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Museologia e Comunicação I

Museologia e Comunicação I

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Trabalho escrito para disciplina de Museologia e Comunicação I, do curso de Museologia da Universidade Federal de Ouro Preto.
Trabalho escrito para disciplina de Museologia e Comunicação I, do curso de Museologia da Universidade Federal de Ouro Preto.

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Published by: André Lëgos on Aug 30, 2010
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ANDRÉ LEGOS Universidade Federal de Ouro Preto Departamento de Museologia Museologia e Comunicação I Profa.

MSc Priscilla Arigoni Coelho

Museologia e Comunicação

Ouro Preto 2010

SUMÁRIO
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2.1 2.2 2.3

INTRODUÇÃO ................................ ................................ ................................ ..................... 1 DESENVOLVIMENTO ................................ ................................ ................................ ........ 2
Objeto Documento ................................ ................................ ................................ ............................... 2 Musealização ................................ ................................ ................................ ................................ ........ 3 Comunicação ................................ ................................ ................................ ................................ ........ 3

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CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................ ................................ ................................ .5 BIBLIOGRAFIA ................................ ................................ ................................ ................... 6

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1 Introdução
Quando se fala em museu, supõe-se que o senso comum o defina como um espaço cheio de coisas velhas em exposição. Para o ICOM (Conselho Internacional de Museologia), o museu é uma ³instituição permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público e que adquire, conserva, investiga, difunde e expõe os testemunhos materiais do homem e de seu entorno, para educação e deleite da sociedade.´1 Os dois conceitos, apesar de pensarem o museu de forma diferenciada, se aproximam em dois pontos, o museu trabalha com objetos que perderam seu valor utilitário, ³coisas velhas´ ou ³testemunho material´, e tem por função apresentá-los, ³difunde e expõe´. Como se observa no conceito do ICOM, a ação do museu não se limita em aquisição de objetos e sua exposição, pois, para que o objeto seja inserido em um acervo e exposto, são necessários processos que preservem a integridade física e informativa desse objeto; em conceitos simples, ações de pesquisa e preservação. Logo, entendem-se essas ações não indissociavelmente, mas um processo interligado e contínuo. Este trabalho pretende analisar a Comunicação Museológica, ³denominação genérica que são dadas às diversas formas de extroversão do conhecimento em museus´ (CURY 2005), e, sendo esta também uma ação dos museus, entender como ela se relaciona com os demais processos museológicos; como a comunicação participa da musealização; e a capacidade informativa do objeto museológico. Para isso, é necessário esclarecer como e porque objetos que pertenceram ao cotidiano são inseridos em museus, a forma como são trabalhados dentro da instituição, como o museu os utiliza para veicular ideias e como essas ideias direcionam a própria escolha dos objetos. É necessário entender o conceito de objeto, de museu, como a instituição se relaciona com o objeto e como o visitante se relaciona com a realidade construída a partir do objeto quando se estabelece a comunicação. Ou seja, é necessário compreender não apenas os processos técnicos de preservação, pesquisa que permite a comunicação, mas também os conceituais.

1 Versão aprovada pela 20ª Assembleia Geral. Barcelona, Espanha, 6 de julho de 2001.

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2 Desenvolvimento
Como dito anteriormente, a Comunicação Museológica são todas as formas de extroversão de conhecimento em museus, que pode se dar por diversos meios, publicações de pesquisas, oficinas, materiais de divulgação, a exposição (principal meio). Mas, em comunicação, os meios só podem ter função quando a mensagem é criada e a mensagem da instituição museal se dá a partir do objeto e sua musealização.

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Objeto Documento

O principal meio de transmissão de informação utilizada pelo museu é o objeto, ³o elemento do mundo exterior (...) que o homem deve assumir e manipular´(MOLES 1972). Assim, pode-se concluir que um objeto qualquer está em um cotidiano de ações, sofrendo intervenções de acordo com a prática humana. A manipulação, tanto material quanto imaterial, dar novos significados, valor representativo, ou transformação em símbolo, do objeto pelo homem o torna capaz de informar em diversos níveis sobre as práticas humanas. Essa capacidade informativa, adquirida pela manipulação humana, que torna os objetos representantes das ações culturais e sociais, transforma também o objeto em documento, fonte de informação, em potencial. Considerando que memória é ³a manutenção de qualquer recorte das ações vividas´ (DODEBEI 2000) e que os objetos são capazes de informar, representar, tais ações, eles possuem o requisito inicial para que sejam tratados como documentos, com isso, sofram musealização:
Os objetos (O), que podem ser naturais ou produzidos pelo homem, pertencem ao universo social que se apresenta como uma dimensão virtual para a memória. A interferência do homem como agente de transformação do objeto em documento (D) é representada pelo universo cultural, onde as instituições de memória se inserem. (DODEBEI 2000).

A valoração do objeto, sua transformação em documento, ocorre após um tempo de uso, pensando basicamente em objetos utilitários, isso remete a uma vida média, já que a extinção do objeto é um resultado natural. Assim, a musealização é um processo que vai além da valoração, museus e instituições de memória também agem controlando a degradação para a própria preservação da informação.

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2.2 Musealização
O olhar que permite dar ao objeto capacidade documental, de ser a representação de memórias, é o olhar valorativo, seletivo, que desencadeará o processo de musealização, inserção de um objeto do cotidiano em um museu. A valorização está ligada à subjetividade e à intencionalidade, a um projeto de configuração de referências culturais. O que se inicia na seleção e valorização da informação continua em ações de pesquisa, documentação e conservação. O objeto identificado, estudado e com a integridade física garantida, permite maior lucidez de interlocução, ou seja, está apto a comunicar. Assim, entende-se a comunicação como a finalidade da musealização, ³O processo inicia-se ao se selecionar um objeto de seu contexto e completa-se ao apresentá-lo publicamente, por meio de exposições, de atividades educativas e de outras formas´ (CURY 2005). A comunicação, restrita à ação pela exposição, institui um cenário onde o homem, visitante, se confronta com os objetos, a essa situação Waldisa Rússio nomina fato museal. Ressalta-se que esses objetos são constituintes da realidade presente e/ou passada desse homem. Nesse confronto, relação, estabelece-se a comunicação do museu com o público.

2.3 Comunicação
Estabelecido o fato museal, inicia-se a comunicação entre museu e visitante. Segundo Díaz Bordenave, a comunicação, para se estabelecer, necessita de elementos básicos. Identificando-os no fato museal, tem-se a realidade, a que o discurso da exposição constrói, e a do presente, fora do espaço expositivo, da qual o visitante participa; os interlocutores, a instituição e o visitante; as mensagens, as ideias do museu que são compartilhadas; os signos, os objetos que. destituídos de funcionalidade, adquirem valor representativo, ³converte-se em signo comunicacional e informacional´(CASTRO 2009); os meios, os recursos expográficos que permitiram a leitura dos signos. A comunicação de museus tem seu início no processo de musealização, valorização e seleção de objetos. Observa-se que essa seleção, e o valor atribuído por se estabelecer no campo do subjetivo, irá condicionar o discurso veiculado pela instituição. Da mesma forma que a instituição se posiciona ao escolher objetos para o museu, e novamente para exposição, o público pode rejeitar parte da mensagem, suas referências, suas expectativas, dentre outros fatores, irão condicionar sua leitura. Os interlocutores participam do processo ativamente.

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Para que a comunicação se estabeleça, para que ocorra decodificação, interpretação e incorporação da mensagem, museu e visitante devem compartilhar dos mesmos signos, ³Raras vezes o objeto, em si mesmo, é suficiente para remeter imediatamente os visitantes aos valores trabalhados na exposição. Relações precisam ser estabelecidas pelo público para se chegar a uma compreensão da mostra.´ (GONÇALVES 2004). O museu se propondo a comunicar deve ter uma estrutura que permita a interação com o público, pois os objetos, apesar de deterem informação, não são capazes de falar, e os valores que possuem foram atribuídos de acordo com a visão da instituição.

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3 Considerações Finais
A comunicação museológica apenas pode ocorrer quando a instituição define a mensagem e o meio de transmissão. A mensagem é construída pelo que a instituição define como sua missão. Essa postura aparentemente insignificante a muitos gestores é o que irá nortear todo o processo de musealização. Selecionar objetos e valorizá-los é uma ação intimamente ligada ao que a instituição entende como sua finalidade. Quando se fala em preservação, pesquisa e comunicação, é importante pensar, ³o que´, ³ quem´ e ³para quem´. Isso devido a grande carga de subjetividade dessas ações, pois ao se considerar que os museus trabalham com representações materiais de memória e que as memórias são fatores constituintes de referências culturais e sociais, os museus, ao veicularem essas memórias, servem a uma ideologia de construção da sociedade. O meio de transmissão da mensagem também será influenciado pela forma como a instituição encara seus objetos e a própria instituição museu. De acordo com cada instituição, cada meio de comunicação pode ter importâncias diferenciadas. O museu pode compreender que a pesquisa acadêmica, publicações, seja mais importante que um discurso mais acessível, como em exposição. Isso fará com que a instituição comunique de maneiras diferenciadas e com níveis de informações diferenciados. É no processo de comunicação que o museu transmite ao público suas ideias de valorização do acervo e missão. Assim é importante destacar que a veiculação determinadas informações, por meio de determinados objetos, com determinado meio de comunicação, irá se diferenciar de museu para museu, e que as diferentes formas não configuram modelos de certo ou errado para se estabelecer comunicação, mas tomadas de posição. Um museu estrutura seu discurso a partir do que considera importante, a partir de seus próprios conceitos. O a maneira de um museu se comunicar é sempre coerente a maneira como ele encara seu acervo e principalmente sua função na sociedade.

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4 Bibliografia
CASTRO, Ana Lúcia Siaines de. ³2ª Parte: Museu - Segredo.´ In: O Museu do sagrado ao segredo, por Ana Lúcia Siaines de. Castro, 104-160. Rio de Janeiro: Revan, 2009. CURY, Marilia Xavier. ³O Campo de Atuação da Museologia.´ In: Exposição - Concepção, Montagem e Avaliação, por Marilia Xavier Cury, 21-48. São Paulo: Annablume, 2005. DÍAZ BORDENAVE, Juan E. O que é comunicação. São Paulo: Brasiliense, 2007. DODEBEI, Vera Lúcia Doyle. ³Construindo o Conceito de Documento.´ In: Memória, Identidade e Representação., por Maria Teresa Toríbio Brittes Lemos e Nilson Alves de. (org) Moraes, 59-66. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2000. GONÇALVES, Lisbeth Rebollo. Entre Cenógrafias: o museu e a exposição de arte no século XX. São Paulo: Edusp/Fapesp, 2004. MOLES, Abraham A. ³Objeto e Comunicação.´ In: Semiologia dos Objetos, por Abraham A. Moles, Jean Baudrillard, Pierre Boudon, Henri Van Lier e Eberhard Wahl, 9-41. Petrópolis: Editora Vozes, 1972.

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