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Vidas Secas

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Universidade Estadual de Maringá Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes – Departamento de Letras Curso / Habilitação: Letras – Português/Inglês

. Disciplina: LITERATURA BRASILEIRA - NARRATIVA Professora: LUZIA ALUNA: ALINE YURI KIMINAMI R.A.: 52310

O REGIONALISMO E A OBRA VIDAS SECAS, DE GRACILIANO RAMOS

É preciso abordar a forma de falar da região. abundantes na sociedade fluminense. este trabalho traz fatos históricos.já se esgotara nas décadas de 1860 e 1870. É nesse sentido que o sertanejo irá protagonizar os romances de Bernardo Guimarães. que retrata o sertanejo (em sua maioria. mistura de branco e índio). José Lins do Rego. O sertanejo torna-se então o símbolo do autêntico brasileiro. por estar corrrompido em seus valores básicos. De acordo com Afrânio Coutinho (1959). alheio às influências da Europa.a única localidade com características efetivamente urbanas no Brasil do século 19. de maneira mais superficial ou mais profunda. o sertão. de um local. à Corte. influenciado pela destruidora cultura estrangeira. uma vez que o próprio Alencar (no prefácio de Sonhos D’Ouro) via o homem da cidade como menos autêntico. as tradições culturais e sociais do lugar. seus aspectos narrativos. Graciliano Ramos e Guimarães Rosa. os autores mais marcantes do período. constituindo uma metamorfose do "bom selvagem" que Peri . do Visconde Alfredo d'Escragnole Taunay e de Franklin Távora e há textos de cunho regionalista em nossa literatura até o final do século 20. cujas raízes estão na época do romantismo. nas obras de José de Alencar. Logo veio a insatisfação com a representação do Brasil por um tipo que não existia. o gênero percorreu um grande caminho. É possível afirmar que no século 20 foram criados os grandes textos do regionalismo no Brasil. Este fazer literário surgiu em meados do século 19. a essência da terra onde está situada a obra. o de um heroi indígena idealizado. Entretanto. características e enredo. Na primeira fase romântica havia a valorização do índio como uma forma de buscar um elemento genuinamente brasileiro. gradualmente sendo substituído na literatura pelo regionalismo. Taunay e Franklin Távora. sem quis quer defeitos. como é possível ver em “O Guarani” de José de Alencar. por oposição à cidade. Chama-se de autores de sertanistas aqueles cujo foco está no sertão. Focalizar o homem do sertão era uma forma de ir além do indianismo que . ao Rio de Janeiro . É uma representação literária da realidade de uma região. visando retratála.Introdução Com o intuito de explicar a situação histórica e o movimento regionalista do qual “Vidas Secas” faz parte. Parte I O regionalismo Este tipo de literatura põe o seu foco em determinada região do Brasil. como foi o caso da obra de José de Alencar. Requer ainda que se tire a “substância”. para se chegar a autores como Érico Veríssimo. Esse “ideário da primeira hora” foi. que correspondesse aos ideais de Rousseau e o bom selvagem. a definição de regionalismo e uma análise da obra-prima de Graciliano Ramos. de Bernardo Guimarães.surgido na década de 1830 como forma de afirmação da nacionalidade . um romance regionalista não requer apenas a presença de uma região específica. a fauna e flora típicas.

(personagem central O Guarani) ou Ubirajara haviam personificado nos romances de Alencar anteriormente. segundo o crítico literário Alfredo Bosi. com direção de Walter Lima Jr. formado no hábito de pesar com a inteligência as suas relações com a paisagem e o meio (era engenheiro. com um enredo que também é capaz de seduzir o público de várias épocas. Do que já se deduz que o sertanejo romântico também padece de uma idealização heroica que o afasta da realidade. que critica o celibato clerical. e a atriz Fernanda Torres no papel da personagem principal. surgida quando boa parte da sociedade brasileira já aderira à causa abolicionista. contudo. pois o autor era filiado ao Partido Comunista Brasileiro (assim como Graciliano Ramos) pelo qual foi deputado . da linguagem. Além disso. As obras mais conhecidas de Bernardo Guimarães devem seu sucesso principalmente ao tema que abordam. porém. Segundo Alfredo Bosi. Ele se refere a "O Seminarista". dos costumes. Por trazer essa representação do real nas obras. Este último. decorrem os enredos marcados por amores. a miséria. marcado por um caráter de propaganda comunista. “ A Escrava Isaura” foi transformada em novela O cearense Franklin Távora é o primeiro a tentar fazer do regionalismo um movimento. e "Seara Vermelha". aventuras e peripécias como mandava o figurino da literatura romântica. o latifúndio. de José Lins do Rego. os romances sertanistas são marcados por um "pequeno realismo" . É importante ressaltar. "por seu temperamento e cultura. que se trata de uma crítica tardia. 1981). No entanto. muito senso de observação. De fato. O romance. não acompanha às pretensões do autor. A obra de Bernardo Guimarães. não se pode deixar de lembrar que a personagem é uma escrava branca. apresentando um projeto no prefácio de seu romance "O Cabeleira". ele abre um ciclo em nossa literatura: são vários os romances que tematizam o cangaço e o banditismo originário das peculiaridades do Nordeste: a seca. o regionalismo foi considerado um pré-realismo.que está preocupado em retratar as minúcias do vestuário. o visconde de Taunay tinha condições de dar ao regionalismo sua versão mais sóbria. Além disso. Taunay foi capaz de enquadrar a história de "Inocência" (1872) em um cenário e em um conjunto de costumes sertanejos onde tudo é verossímil. No entanto. pois seria inconcebível ao Brasil daquela época que uma negra protagonizasse um romance. É uma obra medíocre que mistura uma crônica do cangaço (o personagem-título é um cangaceiro) com os expedientes melodramáticos da pior ficção romântica. As grandes obras nacionais sobre o cangaço. de Jorge Amado.como afirma o estudioso Nelson Werneck Sodré . "Inocência" é uma pequena obra-prima. Nesse pano de fundo. porém. só iriam ser escritas no século 20: "Cangaceiros". que critica a escravidão. militar e pintor). Tanto é que também chegou às telas do cinema em 1982. Sem que o cuidado de o ser turve a atmosfera agreste e idílica que até hoje dá um renovado encanto à leitura". das paisagens e em valorizar o caráter exótico e grandioso da natureza brasileira. e "A Escrava Isaura". o seu prefácio não perde o título de ter sido o primeiro exemplo de um regionalista apresentado como programa explícito (Almeida. Homem de pouca fantasia.

oferecendo uma visão alternativa do Brasil e buscando uma maior inserção da literatura nos problemas do seu tempo. a contribuição do negro à sociedade brasileira é vista como algo positivo. o romance regionalista já reina quase supremo. denuncia suas mazelas. membros de uma classe dirigente cada vez menos poderosa em um século XX que já não precisava deles. acabou perdendo a importância que tinha originalmente em detrimento do sul. parte homogênea de uma obra diretamente influenciada por Freyre . Concomitantemente. O romance regionalista de trinta. unido a outros com o mesmo ideal. Um dos iniciadores do processo é “Casa Grande e Senzala”. sem dúvidas. José Lins do Rego lança seu Menino de Engenho. O ano de 1922 marca uma ruptura geral com o passadismo. Na década seguinte. onde eram encontradas minas de minerais preciosos e onde a cafeicultura mostrou-se fonte de renda majoritária no país. Gilberto Freyre. onde. voltam seu . maioria e escreviam obras vazias. o Brasil vivia um período denominado Belle Epoque.Rego se considerava seu discípulo e eram amigos pessoais. é sempre engajado. de Gilberto Freyre. sempre dialoga com o presente. Rego e Freyre. Os poetas parnasianos eram. tanto o progressista quanto o conservador.e apresenta o cangaceiro como um heroi revolucionário. Gilberto Freyre. de modo a assemelhá-lo à capital francesa. seja qual for sua ideologia. o que também é uma idealização não condizente com a realidade. O nordeste que uma vez tinha sido o maior pólo de comércio pela produção de cana. para chocar e provocar. escreviam errado propositalmente. tanto o nostálgico quanto o revolucionário. Alguns anos mais tarde. literatura de denúncia.sudeste. naturalmente. em especial o Rio de Janeiro. as obras de ambos têm diversos pontos em comum e podem ser consideradas parte de uma vertente bem específica do regionalismo: o regionalismo conservador nostálgico. praticamente pela primeira vez. A semana de arte moderna que acontece em São Paulo dá inicio ao movimento modernista. o romance regionalista. Eles queriam revolucionar a escrita. é um sociólogo e o enfoque do “Manifesto regionalista” de 26 tem como dois elementos básicos a consciência orgulhosa dos valores culturais unidos ao receio quanto à ameaça de sua dissolução. O Regionalismo de 30 No início do século XX. Outra questão importante é o fato de os líderes do modernismo (Mário de Andrade e Oswald de Andrade) serem poetas e a sua principal preocupação era antropofágica (aproveitar o que há de bom na literatura e cultura até o momento e dispensar o que não prestava). lançado em 1933. filhos de uma aristocracia rural falida. No Nordeste o líder do movimento. excessivamente formais e sem compromisso algum com a realidade. liguística principalmente. dava início a um outro movimento. Não por acaso. A melhor forma de diferenciar esses dois movimentos é partindo-se de questões socioeconômicas. O fato é especialmente digno de nota. envolve-se nas grandes questões sociais. considerando-se que na década anterior ainda era necessário que se apelasse para uma escrava branca para escrever um romance. Em oposição ao classicismo e alienação dos parnasianos. que visava transformar o Brasil.

Transparece em suas obras a certeza de que esse processo estava destruindo as tradicionais relações humanas que. Após esta fase. à industrialização. nem do presente e nem do futuro. mais felizes e sabiam o seu lugar. e sob o pseudônimo Feliciano de Olivença. se fixou em Palmeira dos Índios. uma rejeição à mercantilização. Soares de Almeida Cunha. em Vidas Secas e em toda a sua obra. a esperança reside no aumento de consciência e desalienação do leitor. Graciliano publicou na revista carioca “O Malho” diversos sonetos. Vidas Secas é só denúncia. Alagoas em 27 de outubro de 1892. A esperança. As autoridades. apesar de também regionalista. se existe. com apoio de seu mentor intelectual (redator) Mário Venâncio. Graciliano passou a utilizar diversos pseudônimos em suas publicações. O projeto de um Graciliano Ramos. tão vitimados pelo sistema ao ponto de já mal conseguirem dominar a língua ou articular palavras e pensamentos. em alguns trechos. Fabiano e sua família são mostrados como não mais que bichos. altruísta e protetora e. Em Vidas Secas. mais ordeira. burgueses e comerciantes contemporâneos aos seus trabalhadores e operários. interior de Alagoas. escrevendo diversos sonetos e prosas. . A vida literária de Graciliano tem inicio por volta de 1894. A partir desta fase. O romance não oferece nenhuma esperança para nenhum deles. não existe idealização alguma. Para Graciliano. Existe. Exercendo profissão de jornalista e político. mas todas as linhas levam a ele. Nem mesmo os heróis são vistos com simpatia. Quando morre Mario Venâncio. até mesmo uma escravidão patriarcal e bondosa seria preferível às relações cruéis e impessoais do nascente capitalismo. Freyre e Rego utilizam a denúncia social do regionalismo para rejeitar o presente em nome do passado. isso é afirmado explicitamente). determinados pelos pseudônimos que utilizava. os trabalhadores e escravos eram mais gratos. Ao denunciar as relações inumanas e vis que ligam industriais. não poderia ser mais diferente. voltou para Alagoas em 1904 e começou sua carreira jornalística em Viçosa. Lambda e Soares Lobato. quando mudou para Buique (PE). tornavam a vida mais doce. nunca houve o nordeste harmonioso. quando são mostradas (soldados e fazendeiros) são irredimivelmente vis e mesquinhas. De acordo com eles (e. Rego e Freyre parecem querer recuperar um passado onde a elite era mais generosa. o jornal Echo deixa de circular. Em comparação ao regionalismo conservador nostálgico de Freyre e Rego. na obra de ambos. nem do passado. é como um ponto-de-fuga: está fora do romance. ainda chegou a exercer o cargo de prefeito da cidade. Após rápida passagem pelo Rio de Janeiro. Trabalhou de 1909 a 1913 em diversos jornais de Maceió. Graciliano Ramos Nascido em Quebrângulo. mais humana. como: Almeida Cunha. ao progresso tecnológico generalizado que marcava sua época. amoroso e ordeiro de rego e Freyre. antigamente. Graciliano Ramos fez apenas os estudos secundários em Maceió.olhar para o passado patriarcal. podemos chamar essa outra vertente de regionalismo socialista de denúncia. conseqüentemente. do começo ao fim.

nessa época trabalhava em Maceió. A. Valeria a pena escrever sobre isto? Impossível. nesse mesmo ano. Graciliano demitiu-se do cargo de diretor da Imprensa Oficial e voltou a Palmeira dos Índios. foi libertado em janeiro do ano seguinte. ainda em nossos dias. até janeiro de 1937. .: 98). onde foi embarcada com destino ao Rio de Janeiro no navio "Manaus" com outros 115 presos. onde. Logo em seguida faleceu seu pai. Em março de 1936 foi preso por atividades consideradas subversivas sem. e assumiu em 1928. renunciou ao cargo de prefeito e se mudou para a cidade de Maceió. O país estava sob a ditadura de Vargas e do poderoso coronel Filinto Müller. em Palmeira dos Índios. O evento ocorrido em 1936 representou grande importância na vida de Graciliano. preso em Maceió e enviado a Recife. não se pode ler sem um sorriso nos lábios. onde fundou urna escola no interior da sacristia da igreja Matriz e iniciou os primeiros capítulos do romance São Bernardo. volta o então prefeito Graciliano Ramos com um novo relatório ao governador que. porque eu trabalhava em jornal do governo. após sofrer humilhações de toda sorte e percorrer vários presídios. “um resumo dos trabalhos realizados pela Prefeitura de Palmeira dos Índios em 1928”. acusado — sem que a acusação fosse formalizada — de ter conspirado no malsucedido levante comunista de novembro de 1935. voltou à Casa de Detenção e. concedido pela "Revista Acadêmica". Voltou a Palmeira dos Índios. com o romance Caetés. Neste mesmo ano casa-se com Maria Augusta Ramos. Graciliano casou-se com Heloisa Medeiros e colaborou com jornais usando o pseudônimo de Lúcio Guedes. Após voltar para Maceió. Em 1934. publicou "São Bernardo". dirigindo a Imprensa Oficial e a lnstrução Pública. 1930. pela Sala da Capela de Correção. Estreou em livro em 1933. passou pelo Pavilhão dos Primários da Casa de Detenção. Rachel de Queiroz e Jorge Amado. No ano seguinte. (Ramos de Oliveira). Essas experiências pessoais são retratadas no livro Memórias do cárcere. Graciliano tornou-se prefeito da cidade de Palmeira dos Índios (AL) no ano de 1927. a verve do escritor se revela ao abordar assuntos rotineiros de uma administração municipal. Colaborando com o "Jornal de Alagoas" e com o fluminense "Paraíba do Sul". publicado pela Imprensa Oficial de Alagoas em 1929. e travou conhecimento com José Lins do Rego. Seu livro "Angústia" foi lançado no mês de agosto daquele de 1937.” (Ramos. na qual veio a falecer em 1920. “Muitos crimes depois da revolução de 30. foi demitido. sob as iniciais R. contudo. ter sido acusado formalmente. No período em que esteve preso no Rio. Dois anos depois. 1987a. onde trabalhou como jornalista e comerciante. pela Colônia Correcional de Dois Rios (na Ilha Grande). Quando escreveu seu primeiro relatório ao governador Álvaro Paes. da maneira única que havia sido apresentado. em meados de 1915. por fim. trabalhou como revisor de provas tipográficas nos jornais cariocas "Correio da Manhã".No ano de 1914. "A Tarde" e "O Século".O. com o prêmio "Lima Barreto". onde foi nomeado diretor da Imprensa Oficial. Esse romance foi agraciado.

O livro "Sete histórias verdadeiras". de número 27 . também. Paulo. Traduziu ainda "Memórias de um negro". a "Revista Acadêmica" dedicou-lhe uma edição especial. Os contos de "Insônia" foram publicados em 1947 e o livro "Infância” foi publicado no Uruguai. decide ir a Buenos Aires. à Eslováquia e Rússia. o conto inédito "Luciana". já enfermo. ano em que são lançados "Dois dedos" e o livro de memórias "Infância". como consta de sua ficha na polícia política. em setembro daquele ano foi operado. que reúne os contos de "Dois dedos". escrito em parceria com Jorge Amado. uma série de cinco artigos sobre a obra de Graciliano no jornal "Diário de São Paulo". Filiou-se ao Partido Comunista. com treze artigos sobre o autor. Aníbal Machado e Rachel de Queiroz é publicado pela Livraria Martins. José Lins do Rego e outros "conhecidos comunistas e elementos de esquerda". junto de Álvaro Moreira. em 1948. de Albert Camus. do Rio de Janeiro. em sessão presidida por Peregrino Júnior. publicado pela Editora Nacional. Visitou. Joel Silveira.ano III. No mês de abril de 1952.”. Elegeu-se presidente da Associação Brasileira de Escritores em 1952. onde se submeteu a tratamento de pulmão. Recebeu ainda o prêmio "Literatura Infantil". com "A terra dos meninos pelados. a França e Portugal. freqüentou assiduamente a sede da revista "Diretrizes". publicou seu famoso romance "Vidas secas". da Academia Brasileira de Letras. nessa época. Graciliano viajou em companhia de sua segunda esposa. em 1945.E em 1940. No ano seguinte foi nomeado Inspetor Federal do Ensino Secundário no Rio de Janeiro. mas os médicos não lhe deram muito tempo de vida. S. Washington. José Lins do Rego. Paulo. do Ministério da Educação. do americano Booker T. Sobre sua obra e sua personalidade falaram Jorge . em 16 de junho. cujo lançamento se dá nesse mesmo ano pela José Olympio. Em maio. Em 1938. extraídas do livro "Histórias de Alexandre". em 1944. o livro de literatura infantil "Histórias de Alexandre". Graciliano publicou "Histórias incompletas". Graciliano recebeu o prêmio "Felipe de Oliveira" em 1942 pelo conjunto de sua obra. três capítulos de "Vidas secas" e quatro capítulos de "Infância". Lançou. Heloísa Medeiros Ramos. por ocasião do jantar comemorativo a seus 50 anos. que o autor respondeu por carta. A passagem de seus sessenta anos foi lembrada em sessão solene no salão nobre da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Esse material transformou-se no livro "Ficção e Confissão". Argentina. onde teve alguns de seus romances traduzidos. S. tendo sido reeleito em 1962. O romance "Brandão entre o mar e o amor". foi publicado. Ao retornar. Seu livro "Angústia" foi publicado no Uruguai.Foi libertado e passou a trabalhar como copidesque em jornais do Rio de Janeiro. E publicou uma série de crônicas sob o título "Quadros e Costumes do Nordeste" na revista "Política". O escritor Antônio Cândido publicou.No ano de 1946. Em 1950 Graciliano traduziu o famoso romance "A Peste". em 1937.

Seus livros "São Bernardo" e "Insônia" foram publicados em Portugal.Infância . "Viventes das Alagoas" e "Alexandre e outros heróis". em 1980. por Graciliano Ramos. 1956: 52). em Curitiba (PR).contos . tendo como principal função ilustrar o tema que se quer dar a conhecer. Três capítulos foram publicados como contos. repetidas e repetidas vezes.romance . devem ser lidos nesta ordem. Postumamente. Peregrino Júnior. Em seu nome. respectivamente. 1954. mas com o estado de miséria e de dominação em que vivem. como leitores.memórias .Dois dedos .romance . Por essa razão. o enredo é desenvolvido de forma precária. às 05h35min horas de uma sexta-feira.Amado. Bibliografia: . foram publicados os seguintes livros: "Viagem". O livro "Vidas secas" recebe o prêmio "Fundação William Faulkner". realizada pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. como era chamado pelos amigos. sendo “Baleia” o primeiro deles. aonde veio a falecer. tendo ficado sem o capítulo final. em que. em 1963 e 1983. Em 1963. "Linhas tortas". na Virginia. dentre os quais alguns podem até ser lidos em outra ordem que não a impressa no livro. Leon Hirszman dirige "São Bernardo". Vitor. José Lins do Rego e outros. “Vidas secas” chegou a ser chamado por Rubem Braga de “romance desmontável” (apud Candido. Seus livros "Vidas secas" e "Memórias do cárcere" foram adaptados para o cinema por Nelson Pereira dos Santos. o livro tem treze capítulos. seu romance "Caetés" foi publicado em Portugal. Miécio Tati. foi internado na Casa de Saúde e Maternidade S. e "Cartas".Vidas secas . "mudança". foi lembrado com as exposições "Retrospectiva das Obras de Graciliano Ramos". falou sua filha Clara Ramos. No janeiro ano seguinte. No que diz respeito à estrutura. Heraldo Bruno. Assim.romance . Estados Unidos. quando menos se espera.Insônia . como o primeiro. "fuga". que Graciliano não chegou a concluir. alguns capítulos. 1953. a situação se agrava e a família é obrigada a se retirar. Em 1970. Dentro dessa concepção. em 1962. e o último. Entretanto. o 10º aniversário da morte de Mestre Graça. no dia 20 de março.contos .romance . foi publicado o livro "Memórias do cárcere".São Bernardo . "Memórias do cárcere" é publicado em Portugal. não nos preocupamos tanto com as pequenas peripécias das personagens de Vidas secas. em 1957 e 1962. 1980.Caetés . Esses dois capítulos reforçam a ideia de que toda a miséria que circunda os personagens de "Vidas Secas" representa um ciclo. e "Exposição Graciliano Ramos". respectivamente.Em 1965.Angústia . vitimado pelo câncer. A obra “Vidas Secas” foi publicado em 1938. uma reunião de sua correspondência.

diz. em 1980. jamais viveu de literatura.Memórias do cárcere . explorando também o lado psicológico e o linguístico dessa relação.Viagem .crônicas . Alemanha. A obra foi publicada na Argentina. que se tornaria uma das obras mais aclamadas da literatura brasileira. por exemplo. a personagem recebe uma carta repleta de adjetivos. é algo que merece ser avaliado com mais acuidade”. apesar de centrar-se em determinada região. respectivamente.memórias . como Dostoievski. Rússia. Preso em Maceió. Para o professor Carlos Eduardo Berriel. no romance Caetés. A terra dos meninos pelados e Pequena história da República). sem culpa formada pois seria comunista.impressões sobre a Tchecoslováquia e a URSS. apesar de Graciliano ter sido estudado pelo melhor da crítica dos últimos 50 anos. "Estou resolvido a não me defender. alguns críticos gostam de afirmar que Graciliano deve ter se divertido muito quando. denunciando o amor adúltero de sua esposa.correspondência pessoal. na Polônia.Linhas tortas . É comum em suas obras o privilégio do substantivo em relação ao adjetivo.. Luísa. assinala Berriel. em 1963 e 1983.crônicas .Alexandre e outros irmãos (Histórias de Alexandre. Independente das limitações regionais. “Como alguns aspectos existentes em seu estilo literário e as influências que outros escritores exerceram sobre Graciliano. vai além do pitoresco e do descritivo dos regionalistas típicos da geração de 1930. .Cartas . O filme "Vidas secas" obteve os prêmios "Catholique International du Cinema" e "Ciudad de Valladolid" (Espanha).Viventes das Alagoas .. Sua obra. Portugal e França. Por isso. pode-se considerar que grande parte de sua obra ainda está por ser avaliada de maneira mais abrangente e detalhada. Tolstoi e Eça de Queiroz. Graciliano foi indicado ao prêmio Brasil de literatura. Graciliano faz uma análise profunda da condição humana. “Apesar de Graciliano ser conhecido no Brasil. . Críticas acerca da obra e de Vidas Secas “Vidas Secas” (considerada pela crítica a obra-prima de Graciliano Ramos) e "Memórias do cárcere" foram adaptadas para o cinema por Nelson Pereira dos Santos. Defender-me de quê? Tudo é comédia e de qualquer . Graciliano analisa profundamente a relação do homem com o meio. mas sim para a literatura”. A primeira edição de “O Mundo Coberto de Penas” estava rodando na gráfica quando o autor resolveu fazer mais uma pequena correção: na última hora mudou o título do livro para “Vidas Secas”. Leon Hirszman dirige "São Bernardo". em março de 1936.

Essa característica de “Vidas secas” chamou a atenção de Álvaro Lins. poderia se pensar que “Vidas secas” tivesse como foco privilegiado a realidade exterior da seca e da caatinga.maneira eu seria um péssimo ator" (carta à mulher). não um intérprete mimético. Por pouco que o selvagem pense – e os meus personagens são quase selvagens – o que ele pensa merece anotação (apud Ramos.. Em agosto.] do fato de ele ter feito romance regionaliza ou romance proletário. As duas críticas parecem se aproximar ao colocar como defeito o que nos parece ser o maior talento de Graciliano em “Vidas secas”: representar o homem rústico como um ser humano. que considerou um defeito “o excesso de introspecção em personagens tão primários e rústicos”.. os modos literários de mostrar a visão dramática d e um mundo opressivo”. ao adulto civilizado” (Antônio Cândido). Fabiano tem oportunidade de vingar-se do ‘soldado amarelo’. e por isso há na sua voz uma certa objetividade de relator. e ver seu pensamento não como falta de verossimilhança.] forma um anel de ferro. (Antônio Cândido) Tendo como tema o drama social gerado pelo problema da seca no Nordeste. em geral. de modo que. mas alguém que institui a humanidade de seres que a sociedade põe à margem. 1974: 37). 1979: 125). empurrando-os para as fronteiras da animalidade. “Este encontro do fim com o começo [. desde o pormenor do discurso até o desenho geral da composição. [. em cujo círculo sem saída se fecha a vida esmagada da pobre família de retirantes-agregados-retirantes. pensando na inutilidade do gesto. . É essa proposta do livro que o próprio Graciliano deixa claro: “Procurei auscultar a alma do ser rude e quase primitivo que mora na zona mais recuada do sertão. 1962: 159). imaginam e sentem o que seriam capazes de pensar. a hostilidade do meio físico e da injustiça humana. expondo os sentimento ou pensamento mais íntimos que trazem no espírito os seus sertanejos. sem perder a própria identidade. Clara. sai Angústia (Livraria José Olympio Editora).] É como se o narrador fosse. porém.. Mas do fato de ter sabido criar em todos os níveis. Não pelo que vale. observar a reação desse espírito bronco ante o mundo exterior. Não o faz. Mas quer fazer as vezes do personagem... Aqui. que Fabiano e seus familiares “pensam.. mas como bastante significativo (ainda que fragmentário e contraditório). mostrando que a poderosa visão social de Graciliano Ramos neste livro não depende [. Já Rolando Morel Pinto discorda desse último comentário. a animalidade reage e penetra pelo universo reservado. isto é. pois os verdadeiros culpados são os ‘donos’ do soldado” (Pinto. que pensa e sente. que "foi bem recebido. imaginar e sentir” (Lins. mas porque me tornei de algum modo conhecido. O crítico ressalvou. mas o autor nos surpreende ao seguir em direção contrária. o autor chega a esquecer as limitações psicológicas de Fabiano e atribui a ele reações que estão acima de seu nível mental. infelizmente" (idem). ao notar o que considera uma inverossimilhança: “Às vezes. Na opinião de Antônio Cândido sobre o enredo de Vidas Secas: “O narrador não quer identificar-se ao personagem. sugere a dele.

Parte II – Análise de “Vidas Secas” Enredo e personagens A história de “Vidas Secas” começa com a tentativa de uma família nordestina em sobreviver e escapar da seca do sertão. humanizada em vários momentos.S. também não se conforma com sua situação miserável. inventando cobranças para pagar-lhes menos. onde acabam ficando. o pai da família e protagonista. Fabiano é preso maltratado e humilhado. Ela é a única que entende de contas. que o convida para jogar baralho com os outros. bem” (Ramos. “Merecia castigo? – An!” (Ramos. mais inteligente da casa. V.S. Por não ter habilidades comunicativas. O protagonista e sua mulher começam a perceber que o patrão os engana e lucra com o seu trabalho. zombando das contas de Sinhá Vitória. Após de um curto período de chuva o dono da fazenda retorna e contrata Fabiano como seu vaqueiro. fato que sempre aparece no texto. 1974. como Fabiano que se julga um animal) e muito querida das crianças Depois de muito caminhar e serem forçados pela fome a comer o papagaio de estimação (que não falava. 1974. 1974. – Bem. – An!” (Ramos. a personagem mais intrigante e importante é Baleia considerada da família. A família participa da festa de Natal da cidade onde se sentem humilhados por diversos "patrões" e "Soldados Amarelos". ele explorava seus empregados e os mantinha como escravos por dívidas.: 69). Sinhá Vitória é a mãe. em que nota-se uma antropomorfização do animal (enquanto com os outros personagens ocorre a zoomorfização. Fabiano é solto e continuando assim sua vida na fazenda. V.: 70). “Para que tanto espalhafato? – Hum! hum!” (Ramos. Desonesto.: 71). Os dois filhos e a cadela Baleia acabam por concluir essa família. ele prefere se comunicar com animais e muita vez recorre ao uso de onomatopeias como em: “Assim um homem não podia resistir. V. 1974. Aparece um policial que Fabiano chama de Soldado Amarelo. aumentando assim sua insatisfação com o mundo e com sua própria condição de homem selvagem do campo. o antagonista. V. . Fabiano vai a venda comprar mantimentos e lá se põem a beber. adicionando juros sobre juros sem motivos. O dono da fazenda é uma personagem secundária.: 137). Fabiano. e sonha com uma cama de couro como a de Seu Tomás de Bolandeira. “Deviam bulir com outros. é mais "madura" do que seu marido Fabiano. Dentre eles. muito devido aos monossilábicos donos) a família chega a uma fazenda abandonada. O jogo acontece e numa desavença com o Soldado Amarelo. é um vaqueiro sem muita eloquência. – An! Estava tudo errado. principalmente no capítulo reservado a ela e à sua morte.S.S.

em um dos poucos episódios repletos de sentimento no livro. de forma não metafórica. Fabiano achava bonito aquele mundo arrasado. Mas o segundo significado é metáfora pura: o mundo de Fabiano e sua família estava coberto de penas. o capítulo contém: as arribações tinham chegado. mofino. O mundo coberto de penas) Fecha-se o círculo vicioso. o elo de ligação de ferro de Antônio Candido. Podemos encontrar muitas vezes os discursos indiretos livres. Necessário abandonar aqueles lugares amaldiçoados. A cena do soldado acuado. causa suspense e suscita no leitor o desejo de logo conhecer o final da cena. desgostos e tristezas. livrar-se das arribações. dores. Sinhá Vitória pensaria como ele. uma desforra catártica. Fabiano tenta esquecer o assunto e acaba ficando muito indignado. àquela hora. O penúltimo capítulo do livro “Vidas secas” tem como nome “O mundo coberto de penas” e há. na caatinga seca. Absolutamente mudo. surpreendemo-nos com a resignação do nosso herói. Elementos da Narrativa No romance "Vidas Secas". Precisava consultar Sinhá Vitória. Ultimamente vivia esmorecido. com narrador onisciente (externo e subjetivo). Nessa construção. . convencer-se de que não praticara injustiça matando a cachorra. Ia escurecendo e. pensando no bem de sua família. tal como descrita no texto. ao mesmo tempo. as penas brancas. encontramos a narração em terceira pessoa. bebiam a pouca água existente e seguiam para o Sul. E. que em sua maior parte traz uma linguagem seca.”. É um dos momentos de tempo psicológico no texto. O discurso indireto livre caracteriza-se por possibilitar ao narrador identificar-se com a personagem e. Chegou-se á casa. É impressionante o poder de intimidação do protagonista do romance. quando pousavam. de Graciliano Ramos.Baleia fica doente e Fabiano a sacrifica. “Mau sinal. este que ameaça despejar Fabiano da fazenda. Tempos depois. duas interpretações: a primeira é o que. combinar a viagem. milhares delas. Na voltada venda Fabiano encontra o Soldado Amarelo perdido no mato. não é possível atribuir o enunciado a uma das partes (narrador ou personagem). Afinal. ele sentia sempre uns vagos terrores. manter a independência em relação a ela. (Cap. sofrimentos. coberto das penas das aves. As aves vinham aos bandos. penares. deixavam cair. "Governo é governo": essa pequena frase talvez traduza o legado da opressão por tanto tempo cultivado no Brasil. porque as desgraças eram muitas. provavelmente o sertão ia pegar fogo. no entanto. Não satisfeito e sentindo-se prejudicado com o patrão. com medo. ouve-se ressoar duas vozes. mágoas. Fabiano resolve conversar com seu patrão. XII. ele consegue impingir um terror atroz ao representante das forças oficiais. ambos se encontram e Fabiano tem a oportunidade da vingança. para ele. muitas vezes. Somos levados a acreditar na possibilidade de uma revanche. explicar-se. seco e sem cor. misturadas de tal forma que.

na lagoa seca.. de Vidas secas. sobressaindo na paisagem juazeiros e caatingas. incomuns para o resto continental território do brasileiro. A primeira que traz a família para a fazenda e a segunda que a leva para o Sul. definidas no romance pelas vozes. Insere sutilmente o indireto livre.Essas características vão permitir a articulação de dois pontos de vista em Vidas secas: a visão do narrador. até ser despertada pelo grito da ave e ter a idéia de transformá-la em alimento". circunscrita no pequeno universo de seus afazeres e problemas cotidianos. na parte em que Fabiano encontra o Soldado Amarelo. Agora desejava saber que iriam fazer os filhos quando crescessem. Essas duas visões de mundo. o tempo é psicológico e circular e há presença de tempo psicológico. 11 – O soldado Amarelo) A alternância entre os espaços urbanos e rurais deixa clara a inadequação da família quando no primeiro.. coberta de caatingas e capões de mato". se faz em discurso direto e introduzido por um verbo de opinião. descrito com precisão pelo autor e é exótico. mesclando-os com extrema habilidade estilística. refere-se ao sertão nordestino. . ora se aproximam. com Fabiano novamente. com a objeção rosnada de Fabiano. e quando o menino mais novo pesa se deve ou não pular no cabrito. – Vaquejar. em seguida. pois a família se sente confortável quando está entre os animais. ora são dissonantes. como parte de uma história de exploração. circunstâncias inusitadas na fala do monossilábico e reticente personagem: Em que estariam pensando?. O trecho comprova". Mesmo possuindo algumas referências cronológicas na obra. introduzido por um verbo carregado de expressividade. Isso é reflexo direto de um elemento essencial para a facção de uma obra regionalista. O tempo de narrativa se localiza entre duas secas. e a visão de Fabiano e de sua família. torrada. Menino é bicho miúdo. Graciliano Ramos emprega os três tipos de discurso. dessa vez ruminando sobre a capacidade de raciocínio da mulher. e não entre gente. zumbiu sinhá Vitória. para referir-se à indagação de sinhá Vitória e à reação do marido. Sinhá Vitória é saudosista. 01 – Mudança) O espaço é físico. ". plena de convicção. No trecho a seguir. opinou Fabiano. Começa com a pergunta de sinhá Vitória.(Cap. Lembra-se de acontecimentos antigos. com quase nenhuma perspectiva além da sobrevivência diária. passa para o indireto narrativo nos dois períodos seguintes. extraído do capítulo “Fuga”. Mas sinhá Vitória renovou a pergunta – e a certeza do marido abalou-se. Ela devia ter razão. e volta ao indireto livre. retoma o indireto narrativo. O foco narrativo ganha destaque ao converter em palavras os anseios e pensamentos das personagens. ora consonantes. em discurso direto. Tinha sempre razão. ora se afastam.(Cap.. A resposta de Fabiano projeta para o futuro dos filhos sua própria condição de vaqueiro e. O discurso indireto puro reproduz a indagação de sinhá Vitória a respeito do futuro dos meninos. como mencionado.. que olha os retirantes a partir de um contexto mais amplo. Fabiano estranhou a pergunta e rosnou uma objeção. não pensa.

ed. (1956). São Paulo: Siciliano. pude compreender melhor o que é uma obra regionalista.graciliano.com/materia. o livro “Vidas Secas”. 1979. Confirmação humana de urna obra. edição de 09/03/2003 RAMOS.asp?codigo=529953 http://www. 1992. G. O movimento regionalista veio para que esses aspectos culturais. da Folha de São Paulo. Clara. p. e principalmente. Graciliano Ramos e o Partido Comunista Brasileiro: as memórias do cárcere. http://diariodonordeste. Center for Latin American Studies. In: RAMOS. A tradição regionalista no romance brasileiro (1857-1945). Caderno "Mais!".Conclusão A obra de Graciliano Ramos é profundamente triste. Graciliano: retrato fragmentado. a socio-critical approach”). São Paulo: Martins Fontes. sociais e naturais fossem trazidos à tona nas obras de cunho regionalista como “Vidas Secas”. Mestre Graciliano. Universidade de São Paulo. In: RAMOS. 1981. p. pois nos mostra uma situação muito longe de nossa realidade. seus autores mais influentes. Caetés. LINS. São Paulo. G. 13-83. Além disso. 9-40. CORRÊA JÚNIOR. que residem em aspectos de diferenças sócio-econômicas e históricas. Edited and with introduction by Roberto Reis. José Maurício Gomes de. Ângelo Caio Mendes. 32. Civilização Brasileira. Rio de Janeiro: Achiamé. RAMOS.citi. Álvaro. [ prefácio] LAJOLO. Rio de Janeiro: J. Foi possível perceber a conexão entre o modernismo e o regionalismo e suas diferenças mais peculiares. p. http://www. Olympio.globo. 153-164. (1974). Antonio. “Valores e misérias das vidas secas”. Referências Bibliográficas ALMEIDA.com. “Ficção e confissão”.pt/cultura/literatura/romance/graciliano_ramos/mov_30.html CANDIDO. In: Towards Socio Criticism (Selected proceedings of the conference “Luso Brazilian Literatures. Dissertação (Mestrado em Letras). Marisa. (1991) “Machado. Rio de Janeiro. 2000. Ricardo. Graciliano e Rubem Fonseca: diferentes itinerários do escritor brasileiro”. Arizona State University.br . que sofreu uma análise de vários aspectos que ajudam a criar um conceito e abrir mais caminhos para novas leituras. suas origens. Vidas secas.

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