21

Química Analítica Quantitativa
DETERMINAÇÃO DE SULFATO COMO SULFATO DE BÁRIO
I – Objetivo: Determinar o teor de sulfato a partir de uma amostra de composição conhecida utilizando técnicas de análise gravimétrica por precipitação. II – Introdução teórica: O método baseia-se na precipitação BaSO4 mediante adição lenta de uma solução diluída de cloreto de bário à solução contendo o sulfato. A determinação está baseada na reação: SO42- + Ba2+ BaSO4(s) A precipitação é efetuada em solução levemente acidificada com HCl e a quente. O precipitado é filtrado, lavado com água, calcinado ao rubro e pesado como BaSO4. O sulfato de bário apresenta tendência acentuada para formar pequenos cristais, que , na filtração, passam através dos poros dos filtros. Por isso, é necessário procurar condições favoráveis à formação de precipitados de cristais bastante grandes para poderem ser filtrados facilmente. Os cristais são muito maiores que um precipitado amorfo como AgCl. O BaSO4 é solúvel em água a temperatura ambiente numa concentração (remanescente) cerca de 0,3 mg /100 mL de H2O. Na prática a solubilidade diminui muito pela presença do íon Ba2+ em excesso na solução. O BaSO4 é um pouco mais solúvel a temperaturas elevadas. Este fato é importante porque permite usar água quente para a sua lavagem, com a qual se elimina melhor as impurezas do precipitado. Sua solubilidade é devido a formação de íons HSO 4-, porque o H2SO4 não é por completo um ácido forte. SO42- + H+ HSO4A precipitação do BaSO4 costuma ser efetuado em solução levemente acidificada com HCl , para impedir que precipitem igualmente como sais de bário, ânions tais como: carbonato, fosfato, arseniato etc. O único íons que perturbam nestas condições são os íons fluoreto. O BaF2 é insolúvel em soluções ácidas diluídas, sendo necessário a separação de fluoretos antes da precipitação do BaSO4. Dos cátions comuns além do bário, só chumbo, cálcio e estrôncio formam sulfatos praticamente insolúveis, sendo necessário a separação prévia destes cátions. O BaSO4 é um precipitado largamente sujeito a contaminação por efeito de coprecipitação de substâncias estranhas durante o processo do crescimento do cristal a partir das partículas iniciais e nisto está o principal obstáculo para a determinação dos íons sulfato. A coprecipitação é a contaminação do precipitado por substâncias que são, normalmente, solúveis na água-mãe podendo ser por adsorção - impureza na superfície do precipitado - ou oclusão – impureza no interior das partículas. A influência das diversas coprecipitações sobre a direção positiva ou negativa do erro nos resultados é importante porque indica que os erros individuais podem compensar-se mutuamente até quando não se pode reprimir a coprecipitação. Examinemos primeiro, a coprecipitação de ânions como Cl- e NO3- em uma determinação de sulfatos. As cargas negativas dos ânions coprecipitados devem ser compensadas eletricamente por íons positivos, e os íons Ba2+ são mais abundantes no meio no qual se forma, o precipitado. Assim esta coprecipitação é na realidade uma coprecipitação de BaCl2 e Ba(NO3)2 juntamente com o BaSO4. Como as substâncias coprecipitadas são por si

transformando-se em BaS: BaSO4 + BaS + 2 CO2 2 C Entretanto. Cada íon sulfato corresponderia a uma molécula de BaSO4 no precipitado final. pese menos que o bário.Solução de BaCl2 .K2SO4 P.Bastão de vidro . A sua decomposição só ocorre em temperatura superior a 1400ºC: BaSO4 BaO + SO3 Durante a calcinação do precipitado BaSO 4. a coprecipitação de cátions estranhos conduz a resultados demasiados baixos na determinação de sulfatos.Bico de gás .Proveta 100mL .Vidro de relógio grande .Béquer de 400 mL (2) . Reagentes . pode-se evitar esta possível fonte de erro. III. os resultados serão altos . como cada íon sulfato que intervém na coprecipitação do ferro correspondente só a 1/3 da molécula de Fe 2O3. A coprecipitação de outros cátions conduz a conclusões semelhantes sempre e quando o cátion que substitui o íon Ba2+ no precipitado. Em geral.Papel de filtro para filtração lenta. Com respeito a determinação de sulfatos . o precipitado é demasiado leve e o resultado para o sulfato é assim baixo. Portanto. Porém.Béquer de 250 mL (2) . juntamente com o precipitado BaSO 4.Tr iângulo de quartzo . porém. conduzido a calcinação. este é parcialmente reduzido pelo carvão do papel de filtro.HCl 12 mol/L .A . este ânion é invariavelmente o próprio íon sulfato. se este for o caso. quando coprecipitam ânions estranhos com o BaSO4 em uma determinação gravimétrica de sulfatos. o BaS é oxidado pelo oxigênio do ar: BaS + BaSO4 2 O2 A obtenção de um peso constante (no processo de calcinação). Se não há livre acesso de ar durante a calcinação pode ocorrer então erro na análise. prova que a oxidação terminou e que o precipitado já não contém nenhum BaS. Assim o precipitado é parcialmente Fe2(SO4)3 que por calcinação se decompõe a Fe2O3. Sendo este. O BaSO4 deve ser calcinado a uma temperatura de 500ºC ou mais alta para liberar água. 2H2O 0. A carga positiva do cátion deve ser compensada por ânions para manter a neutralidade elétrica e.Material necessário: Aparelhagem .22 Química Analítica Quantitativa mesmas solúveis .Tubo de ensaio . estas substâncias coprecipitadas são simplesmente precipitadas que formam ao precipitado de BaSO4.04mol/L .Cadinho de porcelana .Funil de haste longa .este é um caso de coprecipitação. Examinemos agora a coprecipitação de um cátion como o Fe 3+ em uma determinação de sulfatos.Vidro de relógio pequeno . tal como se efetua normalmente. utilizando-se um cadinho filtrante de porcelana porosa para a filtração.

repetindo os procedimentos anteriores.Calcular o volume de cloreto de bário 0. pesar o cadinho: Peso do cadinho .Após esta preparação. 2.Preparo do cadinho de porcelana O cadinho é aquecido nas mesmas condições em que posteriormente se calcinará o precipitado. Procedimento 04 – Digestão 1.Transferir este volume para um béquer de 250mL.04 mol/L necessário para precipitar o íon sulfato presente na solução amostra (com um excesso de 10% para assegurar uma precipitação quantitativa do sulfato).P1 = __________ g Procedimento 02 . 3. mufla. resfriar o cadinho incandescente durante 1 ou 2 minutos.Pa = _________ g 2. Peso da amostra .Aquecer novamente o cadinho.Levar a um dessecador (a fim de evitar que o cadinho absorva os vapores de água do ar). pode-se admitir que se atingiu o peso constante do cadinho. e comprovar se a precipitação foi completa. com a solução ainda quente. 2. O conjunto dessecador cadinho.Procedimento experimental: Procedimento 01. Caso contrário. Procedimento 03 – Precipitação 1.Deixar o precipitado BaSO4 sedimentar por alguns minutos. Peso do cadinho .K2SO4 (previamente seca a 110ºC para eliminar a umidade ). deverá ficar na sala de balanças em repouso durante 20 ou 25 minutos.Preparo da solução da amostra 1.__________ g 6. pela adição de algumas gotas de solução de BaCl2.Colocar o cadinho limpo e seco sobre um triângulo de porcelana num suporte. 4.5 g da amostra .Colocar o béquer (coberto com um vidro de relógio) com o seu conteúdo em banho-maria durante 1 hora (para efetuar a digestão do precipitado).Transferir quantitativamente a amostra para um béquer de 400mL provido de vidro de relógio. estufa etc.Se a 2ª pesagem não diferir da 1ª mais de 0.Transferir a solução de cloreto de bário (com ajuda do bastão de vidro) para a solução amostra.Aquecer a solução amostra e do precipitante a 80-90ºC.0002 g.) 1. 4. A solução sobrenadante deve ser completamente clara.Adicionar à solução 2 mL de HCl 12 mol/L. (Bico de Bunsen. 3. . Peso do cadinho (constante) .Dissolver em água. de modo a que o cone azul da chama fique alguns milímetros abaixo do fundo cadinho. 4. Aquecê-lo á chama do bico de Bunsen. repetir esta operação. por 15 ou 20 minutos.Retirar da chama e. 3.23 Química Analítica Quantitativa IV. Agitar bem a mistura por 2-3 minutos. Anotar o peso exato da amostra. 2. diluir para aproximadamente 150mL.__________ g 5.Pesar cerca de 0.

Transferir a solução sobrenadante para o filtro (retendo o precipitado no béquer) com ajuda do bastão de vidro. P3 = Peso do precipitado.Aquecer lentamente o cadinho no princípio. P2 = __________ g Procedimento 09 – Cálculos Para determinar o teor de S. calcular o teor deste em sulfato.Testar com solução de AgNO3 .= P3 x f MM BaSO4 f = fator gravimétrico X = massa de SO42- . deslocar mais a tampa do cadinho para permitir livre acesso de ar. 3. 2. 5.Aquecer fortemente (aumentando a chama) durante uns 15 minutos mais. aumentar o aquecimento para carbonizar o papel de filtro (o papel de filtro não deve se inflamar). Procedimento 08 – Pesagem 1. Uma vez carbonizado o papel de filtro.e SO42.Depois de alguns minutos.24 Química Analítica Quantitativa Procedimento 05 – Filtração 1. Não deixar que o líquido ultrapasse a 2/3 da capacidade do filtro. P1 = Peso do cadinho. 4.Montar o equipamento necessário para a calcinação. Colocar o cadinho verticalmente no triângulo de quartzo e dispor a tampa de tal maneira que fique um pouco deslocada para permitir acesso limitado de ar. resfriamento e pesagem até obtenção de peso constante. lavando-o várias vezes com água destilada quente para eliminação dos íons Cl-. 6. 3. Transferi-lo para o cadinho de porcelana.Dobrar o papel de filtro (pedir orientação ao professor).Efetuar a pesagem. SO32.Lavar o precipitado no béquer por decantação com várias porções de água destilada quente. Depois de calculado o peso do precipitado. para evaporar a água do precipitado e do papel de filtro. ________ g 2. até reação negativa para cloretos.na amostra. P2 = Peso do cadinho + precipitado. 2. estabelecendo a proporção: Massa molar de BaSO4 MM SO42P3 X X = P3 x MM SO42. por exemplo.Aumentar a temperatura de modo que o cadinho adquira um brilho vermelho escuro até que todo o resíduo de carbono seja eliminado.Repetir calcinação (por 15 minutos). Retirar o cadinho.Transferir o precipitado para o papel de filtro. Procedimento 06 – Lavagem 1. os seguintes dados são necessários: Pa = Peso da amostra. 7. Procedimento 07 – Secagem ou Calcinação do precipitado 1.Resfriar ao ar por 3-5 minutos e então transferir para o dessecador e deixar por 30 minutos.

Exercícios: 1.25 Química Analítica Quantitativa na amostra f = 96.Por que a precipitação de BaSO4 deve ser feita em soluções diluídas e quentes? 2- Qual a função do HCl na precipitação de BaSO4? E por que o excesso de ácido deve ser evitado? 3- Justifique a adição lenta do precipitante BaCl2 e o fato de ser necessário excesso deste reagente ? 4.50 g. Calcular a porcentagem de enxofre na amostra e a pureza do sal analisado. ao incinerar-se o filtro e na calcinação posterior do precipitado? 6- Qual é o fim que se procura atingir.Uma amostra de sulfato de sódio impuro que pesou 1. secado e calcinado deu 2.411568 233.06 = 0. ao efetuar a calcinação até peso constante: a) de um cadinho vazio b) de um cadinho com precipitado? VI .Por que é recomendável a digestão do precipitado? E por que deve ser feita à quente antes da filtração? 5- O que se passa com o BaSO4 . forneceu um precipitado de sulfato de bário que depois de lavado.40 SO42. .390 g.% = P3 x f Pa x 100 V – Questões para discussão: 1.

6460 g de sulfato de bário. é necessário para a precipitação do sulfato.Quantos gramas de H2SO4 há num litro de solução de ácido sulfúrico. a 10%.Se 0.20 g de K2SO4.87% S . R – 60.895g.Tendo-se 3.Que volume de solução de BaCl2. R – 16. qual a percentagem de enxofre de FeS 2 na amostra analisada? Equação química não balanceada: FeS2 + HNO3 + Br2 + H2O Fe (NO3)3 + H2SO4 + HBr R – 33.Calcular a concentração em eq/L de uma solução de ácido sulfúrico sabendo-se que 30mL desta solução tratados por uma solução de cloreto de bário deram um precipitado que depois de lavado e seco pesou 0. R – 0.02% Na2SO4 5.55 g de um sulfato solúvel forneceram 0.2 mol/L é necessário para precipitar o sulfato de 0.8204 g 4. Logo após a evaporação a amostra foi tratada com excesso de cloreto de bário. Desta solução tomou-se 50 mL e tratando-se com uma solução de cloreto de bário obteve-se um precipitado que pesou 0.12% S 3.Uma amostra de pirita (FeS2) é oxidada com bromo e ácido nítrico. Obteve-se um precipitado que pesou 0.3304g.26 Química Analítica Quantitativa ( Equação da reação: SO=4 + Ba+2 R – 21.0. Qual a pureza do sal analisado? R .94.501g.331g de pirita deram 0.24% FeS2 6.067 g/L . diluise com água destilada em balão aferido a 250 ml.14eq/L 7. R.540g. O sulfato obtido é precipitado e pesado sob a forma de sulfato de bário.17. .813g de sulfato de bário.60 mL .787 g 10-3.Que volume de solução de cloreto de bário 0. Calcular o grau de pureza da amostra analisada. de 1.35 mL 9. se por ação de 50 mL duma solução de BaCl2 se obtiveram 0.0 litros de água potável foram evaporados até reduzi-lo a um volume menor. 63. 97.125 g de uma amostra de ácido sulfúrico comercial para analisar.72% S . Se 0.350 g de sulfato de sódio comercial foram dissolvidos em água e tratados por cloreto de bário em excesso.16% 8.2H2O. obtendose um precipitado de sulfato de bário que pesou 0. 0. Calcular o teor de sulfato de sódio na água potável analisada em gramas por litro e partes por milhão (ppm).1% BaSO4 ↓ ) 2.2126 g de BaSO4? R – 1.0. Al2(SO4)3 . 24H2O? R – 12.5 g de sulfato de sódio e que peso se obterá de sulfato de bário? R . sob a forma de sulfato de bário. qual a porcentagem de enxofre na amostra. 67 ppm.

1. R.27 Química Analítica Quantitativa 11-5. e os gases resultantes da queima são recolhidos em água de bromo.088 g.m 12-1. O ácido sulfúrico. assim formado. Houve a formação de um precipitado branco que depois de lavado e seco pesou 932 mg. Calcular o teor de enxofre no petróleo analisado. é tratado com excesso de cloreto de bário obtendo-se um precipitado de sulfato de bário que pesou 0. Através de cálculos determine a quantidade de sulfato de sódio existente na amostra analisada e expresse os resultados em: a) g/L b) p.0 L de água potável foram tratados com excesso de solução de cloreto de bário.20% .0 g de petróleo com excesso de oxigênio.p.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful