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Considerações sobre a Glorificação dos Filhos de Deus

Estudo bíblico sobre 2.Corintos 4.16-18

Alejandro Germán Frank

“Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda
comparação” 2.Co.4.17

Introdução
O texto acima citado é do apóstolo Paulo falando sobre o contraste entre o sofrimento de nós, cristãos,
nesta vida e as promessas que temos para a vida eterna. Vejamos uma parte do que o apóstolo descreve
sobre este assunto em 2 Corintos, cap.4 versículos 8-18:
8
Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados;
9
perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos;
10
levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso
corpo.
11
Porque nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que
também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal.
12
De modo que, em nós, opera a morte, mas, em vós, a vida.
13
Tendo, porém, o mesmo espírito da fé, como está escrito: Eu cri; por isso, é que falei. Também
nós cremos; por isso, também falamos,
14
sabendo que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos ressuscitará com Jesus e nos
apresentará convosco.
1 5
Porque todas as coisas existem por amor de vós, para que a graça, multiplicando-se, torne
abundantes as ações de graças por meio de muitos, para glória de Deus.
16
Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa,
contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia.
17
Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima
de toda comparação,
18
não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem
são temporais, e as que se não vêem são eternas.

Neste texto, como já disse, Paulo está descrevendo os sofrimentos como servo de Cristo. Para que esses
sofrimentos? A resposta está no verso 11: esses sofrimentos são para que a vida de Cristo se manifeste em
nós. Isto nos lembra o texto de Romanos 8.28-29, no qual Paulo afirma:
“E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus,
daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu também os
predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito
entre muitos irmãos”.
Em ambos os textos, Paulo afirma que todas as coisas contribuem para nosso bem, e nosso bem é sermos
cada vez mais parecidos com a imagem, isto é com o caráter do nosso Senhor Jesus. Quando o apóstolo

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afirma “todas as coisas” inclui coisas boas e coisas que aos nossos olhos podem parecer más, como serem
os sofrimentos e tribulações das quais ele fala no texto que estamos estudando em 2.Co.4.8-14.
Retomando a nosso texto inicial, o apóstolo afirma que as nossas tribulações servem para que Cristo se
manifeste em nós, mesmo quando tenhamos que morrer (verso 13 e 14). No verso 14, Paulo diz que não
interessa se morrermos, pois a nossa confiança é que: “o que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará
também por Jesus, e nos apresentará convosco”. Isto quer dizer que Paulo está olhando para a eternidade,
esquecendo do presente e dos sofrimentos atuais e sabendo que todo isso é unicamente para que se
manifeste a glória de Deus (v.15b). O que o apóstolo está tentando dizer neste texto é que não nos
preocupemos, não tenhamos medo de viver como cristãos perseguidos, não tenhamos medo de sofrer pelo
Evangelho, nem muito menos vergonha dele. A mensagem aqui é esta: “Pensem na Eternidade! Para isto
é que vocês foram criados, vocês foram eleitos do Senhor para viver uma eternidade, portanto as
dificuldades de hoje não significam nada diante do que nos espera no futuro”. É isto que Paulo estava
tentando transmitir aos Coríntios. Ainda, no texto, Paulo destaca que vamos envelhecendo, nosso homem
exterior se deteriora, por causa das preocupações e dificuldades. Você está ficando velho? Não interessa,
diz Paulo. Por quê? Por que o seu ser interior se renova, ele é purificado com essas lutas, nosso interior é
santificado por meio de todas essas coisas para sermos preparados para uma eternidade. Por isso ele diz
no verso 16: “Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se
corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia”. E no verso 18 ele acrescenta: “não
atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e
as que se não vêem são eternas”.
Vamos pensar na eternidade! Vamos olhar para as coisas que ficarão para sempre, e vamos nos animar
com isso na nossa peregrinação cristã nesta terra! Pensemos um pouco nas promessas que temos para a
vida eterna, vejam o que nos diz este texto no versículo 17:
“Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de
toda comparação”.
Paulo afirma que a tribulação produz em nós um “eterno peso de glória”. Você já parou para pensar o que
isto quer dizer? É claro que está associado com a eternidade, com algo que ainda virá, não com as coisas
presentes. Mas já parou para pensar no que significa esse peso de glória que deve nos animar a estarmos
dispostos sofrer qualquer coisa na vida presente? A seguir tentaremos entender o significado deste peso
de glória que receberão os filhos de Deus.

A glorificação como o propósito final para a Igreja


Em primeiro lugar, devemos entender que a glorificação é o propósito final da Igreja. Paulo destaca a
promessa de glorificação dos cristãos na carta aos Romanos, cap.8.18-25: “Porque para mim tenho por
certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser
revelada”. O mesmo também Pedro afirma, em 1.Pe.1.3-7: “Em que vós grandemente vos alegrais, ainda
que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações, para
que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em
louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo”. Há vários textos na Bíblia que comparam os
sofrimentos atuais com a glória eterna que será revelada em nós. Nosso alvo é a glorificação, é o resultado
final. Como diz em Romanos 8.30: “E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a
estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou”. Vejam também, por exemplo,
em Efesios 5.25-28, onde diz que Cristo deu sua vida pela Igreja. Para que? Para a santificar e purificar,

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a fim, isto é, com o propósito, de a apresentar (para si mesmo) como uma Igreja gloriosa. O fim da Igreja
e será a sua apresentação diante de Cristo em forma gloriosa. Visto que cada um de nós compõe a Igreja,
todos nós seremos apresentados em glória diante do Senhor.

Então pare para pensar comigo: Nas Escrituras se afirma sempre que os verdadeiros cristãos devem passar
por dificuldades e provações. Além disso, os apóstolos sempre aparecem nas cartas encorajando aos
cristãos a lembrarem da glória vindoura, para resistirem assim as provações e dificuldades atuais.
Portanto, podemos concluir que precisamos refletir mais sobre o significado dessa glória, precisamos
parar para pensar o que esse peso de glória é, pois se o compreendermos melhor, mais forças teremos para
suportar a vida presente. Cristão! Você precisa pensar no seu peso de glória que o espera na eternidade!
Já pensou nele? Você geme pelos sofrimentos atuais? Você clama pela vinda do Senhor? Você sofre
esperando que o Senhor volte manifestando a Sua glória e glorificando você? O sofrimento atual de você
o faz pensar na glória eterna que o aguarda? Deveria ser assim, pois em Romanos 8.22-25 afirma que toda
a criação geme, esperando a glória que será revelada nos filhos de Deus.
Como cristãos, sabemos que estaremos com Cristo, porém pode ser que tenhamos apenas uma vaga idéia
do significado de sermos glorificados, de termos um “peso de glória” sobre nós. Assim sendo, tentaremos
entender o significado da glória prometida para nós acerca da qual os apóstolos falaram. Voltemos a
observar novamente o texto em análise: 2.Co.4.17:
“Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de
toda comparação”.
Este texto afirma que essa glória será eterna e acima de toda comparação (ou em outras traduções diz: mui
excelente). Isto quer dizer que nunca deixará de ser e não haverá nada melhor do que ela. Outra tradução
diz: “uma glória eterna, maior e abundante”. Portanto, qualquer coisa que anelemos mais do que essa
glória é errado, pois ela é o excelente, é o melhor que poderíamos pretender para a nossa vida, algo que
nunca perecerá, pois será dada para nós pelo Senhor. Tenho escutado algumas vezes as pessoas do mundo
falar que não vem nada de atrativo nas promessas do céu, que acham que seria entediante estar no céu
com uma harpa na mão, vestidas de branco e cantando para toda a eternidade. Nada mais errado do que
esta idéia limitada de céu e estas pessoas simplesmente estão desprezando o maior presente que Deus tem
preparado para sua criação redimida. Mesmo que nas Escrituras, em algumas ocasiões, possa parecer que
algo disto terá no céu, os cristãos sabem que esta é uma idéia errada do reino de Deus. Sabemos que a
Bíblia busca descrever, com linguagem humana, com imagens da terra, coisas que serão do céu. A Bíblia
tenta nos dar pelo menos uma pequena noção daquilo que nós nem podemos imaginar, pois são coisas que
não pertencem a esta natureza da criação. Mas o mais surpreendente para nós não deveria ser o que
faremos no céu, mas o fato de que seremos glorificados pelo Senhor, é isso que nos deveria realmente
alegrar. Se procuramos, não acharemos nenhuma afirmação dos apóstolos sobre o que faremos cada hora
da eternidade. Acredito que se fosse descrito com a linguagem terrena nem entenderíamos coisas que são
espirituais, de uma natureza totalmente distinta. Mas o que a Palavra sim nos diz sobre a nossa eternidade
é que nos espera um eterno e excelente peso de glória, uma glória que não perecerá e será o melhor que
poderíamos ter recebido em toda a nossa vida.
Entendendo que seremos glorificados, que essa glória é o melhor prêmio, galardão, que poderíamos
receber, buscaremos agora entender em que consiste essa glória. Para aprofundar neste significado me

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valerei da ajuda de um grande escritor cristão: CS Lewis1. CS Lewis explica que o conceito de glória
remete a duas idéias: o primeiro é associado com fama e o segundo é associado com brilho, com
luminosidade.

1. O peso de glória e a fama


A primeira idéia, associada à fama, pode nos remeter a uma idéia mundana de reconhecimento, de estar
acima das outras pessoas, o que não faz parte do caráter cristão. Nós devemos ser humildes, servidores e
não servidos, somos escravos de Cristo, somos obreiros do Senhor e somos irmãos os uns dos outros.
Tanto assim que a Palavra nos ordena sermos sujeitos uns para com os outros (Ef.5.21). Entre os cristãos
não temos lugar para sermos superiores ou mais destacados do que os nossos demais irmãos. Esta idéia de
fama nos remete ao pensamento mundano sobre sermos destacados, reconhecidos, e que as outras pessoas
nos aplaudam e gostem de nós.
Mas ao longo de vários séculos de cristianismo, o conceito de fama ou reconhecimento era melhor
interpretado, só que em nossos dias, com as distorções mundanas, muito disso se perdeu. A idéia de fama
e reconhecimento não está longe das Escrituras, mas de uma maneira bem diferente ao que se anuncia
hoje na mídia. A idéia de fama dos cristãos mais antigos não era o da fama conferida pelos homens, mas a
fama com Deus, sermos famosos diante de Deus. Isto quer dizer, sermos reconhecidos, aprovados,
valorizados, exaltados e estimados da parte de Deus. Tem a ver com recebermos elogios da parte de Deus.
Alguns podem se escandalizar com o que estou dizendo, mas vejam que, nas Escrituras, o Senhor Jesus
descreve alguns tipos de elogios que receberemos, como por exemplo: “muito bem, servo bom e fiel” ou
“venham benditos do meu pai”, ou também nos trata de “escolhidos do Senhor”, todos esses são
reconhecimentos, mesmo imerecidos, mesmo por graça, é o Senhor que carinhosamente está nos
reconhecendo. E isso nós dará prazer, satisfação. Como diria Lewis: “[é como o] momento [de]
satisfação de ter agradado àqueles a quem eu corretamente amava e temia. [É] o que pode ocorrer
quando a alma redimida, além de toda a esperança e praticamente além da convicção, descobre por fim
que agradou a Deus, aquele para cujo beneplácito ela foi criada”. Paul Washer disse alguma vez que
todos nós deveríamos nos comportar diante do Senhor como uma criança diante do seu pai, que em tudo o
que ela faz sempre quer que seu pai as veja e se alegre. Seria como fazer alguma coisa e dizer: “olha papai
que bem que eu faço isto”. Vejam as crianças, elas sempre estão buscando aprovação diante dos seus pais,
e sempre estão na expectativa que seus pais se alegrem com o que elas estão fazendo. É assim que
deveríamos buscar o Senhor, deveríamos agir de tal forma em nossas vidas que possamos achar um
sorriso de aprovação e alegria de parte dEle, de maneira que nosso Pai diga de nós como disse do nosso
Senhor Jesus Cristo: “este é o Meu Filho amado, o qual eu tenho prazer”.
No dia do juízo final, os eleitos do Senhor serão reconhecidos diante de toda a humanidade. O Senhor terá
prazer em chamá-los para herdar a vida eterna e, portanto, serão glorificados diante de toda a terra. O
mais importante nesse dia será que o Senhor nos reconheça e nos olhe com um olhar de aprovação e
aceitação. Só precisamos pensar o contrário para entendermos a alegria que isto deveria nos produzir.
Imaginem alguém chegando diante do Senhor e o Senhor olhando com um olhar de ira, de desprezo e
preparado para aplicar Seu justo juízo! Como diz em Hebreus 10.31: “Horrível coisa é cair nas mãos do
Deus vivo”. Portanto, saber que Ele vai nos olhar com aprovação e reconhecimento é uma grande alegria
para nós.

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C.S. Lewis: “O peso de Glória”. São Paulo: Editora Vida, 2008.

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O importante no céu não será o fato de eu conhecer o Senhor, mas se Ele me conhece a mim e se Ele me
deixará entrar a mim por ser conhecido dEle. Vejam que nas Escrituras temos vários exemplos onde se
destaca a importância de que o Senhor nos conheça e isso está associado com a idéia de fama, ou de
glória.
Por exemplo:
“Aquele, porém, que entra pela porta é o pastor das ovelhas. A este o porteiro abre, e as ovelhas
ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas, e as traz para fora.” João 10.2-3
“Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido.” João 10.14
“Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido dele.”1.Corintos 8.3
Nós seremos famosos, seremos gloriosos por sermos reconhecidos pelo dono do Universo. Imaginem se
hoje chega o presidente do nosso país e me chama pelo meu nome e me dá uma medalha de honra, um
reconhecimento do país, talvez vocês dirão: – Como ele é famoso agora! Ele está na glória com esse
reconhecimento! – Então, agora pensando como cristãos, quanto mais seremos glorificados se o Senhor
Deus, o Criador de todas as coisas nos reconhece. Nesse dia nos seremos glorificados, pois seremos
convidados a entrar a suas eternas mansões por sermos conhecidos dele. Que grande glória, eterno peso
de glória para nós! Gosto muito o que Lewis disse sobre esse reconhecimento que teremos por parte do
nosso Salvador: “Agradar a Deus... ser um verdadeiro ingrediente da alegria divina... ser amado por
Deus, não simplesmente digno de pena, mas ser usufruído como a obra em que o artista se deleita, ou um
pai no filho – isso parece impossível, é um peso de glória, ou ônus, que nossos pensamentos mal podem
suportar. Mas é isso”
Mas pergunto, você será reconhecido e glorificado pelo Senhor? E hoje, você já é conhecido por Ele?
Você já se tornou seu filho por meio da fé em Cristo Jesus? A Palavra do Senhor descreve uma glória
eterna para os seus filhos de Deus, mas por outro lado, uma vergonha e condenação eterna diante de Deus
para aqueles que não se arrependeram dos seus pecados e não creram no Senhor Jesus como único e
suficiente salvador. Se você não for reconhecido diante do Senhor eu lhe digo que lembre o que a Palavra
diz: “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (He.10.31). O Senhor Jesus também advertiu:
“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome
não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi
abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.” Mt.7.22-23
Assim como muitos seremos glorificados nesse dia, um grande número, pelo que diz nas Escrituras, a
grande maioria, será envergonhada e receberá um eterno peso de vergonha por não terem sido
conhecidos por Deus. Que triste é imaginar este futuro para quem não se arrependeu da sua vida e não
se colocou aos pés de Jesus!
Mas nós, que fomos salvos pela graça de Jesus, estaremos em glória por sermos reconhecidos pelo Rei
do universo e esse peso de glória será eterno!

2. O peso de glória e o brilho da santidade e da pureza


Por outro lado, CS Lewis afirma que pensar em glória nos remete também a pensar no conceito de brilho,
de luminosidade. Sempre que a glória de Deus se manifestou, os homens não podiam olhar para o Senhor
pela luminosidade presente, a presença de Deus e sua glória faziam com que as pessoas não pudessem
olhar. Vejam por exemplo quando a glória de Cristo foi manifesta a Saulo no caminho a Damasco, o

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brilho foi tão forte que o deixou cego (At.9.1-9). Neste caso, é mais difícil imaginar que este segundo
conceito esteja associado com o que nós receberemos no céu. Como disse CS Lewis: “[por acaso] alguém
deseja transformar-se numa espécie de lâmpada elétrica viva?” Mas na verdade, o brilho da glória de
Deus, descrito na Bíblia, tem também a ver com a beleza e a santidade de Deus. Vejam, por exemplo,
quando Moisés viu a glória de Deus, seu rosto resplandeceu tanto que o povo não conseguia olhar para
sua face (Ex.34.29). Ele viu a glória do Senhor e, portanto, ele também foi iluminado e resplandecia. Seu
rosto tinha mudado por ter olhado para o Senhor e visto a sua santidade. Algo assim também acontecerá
conosco.
Nós veremos ao Senhor e brilharemos de glória. Nesse dia seremos apresentados diante do Senhor,
vendo-o face-a-face. Mas não seremos apresentados diante da sua santidade como pecadores e impuros.
Naquele dia estaremos brilhando em justiça. Seremos perfeitos e santos, totalmente purificados de nossos
pecados. Isto explica em Efesios 5.25-27:
“Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se
entregou por ela, Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra,
Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas
santa e irrepreensível.”

Nesse texto Paulo fala de dois momentos para a Igreja: hoje Cristo está santificando-a, purificando-a
através da sua Palavra. Mas isso tem um propósito futuro que é apresentar a Igreja para si mesmo sem
mácula, nem ruga, santa, irrepreensível. Naquele dia você não será mais assediado pelo pecado, não terá
mais fraquezas, não cairá mais, você será perfeito, puro. É como o ouro, que quanto mais puro ele é, mais
ele brilha. Nós seremos perfeitamente puros, pela purificação que o Senhor já começou hoje em nós, e
isso nos fará brilhar de glória. Agora, lhe pergunto: você está sendo purificado já hoje pela Palavra do
Senhor? O Senhor está santificando a sua vida para um dia você ser apresentado diante dEle com perfeita
pureza? Você está lutando contra a sua carne, contra os pecados deste mundo? Se você é um filho de
Deus, você precisa buscar isso e o Senhor o purificará até o fim. Como diz em Filipenses 1.6:
“Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao
dia de Jesus Cristo”

Nós, os que fomos salvos por Cristo Jesus, brilharemos em glória por sermos apresentados puros e
santos diante dEle e esse é um peso de glória que será eterno!

3. O peso de glória e o brilho do corpo ressurreto


Em terceiro lugar, a associação entre brilho e glória nos remete a mais um aspecto da glorificação dos
filhos de Deus que podemos encontrar nas Escrituras. Observem no texto introdutório que analisamos,
quando Paulo fala sobre o peso de glória que nos espera, em 2.Co.4.15-16. Vejam como Paulo continua
falando sobre o que nos espera na eternidade, no capítulo 5:1-4:
1
Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um
edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus.
2
E por isso também gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu;
3
Se, todavia, estando vestidos, não formos achados nus.
4
Porque também nós, os que estamos neste tabernáculo, gememos carregados; não porque
queremos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida.

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Em dois versos antes do que acabamos de ler, Paulo tinha falado da esperança, do peso de glória que o
esperava na eternidade e aqui ele continua. Quando ele fala dessa casa terrena, ele está falando do seu
corpo, pois ele já disse no cap.4.16 que o homem exterior vai se deteriorando. Mas aqui ele agrega que
não importa, pois seremos revestidos por uma nova habitação, mesmo que a habitação de hoje se desfaça.
Paulo está falando que ele será revestido por um novo corpo, um corpo glorificado, e isto tem a ver com o
terceiro conceito associado a gloria. Nosso novo corpo brilhará de glória. Vejam que Paulo repete isto em
Filipenses 3.20-21:
“Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo,
Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu
eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.”
Se formos glorificados na vinda do Senhor pelo seu chamado a sermos participantes da vida eterna,
também receberemos como premio dessa glória um “corpo glorificado”, similar ao corpo glorioso de
nosso Senhor Jesus, e brilharemos em glória por isso. Não é incrível? Sigamos refletindo sobre isso nas
Escrituras, vejam em 1.Co.15.35-44:
“Mas alguém dirá: Como ressuscitarão os mortos? E com que corpo virão?
Insensato! o que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer.
E, quando semeias, não semeias o corpo que há de nascer, mas o simples grão, como de trigo, ou
de outra qualquer semente.
Mas Deus dá-lhe o corpo como quer, e a cada semente o seu próprio corpo.
Nem toda a carne é uma mesma carne, mas uma é a carne dos homens, e outra a carne dos
animais, e outra a dos peixes e outra a das aves.
E há corpos celestes e corpos terrestres, mas uma é a glória dos celestes e outra a dos terrestres.
Uma é a glória do sol, e outra a glória da lua, e outra a glória das estrelas; porque uma estrela
difere em glória de outra estrela.
Assim também a ressurreição dentre os mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em
incorrupção.
Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor.
Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo
espiritual.
E depois, continuando nesse capítulo, Paulo afirma nos versos 52 a 57:
“Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e
os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.
Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal
se revista da imortalidade.
E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da
imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória.
Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?
Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei.
Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo.”

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Você luta contra doenças ou enfermidades? Você leva algum “espinho na carne” como o apóstolo Paulo
tinha que levar? Tem alguma dificuldade como Moisés, que não podia falar bem? As pessoas riem de
você por algum defeito físico? Que importa isso?! Seu corpo será glorioso, brilhará diante da face de
Deus. Se o Senhor o glorificar deixando-o entrar nas mansões eternas, ele também o dará um vestido
elegante com o qual você estará glorioso. Esse vestido será seu corpo glorificado, algo diferente que nós
não conseguimos imaginar com nossa mente humana.
Nós, os que fomos salvos por Cristo Jesus, brilharemos em glória por sermos apresentados com um novo
corpo diante do Senhor, um corpo puro e santo, sem as marcas do pecado, e esse é um peso de glória que
será eterno!

Considerações finais
Temos visto que o peso de glória que nos espera está associado a três aspectos: (i) o fato de que
seremos reconhecidos por Deus, que Deus se alegrará de nós e nos exaltará frente a toda a
humanidade; (ii) o fato de que brilharemos em santidade e pureza, que seremos apresentados sem
mancha nem ruga diante de Cristo, para termos comunhão eterna e perfeita com Ele como uma noiva
com seu esposo consumando o casamento; (iii) o fato de que para essa grande festa receberemos um
novo corpo, transformado, eterno, semelhante ao corpo ressurreto do nosso Senhor Jesus, esse corpo
brilhará na sua formosura e perfeição, será glorioso diante de toda a humanidade. Essas são as
promessas para os filhos de Deus.
Esses três aspectos nos deveriam levar a refletir sobre alguns comportamentos que temos na nossa vida
cristã:
a) Sobre o primeiro conceito de glória (reconhecimento): Talvez não pensamos o suficiente
no peso de glória eterno que nos espera, pois buscamos ser aceitos pelas pessoas, buscamos ser
reconhecidos pelas pessoas, e quando isso não acontece ficamos tristes e desanimados. Isto é
algo que acontece freqüentemente na igreja. As pessoas trabalham, fazem coisas e quando não
são reconhecidas e valorizadas, se desanimam, esquecendo que o galardão é no céu e não hoje.
Por outro lado, às vezes as pessoas não se envolvem na obra do Senhor por não serem
convidadas, por não serem aceitas, etc., esquecendo que quem chama e nos conhece é o bom
Pastor, que nos quer junto a todo o rebanho.
Uma pergunta para você: Você é conhecido por Deus? Tem a certeza de que será
reconhecido por Ele? Se assim for, você age de acordo com essa promessa? Você vive
buscando agradar a Deus ou aos homens? Você está na igreja pendente de ser reconhecido e
aceito ou sabe que você é aceito pelo senhor e isso lhe basta?
b) Sobre o segundo conceito de glória (brilho da pureza e santidade): Talvez nós não
pensamos o suficiente no peso de glória eterno, pois nem sempre estamos agindo como a
noiva de Cristo, que está se purificando e santificando para se apresentar a seu noivo naquele
dia.
Uma pergunta para você: Você está sendo purificado pela Palavra, como a noiva de Cristo
ou você é dos que se chamam cristãos mas nem lembra de ler a Palavra? A Palavra o confronta
e o leva a refletir sobre a sua vida e o faz ajustar as coisas que não estão certas na sua vida? Se
você é cristão você deve estar na procura da santidade e no crescimento no conhecimento de
Deus. Isto é a essência da vida cristã.

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c) Sobre o terceiro conceito de glória (brilho do novo corpo): Talvez não pensamos o
suficiente no peso de glória, porque agimos como se pretendêssemos viver neste corpo a vida
toda, alguns temem à morte e não se preparam pra ela como um grande dia de festa para entrar
no verdadeiro corpo, aquele que será eterno. Inclusive entre os que se dizem ser cristãos,
alguns vivem como se vivessem para esta vida, como se esta vida fosse o único que há, ao
invés de serem peregrinos nesta terra anelando por uma pátria celestial (He.11).
Uma pergunta para você: Como você vive a sua vida? Você pensa nas coisas vaidosas e
fúteis? Para você a moda, o que está na hora, os aspetos físicos, o estético, todo isso pra você é
importante? Se isso é o que o motiva, o essencial para você. Se não se achar bonito demais é o
que o frustra, se não ter um corpo como você gosta é algo importante, talvez você precise
rever seus conceitos cristãos, talvez você precise pensar mais na eternidade e na glorificação
do seu corpo. E sobre a morte, você está preparado para encará-la como o inicio da vida?
Espero que assim seja, pois este é um dia de festa para os que esperam no Senhor!

“ Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa,
contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea
tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós
nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que
se não vêem são eternas.”

Toda glória a Ele, para todo sempre! Amém.


BBVC