma João Coelho São Paio, da Cadeira de primeiras Letras desta Capital Antonio Jose Peixoto Valladares ; Finalmente todos os mais nas m esmas circunstancias, os quaes confiamos e entrgamos ao arbítrio do mesmo Exmº Conselho para o respeito delles executar na forma daquella requisição, bem como José Manoel Maxado e Joaquim Antonio Peixoto et cetera. Segundo, que de dous dias peremptórios seja retirado o destacamento das Alagoas, que guarnece esta Província para assim se evitar conflictos de jurisdicção entre o mesmo Destacamento, e a Tropa de Segunda Linha desta capital, visto que já tenha aparecido defeiçoens entre huns e outros soldados, e mesmo porque na faustíssima noute de 28 do corrente quando, divulgada a feliz notícia da Exaltação ao Throno Brazileiro do Muito Alto e Augusto Príncipe o Sr. D. Pedro 2º, congregados todos os Brazileiros Militares e Civis , só do predicto. Destacamento não se reunio hum só Soldado, antes correrão asseleradamente (suppõe-se que por ordem do seu chefe ) ao Quartel respectivo onde junctos esperavam, talvez o mais leve asseno das Authoridades para accometterem hostilmente a Brasileiros desarmados, que soltavam Vivas ao Nosso Monarcha Brazileiro, á Pátria, á Constituição e á Liberdade. Reunião da Tropa e Povo em Sergipe 30 de Abril de 1831. “E logo pondo o Exm. Vice-Presidente à discussão o primeiro Artigo daquella Representação, foi unanimmente resolvido, que fossem desde já demittidos provisoriamente todos os Empregados Civis e Eclesiasticos, nascidos em Portugal, até ulterior deteminação de S. M. o Imperador Constitucional o Sr. D. Pedro 2º a quemo Governo devia participar esta resolução que lhe extenciva aos Brasileiros apontados na citada Representação o Povo e Tropa reunidos. Pondo-se igualmente em execução a segunda parte da Representação foi resolvido que fosse mandado retirar para a sua província o destacamento de primeira linha aqui estacionado, substituindo-o as Milicias até Imperial determinação, effectuandosse a retirada no prazo de dous dias improrogaveis. “De tudo para constar se lavrou a prezente Acta na qual assignarão o Exmº vice-Presidente, Conselho e Camara Municipal, que eu Francisco Benicio de Carvalho Aranha Vasconcelos, official confirmado da Secretaria do Governo, no impedimento do Secretario o escrevi.- Manoel de Deus Machado. – Ignacio Dias de Oliveira.- José Antonio Neves Horta. – Serafim Alvares da Rocha. Alexandre da Cruz Brandão. – Antonio José Barbosa Leal. – Francisco Gonçalves da Cunha.- José Dominges de Souza Brandão. – Inocencio José da Costa Pinto. – Antonio Joaquim da Fonseca Neves. – Marcelino Pereira de Vasconcelos. – José Marques de Oliveira. – Luiz Correia Caldas. – Lima Florencio de Araujo Goés. (Sessão ordinária de 2 de maio de 1831). “Aos duos dias do mez de Maio do anno de mil oitocenteos e trinta e hum nesta cidade de S. Christóvão, Capital da Provincia de Sertipe no Conselho do Governo comparecerão o Exmº Vice – Presidente da Provincia, Capitão Mór Manoel de Deus Machado, o Coronel Bento de Mello Pereira, Capitão Joaquim Martins Fontes, e os Conselheiros supplentes o Capitão Mor Ignacio Dias de Oliveira, Tenente Coronel Manoel da Cunha Mesquita, e Tenente Coronel Antonio Rodrigues Montese o Rev. Vigario Geral das Cacantes Serafim Alvares da Rocha Rocha, por terem dado parte de doentes os actuaes o Ver. José Francisco de Menezes Sobral, Vigario Gonçallo Pereira Coelho e o Conselheiro José Pinto de Carvalho, que sendo chamado não compareceo. “Derão principio aos trabalhos da Sessão Ordinaia, mandando-se fazer a leitura da Lei de 20 de Outrubro de 1823, finda a qual exigio o Exmº Sr. Vice Presidente, que os Menbros do Exmº Conselho propuzessem e lembrassem o que melhor julgarem convir ao bem estar da Provincia. “Logo indicou o Exmº Conselheiro Rocha Rocha que a Camara Municipal desta cidade reuniada e mais cidadãos, que prezentes se achavão, receiozos coma noticia de que na Sessão de hoje se pretendia anular em todo ou em parte o que se havia deliberado e resolvido pelo Exm. º conselho nas duas ultimas Sessões extraordinárias de vinte e nove e trinta do mez passado pela menor falta e cumprimento dellas protestavão na prezença desta Excellentissimo Conselho levar o seu protesto de queixa à Regencia de S. M. o Imperador o Sr.

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escrevi. Membro do conselho. que eu Francisco Benicio de Carvalho Aranha e Vansconcelos. que assumisse a administração o padre José Francisco de Menezes Sobral.. José Joaquim Machado de Oliveira. Foram improfícuos os protestos de Boto. a fim de reivindicar os direitos de seu cunhado José Pinto. Vice Presidente de acordo com o Conselho marcou os dias sabbados. Joaquim Marcelino Brito. o qual tomou posse a 23 de julho. Do que para constar se lavrou a presente acta em que assignão o Exmº Vice Presidente e Conselho. “O Exmº.. e ao tenente-coronel de estado maior. O governo imperial aprovou o procedimento do Conselho e nomeou o Dr.Manoel de Deus Machado. Então. offial confirmado da Secretaria do Governo. presidente da província. – Ignacio Dias de Oliveira. por ser José Pinto português. Sr. depois de Manoel de Deus Machado. Sebastião Gaspar de Almeida Boto convoca reuniões em Maroim e no Rosário.Serafim Alves da Rocha Rocha. que o Exm. Sr. no impedimento do Secretario.Pedro 2º e que de mais requerirão. – Bento de Mello Pereira. 214 . que tomavam a feição de revolta. comandante das armas. por ser o membro mais votado do conselho. – Manoel da Cunha Mesquita. pelas urgentes providências tomadas pelo Padre. Ele resolve porém.” A José Pinto cabia o direito de assumir a administração. e segundas para os trabalhos do mesmo conselho. – Joaquim Martins Fontes. Vice Presidente da Província sem a menor perda de tempo fizesse cumprir tudo quanto se havia resolvido nas ditas Sessões extraordinárias para o bem estar e segurança da província: ao que todo o Conselho reunido asseverou ser vaga a notícia que moveo ao dito Corpo Municipal e Cidadãos a comparecer nas salas das Sessões. – Natonio Rodrigues Montes. de acordo com o comandante interino. o brigadeiro José Antonio Neves Horta.

com as feridas ainda sangrentas que lhe fizeram os promotores de sua deposição em 29 de abril. Além disto eram homens de reconhecida competência pelo caráter. mantendo a ordem e desenvolvendo o progresso. Dr. de assassinatos. abafou as paixões e fez uma administração que correu pacificamente. Eles são: Dr. por iniciativa de Antônio José da 215 . as administrações colocaram em plano inferior esses interesses. que foi autorizada pelo Decreto de 25 de outubro de 1831: erigiu a vila de Laranjeiras. estimulando a prosperidade geral. Manoel Joaquim Fernandes de Barros (1836). saturado das paixões políticas. Acabou as dissenções. O segundo período. no desempenho do cargo de ouvidor que exerceu em 1825. pelo talento e pela ilustração. em ampliar a instrução pública. Joaquim Marcelino de Brito. O renome que já tinha na província do Dr. obstruiu as vias de prosperidade. e. O período de 1831. Manoel Ribeiro da Silva Lisboa (1835). de critério e de ilustração. José Joaquim Geminiano de Moraes Navarro (1834). Dr. de prepotência dos mandões. tão convulcionada pelos acontecimentos passados. Apresentou medidas para melhoramento das barras e das estradas. em manter a ordem e a paz no seio da população. No período que se segue aos movimentos de abril de 31. Marcelino de Brito.é um período de agitação de paixões políticas.CAPÍTULO III GOVERNO DA REGENCIA. elevando a justiça acima de todos os interesses e paixões pessoais. tão alterada nos dias de abril. Ele começa na adminstração de Bento de Melo Pereira. abetas por seus antecessores. e pelo lado administrativo caracterizou-se pela defesa da prosperidade pública. No período anterior pensava-semais nos interesse partidários do que no bem geral.1836 forma o primeiro período da regência. fez com que sua nomeação fosse bem vista e geralmente bem aceita. por conseguinte não se acharem ligados aos interesses de família. Pelo lado político caracterizou-se pelo congraçamento dos partidos. REVOLUÇÃO EM SANTO AMARO EM 1836 Os primeiro dias do governo dos delegados da regência foram dias calmos e pacíficos. que se estende de 1836 a 1842. por Decreto de 9 de agosto de 1832 e preocupava-se com a canalização dos rios Japaratuba e Pomonga. em defender os direitos do povo. de rapinagem. ignorante. pensando mais na prosperidade pública. Dr. Principiaram a convencer-se de que o papel do administrador não é zelar os interesses políticos do partido a que pertence e sim o bem público. Contribuíram para isto não só a maior disseminação da instrução como os primeiros administradores não serem filhos da província. a fim de facilitar as vias de comunicação: lembrou a transferência da sede de vila de Santa Luzia para a Estância. que por ser natural da província. pelas provas de uma inteireza de caráter. de desprezo da lei. Todos viram na pessoa do novo presidente a garantia de seus direitos e da ordem pública. que se caracteriza pela iniciativa do governo em promover o melhoramento da província. aos interesses de uma política local.

que não acariciou candidaturas mantendo-se completamente estranho à luta dos partidos. O governo Imperial atende à reclamação de seu delegado e manda o tenente coronel de engenheiros Euzébio Gomes Barreiros. porque ali eram depositados os gêneros exportados de Japaratuba. 253 A. convoca os lavradores de Sergipe na vila do Rosário. p. Para isso teve de pedir ao governo geral um engenheiro para dirigir os trabalhos. adiaram a realização desse melhoramento. porque passou a administração. levando a navegação até o rio Vaza-Barris. no começo do ano de 1835. 252 Foram eleitos Antônio Fernandes da Silveira e Joaquim Martins fontes. Apont. A idéia da canalização dos rios Japaratuba e Pomonga quis pôr em prática. Não se pode contestar a Silva Travassos a iniciativa deste importante melhoramento e de outras medidas.251 O simples fato de ter Travassos. Refutação ao memorial do comendador Antônio José da Silva Travassos. em março de 1833.Silva Travassos. Inácio Joaquim Barbosa (1854). Os caprichos da política e os isteresses dos trapicheiros de Maroim. p 44 216 .. passando a administração ao Dr. desde o S. sendo concluído na administração do Dr. Navarro seguiu a mesma linha do seu antecessor. que só veio ter começo de execução na administração do Dr. levando-a até o rio Real. para comunicar o rio S. demonstra a parcialidade da contestação. op. E topogr. Francisco até o rio Real. Francisco com Japaratuba. Ele representa a manifestação do espírito de revolta contra a política autoritária dos mandões de então. que se julgaram prejudicados coma abertura do canal de Japaratuba. Além das 250 251 Antonio José da SilvaTravassos .253 O estado financeiro da província não permitiu a realização deste gigantesco projeto. abre uma subscrição para encetar as obras. outro entre o rio Paraí e riacho Farinha. e levantar a carta histográfica. da S. o outro entre este rio e o Pomonga. Da Provincia de Sergipe. para chegar a navegação até o rio poxim e o de Sta Maria. em uma petição dirigida à câmara de Santo Amaro. Plano gignatesco este de ligar os rios da província. Manoel Ribeiro da Silva Lisboa. estabelecendo uma navegação interna.J. ao Dr. para realizar melhoramento de tão grande monta. estabelecendo assim uma navegação fluvial. José Joaquim Geminiano de Moraes Navarro. depois de três meses de trabalho. porque ele queria comunicar os rios da província. Os pleitos eleitorais eram causas ocasionais de alteração da ordem. qua facilitasse as vias de comunicação tão atrasadas. Não realizou sua aspiração. em 2 de outubro de 1828. ampliando o plano. com a abertura do canal entre Japaratuba e Pomonga. e não houve a menor alteração. tal o restígio da autoridade do presidente. Hist. Cit. para facilitar a exportação dos produtos da bacia de Japaratuba. e enquanto pede auxílio aos cofres gerais. que juntamente com Travassos exploram a província e. que tomou posse em 29 de Outubro de 1833250. Dele falaremos adiante. 42. apresentam seu relatório do seguinte plano de canalização: um canal entre o porto da Goiaba e Riachuelo Timbó. José Antônio de Oliveira e Silva (1852). lembrado a realização desse projeto. Travassos figura na política de Sergipe no tempo da regência e no segundo reinado. sobrea navegação dos rios Pomonga e Japaratuba por um Japaratubeiro. não obstante a contestação de alguns seus comtemporâneos. Na administração de Brito feriu-se o pleito para deputado à assembléia legislativa252 e membros do conselho. quando foi demitido. Travassos .

vantagens reais de unir as zonas produtoras. depois da proclamação da Repúblia. como pela força do elemento de família. 254 Decret. Compreende-se perfeitamente que sem cultura popular. Havia uma causa muito poderosa para não só terem-se eles implantado. elevnado-as a quatro: S. como não serem prontamente e em pequeno período de tempo corrigidos por algum administrador que tivesse a consciência clara de seus deveres. dando uma nova divisão aos municípios e termos. da Capela de Maroím. Na administração de Navarro teve lugar a primeira sessão da Assembleia Legislativa. hábitos inveterados na sociedade de Sergipe. não há a compreensão nítida dos deveres sociais. Criou 7 cadeiras de primeiras letras do sexo masculino e outras tantas do sexo feminino. e com o fim de garantir a autonomia do Estado. ficando seus promotores sem punição. às vezes. O pouco tempo que duraram estas adminstrações foi insuficiente para acabar os abusos que se ptaticavam na província. com uma inevitável conseqüência. ampliou os reucursos da justiça. Havia já em Sto Amaro o enisno do latim e ele transfere a cadeira para o Rosário. Estabeleceu o regímen da publicidade dos atos oficiais. que até então não eram publicados. Aumentou o número da força dos Permanentes. Era o descuido da legislação colonial relativamente a instrução e sua distribuição pelas camadas sociais. prestava-se à satisfação de paixões pessoais. contra aqueles que não estavam nas graças do poder. ter-se-ia antecipado a realização desse melhoramento. com onome de Noticiador Sergipense. nem impressos. Vimos que o primeiro jornal foi criado em 1835. e os agentes da arrecadação nem sempre prestavam suas contas. Se a política não preponderasse tanto no espírito dos homens da quele tempo. E convicto disto foi que o autor destas linhas. Cristóvão. De 6 de março de 1835 217 . como importante fator da civilização. não poderiam vencer os hábitos de arbítrio das autoridades e da pouca observância dos preceitos legais. Além de disseminar a instrução. Os dinheiros do erário público não eram fiscalizados. Estabeleceu na Estância o ension da filosofia e da língua francesa. A justiça. Estância. Porto da Folha. Por maiores que fossem os esforços destes adminstradores. e nãotinha um órgão de publicidade. E esse descuido era quase que absoluto. e nesse ano imprime-se o primeiro jornal. cujos benefícios se poderia aquilatar pela emancipação do comércio. corpo que já existia. que foi por ele aberta. determinaria o povoamento rápido. Estabeleceu o provimento por meio de concurso. não só pelas ligações políticas que os protegiam. e de alguns do primeiro reinado. de acordo com as tendências centralizadoras do regímem monárquico. tratou de pôr em vias de realização este melhoramento. que chegava a vencer a ação da lei. Elevou a vila a povoação de campos de Itabaianinha. elevando-o a duzentas praças. entregue a mãos vingativas. extinguido a Thomar do Geru. Aumentou o número das comarcas da província. que dela se ocupavam com detrimento do bem geral. Sergipe já tinha certa emancipação política e administrativa. Santo Amaro de Maroím e Vila Nova254. como governador de Sergipe. Nem sempre a lei era a garantia dos direitos do cidadão. Os antecedentes vinham de longo e extenso passado.

Pois bem. Os representantes de Sergipe na Assembléia Geral. em que lia V. obrigando à prestação de contas os agentes fiscais e proibindo completamente a imortação dos africanos. esse miserável libello e lho prstava todo o apoio ministerial. essas faltas. Ex. sustentado a lei. a política da camarilha dos dois deputados incrementava as maiores calúnias contra o administrador. ―Nesse mesmo dia. e da sua pacificação. Por ela passavam os habitantes do norte que visitavam a capital. Silva Lisboa compreendeu que a melhor soluçãoera comvocar a Assembléia. pelo dois deputados . E o fizeram e o alcançaram. relativamente ao número de habitantes. e aí escovavam sua casaca. padre Manoel Silveira e Joaquim Fontes. Punindo e proibindo o tráfico. quase sem meios. compreende-se que sua adminstração havia de descontentar os interessados. opor-se à execução da lei. cujo poder municipal tinha tanto contribuído para o desenvolvimento da civilização da província. Enquanto no Rio. Ele se caracteriza principalmente pelo programa de corrigir esses hábitos . principiam a acusar o presidente. punindo os contrabandistas com severas penas. e sem lagrima. com a provocação de dous fortes poderosos partidos que tentavam reciprocamente hostilisarem. chamando ao cumprimento do dever as autoridades. dezia ele na resposta que deu à carta escrita ao ministro do império de então. O excesso da medida desaparece perante a nobreza da causa. vejamos a adminstração do Dr. cortados todas as avenidas da guerra civil. 218 . prestava o grande serviço de plantar hábitos de legalidade. cujo desenvolvimento já reclamava esse acesso. que se ia incendiando em Santo Amaro. sendo depositados os infelizes na Estância. era diminutissimo. Manoel Ribeiro da Silva Lisboa. para depor a Assembléa Provincial. Ele ainda fazia-se por mar. Isto descontentou profundamente seus habitantes. que se continuou a fazer em larga escala na província. manter a sede da vila em Santo Amaro e criar a vila de Maroim. Determinada a causa mais geral desse hábitos. terminava eu o mais importante serviço para aquella província. em lucta durante vinte e dous dias com a sedição de Santo Amaro. ou por terra. ele prestava estes grandes serviços. principal sede do comércio negreiro. ―nesse mesmo dia recebia eu as congratulações da Assembleia Provincial e os agradecimentos do povo por haver. e sem sangue. Resolveram com as armas. enquanto os deputados entregavam-se à calúnia.O número de escolas como veremos no seguinte capítulo. E o fez pela Lei de 19 de agosto de 1835. chamando às contas as autoridades imbecis e fraudulentas. desse desrespeito à lei e do abuso do poder. hábitos que caracterizavam aquela sociedade completamente imersa na ignorância. a fim de ver se existia algum africano recentemente chegado. Realmente a lei provincial de 17 de Janeiro de 1835 tinha transferido a sede da vila de Santo Amaro para Maroim. Afagavam as tradições desta vila. era o do triumpho da Lei. ele em Sergipre. que compreende o ano de 1835. de educação cívica e abafava um movimentro revolucionário. e com huma conspiração urdida na capital. Ela era uma subcorte. Aurorizou até a busca nos engenhos. consolidado a paz‖. não obstante a promulgação da lei que aboliu o tráfico. Silva Lisboa proibi-o completamente.

dando aso executores forçaa para se fazer obedecer. ―Repartido havia também a minha intenção com as obras publicas. 219 . junto a Laranjeiras. Manoel Joaquim Fernandes de Barros que tomou posse a 6 de dezembro do mesmo ano. de entre os quaes se contavão as mais ricas e poderosas famílias da terra. que atestam o seu saber. tinha a educação européia. pelas suas qualidades. onde casou-se e morou no engenho Jesus Maria José. Além de um médico ilustrado. Os meus esforços o conseguiram e nessa ocasião em que os seus deputados deprimiam o meu crédito. havia repartido por todas as comarcas para as policiar. até que chegasse da Bahia o Dr. seu correligionário. finalmente havia protegido com efficacia a Religião do Estado. a propósito do inventário do Coronel José de Barros Pimentel. ―Da mesma serte havia heu iniciado o exame e fiscalização da Santa Casa de Misericórdia. Estudemos o homem. com que consequi fazer não só cumprir as Leis. que nella antes desta providencia se commetião impunemente. obtem os resultados dos melhoramentos que projecta. promovido a iluminação da cidade. não só para abastecê-la dos gêneros de primeira necessidade de que careciam . Envolveu-se no pleito para Deputado à Assembleia Geral. desfrutava a capiraç a abundância e o comércio que se tinha estabelecido ente ela e as vilas circunvizinhas. com o mesmo zelo tinha organizado as guardas N. como para dar impulso ao seu comércio progressivamente decadente. estendião-se a todos os Municípios. de certo que bastantes provas dá da sua incapacidade mora. Envolveu-se na política. corrigido inveterados abusos feitos à Ella e à moral e responsabilisado os empregados públicos malévolos. E aí estão suas obras sobre química e mineralogia. Manoel Joaquim Fernandes de Barros255. Fernandes de Barros não era um produta do meio social de Sergipe. exame que jamais se havia incetados por contemplações para com os seus devedores. achava-se concluído o quartel militar. ―Igualmente tinha ordenado o arrolamento e estatística da Província. e taes vantagens Lea a effeiro. Realmente. no qual figurou Almeida Boto como tutor testaentário do menor Gaspar. como cessar innumeros assassinatos. ―Quem nos tirocínios de sua administraçã. seu inimigo político pessoal. aplainado e mandado calçar outras. Formou-se em medicina em París. o capitãomor Inácio Dias de Oliveira que tomou posse no dia 10. e em todos era incansável em dispertar a inércia das camaras e chama-las às suas obrigações. juntamente com o Dr. onde foi um distinto discípulo de Gay Lussac. comprado o terreno para cãs de correção ejá principiado: aberto novas ruas. Lá firmou a competência de um brasileiro de talento. contratado a abertura do canal Japaratuba. Essa inimizade pessoal originou-se de pleitos judiciários. passando a administração ao ilustrado Dr. em 1836. impugnando à Assembleia Provincial a reducção do Corpo de Polícia e regularisando-o. Veio da Europa para Sergipe. 255 Silva Lisboa ocia à câmara em data de 9 de outubro passado a administração ao vice-presidente. ―Os deveres do meu cargo não se circumscrevião somente nos objectos da Capital. era um químico consumado. em total abandono. no que me fi mister empregar para a conseguir inifinito trabalho. melhorado o cáes. filho do Coronel Pimentel.E é ele memso quem define sua adminstração nas seguintes palavras: ―Deploravam os da capital uma Feira. conquistando muita simpatia da opinião. que ficou na presidência. Na França desempenhou comissões de valor cintífico. e Sebastião Gaspar de Almeida Boto. Em 19 de Outubro Dias de Oliveira passa a adminstração ao tenente-coronel Sebastião de Almeida Boto. e de não saber governar nem a sua própria casa!‖ Solicitpou sua demissão. Marcelino de Brito. ela era um homem de espírito não vulgar. antes de estudarmos a sua adminstração.

fora. Era impossível vencê-lo na política. Foi esplêndido o programa de adminstração que ele enunciou aos deputados. em terreno nenhum podiam com ele competir. que prosperem 220 . impune o assassino. em que se achavam os diretores da política. perdeu um poderoso fator de sua prosperidade. foi de reais desvantagens.Contribuiu ainda mais o roubo de uma avultada quantia feito quando a viúva do Coronel Pimentel vinha da Bahia para Sergipe. Sergipe. corrijam os delitos. empreguem os viciosos. Alagoas e aé da capital do Império. Tanto mais julgava sua vida pouco segura. pela competência. Pede aos representantes leis que previnam os crimes. a quem competia esse dever. entretanto. para deixar impune o assassinato de um cidadão de representação histórica. Eis as causas do assassinato de Fernandes de Barros. No dia 2 de outubro do mesmo ano foi assassinado. a fim de tratar de sua saúde. e criem o esterno. na capital da província. o poder de sua mentalidade e a riqueza científica de seu espírito. desde quando vencê-lo era impossível. o nome sergipano á altura que os seus sucessores nunca alcançaram. Se a justiça pública. Para ele a opinião popular olhava como um homem necessário. reprimam os vagabundos. É fácil prever-se as conseqüências. deixou-se vencer pela sugestão de interesses. revela um espírito eminentemente rico de excelentes projetos e a devotação. e de quem a província tinha muito e muito a esperar. em 1839. não nos pertence. Não nos compete o odioso papel de inquerir qual seu autor e aponta-lo à opinião. A fala que então pronunciou. assegurem a tranqüilidade pública. Tornava-sepreciso elimaná-lo do campo político. conservem intacta apropriedade e a vida dos comprovincianos. O que pertence-nos é indagar as causas desse fato. não querendo apontar à execração pública o seu autor. na altura de Inhambupe. Quanto mais conquistava prestígio e influência na política. Ele havia de impor-se à aceitação da opinião e conquistar a suprema direção dos partidos. porque ele plantaria uma nova orientação na política e elevaria. No campo político ninguém podia competir com o ilustrado médico. Instaurou-se processo crime. As qualidades de que era dotado. em favor da prosperidade da província. pormeio de uma medida radical. Daí os acontecimentos de 1836 em Sto Amaro. Compreende-se perfeitamente que os chefes políticos de então. a Assembleia Provincial. diretamente com outras nações. quando abriu. o odioso papel de entrarmos nessa inquirição. a morte de Fernandes de Barros. por certo. Não podiam apelar para o prestígio do talento e a nobreza do saber. A conseqüência da cosnciência dessa desigualdade. Sergipe. Este fato impressionou profundamente a opinião pública da Bahia. como na inferferência com que ela havia de obrar nos negócios do país. Desconfiou que desejavam assassina-lo pelo que mudou-se para Maceió. e estudar suas conseqüências no meio social em que ele operou-se. que descrevemos. Em 1840 teve necessidades de ir à Bahia. Foi ele vitorioso naquele pleiro eleitoral. fomentem o comércio interno. abandonando suas propriedades em Sergipe. davam-lhe o privilégio de dominar os destinos da província. Não só na vida interna da província. com a morte dele. era a inveja. ficando. em 11 de janeiro de 1836.

A par disto parece que o caráter das gerações degenerou. Infelizmente nad disto pôde realizar. Pede a criação de um estabelecimento idêntico para as mulheres. Lembra a criação de um Horto Agrícola. que o governo premie a quem cruzar e melhorar as raças. Eis as idéias dominantes da administração do Dr. fiar. cacau. Convida para iniciar-se a plantação do café. onde aprendam a coser. Pede a centralização secundária em um liceu que se deve abrir na capital.a agricultura. engomar. Melo Pereira foi o primeiro da série dos presidentes que formam o segundo período da regência. cuidar do gado e animais domésticos. cuidar de hortas. espalhem as luzes. Anima o povo a dedicar-se à indústria. toão ignorante e inconsciente. sobre a justiça de çaz. feita pelos plantadoes de algodão. Pede que a assembléia legisle sobre colonização. pela preponderância dos régulos. Pede a cração de escolas em todas as villas e povoados. e a quem descobrir um destruidor dos insetos. fazer flores. e cujas administrações caracterizam-se pela falta de segurança pública e individual. preparar seus frutos. excitem o gosta das artes. a palavra colonização para os brasileiros deve ser sinônimo de prosperidade e segurança. inconscientess e ignorantes. pelos excessos do partidarismo. de plantá-la. Pede leis que melhorem esse estado de coisas. de um lado pesados impostos. onde se diplomem os professores. Descreve os males que cercam a lavoura da cana. Pede a criação do comércio direto. que fiquem sob a fiscalização de um ispetor. cujas funções sejam examiná-las. 221 . melhorando as condições das barras. em vista das boas condições de grandes zonas para estas lavouras. a fim de privar a escandalosa agiotagem do dinheiro a 2. a fim de que se estabeleça uma corrente imigratória para Sergipe de estrangeiros. no mesmo ano de 1836. Lembra medidas de valor para que a Assembléia ofereça-as ao poder competente. que eram os chefes dos partidos. senão a criação da nova alfândega. Pede um novo plano de ensino. Pede providencias que proíbam a derrubada das matas. dispô-la para produzir as diversas colheitas. da educação de animais domésticos. que renasceu as velhas paixões. que tanto prejudicam a lavoura de cana. a organização de um banco que facilite a circulação de capitais. Pede leis proibitivas de enterramento dos mortos nas igrejas. obrigando-os a adubar seus terrenos. em obediência a um princípio de higiêni pública. A política tornou-se o assunto que preocupou adminstrações e administradores. e que agravaram-se durante o segundo reinado. que as adminstrações não souberam ou não quiseram superar. Fernandes de Barros. para que as fontes de receita pública tornem-se mais segura e o desnvolviemento civilizador mais rápido. Até então estavam a cargo das câmaras. lavar. Deste período datam os males da província. por meio de uma escola normal. porque diz ele. um estabelecimento onde se ensinem os princípios práticos de lavrar a terra. para não terem necessidade dessa devastação de florestas tão úteis.3. porque tede de passar a presidência a Bento de Melo Pereira. sobre a justiça territorial civil. Há visível e palpável desfalecimento do civismo e obnublação do patriotismo. por meio de Bóias e praticagem. da construção rural. 4% de uma caixa econômica para plantar no espírito público a economia. pelo esquecimento absoluto da lei. pelos arbítrios do poder. como veremos adiante. de outro a falta de braços educados e cultura do manufaturador. tão prejudicial à prosperidade da província.

―Finda a eleição. Ela se espalha pela província. pedindo ao Presidente da Provincia ordenar à camara da capital para tomar em separado a votação daquelle collegio. ―depois apresenou-se a acta daquelle collegio. ouve um acordo de enviarem de cada Freguesia. o qual apoderando-se da Villa. e Dr. Aprecianremos as conseqüências destes dois fatos. e em numero de 200 mais ou meos. a pretexto de não lhe ter sido enviada a acta do collegio do Lagarto. os Eleitores estavão com o Juiz de Paz tratando de igual representação. sobre-estou a camara a apuração. e seguindo a seus districtos. Os administradores defendiam os interesses dos partidos a que pertenciam. ―O Juiz de Paz. tendo por ponto de horigem a vila de Santo Amaro. representações assignadas pel corpo elitoral. rasgava-as e mandava prender aos portadores. Dois partidos prepararam-se para as lutas. A pressão era enorme sobre o sufrágio popular. figurando ter sido elle composto composte de 3. e não trepidavam na prática de meios. por occasião do apuro geral. passou a proclamar de ajuntamente ilícito. Manoel Joaquim Fernandes de Barros. contra a liberdade do voto. para diplomar aqueles. O escândalo a que quis o adminstrador chegar. cuja dandidatura patrocinava. requisitando força ao Juiz de Paz do districto vizinho.Desapareceu aquele sentimento da massa popular. que ali se achavão. que era o Tenente Coronel Antonio Luiz de Araujo Maciel e Eleitores. classificando de ajuntamento illicito aquella evasão. e que pelo numro de eleitores. Manoel Joaquim de Souza Brio. dirigirão-se à palácio para representar ao Presidente verbalmente contra aquelle facto. que era cunhado do Presidente. tanto os da capital como os de outros lugares. intimada ordem de retirarem-se. apresentando o partido legal para candidatos ao monsenhor Silveira e a Sebastião Gaspar de Almeida Boto e o liberal ao Dr. Foi um verdadeiro tumulto. fez retirarem-se della o Juiz de Paz. deu lugar a uma grande revolta dos membros do partido adverso. ―Quando esses eleitores se aproximavão do Palacio. que ao contrario faria fogo contra elles. e como 222 . ―Á vista deste extraordinário escandalo. de onde fugiram os habitantes para salvarem suas vidas. ―Seguirão algumas representações nesse sentido. já estava a guarda delle reforçada e posta em linha de atiradores. ―Então já a necessidade aconselhava uma medida que hoje dispõe a Lei elitoral. para deputados à Assembleia Geral. que era o capitão Manoel Pereira Coelho. forão atacados por uma força armada. composta de paizanos e alguns escravos. capitão de 2ª linha. para dar vitória às candidaturas que patrocinavam. O de Santo Amaro. capitaneada por aquelle candidato Boto. para lançar o protesto e realizar u movimento de revolta. As épocas eleitorais ofereciam oportunidade à prática dos maiores desatinos. ―Foi forçoso retirarem-se. e manifestada na camara da capital. escrita pelo comendador Antônio José da Silva Travassos: ―Assim deu-se a separação e seguio-se a campanha eleitoral. contra os excessos do governo. com as formalidaddes determinadas no código do Processo Criminal. mas o Presidente a proporção que as hia recendo.627 eleitores. que era de cincoenta. uma grande maioria contra os candidatos do partido legal. seno pelo commandante Manoel José Ribeiro. reunirão-se os eleitores do partido liberal. e por intermedio do Juiz de Paz respectivo. Todos os meios foram inprofícuos para uma vitória honesta do partido do governo. por occasião da apuração geral. conhecia-se não alterar o vencido. ―Quando na Villa e Freguesia do Rosario. Transcrevemos aqui o seguinte trecho de uma mem´pria inédita. cuja liberdade na escolah dos candidatos desaparecia pela falta de honestidade. No ano de 1836 ia ter lugar um pleito eleitoral.

―Então estes muniram-se de gente e das armas para defenderem-se da aggressão. de novo representar verbalmente ao Presidente contra seu procedimento. e depois de proferir blasfemias contra a Imagem de Santo Amaro que está collocada no Frontispício da dia Igreja. João Severo. sob seu commando em chefe.não fosse obedecido. que por doentes. Retirou-se Boto de Santo Amaro. e achando todas as portas feixadas. Daniel Canavieira. e a cujos habitantes não podia elle perdoar o auxilio prestado ao Juiz de Paz do Rosário. contra o qual ia represenar para a Côrte. ―Acceita a proclamação. que deixaram feixadas. deixando alli um destacamento de quarenta capangas sob o comando do facínora João Soares da Soledade. não poderam retirar-se. e seguiram para a dita Villa. sob a palavra do governo. e dispondo-se a vingar a afronta feita à Santo Amaro. levando-se em carros o precioso dellas. mandou-as abrir sem precedência de formalidade legaes. e concluía pedindo a apuração em separado da acta do collegio eleitoral do Lagarto. indo em seguida para a capital. que procuravão suas casa pela notica da retirada do destacamento. entrou Boto com aquella força em Santo Amaro. sem tempo de conduzirem nada das suas casas. sendo arrombadas a machado. Antonio José Gonçalves de Figueiredo (aquelle candidato à deputação Geral. eo que não fez conta conduzer-se. dominaram-se de fanatismo alguns dos rapazes santamaristas. os quaes foram conduzidos em braços. queixando-se das artitrariedades praticadas pelo Presidente. que a applaudiram e dispersaram-se. e levaram as Âmbulas. ―Esta representação narrava os acontecimentos. empregou a força e fez a dispersão. toamram e expediente de embarcarem-se em canoas. ―Não tendo este com quem brigar. morrendo estantaneamente. tomaram armas. ―Passados oito dias. se poz em fuga. voltando tramquillos às suas casas. consertaram os liberaes. confiando. mandou ali o vigário de Laranjeiras. ―Chegando disso aviso aos habitantes da Villa de Santo Amaro. nem mesmo roupas. que como ral não se tem mandado concertar. companheiro do Presdidente Ignacio José Vicente) admoestar aos santamaristas para depor as armas. ―Sabendo Boto daquella reunião. de seguir desermados à capital. e foi esto na noite do dia 15 de Novembro de 1836. Logo que o destacamento soube do que havia acontecido ao seu commandante. dando vivas ao Presidente da Provincia. refugiando-se para as praias. onde logo encontraram a sós João Bolacha. achando-se também algumas famílias pobres. Por este facto. despejaram as sagradas Formas. contra o qual deram descarga. postos no meio da praça. e outro do ornato dos santos. ―Mesmo as igrejas não foram isentas do saque. com a sua força lega. ―Seguio-se o saque em todas as casas. e alli existe ainda essa memória. dirigio-se a Igreja Matriz. e contra aquillo que acabava de praticar seu cunhado. lançou mão de uma reúna. seguindo todas as famílias com o trajo que tinham. no município de Larangeiras. foi lida em altas vozes em frente dos reunidos. entregando-as ao dito vigário. acando assim a existência. que se achavam refugiados fora da Villa. ―No dia seguinte. onde foram espingardeados. dizendo-se ir elle atacar aos reunidos no Engenho Sant‘Anna. sendo aquelles que vierão assassinar João Bolacha. quebando a mão direita do Santo. que se achava inerme. no fim de seis dias. ―Voltou o coronel Graça com uma proclamação do Presidente. embora morressem. e seus agentes. que promettia deitar um véo sobre o passado. ―apenas haviam ficado na Villa Manoel Alves Pereira. e os reundos em Sant‘Anna. pessoas mais gradas e de differentes districtos. seguio com uma força de Permanentes. 223 . levando-se toalhas. da qual foi o portador o coronel Francisco da Graça Leite Sampaio. pessoa de confiança do Presidente. estando embriagado. para Larangeiras. e do partido deste. ―O ponto concetado para essa reunião. e paisanos. lhe disparou um tiro co a dita reúna. foi o Engenho Santa‘ Anna. ameaçando tomar vingança. quando apenas achavão-se vinte rapazes. foi quebrado. ―Correndo Boto e os demais que elle capitaneava. como era seu costume. seuguiu Boto com uma força de 600 praças. ―Persuadido assim o Presidente. enviaram estes uma representação ao Presidente. ―Ficando estacionados Boto em Larangeiras. às oito horas da manhã. não foi por isso preso. aconselhando aos reunidos de deporem as armas. que dormiam descançados no promettimento pela proclamação do Presidente. que era elle Presidente o primeiro a reconhecer a nullidade do collegio do Lagarto. ―Dado isto persuadio-se o Presidente que aquella Villa se achava ocupada por grande força. Abriram o sacrário. e foi cercar a Villa de Santo Amaro. conhecido por João Bolacha. prata. ―Dado este acontecimento.

e como aceitasse a ilegal remoção. por alusão aos roubos praticados em Santo Amaro. ―O Dr.de onde era natural. e emboscarão a tropa na entrada da dita Villa. que para ali fugiu. e ferimentos de alguns outros de partr a parte. e de um soldado da força do governo. agremiou-se em um partido. ―Com aquelles procesos deo-se a preseguição da maior parte dos comondongos que não quizerão alistar-se na bandeira rapina. disposerão-se os ditos rapazes. onde rompeo fogo. e então buscou perseguir com assaltos nos diferentes Engenhos. que foi o ultimo delegado do governo e da regência. ―Tão bem a força do governo não se demorou na vila.que tomou posse no de 1837‖. foi removido pelo presidente para comarca de Estância. Voltando o vigário Figueiredo. que era juiz de Direito da comarca da capital. uma nova força se dirigiu a Santo Amaro. pelo crime de revolta. ―Então os do partido legal denominaram aos liberais de camundongos. que não encontro no centro do governo restrição ou punição. por Decreto do Governo Imperial.―Foi-lhe respondido que o Presidente não merecia confiança.o partido dos corcundas dominou durante elas. que se fez chefe absoluto do dito partido dominante e de tudo dispunha á vontade. foi o fato que determino a criação dos partidos. retirando-se os rapazes em vista da desigualdade da sua força. 256 257 Tomou posse a 31 de maio de 1837 Tomou posse a 28 de agosto de 1839 224 . ― D‘hai em diante chrismaram-se os partidos. Uma idéia liberal foi. ―chegando disso noticias na Villa. que ficou outra vez deserta. e logo retirou-se para a Bahia. As pessoa256 seguiram-se: o Dr.que emigravam uns para Bahia e a maior parte para a província das Alagoas. Por isso mesmo que os sergipanos o puderam obstar.Manuel Joaquim de Souza Brito. pelo facto de não ter cumprido o que prometteo na proclamação que foi lida em Sant‘Anna. continuavam a exercer empregos públicos. sítios e mais lugares dos municípios sendo permittido o assassinato e o roubo. Seus habitantes sentiram-se irritado por um ato de tão inqualificável arbítrio. comosta de cerca de quatrocentas praças. As administrações que se seguiram à Bento Pereira guiaram-se pela orientação por si traçada.arrastado por seu cunhado Boto. Demitido o Presidente. e dando esta resposta ao Presidente. pois. em vista do extraordinário numero de Eleitores fictícios. mandando-os depois assassiar e roubar. que mais tarde o postou sem vida em uma das ruas da Bahia. E também eram procurados em outros municípios pessoas influentes do partido liberal. por alusão ao apelido que tinha aquele seu candidato Souza Brito. Indiferentes de todos ao bem publico. e que as armas conservavão para defenderem-se dos assassinos. classificação que deu aquellas representações populares. cujo programa era emancipação. pelos roubos e assassinatos que praticarão. reduzindo a letra morta o decreto que elevava Sergipe a capitania. não representava o Presidente outra causa mais do que authomato . que ficarão sendo conhecidos uns de camundongos e outros de rapina. escapando ao punhal assassino. e os legais foram apelidados de rapinas. resultando a morte de um delles Amphrisio de Campos. ―Ocupando o rapina todas as posições oficiais na província. ao mesmo tempo que estes tão bem pronuciados pelos crimes de roubos e assassinatos. ―Foi substituído por Jose Marino Cavalcanti de Albuquerque. Escrivão do Juiz de Paz de Santo Amaro.sendo um destes o Dr. natural daquela província. tratavam exclusivamente da política.Manoel Joaquim Fernandes de Barros. Vimos nas paginas anteriores que o abuso cometido pela Bahia em 1820. acontecendo que alguns dos comondongos reunidos. ―No entretanto foi nulificada aquela desastrada eleição geral. ou reuniões dos ditos camundongos.Estes tão bem instaurarão processos contra os rapinas. Joaquim José Pacheco (1839). foi demitido por acto do mesmo Presidente. que era . a que nutriu a primeira organização partidária.a quem foi estranhado seu procedimento e notado inepto. e o coronel Wenceslau de Oliveira Belo257.

na sociedade daqueles tempos. ainda lhe fica uma aspiração liberal. em Santo Amaro. 225 . Dr. na esperança das graças do poder. e a ele demos o nome de partido recolonizador. durante o primeiro reinado. da propaganda liberais. Nesta seção de tempo. De 1840 em diante. não se podia nele manter. o outro conversou o mesmo nome. em vista da oposição da opinião.Fernandes de Barros.que intimidada os homens a protestarem contra as tiranias. e que foram o segundo reinado da monarquia. eram Sebastião de Almeida Boto e Joaquim Martins Fontes. Notifica sua saída da administração. o partido corcunda passou a denominar-se rapina. São estas as duas organizações partidárias de Sergipe. Em vista da rapinagem que foi praticada pela troca na busca que deram nas casas dos habitantes daquela vila. e defender as garantias das classes populares. Pretendo essa aspiração emancipacionista. Desaparece da opinião a consciência da liberdade. a largos traços. do corcunda. os privilégios de raça. por causa da defesa ilimitada que seu secretario presta ao povo. de 1820 a 1831. pratica alguma coisa que desperta a desconfiança publica. De 1824 para cá. o povo torna-se morno e parece que degenerado. por que seu programa é então fiscalizar essa emancipação. protestando conta uma fraude eleitoral. cego pela paixão política. Os chefes principais. o poder da família. e de Sergipe constituir-se em Província. que com os seus.O partido antagonista deste era o dos portugueses. no período da regência.Marcelino de Brito do liberal. contra os preconceitos de nobreza. É esta a característica dos tempos. em defesa da causa publica. a cuja prosperidade nada de útil prestou. que o inteligente Rebouças tratava de espalhar. desse temperamento. O outro partido alcançou algumas vezes o poder. a idéia dominante do partido desaparece. ao o qual aliaram-se alguns sergipanos. pela prepotência dos poderosos e dos ricos. porem. A revolução de Santo Amaro é o ultimo sintoma que o historiador apanha desse espírito rebelde. e oferecendo até o sangue dos seus membros. Daqui em diante o historiador nota. em 1831 uma capitulação a Bento Pereira. em cujo estudo vamos entrar. com o fato da independência do país. quando o partido adverso. Eis a evolução dos partidos na província. Ai está ele na revolução de 1836. por isto que seu ideal emancipacionista tornou-se uma realidade com a independência. a perda do civismo. que os levava a sufocarem suas convicções . Os acontecimentos de Santo Amaro determinam uma nova denominação nos partidos. o partido liberal esteve na posse do poder. juntamente com a tropa. Há um sintoma dominante de uma degeneração de caráter. Dr. sempre em perigo iminente. ainda que poucos. E ai esta o apóio que ele presta à administração do brigadeiro Silveira. Ai está ele impondo. e um obstáculo contra os atentados do poder. quis depô-lo. o desfalecimento do patriotismo. Ele representava o elemento aristocrata da província. dessas explosões de patriotismo.

depois da maioridade de Pedro II. Indiferentes à segurança pública. protegido pelos homens da situação.José Cupertino de Oliveira Sampaio. Isto acentua-se tanto mais. e sem as regalias os cidadãos do partido que não era o da situação. quanto passam-se os dias do segundo reinado.como se deu em laranjeiras e Itabaiana.que foi planejado em Sergipe. E é incontestável que essa degenerarão partida da instituição. o do juiz de paz da Capela.Fernandes de Barros.em 1845 que há pouco tinha deixado a chefia de política. que a datar do segundo período da regência. Entregues a paixão. sobre todas as manifestações da saciedade.Anselmo Francisco Pereti (1842-43). A fim de se esquivarem às perseguições que se punham em pratica.CAPITULO IV DELEGADOS DO SEGUNDO REINALDO ATÉ 1855. Os criminosos. registra-se. Em uma síntese podemos traçar a macha que seguiram.Seria fastidioso a que descrevemos cada uma das administrações. Dissemos no ultimo capitulo. em1841. FINANÇAS. OS PARTIDOS. na administração de Zacarias de Góes e Vasconcelos (1848-49). sendo a sociedade testemunha das cenas de sangue. Entre aqueles apresenta-se o Dr.O povo foi massacrado pela tropa. contra os abusos que se cometiam. Alem do assassinato do Dr. ficando em punição dos crimes que se perpetravam . e a degeneração liga-se ao predomínio da política. sendo sua mulher raptada e à força. todas as mais se caracterizaram pela indiferença à prosperidade geral. empregavam a força armada contra liberdade do voto nos pleitos eleitorais. Quem comparar os fatos anteriores e posteriores a 1840. Eram chamados os chefes de política. casada com seu raptor. não inquiriam da idoneidade do cidadão. foi o coronel João Pedro da silva Ferreira . Nenhuma manifestação de civismo encontra o historiador. Os crimes amiudavam-se. Com exceção da administração do Dr. emigravam para as duas províncias vizinhas. para a fusão dos cargos públicos. da forma de governo. nota uma profunda diferença. percorrendo aramados os povoados e as vilas.viviam a zombar da justiça. o espírito público da província foi tornando-se indiferente as usurpações que o arbítrio tendia a conquista contra suas liberdades. como o mais seguro recurso de defesa. às necessidade das classes produtoras. INSTRUÇÃO PÚBLICA. em 1840.de Antônio Joaquim Álvares do Amaral (1845). desempregados por indevidos que se entregavam à vontade dos dominantes. O primeiro presidente despachado para Sergipe.O caráter tendia a degenera-se. Houve feridos e mortos.desde quando elas obedeciam aos mesmos princípios. 226 . José Alves Pereira.e de José Ladislau e Silva. MUDANÇA DA CAPITAL.

basta dizermos que de melhoramentos materiais só foram feitos a abertura do canal que ume o rio Japaratuba ao rio Pomonga. na adimistração de Sebastião Gaspar de Almeida Boto. Aquele mesmo partido que sempre timbrou em defender o bem público. altamente atentatório à riqueza particular dos habitantes de 227 . havia um criminoso que se tinha celebrizado. fazendo com que o prêço de gênero de consumo fossem muito diverso em lugares próximos. elas o acoroçoavam. Matias em Maruim Moura no Rosário. E ambos estes melhoramentos pertencem à iniciativa do comendador Travassos. Marunba na Capela. contra a prepotência dos que queriam dominar.o estado do comercio que podia comunicar-se com outras praças. nos quinze primeiros anos do segundo reinado. para serem rebatidos no comercio com grandes especulações dos negociantes em lucros exagerados. As autoridades animavam-no. citamos Inocêncio em Laranjeiras. Grandes diferenças nota o leitor entre esta sociedade e a das gerações passadas. chegamos a um lamentável estado de selvageria pelo lado financeiro chegamos à bancarrota. O silencio popular parece que era uma prova de aquiescência de tantos desmandos. um sintoma eloqüente de uma profunda degeneração. sem poder a justiça publica entrega-los à severidade dos castigos penais. Eram estes os homens que levavam o luto e a orfandade às famílias. porque viviam sobe a proteção dos poderosos.|A política dominava com a corrupção. durante o segundo reinado. diminuíram assim o numero de naufrágios dos navios que demandavam Sergipe. Eis o estado a que chegou a sociedade de Sergipe. não chega ao ouvido do historiador o grito do seu protesto. essa falta de patriotismo e de civismo que se ressentia a população de Sergipe então. senão a Bahia. Na consciência das administrações não fazia a menos mossa a necessidade que tinha a província de melhoramentos. E esse estado decadência da sociedade. na impunidade dos seus crimes. por que não o puniam. revele-se claramente no fato de 1855. e o trabalho de rebocarem nas barras. Instrumento cegos das paixões do chefes. Assim. como pelo escândalo que ostentava. perdeu suas tradições e seus programas.o estado do comercio. Xicão em Itabaiana. Quincas em Própria. A falta de fiscalização do dinheiros públicos chegou a ponto de não haver numerário para pagar-se o funcionalismo. Nas baixas regiões desaparecia o civismo e não se ouvia uma voz de protesto contra um tal estado de coisas.Em quase todas as povoações. não só pelo numero de vitimas. Durante meses. Se havia um outro patriota que sentia no fundo d‘alma a decência dessa sociedade que se corrompia. Nas regiões do poder o crime não desapertava a punição. a falta mesmo de estrada entre os centros de população. degenerava-se a sociedade. ao qual o governo entregava vales. As suas vias de comunicação muito difíceis. Vicente Cardoso em Santo Amaro. Como o leitor vê. pelo estado das barras que não se despertavam nas administrações de 1840 até 1855. em 1842. Se pelo lado de segurança publica. suspenderam-se os pagamentos aos empregados públicos.

Se admiramos sua coragem. o poder da sugestão a que seu espírito. pouco depois da mudança da capital. as suas causas e suas conseqüências.Cristóvão e seu município. de saborosas frutas. Idealizou o plano e realizo-o. E é para admirar-se que a deliberação da administração não recuasse perante a grande soma de interesses particulares que o ato da mudança ia prejudicar. 12 fazendas de criação de gado. e consentiu facilmente na realização dos planos oficiais. Entretanto vós todos concordareis que. nova cidade. Admira-se realmente a coragem do Dr. sem tradições e sem edifícios. feitos à presa. Obrigados a irem habitar em um meio paludoso. . que veio consignado para realizar esse atentado. como é o corpo cuja cabeça ele representava. aos representantes da província.a mudança da capital para o Aracaju que era uma praia inóspita e inabitada. e que já havia mais de trinta que nele se acha a sede da Capital da Província. seriam inúmeras as vitimas desse meio tão pernicioso e epidêmico. Isto é bem característico da degeneração do caráter e do civismos daquela sociedade. ficando na orfandade e sem arrimo do esposo os infelizes filhos e esposas. lançando pragas ao administrador. retirando a vida oficial de uma cidade secular. A falta de habitações era absoluta. As repartições publicas funcionando em casebres. Enquanto a população de Santo Amaro. As tradições do tempo trazem-nos inúmeras perda de pais de família. ―Era sem duvida tempo suficiente para ostentar-se rico e populoso. indo compacta. é uma 228 .que em recentes períodos geológicos serviu de leito do Cotinguiba. As causas justificadas do ato vêm na fala que Inácio Barbosa dirigiu. vitimadas pela febre paludosa.S. morrendo de febre palustre.Manuel Inácio da Silva Lisboa (1835). que foram os primeiros a reclamar pela mudança da capital. de excelentes águas. porem. sem a menor garantia e segurança. longe de ser elle um grande Povoado. E daqui que a colonização melhorasse tais condições anti-higiênicas e que permanecia de um centro populoso espantasse os miasmas. como o atestam alguns dos seus velho monumentos. rodeada de 200 sítios de pequena lavoura. 11 alambiques.Cristóvão. unida e armada. onde intenta edificar. Seu espírito não se deixou influenciar por nenhuma dessas inconveniências que seu ato acarretou. pela grande quantidade de pântanos existente. o leitor viu quando o poder legislativo mudou a sede da vila para Maruim. incisivamente epidêmico. buscar seus cartórios. O próprio presidente teve de habitar em uma casa de palha. cujas tradições deviam estimula o patriotismo de seus habitantes. de clima ameno. o fato. situada excelente local. de uma noite para o dia. para satisfazer assim interesses políticos e individuais. Somente as velhas espreitavam das rotulas os carros que conduziam o cofre e os arquivos. que as mãos sacrílegas de um administrado viesse atirar na pobreza um sem-numero de famílias. de ricos e belos edifícios. Os cofres depositados em albergues.Inácio Joaquim Barbosa. anulando os inauditos esforços das gerações passadas. Estudemos. em 1º de março de 1855. ficou indiferente ao atentado. Vejamo-las: ―Ninguém ignora o Povoado da Cidade de Sam Christóvão contra cerca de duzentos e cinqüenta annos de existência. sobre um solo arenosa. vila pobre. E foi o que se deu. com um município de 43 engenhos. de abundancia de alimento. O próprio presidente foi vitima de sua ousadia. e que por isto não pode oferecer base suficiente para grandes e largas edificações. a população de S. pequena. e a assembléia de reunirce de baixo de um pé de cajueiro. ou por outra. para ir atira-la às praias do Aracaju. Os infelizes empregados públicos para garantirem o pão cotidiano. Foi o protesto. cujo os interesses não se podem comparar. e o reclamava desde a administração do Dr.

1...........................965 Porto da Folha................. A única circunstancia de valor real contra a permanência da capital em S...................643 Campos ....664 Santo Amaro ..................958 Lagarto .... comunicase diretamente com o Povoado de Itaporanga........... diz pouco adiante: todos os demais povoados estão mais ou menos no caso da cidade de S.....3..170 Não era também a cidade menos populosa de então........... Inexatidão revela-se na própria incoerência de suas palavras...................789 Itabaiana .. ........... Cristóvão era sua distancia para o porto...............................1...475 Vila-Nova.3...1....... alem de ficar no fundo do rio Piramopana com dependência de marés............Cristóvão era a menor cidade da província........807 Capela....... o seu aspecto só revela decadência e miséria.......... e poderia enterter-lhe a vida..570 Laranjeiras .... se........30............................. acrescentando que diferente dos demais centro de população da mesma província........... Nenhuma localidade igualava-lhe em população.................3....................... vê-se a inexatidão da legação: S............................. pois que é pequeno recôncavo da ribeira do Vaza-barris....................... Capital da província de Sergipe.... Em 1850 o numero de habitantes de cidade de S... condições estas que tornariam para o futuro a nova capital uma excelente praça comercial... O único protesto que encontramos em nossas busca contra o ato do presidente....... que os ligasse e com que por certo.................... ..... dificultando esta que podia ser remediada com a viação férrea...........030 Rosário. a cuja 229 ............................Cristóvão................................. nem seu município.......... quando depois de ter dito que S.....1................Cristóvão... e dificuldades de toda sorte para navegação.. que fica na margem do mesmo rio Vaza-barris?‖ Eram inexatas as alegações do presidente sobre a decadência de S... junto a um excelente porto e de uma barra superior á do Vaza-Barris......................das mais pequenas Cidades da Província.................................. como sendo a menor e mesmo populosa cidade da província...... com na formação geológica....... que no auge de desespero e exige a observância da lei fundamental do Estado............... 2......Cristóvão........... transformando uma praia insalubre e deserta em um centro populoso...1............976 Estância................. Cristovão era 1............ Sr.693 Total........... .. 258 Illm.2............................... E como não seria assim..................544...... Cristovão.. – A câmara Municipal d’esta Cidade de S... os cofres públicos despenderiam muito menos do que despenderam para edificar uma cidade em tão pouco tempo.... não dispõe esse povoado de recursos próprios.. Pelo seguinte quadro do numero de fogos das povoações de Sergipe em 1852..773 Divina Pastora..718 Maruim........624 Socorro.....231 Santa Luzia.......... a quem foi presente a representação verbal dos habitantes d’ella..... E Exm........ que lhe fica próximo............... A outra causa alegada pelo presidente foi a superioridade topográfica do Aracaju.309 Propriá.......... como as barras de ambos os rios são iguais...2................ ........... não podendo ser indeferente aos justos clamores do povo........ foi lançado pela câmara da capital nos ofícios e representações que o leitor pode ler na nota abaixo258....... Não só o porto do Cotinguiba não é superior ao do Vaza-Barris.... não só em volume d‘água............... .........................

V. vem representar a esta Ilustre Assembleia. e que a transgressão das leis e muitos tem abismado: e por isso esta câmara solicita de V. parente o Brazil. e parente o mundo inteiro. Ex. que se derramar possa. Esta camara. Sr. E Exm. e do direito que esta câmara em nome do povo reclama se tornará credor das nossas afeições: ao contrário. e leal povo desta capital perante a Provincia perante o Brasil e o mundo inteiro. Anna. Ex. por ser hum acto nullo. respeitava nosso direito de petição. a falta de economia política. perdas. Ex. e damnos de vez por vossos bens. senhores. perante o Thorono. Ex. presidente desta província. Deus Guarde a paço da camara municipal da cidade de são Cristovão. se compenetrar da razão. uma necessidade em mudar a sede do governo. Esta Camara confia que V. Senhores da assembléia Província. só e unicamente convocação da assembléia provincial nesta capital. e leal. por huma só gota de sangue sergipano que derramar-se possa quando o desrespeito exarcerbe os ânimos motivando esse desespero a aggressão. não jpodendo ser indiferente ao clamor publico e a dissolação que observa a mesma Capital. compartilahdo do dissabores de seus concidadãos. para que todos conheção da forma porque é transgredida a Lei: o que mais importa. não deve consentir como primeira authoridade da província. perca a natural resão. por isso que no artigo quinto do mesmo está determinado que a reunião da Assembléia será em lugar por actos legislativos Provinciaes. não vos deram poderes para tanto. – Marcos José Martins. mas que lhe foram postergados. parente a Lei. e o mundo inteiro. e animador. Dr.sombra repousavão intertes por se julgarem garantia. Illm. protesta ainda e o que mais importa por serdes os responsáveis perante Deos. em que V. Não afiança esta camara a V. – Joaquim José Pereira. os reditos das estações publicas. por si e em nome de seus concidadãos. – José da Rocha Bastos. Permitta V. ou antes o cumprimento do artigo quinto do acto addicional: certo de quem se V. Sr. e por qualquer repulsa a elle feito. protesta de haver hum dia os habitantes desta capital seus prejuízos. e por isso esta camara nada despresará para defender o pacífico. Parece que há quem pasando a razão deixe de conhecer a nenhuma utilidade publica. quando o povo considerando o completo extermínio de sua capital. Sr. único ponto de suas reuniões. os Sergipanos quando vos elegeram deputados. e elevação de província do Brazil. Esses casos até hoje se deram. que a 14 annos prosperava consideravelmente. por não poder Ella reunir-se em outro algum ponto. e o Brazil inteiro de ser V. vos representa que toda e qualquer reunião. esquecendo-se todas as considerações. Sr. capital da província de Sergipe. e inhabitavel por suas continuas epedemias. e que edificava. o único responsável por huma só gota de sangue Sergipano. esta Camara em nome do povo. Ignacio Joaquim Barbosa. o propósito firme que há de reduzir-se a miséria cinco mil habitantes da capital com ocupações honestas. por isso que desde sua instalação até hoje ainda não decretou para fora desta mesma Capital essa reunião. E com effeito. e extorção de direitos que este povo julgava garantidos. ou seja ella ordinária. e menos lhe presta apoio. e docilidade de que he dotado. e offerece hum futuro. que tenhaes de fazer para legislardes devera ser nesta capital da províncias. Ex. a fraqueza que hé própria a esta camara. que representa . Exm. Ex. nem pode afiançar a que ponto chegar o desespero dos pacíficos habitante desta capital. e os edifícios do estado que não menos importão da duzentos contos de reis. E não o tendo feito Emx. ou não e prottesta por isso por serem nullos e írritos quaesquer trabalho vossos que não forem de accordo com a lei fundamental do estado: promette mesmo levar seu protesto aos pés do thorono augusto de sua magestade imperial. pedindo a restricta observância do artigo 5° do acto addicional: representa a V. Senhores. permitida nossa linguagem verdadeira. – Ignacio de Paula Madureira. hum commercio florescente. Ex. 230 . Ex. é claro evidente ser a reunião da assembléia nas praias desertas do Aracaju huma medida que revolta os ânimos mais pacíficos dos cidadãos. e irrito. – João Simões da Silva Samango – Joaquim Felippe de S. Ex. e nem a assembléia se poderá justificar de huma infracção de lei fundamental do estado. e por isso desde já protesta Deos. terá de levar sua voz ante o thorono Augusto de sua magestade Imperial e constitucional. comessava sua existência civil e política. em Sessão extraordinária de 28 de fevereiro de 1855. sabe que da boa administração da justiça depende a felicidade dos povos. para ser objetivo de desprezo. Ex. usa reunia em outro qualquer ponto da Provincia He uma ferida gravemente feita ao Acto Adicional. apoio que a lei longe de o dar reprova. a sombra da qual todo o cidadão deve repousar tranqüilo. – P. perante o Brazil inteiro. emfim huma antiga capitania do reino de Portugal. Exm. para que faça reunir a assembléia nesta Capital. – Francisco José dos Santos Pinho. que tendo sido esquecida com sua recente emancipação. e mudar e sede do governo com a maior precipitação para huma praia deserta. – A camara Municipal desta capital da Província de Sergipe d’ElRei reunida em Sessão extraordinária. Não vê esta Camara. vem apresentar a V.

que se abusa das boas intenções que a nosso respeito nutre Vossa Magestade Imperial. – Ignacio de Paula Madureira P. contra a disposição dos arts. capital da província de Sergipe em sessão extraordinária aos 28 de fevereiro de 1855 . Outro tanto pretende fazer com os coffres da Thezouraria Geral e Correio. e somente é essa verdade desfigurada pelo actual presidente da província. – a camara Municipal da cidade de S. pelos coffres da Província. – Marcos José Martins. actual Presidente desta Província. sempre aollicita em promover o bem público do seu Município. tendo igual destino os coffres provinciaes que alli estão sem a menor garantia. Cristovão dotada dos Comodos necessários para a existência de um Povo. mudado desta_ cidade para as praias do Aracaju a Capital da mesma Província. Christovão. Imperial Senhor. para não fatigar a paciência de Vossa Magestade Imperial. logo para alli transportou-se o Presidente. logo mandou o Presidente conduzir para aquelle terreno diserto os Archivos da Secretaria Presidencial. he baziada na razão de ter sido elle praticado contra a Letra da Lei. que em linha recta. Reunidos os deputados. para cuja infracção coadjuvaram esses deputados. por ter terras perdidas no Aracajú quer approveital-as!!! Lá. basta sómente attender-se ás enormes despesas. e se promove o engrandecimento do Paiz só por diferenças a alguem. n'essa praia está o Pessoal das Repartições soffrendo 231 . e o que he a bella Cidade de S. 5° e 10 do acto addicional. que a lei lhe confere. – Joaquim Felippe de Santa Anna. – José da Rocha Bastos. construídos nesta Cidade e que esta Camara deixa de enumerar. dispresando assim hum palacio dos melhores do Imperio onde esse Archivo estava. e ahi no dia 17 de fevereiro fez por carta officiaes assignadas por ambos. do Termo desta Cidade. Tendo o Bacharel Ignacio Joaquim Barbosa. e ás conviniencias Publicas! Mas ahi estão os pactos. e amantes das Instituições do seu Paiz se escuzaram de fazer parte do illegal e absurdo Congresso. honestos. que se encare os interesse della. das puras intenções da vossa M. Fundamental do Estado. Paço da camara municipal de S. faltaria a um dos seus mais sagrados deveres se deixasse de levar este pensamento ao Soberano Conhecimento de Vosa Magestade Imperial. como pai commum dos Brazileiros. abusando do poder. se não importa de tanto de frente ferir. vem com o maior respeito a acatamento ante a Augusta Pessoas de Vossa Magestadade Imperial e Constitucional representar e Suplicar o bem. precipitada e absurda mudança! O presidente de que se tracta. e sempre foi isso reconhecido por qualquer lado. mas sim uma incurialidade. – Joaquim José Pereira. Christovão ex. como deve constar de uma lei inconstitucionalmente feita e promulgada nas referidas praias do Aracaju!!! Sim. Imperial Senhor. que. e o da mesma Província a que pertence. incrlvel tanto desacato á Lei. que mostram com evidencia os nossos soffrimentos! E para comprehender-se a caprichosa tenacidade do actual Presidente. e o desprezo. Parece. depois disso de tantos Edifícios Públicos com os quaes a Nação gastou milhões. que praticou. Thezouraria Provincial e pessoal respectivo.-capital da província de Sergipe. Senhor. e ali fizessem sua sessão ordinária. que por fortuna ainda permanecem em um optimo edifício de grossas paredes de pedra e cal livres do menor risco.alias este ponto para isso o primeiro da província. Não querendo esta Camara attribuir ao Presidente actual huma desonestidade pelo acto. quando presidente desta Província oppoz-se a que fosse para alli transferida a Alfandega!! Hé desta forma Imperial Senhor. que tem elle feito. o que não se dá no esteril. esta Camara testimunhando tantoa absurdos e injustiças. que de vossa Magestade Imperial. reunir os deputados Provinciaes e deliberou que estes se passassem às ditas praias. por que alguns de numero. e outras. insalubre e arenoso Aracajú. – Francisco José dos Santos Pinho. – João Simões da Silva Samango. depois de sua posse até hoje. decretou ele a precipitada e nulla mudança. Manuel Vieira tosta Dezembargador Joaquim Marcellino de Brito. cuja maioria foi composta de Supplentes. que são convergidas á prol do bem estar de seus súbditos abandonou esta cidade. que inteiramente estanhou aos interesses della. Em conseqüência do que. de quem o Povo oprimido desta Cidade e Província espera saudáveis providencias que o ponham a salvo dos incalculáveis males que podem provir dessa illegal. deve esperar. e a pretesto de passar o carnaval no engenho – brejo – apresentou-se no da Unha do gatto propriedade do barão de Maroim. fazer violência ao acto legislativo da província pela inconstitucionalidade da vosa reunião. para proval-a servia bastante que Vossa Magestade Imperial ouvisse aos conspícuos Conselheiros Zacharias Goez e Vascosellos. lhe fica distante 3 legoas pouco mais ou menos. que elles diriam a Vossa Magestade Imperial o que he a praia do Aracajú. imperial senhor. para sepulta!-o em uma cazinhola sem segurança. e tanto assim hé que o bem intencionado Commendador Antonio Joaquim Alves do Amaral. e quando na boa fé almeja a Capital o seu regresso. Imperial. quando esta Camara declara nullo e insubsistente semilhante acto.

..... em Sessão Ordinária de 30 de Abril de 1855..... anterior e posterior ao ato da mudança. Joaquim José Pereira... José Geilherme Machado de Araujo..............75:824$000 A despesa mais ou menos a mesma 1839.......... Miguel Correia Nunes... À muita alta............. chegando ele em 1857 a 138:257$000 Eis o quadro da receita e despesa RECEITA 1835........... P...... poderosa e Sagrada Pessoa de Vossa M........46:484$000 1855 – 56..317:270$000 A marcha do saldo foi a seguinte: 1847 – 48.... em razão de dez e um quinto... naquele ano..... João Duarte Portugal... e perseguido...... Em 1835.................. Imperial pisa com alarde a um povo manso e pacifico.... para o Aracaju............. Marcos José Martins.... só por que assim o quer e o manda hum Presidente........ – Ignácio de Paula Madureira.. Luiz Antonio de Leiros.......... Joaquim filippe de S............. 764$000 1852 – 53. verifica-se a existência de saldos na província......... a receita foi orçada em 25:375$000 e neste em 317:270$000....... esta Camara com a maior submissão requer a Vossa M...........E no estudo comparativo do estado financeiro da província...........279:410$164 1855 – 56..43:806$000 1852 – 53.... encontramos a primeira lei orçamentária...... pelo aumento da prdução........... Imperialrial e constituicional a suspensão de qualquer ordem............... Manoel Joaquim de Guia... Cristóvão de Sergipe de El-Rei.............. que abusando da bondade .21:741$000 1850 – 51...... de que elle dispõem como senhor absoluto............ DESPESA 122:530$500 141:713$206 172:142$000 202:065$000 232:925$000 232 .. Com o aumento da receita.154:142$000 1851 – 52. onde já se acham as Provinciaes..... e da missão que lhe confiou VossaM............. e para isso conseguir despresa a Constituição do Império...151:896$000 1848 – 49............ como já a alguns se tem feito!!! Estas camara................... É por tanto que...... por que assim salvara Vossa M... Imperial e Constitucional façam-os cessar d’uma vez.56:571$000 1856 – 57.............. Realmente............101:406$000 1844............ imperial senhor.......... Imperial Guarde Deus como havemos mister faço da Câmara Municipal da Cidade de S.............. que o prezidente de relativamente a retirada dos coffres da Fazenda Nacional.64:434$000 horriveis privações para não ser-Ihes tirado o pão.......... deplora a consternação dessas famílias desterradas em uma praia inhospita sem abrigo. Até 1855 verifica-se sempre o aumento da receita..105:100$000 1838.............91:500$000 1837................... pode-se demonstrar suas desvantagens.....25:375$000 1836. Anna........

este saldo desapareceu. seus efeitos foram de grande inconveniência nos centros populosos que já existiam nas circunvizinhanças do Aracaju. e 15 do feminino: 9 aulas de latim. tirou-lhe grande parte do seu valor comercial.85 alunos 1849---------54 alunos 1850 --------113 aluns 1851 ---------88 alunos 1852 --------158 alunos 1853 -------119 alunos Em 1852 a província contava 39 escolas primárias do sexo masculino. por esse tempo. Tomaz Alves Júnior (1860). Manoel da Cunha Galvão (1858). que além disto. Não podia competir com a vida oficial do Aracaju. cuja aula foi supressa em abril de 1852. nesse tempo. na administração do Dr. Nele ensinava-se geometria.Em abril de 1857 o saldo tinha subido a 168:766$000. Bastam estas cifras para demosntrar o atraso em que vivia a província. latim. em 1851de 3147 e em 1852 de 3165. a nosso ver. criada por lei de 16 de junho de 1851 e que em 1853 tinha 1043 volumes. decaiu. inglês. Pois bem. aquela subindo a 460:177$000 e esta a 404:641$000.729 alunos para 327 escolas. Sua freqüência er pequeníssima. foi com o déficit de 82:020$000. Por Lei de 31 de julho de 1847 centralizou-se a instrução secundária.426 233 . isto é um aluno sobre 517 habitantes livres. geografia e comércio. Não obstante o aumento da produção.000 habitantes. Sendo a população.990 habitantes: sendo 166. Vimos já o seu estado no primeiro reinado e no período da regência. Além dessa decadência para a qual tão poderosamente contribuiu a mudança da capital. além das que existiam no Liceu. francês. o desequilíbrio entre a receita e despesa tornou-se cada vez maior. sob o ponto de vista da cultura popular. filosofia. como podemos ver pelo seguinte mapa: 1848-------. era dez vezes menor. de 163. A população da província em 1852 era de 222. as conseqüências da mudança da capital. sua proporção na província. contava 63 escolas com a freqüência de 3165 alunos. Sendo reconhecido que a população das escolas deve estar na razão de um quinto para a população livre. quando se fizeram as obras do Aracaju. Por mais de uma vez temos lastimado a incúria e indiferença dos governos para com a instrução pública. Havia uma biblioteca pública. e quando passou a administração ao Dr. Entretanto a província. era preciso uma freqüência de 32. Laranjeiras que era o melhor centro comercial. retórica. em 1850. sendo abundante as receitas de 1857-58 e de 1858-59. Daí em diante os déficits tenderam a aumentar e tornaram-se permanentes na história financeira da Província. cirandose o Liceu de Sergipe. A freqüência em 1851 foi de 2647 alunos. Eis.

De 1852 em diante seu partido deixou de ser o partido dominante e o seu chefe foi pouco a pouco perdendo o prestígio de que gosava. Contribuíram para isto os seguintes fatos: As dificuldades em que se colocou Almeida Boto no assassinato do Dr. O historiador não descobre mais um princípio. Dominava não só a administração da província. estudado a marcha que levaram os partdos. em 1836 era o partido da situação. durante o primeiro reinado. nos capítulos anteriores. com Pereti. José Antonio de Oliveira e Silva. em Santo Amaro. Por conseguinte.habitantes livres e 56564 escravos. Em vista dos acontecimentos de 1836. A opinião pública pensou e pensou muito bem que a oposição de Boto importaria a nulidade e revogação do ato. Depois da independência. Temos. Menos um ou outro presidente. Souza Brito. Vimos que eles originaram-se do atentado praticado pela Bahia. Vejamos agora a marcha e orientação que eles levaram no segundo período da regência e no segundo reinado. uma idéia que os vivifique. tendo por armas a corrupção e o egoísmo. não sabemos se justa. se opusesse ao ato administrativo. A degeneração do caráter naciona. contra aliberdade política e administrativa de Sergipe. De sua vontade dependiam todas as deliberações. ou injustamente. Seu principal chefe era então Almeida Boto. o partido lusitano desapareceu. Eis a nosso ver as causas da 234 . Vimos mais que. Durante este longo período Almeida Boto alcançou em Sergipe um domínio absoluto. passou a denominarse rapina. em alusão a um de seus chefes. cujos habitantes esperavam que Boto. eles tiveram programas: tornaram efetiva a emancipação da província e defenderam-na. Este partido que ocupou as posições oficiais. candidato no pleito de 1836. Estudamos estas lutas nos últimos tempos do primeiro reinado e durante o primeiro período da regência. e foi substituído pelo partido do corcunda. todas as resoluções. Além deste fato contribuiu ainda a mudança da capital. que perdeu aqueles patrióticos princípios do primeiro reinado e do primeiro período da regência e assim. para aliar-se ao outro partido. de onde vieram ordens reservadas ao presidente José Antônio de Oliveira e Silva. O liberal passou a ser chamado camundongo. sem programas nem idéias caminharam os partidos. em alusão aos roubos praticados naquela vila. Almeida Boto é um dos mais responsáveis pelo atraso em que permaneceu a província. tornando-se alvo das desconfianças da justiça pública. atacou até a organização partidária de Sergipe. de 1836 a 1852. que foi o mais visível sintoma das práticas políticas do segundo reinado. eles tomaram novas denominações. O corcunda. Ambos perderam seus programas e isto já foi por nós dito. Fernandes de Barros. como as administrações locais. até os últimos momentos da monarquia. que lhe ofereceu resistência. Isto produziu impressão na opinião do centro. que intitulou-se o partido legal naquele movimento revolucionário. em todas aso outra a administrações interferiu. a ponto de podermos julga-lo como o administrador de Sergipe. durante àquele período. pelo ilimitado prestígio de que gozava. O partido rapina dominou a província até 1852 quando assumiu a administração o Dr. desde 1820. o Dr. por alguns anos.

contra os interesses da nação e a favor dos interesses dos seus chefes e dos seus adeptos. representam as duas agremiações partidárias. dessa conciliação. nem tradições históricas. sem a coesão de uma idíea. Amaro. por outras influências do mesmo partido. Promovidos por novas agremiações políticas. que acariciou a idéia da conciliação política e da liga. conservaram-se no seu retiro.O programa do Conciliador não alcançou implantar-se no pinião. organizando o partido saquarema. e tolerante. Amaro. que não podia prosperar por causa desses partidos de índole de família. chamado o Conciliador. em Sergipe. abriram oposição ao presidente Salvador Correia de Sá e Benevides. em um jornal que principiou a editar em Sto. Com isto muito se encommodou o Barão de Maroim. As descrições que fizemos de seus antecedentes. que mais tarde passou a denominar-se conservador. E são estas as suas palavras: Nesse ano appareceu o programa político de conciliação. Em 1856 ecoou na província a liga dos partidos operada na corte do império.saguarema. cujo prospecto foi aquelle programma de conciliação. demonstra que suas origens não representam pricípios políticos. que tanto a delaceravam. e o presidente convidou-me a propalar as idéias que eu já adoptava. contra o qual promoveu opposição na Assembleia provincial. porqu continuaram os excessos partidários. As outras frações constituíram o partido liberal que. pretensão esta contestada por outras influências do dito partido.que mais tarde tomou a denominação de conservador. afim de cuidar-se dos melhoramentos mateiaes de que tanto precisava a Provincia. generosa. pelo governo Imperial. em luta contínua. o que se compôs de frações do comundongo e do rapina. apresentado. Boto e outros membros de sua família. preparavam-se para a chefia suprema do partido comundongo. mostrando-se a necessidade de acabar com os partidos e infuências nocivas delles . so segundo reinado. Este fato produziu uma dissolução completa nos partidos. que a esse tempo se insinuava para chefe do partido comondongo. devendo substitui-los uma política larga.saguarema. e teve de chocar-se com o Presidente. e tornou-se Antônio da Silva Travassos o propagandista dessa liga. como no país.concorreu parte do comondongo. que representava as tradições liberais de 1820. e. 235 .decadência política de Boto e do seu partido. sendo o dito Presidente defendido. A esse partido. ligaram-se tão bem alguns membros do partido que tou a denominação do – Liberalnomo primitivo do partido comondongo. Não passam de dois bandos. Aqueles que como o Barão de Maroim. o jornal – Conciliador-. Então o Barão de Maroim organisou um partido seu que denominou. e então passei a publicar na Villa de S.

E quando não existisse esse direito. por iniciativa dos interesses da política baiana. sobre a qual compete exclusivamente sua jurisdição. pela verdade do passado histórico.Na 29ª sessão da 30ª legislatura da assembléia provincial de Sergipe. na sua fronteira ocidental. E por mais de uma vez a justiça de Sergipe tem sido suspensa em sua ação. afluente do S. Limite setentrional. que reclamou como pertencendo ao seu território à ilha Paraúna. os limites desta província.se de seu território uma grande zona de terreno ubérrimo. o mesmo não tem sucedido a Sergipe. tornam-se morosas contra os interesses da justiça. que separa esta província de Alagoas. Se há essa unanimidade e acordo nas opiniões. Considero como medida urgentíssima a descriminação dos pontos onde ele confina com as outras. que partindo do riacho Ningó. geógrafos e historiadores do Brasil. que legalize sua jurisdição. povoações situadas nessa zona. pela alegação de sua incompetência. como a fronteira meridional e ocidental o tem sido pela Bahia. Pelo menos esta razão devia inspirar a cessão. que o separa da Bahia. QUESTÕES COM ALAGOAS E BAHIA Segundo a opinião de todos os cronistas. não só pela grande extensão que lhe é tributária. afim de que a administração conheça qual a orbita em que deve girar. Seja por onde for. Elucidemos estas questões. afim de cessarem as reclamações de todos os dias . Sergipe tem sofrido uma lesão enorme em sua economia. baseada em documentos. ou Brejo Grande. seu direito político a Bahia. pela Bahia e ao norte pelas Alagoas. como sobre ela a sua ação legal. dizia: ‖Ainda são contestados ao sul. A incerteza em que vivemos é sempre má. tenente-coronel Francisco José Cardoso Júnior. sua vigilância. o território de Sergipe é limitado ao norte pelo rio São Francisco. e de acordo com os interesses da fazenda pública. em 1871. desde quando o poder legislativo tem querido resolver a questão. determine-se uma linha divisória. Se nenhuma contestação histórica. vão levar seus auxílios. Francisco. tem partindo das duas províncias para fundamentarem o direito territorial. a Bahia devia fazer cessão da zona que tão ilegalmente acha-se apensa á sua jurisdição. entre Sergipe e Alagoas e Bahia. para quem os documentos são inúmeros e comprobatórios dos limites que acabamos de traçar. vai às nascenças do rio Real e o separa também da Bahia. afim de que a 236 .CAPÍTULO V LIMITES. de quem deviam achar-se desligadas. é de estranhar que questões de limites tenham sido levantadas pelas duas províncias limítrofes. sem que se achem a verdade e o direito do lado das alegações. de acordo com os interesses da justiça. Desmenbrando. Não só a fronteira setentrional tem sido contestada pela província de Alagoas. não sabendo as autoridades até onde chegam os limites da sua competência. a leste pelo oceano Atlântico e a oeste por uma linha imaginária. pela distância em que se acha do centro do governo. pois. relativamente aos seus limites. o presidente da província. ao sul pelo rio Real. quando a favor de Sergipe não falasse bem alto o testemunho do passado.

não raras vezes. Essa deliberação ia contra os desejos da população. que considerava pertencer a Alagoas. o presidente de Alagoas. por decreto de 9 de junho de 1812. por se haver excedido a minha ordem‖. É o ouvidor de Sergipe não abusava da lei e nem queria usurpar território estranho à sua jurisdição. que resolveu da seguinte maneira: ―No que respeita ao terreno destinado para a Villa Nova. para pagarem em Vila . Francisco. pelos limites traçados na escritura o capitão Domingos Casado a Manuel Dias de Oliveira a ilha dos Bois. cujos autores dizem-se domiciliários ali. da qual ficava mais vizinha. Quando em 1732 erigiu-se a Vila Nova de S. quis desmembrar de Alagoas para Sergipe as ilhas circunvizinhas do rio. da justiça e da moral‖. o ouvidor de então da comarca de Sergipe. em 23 de abril de 1655 Cosme Rodrigues Delgado e sua mulher venderam a Brás Vieira uma ilha em S. O presidente de Sergipe incluía este trecho em sua fala. pois. donatário de Pernambuco. que mandei erigir e em que se acha gravado a de Penedo também mandei se conservem na jurisdição desta às ilhas que até agora lhe estavam sujeitas.a ilha de Paraúna da jurisdição de Penedo e a incorpora a Vila-Nova. pois.Nova os dízimos.Francisco foram doadas pelos capitães – mor de Sergipe. por uma queixa dirigida ao vice Rei. como o aviso de 30 de abril de 1832. reclamava-lhe ordens para que as autoridades de Sergipe não exercessem sua jurisdição sobre a ilha do Brejo Grande. em menoscabo da lei. não só em sesmarias algumas ilhas do rio S. a câmara de Penedo recorre e ao seu favor foi passado a provisão de 9 de fevereiro de 1758. Essa reclamação não era mais do que repetição de muitas outras. da ilha Paraúna. Francisco. fronteira ao penedo. pela imposição da administração de Sergipe à lavoura das paragens em litígio. E por uma reclamação feita pela câmara desta vila ao poder competente. sobre a posse ilegítima que Sergipe queria reivindicar para si. Cipriano José da Rocha. após a perpetração de um crime aqui. O contra-senso e anomalia dessa pequena circunscrição pertencer ás duas províncias. tornou-se terra firme. 237 . eram os fundamentos em que se procurava basear a posse de Alagoas sobre Brejo Grande. contra o que protestou a câmara de Penedo. Tendo em 1755 se levantando de novo a questão de limites. pelo lado eclesiástico a Alagoas e pelo lado civil a Sergipe. porém os fatos. junto a Piassabussu e que. que queria ser tributária de Vila-Nova. no século XVII como as escrituras de vendas eram sancionadas pelos magistrados de Sergipe. em tempos passados. que tendo sido ilha. a doação feita em Évora a Duarte Coelho Pereira.ação da justiça não continue a ser iludida. Muitos outros fatos poderiam citar. Realmente. pela qual sua jurisdição estendia-se a todo o rio S. pelo lado civil. desmembra ele. esquecendo não só o decreto de9 de junho de 1812. Francisco. e assim ficam impunes. no ano anterior. Historiemos.

que deveria estabelecer a extensão de seu governo na nova capitania. Sempre foi este o limite entre Sergipe e Bahia. _ Hoje estes limites acham-se sancionados pela unanimidade de opiniões dos historiadores e geógrafos: o talvegue do rio Real.vemos as seguintes palavras em seu regimento: ―As terras e águas e ribeiras que estiverem dentro do território e limite desta capitania de Sergipe.em maio de 1604. Limites meridionais. que lhe responde em data de 26 de março de1870. a Câmara de Penedo reclamava. em aviso de 30 de abril de 1832.quando conquistou Sergipe.em maio de 1603. cidade de S. que tanto prejudicaram as duas províncias. Assim não sucedeu. desde remotas épocas? Ainda que não tenhamos podido obter o regimento dado a Cristovão de Barros. Nada se tinha mais a reclamar. por oficio de junho de 1832. E em 1870 o presidente de Alagoas pedia ao de Sergipe providências para que as autoridades desta última província não exercessem sua jurisdição em Brejo Grande. etc. o qual. João Pereira de Oliveira. em fevereiro do mesmo ano. leva ao conhecimento do presidente da província de então. essas questões de limites. resolução que foi aprovada pelo Governo Geral. a Baltasar Luiz. por si só não prova que a jurisdição do governo de Sergipe se estendesse além do rio Real. 238 . E muitas outras sesmarias foram concedidas na zona compreendida entre sete e o rio Real. de há muito.desde o começo do século XVII. para responder. contudo.‖.Supomos que a demarcação deve ser da margem do S. Se este fato é real. pois na carta de sesmaria de Luiz Alves. só em 1873.A lei do soberano não foi suficiente para domar a ambição do poder municipal de Penedo que. ficaram resolvidas. 2099 de 1º de fevereiro de 1873.entre os quais existe mais ou menos esta distância. resolveu conservar anexada a Vila. contra o que houve formal recusa dos seus habitantes. o qual submeteu a questão ao extinto Conselho do Governo. pedia informações à Câmara de Vila-Nova.concede de sesmaria. o conselheiro Joaquim Marcelino de Brito. Logo. depois de um acordo entre a deputação de Sergipe e a de Alagoas. Entretanto. mas nenhuma reclamação. o juiz ordinário de Vila-Nova.era de vinte e cinco léguas. O presidente participa então à câmara a resolução do Governo. Tomé da Rocha.quis novamente incorporar ao território de Alagoas a pequena ilha. dada pelo capitão-mor de Sergipe. Em vista. em 1832. que o capitão-mor Cosme Barbosa.que deveriam ser contadas da margem meridional do rio São Francisco até o rio Real. Essas reclamações eram inoportunas.Cristovão. a extensão de Sergipe. Em 1851 a Assembléia Legislativa de Alagoas requeria à Câmara dos Deputados o mesmo que. que são vinte e cinco léguas. pela lei n. desde quando a posse de Sergipe sobre Paraúna estava legalizada pela legislação. Parecia agora que os fatos legalizavam e que não seriam permitidos. pelo sul. o desejo da câmara de Penedo.Francisco. Domingos Fernandes e Cristovão Leal.Nova o terreno em litígio.de sul a norte. que em sessão de 20 de março de 1832. vemos. duas léguas de terra ao norte da barra do Itapicuru.em 1590.

foi formalmente erecta em freguesia a povoação do Espírito Santo. inferido meu antecessor que duvida só havia do espiritual.que terríveis ameaças lhes foram dirigidas. por lei n.e apenas foram criadas as respectivas autoridades. estende suas jurisdições. tudo isto é muito hipotético. que contra toda expectativa. que a concessão feita por isso que a zona não pertencia ao seu governo. que pertencia à mesma freguesia. Em todo caso. no entanto dirigiu-se o meu antecessor ao presidente da Bahia. Até 1651 o governo não estendeu sua jurisdição além do rio. Eis qual foi o procedimento da Bahia! 239 . entendeu-se de novo com o presidente da Bahia. que ouvindo ao governador do arcebispado.dividindo-se ao sul pelo rio Real com a Abadia. aquém dos limites da província. que até o Espírito Santo.Itapicuru e Abadia.onde a defensiva fortificou-se. cujo insucesso o Brasil teve como uma das mais importantes causas o esquecimento que voltaram à colonização de Sergipe. Propriá e na foz do grande rio. entre as autoridades da vila da Abadia e as da comarca da Estância. os mesmos que tinha como capitania. dizia: ―Permanece o desgosto conflito surgido na extremidade sul da província. de 5 Santo. ―Procurando meu antecessor evitar cenas pouco animadoras que naturalmente resultariam da presença de forças militar. Depois da explosão dos holandeses de Sergipe (1645) os limites se conservaram no rio Real. E o presidente de então. de junho de 1651: ―A passagem do rio Real. porque este toca a este governo‖. para escapar a algum desagrado. e os próprios holandeses. por não caber á assembléia provincial legislar sobre o assunto que expressamente pertence á assembléia geral‖. as autoridades desta vila quiseram penetrar no território sergipano.65. Sebastião Gaspar de Almeida Boto. margem esquerda do rio Real. do período de 1658 a 1696. pondo-se em luta aberta com as autoridades da vila Constitucional da Estância. pois. Sergipe reduzida aos seus antigos limites. pois. ordenou ao juiz de direito da Estância que os juízes de paz de Santa Luzia estendessem sua jurisdição até á raia natural e política da província nomeando eles os respectivos inspetores de quarteirão.estas vilas foram de novo incorporadas à Bahia. mas não quanto ao seu provimento.pois. Ficava. Em conseqüência do que legislastes. ―Avista desta resposta. quanto ao uso e logro de sua renda. concedo a essa câmara (Sergipe). Passando a comarca. continuaria o da Abadia a exercer as funções eclesiásticas. Entretanto. a requerimento dos povos de Inhambuque . desde a invasão de Sigisteiras. com cuja existência apareceram os insultos e ameaças. respondeu que enquanto não houvesse parocho na nova freguesia. em vista de uma carta do conde Castel Melhor aos oficiais da câmara. a 11 de janeiro de 1842. á 6 de março do ano passado. A assembléia provincial de Sergipe. seu território ampliou-se pela carta régia de 5 de junho de 1725. ―Até o próprio professor de primeiras letras viu-se obrigado a retirar-se. declarou não reconhecer a divisão pela parte civil. Quer nos parecer. Não obstante. na fala com que abriu a 1º sessão da 5º legislatura.nesse tempo doações foram feitas pelas autoridades de Sergipe na Tabanga.

Importantíssimo foi o trabalho que ele apresentou. idênticas lutas se levantassem. por isso mesmo que a geografia da colônia era completamente desconhecida pela metrópole. os quais suplicavam a s. o imperador providencias em ordem a fazer cessar os conflitos que com tanta freqüência se reproduziam entre as autoridades da Bahia e de Sergipe‖. cujo presidente. as questões de limite duraram talvez um século. pelos leitos de dois caudalosos rios __Real e S.35 de 27 de maio de 1864. não são os mesmos que separavam Sergipe da Bahia .que o acompanharam á secretaria do Estado dos negócios só império. assim como a todas as capitanias. De 3 de setembro do pretérito. em solução ao que ele me dirigiu em janeiro acima referido. em observância do aviso de 5 de Agosto do ano p. em data de 21 de janeiro de 1863. porém ser alegado pela Bahia. contra o procedimento do coletor da vila de Simão Dias. Pretendemos provar o seguinte: a)Os limites que hoje marca-se a Sergipe pelo ocidente. desde quando essa falta de precisão dos limites nota-se em todas as capitanias e doações dos tempos coloniais.Tanto as reclamações se repetiram que a questão ficou resolvida a favor de Sergipe. No século XVI. em relação aos contribuintes que diziam já ter pagado ali os impostos a que estavam sujeitos. Tivemos o prazer de lê-lo. ―Em ofício de 19 de Julho de 1864 remeti cópia do indicado ao Exm. Tais eram as palavras que pronunciava o presidente de Sergipe em 1865. presidente da Bahia. em seu relatório. ___ desde longa data sérios conflitos se têm suscitado entre as autoridades de Sergipe e as da Bahia. se por estes lados.nos séculos passados. em favor da usurpação que tem feito em território sergipano. dirigiu-se ao então inspetor da tesouraria provincial.o próprio original e documento.p.Joaquim José de Oliveira. pelo Decr.128 de 23 de setembro de 1843. em que duvida nenhuma devia existir. 240 . Isto não pode. prestou as informações que lhe foram exigidas.. foi também dirigida ao governo imperial por diversos habitantes da vila de Simão Dias. Se pelos lados setentrionais e meridionais. É este um fato de capital importância e que não deve ser esquecido nas questões de limites. os limites foram somente precisados no lado oriental. não é para estranhar-se que. cujos limites não são traçados com esse caráter de clareza. Eles iriam até onde lhes permitissem as forças da colonização.quando elas foram feitas. desejando entrar no perfeito conhecimento do fundamento das referidas queixas. traçados por esta linha imaginaria que parte das cabeceiras do rio Real ao riacho Xingo. Limites ocidentais. trazendo ao seu conhecimento diferentes queixas dos agentes fiscais da vila do Geremoabo e distrito Coité.m. até onde ela chegasse. onde os limites são traçados com muita clareza. que pedia esclarecimentos acerca de uma representação que a assembléia legislativa encaminhou á câmara dos deputados. o ilustrado Dr. pelo lado ocidental. oficiou ao desta província.Francisco __as duvidas levantaram-se por parte de Alagoas e Bahia. Pelo ocidente eles nunca foram determinados. Foi o que sucedeu a Sergipe. ―Outra representação que acompanhou o ofício n. nem também ser apresentado como um argumento. enviado igualmente em ofício sob nº47. O ex-presidente Joaquim Jacinto de Mendonça.

o patrono. e a circunstâncias que havia de legalizar a posse a marcar a jurisdição. a supremacia do juiz. Por esse lado eles se alargariam um tanto mais. Sergipe. aos pleitos judiciários sobre posses de terras. relativamente à distribuição da justiça. era uma parte integrante da Bahia. de 50 léguas de terra da barra de São Francisco. nem mesmo o corpo geográfico da metrópole.quando se institui a centralização administrativa. ao padrão da Bahia. com a perda territorial para Sergipe de muitos quilômetros. a decisão. que não lhe eram fornecidos. como governadores ou capitães. em geral do século XVI e XVII. Sendo Cristóvão de Barros quem efetuou a conquista.o que deve ser levado em conta nas questões de limites . não só entre os donatários do primeiro processo de colonização. e Sergipe foi então conquistado e na nova capitania encetado o trabalho colonizador (1590). por parte das autoridades que mutuamente protestavam contra a extensão de suas jurisdição. Com o progresso da colonização dilatava-se a posse territorial. porque não existiam em virtude do caráter indeciso e abstrato dos limites procurava-se a sugestão.Manoel fez a Francisco Pereira Coutinho. pois indica o direito do primeiro o uti possidetis. Por isso mesmo que nenhum conhecimento tinha o soberano de Portugal da geografia da colônia.a arrancá-las dos naturais. Dependendo dele fatos de tão vitais interesses. do processo colonizador instituído por Portugal no Brasil aponta-se o caráter arbitrário da divisão territorial. pelo ocidente. e na impossibilidade de julgar e decidir as questões por meios de elementos verdadeiros e positivos. como fator que havia de inspirar no espírito da judicatura. cujo resultado foi a criação de uma abundante advocacia.b) Não obstante isto. todavia esta lacuna é suprida pelo testemunho do cronista holandês. que diz que o rei das Espanhas deu 241 . as bases de uma vida administrativa. o espírito de chicana. ficando assim imunes a ação da lei. nenhum limite poderia marcar a Sergipe. que fugiam espavoridos para esse lado e para o norte. a falta de clareza dos limites entre as possessões. Eis aí um lado importante do caráter da judicatura brasileira. porque dele dependia o futuro da riqueza publica e particular. sobre crimes praticados. Eis um fato que é preciso não esquecer sobre as lutas intestinas que se levantavam. Tornava-se ela a causa que havia de ditar os limites. a força da posição social do cliente. Tendo feito parte da doação que D. quando em 1590 foi conquistada e se constituiu uma capitania. como era a do Brasil. provocou pleitos judiciários que dificultaram o processo da riqueza e a ação da justiça. quando iniciou-se a colonização no Brasil. E para essas divergências apelavam os criminosos. quando a força da colonização penetrasse nas florestas do ocidente. o espírito do foro. pelos protestos que levantavam. não só individuais. como entre as capitanias. essa falta de clareza dos limites dificultava as autoridades no cumprimento de seus deveres. pelo desregramento de uma sociedade contaminada.mores da nova capitania. dando lugar ás lutas de jurisdição. como entre os governadores das capitanias do segundo processo. a ele foram dadas. pelo poder competente. Alem de outros defeitos. E não obstante não termos encontrado seu regimento e dos seus sucessores. eles acham-se recuados para o oriente. No fim do século XVI ela tomou a direção do norte. Ao mesmo tempo em que se torna preciso a punição severa. E não obstante ser ele de alguma força para legalizar a posse. relativamente à distribuição da judicatura brasileira.

Sergipe e S. que era assim chaamado todo território ao ocidente da serra do mesmo nome. pois necessidade de acrescentar provas como Sergipe limitava-se ao norte pelo S. para o ocidente? No começo do século XVI achava-se quase todo o território das bacias dos rios Real. que era em Porto da Folha. Pela sua sesmaria. o capitão Manuel do Couto Dessa. que no século XVII. mais de três léguas para o ocidente foram doadas também. A partir do rio Jococa. de 1637 a 1645. os limites traçados entre as vilas de Itapicuru. Cristóvão Dias e Agostinho da Costa. Não há. por onde a Bahia quer que passe a linha divisória. junto às nascentes do rio Vaza-barris. em uma distância de mais de três léguas para o ocidente foi dado de sesmaria a divesos colonos. porém a colonização neste período de tempo. Francisco. Hieronimo da Costa Taborda. a pagarem-lhes os dízimos. em direção ao sertão. Logo. deve pertencer a Sergipe. eram pelo rio Vaza-Barris. E tanto a colonização chegou lá. Por estas doações vê-se que a colonização de Sergipe chegou até a as imediações de Geremoabo. Além disto. o que vimos por umas alegações dos dizimeiros desta última vila. até as nascentes dos rios Sergipe em Serra Negra. pois era impossível fazê-lo. Pedro Garcia Pimentel. sobre a impugnação dos habitantes do sertão de Vaza-Barris. Piauí. Jacobina e Itabaiana. e nele iniciado o trabalho agrícola. Vaza-Barris e Cotinguiba. e Antônio Rodrigues. em 1762 – Capitão Antônio José da Cunha e o Capitão Manoel Dias Coelho – ao ouvidor de Sergipe Dr. como pelo regimento dado a Tomé da Rocha.Barris. até o rio de São Frnacisco. Francisco e ao sul pelo rio Real. em uma extensão de 3 leguas da cidade de Itabaiana para o ocidente.a Cristóvão de Barros as terras de Sergipe. antes do período holandês a colonização já se tinha internado em grande extensão pelo sertão. Até onde chegou. Depois do período holandês. por conseguinte. a doação foi em fevereiro de 1607 e compreendia as terras de Itabaianassu. Não é só isto. foram-lhes doadas 30 leguas de terra. a colonização mais se alargou para aqueles lados. sem ter a seu favor o direito de posse. Não será uma precipitação concluir-se que de 1590 a 1637 os limites de Sergipe não foram determinados. que em 1603 adminstrou Sergipe. até onde a Bahia hoje estende sua jurisdição. Assim. E todo território que se estendia da barra do rio Lomba para o ocidente. concedida em novembro de 1669. as terras nas demarcações na Serra Negra até encontrar com a sesmaria de Pedro Gomes. A colonização então dirigiu-se para o ocidente. foram doados a Simão Dias Fontes. Miguel Aires Lobo de Carvalho e ao Governador da Bahia. onde está edificada hoje a vila do coité ou Malhada Vermelha. acompanhando o leito do Vaza. nas ubérrimas terras que hoje se chamam Matas de Itabaiana e Matas de Simão Dias. afluente do Vaza-Barris. 242 . pertencia à doação de Simão Dias Fontes. E pela sesmaria do desembargador Cristóvão de Burgos. quer pelo norte quer pelo sul. ente os rios Vaza-Barris. que se estendia mais deuas léguas para o ocidente e. na extensão de 32 milhas no litoral. onde completam-se as trinta léguas. junto ao litoral doado. os terrenos onde está edificada hoje a vila de Simão Dias.

Gaspar Barata de Mendonça. E esta nossa opinião é confirmada pela dos antigos cronistas. Francisco da comarca de Jacobina. vemos que o limite entre os termos de Itabaiana. e talvez além das cabeceiras do Rio –Real pela sesmaria de Belchior Dias Caramuru. Francisco. servindo de divisão entre a Comarca de Jacobina e a das Alagôas o sobredito rio de S. contando-se da divisão que faz com que a dita comarca da Bahia. simplesmente aproveitamos os trechos referentes às questões de limites.corrupto vocábulo Serygpe – no Brasil occupa grande parte das terras que estão ao norte da Bahia de Todos os Santos. pela sesmaria de Simão Dias Fontes. pelo mesmo rio de S. e que no século XVII a jurisdição do seu governo estendia-se a essas paragens. no séculu XVII. esta estende-se desde o rio Real. de cujo autor não sabemos o nome: Divide-se esta capitania com a comarca da Bahia pelo rio Saguim e o termo do Julgado do Geremoabo. e daí para o norte e o ocidente. porque nele lemos: o Vaza-Barris faz demarcação para a parte do nascente até o rio do Peixe e por elle acima até o fim. onde finda 55 leguas e da Extrema de Jacobina 50 leguas pouco mais ou menos até a pancada do mar. e foi levantada Villa em 1698. pertencente ao districto da Villa de Itabaiana. da capitania de Pernambuco. chamada de Paulo Affonso. e com a das Alagôas. a quem o capitão-mor de Sergipe fez doação de 4 léguas na zona onde está edificada a vila de Campos. Lagarto. com o Julgado de Pombal. 58 leguas acima de sua foz. todavia ela muito estendeu-se até além das matas de Simão Dias. Diz o mesm autor: A freguesia de N. ainda que não chegasse a um ponto correspondente. ―Sua costa é banhada pelo mar Atlantico. matas de Simão Dias e riacho do Xingó. que desemboca no oceano na latitude de 11° e longitude de 360° ee 38‘ até o rio de S. ficando como de cabos a dentro desde a ponta do sul da barra do rio de S. com a sanção do governo da metrópole no Brasil. Eis o que vemos em uma desta memórias. por todo o seu norte pela margem austral do grande rio de S. hoje comarca. Dilata-se desde as costas do mar até Massacará. como o Pombal ou Tucano. tinha chegado até Geremoabo. da Piedade do Lagarto.‖ Diz Marcos Antonio de Souza: ― A capitania de Sergipe d‘El-Rey. comprehendendo no seu districto. e pela parte de leste é cercada do oceano que faz a enseada de Vasa Barris. até a Vila Nora Real d‘ El-Rey do referido rio de S. Francisco. lemos o seguinte: Limita-se esta capitania (Sergipe). cuja foz está na latitude sul de 10° e 58‘. Francisco.Analisando-se devidamente este documento. que passamos a descrever. chamada antigamente Gerú e igualmente a Villa Nova Real de El-Rey ao norte de toda a comarca com a extensção de quase cem léguas. dista 12 leguas da Villa de Santa Luzia. beira rio de S. Se pela fronteira setentrional do Vaza-Barris a colonização caminhou até esses limites ocidentais. as ausência do primeiro arcebispo D. além da cidade do mesmo nome cabeça da comarca as Villa de Santo Amaro das Brotas. que se pudesse unir por uma paralela a Geremoabo. cuja embocadura fica em 10°. Itabaiana. perto da cachoeira de Paulo Affonso. nas imediações da nascença do Vaza-Barris. S. Não sendo oportuno aqui transcrever integralmente essas memórias. Francisco. 58‘ de latitude e 347° e 18' de longitude e por este lado vae terminar com a comarca de Alagôas pertencente ao governo de Pernambuco. que deságua no sobredito rio de S. até a do norte da barra do rio Real. Jacobina e Itapicuru era o rio Vaza – Barris. Santa Luzia e a de Thomar dos Indios. em 11 de Dezembro de 1679. pelo poente pela comarca de Jacobina e seu Julgado de Cabrobó. pelo sudoeste até o sul com o rio Real da comarca da Bahia. Francisco. desde Ella até o rio do sul nas vizinhanças da cachoeira grande. Em outra memória cujo autor igualmente desconhecemos. Francisco. pela fronteira meridional do mesmo rio. foi erecta pelos governadores do Arcebispado. buscando a parte central da 243 . Francisco. Assim fica provado que a colonização de Sergipe.

Eis aí os limites de Sergipe. Entretanto. Se já demostramos que os que são traçados pela linha imaginária do Xingó ao Rio Real. a fim de que seja garantida e respeitadada a nossa integridade territorial. e sem achar auxílio na verdade histórica. a serra do João Grande. Sendo uma questão de interesse palpitante. Podemos pois traçar os limites de Sergipe: por uma linha que partindo da cahoeira de Paulo Afonso. usurpando de Sergipe gande parte de seu território. pelas alegações dos dizimeiros em 1722. para tirar-se de sua jurisdição uma zona territorial tão grande. que o espírito público delegou-lhe. sem o menor protesto. terminasse nas nascenças do rio Real. assegurados pelo direito da colonização. desde o século XVII. cumprindo assim um importante dever da representação.comarca. este pedaço é mais de 12 léguas. Mulungu. e que são confirmados pelo testemunho histórico. se diz que eles são traçados por uma linha que partindo do Xingó e passando por sobre a serra Negra. estende-se 11 leguas desde a matta da serra pedregosa. nem dos presidentes de Sergipe. passou de capitania a comarca. a levar a convicção ao espírito do governo. termina na nascença do rio Real. Eles não foram derrocados.até a mata de Simão Dias. que lhe fica a oeste. hoje. em vista dos prejuízos. pugnou por esta questão. de tanto absurdo. de onde o erário público tira grandes proveitos. pelo uti possidetis. Com esta nova usurpação da Bahia. passa entre Simão Dias e Coité. Espírito Santo. menos verdadeiros serão estes que a Bahia quer impor. O seu trabalho recente-se da grande falta. Não preciso gastar tempo para mostrar ao leitor a falta de verdade destes novos limites. das lesões econômicas do corpo eleitoral e do poder político. nem da representação. contornando Pombal e tucano. E isto tudo a Bahia fez sem a sanção da lei. Sergipe perde uma extensão territorial de muitos quilômetros.Moendas.até o rio vasa Barris. que fica ao norte. ainda que nem de longe duvidamos das boas intenções do seu autor. por uma linha que parte das cabeceiras do rio Real. quando Sergipe. deveria merecer mais atenção da representação da província. José Luiz Coelho e Campos. que são as conseqüências de tantas ilegalidades. colonizada à custa de seus recursos? Não osbstante os limites que estão geralmente reconhecidoos por uma linha do Xingó ao rio Real. um dos deputados de Sergipe. viesse a massacará. Dilata-se desde o engenho. e vão contra o direito de posse adquirido por Sergipe. em vista da uberdade do terreno e pela enorme criação de gado nas fazendas de S. acham-se hoje transferidos para o oriente. a serra do Capitão. desfalcando-se assim do território sergipano uma extensão de muitos quilômetros. denominada –Mococa. garrantido pela colonização. Só temos a lastimar que a deputação de Sergipe não tenha feito desta questão uma causa determinativa de reais e patrióticos esforços. por sua colonização. que marcava o limite da sesmaria de 30 léguas do desembargador Burgos. Francisco. como toda a população de uma zona de terreno de talvez 30 quilômetros. não são veredictos. junto às cabeceiras do rio Vaza-Barris e daí partindo. Somente em sessão de 14 de agosto de 1822. Lagoa Seca e Gravatá. o Dr. Por que deslocaram-se os limites? Porque feriu-se o direito de psse seclar. 244 . em 1696. de não ter sido órgão no parlamento de todo o passado histórico do direito de posse de Sergipe sobre seu território.

que presto neste estudo. em tempos coloniais. Redigia então um jornal – o Horizonte. for uma realidade.no qual já fazia a propaganda republicana. pela vitória da república.Apelamos para opatriotismo da representação de Sergipe. têm o defeito de não representar o direito de posse adquirido. Os que apresentamos. como pela linha do Xingó ao rio Real. Se os limites traçados pelo ilustre geógrafo Cândido Mendes de Almeida são mais naturais. ou pelo Itapicuru. para conquista do direito de posse que Sergipe alcançou sobre esse território. porque até aestas paragens não chegou a colonização de Sergipe. exprimem também uma divisão bastante acentuada. a fim de que uma questão de interesse tão útil seja resolvida. quando a regeneração do caráter brasileiro efetuar-se pelas forças nacionais. será para o autor destas linhas um justo motivo de um nobre orgulo. Estamos certos de que. que foi um incidente na história brasileira. que não são inerentes ao elemento étnico do Brasil. ainda que incompletas. permanentes. pela eliminação da monarquia. 259 Este capítulo foi escrito em 1884. pelas duas cordilheiras. Itapicuru-mirim e Calitre. conta o odioso privilégio que se encarna em uma dinastia. Jacurici e Pontal. teremos então uma época da justiça e do direito. quando. essencialmente democrata e oposta aos hábitos aristocráticos. E além da verdade histórica que representam. em suma mudar-se a forma do governo que tem gerido os negócios públicos. pois. Eles não são marcados com um caráter tão abstrato. quando este país for dirigido por um governo patriota e livre. são traçados pelos leitos dos rios – Itapicuru. Por ele vê-se que seu autor já propagava as idéias republicanas. quando a rebelião que parte agora do espírito popular. 245 . São eles os verdadeiros limites ocidentais de Sergipe. são a expressão da verdade.259 E se as informações. menos sujeitos a litígios. contribuírem para a vitória da verdade. contra a vontade popular.

e havendo respeyto a ser já morador. madrias e pastos e receberá mercê. Thomé da Rocha governador geral de todo este estado do Brasil nas pousadas de mim escrivão ao diante nomeado por despacho ao pé dela do dito Sr.APÊNDICE SESMARIAS DE SERGIPE CARTA DE THOMÉ FERNANDES 23 de julho de 1594 – Rio cotinguiba. de verbo ad verbo é o seguinte: diz Thomé Fernandes que ele veyo ajudar a dar guerra em Sergipe d‘el Rey em companhia de Cristovão de Barros Capitão geral das entradas com suas armas e escravos a sua custa sem premio nenhum nem cousa algua Del Rei e despois da terra já ganhada se for assim que neste serviço de sua Magestade gastou oito mezes. e mandou pasar carta do dito Thomé Fernandes deste dia para todo sempre e mandou as justiças e oficiaes dela den e fasan dar a pose da dita terra ao dito Thomé Fernandes pelas confrontasois e demarcasois nesta carta conteúdas e nele e dela poderá fazer como cousa sua que já é conforme a ho dito despacho e ordenasão que em todo comprace a qual terá-lhe asin dou livre e isenta de todo foro tributo se mande que pagace o dizimo a Deus que se deve a ordem de nosso Sr. o qual dahy a um anno tendo noticias vinham moradores apouvar não quis ser dos derradeiros. e o que importa ao bem da terra e serviço de Sua Magestade lhe dou em seu nome de sesmaria na parte do dito Rio ouver que não entrarão na medição e serão também suas e disso lhe passem sua carta porque lha dou. e não atendendo ao muito trabalho que passão nas terras novas se veyo sua casa movida trazendo consigo hua filha casada onde já nesta capitania a três annos mora ajudando a pouvar assim na pás como Guerra: Peda a vossa mercê havendo respeito a ser dos premeiros e por seu officio permanecer a terra com embarcacoens lhe dê de sesmaria em cotemguiba pêra onde se acabam o Mangues Verdadeiros que chamão corropoiba. Capitão e Governador por bem do regimento que para isso tendo dito Sr. nesta Capitania. Ihus xpo de 1594 aos 23 de julho da diata era nesta cidade de S. Despacho. Chistovão capitania de Sergipe de que é capitão e governador o Snr. Faz-me e deu em nome de sua magestade a dita terra do dito Thomé Fernandes obrigado a fazer benfeitorias na dita terra no tempo que a ordenançan lhe limita porque com as ditas condições e obrigações o dito Sr. resalvando pontas em seadas com suas águas. Saibam quantos esta carta de semaria deste dia para sempre virem que no anno do nascimento de nosso snor. Visto esta petição do suplicante. C. com todas as madeiras e rios que dentro d‘ella houverem: Sergipe em 23 de julho de 1594 annos: Thomé Fernandes o que tudo isto era contendo no dito despacho e ho qual era assinado pelo dito Sr. lhe fez m. três mil brassas de terra pelo rio asima e pêra o sul coatro mil brassas a qual terra se medirão d‘onde se acabam os ditos mangues que declara e pêra este assim e da maneira que corre odito Rio. e por o dito Thomé Fernandes foi aseita a dita terra com todos condiçoens e obregasois nesta carta contendas e da ordenasan e fores desta capitania e se hobrigara a todo comprir pelo que lhe foi pasada a presente para sua guoarda da coal eu escrivão fomei e escrevi neste meu livros das dadas em nome do dito Thomé Fernandes e dos mais a que tocar esta auzentes e eu Manoel André. Capitão e Governador da coal petisão e despacho o treslado. 246 . J.

– Thomé da Rocha. – Diogo de Qoadros. M. afuente do rio Real. respeitando os mesmos serviços que tem feito a sua magestade com que tem gastado de sua fazenda lhe dê de sesmaria em nome de sua magestade uma légua de terra na cabeceira de Jorge Pereira no rio real pello rio de goarujahi260 e do largo em qoadro e outra em légua rumo direito e receberam despacho. Lhe fasa mercê de uma légua de terra pelo rio piauhy asima donde ora tem Tome Fernandes mimoso sua terra donde elle acabar pelo rio asima aonde se chama o porto das pedras e sendo dado que corra por diante a coal terra esta da banda do este com todas as agoas e madeiras que dentro em si tiver E.escrivão dos dados nesta capitania por o Sr. ec. Diz Francisco Rodrigues morador nesta cidade de serigipe que ele He casado e tem mulher se filhos e não tem terras onde posa fazer sua abitação e suas pose e criasois. Capitão e Governador a fiz em que o dito senhor asinou. 247 . R. CARTA DE DOMINGOS D‘AMORIM SOARES 15 de Abril de 1596. hora no Rio Real estan terras devolutas as mais san de matos maninhos e estan por dar pede a Vm. – Rio Real. m. – Rio Real. CARTA DE FRANCISCO RODRIGUES 6 de Abril de 1596. Dou aos sopricante que pede as tresentas brasas de terra de largo e oitosentas de conprido não sendo dade e sendo queira rumo direto até onde lhe cuber em Sergipe a seis de abril de noventa e sein anos. Dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade se for dada correra adiante nea legoa de terá em coadro com todas as agoas e matos que nela ouver em seregipe guynze abril de noventa e seis . – Diogo Quadros 260 Goacujahy ou goarujaby é o nome indígena do rio hoje chamado Burarema. Diz Domingos de Amorin Soares que elle quer ajudar a povoar a capitania de Serigipe e tem muitos servisos feitos a sua magestade asin nesta costa com em outros portos indo muitas veses a guerras assaltos de muito serviço de déos e bem das povoações de toda esta costa do Brasil em iesto gastando sempre de sua fazenda e de sua custa e tem muitos filhos e não tem terras aonde os agasalhar pello que pede a V. Saiban. despacho.

etc.. despacho dou ao sopricante que pede não sendo dada duas mil brasa de terra de largos e mil e quinhentos de conprido e sendo dada correra adiante em serygipe vinte de abril de noventa e seis anos .CARTA DE GASPAR D‘ALMEIDA 20 de abril de 1596 – Rio Piauhy Saibam.acabar da banda do sul do dito rio piauhy a quoal legoa de terra correra para aldeã de san tome norte e sul e leste ao este em coadro com todoas as agoas ilhas matos e lagoas que dentro ouver.diz Gaspar Gomes morador nesta capitania sidade de san Christovan que ele vejo em ajuda de dar guerra com Christovan de barros houtro sin veio com tome da rocha e ora assiste na capitania por morador ora é necessário terras para seus mantimentos e ora digo caros e porque ora no rio pe piauhy estão terras devolutas de terras em coadro no dito piauhy na testada de gaspar de oliveira da banda do norte ao longo do rio com todas as águas lenhas madeiras que na dita terra ouver e sendo dada cerrera adiante.diz Gaspar D‘Almeida provedor da fazenda de sua magestade desta sidade de san christovan e morador de cinquo annos a esta parte e não tem terras em que posa fazer seus mantimentos e criasões pede a vossa magestade lhe mercê de hua legoa de terra no rio piauhy a qual legoa de terra comesara a medisan de la adonde vossa m. CARTA DE MANUEL DE BARROS 20 de abril de 1596 – Rio Piauhy Saiban.-Diogo Qoadros CARTA DE GASPAR GOMES 3 de Dezembro de 1595 – Rio Piauhy Saibam . etc .Diogo de Qoadros. etc diz Manuel de Barros escrivão de Fabrico judisial morador nesta sidade que vai em dois anos que reside nela e nã ten terras em que posa fazer seus mantimentos pede a vossa merse lhe faça mercê de lhe dar no piauhy rio real meã legoa de terra a quoal pede no porto das pedras comesando aonde acabar tome fernades mymoso para ariba asin e da que corre o dito rio piauhy a quoal meã legoa seja em coadro a saber norte e sul leste ao este com todas as agoas lenhas matos lagoas que na dita dita meã legoa ouver –despacho dou ao sepricante coadro sentas 248 .despacho dou no sopricante em nome de sua magestade na parte que pede na testada de gaspar de oliveira oitosentas brasas de terra em coadro com todas agoas e matos que nas ditas oitosentas brasas ouver e sendo dado corra rumo direito em serygipe três de dezembro de noventa e cinco annos.

m. avendo respeito a sua necessidade lhe fasa m..Diogo de Qoados CARTA DE SALVADOR FERNANDES 26 de abril de 1596 – Rio Piauhy Diz salvador Fernandes morador nesta cidade de san Christovan e capitania de serygipe que vae em dois anos que esta nesta capitanya com sua mulher e filhos e suas criações que a um ano pretende caso não tem na capitania terra em que posa lavrar não puder trazer as dittas criaçõis e visto estar aposentado em terras alheias e daqui amanha o mudaram levantar e não ter antan adonde se posa acomodar com sua mulher e filhos e família pelo que pede a v.dou ao supricante que pede quatro centas brasas de tera de largo e oito sentas de conprido para o sertan tomado o rumo do rio como correr não sendo dado e sendo careça ate onde lhe couber em serygipe a vinte seis de abril de noventa e seis .-despacho – dou aos sopricantes em nome de sua magestade na parte que pedem duas legoas de terra em coadro huma a cada hum deles não sendo dado visto muita pose que tem e ser servisso de sua magestade 261 262 Nome de uma serra .m. Hoje conserva o memo nome. A qual pode ser porque mais ou menos da serraria para leste mil e quinhentas brasas .-Diogo de Qoadros CARTA DE SEBASTIÃO DE BRITO E FRANCISCO DE BARROS 5 de amio de 1596.Rio Piauhy Diz Sebastião de Brito e Francisco de barros moradores na sidade de salvador que eles san homes de muitas pose e queren pouvoar e aver a terra suas criasois de gado vaqun e das mais criasois e ora no rio real digo do piauhy hum dos brasos do rios real estan terrras devolutas por dar e por ora seren o mesmo de muita pose que a podem povoar pedem a vossa merse lhes fasa mercê lhe dar de semariano dito Rio Piauy três léguas de terra em coadro as cuasis terras partirao com a dada de jeronymo da costa que esta fronteiro do bogio261 da banda do sul fasendo rumo direito ate dar no rio inajaroba262 e na sendo três léguas da dita terra donde acabar o dito Jeronymo da Costa se encabece pelo dito rio inajaroba assima de maneira que fiquem sendo as três legoas em coadro a saber norte e sul leste e oeste com todas as agoas lenhas madeiras e os ribeiros lagoas que nas ditas três legoas ouver no que R. Inajaroba é o nome primitivo do rio piauí.brasas de terra de largo rumo direito do rio e oitosentas brasas de conprido com todas as agoas e matos que nela houver em serygipe a vinte de abril de noventa e seis . de lhe dar as sobejas das terras de Manoel André de sesmaria na serraria do piauhy da banda de leste com todas as agoas e lagoas e ilhas matos que dentro na terra ouver R.m. 249 .

Rio Real Saibam etc.despacho.dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade não sendo dado comece por diente rumo direito aonde lhe couber m a legoa de terra em coadro com todas as agoas lenhas matos que nela ouver em serigipe a dês de mayo de noventa e seis – Diogo de Qodros CARTA DE JORGE COELHO 13 de maio de 1596.m.diz Jorge Coelho mor.en nome de sua magestade havendo respeito ao asima dito de lhe dar de sesmaria para ele e seus filhos e desendentes duas legoas de terras em coadro na testada de J M0 Ribeiro da banda do sul com todas as agoas e madeiras que na dita terra se achar pelo dito rio de inajoroba asima asin e da mana que o dito rio correr regolando as pontas que o rio fiser os quoais também pede e sendo dado cora pordiente a dita dádiva q‘ora pede E.R.en nome de sua magestade de lhe dar e 250 . e ora quer ajudar a pouvar esta capitanya de serigipe e para isso lhe he nesesario terras para matimentos e pastos para gado lhe fasa m.-Diogo de Qoadros CARTA DE NUNO DE AMARAL 8 de maio de 1596.M. – despacho -Dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede e sendo dada cueira por diante eu serigipe a oito de maio de noventa e seis anos – Diogo de Qoadroz. lhe fasa mercê de lhe dar nas cabeseiras de Domingos de Amorim suares no rio guacujahi 4 duas legoas de terra em coadro ao longo do rio di uma banda e da outra que fique o rio por padran com todos matos lagoas e lenhas que nela ouver Rm. CARTA DE CALISTRO DA COSTA 10 de maio de 1596 – Rio Real Dis Calistro da costa mor na sidade do salvador q‘ele acopanhou Cristóvão de barros coando vejo dar a gerra a este sergipe por general com suas armas e cavalo a sua custa e por quanto ele ora quer ajudar a povoar esta capitanya de serigipe e para isso lhe ´e necessário terras para matimentos e criasois e por coanto ora no rio real há terras devolutas por dar pede a v.pouvoar-se e sendo dado careça para diante em sergipe a sinquo de majo de noventa e seis . Diz Nuno de Amaral morado na baia do salvado que ora serve de escrivão da fasenda de sua magestade que ele quer ajudar a pouvoar esta capitania de seripe com suas criasões de gado e gente a para isso lhe he nesesario terra para suas criasois e antimentos pede a vossa Mag.en tatuapara que eleveio aconpanhando Christovão de barros quando veio a dar a guerra a este a sua custa.

lhe fasa m. diz Estevão Gomes mor .com todas as agoas e madeiras riais e ribeiras que na dita terra ouver e ilhas de matos que nelas se achar a quoal terra pede em coadro resalvando as pontas inseadas que o dito rio for fasendo as quoaes também pede e R.morador na sidade do salvador que ora veio em companhia do general cristovan de barros a guerra de seregipe com uas armas e cavalos e escravos tudo a sua custa onde na dita batalha lhe matarão o seu cavalo e coatro escravos seus e ele dito damião da motta com duas frechadas e assim mais o dito senhor o trazer por lingoa-mor e capitao de tresento índios forros das aldeias dos padres com os coaes vinha fasendo caminhos e estradas pontes por ribeiros e entulhando brejos e lagos por onde passou a artilheiria e munisões que gerra era nesesario e pasa sen caros e cavalos que para dita gerra erao nesesario e avendo V. CARTA DE DAMIÃO DA MOTA 13 maio de 1596 Saiban .m.m.respeito ao assim dito e ser dito serviso foi feito lhe fasa m.m .dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade mil brasas de terra en coadro não sendo dada a outrene se for dada quera por diente co a condisan que dentro nu ano a va pouvar e não a pouvando a tornanarão a dar por devolluta em serigipe trese de mayo de noventa e seis anos – Diogo Quoadros.na sidade do salvador que ele tem molher e filhos e ele aconpanhou Cristóvão de barros com seus escravos e armas e canoha (?)a sua custa e que ele ora quer vir ajudar a povoar esta capitanya de serigipe e que para isso lhe he nesesario para suas criasõis e matimentos terras e ora no rio real num esteiro que chamão Inajaroba estão terras devolutas por dar pede a Vm.sesmaria duas léguas de terra na testada de Calistro no rio que chama Inajaroba pelo dito rio asima assim e da maneira que corre o dito rio. diz Damião da Motta . etc.R.despacho –dou ao sopicante na parte que pede en nome de sua magestade oitosentas brasas de terra em coadro e sendo dada a outren corra por diante en serigipe trese de maio de noventa e seis anos –Diogo de Quoadros. despacho. de lhe dar duas legoas de terras encoadro a coal terra se comesara a medisan dela onde acaba calistro da costa e jorge coelhos com a medisan pelo dito esteiro e lhe de a dita terra de sesmaria como pede pelo inajaroba asima da banda do sul e da mesma maneira que corre o dito rio resalvando as pontas que o rio fiser as coais pede diante E.etc . na testada de Manoel de barros de duas legoas de terras em coadros para o sertan a quoal terra se comesara a medir onde acabar o dito Manoel de barros contado o que na dita tiver e agoas e madeiras para ele e sua molher e filhos e desendente de 251 . CARTA DE ESTEVÃO GOMES D‘AGUIAR 13 de maio de 1596 – rio real Saibian.

de Qoadros CARTA DE DIOGO SILVEIRA DR REGO 13 de maio de 1596 Saiban . CARTA DE THOME FERNADES 15 de maio de 1596 – Ru Vasa Barris Sabian. Saiban etc. Despacho: dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede meia legoa de terra em coadro não sendo dado a outren e sendo dada coera por dianate condisan q‘dentro num ano a vira povoar e não a povoando no dito tempo se dara outren por devoluta en seregipe a trese de maio de noventa e seis anos .sesmaria hoje para todo sempre Reslbará m. R. 252 .Diogo. dar de sesmaria com seus portos e matos no que E..bispo em tinharé a cual ilha chama patatiba263e terá de comprido seis sentas brasa e de largo sem brasa e em parte menos a quoal pede a vm.etc . Despacho –dou ao sopricante em nome de sua magestade duas mil brasas de terras em coadro a qual terra começara a medir donde acabar o mestre de capela da sidade da baia correndo para o norte com suas agoass e lenhas na sendo dada a outren e sendo dada correra por diente com codizan que dentro de seis mezes a venha povoar em seregipe a trese de maio de noventa e seis anos . Chistovão.etc.M. despacho: dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade a ilha que diz não sendo mayor do que sua petisan decrara em seregipe a quinze de maio de noventa e seis anos –Diogo de Cuadros.diz tome Fernandes morador nesta caitanya que tem necessidade de huã ilha que esta defronte de huã dada do sr . CARTA DE MIGUEL SOARES DE SOUZA 16 de maio de 1596. diz o dito Silveira do Rego que ele quer ajudar a povoar a sidade de San Cristovan da capitanya de serigipe para o efeito do quoal lhe é necessário mandar la sertos vacas e gado e outras criasois que nã pode fazer sem alguã terra de sesmaria nos limites da dita capitanyapelo que pede vm lhe fasa m.diz Mygel soares de souza que ele esta demorado digo demovido com molher e filhos para esta capitany e por falta de enbarcasan não trouxe sua molher consigo e porque ora esta aqui e quer fazer suas rosas e casas p‘ ir buscar 263 Nome de uma ilha que fica defronte de Thinharé. junto a S. de duas legoas de terras para pastos dos ditos gados e criasois e seja a ho longo da que parte com a do mestre da capella e sendo dado corera adiante com as agoas lenhas e madeira que nela ouver e Rm.-Diogo Qoadros..lhe fasa m.

.sua família e por não aver terras por dar ao redor desta sidade por serem todas dadas pede a vm....... 253 ..e porque ele sopricante não tem terras .. junto ao rio Poxim............ e............................. pede a vm avendo respeito ............................ desta capitanya de um ano e meo .16 de Maio de 1596...a todos no rio Piauhy da banda de banda de leste com todas as agoas riberiros lagoas lenhas q. Diogo de Quoadros...... diz Pedro Alves Aranha morador na sidade de salvador q ela ele quer ajudar a pouvoar esta capitanya he omen de pose asin de gente como de criasois q há hu morador san pertensentes e para isso lhe é nesesario terras p a mantimentos e criasois e ora no rio piauhy estão terras devolutas por dar pede a Vm lhe caça m.... de lhe dar de sesmaria hos sobejos das terras donde acaba a dad de martin de..... – Rio Piahuy Saiban etc.......rio de piahuy a quoal começara e correra para a banda do norte em quadro de norte a sul e de leste a oeste com todas as rebeiras matas agoas que na dita terra se achar com todas as voltas q o dito rio vae fazendo no q................ a esta parte serve a sua majestade como foi no .....pelo q..... em nome de sua magestade de lhe dar hua legoa de terra q................... nos ditos sobejos ouver os quoais poderan 264 265 Nome primitivo de uma aldeia............de hua legoa de terra em coadro .. –Rio Piahuy......Quoadro CARTAS DE GASPAR D` AMORIM 16 de Maio de 1596.. é meã légua a qual meã legoa a hu frº vas coelho morador ora no espírito santo a quoal terra na tapera da tajoaba264 pelo ribeiro de hipoxy265 abaixo da banda do sul aonde começa domyngos frz nobre de camynho q ele tem por marquo pelos rumos que mylhor lhe pertence a coal terra pede a vmce por divoluto conforme aos pregois que vmfez deitar na sidade da baia e R........... Despacho – dou ao sopricante em none da sua magestade o q pede não sendo dada mil brasas de terras em coadro com todas as agoas lenhas matos que nela ouver e sendo dada correra por diente Rumo direito onde couber em sergipe a dezesseis de majo de noventa e seis annos .... lhe fasa m..... visto passarde tenpo em q pudera fazer benfeitorias e por o pregan que o snr‖grd....... CARTA DE PEDRO ALVES ARANHA ........ Saiban etc.. R.geral madou dar na baia e se casar em san visente e estar fora de vir povoar-dou ao sopricante em nome de sua mgde a dita terra por devoluta asin e da maneira que fro vs a tinha em sergipe em dezesseis de majo de noventa e seis anas D.diz gaspar d´amorim morador nesta capitanya de serigipe .............. Nome indígena do rio chamado hoje poxim...... m......m..

CARTA DE CHRISTOVAM REBELLO 16 de maio de 1596. da dita legoa em quadro nas cabeceiras dada de frº de barros e sebastian de brito erm despacho – dou ao sopricante em nome de sus magestade nas terras cabesseiras de Francisco de barros e Sebastiam de brito meã legoa de terra em coadro não sendo dada corera por diente aonde rumo direito onde couber em sergipe a dezesseis de majo de noventa e seis annos . dentro na dita terra entrar e isto pede a vm por serem muitos campos e terras nan serven senão para pastos e sendo cousa que a dita terra q‘ pede seja dada a outren posa corer adiante honde não foi dada e isto pede por elle sopricante ter catorze poses e criasois para trazer erm despacho – dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede meã legoa de terra em coadro com todas as agoas lenhas matas q‘ nelas ouver vindo as pouvoar no termo da ordenasan e não vindo se daram por devolutas para quen quiser pouvar em sergipe a desesis de maio de noventa e seis annos D.Diogo de Quoados. CARTA DE DOMINGOS DE ANDRADE 23 de maio de 1596 – Rio Real Saiban etc .ele quer morar e viver no rio real e traser suas poses pêra o quoal não tem terras onde se aposentar e hinformado que no dito rio real onde acaba a dada dos padres da conpanhia de Jesus estão terras devolutas por dar a pesoa algua pede a v.m despacho .diz Cristovan de Rebello dasevedo morador na baia de salvador q‘.Rio Real Saiban etc.chamado pela hitanhi a terras por dar devolutas pede a vm lhe faça m.de Quoadros.en nome de sua magestade de lhe dar hua legoa de terra em coadro correndo pelo dito rio asima aonde acabar a dada de cristovan rabello e sendo dada correra adiante onde não foi dada com todas as agoas e matos e mais serventias as quoais pede e r. 254 .diz Domingos d Andrade morador na baja do salvador qe Ele ser morador na capitanya de serigipe e não tem terras aonde morar e viver he informado que no rio real .dou ao sopricante em nome de sua magestade de lhe dar hua legoa de terra em coadre correndo pelo rio asima a onde acabar a dade de Cristovam Rabello e sendo dada Correa adiante onde não foi dada com todas as agoas q nela ouver digo com todas as agoas e matos q nela ouver e sendo dada correra por diante em sergipe e vinte e três dias de maio de noventa e seis anos . em nome de sua magestade de lhe dar pelo dito rio asima abacho longo dele uma legoa de conprido e duas para o sertan correndo rumo direito contodas as agoas os pastos serventias q.D.m lhe fasa m.de Quoadro.ser hua legoa pouquo mais ou menos e sendo cousa q seja dada lhe fasa m.

.Diogo de Qoadros CARTA DE FRANCISCO ALVARES 24 maio de 1596 ..diz Francisco Álvares morador na haia que ele quer nesta capitanja ser morador com sua mulher e filhos e família e não tem terras onde viver e he informado que no rio real chamado hitanhi pelos índios ai terras por dar vaguas e devolutas pede a vm.lhe fasam. Dandrade há terras por dar a pessoas alguma pede a com todas as lenhas matos servente que na dita legoa houver e seando caso que seja dada a pesoa outra corera a diente onde não for dada isto pede a vm.fez m.diz Cristovan dias almocharife de sua magestade que por tenpo de coatro anos que esta em serviso do dito senhor nesta capitanja de Serigipe ajudando a pouoar com sua fasenda e pesoa achando-se em todos dos assaltos e rebates que os contrários dela fizeram e ora quer ajuda a pouoar ho rio real com gado criasois e não tem terras em abatansa pede a Vm.rio real .dar a seu genro Baltasar Ferreira com todas as agoas matos que na dita terra ouver digo entrar e sendo dada corera adiente onde não for dada Rm despacho .diz Baltazar Ferreira que ele quer ser mor.r.dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade quinhetas brasas de terras em coadro com todas as agoas lenhas matas que nelas ouver pouvando a dentro do termo da ordenasan em Serigipe a vinte coatro de maio de noventa e seis Diogo de Qoadros.visto o serviso lhe fasa m. Saiban etc.rio real Sabian etc.de lhe dar huma legoa de terra ao longo do dito rio contra para o certan a quoal terra comesara onde acabar a dada que vm.despacho – dou 255 . de lhe dar de sesmaria em nome de sua magestade duas mil brasas de terra em coadro na testada de gaspar damorim da banda de noroeste corendo para o rio piauhy con todas as madeiras e agoas que na dita terra se achar no que e. por ter muitos filhos familya erm.-Rio Real Saiban etc.CARTA DE BALTHASAR FERREIRA 24 de maio de 1596. CARTA DE CHRISTOVÃO DIAS 24 de maio de 1996. Despacho – dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que mea legoa de terra em coadro com todas as agoas e matos pue nela ouver e pouvoando–a dentro do tempo da ordenasan em serigipe vinte e coatro de mayo de noventa e seis annos. nesta capitanya com sua molher e filhos e não tem terras onde posa viver he ele enformado que no rio real chamado dos índios hitanhi onde acaba a dada de dos.m..

dou ao sopricante na parte que pede duas mil brasas de terás em nomes de sua magestades em coadro com todas as agoas matos que nelas ouver e dada corera por diante ate onde lhe couber em serigipe a vnte e cinquo de majo de noventa e seis anos – Diogo de Qoadros.diz Domingos Fernandes nobre morador nesta capitanja que ele não tem terras neste lymite donde mora e ora quer pouvoar na banda do rio reale pelo que pede a vosamerce que em nome de sua magestade lhe de no rio de tãomytiaiaia266 braso do rio piauhy que core para a baoda do norte pera ele e sua filha joana nobre huma legoa de terá há quoall dada se comesara na boca do dito rio taomytiaiaia cuãoodo se aparta do rio piaguohy ao longo do rio da bãoda do poente a quoal terá seia em coadras com todas as agoas que na dita dada ouver no que recebra mercê .Rio sergipe.Diogo de Qoadros.Respeitando que assima diz lhe de em nome de sua magestade pelo rio saibetiaia (14) acima do braso rio plauhy que corre para a banda do norte no fim da dada de gaspar demeneis huma legoa e meia de terra em coadro por coanto tem as sobre ditas obrigaçoes para nela agazalhar.. nome indígena do rio chamado hoje jacaré. 256 .ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede não sendo dada mil brasas de terra em coadro com todas as agoas lenhas matos que nelas ouver e sendo dada correra por diante em serigipe a vinte coatro de maio de noventa e seis .diz Antonio Gonçalves se Santana morador nos limites de habia que ele vejo a este Serigipe ajudar a coquistar esta terra em compranhia do governador Cristovan de barros e assim mais a rebate nenhum em que se ele não ache com sua pessoa e escravos como é notorio e ora não tem terras em que possa lavrar pelo que ele se quer vir morar a esta capitania com sua casa e obrigações de filhos e filhas e irmãos pelo que pede a VM.dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede não sendo dada e sendo dada corera por diante quinhentas barasas de terras em coadro com todas as agoas e matos que nela ouver com condisan que dentro de quatro meses as venha poupar e não vindo serão dadas por devoluto em serigipe a vinte e seis de majo de noventa e seis anos . CARTA DE MIGUEL SOARES DE SOUSA 26 de maio de 1596. CARTA DE ANTONIO GONÇALVES DE SANT‘ANNA 26 de maio de 1596 – rio Piauhy Sabian etc. 266 taymitiaia. Saiban etc.ermdespacho...rio Jacaré . CARTA DE DOMINGOS FERNANDES NOBRE 25 de maio de 1596 .Diogo de Quadros. afluente do Piauí.despacho.

despacho.-Rio de piauhy Saiban etc. diz pero domingues morador na baia que ele quer vyr ajudar a pouvar esta capitania e não tem terras em que lavrar e fazer suas roças e trazer criasois que tem para isso pede a vossa mercêem nome de sua m. CARTA DE GASPAR DE MENESES 27 de maio de 1596. CARTA DE PERO DOMINGUES 31 de maio de 1596. 257 . CARTA DE JOÃO GARCIA 10 de junho de 1596.despacho-dou ao sopricante em nome de sua magestade parte que pede mil brasas de terra em coadro com todas agoas e lenhas que nelas ouver em serigipe a vinte sete de março de noventa e seis anos. Saiban etc. lhe de no rio real nas cabeceiras de pero de paiva hua legoa de terra em quoadro de hoitocentas brasas por todas as bandascontanto que fique na legoa he sendo caso que seja dado nas testadas que não tem dadas e saltos e legoas que na dita dada ouver no que recebera m.Rio Real.-Diogo de Qoadros.-Diogo de Quoadros. diz gaspar de meneses mº nos lemytes da baia que ele veio a serigipe ajudar a conquistar em companhia de Cristovan de barros e assim não hai rebate nenhum em que ele se não ache com sua pessoa e escravos como he notorio e ora não tem terras em que possa lavrar e pela coal resan ele quer vir morar a esta capitania com sua mulher e filhos pelo que pede a VM respeitando ao q acima diz em nome de sua magestade digo-lhe de pelo rio piauhy que corre para a banda do norte no fim dada de Diogo Fernandes nobre hua legoa a mea de terra em coadro por canto tem muitas obrigasois para nela agasalhare rm.diz miguel soares de souza estante ora nesa capitania serigipe ora quer mandar vir sua familia para ser melhor e por ora não tem terras para pouvar e trazer suas criasois e ser hu ome de calidade pede a vm avendo respeito e ao proveito del rei e prol da capitania lhe fasa mercê de lhe dar sesmaria todos os sobejos que ouver de bento de barbuda (?) ate dar no rio de serigipe correndo pelo norte os quoais sobejos sera hua legoa de terra pouco mais ou menos com todas as agoas e lenhas e madeiras ribeiras que na dita terra ouver e por este até entestar com as terras dos padres de jesus-despacho-dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede mil e quinhentas brasas de terras ouver e sendo dada correra por diante em serigipe vinte e seis de março de noventa e seis anos.-Diogo de quoadros.dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede hoitocentas brasas de terra em coadro com todas as agoas matas que nelas ouver e sendo dada correra por diante em serigipe aos trinta e hu de maio de noventa e seis.Saiban etc..

Despacho Dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade seiscentas brasas de terra em coadro com todas as agoas lenhas que dentro houver em serigipe a trez de desembro de 1595 anos.Saiban etc. CARTA DE DOMINGOS DE LOURENÇO 3 de dezembro de 1595.diz manoel tome morador nesta capitania que vos merce lhe fez merce de hum pedaso de terra cãotidade de meja legoa a quoal parte com os padres de san bento e vaj correndo pello rio do porto de sãota cateryna hasima e porque amtre hos herdeiros de pedro alvares ha sobejos de caopinas que poden ser dosenstas brasas pouco mais ou menos pede a vosa merce avendo respeito a ter muitas criasois heser Õme que agasalha muitas ao longo dahy he por senao meter outra pessoa antre elle que lhe he rojm vesinhoça lhe fasa merce dar hosditos sobejos em nome de sua magestade no que recebera merce. Saiban etc.D. 258 ..dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede mil e dosentas brasas de terra na testada de francisco daraujo correndo para o rio tao mitaia com todas as agoas matos que nela ouver he estas mil e dosentas brasas serão em quoadro em serigipe a dez de junho de noventa e seis anos D. De mea légua de terra no dito rio piauhy a qual tera pode adonde acabar a dada a francisco de Luis da banda de cima corendo ho rumo assim e da maneira que corre o rio em coadro com todas as aguas e madeiras que dentro houver.-Diogo de Quoadros.de Quoadros. 267 Nas cartas de sesmarias lemos taiymytiaia e taipitiaia.despacho.Rio piauhy. .Diz domingos lourenso ora estante nesta cidade de san cristouvan que ele vai em tres anos que veio a esta capitania e nela ajudou a dar soldados ao capitao tome da rocha e agora hoferecendo este encontro dos franceses neste rio real acompanhou a um com suas armas e escravos donde o fez como valeroso soldado e ora quer ser maior nesta cidade e nao tem terras no que possa fazer mãotimentos e no rio do Piauhy estão terras devolutas por dar pelo que pede a vm.diz joão garcia morador nesta capitania que a quatro anos reside nela com sua caza e fazenda sem terras hem que possa viver elavrar e ora no rio real ahi muitas terras por dar pelo que pede a vossa merce lhe de desmaria pelo rio acima de berriga onde acaba a testada de Francisco daraujo toda a terra que ouver dela ateo rio de taipitaia267 aonde domingos tem a sua dadiva na quoal terra que pede avera duas mil e quinhentas ate treis mil brasas se menos não forem ao quoal tera corra pelo rio acima da baoda do norte salvaodo as pontas que o rio fizer tãobem pede correndo a dita sesmaria pelo rio acima rumo direito pelo este com matos que se nela achare quoal sesmaria pede em nome de sua magestade no que recebera merce pendinho tao bem a vossa merce mande por seu despacho que qual quer hoficiall de justiça o meta de pose dela visto vosa mercê estar andante por estes dias.despacho.dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede as dozentas brasas que diz ter sobejos em serigipe a dez de outubro de noventa e seis anos. CARTA DE MANOEL THOME 10 de Outubro de 1596 Saiban etc .de Quoadros.

dou ao sopricante na parte que pede en nome de sua magestade a tera de que acima faz a mensao nao sendo dada cora por diente em seregipe a vinte he hum de março de noventa e sete anos. despacho:Dou ao sopricante em nome de 259 .CARTA DE FRANCISO FERNANDES DE ALMEIDA E ANTONIO DE MEIRA 15 de março de 1597..-Diogo de Quoadros.. que he entre vasa barys e caipe que são seis centas brasas em quadro pede a vosa merce lhe de a dita dada de terra por devoluta em nome de sua magestade por quanto manuel de baros.....Diz Simao de andrade. CARTA DE SALVADOR FERNANDES 21 de março de 1597..Diz Salvador Fernandes.. e receberam m. Saiban. .etc.estão huns sobejos de terra que lorão dados a manoel de baros nas cabeceiras de joão da costa antre antonio barreiros e balthasar..morador nesta capitania de seregipe que ele a dous anos e meio que esta na dita capitania enteras alheias com criasois e guado e gente e ora vosamerce lhe fez merce de lhe dar hoitocentas brasas de terra en coprido e coatro centas de larguo em o rio real ao piaoy da baoda de leste e ficarao setencentas brasas por dar pede a vosa merce avendo respeito a ele ter criasois e familia e ora a querer ir poupar lhe mande dar outras ditas setentas brasas pelos rumos acima ditos que sao os sobejos de Manuel André de bãoda de lleste com hás agoas e madeyras que nelas ouver he recebera m.etc Diz Francisco Fernandes de Almeida e Antonio de Meira que eles se vira per moradores pera esta cidade de serigipe e oje de manha querem ir buscar suas molheres e suas criasoise por ora não terem terra onde aposentar asua casa e cural pedem a vosa merce lhe de de sesmaria treis sobejos que estão indo pelo caminho que vay desta cidade pera a aldea entre joao da costa e manuel cardoso e manuel tavares e banda de poente com a antonio saraiba e da do nortepartira com a pitangua e para a baoda do sul meua legua que isso podera ser comprimento antre os ereos acima nomeados as quoais teras não pedem e vyrã lloguo com suas mulher e filhos he receberao merce despacho .Rio Real Saiban... CARTA DE SIMAO DE ANDRADE 20 de janeiro de 1599 Saiban...dou aos sopricantes na parte que pedem em nome de sua magestade a maia legua que pedem não sendo dada a outrem e sendo dada correrao por diante em serigipe ha quinze de março de mil e quinhentos e noventa e seis anos.morador nesta capitania que esta nela casado vai em dois anos e não lhe derão terras onde posa lavrar e fazer bem feitorias e ora no rio.-Diogo de Quoadros.etc..

etc.. 268 Água petiba.-Diogo de Quadros.Dou ao sopricante a terra que pede en nome de sua magestade por devoluta visto o que alega seregipe sete de agosto de 1599.Diogo de Qoadros.lhe fasa em nome de sua magestade de mea legoa de terra nas cabeceiras manoelamoré e gaspar de souza coredo rumo direito conforme a demarcaçao lenhas que nas ditas tera ouver. Saiban.morador em esta capitania que ha quatro anos nela mora com sua mulher e filhos e ora eu caipe esta hua dada de terra devoluta a qual se deu antigamente a hun francisco velho o qual não pouou nem cultivou tres anos conforme a ordenassem a qual parte pela banda do sul co Simao da Rocha Vilas-Boas pela a banda de leste cõ Cristovan Dias que tera huã legoa pouco mais ou menos e ora tem criasois de gado vaqun e outros miudos e não tem terras onde posa rosar nem trazer suas criasois pede a VM. etc.diz Fracisco rodrigues.Diogo de Quoadros CARTA DE SIMÃO DIAS 16 de agosto de 1599 Saiban. CARTA DE FRANCISCO RODRIGUES 15 de Agosto de 1599.morador nesta capitania que ha quatro anos que pera esta capitania veo com sua pessoa escravos e criasois de gado vaqun e outras criasois miudas e ora não ten teras onde posa lavrar nem por vm. que em nome de S.. lhe de a dita terra que faz mensão por devoluta de sesmaria a qual pede co todos os matos lenhas e madeiras que na dita tera ouver e sendo caso que seja dada se posa encher da mesma cantidade de brasas.m. . Diz gaspar de Souza.sua magestade a terra que pede per devoluta am seregipe a vinte de janeiro de noventa e nove anos. CARTA DE GASPAR DE SOUZA 7 de agosto de 1599 Saiban . 260 .lhe de em nome sua magestademea legoa de terra em quadro na testada de manoel andré con todas as agoas madeiras que na dita tera ouver a qual pede de sesmaria e se medira norte e sul e rumo direito resalvando as pontas enseadas que no dito rio fizer ho que tudo pede de sesmaria. nome indígena do rio chamado Santa Maria.-Diogo de Quoadros. Diz simao dias morador nesta capitania que ele ora está casado nela e que ora nao tem terras pede a vm.ate agora lhe forao dadas e ora no esteiro de agua petiba 268 em caipe esta hua legoa de tera que foi dada a padre antonio moutinho vigario que foi en esta dita capitania a qual está devoluta por quanto o dito padre a não cultivou nem pouou hu ano pede a vm.Despacho dou ao sopricante en nome de sua magestade mil e duzentas brasas de terra en quadro por devoluta hoje quinze de agosto de 1599.Dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra que pode oje desaseis de agosto de 1599. . etc.

Saiban etc.que en nome de sua magestade lhe de mea legoa de tera por devoluta conforme o preguao do mesmo governador geral despacho. em nome de sua majestade de lhe dar de sesmaria por devalluta hua dada de terra que foi dada a pero Lopes criado de Diogo de coadros que nunqua foi cultivada de gente branqua e o dito pero Lopes foi ido pêra Portugal e nunqua a pouou e a tem perdida conforme aos pregoims que sobre isto dom Francisco de Souza sendo governador mandou llaurar a quoal terá meã llegoa em quoadro mais ou menos e esta ao llonguo do rio paratigim269 que he braso do vasabaris de porto para baixo entre a dada de Manoel amdre e a de guaspar damorim a quoal pede assim a da maneyra que foi dada ao dito pero Lopes pêra lloguo fazer nela bemfectorias erm – dou ao sopricante em nome de sua majestade a terá que pede por devoluto aoim e da maneira que foi dada a pero llepes.diz gaspar fontes llemos morador nesta capitania que elle não teras na capitania para lavrar para mantimentos e para pastos de gado vaqun na testada de gaspar souza em ipochi da banda de sul estam terras devolutas pede a vm.Diz Francisco da silveira que ele se veo para esta capitanjo para nela ser morador e por ora para iso ten comparado serta copia de gado vacum pera os quoais he necessario terras pera pastos e mantimentos aos quais não tem e ten por noticia que onde se ajuntao os dous brasos do rio iapochi ao llonguo de hun deles da banda do sull entra hua ribeira d'agua que se chama mocori e por ella asima está hua legua de tera que core pela 269 Não sabemos qual o rio que os índios chamavam paritigy.Dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra que pede pord devoluta seregipe a trez de janeiro de 1600.Diogo de Coadros. – Sergipe a cinquo de Outubro de 1602. Lhe fasa m. dis Gaspar de meirems que ele é mor. nesta capitania com casa de família de mais de dous a três anos se achou nas guerras que nesta dita capitania se deram do gentio e fez muito serviço ã sua majestade e oyie lhe faz proveito con suas rendas e porque não tem terás em que laurar e traga suas de muito guado que tem de toda a sorte pede a vm. CARTA DE FRANCISCO DA SILVEIRA 15 de Janeiro de 1600. Saiban etc. o capitão Cosme Barbosa. Só sabemos que era um afluente do Vasa –Barris. Saiban etc. CARTA DE GASPAR FONTES 1 de janeiro de 1600.CARTA DE GASPAR DE MEIRENS 5 de Outubro de 1599. 261 .

CARTA DE THOMÉ FERNANDES 17 de janeiro de 1600. Saiban etc. 262 .vinte de janeiro de 1600.diz pero lopes estante nesta capitania que ele quer ajudar a povoar com sua mulher e filhos e ora não ten teras con abastansa para suas criasois e mantimentos e ora na testada de manuel andre estan teras devolutas pede a vm.etc.. ..piramopama os quaes sobejos serão oitocentas brasas pouquo mais ou menos os quoais pede en nome de sua magestade por devolutas conforme o pregão do sr.governador gerall serigipe vinte de janeiro de 1600.m oito sentas brasas de tera en coadro por devoluta conforme o pregão do sr. CARTA DE PERO LOPES 20 dse janeiro de 1600. que en nome de s..-dou ao sopricante en nome de sua magestade oitocentas brasas de tera en coadro por devolutas conforme o pregão do sr. da dita llegoa de tera de sesmaria en nome de sua magestade asin e da maneira que foi pedida e dada ao dito bernaldino ribeiro com tudo que nela se achar erm.m lhe de mea llegoa de tera por devoluta coforme o pregão do sr.dou ao conforme o pregão do sr... CARTA DE GASPAR RIBEIRO 20 de janeiro de 1600..diz gaspar bareto morador nesta capitania que ha dous annos pouco mais ou menos que nela esta ajudando a pouvar e ora não ten teras para suas criasois de gado vaqun e outras miudas que para iso ten pede a vm lhe de en nome de s.governador geral con todas as aguas llenhas e madeiras que nela ouver seregipe a desasete de janeiro de 1600.Diogo de Quoadros.dita ribeira asima pelo rumo de norte do sul e leste e oeste a qual foi dada hun bernaldino ribeiro na qual se devoluta pede a vm lhe fasa m . Saiban. .Diogo de Quoadros.. . governador geral en seregipe ..etc.m huns sobejos de tera que estan entre gaspar damori e pero llopes no rio do vasa baris da banda do norte adonde.Diogo de Qoadros.governador geral don francisco de souza con todas as madeiras e aguas que nelas ouver erm.dou ao sopricante en nome de s.m mea legoa de tera na testada de francisco da silveira por divoluta conforme o pregão da sr.dou ao sopricante en nome de s. Diz tomé fernandes que elle he vindo a esta capitania con mulher e familia para pouvar a dita terra e por que ora não ten teras lavrar para seus mantimentos e criasois e ora na tera que foi dada a bernaldino ribeiro no rio de mocori e ora está devoluta pede a vm que em nome de sua magestade lhe de na testada de francisco da silveira no rio de mocory da banda do sull mea llegoa de tera en coadro com todas as aguas e madeiras e pastos que nela houver erm.. Saiban. governador geral com todas as aguas llenhas que nela ouver serigipe aons quinze de janeiro de 1600. .Diogo de Quoadros.. governador geral erm..

CARTA DE DOMINGOS NARCISO 13 de janeiro de 1600 Saiban,etc.diz domingos narciso que ele está en hua tera no pochi da banda do norte en a qual ten feito sua casa e hun cural de gado e sua rosa a qual tera dizen que foi dada a manuel gomes e visto tela povado e estar nela pede a vm de por devoluta en nome de sua magestade conforme o pregao que mandou lavrar ho sr. governador geral a qual tera parte pelo caminho de gauquajú des.........desde os apequs até a barro como entra no rio seregipe suas enseadas e pontas que ha no rio erm.- dou ao sopricante en nome de sua magestade a tera que pede por devoluta hoje a trese de fevereiro de 1600.- Diogo de Qoadros.

CARTA DE MANOEL ANDRÉ 24 de janeiro de 1600. - Vasa Barris. Saiban etc. Diz manuell andre morador nesta capitania que ele vai en dous anos que esta povoando e servindo a s.m. entrando en todas as geras e assaltos que ate agora se fizeram com os gentios da terra como aos francezes que nela se tornarão acompanhado a VM e aos antepassados que nesta dita capitania servirao de capitao e hora tem mulher e filhos e não tem teras em abundansa para poder trazer suas criasois de gado vaqun e outros meudos que pra iso tem pede a vm. que en nome de s.m. lhe de de sesmaria na testada de pero lopes da banda de norte en vaza barris adonde chamão párratigi a qual dada delle dito.........como elle sopricante e co gaspar bareto a cal pede mea legoa de tera por devoluta conforme o pregan do sr.governador geral asin como corer a dita dada de pero lopes co todas as madeiras e aguas e llenhas que nelas ouver - dou ao sopricante en nome de sua magestade outro sentas brasas de tera en coadro por devoluto coforme o pregan do sr.governador geral na parte que pede a seregipe a vinte e quatro de fevereiro de 1600.-Diogo de Quoadros. CARTA DE DOMINGAS DINIZ 16 de .................. 1600. Saiban,etc. diz domingas diniz.........que ella nesta capitania co seus pai e sua mãi por morador sinquo anos e hora não ten teras para suas criasois o mantimentos e hora ao redor desta cidade está hua dada de tera devaluta pra banda de norte co manoel pires e poente con antonio seraiba e de norte sul tera llegua de largo a quoal foi dada a hu gaspar doliveira e nuqua fez benfeitorias nela como hera obrigado fazer coforme a ordenasan pede a v.m. en nome de s.m. por devoluta coforme o pregão do sr.governador geral con todas as agoas etc. erm dou a sopricante en nome de s.m. a terra que pede por devoluta en seregipe a desaseis de 1600.-Diogo de Quodros. CARTA DE SIMÃO D'ANDRADE

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4 de março de 1600. Saiban,etc.diz simão dandrade que ele a tres anos que esta pouvando esta capitania cazado co molher e filhos con gado e servindo a s.m. con tudo e que v.m. o ten encarregado do serviço do dito snr e porque agora lhe não é dado tera pera podea trazer suas criações fazer mantimentos para puder sustentar sua caza pede a vm en nome de s.m. lhe de ao llonga da ribeira de pirao mopama nas testadas de gaspar damorim hua legoa de tera fiquando a dita ribeira demtro da dita tera a call pede por devaluta coforme o pregão do snr governador geral erm - dou ao sopricante en nome de sua m. na parte que pede mil e dusentas brasas de tera de comprido e pera o sertão mil e quinhentos por devoluta con as agoas etc. seregipe a quarto de março de 1600.-Digoo de quoadros. CARTA DE MANOEL DE FONSECA 5 de Março de 1600. -Rio cajahiba Saiban etc. diz manoel da fonsequa mor.nesta capitania que ele en companhia de cristovan de barros veo ajudar a tomar esta terra e capitania pouvar a sua custa des então ate agora sempre rezidio nela con sua pesoa e familia ajudando a pouvar a todos em tradas he geras que em tempo dos outros capitais ouerão en serviso de s.m. e nã ten teras en que lavrar suas rosas he suas criasois pede en nome de s.m. hua dada de tera que foi dada ha hu simão fernandes gaguo por o capitão tome da rocha que foi desta capitania por quao a não veo pouvar dentro do tempo que lhe da o dr e ordenasan e não coprimento dos pregões que mandou deitar na prasa da cidade de saluador o snr governador geral não cumprio nem nuca tomou posse e esta por devoluta a qual tera he de mil brasas para ao llongo do rio de cajaiba e são tres mil brasas para o certão e porque ele dito ten filhos para casar pede mais outra tanta que serão duas mil brasas ao llongo do rio da cajahiba he as tres para o sertão corendo correndo as duas pelo sertão asima caminho da banda de noroeste as tres para o sertão para a banda de sudueste as qual tera esta amtre ho rio de cajahiba e potihipeba por o caminho que ia para a aldea de taperagua e pede asin como o dito tome da rocha a tinha dado a simão fernandez direitamente pelo rio asima resalvando pontas he enseadas no salgados co tanto que tudo cora avante erm - dou ao sopricante en nome de s.m. as mil brasas de tera e as tres mil para o sertão que foram dadas a sirmão firz seregipe a sinquo de março de 1600. - Diogo de Quoadros.

CARTA DE BARTHOLOMEU FERNANDES

10 de Março de 1600. Saiban etc. diz bartholomeu ferz mestre da capela da Bahia que ela éome de muita pose e quer vir ou mandar ajudar apovoar esta capitania e província o que lhe e necessário ter tera para mantimentos e criações pede a vm lhe de en nome de sua magestade hua llegoa de terra em coadro no rio reall na testada de Francisco

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daraujo e Baltasar feras e Melchior dias comesando de hu eteiro chamado ariticuiba270 per ele ariba rumo direito da banda de norte pede de ser marcar ermDou ao soplicante em nome de s. m. na parte eu pede meã legoa de terá com todas as águas etc. que nelas ouver Sergipe a dês de março de 1600.- Diogo de Qoadros. CARTA DE BENTO FERRAZ 12 de Março de 1600. Saibam etc. diz o padre bento feras vigário de Sergipe que ele esta actuamente pouvando esta terá com seus negros e gados e ciasois para o que não tem terás para mantimentos e trazer suas criaçois antes hua dada de meã legoa de terá que lhe Vossa magestade tinha dade mandou substituir com ella a quall hera em caipe, ho que ele sopricante fez e esta sem terá nenhuma pede a Vm lhe de en nome de sua magestade mea legoa de terá em coadro no rio reall mística co a de seu tio o mestre capela corendo pelos mesmos rumos e desmarcacois que a dita tera corer- Dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede Mill brasas de tera em coadro em auguas etc. seregipe doze de marso de 1600.- Diogo de Qoadros. CARTA DE PERO SANCHES 31 de Março de 1600. Saiban etc. diz pero Sanches morador nesta capitania que ele não tem terras em que laavrar He fasa suas rosas He targa suas criasois pede terá que pello rio asima de piramopana da banda de leste nos de .......... – Dou mil e quinhentas basas de tera. – Diogo de Qoadros. – ultimo de março de 1600. CARTA DE MARCOS FERNANDES. Sibam etc. diz marcos Fernandes morador na cidade de saluador que ele quer vir pouvar esta capitania com sua casa e famial e ora nela não tem terras para puder trazer seu gado e cisois e fazer suas rosarias por quanto ele he home de grade família pede a V.m. lhe de em nome de sua magestade nas cabeceiras de João da rocha visente ao llonguo do vasabaris da banda do sull hua legoa de terá llonguo do dito rio e llegoa e mea de terá dentro a quall terá pede por devlluta e se obrigara em dentro de quatro mezes – Dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede a terá que diz em sua petição com águas etc. seregipe a vinte de março de 1600.- Diogo de Qoadros.

CARTA DE MELCHIOR MACIEL 5 de Abril de 1600. – Rio Guitihiba271 Saiban etc. diz mellchior masiell dandraade mor. Nesta capitania que quando a Ella chegou se apresentou ao rio reall que achou desocupado adonde ora está co
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Afluente do rio Real, junto à foz. Conserva o mesmo nome. Nome indígena de um afluente do Rio Real

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sua casa e fanilia e porq‘ nesta dita capitania tem bem servido a s. m. e ora nella he morador pede a Vm. Em nome de s. m. lhe fasa m. duas mil brasas de terá em coadro ao llongo do rio guithiba ueq he onde ele sop. Ora está pouvoando a call terra pede por devoluta conforme ao pregão do Sr. governador gerall lhe será demarcada a dita terá de huma banda e de outra do rio guitihiba ficando o rio meo da demarcasan e será imedita por rumos direitos por fora dos mangues e ilhas que ouver as quais ilhas e pontas de terá e mãgues que ficarem dentro da demarcasão entre na dada que ele sopricante pede erm. – dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede mil e dusentas brasas de terá por devoluta cõforme o pregão do mesmo governador gerall seregipe a simquo de abril de 1600. – Diogo de Qoadros. CARTA DE MATIN LOPES 24 d‘Abril de 1600. - Aldeia de Taperoá. Saiban etc. diz Martim Lopes mor. Na habia que elle quer mandar ajudar a povoar esta capitania de Sergipe e por quanto he home de muita pose e famila para que lhe he necessário terás para suas ciasois e mantimentos pde a Vm. em nome de sua magestade huma llegoa de terá em coadro na aldeã que chamão tepahoqua adonde em tempo de Tome da Rocha quando era capitão os contrários (?) matarão os negros que chamavão neboiba a call dada de terá corera pelo caminho que vinha de uma banda e outra levando em meo e semdo causa que se a dada pede por devoluta erm.- Dou ao sopricante em nome de s. m. na parte que pede meã legoa de terá em coadro com águas seregipe a vinte e quatro dabril de 1600. – Diogo de Qoadros.

CARTA DE MATHEUS DE FREITAS 25 de Abril de 1600. – Rio Sergipe. Saiban etc. Mateus da Freitas dasevedo allcaide mor. Da capitania de pernãbuco que ele tem muita pose e quer mandar ajudar a povoar esta capitania de seigipe e porq‘ tem muitos filhos pede a Vm. lhe de em nome de sua magestade por devoluta cõforme o pregão do Sr. governador geral duas llegoas de terá em coadro pello rio de seregipe asima nas cabeseiras das terras de pero masiell dandrade e do padre Ambrosio Joardes a saber hum legoa para sua filha Jeronima outra llegoa para Clara ...........- Dou no sopricante em nome de sua magestade na parte que pede duas legoas de terá para as ditas suas filhas cõtanto que beneficie em hum ano seregipe a vinte e sinquo de abril de 1600. – Diogo Qoadros. CARTA DE AMBROSIO GUARDEZ 26 d‘Abril de 1600. – Rio Sergipe. Saiban etc. diz ambroso coardes vigário do são pedro e ouvidor da vara da capitania de penãobuquo que ele tem muita pose e quer ajudar a povoar a nova capitania de serigipe com gente e gado e outras ciasois pede a vin. Lhe de em nome de sua magestade por divolluta cõforme o pregão do Sr. governador gerall duas Mill

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brasas de terá em coadro ao llongo do rio de seregipe da bauda do sull na testada de pero masiell pra rosaria e pastos de gado com todas as agoas etc. – Dou ao sopricante na parte que pede em nome de s. m. mil brasas de terra em llargo e Mill e quinhentas de comprido com todas as agoas etc. seregipe a vinte e seis dabril de 1600. - Diogo de Qoadros. CARTA DE GASPAR DE AMORIM 4 de Março de 1600. – Rio Vasa-Barris. Saiban etc. Diz Gaspar damorim morador nesta capitania que a elle lhe não são dadas as terras que bastam para sua pesoa e suas criações e para fazer mantimentos conform ao regimento pede a Vm lhe de hua dade de terra que esta devoluta quoall se comecara a medir na varzea de peramopana que vossa magestade lhe tem dado até a dada de Manoel Andre para sima como vai do rio vasa basabaris porquanto elle sopricante esta nella com casa ...... e a tem pouvado pede a Vm lhe de em nome sua magestade por devoluta a call terra pode ser mea llegoa em coadro pouquo mais ou menos erm. – Dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede Mill e dusentas brasas pela sua testada de comprido e mil e quinhentas de largo para o sertão em Sergipe a quatro de marso de Mill e seis sentos anos. – Diogo Qoadros. CARTA DE GASPAR DO AMORIM 14 de Março de 1600.- Rio Vasa-Barris. Diz Gaspar damorim morador nesta capitania que elle com sua molher e criasois e escravos e ora o capitão dioguo de coadros lhe tem dado pouqua terras para suas criasois e mantimentos e porque lhe deu na varzia de piramopama hu pedaso de terá e no feito de Coll razão que ele em sua petisan pedia para a Vm que em nome de sua magestade lhe de outra vez de novo hus sobejos de terra que estão na dita varzia dos cajueiros para baixo e he hu canto entre elle sopricante e ho no rio vasa barris e o dito esteiro de de piramopama que pode ser mil brasas de terra pouque mais ou menos de conprido e de largo quinhentas brasas e por outra parte certo que he pouco mais ou menos pede a vosa mercê lha de por devolluto e inda que seja dada conforme ao pregão geral por se lhe não meter Ca ninguém na dita varzia porque lhe fasem ruim obra no que erm.- Dou ao sopricante a ponta de terá que pede em nome de sua magestade por devolluta cõforme ao pregão do governador gerall Don Francisco de Souza serigipe quatroze de março de mil e seiscentos anos o capitão Manoel Miranda Barbosa em auzencia de Diogo de Qoadros. CARTA DE GASAR D‘AMORIM 14 de Março de 1600. Saibam etc. diz Gaspar damorim nesta capitania que antre agoa petiba e o mar esta hua dade de terá que são quinhetas brasas ou seiscentas por costa e llargura ate agoa petiba e de norte parte com a terá de Baltasar de Barbosa o quoal serte de terra povoou de novo joam Garcia e nela reidio mais de quaro anos de sorte

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que ficou satisfazendo ao forali e por algus soberios que lhe cõcedram se for desta capitania e fes venda da mesma terra a elle sopricante e por quanto Joan garsia assim se foi allgus a pretendem por discre a não poder vender pois despovou pede a vossa mercê que de novo lha de de sesmaria ou por devalluto erm- Dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra que pede de sesmaria e por devalluto visto o dito joam Garcia depovoar e vender o direito que nella tinha seregipe a quatorze de marzo de mil e seis centos anos o capitão Manoel de Miranda Barbosa em ausência de Diogo de Qoadros. CARTA DE JOÃO DIAS 16 de Abril de 1600. Saiban etc, disem João dias morador em jaquipe que ele tem nesta capitania gado e gente pra fazer rosas e cirasois e para isso não tem terás onde possa pastar suas criasois e no agaipe para a banda do sul esta huma dada de terá que foi dada ao padre geronimo de garros a coal lhe foi dada a seis ou sete anos e ate hoje a não tem povoado nem feito bemfeitorias nenhuma pello quall respeito nas pede por devoluta assim e da maneira que foram dadas ao padre e pede lhe perfasa huma legoa de terá em coadro Erm.- Despacho- dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra que pede cõforme ao pregão do snr. Governador gerall por devolluta com todas as águas e llenhas que nelas em ouver em seregipe a deseis de abril de Mill seis senteos anos – Qoadros. O registro assinado por Manoel de Miranda Barbosa.

CARTA DE MELCHIOR MACIEL E PAULO 4 de julho de 1600. Saiban etc. disen Mellchior Maciel e Paulo…….. moradores na capitania que no rio reall da banda do norte junto ao cabedelo a que chamão ipelempe272 ao longo da terá esta hum pedaso de terá de pastos pêra gado e porque eles sopricantes estam pouando no dito rio reall e não tem onde posam trazer suas ciasois pedem a Vm lhe fasa mercê em nome de sua magestade duas llegoas de ttera por costa de mar e llargura que ouver da bara de hum riacho que esta na boqua do dito cabedelo..... até a costa que pode aver quinhentas brasas até seis centas pouquo mais ou menos e sendo dadas as peden por divolluta conforme os pregõis e mandados do snr. Governador gerall Erm. – dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que peden duas mil brasas de terá por costa e llonguo comesando do rio que dis em seregipe a quatro de Junho de 1600.- Diogo Qoadros.

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Nome indígena do cabelo que existe ainda hoje junto à foz do rio Real.

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em nome de sua majestade de hua llegoa de terá em coadro no rio mocory nas cabeseiras donde acabar Martins de Souza e pello rio asima do dito mocory e por côamto elle suplicante não sabe se o dito martins de sousa tem terá a pede a vm lhe fasa m...dou ao sopricante Mill brasas de terra em coadre corendo na forma em que pede em nome de sua magestade na baia dessanove de juho de Mill e seissentos anos.. dis Gaspar Fernandes vigário ouvidor da vara e juiz dos seguimentos he utilizador nesta capitania de Sergipe que o capitão Cosme barbosa lhe fez m. 269 ... Diogo Qoadros.... Governador Don Francisco de Souza e a Vm.evendo respeito ao que o sopricante dis nesta sua pitisan lhe confirme a dada da tera da maneira que em sua petisão faz mensão e lhe dou demais em nome de sua majestade na dita terá as pontas que pedem e de tudo se lhe pase nova carta de sesmaria Sergipe onze de Julo de 1603 o capitão Tomé da Rocha. dar-lhe em nome de sua majestade a dita llegoa de terá e comesara a medir onde o dito Martins de Souza acabar digo pretender e assim mais lhe fasa merse darlhe a dita llegoa de terá rumo direito ao norte posto que o dito rio pellas voltas que da não tem rumo direito e yuntamente lhe fasa m. ate agora pessoa alguma as veo povoar nem as cultivar e ora o sopricante as quer povoar conforme ao regimento de sua magestade e ao pregão do snr.CARTA DO PADRE VIGARIO GASPAR FERNANDEZ 11 de Julho de 1600. Saiban etc. CARTA DE MATHIAS MOREIRA 19 de julho de 1600 Saiban etc. com huma petisan e despaacho do capitão e governador Diogo de qoadros etc.. No registro a assinatura é de Manoel de Miranda Barbosa..diz natias Moreira morador na capitania de seregipe cidade de san Cristovão que nas cabeseiras das dadas aos padres da companhia de Jesus tem em vasa barris estão terras devolutas. de todos os pontos anseadas que na dita llegoa de terá ouver e sendo caso que seja dada corera adiante pello mesmo rumo ou como milhor lhe pareser erm. para bem de nelas fazer seus mantimentos e meter suas criasois pede a Vm que respeitando ao que dis lhe fasa mercê em nome de sua magestade de lhe dar de sesmaria huma legoa de terra ao longo das cabeseiras que os ditos padres tem por sima da mesma llargura confrontante para o sertan corendo a dita llegoa de comprido ao llonguo do dito rio de vasabarris com todas as águas doses e sallgadas que na dita distansia se acharem com as pontas de mangues e ilhas que na dita dada caírem corendo com os mesmos rumos e confrontasois que corem a dos ditos padres e a dita demarcasan em seu comprimento chegue a sua distansia em embargo em embargos de rios e esteiros e fasendo-lhe mercê como ele sopricante o pede lhe mande pasar sua carta de sesmaria e resebera mercê.

m. CARTA DE SIMÃO DE ANDRADE 12 de Novembro de 1600 Saiban etc. Sr. duas legoas de terá em coadro no rio reall em hu esteiro ou rio por nome ariticuiba onde acabão os sopricante de hua bãda que lhe deu o capitão Diogo de coadros correndo pelos mesmos rumos demarcasois confrontasões que correm as dadas dos sopricantes as quais pedem de desmaria que seiam dadas e pedem por devollutas isto com llenhas madeiras agoas e pedreiras no que resebera m. governador gera erm. governador gerall as tem 270 . Manoel de Miranda Barbosa locotenente. Sr. Saibam etc. m. CARTA DE JOÃO DIAS 11 de Novembro de 1600. na testada de Antonio barreiros correndo até o esteiro de piramopama hua legoa de terra em coadro ao llõguo do vasa barris houtra banda de tinhare e outra legoa para o sertão a coal pede conforme pregão do Sr. Seregipe treze de outubro de Mill e seis sentos anos. – despacho dou aos sopricantes na parte que pedem hua lleg. governador geral Sergipe onze de novembro de 1600 anos o capitão Manoel de Miranda Barbosa. diz Simão d‘andrade que ele vae com quarto anos que esta ajudando a povoar esta capitania com sua molher e família e servindo sempre a sua magestade em tudo o que lhe foi encarregado e porque hora ele sopricante tem gado vacum e outras muitas criasois e não tem terras per onde pastar por ate agora não ter rendado pello que se lhe perdem as ditas criasois e desaparecem e se da muita perda e ora onde a terra do snr bispo vindo do vasabarris estão oito sentas brassas de terra que foram de hu morador da Bahia a muitos anos e nuqua até agora digo até hoje as tem vimdo pousar conforme o regimento que sua magestade manda em sua ordenasão contra o pregão do m. Disem Bartholomeu fernades e o padre bento Ferraz maiores nesta capitania de Sergipe que elles querem ajudar a pouvar e estão atuallmente pouvando e por não terem terás sufficientes para trazerem seus gados e criasois miúdas e fazeerem mantimentos pedem a Vm lhes de em nome de s. Na tore que elle veio a esa capitania em companhia de cristovan de barros ajudal-o ganhar honde trouxe artilharia a sua conta que ora esta neste forte e outro si tem muito gado já nesta capitania para o quall não tem pastos bastantes nem matos pêra rosar porque quer ajudala a povoar e porque nela a terás devallutas que não são cultivadas pede a Vm lhe de em nome de s. Despacho – dou ao sopricante em nome de sua magestade os sobeios que quer entre Antonio barreiros e pero sandres mor nesta capitania ao llonguo do vasa barris e pela terra dentro hua legoa conforme ao pregão de m.CARTA DO PADRE BENTO FERRAZ E BARTHOLOMEU FERNANDEZ 13 de outubro de 1600. diz João dias mor. De terra em coadro com as lenhas e agoas e maderias as quaes comesara a medir donde eles soprecantes acabão como pedem.

diz pero da llomba morador da Bahia por seu procurador q ele veo ajudar a ganhar esta capitania a sinquo anos hm curall de gado para o quall não tem pastos nem lhe há dado terás nenhuas peratra ser suas criasois e hora a terras devolutas na itaporãogua273 pede a vm lhe de em nome de s. O capitão Manuel de Miranda Barbosa CARTA DE PEDRO DA LOMBA 11 de Novembro de 1600 Saibam etc. O capitão e loco tenente Manuel de Miranda Barboza. Despacho . governador gerall Francisco de Souza seregipe dozo de novembro de Mill e seis sentos anos. CARTA DE SIMÃO DE ANDRADE E MANUEL ANDRÉ 17 de Novembro de 1600 Saiban etc disem Simão d‘andrade e manuell André q els estão pouvando co suas mulheres e filhos e servindo a sua magesade em tudo o que llhe he encarregado do serviso do dito snr. ―Don Francisco de Sousa e recebera mercê. hua llegoa de terá em coadro a quall se comecara a medir na testada de Manuel tome quanto ao rio vasa baris e corera pelas cabeseiras dele e da dada de domingos saraujo pella bãoda do sull erm. magestade duas mil brasas den coadro na parte q pede a saber nas cabeseiras de domingos daraujo da banda do sull serigipe onze de novembro de mil e seis entos anos. m. visto o que alega lhe de em nome de sua magestade por devollutas quatro centas brassas de terra larguo e de comprido o que ouver da praia até o rio de auguapetiba comesando de meio a donde acaba o Snr bispo e resebera m – despacho – dou ao sopricante em nome de sua magestade trescentas brasas de terra de larguo por costa e de comprido ao longo do mar até o rio aguapetiba como pede conforme o pregão do Sr. governador gerall Don franacisco de Sousa seregipe a dose de novembro de 1600. E porque ora não tem pastos para seus gados e 273 Vila de itaporanga 271 . Saiban etc. Manoel de Miranda Barbosa. Despacho – dou aos sopricantes em nome de sua magestade os sobeios q estão entre Matias Moreira e Manuel tome AL llonguo do vas baris da ganda do sull e pela terra dentro hua llegoa por divolluta conforme o pregão do Sr. disem Simão dandrade e manjuel Andre moradores nesta capitania que eles estão pouvando nesta dita capitania e porque ora não tem terras que posão fazer seus mantimentos e traser suas criasois de gado vacum e outras meudas q pra isso tem pello q pedem a v. mersê em nome de sua magestade hus sobejos q estão entre Matias Moreira e Manuel Tomé allonguo do rio de vasabarris da banda do sul p podem ser hua légua pouque mais ou menos as quaes peden por desaletas conforme o pregão do snr. CARTA DE SESMARIA DE MANUEL ANDRÉ E SIMÃO DE ANDRADE 13 de Novembro d 1600.perdidas pede à Vm.dou ao sopricante em nome de s.

despacho – dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra contuda em sua petisão de semaria em caso que este dade por devolluta seregipe a desoito de dezembro de sis sentos annos.. lhe de sesmaria no rio se seregipe na tstada de Simão da Rocha hua llego de terá em coadro para seus mantimentos e porquanto na dita terra na tem terás para pastos pede a vm outro assim de dar na varsea do dito rio de seregipe Mill brasas em coadro na testa do dito Simão da rocha com todas as augoas llenhas madeiras erm... 274 Nome indígena de um riacho que desemboca no Poxim.. magestade na parte q pede a llegoa de terra em coadro a call lhe dou de semaria outra se mil brasas em coadra na testada de Simão da rocha para pastos a call lhe dou com todas as augoas llenhas madeiras q nas ditas terras se acharem em seregipe vinte e seis de dezembro de 1600. diz o padre Agostinho monteiro q elle quer ser morador nesta capitania de seregipe ou mandar pouvar co rosarias e canaviais curais como he custume dos q pouvão a terá pra o q tem necessidade de terras pra ain o poder fazer pede a vm.. 272 ..... m..... Saiban etc diz Simão dandrade que ele vai em quatro annos q esta ajudando a pouvar esta capitania com sua mulher e filhos e servindo sempre a s..... O capitão o padre Bento Ferras... Saibão etc. Despacho dou aos sopricantes os sobeios q pedem de semaria por devallutos em nome de s... O capitão o padre Bento Ferras... por q ainda em caipe perto desta sidade estão huas quatro sentas brasas de terras que forão dadas aos filhos de Pedro Alves que eles tem sendo filhos família em ao a podião posuir e por quanto ele sopricante todo este tempo q há q esta pouvando a dita terá fasindo bemfeitorias nela o u he proll da fazend de sua magestade sisto ser terá nova e mandar ele as ditas terás se dem a quem hás pouvar sem regimento se lhes tire a quem as uão pouvar pede a vm lhas de de semaria por devoluta visto as p.as ditas quatro sentas brasas de terras as não cultivarem nem pouarem outrosi não moram nesta capitania nem term nelas quem lhas pouvo. CARTAS DE PADRE AGOSTINHO MONTEIRO 26 de dezenbro de 1600. CARTA DE SIMÃO DE ANDRADE 18 de Dezembro de 1600. magestade em seregipe a desasete de novembro de Mill e seis sentos anos Manoel de Miranda Barbosa. de ouvidor e outros cargos do serviso de sua magestade de q foi encarregado e por q ora ele sopricante não tem terras oude posa fazer seus mantimentos perto desta sidade onde posa acudir a obrigasão de seu ofisio poquanto o que lhe he dado esta muito llonge e não pode ainda viver.mais criasois q para isso tem peden-lhe de em nome de sua magestade de semaria hus sobeios de terá q estão antre Antonio Gedes e o esteiro de augiapioba 274 correndo pelas cabeceiras de balltesar e Sebastião de brito e antre os frades de san bento ate poxi os quais se den por devalluto conforme o pregão do snr governador gerall Don Francisco de Souza erm..... Despacho dou ao sopricante em nome de s.

CARTA DO PADRE BENTO FERRAZ 273 .. hu manoell pires ja defunto e ora o dito manoell pires nuqua fez bemfeitorias na dita terra nen della ouve pose esta a dita terra divolluta que são tresentas brasas de llarguo para a banda de ponente e mill e quinhentas de nordeste ao sudoeste pede a Vm lha de de sesmaria por respeito de se lhe não vir meter oitro nella que lhe de matarto a sua criasão respeitando ter muito a call pede por devolluta erm ..dou ao sopricante en nome de sua magestade a terra que pede por devolluta cõforme o pregão do sr.CATA DE JOÃO MATINS BERTANHA 26 de dezembro de 1600 Saiban etc diz Jon martis betanha morador em .. estante nesta capitania de seregipe q ele veo ajuar a gahuar esta capitania co suas armas e escravos a sua custa e ora quer vir ajudar povoar co sua mulher e filhos e escravos e sua ciasois e outra gente de sua obrigasan e porq na dita capitania lhe não são dadas terras allgumas pra nelas puder llarvar e criar suas criasois e ora estao terras devollutas aonde chega o allagado de vasa baris pede a vm lhe de de sesmaria en nome de s. O capitão locotenente M....dou ao sopricante en nome de sua magestatle nas partes q pede hua llegaa de terra asim e da manera q en sua petisan pede a call lhe dou de sesmaria en seregipe a desoito de janeiro de seis sentos e hum anos o capitão Bento Ferras. CARTA DE MANOEL THOMÉ 20 de Janeiro de 1601. Saiban etc diz domingos gonsallves morador na bahia do saluador que ele quer mandar a esta capitania ajudar a pouoar e que na dita capitania Não tem terras para mantimentos e pastos e que pello rio de serigipe asima hesta hua dada de terra na testada de outra dada que foi dada sebastião da rocha quall tera foi dada ha hu manoell daraujo e esta devoluta e de sesmaria erm .. don francisco de souza seregipe des de marso de seis centos e hu ãnos....B. CARTA DE DOMINGOS GONSALVES 10 de Março de 1601. m. M..dou ao sopricante en nome de sua magestade a terra que pede asin e de maneira que diz en sua petinsan a call lhe dou por devolluta en serigipe a vinte de janeiro de seis sentos e hu ânos o capitão o padre Bento Ferraz.. duas llegoas de teras en coadra as quaes se comesarão a medir aonde acaba leandro baltasar ferras e não corendo pelo rio dose asima-rumo direito com todos as pontas e insiadas madeiras auguas q_ nas ditas teras ouver as quais pede pra banda de nasente en caso q sejão dadas as pede por devolluto erm . Saiban ete diz manoel tome d'andrade morador nesta capitania que a ele lhe foi dado hu pedaso de tera ao llonguo desta cidade a call terra he pouqua para as criasois que ten e ao llonguo das ditas terras esta· hu pedaso de.. tera que foi dado..

de lhe dar de sesmaria en nome de sua magestade por devalluta cõforme o pregão do sr. em auzensia de Diogo de qoadros. erm . governador gerall não vindo paullo adorno a povoar a dita terra. CARTA DE GONÇALO FRANCISCO 14 de Março de 1601. dentro de seis meses segintes em seregipe a doze de marso de mill e seis centos e hum anos. e outro sim esta servindo de ouvidor cõ allçada na dita capitania e ajudando a povoar çõ molher e filhos fabriqua de que Tudo esta fasendo serviso a deus e Sua magestade e não ten teras em que llevar seus mantimentos e tarzer suas criasois e no rio do vasabaris onde se chama tinhare esta huma dada de terra devaliuta da banda do norte do dito rio que foi dada a hum paulo adorno a quall a dito paullo adorno numqua povoou nen cultivou nem fes bemfeitorias nela e esta devalluta pede a Vm.Dou ao sopricante de sesmaria en nome de S.m. governador geral! don francisco de sousa en seregipe a quatorse de marso de seis centos e hum o capitão Manuell de Miranda Barbosa. governador gerall d. CARTA DE GASPAR FONTES 12 de março de 1601.11 de março de 1001 Saiban etc diz o padre bento ferras vigairio confirmado nesta vigairaria de sergipe q ele esta alltualmente pouando esta terra e capitaneando e por que não tem terras em q traga seu gado e criasois como são pastos e antre o rio vasa baris e o cãbohi esta hua pequena de terra devolluta aonde acabão os padras da conpanhia e a dada que lhe deu thomé da rocha sendo capitão que são três llegoas como elIes em sua petisão pede a vmce. em a praça da bahia ellugares publicas a Call terra pede en nome de sua magestade asin e da maneira que foi dada ao dito paullo que ten mill barsas en coadro. lhe de en nome de sua magestade na parte que pede a terra que se achar donde acabarem os padres até o abahi a cuall pede com todas as lenhas matos e águas que na dita terra ouver erm .dou ao sopricante en nome de sua magestade a terra que pede por devalluto cõforme o pregão do Sr.dou ao sopricante en nome de sua magestade os sobeios· que se acharem da terra dada da que se achar mais das tres llegoas que lhe foram pedidas en vasabaris ate o abahi como sopricante pede en seregipe onze de marso de mil e seis sentas dous anos o capitão Manoell de Miranda Barbosa. Manuel de Miranda Barbosa capitão e locotenente em ausensia de Diogo de Qoadros.a. dis gonsallo francisco estante ora nesta capitania que elle vem a povoar cõ vaquas e outras mais criasois que ora tem aqui nesta capitania porq' não tem teras em que se posa aposentar pede a Vm.. diz gaspar de fontes lIemos mor. 274 .. lhe fasa m. a terra que pede por devoluta cõforme o pregão do sr. Francisco de sousa o call pregão . Saiban etc. lhe de sesmaria nas cabeseiras de marcos fernandes mea llegoa de terra por devalluta no que erm . nesta capitania de seregipe que esta Autoalmente servindo na dita capitania a sua magestade de provedor da fasenda do dito sr. Saiban etc.

dou ao sopricante en nome de sua magestade a terra que pede por devoluta a ca. na bahia que elle tem mandado a esta capitania de seregipe fabriqua gente e gado. . . Saiban etc. Saiban etc diz martim de souza morador nesta capitania almocharife de sua magestade que ele a seis anos que esta nesta capitania ajudando a defender com sua pesoa e ora quer faser rosas e outras bemfeitorias e não ten teras em que as posa faser pello coall pede a Vm lhe de en nome de sua magestade huma Ilegoa de tera no rio de mocori ou mocoriria que vem entrar no rio pochim nas cabeseiras de francisco da sillva da banda do norte Erm . . suas criasois e nas cabeseiras de simão da rocha en caipe corendo pera Ias cãopos de heperagua esta huma dada de terra que foi dada a hum antonio ferreira ho quoal não povoou porque elle sopricante se foi por nela onde esta já com currall de gado pede a Vm lhe de a dita terra por devoIluto conforme o pregão do snr.o capitão llocotente Manoel de Miranda Barbosa. Ihe fasa merse en nome de sua magestade darlhe de sesmaria por pevalluta asin e da maneira que foi dada ao dito manuell gomes ermo.dou ao sopricante en nome de sua magestade mea Ilegoa de tera en coadro por devolluto na parte que pede cõforme o pregão do snr. ' CARTA DE JOÃO FRANCISCO 15 de Março de 1601.CARTA DE FRANCISCO D'ALMEIDA 14 de março de 1601. . diz francisco dalmeida mor. governador geraIl don francisco· de souza em seregipe a quatorze de marso de rnill e seis sentos e hum anos . vaqum pra ajodar a pouvar a dita capitania e por ora não tem terras donde posa asentar.despacho .ll lhe dou asin e da manera que foi dada a manuell gomes e dela lhe pasem sua carta en seregipe quatorze de marso de seis sentos e hum anos o capitão Manuell de Miranda Barbosa em ausensia de Diogo de Qoadros.dou ao sopricante en nome de sua magestade a terra que pede por devolluto conforme ao pregão do senhorgovernador gerall 275 . CARTA DE MARTIM DE SOUZA 14 de março de 1601. Saiban etc dis joão francisco morador nesta capitania que ele veo para hajudar a povoar. a dita fabriqua acima dito e faser rosas e não ter pastos pª o dito gado e no rio do pochim da banda do norte esta mea legoa de terra que foi dada a hurn rnanuel gomes o call nunca povoou nen cultivou e esta devoluto pede a Vm.desta capitania corendo pera hopiramopama que fique por marquo huma tapera que no dito caminho esta comesando de medir deIla para o sudoeste contra a clada de dito simão da rocha da outra banda para o poente que são duas mill brasas de comprido e mill de llarguo com tonas as ilhas de mato asi e da manera que foi dada ao dito Antonio pereira Erm . governador gerall a quoaIl tera esta no caminho novo que abrirão os indios feros .

lhe de em nome de sua magestade por devalluto com todas as augoas madeiras que na dita tera ouver e a medisão para rumo direito ho dito rio em meo erm. diz o irmão Amaro Lopes em nome do padre reitor da companhia de Jesus que eles. com todas as auguas e madeira a que nella se achar em Seregipe a des de marso de seis sentos e hu o capitão M. diz Manoel Raiz mestre dasucar morador na babia de Saluador que ele quer mandar ajudar a pouar esta capitania e que nela não ten teras para mantimentos de fabriqua de sua gente nem pastos pera seu gado e que nas cabeseiras de Migell Soares na tapera de tajaoba 21 está huã llegoa de terra pello rio ipochi asima llevando O dito rio em meo e esta devolluto nem no qua foi cultivada nen povoada· pede a Vm. CARTA DOS PADRES DA COMPANHIA DE JESUS 10 de março de 1601 Saiban etc. B. CARTA DE MANOEL RODRIGUES 6 de Abril de 1601. lhe de en nome de sua magestade por devoluta no primeiro vale que esta antes da dita tapera pera elles tres llegoas de terra a quall terra se demarcara pero dito vaIle direito ao rio Vasabaris e pelo rio asima tornãdo pellas fraldas da ltanhana e cajaiba para oeste de maneira que fique as ditas tres Ilegoas em quadro erm. em ausencia de Diogo de Qoadras. Saiban etc.seregipe aos quinze de marso de seis centos e hum anos .dou ao sopricante em nome de sua magestade duas mil brasas de terra em coadro de sesmaria na parte que pede seregipe a seis de abrill de seis centos e tres anos o capitão locotenente M. . M. 276 . Val em quatro anos pouquo mais ou menos que estão ajudando a povoar esta capitania sustentado a pasagem do Vasa Baris e vindo todos os anos a esta capitania ajudar o espritualI com muito trabalho outro si aqui he moradores pera terra no que em tudo fasem muito serviso a déus e a sua magestade porque ora eIles sopricantes tem metido muito fabriqua asin de gentes como de gado e suas criasois e a terra que lhe he dada não he capaz de sustentar a sua fabríqua o mais que querem meter por quanto não servem mais que de pastos e ora junto a serra de cayaiba que podem ser oito legoas desta povoação esta huã tapera que se chama pixapoam a qual! se se povoar se fara muito serviso a déus e a sua magestade e bem crecemta muito a esta capitania por coanto he frontera e segura esta capitania pera que se posam allargar povoando suas terras que por medo dexao algus de povoar e ora elles a querem povoar e por nela fabriqua de gente e gado e cultivala pera que tenhão mantimentos pera poderem se sustentar visto serem moradores ja pedem a Vm.dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede duas llegaas de terra em quadro de sesmaria.o capitão Manoel de Miranda Barbosa em ausencia de Diogo de Qoadros. B. M. CARTA DE MELCHIOR MACIEL 7 de Abril de 1601.

b.. e da maneira que pede en nome de sua magestade por devolluta seregipe a nove de abril de 1601 o capitão locotenente m. M. e que desde antão ate agora ficou por morador e povoador ajudando a defender e indo a todas as gerras e rebates que em tempo dos outros capitães se afreciam como os daguora cervindo a sua... magestade se nenhum interesse solldade nem de outra cousa alguma ma antes ajudando a sustentar e não teu teras em que llavrar e fasa suas rosas e targua suas criasois peIlo que pede a vrn. Saiban etc. em nome de sua magestade lhe de no rio de vasabaris da banda do sull na testada na dada a afomso pereira huma llegoa de terra em coadro assim e da manera que os outros rumos direitamente corerem resallvando pontas e enseadas sallguados cõtãto que tudo fique na dita dada com todos os matos e madeiras agoas que nella ouver erm – dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede meã llegoa de terá asin e da manera que pede em sua petisan por devalluto em nove de abrill de Mill e seis 277 .... em ausencia de Diogo de Qoadros. Saiban etc dis affonso pereira que no tempo que cristovão de barros veo povoar esta capitania veo elie en sua companhia he des então agora ficou nella por morador com sua molher e familia indo em todos os rebates he geras que no dito tempo se fiserão e ofereceirão indo sempre a sua custa he por q até agora lhes não foi nunqua dadas teras nhumas he ten dellas nesesidades asin pera pastos de gados como pera mantimentos he outras causas nesesarias pello que pede a vm a vendo respeito ao sobre dito lhe fasa merse dar em nome de sua magestade en ho rio vasa baris pela testada do mesmo rio ariba mea llegoa de terra en coadro a quall se comesara a medir aclonde acabar a dada de francisco da sillveira a quall pede com todas os matos he aguas he pastos he madeiras ensiada e sallgados que nelas ouver correndo a dita demarcasan pelos rumos que corem as mais demarcasois debaixo a quall tera pede por devolluta no que erm..Saiban ete. m. CARTA DE AFFONSO PEREIRA 9 de Abril de 1601. magestade mea llegoa de terra hao longo do rio vasabaris e para o sertão entra mea llegoa ou o que ouver entre a dada de antonio_ barreiros e a terra que foi dada a paullo de adorno que por nao Vir povoar vm..... nesta capitania de seregipe que ele tinha huma dada de tera que lhe deo tome da rocha em tinhare ao llongo do rio vasabaris e porq' a carta e os llivros das dadas são perdidos e a dita terra esta oje por haproveitar pede a vrn.. a deo a gaspar fontes a quall pede com toda as auguas e madeiras que na dita terra houver erm .. diz mellchior masiell damdrade mor.dou ao sopricante na parte que pede mea llegoa de tera asim. CARTA DE FRANCISCO FERNANDES 9 de Abril de 1601. em nome de s.. dis francisco fernandes morador nesta capitania que ele veo ajudar a ganhar esta capitania cõ sua pessoa e armas .. B. magestade de sesmaria seregipe a sete de abrill de seis sentas e hum anos o capitão locotenente M. ..dou ao sopricante a terra que pede asin e da manera que em sua petisão fas mensão e isto en nome de s..

Saiban etc. clis francisco da silveira que ele veo de pernãobuquo ter a esta capitania para nela ser morador he core em dous anos que nela reside com sua pobresa e criasois de gado vacum para o quuall lhe he Desesario terras para pasto do dito gado como para mantimentos he outras couzas nesesarias pello que pede a Vm. m. CARTA DE MANOEL CORREIA 9 de Abril de 1601.centos e hum anos o capitão e o locotente M. em nome de sua magestade a de a dita tera por divalluta cõforme o pregão do sr. dis antonio lopes que elle pessoalmente está nesta capitania com sua molher he familia helle sopricante esta servindo a sua magestade e ao povo trabalhando por seu ofisio de frº e que na dita capitania não tem terás para llavrar he no rio vasabaris esta meã llegoas de terra ho llonguo do dito rio da banda do sull acoall esta nas cabeseiras de affomso pereira he esta devalluta pede a vm. M. B. Saiban etc. em ausensia de Diogo de Quadros CARTA DE FRANCISCO DA SILVEIRA 9 de Abril de 1601. governador don francisco de sousa a tera que pede assin e da manera que foi dada a simão da rocha villas bras seregipe a des de abrill de mil e seis sentas e hum o capitão loco tenente manuel rniranda barbosa CARTA DE ANTÔNIO LOPES 10 de Abril de 1601. Dou ao sopricante na parte que pede mea llegoa de tera por devolluta em nome de sua magestade a quall tera en coadro com todas as auguas e madeiras e esteiras como pede seregipe a nove de abrill de seis sentas e hum anos o capitão locotenente m. governador na forma que foi dada a simão da rocha erm Dou ao sopricante en nome de sua magestade por devolluto conforme o pregão do sr. dom francisco de sousa a quall dada comesa de huma dada que tem Manoell de miranda huma llegoa ao llongo do rio e de llarguo duas mill brasas bem asin na varzea mea llegoa em coadro comesando acaba o dito manoell de Miranda e corendo pelos mesmos rumos vistos serem lhe dadas mais teras que podia posuir sendo mansebo solteiro pede a Vm. Saiban etc. b. avendo respeito ao sobre· dito fasa merse dar em nome de sua magestade en ho rio de vasabaris pela testada do mesmo rio por elle ariba huma llegoa de terra em coadro a quoall se comesara a medir adonde acabar a dada de manuell da fomsequa ha quall pede com todos os matos he auguas he pastos he enseadas pontos sálgados que nela ouver corendo a dita demarcasan pelos rumos que corerem as mais demarcasois debaixo a quall tera pede por devolluta no que erm. dis munoell corea que ele esta alltualmente nesta capitania com molher e pessoas e criaçois povoando e não tendo terras em que llavrar e traser suas criasois e por quanto no rio de seregipe esta huma dada de terra que foi dada a simão da rocha villas-boas o quoall a tem perdida conforme o pregão do sr. de 278 .

.b. b.. na sidade de salvador que elle possue hua sorte de terra nos llimites desta sidade de são cristovao que foi dada a gaspar tourinho que nella não povoar pedem a elle sopricante e he mea llegoa em coadro partindo da banda do sull có a terra que foi dada a joam garcia habem da dita mea llegoa fequar algus sobeios de terra que vão jutespor cõ hú braso de mar de vasabaris por nome agoa petiba os cais sobeios ora fique ao llongo da costa barba como do dito rio agoa petiba elle sopricante os tem possuido e possue e não tem dos ditos sobeios mais que a pose pede a vm lhes de de sesmariae sorte que lhe fique sendo dada a terra que houver da costa barba ate intestar com o dito barzo do mar agoa petiba na llargura da dita mea llegoa que já lhe he dado e avendo alguas pontas que...... Saiban ete. Nesta capitania sidade ele quer faser fasenda e crear gado vacum e outras criasoes na capitania de san cristovao de seregipe e povoar a dita capitania e porque não tem terras para o pader fazer e na testada de marcos fez defronte de taperogoi275 da banda do sull corendo pelo rio ariba esta terra por dar He povoar pello que pede a vossa mese lhe fasa dar de 275 Acredito ser o nome de Taberauá.... Saiban etc... do dito rio de seregipe para ao rio ipochi pede a vossa merse lhe de os ditos sobeios de tera erm .. – dou ao sopricante a meã llegoa de terá asin e da maneira que pede em nome de sua magestade por devalluta seregipe a dês de abrill de 1601 o capitão locotenente m. dis antonio guedes mar. CARTA DE JOÃO GARCEZ 2 de Julho 1601...sesmaria em nome de sua magestade com suas aguas madeira e que na dita tera houver a coall pede em coadro erm..dou ao sopricante em nome de sua magestade de sesmaria os sabeios que pede não estando dados seregipe sete de maio de 1601 o capitão locotenente rn... 279 . ten có o dito braso de mar agoa petiba tambem os pede con todas as madeiras agoas pretensois que ouver erm dou ao sopricante em nome de sua magestade os sobeiros de terra que pede não prejudicando o direito do que ouver seregipe a simquo do junho de 1601 o capitão locotenente m. b. dis gaspar de menes morador nesta capitania que eIle esta povoando cõ sua molher e familia e lhe não são dados terras onde targua suas criasois e ora junto ao rio de seregipe estão huns sobeios de terra que podem ser mea llegoa de terra em coadro pouquo mais ou menos os quoais sobeios estão emtre a dada de antonio vas de jabotão e a dada de tome da rocha e gaspar de figeredo. CARTA DE ANTONIO GUEDES 5 de Junho de 1601.m.. m. CARTA DE GASPAR DE MENEZES 7 de Maio de 1601.. Saiban etc.. m.. dis joam garces mor...

Acredito ser o nome primitivo de cotinguiba. governador gerall con todas as auguas madeiras e todos os pretenses que na terra ouver erm .. Rio caiaiba. m..que se reunen e vão desembocar no rio das pedras. Saiban etc. governador don francisco de sousa com todas as agoas llenhas seregipe a deseseis de outubro de 1601 o capitão locotenente m. don Francisco de sousa governador deste estado bahia a quinze de julho de mill leis sentos e tres anos... Junto à serra deste nome correm dois riachos – Conde e Trahiras. CARTA DE FRANCISCO JORGE 16 de Outubro de 1601.dou ao sopricante na parte que pede mea llegoa de terra eu nome de sua magestade conforme o pregão do . m. Não sabemos bem qual o rio que os índios chamavam caiaiaba. m.. b. CARTA DE NUNO DE AMARAL 15 de julho de 1601.... dis joão guergo que ele veo a esta capitania com sua molher e famillia para ser nela morador e hora não tem terras devollutas da banda do sulI nas cabeseiras das dadas de francisco da sillveira a qual tem junto hua de manoell da fonsequa que ora tem no barso do dito por nome caiaiba 277 pede a vosa merse lhe de en nome de sua magestade hua llegoa de terra en coadro a coall pede por devoluta conforme o pregão do senhor governador ermo .. 280 . diz francisco Jorge que elie veo a esta capitania com sua famillia pêra ser nela noradora he hora não tem terras devollutas pera seus mantimentos e 276 277 Potegipe ou Cotegipe. rn.. Saibam etc.sesmaria duas lleguas e meã de terra elo dito rio de potegipe 276 hariba por ho rumo que direito corer e para ho sertão outras duas lleguas meã de modo que fique em coadro e todas as pontas e auguas e ilhas que na dita terra houver e madeiras havendo respeito a ser sopricante home que tem pocibilidade pêra poder povoar e aproveitar e sendo caso que sei a dada posa corer por deante e disto lhe ande pasar sua carta de sesmaria em forma – dôu ao ao sopricante hua llegua de terra em coadro de sesmaria em nome de sua magestade não sendo dado de maneira que a pede e sendo dada cora avante cõ tanto que a pouve dentro de seis meses baia a dos de julho de seis centos e tres anos o capitão e llocotenente m. dis Nuno damaral que ele quer ajudar a povoar a capitania de seregipe e porque ten necesidade pera hos feitos . locotenente.sr. Saiban etc. b. CARTA DE JOÃO GUERGO 16 de Outubro de 1601.dou ao sopricante em nome de sua magestade hua llegoa _de terra asim e da manera que pede por deva11uto conforme ao pregao do sr.. b. de terras pede a v m lhe fasa merse de duas lleguoas de terra em vasabaris nas cabesceiras de dominguos d‘araujo onde chamão taporanga corendo pelo dito rio de vasabaris acima por devalluto conforme ao pregão do snr.

...elle vai pera . b.criasois e nas cabeseiras da dada de terra que tem francisco fernandes em vasabaris da bando do sul estão terras devolutas pede a vosa merse lhe de de sesmaria mea liegoa de tera na dita testada ou cabeiseiras de francisco fernandes por divoiluto conforme o pregão do sr. dis sebastião francisco vieira que elle veo de morada com molher e famillia para esta capitania por quanto sua magestade manda que a todo o homorado que for povoar terras novas os senhorios he -capitais delas favorece são aos outros moradores asin de terra como de mais em que purerem outro assim manda que havendo e sendo algumas terras de sesmaria que seus donos as não povoasem as taes terras se darão as pessoas que as povoarem de novo e porque a joão martms de merelie foi dada huma dada de terra em vasabarris a não vem povoer e foi dada pelo padre bento de ferras sendo capitao em auzensia de vosa 281 . governador geral don francisco de sousa co todos as auguas e matos que nela ouver erm — dou ao sopricante mea llegoa de terra na parte que pede de sesmaria em nome de sua magestade cõ todas as auguas pastos lienhas que nelas ouver seregipe a desaseis de outubro 1601 o capitão locotenente tente m.. Saiban etc. impedimento allgu pede a vossa merse lhes de de sesmaria por devoliutas as ditas quatro sentas brasas de terra asin da manera que forão dadas aos ditos filhos de pedro alves o que pede cõforme ao regimento delrei de providor-mór e pregão do mesmo governador geral erm — dou ao sopricante de sésmaria em nome de sua magestade as quatro sentas brasas de tera que pede asin e da maneira que forão dadas aos filhos de pedro allves seregipe a vinte de outubro de mil e seis sentos e hu anos o capitão locotenente m. m..... CARTA DE SIMÃO DE ANDRADE 20de Outubro de 1601. elle se sopricante todo este tempo que ho dito has tem cultivado as ditas quatro sentas brasas de terra com mantimentos e casas e mais criasoio como he prubiquo e notório. a..quato anos que ajuda a povoar esta capitania con molher e filhos servimdo sempre a deos e sua magestade de ouvidor e provedor de fasenda e capitão de solldados deste presidio em hua ausensia de capitão diogo de coadros e outros cargos do serviço de sua magestade e porque ora findo este praso que dito esteve porvoando quarto centas barsas de terra as coais foram dadas aos filhos de pedro alives sendo filhos familias sendo de meuoridades que era contra direito que elles não podiam povar. b. CARTA DE SEBASTIAO FRANCISCO VIEIRA 20 de Outubro de 16001 Saiban etc. dis simão dandrade que .

dis o padre bento ferras que ehie esta autoallmente pouoando esta terra com suas. de sesmaria não sendo dada e estando dadas por divolluta moa legoa de terra em qoadro asin e da manera que pede seregipe a vinte de outubro de mill seis sentos e hum o capitão llocotenente. mag. Saiban etc.. — dou ao sopricante na parte que pede de sesmaria em nome de a. — O cpitão llocotenente m.. r. com casa e famihia E. b. Saiban etc dis joam Felipe morador na habia que ele ajudou a vir a ganhar esta terra em companhia do governador cristovão de barros e que dita jornada fez muitos servisos a sua mag.merse e não lha podia dar pede a vosa merse avendo respeito asima dito lhe dê de sesmaria en nome de s. b. CARTA DO PADRE BENTO FERRAZ 20 de Outubro de 1601.. mag. — dou ao sopricante em nome de s.. m.. criasõis de vaquas égoas porcos cabras e outras muitas que tera para tarzer e porque elie sopricante não ten terras onde as posa tarzer e pastorar seu gado e nesta capitania estão muitas terras que foram dadas a omes que as não vieram povoar e estão devaliutas como são indo pello caminho de taperagua que vai ao areaiu por onde antiguamente se servião para taperagua a subridonde .. em outras muito o servido de quinze annos e esta parte achando-se pesoalmente em muitas batalhas he geras que derão neste estado e que ora quer hajudar a povoar esta capitania de seregipe e porque tem muita fabrica e não tem teras donde ilavrar pede a vosa merse que em nome de sua mag. m. m. m. mag. mea hlegoa de terra asin e da manera que foi dada a joam martins com todas as auguas lienhas pactos seregipa-a vinte de outubro de 1601. governador don francisco de souza com todas as aguas lienhas e pastos E r m — dou ao sopricante na parte que pede de 282 . m. lhe dê de sesmaria huma llegoa de terra em coadro no rio mocuri e sendo dada lha dê por devohhuto conforme o pregão do Snr.. nas partes que pede duas llegoas de terra em coadro comesando se a medir do proprio caminho chegando a llagoa corendo pello caminho de taperagua ficando d‘uma parte e doutra huma hlegoa para cada parte a coal pede com todas as auguas lienhas que nelas ditas terras ouver as pede de sesmaria em caso que estando dadas lhas dê por divoliuta E r.esta huma hlegoa que fecha maitacanema corendo peilo mesmo caminho que antiguamente ha pera o dito taperagua pasando o ipochimerim pede a vosa merse lhe dê en nome de sua mag.. a dita dada de joão martins visto elie esta. CARTA DE JOÃO PHILIPE 23 de Outubro de 1601...

b.sesmaria mea llegoa de terra em coadro . Saibam etc. he 278 Ibirarema é o rio hoje chamado Guararema. e sendo dada lha dou por divohiuto conforme ao pregão do Snr.com tõdas as augoas. M. governador geral don francisco de souza que mandou Ilansar sergipe a trinta de dezembro de 1601 o capitão llocotenente manuell m. até outro mar que avera de rio a rio sallgado mea llegoa para o sertão tres llegoas pelio ibirarema278 o rumo direito e d‘ahi para o sull para faser as ditas tres llegoas donde sacabar a medisão a coal terra elle sopricante tem povoado com rosas e gente criasois he otras sustentados a dons anos he fronteira que sustenta deinimigos he negros de gene levantados no que fas sreviso a sua mag. dis francisco rodrigues morador nesta capitania que a sete anos que anda a povoar esta capitania com molher e filhos e não tem terras onde traga suas ciasois e ora no rio iopochi da banda norte esta hu pedaso de terra devoiluta pede a vosa merse que em nome de sua magestade lhe de huma llegoa de terra de comprido pnllo rio asima e mea Ilegoa de llarguo que começando a medir da ponte para sima o recebera merse resalivando pontas enseadas . Governador geral Don Francisco de Souza com todas as alguas lenhas e pastos.dou ao soprecarite em nome de Sua Magestade por devoluta a terra que pede não estando dada conforme ao pregão que ho Snr. CARTA DE MELCHIOR DIAS CARAMURÚ 4 de Dezembro de 1601.. m.. governador don Francisco de Sousa com todas aguas llenha e pastos E.. r. – dou ao sopricante na parte que pede de semaria meã llegoa de terra em coadro em nome de sua magestade. e madeiras que na dita terra ouver . e porque ele sopricante tem muita pose e quer mandar escarvos e gado a povoar e culltivar terras na dita capitania pede a vosa merse lhe fasa merse de lhe dar de sesmaria eu nome de sua mag. dis melchior dias caramurú morador na Bahia que Ella andou nas gerras que se fizeram ao gentio e franseses nesta capitania muito tempo com suas armas e cavallo e escarvos até realmente ser lansados fora e desbaratados o inimigo sempre a sua custa no que fez muita despesa de sua fasenda por servir a sua mag. 283 . Seregipe a vinte e tres de outubro de 1601 — o capitão llocotenente M..em nome de sua mag. a terra que esta nos llemites do rio reall a saber da barra. aflluente do rio real.. B. E sendo dada lha dou por divolluto conforme ao pregão do Snr. CARTA DE FRANCISCO RODRIGUES 30 de Dezembro de 1601 Saibam etc.

mandou en seu regimento se desse a todos os moradores e povoadores della visto sér casado na ta capitania e nella não tem teras e na pitanga termo desta sidade estão teras devoliuto as quais foram dadas a manoel de miranda morador na bahia termo de piraja avera como oito anos ou no tempo que por verdade se achar lhe foi dada hua. dis não dias morador nesta capitania que elle haverá dous anos que he morador nesta capitania e querendo fazer rosas para seus mantimentos não ten teras para as fazer povoar por lhe não serem dadas conforme o.proveto de suas rendas a soall terra pede por não dada de devolluta visto não serem povoadas de brancos e o snr.. CARTA DE FRANCISCO DA SILVEIRA 18 de Janeiro de 1602..dou ao sopricante em nome de sua mag.. esta povoando e proveitando como .. dis francisco da Silveira morador nesta capitania que vosa merse lhe fes merce en nome de S. seregipe adesouto de janeiro de 1602 o capitão manoel rn.. Legoa por devoluta não sendo dade se de terra a quall o capitão diogo de coadros• deu-a para masiel mea llegoa e outra mea llegoa esta devolluta pede a vosa merse lhe de a dita mea llegoa como en sua pitisão pede a quall pede por divolluta com todas as auguas matos pastos que na dita tera ouver erm. .... CARTA DE SIMÃO DIAS 2 de Janeiro de 1602. em são cristovão a quatro de dezembro de 1601 anos o capitão mellchior masiel en ausensia de manuel m. governador geral elle sopricante esta povoando por seu feitor e escravos visto o serviso que faz a des e a sua mag. na parte que pede de sesmaria a terra que esta de pixaxiapa até ibirarema e pelo ibjiarema asima tres Ilegoas que serão medidas pellos rumos que en sua petisão diz conforme ao pregão do snr.... Magestade dar em o rio de vasa barris hua dada de terra a quall lhe foi pasada carta e lhe e dado pose em taperagua tem muito gado vacull para passar para as ditas terras e porque ora teme que em algum tempo tenha de se mandar sobre a dita terra por respeito de vm. v.. governador por tanto pede a vosa merse lhe fasa merse novamente confirmar a dita terra asin e da maneira que vm.... lhe tem feito merse en nome de sua magestade erm. Saiban etc. governador gerall mandar llansar pregão que povoasem as terras dentro em seis meses sobe pena de se dar por devoiluta como a elle sopricante. 284 . Magestade mea llegoa por divolluto não sendo dada seregipe a dous de Janeiro de 1602 o capitão manoel m. lhe fazer ver se antes deser porvido pello snr. b..dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra que lhe tenho dado e agora lha tornoa confirmar e por me parecer serviso de sua magestade.. Saiban etc. b... — dou ao sopricante na parte que pede en nome de s..

285 .. nobre e daoutra banda ate chegar aocaminho que vai para a que há serão duas mill brasas em quadra ou que se achar a qual pede com todos os pontos enseadas que tiver erm.. primeiros e asin mais esta povoando pessoalmente com molher e familia e lauvrado em terra alheia e ate oje não lhe he dado terra nenhuma pera lavrar e trazer suas criasois de gado vacum e outras pelo que pede a vosa merse avendo respeito o asima dito lhe de de sesmaria em nome de sua mag. da ditaterra por ho dito capitão dizer que a terra que estiverem povoando serão suas poses que seião de dois conforme ao pregão do snr... governador gerall don francisco de sousa e porque ele sopricante não pedio carta ate agora por estar de pose por tempo de seis anos pede a vm.. duas legoas de terra na testada de uma dada de terra e que oje tem matias moreira hum curali de gado a qual dada esta no rio vasabaris e sendo dada cora adiante aquali terra pede por divoliuto no que pede E r.. por devolluto com todas as augoas pastos que na dita terra ouver Seregipe a desaseis de junho de 1602 — o capitão cosme barbosa... Saiban etc...CARTA DE CHRISTO VÃO DIAS 18 de Janeiro de 1602. b. dis christovão dias que por tempo de des anos que nesta capitania esta morador e povoador e hora vai em seis anos que pormandado de capitão Diogo de quadro esta de pose de hum pedaso de terra jumta a hua dada de manoel gomes que esta junto ao rio iopochi da banda do suIl e por ele sopricante não pedio carta... dis gaspar de menese quelle veo em companhia de cristovão de barros ajudar a conquistar esta terra com seus escarvos a sua custa asistio a todos os rebates.lhe mande pasar sua carta da dita terra em nome de sua magestade aquall se comesara de hun outeiro alto que esta junto donde bastião dias teve hua casa ate chegar a dada a manuel gomes da banda doiopochi que vem do rumo direito ate a dada de domingos fez. — dou ao sopricante na parte que pede eu nome de sua mag.. — dou ao sopricante na parte que pede duas mill brasas ele terra em nome de sua magestade asim e da maneiraque as pede visto estar de pose deila e ser dos primeiro povoadores e no tem terras em que llavrar con tanto que pase avante das rosas do capitão diogo de coadros seregipe a desouto de janeiro de 1602 anos capitão mãnoel m. CARTA DE MANOEL CASTANHO DE SOUZA 1º de Julho de 1602. CARTA DEGASPAR DE MENESES 16 de Junho de 1602. m... Duas mill brasas de terra em coadro pera a parte do rio reall e sendo dada cora por diante onde couber a quall lhe dou em nome do dito snr... Saiban etc.

por divolluto serèjipe a vinte seis de julho de 1602 — o capitão cosme barbosa. por coamto he borne de muita pose e porcoamto elle sopricante não tem teras nesta capitania que posa apresentar sua fasenda e trazer suas criasoins e bemfeitorias pede a vosa merse em nome de sua mag. CARTA DE MANOEL RODRIGUES 2 de agosto de 1602 Saiban etc. CARTA DE ANTONIO VAZ 5 do Julho de 1502. dia antonio vas de guotegi termo da baia de salvador cue alIe tara arrendados os dismos desta capitania e quer ora meter nela muita fabriqua de genho criasoims de que resultara muito acresentamento a fazenda de sua mag. dis manoel rodrigues que ele quer ser morador nesta capitania e ajudar a pouoar porque he borne casado e ten filhos e criasois de toda a sorte e não tem teras aonde ilaurar pede a Vm. na pate que pede tres mill brasas de tera de comprido pera o sertão de llarguo duas mili brasas as quoais lhe dou em nome de sua mag. Saiban etc. em muitas geras em esta costa do brasill com sua pesoa escarvos e tudo a sua custa pello que avendo respeito ao que asima dis pede a vosa merse lhe dé em nome de sua mag. duas llegoas de terra de sesmaria ao lomguo do vasabarris da banda do sull onde acabar joão guarces da banda doeste e outras duas llegoas pera o sertão a quall tera pede por divoiluta E r m — dou ao sopricante em nome de Sua magestaade na parte que pede huma llegoa de terra em coadro e lha dou em nome do dito snr. — dou ao supricante em nome de sua mag.Saiban etc. quatro mill e quinhentas brasas de terra em coadro nas cabeseiras ou testada de manoei da fonsequa na dada que tem em vasabarris da banda do sul comesando a medir dada de gaspar de merses correndo pelo dito potigimirim a quall terra pede por divoliuto com todas auguas pastos llenhas madeiras que na dita terra ouver erm. na dita parte sendo testadas e cabeseiras de cuja for a terra adonde o sopricante pede divolluto não sendo dada corera por diante com condisão que dentro em um ano venha pouoar e não ha pouoando sera dada por divoiluta a quem a pouoar en primeiro de julho de 1602 —o capitão cosmo barbosa. lhe Lasa merse de huma llegoa de tara em coadro ao llongo do rio cotimgiba da banda do sull cormesando a medir rumo da banda de cornendaroba pello dito rio asima a coall tera pede por divlluta por coanto não foi nunca aproveitada e pouoada de gente branca E r m — dou ao sopricante na 286 . dis manoel castanho de sousa que ele quer vir morar e ajudar a povoar esta capitania e hora nela não tem terras pêra lavrar e trazer suas criasois de gado vacum e de outras sortes e asin mais tem servido a sua mag.

PERNANDES 2 de Agosto de 1602. 279 Nome de um córrego do cotinguiba. CARTA DE GONSALO ALVARES 2 de Agosto de 1602. dis gonsalo alvares morador em seregipe de conde que elle quer ajudar a esta capitania povoar e faser hum engenho por ter pose e tãbem nesta capitania gente e criasois e para fazer o dito engenho não tem terras pede a vmce. lhe de de sesmaria em a parte que pedem huma llegoa de terra pello dito rio acima resallvando pontas ensiadas e a medisan se comesara a fazer nas cabeseras de guonsalves soares pêlo rio asima em modo que fique em coadro e. r.m. 287 . duas mill braças de tera em coadro na parte que pedem com condisan que dentro em hu ano venha morar a capitania seregipe a tres dias do mas de auguosto de 1802 o capitão cosme barbosa. — dou ao sopricante na parte que pede em nome dê sua magestade huma llegoa de terra em coadro com condisão de fazer o que acima dis dentro em seis meses a cuall lhe dou por devolluta seregipe a dous de agosto de 1602 o capitão cosme barbosa.dou aos sopricants em nome de sua mag. Saibam etc. mill brasas de tera em coadro de modo que fes mansão seregipe a dous de agosto de 1602 — o capitão cosme barbosa. disem manuel rodrigues e simão llopes mestre de asuquar quelles querem ainda a pouvar esta capitania e ora não tem terras em que posão llavrar esta capitania e ora não tem terras em que posão liavrar e que pello rio de cotingiba asim a da banda do sull onde chamão chamão ibura (?) que e hum rio asima estao terras devolutas e por cultivar pedem a vincé en nome de sua mag. Conserva o mesmo nome. duas llegoas de terra que se comesara de mydir da barra da ibura279 corendo onde e mesara mellhior masiell a sua dada e dahi para baixo pelo rio de cotindiba da banda do sull a coall terra pede em coadro rumo direito pello rio asima salvando as pontas ensiadas e com todos os matos e pastos augoas que na dita terra ouver a cuall terra pede por devolluto e nao se aproveitada e pouada de gente branca pede e. em nome de sua mag. CARTA DO PÀDRE GASPAR. CARTA DE MANUEL RODRIGUES E SIMÃO LOPES 3 de Agosto de 1602. Saibam etc.parte que pede em nome de sua mag. m.r. .

em nome de sua mag.. na parte que pede hua llegoa de tera a coall lhe dou em nome de sua mag.m.. — dou ao sopricante em nome de sua mag. CARTA DE MANUEL ‗THOME D‘ANDRADE E FRANCISCO BORGES E GONÇALO FRANCISCO 21 de Janeiro de 1602..Saibam etc.r.. Saiba etc.. de lhe dar hua llegoa de tera em coadro no ryo nocury que entra no rio ipochim da banda do norte e se comesara a mydir donde acaba martins de souza com todos os pastos madeiras ensiadas e augoas que na dita tera ouver por devolutas e. Saiban etc.... com seu Offisio a todos dizendo missa e administrando os mais sacramentos e ora não tem teras pella usar e trazer suas criasonis e ora as ha muitos pede a vm. dis gaspar fernandes vigairo em esta capitania que ele esta pouvando e tem muita famulia outro sim não ha nesta capitania outro padre senão alie sopricante para encomendar a deos os moradores desta capitania e faser ofisios divinos.. por devolluto a coall terra em coadro lha dou com todas as augoas madeiras e pastos que a dita terra ouver seregipe a dous dias de auguosto de 1602 o capitão cosme barbosa. CARTA DO PADRE GASPAR FERNANDES 21 de Janeiro de 1602. — dou ao sopricante a terra que pede por divaliuto em nome de sua magestade asin e da manera que pede seregipe a 21 de janeiro de 1602 o capitão cosme barbosa. dis Manuel tome dandrade morador nesta capitania e seu gemro francisco horges e gonsallo Francisco que eles tem muitas criasomes de gado nesta capitania de que si sustenta este prezidio o mais do tempo e nella não lhe foi dadas terras de sesmaria ao dito francisco borges nem a gonsailo francisco tão somentes a elle dito manuell tome que lhe foi dada ao llonguo desta sidade mea llegoa de terra na qoall não e bastante para puder sustentar as ditas criasomis asin lhe pede a mingoa de pastos as ditas criassomis diguo posto que detraz da Itabaiana para a banda de ponente des ou doze llegoas desta sidade estão teras pello sertão devollutas e por ser fora de mao e perigosa de gemtes e llugar onde hum ome so 288 ... dis gaspar fernandes vigario desta capitania de seregipe que elle esta povando com a sua pesoa... e fazer senão elle sopricante e ora não tem terras para faser suas rosas e tarzer suas criasois e no rio vasabaris junto a tinhare esta huma dada de terra que foi dada a antonio bareiros para faser hum engenho a coall terra não he para iso nem o mandou fazer o dito antonio bareiros e parte allua ribeira a que chamão una (?) que esta por demarcasan mea Ilegoa para huna banda e mea para outra ao Ilonguo do dito rio vasabarís que he huma legoa em coadro pede por devolIuto asin e da maneira que foi dada ao dito antonio bareiros pelas ditas confrontasois erm.

na parte que pede mea llegoa de terra pelas confrontasois pede que em sua pitisão diz asi e da manera que pede seregipe a dezanove dabril de 1602. m. diz jorge bareto morador na bahia que elle quer mandar ajudar e povoar esta capitania e que nella não tem terras para mandar fazer mantimentos e trazer gado vaqum e na tabaiana na testada de duarte munis bareto e sãpalo da banda do sull estão terras divolutas pede a v. lhe fasa merce em nome de sua magestade duas llegoas de teras con todas as augoars madeiras matos que na dita terra ouver erm. — dou aos sopricantes na parte que pedem em nome de sua magestade llegoa e mea de terra mea o .não pode ir para sua fasenda pedem elles sopricantes a vosa merse lhe fasa merse em nome de sua magestade lhes de de sesmaria Seis Ilegoas de terra para todos tres amtre si repartirem irmãmente de tras da itabaiana pellã maneira que pedem fiquando uma ribeira que na dita parte esta em meio da dita data fazendo a dita medisão em quadro e como milhor lhes vier para pastos das ditas criasomis a quall terra pede por divaliuta e por ser para ben e ao regimento da dita capitania erm. Dou ao sopricante em nome de s m. b. m. um a quail lhes dou de sesmaria asin e da maneira que pedem seregipe a vinte e hum de janeiro de 1602 o capitão cosme barbosa. CARTA DE PERO DE NOVAES SAMPAIO 289 . lhe fasa merse dar-lhe na parte que diz huã llegoa de terra por divolluta com todas as auguas madeiras que na dita terra ouver erm. Saiban etc.b. — dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede mea llegoa de terra em coadro por divaliuto com todas as agoas madeiras asin e da manera que pede em sua petisão fas mensão pellos rumos e confrontasois deilas seregipe a desanove de abril de 1602 o capitão m. dis duarte munis bareto allcaide morador na sidade da haia por seu procurador que elie mandou e veo ajudar a tomar esta terra ao jentio em Companhia de Cristovão de barros adomde gastou muitas de suas fazendas e hora manda hum curall de vaquas e gente he na dita capitania lhe não são dadas terras acahumas e hora na tabaiana nas cabeseiras de huma dada que foi dada a manuell tome dandrade e a gonsalo francisco e a francisco borges para a banda doeste e para o sertão estão terras divalutas pede a vm.m. — O coitão m. CARTA DE JORGE BARRETO 19 de Abril de 1602. CARTA DE DUARTE MUNIZBARRETO 19 de Abril de 1602. Saiban etc.

Saiban etc. mgde. mgde. na parte que pede mea llegoa de terra em coadro com as confrontasois que pede Sergipe a dezenove dabril de 1612 anos.19 de abril de 1602. na parte que pede mill brasas de comprido e de llarguo setesentas a qual lhe dou em nome do dito sr. Nas testadas dos sobreditos dar-lhe duas llegoas de terra em coadro por devolutas a qual pede com todos as merse em nome de s. . CARTA DE SEBASTIÃO DA SILVA FRANCISCO RODRIGUES E GASPAR FONTES 7 de Agosto de 1602.O quapitam Cosme Barbosa. dizem Sebastião da sillva morador na baia e Francisco Rodrigues e guaspar fontes ambos moradores nesta capitania que eles estam povoando nesta capitania com molher e filhos e fabriqua e tem feito muitos servisos a sua majestade e que na dita capitania lhe san necesarios terras para mantimentos 290 .Despacho: dou ao suplicante em nome de s. mgde. diz pero de Novais sãpaio morador nesta capitania que ele esta ajudando a povoar esta capitania e que nele não tem terras para mantimento nem para pastos de gado vacum e outros criações que ou menos para isso tem e que na tabaiana seis llegoas desta sidade pouquo mais ou menos na testada de huã dada de terra que foi dada a Manoel tome a Francisco Borges e a Gonçalo Francisco estão terras devolutas que nunca foram povoadas nem cultivadas pede a vossa mercê lhe fasa mercê em nome de s. em nome de sua mgde lhe de a dita ponta de terra de sesmaria por devoluta com as confrontações acima nomeadas e com águas madeiras que na dita terra ouver e receberá merse. B. Saiban etc. com todas a madeiras e aguoas e pastos que nela ouver e declarasan de fazer bemfeitorias e fazer pouvala dentro em seis mezes e não o fazendo perdera a sete daguosta de seis centos e dous annos. diz pero goumçalves morador nesta capitania que de esta na dita capitania inda não povoou com mulheres e fabruqua e que na dita capitania não tem terras nenhumas para fazer seus mantimentos e pastos de guado e no cabo do rio Aracajú esta huma ponta de terra que me mete amtre dous apecus que puderam ser setecentas braças de llarguo pouquo mais ou menos e de comprimento para a banda de sueste seram como mill brasas e pede a Vm. mgde. . CARTA DE PERO GONÇALVES 7 DE Agosto de 1602..O capitão Manoel M. Saiban etc. nas testadas dos sobreditos dar-lhe dus augoas madeiras que na dita terra houver e a midisão se fara rumu direito resallvando pontas enseadas de manera que fique em coadro a quall terra pede para a banda doeste erm.Dou ao suplicante em nome de s.

O capitão Cosme Barbosa. nome de uma lagoa. na parte que acima dizem dar-lhes quatro llegoas de terra por devolluto e a midisan se fara em coadro pello dito rio asima correndo a tapera de serobim e da dita tapera em direitura ao poente e nos mais rumos de maneira que fiquem a midisan em coadro a quall pedem com todas as llenhas agoas e madeiras que na dita terra ouver resallvando pontas enseadas que ho mesmo pedem em nome de s. lhe fasa merse em nome de s. . 291 .. CARTA DE BALTASAR DE LEÃO 15 de Setembro de 1602. que fica na estrada de Itaabaiana para Itaporanga. em nome de sua magestade de duas llegoas de tera em coadro nas cabeseiras de Antonio vas jabaatam de jaraputanema280 para o norte e sendo dada o morador cora pello mesmo rumo avante e perto que seja dada a pesoa moradora lhe seja dada a elle sopricante por devalluta erm. erm. havendo 280 Jaraputanema. Saiban etc.dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede Mill e duzentas brasas de tera em coadro não sendo dada a maior cora avante lha dou em nome do dito sr.Dou ao sopricante na parte que pedem huma llegoa de terra a qual lhe dou em nome do dito em coadro com declarasan de a povoarem e a cultivarem em hum ano e lha dou com todas os Mattos e pastos e madeiras que nela houver . mgde. mgde. Seregipe a sete daguosto de 1602.e pastos de guado vacum e assim o dito Sebastião da sillva não ter muita fabriqua nesta capitania e que no rio de vasabaris da banda do sull onde se chama itaporangua estão terras devolutas que nunca foram povoadas nom cultivadas de branquo pedem a Vmce. Não sabemos bem localizá-la entretanto acreditamos que seja o nome primitivo da Lagoa Seca. CARTA DE JOÃO DIAS Saiban etc. por divalluto Sergipe a dezenove daguosto de 1602 o capitão Cosme Barbosa. le fasa m. dis João Dias morador em tatuapara termo da baia que ele veio ajudar a dar a guera que se deu ao gentis desta capitania no que fez muito serviço a sua majestade e despesa delle sopricante e a tres anos que tem homes branquos creados seos e muitos guado e mais cryasois e escravos e porque as teras que tem na dita capitania são muito pouquas e llonge desta capital pede a vm. dis Baltasar delleam morador nesta capitania que elle veio em companhia de Cristóvão de barros ajudar a guera ao gentio com suar armas e escravos e des antam casuou aqui ajudando a pouvar e a sostentar a tera com sua pesoa e molher e filhos e família indo en todas as guerras e saidas que se na dita capitania fiseram e ofereseram indo sempre a sua conta e porque aguora lhe não são dadas teras nenhuas e tem muito nesesidade assim pera pastos de guado como pera mantimentos e outros cousas nesesarias pello que pede a vm.

e nome de sua magestade em quadro de coatro llegoas de terá que comesando a medir-se onde acabar os padres da companhia de Jesus e mellchior masiell com as suas dadas pala ribeira em meo da dita medisão e daly rumo direito por ella acima de maneira que fyquem as ditas quadro llegoas em coadro a qual pedem por divolluto e de sesmaria erm vindo os sopricantes em cada hu eeles pouvar esta capitania da maneira que dizem em sua pitisan que será neste ano em que estamos lhe dou de sesmaria em nome de sua magestade na parte que pedem por divalluto hua llegoa de terá em coadro que comesara de qualquer parte do pé de outeiro da tabanhana do que fazen mensão e acabarão donde chegar a demarquasan della seregipe a simquo de julho de 1603 o capitão Tomé da Rocha. dar em nome de sua mrgestade em o rio vasa baris na testada de antonio llopes hua llegoa de tera em coadro a quoal se comesava a midir aonde aquabar a dada do dito antonio llopes a quoal pede com todos os matos e pastos e agoas e madeyras emsiadas e salguadas em nella ouver corendo a dita demarquasan pelles rumos que corem as mais demarcasoims – dou em nome de sua magestade ao sopricante na parte que pede meia llegoa de tera em coadro não sendo dada e sendo dada corera por deante pelas confrontasoims da sua petisan he lha dou por devallutas seregipe quinze de setembro de 1602. . CARTA DE FHILIPPE DA COSTA E MELCHIOR VELHO 5 de Outubro de 1603. na dita capitania no que fes muita despesa de sua fazenda e porque ora querem vir e mandar pouar esta capitania e são pesoas de muita pose e tem muito gado de toda a sorte e escravos no que fazem muito serviso a deus e sua majestade e acresentamento de suas rendas e não ten terás onde rosar e elaurar e traser suas criasoes e ao pe de tabanhama estão terás devallutas que numqua forão pouvadas ne sultivadas de bamquos pedem a vm. Saiban etc.O capitão Cosme Barbosa. lhe fasa m. Saiban etc dis Rodrigo da rocha Peixoto que elle serve a sua magestade nesta capitania dailferes e provedor de sua fazenda a hum ano não tem terras onde fasa rosaryas e traga seu gado vacun e cavallar e mais criasois e ora no rio de cotindiba esta huma dada de terá de meã llegoa em coadro que foy dada a Gonçalo 292 . CARTA DE RODRIGO DA ROCHA 18 de Agosto de 1603. Padre.respeito ao sobredito lhe fasa m. disen o ldo. fellipe da costa e melchior Velho Moradores na baia que elles tem bem servido a sua majestade assim na gera que se deu ao gentio nesta capitania como depois que astio elle sopricante melchior velho na companhia de vm.

Dou aos sopricantes em nome de sua mag. Saiban etc dizem os padres de são bento convento da baia que eles querem novamente nesta sidade hordenar huma casa de sua ordem e para beneficio do sustamento della e dos religiosos que nesta cidade e mosteiro asistirem tem nesesidade de terás em que posam llaurar mantimentos canas e o mais que lhes for nesesario e nesta capitania há muitas terás que estão divollutas e por colltinuar pede a Vm. Da dita dada de terá de sesmarya e della lhe mande pasar sua carta Erm . Saiban etc Dis Bartolomeu dias morador em tatuapara que ele quer vir para esta capitanja ajudar a pouoar e que na dita capitanja não tem terás para tarzer suas criasois e fazer seus mantimentos e que no rio moquori que vem entrar no rio chamado pochi estão terás devollutas que nuqua forão pouoadas nem cultivadas pede a vossa merse lhe de em nome de sua magestade por devolluto huma llegoa 293 . que em nome de sua mag. lhas de pera o dito convento três llegoas de terá em coadra no rio de cotendiba da banda do noroeste a quall se comesara na testada de uma dada de terá que foi dada a Antonio Fernandes de Sergipe do comde corendo ao noroeste a quall terá pedem por devolluta com todas as auguas matos pastos madeiras e o que mais nella ouver e sendo dada corera para a banda do norte pêra o rio de Sergipe ao llonguo de.Alves morador na baia com comdisão que não a vindo pouar dentro de seis meses de daria a quem a pouoasse e por coamto o dito Gonçalo Alves morador na baia com condisão que não a vindo pouar dentre de seis meses se Darya a quem a pouoasse e por coamto o dito Gonçalo Alves ate agora não veo nem mandou pouar pede a Vm lhe fasa merse em nome de sua mag. de sesmaria a terá que pede e della se pasem carta Sergipe a desoito dagosto de 1603 – o capitão tomé da rocha...avendo respeito ho que o sopricante dis e ter servido a sua mag.. BENTO 5 de Agosto de 1603... CARTA DE BARTHOLOMEU DIAS 20 de Janeiro de 1602. Nesta capitania lhe dou em nome de sua mag.allures corendo a coadro rumo direito Erm. na testada que pedem pello rio de cotimdiba huma llegoa de tera em coadro com as llenhas e matos e ribeiros que dentro della ouver não sendo dada e sendo ira tomando pello dito rio asima donde não for dado a quall dada lhes dou com condisão que dentro em hum ano venhão cultivar e fazer na sidade o seu mosteiro que será no asento que para isso se ordenar e disto lhe dar sua carta Sergipe a vinte e sinquo dagosto de 1603 – o capitão tomé da rocha. CARTA DOS PADRES DE S.

294 .na parte que pede a quall se comesara há medir nas cabeiseiras da testada de hua dada que foi dada a martin de souza allmocharife desta capitanja a quall terá pede com todas augoas madeiras que na dita terá ouver comdisão da dita terá seia em roda que fique em coadro corendo rumo direito resallvando pontas e enseadas Erm – Dou ao sopricante meã llegoa de terá na parte que pede por devalluto em nome de sua majestade asin e da manera que pede Sergipe vinte de ianeira de 1602 – o capitão Manoel Miranda Barbosa. o capitão Manoel Miranda Barbosa. –Dou ao suplicante na parte que pede meã llegoa de terra por devalluto em nome de sua magestade da maneira que pede Sergipe a vinte e hum dias do mês de janeiro de 1602. Saibão etc. Diz Diogo Lopes velho morador na cidade da Bahia que ele a muitos anos que reside na dita bahia e que tem feito muitos servisos a sua majestade com sua pesoa e fazenda assim em geras como na pás acodindo com seus escravos e muitos homens brancos a sua custa a todos os rebates que se darão a vinte anos a esta parte em que fez sempre gastos e na tomada desta capitania de Sergipe mandou sua gente e omes brancos e cavalo a sua custa em ajuda do governador Cristóvão de baros que ora esta fronteiro aos aimorés e por quanto quer ajudar a povoar esta capitania de Sergipe e quer elle ter nella fabriqua por quanto he ome de pose e não tem terás onde tarzer e targa suas criasois pede a vosa merse lhe de de sesmaria três llegoas de tera em coadro no rio quotidiba as quais se medirão meã llegoa abaixo donde chega a maré e fiqua o rio em meo com todas as auguas madeiras e pastos Erm – Dou ao sopricante em nome de sua majestade de sésmaria duas llegoas de terá asin e damaneira que pede em qoadro e se começarão a medir mea llegoa pelo dito rio de quotidiba abaixo donde chega a maré com todas as auguas e llenhas matos pastos pelo averá por serviso de sua majestade . CARTA DE NICOLLAU DE LUCAS 21 de Janeiro de 1602. CARTA DE DIOGO LOPES VELHO 20 de Janeiro de 1602. Saiban etc. Dis Nicolau de lluquas sargento deste prezido que a três anos que serve a sua magestade nesta capitania de sargento porque quer ser morador e não tem terras onde llavar nen onde posa tarzer suas criasois de gado vaqum e outras que para isso tem pede a vosa merse avendo respeito ao que lhe dis lhe de em nome de sua magestade huma llegoa de terá nas cabeiseiras de padre bento feras que ora tem sobre a llagoa de jaraquatenema com todas as agoas pastos llenhas erm. Sergipe a vinte de janeiro de 1602 – o capitão Manoel Miranda Barbosa.

diz Sebastião Vasquez morador na bahia de todos os Santos que elle quer vir ajudar a povoar esta capitania que sua fabriqua e que na dita capitania não tem terras para trazer suas cresois de gado e fazer suas rosarias e no rio ipochi da banda do sul na testada e cabeseiras de huma dada de terra que foi 295 .vão co sua pesoa e fabriqua e que ora não tem terás em que posa llarvar e tarzer suas criasois e que no rio por nome mocori que vem entrar em o rio ipochi em as cabeceiras de bretollomeu dias estão terás devallutas que nunqua forão povoadas nen cultivadas pede a vosa merse lhe de em nome de sua magestade huma llegoa de terá de conprido e outra de llarguo de maneira que fique huma llegoa em coadro com todas as augoas e matos madeiras e pastos que na dita medisão coubre erm. Dizem Joan fereira morador em esta capitania de Sergipe e Francisco dallmeida que vossa merse lhe deu huma sorte de terá de dada de sesmaria que vem acabar nas cabeiseiras de simão de rocha villas boas a elle dito joan fereira e outro sin a Francisco dallmeida no rio ipochi da banda do norte lhe deu meã llegoa de terra a quall foi dada a manoell gomes as quais dadas lhe forão dadas antes da partisão do snr. Dis balltesar de souza morador no porto callvo que elle quer vir ajudar e povoar esta capitania de seregipe sidade de são cristo. Don frãcisco de souza e das quais terras lhe são pasadas suas contas e pose e povoadas pello que pede a vosa merse lhas aia cõfirmados lhe mande pasar sua carta de confirmasão erm. Sergipe a vinte hum de janeiro de 1602 o capitão Manoel Miranda Barbosa. – Dou ao suplicante em nome de sua majestade mea llegoa de terá e na forma que pede por devalluta conforme ao preguão do snr. CARTA DE SEBASTIÃO VASQUES 21 e Janeiro de 1602.CARTA DE BALTHASAR DE SOUZA 21 de Janeiro de 1602. Saiban etc. – Dou ao sopricante e com termo as terras que lhe tenho dado em nome de sua magestade antes que tivesse pervisão do snr don Francisco de Souza. Governador Don Francisco de Souza Sergipe a vinte e hum de janeiro de 1602. CARTA DE JOAN FEREIRA E FRÃCISCO DALMEIDA 21 de Janeiro de 1602. Saiban etc. Saibão etc. o capitão Manuel Miranda Barbosa.

– Dou ao sopricante em nome de sua majestade na parte que pede por devolluto meã llegoa de terra em coadro assim e da maneira que pede Sergipe a vinte e hum de ianeiro de 1602.a dada de antonio barreiros erdada delle pero chaves e a de simão dandrade estão huns sobeios que poderão ser pouquo mais ou menos quinhentas brasas ou o que se achar pello que pede a vosa merse avendo respeito a elle ser morador nesta capitania com sua molher e filhos lhe fasa merse em nome de sua majestade dar a dita terra co todos os matos e pastos e auguoas que nella ouver e 281 Tayaoba – habitação indígena junto ao rio poxim. – Dou ao sopricante em nome de sua majestade na parte que pede por devoluto meã llegoa de terra em coadro asin e da maneira que pede Sergipe vinte e hum de janeiro de 1602.O capitão Manoel Miranda Barbosa. CARTA DE DOMINGOS FERNANDES 21 de Janeiro de 1602.. A qual terra pede com todas as augoas e madeiras que na dita terra ouver e a medisão da dita terra que assim pede se fasa tomando direito resallvando todas as pontas enseadas de maneira que fique em coadro erm.... Saiban etc..... no local em que está edificado o engenho poxim...e tem pouquos matos para suas rosas . 296 . diz pero chaves morador nesta capitania que lhe foi dada huma dada de terra nas cabeiseiras de antobio barreiros ao llonguo da ribeira piranapama da banda de lleste porquanto a dita data. – O capitão Manoel Miranda Barbosa..... CARTA DE PERO CHAVES 21 de Janeiro de 1602. Saiban etc... diz dominguos fernandes morador em tatuapára termo da Bahia que elle quer morar nesta capitania e povoar e que nella não tem terras para mantimentos e criasois de gado e nas cabeceiras de huma dada de terra que foi dada a hum Manoel Rodrigo que esta da banda do rio ipochi junto a tapera de taiaoba281 estão terras devolutas que nunqua forão povoadas e cultivadas pede a vosa merse lhe fasa merse em nome de sua majestade de huma llegoa de terra na parte que pede de sesmaria a quall terra pede com todas as agoas e madeiras que na dita terra houver e a medisão dela seria feita de maneira que fique em coadro llevando o dito rio ipochi em meo erm...dada a gaspar de fontes lhe estão terras devolutas que nunqua forão povoadas nem cultivadas pede a vosa merse em nome de sua magestade lhe fasa merse nas ditas testadas e cabeiseiras do dito gaspar de fontes dar-lhe huma llegoa de terra em coadro por dovolluto conforme ao regimento de ell rei nosso sr..

Saiban etc. Diz antonio pereira morador nesta capitania que elle lhe foi dado huma dada de terra por vosa merse no rio de vasa barris da quall lhe foi pasado carta de dada e dado por se porque teme que tenha alguma demanda sobre as ditas terras por respeito de vosa merse antes que vosa merse for servido pello sr. Saiban etc. – O capitão Manoel Miranda Barbosa. Governador pede a vosa merse avendo respeito a elle ser morador e estar na terra com sua molher e filhos e filhas lhe fasa merse em nome se sua majestade confirmar a dita terra esim e da maneira que lhe esta dada no que erm. –O capitão Manoel Miranda Barbosa. CARTA DE SEBASTIÃO DIAS 21 de Janeiro de 1602. – Dou ao sopricante na parte que pede quinhentas brasas de terra de sesmaria em nome de sua majestade asin e da maneira que a pede Sergipe vinte e hum de ianeiro de 1602. – Dou e confirmo em nome de sua majestade a terra que tinha dado ao sopricante em seregipe a vinte e hum dias de janeiro de 1602. 282 Ipitanga – rio pitanga 297 . – o capitão Manoel Miranda Barbosa. – Dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua majestade mill brasas de terra de sesmaria da maneira que pede e que me fará a medir para o sertão donde acabarem as seissentas brasas que tem dadas pello capitão tome da rocha e fiquãdo o rio em meo Seregipe vinte e hum dias de janeiro de 1602. Diz Sebastião dias morador nesta capitania que a tempo de onze anos é povoador e ajudando de defender com suas armas escravos aonde tem muitos serviços feitos a sua majestade não tem terras aonde llavrar e ora na Ipitanga282 tem seiscentas brasas de terra as quais não são bastantes para se poder agasalhar com sua família pelo que pede a vossa merse lhe de sesmaria em nome de sua majestade mill e quinhentas brasas de terra a quall se começara a medir donde elle sopricante acaba a dita sua dada pondo-se na banda do rio da banda do norte correndo pello rio acima conforme o rumo que o rio llevar medindo direito sem vollta allguma que o rio fasa de modo que fique a dita dada em coadro fiquando o rio de premeo tanto da banda do norte como do sul erm. CARTA DE ANTONIO PEREIRA 21 de Janeiro de 1602.quall pede de sesmaria por estar devoluto a quall terra esta na ribeira de piranapama da banda do morro erm.

Governador geral Sergipe 1º de Fevereiro de 1602. 298 . Saibam etc. ————— CARTA DE SESMARIA DE LUIZ ALVES 4 de Fevereiro de 1602. — O capitão e loquotenente Gaspar Barreto.CARTA DE ANTONIO DO AMARAL 22 de Janeiro de 1602.. da câmara de sua majestade morador nesta capitania de seregipe que elle não tem terras para fazer seus mantimentos e pastos de seus gados que a dita terra quer trazer pede a vossa mercê havendo respeito ao que alegue lhe de uma légua de terra em nome de sua majestade que esta no rio de Sergipe nas cabeceiras de Sebastião de brito a qual terra pede por devoluto em nome de sua majestade conforme ao regimento de sua majestade erm... — Dou ao suplicante em nome de sua majestade a terra que pede com todas as águas lenhas madeiras pastos que tiver lha dou por devoluto conforme ao pregão do Sr.. Don Francisco de Souza governador geral de todo este estado do Brazil Sergipe a vinte e dois de janeiro de 1602. Don Francisco de Souza governador geral erm... Gaspar Fernandes Vigário nesta capitania de Sergipe que ele esta atualmente povoando esta capitania com sua família criadores de gado vacum e outras meu das e não tem terras em abondansa para seus mantimentos e para as ditas criações e ora no rio de vazas barris da banda do norte estão terras devolutas como lhe uma dada que foi dada hum Joam Martins Bretanha morador em mame a qual foi dada pelo padre Bento Ferraz não podendo dar pede a vossa mercê lhe faça mercê de dar a dita dada em nome de sua majestade de sesmaria que em uma légua em quadro tirando da dita meia légua que foi dada um Sebastião Francisco Vieira a qual terra pede o devoluto conforme ao pregão do Sr.. CARTA DO PADRE GASPAR FERNANDES 1º de Fevereiro de 1602. em ausência de Manoel Miranda Barbosa.. O capitão Manoel Miranda Barbosa. Saiban etc. — Dou ao suplicante em nome de sua majestade a terra que pede assim e da maneira que diz em sua petição a qual terra lhe dou de Sesmaria e por devoluto conforme ao pregão Sr. Diz Antonio damaral..

Governador geral Don Francisco de Souza Sergipe a nove de fevereiro de mil seiscentos e dois anos Gaspar Barreto capitão e loguotenente em ausência do Sr. Governador gera Don Francisco de Souza a qual terra pede lhe faça mercê em nome do dito Sr.. em ausência de Manoel Miranda Barbosa.Dou suplicante em nome de sua majestade na parte que pede duas mil brasas pelo rio acima e uma légua para o sertão com todas as águas madeiras e pastos que tiver a qual se começava a medir da dita testada ao longo do rio a qual terá dou de sesmaria por devoluta conforme ao pregão do Sr.Saibam etc. CARTA DE SESMARIA DE LUIS ALVARES 9 DE Fevereiro de 1602. Governador geral Don Francisco de Souza se começara a medir no salgado do dito rio da banda do sul Sergipe a quarto de fevereiro de 1602. Diz Luis Álvares morador em Tatuapara que ele tem mulher e filhos e que hora quer vir povoar as terras de Sergipe e trazer para elas gado vacum e outras muitas criações e seus escravos e que para o tal efeito não tem terras e que hora ao longo do rio vaza barris da banda do Sul por um braço do dito rio chamado itaquandiba e as quais terras estam devolutas as quais não foram ainda cultivadas nem povoadas de brancos pede a vossa mercê que havendo respeito ao acima dito lhe dê de sesmarias em nome de sua majestade na testada de Luiz Francisco Pires três mil brasas pelo rio acima com todas as pontas enseadas e para o sertão légua meia com todas as águas e Ribeiras matos madeiras e pastos que na dita terá ouvirem a qual terá se começara a medir da dita testada ao longo do Rio Rumo direito e recebera mercê. 299 . Saibam etc. — O capitão e loquotenente Gaspar Barreto. 283 Guruahy afluente do rio Real. Manuel de Miranda Barbosa capitão da capitania de Sergipe. — Dou ao suplicante em nome de sua majestade uma légua em quadro de terra por devoluto e sendo dada a dou por devoluta de sesmaria conforme ao pregão do Sr. diz Luiz Alves morador em Tatuapara que ele quer vir ainda a esta capitania e a ele trazer sua mulher e filhos e criações de gado vacum e outras muitas criações que pêra isso tem escravos que pêra he que não tem terras em que pasente e targua as ditas criações pede a vossa mercê de sesmaria em nome de sua majestade uma dada a terra que esta por da e sendo dada a pede a vossa mercê por devoluto conforme ao pregão do Sr. — O dito rio da banda do sul Sergipe a quarto de fevereiro de 1602. uma légua e meia em quadro no rio de guruahy283 começando do salgado por ele acima da banda do sul o qual pede por devoluta com todas as águas madeiras enseadas que na terra houver a qual medição se medira em quadro rumo direito no que erm.

Saibam etc. Saibam etc. Diz Antonio Vieira Camelo morador na Bahia que ele quer mandar ainda a povoar esta capitania he nela não tem terras para mandar fazer mantimentos nem para trazer suas criações de gado vacum e as mais e que em rio de Sergipe pela banda do sul nas cabeceiras de sua dada de terra e foi dada ao Sebastião da Rocha estão terras devolutas ao longo dito rio que nunca foram povoadas nem cultivadas pede a vossa mercê lhe faça mercê em nome de sua majestade dar-lhe na parte que acima diz duas léguas de terra por devolutas conforme ao regimento de sua majestade e pregão que o Sr. Diz Antonio Luiz morador na Bahia que ele mandou a esta capitania muita copia de gado quer mandar escravos para ainda a povoar esta capitania no que se resultaria em crescimento os dízimos de sua majestade e não tem terras em que posa pastorar o dito gado e hora na testada de Dominguos de Araujo e Salvador Fernandes na itaporanga estão terras devolutas da banda do sertão pede a vossa mercê lhe de em nome de sua majestade uma légua de terra em quadro pelas confrontações que pede da banda do poente a qual pede com os portos águas Mattos que nela houve erm. Diz Antonio Duarte morador na Bahia de todos os santos que ele quer mandar ainda a povoar esta capitania e que na dita capitania não tem terras 300 . CARTA DE ANTONIO DUARTE 19 de Abril de 1602. Don Francisco de Souza mandou lançar na praça da Bahia a qual terra pede com todas as águas madeiras que na dita terra houver e a medição se fará rumo direito ressalvando esteiras portas enseadas erm.CARTA DE ANTONIO LUIS 15 DE Abril de 1602. Dou ao suplicante na parte que pede em nome de sua majestade uma légua de terra em quadro por devoluta com todas as águas pastos e madeiras que na dita terra houver Sergipe a dezenove de abril de 1602 Manoel de Miranda Barbosa. ————— CARTA DE ANTONIO LUIS VIEIRA CAMELLO 19 de Abril de 1602. Saibam etc. Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede de sesmaria com todas as águas lenha pastos que nela houve meia légua de terra pelas confrontações que pede e dou lha em quadro Sergipe a quinze de abril de 1602 o capitão Manoel Miranda Barbosa.

CARTA DE GASPAR DEMORIM E FRANCISCO BORGES 25 DE Abril de 1602. e pregão que o Sr.para mantimentos nem para pastos de gado vacum que tem na dita capitania e que no rio ipochi da banda do sul nas cabeceiras de uma dada de terra que foi dada a Migel Soares estão terras devolutas que nunca foram povoadas nem cultivadas pede a vossa mercê lhe faça mercê em nome de sua majestade de uma légua de terra na parte que acima diz a medição se fará levando o dito rio em meio de uma banda e outra ressalvando pontas enseadas de maneira que fique a dita légua de terra em quadro a qual pede por devoluta conforme o regimento de El rei nosso Snr. Diz Gaspar Demorim morador nesta capitania e Francisco Borges que els ajudarão a povoar esta capitania com muitas criações de gado escravos e suas pessoas e nela reside com suas pessoas mulheres e família e não lhes dado terras em abastança e ora a muitas terras devolutas na dita capitania pede a vossa mercê lhes de em nome em nome de sua majestade duas léguas de terra na testada de Salvador Fernandes na taporãgua ao longo do rio de vasas barris erm. . CARTA DO PADRE GASPAR FERNANDES 301 . Diz Francisco da Costa que ele quer ainda povoar esta capitania e que nela não tem terras para fazer seus mantimentos e pastos e gado vacum e mais criações e que no rio ipochi da banda do sul na testada de uma dada que foi dada a hu Mel Rõis estão terras devolutas que não foram povoadas nem cultivadas pede a vossa mercê lhe faça mercê em nome de sua majestade na parte que acima diz dando duas léguas de terra em quadro e a medição separa rumo direito ressalvando pontas e enseadas de maneira que fique em quadro a qual terra pede com todas as águas madeiras que na dita parte houver e sendo caso que seja dada Carrera com a medição por diante erm. Governador gerall mandou llansar na praça da Bahia a qual terra pede com todas as águas madeiras que na dita terra houver erm. Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede de sesmaria meia légua de terra em quadro Sergipe a vinte e dois de abril de 1602 o capitão Manoel de Miranda Barbosa.Dou ao suplicante na parte que pode em nome de sua majestade de sesmaria uma légua de terra em quadro assim e de maneira que pede e ajuntamento dou por confirmado em nome de sua majestade a terra que diz Sergipe e vinte e cinco de abril de 1602 o capitão Manoel de Miranda Barbosa. Saibam etc. Dou ao supricante em nome de sua majestade na parte que pede meia légua de terra de sesmaria assim e da maneira que pede Sergipe a dezenove de abril de 1602 o capitão Manoel de Miranda Barbosa CARTA DE FARNCISCO DA COSTA 22 de Abril de 1602. Saibam etc.

.Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede duas mil brasas de terra em quadro não sendo dada e sendo dada Carrera por diante a qual lhe dou em nome de dito Sr.. Dou ao suplicante em nome de sua majestade a terra que Gaspar Barreto lhe tinha dado assim e da maneira que lhe tinha dado em Sergipe a vinte de maio de 1602 o capitão Cosme Barbosa. e acrescenta nas rendas e para seu proveito e dos moradores da dita capitania quer nela fazer 302 ..20 de Maio de 1602. Saibam etc. Por não usar da légua de terra de Joan da Rocha Vicente da qual não usara de hoje por diante e lhe dou as ditas duas mil brasas por devoluta com todas as águas pastos madeiras que nelas houver com condição que dentro do tempo digo em um ano povoe a dita terra e não a povoando será por devoluta a quem a quiser povoar em Sergipe a quartoze de junho de 1602 o capitão Cosme Barbosa... CARTA DE JOAN GARCEZ 14 de Junho d 1602........... CARTA DE BALTAZAR FERRAZ 15 de Junho de 1602 Saibam etc......... Diz Gaspar Fernandes Vigário confirmado nesta cidade de São Cristovão capitania de Sergipe que a ele lhe e necessário terra para lavrar e trazer suas criações e por quanto ao longo do rio vasa barris da banda do norte esta uma légua do quadro de terra a qual foi dada pelo padre Bento Ferras ao Joan Martins da qual légua de terra e dada meia ao Sebastião Francisco escrivão de . Diz Joan Garcez morador na Bahia por seu procurador que ele suplicante lhe foi dado nesta capitania uma légua de terra ao longo de vasa barris da banda do sul defronte de taperagua a velha a tapera que tem a arvore redonda pêra La pelo sertão onde ninguém tem povoado e ora ele suplicante tem já nesta capitania sua fazendo assim de gado vacum como cavalar e outras e outras criações de que resulta grande acrescentamento a fazendo de sua majestade e outro sim tem seus escravos e quer meter mais fabrica e por que ele suplicante acha ser a dita dada de terra de Joan da Rocha visente pelo qual respeito se lhe perde sua fazenda por não ter por onde apresentar pede a vossa mercê pede de sesmaria outra légua de terra ao longo da dita dada que se diz de Joan da Rocha visente da banda deste assim e da maneira que a outra lhe foi dada porquanto ele suplicante desiste da primeira a qual se medira ao longo dito rio da banda do sul quando para oeste ficando a do dito Joan da Rocha da banda do leste.. pelo que pede a vossa mercê lhe faça mercê em nome de sua majestade dar outra meia légua e mais sobejos assim da maneira que Gaspar Barreto servindo de capitão loquotenente de Manoel de Miranda Barbosa lhe tinha dado erm. ... Diz o desembargador Baltazar morador na Bahia que ele tem nesta capitania de Sergipe fazenda de criações de gado vacum e cavalar e outras criações de muita importância e por servir a El rei nosso Sr... Saibam etc.

...Dou ao supricante em nome de sua majestade na parte que pede em nome do dito Sr...... CARTA DE JOAN FERREIRA 7 de Junho de 1602 Saibam etc. que em quadro pelas........... meia légua de terra em quadro com todas as augoas e pastos madeiras que na dita terra houver e lha dou por devoluta visto povoar como diz Sergipe dezesseis de junho de 1602 o capitão Cosme Barbosa.... CARTA DE ANTONIO DA COSTA 16 de Junho de 1602 Saibam etc.... mereis coa todas as pontas augoas lenhas e madeiras a pede por devolluta erm.... Diz Joan Ferreira morador nesta capitania de Sergipe que ele esta pessoalmente ajudando a povoar a dita capitania com negros e fábrica e que na dita capitania não tem terras em que trazer suas criações assim de gado vacum como cavalar e mais criações e fazer seus mantimentos e no ipochim da banda do norte em testada de Francisco de Almeida e terras de Melchior Masiel pelo dito rio do ipochim acima estão os sobejos de terra entre as duas sortes que acima nomeia 303 .. devoluta visto estarem por aproveitar com a dita ribeira de algumas e mais algumas lenhas pastos matos e madeiras que na dada de terra houver e lha dou por assim ser em serviço de sua majestade e bem de se aproveitar esta capitania e haver engenho nela e lha dou em condição que dentro de um ano comece a fazer o dito engenho Sergipe a quinze de junho de 1602 o capitão Cosme Barbosa.........engenho ou engenhos de açúcar que nela não há e nas terras que tem não há água com que o possa fazer e que tem por informação que no rio de Sergipe esta numa ribeira que se chama tapecahy que não foi dada até agora e se o foi esta por aproveitar e devoluta pede a vossa mercê que havendo respeito ao que diz e a muito proveito que resultara nesta povoação com o dito engenho lhe faça mercê de dar de sesmaria água da dita ribeira de tapecahy com duas léguas de terra medidas pelo dito rio de Sergipe uma légua de uma banda da dita ribeira e outra légua da outra banda ficando em meio a dita ribeira. e atualmente esta morador nela e ora não tem terá em que lavrar e targua suas criações de gado e mais criações e ora no rio de vasas barris a muitas terras devallutas pelo que pede a vossa mercê se lhe faça mercê pelo que acima diz de lhe dar em nome de sua majestade uma légua de terra em quadro nas cabeceiras...... ....... terra para o sertão de mau....Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede duas léguas de terra a saber légua e meia da dita ribeira para acima e meia para baixo que fiquem sendo duas légua em quadro a qual lhe dou em nome do dito Sr............ com as águas e madeiras que nelas houver porquanto. necessário pêra plantar canas fazer rosas e currais e outras criações assim para o engenho como para os moradores d‘ele que o suplicante há de levar da capitania da Bahia a que toda pede por devoluta e desaproveitada erm..................... ......... Diz Antonio da Costa sargento de presídio de sua majestade que a seis anos que reside nesta capitania de Sergipe servindo ao dito Sr....

............ Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede meia légua de terra medida como em sua petiscam diz e o que houver de um rio a outro Sergipe a 20 de julho de 1602 o capitão Cosme Barbosa.. e a medição della se fará rumo direito ressallvando pontas e enseadas as quais sortes de terra pede por devolluto com todas as augoas madeiras que na dita terra houver conforme o regimento El rei nosso Sr. Cristóvão..... entre Aracaju e S....... CARTA DE MARTINS DE SOUSA 29 de Julho de 1602 284 285 Jabeetinhaia....... Diz Domingos de Vilacham morador na Bahia que ele quer vir ajudar esta capitania com fábrica de gado e escravos e com família que tem para o que lhe são necessários terras e ora manda seu filho a pedi-las......... que fica no rio poxim.. CARTA DE DOMINGOS DE VILACHAM 29 de Julho de 1602 Saibam etc........ que erm.. por nome Jabetinhaia284.. Acreditamos que se refira ao rio cotinguiba 304 ........ CARTA DE MELCHIOR MASIEL DE ANDRADE 20de Julho de 1602 Saibam etc.erm....... Diz Melchior Masiel de Andrade morador nesta capitania que ele a mais de dez anos que serve a sua majestade nas guerras e povoações desta capitania e nela o morador como esta e família e porque tem muita fábrica e poucas terras e quer llauvrar pede a bem lhe faça mercê em nome de sua majestade de um pedaço de terra que esta ante os rios de Comendaroba e Ibura que serão mil brasas de um rio ao outro porque mais ou menos e pelos ditos rios acima hua llégua medida por rumo direito com o que houver de hu rio a outro das barras que se metem em quantigeriba285 acima erm..........Dou ao sopricante em nome de sua majestade na parte que pede os sobejos que aponta em sua petição não sendo dadas a outra primeiro e assim mais lhe dou em nome do dito Sr...pede a vossa mercê em nome de sua majestade lhe faça mercê dos ditos sobeios de sesmaria.... na Jabetinhaia setecentas brasas de terra em quadro na maneira que pede não sendo dada Sergipe a 7 de junho de 1602 o capitão Cosme Barbosa......... Dou ao suplicante em nome de sua majestade por devoluto na parte que pede meia légua de terras em quadro a qual lhe dou de sesmaria vindo povoar no tempo da ordenação Sergipe a 29 de julho de 1602 o capitão Cosme Barbosa..... para com efeito vir de morada................ o mesmo pede... Jabotiana....... nome de uma lagoa .. brasas em quadro pero longo do dito..... aqui tem necedade digno.....

. ................ de sua fazenda he capitão Tomé da Rocha lhe deu terras a ele suplicante não tem titulo por se lhe perder os livros das dadas de sesmaria daquele tempo pede a Vm....... com todas as augoas pastos madeiras que na dita terra houver com declaração de dentro em seis meses a vir povoar e não fazendo assim se Dara a quem a povoar Sergipe a 2 de agosto de 1602 — o capitão Cosme Barbosa.... CARTA DE HEITOR GONÇALVES VELHO 2 de Agosto de 1602 Sai