Introdução O sistema digestivo consiste no trato digestivo – cavidade oral, esôfago, estômago, intestinos delgado e grosso, reto e ânus

– e suas glândulas associadas – glândulas salivares, fígado e pâncreas. Sua função é obter, a partir dos alimentos ingeridos, as moléculas necessárias para a manutenção, o crescimento e as demais necessidades energéticas do organismo. A primeira etapa do processo complexo conhecido como digestão ocorre na boca, a qual continua no estômago e intestino delgado, onde o alimento é transformado em seus componentes básicos e absorvido. A absorção de água ocorre no intestino grosso. Estrutura geral do trato digestivo Trata-se de um tubo oco composto por um lúmen, cujo diâmetro é variável, circundado por uma parede formada por quatro camadas distintas: mucosa, submucosa, muscular e serosa.

A camada mucosa (ou membrana mucosa) é composta por: Um revestimento epitelial Uma lâmina própria de tecido conjuntivo frouxo rico em vasos sanguíneos e linfáticos e células musculares lisas, algumas vezes apresentando também glândulas e tecido linfóide. Uma muscular de mucosa, que separa a camada mucosa da submucosa e geralmente consiste em duas subcamadas delgadas de células musculares lisas, uma circular interna e outra longitudinal externa. A camada submucosa é composta por: Um tecido conjuntivo com muitos vasos sanguíneos e linfáticos Um plexo nervoso submucoso (plexo de Meissner) A camada muscular contém: 4

Células musculares lisas, divididas em duas subcamadas de acordo com a direção principal seguida pelas células musculares. o Subcamada mais interna (próxima ao lúmen), com orientação circular. o Subcamada mais externa, que é majoritariamente longitudinal.  Entre essas duas subcamadas observa-se o plexo nervoso mioentérico (ou plexo de Auerbach) e tecido conjuntivo contendo vasos sanguíneos e linfáticos. A serosa é uma camada delgada de tecido conjuntivo frouxo, rica em vasos sanguíneos e linfáticos e tecido adiposo, revestida por um epitélio pavimentoso simples denominado mesotélio. Peritônio visceral: serosa que reveste os órgãos Mesentério: membrana delgada revestida por mesotélio dos dois lados (é a continuação do peritônio visceral) e suporta os intestinos. Peritônio parietal: membrana serosa que reveste a cavidade abdominal. As principais funções do revestimento epitelial do trato digestivo são: prover uma barreira seletivamente permeável entre o conteúdo do lúmen e os tecidos do organismo, facilitar o transporte e a digestão do alimento, promover a absorção dos produtos desta digestão. A CAVIDADE ORAL A cavidade oral é revestida por epitélio pavimentoso estratificado, corneificado ou não conforme a região. A camada córnea é responsável pela proteção da mucosa oral contra agressões mecânicas durante a mastigação, pode ser observada na gengiva e no palato duro. A lamina nestas regiões tem várias papilas e repousa sobre o periósteo. O epitélio pavimentoso não corneificado está presente no palato mole, lábios, bochechas e assoalho da boca. A lâmina própria possui papilas similares as observadas na derme e é contínua com a submucosa contendo glândulas salivares menores. No lábio há a transição do epitélio oral não corneificado e o corneificado da pele. O palato mole possui músculo estriado esquelético, glândulas mucosas e nódulos linfóides na sub mucosa. A língua também é um músculo estriado esquelético revestido por membrana mucosa de estrutura variada, conforme a região. São três planos de fibras entrecruzadas agrupadas em feixe, separados por tecido conjuntivo. A membrana mucosa está fortemente aderida a musculatura por meio do tecido conjuntivo da lâmina própria que penetra nos espaços intermusculares. A superfície ventral da língua é lisa enquanto a dorsal é irregular e apresenta grande quantidade de papilas. No terço posterior a língua apresenta pequenos grupos de nódulos linfóides. As papilas linguais são dividas em quatro grupos: As filiformes, que possuem formato cônico alongado, são numerosas e estão presentes em toda a superfície lingual. Epitélio de revestimento corneificado e não possui botões de gustação (botões gustativos são estruturas especializadas com células gustativas, que detectam o sabor); As fungiformes, as quais assemelham-se a cogumelos com base estreita e porção superior alargada e lisa. Possuem 5

Tal fluxo é importante para retirada de partículas a fim de que a células identifique outras partículas. Muitas destas células do botão são as próprias células gustativas enquanto outras tema função de suporte secretando material amorfo que circunda as microvilosidades. Localizadas na região “V” da língua.poucos botões gustativos e estão irregularmente distribuídas entre as filiformes.doce e amargo. Essa lípase é ativa no estômago atuando sobre a digestão. As glândulas de van Ebner também secretam lípase lingual para que não forme camada lipídica sobre as papilas. O botão repousa sobre uma lâmina basal e. 6 . Com numerosas glândulas serosas (glândulas de Von Ebner). Papilas foliadas. consistem de duas ou mais rugas paralelas separadas por sulcos na superfície dorsolateral da língua com muitos botões gustativos. cujas superfícies achatadas se estendem acima das outras papilas. O botão gustativo percebe sabor:salgado.azedo. pouco desenvolvidas no homem. em sua porção apical. Circunvaladas são 7 a 12 estruturas circulares grandes. as células gustativas possuem microvilosidades. Possui um arranjo similar a um fosso onde secreta seu conteúdo e permite um fluxo de líquido sobre um grande número de botões gustativos localizados nas superfícies laterais dessas papilas. As células indiferenciadas da camada basal são responsáveis pela substituição de todas as células.

A Faringe. fosfolipídios e sais de cálcio na forma de cristais de hidroxiapatita. Internamente ao esmalte e o cemento está a dentina. as raízes por outro tecido mineralizado. O ligamento periodontal é um tecido conjuntivo com feixes grossos de fibras colágenas inseridos no cemento e no osso alveolar. sua mucosa também contém muitas glândulas salivares menores de secreção mucosa em sua lâmina própria. glicosaminoglicanos. A faringe contém as tonsilas. é revestida por epitélio pavimentoso estratificado não corneificado na região contínua ao esôfago e por epitélio pseudo-estratificado cilíndrico ciliado contendo células caliciformes nas regiões próximas à cavidade nasal. A coroa é recoberta por um tecido mineralizado extremamente duro o esmalte. fixando o dente firmemente no alvéolo. Sua matriz orgânica é secretada pelos odontoblastos. outro tecido mineralizado o qual compõe a maior parte do dente. localizadas na periferia da polpa.e uma ou mais raízes abaixo da gengiva que unem os dentes aos alojamentos ósseos denominados alvéolos. células alongadas. Dentina. composta de tecido conjuntivo. devido a elevada conteúdo de sais de cálcio(70% do peso seco). é a região de comunicação entre a região nasal e a Laringe. fosfoproteínas. são em número de 32 em adultos(dentes permanentes). é um tecido mineralizado mais duro que o osso. É composta de fimbrilas de colágeno I. Mais internamente ainda encontra-se a cavidade pulpar. Dentes. com tecido conjuntivo frouxo muito vascularizado e inervado. Cada dente possui uma porção que se projeta acima da gengiva -a coroa. o cemento as duas coberturas se encontram no colo do dente. Os músculos constrictores e longitudinais da faringe estão localizados mais externamente a esta camada. Essas células possuem prolongamentos que penetram a dentina(fibras de Tomes) os quais vão se alongando conforme a dentina se torna espessa 7 .

É altamente vascularizada e inervada. É produzido por células de origem ectodérmica. chumbo e fluoreto. ligamento periodontal. As proteínas de sua matriz são principalmente amelogeninas e enamelinas. e ainda íons como estrôncio. magnésio. sendo todos eles percebidos como dor. Principais componentes são odontoblastos. permitindo movimento limitados dos dentes. também possuem uma extensão apical o processo de Tomes. Possui poucas fibras nervosas amielínicas. com cerca de 96% mineral. fibroblastos.prismas do esmalte. enquanto as outras estruturas dentais têm origem da mesoderme ou células da crista neural. osso alveolar e gengiva. Os ameloblastos são células que possuem numerosas mitocôndrias. O osso mais próximo das raízes dos dentes forma o osso alveolar. O cemento recobre a dentina radicular. cemento. Polpa Dental. dos quais alguns penetrarão a polpa. Esmalte. fibrilas finas de colágeno e substância amorfa que contém glicosaminoglicanos. Componente inorgânico principal são os cristais de hidroxiapatita. A dentina é sensível a frio. que estão unidas entre si pelo esmalte interprismático. 8 . A matriz produzida inicialmente denominase pré-dentina e não é mineralizada. Gengiva . vasos sanguineos atravessam o osso alveolar e penetram no ligamento periodontal ao longo da raiz formando os vasos perfurantes. 1% matéria orgânica e 3% água. trauma e ph ácido. os ameloblastos.formando canais estreitos os túbulos dentinários. é o componente mais duro do corpo humano. que possui numerosos grânulos de secreção que contém proteína que constituem a matriz do esmalte. é uma membrana mucosa firmemente aderida ao periósteo dos ossos maxilar e mandibular. composta por tecido conjuntivo frouxo.O ligamento periodontal é composto por um tipo especial de tecido conjuntivo (fibras de Sharpey). que penetram no cemento e nas parede ósseas do alvéolo. O esmalte consiste em colunas alongadas. calor. É composta por epitélio pavimentosos estratificado e lâmina própria contendo numerosas papilas conjuntivas. Periodonto. compreende as estruturas responsáveis por manter o dente nos ossos maxilar e mandibular.

ESÔFAGO Função: transportar o alimento da boca para o estômago. 9 .

transformar esse bolo alimentar em uma massa viscosa (quimo) por meio da atividade muscular e promover a digestão inicial de proteínas por meio da enzima pepsina. o muco forma uma espessa camada de gel que protege as células da acidez do estômago. fundo. denominadas glândulas da cárdia. Quando secretado pelas células. e todas as células secretam um muco alcalino. que possuem três regiões distintas: 10 . estas dobras se achatam.ESTÔMAGO Exerce funções endócrinas e exócrinas. adicionar um fluido ácido ao alimento ingerido. Cárdia: é uma banda circular estreita na transição entre o esôfago e o estômago. formando as fossetas gástricas. A camada mucosa gástrica é revestida por um epitélio que sofre invaginações em direção à lâmina própria. Suas funções principais são continuar a digestão de carboidratos iniciada na boca. O epitélio que recobre a superfície do estômago e reveste as fossetas é colunar simples. portanto. Sua mucosa contém glândulas tubulares simples ou ramificadas. Nessas fossetas desemboca a secreção de glândulas tubulares ramificadas características de cada região do estômago (da cárdia. fúndicas e pilóricas). Quando o estômago está distendido devido à presença de alimento. corpo e piloro. As regiões do fundo e do corpo possuem estrutura microscópica idêntica e. histologicamente apenas três regiões são consideradas. As camadas mucosa e submucosa do estômago não distendido repousam sobre dobras direcionadas longitudinalmente. digerindo o alimento e secretando hormônios. Fundo e Corpo: a lâmina própria nas regiões do fundo e corpo está preenchida por glândulas tubulares ramificadas (glândulas fúndicas). No estômago são identificadas quatro regiões: cárdia.

o Base: contém principalmente células parietais e zimogênicas. Sua secreção mucosa é diferente daquela das células epiteliais mucosas. Essas células apresentam abundância em mitocôndrias. histamina e gastrina. esse quando secretado no ambiente ácido do estômago é rapidamente convertido em pepsina. Secretam H⁺ e CL⁻. No fundo do estômago. Comparada a região da cárdia. que inibe a liberação de alguns hormônios. o K⁺ é trocado pelo H⁺ produzindo HCL. a região pilórica possui fossetas mais longas e glândulas mais curtas. Essas células também produzem lípase. com um núcleo esférico que ocupa posição central e citoplasma intensamente eosinofílico. zimogênicas ou enteroendócrinas. o Colo: contém células-tronco. células-tronco indiferenciadas e células oxínticas (parietais). como o estímulo parassimpático. serotonina é um dos principais produtos de secreção. são arredondadas ou piramidais.  Células Zimogênicas: predominam na região inferior das glândulas gástricas e possuem todas as características de células que produzem e exportam proteínas.  Células mucosas do colo: possuem formato irregular. assim como a enzima lisozima. o 11 . consomem muita energia.  Células oxínticas (parietais): presentes principalmente na parte superior das glândulas. Essas glândulas secretam muco.Istmo: possui células mucosas em diferenciação que substituirão as da fosseta a as superficiais. principalmente o bombeamento de H⁺ / K⁺. nas quais as glândulas pilóricas tubulosas simples ou ramificadas se abrem. A atividade secretora das células parietais é estimulada por vários mecanismos. e KCL que se dissocia em K⁺ e CL⁻. Seu citoplasma contém grânulos com a enzima inativa pepsinogênio.  Células-tronco: algumas se se movem para a superfície para repor as células mucosas superficiais e da fosseta. Outras migram mais profundamente e se diferenciam em células mucosas do colo ou parietais. Piloro: possui fossetas gástricas profundas.  Células enteroendócrinas: estão distribuídas pelo colo e base das glândulas. com núcleos na base das células e os grânulos de secreção próximos da superfície apical. Outras células enteroendócrinas (células D) secretam somatostatina. mucosas do colo (diferentes da do istmo) e oxínticas. que se renovam a cada 4-7 dias. o que indica que seus processos metabólicos.  Células enteroendócrinas: encontradas principalmente próximo a base das glândulas gástricas. como a gastrina que é produzida pelas células G.

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São estruturas de defesa devido à grande população bacteriana do intestino. ou glândulas de Lieberkühn. Células caliciformes: estão distribuídas entre as células absortivas. que desempenha atividade antibacteriana. Células M (microfold): são caracterizadas pela presença de numerosas invaginações basais contendo linfócitos e células apresentadoras de antígenos. É relativamente longo – aproximadamente 5 m – e consiste em três segmentos: duodeno. As glândulas intestinais possuem células-tronco. No ápice de cada célula existe uma camada homogênea denominada borda estriada ou borda em escova. 13 . células de Paneth. cuja função principal é proteger e lubrificar o revestimento do intestino. jejuno e íleo. As vilosidades intestinais ou vilos são projeções alongadas da mucosa (epitélio e lâmina própria) em direção ao lúmen intestinal. Produzem glicoproteínas ácidas do tipo mucina que são hidratadas e formam ligações cruzadas entre si para originar o muco. A mucosa do intestino delgado apresenta estruturas que aumentam a sua superfície. células caliciformes e células enteroendócrinas. Entre os vilos existem pequenas aberturas de glândulas tubulares simples denominadas glândulas intestinais (criptas). como os macrófagos. portanto são um elo importante na defesa imunológica intestinal. Pesquisadores identificaram lisozima. absorção de nutrientes e secreção endócrina. ou pequenos aglomerados de linfócitos. Células de Paneth: localizadas nas porções basais das glândulas intestinais. Essas células podem captar antígenos por endocitose e transportá-los para os macrófagos subjacentes. aumentando a área disponível para a absorção de nutrientes. No jejuno-íleo é possível encontrar nódulos linfóides. Quando observada no microscópio eletrônico.INTESTINO DELGADO É o sítio terminal da digestão dos alimentos. tanto na região da mucosa quanto na submucosa e que recebem a denominação de placas de Peyer (são regiões mais roxas no meio do tecido). células absortivas. no interior dos grânulos de secreção dessas células. a borda em escova é vista como uma camada de microvilosidades. Células absortivas: são células colunares altas. cada uma com um núcleo oval em sua porção basal. São menos presentes no duodeno e aumentam em número em direção ao íleo.

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ela segue o sódio que transportado ativamente pela superfície basal das células epiteliais. istmo e colo das glândulas gástricas. A camada muscular está constituída pelas camadas circular e longitudinal. As células absortivas são colunares e possuem microvilosidades curtas e irregulares. No intestino delgado as células morrem por apoptose. porção inferior das glândulas do intestino delgado e intestino grosso. Na região anal. Essa parte do intestino é adaptada para exercer funções como absorção de água. a membrana mucosa forma uma série de dobras longitudinais. contudo é diferente da observada no intestino delgado porque fibras da camada longitudinal externa se unem para formar três bandas longitudinais espessas denominadas tênias do colo. por células troco localizadas na camada basal do epitélio esofágico. formação da massa fecal e produção de muco. A Lâmina própria é rica em células linfóides e em nódulos. A absorção de água é passiva. a camada serosa é caractezida por protuberâncias pequenas pedunculadas formadas por tecido adiposo – os apêndices epiplóicos. As células epiteliais de todo o trato gastrointestinal são constantemente descamadas e repostas por novas células. as colunas retais (de morgagni). fibras nervosas e fibras musculares lisas. é nessa região que a lâmina própria contém um plexo de veias grandes que . Dois centímetros acima da abertura anal a mucosa intestinal é substituída por epitélio pavimentoso estratificado. com exceção do reto. A inervação dos intestinos possui: Um componente intrínseco: constituído por grupos de neurônios que forma o plexo nervoso mioentérico (de Auerbach) entre as camadas musculares circular interna e longitudinal externa e o plexo submucoso (de Meissner) na submucosa.Além das células já discutidas. INTESTINO GROSSO Trata-se de uma membrana mucosa sem pregas. A inervação intrínseca é responsável pelas contrações intestinais que ocorrem na ausência total da inervação extrínseca. quando excessivamente dilatadas e varicosas produzem as hemorróidas. 16 . Células secretoras de polipeptídeos do trato gastrointestinal podem ser classificadas em: Tipo aberto: o ápice da célula apresenta microvilosidades e está em contato com o lúmen do órgão. A lâmina própria do intestino delgado é composta por tecido conjuntivo frouxo com vasos sanguíneos e linfáticos. Tipo fechado: o ápice da célula está recoberto por outras células epiteliais. Possui glândulas longas com abundância de células caliciformes e absortivas e pequeno número de glândulas enteroendócrinas. Não apresenta vilosidades. o intestino contém células amplamente distribuídas com características do sistema neuroendócrino difuso. Um componente extrínseco: que pertence ao SNA e é formado por fibras nervosas colinérgicas parassimpáticas que estimulam a atividade da musculatura lisa intestinal e por fibras nervosas adrenérgicas simpáticas que deprimem a atividade da musculatura lisa intestinal.

mas não em humanos. iniciar a digestão de carboidratos e lipídios (por meio das atividades da amilase e lípase lingual. a lisozina e lactoferrina. As principais funções do pâncreas são produzir enzimas digestivas que atuam no intestino delgado e secretar para o sangue hormônios como insulina e glucagon. O fígado desempenha um papel essencial no metabolismo de lipídios. O fígado produz a bile. um fluido importante na digestão de gorduras. A saliva também é muito importante na manutenção de um pH neutro na cavidade oral (função de tamponamento) e forma uma película sobre os dentes por meio de proteínas salivares ricas em prolina que se ligam ao cálcio. como a imunoglobulina A (IgA). síntese de proteínas do plasma sanguíneo e fatores necessários para a coagulação do sangue. As principais funções da saliva produzida pelas glândulas salivares são: umidificar e lubrificar a mucosa oral e o alimento ingerido. armazenando-a numa forma concentrada. ambos muito importantes para o metabolismo dos nutrientes absorvidos. Este órgão também participa do metabolismo do ferro.ÓRGÃOS ASSOCIADOS AO TRATO DIGESTIVO Os órgãos associados ao trato digestivo incluem as glândulas salivares. o fígado e a vesícula biliar. além de inativar e metabolizar muitas substâncias tóxicas e drogas. A vesícula biliar absorve água da bile. Em algumas espécies. 17 . a secreção de saliva também é importante na regulação da temperatura corporal. o pâncreas. respectivamente) e secretar substâncias germicidas protetoras. carboidratos e proteínas.

devido a um aumento da pressão luminal. fluido que possui funções digestivas. dispondo-se paralelamente ao comprimento do ducto. Embora a contração dessas células acelere a secreção de saliva. Uma cápsula de tecido conjuntivo rico em fibras colágenas circunda e reveste as glândulas salivares maiores. à medida que a conduzem para a cavidade oral. lubrificantes e protetoras. Elas exibem características de células polarizadas secretoras de proteínas. Além das glândulas pequenas dispersas pela cavidade oral. Paralelamente. separados entre si por septos de tecido conjuntivo que se originam da cápsula. que consistem em arranjos cilíndricos de células secretoras circundando um lúmen. 18 . cuja estrutura contem 70-80% de cadeias de carboidratos. contendo glicoproteínas importantes para as funções lubrificantes da saliva. Elas exibem características de células secretoras de muco. mas no término destes túbulos existe um grupo de células serosas que constituem as semiluas serosas. mas são responsáveis por aproximadamente 70% do muco que é secretado. células mucosas e serosas estão arranjadas num padrão característico. Células mioepiteliais envolvendo a terminação secretora são bem desenvolvidas e ramificadas. voltados para o lúmen. Células serosas possuem geralmente um formato piramidal. contendo um lúmen central. contribuindo para uma diminuição da pressão na terminação secretora e facilitando secreção. Células juncionais e formam uma massa esférica denominada ácino. sua principal função parece ser a prevenção da distensão excessiva da terminação secretora durante a secreção.GLANDULAS SALIVARES São glândulas exócrinas que produzem saliva. Ácinos serosos também estão presentes. Na glândula submandibular humana. Esta estrutura assemelha-se a uma uva ligada ao seu cabo. enquanto aquelas associadas aos ductos intercalares são mais alongadas e fusiformes. as glândulas salivares menores secretam 10% do volume total de saliva. As terminações secretoras possuem dois tipos de células mioepiteliais não secretoras. que formam a porção inicial do sistema de ductos. o cabo corresponderia ao sistema de ductos. são encontradas junto à lamina basal de terminações secretoras e ductos intercalares (em menor extensão). Células mioepiteliais. seu núcleo é oval e encontra-se pressionado junto à base da célula. Células mucosas possuem geralmente um formato cubóide ou colunar. Em humanos. O parênquima destas glândulas consiste em terminações secretoras e em um sistema de ductos ramificados que se arranjam em lóbulos. com uma base larga que repousa sobre uma lamina basal e um ápice com microvilos pequenos e irregulares. A maioria dessas glicoproteínas pertence à família das mucinas. submandibular (submaxilar) e sublingual. As células mucosas frequentemente se organizam formando túbulos. Esta porção secretora precede um sistema de ductos cujos componentes modificam a saliva. As células mucosas formam túbulos. existem três pares de glândulas parótida. a contração das células mioepiteliais localizados nos ductos intercalares aumenta o diâmetro luminal.

esta estrutura é característica de células transportadoras de íons. contendo grânulos de secreção ricos em proteínas e elevada atividade de amilase. células dos ductos intercalares e estriados. Os ductos estriados de cada lóbulo convergem e desembocam em ductos maiores localizados nos septos de tecido conjuntivo que separam os lóbulos. A digestão se inicia na boca e continua-se por um curto período de tempo no estomago. é revestido por epitélio pavimentoso estratificado não corneificado. Esta secreção está frequentemente associada à sensação de “boca seca”. devido à sua localização dentro dos lóbulos glandulares. que forma um complexo com um componente secretor sintetizado pelas células acinares. Quando observadas ao microscópio eletrônico. Vários desses ductos curtos se unem para formar um ducto estriado. Como em outras glândulas salivares. O complexo secretor rico IgA (SIgA) é liberado na saliva. as terminações secretoras se continuam com os ductos intercalares. Vasos e nervos penetram nas glândulas salivares maiores pelo hilo e gradualmente se ramificam até os lóbulos. sua porção secretora é constituída exclusivamente por células serosas. após estímulo pelo sistema nervoso autônomo. Ductos intercalares estriados são também denominados ductos intralobulares. formados por células epiteliais cubóides.No sistema de ductos. rica em material orgânico. Os ductos são caracterizados por estriações radiais que se estendem da base das células até a altura dos núcleos. no final. até que o suco gástrico acidifique o bolo alimentar e diminua consideravelmente a atividade da amilase. mas as porções mais distais dos ductos excretores são revestidas por epitélio colunar estratificado. o tecido conjuntivo contém muitos plasmócitos e linfócitos. sendo resistente à digestão enzimática e constituindo-se num mecanismo de defesa imunológica contra patógenos da cavidade oral. 19 . essas estriações consistem em invaginações da membrana plasmática basal com numerosas mitocôndrias alongadas que estão alinhadas paralelamente às invaginações. O estímulo simpático produz uma pequena quantidade de saliva viscosa. Os plasmócitos secretam IgA. Um rico plexo e vascular e nervoso circunda os componentes secretores e ductais de cada lóbulo. GLANDULA PERÓTIDA A glândula parótida é uma glândula acinosa composta. Esta atividade é responsável pela hidrólise de boa parte de carboidratos ingeridos. Os capilares que circundam as terminações secretoras são muito importante para a secreção de saliva. O ducto principal de cada glândula salivar maior desemboca na cavidade oral e. onde se tornam ductos interlobulares ou excretores. Estes são inicialmente formados por epitélio cubóide estratificado.

As células serosa são o principal componente desta glândula. sendo facilmente distintas das células mucosas pelo seu núcleo arrendondado e citoplasma basófilo. facilitando o transporte de água e eletrólitos. enquanto 10% consistem em túbulos mucosos com semiluas serosas. o limite entre as células torna-se indistinto. sua porção secretora contém tanto células serosas quanto células mucosas. Algumas celulares acinares e dos ductos intercalares em glândulas salivares maiores também secretam lactoferrina. cerca de 90% das terminações secretoras da glândula submadibular são acinares serosas. 20 . um nutriente essencial para o crescimento bacteriano. a presença de extensas invaginações basais e laterais voltadas para o plexo vascular aumenta a superfície para transporte de íons em aproximadamente 60 vezes. Células serosas são responsáveis por uma fraca atividade de amilase presente nesta glândula e em sua saliva.GLANDULA SUBMANDIBULAR A glândula submandibular é uma glândula tubuloacinosa composta. que se liga ao ferro. Devido a estas invaginações. As células que constituem as semiluas na glândula submandibular secretam a enzima lisozima. Nas células secretoras. Em humanos. cuja atividade principal é hidrolisar as paredes de certas bactérias.

assim como a submandibular. as células que formam as semiluas serosas nesta glândula secretam lisozima.GLANDULA SUBLINGUAL A glândula sublingual. 21 . As células mucosas predominam nesta glândula. é uma glândula tubuloacinosa composta formada por células serosas e mucosas. Assim como na glândula submandibular. enquanto as células serosas apresentam-se exclusivamente constituindo semiluas serosas na extremidade de túbulos mucosos.

As características que diferenciam a glândula exócrina do pâncreas de outras glândulas é a ausência de ductos estriados a presença das ilhotas de Langerhans e ainda é a penetração das porções iniciais dos ductos intercalares no lúmen dos ácinos. Os hormônios são sintetizados em grupamentos de células epiteliais endócrinas conhecidos como ilhotas de Langerhans. As enzimas são produzidas e secretadas por células organizadas em ácinos. O pâncreas é revestido por uma delgada cápsula de tecido conjuntivo que o divide em lóbulos. O ácino é constituído por muitas células serosas as quais circundam um lúmen. Ele possui uma rede capilar extensa essencial para o processo de secreção. íons. préelastases 1 e 2. fosfolipase A2 e nucleases. proteinase E. calicreinogênio. As células centroacinares possuem núcleo circundado por citoplasma claro e constituem a porção intraacinar dos ductos intercalares. sendo máximo em jejum. quimiotripsinogênio. 22 . amilase. elas são polarizadas de núcleo esférico e secretoras de proteínas. B1 e B2.tais células são encontradas apenas nos ácinos pancreáticos Ductos intercalares são tributários de ductos interlobulares revestidos por epitélio colunar. tripsinogênios 1 2 e 3 . que produz enzimas digestivas e hormônios.PÂNCREAS Trata-se de uma glândula mista. o número de grânulos de secreção(zimógeno) na célula varia de acordo com a fase digestiva. Os ácinos são circundados por uma lâmina basal que é sustentada por uma bainha de fibras reticulares. pré-carboxipeptidases A1. A maioria das enzimas é armazenada na forma inativa (préenzimas) nos grânulos de secreção das células acinares sendo ativadas no lúmen do intestino(isso protege o pâncreas contra as próprias enzimas). lípases. A2. O pâncreas exógeno secreta: água.

A ação integrada dos dois hormônios provê a secreção abundante de suco pancreático alcalino e rico em enzimas. 23 . O fígado é revestido por uma cápsula delgada de tecido conjuntivo(cápsula de Glisson) a qual fica mais espessa no hilo.O controle do pâncreas exógeno é controlado por dois hormônios principalmente. Ele é responsável pelo processamento e armazenamento dos nutrientes absorvidos para utilização por outros órgãos. pesa cerca de 1. É o mediador entre sistema digestivo e o sangue. Essas estruturas são circundadas por tecido conjuntivo ao longo de toda a sua extensão. por onde a veia porta e artéria hepática penetram no órgão e por onde saem os ductos hepáticos direito e esquerdo e os vasos linfáticos. vago aumenta a secreção do pâncreas.5kg. Serve para neutralizar a acidez do quimo para o melhor funcionamento das enzimas pancreáticas. O fígado também tem o importante papel de produzir proteínas plasmáticas. até o término ( ou origem) nos espaços porta entre os lóbulos hepáticos. contanto é a maior glândula. A secretina promove uma secreção fluida abundante pobre em atividade enzimática e rica em bicarbonato. como a albumina e outras proteínas carreadoras. forma-se uma delicada rede de fibras reticulares que suporta os hepatócitos e células endoteliaid dos capilares sinusóides. a secretina e colecistoquinina(pancreozimina) que são produzidos por células entreroendócrinas da mucosa intestinal. FIGADO É o segundo maior órgão do corpo ficando atrás apenas da pele. O estímulo do N. O fígado excreta substâncias tóxicas pela bile. A colecistoquinina promove a secreção pouco abundante e rica em enzimas. Nesse ponto. atua principalmente na extrusão dos grânulos de zimogênio.

tromboxano A2. As células de Kupffer perfazem cerca de 15% da população de células do fígado e muitas estão localizadas na região periportal(periferia) do lóbulo hepático. secreção de aftores de crescimento e citocinas e regulação do diâmetro do lúmen sinusóide. As células endoteliais estão separadas dos hepatócitos adjacentes por uma lâmina basal descontínua e um espaço subendotelial. podem ser observados os lobos hepáticos. outras desembocam nos capilares sinusódes com a função de suprir o órgão adequadamente com oxigênio. etc). estas regiões(espaços porta) estão presentes nos cantos dos lóbulos. Os hepatócitos são células poliédricas. o citoplasma do hepatócito é eosinófilo. O suprimento sanguineo do fígado é 80% proveniente pela veia porta(sangue rico em nutrientes) e 20% da artéria hepática (sangue rico em oxigênio). Os sinusóides também contém as células de Kupffer(macrófagos) as quais metabolizam eritrócitos velhos.7 a 2mm. Em cortes corados com hemotoxilina e eosina (HE). armazenamento e liberação de retinóides. A artéria hepática contém sangue proveniente do tronco celíaco. suportadas por uma quantidade esparsa de fibras colágenas.essas placas são direcionados da periferia do lóbulo para o centro onde se anastomosam livremente formando um labirinto semelhante a uma esponja. O Sangue que entra pela veia porta vem do baço. Fluídos vindos do sangue percolam a parede endotelial gerando um contato íntimo com os hepatócitos facilitando as trocas. localizadas nos espaços porta. transporta bile sintetizada pelos hepatócitos que daí vai para os ductos hepáticos. Algumas regiões da periferia dos lóbulos existe tecido conjuntivo contendo os ductos biliares e vasos(linfáticos e sanguíneos). unidades estruturais formadas por uma massa poligonal de tecido com tamanho variando entre 0. Nos cortes histológicos. o fígado humano possui três a seis espaços porta por lóbulo. contém inclusões lipídicas ricas em vitamina A. essa veia deixa o lóbulo fundindo-se com a veia sublobular que por sua vez desembocam nas veias hepáticas que desembocam na cava inferior. principalmente devido ao grande número de mitocôndrias e algum retículo endoplasmático liso. síntese e secreção de várias protínas da matriz extracelular e proteoglicanas. 24 . As veias portais se distribuem em vênulas que desembocam nos capilares sinusóides. em resposta a fatores regulatórios(prostaglandinas. O ducto revestido por epitélio cubóide. Entre essas placas existem espaços por onde passam os capilares sinusóides hepáticos(vasos irregularmente dilatados com a camada descontínua de células fenestradas. com seis ou mais superfícies. como: captação. No espaço de Disse(espaço perissinusoidal) células armazenadoras de lipídios (células de Ito). A artéria ramifica-se formando arteríolas interlobulares. Em alguns animais tais lóbulos são separados por uma camada de tecido conjuntivo o que não ocorre no homem dificultando assim a estabelecimento de delimitações entre os lobos. Os hepatócitos são radialmente dispostos no lóbulo hepático. Este vaso possui parede delgada constituída apenas por células endoteliais. digerem hemoglobina. estas células desempenham várias funções. arranjados como tijolos em uma parede. os quais convergem para o centro do lóbulo para formar a veia central ou centrolobular. secretam proteínas do sistema imune e destroem bactérias que eventualmente penetrem no sangue portal.O componente estrutural básico do fígado é o hepatócito. o espaço de Disse. o qual contém microvilos dos hepatócito. pâncreas e trato gastro-intestinal. uma célula epitelial agrupada em placas interconectadas.

que possui um pequeno número de microvilos em seu interior. do centro do lóbulo para a sua periferia. As membranas celulares próximas desses canalículos são unidas por junções de oclusão.Sempre que dois hepatócitos se encontram eles delimitam um espaço tubular entre si. tanto liso quanto rugoso. para formar o glucuronato de bilirrubina que não é tóxico e é solúvel em água. partes de um fígado podem ser utilizadas em um transplante cirúrgico. Os canalículos biliares formam uma rede complexa que se anastomosa progressivamente ao longo das placas do lóbulo hepático. Esses ductos se fundem e formam o ducto hepático. onde ela entre nos dúctulos biliares ou canais de Hering. O retículo endoplasmático liso é responsável pelos processos de oxidação. isso é de grande importância. Os hepatócitos possuem um ou dois núcleos arredondados contendo um ou dois nucléolos. Apesar de possuir um ritmo lento de renovação celular. o fígado possui uma capacidade extraordinária de regeneração. A bile flui na direção contrária do sangue. esses canais terminam nos ductos biliares. pela enzima glucuronil-transferase. assim. Um processo importante que ocorre no retículo endoplasmático liso é a conjugação da bilirrubina tóxica e hidrofóbica com o glucuronato. conhecido como canalículo biliar. metilação e conjugação que são requeridos para a inativação ou detoxificação de várias substâncias antes de sua excreção pelo organismo. 25 . que subseqüentemente deixa o fígado. possuem amplo retículo endoplasmático. constituídos por células cuboidais. terminando na região do espaço porta. localizados no espaço porta.

cístico e biliar comum são revestidos por uma membrana mucosa com epitélio colunar simples. 26 . que também se unem para formar o ducto hepético. que recebe o ducto cístico e forma o ducto colédoco ou ducto biliar comum. armazena em média de 30 a 50 ml de bile. Os ductos hepático. flui através dos canalículos biliares. aderido à superfície inferior do fígado. Tecido conjuntivo perimuscular Membrana serosa A principal função de vesícula é armazenamento de bile.TRATO BILIAR A bile é produzida pelos hepatócitos. hormônio produzido pelas células enteroendócrinas do intestino delgado (células I). Estas estruturas vão se fundindo gradualmente e convergindo para a formação dos ductos hepáticos direito e esquerdo. Sua parede é composta por: Epitélio colunar simples o Células ricas em mitocôndrias com núcleo localizado no terço basal Lâmina própria Camada de músculo liso o Cuja contração é induzida pela colecistoquinina. que segue para o duodeno. dúctulos biliares (canais de Hering) e ductos biliares. VESÍCULA BILIAR É um órgão oco. com formato de pêra.

Junqueira & José Carneiro 27 .BIBLIOGRAFIA: Histologia Básica – 10ª edição – Luiz C.