........

GIPE HISTÓRIA DE SERGIPE
FELISBELO FREIRE

PROJETO DIGITALIZANDO A HISTÓRIA
Carta de Sesmaria de Jorge Coelho 1596 Documento copiado do acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe

FELISBELO FREIRE
PROJETO DIGITALIZANDO A HISTÓRIA
ARACAJU –SE ARACAJU –SE 2009 2009

PROJETO DIGITALIZANDO A HISTÓRIA

A preocupação e a responsabilidade com a preservação da memória recai sobre os ombros daques que estão vivos e conscientes de sua participação na construção do hoje. É mister saber para tanto, que o domímio de novas tecnologias e o seu uso adequado apresenta-se como uma necessidade que urge frente as adversidades do tempo, e em muitas vezes do descaso com o patrimônio histórico. Digitalizar obras literárias que cumpriram e cumprem seu papel façe a sua importância no cenário cultural, é uma forma de eternizar o homem naquilo que o torna imortal, e é nesse sentido que este projeto pretende somar esforços com aqueles que vislumbram na digitalização de documentos históricos, uma nova forma de preservar o patrimônio cultural. A digitalização do livro História de Sergipe de Felisbelo Freire é apenas o começo de uma proposta que visa angariar adeptos e que tem um fim claro de preservação e de acesso facilitado, torrnando de domímio público muitas obras importantes e que dificilmente grande parte da comunidade cintífica e popular teriam acesso às mesmas. É um trabalho árduo e cansativo, contudo a certeza de sua importância nos revigora, e dá a convicção de estarmos no rumo certo pois se aprendemos algo no decorrer de nossa vida é a consciência de que não se comquista um objetivo nobre sem o desgate do labor. Arionaldo Moura Santos

Este livro digital é fruto do projeto “DIGITALIZANDO A HISTÓRIA” , desenvolvido pelo Prof. Arionaldo Moura Santos e contou com a colaboração de alunos do 1º ano F do ensino médio do turno da tarde matriculados no Colégio Tobias Barreto no ano de 2008.

ABINAEL ALVES SANTOS ARIANNE SANTOS RIBEIRO BRENDA SIQUEIRA MENESES BRUNO SANTOS ALVES CARLA KAREN DOS SANTOS OLIVEIRA CAROLINE PAIXÃO DAMACENA CLEANE ANTUNES DA SILVA CRISTIANE RODRIGUES DOS SANTOS DENYKSON SANTOS LIMA BESERRA EDÊNIA BRAZ SILVA EDER SILVA MALANCONI FELIPE BRUNO FARIAS DOS SANTOS FRANCIELLE DOS SANTOS OLIVEIRA ISABELLA ALVES DE ANDRADE ITAMARA GOMES DA SILVA JÉSSICA TÂMARA OLIVEIRA DOS SANTOS JOCLÉCIA BISPO DOS SANTOS

JONH ANTHONY BRITO RODRIGUES JOSE RODOLFO MELO RODRIGUES JULIANA SILVA DE OLIVEIRA JULIANE BRAZ DE OMENA JULIANO CARRA IWERSEN LAURITA MENESES GONÇALVES MAISA CAROLINE SANTOS MAYKE WANDERSON SANTOS ARAUJO MILEISSE DE SOUZA SANTOS MURILLO NOU MACIEL FILHO NILSON ANDRÉ MENEZES BARBOSA STEPHANY SANTOS ARAUJO TALES LEVI FONTES DOS SANTOS THALITA GRACE SANTOS BARBOSA VALDIANE DA SILVA FREITAS VICTOR ALBERDAN ALVES REZENDE

2

PREFÁCIO
Tornar Sergipe conhecido do país e do estrangeiro foi a causa que me levou a escrecer sua história. Em um período, como o que atravessamos, em que o espírito de iniciativa levanta-se em todas as direções, compreendi e compreendi muito bem que a indiferença que têm votado a Sergipe, não só os governos do regime decaído, como os historiadores nacionais, contribuiu poderosamente para o atraso em que tem ele permanecido. A fertilidade de seu solo, o caráter pacífico de seus laboriosos habitantes, suas excelentes condições climáticas, deviam assegurar-lhe maior prosperidade, que não existe. Faltou a interferência de uma instituição patriótica. Suas naturais riquezas foram desprezadas, pela falta de uma propaganda. Além disto, sua influência histórica, na civilização do Norte, é muito maior do que geralmente supôe-se. Os históriadores nacionais têm cometido a grande falta de esquecerem sua história, e não descrevem essa influência, donde grandes lacunas que se nota na explicação dos fatos. Com excessão do Frei Vicente do Salvador que lhe dedica um ou dois capítulos em sua História do Brasil, todos os outros historiadores nenhuma página dedicam-lhe. Entretanto, não se pode contestar qua a razão de muitos fatos vai o historiador encontar em sua história. Não só facilitou Sergipe as comunicações entre Bahia e Pernambuco, como pela agundante criação do gado prestou inovidável serviço à vitória do portugês contra os holandês, contribuindo para que não se desmembrasse o território da grande pátria brasileira. Seu território serviu de ponto de pousada do exército emancipador, e o primeiro grito de revolução contra os holandeses foi levantado nas margens do rio Real. O leitor convencer-se-á da importância de sua história, pela leitura deste pequeno trabalho. Bem sei que a tarefa que tomei a mem estaá muito além de minhas forças. Sem o recurso de obras já escritas sobre Sergipe, tendo necessidade de um trabalho paciente e longo na busca de manuscritos e documentos, em seus cartórios e arquivos, compreende-se que me foi preciso muito trabalhar, para oferecer ao público esta modesta obra. As dificuldades com que lutei, em seis anos de pesquisas, foram inúmeras, e muitas vezes, confesso-o quis desistir do meu plano. E se não fora o auxilio e animação de amigos, por certo não levaria avante meu projeto. E peço permissão para aqui registrar seus nomes, como uma prova de sincero agradecimento: João Ribeiro, Capistrano de Abreu, Dr. João de Oliveira, José Ladislau Periera da Silva, Baltazar Góes, Josino de Menezes Eugênio José de Lima, Dr. João José do Monte, a cujo concurso devo a publicação deste livro, e outros. Saliento principalmente o nome do ilustrado professor João Ribeiro, a cujo invejável talento e atividade devo grande parte dos materiais que reuni.

Antes que a crítica aponte os deveitos de meu pequeno trabalho, eu deles tenho plena consciência. Meus recursos não me permitiram fazer coisa melhor. Além disto, sendo o primeiro trabalho no gênero, contra o que antolharam-se dificuldades de toda ordem, não podia sair isento de defeitos. Será para mim motivo de contentamento, se ele fornecer alguma auxílio a quem, com mais competência de que eu queira escrever a História de Sergipe. Isto para mim é bastante. Rio, 6 de fevereiro de 1891 Felisbelo Freire

4

SUMÁRIO

Prefácio Felisbelo Freire,um vulto da ilustração brasileira

Introdução
Capitulo I- Os primitivos habitantes do brasil Capitulo II - Elementos étinicos do brasileiro. Sua fisiologia e psicologia. Capitulo III- Fatores externos da civilização no Brasil. O evolucionismo,a melhor teoria histórica Capitulo IV- Geologia de Sergipe.Fauna e flora. Sua produção

Livro I
Época de formação(1575-1696)
Capitulo I-Descoberta e conquista de Sergipe Capitulo II-Colonização de Sergipe. Sucessores de Cristóvão de Barros até 1637 Capitulo III-Minas. Primeiras explorações Capitulo IV-Invasão holandesa em Sergipe Estado da Capitania Capitulo V-Domínio holandês em Sergipe.Doação da Capitania Capitulo VI-Lutas em Sergipe.Sua recuperação. Fim do domínio holandês Capitulo VII-Novo domínio português

LIVRO II
Expansão colonial (1696 -1822)
Capítulo I – Sergipe, comarca da Bahia Capítulo II – Resultado das questões de limite meridional expulsão dos Jesuitas Capítulo III – Reusltado da abolisão da escravidão indígena. Movimento colonial até 1802. Estado econômico da capitania. Capítulo IV – Sergipe e a revolução pernambucana em 1817. Capítulo V – Sergipe capitania. Intervenção da Bahia. Juramento da Constituição e aclamação da Independência.

5

Livro III
Política Imperial (1823 – 1855)
Capítulo I – Governo da junta provisória. Primeiro presidente. Sergipe, Província. Capítulo II – Sucessores de Manoel Fernandes da Silveira até 183l. Idéias republicanas na Estância e Brejo Grande. Movimentos de abril de 1831. Capítulo III – Governo da regência. Revolção em Santo Amaro em 1836. Capítulo IV – Delegados e segundo reinado até 1855. Mudança da capital. Instrução pública. Finanças. Os partidos. Capítulo V – Limites. Questões com Alagoas e Bahia.

APÊNDICE Sesmarias de Sergipe
Diversas catas de sesmarias.

6

significa. Correspondia à filosofia oficial do Segundo Reinado. A sua leitura torna-se indispensável à compreensão do presente. quando começava a formar-se a Ilustração brasileira. no direito e na ideologia republicana. Tobias Barreto. pois este sempre resulta dos elementos que compõem a vida de uma comunidade. diversificam-se os primeiros em função de circunstâncias e momentos. deram início ao movimento de idéias conhecido como Escola do Recife. Granjeara a doutrina de Victor Cousim importantes adesões entre os intelectuais. Gumercindo Bessa e Fausto Cardoso. Era a doutrina ensinada nos cursos preparatórios às faculdades e em geral. mas conservaram as suas raízes nas lutas pioneiras dos colonizadores. em seus limites geográficos. A esse tempo. 7 . É de valia pouca a dimensão geográfica de cada uma. assim. transfigurada em seu destino geográfico e político. A repercussão da atividade intelectual alcançou a cultura brasileira. não permitir a ruptura de um processo paralelo de natureza cultural. As considerações acima nascem diante deste livro. quando pouco. As velhas províncias armaram-se das mais novas conquistas . sejam psicológicos. na poesia. UM VULTO DA ILUSTRAÇÃO BRASILEIRA PAULO MERCADANTE A CONFIGURAÇÃO REGIONAL Os diferentes estados que configuram o território brasileiro não representam formas traçadas ao acaso. maiores ou menores. O País embora adolescente. sempre constitui a mutilação desnecessária. cuja influência na cultura nacional se acentua a partir do terceiro quartel do século passado. formou-se em razão de um processo natural. No acervo assim havido somam-se valores materiais e espirituais. Silvio Romero. trazendo as virtudes desenvolvidas no esforço do crescimento. Introduzir nesse quadro de forças vivas um acréscimo de gabinete. que abrange quase três séculos de história. nas escolas normais e secundárias. com a redução das distâncias.ou maior ou menor índice de progresso material. e as vicissitudes teceram ao longo no tempo de quase cinco séculos a fisionomia de seus membros políticos. de seus heróis e mártires. SERGIPE E A ILUSTRAÇÃO BRASILEIRA A circunstância deve ser ressaltada diante de Sergipe. São os alicerces de uma antiga província. todos nascidos em Sergipe. Cada estado participa do conjunto. formação e expansão colonial. Afortunada. Preservar a história. sejam sócio-econômicos. a escassa ou densa população. por capricho de um gênio.FELISBELO FREIRE. que a tecnologia favorece. e que se puseram dispostas. contava o Brasil apenas com uma corrente filosófica: o ecletismo espiritualista. na crítica. deixando as suas marcas na ciência. o vigor da atividade econômica. a iniciativa de Dimensões do Brasil de incluir em seu programa uma série de história regional a fim de divulgar os traços comuns no processo de colonização e desenvolvimento econômico da antigas províncias. ainda que ornados dos melhores propósitos.os últimos são resultados de um curso que acaba imprimindo nos costumes e comportamento dos habitantes um traço inconfundível e original.

enfim. em meio século de vida independente. simplesmente abandonados pelos partidários de Comte. o farol que lhe conduz o pensamento é ela. entre 8 . Em e1884 nova orientação imprimia Tobias Barreto ao seu pensamento. como um grande capítulo da vida humana social.‖ SERGIPE E A ESCOLA DE RECIFE Revele o leitor o atalho por onde quase me perdi. ao ter início o movimento do qual resultaria a Escola de Recife. Tal sentido soube Jesus Caraça expor com lucidez. durante a década de setenta. Clóvis Belviláqua e muitos outros simpatizavam com algumas teses do filosofo inglês. Tobias Barreto teve a sensibilidade de verificar que o positivismo não poderia por muito tempo satisfazer as solicitações d intelectualidade. nos lares e nos grêmios. parece bastar-se a si própria. Deseja radicar no País o pensamento científico. vê-se toda a influência que o ambiente da vida social exerce na criação dela. Sua versatilidade dir-se-ia explicada pelas condições próprias da época. Ou se olha para ela como vem exposta nos livros de ensino. seria o autor deste livro Felisbelo Freire. Silvio Romero voltava-se para a crítica parlamentar. ou seja. a história. assistir à maneira como foi sendo elaborada. escreveu ele. Em Sergipe no século passado. com as suas forças e as fraquezas e subordinado às grandes necessidades do homem na sua luta pelo entendimento e pela libertação. retornados da Bahia. a luta da época travada no terreno da fisiologia. apoiar-se-ia no evolucionismo para combater o positivismo ortodoxo. que nasce na filosofia e que amadurece na história. pode ser encarada sob dois aspectos diferentes. No Rio de Janeiro. Marca-lhe a presença na vida cultural brasileira um insistente labor de pesquisa. ou procuramos acompanhá-la no seu desenvolvimento progressivo.Parece fora de dúvida que tanto Tobias Barreto como Silvio Romero. ―ciência encarada assim. revelando. Juntos de Spencer ficavam seus companheiros Silvio Romero. Diante disso. impregnado de condição humana. empenharam-se a fundo no combate ao ecletismo.a denúncia das insuficiências do mecanicismo de Haeckel e o empenho de aproximar-se do sistema kantiano. A ciência. passaria revista ao pensamento filosófico nacional e firmar-se-ia como crítico e pensador. ligado à inquietação do tempo. não fosse o brilho que imprimiu a faina de historiador. A polêmica científica devia gerar. aspiravam uma reforma total da ideologia. mais fácil se tornava o estudo superior na Bahia do que em Pernambuco. ao sabor de novas incursões do espiritualismo. Imaginemos o que significava para a sociedade da capital da província e do interior a plêiade de doutores. mas sem o sacrifício da filosofia. aparece-nos como um organismo vivo. como coisa criada. a exemplo dos jovens engenheiros e militares empolgados com os postulados do positivismo. Por tais razões. verificamos que o número de doutores em Medicina supera expressivamente o de bacharéis em Direito. também Artur Orlando. por motivos ainda pouco estudados. parece-nos. entre os profissionais. No primeiro aspecto. a formação dos conceitos e das teorias parece obedecer apenas a necessidades interiores: no segundo. pelo contrário. a cujo destino se misturam indissoluvelmente a ciência e a filosofia. se procedemos ao exame das profissões da elite local até 1872. na década de noventa. Porém se deve à personagem do Prefácio a necessária ênfase que se concede à importância da filosofia e da ciência na formação de seu espírito de historiador. Por isso em seus trabalhos. Outro vulto de Sergipe. e tratou de fixar-se em pleno terreno dos problemas ditos metafísicos.

Tratava-se da influência que Augusto Comte desencadeara no campo das ciências naturais.os curiosos e diletantes. o fundador da Biologia. nem distinção entre os fenômenos vitais e físicoquímicos. com uma tese de Justiniano da Silva Gomes sobre plano e método de um curso de Fisiologia. a resultante da divergência seria Claude Bernard. defendeu-se por mais de meio século. que englobava o ecletismo. e particularmente na Anatomia e na Fisiologia. O médico. Singular a circunstância. a cursar Direito. não haver especificidade da matéria viva. conforme se vê das teses apresentadas na Faculdade de Medicina. Adotava a definição de Biologia dada por Blainville: ― a ciência que analisa os animais os fenômenos da vida e procura explicálos. a admiração que proporciona o prestígio. Lá chegava em plena peleja de desde anos se renhia entre os adeptos de uma ciência tradicionalista e os entusiastas das correntes avançadas da biologia. que consagraria a unidade da observação médica e a experimentação fisiológica. ligando-os às leis gerais da matéria sempre que disso forem suscetíveis. Bordeu produzira Bichat. de uma cultura brasileira que se desenvolvia sob o estímulo de uma saudável diversidade ou pluralidade de influências e condições. Fausto Cardoso e Gumersindo Bessa se desviassem do causuísmo jurídico para o campo do biologismo social. apoiados numa fisiologia hipotética. a cuja doutrina repugnava o exame de cadáveres a fim de serem elucidados os problemas da vida. As idéias voltam-se contra os conceitos tradicionais. porque todos se explicariam pelos princípios da Mecânica. dificultavam o desenvolvimento das pesquisas em geral. e afirma-se em desfio. ao escrever um opúsculo sobre o tratado de Broussais. levando o vitalismoa a uma concepção biológica. Bichat divergira do condiscípulo Bordeu. que estivera em Paris. referia-se a li dos três estados fenômenos. Interpenetram-se as idéias suscitadas no Recife por Tobias Barreto e seus companheiros e discípulos com o movimento de renovação científica da Bahia. Reminiscências medievais. As raízes das novas tendências estavam na orientação que um discípulo d Sthal imprimira às pesquisas científicas biológicas. sem imposições agnósticas ou antiespiritualistas. o espiritualismo e o próprio vitalismo. co correr dos anos. Tratava-se de um sistema especulativo. Na Faculdade de Direito a influência do status do doutor em medicina teria assim. Teve inicio o ataque ao vitalismo de Barthez quase na primeira metade do século. quando de sua incursão na Fisiologia. O grande médico produzira Barthez e Bordeu. Felisbelo Freire não seguiu para o Recife. a concepção do vitalismo convencional. a estudar na Faculdade de Medicina. extrínseca a intrinsecamente. Predominara. O debate trava-se de um lado. as velhas correntes do mecanicismo. carregadas de retórica. em circunstâncias referidas por Gilberto Freyire. circunstância que desviava os médicos de conceitos patológicos e clínicos firmados na anatomia. conciliando o espiritualismo. Os preconceitos existentes nas ciências naturais tinham criado à Medicina os maiores obstáculos no século passado. contribuído para que Tobias Barreto Silvio Romero. Adveio uma tendência que se caracterizava pela aceitação do positivo nas ciências. Admita o conflito entre forças vitais e forças físico-quimicas . o fisiologista francês antepunha ao vitalismo a sua doutrina de determinismo biológico. o materialismo e o positivismo no terreno da ciência pura. 9 . O tradicionalismo. cujo eco chegaria até o Recife por intermédio do grupo de sergipanos que preferiria o curso jurídico. Assim. e sim para a Bahia.

para o estudo de Medicina. Na província nordestina sem recursos. em meio â ―fulgurante plebe‖ . que ciosamente arquivava as glórias do Maranhão: a Alencar Araripe. desafiados pelo atraso e pobreza. inspirada num bando de idéias novas que segundo Silvio Romero. As novas correntes condenavam com veemência o instituto do cativeiro e eram simpáticas ao ideal republicano. a partir de 1886. um inventário da atividade cultural já demonstrava. A atmosfera polêmica entre o vitalismo agonizante e as concepções científicas despertaria no moço a inquietação filosófica. que preparava a história do Ceará. que apurava a Crônica das Alagoas. aprofunda os seus estudos sobre Sergipe. na introdução de seu livro. artigos sobre história no jornal A Reforma. também a Filosofia o conduzia à política e a contestação do sistema monárquico. e mal chegado a Laranjeiras. sem sombra de dúvida. Buckle e seus discípulos no Brasil. que se embrenhava pelo Mato Grosso. Publica. Uma obra política de Anfriso Fialho – O Processo da Momarquia Brasileira.lá o alcança. Felisbelo Freire dá inicio á sua atividade como escritor. que introduzia o historiador nos círculos intelectuais brasileiro. e . um conjunto de obras importantes. sobre nós esvoaçava de todos os pontos do horizonte. Irmanam-se em suas digressões. no terreno da história regional. redimir o negro de sua condição. Darwin. Capistrano de Abreu. abordando. concluído o curso em 1882. tarefa que desempenha na militância republicana. se o embate na Biologia o levara aos pensadores naturalistas e evolucionistas. Adota assim as correntes em voga.outro trabalho da época seriam os Fatores Esternos da Civilização no Brasil. especialmente Tobias Barreto e Silvio Romero.Nesse campo da luta chega à Bahia. referia-se a Augusto e Pereira da Costa que aprofundaram a história de Pernambuco : a Alcides Lima que revelara a história do Rio Grande do Sul: a Henriques Leal. Familiarizara-se o doutor. onde passou a clinicar. que o situa. a Severino da Fonseca. e superar no campo da Ciência de da Filosofia o ranço do ecletismo francês. escrevendo sobre o Visconde do Porto Seguro. provocandolhe os apontamentos publicados na imprensa. Em 1888 publicava na revista Trimestral do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro sua ― Memória sobre a Colonização de Sergipe de 1590 a 1600‖. e que nos falou outro sergipano Gilberto Amado. Significativo engajamento ao sabor do tempo. durante o curso de Medicina. A inquietação era tal. com as obras de Spencer. Felisbelo Freire. questão relativa a Geologia e aos elementos étnicos dos brasileiros do ponto de vista da doutrina evolucionista. A estrutura do País levantava-se pele exercício da pesquisa regionalista. A PESQUISA REGIONALISTA Naquele ano distante. Ao mesmo tempo. Haeckel. 10 . de Aracaju. as citações de Spencer e seus epígonos com o verbete do Dicionário de Medicina. os moços das Escolas de Direito do Recife e de Medicina da Bahia procuravam sacudir as instituições imperiais. Os limites do estado são tratados após 1888 na imprensa de Laranjeiras e posteriormente em O Republicano. Assim. e a Paulino da Fonseca. O lastro de ciência adquirido na Bahia mostrava-se em Felisbelo Freire ao divulgar a doutrina evolucionista.

muito se orgulhava o médico e escritor. num artigo sobre o evolucionismo. discorria com igual competência sobre Medicina. de uma forma algo eclética. onde. Regressa como presidente de seu estado e delegado das novas instituições. Firmam-se nesta iniciativa as raízes do futuro constitucionalista. depõe Armindo Guaraná. em 1893. extraiu novas considerações . mudava-se Felisbelo Freire para o Rio de Janeiro. no torvelinho dos primeiro meses republicanos. em Laranjeiras se instalara o quartel general das forças republicanas. sobre Política. a história parlamentar do país. foi adaptar o serviço público à índole das novas instituições. no primeiro e único trabalho. nunca interromperia os estudos de ciências naturais. ao mesmo tempo. Desdobra-se Felisbelo Freire em sua multiforme atividade. Fundaram jornais e.A fenda devia ser aberta no campo político. A respeito do período. encarando-os com a largueza de vistas de um perfeito home de estado‖. a pasta da Fazenda tendo acumulado interinamente as funções de Ministro dos Negócios Exteriores. Acompanhou-o pela vida afora a admiração de fiel discípulo aos pensadores alemães e ingleses. Em 1894 concluía a editoração dos três volumes da História Constitucional da República dos Estados Unidos do Brasil. o interesse por temas médicos. Mandato que com a morte interromperia. Direito Público. História de Sergipe. 1912/1914. entre os quais conseguiu realizar o da navegação direta para o Rio de Janeiro. 1915/1917. convocou-se um Congresso que redigiu um projeto de Constituição e estabeleceu uma assembléia do partido. ―tendo haurido no estudo dos melhores autores vasta cultura jurídica. Poucos conhecia como ele a história financeira e orçamentária do Brasil. apareceria mais tarde. em dezembro de 1888. constituinte. participando da elaboração do diploma que iria viger por quase quarenta anos. diz um dos seus biógrafos. no Brasil. na capital do País. inspirados na escola evolucionista. que lhe concederam os estudos universitários. dois anos após. não se trata de uma obra elaborada de afogadilho. ainda em Laranjeiras. Aparecia o historiador. onde poucos meses depois . Novamente se 11 . manifestada repetidas vezes nos debates do Parlamento. Por ocasião dos debates na Câmara dos Deputados sobre os projetos de emissão de papel-moeda e do orçamento da receita e despesa revelou estudos especiais acerca desses temas. Fechava-se num volume o resultado de quase dez anos de pesquisas e estudos. conferência que recitou em 1887. como a história do constitucionalismo norte-americano. Reelege-se deputado nas legislaturas de 1897/1899. Da ―Evolução da Matéria‖.‖ O volume hora reeditado. ― A sua principal preocupação como o iniciador da forma republicana do governo. A ATIVIDADE POLÍTICA E O HISTORIADOR Em 1889. Se encerrou. a sua palavra sempre foi ouvida com o maior respeito nos instantes críticos da vida republicana. E um livro didático. Finanças e Legislação Comparada. vertente que acabou constituindo-se. viria a lume em 1891. 1903/1905. promovendo. integrava a Comissão incumbida da reorganização dos estados. era proclamada a república. 1909/1911. a maior soma de benefícios para o Estado. Assumira Felisbele Freire. Da filiação ao naturalismo. elementos de História Natural. Figura notável. com Baltasar de Araújo Góis e Josino Meneses já havia Felisbelo Freire constituído o núcleo de combate à escravidão e à monarquia.

patrimônio das câmaras municipais e terras devolutas. cansara-se na clínica e no estudo. os motivos das linha de povoamento. Felisbelo Freire programara cinco volumes. Era o repouso do incansável trabalhador. Em 1916. falecia no Rio de Janeiro Felisbelo Freire. origem da manufatura. prenunciam o autor da História Territorial do Brasil. Diversos trabalhos especializados em Economia e Finanças. que abrangessem a fusão das antigas capitanias. Desgastara-se na atividade incessante. com menos de sessenta anos. executava peças clássicas e variadas. bem como as questões relativas a limites. obra de importante significação na cultura brasileira. Lá. Registram as crônicas da vida caria o brilho dos concertos em sua residência. sucumbindo o sábio e humanista em face das desilusões que a política provoca em sensibilidades delicadas.incorporaria ao historiador a sólida base científica e filosófica. referente à Bahia. formação das vilas e cidades. que fugia das preocupações maiores no velho hábito que trouxera da vida estudantil na Bahia. O plano a que visava não se concretizou. publicados na imprensa carioca. figura singular da Ilustração Brasileira. onde como um virtuose. Sergipe e Espírito Santo. o devassamento dos sertões. vindo a lumeapenas o primeiro tomo. antigas estradas. e discursos pronunciados na Câmara dos Deputados. como acadêmico de Medicina. chegara a reger uma orquestra em concerto oferecido a famoso maestro. as ordens religiosas. 12 .

Pode-se bem compreender que o historiador tem necessidade de apelar para o concurso de diversas ciências. onde se tem podido. entre estrangeiros. que nele vão se operando pelas ações recíprocas dos meios. ainda que imperfeitamente. a história a que fica reduzida? As afirmações sem nexo. compreende-se facilmente que a história brasileira acha-se muito longe do pé que o espírito científico requer. o historiador tem necessidade de olhar para esse passado préhistórico. a etnologia. d‘Orbigny. trabalhos mais ou menos importantes se tem feito. Por essa diversidade de auxílios que o historiador é obrigado a reclamar de diversas ciências. onde se contam Martius. e muitas outras ciências. com as diversas diferenciações e integrações. tudo tem servido de objeto de estudo. Destituídas de espírito filosófico. cujas afirmações são baseadas em uma multiplicidade de teorias. até as explorações das cavernas. Por mais longínquos que estejam os seus antecedentes. a geologia. Rio Grande do Sul. a lingüística. com admiráveis pontos de contato com a ideografia do México. Desde as inscrições gravadas em pedras e encontradas na serra da Escama. que não tendem a ligar os fatos. tanto mais importante. que nele há de ver um fator de colaboração. China. 13 . Catarina. Poderemos citar Vaz de Caminha. Derby e muitos outros. dos sanbaquís do Pará. em Itamaracá. todavia as afirmações nesse sentido não passam ainda de hipóteses não corroboradas por uma unidade de vistas. Eves d‘Evreux e muitos outros. sem o que ficará um hiato que contribuirá para desvirtuar as leis da civilização humana. Rodrigues Peixoto. a antropologia.INTRODUÇÃO CAPÍTULO I OS PRIMITIVOS HABITANTES DO BRASIL As exigências da orientação científica moderna dificultaram consideravelmente o encargo de escrever a história de um povo. Hans Staden. Lund. Léry. Ladislau Neto e outros. Gabriel Soares. Batista de Lacerda. Ferreira Pena. Egito e Índia: desde a exploração do mound de Pascoval. e entre brasileiros Gonçalves Dias. no vale do rio negro. Couto de Magalhães. Pelo avanço da ciência. O conhecimento completo do elemento autóctone de qualquer povo não deverá ser esquecido pelo historiador. Sem a biologia. Não está feito o largo pedestal sobre o qual tem ela de descansar. e o sentimento religioso nos ídolos. não obstante a força antagônica da adaptação. Carlos Weiner. para decifrar essas tradições antiqüíssimas. por mais obscuros que sejam o intelecto e o grau de civilização e a natureza de sentimento dos seus progenitores. Hartt. através do tempo e do espaço. puramente descritivas. Sta. descrever o grau artístico de seus primitivos habitantes na arte cerâmica. desde os caracteres simbólicos de Marajó. Ainda que não possamos fazer coro com aqueles que acham de nulo valor os estudos de pré-história. Desde o século XVI . uma brilhante plêiade se formou. essas obras deixam insolúveis os maiores problemas da pré-história. esquecendo a marcha evolutiva do espírito humano. pó uma lei de sucessão. dos espíritos cientistas. e não estão acumulados os grandes subsídios que reclamam de outra ciências. quanto a herança tende a perpetuar seus caracteres. para esclareces questões relativas aos povos brasileiros. a fim de prendê-lo aos tempos históricos.

aproximando o romanceiro peninsular ou Aravias dos cantos históricos ou javaris do Peru. um procurando norte da Europa e outro a América. Witney. da mitografia. E aqui não fazemos mais do que resumir a oposição do ilustre crítico sergipano. quando Teófilo Braga em Portugal espalhava o turanismo. vejamos se a primitiva raça que colonizou o Brasil foi a raça turaniana. e o mesmo processo lava a grandes resultados. porém. Deixando isto. gibon. de onde se conclui ser de onde se conclui ser o velho mundo a pátria da espécie humana.. não se prestando a natureza a uma categorização tão simples. procurando fundamentar suas vistas na suposta dolicocefaleia das raças da América do Norte. principalmente de Hartt. para conciliar o turanismo com as verdades cintíficas enunciadas pelos competentes órgãos da lingüística. impressionado pela diversidade dos caracteres craniométricos do basco francês e do basco espanhol. Nott e Gilddon. e que se conhecem pelo tipo braquicéfalo do basco francês: a coincidência da dolicocefaleia do basco espanhol. auxiliado pelos trabalhos de Meyer. Hovelacque e outros já haviam refutado a tríada de Max-Muller. que na família humana vê uma tríada pertencente às línguas turanianas. todavia se procura ver nos dois seguintes pontos a base sólida do asiatismo americano: a) a ausência na América dos antropomorfos. E a refutação era tão magistral. depois. com quer Teófilo Braga. chega a admitir a marca do povo turaniano na América. Essa população turana descida da alta Ásia dividiu-se em dois grupos. chimpanzé. que ele mesmo sentiu-se em sérias dificuldades. Teófilo Braga. Schleicher. da antropologia. fenômeno idêntico ao que se deu na Europa. com o berbere.‖ Os trabalhos de Frederico Muller. arang. vindo através da África. No Brasil. pela qual chegou ao autoctonismo dos indígenas da América. gorilho. Não obstante a nova estrada que abriu Morton na etnografia americana. que o ilustrado crítico sergipano Sylvio Romero põe em saliência. convergindo ambos. Brantz e outros. muito esclareçam as questões relativas às raças pré-históricas do Brasil. mostrando que a substituição proposta pelo literato português do nome seytho mongólicas pelo de raças turanianas não indica mais do que a convicção do literato português sobre a inanidade do turanismo. E é isto. e a braquicefaleia geral dos da América do sul. orientação para a qual convergiram homens como Mayer. E é ele quem diz ― foi das raças nômadas da alta Ásia que se destacaram essas migrações que entraram a Europa antes dos indo-europeus. todavia os materiais que o espírito de investigação tem reunido ainda não são suficientes para explicar a origem do homem primitivo do Brasil. de lado. bem como o fenômeno da persistência da modinha brasileira. da etnografia. em uma triáda de famílias. levou tanto a convicção ao próprio espírito do literato português. Dentre as tórias de Max-Muller. na impossibilidade de uma divisão simétrica das línguas. de Martius e Lund. esta posição dúbia. para o sul da Europa onde deixaram os vestígios na braquicefalia do basco francês e na dolicocefaleia do basco espanhol. porque nos outros 14 . Sayce. com diz gaidoz.Ainda que os trabalhos. com os cânticos acádios e chineses. do mundo inteiro. revela-nos também o caminho por onde o turanismo da Ásia entrou no sul da Europa. como notou Broca. É por isso que se torna legítima a comparação das canções prevençais. Sylvio Romero já refutou o turanismo. arianas e semíticas. onde uma parte estacionou.

álibi. alguns de nefrite e jadeíte. Ásia. quis-se concluir em favor de uma imigração asiática para a América. O primeiro que impugnou no Brasil as asseverações de Fischer. e para a América os outros. quando foi ela povoada pelos asiáticos. objetos de uma pedra muito dura. dos índios amazônicos.continentes falta o primeiro elo da cadeia antropológica: b) ter-se encontrado nos artefatos da América. somente no Turkestan e a jadite no distrito de Junnan. por parte de competentíssimos cientistas. Da ausência absoluta de jadeítes e nefrites em outros continentes. amuletos. e de quartzo os brancos. rochas exclusivas da Ásia. A alta competência do ilustrado mineralogista Fischer que declara existirem as jazidas de nefrite. nem a paleontologia assegura haver um só centro de criação do pithecantropo de Heackel. outra opinião não menos importante levantou-se em oposição. quando para aí deu-se a imigração dos povos. pedras que não existindo na América foram exportados da Ásia. ― Para a explicação deste fato. Darwin e haeckel não afirmam senão que a espécie humana é um colateral afastado do pithecoide. senão os vestígios dessa imigração asiática quem em tempos idos. foi Sylvio Romero utilizando-se dos trabalhos de Meyer. Realmente o botânico brasileiro. Não só o darwinismo não assegura ser a espécie humana o descendente direto do antropomorfo. é obscura. A hipótese foi principalmente arquitetada pelo professor Henriques Fischer de Friburgo sendo aliás partilhada por muitos outros investigadores notáveis‖. É uma aplicação errônea que o assiatismo faz do transformismo. deu-se para o Brasil. cuja composição não deixa dúvida de ser de jadeíte e nefrite. chamados pelos índios Cunuris. Ásia e Nova Zelândia. já ainda em uso entre povos incultos ou civilizados. para quem os muiraquitãs. levados uns para a Europa. pela corrente imigratória que primitivamente povoou-a. as mais das vezes verde. ornatos e outros semelhantes. objetos tais como machados. Diz o sábio mineralogista de Dresde: ― por questão da nefrite deve entenderse o seguinte: encontram-se em muitos lugares. por que até o presente só chegou ao nosso conhecimento a existência de jazidas nativas de material bruto na Ásia e na Oceania. Oceania e no território de Alaska na América. exceto na Ásia. já enterrados no solo. especialmente na América. nas cidades lacustres. Europa.a de Meyer . e cuaj origem. os verdes. sobre quase toda a superfície da terra. de onde o hiato que tem motivado a mão aceitação absoluta do transformismo: como a multiplicidade dos centros de criação humana está merecendo hoje adesões sinceras. formula-se a hipótese de provirem da Ásia conjuntamente os objetos europeus e os americanos. Entretanto se a competência de Fischer levou a convicção ao espírito de Barbosa Rodrigues. Aproveitando o resumo de Sylvio das conclusões de Meyer. onde temse encontrado artefatos de pedras verdes. aqui o transcrevemos: ―Perdeu-se certamente o conhecimento das jazidas originárias do 15 . que mostra ter encontrado jazidas de nefrite e jadeite na Europa. semelhantes aos enfeites de pedras que os Uaupés do Rio Negro trazem no pescoço. eram de feldspato.quirimbitás – chegou a convicção de que os muiraquitã é de jadeíte e cloromelanite. nas estações funerárias. em muitos caso. aplicadas por Barbosa Rodrigues à América. levou o ilustre botânico brasileiro Barbosa Rodrigues a não ser no muiraquitã ou álibi.

para fundamentar o seu turanismo e que viu na braquicefalia dos índios da América do Sul e na dolicocefalia dos da América do Norte. as diferenças do sistema aritmético o descobrimento do pequeno ciclo do tempo – a semana. Nota mais a circunstância de ser o tributo de muitas províncias o Império obrigatoriamente pago em jadeíte. São três considerações de peso‖. relativamente. entre os povos da América e os do Oriente. ao menos no México e na região amazônica. O asiatismo. não representa uma verdade sancionada pela ciência. leva alguns espíritos a serem exclusivistas na origem dos povos americanos. que a lingüística e a arqueologia dos povos da America apresentam com os do continente oriental. Japão. o professor de Dresde nota que os objetos ali encontrados tem todos . Os ensinamentos da lingüística. Demais. temos os estudos dos ilustrados antropologistas brasileiros Rodrigues Peixoto e Batista de Lacerda. Pelo que se refere especialmente ao império dos Aztecas. para se aceitar uma migração asiática pela América. chefes da escola indigenista nos Estados Unidos.mineral. um caráter puramente local e indígena. de um sistema de escrita fonética. elas. no caso de importação da Sibéria. China. pois. é perigoso afirmar a descendência do índio americano de uma migração asiática dos chineses ou dos Egípcios. como ponto exclusivo da origem do índio americano. que consideram o índio americano como um produto do solo ameriano. invocada por Teófilo Braga. devem existir no continente. são fatos que protestam contra a transmigração. observa o sábio autor. a reprodução do basco francês e espanhol . uma prova de serem preparados no país. morais e físicos. Assim. Quanto à dualidade dos caracteres caniométricos. se a tendência de buscar na imigração dos povos asiáticos a explicação de ligeiras analogias. não asseguram a verdade dessas exclusivas conclusões. em sua escultura. Se Martius e Fidel Lopes apresentam um grande número de palavras com raízes do sânscrito. porém.e dos metais. os traços característicos dos povos do continente americano. é inverossímel que servisse de moeda uma substância que se não encontrasse no próprio império. há improbabilidade manifesta de. Além disso. são por demais eloqüentes as conclusões a que chegaram Nott e Gilddon. ou Indochina. Como o Dr Ladislau Neto : dos Carios. Se esse exclusivismo não se pode sustentar com os materiais que a préhistória americana vai reunindo. em cujos habitantes primitivos nota-se a ação de mais de um elemento étnico. dos Líbios ao Atlantes. perante as conclusões a que vai chegando a antropologia brasileira. como quer Varnhagen. essas ligeiras analogias lingüística estão longe de indicar uma identidade de estrutura da língua e da organização gramatical. Ora. as diferenças nas formas dos crânios . o mesmo não podemos dizer relativamente à bela teoria do indigenismo de Morton e Simonin. Achamos que as duas teorias devem se superar. que provam o predomino da dolicocefalia na América do Sul. a falta de alfabeto. da antropologia e da etnografia e de todos os conhecimentos préhistóricos. com que Berlioux. à Americana . de animais domésticos. Por mais esforços que façam aqueles que estabelecem como uma verdade a unidade 16 . somente chegar ao México a jadeíte e jamais a nefrite. que espírito de investigação vai reunindo. a fauna e a flora muito distinta das do velho mundo. todavia certos achados da etnografia mostram a falta de base desse exclusivismo.

As grandes analogias das crenças. com um elemento étnico autóctone em todos os continentes . chegam a conclusão de que em temos primitivos existiram no Brasil dois tipos étnicos. deixaram alguma luz neste sentido. No Brasil. dos costumes. o sábio Lund chega a conclusão de que a existência do homem neste continente data de tempos anteriores à época em que acabaram de existir as últimas raças de animais gigantescos. é que houve uma uniformidade das leis que presidiram o desenvolvimento do espírito humano. bastantes distintos pelos caracteres craniométriocos. Os dois ilustres antropólogos brasileiros. de um cruzamento entre o elemento primitivo e o elemento estrangeiro. As imigrações de povos.como as do México. na lingüística. morais e intelectuais. e que os povos que nessa remotíssima época habitavam –na . as duas tórias devem caminhar juntas. dos quais são os pósteros representantes dos bugres do Paraná e os botocudos. quando as mais partes do mundo estavam ainda submergidas no seio do oceano universal. Realmente diz esse grande sábio. Não se pode muito duvidar da existência de um elemento autóctone na América e no Brasil. Egito e Índia. a formação geológica do novo continente. dos ritos. Guatemala. quer pelo espírito de conquistas. Quanto à America. na existência de um elemento étnico. ainda que os povos não sejam. e com o qual colaborou para a formação das populações mestiças. As normalidades que a espécie humana apresenta em sua mitografia. mostrou as civilizações primitivas como produto do meio físico. em larga escala. 17 . de que acima falamos.da criação humana. O elemento indígena foi sempre a força que se levantou contra o elemento alienígena. Um produto semelhante a si nunca deixou o homem de encontrar na carreira de suas migrações. e os geológicos e arqueológicos de Lund. em todas as manifestações emocionais. eram da mesma raça que os que no descobrimento foram aí encontrados. e que a América já era habitada em tempos. em que os primeiros raios da história não tenham ainda apontado no horizonte do novo mundo. não se pode duvidar desses focos de criação humana. sempre se encontram com uma força antagônica. como observa Lund. dirigidas exclusivamente pelas leis físicas – de clima. não podem obscurece a verdade da história. dos povos espalhados pelo território americano. alimento e solo. quer por condições locais. A conseqüência a que chegamos. Peru. não provam uma unidade de origem. em suma. autóctone nos continentes. muito anterior à do velho são fatos que não devem ser desprezados. e da língua. que eram motivadas. Depois que o espírito altamente investigador do sábio historiador inglês Buckle . principalmente. na arte. ou surgiram apenas como umas ilhas insignificantes. representam esses dois tipos.i Lund chega à conclusão de que a Pelos estudos nas escavações das cavernas do Brasil. O homem da Lagoa Santa e o homem do Sambaqui. todavia os trabalhos antropológicos de Batista e Lacerda e de Rodrigues Peixoto. ― a natureza geológica do platô central do Brasil demonstra que ali existia como um extenso continente a parte central do Brasil. produto psicológico muito precoce na espécie humana. bem provadas por Morton. donde rebentam outras formas ancestrais das civilizações. tocando assim ao Brasil o título de ser o mais antigo continente do nosso planeta ―.

são os Aruâs. provam eloqüentemente que mais de uma raça devera existir no Brasil. etc. amuletos. outros sobre a indústria.uns baseados na cor da epiderme. a semelhança de objetos e deformas cranianas em diversos continentes.Estes últimos Rodrigues Peixoto considera como o resultado do cruzamento de dois elementos formadores: um. vê-se claramente mais de um elemento étnico. na linguagem. nos instrumentos de sílex. Chiriguanos. e o outro que tende a alargar o diâmetro transverso e. deixa ver a existência demais de uma raça. a diversidade de ornamentação e estilo gravada nas urnas funerárias. era a expressão de mais de uma força étnica. Rodrigues Peixoto assim se exprime: ―Pelos caracteres do crânio cerebral.‖ Analisando agora as pesquisas dos autores sobre os artefatos encontrados nas cerâmicas de Marajó e Pacova. representada pelos Guaranis. até um certo ponto a abaixar o diâmetro vetical. mais de um fator humano a entrar na organização das raças brasílicas. cujo estudo demonstra que mais de um povo. sem fundamento científico. aqueles cua evolução mental achava-se mais atrasada. não exprimindo a verdade de uma seriação. pois a identidade de cor de relações subjetivas e psicológicas na semelhança das raízes. que supõe que as gerações gendiam a degenerar gradualmente. nas inscrições. eles (botocudos) se aproximam mais da raça da Laguna Santa. Observa-se neles um grau decrescente na arte cerâmica. o que não se pode contestar é que mais de um elemento étnico 18 . em diversos graus de civilização foi o construtor desse admiráveis túmulos. ou do Sul como querem outros . dirigidas do Norte. vemos nas populações primitivas no Brasil uma fusão de mais de um elemento étnico. bem patenteados no homem fóssil da Lagoa Santa. francamente dolicocéfalo e hipsistenocéfalo. como Guaraios. nos tempos pré-históricos. vasos. Ou se admita que as migrações. onde a arqueologia pretende levantar essa vida de um passado tão longínquo e marcar o grau de evolução mental a que chegaram esses antepassados. outros nas formas dos crânios. E os diferentes processos de classificações que se tem procurado para o índio americano. era um produto mestiço. Nas produções intelectuais. a raça que habitava o Brasil e que se estendia das Antilhas até o Prata. ―Não será o botocudo o cruzamento destas duas raças? ―Os caracteres que neles temos encontrados nos autorizam essa hipótese. Verificando sempre a justaposição desses dois elementos na craniologia botocuda. e o autor acima citado diz que os últimos trabalhadores. Pelos caracteres da face são parentes próximos da ração dos Sanbaquis. na ornamentação. como querem alguns. prefixos e sufixos. na ornamentação. na lingüística. Aceitando as proposições de Forster. Botocudos e diversas tribos. nos artefatos. porém. que houve uma migração extra-americana. Ferreira Pena considera os Caribas e os Aruãs os construtores das cerâmicas do Pará. todos. nas lendas. foram-se cruzando com povos que iam encontrando nas correrias: ou se admita. ídolos. em tudo em suma que as pesquisas têm colocado debaixo de sua apreciação. E hoje escreve-e que os índio do Brasil no tempo da colonização. imprimindo sobre os artefatos de cada seção as feições características de uma civilização. E a própria classificação de D‘Orbigny. Nessas necrópoles tem-se notado três camadas de urnas funerárias. Tupis. no estilo. que procura inspirar-se em mais de um processo e que denomina Brasilio-Guarany. nos ídolos. deixa supor que ais de um povo tomou parte na construção dessas necrópoles.

descansava o homem as fadigas das lutas com o megatério. os vestígios fósseis do homem geológico. Pouancé e Saint Prest. todavia é mais do que provável que à sombra dessas espessas florestas que cobriam os ubérrimos vales do Brasil. com os seus sílex trabalhados. chegando à a formação de que o homem é contemporâneo da época terciária. Houve. como chama Rialle. ―Com estas provas pode-se garantir.cruzou-se nas populações brasílicas e que um deles é autóctone. é natural. elefas primigenius. Savigné . ainda que a hipótese de Lund e Rath não esteja ainda plenamente confirmada pelo veredicto da ciência. um homem geológico no Brasil? A nova estrada que abriu a antropologia na Europa. a Oceania. cuja idade na América do Sul corresponde à do mamute na Europa. no meio de assadas dos grades proboscidianos. Lund nas escavações das cavernas do Brasil. explorou mais de oitenta cavernas e em uma delas encontrou ossadas de trinta indivíduos da espécie humana. Aurignac. Assim. Essas ossadas humanas sempre tem sido encontradas com ursus spelaeus. achou o homem contemporâneo do megatério. a demonstração da sua contemporaneidade dos mamíferos miocênicos. nas escavações de Saint Acheui . passando assim do mioceno ao plioceno e ao post-plioceno e do período arqueolítico ao neolítico. mamutes e outros. nos crânios dos botocudos. O sábio Carlos Rath também diz: ―Eu dei noticia sobre os sambaquis desde 1846. E talvez seja desse elemento ético primitivo e autóctone que os dois ilustres antropologistas brasileiros descobrem os caracteres em seus estudos craniométricos. Moustier e com o cervus tarandus em Grenelle. que o gênero humano existia por todo o mundo e mormente no Brasil. contemporâneo dos mastodontes. dirigiu Lund e Rath a pesquisarem. mastodontes. em diversos jornais europeus. ―o Dr. e as ardências de alta temperatura. e concluiu que o Brasil é habitado desde a época pliocena. Os tipos antropológicos humanos de Thenay. Abbeville. nas escavações das cavernas do Brasil. contra quem manejava o seu dardo de pedra lascada. tornando-se assim a América um importante Centro de Criação. nas mesmas jazidas dos ossso dos acerotérios. onde numeroso povo habitou. sem medo. como também na extinta Brasilia de Petrópolis e em outras descrições impressas nos meus Fragmentos geológicos. Era impossível não concluir daí ser o homem contemporâneo do megatério. para poder conhecer vem toda a construção e idade destas sepulturas primitivas com suas particularidades. porém. Cuja idade corresponde ao do mamute na Europa. no mesmo grau de decomposição dos ossos dos animais fósseis que os acompanhavam . em alegres festins sob as grandes cavernas. dizem Zaborowski e Moindron. halitérios elefas meridional. dinotérios. a África. ou reino de aparição. a Ásia. chegando ao seguinte resultado: 19 . provam a existência do homem geológico na Europa. Lund. Lá chegou-se a afirmar a brilhante verdade de que o homem já existia na época miocênica. antes o grande dilúvio chamado na geologia a Myocene ou geral inundação‖. macrotérios . assim como o foram a Europa. desde a primeira seção do período arqueolítico – a época miocênica. etc: porém era-me preciso examinar muitas casqueiras em diversos lugares e tempos. vindo saciar a fome nas carnes ainda vivas dos descomunais proboscianos.

20 . e) O uso das deformações artificiais dos crânios era estranho à maior parte das raças indígenas do Brasil. b) As raças indígenas atuais representam a mistura de dois tipos diferentes. d) Existiu em tempos remotos no Brasil uma raça caracterizada pela extrema depressão da fronte. c) As raças por nós estudadas a que mais aproxima-se da raça primitiva é a dos Botocudos.a) A raça primitiva do Brasil era dolicocéfala.

procurando os ensinamentos que lhe iam sendo ditados pelas ciências físico-biológicas. porque representam as duas principais direções em que se colocará o movimento social. quer orgânica. Enquanto estas últimas as pesquisas não foram presididas por uma orientação de profunda análise. No elemento étnico e na ação do meio irá a história buscar a casualidade mais geral de todos os fenômenos históricos. sem contribuições e sem filiações. que operam a integração e a diferenciação. para olhar as sociedades como um organismo. assim como traçar-se as suas leis evolutivas. legitimamente filosóficas. Sempre descobrindo nas duas categorias de matérias uma identidade de função e uma semelhança de causas. resultará a diversidade do caráter das civilizações. elas atuam poderosamente. Essas duas forças. sem ter-se em consideração a influência do elemento étnico e do meio. Na herança e na adaptação viram estas últimas ciências as legítimas forças da evolução. cujas junções é preciso estudar. Por esse caminho verdadeiramente analítico e naturalista chegou-se à afirmação de que a evolução é um princípio geral. Da luta entre estes dois fatores. sem as quais a seleção na humanidade não poderia efetuar-se. Por isso mesmo que a matéria orgânica e organizada não poderá evoluir sem a ação antagônica de duas forças. Sem estas duas forças as integrações e distribuições de matéria não se efetuam. sintetizando por esse meio as leis que as dirigem. fundado sobre a herança e a adaptação. assim também a matéria superorgânica não poderá evoluir. em suas variadíssimas manifestações e nas relações subjetivas e psicológicas. 21 . sem relações recíprocas. coloca-a em um caminho verdadeiramente filosófico. do grau de ação que mutuamente hão de representar. fazendo não só perpetuarem-se as qualidades essenciais dos seres. o espírito filosófico da época chegou a conclusão de que a história da humanidade não poderá dar um passo. que se opera no seio de um povo. os achados científicos não passavam de um corpo amorfo. presidem a todo trabalho íntimo. Essa verdade sendo levada para a história. não se poderá constituir como ciências enquanto não submeter-se aos conceitos e às verdades das ciências biológicas. Sobre toda a matéria. quer organizada.CAPÍTULO II ELEMENTOS ÉTNICOS DO BRASILEIRO SUA FISIOLOGIA E PSICOLOGIA É de todo impossível penetrar-se no intelecto de um povo. Foi uma grande obra deste século a história guiar-se por um alto senso filosófico. ou a cultura do espírito vencendo a natureza para pô-la à disposição do bem–estar social ou esta tornando-se mais invulnerável na luta. como divergirem a função e a forma . pelas modificações do meio. sem ser presidida em sua ação. pelos fatores que dela se derivam.

que é bem visível na história. aplicada à história do Brasil. torna-se preciso um longo perpassar de séculos. têm uma influência nas ou menos direta no caráter da civilização. a legítima formação histórica brasileira. Todas estas condições. ‗Quando duas raças vivem no mesmo solo e se fusionam. ou fértil. em estado latente. É a grande população mestiça. e representando. nessa hegemonia em que o elemento étnico mais forte. quente. o africano e o índio. são: o português . melhor organizado para a concorrência.―Na categoria dos fatores. frio. na literatura. diz Spencer 1. Distingue-se. é então o daquela raça que predomina numericamente. a sub-raça tende a tomar os caracteres físicos da raça mãe a mais numerosa. Três forças étnicas. em todas as manifestações mentais do povo. Deixando. Men. o tipo físico alterase principalmente na proporção da intensidade do cruzamento. que não foi por este lado somente que venceu na concorrência os outros elementos. 1 2 Spencer. as condições hidrográficas que podem ser favoráveis ou não a flora e a fauna que hão de selar um cunho específico no espírito da população. . o verdadeiro grupo étnico que imprime em todos os produtos da cultura os sinais do seu autonomismo. ― O tipo físico que resiste ao cruzamento. com mais ou menos pureza. havia de dar-lhe um caráter heterogêneo nas relações subjetivas e psicológicas. com caracteres físicos capazes de determinar o desenvolvimento e a estrutura da sociedade. força diretora a que todos os povos se submetem. a do solo que pó ser improdutivo. para o produto mestiço constituir-se como um grupo étnico característico. Principes de Sociologie. a colaborarem em uma civilização. porém para o seguinte capítulo a discussão da melhor teoria. brilhantemente formulada por Broca. paro o brasileiro alcançar essa feição própria e original. de uma configuração simples ou complexa. que é o genuíno tipo brasileiro.15 Broca. Estes três elementos. três raças muito diferentes e em diversos graus de evolução mental e emocional. e os progressos que as acompanham. tornando-se por demais prolongado o período prodrônico de uma completa amálgama e fusão. impedem ou modificam as ações da sociedade.‖ Na categoria dos fatores externos ou extrínsecos temos que apreciar a ação do clima que pode ser seco. Perante a diversidade de origem do fator humano no povo brasileiro. o acúmulo de trabalho de gerações passadas. em suma. cada um deles com hábitos e tendências muito diferentes. ao tipo da raça mãe a mais numerosa. p. cuja origem tríplice. p. mais ou menos. puseram-se em contato no território brasileiro. temos a notar. 1º Vol. deveria vencer. em cada caso.276 22 . depois a raça mestiçada tende a regressar. o resultado deste cruzamento das três raças. nas artes. da mesma maneira sua inteligência e as tendências do espírito que lhe são particulares têm sempre uma parte na imobilidade ou nas mudanças da sociedade. pelos caracteres emocionais que favorecem. o homem individual. considerado como uma unidade social. formou-se uma sub-raça. em suma. que por aqui puseram-se em contato. na série das gerações. temos a apreciar neste somente a contribuição dos diversos elementos étnicos na organização do povo brasileiro. de Antropologie. Temperado. já entre si muito diversas e representando ainda cada um deles um diverso grau de equilíbrio entre os fatores internos e externos. Nesse longo período que podemos chamar período de formação. Tomo I.‖2 O mestiço no Brasil tendeu a assimilar o tipo físico do português. Por uma lei antropológica. úmido.

para produzi-lo. pois. vemos que as leis mentais nunca tiveram nos povos da península uma grande latitude de ação. libertins. entre os elementos alienígenas e autóctone. como dos fatores constitutivos dos dois povos. os fenícios. teve de nos infiltra os princípios de uma das duas civilizações em que se dividem os povos da Europa. lorts. dilléttantes. p. antes dessa época. épicuriens.3 Já se vê. ils sont exigeantes ent fait de Bonheur. os romanos.. a raça branca no Brasil ainda que não possa representar . p. como pelos caracteres fisiológicos e psicológicos. 3 S. dans La France Du XVIII. 11. les jouissances de La nouveauté de l‘imprévu. dans La Provence Du ciécle XII. os suevos. varies. Sem procurarmos traçar a evolução dessa herança. Dan I‘talie Du XVI. desde os temos préhistóricos. vemos que os iberos pertencem à família uralo-altaicas. antes de integrar-se. se superpuseram e amalgamaram-se . dans l‘Espagne Du XVII. 23 . a vitória colocou-se ao lado do elemento que representava a raça branca. c‘est par ces vices que leur civilistion se corromptou finit: vous lês trouverez au declin de l‘ancienne Bréce e de l‖ancienne Rome. les sensualités de l‘amour. Mais adiantada sob todos os pontos de vista. o português representava uma heterogeneidade étnica. por Taine. A eles sucederam os celtas. Quando um novo continente foi. 72 Theófilo Braga. pelas semelhanças não só das condições externas. O português foi. 4 Philosophie de l’Art dans les pys Bas. uma série de cruzamentos efetuaram-se no território da península. descoberto. é porém a principal. a única força étnica. porém. os cartagineses. Em effet . bem difundida pelas classes sociais. enfin. por acaso. lês symetries Harmonieuses dês formes et de phrases. durante os quais deram-se diversos cruzamentos. galants et mondains. Antes. Leur tempérament plus bite affiné lês port plus vite au faffinement. l‘amusement de la conversation. ils devienent aisement rhéthoriciens. Revista dos Estudos Livres. por diversas correntes migratórias. que se tinha sucedido através dos séculos. volupteux. Tomo I. pois. tão característico no século XVI. il leur faut des plaisirs nombreux. a qual lhe fazia representar um papel histórico de alto valor. Antes de constituir-se um grupo étnico característico. História da Literatura Brasileira. nas idades da pedra lascada e polida. se causas estranhas não viessem tomar negativas nas melhores forças da metrópole. o mais poderoso e principal fator da civilização brasileira. pelos navegadores portugueses e oferecido à cobiça real e ao espírito de conquista e de comércio da população lusitana.Não só pelos caracteres físicos. Ele nos prende ao grupo das civilizações ocidentais. pela formação tardia de uma ciência. les satisfactions de la vanité.‖4 Podendo aplicar à civilização do Portugal as mesmas leis que Bruckle estabeleceu para a Espanha. dos quais o ramo latino é assim descrito por Taine: ―Cette finesse et cette précocité naturelles aux peoples latins ont plusieurs suites mauvaises: ells leur donnent le besoin des sensations agréables. Como principal força colonizadora no Brasil. o português já era produto heterogêneo de diversas forças étnicas que. os godos e os árabes. desse momento histórico em que Portugal chegou ao apogeu de sua glória da qual lucraria muito e muito a colonização do Brasil. Romero . no decorrer dos tempos. como muitos querem. les douceurs de la politesse. em um ponto de integração superior ao que as outra duas raças tinham alcançado. precederam ao arianos. Elementos da nacionalidade Brasileira. que o português é um produto muito complexo de diversas raças que se fundiram.

Divide-se o território da colônia em zonas. tornando-se impossível o espírito cético na política. contra as pesquisas do espírito indagador. resultando para o Brasil a escravidão negra. como talvez a principal força auxiliadora da colonização. como o barão feudal da Europa. contra quem a coroa se colocou. que se organizava. o espírito de revolta para alcançar uma equitativa partilha do poder. O liberalismo disfarçado do jesuíta plantou a luta entre ele e o colono português. consentindo na criação das missões. Os poderes temporal e espiritual estavam unidos. a alimentar as verdades dogmáticas de uma religião. levantou-se ao lado do poder temporal o poder espiritual.Povo eminentemente supersticioso e que não via na religião senão a força mais poderosa do progresso . Todavia. verdadeiros feudos. onde novas condições ajudaram sua maior vitalidade. para prende-la nos limites estritos da tradição: povo excessivamente subserviente ao rei. poderoso meio contra a escravidão indígena e que levaria o jesuitismo a levantar uma perpétua teocracia no Brasil. escolhendo-se uma colonização que plantasse o feudalismo e a teocracia. por onde caminham os povos de imaginação menos rica. determinadoras de todo o movimento e que centralizavam o poder. fizeram mudar esse processo de colonização. ficando às classes populares a prerrogativa de serem passivas e obedientes. dessa raça de mestiços que se organizava e que representava no Brasil o papel de meio transformador. excessivamente rica no aparato. que entre si partilhavam a riqueza. Sendo os móveis legítimos da colonização não só o espírito de riqueza da época. o espírito de ceticismo. como também o espírito religioso . do espírito científico: foi o português do século XVI o veículo desses hábitos mentais e morais para o Brasil. não levasse a guerra encarniçada. Pelo lado filosófico e religioso no estado teológico e na época monotéica. dando lugar a que dificuldades se levantassem como força poderosa. de nosso caráter. pelo caráter pouco fixo dos limites territoriais e a isto reunido o desenvolvimento lento destes focos coloniais. desviando-se do caminho puramente analítico. com vislumbres bem acentuuados de antropomorfismo. contra os irmãos de Loyola. eram duas entidades absolutas. representava o poder absoluto. tomando a si a defesa do índio. pela união que prendia o trono à igreja. conta quem não se ousara pensar nem obrar. que tem sido a clava de Hércules do nosso pauperismo. pelo concubinato no lar doméstico. continuando os delegados do governo colonial na posse de ilimitadas atribuições. em busca de almas que resgatavam para a religião. para cujos progressos tornava-se preciso grande posse individual. As guerrilhas intestinas que se levantaram entre eles. Os jesuítas se espalharam pelo Brasil. pelo lado político no regime teocrático. o rei ao clero. por uma centralização administrativa. contra a qual o clericalismo se levantou. deixando de lado as deliberações que o espírito de cisão. como um outro Paraguai se o espírito da população do sul. trazem em auxílio da organização de uma ciência. no culto externo. procurando o mais possível apoiar a tradição e a autoridade. para vencer o jesuíta. entre as classes aristocráticas e populares. que tem dificultado a organização de uma moralidade. onde o donatário. o português do século XVI veio insuflar no Brasil esse estado mental e psicológico. pela 24 . povo eminentemente metafísico. a teocracia jesuítica durou séculos e o poder clerical ainda hoje se faz sentir. contra a escravidão que o colono português cedo lhes impôs. Debaixo desse regímen coloniza-se o Brasil. com quem o colono achou-se em contato. pelo lado industrial na idade do homem agricultor. Dessa luta resultou a imigração do africano.

dificultava a organização de uma ciência. os vestígios da colaboração de outros elementos étnicos. e quanto contribuiu no grande desequilíbrio do movimento econômico. sob a pressão de um jugo que impossibilitava as pesquisas analíticas. pela falta de um senso popular. a direção que ele dava ao ensino. trouxe-nos os males que tanto nos têm depauperado. de maior indigência. Estabelecendo-se assim. porém encontrou forças acidentais. Nesta síntese deixamos as bases do nosso caráter. assim como teve de sofrer uma ação fisiológica do meio.proliferação dos filhos naturais. como geralmente se diz . pela tendência dos espíritos a tratarem a liberdade da colônia. Essa centralização que se caracterizava em todas as manifestações da vida colonial. deixaram. quer colono português. a equitativa distribuição da riqueza pública. centralizando as forças mentais em derredor da metafísica. a escravidão negra era a matéria –prima do trabalho. que a organizava. Compreende-se facilmente a parte importante que representou o africano na formação da riqueza no Brasil. do seu culto. plantava a superstição. demandava. era justamente a que era afetada de maior pauperismo. por então como o legítimo produto nacional. a base da aristocracia colonial. a insuficiência de braços ativou a imigração africana que se tornou o sustentáculo. organizando as irmandades. as idéias religiosas que nos tem presidido. obrar como meio reformador contra tantos males. Ela. das quais duas sempre espoliadas. cuja passividade abriu campo a todas ilegalidade e absurdos. aquele que nos insuflou o regímen social e político. ativava a imaginação. 25 . cujos antecedentes devemos ir procura nos primeiros séculos de nossa vida colonial. o período de transformação. à custa da riqueza pública . o português o maior fator de nossa organização. quer a classe administrativa. toda a riqueza. se o jesuíta por esse lado predominava. quem eram outros tantos centros de instrução. que por sua vez . do meado desta século em diante. do que o prolongamento da civilização ibérica. pelo hiato aberto entre as raças. privilégio seu nos conventos. em que estão incluídos os defeitos e os obstáculos. Na arquitetura não foi o português o único obreiro. Eis o capital defeito de nossa vida política e social. ainda que em menor escala. Com o trabalho sem remuneração. pois. E a sub-raça que se formava pelo cruzamento das três raças mães. a estabelecer uma corrente de riqueza para a edificação de suntuosidades dos templos. na distribuição da riqueza por entre as classes. que têm dificultado a marcha do progresso. encarada pó esse lado. todo o poder . Ai está o papel da raça mestiçada no Brasil verdadeiro agente transformador e cujo trabalho de regeneração se faz sentir no momento atual. que constitui um verdadeiro período histórico. centralizando-se nas mãos do branco. pela falta de concorrência. quer jesuíta . a raça que tirava do solo a riqueza. Se o grande poder do jesuíta. para integrar-se . Foi. as confrarias. era o elemento mais poderoso do movimento econômico da colônia. Foi por ele que o Brasil não tem sido mais. e a ela aliou-se o colono português. entre as raças que tendiam a cruzar-se prerrogativas e privilégios. Desfalcando-se pouco a pouco o braço indígena. para lutar contra o emancipacionismo indígena. dificultando os progressos da população. um longo perpassar de séculos.

os objetos de ornato. contribuiu mais do que o africano. a fisionomia dos seus ídolos. aos contos e cantos. quando o português encetou a colonização no Brasil? Não nos cabendo aqui largas explanações sobre os materiais que a préhistória brasileira tem reunido. afiguram-se-me indivíduos que houvessem guardado lembranças vagas de um longínquo passado. Qual o grau de civilização do índio. Pelo lado religioso. como os animais. ―Nas antiguidades dos mounds de Marajó. 26 . todvia. anfibomorfos.Seu papel é saliente pelo fato que acabamos de analisar. de que não sabiam dar esclarecimentos positivos. o venceu pelo lado econômico e mesmo antropológico. acham-se caracteres zoomorfos. Ladislau Neto. Assim. procuremos ver a influência representada pelo índio e africano nessas produções. Acreditamos ser Sylvio o brasileiro que mais apurou e deixou a limpo essas questões. Ao lado dos caracteres antropomorfos. que. suas obras nos servirão de guia. os ídolos. em que se enxerga a tradição de uma remota nacionalidade superior. uma grande mescla. que procurava não só idealiza a espécie humana. Pleo lato industrial. Deixando de transcrever as composições anônimas de origem portuguesa . a pouco e pouco fundida ou incorporada em povos menos 5 Temos de aproveitar os belos estudos do ilustrado crítico sergipano Sylvio Romero. estava em um período adiantado do fetichismo. Por esse lado. como a de uma dupla entidade. Pelo lado artístico. era o índio o autor de uma arte cerâmica. Compreende-se que. no Egito. e não há grande probabilidade de que eles fossem mais objetos de ornato. de caracteres antropomorfo uns. são numerosas as figuras que representam o Falo.5 Sob esta ponto de vista. Pacolval. por sua vez. outros zoomorfos. os artefatos. achando-se em momentos ulteriores do fetichismo a astrolatria. pois o leitor as poderá ler nos Cantos e Contos de Syilvio Romero. às tradições populares. Maracá. tudo isso é um amálgama imensamente heterogêneo. como o nativismo primitivo. Se a falolatria ali realmente existiu não é permitido afiançá-lo. do que de culto. bem como as vestes simuladas por algumas figuras. sendo a raça branca a que implantou a língua nas raças vencidas. Não obstante haver um certo número de opiniões sobre o grua da idéia religiosa do índio do Brasil. os toucados de que revestiam as cabeças de seus personagens. formas do animismo. encontrados nos mounds de Marajó. assim como pela influência que trouxe às produções anônimas. não me cansarei de repeti-lo. era caçador e pescador. o índio não é uma raça de belas tradições. Realmente. Alguns destes ídolos dão ligeiras formas do ídolo a que se prestava o culto de Falo. Os mounds-builders de Marajó. têm sido encontrados. sobre a contribuição com que cada raça entrou na poesia e nas tradições populares. uma espécie de ecletismo teogônico. diz o Dr. e manejava objetos de pedra polida. diversos estados já tinham sido passados por seu espírito. como nos revelam as urnas funerárias. muitos ídolos feitos em barro. A ornamentação de seus vasos. a representação esculpida ou pintada de seus símbolos hieroglíficos. segundo o ilustrado crítico sergipano. sobre etnografia e etnologia brasileira. aceitando as conclusões dos competentes. todavia as escavações feitas no Maranhão dão lugar a supor-se que algumas tribos já tinham galgado um estado religioso mais adiantado – a idolatria. a sua força deveria ser mais poderosa do que a de outra qualquer. limito-me nesta ligeira introdução a resumir os resultados a que já se tem chagado.

a ser falada e escrita.8 Isto é por demais descritivo para figurar em nosso estudo. em vez de congregar a raça indígena na cooperação do progresso. pela tendência em representar gênios zoomorfos. 27 . a fim de apreciarmos o grau de civilização da tribo indígena.adiantados e através de países diversos. Por isso mesmo que a língua do índio se prestou por parte dos primeiros colonizadores. se antes não é uma natural degeneração realizada in situ e motivada pela separação absoluta da antiga metrópole. escravizavam a infeliz raça. de quem procuravam distanciar-se: por isso que o espírito emancipador. 9 Rise. a influência indígena tornou-se muito mais preponderante do que a influência africana. do que o africano. era representado em Marajó sob as suas diversas formas míticas. do Caçador e dos Oiras. em seus instintos sanguinários. pois da infeliz raça só se queria o braço para o trabalho. do pemi (corneta). e das tribos orientais da América. compreende-se que o índio foi de mais larga contribuição nas tradições intelectuais. mas dar-se-ia porventura ainda ali à sua primitiva forma. im Braziliem. Se pelo lado das tradições intelectuais. encontramos duas inscrições gravadas nas faces lisas de duas pedra ferruginosas. pratos. Além de cantos e contos verdadeiramente de origem índia. 8 Hartt. na carência de provas inconcussas. ocupando o indígena o terceiro plano. e os trabalhos de Sylvio Romero. algum vislumbre de culto? ―Ninguém. sabemos que estes objetos nenhum trabalho de decoração ou desenho apresentam.adotado pela metrópole no Brasil. por isso mesmo que a língua africana não foi estudada nem falada na colônia. procuramos alguns tumuli ou sambaquis. etc. ou pela adaptação irresistível e fatal aos meios de existência. eram a tradição viva. contribuiu para segregá-lo dos centros coloniais. dos centros da lavoura açucareira. dos quais tiraremos a contribuição com que cada raça entrou para a formação do nosso caráter. para facilitar a catequese. do Paitumaré. caximbos. 333. como porrões. no sacrifício de prisioneiros. 153. mostraram-se saturados de palavras indígenas. dos Mexicanos. pelo espírito de cobiça que dominava na raça colonizadora. vol 6º. p. onde em nome da lei. até mesmo pelo africano que tornou-se bilíngüe. o pode asseverar. levantada pelos jesuítas em favor do indígena. do Tupã e Tupi. como esta. quem em relevo. da Oiara. muitos de origem portuguesa. em um lugar que chama Pedra do Letreiro . 6 Em Sergipe. 7 Arquivo do Museu Nacional. O leitor pode ler a poesia popular indígena coligida por Spix e Martius9 na própria língua. nos aparatos festivos. gerando-se assim no espírito do índio aversão e ódio ao português. Por isso mesmo que o processo de colonização. vol 6º p. do curupira. em vês de antropomorfos. Museu Nacional. ou pela morte daqueles que. a política abolicionista. que Andes visa os fatos gerais. em seus mitos do jabuti. bem pintado nas bandeiras que penetravam nos sertões. portanto. sempre infrutiferamente. ela foi muito menor na transmissão dos caracteres físicos. quer gravado. nas escavações de roças se tem encontrado objetos feitos de barro. ―O Falo. em sua dança e música rudimentares ao som do mimbitarará e do mime (buzina). Por informações de algumas pessoas. os mantenedores do saber e da prática e os árbitros de seus irmãos. mitologia que difere das dos Incas. afugentava-a. No vale do rio cotinguiba.‖6 7 É por demais descritivo falarmos dos hábitos sociais do índio. entre os povos antigos. em sua poligamia. as quais representam um pé em círculos concêntricos.

Queremos crer que. mais do que qual quer outro gênero de trabalho. teríamos que concluir em favor do mulato. porque o que sucedeu à raça indígena sucedeu igualmente a africana. Não sei até onde vai a verdade destas asseverações. se as pesquisas históricas fá fornecessem suficientes elementos para apreciar-se o grau de representação histórica dos produtos mestiços. tem contribuído para os progressos do país. Nos caracteres físicos os dois tipos divergem consideravelmente. do meado deste século em diante.centralizando-o em uma comunidade espiritual. resultado do cruzamento entre o branco e o índio. que vê nos mestiços de tronco indígena uma tendência às profissões pastoris. aquele que procurou mais assimilar os caracteres da raça branca. Couto de Magalhães. cabendo ao branco e ao seu mestiço com o negro. figura como oferecendo maior contingente ao peso específico da população brasileira. Seria de alto valor. para a formação da riqueza. o mestiço entre o branco e o africano. em favor da emancipação indígena: chamado para unir-se ao branco. escasseando-se assim um dos troncos progenitores do mameluco e do cabra. dando lugar a supor-se uma futura heterogeneidade étnica. na luta colonial que durou séculos: chamado para suprir a insuficiência de barcos que foi o resultado da política. o maior fato étnico que ativou os primitivos elementos. a que vulgarmente se chama o mulato. compreende-se facilmente que na transmissão hereditária dos caracteres físicos. ao passo que o branco e o africano tendiam sempre a crescer. todos da raça branca – a italiana a alemã. que entre as raças mestiças que do cruzamento originaramse. compreende-se que o africano aliou-se mais intimamente ao branco do que o índio. de maior força transformadora. A julgar pelo modo de pensar do Dr. que levassem em estado latente o cunho de sua individualização. entre índios. forneceu pouco blastemas. como o mameluco. entre índio e negro. as profissões fixas. pela diversidade de caracteres físicos. Cujas diferenças são bem visíveis. que dificultava o cruzamento das raças. pois a lavoura açucareira e a do café. O próprio mestiço. tende a diluir-se com o branco. vêm reunir-se ao cruzamento novos elementos étnicos. E tanto foi assim. debaixo da ação destruidora da colonização. 28 . Além disto. pois ia contra o caráter messiânico de uma direção puramente espiritual: por isso mesmo que todas as causas eram favoráveis ao afugentamento do indígena. A causa do fato a que aludimos é cedo ter-se estancado o elemento indígena. em virtude de um fato de ação muito geral. donde podemos concluir que o índio entre nós pouco colaborou. portugueses e africanos. o africano preponderou consideravelmente por esse lado. a sua expatriação. relativamente aos outros produtos mestiços. Enquanto que na hegemonia como raça mãe. Chamado para ajudar o branco em defesa do liberalismo jesuítico. Ele foi o sustentáculo da aristocracia e da riqueza colonial. o cafuz ou caburé ou cabra (Sergipe). seu papel está em plano inferior ao do africano. O que podemos asseverar é que em Sergipe o mulato abunda mais do que o cabra. o mulato foi o mestiço de maior representação. em que entra o tronco africano.

cantados em Sergipe nas festas do Natal e de Reis: os Marujos e os Mouros. Tendo estancado a corrente tupi. Dessa seleção tendia a resultar uma dialetação da língua. todavia ele deixou ligeiros vestígios na poesia e nas lendas populares. que é o herói desta rapsólia. a energia de musculação e a finura e delicadeza das extremidades. que ainda existem. o cágado e o teiú. Se pelo lado econômico o africano venceu o índio e forneceu mesmo maior força no cruzamento. Congos. Couto de Magalhães. motivadas pela colonização. tayeras 13. os elementos tupi e africano. 14 Em Sergipe Sylvio Romero colecionou muitas destas fábulas: o cágado e a festa no céu. José do Vale. na luta pela vida em que entraram com o elemento europeu. Silvio que o Antônio Geraldo era um homem inculto. Religião e raças selvagens. dominou nos apelidos locais. com a diferença do cabelo. como um produto étnico próprio. são traços que ressaltam logo aos olhos do observador. com quem os portugueses entraram em relações nos séculos XV e XVII11 cuja língua é caracterizada pela particularidade que as relações das palavras não são indicadas pela modificação das desinências ou terminações. porque permanecia nos primeiros momentos do fetichismo. Sobre esta penúltima canção popular. Tayeras e Congos. pela devastação e expatriação da raça.―os traços físicos característicos. moradores no Lagarto. 10 11 Dr. foram produzindo uma seleção na língua d raça colonizadora. barba e vilosidade do rosto e pescoço extremamente raras. p. morador de Estância. o Macaco e a cabaça e muitos outros. são de proveniência africana. e não é tão negro e a coloração do pigmento que é avermelhado. o cágado e a fruta.134 12 Réville. I p. ele está em plano inferior. O mesmo autor nos Contos Populares do Brasil apresenta diversos Reinados e Cheganças. com os vértices opostos. o Antônio de Geraldo.‖10 Ali está escrito também o tipo do mulato.12 Não obstante essa incapacidade intelectual. Religions dês peuples non civilises. as órbitas e o molar salientes. o cágado e o jacaré. o bumba – meu-boi. vol. pois nela há referência a homens. o cágado e a fonte. que subsistem da raça indígena nestes dois mestiçamentos (mameluco e caburé) são : a cabeça. Em grau de evolução mental muito inferior ao índio. pelas tradições intelectuais. a Amiga folhagem. Couto de Magalhãe. Réville. 103. que é crespudo. o cabelo corrido e extremamente negro. José-Jure. pelo dado das composições anônimas. Cheganças. a qual conserva a depressão da testa e a estrutura aproximando-se a do índio a vilosidade da fronte. estendendo-se em ângulo saliente. como diz o ilustrado filólogo sergipano João Ribeiro. verdadeiro agente transformador – o mestiço. porém.14 Assim. observa o Dr. Da Literatura Brasieira. o diâmetro transverso dos ângulos posteriores do maxilar posterior quase igual ao diâmetro parietal do crânio. nos nomes de seres da natureza americana e de fatos desconhecidos dos europeus. Assim os Reinados. não obstante mesmo o africano tornar-se bilíngüe no Brasil. Esta canção é de formação bastante moderna. dix o Dr. com o auxilio da força transformista do mestiço.cit 13 S Romero Hist. O elemento tupi. ―No corpo. 29 . e tendo se extinguido a imigração africana. a sólida e vasta estrutura do tronco. a Raposa e o Tucano. para a formação de uma geração mestiça. o africano trazido para o Brasil pertencia ao grupo bantú. em vez disso. a largura das espáduas em contrate com o pouco desenvolvimento da bacia. assim como pertencem-lhe muitas lendas e fábulas. dos prefixos pronominais. nas fontes. pela aposição. Vol I. das cozinhas e dos trabalhos agrícolas. e o elemento africano forneceu o vocabulário da vida doméstica. Op. adiante da palavra.

―A mais fácil previsão autoriza crer que. desde quando as correntes migratórias têm sido centralizadas em certas zonas do país. que já se vai notando desde agora. que procura aproximar a linguagem das fontes vernáculas e clássicas. 15 João Ribeiro. 3º curso. que ainda não integrou-se no processo da seleção. ―em compensação a imigração de outros povos estrangeiros torna-se cada vez mais intensa. ―a estas tendências de dissolução se deve juntar a reação culta e literária. não poderá resistir a elementos estranhos tão fortes. e são o elemento tupi e o africano. pela intervenção de uma política mesquinha e antipatriótica. p. que ainda não constituiu-se um povo autônomo e completo. porque o elemento étnico. tão aglomerados e muito avantajados na luta. sobretudo nas províncias do sul. duas tendem a aniquilar-se. o sul do Brasil destruirá a unidade étnica da pátria brasileira.compreende-se facilmente que o mestiço tende a fundir-se e cruzar-se mais diretamente com o tipo branco. e que uma secular evolução histórica põe ao seu lado. que na percorreu o ciclo completo de uma evolução antropológica. constituído em grande parte por uma população mestiçada. ―Das causas que favorecem a dealetação do português na América. Pelo lado lingüístico.‖15 Previsão muito legítima. pelos poderosos meios de cultura de que dispõe. o resultado desse futuro é brilhantemente descrito pelo eminente filólogo. 310 30 . que vão desaparecendo pela extinção da imigração negra e pelo caldeamento das raças. Gramática Portuguesa. sendo mais rápida a evolução para ele galgar os caracteres da raça. dentro de um século. se outras circunstâncias não se opuserem à evolução. onde já são familiares muitos vocábulos do italiano e do alemão. a quem acima nos referimos.

Pela classificação que os autores fazem dos climas. O EVOLUCIONISMO. que até então. diz Humboldt. pois nenhum desenvolvimento histórico se poderia efetuar. em obediência a um plano pré-estabelecido. que confinam com a bacia do Amazonas : fresco e agradável nas montanhas do interior. pelo efeito de uma interpretação viciosa. A história ia reproduzindo. o conjunto de leis desse evolucionismo. tão poderosa para retardar ou acelerar o movimento civilizador. entraram para especializar e individualizar a civilização brasileira. estereotipando os fenômenos de ideação desse poder. que formam a maior 31 . úmido e bastante semelhante ao das Guianas. Só depois dos trabalhos de Taine. Já dissemos que o movimento civilizador. As ciências naturais vieram abrir uma estrada nova. Vejamos a contribuição que o meio tem trazido à fisiologia do brasileiro. a confeição da flora e da fauna. a marcha histórica de um povo. pela ação poderosa que o habitat exerce sobre o homem. não passavam de fatos deque se ligavam a um poder superior. Spencer e outros. E a história não será mais do que a síntese. todavia a grande extensão ocupada pelo país. A MELHOR TEORIA HISTÓRICA Até aqui temos tratado dos elementos étnicos do brasileiro. descendo para o sul. Nessa marcha evolutiva em que um povo coloca-se para progredir e prosperar. Podemos estabelecer.CAPÍTULO III FATORES EXTERNOS DA CIVILIZAÇÃO NO BRASIL. a grande influência que têm sobre o homem a variabilidade de temperatura. dos climas e das condições higrométricas. conforme a natureza de suas condições. Rénan. Os fenômenos naturais em nada deviam influir sobre a marcha dos acontecimentos. não pode ser por toda parte o mesmo: quente. Gervinus. pois. e à marca da civilização do Brasil. Desprezando-se essas influências não se poderá nunca levantar o brilhante edifício da história. ao do pampas. ―O clima de uma região tão vasta. temos de apreciar a ação dos fatores internos e externos. mas províncias do norte. por isso que estende-se desde os trópicos aos grua 30 e 35 de latitude austral boreal. procurando mostrar as contribuições com que os fatores internos. em que a história se colocou. de apreciar a ação das condições do meio. aproxima-se . dá lugar a contestar-se essa unidade mesológica. Até ai temos somente um lado do problema resolvido. Era a história então um jogo dos fenômenos.o do Brasil é um clima quente. como indiscutível. foi que a história foi buscar nas condições do meio a razão de ser de muitos fenômenos históricos. Buckle. Temos. de acordo com os tês elementos característicos. sem o auxílio da ação do meio. como as diversas condições de uberdade. Não obstante esta colocação astronômica. de uma interpretação supersticiosa. como chama Spencer. a configuração do solo e sua constituição química. não passa de uma resultante destas duas forças. na realização de um plano. e para dar-lhe um cunho especial.

32º45‘ de latitude austral. como Maranhão. Sergipe. rodeado de um ambiente quente. enquanto ele no meio de uma natureza luxuriante. o habitante do sul. com duas zonas climatéricas bem diversas. torna-se mais investigador. Dict. e que patenteiam-se claramente no nosso movimento histórico. Itanhaém e outros muitos. pois. Realmente. sente a vida mais fácil e. situado a 5º de latitude boreal. em suma. de uma abundância de alimentos. de ocidental. preferindo o fundo à forma. Tomo 8º. ativando mais as faculdades estéticas.‖16 Existe. quanto as relações físicas não se mantêm idênticas. para entregar-se ao trabalho de análise e de pesquisa. 8º19‘ de longitude oriental e 30º58‘. uma dualidade mesológica no Brasil. do que as científicas. nos tempos coloniais. 167 32 . torna-se mais indolente. onde é quente e seco. er Cirurg.000 quilômetros. Eis aí diferenças notáveis que separam no Brasil o habitante do norte do habitante do sul. os jesuítas entraram como força poderosa da colonização. pela frieza de seu sistema nervoso. que mede 8. cujo resultado é afoguear-se a imaginação. habitando uma zona mais fértil.pois os outros. não se deixa vencer pelas excitações. onde o movimento colonial prosperava consideravelmente. à síntese do que à análise. Piratininga. p. vive mais do pensamento do que da imaginação.parte dos estados do Prata. iniciando uma política protecionista ao 16 Rochard. concorre na luta pela vida com uma maior soma de esforços nutre-se de uma alimentação azotada para equilibrar a destruição dos tecidos. Em um país de uma enorme extensão como o Brasil. de quase quatro séculos. a organização da indústria. onde é úmido e quente. para o ocidente. o levantamento da descrença contra as classes dirigentes da política. por conseguinte. ligando mais importância à forma do que ao fundo. compreende-se que esssa dualidade mesológica há de imprimir diferenças de caráter. Enquanto no norte alcançaram somente um centro colonial de mais valor – Recife. entra na luta pela vida.350. desde quando as modificações impressas pelo clima sobre o caráter divergem tanto mais. com o sistema nervoso pouco excitável. e o grau de saturação do ar pelo vapor d‘água varia do litoral. deixando explodir o sistema nervoso em descargas elétricas. Enquanto o habitante do norte. pela oxidação que neles opera-se a fim de estabelecer um equilíbrio de temperatura. De Med. São Paulo. Sendo as mesmas as raças que se cruzaram. procura um alimento amiláceo. que sobrepuja o pensamente e as faculdades analíticas do espírito. o útil ao belo. mais industrioso. daí dirigiramse para o norte e sul. se é levado a concluir que essa diversidade se ligará a uma ação estranha á força étnica. mais pesquisador e mais descrente das instituições do seu país. pelo sensualismo. pouco nutritivo. Rio Grande do Norte. desdobrando uma pequena soma de esforços.. com a qual se tenta explicar a diversidade do caráter do brasileiro meridional e setentrional. é um home mais pensador. o que dificulta o espírito de iniciativa. centralizando-se as forças colonizadoras na Bahia. enquanto ele. sob a menor excitação. representam pouca força no movimento histórico e são de formação tardia. Estabelecia a centralização administrativa na Bahia. em que a temperatura oscila de 14º44‘ a 37º77‘. que moderam entretanto as brisas do largo e por uma grande pureza do céu. Sobre o litoral é caracterizado por m calor elevado. Alagoas. no sul formavam-se centros como Rio de Janeiro. São Vicente.

grande meio político pelo qual a força religiosa queria plantar no Brasil um regímen teocrático. e abrindo-se profundas linhas divisórias entre as classes.indígena. pelo iniciamento e progresso da igreja protestante. Não só em Piratininga. Foi no sul finalmente onde gerou-se o movimento abolicionista do século atual. com grande desfalque do braço para sustentar a lavoura e ativar a formação da riqueza. Foi São Paulo – Piratininga – a primeira sede de um convento e onde procuraram centralizar suas forças. Somente quase meio século depois da Inconfidência. Martins Francisco. tornaram-se mais poderosos. contra a permanência de um regímen e governo centralizador. de que se tornou São Paulo o foco. sem levar em conta os processos fisiológicos para tais modificações. é estabelecer os elementos do 33 . e o século atual o espírito da população dá as provas dessa tolerância. no sul ela resistiu à invasão dos franceses e ingleses. no final do século XVIII e cujo resultado foi esse protesto da opinião popular. que eles com todas as forças. Enquanto no note o espírito da população não pôde resistir à crise do século XVII. O monopólio do trabalho que partia dos jesuítas. mais pesquisador e progressista. Realmente. pela pousada que se facilitou ao teólogo João de Bolés. um solene protesto contra uma tal política. tornando-se a região uma verdadeira feitoria da fidalguia portuguesa. sendo incontestavelmente a zona meridional aquela em que . conta a forma de governo. perpetuariam uma teocracia. querendo a população infiltrar as bases de uma política democrática. sem a interferência de causas que plantassem tão profundamente hábitos de subserviência. e onde gerou-se o espírito científico. Foi no sul onde primeiramente revelou-se a tendência de estudar-se a natureza. procuram espalhar por todo o território. levantando-se os colonos contra os jesuítas que. e ela é por conseguinte a que goza de um espírito mais inquiridor. Foi no sul onde levantou-se o primeiro brado de revolta. no século XVI. enquanto do sul o jesuíta afugentava-se em vista do espírito rebelde dos paulistas. onde. Foi essa população que o ceticismo político primeiramente atacou. e de onde vai irradiando-se para outros pontos do país. na Inconfidência de Minas. por meio das missões. finalmente foram rechaçados para as regiões do norte. A que se deve ligar essas diferenças? Fazê-las dependentes da diversidade do meio. Enquanto no norte a colonização era dificultada pelos prejuízos que partiam da classe clerical. Foi no sul onde encontrou mais asilo o espírito de tolerância religiosa. Bitencourt e Sá. conta o regímen coercitivo e absoluto do governo colonial. com a invasão holandesa. Veloso e Veloso de Miranda. e suas missões. José Bonifácio. onde infiltraram péssimos hábitos. Bahia. como São Vicente. se circunstâncias muito posteriores não entrassem em ação. em começo. onde centralizavam as forças naturais. dirigiam-se para o norte. motivou felizmente muito cedo. foi que nas regiões do norte levantou-se do seio da população um idêntico protesto. nas regiões do sul. partindo de Pernambuco. E foram os representantes desse movimento: José Vieira Couto. Rio de Janeiro. levantaram suntuosos templos e multiplicaram as missões. no sul uma colonização livre se estabelecia.

da luta contínua entre a natureza e o homem. dois infatigáveis trabalhadores da literatura nacional. através do tempo. em tudo só pode ser resolvida pela concentração das nossas vistas sobre o meio físico. por uma idêntica orientação. A biologia e a fisiologia não vêem na morfologia e no funcionamento orgânico senão a soma das duas forças. estabelecer qual delas seja a mais poderosa. que em um fato tão complexo como este. Neles não se deve ver senão o equilíbrio das duas potências. não se pode ser exclusivista. como um grupo sociológico. uma estática e outra dinâmica. ela oferece larga divergência entre dois ilustrados espíritos deste país. Para o primeiro. Uma interrogação se nos apresenta: por que a diversidade do meio produz grandes diferenças do caráter? Eis uma grande questão. para cuja resolução não nos achamos convenientemente preparados.problema. Depois que os filósofos alemães estabeleceram a lei do desenvolvimento. em que se mantém a ação do meio e a das forças biológicas. por uma ação que pela psicologia é elevada à altura de uma lei. Spencer nela inspirou-se para fundar o seu evolucionismo. lado muito mais restrito do que o histórico. ―É o único fator estável de nossa história. o refluxo desse equilíbrio. que tem por causa a instabilidade do homogêneo. Desde que hoje não se pode conceber progresso e desenvolvimento. assim um caráter nacional há de se delas o reflexo. princípio este que deve ser levado para história. – Drs. de estabelecer a casualidade mais poderosa das integrações e diferenciações de um povo. característico e individualizado. porém. os fatos históricos também devem ser presididos pelo mesmo princípio. para a explicação dos fenômenos mentais e emocionais. na opinião do filósofo inglês. mais do que outra. do seu equilíbrio. sem solução de continuidade. cremos ser impossível pelos materiais que a ciência da história oferece ao historiador atualmente.‖ Para o Dr. passando para o segundo plano nas civilizações históricas. como uma determinada formação histórica. Araripe Júnior e Sylvio Romero. não se deve ver na formação do caráter de 34 . a resultante. Assim como todos os fatos biológicos são mais do que o resultado. hão de resultar os fenômenos históricos. e apela para o fato. o único que se consegue acompanhar. Encarada pelo lado da literatura. sem todavia resolvê-lo. é o elemento étnico. Serão a expressão do equilíbrio entre o meio e as forças étnicas. É a física geográfica. aliás incontestável. e é ele quem diz: ―A questão da história da literatura nacional. por isso mesmo que de seu funcionamento recíproco. A função e a forma são por elas regidas e individualizam-se segundo seu jogo mútuo. a causa eficiente e exclusiva desses diferenças é a ação do meio. a explicação dos fenômenos não deve inspirar-se em uma só das forças . Sylvio Romero o fator estável. assim também na história. Quer nos parecer. aquele que mais poderosamente vai produzindo a integração e a diferenciação do tipo brasileiro. de que os climas foram agentes poderosos nas civilizações autóctones. de indicar a causa da organização do tipo brasileiro. pelo princípio da multiplicação dos efeitos. nem tampouco salientar maior ação de uma sobe a outra. Eis aí a larga divergência entre os dois ilustres literatos. sem a transformação do homogêneo em heterogêneo. Não obstante não se poder contestar as diferenças são o produto de duas forças.

um povo, em seu desenvolvimento civilizador, senão a soma das forças físicas e étnicas. Elas juntam-se, refletem-se, equilibram-se para dar em resultado o fenômeno da história. Eis sua lei mais geral e que domina todas as pesquisas. Qual delas, porém, é a mais poderosa? Nenhuma, pois os conhecimentos científicos atuais são insuficientes para uma tal averiguação. Assim como na nutrição intersticial não se sabe dizer qual o elemento mais poderoso, se as forças físico-químicas do oxigênio, ou se a força biológica dos tecidos; se na individualização de um organismo, pra a manutenção de uma morfologia e o desenvolvimento de sua função, não se sabe dizer qual a força mais poderosa das duas que se chocam, assim também para a individualização de um povo, para sua formação como um grupo histórico e o desenvolvimento de sua civilização, não se sabe dizer qual o fator de mais força , se o meio, se elemento étnico. Ambos são igualmente importantes, igualmente poderosos na fenomenação histórica, por isso que da reação que oferecem entre si, resultará o desenvolvimento. Qual deles, porém, entra em mais larga ação, para traçar esse desenvolvimento, é o que não se pode assegurar, pela insuficiência dos meios científicos atuais. Quando muito se pode traçar uma categorização de fenômenos, pertencentes a cada um dos fatores, e isto não deve levar ao espírito do historiador uma predominância de ação. A essa categorização pertencem, pelo lado do meio, os fenômenos de adaptação, de fisiologia de uma raça, em virtude dos quais tenderia a perder sua integração, sua unidade, se não entrasse em ação uma força antagônica: pelo outro lado tenderiam a perpetuar-se os caracteres étnicos,por meio da herança. O meio reage a diferenciação, pela adaptação; a força étnica reage a integração, pela herança. E como o caráter de um povo é a soma das duas forças. Devemos concluir que para a sua formação, para o desenvolvimento civilizador, ambas se equilibram. Estabelecemos, pois, o equilíbrio das forças mesológica e étnica como a lei geral que domina a história brasileira. Se uma prepondera sobre a outra, por exemplo, o meio sobre o elemento étnico, como o Dr Araripe Junior, as tendências divergentes serão poderosíssimas, pela pequena reação do elemento étnico, de sua ação antagônica e o resultado seria a falta de unidade do caráter brasileiro. Se há preponderância do elemento étnico como quer o Dr. Sylvio Romero, as tendências centralizadoras venceriam as tendências divergentes, pela ação da herança, e ficariam inexplicáveis as diferenças, ainda que não radicais, do brasileiro do norte para o brasileiro do sul. No primeiro caso o excesso de divergência levaria a um excesso de heterogeneidade de caráter, de relações mentais e emocionais, entre os habitantes da duas zonas, tão diferentes em suas condições físicas. Essas profundas diferenças não vemos na história das duas zonas, cujos habitantes se aproximam pela identidade dos elementos étnicos que se conservam, circunstancia bastante poderosa para opor-se à divergência da ação do habitat. Em ambas foram aplicados os mesmos processos de colonização, com igualdade de resultados; em ambas abriram-se linhas divisórias entre as classes

35

populares de um lado e as do governo e clero, do outro; em ambas as relações subjetivas e psicológicas são idênticas; em ambas, finalmente, os períodos históricos são caracterizados por uma identidade de hábitos de reverência e superstição às classes dirigentes. Se diferenças se patenteiam, elas não são tão profundas a romper a unidade de caráter. E vemos mesmos que no norte o movimento histórico vai acentuando uma identidade ao que desdobra-se pelo sul. Nota-se o mesmo ceticismo contra a religião e o governo, com a diferença, porêm, de ser mais tardio. Os protestos que se levantaram contra essas duas forças foram idênticos em ambas as zonas. E isto nos leva a concluir que no sul o coeficiente de movimento é mais acelerado do que no norte, e que o estado de equilíbrio em que se mantêm as forças étnica e mesológicas é diverso. Em vez de dizer-se que há na civilização do Brasil predomínio da ação do meio, para se poder explicar as diferenças acidentais do caráter, acreditamos se mais acertado afirmar que a população das duas zonas acha-se em diferentes estados de equilíbrio. Na opinião do sábio filósofo inglês, o equilíbrio instável é o caráter da homogeneidade de um agregado, que seja um organismo, que uma sociedade. Tende a diferenciar-se a integrar-se pela instabilidade de equilíbrio em que permanece, pela persistência da força e pela impossibilidade de um agregado indefinido, a evoluir, pelo princípio da multiplicação dos efeitos, pois todo efeito é mais complexo do que a causa. Aplicando estes princípios ao desenvolvimento histórico no Brasil, vemos que a primeira população, formada pela geração de mestiços do século XVI, que é o elemento étnico nacional, representa um agregado em equilíbrio instável, pelas tendências a diferenciação e integração. ―Duas naturezas, diz Spencer, adaptadas a duas séries ligeiramente diferentes de condições sociais se unem; é de crer que sairá uma natureza m pouco mais plástica do que elas, mais fácil de receber as impressões de um meio que se renova pelos progressos da vida social, e por isso mais própria a criar idéias e a manifestar sentimentos de uma forma particular‖. Eis em síntese a função histórica do mestiço no Brasil. Por esta instabilidade de equilíbrio, a ação do meio produzirá uma multiplicidade de efeitos, e a geração mestiça tende a evoluir e a desenvolver a organização de um meio social, que, por sua vez, terá novas incidências de forças. E esse resultado é tanto maior, tanto mais largo, quanto a população vai alcançando feições adiantadas de heterogeneidade, o que vai se refletindo em seus produtos de cultura; ciência, literatura, arte, governo e religião. Assim, as sociedades, para a história, passam de um estado indefinido e incoerente, a um estado definido e coerente. Como, pois, se pode dizer que há preponderância da ação do meio sobre sua força antagônica, quando vemos que o desenvolvimento para percorrer todos os graus da evolução exige um completo equilíbrio? O ilustrado Dr. Araripe deixou-se inspirar pelas asseverações de Buckle, sobre as civilizações primitivas. Submetendo a história aos processos das ciências naturais, estabelecendo que as ações humanas são determinadas por seus antecedentes, o historiador

36

inglês divide as civilizações em primitivas e históricas, tendo o meio sobre aqueles completa ação. As diferenças únicas que descobrimos são que, nesse caso, a ação do meio é direta, e nas civilizações históricas ela é indireta. Por isso mesmo que no primeiro caso, o desenvolvimento depende quase que exclusivamente da ação do habitat, de suas qualidades favoráveis ou desfavoráveis, a ação é imediata. No segundo caso ela é mediata, por isso mesmo que a humanidade já chegou a pontos adiantados de integração e diferenciação. Isto, porém, não faz desaparecer a ação do meio, que em ambas as civilizações, é contínua e interrompida. As diferenças estão, pois, no modo, no processo de ação. No mundo biológico o desenvolvimento orgânico depende da ação externa e da ação interna. As funções orgânicas, nos graus inferiores da escala animal, não estão localizadas, porque o agregado é homogêneo e indefinido: não está diferenciado. Elas são indefinidas e incoerentes. Neste caso, a sinergia funcional é mantida pela ação direta do meio. O órgão que se move é o que sente, o que respira,que digere, que absorve, que nutre e que excreta. Não há especialização de função, porque não há especialização de agregado, cujo total da força biológica apresenta-se aos olhos do observador como uma expressão da ação direta do meio. Nos graus superiores da escala as funções orgânicas acham-se especializadas, porque o agregado é mais diferenciado e heterogêneo. O órgão que respira não é o que digere, o que se move e que sente e excreta. Nestas condições, o total da força biológica é a soma destas funções, é o total da ação indireta do meio e da direta do agregado. É a expressão de um equilíbrio. Assim também na história. Nas civilizações primitivas, a ação do meio é direta, porque elas são mais o resultado de um bom solo, de um bom clima, do que dos esforços humanos. Nas civilizações históricas, em que a humanidade acha-se em pontos adiantados de integração, diferenciação e especialização, em vista da ação do meio e da reação étnica, a influência física torna-se mediata no desenvolvimento histórico, por meio do homem e dos seus órgãos sociais. As civilizações serão a expressão desse equilíbrio. Se prepondera a força étnica, como quer o Dr. Silvio, rompe-se esse equilíbrio que julgamos imprescindível para o desenvolvimento, para a normalidade dos fenômenos. Quer nos parecer legítimas e verdadeiras as seguintes conclusões: O elemento étnico e o meio são as duas forças que dirigem a civilização humana, obra em virtude da adaptação e da herança. Para vencer as tendências divergentes do segundo fator, opõe-se a força antagônica do primeiro, uma unidade no fundo do caráter; Em vista disto estabelece-se um equilíbrio entre as duas forças, do qual resulta o desenvolvimento histórico, que se tornará negativo, se uma dela preponderar sobre a outra;

37

As diferenças entre as civilizações primitivas e históricas não consistem na preponderância de uma das forças sobre a outra, e sim nas diferenças do processo de ação. Da ação e reação é que resulta o equilíbrio das duas forças, não sendo nenhuma um fator preponderante, PIS desapareceria a normalidade da fenomenação, desapareceria o equilíbrio. A cada uma das integrações, pela ação reflexa entre as duas forças, corresponde uma feição especial de meio social, que por sua vez leva o seu contingente, na incidência sobre o elemento étnico; Sendo o mestiço o ponto intermédio entre o meio social e o meio físico, transforma aquele, pela sua cultura, à proporção que se integra pela ação deste. É ele o órgão da função histórica.

38

CAPÍTULO IV GEOLOGIA DE SERGIPE FAUNA E FLORA. SUA PRODUÇÃO

Na descrição geológica de Sergipe, em que vamos entrar, utilizamo-nos dos trabalhos de Hartte Liasis, cujos estudos procuramos aqui resumir. Sergipe, sob o ponto de vista geográfico, pode ser dividido em duas zonas: A zona oriental, baixa, desigual, apresenta grandes extensões de areia, ao longo da costa, e algum terreno próprio para cultivar. Ela é conhecida pelo nome de matas, por causa de suas florestas. A linha da costa mede noventa milhas de extensão. A zona ocidental, chamada também de agreste, é estéril e seca, servindo somente para a pastagem. É montanhosa e mais alta do que a zona oriental, sendo a principal montanha a serra de Itabaiana. Na zona oriental está localizada principalmente a lavoura da cana, nas bacias dos rio Japaratuba, Sergipe, Cotinguiba, Vaza-Barris e Piauí. Na zona ocidental estão localizadas a criação do gado e a lavoura dos cereais, principalmente mandioca e a importante lavoura do algodão, nas matas de Itabaiana. Na formação geológica domina o sistema siluriano, composto por grés, xistos argilosos e calcários, não obstante encontrar-se o gneiss, formando largo terraço entre a costa e a base do grande planalto central do Brasil. A zona de gneiss, nas regiões do norte é mais seca do que a das regiões do sul. Sergipe apresenta três grandes massas de terras altas, separadas pelas bacias dos principais rios. A estas eminências daremos o nome de planaltos. De norte a sul colocam-se a primeira entre o rio S. Francisco e Sergipe e vem da Serra Negra; a segunda entre o rio Sergipe e Vaza-Barris; a terceira entre o Vaza –Barris e Piauí; a quarta entre Piauí e o Rio Real. Entre estas eminências correm os rios principais, em direção ao mar. Façamos a descrição do sistema hidrográfico e depois do orográfico. O rio Real forma a bacia, que limita a última eminência do sul, tem um curso talvez de 40 léguas. Em sua parte superior corre sobre terrenos secos e está arrodeado de fazendas de gado. Sua porção oriental é encachoeirada, ficando a última e mais importante cachoeira distante 9 léguas de sua barra. Aí forma um estuário, com os rios Piauí , Gurararema, o Jacaré o Pastorado, que passa junto à serra do Canini; pela margem direita o riacho Sena, que desemboca abaixo da vila de Campos e o Itapemerim, que banha o povoado Tabúa e a vila de campinhos. O Piauí nasce na serra dos palmares, tem um curso sinuoso. Em suas margens estão colocadas algumas propriedades. Forma o porto da cidade da Estância, que é edificada sobre a colina de rocha micácea, composta de pedra de ária de cor vermelha, completamente semelhantes, na opinião de Hartt, à formação geológica de New Jersey.

39

Estas pedras são cobertas por um terreno argiloso e vermelho, árido e sem fertilidade, que as calcina, tornado-as ainda mas duras. Entretanto , para o interior os terrenos são férteis. Hartt não descobriu nenhum vestígio de fósseis nesta região. Ao norte da Estância o terreno apresenta-se em forma de colinas irregulares, e na opinião de Hartt são terrenos terciários. A vinte ou trinta milha da costa está a serra de Itabaiana, composta de gneiss e mica ardósia. O Vaza-Barris, que nasce na serra da Itiúba, banha os municípios de São Paulo, Itaporanga, e São Cristóvão e desemboca no Oceano. Encontra-se mármore em algumas porções de seu leito. Sua bacia é uma das mais importantes zonas agrícolas. Existem nela muitos engenhos, que fabricam importante açúcar. O Cotinguiba, que nasce nas matas do Engenho cafaz, banha o município de Laranjeiras e depois de desembocar no rio Sergipe, banha a capital. É navegável em alguma extensão. Suas margens são cobertas de mangues. Sua barra, como a do Vaza – Barris, é má, pelos bancos de areia que existem. Do lado oposto da barra, diz Hartt, estão extensas dunas de quatro ou cinco pés de altura, flanqueando um trato de areia recentemente elevado, estendendo-se na extensão de algumas milhas, coberto de coqueiros até a cidade de Aracaju, edificada sobre uma planície de terreno de aluvião. Esta área de terreno pouco elevado acima do mar, termina-se para o inteiro em um outeiro, onde esta edificado o povoado de Santo Antônio, de terreno terciário, cobrindo massas irregulares de pedras de areia de cor vermelha escura semelhantes às de Estância. Hartt não encontrou conchas nesta formação. Chamou sua atenção, na viagem que fez a Sergipe, a formação geológica de um lugar, colocado acima do Aracaju, na confluência dos rios Cotinguiba e Sergipe, chamado Sapucaí, o onde existe uma pedreira está situado em uma eminência composta de bancos e frouxas pedras de cal. Na superfície de alguns leitos desta formação calcária, o sábio geologista encontrou um grande número de válvulas de um lindo inoceramus, juntamente com um pequeno Ammonita e algumas escamas de teliostianos. Entre Maroim e Sapucaí o terreno é baixo e rico em calcário. Harrt, nas pedras que forma o calçamento de Maroim, encontrou lindo fósseis de grandes ammonitas e Ceralites e viu, em mãos de Mr. Nicolay, o desenho de uma Cidaris, trazida de Maroim. Na opinião de Harrt, são fósseis cretáceos que lembram as formas jurássicas, opinião confirmada pela do professor Alphens Heyatt, que considera a natica de Maroim idêntica à Natica proelonga de Seymeria, pertencendo à camada neocomiana inferior. Diz este ultimo autor: ―La présence d ‗espéces aussi bien caractériesées que la Natica proelonga, l‘Ammonites Peruvianus au Brésil er au Texas, et peut-être d‘autres espéces du coté oriental er occidental de la chaime des Andes et des montagnes Rocheuses, indique une connexion entre les deux versants, soit à travers l‘isthome er à l‘ouser du Bresil, quand um océan crétacé baignait encore tout la portion nord d l‘Amérique du sund. Ces faits, quand on les considére em connexion avec la decouvert d‘um fossile du genre Ananchytes sur l‘isthme, comme il été rappelé par M. Alexandre Agassiz, ont unid porteé directe au sujet d,une importante question.

40

A Pernambuco. de maniére à faire dispareitre au sud sous la mer la formation d‘eau douce côtiére qui aurait pu s‘y former. d‘aprés laquelle. non recouvert par la mer crétacée er formant encore aujourd‘hui a premiére terrasse du continent. les recherches de MM. dans les provinces. laquelle domine aujourd‘hui la formation de gneiss que la borde. Ceci donne um grand intérêt aux faits tels que le précédent. La grande arête de gneiss bourdant la côte nord du Brésil parâit donc avoir été inclinée du sund vers le nord plus foremente à cerre époque qu‘aujourd‘hui. mais l‘intérieu du continent était moins elevé qu‘aujourd‘hui. les formes alleées ou identiques sont les descendants des espéces du golfe. comme nous venons de le voir. 41 . er c‘est à trés-peu reés sous le même paralléle . les formes alliées. car on ne l‘a encore signalée.‖Les expéditions du Coast Surrey. Sergipe et Pernambuco. sans doute par suite de la formations de lacs d‘eau douce prés de la côté . notée par moi em 1859 pour les depôts de Pernambuco. est celle que M. du coté de l‘isthme repondante ou pacifique. A Bahia. dópôt dans lequel j‘ai trouvé des fossiles à Engenho. c‘est-à-dire du littoral. Alors s‘est elevée la qustion de savoir se. er ne laisser voir nulle part de formation marine. à quelque periode antérieure. Les couches de cette même formation se trouvent relevées souvent suivant la direction génerale de la côte. lesquelles auraient emigré à travers quelque anciem canal postérieurement fermé par le soulèvement par la bande de terre formant l‘isthme de Darien. D fait. Cette identité des directions semble en outre indiquer une dislocation vers la même époque er em vertu des mêmes phénomènes.-N. du coté de l‘isthume répondant au Pacifique. Hartt pour Maroim. et parait confirmer la conclusion de M. em comparant toutes les données rapportées précédemment. comme le savet for bien aujourd‘hui tous les naturaliestes. oui ou non.de – Janeiro. la formations secondaire marine semble elle-même manquer. Quelques indications que l‘on posséde sur Alagoas se trouvent en conformité pour ètablir la presque continité de cerre formation. onte établi le fait d‘une ramaquable similitude entre la foune presente des mers profondes et les espéces des genres crétacés . Hartt et Alport ont établi l‘esistence de depôts d‘eau douce sur les couches marines. le golfe du Mexique et l‘océan Pacifique auraient été réllement des mers continues ». de Espirito-Santo et Rio. et les eaus de la mer la couvraiente presque entièrement. joignant le plateau de Barbacena au grand plateau Bolivien . je n‘ai pas remarqué de formation d‘eau pouce supérieure à la formacion marine et je n‘ai pas connaissance d‘indications de cette formation dans les provinces du nord. um libre passage aux animaux marines. oui ou non. Elle se serait plutôt abaissée au sud e velevée au nord depuis cerre époque. de l‘autre côté de la gande des gneiss. Alexandre Agassiz. le premier pas vers la solution de ce problème était de prouver l‘esistence d‘um canal ayant fourni. était alors beaucoup plus basse que cette derniére. et la grand terrasse centrale. probablement marine. c‘est à-dire le N. Alors s‘est elevée la question de savoir se. au sud. La ligne à partir de laquelle devait se faire cerre inclinaison du sud au nord devait être alors une ligne plus ou moins oblique. laquelle devait étre hous des eaux aux époques jurassiques er crétacées qui se montre le dépôrt d‘eau douce également superieur à une puissante formations secondaire . étaient plus ou moins representés par des espéces identiques ou alliéesl. comme si cet autre poit était alors le rivage opposé à celui de Bahia. et il a été biem demontré que les animax de la surface. on ne peut douter de l‘identité de la formation marine secondaire à Bahia.-E Cette direction. A propósito disto diz Liais: ―incontestabement. pendant la période cretacée. Pissias d donnée pous Bahia er M.

cuja abóboda apresenta uma perfuração em forma de sino. une puissante formation de grès contitue. et cette circonstance justifie pleinement le nom de formatios crétaceío oolitique donné par Darwin à ses vastes dépôts. « Mais tour parait déjá indiquer l‘absence de différences trés tranchés entre les espèces contemporaines de divers points. dos quais o mais abundante é um pequeno bivalvo. em uma grande extensão. Do lado do norte não temos que falar. Idêntica formação apresenta o local da Cidade de Laranjeiras. et la même espèce devra parfois se trouver souvent dans l‘ensemble de toutes les couches. « Sans nul doute. de cor amarela ou pardacenta. principalmente a que chamam de Pedra Furada. nas quais encontrou o sábio geologista um grande número de fósseis. ne peuvent être contemporaines. Destas rochas chamou a atenção de Hartt uma argilosa e porosa. au moins dés la période colithique. tandis que d‘autres espèces les differencieront plus ou moins completement. » É opinião de Hartt que a zona calcária de Maroim está evidentemente sobre cretáceos e ocupa um plano muito mais baixo na série do que a zona calcária de Sapucaí. chamou a atenção de Hartt que encontrou formação estratificada. Peu de perturbations auront em lieu dans ces immenses regions peudant cette longue durée. O solo é rico e a cidade é um centro comercial de açúcar. Banhada pelo Cotinguiba e situada entre outeiros. a margem do rio apresenta grandes massas de uma grande variedade de rochas. tout parait l‘indique d‘ailleursl. de nouvelles decouvertes paleíontologiques aurount fourni des bases plus sures. par l‘union d‘espèces jurassiques et cretcès dans les divers dépôts du Brésil. O lado do sul do rio é pantanoso e coberto. comme nous l‘vons vu. Uma eminência penhascosa. er par là s‘explique comment les espéces du commencement de la periode ont pu continuer d‘exister et se mêles aux espèces posterieures. mais el ne doit pas être pris dans l‘acceptions restreinte d‘époque intermediaire aus dex autores. de sorte que suivant la très-judicieuse remarque de Darwin. Sua barra é arenosa e por conseguinte má. évidemment. formação que se assemelha à da Pitanga. sur la partie nord de la côte orientale du Bresil. São de tamanho regular as estalactites e estalagmites existentes na gruta. muito fértil e a sede de uma das mais importantes lavouras açucareiras.des couches horizontales creusèsses par la dénudation exactement comme sur le plateau central d l‘Empire. Em seu derredor existem algumas grutas calcárias. Ajoutons que. achando-se misturada com pedras cobertas de argila e óxido de 42 . Cerre circonstance achèce d‘établir l‘identité entre l‘âge des depôts de la côte et ceux de l‘interieur. e junto a Aracaré. audessus du terrain secondaire. ce non convient à l‘ensemble du depôt em question. composta de pedras de areia de cor vermelha. de mangues. et a peut être commencé dés l ‗époque jurassique. on reconnaitra des différences entre les couches inférieures et superieures de la série. A costa entre os rios Cotinguiba e São Francisco é de pouco interesse. confirmée. On conçoit ainsi parfaitement la difficulté er le doute des classements. Nestas paragens. de pedras micáceas. dans ces regions. de Bahia à Pernambuco. de grande importância. quand. les deux époques ne sont pas nettemente séparèes comme em Europe.«Ce puissant dépôt secondaire. sendo montanhosa a zona que circunvizinha a cidade. « probablement. a dú fe former pendant au moins une grande partie de l‘époque creatacée. na Bahia Railroard. abaixo de Villa-nova. lesquelles.

. pouco mais de duzentos substituíram a força animal pela máquina. por meio dos quais é ele fabricado: EXERCÍCIOS QUILOGRAMAS VALOR OFICIAL 1855-56 . cujas rochas compõese de uma série de pedra de cal. já descritas. A cima da serra da Tbanga os terrenos tornam-se cada vez mais estéreis e penhascosos. pedra de areia. O terreno sobre o qual está edificada a Cida de Propriá é de uma formação de gneiss e mica ardósia.. É uma formação terciária. junto à cidade de Riachuelo.... o governo imperial nunca quis ativar a prosperidade da lavoura açucareira... Por meio de estabelecimento de engenhos centrais ou usinas.... 3.... cura raiz serve para o alimento do gado... somente construiu-se um engenho central... Estes terrenos não são férteis.. Ai abunda principalmente a lavoura do algodão i dos cereais..ferro.774:521$447 1857-58 19.. Ela tem por sede os importantes terrenos de massapé...985 1. De quase mil engenhos existentes no Estado.615 3.. Na zona compreendida entre Vila-nova e Propriá vêem-se algumas colinas irregulares e isoladas.696:629$026 1860-61 8. Além das bromeliáceas. na qual encontram-se quartzo...281:996$688 43 .... atingindo a produção de açúcar me Sergipe. sem braços culturados para o trabalho livre e sem utilizarse dos aperfeiçoamentos modernos.845 1.. seixos de ágata e fósseis de fragmentos de conchas... e a vegetação mais esparsas de pequenas plantas bromeliáceas.. 4. Nestas pedra Hartt encontrou ossos de teleosteanos e o desenho do dente de um notidamus. que levassem ao espírito dos agricultores a convicção de mudarem o processo do trabalho agrícola... não obstante os meios rotineiros.........612:935$065 1859-60 9...158:147$741 1856-57 . Encontrou também fragmentos de uma rocha d estrutura oolítica.288. e ocasiões de secas.. conchas . de rochas semelhantes às de Vila-Nova.. que tem sido a origem da riqueza pública e particular. cristalino em alguns lugares.. 1858-59 25.. sendo a camada profunda de pedras calcárias .. de que o mais importante é o xique-xique. Eis o resumo da geologia de Sergipe. Além deste exclusivismo agrícola. mais ou menos arenosas e que contêm grãos e seixos de uma rocha metamórfica. Entre elas Hartt descreve o Morro do Chaves ou Morro do Euzébio... existem diversas espécies de cereus.. E essa incúria revela-se perfeitamente no fato de que. São as pedras que vulgarmente chamam pedra de fogo.... entre as quais citamos a macambira.. dominando a lavoura da cana –de – açúcar... nem produtivos.. Hartt acredita que as camadas de fósseis são camadas cretáceas e são o plano superior da formação geológica de Villa Nova e Penedo..914... Além da falta de espírito de iniciativa de seus habitantes. Sua indústria principal é a lavoura. uma alta cifra. o qual é atualmente o único no país que deixa lucro à empresa que o dirige....910 .820. de leitos xistosos.. nos vales dos rios principais. Acima de Propriá estão situados outeiros de geneiss.. a indústria sacarina obedece ainda aos princípios da antiga rotina......... E no seguinte quadro o leitor verá a produção de açúcar... apresentando-se como um calcário conglomerado.988..

760 23.166.. em vista de uma fábrica de fiação já existente..865:771$347 4... Seu consumo é muito maior..565 30...661:236$434 3.... 4.......970 1:315$350 1858-59 3...430:644$312 2.695.. É crescente a produção do açúcar.224:512$682 2..259:341$929 1870-71 5....325 39:178$054 1856-57 12....092:879$293 3.........848 20.222...789.147:891$691 6...673:671$697 3......943:201$826 3..... 1866-67 3271. uma indústria de grandes lucros.128 29...792 ...... .....701 ....175.... Antes da guerra dos Estados Unidos.653:254$587 3..323.....677:775$667 3.538.....964.217:377$974 44 .. pela falta de concorrência e pela impossibilidade do lavrador para exportá-lo.... Esta lavoura localizou-se principalmente nas matas de Itabaiana e hoje acha-se bastante desenvolvida.650:967$335 1869-70 2.572 477:623$406 1865-66 ...603 23...016.533 17...... 39.986.221......532:100$800 3....365 71:698$899 1863-64 194.033:719$067 1872-73 3.354 11....310.734 3.........413 2........794.. para a empresa que quiser explorá-la...730 26.100 11.855 5:889$025 1857-58 2.017 15... pode-se dizer que a lavoura de Sergipe restringia-se a açúcar de cana. Eis o produto do algodão: EXERCÍCIOS QUILOGRAMAS VALOR OFICIAL 1855-56 66...1861-62 1862-63 1863-64 1864-65 1865-66 1866-67 1867-68 1868-69 1869-70 1870-71 1871-72 1872-73 1873-74 1874-75 1875-76 1876-77 1877-78 1878-79 1879-80 25. pois..598.514:371$131 1867-68 5..021 2...420 2..641:054$517 .729 26...553 19.365..700.876.582 259:571$391 1864-65 374. .. A indústria de fiação é....... A produção do algodão já reclama o estabelecimento de outras fábricas de tecido a fim de que o preço do algodão não seja monopolizado. 1861-62 38..175........263:263$824 2....035.318:034$438 2.041 23..407:797$005 1871-72 5.987 1....885 2.068:186$118 1868-69 3.087.623...805 17:682$320 1862-63 75.............. De 1864 ativou-se a produção do algodão que constitui hoje o segundo produto da exportação.....773:267$659 5.825 3.265 26.210 1:460$550 1859-60 120 54$600 1860-61 .562.380 18..... 3....134:731$190 2.....313:003$943 .....365.

.520 ― 9:174$000 Mel 133 L 10$108 Caroços de algodão 369.217:377$974 Aguardente 854.....323.987 Kg 2.. PRODUTO QUANTIDADES VALOR Açúcar 29. E não apresentamos a estatística..... pela quase impossibilidade de obter os materiais..... no litoral. 3:385$000 Arroz em casca 792 L 355$382 Fumo em corda 414 Kg Total . 34:634$990 Couros secos 8.1873-74 1874-75 1875-76 1876-77 1877-78 1878-79 .. que consideramos uma lavoura de grande futuro. que faz parte da pequena lavoura no interior: do cacau. Pelo seguinte quadro o leitor convencer-se-á das lavouras e indústrias que podem ser exploradas com muita vantagem. que se faz nas Matas de Simão Dias e que é igual ao café de São Paulo.439 806..730:910$063 45 .. do trigo e do arroz em São Francisco. 809:862$926 460:337$718 605:110$267 2. e que deviam desenvolver-se com grandes vantagens para a riqueza pública e particular.. 112:912$794 Sal 1..775 1.959 ...... há outras que se acham em início..... 3:813$253 Milho 18...877 L 2:470$562 Baunilha 22 Kg 62$401 Lã de barriguda 44 Kg 18$000 Pedra de afiar 6.744:549$186 201:896$512 Alem da lavoura da cana e do algodão..730:908$063 3.....425 Kg 2:268$118 Ticum em rama 8...276 Kg 4:662$559 Solas 8.274.. Hoje a produção está muito maior. nas várzeas do Japaratuba.705 1....799.943:910$000 9....... do fumo...916 L. 35:572$000 Peles curtidas 870 unid..051 507.365.. 417$000 Madeiras 1.... Elas são: a do café.763 unid.257 unid..131......701 Kg 3.212 Kg 2:988$673 Mamona 23.268 Kg 14:476$062 Ticum em fio 1.....030 centos 824$000 Cocos 2......... no litoral.. 2..751 L.547 L.198 Kg 2:617$072 Fumo 665 Kg 275$464 Cestos de palha 69 unid. Estrangeira Cabotagem Importação ....556 unid.......292.....832:110$000 5.111:800$000 3. 26:868$588 Couros salgados 6......... 34$500 Óleo de coco 10.... É uma estatística de 1872-73.do coco. do sal... de importante futuro e outras.........313:603$943 Algodão 3...

melhoramentos que já se acham em via de desenvolvimento. pelo juro excessivo de 2% ao mês. são os compradores das mercadorias. le cabotage lui même este forte lente. pela falta de um comércio emancipado e que se comunique com grandes centros comerciais. basta desenvolver os meios de transporte. Suas comunicações internas estão em idênticas circunstâncias. Não há liberdade de comércio. a bem da prosperidade do Estado e do interesse daqueles que animarem essa exploração. estabelecida pelo autor destas linhas. pode ver o movimento comercial do Estado: 46 . Seu comércio é dependente do da Bahia. pondo o comércio do Estado em relação com as praças da Bahia. Do ano passado para cá ele iniciou relações com a praça do Rio de Janeiro. porque seus diretores emprestam o capital aos lavradores. Pensamos como Alfredo Mare. a instituição de estabelecimentos bancários e a imigração estrangeira são medidas inadiáveis. estabelecidas no Estado. Além destas condições. E aqui seja dito de passagem : as casas importadoras de açúcar. A navegação de cabotagem é. Daí duplos proventos. el ne peut que les céder à des maisons joissant. Il n‘ya pas de Bourse de commerce . d‘une véritable monopole ». pois. por meio de uma navegação direta. compreende-se que o preço é por eles determinado. que devem desaparecer com a abertura da barra do Cotinguiba e da estrada de ferro de Aracaju a Simão Dias. Sergipe permanece em atraso. não obstante suas condições hidrográficas. sem comunicar-se diretamente com praças estrangeiras. e não pela livre concorrência no mercado. como sejam principalmente a falta de capitais e a falta de braços educados para o trabalho livre. As mercadorias ficam sobrecarregadas de impostos e as que saem do Estado não deixam os lucros que deviam deixar. diz ele. Ao mesmo tempo que são eles os fornecedores do capital. Eis as condições do comércio de açúcar em Sergipe. Assim.Isto tudo demonstra a elasticidade de suas forças produtivas que devem ser exploradas. que se ligam à falta de comunicação exteriores. ―Actuellemente. soit à Maceió et Pernambuco. soit à Bahia. car il est soumis aux fluctuations des escales des grandes des grands paquebots. não obstante suas forças produtivas. Maceió e Pernambuco. A importação faz-se pela navegação de cabotagem. por falta de viação férrea e de navegação fluvial. a única que existe. Entretanto. que tanto têm contribuído para a decadência da lavoura açucareira. suas excelentes condições naturais. le producteur ne connait pas les oscillations du prix de ses denrés sur les marchés où ils sont exportés . têm sido uma das mais importantes causas da sua decadência agrícola. Impõem o preço e o lavrador. Representando elas a função de bancos. que para desenvolver a indústria agrícola neste estado. Isto demonstra que seu solo é admiravelmente fértil e cultivável. que é preciso corrigir. gràce à ces circonstances. O leitor pelos seguintes quadros. por falta de comunicações externas. outros males existem. entrega o produto de seu trabalho. na posição passiva de devedor.

994:351$000 7.281:443$000 6. capivaras. como para marcenaria. baraúna. o mangle vermelho e outros. Parnaíba. na ordem dos quadrúmanos: os guaribas.593:955$000 7. (acácia angico). pau ferro (caesalpinea férrea). cutias.187:284$000 6.889:700$000 862:000$000 5. tamanduás. sob o ponto de vista botânico-geográfico. pau d‘arco.352:808$000 EXERCÍCIO DE 1886-87 Importação Exportação 354:438$000 1. se divide a flora brasileira.370:012$000 Longo curso Cabotagem Totais Total 2. algumas famílias dos roedores. cujas espécies não descrevemos para não alongar este capítulo. sucupira (Bowdichia major). como as pacas. de diversas espécies: algumas espécies dos carniceiros. angico. ainda que raras. (Shinus). Para a tintura vemos o cauabo. vemos.017:204$000 2. De entre as madeiras que servem não só para construção civil e naval. arari. vemos: cedro (cedrella brasiliensis).571:700$000 7. dos insetos. Moreira. como os caititus. dos ruminantes. massaranduba.882:400$000 12.384:789$000 11. Das três zonas em que.119:240$000 13.476:365$000 Longo curso Cabotagem Totais Total 3. A fauna é tão rica e variada como a flora. que acredito ser a única espécie desta ordem existente em Sergipe.563:138$000 3. A mesma variedade e riqueza vemos na classe dos pássaros. jacarandá (jacarandá ovalifolia) e outras.254:618$000 Total 4. como as preguiças. dos répteis.Longo curso Cabotagem Totais EXERCÍCIO DE 1883-84 Importação Exportação 406:681$000 4.618:312$000 5. como os veados.220:700$000 9. aroeira.468:029$000 A flora é riquíssima e variada.060:505$000 5.260:267$000 8.395:200$000 825:500$000 5. da litoral e da do interior.213:411$000 5.439:143$000 Longo curso Cabotagem Totais Total 1. potumuju. dos desdentados.490:808$000 4.714:984$000 EXERCÍCIO DE 1884-85 Importação Exportação 157:938$000 3. dos peixes.762:301$000 5. apresentam-se membros da zona equatorial. Na classe dos mamíferos. dos paquidermes.858:973$000 3.355:700$000 1.886:005$000 EXERCÍCIO DE 1885-86 Importação Exportação 127:504$000 1.527:700$000 6. a peroba (Aspidos perna peroba) a Arapiraca. 47 .

para aplicar-lhes o mesmo processo de colonização. com ampla jurisdição no cível e no crime. 297 48 . o absoluto poder dos donatários. em distância de cinqüenta léguas . Realizaram-se os intentos de Cristóvão Jacques. teve o governo às provas da improficuidade do processo colonial posto em pratica. doação que se estendia. É para estranhar-se que a colonização de um continente.capitanias hereditárias. representados nos condenados e exilados que Portugal enviava para Brasil. pelo contato de elementos que deveriam ser eliminados na vida social. João III fez da capitania da Bahia a Francisco Pereira Coutinho. Cron. Portugal deixou-se preocupar em excesso pelo comércio das índias. cuja rejeição por parte do soberano seria inevitável. deixando que se passassem trinta e tantos anos. da barra do rio São Francisco a ponta da Bahia de Todos os Santos. cuja influencia no espírito de Gouvêa foi poderosa. fosse tão tardia. para demover Portugal da inatividade em que se conservava ate então. de cujas riquezas tinha a nação portuguesa as provas mais reais e evidentes. relativamente ao Brasil. entretanto. cujo processo foi idêntico ao que já tinha adotado na Madeira e nos Açores. A degenerescência moral que começou a grassar nas capitanias. que além de tudo. do qual nunca se originaria uma civilização. se tentativas por parte de outras nações européias para compartirem seus domínios na América. foram não só as circunstâncias ocasionais do insucesso das capitanias. do Brasil. o insólito despotismo no cativeiro do indígena. foi a força produtora de muita atividade que se desdobrou neste país. Não soube compreender as diferenças étnicas e mesológicas entre as duas possessões. a fim de sanar e salvaguardar interesses e direitos que outras potências lhe queriam roubar. p. como o melhor estimulo de trabalho e que. cuja colonização 17 Dr. Melo Moraes. que se utilizavam de suas atribuições com arbítrio e excesso. a 5 de abril de 1534. Muito cedo. sacra um regime de autoritarismo absoluto. porém. para iniciar a colonização do Brasil. em favor dos donatários das capitanias. não apressassem o trabalho colonial. que devia pôr em pratica. que lhe patenteou os interesses ocultos de outras nações e então não teve mais tempo de pensar no processo colonial. I. O governo português cedeu à lógica de Diogo de Gouvêa.HISTÓRIA DE SERIGIPE LIVRO I ÉPOCA DE FORMAÇÃO (1575-1696) CAPÍTULO I DESCOBERTA E CONQUISTA DE SERGIPE O território de Sergipe era compreendido na doação que El-Rei D. cujo foral foi passado a 26 de agosto do mesmo ano17. cedendo assim a coroa grande parte de suas prerrogativas.

da qual fazia parte o território de Sergipe. Durante esse tempo faltou a continuidade territorial. 49 . Ponto intermédio entre as duas capitanias. a antecipação da conquista e descoberta de Sergipe. 20 Visconde de Porto Seguro. assim. I. A morte de Coutinho fez suceder no direito de posse da capitania seu filho Manuel Pereira Coutinho que. teve de cedê-la ao governo por um contrato18 passando. pela qual criava a coroa um governo central na Bahia. quando se efetuou a conquista da nova capitania. chama-se — Sergipe d‘El-Rei. e Silva. História da Capitania da Bahia. 2. os dois pontos mais populosos do tempo. Geral do Brasil. Hist. com jurisdição sobre todas as capitanias do Brasil e cuja função em mais heterogênea. havia de facilitar as comunicações entre elas. As riquezas naturais que a colonização ia descobrindo e que tomavam fácil a vida. não estimulando o espírito dos colonizadores a empreendimentos arriscados. á posse da coroa. para desdobrarem-se com mais vigor as forças coloniais. além de causas de ordem geral. por isso que o grande princípio de divisão de trabalho foi mais observado do que no processo anterior. 297 Rocha Pitta. e por haver Sergipe do Conde. Bahia. as cinqüenta léguas doadas. removeram a conquista e descoberta de Sergipe para períodos muito ulteriores ao estabelecimento do governo colonial na Bahia. Compreende-se perfeitamente que era de alto valor á prosperidade colonial da Bahia e Pernambuco. promovido pelo conjunto das circunstâncias que impossibilitou a marcha da colonização. e Polv. desde quando as viagens marítimas entre Bahia e Pernambuco eram mais difíceis e perigosas do que entre aquela capitania e Portugal. cuja propagação se fez debaixo de luta tenaz e encarniçada. figura a de Francisco Pereira Coutinho. a oposição franca do indígena ao domínio de um elemento estrangeiro.20 Como quase meio século de vida colonial achava-se o país. Tornou-se o ponto de pausada dos selvagens que fugiam da colonização. p. 2º. como a causa que convenceu a metrópoles do erro cometido.Accioli de C. ate que no começo de 1575 teve de atender ao pedido de paz dos íncolas do rio Real que viviam em lutas com os portugueses. 19 Talvez por isso e pelo fato de que a conquista de Sergipe fosse efetuada por ordem régia e á custa da coroa. pela insuficiência de recursos. Mermor Hist. 18 19 T. inspiradolhe a carta régia de 7 de janeiro de 1549. como veremos adiante.não vingou. aliados com os franceses. atemorizados dos brancos e de onde fizeram tantos males á Bahia. Permaneceu ele nesse descuido. Entre as capitanias cujos donatários foram o objeto do insucesso.

e até do rio S. a fim de estabelecerem povoação em lugar próprio. rechaçados de outros portos. seu companheiro João Salonio e mais vinte neófitos da aldeia de S. 22 R. II. IV. o que se vê pela carta de sesmaria de Sebastião da Silva. Partem o Padre Gaspar Lourenço. Tomé. em direção do rio Real. acompanhado por uma companhia de vinte soldados. A hábil administração de Mem de Sá ressente-se da falta de não ter levado a luta aos franceses até Sergipe. Francisco Rodrigues e Gaspar de Fontes. pedir paz. 261. onde celebram missa. ai se refugiavam.incumbindo o governador ao Padre Gaspar Lourenço que em companhia de João Salonio. livro de sesmarias. veio realizar suas missões pela zona banhada por aquele rio de Sergipe. Eles considera a fuga como quebra de paz. Jesuítas no Brasil. P. 150 do liv. 24 Não sei positivamente localizar esta aldeia. como em um cárcere. História do Brasil. a que Deus com a morte se sérvio libertar. A. persegui-os. 23 Acredito que este lugar é onde está situada a Vila de Santa Luzia. 260 da obra de R. à honra da edificação de uma igreja em sua aldeia. Op. 50 . e o governador arrebanha todos quantos achou e arrasta para a Bahia. entregou-se á conquista da nova capitania. Isto asseveramos pela carta da sesmaria de Gaspar de Almeida. Veja o livro de Sesmarias. á paz e não á guerra. sob o comando de um capitão. XVII n. 441. H. Os 21 Dr. pois antecipava um acontecimento de alto valor á colonização das duas capitanias do norte. A 5 de fevereiro de 1575 chegam ao rio e dirigem-se os padres para uma aldeia de mil almas. Liv. V. dentro do anno do captiveiro”. 25 A aldeia de Sarabi ficava nas margens do rio Vaza-Barris. Leal.23 Uma tal vizinhança desperto no espírito do indígena sério receios e não viram na vinda dos padres senão um disfarce para cativá-los e entregá-los indefesos aos seus senhores. Saraby morre e os mais entrega-se. Tomé. alcançam os jesuítas acalmar os ânimos e desvanecer os receios dos indígenas e encetem seus trabalho de catequese em uma igreja de pindoba que edificam. Francisco. entretanto acredito que ela ficasse nas imediações do rio Real. que distava seis léguas do lugar onde ficaram acompanhados os saldados. O governador Luis de Brito veio com tropa para bater os índios de Aperipé e ao aproximar-se da aldeia de S. Captiva a todos e os encurrala na igreja de S. I. p. p. Southey. Sem essa medida tiveram os franceses tempo de sobra para melhor prepararem-se em Sergipe. “Os soldados assolam tudo quanto encontram. Cit. Antônio.21 Já por este tempo e talvez antes. Depois de alguns esforços. para mercadejar com as naturais riquezas com quinquilharias.24 A notícia da chegada dos padres propala-se por entre as aldeias e Sergipe e a eles vêm os chefe de mais de trinta aldeias. Sergipe tornara-se um ponto de pausada dos piratas franceses22 que. junto ou talvez no lugar em que se acha edificada a Vila do Itaporanga. Francisco Sacieta Jesu. chefe entre lês respeitado e célebre pelas muitas mortes feitas em portugueses. Ignácio fogem seus habitantes. Ao Evangelho e não ás armas. requerendo-lhe Surubi25. dado a está aldeia o nome de S. p. junto ao rio.. Destes extratos transcrevemos o seguinte: 1576 Arruinaram-se completamente os trabalhos do rio Real.

Além disto. em vista das agressões que lhe começaram a fazer. nem nos interesses que advinham à prosperidade colonial. 26 26 Transcrevemos aqui a íntegra da carta do Padre Inácio de Toloza ao padre geral. outro célebre chefe das aldeias de Sergipe. todos em grande desejo de levar padres que os ensinassem as cousas de sua salvação e como era gente que antes estava de guerra. se não fora execução de uma ordem régia para conquistar-se Sergipe. quase todos queriam ir com ele. ―Agora vou cantar a V. o que até aqui há succedido na missão de Gaspar Lourenço‖. roubando-lhe as amantes. o Padre Gaspar Lourenço percorreu uma grande extensão de seu território. a permanência dos soldados no litoral sempre foi um motivo de susto para os naturais. fugindo os seus habitantes para a de um de seus chefes. cinqüenta e sessentas léguas desta cidade. ordem ao governador Luis de Brito a conquista. porque tiraria da raça conquistada o temor e o receio que sempre nutria a respeito dos conquistadores. como diziam. se despediu dela o padre. quando ela moralmente já estava efetuada. Entretanto. quando. Devemo-la à bondade do ilustrado Dr. Viram do Rio Real. com alguns homens brancos. filhas e irmã. Capistrano de Abreu. quanto a missão de Gaspar Lourenço tinha demonstrado as tendências daquela tribo a cristianizar-se. Nesta primeira missão que fez em Sergipe. As mais esperançosas probabilidades estavam realizadas para uma conquista pacifica que traria para o seio da civilização os habitantes dessa circunscrição. aliando-se á raça conquistadora. que veio transtornar os planos pacíficos do padre. na parte relativa às missões do Padre Gaspar Lourenço em Sergipe. muitos índios principais das aldeias comareans que estão naquelas partes: quarentena.padres fazem-na erigir. e grandes e pequenos subiram com eles boa parte do caminho e se não se puzera numero na gente que havia de levar. com desejo de haver la alguma provocação. 51 . com o auxílio do índio e dão-lhe o nome de aldeia de Santo Inácio. sem ter commercio com os brancos. P. porque todos os desta aldeia se puzeram em um pranto. Deixo de contar o sentimento que houve em aldeia de S. Enviou também o governador Luiz de Brito um capitão. aguardou-se alguns mezes para ver se vinham bem movidos e constando claramente que Deus os trazia pareceu serviço de Deus aceitar esta empresa e assim no mês de fevereiro de 75 partiu o padre Gaspar Lourenço (que é grande língua entre eles muito afamado) com o irmão João Salonio. Antonio. A coroa que nunca pensou nessa conquista. a ensinar-lhes as cousas de sua salvação. sentindo muito apartar-se deles o padre. Pelo caminho a ocupação dele padre foi ensinar a doutrina aos Índios e brancos que iam em sua companhia. viriam desassombrados colaborar na grande obra da civilização. mas não foram mais de vinte. se causas posteriores não vivessem anular seus esforços. agora. Acredito ser a primeira publicação deste preciosismo documento. este processo de conquista ocasionaria benefícios resultados. A devassidão da soldadesca levantou o tumulto nas aldeias que ficaram desertas. Ficaram frustrados os esforços do jesuíta Gaspar Lourenço. de suas almas. talvez não ficasse inutilizado o trabalho do jesuíta. que tiveram de fugir para a aldeia de Apéripé. Cativou a simpatia dos índios e ter-se-ia antecipando a colonização de Sergipe.

Um índio de nossas aldeias ia tangendo a campainha por toda a aldeia e assim acudiam muitos diante da casa. porque não era batizado a ele com grande tristeza disse chorando: pesome muito disto. porque estando em roda dela. batatas. dizendo todos juntos as ladainhas. se levantou contra eles um principal e os fez guerra. Folgaram todos muito ouvindo isto e deram desejos de aprender as coisas de Deus. Outro dia pela manhã começou o padre a dar a razão aos principais da aldeia. à tarde e a noite. e depois de todos mortos e a água passada. onde moravam e era uma moça da escala de S. E como todo aquele caminho é despovoado. antes de começar a jornada. e isto fez todo o tempo que esteve ausente. os ensinaram à doutrina com grande consolo de todos. Sabendo os da aldeia que vinham. com que a haviam levantado. Thomé. passou a visitar uma aldeia de Índios. como farinha. e por isto fazia esta festa ao padre e o abraçando apenas o levou para sua casa. dizendo já meu filho é morto. O principal daquela aldeia. declarando lhe a historia do Gênesis.Pela manhã. quando se viu sem Igreja levantou as mãos para o céu. Já à noite no fim de sua jornada. pedindo a Deus que os desse prospera viagem. Um principal conta a ele uma historia que eles têm por certa para explicar sua origem. e fizeram juntos dela casa em que morassem e pudessem ter concerto religioso e de ali a poucos dias levantaram uma cruz de alguns oitenta palmos. que ia com ele. ouviram grandes vozes diante da casa. onde com muita caridade repartiam com eles a pesca que tomavam e o padre provia também os necessitados. que foram a principio cinqüenta e depois chegaram até cem e em breve tempo sabiam as orações e a um que principalmente residiu com os índios. e depois muito anciado tomou um dardo. por que para eles principalmente era enviados. para que vigiasse pelas casas e que estava ensinando a doutrina aos meninos das aldeias e depois os fazia persignar e santificar por si a cada um. dizendo: Bendito Sr. muito formosa. acrescentando que por isto estão desunidos e não tem nada porque tudo perdeu com a água. Logo começou o padre a ensinar-lhe a doutrina pela manhã. de sua vinda. com muitas caridades. aconteceu que os seus por não quererem ser bons. mas corrupta. lhe explicou a verdade. ate chegar como Noé fez sua maldição à cham. Sebastião que o padre havia deixado. Chama-se a Igreja de S. como todos os Índios que tinham em sua companhia. Thomé os consolou Deus Nosso. consolando-os com dizerlhes missa e confessando-os e um dia volvendo para esta aldeia de S. até o Rio Real. Dizendo que em tempo passado. Pesa-me do tempo passado. Deus que vejo já em inteira gloria isto é o que desejava. Chegaram todos com boa disposição ao Rio Real a 28 de fevereiro e deixando o padre o capitão aposentado em lugar apto. porque o havia morto em sua aldeia um filho foi logo ao padre. o apostolo. e cousas semelhantes. faziam o mesmo. mas era tanta a gente que vinha a visitar o padre. que quase todo o dia gastava em trabalhos a consolá-los e assim o dia seguinte se acabou a Igreja. saíram todos com grande alegria a recebê-los. dizendo que vinha manifestar-lhe a lei de Deus e ensinar-lhe o caminho de sua salvação e livrá-los da cegueira em que estavam e começou logo a fazer uma maneira de Igreja para dizer missa e ensinar-lhes a doutrina. que estava seis léguas d‘alli. me baptize para ser filho de Deus e não ir ao inferno. e que ficou toda a gente espantada com ver a veneração. que a cousa é muito longa de contar. Ouvindo o padre isto e entendendo que tinham alguma noticia do dilúvio. donde o padre os ensinava as causas de nossa santa fé e o irmão tomou cargo da escola dos moços. acudia também com alguns brancos que estavam de ali a algumas seis léguas. trazendo cada um algum presente ao padre. recolhiam-se em algumas choças que os índios faziam. com grandes choros. e deu com eles em terra e fez que se abrissem as fontes e se apagassem todos e que elle fez uma casa de folhas muito bem tapada ahi se defendeu da água. Este principal pregava pela aldeia que havia sido causa que se perdesse a gente que em tempo passado fugiu das aldeias. dizendo que eles descendiam desde cham e por isto andavam todos apartados de Deus. saiu e assim começaram as gerações. repartindo-os por todas as casas. que foram nove dias. e foi hospedado de um principal. por ventura vai ao inferno? O padre respondeu que sim. É sempre foram assim e muitas vezes descalços pelas águas que haviam de passar. porque fez burla dele. conforme sua pobreza. assim daquela aldeia como das outras. assim ele. mas todos foram com grande paz e alegria. 52 . onde se disse missa. Em meio do caminho pela nova a um principal. O que isto disse. como costuma fazer.

dizendo que haviam sido soltos. E assim se despediu sem fazer mais palavras. 53 . O terceiro foi de outra índia muito enferma e estando o padre falando nas coisas de sua salvação. foi de todos muito bem recebido e diante de todos deitou o padre uma pratica por grande espaço. terror do homem. nem envias nada. Outro principal enviou em busca do padre um índio. mas o Curubi não pode descansa. Outros também em sabendo que ia o padre. que ele haverá sido causa de todo seu mal. porque onde estava nem conhecia quem era. e dando conversa ao irmão para que o levasse em uma rede ao que ele não quis ir que não era bom estar com aquela ruim gente. Daqui tomaram ocasião à gente entre si que não havia entrado em a aldeia com boa intenção. sim que ficou tão confundido com a pratica do padre e tão atado de pés e mão. veio correndo pra onde estava o padre. Deixando tudo que tinha entre as mãos. e assim foi forçado o Padre dar-lhe carta para contentá-lo. sim para apoucados e baixos e que não era outra coisa senão homem que o Padre era. do qual todos se temiam. dizendo que as Igrejas não eram para filho de príncipas. que estão acolhidos. sem o que haviam de mostrar aos padres e aos brancos e não só não recebiam os padres. isto dizia por que de mil almas que havia naquela aldeia de S. visitando o padre a aldeia a achou já a cabo e depois de bem instruída nas cousas de sua salvação a baptisou com muito conselho e d‘ahí a poucos dias foi gozar de seu criador. dá-me uma carta tua para que leve comigo. mas as obras mostraram que não foi esta sua intenção. dizendo que não queriam Igreja. este em sabendo que o padre havia chegado àquela aldeia. olhando-o e dizia que não podia mais falar e assim se tornou para sua aldeia. o marido tinha já preparado para o batismo e ela com grande desejo que tinha de batizar-se. que toda vida havia andado entre brancos e nunca tinha sido baptizada. desampararam suas aldeias e se foram a morar pela terra dentro e a uns o Padre enviou muitos recados dizendo-lhes que não temessem. porque em os tempos passados tinha morto alguns brancos e nunca havia podido aceitar sua amizade. Thomé as quinhentas eram escravas. que em tempos passados foram de seus senhores. o padre respondeu que então não podia ir. agora será. vendo aquilo. Este índio pelas aldeias por onde passava ia pregando que ia a busca do padre. dizendo-lhe: vem padre. sim com desejos de quebrar a cabeça do padre adiante de todos. varrendo a casa onde haviam de morar. logo o enviou a visitar por um irmão seu.Teve em estes dias muitas visitas dos principais do Rio de São Francisco e de outras partes. todos vinham pedir ao padre que os fosse visitar e fazer igrejas em aldeias e o principal de todos foi um índio chamado por estas partes Curubi. e de ali a pouco foi goza de seu criador. não a guardavam outra coisa senão a ida dos padres para ir a goar de um creador.. pois envia o irmão de tua companhia. Despediu o padre a este índio dando-lhe esperança que o iria visitar. nem sabiam estimar e que alguns tocavam Deus o coração para recebê-lo de boa vontade. Alguns baptismos fizeram em pessoas. pedindo-lhe com muita instancia que fosse a residir em sua aldeia. baptizou-a o padre e d‘ hai há poucos dias se foi a gozar de seu criador. agora será. O segundo batismo foi de uma velha. mas enviavam recados a outras aldeias que de nenhuma maneira os recebessem. que parece. que devem ser os que Deus escolheu para bem-aventurança. e havia alguns que estavam esperando. vendo já dar remédio a algumas almas que custaram sangue do filho de Deus. Estas foram às premissas do Rio e estas me parecem não ser os patronos daquela cristandade. se viveram a meter com os nossos. todavia alguns se separando do principal. mas com isto mais se endureciam. com tanta eloqüência e fervor que deitou o índio espantado a não saber que responder. que a vida de fundo está para morrer. se levantou da rede em que estava muito enferma.. Respondeu o índio. ate estar a terra pacifica e elas bem instruídas nas coisas de nossa santa fé) que ficaram disto tão consoladas que todo trabalho que levaram todo caminho lhes parecia nada. O primeiro batismo foi de uma vida que estava já para expirar e vendo-a um índio Tapuia que ia a companhia do padre que apenas sabia falar a língua. e que tornou todos os gentios atônitos. que estavam em extrema necessidade (porque as demais deram ordem que não batizassem. foi logo o padre e batisou-a com a salvação a costumada. Deu-lhe o padre razão que não se podia fazer. pós lhe o nome de Maria. ate não trazer o padre com alguma gente de sua aldeia. porque vinha para dar remédio a suas almas. já que não vás.

e alguns moços discutiram depois que tinham isto determinado entre si que se os brancos viessem sobre eles. Outros vieram à noite ver si os padres estavam em as redes e quando os vieram muito alegres. estando os índios bebendo. acrescentavam também que o padre tinha fugido. Antes que o padre partisse para o Rio Real. e assim breve vereis como dão em nós e serão todos presos e captivos. tomou as mulheres aos índios que os tinham e do cuidado dela a um índio de Santo Antonio e desta maneira ficou o demônio frustrado em que desejava. Acrescentou-se a isto que uma índia. Os que não tinham culpa. usou de diversos meios. e o Curubi entra neste elleito. mas não era menor o medo que tinham os nossos especialmente de outros brancos. algumas gentes suas devotas ajuntaram-se muito sentidas a consultar o que havia. por estarem enfermos e temer que morressem sem baptismo. Se os brancos não deram não derem guerras. isto é o que desejamos. para isso viemos. O primeiro foi logo a principio. comeram e tomaram suas mulheres por mancebas. dizendo que nem aquilo havia de ser bastante para deixa-os. os índios estão em concerto de metal-os está noite. como para os brancos pelo medo que todos tinham da morte.porque não sabemos o que há de acontecer. fazer-lhe alegria e depois os capitval-os e entregal-os aos brancos. para que se travasse guerra e desta maneira se impedisse a christandade. Também desta vez ficou o demônio burlado. Uns diziam: vamos a sua busca. disse ele. mataremos nós outros primeiros e fez-se a um indo principal que morava com o padre. Estavam alli alguns principais e disse o padre: enfim que mataste seus filhos e os comestes e sabendo que eu vinha ensinar-lhes cousas da nossa salvação. chamou os principais e disse-lhes: esta fama ai. porque já somos filhos de Deus e temos igreja. porque diziam estar desapercebido . que se haviam de metter todos em a Igreja e dizer-lhes: não nos captiveis. mas que não tinham propósito de fazer mal a ninguém que bem sabiam que eram mentiras e com isto se despediam do padre.com medo e foi dar rebate ao capitão que estava seis léguas dali dizendo que os indos estavam levantados e queriam matar os padres e como em estas novas comumente se acrescenta . um delles fugiu aquella noite .logo nos vem recado desta cidade que os padres dão já em corda para come-los e toda cidade estava alvoroçada com isto . seja esta noite. O Padre como viu os índios com aqueles medos e enganados com mentiras. não o deixemos ir. ouviu os dizer. Deo logo conta disto ao padre a ao que os índios com as más novas estavam não com medo dos brancos. Outro escravo que fugiu dos brancos. sem sua licença e alguns índios do Rio Real pouco afeiçoado a Igreja. mas o padre dissimulou o melhor que poude. e elles então descobriam a verdade: que aqueles escravos lhes haviam dado aquelas más novas. que é o tempo em que ella consultou suas guerras. que estavam na companhia do padre. vendo o demônio tão bom princípios na conversão daquelles gentios e que já começavam tirar-lhes as almas da boca. Outros diziam: durmamos junto dos padres. Estando as cousas desta maneira. Mas aquela noite foi muito trabalhosa. Quando o branco fugiu. e entenderam que o que o Padre pregava era verdade e o que os escravos diziam era mentira. foram seis índios com suas mulheres da Aldeia de Santo Antonio adiante delle.mas em breve tempo se soube a. mas eu quiz. Outro meio foi pelos próprios índios escravos daquela aldeia.Depois batizou o padre outros quatorze innocentes. O principal desta aldeia chamado pepita disse a sua mulher: si o padre fugiu tomemos nossas redes e vamos com elle. começou a levantar as tempestades acostumadas para impedir está obra. mas o padre não supôz nada disto até estar no Rio Real. que nos quereis matar si isto é assim. onde vendo as mulheres que pouco antes havia casado perguntou: que é de vossos maridos? Responderam chorando estas índias: mataram. mataram. antes da manhã. assim para os índios. si alguns os vierem matar morremos também com eles. e o mandou que o ajudasse a atirar. foi-lhes dar as mesma novas. Isto urdia o demônio. 54 . quais todos promptos em armas.verdade. porque os índios ficaram mais confirmados na paz. por um deles começou a pregar que os nossos tinham por costume ajuntar os índios. e disse-lhe. dizendo que bem os haviam dito e que não se ficassem nos brancos e que havia já chegado um barco com artilharia para seu senhor. nas quase tanto annos senhoreavam. escusavam-se.

por bom espaço pela conservação dos gentios. e que ia pôr os Padres em perigo de vida. vendo um gentio que iam os círios diante da cruz. a que fez o padre: depois. e os mais honrados eram os primeiros 55 . E até que depois mandou os dessem alguma cousa para comer e foram quatro espigas de milho. e ascendeo-a e poz-se também junto da cruz. preparemo-nos para vingar a morte. mas o Padre confiando na graça de Deus começou seu caminho sem querer levar ninguém da aldeia. e como vinha a dar remédio as suas almas e acabou depois do meio dia.que escreveram os mesmos à camara desta cidade muitas cartas. o que foi maior espanto. E no tempo em que o Padre residio nesta aldeia. passou a visitar as aldeias comarcans onde há tanto tempo havia que o desejava. pimenta. fal-os resgates injustos. Acontecia-lhes ir mais de meia légua PR um Arroyo que dava a água. Passaram por algumas partes que as hervas os cortavam as pernas. Dissimulei o melhor que pude. todos a uma boca diziam e pregavam pela aldeia: vae o Padre morrer. por mui ruim caminho: foram mui bem recebidos e apresentados em a casa de Surubi e os Padres estiveram um grande espaço em pé diante delle . aos saltos que fazem . mas claramente mostrei-lhes que o haviam escripto era falso. disseram que folgavam muito com sua vinda e que queriam igreja. esta foi a ocasião para dirigir e escrever ao Governador muitas cousas contra os padres. foi correndo a sua casa e achou uma candeia. Foi uma partida muito contra a vontade dos Índios desta aldeia. se não só seu companheiro. como aconteceo agora. e isto pretendem quando vem entre elles remediar sua pobresa ao em que perdem suas almas e como os padres.O posterior meio que tomou o demônio para impedir esta obra. em que mostrava sua simplicidade: outros índios estando na Igreja e vendo a imagem do crucifixo estiveram muito tempo de joelhos vendo-a e um índio desta aldeia os ensinava o que sabia e entendia. as vezes do joelho.. foi não menos efficaz que os passados.. Eu entendo esta manha que o demônio não desejava outra cousa senão ver os padres fora. começou pela manhã a pregar-lhes as cousas de sua salvação. onde quer que estejam sempre os vão .. Thomé e a gente pacifica. que puzesse remédio a isto. e elles mesmos diziam : vóz outros sois causa. porque nós outros somos pobres. E deram a entender que dariam guerra aquella terra. que não cabiam nelles. confiança tínhamos que nos defendesse. que estava deitado em sua rede sem falar-lhes uma só palavra. que eu havia de enviar prestes o Padre Luiz da Grãa para ajudar aquella chistandade e assim me informaria da verdade e assim foi. e com grande sentimento. dizendo que os padres eram impedimento. por ser por montanhas em terras muito fragosas. passaram em estes caminhos grandes trabalhos. e os ajuntasse a todos que lhes desse razão de sua vinda. Em uma procissão. e por fructa tinham alguns caranguejos que os índios trazia seis léguas d‘alli. Depois de haver o Padre convertido a aldeia de S. A primeira aldeia onde entrou foi a do Surubi que está a dez ou doze léguas de S. isto diziam pelo temor tinham de Surubi. dizendo-me que os padres impediam as cousas do serviço de Deus. enganando os índios. Ficaram contentes e todos a uma vez. como é tornar-lhes suas mulheres e filhas por mancebas. mas os gentios ver os escravos que . parece que aguardava que o padre começasse a prática. Mas com tudo isto como a obra é de Deus. dizendo que costumava sempre dar uma orelha aos padres. que os escravos não voltassem aos seus senhores e assim veio a camara com todos seus officiaes a dar-me quechas delles. E assim logo ao outro dia começaram a cortar madeira para Ella. e algumas vezes tinham disciplina todos os cristãos. porque havia cousas porcas que elle merecia ser cosido em uma caldeira. Deo-se a isto tanto crédito que não faltou quem dissesse que enviasse loco a chamar o Padre Gaspar Lourenso. enramando a Igreja e as casas. a comida não era mais que bananas e farinha molhada em água. se fizeram algumas procissões solenes. accrescentava-se a isto a falta de mantimentos especialmente que a quaresma os obrigava a jejuara. e nasceu dos próprios brancos que o Padre levou em a sua companhia e aqui já o tinha feito muito boas obras porque como estas commummente diziam. fazendo-os vender sés filhos e parentes e como também os estorvam os pecados que entre eles fazem... Thomé. e não podiam andar calçados por haver muitas águas e atoleiros.. porque o Padre depois que foi visitar aquellas partes me escreveu estas palavras: todos certificam o contrario do que se escreveu do Padre Gaspar Lourenço e assim pela bondade de Nosso Senhor nada aproveitaram aos demônios as invenções que buscam para impedir a chistandade e em que nunca cessa de buscar ardis.

que tinha prometido de vir a igreja de S. mas os índios os aconselharam que não se fiasse nelle. que estão guardadas para os não baptisados. Dahi passou a outras aldeias. mas que si elles queriam ser chistãos e amigos dos brancos que tivessem por certo que não seriam aggravados. Para confirmar-se mais o Surubi nas pazes enviou um irmão seu com alguns índios a ver o governador e nossas Igrejas.a carregal-a a trazel-a às costas até o mesmo Surubi e assim em breve tempo a acabaram. e assim o fizeram com muita alegria dos índios e logo levantaram uma cruz e fizeram uma igreja da invocação de S. dizendo não temos arder como este fogo? Mas nem isto bastou! Assim morreram. e ahi esteve o Padre alguns dias ensinando-lhes as cousas de sua salvação. foram bem recebidos e o governador os mandou dar de vestir e algumas ferramentas. prepando-lhes o Padre a virtude do santo baptismo e as penas do inferno. mas como era necessário acudir o Padre as outra aldeias. Desejando o Padre ir visitar outra aldeia que é postera de todas. parece que já ao demônio estavam entregues aquellas almas. que também elles tinham morto muitos brancos. mas o Padre ficou com muita dor de ver sua perdição. claramente respondiam. porque todos estavam cerrados com as arvores. servido de dar aviso ao Padre disto e foi desta maneira: um índio daquella aldeia enviou um filho seu ao padre mui depressa. Foi grande a alegria que tiveram em este encontro. não queriam ser baptisados. Pedro e S. Ignácio trouxeram gente de duas ou três aldeias. mas antes de algumas aldeias comarcans veriam alguns para defender o Padre e tudo foi necessário porque haviam já enviado índios a tormar-lhes os caminhos. o Padre respondia que ao passado não sabiam dar remédio. O primeiro que fazia em entrando em uma aldeia. porque o principal estava determinado em quebar-lhe a cabeça. Paulo. Em uma aldeia um principal estrangeiro começou a falar contra os Padres. respondeo-lhe: bem podeis dormir com o sono de pousado. O Padre fallou com o senhor da aldeia e perguntou-lhe se estavam alli seguros. Paulo. dizendo que de nenhuma maneira entrasse na aldeia. expurgando-os de seus feiticeiros. se os ensinavam a doutrina em a casa e acudiam a ela grandes e pequenos de muito grande vontade e como não tinham costume de ver brancos em suas aldeias estavam todos attonitos em vêl-os. mas o demônio o tinha já outra vez pervertido e estava com mais desejo de comer o padre. do que se fazer christão. dizendo que procurava acudir a todas as partes e assim 56 . Tomé. Tinha aquella aldeia mais de mil almas: enquanto não tinham a igreja. Outro dia mandou Deus o coração ao outro principal e foi a visitar os padres e deu mostras que o presava do que tinha dito e pedio ao Padre que fosse também a sua aldeia. abrindo-lhes os caminhos por onde haviam de passar. como se fora muito tempo que os conversaram. em que os brancos os tinham feito grandes damnos. assim os nossos. Então tomou o Padre um tição e o poz juncto do enfermo. outros seus filhos. que causou nelles não pouca tristeza. temendo que os iam ajuntar para seu mal e assim diziam porque estavam muito escandalizados dos tempos passados. era visitar se havia alguns enfermos em extrema necessidade. se fora cousa vinda do céu e quando sahiam de casa. que não tinha que ver com os brancos. como os índios e logo repartiram com o Padre o que traziam. em outras não os faziam bom rosto. porque a cobertura era de palha que há muito por aquellas partes e é a da invocação do glorioso S. porque chegaram véspera de S. Uns se queixavam que os haviam tomados suas mulheres. que não haverá em minha aldeia quem se atreva a fazer-te mal e pois entrastes em minha casa. Foram todos mui contentes. Depois de deixar o Padre quietos e animados os desta aldeia de S.mas foi N. os índios não só o consentiriam. mas o Padre consolou-os. Já de noite. e dque para isso tinha já se reunido com elle. Ao segundo dia da jornada encontraram com uns principaes. mas seguramente os passaram levrando-os Deus de todos os perigos e dando a volta para a aldeia de S. Ignácio. porque há muito tempo te conheço por fama e que não dizias senão muito bem. estava pouco tempo com elles. em busca de um principal. mas o Padre consolou-os dizendo que também era necessário dar as voas novas do Evangelho as outras gentes. Alguns índios que iam com os Padres estavam atemorizados. onde morreres tu eu morrerei com minha gente. para ajuntal-os em uma igreja juncto do mar. todos como sahiam as casas para vel-os grandes e alguns pequenos perguntavam se os padres era gente com quem se podia converssar e habitar. dizendo que os havia de quebrar a cabeça. folgo muito de ver-te. Thomé de que na minha. S. com caridade e fizeram uma choça em que repouzaram esta noite e depois foram a sua aldeia onde foram recebidos de toda gente com tão grandes mostras de amor. vendo o conceito que tinham os christãos de nossas aldeias. e o padre ainda que quizesse com tudo isto passar. que não temiam o fogo do inferno. em algumas foi mui bem recebido. Ficaram os índios muito consolados e fazendo já as casas para sua habitação. e o dia disseram missa e ensinaram a doutrina e pregaram. que os vinham esperar ao caminho.

veio tão manso como um cordeiro. 3.Sendo informado D. especialmente um. Isto é o que aqui aconteceu no rio Real. Mas dava-lhe também esforço que no caminho passando pelos trabalhos. em contrabando. e foi recebido de todos com grande caridade e alguns pediram o santo baptismo. tirando-lhe os produtos naturais que.P. a caridade com que trazia era muito. que antes havia ameaçado os padres. sempre foi a pé e muitas vezes descalço pelo caminho. para que os que iam em sua companhia tinham a casa onde haviam de passar. que ia o Padre visital-os sahiu muita gente ao caminho a recebel-o. Deus por sua infinita bondade os dê perseverança no bem começado e mande para tanta messe. estando já a morrer. que o dia antes quando soltou algumas palavras foi porque não estava em seu entendimento e assim depois de bem instruída. Escusava. que auferiria grandes vantagens da ocupação de seu resolve a visitar as outras igrejas.28 A colonização de Sergipe pelos franceses prejudicaria mais tarde os intereses da capitania da Bahia. levando algum refresco. Ignácio Toloza. Thomé baptisaram outra índia. op. 441. Ignácio. que todos daquela comarca se resolvem a fazer igrejas . para conquistar e explorar tais regiões. enramada e com alguns arcos. dizendo que ia em peregrinação a S. vieram alguns índios de outras aldeias a falar com o Padre e a pedir-lhe para fazer-lhes igrejas em suas terras. e assim que quando o Padre lhe fallava. com os tupinambás. Logo trouxeram alli todas suas. expediu ordens ao governador da Bahia Luiz de Brito. Dahi foi o padre onde estava o capitão a confessar alguns homens brancos onde também se fez muito serviço a Deus apartando-os de muitos pecados e fazendo-os pedir perdão do escândalo que o haviam dado.. porque viam já com seus olhos o que desejavam. parecendo-lhe que só se batisasse logo havia de morrer que lhes ensinava o demônio. dizendo que só o Padre era seu irmão e o Padre perguntou-lhe que era sua determinação e elle respondeu-lhe que era cousa tão importante. a baptisou o Padre e assim dahi a três dias foi gosar de seu creador e enterraram-na na porta da igreja com a solenidade que se costuma em nestas aldeias e ficaram todos admirados de vel-o. Não sofrer outra cousa e senão que um homem honrado que ia em sua companhia lhe offerecia sua cavalgadura de muita boa vontade nunca quis aceitar. mostrava pouca vontade disto. Prometteu-lhe o Padre de ir a Ella e assim o fez dahi a poucos dias . que infestavam a costa. estava três légua de S. onde os franceses . porque como os padres agora não batisavam senão aos que estavam à morte.e a um que era cousa pouca. Thomé. Mas outro dia visitando-a elle padre e dizendo-lhe que se não queria o inferno era necessário batisar-se. língua. Em traram todos com o padre na igreja e animando-os a perserverar no bem no bem começado. 7 de setembro de 1575 Indigno filho de V. ella disse que o desejava muito. levando por companheiro o irmão Francisco Pinto.I. que não era bom determinar-lhe de baixo de casa alheia. It. eram conduzidos pelos mercenários.. Vieram também logo das outras aldeias comarcans a visitar o padre dizendo que se queriam ajuntar e ter igrejas. Thomé. e a alegra que o padre Gaspar Lourenço e seu companheiro foi mui grande. 27 28 Itanhi era o nome indígena do rio Real.. Southey. Sabendo que os índios da aldeia de S. exploravam a região. Neste collegiado da Bahia. em paz. Rocha Pitta. op. §61 57 . conforma sua pobreza. Cit. parecia um mancebo de vinte anos. a qual aceitou com grande caridade e desejos de padecer muitos trabalhos por amor de Deus e assim foi este caminho obra de quarenta a cincoenta léguas. Vendo como o nosso senhor punha os olhos na gente de Marial pareceu necessário prover de mais obreiros e pelo Padre Luiz de Gran que tinha muita experiência na conversão destes índios e ser de todos muito conhecido e amado . que fosse a sua aldeia que se lhe diria. Sebastião pelos habitantes da zona compreendida entre os rios Itapicuru e Real27 da utilidade de fundar-se um estabelecimento junto a este último rio. responderam que faziam o que elle queizesse e que passariam a aldeias onde o senhor (?) mandasse e assim a passaram junto do mar para poder ser melhor visitada.P. foram de todos recebidos com grande louvor e depois de haver o Padre fallado. dando-lhes esperança que os iria visitar prestes e assim me escreveu. Na aldeia de S. pareceu-lhe que em baptisando-se logo havia de morrer. pareceu serviço de Deus pôr-lhe nas mãos esta empreza. a todos consolou o padre.. e como ser já o padre velho de mais de cinqüenta annos.

que media 500 léguas de comprimento e 100 de largura. sendo presos Serigi e Aperipé 33 e mais de mil e duzentos índios enclausurados na igerja de S.II. que foi um dos primeiros feitos do seu governo. cuja sede era a cidade de São Sebastião. Tratado descritivo do Brasil em 1587. Provavelmente estas lagoas não ficam em território de Sergipe. Leal. com os quais vai efetuar a exploração do rio Real. I pg 274. Gaspar de Madre Deus. rompendo a luta. entregando a Garcia d‘Avila29 rico fazendeiro do recôncavo da Bahia. A. 32 V. Surubi. 34 Dr. para não consentir na precipitação de uma tentativa que levada a jeito. Vicente de Salvador. a exploração. 14. Cit. Villa Real de Piagui. incendeiam as aldeias e volta Brito para a Bahia. como Pernambuco. na distancia de 50 léguas. Brito obtém vitória na luta. em que morre Surubi32. que foi o primeiro governador das capitanias do Norte.p. uma de água salgada. O primeiro afirma ter sido o índio Aperipé preso por Luiz de Brito. Cit. uma povoação 30 que por distanciarse do litoral e dos lugares ricos de pau-brasil. resolveu-se a cumprir as ordens régias. Trava-se a luta com os indígenas. que 29 Gabriel Soares de Souza. porque como parte dos domínios da coroa.território. Salema. Luiz de Brito. a que D. de Porto Seguro. do Brasil. podendo alcançar a conquista. Os índios. 3131 V. Op.34 Os soldados devastam as habitações indígenas. porque suas lagoas não são de água salgada. a outra adjacente a esta. dirigidos pelos morubixabas Serigi. Sobre a Cap. de pimenta e outros produtos. Hist. op. o qual funda. onde todos morrem. 19. H. Cit. o Segundo diz ter o governador o acompanhado na fuga. Ao indígena tomou então caráter de verdade a suspeita da traição que lhe quiseram fazer os jesuítas. e Apéripé31 recebem o governador com hostilidades. Ao aproximar-se ele da aldeia de Santo Inácio. encontrando duas célebres lagoas. não teria inutilizado o trabalho de pacificação já tão bem encetado pelos religiosos. sem deixar seguras as bases de uma colonização. publicado na revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil Tom. E não obstante o grande reforço que lhes vinha dos franceses e que já lhes tinham ensinado o manejo da arma de fogo. não ficava sujeita à nova capitania. com a permanência dos soldados ao litoral e a aproximação de um corpo militar. Marco de Souza (Mem. 153. Tomé e depois conduzidos para a Bahia. pelo que Brito deu uma feição hostil à sua exploração. ao tributo da redízima feita aos donatários. não pôde obter vitória na luta com os naturais. foi abandonada por Brito e os seus depois que veio ao teatro da exploração de Ávila que por insuficiência de recursos. de 50 braças de largura. Um tal insucesso convence Brito da necessidade de rodear-se de fortes elementos. eles fogem e essa fuga indica o rompimento de paz entre os dominados e os dominadores. 3030 Guiado pela autoridade do Porto Seguro suponho ter sido esta povoação edificada no mesmo lugar em que está hoje a vila de Santa Luzia. Vicente do Salvador. de Porto Seguro. Provavelmente foi neste lugar onde ficaram acampados os soldados que acompanharam Gaspar Lourenço. Fr. confiando o do Sul ao Dr. a três léguas da barra do rio Real. De Sergipe) dá o nome de Santa Luzia do Piagui e Fr. Livro 3º Cap. em vez daquelas manifestações amistosas com que receberam o Padre Gaspar Lourenço. sem as cenas de carnificina que selaram esse feito de Luiz de Brito. 33 Saliento aqui a divergência entre Porto Seguro e Fr. Da parte do governador devera haver mais tino. depois que a coroa dividiu o Brasil em dois estados. É desta opinião Sacchino. Op. 58 .

soldados que os acompanhassem até lá. chegando ao Rio de Janeiro em 1567. Barreto envia então cento e cinqüenta soldados acompanhando os jesuítas. Manoel Teles Barreto. co quem continuaram a promover os males àqueles que tinham requerido a conquista. Do Brasil. que vota contra a aquiescência do pedido. feita ao governador da Bahia. em convivência com as tribos de Sergipe e delas recebendo em aparência as mais sinceras provas de amizade e confiança. quando as forças contrárias já tinham lucrado tempo suficiente para reconstituir-se. assim . a uberdade do seu solo. cujo resultado foi a conquista de Sergipe e sua colonização. depois que dali expeliram os Tupinais. Agora estudemos os acontecimentos que inspiraram a viagem de Cristóvão de Barros. pelo padre José de Anchieta. até que as armas de Cristóvão de Barros vieram destroçá-los e expeli-los. durante os quis o governo esqueceu os interesses da colônia. O procedimento altamente traiçoeiro do indígena exacerba o bom humor de Barreto nascer o desejo de vingar semelhante ousadia. Barreto reúne um conselho de cinco membros em que toma parte Cristovão de Barros. como a prosperidade da colônia. 1585). que fora provedor da Fazenda. por entre aldeias inimigas. pois. Manuel Teles Barreto. os laços de simpatia que ligavam seus habitantes aos franceses. mandaram pedir ao governador geral da Bahia. as suspeitas de Cristóvão de Barros. nele não vê senão uma alta traição. que por sua vez . foi o motivo dos índios de Sergipe pedirem ao governador que garantissem sua passagem. ordenando aos capitães35 Cristóvão de Barros era filho natural de Antônio Cardoso de Barros. (inform. ficando de todo esquecidas não só a ordem régia. realizando-se. Os indígenas de Sergipe por emissários seus. É esta a segunda missão feita em Sergipe. A discórdia que se plantou nos Tupinambás que habitavam entre os rios de São Francisco e Real e os da Bahia. cuja vontade dominavam e de cuja força física se serviam para a realização de seus intentos. reataram as relações com os naturais. já tinham rechaçado os Tapuias. de novos encontros de armas. no tempo de Tomé de Souza. porém. muito posterior àquele acontecimento. passando-se assim alguns anos. em vista das reclamações dos interessados. Veio para o Brasil fazendo parte da armada que el-rei mandou a Mem de Sá. são mortos. não seria por certo a traição dos indígenas de Sergipe. Sucedeu no governo do Rio de Janeiro a Salvador Correia de Sá. a ele ligada a causa determinante de novo assalto. por uma traição. O governo não se preocupou mais com a sua sorte. Se a exploração de Luiz de Brito não deu lugar à organização política de uma nova capitania. onde queriam receber a moral do evangelho. os quais. o pedido é satisfeito. Procuramos esboçar as causas da exploração de Luiz de Brito. 59 . em geral.confiou a Garcia D‘Ávila a quem não foi dado corresponder aos intuitos do governador. O representante do governo da capitania da Bahia vira as riquezas naturais da região. Não obstante este voto divergente. Os franceses voltaram. em 159035.

que então levantaram-se a disputar a supremacia do oceano à vencedora de Lepanto ―depois do desastre de sua gloriosa armada em 1588‖ Além desta circunstância acidental que ecoou no Brasil. porque não só os cargos da colônia continuaram a ser providos pelos seus filhos. Em geral se diz que a conquista de Sergipe foi motivada por uma ordem de Felipe I de Portugal. Ainda que o Brasil fosse indiferente à questão dinástica. seu movimento civilizador encontrava tropeços em fatos de outra ordem.Felipe II. contra invasões altamente prejudiciais. Se lá o valente Pirajiba era um perigo iminente à marcha da colonização de Pernambuco. Se o bem 36 Fr. não obstante termos empregados todos os meios na obtenção de crônicas. quando não em estímulo de maior expansão. pelo pouco ou nada que se tem escrito a esse respeito. que se preparassem para conquistar os domínios de tais indígenas. Felipe de Moura e Pedro Lopes Lobo. Este fato era bastante para promover a conquista . aqui o ruminar de uma vingança dos aliados e parente de Serigi. são circunstancias por demais importantes para inquinar de inverídicas as asseverações que passamos a expor. pelo menos uma garantia de segurança. sua história é cheia de ensinamentos. livro 5º cap. A grande seção de tempo que nos separa de tal acontecimento.36 Preferiu-se a conquista da Paraíba à de Sergipe. Uma contra –ordem do governador suspende os preparativos bélicos dos dois capitães. como conserva ela o monopólio do seu comércio.mores de Pernambuco e Itamaracá D. etc. ordenando-lhes que socorressem a Paraíba. fato este que motivou a entrega de seu trono a um monarca de outra nação. Op. como a que se preparou em 1589 em Sergipe contra ele. quanto difícil. Entretanto. memórias. para devidamente estabelecermos sua causa determinante.ao trono de Portugal. sentia grande insuficiência de auxílios vindos da metrópole. A capitania da Bahia para satisfazer a necessidade da expansão colonial. que a requerimento dos habitantes da zona entre os rios Real e Itapicuru. Traçar as causas de sua conquista é um empenho tão importante. Cit . Eis a razão mais provável do adiamento da conquista de Sergipe. até que nela visse o governo da Bahia. Surubi. Alvo do comércio dos franceses e índios. pela parcialidade e antipatriótico julgamento de cinco juízes e mais do que isto. Vicente do Salvador. e cedo esse sentimento manifestou-se. manuscritos.vencedor da batalha de Alcântara. Sebastião. pela intervenção das armas do duque d‘Alba. a escassez de documentos sobre que possamos externar uma afirmação uma afirmação positiva. 17 60 . que se enlutava pela perda da sua nobreza e de seu cavalheiroso rei D. e seus assaltos. Explica os fatos obscuros da história geral.que veio demonstrar os direitos do rei de Catella. e Aperipé podia ser comprometedora à capitania da Bahia. todavia ele a converteu em novo alvo para os tiros das potências marítimas. francamente autorizava que fossem expelidos e se promovesse a colonização da terra. se a marca da colonização fosse próspera. nos campos de Alcácer-quebir.

para quem era indiferente a condição precária desses indivíduos. Era uma animação. junto ao rio São Francisco. o mesmo não sucedia com os membros do governo colonial. aproveitou as garantias do cargo que então ocupava e que lhe assegurava probabilidades de bom sucesso. Sesmaria do Braz de Abreu. não seria por certo as determinações de um rei intruso. os franceses conceberam o projeto de atacar a cidade de São Salvador. pelos Caetés. indo eles pelo mar e o gentio por terra. dominarem a vontade e aguçarem o apetite de sangue e da presa. nas arriscadas empresas em que atiravam-se com a raça indígena. os seus delegados não procederam com o cumprimento restrito e absoluto de seus desejos. não iria abrir a luta se razões mais poderosas não falassem a seu espírito. com profundo descontentamento da nação portuguesa. a hospitalidade com atenções. a ela reuniu-se uma causa de maior valor. cláusula indispensável para a realização das guerras. e disto já tinham dado provas dede Luiz de Brito. depois do esforço de Luiz de Brito para desbaratar as forças inimigas. por morte de seu governador Manuel Teles Barreto (1587). Por certo Cristovão de Barros. bastante parciais para esquecer o direito de herança de D. segundo a lei corrente.público repercutiu no coração do rei a inspirar-lhe uma deliberação altamente útil a esses infelizes habitantes. cujas riquezas compravam com quinquilharias. A asseveração baseia-se em documento irrefragável. e quando elas já se tinham reconstituído para apagar todo o vestígio da vitória. porém. antes que o plano tivesse começo de execução. para dirigirem o pensamento. que já assustava a sede do governo colonial. Fazendo ele parte de uma interinidade coletiva. por isso que se preparavam para assaltar a Bahia. transpirou.eliminar a concorrência dos franceses com os naturais do Rio Real. todavia. Sem contestarmos a veracidade histórica da ordem régia. O segredo. a causa rela de uma conquista cheia de perigos e incômodos. Conspiraram. Catarina. Os sucessos de Villegaignon não lhes eram talvez desconhecidos. cuja ascensão ao trono fora resolvida por uma junta de juízes. Livro de Sesmarias. ou foi traído. Se esta circunstância muito influiu para ser Cristovão quem se pusesse a frente da expedição. Não é uma mera hipótese que aventamos. a amizade com complacência. como sucedeu entre Luis de Brito e D. Se a vontade e ordem de um soberano legítimo. que assumira as rédeas do governo da Bahia. Julgando-se fortes pelo concurso da raça indígena. porque a notícia chegou à Bahia. ao simples aceno de suas veleidades. que só quis fazer uma carnificina sobre os infelizes indígenas e o exército uma pesquisa de escravos. tiramos-lhe. Sebastião. Foi uma verdadeira bandeira. para punir e vingar a morte de seu pai Antonio Cardoso de Barros. o valor de causa determinante da viagem de Cristóvão de Barros. 61 . Perigo era iminente e convinha 3737 V.37 A época era de tentativas aventurosas.

Manoel da Fonseca.que com mil índios e cento e cinqüenta homens. Francisco Fernandes. Isto transmitem a Cristovão que apressa-se em defendê-los. onde alcançaram colocarse em posição altamente defensiva. em fuga foram centralizando-se em um ponto. Antônio Vaz Jaboatão. nem tampouco fundar estabelecimentos. de livrar os colonos do rio Real e Itapicuru das hostilidades praticadas pelos índios. em vista do numero superior de índios e da posição que ocupavam.dois galpões de dado e uma peça de colher e abre caminho por entre florestas virgens. que lhes servem de guia. Pero da Lomba. Jorge Coelho. sobre os quais suspende pontes. Afonso Pereira. Estácio Gonçalves de S. cláusula indispensável para a realização da conquista. Carta de sesmaria de Damião da Mota pg. e confiando a vanguarda a Antônio Fernandes e a retaguarda a Sebastião de Faria. ficam Álvaro e Rodrio em apertado cerco. alem dos tapuias.38 Não se tratava.até quase três mil frecheiros. A escravidão a que se submeteriam os naturais que resistissem. atravessa caudalosos rios.esmagar a revolta. 62 . nos fins de 1589. Incumbe o assalto pelo sertão aos irmãos Álvaro Rodrigues e Rodrigo Martins. O governo colonial submete então o projeto à corte. entrega a direção dela a Cristovão de Barros. concorrem muitos habitantes de Pernambuco e Bahia. Os dois irmãos intentam atacá-los. à frente do qual seguiu ao longo do mar. Gaspar de Abreu Ferraz (morreu na luta). De 5 fls. como pelos maiores interesses do erário. Tomé. Man. Francisco da Silveira.39 para a passagem de sua artilharia. Então foi resolvida a expedição por terra. como concorreram. ávidos pelo aumento de sua riqueza. onde se temia maior dano. Alcançou reunir. Estevão Gomes de Aguiar. como em 1575. Sebastião Dias Fragoso. que em caminho encontravam e que engrossavam seu exercito. os companheiros de Cristovão de Barros: Calisto da Costa. João Martins. em vista da lei de agosto de 1587. Conquista de Sergipe. entre franceses e mamelucos. Cristovão Dias. o qual volta com três espias do inimigo. Armando de Aguiar reconhecer o sítio do cerco. Gaspar de Menezes. Qualquer demora era de alta inconveniência. a qual considera a guerra de Sergipe justa. porém.cujos moradores. que nos campos de combate já tinha firmado ma respeitável competência. e pô-la a abrigo de iguais tentativas para o futuro. Melchior Dias Moreya. onde refrescassem os navios que navegavam entre Pernambuco e Bahia. Apegoada a guerra e empregando o governo os esforços possíveis para seu feliz êxito.para a passagem d sua infantaria. 38 39 Dr. composta de seis peças de bronze. depois que chega a um alto. não só porque a colonização estendia-se a paragens mais longínquas. Braz de Abreu.aterra grandes brejos. foi o poderoso incentivo para a esta expedição concorrem muitos habitantes de Pernambuco e Bahia. Antônio Gonçalves de Sant'Ana. João Dias. iam devastando as aldeias inimiga. para o futuro. Tratava-se de salvar a Bahia de uma invasão de bárbaros. nos quartéis de organização ou em marcha para seu destino. um considerável exército. Mnaoel J. de onde avista um fumo. de Oliveira. Damião da Mota. pelos seus efeitos no Rio de Janeiro e em Cabo Frio. 333 39 Foram estes além de alguns citados no texto. Manda.

Cristovão levanta um forte sobre o istmo que forma a barra do ro Poxim. a que se deu nome de cidade de São Cristovão. A este seguiu-se o abalroamento da segunda cerca. 41 Fr. 42Fez doação de diversas terras aos que ajudaram a conquistar e deu de sesmaria ao seu filho Antônio Cardoso de Barros. junto ao litoral. como já recuavam. quando Cristovão. em honra do Santo de seu nome. na várzea do Vaza-Barris. e a brados e com o couto da lança. 42 Hoje não existe mais este istmo. porque pelas costas podia sofrer um assalto dos da cerca de Baepeba. o que na noite deste mesmo dia. Vicente Salvador. em uma escaramuça que de parte a parte custou mortos e feridos. saindo das duas cercas todos os frecheiros. que soltavam nuvens de flechadas. que prestaram mútuo auxilio. Isto deu-se a 23 de dezembro. Cristovão. Este. que não consentiu segui-los a infantaria. e junto a ele funda um arraial. comandados pelo próprio Cristovão de Barros. citando o man.a 9 de abril de 1590.atravessa-se na rente dos índios. junto à foz do rio Sergipe. que tinha emigrado para o Norte. Depois disto entrega o governo da nova capitania a Tomé da Rocha e incumbe a Rodrigo Martins perseguir o gentio. do lado em que estava Sebastião de Faria. animado os seus. com a perda de trezentos mortos para os naturais. fora logo executadas. fá-los retroceder e voltar para a cerca. com a nova perda. passando eles através dos arraiais inimigos. cit. privando-lhes a água.41 Curados os feridos e destruídos os elementos que pudessem ser adversos ao povoamento do território conquistado. cujos habitantes levantam o cerco e fogem. situada na várzea da cidade e S. em número de vinte mil frecheiros. op. resolve-se a abrir aminho a ferro e fogo. sofrendo a perda de seiscentos mortos e os portugueses de seis. que não só deram-lhes caminho franco. morubixaba principal das tribos.matando mil e seiscentos e cativando quatro mil índios. abalroaram a primeira cerca. hoje Cotinguiba. Compreendendo Baepeba as desvantagens do cerco em que ia se colocando. a qual os índios alcançaram reconstruir. cap. 63 . com a perda de um. a cujo encontro vieram sessenta soldados de cavalaria. já falto de água. onde fortificaram-se em três cercas ou tranqueiras. 40Depois de ser-lhes interceptado o caminho das fontes. resolveu um combate decisivo de todas três cercas e deu suas ordens a três índios para transmiti-las aos das outras duas. onde penetram os soldados.de um curioso e a qual dá o nome de Mahapena. Dali o exército dirige-se para a aldeia de Mbapeva ou Baepeba.. causando os índios.Então. 2. o exercito dos conquistadores bate as cercas inimigas. grandes espanto aos sitiantes. Sendo dadas tais ordens no dia 1º de janeiro de 1590. o território compreendido entre os rios Cotinguiba e São Francisco. 40 Provavelmente é esta a aldeia de que fala Jaboatão.

cit 44 64 . junto aos apicus que este último rio forma. na guerra de Sergipe. formada pelo oceano e os rios Pomonga e Cotinguiba. Pelo seu mapa geográfico está situada na costa oriental da ilha dos Coqueiros. 46 V. t. carta de sesmaria de Gaspar Gomes. o rei das Espanhas fez doação a Cristóvão de Barros do território que acabava de conquistar. Joaquim José de Oliveira. 47 Dr. donde o erário tinha muitos proventos que tirar para o futuro. p. 330. já o dissemos. sem censura legitima. Efetuada a conquista. p. a que deu o nome de cidade de São Cristóvão. junto à foz do rio Sergipe. É esta também a opinião do autor da Razão de Estado. auxiliar-lhe e acabar a obra da conquista. carta de sesmaria de Tomé Fernandes. com a colonização estendeu-se a novas paragens. loc. Cristóvão de Barros funda um arraial. Barloeus diverge deste modo de pensar. correndo os riscos e incômodos de uma viagem rápida. do Inst. Hist. recolhe-se à Bahia.44 E depois de assistir a administração publica e estabelecer as bases da organização de uma capitania. 43 Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. 328. encarregado da administração do país 47. t.45 que durou oito meses de grandes lutas. 191. vindo da Bahia.46 Assim ilustrou Cristóvão o governo da interinidade coletiva que dirigia a capitania da Bahia. com sua aposentadoria. as honras e imunidades da governação do Estado. pelos quais não só a capitania da Bahia ficou isenta de uma invasão. p. As condições gerais do Brasil não eram favoráveis à prosperidade da colonização de Sergipe. segundo ele.dando um belo exemplo da mais completa abnegação no momento preciso. com a ordem de vender estas terras ou reparti-las entre os colonos que quisesse e fosse de sua vontade.. em que podia. e temer os inconvenientes de sua ausência nos conselhos de um governo interino. depois da saída de Cristóvão. hoje Cotinguiba. tomou parte importante. ocupadas por índios bravios: e o que mais é. e. que. que e muito claro na localização da primeira povoação de Sergipe. ficando o forte na margem direita do Cotinguiba. principalmente Varnhagen. continuar a gozar. onde perto do mar faz barra o rio Poxim no Cotinguiba e junto ficava edificado o forte.19. por entre florestas virgens. X. 45 V. deixando o governo entregue a Tomé da Rocha. ela foi edificada à margem esquerda do Cotinguiba e do Apicu Pomonga. Rev.Capitulo II COLONIZAÇÃO DE SERGIPE SUCESSORES DE SÃO CRISTÓVÃO DE BARROS ATÉ 1637. É opinião de quase todos os historiadores.43 Preferimos estas fontes em semelhante minudência. para a qual se pôs a caminho. p. dentro do tempo prefixado pelo rei. Em recompensa aos seus serviços. XL. com a condição de estabelecer aí colônias. com a realização de uma conquista. que ela foi situada sobre um istmo.

Com idênticas atribuições aos capitães-mores dos lugares da áfrica. dirigia-a para zelar e defender sua integridade territorial.49 Com que dificuldade não lutaria a colonização da Bahia. que desperta nos espíritos de Feuton. Historia da América Portuguesa. e como colônias nascente. Assim. que haviam de sobrevir. Em vez de o governo colonial dirigir a atenção para as colônias nascente. mão poderia vencer os embaraços. I. Destroçados seus navios por uma tempestade que os dispersa. que tendiam a fortificar-se? Além das explorações francesas. para explorarem as riquezas do país. e quem abdicava grande parte de suas atribuições. I. a fim de serem castigados. O capitão-mor era o delegado do governador da Bahia. em vista da semelhança do elemento étnico e a política administrativa que Portugal tinha instituído. provedor-mor da fazenda. um comandado por Pires de Mil. acoçada a tripulação pelas doenças. inicia-se em Sergipe a colonização sob um conjunto de circunstância bem desfavorável. que penetram suas barras. não fornece auxílios para destruir elementos contrários. vindos da África. nesta pequena circunstância do país. quanto o Brasil tinha de recorrer aos seus recursos. Pereira e Souza. a realização de excursões pela América. alguns naufragaram em Sergipe. ouvidor. 391 Rocha Pita. os armadores franceses aproveitaram-se dessa circunstância para a execução de suas piratarias. em substituição de enfeudação e sob a qual ia submeter-se a marcha dos acontecimentos. por onde se possa avaliar de suas respectivas prerrogativas. Dic. p. promovidas pelo sentimento de riqueza. Historia Geral. 135. que era o órgão do município e um presídio. A administração compunha-se de um capitão-mor. não só para piratear nas costas do Brasil. Por aí pode-se apreciar a grande interferência que representava a Bahia. se a conquista de Sergipe não antecede a esse conjunto de circunstância tão desfavoráveis. Jurid. 65 . os do Brasil tinham alcançados no cível e no crime. naufraga nas costas de Sergipe. escrivães. A feição social em Sergipe não poderia fazer exceção da que se revela em todos os centros populosos da colônia. As condições de prosperidade pioravam tanto mais. onde a oposição ainda que forte em começo. C. o Brasil tornava-se o teatro de explorações inglesas. se a atenção dos aventureiros não se prende ao El-Dorado. Withrington. por iniciativa de Relegh. onde são presos os náufragos e enviados por terra para a Bahia. 1835. Cavendisch e Lancaster. 50 Joaquim J. 48 49 Porto Seguro. Em direção ao Brasil cortam os mares diversas flotilhas francesas. onde ficam prisioneiros cento e dezesseis homens. De três navios.Em vista da declaração de guerra entre a Espanha e a França (1595). Nenhuma carta de nomeação ou regimento encontramos do funcionalismo de Sergipe. para vencer os obstáculos que nasciam de invasões estrangeiras e do levantamento dos naturais. desde então. 95.50 Ao ouvidor e provedor-mor competia zelar pelos interesses da justiça e da fazenda. almoxarifes. nos negócios públicos de Sergipe. como para saquear a cidade da Bahia.48 Da Rochella parte uma armada. sendo os ofícios de justiça e os empregos de fazenda por ele proposto. um Conselho.

quando teve ocasião de prestar importantes serviços a Gabriel Soares de Souza. em cujas cabeceiras supunham existirem minas. Seu nome indígena era Potigipeba. ancorando junto a enseada de vaza-barris51. por isso que os franceses guiados pelas idéias de riqueza. Foi Tomé da Racha o primeiro sucessor de Cristóvão de Barros e achava-se na administração em 1591. p. Descansados da primeira perda. Hist. em sua excursão ao rio de São Francisco. Seriam eles seus encarniçados inimigos. pela crença exclusiva em um só credo religioso. denomina-o Cotegipe (ver. 51 Este rio vem em todos os mapas geográficos. por conselhos de um francês Honorato.52 Não obstante as armas portuguesas terem conquistado as terras de Sergipe. No do historiador holandês ele traz o nome de Potiipeba. pois nestas paragens pirateavam de longas eras. á falta de iniciativa. para cuja adaptação sente o selvagem natural indisposição. que de terra tinha ido com dois índios. Querendo penetrar na barra em uma arca flamenga. por seu irmão João Coelho de Souza. como ele na Europa achava-se ao lado do barão feudal. para ensinar-lhe a entrada. tentativa bastante simpática à raça indígena. Seu habitante tenderia á indolência. com o nome de Ipiranga. Eis ai as bases de osso desenvolvimento histórico. de cujas riquezas tiravam tantos proventos. de nome Grifo Dourado. e não pelo desejo de fundarem uma colônia e ativarem sua propriedade. que naufragou em Sergipe. Era o temperamento da época. pela abundancia de alimento que cercava-o e pela impossibilidade de manter fixação e regularidade no trabalho. p. Aceitamos a denominação de Barloeus. seus defeitos. havia três anos.Ao lado do capitão-mor estava o governador. que predominava sobre tudo o que já assumia na colônia um grande poder. 455. em abril de 1591 e chegou a Sergipe a 13 de junho do mesmo ano. reuniu novos elementos para uma luta. Do inst. um solo ubérrimo e rico. por isso que uma tentativa já tinha sido feita. p. pela reverencia ao clero. Xiv. na pessoa do rei. uma nova vida. Tendo este rico fazendeiro da Bahia alcançando das cortes os despachos para explorar este rio. resultando afogarem-se alguns passageiros e salvar-se a carga em uma cetea. que lhes vem prestar auxílios. 364. que procuraremos descrever na presente obra. xxi. em seu roteiro. capitão de Sergipe. cujos roteiros possuía. A mesma semelhança vemos nos antecedentes físicos. e destroçado as forças não tinham perdido a esperança de reaver o território. em uma jangada. partiu de Lisboa. Uma tal convivência que não requer do natural o menor esforço. Gabriel Soares de Souza. caracterizados por um clima quente e úmido. Do Inst. que mandou Tomé Rocha. em virtude dos fortes ventos e correntes de água. ver. Exprimia-se pela superstição. 33). 52 Porto Seguro. Hist. gera-lhe uma simpatia tanto maior quanto a deslocação dos hábitos é nula. Na classe dos antecedentes que falamos estava a identidade de sentimento religioso. não lhe querem impor um novo estado social. sem corrigir suas faltas. se idéias de um plano político guiassem os franceses nas excursões de Sergipe. esperando tudo da natureza. segundo as cartas de sesmarias de Manoel da Fonseca. na qual parte dela foi enviada para a Bahia. 66 . menos o de Barloeus. e então tempo de sobra tiveram eles para fortalecer-se de elementos que se opusessem à vitória das armas portuguesas. bateu nos bancos e sossobrou a embarcação.

na nova luta que empreenderam. 344 61 Jaboatão. a nova capitania já contava um trabalho agrícola. p. p.. que de emboscada eram dados. as profissões pastoris já tendiam a organizar-se.328 56 Barlaeus. 330 58 V. com heroísmo. ainda assinado por Tomé da Rocha.56 Diogo de Qoadros dirigiu a administração pública de 1595 a 1600. em vista da carta de sesmaria de Gaspar Gomes. em vista da posição insular. p.Em vista disso tiveram os franceses auxílio do indígena. que. todavia asseveramos que ela se deu antes de dezembro de 1595. principalmente de gado. Foi escolhido um oiteiro escalvado que fica junto à barra do rio Poxim. elevando-se o número de currais a quarenta e sete. o movimento colonial foi mais ou menos próspero. carta de sesmaria de Gaspar d’ Almeida p.534 57 V.55 Assim entre. em 1596.58 almoxarife Martim de Souza59 e escrivão Jerônimo da Costa Fisão.60 As condições topográficas da Cidade não permitiam que os seus habitantes se prevenissem dos assaltos. carta de sesmaria de Martins de Souza. 67 . 1594 e 1595 deixou o governo da capitania de Sergipe Tomé da Rocha. Orb. convenceu-se o governo da necessidade de mudar a cidade para uma eminência.353 59 V. por uma criação ativa. para realizar suas empresas. a mudança da Cidade para o novo lugar. op. o conselho da capitania pede uma doação de terra ao capitão-mor Tomé da Rocha. e a modesta cidadinha já contava cem fogos. por isso que não podiam presenciar a entrada de flotilhas. em presença do desembargador Gaspar de Figueiredo Homem.53 Tendo-se oposto. Carta de sesmaria de Domingos Lourenço. então existentes. pois. sendo provedor-mor da fazenda Gaspar d‘Almeida57 ouvidor Simão de Andrade. por um idêntico documento de Tomé Fernandes. quatro anos depois da conquista. talvez. PL 356 60 V. além das duas tentativas já feitas tentaram ainda diversos assaltos e efetuaram diversas guerrilhas. carta de sesmaria de Tomé Fernandes. Em vista disso. O novo capitão teve de dirigir sua atenção para os franceses que. nas águas do rio Real.340 V. sendo batidos por Tomé da Rocha em 1593 e por Diego de Qoadros . Durante seus quatro anos de administração e os primeiros da capitania. P.54e depois de julho de 1594. Nov. para reaver sua antiga posse. donde se pudesse presenciar qualquer movimento marítimo. no tempo a cima indicado. sendo substituído por Diogo de Qoadros. segundo Barloeus . cujos habitantes ficaram em melhores condições para vigiar a entrada de inimigos. Cit. pela segunda vez administra Sergipe. em 1595 ou 1596. p. entrega o governo da nova capitania a Diogo de Qoadros. para sede da nova São Cristóvão. carta de sesmaria de Gaspar Gomes. a uma invasão inimiga. já assinada por Diogo de Qoadros. Ainda que não nos seja possível determinar a data da substituição. e neste documento alega-se a mudança da cidade. carta de sesmaria de Manoel André. carta de sesmaria de Simão de Andrade p. Seraph. Em setembro de 1603.330 55 V. pelas barras dos rios navegáveis.61ficando ainda a barra do rio Real fora da observação e por onde podiam ainda penetrar. por escassez de documentos. não obstante as tentativas dos piratas.62 Foi resolvido pois pelos poderes competentes e de acordo com a opinião do povo. 53 54 V. Pream. em quatro pequenos engenhos de açúcar. 120 62 Ainda existe neste oiteiro o Vestígio desta edificação.

p. É o mesmo de que fala Jaboatão (§ 117. para os habitantes edificarem casas.ta a sete ou oito anos e a requerimento do povo consultou e asentou com os moradores e capitão de se mudar a sidade que no tall tempo estava no Aracaju que se asitoase neste outeiro adonde llogo se pasou a ygreja e o fore e diso se fiserão autos o que o sõr gd.or ouve pr bem He ora vosa merse manda a todos os moradores com graves penas que fasão casas e pesão chão para isto e p r nunqua se aprovetar pedem a vosa merse em nome de sua mag. 63 Efetuada a mudança da cidade e transferidos o forte e a igreja. Depois de uma luta de alguns anos. e em 1601 eles achavam-se completamente eliminados do território de Sergipe. o que motivou grandes pleitos. p. são de doações nas circunvizinhanças do oiteiro. os franceses tiveram de abandonar o teatro da guerra. ―Saibão quantos este estromto de carta de sesmarya vyrem que no ano do nasimto de nosso sõr jhus Xpo de Mill e seis setos e tres anos aos tres dias do mês de setembro do dito ano nesta sidade de são xpoão capta de Sergipe terras do brasill nas pousadas de mim escryvão ao diento nomeado por Afonso pereira procurador do conselho me foy apresentado huã pitisão com hu despacho ao pee dela do sõr capitão mor Thomé da rocha de que o teor há o seguinte – ho juis e vereadores e procurador do conselho nesta capitania que o desembargador Gaspar de Figueiredo omem veo a esta cap. foi para o lugar acima mencionado. a que se refere o documento. de que às suas supostas garantias que a idéia da mudança criou. Manoel Thomé e Manoel Gomes. ―Manoell Thomé‖. Não há duvidas de que a mudanças. o que indica ter o franciscano folheado o livro de registro de sesmarias. devido talvez á convicção que entrou no espírito dos franceses e indígenas da improficuidade de suas empresas. por isso que se podia remediar o mal colocando um corpo de atalaia. com que o movimento colonial sofreu um estorvo.64 Não obstante as sesmarias traçaram limites muito vagos. que prevenisse ao poder central qualquer preparativo de invasão. 63 68 . 131) em sua obra. o capitão manda apregoar a ordem. Ainda que a alegação não fosse uma circunstância bastante forte e de interesse real para o governo a mudar a cidade. de mill Brasas de terra que se começara donde acabar a dada de Sebastião de brito e balthezar feras correndo pelo caminho que vay de caipe ate chegar allagoa que esta alem de Manoel Thomé e pelo dito caminho que sai da ponte velha ate chegar a dada de xpõao dias correndo rumo drto allongo do outeiro he que se achar e recebera merse_ despacho _ dou é nome de sua magde para o conselho pera bem e acrescentamento da nova side desta capta todo o comprimento da terra donde acabam as ditas dada que em sua petição fazem menção correndo pello caminho velho que vay para caipe até dar na llagoa que esta alem de Manoell Thomé da banda celleste q‘ he o q‘ esta junto do caminho que vay para vaza Baris e de largo oito setas brasas que se começara do dito caminho da ponte velha e yra correndo pela testada da dada de Manoell Gomes ao loeste ate chegar a dada de xpoão que serve defronte desta cidade de dahy ira correndo ao sul ate entestar com Manoell Thomé o que se achar e desta maneira lhe passe carta e demarquem logo a qual lhe deu por devolluto. Sergipe três de setembro de seis centos e tres anos. até na ortografia. todavia tenderam a diminuir as agressões depois da mudança. 64 Carta de sesmaria de Belchior Dias Caramuru. 364. como pontos de limites. pois tomamno e o rio Poxim. todavia as de Cristóvão Dias.Conservamos toda a fidelidade do documento. donde o extraímos.

Capistrano. dedicavam-lhes as naturais simpatia e lealdade. Do Inst. com a expatriação do natural. Para lá emigrava o indígena. Pelo seu testamento que possuímos ainda vivia em dezembro de 1622. a pouca distancia do litoral. que a colonização não sabia aproveitar. começando pelo sul a tirar-se do solo os elementos para a formação da riqueza. considerando-os como herdeiros e sucessores de Maire-monan. O ilustrado professor de historia. Quase todo território que avizinha principalmente os dois primeiros rios ficou ocupado por lavradores e criadores. 33. Esse caráter étnico guiou as duas raças a procurarem à zona oriental. em um importante artigo sobre Rubelio Dias (Ver. Foi dada por sesmaria. com auxilio principalmente da africana por ser a mais rica e mais apta à espécie de exploração colonial que havia de dominar. vaza-barris e contiguiba. caracterizada pela cultura da cana e fabrico do açúcar. A colonização seguiu.65 Entretanto. pela pobreza do seu solo para qualquer exploração agrícola. p. correria a busca do pau-brasil. Durante a administração de Diogo de Qoadros. De Geografia de Lisboa). a fim de nela desdobrar a atividade de uma vida nômade. em uma distancia de doze léguas para o ocidente. Simplesmente realizaram piratarias. pois. 69 . nunca quiseram iniciar a organização de uma vida social. sedo tomou a lavoura. Por esse tempo dominava como principal exploração colonial a criação de gado. individualidade da teogonia tupi. Se formavam centro de resistência. situando-se na zona oriental da capitania. Real e vaza-barris.Não obstante a permanência dos franceses de quase meio século em Sergipe foram nulos os vestígios de sua passagem guiados simplesmente por idéias de interesse. 32. Dr.66 Por isto eram chamados por eles Maire. XLI. furtando a escravidão que se lhe queria impor. Hist. concorrendo muintos indivíduos a pedir doações de terra. de um trabalho de colonização. em que se refletisse um plano político. 97. Do Inst. Hist. para nela gerarem os focos de população. algodão e pimenta da terra. pela morte de Belchior deuse em 1619. acompanhando o litoral. Por uma hereditariedade que lhes vem de antecedente muito longínquo. a marcha da conquista. Ao indígena e seus produtos de cruzamento com o branco e preto. raras são as doações feitas junto aos rios que demoram ao norte. transcreve uma memória do Coronel Pedro Barbosa Leal. 65 Ver. de ambição pessoal. o movimento colonial ativouse. Esse domínio aprecia-se durante todo o século XVII e grande parte do XVIII. Começou pelo sul. 66 Ver. Nos dez primeiros anos. XIV. Grande porção das zonas vizinhas aos rios Piauí. ficava a zona ocidental. Da Soc. entregando-se as profissões pastoris. o branco e o preto dedicam-se as profissões de hábitos fixos. por ser a que mais se prestava á tendência muito inerente á raça que veio colonizar. p. A constituição química do solo poderosamente influiu sobre a direção que. Dificultaram a marcha da colonização em começo e nisto constituiu o papel que representaram os franceses em Sergipe. produtos que abundavam nas zonas dos rios real.

Por não termos encontrado a carta de nomeação de Cosme Barbosa. para o estudo de fatos de ordem geral. 355. sendo depois substituindo neste ultimo lugar pelo padre Gaspar Fernandes. cuja responsabilidade direta e imediata vai ate julho de 1600. 68 69 Sesmaria de Gaspar de Fontes. p. formavam grandes mocambos nos palmares de Itapicuru. fizeram-se sessenta e uma doações de terra a indivíduos.72 Abramos uns parênteses na marcha descritiva que levamos.71 Em 1602 foi Manoel de Miranda Barbosa substituído no governo por Cosme Barbosa. desde 1599. entre as duas capitanias. Na administração de Manoel de Miranda Barbosa. op. distribuindo entre si os centenares que fizeram na luta. p. Belchior dias moréia (caramuru). onde posteriormente instituiu um morgado e alega seus serviços na conquista de Sergipe. 70 . depois e ter concedido sessenta e quatro doações de terras. p. descendente de Diogo Álvares e de quem extensamente falaremos adiante. Sete lavradores pedem para colonizar as circunvizinhanças do rio Sergipe e quase oito léguas foram dadas em Itabaiana. a raça indígenas foi objeto da maior questão da política colonial. em dezembro de 1601. I. p. A primeira carta de sesmaria por ele assinada é de 13 de outubro de 1600 e a última de 25 de abril de 1602. Tão estudado pela jurisprudência daqueles tempos. como auxiliado depois à posse do território conquistado. não sabemos quando ele assumiu a administração publica. 356. almoxarife Martins de Souza69 e escrivão Manuel André.Só podemos encontrar duas doações. 70 Carta de sesmaria de Belchior Dias Caramuru. Foi pelo governador da Bahia entregue aos petiguazes a incumbência de desalojá-los deste sitio. Esta ausente da capitania.70 Por esse tempo os negros de Sergipe abandonaram as fazendas e reunidos com outros da Bahia. solicita do capitão-amor uma grade doação no rio real. Era o provedor. em que distinguiu-se mais do que ninguém o jovem camarão. como alguém já 67 Não encontramos a carta de nomeação de Miranda Barbosa. cujo curso se faz na porção setentrional. Entretanto em junho de 1602. nas vizinhanças do rio Sergipe. 72 Carta de sesmaria de Baltazar Ferraz. Em 1601. que também exercia o lugar de ouvidor68. Acreditamos mesmo que por estas paragens a colonização estendeu-se em períodos ulteriores. que se estende de 1600 a abril de 160267 a colonização encaminha-se para o norte e para o centro. p. Cit. pois daí em diante foi substituída pelo seu locotenente Manoel de Miranda Barbosa. por onde dificultavam o trânsito por terra. 382. Os petiguazes atacaram os mocambos. a questão abrasadora. já achava-se revestido do cargo de capitão-mor de Sergipe. 408. onde se tinha estabelecido como criador. Durante a administração de Diogo de Qoadros.mor da fazenda de então Gaspar de Fontes. Carta de sesmaria de Martim de Souza. que não só tinham tomado parte na conquista. 364. pela carta de sesmaria do desembargador Baltazar Ferraz. 71 Porto Seguro.

O papel do indígena foi pequeno. que a lei abolia cujo resultado foi a grande preponderância da raça africana não só na elaboração da riqueza. saciando-se. roubando seus aposentos. na qual o sentimento de avareza do colono a escravizar indígena encontrou sempre muito apoio. As duas calasses alcançaram completa ascendência sobre a classe popular. cuja civilização e catequese eram entregues aos membros da companhia. sem cair nas garras do cativeiro. Tornam-se elas o objeto de reverencia e lealdade. 71 . Estas medidas incrementavam o regimen dos aldeamentos e desfalcavam os braços da lavoura. Na passagem do exercito conquistador pelo vaza-barris prestaram importantes serviço. sem sua intervenção. o espírito de riqueza. contribuindo também a colonização rápida que desbravava as florestas. que seguiram sempre uma política protecionista para com o selvagem. assim. Levantada pelos jesuítas. as medidas legislativas correspondiam as aspirações abolicionistas dos jesuítas. Compreende-se perfeitamente que sendo estes vinte e um anos os primeiros da colonização de Sergipe. bem característico naqueles tempos. hoje representa diminuta ação pelo pequeno numero a que eleva-se a população desses mestiços. para suprir a insuficiência do braço indígena. se causas muito gerais não tivessem sido seus antecedentes na historia da metrópole. Ou a pequenez do território era desfavorável á sua permanência. ficando elas plenamente satisfeitas com a lei de 3 de junho de 1609.disse – a abolição da escravidão indígena. que proibia em absoluto o cativeiro do natural. levantou uma luta entre a classe popular e os jesuítas. levando-se mesmo em linha de conta as circunstancias relativas. como na hereditariedade das gerações mestiças. ou então a desumanidade na luta para cativá-lo foi enorme. entre nós. cuja escravidão pelo colono português era o móvel das lutas e conquista. exclusivamente em favor da ordem. pela indecisão da coroa. provocando a imigração africana. que nada aspira. As aldeias eram. Em Sergipe não tem sido senão estas mesmas leis que têm dirigido o movimento social. Ela mataria no Brasil os hábitos de reverencia ao clero e superstição á religião. porém. O fato e que o contingente do elemento indígena na historia de Sergipe não e tão grande como em outros estados. centros de lavoura e comercio. No período compreendido entre 1590 e 1609. e então emigrou. a imigração africana para ai fez-se em larga escala. essa grande questão que atravessou vida secular. e debaixo de tais princípios tem caminhado a civilização brasileira. O mestiçamento em que ele entrou como elemento formador. deseja e realiza. e se o clero secular não tem feito harmonia com a classe do governo. Cedo vieram os jesuítas desdobrar a atividade de sua política em Sergipe.

junto á capital. meia légua no rio Mocuri.77. para onde convergia grade parte da riqueza pública. o padre Felipe da costa. Fechando aqui o parênteses.74 Além da ordem da companhia de Jesus. Ibura. os Beneditinos os concorrem a Sergipe (1603) e representados por frei domingos solicitam do capitão-mor um idêntico favor. Retiro. 77 A substituição foi de pequena duração. O padre Bento Ferraz. 75 O clero secular já faz parte do governo. que serve de colégio. o clero já representava então papel saliente no movimento social de Sergipe. sendo substituído pelo Padre Gaspar Fernandes. 73 74 Certa de sesmaria dos padres da companhia de Jesus. 357. o padre Agostinho Monteiro obtém a doação de meia légua de terra. aplicava-a na edificação de suntuosos templos. em que procuramos estudar os fatos de ordem geral. morador na Bahia. no mesmo ano. em 1602 e duas léguas no rio Mocuri. uma légua junto á serra de Itabaiana. o padre Bento Ferraz uma légua no rio real. Assim. O padre Gaspar Fernandes é o ouvidor e o juiz dos regimentos em 1602. de dezembro de 1600 a janeiro de 1601. 78 Carta de sesmaria do Padre Gaspar Fernandes.73 Com tão grade posse territorial que deviam colonizar para a prosperidade da ordem encetam o trabalho de aldeamento. o padre Gaspar Fernandes uma légua em Tinharé. 72 . alem do templo. . continuemos a descrição das administrações que seguiram-se á de Miranda Barbosa. E sem família legítima para com ela distribuir a fortuna que se acumulava. Está hoje em ruínas este templo. no mesmo ano. meia légua em Caipe. no máximo.Sob o duplo caráter de sacerdote e agricultor. edificam capelas. além das funções espirituais que representa. duas léguas em vaza-barris. Sua vigária terminou-se em 1602. em cujas deliberações poderosamente influi. uma légua no poxim.Bento Carta de sesmaria do padre Bento Ferraz. meia légua no poxim. O convento dos Jesuítas foi edificado junto a São Cristóvão. junto ao rio Sergipe. em 1600. p. em 1601 e três léguas no vaza-barris. comissionado três anos. que é o Vigário da capitania76 é também o loco-tenente de Manoel Miranda Barbosa. aos lucros de sua congrua vêm reunir-se os proventos do trabalho agrícola. 75 76 Carta de sesmaria dos padres de S. Levantam propriedades açucareiras. em 1603. Comandoroba. cuja direção espiritual lhes pertence e a administração civil a um capitão-mor. para criação de seus gados e iniciar a lavoura. edificaram capelas nos engenho de suas propriedade: Dirá Colégio.78 Além desta posição oficial. Camassari. Senhor de grandes posses territoriais e parte integrante da classe do governo. representados pelo Padre Amaro Lopes. em 1600. etc. Além dele. organizando-se em povoações de trezentas casas. em 1603 e o cônego Leandro Pedro velho. ele torna-se também proprietário e lavrador. cuja contribuição é de capital importância para caracterizar a feição social daqueles tempos. em cuja ausência dirige a administração em dezembro de 1600. assumem a direção espiritual da capitania e pedem também doações de terra. Não desempenhado somente as funções espirituais.

na mesma data.82 79 80 Porto Seguro. p. que se conservou durante todo o século XVII. A despesa anual de Sergipe era de 396$000. onde deu-se a invasão holandesa. Não encontrados nenhum documento que assinale a data real desta segunda mudança. em 1637. afluente do vaza-barris. A colonização caminha para o norte. 73 . op. Porto Seguro. para edificar uma casa. por que em junho de 1603 foi substituído por Tomé da rocha. a colonização prosperou. 410. As doações são concedidas nas vizinhanças de S. que foi de pouca duração. Desconhecendo a causa real dessa mudança. em 1606. p. sendo daí em diante substituído pelo de S. Em tão pequeno intervalo a despesa quase que duplicou. á nova cidade deu-se o nome de cidade de Sergipe d‘el-rei. que foi substituído por Nicolau Faleiro de Vasconcelos. A uberdade desta zona assegurava a prosperidade dessa exploração agrícola. que para o futuro havia de conquistar supremacia sobre a criação do gado. Achava-se já na administração Antônio pinheiro de carvalho. I. em todo o estado do Brasil. que novamente vem administrar Sergipe. proveniente do gado e meunças. junto ao último rio. provinham do estanco do dizimo que a junta de Portugal dera em 1601 a Gabriel Ribeiro. I. desde 1611. 81 Carta de sesmaria de Padre Novaes de Sampaio.Cristóvão. despendendo-se com a milícia 333$920 e com a igreja 148$920. todavia acreditamos mais na segunda hipótese. até a serra da Tabanga. mudando-a do oiteiro. em vista de outra doação pedida pelo mesmo Pero Moraes de Sampaio. Cit. as despesas montavam em 428$840. por este tempo (1603). além das que Cristóvão de barros deixara. de sentenças setenta braças de terra. 433.79 Nove anos depois em 1612. op. já iniciada na capitania. Em março de 1607 pero Novaes de Sampaio pede ao capitão-mor de então. mais um terço era feito com o clero. Cedo teve a capitania de procurar um novo sitio para a edificação da cidade. doze braças de terreno. Sobre este ponto só podemos levantar hipóteses mais ou menos prováveis. junto ao rio poxim. na razão de quarenta e dois contos anualmente. As rendas da capitania. para edificar uma casa no assento da nova cidade. 82 Carta de Pedro Novaes de Sampaio. Antonio Pinheiro de Carvalho. dirigindo-se para o fertilíssimo vale do cotinguiba. Com o alardo de cento e quarenta homens e com um armazém bélico de duas peças 80. Francisco. onde fizeram-se quatorze doações e onde iria prosperar a lavoura da cana. para uma elevação que fica nas margens do Piramopama. sendo-nos impossível verificar a marcha que seguia a receita que então era de 580$000. Cit.Durante sua administração.81 Não obstante na petição não virem alegações que nos tragam a convicção de que a doação e na cidade que fica junto ao poxim ou piramopama. Por escassez de documentos nos é impossível determinar a data de sucessão no governo de diversos administradores que sucederam a Tomé da rocha.

na hipótese de ela ainda estar no oiteiro de poxim.É muito pouco provável que o peticionário quisesse edificar uma casa tão distante da cidade. Resebera merse. senão Amaro da cruz porto carreiro. nomeado a 19 de maio de 1611. que pela segunda vez dirige o governo da capitania. cujacarta de nomeação é de 20 de dezembro de 1628. Tudo foi entregue às chamas. hindo para cahype e para a banda do sertão. supposto que seja dada a alguém a vosa merse em nome de sua magestade lhe dê a dita terá. o qual fora nomeado a 1º de outubro de 1631. não sabemos quais foram os capitães-mores. em nome de sua magestade aos suplicantes a terá que pedem por ser assim necesaria para serviço desta cidade. porém. em 1626. pois he para bem do povo. sendo substituído por Pedro Barbosa que governou de agosto de 1630 a 1636. Parece. O que. menos o livro de registro das sesmarias que foi conduzido pelos fugitivos. Desta data a 1621. (segue a formula do regimento._O capitão Antonio Pinheiro de Carvalho. Sergipe hoje três de julho de mil e seis centos e dês anos. ate 1623. lenhas. desde novembro de 1636. quando os holandeses invadiram Sergipe. Foi substituído em 1614 por Amaro da cruz porto carreiro. a cidade já tinha sido transferida para as margens do Piramopama. que nesse tempo. correra pelos pés dos outeiros que estão entre as mangabeira. asseguramos é que em 1610 já se tinha dado a mudança para este local. Nenhum documento podemos encontrar anterior a esta invasão. pois. Cristovão. Achava-se no governo da capitania João Rodrigues Molemar. 74 . quando pela segunda vez administrou a capitania João Mendes. que para isso hão mister meia légua de terá a qual meia légua se comesara da ribeira do peramopabama ate a ribeira que corre da banda de Mathia Moreira. A escassez de documentos é enorme na história deste período. “Dizem os officiaes da câmara desta cidade que ao povo dela he necessario um pedaso de terá nos limites desta sidade para despejos de cavalgaduras e de madeiras para casas. Ligamo-la ao saque e incêndio que os holandeses fizeram em S. Dou de sesmaria.)” A Antônio pinheiro de carvalho sucedeu João Mendes. em 1607. em vista do seguinte documento: “Saibãõ quantos este publico instrumento de sesmaria virem que no ano do nascimento de nosso senhor Jesus cristo de mil e seiscentos e dez anos aos vinte dias do mês de setembro do dito ano nesta cidade de San Cristóvão capitania de Sergipe de El-Rei nas pousadas de mim escrivão ao diante nomeado apareceo Pedro Lopes procurador do conselho desta cidade e por ele me foi apresentado huma petiçam da câmara com um despacho posto ao pé dela do capitão mor desta dita capitania Antonio pinheiro de carvalho da qual petiçam e despacho o traslado dela é o seguinte.

CAPÍTULO III MINAS. PRIMEIRAS EXPLORAÇÕES

O espírito de riqueza, o sentimento de avareza, que foram acima de tudo o real estímulo de muita atividade que se desdobrou neste país, por parte do corpo colonial, manifestaram-se sob uma forma dupla, cada qual mais poderosa para alargar a colonização e fazê-la estender-se a maiores extensões. Não só o índio tornou-se o objeto desse sentimento, como o território, para exploração de suas naturais riquezas. O colono que se dirigia para ultramar, antes de pensar na formação de uma nova pátria, antes de ativar-se pelo desejo do estabelecimento de uma nação , pensava na satisfação de seu egoísmo. A florescente natureza que se oferecia a seus olhos, a exuberância da vida tropical que agora o cercava, mostrando-lhes lindos espécimes de muita riqueza, aguçavam ainda mais sua avareza. Além disso, as grandes fortunas que se formaram pela exploração portuguesa nas Índias, os preciosos metais e minerais que foram arrancados do solo para o comercio português, que, por isso, tornou-se, nos séculos XV e XVI, o mais rico da Europa, o que concorria com maior competência no movimento econômico do velho mundo, trouxeram idênticos hábitos de exploração para o Brasil, desde o começo da colonização do século XVI, ainda pela convicção em que estava o espírito do colonizador, da semelhança de fauna e flora e das condições geológicas. Por indução, o colonizador conclui, dessas semelhanças, existirem minas no Brasil. Essa idéia, essa convicção, já foi gerada pela física do país, no espírito do colonizador. Em grande parte, era emigrada, por isso que na Europa ela era um importante fator das colonizações, um fato de caráter geral. A idéia política que tem por fim ampliar o espírito público, os direitos e a lei; que tem por fim tronar mais lata a soberania nacional, pelo largo desenvolvimento do comércio, da industria, da instrução; o espírito científico que tem por fim aumentar a cultura do povo, ampliar a liberdade do cidadão, tornar o homem soberano no meio da natureza que o cerca, não eram a causa eficiente das colonizações naqueles tempos, como o são hoje. Mais poderosos do que a idéia política, do que o espírito cientifico, eram o sentimento de riqueza, o sentimento religioso, para inspirarem as nações na colonização dos países selvagens. Salvar as almas em nome da religião e acumular riqueza em nome do interesse pessoal, eram característicos das determinadas nações coloniais daqueles séculos. Hoje salvar o cidadão da pressão autoritária de um governo, em nome da liberdade e da lei, e salvar a verdade em nome da ciência, é a causa das deliberações atuais e a feição dos tempos correntes.

75

Eis por que quando o colonizador pisou o território brasileiro já trazia o espírito excitado pela febre desses sentimentos – pesquisar minas em satisfação própria, resgatar as almas das garras de Satã, em nome da religião. E as formações geológicas metamórficas, que se ofereceram a seus olhos, acenderam-lhe a cobiça e a avareza, a ponto que em cada quartzo, feldspato, mica, ametista, via as provas e os vestígios de ricas minas. Ao mesmo tempo que as formações geológicas aguçavam-lhe a ambição, uma raça desconhecida excitava-lhe a cobiça. Explorar minas e explorar as florestas brasileiras, em buscas de escravos, tornou-se um fato geral, em nossa história. Não só a classe popular, como a classe do governo se deixaram preocupar por ambas as explorações. Em ambas ficou plantado o privilégio, pelas tendência centralizadoras do governo. Prendeu o trabalho, cativando o braço, ficando sem equidade a distribuição da riqueza e prendeu os proventos das riquezas naturais. Instituiu o privilégio da escravidão, em beneficio da lavoura, e o privilegio da mineração em seu beneficio. E como ambos os fatos – o cativeiro do indígena e a exploração das minas – tinham por fim o primeiro passo de uma civilização – a formação da riqueza – e estavam centralizados nas mãos de duas classes, compreende-se facilmente que desde o começo, nossa vida econômica foi defeituosa, pelo poder centralizador em que ela vasou-se. Eis um fato de grande alcance para análise dos filósofos e que tanto contribuiu para a formação de um caráter nacional, como o que possuímos. Desde de que ambos os fatos foram monopolizados, o privilegio criado estabeleceu a corrente para o governo e a lavoura e com ela a corrente do poder, ficando assim as outras classes expoliadas. E procurando apreciar as ultimas conseqüências desses antecedentes, vemos que daí originaram-se a supremacia do governo, os ligeiros vestígios de uma aristocracia territorial, a passividade e subserviência da classe popular, a falta de um senso critico e analítico. E do caráter assim constituído ainda vemos bem visíveis provas, em nossas relações, psicológicas e econômicas. E se outros fatores representaram importante papel na formação do nosso caráter, a exploração das minas trouxe seu contingente, tanto mais importante, quanto ela tinha relações diretas com a formação econômica. O governo legislou sobre minas, tomando para si todos os proventos e quis levantar uma aristocracia sobre elas, por meio de baronatos, marquesatos, etc. E por isso temos de apreciar os desejos de muitos em obterem tais títulos, como Belchior Dias Moreyra, morador em Sergipe, um dos mais ousados exploradores das minas brasileiras, no século XVII, que tanto almejou o titulo de barão. Belchior Dias Moreyra tomou parte importante na conquista de Sergipe, acompanhando a expedição de Cristóvão de Barros, em 1590.

76

Morou nas margens do Rio Real, onde está hoje edificada a vila de Campos, cuja capela foi por ele edificada. Iniciou naquelas paragens a profissão pastoril, constituindo-se talvez o maior fazendeiro daqueles tempos. Instituiu um morgado que motivou grandes pleitos e que duraram até poucos anos passados. Tinha foros de fidalgo e foi o tronco da família dos Caramurus, em Sergipe. Sua prole ramificou-se em Sergipe, constituindo diversos ramos, Pregos, Ávilas, Fonseca Saraiva, Dias, etc. Morreu em 1622 em sua modesta fazenda, com a idade de oitenta anos, deixando um filho natural Rubélio Dias, natural de Geru e filho da índia Lourença, de que adiante falaremos. Belchior Dias representa o homem que domina a história de Sergipe no começo do século XVII, pelas suas ousadas explorações. Os preciosos documentos dados à publicidade pelo meu honrado amigo e ilustrado professor Dr. Capistrano de Abreu, esclarecem as questões de minas, salvando a verdade que ate então, pela influencia de Rocha Pita, eram uma legenda em torno do nome de Rubélio Dias, a quem os historiadores sempre ligaram as questões de minas, no Brasil. O nome de Belchior desapareceu, para ser substituído pelo do seu filho, que na opinião de seus contemporâneos não teve tino nem atividade para seguir os passos de seu pai. A legenda foi substituída pela verdade da historia. Foi Belchior e não Rubélio quem se dedicou à exploração de minas. E compreendendo que na publicação dos documentos que esclarecem um ponto tão importante de nossa história, prestamos um serviço ao interesse de Sergipe, o fazemos, na esperança de que a iniciativa levante-se para arrancar do nosso solo as riquezas que ele possa conter. Na convicção em que estamos de que possuímos grande jazidas de preciosos metais, ficaremos contentíssimos se alguém utilizar-se dos ligeiros esclarecimentos que pretendemos dar neste trabalho, que se recomenda mais pela intenção de quem escreve, do que pelo seu valor real. Sendo de alto valor as excursões de Belchior, transcrevemos textualmente a carta que escreveu o coronel Pedro Barbosa Real ao Conde de Sabugosa em 1725, cuja publicidade deve-se ao espírito trabalhador do infatigável professor. Eis o que dizia o Coronel Leal ao Conde de Sabugosa: ―............................................................................................................................ ....‖vivia no sertão do Rio Real Belchior Dias Moreyra, dos primeiros naturais da Bahia, primo
de Gabriel Soares, abastado de terras e de bens que deixou por sua morte vinculados em morgado sobre o qual tem havido as contendas com a casa da Torre. ―Passados dous annos de perdição de Gabriel Soares sahiu seu gentio manso com algum gentio de Paramerim a buscar Belchior Dias pelo conhecimento que deste tinham. ―Com algumas amostras que trouxeram e com algumas noticias que já tinham de seu primo Gabriel Soares, resolveu a largar a sua casa e fazendas e entrar no sertão com o poder que tinha de seu gentio e o mais que de novo tinha vindo buscar, levando em sua companhia Marcos Ferreira, grande mineiro e se presume o mesmo que tinha acompanhado a Gabriel

77

Soares – havendo duvidas que este mesmo Marcos Ferreira quando se perdeu Gabriel Soares sahio só do povoado ou ficou no sertão, entre aquelle gentio que foi quem os reduzio e convocou para buscarem Belchior Dias Moreyra. ―Preparado Belchior com a sua tropa no rio Real se encaminhou para as serras de Jacobina, fazendo seu caminho pelo rio Itapicuru acima, buscando o sertão de Massacará, passando pela serra a que os natures chamam – Bendutayu – que quer dizer na língua portuguesa – serra de Prata -, desta passou á serra do ―Puarassia‖ que se acha no meio da caatinga do ―Tocano‖, onde também fez exames, passou della ás serras de ―Jacobina‖ e continuando sua marcha por ellas para a parte do sul foi á ―Pedra Furada‖, d‘ahi passou ao rio Salitre e por elle acima foi buscar o logar onde se presume que morreu Gabriel Soares, passou a serra ―Branca‖, da serra ―Branca‖ passou ás serras de ―Osoroá‖ que se avisinham ao rio S. Francisco e dellas passou ao rio Verde e do rio Verde ao Paramerim e por elle acima procurou a aldeia dos Tubaijaras que existiu á beira do Paramerim, junto ao sitio que hoje chamam do Periperi, donde voltou não sei por onde, mas sei que tornou a buscar o rio Salitre, seguio por elle abaixo descobrindo as minas do ―Salitre‖, tornou a sahir ao rio S. Francisco, seguio por elle abaixo, foi ao ―Coraria‖ e onde descobrio as ametistas e novas minas de salitre na serra do ―Oroquery‖, continuou a marchar pelo rio abaixo, passou á outra parte de Pernambuco e se recolheu para ―Itabayana‖ a sua casa, gastando nessa estrada oito anos, no decurso dos quaes se não soube noticias delle, tanto assim que em sua casa o reputavam por morto. ― Com o trabalho, diligencias e exames de oito annos, sahio Belchior Dias Moreyra a povoado com o descobrimento de ouro, prata, pedras preciosas e salitre. ―Embarcou para Portugal, passou á corte de Hespanha, declarou os haveres que tinha achado, pretendeu mercês, e ou porque julgaram altas as mercês, ou porque julgassem que por ser natural do Brasil não merecia nenhuma attenção, o trouxeram quatro annos em requerimentos, até que desenganado voltou para o Brasil sem ser deferido. ―Passou segunda vez em Portugal e em dous annos de pretendente sem conseguir cousa alguma se tornou a voltar para o Brasil. Terceira vez intentou o mesmo, mandando seu sobrinho Domingos de Araujo remetido ao Conde de Almirante com todas as instruções. ―Voltou da mesma sorte sem despacho algum. ―Achou-se neste tempo governando Pernambuco D. Luiz de Sousa, avô ou bisavô do Sr. Marquez das Minas e tendo noticia dos grandes descobrimentos que havia feito Belchior e da sua desconsolação, lhe escreveu que se coarctasse nas mercêes que pretendia de Sua Magestade que elle queria ser seu procurador para na corte alcançar aquellas que pudesse conseguir. Sujeitou-se o velho Belchior Dias aquelle Mecenas cançado já de seu trabalho, da sua velhice e de tantos baldados requerimentos. ―Protegeu D. Luiz de Souza o requerimento de Belchior Dias na corte, offrecendo-se para com ele examinar e certificar umas e outras minas, alcançando, em primeiro logar a promessa do título de Marquez de minas para si, que então teve principio este titulo, tendo a sua confirmação depois da acclamação do Sr. Rei D. João IV e para Belchior Dias algumas mercês que se lhe destinaram. Conseguindo este despacho, escreveu D. Luiz de Souza, de Pernambuco, a Belchior Dias que Sua Magestade tinha deferido as mercêes , cujo escripto ficava em suas mãos para lh‘o entregar quando se ajustassem aquella diligencia e que em tal tempo o fosse esperar no rio S. Francisco para ahi se incorporarem e darem principio ao descobrimento, cuja carta firmada pelo dito governador D. Luiz de Souza se acha em meu poder. Resolveu-se depois vir á Bahia incorporar-se com o governador della o Sr. D. Francisco de Souza, seu primo, para ambos fazerem entrada no reconhecimento das minas. Desceu Belchior Dias á Bahia para guiar e acompanhar os governadores, como fez. ―Parece que Belchior Dias Moreyra com o uso das vezes quo foi áquellas côrtes se fez político e soube seguir algumas máximas que nellas só praticam, porque contam seus descendentes que, tendo peitado e obrigado a um pagem particular de um dos governadores, este sendo inconfidente a seu amo revelára a Belchior Dias que conversando ambos os governadores sobre as mercês que El-rei lhe fazia, dissera um para o outro: - mostre elle as

78

minas, que o caboclo para que quer mercês? Do que procedeu entrar em desconfiança do que resultou o seguinte: Partiram da Bahia os dous governadores com Belchior Dias que os levou direto á serra de Itabaiana e que chegando a ella dissera aos governadores que suas senhorias estavam com os pés nas minas, mas que não lh‘as mostrava enquanto elles não lhe entregassem primeiro as cartas de mercêsque sua Magestade lhe fazia. ―Ao que elles lhes responderam que mostrasse as minas, que as mercês estavam certas, e se lhe entregariam o alvará de Sua Magestade depois que as mostrasse. ―Parece que ao mesmo tempo que cresceu a duvida em os governadores crescia mais a primeira desconfiança em Belchior Dias, que se resolveu a não patentear os descobrimentos, pelo que se precisaram os governadores a prendel-o, querendo por este meio obrigal-o a mostrar o que sabia, e vendo-se preso os levou a um serrote que chamam das minas em meio dos campos de Itabaiana, em o qual se fazendo exame se achou uma pedras cravadas de marquesita que não deram de si prata alguma, á vista do que voltaram os governadores para a praça da Bahia e Belchior Dias preso na cadêa della o obrigaram a pagar os nove mil cruzados que se tinha feito de despeza na jornada. ―Vendo-se Belchior Dias com dous annos de prisão e por não pagar os nove mil cruzados se resolveu em descobrir e mostrar o que sabia, ao que acudiram Pedro Garcia, o velho e outros parentes escandalisados do mau tratamento que lhe haviam feito os governadores, dizendo que não descobrisse, nem mostrasse nada e pagasse os nove mil cruzados que lhe supririam com elles, e com efeito pagou os nove mil cruzados, foi solto para o rio Real, aonde passados dous annos morreu, deixando todas as noticias daqueles descobrimentos sepultadas com a sua morte que succcedeu em o anno de 1619, tendo-se passado mais de um século sem que se tenha com certeza averiguado o lugar daquellas minas. ―Deixou este homem por sucessor a sua casa um filho natural havido em uma índia da aldêa do Gerú, a quem chamavam Rubélio Dias. Este com poucos brios, pouca actividade e temeroso do mau sucesso de seu pai, não só não quis seguir aquella empreza, se não deixou perder todas as memórias e roteiros que tinha deixado o dito seu pai. ―De Rubelio Dias procedeu D. Lourensa, que foi casada com Paulo de Araujo de cujo matrimonio nasceu o coronel Belchior da Fonseca Saraiva Dias Moreya, que entrou na casa em morgado do rio Real de sua bisavô Belchior Dias Moreya, e como este se casasse com a filha do desembargador João de Góes, vindo á cidade da Bahia, quis o Sr. Affonso Furtado que então governava este Estado, renovar aquelles descobrimentos de Belchior Dias, pelo que chamou o dito Coronel Belchior da Fonseca, a quem chamaram o Moribeca, para que declarasse os roteiros de seu bisavô e descobrisse aquelas minas. ―Foi o dito coronel ao sertão do rio Real á uma serra que esta defronte á fazenda do Jabibiry, onde morava e onde viveu seu bisavô, a que chamavam serra do Caniny, da qual tirou algumas pedras com marquesita, que parece prata e porque na sua casa se conservavam ainda algumas pedras de legítima prata do tempo de seu bisavô, introduzio estas com as que tirou da serra do Caniny e as trouxe ao Sr. Affonso Furtado que as mandou ensaiar pelo ourives Raphael Lobo, e como este entre todas escolhesse as que achou de líquida prata, tirou dellas a prata que tinham, o que vendo o Sr. Affonso Furtado mandou a seu filho João Furtado, com a amostra da prata e com as pedras que ficaram a ser apresentadas a Sua Magestade, Entendendo que tinha conseguido aquelle descobrimento em que sempre se tinha cuidado; mas como em Portugal se não achasse mais pedras de prata, ficou em duvida a certeza daquelas minas. ‘‘Governando este estado o Sr. Roque da Costa Barreto, mandou o Sr. Rei D. Pedro a D. Rodrigo Castello Branco, com 600$000 de ordenado e toda a despreza que fizesse por conta da fazenda real, averiguar e examinar as minas de Itabayana e Jacobina, pelas noticias e tradições de Belchior Dias. Foi D. Rodrigo com efeito a Itabayana ao mesmo serrote das minas a que Belchior levou os governadores, donde fez algum exame e somente achou que havia alguns criadeiros que indicavam prata, mas de pouca consideração e de nenhuma esperança para se romper aquela mina e retirou-se para Bahia, de onde passou para São

79

Paulo, ambicioso então das noticias que corriam das esmeraldas, de ouro, e de prata de sabarabussú, onde o mataram, deixando na Bahia o tenente-general Jorge Soares de Macedo, seu cunhado, para ir examinar as minas de Jacobina ―E como a esse tempo se sabia já de um roteiro que Belchior Dias havia dado a seu sobrinho Francisco Dias, bisavô do coronel Garcia d‘Ávila, do haver que havia em Jacobina, foi Jorge Soares com João Peixoto a Jacobina, examinar o dito roteiro e correndo muitas serras e logares o não averiguaram e sucedeu o que o mesmo João Peixoto relata na noticia que deu e deixou escripta com o mesmo roteiro que é o seguinte: ―Copia da instrucção que deu o padre Antonio Pereira, o da torre de Garcia d‘Ávila, a João Calleta no ano 1655 para buscar na Jacobina as minas que descobriu Belchior Dias no ano de 1604 na mesma forma que ficou escrita pelo próprio Belchior Dias Moreya o seu sobrinho Francisco Dias d‘Ávila parente do dito padre, etc. ‘‘Na serra, na mais alta ponta dela que tem, pondo-se o homem da banda do sul, está o haver e a ponta está inclinada ao leste; e debaixo desta ponta de leste bem a baixo, quando faz grandes invernadas Leva uma bêta, si é de prata ou de ouro Deus sabe, e quando forem ao taboleiro em cima, pondo-se da parte do sul hão de achar muitos crystaes e da banda do sul para o norte outras pedras muitas, que me parecem de consideração.‖ ―Dizia mais o papel donde morreu Gabriel Soares de Souza está uma serra Itauiupeburá que é de chumbo. Tomem a ribeira donde nasce Tapuia Ubatuba, corram por ella abaixo, não fique grota que não vigiem.‖ ―Copia de um assento de Belchior Dias Moreya que foi dizer a El-Rei o anno de 1612 e por lhe não deferirem com as mercês que pedia e grande morreu no anno de 1619, ficando encobertas.‖ ―No de 675 fui eu com Jorge Soares uma das pessoas que Sua Alteza mandou a ver se eram minas, a serra de Itabaiana e Jacobina, vêr se fora por alli aquelle descobrimento de Melchior Dias. Achei um índio cariry, velho de cem annos, por nome Gaburú, na aldeia de Sahy e descobri com muita indústria haver acompanhado a Mechior Dias naquela jornada de seu descobrimento, o que ele tinha muito calado e negado ( disse ele) por assim o ordenado dito Melchior Dias. Levou-nos pelo campo firo ao do Salitre, cortando doze léguas de matto e catinga, sem água nem caravatá que a tivesse e com raízes de imbú e mandacarú se remediou a gente que abriu o caminho em dezenove dias. Mostrou o velho logar. onde Melchior Dias achou o que buscava, o qual ( disse o índio) os levará outro de outra nação que primeiro deu umas pedras ao Belchior Dias. Achamos signaes certíssimos de haver ahi estado gente branca, e não foi outro senão o dito Melchior Dias e depois do anno de 1628 seu sobrinho Francisco d‘Ávila mandado pelo governador Diego Luiz de Oliveira, sendo já morto o tio, mas não descobriu a mina por que não a conheceu, porque Belchior Dias escondeu da gente e índios que levou aparte donde tirou a pedra que ensaiou alli e disse o velho índio que coseu no fogo em m texto ou tacho e depois lavou muito e tirou uma pedrinha branca. Disso fizera muita festa com as espingardas e dissera era pólvora e lhes mandará não mostrar nunca a branco aquele logar. porque havia de saber os flamengos e vir tomar-lhe a sua terra, e por isso não quisera nunca falar nem mostrar. ―Em poder de Belchior da Fonseca, filho de Paulo de Araujo e de D. Lorença, neta do dito Belchior Dias, está um copiador de cartas que escrevia a El-Rei e ministros ( agora está este copiador na secretaria) instando de novo que não ficava por elle descobrirem-se as riquezas que as terras do Brasil tinham sonegado ha tantos annos com que S. M. poria freio ao turco e sopearia os potentados da Europa e estes termos de explicar o seu achado provam a riqueza e certeza della e instancia com que o affirmara e ser entendido em minas, e aquelle descobriu acompanhado de outro maior mineiro por nome Marcos Ferreira de que deu noticia o velho índio, e depois achei em João Callella e assim que por todas as razões que Belchior Dias achou ricas minas, e em sua casa há inda prata que tacitamente tirou delas, isto é fama constante e que foi aquele lugar se certifica pelo referido; mas por não haver quem conheça as pedras que estão incógnitas, Deus as descobrirá quando fôr servido.

80

―Partiu o dito coronel de sua casa do Rio Real e marchou até a serra do picarassá de que atrás tenho tocado. fui à serra do Picurassá onde fazendo varias diligencias não descobri nada. João de Alencastro mandasse pessoa de confiança a examinar se as minas de onde tinham saído aquellas amostras eram verdadeiras e seriam de rendimento. mas não deram em nada porque são infinitas as serras e eles ignorantes em minas. o qual tinha assistido muitos anos nas Índias de Hespanha. um velho que vivia na Bahia defronte de S. Rodrigo de Castello Branco e o ajudar a examinar aquella mina em que só acharam ao referidos criadeiros com alguns indícios de pouca prata que ahi havia. Que se acha na secretaria para entender sobre os descobrimentos de minas. e se acharia no seu livro de razão a fls. Roque da Costa tinha-o obrigado a acompanhar a D. ―Como esta e outras noticias me resolvi entrar pelo mesmo caminho e sertão por onde entrou Belchior Dias. é que d‘ahi para diante o conduziram e guiariam taes índios e ele se voltára com outra gente para sua aldeia. ―Veio governar este estado o Sr. e porque então me achava sem intelligencia alguma de minas. João de Alencastro com ordem de S. acrescentando que pela experiência que tinha e sabia das minas. que tinha acompanhado a Belchior Dias e era tio de Rubelio Dias. que o Sr. M. e a Amaro Gomes. mandando S. introduziu umas pedras do serrote das minas de Itabaiana e de outras terras do mesmo continente introduzindo-lhe alguma prata industriosamente de que resultou tirar-se na casa da moeda em Portugal algumas porções de prata de cinco pedras que foram com as mais. seu filho. recolhendo-se a sua casa sem outra alguma satisfaçãs. E este velho me despersuadiu que não fosse a Itabaiana porquanto elle havia morado alguns anos na cidade Sergipe d‘El-Rei. D. E porque no mesmo tempo capitão-mor de Sergipe El-Rei. procurei instruir-me na especulativa e pratica dos exames dos metaes com João Coutinho. Pedro.―Os signaes que deu este papel acima deu o padre Antonio Ferreira (da Torre) a João Callella e a seus irmãos para buscarem o ano de 652 quando entraram a povoar aquelas terras e parte da Jacobina. João me ordenasse que fizesse passagem pelo rio Real. que morava no rio Real e dava várias noticias de algumas entradas de Belchior Dias. para cuja diligencia me nomeou o mesmo senhor. 60. assim como estava o copiador que conservo em meu poder. até que certificado da diligencia em que eu ia me veiu fallar. e procurasse o coronel Belchior da Fonseca para que me comunicasse todas as notícias que tivesse. a prata se não criava senão de quarenta léguas afastadas do mar para o sertão. e que assim me dava de parecer que a buscasse mais ao sertão e que me não confiasse com a Itabaiana. de seu bisavô Belchior Dias Moreya. mas é sem duvida que pela tradição dos índios Oris daquella serra esteve nela Belchior Dias e sobre ella onde estive oito dias examinando-a achei duas marcas: a primeira consta de três 81 . donde voltou um pouco efeito e com poucas diligências. seis léguas distantes de Itabaiana e que ouvindo fallar na prata d‘ella fôra por sua curiosidade a ver o serrote das minas e que ao Sr. Jorge de Barros Leite. donde voltou a buscar a estrada do rio São Francisco até o corassár. ―Como o Sr. Fui buscar á aldeia do Gerù a falar com o principal de nome Birú. Rodrigo de Castello Branco por ensaiador. D. comunicando-me verbalmente algumas noticias e tradições que tinha sem certeza e me entregou um copiador de cartas de seu bisavô Belchior Dias. o qual livro nunca apareceu e me certificou o dito coronel que fora comido e destruído do cupim. ―Passei d‘ahi à casa do coronel Moribeca que receioso de alguma execução se ocultou três dias. Mandou chamar o coronel Morimbeca e lhe encarregou fosse novamente investigar novamente o sertão em que seu bisavô tinha descoberto aquellas minas. tão maltratado e comido de cupim que em poucas folhas se deixa ler algumas partes. porque seu gênio não o inclinava à semelhantes serviços da qual diligencia não deu conta. nas casas de fundições de prata. ainda parente de Belchior Dias. Dr. e porque dele se acham seis ou sete folhas cortadas com assento do mesmo Belchior Dias em que se assignou que aquellas folhas que alli faltavam as rompera. M. levado em minha companhia ouvires experientes e a Manoel Vieira da Silva que havia acompanhado a D. a partir da Bahia. e fallando ao dito velho índio me certificou que tinha acompanhado Belchior Dias Moreya até a serra do picurassá sómente.

João. que então estava descoberta e que não o averiguaram. Em Jacobina procurei o velho João Calhelha.. e Manoel Calhelha. seus irmãos. descobridores de Jacobina. no mesmo papel e da mesma letra que então me deu o velho João Calhelha. e que este depois que subiu de seus descobrimentos dissera a seu sobrinho Francisco Dias que em Jacobina havia um haver e quando ele e seus irmãos por ordem do dito Francisco Dias descobriram a Jacobina escrevera Francisco Dias a seu tio Belchior Dias que a tinha descoberto que lhe mandasse dizer onde estava o haver. lhe tinham feito tantas diligências sem proveito. perto desta serra nos campos do Corassá perto ao sitio do Curral do Meio vi e passei pelo serrote de pedras amethistas roxas que descobriu o mesmo Belchior Dias Moreya do que eu tirei algumas e se tem tirado muitas por várias vezes.letras feitas de pedra posta a mão_ um A. onde viveram e morreram. mas que havia poucos annos que os principais índios velhos lhe tinham declarado que aquella não era a verdadeira legitima serra de Jacobina. ―Disse-me também que Francisco Dias. o velho. um dia pela manhã até a noite. Foi segunda vez com o mesmo roteiro o padre Antonio Pereira e com ele fizeram a mesma diligência e passaram a Jacobina nova e que não acharam nada e que o dito padre lhe deixara então o roteiro para elle e seus irmãos com mais vagar e maior diligência o averiguassem. e que os brancos tinham corrompido genericamente o nome de Jacobina por todas as aquelas serras e que como elles tinham procurado o roteiro naquele continente da primeira povoação da Jacobina. Francisco. Ex. me trouxe o 82 . e me asseverou o principal daquelles índios que perto daquele morro se achava outro todo de pedras amarellas. mas como me faltava o roteiro não pôde entender nem averiguar a significação della. que se tinham retirado de Sabarabussú quando mataram D. o que ele não fora averiguar por se achar muito decrépito e incapaz de sahir de casa.Respondeu-lhe com o roteiro que agora remeto à V. Disse-lhe eu então que se ele e seus irmãos. o capitão Lourenço de Matos. intentando descobril-o todo. não podiam acertar pelo não terem buscado naquella parte que diziam os índios Payayaz. que mal podia eu encontrar aquele lugar. e. que com elle correram toda aquella parte da Jacobina. fora a Jacobina com este roteiro. certificando-me aquelle mesmo gentio. o que elle e seus irmãos tinham feito sem que tivessem encontrado signaes delle. achando as amostras na dita serra vestígios de ter alli estado Belchior Dias. donde me segurou havia ouro. fui sahir a Jacobina. como experimentei capacitando-o ir me mostrar o rio Pindobussú. Rodrigo de Castello Branco. Declarou-me então o dito João Calhelha. que achara para a parte do poente ao pé da mesma serra uma carta antiga. Segui aquela derrota. o velho. E na dita carta se tinha achado um cono biscainho que eu vi em poder de Luiz de Andrade o qual agora em Jacobina me segurou. que elle e Francisco Dias e o padre Antonio Pereira era verdade que tinham deito exactas diligências. ―Por então não averigüei o dito por seguir a derrota de Belchior Dias para o rio de S. D. mostrando-me uma memória que tinha no dedo tirado por uns carijoz de João de Maya.. procurei o gentio da nação Orocuyú que me levaram a dita serra donde achei novas minas de salitre de que mandei as amostras ao Sr. ―Segui a derrota para Jacobina atravessando setenta léguas de catinga em que perdi vinte e oito cavalos e atravessando a serra Tuyuba pelas aldeias velhas dos Oris. o que estava lembrado que ele entrou ao sertão por se achar já com dez ou doze anos de idade. junto a um olho de água que eu alimpei beneficiei para dar de beber à minha tropa a qual cata eu não vi quando estive na dita serra. e esta serra que é mui elevada se acha só no meio daquella campanha e as serrarias mais vizinhas que lhe ficara à parte do poente para o sertão é a serra da Tuyuba e fiquei na presunpção de que aquellas marcas desmarcariam uma antiga cata e que se acha em um morro perto da serra Tuyuba aberta em uma pedreira de cor verde de que o gentio então me deu um pedaço. o padre Antonio Pereira e Francisco Dias. um L e uma S e diante delas em pouca distância feita uma cruz em uma lage. eram as serras da Sapucaia distantes daquella mais de trinta léguas. João Calhelha que era o mais velho me assegurou que conhecera muito bem a Belchior Dias. indo alli de passagem e sem conhecimento algum daquelle país. seguindo até ali o mesmo caminho de Belchior Dias. pelas informações que me deram os índios de que elle tinha ido à serra do Orocury chamado pela sua língua Podêcó.

....... .. porque se achando alli o serrote das pedras roxas.. ―De outro roteiro na mesma Jacobina há também individuaes noticias que o mesmo Belchior Dias...... mas não deixei de acreditar aquela noticia... João de Alencastro............................‖ . Falta descobrir a beta que diz o roteiro.................................. que já esta caída no chão........................... .................... mas não se pode então dar com as catas.............. as grotas muitas e muitos os anos. mas como a serra é grande........ nem póde haver controvérsia....... dizendo que seus pais lhes contavam............ achou-se a arvore de sucupira que tinha. o que me asseguraram os índios velhos cacherinheus práticos naquelle lugar pois alli é sua terra.... compreendendo as capitanias de Sergipe d‖El-Rei........... M. governando este Estado........................ em uma das quais é fama constante que esta ferramenta enterrada.................. que no sertão de Itabaiana descobriu ouro..... o tempo tem cegado tudo de sorte que é necessário um geral e positivo exame naquela serra............ e assim por todos os princípios e por todas as circunstâncias e noticias fez Belchior todos os descobrimentos no sertão da Bahia no quase rotundo território desde o rio de S..... ―Daquela parte desci pelo rio S........... e estar incorrupta e se sabe de brejo.. ―O que suposto segundo as tradições e noticias que tenho alcançado por homens antigos e por índios daquelles sertões........... Francisco abaixo e vim buscar á Itabaiana donde me dilatei três mezes correndo todas aquellas serras e acabando-o com três barris de pólvora que lhe metti em uma mina que lhe fiz.......... Paraguassú.............. em alguns se acham ouro e o de 83 ...................................... ‖Como esta certeza já não é para desprezar o roteiro de Belchior Dias e por este se devem acreditar todos os seus descobrimentos........ se conhece por ser a maior que alli há.‖ .... com quem no decurso de tantas jornadas tenho tratado e pesquisado... deu a seu sobrinho Francisco Dias o qual pelos possuidores de sua casa se perdeu ou o ocultaram...... Jacobina........ Francisco..... Fiz-lhe bastante diligencia. e três morros sobre outra serra e promete aqui ouro e cobre.. e porque também vi que ele fazia bastante diligencia para acertar com elle porque chegando a vários daquelles serrotes pesquisava ao redor buscando o seguinte para conhecer no que conheci que não fingia o seu descobrimento..... ―Nem por estas diligencias fica perdendo o descobrimento de Belchior Dias a opinião no que toca a Itabaiana..... por quanto em alguns dos seus ribeiros se tem achado ouro e o vigário de Itabaiana remeteu as amostras dele ao Sr.... pedindo-lhe licença para romper aquellas minas......... Francisco...... ‖Botei escravos meus com um homem a socavar os ribeiros daquella serrania com o intento de correr aquelle districto a descobrir as ditas catas.... Luiz Cezar de Menezes....... o que lhe não concedeu pela prohibição que havia de S... passei adiante á diligencia em que ia sem outra averiguação.... donde tirei quinze amostras que entreguei ao Sr...... mais elles não sabem o buraco... ―O mesmo João Calhelha me certificou que Belchior Dias entrara no sertão aquelles descobrimentos com o gentio do Parámirim e com o gentio de Gabriel Soares........................... crystaes e que é certo haver.................................................... e talvez que Belchior Dias occultasse este àqueles governadores e que também naquellas mais no sertão tivesse descoberto mais alguma cousa que não quis descobrir.... e dizem que prata da qual não há certeza donde seja........ e entre ellas se tem tirado algumas amarellas é factível que haja o morro das ditas pedras amarelas que dizia o índio.... até o continente que comprehende as minas do rio de Contas em que atualmente se está tirando ouro no que nem há duvida......índio correndo vários serrotes sem poder acertar com ele. como dito tenho..... D....... E como ahí são muitos e vi a variedade com que o índio m‘o buscava..... Agora quando estive em Jacobina mandei examinar esses signaes.................. ‖Os signaes do roteiro são uma grande arvore um brejo de cannas bravas................ Pará mirim... Eu sei que o rio das pedras da mesma Itabaiana se tem tirado ouro.... oito ou dez léguas do rio Itapicurú-mirin da freguezia Jacobina donde se acha duas antigas catas......... Este é na mesma Jacobina da missão de Nossa Senhora das Neves para a parte do rio S... mas como – nihil occultum quod non revelatur – por algumas intelligências de escravos e índios antigos se veiu a saber delle.....................

.. deve ser referido a seu pai Belchior. Como pelas catas que recebi de V. ― S. de que também remetteu a copia tirada do mesmo copiador... Aquilo que ate aqui se tem afirmado relativamente a Rubélio Dias............ que descobrir prata em logares do rio S........ comprida e muito antiga e que levando-se o morro a escala.... Ex. ―Isto me afirmaram alguns índios tubayjaras com quem falei.... Francisco muito ao sul de Jacobina Nova e da grande serra Branca se acham catas antigas que ha tradições foram feitas por Belchior Dias e fama constante que nellas tirou prata e algumas pessoas viram já estas catas e o Capitãomór Damião Cosme me disse vira algumas.. nunca tratou de minas.. Determinei passar pessoalmente aquelle exame depois de saber os primeiros signaes do roteiro..... ―Quando de volta do rio de contas cheguei a Jacobina......... ―Na serras de Assuruá...... para que a historia conquistou a verdade do passado.. Ex.. – Pedro Barbosa Leal‖. não é real... nem é histórico. no fim delle se abrira uma mina ou buraco e elle segurava e estava tapado com pedras arrumadas a mão e duvidando-lhe eu que se poderia e ser aquella ruína ou tapada por alguns desmanchos do morro e tornou a sererar que elle reflectira com attenção que achara e que fora artificialmente tapada. Se V Ex...... É sem duvida que nellas esteve Belchior Dias e que por ser a mesma serrania dellas passou a do rio verde onde dizem achou uma pedreira de esmeralda.. por serem hoje aquellas serras pastos de gado das fazendas de D. 84 .... Novembro de 22 de 1725.... se logre esta felicidade e que para o dirigir e franqueiar guarde Deus a V.. Ex.. Deste documento devemos tirar importantes conclusões.. Os feitos que se imputavam a Rubelio não passam hoje de legendas.. Pedro.. me veio um sujeito a quem recommendei a diligencia dizer que a tinha descoberto umas das catas por um morro acima........ não pode ir para examinar a dita cata ou mina velha que La vira tempo que se reconheça e examine.... mais deixei recommendado a pessoa de satisfação a fizesse.......... Francisco e pelo Paraguassu examinou também aquella parte do rio de contas e da a conhecer a carta que escreveu a Affonso Rodrigues da Cachoeira. anime os seus vassallos com mercês e com algum proveito com que passa fazer as despesas.............. ... tiradas do seu copiador que tenho... Tudo aquilo que até aqui se tem afirmado relativamente a Rubélio.. ―De que Belchior Dias foi a Portugal.. Ex . que não hão de faltar descobridores que se arrisquem como Belchior Dias e que descubrão o mesmo que ele descobriu que alguns não fazem por não correrem a mesma fortuna que ele correu.Beribery o tem de conta de que mandei a mostra à V. que abriram ao rio S... Ex. cuja trilha não quis seguir... por ter sido infatigável descobridor de minas. mais como chegasse o tempo de passar as minas do rio de contas para onde fui. Nunca foi à Europa.. e seu nome tornou-se popular pela influência de rocha pita em sua História da América Portuguesa. cujo nome se auroela com grandes feitos..... seu parente.. Queira Deus que no tempo do governo de V.. por muito annos. Joanna Cavalcante e o capitão Antonio da Guerra que morou no sertão do lagarto assegurava que tinha visto prata daquelas serras e me convidou a mim e ao donatário Manoel Garcia Pimentel para irmos a ellas e que elle se obrigava a mostrar os buracos da prata.. me faltou o tempo para aquella averiguação.. não estive mais de oito dias em Jacobina.. se verifica pelas copias de suas cartas que remeteu a V..... não quiser passar pela demora de um século como tem corrido desde o tempo de Belchior Dias até o presente. Foi sempre indiferente aos trabalhos do seu pai.... requereu e prometeu minas.... ―Este homem chegou a affirmar por uma carta que se acha no seu copiador que havia de dar neste sertão do Brasil tanto ouro e tanta prata como ferro em Bilbáo...

o papel que representou Sergipe no movimento histórico. para compreendermos que muito cedo entre nós o colonizador penetrou pelo interior do nosso território. de hoje em diante. nas terras de Jabebiri. em uma doação à própria Misericórdia. A colonização amplia-se com as explorações de minas. Nisto limita-se a vida de Rubelio Dias. em novembro de 1637. Naturalmente teve a sorte de todo habitante de Sergipe: fugiu abandonado os lares. esta estudada a historia de Sergipe nesses tempos. um sítio de criação de gado. Muito pesquisamos sua vida e nada de importante encontramos Sabemos que nasceu no Geru. justamente o contrario de seu pai. mudou-se por este tempo de Sergipe. até mesmo os governadores da Bahia e Pernambuco. e nenhum auxilio prestou-lhe. a Belchior Dias que se devem ligar os acontecimentos de exploração de minas e que por isso mesmo representa a feição histórica de Sergipe. quando tinha de idade trinta e tanto anos. Ele é o centro de todo movimento de mineração daqueles tempos. ao domínio da legenda. tornou-se um ponto. Desaparece da critica do historiador. Como testamento de seu pai. 85 . Acreditamos que não pegou nas armas na guerra da independência do norte do Brasil. a si pertences. Na escritura passada. O território sergipano foi percorrido por estas caravanas que se dirigiam para o ocidente e muito cedo tornavam-se conhecidos os sertões de Itabaiana e Simão Dias. para onde afluíam os exploradores de então. pois. um compromisso de alimentar o exercito. compreende-se por isso mesmo. Rubélio declara ser morador do Rio Real. de cuja fortuna apoderou-se. motivando também a colonização dos sertões da Bahia e Alagoas. que é filho natural de Belchior Morou em S.Belchior foi o verdadeiro perquisador de minas . sem patriotismo. para não cair nas mãos do inimigo holandês. Os fatos referidos a Rubélio Dias devem pertencer. no fim do século XVI e começo do XVII. sem atividade. por nove anos. a Nicolau Pinheiro de Carvalho. Cristovão. por vinte mil reis anuais. que alem de ter tomado parte na conquista de Sergipe. por seu intermédio. E tendo sido ele morador em Sergipe. A casa de Belchior Dias. durante sua estada na velha capital sergipense. Estudado Belchior Dias. nunca mais o encontramos no movimento da nossa historia de 1635 em diante. É. Provavelmente dedicando-se ele à profissão de criar gado e arrendando o melhor curral existente naquela zona — fazenda de Jabebiri — onde morou seu pai. E basta consignarmos aqui a época da conquista de Sergipe (1590) e a época da morte de Belchior (1622). fez em cessão da misericórdia de S. Cristovão e ai achava-se quando passo o exercito fugitivo de Bagnuolo. O arrendamento foi feito. na fazenda de Jabebiri. Nada mais importante sabemos Em Janeiro de 1636 arrenda.

em sua importante obra. Deve-se mudar deve-se mudar de rumo. para nós de muita importância. Além destes documentos. escrita em latim. em cascalho aurífero. em companhia de Mauricio Nassau. Todas as explorações de minas feitas até aqui em Sergipe têm sido improfícuas. No mapa geográfico que Barloues. como ele o chama. quando ele contorna as serras do cajueiro. Realmente desses pequenos montes descem regatos de leitos auríferos.contribuiu para sua colonização. em um ponto aproximado ao rio das pedras. levantou de Sergipe. procurando explorar-se o leito do rio das pedras. Já tivemos ocasião de ver um frasco destas belas amostras. Deixemos. além de determinar em seu mapa o local das minas. para sua prosperidade. pelas explorações que efetuou. fala muito e muito das minas do mameluco Belchior Dias Moreya. vem a indicação das minas. O importante geógrafo holandês que esteve no Brasil no século XVII. Em 1642. 86 . por que todos os exploradores dirigem-se para a serra da Itabaiana. porem. isto e vejamos a questão de minas. temos de consignar o fato muito significativo de muitos dos nossos sertanejos apanharem ouro em pó.

se já faziam excursões por suas costas. por isso 87 . contra o estabelecimento da inquisição. Não nos cabe aqui acompanhar esse movimento. sóbrio. de inquirição. ao terror das nações – a Espanha. pertinaz. pela proteção dos Estados que as permitiam e auxiliavam. laborioso. o holandês levantou a revolta contra a política de Felipe II e guiado pelo seus rederykers.CAPÍTULO IV Invasão Holandesa em Sergipe Estado da capitania Desastrosa à colônia foi a subjugação de sua metrópole à nação espanhola que. do que do sentimento de liberdade nutrido pela classe popular. Se as excursões anteriores àquela data eram presididas por sentimentos pessoais. Desde os primeiros tempos do século XVI franceses e ingleses pirateavam pelos mares do Brasil. habitando um solo que cedo lhe despertou o sentimento de associação. a cuja coroa ficaram anexadas. figuram os holandeses. cujos antecedentes históricos levaram-nos a levantar o protesto contra a semelhante coerção. não só como resultados do espírito da época. iniciaram a luta pela liberdade de consciência. com a fundação de colônias que seriam os rebentos de futuras nacionalidades. quis Felipe II impor uma religião aos países-Baixos. onde iam saciar o espírito de riqueza que nutriam. Desde 1581 estas agressões tomaram um caráter mais serio por isso mesmo que erma dominadas por causas mais gerais pelo desejo de estabelecer uma política ultramarina na novas regiões. como de uma vingança à rainha dos mares. se os seus sucessores não se desviassem da brilhante carreira de administração por ele traçada. Sendo dos últimos a encetar correntes de imigração para o Brasil. as que se seguiram traziam maior força de coesão. No correr da luta os oprimidos tomaram a ofensiva e as colônias espanholas forma dela o alvo. a guerra da emancipação. para corrigir seus estragos. a luta contra as forças da natureza. De entre os povos que maior amplitude deram aos meios políticos que os deviam dirigir no Brasil. foram os primeiros a estabelecer os fundamentos de uma futura nacionalidade. angariou para o Brasil a prevenção de outros povos que. em suma. tenderam a fortalecer as correrias. cujas tentativas e ambições forma grandemente auxiliadas pelo seu governo. pela abdicação de Carlos V em Felipe II. Dominado exclusivamente pelo sentimento religioso. que propagavam o ódio contra o governo opressor. cheia de prosperidade se fosse mantida a orientação inteligente do conde de Nassau. A invasão holandesa no Brasil não é mais do que o prolongamento das lutas que as províncias unidas levantaram contra Espanha. pelo grande domínio que representava no século XVI e pelos meios de coerção que pôs em pratica. Povo eminentemente livre. para impor um sentimento religioso a outras nações. se a prosperidade da colônia dependesse mais do grau de saber de seus governadores.

escrivães.83 Em 1621. Avisadas a metrópole e a corte desta segunda tentativa. rábulas. que se achava em Madri. trazia vantagens pelo lado criminal. confiada a Jacob Willekens. que se não faria por certo. feitas por Piet Heyn nos mares da Bahia. não permitia um tão grande número do corpo da justiça e da advocacia. do qual quase que se apoderaram. a morte do espírito militar. Se a instituição do Tribunal da Relação na Bahia.que na trégua de doze anos celebrada entre os beligerantes (1609. tornam-se bem visíveis do modo por que foram recebidas as armas inimigas. Os Holandeses no Brasil. O estado do espírito publico da colônia. a perda do sentimento de patriotismo que de sua população tinha-se apoderado. concluir pactos com os moradores e construir fortificações. advogados. em virtude da qual a metrópole aboliu a relação. Os mesmo sentimentos tornam-se bem patentes na metrópole e na corte. em 1624 e em Pernambuco. limitaram-se a encarregar a defesa de Pernambuco a Matias de Albuquerque. justamente quando se acabavam as tréguas. com o monopólio do comercio da America e África. durante vinte e quatro anos e com o direito de nomear governadores. tendo como imediato s bravo Piet Heyn. o predomínio do espírito religioso que tudo avassalava. que prevenidas dos intensos hostis dos Países-Baixos. fazendo esquecer as medidas de defesa. de civismo e de homogeneidade de sua população. A cobiça açulou-se com os lucros da companhia oriental e Guilherme Usselincx levanta a idéia da criação de uma companhia ocidental. de muita vantagem para os interesses profissionais. com o auxilio de vinte e sete soldados e algumas munições. quando a companhia ocidental dirigiu a atenção para Pernambuco. que nenhuma oposição encontraram em assenhorearem-se da capital da colônia. como instigavam o capricho da clientela. até mesmo depois da recuperação da Bahia. encarregando-se do comando superior João Von Dorth e em maio de 1624 os habitantes de São Salvador avistaram em sua bela baía as velas inimigas. e que indenizaram as grandes despesas da companhia.1621). tornou-se bem patentes nos meios de defesa que opuseram à invasão das armas inimigas na Bahia. que não só prolongavam a marcha dos pleitos judiciários. no começo do século XVII. Era completo o esquecimento votado aos interesses da colônia. estava vitorioso o plano e pouco depois já achava-se organizada a expedição. em 1630. O mais direto resultado da invasão holandesa foi uma modificação da legislação da colônia. foi entretanto a causa de originar-se cedo no pais o espírito de chicana. nenhuma clausula foi estabelecida para realizá-las. A pequena vida da colônia. nenhuma providencia tomaram. para cuja manutenção 83 Porto Seguro. p. 10 88 . se não fossem as rícas presas. o atraso de seu movimento social. em 1630. A falta de patriotismo. aplicando para a tropa as despesas com este corpo de justiça. O comercio do oriente foi o primeiro alvo do espírito ofensivo dos oprimidos. pelo grande número de letrados .

pôs-se a campo com as tropas holandesas a estender os domínios para o sul. se não se manifestasse. Para antecipar-se o saldo de despesas que se iriam tornando isolváveis. no começo do século XVII. durante sua vida colonial. o espírito comercial é o que domina a fim de que a companhia não desista de seus planos de exploração. a tendência de substituir-se o espírito político. Abolida a relação. gentios e peões. sem previa formação de processo. Três fases muitos diversas apresenta o domínio holandês no Brasil. Na segunda.84 No próprio espírito da legislação pintava-se a profunda linha divisória entre as três raças que colonizavam o Brasil. que estabelecem as bases de uma política verdadeiramente livre. I. com alçada no cível até cem mil reis e no crime até morte natural dos escravos. que reivindicaria para a Holanda todo o território setentrional.Não nos compete nada dizer deste período. e pela proliferação que se efetuou na classe de advogados. contribui para a degeneração do caráter. Seu alto tino administrativo. que exclui a contribuição da clientela. ficando suspensas durante a presença do ouvidor nas capitanias. dirigindo uma guerra de emboscada. quando Nassau.era preciso de preferência ativar-se o lado civil dos pleitos. de saques. estabelecendo as modificações operadas no norte do Brasil. No crime ficaram igualmente restritas as atribuições dos capitães-mores. e fortificado em porto calvo. Pertencia-lhes inquirir do procedimento dos capitães-mores e das faltas das câmaras.p. de rapinagem. Achava-se o Conde Bagnuolo no comando das tropas portuguesas. por parte da companhia e seus delegados. Só nos pertence apreciar o alargamento do domínio até Sergipe. do que o lado criminal. o novo aspecto da civilização dado pela raça invasora. pelo espírito mercenário. E o modo de distribuir-se e agitar-se o direito. com agravo a apelação para a ouvidoria geral. pela abundancia de questões civis agitadas. ficaram com ela reduzida a vinte mil reis. 84 Porto Seguro história Geral. que vai de 1637 a 1644. seu ilustrado espírito. Na terceira fase que é a guerra da independência. foi substituída por duas ouvidorias gerais. Na primeira que se entende da invasão à administração de Nassau (16301637). a invasão vai se estendendo a maiores âmbitos. assumindo a direção do governo holandês em Pernambuco. ( 1645-1654) o heroísmo e patriotismo dos invadidos foram postos em ação. compreende toda a administração de Nassau (1637-1644). se à frente dos invasores não se coloca Domingos Calabar. E hoje temos a prova desse hábito que se inoculou no Brasil. Os capitães-mores e ouvidores das capitanias que até então tinham alçada até cem mil reis. Não esta no plano da presente obra acompanhar a evolução da invasão e domínio holandês em Pernambuco. 486 89 .

A insuficiência de documentos dificulta-nos inquirir as causas que suspenderam a marcha de Nassau. a fim de prestarem-lhe auxilio. Francisco. O terror que se apoderou da soldadesca. 85 Porto Seguro. não pôde deter a soldadesca que caiu em debandada. que sob a ação da covardia . para opor-lhe resistência. em suma. Bagnuolo manda reconhecê-las por Almiron. Bagnuolo abandonou o posto que ocupava em porto calvo. cuja gravidade não seria tão sensível. Francisco. Foi esta uma das poucas descaídas que cometeu Nassau. em pesquisa do exercito fugitivo. 336 90 . dividiu Nassau suas forças. a que denominou de Mauritius. por terra. Os Holandeses no Brasil. que escolheu como fronteira de seu domínio e de suas conquistas. pela certeza de que suas tropas já não encontrariam nenhuma resistência na capital da colônia. Francisco. Cristovão. era bastante para incitar em Nassau o desejo de levar avante esta marcha. no ultimo dia do mês de março de 1637. Francisco. em uma carta que dirigiu ao seu parente o príncipe de Orange. a opulência que circunvizinha o grande rio.p. cuja linguagem não compreendia. não acompanhando mais o exercito fugitivo. se não projeta o ataque o ataque da Bahia em 1638. onde pôde fortalecer suas armas. à falta de necessária provisões. não respeitava as largas distancias que só poderiam ser percorridas com detrimento do exercito. Vê-se por ai que a fuga era rápida e pequena a distancia entre os dois exércitos. que não obstante auxiliado por Francisco Rabelo. fazendo a derrota para a margem do rio S. infundido pelo conde de Bagnuolo. Neste rio. Francisco. mandando para o sul. e embarca em Barra Grande para Jaraguá. já tinha o exercito fugitivo alcançado descansar. pelas presas que efetuou. Esta perda foi a conseqüência do erro cometido nas fronteiras de S. quando tentando o ataque da Bahia em 1638. provam que os meios de luta achavam-se em bom pé. convocou os habitantes da margem sul do rio a passarem-se à outra ribeira acariciou as tribos indígenas. onde chegou a 27 de março de 1637. onde desembarcou. abandonadas pelo exercito fugitivo. Ainda que historiadores contemporâneos85 liguem a resolução de limitar suas fronteiras no rio S. sendo a 27 do mesmo mês a chegada de Nassau em S. ficando assim entregue às mãos inimigas.166 Southey.Com a notícia da aproximação das forças inimigas. o arrependimento que posteriormente externou. todavia. Com a noticia da perda. edificou um forte. Antes de empreender estas explorações. História do Brasil II p. admirando a riqueza do território. com presentes e agrados. Animado pela vitoria obtida nos dois postos. que por sua ordem. Henrique Dias e Camarão. e chega à cidade de S. e a convicção do erro. onde aconselhou o estabelecimento de uma colônia alemã. sem nada participar a Gilberton. a abundancia das pastagens de gado. Percorreu-o em distancia de 50 léguas para o centro. onde as tropas avançadas de Nassau apresam as bagagens. Bagnuolo na fuga atravessa S. Segismundo Schkoppe. fortifivada outro posto.

nutriria o desejo de eliminar o português. o que motivou a demora de Bagnuolo na capital de Sergipe. ficou sob a ação do medo e do terror? Ele. Avisa Bagnuolo à corte de Espanha o que ia sucedendo e em oficio ao governador geral do Brasil. aguçado pelos lucros. em vista das esplendidas vitorias que suas armas iam conquistando em favor do governo holandês. com mais facilidade. 91 . neste sistema de guerra. História do Brasil. cujo domínio já se estendia a tão largas distancias. E para restringir-lhes os meios de subsistência que. que posteriormente tão heroísmo mostrou na defesa da Bahia. da indústria. Estava em sua convicção que estragava o exercito se em completa desigualdade de forças.Não descansaria em S. pelo compromisso de preciosas vidas. Pedro da Silva ofereceu-lhe o auxilio de sua tropa. até mesmo do coração da colônia? Se havia justeza de motivos para se lhe imputar fraqueza de ânimo. há um vislumbre de plano e calculo. Francisco sua marcha. pelo definhamento do comercio. História do Brasil. Enquanto o governo de Holanda. pela posse de um território de cuja riqueza o próprio Nassau era o primeiro a dar o testemunho. que trazer a Bahia a fortuna de Pernambuco. neste proceder nesta deliberação de fuga. em cuja mente não passava a probabilidade do inimigo assaltar a Bahia. sentia morrerem todas as suas forças ativas. sob a tutela espanhola. Serlhe-ia mais necessário. para opor franca resistência no assalto da capital da colônia? E como poderia prever que Nassau. 86 E Bagnuolo. realizasse a improfícua tentativa de defender Porto Claro. de emboscadas. com que poderia enfraquecer as forças inimigas. diz o governador. buscavam nos currais de 86 Southey. Estes pontos estavam irremediavelmente perdidos. p. Isso é a prova mais visível da fraqueza moral de Portugal. para a defesa de Bahia. o que se não pode contestar pelo abandono em que deixou algumas porções do exercito. conserva-se onde estava o. Op cit II. pois se não pode conservar donde vinha. Bagnuolo resolve estabelecer seus quartéis em S. e iniciar a guerra de depredações. O governador recusa o oferecimento de um general sobre quem os contemporâneos. Cristovão. S. todavia. assacavam a pecha de covarde. Como. de emboscadas. Sua língua tinha deixado de ser a língua oficial. Portugal. pois. prestava auxilio a companhia. sucumbiu à covardia? Ou Concebeu o plano de não estragar seu exercito. Francisco e Sergipe. Alagoas. da agricultura. Bagnuolo poderia resistir em campo aberto à luta? Repudiados seus oferecimentos pelo governador da Bahia. 345 Constâncio. que certamente seria assaltada por Nassau. os próprios inferiores. pelos sacrifícios de Gilberton e Almiron e pela recusa formal de oferecer combate à campo aberto. desde que os recursos enviados pelas duas metrópoles eram desiguais. Cristovão. Beauchamps. se Nassau não suspende em S. que montava talvez em dois mil homens. de fuga.

aprisiona dois holandeses. João de Estrada. 87 O Capitão Alberto Fernandes é o encarregado de apregoar o bando de Bagnuolo. Francisco. dando-lhes gado sob pena de prisão. 106. 91 Ver. Moribeca e Recife. carta de sesmaria de Simão Dias. João de Almeida. a fim de retirar o gado da capitania para o sul do rio Real. Para isso expede diversos destacamentos. p. Francisco a nado. 90 Constâncio Op cit. ao entrar a estação invernosa. com uma força talvez de 1600 homens e a exploração pelos mares do sul ao almirantado Lichthardt. cuja fronteira agora não julgava bastante segura. cujo local deve ser o mesmo do curral e fazenda desse criador de gado. 88 Dominavam Itabaiana todo o território compreendido entre esta cidade e a de Simão Dias. onde mata quinze homens. junto à foz. Arq. e a 26 prende dois auditores do forte Mauritius90. confia a Souto verificar as forças que se vinham agregando. Francisco.34 p. vol. Cristovão. 342. o qual não pôde permanecer muito tempo em S.87 Manda um dos capitães de seu exército. Souto novamente cruza o S. com a presença do inimigo em S. morador em Sergipe desde 1599. No mapa de Barloeus vem determinando o local do seu curral. para moverem-se. onde se pôs uma bateria sobre uma árvore com três peças de calibre seis91 e do mesmo lado do rio. cruza o capitão Sebastião de Souto o rio em jangadas. voltou a Recife para encetar o seu trabalho administrativo. aprisiona um oficial holandês que traz para seu acampamento. sob o comando de Johan Gisselingh que devia unir-se à Schkoppe. em vista de uma febre. e que nenhuma dúvida deixa no espírito dos fugitivos de um ataque iminente e da superioridade das forças dos seus companheiros.89 Daí vem o nome da atual cidade de Simão Dias. tinha o inimigo construído. sem ser apercebido. onde morava o célebre fazendeiro do mesmo nome. suas operações. Op cit p.Sergipe. A cinco léguas acima do forte de Mauritius.92 Bagnuolo. na margem sul do rio e defronte dela. Figurava como principal fazendeiro de então Simão Dias. Alagoas. um fortim de madeira. D. Francisco. Pernambucano. em virtude do qual autoriza a remoção do gado para margem sul do Rio Real. a quem tinha chegado a noticia dessa resolução.107 92 . um reduto – Keert de Koe. e que no começo do século XVII tinha obtido sesmaria na Itabaiana. do qual se desviara para levar o inimigo aos muros de S. Francisco ao comando de Segismundo Schkoppe. resolve expeli-lo de seu aposento e para isso manda convocar os batalhões aquartelados em S. Do Inst. com três companheiros. 105. do exército holandês. onde mata 50 inimigos. faz as mesmas excursões pela margem de S. mata sete dos onze que ele ataca em uma casa. Era de alto valor para Bagnuolo pesquisar os movimentos de Nassau em S. 92 Barloeus. 89 V. Só dos currais de Simão dias são retiradas cento e cinco cabeças. a fim de desalojarem o inimigo. Além da fortificação de Mauritius. Essa guerra de depredações e emboscadas que Bagnuolo ia realizando em Sergipe. Francisco. a 5 de maio.180 pelo mapa de Barloeus verifica-se que esta fortificação fora construída no lugar em que está hoje edificada a Vila Nova. Francisco. Entregando a fortificação em S. A 20 de maio Souto percorre o território circunvizinho à foz do rio. transmitir aos moradores de Itabaiana88 sua ordem. com quarenta homens e índios. manda apregoar um bando. reclama de Nassau sérias medidas. para uma definitiva ação. que o atacou.

acima das probabilidades da vitória de um exército. pela miséria. Estes. o Brasil meridional ficaria em Posse da metrópole portuguesa. a probabilidade de um assalto a si. com estes foragidos de pátrios lares. comunicam-lhe ter o inimigo passado as águas do S. que encontravam devastadas. Antes de seguir. mortos pela fome. perante baionetas inimigas. sempre quis ser prudente. presos pelo cansaço. nunca lesiva ao sentimento de honra de seus generais? E para onde ir-se com estes peregrinos. Uns. habitadas por animais e índios. o cansaço. Estas bandeiras que nas ruas de S. outros. com uma possante cavalaria e uma infantaria de três mil homens. para quem a coragem. por entre a florestas. justamente quando seus espias. E pôs-se a caminho com os infelizes e míseros emigrantes das províncias conquistadas. deveriam tremular no coração da colônia. pois. toda a coragem deveria potenciar-se. inspirando-se nos interesses gerais. nem calcular. Barbalho e muitos outros. é a força diretora das deliberações. expede diversas partidas a devastarem e assolarem a fogo o território que abandonavam.Bagnuolo reúne então seus oficiais em conselho. Os mais destemidos opinam pela luta franca e decidida. sempre analisou as conseqüências de uma derrota. Sergipe não merecia ser o teatro tão importante acontecimento. E para onde ir-se. A filha de Cristovão de Barros não poderia testemunhar o heroísmo deste exército. serviam de alimentos aos potiguares em seus festins. para 93 . pois. o grau de conveniência de suas longínquas conseqüências. renunciavam às garantias de uma recompensa. Salvador do fuzil do inimigo. entregando-se Sergipe à devastação dos inimigos. deveriam ser desembainhadas para defender os muros de S. pois deveria pesar a gravidade do momento. Cristovão se enrolavam em seus postes. em cujas estacadas ficavam retidos. tática encetada. seguindo uma derrota. mais calmos e mais políticos. reclamam que já é tempo de suspender-se uma fuga tão desairosa a brios militares. Francisco. manchada por uma fuga. votam que se continue na fuga. Estas espadas que se embainhavam em Sergipe. Henrique Dias. está a honra dos seus generais. que augurava para o Brasil um péssimo futuro e preparava-se para debelá-lo. a fim de voltarem às suas abandonadas habitações. A Bahia os recebia agora. a 14 de novembro. em cujas mãos caiam. salvo-condutos. deixando em pé inferior os planos de uma luta. cujo fim o espíritos não podiam prever. Salvador fechar-se-iam a este exército que sempre trepidou. Lá todo heroísmo deveria ser posto em ação. quando as portas de S. abrigavam-se à sombra das florestas onde serviam de pastos aos animais. porem mais prudentes. arrostando a fome. salva a capital. para defender-se o coração da colônia. porém. com o abandono da família? Outros menos heróis e valentes. o civismo é o que mais alto fala. Outros. onde figuraram os heróis que posteriormente restituíram à metrópole as províncias conquistadas. Camarão. em busca da Bahia. como Negreiros. Bagnuolo aceita este parecer e levanta o seu exercito para a fuga. saqueadas. para aceitar do inimigo. que poderia ser desvantajosa à colônia. e sentiam desaparecer da alma desse sentimento de patriotismo. ou distanciados do exército pela marcha que levava.

sem nela deixar o menor sinal de administração publica. Depois de apagarem os holandeses todo o vestígio de vida que ainda restava na capitania. entrega a tudo à destruição de seus soldados. Conta-se até que. opressiva.95 em demanda de S. no intuito do inimigo nada encontrar na nascente capitania. seguiam o exercito. afluente do Betume. o pitanga. voltam para o rio S. o Paxim-Assu. Perdidos os sentidos a esta vista. Cit. nesse tumultuar de angustias que se erguiam de todos os peitos93. Percorrem uma zona de Itabaiana até Simão Dias e a serra da Miaba. que entregam às chamas a pequena cidade. 345 94 Constancio Op. que cedo organizada. em uma incandescência de ódio e rancor. caiu n’ água com o rosto para baixo.. além de oito mil cabeças de gado que afugentara para além do rio Real. Limitaram-se a efetuar correrias pelos território da capitania. com a miséria e a dor. Francisco. o Ganhamoroba.96 o Japaratuba grande pelas suas cabeceiras. tendo à frente Gysselingh e Schokoppe. o Sergipe. de onde mandam uma fração do exercito para a costa. o Ciriri. matara cinco mil. Southey. foi uma mulher lavar roupa num regato e depôs o filho numa moita. seguirem a reforçar o exercito fugitivo.quem a idéia de submissão era dolorosa. aos caprichos do infortúnio. desaparecendo uma pequena riqueza. e destruírem a pequena riqueza que um. Francisco. acumulada em quarenta e sete anos de colonização. ate os areias de onde Santa Izabel e a ilha de Arambipe. Poximerim. como o exercito de Xenofonte. repugnante. 94 . pára ai esperar novas decisões uma nova serie de calamidades e decepções. afogando-se num arroio. que 93 “ enquanto a partida fazia alto. pelo aspecto do terreno a probabilidade de riquezas naturais.a colonização de quarenta e sete anos tinha acumulado. Op. A destruição encetada pelos conquistados é acabada pelos conquistadores. desembarcam na fortificação que tinham defronte do forte de Mauritius. e chagam aos muros da cidade em 17 de novembro. devastam os canaviais e os sítios. daí enviam parte do exercito para percorrer a zona de Itabaiana. seguraria os interesses já presos ao norte de S. em cujas ruas levantam entrincheiramento sem a menor resistência. que mal lhe dava pelos tornozelos” Brito Freire. Cit II p. Ai fizeram alto. Atravessam o rio poxim. Bagnuolo. logo depois o ouvindo gritar. verificando. voutou-se e viu uma onça a devora-lo. 95 No mapa de Barloeus esta fortificação vem o nome de Houte Wambis 96 No mapa de Barloeus esta ilha vem com o nome de paraúna. o Comandoroba. nessa sucessão de dores e incômodos. incendeiam os engenhos e em vez de protegerem os infelizes abandonados. chegaram a 29 de novembro94 à torre de Garcia d‘Ávila. com o espírito entregue à desesperação da sorte. Francisco. Os holandeses. ficando o vestígio de uma completa destruição nos lugares por onde passaram. aqueles cujas forças privaram de acompanhar os seus concidadãos. atravessam o S. E nesse peregrinar. nesse heroísmo que se quebrava na aspereza da disciplina militar. Cristovão. enxotam-nos de seus lares para.

onde tirariam o alimento para a província conquistadas. 261 98 Sermões T. para a organização de uma nacionalidade no Brasil. estabelecendo entrincheiramento no rio Real e ascender à vida social. cujo começo já existia. três mezes antes. descansou Bagnuolo. em vista das barras dos rios navegáveis. quanto não estavam inoculados na sociedade de Sergipe os maus antecedentes da raça colonizadora. se a molestai que lhe atacou as forças. tomando-os a sua proteção.deveriam ser exploradas. que Nassau que retificar o erro de 1637. E tanto a verdade esta nestas considerações. com tanto maior garantia para segurança da colonização holandesa. Francisco. Não deveriam poupar nem o território onde. dando descanso em Sergipe . A invasão holandesa em Sergipe não foi presidida. com uma difícil navegação para a entrada de grandes esquadras. Francisco. o escolho do ilustrado conde. que expatriados. não puderam fugir. Sergipe representa. Vigiado o limite meridional de Sergipe. por um espírito político. Não lhe deveria ser indiferente fortificar Sergipe. levantou-se o primeiro grito da revolução. até a Bahia. que como diz o padre Vieira era os ossos da guerra e pelo seu valor e experiência digno de ser venerado como relíquia98. tudo lhes inspirou ódio e vingança. 8º p. durante sete meses. não lhe tira a oportunidade de testemunhar as riquezas naturais da capitania. Viajam pela costa oriental.p. desde o litoral ao sertão. nos sete anos de governo. intenta uma invasão no coração da colônia. como veremos adiante. Muito mais difícil tornar-se-ia o assedio do forte Mauritius e das outras fortificações que os holandeses já tinham levantado no território de Alagoas e ao sul de Pernambuco. Ai perpetuaram-se os efeitos dos seus três graves erros que tanto contribuíram para a decadência do domínio batavo no Brasil. como em virtude destas exigências de Viera . muitos difíceis as invasões portuguesas no rio S. teria poupado a Sergipe a calamidade de que foi alvo. que sempre guiou o representante dos Oranges no Brasil. pelo menos. como. quando nos impossíveis. ficando indiferentes às garantias futuras que a ocupação de Sergipe oferecia aos outros pontos já ocupados. desde Santa Maria até os areais de Santa Izabel. se tivesse rebentado do seio própria província e não do rio Real. se ele faz parte dessa expedição. veio a suceder” Porto Seguro.97 Não só deixa de pesquisar Bagnuolo. com a organização de uma administração que zelasse pelos interesses dos infelizes. Os Holandeses no Brasil. E acreditamos que. com poucos pés de profundidade. durante sua estada no rio S. promovendo a colonização de Sergipe em 1642. pois. não lhe deveria ser indiferente que a realização de tais medidas seria contribuir poderosamente para a perpetuidade de seu governo. por um corpo de guardas avançadas. testemunham as riquezas dos pastos de criação de gado. entretanto. pois. repelindo de Sergipe os restos do exercito pernambucano. pois. depois 97 “ forçar é reconhecer que mais fidalga e cavalheirosa se houvera apresentado a restauração de Pernambuco. na historia. em 1637. que obedecesse a outras leis mentais e morais.108 95 . nas margens do rio Real. tornar-se-iam.

para ir organizando um começo de lavoura e ostentar já a profissão pastoril. em um pé de sofrível adiantamento.de ser o primeiro a fornecer-lhes forças. criadas pelo domínio espanhol. cit p. a 20 de setembro de 1637 para o cumprimento de uma verba testamentária deixada por seu pai Belchior Dias Moreya a favor da santa casa. entre os rios Seriri e Ganhamoroba 101 Southey.102 O sentimento de caridade e o sentimento religioso já tinham levantado templos. Os Holandeses no Brasil p. lemos o seguinte : “ . além das três mil cabeças que Bagnuolo destruiu e conduziu para além do rio Real. do cart. ainda que não muito próspero. segundo o mapa de Barloeus. Melhor apreciaremos o papel de Sergipe na decadência holandesa. em favor da Santa Casa. oito engenhos de fabricação de açúcar. e estabelecimentos de mão morta para provarem à posteridade a sua existência. De órfãos de São Cristóvão. à qual deixava duzentas vacas parideiras em dois currais. 99 A criação de gado era tão ativa em Sergipe que.O. a braços com as dificuldades. a colonização de Sergipe. p. 15 103 Na escritura pública passada entre Rubélio Dias e os irmãos da Misericórdia de São Cristovão. que institui-o como administrador de seu morgado.como pela ostentação material de sua força. de sua vaidade militar. Cristovão já tinha cem fogos. deixou de promover. o presente dado a Nassau para o aparato de seus triunfos. desde 1637. todavia já tinha espalhado pelo território da capitania uma população bastante laboriosa. Era capitão-mor João Rodrigues Molenar. E Rubélio Dias. e ver elle dito rubelio dias a dita casa da santa mizericordia muito pobre e particularmente de ter tomado o inimigo a capitania a enfanteria a ordem do conde de banholo e não haver na dita casa com que se pudesse acudir aos pobres do exercito e retirados.103 A idéia religiosa que era a idéia dominante e que tinha dado à classe clerical o papel mais proeminente no movimento social.63 100 De entre os currais figura o de Camarão.. distribuídos por toda extensão do seu território100.II. é onde hoje esta edificada a vila de Pé de Banco. natural do Rio Real. e S. apresentava-se poderosa. os jesuítas e o clérigo secular --.99 Sergipe já contava então quatrocentos currais. Brito Freire § 802-9 Barloeus. de not. 343 102 Porto Seguro. Eis seus três erros: Sergipe foi a bola com quem Bagnuolo saciou sua sede de vingança do exercito holandês.os carmelitas. pela ausência de proteção da capital da colônia e da metrópole. que a seus ensinamentos achava-se entregue. vai cumprir uma verba testamentária de seu pai Belchior Dias Moreya. no próximo capítulo. não só pela diversidade de suas ordens religiosas existentes --.. a fim de acudir às necessidades públicas e socorrer os pobres e doentes do exercito de Bagnuolo. a influencia destes erros. uma misericórdia e dois conventos101 e a sua recita subia a mais de 624$000. cuja localização. os holandeses mataram três mil além das que conduziram para suas fortificações.” (Liv.. a 20 de setembro de 1637. perante o provedor e irmãos da Misericórdia. Op cit. de 1635-37) 96 . A administração publica vigiava interesses gerais e o movimento colonizador. na direção da sociedade. na edificação de capelas. finalmente..

Bento 107 Frei Jaboatão. nas margens de S. Gonçalo. S. § 540 p. traria o desequilíbrio na distribuição do poder. em favor das ordens. de acordo com a classe do governo. na margem direita do Cotinguiba. de inquirição. gerou o falso espírito aristocrático. 106 V. de Souzaria. no povoado hoje do mesmo nome. de quem trataremos adiante. Gonçalo junto à cidade de Sergipe. Depois transferiram-no para a cidade . de reverência. S. onde havia uma capela. a de santa Izabel. em 1657107. 585 97 . Já nesse tempo tinham levantado monumentos à sua religião. que deunos a seguinte tradução: A piedade cristã dedica este templo ao seu Senhor supremo. por meio da proteção do estado e dos legados testamentários. Cristovão104 que aos carmelitas tinha sido dado por um devoto. junto ao engenho do mesmo nome. que como conseqüência natural. que se manifestava por três ordens religiosa e pelo clero secular. em Comandoraba: a de Stº Antônio junto ao rio Jacaracica. ficando as famílias espoliadas voluntariamente de sua riqueza. carta de sesmaria dos carmelitas.Acreditamos que os dois conventos existentes eram o colégio dos jesuítas e o do Carmo em S. a de N. onde edificaram um suntuoso templo. 105 V. onde 104 Pela Sesmaria dos carmelitas na nota seguinte. com a proteção e prerrogativa de desviar para si grande parte da riqueza publica e particular. de pesquisa. seriam causa de maior prosperidade. Com uma ascendência completa sobre o movimento social. a de S. aplicando-a aos interesses próprios. Guiando-nos pelo mapa de Barloeus. que ali edificara uma capela. de levantar um culto com aparato. a de N. Francisco. provavelmente onde se acha edificada a cidade de Laranjeiras. Só muito posteriormente vieram os franciscanos. carta de sesmaria dos padres de S. do Rosário. provavelmente onde está situado hoje o povoado do Brejo Grande. Submetemo-la ao nosso parente Baltazar Góes. plantou no espírito público as idéias de superstição. Cristovão na Ilha dos Coqueiros. vê-se que o seu primeiro convento foi em S. de protecionismo. a dos capuchinhos. onde hoje está a vila do socorro.105 tendo sido precedidos pelos capuchinhos em 1603106. trazia embaraços ao progresso colonial. a de Itaperoá. Gonçalo próximo à S. contamos a capela de Stº Antônio. abriu uma linha divisória entre as classes. com a incumbência de ensinar a nova geração e der ser o órgão da opinião nos púlpitos e confessionários. ligando toda a importância à manifestação externa desse culto. que lhes foi doada por um devoto. incutido no espírito popular pelo clero. Compreende-se facilmente que o domínio do sentimento religioso. o clero em Sergipe. Cit. eliminando todo o espírito de análise. em cujo frontespício vimos a seguinte inscrição ZELO ZELATUS SVNPRO DNODEO. na mesma margem. Tendo os jesuítas se estabelecido desde 1597. op. arrodeado de pompa e riqueza. ficando assim privadas as outras classes de utilidades que equitativamente distribuídas. seguiram-se a eles os carmelitas em 1618 ou 1619. a de S. Poderosamente isto contribui para caminhar lento da população e para um desequilíbrio na distribuição da riqueza. A favor da classe sacerdotal distribuía-se os recursos públicos e particulares.

Citamos aqui o texto referente a isto: ”. liv. que era a característica da época. de not. e nas suntuosidades dos templos retratavam-se não só a tendência teocrática que. João Lopes Barbalho e Manoel Lopes Barbalho são filhos de Gaspar de Carvalho e Clara Barbalho. De 1635-37. Um negro custava 36$000 um boi 4$000 e a fiança para tesoureiro das fazendas e defuntos era de mil cruzados. a classe popular tinha de contribuir para a pompa e esplendor do culto.110 108 Neste tempo foi vendida por Antônio Barbalho Feio a Marsal Maciel.chamam hoje Igreja Velha. inteiramente contrários a liberdade popular.108 com um valor territorial nulo. Cristovão. tabaco e açúcar para a Bahia. um porção de terra . Não obstante minguados e pequenos seus recursos. todas as regalias dos serviços prestados por seu pai em favor da metrópole. de mil braças de largura sobre três mil de comprimento.. mais tarde. ficar inativa. 8$000 anualmente. além dos templos da cidade de S. quando se deu a invasão holandesa. em obediência à ação dos hábitos. Ela sem iniciativa. por bem do que perante mim tabelião e testemunhas adiante nomeadas. presenciando os exemplos de aristocracia. cada vez mais. por duzentos cruzados (80$000). Eis o estudo de Sergipe. Antes de levantar-se o espírito da lavoura. supersticiosa. como também eram herdeiros de todos os serviços que o dito seu pai em sua vida avia feito a sua majestade. 98 . aos princípios democráticos. O primeiro passo de civilização. como o acúmulo de riqueza em favor do clero. com um baixo salário. os irmãos Antônio Barbalho e Manoel Lopes Barbalho em escritura pública de 19 de Outubro de 1937. Arrendava-se um curral. Encontramos em nossas buscas uma nota de um registro de um carregamento em um navio. no tempo de sua vida nas ocasiões de guerra e mais cousas que de serviço do dito senhor se offereceram. ficando a classe popular a ser o alvo dessa espoliação. que em Sergipe se dava. reverente e tímida. trespassaram ao seu irmão o capitulo João Lopes Barbalho. pois..109 com uma pequeníssima remuneração dos empregados públicos. por 200 cruzados. eles tinham de servir para o alimento da aristocracia que se gerava. a do almoxarife cinco mil. que hoje tanto nos oprime (1887) e que a vida de três séculos fornece eloqüentes exemplos. levantou-se o espírito religioso. com uma grande extensão territorial. 109 Segundo os códices que folheamos do começo do século XVII. hábitos que posteriormente haviam de ser a causa de uma organização social defeituosa. deveria. Paupérrima pela insuficiência de recursos. Pelo mesmo documento vê-se que Antônio Barbalho. disseram que trespassavam como de feito deram e transpassaram ao dito seu irmão o capitão João Lopes Barbalho para que elle para se requeira ou mande requerer a Sua Magestade e delle se aproveite das mercês que por este repito lhe foram feitas como se fora o próprio seu pai por quanto delas desistiam e a renunciavam no dito seu irmão deste dia para todo o sempre virem como também desistiam dos serviços de um irmão seu por nome Gaspar Barbalho que morreu as mãos do inimigo holandês na batalha derradeira que com o inimigo tiveram na vila do porto calvo”. junto à cidade de Itabaiana. Neste tempo (1637) já exportava-se algodão. pois vendia-se uma zona de terra de mil braças de extensão sobre três mil de largura. era. 110 Durante a estada de Bagnuolo em Sergipe. um vaqueiro alugava-se para reunir todo o gado do dizimo a 12 vinténs a cabeça e 17 os que pertenciam ao dizimo da Bahia. tomou maiores proporções.

que se deveria colocar na província. noticia tanto mais contristadora. de onde desapareceram completamente o trabalho agrícola e atrasada vida administrativa encetada e mantida. DOAÇÃO DA CAPITANIA Os saques e devastações de que foi alvo Sergipe. encetando a colonização.CAPITULO V DOMINIO HOLANDÊS EM SERGIPE. que não deveria ficar abandonada. isentas das destruições inimigas. 112 Os argumentos apresentados para abandonar-se o plano da colonização de Sergipe venceram. fizeram da capitania um deserto. servia agora de alimento aos tigres. 111 “At. 535. Quod reliquum erat pecoris. que salvo da vingança dos fugitivos e da cobiça dos conquistadores. Haec bellis vastata. usqueo adeo. de onde não se podia desfalcar forças. quanto a Bahia não se achava preparada para uma luta como o exército como o de Nassau. O espírito batavo não se deixou dominar por nenhuma idéia de reconstruir as forças da capitania. o interesse iníquo e as explicações dos selvagens. Estas. pelos conquistadores e fugitivos. que Bagnuolo julgava iminente. p. sem se lhes preparar habitações seguras. com esquadrões de cavalaria e infantaria. Barloeus. razões contrárias se levantaram e bastante poderosas abortarem esse grito de iniciativa. Sergipe não morreu a atenção da capital da colônia. contra a vontade dos naturais. e durante os quais o exercito holandês. rarum venatore adeatur”. levaram á convicção de abandonar-se o plano. em busca de subsistência. vel hosti vel nobis vel trigidum vera citatem cessit. 536. e os males dessa resolução não se fizeram esperar. Cit. incolis dilapsis. 99 . op. no Brasil. quando a Bahia manda um reforço para ficar destacado em Sergipe. triste sui vertigium reliquere. Ainda que algumas vezes se levantassem em favor da colonização de Sergipe. tão favorável á prosperidade do governo holandês. 111 abandonado dos conquistadores dos fugitivos. Nesse abandono permaneceu desde novembro de 1637 até julho de 1639. cuja administração não daria tempo ao superintendente vigiar as baixezas. colocado no forte de Mauritius. et in Sanctorum sinum propulsis. 112 Barloeus. op. Foram quase 2 anos de morte. continuou nas correrias. Pelos seus campos pastava o resto do gado. sob os esforços dos primeiros colonizadores. apelando para as grandes despesas que arbitraram em 150 florins. conduzindo o gado. Pelas florestas encontrava-se um ou outro caçador. Cit.. ut ab rarionem capturam. Ainda mesmo que se conseguisse colonos..que ao chegarem a torre de Garcia d‘ Ávila espalharam o medo e o receio de um ataque á cidade do salvador. eles não podiam dar vida a um processo de reorganizações. p.

Cristóvão. em demanda do recife. provocando isto ainda haver déficit em suas especulações. em favor dos interesses da companhia.. o mesmo da companhia. Os holandeses no Brasil. Chez L. concede o plano de atacar Bahia. da qual esperava um próspero resultado. é que essa excursão foi mais motivada com o fim de apagar um desastre. plano que não devia ser concebido e logo posto em prática. era suficiente para inspirar-lhe a desistência do plano do ataque. em1637. Não conceberia. Com ela. alegre.637. realizando agora (1638) aquilo que já deveria ter feito. Cristóvão. que de direito pertence à história sergipana registra e cuja influência sobre os acontecimentos exteriores tem sido olvidada pelos historiadores pátrios. em cuja consciência pesava a convicção do erro de não ter seguido bagnuolo. quis retificá-lo e diminuir seus maus efeitos. até os muros de S. Sabendo das desinteligências que se tinha levantado entre o conde italiano e o governador da Bahia. 113 “Le Comte de Nassau aprés avoir pris Porto-Chaves se reprochait de ne pás être porte sur Bahia. Amsterdam. Esta. o que fez em abril de 1638. Auguste de Qvelen. que se achavam sob seu domínio. são os meninos que na Bahia em 1638 gritaram a vitoria perante suas armas e suas esquadra. Not. em vista da concentração das forças. juntamente com as câmaras. comme anniva a Cannes”. se Sergipe não tem sido abandonado.Nassau. Foi esse o primeiro desastre de Nassau. externado em sua correspondência.638 influíram os acontecimentos dados em Sergipe em 1. Aquele exército que tantas vezes deu-lhe as costas. ainda não salda das despesas feitas. Já era mais que suficiente a largar extensão de território que o seu domínio ocupava. etc. em vista da boa estrela que o guiou desde Porto Calvo a S. consertar um plano político. ativar a vida das capitanias. C. Salvador 113. de que por um pano de interesse geral. e sim longamente discutido entre os membros do conselho. e em cuja pesquisa não quis continuar. por que talvez lhe parecesse um bando de crianças tímidas. 170. 100 . tratando de zelar os interesses. mostrando as garantias do comércio livre. a guerra á Bahia foi o primeiro resultado do erro cometido em Sergipe. A exigência da companhia. cansados e famintos nas ruas de S.. que derrotada abre aos ventos as velas. que motivou-lhe um grande incômodo de espírito. aqueles soldados estropiados. que nem a menor resistência encontrou.de Paraíba a Sergipe. Excussão perigosa. 17. O que queremos tomar bem patente é que sobre o movimento bélico de 1. foram enxotados pelo o seu exercito vitorioso. que ele mesmo tinha sido o primeiro a consentir. destroçando as grandes forças de Rojas quiseram o conde holandês remediar uma falta. p. 1640. Porto Seguro. Brieve Relation de l’Etat de Phernambocq. O que não sucedeu. que acremente o censurou por abandonar Sergipe. quer reivindicar para si todo o monopólio do comércio do Brasil. na realização do qual as novas e grandes despesas acumulavam-se. contra a qual Nassau se opõe.

que recomenda-lhe não só escrupulosa atenção as ordens do governador. para transmitirem-lhe todos os movimentos. Em suma. quando veio com Sebastião do Souto. Do Inst. em busca de gado. Francisco. O grande reforço militar que o grande governo tinha trazido permitiu que pudesse colocar alguma força em Sergipe. despacha para o norte Vidal e camarão e incumbe. camarão e Henrique barbalho. Rev. na torre de Garcia d’Ávila. Os terços que vagavam pelo sertão de Sergipe. Francisco. João Lopes barbalho encontros sucessivos com esquadrões holandeses.116 Tendo ido o almirante lichthardt à Bahia. era uma guerra de emboscada. Deverá vigiar todos os passos do inimigo. Não nos pertence apreciar a falta de tino do conde da torre no ataque intentou a Pernambuco. uma guerra de índio. Pernambuco número 34. sustentaram diversas refregas e continuavam sempre a devastar tudo por onde passavam. Privar que tropa algumas passe o teatro da guerra. recebendo posteriormente as cartas de seu tio Luiz Barbalho. como realizá-las fielmente. Vindo como plano de atacar Pernambuco. os planos de Nassau. currais e incendiarem os canaviais. vigiar os inimigos e transmitir a Bagnuolo. justamente com camarão. Expressamente ordena a Barbalho que use de todo ardil nas lutas. Francisco o almirante Cornélio Jol com oito navios. Vigiar sobre os interesses dos habitantes. As ordens eram expressas para arruinarem todos os engenhos. 116 Porto Seguro. de 17 de novembro. que ficara comandado as tropas em S. Arq. 34. com 100 infantis a quem devia reunir-se o capitão João Magalhães. Nassau manda o coronel koen. em 31 de julho de 1639. Eis as do governo central. sem ordem sua. Provavelmente aí ficou. Não contente Nassau com os destroços do inimigo. p. 115 Carta de D. atacar camarão e Magalhães. ao capitão João Lopes barbalho fortificar e ocupar Sergipe. que também já tinha sido despachado para Sergipe114. enviando para S. 210. mais de emboscada do que de peito aberto. Francisco.115 Eis as ordens com que manchou barbalho para Sergipe. do qual resultou a derrota para a sua aramada e exercito. Francisco Mascarenhas ao Capitão João Lopes Barbalho de 31 de julho de 1639. Efetuou então Luiz Barbalho a gloriosa marcha de quatrocentas léguas do rio grande do norte há Bahia. em 1639. assim como a infantaria e soldados do capitão.mor D. os velhos e os doentes. por escrito. comandados por Luiz barbalho. 101 . deixando em Sergipe o mulherio. até quando o conde da torre assumiu o governo da colônia. em abril de 1640. manda barbalho passar o rio de S.Continuou Sergipe abandonando. e com a ordem de seguir Jol em julho para a ilha de cuba. 114 Não sabemos quando João Magalhães teve ordem de marchar para Sergipe. no rio real. Uma contra-ordem. não consentido os agravos que lhe possam fazer os negros e os índios. Opor-se as correrias holandesas. holandeses no Brasil. por meio de espias colocadas além do S. setecentos soldados e duzentos índios. manda pesquisar os portos do sul. Antonio Felipe camarão e o governo Henrique dias. p.

vem o general D. a quem reuniram-se as forças já postas no rio real. 212. II. as seguintes expressões: E marchando. Nas lutas travadas no rio real e na capital de Sergipe. 117 118 Biogr. que as rompeo. Mello. com o que largaram a campanha. 143. o tenente Manoel de Azevedo da silva. op. p. a desalojar o inimigo do rio real.onde ficaram fortificados por ordem de Luiz barbalho. o capitão Francisco pereira Guimarães. Os dois caudillho não puderam levar vitória e tiveram de ceder o posto. p. onde agora concentrava-se as forças portuguesas e por conseguinte de mais fácil assédio. II.118 Satisfeitos os ânimos pela vitoria obtida. como extremo de seu domínio. Durante este período de tempo. na Bahia. Cristóvão. foi a conseqüência dos acontecimentos aqui desdobrados em 1637. privando assim essas correias de caudilhos. intentaram atacar a capital de Sergipe. Cit. distinguiram-se. Francisco de Moura.. I. De Mello.. era o resultado do erro cometido por Nassau de não se ter convenientemente fortificado na capitania. 212. que mereceram louvores de seu rei. recebendo muito mais auxilio da companhia do que a colônia portuguesa de sua metrópole deveria fortificar a província novamente conquistada. p.. logo que chegou a Bahia. Agostinho barbalho121 bezerra. Se a derrota de Nassau em 1638. Por isso mesmo que se achava Sergipe mais aproximado do coração da colônia. o ajudante Domingos Moreira da silva. João de Souza. o alferes Antonio Martins palha. que durante cinco meses trabalhou na edificação das trincheiras e fortificações. como um importante reduto. 158. desde 1637. 162. investiu com tanta resolução as suas fortificações. Cit.119 E no dia 1º de agosto obtêm a mesma vitória nas ruas de s. filho de Luiz barbalho e muitos outros. 121 Mello. matando-lhes mais de trezentos homens. auxiliado por Luiz Barbalho e João Lopes Barbalho117 e destroçou as forças holandesas colocadas no Rio Real. a recuperação de Sergipe em 1640. que se de frente não dizimavam suas forças. 151. 138. 152. onde fica prisioneiro o major van den Brande120. 152. 119 Mello. Cit. p. 160 e 180. em que estará fortificado. o capitão Marcos de oliveira. para aí deveria Nassau convergir sua atenção. op. em provisão de 7 de dezembro de 1663. Cit. e as desbaratou. op. Cit. 120 Porto Seguro. todavia enfraqueciam-nas. Nesta peleja o heroísmo de Luiz Barbalho foi tal a merecer do monarca.. op. que saiu ferido. o alferes Francisco de Figueiredo. Chegando a noticia a Bahia. Porto Seguro. 102 . que se achava então fortificada pelos holandeses. Dessa incumbência foi encarregado o mestre de campo D. que foi o primeiro sintoma da decadência do domínio batavo no Brasil. Caía em 1640 novamente Sergipe sob o domínio português. que se fizeram no rio real. p. 148. além dos acima mencionados. Op. II. II. assegurando-se novamente do ponto.

Além disso. por sertões inóspitos. que não pareciam de dois povos. não obstante o entabulamento de tréguas. Sergipe serviu para animar e sustentar esse espírito de emboscada. 227. acompanhar seus passos. a animação. 103 . que a colonização portuguesa não tinha ainda aproveitado. fazendo ai entrincheiramentos. 224. em conferência com os conselheiros Theodoro Codd van der Borch e Nunin Olfers. florestas virgens e espessas matas. ser seu sentinela. 117. quando reais vantagens não lhes trouxesses. dispondo outro tanto. a si enviados do Recife. a restituição dos prisioneiros holandeses por Pedro Corrêa. Cit. de emboscadas. comunicando-lhe um importante acontecimento da emancipação de Portugal e que esperaria começar entre Portugal e os Estados Gerais ―aquella paz e união com que sempre se trataram‖. por maio de carta régia de 20 de março. não obstante a ordem dos Estados Gerais de 13 de Fevereiro de 1641. mesmo debaixo deste plano. Francisco. de guerrilhas. cedo. se.. adiantados em certo grau de civilização. da Gama e a ordem para recolherem-se os campanhistas e guerrilheiros que continuavam a saquear e a incendiar e vir ao Recife Paulo da Cunha Souto Maior tratar de suspensão das hostilidades e ressalvar o direito de cada uma das partes. Andréas. não obstante tudo isto. para continuar-se nesse plano de guerra. Cit. que. com reforço de Quatro barcos. do zelo pelo direito de posse de sua nação. que os Portugueses fossem considerados como amigos. op. p. fizeram de Sergipe um posto de guardas avançadas. para comunicá-los ao governo. qualquer interseção desse movimento traria uma defervescência nos espíritos. uma atividade que chegou a ponto de recuperar a capital da capitania. traria uma de alto valor: vigiar o inimigo. Reunir-se-ia a esta dificuldade o encontro de hordas selvagens. E tanto Nassau compreendeu a desvantagem de ficar Sergipe fora de seu domínio. durante mais de um ano.Quase que sem interesses mais presos ao norte. Porto Seguro.. quisesse o português não desistir de protestar contra o pouso holandês. desde o começo de 1641. do rio Real até seus limites ocidentais. não obstante cartas de Montalvão de 2 de Março do mesmo ano. tomar Sergipe até o rio Real. Qualquer trégua estabelecida nestas lutas. obedecendo aos seus próprios recursos. Calado. e que se afugentavam para o ocidente. um ponto de pousada. e não desanimar o espírito de revolta. pela devotação aos interesses de seu rei. A fração inimiga não teria a seu favor as oportunidades para sustentar. os portugueses neste período de guerras depredatórias. Nassau manda que o comandante das tropas de S. não obstante. Nassau autoriza a sua fortificação. se não em maranhão.123 122 123 Porto Seguro. em vista do sentimento de patriotismo. op. que seguia uma vida autônoma. Talvez não sucedessem assim. E quando. p. que. um efeito salutar operou-se nos espíritos pela recuperação de Sergipe. achar-se-ia em muitos maiores dificuldades em descrever itinerários mais longos. em que estavam os dois partidos. e tentar ataques. de guerra. correspondendo Portugal a essa declaração. e sim de hordas selvagens. com respeito aos holandeses122.

Levantam na barra uma notável fortificação e encetam suas pesquisas de minas por Itabaiana. quando fosse apresentada a ratificação do mesmo tratado. compreendendo a segurança da posição que aí tinha o inimigo. onde os interesses não podiam ser convenientemente zelados. 104 . Perante os interesses que visava em favor dos Estados Gerais. pois. muito próximo de sua fronteira em S. contra a expectativa geral. para tornar-se agressivo. perante os portugueses. que ainda não se tinha dado. não era em obediência a sugestões. As condições mudariam. arvorando bandeiras de tréguas. colocandose a linha divisória em S. Francisco. até a ratificação do tratado. a grande extensão inabitada entre este rio e a capital da colônia. Em 1641. em 1641. com grande surpresa dos habitantes de S. animavam e promoviam. que todos os espíritos. dignidade e honra comprometeram-se. retomando Sergipe. oficialmente podia justificar-se com o artigo 8º do mesmo tratado. se ela fosse colocada no Rio Real. apoderaram-se da cidade. não promover a colonização em Sergipe. Francisco. se na Europa dava uma mão amiga a Portugal. pois. pela proximidade em que ficavam dois povos. pouco se importou que a posteridade apontasse um momento de sua vida. que Nassau. com a sua esquadra. desconfiança que foi a maior causa da revolução pernambucana. sem um centro populoso. com a recuperação de Sergipe e o assédio de Angola. convencido de que essa proximidade entre eles não era suficiente pala manter um zelo recíproco de interesses. Sem a menor oposição desembarcaram. em virtude do qual a cessação das hostilidades só deveria começar. entra Andréas pela barra do Vaza-Barris. considerava a emancipação portuguesa puramente transitória.Não era em obediência às sugestões. pois. de antecedentes históricos e hábitos tão diversos. Não obstante adiante apreciarmos devidamente o valor desta causa. foi uma poderosa causa da decadência do domínio batavo no Brasil. dizemos. antecipamo-nos em dizer que o procedimento de Nassau em 1641 plantou a desconfiança entre aqueles com quem entabulava pazes. Cristóvão. esqueceu todos 'os preparativos 'de tréguas. vindas da Holanda que. com que largamente tinha comparticipado. A suspensão das hostilidades não poderia ser fielmente mantida. rompia um pacto. muito prováveis entre dois povos. tão juntamente unidos. Convicto de que a separação de Sergipe do seu domínio poderia trazer desvantagens. privaria pequenas guerrilhas e as questões de jurisdição. É esta uma brilhante verdade da história sergipana. em que sua palavra. Havia de dar-se uma absorção por parte daquele que maior força mental possuísse. que na mesma ocasião autorizou. na América mandava que se realizassem agressões. Se o erro de 1637 de Nassau foi a causa do seu insucesso em 1638 na Bahia. fechando os olhos às probabilidades de uma paz. das quais poderia resultar um rompi· mento de pazes. e tornava-se agressivo.

o supremo Conselho faz doação da capitania de Sergipe a Nunin Olfers." 2 "Outro sim. acampando bem a frente dela. 8. Eis a doação: 125 "Accordo provisorio concluido. não ter correspondência com potencia ou príncipe estrangeiro algum. para haver em propriedade como feudo perpetuo e hereditário. III p. senão a que é guardada no paiz. e não tratar ou contractar por nenhum modo com outrem. Estados Geraes das Províncias Unidas Neerlandezas. A insuficiência de força do exército português. sujeito á confirmação da Assembléia dos dezenove e á aprovação dos Srs. ou no futuro por alli introduzida. ou no futuro por alli introduzida. com a extensão e limites que adiante serão declarados. aquele mesmo a quem Nassau tinha encarregado. Oliferdi e os seus colonos. que ficou em cerco. Cit. e não observarão outra ordem sobre a policia e justiça. Os holandeses não podiam buscar munição pelo território da capitania. A bondade do Dr. Exas. conformar-se-hão com a ordenança politica vigente no paiz. 124 125 Soutey. recebiam a que por mar lhes vinham124. o governador da Bahia encarrega a Camarão visitar a cidade. especialmente para a boa manutenção da policia e justiça. e da outra parte. o Sr. entre S. Nommo Oliferdi. com Theodoro Codd van der Borch. op. com a retirada dos soldados napolitanos. e fazendo o contrario: incorrerão nas penas que o direito commum commina aos violadores da pública tranquilidade e obediência civil. fez com que Camarão não pudesse sustentar o cerco por mais tempo e em 28 de fevereiro de 1642. As pesquisas nos arquivos da Holanda de tão ilustrado professor deve a história da pátria o conhecimento deste e outros documentos. 126 Porto Seguro escreve Nunin Olfers 105 . que não sejão os agentes e os subditos das Unidas Provincias Neerlandezas. Entretanto. abjurar e considerar como inimigos o rei da Hespanha e seus adherentes. prometendoIhes obedecer á todas as suas ordens. que se achavam em guarnição. de uma parte. primeiro que tudo. Francisco. José Hygino Duart Pereira devemos a leitura de tão importante documento. tão covardemente conquistada. foi tão mal recompensado pelo governo brasileiro que nenhuma vantagem e utilidade descobriu em buscas históricas. e os nobres senhores do supremo e secreto Conselho do Brazil. e não reconhecer outra authoridade suupenor. povoar e cultivar as terras e lugares da capitania de Sergipe d'EI-Rei si ta ao sul do Rio S. senão a que é guardada no paiz. redigirem em latim tudo quanto se pactuasse com os emissários da Bahia. prestarão Juramento de obediência e fidelidade ás suas Altas Potencias e á dita Companhia." 1 "O dito Sr. especialmente para a boa manutenção da policia e a justiça.Sabedor deste fato de agressão.9. em 1641.126 conselheiro político do Conselho de justiça do Brazil.

pagando ellas as comedorias. não será lícito aggravar em sua consciência aos que forem de outro sentimento. o referido Senhor designará e distribuirá aos colonos. em attenção ás suas famílias ou occupação em que elles quizerem empregar-se. e. expressamente será prohíbido que se offenda o santo nome de Deus com juras e blasphemias. com toda a brandura. evitando as bárbaras cureldades dos Hespanhoes e Portuguezes para por estes meios attrahirem os referidos negros à religião e dar-lhes modos civis. no conhecimento da verdadeira religião chistã e pratica desta. em que se costuma devidamente observar o culto divino. passar-se ao Brazil para ahi morar e permanecer. uma vez que primeiramente facão aqui prova bastante de seu estado. e antes pelo contrário. nem consentirão que publicamente seja observado outro cultu senão o que por pública authoridade for permittido observar no paiz. de accôrdo com este. e as respectivas familias". bem como as provisões que lhes forem necessárias para uma anno. algumas das ditas pessoas não as poder pagar. obrigando-se a idemnisal-a nos devidos prasos. em paz.‖ 7 "A cada pessoa que deseje partir para ahi. e não os tratarão deshumanamente. fazer-lhes alguma moléstia ou deixar que a facão. 5 ―Porão todo zelo e diligencia em instruir. a Companhia dará um bilhete de consentimento. e com toda a devoção. procedendo assim . dará fiança à companhia. honrado comportamento e profissão. por todos os meios possíveis os negros que estiverem em seu serviço. grangeem para suas famílias e colonos as fecundas bênçãos de Deus. honrado comente facão aqui prova bastante de seu estado. que ―quizerem‖ do mesmo modo que d‘antes. não os encommodarão com trabalhos nos domingos e outros dias festivos. e vivão entre si.‖ 4 ―Guardarão os domingos e os dias festivos. à porção de terra ou terreno (urbano) que lhes for necessário para sustentar e manter a si.3 ―Não praticarão. que depois e mais circumstanciadamente serão determinados. punível pelos magistrados.‖ 6 ―A companhia concederá à todas as pessoas. 106 . Si porém. afim de que. se celebra o serviço divino. e á cada uma dellas. salvo si por esses taes for dado algum escândalo publico. em que segundo a ordem da Igreja chistã. passa porte para as referidas terras e fará transportar em seus navios as mesmas pessoas com os seus séquitos e moveis. e assim.

além dos outros. com o nosso consentimento e approvação lançar uma pequena imposição sobre o consumo dos comesstiveis ou liquidas. e durante os dous primeiros annos. ou casas. exercer somente os outros officios. sem opposição.. como bois. pelos quaes os estófos d'este paiz possão ser utilisados.8 "Os colonos haverão em livre propriedade essas terras. serão obrigados a fazer guarda e tomar parte em todas as sahidas." 9 "Tendo expirado o praso d'este privilegio. ou proximos. afim de proverem-se da necessaria plantação para o sustento de suas famílias. para tecer o panno ou a lã. terrrenos. a contar da data da tomada de posse. como é costume nas cidades e povoações sem poderem por modo algum escusar-se. excepto o de qualquer gado vivo miudo. de modo que. no sexto anno se ache inteiramente amortizado o dito adiantamento. ficarão inteiramente isemptos de pagar á Companhia. para o qual fim cada homem será provido de um arcabuz ou mosquete de calibre ordinario da Companhia e arma branca á sua custa." 11 "E succedendo que por alguma necessidade ou outra rasão se ache conveniente. e em qualquer occurrencia cuidar da propria defeza. mas. depois de expirar o praso da dita inspeção. os moradores pagarão tambem este direito. mas não assim do gado grosso. obedecerão ás sentenças dos juizes. e mais pagarão a quarta parte das despezas adiantadas pela Companhia. etc." 10 "Nos logares onde morarem." 12 "Tambem comparecerão em juizo nos lugares proximos situados. ou sejão authores. cavallos. que não se cobrará. ou réos. o que se entende. os moradores pagarão a decima parte dos fructos que produzirem ou de outro modo grangearem." 107 ." 13 "Não puderão ter manufacturas. no praso do presente privilegio. bem como servirão os outros cargos civis.

O patrono convocará a Assembléia dos eleitores toda a vez que fór necessario fazer a dita nomeação. onde residem os colonos particulares de tal modo augmentem que devam ser tidos como cidades. sobre os magistrados." 17 "E para que se faça com a devida ordem a nomeação das pessôas que têm de compôr o numero triplice. ou outros metaes. e os ministros que. villas ou povoações. Ex. o patrono (da colonia) escolherá dentre os colonos mais qualificados um certo numero delles. proferidas pelo tribunal dos colonos. e esses ministros decidirão todas as questões e processos em seu direito. e pelo supremo Connselho. Ex. composta por nomeação das pessôas mais qualificadas das mesmas povoações. por esta sua industria e diligencia será isempto pelo governo do Brazíl de pagar recognição de taes fructos. conforme a importancia do povo ou dos lugares para serem os eleitores. que julgará com quatro accessores nomeados por S. cobre. o productor. a Companhia providenciará sobre o governo local. pelo tempo de dez annos. excedendo a somma de cem florins. em lista triplice. ou de seus delegados. e isto em razão da grande distancia dos lugares." 16 "Acontecendo que os lugares. pela segunda vez se appellará para o collegio dos conselheiros politicos. Outro sim. serão escolhidas pelo governador e conselheiros. ficam reservados para a Compaanhia das Indias Occidentaes. ou haverá ainda maior remuneração. e aos conselheiros supremos." 18 "De todas as sentenças definitivas." 108 . e à Assembléia dos dezenove cabe tractar com os inventores ou descobridores sobre a exploração das minas e a remuneração que se entender pertencer-Ihes. todos elles. primeiramente prestem juramento nas mãos do mesmo governador. e sejão uteis e necessarios para a sustentação da vida humana. que anteriormente não tenhão sido produzidos pelos portuguezes. só poderá pela primeira vez appellar para o patrono. por sua industria vier a descobrir o modo de produzir e cultivar alguns fructos. bem como as pedras preciosas e a pesca das perolas. conforme for o caso.14 "Si algum morador. para ser enviada a S. quanndo o valor da causa for de 600 ou mais florins. uma vez que. que têm de fazer a dita nomeação. ou por outros administradores da companhia." 15 "Como é muito provavelmente que certos montes que exisstem na dita capitania contenham mineraes de ouro. prata.

possuir para sempre as referidas terras. sendo necessario. conforme a situação dos lugares. e gosando do direito de livre caça. usando das matas. e para este fim a Companhia lhes dará algumas peças de artilharia. e a jurisdicção constituirá um feudo prepetuo e hereditario. estabelecer. contanto que elles tenhão as necessarias munições. a saber. até commpletar aquelle numero. o dito Sr. Irlandia e Frisa. instrumentos e mais cousas a ellas necessarias. que dividindo-se o mesmo senhorio ou jurisdição. que escolherem para sua residencia. e passarinhagem. a respeito dos mercadores livres." 109 . no caso de notoria negligencia. permissão ou accordo. de anno a anno. no primeiro anno introduzirá a terça parte. seus bens." 20 "Dentro de 3 annos. com esta declaração. perder as concedidas franquêsas e gados. conforme os usos da Hollanda. e de processos ordinarios. como pela feminina e por cada transmissão será o feudo reconhecido com um par de luvas de ferro. depois que vier a approvação d' Assemmbléa dos dezenove. de fortificar-se." 21 "Quanto ao transporte das ditas pessôas. e. e assim por diante. que será entregue com 50 florins. As terras ficarão sendo allodiaes. na pesca nos mares. desde o começo. tal como este foi constituido. e cada parte deverá ser reconhecida de mesmo modo. guardar-se-ha a ordem. as partes ficarão sendo da mesma natureza do todo. modo ou lei. com um par de guantes. no praso de um anno e seis semanas á Assembléa dos dezenove ou ao governo do Brazil." 22 "O dito Senhor e os colonos.19 "Tambem se appellará para o mesmo collegio de todas as sentenças que irrogarem infamia e de todas as sentenças sobre materia criminal. ou no futuro se observar. aguas e rios e estabelecer engenhos. entregues com 50 florins. as quaes serão proferidas em primeira instancia pelo patrono e seus quatro accessores. transsmissivel assim pela linha masculina." 23 "Tratarão com a maior diligencia de levantar suas casas. a saber. a elle sujeitos com seu consentimento. nas ditas terras da Capitania de Sergipe d'EI-Rey. e sempre manter e ter 80 famílias. sob pena de. Oliferdi é obrigado a transpor. composta cada uma pelo menos marido e mulher. que de presente se observa. sendo tractados do mesmo modo que estes. do modo que acima fica dito.

um pertinente relatorio de suas terras e colonos ao Senhor ou patrono. fretes e avarias estabelecidos pela ordem provisoria e impressa." 27 "Poderão vender ali os bens que adquirirem. e. ao trabalho. acerca do livre trafico do Brazil. e si os bens forem taes que mais lhes convenha vendeI-os na Hollanda. e este 110 . sem que por isso paguem alguma cousa mais. pelos meios que entenderem mais apropriados a este fim. residentes nestas provincias.‖ 26 "Quanto as novidades que suas terras produzirem naturalmente. metade á companhia. ou aquelles com os quaes por permissão se pode traficar. além do dizimo e direitos acima mencionados. ás pessoas que estejão residindo sob obediencia da Companhia." 25 "Elles mesmo proverão a sustentação do governador e do ministro da palavra divina. fizerem cortar e de outro modo grangearem. pooderão remetel-os aos seus patrões ou comissarios. mediante os premios que depois serão determinados. pagando os direitos. cada anno. para os mesmos colonos. de que dependerem. que então vigorarem." 29 "Os colonos d'estas terras serão obrigados a fazer. habituando-os. á cultura das terras e cousas semelhantes. se não do que enviarem para a Hollanda. para terem as terras livres de bandidos e negros de mato (fugidos) onde os apprehendidos entregues ao governador e conselheiros da Companhia. e isto segundo as determinações da Companhia. desde a infancia. para a sustentação de suas famílias e do gado." 28 "Para assistencía de seus colonos e lugares (de residencia) farão todas as diligencias por utilizar-se dos indígenas dessas terras. applicando para este fim particularmente o meio de ensinar aos moços e meninos a nossa lingua. que transportará a outra metade em seus navios. Serão tambem obrigados a manter á sua custa em a referida capitania alguns capitães de campo. remunerando devidamente o seu trabalho e esforçarhão por tirar-lhes os seus modos e costumes barbaros e leval-os ao conhecimento da nossa fé christã.24 "Nos dous primeiros annos se empregão na plantação e cultura dos fructos. não pagarão recognição alguma. darão elles do que cortarem. sem trabalho do homem. nomeadamente toda a sorte de madeiras (excepto a de Pernambuco) gommas e causas semelhantes. e os principias elementares da nossa religião.

ou moradores d`llas. abolindo corruptellas desarrosadas. e todas as outras causas segundo o uso de paiz (Hollanda) ou a ordem e regulamento desta conquista emanadas da Assembléia dos dezenoves. o que não quer dizer que não mude o diminua o que fica concedido aos patronos. Ex. finanças e direitos da geral Companhia das Índias Occidentaes. conforme a situação local numero dos moradores e suas necessidades exigirem.por sua vez. terras cultivadas. clausulas e condições provisórias e sujeitas á approvação dos Dezenove. bem como das queixas que alguém queira fazer. curraes. 31 ―A Companhia reserva para si: os grandes e pequenos dízimos. declarar guerra e fazer a paz. em caso de privilegio e inovação . ou lhe parecer conveniente fundar em outros lugares fortes. religião e todas as causas criminaes e excessos prescriptos e impunes.viúvas orphãos ou outras pessoas miseráveis que. gados. officiaes e outros ministros de justiça para protegerem os bons e castigarem os maus. o direito de tonelagem. com declaração das pessoas. crimes de lesa-magestade. de moeda. além dos colonos moradores. tomará para si. Oliferdi pra haver elle como feudo perpetuo e hereditário de todas as terras. como foi dito. aldeias ou povoações. ou reserve acções ou pretenções contra ella. e por prevenção poderão ouvir (?) todas as pessoas para a expiação de causas que ahi forem punidas.S. tomarão conhecimento na primeira instancia das causas concernentes à liberdada. soberania e eminência. fundar cidades. sobre costumes. fundos. poderá fazer onde lhe approuver. Sobre os quais artigos. com relação à alta e baixa jurisdição. o mar. cidades. ou sejão estranhos que forem visinhos das ditas terras . e augmento que annualmente tiverem tido. conselheiro. e approprial-os-ha para com elles beneficiar os ditos lugares.sobre causas relativas a menores. ficando isto á descripção da companhia. sem que o senhor ou patrão á contradiga. domínios. aldeias e igrejas . e os altos secretos Conselheiro do Brazil se accordaram com o Sr. usos estatutos que os mesmo declararem. e geralmente tomar conhecimento de tudo o que disser respeito à administração da justiça e á suprema authoridade da Companhia. cavallos. se assim cumpri. conservar a authoridade suprema. e o direito de interpretar as duvidas que possão sirgir desta concessão. as estradas reaes." 30 "Si a Companhia posteriormente entender que deva mandar levantar a arruinada cidade de Sergipe e povoal-a com moradores. autrhoridade suprema. os terrenos que forem necessários. matas e águas da capitania de Sergipe d´El-Rey . o direito de levantar fortes. apresentará o seu relatorio ao governador e conselheiros da Commpanhia. cousas referentes à posse de benefícios. Assim que a Companhia poder pôr e enviar ahi um governador. o qual governador e conselheiros que presentemente existem ou para o futuro forem postos pela Companhia. e das terras sitas na circumvisinhança. todas as praias. que começa na 111 . vindo primeiramente queixar-se ao conselho ahi ficarão em juízo: todos os contractos ou obrigações sobre prorogação de jurisdição.

ou pelo menos até onde esses limites forem levados sob o domínio e authoridade da Companhia das Índias Occidentaes.‖ 112 . –D. e ao longo do referido do rio para cima pela terra até a grande queda d´agua. dilatando. van Bullestrate.‖ ―Assim feito e provisoriamente concluindo a 28 de Fevereiro de 1642‖ – Maurice.terra firme do lado meridional do rio de São Francisco para o sul. – Henrie Hamel. Conde de Nassau. –Ad.se seus velhos limites. e através da terra ate os ditos limites. Kodd van der Burgh.

que se fundissem para formação de uma nova pátria. nem na religião. por ocupar Sergipe. que foram o prenúncio da decadência da obra que alcançou realizar. nos hábitos.CAPITULO VI LUTAS EM SERGIPE. dos holandeses. completamente inapreciáveis. SUA RECUPERAÇÃO. com a evolução dos tempo. não poderia ficar indiferente ás perdas de 1638 na Bahia. cuja retificação. em vez de fixa-la no rio Real. Todas as vezes que sua atenção dirigia-se para esta capitania. de uma nova nacionalidade. na Europa. cheios de desconfiança. Francisco. pois. E sem a formação de produtos mestiços entre as raças. maiores proporções dava aos males e inconveniências. Estreando por uma sucessão de vitórias. planta a desconfiança nas fileiras inimigas. Não é na historia de Sergipe onde devemos procurar a origem desses princípios. teve ele de sentir os efeitos dos erros. FIM DO DOMINIO HOLANDÊS Vimos nos capítulos anteriores que a administração de Nassau. como permanência de vinte e cinco anos. Se a retificação do primeiro erro custou-lhe um desastre militar. como se daria a transmissão de caracteres éticos? Assim. inspirada em princípios democráticos e guiada por um admirável tino político. etc. ele entrou em larga escala a excitar e animar o patriotismo lusitano e brasileiro. e cuja ruína não quis assistir. já seja efeito de princípios mais gerais. Se vestígios se fizeram sentir dessa passagem. custou-lhe assistir ao começo de hostilidades por parte dos conquistados. isto é. tornaram-se. nos costumes. todavia. a retificação do segundo. somente dois anos (1642-1644) tiveram os holandeses para estabelecer as bases de uma organização social. excessivamente opressor. e tarde convencendo-se da desvantagem de fixar sua fronteira em S. Em uma família pode-se ver ainda um outro nome de origem holandesa. antecedentemente estabelecidos. nem a língua. em beneficio da Campanha. para revoltar-se contra o jugo. empresa que foi feita para suavizar os males de não ter destroçado Bagnuolo em Sergipe. depois do entabulamento de pazes entre as duas metrópoles. na política. para não acreditarem mais nas melhoras de sua condição. como van der Ley. Ainda que este fato. Foi uma hegemonia sem posteridade. considerado como causa. desvio-se do plano que sempre traçou á sua conduta. por seus próprios olhos. Salvador. transferindo-a para quando a paz e harmonia se tinham estabelecido entre as duas potências européias. Dilatando os seus domínios pela grande área que a parte meridional do Brasil lhe oferecia. 113 . não promover a colonização de sergipe em seguimento á conquista. sempre tardia. quanto mais em Sergipe. se pode ver hoje o vestígio do domínio holandês em Sergipe. que se não alcançou realizar em Pernambuco. e pesquisa-lo até os muros de S. nos negócios referentes a Sergipe.

as rapacidades. intolerâncias e subserviências plantadas por um clero. a favor de uma Companhia. sob o ponto de vista de sua civilização. Cit p. pois. pois.rendas e direitos senhoriais. 29 114 . de um lado.ou outros colégio do clero127. assim como casas. que durante a administração de Nassau. pelas deferências profundas de seus hábitos. realizadas pela raça 127 Artigo 16º do Regimento de 13 de outubro de 1629. pelas ilimitadas atribuições de uma classe de governo. Não nos compete descrever. Arq. colocava os lucros e proventos que poderia tirar do Brasil. acima do bem social do país. ainda que lá . Se males ao Brasil trouxe a colonização portuguesa. fez contrabalançar seus maus efeito. Não tendo sido de bons resultados esta pratica.Rev. em virtude do qual as terras seria confiscadas e apreendidas. todavia.128 Essa deliberação. 128 Rev. As bases da colonização holandesa eram muito pouco seguras para garantir a formação de uma futura nacionalidade. as anteriores. o arrendamento dessas terras a colonos. como já dissemos. em 1639. pela intervenção direta da vontade popular. existente no pais em beneficio de seu desenvolvimento e prosperidade. as causas da revolta que os conquistadores levantaram.E isto torna-se bem claro no regimento de 13 de outubro de 1629.engenhos. em vista do qual as classes tornaram-se forças verdadeiramente ativas. as ilegalidades de toda sorte. Ao contrario disto. idênticos ou piores traria a colonização holandesa.resolveu-se a venda com suas fabricas e pertence. da superstição e a revoltarem-se contra o grande poder e prestigio que quisessem assumir a nobreza e o clero. estava o gérmen de dissolução e de morte. pelo móvel exclusivo dessa colonização ser o interesse monetário. duvida. dado pelos Estados Gerais a companhia das Indias Ocidentais. ainda que lá gerou-se esse espírito de descrença. pelos martírios. o holandês sobre o caráter da civilização em Sergipe. não trouxe de prontos reais lucros para os déficits da Companhia.completamente oposto as tendências de analise e de pesquisas. distancie-se de Portugal. que trouxe como reais conseqüências o espírito de pesquisa. e do outro. elas pioraram consideravelmente. Pernambucano de julho de 1886 – P. de democráticas instituições . as devastações. quer portugueses.os bens dos jesuítas e dos conventos. no método de colonização praticada pela Holanda no Brasil. em virtude da ação de antecedentes mais eficientes de um real progresso. 294. a oporem-se á ação da intolerância. Ainda que a Holanda.cujo principal intuito não era melhorar as condições morais. V.imóveis hereditários . que vivia sob a pressão de causas que privaram-lhe a atividade de um espírito inquiridor. talvez pela intervenção de Nassau. de suas instituições.É de pequeníssima interferência.o holandês estabeleceu no Brasil uma colonização. nem as causa da decadência do domínio holandês. as instituições livres. pela maior vigilância em favor dos direitos dos conquistados. do Inst. quer holandeses. pelas superstições. em proveito da Companhia. cedo se estabelecessem. que acima de tudo. pertencessem ao rei da Espanha. durante as administrações. severamente maltratados. Indo pôr-se em contato com um povo como o português.

recuou e viu iminente o perigo. promoviam a concorrência de grande numero de portugueses aos mercados. não só pelas perdas efetuadas. realizar medidas contra os males que se acumulavam. pela 129 Southey. e esse fato subjetivo talvez seja a causa mais direta de sua retirada. exigiram o saldo pronto dessas dividas. III. Em nome da lei e da justiça. por certo suavizariam o péssimo estado econômico da colônia. pois nutriam a esperança de que antes do prazo estariam livres do jugo que tanto os oprimia. se o próprio Nassau. como dizíamos. na Assembléia Legislativa por ele constituída em 1640. p. assumiam as rédeas da administração. van Bollestrate. Um mero engano.não o sincero testemunho prestado a si de pedir-se-lhe. como por que a Companhia. eram aqueles que em um momento critico. como pela escassez do numerário. O comercio somente baseado até então sobre o credito. desde quando os próprios membros do governo eram os primeiros a iniciar uma norma de proceder tão adversa aos princípios de direito. em um momento em as causas destrutivas se concentravam. que afugentaram do campo os lavradores. quando os encargos da Companhia. pela vinda da armada do Conde da Torre. pois veio agravar a situação econômica ampliando as transações.o que poderiam fazer o negociante de Amsterdam – Henrie Hamel. e pela destruição da varíola.129 Malogradas essas esperanças e feitas em alta escala as transações. teve de produzir inconvenientes. e por conseguinte suspender suas remessas. realizou a venda dessas terras e dos escravos que exportava de Angola cuja. Distanciados do espírito altamente inteligente de Nassau. e Kodd van der Burg. a quem entregava-se a administração? O resultado disto foi que o Conselho. que subiu a 3% e 4%. 115 . pois a produção tinha baixado pela destruição das guerras anteriores. mesmo transitoriamente. e as transações feitas sob tais condições. ficando sem lucros. em períodos ulteriores. multiplicando-lhe as despesas. o credor fazia uma pressão sobre o devedor para efetuar seu débito. pelas expedições a Maranhão. que ofereceu um contingente ao depauperamento da vida colonial. conquista foi realizada por ser considerada uma importante fonte de receita. Sergipe e Angola. nas quais a Companhia despendeu grandes somas. agravaram-se as condições de vida de ambas as parte. de seu tino admirável de administrador. Realmente. o estado econômico da colônia tornou-se mais precário. 72. descansando no tratado de tréguas. Ofereceu-se então a melhor ocasião para torna-se bem patente o sentimento de ódio que o conquistador votava ao conquistado. Não podendo os pagamentos ser feitos.conquistadora. Ao mesmo tempo que isto dava-se. o prolongamento de sua administração. op cit. que não poderiam. nutria agora a esperança de reaver o saldo das despesas. e então não se procurava mais os recursos dos tribunais. que se fossem a dinheiro. a administração da colônia entregava-se a mãos inábeis. Se o próprio Nassau julgou-se impotente para conjurá-las. o carpinteiro de Mildeburgo – A.

porque era a expressão de um estado psicológico dos dominados e nem de longe deve ser considerada como a criação de um só homem. a que se tinha chegado. cujos elementos já se achavam em adiantada coesão. e desperta-se o sentimento de patriotismo tão obliterado e sufocado. por isso que em sua organização achavam-se os gérmens dos caracteres éticos de seus antecessores. porque as próprias apólices da Companhia vendiam-se no comércio. sem concorrência. 72 116 . aproximando-se eles em uma unidade de ação. 130 Southey. Realmente.insuficiência de recursos. André Vidal representa a primeira manifestação do brasileiro ao português. com a expatriação daquelas que primeiro tinham desbravados as floresta e amanhado as terras. São cunhadas de grande parcialidade as palavras do visconde de Porto Seguro a Vidal de Negreiros. do que da ação de princípios e causas que fossem contínuos em seu funcionamento. op. se a interferência do príncipe foi de larga contribuição para a prosperidade da colônia. como este. perante a Assembléia dos XIX e mais do que isto. na gestão de um grande acontecimento. esse resultado foi puramente transitório. foram. durante vinte e cinco anos de domínio. Ainda mesmo que as terras confiscadas fossem entregues aos colonos holandeses. incandescem-se o rancor. através de quem vê o movimento revolucionário. brasileiro. III. ao passo que as da Companhia Oriental achavam-se de 460%130 . O seu real valor consiste em transformar em realidade aquilo que meramente existia em desejo. gado caldeiras e todos os bens dos fazendeiros. se durante e administração de Nassau. em beneficio próprio. Achamos pouca filosofia e critica na apreciação de fatos que. por 46% de abatimento. A revolução rebentar-se-ia independente de sua intervenção. a formação de um caráter. pelo ilustre historiador brasileiro. pela apreensão da colheita do açúcar e dos negros. já zelava pelos seus interesses. o ódio dos portugueses contra os dominadores. que procurava afugentar-lhes dos seus domínios. pois dependia mais da ação isolada de um homem. Não está em nosso intento desmerecer a gloria do herói paraibano. igual administração nos merecem o digno representante da raça indígena – Camarão – e da raça africana – Henrique Dias. fechando os olhos aos grandes serviços que prestou á causa da revolta e ao contingente que forneceu à realização da expulsão do inimigo. aquisição do território conquistado seria inevitável. em vez de serem ligados á ação de causas muito gerais. parece eu os antigos ódios que separavam as três raças desapareceram. eles realizaram-se á força.cit. as condições dos conquistados consideravelmente melhoraram. Não era mais possível manter-se uma tal organização social. Consiste em representar o elemento. postos à conta de um homem. p. Perante o inimigo comum. do qual decidia para o futuro. As cenas mais aviltantes e deponentes foram praticadas. E neste sentido. Daí reclamações do comércio e da lavoura contra os Conselheiros. fazendo mostrar ao futuro historiador que a geração americana já sentia amor pela metrópole.

sendo autorizado. 243 “ Também João Fernandes Vieira escreveu. que vem se pôr á disposição de João Fernandes Vieira e seus companheiros. pelo prestigio que pudesse representar perante a coroa. alferes e soldados para sublevarem Pernambuco. firma a 23 de maio o compromisso da rebelião. a quem se repetiam as denuncias de que organizava-se a insurreição. que adia para o dia 24 de junho. para relembrarem ao governador o tratado de paz e a comunicar para Holanda aquilo que iam sabendo pelos denunciantes. 132 117 . Valer. em que patenteia-lhes a disposição do governo de prestar-lhes auxílios. relativamente á viagem de um capitão. depois de efetuadas as pazes. quando novamente vem a Pernambuco. P. logo que voltou de Pernambuco. e mostra-lhes documentos como seriam bem aceitos e recompensados pelo o rei os serviços prestados na insurreição. ou estes caudilhos viessem auxiliá-lo acendendo aos 131 Porto Seguro. em maio 1645 em nome da liberdade divina e para vingar agravos e tiranias. Os membros do conselho. e que bem estampadas estão no pacto que os insurgentes celebraram na várzea do Capibaribe. que achavam-se aquartelados nas fronteiras do Rio Real.” Calado. Admiramos a inda o valor de Vidal em testemunhar desejos da coroa pra libertar as capitanias conquistadas. não só vindas da Bahia. pois havia nascido na província de Pernambuco e havia feito tantas proezas na defensa della no tempo de Mathias de Albuquerque e do conde de Banholo. que. Holandeses no Brasil. de alguns anos. para retificar as disposições em que achava-se o governador da Bahia. às ordens do capitão Antonio Dias Cardoso. e que mais largamente será adiante apreciado. como asseguram algumas cronistas132. em alargar aos seus domínios. Como os outros. à D. quando despachados uns quatrocentos soldados. 164. O mesmo papel representa em 1644. e trazer essa noticia aos insurgentes de Pernambuco.Foi este um importante resultado do domínio holandês. de auxiliar os insurgentes. que ia se munindo de auxílios. pois ela era o resultado da pouca importância ligada por Nassau ao tratado de tréguas e do abuso cometido pelo próprio Conselho. em uma viagem aí feita em 1642. auxilio que se executou. Ou fosse ele quem pedisse o auxilio de Camarão e Henrique Dias. a distribuir para esse fim em Pernambuco até seis hábitos de Cristo131. pelo próprio rei. limitam-se a mandar emissários á Bahia. Para essa deliberação do soberano ele igualmente não podia ter contribuído. Vidal submeteu-se á ação das causas que estavam em atividade. que não lhe faltasse agora na miséria em que seus moradores estavam. que transmitiu-lhes os intentos de Vidal Vieira. convictos de que esses movimentos não daria lugar a futuro males. pedindo-lhe com muitos rogos e encarecidas palavras. como de Gaspar Francisco da Cunha. por um próprio por terra. João Fernandes Vieira. Lucid. Antônio Felipe Camarão que estava alojado em Cerigipe D`EL.REI com todos os seus Brasilianos. engrossando a fileira dos insurgentes e já estava com os recursos que lhe havia prometido o governador da Bahia.

Cristovão.XL. É muito glorioso à história de Sergipe registrar o fato de se ter em seu território levantado o primeiro grito de revolta. em marcha para o norte. recebia de seu comandante em Sergipe. Em junho. empregando sua gente em cultivar a terra134. o que não alcançou: e nesta ele já se achava com suas tropas nas fronteiras holandesas do rio Real. Do Brasil. Rafael de Jesus. naquela data. esse fato. para romper a revolução com bastante segurança.” 134 Southey. Do Inst. p. a comunicação de que Camarão e Henrique Dias fora passar a Páscoa na Bahia. pondo em atividade a primeira deliberação patriotica para romper as poderosas fortificações batavas. É de grande glória à historia sergipana ter de registrar. Hist. Achamos não bem provada essa morada de Camarão em Sergipe. que só poderia ter-se dado de 1642 – 45. em seu mapa. nas margens do Rio Real. Rafael diz ter sido em 1644. a notícia de que Camarão e Henrique Dias tinham rompido as fronteiras holandesas. que pouco antes. faz isto supor-se denominando com seu nome um dos currais de Sergipe. Termos visto em alguns cronistas que Camarão morava em Sergipe. Mandou efetuar prisões dos conjurados. 113 118 . 133 Por esse tempo Camarão e Henrique Dias estavam aquartelados em Sergipe. Luz. 2º p. por achá-la inexeqüível. o fato é que em vista dos planos de adiamento de Vieira. onde o inimigo tinha construído uma boa fortificação. de algum tempo meditado. além da que ficava na barra do Vaza-Barris. t. antes de entrar na revolução e Barloeus. dar buscas. centralizar as tropas de algumas fortificações. pois. Nenhuma dúvida restava mais no espírito dos membros do Conselho da realização de um plano. colocado entre os rios Maniçoba e Lourenço da Veiga. nem conservá-los em segredo. Realmente. pelos péssimos antecedentes históricos que ela nos transmitiu. como São Francisco. lastimamos e sentimos os péssimos antecedentes históricos que ela nos atrasou. e daí elas continuam a repetir-se formando os gloriosos feitos deste grande acontecimento da história brasileira. pelo contrário. IV § XIV) que diz ter se estendido esse convite a Henrique Dias. Moucheron. no Recife. Ainda que Calado não determine a época desse convite. agora recebia do chefe político de Alagoas. ele é despachado pelo governo para vir expelir o inimigo de S. no rio Real. E Geog. agora ficou certo de sua realidade. depois que foi obrigado a abandonar o território de Pernambuco. como seu. hoje Ganhamoroba. o primeiro sinal de revolta. Se não somos muito apologistas da política colonial portuguesa. III. op cit..Desejos do governador da Bahia.133 Se até então o governo holandês não prestava bastante consideração ao movimento de revolta. do qual dependeria o caráter de uma civilização futura. (Caster. Só cabia-lhe agora entrar na realização de medidas defensivas. o governador dos pretos levantava acampamento pelo valente indígena. as hostilidades rompem-se em Ipojuca. a sua primeira manifestação foi levada pelo indígena e o africano. Ele. 190) diz: “aí se achava o curral ou fazendola de Camarão. Lic. antes do levantamento de João Fernandes Vieira. no dia 25 de março de 1645. Finalmente as posições definiram-se não sendo mais possível a Fernandes Vieira adiar seus planos. que então achava-se nas lutas dos Palmares. com a O mesmo fato afirma Fr. É possível que durante este tempo ele habitasse em território holandês? Entretanto Cândido Mendes de Almeida(Ver.

do gozo e prazer das ardências da imaginação. da qual somos atualmente o testemunho. que queria monopolizar o trabalho. se como dizemos. sentimos o legado que nos deixou a nossa metrópole. pelos péssimos exemplos de subserviência. pela grande supremacia do Estado. toda a dificuldade para a primeira manifestação de uma civilização. alem dos males que nos insuflou. povo. o que queremos tornar bem patente é que foi em Sergipe onde deu-se o primeiro movimento revolucionario. que exprime a coisa de mais solida existência. muito teriam que fazer neste país . Povo eminentemente industrial. onde as condições de meio eram justamente opostas àquelas que sempre o cercaram. Nem de longe pomos em nível o intelecto do holandês com português. preocupando os espíritos mais ricos do país. diferentes dos da mãe pátria. uma nova natureza não se superporia na organização bastava. para torná-la habitável. com os princípios metafísicos. nos traria igualmente males. novos hábitos não se formariam. se ela em suma. e ainda mais. tanto mais quando viviam agora dirigidos por novos princípios sociais. como aquela que os holandeses representavam. pela marcha dos dois caudilhos. intolerantes de um clero que era egoísta. seriam mais tarde o primeiro obstáculo à supremacia do elemento comercial. para cujo progresso não entrou larga contribuição da natureza. que representam a riqueza. supersticiosos. pesquisador . organizado sob o regímen batavo. para retificar e vencer a natureza. plantar-se-ia no Brasil a supremacia da idéia religiosa. fato este que denota a existência de um regímen centralizador. que tanto nos atrasou. que construiu todas as peças da nação. para as edificações e derribando florestas pantanosas para o aterramento dos cachos. que se poderiam entregar a assuntos. a atividade mais poderosa do processo. achamos por demais defeituosos os princípios da colonização holandesa no Brasil. prender a ciência. de ser a política a força viva. matar a iniciativa. 119 . para originar uma nacionalidade vigorosa. Além disto. sob o plano de uma companhia de mercadores. Como quer que sejá. que lhe opôs. a colonização holandesa. trouxe a consequência. Se a colonização portuguesa. pelo lado econômico. de passividade. em começo. em que estiveram as gerações passada. ativo e que pelas condições telúricas e mesológicas. talvez maior oposição oferecesse a essa indiferença. não sabemos se perante elas. de perdas em nossa moralidade. e que suas tendências liberais seriam as primeiras forças oponentes. como em todos os países protestantes tornando-se difícil por este lado a regeneração. foi a forca por meio da qual prolongou-se na America os hábitos da civilização ocidental todavia. O povo brasileiro indiferente a assuntos religiosos. construindo pedras com argila. costumou-se a pôr acima das sensações a idéia. com que caracterizava-se a colonização. levantando diques às inundações. a descomunal florescência. todavia. os holandês do século XVII representava a soma desse ingente esforço. a paz e a calma da verdade.escravização de duas raças. em fator de uma associação. Possuidor de hábitos tão predisponentes para uma prosperidade. da forma o fundo. Entretanto.

dirigido também a Henrique Dias. Bahia de Todos os Santos. que tinha levantado uma fortaleza em São Cristovão. Ver. não só da metrópole. Do Brasil. e privando que ele se espelhasse pelo território da capitania. T. Hist. Antonio Telles da Silva chamar a sua presença os mestres de campo João de Araujo e Francisco Rabello. Ninguém melhor do que André Vidal de Negreiros podia auxiliar a política maquiavélica de Antonio Teles. através das fronteiras holandesas.. queria todavia salvaguardar-se de acusações . E Geog. e incumbido de todos os negócios relativos à revolução. quando Camarão e Henrique Dias rompem a marcha. de cujas ordens não dependeria a marcha dos caudilhos e o rompimento das hostilidades aos olhos dos membros do Supremo Conselho. Vejamos o que dava-se em Sergipe. 135 J. veio com seu terço habitar em Sergipe. em vista da letra do tratado de paz.Camarão. em 1642. entre as duas nações européias. De posse de toda confiança do governador. mandou o governador e capitão geral d‘este Estado. Do Inst. pelas conquistas de Angola. nos paços de S. onde era larga ação a influencia do Padre Antonio Vieira para abandonar-se as capitanias conquistadas. quando recebeu o convite de João Fernandes. Para fornecer documentos da irresponsabilidade do governador. vadeam o São Francisco.C. colocava-se em embaraços para definir sua posição de auxiliar ou não a revolta. e despachado por ele comandante da fronteira do norte. que pudessem vir não só da metrópole. Comunica-lhe a deserção de Henrique Dias e seu terço para Pernambuco. Neste ponto de vista é Vidal a maior força da revolução. S. Não nos compete descrever os acontecimentos que se deram além da margem norte do São Francisco. Fernandes Pinheiro. e vão reunir-se aos revolucionários. Achava-se aí.M. 32. O governo colonial. Antonio Teles que sentindo desejo de por em ação o elemento oficial. onde pelo Rio Real se extremava o Brasil holandês do Brasil português135. e a quem mesmo não era estranho o deserto que prendia todos os espiritos para realizarem a revolução. não obstante a Holanda já ter dado a prova de falta de lealdade e esquecimento de seu comprimento. achava-se cercando o inimigo. Sendo o intermediário entre eles e os heróis da revolução. 132 120 . p. como dos membros do Supremo Conselho. e os tenentes de mestre de campo general Pedro Correa da Gama de Souza. que depois do entabulamento das pazes entre Holanda e Portugal. a quem não era de todos indiferente a sorte dos infelizes habitantes de Pernambuco e das capitanias sob o jugo holandês. Maranhão e Sergipe. pondo-o a salvo de qualquer responsabilidade. Tomé. que achava-se a lutar com os Zumbis dos Palmares. Essa dubiedade de ação era bem visível. mostra-lhes os desejos auxiliadores do governo. Os caudilhos rompem a marcha pelos agrestes sertões e deixando as ribas do rio Real. como no representante do governo colonial. O leitor nos permitira transcrever este documento: ― Em os trinta e um dias do mês de março de mil e seiscentos e quarenta e cinco nesta cidade do Salvador. depois da esplendida vitoria do Monte das Tabocas. a cuja pista despachava Camarão. nas duas viagens que fez a Pernambuco.

― Tanto que João Fernandes Vieira. Manoel Calado. a marcha de Camarão e Henrique Dias e lhe observar o cumprimento do tratado de paz. e que vai à trilha della na volta de Pernambuco. com toda a gente. mas que serviram-se dele como se fôra captivo. Casa Forte e Porto Calvo. Antônio Teles em carta de 19 de julho. T. Do Brasil. que estavam juramentadas para a facçção e empreza da liberdade.‖ E quando foram a Bahia dos emissários do governo holandês. o primeiro rompimento foi feito exclusivamente por conta de seus habitantes. roubar e ainda matar aos nobres moradores de toda a Capitania de Pernambuco. Antonio da Silva e Souza. E Geog. mas que nunca lhe pareceo que fizesse uma coisa tão mal feita. contra a qual já tinha dado providencias. e outros muitos moradores da terra. em como o inimigo mandava prender. Para não perdermos nenhuma das pequenas minudencias dos ataques. em Sergipe. Francisco. e procurador do tenente de mestre de campo general André Vidal Negreiros. Pern. que considerassem os ditos ministros o que lhe parecia se 136 devia fazer no caso e lhe dessem seu parecer. assegurando também suas resoluções de paz e que enviaria ordens para serem suspensas as hostilidades. pelo que estivessem de sobre aviso. com as quais foi fazendo corpo de gente para resistir ao inimigo. e provedor mor da fazenda de S. os revoltosos tiveram mais de registrara vitoria do forte de Serinhaém e das que seguiram-se. Antonio. a realidade das deliberações estava em que os terços dos dois heróis brasileiro vieram engrossar a fileira dos insurgentes. e resguardassem suas pessoas e fazendas desta comum tribulação. e que. e defender-se do seu furor logo no rio de S. com cartas dos membros do Supremo Conselho. que lhe deram nada da fazenda real. de quem vergonhosamente plagiou Diogo de Sant`Iago em sua Historia da Guerra de Pernambuco. como tinha a estrada provida com os seus soldados. não foi sentido nem o soube. em 13 de junho. Arq. ouvidor geral e provedor mor dos defuntos e ausentes.M. que logo mandara o Camarão atrás dele com seus índios para que o tragam preso e a bom recado. com ordens de aplacar a revolta e por termo à guerra civil. e que a semana antecedentes o quizeram matar preso por estas e que outras liberdades que dizia. Do Inst. que esta 60 leguas em distancia do Recife por costa do mar. em que diz em vinte e cinco deste mês de março. mas que como negro que era merecia um grande castigo para exemplo dos mais. externando-lhe seus sentimento de aliança. E como conseqüência dessa aliança.do Inst. Entrega essa incumbência a Andre Vidal e Martins Soares Moreno. muito agradaveis a alguns leitores.Domingos Delgado e Gaspar de Souza Uchoa. e ricas daquele districto. senão depois de claro o dia. Hist.31 p. etc. que esta na fronteira do Rio Real. 107 121 . Sebastiao Parni de Britto e o Dr. foram com um próprio avisados Andre da Rocha de Antas e Valentim da Rocha seu parente. os quais tanto que souberam esta nova logo se prepararam e avisaram a todos os 136 Ver. se retirou para o mato. que partem para Pernambuco. coevo desses tempos e testemunhas ocular desses acontecimentos. t. 34 p. mostrou não ter responsabilidade nessa marcha. Baltasar van der Voorde e Theodoro van der Hoogstraten. transcrevemos as paginas de Fr. e ajuntou a si as principais pessoas da varzea. Pontal. pelas duas horas depois da meia-noite fugio Henrique Dias d‘aquella estancia. 370 ver. ainda que custára algumas mortes de uma e outra parte. Governador por lhe não dar licença vir ver suas filhas e mulher. as pessoas mais nobres. dia de S. Se as forças oficias que aliavam-se aos insurgentes eram de grande importância para as vitorias que iam obtendo em Serinhaém. Entretanto. e que antes de fugir se queixara do Sr. cientificar a Antônio Teles.

se armaram muitos dos moradores os quais estavam acanhados por lhes faltarem armas de fogos. 16. os quais se mostraram ao outro dia . Tomaram-nos um batel grande. de sorte que nenhum tornou com vida para a fortaleza. e com as que haviam tomado nos dois assaltos passados. farinha e algumas mercancias e com estas armas. dando-lhe conta de tudo o que passava na capitania de Pernambuco. que iam abrindo. deita água doce sete e oito léguas ao mar. E Geogr. e fosse socorrer os moradores delle que estavam em grande tribulacão. os moradores acudiram. queijo. e pretestos da parte de Deus que os mandasse socorrer logo. e mataram ao sargento e a dez soldados Flamengos que levava consigo. em seu Diário. acompanhados de alguns oitenta camponeses do rio Real. que com muita pressa marchasse logo para o rio de S. que os passassem todos em cutelo. No mesmo rio os moradores da terra com alguns soldados da Bahia tomaram duas embarcações . com as grandes enchentes e atropelando com todo este trabalho. e o tiraram das mãos a um sargento que o trasia preso. porque todos estavam com o cutelo quasi na garganta. diz ele. quando muitos rios iam de foz em fora. ecom haverem os soldados de levar em suas muchilas o mantimento e as armas às costas. e no meio do rigor do inverno. o qual logo pelos mesmos portadores mandou ordem ao capitão Nicoláo Aranha Pacheco. e flechas. T40 p. e dos notaveis agravos que se haviam de fazer aos casados e donzelas. os quaes tirando a luz as armas que tinham escondidas. em que tinham sido tributados pelos escabinos. antes que os flamengos tivessem noticia do que no Rio se passava . Hist. Rev. esperando por vento feito. e logo o cabo dos capitães Nicoláo Aranha mandou ao capitão Francisco Lopes a queimar as lanchas ao inimigo. e entregaram ao Governador Antonio Telles da Silva as cartas lavavam . e acharam nele as armas de fogo. Neste dia lhe matou a nossa 137 Pela leitura que fizemos do Diário de Matheus van dem Broeck. Do Inst. As cousas neste estado. e se aproveitaram das munições e armas que traziam. que todas eram mosquetes. para assim se defenderem com mais facilidade e tanto que 137 o governador da fortaleza mandou prender a um morador que habitava duas léguas em distancia a fortaleza. Deos lhe tomaria estreita conta das mortes dos innocentes. e esforço e boa fortuna ‗ . aguardente. Partio Nicoláo Aranha do Rio Real aos 27 de julho por caminhos desusados. e de palavra lhe contaram o miserável estado em que os moradores do rio se achavam. e bastimentos. o nome do governador do forte de Mauritius era Samuel van Koyn. pedindo-lhe com encarecidos rogos. Neste mesmo dia . que estava por cabo de três companhias no rio Real. aonde o mato estava mais fechado. esses soldados foram cruelmente mortos. chegaram da Bahia por terra duas companhias ao mando de Nicolau Aranha e do capitão Francisco Lopes. e achava os marinheiros em terra e os mataram. cerveja. Em 11 do dito mez passou Nicoláo Aranha o rio da parte do Norte a onde a fortaleza estava com toda a gente que consigo trazia. arcos. muita polvora. pelas dez horas. que seriam entre brancos e indios e cento e oitenta armados. segundo Matheus van dem Broeck. despacharam dois correios para a Bahia ao governador Antonio Telles da Silva. o comandante Samuel van Koyn ordenou que dois soldados fossem recomendar aos da campanha trouxessem para junto do forte as setentas cabeças de gado. os quais tinham cercado a fortaleza. que foram necessários em tão apertada occasião. João seu Rei e senhor os não socorrense com a brevidade que o presente perigo pedia. por quanto aquele rio corre com tal fúria que deita água doce ao mar três e quatro léguas. e assim não se pode navegar por ele ariba se não com vento feito. e lhe fizeram com encarecidos rogos os protestos. chegou em 10 dias de Agosto ao dito Rio a onde achou os moradores com as armas nas mãos. souberam os moradores do Rio. José Hgino. os quais eram doze. causando-nos assim não pequeno dano. Estando pois o caravellão neste porto acudiram os moradores com diligencia. que vinham entrando com socorro ao inimigo e lhe mataram vinte Flamengos . e temendo que do Recife viesse infataria holandesa por mar. se fiseram em um corpo. e roubassem todas as casas e os moradores deram sobre elles de emboscada e mataram a todos. traduzido pelo ilustrado Dr. bem armados e comandados pelo capitão Diogo de Oliveira e Pedro Aranha. manteiga. Chegaram os dous correios da Bahia. para que em vingança daquelle agravo matassem aos moradores que achassem. 138 Neste mesmo dia. para subir para riba. porem ao largo onde não chegavam as balas da artilheria. que estava ancorado em um porto seis léguas a baixo da fortaleza. levando diante negros com fouces. que pela boca da barra havia entrado um caravellão do inimigo.moradores dos lugares visinhos a aquele Rio. balas. e entrando no caravellão o tomaram. quando não vai cheio. vinho. Sabido isto pelo comendor da forca deitou fora um Capitao com setenta soldados. e tanto que avistou a fortaleza a onde assistiam tresentos e quarenta e tres hollandeses soldados e flamengos livres e indios. outros com lanças e cavallos e os outros com facões dardos. e do grande aperto em que de prezente estavam todos os moradores do Rio de São Francisco. e que quando Sua Senhoria. uns com espingardas. e com isto ficaram os fortaleza com pouco cabedal de munição. 122 . que quando vai de enchente. como ministro d`EL-REI D. o que 138 fez com muito valor. Francisco.

Vendo isto Nicoláo Aranha abalou todas suas estancias e se chegou a força até descubrir as suas casas a onde lhe matamos muita gente em particular em 23 de Agosto. e ainda não haviam aberto bem a porta. como a resolução com que o investimos. Animada a nossa gente com estes prosperos sucessos . pelos quaes ficou o commandante sabendo que o tenente Coronel Horus fora abatido na várzea. e investindo-as com grande resolução. e o Fiscal daquella força. o cronista holandês assevera ter sido em 7 de setembro. Com este recado retirou-se o emissário para donde veiu. porque em 28 de Agosto mandaram uma náo grande com duas barcaças. 123 . Manoel Calado e a de Samuel van Koyn. porém o que acovardou o inimigo não foi tanto à força da nossa gente. Koyn enviou dous soldados para melhor avisa-lo do cerco. morresse quem morresse. Era. entretanto este fato que o jeusuíta dá como sucedido em 23 de agosto. declarando que estava bem provido de pólvora e balas. não quiz render o bordo ao mar. Neste mesmo dia morreram mais vinte inimigos e nenhum dos nossos foi morto. logo as nossas balas lhe furavam os chapéus e as mãos". as fizeram voltar e fugir com grande vergonha.gente vinte Flamengos. o comandante. para virar as nossas canoas e mettel-as no fundo. era impossível podel-la render por fome. as quaes entraram logo pela barra dentro. Dias depois o inimigo mandou aos nossos novo emissário com os homens que tinham sido apprehendidos no barco do capitão João Hoen. e assentando seu arraial lhe tomou todos os caminhos (assim entradas com sahidas) com emboscadas e corpo de guarda. de que resultou tomar-lhe o inimigo o barco. bastando só as barcaças. Estas notícias causaram grande desanimo entre os soldados. que lhas semeamos de mortos saindo elles de noite a rossar o mato que estava junto dellas. nem ferido. em como pelo rio acima vinha um barco grande com provimento para os da fortaleza deram-lhe aviso a noite e logo equipou duas canoas com vinte e cinco homens da sua companhia e da de Francisco Lopes e alguns moços da terra muito animosos soldados e por cabo o ajudante Francisco Rodrigues. preso com os principais offiaes e conduzido por terra para a Bahia. e com boa gente de sua companhia e a de Francisco Lopes e moradores da terra e por cabo ao alferes N. Guedes Alcoforado. quando lhe matamos quatro soldados. e antes que amanhecesse o rederam. havia de accometer a fortaleza e escalal-la. e treze homens do mar. Neste mesmo dia teve Nicoláo Aranha aviso. Já neste tempo tinha o Capitão Nicoláo Aranha tomado à resolução. como seu servidor e amigo ao que o Comendador hollandez respondeu que elle o faria como fosse tempo. Hist. t. entrou pelo rio o capitão João Hoen com viveres para este forte e do de Sergipe d’El-Rei. pelo que não devia elle esperar socorro alguma d’aquella praça. Não se descuidavam os do Supremo Conselho do Recife em socorrer a sua gente cercada. Do Inst. e é muito digno de notar que indo em uma lancha onze holandeses com ajudante foram investidos de dez moços nossos da terra em uma canoa e dando-lhes os hollandeses primeiro uma carga de mosquetaria não tocaram com balla a nenhum dos nossos e os nossos atirarm sua carga e mataram logo seis e aos outros degolaram a espada e tornaram as lanchas. Enfim a nossa gente se chegou tanto à fortaleza que não ousaram o hollandezes a se por em cima da muralha. e não tinha que ver com traidores e portanto não lhe faltassem em taes infâmias. e mandou logo picar ao inimigo.mas o capitão Hoen era atrevido. mandou Nicoláo Aranha acudir com as canoas armadas de valor. Vinham no barco treze hollandezes e um commissario de Cirigipe d‘El-Rei. pois voto geral que se tratasse de capitular” Ver. Do Brasil. bem como que o Recife estava também sitiado e muito tinham que fazer seus defensores para se desapressarem a si mesmo. 139 Bastante semelhança há entre a descrição de Fr. que logo viria beijar-lhe as mãos . com o que muito se encolerisou o commandante koyn. sem mais gente de armas que os marinheiros. Eis suas palavras: “pouco mais ou menos. que quando não pudesse impedir ao inimigo aquele socorro. o qual atemorisado pela resolução não quiz sahir e lhe mandou diser pelo padre vigario Amaro Martins. destes hollandezes morreram seis e os 139 outros foram presos e feridos. porque em deitando as cabeças por cima já estavam mortos com as nossas balas. iam a por as mãos nos chapéus e em as pondo. que foram os primeiros que sahiram e logo se tornaram a recolher e as fechou. e o Nicoláo Aranha lhe respondeu pelo mesmo portador que com muito contentamento o esperava e que se quizesse o iria buscar a porta da fortaleza para o hospedar na sua barraca. porque para verem a nossa gente. Informado da chegada do capitão. Os visitantes enviaram ao comandante da praça vários commissarios e lhe propuzeram comprar o forte por alguns curraes de gado. 40 p. Quis o inimigo fazer uma sahida no primeiro dia de Setembro. E Geog. os demais eram soldados . e depois de rendidos nos mostraram alguns as mãos passadas com pelouros. sendo cinco ou seis dos nossos feridos e um morto. aos 13 de agosto de chegou Nicoláo Aranha cm toda a infantaria à força. a 7 do corrente.38. porque se aquelle socorro se lhe não pudesse impedir e se lhe chegasse.

e passados da outra banda do rio da parte do sul. Vendo os hollandeses a resolução. que os iam socorrer. e logo se resolveu e mandou por um official com um tambor dizer ao Comendador da força que se rendessem. ou os passaria todos a cutelo. aonde haviam de ser desarmados. onde foi presas Hous. por que já estava enfadado de o terem ali tanto. notícia esta que lhe foi trazida pelos homens que tinham sido apreendidos no barco de João Hoen. 124 . desparou o inimigo da fortaleza uma peça de artilharia e toda nossa infantaria lhe respondeu com uma carga cerrada de mosquearia e tornou a secundar com outra ao levantar o calix consagrado e tão grande foi o estrondoque o inimigo ficou admirado". para levarem suas roupas para a Bahia e cavallos para os que foram por terra. e a nau vinha só com duas velas pequenas. muitas balas para ellas. o qual com muita dor encobrio a nova. até uns tantos passos. a qual ia tangendo por entre o nosso corpo da guarda e se ouvio por alguns dos nossos. bala e armas e das mais munições de guerra com cento e oitenta soldados. Isto tanto mais desanimou Koyn. quanto ele sentia grande falta de munição. a carne que tinham a repartiram. appareceram no rio. achamos-lhes na fortaleza dez peças de artilharia de bronze. pólvora pouca e essa molhada. nos dezoito dias do mez estando na barra do Rio cinco embarcações cheias de gente. duas léguas em distancia da força umas não três lanchas grandes que vinham aos hollandezes. Poes amanhã e segunda-feira o dia em que a Santa Igreja Catholica costuma dizer Missa e fazer sufrágios por ellas. "Não se aproveitaram os soldados. meninos e enfermos. liga a convicção de que não seria socorrido pelos seus compatriotas. uma música em tom de ladainha e vio uma clara de luz. para mostrar ao povo. Dêo-se embarcação as mulheres. e todos os dias as encommendo a Deus e agora nesse ponto acabar de resar as orações que todos os dias ofereço a Deus por ellas. e querendo levantar em alto. porém nenhumas de mosquete. dos quaes levaram quatorze". com socorro de pólvora. como o leitor já viu na nota anterior. de mantimentos trinta e sete barris de farinha. Depois que tivemos a fortaleza por nossa e os hollandezes reunidos e desarmados. nem outra alguma pessoa de cousa que os hollandezes tivessem na força. promettamos-lhe todos uma missa cantada. Achamos sete cavallos vivos. "Fez-lhe Nicoláo Aranha muito honrado partido a saber. achamos duzentos e sessenta e seis flamengos dentro na força e cinco Índios. respondeu que se queria logo entregar". bandeira estendida e os officiaes com suas insígnias militares. desparassem os nossos soldados todas as armas de fogo e dessem duas cargas cerradas em signal de alegria e festa. naquella noite se ouvio o som de uma companhia. bordando as nuvens de louvores e allegrando o mar e a terra com seu formoso aspecto. derrotado na várzea. 140 Enquanto Calado liga a rendição e capitulação do inimigo a um fato misterioso. e ocupado em defender Recife. para que o não dissesse a ninguém. Samuel van den Broeck. Senhores camaradas. Eis a verdadeira causa da rendição do forte. tanto que amanhecer. responderam brandamente como quem o queria fazer"."Chegou a Nicoláo Aranha em 13 de Setembro a triste notícia em como o inimigo à falsa fé havia queimado aos nossos navios que estavam na enseada de Tamandaré. achamos vinte e quatro mulheres e trinta e três meninos e desoito escravos. sem dúvida que isto deve ser as almas dos Paes defuntos que nos vem a socorrer. "Acabou-se a missa e o inimigo começou a chamar com um tambor mandamos ver o que 140 queria. sendo mortos no cerco setenta e sete. disse então o Capitão Pedro Aranha irmão do cabo da companhia de Nicoláo Aranha. Caso miraculoso!". e recolheu a si todas as cartas. que sahissem da fortaleza com suas armas e balas em boca. "Tinha o Sacerdote consagrado o corpo de Christo Nosso Senhor Salvador. se cantaram uma Missa de Requien pelas almas do purgatório. os quaes se lhes concedeo e lhe fez o partido muito favorável. para caminharem para a Bahia. com toda solemnidade que foi possível e ordenou Nicoláo Aranha que quando o sacerdote levantasse o Corpo do Senhor e seu precioso sangue em alto. pondo graves penas a quem as levava. já situado. "Aos 15 do mez pediram ao Capitão Aranha três dias de tréguas. isto é boa nova. eu sou grande seu devoto." "Approvaram os camaradas o bom intento e tanto que a nova aurora appareceo.

Francisco. para se recolherem ao Recife. sem haver entre elles os nossos soldados. Manoel 141 Essa nau e lança eram comandados por Willem Lamberts. e conhecessem o pouco cabedal que fortaleza tinha para lhe fazer danmo. de sorte que lhe fosse necessário esconder-se pelos matos. nem causaram moléstia. Porém assim por maior quero ir nomeando de uns aos outros. e com a infantaria por terra e por mar em barcos e canoas as renderia facilmente. alguns que mais se extremaram. contra os hollandezes. doces e fructas que a terra dava. Cit. e os nossos soldados o fizeram com tanto brio. "Para se render esta fortaleza. antes lhe deram muita graça pelo bom tratamento e offerecendo os moradores das terras (depois da Victoria alcançada) muitos dons e mimos de bois. nos quaes haviam de embarcar as guranições do forte Maurício. com suas armas. mandou o capitão Aranha desparar uma peça de artilharia da fortaleza. porém o capitão considerando que na fortaleza achava pouca pólvora e essa toda molhada. elle faria matar as mulheres e meninos. só os que vinham enfermos aceitaram alguns cavallos para poderem acompanhar a tropa e porque os moradores não desconfiassem vendo que se lhes não aceitavam seus oferecimentos". por quanto não tenho até as presentes testemunhas de vista". sem fazer agravos aos outros. como merecem. os quaes em companhia do capitão Pedro Aranha sempre tiveram a vanguarda no cerco da fortaleza. e que se náo e as lanchas chegassem a metter-se debaixo da artilharia da força. que seguiam por terra a Bahia entroeu no Rio o capitão Willem Lamberts com um degre (barco hollandez de pesca) e tres barcos bem artilhados. antes todos acudiram com suas armas. que era o signal de que estava dado para os hollandezes conhecerem que estava a fortaleza por sua. em suas casas. que chegaram a dar duas cargas cerradas ao inimigo e não posso affirmar se lhe mataram pouca ou muita gente. "Tomou o capitão Nicoláo Aranha conselho no que faria para tomar a não e as lanchas e alguns lhe disseram que as deixasse metter bem debaixo da fortaleza . Só ". os soldados como generosos não quiseram aceitar cousa alguma. Pouco depois o capitão Willem despojou o rio. vitellas. os homens sempre assistiram com os soldados da Bahia. se os hollandezes queimassem a caravella. novilhos para trazerem consigo para Pernambuco. dos moradores do rio S. começou a náo a fazer bordos e a desparar sua artilharia e as lanchas suas roqueiras e se foram pelo rio abaixo e sahiram fora da barra na derrota do Recife e os nossos dous barcos e canoas se tornara. mandou investir contra ellas. assim os moradores do rio S. Para libertar os nossos devera ter chegado três dias antes” Obr. que era grande consideração para impedir a passagem para a Bahia e a chave da capitania de Pernambuco. que são merecedores de muito grande louvor. que diz: “ depois da partida do commandante e soldados. que não servia para carregar as peças. perus. nos faria a nós muito mal com sua artilharia. 44 125 . porque com a artilharia lhe faria grande damno. antes sempre sobejou o mantimento de vacas. segundo Matheus vam dem Broeck. Porto Calvo e Sergipe de El-Rei. nem sustentar bateria. como os soldados da Bahia e com tanto esforço e valor. porque em tudo 141 os quis Deos favorecer". galinhas e carneiros. e desparada a peça logo a não largou todo o plano e as lanchas com ella e se vieram em direitura para a fortaleza". porque o não mereceram. Porque dos moradores. com tanta pontualidade. esforço e brio. não sahiu morador algum de sua casa. esquipou dous barcos e algumas canoas carregadas de bons e valerosos soldados e antes que a náo e as lanchas chegassem. patos. pois o commandante Aranha declarou que. de modo que succedeu esbulharem os nossos os bem dos seus próprios compatriotas. Sei que ficando um vento rijo. "Tão extremamente o fizeram nesta ocasião.navegando. nem morto nem ferido algum. Francisco o capitão André da Rocha de Antas e o capitão Valentim da Rocha. que nunca nos faltou. a nenhum morador fizeram os soldados damnos. como os mais valerosos do mundo. P. se occupavam em fazer de comer para os soldados e com tanto gosto. e por conselho de seis francezes que pediram praça para tomar armas por nossa parte. Acercando-se uns dos outros. leite. não me atrevo a por uns em primeiro lugar. vacas. e assim perderam os rendidos tudo o que era seu. disparou o capitão Willem suas peças e os portugueses vararam a caravella sobre um banco e lançaram-se à água depois de uma pequena escaramuça. porque lhes sahiu em sorte o ocupal-os o cabo do capitão Nicolão Aranha. e estiveram mais chegados ao inimigo João Velho. e assim desejando eu louval-os a todos. farinha. O capitão Willem houvera posto fogo à caravella se as mulheres neerllandezas não se intercedessem. fazendo sua obrigação com muito animo e as mulheres. Mandou o commandante Aranha que fossem ao encontro do capitão Willem uma caravella (onde já haviam acondicionado a bagagem dos rendidos) e um barco com soldados. Em cousas particulares.

Ganhada esta fortaleza a mandou o capitão Nicoláo Aranha arrasar. de modo que não dispomos de maior quantidade de pólvora que é necessária para prover por uma vez somente as bandeleiras. o capitão Diogo de Oliveira de Lacerda com vinte moradores do rio REAL. e senão vieram logo para o nosso arraial da Várzea de Capivaribe. pois. isto é. reunidos em conselho hoje 17 de setembro de 1645. e dez peças de artilharia de bronze que n‘ella achou. oficiais do forte Mauricio no rio de S. Não temos. p. Francisco de Almeida alferes reformado. veio marchando detraz na retaguarda e todos 143 chegaram a várzea do Capivaribe com prospera viagem . que poupamos assim antes. fazendo toda a sua obrigação como honrado. 142 143 Provavelmente este Marco Dias é um descendente da família de Belchior Dias Moreya. e por ordem dos governadores da liberdade. Francisco Aguiar. externa sua resolução e deputa-se o capitão Felipe Schatt e o escabino Lubbert van Coeverdeu para entrarem em acordo com o inimigo. para nos aproveitarmos delas na primeira ocasião de importância. enfim alcançada a vitória foi o capitão Nicoláo Aranha despedindo os outros capitães em suas companhias e tropas para onde estava o Governador da liberdade João Fernandes Vieira e os dous mestres de campo André Vidal e Martins Soares e elle depois de ordenar as cousas necessárias no rio. porque nem o governador geral mandou a infantaria por ordem de S.M. os dous irmãos chamados os Brittos. o qual já tem perdido três filhos nesta guerra. rendemos esta praça a partido": "1-As nossas munições de guerra. mas com muita vontade e contentamento passou toda a nossa infantaria da outra parte do rio. mais que pólvora e bala. o qual foi em uma das canoas. Capitulado e desesperançado Koyn de auxílios vindos do Recife. sabemos que os contrários estão aqui de vigia em numero de trezentos homens. capitão Nicolão Aranha. a cujo cargo veio esta gente com sessenta e cinco da sua companhia. 258. e no sítio sempre nos acompanhou com pessoa e fazenda. acham-se ao presente esgotadas.Francisco. o capitão Francisco Lopes. porque o inimigo não tivesse esperanças de a tornar a possuir. foram rotos pelo inimigo. O conselho de guerra resolvêo os seguintes artigos: "Nós. Gonçalo Dias cabo da esquadra. 64. o qual com muito grande trabalho e dispêndio. chamado Baltazar de Matos. Francisco Velanez. segundo temos escrito atrás. e outros muitos que não nomeio por ser enfadonho. e que o Recife esta assim apertado. Eis ai as minundencias de Calado. senão a socorrer os moradores na grande tribulação e aperto em que estavam. "2-Igualmente começam a escassear os viveres. sobre as condições de capitulação. com que defender as nossas vidas". pólvora e morrões. abaixo assinados. as mandou esconder em lugar seguro. O valoroso Lucideno. Gonçalo de Matos homem natural de Pernambuco. aonde estava a fortaleza. e em baixo com embarcações para o fim de tomar os socorros que nos enviem. como já aconteceu". homem. que os soldados gastaram. Gaspar Gonçalves Nenoa. foi porque era quase impossível o combatê-las por terra por ser a distancia de sessenta léguas e haver muitos rios navegáveis que passar e mais era grande o risco mandá-las em barcos. "3-Segundo todas as probabilidades não sermos socorridos pelos do Recife. Não custou esta fortaleza cabedal algum a S. dos da Bahia não me atrevo a declarar o valor que nesta empresa mostraram. reuniu conselho de guerra. Marcos Dias . só digo que alcançaram a vcitória sem nos morrer soldado algum. que fizeram fugir as lanchas até os deitarem pela barra fora: e este soldado é filho de um homem nobre. como dos da terra e lhe fizeram numero de sessenta. por pedimento dos moradores. "E o caso suceder entrar por este rio em nossa assistência um ou dous barcos com gente ou provisões. os capitães Gaspar Fernandes Villar a quem o cabo do capitão Nicolão Aranha proveo de uma companhia de bons e valerosos soldados. e ele o fez como de seu valor se esperava. obrigados de imperiosa necessidade e movidos de poderosas razões que abaixo vão. João 142 Furtado de Mendonça. também dez soldados da Bahia se avantajaram muito. Marcos de Oliveira alferes reformado. pelos companheiros de Hoen. resolvemos. Fr. 126 . quando o inimigo trazia pelo mar náos de guerra e lanchas.Gonçalves Marzagão.. nem ferido. com cinqüenta soldados.M.. que mal se pode sustentar". que andavam sempre de vigia. assim dos da Bahia. pois amanha será distribuída a ultima ração de carne". porém quero nomear os principais que nesta empresa se acharam. o capitão Pedro Aranha com vinte. a fazer guerra aos hollandezes de Pernambuco. Manoel Calado. pois sabemos com certeza que a maior parte dos nossos comandados pelo tenente coronel Hous. como durante este cerco de perto de seis semanas.

depois de maduro conselho. corda acesa em ambas as partes. caso o Recife se ache em cerco.Permittir-nos-há a levar três canhões de seis libras de bala com a sua carreta". não há palissadas em terra de fortaleza. bala em boca. entrar amanha.Antes de partimos seremos supridos com as necessidades vitualhas de modo que possamos fazer convenientemente a nossa viagem". 3. soldados.Todos os rendidos. "Nós oficias abaixo assinados reunidos na fortaleza Mauricio. onde deve estar de continuo sete homens para a guarda e pronto socorro". Era ut supra. uma vez que sua nobreza nos conceda as seguintes condições e artigos.uma obra exterior de sessenta varas diante da porta para defesa dos carregadores de água. "7. Com essa força temos de ocupar: 1-a fortaleza cujo circuito é de duzentos e setenta e seis varas. 2. "5-Tão pouco não tivemos meios de cortar a fortaleza. comandante das tropas portuguesas no rio S. é impossível prevenir que se rebele". para o qual fins lhe deputam o capitão Philip Schacht e o escabino Lubbert van Coeverden". desnudada.Boudewijn de Jager.V. Feito em nossa assembléia no forte Maurício. 18 do corrente. arcos e caixas. pois. "5. "4. como é manifesto vão pelo contrario diminuindo. "1. e este dar-nos livre passagem para a nossa pátria". fazemos saber ao honrado Senhor Nicoláo Aranha. antes da nossa chegada. e caso o Recife se haja rendido. mulheres e meninos. sabemos que crescem de dia a dia.O dito Senhor Aranha ordenará que um oficial nos acompanhe. como pelo presente resolvemos.. Francisco. a continuar este estado de cousas. ao todo cento e noventa e sete homens em estado de prestar serviço. temos resolvido. 127 .O official que nos escoltar será obrigado. Em fé do que assinamos este termo com os nossos próprios punhos". "8. de modo que por fora é fácil galgá-las. poderão igualmente levar seus negros. o mesmo oficial nos entregara. judeus. "Por estas e outras considerações.Lubbert van Coverden."4-As forças inimigas. ao general que mandar na praça. caixas. pois.um parapeito na extremidade das pedras. "2. a conduzir-nos livre e desempedidamente a dita praça. que com tão poucas forças é impossível defender tão largas obras contra adversários numerosos". que por justas razões somos movidos a entrar em ajustes com sua nobreza a cerca da entrega da dita fortaleza. D. A nossa gente valida não excede a 147 soldados.O Senhor Nicoláo Aranha nos fornecerá embarcação capaz que nos transporte com as nossas bagagens para o Recife". trinta homens de trem e vinte paisanos. sem mais sermos encommodados. "Assim que cada homem tem que ocupar perto de duas varas de terreno. segundo os estylos militares e aos seus foi anteriormente concedidos".Pieter Rotterdan. poderão retirar livremente e intacta as suas bagagens. ao passo que as nossas. Smit. paisanos. Koyn. sem sermos molestados do inimigo e ali entregar-nos-ha aos nossos senhores. . todas as armas. começa a sentir-se fraca e desalentada que. como assenta sobre pedras. "6.Wolf Reurseits – Philip Schacht – Thomas ReBarent Vlieger. e as muralhas recentemente levantadas acham-se arruinadas e abatidas em conseqüência das continuas chuvas. que presentemente montão a oitocentos homens.O Senhor Nicoláo Aranha conceder-nos-ha podermos sahir todos para o Recife. "3. dentro dela não se pode haver a terra necessária para levantar outra muralha". por entre a frota inimiga". em ajustes com o inimigo e aceitar as melhores condições que deles podemos obter. "6-A guarnição. Está. indicando as experiências militares. mal alimentada. a fim de nos escoltar livre e seguramente até o Recife.Hans Pertersz. negras e cavalos ". com bandeiras despregadas.Huybert Dop – Hans Paap – Thomas Pouwelsz.Soltara e permitira que nos acompanhem os prisioneiros que se acham em seu poder". Além disto como se sabe. vigiando continuadamente nas muralhas.

escabinos. Valentim da Rocha. Em 'dito barco serão embarcadas as bagagens dos que as não poderem levar por terra. D. "2 Os officiaes levarão suas espadas. Cinco paisanos poderão conservar seus sabres enterçados. Francisco Lopes de Maltos. Em fé da verdade assignamos todos o presente termo. 9 º Conquistado o forte Maurício. "3. ate 21 de setembro. tambor batente e b~ndeiras tendidas.Dar-nos o prazo de três dias. isto é.O capitão Aranha não aceitando todos os artigos. secretários. Outrossim. poderão ficar comigo na fortaleza o tempo que lhes parecer. Nicoláo Aranha Pacheco. Sahirão com suas armas até onde nos aprouver. que obriga-se alli entregar suas nobrezas. Aos officiaes principaes serão dados cavallos que os transportem para a Bahia. passei o presente papel hoje 18 de Setembro de 1645. a saber: capitães. serão transportados com escolta para a Bahia em embarcação capaz. pois. concederá levarmos nossas armas brancas". pois os moradores não permittem conceder maior espaço. acceitamos as condições que acima ficam e dellas somos contentes. tenentes. pois não podemos mais obter. "4. e estes não me permittem de modo algum que eu mais conceda. morrões accessos. na margem norte do S. "6. "4° Não se tocará nas roupas das mulheres. bala em boca. Walf Keseits. não vim para lhes fazer guerra e sim para ajudar os moradores. a deputação teve de voltar. Diago de Oliveira.Depois de havermos deposto as armas. sem serem visitadas". que não serão revistadas". E para que isto não falte. Adriano da Rocha. Koyn. " 3 O prazo que concedo é até as 8 horas da seguinte manhã. Sahirá a guarnição com armas ao hombro. . os officiaes principaes. cortavam-se 144 Diário de Matheus van den Broeck 128 . Thomas Pay. G-aspar Fernande-s Vilar. officiaes do forte Mauricio abaixo assignados. acompanhados de um capitão. porém. "2. alferes. V. comissários e auditor. concederá o Senhor Aranha que as separemos das hasteas. Willem Sloot. Pieter Boiterdamo Lubbert van Caeverden". "5º Forneceremos um barco em que vão os feridos. paisanos e suas mulheres.Cada um dos oficiais. Francisco. bem como as mulheres e meninos.Todos os oficiais. Rans 144 Paap. poderão levar seus negros e negras para lhes carregarem as bagagens". poderá mandar no barco uma arca com suas bagagens.. "Nós. Francisco. Philip Schacht. mulheres e meninos. declaramos que. Feito em conselho no forte Mauricio ao rio de S. mestres de obras.Os doentes e feridos. segundo as praticas de guerra. Pedra Aranha. para a Bahia.Conceder-nos-ha levarmos as bagagens que os nossos escravos e cavalos poderem carregar. Pra partirmos conforme as praticas militares". Serpa de Lacerda. submetendo os seguintes ao seu parecer: "1. Hans Pietersz Smit. Resposta do Capitão Aranha: "1º Serão todos enviados. Boudewijn de Jager. sem serem revistadas as suas bagagens". "5. "Eis o que concedo aos hoHandezes. sargento. "Os paisanos poderão sahir com sua roupa e mochilas. caso não possamos levar as nossas bandeiras. quartel-mestre.

As condições mudaram. João de Souza. por intermédio de Dirck Witte Paert e Lamberts. batidos pela fome. As condições dos dois exércitos tornaram-se completamente desiguais. já contavam os dias. os holandeses entravam em uma fase de decadência. como diz Varnhagen. Em suma. que postaram-se na margem do rio Real. Assim. Bem providos de munições de guerra e de pólvora. cercados pelo capitão D. como já vimos. estavam no auge da fome e o exército já começava a· revoltar-se. indo só do rio de S. botavam no fogo o último pão. encarregado deste serviço. a fome e a indigência. Abriu-se assim o ano de 1646. de que não dispunham os seus compatriotas do forte Maurício e Porto Calvo. enclasuraram-se no Recife.as comunicações entre o Recife e Sergipe. comandante do forte. que realmente chegaram a 19 de agosto. Baldas de meios. cercados pelo inimigo que até lhes dificultava a água. não só para alimento do exército. os holandeses que habitavam em S. em setembro desde 1645. Era o trabalho de Camarão e Henrique Dias. Francisco. tanto mais assustadora. Um arranco ia efetuar o espírito batavo para reaver o que já tinha perdido. entre os holandeses reinavam o desânimo. trazidos de diversos pontos. quando chegam-lhes munições por dois navios. de onde não podiam receber nenhum auxílio. rendiam-se as duas fortificações dos holandeses. Francisco duzentas cabeças de gado. quanto da metrópole não lhes vinha nenhum auxílio. Schkoppe encarrega a Henderson a expedição a S. A notícia destas vitórias chegaram ao Recife a 30 de setembro. com o duplo fim de privar as comunicações da fronteira sul com o exército dos conquistados. acampados em Bom Jesus. Aquele desde 1642 tinha sido derruba·do pelo exército dos conquistados. porém. quando se rendiam ao cerco de D. como para mover as fábricas açucareiras. situadas no limite sul do seu domínio. onde causaram um geral desânimo. chegaram a alimentar-se de gatos. Por certo era uma grande perda para o inimigo. João de Souza. cheia dê ruínas. de Sergipe tiravam o gado. As guarnições de Recife e a fortaleza de Maurício. rendiam-se. às mãos dos seus primitivos conquistadores. Cristóvão e no fortim de Sergipe. pedindo a capitulação. Além de novos membros para o governo. Enquanto entre os revoltosos reinavam o ânimo e a coragem. onde os holandeses. Perdendo os seus domínios do sul. cães e ratos e desenterrar animais. e a certeza de que em breve lhes viriam amplos auxílios. cheio de horrores para os holandeses. Agora. pela sucessão de vitórias. juntamente com Koyn e Florys em uma caravela para Portugal. e entregava-se a capitania. pois. as horas. que a 27 de setembro partia. que desde esta época tinham permanecido em vigia. e outro no rio Real. tinham edificado dois fortes: um em Vaza-Barris. veio uma grande força militar comandada por Sigismundo Schkoppe e Henderson. Estavam para capitular. Depois de tentativas para retomar o Recife. sendo preso Hans Vagels. pois era impossível a continuação de um tal estado de coisas. a não conseguir que os holandeses se espalhassem pelo território. privados de comunicação com o Recife. exaurida pelas sucessivas destruições das lutas e das guerras. de onde vinham importantes contingentes para o 129 . que só de infantaria contava para mais de dois mil homens. devastada. Sem combustível. Abandonando Olinda. enquanto entre eles havia a abundância de víveres. comiam as carnes cruas.

bloqueando o inimigo. sendo composta de 13 navios. a voltàr para Holanda. perde a ação pela emboscada de que foi alvo. sabendo do desastre em S. quando os fugitivos. e congraçados em número de duzentos. sendo a mais notável a em que foi àssaltado o tenente La Fleur. Duas grandes perdas assinalaram este feito militar. A 16 de novembro desembarcam em Cururipe e daí marcham por terra para São Francisco. Jan Jansz van Yssendyck. ia realizar o plano de bloquear a Bahia. onde se achava o Capitão Francisco Rabelo. cujo corpo foi conduzido para o Recife e ficou prisioneiro o valente capitão Gisselingh. e Joost Comam! e o Alferes . em lugar melhor. sob o comando do tenente van 130 . menor resistência. quando o inimigo ataca e cerca uma casa. A 24 de outubro de 1646 parte o coronel Handerson com uma frota sob sua direção e do almirante Lichthard e como comissário Paulo Antony Dames. onde.exército.200 a 1. assim como os capitães Daniel Kein e Gernil Schut. perante eles. centralizouse no forte. depois de atravessar o rio. correm espavoridos e galgam a margem sul do rio. pelo território sergipano. e onde estava postada a sentinela avançada. Foi vítima desta imperícia. onde está edificada hoje a cidade de Propriá. e fazer do rio uma base de operações e daí dirigir-se para o norte. Fogem os duzentos combatentes que lhe deviam resistir e. Henderson conquista a fortificação. Antonio Bailjaert. atacam um posto avançado de vinte homens. comandados por Francisco Rabelo. com toda a companhia que tinha saído para ver o inimigo. Killiam Snyder. que. Para punir a insolência dos atacantes. elas lhes foram quebradas aos pés e eles condenados. desprevenidos para a defesa e ocupados ainda em demolir o forte. Por diversas vezes algumas partidas se fizeram. Era uma força militar demasiada para debelar a resistência que pudesse encontrar em Sergipe. Sem a. quando pensava La Montagne em uma vitória. fazendo o número de 1. postados em Bom Jesus. um outro forte. alferes do capitão Schut. menos os 500 a 600 homens que ficaram no forte.300 homens. Francisco. Henderson permaneceu em S. entre índios e soldados. e trata de levantar. já em melhores condições de luta. quando grande parte dela incorporou-se ao comando de Sigismundo Schoppe e do conselheiro supremo Simon van Beaumont. que continuava a cercá-Ia. os tenentes Jeronymo Helleman. o conde italiano Bagnuolo. para vigiar o inimigo. em dias de dezembro. vai atacar os sitiantes. O resto da guarnição que pôde escapar à destruição. Faleceu. Somente no forte ficou o coronel Henderson. a 29 de dezembro. e não podendo mais atacar pela retaguarda os inimigos. por ordem do Governador Geral. tenente de Gisselingh e Adriaen Mebus. em Urubu. aquele mesmo que em companhia de Schoppe tinha pesquisado em 1637. em presença do historiador Nieuhoff. como desleais. Henderson encarrega ao capitão francês Samuel Lambert (La Montagne) que com quase toda a guarnição.Middelburg. Francisco até março de 1647. largaram em caminho as armas e por isso. Apresenta-se Samuel. com 500 a 600 homens. Seus habitantes. em que iam 10 companhias de soldados e 3 de índios. a guardar e defender o território. além da perda de cento e quatorze soldados. meia légua distante do forte. o bravo almirante Licththardt. até 4 de fevereiro de 1647.

para sua alimentação. O próprio Henderson teria idêntica sorte. onde achava-se Sigismundo. manda o capitão Chain Fleury que foi cercado pelo inimigo. 131 . dos sitiantes.Westwout. Henderson. força insuficiente para romper as forças inimigas . donde tirava aos milhares de cabeça por dia. pois. Ficava assim o holandês eliminado do rio São Francisco. se não recua para. que ficaram nas mãos. Era. indo a guarnição para Itaparica. convencendo-se a Companhia de autorizar a retirada de Henderson. de onde os holandeses não teriam nada a tirar. a devastar. em 1647 e do território de Sergipe. querendo socorrê-los. impossível a permanência de Henderson em São Francisco. ficando prisioneiro com 40 soldados e 60 índios. Perdeu o holandês os currais de gado. são capturados 50 a 60 soldados. com um passaporte para a Holanda. o forte com os seus 300 soldados. desde setembro de 1645.

"encetar. com Baltazar Barrinhos. até então. sob o comando de Baltazar dos Reis. Historiemos os fatos. durante anos. motivaram as posteriores explorações a cargo de D. Permanecia em Sergipe. que preferiram perder seus bens a conviver com o povo invasor. a câmara de São Cristóvão saúda o conde. em 1650. pela defesa de uma causa comum. aproximaram-se. ferido em sua cobiça pelas belas formações geológicas. Compreende-se perfeitamente que um povo que se acostumou a uma luta tenaz. para motivarem maior atividade nos períodos subseqüentes. Rodrigo Castelo Branco. que deu lugar à existência de uma opinião mais autônoma. Se foram estes os males que apontamos. sem o querer. perde. como a que o historiador estuda da capitania de Sergipe para o norte. os hábitos de paz e harmonia. foram as causas que reduziram Sergipe ao estado de decadência a que chegou. eles trouxeram conseqüências de algum valor. por ser cúmplice no assassinato de Cipião Cardoso. passou Sergipe novamente ao domínio português. porque em uma carta a si dirigida pelo conde de Castel Melhor. Daí a razão principal de cedo começarem os tumultos em Sergipe. onde nota-se tendência bem visível até mesmo para romper-se os laços de subordinação do governo da capitania ao da Bahia. O território da capitania foi descoberto. que foi substituído. amontoada. pelo capitão Francisco 132 . denúncia que motivou a demissão daquele funcionário e o despacho do licenciado Francisco Alves Moreira. a permanência do holandês em Sergipe deixou no espírito da sua população um gérmen de revolta. uma companhia de infantaria. Até sua capital foi reedificada. Queixa-se da conduta do ouvidor Felipe de Almeida. que muito tarde quis . porque houve necessidade de ser percorrido. abriam entre si larga separação. O primeiro captião-mor despachado. quando passou novamente ao domínio da colonização portuguesa. Em sua administração. como conseqüentes das lutas e que destruíram uma pequena riqueza pública e particular. En suma. que serviu de ponto de espia ao exército conquistador. em mais de meio século de colonização. foi Baltazar ele Queiroz. nos sítios e nas fazendas: a falta de humanidade no tratamento que deram aos seus habitantes. entregando-lhe seus haveres e suas casas. As três raças que. As explorações do holandês na zona ocidental da capitania. por sua chegada ao Brasil. a desastrosa indiferença de Nassau para com a colonização da capitania. com sacrifícios. nesse tempo. o contingente que se tirava de seus currais para o sustento do exército. depois que a capitania passou de novo ao domínio português. na metade de século XVII. por ter expirado seu triênio. substitui-o na administração pelo capitão João Ribeiro Vila Franca. que veio à capitania sindicar judicialmente da questão. em março de 1651. as devastações que seu exército fez em sua capital. provavelmente em 1648. quando uma geração nova veio substituir aquela que batalhou tenazmente para eliminar o inimigo. As lutas feridas em seu território. que se sucedem até o fim de século.CAPÍTULO VII NOVO DOMíNIO PORTUGUÊS Depois dos acontecimentos descritos nos últimos capítulos.

sendo as seguintes as palavras textuais do governador à câmara de Sergipe: "e com a maior brevidade execute a ordem e possa este' povo (Bahia) se ver livre da necessidade em que fica. não pertencentes à sua jurisdição. que tanto ou mais do que a finta lançada pela câmara da Bahia. pouco próprios ao desenvolvimento de qualquer lavoura. por questões de vaidade pessoal. pela qual os curraleiros não tinham mais obrigação de acudir à defesa da cidade. ficassem transitoriamente pertencentes à jurisdição do capitão-mor da Vila do Rio de São Francisco. a fim de auxiliar a reedificação da cidade. prestava-se à criação do gado. de quem ele era delegado. hoje Penedo. O maior peso específico da população era dado pelas gerações mestiças. conduz para a Bahia trezentas cabeças. A criação do gado era a profissão dominante nesses tempos. foi pastor. escrivão da câmara e Francisco Curvelo. os quais enviam presos para a Bahia. constituída por terrenos agrestados. ela pede permissão para lançar novos impostos. pela qual ordenava que os moradores da zona compreendida entre os rios S. Logo em maio. passaram a ser cobradas por um comissário. Voltam para Sergipe. era quase a única verba de receita. e os interesses econômicos da capitania. como queria a câmara de Sergipe. porque defendido o rio contra invasões inimigas. para vingança de paixões pessoais. em ocasião de rebate do inimigo. um emissário. para que não promova mais inquietações e não se aproveite do cargo que exerce. Toda sua zona ocidental. Francisco e Japaratuba. contra essa resolução. e o exército que ainda lutava no norte. Além desta desobediência de Vila Franca ao seu superior. 133 . dirigidos ao Ouvidor Geral. Em março de 1651 foi Baltazar de Queiroz substituído pelo capitão João Ribeiro Vila Franca. promove divergências. com os documentos de suas faltas. até mesmo com o próprio governador da Bahia. com os capitães Vicente de Amorim. com recomendação expressa do governador ao seu delegado. cuja administração foi de lutas. estava-o igualmente Sergipe. O gado de Sergipe.José de Araújo. As idéias de invasões inimigas dominavam os espíritos. naquele tempo. prejudica suas atribuições. não dá execução a uma ordem do conde de Castel Melhor. tão contrárias às profissões de hábitos fixos. como receita municipal e a revogação da ordem. além do contingente econômico para formação da riqueza pública. pouco tempo depois da posse. uso e logro da passagem do Rio Real. Além disto a formação geológica da capitania não deixava também de prestar sua influência. que não só tomou a si resolver assuntos. Verifica-se aqui uma lei geral da marcha das civilizações. E uma razão de ordem étnica influiu para este resultado. outro em 1652. por ordem do governador. por quem foi julgada a prisão ilegal. da companhia de infantaria. servia também para abastecer a população da Bahia. e não pelo poder municipal. Esta medida revela os temores da época . maior quantidade. em 1651. por serem indecentes os motivos. A câmara de então representa ao governador contra a usurpação de suas atribuições. Só na administração de Vila Franca. pela da Bahia. Além desta reclamação. As rendas públicas da criação do gado que. De novo reclama. como fintar o gado dos moradores de Sergipe. Antes do sergipano ser lavrador.

pelas devastações e incêndios. alimentava a Bahia! A Vila Franca na administração sucedeu Manuel Pestana de Brito. Não menos autoritário do que Vila Franca. para seus moradores padecerem violencias. pleito e homenagem que dela tem dado". nomeado capitão-mar pelo conde de Atouguia.que é muito grande". Aos capitães móres é justo se tenha obediencia devida. que tendo o conde de Atouguia. Vmce. Acusa-o perante o governador. quando lhe mandei suspender o exercicio do governo dessa capitania. 146 As queixas que se me fizeram do mau proceder. Não O mandei para ella. que timbra em não cumprir as ordens do administrador. na maior penúria.M. me parece o restituil-o a ella. que em tudo é contrario ao que se me havia feito. se não houver nesse. etc.145 Origina-se profunda desarmonia entre ele e a câmara de S. (Carta do conde de Atouguia à Câmara. occasionando-se desse procedimento andar essa cidade em varias inquietações. A um deixe livremente vender e levar todos os generos que quizerem. em outubro. a outros faça os favores. Tendo em março assumido a administração. por carta de 8 de outubro de 1655. no mesmo momento o mandarei privar delle e embarcar para Portugal. como devia no Governo dessa capitania o capitão·mór della Manoel Pestana de Brito. destituído Pestana de Brito do posto de capitão-mor. E não me venha segunda noticia da indecencia com que trata os moradores nobres dessa capitania e impede aos de nossas condições o trato de grangearias. nas quais critica seu irregular procedimento. principalmente nos da aguardente que prohibe a todos o leval-as e vendel·as. pelas quais foi Pestana de Brito destituído do posto 146. os termos de sua jurisdição e o respeito que devem ter ao capitão mór dessa capitania Manuel Pestana de Brito em quasi tudo o que obrão. nem eu faço caso dos sujeitos se não emquanto elles O merecem no posto em que os occupam. porque as acusações da câmara ressentiam-se de excesso de paixão. para o que fiz eleição do capitão João Ribeiro Villa Franca que esta ha de dar a Vms. tem procedido. se hajão com elle de maneira que me não cheeguem Em 20 de outubro dirige·lhe O conde de Atouguia a seguinte carta: "Aqui me tem chegado varias queixas de differentes excessos que Vm. entrega-lhe de novo à administração. Si Vm. tomando posse a 20 do mesmo mês. de outubro de 1656) . Vmces. a 9 de março de 1654.. em outubro do mesmo ano já recebia do conde de Atouguia cartas recriminativas e insultuosas. Os excessos das denúncias da câmara ficam ainda provados pela seguinte carta do governador a ela dirigida: "Tenho entendido que excedem Vm ces. me moveram a mandar-lhe sucessor. Cristóvão.que lhe envio. 145 134 . apresentando·1hes a patente . para assim se augmentar a capitania e terem antes occasião de lhe louvar o bem que corresponde as suas obrigações que de lhe reprehender ou castigar defeitos nellas". daqui em diante com tal moderação e compostura em todas as occasiões que saiba eu que são os que deve a confiança que fiz de sua pessoa para lh'o encarregar. donde não há de participar bem a queixa que fizer a S. que é justo. foi Pestana de Brito. lh'a entregue logo que receber esta para o continuar em virtude da patente que tinha e debaixo do mesmo. para ser substituído por Vila Franca em dezembro. Sergipe decadente. havendo nesse procedimento do governo prejudicial precipitação. com a informaçã. dirigindo a este a seguinte carta: "Pela boa informação que se me faz dos procedimentos do capitão mór Manuel Pestana de Brito. usa nessa capitania. E tanto assim é. Deus Guarde. a quem envia diversas queixas.o que 'lhe envio do mal que Vm.

convidando os habitantes de S. ou pela convicção de que o capitão-mor não girava nas órbitas de suas atribuições E dessa luta que se levantou resultaram sérios aconteciimentos. como. 147 135 . É isto o que o historiador vê nos acontecimentos que se filiaram à· revolta de Bríto e seus companheiros. nas quais incontestavelmente envolvia-se acusação direta ao ato da reintegração. Cristovão à revolta. como o maior Por carta de 13 de outubro de 1656 foi nomeado Baltazar dos Reis Barrenho. E essa dubieza de ânimo foi uma circunstância ocasional de revoltas. como repetindo queixas contra o capitão-mar. com os seus partidários. desde quando ele mostrava-se fraco e indiferente a manter ileso o prestígio do seu delegado. Brito então revolta-se e torna-se o chefe do movimento revolucionário. capitão·mol' de Sergipe. cuja aspiração era a instituição de um governo emancipado. levados a isso ou pela indisposição pessoal. Compreende-se que a reintegração de Brito descontentou profundamente os membros da câmara. Essas lutas caracterizavam a vida oficial daqueles tempos. contra a autoridade do governo colonial. a romperem os laços de centralização ao governo colonial e assumirem uma posição hostil as determinações do poder então existente. não só negando posse ao ouvidor Diogo Pereira de Aguiar. É clara e patente a indecisão do conde de Atouguia nas medidas tomadas sobre os acontecimentos de Sergipe.147 Essa resolução comunica à câmara. Dependiam da falta de precisão nas atribuições de cada um destes funcionários que. que não abstiveram-se de repetir as denúncias. a fim de defender-se das acusações. Os membros da câmara no louvável intuito de manter a autonomia de seus atos. ordenando-lhe entregue a administração ao sargento-mor Baltazar dos Reis. livre do da Bahia. que abalaram profundamente a ordem pública. entregues às suas paixões e sem um regimento que traçasse com clareza suas funções. publica uma proclamação. O conde de Atouguia é obrigado a chamar em outubro do mesmo ano o capitão-mor a Bahia. em agosto de 1656. dão provas de uma rebeldia de que se ia apoderando o espírito público de então. Elas determinam um fato comum em todas as administrações. dizendo que tinha razões especiais para chamar o capitão-mor.segundas noticias de que faltão a essa obrigação". exorbitavam. ouvidores e câmaras. Violentamente prendem o vigário Sebastião de Góes Pedroso. Ele não só não vai à Bahia. entre os capitãesmores.

etc. a fim de abrir devassa do procedimento dos revolucionarios e prender Manoel Pestana de Brito. que o conde de Atouguia dirige a seguinte carta ao seu delegado: "São tão grandes os desaforos dos moradores dessa capitania. sendo posterioremente reforçada pelo sarrgento-mor Pedro Gomes. e substituído por Manoel de Barros150 em janeiro de 1657.conselheiro da câmara. Os revolucionários tomam conta da cidade. foi tirar a capitania de Sergipe d'EI-rei das culpas e excessos que alguns de seus moradores commetteram contra meu serviço e contra o vigário da vara e da Parochial Igreja da mesma capitania Sebastião Pedroso de Goes. onde havia recolhido. se eles repugnarem as ordens de paz e obediência. Eram de tal ordem os acontecimentos que se desdobravam em Sergipe. de cuja occasiao sua mulher ficou ferida no rosto e levando o dito vigário preso pelas ruas publicas o levaram além do Piramopama. também despachado para a capitania. onde o deixaram com guardas e indo depois à cidade soltaram três presos que nella estavam e mandaram lançar pregões para que todos os moradores do termo se ajuntassem na cidade de S. 148 Francisco Barreto. como fizeram. onde fica detido e vigiado por sentinelas. governador e amigo. penetram na cadeia. soltam as presos e fica ela sob a ação dessa revolta.Rainha". por muito culpado. Então o conde de Atouguia despacha para Sergipe o desembargador Bento Rabelo. que desde outubro assumira a administração. por esperar se reduzissem ao socego e obediencia que convinha. Eu El·Rei vos envio muito saudar. Havendo mandado ver o que escreveu o desembargador Bento Rabello e alguns papeis que me enviou sobre a devassa. a quem o governador dirige sucessivas cartas. de onde é arrancado a força e conduzido pelas ruas públicas para alem do rio Piramopama. Lisboa. . Tendo o desembargador partido da Bahia em começo de dezembro. de 18 de dezembro de 1656. tão franca a desobediência dos revolucionários a autoridade do governo colonial da Bahia. com força armada149. e tomam a si o encargo de dirigir as destinos da capitania. os quaes assaltaram a mesma casa. perante a qual foi impotente o governo local. Voltam para a cidade. com ordem do conde de Attouguia. contra aqueles que promovem tantos males. 149 Cartas do conde de Atouguia ao capitao-mor Baltazar dos Reis Barrenho e a câmara de Sergipe. a qual se tinha homiziado em casa de um amigo. abrindo buracos nas paredes para entrar nella. cujos habitantes fogem. e porque convem semelhante caso não fique sem castigo me pareceu dizer-vos e encommendar-vos. 10 de janeiro de 1658. 136 . ordenando que debele a revolução e ponha em pratica os meios mais enérgicos. chefe do movimento. a quem prenderam com violência em casa de um Thome de Aguiar. para fazerem a que se lhes ordenasse. de que resultou pronunciar o dito Bento Rabello cincoenta e oito pessoas a prisão. em que entrou o capitão·mor Manoel Pestana de Brito. que. que conduziu duzentos mosqueteiros. não tendo forças para sufoca-Ia148. E isto motivou acres censuras a si dirigidas pelo governador. 150 Manoel de Barros foi nomeado capitao-mor aos 15 de janeiro de 1657 e esteve no governo ate maio do mesmo ano. até meado de fevereiro não tinha alcançado debelar a revolta. por escapar da fúria dos amotinados. Christovão. sem atender mais as ordens do governo da Bahia. recebendo para isso auxílios do capitão João Ferraz Barreto. Sendo improfícuos os meios postos em pratica por Baltazar dos Reis Barrenhos. que me obrigam a chegar com eIles aquelle ultimo rigor que até agora repugnei.

. mostram exuberantemente uma aspiração de liberdade. os castigue com tal demonstração que sirva de exemplo a todos e todas as mortes e effusão de sangue que deste excesso resultarem tom a sabre mim para dar conta a S. cujos delegados abusavam do poder. que não deixou de prejudicar com o seu autoritarismo. estando nomeado capitão-mor Jeronimo de Albuquerrque. Deixou-se mais arrastar pela paixão. com a prisão de Brito e de seus companheiros. com a infantaria que tem e com a que agora lhe mando remetter neste barco. M" porque na rebelião fica justificado o rigor que merecem. para quietação o commum daquella Republica. em vista da incoerência. que o acompanharam. O que ressalta. Manuel de Barros só esteve na administração até maio. E é este o lado instrutivo da revolução de outubro de 1656. porem. Não obstante o rigorismo que houve na punição dos culpados dessa primeira manifestação de uma independência do espírito popular. para o sustento da tropa que efetuou a diligência. porem. Fez parte do combate que se feriu com os holandeses no Rio Real e achava-se em Sergipe. as fazendas e os engenhos. quando eles incendiaram a capital. pelo respeito as liberdades populares. contra o governo. "E para que Vm. possa estar sempre superior no poder e no posto. Foi uma revolução verdadeiramente política. contra uma força eminentemente respeitada e acatada naqueles tempos . É este o primeiro sintoma de uma revolta do espírito público de Sergipe. a qual serviu de exemplo e justificativa as revoltas subsequentes. Aqueles. aos oIhos do observador. O historiador nela não vê por certo. Bahia. que e toda sua companhia. Nessa determinação ele não se deixou inspirar pelo interesse do bem publico. no modo por que resolveu a questão de jurisdição entre ele e a câmara. sem a exaltação do despeito. porque. vir nelles movimento algum contra as ordens deste governo e execução das que levou o desembargador Bento Rabello. que seja notoria a causa com que Vm. elegera o que lhe parecer melhor. 137 .Conde de Attouguia". chegar a elle sobre todos os precedentes. sendo confiscados os seus bens. por carta regia de 10 de novembro de 1656. uma aspiração para salvarem-se as Iiberdades contra a prepotência de Brito.o governo."Se ainda continuarem os successos e Vm. todavia a capitania não entrou na ordem e na paz interna dos tempos passados. da indecisão. 3 de Fevereiro de 1857. Vm. Seus feitos vêm consignados em sua carta patente. estará sempre com a vigilância que pede a naturesa dessa gente. Só em março foram sufocados os tumultos. Jerônimo de Albuquerque não ficou isento de ser o alvo do desacato e 151 Jerônimo de Albuquerque representou importante papel nas lutas com os holandeses. da falta de energia do conde de Atouguia. de emancipação. restringindo as liberdades públicas. que foram entregues a justiça publica e conduzidos para a Bahia. e um movimento emancipacionista por parte daqueles que acompanharam e prestaram adesão a causa levantada por Pestana de Brito. mas porque esta resolução ha de ser no ultimo desengano da obstinação de seus moradores e no cuidado de novas perturbações e tumultos. a primeira que se opera em Sergipe. Esta carta e bastante eloquente para mostrar a gravidade dos fatos. prestou juuramento na Bahia em março de 1657 e tomou posse em 26 de maio do mesmo ano151.

Rio de São Francisco. a fim de acudirem com urgência às reclamações da segurança pública. compreende como medida de alto valor. abandonando as fazendas. agora parece que não faz Vm. nessas bandeiras.desprestigio par parte dos membros do partido revolucionário. em carta de janeiro de 1658. requisita força militar que Ihe garanta e conserve o prestígio de sua autoridade. por ordem do governo colonial. por parecer prudente.. O que deve a sua obrigação. em janeiro de 1662 é despachada uma expedição aos mocambos de Sergipe e em outubro de 1663 o capitão Simão Fernandes Madeira vai aos mocambos de Itabaiana. que ainda continuou a existir. Estende-se aos negros que fogem. Encontramos já. Vm. Isto motiva excursões pelos sertões. que se esses moradores não experimentassem tanta brandura. 153 152 Carta de Francisco Barrenho a Jerônimo de Albuquerque de 27 de fevereiro de 1658. em deixar perder o respeito. De espírito tímido e receoso. repetindo idêntica excursão em novembro do mesmo ano. nos diversos distritos. Nesta mesma data foram nomeados os oficiais que tinham de comandar os destacamentos do corpo de ordenanças. Em vista destes sucessivos ataques à propriedade e à segurança individual. junto a São Cristóvão152. em Vm. Agora o levante não se restringia aos homens de representação. cujos habitantes são incomodados pelos negros. Itabaiana. As pesquisas judiciárias que continuaram a ser feitas para punir os infratores. Com ordens positivas de manter a ordem.Se o fundamento que Vm. Albuquerque toma a providência de reunir os índios em uma aldeia. que se rebelavam e oprimiam os moradores. para se me queixar de que se Ihe atrevem. Em dezembro de 1661 parte Antônio de Faria com oitenta homens para prender os índios. dividir Sergipe em distritos. o do Lagarto. em suas lavouras e gado. em vez de abafar a revolta.. E são de importância as medidas tomadas por Jerônimo de Albuquerque. e oferece excelente oportunidade para saciar-se a febre escravista. da qual extraímos o seguinte trecho: " . tem foi então ceder a exigência do Juiz. Finalmente em 1671 vemos Fernão Carrilho prestando seu concurso na destruição dos mocambos da capitania. estimulava-a. pois teme que excessos semelhantes aos de outubro sejam praticados. de onde devia tirar a força precisa para essas excursões. contra os infelizes índios. e censurado por isto pelo governador. 153 138 . para reunirem-se em mocambos e aos índios que não perdem ocasião propícia para assaltar os habitantes de São Cristóvão. se faça respeitar e obedecer. Além disto. pelo temor da pena.. como os mais antigos distritos. não teriam elles tanto animo". Cotegipe e Piauí. para onde manda destacamentos. não obstante a punição infligida pelo desembargador Bento Rabello.

baixou o regimento dos capitães-mores. que pertencia ao provedor. por questões de jurisdição. Antônio de Alemão. 156 Por carta de março de 1667 o conde de Óbidos chama-o à Bahia. o sejam em gênero. ter o direito de suspensão. lutou com grandes dificuldades. como para a paz com a Holanda. para mandar-lhe força militar. salientamos as seguintes: não ter competência para fazer provimento na força pública. 139 . para serem sancionados pelo governador. a marcha dos negócios públicos à intenção do legislador. cujo substituto foi Ambrósio Luiz de la Penha. contra os excessos das administrações. ouvidores e capitães-mores. tinha-se distinguido nas guerras de Pernambuco. o ouvidor Bernardo Correia Leitão. Em sucessivas cartas de janeiro de 1668 ao seu delegado. autorizou-o a publicar seu bando por toda capitania. não ter a menor interferência nas atribuições do ouvidor e oficiais de justiça. 155 V. foram as causas do ato de 1º de outubro de 1663. não correspondendo. sem. pelo qual o conde de Óbidos. que. prisão que foi relaxada pelo governador e por cuja causa escreveu ao seu delegado uma carta acrimoniosa. podendo. a quem sucedeu. Além deste imposto Sergipe já pagava outros. daí em diante. aliás. tomando posse a 8 de abril de 1666. a fim de defender a Bahia da invasão de uma armada holandesa. que a todo o momento esperava-se. recebia de Alexandre de Souza Freire. Encontramos diversas cartas em que a câmara de Sergipe reclama contra o peso dos impostos. Por carta régia de 10 de fevereiro de 1665 foi ele nomeado capitão-mor. As sucessivas questões de jurisdição que provocavam lutas entre os provedores.155 Foi com este regimento que Alvaro de Freitas e seus sucessores administraram Sergipe. não ter a menor interferência nos negócios de fazenda. em vista do estado de pobreza de seus habitantes e pede para em vez de serem pagos em moeda. para cumprir as ordens que. Logo no começo de seu governo156. como Albuquerque. não ter atribuições para fazer concessões de terras devolutas. levando ao conhecimento do governador as faltas por eles cometidas e nos negócios da câmara.Em maio de 1659. Solicitou sua demissão e foi despachado em dezembro Alvaro Correia de Freitas. pois as lutas continuaram. foi nomeado capitão-mor Francisco de Braz. no qual incita o patriotismo do povo para 154 Neste ano Sergipe começou a contribuir com o tributo anual de 80 mil cruzados para as despesas da Princesa da Grã·Bretanha. as repetidas queixas dos moradores. D. em janeiro de 1662154. passando o governo ao capitão Alvaro Correia Leite. prendeu. Vasco Mascarenhas. e ainda mais. entretanto. João Ribeiro Vila Franca. na fazenda e nos cargos de justiça. para explicar as razões por que não deu execução à provisão de um empregado. Em 1663 o ouvidor Bernardo Correia Leitão enceta uma devassa contra seus membros por terem protestado contra o lançamento e a cobrança do tabaco. Em seu governo. para o sustento da infantaria. Regimentos dos Capitães-mores de lº de outubro de 1663. Só em janeiro do ano seguinte prestou juramento e tomou posse. desde dezembro de 1667. por nomeação régia de 21 de janeiro de 1662. tendo se esgotado o provimento de AIbuquerque. senão interinamente. a falta de um regimento que catalogasse as atribuições dos capitães-mores. Substituiu a Alvaro de Freitas. De suas atribuições. fiscalizá-los.

pegar em armas. dirigida ao Capitão-mor. O descontentamento lavrava latente pelo espírito popular. quer pelo procedimento dos administradores. por que a occasião da guerra que se espera. além de um corpo de homiziados e negros fugidos.Carta aos officiaes da comarca de Sergipe pelo governador de 7 de janeiro de 1668. à qual competia principalmente assegurar a ordem pública nos distritos. Sua criação. revela já os primeiros delineamentos de uma integração na opinião. 140 . no intuito de aliviar o peso dos impostos. a exemplo de que nesta praça resolvi se formasse a qual serve agregada a um dos terços deste presidio etc". em 7 de janeiro de 1668. Neste tempo foram feitas diversas nomeações de militares para os diversos distritos de Sergipe. pelo numero de infantaria que é preciso pagar e quando os moradores desta praça padecem com tanto excesso. sob o comando de um coronel artilheiro.159 Temos visto até aqui que a paz e a ordem não se tinham restabelecido na capitania. etc. ou com a sucessão de queixas levadas ao governador. seu capitão mor recebia ordens de enviar três mil cabeças de gado para os campos da Torre.158 A guarnição que até então compunha-se de uma companhia de infantaria. espera da camara que se adiante sempre no serviço de S. forasteiros da capitania de Sergipe d'El·Rei se organise uma companhia de infantaria de ordenanças. de abril de 1668. cem homens de cavalaria. Se até aqui os antecessores de Alemão tinham caracterizado seus governos ou com o motim popular. e da fidelidade de seus moradores de que tão honradas noticias tem de que o obrarão todas as vezes que a Bahia os houver mister". Rio S. 157 Na carta de Alexandre de Souza Freire. quer pelas vexações das contribuções. 159 Na carta de nomeação de Matias Leal. pertencente ao presídio da Bahia. . em lugar de mil. reclamação que não foi atendida. em Sergipe. quando foram feitas diversas nomeações para as diferentes circunscrições. Além desse contingente. também é negócio em que por ora não se pode tomar resolução. pede para que a contribuição em que a capitania foi fintada de mil arrobas de tabaco anualmente para a paz da Holanda. além de demonstrar tendências autoritárias do poder público. como Itabaiana. Lagarto. para capitão da companhia de ordenanças de Sergipe. A câmara de São Cristóvão. a fim de servirem de sustento aos soldados e ao povo. com a criação de uma companhia de ordenança. data de 1668. seja reduzida a quinhentas arrobas e paga em dinheiro. não dá lugar a ella. Os desmandos do ouvidor Sebastião de Lobo motivaram seu desterro (1663). vemós o seguinte: ".. Francisco. M. quem o solicitem". que Sergipe prestava. não passando a pacificação que se revelou na administração de Antônio Alemão de uma pacificação puramente aparente. e esta praça o experimenta assim.157 Só de Sergipe tinham de marchar duas companhias de innfantaria. ampliou-se.. vemos o seguinte: "Porquanto convém que todos os homens de negocio. O abuso do poder provocou esse levante em um povo eminentemente ordeiro e obediente. na defesa da Bahia. a ponto do povo reunir-se e depô-lo. não é justo que se defira aos aliados dessa e muito menos que sejam Vmes. 158 E quanto a pretender esse povo a satisfação do dote e paz só com quinhentas arrobas de tabaco. E uma deposição nesses tempos em Sergipe. seu sucessor que foi Jorge Rabelo Leite (1670) deixou impressa na opinião a maior animadversão. contra a invasão inimiga.

A. presos e acorrentados. e agora diz Vm. porém. como ainda o prenderam.Vejamos. não se conformaram com o Regimento que S. não póde o povo por si depôl-o do lugar em que S. que representa o ponto culminante a que chegou a revolta da opinião. o pôz. Em vez de descrevermos os acontecimentos. na devassa que abriu o desembargador Antônio Nabo Peçanha. porque então nada lhe valerá e V. de entrar com os braços abertos para todos. manda a este respeito. uma de 13 de Novembro. outra de 20 e antes que Vm. antes que chegassem os capitães Manoel da Costa da Câmara e Domingos Antunes da Costa. Os capítulos que deram delle se verão na Relação e posto que as culpas fossem grandes. P . 160 Lugar que existe na 'estrada de Itaporanga para o Lagarto. deu lugar a uma anistia. Chega Vm. Eis o que dizia o governador ao capitão-mor: "Recebi duas cartas de Vm. decretada por Alexandre de Souza Freire (abril de 1671). A. como mais culpados . me diz. 161 Carta de 4 de dezembro de 1670 de Alexandre de Souza Freire. estava este seu successo prognosticado. vae-se Vm. 162 Carta da mesma data e do mesmo governador. nomeado capitão-mor por portaria de 27 de junho de 1671. lhe póde aconselhar como religioso o que lhe está melhor. continuando-se por evitar que se livrarão do castigo. onde não se sabe se tem a vida segura e 161 antes disto queria fregir a todos". Eu não gabarei os ruins modos de José Rabello Leite. o governo de Rabelo Leite. P . Rabelo leite foi substituído por João Munhos. cinco léguas de Sergipe e havendo Vm. contra o elemento oficial. Não só Rabelo Leite foi retirado do governo. porque o povo restituiu o administrador ao seu posto. que me tracta sobre as cousas de José Rabello e Leite e ainda que seja tudo que V. pois a elles lhes convem mais acertar em 162 cousas que lhes podem custar a vida e a fazenda". seguiram para a Bahia. o ouvidor Francisco Curvelo e o escrivão da câmara Aleixo Cabral que. e A intervenção do religioso foi benéfica. como ele e outros tiverem de responder perante o poder judiciário pelas faltas cometidas.. que está no Carmo. Eis ainda o que dizia o governador ao franciscano Fr. com gente branca que pede. sendo excluídos do perdão. depois de sua primeira manifestação na administração de Pestana de Brito. sahisse da Bahia. o sargento-mor Manoel Faleiro Cabeça. com cem infantes e ordens terminantes para garantir e levantar o prestígio da autoridade. mas isto não basta para fazer um povo desleal. P . Em sua carta patente vemos que sua nomeação liga-se ás lutas entre o povo a câmara e o capitão-mor. A espontaneidade com que procederam os membros da Câmara. ao Lagarto e ordena dahi que o vão 160 esperar a Camara e os officiaes de justiça e milicia nas Quebradas . e assim chamado pelas grandes grutas que existem. por onde pudéssemos estudar suas cláusulas e ver se a opinião popular capitulou perante as ordens do poder público. mulatos e negros com armas de fogo e trombeta adiante a degolar. depois da reintegração. 141 . oferecemos ao leitor a transcrição dos seguintes documentos. Por maiores que fossem os nossos esforços. Domingos de Loreto: "De 12 de Novembro recebo uma carta de V. não encontramos esse documento de perdão. restituindo Rabelo Leite (dezembro de 1670). a Igreja Matriz e dahi sae para a Camara a cavallo. e poderia só adoçar este negócio si a camara arrependida do que fez restituis se o capitão e mór' antes que a gente que eu mandar para isso o faça. o mandei restituir e os officiaes não só o não receberam. que foi aceita pela Câmara (junho de 1671).

] os officiais da camara que nesta praça praça a se acham me representaram que a mesma câmara e povo dessa capitania se sujeitava a obrigava a não ser restituído no governo della José Rabello leite a fazer-lhe pagar tudo efectivamente o que estvesse devendo e se cobrasse sem dilação alguma e entregasse a seus procuradores. O governador teve de conceder outro regimento a João Munhos. Affonso Furtado de Castro do rio Mendonça. enérgetico e que nas condições anormais em que se achava a capitania. vença o seu ordenado sem embargo de em o haver concedido na patentye que passei ao capitão-mor João Munhoz. 2º) que. Nada podemos adiantar sobre o resultado da devassa. representando nela um papel pacificador . Bahia e julho de 1671.Affonso Furtado de Castro de Rio Mendonça. devia sancioná-lo. era o único capaz de assumir seu governo. para aquiescer com as clásulas que foram oferecidas. a que se poderá recolher tanto que o capitão-mor estiver satisfeito.. resolveu: 1º) que os excetuados do perdão fossem soltos. a quem necessariamente se deve dar soldo com o exercício que leva e esta se registrará nos livros da Secretaria do Estado e nos da Fazenda Real em que estiver registrada a mesma patente para que a todo tempo conste esta minha disposição. para não promover novas alterações da ordem publica. 142 . E porque não será justo que elle fique perdendo o cabedal alheio e sem que nessa capitania metteu por sua contra e ficou de seusmoradores: Vmces. para que realmnte fique satisfeito de tudo. honesto. Critovão foram as de um homem prudente. Ordeno ao Provedor –mor della mande continuar ao dito José Rabello Leite o ordenado quem tem na folha. A. como resgatar suas dividas164. Realmente desempenhou cabalmente a dificil incumbência que tomou a si. Christovão que nesta se acham em nome do povo daquella capitania se ajustaram em fazer por conta delle o mesmo soldo ao dito capitão. senão que o conselho ultramarino. conciliador. todavia S. A. Suas 163 “Porquanto suspendi o exercicio do Governador da Capitania de Sergipe ao capitão José Rabello Leite que della se ahavia a esta praça por lhe não consentir a câmara e os moradores della a restituição que este governo olhe mandara fazer do dito cargo e convier ao serviço de S. o poder publico cedeu naquilo que constituía a maior aspiração do povo – a retirada de Rabelo leit. por quanto aos officiais da Camara da cidade de S. desde quando descansaram na legalidade do voto de graça. E tenham entendido que em quanto completamente não estiver satisfeito de todas as suas dividas José Rabello Leite há de assitir um dos officiais dessa Camara nesta praça. que emquanto se não devassasse de seu precedimento para se avriguar o merecimnento delle. Essa aspiração era tão positiva.Se a vontade popular cedeu. não obstante o governador não ter atribuições para conceder esse perdão aos povos de Sergipe. que hora envio a governar a mesma capatania e a tenho mandado registrar nos livros da fazenda Real. a fim de esperar a senteça final do poder competente. por ato de 18 de junho de 1671. até a publicação da sentença da justiça163. por isso que a fazenda continuou a pagar os de Rabelo leite.--. fazendo desaparecer a excitação dos animos e trazendo a capitania à paz e ordem indispensáveis à sua prosperidade. o que há por mim encarregasoa Vmces.mor em quanto da Fazenda Real se continuasse ao dito José Rabello de Leite o que vence em razão do dito posto que por justas considerações do serviço de S. de atribuições diferentes daquelas que já tinham sido discriminados no regimento de 1º de outubro de 1663. 164 [. lhes façam cobrar summaria e executivamente tudo que por créditos e clarezas equivalentes constar se lhe está devendo. e conservação do povo envio o dito capitão-mor João Munhos. a fim de ele não voltar a Sergipe. Bahia ejulho20 de 1671. É este o primeiro regimento dado a um capitão-mor de sergipe. em sessão de 1675. que o povo e a câmara obrigaram-se não só a pagar os ordenados do novo capitão-mor. Guarde deus e vimces.. na aquiescência que prestou ás cláusulas do perdão. Seu governo foi longo e proveitoso. As credenciais com que Joao Munhos foi apresentado à câmara de S.e isto foi feito. do governo. A.

mas de tal maneira que se não faça perder sempre o respeito com que deve ser obedecido e venerado como é justo. A. na forma que eu já tenho ordenado ao provedor mór da fazenda. assim sejam dos actuaes. resolvi assistissem naquella capitania vinte com um cabo de que já leva cinco diste presidio: fará assentar praças. e munição e de tudo me mandará relação muito distinta. e idade que tiverem a qual vira firmada de sua mão para aqui se lhe assentarem as praças nas companhias que eu ordenar. e minha conservará em seus officios. A. com declarações das terras.A. 4—Com esta se lhe dará uma carta que lhe escrevo na forma que fiz a todos os capitães mores do estado para me mandar relação dos corpos que na dita capitania houver. para que se conservem sem pertubação. encarrega que se faça guerra aos negros que estão fugidos nos mocambos de que 165 143 . 5—A’ Camara daquella capitania remetti por via do ouvidor Francisco Curvelho velho uma Provisão com memoria de senado de camara desrta cidade de tudo o que se está devendo ao denotativo do dote e paz e muito particularmente encarrego ao dito capitão mór que com todo cuidado procure cobrar e remetter na forma della dito capitão mór que com todo cuidado procure cobrar e remetter na forma della a esta praça tudo o que se está devendo e não podendo se cobrar tudo para ir nesta frota a respeito das impossiblidades que resultaram das inquietações da dita capitania.165 Por quanto por varias considerações do serviço de S. Hei por bem e lhe ordeno que enquanto nella estiver guarde a instrução seguinte: 1—Partirá para ella por terra com o ajudante que prover na mesma capitania onde lhes fará presente e chegando a cidade de S. 3--. de auxiliares. 9—Deixará exercer a Camara tudo que pela ordenação lhe toca. ricas e capazes de os exercer . se ajuste e venha para ir no anno que vem. preferirá para serem de novo providos. tractando-os benevolamente. lhes passará a mostra na praça e a todos os maes pelas grandes distancias. e se os que estão exercendo estiverem procedendo com satisfação.A. em que considero haver muitos dignos. para eu ordenara o que for mais conveniente ao serviço de S. e conservação dos moradores de Sergipe d’El-Rei envio a alla apor Capitão mór ao capitão João Munhos de cuja prudência a zelo confio todos os acertos nas obrigações que lhe tocarem. onde lhes fará presente a patente que leva a nas costas della mandará fazer termo que assignarão aos mesmos officiais da camara da posse que em virtude da patente tiver dado. dando-me também conta de tudo que importar sobre estas matérias. aos outros o dito capitão passará as mostras dentro dos seus districtos. procedendo elles em seu exercício como são obrigados. 8—Também me dará conta muito particular de tudo.E porque na forma da ordem de S. na forma que na dita carta se declaro. procurá evitar uma e outra cousa. entre os capitães móres e as camaras e para estas se evitarem a se guardar o que pelos referidos regimentos se tem disposto: ordeno ao dito capitão mor me dê conta dos que há no Regimento de auxiliares e ordenanças em toda capitania e me informe do seu procedimento e que sujeitos há beneméritos para occuparem. Mais havendo queixa das partes me dará conta. Cristovão dirá a carta que leva aos officiaes da camara. com a prudência e zelo que espero. 7--. as capitanias de estado que vagando alguma companhia de ordenança. ordenanças e de cavallos . e signaes que é estilo por-se na matrícula. aramas. me dará conta. de ordenanças e de cavallos que houver na dita capitania na forma que semnpre foi estylo. 6—Verá todos os officios que não tiverem provisão minha e proverá interinamente as serventias destes nas pessoas mais idoneas e benemeritas e de todas me dará logo conta para eu prover como me parecer e os providos serão obrigados a dentro de um mês apresentar provisão minha sem a qual não poderão continuar mais.E porque o regimento que se tem dado por esse governo aos capitães móres de todas. nella os quinze que faltam de que me remeterá uma lista dos nomes de cada um. Paes.atribuições ficavam bem determinadas. e sobre este particular tem havido naquella capitania algumas duvidas. 10—Passará o dito capitão mostra em todas as companhias de auxiliares. e assim os providos por provisão de S. gente. informando as pessoas mais nobres . 11—E porque S. o que por seus regimentos se lhe ordenam. como de outros que também o sejam para eu sobretudo mandar as patentes como me parecer mais justo. que entender convém o abrar-se na dita capitania para sua conservação e sossego de seus povos. Pela qual se servio mandar que se dessem aos capitães móres daquella capitania os soldados que a este governo parece necessário. ao ouvido e mais ministros e officiais de justiças. e succedendo vagar alguns dos postos maiores. com a advertência que os moradores que forem vizinhos da cidade e não tiverem inconveniente em vir a ella. dêm logo. mais a vendo queixa nas partes ou coluiu nas eleições.Procurará haver-se com a camara e moradores daquella capitania com todo o zelo que deve.A. conta a este governo. e eu lhe encomendo. 2--.

porque. Com despezas do rol do ponto de 12$318. Desde dezembro de 1677 tinha sido nomeado pelo rei para o mesmo cargo Manoel de Abreu Soares. morreu pobre. como já dissemos. “ 166 “Em 11 de julho de 1672 se deu principio a trabalhar no primeiro serro. Era possuidor de grande fortuna. realizar o pagamento deste compromisso. Depois de tão importantes serviços. chamados das minas de iatabaina em 32 dias. costuma a ver algumas queixas. a qual foi concedida em maio de 1678. em abriu de 1679. os fará remetter a ela toda a segurança e isto lhe hei. até 12 de agosto e importou o Rol do ponto deste pagamento em 35$836. A exploração foi feita com três serras. por scrivão João de Mayor e por thesoreiros o capitão de infataia Jorge Sores de Macedo . Se Munhos pôde remediar o estado de revolta da sociedade daqueles tempos.” 167 Manoel de Abreu Sores foi nomeado capitão-mor por carta de 23 de dezembro de 1677. No seu governo que foi longo. provocaram alterações na latitude do poder do administrador. em 1677. Rodrigo de Castelo Branco. Em 21 de setembro trabalhou na serra dos macos e importou o rol do ponto em 8$239. com a contribuição por parte de Sergipe de quinhentos mil reis para o sustento dos soldados que acompanharam o explorador. – Affonso Furtado de Castro do Rio Mendonça. o estado econômico continuou precário. do meado do século em diante. desde quando o erário municipal. podê. É descendente de Belchior Dias. em busca de minas. assumindo em junho a dministração167. O dito capitão-mór se informará dos que houver e mandará a elles na forma que é estilo e os que forem dos moradores ficaram logo ali paragando o que é estylo e quintos para o capitão geral. não as podia pagar a tempo e a hora. tinham depauperado a capitania e esse estado não servia de justificativa para que fosse ela dispensada das contribuições anuais. João Munhos solicita do governador licença para tratar-se. assumindo a administração o sargento-mor Antônio Prego de Castro. além de reclamarem um homem prudente à testa da administração. Tinha foros de fidalgo. que foi nomeado capitão em junho do mesmo ano. desde a invasão holandesa. neste mesmo ano.As modificações operadas ligavam-se aos acontecimentos que se davam na capitania que. todas as vezes que qualquer noticia de invasão circulava. assistindo nesta administração como a contador Francisco Jose da Cunha. Além disto tirava-se o sustento das tropas que faziam entradas pelos sertões e à custa dos seus cofres pegava-se sua força pública. por muito encarregado. Bahia 18 de julho de 1671. agravando-se de mais a mais. Em sua carta vem consignados seus feitos na guerra de Pernambuco. além das razões já expostas. Prego de Castro é o primeiro sergipano que mereceu a distinção de dirigir os destinos de seus concidadães.166 A câmara que se achava a dever 1:782$000. Isto contribuia ainda mais para agravar-se a situação financeira. deu lugar a que Castelo Branco se dirigisse para São Paulo. que prestou juramento na Bahia. de sergipe tirava-se o alimento para a guarnição da Bahia. Por um pleito em que envolveu-se sobre a administração do morgano da capela do desterro do rio Real. das diversas fintas em que era tributada. Foi educado por um professor vindo de Portugal. por D. pelo péssimo estado financeiro. e sendo de resultado negativo. 144 . e que se estendeu até março de 1678. E os que forem moradores dessa cidade. Em 20 de agosto se trabalhou no segundo serro das minas . para cujo pagamento vinham reiteradas ordens da Bahia. deram-se as primeiras explorações de minas em Itabaiana. até as revoltas que temos descrito. Os acontecimentos passados.

Uma epidemia de varíola e uma febre semelhante à febre amarela. mais ou menos. que inspirou a lei de 30 de agosto de 1689. pela qual o plantio da mandioca era obrigatório. nas quais. Joana Pimentel. por isso que os escravos e alguns bens de raiz que iam à praça. sitas no rio Real . algodão. pedindo permissão para que o denotivo fosse pago em qualquer gênero. dos Capojós. junto ao rio S. por D. A informação do procurador da coroa é contra a requisição. o religioso Fr. contra o que protestou a camara de S. onde os paulistas fazem novas entradas pelos sertões. de acordo com as das autoridades de Sergipe. 170 Em 21 de maio 1679 foi nomeado o alferez Pedro capitão da aldeia dos indios capajós junto ao rio S. acrescentando que. foram expulsos os índios da aldeia da japaratuba. Entretanto o governo central não pesava devidamente essas condições precárias. Geru. Água azeda171. Os interesses dos agricultores julgavam-se prejudicados pela politica jesuitica. As novas medidas legislativas sobre os Índios despertavam novas e incruentas lutas entre colonos e jesuitas. muita vez. Em 4 de novembro de 1669 foi nomeado o indio jão mulato. em 1699. Podemos enumerar as seguintes. desde o governo do conde atouguia. restituidas estas mesmas terras. de produção da capitania. Estendia-se por todo o país. O número era mais que suficient para desfalcar da lavoura colonial o braço indígena.E a falata de numerário chegou a ponto do capitão-mor dirigir-se ao rei. Francisco. açucar. dando isto lugar à imigração africana. capitão da aldeia de aracaju. Canabrava. sendo-lhes. como no sul. e permissão para os missionários nela edificarem igreja. em vista das informações do governador. Francisco170. não só no norte. ponderando que esta aldeia deveria ser destruida. a requerimento de Fr. pela qual abriu-se na Bahia uma casa de moeda. a quem os padres da companhia requereram lhes fossem entrgues 4 casas de indios. Domingos e seu companheiro eram indignos do nome de missionário. a exemplo de seus antecessores. em carta 1ª de junho de 1679. Antônio da Piedade. que já tinham uma certa organização administrativa: Poxim168. entrava o elemento oficial. Cristovão. que o governo da metrópole para corresponder às informações do seu delegado no Brasil. Levantavam-se lutas entre eles. Este indios depois requreram posse da terra da aldeia e obtiveram-na. Em 1685 o vigário de S. Em 1695 Frei Domingos Barbosa pede confirmação das terras que o capitão Belchior da Fonseca doou aos religiosos do Carmo. dezimava a população. 168 169 Em 8 de fereiro de 1673 foi nomado o indio gonçalo de souza capitão da audeia do poxim. Cristovão proibia expressamente fossem colocados. Em 1682 expede as mesmas ordens de cobrança. Nesse mesmo tempo. o país inteiro ressesntia-se da falta de mantimentos. os editais que o capitão mandava afixar. Aracaju169. não encontravam quem os arrematasse. como o tabaco. decretou a lei de 8 de março de 1894. Japaratuba. E não era pequeno o numero de aldeias que não existiam. no arco da igreja. onde exercitem suas missões. Essa crise não se circunscrevia a Sergipe. Em Sergipe todas essas causas produziam seus efeitos. em vista da vida escandalosa que levavam. E tanto assim é. onde se cunhasse dinheiro de prata e ouro. 145 . Além de capitais. 171 Está aldeia já tinha uma certa organização administrativa.

retirando-se em setembro de 1690. Terminamos aqui o estudo das administrações dos capitães-mores que se seguiram ao dominio holandes. uma companhia de homens pardos. Os capitães-mores que sucederam a Manoel de Abreu Soares foram: Braz da Rocha Leite. Além destes corpos. nas câmaras do Brasil. e criou os lugares de juizes de Fora e corregedores das comarcas ou ouvidores. sendo seu capitão-mor. Braz Soares dos Passos. Tendo sido a capital da colônia dotada de privilegios identicos aos que gozavam as maiores cidades de metrópole. é dividido em dois. que em Sergipe tornaram-se célebres até mesmo nos periodos adiantados do movimento abolicionista. pelas quais a administração geral teve de obedecer a novos principios. morador no lagarto. desde 1646. Jorge de Barros Leite. trazidos pelo capitão-mor e que não destacavam pelos distritos. Presta juramento em junho e assume a administração em setembro. que compreendia toda a extensão do rio até a borda da mata de S . que atacavam a propriedade e a vida. a do Cotinguiba. nomeado a 23 de outubro de 1692. Escolhemos esta data não só como termo desse periodo. como o termo de um largo periodo histórico. Sebastião Nunes Collares. 172 Em sua carta de noemação vemos consignados srviços de ral valor prestados na guerra com os holandeses. da qual o primeiro capitão foi o pardo Francisco de barros. Cristóvão. tomando o ano de 1696. como deste capitulo. o foi também em dezembro de 1674. A capitania tinha a guarnição de 50 soldados de infantaria. Gonçalo de Lemos Mascarenhas. Framcisco. Belchior da Fonseca Saraiva Dias Moreya. Foi noemado seu primeiro cabo Sebastião Correia de Sá e incumbido de destruí-los. não só pela criação de novos funcionários. João e que era a sede dos mais temerosos mocambos. Além destas companhias. como pela restrição ou ampliação das atribuições dos que já existiam. Destas companhias saliento a que tinha por sede o distrito do rio Real.Vimos que em 1668 a capitania já se apresentava dividida em distritos. Defendiam a cidade e a capitania de ataques de inimigos. o rei acabou com os lugares de juizes ordinarios. a que denominamos período de formação. Realmente. o mestiço mais simpatizado naquele tempos. porque grandes modificações operaram-se. nomeado por carta régia de 14 de março de 1687. ficante o de nova formação comprendido entre os rios Sergipe e Japaratuba. por ter esgotado o triênio. nomeado a 15 de dezembro de 1695. pela grande extensão (12 léguas) e pelo numero de habitantes (700). já existia um corpo voluntário e intitulado – entrada dos mocambos—que nada recebia da fazenda. durante ele todos os elementos ficaram establecidos para ampliar-se o movimento colonial. nomeado por carta régia de 14 de março de 1687. Em 1674. cuja jurisdição entendia-se da torre de Garcia D‘Ávila ao rio S. nomeado em janeiro de 1690 e assume a administração em junho172. Tendo sido criado na capitania uma companhia de ordenanças. Estas medidas provam que os sertões da capitania viviam infestdos de negros. Presta juramento na Bahia e neste mesmo mês é apresentado à câmara de S. Tomou parte nas lutas holandesas. A este corpo pertenciam as companhias de capitães de mato. em dezembro de 1674. 146 .

na Bahia. como Alagoas de Pernambuco. Amaro da Pitanga. em 1680 a paróquia de Sta. por noemação passda pelo rei173. 173 174 Rocha Pita. que escolhe os vereadores e procurador que hão de servir nelas. os oficiais das câmaras deixaram de ser eleitos por pelouros. de que temos falado.Sergipe ficou reduzido a ser uma camaraca da Bahia. Marcos de Souza . em 1679 a freguesia de Vila-Nova. Com a divisão distrital. Luzia. Cit. desmembrada da paróquia de Sto. Por esse tempo diversos núcleos de população se tinhar levantado nos diversos distritos.. desmemmbrada da paroquia de Nossa Senhora da Vitória. 147 . Op. Além disto. remetendo-se agora as pautas dos eleitores ao desembargo do paço. nesre msmoi ano a fregusia do Lagarto que foi elevada a vila em 1698. veio uma nova divisão eclesiastica. sendo elevado a vila em 1698174. Em 30 de outubro de 1675 foi erecta a paróquia de Itabaiana.

fizeram-les adquirir hábitos selvagens. os negros. o trabalho. a promover a alteração da ordem pública.LIVRO II EXPANSÃO COLONIAL (1696-1822) CAPITULO I SERGIPE. reduzindo Sergipe a uma camaraca da Bahia. monopolizado em favor da raça branca. sem regalias. não deixava de colaborar na civilização colonial. E é esta feição que mais caracteriza a siciedade da colônia. outros tantos focos de assassinato e de rapinagem. reclamava uma medida administrativa que viesse corrigir esse estado. espoliado em seus direitos. abandonam as fazendas. sob a atrocidade de um cativeiro. Compreende-se. na guerra da emancipação da pátria . na ultima metade daquele século. para o qual não influíram exclusivamente os acontecimentos dados em Sergipe. o negro vivia a tirar do solo os fatores da riqueza. a vigiar o inimigo e a não escolher meio de luta para vencê-lo e eliminálo do território apossado. um produto da guerra. empenhado na guerra. não sentiam a menor repurgnância de praticá-las. e é também a expressão de um protesto da raça contra a escravidão. e que ofereceram empecilho ao desenvolvimento das forças civilizadoras. pela invasão holandesa e a guerra da emancipação. por conseguinte. sem a fiscalizãodo senhor. principalmente das regiões do norte. Antes da guerra. pelo trabalho agrícola. uma tendecia à revolta. para não se perpetuar. Habituados as cenas de sangue. Para conquistar o território usurpado. pois. COMARCA DA BAHIA. As lutas com os holandeses dixaram no espirito do povo. Além disso. dirigindo-se a quase todasas capitanias que lhe igualavam em território e riqueza. de sua atividade. Não era fácil e espontaneamente que voltaria ao trabalho. sem nada receber de seus esforços. depois do final da guerra. aproveitou a oportunidade da guerra para possuir a liberdade de força. por pequnas causas. O mocambo é. o colono teve necessidade de abandonar o trabalho agrícola e entregar-se a vida das armas. no final do século XVII e sim a marcha geral dos fatos em todo o país. Realemnte. ainda que em plano muito inferior. em sua generalidade. foi uma medida de ordem geral. foi um efeito anticivilizador. para depois entregaremse a vida selvagem e criminosa dos mocambos que tornaram-se freqüentes. por entre florestas virgens. E os sucessivos anos em que tiveram necessdade de levar uma vida de nômades. Compreende-se que o negro. depois de um abandono de alguns anos. O ato da coroa. sob a tutela protecionista do jesuíta. o efeito produzido nas raças africanas e índia. ao assassinato. onde a convivência com o elmento estrangeiro foi mais larga e demorada. E essa 148 . que essa tendência bem positiva da sociedade colonial. de crimes e de desordens. e reunem-se em macambos. e do índio. com obliteração completa dos sentimentso de paz e de ordem. Acompanharam-no nesse abandono as duas raças.

a extensão territorial da nova comarca 175. R. Ela teve por fim melhorar os agentes fiscalizadores da justiça. Sergipe passou a comarca por uma necessidade pública. nos períodos passados. O ouvidor de Sergipe tratou daí em diante de exercer suas funções. por que cerraram-se os laços de centralização que presidiam a Bahia. Na hierarquia administrativa. João de Lencastre ordem do soberano para dividir as duas comarcas. contribuíram para que se apertassem aqueles laços. Para elas dirigia-se em correição. sua função não era punir o crime e sim. a força armada. nas novas paragens que lhe eram tributarias. Desde Diogo Pacheco a ordem de Lencastre principiou a ser executada. feitos por um membro do governo da Bahia. não poderia corrigir o defeito social existente. Em toda extensão da comarca tinha atribuições de conhecer por ação nova. Entretanto. não era uma capitania com o eram Pernambuco. Sergipe como comarca ficou com seu território ampliado. desta data em diante. Como dantes continuou a ter seu capitão mor. alargando suas prerrogativas e aumentando seus órgãos. com a criação de diferentes corpos. 149 . nas causas cíveis e crimes. Sua alçada chegava a vinte mil reis. a qual. por que. não obstante isto. Tendo D. sujas funções ampliaram-se. nomeado a 15 de março de 1696. Diogo Pacheco de Carvalho. a fim de abrir devassa dos inúmeros crimes que se cometiam. a nosso ver. de 5 de julho de 1725 ao Vice-rei Vasco Fernandes Cesar Menezes. mostram-se simpáticos a causa da dasanexação.ordenou que Sergipe exercesse suas funções ate Itapoã. executar as ordens de um poder competente. seus capitães-mores tinham atribuições quase idênticas as dos governadores daquelas capitanias. Eis. onde chegaria. e nas causas crimes procederia conformes ordenações do reino. nas causas cíveis. O primeiro ouvidor mor despachado para Sergipe foi o Dr. a vizinhança de seu território do centro colonial e.medida só podia afetar a organização judiciária. dando apelação e agravo para relação àquelas que excedessem sua alçada. como corpo militar. seu provedor da fazenda. sua guarnição de infantaria. o fato de ele já ter pertencido àquela capitania. povos daquelas localidades mostravam visível repugnância a aceitar a jurisdição do ouvidor de Sergipe. colocando a propriedade e a vida a abrigo de ataques por meio da expansão e severidade da punição. não desviando dela nenhum de seus sucessores. a fim de traçar-se o limite de jurisdição e competência dos dois ouvidores – Bahia e Sergipe. porem. pela existência incontestável de uma degradação de caráter da sociedade colonial. Sob o ponto de vista de prosperidade. Tinha-se ampliado por demais. além de outros corpos de que temos falado seu ouvidor. de civilização. Incontestavelmente perdeu em categoria política administrativa. aquiescendo com as reclamações 175 C. as causas da reforma administrativa que objetivou-se principalmente no lado judiciário. Seus antecedentes de conquista. tomando posse a 5 de junho do mesmo ano. rio de Janeiro e algumas outras. deslocando-se mais para o sul sua linha divisória. Este ato de Lencastre foi a origem das questões que suscitaram entre Bahia e Sergipe. e os sucessores de Lencastre na Bahia.

Francisco. José Correia do Amaral (1715-1720). Thomaz Feliciano Albernaz (1705. em dezembro do mesmo ano. esquecendo os interesses dos lavradores. fato este que usurpava suas atribuições. com prejuízo das do comandante das armas. apelando para a ordem regia. que faleceu 150 . Prestou juramento na Bahia a 5 de maio do mesmo ano. além da falta de espírito prático dos funcionários. O religioso incumbido de porpagar esta ordem em Sergipe foi Fr.1717. onde os crimes sucediam-se. a câmara de Santa Luzia protesta contra a resolução. João Pereira de Vasconcelos (1711-1714). contra o fato dos juízes de Sta.1711).176 Sob o regime de uma nova medida legislativa. De 1696. em diligência. João de Sá Souto Mayor (janeiro de 1699 -1704): foi nomeado por carta régia de 11 de janeiro de 1699. como dizia na reclamação. se nelas ainda continuarem. 176 De 1696 a 1712 foram ouvidores de Sergipe Dr.é. Não houve porem até então um ato oficial que se confirma a revogação. Foi nomeado por carta régia de 21 de janeiro de 1715. o governador da Bahia leva ao conhecimento do ouvidor de Sergipe Dr. Jorge de Barros Leite de (17111713 ). uma representação da câmara daquela cidade.que delas partiam. Dr.1724) 177 No capítulo de 26 de agosto de 1657 se determinou a fundação do convento de S. Custódio Rabelo Pereira (1717. em vista da impunidade de que gozavam seus habitantes. a luta de jurisdição em que viviam as principais autoridades das capitanias. Prestou juramento na Bahia a 13 de janeiro de 1712. foi atendido a pedido de desanexação. Prestou juramento em outubro do mesmo ano. Contribuía para isso. perante o soberano e pede o aumento do território de seu município. Em julho de 1704. Fernão de Lobo de Souza -1704. Salvador da Silva Bragança (1708. enviando seus oficiais de justiça. que foi mandada executar por Lencastre. tornam-se comuns as divergências entre eles e os capitães-mores. como mostraremos adiante. Não obstante. por essas paragens. Em 1724 o ouvidor de Sergipe reclama também perante o rei contra o procedimento do vice. como ordena a prisão dos oficiais de justiça. de que já falamos. por que esses moradores não pertencem a jurisdição de Sergipe. Por sua vez. Sendo em 1728 erectas em vilas aquelas povoações. revogandose assim a ordem regia. a 29 de janeiro de 1659. até que os limites foram deslocados para o rio Real. Foi nomeado mestre de campo por carta régia 23 de julho de 1711. João de Lencaster: Dr. Foi nomeado por carta régia de 9 de maio de 1711. as lutas continuaram. Havia mais a ordem de São Francisco177. O clero já representava então uma força poderosa na capitania. entre estes e os capitães-mores dos distritos. Manoel Martins Falcato (1720-1726). Inhambuope e Abadia. João de Sá Souto Maior. Luiz do Rosário. Os Capitães-mores foram: Sebastião Nunes Colares. Dr. Durante este mesmo período vemos ascenderem-se as prevenções dos colonos para os jesuítas.1711). a favor de quem propendia a coroa. alem destas questões de limites. que tendem a exercer suas atribuições. a modificação territorial. Antonio vieira de 1713. Luzia exercerem jurisdição sobre moradores do rio Rela da Praia. Dr. Foi nomeado por carta régia de 19 de julho de 1713. até quase o meado no século XVIII o que salienta-se e caracteriza o desenvolvimento histórico.rei Vasco Fernandes Cesar de Menezes pela ordem proibitiva que dele recebe para não exercer suas funções de juiz nas provações que Itapicuru. perante o governador D. 1695. O governador não só ordena que os juízes suspendam essas diligencias. Foi nomeado por carta régia de 22 de dezembro de 1695. que ampliou as atribuições dos ouvidores. O lugar escolhido para a edificação da primeira igreja foi doado pelo sargento –mor Bernardo Correia Leitão.

desobedecendo as ordens do governo que lhe autorizava a entrega dos índios que tinham fugido das aldeias da Bahia para esta. Rara a propriedade açucareira. que fosse por negócio às minas. Desarma a força pulblica. deixavam ricos legados as irmandades. e incumbido o desembargador Manoel de Azevedo Soares de ir a Sergipe. As capelas ostentavam-se em grande numero e em favor delas eram instituídos encapelados. contribuiu para formarem-se parcialidades. Na adminstração do provincial Fr. Em 1709. o acrescentamento do preço do sal. O ouvidor comissionado para punir essa revolta. debaixo de graves penas. depõe os representantes da justiça. depois de tomar posse e alheio ao meio. ficando assim a capitania sem governo e sob o domínio da anarquia. que. cuja causa eles defendia como figuras proeminentes da parcialidade que era contrária ao ouvidor Vasconcelos. surgiram com a impunidade as viganças particulares e as ofensas das parcialidades. a retirar-se. que preparavam resistência as ordens do governo para a cobrança de 10% das fazendas e 6$000 por cada escravo. manda os facciosos assinarem termo. para que vivesse em paz e sem perturbação o governo da capitania. como fez a população de Vila-Nova. permitido ao contratador. Cristóvão. pediram ao governador da Bahia D. que. em setembro de 1693. José Correia do Amaral. Nesse período de efervescência. Não sendo castigados os culpados. junto da qual não se edificasse um templo. citando o fato de Fr. Lurenço de Almada anistia para os sediciosos.Manifestava-se pela posse do privilegio de dirigir as consciências. prende-o e obriga-o assim. Jaboatão. provocando protestos e revoltas populares. o povo de Vila-Nova invade em dezembro de 1710. à qual veio reunir-se. diretor da aldeia do Geru. sem a menor inspiração das parcialidades. 151 . Alem de muitos fatos que demonstram não circunscreverem-se eles a direção espiritual das aldeias. por ordem regia. Essa medida mais excitou os ânimos. foi despachado o Dr. Então. as sucessivas remessas de alimento para a Bahia. veio o abuso. Seraph. Os interesses das famílias eram esquecidos por alguns chefes. o povo em ocasião em que o sarcedote celebrava. Estevão de Santa Maria lançouse a primeira pedra para a edificação do convento. os diversos impostos que já pesavam sobre a população. em verbas testamentárias. abrindo-se larga divergência entre ele e os camaristas. cujos habitantes. Esta medida sossegou a cidade. Os jesuítas nas aldeias abusavam da influência que exerciam sobre os índios. acompanhado de vinte soldados. S. penetra na igreja. fogem para os subúrbios e com ele o capitão-mor Salvador da Silva Bragança. em 1659 sendo sepultado na mesma igreja. as ordens e às capelas. pela pressão do terror. e deixavam de atender as ordens que lhes enviava o capitão-mor. que eram parte importante nas frações. Os camaristas de São Cristóvão. apanhados de surpresa e sob o terror da invasão. no começo do século. Por causa dessa mesma influencia do clero. que tinha sido nomeado pároco daquela vila. Realmente o estado de pobreza da capitania. Orb. para ainda excitar os ânimos. sendo o conselheiro o recôndito do lar doméstico. Antonio Godinho. para abrir a devassa dos revoltos. Não querendo estes habitantes prestar obediência ao seu vigário. eram causas poderosas para a impugnação franca à nova resolução do poder legislativo dos 10% e dos 6$000 sobre cabeça de negro. esquecendo seu papel de juiz .

o qual dizem Vmcs. ―Vmcs. encontrou fechada a casa. 15 de junho de 1711 – D. O espírito de partido continuou a influir sobre os membros do poder. o mando a Ella devassar do dito levantamento. em janeiro de 1712.S e da benigna clemência de S. ―Ao capitão-mor dessa capitania ordenei que a fosse logo governar e ao ouvidor geral dela exercer o seu oficio: e por conhecer as partes que concorrem no dezembargador João de Sá Souto Mayor ouvidor geral do crime da Relação deste Estado. por essas razões se não devem admitir tão facilmente (como Vmcs.G nem as deste Governo Geral. ao voltar para ela.O próprio vigário de S. Bahia. Jorge de Barros Leite. sem usar o rigor e compaixão que se faz indispensável em todos os casos. a fim de serem realizadas diligências de valor à justiça pública. recolhendo-se por isso a um sitio do vigário Brun e depois ao convento São Francisco. por não ser justo que a culpa de poucos seja incentivo para a ruina de todos. o que só se poderia conseguir depois desse novo acreditar o mesmo arrependimento com as demonstrações mais sinceras. quando os excessos que insolentemente cometeram no mesmo levantamento foram os mais escandalosos que ainda sucederam neste Estado e por essa razão merecedores de um tal castigo que sirva de formidável exemplo aos moradores de todas a capitanias do Brasil. e violência popular. pelo temor de ser assassinado pelo partido dos revoltosos da Vila Nova. o desinteresse e acceitação com nella exerceu tantos annos lugar de corregedor e ouvidor na mesma capitania. elas não desapareceram com as penas do poder competente. Lourenço de Almada. me seguram que esse povo mostra-se arrependido e vale-se da proteção de Deus N. Alem de separar os homens em frações. As autoridades que as infligem deixam-se cair no plano do partidarismo e daí resultavam as explosões dos ódios e das paixões. Eis a carta que dirigiu aos seus membros. 152 . Cristóvão Antonio de Souza Brunelas figurava pelo que teve ordem em 1715 de sair do território. Sucede a Bragança. onde morava. O governador não aquiesce com os desejos da câmara e não concede o perdão. abalou a sociedade sergipense. a mais prompta obediência. dos pretextos que o da Vila-Nova e das mais villas tiveram para cometter outro absurdo semelhante. em que os vassalos faltam a obediência que devem ao seu príncipe e aos sujeitos que em seu nome governa.M para que seu nome lhe conceda perdão geral de todos o delictos cometidos: e o faria com particular gosto se esta maneira não offendera tanto o respeito e soberania da própria majestade. por me constar que toda a nobreza dessa capitania e ainda a maior parte da gente de menos supposição obrara naquela sublevação constrangida de temor. As parcialidades não se acabaram.M que D. de 5 de abril deste anno em que me dão conta dos motivos que o povo dessa capitania tomou para o levantamento que cegamente emprehendeu. até mesmo sobre aqueles que substituíram os que foram testemunhas dos acontecimentos178. As divergências que separavam os membros da camara do antecessor do ouvidor Vasconcelos permaneceram e a este estava entegue o trabalho de auxiliar o desembargador Souto Maior em devassar os revoltosos. suppõem) para a desculpa os apparentes pretextos que tomaram para o delicto que cometeram. para que se castiguem os culpados. fazendo esta com toda a capitania se restitua àquele socego em que se achava antes de tal levantamento‖. em 15 de julho de 1711: ―Recebi a carta de Vmcs. Isto serve de medida de exaltação dos ânimos e do espírito dos partidos em que estava dividida a sociedade naqueles tempos. Compreende-se perfeitamente que um motivo tão profundo como este. não desobedecerá as ordens de S. 178 Tendo o capitão mor Salvador da Silva Bragança se retirado da cidade. sem ofensa ou prejuizzo dos inocentes‖. tenho mostrado até o presente que o meu maior empenho é que esses povos conheçam que procuro mais conservá-los que destrui-los. Mas eu que só procuro remediar estes damnos sem os estragos de castigo que merecem. e finalmente do estado em que hoje se acha o mesmo povo. O proprietário alegou que este procedimento ligava-se a não receber os alugueis.

Existia a convicção no espírito dos exploradores do sertão da existência das minas de Belchior Dias Moreya. a ponto de chamar a atenção do governador e só desaparecerem. morador em Sergipe. A falta de limites precisos nas doações e a tendência dos homens a verem no assassinato a vingança de seus ódios e o meio mais eloqüente de resolver questões. entre os rios Vaza-Barris e São Francisco. elevando-se o numero em 1759 a 6672. As idéias de mineração não tinham morrido. Antonio Rodrigues. corroborada pela justeza de motivos. Pelo lado civil era a posse da doanção de trinta léguas de terra. Pedro Garcia Pimentel. fundando um sítio da ilha do ouro. autorizadas por uma das partes litigiantes. os seus moradores pretenderam mudar a sede da vila para a povoação a animaram-se tanto mais para realizar essa pretensão. Nelas penetraram os parentes de Pedro Gomes e determinaram todo o trabalho colonial realizado. cujos roteiros eram pesquisados pelo coronel Pedro Barbosa Leal. traziam essa atividade no corpo da justiça e faziam com que o ouvidor se tornra-se uma autoridade que preponderava nos destinos dos povos. quanto tinham o apoio do ouvidor de então da capitania. o maior explorador desses tempos. explorou estas terras. 3000 pretos e 4000 diversas raças. contra quem veio ordem de prisão. como castigo dos abusos cometidos. mataram o gado. por esse apoio combatido e criticado pelos camaristas da Sta.Os vereadores e juízes abandonam os cargos e retiram-se para suas casas. O foro vivia agitado pelas sucessivas questões. para ver as cenas de assassinato. Em vista as vantagens de sua situação junto a um rio navegável. para onde concorria a exportação da zona do rio Piauí. Em 1698 os índios Roumiris destruíram o mocambo. que procurava obte-los dos descendentes de Moreya. quando foi substituído o capitão-mor. Não prosperou este sitio. em sessão de 31 de janeiro de 1715180. Os comissários aproveitavam-se do cargo para apreender as mercadorias dos lavradores. audiências. por sua topografia como a do norte devia pertencer a Laranjeiras. Era um destes comissários Manuel Pessoa de Albuquerque. em outubro de 1714. quer cíveis quer criminais. O leitor procure ler um memorial dirigido ao imperador pelos habitantes do porto da Folha. Em 1802 a população era de 10000 habitantes. arrematações e outros atos judiciais na alternativa de juízes ordinários. A posse destas terras deu lugar a uma secular questão que há bem pouco tempo agitava-se entre a família Tavares e o coronel Gouveia Lima. A ela devia pertencer para o futuro a hegemonia do sul. sendo 2215 cativos. sendo 3000 brancos. 179 Em 1662. As lutas de jurisdição entre ele e Barros Leite incrementam-se . José Correia de Amaral que.179 A povoação de Estância prosperava e nela morava quase toda a representação oficial da Vila de Santa Luzia. e destruíram as plantações. por Antônio Vieira. O termo de Santa Luzia em 1707 tinha 156 fogos e 1054 habitantes. o governo comissionava fiscais para prenderem os comboios que fossem às minas de ouro. Dr. Daí data a rivalidade entre os povos da Estância e Santa Luzia. por que os negros. e as representações contra o ouvidor sucedem-se perante o governador. 180 A provisão de 27 de abril de 1757 concedeu haver na povoação de Estância vereações. capitão Manuel de Couto Dessa. Daí queixas sucessivas do povo. recebeu uma repreensão do Conselho Ultramarino. A fim de prevenir-se o contrabando. 153 . dada por carta de sesmaria de 25 de novembro de 1669 ao desembargador Cristóvão de Burgos. Pelo lado crime a maior questão era a devassa dos revoltosos da Vila-Nova e a prisão do maior criminoso de então. Antonio de Almeida Maciel. reunidos em mocambos. Hieronio da Costa Taborda. mais que o capitão-mor. Luzia. que por esse tempo era um sítio. em vista disto novas entradas foram abertas e se continuou a colonizar estas terras. Taborda.

compreendida entre o sagüi e o Rio Real que era o limite antigo entre Santa Luzia e Abadia. Sebastião Monsteiro da Vide. Eis o que era Sergipe em 1724. que foi elevada à paróquia em 18 de fevereiro de 1700. que dominava a zona do Cotinguiba. A freguesia de Villa Nova estindia-se para o ocidente. Amaro em 1761 contava com 2336 habitantes. Abreus. um cronista calcula em 17169. 1266. no centro da freguesia. mulheres. A mesma vila ficou pertencendo a freguesia de Pé do Banco. Possuía por estas paragens. 56 e escravos. Além das quatro vilas que existiam no século XVIII. As famílias que mais dominavam e representavam a nobreza da capitania. perdendo assim a paróquia de Santa Luzia a zona de três léguas de território. erecta em 1617 e cuaja sede era a cidade de S. Os núcleos de população aumentavam. Limas. até o riacho Xingó.Quando a Abadia foi erecta vila. criados. Antonio Soares Pinto. A freguesia rendia . 29 e escravos. pelo acerbispo D. por provisão do acerbispo D. á qual fica pertencendo a metade da freguesia de Nossa Senhora do Socorro. 350$000. Já era paróquia desde 28 de setembro de 1718. João Francisco de Oliveira. sendo homens. de 2 de dezembro de 1681 deixou-as aos filhos dos seus naturais. sendo homens. O número total dos habitantes. 725. 154 . erigese a vila de Sto Amaro em 1720. A expansão colonial já reclamava uma nova divisão civil e eclesiástica da capitania. A Vila Nova 100 fogos e sua freguesia compreendia a paróquia de Sto Antônio do Urubu e tinha 2774 habitantes. O Padre Gonçalo Soares da França em sua obra – Dissertaç~çoes da História Eclesiástica do Brasil. 420. contava-se 32 engenhos de açúcar. pertenceram a Pedro de Abreu e Lima que. 1896. O termo de Sto. Houve mudança de sede de sua primeira matriz da capela de Jesus Maria José. Rezende. criados. o ouvidor mor de Sergipe. até a margem do rio Cotinguiba. servindo a lagoa de Propriá de limite entre eles. Cristóvão. Pachecos e Faros. 1600. Entre eles haivia o sítio do Urubu de baixo e Urubu de cima.importante manual escrito em 1724. Em 1718 foram desmembradas da vila do Lagarto e da Vila Nova as freguesias de Campos de Santo Antonio do Urubu (Propriá) que foram erectas181 em Paróquia. Esta compreendia a paróquia a que pertencia toda a zona do Cotinquiba. eram as famílias dos Sás. Segundo o mesmo cronista a cidade de São Cristóvão possuía 450 fogos e em seu recôncavo. dilatou os limites da paróquia ate o rio Sagüi. em escritura de doação. antes da desanexação do Socorro. no começo do século. em novembro de 1727. 181 As terras onde está hoje a cidade de Própria. calcula a freguesia de Nossa Senhora da Vitória. ter 7776 habitantes.

João contra a ordem do vice-rei Vasco Fernandes Cesar de Menezes. Assim . o senado da Camara desta cidade o tenha assim entendido na parte que pertencer ao termo della.até 1727 quando foram erecta as povoações de Inhambupe. M. Poe quem estas terras tinham sido exploradas à custa das forças baianas. os vereadores de Itapicuru impedem que o capitão-mor Estevão de Faria Delgado passe mostra aso habitantes de Geremoabo183 pelo que o governo da 182 “S. Alèm disto. Jaó senado da camara da Bahia)”. por diversas vezes. pelo que os advirto que se me constar mais que se oppõem a passar-se aquella mostra os hei de mandar vir 155 . 183 “Consta-me que os officiaes da Villa de de Itapicuru têm induzido os moradores de Geremoabo a que não consintão que passe mostra o capitão-mor de Sergipe. no recurso interposto. e por diversas vezes reclamam ainda aos poderes constituídos e levantam dificuldades à marcha administrativa de Sergipe. ordem aos ouvidores de Sergipe. que expede. Itapicuru e Abadia. Não obstante a causa da desanexação merecer simpatia dos representantes do governo colonial. Suas reclamações encontraram sempre apoio no governador da Bahia. era de conveniência aos habitantes da zona de litígio a jusrisdição das autoridades da Bahia. Um dos seus antecessores. privnado-lhes a interferência nos negócios de justiça daquela circunscrição. para esse effeito. Dr Antônio Soares Pinto. todavia o ato do soberano pelo qual erigia em vilas as povoações de Inhambupe. o ouvidor de então. O ato da coroa anulou esse direito. À administração da Bahia queriam eles pertencer. E por que tenho mandado cumprir aquellas ordens. quando D. quando o ouvidor de Sergipe. que proibia-lhe exercer suas atribuições de juiz naquelas paragens. priva que os oficiais de justiça de Santa Luzia façam diligências nas povoações sitas ao sul do rio Real. Alem disto. M. que não obstante exercer jurisdição em uma zona tão limitada. mandasse erigir villas nos logares de Itapicuru e Abadia. ficando sujeitas a comarca de Sergipe de El-Rei. em 1724. porque a ação da lei lhes chegaria lenta e demorada. Em 1740. que Deus guarde. foi servido ordenar-me por provisões de 24 e 28 de abril deste anno. Cesar de Menezes. foram sucessivas as reclamações dos habitantes destas localidades contra as autoridades de Sergipe. vice Rei (port. encarregando esta dilligência ao ouvidor geral daquella capitania. que estenderam até lá a colonização. ordenava que elas ficassem sujeitas à capitania de Sergipe fazendo disto comunicação à comarca da Bahia.CAPÍTULO II RESLTADO DAS QUESTÕES DE LIMITE MERIDIONAL EXPULSÃO DOS JESUÍTAS Desde 1696. 182 Parece que este ato resolveria as questões que se agitavam. na forma da ordem que tem de S. Bahia 7 de agosto de 1727. que passou a servir de linha divisória entre as duas comarcas. representa perante D. advoga a causa da desanexação do território e diz ― que vai dar conta ao soberano dos excessos deste bacharel. Os habitantes destas vilas não perderam a esperança de desanexarem-se do território sergipano . a cuja jurisdição não queriama pertencer. Eram dominados pelas tradições de seus avós. dede quando apelavam para o uti possidetis. por provisão de 24 e 28 de abril de 1727. não evira as desordens de distúrbios que nella dão-se. João de Lancastro ampliou o território sergipano até Itapoã. Itapicuru e Abadia em vilas. foi encarregado de executar aso provisões régias. em carta de 31 de julho de 1704 ao ouvidor.

O povo reúne-se dirige ao edifício do conselho.Bahia baixa as portarias de 10 de fevereiro e 18 de maio de 1740. denuncia os abusos do vigário Teodósio Semião Lopes Machado e exige que ele entregue as chaves da matriz. Bahia . o governo colonial resolve definitivamente a questão desanexando aquelas vilas de Sergipe e fazendo-as pertencer à frequesia de Nazaré. concedendo aos índios de Sergipe. 156 . Em nossas buscas foram inúmera as reclamações que nos passaram pelos olhos. Of. quando o ouvidor de Sergipe foi presos a esta cidade e castigá-los rigorosamente pela sua inobediência e assim o tenha entendido. por carta de 14 de março do mesmo ano. 18 de maio de 1740. o mesmo não sucede relativamente a nossa fronteira ocidental. por isso mesmo que à capitania de Sergipe não pertence o direito de posse sobre aquele território. no século XVIII. Vemo-las protestando contra os excessos dos ouvidores. Representavam o governo local. Vemo-las ajudando ao resgate das dívidas da metrópole. os mesmos favores já feitos aos de Maranhão e Pará. em vista do péssimo estado financeiro da capitania e seus habitantes. Bahia. Da camara de Itapicurú. Inhambupe e Abadia que executem as ordens do capitãomór e ouvidor de Sergipe. Ao capitão-mór de Sergipe)” 184 “Todos os oficiais de justiça da camra de Itapicuru executarão prontamente o que lhes ordenar o ouvidor geral da capitania de Sergipe. para pagarem o tributo dos donativos. de que temos tantas vezes falado. conta os excessos das câmaras de Abadia. seus recursos. Tal foi o procedimento da câmara de S. quando querem intervir em suas atribuições. fevereiro 10 de 1740 (port. Vemo-las pretestando em favor da integridade territorial. Daí podemos avaliar sua contribuição no desenvolvimento da civilização. Os acontecimentos descritos até aquei já são suficientes para por eles apreciarmos a função histórica das câmaras. A câmara do Lagarto lança fintas sobre seus habitantes. pelo esforço que empregavam em angariar donativos. no capítulo em que trataremos dos limites de Sergipe. Daí as lutas contínuas entre eles as câmaras. passando a administração espiritual da freguesia a outro sacerdote. Port. por onde estendeu-se a colonização até Geremoabo. Inhambupe e Itapicuru. porque representavam o poder do município. que ela depôs do poder. por onde podia aquilatar suas necessidades. vemo-las defendendo os direitos do contribuinte. Assim fizeram as câmaras de Sergipe em 1789. Finalmente vemo-las encarregadas de publicar o alvoará de 6 e 7 de junho de 1755. por alvará de 8 de maio de 1759. Em Sergipe. pelos quais o rei faz a abolição da escravidão indígena no Brasil. quando . a cuja ordem estarão para diligência que lhe tenha encarregado e o que faltar à execução della. Vemo-las levantando a energia de um protesto à altura dos árbitros de um capitão-mór como Rabelo Leite. cuja colonização não foi feita por ordem de seu governo. e levnado-os ao conhecimento do governo. acusa-o levando-o à ação do poder judiciário. e hei já e logo por suspenso e o castigarei reigorosamente pela sua inobediência. a riqueza pública. Reconhecemos a justiça da resolução que foi dada às questões de limites meridionais.184 Os atos do governo eram sinsuficientes para promover a paz e submeter aquieles povos à jurisdição da capitania de Sergipe. Melhor resolveremos esta questão . Cristóvão. As reclamações sucederam-se até 1750. Continuou ainda a povoação de Geremoabo anexada ao terrirtório de Sergipe e sujeita às suas autoridades. quando reclamam perante o soberano a isenção dos pagamentos dos donativos. Vemo-las traçando descrições minuciosas de seus municípios. em que eram cotizadas. ordenando às autoridades de Itapicuru.

em que não podiam ingerir-se outras autoridades. Cristóvão não sancionam o arrendamento que tinha feito ao coronel Nicolau de Souza furtado de uns terrenos próximos à capital. Lagarto. Sergipe só tinha pago 57:951$000. Eram de sua competência as questões de infração de posturas com os almotacés. recebedores de sizas.encarregado. por conseguinte. A parte apela para o governador. tornaram-se chefes de duas facções. Na parte descritiva em que vamos entrar. depositários úblicos. juízes de vintenas e outros funcionários locais. avaliadores. quando ilegais. de erigir a vila de Pombal. O Município. O capitão-mor de então era José Pereira de Araújo. sucedendo a Delgado e para vingar-se dos seus amigos. Eis a comtribuição histórica das câmaras de Sergipe. Costa e Delgado. dirigidas ao governador. lançando fintas. A indisposição pessoal que votava ao ouvidor Antônio Soares Pinto contribuiu para que seu governo fosse uma série de denúncias. sogro de Delgado. quando em 1738 os camaristas de S. até o meado século XVIII. Itabaiana. p 25. Vila Nova e S. quadrilheiros. em janeiro de 1759. 14:048$000. Nesse tempo um novo imposto foi tributado a Sergipe. representando os respectivos municípios. pública. Não obstante acharemse ligadas à ação central do governo. Além da administração econômica que lhes competia dar ao município. Seus membros e todos os oficiais eram delegados do povo. taxando o mercado. havemos de ver as diversas resoluçõesdas câmaras de Sergipe. Estevão de faria delgado (1737) e novamente Francisco da costa (1741). Responsabilizava-o pela da remessa do mesmo donativo em 1740. Sucederam-lhe no governo Francisco da costa (1733). Em 1727 havia as câmaras de S.tendia a piorar com a imposição desses e outros tributos. A capitania teve de pagá-lo durante 15 anos. pelo qual seriam castigados com açoites os autores de qualquer revolta. Amaro. Em 1742. estabelecendo posturas. os seus membros. que era encarregado de levar para a Bahia os donativos de Sergipe. que por atos anteriores já reconhecia o direito do coronel Furtado. todavia uns visos de autonomia selavam suas atribuições. porque eles emanavam de eleição popular. nem agravo. um bando. no intuito de isentála das diversas contribuições que sobre si pesavam. e impunham aos réus até a quantia de 6$000. por diversas vezes. Gozavam da imdependência em suas atribuições. Achava-se Delgado na administração. que devia contribuir com uma quantia anual de 4:800$000 para o casamento do príncipe e dote da infanta D.185 Eis as atribuições das câmaras do Brasil esse tempo. pelas comarcas de Sergipe perante o soberano. quer de um. quer de outro. julgavam as injúrias verbais. quando completa-se o tempo. cuja decisão favorável é executada por Delgado. Costa. 185 C Maia. que depois de deixar o governo ficou morando em Sergipe. e era por elas responsáveis. O péssimo estado financeiro da comarca. Maria. Nemeavam os almotacés alcaides menores. que foi a razão alegada. Cristóvão. 157 . em 1743. sem apelações. Santa Luzia. alegando motivos de servidão pública. Devia. dentro da órbita de suas atribuições. Prestavam contas ao Provedor da comarca que examinava as despesas. Isto isso foi bastante para que a câmara procurasse vingar-se na pessoa de Nunes coelho. onde casou-se com a filha do coronel Manoel Nunes coelho. Um certo espírito liberal presidia suas prerrogativas.

por parte do juiz ordinário da abadia. ―Também represento a V. Daí nasceu o levante de 1751. ouvidor Miguel de Aires lobo de carvalho a rendê-lo. como as que foram postas em prática para trazer a obediência. Majestade que parece ser desgraça desta capitania pelas informações que tenho. que até por empenhos conserva um escrivão José Ribeiro Setubal homem indigno. majestade que tudo se pode mostrar ser 158 . criminoso em erros dos seus ofícios. O ouvidor de então era o Dr. tornando-se preciso medidas enérgicas. só afim de levar a sua residência limpa. para serem restituídos ao padre João Honorato. Foi substituído (1746) por Domingos João viegas. e contratador de solas. Por esse tempo (1749) teve o lugar o maior desprestígio contra as autoridades de Sergipe. que sendo mercador de loja de fazenda. R. e vindo o seu sucessor. diretor da mesma aldeia. por ter sido nomeado pelo rei em 1755. provocadas por questões pessoais. Em casa de sua parenta D. Sucederam na administração os seguintes capitães-mores: Manoel Francisco (1747). Agostinho Teles Santos Capelo que com ambos os capitães-mores abriu divergências. Miguel Aires lobo de carvalho (1756). como sucedeu mandar e prender a um soldado fugido da praça da Bahia por um meu oficial desta praça. pois eles até as jurisdiçoens me usurpam. ordenando sua revogação. R. onde eles não podem dar remédio. o qual se acha nesta capitania a tirar-lhe a residência. que por isto. para tornar e vender pelo seu valor. servindo sem provimento de V. por via de seu escrivam Antônio de Távora. pois. que pôde ser vencido pela guarnição da capital.bando que mereceu uma repreensão do governador. tendo sido nomeado em julho de 1755 pelo governador. Manoel da cruz silva (1751). Mag de tal forma recebendo dádivas nas devassas que tira. e destribuidor das administraçones das capelas. R. se me queixam pela boca pequena. que este de tal forma offendeo a justiça de V. Majestade. e o dito ouvidor Miguel de Aires lobo homem sem receio de suas e conveniências vai atropelando a justiça de V. Cristóvão. nem castigo do delinqüente mal posso dar conta dela pois todo meu emprego lhe servir a e V. Mag me encarrega a dar conta destacapitania. Fazem os oficias de justiça de S. em numero de três mil. R. Os índios revoltam-se contra seus capitães-mores e fugiam de umas para outras. cuja administração foi de poucos meses. Capelo na ouvidoria foi substituído pelo Dr. Manoel da cruz silva contribuiu para torná-los mais efervescentes. e a este respt° todos os ouvidores assim fazem. R. teve de dar posse a José de matos Henrique. teve de ser conduzido algemado para a Bahia. e marchante de gados. R. sem odediencia. como este povo pelas dependências que tem deles não podem falar com temor. Cristóvão a diligência. e outros mais com quem se combinava para os ditos negócios. fica bem clara nas seguintes palavras que dirigiu ao soberano por carta de 2 de junho de 1755. principalmente na administração de Manuel da cruz silva. As desinteligências ascenderam-se mais ainda entre as principais autoridades de então. como presenciado de Domingos Viegas ouvidor que foi desta capitania. Mag interesadamente. a cidade de S. e couros. em outubro do mesmo ano. ficando privados os que poderão jurar contra eles escandalizados das suas injustiças que costumam fazer por não ter nesta terra quem viva a mão. destruindo-as para arrematar os escravos por limitados preços. Duarte Fernandes lobo pontes. Sua indisposição. Inês Carrilho homiziavam-se os índios que fugiam da aldeia do Geru. Mag prendendo pretensiosamente e injustamente a varias pessoas. como experimenta e contra as ordens do regimento de V. o fez por rol que o dito Viegas lhe deu rejeitando todas tas as test que poderiam jurar contra o dito. São presos pelo mesmo juiz. como V. o dito ouvidor me mandou prender por me obedecer e desta forma se intrometem nas e jurisdições dos capitães-mores. As desordens nas aldeias sucediam-se. a ordem pública foi perturbada pelo assalto que os índios fizeram. para com o ouvidor. O bem geral era completamente esquecido pelos representantes do poder. Os espíritos viviam em um choque de intrigas. Além disso. R. cuja atenção ficava presa às dissensões.

serem menos verdadeiros que prendendo eu a um Domingos dias Coelho. R. e agorado a sua empresa. Sobre esta mesma matéria não tem mais novidade nem discrepância alguma . empurrar os soldados. e fugir indo algemado. que têm procedido a respeito destas minas. lembrando-me tão somente que fazendo elle intendente presente a V. de que trata da sua mesma conta.meo antercessor. no distrito da vila de Itabaiana. e matador. respondi não ser meu por estar o assento feito no livro da Cadêa á ordem do governador geral do e Estado a quem tinha dado conta do sucedido. Rey do Est° afim de ser punido e sucedendo esse prezente anno o dito Domingos Dias sair por juiz ordinário desta cidade. como também as justificaçoens que presenciei nesta capitania. e ficavam tendo a gloria de inventores . aqueles moradores do distrito da vila do Lagarto. M. ententendo tanto eu como os outros que nisto faziam um grande serviço a V. e faziam auto de câmara e justificaçoens e assinavam papeis pedindo para isso enganosamente o servente da câmara ao escrivão para fecharem os seus papeis para remeterem ao V. em a dita Cadêia até dar conta a V. majestade e a república. sucedeu na entrada da Cadêa. R. hia a casa dos juízes por serem amigos. Manoel da cruz silva a respeito das minas de ouro que diz há. mandei ouvir ao intendente geral do Ouro desembargador Vencesláo Pereira da Silva. a mesma matéria e subindo a sua real presença aquella informação. serem tiradas pelos oficiais da câmara adjunta o capitão-mor de capitania. roubador. onde viu bonitas espécies. todas são copiadas por dependências que tem uns dos e outros. que nesta capitania se experimenta por causa da longitude. sobre o referido descobrimento. que sobre o descobrimento também já derão conta a V.nulo. a vista pois desta informação e das ordens de V.‖ Nesta mesma carta levanta a questão das minas. e assim as residências tiradas pelos sucessores aos antecessores. seriamente e sem fundamento repetira a mesma causa que os officiaes da câmara da cidade de Sergipe d‘ El-Rei tinham dado a V. M. que por copia remeto . parece que se deve continuar a mesma prohibição. a tempo que prendi um João Correia Cabral. M. mas como esta matéria se tem tratado neste Governo repetidas vezes pelo mesmo Manoel da Cruz Silva e pelos offciaes da Camara da cidade de e Sergipe d´EL-Rey. fora V. arruinando sua escolta de dezoito armas de fogo. R Mag . mandei vinte e cinco homens a prendê-lo pelo prejuízo que fazia.sem qeu obste a representação de Manoel da Cruz da Silva. ordena-me V. e assim V. m. Francisco e metido que fosse na cadeia requereu logo ao padre guardião do dito convento ao vigário geral e municipalidade e mandar-me pedir o preso para assistir o dito auto. declarando também o que achar sobre os outros artigos. garantindo a existência de jazidas de ouro na serra de Itabaiana. o qual na sua informação. Majestade por esta provisão que informe com o meu parecer sobre a representação que fez o capitão-mor que foi de Sergipe d‘EL-Rey. e estes seguindo-o o foram tirar encostado ás portas do convento de S. digo. Mag porá os olhos em semilhantes desamparos. R. não querendo o dito ouvidor pôr o cumprase as provizoens dos rematadores. até. homem pardo. de que o de descubridores de minas de ouro. e de utilidade ao Real Serviço de V. que verdadeiramente não é homem que mereça nenhum gênero de attenção em nenhum dos seus projetos. e este da dita cadeia saia de noite por conveniências que fazia ao carcereiro. e para evitar este engano que se faz V. O soberano por carta de 1° de abril de 1756 manda ouvir o governador da Bahia. fazendo as diligências razoáveis sobre a existência das ditas minas e necessidade que há de segurança. e vindo preso á ordem do governo geral do estado. sendo criminoso.sendo que se lograssem o desvanecimento de serem attendidos. ouvindo para isso as pessoa que me parecem. R. 159 . arazando-lhe os seus mantimentos.que pelo que respeitava as sobreditas minas da Itabaina tivesse ententido por ora não era conveniente o permittir-se que se continuasse naquelle descobrimento e que tinha por sem duvida que o capitão mor Manoel da Cruz da Silva informemente alcançando alguma nova do que sobre a suppostas minas de itabaiana se falava. o não poderão prender. e este depois de solto se foi outra vez agregar e com a dita sua escolta.melhor lhes poderia attribuir o epitheto de destruidores daquella comarca e daquelles povos. Mag terá melhor efeito para o conhecimento da verdade. que diz ter das minas serra de Itabayana. M servido aproval-a e madar-lhe declarar por provisão de 15 fevereiro de 1754. e só sim o consegui por indústria. sendo estes capazes. facínora.declara que me não póde dar outra mais genuína do que repetir-me a mesma que já dêo ao conde de Atouguia . por homem cigano por entrar na fazenda do sargento-mór pago das ordenanças e levá-la a escala. Mag antes que me chegasse à resposta o dito juiz Domingos Dias junto com o vigário geral mandou soltar espontaneamente pedindo as chaves ao carcereiro. ―O ponto principal da representação he exagerar Manoel da Cruz a grande abundancia de ouro. cuja resposta é a seguinte: ―Sr. Majestade de semelhante insolência. R. por causa dellas. e resolvendo-se este caso na real coroa de V.

e um procurador do seu Comselho. Seu escrivão do judicial.―Sobre os mais artigos que ouça pessoas que se contem nesta carta. para consigam a inteira liberdade de suas pessoas. Erigiu-se em vila a aldeia do Geru. Op. No fim da administração de Matos Henrique operou-se uma nova divisão municipal na capitania.Marcos de Noronha‘‘. como moveis e semoventes. assim de raiz. que este homem tem sido um enredador de toda ciadade de Sergipe d‘El-Rei e ainda desta Bahia. digo. 20. M. os eclesiásticos e ultimamente não há pessoa de qualidade alguma a quem deixe viver em socego. todos mais hábeis do dito povo e ainda na suposição de não achardes nella quem saiba ler e escrever .. Senhor de Guiné e da Conquista.mas as câmaras. quando já se achava na administração José de Matos Henrique. no caso de não haver numero. arrematações e outros atos oficias . não devendo permitir sejam espoliados do domino daquellas terras. criou-se o seu município. Persia e Índia. digo. a Villa estabelecereis nella com o nome de Nova Távora – elegendo à votos do povo um de seus moradores para juiz della. de idoneidade para cargo . os ministros de V. Ouvindor da Comarca de Sergipe d’El-Rei.Marcos de Noronha sobre Cruz Silva. Por me ser presente que a Aldeia do Gerú. Nessa carta declararam-se livres os índios de Sergipe. por provisão de 29 de Abril de 1757. e o melhor se civilisarem e poderem instituírem-se. M me manda que ouça pessoas que parecem. haver na povoação vereações. tem capacidade de Visinhos e cômodo preciso para o dito effeito. Bahia . e d’alem mar em África. com o nome de nova Távora ou Thomar. de que elles foram os primeiros ocupadores e povoadores. utilizarem-se da sua agricultura e comercio.Jose por Graça de Deus Rei de Portugal e dos Algarves . foi chamado à Bahia pelo governador.na alternativa de juízos ordinários186. . audiências. Contra isto opôs-se a câmara de Santa Luzia. 1° tt° 67 guardando em tudo a formalidade de que ela prescreve. 1775. convencido da superioridade topográfica da povoação da Estância. cit. Eis a opinião do Conde D. Navegação. e de seu comercio.. fui servido em seu beneficio pelo alvará com força de Lei de 8 de maio do presente anno as leis de 6 e 7de junho de 1775. Os lugares da câmara da nova vila. porque na Secretaria deste Estado são infinitas os requerimentos que se tem feito contra elle. não deve a minha paternal piedade permitir que constrangidos a espécie alguma de servidão contra os primeiros princípios de direito natural. pois tendo nascido livre. que mandei publicar em favor dos índios do Gram-Pará e Maranhão. 186 Marco Antonio de Louza. assim como os empregos criados. devia ser ele exercido por um português187. por carta regia de 22 de novembro de 1758. sempre com elles serão eleitos os mesmos Indios. mais também que se goverrnem por seus naturaes nas disposições e particularidades de sua povoações. termo da villa Lagarto. e para os três anos futuros fareis eleição de semelhantes officiaes da forma da Ord. que será tutor dos orphoãos. de seus bens. e sendo a minha real intenção que elles conservem não só a referida liberdade e plena administração de suas famílias. razão porque me parece que aos serviços de V. sou servido ordenar que passando logo a dita Aldêa. O ouvidor Ares Lobo. Commercio da Ethiopia. pede ao rei para que seja ela erecta em vila. intituladoa Nossa Snhora do Socorro a sita na Freguezia dos Campos do Rio Real. 3 de Agosto de 1756. poderá ser nomeado um portuquez com as referidas qualidades e a elle se lhe 187 160 . não me offerece dizer nenhuma outra cousa mais senão. que forem precisos para o bom governo dos mesmos respectivos povos. comarca da cidade de Sergipe de El-Rei. era o professor de primeiras letras da localidade e só em falta de algum natural. igualmente ora também servira de tabelião das notas e escrivão do judicial e do orphãos o qual no caso de não haver na Aldeia Nacional dentre os Indios com a necessária inteligência e noticia de processar . “D. porque este é o meio mais proporcionado para poderem aquelles habitantes viver. Arábia . que. Faço saber a vós Bacharel Miguel Ayres Lobo de Carvalho. em que V. é summamente conveniente o mandar despejar daquelle districto para fora. Da Leis. não só em nome dos povos . que por portaria de 23 de Setembro de 1757.Conde D. três vereadores ou dous. sendo concedido. deviam ser exercidos pelos naturais da aldeia. p. com socego de que necessitam. mais capazes para exercerem os empregos dos officios da Justiça e guerra. resolvi ser o meio próprio para conseguir todo o referido. e estabelecer nellas algumas villas elegendo d’entre os ditos Índios seus habitantes. desejado eu favorecer em tudo quanto for possível a meus vassalos indios deste continente . etc.

e para que as ditas arredemptorias fazendo outra de novo queiram ao depois com este pretexto vencer mais tempo contra esta minha disposição fareis eleições por votos dos officios de guerra e ordenança . as quaes medireis e demarcareis com o Pilotos que exigireis para que fiquem para sempre dividas. nem consetireis que fiquem conservadas arredemptorias algumas. e todo o referido na forma acima declarada dando-se conta do que achardes. então. qulaquer destes sujeitos preferirá na serventia do referido officio aquele em quem não concorrerem estas circunstâncias. bem entendido que a todo tempo que hover Índio com aptidão par servir este officio.__ Baghis. não prejudicando a propriedade natural que ser entende ser engenho. e sucedendo não possuam os índios terras algumas ao menos daquellas que abaixo se declaram. Desconhecemos as peripécias do fato em Sergipe e o numero de jesuítas que habitavam a capitania. nem também o escrivão que a xercer pelos os feitos dos mesmos : estabeleceries uma casa logo das que achardes mais decente. Um alcaide e seu escrivão e aquelle exercitará o ofício de carceiro. baixa o seguinte bando. quando executou-se o bando do vice rei D. – Manuel Estevão de Almeida e Vasconcellos. e desembaraços ou duvidas que occoram a este respeito por este tribunal para eu vos ordenar o que parecer mais as minhas reaes intenções e ao serviço de Deus Nosso Senhor e bem comum de meus vassallos . ou donativos. e nos auditórios judiciaes: a todos os sobreditos officiaes novamente eleitos mandareis logo passar suas cartas de usanças para que possam sem demora entrar a exercer a jurisdição em seus officios. e medirão como acima vos ordeno . 22 de Novembro de 1758 188 Em agosto de 1659 foi publicado o edital régio pelo qual mandava tirar residencia do capitão-mor. – O Desembargador secretario Joaquim Jose d’Andrade o fiz subscrever e subescrevo . ficando inteiramente servindo os officiaes propostos. de 26 de novembro de 1759. – Por despacho do Conselho ultramarino. antes os mandareis notificar para despejarem dellas. A lei da expulsão dos jusuitas foi ampliada pela lei de 28 de agosto de 1767. cujo termo será peremptório e improrrogável. que também mando se vos entregue nas terras que forem demarcadas para os índios. sendo estas de sesmarias. e sempre será em parte posivel e de menos encomodo ao publico nas terras dos mesmos índios. dando-lhes o juramento e posse. e havendo possuidores que succedão a seu domínio com outra qualidade de libello ouvireis as partes. serão agora sem embargos disso novamente propostos.Cumpra-se – El –Rei Nosso o mandou pelos Conselheiros de seu Conselho ultramarino abaixo assignados .lhes destribuireis o que regula o alvará sobredito de 1700 e a carta de 12 de Novembro de 1710. e fareis erguer pelourinho e estabelecereis o termo da nova Villa até os confins das terras que presentemente se acham de posse os indios. que por hora se faça as conferencias da camara e as audiências do juiz as quaes umas e outras nos dias em que aponta a ordenação do reino. ou portuquez casado com índia com as qualidades necessárias. em 1764. dando um mêm às partes que se quisessem queixar. e remettendo o próprio para meu conselho. os quaes ficarão continuando nos mesmos empregos. deixando na comara uma copia authentica do auto e medição que nellas fizeram. dito remetendo –se esta para por esta se lhe passarem as sua patentes. – Barberino. metendo-os sem demora de posse dellas. e no sitio que vos parecer mais próprio. cuja copia mando se vos entregue. 161 . que logo dareis aos índios na forma determinada pelo alvará de 23 de novembro de 1700. sem que leveis estipêndio algum pelas assgnaturas destes papeis. que mata completamente a instituição em Sergipe: acarregara a obrigação de ensinar a ler e a escrever aos meninos da villa. remetendo-se as elleições. que substituiu Areis Lobo. Eram eles seus maiores proprietários e possuíam um numero não pequeno de propriedades açucareiras. neste caso regulareis o termo da nova Villa e confins pela terras. e ficarão as outras e estabelecimentos as casas de habitação do parocho que lhes pertencerem no sitio que vos parecer mais próprios. nas quaes o que se houver de dar ao Parocho para os seus passos. que morreu em S. um porteiro que egualmente servira na camara. e se vierem com embargos os remetereis ao conselho fazendo inteiramente a medição nas terras.Já não estava mais na administração Matos Henrique. – Antonio de Azeredo Coltinho. passados dous annos que lhe concedo para aproveitarem e receberem os frutoots de suas lavouras. pelo qual ficaram expulsos os jesuítas e seqüestrados os bens moveis e raiz da Companhia. ouvidor João Batista Davier. 30 de Dezembro de 1758. em que não houver duvidas bem fundadas: junto as casas do parocho assignareis termo para o lugar dellas no caso de as não terem. bem estendido que tenham sempre os que actualmente servirem e forem capazes. Cristóvão em 30 de dezembro de 1759188 . Marcos de Noronha. ou alguma casa grande e nobre.

―Manda El-rei Nosso Senhor em observância da lei de 28 de Agosto do anno próximo passado de 1767 que nenhuma pessôa de qualquer estado ou condicção que seja poderá pedir ou receber carta de confraternidade. de assossiação ou de comunicação de previlégios do Geral da Companhia chamada de Jesus. sejão obrigadas a entregal-as ao Doutor Ouvidor Geral Corregedor d‘esta Comarca d‘entro em dez dias perentorios. e comuns inimigos de toda a potencia Temporal. pregar.os exemplarem d‘elle pelo que pertence a seus Reynos e Domínios por abreticios e sobreticios e como taes nullos para produzir qualquer effeito. desde o dia da puplicação da Lei. Escrivão da Camra. de toda a Suprema e legitima autoridade e manda immediatamente de Deos Todo Poderoso da Tranquilidade e vida dos Príncipes Soberanos e do socego puplico dos Reinos e Estados e que cada hum dos referidos Membros Puplicos e Secretos da mesma Companhia sejão providos do beneficio que lhes foi conceido pela sobre dita Lei de 3 de Setembro de 1759 debaixo das graves penas fora de seus Reynos e domínios na forma e Termos que determina a dita Lei e que exceptue por ora aquelle dos referidos egressios que obtiveram especiaes e pessoaes ordens suas as quaes não poderão ensinar. Aquellas pessôas que tiverão só havido as referidas cartas antes da puplicação desta Lei suppondo que tratão de espiritualidade quando se costumão passar a outros fins temporaes e preciosos. nem dos seu Delegados ou Subdelegados de baixo das penas estabilidades contra os reos de crime de lesa-magestade. confessar e que logo à vista da Lei prestam juramento de fidelidade na forma delle e das penas estabelecidas contra os perturbadores do socego público – e que também exceptue aquelles indivíduos ainda não professos na dita Companhia e que depois de sairem d´ella e houverem entrando em outras ordens regulares e houverem n‘ellas feito profissões solemnes – que o mesmo se observara debaixo das mesmas penas com todas e quaesquer pessôas que introduzirem nos Reynos e Domínios quaesquer dos indivíduos expulsos da dita Companhia ou que sabendo que existem nas mesmas terras dos Reynos e Domínios os não denunciarem no termo de 24 horas ao mesmo Corregedor e Ouvidor da Comarca para serem presos e remettidos com toda a segurança ao juiz da Inconfidência – declara o mesmo Senhor o Breve . – João Baptista Davier. Data e passada n‘esta Cidade de Sergipe d‘El-Rei sob meu signal aos 18 de Junho de 1768. – Thimoteo Brboas de Siqueira. 162 . e todos os quaesquer naturaes de seus Reinos e Domynios de qualquer Estado ou condição que seja que se acharem encorporados à dita Companhia chamada de Jesus na boa fé de que se tratava somente de espiritualidade ou n‘ella professos dessossiados em alguma Confraria se manifestem debaixo das mesmas penas de proceder-se contra elles sinão se manifestarem ao dito Doutor Ouvidor Geral e Corregedor dentro do referido Termo e que explicando a ampliando a Lei de 3 de Setembro de 1759 declara a todos os Membros Puplicos e Secretos da mesma Companhia Chamada de Jesus por inseparáveis da sua perniciosa cabeça e por incorrigíveis.

Diversas são as cartas que dirige o governador ao capitão-mor e Ouvidor. depois do qual é preso e entregue à Justiça púplica. opunha-se a emancipação. Os missionários das aldeias julgam-se com vida pouco garantidas. que eram Francisco Alves da Silva. (1765-1766)189. Elas tornam-se centros de desordem e tumulto. ESTADO ECONÔMICO DA CAQPITANIA Vimos no capitulo anterior que pequenas foram as lutas entre os lavradores e Jesuítas. que lhe proibia penetrar nas aldeias. o sossego e a paz não voltaram ao centro de habitações indígenas. nomeado ouvidor efetivo. Eles abandonavam seu território e embrenhavam-se pelo ocidente . agora. Esse movimento de desordem estende-se a todos as aldeias e seria enfadonho estarmos enumerando estes fatos de valor puramente local. MOVIMENTO COLONIAL ATÉ 1802. Gonçalo Pais de Azevedo. Eis o efeito que produziu no seio da sociedade sergipana de então a importante lei da emancipação do cativeiro indígena. a emancipação da escravidão natural. 189 Por carta de fevereiro de 1764 foi o ouvidor Aires Lobo dispensado do cargo que exercia em Sergipe. saciando assim suas paixões. e nomeado ouvidor dos Ilhéus. Até quase o fim do século. Cristóvão. o índio imigrava. diretor da aldeia de Japaratuba e por causa de quem José Nunes de Barros assina um termo de responsabilidade. A raça negra alia-se à sua companheira de martírios. que levam às aldeias o cativeiro. veio provocar na lavoura uma tendência escravista. A imigração africana se fazia em larga escala. Isidoro Gomes em 175 alia-se ao mesmo partido escravista. (1765-1766) e João Batista Davier. a propósito da escravidão indígena. contra o atentado do branco e efetuam em S. Se até então não mostrava essa tendência. As mesmas cartas são dirigidas a João Nunes. escala-as a machado e encontrado resistência pó parte de seus habitantes. chamando-lhes atenção para essa ilegalidade. concedida pela carta régia que erigiu em vila a aldeia do Geru. Como chefe de um bando armado põe-se á sua frente. em1763. e leva a inquietação à vila de Thomar. revoltando-se assim contra a concessão altamente liberal da coroa. Além disto. continua em sua faina de escravizar os índios. talvez pela interferência do Jesuíta. Nesta mesma data foi autorizado a entregar a ouvidoria ao Juiz ordinário mais velho de S. levando o pânico às famílias. Deram-se mortes e ferimentos.Cristóvão. penetra na vila. que não tinha a lutar contra essa causa. que foi substituído por Davier. que não obstante. principalmente Carlos de Santa Helena. espavorito pela colonização. declarando-lhes a que punam com severas penas. centro poderoso dos naturais. para não haver falta de braço na lavoura.CAPITULO III RESULTADO DA ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO INDÍGENA. recorre à arma de fogo. pela morte da Companhia de Jesus. Esse movimento escravista tem como principais chefes João Nunes de Barreto e Antônio Vieira de Carvalho. 163 . Entretanto. antiga aldeia. investe contra a câmara e cadeia.

quer de fazenda. e se achão destacados nesta mesma cidade mostrando hum ardentissimo dezejo de defenderem o Estado. Dado sob meu signal a sello de minhas armas na Bahia aos 12 de Novembro anno de 1776. sob pena de confiscação dos bens e inabilitação para qualquer emprego púplico. e Senhor. Então. e não comparecer dentro do tempo de vinte dias contados da puplicação deste. M. innabilidade para ser empregados nos lugares. para que a todo o tempo conste se de execução as penas declaradas contra aquelles que fingirem se mostrar que são Laes Vassalos de El-Rei N. as suas Famílias. embrenharam-se pelos matos. Governador e Capitão General da capitania da Bahia etc. e se registre em todas as câmaras das respectivas Villas daquela comarca. a contar da púplicação da lei. hum saque. A Davier na ouvidoria substituiu o Dr. além de todas as mais penas que ficam a meu arbítrio. E foi entranhado que nenhum sergipano desse testemunho de seu patriotismo. e degradados para Angola. oferecedendo seus serviços em favor da nação. que achando-se esta capital propinqua a receber hum bombardeamento. mas também os Terços Auxiliares de pé. – Manoel da Cunha Menezes. cuja administração foi uma das mais longas. venha sem demora comparecer na minha presença para lhe destinar o exercício que deve ter. em defesa da pátria. Sr.alem de outras penas191.Além destes fatos que denunciavam uma sociedade em sobressalto. o governador Manoel da Cunha Meneses baixa o edital de 12 de Novembro de 1776. tendo igualmente precizo puxar pelos outros Terços dos seus subúrbios para ajudarem a estes honrados Vassalos. e propriedades. pelo tempo que lhes fosse destinado. Christovão de Sergipe del-Rei. que voluntariamente se offerecerão e todos promptamente vierão. Faço saber aos moradores da frequezia de N. pra defesa desta Capitania. offerecer-se nesta importanssima occazião . autorizando que os moradores de Sergipe compareçam à sua presença. quando foi substituído por Bento José de Oliveira. quer de justiça. e todo aquelle individuo. e como cidadão sua Pátria . porque sendo o mayor reparo não ter vindo hum só Individuo morador na comarca de Sergipe del-Rey. mando se puplique este a som de cayxas em cada frequesia e se fixe no lugar mais puplico dessa cidade e seu termo. sendo peões terão o trabalho das fortificações da cidade pelo tempo que eu lhes destinar. em uma conjuntura tão crítica. Sua execução foi efetuada com tal excesso. o governador ordenou o recrutamento. e offcios de Justiça ou Fazenda: sendo nobres serão havidos por vez como indignos.” 164 . S. sou obriogado a denunnciar a todo aquelle que como Vassalo ama os eu Legitimo Rey. estendendo-se até 1776. para que logo que este lhe for constante. e o governo tomava medidas preventivas. huma contribuição me hé indispensavelmente necessária não só para preencher os Regimentos pagos desta Guarnição. Do mesmo teor e diria se expidiram mais seis Editaes para as Freguesias das Villas da mesma capital de Sergipe de El-Rei. para ocultarem-se às 190 191 José Gomes da Cruz (Borges) foi nomeado por carta régia de 4 de abril de 1763. os nobres seriam considerados como indignos e traidores e deportados para Angola e os peões iriam para as fortificações.Sebastião Álvares da Fonseca ( 17701778). A sociedade da Bahia vivia sob a pressão do receiode uma invasão inimiga. Fidelíssimo. que os lavradores abandonaram suas fazendas. dentro do termo de vinte dias. “ Manoel da Cunha Menezes do Conselho de S. encorrerá nas penas de perdição de todos seus bens. Por uma carta circular de maio de 1775 ao capitão-mor. E muitos cidadãos voluntariamente já tinham-se alistado nas fileiras do exercito. reputados por traidores.que serão logo confiscados. da Victoria da cidade de S. No governo foi substituído pelo capitão-mor José Gomes da Cruz190. Estavam bem frescos os feitos de Duguai-Trouin no Rio de Janeiro. que esquecido das obrigações de honrado Vassalo se occultar. outros vieram contribuir para agravar esse estado. E para que faça manifesto a todos. Esta ordem alarmou a população e tanto mais quanto ofereceu excelente oportunidade para as vinganças e dasabafos das paixões contra a classe pobre. com famílias. cavallaria della.

Vimos que as aulas públicas de 165 . porque o trabalho agrícola quase suspendeu. que foi imposto por carta do Conde Arcos. A revolução francesa ecoava profundamente no país.porque com ele viria o poder das concessões.que queria para si o privilégio da sua execução. Pelo lado da cultura popular o descuido dos governos era absoluto. foi ele o sucessor de Cunha no governo. pela abundância de causas cíveis e crimes. que voluntário.Antônio Pereira Marinho(1790).vistas dos agentes que recrutavam. e que é a primeira ordem para o recrutamento de Sergipe. alei contribuiu para que o estado social.que abandonou posteriormente a vida política pela vida sacerdotal. foi também dirigida ao tenentecoronel Francisco Félix de Oliveira. não só pela falta de clareza nos limites das propriedades como pelo grande número de assassinatos que perpetravam. em vista do célebre terremoto de 1755. Os preços dos gêneros subiram extraordinariamente. até quase seu final. Pequenas lutas entre os capitães-mores e os ouvidores. o maior partidário. Sucederam a Bento José de Oliveira na administração.auxiliares e os corpos de ordenanças existentes. o coronel José Caetano da Silva Loureiro(1782). o capitão-mor.em que foi envolvido. comunicando as deserções e ordenando as prisões. Daí a luta entre o capitão-mor e o comandante da guarnição.disciplinando os regimentos de cavalaria. Foram inúmeras as cartas que encontramos em nossas buscas. para a redificaçaõ de Lisboa. porque as deserções do exercito sucediam-se. em vista de dissabores que lhe provieram de um processo crime. cujas diligências foram dificultadas pelo capitãomor José Gomes da Cruz. Os membros do próprio governo não viviam em harmonia. O estado financeiro da capitania já não era lisonjeiro. São de valor puramente local os acontecimentos do fim do século. Desde o meado do século. piorasse neste sentido.a atividade do foro. as novas prisões e os processos militares dos desertores.o sargento-mor Bento José de Oliveira. em 1793 deu-se um movimento disciplinar na classe militar. de que já falamos.quando quisesse fazê-las. pedindo isenção do donativo. o estado social da capitania vivia sob uma agitação continua. Entretanto. que desde a liberdade dos índios não era pacífico. pelo governador(1776). cujos excessos são severamente criticados na carta a si dirigida em maio de 1775.quando chamado à Bahia. dirigidas aos capitães das vilas das capitanias. Reinava entre eles a divergência. durante trinta anos. Neste ano o governador escreve ao seu delegado. antes mesmo de concorrer essa causa poderosa para agravá-lo. no espírito do governador. e por conseguinte. Não compreendiam eles as vantagens da instrução. A carta circular de maio de 1775. Além da atividade do foro. pelas barras dos rios navegáveis. Por isso foi preso. E este movimento foi até 1782. E por este estado financeiro tornou-se responsável. Além disto.chamando-lhe a atenção para defender a capitania de qualquer invasão inimiga. na importância anual de 2:828$.Valério dos Santos(1793) e Joaquim José Monteiro(1797). porque em 1661 todas as câmaras representaram ap soberano. que encontra em seu irmão. um ou o outro levante dos índios de algumas aldeias. a fim de defender as entradas dos franceses.l de 10 de abril de 1756 às mesmas câmaras.

...........14000 Japaratuba................ Japaratuba e São Pedro (antigas missões)............. tecidos de seda................... escravos a troco de caixas de açúcar..........30000 e 600 fogos 166 ................ Sua exportação montava em 860000 cruzados (93$500)............ estudando a importação da capitania.................4315 Em 1808 a população está almentada e o número dos habitantes de cada município é o seguinte: Santo Amaro.............................. gado........ da qual havia três cadeiras na capitania em 1799.......... quatro povoações: Laranjeiras................................................... Da capit...................... fumo............... Santa Luzia... 30542 sem classificação descreminada..... No vale do Vaza-Barris já se contavam 10 engenhos............541 “ Lagarto... 20849 pardos.................3814 Santa Luzia.... exportação e sua população...feita por Itabaiana......... algodão.... 700 índios Lagarto..................... Lagarto.sete vilas:Santa Luzia.............................6400 Larangeiras (povoação)........ Socorro e Laranjeiras194................... De curso secundário só ensinava-se a língua latina............6758 Campos ...... já exportava 30000 alqueires de sal............... Sua população era de 55600 habitantes...2427 Itabaiana........... A lavoura açucareira era a base da riqueza pública............... além da exportação do açúcar....Santa Luzia................ Cristóvão.....7000 Sua Paróquia ...... o número de habitantes.................................................................................. Santa Luzia exportava 500 caixas e Poxim 800.....5255 Pacatuba .................Vaza-Barris e Piauí.........4000 e 300 índios Pé de Banco........... O valor da produção total era de 1 milhão e 313 mil cruzados(233$500).............................1600 Freguesia do Cotinguiba ..........635 (índios) Socorro.......................... Tomamos o ano de 1802 como termo deste capítulo............1641 índios e 19893 pretos.............................. segundo Marcos de Souza (Memor....... sendo 20300 brancos...................317 Vila Nova..... De Sergipe) era de 72236..............a maior exportação era a de algodão e cereais........... Desde esse tempo..... 1440 índios.... porcos............................. 194 Eis o número de habitantes distribuído pelos municípios: Santo Amaro....................... O comércio abastecia-se exclusivamente na Bahia........... Itabaiana.....5219 Água Azeda..... Pacatuba....6000 Água Azeda............. couros secos............... Própria192.. 19954 pretos................. (351$631).......................... Santo Amaro e Vila-Nova............................. Vejamos a expansão colonial a que pé de prosperidade atingiu nesse ano.................. ferragens.a de couro e sola por Campos...primeiras letras havia um na vila do Geru....... que era a capital-São Critóvão...... Já se cotavam uma cidade............4154 S. de onde importava fazendas de algodão........... de lona......... no valor anual de 171 mil cruzados..................2618 Itabaiana..........10000 Campos ........ São Cristóvão...Sendo 13217 brancos...... e 20 alambiques para destilar o álcool. sola branca.....Santo Amaro........... cereais..4500 Santa Luzia...................................633 (índios) Socorro..... cavalos... 192 193 Elevada a vila por provisão de 5 de setembro de 1801...............................a de açúcar por Cotinguiba.10500 Propriá ....................na Cotinguiba 20...... O Socorro............................... 193 Os municípios mais populosos eram os de Santo Amaro.............7500 Pacatuba .....os quais fabricavam 1000 caixas de açúcar anualmente...Thomar.........5468 Japaratuba...... pólvora......................a de gado pelo Lagarto. e os gêneros exportados eram o açúcar........além das de São Cristóvão..... Itabaiana...... Em 1808. Procurando distribuir o valor da exportação pelos diversos municípios...6364 Thomar .................. linho.....................4000 Thomar ..................(vila)..........317 “ Vila Nova...8128 Propriá ..... .................94 “ Pé de Banco....

Achamos nos cálculos entre cruzados e a nossa meda.000 cr 288$900 197 195 152. Pela barra do rio Cotinguiba entravam anualmente vinte barcos.000cr 133$100 52.000cr 203$810 36. um carcereiro em 15$000. a de couro e sola por Campos. A Câmara de S. há lugares em que o volume d’ água não mede um palmo de profundidade. 197 A receita da Câmara de Lagarto era de 621$300 e a despesa 48$500 198 A receita da câmara de Sto Amaro era 179$500 e a despesa de 107$000 199 A receita da Câmara de Itabaiana era 570$000 e a despesa de 21$220 200 A receita de sua Câmara era 430$ e a despesa 258$531 201 Este mapa é cópia de um man. Naquele tempo por ele entravam barcos. de setembro a março.000 cr 66$160 23.000 cr 763$200 6.000cr 796$500 Desde esse tempo. 100$000. Entretanto transcrevemos com toda fidelidade. Carcereiro18$400.000cr 234$720 31. uma desproporção enorme. Cristóvão rendia 123$600 e suas despesas montava em 125$375. escrivão da Câmara em 100$000. existe na Biblioteca Nacional.000 cr 36$440 6.000 cr 32$100 336.000cr 398$400 Exportação 86. 196 Os ofícios de escrivão da Câmara de Sta Luzia.000 cr 64$040 199 14. dois partidores. cuja construção foi começada em 1791 e a da Conceição. que iam ancorar no porto de Laranjeiras onde recebiam o açúcar da fértil zona banhada por aquele rio.000 cr 362$000 26.000 cr 364$480 34.000cr 126$080 37.000cr 20$880 67.também de setembro a março202. junto ao engnho Comandoroba. o da Recebedoria em 50$000. Alcaide e seu escrivão 200$000.000 cr 309$520 23. seu escrivão. seu escrivão em 40$000. o tabelião em 40$000.000 cr 325$900 13. do socorro Santa Luzia Lagarto Campos Sant Amaro Pé do Banco Itabaiana Vila-Nova propriá 123 000 cr 165$200 388. Meirinho Geral e.mar.fazendo cada uma quatro viagens. Vaza-Barris e Piauí. A navegação fazia-se pelas quatro barras da capitania.formularemos o seguinte mapa demonstrativo: Produção Consumo São Cristóvão Paroq. a de gado pelo Lagarto. que era também o Tabelião do Judicial e notas e escrivão de órfãos eram avaliados em 212$000. destribuidor. S. dois porteiros em 10$000 cada um. cada um 12$800. escrivão de órfãos em 200$000.000 cr 364$140 200 8. Hoje embracações de pequeno calado para entrar no porto de Laranjeiras.000 cr 144$000 22. um alcaide em 27$000.000 cr 22. Pela barra do rio Real entravam dez embarcações.. O rendimento da sua Câmara era de 119$000 e a despesa de 104$000. dois avaliadores cada um 5$000.000cr 286$600 57.000 cr 40$000 Importação 22. Cada um fazia quatro viagens por ano. porque na baixa.000 cr 122$880 222.000 cr 74$150 196 41. Por esse tempo Laranjeiras já tinha duas capelas: a do Coração de Jesus. inquiridor e contador em 30$000. demandam o influxo da maré. porteiro 10$000.800cr 41.000 cr 300$800 143. Acreditamos que houvesse erro do autor. dois avaliadores em 3$200 cada um.000 cr 396$600 70.000 cr 119$720 201 5. 195 O ofício de escrivão da correição era avaliado em 300$00.000cr 399$200 63.000 cr 322$540 11. meirinho e seu escrivão 15$000. Meirinho da Provedoria e seu escrivão 20$000 cada um. N. 202 É admirável que no espaço de oitenta e tantos anos tenha-se dado uma transformação tão grande no rio Cotinguiba. a maior exportação era a de algodão e cereais.000 cr 237$410 198 8.000 cr 234$400 47.000 cr 329$580 9. seu escrivão 15$000.006 cr 90$100 25. Distribuidor. a de açúcar por Cotinquiba. 167 . feita por Itabaiana. o da Provedoria em 25$000.000cr 326$200 215.000cr 305$320 148. Meirinho do Campo. Inquiridor e contador em 50$000.

que foi vigário em Siriri em 1808. Marcos de Souza faz um estudo importante sobre a capitania.quando escreveu seu livro. Foram estas obras que pudemos encontrar em nossas procuras. Espírito culto. que na obra revela-se espírito muito descritivo e minucioso. relativamente não só aos hábitos de seus habitantes. somente Fr. também de setembro a março. por Marcos Antônio de Souza. Existente no Museu Britânico. Eis o estado de Sergipe no começo do século atual. Sua publicação deve-se ao coronel Antonio José Fernandes de Barros. Foi escrito em 1802. 168 . da navegação. Dos escritores dos séculos anteriores. em sua História do Brasil. Infelizmente só estuda a parte geográfica. Deste tempo datam os primeiros trabalhos geográficos e históricos sobre a capitania.que obteve cópia do man. O mesmo man.e lembra medidas de grande alcance econômico. Foi por conseguinte um grande serviço prestado a Sergipe sua publicação. como seus processos de trabalho. Temos a citar ainda as Memórias da Capitania de Sergipe. fazendo cada uma quatro viagens.Pela barra do rio Real entravam dez embarcações. Incontestavelmente é um importante livro.Vicente de Salvador refere-se mais extensamente a Sergipe. Desconhecemos o nome de seu autor. ou cópia existe em nossa Biblioteca. pesquisador. manuscrito existente na Biblioteca Nacional. Deste século encontramos uma Descrição Geográfica de Sergipe. Estuda o estado da lavoura.

as guerras estrangeiras. de resto impotentes para obviar a influência perniciosa dos pricípios geraes dominantes. ―Privados além disso de toda e qualquer distração. Lisboa. prendiam na questão abrasadora dos índios. enchendo o tempo com maneiras intrigas políticas e particulares.os tumultos. a não serem algumas raras festividades de carater religioso. envenenados demais a mais periodicamente.poderes rivaes e reluctantese. . era apelar em vão. é fácil imaginar-se a que grau de exasperação não subiriam os seus ódios mesquinhos. as garantias de seus direitos. e vasto laboratório de calumnias e diffamação. alternativamente animados e illudidos em suas esperanças. opressivas. que nos propuzemos a esboçar. por uma da suas faces.admiráveis e efficacissimos para os conflictos . igualmente pungidos pelo orgulho e pela miséria. cousa baixa e vil. em vez de manterem a dignidade própria e os foros dos cidadãos. e em direcção opposta à dos governadores. bem que ordinariamente avessos entre si. ―Infactuados da sua nobreza. eis ahi. Apont. da energia e do furror à prostação e à ignovia. a imolação ora lenta e gradual. medindo-se e encontrando-se a cada passo. ora o captiveiro. sem excepção dos principes e dignidade da igreja. a sua anarchia intrínseca. perpetua e monstruosa affirmação e negação dos mesmos principios favoneando ora a liberdade. III. entretinham esta funesta preoccupação. porque apelar para os representantes da justiça. e de outros muitos males. haviam de prestar-lhes obediência passiva.ora instantânea e fulminante dessa raça infeliz. é as revoltas. 203 João F. nas residências e devassas janeirinhas –campo aberto a todas as facções para se degladiarem. À História do Maranhão. 169 . as câmaras e os magistrados ociosos. e tão ávidos de riqueza como incapazes de grangeal-as pelos meios lícitos e ordinários. o trabalho. as capitanias reunidas. e as espoliações. as matanças. inúteis para a fiscalisação e o equilíbrio. nem em seus funcionários. elevado 203 pelas leis ao caracter de instituição regular e permanente. elles só honravam a ociosidade. e associando-se ao systema geral de opressão e tyrannia. continuava apresentar pontos de semelhança com os tempos passados. As forças civilizadoras parecem que se tornavam impotentes para corrigir o estado político. poucos em numero. impellindo os cidadãos. carregava exclusivamente sobre os escravos. com tradictorias. a prepotência e a corrupção impeliam os governadores. falsos e viciosos. os accidantes ordinários dessa vida mesquinha e tormentosa.‖ Estas palavras interpretam perfeitamente o estado social de Sergipe no fim do século XVII e começo do atual. fomentando por todos os meios a sedicção e a discórdia e isolando na pratica os princípios de liberdade que no ardor das luctas pelo prodominio apregoavam a favor dos índios. contendo algumas boas disposições parciaes. e as leis. singularmente alimentada na execução pelas infracções incessantes e permanentes a que a ignorância. ―A maior destes. em vez de integrar-se e oferecer uma feição próspera. a residencia dos governadores. vendo-se. ―Leis confusas. p. as guerras. os frades e ecclesiasticos em geral. e quase bloqueados naquelles remotos e estreitos presídios. incompletas. extenuados de toda a casta de vexações. 171. Entregues às paixões dos dominadores. diz João Francisco Lisboa. Seus habitantes não encontravam na lei.CAPÍTULO IV SERGIPE E A REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA EM 1817 Vimos no capítulo anterior o estado a que chegara a capitania no começo do século. intelectual e moral daquela sociedade que com o andar dos tempos. em fim transferida continuamente de uma para outra capital.

cujo móvel dominante era o capricho de um régulo. em vista do atraso mental e moral da capitania. Não lhe foi difícil abafar a revolução. em que vem descrito o modo irregular por que era administrada a justiça. E vem aqui ao caso falarmos da administração judiciária do Doutor José Antônio Alvarenga Barros Freire. em 1895. mandam incendiar-lhes as choupanas e derribar-lhes as plantações. peitadas para dizerem o que lhes ensinam. O Ministro da Justiça sanciona com sua aquiescência esses desmandos e. Seus iniciadores e propagandistas não encontraram apoio. Em Vila-Nova levantaram a reação. poucos anos depois (1817). Ou sucumbia. que lhes podem prestar os ínfimos serviços. a posição hostil ao movimento revolucionário. na reação que levantaram contra a vitória dos revolucionários republicanos. pelo arrendamento das terras onde habitam. ou à insolência do protesto e da impugnação. procura ser o advogado das partes. Penetram nas cadeias e soltam os presos. de instrumentos de vingança. O latim era a única língua que se ensinava. sendo eles mesmos os encarregados de fazer o interrogatório das testemunhas. a cujas vontades estavam entregues os destinos daquela população e os direitos daqueles cidadãos. nutridos das idéias de uma falsa aristocracia de família. prestando obediência ao regime do arbítrio. instauram processos. O procedimento de Alvarenga era mais ou menos imitado pelos juízes ordinários da capitania. e então a lei não é mais do que a vontade destes dois poderosos.a fim de assegurar seu desenvolvimento. por crimes imaginários. Profundamente adeptos à causa do rei. O número de aulas públicas na capitania era pequeniníssimo e ainda menor o de aulas de ensino secundário. sem cultura para compreenderem os grandes benefícios futuros de cedo ser instituído um regime eminentemente democrático. assassinos. Figuravam como os dois homens de mais prestígio de então. levantados pelos revolucionários de Pernambuco. em vista da dedicação realista dos 170 . Sem instrução. por sua vez. completamente descurada pelas administrações. Compreende-se perfeitamente que um meio social. sem patriotismo.sua proliferação na América. torna-se um terreno onde pudessem germinar os princípios de liberdade. Pode-se prover. entram nos centros populosos armados e acompanhados de sequazes. obrigam os lavradores a pagarem-lhes altas porcentagens. Um espírito independente e livre não podia viver nesse meio. Por meio deles o conde dos Arcos pôs em prática seus planos realistas. Bento de Oliveira e Felipe de Faro alcançam completa ascendência sobre o ouvidor. e como resposta a qualquer protesto contra uma tal extorsão. ostentando assim perante as autoridades o prestígio das armas. Contra ele tivemos de ler uma representação. prendem aqueles que não se prestam a tão vil papel. Faltava a ação eminentemente poderosa da instrução popular. nem adesão nos habitantes de Sergipe.Não passavam de instrumentos desses mesmos dominadores. que viesse garantir os direitos do povo.como delegado da monarquia portuguesa. desprezados pelos agentes do poder público. não poderia facilmente corrigir-se para. do capricho pessoal. Eis o que faziam Bento de Melo e Felipe de Faro. os habitantes de Sergipe fizeram causa comum com os habitantes de Penedo. os sargentosmores Bento José de Oliveira e Felipe de Faro Leitão. que vencia até os princípios da justiça.

capitão Manoel José de Sant‘Ana. sendo os governos completamente indiferentes às suas necessidades e até mesmo as reclamações que dirigiam ao poder competente. No dia 28 espalha-se a notícia de que a Bahia não aderia e que já vinham tropas em direção de Vila-Nova. aclamam. esqueciam que viviam dominados por um regímem de arbítrio e prepotência. perante um concurso de duas mil pessoas. Então uma idéia de resistência manifesta-se e organiza-se o partido realista. pelas secas. pela vitória da justiça sobre as paixões pessoais. sendo entretanto. umas vezes. outras. Retiram as bandeiras reais e as armas das barretinas e talabartes. que deviam ser celebradas no dia 20 de março. Resolvidos a resistência. e preparavam-se para as exéquias. que tudo espoliava. à frente do qual colocam-se o coronel Inácio Francisco da Fonseca Calassa Galvão. toda esperança de auxílio desaparece e fica Penedo em obediência ao governo revolucionário. capitão-mor. 204 Francisco Guilherme da Rocha escrivão da camara e tabelião do público judicial e notas. Esqueciam tudo isto e prestavam adesão a esse regímem que não era sensível às suas necessidades. depois de tanto tempo de uma evolução civilizadora. e contra o peso dos impostos de que se achavam sobrecarregados. Os habitantes de Penedo ainda choravam a perda de Dona Maria I. da prisão de seu governador e que em viagem para o sul achava-se o padre José Inácio Roma emissário daquele governo. comandante do corpo de milícias. pelas epidemias. tomados de susto e surpresa. que se prestavam aos caprichos dos dominadores. que não quiseram acompanhar a causa dos seus irmãos. que criavam embaraços ao trabalho agrícola. e sem forças suficientes para oporem a resistência. prestando o concurso de sua coragem aos planos do conde dos Arcos. contra as perseguições que sofriam da pseudo nobreza. justificadas pela pobreza em que viviam. depois de mais de dois séculos de colonização. comandante do regimento dos pardos da comarca. que o governo não queria. e os membros do Conselho. e a administração nas mãos de Bento Pereira. no dia 31. E nessa adesão que os sergipanos prestaram à causa monárquica. outras. em favor de um regímen que se caracterizasse pelo respeito à lei. acossados. aniversário de sua morte. porém. ainda vissem a justiça nas mãos de Alvarengas e seus sucessores. ou não podia corrigir. Esqueciam que. sargento-mor. em vista de ordens de recrutamento. para sufocar a revolução. da organização de governo provisório. Os insurgentes espalham a notícia de que a Bahia aderia ao movimento. Esqueciam que suas reclamações contra esses impostos não eram atendidas pelo soberano. pela moralidade na administração. pelo abandono das lavouras. Historiemos os fatos. Antônio da Silva. quando a quinze do mesmo mês espalhou-se na vila a notícia de uma revolta em Pernambuco. vivessem com viviam nas trevas da ignorância. A 25 do mesmo mês chegam à vila essas mesmas ordens.seus habitantes já preparavam-se para reação. Esqueciam que. Antes. Por conseguinte. espalhando ordens de obediência pelas localidades. Esqueciam que seus direitos não eram garantidos pelas autoridades. José Gregório da Cruz. escrivão do crime e 171 . a que obedecem seus habitantes. e cônscios do concurso que lhes prometeram suas autoridades204. mandam a Vila-Nova um emissário. o missionário Francisco José Correia.que as forças do conde dos Arcos chegassem a Vila-Nova e a Penedo.sergipanos e alagoanos.

fazendo receber os presos todos que despoticamente por fórma da mesma rebellião soltaram da cadeia da mesma villa de Penedo e assim satisfeito. José Ignacio Francisco da Fonseca Calassa Galvão. tenente. onde foram juntos o juiz ordinário presidente Luiz Ferreira Leite.. pelo qual motivo se sujeitaram os mesmos povos desta villa e todo seu districto a sacrificarem suas vidas e fazendas. F: Ficamos tratando dos officios que sobre esta importante matéria devemos dirigir ao Ilustrissimo e Exmo. para que recebido o competente passaporte possa seguir livre o condutor delles. o sargento commandante do destacamento Francisco Manuel da Rocha. Senhor Francisco Manoel da Rocha. Ignacio Francisco da Fonseca Calassa Galvão.. dera principio a uma discreta e sabia persuação.. e declaram guerra aos rebeldes de Pernambuco. João Sexto que D. fazendo calcar aos pés. João Sexto dignando-lhe toda a subordinação devida como fiéis vassalhos que eram. capitão commandante inerino do Regi. fazendo causa commun na mesma rebelião . visto que o corpo militar da mesma villa se havia levantado uma sedição por commamdo do governo provisório. capitão-mor. Nada mais houve que propor sobre o que passou-se o presente auto em que todos assignaram. por bem do serviço de S.a quem por direito tocam. fazendo-lhes ver por meio da rasão e da justiça que era necessário disterrar as trevas da cegueira ignorância em que estão aquella e esta villa. firmes e valorosos para combater tão honroso attentado. com assistência do capitão-mor das ordenanças desta villa Antonio José da Silva e capitão Manuel Ferreira Martins. nos passos do Conselho della. Que olhando para a mesma religião. por Sua Alteza Real que D. Francisco e seu termo. M. alfares Antonio Ferreira de Mello e o terceiro vereador Caetano Gonsalves Freire e o procurador Vicente Augusto da Fonseca. assim chamado da praça de Pernambuco. assim o esperamos de V.vitoriosa a causa do rei. sobre. Deus G... motivo porque esta Villa Nova e seu termos se puzeram em armas. cível e mais impostos régios nesta Villa Nova de Sto. o alferes Félix da Conceição Barreto. José Gregrorio da Cruz. temeram serem elles os únicos que tomassem o partido da fidelidade devida ao nosso soberano.de que usam. –Do auto publico que a V. contra o nosso Serenissimo rei dos três reinos unidos o senhor D. para o estado e para a tranqüilidade publica. dos pardos da comarca.. Cetifico aos senhores que a presente certidão virem que por mandado da camara desta Villa Nova extrahi a presente certidão do livro de vereações que presentemente serve com o theor seguinte: Aos trinta dias do mez de Março de 1817 nesta Villa Nova. 172 . João Sexto e promettemos todo o auxílio fazendo os povos da villa de Penedo e seu termo uma publica aclamação. o capitão Bento de Mello Pereira. Antonio da Silva. a quem juram fidelidade.M. M. por parte não só dos povos da villa de Penedo. Senhor Conde Governador capitão general da Bahia e o ilustríssimo senhor governador da cidade de Sergipe d’El-Rei e amanhã serão apresentados a vossas mercês os sobreditos officios. como também por parte do coronel do regimento de milícias da mesma villa. Antonio Real de El-Rei do rio S.do quanto executarem forão em auto publico para ser representado ao mesmo senhor General da Bahia. por muitos annos a quem perante as pessoas já aqui nomeadas esperam seu auxílio como seu socorro na presente crítica circumstancia em que se vém a vista do que responderam e aceitaram de commun accordo já nesta declarados. seu tenente coronel José Gomes Ribeiro e toda a mais officialidade afim de que convém paz entre uma e outra villa. João Sexto e por temermos ser combatidos pelos nossos inimigos revolucionários por termos hoje declarado guerra contra elles por parte de nosso soberano. a V.sargento mór. Villa Nova 30 de Março de 1817. coronel. sagrada pessoa do nosso Felicissimo rei o Senhor D. M. Manuel José de Santa Anna. vereadores Silvestre Antonio de Souza. sargento commandante do piquete de cavallaria paga destacada em Villa Nova.. fazendo convocar a mesma camara da fórma que já dito fica. vamos rogar-lhe que quanto estiver de sua parte e quanto seu poder lhe permitir faça por conservar nessa villa a tropa militar o socorro preciso que nos possa auxiliar em qualquer ataque que nos vejamos. G. Villa do Penedo casa da camara em conselho de 31de Março de 1817. cujo enviadoo reverendo Francisco José Correia missionário apostólico.coronel. para o efeito de se receber em auto da mesma camara o enviado o reverendo padre Francisco José Correia. o capitão Antonio Manuel de Britto. ha de apresentar nosso enviado o fiel vassallo o reverendo padre Francisco José Correia verá V. a fidelidade que se deve guardar ao nosso soberano dizendo o seguinte: que os povos da Villa do Penedo e seus chefes respectivos atemorizados com os decretos do Governo Provisorio assim chamado o governo de Pernambuco lhe certificaram que esta capitania se dava também mutuamente as mãos.. José Ignacio Ribeiro. restituindo as armas das barretinas militares ao seu antigo estado... porem agora que estão persuadidos terem todo o auxilio dos fiéis vassallos desta capitania da Bahia contra a rebelião de Pernambuco se declaram debaixo do mesmo juramento de fidelidade devida. visto declararem-se fieis e obedientes ao nosso soberano rei de Portugal o Senhor D. coronel. as publicas demonstrações da nossa fidelidade ao nosso Augusto Soberano o Senhor D. Auto da Villa do Penedo enviado a Villa Nova. levantando bandeira real. G. M. Ignacio Francisco da Fonseca Calassa Galvão.

Ex.. que aterrados nossos districtos de uma revoltosa conspiração feita em Pernambuco e pelas noticias populares que toda artilharia portugueza tinha as mãos dadas na mesma rebelião. o senado com o povo.seus governadores . capitão mór .Comunicam sua resolução ao governador de Sergipe. D. além de medidas que tomaram. tememos o estrago deshumano que farão os hespanhóes americanos. 205 Ilustrissimo Senhor Governador. conservando sempre em nosso peito o amor. a vista do que vamos rogar a V. João 6º e ouvidos os seus fieis vassallos. S. apenas tivemos certesa que a capital da Bahia e suas comarcas eram fieis a obediência do nosso soberano rei o senhor D.. Senhor D. E supposto que algumas das companhias della estejam muito appartadas quasi por toda comarca das Alagoas. Nesta mesma occasião vae outro officio para o Illm. sargento mor. temos declarado guerra contra todosos rebeldes de qualquer estado. Antonio da Silva Lemos. quaes eram seus sentimentos de fidelidade e das pessoas da governança. Ex. S. os commerciantes desta villa e seu termo. f. General da Bahia. abrimos os nossos corações e publicamente com as demonstrações da maior alegria declaramos os nossos sentimentos de fidelidade. João 6º e esperando occasião opportuna que pudessemos com vantagem ao soberano e dos seus povos declarar os nossos sentimentos. do que tudo fazendo certo ao governo de Villa Nova. munições e seu competente chefe. a quem jamais deixaremos de ser fieis. dará as providencias. o coronel Galvão. Tememos todos a vista dos decretos e da infausta notícia e vendo as nossas poucas forças e o estado da capital se publicarem os ditos decretos para depois serem jogados aos pés. e vendo as nossas poucas forças publicamos os ditos decretos do denominado governo provisorio dos rebelados para os pegar após logo que o podessemos fazer com vantagem do soberano e de seus fieis vassallos. na certeza de que a terra é pobríssima e precisa acudir com o dinheiro necessário para se pagarem os soldos. Penedo. porque agora conhecemos perfeitamente que temos a nosso favor V. Deus Guarde a V. Illm. Ex. coronel governador da cidade de Sergipe d’El-Rei. S. Sr. tenente-coronel. não só para o 173 . sargento-mór. mandar não será difficil reunirmo-nos e então contamos com feliz sucesso. obediência e amor ao nosso rei. S. o qual deve estar nesta villa de Penedo para se unir com a nossa tropa miliciana. que pela copia junta verá V. Representamos a V. sob o que V. o clero. Devemos apresentar a V. devidas ao augusto rei. e tudo consta do auto publico que fizemos na mesma occasião. a necessidade que temos de um regimento com peças de artilharia. então sem mais temer immediatamente aos vinte nove de Março deste corrente anno. mandando-nos para a barra deste rio com uma embarcação com pessoas para defenderem as do commercio desta terra. todo o auxílio como supplicamos. do que consta e esperamos da integérrima fidelidade de V. clero e povos desta villa e com effeito no dia 31 do mesmo mez se declararam com maiores demonstrações de alegria os nossos continuos sentimentos de fidelidade ao nosso soberano Rei. por serviço de S. por ser aonde mais promptamente podíamos certificar os nossos sentimentos de fidelidade e logo pedimos se conservasse na mesma villa um reforço militar para nos auxiliar contra os rebelados quando vieram sobre nós. João Sexto. Ex.. Sr. José Gregorio da Cruz. Ainda se conservam nesta villa alguns dinheiros pertencentes a corda e poderiam ser mais se não tivesse ido a pouco tempo para a capital o que havia e com este pouco se vão sustentando os que estão no actual serviço. –Eu e os mais chefes das corporações militares. que é fraquíssima pela falta de armas competentes. M. Declaramos guerra a todos os rebeldes e conjurados contra a sagrada pessoa do nosso augusto soberano. e Exm. 1 de abril de 1817. e bem dos seus fieis vassallos nos preste todo auxilio que julgar conveniente na presente circumstancia. coronel. Ex. mande dous brigues armados de guerra para a barra de Jaraguá. comtudo a vista da tropa de linha que V. chefe das milícias dos homens brancos desta villa por si e da parte de todas as pessoas da governança enviou o Reverendo missionário apostólico Francisco José Correia para certificar as pessoas do governo de Villa Nova. a falta de pret que há nesta. nos persuadimos com muito fundamento que com uma simples proposição feita ao povo sem effusão de sangue resultará o feliz effeito que espermos. Ex. e Exm. condicção de pátria ou nação que forem contra o nosso soberano rei e lhe protestamos nossa fidelidade sempre interrupta. S. com a chegada de seus decretos. –Nós abaixo assignados fazemos certo a V. fomos atacados com terríveis ameaças de um entruso governo revolucionário na capital de Pernambuco. João 6º. Miguel Velloso da Silveira Nobrega. que sem risco algum se podem nella conservar a ainda embarcação de alto bordo. Ex. a quem perante V. nosso Senhor D. fidelidade e obediência. Correo a voz popular de que toda a America portugueza se tinha dado as mãos em commum rebellião contra a sagrada pessoa do nosso augusto soberano. Nós vamos tomar as medidas para reunir no nosso partido o resto da comarca das Alagoas e para isto é preciso que V. o Sr.Ignacio Francisco da Fonseca Callaça Galvão. chefes militares e todos os mais fieis vassallos dessa capitania. S. Antonio Luiz da Fonseca M achado. José Gomes Ribeiro. João Sexto. Senhor rei D. pedimos o pompto socorro da triste circumstancia em que nos vemos . Antônio Luiz da Fonseca Machado205 e ao conde dos Arcos. Illm.

V. 206 Carta que escreveu o Senado da Câmara de Penedo à sua Magestade sobre o que se praticou na Revolução Pernambucana.F. Ex. convocou a camara e deo a providencia constante do documento do numero vinte e três. Desde que souberam da obediência que os penedenses tinham prestado à revolução.R. Illm. nos Passos do Conselho. Sr. referente ao procedimento dos habitantes de VilaNova: ―No dia coatro dirigirão ao Excellentissimo Conde General da Bahia o officio no qual representarão as hostilidades terríveis que soffriam de Villa-Nova. não mostravam senão suas indisposições pessoais contra os penedenses. Realmente o partido realista organizou-se em Penedo. huma prova de que elles não obravão por zelo do serviço Real He mostrar-se que achando-se esta Villa já escudada com as Reaes bandeiras desde trinta e hum de Março e fazendo-se-lhes o aviso disto mesmo com o próprio documento e conhecendo que os seus povos não erão capazes de oppor-se ás ordens do Governo de Sua Magestade. Sant’Anna. e de devermos fazer todos uma só e a mesma família para defender a mesma Real causa. Francisco Manoel da Rocha. como se vê no dito documento. capitão commandante.N. vierão como forão vistos de muitos desta villa. M. e patrulhas dos mesmos corrião de noite esta Villa. prourador. pregar nas esquinas della as primeiras proclamações impressas do Excellentissimo Conde General da Bahia de data de vinte e hum de Março: as quaes sendo vistas pelo povo. continuavão cada vez mais com ella digo com as referidas hostilidades. Outra prova da verdade do dito antecedente he o documento de numero vinte e coatro. I. muito mais do que os próprios habitantes de Vila-Nova. abriram-lhes hostilidades. que he o que nos devia somente entereçar por estarmos já no caso de olhar já para a causa do Soberano. Vejamos como procediam os habitantes de Vila-Nova. aos quaes do Penedo dse não fez a menor rezistencia. até restituir-se à capitania todo o seu legitimo domínio.. Manoel Prudente de Barros Leite.G. pois em vez de nos prestarem os auxílios requiridos para a salvação publica. Era debalde que os penedenses pediam ao governador de Sergipe e ao conde dos Arcos providências contra as perseguições que sofriam de Vila-Nova e do sargento comandante do piquete de cavalaria aí destacado. e em menos de duas oras ellas forão repostas nas mesmas esquinas. desde quando eles já defendiam a causa do rei. E transcrevamos aqui um trecho de um manuscrito inédito. fieis. 1 de abril de 1817. Inédito de 50 folhas. Antonio Moreira Lemos. Exm. J. 174 . juiz ordinário. F. e tirando huns por curiosidade para copiar algumas dellas. Simplicio Nery. antes tudo soffrião por obdiencia as Leis de Sua Magestade.procurando a adesão das câmaras da comarca à resistência que levantaram. sabendo-o o Juiz Ordinario afim de que não dessem alguma sinistra interpretação à mesma curiozidade. sobre os acontecimentos em Alagoas206. vigário do Penedo. logo que amanheceu o dia oito. Man. e nem ainda mesmo aquelles que os perseguião com o titulo devassador.. Reprezentarão mais ao mesmo Excellentissimo Conde que davão a conhecer os Povos daquella Villa. e vindo até as margens daquem do Rio roubar. elles na noite do dia sete de Aril. Essas hostilidades não tinham justificativa. Antonio José da Silva Lamego. juiz ordinário. e mesmo testemunhas oculares da nossa fidelidade. mesmo depois que Calassa Galvão e seus companheiros organizaram o partido da resistência. Antonio José da Silva. José Leandro dos Santos. Ex. por isso que elles vinhão aqui todas as vezes que querião armados.S. prendendo as gentes forras e as –cativas que dizião que ião tratar. vereador. atirando com pólvora e balla aos miseráveis que fugião a escapar-se a taes bravos ataques. no qual se lê a carta de data de oito de Abrilque dirigioo capitão de cavallaria Paga da Bahia Jozé Felis Machado ao Sargento Mór das ordenanças desta Villa Antonio da Silva Lemos para fazer regimento que V. vereador. como também para os officiaes milicianos que comem soldo nesta villa. tenente-coronel. Deus Guarde a V. nas quais continuaram. que nesse proceder.G. Vila-Nova não fez mais do que prestar-lhe auxílio.e aprezar de dia e de noite as mesmas canôas. Villa do Penedo.C. porque sendo por elles inteirado.. Conde dos Arcos. que não obravão daquelle modo por zelo do Serviço de Sua Magestade.coronel. um córso formidável pelo Rio aprezando as sumacas desta villa vindas da Bahia saqueando e destruindo as canôas dos Povos que navegarão pello meio do Rio com negocio e mantimento. e bem conhecião que ella estava em paz. mandar.

que entretanto. quando já tinham posto em prática todas as medidas para oporem-se à vitória da revolução. lembrando nella que seria muito a favor desta mesma Villa hum. o capitão de cavalaria da Legião de Honra da Bahia. de Villa -Nova nada se nos respondia. ―Desesperada com tantas oppressões a camara se ajunta no dia treze e accordam em mandar ao Excellentissimo Conde General da Bahia em que lhe participava as tristes circunstancias em que se vião estes povos sem dar ao Ajudante de ordenanças Antonio Fernandes dos Santos. no dia 18 de abril. Precedeu-a uma portaria do comandante da infantaria destacada em Villa-Nova. ao capitão-mor José Gregório da Cruz.pregar as proclamações que com ella enviou. a fim de não ser alvo do saque e da rapinagem. Diz ainda o manuscrito: ―Mandando pois a camara a Villa-Nova entregar o referido officio de numero vinte e sete ao mencionado capitão de cavallaria Paga pelo referido Alferes Manoel José Gomes. chegou a Vila-Nova. cujos habitantes convocam a câmara. levando seus mais preciosos haveres. Eles não se inspiravam na defesa da causa do rei. Anacleto do Rosário. Esse estado de coisas continuaria. que já tinha solicitado do governador de alagoas permissão para fazê-la. como tudo se lê no mesmo documento‖. o despeito. de que toda a hora vinhão saquear esta o que deu motivo a entrarem a dezertar della varias familias. pedindo auxílios às forças de Vila-Nova. prendem o ajudante do regimento dos Homens Pardos. da pressão. e que 175 . as prevenções anteriores. apresentaram-se as autoridades militares de Villa-Nova e deram ordem de prisão ao coronel Calassa Galvão. se não chega a Vila-Nova. José Félix Machado. Entretanto . José Félix Machado. auxiliado pelo seu ajudante Miguel dos Anjos Souto Maior e o alferes do regimento dos Henrique. foram conduzidos para VillaNova e depois para a Bahia. capitão de ordenanças de Vila-Nova. e finalmente só tínhamos a noticia dada por alguns daquella villa. Suspendem-se então as perseguições que os habitantes de Vila-Nova infligiam aos de Penedo. e mal acabavam seus membros de assinar a ata. o marechal Joaquim de Mello Leite Cogominho Lacerda. eram considerados patriotas. foram presos pela realistas de Vila-Nova e enviados para a Bahia. Ainda mais: logo que contaram com o auxílio das forças de Sergipe. faziam com que Bento de Melo Pereira. e o homem João Gacheiro setenta mil réis para o irem entregar por via de mar visto que de terra não eram favorecidos.‖ Além disto os emissários de Vila-Nova aprisionam um barco que vinha carregado de farinha de Cururipe para Penedo. revolucionários. Dirigiu-se a diligência o capitão de ordenanças Bento de Melo Pereira. isto é. Ela reúne-se no dia 16 de abril. quando o primeiro emissário do Conde dos Arcos.. que lhes foram pedidas pelo emissário que mandaram a Vila-Nova. ao sargento-mor Miguel Veloso da Silva Nóbrega. nos dias de março. porque inconstestavelmente a adesão prestada pelos penedenses à revolução. Os maiores desatinos foram cometidos e a população teve de procurar os campos. este foi preso. E tanto assim é que. a fim de lançarem um protesto e tomarem medidas contra um tal estado de coisas.Nós abaixo assinados. As intrigas. o mais perto que pudesse ser de Pernambuco. enviado para Sergipe de El-Rey. promovesse as perseguições contra os chefes da reação. foi o efeito do medo..do Clero e Povo pedindo um commandante de tropas à vontade do Excellentissimo Conde General da Bahia. que por ordem do conde dos Arcos ia a Pernambuco bater os revoltosos. e fazem propalar que estavam dispostos a prender e até a matar impunemente os chefes da guarnição de Penedo. que presos. Manoel Luiz das Chagas. do terror. Calassa Galvão já promovia a reação. continuavão os saques e as prisões dos que tranzitavão pelo Rio. Penedo foi declarado em sítio. o padre Correa.

coronei e sargento-mor do Regimento dos Brancos reputados os principaes cabeças da revolta. onde aquella de Penedo é situada.registraram em documento sua adesão à causa do soberano. Os Mártires Pernambucanos. que jaz sobre a margem opposta do rio S. 59. ao passar ela em Vila-Nova. Informados da marcha dos soldados da Bahia. 500 homens. 208 Achamos muito judiciosas as seguintes palavras do Dr. A ida da deputação antecedeu à chegada de José Félix em Vila-Nova. como pedir-lhes auxílio. foi a causa principal da contra revolução. criando dois batalhões de voluntários – o dos brancos e o dos pardos. Tavares. não tardaram receber justo prêmio: a villa rival muito mais ufana enviou dous dos seus officiaes. Francisco. os habitantes de villa Nova começaram a aprehender e roubar todas as canoas da sua rival. e aquella mesma Camara curvou o cóllo.coronel José Gomes Ribeiro e o coronel Francisco Manoel Martins Ramos partem para Pernambuco.207 Passa-se Cogominho a Penedo. enviada para S. nas medidas que punham em prática. concluir que o estímulo dos chefes legalistas de Vila-Nova não era defender simplesmente as instituições. no intuito não só de comunicar ao vice-rei a posição que já tinham assumido. protestando fidelidade ao monarcha. p. 100 homens. o qual comandava as forças que vinham bater os revolucionários. suas paixões e seus ódios. como patriotas e revolucionários. 100 homens. Podemos. Eles satisfaziam..que sob o comando do tenente. milícias de Sto. A antiga rivalidade desta villa com outra denominada villa Nova. 176 . Amaro. Cristóvão e depois para a Bahia. em sua Hist.182: “ A villa de Penedo foi a primeira a abaixar-se. pois. E aí fica ele descrito.208 Não nos compete acompanhar as lutas. para que exigissem com garantia a prisão immediata do capitão mor. Da Revol. satisfaz a arrogante exigencia e remetteo-os presosa a sua rival. cujos membros eram: o missionário Francisco José Correa. Amaro. Nosso fim é mostrar o papel de Sergipe perante a revolução de 1817. E era isto mesmo o que eles pediam. cavalaria miliciana de Sto. Estas forças combateram no engenho Guerra contra as tropas dos patriotas pernambucanos. fazendo parte das forças realistas. por intermédio da deputação. que diziam estar próximo a chegar . e ameaçando de extermínio legal com a força. o capitão de milícias Francisco de Souza Machado e o capitão de ordenanças Francisco Moreira da Silva Lemos. p. foi presa. onde organiza as forças militares. “Tendo os penedenses arvorado a bandeira real. a qual encorrentando-os os presos á Bahia. Pois bem. 207 De Sergipe marcharam as seguintes forças: cavalaria miliciana de Sergipe. enviaram uma deputação a Bahia.

que a capitania de Sergipe d’El-Rei tenha hum Governo independente do dessa Capitania. izenta-la absolutamente da sugeição em que até agora tem estado desse Governo. Foi despachado primeiro governador de Sergipe o Brigadeiro Carlos Marcos Bulamarque. Amigo: “Eu El-Rei vos envio muito saudar como aquelle que amo. 177 . angariou a simpatia do soberano. comunicando-se directamente com a secretarias de Estado competentes e podendo conceder sesmarias na fórma das Minhas Reaes Ordens. privando-se a nova capitania da emancipação que o soberano lhe concedia. 209 Conde de Palma do Meu Conselho. As palavras de Bulamarque não podem ser acoimadas de apaixonadas. este decreto tornou-se uma letra morta. Escrevo no Palacio do Rio d Janeiro em oito de julho de mil oitocentos e vinte. Eis o que ele dizia: ― Por ter feito o meu dever de Vassallo fiel de sua Magestade.CAPÍTULO V SERGIPE. por ter também satisfeito ao outro dever de bom cidadão. Tomou posse em 20 de fevereiro de 1821. que lhes quis dar uma prova de reconhecimento. isentos da tutela em que tinham estado. no inicio de sua administração. reduziu seu governo à sua dependência. completamente independente do governo da Bahia. Por elas sente-se a integridade de caráter do ilustre governador. Convindo muito ao bom regimen deste Reino do Brazil. contra os ilustres democratas que quiseram fundar o governo republicano. elevando estas comarcas à categoria de capitanias independentes. Adiante mostraremos ao leitor que esse fato não justifica o atentado cometido. e a prosperidade a que Me proponho Eleva-lo. Rey. CAPITANIA INTERVENÇÃO DA BAHIA. e pela outra. e uma nova vida administrativa e econômica ia prender a atividade de seus filhos. procurando justificar-se esse arbítrio com o obstáculo que ofereceu então o seu governador ao juramento da constituição. podendo conceder sesmarias. porém. que na Bahia já se achava aclamada e jurada. O procedimento que os habitantes de Sergipe e Alagoas e Rio Grande do Norte assumiram perante a revolução de 1817. nomeado por carta régia de 24 de Outubro de 1820. JURAMENTO DA CONSTITUIÇÃO E ACLAMAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA. Hei por bem por Decreto da data desta. pelos serviços prestados. por Decreto de 8 de julho de 1820209 foi Sergipe elevada à categoria de capitania. prestando importante contingente a vitória do partido realista. a quem tinha jurado preito a homenagem. levando seus governadores dirigem-se diretamente às secretarias do Estado. como dantes era. O que Me pareceu participarvos para que assim o tenhais entendido. e pela pressão da força. Governador e Capitão General da Capitania da Bahia. Entreguemos a Bulamarque descrever os acontecimentos que se operaram. Declarando-a independente totalmente para que os Governadores della a governem na fórma praticada nas mais capitanias independentes. pelos quais a Bahia levou o pânico a Sergipe. E da Bahia partiu esse atentado contra a autonomia administrativa da nova capitania. O decreto rompia de todo os laços de dependência em que Sergipe tinha vivido até então para com a Bahia. por uma parte. Muito cedo. Realmente.

( hoje membro do Governo) e lhe disia que hia dormir no Engenho Barbado e sendo a revoluçãono dia 10. não esteve por nada disto. e obrigou-me a tomar posse. as Authoridades Ecclesiasticas. e despezas. o Senhor Ouvidor pela Lei. 17 leguas da Bahia. e me obrigarão que tomasse posse e eu aceitei. e muito menos a sua letra. que. e manter nesta Provincia no mesmo estado em que esteve até hoje. qual he a vontade e determinação de Sua Magestade. mandar-me buscar ao caminho. que diz ser secretario de huma junta. no forte do Mar da Bahia. Cheguei a Sergipe na tarde do dia 19 do mesmo mez. e nada eu sabia do que tinha se passado. a província de Sergipe d`El –rei. e separada da Bahia. e outra em que me não desse posse. e recomendável na capitania. e o Ajudante das Milicias Jose Joaquim Ferreira. Vigario Geral. e pela ootra a incurialidade. ― Todos se conspirarão contra tal repugnância. e que me repellisse para fora da Capitania. ou corrigida. e nella vinhão taes cartas dirigidas ao sobredito Luiz Antonio da Fonseca Machado. que tinha servido de latrina. Não havia no sobredito dia 20. como tudo se verá pelo relatório abaixo excripto substanciado com documentos. os prelados das ordens. e vontade geral. ― He de notar. o Procurador. única authoridade. o que não se effectuou por então não convir. a real Junta da Fazenda. João VI. e única a quem era indisputavel este direito. e aos seus mandados. com uma força armada de três Armas e hum parque d`Artilheria.) Fiz-lhe ler os tais papeis. tendo pedido a ultima á mais de dez annos. ou até quando a vontade geral de seus irmãos situados no Brazil e dêem a conhecer de um modo legal. Naquella epocha nem a Bahia nem Sergipe se oppoz. e independente. ― A má locação e arranjo deste relatório. que tem a El-Rei Nosso Sennhor. ―No dia 20 de madrugada. 210 ―Fez-se de tudo hum termo . separada. e ás cortes. vinda da Bahia. fiquei deslocado. preso e suplantado. e afastando a guerra civil. no dia 11. perseguido. visto ter já ido por duas vias para as côrtes em Lisboa. desde o primeiro do dito mez de Janeiro em diante. e na ocasião em que lavrou o termo 210 No dia vinte do corrente mez de Fevereiro do anno de mil oitocentos e vinte e um: sendo presente o Senhor Governador Luiz Antonia da Fonseca Machado. independente. sem consultar primeiro a opinião. vindos da Bahia. e todo mais o povo que poude entrar. evitando as desordens. que naquelle dia achavan-se em Sergipe tudo o que há de bom. o que conseguião. que lhe pertence. o Ouvidor pela lei. podia. ― Cheguei a Bahia para hir ao meu destino a 3 de Janeiro de 1821 e então o Conde de Palma. e derribado do logar para onde Sua Magestade me tinha nomeado. depois da garantia pelos Chefes dos Corpos. Devendo ser mui mortificante á sua Magestade. que o Governo da Bahia escravisasse. por Decreto de 8 de Julho do anno passado. o Senhor Juiz Ordinário Presidente da Camara desta Cidade. Capitães Móraes. aparecerão em minha casa. que ninguém conhecia. homem de péssima conducta e caracter. até que saiba por modo authentico. é dividido ao estado por atribuição que devia rasultar de estar mettido em uma masmorra. por huma parte. outra em que ordenava o juramento geral. e que não devia ser emendada. e pela daquelles que lhes são subordinados dando-se parte immediantamente Sua Magetade de todo o acontecido para se esperar a Sua Ulterior Determinação: e para 178 . cada hum pela parte. e se alguém em Sergipe o sabia não dizia. e certo. ( trabalhei muito para que não o matassem. ― Luiz Antonio de Fonceca Machado. pois eu estava em Santa Anna. ― O mesmo Senhor houve por bem nomear-me Governador da dita província em 25 do mesmo mez da independência. e tomando em consideração este congresso a muita fidelidade. para que estas ficassem pertecendo a Sergipe. ― Tendo-se creado em 8 de Julho de 1820. por sua Magestade El-rei D. pelo que tinha feito quando serviu ali) o qual se apresentou um a malla que se abriu. e legal. composta de nove membros. então havia. uma tratava do sucesso do dia 10 na Bahia. que a Bahia lá lhe levou.não compromettendo os povos. servindo-se até da força. As authoridades acima nomeados affianção e protestão aoiar. Prelados das religiões. assentão-se conservar-se firmes na sua fidelidade indelével. distante da Bahia 5 leguas. ―Parti desta cidade a 5 de Fevereiro e a 9 do dito mez cheguei á Pitinga. garantir e manter tudo quanto neste termo vai declarado. então Governador. e taes procedimentos. o que eu não quis fazer. e Commandante dos Corpos foram presentes três cartas. tão desconhecidos nesta Capitania como o mesmo secretário. ― Congregarão-se para isso em minha casa: a Camara. ou representou contra a independencia. que eu tinha que tomar posse. Luiz Antonio da Fonseca Machado. os Chefes e Officiaes Superiores dos Corpos. relatei-lheo estado das cousas e repugnância. e assignadas por José Caetano de Paiva. e pozesse outra vez debaixo do seu jugo aquella Capitania. e irregularidade de taes participações. e mais Officiaes das Ordenanças. e eu fizemos um termo declaratório e relativo as rendas. assignadas por hum homem chamado José Caetano de Paiva. para me poupar incomodo. e na tarde do dia 9 escrevia Francisco de Paulo d`Oliveira.

e ali assumidas). ―Sucessivamente. para onde o remetto. que o tenente coronel Manoel Rolemberg de Azevedo Accioli fosse encarregado especialmente a Sua Magestade El-Rei Nosso Senhor o termo acima retro. capitão mor. nomeei uma inteiramente composto. hum Escrivão. e expontaneo. ― No decurso do meu Governo. o não querer eu. não se seguindo prejuízo na pequena demora. José da Motta Nunes. ― Os passaportes tanto por Mar como por terra forão sempre francos. na Camara dessa Villa. o vigário. qua az as vezes de Procurador da Corôa. eu. Sustentai pois o que naquelle dia se fez. que não há um só homem. para darem as contas. por uma parte. que lhe marquei. Bento Antonio da Conceição Mattos. o Ouvidor pela Lei. presidente em capítulo. alferes. Simeão Telles de Menezes. Antonio Luiz. Era Supra. entreguei aos sobreditos Chefes. e pela outra. comportamento e seriedade nos vossos juízos. primeiro ajudante Francisco Sales de Thomaz. coronel José de Barros Pimentel. Está conforme o Secretário do Governo José Antonio Fernandes. três bêbados. o que há de recomendável nesta província. o Procurador. para a junta da Real Fazenda. José Agostinho da Silva Daltro. que mereceis. e O Presidente da Camara esta assignou. caso na Bahia lh‘o não tirassem. capitão. Post Scriptum. tantos officiaes. mais livre. ( não acontecendo assim com as minhas Cartas. sargento mor commandante. e mandou também pôr em praça os Contratos Reaes: porem nada teve effeito porque só houve vinte e seis dias de Governo de facto. Manoel Vicente de Carvalho Aranha. deu motivo este sucesso ao Bando . Manoel Rolemberg de Azevedo. estavão ainda na Côrte. Frei Luiz da Virgem Maria. que proclamassem a Constituição. das 179 . quereis perder todo o conceito. tenente secretário. O Ouvidor interino José Ribeiro Navarro. capitão da segunda companhia do corpo de linha. e nunca me forão restituídas. e até officiaes da Cortê forão interceptados no correio. ou empedissem quem viesse ou fosse para a Bahia. sargento mor Comandante. tenente coronel commandante. e que por aquelle estado de cousas.um soldado armado ou na fileira. e o Artista não são incommodados no seu tráfico. tenente. que se hia criar. que querem o que não sabem. guardião do convento do Recife. onde se achava junto todo. para cada hum. Sergipe de El-Rei e Cidade de S. até a chegada da embarcação que mandei ao Rio de Janeiro. e receber do mesmo Senhor as suas Determinações e Ordens. Domingos Dias Coelho Mello. Hermenegildo José Telles. vigário geral. que pgnam pelo que não entendem? Lembrai-vos. Vós bem o sabeis vós o experimentaes. com d’antes e a navegação continua. Esta Repartição mandou chamar os differentes recebedores. e o Senhor Tenente Coronel Manoel Rolemberg de Azevedo e Accioli. que no dia sempre memorável vinte do passado nesta cidade. as Authoridades civis. capitão Joaquim Francisco d’Albuquerque Lima Capitão. hum fiscal. O Juiz Ordinário Bento Antonio da Conceição e Mattos. José Antonio Neves Horta. mandando para os portos de Cotinguiba. o vereador José Manoel Machado de Araujo. quena História se tem lido: acto. e obrigar ao carregador a assignar fiança ao Disimo. José do Carmo da Silva Ribeiro. Francisco Manoel da Rocha. Fiz sahir todas as embarcações que estavão carregadas e que continuasse o Comércio como até ali. Cristovão – Luiz Antônio da Fonseca Machado. que deve haver. He sabido de todos . coronel Guilherme José Nabuco de Araújo. ou alguém empregado della. e o chefe da Legião de Milicias. Alexandre da Cruz Brandão. Estância e Itaporanga. Major. José Alves Quaresma. o escrivão José Carlos Novaes Lins. Francisco Moreira de Sá Maramaqui. o syndico da camara e fiscal da Real Fazenda. como Presidente. Esta demora não vos causa incomodo. e os que havia estavão em suas casas e pertenciam ao chefe ali presentes que me obrigarão a posse e a garantião. para tomar conta do que sahia. que de graça esteja fora da sua casa empreado em serviço. fazer disto assento. Frei Jeronymo de São Pedro de Alcantara. João Antonio Dine. o socego publico. e para evitar assignaturas progressivas: o Ouvidor pel Lei. os portos estão abertos. e a Policia dos distritos. e um Thesoureiro . Ouvidor José Ribeiro Navarro: o Juiz ordinário. como particulares: pois todas eram abertas. e quiseram persuadilas. o Negociante. na Estancia convidarão a camara. Frei Francisco de Sales e Souza. capitão da primeira companhia de linha. acentão por unânime parecer este Congresso. tenente. Prohibi-lhes que embargassem. tenente. tenente coronel. Angelo Antonio Mendes. a que se opposerão 211 as ditas authoridades e não houve effeito algum. o Lavrador. o vereador Pedro Celestino de Souza Gama. alastrada de desgraçados. ―E como os membros nomeados. que para o futuro fará sempre honraaos Sergipanos: o podeis ler. prendessem. se fez o acto. quando pelo contrário vós vedes a margem do Sul de Itapicurú. não verião tão cedo. por actos irregulares dictados por facciosos. hum Fiscal. brigadeiro governador. prior do Convento do Carmo. 211 Povos da Estancia e Villa de Santa Luzia que tendes tido até aqui por timbre a felicidade e regularidade. Carlos Valeriano Leitão Bandeira. não foi preso ninguém por Opinião e quando no dia 4 de Março deste Anno. Luiz Antonio Esteves. e ver nelle se assignou. ter só a responsabilidade da Real Fazenda e não havendo naquella época nenhuma repartição de Fazenda. Tendo toda a que vai o mesmo Senhor Luiz Antonio da Fonseca Machado. o vereador José Rodrigues Bastos.

com tudo espíritos ambiciosos. olhai quem vos rodeia. auxiliada por quatro Companhias: duas da Cavallaria e duas da Infantaria ( todas de Milicias da Legião da Estancia) com um parque da artilharia marcharão no dia 14 sobre Sergipe. huma légua distante da Cidade: tendo quatro dias antes. só como differença nas posições. ellas nos serão anunciadas em pouco tempo. 180 . Todos devem vir armados e municiados. e o apronptará para defesa . (quando somos atacados sem ter dado motivos) inata a todoanimal. ó proprietários. e a Cavalaria nas immediaçãoe com os corpos de Infantaria. escrevi aos chefes dos Corpos circular . que dizem esta na Estância e não lhe possível. Deus guarde a Vossa Senhoria. vossos interesses. que para o futuro qui se hão de arrematar as Rendas. e eu vos afianço. dados por Deus. e separa da Bahia em 8 de Julho do anno passado por Sua Magestade. assim como hão de ser alimentados e se Vossa Senhoria achar embaraço. e sordidamente da idéia. qua a Bahia tivesse vistas hostis sobre uma Capitania. e sabendo que já tinham 213 desembarcado. Esperai. que se levantassem antes de chegar a força: o que não teve effeito porque o povo não approvou. que não tradão. Toda a Infantaria. e como a despeza natural. com tudo ameaça o vosso socego. mandei publicar o Bando . entre Ella. participe-me imediatamente por escripto. 12 de Portugal. Missões e Arraiaes: vossos avós fizeram sempre huma grande figura na História. mandado o Commandante da dita força. A guerra que houve a Sustentar com os Holandezes e com os Francezes nos subminstrão factos. mais foi tal o motim que promoverão na cidade. Que conseqüências tão funestas senão poderão seguir de semelhantes insediações? Accautelai-vos ó povo bom mas ignorante. vierão tão devagar e tão assustados. o vosso comércio esta no pé antigo. e muitos gozos. tende sofrimento. como desembarcou 212 no dia 12 de Março. a toda sociedade e a todo mundo Vossa Senhoria convocará o corpo que está debaixo de suas ordens. torno a repetir. Guilherme José Nabuco de Araujo. no seis de suas famílias. José Vaz Lopes. que lhe He sagrado não consentiu ainda entre si a opinião.entrando em huma povoação. 13 de março de 1821.certeza que a força armada estava na Barra da Estancia. porque esta Capitania já mandou recebel-las e porque aquelle Augosto Senhor. e desarmada. situados nas diferentes Villas. todo o Mundo se presuade estar munido de igual direito . as reoluções de Sua Magestade não podem nas circunstancias actuaes serem morosas. nos corações de vossos filhos. achamo-nos achamo-nos pois em uma crise. que não sendo tão violenta como aquela. que queirão atacar seus irmãos. a Sergipe. e pôren-se no risco de ver verter sangue. Demorai-vos. e a persuadir gente da cidade. e Estancia. demoraivos poi. o Ajudante de Milicias Francisco Correia da Silva. fazendo-lhe ver estas verdades. e em que número relativo a vós e conclui que quando si está em estado de convulção. mas por isto mostrão a sua imconsequência. tem as suas famílias em orfandades. esperai mais um pouco. atição os que ca tem por delegados.Sergipe d’El-Rei. por valor e lealdade aos vossos Legitimos soberanos. e sendo a distancia. pois a Povoação das Laranjeiras. Major Comandante da Legião de Santa Luzia . ― A força armada. aqui recebe-las e gasta-las. emotin. Não vos amedronte a força. que pela relações e paretescos se há de confundir com horror e natureza.B. e vossa fidelidade que prometestes aos órgãos de vossos superiores sustentar indelével até que Sua Magestade desse. vossa honra. nem embaraçada. Superior independente Da qualidade Ordenanças que não tendo o que comer. dogo que sejamos atacados. 212 Jamais me persuadi. Ilmo Sr. Deixai a Bahia e aprendamos della o que nos convem. no dia 15. e providencias. que voga na Bahia. e fizesse saber-nos suas decisivas Ordens. a huma Capitania quieta. e data se expedirão para tos os commandantes dos Corpos da Capitania. que por cumprir o dever. só de dose léguas. e não sei a que. grandes povoações. 11 de março de 1821 Carlos Cezar Burlamaque . a memória grata dos feitos dos seus ascendentes. N. com o que He seu. ó Magistrados e preveni-vos. velai. Sergipe d’El-Rei. onde estava hum Official.Carlos Cezar Burlamaqui. a que não tem direito algum de governo. ficando a cidade entalada. o bom resultado. que se lhe há de pagar. os portos abertos e a estrada franca. e toma regularmente parte nella. não ignora a este tempo os sucessos da Bahia. e a desgraçada e sempre terrível sublevação de Pernambuco fez reviver. a falta de respeito . e fomentam insurreições. que amirão. a espalhar Proclamações. entre a barra e a Povoação. conta vós é que se atirarão as setas envenenadas. e da Ordem Militar. tendo no mesmo dia feito jurar a gente da Estancia. e que desembarcava. que só no dia 17 chegarão ao Rio Comprido. ou dificuldade na execução desta . e depois de lhe extranhar a falta de delicadesa. ― No dia 17 pela tarde veiu outra vez o tal Ajudante e o Tenente do Batalhão n. que o está de fcto e de direito. 213 Povos Sergipanos. visto aqui não o haver de Sua Magestade. – De igual theor. Parei dahi em diante com mais medidas. A vossa lavoura não tem sido interrompida. que me obrigarão a manda-los chamar. jurou a constituição. Esta província instalada. não faz dúvidas a ninguém. Se se tal acontece infelizes habitantes! Sergipe 6 de narço de 1821 – Carlos Cezar Burlamaque. mas certificados. com tudo noticias certas que me tem que sendo poucas.

do Theor seguinte. – Joaquim Inácio Ribeiro de Lima. pôr em contingência a segurança dos povos. Eu Francisco de Paula Madoreira. a auxiliadora da Estancia e hum Parque de Artilheria. – Luiz Antonio Esteves. e não querendo o dito Governador. – O Procurador Francisco Moreira da Silva Marramaque. – Silvestre Gonçalves Barroso. tocando nos muros. que as assignaturas do concerto supra são dos próprios escrivães nelle contendo. José Carlos Novaes Lins. Vigario Geral das Vacantes. – O Capitão José Ribeiro Navarro. que disião para a dita casa da Camara: ahi derão vivas: (porém elles sós) chamarão as Authoridades. nesta Capitania. que tendo em frente a força armada e evazoura da Bahia. por Sua Magestade Fedelissima. no dia e era. Na tarde pois do dito dia 17 convoquei a Camara. que lhe forão confiados. & C. José Ribeiro Navarro. de fronte da casa da Camara com as baionetas. foi que o Tenente Vaz foi quem me conduziu á Bahia excoltando os Officiaes presos e o dito Ajudante de Milicias Francisco Correia da Silva. – Cetific. e Civil. – Carlos Cesar Burlamarque. Escrivão da Camara o subescrevi.Termo de protesto. o que fizerão immediatamente e não querendo nenhum delles jurar. E concertado por mim Escrivão Francisco de Paula Madoreira. que eu escrivão fielmente fiz passar a presente certidão. a dita Camara tomou entrega do sobredito Governo. e todas as authoridades. ouvidor interino. e o das Vacantes. assignado. nem devendo. Vigario. e o Capitão Mor. e pelo outro da promessa de mais soldo. ao qual me reporto. ―Mandei entregar a chave da Secretaria ao Ouvidor pela lei. com se vê .Aos dezoito dias do mês de março de mil oitocentos e vinte e hum annos. e os mais todos abaixo assignados: declarou o dito Governador. . o Major Rucel. por meio de uma gerra civil. e da força armada estar a porta. para que o dito Coronel me forneceria os meios. lhe confiou. – e comigo Escrivão da Correição. Collado. e Juiz de India e Mina. ―Perguntando ao Coronel Bento da França. Juiz Ordinário mais velho desta Cidade. Carlos Cesar Burlamaqui. e as fiserão jurar. que tendo ordem positiva para me não fallar em juramento nem a meus filhos. morrões acesos e a Cavallaria com as pistolas na mão. e Nottas. e o dito Coronel mandou então a minha casa. Ouvidor Geral interino. ―Formarão em batalha. a excepção se resistisse. – Antonio José Gonçalves de Figueiredo. Magestade. e Camara nesta Cidade de São Christovão se Sergipe d’El-Rei. conduziu também preso o secretário). etc.O Ouvidor Interino José Ribeiro Navarro – O Juiz Bento Antonio da Conceição Mattos. e o Capitão Mor. com força armada. Capitão Mór das Ordenanças. era inquietado com a requisição de que sahisse. em casa de Presidencia do Governador desta Provincia. e que recebeu da dita Camara. com tudo os mais officiaes e inferiores deverião la hir. e de como assim o disse. concedeu-se-me. pedi alguns dias para me apromptar. Ouvidor. e sua Comarca. que Deus Gruade. e a auxiliar da legião de Santa Luzia da Estancia. – O Vereador José Manuel Machado de Araújo. Vigario Colado e Geral Forence e o das vacantes. em que o sobredito Governador. Declaro que este termo foi feito nesta cidade de Sergipe d’El-Rei. e que eu me devia recolher á Bahia. Escrivão da Ouvidoria Geral. Camara. – José Vianna Glascock. – O Vereador Pedro Celestino de Souza Gama. principalmente nesta cidade. escrivão o declarei. Capitão de Ordenanças. e na mesma. e não havendo. que eu não fosse preso por modo algum. e mandou a mesma fazer este termo. a diser-me. e eu fechei as minhas portas. entreguei o 214 Governo interinamente no seio da Camara. Sergipe d’ El-Rei 18 de março de 1821. eu dto. com as testemunhas presentes. acompanhado pelo tenente Vaz e uma escolta da Cavallaria. que presentemente serve nelle se acha o Termo de Protesto feito pelo Excelentíssimo Senhor Governador desta Capitania Carlos Cezar Burlamaqui em presença da Camara. o que effectuei no dia 25. que eu precisasse. carregado de metralha. mas todos os dias.O Vereador José Rodrigues Basto. ut supra retro. com quantos meios podem haver em Dierito contra a violência. Major. e soltou ( o que mais graça teve. ―No dia 18 ás 7 horas da manhã. que se acha escripto no livro. escrivão da Camara o escrevi. respondeu-me que se lhe tinha prohibido o falar-me em Constituição. – Henrique Luiz de Araujo Maciel. nenhuma força. Tenente Comandante do Destacamento. Tabelião do Publico. entrarão pela Cidade o Coronel Bento da França Pinto e Oliveira com a força armada. que bigudiou a prisão. Judicial. Faço saber.de Governador: os prendi á ordem de Sua Majestade e os mandei entragar ao chefe da força armada . 181 . que escrevi. odiosa e terrível ao coração de S. que revemdo o livro de Vereações. professo na ordem de christo estando present o corpo da camara desta cidade. e o mesmo aconteceu aos inferiores. – O Vigario Parochial. que conferi com outro Official abaixo. forão todos presos. que se lhe faz. cederão e jurarão. Vigario Collado da Freguesia do Socorro. com tudo. e Correição. mas estes no outro dia sendo ameaçados de baixa e prenchadas por um lado. que hei por justificado.e nada mais se continha no dito termo de protesto. José Carlos Novaes Lins. vinda da Bahia. – Chistovão de Abreu de Carvalho Contreiras. Escrivão de Crime . que ordens havia a meu respeito. Eu Francisco de Paula Madoreira. e em consequencia do estado das cousas. Protestando. 214 Francisco de Palula Madureira. e a Artilheria embocada ás ruas. e Geral Forense.. assignarão. ao concerto. e Geral Seraphim Alves da Rocha.

jurão a Constituição. que não se podia viver nella. o Capitão Manoel Jose de Castro. ―Entre as violências e prepotências praticadas pelo Governo da Bahia. para sua Inteligência. e que desentulhou aquella noite. 215 ― Depois de quarenta e oito horas dirigi ao Governo o que se vê . – Carlos Cesar Burlamarque. prende então os meus dous filhos. ― No caminho chegou-se a mim o Capitão de Cavallaria. todos prezos estávamos promptos. e o segundo foi solto no dia 16 de abril. ― Gastei 15 dias para chegar a Bahia e achei o lugar Congrurú ( distante da Bahia três léguas ) huma ordem para o Tenente Vaz que logo que ali chegasse se dirigisse comigo e mais Officiaes á Água de Meninos ou Quartel de Cavallaria e que ali recebia ordem. 216 Em conseqüência das Ordens de Sua Magestade. ( ficando sujeito ao da Bahia ) o Brigadeiro reformado Pedro Vieira. que estavam 215 Representa a Vossa Excellencias o abaixo assignado Governador se Sergipe d’ El-Rei. toda a gente da Cidade era despedida para lhe procurarem papeis. e Inferior. por sermos sós no Governo. os Oficiais. que estava preso. transcripta no decreto junto. que se vai Organisar nas Cortes de Lisboa. e os meus filhos soltos. escrevi 218 novamente ao mesmo Governo o que se vê . Bahia 10 de abril de 1821. os officiaes. o que se vê e ao Governo 217 Provinincial escrevi o que se devisa . ― Imediatamente que li o decreto de sua majestade de 7 de Março. Magestade. que lhe é devida com o seu bem estar. que sua Magestade o fez. para eu entrar de tal modo fedorenta. e hum Sargento. e os meus Ajudantes d’Ordens. Illustrissimos e Excellentissimos Senhores do Governo Provincial. dejejamos. mas já desde longe éramos Escoltados por Patrulhas de Cavallaria. Illustrissimos e Excellentissimos Senhores do Governo Provisional. e o mesmo eu farei. calor.― No dia 21 foi instalado no governo da Provincia. com os despropósitos. ―Entramos na cidade ás 8 horas da noite. sendo mui coherente tal nomeação. que não cheira mais Despota por que foi nomeado pelo Governo liberal da Bahia cheirava eu por ter sido por El-rei! ― Nos dias em que me demorei em Sergipe ao depois de ter entrado a força armada. e vendo que nenhuma resposta. 217 Ilustrissimos e Excellentissimos Senhores. Comandante do Corpo que se havia de criar em Sergipe. Agora pelo decreto de S. e ao depois passarãopara Santa Thereza onde o primeiro se conserva preso. e em reverencia ao Decreto de 7 de março deste anno. e humidade. nos achamos pronptos. pois que tendo sido derribado o conde de Palma e eu. que tendo sido lançado em uma masmorra horrível no Forte do Mar inhabitável. e pequena. ― Atirarão comigo a huma masmorra. de não terme querido jurar a Constituição. que tinha serviço de latrina. Carlos Cezar Burlamarque. o communicassem na Missa Conventual: o segundo ignora-se. e porque o Governo de hum cheira a tyrannia. pelo único motivo. o Geral da Província e Paroco da cidade. e requeiro a Vossas excellencias a soltura dos fitos officiaes. e exigo a sua soltura. Officiaes e Official interior. Deus Guarde Vossas Excelências. eu e os meus ajudantes d’Ordens. e elle por sua authoridade. ou solução tinha. do seu interino Commando. ficou em Sergipe um só . ordenei ao Capitão Manoel José 216 de Castro. e na mesma occasião pedia a Vossas Excellencias a soltura 182 .Forte do Barbalho 12 de abril de 1821. e Felicio Paes. Pedro desta cidade. No dia 13 do corrente fui eu. e de mui bom coração a cumprir aquelle sobredito Decreto. humida. que tanto eu. porque até jurou a Constituição. Carlos Cesar Burlamarque. os meus Ajudantes d’ Ordens. ― Mandaram-me mudar para o Forte do Barbalho. quente. Forte do Barbalho 12 de abril de 1821. que sua Magestade o fez. e com senitnelas à vista. Achando-se prezos no Forte de S. o Tenente José de Carmo Ribeiro. e o de muitos. antes de vera força armada. Na data de hontem tive a honga de participar a Vossa Excellencias. que já até então havia. Santa Barbara e me disse que por ordem do Governo me condusia para o Forte do mar e que os Officiaes hião para S. e ocasião participo ao Governo desta Província. e a jurarmos a Cosntituição do mesmo modo. os Alferes João Maria Sampaio. o que lhe participo. os ditos presos. e irão havendo. Em conseqüência do que peço. pelo tamanho. Nesta data. ambos estiverão no Aljube incommunicaveis. Pedro. com o fim de segurar a dependência e a escravidão das províncias e as suas rendas. que não era Constitucional. escripto aos mais Vigários. e que não havendo em o dito Forte nenhuma outra posição. 218 Illustrissimos e excellentissimos Senhores. – Senhor Capitão Manuel José de Castro. datado em 7 de Março do corrente anno. e o Vigário de Nossa Senhora do Socorro: o primeiro porque tinha explicado o Evangelho. que há. a sua passagem franca para onde lhes convier. a Liberdade. que acha bastantemente doente pede a Vossas Excellencias llhe remova a prisão para outra parte: onde se reunão à decência. fez a prisão dos Vigarios. e quando estávamos dentro do porto. Deus guarde a Vossa Senhoria. he que me disse. ou casa. Vossa Senhoria. e Sargentos. o representante. e queríamos jurar a Constituição da mesma maneira. isto mesmo.

e até hoje estou. apresento a Vossa Senhoria a nota abaixo transcrita. e vendo que teimavão em não me 219 responder. ou resolução tive. e ocasião escrevi a Excelentíssima Junta Provisional. que até o dia 18 do corrente.Joaquim José da Silva Maia. logo que eu o vi. 12. e despotismo em tudo. Deus guarde a Vossas Excelências.Fico entregue de huma representação de Vossa Senhoria para se inserir na Folha que redijo. declarando-lhe: que eu e meus filhos . por não me poderem tirar. que v. uma queixa contra Excelentíssimo Governo d’esta Província: queixa que não ofende. sobre as representações. e aberta a mandei botar na caixa dos requerimentos. foram todos presos. não tendo anteriormente nenhum esclarecimento a este respeito. e oficial inferior. M. que me diz respeito resolvi-me a escrever ao Redator do semanário cívico. Peço a V. ajam de me dar por escrito ou mandar dar titulo para minha ulterior desforra. os seus Ajudantes d’Ordens. 220 Senhor redator do Semanário Cívico. Nas datas de 12 e 13 do corrente. e inferiores. e desejamos jurar a Constituição. nenhuma decisão tive. o 220 221 que se divisa e respondeu-me por escrito o que se vê estando eu bem certo que tal nota não se imprimia. – Forte do Barbalho 13 de abril de 1821. Nenhuma resposta. valendo-me para mais força de a pedir em nome sagrado das Cortes invocadas em Lisboa. a quem nunca se nos propôs tal juramento) e os oficiais estávamos prontos. 219 Ilustríssimos e Excelentíssimos Senhores do Governo Provisional. o faço apelando para a lei. parecer-me..E. considerados. para prestarmos o sobredito juramento. pois as cousas de face. que se puzesse pronto. não tinha tido resposta. naquela Cidade.‖ daquelles officiaes. prezo do Forte de S. 222 Ilustríssimo Senhor. – Tendo-se me fechado todas as portas por onde eu fizesse sair a minha justiça a luz do dia. ou decisão. e na mesma data. visto que naquela Província se achava independente. e franca passagem para onde lhes conviesse ir. por legalíssima Autoridade. ou decisão. – Carlos César Burlamarque. – Carlos Cezar Burlamarque. como preso. M. que só se podia ter pela corte. Forte do Barbalho 16 de abril de 1821. que aviam formar o Corpo de Linha de Sergipe d’El-Rei. por não quererem então jurar a Constituição. Pedro. mais tendo a Cidade por homenagem. a vista do Decreto de S. com os outros oficiais.de V. M. e separada desta. que tenha a bondade transmitir ao público esta nota. para ter a bondade de apresentar ao governo. que a apoiam. He necessário. . transtornados. que aproveitava aquela ocasião. m. o 222 que se devisa . não terá duvida de transcrever na sua folha. para lhe pedir a soltura dos oficiais. 11. e eu no Forte do Mar.Sua casa 19 de abril de 1821. repeti na data de 13 igual requisição. que o faça a inserirei. Barbalho 18 de Abril de 1821. que me deixarão. – Seu venerador e criado. ― Vendo finalmente.no forte de S. e li. e os seus oficiais para jurarem a Constituição. (Manoel de Castro. M. e que me convém por satisfação pública. que nomeiem pessoa idônea. Majestade de 7 de março. e para o Congresso da Nação. Pedro e o secretário do governo que estava também preso no Forte do Mar. – Apesar de alguma experiência ser havida pelos feitos transcritos na Gazeta desta Cidade. – Carlos Cezar Burlamarque. pois a Vossa Excelência em Nome das Cortes Gerais da Nação. da mesma maneira. ordenei em data de 10 do corrente ao Capitão Comandante Interino do dito Corpo. e 12) e que por proteção da minha justiça. Deus guarde a V. ―Como até ao dia 24 a nada se me tinha dado decisão. muitos anos. tendo-se me constantemente protestado todos os meios de saber a única coisa. ou mentirosos. e eles como estávamos antes de tais pedidos. logo. e mesmo aqui apoiada. e no caso de negativa Vossas Excelências por sua bondade. repliquei com a representação . e honra. e acrescentava. que só a viam legal. que sua Majestade tinha jurado.a que nada tive resposta. e em execução das suas ordens. Peço. e fazer-me igual mercê em me transmitir uma resposta categórica. primeiro que a Censura estabelecida pela Excellentissima Junta do Governo desta Província a aprove. com tudo como tenho visto nas atas das cortes em Lisboa a liberdade decente da Imprensa. e se me é possível exigi-lo. Ilustríssimos e Excelentíssimos Senhores. R. e instei terceira vez em data de 16. escrevi a José Caetano de Paiva Pereira.. Fica as ordens de Vossa Senhoria quem tem a honra ser de Vossa Senhoria o mais attento venerador e Criado. pela força armada. e sancionada pelo Governo. e salva guarda do meu dever. Mudarão. Os oficiais. e definitiva sobre os objetos seguintes: 183 . que vão transcritas nas Notas (10. EEx. O abaixo assinado. e mais Oficiais presos tomam a confiança de lembrar a Vossas Excelências as suas petições que foram presentes a VV. 221 Illustrissimo Senhor Carlos Cezar Burlamarque.

se tal juramento se me não desse ou que supprissem pela negativa com um titulo. o abaixo assinado. pelo qual não fui perjuro á Sua Magestade. e menoscabo da lei. conservando ainda o caráter de presos. de 7 de março ordenei aos meus oficiais. Em 12 do corrente. Reconhecendo do soberano a incumbência de administrar Sergipe. a Constituição. ou com sugestões. 184 . Secretario de uma das Repartições do Governo Provisional da Bahia. Este é o primeiro objeto. infligindo de modo. para ir ao Governo jurar obediência á El-rei. – Carlos César Burlamarque.―No dia primeiro de Maio. com a condição de ser pelo tempo que me demorasse na Capitania. senão na extrema necessidade. á Constituição. Seção primeira 8 de fevereiro em Cortes da cidade de Lisboa. nem devo considerar. renovei em 13. e compreendendo que o juramento da constituição portuguesa que a Bahia impôs a Sergipe não era mais do que um motivo para anular sua emancipação. que me deixão pelo artigo 6º. de defender a emancipação da capitania. e a vista do Decreto de S. 16 e 24 do passado. que não era impressa. pois não somos seus súbditos. Ilustríssimo Sr. – Carlos César Burlamarque. ―Todos os meus desejos. nem entregando o depósito que me tinha sido confiado. o seu pedido feito nas datas de 12. E. e lugar para o dito juramento. não me posso. seja julgada na opinião publica. José Caetano de Paiva Pereira. sem que se me declarasse culpa. Por falta de jurisdição. ou circunstância. que ponho de baixo da vista de Vossa Senhoria. que reiteram a Vossas Excelências. Solto também me não posso considerar. do Juramento e Fidelidade a El-Rei. com mais cinco officiaes. para o fazer ao Excelentíssimo Governo. que a honra prescreva. Por falta de maneira. 13. ―No dia três de Junho embarquei a bordo do Correio. pois preso. pois nem eu. cuja administração estava a si confiada. e só foram os Oficiais. que se está fazendo nas Cortês Congregadas em Lisboa. e seus filhos. M. e expressa nos artigos quarto e quinto. R. e só o fiz. ao juramento de preito e homenagem. que se pusesse prestes a jurar a Constituição. que a antecedente. como capitania independente da Bahia. são: que a linha do comportamento.‖ Incontestavelmente César Burlamarque cumpriu seu dever. 223 Ilustríssimos e Excelentíssimos Senhores. Deus guarde a Vossa Senhoria muitos annos. Aproveito esta ocasião de reiterar para com a Vossa Senhoria a minha alta consideração. com o transcripto dos três pedidos. nem os meus oficiais. – Bahia. nenhuma resposta. tendo decorrido trinta dias de prisão. que se há de fazer. 5º não se lembrando do direito. para minha ulterior desforra. 24 de Abril de 1821. para regressar para esta Corte. aprovados em Lisboa nos §§ 4º. e eu escrevi ao Excellentíssimo Governo na mesma data. recalcitrei em 16 por meio de um requerimento aberto metido na caixa deles. – Representa a Vossas Excelências. e insultado os artigos Constitucionais. pois este Governo não tem nenhuma a meu respeito. á Religião. de lhe ordenar. tendo em vista os deveres. que iriamos. A conciência clara de seu dever e a responsabilidade que pesava sobre seus ombros. a bordo do Correio. o que se efetuou no dia 19. me fará a mercê de me responder definitivamente. estima. 223 ―Em 10 requeri o que se devisa . pois não me opus com força. e dos meus oficiais. fiquei do mesmo modo. tive a mesma sorte. e a religião pelo que pedem a Vossas Excellências que hajão por bem. e deu-se me depois a cidade por homenagem. foi mudado para o Barbalho. e desejávamos jurar a Constituição. Vossa Senhoria por sua especial bondade apresentando este negócio também ao governo. dizendo-lhe. ditaram-lhe um procedimento franco de oposição. e violência. recebi ordem para embarcar. o dia. por falta de maneira. que eu meus filhos e mais officiais. em 18 dirigi ao Relator do Semanário Cívico uma nota. nem fui contra a outra obrigação como português. por falta de jurisdição. esperando que todo o homem. pois tende sido metido em uma masmorra que servia de cloaca no forte do mar. o qual não revela um espírito atrasado. não sabendo de quem devo haver a reação prometida no artigo 6º. e o Governo Provisional da Bahia. decida do meu comportamento. com intriga. César Burlamarque opôs-se a esses planos. appelando. para as cortes. mais fiquei certo pela sua resposta. fomos prisioneiros de guerra. ―No dia 8 fui solto. pela pequenhez da Embarcação. seja qual for a sua opinião.M. o que não teve effeito a meu respeito. repugnando eu ao ultimo artigo do juramento. Que estou na maior duvida: qual é a minha situação – relativamente minha liberdade. e em 18 de Maio tive Ordem por escrito. que se acaba de jurar. que tive em ocasião tão critica.

José Manuel Machado de Araújo. escravizar aquela Província. eram muito pouco. ou nele queiram entrar. Um defendia a anexação. e a ele poderemos dar o nome de partido recolonizador. é milícia. como os membros do outro partido ocupavam posição social saliente. em vista da desigualdade das forças. está visto. E é lamentável ao caráter sergipano que o procedimento de Burlamarque. Seus principais chefes eram: o coronel José Guilherme Nabuco. Seus principais chefes eram os camaristas de São Cristóvão: Bento Antonio da Conceição Matos. a fim de evitar a guerra civil que imprudentemente ali queria soprar o seu governador227. O outro defendia a emancipação e era o prenuncio das idéias de independência. Ao contrario disto. ordenou ao capitão Manuel José de Castro que jurasse a constituição em Sergipe. os taverneiros. que procurou seguir e por em pratica. em cujas mãos achavam-se grande parte da riqueza. de fato. escrever o seguinte a Burlamarque: ―Ninguém quer a independência. desmanchar o que fez El-Rei. que era o órgão que defendia os interesses da metrópole na Bahia.. a mim dirigida. e que do qual faziam parte o corpo de milícia e toda a geração lusitana. ellas não pagam a metade das liberdades que se perdem‖. ou outro qualquer papel d’onde se colija tal vontade? Se neste negocio tivesse havido alguma boa fé deveriam ter sido impressos todos os meus papeis. senão os que estão no governo. publicasse o seguinte224. 226 Com efeito. Damos-lhe parte. A falta de patriotismo dos sergipanos que pertenciam ao partido da anexação. 225 Quais elas sejam ninguém o sabe. e donos das casas das cidades. como mais de uma vez tenho dito eram muitos. contra as aspirações do partido da independência. chegou a ponto do capitão-mor da Estância Guilherme Nabuco. mais os fatos o indicam e vem a ser. O capitão-mor da Estância e câmara da Vila de 224 Publicamos nas notas que se seguem os artigos de impugnação de Burlamarque às acusações publicadas na Idade de Ouro. não encontrasse adesão dos próprios filhos de maior representação. A este partido pertenciam em geral os capitães-mores de ordenanças e a maioria popular. que eu não a podia promover. mais não havendo ninguém. a submissão de Sergipe. Pedro Cristino de Souza Gama etc. em favor da emancipação da capitania. contra a anexação de Sergipe. pois que sejam quais forem as vantagens que se sigam da independência. logo que leu o decreto de 7 de março. porque não só Burlamarque não quis promover a revolução civil. da qual os chefes eram do partido decidido da dependência. 227 Como hade de soprar quem não tem folles. e absorver nesta capitania da Bahia. a única tropa que há naquella província. Muitos deles fizeram causa comum com a Bahia. que tivessem tendência a este 185 .. que a revolução de Portugal instituía no Brasil.inadaptável a um regime constitucional. o ouvidor José Ribeiro Navarro e todos os europeus que habitavam então a capitania. que aquela rende. Dois partidos existiam então. Com que meio o outro partido podia reagir. originados da prepotência que a Bahia acabava de praticar. como se vê na carta do Capitão mór da Estância. imposta e realizada pelas tropas da Bahia?. porque. cento e vinte contos de réis. Este modo de pensar fazia com que a Bahia justificasse a arbitrariedade cometida. que circunstancias superiores225 forçaram-nos a enviar um peque corpo226 para a capitania de Sergipe. apelando para a opinião da aristocracia sergipana. dando lugar a que o jornal Idade de Ouro.‖Ciosos da estima de V. o brigadeiro Pedro Vieira. Aparecerão por acaso ordens. proclamas. Ficou vencido em suas aspirações. pois não havia um homem a minha disposição. se em Sergipe houvesse alguém que quisesse resistir. Exc.

pois que nunca tiverão nem por escripto nem palavra como. que me perdiam. deviam fazer este pedido a El-Rei. não passam de vinte homens. que para ele. Deixamos de transcrever os artigos que o leitor poderá ler no jornal Idade de Ouro. mandando-os evadir por força armada. porque seu governo. eram. ou que recorressem ao El-Rei. Escrevi. o principal chefe e promotor da anexação. munido naquele tempo. E tanto assim é. separada novamente desta. não derivadas. com acusações vagas. o que elles aqui tinham feito ao Conde Palma. esquecendo-se que tinham dous meios dessentes. Como comarca continuariam eles. déspotas daquela província. eram levados a isto pelos hábitos de arbitrariedade e prepotência em que viviam. sem porem os povos em colisão. dos quais os chefes eram todos do toque do capitão-mor da Estância. para promover esta guerra intestina! Soldados os não tinha: pois os de milícias na cidade. fama. e sem se reparar que se insultava a majestade de El-Rei. que tal cegueira indicasse. ou falta de patriotismo. Senhor redator faria gemer a imprensa. com amplos poderes de fiscalização. ou este governo por humanidade. de toda plena authoridade para o fazer. precisas accusações. que se houvesse por escrito. não convinha a independência. nem a metade das liberdades. o que ele bem explicou nas palavras memoráveis da dita carta. e não foi pouco. para se conseguir o fim a que se propõe. mas isto não convinha. mais não pecisarão tanto. 230 Tudo isto prometerão. cento e vinte contos de reis triennais. ninguém quer a independência. M. pois com ela vinha mais para o Erário da Bahia. Cesar Burlamarque foi acremente censurado na imprensa da Bahia. que se perdem. pois realizados. em presença do Coronel Bento Garcez. não se poupando honra. aos seus irmãos Sergipanos. O que he pois que me restava. Cristóvão estendeu-se pelas câmaras da negocio. á religião e á uma liberal constituição230 e que ameaçados pela cegueira e falta de patriotismo do atual governador. com tais pessas. destruindo o que elle tinha feito. He desgraça. que tanto se pregoe a favor da humanidade. e como não convinha publicá-lo para minha justificação. como já tenho dito. mas quando se quer mal. e fazenda. senão os que estão no governo. O procedimento da comarca de S. foi accrescentamento e voga. pois que sejam quais forem as vantagens que se segam da independência. e mais prometerião para conseguir aquilo a que se propunham. por elles o meu comportamento em crise tão terrível. se Sergipe ficasse emancipado e independente. Respondessem que os Sergipanos me fizessem. a 18 de março do mesmo ano. legais. e nos quais não poderiam continuar. Pedro Vieira. sem encontrar punição nos agentes dos poderes públicos. quando se quer cegar ao público. na Itabaiana a 25 de março. para que o publico decidisse. Amaro a 9 de julho. melhor informado a reunisse outra vez á Bahia229 e animados de sentimentos naturais aos portuguezes. declaram-nos sua adesão ao nosso soberano respeito. para conseguirem este fim. lamentaram a separação como nociva aos seus verdadeiros interesses228 e rogaram-nos a união intima até S. e donos das casas das cidades. em Vila-Nova a 26 de agosto e Sergipe passou a comarca. v.m. e fraternidade. e para os outros machuxos. os Taverneiros. elas não pagam. e convém a interesses particulares tanta coisa insana se pratica.Santa Luzia e outras autoridades daquela província. ou nele queiram entrar. Não era só o juramento da Constituição portuguesa o que queria. estaria para defender os direitos do povo e punir os atentados. e só desacreditarem-me. e que ao depois se entregassem a Bahia. Seu principal intuito era a anexação. Guilherme Nabuco e outros que defendiam a anexação. em Sto. que foi a Constituição jurada em São Cristóvão. Foi este o prêmio que recebeu pela traição aos interesses da liberdade. 186 . logo se conhece. lhes eram mister um corpo auxiliar que o salvasse dos horrores de uma guerra civil‖ 231. Lagarto a 28 de março. Substituiu na administração a Burlamarque o brigadeiro Pedro Vieira. 228 Lida a carta do Capitão mór. porque na Bahia era superabundante a vontade. 231 Eis aqui o que eles não disserão. 229 A petição foi ouvida com prazer. Os desejos da Bahia ficaram.

Serve de prova a seguinte carta sua dirigida à câmara de Vila-Nova. pr meios ilícitos. Nova R. assim tão bem fico certo que continuarão a tomar todas as medidas necessárias até que cheguem os socorros. Os planos abortaram. depois que o general Madeira tomou a direção militar do governo da Bahia. a expedição de Lisboa está próxima a entrar. as expressões de fidelidade.capitania. que até meado de abril tinham jurado obediência ao governo provisional da Bahia. de 26 do mês passado. esta determinação. partes das suas obras. Deus guarde a V. Em vez de eleger seu governo. a 1º de fevereiro de 1822. Logo que o partido recolonizador assenhoreou-se do poder. Nomeia o bacharel Manoel Gomes Coelho ouvidor. que contando dom o appoio de algumas câmaras. Além disto. Este estado de sujeição não era bem visto pelos bons patriotas de então. parentes e amigos! O crime é tão atroz que só a lembrança do mesmo horroriza. Ilms. enviaram proclamações a todas as câmaras a fim de reconhecer a legalidade da junta governamental da Bahia. e para tornar triunfante o elemento português. porque abafava-se qualquer opinião que se levantasse em favor da emancipação. então inda que tarde se arrependerão alguns que animarão a ajudar estes perversos! Eu bem quisera poder socorrer a todos os lugares que carecem de auxilio mas não posso dividir as forças porque isto é desejo dos facciosos. os portugueses não perdiam ocasião para jogar sobre os sergipanos os maiores sarcasmos.S. lá ia entregar sua delegação. o ouvidor Navarro e o comandante das tropas baianas. Pede a lista dos empregados civis. Então. auxiliados por alguns filhos da província.232‖ 232 Acuso a recepção do oficio de VV. e que se fizesse público. Sergipe ficou sob um regime de autoritarismo e de arbítrio. do Rio São Francisco – Inácio Luiz Madeira de Mello – Nada mais se contém em a dita carta. Srs. e mais membros da câmara de V. pela insuficiência de força para contrapor àquelas que mantinham a sujeição. Cristóvão um oficio. Presidentes. que toma posse a 15 de outubro de 1821.SS. os membros do governo efetivo da Bahia. Quartel General da Bahia. conculcados pela prepotência dos lusitanos. mas elle breve será punido. Espero por tanto que unidos esses povos considerando por divisa a honra. junto a si irmãos fieis que irão suavizarlhes os trabalhos que agora passam. conspirando até contra seu pais. Desapareceria. alcançarão na constância da resistência o prêmio que é dividido aos que sabem sustentar a custa de todos os sacrifícios e o respeito devido ao Governo da Nação: Assim como não posso duvidar da probidade e zelo de V. A compressão era absoluta. João Russel. criminosos e contrários à ordem pública.SS. dão bem a conhecer o distinto caráter de VV. a fiscalização era severa. que portugueses esquecidos. em bem da nossa causa. de El-Rei. 187 . Os sergipanos não encontravam nas regalias da lei a defesa de seus direitos. Ele prestava-lhe os maiores auxílios em Sergipe. porém. e então terão V. Em abril de 1821 estava conquistada a anexação de Sergipe pela Bahia e a junta começa a expedir ordens para Sergipe.SS. de que chegam a degenerar em monstros. O partido recolonizador tornou-se ainda mais poderoso. assim. que o mesmo contém. Os direitos olvidados. e ao nosso amado Reio Sr. por editais. tentam promover a emancipação. a fim de irem eleger. 12 de dezembro de 1822. de ninguém tentar a independência da comarca. A lei era esquecida. em sustentar o tom de patriotas e Verdadeiros Portugueses: se todas as corporações fossem compostas de membros tão respeitáveis não veríamos infelizmente ultrajado o respeito que é devido ao Soberano Congresso da Nação. João VI e não chegaríamos a ver. Madeira não se cansava de animar-lhes o entusiasmo para apertarem os laços de submissão. em que comunica-lhe a deliberação das cortes.S. Gomes Coelho dirige à câmara de S. Expede ordens para que fizesse o recenseamento dos eleitores de todas as paróquias. que logo lhes enviarei. D. o poder político. pelo decreto de 1º de outubro de 1821.

os portugueses José Alves Quaresma. que nada resolve. Ao mesmo tempo que em Vila-Nova aclamavam regente o príncipe D. contra a independência do Brasil. para não pisar em território Sergipano. no dia 1º de outubro233. porém que chegasse qualquer decisão. A notícia de sua chegada em Alagoas espalhou-se em Sergipe e fez reunir em Vila-Nova os adeptos do partido recolonizador. o ouvidor Inácio Gomes Camacho. como príncipe regente. pedindo a emancipação e independência da capitania. deu lugar à viagem de Labatut que. não podendo desembarcar na Bahia. sob a presidência do capitão Luiz Francisco Freire. José Joaquim Ricardo e José Gustavo. A proclamação da Independência veio resolver positivamente a questão da desanexação de Sergipe. o segundo José Rodrigues Bastos. em Sergipe representavam os mesmos interesses o brigadeiro Pedro Vieira. dirige-se para Laranjeiras e daí para São Cristóvão. reúnem força neste porto e encarregam a defesa a Bento de Melo Pereira. que também foi escolhido para levá-las às mãos régias. como passamos a expor. No dia 5 de maio reuni-se a câmara. a aclamação. 233 Ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oito centos e vinte e dous ao primeiro dia do mez de novembro do dito anno nesta cidade de Sergipe de El-Rei e casa da câmara della onde estão presentes o Juiz Ordinário presidente Capitão Luiz Francisco Freire e os vereadores Alferes Alexandre da Cruz Brandão. o povo no edifício do conselho municipal. que lhe ofereceram uma atitude hostil e ameaçadora. alcança fazê-lo em Maceió. Pedro. Labatut entra então em Sergipe. As idéias da independência iam angariando a adesão dos brasileiros. A oposição que Madeira na Bahia oferecia à aclamação de D. A representação foi redigida pelo vigário Antonio Gonçalves de Figueiredo. em vista dos procedimentos das cortes que queriam trazer o Brasil ao antigo estado de colônia. 188 .Não obstante estes meios compressivos e terroristas. Pedro. em lugar do atual Igino Martins Fortes e o terceiro Francisco Moreira da Silva Marramaque e o procurador Joaquim José Pinto para effeito de si determinar o que for a bem do Real serviço e comum dos povos o seguinte: Neste anno foram apresentados dous ofícios fechados e lacrados como o sobrescrito – Serviço Nacional e Real. João VI e ao congresso das cortes portuguesas. Estava vencida a causa de independência. – Pela administração Geral dos Correios das Cortes do Reino – a câmara desta cidade os quais mandaram que fossem abertos e o seu conteúdo era o seguinte: Doze Massos de Leis com vinte e sete folhas constantes de decretos e leis todos numerados e mandaram que ajustasse as mais que das Cortes tem vindo para serem encadernados e dar a sua devida execução. Estavam prontos e dispostos a resistir. a conferenciar com Melo Pereira. no dia 2 de outubro. Se na Bahia Madeira representava a defesa dos interesses portugueses. Labatut envia então um emissário. Em favor do ideal desse partido contribuíram os acontecimentos que se iam dando no País. Nomeiam cabos policiais que fiscalizam a fronteira do rio. em agosto de 1822. e resolve dirigir uma representação a D. fez debaixo de grande entusiasmo. Antes. sem submeter a questão à opinião de Pedro Vieira. no dia 29 de setembro. os membros do partido emancipacionista não perdiam a esperança de trazer a liberdade à capitania subjugada. em lugar do actual Alferes Domingos Rodrigues Mello. com a assistência de algumas autoridades civis e militares e do povo. José de Barros Pimentel. a câmara de São Cristóvão fazia mesma aclamação.

eterna felicidade desta capitania dirigindo-se pela fidelidade devido ao juramento que prestou e pelas ordens superiores que lhe foram encarregadas. e ser preciso evitar interpelações das Capitanias Vizinhas já haviam justo e bem fundado tudo que ele Governador expunha a câmara para que com a Tropa. escrevendo-se nas altas na forma de estylo para assim constar: sendo esta representação ouvida pelo Juiz Ordinário Presidente. paz. o Príncipe regente Constitucional Protetor e Perpetuo d’este Reino do Brasil. Clero e Povo desta cidade houvesse de ratificar a Aclamação que ele já com a tropa tinham feito. – Viva a constituição. Milícia. 189 . todos presentes ao quaes foi novamente aplaudida a presente aclamação com o devido enthusiasmo satisfação e geral regosijo. o sargento Mór comandante da vila de Própria Manoel Mello Resende. Escrivão da Camara e escrevi. que proximamente recebeu.Viva Sua Alteza Real o Senhor Pedro de Alcantara Principe Regente Constitucional Protector. visto ser estar a vontade geral dos Povos desta. pede que seja instalado um governo provisório e independente. perante intimativa tão formal. Perpetuo Defensor do Reino do Brasil. porque no ato da aclamação foram as seguintes suas palavras: ―dirigindo-se pela fidelidade devida ao juramento que prestou e pelas ordens superiores. João VI e a Dinastia da casa de Bragança e que ele governador indicava que nesta conformidade esta câmara em Nome da Nobreza. Tornou-se um apóstata do seu partido. . Cristóvão capitania de Sergipe de El-Rei e Passos do Conselho dela onde se acha o Juiz Ordinário Presidente Capitão Luiz Francisco Freire o vereador mais velho. o que ele de pronto assim executou pela ordem seguinte: . que lhe foram encarregadas. porque essa aclamação seria o primeiro passo da emancipação e independência de Sergipe.. o corpo de Nobreza e Povo. dizendo que.Viva nossa Santa Religião Católica e Apostólica Romana. tendo em vista o na maior consideração o sagrado juramento que todos prestarão de obediência a Nossa Santa Religião Católica Apostólica Romana. e outros officiaes dos ditos regimentos. – Viva a sereníssima Senhora Princeza Real. de cuja graça foi ela espoliada sem legítima ordem em contrário e à força das armas da Bahia. Nobreza. Ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oito centos e vinte e dous ao primeiro do mez de outubro do dito anno. o Reverendo Vigário Geral Luiz Antonio Esteves e mais clero. passou o governo a um conselho militar e que era necessário aclamar o príncipe regente‖. Clero e Povo presentes houvessem de celebrar tem necessárias e Gloriosa aclamação. sem sangue e sem alteração da ordem pública. Clero e Povo.As convicções políticas do governador Pedro Vieira de Melo tremeram em presença de Labatut. o respectivo Capitão Mór de Ordenanças Henrique Luiz de Araújo Maciel. Amaro das Grotas José da Motta Nunes. o sargento Mór do regimento de Infantaria de Milícias Cristóvão de Abreu Carvalho Contreiras. a constituição de El-Rei o Senhor D. nesta cidade de S. ideal que o partido que a nutria realizou. ambos desta capitania. Era uma importante conquista do partido ds patriotas sergipanos. agora segundo algumas participações oficiais que proximamente recebeu passou o Governo a um Conselho Militar para que examinasse o quartel e os oficiais do Estado Maior todos unanimemente resolverão que nestas circunstancias atuais era necessária aclamação de sua Alteza Real. – E para constar mandarão escrever este auto de veriação em que me assigno eu Francisco de Paula Madureira. agora segundo algumas participações oficiais.Viva o Reino Luzo-Brasileiro. Nobreza. o Capitão Mór da vila de S. o imediato e o mais mosso e o procurador todos acima declarados no auto de variação ahi apareceu o Ilustríssimo Brigadeiro Governador Pedro Viera de Mello com o Coronel do Regimento da segunda linha de cavalaria desta cidade Domingos Dias Coelho e Mello. – Vivas estes com que tem sido aclamado Sua Alteza Real o Principe Regente Constitucional pela Tropa. ao Soberano Congresso Nacional da Corte de Lisboa. seculares. e mais oficiais da câmara comandaram que no dito Brigadeiro Governador fosse o primeiro que levantasse as vozes proferisse os vivas. o coronel da segunda linha de Infantaria dela José Agostinho da Silva Daltro. – Viva El-Rei constitucional o senhor Dom João Sexto. A indecisão do Juiz Luiz Franacico Freire. faz com que o major Cristóvão de Abreu Carvalho replique. como representante da tropa e do povo. porque nesta mesma sessão o major Cristóvão de Abreu Carvalho.Viva a Dinastia da casa da Bragança. a fim de a província aproveitar a concessão feita pelo soberano. por Decreto de 8 de julho de 1820. – Viva o Soberano Congresso Nacional da Corte de Lisboa. – E logo pelo doto Brigadeiro Governador foi dito que tendo feito quando está no seu alcance para manter a boa ordem.

Sr. do qual.―á tropa e o povo não convém em demora alguma e queiram que já se instalasse o governo. Christóvão estavam presentes o juiz ordinário presidente capitão Luiz Francisco Freire e os veriadores Tenente Domingos Rodrigues de Melo e José Rodrigues Bastos em lugar de Igino Martins Fontes e Francisco Moreira da Silva Marramaue e o procurador Joaquim José Pinto para darem posse ao Illm. o coronel Domingos Dias Coelho e Melo. precisamos levar avante a descrição das vitórias que ia obtendo o partido emancipacionista. como Pedro Vieira de Melo e José de Barros Pimentel. aqual foi dada com as solenidades do estilo. por meio dos seus partidários. para estabelecer e arranjar a causa da independência do Império. que há tanto tempo qour todos é desejado.mor Dionísio Rodrigues Dantas. Foi então resolvida a instalação do governo provisório. presidente da junta. E para que a tudo conste e prestem o respeito divido a Dignidade o Revisto em Nome de Sua Magestade Imperial lhe mande passar este Diplona Patente por mim 190 . fá-lo cultivar essas relações com cuidado. Exmo. moradores em Sergipe. Eles eram: o coronel da legião da Vila de Sana Luzia. porque com ele viria a emancipação. O Senhor Dom Pedro Primeiro Imperador Constitucional e Defensor Perpetuo do Brasil aetcetera. Hei por bem em Nome de Sua Magestade Imperial e athé decisão do mesmo Sehor nomeal-o Governador do districto de Sergipe e suas dependências devendo regullar as Instrucçõis Gerais e existentes para este emprego modiciadas pelas particulares que as circunstancias actuais d’Esta Provincia Imperiosamente exigem ae mim. que . Esta junta foi de pouca duração. com temos dito. o reverendo João Francisco de Meneses Sobral. e a que a tropo estava firme no lugar em que estava postada. A marcha de sua administração ofereceram embaraços aqueles que. Pedro Labatut nomeia. secretário. Barros de Pimentel alcança angariar as simpatias de Labatut. contra o que trabalhava a Bahia. representado por uma junta. a 25 do mesmo mês toma posse. Guilherme José Nabuco de Araújo. tinha em Sergipe francos oposicionistas. o sargento. Reconhecendo em José Eloy Pessoa da Silva TenenteCoronel do Regimento de Artilharia de Lisboa desta Província e Baxarel formado em Mathemática e Filosofia as qualidades e requerimentos precisos para firma o Socego da cidade de Sergipe de El-Rei e de todas as sua Villas. Títullo de nomeação. o vigário – geral Serafim Álvares da Rocha. antes de descrevermos o procedimento de Barros Pimentel. e que a tropa estava com as armas carregadas e balas em cartuxames‖. não desejavam a independência do Brasil. lugares. a fim de pôr em prática seus planos antipatrióticos. – Pedro Labatut. Então. membros. 234 234 Aos 25 de novembro de 1822 nos passo do conselho de S. Fizeram participação disto ao príncipe regente. nem a emancipação de Sergipe. sendo este auto escripto pelos escrivaens da camara Francisco de Paula Madureira e assignando-o empossado com a s pessoas referidas na ordem em que estão. cujos membros foram eleitos pela mesma assembléia. governador das armas. o capitão José Mateus da Graça Leite Sampaio. protestava não mover-se em quanto o governo não fosse de prompto installado. o tenente coronel José Eloi Pessoa da Silva. A causa da independência do Brasil. em 14 de novembro. Já circulava em novembro a notícia da proclamação da independência e em Sergipe não se ousava aderir a esse feito . Governador da Capitania Tenente Coronel José Eloy Pessoa da Silva presente. General em chefe do Exercíto Passificador Nacional e Imperial desta Provincia da Bahia em nome de Sua Magestade Imperial. O despeito de não ter sido eleito um dos seus membros. dependências: para até estabelesser e arraigar a Santa Causa da Imdependência do Império do Bralsil sob a Protecção de Sua Magestade Imperial.

Labatut. a requerimento de alguns habitantes. Simião da Mota Rabelo e o procuradodr Antônio José Pinto. excitado pelo despeito de não ter sido eleito presidente da junta. Escrivão o escrevi. e o melhor chefe que encontraram foi Barros Pimentel que. E para cosntar mandarão fazes este termo em que assigno eu Francisco de Paula digo termo em que assignaram o dito presidente e mais vereadores –Francisco de Paula Madureira.Tendo Pesoa a da Silva tomado posse. instituído em Sergipe o regímem Imperial e proclamada a independência do Brasil. apé e a Cavallo e coma Nobreza. 236 Os membros de então da câmara de S. convocando o povo. para alcançar ordem de prisão e ser remetido para o norte. General. juntos para effeiro de seguirem ao lado da praça onde se vão encoroporar com a Ilm. 235 Ao primeiro dia do mez de dezembro de mil oito centos e vinte dois annos nesta cidade de Sergipe de El-Rei e casa da camara della onde estão o Juiz Presidente Capitão Luiz Francisco Freire. elle dito governador publicou a ordem do dia que por sedual foi transmitida a elle dito presidente da camara que vae abaixo registrada e depois de publicados os vivas da Gloriosa acclamação de Nosso Augusto Imperador o mesmo Presidente da camara ordenou e fez effectuar a solenisação deste tão ditoso acontecimento com um Te Deum Landamus na Igreja matriz para onde todos se dirigirão a dar Graças ao Deus do exércitos. sem oposição franca dos recolonizadores. perante grande concurso popular. que determina anteceee ao ato da aclamação um edital. Já prolamada no dia 1º de dezembro de 1822. Cristóvão ecoou nas outra câmaras que aderiram à independência. sobre quem recaiu a calúnia de Pimentel. no dia 1º de dezembro.235 O procedimento da câmara de S. e para contrariar o feito da emancipação de Sergipe e proclamação da independência. Em fevereiro foi então nomeado. estava. Os inimigos não escolheram meios para torná-de nenhum efeito. Clero e Povo ahi com vehementes vozes júbilo. com esta nomeação. em vista de um ofício de 20 de dezembro do jConselho interino da vila da Cachoeira. 191 . marca. porque Laabatut nomeou-o em nome de Sua Magestade o Imperador Constitucional do Brasil. Eram Luiz Francisco Freire. o que com effeito foi obrado. e José Rodrigues Bastos. Antônio Rodrigues Fraga. Aproveitou-se do cargo para serm perpetradas as maiores vinganças entre alguns membros do partido oposto. Francisco Moreira da Silva Marramaque e o Procurador Joaquim José Pinto. Cristóvão eram seus adeptos políticos.236 Barros Pimentel toma posse do governo a 12 de fevereiro de 1824. e os veriadores. Em sessão de 20 de janeiro de 1823 a câmara. Quartel Geral no Engenho Novo aos quatorze de novembro de mim oito centos e vinte dois annos. Este estado de coisas não podia satisfazer os intereses dos inimigos da independência. entretanto. e toas asu autoridades civis e militares. em substituição de Elói Pessoa. um novo dia para efetuá-la com mais legalidade e aprarato. Igino Martins Fortes. discutindo o expresso do ofício da vila de Cachoeira recebe dele ordem intimativa para não aclamar a independência. que alcançaram posteriormente tornar sem efeito a proclamação feita por Pessoa. alcança de Labatut por meio da intriga que pèm em jogo o decreto de sua dissolução e sua nomeação de governador militar. Em sessão de 30 de dezembro. Governador desta Comara o Tenente –Coronel José Eloy Pessoa da Silva por participação deste afim de ahi se publicarem os vivas alegres pella acclamação do Senhor Dom Pedro Primeiro Imperador Protector e Defensor Perpétuo deste Imperio do Brazil depois de assim estar a dita corporação unida com o dito Governador com toda a tropa. Logo depois de dissolvida a junta e preso Eloi Barros tomou a administração. resolveram pedir a Labatut a permanência de Barros Pimemtel no governo. assignado não hindo Sellado por falta de Sello.

obstando a emancipação que há dois anos. reverbera o procedimento antipatriótico do governador e ouvidor. o Imperador tiha elevado Sergipe de Comarca a província de segunda ordem. M. apontadas no mesmo officio. até que se procedesse à eleição de seus membros. de Sua Magestade Imperial e dos Povos: Nesse auto desta camara dispondo de arrecadar de Direitos a bem della. reuni-se dirige-se à câmara. pela instruções que deviam chegar da corte. visto que se axão nesta cidade quatro delles e que fosse xamado o quinto: e tudo isto ouvido por esta camara unanimimente respondeo. Barros Pimentel opõe-se à realização desta ordem inperial. expondo por isso mesmo este Povo a uma Anarquia e guerra civil. M. e são eles empossados debaixo de indescritível entusiasmo. eo Rev. sendo que elle não quer mais senão a paz e a tranquillidade: Pello que nos requeria instantemente que de bom grado fisessemos reiterar aquella anterior posse dada aos ditos Membros. que apesar do conhecimento da dita graça concedida no citado Decreto pelas objeções dos ditos Governador e Ouvidor estão dispostos a procederm na forma das ditas instruções quando as ouvesse e que de outra maneira não pretendirão mover cousa alguma. por carta imperial de 5 de dezembro. afim de assumirem a direção dos negócios públicos de Sergipe. o Ver. com igual despeito de todo o Povo: A fim de evitar tão retrógada marcha do actual Governo e do serviço do bem público desta Provincia. a manter com o auxilio dos traidores sergipanos. e a falta que tinhão do Governo para providenciar seus negócios os quais não podião mais ser dissolvidos ou providos pelo dito Conselho Interino da Bahia em rasão desta Independência e separação: e que reiterada a posse da Junta entrasse leogo no seu exercício que a elle povo convinha e aprovava todos SOS seus feitos e protestavão ter cautella até que se possa obete as dividas instruções e a proceder a nova eleição. ahi compareceu o Povo desta cidade de todas as corporações sem armas e em nome de S. visto que reconheciam todos os Membros della com interia probidade e que foi arbitrariamente suspensa sem ser ouvida nem convencida. Civil e Eclesiastica fez 192 . devia ser uma realidade. I. e syndico da mesma comarca do Ver. secretário o coronel Domingos Dias Coelho e Mello. a toque de caixa tornou o mesmo Povo a aparecer nella trazendo com sigo os ditos membros da referida Junta o Capitão-Mór José Matheus da Graça Leite Sampaio Presidente. quando esta comarca continuava nos seus trabalhos. conforme Decreto de 8 de julho de 1280 e que se elegesse um conselho de cinco membros. em 27 de fevereiro. A Câmara acede à reclamação popular. para desde já entrarem no execício dos seus officios interinamente.Ainda mais: em sessão de 6 de fevereiro recebe um ofício do conselho interino da Bahia de 24 de janeiro em que comunica-lhe que. Serafim Alves da Roxa. elevado à cathegoria de Província de 2ª ordem independente nella pelo seu saudável e Imperial decreto de oito de julho do anno passado. A vista destes motivos a cama fez congregar digo motivos e por logo comparecem todas as corporações Militar. A vista do que todo o Povo sahio. e exige que chame à adminstração os membros da junta. e a poucos momentos. independentemente do governo da Bahia. S. completamente independente da Bahia. que fora instalada a 1º de outubro de 1822 e que lhes dê posse.237 237 Anno do Nascimento do Nosso Senhor Jesus Christo de mil oito centos e vinte e três nos dês dias do mez de Fevereiro do dito anno nesta Cidade de Sergipe d’El-Rei e casa da camara della onde estão presentes o Juiz presidente José Rodrigues Bastos e os veriadores actuaes capitão João Simões dos Reis. Então o povo. Padre Luiz Corrêa Caldas de Lima para o que foi a bem do serviço de Deos. levado pelo patriotismo e indignado pela prepotência da Bahia. as quaes ainda não consta haver aqui. Ignacio Antonio Dormundo Roxa. M. um jugo ilegal. o Impererador do Brasil requerendo a Ella que depois de lhe constou pelo oddicio de vinte e quatro de janeiro do mez passado do Conselho Interino da Bahia que affirma haver S. juntamente com o ouvidor Inácio Gomes Camacho. e por não constar ter-se verificado esta mercê pela objeções do Governador Millitar acutal José de Barros Pimentel e Ouvidor Interino Ignacio Gomes Camacho: que elle povo quixa que se verificasse a Junta do Governo Provisório que em primeiro de Outubro de mil oitocentos e vinte dous havia sido isntalada legitima e legalmente para que os governasse Interinamente em quanto se não procede a eleição de nova junta pela instrucções de desenove de junho de memo anno assina. o capitão José Antonio Pinto e o Produrador Vicente José Mascarenhas. José Francisco de Menezes Sobral: e apresentando-se todos cheios de gosto e tranqüilidade replicou com eloqüência e toda energia a esta camara que já não podião mais conter com seus corações o ardente desejo que sentião para o cumprimento da Graça consedida.

protestando a face da divindade que nos ouve e do mundo inteiro defendermos a ellese todos os direitos deste Império sempre athe a morte.Viva a Assembleia Cosntitucional e Legislativa da Corte e da cidade do Rio de Janeiro. defendendo e parocinando tudo quanto for a bem do Nacional e Imperial Serviço e da sagrada causa do Brasil e desta Província. Secretario e todas as mais pessoas acima nomeadoas.viva a Junta Interina do Governo desta Provincia – vivão o Provincianos de Sergipe. procurando. E sendo por elle recebido o dito emcargo tudo prometerão obrar como lhes é incumbido. quis outrora selebrar este tão desejado e aplausível acto. Nobreza e todo o mais Povo.Viva o nosso amabilíssimo e Augustissimo Imperador o Senhor Dom Pedro Primeiro. e outra vez tornou o mesmo povo que tos o seu excesso se prendia em bem da causa publica do Brazil e da appelação que esta cidade deve ter aos mais lugares de toda a Provincia aonde queserem que residão as Authoridades Governativas. que compareceu em conseqüência do antecedente edital para a Aclamação popular e Legiítima de S.Iluste e comspicua Assembleia de cidadãos Sergipanos constitucionaes de todas as classes em nome desta camara órgão vosso. 238 Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oito centos e vinte trez aos trez dias do mez de Marçao do dito anno nesta cidade de Sergipe de El-rei e casa da camra della onde estão presentes o Juiz Ordinario Presidente José Rodrigues Bastos eo os veriadores actuaes Capitão João Simões dos Reis. Veriadores. comtudo sabendo-se a maneira popular e legítima com que há sido aclamado em as Provincias so Sul pressedendo em cada uma camara a expressa declaração das vontades dos cidadãos do seu respectivo Termo cuja solenidade não consta das Leis desta camara: della querendo seguir aquella mesma marcha donde resulta Glória e honra a este povo. o Imperador e para de tudo constar fiz este acto e a acta em que assignão o dito Presidente da Camara. logo seguio com elles esa camara e então congregados todos foi pela mesma camara mandado ao procurador della que alçasse a voz com orgão do Povo e desse a conhecer a toda assembléia o motivo porque selbrão novamente a Aclamação do mesmo Augusto Imperador Senhor Dom Pedro Primeiro e logo o mesmo Procurador com satisfação rompeu com altisonantes vozes pela maneira seguinte.Viva a Augustissima família Imperante do Brazil. o clero e autoridades238. e logo pel mesmo Povo e tropa forão dados com Altiçonantes bravos repetidos vivas: . esta camra por serto de vossa adhesão e firme reconhecimento diz com vosco-viva a religião catholica Apostolica Romana.Viva a Exma. M. quor unanimidades senso e consenso de todos nós o que não foi possível pela fortes objeções do Governador Militar José de Barros Pimenel com foi bem publico pela prelação este inculcava ter sobre todas as Authoridades desta Provincia. e para que cosnte esta voluntária deliberação todos a uma vez requererão a esta camara se fizese acta que querião assignar e que esta mesma por cópia authentica se remetesse a S. pelo que logo cada um dos referidos membros de perci encarregou que verdadeira debaixo do juramento que havia prestado em o primeiro de Outubro de 1822 entrassem no exercício e funções dos seus officios.enhão e reconheção ao Mesmo Augusto Senhor por tal. congregar mais as Religiões desta cidade e vendo que também pugnavão pelo mesmo comprimento em Nome do mesmo Augustissimo Senhor Imperador respondeo publica e intelligivelmente que estava pompta em tal caso a ouvir como aos seus votos. Clero. esta camara e vós hajão. que tem lugar no conselho municipal a 3 de março. para que assim conste em tod tempo e em toda parte que convier. prem agora que já somos Provincianos Imdependentes esta camara vos chama para que juntos reiteremos de bom grado a dita Aclamação com juramento de obediência e fidelidade a Augusta Pessôa do Mesmo Senhor Imperador e Sua Dinastia . Capitão José Antonio pInto e o Procurador Vicente Mascarenha para effeito de se dar cumprimento a aclamação de S.Publicam então editais. o Imperador e ao tempo em que para ali se sencaminhava o Presidente. a excepção do quinto Membro da dita Junta o Sanrgento – mor Dionizio Dantas que não compareceo por estar fora desta cidade. Ignacio António Dourmundo Roxa. Magestade Imperial na forma seguinte – E depois de estar assim reunida a camara e na praça della principal da cidade.vivao as soberanas cortes costituintes e legislativas da corte do Rio de Janeirovia o Augusto Imperador constitucional do Brasil o Senhor Dom Pedro Primeiro. . Junta Interina desta Provincia. Junta interina do Governo desta Provincia – Vozes estas que responderão a dita suplica. Procurador da Junta. a Tropa desta Guarnição. requereo o mesmo povo que fosse immediatamente xamada Eu Francisco de Paula Madureira que escrevi com Escrivão da Camara. convocando o povo para alamação da independência. vos participo que posta que já nessa cidade se ouvesse alanado no dia 1º de Dezembro do anno passado de mil oitocentos e vinte dous ao Augusto Senhor Dompedro Primeiro Imperador do Brazil somente pelo Patriotismo de ex-Governador José Eloy Pessôa. Segue-me cento e quarenta e nove assignaturas. M. perant grande reunião popular. vendo-se agora desarmada. Secretário da Exma. e quando condizirão aos ditos Membros a esta comarca que igualmente os deus das janellas desta salla. a tropa.viva a Augusta imperatriz e toda a Dinastia reinante deste Império.viavas estes que forão reprod 193 .

Pela camara foi determinado que sendo extraída a aacta deste acontecimento fosse remetida aIlma. Camara da cidade da corte do Rio de Janeiro-e para constrar mandarão fazer este auto em que assignão as pessoas presentes Clero. Provincial Carmelita Frei Jose do Sacramento co sermão pelo padre Manuel Antonio Dormundo e Te-Deum com a Música. Uma nova vida administrativa e política ia abrir-se sob a direção da junta provisória. Nobreza e Povo que logo ahi pediram instantemente a esta camara que querião se fizesse uma acta na forma indicada para assignarem e debaixo de juramento protestarão ter. M. Vejamos a direção que ela deu aos negócios públicos. Tropa e Povo e eu Francisco de Paula Madureira escrivão da camara o escrevi. o Clero. Da Junta desta Provincia. composta de filho da província. Clero. No mesmo dia mez e anno acima declarado depois de findo o acto da aclamação logo da Praça se encaminharão esta camara com o seu sendico Padre Luiz Corrêa Caldas de Lima. 194 . Nobreza. reconhecere manter a S. fazendo-se ouvir o grande orador Manoel Antônio Dormundo. Pedro Primeiro. os Exms Srs. uzidos e repetidos com o maior enthusiasmo e ardente gosto da mesma Tropa. e para de tudo constar mandarão fazer esta acta em que assino eu Francisco de Paula Madureira Escrivão da camra. O acontecimento de 3 de março tornou uma realidade a emancipação de Sergipe e foi a expressãoda adesão de seus filhos ao regímem imperial. Nobreze e o povo com toda a tropa para a Igreja Matriz a festiva Missa cantada e selebrada pelo Revdm.Há festas religiosas. Imperial o Senhor Dom Pedro Primeiro por Imperador do Brasil com obediência e fidelidade a sua Augusta pessoa e a Dinastia Reinante do Brasil e dest modo lhes foi recebido seu juramento. com o Senhor Exposto para se dar Graças a Deus dos Exercítos e em louvor ao nosso Augusto Imperador o Senhor D.

paz e tranqüilidade social principalmente entre as autoridades constituídas. qua há anos. Antes de estudá-los. em vista da ilegalidade que cometeu a Bahia de submeter à sua jurisdição. Com a aclamação da independência e a declaração da emancipação de Sergipe. promove aí todos os meios para dsolvê-la de depô-la240.LIVRO III POLÍTICA IMPERIAL 1823-1855239 CAPÍTULO I GOVERNO DA JUNTA PROVISÓRIA PRIMEIRO PRESIDENTE. PROVÍNCIA. com a transformação política e administrativa operada. as causas da revolução de 15 de novembro.. como os mesmos militares tém bradado geralmente contra o dito accessor é como o dito Governador e ouvidor estão de mãos dadas para seu projecto abstemos contra a segurança desta cidade e primeira como há supposição por indícios que elles continuam nelles por verem prestados seus projectos e as circusntancias actuaes das cousas exigem sem modificação. com o projecto deste senado para o abstar. ao qual não só tratou não só de esperar-se pelas instruções da dita carta imperial. praticando o dito accessor de mais o excesso de na povoação de Larangeiras andar com antecedência pelas casas dos militares influindu-os para que annuissem com a verdade daquelle governador naquelle conselho que pretendiam por ser de certo. período que fára parte de um outro volume. SERGIPE. assim como o ouvidor interino Ignacio Gomes Camacho foram os que influenciaram aos ditos Governador e ouvidor para se não instalar junta provisória interina para governança desta província. a junta comunica sua posse a José de Barros que. 195 . desapareceu aquele que queria a permanência do regimen colonial. Tinham de nascer agora novos partidos dentro da forma monárquica. Giada pela prudência e no intuito de estabelecer a paz e a hamenia na província. desapareciam em 1823. do que os do país e de Sergipe. que este senado instalou aos ditos governador e ouvidor pelas rogativas do povo o que déo causa a elle e governador proceder um conselho militar sem audiência deste senado. Participam a junta que tome providencia. a chamada culpa de entrar a junta em seu exercício. pela carta Inperial de 25 de dezembro do mesmo anno passado. precisamos descrever os acontecimentos que se dram. viva sob a ação de divergências que obstavam a marcha regular dos negócios públicos. 240 Acordaram que por haver nesta cidade uma queixa insanável entre os povos della por constar que Eusebio Vanerio secretário do Governador Militar José de Barros Pimentel e Manoel Vicente de Carvalho Aranha. 17 de fevereiro de 1823. em que procuraremos estudar o movimento republicano em Sergipe e principalmente. conseqüência da independência dela. defendendo mais os intereses da metrópole e da Bahia. (1822-1855) não trouxéssemos nosso estudo até 1889. sempre dominado pelo despeito. Dos dois partidos existentes e que giravam em redor das idéias de liberdade do país e da província. Tendo ele se formado em 1820. Para isso procura o apoio dos oficiais superiores dos corpos de segunda 239 O leitor não estranhará que no período que denominamos de Política Imperial. as relações políticas mudaram completamente. depois que a junta novamente assumiu a administração. mas também de se mandar attacar este senado com força armada e a mesma junta. como de facto influliu nelle que viesse força armada contra esta ciade ainda antes de .. Tendo feito de Laranjeiras sua capital militar. não reconhece a legalidade e não lehe quer prstar obediência.

-2º porque o dito Brigadeiro Barros no tempo do seu dispotico governo consentia que José da Annunciação Borges. reúnem-se e apelam para seu patriotismo. General Labatú.5º porque. -Vivas a Santa Religião Catholica. Pedro 1º Imperador constitucional e Defensor Perpetuo do Brazil. – 3º por que estabelecendo-se uma caixa Militar para as despezas das fortes ações externas e internas desta Província entrando muitos Europeos com dinheiro para ella. Neta mesma sessão pedema deposição de Barros Pimentel. Abre luta e o resultado foi a fuga de Barros Pimentel para a Bahia. tão inconveniente à prosperidade do bem geral. e outros sítios.241 241 Anno do nascimento do nosso Senhor Jesus Christo de mil oito centos e vinte trez aos quinze dias do mês de maio do dito anno. que pesta juramento 15 de maio de 1823. á Sua Majestade o Senhor D.4º Porque recebendo elle da Exma. Contra ele depõe nos termos em que o leitor verá no documento transcrito. e Povo e em altas e inteligíveis vozes declararão o seguinte – Que querião que esta câmara da capital como representante delles Representassem ao governo para mandar prender os inimigos declarados da causa do Brazil o Brigadeiro Pedro Vieira. quando por ordem deste governo em virtude de um decreto correo e se estão trocando nesta Província a sete mil e quinhentos réis. exigem a concocação da Câmara. Cristóvão. os portugueses José Alves Quaresma. obdecendo a um officio do General Labatú. os malvados Europeos José Álvares Quaresma. e a junta do governo desta província e depois de congregada esta câmara no Passo do conselho. roubassem aos europeos pacíficos residentes nas Laranjeiras. e que sejão remetidos ao Rio de Janeiro para darem conta da sua péssima conduta ao nosso Augusto Imperador . José Joaquim Ricardo. cuja somma monta a uns poucos de contos de réis. arbitario e insufrivel governo. capitão Miliciano e outros que estavão de ordem delle. fizeram-no absorver as atribuições dos membros da junta. Foi de pouca duração essa harmonia. a titulo de serviço da causa militar. a ella se dirigirão a mesma Tropa. Independentes daquella por carta Imperial de cinco de dezembro do anno passado. e apezar do povo e a câmara o fazer commandante das armas por instancias do Exm. para garantia de sua autoridade. não só não tem o dito Brigadeiro apresentado sua conta de receita e despeza. . assumindo interinamente o comando das armas. perante a qual fazem um libelo acusatório contra o brigadeiro Pedro Vieira de Melo. que não pode inspirar-lhes mais confiança.linha e ordenanças que. ás cortes constituintes e Legislativas desde Império na corte do Rio de Janeiro. sendo chamado então o Brigadeiro Guilherme José Nabuco de Araújo. á sua Augustissima família. a fim de abandonar o plano de deposição. nesta cidade de Sergipe de El-Rei e casa de camra dela onde estão postados promiscuamente o povo e Tropa Della e de unânime acordo e commum vontade do mesmo Povo e Tropa foram publicados com a maior elegância. Neste mesmo dia o povo e a tropa reunidos. que consideram inimigos da causa do Brasil e pedem que sejam presos. pelo toque da sineta. as quaes subirão a uns poucos de mil cruzados e trocando-as em prata a preço de seis mil e quatro centos.Que esta câmara de posse de commandante das armas desta província a um official mais antigo athe que sua Magestade Imperial mande outro commandante das armas. porem trocou todas as peças recolhidas a dita caixa por differentes peças. visto que não querem ao Brigadeiro José de Barros Pimentel por fortíssimas rasões todas estranhas de um bom Brazileiro – 1º porque o dito Brigadeiro Barros no tempo do seu dispotico governo sabia muito bem onde estavão ocultos os Europeos inimigos da causa do Brazil e desta Província e que os não prendia por estarem em casa dos seus parentes ou parentes de sua família. a fim de assumir a direção do governo militar. Junta 196 . como pelo precedente que ficava plantado de sublevações da força pública contra o prestígio e autoridade do governo civil. pelo qual o chamava a bem do serviço Nacional Imperial e apezar do dito General recomendar-lhe que impetrasse vênia da Exma. quis obstar com força armadaa a que se não instalasse Junta do Governo. que nela devia encontrar sompre o ponto do apoio mais sólido. José Joaquim Ricardo e João Gustavo. não limitando-se às suas funções de governador militar. . Junta do Governo da Bahia em Caxoeiras um officio em que participava ter Sua Magestade Imperial elevado esta Província a cathegoria de 2º ordem. e os mais Brazileiros que os patrocinão. pelas estreitas reações que ligam à queles inimigos. As idéias de domímio exclusivo que tanto influíam em seu espírito. Barros Pimentel aquiesce com o apelo patriótico de seus camaradas e dirigese para S. compreendendo os perigos e males de uma gerra civil. só porque se finava o seu despótico.

ela passou por serias dificuldades. pois é constante que a nação tem percebido grande prejuízo na conta da receita e despeza que elle Brigadeiro Barros a seu molde já apresentou. Sindico. de participar aos Governos das províncias mais antigas a esta na forma indicada. 197 . dando-se outro sim parte a S. em sua origem. A propriedade daquele foi saqueada por uma força de linha. para. as vinganças do poder recaíram sobre João Fernandes e os outros membros eleitores eleitos. cuja conta não é verddeira segundo a fama publica aque a mesma câmara faça ver às providencias mais certas e os defeitos deste officil e sua conduta civil e Militar e representar a S. – Querendo finalmente esta câmara requisitasse a Exma. debaixo da oposição dos portugueses. Eu Francisco de Paula Madureira. colocado o bem público acima dos interesses dos partidos. esqueceu os deveres de um governo honesto e moralizado. – E para constar mandarão o dito Juiz Ordinário Ignácio Antonio Dormundo Roxa. Havia certeza de que o eleito seria o abastado proprietário o major João Fernandes Chaves. comtudo desamparou a Graça. Na descrição deste fato esta. A câmara de S. nos últimos momentos de sua administração. Junta do Governo desta província para que sem demora haja de dar uma prompta providência sobre o objecto tendente ao commandante das armas e a captura dos inimigos da nossa canta causa. a junta provisória primeiro absta a apuração das ultimas atas enviadas pelos colégios. contra o abuso do poder. prestou o grande serviço de manter a emancipação de Sergipe a favor da qual trabalhou. teve de fazer nomeações e promoções na guarnição. Povo e Tropa fazer este auto que todos assignão.Por esse tempo chegaram do Rio as instruções para o pleito eleitoral. Escrivão da câmara o rscrevi. pelas ambições dos homens e os excessos dos partidos.M. Exorbitou pela contigência das circunstâncias do momento. sendo seus membros presos. Em todo o caso. Realmente. a prova do despotismo. e muito principalmente dos acima declarados. com o que toda Tropa e poso assás se satisfarão. fingir um despeito. Ela reúne-se de novo para apurar os votos. José Antonio Pinto e Francisco Moreira da Silva Marramaque. na passagem do exército de Labatut. a escolha dos membros da junta efetiva.I. por esta ser combinada com o calculo que se tiver feito ou houver de fazer. tendo assim de fazer as intrigas costumadas. contra a ambição dos portugueses. Correu a eleição. e fugitivo e criminoso apenas deixou um officio a Exma. que devem ser levadas em conta. estas mesma cousas. com esta mesma acta de todo o expendido. Junta remettendo o do Exm. Em consideração aos serviços prestados por alguns habitantes da província. A junta provisória que tinha. em começo. que se devia proceder. –O que sendo ouvido pela câmara mandou que já officiasse a Exma. sem ser preciso comentários. que foram processados. que era o primeiro a alterar a ordem e a levar o pânico às classes sociais. O regimen representativo em Sergipe impurificava-se desde logo. Cristóvão esta no trabalho de apuração.M. Incandesceram-se então os ânimos e os partidos. Uma representação assinada por dez aleitores e trinta cidadãos é dirigida à câmara. General Labatú. porque suas do Governo desta província. Não havia a garantia da lei. que não escolhiam meios para oferecer dificuldades à marcha da administração. Junta do governo para com a maior brevidade chamar o dito Brigadeiro Barros e o há de compelir com a presente conta legal e authentica da receita e despeza que teve em quanto poz dispoz da dita caixa. quando é cercada pela força armada. Na resolução firme de não dar posse à junta efetiva. Como primeiro governo de um regimen que se iniciava. as atas e os livros roubados e entregues aos membros da junta. Este fato profundamente impressionou o espírito público que se viu sem garantias e sem governo.I.

em janeiro de 1824. juramentos de constituição foram por ela promovidos. O estado social de Sergipe não era favorável a uma calma e pacifica administração. Ex. porque seria difícil ou impossível aclamar o príncipe regente e a independência. O liberal. não 198 . não só ao conhecimento da realidade da emissão.atribuições não chegaram até aí. Eis o trabalho administrativo da junta. Eram destituídos de programas. É um verdadeiro dislate. Barros Pimentel. e Exm. Aumentou o numero de cadeiras de primeiras letras e latim. chefe da recolonização de Sergipe. um corpo de batalhão dos pardos em S. As condições políticas existentes então eram muito diversas daquelas que existiam antes de 1822. novos partidos constituíram-se. o governo da junta provisória incrementou ainda mais o valor militar.Ex. como o eram os portugueses. Senhor. Daí nasceu para a guarnição a consciência do seu valor e da sua força. Além disto. depois de 1823 os partidos perderam grandes princípios e idéias que os nutrissem. Os corpos abundavam em oficiais e diminuiam em soldados. Deixava-se dominar por um infrene militarismo. que mais não se incandesceu por chegar na província. como pelas inúmera promoções e nomeações por ela feita. Queriam ambos uma só coisa: a posse do poder. filho da província e que no mesmo mês assumia a administração. E ninguém pinta melhor o estado de coisas existentes . e me pareceram comcentaneas. contra tentativas de sublevações. um batalhão de caçadores em Itabaiana. Cristóvão e Sto. tanto mais presada por me deixar de acordo contra as sugestoens inimigas do systema adoptado. O povo tinha uma ação de presença. contra a oposição de um partido alias forte. se fosse somente o elemento popular quem a promovesse. chefe também do partido liberal. não só pelo apoio que a guarnição prestou-lhe. o primeiro presidente nomeado o brigadeiro Manoel Fernandes da Silveira. senão o próprio brigadeiro Silveira. como a obstal-a por medidas terminantes. criou a repartição da secretaria do governo e a repartição da fazenda. Os seus órgãos na imprensa nunca defenderam princípios e sim defeitos pessoais dos adversários. ―Imediatamente passei a dar providencias que V. pela abundância da população mestiça. Em 1823. ainda que a administração não estivesse nas mãos de nenhum militar. criou um armazém bélico. dos retardatários. cujo chefe era José de Barros Pimentel e o corcunda. que a emancipação de Sergipe. Amaro. A ambição pelo poder que se apossou dos seus membros. De 1822 em diante a guarnição de S. Deixava-se dominar pelo abuso do poder de qualquer fração. Cristóvão tendeu a interferir nos negócios públicos. ―Recebi a carta de V. fez-lhe cometer o grande crime de sufocar a liberdade do voto criando para eles uma impopularidade e grande alteração da ordem publica. chefe dos corcundas. José Matheus. cujo chefe era o capitão-mor José Matheus. que não tinha acesso aos outros corpos militares.. Todas as aclamações. composto de ricos e proprietários. porém. Se naquele tempo havia um principio formador dos partidos. presidente da junta. o propugnador da emancipação de sua província. nem armamento. indicou. no seguinte oficio: ―Illm. desaparcendo o partido do elemento europeu poderoso na província. Não havia disciplina.

a officialidade do batalhão de primeira Linha.. como já prticipei a V. e outro secundário.. dando-lhe uma idéia concisa do estado em que achei esta província. e assim mesmo.... Ex.. de conformidade com o Illmº e Exmº Sr.. ―Recommendo muito e muito a V. e incorruptível.. e como resolver sua Magestade o Imperador.. em que se achão semelhantes Defensores do Imperador e da pátria..recommendado a V.. Ex...ou illudidas. se covier.... a proporção que concilião o amor e a opinião geral. e ao Illmº e Exmº sr. acquiesce porque a força. e munições milicianas... Por todos os commandantes dos corpos de segunda Linha. dictadas pelas Leis. Parentes. ou mais que um fiel mandatário. Cidadãos de toda consideração foram espancados em publico por assassinos fardados... ou quando... As ordens que se expedem ou são mal executadas... Alguns paizanos se nutrirão em tão minguadas circunstancias. duzentas e cincoentas armas. rescindir hum despacho e substituir com que o Agressor arrogantemente quizesse. a que se devera reunir.... do em que estava.. que para desafrontar os officiaes. em nome de sua Magestade o Imperadr Constitucional e Defensor Perpetuo do Brazil... logo. miseravelmente alguns destes achão-se premiados como duplicado accesso.. Já se diz que o Prezidente e Secretario serão despostos. enfim. porque........ sendo sua missão sustentar e restituir a ordem. Os soldados pagos com o mair gravame das rendas publicas.. ―Os despachos. Ex. e. o não possa fazer sem choque risco de conflagração....... Ex. afim de colligir dos termos em que está concebido o estado de indisciplina.... me continue a communicar quanto similhantemente aconteça para não me mostrar huma vez desconhecido aquilo mesmo... e á vista das criticas circumstancias em que achei a Província a reduzir a hum termo médio o arrimo dos soldos que se pagavão... servirão menos para guarnecer a cidade. Ex. se dignasse de escolher a Fillipe Manoel de Castro. encabeçada pelo commandante Antonio Joaquim da Silva Freitas. por copia..... O primeiro official deve de ser muito intruido em Finanças. revela que depreque. como de facto posso a depracar a V. o seguinte: ―Primeiro – que V. que sigo e agradeço. Importa muito ocorrer a medidas correspondentes. ou não cunpridas. ―Depois que escrevi a V.. A única força que nos circumda e existe armada nesta cidade... expedito... que depois de qualificadas repulsas ao recebimento do soldo. mas com a excepção.... Todos os termos de complecencia me tem sido baldado para alhanar amigos desafeitos a inconciliveis á ordem.... arrogado Membro. as portarias.. que já o tem indicado. não succeda de alguma forma o contrario do que tão justamente se deseja. exebida no officio. 199 .. Ex.. como ao Exmº Governador das Armas a escolhas dos officiaes. as funcções da administração presente. Portanto: como sou obrigado a manter e sustentar a Autoridade e Confiança quem em mimha se depositada e com as forças da Província. terá de tomar exatas contas a Euzébio Vabeiro. faça expedir quanto antese impreterivelmente para esta província em direcção ao Porto da Estância um destacamento de cento e cincoenta Caçoderes com os competentes officiaes...... ―O mesmo.. O governo que me precedeu ou era um mero simulacro. e se V........ ultimamente se resolveu. o não há sido somente pelo do Batalhão de primeira Linha... de tal forma azesou aos mesmo officiaes.. a Quem de tudo darei conta. Este Destacamento regressara.. Eis os inimigos árduos ao Governo actual......... A Tropa de primeira linha ou para melhor dizer. e Euzébio Vanerio estavão de posse desta província. e... e a despeito de ser essa medida menos austera e vigorosa a face dos imperiaes Decretos e de motivos mui poderosos para se suppor que umtal Batalhão não seja confirmada. que tranmitto a V. Ex... e fazer que os membros do Governo houvessem de cassar huma ordem. he sem duvida o Batalhão inimigo... que devera garantir assim mesmo a de que justamente se arrecea.. exacerbão o ódio e dasefeição dos sabidos inimigos da Pátria. Minha vontade existe inferior ás circunstancias do governo..... por Patentes não confirmadas e illegitimamente concedidas. Ex. desde muito havia huma parte primaria em similhantes desacordos e malfeitorias. bem que não sejão expedidas de galope para não incendial-os. Euzébio Vanerio.. Fui aconselhado pela lei.. e medidas decisivas.. por evitar algumas supreza. muito fora do agrado deste Governo...Governador das armas dessa Província. demais a mais.. tendo sentido peiorar de forma digna de sizuda rezolução. ― Segunda – Dois officiaes de fazenda: hum que possa servir para Escrivão da Junta. Amigos e conhecidos delles. Não era cousa extraordinária subir um destes desalmados a Palácio.. Governador das Armas. por isso que.

corre a authorisar o presente precatório. Presidente da província da Bahia. foge para a Estância: ―Habitantes da província de Sergipe! Brazileiros! O presidente. aproveita a oportunidade de divergência.―Na Povoação das Laranjeiras continuar-se-há nas funcções administrativas te que possamos regressar em circunstancias de refazerem respeitar as Authoridades. Governador das Armas para não hesitar que satisfação com urgência ao deprecado. para angariar para si as simpatias da guarnição. um homem de um talento superior e de um espírito liberal. se interponho todos os Protestos. E á frente dela colocar-se-iam o comandante do batalhão. ou antes do embarque do Destacamento. Os interesses políticos inspiraram na força publica o plano de uma deposição do presidente. e responsabilidades. a que o Governo se veja forçado a proceder por imperiosas circumstancias de segurança publica. hum mez de soldo ao mesmo destacamento. vinte e hum de abril de mil oitocentos e vinte quatro. que tinha junto a si. V. ―Palácio do Governo de Sergipe na cidade de S. Admiramos o estilo eloqüente e a energia da frase como que eram redigidos os papeis oficiais desta administração. que não permitao esperar pela Imperial Resolução. por não ter recebido seus prets. dificuldades que eram promovidas por cidadãos de alta representação. sobre quem caem principalmente os ódios do partido adverso. Cristóvão. septuagenário. 200 . – Manoel Fernandes da Silveira‖ Descrevamos os acontecimentos. Eu confio muito em V. haja de immediatamente. Ex. Ex. como secretario. a fim de fazer maioria no conselho. Cristóvão. dignar-se-há a abonar por ellas as despezas do transporte. ultimamente recomenda a maior circumspecção. no dia 28 de abril. legitimo administrador da província. O plano chega ao conhecimento do presidente. e igualmente depreco a V. e o mais preciso: emfim obrará a este respeito em forma que a salvação desta Província não perigue. Ex. ― Como não se duvide que nossa Província existão dinheiro de rendimentos desta por ahi arrecadados. em vésperas de um importante pleito eleitoral. não poderia arcar vantajosamente com as dificuldades que vinham de um estado social tumultuoso. porque nele vê a alma da administração e a energia decidido e franco. Assumindo o brigadeiro Silveira a administração no dia 7 de março contra ele revoltou-se a guarnição no dia 21 de abril. se não fora Rebouças. Em vista disto a administração compreendeu que não podia apelar para o apoio da força publica. sem força para resistir. em 1 de abril. Realmente. por isso. O partido corcunda. o brigadeiro Silveira. à falta de dinheiro nos cofres. Cumpre. quando o presidente. que expedir hum correio por terra a avisar-nos. não pudia cuidar do vosso bem ser. adverso ao que apoiava a administração. como desejava porque estava coacto. e imperiaes ordens sem perigo de revolta. ― Quando concluo o presente officio tenho em consideração a Portaria de vinte e hum de Fevereiro pela qual a Sua Magestade o Imperador pela Secretaria d‘Estado dos Negócios da guerra. em caso de qualquer atentado. ―Deus guarde a V. e no Illmº e Exmº Sr. de uma sociedade cheia de ambiciosos. não há senão porque as preponderadas circumstancias m‘o instão. As ordens não eram cumpridas. O que sem duvida. tenente-coronel Antônio Joaquim de Silva Freitas e o oficial Euzébio Valério. Antônio Pereira Rebouças. Exc. como os corcundas de então. Entre eles figuras a seguinte proclamação espalhadas pelas ruas de S. e prudência em qualquer alteração ou innovação. e Illmº e Exmº Sr. e por em pratica as Leis. como o que se ia proceder dos membros do conselho provincial. Francisco Vicente Vianna. pela rapinagem que fazem os soldados indisciplinados. terceiro da Independência do Império. A tropa amotina-se no quartel e lança o pânico aos habitantes da cidade.

tem sido a primeira encabeçada de violar nosso direito. decide-os igualmente de obstar com armas a posse de Conselheiros. ―A salvação publica! A nossa salvação imperiosa m‘o instão! ―Dous portuguezes. declama a opinião publica e sisudamente os accusa por motores de taes extraordinariedades. ―Enfim Sergipense (Deus nos ajuda!) uma completa administração. e quando vós outros vierdes trazer ao útil mercado o fructo do vossos trabalhos. podereis livremente procurar-me. desenganando-os de acharem arrimo no Conselho. não achareis na degradação o premio da industria agrícola a manufatura. Tratar úteis serviços de agricultura. cuja convocação determinei em virtude da lei. ou assipoados a arbitrio de um insolente commandante. guiada pela lei. não serem constrangidos a ignotos procedimentos. legitimamente nomeados! Que! E de braços crusados me conservaria quedo.. me instavam. sempre vol-as attenderei justiçosamente. por diurnos e nocturnos assassinos. A opinião publica as aponta por taes. exarcebaram. O dinheiro que deveria pagar tantas pensões e outros tantos parochos. Ires trabalhar como dantes por vosso offícios. nem a voz da razão. caracterisando-vos de inocentes ante mim. Somente o látego da severa justiça os tornara em si. Não accederam. de adestrar bellicamente os nossos concidadãos. O dinheiro que devia pagar o soldo a tantas ajudantes e sargentos mores para pela penúria. Gênios exaltados e inexperientes. As armas sim manejadas por pulsos brazileiros.. homens affeitos ao vicio se não podiam amoldar ao aceno. justificará vossa conduta. Providencias que penhorariam a gratidão de pessoas insensíveis. que um oficial militar. enfim um governo sem coacçao. Chritovão! Approxima-se o dia em que terão fim os espetáculos que vos atemorizavam e flagelavam! ―De então por diante não vereis espancarem-se pelas ruas cidadões conspícuos. nem com assombro. nem devo difirir ou desprezar. sem receio de vos serem agravados. Em vez de alhanarem. delegada pelo supremo Imperante. nem pelas requererdas. fosse espaldado no asylo da amenidade publica. Habitantes da cidade de S. para empregarem tudo aos auspícios de nossa indulgência. a segurança. Eu as não posso. ambiciosamente frenticos e que se dizem brazileiros por adopçao. como dever sagrado.―A força militar. sereis lançados no antro do calabouço. para vossa felicidade! Viva a Santa Religião! Viva o Imperador Constitucional e Defensor Perpetuo do Brazil! Viva a Independência e Systema Constitucional! Vivam os Brazileiros! Palácio do Governo de Sergipe 28 de abril de 1824 201 . chamasse á ordem os indóceis e insuburdinados: chamei-os. Um delles ainda tem o seu commando e obediência as armas. menos suspeita-la. mas em contradição ao que indigitavam os zangões e parasitas. tendo pervertido os nossos soldados. dirigirme e expor=me vossas queixas. e já não tarda de vulgarisar-se que o presidente e o secretario serão depostos pelo batalhão de primeira linha. Habituada a obedecer e desobedecer. apenas serviram para tornalos mais altivos e resolutos: Espera-se pela eleição do conselho. e ingenuidade. Brazileiros militares o só facto de abandonarem os malvados. em tolher-lhe a sensibilidade. á agrado de seus mandões. pois que se eu não vol-as providenciar logo. ―Não Sergipenses! Casos extraordinários urgem medidas extraordinárias. Tendo novo acalmar-lhes a injusta cólera. paga a nossa custa. ―A maioria dos votos vendidos aos beneméritos da pátria. O outro julga a seu dispoor o dinheiro publico. como se nos ameaça pelos próprios assasinos. si se deixasse em inação athé o momento terrível da conflagração dos horrores que ateasse o archote da insubordinação e da perfídia? Deixaria que a authoridade. se abandonasse a descripçao! Seria digno de vós. Baldei medidas conciliatórias.a tranqüilidade. os cuidam de arruinar de todo. e vossos concidadãos. que também estima e me estima?. porque com maior gosto e officio se empregassem nas funcçoes de seu edificante ministério! Brazileiros! ―São estes dous os seductores dos nossos concidadãos! Soldados! São elles que com a mira de obrigarem a initerrupta cadeia dos desvarios em que se nutriam. não pudia amalgamar-se com a administração de um presidente. a autoridade eminente que em mim delegou sua Majestade imperial. Contra elles alto declama! Eu não posso serrar-lhes os ouvidos. mas de 2° linha. quando cercado de inimigos armados. em distracção do útil serviço. fosse atrozmente anniquilada com a ruína de um povo. e contemplados de amigos desarmados Acaso o presidente da província merecia louvor. para garantir-nos. que não conseguiam superar. ―Soldados voluntários! Políticos Agrícolas! Vossas baixas servos-hão conferidas. vos certificareis. Na povoação da Estância para onde retiro-me e onde pensarei somente que possa trazer paz. ‖Minha dignidade. o commandante militar e por meios brandos. O gênio do mal suggere-lhes a revolta.

levantou três brindes. por intermédio do comando das armas que as sanciona e fundamenta. pelo partido que apelava para as tradições de nobreza. A posição oficial de Rebouças mais animava os excessos. Compreende-se que a propagação destas idéias pela eloqüente demagogia de Rebouças. Rebouças. os excessos da aristocracia. feriu de perto o espírito aristocrático da província. Os oficiais são presos e enviados para a Bahia. Cristovão a 8 de maio. alferes José de Meio Travassos e seus filhos. recebendo-as de todos os pontos da província. que volta a S. Seu domínio tornou-se violável. e seu pai Bento Gaspar. e por isso mesmo deixou-se por ela embriagar e excedeu-se. 242 Este fato é levado ao conhecimento do comandante das armas em uma em uma carta anônimas assinada por Philioordino. A paixão e o ódio apoderaram-se de seus membros. Ainda estavam bem vivas na memória de todas as violências praticadas sobre o povo. José Alparcas. o sapateiro Miguel Gomes e seus filhos. capitão Borges Pau da Moda. Não era tal. que veio da Bahia. e seus filhos. alma rebelde. Dionízio Jacaré. e a igualdade de sangue e de direitos242. a prepotência que queria manter o partido corcunda.Manuel F. apelidado pelos aristocratas partido de mata caiado os quais por sua vez chamavamnos caiporas. à extinção de tudo quanto é do reino. e seus bens sem garantias de lei. O comando militar é então entregue ao coronel Manuel da Silva Daltro.ofereceu-se oportunidade para as vinganças. Foi grande a vitória do partido do governo. e dos representantes da administração. O capitão-mor Silvestre Gonçalves Barroso Boticudo. à extinção de tudo quanto é branco. Luiz Francisco das chagas. o soldado Domingos. Domingos José Jaquitibá. partido na opinião deles verdadeiramente revolucionários os princípios membros moravam em Laranjeiras e eram. Em um festim em Laranjeiras. da Silveira‖. onde as questões de nobreza de família são tradicionais e aventadas por qualquer motivo. Em todas vimos como libelo de acusação. que tratava de fazer propaganda contra o privilégio de raças. O efeito produzido na opinião pública foi favorável à administração. O povo. e que um pardo podia ser até general. dizíamos. Todos lembravam-se dos fatos de 1820 e 22. 243 Por diversas vezes Daltro envia representações contra ele ao Imperador. ouvindo de Rebouças as teorias de igualdade. espírito revolto. As representações sucedem-se contra ele. a que chamava maroto. Filisberto de tal. Antonio José dos Santos. Severino Crioulo. que ele pregava que o mulato fosse igual ao branco. Agora que idéias mais livre eram incutidas na opinião pelo secretário Rebouças. a quem chamavam caiporas.. perante o Imperador. no dia 25 de julho. sendo recebido com festas populares. agora. submetidos a conselho de guerra. Bernardinho José Pau Brasil. revoltou-se por ver o autoritarismo e a prepotência que a aristocracia de Sergipe exercia sobre o povo. De entre os apologistas de Rebouças que formavam seu partido. que revelaram a prepotência lusitana e a existência de uma camarilha que depôs Burlamarque e anulou a emancipação de Sergipe. exaltou-se contra a nobreza dos corcundas. apontando-o como um revolucionário. Os soldados abandonam os oficiais e vão buscar o presidente Fugitivo. principalmente a população mestiça. um promotor de alterações da ordem pública 243. Manoel José Bernardinho. Fidelis José Sapucaia. espírito livre. Os portugueses foram maltratados. 202 . tomando posse a 5 de junho.

e para isso convoca as forças de Itaporanga245. pelo que não exercia suas funções de membro do conselho para que foi eleito. que se espalhavam em Alagoas e Sergipe. Espírito incandescente e que levava às ultimas conseqüências práticas os seus princípios. e as nossas vidas que estão em perigo. membros do conselho. pela franca intervenção de Daltro no resultado da sentença sobre os culpados. estava entregue á justiça pública. como português que era. algumas de verdadeiros saques aos portugueses. A conseqüência foi uma completa desarmonia entre o elemento militar e o civil. e poucos soldados temos para essa defesa. que fugitivo por algum tempo. Daltro chegava excursão feita á fronteira de São Francisco. pois hoje mesmo há declaração de Republica. a guarda do brigadeiro Domingos Dias Coelho e Melo. nem sempre podia domar o seu entusiasmo. para ingerir-se nas lutas partidárias. em que foram levantados morras aos marotos. sobre os oficiais culpados na deposição de 28 de abril. Henrique de Araújo Maciel244. pedindo a deportação dos portugueses. e projeta depô-lo. Daltro esquecia o posto que ocupava. e todos os seus morador . O coronel Daltro envolveu-se na agitação dominante. de onde chegavam queixas. o coronel José Rodrigues Dantas e Meio e Major Manoel de Deus Machado. Aliou-se ao partido oposicionista à administração. com o concurso de Henrique Maciel. o padre Francisco Félix Barreto de Menezes. Quis defender os direitos de seus concidadãos. deixando no meio daquela sociedade o gérmen da liberdade. as representações. sempre abafada. O levantamento do povo se fez sentir com excesso em todos os pontos da província.Lutou contra tais hábitos e pregou a igualdade perante a lei. Eles entraram no exercício de seus postos. Do partido oposicionista faziam parte o coronel Daltro. depois do festim aludido. desarmonia que veio ainda mais agravar as condições de paz e ordem em que vivia a sociedade de então. que por mais de uma vez os partidos apelavam para o apoio da guarnição. Ele foge para o Rio comprido. que na força pública sempre viu um poderoso auxiliar. Espalha-se a noticia de que projeta-se uma representação ao governo. para poder-mos defender o Trono do nosso Augusto Imperador faça já marchar para esta cidade essa companhia de Itaporanga. O partido de Daltro acaba de obter uma vitória no julgamento da relação da Bahia. José de Barros Pimentel. Como prova damos a passeata em Laranjeiras. e agregados. onde fora pesquisar os revolucionários de Pernambuco. José Fernandes Chaves. as 244 Como co-réu da deposição que quis a guarnição fazer em 29 de abril. Subleva-se a tropa na noite de 1° de novembro. projeta depor o governo civil no dia 8. E nisto cumpria o dever. O descontentamento plantou-se na guarnição. em períodos anteriores. e da Nação determino a Vossa Senhoria escravos. Deus Guarde a Vossa 203 . Opôs-se às pretensões que queria o partido corcunda exercer. contra o prestígio do governador civil. sendo substituído por um irmão do presidente . Não podemos contestar que algumas vezes se deixou exceder. 245 Em nome do Nosso Augusto Imperador. e o coronel José Mateus Leite Sampaio e outros. Daltro. Suas determinações não o levaram até aí somente. Do partido do governo: Rebouças. Já vimos. Daí o ódio. agora estava absolvido.

Comandante das armas. Cristovão de d El rei onze de Novembro de mil oito centos e vinte quatro. tendo-se o mesmo Comandante das Armas comprometido perante este mesmo governo em conselho. e enfim reclamou o testemunho do mesmo Exmo. em oposição à boa ordem. onde se reunio Exm. em que a Guerra civil alteasse.de laranjeiras246. Quartel General de Sergipe seis de mil oitocentos e vinte quatro. O perigo público era iminente. medidas hostis. Senhoria muitos anos. que era preciso sufocar. Terceiro da Independência. os Srs. Presidente Manuel Fernandes da Silveira. Em testemunho de verdade estava o signal publico Joaquim Antonio Peixoto. e já com todo Destacamento para esta cidade. Presidente ponderado ao Exm. Christovão. Conselho sobre o estado alarmozo. e Comandante interino. capital da Província de Sergipe. olhando para ela. Em testemunho de verdade estava o signal publico Joaquim Antonio Peixoto. arrancando o momento. por ordem do Excelentíssimo Senhor Comandante das armas. O plano de deposição transpira e chega ao conhecimento oficial. 246 Marche já. em que se viam as Famílias. e Gonçalves Valença. talvez porque quase todos os militares o desobedecerão. e às determinações de S. Reconheço a letra e firma retro ser do próprio por comparação. que. e da Nação. Manuel da Silva Daltro. que cuidaria. Presidente o notável procedimento. Sebastião Gaspar de Almeida Boto.” Reconheço a letra e firma retro ser do próprio contheúdo. Conselheiros Manuel de Deus Machado. na salla das Sessões. não o efetuando. e os Srs. Manuel da Silva Daltro Comandante das armas. pólvora. o presidente convoca o conselho que resolve o seguinte: ―Aos oito dias do mês de novembro de mil oitocentos e vinte quatro anos. e firma supra ser do próprio conteúdo. João Fernandes Chaves e Manuel Vicente Carvalho e Aranha. e cidadãos pacíficos dando mais evidente idéia do estado de consternação. Ilustríssimo Senhor Alferes Manuel Ignácio Soares. Convinha salvar a sociedade de uma sublevação. Comandante das Armas Manuel da Silva Daltro desde a sua chegada a esta Província sempre caminhou fora da linha de seus deveres. e venha consigo isso já. e balia. como os Índios das Aldeãs de Pacatuba. Conselho. Conselho com a relação dos fatos. Reconheço a letra. por não comparecer os actuaes. Quartel General de Sergipe seis de Novembro de mil oito centos e vinte quatro. e Palácio do Governo. para restabelecer a ordem. Foi pelo Exmo. na Parada do Rosário pronto para marchar para Sergipe. Em testemunho de verdade estava o signal publico.” 247 Queira se achar amanhã três do corrente pelas dez horas da manhã. Senhor cadete Comandante do Destacamento das Laranjeiras. praticado pelo commandante das Armas. pois assim lhe determino em Nome do Imperador. Quartel do Maruim dois de Outubro de mil oito centos e vinte e quatro. José Rodrigues Dantas e Mello. Joaquim Antonio Peixoto. que mataria preciosas vidas. Imperial: ―Ponderou mais que. M. e cidadãos conspícuos. e Francisco Felix Barreto. que foram convocados para tractar do restabelecimento da causa publica em perigo. e se quiser defender o Trono Augusto da Sua Majestade Imperial convoque. resolvesse com o acerto conveniente. cumpria que o Exmo. e já. José de Barros Pimentel. São Cristovão de Sergipe d´El-rei onze de Novembro de mil oitocentos e vinte quatro . convocando o dia três para quatro de Outubro. declaradamente. a propósito de um movimento revolucionário republicano. e cidadãos comprometido perante este mesmo governo em conselho. Tornava-se impossível continuarem na administração civil e militar Silveira e Daltro. a vista do estado em que se acha a causa publica. S. depois da conferencia de 9 de agosto. não melhorou contudo de conduta: Expoz o mesmo Exmo. quanto estivesse de sua parte. São Cristovão de Sergipe d El-rei onze de Novembro de mil oito centos e vinte quatro. não só Corpos de Segunda Linha. do Rosário247. Ilustríssimo Senhor Brigadeiro Domingos Dias Coelho e Mello. nesta cidade de S. que tem empregado o mesmo comandante das Armas contra a existência do Governo. e do Imperio. trazendo todo armamento. que o Exm. 204 . em que estava a cidade. e Japaratuba para atacar a cidade de São Cristovão sob o pretexto os mais absurdos. tendo sido dado o Governo para seu Regimento a Lei de vinte de outubro. E concluiu. Em nome da salvação publica.

por ser athé medida tão conveniente. que entretanto se reunira: comparecêo o Exmo. resolvendo o Governo sobre quem deve recahir o comando interino das Armas no seu impedimento. Manoel Ignácio da Silveira. que. Do que para constar se fez a presente acta. promettendo. secretario o escrevi. se propunha participar ao Exmo. ―Eu Antonio Pereira Rebouças. De que para contar se fez a presente acta. que se oficiasse ao Exmo. José de Barros Pimentel. Presidente feita a relação abrevidada dos factos pelo mesmo Commandante das Armas. era participar ao Governo. tendo de recahir o Comando interino em alguns Officiais Militares. que se ia retirar para fora da Província. portanto. existentes. João Fernandes Chaves. que foi chamado. Conselho. que assim praticara para destruir uma facção que lhe era denunciada. Manoel Vicente de Carvalho e Aranha. Conselheiro José de Barros Pimentel. Manoel Vicente de Carvalho e Aranha. presidente. prometendo. foi apresentado ao Governo uma Partecipação do Exm. Manoel Ignacio da Silveira. Manoel Fernandes da SilveiraPresidente. que achava em circunstâncias tão extraordinárias. De que para constar se fez a prezente acta. e Professores. juntamente com Ilustríssimo Sr. Presidente e Conselheiros a cima declarados. e mais.Manoel Fernandes da Silveira. secretario o escrevi . Manoel Fernandes da SilveiraPresidente. estando em Sessão permanente o Governo da Província composto do Exmos. que sofria. o meio idôneo. foi respondido pelo mesmo Comandante das Armas Manoel da Silva Daltro. continuando a Sessão. Presidente e Conselheiro acima declarados. José de Barros Pimentel. e salutar. Commandante das Armas Manoel da Silva Dantro. que assim praticara para destruir uma facção que lhe era denunciado. João Fernandes Chaves.‖ ―No mesmo dia. mez e anno. perpetrados contra a boa ordem e segurança publica. Manoel Ignácio da Silveira. estando em Sessão permanente o Governo da Provincia composto dos Exmos. João Fernandes Chaves. que. Conselheiro José de Barros Pimentel. que pelo motivo de moléstia que padecia. José de Barros Pimentel. De que para constar se fez a presente acta: Eu Antonio Pereira Rebouças o escrevi: Manoel Fernandes da Silveira presidente. Francisco Gonçalves Valença. e confiança publica. Commandante das Armas Manoel da Silva Daltro. entretanto o mesmo Governo em Sessão permanente.‖ 205 . vindo assim a não ser útil ao Imperador e á Nação. Manoel Vicente de Carvalho e Aranha. ―Resolveu o Conselho estar pela Participação do Comando das Armas. que pelo motivo de moléstia. que fez para a beira do Rio S.―Resolveu o Exmo. Manoel Vicente de Carvalo e Aranha. capaz de destruir esses taes Partidos restabelecendo a harmonia. e demais estar ameaçado duma hidropisia pela falta de respiração. ficando. Manoel de Deus Machado. responder sobre o ponderado. Comandante das Armas para vir perante o Governo quanto antes. e que porque o Governo sabia que aqui não podia restabelecer por falta de remédios. inxações em todo corpo. ―Eu Antonio Pereira Rebouças o escrevi. em virtude da Resolução antecedente. E sendo pelo Exmo. Manoel de Deos Machado. mês e ano. Presidente feita relação abreviada dos fatos pelo mesmo Comandante das Armas. que por esse impedimento se retirava a sua casa. e que logo que estivesse restabelecido se apresentaria. que se ia retirar para fora da Província. ―No mesmo dia. Manoel Ignácio da Silveira. junctamente com o Ilmo. nem por isso se acabariam as dissensões. que foi chamado. que entretanto se reunira: compareceu o Exmo. fomentados pelo sobredito Comandante das Armas. Francisco Gonçalves Valença. perpetrados conta a boa ordem e segurança pública. E sendo pelo Exmo. Sr. Francisco Gonçalves Valença. porque era susceptível pertencer a um dos Partidos. em virtude da Resolução antecedente. dizendo que não era occulto ao Governo as moléstias que soffreu de estupor na marcha. Francisco Gonçalves Valença. Manoel de Deos Machado. Governo. Francisco. mez e anno. ―Eu Antonio Pereira Rebouças. Comandante das Armas Manoel da Silva Daltro. eram assim o de ficar reunido ao Governo da Província o Comando das Armas. foi respondido pelo mesmo Comandante das Armas Manoel da Silva Daltro.‖ ―No mesmo dia.

para a fatura administração. contudo prestou o inolvidável serviço de restringir as ousadias do militarismo e da aristocracia levantando uma opinião pública e defendendo os direitos do povo. conculcados pelos prepotentes da época.Se a administração de Silveira não promoveu realização de melhoramentos que se tornava inadiáveis. que foi dirigida por Manoel Clemente Cavalcanti de Albuquerque. 206 . preparou um bom terreno. Em vista das medidas enérgicas postas em prática. tomando posse a 15 de fevereiro de 1825.

O poder municipal não encontrou apoio na administração. Tornou-se um administrador partidário. Cristovão e promoveu os meios da edificação de um quartel. de Montes. como a administração militar. autorizou o calçamento de Laranjeiras e S. o batalhão 26° de Infantaria. Sua administração não seguiu os ditames da justiça e da imparcialidade. como as outras províncias. passaram a ser exercidas por novos funcionários.CAPITULO II SUCESSORES DE MANOEL FERNADES DA SILVEIRA ATÉ 1831. como membro do conselho mais votado. O comando militar. Manteve a maior harmonia com o comandante das armas. Joaquim Marcelino de Brito. Edificou o palácio de S. tomaram a direção dos negócios públicos. que nesta data. a província voltou à paz e à ordem. tinha de prestar seu contingente na defesa nacional. Já estava então na administração interina Manoel de Deus Machado. Cristovão. tomando posse do seu cargo. Mudado todo o pessoal dos negócios públicos. que não levou a cabo. a casa do trem militar. abusando do poder. como as ofensas que este dirigiu aos membros do senado. Em sua administração recebe a comunicação do governo imperial de ter declarado guerra às repúblicas do Rio da Prata. que tinha provisoriamente sido anexado à presidência da província. não poupou esforços para sua vitória na eleição. Por te falecido em dezembro de 1826. filho da província e imbuído das paixões que se agitavam entre os membros dos dois partidos. contra não só os desatinos. desde 2 a 10. Membro de um partido. Tendo estado 207 . despachado ouvidor de Sergipe. passava em 24 de outubro de outubo de 1825 à direção do brigadeiro Inácio José Vicente da Fonseca. IDÉIAS REPUBLICANAS NA ESTÂNCIA E BREJO GRANDE. que à força queria tomar posse do lugar de seu presidente. MOVIMENTOS DE ABRIL DE 1831 Elementos inteiramente estranhos às paixões que se agitavam por esses tempos. Cristovão. Cavalcanti de Albuquerque teve de dirigir sua atenção para melhoramentos que se tornavam inadiáveis. A administração da justiça foi entregue também ao Dr. promovido pelo tenente-coronel Manoel Rodrigues Montes. para protestar contra fraude eleitoral. Sergipe. Daí os acontecimentos dos dias de janeiro de 1828. nos espaços do conselho. embarcando-se em Aracaju. Não só administração civil. que formava então uma só comarca. para manter sua autoridade. em 9 de março de 1825. Alistaram-se voluntariamente alguns cidadãos a marchar para a guerra. nos pleitos que então feriram-se para deputados á assembléia legislativa e membros da câmera da cidade de S. ainda hoje existente. durante os quais a câmera esteve de sessão permanente. em começo de 1827. tomou posse de seu cargo.

em sessão permanente seus membros a reclamarem providência, tiveram de ceder ao peso dos desvarios do poder. Propagavam pela província idéias republicanas emissárias dos revolucionários de 1824 de Pernambuco. Do norte ao sul eles percorreram-na, incitando o povo a instituir um novo regime de governos. Em Brejo Grande, Antônio José de Albuquerque Cavalcante e José de Albuquerque Cavalcanti propagam as novas idéias. São perseguidos por Bento de Melo Pereira, que desde que rebentou a revolução em Pernambuco, defendia a fronteira do rio S. Francisco. A mesma propaganda faz o padre Francisco, em Japaratuba. Os propangadistas fazem do engenho do sargento-mor Francisco Rolemberg seu ponto de reunião. O movimento no sul foi mais ativo. No seguinte ofício do comandante das armas Inácio José Vicente ao conde de Lages, o leitor verá a comunicação que fez ele da propaganda republicana pelo padre Manoel Moreira:
―Pelos meus officios anteriores tenho participado á V. Exa. as noticias que me tem sido comunicado pelo Comandante das Armas da Província das Alagoas, assim como a suspeita de haverem nesta Província Emissários destinados a seduzir os povos para fins sinistros; e tendo empregado toda a diligencia da minha parte, pude descobrir o que consta do depoimento, que por 248 cópia levo á Prezença de V.Exa. , e que igualmente passei ás mãos do Vice presidente , por ser a quem compete mandar fazer os necessários procedimentos : hum dos principais agentes mencionados no depoimento he o Padre Manoel Moreira , o qual tendo já sido prezo na ultima revolução de Pernambuco em uma Embarcação que foi aprezada, conduzindo armamento dali, para a Povoação da Estância , depois que foi solto nessa Corte, não tem parado , fazendo continuas viagens para o sertão de Pernambuco , Alagoas e pelas Villas e lugares desta Província ; já se acham presos alguns dos apontados no depoimento , incluso o Padre Moreira , e continuo na diligencia dos mais . ―Logo que pude certificar –me da existência deste criminoso ajuntamento , procurei informar-me de algumas circumstancias, como V.Exa. verá da Carta incluza de Manoel José Ribeiro
248

Termo de Averiguação feito ao Ajudante de 2˚Linha da Povoação da Estância, Antonio Ignácio de Brito. Aos vinte três dias do mez de dezembro do anno de mil oitocentos e vinte seis, no Quartel do Commantante do batalhão n.26 o Tenente Coronel Antonio Joaquim da Silva Freitas, onde comparecéo acompanhado de um officio datado do mesmo dia, dirigido pelo Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Brigadeiro Governador das armas, para ser indagado dos acontecimentos que tiverão lugar na Povoação da Esteancia, em huma das noites do mez de Outubro próximo passado, em huma céa com assuada por hum ajuntamento de pessoas que a ella concorerrão: respondeu, que a céa foi dada pelo padre Moreira, Franklin, na casa deste da outra parte do Rio Piapitinga; e que sabe que assistirão a céa o Alferes Maximo das Ordenanças, o Alferes Victorino de Melicias, o Tenente João Alves, o estudante Lima, Antonio Agustinho paysano, e outras muitas pessoas que se não lembra dos nomes, e que sabe, posto que não assistice, que a saúdes da meza erão feitas á liberdade, e que ouviram gritos fora o imperador e que nessa occasião passando hum homem do campo foi surprehendido por elles, e por pancadas obrigado a dar os mesmos gritos; e que sabe igualmente que a casa do dito Franklin são freqüentes as seçõens sobre estes obijectos, e que tão bem sabe que das Províncias do Norte veio á mesma Povoação Martinho de tal ao mesmo fim. e que depois de dias se retirou. Sabe por ser publico na Estância que o Alferes Joaquim José da Rocha se propunha a saquear alguns negociantes, e que ouvio dizer que o quis pôr em pratica com o Major Potella, o que deu lugar a elle fugir para a Província da Bahia, e que outros se tem mudado da Povoação, hum e outros embarcados, e que para esse fim tem a Populaça a quem elle enthusiasma, e que sendo o interrogado commandante das rondas algumas partes deu ao seu Commandante o Coronel Manuel Ignácio, mas que esse não lhe dando ordem para prender o não executor. E nada mas disse, eu Manoel José deMagalhães Leal, Capitão que escrevi.-Antoni Ignácio de Brito, Ajudante. -Manuel José de Magalhães Leal, Capitão. _Antonio Joaquim da silva Freitas, Tenente Coronel Commandante.

208

d‘Oliveira ; este homen foi proposto para Tenente-Coronel Refomado do Regimento de Cavalaria novamente organisado na Estância ; he homem de bem, rico, e estabelecido na Estância, mas como

249

249

Illm.e Exm. Sr. -A vista do officio e V.Ex.que neste momento me foi entrege vou satisfazer do melhor modo possível, ao que V.Ex. me ordena, e serto na segurança, que V. Ex. me comunica hirei continuando quando occorrerem novos motivos: a 10 mezes pouco mais ou menos appareceu aqui hum Franquelin vinda da parte do Carires aonde consta foi envouvido nas desordens, que la ouverão ao norte daquelles; não legalisando a sua vinda por passaporte, também o não fez do estado de Casado: apoiado por alguns parentes achou muitas amizades de alguns mansebos, e mesmo de pessoas da primeira ordem que em sua casa se ajuntam para jogar, e tão bem fala: repetiam-se para fora algumas cousas, que se falavam menos decentes, mas como tudo se encobria com a capa do ódio dos Européos , e estes vivem abatidos apenas se contentavam de estranhar, estas e outras taes em políticas, mudando, passado algum tempo, a sua residência para além da ponte do Rio Piauytinga lá continuou a freqüência com mais calor : chegado aqui obra de 6 mezes o Padre Manoel Moreira obteve logo distinto lugar nesta sociedade : hum tal edjunto lá e ouzava as vezes suas desconfiança, mas desvancia-se esta com a lembrança, de que lá se achava tão bem algumas vezes o Coronel Manoel Ignácio, Capitão –mór Joaquim Fontes para jogarem, e outras mais pessoas desta natureza, as quaes não logram a melhor opnião pública: na noute de 22, ou 23 de Setembro passou a cousa maior excesso que ajuntando maior número de pessoas houve comezana, e bebida ém abundancia passou-se de caza a rua, a depois ao Rio, e em qualquer destas partes hé assás público se falar francamente em liberdade, igualdade se tratava o nosso Imperador com os Epithetos, que a modestia ma não permita pronunciar: as autoridades elevando de algum modo dar satisfação ficaram endolentes, tratando a cousa de liberdade, e bebedeira foi, mas eu sempre ouvi dizer, que a bebedeira serve para lançar do peito aquillo que nelle está occulto: as pessoas, que se acham nesta acção se póde V. Ex.informar com mais legalidade de José Alves Vicente, lemos mandando hir a prezença de V.Ex., e dirá tambem o mais que a este respeito souber, por que me dizem o obrigaram a acompanhar o ranxo : o Padre Manoel Pereira que foi um dos da sucia seguiu 2 dias depois para Masseyó, e regressou no fim de 2 mezes, este padre filho de paes honrados, e bons cathólicos , affeissuou-se ao sistema republicano, e foi hum teimoso emissário, e apaixonado de Manoel de Carvalho de Pernambuco, e recolhido a fortaleza de S. João de Masseyó, passou da li ao Rio de Janeiro, donde não ser por que fatalidade escapou ao castigo a que tinha justiça: voltando o que continuou na sua doutrina divergente da boa ordem, e de mais apostolo do atheismo, que vergonha! Estas, e outras pessoas, que por pecados a que se contam hoje da primeira representação, formaram o círculo das associações da Estância, aonde sem duvida se tratando do sistema republicano, e anequilamento do Governo Imperial, desfigurando-se a idéa constitucional como não existente: ou estas, e outras patranhas enganam o povo principal mesmo a mocidade anuncia-lhe assim como fiseram os Francezes a liberdade e igualdade, a bens communs para todos. Deferentes partes eu tive avisos de pessoa mals afeissoados, de que se falava em saqua na mesma casa, e mais alguma: nem me atirei em taes avisos, nem os desprezei para tomar algumas cautellas . Sendo chamado pelo Coronel Manoel Ignácio para conferenciarmos sobre isso que se fallava, lhe indiquei algumas providencias, que julgava precizas, mas tal vez lhe não agradarão, porque se não seguirão: queria eu, que se fizesse ver a V.Ex., e ao Governo de Sergipe o estado em que se achava essa povoação; que se prendesse Joaquim da Rocha Sá que tendo agregados a si muitos homens, e todos maus, era sempre procurado para qualquer insulto, e mesmo para que estes homens vivam só de fazer mal, e comer o gado alheio: ora nesta parte algumas providências tem dado o Capitão- mór David de Oliveira Lima que tem feito prender alguns do tais e com isto se tem afugentado outras. Este Joaquim da Rocha indo ao chamado de V.Exa. voltou da capital dizendo por ser do que avisado que não chegasse a Sergipe por que era lá preso talvez não fizesse conta a esse, que fez tal avizo , que elle lá chegasse para não descobrir o inredo. A chegada da tropa poz alguns temerato, e outros em fuga, ora se a sua consciência esta socegada de que se espantam: o certo he que aqui há solapa, e mui contatos serão os que não estão iscados : lembra-me a propósito, o que disse o Impperador na Bahia no Congresso de Vienna da Austalia, quando da Ilha de Elba entrou na França Napoleão; quando a causa não se via nada se de principio se tatasse como grande; mas que poderia ser grande , se de princípio se tratasse com nada, applico esta pratica para o caso prezente. O Capitãomór Jose de Mattos, Major José Correia ,juiz ordinário José Tavares Ferreira, e o mesmo Capitão –mór David, são homens probos, e podem dar a V.Exa. huma informação mas circonstamciada , mandando -os V.Ex. chamar a cada hum por sua vez e delles será enteirado athé do nome dos anarquistas. Deus Guarde a V.Ex.muitos annos .Estancia 25 de dezembro de 1816. De V.Ex. Súbdito muito attento Venerador e Obrigado – Manuel José Oliveira .

209

he Europeo, e ainda nesta Província desgraçadamente são odiados pelos perturbadores da boa ordem, elle recêa que aparêça o seu nome, por ficar exposto á algum insulto, e até mesmo com perigo da sua vida, razão porque certifiquei-lhe que as suas communicações serião de confidencia e unicamente para esclarecerem-me as idéas precisas para o andamento do negocio, circumstancia que julgo necessária, visto que, tendo-se praticado tão criminozos attentados, estava eu ignorante de tudo, e até mesmo enganado por alguns officiaes de quem confiava. ―Este acontecimento merece muita attenção nestas Províncias do Norte, aonde há grande abundancia de escravos, que são nossos verdadeiros inimigos, e hum dos recursos com que contam os anarchistas, accrescendo além disto nesta Província há grande quantidade de vadios, facinorozos, sobre os quaes continuo a empregar todo cuidado a vigilância , pois são os perversos que tem espalhado temores e desconfianças sobre os povos; elles não tem recursos e apoio para a sua premeditada insurreição, porem tem toda a disposição para por meio da anarchia perpetrarem roubos e toda sorte de crimes; he quanto tenho a honra de participar a V.Exa.afin de que se digne igualmente levar ao Soberano Conhecimento de Sua Magestade o Imperador.- Deus Guarde a V.Exa. Quartel do Comando das Armas da Província de Sergipe,29 de Dezembro de 1826. ―Illmº e Exmº Sr. Conde de Lages. ―P. S. – Tão bem já fica preso o Alferes Joaquim da Rocha Silva. – Ignácio José Vicente da Fonseca, Commandante das Armas.‖

Sergipe não era um terreno preparado para frutificação dessas idéias. Se o autor dessas linhas, em 1887, quando organizou o partido republicano em Laranjeiras, com o concurso de bons amigos, a maior oposição que encontrou foi a indiferença, pela falta de cultura popular e de uma consciência clara dos deveres cívicos, que poderiam fazer o padre Moreira na Estância, e os Albuquerques em Brejo Grande?! A idéia não tomou corpo. E ainda que, pelos documentos do tempo, vejamos que em redor dela iam se agrupando as adesões, sedo os membros do governo mataram-na, infligindo as penas da lei áqueles que tomaram parte nas reuniões do padre Moreira. A administração de Inácio José Vicente, como a de seu antecessor, nada consignou de útil à província. Durante ela procederam-se às eleições para deputados à assembléia geral e membros do conselho. A administração acaricia a candidatura do vigário Antônio José Gonçalves de Figueiredo, português e um dos mais ardentes oposicionistas da independência do Brasil. Estavam bem vivas na memória de todos as perseguições que infligiu ele aos sergipanos e o grande serviço que prestou em Sergipe à política de Madeira. Esta candidatura determina a oposição dos liberais à administração ´que buscou apoio no partido corcunda . O próprio presidente era o outro candidato. Foi derrotado no pleito. Isto determinou a prática dos maiores excessos contra os liberais, que tiveram de retirar-se da província,à qual voltaram, depois da morte de Fonseca , a 11 de agosto de 1830 .

P.S. esqueceu-me dizer que Franquelin tendo se retirado com sua família para o Recôncavo da Bahia apereceu aqui repentinamente escoteiro na noite do dia 5 deste mez e sendo avizado voltou pello mesmo caminho nesta mesma noite, tendo primeiro brotado mesmo que com gente da Caxoeira voltaria para matar marotos e Brasileiros :corre agora nota não sei se certa, ol falsa, que José Dantas lhe declarasse no caminho, e não o podendo apanhar-lhe pegara um cavallo . Ausentou-se em avizo o Sr. José Alves do Valle , e Antonio Agostinho da Rocha, e alguns mais que se occultavam não apparecendo também dizem-se ausentara o heroe Joaquim da Rocha Silva. V.Ex. não se enfastia em escrita que hé feita sem ordem para que as causas também se contam diversamente, e não hé meu intento desacreditar ninguen sem causa.-Manuel José de Oliveira.

210

Achava-se no comando interino das Armas Bento de Melo Pereira. Como membro do conselho voltou novamente à administração Manoel de Deus Machado, até maio de 1831. A situação era do partido corcunda. Este partido, que na vida imperial de Sergipe foi o prolongamento do partido colonizador, nas lutas pela independência e pela emancipação; que opôs-se a essa conquista liberal, sempre aliado ao elemento português; que vendeu S. Cristóvão aos poderes da Bahia ;que traiu Burlamarque ; que promoveu a deposição de Silveira ; que sentiu-se irritado contra a propaganda de Rebouças, sobre a igualdade dos cidadãos perante a lei, agora, em 1831, retardava, sem ter coragem de uma oposição franca , a aclamação de Pedro II . Chegaram em fim de abril, as notícias dos acontecimentos do Rio de Janeiro de 13 e 14 de março. O vice –presidente Machado e o comandante das armas Melo Pereira eram suspeitos ao povo, pelas tradições do partido a que pertenceu. No mesmo dia da chegada do correio amiúdam-se as conferências em palácio, nas quais tomam parte os portugueses, que dominavam a atual situação . O povo convence-se de que o partido do governo retardaria a aclamação do novo rei. Reúne-se na praça pública com a tropa, pede a convocação do conselho e intima- lhe não só a deposição do vice – presidente o comandante das armas, como de todos os empregados filho de Portugal, que exercessem cargos públicos na província. O povo considerava-os traidores, estendendo sua suspeita ao próprio administrador civil e militar. Pede também a retirada do destacamento de 1ª linha de Alagoas, que então achava-se em Sergipe, igualmente suspeito à opinião. Eis os documentos oficiais:
“Sessão extraordinária do dia vinte e nove de Abril de mil oitocentos e trinta e hum-Aos vinte e nove dias do mez de Abril de 1831, nesta cidade de S.Cristóvão capital da Província de Sergipe, no Palácio do Governo, e Salla das Sessões do Conselho do mesmo, compareceram o Exm. Sr.Vice-Presidente, e Conselheiros Luís Antonio Esteves, Ignácio Dias de Oliveira, Alexandre da Cruz Brandão, Serafim Alves da Rocha, e Antonio de Araujo Peixoto Bessa; e aberta a sessão, presente a Câmara Municipal desta cidade, foram lidas duas Representações, que hontem fizeram o Povo e Tropa reunidos, que moveram esta reunião extraordinária, as quaes são estas. -Primeira: Illm. e Exm. Sr.- o povo reunido e os abaixo assignados representam a V.Ex. o seguinte: Que quanto antes reuna o Conselho deste Governo para deliberar e dar providencias a certos Artigos, que tem de offerecer, afim de que em nome de S.M. o Imperador Constitucional o Sr. D.PedroII e a Regencia Brasileira, se satifaça a vontade do mesmo Povo e Tropa desta Província. Deus Guarde a V.Ex. Quartel em reunião do Povo e Topa desarmada em Sergipe 28 d’ Abril de 1831 .Illm. e Exm. Sr. Capitão mor Manuel de Deus Machado Vice – Presidente desta Província, Antonio José da Cruz e Menezes, Coronel Graduado e Comandante do Batalhão n.127 de 2ª linha, José Domingues de Souza Brandão, José Joaquim de Sant’Anna, Capitão Ignácio Marques de Vasconcellos, Alexandre da Cruz Brandão, Joaquim Moreira de Vasconcellos, Alferes José de Torres Jordão,Alferes da 1ª Compª, Florencio d’ Araujo Góes Tenente, Francisco Borges da Cruz Capitão, Marcellino Pereira de Vasconcellos, Antonio Manuel de Faro Leitão, Luis Antonio da Silva, Josá Malaquias Dormundo Rocha, Manuel Felipe Vanique, Silvério José Gomes, Francisco José Gomes, João José Gomes de Souza Prelelué, Tenente, José doValle da Penha Padilha Alferes, Manuel Francisco de Araújo Brazileiro, Manuel Benjamin da Rocha, Luiz Pereira Leitão, Vicente Ferreira de S. Paulo, José Joaquim Moreira, Antonio Soares d’ Andrade, Manuel do Amparo, Pedro de Ratos da Cruz Cabrinha, Rodolfo Caetano da Fonseca, João Chrisostomo, Manuel Ciriaco do Valle Neuma, Luis Moreira Jordão, José Manuel Pereira, Joaquim Ribeiro da Cunha , José Joaquim de Jesus, Pornício Ferreira, José dos Santos, José Nunes de Jesus Antonio da Cruz, Manuel Bonifácio: - Segunda: Illm. Exm. Sr. Vice –Presidente, - O Povo e Tropa reunido nesta Capital respeitosamente acaba de receber o officio de V.Ex. datado de hoje 28 do corrente pelas onze horas de noute;todavia não satisfeito com a demora da reunião do Conselho protesta a V. Ex. em Nome de S.M. o Imperador o Sr.D.Pedro2ª por toda e qualquer demora que passe de momentânea, significando á V.Ex. que casos taes exigem a maior brevidade. Designe-se pois V.Ex. a mandar logo e logo reunir o Conselho do Governo, que em

211

tal caso podem servir os Supplentes até de hum voto , afim de que, ouçam a vontade do Povo e deliberem com justiça, na fórma da Constituição e da Lei, sem o que se não dissolverá o Povo e a Tropa reunida, affiançando porém a V.Ex. que se observará a maior tranqüilidade e público socego da parte do Povo e da Tropa reunida nessa Capital, assim como protesto em nome de S.M. o Imperador da Nação Brazileira por qualquer insulto ou perseguição que o pacífico Povo e Tropa possa receber de qualquer outra Tropa, que aqui não se acha reunida. Deus Guarde a V. Ex. Reunião do Povo e tropa na rua do Varadouro nesta Capital aos 28 de Abril de 1831 pelas onze horas da noute .Antonio José de Cruz e Menezes Coronel Commandante, José Joaquim de Sant’Anna Capitão, Ignácio Marques de Vasconcellos, Tenente, José de Torres Jordão Alferes da 1ª Compª, Joaquim Moreira de Vasconcellos Alferes, Luis Pereira Leite Particular Porta Bandeira, Manuel Joaquim de Araújo Brasileiro. “E offerecendo o Exm. Sr. Vice –Presidente todo o referido nas ditas duas Representações á Deliberação do Conselho, leu-se huma outra Representação que o povo e Tropa os dirigiram ao Exm. VicePresidente e Conselho, a qual hé a seguinte: - Terceira; Illm. e Exm. Sr.Vice-Presidente e Conselheiros do Governo – O Coronel Commandante do Batalhão de Caçadores n.127de 2ª 1ª do Exército Tropa e Povo a que reunidos, vendo que violentas infracções de Constituição se tem commettido nesta Província e dezejando a segurança da Tranqüilidade Pública, garantida pela mesma Constituição tem deliberado levar ao conhecimento de VV.EE. os seguintes quesitos, afim de serem justamente providenciado como urge o bem da Pátria. Primeiro: que seja demittido do Comando interino das Armas na fórma da Lei de 20 de Outubro de1823, o Coronel Bento de Mello Pereira, para responder as infracções que tem commetido, sendo para o mesmo nomeado o official de Patente superior mais antigo- Segundo: que sejam laçados fóra dos Empregos todos os indivíduos nascidos na Europa Portugueza por serem reconhecidamente inimigos da Constituição e do Thesouro Imperial bem como aquelles Brasileiros infames, traidores à sua Pátria: substituindo os ditos Empregos os Brazileiros da confiança Publica.Terceiro: que na reunião do Exm. Conselho sejam excluídos dous Membros delles o Portuguêz Vigário Geral Luiz Antonio Esteves, e o referido Coronel Bento de Mello Pereira, por serem assaz suspeitos. Quarto :que qualquer força contra a Tropa e Povo aqui reunidos será considerada como aggreção hostil, e em taes circumstancias o mesmo Povo e Tropa não hesitarão em vingar com todo o furor das Armas tamanha offença. Quinto:que o referido Coronel Commandantes do Batalhão n.127 a quinze meses preso por prepotente intriga do interino Commandante das Armas, fique em plena liberdade, gosando dos seus direitos, que lhe outorga a Lei, e que seja conservado no Comando do referido Batalhão, que por Concessão Imperial lhe foi conferido, visto que por sua probidade, intelligencia, patriotismo e bons serviços, se faz digno da opinião Publica, e de ser reconhecido por official Benemérito. Sergipe em reunião de Tropa e Povo vinte e nove de Abril de mil oito cento trinta e hum, décimo da independencia do Império. “Immediatamente em virtude do Art.º 3 da dita Representação se retirou o Conselheiro Luiz Antonio Esteves, e voluntariamente o Conselheiro supplente Antonio d’Araujo Peixoto Bessa. “Pondo-se em discurção o Primeiro artigo da citada Representação resouveo o Conselho depois de ouvida a Câmara Municipal, que fosse demittido do Comando interinodas Armas desta Provinsia o Coronel Bento de Mello Pereira, por assim instar a Cauza Publica, na forma do Artigo 24 § 14 da Lei de 20 de Outubro de 1823, e mais que o substituísse o Coronel José Antonio Neves Horta, por ser o official de Patente mais antigo, e que se officiasse ao mesmo para sua intelligencia, e devida execução. “Quanto ao segundo Artigo da terceira Representação do Povo e Tropa reunidos, deliberou o Conselho, que ficasse addiado para a próxima Sessão ordinária na parte relativa aos Empregados Portuguezes Civis e Eclesiásticos, que emquanto aos Militares se officiasse ao Commandante das Armas, para dar as providencias que forem análogas às circunstancias. “Resolveu o Conselho quanto ao Quinto e ultimo Artigo daquella Representação, que se officiasse ao Exm. Commandante das Armas, afim de, logo que tomar posse, fazer cumprir o mencionado Artigo Quinto e ultimo, como nelle se requisita. “E de tudo para contar se lavrou esta Acta, na qual assignarão o Exm. Vice-presidente, Conselho, e Câmara Municipal, que eu Francisco Benicio de Carvalho Aranha de Vasconsellos official Confirmado da Secretaria do Governo, do impedimento do secretario, escrevi.-Manuel de Deus Machado, Serafim Alvares da Rocha Rocha, Ignácio da Silva de Oliveira, Alexandre da Cruz Brandão, Antonio José Barbosa Leal, Innocencio da Costa Pinto, Francisco Gonsalves da Cunha, José Marques de Oliveira, José Domingues de Souza Brandão, Luiz Coréia de Caldas e Lima, Florêncio de Abreu Góes, Marcellino Pereira de Vasconcellos, Antonio Joaquim da Fonseca Neves. “Sessão extraordinária de trinta de Abril de 1831. “Aos trinta dias do mez de Abril de 1831, nesta cidade de S. Cristóvão, Capital da Província de Sergipe, em o Palácio do Governo e Salla das Sessões do Conselho, lida, approvada, e assignada a Acta antecedente presente

212

o Exmº Sr. Vice Presidente, e Conselheiros e o Coronel José Antonio Neves Horta, Capm. Ignácio dias de Oliveira, o rev. Serafim Álvares da Rocha, o Capm. Alexandre da Cruz Brandão foi entregue huma nova Representação do Povo e Tropas reunidas, que hé a seguinte: - Quarta –Illmº e Exmº Conselho, a Tropa e Povo reunidos tem de mais á por na presença deste Exmº Conselho os dous quesitos seguintes, que, respeitosamente pedem o seu immediato cumprimento. Primeiroque o mesmo Exmº Conselho de quanto antes as providencias apontadas no Artigo da Representação de homem que condescentemente ficou adiado em que se pedio fossem demittidos dos Empregos Públicos todos os Potuguezes, ou Brazileiros nascidos em Portugal que se tem tornado suspeitos e de ma fé ao Systema que felismente nos rege, bem como todos aquelles que supposto tem o seu natalício no Brazil, na mesma forma tem incorrido no mesmo crime: por exemplo da Secretaria desta Presidência o Secretario della José Pedro de Faria, entrando no exercício deste Emprego hum Brazileiro de confiança Publica: da Administração do correio o Administrador della Manoel dos Santos Silva; da Administração da Fzenda Publica o Thesoureiro da mesma Francisco Soeres Vieira de Melo, o qual inda hontem no Acto desse Exmº Conselho deo, ou por melhor dizer confiremou a sua má fé para com o predicto Systema; da Barra do Cotiguiba o Patrão Mor della Ignácio José de Freitas, e o Fiscal da mesma João Coelho São Paio, da Cadeira de primeiras Letras desta Capital Antonio Jose Peixoto Valladares ; Finalmente todos os mais nas m esmas circunstancias, os quaes confiamos e entrgamos ao arbítrio do mesmo Exmº Conselho para o respeito delles executar na forma daquella requisição, bem como José Manoel Maxado e Joaquim Antonio Peixoto et cetera. Segundo, que de dous dias peremptórios seja retirado o destacamento das Alagoas, que guarnece esta Província para assim se evitar conflictos de jurisdicção entre o mesmo Destacamento, e a Tropa de Segunda Linha desta capital, visto que já tenha aparecido defeiçoens entre huns e outros soldados, e mesmo porque na faustíssima noute de 28 do corrente quando, divulgada a feliz notícia da Exaltação ao Throno Brazileiro do Muito Alto e Augusto Príncipe o Sr. D. Pedro 2º, congregados todos os Brazileiros Militares e Civis , só do predicto. Destacamento não se reunio hum só Soldado, antes correrão asseleradamente (suppõe-se que por ordem do seu chefe ) ao Quartel respectivo onde junctos esperavam, talvez o mais leve asseno das Authoridades para accometterem hostilmente a Brasileiros desarmados, que soltavam Vivas ao Nosso Monarcha Brazileiro, á Pátria, á Constituição e á Liberdade. Reunião da Tropa e Povo em Sergipe 30 de Abril de 1831. “E logo pondo o Exm. Vice-Presidente à discussão o primeiro Artigo daquella Representação, foi unanimmente resolvido, que fossem desde já demittidos provisoriamente todos os Empregados Civis e Eclesiasticos, nascidos em Portugal, até ulterior deteminação de S. M. o Imperador Constitucional o Sr. D. Pedro 2º a quemo Governo devia participar esta resolução que lhe extenciva aos Brasileiros apontados na citada Representação o Povo e Tropa reunidos. Pondo-se igualmente em execução a segunda parte da Representação foi resolvido que fosse mandado retirar para a sua província o destacamento de primeira linha aqui estacionado, substituindo-o as Milicias até Imperial determinação, effectuandosse a retirada no prazo de dous dias improrogaveis. “De tudo para constar se lavrou a prezente Acta na qual assignarão o Exmº vice-Presidente, Conselho e Camara Municipal, que eu Francisco Benicio de Carvalho Aranha Vasconcelos, official confirmado da Secretaria do Governo, no impedimento do Secretario o escrevi.- Manoel de Deus Machado. – Ignacio Dias de Oliveira.- José Antonio Neves Horta. – Serafim Alvares da Rocha. Alexandre da Cruz Brandão. – Antonio José Barbosa Leal. – Francisco Gonçalves da Cunha.- José Dominges de Souza Brandão. – Inocencio José da Costa Pinto. – Antonio Joaquim da Fonseca Neves. – Marcelino Pereira de Vasconcelos. – José Marques de Oliveira. – Luiz Correia Caldas. – Lima Florencio de Araujo Goés. (Sessão ordinária de 2 de maio de 1831). “Aos duos dias do mez de Maio do anno de mil oitocenteos e trinta e hum nesta cidade de S. Christóvão, Capital da Provincia de Sertipe no Conselho do Governo comparecerão o Exmº Vice – Presidente da Provincia, Capitão Mór Manoel de Deus Machado, o Coronel Bento de Mello Pereira, Capitão Joaquim Martins Fontes, e os Conselheiros supplentes o Capitão Mor Ignacio Dias de Oliveira, Tenente Coronel Manoel da Cunha Mesquita, e Tenente Coronel Antonio Rodrigues Montese o Rev. Vigario Geral das Cacantes Serafim Alvares da Rocha Rocha, por terem dado parte de doentes os actuaes o Ver. José Francisco de Menezes Sobral, Vigario Gonçallo Pereira Coelho e o Conselheiro José Pinto de Carvalho, que sendo chamado não compareceo. “Derão principio aos trabalhos da Sessão Ordinaia, mandando-se fazer a leitura da Lei de 20 de Outrubro de 1823, finda a qual exigio o Exmº Sr. Vice Presidente, que os Menbros do Exmº Conselho propuzessem e lembrassem o que melhor julgarem convir ao bem estar da Provincia. “Logo indicou o Exmº Conselheiro Rocha Rocha que a Camara Municipal desta cidade reuniada e mais cidadãos, que prezentes se achavão, receiozos coma noticia de que na Sessão de hoje se pretendia anular em todo ou em parte o que se havia deliberado e resolvido pelo Exm. º conselho nas duas ultimas Sessões extraordinárias de vinte e nove e trinta do mez passado pela menor falta e cumprimento dellas protestavão na prezença desta Excellentissimo Conselho levar o seu protesto de queixa à Regencia de S. M. o Imperador o Sr.

213

– Manoel da Cunha Mesquita.Manoel de Deus Machado. offial confirmado da Secretaria do Governo. e segundas para os trabalhos do mesmo conselho. O governo imperial aprovou o procedimento do Conselho e nomeou o Dr. escrevi. presidente da província.Pedro 2º e que de mais requerirão. Do que para constar se lavrou a presente acta em que assignão o Exmº Vice Presidente e Conselho. por ser o membro mais votado do conselho. no impedimento do Secretario. o brigadeiro José Antonio Neves Horta. Foram improfícuos os protestos de Boto. a fim de reivindicar os direitos de seu cunhado José Pinto. José Joaquim Machado de Oliveira. “O Exmº. que eu Francisco Benicio de Carvalho Aranha e Vansconcelos. – Ignacio Dias de Oliveira. Vice Presidente da Província sem a menor perda de tempo fizesse cumprir tudo quanto se havia resolvido nas ditas Sessões extraordinárias para o bem estar e segurança da província: ao que todo o Conselho reunido asseverou ser vaga a notícia que moveo ao dito Corpo Municipal e Cidadãos a comparecer nas salas das Sessões.” A José Pinto cabia o direito de assumir a administração. comandante das armas. – Natonio Rodrigues Montes. e ao tenente-coronel de estado maior.Serafim Alves da Rocha Rocha. Vice Presidente de acordo com o Conselho marcou os dias sabbados. 214 . que assumisse a administração o padre José Francisco de Menezes Sobral. Sr. por ser José Pinto português. que tomavam a feição de revolta. pelas urgentes providências tomadas pelo Padre. Sebastião Gaspar de Almeida Boto convoca reuniões em Maroim e no Rosário. o qual tomou posse a 23 de julho. Membro do conselho. Então. – Joaquim Martins Fontes. que o Exm. de acordo com o comandante interino. depois de Manoel de Deus Machado. Ele resolve porém.. Sr. – Bento de Mello Pereira. Joaquim Marcelino Brito..

a fim de facilitar as vias de comunicação: lembrou a transferência da sede de vila de Santa Luzia para a Estância. e. abetas por seus antecessores. mantendo a ordem e desenvolvendo o progresso. Apresentou medidas para melhoramento das barras e das estradas. Eles são: Dr. em manter a ordem e a paz no seio da população. O período de 1831. de critério e de ilustração. em defender os direitos do povo. O renome que já tinha na província do Dr. de assassinatos. Pelo lado político caracterizou-se pelo congraçamento dos partidos. que por ser natural da província. Contribuíram para isto não só a maior disseminação da instrução como os primeiros administradores não serem filhos da província. Dr. Dr. pelo talento e pela ilustração.é um período de agitação de paixões políticas. O segundo período. pelas provas de uma inteireza de caráter. elevando a justiça acima de todos os interesses e paixões pessoais. pensando mais na prosperidade pública. em ampliar a instrução pública. tão alterada nos dias de abril. Dr. Manoel Joaquim Fernandes de Barros (1836).CAPÍTULO III GOVERNO DA REGENCIA. aos interesses de uma política local. com as feridas ainda sangrentas que lhe fizeram os promotores de sua deposição em 29 de abril. José Joaquim Geminiano de Moraes Navarro (1834). abafou as paixões e fez uma administração que correu pacificamente. Além disto eram homens de reconhecida competência pelo caráter. fez com que sua nomeação fosse bem vista e geralmente bem aceita. Manoel Ribeiro da Silva Lisboa (1835). por iniciativa de Antônio José da 215 . de rapinagem. No período que se segue aos movimentos de abril de 31. tão convulcionada pelos acontecimentos passados. Principiaram a convencer-se de que o papel do administrador não é zelar os interesses políticos do partido a que pertence e sim o bem público. de desprezo da lei. que se estende de 1836 a 1842. obstruiu as vias de prosperidade. Marcelino de Brito. que foi autorizada pelo Decreto de 25 de outubro de 1831: erigiu a vila de Laranjeiras. as administrações colocaram em plano inferior esses interesses. Todos viram na pessoa do novo presidente a garantia de seus direitos e da ordem pública.1836 forma o primeiro período da regência. REVOLUÇÃO EM SANTO AMARO EM 1836 Os primeiro dias do governo dos delegados da regência foram dias calmos e pacíficos. de prepotência dos mandões. ignorante. e pelo lado administrativo caracterizou-se pela defesa da prosperidade pública. por Decreto de 9 de agosto de 1832 e preocupava-se com a canalização dos rios Japaratuba e Pomonga. no desempenho do cargo de ouvidor que exerceu em 1825. Joaquim Marcelino de Brito. Acabou as dissenções. Ele começa na adminstração de Bento de Melo Pereira. estimulando a prosperidade geral. saturado das paixões políticas. por conseguinte não se acharem ligados aos interesses de família. No período anterior pensava-semais nos interesse partidários do que no bem geral. que se caracteriza pela iniciativa do governo em promover o melhoramento da província.

Dele falaremos adiante. Francisco com Japaratuba. levando-a até o rio Real. no começo do ano de 1835. Travassos . em uma petição dirigida à câmara de Santo Amaro. sendo concluído na administração do Dr. Inácio Joaquim Barbosa (1854). desde o S. depois de três meses de trabalho.. o outro entre este rio e o Pomonga. para facilitar a exportação dos produtos da bacia de Japaratuba. Navarro seguiu a mesma linha do seu antecessor.253 O estado financeiro da província não permitiu a realização deste gigantesco projeto. Ele representa a manifestação do espírito de revolta contra a política autoritária dos mandões de então. Da Provincia de Sergipe. adiaram a realização desse melhoramento. tal o restígio da autoridade do presidente. Manoel Ribeiro da Silva Lisboa. abre uma subscrição para encetar as obras. que juntamente com Travassos exploram a província e. Apont. Além das 250 251 Antonio José da SilvaTravassos . Hist. quando foi demitido. Refutação ao memorial do comendador Antônio José da Silva Travassos. José Joaquim Geminiano de Moraes Navarro. levando a navegação até o rio Vaza-Barris. que não acariciou candidaturas mantendo-se completamente estranho à luta dos partidos. Francisco até o rio Real. em 2 de outubro de 1828. convoca os lavradores de Sergipe na vila do Rosário. para realizar melhoramento de tão grande monta. Os pleitos eleitorais eram causas ocasionais de alteração da ordem. e não houve a menor alteração. p 44 216 .Silva Travassos. para chegar a navegação até o rio poxim e o de Sta Maria. estabelecendo uma navegação interna. Cit. que tomou posse em 29 de Outubro de 1833250. 252 Foram eleitos Antônio Fernandes da Silveira e Joaquim Martins fontes. Não se pode contestar a Silva Travassos a iniciativa deste importante melhoramento e de outras medidas. não obstante a contestação de alguns seus comtemporâneos. A idéia da canalização dos rios Japaratuba e Pomonga quis pôr em prática. Plano gignatesco este de ligar os rios da província. porque ali eram depositados os gêneros exportados de Japaratuba. porque ele queria comunicar os rios da província. Para isso teve de pedir ao governo geral um engenheiro para dirigir os trabalhos. qua facilitasse as vias de comunicação tão atrasadas.251 O simples fato de ter Travassos. Na administração de Brito feriu-se o pleito para deputado à assembléia legislativa252 e membros do conselho.J. e enquanto pede auxílio aos cofres gerais. O governo Imperial atende à reclamação de seu delegado e manda o tenente coronel de engenheiros Euzébio Gomes Barreiros. Não realizou sua aspiração. porque passou a administração. ampliando o plano. José Antônio de Oliveira e Silva (1852). op. que só veio ter começo de execução na administração do Dr. sobrea navegação dos rios Pomonga e Japaratuba por um Japaratubeiro. com a abertura do canal entre Japaratuba e Pomonga. 42. 253 A. outro entre o rio Paraí e riacho Farinha. E topogr. que se julgaram prejudicados coma abertura do canal de Japaratuba. da S. em março de 1833. passando a administração ao Dr. Travassos figura na política de Sergipe no tempo da regência e no segundo reinado. ao Dr. estabelecendo assim uma navegação fluvial. e levantar a carta histográfica. para comunicar o rio S. apresentam seu relatório do seguinte plano de canalização: um canal entre o porto da Goiaba e Riachuelo Timbó. demonstra a parcialidade da contestação. Os caprichos da política e os isteresses dos trapicheiros de Maroim. lembrado a realização desse projeto. p.

Estabeleceu na Estância o ension da filosofia e da língua francesa. De 6 de março de 1835 217 . entregue a mãos vingativas. e nãotinha um órgão de publicidade. ter-se-ia antecipado a realização desse melhoramento. Se a política não preponderasse tanto no espírito dos homens da quele tempo. Aumentou o número da força dos Permanentes. Elevou a vila a povoação de campos de Itabaianinha. Estabeleceu o regímen da publicidade dos atos oficiais. Os antecedentes vinham de longo e extenso passado. contra aqueles que não estavam nas graças do poder. Sergipe já tinha certa emancipação política e administrativa. e nesse ano imprime-se o primeiro jornal. Havia já em Sto Amaro o enisno do latim e ele transfere a cadeira para o Rosário. com onome de Noticiador Sergipense. como não serem prontamente e em pequeno período de tempo corrigidos por algum administrador que tivesse a consciência clara de seus deveres. ficando seus promotores sem punição. dando uma nova divisão aos municípios e termos. Santo Amaro de Maroím e Vila Nova254. prestava-se à satisfação de paixões pessoais. cujos benefícios se poderia aquilatar pela emancipação do comércio. e com o fim de garantir a autonomia do Estado. Aumentou o número das comarcas da província. Cristóvão. hábitos inveterados na sociedade de Sergipe. Estabeleceu o provimento por meio de concurso. de acordo com as tendências centralizadoras do regímem monárquico. Além de disseminar a instrução. E convicto disto foi que o autor destas linhas. não há a compreensão nítida dos deveres sociais. Por maiores que fossem os esforços destes adminstradores.vantagens reais de unir as zonas produtoras. Porto da Folha. tratou de pôr em vias de realização este melhoramento. Vimos que o primeiro jornal foi criado em 1835. elevnado-as a quatro: S. ampliou os reucursos da justiça. que até então não eram publicados. E esse descuido era quase que absoluto. Nem sempre a lei era a garantia dos direitos do cidadão. depois da proclamação da Repúblia. e de alguns do primeiro reinado. Havia uma causa muito poderosa para não só terem-se eles implantado. A justiça. O pouco tempo que duraram estas adminstrações foi insuficiente para acabar os abusos que se ptaticavam na província. corpo que já existia. elevando-o a duzentas praças. que chegava a vencer a ação da lei. Era o descuido da legislação colonial relativamente a instrução e sua distribuição pelas camadas sociais. às vezes. Criou 7 cadeiras de primeiras letras do sexo masculino e outras tantas do sexo feminino. não só pelas ligações políticas que os protegiam. com uma inevitável conseqüência. como pela força do elemento de família. não poderiam vencer os hábitos de arbítrio das autoridades e da pouca observância dos preceitos legais. que foi por ele aberta. Estância. da Capela de Maroím. extinguido a Thomar do Geru. 254 Decret. como governador de Sergipe. Na administração de Navarro teve lugar a primeira sessão da Assembleia Legislativa. e os agentes da arrecadação nem sempre prestavam suas contas. que dela se ocupavam com detrimento do bem geral. Compreende-se perfeitamente que sem cultura popular. como importante fator da civilização. nem impressos. Os dinheiros do erário público não eram fiscalizados. determinaria o povoamento rápido.

em lucta durante vinte e dous dias com a sedição de Santo Amaro.O número de escolas como veremos no seguinte capítulo. prestava o grande serviço de plantar hábitos de legalidade. e da sua pacificação. padre Manoel Silveira e Joaquim Fontes. a política da camarilha dos dois deputados incrementava as maiores calúnias contra o administrador. Resolveram com as armas. e aí escovavam sua casaca. chamando ao cumprimento do dever as autoridades. terminava eu o mais importante serviço para aquella província. Aurorizou até a busca nos engenhos. O excesso da medida desaparece perante a nobreza da causa. de educação cívica e abafava um movimentro revolucionário. não obstante a promulgação da lei que aboliu o tráfico. essas faltas. desse desrespeito à lei e do abuso do poder. esse miserável libello e lho prstava todo o apoio ministerial. relativamente ao número de habitantes. ele prestava estes grandes serviços. dezia ele na resposta que deu à carta escrita ao ministro do império de então. era o do triumpho da Lei. que se continuou a fazer em larga escala na província. e com huma conspiração urdida na capital. ele em Sergipre. ―Nesse mesmo dia. era diminutissimo. Ela era uma subcorte. sendo depositados os infelizes na Estância. e sem lagrima. ou por terra. vejamos a adminstração do Dr. Afagavam as tradições desta vila. Realmente a lei provincial de 17 de Janeiro de 1835 tinha transferido a sede da vila de Santo Amaro para Maroim. que compreende o ano de 1835. Punindo e proibindo o tráfico. que se ia incendiando em Santo Amaro. E o fez pela Lei de 19 de agosto de 1835. Ele ainda fazia-se por mar. E o fizeram e o alcançaram. hábitos que caracterizavam aquela sociedade completamente imersa na ignorância. Silva Lisboa proibi-o completamente. principal sede do comércio negreiro. Os representantes de Sergipe na Assembléia Geral. sustentado a lei. Ele se caracteriza principalmente pelo programa de corrigir esses hábitos . enquanto os deputados entregavam-se à calúnia. 218 . cujo desenvolvimento já reclamava esse acesso. em que lia V. Manoel Ribeiro da Silva Lisboa. Determinada a causa mais geral desse hábitos. punindo os contrabandistas com severas penas. obrigando à prestação de contas os agentes fiscais e proibindo completamente a imortação dos africanos. e sem sangue. a fim de ver se existia algum africano recentemente chegado. Pois bem. quase sem meios. cujo poder municipal tinha tanto contribuído para o desenvolvimento da civilização da província. Por ela passavam os habitantes do norte que visitavam a capital. Isto descontentou profundamente seus habitantes. Silva Lisboa compreendeu que a melhor soluçãoera comvocar a Assembléia. para depor a Assembléa Provincial. pelo dois deputados . chamando às contas as autoridades imbecis e fraudulentas. compreende-se que sua adminstração havia de descontentar os interessados. principiam a acusar o presidente. com a provocação de dous fortes poderosos partidos que tentavam reciprocamente hostilisarem. cortados todas as avenidas da guerra civil. Enquanto no Rio. Ex. ―nesse mesmo dia recebia eu as congratulações da Assembleia Provincial e os agradecimentos do povo por haver. manter a sede da vila em Santo Amaro e criar a vila de Maroim. consolidado a paz‖. opor-se à execução da lei.

antes de estudarmos a sua adminstração. ―Os deveres do meu cargo não se circumscrevião somente nos objectos da Capital. Essa inimizade pessoal originou-se de pleitos judiciários. como para dar impulso ao seu comércio progressivamente decadente. aplainado e mandado calçar outras. de certo que bastantes provas dá da sua incapacidade mora. exame que jamais se havia incetados por contemplações para com os seus devedores. melhorado o cáes. ―Da mesma serte havia heu iniciado o exame e fiscalização da Santa Casa de Misericórdia. desfrutava a capiraç a abundância e o comércio que se tinha estabelecido ente ela e as vilas circunvizinhas. ela era um homem de espírito não vulgar. no qual figurou Almeida Boto como tutor testaentário do menor Gaspar. estendião-se a todos os Municípios. até que chegasse da Bahia o Dr. o capitãomor Inácio Dias de Oliveira que tomou posse no dia 10. conquistando muita simpatia da opinião. em 1836. comprado o terreno para cãs de correção ejá principiado: aberto novas ruas. Realmente. passando a administração ao ilustrado Dr. Fernandes de Barros não era um produta do meio social de Sergipe. 255 Silva Lisboa ocia à câmara em data de 9 de outubro passado a administração ao vice-presidente. havia repartido por todas as comarcas para as policiar. a propósito do inventário do Coronel José de Barros Pimentel. e Sebastião Gaspar de Almeida Boto. ―Igualmente tinha ordenado o arrolamento e estatística da Província. era um químico consumado. achava-se concluído o quartel militar. que atestam o seu saber. corrigido inveterados abusos feitos à Ella e à moral e responsabilisado os empregados públicos malévolos. Formou-se em medicina em París. e em todos era incansável em dispertar a inércia das camaras e chama-las às suas obrigações. com o mesmo zelo tinha organizado as guardas N. Em 19 de Outubro Dias de Oliveira passa a adminstração ao tenente-coronel Sebastião de Almeida Boto. E aí estão suas obras sobre química e mineralogia. Lá firmou a competência de um brasileiro de talento. Envolveu-se no pleito para Deputado à Assembleia Geral. contratado a abertura do canal Japaratuba. e taes vantagens Lea a effeiro. Manoel Joaquim Fernandes de Barros que tomou posse a 6 de dezembro do mesmo ano. Envolveu-se na política. onde casou-se e morou no engenho Jesus Maria José. obtem os resultados dos melhoramentos que projecta. junto a Laranjeiras. em total abandono. tinha a educação européia. onde foi um distinto discípulo de Gay Lussac. como cessar innumeros assassinatos. seu inimigo político pessoal. Manoel Joaquim Fernandes de Barros255. ―Quem nos tirocínios de sua administraçã. Marcelino de Brito. pelas suas qualidades. não só para abastecê-la dos gêneros de primeira necessidade de que careciam . Além de um médico ilustrado. de entre os quaes se contavão as mais ricas e poderosas famílias da terra. 219 . juntamente com o Dr. Estudemos o homem. ―Repartido havia também a minha intenção com as obras publicas. Os meus esforços o conseguiram e nessa ocasião em que os seus deputados deprimiam o meu crédito. impugnando à Assembleia Provincial a reducção do Corpo de Polícia e regularisando-o. e de não saber governar nem a sua própria casa!‖ Solicitpou sua demissão. promovido a iluminação da cidade. finalmente havia protegido com efficacia a Religião do Estado. que nella antes desta providencia se commetião impunemente. que ficou na presidência. no que me fi mister empregar para a conseguir inifinito trabalho.E é ele memso quem define sua adminstração nas seguintes palavras: ―Deploravam os da capital uma Feira. seu correligionário. dando aso executores forçaa para se fazer obedecer. Veio da Europa para Sergipe. Na França desempenhou comissões de valor cintífico. com que consequi fazer não só cumprir as Leis. filho do Coronel Pimentel.

em favor da prosperidade da província. Desconfiou que desejavam assassina-lo pelo que mudou-se para Maceió. Este fato impressionou profundamente a opinião pública da Bahia. Foi esplêndido o programa de adminstração que ele enunciou aos deputados. e estudar suas conseqüências no meio social em que ele operou-se. Pede aos representantes leis que previnam os crimes. quando abriu. fora. Alagoas e aé da capital do Império. em 1839. conservem intacta apropriedade e a vida dos comprovincianos. perdeu um poderoso fator de sua prosperidade. Ele havia de impor-se à aceitação da opinião e conquistar a suprema direção dos partidos. não querendo apontar à execração pública o seu autor. A conseqüência da cosnciência dessa desigualdade. desde quando vencê-lo era impossível. a morte de Fernandes de Barros. o nome sergipano á altura que os seus sucessores nunca alcançaram. entretanto. na capital da província. Quanto mais conquistava prestígio e influência na política. pela competência. foi de reais desvantagens. assegurem a tranqüilidade pública. Foi ele vitorioso naquele pleiro eleitoral. por certo. Sergipe. pormeio de uma medida radical. a fim de tratar de sua saúde. e de quem a província tinha muito e muito a esperar. não nos pertence. empreguem os viciosos.Contribuiu ainda mais o roubo de uma avultada quantia feito quando a viúva do Coronel Pimentel vinha da Bahia para Sergipe. impune o assassino. Em 1840 teve necessidades de ir à Bahia. É fácil prever-se as conseqüências. na altura de Inhambupe. revela um espírito eminentemente rico de excelentes projetos e a devotação. era a inveja. ficando. No dia 2 de outubro do mesmo ano foi assassinado. Não nos compete o odioso papel de inquerir qual seu autor e aponta-lo à opinião. Tanto mais julgava sua vida pouco segura. Não podiam apelar para o prestígio do talento e a nobreza do saber. em 11 de janeiro de 1836. O que pertence-nos é indagar as causas desse fato. diretamente com outras nações. reprimam os vagabundos. a quem competia esse dever. Para ele a opinião popular olhava como um homem necessário. Tornava-sepreciso elimaná-lo do campo político. davam-lhe o privilégio de dominar os destinos da província. o odioso papel de entrarmos nessa inquirição. abandonando suas propriedades em Sergipe. Se a justiça pública. com a morte dele. Sergipe. A fala que então pronunciou. Instaurou-se processo crime. Daí os acontecimentos de 1836 em Sto Amaro. Era impossível vencê-lo na política. deixou-se vencer pela sugestão de interesses. e criem o esterno. que prosperem 220 . como na inferferência com que ela havia de obrar nos negócios do país. que descrevemos. porque ele plantaria uma nova orientação na política e elevaria. o poder de sua mentalidade e a riqueza científica de seu espírito. a Assembleia Provincial. corrijam os delitos. Compreende-se perfeitamente que os chefes políticos de então. As qualidades de que era dotado. fomentem o comércio interno. Não só na vida interna da província. em terreno nenhum podiam com ele competir. Eis as causas do assassinato de Fernandes de Barros. No campo político ninguém podia competir com o ilustrado médico. para deixar impune o assassinato de um cidadão de representação histórica. em que se achavam os diretores da política.

preparar seus frutos. toão ignorante e inconsciente. Pede leis que melhorem esse estado de coisas. Lembra medidas de valor para que a Assembléia ofereça-as ao poder competente. um estabelecimento onde se ensinem os princípios práticos de lavrar a terra. Há visível e palpável desfalecimento do civismo e obnublação do patriotismo. pela preponderância dos régulos. inconscientess e ignorantes. Lembra a criação de um Horto Agrícola. espalhem as luzes.a agricultura. excitem o gosta das artes. Fernandes de Barros. de outro a falta de braços educados e cultura do manufaturador. a organização de um banco que facilite a circulação de capitais. que eram os chefes dos partidos. em vista das boas condições de grandes zonas para estas lavouras. lavar. Pede que a assembléia legisle sobre colonização. A par disto parece que o caráter das gerações degenerou. fazer flores. sobre a justiça territorial civil. a fim de privar a escandalosa agiotagem do dinheiro a 2. Até então estavam a cargo das câmaras. Pede a criação do comércio direto. que o governo premie a quem cruzar e melhorar as raças.3. tão prejudicial à prosperidade da província. dispô-la para produzir as diversas colheitas. pelos excessos do partidarismo. Pede leis proibitivas de enterramento dos mortos nas igrejas. Descreve os males que cercam a lavoura da cana. Pede um novo plano de ensino. pelos arbítrios do poder. Melo Pereira foi o primeiro da série dos presidentes que formam o segundo período da regência. da construção rural. Pede providencias que proíbam a derrubada das matas. porque diz ele. onde aprendam a coser. que fiquem sob a fiscalização de um ispetor. senão a criação da nova alfândega. pelo esquecimento absoluto da lei. Pede a centralização secundária em um liceu que se deve abrir na capital. sobre a justiça de çaz. 4% de uma caixa econômica para plantar no espírito público a economia. Infelizmente nad disto pôde realizar. e a quem descobrir um destruidor dos insetos. Pede a cração de escolas em todas as villas e povoados. e que agravaram-se durante o segundo reinado. Pede a criação de um estabelecimento idêntico para as mulheres. porque tede de passar a presidência a Bento de Melo Pereira. como veremos adiante. e cujas administrações caracterizam-se pela falta de segurança pública e individual. para não terem necessidade dessa devastação de florestas tão úteis. A política tornou-se o assunto que preocupou adminstrações e administradores. onde se diplomem os professores. no mesmo ano de 1836. a fim de que se estabeleça uma corrente imigratória para Sergipe de estrangeiros. por meio de Bóias e praticagem. por meio de uma escola normal. engomar. cuidar de hortas. que as adminstrações não souberam ou não quiseram superar. Anima o povo a dedicar-se à indústria. cuidar do gado e animais domésticos. melhorando as condições das barras. que renasceu as velhas paixões. 221 . feita pelos plantadoes de algodão. em obediência a um princípio de higiêni pública. cacau. cujas funções sejam examiná-las. fiar. de um lado pesados impostos. Deste período datam os males da província. para que as fontes de receita pública tornem-se mais segura e o desnvolviemento civilizador mais rápido. de plantá-la. a palavra colonização para os brasileiros deve ser sinônimo de prosperidade e segurança. obrigando-os a adubar seus terrenos. da educação de animais domésticos. Convida para iniciar-se a plantação do café. Eis as idéias dominantes da administração do Dr. que tanto prejudicam a lavoura de cana.

―Quando esses eleitores se aproximavão do Palacio. por occasião da apuração geral. já estava a guarda delle reforçada e posta em linha de atiradores. Transcrevemos aqui o seguinte trecho de uma mem´pria inédita. Aprecianremos as conseqüências destes dois fatos. sobre-estou a camara a apuração. ―O Juiz de Paz. uma grande maioria contra os candidatos do partido legal. Os administradores defendiam os interesses dos partidos a que pertenciam. capitão de 2ª linha. Foi um verdadeiro tumulto. cuja dandidatura patrocinava. contra a liberdade do voto. Dois partidos prepararam-se para as lutas. ―Finda a eleição. e manifestada na camara da capital. escrita pelo comendador Antônio José da Silva Travassos: ―Assim deu-se a separação e seguio-se a campanha eleitoral. e em numero de 200 mais ou meos. que ali se achavão. classificando de ajuntamento illicito aquella evasão. As épocas eleitorais ofereciam oportunidade à prática dos maiores desatinos.Desapareceu aquele sentimento da massa popular. apresentando o partido legal para candidatos ao monsenhor Silveira e a Sebastião Gaspar de Almeida Boto e o liberal ao Dr. Todos os meios foram inprofícuos para uma vitória honesta do partido do governo. passou a proclamar de ajuntamente ilícito. ―depois apresenou-se a acta daquelle collegio. o qual apoderando-se da Villa. composta de paizanos e alguns escravos. tendo por ponto de horigem a vila de Santo Amaro. e como 222 . figurando ter sido elle composto composte de 3. ouve um acordo de enviarem de cada Freguesia. contra os excessos do governo. a pretexto de não lhe ter sido enviada a acta do collegio do Lagarto. requisitando força ao Juiz de Paz do districto vizinho. e não trepidavam na prática de meios. O escândalo a que quis o adminstrador chegar. para lançar o protesto e realizar u movimento de revolta. mas o Presidente a proporção que as hia recendo. Ela se espalha pela província. e por intermedio do Juiz de Paz respectivo. fez retirarem-se della o Juiz de Paz. conhecia-se não alterar o vencido. ―Então já a necessidade aconselhava uma medida que hoje dispõe a Lei elitoral. reunirão-se os eleitores do partido liberal. capitaneada por aquelle candidato Boto. pedindo ao Presidente da Provincia ordenar à camara da capital para tomar em separado a votação daquelle collegio. seno pelo commandante Manoel José Ribeiro. deu lugar a uma grande revolta dos membros do partido adverso. por occasião do apuro geral. e Dr. ―Á vista deste extraordinário escandalo. tanto os da capital como os de outros lugares. cuja liberdade na escolah dos candidatos desaparecia pela falta de honestidade. para deputados à Assembleia Geral. rasgava-as e mandava prender aos portadores. para dar vitória às candidaturas que patrocinavam.627 eleitores. ―Foi forçoso retirarem-se. O de Santo Amaro. ―Quando na Villa e Freguesia do Rosario. e que pelo numro de eleitores. que ao contrario faria fogo contra elles. para diplomar aqueles. que era o capitão Manoel Pereira Coelho. No ano de 1836 ia ter lugar um pleito eleitoral. que era cunhado do Presidente. de onde fugiram os habitantes para salvarem suas vidas. forão atacados por uma força armada. que era de cincoenta. e seguindo a seus districtos. representações assignadas pel corpo elitoral. Manoel Joaquim de Souza Brio. dirigirão-se à palácio para representar ao Presidente verbalmente contra aquelle facto. intimada ordem de retirarem-se. ―Seguirão algumas representações nesse sentido. que era o Tenente Coronel Antonio Luiz de Araujo Maciel e Eleitores. os Eleitores estavão com o Juiz de Paz tratando de igual representação. Manoel Joaquim Fernandes de Barros. com as formalidaddes determinadas no código do Processo Criminal. A pressão era enorme sobre o sufrágio popular.

quebando a mão direita do Santo. aconselhando aos reunidos de deporem as armas. quando apenas achavão-se vinte rapazes. que se achava inerme. contra o qual deram descarga. foi lida em altas vozes em frente dos reunidos. os quaes foram conduzidos em braços. contra o qual ia represenar para a Côrte. se poz em fuga. estando embriagado. Logo que o destacamento soube do que havia acontecido ao seu commandante. morrendo estantaneamente. como era seu costume. voltando tramquillos às suas casas. lhe disparou um tiro co a dita reúna. sendo aquelles que vierão assassinar João Bolacha. ―Persuadido assim o Presidente. onde foram espingardeados. ―Correndo Boto e os demais que elle capitaneava. que se achavam refugiados fora da Villa. lançou mão de uma reúna. conhecido por João Bolacha. e concluía pedindo a apuração em separado da acta do collegio eleitoral do Lagarto. que deixaram feixadas. levando-se toalhas. de novo representar verbalmente ao Presidente contra seu procedimento. e achando todas as portas feixadas. pessoa de confiança do Presidente. enviaram estes uma representação ao Presidente. queixando-se das artitrariedades praticadas pelo Presidente. ―Ficando estacionados Boto em Larangeiras. que promettia deitar um véo sobre o passado. e alli existe ainda essa memória. e seus agentes. que era elle Presidente o primeiro a reconhecer a nullidade do collegio do Lagarto. que procuravão suas casa pela notica da retirada do destacamento. sob seu commando em chefe. foi o Engenho Santa‘ Anna. e dispondo-se a vingar a afronta feita à Santo Amaro. da qual foi o portador o coronel Francisco da Graça Leite Sampaio. achando-se também algumas famílias pobres. às oito horas da manhã. e seguiram para a dita Villa. ―Dado este acontecimento. ―Chegando disso aviso aos habitantes da Villa de Santo Amaro. confiando. consertaram os liberaes. mandou ali o vigário de Laranjeiras. Daniel Canavieira. deixando alli um destacamento de quarenta capangas sob o comando do facínora João Soares da Soledade. empregou a força e fez a dispersão. e a cujos habitantes não podia elle perdoar o auxilio prestado ao Juiz de Paz do Rosário. de seguir desermados à capital. embora morressem. ―Seguio-se o saque em todas as casas. acando assim a existência. Antonio José Gonçalves de Figueiredo (aquelle candidato à deputação Geral. João Severo. 223 . foi quebrado. e outro do ornato dos santos. nem mesmo roupas. e do partido deste. que por doentes. ―Sabendo Boto daquella reunião. Por este facto. que como ral não se tem mandado concertar. companheiro do Presdidente Ignacio José Vicente) admoestar aos santamaristas para depor as armas. entrou Boto com aquella força em Santo Amaro. ―No dia seguinte. toamram e expediente de embarcarem-se em canoas. sob a palavra do governo. ―Então estes muniram-se de gente e das armas para defenderem-se da aggressão. entregando-as ao dito vigário. pessoas mais gradas e de differentes districtos. ―apenas haviam ficado na Villa Manoel Alves Pereira. e depois de proferir blasfemias contra a Imagem de Santo Amaro que está collocada no Frontispício da dia Igreja. seguio com uma força de Permanentes. postos no meio da praça. onde logo encontraram a sós João Bolacha. seguindo todas as famílias com o trajo que tinham. que a applaudiram e dispersaram-se. com a sua força lega. eo que não fez conta conduzer-se. tomaram armas. no município de Larangeiras. dirigio-se a Igreja Matriz. prata. que dormiam descançados no promettimento pela proclamação do Presidente. ―Passados oito dias. dominaram-se de fanatismo alguns dos rapazes santamaristas. refugiando-se para as praias. e contra aquillo que acabava de praticar seu cunhado. ameaçando tomar vingança. para Larangeiras. ―Acceita a proclamação. não foi por isso preso. e paisanos. levando-se em carros o precioso dellas. mandou-as abrir sem precedência de formalidade legaes. sem tempo de conduzirem nada das suas casas. despejaram as sagradas Formas. ―Não tendo este com quem brigar. sendo arrombadas a machado. seuguiu Boto com uma força de 600 praças. indo em seguida para a capital. e levaram as Âmbulas. ―Dado isto persuadio-se o Presidente que aquella Villa se achava ocupada por grande força. dando vivas ao Presidente da Provincia. ―O ponto concetado para essa reunião.não fosse obedecido. Abriram o sacrário. e foi esto na noite do dia 15 de Novembro de 1836. ―Esta representação narrava os acontecimentos. e foi cercar a Villa de Santo Amaro. não poderam retirar-se. ―Voltou o coronel Graça com uma proclamação do Presidente. dizendo-se ir elle atacar aos reunidos no Engenho Sant‘Anna. e os reundos em Sant‘Anna. no fim de seis dias. Retirou-se Boto de Santo Amaro. ―Mesmo as igrejas não foram isentas do saque.

onde rompeo fogo. mandando-os depois assassiar e roubar. Por isso mesmo que os sergipanos o puderam obstar. e emboscarão a tropa na entrada da dita Villa. sítios e mais lugares dos municípios sendo permittido o assassinato e o roubo. foi demitido por acto do mesmo Presidente. ao mesmo tempo que estes tão bem pronuciados pelos crimes de roubos e assassinatos.arrastado por seu cunhado Boto. e dando esta resposta ao Presidente. por alusão ao apelido que tinha aquele seu candidato Souza Brito. por alusão aos roubos praticados em Santo Amaro. Voltando o vigário Figueiredo. tratavam exclusivamente da política. Escrivão do Juiz de Paz de Santo Amaro. e o coronel Wenceslau de Oliveira Belo257. comosta de cerca de quatrocentas praças. que ficou outra vez deserta. ―Ocupando o rapina todas as posições oficiais na província. pelo facto de não ter cumprido o que prometteo na proclamação que foi lida em Sant‘Anna.que emigravam uns para Bahia e a maior parte para a província das Alagoas. cujo programa era emancipação.o partido dos corcundas dominou durante elas. resultando a morte de um delles Amphrisio de Campos. ―Tão bem a força do governo não se demorou na vila. e de um soldado da força do governo.―Foi-lhe respondido que o Presidente não merecia confiança. que era . Joaquim José Pacheco (1839). As administrações que se seguiram à Bento Pereira guiaram-se pela orientação por si traçada. que se fez chefe absoluto do dito partido dominante e de tudo dispunha á vontade.Estes tão bem instaurarão processos contra os rapinas. agremiou-se em um partido. acontecendo que alguns dos comondongos reunidos. e ferimentos de alguns outros de partr a parte. foi o fato que determino a criação dos partidos. E também eram procurados em outros municípios pessoas influentes do partido liberal.Manoel Joaquim Fernandes de Barros. ―No entretanto foi nulificada aquela desastrada eleição geral. classificação que deu aquellas representações populares.que tomou posse no de 1837‖. As pessoa256 seguiram-se: o Dr.Manuel Joaquim de Souza Brito. e como aceitasse a ilegal remoção. retirando-se os rapazes em vista da desigualdade da sua força. ―Foi substituído por Jose Marino Cavalcanti de Albuquerque. escapando ao punhal assassino. Seus habitantes sentiram-se irritado por um ato de tão inqualificável arbítrio. e logo retirou-se para a Bahia. que foi o ultimo delegado do governo e da regência. continuavam a exercer empregos públicos. reduzindo a letra morta o decreto que elevava Sergipe a capitania. ―chegando disso noticias na Villa. pois. Demitido o Presidente. ―Então os do partido legal denominaram aos liberais de camundongos. Uma idéia liberal foi. que mais tarde o postou sem vida em uma das ruas da Bahia. a que nutriu a primeira organização partidária. Vimos nas paginas anteriores que o abuso cometido pela Bahia em 1820. pelos roubos e assassinatos que praticarão. foi removido pelo presidente para comarca de Estância. ― D‘hai em diante chrismaram-se os partidos.a quem foi estranhado seu procedimento e notado inepto. em vista do extraordinário numero de Eleitores fictícios. ou reuniões dos ditos camundongos. que ficarão sendo conhecidos uns de camundongos e outros de rapina. pelo crime de revolta. Indiferentes de todos ao bem publico. ―O Dr.de onde era natural. e os legais foram apelidados de rapinas. que não encontro no centro do governo restrição ou punição. uma nova força se dirigiu a Santo Amaro. por Decreto do Governo Imperial. 256 257 Tomou posse a 31 de maio de 1837 Tomou posse a 28 de agosto de 1839 224 . e que as armas conservavão para defenderem-se dos assassinos. que era juiz de Direito da comarca da capital.sendo um destes o Dr. e então buscou perseguir com assaltos nos diferentes Engenhos. que para ali fugiu. não representava o Presidente outra causa mais do que authomato . ―Com aquelles procesos deo-se a preseguição da maior parte dos comondongos que não quizerão alistar-se na bandeira rapina. disposerão-se os ditos rapazes. natural daquela província.

durante o primeiro reinado. Ele representava o elemento aristocrata da província. a idéia dominante do partido desaparece. Eis a evolução dos partidos na província. cego pela paixão política. do corcunda. Daqui em diante o historiador nota. De 1840 em diante. ainda lhe fica uma aspiração liberal. e de Sergipe constituir-se em Província. e que foram o segundo reinado da monarquia. de 1820 a 1831. pela prepotência dos poderosos e dos ricos. e defender as garantias das classes populares. em cujo estudo vamos entrar. ainda que poucos. quis depô-lo. eram Sebastião de Almeida Boto e Joaquim Martins Fontes. não se podia nele manter. Notifica sua saída da administração. Ai está ele impondo. 225 . Pretendo essa aspiração emancipacionista. na esperança das graças do poder. o partido corcunda passou a denominar-se rapina. em Santo Amaro. os privilégios de raça. sempre em perigo iminente. e um obstáculo contra os atentados do poder. pratica alguma coisa que desperta a desconfiança publica. o desfalecimento do patriotismo. na sociedade daqueles tempos. Os chefes principais. o outro conversou o mesmo nome. O outro partido alcançou algumas vezes o poder. da propaganda liberais. no período da regência. Dr. E ai esta o apóio que ele presta à administração do brigadeiro Silveira. a perda do civismo. porem. ao o qual aliaram-se alguns sergipanos. por que seu programa é então fiscalizar essa emancipação. com o fato da independência do país. o poder da família. o partido liberal esteve na posse do poder. Desaparece da opinião a consciência da liberdade. Ai está ele na revolução de 1836. São estas as duas organizações partidárias de Sergipe. Os acontecimentos de Santo Amaro determinam uma nova denominação nos partidos. Em vista da rapinagem que foi praticada pela troca na busca que deram nas casas dos habitantes daquela vila. em vista da oposição da opinião.Marcelino de Brito do liberal. a largos traços. desse temperamento. contra os preconceitos de nobreza. e a ele demos o nome de partido recolonizador.que intimidada os homens a protestarem contra as tiranias. quando o partido adverso. juntamente com a tropa. em defesa da causa publica. por causa da defesa ilimitada que seu secretario presta ao povo. o povo torna-se morno e parece que degenerado. dessas explosões de patriotismo.Fernandes de Barros. a cuja prosperidade nada de útil prestou. que o inteligente Rebouças tratava de espalhar. e oferecendo até o sangue dos seus membros. por isto que seu ideal emancipacionista tornou-se uma realidade com a independência. É esta a característica dos tempos. Dr. que os levava a sufocarem suas convicções . Nesta seção de tempo. em 1831 uma capitulação a Bento Pereira. A revolução de Santo Amaro é o ultimo sintoma que o historiador apanha desse espírito rebelde.O partido antagonista deste era o dos portugueses. De 1824 para cá. que com os seus. protestando conta uma fraude eleitoral. Há um sintoma dominante de uma degeneração de caráter.

às necessidade das classes produtoras. não inquiriam da idoneidade do cidadão. Entre aqueles apresenta-se o Dr. INSTRUÇÃO PÚBLICA. Alem do assassinato do Dr.O caráter tendia a degenera-se. o do juiz de paz da Capela.de Antônio Joaquim Álvares do Amaral (1845). registra-se. casada com seu raptor. todas as mais se caracterizaram pela indiferença à prosperidade geral. sendo a sociedade testemunha das cenas de sangue. desempregados por indevidos que se entregavam à vontade dos dominantes. e a degeneração liga-se ao predomínio da política. OS PARTIDOS. em 1840. Os crimes amiudavam-se. Nenhuma manifestação de civismo encontra o historiador. para a fusão dos cargos públicos. como o mais seguro recurso de defesa. percorrendo aramados os povoados e as vilas.e de José Ladislau e Silva. Em uma síntese podemos traçar a macha que seguiram. Com exceção da administração do Dr.José Cupertino de Oliveira Sampaio. na administração de Zacarias de Góes e Vasconcelos (1848-49). Houve feridos e mortos. emigravam para as duas províncias vizinhas. FINANÇAS.desde quando elas obedeciam aos mesmos princípios. 226 . empregavam a força armada contra liberdade do voto nos pleitos eleitorais. Quem comparar os fatos anteriores e posteriores a 1840. depois da maioridade de Pedro II. quanto passam-se os dias do segundo reinado. foi o coronel João Pedro da silva Ferreira . ficando em punição dos crimes que se perpetravam .O povo foi massacrado pela tropa.em 1845 que há pouco tinha deixado a chefia de política.Anselmo Francisco Pereti (1842-43). Eram chamados os chefes de política. MUDANÇA DA CAPITAL.que foi planejado em Sergipe. protegido pelos homens da situação.CAPITULO IV DELEGADOS DO SEGUNDO REINALDO ATÉ 1855. O primeiro presidente despachado para Sergipe. o espírito público da província foi tornando-se indiferente as usurpações que o arbítrio tendia a conquista contra suas liberdades. José Alves Pereira. sendo sua mulher raptada e à força. Os criminosos. A fim de se esquivarem às perseguições que se punham em pratica. E é incontestável que essa degenerarão partida da instituição. Dissemos no ultimo capitulo. em1841.Fernandes de Barros.viviam a zombar da justiça.como se deu em laranjeiras e Itabaiana. Entregues a paixão. e sem as regalias os cidadãos do partido que não era o da situação. nota uma profunda diferença. Indiferentes à segurança pública. sobre todas as manifestações da saciedade. Isto acentua-se tanto mais.Seria fastidioso a que descrevemos cada uma das administrações. da forma de governo. contra os abusos que se cometiam. que a datar do segundo período da regência.

E esse estado decadência da sociedade. Matias em Maruim Moura no Rosário. Assim. O silencio popular parece que era uma prova de aquiescência de tantos desmandos. não só pelo numero de vitimas. por que não o puniam. Grandes diferenças nota o leitor entre esta sociedade e a das gerações passadas. Nas baixas regiões desaparecia o civismo e não se ouvia uma voz de protesto contra um tal estado de coisas.o estado do comercio. na impunidade dos seus crimes. altamente atentatório à riqueza particular dos habitantes de 227 . perdeu suas tradições e seus programas. Instrumento cegos das paixões do chefes. elas o acoroçoavam. Xicão em Itabaiana. na adimistração de Sebastião Gaspar de Almeida Boto. Se pelo lado de segurança publica. Quincas em Própria. e o trabalho de rebocarem nas barras. um sintoma eloqüente de uma profunda degeneração.|A política dominava com a corrupção. revele-se claramente no fato de 1855. Se havia um outro patriota que sentia no fundo d‘alma a decência dessa sociedade que se corrompia. durante o segundo reinado. senão a Bahia. para serem rebatidos no comercio com grandes especulações dos negociantes em lucros exagerados. nos quinze primeiros anos do segundo reinado. Marunba na Capela. chegamos a um lamentável estado de selvageria pelo lado financeiro chegamos à bancarrota.Em quase todas as povoações. sem poder a justiça publica entrega-los à severidade dos castigos penais. Nas regiões do poder o crime não desapertava a punição. Eram estes os homens que levavam o luto e a orfandade às famílias. Vicente Cardoso em Santo Amaro. contra a prepotência dos que queriam dominar. basta dizermos que de melhoramentos materiais só foram feitos a abertura do canal que ume o rio Japaratuba ao rio Pomonga. fazendo com que o prêço de gênero de consumo fossem muito diverso em lugares próximos. a falta mesmo de estrada entre os centros de população. As suas vias de comunicação muito difíceis.o estado do comercio que podia comunicar-se com outras praças. Durante meses. diminuíram assim o numero de naufrágios dos navios que demandavam Sergipe. Eis o estado a que chegou a sociedade de Sergipe. ao qual o governo entregava vales. Na consciência das administrações não fazia a menos mossa a necessidade que tinha a província de melhoramentos. essa falta de patriotismo e de civismo que se ressentia a população de Sergipe então. As autoridades animavam-no. E ambos estes melhoramentos pertencem à iniciativa do comendador Travassos. degenerava-se a sociedade. como pelo escândalo que ostentava. porque viviam sobe a proteção dos poderosos. não chega ao ouvido do historiador o grito do seu protesto. em 1842. A falta de fiscalização do dinheiros públicos chegou a ponto de não haver numerário para pagar-se o funcionalismo. citamos Inocêncio em Laranjeiras. pelo estado das barras que não se despertavam nas administrações de 1840 até 1855. suspenderam-se os pagamentos aos empregados públicos. Aquele mesmo partido que sempre timbrou em defender o bem público. havia um criminoso que se tinha celebrizado. Como o leitor vê.

anulando os inauditos esforços das gerações passadas. como é o corpo cuja cabeça ele representava. o fato. Estudemos. pela grande quantidade de pântanos existente. que foram os primeiros a reclamar pela mudança da capital. para ir atira-la às praias do Aracaju. pequena. sobre um solo arenosa. nova cidade. seriam inúmeras as vitimas desse meio tão pernicioso e epidêmico. E daqui que a colonização melhorasse tais condições anti-higiênicas e que permanecia de um centro populoso espantasse os miasmas. feitos à presa. Se admiramos sua coragem.S. cujo os interesses não se podem comparar. As tradições do tempo trazem-nos inúmeras perda de pais de família. As repartições publicas funcionando em casebres. rodeada de 200 sítios de pequena lavoura.Cristóvão. de excelentes águas. Os infelizes empregados públicos para garantirem o pão cotidiano. retirando a vida oficial de uma cidade secular. de saborosas frutas. ficando na orfandade e sem arrimo do esposo os infelizes filhos e esposas. ―Era sem duvida tempo suficiente para ostentar-se rico e populoso. com um município de 43 engenhos.a mudança da capital para o Aracaju que era uma praia inóspita e inabitada. Isto é bem característico da degeneração do caráter e do civismos daquela sociedade. pouco depois da mudança da capital. e que por isto não pode oferecer base suficiente para grandes e largas edificações.Inácio Joaquim Barbosa. porem. aos representantes da província. Idealizou o plano e realizo-o. que veio consignado para realizar esse atentado. Seu espírito não se deixou influenciar por nenhuma dessas inconveniências que seu ato acarretou. em 1º de março de 1855. Enquanto a população de Santo Amaro. e o reclamava desde a administração do Dr. e a assembléia de reunirce de baixo de um pé de cajueiro. longe de ser elle um grande Povoado. a população de S. E foi o que se deu. E é para admirar-se que a deliberação da administração não recuasse perante a grande soma de interesses particulares que o ato da mudança ia prejudicar. As causas justificadas do ato vêm na fala que Inácio Barbosa dirigiu. Entretanto vós todos concordareis que. de ricos e belos edifícios. o poder da sugestão a que seu espírito. indo compacta.que em recentes períodos geológicos serviu de leito do Cotinguiba. Os cofres depositados em albergues. Somente as velhas espreitavam das rotulas os carros que conduziam o cofre e os arquivos. morrendo de febre palustre. sem a menor garantia e segurança. situada excelente local. que as mãos sacrílegas de um administrado viesse atirar na pobreza um sem-numero de famílias. . ou por outra. buscar seus cartórios. de abundancia de alimento. para satisfazer assim interesses políticos e individuais. unida e armada. as suas causas e suas conseqüências. de uma noite para o dia. incisivamente epidêmico. sem tradições e sem edifícios. Obrigados a irem habitar em um meio paludoso. O próprio presidente foi vitima de sua ousadia. O próprio presidente teve de habitar em uma casa de palha. A falta de habitações era absoluta. Admira-se realmente a coragem do Dr. é uma 228 . e que já havia mais de trinta que nele se acha a sede da Capital da Província. vila pobre. e consentiu facilmente na realização dos planos oficiais. Vejamo-las: ―Ninguém ignora o Povoado da Cidade de Sam Christóvão contra cerca de duzentos e cinqüenta annos de existência. onde intenta edificar. de clima ameno. como o atestam alguns dos seus velho monumentos. o leitor viu quando o poder legislativo mudou a sede da vila para Maruim.Cristóvão e seu município. 11 alambiques. Foi o protesto. cujas tradições deviam estimula o patriotismo de seus habitantes.Manuel Inácio da Silva Lisboa (1835). 12 fazendas de criação de gado. lançando pragas ao administrador. vitimadas pela febre paludosa. ficou indiferente ao atentado.

........................... se..................570 Laranjeiras ..... .........2.......................958 Lagarto ............................ O único protesto que encontramos em nossas busca contra o ato do presidente....2................ a quem foi presente a representação verbal dos habitantes d’ella... – A câmara Municipal d’esta Cidade de S..........643 Campos ......... A outra causa alegada pelo presidente foi a superioridade topográfica do Aracaju................. com na formação geológica...... Inexatidão revela-se na própria incoerência de suas palavras.................. a cuja 229 ... E como não seria assim............. Cristovão...................475 Vila-Nova................ Cristóvão era sua distancia para o porto............. Não só o porto do Cotinguiba não é superior ao do Vaza-Barris..807 Capela............... dificultando esta que podia ser remediada com a viação férrea..... E Exm..Cristóvão....... Nenhuma localidade igualava-lhe em população....... foi lançado pela câmara da capital nos ofícios e representações que o leitor pode ler na nota abaixo258..... pois que é pequeno recôncavo da ribeira do Vaza-barris............ Capital da província de Sergipe.......... que os ligasse e com que por certo... .......... 258 Illm....................309 Propriá...................... e dificuldades de toda sorte para navegação.1.1.........170 Não era também a cidade menos populosa de então.1......................................................... que fica na margem do mesmo rio Vaza-barris?‖ Eram inexatas as alegações do presidente sobre a decadência de S....... 2.......789 Itabaiana ..... acrescentando que diferente dos demais centro de população da mesma província...... A única circunstancia de valor real contra a permanência da capital em S....... o seu aspecto só revela decadência e miséria................ Cristovão era 1...773 Divina Pastora.. transformando uma praia insalubre e deserta em um centro populoso... quando depois de ter dito que S......693 Total. .... alem de ficar no fundo do rio Piramopana com dependência de marés.................. Pelo seguinte quadro do numero de fogos das povoações de Sergipe em 1852. diz pouco adiante: todos os demais povoados estão mais ou menos no caso da cidade de S.. que lhe fica próximo..........das mais pequenas Cidades da Província.... junto a um excelente porto e de uma barra superior á do Vaza-Barris.Cristóvão era a menor cidade da província.............976 Estância....... não só em volume d‘água..............624 Socorro. e poderia enterter-lhe a vida................3......30................................ como as barras de ambos os rios são iguais...231 Santa Luzia...................Cristóvão......965 Porto da Folha.....718 Maruim........1........................... que no auge de desespero e exige a observância da lei fundamental do Estado.. os cofres públicos despenderiam muito menos do que despenderam para edificar uma cidade em tão pouco tempo.................030 Rosário.................................... como sendo a menor e mesmo populosa cidade da província............. .. comunicase diretamente com o Povoado de Itaporanga........Cristóvão..3....................... nem seu município. ............544...664 Santo Amaro ..................3............. vê-se a inexatidão da legação: S.. condições estas que tornariam para o futuro a nova capital uma excelente praça comercial.... não podendo ser indeferente aos justos clamores do povo......1. Sr........ Em 1850 o numero de habitantes de cidade de S................... não dispõe esse povoado de recursos próprios.................

que a 14 annos prosperava consideravelmente. quando o povo considerando o completo extermínio de sua capital. Exm. – A camara Municipal desta capital da Província de Sergipe d’ElRei reunida em Sessão extraordinária. E com effeito. ou não e prottesta por isso por serem nullos e írritos quaesquer trabalho vossos que não forem de accordo com a lei fundamental do estado: promette mesmo levar seu protesto aos pés do thorono augusto de sua magestade imperial. e docilidade de que he dotado. respeitava nosso direito de petição. comessava sua existência civil e política. e do direito que esta câmara em nome do povo reclama se tornará credor das nossas afeições: ao contrário. Ignacio Joaquim Barbosa. Ex. e inhabitavel por suas continuas epedemias. o único responsável por huma só gota de sangue Sergipano. por isso que desde sua instalação até hoje ainda não decretou para fora desta mesma Capital essa reunião. perante o Brazil inteiro. e offerece hum futuro. Sr. Dr. só e unicamente convocação da assembléia provincial nesta capital. – José da Rocha Bastos. e por isso desde já protesta Deos. – João Simões da Silva Samango – Joaquim Felippe de S. em que V. o propósito firme que há de reduzir-se a miséria cinco mil habitantes da capital com ocupações honestas. Não vê esta Camara. e que a transgressão das leis e muitos tem abismado: e por isso esta câmara solicita de V. Ex. por isso que no artigo quinto do mesmo está determinado que a reunião da Assembléia será em lugar por actos legislativos Provinciaes. para que todos conheção da forma porque é transgredida a Lei: o que mais importa. protesta ainda e o que mais importa por serdes os responsáveis perante Deos. que se derramar possa. parente o Brazil. usa reunia em outro qualquer ponto da Provincia He uma ferida gravemente feita ao Acto Adicional. e leal. vos representa que toda e qualquer reunião. Anna. 230 . para ser objetivo de desprezo. Esta camara. os Sergipanos quando vos elegeram deputados. E não o tendo feito Emx. Sr. mas que lhe foram postergados. permitida nossa linguagem verdadeira. e leal povo desta capital perante a Provincia perante o Brasil e o mundo inteiro. e menos lhe presta apoio. perdas. sabe que da boa administração da justiça depende a felicidade dos povos. que representa . e os edifícios do estado que não menos importão da duzentos contos de reis. compartilahdo do dissabores de seus concidadãos. hum commercio florescente. a fraqueza que hé própria a esta camara. e nem a assembléia se poderá justificar de huma infracção de lei fundamental do estado. para que faça reunir a assembléia nesta Capital. V. Ex. Ex. vem apresentar a V. é claro evidente ser a reunião da assembléia nas praias desertas do Aracaju huma medida que revolta os ânimos mais pacíficos dos cidadãos. capital da província de Sergipe. vem representar a esta Ilustre Assembleia. Ex. Deus Guarde a paço da camara municipal da cidade de são Cristovão. Ex. E Exm. que tenhaes de fazer para legislardes devera ser nesta capital da províncias. Sr. por huma só gota de sangue sergipano que derramar-se possa quando o desrespeito exarcerbe os ânimos motivando esse desespero a aggressão. por si e em nome de seus concidadãos. e que edificava. e animador. e extorção de direitos que este povo julgava garantidos. não deve consentir como primeira authoridade da província. Exm. Ex. ou seja ella ordinária. e parente o mundo inteiro. ou antes o cumprimento do artigo quinto do acto addicional: certo de quem se V. esquecendo-se todas as considerações. e elevação de província do Brazil. apoio que a lei longe de o dar reprova. e por qualquer repulsa a elle feito. Parece que há quem pasando a razão deixe de conhecer a nenhuma utilidade publica. que tendo sido esquecida com sua recente emancipação. não vos deram poderes para tanto. nem pode afiançar a que ponto chegar o desespero dos pacíficos habitante desta capital. senhores. por ser hum acto nullo. pedindo a restricta observância do artigo 5° do acto addicional: representa a V. emfim huma antiga capitania do reino de Portugal. único ponto de suas reuniões. esta Camara em nome do povo. parente a Lei. uma necessidade em mudar a sede do governo. presidente desta província. Ex. não jpodendo ser indiferente ao clamor publico e a dissolação que observa a mesma Capital. Senhores da assembléia Província. os reditos das estações publicas. – Joaquim José Pereira. e irrito. Esta Camara confia que V. Ex. protesta de haver hum dia os habitantes desta capital seus prejuízos. perca a natural resão. a falta de economia política. por não poder Ella reunir-se em outro algum ponto. e por isso esta camara nada despresará para defender o pacífico. Permitta V. – Francisco José dos Santos Pinho. terá de levar sua voz ante o thorono Augusto de sua magestade Imperial e constitucional. perante o Thorono.sombra repousavão intertes por se julgarem garantia. e o Brazil inteiro de ser V. Esses casos até hoje se deram. e mudar e sede do governo com a maior precipitação para huma praia deserta. a sombra da qual todo o cidadão deve repousar tranqüilo. Não afiança esta camara a V. se compenetrar da razão. em Sessão extraordinária de 28 de fevereiro de 1855. – P. Sr. Ex. – Ignacio de Paula Madureira. Senhores. – Marcos José Martins. e o mundo inteiro. Illm. e damnos de vez por vossos bens.

Paço da camara municipal de S. lhe fica distante 3 legoas pouco mais ou menos. e a pretesto de passar o carnaval no engenho – brejo – apresentou-se no da Unha do gatto propriedade do barão de Maroim. – Marcos José Martins. Thezouraria Provincial e pessoal respectivo. – Joaquim José Pereira. e ahi no dia 17 de fevereiro fez por carta officiaes assignadas por ambos. como pai commum dos Brazileiros. que tem elle feito. sempre aollicita em promover o bem público do seu Município. vem com o maior respeito a acatamento ante a Augusta Pessoas de Vossa Magestadade Imperial e Constitucional representar e Suplicar o bem. que se encare os interesse della. precipitada e absurda mudança! O presidente de que se tracta. Imperial. faltaria a um dos seus mais sagrados deveres se deixasse de levar este pensamento ao Soberano Conhecimento de Vosa Magestade Imperial. Cristovão dotada dos Comodos necessários para a existência de um Povo. o que não se dá no esteril. que a lei lhe confere. – Francisco José dos Santos Pinho. dispresando assim hum palacio dos melhores do Imperio onde esse Archivo estava. depois de sua posse até hoje. depois disso de tantos Edifícios Públicos com os quaes a Nação gastou milhões. mas sim uma incurialidade. abusando do poder. honestos.-capital da província de Sergipe. cuja maioria foi composta de Supplentes. deve esperar. logo para alli transportou-se o Presidente. – João Simões da Silva Samango. por que alguns de numero. que inteiramente estanhou aos interesses della. de quem o Povo oprimido desta Cidade e Província espera saudáveis providencias que o ponham a salvo dos incalculáveis males que podem provir dessa illegal. – Ignacio de Paula Madureira P. e o desprezo. pelos coffres da Província. actual Presidente desta Província. tendo igual destino os coffres provinciaes que alli estão sem a menor garantia. Imperial Senhor. que se abusa das boas intenções que a nosso respeito nutre Vossa Magestade Imperial. e o da mesma Província a que pertence. e tanto assim hé que o bem intencionado Commendador Antonio Joaquim Alves do Amaral. e somente é essa verdade desfigurada pelo actual presidente da província. Não querendo esta Camara attribuir ao Presidente actual huma desonestidade pelo acto. Manuel Vieira tosta Dezembargador Joaquim Marcellino de Brito. Parece. e o que he a bella Cidade de S. para cuja infracção coadjuvaram esses deputados. Reunidos os deputados. para sepulta!-o em uma cazinhola sem segurança. que praticou. esta Camara testimunhando tantoa absurdos e injustiças. Outro tanto pretende fazer com os coffres da Thezouraria Geral e Correio. que são convergidas á prol do bem estar de seus súbditos abandonou esta cidade. do Termo desta Cidade. por ter terras perdidas no Aracajú quer approveital-as!!! Lá. – Joaquim Felippe de Santa Anna. mudado desta_ cidade para as praias do Aracaju a Capital da mesma Província. – a camara Municipal da cidade de S. contra a disposição dos arts. e outras. e amantes das Instituições do seu Paiz se escuzaram de fazer parte do illegal e absurdo Congresso. se não importa de tanto de frente ferir. logo mandou o Presidente conduzir para aquelle terreno diserto os Archivos da Secretaria Presidencial. que por fortuna ainda permanecem em um optimo edifício de grossas paredes de pedra e cal livres do menor risco. e ás conviniencias Publicas! Mas ahi estão os pactos. quando presidente desta Província oppoz-se a que fosse para alli transferida a Alfandega!! Hé desta forma Imperial Senhor. Tendo o Bacharel Ignacio Joaquim Barbosa. 5° e 10 do acto addicional. – José da Rocha Bastos. imperial senhor. que. reunir os deputados Provinciaes e deliberou que estes se passassem às ditas praias. e se promove o engrandecimento do Paiz só por diferenças a alguem. n'essa praia está o Pessoal das Repartições soffrendo 231 . e sempre foi isso reconhecido por qualquer lado. capital da província de Sergipe em sessão extraordinária aos 28 de fevereiro de 1855 . para não fatigar a paciência de Vossa Magestade Imperial. para proval-a servia bastante que Vossa Magestade Imperial ouvisse aos conspícuos Conselheiros Zacharias Goez e Vascosellos. que de vossa Magestade Imperial. e quando na boa fé almeja a Capital o seu regresso. Fundamental do Estado. Em conseqüência do que. basta sómente attender-se ás enormes despesas.alias este ponto para isso o primeiro da província. que elles diriam a Vossa Magestade Imperial o que he a praia do Aracajú. decretou ele a precipitada e nulla mudança. Senhor. Christovão. incrlvel tanto desacato á Lei. como deve constar de uma lei inconstitucionalmente feita e promulgada nas referidas praias do Aracaju!!! Sim. he baziada na razão de ter sido elle praticado contra a Letra da Lei. Imperial Senhor. e ali fizessem sua sessão ordinária. Christovão ex. das puras intenções da vossa M. fazer violência ao acto legislativo da província pela inconstitucionalidade da vosa reunião. que mostram com evidencia os nossos soffrimentos! E para comprehender-se a caprichosa tenacidade do actual Presidente. quando esta Camara declara nullo e insubsistente semilhante acto. que em linha recta. insalubre e arenoso Aracajú. construídos nesta Cidade e que esta Camara deixa de enumerar.

....... Até 1855 verifica-se sempre o aumento da receita......154:142$000 1851 – 52............. Manoel Joaquim de Guia.......25:375$000 1836... a receita foi orçada em 25:375$000 e neste em 317:270$000... por que assim salvara Vossa M.... para o Aracaju......91:500$000 1837......... pelo aumento da prdução......... naquele ano.... DESPESA 122:530$500 141:713$206 172:142$000 202:065$000 232:925$000 232 ............... que abusando da bondade .. deplora a consternação dessas famílias desterradas em uma praia inhospita sem abrigo..........43:806$000 1852 – 53.....317:270$000 A marcha do saldo foi a seguinte: 1847 – 48..... Em 1835............................ de que elle dispõem como senhor absoluto.....279:410$164 1855 – 56.. chegando ele em 1857 a 138:257$000 Eis o quadro da receita e despesa RECEITA 1835. É por tanto que................ José Geilherme Machado de Araujo..... À muita alta................... Com o aumento da receita......................... Luiz Antonio de Leiros........ como já a alguns se tem feito!!! Estas camara............ que o prezidente de relativamente a retirada dos coffres da Fazenda Nacional..105:100$000 1838..... onde já se acham as Provinciaes. Joaquim filippe de S.......... Realmente... encontramos a primeira lei orçamentária...... Imperial e Constitucional façam-os cessar d’uma vez.......101:406$000 1844.. pode-se demonstrar suas desvantagens.. Imperial pisa com alarde a um povo manso e pacifico......... Imperial Guarde Deus como havemos mister faço da Câmara Municipal da Cidade de S.151:896$000 1848 – 49........ em Sessão Ordinária de 30 de Abril de 1855.. poderosa e Sagrada Pessoa de Vossa M... Joaquim José Pereira........... – Ignácio de Paula Madureira.46:484$000 1855 – 56.........56:571$000 1856 – 57............. imperial senhor.. 764$000 1852 – 53...................................... Marcos José Martins. em razão de dez e um quinto.......... esta Camara com a maior submissão requer a Vossa M. verifica-se a existência de saldos na província.... anterior e posterior ao ato da mudança.... Anna..21:741$000 1850 – 51.75:824$000 A despesa mais ou menos a mesma 1839......... e para isso conseguir despresa a Constituição do Império. Miguel Correia Nunes..................64:434$000 horriveis privações para não ser-Ihes tirado o pão...................... P...... só por que assim o quer e o manda hum Presidente. e perseguido... e da missão que lhe confiou VossaM........E no estudo comparativo do estado financeiro da província. João Duarte Portugal............ Imperialrial e constituicional a suspensão de qualquer ordem..... Cristóvão de Sergipe de El-Rei..

Além dessa decadência para a qual tão poderosamente contribuiu a mudança da capital. sob o ponto de vista da cultura popular. sua proporção na província. Não podia competir com a vida oficial do Aracaju. Tomaz Alves Júnior (1860). por esse tempo. francês. a nosso ver. cirandose o Liceu de Sergipe. de 163. aquela subindo a 460:177$000 e esta a 404:641$000. na administração do Dr. foi com o déficit de 82:020$000. nesse tempo. era preciso uma freqüência de 32. contava 63 escolas com a freqüência de 3165 alunos. em 1851de 3147 e em 1852 de 3165. Laranjeiras que era o melhor centro comercial. Sendo a população.000 habitantes. quando se fizeram as obras do Aracaju. inglês. Eis. Entretanto a província. latim. este saldo desapareceu. e quando passou a administração ao Dr.990 habitantes: sendo 166. decaiu. Havia uma biblioteca pública. Bastam estas cifras para demosntrar o atraso em que vivia a província. o desequilíbrio entre a receita e despesa tornou-se cada vez maior. em 1850.729 alunos para 327 escolas.426 233 .Em abril de 1857 o saldo tinha subido a 168:766$000. isto é um aluno sobre 517 habitantes livres. e 15 do feminino: 9 aulas de latim. seus efeitos foram de grande inconveniência nos centros populosos que já existiam nas circunvizinhanças do Aracaju. Por Lei de 31 de julho de 1847 centralizou-se a instrução secundária. era dez vezes menor.85 alunos 1849---------54 alunos 1850 --------113 aluns 1851 ---------88 alunos 1852 --------158 alunos 1853 -------119 alunos Em 1852 a província contava 39 escolas primárias do sexo masculino. cuja aula foi supressa em abril de 1852. Nele ensinava-se geometria. as conseqüências da mudança da capital. Por mais de uma vez temos lastimado a incúria e indiferença dos governos para com a instrução pública. que além disto. Vimos já o seu estado no primeiro reinado e no período da regência. retórica. A população da província em 1852 era de 222. criada por lei de 16 de junho de 1851 e que em 1853 tinha 1043 volumes. Não obstante o aumento da produção. como podemos ver pelo seguinte mapa: 1848-------. Manoel da Cunha Galvão (1858). além das que existiam no Liceu. Daí em diante os déficits tenderam a aumentar e tornaram-se permanentes na história financeira da Província. Sendo reconhecido que a população das escolas deve estar na razão de um quinto para a população livre. Sua freqüência er pequeníssima. filosofia. tirou-lhe grande parte do seu valor comercial. sendo abundante as receitas de 1857-58 e de 1858-59. A freqüência em 1851 foi de 2647 alunos. geografia e comércio. Pois bem.

Vimos que eles originaram-se do atentado praticado pela Bahia.habitantes livres e 56564 escravos. Vimos mais que. Em vista dos acontecimentos de 1836. uma idéia que os vivifique. O historiador não descobre mais um princípio. Durante este longo período Almeida Boto alcançou em Sergipe um domínio absoluto. para aliar-se ao outro partido. Dominava não só a administração da província. A opinião pública pensou e pensou muito bem que a oposição de Boto importaria a nulidade e revogação do ato. durante àquele período. a ponto de podermos julga-lo como o administrador de Sergipe. Vejamos agora a marcha e orientação que eles levaram no segundo período da regência e no segundo reinado. Seu principal chefe era então Almeida Boto. todas as resoluções. Souza Brito. pelo ilimitado prestígio de que gozava. candidato no pleito de 1836. contra aliberdade política e administrativa de Sergipe. nos capítulos anteriores. em alusão a um de seus chefes. e foi substituído pelo partido do corcunda. atacou até a organização partidária de Sergipe. Depois da independência. A degeneração do caráter naciona. como as administrações locais. que intitulou-se o partido legal naquele movimento revolucionário. Almeida Boto é um dos mais responsáveis pelo atraso em que permaneceu a província. em 1836 era o partido da situação. Fernandes de Barros. eles tomaram novas denominações. Ambos perderam seus programas e isto já foi por nós dito. ou injustamente. cujos habitantes esperavam que Boto. por alguns anos. com Pereti. desde 1820. de onde vieram ordens reservadas ao presidente José Antônio de Oliveira e Silva. tornando-se alvo das desconfianças da justiça pública. eles tiveram programas: tornaram efetiva a emancipação da província e defenderam-na. De 1852 em diante seu partido deixou de ser o partido dominante e o seu chefe foi pouco a pouco perdendo o prestígio de que gosava. De sua vontade dependiam todas as deliberações. Este partido que ocupou as posições oficiais. sem programas nem idéias caminharam os partidos. em alusão aos roubos praticados naquela vila. em Santo Amaro. Eis a nosso ver as causas da 234 . durante o primeiro reinado. até os últimos momentos da monarquia. que lhe ofereceu resistência. O partido rapina dominou a província até 1852 quando assumiu a administração o Dr. de 1836 a 1852. tendo por armas a corrupção e o egoísmo. se opusesse ao ato administrativo. estudado a marcha que levaram os partdos. Estudamos estas lutas nos últimos tempos do primeiro reinado e durante o primeiro período da regência. Isto produziu impressão na opinião do centro. Por conseguinte. não sabemos se justa. o Dr. O liberal passou a ser chamado camundongo. que perdeu aqueles patrióticos princípios do primeiro reinado e do primeiro período da regência e assim. passou a denominarse rapina. Contribuíram para isto os seguintes fatos: As dificuldades em que se colocou Almeida Boto no assassinato do Dr. O corcunda. em todas aso outra a administrações interferiu. que foi o mais visível sintoma das práticas políticas do segundo reinado. Além deste fato contribuiu ainda a mudança da capital. Menos um ou outro presidente. José Antonio de Oliveira e Silva. Temos. o partido lusitano desapareceu.

ligaram-se tão bem alguns membros do partido que tou a denominação do – Liberalnomo primitivo do partido comondongo. por outras influências do mesmo partido. Este fato produziu uma dissolução completa nos partidos. que acariciou a idéia da conciliação política e da liga. e. e tolerante. conservaram-se no seu retiro. que mais tarde passou a denominar-se conservador. devendo substitui-los uma política larga. Promovidos por novas agremiações políticas. e tornou-se Antônio da Silva Travassos o propagandista dessa liga. afim de cuidar-se dos melhoramentos mateiaes de que tanto precisava a Provincia. A esse partido. porqu continuaram os excessos partidários. em Sergipe.saguarema.saguarema. Aqueles que como o Barão de Maroim. demonstra que suas origens não representam pricípios políticos. o que se compôs de frações do comundongo e do rapina. Amaro. que representava as tradições liberais de 1820. dessa conciliação. e então passei a publicar na Villa de S. organizando o partido saquarema. Não passam de dois bandos. como no país.O programa do Conciliador não alcançou implantar-se no pinião. que tanto a delaceravam. apresentado. o jornal – Conciliador-. sendo o dito Presidente defendido. sem a coesão de uma idíea. nem tradições históricas. contra os interesses da nação e a favor dos interesses dos seus chefes e dos seus adeptos.que mais tarde tomou a denominação de conservador. 235 . so segundo reinado. chamado o Conciliador. E são estas as suas palavras: Nesse ano appareceu o programa político de conciliação. Boto e outros membros de sua família. generosa. As descrições que fizemos de seus antecedentes. pelo governo Imperial. que não podia prosperar por causa desses partidos de índole de família. preparavam-se para a chefia suprema do partido comundongo. Amaro. e teve de chocar-se com o Presidente. abriram oposição ao presidente Salvador Correia de Sá e Benevides.decadência política de Boto e do seu partido.concorreu parte do comondongo. representam as duas agremiações partidárias. e o presidente convidou-me a propalar as idéias que eu já adoptava. contra o qual promoveu opposição na Assembleia provincial. mostrando-se a necessidade de acabar com os partidos e infuências nocivas delles . em um jornal que principiou a editar em Sto. que a esse tempo se insinuava para chefe do partido comondongo. em luta contínua. Com isto muito se encommodou o Barão de Maroim. pretensão esta contestada por outras influências do dito partido. Então o Barão de Maroim organisou um partido seu que denominou. Em 1856 ecoou na província a liga dos partidos operada na corte do império. cujo prospecto foi aquelle programma de conciliação. As outras frações constituíram o partido liberal que.

e de acordo com os interesses da fazenda pública. pois. entre Sergipe e Alagoas e Bahia.Na 29ª sessão da 30ª legislatura da assembléia provincial de Sergipe. para quem os documentos são inúmeros e comprobatórios dos limites que acabamos de traçar. Seja por onde for. de acordo com os interesses da justiça. QUESTÕES COM ALAGOAS E BAHIA Segundo a opinião de todos os cronistas. que separa esta província de Alagoas. afim de cessarem as reclamações de todos os dias . Desmenbrando. quando a favor de Sergipe não falasse bem alto o testemunho do passado. Elucidemos estas questões. afim de que a administração conheça qual a orbita em que deve girar. que partindo do riacho Ningó. dizia: ‖Ainda são contestados ao sul. sem que se achem a verdade e o direito do lado das alegações. que o separa da Bahia. o território de Sergipe é limitado ao norte pelo rio São Francisco. A incerteza em que vivemos é sempre má. Não só a fronteira setentrional tem sido contestada pela província de Alagoas. Pelo menos esta razão devia inspirar a cessão. o mesmo não tem sucedido a Sergipe. Se há essa unanimidade e acordo nas opiniões. Sergipe tem sofrido uma lesão enorme em sua economia. vai às nascenças do rio Real e o separa também da Bahia. como sobre ela a sua ação legal. seu direito político a Bahia. Limite setentrional. os limites desta província. como a fronteira meridional e ocidental o tem sido pela Bahia. E quando não existisse esse direito. não só pela grande extensão que lhe é tributária. tornam-se morosas contra os interesses da justiça. geógrafos e historiadores do Brasil. Considero como medida urgentíssima a descriminação dos pontos onde ele confina com as outras. em 1871. pela verdade do passado histórico. afim de que a 236 . E por mais de uma vez a justiça de Sergipe tem sido suspensa em sua ação. a Bahia devia fazer cessão da zona que tão ilegalmente acha-se apensa á sua jurisdição.CAPÍTULO V LIMITES. a leste pelo oceano Atlântico e a oeste por uma linha imaginária. tenente-coronel Francisco José Cardoso Júnior. na sua fronteira ocidental. vão levar seus auxílios. pela alegação de sua incompetência. Se nenhuma contestação histórica. sobre a qual compete exclusivamente sua jurisdição. ou Brejo Grande. relativamente aos seus limites. povoações situadas nessa zona.se de seu território uma grande zona de terreno ubérrimo. de quem deviam achar-se desligadas. tem partindo das duas províncias para fundamentarem o direito territorial. desde quando o poder legislativo tem querido resolver a questão. que legalize sua jurisdição. sua vigilância. por iniciativa dos interesses da política baiana. afluente do S. ao sul pelo rio Real. baseada em documentos. determine-se uma linha divisória. não sabendo as autoridades até onde chegam os limites da sua competência. pela Bahia e ao norte pelas Alagoas. pela distância em que se acha do centro do governo. que reclamou como pertencendo ao seu território à ilha Paraúna. é de estranhar que questões de limites tenham sido levantadas pelas duas províncias limítrofes. Francisco. o presidente da província.

que queria ser tributária de Vila-Nova. donatário de Pernambuco. da ilha Paraúna. Francisco. pela imposição da administração de Sergipe à lavoura das paragens em litígio. eram os fundamentos em que se procurava basear a posse de Alagoas sobre Brejo Grande. desmembra ele. Muitos outros fatos poderiam citar. em menoscabo da lei. quis desmembrar de Alagoas para Sergipe as ilhas circunvizinhas do rio. e assim ficam impunes.ação da justiça não continue a ser iludida. contra o que protestou a câmara de Penedo. tornou-se terra firme. Francisco. em tempos passados. cujos autores dizem-se domiciliários ali. após a perpetração de um crime aqui. fronteira ao penedo. Tendo em 1755 se levantando de novo a questão de limites. reclamava-lhe ordens para que as autoridades de Sergipe não exercessem sua jurisdição sobre a ilha do Brejo Grande. a câmara de Penedo recorre e ao seu favor foi passado a provisão de 9 de fevereiro de 1758. da justiça e da moral‖. que resolveu da seguinte maneira: ―No que respeita ao terreno destinado para a Villa Nova. pelos limites traçados na escritura o capitão Domingos Casado a Manuel Dias de Oliveira a ilha dos Bois.Francisco foram doadas pelos capitães – mor de Sergipe. por se haver excedido a minha ordem‖. Historiemos. que tendo sido ilha. É o ouvidor de Sergipe não abusava da lei e nem queria usurpar território estranho à sua jurisdição.Nova os dízimos. Essa reclamação não era mais do que repetição de muitas outras. pois. pelo lado eclesiástico a Alagoas e pelo lado civil a Sergipe. Realmente. em 23 de abril de 1655 Cosme Rodrigues Delgado e sua mulher venderam a Brás Vieira uma ilha em S. no ano anterior. por decreto de 9 de junho de 1812. 237 . que mandei erigir e em que se acha gravado a de Penedo também mandei se conservem na jurisdição desta às ilhas que até agora lhe estavam sujeitas. não só em sesmarias algumas ilhas do rio S. pelo lado civil. Francisco. sobre a posse ilegítima que Sergipe queria reivindicar para si. pela qual sua jurisdição estendia-se a todo o rio S. porém os fatos. junto a Piassabussu e que. não raras vezes. o presidente de Alagoas. O contra-senso e anomalia dessa pequena circunscrição pertencer ás duas províncias. E por uma reclamação feita pela câmara desta vila ao poder competente. Cipriano José da Rocha. esquecendo não só o decreto de9 de junho de 1812. Quando em 1732 erigiu-se a Vila Nova de S.a ilha de Paraúna da jurisdição de Penedo e a incorpora a Vila-Nova. por uma queixa dirigida ao vice Rei. que considerava pertencer a Alagoas. pois. Essa deliberação ia contra os desejos da população. para pagarem em Vila . como o aviso de 30 de abril de 1832. O presidente de Sergipe incluía este trecho em sua fala. no século XVII como as escrituras de vendas eram sancionadas pelos magistrados de Sergipe. o ouvidor de então da comarca de Sergipe. da qual ficava mais vizinha. a doação feita em Évora a Duarte Coelho Pereira.

o conselheiro Joaquim Marcelino de Brito. mas nenhuma reclamação.que deveriam ser contadas da margem meridional do rio São Francisco até o rio Real. o qual submeteu a questão ao extinto Conselho do Governo.Nova o terreno em litígio. dada pelo capitão-mor de Sergipe. só em 1873. pedia informações à Câmara de Vila-Nova.Cristovão. por oficio de junho de 1832. por si só não prova que a jurisdição do governo de Sergipe se estendesse além do rio Real. a Baltasar Luiz. 2099 de 1º de fevereiro de 1873.A lei do soberano não foi suficiente para domar a ambição do poder municipal de Penedo que. O presidente participa então à câmara a resolução do Governo. contra o que houve formal recusa dos seus habitantes. Domingos Fernandes e Cristovão Leal. pelo sul.em maio de 1604. que tanto prejudicaram as duas províncias. _ Hoje estes limites acham-se sancionados pela unanimidade de opiniões dos historiadores e geógrafos: o talvegue do rio Real. Em 1851 a Assembléia Legislativa de Alagoas requeria à Câmara dos Deputados o mesmo que. que lhe responde em data de 26 de março de1870. Parecia agora que os fatos legalizavam e que não seriam permitidos. desde quando a posse de Sergipe sobre Paraúna estava legalizada pela legislação. leva ao conhecimento do presidente da província de então. Nada se tinha mais a reclamar. resolução que foi aprovada pelo Governo Geral.em 1590. duas léguas de terra ao norte da barra do Itapicuru. 238 . pela lei n. etc. contudo. que são vinte e cinco léguas. Logo. Limites meridionais.era de vinte e cinco léguas.de sul a norte. o qual. Sempre foi este o limite entre Sergipe e Bahia. pois na carta de sesmaria de Luiz Alves.em maio de 1603. depois de um acordo entre a deputação de Sergipe e a de Alagoas. desde remotas épocas? Ainda que não tenhamos podido obter o regimento dado a Cristovão de Barros.entre os quais existe mais ou menos esta distância. Assim não sucedeu. resolveu conservar anexada a Vila.Francisco. que deveria estabelecer a extensão de seu governo na nova capitania. que o capitão-mor Cosme Barbosa. cidade de S. João Pereira de Oliveira.desde o começo do século XVII. vemos. essas questões de limites. Tomé da Rocha.‖. o juiz ordinário de Vila-Nova. ficaram resolvidas. o desejo da câmara de Penedo. para responder. que em sessão de 20 de março de 1832. em fevereiro do mesmo ano. a extensão de Sergipe. Essas reclamações eram inoportunas.Supomos que a demarcação deve ser da margem do S.quis novamente incorporar ao território de Alagoas a pequena ilha.quando conquistou Sergipe. Entretanto.vemos as seguintes palavras em seu regimento: ―As terras e águas e ribeiras que estiverem dentro do território e limite desta capitania de Sergipe. E muitas outras sesmarias foram concedidas na zona compreendida entre sete e o rio Real. em aviso de 30 de abril de 1832. E em 1870 o presidente de Alagoas pedia ao de Sergipe providências para que as autoridades desta última província não exercessem sua jurisdição em Brejo Grande. de há muito. Se este fato é real. em 1832.concede de sesmaria. Em vista. a Câmara de Penedo reclamava.

em vista de uma carta do conde Castel Melhor aos oficiais da câmara. Sebastião Gaspar de Almeida Boto. seu território ampliou-se pela carta régia de 5 de junho de 1725. Propriá e na foz do grande rio. inferido meu antecessor que duvida só havia do espiritual. que ouvindo ao governador do arcebispado. porque este toca a este governo‖. que pertencia à mesma freguesia. que contra toda expectativa. á 6 de março do ano passado. Passando a comarca.dividindo-se ao sul pelo rio Real com a Abadia. Ficava. pois. entendeu-se de novo com o presidente da Bahia. cujo insucesso o Brasil teve como uma das mais importantes causas o esquecimento que voltaram à colonização de Sergipe. para escapar a algum desagrado. estende suas jurisdições. que a concessão feita por isso que a zona não pertencia ao seu governo. Depois da explosão dos holandeses de Sergipe (1645) os limites se conservaram no rio Real. de junho de 1651: ―A passagem do rio Real. Não obstante.e apenas foram criadas as respectivas autoridades. Em conseqüência do que legislastes. a 11 de janeiro de 1842. ordenou ao juiz de direito da Estância que os juízes de paz de Santa Luzia estendessem sua jurisdição até á raia natural e política da província nomeando eles os respectivos inspetores de quarteirão. margem esquerda do rio Real.pois.onde a defensiva fortificou-se. pois. no entanto dirigiu-se o meu antecessor ao presidente da Bahia. pondo-se em luta aberta com as autoridades da vila Constitucional da Estância. aquém dos limites da província. dizia: ―Permanece o desgosto conflito surgido na extremidade sul da província. a requerimento dos povos de Inhambuque . Quer nos parecer. que até o Espírito Santo.nesse tempo doações foram feitas pelas autoridades de Sergipe na Tabanga.Itapicuru e Abadia. continuaria o da Abadia a exercer as funções eclesiásticas. por não caber á assembléia provincial legislar sobre o assunto que expressamente pertence á assembléia geral‖.foi formalmente erecta em freguesia a povoação do Espírito Santo. declarou não reconhecer a divisão pela parte civil. A assembléia provincial de Sergipe. Em todo caso. entre as autoridades da vila da Abadia e as da comarca da Estância. do período de 1658 a 1696. E o presidente de então. ―Procurando meu antecessor evitar cenas pouco animadoras que naturalmente resultariam da presença de forças militar. de 5 Santo.65. e os próprios holandeses. na fala com que abriu a 1º sessão da 5º legislatura. Eis qual foi o procedimento da Bahia! 239 . Sergipe reduzida aos seus antigos limites. desde a invasão de Sigisteiras. respondeu que enquanto não houvesse parocho na nova freguesia. quanto ao uso e logro de sua renda. tudo isto é muito hipotético.estas vilas foram de novo incorporadas à Bahia. Entretanto. mas não quanto ao seu provimento. por lei n. com cuja existência apareceram os insultos e ameaças. concedo a essa câmara (Sergipe).que terríveis ameaças lhes foram dirigidas. ―Até o próprio professor de primeiras letras viu-se obrigado a retirar-se. ―Avista desta resposta. os mesmos que tinha como capitania. Até 1651 o governo não estendeu sua jurisdição além do rio. as autoridades desta vila quiseram penetrar no território sergipano.

Se pelos lados setentrionais e meridionais. foi também dirigida ao governo imperial por diversos habitantes da vila de Simão Dias. pelo lado ocidental. O ex-presidente Joaquim Jacinto de Mendonça. oficiou ao desta província.quando elas foram feitas. desejando entrar no perfeito conhecimento do fundamento das referidas queixas. não é para estranhar-se que. onde os limites são traçados com muita clareza.Tanto as reclamações se repetiram que a questão ficou resolvida a favor de Sergipe. em data de 21 de janeiro de 1863. em seu relatório. presidente da Bahia. desde quando essa falta de precisão dos limites nota-se em todas as capitanias e doações dos tempos coloniais. trazendo ao seu conhecimento diferentes queixas dos agentes fiscais da vila do Geremoabo e distrito Coité. Foi o que sucedeu a Sergipe. em solução ao que ele me dirigiu em janeiro acima referido. que pedia esclarecimentos acerca de uma representação que a assembléia legislativa encaminhou á câmara dos deputados. em observância do aviso de 5 de Agosto do ano p. os quais suplicavam a s. em relação aos contribuintes que diziam já ter pagado ali os impostos a que estavam sujeitos. ―Outra representação que acompanhou o ofício n. se por estes lados. pelo Decr. Pretendemos provar o seguinte: a)Os limites que hoje marca-se a Sergipe pelo ocidente. enviado igualmente em ofício sob nº47. ___ desde longa data sérios conflitos se têm suscitado entre as autoridades de Sergipe e as da Bahia. No século XVI. É este um fato de capital importância e que não deve ser esquecido nas questões de limites..m. o imperador providencias em ordem a fazer cessar os conflitos que com tanta freqüência se reproduziam entre as autoridades da Bahia e de Sergipe‖. Importantíssimo foi o trabalho que ele apresentou.35 de 27 de maio de 1864. o ilustrado Dr. idênticas lutas se levantassem. nem também ser apresentado como um argumento. Tivemos o prazer de lê-lo.o próprio original e documento. cujo presidente. Tais eram as palavras que pronunciava o presidente de Sergipe em 1865. traçados por esta linha imaginaria que parte das cabeceiras do rio Real ao riacho Xingo. Limites ocidentais. porém ser alegado pela Bahia. contra o procedimento do coletor da vila de Simão Dias.Joaquim José de Oliveira. 240 .Francisco __as duvidas levantaram-se por parte de Alagoas e Bahia. por isso mesmo que a geografia da colônia era completamente desconhecida pela metrópole.128 de 23 de setembro de 1843. cujos limites não são traçados com esse caráter de clareza. ―Em ofício de 19 de Julho de 1864 remeti cópia do indicado ao Exm. dirigiu-se ao então inspetor da tesouraria provincial.que o acompanharam á secretaria do Estado dos negócios só império. pelos leitos de dois caudalosos rios __Real e S.nos séculos passados. em que duvida nenhuma devia existir. em favor da usurpação que tem feito em território sergipano. De 3 de setembro do pretérito. Pelo ocidente eles nunca foram determinados.p. até onde ela chegasse. as questões de limite duraram talvez um século. não são os mesmos que separavam Sergipe da Bahia . prestou as informações que lhe foram exigidas. assim como a todas as capitanias. Eles iriam até onde lhes permitissem as forças da colonização. os limites foram somente precisados no lado oriental. Isto não pode.

não só individuais. pelo desregramento de uma sociedade contaminada. o espírito do foro.Manoel fez a Francisco Pereira Coutinho.o que deve ser levado em conta nas questões de limites . ao padrão da Bahia. por parte das autoridades que mutuamente protestavam contra a extensão de suas jurisdição. dando lugar ás lutas de jurisdição. pelo poder competente. relativamente à distribuição da justiça. essa falta de clareza dos limites dificultava as autoridades no cumprimento de seus deveres. nem mesmo o corpo geográfico da metrópole. Alem de outros defeitos. em geral do século XVI e XVII. a ele foram dadas. Com o progresso da colonização dilatava-se a posse territorial. porque dele dependia o futuro da riqueza publica e particular. Eis aí um lado importante do caráter da judicatura brasileira. a supremacia do juiz.quando se institui a centralização administrativa. E não obstante não termos encontrado seu regimento e dos seus sucessores. E para essas divergências apelavam os criminosos. aos pleitos judiciários sobre posses de terras. do processo colonizador instituído por Portugal no Brasil aponta-se o caráter arbitrário da divisão territorial. No fim do século XVI ela tomou a direção do norte. pelo ocidente. Eis um fato que é preciso não esquecer sobre as lutas intestinas que se levantavam. nenhum limite poderia marcar a Sergipe.b) Não obstante isto. a decisão. porque não existiam em virtude do caráter indeciso e abstrato dos limites procurava-se a sugestão. E não obstante ser ele de alguma força para legalizar a posse. pois indica o direito do primeiro o uti possidetis. eles acham-se recuados para o oriente. Sergipe. e a circunstâncias que havia de legalizar a posse a marcar a jurisdição. cujo resultado foi a criação de uma abundante advocacia.mores da nova capitania. como entre as capitanias. ficando assim imunes a ação da lei. a força da posição social do cliente. Ao mesmo tempo em que se torna preciso a punição severa. pelos protestos que levantavam. todavia esta lacuna é suprida pelo testemunho do cronista holandês. que não lhe eram fornecidos. provocou pleitos judiciários que dificultaram o processo da riqueza e a ação da justiça. as bases de uma vida administrativa. Tornava-se ela a causa que havia de ditar os limites. de 50 léguas de terra da barra de São Francisco. como entre os governadores das capitanias do segundo processo. quando iniciou-se a colonização no Brasil. Por esse lado eles se alargariam um tanto mais. o patrono. que diz que o rei das Espanhas deu 241 . a falta de clareza dos limites entre as possessões. quando em 1590 foi conquistada e se constituiu uma capitania. quando a força da colonização penetrasse nas florestas do ocidente. que fugiam espavoridos para esse lado e para o norte. relativamente à distribuição da judicatura brasileira. Tendo feito parte da doação que D. era uma parte integrante da Bahia. e Sergipe foi então conquistado e na nova capitania encetado o trabalho colonizador (1590). como fator que havia de inspirar no espírito da judicatura. Por isso mesmo que nenhum conhecimento tinha o soberano de Portugal da geografia da colônia. e na impossibilidade de julgar e decidir as questões por meios de elementos verdadeiros e positivos.a arrancá-las dos naturais. com a perda territorial para Sergipe de muitos quilômetros. sobre crimes praticados. Sendo Cristóvão de Barros quem efetuou a conquista. não só entre os donatários do primeiro processo de colonização. como era a do Brasil. como governadores ou capitães. o espírito de chicana. Dependendo dele fatos de tão vitais interesses.

que no século XVII. na extensão de 32 milhas no litoral. Jacobina e Itabaiana. Até onde chegou. 242 .Barris. onde está edificada hoje a vila do coité ou Malhada Vermelha. Não há. e nele iniciado o trabalho agrícola. as terras nas demarcações na Serra Negra até encontrar com a sesmaria de Pedro Gomes. até as nascentes dos rios Sergipe em Serra Negra.a Cristóvão de Barros as terras de Sergipe. a doação foi em fevereiro de 1607 e compreendia as terras de Itabaianassu. que em 1603 adminstrou Sergipe. a pagarem-lhes os dízimos. Não será uma precipitação concluir-se que de 1590 a 1637 os limites de Sergipe não foram determinados. os limites traçados entre as vilas de Itapicuru. concedida em novembro de 1669. E pela sesmaria do desembargador Cristóvão de Burgos. até onde a Bahia hoje estende sua jurisdição. eram pelo rio Vaza-Barris. por onde a Bahia quer que passe a linha divisória. sem ter a seu favor o direito de posse. Pedro Garcia Pimentel. em uma distância de mais de três léguas para o ocidente foi dado de sesmaria a divesos colonos. que se estendia mais deuas léguas para o ocidente e. em uma extensão de 3 leguas da cidade de Itabaiana para o ocidente. em direção ao sertão. que era assim chaamado todo território ao ocidente da serra do mesmo nome. antes do período holandês a colonização já se tinha internado em grande extensão pelo sertão. sobre a impugnação dos habitantes do sertão de Vaza-Barris. Miguel Aires Lobo de Carvalho e ao Governador da Bahia. pois era impossível fazê-lo. pois necessidade de acrescentar provas como Sergipe limitava-se ao norte pelo S. Além disto. e Antônio Rodrigues. Assim. A colonização então dirigiu-se para o ocidente. por conseguinte. a colonização mais se alargou para aqueles lados. Hieronimo da Costa Taborda. quer pelo norte quer pelo sul. que era em Porto da Folha. Francisco. o capitão Manuel do Couto Dessa. foram-lhes doadas 30 leguas de terra. como pelo regimento dado a Tomé da Rocha. deve pertencer a Sergipe. mais de três léguas para o ocidente foram doadas também. Sergipe e S. Vaza-Barris e Cotinguiba. junto ao litoral doado. Não é só isto. afluente do Vaza-Barris. E todo território que se estendia da barra do rio Lomba para o ocidente. E tanto a colonização chegou lá. o que vimos por umas alegações dos dizimeiros desta última vila. acompanhando o leito do Vaza. onde completam-se as trinta léguas. para o ocidente? No começo do século XVI achava-se quase todo o território das bacias dos rios Real. nas ubérrimas terras que hoje se chamam Matas de Itabaiana e Matas de Simão Dias. Piauí. Por estas doações vê-se que a colonização de Sergipe chegou até a as imediações de Geremoabo. junto às nascentes do rio Vaza-barris. os terrenos onde está edificada hoje a vila de Simão Dias. foram doados a Simão Dias Fontes. ente os rios Vaza-Barris. porém a colonização neste período de tempo. Cristóvão Dias e Agostinho da Costa. Francisco e ao sul pelo rio Real. em 1762 – Capitão Antônio José da Cunha e o Capitão Manoel Dias Coelho – ao ouvidor de Sergipe Dr. A partir do rio Jococa. Pela sua sesmaria. até o rio de São Frnacisco. pertencia à doação de Simão Dias Fontes. Logo. de 1637 a 1645. Depois do período holandês.

Diz o mesm autor: A freguesia de N. como o Pombal ou Tucano. Eis o que vemos em uma desta memórias. e com a das Alagôas. dista 12 leguas da Villa de Santa Luzia. vemos que o limite entre os termos de Itabaiana. perto da cachoeira de Paulo Affonso. por todo o seu norte pela margem austral do grande rio de S. Francisco. as ausência do primeiro arcebispo D. que desemboca no oceano na latitude de 11° e longitude de 360° ee 38‘ até o rio de S. buscando a parte central da 243 .‖ Diz Marcos Antonio de Souza: ― A capitania de Sergipe d‘El-Rey. até a Vila Nora Real d‘ El-Rey do referido rio de S. até a do norte da barra do rio Real. que deságua no sobredito rio de S. E esta nossa opinião é confirmada pela dos antigos cronistas. no séculu XVII. e talvez além das cabeceiras do Rio –Real pela sesmaria de Belchior Dias Caramuru. Santa Luzia e a de Thomar dos Indios. cuja foz está na latitude sul de 10° e 58‘. 58 leguas acima de sua foz. servindo de divisão entre a Comarca de Jacobina e a das Alagôas o sobredito rio de S. e que no século XVII a jurisdição do seu governo estendia-se a essas paragens. pela fronteira meridional do mesmo rio. e pela parte de leste é cercada do oceano que faz a enseada de Vasa Barris. pertencente ao districto da Villa de Itabaiana. pelo poente pela comarca de Jacobina e seu Julgado de Cabrobó. simplesmente aproveitamos os trechos referentes às questões de limites. Francisco. porque nele lemos: o Vaza-Barris faz demarcação para a parte do nascente até o rio do Peixe e por elle acima até o fim. Francisco da comarca de Jacobina. Não sendo oportuno aqui transcrever integralmente essas memórias. lemos o seguinte: Limita-se esta capitania (Sergipe). esta estende-se desde o rio Real. chamada de Paulo Affonso. com o Julgado de Pombal. foi erecta pelos governadores do Arcebispado. Jacobina e Itapicuru era o rio Vaza – Barris. Francisco. da capitania de Pernambuco. ainda que não chegasse a um ponto correspondente. todavia ela muito estendeu-se até além das matas de Simão Dias. Em outra memória cujo autor igualmente desconhecemos. beira rio de S. além da cidade do mesmo nome cabeça da comarca as Villa de Santo Amaro das Brotas.corrupto vocábulo Serygpe – no Brasil occupa grande parte das terras que estão ao norte da Bahia de Todos os Santos. em 11 de Dezembro de 1679. ―Sua costa é banhada pelo mar Atlantico. pelo sudoeste até o sul com o rio Real da comarca da Bahia. contando-se da divisão que faz com que a dita comarca da Bahia. comprehendendo no seu districto. que se pudesse unir por uma paralela a Geremoabo. matas de Simão Dias e riacho do Xingó. Gaspar Barata de Mendonça. desde Ella até o rio do sul nas vizinhanças da cachoeira grande.Analisando-se devidamente este documento. 58‘ de latitude e 347° e 18' de longitude e por este lado vae terminar com a comarca de Alagôas pertencente ao governo de Pernambuco. Francisco. Assim fica provado que a colonização de Sergipe. e daí para o norte e o ocidente. Lagarto. Francisco. pela sesmaria de Simão Dias Fontes. Itabaiana. e foi levantada Villa em 1698. pelo mesmo rio de S. cuja embocadura fica em 10°. tinha chegado até Geremoabo. nas imediações da nascença do Vaza-Barris. Se pela fronteira setentrional do Vaza-Barris a colonização caminhou até esses limites ocidentais. Dilata-se desde as costas do mar até Massacará. com a sanção do governo da metrópole no Brasil. chamada antigamente Gerú e igualmente a Villa Nova Real de El-Rey ao norte de toda a comarca com a extensção de quase cem léguas. onde finda 55 leguas e da Extrema de Jacobina 50 leguas pouco mais ou menos até a pancada do mar. que passamos a descrever. ficando como de cabos a dentro desde a ponta do sul da barra do rio de S. da Piedade do Lagarto. S. a quem o capitão-mor de Sergipe fez doação de 4 léguas na zona onde está edificada a vila de Campos. de cujo autor não sabemos o nome: Divide-se esta capitania com a comarca da Bahia pelo rio Saguim e o termo do Julgado do Geremoabo. hoje comarca. Francisco. Francisco.

que lhe fica a oeste. Somente em sessão de 14 de agosto de 1822. O seu trabalho recente-se da grande falta. de não ter sido órgão no parlamento de todo o passado histórico do direito de posse de Sergipe sobre seu território. pelo uti possidetis. não são veredictos. ainda que nem de longe duvidamos das boas intenções do seu autor. deveria merecer mais atenção da representação da província. Eis aí os limites de Sergipe. se diz que eles são traçados por uma linha que partindo do Xingó e passando por sobre a serra Negra. menos verdadeiros serão estes que a Bahia quer impor. para tirar-se de sua jurisdição uma zona territorial tão grande. Se já demostramos que os que são traçados pela linha imaginária do Xingó ao Rio Real. de onde o erário público tira grandes proveitos. Entretanto. garrantido pela colonização. Sergipe perde uma extensão territorial de muitos quilômetros. a fim de que seja garantida e respeitadada a nossa integridade territorial. pugnou por esta questão. colonizada à custa de seus recursos? Não osbstante os limites que estão geralmente reconhecidoos por uma linha do Xingó ao rio Real. que são as conseqüências de tantas ilegalidades. e vão contra o direito de posse adquirido por Sergipe. por uma linha que parte das cabeceiras do rio Real. passa entre Simão Dias e Coité. contornando Pombal e tucano. a serra do João Grande. Podemos pois traçar os limites de Sergipe: por uma linha que partindo da cahoeira de Paulo Afonso. estende-se 11 leguas desde a matta da serra pedregosa. viesse a massacará. desde o século XVII. Só temos a lastimar que a deputação de Sergipe não tenha feito desta questão uma causa determinativa de reais e patrióticos esforços. Francisco. em vista da uberdade do terreno e pela enorme criação de gado nas fazendas de S. Espírito Santo. por sua colonização. que o espírito público delegou-lhe. Sendo uma questão de interesse palpitante. e sem achar auxílio na verdade histórica. termina na nascença do rio Real. como toda a população de uma zona de terreno de talvez 30 quilômetros. terminasse nas nascenças do rio Real. a serra do Capitão.comarca. junto às cabeceiras do rio Vaza-Barris e daí partindo. Com esta nova usurpação da Bahia. a levar a convicção ao espírito do governo. pelas alegações dos dizimeiros em 1722. o Dr. passou de capitania a comarca. em vista dos prejuízos. um dos deputados de Sergipe. Dilata-se desde o engenho. das lesões econômicas do corpo eleitoral e do poder político. cumprindo assim um importante dever da representação. que fica ao norte. Por que deslocaram-se os limites? Porque feriu-se o direito de psse seclar. de tanto absurdo. José Luiz Coelho e Campos. Mulungu. usurpando de Sergipe gande parte de seu território. e que são confirmados pelo testemunho histórico. sem o menor protesto. Eles não foram derrocados. assegurados pelo direito da colonização. nem dos presidentes de Sergipe. hoje. nem da representação. Não preciso gastar tempo para mostrar ao leitor a falta de verdade destes novos limites. E isto tudo a Bahia fez sem a sanção da lei. Lagoa Seca e Gravatá. acham-se hoje transferidos para o oriente. este pedaço é mais de 12 léguas.até a mata de Simão Dias.até o rio vasa Barris. 244 . em 1696. denominada –Mococa.Moendas. quando Sergipe. desfalcando-se assim do território sergipano uma extensão de muitos quilômetros. que marcava o limite da sesmaria de 30 léguas do desembargador Burgos.

for uma realidade. ainda que incompletas. Por ele vê-se que seu autor já propagava as idéias republicanas. exprimem também uma divisão bastante acentuada. que foi um incidente na história brasileira. têm o defeito de não representar o direito de posse adquirido. permanentes. para conquista do direito de posse que Sergipe alcançou sobre esse território. contribuírem para a vitória da verdade. essencialmente democrata e oposta aos hábitos aristocráticos. pelas duas cordilheiras. quando a rebelião que parte agora do espírito popular. Jacurici e Pontal. pela eliminação da monarquia. Itapicuru-mirim e Calitre. pois. são traçados pelos leitos dos rios – Itapicuru. em suma mudar-se a forma do governo que tem gerido os negócios públicos. Eles não são marcados com um caráter tão abstrato. ou pelo Itapicuru. quando.no qual já fazia a propaganda republicana. como pela linha do Xingó ao rio Real. pela vitória da república. Se os limites traçados pelo ilustre geógrafo Cândido Mendes de Almeida são mais naturais. 259 Este capítulo foi escrito em 1884. conta o odioso privilégio que se encarna em uma dinastia. será para o autor destas linhas um justo motivo de um nobre orgulo. quando a regeneração do caráter brasileiro efetuar-se pelas forças nacionais. que presto neste estudo.259 E se as informações. São eles os verdadeiros limites ocidentais de Sergipe. Redigia então um jornal – o Horizonte. a fim de que uma questão de interesse tão útil seja resolvida. que não são inerentes ao elemento étnico do Brasil. contra a vontade popular. Os que apresentamos. em tempos coloniais. Estamos certos de que. são a expressão da verdade. 245 . quando este país for dirigido por um governo patriota e livre.Apelamos para opatriotismo da representação de Sergipe. E além da verdade histórica que representam. porque até aestas paragens não chegou a colonização de Sergipe. teremos então uma época da justiça e do direito. menos sujeitos a litígios.

madrias e pastos e receberá mercê. e por o dito Thomé Fernandes foi aseita a dita terra com todos condiçoens e obregasois nesta carta contendas e da ordenasan e fores desta capitania e se hobrigara a todo comprir pelo que lhe foi pasada a presente para sua guoarda da coal eu escrivão fomei e escrevi neste meu livros das dadas em nome do dito Thomé Fernandes e dos mais a que tocar esta auzentes e eu Manoel André. nesta Capitania. com todas as madeiras e rios que dentro d‘ella houverem: Sergipe em 23 de julho de 1594 annos: Thomé Fernandes o que tudo isto era contendo no dito despacho e ho qual era assinado pelo dito Sr. 246 . e havendo respeyto a ser já morador. Faz-me e deu em nome de sua magestade a dita terra do dito Thomé Fernandes obrigado a fazer benfeitorias na dita terra no tempo que a ordenançan lhe limita porque com as ditas condições e obrigações o dito Sr. o qual dahy a um anno tendo noticias vinham moradores apouvar não quis ser dos derradeiros. de verbo ad verbo é o seguinte: diz Thomé Fernandes que ele veyo ajudar a dar guerra em Sergipe d‘el Rey em companhia de Cristovão de Barros Capitão geral das entradas com suas armas e escravos a sua custa sem premio nenhum nem cousa algua Del Rei e despois da terra já ganhada se for assim que neste serviço de sua Magestade gastou oito mezes.APÊNDICE SESMARIAS DE SERGIPE CARTA DE THOMÉ FERNANDES 23 de julho de 1594 – Rio cotinguiba. Visto esta petição do suplicante. e não atendendo ao muito trabalho que passão nas terras novas se veyo sua casa movida trazendo consigo hua filha casada onde já nesta capitania a três annos mora ajudando a pouvar assim na pás como Guerra: Peda a vossa mercê havendo respeito a ser dos premeiros e por seu officio permanecer a terra com embarcacoens lhe dê de sesmaria em cotemguiba pêra onde se acabam o Mangues Verdadeiros que chamão corropoiba. e o que importa ao bem da terra e serviço de Sua Magestade lhe dou em seu nome de sesmaria na parte do dito Rio ouver que não entrarão na medição e serão também suas e disso lhe passem sua carta porque lha dou. Chistovão capitania de Sergipe de que é capitão e governador o Snr. Saibam quantos esta carta de semaria deste dia para sempre virem que no anno do nascimento de nosso snor. resalvando pontas em seadas com suas águas. J. Capitão e Governador por bem do regimento que para isso tendo dito Sr. Capitão e Governador da coal petisão e despacho o treslado. e mandou pasar carta do dito Thomé Fernandes deste dia para todo sempre e mandou as justiças e oficiaes dela den e fasan dar a pose da dita terra ao dito Thomé Fernandes pelas confrontasois e demarcasois nesta carta conteúdas e nele e dela poderá fazer como cousa sua que já é conforme a ho dito despacho e ordenasão que em todo comprace a qual terá-lhe asin dou livre e isenta de todo foro tributo se mande que pagace o dizimo a Deus que se deve a ordem de nosso Sr. três mil brassas de terra pelo rio asima e pêra o sul coatro mil brassas a qual terra se medirão d‘onde se acabam os ditos mangues que declara e pêra este assim e da maneira que corre odito Rio. C. lhe fez m. Despacho. Thomé da Rocha governador geral de todo este estado do Brasil nas pousadas de mim escrivão ao diante nomeado por despacho ao pé dela do dito Sr. Ihus xpo de 1594 aos 23 de julho da diata era nesta cidade de S.

Capitão e Governador a fiz em que o dito senhor asinou.escrivão dos dados nesta capitania por o Sr. Diz Domingos de Amorin Soares que elle quer ajudar a povoar a capitania de Serigipe e tem muitos servisos feitos a sua magestade asin nesta costa com em outros portos indo muitas veses a guerras assaltos de muito serviço de déos e bem das povoações de toda esta costa do Brasil em iesto gastando sempre de sua fazenda e de sua custa e tem muitos filhos e não tem terras aonde os agasalhar pello que pede a V. Lhe fasa mercê de uma légua de terra pelo rio piauhy asima donde ora tem Tome Fernandes mimoso sua terra donde elle acabar pelo rio asima aonde se chama o porto das pedras e sendo dado que corra por diante a coal terra esta da banda do este com todas as agoas e madeiras que dentro em si tiver E. ec. despacho. afuente do rio Real. m. hora no Rio Real estan terras devolutas as mais san de matos maninhos e estan por dar pede a Vm. – Rio Real. – Rio Real. 247 . CARTA DE FRANCISCO RODRIGUES 6 de Abril de 1596. Dou aos sopricante que pede as tresentas brasas de terra de largo e oitosentas de conprido não sendo dade e sendo queira rumo direto até onde lhe cuber em Sergipe a seis de abril de noventa e sein anos. – Diogo Quadros 260 Goacujahy ou goarujaby é o nome indígena do rio hoje chamado Burarema. Diz Francisco Rodrigues morador nesta cidade de serigipe que ele He casado e tem mulher se filhos e não tem terras onde posa fazer sua abitação e suas pose e criasois. R. M. CARTA DE DOMINGOS D‘AMORIM SOARES 15 de Abril de 1596. Dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade se for dada correra adiante nea legoa de terá em coadro com todas as agoas e matos que nela ouver em seregipe guynze abril de noventa e seis . Saiban. – Thomé da Rocha. respeitando os mesmos serviços que tem feito a sua magestade com que tem gastado de sua fazenda lhe dê de sesmaria em nome de sua magestade uma légua de terra na cabeceira de Jorge Pereira no rio real pello rio de goarujahi260 e do largo em qoadro e outra em légua rumo direito e receberam despacho. – Diogo de Qoadros.

etc .etc. etc diz Manuel de Barros escrivão de Fabrico judisial morador nesta sidade que vai em dois anos que reside nela e nã ten terras em que posa fazer seus mantimentos pede a vossa merse lhe faça mercê de lhe dar no piauhy rio real meã legoa de terra a quoal pede no porto das pedras comesando aonde acabar tome fernades mymoso para ariba asin e da que corre o dito rio piauhy a quoal meã legoa seja em coadro a saber norte e sul leste ao este com todas as agoas lenhas matos lagoas que na dita dita meã legoa ouver –despacho dou ao sepricante coadro sentas 248 ..acabar da banda do sul do dito rio piauhy a quoal legoa de terra correra para aldeã de san tome norte e sul e leste ao este em coadro com todoas as agoas ilhas matos e lagoas que dentro ouver.despacho dou no sopricante em nome de sua magestade na parte que pede na testada de gaspar de oliveira oitosentas brasas de terra em coadro com todas agoas e matos que nas ditas oitosentas brasas ouver e sendo dado corra rumo direito em serygipe três de dezembro de noventa e cinco annos.CARTA DE GASPAR D‘ALMEIDA 20 de abril de 1596 – Rio Piauhy Saibam.diz Gaspar D‘Almeida provedor da fazenda de sua magestade desta sidade de san christovan e morador de cinquo annos a esta parte e não tem terras em que posa fazer seus mantimentos e criasões pede a vossa magestade lhe mercê de hua legoa de terra no rio piauhy a qual legoa de terra comesara a medisan de la adonde vossa m. despacho dou ao sopricante que pede não sendo dada duas mil brasa de terra de largos e mil e quinhentos de conprido e sendo dada correra adiante em serygipe vinte de abril de noventa e seis anos .diz Gaspar Gomes morador nesta capitania sidade de san Christovan que ele vejo em ajuda de dar guerra com Christovan de barros houtro sin veio com tome da rocha e ora assiste na capitania por morador ora é necessário terras para seus mantimentos e ora digo caros e porque ora no rio pe piauhy estão terras devolutas de terras em coadro no dito piauhy na testada de gaspar de oliveira da banda do norte ao longo do rio com todas as águas lenhas madeiras que na dita terra ouver e sendo dada cerrera adiante.-Diogo Qoadros CARTA DE GASPAR GOMES 3 de Dezembro de 1595 – Rio Piauhy Saibam .Diogo de Qoadros. CARTA DE MANUEL DE BARROS 20 de abril de 1596 – Rio Piauhy Saiban.

.m. avendo respeito a sua necessidade lhe fasa m.m.Diogo de Qoados CARTA DE SALVADOR FERNANDES 26 de abril de 1596 – Rio Piauhy Diz salvador Fernandes morador nesta cidade de san Christovan e capitania de serygipe que vae em dois anos que esta nesta capitanya com sua mulher e filhos e suas criações que a um ano pretende caso não tem na capitania terra em que posa lavrar não puder trazer as dittas criaçõis e visto estar aposentado em terras alheias e daqui amanha o mudaram levantar e não ter antan adonde se posa acomodar com sua mulher e filhos e família pelo que pede a v. Inajaroba é o nome primitivo do rio piauí.Rio Piauhy Diz Sebastião de Brito e Francisco de barros moradores na sidade de salvador que eles san homes de muitas pose e queren pouvoar e aver a terra suas criasois de gado vaqun e das mais criasois e ora no rio real digo do piauhy hum dos brasos do rios real estan terrras devolutas por dar e por ora seren o mesmo de muita pose que a podem povoar pedem a vossa merse lhes fasa mercê lhe dar de semariano dito Rio Piauy três léguas de terra em coadro as cuasis terras partirao com a dada de jeronymo da costa que esta fronteiro do bogio261 da banda do sul fasendo rumo direito ate dar no rio inajaroba262 e na sendo três léguas da dita terra donde acabar o dito Jeronymo da Costa se encabece pelo dito rio inajaroba assima de maneira que fiquem sendo as três legoas em coadro a saber norte e sul leste e oeste com todas as agoas lenhas madeiras e os ribeiros lagoas que nas ditas três legoas ouver no que R.m. A qual pode ser porque mais ou menos da serraria para leste mil e quinhentas brasas .-Diogo de Qoadros CARTA DE SEBASTIÃO DE BRITO E FRANCISCO DE BARROS 5 de amio de 1596.-despacho – dou aos sopricantes em nome de sua magestade na parte que pedem duas legoas de terra em coadro huma a cada hum deles não sendo dado visto muita pose que tem e ser servisso de sua magestade 261 262 Nome de uma serra .brasas de terra de largo rumo direito do rio e oitosentas brasas de conprido com todas as agoas e matos que nela houver em serygipe a vinte de abril de noventa e seis . Hoje conserva o memo nome.dou ao supricante que pede quatro centas brasas de tera de largo e oito sentas de conprido para o sertan tomado o rumo do rio como correr não sendo dado e sendo careça ate onde lhe couber em serygipe a vinte seis de abril de noventa e seis . 249 . de lhe dar as sobejas das terras de Manoel André de sesmaria na serraria do piauhy da banda de leste com todas as agoas e lagoas e ilhas matos que dentro na terra ouver R.

Diz Nuno de Amaral morado na baia do salvado que ora serve de escrivão da fasenda de sua magestade que ele quer ajudar a pouvoar esta capitania de seripe com suas criasões de gado e gente a para isso lhe he nesesario terra para suas criasois e antimentos pede a vossa Mag.M. lhe fasa mercê de lhe dar nas cabeseiras de Domingos de Amorim suares no rio guacujahi 4 duas legoas de terra em coadro ao longo do rio di uma banda e da outra que fique o rio por padran com todos matos lagoas e lenhas que nela ouver Rm.-Diogo de Qoadros CARTA DE NUNO DE AMARAL 8 de maio de 1596. e ora quer ajudar a pouvar esta capitanya de serigipe e para isso lhe he nesesario terras para matimentos e pastos para gado lhe fasa m.en nome de sua magestade de lhe dar e 250 .en nome de sua magestade havendo respeito ao asima dito de lhe dar de sesmaria para ele e seus filhos e desendentes duas legoas de terras em coadro na testada de J M0 Ribeiro da banda do sul com todas as agoas e madeiras que na dita terra se achar pelo dito rio de inajoroba asima asin e da mana que o dito rio correr regolando as pontas que o rio fiser os quoais também pede e sendo dado cora pordiente a dita dádiva q‘ora pede E. CARTA DE CALISTRO DA COSTA 10 de maio de 1596 – Rio Real Dis Calistro da costa mor na sidade do salvador q‘ele acopanhou Cristóvão de barros coando vejo dar a gerra a este sergipe por general com suas armas e cavalo a sua custa e por quanto ele ora quer ajudar a povoar esta capitanya de serigipe e para isso lhe ´e necessário terras para matimentos e criasois e por coanto ora no rio real há terras devolutas por dar pede a v.pouvoar-se e sendo dado careça para diante em sergipe a sinquo de majo de noventa e seis .despacho.R.Rio Real Saibam etc.dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade não sendo dado comece por diente rumo direito aonde lhe couber m a legoa de terra em coadro com todas as agoas lenhas matos que nela ouver em serigipe a dês de mayo de noventa e seis – Diogo de Qodros CARTA DE JORGE COELHO 13 de maio de 1596.diz Jorge Coelho mor. – despacho -Dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede e sendo dada cueira por diante eu serigipe a oito de maio de noventa e seis anos – Diogo de Qoadroz.en tatuapara que eleveio aconpanhando Christovão de barros quando veio a dar a guerra a este a sua custa.m.

m. diz Damião da Motta .despacho –dou ao sopicante na parte que pede en nome de sua magestade oitosentas brasas de terra em coadro e sendo dada a outren corra por diante en serigipe trese de maio de noventa e seis anos –Diogo de Quoadros. na testada de Manoel de barros de duas legoas de terras em coadros para o sertan a quoal terra se comesara a medir onde acabar o dito Manoel de barros contado o que na dita tiver e agoas e madeiras para ele e sua molher e filhos e desendente de 251 .sesmaria duas léguas de terra na testada de Calistro no rio que chama Inajaroba pelo dito rio asima assim e da maneira que corre o dito rio. diz Estevão Gomes mor . CARTA DE DAMIÃO DA MOTA 13 maio de 1596 Saiban . despacho.na sidade do salvador que ele tem molher e filhos e ele aconpanhou Cristóvão de barros com seus escravos e armas e canoha (?)a sua custa e que ele ora quer vir ajudar a povoar esta capitanya de serigipe e que para isso lhe he nesesario para suas criasõis e matimentos terras e ora no rio real num esteiro que chamão Inajaroba estão terras devolutas por dar pede a Vm.m.respeito ao assim dito e ser dito serviso foi feito lhe fasa m.morador na sidade do salvador que ora veio em companhia do general cristovan de barros a guerra de seregipe com uas armas e cavalos e escravos tudo a sua custa onde na dita batalha lhe matarão o seu cavalo e coatro escravos seus e ele dito damião da motta com duas frechadas e assim mais o dito senhor o trazer por lingoa-mor e capitao de tresento índios forros das aldeias dos padres com os coaes vinha fasendo caminhos e estradas pontes por ribeiros e entulhando brejos e lagos por onde passou a artilheiria e munisões que gerra era nesesario e pasa sen caros e cavalos que para dita gerra erao nesesario e avendo V. CARTA DE ESTEVÃO GOMES D‘AGUIAR 13 de maio de 1596 – rio real Saibian. lhe fasa m.com todas as agoas e madeiras riais e ribeiras que na dita terra ouver e ilhas de matos que nelas se achar a quoal terra pede em coadro resalvando as pontas inseadas que o dito rio for fasendo as quoaes também pede e R.R. etc.dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade mil brasas de terra en coadro não sendo dada a outrene se for dada quera por diente co a condisan que dentro nu ano a va pouvar e não a pouvando a tornanarão a dar por devolluta em serigipe trese de mayo de noventa e seis anos – Diogo Quoadros.m . de lhe dar duas legoas de terras encoadro a coal terra se comesara a medisan dela onde acaba calistro da costa e jorge coelhos com a medisan pelo dito esteiro e lhe de a dita terra de sesmaria como pede pelo inajaroba asima da banda do sul e da mesma maneira que corre o dito rio resalvando as pontas que o rio fiser as coais pede diante E.etc .

junto a S.-Diogo Qoadros.diz Mygel soares de souza que ele esta demorado digo demovido com molher e filhos para esta capitany e por falta de enbarcasan não trouxe sua molher consigo e porque ora esta aqui e quer fazer suas rosas e casas p‘ ir buscar 263 Nome de uma ilha que fica defronte de Thinharé. diz o dito Silveira do Rego que ele quer ajudar a povoar a sidade de San Cristovan da capitanya de serigipe para o efeito do quoal lhe é necessário mandar la sertos vacas e gado e outras criasois que nã pode fazer sem alguã terra de sesmaria nos limites da dita capitanyapelo que pede vm lhe fasa m.etc.etc .. Despacho –dou ao sopricante em nome de sua magestade duas mil brasas de terras em coadro a qual terra começara a medir donde acabar o mestre de capela da sidade da baia correndo para o norte com suas agoass e lenhas na sendo dada a outren e sendo dada correra por diente com codizan que dentro de seis mezes a venha povoar em seregipe a trese de maio de noventa e seis anos . despacho: dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade a ilha que diz não sendo mayor do que sua petisan decrara em seregipe a quinze de maio de noventa e seis anos –Diogo de Cuadros. 252 . CARTA DE THOME FERNADES 15 de maio de 1596 – Ru Vasa Barris Sabian.lhe fasa m. dar de sesmaria com seus portos e matos no que E.M. CARTA DE MIGUEL SOARES DE SOUZA 16 de maio de 1596. R.sesmaria hoje para todo sempre Reslbará m.diz tome Fernandes morador nesta caitanya que tem necessidade de huã ilha que esta defronte de huã dada do sr . Chistovão..Diogo. Saiban etc.de Qoadros CARTA DE DIOGO SILVEIRA DR REGO 13 de maio de 1596 Saiban . Despacho: dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede meia legoa de terra em coadro não sendo dado a outren e sendo dada coera por dianate condisan q‘dentro num ano a vira povoar e não a povoando no dito tempo se dara outren por devoluta en seregipe a trese de maio de noventa e seis anos . de duas legoas de terras para pastos dos ditos gados e criasois e seja a ho longo da que parte com a do mestre da capella e sendo dado corera adiante com as agoas lenhas e madeira que nela ouver e Rm.bispo em tinharé a cual ilha chama patatiba263e terá de comprido seis sentas brasa e de largo sem brasa e em parte menos a quoal pede a vm.

..diz gaspar d´amorim morador nesta capitanya de serigipe .......... Saiban etc...... junto ao rio Poxim... Nome indígena do rio chamado hoje poxim......... diz Pedro Alves Aranha morador na sidade de salvador q ela ele quer ajudar a pouvoar esta capitanya he omen de pose asin de gente como de criasois q há hu morador san pertensentes e para isso lhe é nesesario terras p a mantimentos e criasois e ora no rio piauhy estão terras devolutas por dar pede a Vm lhe caça m...de hua legoa de terra em coadro ........ – Rio Piahuy Saiban etc......... é meã légua a qual meã legoa a hu frº vas coelho morador ora no espírito santo a quoal terra na tapera da tajoaba264 pelo ribeiro de hipoxy265 abaixo da banda do sul aonde começa domyngos frz nobre de camynho q ele tem por marquo pelos rumos que mylhor lhe pertence a coal terra pede a vmce por divoluto conforme aos pregois que vmfez deitar na sidade da baia e R....................... R........ pede a vm avendo respeito ........... visto passarde tenpo em q pudera fazer benfeitorias e por o pregan que o snr‖grd.16 de Maio de 1596... de lhe dar de sesmaria hos sobejos das terras donde acaba a dad de martin de. e............. lhe fasa m..pelo q..... 253 .. m...... Diogo de Quoadros... Despacho – dou ao sopricante em none da sua magestade o q pede não sendo dada mil brasas de terras em coadro com todas as agoas lenhas matos que nela ouver e sendo dada correra por diente Rumo direito onde couber em sergipe a dezesseis de majo de noventa e seis annos ........rio de piahuy a quoal começara e correra para a banda do norte em quadro de norte a sul e de leste a oeste com todas as rebeiras matas agoas que na dita terra se achar com todas as voltas q o dito rio vae fazendo no q......... em nome de sua magestade de lhe dar hua legoa de terra q....geral madou dar na baia e se casar em san visente e estar fora de vir povoar-dou ao sopricante em nome de sua mgde a dita terra por devoluta asin e da maneira que fro vs a tinha em sergipe em dezesseis de majo de noventa e seis anas D................e porque ele sopricante não tem terras .Quoadro CARTAS DE GASPAR D` AMORIM 16 de Maio de 1596.... desta capitanya de um ano e meo ...........m................ nos ditos sobejos ouver os quoais poderan 264 265 Nome primitivo de uma aldeia..... CARTA DE PEDRO ALVES ARANHA .......... –Rio Piahuy................. a esta parte serve a sua majestade como foi no ......sua família e por não aver terras por dar ao redor desta sidade por serem todas dadas pede a vm.a todos no rio Piauhy da banda de banda de leste com todas as agoas riberiros lagoas lenhas q......

en nome de sua magestade de lhe dar hua legoa de terra em coadro correndo pelo dito rio asima aonde acabar a dada de cristovan rabello e sendo dada correra adiante onde não foi dada com todas as agoas e matos e mais serventias as quoais pede e r.de Quoadros. 254 .chamado pela hitanhi a terras por dar devolutas pede a vm lhe faça m. da dita legoa em quadro nas cabeceiras dada de frº de barros e sebastian de brito erm despacho – dou ao sopricante em nome de sus magestade nas terras cabesseiras de Francisco de barros e Sebastiam de brito meã legoa de terra em coadro não sendo dada corera por diente aonde rumo direito onde couber em sergipe a dezesseis de majo de noventa e seis annos .dou ao sopricante em nome de sua magestade de lhe dar hua legoa de terra em coadre correndo pelo rio asima a onde acabar a dade de Cristovam Rabello e sendo dada Correa adiante onde não foi dada com todas as agoas q nela ouver digo com todas as agoas e matos q nela ouver e sendo dada correra por diante em sergipe e vinte e três dias de maio de noventa e seis anos . CARTA DE CHRISTOVAM REBELLO 16 de maio de 1596.m despacho .diz Domingos d Andrade morador na baja do salvador qe Ele ser morador na capitanya de serigipe e não tem terras aonde morar e viver he informado que no rio real . dentro na dita terra entrar e isto pede a vm por serem muitos campos e terras nan serven senão para pastos e sendo cousa que a dita terra q‘ pede seja dada a outren posa corer adiante honde não foi dada e isto pede por elle sopricante ter catorze poses e criasois para trazer erm despacho – dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede meã legoa de terra em coadro com todas as agoas lenhas matas q‘ nelas ouver vindo as pouvoar no termo da ordenasan e não vindo se daram por devolutas para quen quiser pouvar em sergipe a desesis de maio de noventa e seis annos D.diz Cristovan de Rebello dasevedo morador na baia de salvador q‘. CARTA DE DOMINGOS DE ANDRADE 23 de maio de 1596 – Rio Real Saiban etc .de Quoadro.m lhe fasa m.D. em nome de sua magestade de lhe dar pelo dito rio asima abacho longo dele uma legoa de conprido e duas para o sertan correndo rumo direito contodas as agoas os pastos serventias q.Rio Real Saiban etc.Diogo de Quoados.ser hua legoa pouquo mais ou menos e sendo cousa q seja dada lhe fasa m.ele quer morar e viver no rio real e traser suas poses pêra o quoal não tem terras onde se aposentar e hinformado que no dito rio real onde acaba a dada dos padres da conpanhia de Jesus estão terras devolutas por dar a pesoa algua pede a v.

dar a seu genro Baltasar Ferreira com todas as agoas matos que na dita terra ouver digo entrar e sendo dada corera adiente onde não for dada Rm despacho . de lhe dar de sesmaria em nome de sua magestade duas mil brasas de terra em coadro na testada de gaspar damorim da banda de noroeste corendo para o rio piauhy con todas as madeiras e agoas que na dita terra se achar no que e. CARTA DE CHRISTOVÃO DIAS 24 de maio de 1996.fez m.rio real ..diz Baltazar Ferreira que ele quer ser mor.CARTA DE BALTHASAR FERREIRA 24 de maio de 1596. Dandrade há terras por dar a pessoas alguma pede a com todas as lenhas matos servente que na dita legoa houver e seando caso que seja dada a pesoa outra corera a diente onde não for dada isto pede a vm.r...diz Francisco Álvares morador na haia que ele quer nesta capitanja ser morador com sua mulher e filhos e família e não tem terras onde viver e he informado que no rio real chamado hitanhi pelos índios ai terras por dar vaguas e devolutas pede a vm. Saiban etc.Diogo de Qoadros CARTA DE FRANCISCO ALVARES 24 maio de 1596 .dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade quinhetas brasas de terras em coadro com todas as agoas lenhas matas que nelas ouver pouvando a dentro do termo da ordenasan em Serigipe a vinte coatro de maio de noventa e seis Diogo de Qoadros.m. por ter muitos filhos familya erm.lhe fasam.diz Cristovan dias almocharife de sua magestade que por tenpo de coatro anos que esta em serviso do dito senhor nesta capitanja de Serigipe ajudando a pouoar com sua fasenda e pesoa achando-se em todos dos assaltos e rebates que os contrários dela fizeram e ora quer ajuda a pouoar ho rio real com gado criasois e não tem terras em abatansa pede a Vm.rio real Sabian etc.visto o serviso lhe fasa m. Despacho – dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que mea legoa de terra em coadro com todas as agoas e matos pue nela ouver e pouvoando–a dentro do tempo da ordenasan em serigipe vinte e coatro de mayo de noventa e seis annos.de lhe dar huma legoa de terra ao longo do dito rio contra para o certan a quoal terra comesara onde acabar a dada que vm.despacho – dou 255 . nesta capitanya com sua molher e filhos e não tem terras onde posa viver he ele enformado que no rio real chamado dos índios hitanhi onde acaba a dada de dos.-Rio Real Saiban etc.

nome indígena do rio chamado hoje jacaré.Respeitando que assima diz lhe de em nome de sua magestade pelo rio saibetiaia (14) acima do braso rio plauhy que corre para a banda do norte no fim da dada de gaspar demeneis huma legoa e meia de terra em coadro por coanto tem as sobre ditas obrigaçoes para nela agazalhar.Diogo de Qoadros.dou ao sopricante na parte que pede duas mil brasas de terás em nomes de sua magestades em coadro com todas as agoas matos que nelas ouver e dada corera por diante ate onde lhe couber em serigipe a vnte e cinquo de majo de noventa e seis anos – Diogo de Qoadros.dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede não sendo dada e sendo dada corera por diante quinhentas barasas de terras em coadro com todas as agoas e matos que nela ouver com condisan que dentro de quatro meses as venha poupar e não vindo serão dadas por devoluto em serigipe a vinte e seis de majo de noventa e seis anos .Diogo de Quadros.ermdespacho.Rio sergipe..rio Jacaré .despacho. 256 .. Saiban etc. afluente do Piauí.ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede não sendo dada mil brasas de terra em coadro com todas as agoas lenhas matos que nelas ouver e sendo dada correra por diante em serigipe a vinte coatro de maio de noventa e seis . CARTA DE ANTONIO GONÇALVES DE SANT‘ANNA 26 de maio de 1596 – rio Piauhy Sabian etc. 266 taymitiaia. CARTA DE MIGUEL SOARES DE SOUSA 26 de maio de 1596.diz Antonio Gonçalves se Santana morador nos limites de habia que ele vejo a este Serigipe ajudar a coquistar esta terra em compranhia do governador Cristovan de barros e assim mais a rebate nenhum em que se ele não ache com sua pessoa e escravos como é notorio e ora não tem terras em que possa lavrar pelo que ele se quer vir morar a esta capitania com sua casa e obrigações de filhos e filhas e irmãos pelo que pede a VM.diz Domingos Fernandes nobre morador nesta capitanja que ele não tem terras neste lymite donde mora e ora quer pouvoar na banda do rio reale pelo que pede a vosamerce que em nome de sua magestade lhe de no rio de tãomytiaiaia266 braso do rio piauhy que core para a baoda do norte pera ele e sua filha joana nobre huma legoa de terá há quoall dada se comesara na boca do dito rio taomytiaiaia cuãoodo se aparta do rio piaguohy ao longo do rio da bãoda do poente a quoal terá seia em coadras com todas as agoas que na dita dada ouver no que recebra mercê .. CARTA DE DOMINGOS FERNANDES NOBRE 25 de maio de 1596 .

Saiban etc.Saiban etc.-Rio de piauhy Saiban etc. 257 .diz miguel soares de souza estante ora nesa capitania serigipe ora quer mandar vir sua familia para ser melhor e por ora não tem terras para pouvar e trazer suas criasois e ser hu ome de calidade pede a vm avendo respeito e ao proveito del rei e prol da capitania lhe fasa mercê de lhe dar sesmaria todos os sobejos que ouver de bento de barbuda (?) ate dar no rio de serigipe correndo pelo norte os quoais sobejos sera hua legoa de terra pouco mais ou menos com todas as agoas e lenhas e madeiras ribeiras que na dita terra ouver e por este até entestar com as terras dos padres de jesus-despacho-dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede mil e quinhentas brasas de terras ouver e sendo dada correra por diante em serigipe vinte e seis de março de noventa e seis anos. diz pero domingues morador na baia que ele quer vyr ajudar a pouvar esta capitania e não tem terras em que lavrar e fazer suas roças e trazer criasois que tem para isso pede a vossa mercêem nome de sua m.-Diogo de Quoadros.despacho. CARTA DE GASPAR DE MENESES 27 de maio de 1596.dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede hoitocentas brasas de terra em coadro com todas as agoas matas que nelas ouver e sendo dada correra por diante em serigipe aos trinta e hu de maio de noventa e seis..despacho-dou ao sopricante em nome de sua magestade parte que pede mil brasas de terra em coadro com todas agoas e lenhas que nelas ouver em serigipe a vinte sete de março de noventa e seis anos. CARTA DE PERO DOMINGUES 31 de maio de 1596.-Diogo de Qoadros.Rio Real.-Diogo de quoadros. CARTA DE JOÃO GARCIA 10 de junho de 1596. diz gaspar de meneses mº nos lemytes da baia que ele veio a serigipe ajudar a conquistar em companhia de Cristovan de barros e assim não hai rebate nenhum em que ele se não ache com sua pessoa e escravos como he notorio e ora não tem terras em que possa lavrar e pela coal resan ele quer vir morar a esta capitania com sua mulher e filhos pelo que pede a VM respeitando ao q acima diz em nome de sua magestade digo-lhe de pelo rio piauhy que corre para a banda do norte no fim dada de Diogo Fernandes nobre hua legoa a mea de terra em coadro por canto tem muitas obrigasois para nela agasalhare rm. lhe de no rio real nas cabeceiras de pero de paiva hua legoa de terra em quoadro de hoitocentas brasas por todas as bandascontanto que fique na legoa he sendo caso que seja dado nas testadas que não tem dadas e saltos e legoas que na dita dada ouver no que recebera m.

Diz domingos lourenso ora estante nesta cidade de san cristouvan que ele vai em tres anos que veio a esta capitania e nela ajudou a dar soldados ao capitao tome da rocha e agora hoferecendo este encontro dos franceses neste rio real acompanhou a um com suas armas e escravos donde o fez como valeroso soldado e ora quer ser maior nesta cidade e nao tem terras no que possa fazer mãotimentos e no rio do Piauhy estão terras devolutas por dar pelo que pede a vm. 267 Nas cartas de sesmarias lemos taiymytiaia e taipitiaia.Despacho Dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua magestade seiscentas brasas de terra em coadro com todas as agoas lenhas que dentro houver em serigipe a trez de desembro de 1595 anos.despacho.despacho.de Quoadros.diz joão garcia morador nesta capitania que a quatro anos reside nela com sua caza e fazenda sem terras hem que possa viver elavrar e ora no rio real ahi muitas terras por dar pelo que pede a vossa merce lhe de desmaria pelo rio acima de berriga onde acaba a testada de Francisco daraujo toda a terra que ouver dela ateo rio de taipitaia267 aonde domingos tem a sua dadiva na quoal terra que pede avera duas mil e quinhentas ate treis mil brasas se menos não forem ao quoal tera corra pelo rio acima da baoda do norte salvaodo as pontas que o rio fizer tãobem pede correndo a dita sesmaria pelo rio acima rumo direito pelo este com matos que se nela achare quoal sesmaria pede em nome de sua magestade no que recebera merce pendinho tao bem a vossa merce mande por seu despacho que qual quer hoficiall de justiça o meta de pose dela visto vosa mercê estar andante por estes dias. CARTA DE MANOEL THOME 10 de Outubro de 1596 Saiban etc .de Quoadros.diz manoel tome morador nesta capitania que vos merce lhe fez merce de hum pedaso de terra cãotidade de meja legoa a quoal parte com os padres de san bento e vaj correndo pello rio do porto de sãota cateryna hasima e porque amtre hos herdeiros de pedro alvares ha sobejos de caopinas que poden ser dosenstas brasas pouco mais ou menos pede a vosa merce avendo respeito a ter muitas criasois heser Õme que agasalha muitas ao longo dahy he por senao meter outra pessoa antre elle que lhe he rojm vesinhoça lhe fasa merce dar hosditos sobejos em nome de sua magestade no que recebera merce.Rio piauhy.dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede mil e dosentas brasas de terra na testada de francisco daraujo correndo para o rio tao mitaia com todas as agoas matos que nela ouver he estas mil e dosentas brasas serão em quoadro em serigipe a dez de junho de noventa e seis anos D. 258 . Saiban etc.D. . CARTA DE DOMINGOS DE LOURENÇO 3 de dezembro de 1595.Saiban etc.dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede as dozentas brasas que diz ter sobejos em serigipe a dez de outubro de noventa e seis anos.-Diogo de Quoadros. De mea légua de terra no dito rio piauhy a qual tera pode adonde acabar a dada a francisco de Luis da banda de cima corendo ho rumo assim e da maneira que corre o rio em coadro com todas as aguas e madeiras que dentro houver..

-Diogo de Quoadros.estão huns sobejos de terra que lorão dados a manoel de baros nas cabeceiras de joão da costa antre antonio barreiros e balthasar.dou aos sopricantes na parte que pedem em nome de sua magestade a maia legua que pedem não sendo dada a outrem e sendo dada correrao por diante em serigipe ha quinze de março de mil e quinhentos e noventa e seis anos. que he entre vasa barys e caipe que são seis centas brasas em quadro pede a vosa merce lhe de a dita dada de terra por devoluta em nome de sua magestade por quanto manuel de baros...morador nesta capitania de seregipe que ele a dous anos e meio que esta na dita capitania enteras alheias com criasois e guado e gente e ora vosamerce lhe fez merce de lhe dar hoitocentas brasas de terra en coprido e coatro centas de larguo em o rio real ao piaoy da baoda de leste e ficarao setencentas brasas por dar pede a vosa merce avendo respeito a ele ter criasois e familia e ora a querer ir poupar lhe mande dar outras ditas setentas brasas pelos rumos acima ditos que sao os sobejos de Manuel André de bãoda de lleste com hás agoas e madeyras que nelas ouver he recebera m... CARTA DE SALVADOR FERNANDES 21 de março de 1597.....etc Diz Francisco Fernandes de Almeida e Antonio de Meira que eles se vira per moradores pera esta cidade de serigipe e oje de manha querem ir buscar suas molheres e suas criasoise por ora não terem terra onde aposentar asua casa e cural pedem a vosa merce lhe de de sesmaria treis sobejos que estão indo pelo caminho que vay desta cidade pera a aldea entre joao da costa e manuel cardoso e manuel tavares e banda de poente com a antonio saraiba e da do nortepartira com a pitangua e para a baoda do sul meua legua que isso podera ser comprimento antre os ereos acima nomeados as quoais teras não pedem e vyrã lloguo com suas mulher e filhos he receberao merce despacho .dou ao sopricante na parte que pede en nome de sua magestade a tera de que acima faz a mensao nao sendo dada cora por diente em seregipe a vinte he hum de março de noventa e sete anos. ...Rio Real Saiban. Saiban..etc. e receberam m...etc. CARTA DE SIMAO DE ANDRADE 20 de janeiro de 1599 Saiban.-Diogo de Quoadros.CARTA DE FRANCISO FERNANDES DE ALMEIDA E ANTONIO DE MEIRA 15 de março de 1597.Diz Simao de andrade.. despacho:Dou ao sopricante em nome de 259 .morador nesta capitania que esta nela casado vai em dois anos e não lhe derão terras onde posa lavrar e fazer bem feitorias e ora no rio.Diz Salvador Fernandes.

Saiban. Diz gaspar de Souza. nome indígena do rio chamado Santa Maria.-Diogo de Quoadros.Diogo de Qoadros.. .lhe de em nome sua magestademea legoa de terra em quadro na testada de manoel andré con todas as agoas madeiras que na dita tera ouver a qual pede de sesmaria e se medira norte e sul e rumo direito resalvando as pontas enseadas que no dito rio fizer ho que tudo pede de sesmaria.morador em esta capitania que ha quatro anos nela mora com sua mulher e filhos e ora eu caipe esta hua dada de terra devoluta a qual se deu antigamente a hun francisco velho o qual não pouou nem cultivou tres anos conforme a ordenassem a qual parte pela banda do sul co Simao da Rocha Vilas-Boas pela a banda de leste cõ Cristovan Dias que tera huã legoa pouco mais ou menos e ora tem criasois de gado vaqun e outros miudos e não tem terras onde posa rosar nem trazer suas criasois pede a VM.Diogo de Quoadros CARTA DE SIMÃO DIAS 16 de agosto de 1599 Saiban.sua magestade a terra que pede per devoluta am seregipe a vinte de janeiro de noventa e nove anos. Diz simao dias morador nesta capitania que ele ora está casado nela e que ora nao tem terras pede a vm.diz Fracisco rodrigues. 268 Água petiba. etc. que em nome de S.Dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra que pode oje desaseis de agosto de 1599.-Diogo de Quadros. CARTA DE FRANCISCO RODRIGUES 15 de Agosto de 1599. lhe de a dita terra que faz mensão por devoluta de sesmaria a qual pede co todos os matos lenhas e madeiras que na dita tera ouver e sendo caso que seja dada se posa encher da mesma cantidade de brasas. etc.ate agora lhe forao dadas e ora no esteiro de agua petiba 268 em caipe esta hua legoa de tera que foi dada a padre antonio moutinho vigario que foi en esta dita capitania a qual está devoluta por quanto o dito padre a não cultivou nem pouou hu ano pede a vm. 260 .m. etc.Despacho dou ao sopricante en nome de sua magestade mil e duzentas brasas de terra en quadro por devoluta hoje quinze de agosto de 1599.lhe fasa em nome de sua magestade de mea legoa de terra nas cabeceiras manoelamoré e gaspar de souza coredo rumo direito conforme a demarcaçao lenhas que nas ditas tera ouver..morador nesta capitania que ha quatro anos que pera esta capitania veo com sua pessoa escravos e criasois de gado vaqun e outras criasois miudas e ora não ten teras onde posa lavrar nem por vm. .Dou ao sopricante a terra que pede en nome de sua magestade por devoluta visto o que alega seregipe sete de agosto de 1599. CARTA DE GASPAR DE SOUZA 7 de agosto de 1599 Saiban .

Diz Francisco da silveira que ele se veo para esta capitanjo para nela ser morador e por ora para iso ten comparado serta copia de gado vacum pera os quoais he necessario terras pera pastos e mantimentos aos quais não tem e ten por noticia que onde se ajuntao os dous brasos do rio iapochi ao llonguo de hun deles da banda do sull entra hua ribeira d'agua que se chama mocori e por ella asima está hua legua de tera que core pela 269 Não sabemos qual o rio que os índios chamavam paritigy. dis Gaspar de meirems que ele é mor. nesta capitania com casa de família de mais de dous a três anos se achou nas guerras que nesta dita capitania se deram do gentio e fez muito serviço ã sua majestade e oyie lhe faz proveito con suas rendas e porque não tem terás em que laurar e traga suas de muito guado que tem de toda a sorte pede a vm. CARTA DE GASPAR FONTES 1 de janeiro de 1600.que en nome de sua magestade lhe de mea legoa de tera por devoluta conforme o preguao do mesmo governador geral despacho.Diogo de Coadros. 261 .diz gaspar fontes llemos morador nesta capitania que elle não teras na capitania para lavrar para mantimentos e para pastos de gado vaqun na testada de gaspar souza em ipochi da banda de sul estam terras devolutas pede a vm. Saiban etc.Dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra que pede pord devoluta seregipe a trez de janeiro de 1600. Lhe fasa m. – Sergipe a cinquo de Outubro de 1602. Só sabemos que era um afluente do Vasa –Barris. Saiban etc. o capitão Cosme Barbosa. em nome de sua majestade de lhe dar de sesmaria por devalluta hua dada de terra que foi dada a pero Lopes criado de Diogo de coadros que nunqua foi cultivada de gente branqua e o dito pero Lopes foi ido pêra Portugal e nunqua a pouou e a tem perdida conforme aos pregoims que sobre isto dom Francisco de Souza sendo governador mandou llaurar a quoal terá meã llegoa em quoadro mais ou menos e esta ao llonguo do rio paratigim269 que he braso do vasabaris de porto para baixo entre a dada de Manoel amdre e a de guaspar damorim a quoal pede assim a da maneyra que foi dada ao dito pero Lopes pêra lloguo fazer nela bemfectorias erm – dou ao sopricante em nome de sua majestade a terá que pede por devoluto aoim e da maneira que foi dada a pero llepes. CARTA DE FRANCISCO DA SILVEIRA 15 de Janeiro de 1600. Saiban etc.CARTA DE GASPAR DE MEIRENS 5 de Outubro de 1599.

. 262 .... que en nome de s.governador gerall serigipe vinte de janeiro de 1600.. Saiban etc.Diogo de Quoadros.m huns sobejos de tera que estan entre gaspar damori e pero llopes no rio do vasa baris da banda do norte adonde. ..m lhe de mea llegoa de tera por devoluta coforme o pregão do sr. CARTA DE THOMÉ FERNANDES 17 de janeiro de 1600. governador geral erm. Diz tomé fernandes que elle he vindo a esta capitania con mulher e familia para pouvar a dita terra e por que ora não ten teras lavrar para seus mantimentos e criasois e ora na tera que foi dada a bernaldino ribeiro no rio de mocori e ora está devoluta pede a vm que em nome de sua magestade lhe de na testada de francisco da silveira no rio de mocory da banda do sull mea llegoa de tera en coadro com todas as aguas e madeiras e pastos que nela houver erm...etc. governador geral com todas as aguas llenhas que nela ouver serigipe aons quinze de janeiro de 1600. Saiban.dou ao conforme o pregão do sr.m oito sentas brasas de tera en coadro por devoluta conforme o pregão do sr.diz gaspar bareto morador nesta capitania que ha dous annos pouco mais ou menos que nela esta ajudando a pouvar e ora não ten teras para suas criasois de gado vaqun e outras miudas que para iso ten pede a vm lhe de en nome de s.governador geral don francisco de souza con todas as madeiras e aguas que nelas ouver erm.dou ao sopricante en nome de s.-dou ao sopricante en nome de sua magestade oitocentas brasas de tera en coadro por devolutas conforme o pregão do sr. . CARTA DE GASPAR RIBEIRO 20 de janeiro de 1600.Diogo de Quoadros.dita ribeira asima pelo rumo de norte do sul e leste e oeste a qual foi dada hun bernaldino ribeiro na qual se devoluta pede a vm lhe fasa m . da dita llegoa de tera de sesmaria en nome de sua magestade asin e da maneira que foi pedida e dada ao dito bernaldino ribeiro com tudo que nela se achar erm..piramopama os quaes sobejos serão oitocentas brasas pouquo mais ou menos os quoais pede en nome de sua magestade por devolutas conforme o pregão do sr..diz pero lopes estante nesta capitania que ele quer ajudar a povoar com sua mulher e filhos e ora não ten teras con abastansa para suas criasois e mantimentos e ora na testada de manuel andre estan teras devolutas pede a vm.dou ao sopricante en nome de s.. .m mea legoa de tera na testada de francisco da silveira por divoluta conforme o pregão da sr. CARTA DE PERO LOPES 20 dse janeiro de 1600..Diogo de Qoadros.etc.Diogo de Quoadros. governador geral en seregipe . Saiban.vinte de janeiro de 1600.governador geral con todas as aguas llenhas e madeiras que nela ouver seregipe a desasete de janeiro de 1600.

CARTA DE DOMINGOS NARCISO 13 de janeiro de 1600 Saiban,etc.diz domingos narciso que ele está en hua tera no pochi da banda do norte en a qual ten feito sua casa e hun cural de gado e sua rosa a qual tera dizen que foi dada a manuel gomes e visto tela povado e estar nela pede a vm de por devoluta en nome de sua magestade conforme o pregao que mandou lavrar ho sr. governador geral a qual tera parte pelo caminho de gauquajú des.........desde os apequs até a barro como entra no rio seregipe suas enseadas e pontas que ha no rio erm.- dou ao sopricante en nome de sua magestade a tera que pede por devoluta hoje a trese de fevereiro de 1600.- Diogo de Qoadros.

CARTA DE MANOEL ANDRÉ 24 de janeiro de 1600. - Vasa Barris. Saiban etc. Diz manuell andre morador nesta capitania que ele vai en dous anos que esta povoando e servindo a s.m. entrando en todas as geras e assaltos que ate agora se fizeram com os gentios da terra como aos francezes que nela se tornarão acompanhado a VM e aos antepassados que nesta dita capitania servirao de capitao e hora tem mulher e filhos e não tem teras em abundansa para poder trazer suas criasois de gado vaqun e outros meudos que pra iso tem pede a vm. que en nome de s.m. lhe de de sesmaria na testada de pero lopes da banda de norte en vaza barris adonde chamão párratigi a qual dada delle dito.........como elle sopricante e co gaspar bareto a cal pede mea legoa de tera por devoluta conforme o pregan do sr.governador geral asin como corer a dita dada de pero lopes co todas as madeiras e aguas e llenhas que nelas ouver - dou ao sopricante en nome de sua magestade outro sentas brasas de tera en coadro por devoluto coforme o pregan do sr.governador geral na parte que pede a seregipe a vinte e quatro de fevereiro de 1600.-Diogo de Quoadros. CARTA DE DOMINGAS DINIZ 16 de .................. 1600. Saiban,etc. diz domingas diniz.........que ella nesta capitania co seus pai e sua mãi por morador sinquo anos e hora não ten teras para suas criasois o mantimentos e hora ao redor desta cidade está hua dada de tera devaluta pra banda de norte co manoel pires e poente con antonio seraiba e de norte sul tera llegua de largo a quoal foi dada a hu gaspar doliveira e nuqua fez benfeitorias nela como hera obrigado fazer coforme a ordenasan pede a v.m. en nome de s.m. por devoluta coforme o pregão do sr.governador geral con todas as agoas etc. erm dou a sopricante en nome de s.m. a terra que pede por devoluta en seregipe a desaseis de 1600.-Diogo de Quodros. CARTA DE SIMÃO D'ANDRADE

263

4 de março de 1600. Saiban,etc.diz simão dandrade que ele a tres anos que esta pouvando esta capitania cazado co molher e filhos con gado e servindo a s.m. con tudo e que v.m. o ten encarregado do serviço do dito snr e porque agora lhe não é dado tera pera podea trazer suas criações fazer mantimentos para puder sustentar sua caza pede a vm en nome de s.m. lhe de ao llonga da ribeira de pirao mopama nas testadas de gaspar damorim hua legoa de tera fiquando a dita ribeira demtro da dita tera a call pede por devaluta coforme o pregão do snr governador geral erm - dou ao sopricante en nome de sua m. na parte que pede mil e dusentas brasas de tera de comprido e pera o sertão mil e quinhentos por devoluta con as agoas etc. seregipe a quarto de março de 1600.-Digoo de quoadros. CARTA DE MANOEL DE FONSECA 5 de Março de 1600. -Rio cajahiba Saiban etc. diz manoel da fonsequa mor.nesta capitania que ele en companhia de cristovan de barros veo ajudar a tomar esta terra e capitania pouvar a sua custa des então ate agora sempre rezidio nela con sua pesoa e familia ajudando a pouvar a todos em tradas he geras que em tempo dos outros capitais ouerão en serviso de s.m. e nã ten teras en que lavrar suas rosas he suas criasois pede en nome de s.m. hua dada de tera que foi dada ha hu simão fernandes gaguo por o capitão tome da rocha que foi desta capitania por quao a não veo pouvar dentro do tempo que lhe da o dr e ordenasan e não coprimento dos pregões que mandou deitar na prasa da cidade de saluador o snr governador geral não cumprio nem nuca tomou posse e esta por devoluta a qual tera he de mil brasas para ao llongo do rio de cajaiba e são tres mil brasas para o certão e porque ele dito ten filhos para casar pede mais outra tanta que serão duas mil brasas ao llongo do rio da cajahiba he as tres para o sertão corendo correndo as duas pelo sertão asima caminho da banda de noroeste as tres para o sertão para a banda de sudueste as qual tera esta amtre ho rio de cajahiba e potihipeba por o caminho que ia para a aldea de taperagua e pede asin como o dito tome da rocha a tinha dado a simão fernandez direitamente pelo rio asima resalvando pontas he enseadas no salgados co tanto que tudo cora avante erm - dou ao sopricante en nome de s.m. as mil brasas de tera e as tres mil para o sertão que foram dadas a sirmão firz seregipe a sinquo de março de 1600. - Diogo de Quoadros.

CARTA DE BARTHOLOMEU FERNANDES

10 de Março de 1600. Saiban etc. diz bartholomeu ferz mestre da capela da Bahia que ela éome de muita pose e quer vir ou mandar ajudar apovoar esta capitania e província o que lhe e necessário ter tera para mantimentos e criações pede a vm lhe de en nome de sua magestade hua llegoa de terra em coadro no rio reall na testada de Francisco

264

daraujo e Baltasar feras e Melchior dias comesando de hu eteiro chamado ariticuiba270 per ele ariba rumo direito da banda de norte pede de ser marcar ermDou ao soplicante em nome de s. m. na parte eu pede meã legoa de terá com todas as águas etc. que nelas ouver Sergipe a dês de março de 1600.- Diogo de Qoadros. CARTA DE BENTO FERRAZ 12 de Março de 1600. Saibam etc. diz o padre bento feras vigário de Sergipe que ele esta actuamente pouvando esta terá com seus negros e gados e ciasois para o que não tem terás para mantimentos e trazer suas criaçois antes hua dada de meã legoa de terá que lhe Vossa magestade tinha dade mandou substituir com ella a quall hera em caipe, ho que ele sopricante fez e esta sem terá nenhuma pede a Vm lhe de en nome de sua magestade mea legoa de terá em coadro no rio reall mística co a de seu tio o mestre capela corendo pelos mesmos rumos e desmarcacois que a dita tera corer- Dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede Mill brasas de tera em coadro em auguas etc. seregipe doze de marso de 1600.- Diogo de Qoadros. CARTA DE PERO SANCHES 31 de Março de 1600. Saiban etc. diz pero Sanches morador nesta capitania que ele não tem terras em que laavrar He fasa suas rosas He targa suas criasois pede terá que pello rio asima de piramopana da banda de leste nos de .......... – Dou mil e quinhentas basas de tera. – Diogo de Qoadros. – ultimo de março de 1600. CARTA DE MARCOS FERNANDES. Sibam etc. diz marcos Fernandes morador na cidade de saluador que ele quer vir pouvar esta capitania com sua casa e famial e ora nela não tem terras para puder trazer seu gado e cisois e fazer suas rosarias por quanto ele he home de grade família pede a V.m. lhe de em nome de sua magestade nas cabeceiras de João da rocha visente ao llonguo do vasabaris da banda do sull hua legoa de terá llonguo do dito rio e llegoa e mea de terá dentro a quall terá pede por devlluta e se obrigara em dentro de quatro mezes – Dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede a terá que diz em sua petição com águas etc. seregipe a vinte de março de 1600.- Diogo de Qoadros.

CARTA DE MELCHIOR MACIEL 5 de Abril de 1600. – Rio Guitihiba271 Saiban etc. diz mellchior masiell dandraade mor. Nesta capitania que quando a Ella chegou se apresentou ao rio reall que achou desocupado adonde ora está co
270 271

Afluente do rio Real, junto à foz. Conserva o mesmo nome. Nome indígena de um afluente do Rio Real

265

sua casa e fanilia e porq‘ nesta dita capitania tem bem servido a s. m. e ora nella he morador pede a Vm. Em nome de s. m. lhe fasa m. duas mil brasas de terá em coadro ao llongo do rio guithiba ueq he onde ele sop. Ora está pouvoando a call terra pede por devoluta conforme ao pregão do Sr. governador gerall lhe será demarcada a dita terá de huma banda e de outra do rio guitihiba ficando o rio meo da demarcasan e será imedita por rumos direitos por fora dos mangues e ilhas que ouver as quais ilhas e pontas de terá e mãgues que ficarem dentro da demarcasão entre na dada que ele sopricante pede erm. – dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede mil e dusentas brasas de terá por devoluta cõforme o pregão do mesmo governador gerall seregipe a simquo de abril de 1600. – Diogo de Qoadros. CARTA DE MATIN LOPES 24 d‘Abril de 1600. - Aldeia de Taperoá. Saiban etc. diz Martim Lopes mor. Na habia que elle quer mandar ajudar a povoar esta capitania de Sergipe e por quanto he home de muita pose e famila para que lhe he necessário terás para suas ciasois e mantimentos pde a Vm. em nome de sua magestade huma llegoa de terá em coadro na aldeã que chamão tepahoqua adonde em tempo de Tome da Rocha quando era capitão os contrários (?) matarão os negros que chamavão neboiba a call dada de terá corera pelo caminho que vinha de uma banda e outra levando em meo e semdo causa que se a dada pede por devoluta erm.- Dou ao sopricante em nome de s. m. na parte que pede meã legoa de terá em coadro com águas seregipe a vinte e quatro dabril de 1600. – Diogo de Qoadros.

CARTA DE MATHEUS DE FREITAS 25 de Abril de 1600. – Rio Sergipe. Saiban etc. Mateus da Freitas dasevedo allcaide mor. Da capitania de pernãbuco que ele tem muita pose e quer mandar ajudar a povoar esta capitania de seigipe e porq‘ tem muitos filhos pede a Vm. lhe de em nome de sua magestade por devoluta cõforme o pregão do Sr. governador geral duas llegoas de terá em coadro pello rio de seregipe asima nas cabeseiras das terras de pero masiell dandrade e do padre Ambrosio Joardes a saber hum legoa para sua filha Jeronima outra llegoa para Clara ...........- Dou no sopricante em nome de sua magestade na parte que pede duas legoas de terá para as ditas suas filhas cõtanto que beneficie em hum ano seregipe a vinte e sinquo de abril de 1600. – Diogo Qoadros. CARTA DE AMBROSIO GUARDEZ 26 d‘Abril de 1600. – Rio Sergipe. Saiban etc. diz ambroso coardes vigário do são pedro e ouvidor da vara da capitania de penãobuquo que ele tem muita pose e quer ajudar a povoar a nova capitania de serigipe com gente e gado e outras ciasois pede a vin. Lhe de em nome de sua magestade por divolluta cõforme o pregão do Sr. governador gerall duas Mill

266

brasas de terá em coadro ao llongo do rio de seregipe da bauda do sull na testada de pero masiell pra rosaria e pastos de gado com todas as agoas etc. – Dou ao sopricante na parte que pede em nome de s. m. mil brasas de terra em llargo e Mill e quinhentas de comprido com todas as agoas etc. seregipe a vinte e seis dabril de 1600. - Diogo de Qoadros. CARTA DE GASPAR DE AMORIM 4 de Março de 1600. – Rio Vasa-Barris. Saiban etc. Diz Gaspar damorim morador nesta capitania que a elle lhe não são dadas as terras que bastam para sua pesoa e suas criações e para fazer mantimentos conform ao regimento pede a Vm lhe de hua dade de terra que esta devoluta quoall se comecara a medir na varzea de peramopana que vossa magestade lhe tem dado até a dada de Manoel Andre para sima como vai do rio vasa basabaris porquanto elle sopricante esta nella com casa ...... e a tem pouvado pede a Vm lhe de em nome sua magestade por devoluta a call terra pode ser mea llegoa em coadro pouquo mais ou menos erm. – Dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede Mill e dusentas brasas pela sua testada de comprido e mil e quinhentas de largo para o sertão em Sergipe a quatro de marso de Mill e seis sentos anos. – Diogo Qoadros. CARTA DE GASPAR DO AMORIM 14 de Março de 1600.- Rio Vasa-Barris. Diz Gaspar damorim morador nesta capitania que elle com sua molher e criasois e escravos e ora o capitão dioguo de coadros lhe tem dado pouqua terras para suas criasois e mantimentos e porque lhe deu na varzia de piramopama hu pedaso de terá e no feito de Coll razão que ele em sua petisan pedia para a Vm que em nome de sua magestade lhe de outra vez de novo hus sobejos de terra que estão na dita varzia dos cajueiros para baixo e he hu canto entre elle sopricante e ho no rio vasa barris e o dito esteiro de de piramopama que pode ser mil brasas de terra pouque mais ou menos de conprido e de largo quinhentas brasas e por outra parte certo que he pouco mais ou menos pede a vosa mercê lha de por devolluto e inda que seja dada conforme ao pregão geral por se lhe não meter Ca ninguém na dita varzia porque lhe fasem ruim obra no que erm.- Dou ao sopricante a ponta de terá que pede em nome de sua magestade por devolluta cõforme ao pregão do governador gerall Don Francisco de Souza serigipe quatroze de março de mil e seiscentos anos o capitão Manoel Miranda Barbosa em auzencia de Diogo de Qoadros. CARTA DE GASAR D‘AMORIM 14 de Março de 1600. Saibam etc. diz Gaspar damorim nesta capitania que antre agoa petiba e o mar esta hua dade de terá que são quinhetas brasas ou seiscentas por costa e llargura ate agoa petiba e de norte parte com a terá de Baltasar de Barbosa o quoal serte de terra povoou de novo joam Garcia e nela reidio mais de quaro anos de sorte

267

que ficou satisfazendo ao forali e por algus soberios que lhe cõcedram se for desta capitania e fes venda da mesma terra a elle sopricante e por quanto Joan garsia assim se foi allgus a pretendem por discre a não poder vender pois despovou pede a vossa mercê que de novo lha de de sesmaria ou por devalluto erm- Dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra que pede de sesmaria e por devalluto visto o dito joam Garcia depovoar e vender o direito que nella tinha seregipe a quatorze de marzo de mil e seis centos anos o capitão Manoel de Miranda Barbosa em ausência de Diogo de Qoadros. CARTA DE JOÃO DIAS 16 de Abril de 1600. Saiban etc, disem João dias morador em jaquipe que ele tem nesta capitania gado e gente pra fazer rosas e cirasois e para isso não tem terás onde possa pastar suas criasois e no agaipe para a banda do sul esta huma dada de terá que foi dada ao padre geronimo de garros a coal lhe foi dada a seis ou sete anos e ate hoje a não tem povoado nem feito bemfeitorias nenhuma pello quall respeito nas pede por devoluta assim e da maneira que foram dadas ao padre e pede lhe perfasa huma legoa de terá em coadro Erm.- Despacho- dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra que pede cõforme ao pregão do snr. Governador gerall por devolluta com todas as águas e llenhas que nelas em ouver em seregipe a deseis de abril de Mill seis senteos anos – Qoadros. O registro assinado por Manoel de Miranda Barbosa.

CARTA DE MELCHIOR MACIEL E PAULO 4 de julho de 1600. Saiban etc. disen Mellchior Maciel e Paulo…….. moradores na capitania que no rio reall da banda do norte junto ao cabedelo a que chamão ipelempe272 ao longo da terá esta hum pedaso de terá de pastos pêra gado e porque eles sopricantes estam pouando no dito rio reall e não tem onde posam trazer suas ciasois pedem a Vm lhe fasa mercê em nome de sua magestade duas llegoas de ttera por costa de mar e llargura que ouver da bara de hum riacho que esta na boqua do dito cabedelo..... até a costa que pode aver quinhentas brasas até seis centas pouquo mais ou menos e sendo dadas as peden por divolluta conforme os pregõis e mandados do snr. Governador gerall Erm. – dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que peden duas mil brasas de terá por costa e llonguo comesando do rio que dis em seregipe a quatro de Junho de 1600.- Diogo Qoadros.

272

Nome indígena do cabelo que existe ainda hoje junto à foz do rio Real.

268

dou ao sopricante Mill brasas de terra em coadre corendo na forma em que pede em nome de sua magestade na baia dessanove de juho de Mill e seissentos anos. de todos os pontos anseadas que na dita llegoa de terá ouver e sendo caso que seja dada corera adiante pello mesmo rumo ou como milhor lhe pareser erm. ate agora pessoa alguma as veo povoar nem as cultivar e ora o sopricante as quer povoar conforme ao regimento de sua magestade e ao pregão do snr.. 269 ..evendo respeito ao que o sopricante dis nesta sua pitisan lhe confirme a dada da tera da maneira que em sua petisão faz mensão e lhe dou demais em nome de sua majestade na dita terá as pontas que pedem e de tudo se lhe pase nova carta de sesmaria Sergipe onze de Julo de 1603 o capitão Tomé da Rocha.. com huma petisan e despaacho do capitão e governador Diogo de qoadros etc. para bem de nelas fazer seus mantimentos e meter suas criasois pede a Vm que respeitando ao que dis lhe fasa mercê em nome de sua magestade de lhe dar de sesmaria huma legoa de terra ao longo das cabeseiras que os ditos padres tem por sima da mesma llargura confrontante para o sertan corendo a dita llegoa de comprido ao llonguo do dito rio de vasabarris com todas as águas doses e sallgadas que na dita distansia se acharem com as pontas de mangues e ilhas que na dita dada caírem corendo com os mesmos rumos e confrontasois que corem a dos ditos padres e a dita demarcasan em seu comprimento chegue a sua distansia em embargo em embargos de rios e esteiros e fasendo-lhe mercê como ele sopricante o pede lhe mande pasar sua carta de sesmaria e resebera mercê. em nome de sua majestade de hua llegoa de terá em coadro no rio mocory nas cabeseiras donde acabar Martins de Souza e pello rio asima do dito mocory e por côamto elle suplicante não sabe se o dito martins de sousa tem terá a pede a vm lhe fasa m..diz natias Moreira morador na capitania de seregipe cidade de san Cristovão que nas cabeseiras das dadas aos padres da companhia de Jesus tem em vasa barris estão terras devolutas. dar-lhe em nome de sua majestade a dita llegoa de terá e comesara a medir onde o dito Martins de Souza acabar digo pretender e assim mais lhe fasa merse darlhe a dita llegoa de terá rumo direito ao norte posto que o dito rio pellas voltas que da não tem rumo direito e yuntamente lhe fasa m. No registro a assinatura é de Manoel de Miranda Barbosa.. Saiban etc... dis Gaspar Fernandes vigário ouvidor da vara e juiz dos seguimentos he utilizador nesta capitania de Sergipe que o capitão Cosme barbosa lhe fez m.. CARTA DE MATHIAS MOREIRA 19 de julho de 1600 Saiban etc. Diogo Qoadros.CARTA DO PADRE VIGARIO GASPAR FERNANDEZ 11 de Julho de 1600... Governador Don Francisco de Souza e a Vm.

m. na testada de Antonio barreiros correndo até o esteiro de piramopama hua legoa de terra em coadro ao llõguo do vasa barris houtra banda de tinhare e outra legoa para o sertão a coal pede conforme pregão do Sr. – despacho dou aos sopricantes na parte que pedem hua lleg. Despacho – dou ao sopricante em nome de sua magestade os sobeios que quer entre Antonio barreiros e pero sandres mor nesta capitania ao llonguo do vasa barris e pela terra dentro hua legoa conforme ao pregão de m. m. De terra em coadro com as lenhas e agoas e maderias as quaes comesara a medir donde eles soprecantes acabão como pedem. governador gerall as tem 270 . Sr. CARTA DE JOÃO DIAS 11 de Novembro de 1600. Manoel de Miranda Barbosa locotenente. Saibam etc. diz João dias mor. Disem Bartholomeu fernades e o padre bento Ferraz maiores nesta capitania de Sergipe que elles querem ajudar a pouvar e estão atuallmente pouvando e por não terem terás sufficientes para trazerem seus gados e criasois miúdas e fazeerem mantimentos pedem a Vm lhes de em nome de s. Na tore que elle veio a esa capitania em companhia de cristovan de barros ajudal-o ganhar honde trouxe artilharia a sua conta que ora esta neste forte e outro si tem muito gado já nesta capitania para o quall não tem pastos bastantes nem matos pêra rosar porque quer ajudala a povoar e porque nela a terás devallutas que não são cultivadas pede a Vm lhe de em nome de s. Seregipe treze de outubro de Mill e seis sentos anos. diz Simão d‘andrade que ele vae com quarto anos que esta ajudando a povoar esta capitania com sua molher e família e servindo sempre a sua magestade em tudo o que lhe foi encarregado e porque hora ele sopricante tem gado vacum e outras muitas criasois e não tem terras per onde pastar por ate agora não ter rendado pello que se lhe perdem as ditas criasois e desaparecem e se da muita perda e ora onde a terra do snr bispo vindo do vasabarris estão oito sentas brassas de terra que foram de hu morador da Bahia a muitos anos e nuqua até agora digo até hoje as tem vimdo pousar conforme o regimento que sua magestade manda em sua ordenasão contra o pregão do m. CARTA DE SIMÃO DE ANDRADE 12 de Novembro de 1600 Saiban etc. governador geral Sergipe onze de novembro de 1600 anos o capitão Manoel de Miranda Barbosa.CARTA DO PADRE BENTO FERRAZ E BARTHOLOMEU FERNANDEZ 13 de outubro de 1600. Sr. governador gera erm. duas legoas de terá em coadro no rio reall em hu esteiro ou rio por nome ariticuiba onde acabão os sopricante de hua bãda que lhe deu o capitão Diogo de coadros correndo pelos mesmos rumos demarcasois confrontasões que correm as dadas dos sopricantes as quais pedem de desmaria que seiam dadas e pedem por devollutas isto com llenhas madeiras agoas e pedreiras no que resebera m.

dou ao sopricante em nome de s. Saiban etc. magestade duas mil brasas den coadro na parte q pede a saber nas cabeseiras de domingos daraujo da banda do sull serigipe onze de novembro de mil e seis entos anos. governador gerall Don franacisco de Sousa seregipe a dose de novembro de 1600. O capitão Manuel de Miranda Barbosa CARTA DE PEDRO DA LOMBA 11 de Novembro de 1600 Saibam etc. CARTA DE SESMARIA DE MANUEL ANDRÉ E SIMÃO DE ANDRADE 13 de Novembro d 1600. disem Simão dandrade e manjuel Andre moradores nesta capitania que eles estão pouvando nesta dita capitania e porque ora não tem terras que posão fazer seus mantimentos e traser suas criasois de gado vacum e outras meudas q pra isso tem pello q pedem a v. hua llegoa de terá em coadro a quall se comecara a medir na testada de Manuel tome quanto ao rio vasa baris e corera pelas cabeseiras dele e da dada de domingos saraujo pella bãoda do sull erm.perdidas pede à Vm. visto o que alega lhe de em nome de sua magestade por devollutas quatro centas brassas de terra larguo e de comprido o que ouver da praia até o rio de auguapetiba comesando de meio a donde acaba o Snr bispo e resebera m – despacho – dou ao sopricante em nome de sua magestade trescentas brasas de terra de larguo por costa e de comprido ao longo do mar até o rio aguapetiba como pede conforme o pregão do Sr. governador gerall Francisco de Souza seregipe dozo de novembro de Mill e seis sentos anos. ―Don Francisco de Sousa e recebera mercê. CARTA DE SIMÃO DE ANDRADE E MANUEL ANDRÉ 17 de Novembro de 1600 Saiban etc disem Simão d‘andrade e manuell André q els estão pouvando co suas mulheres e filhos e servindo a sua magesade em tudo o que llhe he encarregado do serviso do dito snr. diz pero da llomba morador da Bahia por seu procurador q ele veo ajudar a ganhar esta capitania a sinquo anos hm curall de gado para o quall não tem pastos nem lhe há dado terás nenhuas peratra ser suas criasois e hora a terras devolutas na itaporãogua273 pede a vm lhe de em nome de s. O capitão e loco tenente Manuel de Miranda Barboza. Manoel de Miranda Barbosa. Despacho – dou aos sopricantes em nome de sua magestade os sobeios q estão entre Matias Moreira e Manuel tome AL llonguo do vas baris da ganda do sull e pela terra dentro hua llegoa por divolluta conforme o pregão do Sr. mersê em nome de sua magestade hus sobejos q estão entre Matias Moreira e Manuel Tomé allonguo do rio de vasabarris da banda do sul p podem ser hua légua pouque mais ou menos as quaes peden por desaletas conforme o pregão do snr. Despacho . m. E porque ora não tem pastos para seus gados e 273 Vila de itaporanga 271 .

mais criasois q para isso tem peden-lhe de em nome de sua magestade de semaria hus sobeios de terá q estão antre Antonio Gedes e o esteiro de augiapioba 274 correndo pelas cabeceiras de balltesar e Sebastião de brito e antre os frades de san bento ate poxi os quais se den por devalluto conforme o pregão do snr governador gerall Don Francisco de Souza erm. O capitão o padre Bento Ferras. CARTA DE SIMÃO DE ANDRADE 18 de Dezembro de 1600. Despacho dou aos sopricantes os sobeios q pedem de semaria por devallutos em nome de s... Saibão etc.. de ouvidor e outros cargos do serviso de sua magestade de q foi encarregado e por q ora ele sopricante não tem terras oude posa fazer seus mantimentos perto desta sidade onde posa acudir a obrigasão de seu ofisio poquanto o que lhe he dado esta muito llonge e não pode ainda viver........ 274 Nome indígena de um riacho que desemboca no Poxim.... m.. lhe de sesmaria no rio se seregipe na tstada de Simão da Rocha hua llego de terá em coadro para seus mantimentos e porquanto na dita terra na tem terás para pastos pede a vm outro assim de dar na varsea do dito rio de seregipe Mill brasas em coadro na testa do dito Simão da rocha com todas as augoas llenhas madeiras erm. magestade na parte q pede a llegoa de terra em coadro a call lhe dou de semaria outra se mil brasas em coadra na testada de Simão da rocha para pastos a call lhe dou com todas as augoas llenhas madeiras q nas ditas terras se acharem em seregipe vinte e seis de dezembro de 1600. O capitão o padre Bento Ferras. Despacho dou ao sopricante em nome de s.... magestade em seregipe a desasete de novembro de Mill e seis sentos anos Manoel de Miranda Barbosa.despacho – dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra contuda em sua petisão de semaria em caso que este dade por devolluta seregipe a desoito de dezembro de sis sentos annos..as ditas quatro sentas brasas de terras as não cultivarem nem pouarem outrosi não moram nesta capitania nem term nelas quem lhas pouvo. CARTAS DE PADRE AGOSTINHO MONTEIRO 26 de dezenbro de 1600. 272 ... Saiban etc diz Simão dandrade que ele vai em quatro annos q esta ajudando a pouvar esta capitania com sua mulher e filhos e servindo sempre a s. diz o padre Agostinho monteiro q elle quer ser morador nesta capitania de seregipe ou mandar pouvar co rosarias e canaviais curais como he custume dos q pouvão a terá pra o q tem necessidade de terras pra ain o poder fazer pede a vm...... por q ainda em caipe perto desta sidade estão huas quatro sentas brasas de terras que forão dadas aos filhos de Pedro Alves que eles tem sendo filhos família em ao a podião posuir e por quanto ele sopricante todo este tempo q há q esta pouvando a dita terá fasindo bemfeitorias nela o u he proll da fazend de sua magestade sisto ser terá nova e mandar ele as ditas terás se dem a quem hás pouvar sem regimento se lhes tire a quem as uão pouvar pede a vm lhas de de semaria por devoluta visto as p...

. estante nesta capitania de seregipe q ele veo ajuar a gahuar esta capitania co suas armas e escravos a sua custa e ora quer vir ajudar povoar co sua mulher e filhos e escravos e sua ciasois e outra gente de sua obrigasan e porq na dita capitania lhe não são dadas terras allgumas pra nelas puder llarvar e criar suas criasois e ora estao terras devollutas aonde chega o allagado de vasa baris pede a vm lhe de de sesmaria en nome de s. hu manoell pires ja defunto e ora o dito manoell pires nuqua fez bemfeitorias na dita terra nen della ouve pose esta a dita terra divolluta que são tresentas brasas de llarguo para a banda de ponente e mill e quinhentas de nordeste ao sudoeste pede a Vm lha de de sesmaria por respeito de se lhe não vir meter oitro nella que lhe de matarto a sua criasão respeitando ter muito a call pede por devolluta erm .CATA DE JOÃO MATINS BERTANHA 26 de dezembro de 1600 Saiban etc diz Jon martis betanha morador em . don francisco de souza seregipe des de marso de seis centos e hu ãnos.. duas llegoas de teras en coadra as quaes se comesarão a medir aonde acaba leandro baltasar ferras e não corendo pelo rio dose asima-rumo direito com todos as pontas e insiadas madeiras auguas q_ nas ditas teras ouver as quais pede pra banda de nasente en caso q sejão dadas as pede por devolluto erm . tera que foi dado...B.. CARTA DE MANOEL THOMÉ 20 de Janeiro de 1601. Saiban etc diz domingos gonsallves morador na bahia do saluador que ele quer mandar a esta capitania ajudar a pouoar e que na dita capitania Não tem terras para mantimentos e pastos e que pello rio de serigipe asima hesta hua dada de terra na testada de outra dada que foi dada sebastião da rocha quall tera foi dada ha hu manoell daraujo e esta devoluta e de sesmaria erm .. O capitão locotenente M. Saiban ete diz manoel tome d'andrade morador nesta capitania que a ele lhe foi dado hu pedaso de tera ao llonguo desta cidade a call terra he pouqua para as criasois que ten e ao llonguo das ditas terras esta· hu pedaso de.....dou ao sopricante en nome de sua magestade a terra que pede asin e de maneira que diz en sua petinsan a call lhe dou por devolluta en serigipe a vinte de janeiro de seis sentos e hu ânos o capitão o padre Bento Ferraz... CARTA DE DOMINGOS GONSALVES 10 de Março de 1601. M.dou ao sopricante en nome de sua magestatle nas partes q pede hua llegaa de terra asim e da manera q en sua petisan pede a call lhe dou de sesmaria en seregipe a desoito de janeiro de seis sentos e hum anos o capitão Bento Ferras.. m. CARTA DO PADRE BENTO FERRAZ 273 ..dou ao sopricante en nome de sua magestade a terra que pede por devolluta cõforme o pregão do sr.

11 de março de 1001 Saiban etc diz o padre bento ferras vigairio confirmado nesta vigairaria de sergipe q ele esta alltualmente pouando esta terra e capitaneando e por que não tem terras em q traga seu gado e criasois como são pastos e antre o rio vasa baris e o cãbohi esta hua pequena de terra devolluta aonde acabão os padras da conpanhia e a dada que lhe deu thomé da rocha sendo capitão que são três llegoas como elIes em sua petisão pede a vmce. e outro sim esta servindo de ouvidor cõ allçada na dita capitania e ajudando a povoar çõ molher e filhos fabriqua de que Tudo esta fasendo serviso a deus e Sua magestade e não ten teras em que llevar seus mantimentos e tarzer suas criasois e no rio do vasabaris onde se chama tinhare esta huma dada de terra devaliuta da banda do norte do dito rio que foi dada a hum paulo adorno a quall a dito paullo adorno numqua povoou nen cultivou nem fes bemfeitorias nela e esta devalluta pede a Vm.m.dou ao sopricante en nome de sua magestade os sobeios· que se acharem da terra dada da que se achar mais das tres llegoas que lhe foram pedidas en vasabaris ate o abahi como sopricante pede en seregipe onze de marso de mil e seis sentas dous anos o capitão Manoell de Miranda Barbosa. lhe fasa m. dis gonsallo francisco estante ora nesta capitania que elle vem a povoar cõ vaquas e outras mais criasois que ora tem aqui nesta capitania porq' não tem teras em que se posa aposentar pede a Vm..a. Saiban etc. em auzensia de Diogo de qoadros. nesta capitania de seregipe que esta Autoalmente servindo na dita capitania a sua magestade de provedor da fasenda do dito sr. a terra que pede por devoluta cõforme o pregão do sr. de lhe dar de sesmaria en nome de sua magestade por devalluta cõforme o pregão do sr. erm . CARTA DE GONÇALO FRANCISCO 14 de Março de 1601. CARTA DE GASPAR FONTES 12 de março de 1601. Saiban etc.dou ao sopricante en nome de sua magestade a terra que pede por devalluto cõforme o pregão do Sr. em a praça da bahia ellugares publicas a Call terra pede en nome de sua magestade asin e da maneira que foi dada ao dito paullo que ten mill barsas en coadro. Manuel de Miranda Barbosa capitão e locotenente em ausensia de Diogo de Qoadros. lhe de en nome de sua magestade na parte que pede a terra que se achar donde acabarem os padres até o abahi a cuall pede com todas as lenhas matos e águas que na dita terra ouver erm .Dou ao sopricante de sesmaria en nome de S. governador gerall d. governador geral! don francisco de sousa en seregipe a quatorse de marso de seis centos e hum o capitão Manuell de Miranda Barbosa. dentro de seis meses segintes em seregipe a doze de marso de mill e seis centos e hum anos. Francisco de sousa o call pregão . diz gaspar de fontes lIemos mor. governador gerall não vindo paullo adorno a povoar a dita terra. lhe de sesmaria nas cabeseiras de marcos fernandes mea llegoa de terra por devalluta no que erm .. 274 .

suas criasois e nas cabeseiras de simão da rocha en caipe corendo pera Ias cãopos de heperagua esta huma dada de terra que foi dada a hum antonio ferreira ho quoal não povoou porque elle sopricante se foi por nela onde esta já com currall de gado pede a Vm lhe de a dita terra por devoIluto conforme o pregão do snr. na bahia que elle tem mandado a esta capitania de seregipe fabriqua gente e gado. .despacho . ' CARTA DE JOÃO FRANCISCO 15 de Março de 1601.dou ao sopricante en nome de sua magestade mea Ilegoa de tera en coadro por devolluto na parte que pede cõforme o pregão do snr.dou ao sopricante en nome de sua magestade a terra que pede por devoluta a ca. governador geraIl don francisco· de souza em seregipe a quatorze de marso de rnill e seis sentos e hum anos . vaqum pra ajodar a pouvar a dita capitania e por ora não tem terras donde posa asentar. CARTA DE MARTIM DE SOUZA 14 de março de 1601.CARTA DE FRANCISCO D'ALMEIDA 14 de março de 1601. Saiban etc dis joão francisco morador nesta capitania que ele veo para hajudar a povoar. .o capitão llocotente Manoel de Miranda Barbosa. .ll lhe dou asin e da manera que foi dada a manuell gomes e dela lhe pasem sua carta en seregipe quatorze de marso de seis sentos e hum anos o capitão Manuell de Miranda Barbosa em ausensia de Diogo de Qoadros.dou ao sopricante en nome de sua magestade a terra que pede por devolluto conforme ao pregão do senhorgovernador gerall 275 .desta capitania corendo pera hopiramopama que fique por marquo huma tapera que no dito caminho esta comesando de medir deIla para o sudoeste contra a clada de dito simão da rocha da outra banda para o poente que são duas mill brasas de comprido e mill de llarguo com tonas as ilhas de mato asi e da manera que foi dada ao dito Antonio pereira Erm . Saiban etc diz martim de souza morador nesta capitania almocharife de sua magestade que ele a seis anos que esta nesta capitania ajudando a defender com sua pesoa e ora quer faser rosas e outras bemfeitorias e não ten teras em que as posa faser pello coall pede a Vm lhe de en nome de sua magestade huma Ilegoa de tera no rio de mocori ou mocoriria que vem entrar no rio pochim nas cabeseiras de francisco da sillva da banda do norte Erm . . a dita fabriqua acima dito e faser rosas e não ter pastos pª o dito gado e no rio do pochim da banda do norte esta mea legoa de terra que foi dada a hurn rnanuel gomes o call nunca povoou nen cultivou e esta devoluto pede a Vm. Ihe fasa merse en nome de sua magestade darlhe de sesmaria por pevalluta asin e da maneira que foi dada ao dito manuell gomes ermo. governador gerall a quoaIl tera esta no caminho novo que abrirão os indios feros . Saiban etc. diz francisco dalmeida mor.

em ausencia de Diogo de Qoadras. Val em quatro anos pouquo mais ou menos que estão ajudando a povoar esta capitania sustentado a pasagem do Vasa Baris e vindo todos os anos a esta capitania ajudar o espritualI com muito trabalho outro si aqui he moradores pera terra no que em tudo fasem muito serviso a déus e a sua magestade porque ora eIles sopricantes tem metido muito fabriqua asin de gentes como de gado e suas criasois e a terra que lhe he dada não he capaz de sustentar a sua fabríqua o mais que querem meter por quanto não servem mais que de pastos e ora junto a serra de cayaiba que podem ser oito legoas desta povoação esta huã tapera que se chama pixapoam a qual! se se povoar se fara muito serviso a déus e a sua magestade e bem crecemta muito a esta capitania por coanto he frontera e segura esta capitania pera que se posam allargar povoando suas terras que por medo dexao algus de povoar e ora elles a querem povoar e por nela fabriqua de gente e gado e cultivala pera que tenhão mantimentos pera poderem se sustentar visto serem moradores ja pedem a Vm. CARTA DE MANOEL RODRIGUES 6 de Abril de 1601. diz o irmão Amaro Lopes em nome do padre reitor da companhia de Jesus que eles.dou ao sopricante em nome de sua magestade duas mil brasas de terra em coadro de sesmaria na parte que pede seregipe a seis de abrill de seis centos e tres anos o capitão locotenente M. Saiban etc.seregipe aos quinze de marso de seis centos e hum anos . CARTA DE MELCHIOR MACIEL 7 de Abril de 1601. B. com todas as auguas e madeira a que nella se achar em Seregipe a des de marso de seis sentos e hu o capitão M. B. M.dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede duas llegaas de terra em quadro de sesmaria.o capitão Manoel de Miranda Barbosa em ausencia de Diogo de Qoadros. . M. CARTA DOS PADRES DA COMPANHIA DE JESUS 10 de março de 1601 Saiban etc. lhe de en nome de sua magestade por devoluta no primeiro vale que esta antes da dita tapera pera elles tres llegoas de terra a quall terra se demarcara pero dito vaIle direito ao rio Vasabaris e pelo rio asima tornãdo pellas fraldas da ltanhana e cajaiba para oeste de maneira que fique as ditas tres Ilegoas em quadro erm. diz Manoel Raiz mestre dasucar morador na babia de Saluador que ele quer mandar ajudar a pouar esta capitania e que nela não ten teras para mantimentos de fabriqua de sua gente nem pastos pera seu gado e que nas cabeseiras de Migell Soares na tapera de tajaoba 21 está huã llegoa de terra pello rio ipochi asima llevando O dito rio em meo e esta devolluto nem no qua foi cultivada nen povoada· pede a Vm. lhe de em nome de sua magestade por devalluto com todas as augoas madeiras que na dita tera ouver e a medisão para rumo direito ho dito rio em meo erm. 276 .

dis francisco fernandes morador nesta capitania que ele veo ajudar a ganhar esta capitania cõ sua pessoa e armas . nesta capitania de seregipe que ele tinha huma dada de tera que lhe deo tome da rocha em tinhare ao llongo do rio vasabaris e porq' a carta e os llivros das dadas são perdidos e a dita terra esta oje por haproveitar pede a vrn. magestade mea llegoa de terra hao longo do rio vasabaris e para o sertão entra mea llegoa ou o que ouver entre a dada de antonio_ barreiros e a terra que foi dada a paullo de adorno que por nao Vir povoar vm.. Saiban etc dis affonso pereira que no tempo que cristovão de barros veo povoar esta capitania veo elie en sua companhia he des então agora ficou nella por morador com sua molher e familia indo em todos os rebates he geras que no dito tempo se fiserão e ofereceirão indo sempre a sua custa he por q até agora lhes não foi nunqua dadas teras nhumas he ten dellas nesesidades asin pera pastos de gados como pera mantimentos he outras causas nesesarias pello que pede a vm a vendo respeito ao sobre dito lhe fasa merse dar em nome de sua magestade en ho rio vasa baris pela testada do mesmo rio ariba mea llegoa de terra en coadro a quall se comesara a medir aclonde acabar a dada de francisco da sillveira a quall pede com todas os matos he aguas he pastos he madeiras ensiada e sallgados que nelas ouver correndo a dita demarcasan pelos rumos que corem as mais demarcasois debaixo a quall tera pede por devolluta no que erm.. em ausencia de Diogo de Qoadros.Saiban ete... em nome de s.dou ao sopricante na parte que pede mea llegoa de tera asim... magestade se nenhum interesse solldade nem de outra cousa alguma ma antes ajudando a sustentar e não teu teras em que llavrar e fasa suas rosas e targua suas criasois peIlo que pede a vrn.. a deo a gaspar fontes a quall pede com toda as auguas e madeiras que na dita terra houver erm . m. M. B... magestade de sesmaria seregipe a sete de abrill de seis sentas e hum anos o capitão locotenente M.. b... e que desde antão ate agora ficou por morador e povoador ajudando a defender e indo a todas as gerras e rebates que em tempo dos outros capitães se afreciam como os daguora cervindo a sua. diz mellchior masiell damdrade mor.. CARTA DE FRANCISCO FERNANDES 9 de Abril de 1601. CARTA DE AFFONSO PEREIRA 9 de Abril de 1601.. em nome de sua magestade lhe de no rio de vasabaris da banda do sull na testada na dada a afomso pereira huma llegoa de terra em coadro assim e da manera que os outros rumos direitamente corerem resallvando pontas e enseadas sallguados cõtãto que tudo fique na dita dada com todos os matos e madeiras agoas que nella ouver erm – dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede meã llegoa de terá asin e da manera que pede em sua petisan por devalluto em nove de abrill de Mill e seis 277 . e da maneira que pede en nome de sua magestade por devolluta seregipe a nove de abril de 1601 o capitão locotenente m.. Saiban etc.. .dou ao sopricante a terra que pede asin e da manera que em sua petisão fas mensão e isto en nome de s..

Saiban etc. clis francisco da silveira que ele veo de pernãobuquo ter a esta capitania para nela ser morador he core em dous anos que nela reside com sua pobresa e criasois de gado vacum para o quuall lhe he Desesario terras para pasto do dito gado como para mantimentos he outras couzas nesesarias pello que pede a Vm. M. B. avendo respeito ao sobre· dito fasa merse dar em nome de sua magestade en ho rio de vasabaris pela testada do mesmo rio por elle ariba huma llegoa de terra em coadro a quoall se comesara a medir adonde acabar a dada de manuell da fomsequa ha quall pede com todos os matos he auguas he pastos he enseadas pontos sálgados que nela ouver corendo a dita demarcasan pelos rumos que corerem as mais demarcasois debaixo a quall tera pede por devolluta no que erm. m. governador don francisco de sousa a tera que pede assin e da manera que foi dada a simão da rocha villas bras seregipe a des de abrill de mil e seis sentas e hum o capitão loco tenente manuel rniranda barbosa CARTA DE ANTÔNIO LOPES 10 de Abril de 1601. dis munoell corea que ele esta alltualmente nesta capitania com molher e pessoas e criaçois povoando e não tendo terras em que llavrar e traser suas criasois e por quanto no rio de seregipe esta huma dada de terra que foi dada a simão da rocha villas-boas o quoall a tem perdida conforme o pregão do sr. em nome de sua magestade a de a dita tera por divalluta cõforme o pregão do sr. de 278 . Saiban etc. b. dom francisco de sousa a quall dada comesa de huma dada que tem Manoell de miranda huma llegoa ao llongo do rio e de llarguo duas mill brasas bem asin na varzea mea llegoa em coadro comesando acaba o dito manoell de Miranda e corendo pelos mesmos rumos vistos serem lhe dadas mais teras que podia posuir sendo mansebo solteiro pede a Vm. CARTA DE MANOEL CORREIA 9 de Abril de 1601. em ausensia de Diogo de Quadros CARTA DE FRANCISCO DA SILVEIRA 9 de Abril de 1601. Dou ao sopricante na parte que pede mea llegoa de tera por devolluta em nome de sua magestade a quall tera en coadro com todas as auguas e madeiras e esteiras como pede seregipe a nove de abrill de seis sentas e hum anos o capitão locotenente m. Saiban etc. dis antonio lopes que elle pessoalmente está nesta capitania com sua molher he familia helle sopricante esta servindo a sua magestade e ao povo trabalhando por seu ofisio de frº e que na dita capitania não tem terás para llavrar he no rio vasabaris esta meã llegoas de terra ho llonguo do dito rio da banda do sull acoall esta nas cabeseiras de affomso pereira he esta devalluta pede a vm.centos e hum anos o capitão e o locotente M. governador na forma que foi dada a simão da rocha erm Dou ao sopricante en nome de sua magestade por devolluto conforme o pregão do sr.

.. Nesta capitania sidade ele quer faser fasenda e crear gado vacum e outras criasoes na capitania de san cristovao de seregipe e povoar a dita capitania e porque não tem terras para o pader fazer e na testada de marcos fez defronte de taperogoi275 da banda do sull corendo pelo rio ariba esta terra por dar He povoar pello que pede a vossa mese lhe fasa dar de 275 Acredito ser o nome de Taberauá. 279 .. ten có o dito braso de mar agoa petiba tambem os pede con todas as madeiras agoas pretensois que ouver erm dou ao sopricante em nome de sua magestade os sobeiros de terra que pede não prejudicando o direito do que ouver seregipe a simquo do junho de 1601 o capitão locotenente m. na sidade de salvador que elle possue hua sorte de terra nos llimites desta sidade de são cristovao que foi dada a gaspar tourinho que nella não povoar pedem a elle sopricante e he mea llegoa em coadro partindo da banda do sull có a terra que foi dada a joam garcia habem da dita mea llegoa fequar algus sobeios de terra que vão jutespor cõ hú braso de mar de vasabaris por nome agoa petiba os cais sobeios ora fique ao llongo da costa barba como do dito rio agoa petiba elle sopricante os tem possuido e possue e não tem dos ditos sobeios mais que a pose pede a vm lhes de de sesmariae sorte que lhe fique sendo dada a terra que houver da costa barba ate intestar com o dito barzo do mar agoa petiba na llargura da dita mea llegoa que já lhe he dado e avendo alguas pontas que.m. dis joam garces mor.dou ao sopricante em nome de sua magestade de sesmaria os sabeios que pede não estando dados seregipe sete de maio de 1601 o capitão locotenente rn.. Saiban etc... dis gaspar de menes morador nesta capitania que eIle esta povoando cõ sua molher e familia e lhe não são dados terras onde targua suas criasois e ora junto ao rio de seregipe estão huns sobeios de terra que podem ser mea llegoa de terra em coadro pouquo mais ou menos os quoais sobeios estão emtre a dada de antonio vas de jabotão e a dada de tome da rocha e gaspar de figeredo....b.. m...sesmaria em nome de sua magestade com suas aguas madeira e que na dita tera houver a coall pede em coadro erm. CARTA DE JOÃO GARCEZ 2 de Julho 1601. Saiban ete...... m... b. CARTA DE ANTONIO GUEDES 5 de Junho de 1601. b. CARTA DE GASPAR DE MENEZES 7 de Maio de 1601. – dou ao sopricante a meã llegoa de terá asin e da maneira que pede em nome de sua magestade por devalluta seregipe a dês de abrill de 1601 o capitão locotenente m. do dito rio de seregipe para ao rio ipochi pede a vossa merse lhe de os ditos sobeios de tera erm ..... Saiban etc. dis antonio guedes mar..

que se reunen e vão desembocar no rio das pedras. Rio caiaiba. m. CARTA DE JOÃO GUERGO 16 de Outubro de 1601.. CARTA DE NUNO DE AMARAL 15 de julho de 1601.. Saiban etc. b. Junto à serra deste nome correm dois riachos – Conde e Trahiras. CARTA DE FRANCISCO JORGE 16 de Outubro de 1601... dis joão guergo que ele veo a esta capitania com sua molher e famillia para ser nela morador e hora não tem terras devollutas da banda do sulI nas cabeseiras das dadas de francisco da sillveira a qual tem junto hua de manoell da fonsequa que ora tem no barso do dito por nome caiaiba 277 pede a vosa merse lhe de en nome de sua magestade hua llegoa de terra en coadro a coall pede por devoluta conforme o pregão do senhor governador ermo . rn. governador don francisco de sousa com todas as agoas llenhas seregipe a deseseis de outubro de 1601 o capitão locotenente m. locotenente..dou ao sopricante na parte que pede mea llegoa de terra eu nome de sua magestade conforme o pregão do .. Acredito ser o nome primitivo de cotinguiba..sesmaria duas lleguas e meã de terra elo dito rio de potegipe 276 hariba por ho rumo que direito corer e para ho sertão outras duas lleguas meã de modo que fique em coadro e todas as pontas e auguas e ilhas que na dita terra houver e madeiras havendo respeito a ser sopricante home que tem pocibilidade pêra poder povoar e aproveitar e sendo caso que sei a dada posa corer por deante e disto lhe ande pasar sua carta de sesmaria em forma – dôu ao ao sopricante hua llegua de terra em coadro de sesmaria em nome de sua magestade não sendo dado de maneira que a pede e sendo dada cora avante cõ tanto que a pouve dentro de seis meses baia a dos de julho de seis centos e tres anos o capitão e llocotenente m. b. Saibam etc. governador gerall con todas as auguas madeiras e todos os pretenses que na terra ouver erm . de terras pede a v m lhe fasa merse de duas lleguoas de terra em vasabaris nas cabesceiras de dominguos d‘araujo onde chamão taporanga corendo pelo dito rio de vasabaris acima por devalluto conforme ao pregão do snr... m... m. Saiban etc. don Francisco de sousa governador deste estado bahia a quinze de julho de mill leis sentos e tres anos. dis Nuno damaral que ele quer ajudar a povoar a capitania de seregipe e porque ten necesidade pera hos feitos . Não sabemos bem qual o rio que os índios chamavam caiaiaba.dou ao sopricante em nome de sua magestade hua llegoa _de terra asim e da manera que pede por deva11uto conforme ao pregao do sr. diz francisco Jorge que elie veo a esta capitania com sua famillia pêra ser nela noradora he hora não tem terras devollutas pera seus mantimentos e 276 277 Potegipe ou Cotegipe.sr. b. 280 .

b. Saiban etc.. dis simão dandrade que .. CARTA DE SIMÃO DE ANDRADE 20de Outubro de 1601..quato anos que ajuda a povoar esta capitania con molher e filhos servimdo sempre a deos e sua magestade de ouvidor e provedor de fasenda e capitão de solldados deste presidio em hua ausensia de capitão diogo de coadros e outros cargos do serviço de sua magestade e porque ora findo este praso que dito esteve porvoando quarto centas barsas de terra as coais foram dadas aos filhos de pedro alives sendo filhos familias sendo de meuoridades que era contra direito que elles não podiam povar. b. impedimento allgu pede a vossa merse lhes de de sesmaria por devoliutas as ditas quatro sentas brasas de terra asin da manera que forão dadas aos ditos filhos de pedro alves o que pede cõforme ao regimento delrei de providor-mór e pregão do mesmo governador geral erm — dou ao sopricante de sésmaria em nome de sua magestade as quatro sentas brasas de tera que pede asin e da maneira que forão dadas aos filhos de pedro allves seregipe a vinte de outubro de mil e seis sentos e hu anos o capitão locotenente m. m. elle se sopricante todo este tempo que ho dito has tem cultivado as ditas quatro sentas brasas de terra com mantimentos e casas e mais criasoio como he prubiquo e notório.criasois e nas cabeseiras da dada de terra que tem francisco fernandes em vasabaris da bando do sul estão terras devolutas pede a vosa merse lhe de de sesmaria mea liegoa de tera na dita testada ou cabeiseiras de francisco fernandes por divoiluto conforme o pregão do sr.elle vai pera ...... dis sebastião francisco vieira que elle veo de morada com molher e famillia para esta capitania por quanto sua magestade manda que a todo o homorado que for povoar terras novas os senhorios he -capitais delas favorece são aos outros moradores asin de terra como de mais em que purerem outro assim manda que havendo e sendo algumas terras de sesmaria que seus donos as não povoasem as taes terras se darão as pessoas que as povoarem de novo e porque a joão martms de merelie foi dada huma dada de terra em vasabarris a não vem povoer e foi dada pelo padre bento de ferras sendo capitao em auzensia de vosa 281 .. CARTA DE SEBASTIAO FRANCISCO VIEIRA 20 de Outubro de 16001 Saiban etc. governador geral don francisco de sousa co todos as auguas e matos que nela ouver erm — dou ao sopricante mea llegoa de terra na parte que pede de sesmaria em nome de sua magestade cõ todas as auguas pastos lienhas que nelas ouver seregipe a desaseis de outubro 1601 o capitão locotenente tente m. a.

. r. mag.. criasõis de vaquas égoas porcos cabras e outras muitas que tera para tarzer e porque elie sopricante não ten terras onde as posa tarzer e pastorar seu gado e nesta capitania estão muitas terras que foram dadas a omes que as não vieram povoar e estão devaliutas como são indo pello caminho de taperagua que vai ao areaiu por onde antiguamente se servião para taperagua a subridonde . lhe dê de sesmaria huma llegoa de terra em coadro no rio mocuri e sendo dada lha dê por devohhuto conforme o pregão do Snr. b. m. — dou ao sopricante em nome de s. mea hlegoa de terra asin e da manera que foi dada a joam martins com todas as auguas lienhas pactos seregipa-a vinte de outubro de 1601. CARTA DE JOÃO PHILIPE 23 de Outubro de 1601. mag. dis o padre bento ferras que ehie esta autoallmente pouoando esta terra com suas. nas partes que pede duas llegoas de terra em coadro comesando se a medir do proprio caminho chegando a llagoa corendo pello caminho de taperagua ficando d‘uma parte e doutra huma hlegoa para cada parte a coal pede com todas as auguas lienhas que nelas ditas terras ouver as pede de sesmaria em caso que estando dadas lhas dê por divoliuta E r. com casa e famihia E... a dita dada de joão martins visto elie esta. m..esta huma hlegoa que fecha maitacanema corendo peilo mesmo caminho que antiguamente ha pera o dito taperagua pasando o ipochimerim pede a vosa merse lhe dê en nome de sua mag. de sesmaria não sendo dada e estando dadas por divolluta moa legoa de terra em qoadro asin e da manera que pede seregipe a vinte de outubro de mill seis sentos e hum o capitão llocotenente..... governador don francisco de souza com todas as aguas lienhas e pastos E r m — dou ao sopricante na parte que pede de 282 . em outras muito o servido de quinze annos e esta parte achando-se pesoalmente em muitas batalhas he geras que derão neste estado e que ora quer hajudar a povoar esta capitania de seregipe e porque tem muita fabrica e não tem teras donde ilavrar pede a vosa merse que em nome de sua mag. — dou ao sopricante na parte que pede de sesmaria em nome de a. Saiban etc.merse e não lha podia dar pede a vosa merse avendo respeito asima dito lhe dê de sesmaria en nome de s. — O cpitão llocotenente m. mag. CARTA DO PADRE BENTO FERRAZ 20 de Outubro de 1601. m.. m. m. b. Saiban etc dis joam Felipe morador na habia que ele ajudou a vir a ganhar esta terra em companhia do governador cristovão de barros e que dita jornada fez muitos servisos a sua mag.

... e porque ele sopricante tem muita pose e quer mandar escarvos e gado a povoar e culltivar terras na dita capitania pede a vosa merse lhe fasa merse de lhe dar de sesmaria eu nome de sua mag. até outro mar que avera de rio a rio sallgado mea llegoa para o sertão tres llegoas pelio ibirarema278 o rumo direito e d‘ahi para o sull para faser as ditas tres llegoas donde sacabar a medisão a coal terra elle sopricante tem povoado com rosas e gente criasois he otras sustentados a dons anos he fronteira que sustenta deinimigos he negros de gene levantados no que fas sreviso a sua mag. e sendo dada lha dou por divohiuto conforme ao pregão do Snr. B. M. aflluente do rio real. E sendo dada lha dou por divolluto conforme ao pregão do Snr. Seregipe a vinte e tres de outubro de 1601 — o capitão llocotenente M. CARTA DE MELCHIOR DIAS CARAMURÚ 4 de Dezembro de 1601. b. r. dis melchior dias caramurú morador na Bahia que Ella andou nas gerras que se fizeram ao gentio e franseses nesta capitania muito tempo com suas armas e cavallo e escarvos até realmente ser lansados fora e desbaratados o inimigo sempre a sua custa no que fez muita despesa de sua fasenda por servir a sua mag. Governador geral Don Francisco de Souza com todas as alguas lenhas e pastos.em nome de sua mag. governador geral don francisco de souza que mandou Ilansar sergipe a trinta de dezembro de 1601 o capitão llocotenente manuell m. e madeiras que na dita terra ouver . governador don Francisco de Sousa com todas aguas llenha e pastos E. CARTA DE FRANCISCO RODRIGUES 30 de Dezembro de 1601 Saibam etc. 283 . Saibam etc.sesmaria mea llegoa de terra em coadro . dis francisco rodrigues morador nesta capitania que a sete anos que anda a povoar esta capitania com molher e filhos e não tem terras onde traga suas ciasois e ora no rio iopochi da banda norte esta hu pedaso de terra devoiluta pede a vosa merse que em nome de sua magestade lhe de huma llegoa de terra de comprido pnllo rio asima e mea Ilegoa de llarguo que começando a medir da ponte para sima o recebera merse resalivando pontas enseadas . a terra que esta nos llemites do rio reall a saber da barra.. m..dou ao soprecarite em nome de Sua Magestade por devoluta a terra que pede não estando dada conforme ao pregão que ho Snr.com tõdas as augoas. he 278 Ibirarema é o rio hoje chamado Guararema. – dou ao sopricante na parte que pede de semaria meã llegoa de terra em coadro em nome de sua magestade.

Saiban etc.. Saiban etc. em são cristovão a quatro de dezembro de 1601 anos o capitão mellchior masiel en ausensia de manuel m. Magestade mea llegoa por divolluto não sendo dada seregipe a dous de Janeiro de 1602 o capitão manoel m. b.... seregipe adesouto de janeiro de 1602 o capitão manoel rn.. mandou en seu regimento se desse a todos os moradores e povoadores della visto sér casado na ta capitania e nella não tem teras e na pitanga termo desta sidade estão teras devoliuto as quais foram dadas a manoel de miranda morador na bahia termo de piraja avera como oito anos ou no tempo que por verdade se achar lhe foi dada hua... governador geral elle sopricante esta povoando por seu feitor e escravos visto o serviso que faz a des e a sua mag.dou ao sopricante em nome de sua magestade a terra que lhe tenho dado e agora lha tornoa confirmar e por me parecer serviso de sua magestade. . Legoa por devoluta não sendo dade se de terra a quall o capitão diogo de coadros• deu-a para masiel mea llegoa e outra mea llegoa esta devolluta pede a vosa merse lhe de a dita mea llegoa como en sua pitisão pede a quall pede por divolluta com todas as auguas matos pastos que na dita tera ouver erm... CARTA DE FRANCISCO DA SILVEIRA 18 de Janeiro de 1602. — dou ao sopricante na parte que pede en nome de s.dou ao sopricante em nome de sua mag. CARTA DE SIMÃO DIAS 2 de Janeiro de 1602. b. governador por tanto pede a vosa merse lhe fasa merse novamente confirmar a dita terra asin e da maneira que vm.. esta povoando e proveitando como ..proveto de suas rendas a soall terra pede por não dada de devolluta visto não serem povoadas de brancos e o snr. dis francisco da Silveira morador nesta capitania que vosa merse lhe fes merce en nome de S... 284 ...... v.. dis não dias morador nesta capitania que elle haverá dous anos que he morador nesta capitania e querendo fazer rosas para seus mantimentos não ten teras para as fazer povoar por lhe não serem dadas conforme o. governador gerall mandar llansar pregão que povoasem as terras dentro em seis meses sobe pena de se dar por devoiluta como a elle sopricante. lhe tem feito merse en nome de sua magestade erm. lhe fazer ver se antes deser porvido pello snr.. na parte que pede de sesmaria a terra que esta de pixaxiapa até ibirarema e pelo ibjiarema asima tres Ilegoas que serão medidas pellos rumos que en sua petisão diz conforme ao pregão do snr. Magestade dar em o rio de vasa barris hua dada de terra a quall lhe foi pasada carta e lhe e dado pose em taperagua tem muito gado vacull para passar para as ditas terras e porque ora teme que em algum tempo tenha de se mandar sobre a dita terra por respeito de vm.

.. — dou ao sopricante na parte que pede eu nome de sua mag. 285 . dis gaspar de menese quelle veo em companhia de cristovão de barros ajudar a conquistar esta terra com seus escarvos a sua custa asistio a todos os rebates.. primeiros e asin mais esta povoando pessoalmente com molher e familia e lauvrado em terra alheia e ate oje não lhe he dado terra nenhuma pera lavrar e trazer suas criasois de gado vacum e outras pelo que pede a vosa merse avendo respeito o asima dito lhe de de sesmaria em nome de sua mag. Saiban etc. — dou ao sopricante na parte que pede duas mill brasas ele terra em nome de sua magestade asim e da maneiraque as pede visto estar de pose deila e ser dos primeiro povoadores e no tem terras em que llavrar con tanto que pase avante das rosas do capitão diogo de coadros seregipe a desouto de janeiro de 1602 anos capitão mãnoel m.lhe mande pasar sua carta da dita terra em nome de sua magestade aquall se comesara de hun outeiro alto que esta junto donde bastião dias teve hua casa ate chegar a dada a manuel gomes da banda doiopochi que vem do rumo direito ate a dada de domingos fez... nobre e daoutra banda ate chegar aocaminho que vai para a que há serão duas mill brasas em quadra ou que se achar a qual pede com todos os pontos enseadas que tiver erm. CARTA DEGASPAR DE MENESES 16 de Junho de 1602. da ditaterra por ho dito capitão dizer que a terra que estiverem povoando serão suas poses que seião de dois conforme ao pregão do snr.. duas legoas de terra na testada de uma dada de terra e que oje tem matias moreira hum curali de gado a qual dada esta no rio vasabaris e sendo dada cora adiante aquali terra pede por divoliuto no que pede E r. b. governador gerall don francisco de sousa e porque ele sopricante não pedio carta ate agora por estar de pose por tempo de seis anos pede a vm. m... CARTA DE MANOEL CASTANHO DE SOUZA 1º de Julho de 1602..CARTA DE CHRISTO VÃO DIAS 18 de Janeiro de 1602... por devolluto com todas as augoas pastos que na dita terra ouver Seregipe a desaseis de junho de 1602 — o capitão cosme barbosa.. Duas mill brasas de terra em coadro pera a parte do rio reall e sendo dada cora por diante onde couber a quall lhe dou em nome do dito snr.. Saiban etc..... dis christovão dias que por tempo de des anos que nesta capitania esta morador e povoador e hora vai em seis anos que pormandado de capitão Diogo de quadro esta de pose de hum pedaso de terra jumta a hua dada de manoel gomes que esta junto ao rio iopochi da banda do suIl e por ele sopricante não pedio carta.

Saiban etc. CARTA DE ANTONIO VAZ 5 do Julho de 1502. dia antonio vas de guotegi termo da baia de salvador cue alIe tara arrendados os dismos desta capitania e quer ora meter nela muita fabriqua de genho criasoims de que resultara muito acresentamento a fazenda de sua mag. na pate que pede tres mill brasas de tera de comprido pera o sertão de llarguo duas mili brasas as quoais lhe dou em nome de sua mag. lhe Lasa merse de huma llegoa de tara em coadro ao llongo do rio cotimgiba da banda do sull cormesando a medir rumo da banda de cornendaroba pello dito rio asima a coall tera pede por divlluta por coanto não foi nunca aproveitada e pouoada de gente branca E r m — dou ao sopricante na 286 . em muitas geras em esta costa do brasill com sua pesoa escarvos e tudo a sua custa pello que avendo respeito ao que asima dis pede a vosa merse lhe dé em nome de sua mag.Saiban etc. por divolluto serèjipe a vinte seis de julho de 1602 — o capitão cosme barbosa. por coamto he borne de muita pose e porcoamto elle sopricante não tem teras nesta capitania que posa apresentar sua fasenda e trazer suas criasoins e bemfeitorias pede a vosa merse em nome de sua mag. na dita parte sendo testadas e cabeseiras de cuja for a terra adonde o sopricante pede divolluto não sendo dada corera por diante com condisão que dentro em um ano venha pouoar e não ha pouoando sera dada por divoiluta a quem a pouoar en primeiro de julho de 1602 —o capitão cosmo barbosa. dis manoel rodrigues que ele quer ser morador nesta capitania e ajudar a pouoar porque he borne casado e ten filhos e criasois de toda a sorte e não tem teras aonde ilaurar pede a Vm. dis manoel castanho de sousa que ele quer vir morar e ajudar a povoar esta capitania e hora nela não tem terras pêra lavrar e trazer suas criasois de gado vacum e de outras sortes e asin mais tem servido a sua mag. CARTA DE MANOEL RODRIGUES 2 de agosto de 1602 Saiban etc. duas llegoas de terra de sesmaria ao lomguo do vasabarris da banda do sull onde acabar joão guarces da banda doeste e outras duas llegoas pera o sertão a quall tera pede por divoiluta E r m — dou ao sopricante em nome de Sua magestaade na parte que pede huma llegoa de terra em coadro e lha dou em nome do dito snr. quatro mill e quinhentas brasas de terra em coadro nas cabeseiras ou testada de manoei da fonsequa na dada que tem em vasabarris da banda do sul comesando a medir dada de gaspar de merses correndo pelo dito potigimirim a quall terra pede por divoliuto com todas auguas pastos llenhas madeiras que na dita terra ouver erm. — dou ao supricante em nome de sua mag.

PERNANDES 2 de Agosto de 1602. dis gonsalo alvares morador em seregipe de conde que elle quer ajudar a esta capitania povoar e faser hum engenho por ter pose e tãbem nesta capitania gente e criasois e para fazer o dito engenho não tem terras pede a vmce.parte que pede em nome de sua mag. CARTA DO PÀDRE GASPAR.dou aos sopricants em nome de sua mag. . lhe de de sesmaria em a parte que pedem huma llegoa de terra pello dito rio acima resallvando pontas ensiadas e a medisan se comesara a fazer nas cabeseras de guonsalves soares pêlo rio asima em modo que fique em coadro e.r. Saibam etc. Saibam etc. Conserva o mesmo nome. em nome de sua mag. r. — dou ao sopricante na parte que pede em nome dê sua magestade huma llegoa de terra em coadro com condisão de fazer o que acima dis dentro em seis meses a cuall lhe dou por devolluta seregipe a dous de agosto de 1602 o capitão cosme barbosa. CARTA DE GONSALO ALVARES 2 de Agosto de 1602. duas llegoas de terra que se comesara de mydir da barra da ibura279 corendo onde e mesara mellhior masiell a sua dada e dahi para baixo pelo rio de cotindiba da banda do sull a coall terra pede em coadro rumo direito pello rio asima salvando as pontas ensiadas e com todos os matos e pastos augoas que na dita terra ouver a cuall terra pede por devolluto e nao se aproveitada e pouada de gente branca pede e. 287 . CARTA DE MANUEL RODRIGUES E SIMÃO LOPES 3 de Agosto de 1602. 279 Nome de um córrego do cotinguiba. disem manuel rodrigues e simão llopes mestre de asuquar quelles querem ainda a pouvar esta capitania e ora não tem terras em que posão llavrar esta capitania e ora não tem terras em que posão liavrar e que pello rio de cotingiba asim a da banda do sull onde chamão chamão ibura (?) que e hum rio asima estao terras devolutas e por cultivar pedem a vincé en nome de sua mag. duas mill braças de tera em coadro na parte que pedem com condisan que dentro em hu ano venha morar a capitania seregipe a tres dias do mas de auguosto de 1802 o capitão cosme barbosa. mill brasas de tera em coadro de modo que fes mansão seregipe a dous de agosto de 1602 — o capitão cosme barbosa. m.m.

Saibam etc.... dis Manuel tome dandrade morador nesta capitania e seu gemro francisco horges e gonsallo Francisco que eles tem muitas criasomes de gado nesta capitania de que si sustenta este prezidio o mais do tempo e nella não lhe foi dadas terras de sesmaria ao dito francisco borges nem a gonsailo francisco tão somentes a elle dito manuell tome que lhe foi dada ao llonguo desta sidade mea llegoa de terra na qoall não e bastante para puder sustentar as ditas criasomis asin lhe pede a mingoa de pastos as ditas criassomis diguo posto que detraz da Itabaiana para a banda de ponente des ou doze llegoas desta sidade estão teras pello sertão devollutas e por ser fora de mao e perigosa de gemtes e llugar onde hum ome so 288 . de lhe dar hua llegoa de tera em coadro no ryo nocury que entra no rio ipochim da banda do norte e se comesara a mydir donde acaba martins de souza com todos os pastos madeiras ensiadas e augoas que na dita tera ouver por devolutas e. CARTA DE MANUEL ‗THOME D‘ANDRADE E FRANCISCO BORGES E GONÇALO FRANCISCO 21 de Janeiro de 1602.. e fazer senão elle sopricante e ora não tem terras para faser suas rosas e tarzer suas criasois e no rio vasabaris junto a tinhare esta huma dada de terra que foi dada a antonio bareiros para faser hum engenho a coall terra não he para iso nem o mandou fazer o dito antonio bareiros e parte allua ribeira a que chamão una (?) que esta por demarcasan mea Ilegoa para huna banda e mea para outra ao Ilonguo do dito rio vasabarís que he huma legoa em coadro pede por devolIuto asin e da maneira que foi dada ao dito antonio bareiros pelas ditas confrontasois erm... Saiban etc. CARTA DO PADRE GASPAR FERNANDES 21 de Janeiro de 1602. dis gaspar fernandes vigairo em esta capitania que ele esta pouvando e tem muita famulia outro sim não ha nesta capitania outro padre senão alie sopricante para encomendar a deos os moradores desta capitania e faser ofisios divinos.. Saiba etc. — dou ao sopricante em nome de sua mag.. em nome de sua mag... com seu Offisio a todos dizendo missa e administrando os mais sacramentos e ora não tem teras pella usar e trazer suas criasonis e ora as ha muitos pede a vm..r.. — dou ao sopricante a terra que pede por divaliuto em nome de sua magestade asin e da manera que pede seregipe a 21 de janeiro de 1602 o capitão cosme barbosa. dis gaspar fernandes vigario desta capitania de seregipe que elle esta povando com a sua pesoa. na parte que pede hua llegoa de tera a coall lhe dou em nome de sua mag.. por devolluto a coall terra em coadro lha dou com todas as augoas madeiras e pastos que a dita terra ouver seregipe a dous dias de auguosto de 1602 o capitão cosme barbosa.m.

CARTA DE DUARTE MUNIZBARRETO 19 de Abril de 1602. lhe fasa merse dar-lhe na parte que diz huã llegoa de terra por divolluta com todas as auguas madeiras que na dita terra ouver erm.b.não pode ir para sua fasenda pedem elles sopricantes a vosa merse lhe fasa merse em nome de sua magestade lhes de de sesmaria Seis Ilegoas de terra para todos tres amtre si repartirem irmãmente de tras da itabaiana pellã maneira que pedem fiquando uma ribeira que na dita parte esta em meio da dita data fazendo a dita medisão em quadro e como milhor lhes vier para pastos das ditas criasomis a quall terra pede por divaliuta e por ser para ben e ao regimento da dita capitania erm. — O coitão m. b. lhe fasa merce em nome de sua magestade duas llegoas de teras con todas as augoars madeiras matos que na dita terra ouver erm.m. na parte que pede mea llegoa de terra pelas confrontasois pede que em sua pitisão diz asi e da manera que pede seregipe a dezanove dabril de 1602. diz jorge bareto morador na bahia que elle quer mandar ajudar e povoar esta capitania e que nella não tem terras para mandar fazer mantimentos e trazer gado vaqum e na tabaiana na testada de duarte munis bareto e sãpalo da banda do sull estão terras divolutas pede a v. Saiban etc. um a quail lhes dou de sesmaria asin e da maneira que pedem seregipe a vinte e hum de janeiro de 1602 o capitão cosme barbosa. — dou aos sopricantes na parte que pedem em nome de sua magestade llegoa e mea de terra mea o . Dou ao sopricante em nome de s m. m. m. — dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede mea llegoa de terra em coadro por divaliuto com todas as agoas madeiras asin e da manera que pede em sua petisão fas mensão pellos rumos e confrontasois deilas seregipe a desanove de abril de 1602 o capitão m. CARTA DE PERO DE NOVAES SAMPAIO 289 . Saiban etc. dis duarte munis bareto allcaide morador na sidade da haia por seu procurador que elie mandou e veo ajudar a tomar esta terra ao jentio em Companhia de Cristovão de barros adomde gastou muitas de suas fazendas e hora manda hum curall de vaquas e gente he na dita capitania lhe não são dadas terras acahumas e hora na tabaiana nas cabeseiras de huma dada que foi dada a manuell tome dandrade e a gonsalo francisco e a francisco borges para a banda doeste e para o sertão estão terras divalutas pede a vm. CARTA DE JORGE BARRETO 19 de Abril de 1602.

Dou ao suplicante em nome de s. Nas testadas dos sobreditos dar-lhe duas llegoas de terra em coadro por devolutas a qual pede com todos as merse em nome de s. . B. Saiban etc. CARTA DE SEBASTIÃO DA SILVA FRANCISCO RODRIGUES E GASPAR FONTES 7 de Agosto de 1602. na parte que pede mea llegoa de terra em coadro com as confrontasois que pede Sergipe a dezenove dabril de 1612 anos. diz pero goumçalves morador nesta capitania que de esta na dita capitania inda não povoou com mulheres e fabruqua e que na dita capitania não tem terras nenhumas para fazer seus mantimentos e pastos de guado e no cabo do rio Aracajú esta huma ponta de terra que me mete amtre dous apecus que puderam ser setecentas braças de llarguo pouquo mais ou menos e de comprimento para a banda de sueste seram como mill brasas e pede a Vm. mgde.O quapitam Cosme Barbosa. em nome de sua mgde lhe de a dita ponta de terra de sesmaria por devoluta com as confrontações acima nomeadas e com águas madeiras que na dita terra ouver e receberá merse. nas testadas dos sobreditos dar-lhe dus augoas madeiras que na dita terra houver e a midisão se fara rumu direito resallvando pontas enseadas de manera que fique em coadro a quall terra pede para a banda doeste erm.. mgde.Despacho: dou ao suplicante em nome de s. com todas a madeiras e aguoas e pastos que nela ouver e declarasan de fazer bemfeitorias e fazer pouvala dentro em seis mezes e não o fazendo perdera a sete daguosta de seis centos e dous annos. na parte que pede mill brasas de comprido e de llarguo setesentas a qual lhe dou em nome do dito sr. diz pero de Novais sãpaio morador nesta capitania que ele esta ajudando a povoar esta capitania e que nele não tem terras para mantimento nem para pastos de gado vacum e outros criações que ou menos para isso tem e que na tabaiana seis llegoas desta sidade pouquo mais ou menos na testada de huã dada de terra que foi dada a Manoel tome a Francisco Borges e a Gonçalo Francisco estão terras devolutas que nunca foram povoadas nem cultivadas pede a vossa mercê lhe fasa mercê em nome de s. Saiban etc. mgde. mgde. CARTA DE PERO GONÇALVES 7 DE Agosto de 1602.O capitão Manoel M. . Saiban etc. dizem Sebastião da sillva morador na baia e Francisco Rodrigues e guaspar fontes ambos moradores nesta capitania que eles estam povoando nesta capitania com molher e filhos e fabriqua e tem feito muitos servisos a sua majestade e que na dita capitania lhe san necesarios terras para mantimentos 290 .19 de abril de 1602.

erm.e pastos de guado vacum e assim o dito Sebastião da sillva não ter muita fabriqua nesta capitania e que no rio de vasabaris da banda do sull onde se chama itaporangua estão terras devolutas que nunca foram povoadas nom cultivadas de branquo pedem a Vmce. mgde. CARTA DE BALTASAR DE LEÃO 15 de Setembro de 1602. mgde. CARTA DE JOÃO DIAS Saiban etc. dis Baltasar delleam morador nesta capitania que elle veio em companhia de Cristóvão de barros ajudar a guera ao gentio com suar armas e escravos e des antam casuou aqui ajudando a pouvar e a sostentar a tera com sua pesoa e molher e filhos e família indo en todas as guerras e saidas que se na dita capitania fiseram e ofereseram indo sempre a sua conta e porque aguora lhe não são dadas teras nenhuas e tem muito nesesidade assim pera pastos de guado como pera mantimentos e outros cousas nesesarias pello que pede a vm. por divalluto Sergipe a dezenove daguosto de 1602 o capitão Cosme Barbosa. que fica na estrada de Itaabaiana para Itaporanga. Não sabemos bem localizá-la entretanto acreditamos que seja o nome primitivo da Lagoa Seca. havendo 280 Jaraputanema. em nome de sua magestade de duas llegoas de tera em coadro nas cabeseiras de Antonio vas jabaatam de jaraputanema280 para o norte e sendo dada o morador cora pello mesmo rumo avante e perto que seja dada a pesoa moradora lhe seja dada a elle sopricante por devalluta erm.O capitão Cosme Barbosa. Seregipe a sete daguosto de 1602.Dou ao sopricante na parte que pedem huma llegoa de terra a qual lhe dou em nome do dito em coadro com declarasan de a povoarem e a cultivarem em hum ano e lha dou com todas os Mattos e pastos e madeiras que nela houver . na parte que acima dizem dar-lhes quatro llegoas de terra por devolluto e a midisan se fara em coadro pello dito rio asima correndo a tapera de serobim e da dita tapera em direitura ao poente e nos mais rumos de maneira que fiquem a midisan em coadro a quall pedem com todas as llenhas agoas e madeiras que na dita terra ouver resallvando pontas enseadas que ho mesmo pedem em nome de s.. . dis João Dias morador em tatuapara termo da baia que ele veio ajudar a dar a guera que se deu ao gentis desta capitania no que fez muito serviço a sua majestade e despesa delle sopricante e a tres anos que tem homes branquos creados seos e muitos guado e mais cryasois e escravos e porque as teras que tem na dita capitania são muito pouquas e llonge desta capital pede a vm. 291 . le fasa m. Saiban etc. nome de uma lagoa. lhe fasa merse em nome de s.dou ao sopricante em nome de sua magestade na parte que pede Mill e duzentas brasas de tera em coadro não sendo dada a maior cora avante lha dou em nome do dito sr.

dar em nome de sua mrgestade em o rio vasa baris na testada de antonio llopes hua llegoa de tera em coadro a quoal se comesava a midir aonde aquabar a dada do dito antonio llopes a quoal pede com todos os matos e pastos e agoas e madeyras emsiadas e salguadas em nella ouver corendo a dita demarquasan pelles rumos que corem as mais demarcasoims – dou em nome de sua magestade ao sopricante na parte que pede meia llegoa de tera em coadro não sendo dada e sendo dada corera por deante pelas confrontasoims da sua petisan he lha dou por devallutas seregipe quinze de setembro de 1602.O capitão Cosme Barbosa. e nome de sua magestade em quadro de coatro llegoas de terá que comesando a medir-se onde acabar os padres da companhia de Jesus e mellchior masiell com as suas dadas pala ribeira em meo da dita medisão e daly rumo direito por ella acima de maneira que fyquem as ditas quadro llegoas em coadro a qual pedem por divolluto e de sesmaria erm vindo os sopricantes em cada hu eeles pouvar esta capitania da maneira que dizem em sua pitisan que será neste ano em que estamos lhe dou de sesmaria em nome de sua magestade na parte que pedem por divalluto hua llegoa de terá em coadro que comesara de qualquer parte do pé de outeiro da tabanhana do que fazen mensão e acabarão donde chegar a demarquasan della seregipe a simquo de julho de 1603 o capitão Tomé da Rocha. Padre. Saiban etc dis Rodrigo da rocha Peixoto que elle serve a sua magestade nesta capitania dailferes e provedor de sua fazenda a hum ano não tem terras onde fasa rosaryas e traga seu gado vacun e cavallar e mais criasois e ora no rio de cotindiba esta huma dada de terá de meã llegoa em coadro que foy dada a Gonçalo 292 . CARTA DE FHILIPPE DA COSTA E MELCHIOR VELHO 5 de Outubro de 1603.respeito ao sobredito lhe fasa m. na dita capitania no que fes muita despesa de sua fazenda e porque ora querem vir e mandar pouar esta capitania e são pesoas de muita pose e tem muito gado de toda a sorte e escravos no que fazem muito serviso a deus e sua majestade e acresentamento de suas rendas e não ten terás onde rosar e elaurar e traser suas criasoes e ao pe de tabanhama estão terás devallutas que numqua forão pouvadas ne sultivadas de bamquos pedem a vm. disen o ldo. Saiban etc. . fellipe da costa e melchior Velho Moradores na baia que elles tem bem servido a sua majestade assim na gera que se deu ao gentio nesta capitania como depois que astio elle sopricante melchior velho na companhia de vm. lhe fasa m. CARTA DE RODRIGO DA ROCHA 18 de Agosto de 1603.

.Alves morador na baia com comdisão que não a vindo pouar dentro de seis meses de daria a quem a pouoasse e por coamto o dito Gonçalo Alves morador na baia com condisão que não a vindo pouar dentre de seis meses se Darya a quem a pouoasse e por coamto o dito Gonçalo Alves ate agora não veo nem mandou pouar pede a Vm lhe fasa merse em nome de sua mag. de sesmaria a terá que pede e della se pasem carta Sergipe a desoito dagosto de 1603 – o capitão tomé da rocha. na testada que pedem pello rio de cotimdiba huma llegoa de tera em coadro com as llenhas e matos e ribeiros que dentro della ouver não sendo dada e sendo ira tomando pello dito rio asima donde não for dado a quall dada lhes dou com condisão que dentro em hum ano venhão cultivar e fazer na sidade o seu mosteiro que será no asento que para isso se ordenar e disto lhe dar sua carta Sergipe a vinte e sinquo dagosto de 1603 – o capitão tomé da rocha. BENTO 5 de Agosto de 1603.. Saiban etc Dis Bartolomeu dias morador em tatuapara que ele quer vir para esta capitanja ajudar a pouoar e que na dita capitanja não tem terás para tarzer suas criasois e fazer seus mantimentos e que no rio moquori que vem entrar no rio chamado pochi estão terás devollutas que nuqua forão pouoadas nem cultivadas pede a vossa merse lhe de em nome de sua magestade por devolluto huma llegoa 293 . lhas de pera o dito convento três llegoas de terá em coadra no rio de cotendiba da banda do noroeste a quall se comesara na testada de uma dada de terá que foi dada a Antonio Fernandes de Sergipe do comde corendo ao noroeste a quall terá pedem por devolluta com todas as auguas matos pastos madeiras e o que mais nella ouver e sendo dada corera para a banda do norte pêra o rio de Sergipe ao llonguo de. CARTA DE BARTHOLOMEU DIAS 20 de Janeiro de 1602. Nesta capitania lhe dou em nome de sua mag..Dou aos sopricantes em nome de sua mag. CARTA DOS PADRES DE S.allures corendo a coadro rumo direito Erm. Saiban etc dizem os padres de são bento convento da baia que eles querem novamente nesta sidade hordenar huma casa de sua ordem e para beneficio do sustamento della e dos religiosos que nesta cidade e mosteiro asistirem tem nesesidade de terás em que posam llaurar mantimentos canas e o mais que lhes for nesesario e nesta capitania há muitas terás que estão divollutas e por colltinuar pede a Vm..avendo respeito ho que o sopricante dis e ter servido a sua mag.. Da dita dada de terá de sesmarya e della lhe mande pasar sua carta Erm . que em nome de sua mag.

Diz Diogo Lopes velho morador na cidade da Bahia que ele a muitos anos que reside na dita bahia e que tem feito muitos servisos a sua majestade com sua pesoa e fazenda assim em geras como na pás acodindo com seus escravos e muitos homens brancos a sua custa a todos os rebates que se darão a vinte anos a esta parte em que fez sempre gastos e na tomada desta capitania de Sergipe mandou sua gente e omes brancos e cavalo a sua custa em ajuda do governador Cristóvão de baros que ora esta fronteiro aos aimorés e por quanto quer ajudar a povoar esta capitania de Sergipe e quer elle ter nella fabriqua por quanto he ome de pose e não tem terás onde tarzer e targa suas criasois pede a vosa merse lhe de de sesmaria três llegoas de tera em coadro no rio quotidiba as quais se medirão meã llegoa abaixo donde chega a maré e fiqua o rio em meo com todas as auguas madeiras e pastos Erm – Dou ao sopricante em nome de sua majestade de sésmaria duas llegoas de terá asin e damaneira que pede em qoadro e se começarão a medir mea llegoa pelo dito rio de quotidiba abaixo donde chega a maré com todas as auguas e llenhas matos pastos pelo averá por serviso de sua majestade . Saiban etc. CARTA DE DIOGO LOPES VELHO 20 de Janeiro de 1602. o capitão Manoel Miranda Barbosa. Saibão etc. CARTA DE NICOLLAU DE LUCAS 21 de Janeiro de 1602. Sergipe a vinte de janeiro de 1602 – o capitão Manoel Miranda Barbosa. 294 .na parte que pede a quall se comesara há medir nas cabeiseiras da testada de hua dada que foi dada a martin de souza allmocharife desta capitanja a quall terá pede com todas augoas madeiras que na dita terá ouver comdisão da dita terá seia em roda que fique em coadro corendo rumo direito resallvando pontas e enseadas Erm – Dou ao sopricante meã llegoa de terá na parte que pede por devalluto em nome de sua majestade asin e da manera que pede Sergipe vinte de ianeira de 1602 – o capitão Manoel Miranda Barbosa. –Dou ao suplicante na parte que pede meã llegoa de terra por devalluto em nome de sua magestade da maneira que pede Sergipe a vinte e hum dias do mês de janeiro de 1602. Dis Nicolau de lluquas sargento deste prezido que a três anos que serve a sua magestade nesta capitania de sargento porque quer ser morador e não tem terras onde llavar nen onde posa tarzer suas criasois de gado vaqum e outras que para isso tem pede a vosa merse avendo respeito ao que lhe dis lhe de em nome de sua magestade huma llegoa de terá nas cabeiseiras de padre bento feras que ora tem sobre a llagoa de jaraquatenema com todas as agoas pastos llenhas erm.

vão co sua pesoa e fabriqua e que ora não tem terás em que posa llarvar e tarzer suas criasois e que no rio por nome mocori que vem entrar em o rio ipochi em as cabeceiras de bretollomeu dias estão terás devallutas que nunqua forão povoadas nen cultivadas pede a vosa merse lhe de em nome de sua magestade huma llegoa de terá de conprido e outra de llarguo de maneira que fique huma llegoa em coadro com todas as augoas e matos madeiras e pastos que na dita medisão coubre erm. Don frãcisco de souza e das quais terras lhe são pasadas suas contas e pose e povoadas pello que pede a vosa merse lhas aia cõfirmados lhe mande pasar sua carta de confirmasão erm. Governador Don Francisco de Souza Sergipe a vinte e hum de janeiro de 1602. o capitão Manuel Miranda Barbosa. CARTA DE SEBASTIÃO VASQUES 21 e Janeiro de 1602. Saiban etc.CARTA DE BALTHASAR DE SOUZA 21 de Janeiro de 1602. Dizem Joan fereira morador em esta capitania de Sergipe e Francisco dallmeida que vossa merse lhe deu huma sorte de terá de dada de sesmaria que vem acabar nas cabeiseiras de simão de rocha villas boas a elle dito joan fereira e outro sin a Francisco dallmeida no rio ipochi da banda do norte lhe deu meã llegoa de terra a quall foi dada a manoell gomes as quais dadas lhe forão dadas antes da partisão do snr. Sergipe a vinte hum de janeiro de 1602 o capitão Manoel Miranda Barbosa. – Dou ao sopricante e com termo as terras que lhe tenho dado em nome de sua magestade antes que tivesse pervisão do snr don Francisco de Souza. Saiban etc. – Dou ao suplicante em nome de sua majestade mea llegoa de terá e na forma que pede por devalluta conforme ao preguão do snr. Saibão etc. diz Sebastião Vasquez morador na bahia de todos os Santos que elle quer vir ajudar a povoar esta capitania que sua fabriqua e que na dita capitania não tem terras para trazer suas cresois de gado e fazer suas rosarias e no rio ipochi da banda do sul na testada e cabeseiras de huma dada de terra que foi 295 . CARTA DE JOAN FEREIRA E FRÃCISCO DALMEIDA 21 de Janeiro de 1602. Dis balltesar de souza morador no porto callvo que elle quer vir ajudar e povoar esta capitania de seregipe sidade de são cristo.

a dada de antonio barreiros erdada delle pero chaves e a de simão dandrade estão huns sobeios que poderão ser pouquo mais ou menos quinhentas brasas ou o que se achar pello que pede a vosa merse avendo respeito a elle ser morador nesta capitania com sua molher e filhos lhe fasa merse em nome de sua majestade dar a dita terra co todos os matos e pastos e auguoas que nella ouver e 281 Tayaoba – habitação indígena junto ao rio poxim.. CARTA DE PERO CHAVES 21 de Janeiro de 1602.... diz dominguos fernandes morador em tatuapára termo da Bahia que elle quer morar nesta capitania e povoar e que nella não tem terras para mantimentos e criasois de gado e nas cabeceiras de huma dada de terra que foi dada a hum Manoel Rodrigo que esta da banda do rio ipochi junto a tapera de taiaoba281 estão terras devolutas que nunqua forão povoadas e cultivadas pede a vosa merse lhe fasa merse em nome de sua majestade de huma llegoa de terra na parte que pede de sesmaria a quall terra pede com todas as agoas e madeiras que na dita terra houver e a medisão dela seria feita de maneira que fique em coadro llevando o dito rio ipochi em meo erm.O capitão Manoel Miranda Barbosa.. Saiban etc. – Dou ao sopricante em nome de sua majestade na parte que pede por devolluto meã llegoa de terra em coadro assim e da maneira que pede Sergipe a vinte e hum de ianeiro de 1602.. diz pero chaves morador nesta capitania que lhe foi dada huma dada de terra nas cabeiseiras de antobio barreiros ao llonguo da ribeira piranapama da banda de lleste porquanto a dita data. no local em que está edificado o engenho poxim.. A qual terra pede com todas as augoas e madeiras que na dita terra ouver e a medisão da dita terra que assim pede se fasa tomando direito resallvando todas as pontas enseadas de maneira que fique em coadro erm... – Dou ao sopricante em nome de sua majestade na parte que pede por devoluto meã llegoa de terra em coadro asin e da maneira que pede Sergipe vinte e hum de janeiro de 1602. – O capitão Manoel Miranda Barbosa. CARTA DE DOMINGOS FERNANDES 21 de Janeiro de 1602....dada a gaspar de fontes lhe estão terras devolutas que nunqua forão povoadas nem cultivadas pede a vosa merse em nome de sua magestade lhe fasa merse nas ditas testadas e cabeiseiras do dito gaspar de fontes dar-lhe huma llegoa de terra em coadro por dovolluto conforme ao regimento de ell rei nosso sr...... Saiban etc. 296 .e tem pouquos matos para suas rosas ...

282 Ipitanga – rio pitanga 297 . Saiban etc. Diz antonio pereira morador nesta capitania que elle lhe foi dado huma dada de terra por vosa merse no rio de vasa barris da quall lhe foi pasado carta de dada e dado por se porque teme que tenha alguma demanda sobre as ditas terras por respeito de vosa merse antes que vosa merse for servido pello sr. Diz Sebastião dias morador nesta capitania que a tempo de onze anos é povoador e ajudando de defender com suas armas escravos aonde tem muitos serviços feitos a sua majestade não tem terras aonde llavrar e ora na Ipitanga282 tem seiscentas brasas de terra as quais não são bastantes para se poder agasalhar com sua família pelo que pede a vossa merse lhe de sesmaria em nome de sua majestade mill e quinhentas brasas de terra a quall se começara a medir donde elle sopricante acaba a dita sua dada pondo-se na banda do rio da banda do norte correndo pello rio acima conforme o rumo que o rio llevar medindo direito sem vollta allguma que o rio fasa de modo que fique a dita dada em coadro fiquando o rio de premeo tanto da banda do norte como do sul erm. – O capitão Manoel Miranda Barbosa. – Dou e confirmo em nome de sua majestade a terra que tinha dado ao sopricante em seregipe a vinte e hum dias de janeiro de 1602. –O capitão Manoel Miranda Barbosa.quall pede de sesmaria por estar devoluto a quall terra esta na ribeira de piranapama da banda do morro erm. CARTA DE SEBASTIÃO DIAS 21 de Janeiro de 1602. – Dou ao sopricante na parte que pede quinhentas brasas de terra de sesmaria em nome de sua majestade asin e da maneira que a pede Sergipe vinte e hum de ianeiro de 1602. – o capitão Manoel Miranda Barbosa. CARTA DE ANTONIO PEREIRA 21 de Janeiro de 1602. – Dou ao sopricante na parte que pede em nome de sua majestade mill brasas de terra de sesmaria da maneira que pede e que me fará a medir para o sertão donde acabarem as seissentas brasas que tem dadas pello capitão tome da rocha e fiquãdo o rio em meo Seregipe vinte e hum dias de janeiro de 1602. Governador pede a vosa merse avendo respeito a elle ser morador e estar na terra com sua molher e filhos e filhas lhe fasa merse em nome se sua majestade confirmar a dita terra esim e da maneira que lhe esta dada no que erm. Saiban etc.

. O capitão Manoel Miranda Barbosa. Saibam etc...CARTA DE ANTONIO DO AMARAL 22 de Janeiro de 1602. Governador geral Sergipe 1º de Fevereiro de 1602... — Dou ao suplicante em nome de sua majestade a terra que pede assim e da maneira que diz em sua petição a qual terra lhe dou de Sesmaria e por devoluto conforme ao pregão Sr. Don Francisco de Souza governador geral de todo este estado do Brazil Sergipe a vinte e dois de janeiro de 1602.. CARTA DO PADRE GASPAR FERNANDES 1º de Fevereiro de 1602. Don Francisco de Souza governador geral erm. 298 . — O capitão e loquotenente Gaspar Barreto. da câmara de sua majestade morador nesta capitania de seregipe que elle não tem terras para fazer seus mantimentos e pastos de seus gados que a dita terra quer trazer pede a vossa mercê havendo respeito ao que alegue lhe de uma légua de terra em nome de sua majestade que esta no rio de Sergipe nas cabeceiras de Sebastião de brito a qual terra pede por devoluto em nome de sua majestade conforme ao regimento de sua majestade erm. Diz Antonio damaral. em ausência de Manoel Miranda Barbosa. ————— CARTA DE SESMARIA DE LUIZ ALVES 4 de Fevereiro de 1602. Saiban etc.. — Dou ao suplicante em nome de sua majestade a terra que pede com todas as águas lenhas madeiras pastos que tiver lha dou por devoluto conforme ao pregão do Sr. Gaspar Fernandes Vigário nesta capitania de Sergipe que ele esta atualmente povoando esta capitania com sua família criadores de gado vacum e outras meu das e não tem terras em abondansa para seus mantimentos e para as ditas criações e ora no rio de vazas barris da banda do norte estão terras devolutas como lhe uma dada que foi dada hum Joam Martins Bretanha morador em mame a qual foi dada pelo padre Bento Ferraz não podendo dar pede a vossa mercê lhe faça mercê de dar a dita dada em nome de sua majestade de sesmaria que em uma légua em quadro tirando da dita meia légua que foi dada um Sebastião Francisco Vieira a qual terra pede o devoluto conforme ao pregão do Sr...

Governador geral Don Francisco de Souza Sergipe a nove de fevereiro de mil seiscentos e dois anos Gaspar Barreto capitão e loguotenente em ausência do Sr. Diz Luis Álvares morador em Tatuapara que ele tem mulher e filhos e que hora quer vir povoar as terras de Sergipe e trazer para elas gado vacum e outras muitas criações e seus escravos e que para o tal efeito não tem terras e que hora ao longo do rio vaza barris da banda do Sul por um braço do dito rio chamado itaquandiba e as quais terras estam devolutas as quais não foram ainda cultivadas nem povoadas de brancos pede a vossa mercê que havendo respeito ao acima dito lhe dê de sesmarias em nome de sua majestade na testada de Luiz Francisco Pires três mil brasas pelo rio acima com todas as pontas enseadas e para o sertão légua meia com todas as águas e Ribeiras matos madeiras e pastos que na dita terá ouvirem a qual terá se começara a medir da dita testada ao longo do Rio Rumo direito e recebera mercê. — O dito rio da banda do sul Sergipe a quarto de fevereiro de 1602. — Dou ao suplicante em nome de sua majestade uma légua em quadro de terra por devoluto e sendo dada a dou por devoluta de sesmaria conforme ao pregão do Sr. em ausência de Manoel Miranda Barbosa. uma légua e meia em quadro no rio de guruahy283 começando do salgado por ele acima da banda do sul o qual pede por devoluta com todas as águas madeiras enseadas que na terra houver a qual medição se medira em quadro rumo direito no que erm.Dou suplicante em nome de sua majestade na parte que pede duas mil brasas pelo rio acima e uma légua para o sertão com todas as águas madeiras e pastos que tiver a qual se começava a medir da dita testada ao longo do rio a qual terá dou de sesmaria por devoluta conforme ao pregão do Sr. CARTA DE SESMARIA DE LUIS ALVARES 9 DE Fevereiro de 1602. 299 . Manuel de Miranda Barbosa capitão da capitania de Sergipe. Governador geral Don Francisco de Souza se começara a medir no salgado do dito rio da banda do sul Sergipe a quarto de fevereiro de 1602.Saibam etc. 283 Guruahy afluente do rio Real.. diz Luiz Alves morador em Tatuapara que ele quer vir ainda a esta capitania e a ele trazer sua mulher e filhos e criações de gado vacum e outras muitas criações que pêra isso tem escravos que pêra he que não tem terras em que pasente e targua as ditas criações pede a vossa mercê de sesmaria em nome de sua majestade uma dada a terra que esta por da e sendo dada a pede a vossa mercê por devoluto conforme ao pregão do Sr. Governador gera Don Francisco de Souza a qual terra pede lhe faça mercê em nome do dito Sr. Saibam etc. — O capitão e loquotenente Gaspar Barreto.

Diz Antonio Duarte morador na Bahia de todos os santos que ele quer mandar ainda a povoar esta capitania e que na dita capitania não tem terras 300 . Saibam etc. Diz Antonio Luiz morador na Bahia que ele mandou a esta capitania muita copia de gado quer mandar escravos para ainda a povoar esta capitania no que se resultaria em crescimento os dízimos de sua majestade e não tem terras em que posa pastorar o dito gado e hora na testada de Dominguos de Araujo e Salvador Fernandes na itaporanga estão terras devolutas da banda do sertão pede a vossa mercê lhe de em nome de sua majestade uma légua de terra em quadro pelas confrontações que pede da banda do poente a qual pede com os portos águas Mattos que nela houve erm. Don Francisco de Souza mandou lançar na praça da Bahia a qual terra pede com todas as águas madeiras que na dita terra houver e a medição se fará rumo direito ressalvando esteiras portas enseadas erm. Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede de sesmaria com todas as águas lenha pastos que nela houve meia légua de terra pelas confrontações que pede e dou lha em quadro Sergipe a quinze de abril de 1602 o capitão Manoel Miranda Barbosa. Saibam etc. ————— CARTA DE ANTONIO LUIS VIEIRA CAMELLO 19 de Abril de 1602. CARTA DE ANTONIO DUARTE 19 de Abril de 1602. Dou ao suplicante na parte que pede em nome de sua majestade uma légua de terra em quadro por devoluta com todas as águas pastos e madeiras que na dita terra houver Sergipe a dezenove de abril de 1602 Manoel de Miranda Barbosa.CARTA DE ANTONIO LUIS 15 DE Abril de 1602. Diz Antonio Vieira Camelo morador na Bahia que ele quer mandar ainda a povoar esta capitania he nela não tem terras para mandar fazer mantimentos nem para trazer suas criações de gado vacum e as mais e que em rio de Sergipe pela banda do sul nas cabeceiras de sua dada de terra e foi dada ao Sebastião da Rocha estão terras devolutas ao longo dito rio que nunca foram povoadas nem cultivadas pede a vossa mercê lhe faça mercê em nome de sua majestade dar-lhe na parte que acima diz duas léguas de terra por devolutas conforme ao regimento de sua majestade e pregão que o Sr. Saibam etc.

Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede de sesmaria meia légua de terra em quadro Sergipe a vinte e dois de abril de 1602 o capitão Manoel de Miranda Barbosa. Saibam etc.Dou ao suplicante na parte que pode em nome de sua majestade de sesmaria uma légua de terra em quadro assim e de maneira que pede e ajuntamento dou por confirmado em nome de sua majestade a terra que diz Sergipe e vinte e cinco de abril de 1602 o capitão Manoel de Miranda Barbosa. Governador gerall mandou llansar na praça da Bahia a qual terra pede com todas as águas madeiras que na dita terra houver erm. CARTA DO PADRE GASPAR FERNANDES 301 .para mantimentos nem para pastos de gado vacum que tem na dita capitania e que no rio ipochi da banda do sul nas cabeceiras de uma dada de terra que foi dada a Migel Soares estão terras devolutas que nunca foram povoadas nem cultivadas pede a vossa mercê lhe faça mercê em nome de sua majestade de uma légua de terra na parte que acima diz a medição se fará levando o dito rio em meio de uma banda e outra ressalvando pontas enseadas de maneira que fique a dita légua de terra em quadro a qual pede por devoluta conforme o regimento de El rei nosso Snr. . CARTA DE GASPAR DEMORIM E FRANCISCO BORGES 25 DE Abril de 1602. Diz Gaspar Demorim morador nesta capitania e Francisco Borges que els ajudarão a povoar esta capitania com muitas criações de gado escravos e suas pessoas e nela reside com suas pessoas mulheres e família e não lhes dado terras em abastança e ora a muitas terras devolutas na dita capitania pede a vossa mercê lhes de em nome em nome de sua majestade duas léguas de terra na testada de Salvador Fernandes na taporãgua ao longo do rio de vasas barris erm. Saibam etc. Diz Francisco da Costa que ele quer ainda povoar esta capitania e que nela não tem terras para fazer seus mantimentos e pastos e gado vacum e mais criações e que no rio ipochi da banda do sul na testada de uma dada que foi dada a hu Mel Rõis estão terras devolutas que não foram povoadas nem cultivadas pede a vossa mercê lhe faça mercê em nome de sua majestade na parte que acima diz dando duas léguas de terra em quadro e a medição separa rumo direito ressalvando pontas e enseadas de maneira que fique em quadro a qual terra pede com todas as águas madeiras que na dita parte houver e sendo caso que seja dada Carrera com a medição por diante erm. Dou ao supricante em nome de sua majestade na parte que pede meia légua de terra de sesmaria assim e da maneira que pede Sergipe a dezenove de abril de 1602 o capitão Manoel de Miranda Barbosa CARTA DE FARNCISCO DA COSTA 22 de Abril de 1602. e pregão que o Sr.

CARTA DE BALTAZAR FERRAZ 15 de Junho de 1602 Saibam etc.. e acrescenta nas rendas e para seu proveito e dos moradores da dita capitania quer nela fazer 302 ........ pelo que pede a vossa mercê lhe faça mercê em nome de sua majestade dar outra meia légua e mais sobejos assim da maneira que Gaspar Barreto servindo de capitão loquotenente de Manoel de Miranda Barbosa lhe tinha dado erm. Dou ao suplicante em nome de sua majestade a terra que Gaspar Barreto lhe tinha dado assim e da maneira que lhe tinha dado em Sergipe a vinte de maio de 1602 o capitão Cosme Barbosa.... Diz Gaspar Fernandes Vigário confirmado nesta cidade de São Cristovão capitania de Sergipe que a ele lhe e necessário terra para lavrar e trazer suas criações e por quanto ao longo do rio vasa barris da banda do norte esta uma légua do quadro de terra a qual foi dada pelo padre Bento Ferras ao Joan Martins da qual légua de terra e dada meia ao Sebastião Francisco escrivão de ..Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede duas mil brasas de terra em quadro não sendo dada e sendo dada Carrera por diante a qual lhe dou em nome de dito Sr.20 de Maio de 1602.... Diz o desembargador Baltazar morador na Bahia que ele tem nesta capitania de Sergipe fazenda de criações de gado vacum e cavalar e outras criações de muita importância e por servir a El rei nosso Sr... Saibam etc. Por não usar da légua de terra de Joan da Rocha Vicente da qual não usara de hoje por diante e lhe dou as ditas duas mil brasas por devoluta com todas as águas pastos madeiras que nelas houver com condição que dentro do tempo digo em um ano povoe a dita terra e não a povoando será por devoluta a quem a quiser povoar em Sergipe a quartoze de junho de 1602 o capitão Cosme Barbosa.. Diz Joan Garcez morador na Bahia por seu procurador que ele suplicante lhe foi dado nesta capitania uma légua de terra ao longo de vasa barris da banda do sul defronte de taperagua a velha a tapera que tem a arvore redonda pêra La pelo sertão onde ninguém tem povoado e ora ele suplicante tem já nesta capitania sua fazendo assim de gado vacum como cavalar e outras e outras criações de que resulta grande acrescentamento a fazendo de sua majestade e outro sim tem seus escravos e quer meter mais fabrica e por que ele suplicante acha ser a dita dada de terra de Joan da Rocha visente pelo qual respeito se lhe perde sua fazenda por não ter por onde apresentar pede a vossa mercê pede de sesmaria outra légua de terra ao longo da dita dada que se diz de Joan da Rocha visente da banda deste assim e da maneira que a outra lhe foi dada porquanto ele suplicante desiste da primeira a qual se medira ao longo dito rio da banda do sul quando para oeste ficando a do dito Joan da Rocha da banda do leste. .. CARTA DE JOAN GARCEZ 14 de Junho d 1602..... Saibam etc......

......engenho ou engenhos de açúcar que nela não há e nas terras que tem não há água com que o possa fazer e que tem por informação que no rio de Sergipe esta numa ribeira que se chama tapecahy que não foi dada até agora e se o foi esta por aproveitar e devoluta pede a vossa mercê que havendo respeito ao que diz e a muito proveito que resultara nesta povoação com o dito engenho lhe faça mercê de dar de sesmaria água da dita ribeira de tapecahy com duas léguas de terra medidas pelo dito rio de Sergipe uma légua de uma banda da dita ribeira e outra légua da outra banda ficando em meio a dita ribeira. CARTA DE ANTONIO DA COSTA 16 de Junho de 1602 Saibam etc..... ....... necessário pêra plantar canas fazer rosas e currais e outras criações assim para o engenho como para os moradores d‘ele que o suplicante há de levar da capitania da Bahia a que toda pede por devoluta e desaproveitada erm..............Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede duas léguas de terra a saber légua e meia da dita ribeira para acima e meia para baixo que fiquem sendo duas légua em quadro a qual lhe dou em nome do dito Sr.....Dou ao supricante em nome de sua majestade na parte que pede em nome do dito Sr....... meia légua de terra em quadro com todas as augoas e pastos madeiras que na dita terra houver e lha dou por devoluta visto povoar como diz Sergipe dezesseis de junho de 1602 o capitão Cosme Barbosa.. devoluta visto estarem por aproveitar com a dita ribeira de algumas e mais algumas lenhas pastos matos e madeiras que na dada de terra houver e lha dou por assim ser em serviço de sua majestade e bem de se aproveitar esta capitania e haver engenho nela e lha dou em condição que dentro de um ano comece a fazer o dito engenho Sergipe a quinze de junho de 1602 o capitão Cosme Barbosa. CARTA DE JOAN FERREIRA 7 de Junho de 1602 Saibam etc.............. Diz Joan Ferreira morador nesta capitania de Sergipe que ele esta pessoalmente ajudando a povoar a dita capitania com negros e fábrica e que na dita capitania não tem terras em que trazer suas criações assim de gado vacum como cavalar e mais criações e fazer seus mantimentos e no ipochim da banda do norte em testada de Francisco de Almeida e terras de Melchior Masiel pelo dito rio do ipochim acima estão os sobejos de terra entre as duas sortes que acima nomeia 303 ........ mereis coa todas as pontas augoas lenhas e madeiras a pede por devolluta erm....... com as águas e madeiras que nelas houver porquanto.. ............ terra para o sertão de mau.. que em quadro pelas... Diz Antonio da Costa sargento de presídio de sua majestade que a seis anos que reside nesta capitania de Sergipe servindo ao dito Sr........... e atualmente esta morador nela e ora não tem terá em que lavrar e targua suas criações de gado e mais criações e ora no rio de vasas barris a muitas terras devallutas pelo que pede a vossa mercê se lhe faça mercê pelo que acima diz de lhe dar em nome de sua majestade uma légua de terra em quadro nas cabeceiras..

...... para com efeito vir de morada.................. nome de uma lagoa ... Dou ao suplicante em nome de sua majestade por devoluto na parte que pede meia légua de terras em quadro a qual lhe dou de sesmaria vindo povoar no tempo da ordenação Sergipe a 29 de julho de 1602 o capitão Cosme Barbosa..... Cristóvão.. por nome Jabetinhaia284.... Diz Domingos de Vilacham morador na Bahia que ele quer vir ajudar esta capitania com fábrica de gado e escravos e com família que tem para o que lhe são necessários terras e ora manda seu filho a pedi-las... brasas em quadro pero longo do dito............. CARTA DE MARTINS DE SOUSA 29 de Julho de 1602 284 285 Jabeetinhaia............. Acreditamos que se refira ao rio cotinguiba 304 ........Dou ao sopricante em nome de sua majestade na parte que pede os sobejos que aponta em sua petição não sendo dadas a outra primeiro e assim mais lhe dou em nome do dito Sr. Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede meia légua de terra medida como em sua petiscam diz e o que houver de um rio a outro Sergipe a 20 de julho de 1602 o capitão Cosme Barbosa. entre Aracaju e S..pede a vossa mercê em nome de sua majestade lhe faça mercê dos ditos sobeios de sesmaria... Diz Melchior Masiel de Andrade morador nesta capitania que ele a mais de dez anos que serve a sua majestade nas guerras e povoações desta capitania e nela o morador como esta e família e porque tem muita fábrica e poucas terras e quer llauvrar pede a bem lhe faça mercê em nome de sua majestade de um pedaço de terra que esta ante os rios de Comendaroba e Ibura que serão mil brasas de um rio ao outro porque mais ou menos e pelos ditos rios acima hua llégua medida por rumo direito com o que houver de hu rio a outro das barras que se metem em quantigeriba285 acima erm... CARTA DE DOMINGOS DE VILACHAM 29 de Julho de 1602 Saibam etc.. que fica no rio poxim..... o mesmo pede... CARTA DE MELCHIOR MASIEL DE ANDRADE 20de Julho de 1602 Saibam etc................... e a medição della se fará rumo direito ressallvando pontas e enseadas as quais sortes de terra pede por devolluto com todas as augoas madeiras que na dita terra houver conforme o regimento El rei nosso Sr..... aqui tem necedade digno..... que erm.....erm...... na Jabetinhaia setecentas brasas de terra em quadro na maneira que pede não sendo dada Sergipe a 7 de junho de 1602 o capitão Cosme Barbosa.. Jabotiana.....

.Saibam etc...... governador Don Francisco de Souza e por quanto lhe foi dada a dita terra pelo capitão Manoell de Miranda Barbosa capitão lloquotenente em ausência de Diogo de Quadros capitão e governador nesta dita capitania pede a Vm.... Diz Melchior Masiel de Andrade de que ele esta morador nesta capitania com casa família ajudando a povoar com escravo.. com todas as augoas pastos madeiras que na dita terra houver com declaração de dentro em seis meses a vir povoar e não fazendo assim se Dara a quem a povoar Sergipe a 2 de agosto de 1602 — o capitão Cosme Barbosa..... Diz eithor Gonçalves Velho morador na Baja que elle quer mãndar ajudar a povoar esta capitania donde nela não tem terras para fazer seus mantimentos e para pastos de gado vacum e que no rio ipochim da banda do norte estão terras devolluto por llongo do dito rio acima nas testadas de huã dada de terra que foi dada a Francisco de Barbuda escrivão dos feitos dellrei pede a Vm... lhe faça mercê duas léguas de terra que de novo pede ao longo do rio Quotinguyba serão medidas em quando por ruma direito ressalvando as voltas que faz o dito rio a qual pede de novo e começaram a ser medidas de uma pedra 305 . de sua fazenda he capitão Tomé da Rocha lhe deu terras a ele suplicante não tem titulo por se lhe perder os livros das dadas de sesmaria daquele tempo pede a Vm.... CARTA DE MELCHIOR MASIEL DE ANDRADE 2 de Agosto de 1602 Saibam etc... CARTA DE HEITOR GONÇALVES VELHO 2 de Agosto de 1602 Saibam etc..... com os pastos matos algumas que na dita terra houver Sergipe a 29 de julho de 1602 o capitão Cosme Barbosa........... lhe faça mercê em nome de sua majestade na parte que pede de lhe dar duas lléguas de terra por devolluto de sesmaria por ser ome de muita pose e a medição separadas ditas duas lléguas em quando rumo direito resallvando outeiros e pontas e enseadas a qual tera pede com todas as augoas e madeiras que na dita tera houver erm — Dou ao suplicante em nome de sua majestade na parte que pede duas mill brasas de tera não sendo dada as quais duas mill brasas será em coadro e lha dou em nome do dito Sr......... de dez anos a esta parte mora. .........Dou em nome de sua majestade ao supricaute na parte que pede meia lléguoa de terra que lhe tinha dado Manoel Miranda de Barbosa em tempo que serviu de capitão nesta capitania a qual lhe dou por devoluto.... e na dita capitania serviu a sua majestade na..... lhe mande confirmar erm...... Diz Martin de Sousa feitor e almoxarife de sua majestade nesta capitania que elle a seis anos que esta nesta capitania ajudando a defendella com sua pessoa e ora quer fazer rosas e outras bem feitorias e quer por curral de gado e não tem terras em que possa fazer as ditas bem feitorias pede a bem lhe de em nome de sua majestade uma légua de terra no rio mocory rio que vem entrar no rio ipochi nas cabeceiras de Francisco de Silveira da banda do norte com todos os portos e algumas e matos e lenhas e sendo dada lhe de por devoluto conforme um pregão que mãodou lansar o Sr....

CARTA DE GASPAR DAMORIM E MANOEL TOMÉ 2 de Agosto de 1602 Saibam etc. Saibão etc dix pero Novais de Sampaio que elle esta ajudando a povoar esta terá e que nella não tem terás para fazer mantimentos nem onde possa trazer criasois e que em contegiba estam terás devallutas da banda do sull nas cabeiseiras de guonsallo alvares e pelo que pede vm em nome de sua magestade lhe fasa merse de huã lleguoa de terá nas cabeiseiras de guosallo Álvares da banda do sul acoal terá em coadro e a mjdisão se fará rumo direito resalvando pontas enseadas as coais avendo depois medisam rumo direito pede a vm em nome de sua 286 Esta pedra existe no rio Cotinguiba.. Diz Manoel Tomé e Gaspar Demorim moradores nesta capitania que eles estão povoa