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Geografia - Pré-Vestibular Impacto - Região Nordeste - A Seca e o Processo de Desertificação

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4

CONTEÚDO

PROFº: BOUTH

04
A Certeza de Vencer

REGIÃO NORDESTE: A SECA E O PROCESSO DA DESERTIFICAÇÃO
KL 290208

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A POBREZA NORDESTINA NÃO É UMA QUESTÃO DE SECA MAIS DE CERCA

Ao se fazer uma análise da problemática nordestina se constata a pobreza da maioria de sua população, se é levado a fazer perguntas: por que uma região rica está sendo habitada por uma população tão pobre? Quais as causas fundamentais desta pobreza: a tirania de condições naturais desfavoráveis ou a inércia e incapacidade de suas elites? Por que a Sudene, após quase trinta anos de atuação, não corrigiu os desníveis existentes entre esta região e o Centro-Sul? Finalmente, o que fazer? Como fazer? E para que fazer? Acreditamos que a pobreza que domina a região é o resultado de uma série de fatores que confluem para dificultar e entravar um processo natural de desenvolvimento, e que estes fatores são mais de origem social do que física, no caso a seca. Ela é comandada por um sistema que beneficia os grupos dominantes que se opõem a qualquer transformação estrutural que possa tocar nos seus interesses e que até se beneficia do flagelo das secas, captando verbas que dinamizam os seus negócios e consolidam o seu poder político. Daí o apoio que dão a toda e qualquer ação que vise modernizar as relações econômicas e sociais até o ponto em que esta ação não transforme as estruturas sociais, mas ao contrário, que as dinamize e as torne mais resistentes as mudanças. A pobreza é útil ao grupo dominante para obter mais recursos e favores oficiais, em uma federação em que as regiões mais ricas se beneficiem do crescimento econômico das mais pobres. Estes grupos dominantes têm interesses que coincidem com os das regiões hegemônicas do país, de vez que atuam intermediários e como prepostos dos grupos nacionais mais fortes e dos transnacionais e que empregam os seus capitais, nas áreas mais ricas onde obtém um retorno do capital empregado mais rápido e seguro. Há, assim, no plano nacional, uma semelhança com o que ocorre no plano internacional, com os grupos dominantes das áreas dominadoras, que se beneficiam da exploração das áreas mais pobres. O sistema “desenvolvimentista” implantado provoca naturalmente, uma acentuação da pobreza e da dominação que se exterioriza em uma série de aspectos que procuraremos analisar, ou seja: o esvaziamento do campo, o crescimento patológico das cidades e o desrespeito ao meio ambiente. Um fato que chama atenção no interior do Nordeste é o esvaziamento populacional do campo e a expansão cada vez maior das culturas feitas por grandes proprietários e por empresas. Há algumas décadas observa-se, no interior do Nordeste, a existência de áreas de culturas principais, mas, intercaladas às mesmas, havia os “sítios’ de pequenos produtores sempre arrendatários, parceiros ou trabalhadores de cambão e de condição, com as suas casas humildes, construídas de “taipa” e cercadas de árvores frutíferas ou de culturas alimentícias. Hoje a paisagem está uniformizada na sua maior extensão; viaja-se horas seguidas no meio de canaviais, cacauais, de pastagens, de culturas de soja etc. Os pequenos sítios persistem apenas nas áreas mais distantes da rodovia ou nos lugares altos, de difícil acesso. E que com a intensificação da penetração do capitalismo no campo e com o desenvolvimento da tecnologia agrícola e industrial, os proprietários passaram a dispensar os seus moradores e a explorar diretamente suas terras. O processo de expulsão é muitas vezes feito de forma violenta, com a tomada da terra e a destruição das lavouras, com espancamento e ameaça a vida dos mesmos ou de seus familiares, outras vezes é feito de forma sutil, oferecendo uma indenização pelos bens que o morador possui, alegando que na cidade ou vila próxima ele pode desfrutar de uma vida melhor, com mais liberdade e com oportunidade ao lazer, ao ensino e as instituições de saúde, para a família. O morador, seduzido pela vida urbana e pela liberdade de prestar serviços ao patrão que escolher, recebe alegremente estas sugestões e se instala na cidade. Só depois é que ele sentirá a incerteza do trabalho, a instabilidade na necessidade de braços nas várias estações do ano, os problemas de desagregação da família e a falta dos alimentos que produzia no “sítio” quando vivia no latifúndio. Os proprietários também sentem, em algumas ocasiões, o problema da falta de braços e, embora se opondo as leis como a do “sítio”, eles advogam junto ao governo a implantação de agrovilas onde os trabalhadores têm direitos a uma casa e a uma área de dois ou três hectares para as suas culturas. Como isto os proprietários transferem para o Poder Público o custo do assentamento dos trabalhadores, têm os mesmos fixados nas proximidades do seu latifúndio, passando a dispor de mão-deobra barata nas ocasiões de maior necessidade de trabalho. Utilizam, assim, a questão social, para transferir para o Poder Público os custos de manutenção da mão-de-obra de que necessitam, tendo o cuidado de fazer com que as áreas disponíveis a cada família não sejam suficientes para a sua manutenção, a fim de que necessitem complementar a renda ven-dendo a força de trabalho aos proprietários. Tal política tem grande repercussão tanto no campo como na cidade, provocando a queda da produção de alguns alimentos e estimulando a importação de frutas e legumes do Sudeste, o que acarreta, naturalmente, no encarecimento dos produtos alimentícios.
FAÇO IMPACTO - A CERTEZA DE VENCER!!!

VESTIBULAR – 2009

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DESERTIFICAÇÃO: A MAIOR CONSEQÜÊNCIA DOS IMPACTOS AMBIENTAIS
As formas de exploração dos recursos naturais têm desencadeado uma forte degradação ambiental decorrente dos desmatamentos, queimadas, poluição das águas, salinização dos solos e água, assoreamento dos rios e riachos, extinção de espécies animais e vegetais, culminando no processo de desertificação. Isso tem agravado os efeitos do clima na região, interferindo nos níveis de produção e na qualidade de vida das populações. DESERTIFICAÇÃO DIFERENCIA-SE DE DESERTIZAÇÃO. Desertização é um processo natural que independe da ação antrópica sendo ecologicamente um fato acabado. Desertificação, todavia, é um fenômeno que tem um componente muito forte que desencadeia seu processo que é o homem. No caso brasileiro, o que existem são processos de desertificação e não ainda desertos. A Agenda 21, o principal documento gerado pela Conferência do Rio em 1992, definiu desertificação como sendo ã degradação da terra nas regiões áridas, semi-áridas, sub-áridas e sub-úmidas secas, resultantes de vários fatores, entre eles as variações climáticas e as atividades humanas. Em relação ao Nordeste, além da seca em pelo menos oito Estados, o processo de desertificação já atingiu mais de 55% do território, ou seja, uma mancha quase do tamanho do Estado do Sergipe. A área corresponde a 18.000' quilômetros quadrados completamente esturricados. Uma terra pobre e arenosa, onde o cultivo tomou-se inviável mesmo com a irrigação e estima-se que outros 180 000 quilômetros quadrados estão seguindo o mesmo caminho. Os processos de desertificação são muitos complexos e envolve dimensões não apenas de conhecimento técnico, mas, econômicas, sociais e culturais. Os impactos ambientais da desertificação resultam na eliminação da biodiversidade (fauna e flora), da redução da disponibilidade de recursos hídricos mediante o assoreamento de rios e reservatórios, e da perda física e química dos solos, favorecendo a redução da produtividade da agricu1tura. O semi-árido brasileiro que durante séculos resistiu aos longos períodos de estiagem, não está suportando ao avanço da desertificação. Aliás, comparativamente com a terrível seca, o fenômeno da desertificação é muito mais cruel. A criação da pecuária extensiva (bois e bodes) como atualmente é praticada tem arrasado o solo nordestino. Os animais quando comem a vegetação que sobrevive à estiagem, pisoteiam mudas e gramíneas, compactando o solo. O desmatamento indiscriminado da caatinga contribui fortemente para o desequilíbrio ambiental, inexistindo qualquer fiscalização na retirada da lenha que vão parar nos fogões das famílias e nos formos de cerâmica e padarias. As queimadas impedem a germinação espontânea das plantas nativas, maior escoamento superficial dos recursos hídricos, dificultando uma maior infiltração no lençol freático. Todos estes fatores reduzem a capacidade produtiva da terra, diminuindo a produtividade agrícola e, portanto, impactando as populações, diminuindo a qualidade de vida, elevando a mortalidade infantil e reduzindo a expectativa de vida da população. Os prejuízos sociais refletem nas unidades familiares. As migrações desestruturam as famílias e impactam as zonas urbanas, que quase sempre não estão em condições de oferecer serviços ao elevado contingente populacional que para lá se deslocam. A população afetada apresenta alta vulnerabilidade, já que estão entre os mais pobres da região, e com índices de qualidade de vida muito abaixo da média nacional. OS ESTUDOS SOBRE DESERTIFICAÇÃO NO BRASIL: O CASO DO NORDESTE. Os estudos sobre desertificação e arenização feitos no Brasil se concentram em áreas do nordeste brasileiro e no extremo sul do Brasil. Entre os estudos realizados, destaca-se: “Problemas da desertificação e da savanização no Brasil intertropical" de Aziz Nacib Ab’Sáber, publicado em 1977. Neste trabalho, Ab’Sáber estabelece alguns fatores que podem desencadear processos de desertificação no Brasil. (...), entendemos como processos parciais de desertificação, todos os fatos pontuais ou aureolares, suficientemente radicais para criar degradações irreversíveis da paisagem e dos tecidos ecológicos naturais.
(Ab’Sáber, 1997: 01)

Neste estudo, Ab’Sáber identifica no semi-árido brasileiro, mesmo que não relacionados diretamente às condições climáticas, alguns aspectos de desertificação relacionados à atividade humana. (...) três séculos de atividades agrárias rústicas, centradas no pastoreio extensivo, e algumas décadas de ações deliberadas de intervenção antrópica, com acentuado crescimento demográfico paralelo, terminaram por acrescentar feições de degradação pontuais, de fácil reconhecimento nas paisagens sertanejas, sob a forma de ulceração dos tecidos ecológicos regionais. Ainda uma vez, sem que tenham ocorrido mudanças climáticas recentes, processaram-se efetivos quadros locais ou subregionais de desertificação antrópica.
( Ab’Sáber, 1977: 2-3).

Para Ab’Sáber, alguns fatores, enumerados no seu trabalho, contribuem para uma predisposição ao surgimento de áreas com características de desertificação. O que se pode inferir pela descrição do autor é que tais fatores exercem mais efeitos sobre o que ele define de savanização do que de desertificação. E o próprio autor reconhece que é difícil fazer generalizações sobre desertificações nos cerrados. “A idéia de um domínio do cerrado em processo generalizado de desertificação em prolongamento à semi-aridez das caatingas é um esforço de generalização inconsistente”
(Ab’Sáber,1977:6- 13).

Em estudos mais recentes sobre o processo de desertificação no Nordeste, Conti (1998) chama atenção para o fato de que, mesmo tendo diversos estudos apontando locais com o princípio de desertificação ou ‘aviltamento ambiental’, não consta nenhum lugar em que o processo seja irreversível. “A ação antrópica e os mecanismos naturais podem atuar de forma solidária e intercambiar influências. Contudo, a degradação que se manifesta nessa região e em outras do território brasileiro não conduz necessariamente a um processo sem retorno”.
FAÇO IMPACTO – A CERTEZA DE VENCER!!!

(Conti, 1998: 73)

VESTIBULAR – 2009

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