História de Israel SUMÁRIO Introdução 1. Noções de Geografia do Antigo Oriente Médio 1.1. O Crescente Fértil 1.2. A Mesopotâmia 1.3.

A Palestina e o Egito de 3000 a 1700 a.C. 1.4. A Síria e a Fenícia 1.5. A Palestina 1.5.1. A Transjordânia 1.5.2. O Vale do Jordão 1.5.3. A Região Central da Palestina 1.5.4. A Costa Mediterrânea 2. As Origens de Israel 2.1. A Teoria da Conquista 2.2. A Teoria da Instalação Pacífica 2.3. A Teoria da Revolta 2.4. A Teoria da Evolução Pacífica e Gradual 2.4.1. Retirada Pacífica 2.4.2. Nomadismo Interno 2.4.3. Transição ou Transformação Pacífica 2.4.4. Amálgama Pacífico 3. Os Governos de Saul, Davi e Salomão

3.1. Ascensão e Queda de Saul 3.2. Davi e a Criação do Estado 3.3. Salomão e a Consolidação do Estado 3.4. A Ruptura do Consenso 3.5. As Fontes: Seu Peso, Seu Uso 3.6. Dois Exemplos de Fontes Primárias: as Estelas de Tel Dan e de Merneptah 3.7. A Questão Teórica: Como Nasce Um Estado Antigo? 3.8. As Soluções de Lemche e de Finkelstein & Silberman 4. O Reino de Israel 4.1. A Rebelião Explode e Divide Israel 4.2. Israel de Jeroboão I a Jeroboão II 4.3. A Assíria Vem aí: para Israel é o Fim 5. O Reino de Judá 5.1. Os Reis de Judá 5.2. A Reforma de Ezequias e a Invasão de Senaquerib 5.3. A Reforma de Josias e o Deuteronômio 5.4. Os Últimos Dias de Judá 5.5. Por que Judá Caiu? 6. A Época Persa e as Conquistas de Alexandre 6.1. A Situação da Grécia e a Política Macedônia 6.2. As Conquistas de Alexandre Magno (356-323 a.C.) 6.3. Quem é Alexandre Magno? 6.4. A Anexação da Judéia por Alexandre 6.5. A Situação da Judéia no Momento da Anexação 7. Os Ptolomeus Governam a Palestina

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A História de Israel no Debate Atual Este artigo foi publicado, de forma mais resumida, em Cadernos de Teologia n. 9 (maio de 2001), Campinas: FTCR da PUC-Campinas, p. 42-64. Acréscimos ao texto são feitos sempre que surgem novidades. ABSTRACT This article surveys some perspectives in the current research of the "History of Israel", the challenges that this poses, and proposes some trajectories for those researching this subject. The scholarly consensus that existed up until the middle seventies of the twentieth century was shattered. The rationalistic paraphrase of the biblical text that constituted the core of the handbooks of the "History of Israel" is no longer acceptable to most scholars. An increasing number of scholars question the use of the biblical text as a source for the “History of Israel”. The implementation of modern literary criticism on the biblical text requires a moving away from issues of historicity, and this allows the "biblical" stories to be evaluated primarily from a literary perspective. The writing of a "History of Israel" using only the archaeological context and nonbiblical writings is a controversial undertaking, however, an increasing number of scholars are attempting to do this. It appears a revisionist “History of Syria/Palestine" will compete

against the traditional "History of Israel" as scholars from both sides continue their research. Até meados da década de 70 do século XX, havia um razoável consenso na História de Israel. Entre outras coisas, o consenso dizia que a Bíblia Hebraica era guia confiável para a reconstrução da história do antigo Israel. Dos Patriarcas a Esdras, tudo era histórico. Se algum dado arqueológico não combinava com o texto bíblico, arranjava-se uma interpretação diferente que o acomodasse ao testemunho dos textos, como no caso da destruição das (inexistentes) muralhas de Jericó pelo grupo de Josué[1]. Exemplos? Os patriarcas eram personagens históricos, o que podia ser comprovado pelos textos mesopotâmicos de Nuzi, do século XIV a.C., em seus muitos paralelos, de estruturas sócio-econômicas a tradições legais, com Gn 12-35. E a migração dos amoritas, que ocuparam a Mesopotâmia e a Palestina no final do terceiro milênio a.C., criava as condições ideais para a entrada dos patriarcas na região da Palestina e explicava seus nomes, sua língua e sua religião. José era personagem historicamente possível, pois havia grande quantidade de evidências egípcias que testemunhava os costumes contados em Gn 3750. Semitas poderiam ter chegado a altos postos de governo no Egito, incluindo o de grão-vizir, especialmente durante o governo dos invasores asiáticos hicsos. A escravidão dos hebreus no Egito e o êxodo não podiam ser questionados, pois textos egípcios testemunham que Ramsés II utilizou hapirus (= hebreus) na construção de fortalezas no delta do Nilo em regime de trabalho forçado. A Estela de Merneptah, faraó sucessor de Ramsés II, comprova a existência de israelitas na terra de Canaã na segunda metade do século XIII a.C., o que nos permitia fixar a data do êxodo aí por volta de 1250 a.C. A conquista da Palestina pelas 12 tribos israelitas sob o comando de Josué, como narrada no livro que leva o seu nome, contava com testemunhos arqueológicos respeitáveis, como a destruição de importantes cidades cananéias na segunda metade do século XIII a.C., embora muitos autores preferissem explicar a entrada na terra de Canaã de outro modo, como pacífica e progressiva infiltração de seminômades pastores a partir da Transjordânia.

rei do vizinho país de Moab. parte da confiável Obra Histórica Deuteronomista. por sua vez. J. Philadelphia. Bright foi. Professor de Hebraico e de Interpretação do Antigo Testamento no Union Theological Seminary. Poucas mudanças foram feitas. após a sua morte em 1995. Paulus. O autor atualizou o livro quanto a algumas descobertas arqueológicas e mostrou-se mais prudente nas afirmações sobre a historicidade de certos acontecimentos e personagens bíblicos. no Prefácio da 3a edição. a questão das origens de Israel e a data e a historicidade dos patriarcas. constituindo marco seguro para qualquer manual de História de Israel ou de Introdução à Bíblia quanto às datas dos acontecimentos e às realizações da sociedade israelita. História de Israel. após a morte de Salomão. Richmond. marcando o nascimento do judaísmo baseado no Templo e na Lei que passa a ser lida sistematicamente nas sinagogas. Diz o autor. A tradução brasileira desta 4a edição foi publicada pela Paulus no final de 2003. A History of Israel. como a 7a edição.A construção e a consolidação do poderoso império davídico-salomônico eram consideradas como pontos fixos e imutáveis na historiografia israelita. 1978. Brown. traduzido da segunda edição inglesa de 1972. revista e ampliada a partir da 4a edição original. USA. Uma resenha da . constituíam matéria real e sem maiores problemas. Uma 4a edição do livro foi lançada. E cita. O melhor livro para detalhada exposição e defesa deste consenso é o de John Bright. BRIGHT. São Paulo. eram bem testemunhados pelos textos assírios e babilônicos. pela Westminster John Knox Press. Cf. Virginia. O exílio babilônico e a volta e reconstrução de Jerusalém durante a época persa. basicamente. no ano 2000. Westminster Press. com uma Introdução e um Apêndice de William P. em muitos pontos onde anteriormente havia certo consenso. Bright pertence à escola americana de historiografia de W. F. que. John Bright e sua História de Israel John Bright lançou uma 3a edição de sua História de Israel em 1981. Mas manteve. até a sua morte. graças à confiabilidade dos textos bíblicos que detalhavam os acontecimentos desta época. as posições da 2a edição. muito bem detalhado nos livros dos Reis.. Albright e esta sua ‘História de Israel’ foi o manual mais utilizado por nós nos anos 70 e 80 do século passado. e até pela Estela de Mesha. Os reinos separados de Israel e Judá. como exemplo. hoje há um verdadeiro caos de opiniões conflitantes. sendo tudo. 1981.

A seqüência patriarcas. negando. ou uma ‘arqueologia da Síria/Palestina’ ou mesmo uma ‘arqueologia do Levante’. afasta-nos cada vez mais do gênero histórico. Mas. focalizando especialmente a 4a edição. O uso dos textos bíblicos como fonte para a ‘História de Israel’ é questionado por muitos. uma ‘História da Síria/Palestina’ ou uma ‘História do Levante’ parece ser o programa para os próximos anos. confederação tribal. divisão entre norte e sul. melhor. O consenso foi rompido. . É preciso lembrar. como Rolf Rendtorff. desde W. Uma ‘História de Israel e dos Povos Vizinhos’. e as ‘estórias bíblicas’ são abordadas com outros olhares. 90-93. em 1806-7. pode ser lida na revista Estudos Bíblicos n. escravidão. O uso de métodos literários sofisticados para explicar os textos bíblicos. E há pesquisadores de renome na área. 2001. exegeta alemão. por exemplo. conquista da terra. A construção de uma ‘História de Israel’ feita somente a partir da arqueologia e dos testemunhos escritos extrabíblicos é uma proposta cada vez mais tentadora. que os problemas da interpretação do Pentateuco estão intimamente ligados aos problemas mais amplos da reconstrução da história de Israel e da história de sua religião. pp. não participava integralmente deste consenso. que já em 1993 afirmava em artigo na revista Biblical Interpretation 1.'História de Israel' de Bright. Uma ‘História de Israel’. Petrópolis. 34-53. Vozes. exílio e volta para a terra está despedaçada. A arqueologia ampliou suas perspectivas e falar de ‘arqueologia bíblica’ hoje é proibido: existe uma ‘arqueologia da Palestina’. passando por Julius Wellhausen. em 1950. porém. império davídico-salomônico. José do Egito. a historicidade dos patriarcas. que dispense o pressuposto teológico de Israel como ‘povo escolhido’ ou ‘povo de Deus’ que sempre a sustentou. de Wette. A ‘tradição’ herdada dos antepassados e transmitida oralmente até à época da escrita dos textos freqüentemente não consegue provar sua existência. em 1894. a ‘História de Israel’ está mudando. êxodo. A paráfrase racionalista do texto bíblico que constituía a base dos manuais de ‘História de Israel’ não é mais aceita. até Martin Noth. feita por Ludovico Garmus. 69. que a historiografia alemã. professor em Heidelberg. pp.

Garden City. Dois anos mais tarde. na clássica coleção The Anchor Bible. 1964. mas.10-20 e paralelos). Genesis. Isto quebrava o paralelismo feito pelos autores entre Nuzi e o mundo patriarcal e tirava a garantia de que os costumes patriarcais refletiam práticas do segundo milênio. Thompson começou sua tese de doutorado na Universidade de Tübingen. porém. como quase todos os arqueólogos e historiadores acreditavam naquela época. O tema: as narrativas patriarcais. Eliezer.C. A. E. 2000. mais provavelmente. pp. 1500-1200 a.C. Patriarcas? Que Patriarcas? Em 1967. a mãe de aluguel como Agar (Gn 16.)[3]. Nuzi e os Patriarcas Um bom exemplo desse paralelismo pode ser lido no comentário de SPEISER. no norte da Mesopotâmia. que aceitou. refletiam práticas típicas do primeiro milênio a.11. Thompson percebeu que os costumes familiares de Nuzi e as leis sobre propriedades não eram exclusivos nem de Nuzi. como os casos da esposa-irmã Sara (Gn 12. o norte-americano Thomas L. então Thompson poderia distinguir nelas as mais antigas histórias bíblicas da tradição posterior mais ampliada[2]. New York. Estes e outros exemplos podem ser mais facilmente vistos em VOGELS. a adoção de um estrangeiro. .C. ele estava tão convencido da historicidade das narrativas sobre os patriarcas no Gênesis.1-25. Loyola.1-6). São Paulo. como herdeiro (Gn 15. no qual o autor discute cerca de 20 coincidências entre os costumes patriarcais e os costumes de Nuzi. Doubleday. W.. em 1969. os paralelos feitos entre os costumes patriarcais e os contratos familiares encontrados na cidade de Nuzi. e datados da época do Bronze Recente (ca. 38-45. Gênesis 12. na Alemanha. 1.2). Abraão e sua Lenda. sem questionar.. Sua idéia fundamental: se algumas das narrativas sobre os patriarcas hebreus estavam se referindo historicamente ao segundo milênio a.Este artigo quer traçar um panorama destas mudanças pelas quais vem passando a ‘História de Israel’ nos últimos vinte e tantos anos. nem do segundo milênio.. Quando Thompson começou seu trabalho. apontar as dificuldades que a crise vem criando e propor algumas pistas de leitura para os interessados no assunto.

vivendo da agricultura e da criação de gado.C. Estados Unidos. Thompson começou a trabalhar a questão das origens de Israel. ou seja. muitas das mudanças ocorridas em todo o Antigo Oriente Médio que antes eram atribuídas a invasões mal documentadas de povos. retomando a argumentação publicada em um artigo de 1978. sob o título de “O Background dos Patriarcas”. segundo a qual teria havido grande migração de nômades vindos das fronteiras do deserto siroarábico para a Mesopotâmia e para a Síria-Palestina no final do terceiro milênio. . Além do que. Thompson. no Journal for the Study of the Old Testament. independente de Thomas L. em 1976[4]. John Van Seters. então. pesquisando a historicidade dos patriarcas. Thompson. e a datação tradicional dos patriarcas e sua historicidade caíram por terra. Davi e Salomão em Jerusalém. Isto implicava a exclusão de qualquer unidade política de Israel que abrangesse toda a Palestina. Em 1987 Thomas L. Isto é testemunhado pelas centenas de povoados espalhados do Eufrates até os vales dos rios Khabur e Balikh e datados pelos arqueólogos como existentes desde o Calcolítico.Além do mais. Reino Unido. pois o que se descobriu nos últimos anos é que os amoritas são sedentários do norte da Mesopotâmia. mais cientificamente. Thompson localizava as origens de um Israel histórico na região montanhosa ao norte de Jerusalém durante o século IX a. de quem falaremos mais detalhadamente no próximo item a propósito do Javista. hoje. examinando a hipótese amorita. chegou a conclusões semelhantes. não podia ter existido uma ‘Monarquia Unida’ sob Saul. Neste artigo. Philadelphia. O resultado foi academicamente desastroso. podem ser explicadas. da editora Sheffield. sujeita a períodos de secas prolongadas e devastadoras. Thompson passou. O crescimento populacional dos amoritas deve ter provocado a ampliação de seus territórios e a ocupação de várias cidades da região. que terminou a pesquisa em 1971. não atribuindo qualquer valor histórico às estórias sobre Abraão.C. pelas mudanças climáticas na região. no século X a. não pôde defender sua tese na Europa nem publicar seu livro nos Estados Unidos. Thompson percebeu que não havia prova alguma para tal pressuposto. a defender que as narrativas patriarcais estavam refletindo muito mais o primeiro do que o segundo milênio. O livro só foi publicado em 1974 e Thompson conseguiu seu PhD na Temple University.

os hoje chamados ‘minimalistas’.C. A Sheffield Reader. em 1993. Isto porque o desenvolvimento literário do Gênesis teria ocorrido de modo independente de Êxodo e Números até o estágio final da composição do Pentateuco. e onde encontrou um grupo com idéias avançadas sobre a ‘História de Israel’. nos Estados Unidos. 2. levando ao afastamento do autor da Marquette University. . o canadense John Van Seters aceita o desafio de um seu professor e começa a revisão da ‘Hipótese Documentária’ do Pentateuco. que o Pentateuco era composto pelas fontes JEDP – Javista. Quando muito.. em ROGERSON. admitia o pesquisador. Mas. desde o século XIX. onde até hoje se encontra. Leiden. Com um detalhe: estas fontes não seriam documentos independentes. O estudo completo resultou no livro Early History of the Israelite People from the Written and Archaeological Sources [Antiga História do Povo Israelita a partir de Fontes Escritas e Arqueológicas]. 1992 [19942]. Thompson foi relançado em livro: The Background of the Patriarchs: A Reply to William Dever and Malcolm Clark. W. elaboradas desde o século X a. Diz Thompson que a reação a este livro foi pior do que à tese sobre os patriarcas. Thompson foi convidado para trabalhar no Departamento de Estudos Bíblicos da Universidade de Copenhague. Sheffield. com Esdras. Deuteronômio e Sacerdotal. The Pentateuch. Eloísta. O mesmo deveria ser dito do P. 33-74. J. Van Seters Reinventa o Javista Ainda em 1964. na corte davídico-salomônica até o século V a. mas complementos de outras mais antigas. onde trabalhava. Winnet. F. V. Sheffield Academic Press. pp. levantou uma série de dúvidas sobre os fundamentos da Hipótese Documentária. L. duas diferentes fontes deveriam ser vistas dentro do material J do Gênesis: uma mais antiga e outra da época do exílio. em conferência feita em 1964. Brill. professor de Van Seters. Winnet não aceitava a fonte E como um documento independente. ela poderia ser uma revisão de mais antiga tradição patriarcal e não poderia ser encontrada no Êxodo e Números.. na Jerusalém pósexílica.C. 1996. quando então foram organizados e combinados pelo Sacerdotal (P). A ‘Hipótese Documentária’ afirmava.O artigo de T. examinando as tradições sobre Abraão. Assim.

20. J.10-20. assim como o era o livro do Deuteronômio. Van Seters concluiu que o J deveria ser visto como um autor pós-D. Von Rad de um ‘Iluminismo Salomônico’. e de que o J deveria ser visto em estreita associação com a escola deuteronômica nos últimos anos da monarquia ou na época do exílio. Em 1976 e em 1977 apareceram os livros de Hans Heinrich Schmid e de Rolf Rendtorff sobre o mesmo assunto. Estas conclusões podem ser lidas em VAN SETERS. Percebendo igualmente a forte afinidade do J com o Dêutero-Isaías. Schmid. H. E também em VAN SETERS. H.. Gn 20. The Pentateuch. em 1976. do qual não se percebia nenhum sinal. A conclusão a que se chegou foi de que o Pentateuco era o produto do movimento profético.1-11 – não são documentos independentes agrupados por redatores. percebeu que episódios paralelos – como a história de Sara “irmã” de Abraão em Gn 12. . Van Seters. A crise do Pentateuco explodiu. A Social-Science Commentary. como o ambiente no qual o javista teria nascido. Abraham in History and Tradition. como dissemos. Van Seters concluiu também que o material atribuído ao J mais antigo era muito pequeno. Yale University Press. 1-18 ao complemento E e Gn 26. contestou a tese de G. Sheffield Academic Press. Examinando uma série de textos amplamente aceitos como javistas. New Haven. pelo menos em sua forma mais rígida. que o E consistia de uma única estória e que todo o material não-P pertencia ao javista mais recente. J.1-11 ao J mais recente da proposta do professor. 1999. Van Seters publicou sua pesquisa em 1975. e que a ‘Hipótese Documentária’ deveria ser totalmente revista. Schmid procurou mostrar que o J dependia fortemente da tradição profética e estava muito próximo da escola deuteronômica. era insustentável.1-18.1-20 corresponde ao J mais antigo de Winnet. examinando as tradições sobre Abraão. e também que a forma da promessa da terra no J era um desenvolvimento posterior daquela encontrada no Deuteronômio e na tradição deuteronomista.. 59-60. mas sua relação é de complementação: Gn 12. 1975. em plena luz do dia e ninguém mais podia escapar da constatação de que a teoria clássica das fontes do Pentateuco.26. Sheffield. então. pp.Embora a proposta de Winnet não tenha causado repercussão.

Zürich..semelhante ao trabalho do historiador grego Heródoto . chega à conclusão de que tal independência não deve ser limitada ao período pré-literário. H.. R. porém um significado teológico próprio. Theologischer Verlag. Vozes. Rendtorff não vê nenhuma conexão original entre Gênesis e Êxodo-Números. que o Javista compõe uma obra unificada que vai da criação do mundo até a morte de Moisés. 1981. Van Seters estendeu seu estudo sobre o J a todo o Tetrateuco e defendeu. A. 1984. Berlin.. ed. mais tarde. pp. Walter de Gruyter. Theologischer Verlag. em português. Noth da formação do Pentateuco a partir de temas independentes. BLUM.). 2002. Donde se conclui que a idéia de fontes. Sheffield. dando-lhe. NeukirchenVluyn. 2. Der sogenannte Jahwist. mas o alcança. seu discípulo Martin Rose. Sheffield Academic Press. Ele defende que cada unidade maior teve seu próprio processo de redação antes de ser colocada em contato com outras unidades. O J faz o trabalho de um historiador . em 1981. Studien zur Komposition des Pentateuch. mas sim uma posterior costura deuteronomista ligando estas tradições. 63-70. Rolf Rendtorff. em 1977. Zürich. (org. confirma as intuições de seu mestre estudando as tradições patriarcais de Gn 12-50. ROSE. Uma exposição do pensamento destes autores pode ser vista. 1977 (tradução inglesa: The Problem of the Process of Transmission in the Pentateuch. Deuteronomist und Jahwist. 1990. Seu aluno Ehard Blum. 1990). Neukirchener Verlag. Untersuchungen zu den Berührungspunkten beider Literaturwerke. E. O Questionamento do Consenso Wellhauseniano em Alemão Os estudos destes pesquisadores resultaram nas seguintes obras: SCHMID. O Pentateuco em questão. Die Komposition der Vätergeschichte.. em DE PURY. retomando a idéia de M. e que o desenvolvimento dos temas é que deve ser enfocado. Walter de Gruyter. RENDTORFF. Das überlieferungsgeschichtliche Problem des Pentateuch. . 1976. tal como a J. por sua vez. As origens e a composição dos cinco primeiros livros da Bíblia à luz das pesquisas recentes.no qual ele se baseia em fontes orais e escritas. deve ser abandonada.. em livros publicados em 1992 e 1994. Petrópolis. H. chegou à conclusão de que o Deuteronômio e a Obra Histórica Deuteronomista eram anteriores ao javista.Embora não tenha discutido a datação do J em relação ao D. Berlin. M.

Joseph Blenkinsopp. Graeme Auld. 2001. Já que o J era posterior ao D/OHDtr. no livro The Bible Unearthed.. ele ligou as duas grandes obras e acrescentou sua própria conclusão final ao Hexateuco através do segundo discurso de Josué em Js 24" [5]. Uwe Becker..: esta obra mostra como a crise do Pentateuco continua e como um possível consenso parece ainda distante. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. sendo contemporâneo do Dêutero-Isaías e tendo afinidades com Jeremias e com Ezequiel. cito aqui a proposta do arqueólogo Israel Finkelstein e do historiador Neil Asher Silberman. & WITTE. XII + 345 pp.. Hans-Christoph Schmitt. Van Seters conclui: “Deste modo. M. 2002. Jan Christian Gertz.. Walter de Gruyter. eu procuro resolver o problema existente entre os argumentos de Noth a favor de um Tetrateuco separado do D/OHDtr e a insistência de Von Rad em um Hexateuco. K. Abschied vom Jahwisten: Die Komposition des Hexateuch in der jüngsten Diskussion. Jean Louis Ska. neste volume escrito em alemão e inglês. J. proveniente da Europa. Josué. SCHMID. Mas é anterior ao Sacerdotal (P). Berlin. Erhard Blum. The Free Press. Só para entendermos por onde pode caminhar a discussão atual. Os autores defendem que boa parte do Pentateuco é uma criação da monarquia da época de Josias. Thomas Römer. sustentando que a arqueologia hoje dá suporte à hipótese de que tanto o Pentateuco quanto a Obra Histórica Deuteronomista foram escritos no século sétimo a. por sua vez.O objetivo da obra do J é o de corrigir o nacionalismo e o ritualismo da Obra Histórica Deuteronomista. Ernst Axel Knauf.C. para fornecer suporte ideológico para sua reforma política e religiosa. E a Crise do Pentateuco Continua. da qual ela é uma espécie de introdução. (eds. mas uma série de suplementos pós-exílicos ao D+J. no tempo do rei Josias. não é uma obra independente. o Javista é posterior ao Deuteronômio e à Obra Histórica Deuteronomista (Deuteronômio. O Eloísta (E) não se sustenta como documento independente e desaparece. Reinhard Gregor Kratz. GERTZ. C. Contribuem. Por isso. Estados Unidos e . que. Só gente do ramo. Albert de Pury.). Juízes. Thomas Dozeman. Konrad Schmid. Markus Witte. 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis). E que a Obra Histórica Deuteronomista foi igualmente compilada. elaborada para defender a ideologia e as necessidades do reino de Judá.. New York. em sua maior parte. William Johnstone. com Josué como o objetivo das promessas patriarcais.

Basic Books. foram encontradas cerca de 3. [5]. A Social-Science Commentary. 1999. verbete Nuzi. a ruptura do consenso que passo a descrever. [2]. XI. Up with Reading: The Current State of Biblical Studies. em maio de 1999. The Pentateuch. Para além disso. mais aqui. T. É um material que ilustra brilhantemente a vida diária de uma comunidade da metade do segundo milênio a. (ed.ca/programs/jewish/30yrs/rendsburg/index. Cada um constrói seu próprio paradigma. ninguém concorda com ninguém. Sheffield. p. Cf. Sheffield Academic Press. Leia também artigo de 2006 de Rolf Rendtorff. N. Gary A. Down with History. pp.Israel! E.. 1992. Cf. habitada principalmente por hurritas. O livro de Thomas L. que cobrem a vida da comunidade e de cidades vizinhas ao longo de seis gerações.). D. 2002. Especialmente significantes são as informações administrativas. Doubleday & Logos Library System. em conferência pronunciada no Departamento de Estudos Judaicos da McGill University. como observa Robert Gnuse. no contexto do abandono da teoria das quatro fontes. E comenta Gnuse que os ensaios tipificam a natureza variada e caótica da pesquisa do Pentateuco. 656. Canadá. onde o pesquisador se pergunta: O que aconteceu com o Javista na atual pesquisa do Pentateuco? E responde: ele desapareceu e levou consigo a Hipótese Documentária do Pentateuco. em resenha do livro na CBQ 65/4. VAN SETERS. The Mythic Past. http://www. . Cf. 1974 e Harrisburg. New York. NEXT [1]. de outubro de 2003. Cf... [4].. 1999. cada um mais sugestivo do que o outro. Biblical Archaeology and the Myth of Israel. Walter de Gruyter.C. FREEDMAN. 61-62. Estou me inspirando no artigo de RENDSBURG. em At the Cutting Edge of Jewish Studies. THOMPSON. L. 1997. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. New York. p. no qual o autor lamenta e critica. [3]. J.arts. Thompson: The Historicity of the Patriarchal Narratives: The Quest for the Historical Abraham. econômicas e as descrições das práticas e estruturas jurídicas. sociais. Em Nuzi. Trinity Press International.mcgill.. os autores concordam em rejeitar a fonte javista e sugerem que a coerência das narrativas do Pentateuco somente foi alcançada no pós-exílio com o D e o P.500 tabuinhas cuneiformes. Berlin.html .

A região é habitada pela raça branca. berbere. a raça branca é constituída pelos: semitas (acádios. É a chamada "meia-lua fértil" ou "Crescente Fértil". O Crescente Fértil Se partirmos do Golfo Pérsico e traçarmos uma meia-lua. iranianos etc) fineses. amoritas. þÿ 1. No seu conjunto. árabes. Noções de Geografia do Antigo Oriente Médio 1. itálicos.Sitemap. hebreus. Argélia e Tunísia atuais) indo-europeus (eslavos. teremos uma região bastante fértil. celtas. onde se desenrolaram os acontecimentos narrados na Bíblia. Mapa do Site . que condicionavam a vida do oriental antigo. homótico e chádico. passando pelas nascentes dos rios Tigre e Eufrates. gregos. A família afroasiática compreende seis ramos: semítico. Quer conhecer as línguas do Oriente Médio? Experimente aqui! . anteriormente chamada camito-semítica. Esta faixa de terra é regada por importantes rios. As línguas semíticas constituem um ramo da grande família das línguas afro-asiáticas. no Egito.1. cuxita. cananeus. egípcio. Foram os rios que determinaram o estabelecimento da agricultura. fenícios etc) hamitas (que habitavam o Egito. da sedentarização e das rotas comerciais por onde passavam as caravanas que iam desde a Mesopotâmia até o Egito ou a Arábia.Marrocos. dentro do qual está também a Palestina. especialmente semitas e hamitas. Todos os direitos reservados. a Abissínia e o Magrebe . colocando a outra ponta na foz do Nilo.Copyright © 1999-2008 Airton José da Silva.

C. com o acádico e o eblaíta. . até os dias atuais com o árabe.A família das línguas semíticas é bem antiga. Nos três quadros a seguir pode-se ver um panorama simplificado das principais línguas semíticas[1]. documentada desde a metade do terceiro milênio a. o amárico e o hebraico.

mormente na vocalização raízes ternárias verbos com apenas dois tempos dois gêneros casos oblíquos. pronomes possessivos e objeto pronominal do verbo são anexados como sufixos ausência de nomes e verbos compostos pequeno número de partículas e predominância da coordenação sobre a subordinação.Algumas características das línguas semíticas: A estrutura gramatical: grande número de guturais muito especiais. O vocabulário semítico: quase nenhum contato com o indo-europeu semelhanças apenas em palavras onomatopaicas .

os acádios. Clique na miniatura para ver o mapa da Mesopotâmia! Os sumérios construíram a sua civilização na Baixa Mesopotâmia entre os anos de 2800 e 2370 a. N. The Anchor Bible Dictionary. notadamente o Tigre e o Eufrates. New York. . como os sumérios. A Mesopotâmia A planície situada nos vales dos rios Tigre e Eufrates é chamada comumente de Mesopotâmia. auxiliados por "anciãos". de conotação religiosa.. As escavações feitas em Uruk revelaram o uso da escrita cuneiforme (sinais em forma de cunha) desde o início do III milênio. (ed. Foram os sumérios os inventores da escrita. 1. A escrita semítica: consonantal da direita para a esquerda exceções: escritas da esquerda para a direita são o sabeu. o etíope e o cuneiforme. A Bíblia chama a esta terra de paddan aram ou aram naharayim (Síria dos dois rios). mais ou menos.poucos empréstimos de um grupo lingüístico para o outro. verbete Languages. nas cenas gravadas nos cilindros.C. 1997. Freedman. Ele dirige o culto. Doubleday & Logos Research Systems. As únicas construções oficiais são os templos: as cidades eram dirigidas por senhores eclesiásticos. nome que vem do grego e significa (terra) entre rios. A Mesopotâmia foi berço de civilizações antiqüíssimas e importantes. NEXT [1]. os assírios e os babilônios. 1992. que formavam uma assembléia. O chefe da cidade suméria tem o título de En (= senhor). Cf.2.). D.

que era apenas um administrador do Estado. no trabalho dos templos.C. Umma. e para An. Akshak. Uruk e Ur. deusa da fecundidade e do amor. que indicava um poder menor do que o primeiro. O templo era um centro econômico: possuía terras. Sua residência era mais uma fortaleza do que um palácio. O metal mais citado é o cobre. na forma de cidades-estado. Foi a função guerreira que fez surgir a realeza. havia carros de guerra com 4 rodas compactas. Bad-Tibira. Havia mercadores e um comércio privado. As cidades mais importantes eram: Adab. Não se sabe quando se formou a monarquia suméria. No palácio vivia o rei. Parece que estavam na região na segunda metade do IV milênio a. Também a horticultura. Há. Avançando um pouco mais no tempo e pesquisando outros lugares além de Uruk. Contudo não permaneceram unificadas por muito tempo. Zabalam. os especialistas descobriram que as cidades organizavam-se ao redor dos templos e palácios reais. deus do céu. por camponeses. reforçados.Visite a Sumerian Mythology FAQ! O culto era celebrado para Inanna (a futura Ishtar). era juiz supremo. talvez subários e populações de língua semítica. marceneiros. Lugal (rei) era o seu título ou Ensi (chefe das cidades. Mas. pelo menos pode-se perceber que eles se misturaram às antigas culturas populares locais. abrigada por grandes escudos e capacetes. Lagash. mas era uma monarquia militar. Criavam principalmente carneiros e cabras e. pertencente. Usavam arados. na guerra. bois. vice-rei). mais raros. puxados por quadrigas de burros. ao deus. ferreiros. Além de uma infantaria armada de lanças. Permaneceram sempre isoladas. Cada uma possuía ao seu redor um cinturão de aldeias e eram separadas por pântanos e desertos. . a vinha e a palmeira eram conhecidas. Também já conheciam a prata e o ouro. característicos da região. chefe militar e administrador dos canais de irrigação. onde cultivavam-se a cevada e o trigo. O rei era sacerdote (mantinha os santuários). É impossível saber quando chegaram os sumérios à Baixa Mesopotâmia. Shurupak. que entrou em luta com os chefes religiosos pelo controle interno das cidades e com as outras cidades em massacres periódicos. na verdade. Suas tropas chegavam a uma média de 600 a 700 homens. governador. Nippur. ourives e ceramistas. Aparece o asno e o porco. Kish. assim como um carro de 4 rodas e o barco.

cobrindo uma superfície de 5 km2. com mais de 900 torres semicirculares. hínicos.C.. 2. A religião tem predominância naturista: os cultos da fertilidade estavam em primeiro plano. Cosmogonias menores: Encantamentos: 3 textos Textos Namburbi 2. Fundações ou refundações de Templos: 4 textos 4.Esta fase de guerras constantes. mas a disposição interna era a mesma em qualquer lugar. Revelam-nos o vestuário da época: o mais usado era o Kaunakés.C. Em meados do III milênio. No ritual exerciam funções importantes a grã-sacerdotisa e o rei.C. espécie de saia com longas franjas estilizadas. Listas de deuses: 3 textos 1. Uruk tinha muralhas de 9. a partir de 2800 a. embora a primeira permanecesse. Links para o estudo da Mesopotâmia? Confira estes! Na literatura produziam-se textos sapienciais. SLT 122-124 1. TCL XV 10 = lista De Genouillac 3. baseada na cronologia e no gênero: TEXTOS SUMÉRIOS: Cosmogonias do 30 milênio até começo do 20 milênio a. Lagash e Umma foram duas das cidades que mais dominaram suas vizinhas. porém. mais ou menos. Lista do deus An = Anum 3. Já a cidade de Nippur parecia ser uma espécie de território neutro. levou à construção de grandes muralhas nas cidades. épicos e mitológicos. em forma de lingüetas.5 km de extensão. são toscas demais. Os templos podiam ter várias formas. Uma classificação possível para as cosmogonias mesopotâmicas pode ser a seguinte. centro de uma anfictionia ou confederação. início da idade clássica sumeriana. TEXTOS ACÁDICOS: Cosmogonias da metade do 20 milênio até o 10 milênio a. As estátuas não são muito bonitas. deu-se uma transposição da temática naturista para a cósmica (os deuses passam a figurar elementos do cosmos). simbolizando o casamento sagrado entre um deus (Dumuzi?) e uma deusa (Inanna). Disputas entre criaturas: • Disputa entre dois .

NBC 11108 Hino ao Templo de Eridu Louvor à Enxada Enuma elish Textos narrativos de Eridu . Gilgamesh. Enkidu e o Atrahasis Inferno 2. A disputa entre o Pássaro e o Peixe 4.insetos • • Disputa entre o Tamarindo e a Palmeira Disputa entre o Boi e o Cavalo 5. Enki e a Ordem do Mundo 2. Enki e Ninhursag (ou Mito do Dilmun) 3. VAT 17019 Textos narrativos de Nippur . A disputa entre a Árvore e o Junco 4.motivo ctônico: 5 textos 1. 6. História Suméria do Dilúvio .motivo cósmico: 6 Cosmogonias antológicas textos 1. Enki e Ninmah A Teogonia Dunnu 5. Prólogos ao Grande Tratado Astrológico: 2 textos 6. 5. Casamento de An e Ki em meio à tempestade 3.

(ed. Chicago. 86-106. H. Wissenschaftliche Veröffentlichnungen der deutschen Orientgesellschaft XXVIII. pp. pp. DE Genouillac. Chicago University Press. De Genouillac: DE Genouillac. conseqüência de grandes migrações que foram uma das causas da queda de Ur. TCL: Textes cunéiformes . Esta entrada em cena dos amoritas (ou amorreus) assinala um fato fundamental na história da época.. Liste alphabétique des dieux sumériens.Coleção de tabuinhas cuneiformes do Museu de Berlim. 137-139.). NEXT Na luta entre os vários grupos observamos que a maioria deles ostenta nome amoritas. E. Keilschrifttexte aus Assur religiösen Inhalts.Musée du Louvre..1923. H. RA 20 (1923).Um único texto: KAR 4 * Abreviações: SLT: CHIERA. Yale University.. VAT: Vorderasiatische Abteilung Tontafeln . Sumerian Lexical Texts from the Temple School of Nippur. 1919. E. NBC: Nies Babylonian Collection. KAR: EBELING. . Grande Liste de noms divins sumériens. Paris. Leipzig. RA 25 (1928). 1929. XXXIV.

muitas das mudanças ocorridas em todo o Antigo Oriente Médio que eram atribuídas a invasões mal documentadas de povos. hoje. vivendo da agricultura e da criação de gado. mais cientificamente. pelas mudanças climáticas na região. que come carne crua.Em sumério são chamados de MAR. podem ser explicadas. que não tem casa durante a vida. chamados também de semitas do oeste. onde a disputa era entre as dinastias de Isin e Larsa. e não é sepultado após a morte". É assim que se chega à luta pela hegemonia na Baixa Mesopotâmia. diz: "É um homem que desenterra trufas [espécie de cogumelo comestível] no sopé das montanhas. baseados em sátiras como esta dos sumérios. que não sabe dobrar os joelhos para cultivar a terra. Hoje. A caracterização dos amoritas é feita em uma epopéia da época que. também governadas por amoritas. Mapa Cronológico do Antigo Oriente Médio II[4] Período Bronze Bronze Ferro Ferro Antigo Arqueológico Médio Recente Recente Mesopotâmia do Assírio Assírio Assírio Assírio Norte antigo médio médio recente ShamsiMitani Adad Cartas de . Isto é testemunhado pelas centenas de povoados espalhados do Eufrates até os vales dos rios Khabur e Balikh e datados pelos arqueólogos como existentes desde o Calcolítico. não é mais possível sustentar esta posição. significando "ocidentais" ou "povo do oeste". sujeita a períodos de secas prolongadas e devastadoras[3].TU. de que os amoritas eram nômades que invadiram a Mesopotâmia e também a Palestina vindos do deserto siro-arábico. pois o que se descobriu nos últimos anos é que os amoritas são sedentários do norte da Mesopotâmia. citada acima. descrevendo o mito do casamento do seu deus Amurru. típica do século XIX. em acádico AMURRU. e em uma visão romântica do nomadismo. Além do que. O crescimento populacional dos amoritas deve ter provocado a ampliação de seus territórios e a ocupação de várias cidades da região mesopotâmica. enquanto na Alta Mesopotâmia a luta se dava entre Assur e Mari. Durante muito tempo existiu certo consenso entre os especialistas. porém.

Sob a III dinastia de Ur fora governada por um ensi e progressivamente seu poder cresceu.C. . Em 1792 Hammurabi (1792-1750 a. Consolidou sua posição frente aos vizinhos da Baixa Mesopotâmia e em seguida estendeu seu domínio a Mari.) subiu ao trono de Babilônia. assírios e gútios. No 31º ano de seu reinado Hammurabi já era senhor da Suméria e de Akkad. aos elamitas. tornando-se um principado independente e controlando algumas cidades vizinhas.Mari Mesopotâmia do Sul Babilônico antigo Influências do Egito Síria/Palestina Hicsos Isin Larsa Cassita Babilônico médio Domínio egípcio Cartas de Tell elAmarna Israelitas Elamita antigo Irã/Golfo Pérsico Godin III Dilmun Comércio da antiga Assíria Hitita antigo Carros Desenvolvimento cultural e técnico Rodas com raios Alfabeto primitivo Hitita Frígios Camelos Galinhas Vidro Cerâmica vidrada Ferro fundido Frígios Elamita médio Tribos iranianas Babilônico médio Israel Povos do mar Israel Estados fenícios Estados arameus e neo-hititas Medos Invasões de Urartu Invasões assírias Urartu Frígios Lídios Cavalaria Algodão Moedas Latão Aramaico Domínio assírio Anatólia No final deste período a cidade que emergiu com maior poder foi Babilônia.

Além disso havia os prisioneiros de guerra (asiru) e os deportados. aniquilei os . que Hammurabi. o rei forte. nem deixei cair os braços. salários etc. além de haver grupos hurritas. Através dele podemos conhecer a estrutura social da época. aos templos e a particulares. (Estas são) as sentenças de justiça. As regiões intermediárias eram habitadas também pelos amoritas. pois podia exercer diversas profissões. Na Mesopotâmia governada pelos babilônios da época de Hammurabi temos populações que. Para com os cabeças-pretas. espécie de mercadores itinerantes e corretores. com a sabedoria que Ea me destinou. E interessante é observar que a mulher casada tinha certa autonomia. colonos. O comércio era dominado pelos tamkarum. mas existia o concubinato. o rei perfeito. estabeleceu e que fez o país tomar um caminho seguro e uma direção boa. que Enlil me deu de presente e dos quais Marduk me deu o pastoreio. que agiam em nome do Estado. As terras do Estado eram exploradas por arrendatários. No campo viviam agricultores sedentários e nômades. Hammurabi desenvolveu uma legislação que ficou famosa através de seu conhecido código. eu lhes procurei sempre lugares de paz. pequenos artesãos e comerciantes. resolvi dificuldades graves. o babilônio e os idiomas semitas do noroeste. na sua maioria. categorias estas sem nenhum estatuto jurídico e que viviam a verdadeira escravidão. não fui negligente. demandar em juízo e até assumir cargos públicos. Nas cidades. contratos de trabalho. fiz-lhes aparecer a luz. especialmente quando a esposa era estéril. o povo (mushkenum) e os escravos. mas acumulando também fortunas particulares. falam línguas semíticas.As terras na Babilônia pertenciam ao Estado. O Estado intervinha em todos os setores da economia. determinando preços. com a habilidade que Marduk me deu. Três classes compunham a sociedade: os ricos (awilum). O casamento era monogâmico. Com a arma poderosa que Zababa e Ishtar me outorgaram. como o assírio. Eu (sou) Hammurabi. homens de corvéia e funcionários do Estado que recebiam glebas em troca de serviços prestados.

.. a cidade cuja cabeça An e Enlil levantaram.). 222-223). promovi o bem-estar do país (. Havia muitas escolas de escribas ao redor de palácios e templos. pp. .. para sempre. para fazer justiça ao órfão e à viúva. o seu coração se dilate! (. para proclamar o direito do país em Babel.). que está implicado em um processo. a história começou a se desenvolver sob a forma de listas reais e a literatura religiosa cresceu enormemente. No centro e no norte da Palestina é que se situa a maior parte destas cidades.C..3. Laquish. Começaremos a falar da Palestina na Idade do Bronze Antigo (3200-2050 a. que ele não altere os meus estatutos! (Trecho do Epílogo do Código de Hammurabi na tradução de EMANUEL BOUZON. Que minha estela resolva sua questão. provável resultado da sedentarização de grupos novos que se estabeleciam na região. ele veja o seu direito. 1987. Para que o forte não oprima o fraco. 1. Bet-Shan. Vozes. as sentenças do país que eu decidi. como Jericó. Gezer. A cultura suméria foi organizada e preservada. Meguido. 4a edição totalmente revista e melhorada. o templo cujos fundamentos são tão firmes como o céu e a terra.. A literatura e as artes alcançaram grande esplendor na época de Hammurabi. Ai. para fazer direito aos oprimidos. O Código de Hammurabi. tradução do texto cuneiforme e comentários. um rei que surgir no país observe as palavras de justiça que escrevi em minha estela. na indústria (sobretudo na cerâmica) e um aumento geral da população.. A Palestina e o Egito de 3000 a 1700 a. na Esagila. atentamente.C. escrevi minhas preciosas palavras em minha estela e coloquei-a diante de minha estátua de rei da justiça (. acabei com as lutas.).) Que nos dias futuros. minha estela escrita e ouça minhas palavras preciosas. quando houve um notável progresso na vida urbana. que ele não mude a lei do país que eu promulguei. sendo mais rarefeita a população no sul. Introdução.inimigos em cima e embaixo. venha diante da minha estátua de rei da justiça. para proclamar as leis do país. leia. Petrópolis. Muitas das cidades que conhecemos através da história bíblica já existiam. Que o homem oprimido.

é que há sinais de nova vida urbana. Na Síria. A Palestina conheceu a sua fase antiga mais próspera entre os anos de 1800 e 1550 a. provavelmente a ascendente do cananeu falado nos tempos israelitas. The Mythic Past.A agricultura era a atividade básica. THOMPSON. . seu território e as cidades teriam sido destruídas. 1999. a cidade de Biblos conheceu um progresso semelhante e a influência egípcia tornou-se marcante graças ao comércio marítimo.C. Sua língua era um semítico do noroeste. lentilhas. A vinha teria sido ali introduzida nesta época. e isto depois de alguns séculos de ocupação. Tell el-Duweir. Os utensílios de pedra dominavam ainda. New York. Siquém.). Cidades populosas e bem guarnecidas. pp. embora já se começasse a fabricação de armas de cobre. L.C. Só por volta de 1900 a. 101-225.. Jericó. e o Negueb até o século X a. Bet-Shemesh. algumas bem violentamente. Por volta de 2300 a. N. a cevada. tais como Hazor. New York. D.C. NEXT [3]. 1997. Tell elFarah do sul etc. Meguido. Jerusalém. Doubleday & Logos Research Systems. Freedman. do qual o hebraico bíblico é uma derivação. esta civilização sofreu forte decadência. Cultivavam. Havia também a cultura da oliveira e da amendoeira. (ed. Gezer. cercadas por poderosas muralhas floresceram. Hoje se reconhece que as mudanças ocorridas então se devem muito mais a mudanças climáticas do que a qualquer entrada de povos na região. a partir do norte. Tell Beit Mirsim. 1992. O comércio funcionava em direção à Síria do norte e do Egito. nesta época. verbete Amorites. Dizia-se que possivelmente eram estes povos os mesmos amoritas ou semitas do oeste que invadiram também a Mesopotâmia. Basic Books. ou viveram em cavernas e quando reconstruíram as casas estas eram bastante modestas. Taanak.C. Cf. O curioso é que se observa que seus novos habitantes não reconstruíram imediatamente as cidades: ou acamparam sobre as ruínas. Já a Transjordânia não teve civilização sedentária até cerca de 1300 a. O mesmo aconteceu na Síria. T. Até a década de 70 do século XX se acreditava que povos teriam invadido. Podemos chamar convencionalmente estes povos de cananeus. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM.C. o trigo. favas. Biblical Archaeology and the Myth of Israel.

sua derrota foi por mim consumada"[13].C. meu senhor. até pouco atrás. inimigos do deus Assur. . os termos ahlamu e arameu tornaram-se sinônimos. mais ou menos. bens e gado sem conta". que estes eram nômades semitas que a partir do deserto siro-arábico invadiram a Alta Mesopotâmia. Em um só dia realizei uma incursão desde as proximidades da terra de Suhi até Carquemish da terra de Hatti. em um salto. da cidade de Anat da terra de Suhi. Da cidade de Tadmor (Palmira) da terra de Amurru.). Com o tempo. pp. a Anatólia (Ásia Menor) e a Síria. vamos ao norte da Palestina. 1996.. A Síria e a Fenícia De novo. mas é possível que fossem dois grupos diversos. Dizia-se. No quarto ano de seu reinado ele combateu os Ahlamu-Arameus no Eufrates e lhes queimou seis acampamentos no Djebel Bishri. Certo é que nunca houve uma união política aramaica. A primeira menção segura dos documentos antigos sobre os arameus data do ano 1110 a. Mesopotâmia e o Antigo Médio Oriente I. e está em textos cuneiformes do reinado do assírio Tiglat-Pileser I (1115-1077 a. Coleção Grandes Impérios e Civilizações. Mas hoje não temos mais tanta certeza disso. aparentados. E ainda:"Por vinte e oito vezes. ROAF. sendo a Síria a sede de vários reinos arameus. Para falar da Síria. M. temos que falar dos arameus. Eis o comunicado real:"Marchei contra os ahlamu-arameus.4. 6-7. com sua capital Damasco. à razão de duas por ano. cruzei o Eufrates em perseguição aos ahlamu-arameus. por isso seria melhor não falar mais dos arameus desta maneira. até a cidade de Rapigu da terra de Karduniash (Babilônia). porque estes dois países também nos interessam. contudo. 1. Cf. Madrid.[4].C. Edições del Prado.. Infligilhes baixas e trouxe prisioneiros.

Tiro era famosa por seu comércio e suas naves. A província síria destacou-se depois. Colocado a par da descoberta. encarrega um especialista. de uns 20 metros de altitude. sob o domínio romano. um lavrador alauíta. metade no continente. Sídon. datável aí pelos séculos XIII ou XII a. foi famosa por causa de seus navegantes. Foi tomada por Alexandre Magno após sete meses de cerco. habitada por cananeus. na época sob mandato francês. Ainda: Ugarit (Ras Shamra). parente da hebraica. antiga Laodicea ad mare. Líbano.[14].O reino de Aram-Damasco era pequeno. era muito fértil. remove uma pedra na qual seu arado bate e encontra os restos de uma tumba antiga. o Serviço de Antigüidades da Síria e do Líbano. Foi aniquilado pelos assírios.C. arando sua propriedade a cerca de 12 km ao norte de Latakia. um pouco antes de Israel do norte. A Fenícia.. por causa da neve no pico dos montes. L. construída metade sobre uma ilha. M. existente desde o III milênio a. Leia: Ugarit and the Bible! Uma necrópole supõe a existência de uma cidade. encontramos a cidade de Tiro. "púrpura" se dizia canaan e em grego foinix. Damasco se impôs como principal. relacionada com a literatura bíblica e sua língua. Concorrente de Tiro no comércio e navegação. dominando todo o território sírio. Foi destruída pelos filisteus. mas depois que Davi conquistou todos os outros. É importante por causa de sua grande literatura. Albanese. Por isso. Em fenício-hebraico.C. chamada Ras Shamra. donde "Fenícia". que tinha toda a aparência de ser um tell . mas foi cidade livre sob os romanos. a faixa costeira ao norte de Israel e ao lado da Síria. segundo os textos bíblicos. que imediatamente notifica a presença de uma necrópole e identifica a tumba como sendo do tipo micênico. Albanese e Dussaud prestaram atenção à colina vizinha. A descoberta Em março de 1928. seu nome atual. Seu nome vem da púrpura que era extraída ali de certas conchas. habitada por cananeus. Por isso resistiu maravilhosamente a terríveis assédios assírios e babilônicos. é devido à cadeia de montanhas assim chamada e significa "o branco". Foi quase sempre aliada de Israel. Começando pelo sul da Fenícia. Os assírios conquistaram-na. As escavações aí realizadas enriqueceram muito os estudos bíblicos nos últimos tempos.

começaram as escavações. "monte pelado". no dia 8 de maio. embora do ponto de vista geográfico Ugarit não se encontre em Canaã.. A. Isto é interessante. foram feitas as primeiras descobertas: tabuinhas de argila escritas em caracteres cuneiformes. sob o comando de Claude F.C. Visite o ERSP . dos romanos) que separa a região dos alauítas do vale e da desembocadura do rio Orontes.2100 a. ou seja. Ao norte se vê o Jebel Aqra'. 40 : 4000 .C. De 1929 a 1980 foram realizadas 40 campanhas arqueológicas no local.The Edinburgh Ras Shamra Project! Um ano mais tarde.4000 a. 30 : 3000 . porque. e logo em seguida. no dia 2 de abril de 1929. Os 5 níveis arqueológicos Os arqueólogos classificaram a seqüência estratigráfica em 5 níveis: 10 : 1500 . empreendimento só suspenso durante II Guerra Mundial. Foi o começo de uma série de descobertas numa escavação que se prolonga até os nossos dias. primeiro da necrópole. E as pesquisas ainda continuam.C. no tell.arqueológico.3000 a.1500 a. . um acúmulo de ruínas antigas. do ponto de vista cultural e étnico esta é uma cidade cananéia.1100 a. Poucos dias mais tarde.C.C. O nível 3 (3000-2100 a.. que tem um extensão de uns 25 hectares e se encontra a cerca de 800 metros da costa.) apresenta em suas camadas superiores cerâmica cananéia. Esta época manifesta contato ou influência da cultura contemporânea da Baixa Mesopotâmia.C. Schaeffer. 50 : ? . objetos de bronze e de pedra. ou Monte Zafon (o monte Casius. 20 : 2100 . e que podia corresponder à cidade procurada.

Os textos ugaríticos Os textos foram encontrados todos no primeiro nível. Um violento incêndio destruiu esta prosperidade. Estavam principalmente na "Biblioteca" anexada ao templo de Baal e no "Palácio Real" ou "Grande Palácio". Os textos que nos interessam estão em ugarítico. A invasão dos hicsos não modificou substancialmente esta cultura. O estilo da cerâmica encontrada nas tumbas é ródio-cipriota. neste nível. portanto. A identificação da cidade A identificação do nome do local não foi difícil. E. refletidos nas construções amplas e nas tumbas da necrópole de Mina' al-bayda'. em micênico linear e cipriota e em ugarítico. As tabuinhas estão redigidas em sete sistemas diferentes de escrita. toda uma necrópole com cerâmica cananéia. O nível 1 (1500-1100 a. como conseqüência de um processo de decomposição social interna coincidente com a passagem dos "povos do mar". encontrado em Ugarit. A ruína desta civilização. e guardam muitos utensílios e armas.C. Mas há influências estrangeiras. Construiu-se neste época um bairro marítimo. Entre os textos encontrados aparece o nome da cidade. Virolleaud. Tumbas familiares são feitas debaixo das casas. onde se encontram algumas provenientes da própria Ugarit. A reconstrução foi esplêndida e dominada pela arte de estilo micênico. que continuou sendo semítica e cananéia. sobretudo pelas Cartas de Tell el-Amarna. que foi decifrado em poucos meses por H. é de grande importância para se entender a reação israelita ao tema presente na Bíblia Hebraica. em hitita hieroglífico e cuneiforme. Chama a atenção. correspondente a sete línguas diferentes: em hieróglifos egípcios. e verificado no tell por uma camada de cinzas que divide este nível em duas partes. Os vestígios de ocupação posterior são de menor importância. à última fase da cidade. pois os textos descobertos sugeriram imediatamente que se tratava de Ugarit (ú-ga-ri-it). em acádico. O testemunho acerca do culto dos mortos na civilização cananéia. vindas do Egito.) mostra indícios de grande prosperidade no seu começo. Dhorme e Ch. da Mesopotâmia e da região do mar Egeu.) nos indica uma cultura tipicamente semita na cidade: cerâmica e templos são de tipo cananeu.O nível 2 (2100-1500 a. Nesta língua. um sistema cuneiforme alfabético. foram encontrados cerca de 1300 textos . que possuía diversas dependências para arquivos. em hurrita. pertencendo. e com ela a da cidade. que é uma forma do cananeu.C. já conhecida por referências da literatura egípcia e mesopotâmica. Bauer. incêndio mencionado em uma das cartas de Tell el-Amarna. ocorre no começo da época do ferro.

.6 e 1. A divisão entre as colunas é feita por uma linha dupla profundamente marcada. com rigorosa unidade de composição. apenas o transmissor desta versão tradicional do mito de Baal e o nome do rei. materiais ou epigráficas não podem constituir unidade editorial com os demais. . da coerência e continuidade entre os diversos episódios que compõem o mito total. redator ou. de modo que a correspondência anverso/reverso das colunas é a seguinte: 1/6.16. podemos estar falando de diferentes redações de um mesmo "mitema" ou de "mitemas diferentes". também em Ugarit. quem sabe. que governou Ugarit de 1370 a 1335 a. O número de linhas conservadas por coluna oscila entre 62 e 65.6) possuíam originalmente seis colunas de texto. exclui os fragmentos que por suas características externas. A escrita ugarítica caminha da esquerda para a direita. De modo que. com tema e tramas próprios ou se estamos lidando com versões diferentes de um mesmo mito. Attanu-Purlianni. A exceção fica por conta da tabuinha 4. G. Niqmaddu. Diz o autor: "Nos restam assim seis tabuinhas que podem representar uma versão ou redação unitária do ciclo mencionado. quatro (1. Outra dificuldade é o número e a ordem das tabuinhas.O Ciclo de Baal O Ciclo de Baal (ou Ba'lu)[15] apresenta algumas dificuldades especiais dentro da literatura ugarítica: não é fácil determinar se temos um mito único.). em Mitos y Leyendas de Canaán. enquanto as colunas do anverso estão dispostas da esquerda para a direita. a tabuinha não deve ser virada como uma página de um livro.. mas de cima para baixo.. no verso. Suas dimensões eram mais ou menos as mesmas"[16].. há uma "história da tradição e da redação" dos textos. junto com o nome do Sumo Sacerdote. as do reverso estão dispostas da direita para a esquerda. Apesar do mesmo tom e da mesma concepção mitológica. segundo o uso da epigrafia cuneiforme.3. Como é comum nas tabuinhas cuneiformes. que tem oito colunas e da tabuinha 2 que tem somente quatro colunas. a terceira coluna continua diretamente.1. história essa que é dificílima de ser feita. foram escritas pelo mesmo escriba que se identifica como Ilimilku em 1.5. 2/5 e 3/4.C. ou se temos um ciclo que engloba diversas composições literárias. e a quem deveremos considerar como o autor. Assim. del Olmo Lete. ou seja. para quem trabalhou e que deve ter ditado o texto. três de cada lado (. As dimensões padrão são 26. Isto sem contar que. Delas.5 cm e 26 x 22 cm. ultrapassando a borda inferior. E o mais interessante no Ciclo de Baal é que as seis tabuinhas têm a mesma "caligrafia".5 x 19.

discípulo de Attanu-Purlianni. O universo mitológico de Ugarit Entre os muitos deuses que constituem o panteão de Ugarit. Paris. Assim. shubbani. enquanto alguns outros que ali aparecem têm um papel muito impreciso. senhor da terra deus do mar deus artesão deus do deserto deusa do amor.KTU 1.1.3-4) e a Luta entre Ba'lu e Môtu (1. Inspector de Niqmaddu. deusa da guerra e da caça deusa sol . composto de três mitos ou composições autônomas que giram cada uma em torno de um mitema particular: Luta entre Ba'lu e Yammu (1.2. As tabuinhas do Ciclo de Baal foram encontradas todas nas campanhas arqueológicas de 1930. Provisor de nuestro sustento.3. deus da chuva e da fertilidade. as seis tabuinhas trazem um ciclo mitológico.1-2). e no Museu de Aleppo (1. Rey de Ugarit Señor Formidable. apenas uns dez ou doze são ativos em sua literatura.5-6). no seu final: El escriba fue Ilimilku. criador dos deuses e do homem chefe dos deuses.6 VI diz. deusa mãe deus da morte e da esterilidade esposa de Baal. Destacam-se: ILU (=EL) BA'LU (=BAAL) YAMMU (=YAM) KÔTHARU (=KOSHARWAHASIS) 'ATHTARU (='ATHTAR) 'ANATU (= 'ANAT) ATIRATU (= 'ASHERAH) MÔTU (= MÔT) 'ATHTARTU (= ASTARTÉ) SHAPSHU deus supremo. Pastor Máximo. da guerra e da fertilidade . 1931 e 1933 e estão hoje no Museu do Louvre (1. Sumo Sacerdote.5.4).6).esposa de Baal esposa de El. O palácio de Ba'lu (1. Síria.

Cf. 1997 [20043]. Para a posição de G. onde são apresentadas as opções de 17 especialistas. El é Ilu e assim por diante. Roma. Einschliesslich der keilalphabetischen Texte ausserhalb Ugarits. para o que se segue. Princeton. 81-97. NEXT [13]. Dietrich . cf. G. D. [16]. G. . Neukirchen-Vluyn. pp. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM.). 83 da mesma obra. c.. del Olmo Lete adotou em sua obra a forma original semita na transcrição do nomes próprios. Para outra hipótese. 23-31. R. p. Neukirchener Verlag.. GORDON. Para a ordem das tabuinhas. DEL OLMO LETE. N. H. o.. [14]. H. (ed. c. 88-89.Aprenda mais sobre os deuses de Ugarit com a Canaanite/Ugaritic Mythology FAQ! Abreviações usadas no texto CTA: A. 274. 121. Institución San Jerónimo & Ediciones Cristiandad. UT: C. Corpus des tablettes en cunéiformes alphabétiques découvertes à Ras Shamra-Ugarit de 1929 a 1939. pp. 1976. J. Creation Accounts in the Ancient Near East and in the Bible. Doubleday & Logos Research Systems.. a p. Sanmartín. Paris. Assim é que Baal é Ba'lu. verbete Ugarit. também DONNER. Die keilalphabetische Texte aus Ugarit. diferente da convencional que aparece na Bíblia Hebraica. Sinodal/Vozes. Loretz . G. pp. J. Volume 1: Dos primórdios até a formação do Estado. 1965. B. Princeton University Press. 1997.. Cf. KTU: M. Ancient Near Eastern Texts Relating to the Old Testament (ANET). New York.). 87. DEL OLMO LETE.. cf. Cf. 48-49. as pp. [15]. (ed. 1981. 1992. p.O. Madrid. del Olmo Lete. Herdner. Ugaritic Textbook. 1963. Teil I Transcription. 19693. DEL OLMO LETE.J. São Leopoldo. PRITCHARD. o. FREEDMAN.275. Cf. Mitos y Leyendas de Canaan según la Tradición de Ugarit. História de Israel e dos povos vizinhos.. cf. CLIFFORD. Pontifical Biblical Institute.

mas foram vencidos pelo faraó Ramsés III e passaram a viver naquela parte da Palestina. é melhor não projetarmos a população para este período. A Palestina Palestina é um nome derivado de "filisteus". os cananeus.5.. Do Mediterrâneo ao Jordão. considerado até meados da década de 70 do século XX como o mais florescente da história de Israel. que após 1175 a. dois renomados biblistas e arqueólogos. de Vaux. mais ou menos. A população foi estimada por W. quanto mais um Império davídicosalomômico. são cerca de 48 km de largura e na altura do mar Morto são cerca de 80 km. que era apenas uma parte de seu território. é outro nome da região usado para designar esta terra. no período de Davi e Salomão. Faziam parte dos "povos do mar". Para a época do NT calcula-se: 500 mil habitantes na Palestina e 4 milhões no exterior (diáspora). A superfície da Palestina é de 16. talvez de Creta.C. são 25. Israel é uma zona subtropical. em hebraico pelishtim. variando também segundo os lugares graças à topografia. Sob os hebreus. Canaã. em 800 mil habitantes. . no norte. que não era propriamente território de Israel. que nem sempre pertenceu a Israel. incluindo o deserto do Negueb nesta última. A temperatura vai de -2 a 45 graus Celsius. Mas hoje nem sabemos se houve um monarquia unida. Tel-Aviv. A superfície da Bélgica. com chuvas de novembro a março e seca de abril a outubro. mais ou menos. F. Contando com a Transjordânia. passou a ser chamada de terra de Israel. Por isso. Haifa e Tiberíades são quentes e úmidas. tentaram invadir o Egito. ou de 320 km de Dan a Cades-Barnea.1. Cai neve em Jerusalém e Jericó é muito quente.000 km2. Albright e R. e mais tarde Judá ou Judéia. sem a Transjordânia. Os filisteus são de origem egéia.000 km2 de território. um povo que habitava a faixa costeira situada entre o Egito e a Fenícia. O comprimento é de 250 km de Dan a Bersheba. nome proveniente de seus antigos habitantes. ou terra de Canaã.

Assim. Outras cidades: Aroer. os afluentes são: Zered. Kir-heres). Moab. O país está ao sul do mar Morto. o vale jordânico.C. porém levava freqüentemente sua fronteira ao norte do Arnon. teria cerca de 30 mil habitantes e a Jerusalém do tempo de Jesus também não passava de 25 a 30 mil habitantes fixos. Arnon. Galaad e Bashan. . Edom é o país ocupado por um povo semita do deserto siro-arábico aí por volta de 1300 a. a Transjordânia. Seu território principal está situado em um planalto de 1200 metros de altitude. até o mar Morto. o país foi novamente ocupado por semitas nômades e pastores. podemos descrever a Palestina. ao sul.Samaria. por onde correm os afluentes ocidentais do Jordão. A Bíblia costuma unir Teman e Bosrah para designar todo o país de Edom. Dibon. Bosrah e Tofel. Seu limite ao norte é o rio Zered. numa depressão de 390 metros abaixo do nível do mar que vai do lago de Hule. Entre estas duas cadeias está o vale do Jordão. Na Transjordânia estavam antigamente os seguintes países ou regiões: Edom. e a continuação do Antilíbano. quanto ao relevo em quatro faixas verticais. Ammon. uma fortaleza perto de Sela.5. Sela. As cidades do ano 3000 a.1. Aí por volta de 1300 a. A Transjordânia As montanhas da Transjordânia são altas e apresentam profundas gargantas. ao norte. Cerca de oito km a oeste de Medeba está o monte Nebo (para a tradição sacerdotal) ou Pisgah (para a tradição eloísta) de onde Moisés teria contemplado a terra de Canaã e morrido. a moderna Kerak. quando foi destruída pelos assírios em 722 a. 110 km de comprimento e 25 km de largura.C. A configuração geográfica é a seguinte: há duas cadeias de montanhas que percorrem a Palestina de norte a sul e são: a continuação do Líbano. Jabbok e Yarmuk. a Cisjordânia e a costa mediterrânea. Do sul para o norte. 1. Sua capital era Kir-hareseth (Kir. Moab está situado entre os vales do Zered e do Arnon. Cisjordânia.C. ao sul o golfo de Aqaba. Outras cidades: Teman. Sua capital. em um planalto de 1600 metros de altitude. ao norte.C.. Medeba e Heshbon. foram destruídas e abandonadas. norte-sul: a Transjordânia.

ao qual eles ofereciam sacrifícios humanos. Ammon era uma tribo aramaica que se estabeleceu na região superior do Jabbok. Seus bosques eram comparáveis aos do Líbano. e sacrificavam-lhe crianças. a atual Amman. de quem sempre foi inimigo. boas para o cultivo do trigo e ótimas para pastagens. Suas cidades principais: Penuel. Succoth. Parece que se estabeleceram aí em 1300 a. Não possuía cidades de destaque. Moab e Israel nunca foram amigos. Esta região foi conquistada pelos israelitas e habitada pelas tribos de Gad e Manassés. mas se libertou logo após a divisão de 931 a. que se revezavam na sua posse. Famoso era seu bálsamo e abundantes suas vinhas. onde Herodes Antipas mandou matar João Batista.C. Mahanaim. NEXT NEXT . e Ammon foi o mais fraco dos reinos transjordânicos. a sudoeste do monte Nebo estava a fortaleza de Maqueronte. Sua capital era Rabbath-Ammon. Sua língua se assemelha bastante ao hebraico.C. Seu deus principal era Kemosh. Moab já o fizera. Gadara. Sob Davi e Salomão. Moab foi submetida. Bashan (ou Hauran) é uma região ao norte do Galaad. Esteve freqüentemente submetido a Israel. mas foi expulsa. Seu território tem uns 60 km de norte a sul por 40 km leste-oeste e é bastante fértil.. A região sempre foi objeto de luta entre Israel e Síria. Pella. No tempo do NT: Gerasa. Ramoth-Galaad. formada por férteis planícies. Chove bem e era coberta antigamente por densos bosques. Cultuavam os amonitas o deu Moloc (ou Melek). Sua língua se assemelha ao aramaico.No tempo do NT. A tribo de Rubens tentou se estabelecer na parte norte de seu território. capital da Jordânia. Os limites de seu território não são bem definidos. Antes de Israel adotar a monarquia como forma de governo. mais ou menos. Jabesh-Galaad. Galaad (ou Gilead) está também na região do Jabbok.

ainda a 80 metros acima do nível do mar. e é o ponto mais baixo da superfície terrestre: está a cerca de 390 metros abaixo do Mediterrâneo e tem outro tanto de profundidade. Magdala. que contêm um alto teor de sal. Tiberíades etc estavam na suas margens. Nome bem adaptado ao maior rio da Palestina. por onde andou Jesus. que se tornou a principal cidade do norte da Palestina. sempre coberto de neve. Cesaréia de Filipe (Baniyas). rico em peixes. de 21 km de comprimento por 12 de largura. o Jordão corre violentamente no fundo de uma garganta de 350 metros de profundidade. 110 km abaixo. que já está a 210 metros abaixo do nível marítimo e tem sua foz no mar Morto.1. uma das mais antigas cidades do mundo. mencionada em Mt 11.21. O lago de Genezaré (do hebraico Kinneret = harpa) é chamado também de lago de Tiberíades ou mar da Galiléia. O Vale do Jordão À sombra do monte Hermon. E também Guilgal. pois provocava malária. Tinha cerca de 4 km e foi drenado pelo atual Israel. Cidades como Cafarnaum. Hazor. É um belo lago. Entre o lago de Hule e o lago de Genezaré. Betsaida. na confluência de quatro torrentes que descem das montanhas do Líbano. pois realmente ele nasce acima do nível do Mediterrâneo. cerca de 25%.2.5. Nada vive nas suas águas. situado nada menos que a 390 metros abaixo do nível do Mediterrâneo. Para ir da Palestina para a Síria era necessário atravessar o Jordão ao sul de Hule. A 9 km ao norte do mar Morto está Jericó. nasce o rio Jordão. Perto de suas nascentes estão as cidades de Dan e. . Jordão significa aquele que desce ou também lugar onde se desce (bebedouro). santuário cananeu e depois israelita. com seus 2750 metros de altitude. Por isso foi construída aí uma fortaleza. atravessa o lago de Hule. Perto da desembocadura do Jordão no lago de Genezaré estão as ruínas de Corazim. O mar Morto tem 75 km de comprimento por 16 km de largura. forma a 16 km ao sul o lago de Genezaré. O lago de Hule era pequeno e pouco profundo. na época do NT. O NT fala continuamente destes paragens.

alguns quilômetros ao norte de Jerusalém. Era das colinas da Arabá que Salomão extraía o cobre para sua indústria. nos últimos séculos de Israel. por onde passavam importantes rotas de caravanas. • • • • • . A região é desértica. que se eleva progressivamente. Um pouco mais ao nordeste. do mar Morto ao golfo de Aqaba. Ao norte do Negueb se estende o território montanhoso de Judá.ligada à história de Abraão e de Davi. Cerca de 80 km ao norte estava Bersheba (Bersabéia). pátria do valente profeta Amós. Arad. nos seus 150 km de extensão.5.C. No extremo sul da Arabá estava a fortaleza de Elat e o porto de Esion-geber.está a 1000 metros de altitude . pátria de Davi e lugar tradicional do nascimento de Jesus. 1. a cidade conquistada por Davi aos jebuseus e transformada em sua capital Técua. A Região Central da Palestina No extremo sul está o Negueb (deserto de Sin). a cidade mais alta da Judéia . continuação da depressão palestina. povoado onde nasceu Jeremias Betânia.3. esconderam em cavernas. desde Bersheba até perto de Betel. terra de Lázaro etc. apenas um povoado a 19 km de Jerusalém Anatot. como por exemplo: • Hebron (Kiriat-arbá). a comunidade dos essênios. Fica a 32 km de Jerusalém Belém. e nas grutas de Qumran foram encontrados em 1947 importantes manuscritos bíblicos que eles. Importante no Negueb era Cades-Barnea. cidade cananéia. segundo o texto bíblico.A noroeste do mar Morto vivia. os essênios. Há em Judá várias cidades e localidades importantes na história do povo de Israel. Ao sul do mar Morto está a Arabá. oásis onde os israelitas estiveram após o êxodo do Egito. está a 7 km de Jerusalém Jerusalém. para salvá-los dos romanos que tudo destruíram em 68 d.

São Paulo. Nesta região central encontramos: Ai. Lod. os filisteus. AA. Maggedah. Taanak. são cerca de 200 km de costa.. Edições del Prado. A Costa Mediterrânea Vamos começar de novo pelo sul. até Tiro. Azecah. Bet-Shemesh e Gezer. Aí estão os mais antigos santuários de Israel. caminhos entre a filistéia e Judá. Bíblia. Dotan. ocuparam uma faixa costeira formando a conhecida pentápoles filistéia. e para guardar a passagem foram construídas as fortalezas de Ibleam.VV. que aparece muito pouco no AT. localizada a 60 km de Jerusalém. onde eram cultivados o trigo e a oliveira. Afeq etc. Coleção Grandes Impérios e Civilizações.. Por ali passava a estrada que ia do Egito para a Síria. Mais para o norte está finalmente a cidade de Dor. Leituras Recomendadas AA. de Gaza. Aí por volta de 1150 a. Madrid.C. em seguida o promontório e o monte Carmelo. contudo.5. Tirsá. por ser a pátria de Jesus.Continuando a subir em direção norte. 1. cidades com um longo passado de lutas e guerra. A planície filistéia tem de 7 a 15 km de largura. De Gaza. um vale ótimo para a agricultura. Entre a planície filistéia e as montanhas de Judá há uma faixa de terra de 15 a 25 km de largura chamada Shefelah (= terras baixas). Merecem ainda atenção: Bet-shan e Jezreel. cidades cujas histórias deveriam ser cuidadosamente estudadas. uma confederação de cinco cidades: Gaza. Caravanas em tempo de paz e exércitos destruidores em tempo de guerra eram uma constante. 1990. norte. com as cidades de Jope. capital do reino do norte. Paulus. sul. eram defendidos pelas fortalezas de Debir. Silo. Betel. A Criação e o Dilúvio Segundo os Textos do Oriente Médio Antigo. Libnah. Os vales da Shefelah. Os Caminhos de Deus I-II. vindo do Egeu. Ao norte da planície filistéia está a planície de Sharon. Siquém. com o porto de Acco na planície de Asher. em o NT. depois já é a Fenícia. crescendo. Ashdod. . Ao norte de Samaria está a planície de Esdrelon (Jezreel). Meguido e Jokneam. Gat e Ekron. Ascalon. Finalmente chegamos à região da Galiléia. chegamos à região de Samaria.VV. Por ali passavam as principais vias de comunicação entre o Egito e a Síria. Lakish. 1996.4.

BAINES, J. & MÁLEK, J., O Mundo Egípcio. Deuses, Templos e Faraós, 2 vols., Coleção Grandes Impérios e Civilizações, Madrid, Edições del Prado, 1996. CARDOSO, C. F. S., Sociedades do Antigo Oriente Próximo, São Paulo, Ática, 1986. CLIFFORD, R. J., Creation Accounts in the Ancient Near East and in the Bible, Washington, The Catholic Biblical Association of America, 1994. DEL OLMO LETE, G., Mitos y Leyendas de Canaan según la Tradición de Ugarit, Madrid, Institución San Jerónimo & Ediciones Cristiandad, 1981. DONNER, H., História de Israel e dos Povos Vizinhos I-II, São Leopoldo, Sinodal/Vozes, 1997 [20043]. ECHEGARAY, J. G., O Crescente Fértil e a Bíblia, Petrópolis, Vozes, 1995. FREEDMAN, D. N. (ed.), The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM, New York, Doubleday & Logos Research Systems, 1992, 1997. GALBIATI, E. & ALETTI, A., Atlas Histórico da Bíblia e do Antigo Oriente. Da Pré-História à Queda de Jerusalém no Ano 70 d. C., Petrópolis, Vozes, 1991. GARELLI, P., O Oriente Próximo Asiático I, São Paulo, Pioneira/Edusp, 1982. KRAMER, S. N., Os Sumérios. Sua História, Cultura e Carácter, Amadora, Livraria Bertrand, 1977. MAY, H. G. (ed.), Oxford Bible Atlas, Oxford, Oxford University Press, 19903. PRITCHARD, J. B. (ed.), Ancient Near Eastern Texts Relating to the Old Testament (ANET), Princeton, Princeton University Press, 19693. ROAF, M., Mesopotâmia e o Antigo Médio Oriente, Coleção Grandes Impérios e Civilizações, Madrid, Edições del Prado, 1996. THOMPSON, T. L., The Mythic Past. Biblical Archaeology and the

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2. As Origens de Israel 2.1. A Teoria da Conquista Israel invade a terra de Canaã, vindo da Transjordânia, pelo final do século XIII a.C. As tribos lutam unidas e, fazendo uma campanha militar em três fases, dirigidas ao centro, sul e norte, ocupam o país, destruindo seus habitantes, no espaço de uns 25 anos. Esta é a visão de Js 1-12 e a que dominou no mundo judaico. A síntese de Js 10,40-43 diz o seguinte:"Assim Josué conquistou toda a terra, a saber: a montanha, o Negueb, a planície e as encostas, com todos os seus reis. Não deixou nenhum sobrevivente e votou todo ser vivo ao anátema, conforme havia ordenado Iahweh, o Deus de Israel; Josué os destruiu desde Cades Barne até Gaza, e toda a terra de Gósen até Gabaon. Todos esses reis com suas terras, Josué os tomou de uma só vez, porquanto Iahweh, Deus de Israel, combatia por Israel. Finalmente Josué, com todo Israel, voltou ao acampamento em Guilgal". Mapas do Israel atual? Confira aqui!

Alguns defendem esta teoria, com matizes, baseados na "evidência" arqueológica como William Foxwell Albright, George Ernest Wright, Yehezkel Kaufmann, Nelson Glueck, Yigael Yadin, Abraham Malamat, John Bright, este último moderadamente[1]. A arqueologia atesta: a) Uma ampla destruição de cidades cananéias no final do século XIII a.C. Do norte para o sul, são essas as cidades: Hazor, Meguido, Succoth, Betel, Bet-Shemesh, Ashdod, Lakish, Eglon e Debir. Destas 9 cidades, 4 são ditas especificamente como destruídas por Josué: Hazor: Js 11,10-11 Lakish: Js 10,31-33 Eglon: Js 10,34-35 Debir: Js 10,38-39 b) A não destruição de cidades que os textos confirmam como não tendo sido tomadas por Josué: Gibeon: Js 9 Taanach: Jz 1,27 Siquém: Js 24 Jerusalém: Js 15,63; 2Sm 5,6-9 Bet-Shean: Jz 1,27-28 Gezer: Js 10,33 c) A reocupação das cidades destruídas foi homogênea e pode ser relacionada com a ocupação israelita que se seguiu à conquista. Além do que tal ocupação mostra, na sua maior parte, um empobrecimento técnico, típico do assentamento de populações seminômades (o tipo de cerâmica, de construções, de utensílios etc). d) Localidades que estavam abandonadas há muito tempo são ocupadas novamente no século XIII a.C., como: Dor, Gibeah, Bersabéia, Silo, Ai, Mispa, Bet-Zur...

Ora, em nenhuma destas evidências aparece qualquer inscrição dizendo tratar-se de Israel. Mas como nenhum outro povo ocupou tal região neste período, quem poderia ser senão Israel? Porém: • • • os dados arqueológicos não são puros, são interpretados várias destruições podem ter sido feitas por lutas internas, lutas entre as cidades cananéias o livro dos Juízes relata a conquista de maneira individualizada, feita pelas várias tribos isoladamente e não uma ação conjunta de um pretenso Israel unido o Dtr marcou muito sua obra com propósitos teológicos - necessários no tempo do exílio - e não tinha a nossa concepção de história. Ele projetou muito no passado o que era projeto para o presente, como: o hérem ou "anátema", uma guerra de extermínio, com o objetivo de manter os israelitas separados das populações estrangeiras que ocuparam a Palestina durante o exílio o processo de nacionalização através do chefe único - Josué - que interessava na reunificação dos israelitas no pós-exílio, quando na realidade Josué deve ter comandado apenas tribos da "casa de José", como Efraim, Manassés, Benjamim a chave litúrgica na apresentação dos fatos (o que interessava aos levitas e à reforma de Josias) como: a tomada de Jericó (Js 6), a travessia do Jordão (Js 3-5), o culto praticado num só lugar, na seqüência Guilgal, Silo, Siquém (Js 5,10;18,1;24,1) e a condenação do culto praticado em qualquer outro lugar (Jz 17-18), quando, na verdade, os lugares de culto parecem ter sido muitos nesta época, e contemporâneos! as cidades de Jericó, Ai e Gibeon não podem ter sido conquistadas nesta época, segundo os arqueólogos. Jericó foi destruída no século XIV a.C. e não há indícios de destruição nos séculos XIII-XII a.C., nem de reocupação; Ai (= ruína) também já fora destruída muito tempo antes, no III milênio. Gibeon não era nenhuma cidade importante na época de Josué, segundo mostra a arqueologia (cf. Js 9) o livro de Josué recorre muito à etiologia, quando diz: "e (tal está assim) até o dia de hoje" (Js 4,9;5,9;6,25;7,26;8,28-29;9,27;10,27 etc). O

José Alberto Soggin. Martin Noth (1940. com um artigo[5] chamado The Hebrew Conquest of Palestine. Defende uma entrada diferenciada na Palestina. Problemas: • • • • anfictionia israelita? hapiru/hebreu? conceito de etiologia e narrativas etiológicas e as destruições do final do século XIII a. Siegfried Hermann. em doze tribos. Depois sua união. para o sul e para o norte.C.1950). para as tribos israelitas: êxodos diferentes para os vários grupos. 1962. Tal teoria baseia-se na análise crítica dos textos bíblicos e interpreta à sua luz os dados arqueológicos. De fato. 66-87. . que hoje tornou-se lugar comum em congressos ou salas de aula: "Não existe problema da história bíblica que seja mais difícil do que a reconstrução do processo histórico pelo qual as Doze Tribos do antigo Israel se estabeleceram na Palestina e norte da Transjordânia"[6]. antes da monarquia. nas proximidades das cidades cananéias[4]. o conduz pelo deserto e lhe dá a terra. mais ou menos pacificamente. A Teoria da Revolta A teoria da revolta foi defendida primeiro por George Mendenhall. Yohanan Aharoni e outros[2]. As tribos foram ocupando os espaços vazios entre as cidades-estado cananéias. O artigo já começa com uma constatação. Ligas anfictiônicas: primeiro duas (Noth): uma de clãs do sul (6 clãs posteriormente assimilados a Judá) e outra de tribos do norte. Manfred Weippert. Apóia-se também nas tradições patriarcais do Gênesis: os patriarcas viviam. sem um conflito generalizado e organizado.mesmo acontece com o livro dos Juízes. Qual o valor histórico destes relatos? 2. publicado em Biblical Archaeologist 25. Os conflitos aconteciam quando um clã invadia o território de uma cidade-estado[3].? 2. Noth liga os hebreus aos hapiru. pelo menos. informando-nos. que assim acabam confirmando-na.2. pp. A Teoria da Instalação Pacífica Modelo defendido por Albrecht Alt (1925. a narrativa bíblica enfatiza os poderosos atos de Iahweh que liberta o povo do Egito. Os relatos de conquista de Josué são etiológicos e Josué não passou de um chefe local efraimita.3.1939).

o da conquista militar e o da infiltração pacífica de seminômades e elenca os três pressupostos presentes em ambos: • • • as doze tribos entram na Palestina vindo de outro lugar na época da "conquista" as tribos israelitas eram nômades ou seminômades que tomam posse da terra e se sedentarizam a solidariedade das doze tribos é do tipo étnico. o primeiro e o terceiro pressupostos até que podem ser aceitos. por exemplo. importada do mundo grego. mas "a suposição de que os israelitas primitivos eram nômades. sendo a relação de parentesco seu traço fundamental. Igualmente critica a noção de tribo como um modo de organização social próprio de nômades. em contraste com os cananeus. Mendenhall começa descrevendo os dois modelos existentes até então para a entrada na terra de Canaã. como o fez Martin Noth com a tese da anfictionia. O que George Mendenhall propôs com o seu artigo foi apresentar um novo modelo ideal em substituição a modelos que não mais se sustentavam. entretanto. A seguir. Mostra que os próprios relatos bíblicos jamais colocam os antepassados de Israel como inteiramente nômades. caracterizando-as.deste modo. Ora. está inteiramente em contraste com as evidências bíblicas e extra-bíblicas. G. Frente a isso. mas ocultando-nos as circunstâncias econômicas. sugerindo uma linha de pesquisa que levasse em conta elementos que até então não tinham sido considerados. como. e é aqui a reconstrução de uma alternativa deve começar"[7]. sociais e políticas em que se deu o surgimento de Israel. Jacó e os filhos. continua Mendenhall. Mendenhall critica a visão romântica do modo de vida dos beduínos. sobre a visão e os objetivos teológicos dos narradores de séculos depois. Jacó e Labão. que foi assumida sem criticidade pelos pesquisadores bíblicos e usada como modelo para o Israel primitivo. mostrando que tribos podem ser parte ou estar em relação com povoados e cidades. inclusive. onde há sempre uma parte do grupo que é sedentária. erroneamente vistos como nômades contrastando com os sedentários das cidades. . os pesquisadores sempre utilizaram modelos ideais para descrever as origens de Israel.

tornando-os capazes de desafiar e vencer o complexo mal estruturado de cidades que dominavam a Palestina e a Síria no final da Idade do Bronze"[8]. mas principalmente só o javismo e nenhuma outra esfera da vida daquele povo. Maryknoll. em um artigo anterior. "porque uma motivação e um movimento religioso criou uma solidariedade entre um grande grupo de unidades sociais preexistentes. no qual retoma a tese de G. O que aconteceu pode ser sumariado. Norman K.. pode ser creditada à teologia dos autores da época da monarquia e do pós-exílio que deram motivações políticas a uma unidade que foi criada pelo fator religioso. um javismo não muito bem explicado. critica Mendenhall. Mendenhall e avança por quase mil páginas em favor de uma revolta camponesa ou processo de retribalização que explicaria as origens de Israel. como uma revolta camponesa contra a espessa rede de cidades-estado cananéias". Segundo Lemche.. Gottwald publicou seu polêmico livro The Tribes of Yahweh: A Sociology of the Religion of Liberated Israel. Orbis Books.. pois esta é o símbolo formal através da qual a solidariedade era tornada funcional. Mas. como a causa da unidade solidária que faz surgir Israel. seu ponto mais crítico é o idealismo que permeia o seu estudo e coloca o "javismo". e utilizando as cartas de Tell el-Amarna. diz Mendenhall.C. Mendenhall procura demonstrar que ninguém podia nascer hebreu já que este termo indica uma situação de ruptura de pessoas e/ou grupos com a fortemente estratificada sociedade das cidades cananéias. mas especialmente por seu uso eclético destas teorias. do ponto de vista de um historiador interessado somente nos processos sócio-políticos. 1979. Estes camponeses revoltados contra o domínio das cidades cananéias se organizam e conquistam a Palestina. A ênfase na mesma herança tribal. e que funciona como um poderoso mecanismo de coesão social.E. através dos patriarcas. New York. e na identificação de Iahweh com o "deus dos pais". Random. E conclui: "Não houve uma real conquista da Palestina. Esta motivação religiosa é a fé javista que transcende a religião tribal. Alguns anos mais tarde. New York.Aproximando o conceito de hebreu ao de Hab/piru. . muito acima de fatores sociais e políticos. Niels Peter Lemche. Mendenhall usa os modelos de Elman Service expostos em sua obra Primitive Social Organization. 19622. 1250-1050 B. Por isso a tradição da aliança é tão importante na tradição bíblica. por seu uso arbitrário de macro teorias antropológicas. por outro lado. Sem dúvida. coisa que os teóricos da antropologia não aprovariam de modo algum[9]. didaticamente. de 1975.

.Gottwald expõe sua tese então em desenvolvimento. • • As forças e pressões que dobraram e quebraram estes pressupostos são muitos. e que usarei aqui para sintetizar seus pontos fundamentais[10]. resultando numa aculturação sócio-política o pressuposto de mudança social produzida por características especiais de um grupo ou por elementos culturais de destaque. a conclusão de que conflitos ocorrem tanto dentro de sociedades controladas por um regime único como entre estados opostos. ou seja. Ele diz que até recentemente a pesquisa sobre o Israel primitivo era dominada por três idéias básicas: • o pressuposto de mudança social ocorrida no deslocamento de populações. mas basta citarmos umas poucas para que as coisas comecem a clarear: a evidência etnográfica de que o seminomadismo era apenas uma atividade secundária de populações sedentárias que criavam gado e cultivavam o solo.. a percepção de que a tecnologia e a organização social exercem um impacto muito maior sobre as idéias do que pesquisadores humanistas poderiam admitir. evidências da fundamental unidade cultural de Israel com Canaã em uma vasta gama de assuntos. ou seja: um hiato sócio-político em Canaã teria ocorrido como resultado da substituição demográfica ou étnica de um grupo por outro. o javismo é visto como fonte isolada e agente de mudança na emergência de Israel[11]. seja por imigração seja por conquista militar o pressuposto da criatividade do povo do deserto em iniciar mudanças sociais em regiões sedentárias. a partir do momento em que o judaísmo é lido a partir da perspectiva do judaísmo tardio e do cristianismo. ou seja. Os conceitos centrais que emergem deste deslocamento de pressupostos. desde a língua até a formação religiosa. cada vez maior entre os estudiosos. indicações de que mudanças culturais e sociais são freqüentemente conseqüências do lento crescimento de conflitos sociais dentro de uma determinada população mais do que resultado de incursões de povos vindos de fora. podem ser sintetizados da seguinte maneira: • o pressuposto da ocorrência normal de mudança social ocorrida por pressão e conflitos sociais internos. Israel teria ocupado a terra como recurso para realizar a passagem do seminomadismo para a sedentarização. como resultado de novos avanços tecnológicos e de idéias em confronto numa interação volátil .

Gottwald vê o tribalismo israelita como uma forma escolhida por pessoas que rejeitaram conscientemente a centralização do poder cananeu e se organizaram em um sistema descentralizado. A religião de Israel. era idiossincrática e mutável. Assim. que lentamente se ajuntavam e se firmavam caracterizando-se por uma forma anti-estatal de organização social com liderança descentralizada. E Gottwald termina seu texto dizendo que o modelo da retribalização levanta uma série de questões para posterior pesquisa e reflexão teórica[14].• o pressuposto da função secundária do deserto em precipitar a mudança social. Gottwald propõe um modelo social para o Israel primitivo que segue as seguintes linhas: "O Israel primitivo era um agrupamento de povos cananeus rebeldes e dissidentes. que dividiu e opôs grupos que previamente viviam organizados em cidades-estado cananéias. ou seja. O tribalismo israelita foi uma revolução social consciente. especialmente o fato de que os fatores ideológicos não podem ser desligados de indivíduos e grupos vivendo em situações específicas. que tinha seus fundamentos intelectuais e cultuais na religião do antigo Oriente Médio cananeu. onde as funções políticas ou eram partilhadas por vários membros do grupo ou assumiam um caráter temporário. uma guerra civil. se quisermos. Israel tornou-se aquele segmento de Canaã que se separou soberanamente de outro segmento de Canaã envolvendo-se na 'política de base' dos habitantes dos povoados organizados de forma tribal contra uma 'política de elite' das hierarquizadas cidades estados"[13]. Esse desligar-se da forma de organização social da cidade-estado tomou a forma de um movimento de 'retribalização' entre agricultores e pastores organizados em famílias ampliadas economicamente auto-suficientes com acesso igual aos recursos básicos. NEXT . • A partir de tais constatações. um ser divino integrado existia para um integrado e igualitário povo estruturado. nas quais determinados contextos tecnológicos e sociais adquirem configurações novas[12]. sendo que no Antigo Oriente Médio o seminomadismo era econômica e politicamente subordinado a uma região predominante agrícola e que nunca foi ocasião de deslocamentos maciços de populações ou de conquistas políticas provocadas por estes deslocamentos o pressuposto de que mudança social ocorre pela interação de elementos culturais de níveis diversos.

Biblical Archaeology. 1960.. p. 1972. Baltimore. Idem. L.). em CARTER. Cf. [6]. Harper & Brothers. C. A. Westminster Press.. Community. Terra Prometida. Identity and Ideology. pp. & MEYERS.. WRIGHT. [5]. The Religion of Israel: From its Beginnings to the Babylonian Exile. 172. The Archaeology of Palestine. História de Israel. Identity and Ideology. & MEYERS. [9]. Cf. N. ALT. Cf. pp. p. K. Terra Prometida. Westminster Press. Cf. 1996. The Settlement of the Israelite Tribes in Palestine. Identity and Ideology. A History of Israel in Old Testament Times.. J. MENDENHALL.). C. L. New York. F. C. N. 154. em CARTER. (eds. [2]. P.. ibidem. M. Cf. New York. Cf. Cf. E. [7]. A.. 1978. [4]. SOGGIN. J. Cf. Cf. Schocken Books.. 173-174. ALT. (eds. Ensaios sobre a história do povo de Israel. NOTH. HERMANN. 1972. Philadelphia.). em CARTER. L. 152-169. Philadelphia. & MEYERS. ibidem. E. Community. São Leopoldo. 19622. ALBRIGHT. 1971. 158-159. Community. p. Y. . ibidem. [12]. Social Sciences Approaches to the Hebrew Bible. E. LEMCHE. The History of Israel. 170-181. C. M. Sinodal.. pp. A. Cf.. The Hebrew Conquest of Palestine. Paulus. Winona Lake. (eds.. p. [11]. Terra Prometida. (eds. and Evolutionistic Thinking" in Modern Old Testament Research and Biblical Archaeology. Philadelphia. 279. SCM Press.. C. & MEYERS. Identity and Ideology. Domain Assumptions and Societal Models in the Study of Pre-Monarchic Israel. W. G. Joshua. L. Idem. C. [10]. GOTTWALD. BRIGHT. E. C. E. o artigo em CARTER. [8]. Eisenbrauns.[1]. 19603. [3]. ALT. London. Idem.. E. Ensaios sobre a História do Povo de Israel. Idem. Community. KAUFMANN. São Paulo. Penguin. Indiana. pp. 152. também Revisiting The Tribes of Yahweh (2006). Fortress Press. 56 e 72-73. S. 19-110. A.. "On the Use of "System Theory".. "Macro Theories". ibidem.). G. WEIPPERT. pp. pp. 1987. 1975. C.

. Cf. A XIX dinastia teve alguns nomes famosos: • • Ramsés II. Estela de Merneptah Os príncipes estão prostrados dizendo: paz. Idem. Ascalon está deportada. pp. Gazer foi tomada.[13]. À décima oitava dinastia pertencem ainda: Amenófis IV (1372-1354 a. faraó da décima oitava dinastia que transforma o Egito na maior potência mundial. [14].) também conhecido como Akhenaton. ibidem. arqueologicamente conhecida como ElAmarna. o faraó do culto a Aton -. 174-175. também da décima oitava dinastia. Yanoam está como se não existisse mais. A capital volta a Tebas. ibidem. Idem. Tehenu [=Líbia] está devastado. que é o último faraó desta dinastia e que volta ao antigo culto a Amon e traz a capital de novo para Tebas.C. Akhetaton. 180-181. Tutmósis III. o Egito vai progressivamente perdendo toda a sua influência na Ásia. a última do reino novo. pp. deixando um vazio político na Palestina. que cita Israel em estela de 1220 a. Israel está aniquilado e não tem mais semente. O Haru [=Canaã] está em viuvez diante do Egito. seu filho. Sua capital é Avaris. o Hatti está em paz.C. PAUSA EM 06/10/2008 ÀS 16:30H O contexto histórico que apoiaria a teoria é o seguinte: Os hicsos conquistam o Egito por volta de 1670 a. Ramsés II é quem fez a aliança de paz com os hititas. e o dominam durante um século. o faraó do êxodo Merneptah.). levou o Egito ao auge de seu poder. que construiu nova capital. Entre os Nove Arcos nenhum levanta a cabeça. Mas são expulsos por Amósis (1580-1558 a. estendendo seu domínio até o Eufrates. Sob a XX dinastia.C. Tutankhamon.C. Canaã está privada de toda a sua maldade.

abandoando sua missão de pacificar o país. que foi objeto de ataque imediato. modificando todas as táticas de guerra então em uso. como bases centrais. o exército hitita possuía 3. uma espécie de "feudo" seu: interesses estratégicos. O exército egípcio compunha-se de quatro divisões que levavam nomes religiosos. A batalha na realidade fora um confronto entre as duas maiores potências do mundo. chamada divisão de Amon. ocultando-se. atacou a divisão Rá que acabava de atravessar o arroio Sabtuna (hoje El-Mukadiyeh). retirou-se ordenadamente para a Palestina. aproximavam-se escalonadamente as divisões Rá. Atrás. Pelo contrário. Echegaray. aconteceu a célebre batalha de Cades. Ramsés II desistiu de tomar a cidade. A divisão foi desarticulada e posta em fuga. induzida por um deficiente serviço de ‘inteligência’ que garantia que as tropas hititas ainda estavam longe. Suteh. porém. Embora a divisão Amon se defendesse valentemente com seu rei à frente. O Crescente Fértil e a Bíblia: “Em 1286 a. que ainda não atravessara o Orontes. As populações locais (cananéias) tiveram que reforçar a defesa de suas cidades e abrigar em seu interior as populações mais atacadas pelos invasores. A chegada pouco depois da divisão Ptah pôs o exército hitita em fuga. Bem. os hicsos introduziram na Palestina o uso do carro de combate. os egípcios da XVIII dinastia davam condições de defesa à Palestina.C.500 carros de combate”[15].000 homens. comerciais (produtos do Líbano e rotas caravaneiras) etc levaram o Egito a . À vista dos acontecimentos. rodeou a cidade pelo sul e. acampou ao norte da cidade de Cades. não chegou a intervir na contenda. Os hicsos invadem o Egito e a Palestina.500 carros de combate. ocupando na região de Canaã. o faraó. Jericó e Siquém. que mandou gravar nas paredes dos templos de Tebas. a fez passar por um ressonante triunfo. Alguns se refugiaram no acampamento de Ramsés. A última divisão egípcia. O exército egípcio era composto por cerca de 25. a uma grande distância. mas também não podia ser contado como uma derrota. que teve de se retirar às pressas e se refugiar na cidade de Cades.Vale citar aqui um longo trecho de J. mas só tinha 1. Ptah e Suteh. que vinham para se unir ao exército egípcio na qualidade de aliados. na qual ia o faraó. A primeira. não teria podido resistir se não fosse a intervenção inesperada de um corpo expedicionário de cavaleiros ‘amorreus’ procedentes da costa. Para rechaçar os hicsos. espetacular confrontação militar de Ramsés II com seu rival hitita Muwatalli. saindo de um bosque. Não tinha sido uma verdadeira vitória. deixando quase inteiro o exército inimigo encerrado na fortaleza. G. Então o exército hitita.

Mas a liberdade das cidades não era repassada para a população marginalizada! Assim é descrita a situação nas cartas de Tell el-Amarna. Anthropological and Historical Studies on the Israelite Society before the Monarchy. Nos conflitos entre as cidades cananéias. feita pelo inimigo. e ocupam as regiões montanhosas. o livro de Gottwald suscitou uma grande polêmica e polarizou as atenções dos especialistas durante muito tempo. descobertas a partir de 1887). aos hapiru: estes estariam conquistando cidades em Canaã e provocando revoltas[16]. nas cartas. Constituem um "governo" tribal. analisa longamente os fundamentos do modelo de Gottwald[17].estabelecer guarnições na Palestina e a cobrar tributo dos senhores. vazio de poder egípcio porque Ramsés II não conseguiu vencer os hititas e foi obrigado a fazer um acordo com este povo da Ásia Menor. sendo a de maior consistência a do dinamarquês Niels Peter Lemche. as cidades cananéias diminuíam ou interrompiam o pagamento do tributo. . Unidos pela esperança javista os recém-chegados juntam-se aos revoltosos. que estava submetido ao faraó egípcio. As populações de baixa condição. O modelo da retribalização ou da revolta camponesa passou a ser citado como uma alternativa bem mais interessante do que os modelos anteriores e fez surgir outras tentativas de explicação das origens de Israel. vivendo ao abrigo das cidades e de seus exércitos locais. Realmente. Quando o controle egípcio era menor. uma aliança tribal. senhores das cidades. formando com eles uma mesma identidade social. procuravam aumentar seus domínios a expensas de seus vizinhos e rivais etc. confronto entre os marginalizados e as cidades. Quando os israelitas do grupo de Moisés chegam a Canaã esta é a situação: confrontos generalizados entre as cidades. príncipes das cidades-estado cananéias. com muitos cananeísmos. Muitas críticas também foram formuladas a Gottwald. seus governantes se acusam. estava assim submetida ao príncipe cananeu. que em Early Israel. Os hapiru revoltavam-se contra seus opressores cananeus e libertavam-se de seu controle. escritas pelos governantes das cidades cananéias à corte egípcia de Amenófis III e de seu filho Amenófis IV (são 377 cartas escritas em acádico vulgar. onde os cananeus. da ajuda. tinham perdido o controle. A espoliação se dava em dois níveis.

Mas a birra principal de Lemche com estes autores e suas teorias é que. Random. segundo ele. Tel Quiri. Giloh. D. Dan. os modelos derivados da corrente antropológica do "evolucionismo cultural" desconsideram a variável chamada Homem (enquanto indivíduo livre e imprevisível em suas ações) por não ser controlável. Nas palavras de A. 2. mas faz um uso eclético de outras teorias e autores. Gottwald fundamenta suas teorias no estudo de Morton Fried. Como nos lembra R. porém.4. A continuidade está presente sobretudo na cerâmica. Tel Masos. K. vale a pena olharmos alguns autores que procuraram avançar a partir e além de Mendenhall e Gottwald. As escavações de localidades tais como Ai. pois estes parecem constituir um só povo. estão inteiramente ausentes do estudo de Gottwald: nele Israel surge como unidade harmoniosa e indiferenciada. Tel Beit Mirsim. nas técnicas agrícolas. A Teoria da Evolução Pacífica e Gradual Quanto a esta teoria. faz uma leitura do Israel pré-monárquico segundo a tradição durkheimiana. Beer-Sheba. nas construções e nas ferramentas[19]. Entretanto. The Evolution of Political Society. Har Adir. de alguma maneira. Gottwald adota enfoque funcionalista da sociedade israelita. a partir da transformação de parte da sociedade cananéia. As características distintivas da teoria de conflito. Mayes: “Existem. As diferenças entre os dois aparecem apenas mais tarde. Gnuse. Tel Qasileh. antes que sua dimensão histórica diacrônica”[18]. Bet Gala. Tel en-Nasbeh. New York. para ver Gottwald neste contexto [durkheimiano] antes do que na tradição de conflito a que pertence Marx. que tem certamente raízes na teoria social de Durkheim. “A teoria sugere que. O crescente consenso entre os arqueólogos é de que a distinção entre cananeus e israelitas no primeiro período do assentamento na terra é cada vez mais difícil de ser feito. Horvat ‘Avot. Khirbert Raddana. Izbet Sarta.Segundo Lemche. deixaram os arqueólogos impressionados com a continuidade existente entre as cidades cananéias das planícies e os povoados israelitas das colinas. Shiloh. Por isso. H. Horvart Harashim. que entende a sociedade dentro do quadro da interação de diversas classes ou grupos de status. Tel Isdar. Arad. boas razões. Beth-Zur e Tel el-Fûl. um dos problemas do ecletismo de Gottwald é que embora se reporte às vezes a Marx. de uma maneira que dificilmente qualquer um deles aprovaria. 1967. e enfatiza sua dimensão estrutural sincrônica. os arqueólogos começam a falar cada vez mais do processo de formação de Israel como um processo pacífico e gradual. Sasa. as descobertas arqueológicas dos últimos anos encorajaram os pesquisadores na elaboração de novas maneiras de compreender as origens de Israel. .

de modo que R. Isto implica uma continuidade cultural com os cananeus das cidades situadas nos vales e sugere que as pessoas se deslocaram para Ai e Raddana para fugir de possíveis conflitos nos vales. evitando. por sua vez. Entre 1200 e 900 a. especialmente em . na fabricação de ferramentas. na construção de casas e de terraços para a retenção da água da chuva. K. Mas o processo de evolução pacífica de onde surgiu Israel é descrito de maneira diferente pelos especialistas. Frank Frick. Para Hopkins. talvez. o que lhes permitia uma integração de culturas agrícolas com a criação de animais. no território de Efraim. que os habitantes destas pequenas localidades situadas nas montanhas usavam as mesmas técnicas dos cananeus na agricultura. e. James Flanagan. o número de povoados nas montanhas passou de 23 para 114.).1.4. com a deterioração da vida urbana causada pelas campanhas militares egípcias. 2. na perfuração de cisternas. acompanhando transformações políticas e sociais no começo da Idade do Bronze”[20]. K. estas pessoas desenvolveram um sistema de colaboração ao nível de clã e de famílias.C. David Hopkins. R. os desastres comuns a que uma monocultura estava sujeita nestas regiões tão instáveis. Gösta Ahlström e Carol Meyers[21]. com a crescente tributação. Gnuse cita especialmente Joseph Callaway. o que sugere uma significativa retirada.C. com mudanças climáticas. Retirada Pacífica Como defensores de uma retirada pacífica de grupos cananeus das planícies para as regiões montanhosas. Gnuse prefere classificar as teorias em quatro categorias. em uma avaliação detalhada da agricultura na região montanhosa da Palestina na Idade do Ferro I (1200-900 a. Joseph Callaway foi um dos primeiros a observar nas escavações de Ai e Khirbet Raddana. observou que o desenvolvimento social aconteceu junto com a intensificação do cultivo da terra. deste modo. que são: • • • • Retirada pacífica Nomadismo interno Transição ou transformação pacífica Amálgama pacífico.cananeus gradualmente tornaram-se israelitas. David Hopkins. Os defensores deste ponto de vista argumentam com o declínio cultural ocorrido no Bronze Antigo.

Hopkins valorizou mais o sistema cooperativo baseado no parentesco do que o uso de técnicas como terraços. James Flanagan também acredita que o Israel pré-davídico surgiu da movimentação de grupos sedentários que deixaram os vales para uma organização mais descentralizada nas montanhas e na Transjordânia. G. onde eles se dedicaram à agricultura e ao pastoreio. divindade cananéia. Nenhuma 'revolta' de camponeses pode ser documentada. Frank Frick acredita que os assentamentos israelitas surgiram após um colapso das cidades cananéias. reflete esta lógica. Os recursos tecnológicos menores.recursos hídricos. Esta nova sociedade teria então evoluído de uma 'sociedade segmentária' (época dos Juízes) para uma 'sociedade com chefia' (Saul) e. Para Hopkins. 90-91. ECHEGARAY. O próprio nome do povo.Talvez um grupo tenha vindo de Edom e se juntado a estes camponeses. mas sim a escassez de recursos da área dos assentamentos. finalmente. não indicam a chegada de um grupo de pessoas vindas de fora da terra. o crescimento populacional . já que construído com o nome de El. 'Israel'. no final.. ao tipo nômade. Gösta Ahlström. O Crescente Fértil e a Bíblia. trazendo com eles o culto a Iahweh. levando à intensificação da agricultura. Carol Meyers defende que Israel surgiu nas montanhas após uma violenta praga que devastou os vales. Teria havido um declínio de até 80% da população dos vales.exigiu mais alimento. para o 'Estado' (Davi). segundo ele. entretanto. J.de 23 para 114 povoados . igualmente. NEXT [15]. Ele trabalha a continuidade entre israelitas e cananeus. Ahlström contesta a tese de Gottwald de uma 'retribalização' ocorrida nas montanhas. Israel. diferentes unidades clânicas e tribais israelitas devem ter surgido a partir de diferentes atividades agrícolas. e cidades podem ter sido queimadas para evitar contágio. cisternas e o uso do ferro para explicar o sucesso destes assentamentos agrícolas. evidente na cultura material. e busca reler os textos bíblicos dentro desta lógica. foi quem desenvolveu mais amplamente este modelo de uma retirada pacífica em vários de seus escritos. já que sua estrutura social de base familiar não corresponde. Nas montanhas. . pp. agora possível pela construção de cisternas e terraços e isto produziu.

4. (ed. 1993. ibidem.. D. Leiden. . 1985.. Minneapolis. 2. FRICK. No Other Gods. Brill. estes especialistas defendem uma origem pastoril para os primeiros. em CLEMENTS. Decatur. 1985. MAYES. Sheffield Academic Press. São Paulo.. R. SICRE. em THOMPSON.. L. Volkmar Fritz e Israel Finkelstein[22]. N. I. Paulus. HOPKINS. Cinco Respuestas a un Enigma Histórico. K. 97118. David’s Social Drama: a Hologram of Israel’s Early Iron Age. Cf. H. Idem. The Highlands of Canaan. A History of Ancient Palestine. Discovering Eve: Ancient Israelite Women in Context. P. Decatur. Die Entstehung Israels im 12. Georgia. também MARTIN. Nomadismo Interno Defensores do nomadismo interno são C. Lanham. [21]. VV. Georgia. Decatur. G. J. Georgia. Early Israel. Paulus. R. Cf. Embora admitindo a continuidade entre israelitas e cananeus. em Estudios Biblicos 46 (1988). 1996. Perspectivas Sociológicas. Cf. pp.. O Mundo do Antigo Israel. R. H. C. Chr.. FLANAGAN. Almond Press. AHLSTRÖM. Cf. A Survey of Models and Theories. The Answers Lie Below: Essays in Honor of Lawrence Edmund Toombs. A. J. 55. 1995. Sheffield. V. [19].. Antropológicas e Políticas.. 28-31. cartas G.2. 1984. Village Subsistence at Ai and Raddana in Iron Age I. New York. University Press of America. F. L. 33. Israel como sociedade tribal. 1985.). 1985. pp. J. H.. The Formation of the State in Ancient Israel. Oxford University Press. E. Fortress Press. pp. MEYERS. pp. Madrid. São Paulo. D.). 104-121.). Israel e Judá. E. H.. J. E. LEMCHE. [17]. GNUSE. Sociologia e Antigo Testamento.. und 11... pp. [18]. 1988. J. J. (org. onde os vários modelos são descritos e analisados. Kohlhammer. de Geus. 32-61. CALLAWAY. D. 421-456 e FRITZ. Jahrhundert v. [20]. 1997. p. p. Emergent Monotheism in Israel. (org. K. Los Orígenes de Israel.. Textos do Antigo Oriente Médio. Anthropological and Historical Studies on the Israelite Society before the Monarchy. Almond Press. 1988. Almond Press.[16]. O Mundo do Antigo Israel. em CLEMENTS. Stuttgart. cf. AA.

eu diria que. vivendo nas áreas intermediárias entre as cidades e com elas interagindo. Niels Peter Lemche. Drews. 2. que. os israelitas eram 'nômades internos'. Eles seriam os hapiru ou os shasu dos textos egípcios. Moab e Edom. a arquitetura diferenciada dos povoados israelitas nas montanhas mostra que eles não saíram simplesmente das cidades das planícies. antes defensor da idéia de infiltração pacífica de Albrecht Alt. por isso. como defendia Alt.3. a partir dali. Quando as cidades sofreram um colapso eles expandiram seu controle. R. A casa israelita de quatro cômodos significa uma evolução da arquitetura cananéia e a sua familiaridade com a criação de animais domésticos e seus trabalhos em metal e cerâmica mostram que eles não eram verdadeiros nômades. H. para o norte e para o sul da região. gente que vivia na Palestina. Eles estavam na região há séculos e pertenciam à cultura amorita siro-palestina do Bronze Médio. se espalhado. estes pastores se dedicaram também à agricultura para conseguir cereais e outros alimentos não mais oferecidos pelas cidades. Volkmar Fritz. entraram em contato simbiótico com as culturas citadinas. percebe que a cultura israelita viveu um longo período em contato com a cultura cananéia e deslocou um pouco sua perspectiva. morando nas montanhas e usando categorias tribais. para Finkelstein. na proximidade das cidades. Israel Finkelstein é o principal defensor da idéia do 'nomadismo interno'. Para Fritz. experimentando. antigo defensor das teorias de Mendenhall e Gottwald. O aumento populacional posterior colocou-os em conflito com populações das planícies até que se chegou à unificação davídica. um dos mais brilhantes 'minimalistas' da Escola de Copenhague. Eles seriam os hapiru das cartas de Tell elAmarna.4. acredita que muito pouco pode ser dito das origens de Israel . antes de se sedentarizarem. Robert Coote & Keith Whitelam e Rainer Albertz[23]. mas eram etnicamente diferentes e trouxeram consigo suas próprias estruturas sociais e sua cultura material. por toda a Idade do Bronze. Ou seja: eles estavam culturalmente próximos dos cananeus. porém. mas que foram proto-israelitas. Transição ou Transformação Pacífica Entre os proponentes de uma transição ou transformação pacífica se destacam o já citado Niels Peter Lemche e mais: William Stiebing. ao escavar no norte do Negev. uma 'simbiose cultural'.C. Talvez resumindo excessivamente seu matizado pensamento. que eventualmente deram origem a Israel. mas que estavam em contato comercial com as culturas das cidades da região. propõe que os israelitas eram etnicamente unidos. Eles teriam se assentado em grande número na região montanhosa de Efraim e. vindos de fora. Com o declínio destas. de Geus. J.

o que hoje se sabe é que a ausência egípcia na região não coincide com o aparecimento dos povoados na região montanhosa da Palestina. pode ter sido causado não pela ausência. ao mesmo tempo que procura superá-la com uma nova proposta nas páginas 75-77. que o afastamento desta população. Diz Lemche que o modelo 'evolucionário' por ele defendido na obra de 1988. William Stiebing. 74. possibilitaram o aumento desta população e à . regionais e religiosos diferentes. The Israelites in History and Tradition. êxodo. deste modo. os sobreviventes da fome que se abateu sobre as cidades foram para as montanhas. mas pelo aumento da pressão egípcia sobre as mesmas. e a presença de elementos nômades nestes assentamentos deve ser considerada. e por outro. juízes.antes do século X a. Segundo esta explicação. Na verdade. no conturbado enfrentamento de grandes potências no século XIII a. por um lado.. pois ela pressupõe um vazio de poder egípcio na região e a conseqüente decadência das cidades. em tribos. p. não há época patriarcal. Mas Lemche vê problemas nesta proposta. diz Lemche. a não ser a percepção de um processo gradual de aumento da população nas montanhas da Palestina.. para novas regiões e garantia os seus rendimentos na região. por que não creditar à política egípcia o processo de criação de assentamentos sem fortificações.C. linhagens e. Ancient Israel: A New History of Israelite Society pressupõe que o aumento dos assentamentos tenha sido uma conseqüência natural da deterioração das condições de vida das cidades da Palestina durante a última parte do Bronze Recente. até cerca de 1200 a. provocada pela perda das rendas do comércio internacional. em sua exigência de mais tributos e mais trabalho forçado. Então. no final do processo. Entretanto. Lemche. políticos. a fixação dos migrantes. Assim o Egito compensava as perdas do comércio internacional. coloca as mudanças climáticas ocorridas na região do Mediterrâneo entre 1250 e 1200 a. Afugentados pela seca. já que esta é um produto pós-exílico.C. Lemche expõe a sua visão no livro de 1998. o Egito transferia parte da população de cidades. Mas esta proposta não inclui a participação dos nômades na formação desta nova sociedade. Condições climáticas mais favoráveis por volta do ano 1000 a. motivadas por interesses econômicos. saindo das cidades. diferenças étnicas só apareceram com o passar do tempo. levando os habitantes dos povoados a se agrupar em grupos de parentesco. Daí. monarquia unida. consolidando o poder do império na região? Pois. questiona o uso da Bíblia Hebraica na reconstrução da História de Israel. como fator fundamental para explicar o declínio da cultura urbana da Grécia Micénica à Palestina. assim como outros minimalistas.C. possivelmente da época helenística. agora improdutivas.C. por outro lado.C.

2. Gnuse. Para tais comunidades o grupo do êxodo trouxe as idéias do deus Iahweh. mas pelo crescimento populacional tornado possível pelas condições climáticas favoráveis à agricultura. com mudanças. promovendo mais tarde o aparecimento do Estado. enquanto que nos momentos das crises elas absorviam as populações que deixavam tais cidades. Processo que pode ser chamado de 'realinhamento' ou 'transformação'. A opinião de R. processo pelo qual o colapso do comércio internacional forçou os habitantes das cidades a se deslocarem para os povoados das montanhas e aí se desenvolverem. Israel.4. Robert Coote & Keith Whitelam vêem as origens de Israel como parte de um processo de integração milenar entre as regiões das cidades e as regiões das montanhas. Albertz fala de 'digressão'.criação do Estado. grupos . levando a um aumento populacional significativo. Ele dá pouca importância aos fatores climáticos na explicação dos acontecimentos. K. Daí o massacre das cidades e o aumento populacional dos habitantes das montanhas. Thomas Thompson e Donald Redford. Robert Drews defende que os 'povos do mar' que invadem a região não eram simples migrantes. mas mercenários treinados e com armamento superior ao dos exércitos locais. em seu comportamento ético.4. que aqui se alinha. indo de Albright a Lemche. Com o desenvolvimento destas regiões o comércio foi recuperado. não propondo uma teoria específica. por considerar melhor os pressupostos teóricos do debate atual[24]. William Dever. surgiu não pelo simples deslocamento de determinados grupos. muitos habitantes da região montanhosa. inclusive. Rainer Albertz faz uma espécie de síntese de várias escolas. pois nos períodos de prosperidade as regiões das montanhas providenciavam recursos para as cidades dos vales. um grupo vindo do Egito com a experiência do êxodo. agora mais igualitário. Amálgama Pacífico Finalmente. Baruch Halpern foi um dos primeiros a descrever o processo de assentamento como uma complexa interação de diferentes grupos nas montanhas: poucos habitantes dos vales. portanto. a idéia de um amálgama pacífico de diferentes grupos nas regiões montanhosas da Palestina para explicar as origens de Israel tem como defensores especialistas como Baruch Halpern. No surgimento de Israel o colapso do comércio foi o fator mais significativo. é de que este grupo de pesquisadores prevalecerá sobre os outros. segundo estes autores. pois colocou em crise a sobrevivência das cidades e exigiu dos povoados das montanhas uma forma mais eficaz de colaboração e cooperação para a sobrevivência.

levando ao surgimento da monarquia. Para Dever Israel se formou de refugiados das cidades. pastores de outras áreas e imigrantes da Síria. defende que existe uma diferença entre os habitantes das planícies e os habitantes das montanhas. das propostas de Coote & Whitelam e do modelo de simbiose de Fritz. para Thompson. também ali se assentaram. O grupo do Egito trouxe Iahweh. Ele sugere que o núcleo da população nas montanhas era formado por pastores que se sedentarizaram. Progressivamente controlaram também as planícies.vindos da Síria. mas. Na região das montanhas eles progressivamente criaram uma identidade que os diferenciou dos cananeus das planícies. A unidade política de Israel só aparece na época das interferências assírias na região.. mas que pastores shasu vindos de Edom. após a destruição de Lakish por Senaqueribe. 'bandidos sociais' (social bandits). e no século VII a. . dizendo que a distinção entre urbano e rural explica as diferenças. para ele. Thomas L. distinto dos cananeus. cananeus saídos das cidades. como cidade cliente da Assíria. um dos mais polêmicos 'minimalistas' é ferrenho defensor de uma História da Palestina escrita somente a partir dos dados arqueológicos e crítico de qualquer história e arqueologia bíblicas. no século VIII a. Toda a 'estória bíblica' do império davídico-salomônico e dos reinos divididos de Israel e Judá é. de agricultores despossuídos.C. e trazendo consigo o culto a Iahweh. Thompson. A população das montanhas era formada por nativos da região. quando Jerusalém.. pura ficção pós-exílica. dando início ao futuro Israel. trouxe a circuncisão e a proibição da criação do porco e criou o nome 'Israel' no século XIII a. alguns revolucionários. Donald Redford. movendo-se os grupos entre as cidades das planícies e os povoados das montanhas segundo as estratégias de sobrevivência exigidas pelas mudanças climáticas. Hoje ele vê o surgimento de Israel entre as populações que praticavam a agricultura na Palestina e rejeita a dicotomia cananeu/israelita.C. mas foi o Israel histórico que produziu o Israel bíblico. uns poucos nômades.C. que são funcionais e não étnicas. William Dever já foi simpatizante do modelo da revolta de Gottwald. egiptólogo.. Anatólia e do Egeu. principal fator de transformação social e política da região. no que diz respeito a Samaria. enquanto o grupo sírio. Thompson observa que a população da Palestina permaneceu inalterada durante milênios. principalmente. torna-se líder da região sul. que se misturaram com gente que veio das planícies. Por fim. Todos estes grupos foram reunidos pela necessidade de manter rotas de comércio abertas com a ausência do Egito na região.. Halpern sublinha ainda que o Israel histórico não é o Israel da Bíblia Hebraica.

O elemento cananeu cresce em importância na explicação das origens de Israel. de uma evolução progressiva. como o de LEMCHE. A arqueologia é importantíssima para definir o modo como Israel ocupou a região da Palestina 2. Leituras Recomendadas . a análise minuciosa dos textos bíblicos (exceto para alguns 'minimalistas') e as ciências sociais. De qualquer modo.. Um modelo apenas explica tudo ou devemos recorrer a vários modelos? Parece que não se pode usar um só modelo para explicar a ocupação de todo o território de Canaã. já que o processo de instalação parece ter sido diferenciado conforme as regiões e as circunstâncias. de uma revolta de camponeses marginalizados que somam suas forças aos recém-chegados hebreus do êxodo foi o mais discutido até a década de 90. Qual é o modelo mais aceito na atualidade? O modelo da instalação pacífica (de ALT/NOTH) sempre foi muito considerado.. existe uma certeza: ainda surgirão muitos modelos explicativos para as origens de Israel e é possível que a solução definitiva esteja bem distante. ainda não conseguiram espaço nos manuais. mas são. Parece provável que em cada região tenha havido um processo social específico que deve ser explicado. Os dados arqueológicos apóiam cada vez menos a versão da conquista tal como está no livro de Josué ou nas explicações dos norte-americanos 3. O modelo de MENDENHALL/GOTTWALD. d. Existe algum acordo mínimo sobre a questão? O consenso dos especialistas tende a crescer na seguinte direção: 1. Outros.Conclusão a. b. c. Quais recursos devem ser usados para se elaborar um modelo explicativo? Certamente a arqueologia. A contribuição da antropologia é cada vez maior para explicar estes mecanismos sociais antigos. os mais discutidos entre os especialistas. hoje.

V. pp. 1986 [20042]. 37-38. Emergent Monotheism in Israel. 19-110. Madrid. Chr. CERESKO. 104-121. Paulus. N.. 83-105. Die Entstehung Israels im 12. Textos do Antigo Oriente Médio. THOMPSON. Terra Prometida. Eisenbrauns. K. CLEMENTS. GNUSE.. 1996.). Petrópolis. L.. Paulus. Introdução ao Antigo Testamento numa Perspectiva Libertadora. pp. pp. O Crescente Fértil e a Bíblia. São Paulo. pp. N. Social Sciences Approaches to the Hebrew Bible. Winona Lake. pp. E. & MEYERS. 421-456.. pp.. The Israelites in History and Tradition. G. N. Ensaios sobre a História do Povo de Israel. J. Community. und 11. LEMCHE. I. 19972. Perspectivas Sociológicas. . Identity and Ideology. 1995. E.. Los Orígenes de Israel. The Bible Unearthed. K..C. New York. 1998. The Mythic Past. Introdução Socioliterária à Bíblia Hebraica. A. R. 1993. ALT. L. Jahrhundert v. K. FINKELSTEIN. Basic Books. 1987. A. T. Vozes. 1996. São Paulo. 99-119. 1999. P. 1997. São Leopoldo. 1988.AA. São Paulo. L. Sheffield. São Paulo. Kohlhammer. As Tribos de Iahweh. SICRE. Kentucky. São Paulo. pp. Antropológicas e Políticas.. R... Paulus. 251-276. 1996. The Free Press. pp. (eds. pp. Louisville.. GOTTWALD. R.VV. Sinodal. 202-229. Stuttgart/Berlin/Köln. A. 101-225. Biblical Archaeology and the Myth of Israel. GOTTWALD. Westminster John Knox. O Mundo do Antigo Israel.. No Other Gods. C. pp. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. ECHEGARAY.. (org. & SILBERMAN. Sheffield Academic Press. CARTER.. Israel e Judá. Uma Sociologia da Religião de Israel Liberto 1250-1050 a. 23-61. Indiana. C. FRITZ. New York. Paulus. Cinco Respuestas a un Enigma Histórico. J. N. em Estudios Bíblicos 46 (1988).). Paulus. 2001.

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C. destruído. então. Gat e Ekron. raras vozes no mundo acadêmico ousariam contestar a versão abaixo para descrever a origem e as características da monarquia israelita. com perigoso precedente de utilização deste poder contra parte da população. em um dos mais brilhantes panfletos anti-monárquicos que se conhece na história.e saquearam os produtos de boa parte do país. Ashdod. Ascensão e Queda de Saul Os filisteus. metal que sabiam trabalhar bem e perigosos carros de combate. Ascalon. os filisteus avançaram com um exército organizado contra os agricultores israelitas.C. Além do mais. mas posicionaram-se em postos estratégicos. a Arca da Aliança. os israelitas derrotados. os filisteus atacam e vencem os israelitas perto de Afeq. como última esperança. além de possuírem uma longa tradição militar. Os Governos de Saul. proibiram o trabalho em metal em todo o território israelita o que equivalia a um desarmamento geral do povo e à sua dependência dos filisteus até mesmo para os trabalhos mais elementares da agricultura . Samuel tentou por todos os meios levantar e organizar o povo para uma luta de libertação. Em vão. foi a escolha de um chefe único. Usavam armas de ferro.8-15. como acontecia nos reinos vizinhos e como demonstra o apólogo de Joatão em Jz 9. Eis o texto: . foi capturada. Os filisteus não ocuparam todo o país. 3. colocado acima de todos os grupos israelitas autônomos. Ou porque viam em Israel uma ameaça às suas rotas comerciais ou por algum outro motivo. Davi e Salomão Até meados da década de 70 do século XX.1. De acordo com 1Sm 4. superior às tribos todas em poder. Isto aconteceu por volta de 1150 a.3. Nem que fosse alguém com poder despótico. Silo. Aí por volta de 1050 a. um dos "povos do mar" rechaçados pelo Egito. Os filisteus formaram uma confederação de cinco cidades: Gaza. A saída. levada pelos sacerdotes de Silo para o campo de batalha. na região norte. haviam ocupado uma fértil faixa costeira no sudoeste da Palestina. cortando as comunicações entre os vários grupos israelitas.

a fim de balançar-me por sobre as árvores?' As árvores disseram então à videira: 'Vem tu. Disseram à oliveira: 'Reina sobre nós!' A oliveira lhes respondeu: 'Renunciaria eu ao meu azeite. um impetuoso benjaminita. sairá fogo dos espinheiros e devorará os cedros do Líbano!'". e reina sobre nós!' A videira lhes respondeu: 'Iria eu abandonar meu vinho novo. e reina sobre nós!' A figueira lhes respondeu: 'Iria eu abandonar minha doçura e o meu saboroso fruto. vinde e abrigai-vos à minha sombra. que tanto honra aos deuses como aos homens. a líder do povo. a fim de balançar-me por sobre as árvores?' Então as árvores disseram à figueira: 'Vem tu. fabricar as . há duas versões opostas que refletem duas tendências: uma que aclama e defende a idéia (1Sm 9.16). e os fará lavrar a terra dele e ceifar a sua seara. a fim de balançar-me por sobre as árvores?' Então todas as árvores disseram ao espinheiro: 'Vem tu. e reina sobre nós!' E o espinheiro respondeu às árvores: 'Se é de boa fé que me ungis para reinar sobre vós. Se não. "Este é o direito do rei que reinará sobre vós: Ele convocará os vossos filhos e os encarregará dos seus carros de guerra e dos seus cavalos e os fará correr à frente do seu carro. Sobre a ascensão de Saul."Um dia as árvores se puseram a caminho para ungir um rei que reinasse sobre elas. outra que se opõe e alerta contra o perigo do empreendimento (1Sm 8).1-10. que alegra os deuses e os homens. e os nomeará chefes de mil e chefes de cinqüenta.

alguns acham que se pode considerá-lo como herdeiro de uma tradição antimonárquica que se manifesta já na época de Saul. Era um chefe militar: mantinha um pequeno exército permanente e regular e seu governo oferecia alguns cargos: seu primo Abner era general de seu exército. Saul teria usurpado funções sacerdotais (1 Sm 13) e violado antigas leis da guerra santa que não favoreciam sua estratégia militar (1Sm 15). seu escudeiro. numa atuação carismática e espontânea. naquele dia. Segundo as fontes bíblicas de que dispomos. Tomará os vossos campos. Davi. pouco foi. Mas. colocado na boca de Samuel. Saul conseguiu uma vitória sobre os amonitas que entusiasmou o povo e o convenceu de suas capacidades guerreiras (1Sm 11). na sempre constante ameaça dos filisteus e principalmente no desentendimento entre a antiga ordem tribal e as exigências da nova ordem. naquele dia!" (1Sm 8. Ele tomará as vossas filhas para perfumistas. quando o jovem pastor de . na independência tribal. Os melhores dentre os vossos servos e as vossas servas. que destinará aos seus eunucos e aos seus oficiais. mas Iahweh não vos responderá. e vós mesmos vos tornareis seus escravos. e não tocou na estrutura interna da organização tribal. e os dará aos seus oficiais. Saul e seu filho Jônatas conseguiram uma boa vitória sobre os filisteus reunidos em Gibea e Micmas (1Sm 13-14). os vossos melhores olivais. é. significativo representante da antiga ordem. acabou rompendo com Saul. Exigirá o dízimo dos vossos rebanhos.suas armas de guerra e as peças de seus carros.11-18). as vossas vinhas. podemos dizer que Saul não foi propriamente um rei. o que de fato a monarquia representou em Israel. porém. Gibea. o que deu a Israel um alívio temporário. Continuou a viver em sua terra. Das vossas culturas e e das vossas vinhas ele cobrará dízimo. ele os tomará para o seu serviço. cozinheiras e padeiras. Entretanto. um texto deuteronomista. aclamado rei em Guilgal (1Sm 11. Samuel. na verdade. os vossos bois e os vossos jumentos. As causas poderiam ser identificadas na ambigüidade de sua posição (rei ou chefe tribal?). segundo o Deuteronomista. após a sua falência.14-15). Este discurso. Depois disso ele foi. Então. Mas. reclamareis contra o rei que vós mesmos tiverdes escolhido. Se houve mais. De qualquer maneira. As coisas se agravaram. a queda de Saul devia acontecer em breve. avaliando.

Enquanto isso. no Negueb. Davi. Davi e a Criação do Estado Para substituir Saul não ficara ninguém válido a não ser seu último filho Isbaal. Resultado: seus três filhos morreram em combate e ele mesmo. filhos de Saul. ainda que frágil.1-4). porém.C. Assim. Foi só uma pretensão. com o consentimento dos filisteus e o apoio da população do sul. Ele não se fez de rogado. dois anos mais tarde. e faz dela a sua cidade. realmente. porque esta defendera Davi (1Sm 22) e a partir daí perseguiu Davi implacavelmente. Isto teria acontecido por volta de 1010 a. muito ferido. Este o acolhe e lhe dá como feudo a cidade de Siclaq.C. Saul liderou os israelitas de 1030 a 1010 a. escolhendo posição favorável. Davi consegue uma união. nesta posição. Davi refugiou-se no deserto e formou um bando de guerreiros que fugiam de Saul e atacavam os filisteus. e de lá pretendeu que fosse dada continuidade ao governo de Saul através do fraco Isbaal. Com efeito. Competia agora a Davi vencer os filisteus e acabar de vez com suas ameaças. dos vários grupos israelitas.Belém. tornou-se seu rival. Davi e sua tropa oferecem seus serviços ao rei filisteu de Gat. Saul assassinou a família sacerdotal de Silo. mas Saul não voltou atrás. "se lançou sobre a sua espada" e seu exército foi totalmente desfeito (1Sm 31). tornou-se o líder de Judá (2Sm 2. agora estabelecida em Nob. Segundo as fontes bíblicas.2. cidade jebuséia situada no sul. ocuparam toda a terra. Os filisteus atacaram repetidamente e foram totalmente derrotados: tiveram que reconhecer a supremacia de Israel e tornaram-se seus vassalos. Davi dirigiu-se com seus homens para Hebron e. 3. Não se agüentando.1-5). amigo de Jônatas e marido de Mical. Então. entraram em choque com o exército de Saul a noroeste do monte Gelboé. Davi é também aclamado rei da região norte do território por todo o povo (2Sm 5. como exemplo para os israelitas. . ele conquista Jerusalém. A queda de Saul acontece quando os filisteus partiram mais uma vez de Afeq e. Abner refugiou-se com ele em Mahanaim. através de hábeis manobras políticas. Os filisteus cortaram-lhe a cabeça e fixaram seu corpo e os de seus filhos nos muros de Bet-Shan. Em seguida. na Transjordânia. A batalha estava perdida antes mesmo de começar. Isbaal é assassinado e.

Banaías. comandava o exército. mantendo uma administração baseada no respeito às instituições tribais e alguns funcionários. na verdade. o recenseamento (com fins fiscais e militares) que ele mandou fazer gerou conflitos e críticas (2Sm 24) e a luta de seus filhos pela sucessão enfraqueceu muito seu prestígio. Os filhos de Davi eram sacerdotes" (2Sm 8. os arameus etc.2223 conta de seus gastos: um absurdo em cereais e carne: . Salomão substituiu-o no poder em 971 a. também o general Joab e desterrou o sacerdote chefe Abiatar. Saraías era secretário. um grande reino: submeteu Amon. era o arauto. Seu exército compunha-se de israelitas convocados das várias tribos.3. Mandou matar seu irmão Adonias. Davi enfrentou tensões surgidas entre a antiga e a nova ordem: por exemplo. filhos de Aquimelec. eram sacerdotes. filho de Aquitob.15-18). logo que se viu garantido no poder. uma corte imensa e dispendiosa. de maneira austera e modesta. Criou. segundo o texto bíblico. de sua guarda pessoal . Sadoc e Abiatar. filho de Ailud. Apesar de tudo isto. Davi construiu.Segundo o texto bíblico.C.seus homens de confiança desde os tempos da clandestinidade . Edom. comandava os cereteus e os feleteus. filho de Joiada. "Davi reinou sobre todo o Israel. exercendo o direito e fazendo justiça a todo o povo. Josafá. segundo o texto bíblico. Assim. procurando assim manter o consenso da população ao redor da nova instituição. até o Eufrates. Moab. Todos os reis da região. E o Estado sob Davi funciona. Davi governara 39 anos. Joab. instituiu-se a corvéia . filho de Sárvia. 1Rs 4. Os países dominados pagavam tributo.e de mercenários estrangeiros. como os cereteus e feleteus. Salomão e a Consolidação do Estado Salomão não era o herdeiro natural de Davi e sua posse foi recheada de intrigas e inimizades. 3. pagavam-lhe tributos. nomeou os chefes dos sacerdotes e fez tudo o que pôde para o culto. Salomão eliminou drasticamente seus inimigos.estrangeiros obrigados a trabalhar grátis nos projetos do Estado – e Davi não interferiu na administração da justiça tribal. Davi levou para Jerusalém a Arca da Aliança.

Davi só usava a infantaria. Apesar de algumas revoltas nos reinos vassalos e de um possível enfraquecimento de poder. o número será bem maior". . através de suas agências de compra e venda. Seu exército era poderoso na época e seus carros de combate temíveis. Mas sua habilidade revelou-se totalmente foi no comércio e na indústria. sempre segundo o texto bíblico. no lugar onde fosse preciso.17s. construções de grandes obras públicas por toda a parte. diz 1Rs 4. vinte bois de pasto. Salomão sabia fazer se respeitar no armamento e na organização militar. por exemplo.119). desrespeitando a divisão tribal e nomeando prefeitos estranhos às populações locais. Exportava cobre e outros metais. A. Se acrescentarmos ao consumo ainda a farinha. em geral.000 a 4. Salomão dominou igualmente o comércio da Arábia. gazelas. e cada qual segundo o seu turno"."Salomão recebia diariamente para seu gasto trinta coros de flor de farinha [1 coro = 450 litros] e sessenta de farinha comum. com o controle das caravanas: o comércio de cavalos da Cilícia e do Egito. Seus navios eram construídos e tripulados pelos fenícios. Toda esta atividade comercial gerou uma expansão interna muito grande no país: cidades que se fortaleciam. fornecendo "a cevada e a palha para os cavalos e os animais de tração. como. diz C. poder-se-ia imaginar que a corte de Salomão se tenha composto de 3. mais algumas aves. Estes carros foram uma inovação de Salomão. cem carneiros. Construiu uma frota mercante que comerciava até com Ofir (atual Somália) e com todos os portos do Mar Vermelho. uma vez que consumia 20 a 30 vezes mais carne que o grupo de Neemias. conseguiu.. a divisão do norte em 12 províncias. A população pagava por este exército. Quanto à administração. enquanto outra parte fazia a rota do Mediterrâneo até a Espanha. Embora não fosse um guerreiro.28. cucos cevados". 150 homens eram alimentados por Neemias diariamente com 1 boi e 6 ovelhas. "Conforme Ne 5. além de veados.. Salomão. Salomão introduziu novidades enormes. manter o país nos limites estabelecidos por seu pai Davi. dez bois cevados. DREHER[1]. E tem mais: cada província cuidava da manutenção da corte durante um mês (1Rs 4. a população que aumentava consideravelmente em número. Com base nesta notícia.500 pessoas. antílopes. mestres na arte da navegação.

DREHER. lhe dará cobertura ideológica para garantir seu Estado e seu direito ao tributo"[2].. embora haja notícias controvertidas na obra deuteronomista. forçou seus vassalos estrangeiros e a população cananéia à corvéia (trabalho grátis para o Estado) e usou o trabalho escravo em grande escala nas suas minas e fundições no sul do país (1Rs 9. cuja arca já se encontra em Jerusalém.. altos cargos distribuídos a gente nascida na corte e que se julgava superior a todos os demais. recrutado entre o povo. veremos sobre quais bases foi construído.27.22 os israelitas não foram submetidos à corvéia. transferia para o Estado todo o poder religioso. precisava de muito dinheiro para funcionar com eficiência e assim por diante. num tempo de paz. As obras públicas requeriam dinheiro para sua concretização. NEXT . A construção do templo. O Estado classista estava em pleno funcionamento. Sobre a exploração de uma boa parte da população.11. A burocracia estatal requeria um número respeitável de funcionários. as diferenças de classe e as contradições internas foram se aprofundando até levar à divisão do território.28 também os israelitas foram submetidos ao trabalho forçado para o Estado). não mais respeitando as tribos. Vejamos. servindo ao mesmo tempo como santuário nacional e como capela real.. durante 40 anos. Salomão governou a região de 971 a 931 a. a mão-de-obra grátis em Israel (segundo 1Rs 9.C. se olharmos menos ingenuamente este florescimento todo. Mas isso tem lá seus riscos na época de uma monarquia incipiente (. O exército.Porém.) Um motivo religioso lhe será bem mais útil. A. mas segundo 1Rs 5.20-22). para continuar a garantir o direito ao tributo? Pode-se recorrer às armas e impor um governo através da força policial. Usou também. Resultado: Salomão colocou pesados impostos sobre a população israelita. a casa de Javé. sobre os motivos porque Salomão construiu o Templo: "Que fazer. Muito interessante é a observação de C. Com o correr do tempo. Informações sobre o Templo de Jerusalém? A atual polêmica com os Palestinos? Confira aqui! A construção do Templo em Jerusalém.

por sua vez. 3. Hans Heinrich Schmid (1976) e Rolf Rendtorff (1977). Thompson (1974). As Fontes: Seu Peso. posteriormente. p. que. Assim. C. quando o J começou a ser deslocado para outra época pelos autores acima citados. até mesmo porque muitas das dúvidas hoje existentes sobre o Pentateuco dependem da reconstrução da história de Israel e da história de sua religião[3]. onde mais podemos buscar respostas? 3. A Ruptura do Consenso Entretanto. era explicada pela Obra Histórica Deuteronomista (OHDtr). caracterizada até como "iluminismo salomônico". vicioso. dominando todo o território da Palestina e. Pois isto que acabo de descrever nada mais é do que uma paráfrase racionalista do texto bíblico. E então. Ora. Petrópolis. datação e significado das narrativas do Pentateuco. Esta historicidade.4. DREHER. Vozes. especialmente. E daí se estendeu à História de Israel. foram de novo colocadas: O que teria sido o primeiro 'Estado Israelita'? Um reino unido. 56. garantia o J salomônico: um círculo fechado. em que um texto bíblico amparava o outro. DREHER. a crise começou com as reavaliações da origem. por que a Bíblia Hebraica o descreve? Enfim. especialmente os estudos feitos por Thomas L. curiosamente. o que teria acontecido na região central da Palestina nos séculos X e IX a.. penso hoje que o chamado ‘consenso wellhausiano’ sobre o Pentateuco e. não tendo Israel e Judá jamais sido unidos? Existiu um Império davídico/salomônico ou só um pequeno reino sem maior importância? Se por acaso não existiu um grande reino davídico/salomônico. 51. ibidem. C. hoje não mais aceita por todos. Seu Uso . A.[1]. o consenso foi rompido. p. questões que pareciam definitivamente resolvidas. em Estudos Bíblicos n. A. sendo dividido em reinos do 'norte' e do 'sul'? Ou seria tudo isto mera ficção. 1986. E. Martin Noth e muitos outros. assim. John Van Seters (1975). os estudos na linha de Gerhard Von Rad. composto pelas tribos de Israel e Judá. O trabalhador e o trabalho sob o reino de Salomão.5. sustentavam a historicidade da época. ao colocarem o Javista (J) no reinado de Davi e Salomão.? Além da Bíblia Hebraica.C. o edifício inteiro desabou.. 11. [2].

A Bíblia. pois este constitui apenas uma parte desta região. Ele concluiu. a conquista da terra que lhe é dada por Deus e assim por diante. o obviamente literário tornou-se o obviamente histórico". prossegue. reter a segunda parte e ainda tratá-la como uma entidade histórica?" Para ele uma história de Israel que começa neste ponto deveria ser uma entidade bem diferente do Israel literário. na pressuposição de que. por ser este o momento em que os reissacerdotes levaram o país o mais próximo possível do ideal presente nas leis bíblicas. que o Estado Asmoneu (ou Macabeu) é que viabilizou.Claro. garante o autor na p. conclui Philip R. a narrativa bíblica. E. Davies na p. diz Philip R. Para o autor. Thompson é contra . 51. Thomas L. Davies. de fato. Isto significa excluir a literatura bíblica" [sublinhado meu]. Davies é a postura do norte-americano Thomas L. com o resto da estória bíblica. como denunciou o estudioso britânico Philip R. não um dado sobre o qual se apoiar sem mais. Thompson. mais para o final do livro. a partir deste ponto. é contraditório. "Nós não podemos transferir automaticamente nenhuma das características do ‘Israel’ bíblico para as páginas da história da Palestina (. 154. como uma criação literária e histórica é um conceito asmoneu[4].. não podemos identificar automaticamente a população da Palestina na Idade do Ferro (a partir de 1200 a. além de suscitar muitos outros problemas. Para Philip R. Davies. Davies. "embora sabendo que a estória de Israel do Gênesis a Juízes não deve ser tratada como história. a transformação do Israel literário em um Israel histórico. Considerada mais polêmica ainda do que a de Philip R.. Davies na p. sugerindo Philip R. que o ‘antigo Israel’ é um construto erudito. em seu estudo de 1992. de Saul ou Davi em diante. não só Israel. algo que parecíamos conhecer muito bem. Este construto erudito. a literatura bíblica foi composta a partir da época persa. estas questões precisam ser recolocadas. que pressupõe a família patriarcal. a escravidão no Egito. até mesmo porque o ‘antigo Israel’. não obstante. e de certo modo também a do período persa. como demonstram os estudos sobre o Pentateuco.C. pois a maioria dos estudiosos. é hoje uma incógnita. tornada objeto de investigação histórica. com o ‘Israel’ bíblico.) Nós temos que extrair nossa definição do povo da Palestina de suas próprias relíquias. cujo programa é fazer uma história do Levante Sul sem contar com os míticos textos bíblicos e considerando todos os outros povos da região. 26. E pergunta: "Pode alguém realmente deixar de lado a primeira parte da história literária de Israel. resultante da tomada de uma construção literária. o Israel bíblico é para nós um problema.).

alguns dos participantes acabaram classificando qualquer História de Israel como fictícia. . E não há como fugir da questão. 3. se quisermos saber algo sobre a monarquia. talvez. debatendo o assunto. mas o problema é que sem o texto bíblico muitas interpretações dos dados tornam-se extremamente difíceis. pelo menos enquanto muitas ‘Histórias de Israel’ continuarem a ser nada mais do que uma paráfrase racionalista da narrativa bíblica. Parece-me. e ninguém neste grupo a defendeu. tem sido alvo de muitos debates e grandes controvérsias. Em uma das reuniões do Seminário Europeu sobre Metodologia Histórica. o uso do texto bíblico como fonte válida para a escrita da História de Israel. 4. concluiu Lester L. 2. O fato é que as posturas 1 e 4 são inconciliáveis e estão fora das possibilidades de uma ‘História de Israel’ mais crítica: isto porque a 1 rejeita a possibilidade concreta da história e a 4 trata o texto bíblico com peso diferente das outras fontes históricas. Praticamente todos os membros do seminário ficaram nesta posição 3 ou. Diz o britânico Lester L. dar prioridade aos dados primários. que parece haver quatro possíveis atitudes a respeito da questão: 1. coordenador do grupo.qualquer arqueologia e história bíblicas! Para ele. exceto quando ela se mostra como absolutamente falseada: esta é a postura caracterizada como ‘maximalista’. Na conclusão do livro onde foram publicados os debates deste encontro há uma boa amostragem do problema do uso das fontes. neste ponto. o pior erro metodológico no uso das fontes é harmonizar a arqueologia com as narrativas bíblicas. Somente o diálogo entre as posições 2 e 3 podem levar a um resultado positivo. Grabbe. que já ficou claro para o leitor a importância do exame das fontes primárias. ignorar o texto bíblico como um todo e escrever uma história fundamentada apenas nos dados arqueológicos e outras evidências primárias: esta é a postura verdadeiramente ‘minimalista’. enquanto outros defenderam que o texto bíblico usado cuidadosa e criticamente é um elemento válido para um empreendimento deste tipo. entre a 2 e a 3. aceitar a narrativa bíblica sempre. Aliás. por exemplo. Grabbe. assumir a impossibilidade de se fazer uma ‘História de Israel’. mas fazendo uso do texto bíblico como fonte secundária usada com cautela.

evidência arqueológica da Palestina e fontes escritas fora da Palestina. Naveh em novembro de 1993. Senaquerib. com uma inscrição em aramaico. argumentando que as tentativas para superar as diferenças existentes entre elas devem ser feitas cuidadosamente e concluindo que podemos fazer apenas tentativas de escrever uma História de Israel. fontes primárias. em escavação sob a direção do arqueólogo israelense Avraham Biran. repassa os problemas metodológicos relativos ao uso de cada uma destas fontes. todas mais ou menos contemporâneas aos eventos que relatam. ao fazer tal distinção. Fontes Secundárias: a Bíblia Hebraica. como os livros das Crônicas que retomam a OHDtr. a Estela de Mesha. os Anais de Salmanasar III. a Inscrição de Tel Dan.Aliás.6. Na localidade de Tel Dan. os Óstraca de Arad. sempre sujeita a um processo contínuo de mudança. o Calendário de Gezer. Assaradon. Antropologia histórica: considera os dados provenientes de estudos da geografia. Nabucodonosor. da agricultura. até mesmo porque quanto mais evidência primária tivermos com o avanço da pesquisa. Fontes Terciárias: livros da Bíblia Hebraica que retomam fontes secundárias. as fontes sobre a monarquia israelita são de quatro tipos diferentes. O alemão Herbert Niehr. fontes secundárias e fontes terciárias. os Selos lemelek de Judá. em quatro níveis: antropologia histórica. dos assentamentos humanos. Dois Exemplos de Fontes Primárias: as Estelas de Tel Dan e de Merneptah Um exemplo de fonte primária muito interessante é a Estela de Tel Dan. do clima. TiglatPileser III. especialmente o Pentateuco e a Obra Histórica Deuteronomista. Cerca . os testemunhos de reis assírios e babilônicos como Adad-nirari III. escritos muito tempo depois dos fatos e com objetivos mais teológicos do que históricos. o Obelisco Negro de Salmanasar III. Fontes primárias: fontes escritas provenientes da Palestina. a Inscrição de Siloé. a Carta Yavneh Yam. norte de Israel. menor valor devemos atribuir aos textos da Bíblia Hebraica[5]. em Some Aspects of Working with the Textual Sources [Alguns Aspectos do Trabalho com as Fontes Escritas]. foi descoberto um fragmento de uma estela de basalto de 32 por 22 cm. portanto. as Cartas de Lakish. Sargão II.. publicada por A. Assurbanipal. em julho de 1993. Biran e J.. tais como a Estela de Merneptah. os Óstraca de Samaria. 3. da organização social e da economia de uma região e de sua população. podendo ser classificadas. e do Egito o Faraó Sheshonq. por exemplo.

Daí. bytdwd poderia ser o nome de uma localidade. mas é incerto se eles pertencem à mesma estela da qual o maior faz parte. Esta estela comemora os feitos do Faraó Merneptah (1224-1214 a. Dinamarca[6]. Iahweh.C. o que teria ocorrido por volta de 841 a. davídico. E a leitura "casa de Davi" seria induzida por esta segunda informação. de Roma. é interessante. na qual ele se vangloria de ter assassinado dois reis israelitas.C. Entre os Nove Arcos nenhum levanta a cabeça. avaliando serem partes da mesma estela e produzindo um texto coerente. Ocozias. pois outras traduções são possíveis. quinto ano do governo de Merneptah. se bytdwd está no fragmento maior. mas em um ponto diferente do primeiro. a Estela de Merneptah. Ainda: os fragmentos menores são seguramente parte de uma mesma pedra. segundo a Bíblia. há o seguinte: Os príncipes estão prostrados dizendo: Paz. Tehenu . Imediatamente nos faz lembrar de outra famosa inscrição. estão nos fragmentos menores. Porém. a inscrição foi aparentemente escrita pelo rei Hazael de Damasco. Giovanni Garbini ou nas conclusões de Niels Peter Lemche. filho e sucessor de Ramsés II. Jorão (de Israel) e Ocozias (de Judá) e de ter instalado Jeú no trono de Israel. A polêmica não está encerrada. Datada no século IX a.C. a menção de Israel como reino.). Pode ser datada por volta de 1220 a. (ou 1208 a. Mas o que causou grande rebuliço foi um termo encontrado no fragmento maior: bytdwd. (estes episódios. dois outros fragmentos menores foram descobertos na mesma localidade. Qual é o problema? É que. como casa do amado..36). no norte da Palestina.. Lá no final da inscrição. ou. também. e foi encontrada em 1896 por Flinders Petrie no templo mortuário do faraó em Tebas. Aparentemente.7-10. no caso. do qual só temos (ou tínhamos) informações na Bíblia Hebraica. como se pode ver em artigo do professor de Estudos Semíticos da Universidade La Sapienza. mas como dôd. um epíteto para a divindade. os nomes dos dois reis. a grande novidade: seria esta a primeira menção extrabíblica da dinastia davídica e até mesmo da existência do rei Davi. contestações a tal leitura continuam a ser feitas.C. do Instituto de Exegese Bíblica da Universidade de Copenhague.de 12 meses mais tarde. ou 1213-1203 a. sendo um deles. Contudo. são narrados em 2Rs 8. com enfoque diferente.C. a tradução mais provável seria casa de Davi. lendo-se dwd não como "David".C. e celebra sua vitória sobre líbios que ameaçavam o Egito. Os arqueólogos agruparam os três fragmentos. segundo outra cronologia).

Kentucky. Cf. e é claro: a referência da estela à “semente” de Israel. Dever vê aqui um ‘proto-Israel”. pp. 6274. 1998. Gazer foi tomada. o importante é que. Ascalon está deportada. 2001.. L.. [6]. uma referência geográfica.embora tenha acrescentado uma nota na terceira edição do livro. Sheffield. enquanto outros. (ed. o texto de Herbert Niehr em GRABBE. Para Niels Peter Lemche. Ah. a estela de Merneptah atesta a presença desta entidade nas colinas do norte da Palestina e isto pode ter relação com o posterior surgimento do reino de Israel nesta região[7]. seja qual for a natureza deste “Israel”. Petrópolis. R.. John Bright. convido o leitor a ler o artigo A História de Israel no Debate Atual. 156-165. Israel está aniquilado e não tem mais semente. 71. tentando desligar este “Israel” da referência bíblica. Cf. Yanoam está como se não existisse mais. Can a ‘History of Israel’ Be Written? pp. pp. por exemplo. Sobre a ruptura do consenso e as várias etapas da pesquisa. Louisville. e assim por diante. enquanto outros pensam que seja um grupo nômade das montanhas da Palestina. [4]. de Niels Peter Lemche. Esta é a primeira menção de Israel em documentos extrabíblicos que conhecemos.). The Israelites in History and Tradition. traduziram o termo egípcio por Jezrael. . O Haru [=Canaã] está em viuvez diante do Egito. viu a inscrição como seguro testemunho de que Israel já estava na Palestina nesta época . 19952. Canaã está privada de toda a sua maldade. Mas a maioria lê mesmo o termo “Israel” na estela. Mas a identificação de quem ou o que é este “Israel” não é nada simples e tem gerado muitas controvérsias. P. Só que alguns acham que é um grupo étnico bem definido. 38-43. Vozes. In Search of ‘Ancient Israel’. Cf. o Hatti está em paz. L.[=Líbia] está devastado. tanto pode ser aos suprimentos agrícolas quanto à descendência! Mas quando e como surgiu Israel como Estado na região? NEXT [3].e William G. em 1981. [5]. Westminster John Knox. DAVIES. Sheffield Academic Press [1992]. Ou uma versão mais resumida em Estudos Bíblicos n. dizendo que este Israel pode ser pré-mosaico e não o grupo do êxodo .

Cf. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. em FREEDMAN. de um Império davídico/salomônico e que traz dez conferências de renomados especialistas apresentadas em um Colóquio Internacional realizado em Jerusalém sobre A Formação de um Estado.7. Claessen e outros estabeleceram que para se explicar a origem de um Estado é preciso considerar a emergência de vários fatores. pela transformação da posse comum da terra em propriedade privada dos . o desenvolvimento da produção e o aparecimento do excedente. BRIGHT. N. as guerras e as ameaças de guerras. G. D. pp.[7]. Christa vai distinguir três fases de desenvolvimento do Estado primitivo: o estado primitivo incoativo. DEVER. Problemas Históricos. 145-146. pp. História de Israel. Seguindo especialmente Henri Claessen. A Questão Teórica: Como Nasce Um Estado Antigo? Sem dúvida. Archaeology and the Israelite “Conquest”. a cobrança de tributos. The Israelites in History and Tradition. New York. a questão da origem dos antigos Estados Israelitas passa pela discussão da noção de Estado como forma de organização política. Max Weber e Henri Claessen. 35-38. especialmente. o estado primitivo típico e o estado primitivo de transição. J. (ed. W.... tais como o crescimento da população e suas necessidades. o surgimento de uma ideologia comum e conceitos de legitimação dos governantes. No volume de 1996. O processo de desenvolvimento de uma fase para outra passa pelo enfraquecimento dos laços de parentesco e o fortalecimento das ações políticas centralizadas. no qual é apresentada a recente controvérsia sobre a existência ou não de uma monarquia unida em Israel e.. as conquistas e invasões. N. P. 3. 1997. Doubleday & Logos Library System. além da influência dos Estados vizinhos já existentes. LEMCHE. Davies sobre As Origens dos Antigos Estados Israelitas.). a alemã Christa Schäfer-Lichtenberger sugere que somente a arqueologia não resolverá esta discussão. 1992. Arqueológicos e Sociológicos no Período da Monarquia Unida em Israel. Ela questiona a aplicação pura e simples do conceito moderno de “Estado” às formas de organização política das comunidades antigas como forma de se desvelar sua existência e parte para uma discussão teórica na qual tentará definir a noção de Estado a partir dos estudos etnosociológicos de Georg Jellinek. editado por Volkmar Fritz & Philip R.

considerando sete critérios usados tanto por Weber como por Claessen. nada registraram c) Os textos não sobreviveram porque foram registrados em papiros d) Os escritos ainda não foram encontrados. 1200-900 a. elas estariam em Jerusalém. cada uma independente da outra: a) Não existiu uma entidade política de nome Israel nesta época b) Síria/Palestina. E.) pode ter quatro causas. ideologia comum e conceitos de legitimação . embora já possua algumas características de estado primitivo típico. independência política e ideologia. Christa é de opinião que as causas b e d oferecem uma explicação suficiente para o silêncio do Antigo Oriente Médio. para a autora. fortalecendo o antagonismo de classes. Christa vai classificar o reino de Saul como um estado incoativo e o reino de Davi como um estado heterogêneo. território. estratificação social e produção de excedente. Christa trata também da ausência de monumentos e inscrições em monumentos nesta época na região e justifica tal ausência dizendo que não se deve colocar Judá-Israel no mesmo nível do Egito ou da Assíria. segundo a autora. pois Estados com estruturas pequenas ou médias não podem ser medidos pelos mesmos critérios de grandes impérios. pelos critérios de governo centralizado.meios de produção e pela substituição de uma economia de trocas de bens e serviços em uma economia de mercado. até o desenvolvimento de especializações por parte de oficiais estatais. ele já é um estado de transição. o estabelecimento da taxação regular e constante. onde dificilmente teriam sobrevivido . onde tais achados arqueológicos são comuns. Em seguida. território. a codificação de leis e a constituição de estruturas jurídicas controladas pelo poder central. – população. governo centralizado.e usando os dados do Deuteronomista. mas pelos critérios de população. independência política. E mesmo que inscrições em monumentos tenham existido. produção de excedente e tributos. é ainda um estado incoativo.C. estratificação. por isso. pois este último. Egito e Assíria não conseguiram hegemonia política sobre esta região nesta época. como se explica a ausência de documentos escritos extrabíblicos sobre um reino unido? Christa diz que a ausência de documentos escritos no Antigo Oriente Médio sobre Israel na Idade do Ferro I (ca. e.

É um embrião de divisão de classes. através do desenvolvimento das forças produtivas. por exemplo) e da dominação de uma linhagem superior que se impõe sobre as outras (família do líder. do primogênito sobre seus irmãos. anterior ao Estado. passa-se a uma economia tribo-patriarcal baseada em certa hierarquização que permite a acumulação para determinadas camadas: há os privilégios dos homens sobre as mulheres. construção de muralhas. Thompson desconfiado e Niels Peter Lemche contrariado! Para ficar ainda no campo da discussão teórica. Neste tipo de sociedade a escravidão só existe de maneira secundária: o peso da produção não cai sobre os escravos. Da economia de auto-subsistência. . mas o restante deixa uma sensação de “dèjá vu”! As categorias sócio-antropológicas da autora sobre o Estado me parecem insuficientes – especialmente quando confrontadas com as várias tentativas marxistas na área – e ela não escapa de uma leitura do Deuteronomista como sua fonte principal. A mãode-obra é familiar. Aliás. No mínimo. pois a propriedade coletiva da terra. detectável em Israel já no período conhecido biblicamente como "dos juízes". na sociedade tributária o comércio é possível só a partir da acumulação do excedente feita pelo Estado. deixaria Thomas L. de grande obras etc). como Davi e seus descendentes) e que passa a controlar também o comércio intertribal. que inicialmente é uma função (de defesa. dizem especialistas de tendência marxista que analisam as sociedades de tipo tributário (também chamadas "asiáticas". através da necessidade de obras conjuntas (defesa contra inimigos. Da economia tribo-patriarcal passa-se à economia do Estado tributário. As contradições da sociedade tribal aumentam progressivamente até provocarem o aparecimento do Estado. Tem-se a impressão de que a leitura da OHDtr é que oferece as categorias etnosociológicas para a análise e não o contrário. mas que passa a ser uma exploração. que continua como na época tribal. porque mais comuns naquele continente) que a sociedade tribal de tipo patriarcal já representa uma forma típica de transição da comunidade primitiva para a sociedade de classes. torna-os desnecessários. das tribos líderes sobre as outras tribos etc. trabalhos de irrigação. O estudo é interessante quando questiona algumas posturas pouco elaboradas teoricamente de certos especialistas.às reformas religiosas de reis como Josias – por conterem nomes de outras divindades além de Iahweh – ou às maciças destruições militares de que a cidade foi vítima[8].

A terra pertence a Iahweh em Israel. O indivíduo passa assim. do qual já falamos acima. editado por Volkmar Fritz & Philip R. testemunhados pela Assíria. onde no topo encontramos o patrono [patron]. 3. A grande contradição interna desta organização: coexistência de estruturas comunitárias e de estruturas de classe.8. E Lemche define como típico de uma sociedade patronal sua organização vertical. e abaixo dele seus clientes [clients]. Davies sobre As Origens dos Antigos Estados Israelitas. propõe o conceito de sociedade patronal [patronage society] para explicar a variedade social da Síria. 1500-1200 a. . normalmente homens e suas famílias. Grabbe nos lembra. na conclusão do volume sobre o primeiro Seminário Europeu sobre Metodologia Histórica. as sociedades tributárias ficam estagnadas no seu nível social. O Estado é conseqüência da exploração de classe. mas que não constituíam ainda Estados burocráticos. controlando a vontade da divindade através dos sacerdotes. assim como de um ‘reino de Judá’. organização etc) passa. por duas mediações: da comunidade tribal a que pertence e do Estado tributário[9]. ele não é a sua causa. ninguém negou a existência de um ‘reino de Israel’. e a outra é a de que ‘Israel’ deve canalizar e dominar o estudo da região na antigüidade. é que se buscam outras soluções.Assim. o Estado tributário que inicialmente nascera com funções públicas (defesa. O despotismo do governo é também uma conseqüência da formação de classes. As Soluções de Lemche e de Finkelstein & Silberman Lester G. que durante as discussões em Dublin. mas o Estado detém o poder religioso através dos templos. Se ela não evolui. A descrição bíblica de um grande Império israelita foi tratada com muito ceticismo [sublinhado meu]. mas os participantes do seminário fizeram objeções a duas concepções: uma é a de que o construto literário do ‘Israel bíblico’ pode ser diretamente traduzido em termos históricos. pouco a pouco. um membro de uma linhagem líder. no volume de 1996. Por tudo isto.). freqüentemente chamado de ‘sistema social mediterrâneo’ parece ter sido onipresente em sociedades com um certo grau de complexidade. Como a de Niels Peter Lemche que. na sociedade tributária.C. profetas e juízes pagos pelo governo. e especialmente da Palestina. Este modelo. no Período do Bronze Recente (ca. em 1996. a ser um autêntico poder de classe (a classe que se constitui nele) para manter e aumentar a exploração.

a crise se abateu sobre o "império" davídico-salomônico. o restabelecimento de um sistema patronal semelhante ao anterior[10]. Daí. o Estado egípcio não os vê do mesmo modo e os trata de modo impessoal. Descrevendo as características do território de Judá. no capítulo sobre a monarquia davídico-salomônica de seu livro The Bible Unearthed. New York.Lemche explica que a ligação entre patrono e cliente é de tipo pessoal. E a proposta de Lemche para o que pode ter acontecido é a seguinte: as fortalezas do patrono foram substituídas por estruturas locais. segundo Lemche.C.C. por povoados. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. porém. houve uma crise social na Palestina no final do Bronze Recente. Hoje. simplesmente. a (falsa) percepção dos pequenos reis das cidades de Canaã de que foram abandonados pelo faraó. 123-145. um intervalo entre dois períodos de sistemas patronais mais extensos e melhor estabelecidos. os argumentos pró e contra a postura dos minimalistas. a partir desta realidade: os senhores das cidades-estado palestinas vêem o faraó como seu patrono e reivindicam sua proteção em nome de sua fidelidade. Portanto. com juramento de lealdade do cliente ao patrão e de proteção do patrono para o cliente. nos lembram como. até recentemente. o aparecimento dos povoados da região montanhosa do centro da Palestina representa. Já Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman. de fato. A crise da Palestina que aparece nas Cartas de Tell el-Amarna (século XIV a. . seguindo normas burocráticas. 2001. pp. Sem dúvida. E se perguntam: Davi e Salomão existiram? Mostram como os minimalistas dizem: "não". foi. concluem que este permaneceu pouco desenvolvido. organizados sem um sistema de proteção como o do patrono – o assim chamado ‘rei’ – ou com patronos locais.) pode ser explicada. The Free Press. Davi e Salomão representam uma idade de ouro. para os leitores da Bíblia. enquanto que para os estudiosos representavam. o primeiro período bíblico realmente histórico. escassamente habitado e isolado no período atribuído pela Bíblia a Davi/Salomão: é o que a arqueologia descobriu. que não está cuidando de seus interesses na região. e colocam aquela que é para eles a questão chave: o que diz a arqueologia sobre Davi/Salomão? Para Finkelstein e Silberman a evolução dos primeiros assentamentos para modestos reinos é um processo possível e até necessário na região. códigos de leis não são necessários: ninguém vai dizer ao patrono como julgar. Pois o que aconteceu no século X a. Em tal sociedade.

Meguido. na Jerusalém das Idades do Bronze e do Ferro mostram que não há nenhuma evidência de uma ocupação no século X a. na mesma época seria composto por cerca de 20 pequenos povoados e poucos milhares de habitantes. ou até mesmo cidades cananéias maiores como Gezer. Yadin escava novamente Meguido e faz a descoberta de um belo palácio que parecia ligado à porta da cidade e abaixo dos "estábulos". nada foi encontrado. um grande império davídico. nas décadas de 20 e 30. portanto. só aparecem no século IX a. Também a chave aqui foi 1Rs 9. E o contraste entre Meguido e Jerusalém? Como um rei constrói fabulosos palácios em uma cidade provincial e governa a partir de um modesto povoado? . estas "portas salomônicas" de Hasor. Yigael Yadin descobriu. Y.C. Mas o modelo arquitetônico dos palácios salomônicos veio dos palácios bit hilani da Síria. O. ou identificou nas descobertas de outros. rei de Israel do norte no século IX a. isto era atribuído a Davi por causa das narrativas de Samuel. descobriu. o Melo e o muro de Jerusalém. Sua interpretação dos edifícios achados se baseou em 1Rs 7.. da Universidade de Chicago. dificilmente. Teoricamente é possível que os israelitas da região montanhosa tenham controlado pequenas cidades filistéias como Tel Qasile. Durante muitos anos. Guy.C. nas décadas de 70 e 80. na década de 60.9. "Como poderiam os arquitetos de Salomão ter adotado um estilo arquitetônico que ainda não existia?". os "estábulos" de Salomão. em qualquer lugar em que se encontravam cidades destruídas por volta do ano 1000 a.19. que diz: "Eis o que se refere à corvéia que o rei Salomão organizou para construir o Templo de Iahweh. Gazer [=Gezer]". Gezer e Meguido. da Universidade Hebraica de Jerusalém.E Jerusalém? As escavações de Yigal Shiloh.15. pelo menos meio século após a época de Salomão. tendo havido. Mas.C.15.C. bem como Hasor. A postura mais otimista aponta para um vilarejo no século décimo. Mas será que o fizeram? E o glorioso reino de Salomão? Em Jerusalém. Gezer e Meguido foram o mais poderoso suporte arqueológico ao texto bíblico. Hasor e Gezer? Em Meguido P. Na década de 50. e estes. seu palácio. enquanto que o resto de Judá. Mas e as conquistas davídicas? Até recentemente. se perguntam os autores na p. enquanto que os "estábulos" seriam da época de Acab. mas e Meguido. escavada por Benjamin Mazar em 1948-1950. se descobriu. o que o leva à seguinte conclusão: os palácios [a Universidade de Chicago encontrara outro antes] e a porta de Meguido são salomônicas.12. L. 140. Meguido ou Bet-Shean. as "portas salomônicas" de Hasor.

Mas. do século IX a. estas evidências começaram a desabar [aqui os autores remetem o leitor ao Apêndice D. qual era a natureza do reino de Davi?" (p..C.. Há. e se não existiu um grande império. dizem Finkelstein e Silberman na p. 140: "Agora nós sabemos que a evidência arqueológica para a grande extensão das conquistas davídicas e para a grandiosidade do reino salomônico foi o resultado de datações equivocadas". com grupos continuando o pastoreio. pelo menos. Gezer e Meguido testemunhavam o reino de Salomão. O quadro é o seguinte: região rural. Arqueologicamente. do ponto de visto demográfico. 340-344.. por último. fundamentava as conquistas davídicas.. Dizem os autores: "Não há razões para duvidarmos da historicidade de Davi e Salomão. segundo. cerca de 40 mil habitariam os povoados do norte e apenas 5 mil se distribuíam entre Jerusalém. nenhum sinal de uma estrutura cultural necessária em uma monarquia.e que sua lenda perdurou" (p. de fato. povoamento mais denso. pp. mais escasso. de Jerusalém para o norte. . nem cidades com palácios. entretanto. nem uma magnífica capital.. Davi e seus descendentes? "No século décimo. de Davi e Salomão só podemos dizer que eles existiram . e as construções das monumentais portas e palácios de Hasor.. Enfim: a arqueologia mostra hoje que é preciso "abaixar" as datas em cerca de um século [anoto aqui que esta "cronologia baixa" de Finkelstein tem dado muito o que falar nos meios acadêmicos!]. e. onde os seus argumentos são mais detalhados]. de Jerusalém para o sul. sim. seu governo não possuía nenhum império. a cerâmica filistéia continua após Davi e não serve mais para datar suas conquistas..C. nem uma espetacular capital..Pois bem. estimativa populacional: dos 45 mil habitantes da região montanhosa. nenhum documento escrito. muitos motivos para questionarmos as dimensões e o esplendor de seus reinos. Gezer e Meguido atribuídos à época salomônica são.. Nós últimos anos. testes com o Carbono 14 em Meguido e outras localidades apontam para datas da metade do século IX a. 143). O que se atribuía ao século XI é da metade do século X e o que era datado na época de Salomão deve ser visto como pertencendo ao século IX a.. Hebron e mais uns 20 pequenos povoados de Judá. 142). Dois tipos de evidência fundavam os argumentos em favor de Davi e Salomão: o fim da típica cerâmica filistéia por volta de 1000 a. Primeiro. os estilos arquitetônicos e as cerâmicas de Hasor.C.C.. nem monumentos.

Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. (eds. Ph. None of the “minimalist” scholars is aware of being part of a school. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM.. 197-268. 1992.Entretanto. New York. D. C.. 1997. R. São Leopoldo. 2001. História de Israel e dos Povos Vizinhos I. P. Sheffield. N. F.).C. os artigos A História de Israel no Debate Atual e Pode uma ‘História de Israel’ Ser Escrita? CARDOSO.. DAVIES. In Search of ‘Ancient Israel’. FRITZ. em Bible and Interpretation. Sheffield Academic Press. Stuttgart/Berlin/Köln. Rio de Janeiro. Die frühe Königszeit in Israel.. Modo de produção asiático. 1996. S. DONNER. H.). The Origins of the Ancient Israelite States. R. 144) Leituras Recomendadas Ayrton’s Biblical Page: Cf. or a group. Jahrhundert v. V. New York. DIETRICH." and Anti-Semitism. 10.. Kohlhammer.). acabara com o ciclo idolátrico da época dos Juízes e concretizara a promessa feita a Abraão de um vasto e poderoso reino. Sinodal/Vozes. Rio de Janeiro. Então. Doubleday & Logos Library System. N. Chr. pp. Uma bem elaborada teologia ligava Josias e o destino de todo o povo de Israel à herança davídica: ele unificara o território. . “Minimalism” is an invention. The Free Press. Jerusalém tinha todas as estruturas de uma sofisticada capital monárquica. GEBRAN. (org. 19952. 2002. Sheffield Academic Press [1992]. The Bible Unearthed. (ed. "Ancient Israel. o ambiente desta época é que serviu de pano de fundo para a narrativa de um mítica idade de ouro. (org. 1997 FINKELSTEIN. Sheffield. Minimalism. P. Campus. 1997 [20043]. P. I. Josias era o novo Davi e Iahweh cumprira suas promessas "O que o historiador deuteronomista queria dizer é simples e forte: existe ainda uma maneira de reconquistar a glória do passado" (p. & SILBERMAN. Conceito de modo de produção.. & DAVIES. FREEDMAN. W. A. quando o Deuteronomista escreveu sua obra no século VII a. DAVIES. 1990.). R.. Nova visita a um velho conceito.

Westminster John Knox. (eds. SCHÄFER-LICHTENBERGER. 20049. PIXLEY. Conceito de modo de produção. 1997. um pressuposto não discutido aqui.). Petrópolis. Cf. toda a discussão sobre as origens dos Estados israelitas passa também pela discussão anterior sobre as origens de Israel. L. Sheffield Academic Press. M. pp. 1996. (ed. VAN SETERS. L. et alii. P.). GRABBE. mas que pode ser visto em detalhes no artigo A História de Israel no Debate Atual. 131-155. Petrópolis. Cf. The Origins of the Ancient Israelite States. Sheffield. The Israelites in History and Tradition. NEXT [8].. A História de Israel a Partir dos Pobres. O Reino de Israel . pp. 1999. em GEBRAN. [9]. LEMCHE.. J. Can a ‘History of Israel’ Be Written? Sheffield. Ph. N. 22-36. V. E. em FRITZ. Louisville. C. Rio de Janeiro. Vozes. Sheffield Academic Press. (eds. P. N. Trabalhador e trabalho. 78-105. 106-120. LEMCHE. 1978. 1996. R. 1986. P. The Pentateuch. Do modo de produção asiático ao modo de produção capitalista. 11. Estudos Bíblicos n. From Patronage Society to Patronage Society. SCHWANTES. Vozes. Cf.). R. [10]. Como parece ter ficado claro. Paz e Terra. Sociological and Biblical Views of the Early State..Paz e Terra. Kentucky. FIORAVANTE. Sheffield Academic Press... & DAVIES. A Social-Science Commentary. P.. The Origins of the Ancient Israelite States. & DAVIES.). 1978. (org. Sheffield. pp. Sheffield. V. pp. J. 4. em FRITZ. Sheffield Academic Press. 1998.

C.. Samaria ou ainda Efraim. O norte. Roboão (931-914 a. podemos anotar que o processo de sucessão de Salomão não foi bem visto. Roboão quis partir para a repressão armada. em 931 a.C.. especialmente porque o norte tinha consciência da exploração a que era submetido pelo poder central e levantou. em 722 a.C. com a morte de Salomão. Inicialmente nem guerra houve entre os dois países irmãos. responderam-lhe: 'Eis o que dirás a este povo (. "Disseram assim a Roboão: 'Teu pai tornou pesado o nosso jugo. Proclamado rei em Judá.).3-11). então eles serão para sempre teus servidores'. um nobre da tribo de Efraim e inimigo de Salomão.).) Os jovens. mas foi desaconselhado. Mas ele rejeitou o conselho que os anciãos lhe deram e consultou os jovens que foram seus companheiros de infância e o assistiam. . Perguntou-lhes: 'Que aconselhais que se responda a este povo' (. caso fossem retiradas as pesadas leis impostas ao povo por seu pai Salomão. seus companheiros de infância.Segundo o texto bíblico. mas eu aumentarei ainda o vosso jugo.. eis o que lhes responderás.) O rei Roboão consultou os anciãos que haviam auxiliado seu pai Salomão durante sua vida. Roboão não aceitou as condições e foi a gota d'água.1.. que se encontrava exilado. se te submeteres e dirigires boas palavras. desabou a unidade do reino. A Rebelião Explode e Divide Israel Para começar.. alivia a dura servidão de teu pai e o jugo pesado que ele nos impôs e nós te serviremos' (. e eu vos açoitarei com escorpiões!' " (1Rs 12. pois assim debilitados viram-se ameaçados pelos inimigos externos e deixaram suas rixas para acertar mais tarde. constituído pelas 10 tribos rebeldes. Quando o norte se rebelou. foi a Siquém para que o norte o aclamasse senhor também das outras tribos. separou-se do Estado davídico que permaneceu em Judá. escolheu para seu rei a Jeroboão. os israelitas impuseram-lhe uma condição: aceitariam o seu governo. chamado doravante simplesmente de Israel. meu pai vos castigou com açoites. agora chamado de Israel. Israel do norte. a bandeira da rebelião. filho de Salomão. 'Meu dedo mínimo é mais grosso que os rins de meu pai! Meu pai vos sobrecarregou com um jugo pesado. até ser massacrado pelo poderoso Império assírio.. então. Em Siquém.. E o reino do norte existiu durante 209 anos. agora. e perguntou: 'Que me aconselhais a responder a este povo?' Eles lhe responderam: 'Se hoje te sujeitares à vontade deste povo. 4. Podemos seguir o desenrolar dos acontecimentos a partir do capítulo 12 do primeiro livro dos Reis.

os nortistas rejeitaram também o Templo e as peregrinações nas grandes festas. E quem saía perdendo. A incerteza quanto à localização da capital e ainda o perigo da pressão estrangeira (Fenícia. e Betel. Rejeitando o governo de Jerusalém. tanto Israel quanto Judá eram fracos demais para dominar seus vizinhos. Israel caracterizou-se pela instabilidade política. como sempre.Jeroboão escolheu a cidade de Siquém para capital do seu reino. tanto o norte quanto o sul perderam. a capital definitiva. como dizem ter feito Davi e Salomão. teve 19 reis de diferentes dinastias que se sucederam com golpes de Estado. todas as suas possessões estrangeiras: definitivamente os tempos do Israel forte haviam acabado. no extremo norte. embora a intenção do rei fosse apenas reavivar o culto naqueles santuários. Os mesmos camponeses e pescadores antes explorados pelo sul. foi construída Samaria. E isto deu o que falar. segundo o texto bíblico. no sul. Reis de Israel Nome Jeroboão I Nadab Baasa Ela Zimri Omri Acab Ocozias Jorão Data 931-910/9 a.C. Para substituir o Templo e mesmo para evitar que o povo fosse a Jerusalém e passasse para o lado de lá. perto de Jerusalém. Para o sul. Divididos. passaram a sê-lo pelo norte. onde permaneceu apenas 5 anos. Jeroboão construiu dois touros de ouro e colocou-os em antigos santuários: Dan. Transferiu-a seguidamente para Penuel e Tirsá. No curto espaço de 209 anos. 910-909 909/8-886 886/5-885 885/4 885/4-874 874/3-853 853-852 852-841 Duração 21 anos 2 anos 22 anos 2 anos 7 dias 11 anos 21 anos 2 anos 11 anos . sob outro rei. já era a idolatria que dominava o norte. Só mais tarde. era o povo. assassinatos e chacinas várias. Por outro lado. Síria e Assíria) fizeram do novo país um foco de problemas e de crises sucessivas.

Porém. leia o episódio exemplar da vinha de Nabot (1Rs 21). O rei .C. que. para capital do reino e desenvolveu bastante o país. filho de Omri. foi um válido artífice da paz com Judá. Quem quiser conferir. Levou vantagem no confronto com Moab e com os arameus de Damasco. casando seu filho Acab com Jezabel.. Omri.C..e sua gloriosa corte .. Faltava dinheiro no país? O povo precisava de empréstimos? Os privilegiados emprestavam a juros exorbitantes. Nadab foi assassinado por Baasa. como sempre. em "suaves prestações". Sob Acab.puxava a procissão das explorações. Omri construiu Samaria em 880 a. que deu um golpe militar em 885 a. seu filho Ela foi também assassinado por Zimri. Israel de Jeroboão I a Jeroboão II De Jeroboão I a Omri (cerca de 50 anos) houve muita instabilidade em Israel. quando viu a morte trazida pelo general Omri.Jeú Joacaz Joás Jeroboão II Zacarias Salum Menahem Pecahia Pecah Oséias 841-813 813-797 797-782 782/1-753 753 753/2 753/2-742 742/1-740 740/39-731 731-722 28 anos 16 anos 15 anos 29 anos 6 meses 1 mês 11 anos 2 anos 9 anos 9 anos[1] 4. Para termos uma idéia da situação: a partir desta época ficou muito comum o camponês se vender ao rico credor para saldar suas dívidas. trabalhando como escravo. Houve também vários conflitos com Judá por causa das fronteiras. por sua vez. O intenso comércio com a Fenícia aumentou a riqueza da classe dominante em Israel. se suicidou. a situação do povo era muito difícil. A lavoura não produzia quando a seca era forte? Os ricos vendiam mantimentos à população camponesa. rei de Tiro. . filha de Etbaal. Ou entregava seus filhos.2. Fez aliança com a Fenícia. o progresso do país empobrecia largas camadas da população e levava a exploração classista ao máximo.

. o rei de turno. bom militar. levou a fronteira norte de seu país onde anteriormente a colocara Salomão (2Rs 14. que a idolatria e o abandono do javismo era um problema muito sério. por sua vez. o mais sério deles sendo a exploração da maioria da população. vai lutar com todas as forças contra tamanha deterioração do javismo e de seus ideais de justiça. cresce bastante nesta mesma época . O profeta Elias. Isto era costume naquela época. Esta. Jeroboão II. que prontamente percebeu o perigo por ele representado contra o seu culto e os seus privilégios. como demonstra o significado de seu nome (Elias = só Iahweh é Deus). assassinando toda a família de Jorão. A Síria fora vencida pela Assíria. sob o governo de Ozias.também Judá. E então. Resultado: por todo o país proliferaram os sacerdotes de Baal. livres de pressões maiores. embora de forma lendária e extremamente carregadas pelas cores teológicas do Deuteronomista. em 841 a. de âmbito nacional e causador de todos os males que dominavam o país. contemporâneo de Acab.) o país se recupera . Mas com a subida ao trono de Jeroboão II (782/1-753 a. Mas Jezabel arrastou a corte toda e a aristocracia atrás de si neste culto. Encontrando muita oposição entre as autoridades religiosas e entre o próprio povo explorado.graças a uma série de circunstâncias favoráveis. inclusive as regiões da Transjordânia até Moab. Elias tornou-se no seu tempo um símbolo da fidelidade a Iahweh. Perseguido pela rainha Jezabel.C. segundo a interpretação deuteronomista dos livros dos Reis.C.23-29). Até aí tudo bem. Tomou Damasco e submeteu a Síria. Havia paz entre os dois reinos irmãos. Jeú e seus descendentes enfrentaram graves problemas na política externa: Jeú pagou tributo ao rei assírio Salmanasar III e perdeu a Transjordânia para Hazael. a dinastia de Omri vai cair de maneira violenta: Jeú. Elias faz ver ao povo. os dois reinos começaram a sua expansão. dá um golpe militar sangrento. atravessava um período de dificuldades. com a aprovação do profeta Eliseu. Originário do Galaad. Suas ações estão narradas em 1Rs 17-22 e 2Rs 1-2. rei de Damasco.. Acab construiu um templo para sua mulher Jezabel cultuar seu deus Baal.Em Samaria.

Porém. enquanto os tribunais. mais uma vez.Israel controlou as rotas comerciais de então. a religião javista foi sendo colocada de lado em favor de outros deuses menos exigentes quanto à justiça e à igualdade social. Nesta época.) e Oséias (755-725 a. 760 a. Os pequenos agricultores. bem providos do bom e do melhor. o povo.C. Em Samaria os arqueólogos encontraram os restos de esplêndidos edifícios. só achavam a razão do lado dos ricos. viam-se nas mãos de seus credores. Criaram-se extremos de riqueza e de pobreza. O sistema administrativo adotado por Jeroboão II foi aquele mesmo próspero e injusto de Salomão: concentração da renda nas mãos de poucos com o conseqüente empobrecimento da maioria da população. regados a bom dinheiro.C. À desintegração social somou-se a religiosa. Com os santuários cheios de adoradores. os profetas Amós (ca. endividados.. . provas da riqueza alcançada..) destacaram-se na denúncia da situação em que se encontrava Israel.

designa as principais vítimas da opressão na sua época. ao lado de qualquer altar.6-8 Assim falou Iahweh: Pelos três crimes de Israel. pelos quatro. terra e liberdade com a política expansionista de Jeroboão II. com os termos tsaddîq (justo). Eles esmagam sobre o pó da terra a cabeça dos fracos (dallîm) e tornam torto o caminho dos pobres ('anawim) . pobre. . não o revogarei! Porque vendem o justo (tsaddîd) por prata e o indigente ('ebyôn) por um par de sandálias. um homem e seu pai vão à mesma jovem para profanar o meu santo nome. Amós aponta o pequeno camponês. na casa de seu deus. Amós. Eles se estendem sobre vestes penhoradas. dal (fraco) e 'anaw (pobre). e bebem vinho daqueles que estão sujeitos a multas.Am 2. 'ebyôn (indigente). Sob estes termos. com o mínimo para sobreviver e que corre sério risco de perder casa.

estendidos em seus divãs. são os que vivem no luxo e na boa vida (6.4-6 Eles estão deitados em leitos de marfim.10). são os que controlam o comércio (8. .4-6). são os que aceitam suborno na administração da justiça (5.12). são os que constroem boas casas e plantam excelentes vinhas (5. "Amós. identifica os opressores com os que detêm o poder econômico. comem cordeiros do rebanho e novilhos do curral. inventam para si instrumentos de música. improvisam ao som da harpa. político e judicial"[2] . Enfim.11). são as senhoras da alta sociedade (4. segundo Amós. Estes são.Am 6. como Davi. São os que vivem em palácios e acumulam (3. como outros profetas após ele.4-6). os opressores de sua época. mas não se preocupam com a ruína de José.1). bebem crateras de vinho e se ungem com o melhor dos óleos.

a raiz mais profunda do mal é a falta de conhecimento de Deus. mentira. adultério e violência. O homem fenece. NEXT . Que não é conhecimento intelectual ou cultual. Por isso a terra se lamentará. adultério.1-3 Ouvi a palavra de Iahweh. filhos de Israel. As feras. as aves dos céus e até os peixes do mar. nem conhecimento de Deus (da'at 'elohîm) na terra. porque não há fidelidade (‘emeth) nem solidariedade (hesedh). Portanto. homicídio a morte.Os 4. pois Iahweh vai abrir um processo contra os habitantes da terra. segundo Oséias. que se manifesta como ausência de fidelidade ('emeth) e solidariedade (hesedh) as desordens sociais. roubo. Oséias está dizendo que o problema em Israel é que não há mais espaço para os valores do javismo e isso causa a desagregação da sociedade. Temos aqui três categorias negativas superpostas: o o o a falta de conhecimento de Deus (da'at 'elohîm). os pássaros e os peixes desaparecem. desfalecerão os seus habitantes e desaparecerão os animais selvagens. causadas pela falta de conhecimento: perjúrio. e o sangue derramado soma-se ao sangue derramado. assassínio. É a experiência ou vivência do javismo que está em jogo. Mas perjúrio e mentira. com a desagregação do universo. assassínio e roubo.

C. de 731a 722 a.C. Todos eles estão quentes como um forno.. São Paulo. os senhores de escravos. pp.C. p. filho de Jeroboão II. abalado por assassinatos e golpes sangrentos. O profeta Oséias lamenta o golpismo da época: "No dia de nosso rei. governou 6 meses (753 a. segundo Amós. governou de 740/39 a 731 a. . reinou de 742/1740 a. pela manhã ela arde como uma fogueira. são: os sacerdotes (Templo). 200. Pecahia e Pecah): o o o o o o Zacarias. Sinodal/Vozes./VOGT. e ele estendeu a sua mão aos petulantes quando se aproximaram. os juízes..3. Roma. [2]. a noite inteira dorme a sua ira. Meditações e Estudos. os príncipes ficaram doentes pelo calor do vinho. e foi assassinado Pecah (= Facéia). De 753 a 722 a. A Assíria Vem Aí: Para Israel é o Fim Com a morte de Jeroboão II desabou tudo o que ainda restava em Israel. filho de Ela. filho de Menahem. L. filho de Romelias. Oséias. Houve 4 golpes de Estado (golpistas: Salum. Amós.) já teria começado a pagar tributo à Assíria Pecahia (= Facéias). assassinou Pecah e foi o último rei do norte. Pecah e Oséias) e 4 assassinatos (assassinados: Zacarias. Seu coração é como um forno em suas insídias. V. Estou seguindo a de PAVLOVSKY. Paulus. os cidadãos (os habitantes da cidade).C. 1990. SCHWANTES. em Biblica 45 (1964). Cf. seis reis se sucederam no trono de Samaria. A justiça social nos profetas. Die Jahre der Könige von Juda und Israel. Menahem.): foi assassinado Menahem ben Gadi (753/2-742 a.. São Leopoldo/Petrópolis. 321-347. 36-48 diz que os opressores de Israel. Salum. 1987.C.) e foi assassinado Salum ben Jabes governou 1 mês (753/2 a. SICRE. M. apesar de tudo. J.C.C. o exército. Há várias cronologias possíveis para o período dos reis. pp. E.[1]. 4.

Ele começou por resolver os problemas com os babilônios no sul da Mesopotâmia.C.5-7). Foi um imposto per capita que atingiu cerca de 60 mil proprietários de terras. sabiamente não quis.devoram seus juízes.C. queria que Judá se aliasse a ele.C. Em Judá reinava Acaz. Isto foi no ano de 734 a. o rei de Damasco e o rei de Israel invadiram Judá pelo norte e cercaram Jerusalém. Não há entre eles quem me invoque" (Os 7. Israel começou a pagar-lhe tributo possivelmente já sob o governo de Menahem. os filisteus e outros. Os edomitas. Os filisteus. E o oficial que subiu ao poder imediatamente tornou-se chefe de uma coalizão anti-assíria que congregava a Síria. Pacificou os medos no norte do Irã. Em seguida. este era seu nome. Tiglat-Pileser III já submetera grande parte da Síria e da Fenícia.C. Em 745 a. Depois. conquistando algumas cidades de Judá. tomou Urartu. Em 738 a. ao norte. Invadiram o Negueb e a planície da Shefelah. e é a chamada guerra siro-efraimita. contra a qual efetuou várias campanhas a partir de 743 a. dominando-os. Todos os seus reis caíram. subiu ao trono assírio um hábil rei: Tiglat-Pileser III. Derrotaram as tropas de Judá em Elat e destruíram a cidade. Por que a Assíria ambicionava a região? Por causa: o o o o da madeira e dos recursos naturais do Egito. Judá. Pecah. Judá foi invadido por três lados e não tinha como resistir. Deste modo. que dependiam de Judá. aproveitaram a ocasião e declararam sua independência. igualmente não perderam tempo. Mas grupos patrióticos assassinaram em Israel o rei submisso à Assíria. pôde ocupar-se com o oeste: começou pela Síria. o eterno rival da Ásia Menor do controle do comércio do Mediterrâneo. . Então. A grande ameaça internacional era a Assíria. Isaías foi contra este passo e avisou Acaz de que suas conseqüências seriam terríveis. A saída foi pedir o auxílio da Assíria. também dominados por Judá.

como o fazia todo ano. Depois da tempestade. De Israel pouco restara: toda a costa. "Salmanasar. mas conserva a calma e não tenhas medo nem vacile o teu coração diante dessas duas achas de lenha fumegantes. Encontrá-lo-ás no fim do canal da piscina superior. cortando qualquer possível ajuda egípcia. de Aram. Entretanto. Não veio ajuda nenhuma. em 732 a. Pecah de Israel foi assassinado e seu sucessor. por causa da cólera de Rason. contra Israel e saqueou toda a Galiléia e a Transjordânia. na estrada do campo do pisoeiro. pagando-lhe tributo. A destruição foi paralisada. rei da Assíria. Neste ínterim. e do filho de Romelias. Estabeleceu uma base no extremo sul. Depois.Is 7. Faltava só Damasco. O rei Oséias só se submetera à Assíria porque não tinha outra saída. ainda não era tudo. O Egito estava todo dividido e muito fraco. o que se viu foi o seguinte: a Síria não existia mais. Quando Tiglat-Pileser III foi sucedido por Salmanasar V. prendeu o rei. Salmanasar V atacou. submeteu-se imediatamente à Assíria e pagou-lhe tributo. rei do Egito. Oséias pensou ser o momento bom para a revolta. Efraim e o filho de Romelias tramaram o mal contra ti. Foi um suicídio. a Galiléia e o Galaad passaram para a Assíria. Tiglat-Pileser III conquistou-a. Mas o rei da Assíria descobriu que Oséias o traía: é que este havia mandado mensageiros a Sô. Oséias (não se confunda o rei Oséias com o profeta homônimo). Deportou uma parte do povo e destruiu numerosas cidades. Então o rei da Assíria mandou encarcerá-lo e prendê-lo com grilhões. passara a província assíria. e não tinha pago o tributo ao rei da Assíria. Começou a negar o tributo à Assíria e a ligar-se ao Egito. o rei . Tiglat-Pileser III destruiu rapidamente as forças aliadas. em seguida. ocupou o país e cercou Samaria em 724 a. Virou-se. pois que Aram. tu juntamente com o teu filho Sear-Iasub [= um resto voltará]. marchou contra Oséias e este submeteu-se a ele. executou o rei e deportou a população. Tu lhe dirás: Toma as tuas precauções.C. dizendo: 'Subamos contra Judá e provoquemos a cisão e a divisão em seu seio em nosso benefício e estabeleçamos como rei sobre ele o filho de Tabeel'. Começou pela costa e avançou sobre os filisteus desbaratando-os completamente.3-6 Então disse Iahweh a Isaías: Vai ao encontro de Acaz. isto é.C.

de fato. Ignora-se a participação que teve na trama ou em sua repressão. que se desintegra após a morte de Salomão. O Oriente Próximo Asiático.Israel. Pioneira/Edusp. mas há boas razões para se acreditar que sempre houve duas diferentes entidades políticas na região montanhosa de Canaã. Não há evidências de uma monarquia unida governada por Jerusalém. levou ao trono aquele que iria tornar-se um dos maiores reis da Assíria. São Paulo. garantem os autores. em detrimento da autoridade real. pela guerra civil. P. poderia parecer um simples episódio de uma época fértil em tentativas similares. Com a instalação.C. na realidade. este esquema bíblico. em 746 a. tal como se ignora a filiação do novo soberano: enquanto em uma inscrição faz-se .3-6). estabelecendo-o em Hala e às margens do Habor. sempre foi aceito por arqueólogos e historiadores. Para Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman.da Assíria invadiu toda a terra e pôs cerco a Samaria durante três anos. conduzindo ao trono Tiglat-Pileser III. no livro The Bible Unearthed. Sargão II foi quem se encarregou da deportação e substituição da população israelita por outros povos que foram ali instalados. de outros povos e outros costumes chegou para Israel do norte o fim definitivo.. V. e o filho de Salmanasar V. rio de Gozã.C. Samaria caiu em 722 a. no território. e nas cidades dos medos" (2Rs 17. em 827. & NIKIPROWETZKY. Tiglat-Pileser III Resumo de GARELLI. No nono ano de Oséias. 1982. O golpe de Estado. Verdade que não se dera nenhum revés de importância. A Assíria parecia inerte.. mas era nítida a perda de influência.. Ela acusara o triunfo da alta nobreza. Segundo os anais de Sargão II. o rei da Assíria tomou Samaria e deportou Israel para a Assíria. assinala o termo da crise aberta. sem dúvida graças à energia do turtanu Shamshi-Ilu. o verdadeiro fundador de seu império. o número de deportados samaritanos foi de 27.C. estourou uma rebelião em Kalhu. até que. pp. mas está errado. 149-168. Impérios Mesopotâmicos . A revolta que estourou em Kalhu. TiglatPileser III teria que enfrentar a perigosa situação que se desenvolvia nas fronteiras do reino. pp. 87-96. em 746 a. cujo declínio quase arrastava à ruína todo o país. mas.290 pessoas. de uma monarquia unida.

C. Chegou-se a pensar que fosse um usurpador. o rei de Urartu. Imaginou-se. Espírito metódico e audacioso. pode muito bem ter sido de linhagem real. por outro lado. Os vizinhos da Assíria logo se aperceberiam disso. rei de Urartu. Os reis caldeus. o que pode surpreender. na Babilônia central. o que é pouco provável. Tiglat-Pileser III empreendeu uma série de operações militares contra a Babilônia e Namri. que dois anos antes subira ao trono da Babilônia. o que prova que a aparente paralisia do país refletia sobretudo uma crise do poder central. acabara de obter a adesão dos países sírios. dele se fez o tipo de "rei reformador". Pode-se indagar. uma repetição da que Salmanasar III levara a efeito havia um século. Em seguida. aliás. O adversário.C. em política internacional. como Kar-Assur. cujo verdadeiro nome seria Pulu. Nada mais incerto. Sem dúvida o foi. por razões cronológicas. se a intervenção assíria não se devera ao apelo de Nabonassar. Milhares de deportados tomaram a rota da Assíria e foram estabelecidos em novas cidades. mas sabe-se que de 743 a 738 a.passar como filho de Adad-Nirari III. pois assim o designam fontes babilônicas e bíblicas. Tiglat-Pileser precisava garantir sua retaguarda e as grandes vias de comunicação com o Irã e o Golfo Pérsico. os exércitos assírios ganharam a rota do Sul. Na Babilônia. pois. em 745 a. Em parte alguma as tropas assírias bateram-se com as forças de Nabonassar (Nabu-Nasir). e seus aliados. visto que seu principal adversário. é bastante curiosa. Encurraladas de Dur-kurigalzu e Sippar até o Golfo Pérsico. Desde sua ascensão. É possível. ao longo do tigre e do Kerkha (Uknu). tiveram de submeter-se. As conquistas de Tiglat-Pileser III são mal documentadas. pelo menos . a agitação permanecia endêmica. inclusive. esforçavam-se por firmar sua autoridade.C. ele desbaratou a coalizão siro-urártia e se impôs aos dinastas aramaicos. em grande parte era o mesmo: as tribos aramaicas e caldéias. desde muito tempo. ou. bem como em redor de Nippur. A expedição levada a cabo por Tiglat-Pileser III em 745 a. que antes de ajustar contas com Sardur. não tivera lugar com seu assentimento.. em suma. e a personalidade do soberano era visivelmente rica. Seria. mas o fato também pode indicar que o perigo urártio não era tão premente quanto se tenderia a acreditar. precisou transferir sua atenção para os medos e Urartu. durante três anos. uma das listas reais apresenta-o como um dos filhos de Assur-Nirari V. antes de efetuar a . Atribui-selhe demasiado no plano interno. mas só se atribui aos ricos. A verdade é que. porém conseguiram-no de forma bem imperfeita.

com a submissão de dezoito príncipes espalhados nos territórios compreendidos entre Tabal e Samaria. como conservam a independência. Até então. e o infeliz Acaz.C. impedindo qualquer possibilidade de socorro egípcio. eliminar seu importuno vizinho. os soberanos da Assíria. como Salmanasar III. Essa demonstração não bastou para desencorajar todos os vencidos. voltou-se contra Israel. que provocou a dissolução da coligação aramaica. mais uma vez. que dispunham de guarnições permanentes. seria necessário um acordo. explica. ou. o Rio do Egito. a aparente facilidade das vitórias assírias. Pecah foi assassinado por um certo Oséias ben Elá. Tiro. encerrando-se em 738 a. houve raros confrontos de envergadura. que recomeçar tudo. Tudo decidira-se em 743 a. por ocasião de uma vitória decisiva sobre Sardur. Sua derrota incitou os países vizinhos. Acaz. O primeiro a renunciar a tal concepção foi Tiglat-Pileser III. com quem a guerra converteu-se em guerra de conquista: o território ocupado era incluído nos limites da terra de Assur e dividido em províncias dirigidas por bel pihati. sua indestrutível coragem: as revoltas sucederam-se com grande obstinação. e Razon.C. cujo território saqueou.C. viu-se obrigado a apelar para o auxílio do rei da Assíria. que se apressou a pagar tributo. concebiam suas operações ofensivas como expedições destinadas a aniquilar o poderio material de seus vizinhos e recolher despojos. Os vencidos tornavam-se tributários. de Damasco. assim. de conluio com os edomitas. em particular Damasco. em parte. mesmo os mais audaciosos. esperavam uma virada da situação. As tropas assírias estavam. a prestar submissão. Para tanto. Pecah.. de 734 a 732 a.C. Razon conseguiria resistir por três anos. Um elemento relevante.conquista de Damasco e da Palestina. mas. Os dinastas aramaicos manifestariam. o qual agiu prontamente: descendo pela costa. qual seja a política de ocupação permanente inaugurada por Tiglat-Pileser III. em Comagena. oficialmente incorporada ao império em 729 a. a dirigir-se novamente à Babilônia. de Israel. Tiglat-Pileser iria receber seus tributos em Arpade. antes de sucumbir por seu turno em 732 a. que não parecia muito entusiasmado pela aventura. no mínimo.C. aproveitam-se imediatamente da menor dificuldade experimentada pelo poder assírio. ao que tudo indica. a neutralidade do rei de Judá. Ante o desastre. Os conjurados tentaram então.. No decorrer desse vaivém contínuo. Que (Cilícia) e Carquemish. A revolta de Mukin-Zeri forçou-o. apesar das advertências de Isaías (capítulos 7 e 8). então. Havia. a seguir. atingiu Gaza e o Wadi El Arish. Em 740 a.C. .

submetê-las a uma única jurisdição. O rei teria procedido a uma nova divisão das províncias. canalizando as energias assírias para a conquista. Tiglat-Pileser pretendeu. portanto. cabendo indagar se o exército assírio não sofreu uma profunda reorganização. Num único local. no entanto. No resto. para a aramaização do império. A propósito.. continuaram a usufruir de grande liberdade. Por outro lado. as . cuja capital. às mesmas contribuições e corvéias. Em toda a parte praticou-se essa política de conquista e assimilação. chegou a ser atacada. dosando habilmente firmeza e brandura. a fim de diminuir o poderio da alta nobreza. sem dúvida. em 735 a. sem confirmação nas fontes de que dispomos. Apesar da derrota de Sardur. Chegou mesmo a implantar o culto de Assur na Média. Após a vitória de Comagena. que. tentou invadir o país. exceto nas regiões excêntricas do planalto iraniano. que enfraquecera o poder real. submetendo-as. refletiria suas mais aprofundas intenções em matéria de política interna.. computou-as entre as pessoas da terra de Assur.C. Cerca de 734 a. freqüentemente. sempre a postos para sufocar as dissidências e empreender novas operações. como tais. e TiglatPileser III não insistiu. Certo é que Tiglat-Pileser III conseguiu perfeitamente manter as rédeas do seu mundo. Impossível evocar o reinado de Tiglat-Pileser III sem mencionar sua obra administrativa. Turushpa. só se lhes interditara o comércio com a Palestina e o Egito. Esse enorme amálgama de populações em muito contribuiu. Por isso. Teria. é sintomático verificar que as cidades fenícias. Urartu. incorporadas ao império. a fim de separá-las de seu meio natural e impedir quaisquer veleidades de rebelião. Tal revés não obscurece a amplitude de seus outros êxitos militares. E as vitórias se sucediam. às vésperas da campanha contra Israel e Damasco. segundo certos historiadores. o rei deportou numerosas populações para regiões excêntricas. o rei fora paralisado. fracionando as unidades demasiado vastas. Os prisioneiros de Babilônia foram disseminados por todo o arco de círculo montanhoso que cercava o reino a norte e a leste.C. o esforço foi inútil: Urartu conservava considerável poderio.portanto. Mas é uma hipótese apenas. revertido a evolução percorrida a partir de Shamshi-Adad V. E soube gerir seu imenso domínio.

Em caso de revolta contra os fiscais. Sargão II deportou sua população para Kalhu. filho de Tiglat-Pileser III quem os reprimiu. Não obstante. Em 729 a. e sim um império. é duplamente simbólica: assinala uma importante inflexão da história de Israel e corresponde. Samaria foi tomada em 722 a. observa-se ao mesmo tempo que a chancelaria de Kalhu era cuidadosamente mantida ao corrente da evolução da situação. no Habur e para a Média. Nabu-Mukin-Zeri revoltou-se. Embora fosse senhor deste país a partir de 745 a. em toda a medida do possível.C. mesmo sem ter sido o fundador do império. O reino de Israel foi. ao mesmo tempo. contudo. Foi Salmanasar V. espoliados pelos exércitos assírios segundo as possibilidades do momento. todas as terras do Crescente Fértil se achavam unificadas sob o rótulo inédito de uma dupla monarquia assirobabilônica. Tampouco tomou qualquer medida contra o filho deste último. que recolhiam os impostos.. Tiglat-Pileser III não destronou o soberano legítimo. e tomou o poder em 731 a.C.. permitiu a incorporação oficial da Babilônia ao império. Tiglat-Pileser III só interveio quando o chefe da tribo Amukkanu. o único senhor da Babilônia era o rei da Assíria.C. e o fisco assírio contentava-se com a cobrança de uma percentagem sobre as mercadorias na entrada da cidade. a intervenção da legião ituéia e algumas advertências prontamente restabeleciam a ordem. nesta ocasião.C. Esta sutil mistura de firmeza e diplomacia. por sua vez. uma investida de nômades em Moab imediatamente eram comunicados à capital. e o filho de Salmanasar V. pois densa rede de correios sulcava o império. Entretanto. Tiglat-Pileser III não caiu nesse erro: fez-se reconhecer como rei e sua decisão foi ratificada na lista real babilônica. mantido por guarnições administradas pelos governadores. . reduzir uma terra tão venerável.C. Com efeito. O poderio do monarca assírio não era tal. à simples condição de província teria sido inabilidade. à ascensão de um dos mais prestigiosos monarcas do antigo Oriente. Um incidente num templo de Tiro. Nabonassar. fonte de todas as tradições religiosas. que desencorajasse toda pretensão de independência.C. Daí em diante não houve mais um território nacional e territórios de caça. A data de 722 a.autoridades locais agiam à vontade. Sargão II contribuiu de forma decisiva para assegurar seu poderio e dar-lhe seu caráter definitivo. Quando de sua morte. a respeitar os interesses e franquias locais.. disposta. em 727 a. reduzido a província assíria. Foi o que ocorreu com Bar-Rekub de Sam'al e Oséias de Samaria.

. NEXT . The Free Press. A. 2001. A Girafa. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts... N. 137-174. LEMCHE. P. und 7. Petrópolis. Die assyrische Krise. São Paulo. Die Königreiche Israel und Juda im 8. pp. 2003. 37-53. 273-285. A. São Leopoldo. 1997 [20043]. pp. New York. Jahrhundert v. 20049. The Bible Unearthed. Chr. traduzido do inglês por Tuca Magalhães. 63-67. I. pp. A História de Israel a partir dos Pobres. 1993. G. Kentucky. Sinodal/Vozes. 1998.Leituras Recomendadas DONNER. Louisville. Vozes. FINKELSTEIN. J. H. Westminster John Knox. & SILBERMAN. N.. 299-362. Stuttgart. The Israelites in History and Tradition. PIXLEY.. 1998. Petrópolis. O Crescente Fértil e a Bíblia.. ECHEGARAY. J. História de Israel e dos povos vizinhos II. SCHOORS. Kohlhamer. Tradução brasileira: A Bíblia Não Tinha Razão. Vozes.

e Ezequias. Hermann. sua cidade real. Moab. com algumas cidades filistéias. .. tenha obrigado à partida. sitiei e conquistei 46 cidades que lhe pertenciam (. segundo a qual num confronto com os egípcios os exércitos de Senaquerib foram atacados por ratos (peste bubônica?). Senaquerib tomou primeiro Ascalon. mais uma vez. Todas as províncias do oeste então se levantaram. ele levantou o cerco e voltou para a Assíria. como um pássaro na gaiola. com outras cidades fenícias. S. Nos Anais de Senaquerib se diz o seguinte: "Quanto a Ezequias do país de Judá. Edom e Amon.. Mas teve que pagar forte tributo aos assírios. cuja ruptura provocara a invasão assíria"[1]. 2Rs 19. encerrei-o em Jerusalém. de Judá.) Quanto a ele. O Egito prometeu ajuda. e imediatamente teve que enfrentar nova revolta na Babilônia.C. juntamente com Judá. no último minuto.". A coalizão integrava Tiro. vencendo-a. Moab.. Arvad. Os egípcios tentaram socorrer Ekron e foram derrotados. estudando o caso. Jerusalém voltou a respirar. ele começou por Tiro. que não se tinha submetido ao meu jugo. Que não se fez esperar. por motivos desconhecidos.C. Ashdod. conclui: "Pode-se considerar que algum fato. Edom e Amon se entregaram e pagaram tributo a Senaquerib. Ascalon e Ekron. Logo os reis de Biblos. E foi a vez de Judá. Entretanto. entrou como um dos chefes da revolta. Existe uma notícia de Heródoto.35-37 diz que o Anjo de Iahweh atacou o acampamento assírio. Senaquerib não se fez de rogado e já em 701 a. Somente Ascalon e Ekron.Senaquerib subiu ao trono assírio em 705 a. Não se sabe porque Jerusalém se salvou. mas isto não exclui que Ezequias tenha enviado o seu tributo e renovado de modo ostensivo o tratado de vassalagem. Talvez Senaquerib tenha partido por causa de alguma rebelião na Mesopotâmia. Fortificou suas defesas e preparou-se cuidadosamente para esperar a Assíria.141.. História II. acontecido no acampamento assírio que assediava Jerusalém. Acreditavam ter chegado o momento da libertação. resistiram. Senaquerib tomou 46 cidades fortificadas em Judá e cercou Jerusalém. talvez uma peste.

mulheres de seu palácio.. rei de Judá. Deuses. Quem protestava era duramente reprimido. Um grande sincretismo religioso ameaçava o javismo. poltronas de marfim. Então Ezequias mandou retirar o revestimento dos batentes e dos umbrais das portas do santuário de Iahweh. havia revestido de ouro. De qualquer maneira. e despachou um mensageiro seu a cavalo para entregar o tributo e fazer ato de submissão"[2]. rei de Judá. Senaquerib. com 30 talentos de ouro.13-16: "No décimo quarto ano do rei Ezequias. leitos de marfim. em Nínive. E um longo governo: 55 anos. Então Ezequias. antimônio escolhido. toda sorte de coisas. 800 talentos de prata. cultos. O rei da Assíria exigiu de Ezequias. mandou esta mensagem ao rei da Assíria. buxo. o tributo pago por Ezequias ao rei assírio foi significativo: "Quanto a ele. minha cidade senhorial. Com isso. trezentos talentos de prata e trinta talentos de ouro. sua influência se espalhou. rei de Judá. a reforma de Ezequias perdeu o rumo. peles de elefante. rei da Assíria. e o entregou ao rei da Assíria". um pesado tesouro. meu esplendor terrível de soberano o confundiu e ele enviou atrás de mim. em Laquis: 'Cometi um erro! Retira-te de mim e aceitarei as condições que me impuseres'. os irregulares e os soldados de elite que ele tinha como tropa auxiliar. costumes. e suas filhas. marfim. Estando fortíssimo o império assírio. segundo os Anais de Senaquerib. Ezequias. cantoras.. domínio assírio. cantores.Outra questão é se teria havido uma segunda campanha de Senaquerib na Palestina. grandes blocos de cornalina. e Ezequias entregou toda a prata que se achava no Templo de Iahweh e nos tesouros do palácio real. . veio para atacar todas as cidades fortificadas de Judá e apoderou-se delas. ébano. Seu sucessor Manassés foi um dos piores governos de Judá. Informação que concorda com a de 2Rs 18. que.

15 . considerados idólatras. artífices da derrocada definitiva da Assíria.32) e uma conclusão. pontos negativos.Manassés foi sucedido pelo filho Amon que acabou assassinado por elementos anti-assírios. Ao ser promulgado por Josias em 622 a. o rei Josias deu início a uma ampla reforma. Parece que a reforma começou aí pelo ano de 629 a. Positiva no geral. que contaria então com 20 anos de idade. com apenas 8 anos de idade.25 como o obra mestra deste rei. o Deuteronômio deu vida à reforma. mostrando que a certeza do povo de que Judá era indestrutível devido à promessa davídica era uma loucura.C. 5. banidos. Josias recuperou o controle sobre as províncias do antigo reino de Israel.16-28. provavelmente. Principalmente os babilônios e os medos. Foi um momento bom para Judá. durante o governo de Ezequias. Não encontrou uma independência prolongada para poder se desenvolver. teve. descrita em pormenores em 2Rs 22. em 640 a. imposta pelo . Durante seu reinado. A reforma de Josias surtiu efeito? Sim e não. uma espécie de ritual de renovação da aliança ornamentados por uma introdução (os atuais capítulos 4.3-23. aumentando seus tributos e melhorando suas defesas.C.C.. como lei oficial do Estado. pois só elas valiam a pena. Aproveitando a fraqueza assíria.um código de leis. escrito no reino do norte e levado para Jerusalém em seguida à destruição de Samaria em 722 a. por grupos fugidos do norte. como se lê em 2Rs 22.3. introduzidos em Judá sob a influência assíria. enfrentando uma violência proveniente de vários pontos do império. Do Templo de Jerusalém foi recuperado um código de leis. entre 626 e 610 a. A magia e os vários modos de adivinhação. o Deuteronômio original compreendia os capítulos 12. A Reforma de Josias e o Deuteronômio A Assíria estava nos seus estertores finais.. os capítulos 26.44-11. segundo alguns. Sob a influência de um forte espírito nacionalista. décimo segundo do reinado de Josias. segundo outros. Povos dominados e oprimidos pela extrema violência e crueldade assírias levantaram as cabeças.68. Os santuários do antigo reino de Israel. o núcleo do atual livro do Deuteronômio. foram definitivamente eliminados. E foi entronizado.C. destruídos. Houve uma limpeza geral no país: cultos e práticas estrangeiras.1-26.C. escrito em Jerusalém mesmo. Judá alcançou esperançosa independência. Era preciso reviver as antigas tradições mosaicas. seu filho Josias. foi feita de cima para baixo. Segundo alguns. contudo.

Israel. a centralização do culto não deu bons resultados. V. Assarhadon. da Palestina ao Elam. Falemos. Antes de mais nada. S.. cerca de 627 a. pp.. terminou por prevalecer sobre as ambições assírias. na melhor das hipóteses.C. foi o sinal para um levante geral. esvaziando a vida e a religiosidade do povo. Resumo de GARELLI.. [2]. VV. A morte do grande rei. suscitou uma interminável guerra civil. em primeiro lugar da política externa. em 705 a. cada mudança de reinado dava margem a sublevações esporádicas ou generalizadas. Textos do Antigo Oriente Médio. AA. 97-106. vejamos: Sargão II praticamente não tivera trégua até sua conquista da Babilônia em 710 a. . Senão. Pioneira/Edusp. O Império Assírio de 721 a 610 a. em 612 a. no decorrer dos cinco primeiros anos de reinado.. Queriniana. sem base popular mais ampla.. I tempi dell'Antico Testamento.C.. Paulus. viu-se acuado em defensiva nos mesmos teatros de operações. que.. São Paulo. 76. Josias morreu cedo demais e a reforma se perdeu. HERMANN. NEXT [1]. O Oriente Próximo Asiático. p. & NIKIPROWETZKY. e a ascensão de Assurbanipal provocou a revolta do Egito. tendo amiúde de reprimi-las os soberanos durante longos anos. E o pior: os acontecimentos se precipitaram. Brescia. suas medidas ficaram no exterior apenas sem levar o povo a uma reconstrução real do javismo. a despeito de reveses passageiros. Israel e Judá. 1982.C.C. Cf.C. P. até obter. Storia d'Israele. apenas uma calma momentânea. em cuja repressão Senaquerib gastaria quatro anos. 347.governo. sua morte. habilmente explorada pelos babilônios de Nabopolassar e à qual os medos dariam um termo brutal. Impérios Mesopotâmicos . 1985. 19792. São Paulo. p.

E o Egito? Após a ocupação da Síria por Tiglat-Pileser III. O projeto foi adiado devido às ameaças que pesavam sobre a fronteira ocidental do reino. em 671 a. Psamético I libertou o território egípcio e Assurbanipal. assentar seu domínio no Egito.C. que adiou a invasão do Egito. que só se salvou entregando seus tesouros. Em 670 a. Uma primeira tentativa. Sargão II chegou à fronteira egípcia. regulando definitivamente o problema egípcio. que.. Moab e Edom em 714 a. o Egito alimentara sem cessar a agitação na Palestina. e acabou vítima de uma peste provocada por ratos no seu acampamento. Foi o que aconteceu com a revolta de Ashdod. de resto muitas vezes assim julgadas pelos próprios contemporâneos. em 674 a. tendo que voltar à Assíria. O faraó Taharqa instigou as cidades fenícias a alastrarem o incêndio. Quatro anos mais tarde.C. Assim aconteceu em 714 a. citas e cimérios agitavam-se na Ásia Menor. que levou Senaquerib a destruir 46 cidades de Judá e a sitiar Jerusalém. Os assírios jamais conseguiram.. pulverizando-se em poucos anos. Em 666 a. levou o faraó a abandonar sua atitude reservada. após uma revolta. mas a tomada de Sídon. Assurbanipal prosseguiu a obra do pai. o faraó Shabako apoiava secretamente a rebelião de Ashdod e saiu dessa difícil situação entregando a Sargão II o instigador da revolta. sem poder castigar o faraó. já demasiado absorvido pelos problemas da Babilônia e do Elam. quando Sargão II resolveu acabar com a ameaça urártia. se nos afiguram como loucos cometimentos. O assassinato de Senaquerib em 681 a. Assarhadon resolveu então extinguir esse foco perpétuo de agitação.C. A Caldéia estava em efervescência. em 677 a. chegou mesmo a Tebas. Ou com a revolta de Ezequias. Assarhadon pôsse à frente de uma expedição. estourou a revolta.C. para prevenir um perigo latente ou solidificar sua dominação.. só por milagre o Egito foi poupado por Senaquerib. em 720 e 716. entretanto.C. de Judá. esmagada por Sargão II.. consideradas isoladamente.C. Por duas vezes. justifica as rebeliões anteriores que. até certo ponto. redundou em malogro. Só depois de concluir um tratado com os medos. Às vezes também os assírios tomavam a ofensiva. que teve de se abrir ao comércio assírio.C.Tal desfecho. Em 653 a. conseguiu conquistar Mênfis sem maiores dificuldades. Em 701. e o tratado imposto a Baal de Tiro permitiram restaurar a ordem assíria nessas regiões.C. enquanto cercava Jerusalém. Mas o domínio assírio permaneceu precário. No ano seguinte Taharqa retomou Mênfis e Assarhadon morreu nesse meio tempo.C. foi . Novamente apoderou-se de Mênfis e. em 705.

pelo menos as principais. pois a guerra. Havia séculos que encarava com inveja esse vizinho mais dotado que a rejeitava e talvez mesmo a desprezasse. A Assíria organizara apenas três breves expedições ao vale do Nilo. Tentariam todas as fórmulas constitucionais para poupar as suscetibilidades locais e. quando se tornasse flagrante a derrota. cortando assim as vias de comunicação com o planalto iraniano. a repressão e as sucessivas destruições de Babilônia só serviram para galvanizar a resistência. além de todo o seu prestígio. visto que nele estavam em jogo. embora com seus particularismos. a Assíria no global seguia as tradições do Sul. ameaçava alastrar-se ao longo do Zagros e. Facilmente atraíram para a causa nacional as grandes cidades da planície. Desde que as campanhas de Shamshi-Adad V suprimiram o poder real tradicional da Transtigrina. a Babilônia e o Elam. a fonte de toda espiritualidade. seu tradicional inimigo. O reino de Nínive não podia desviar-se desse teatro de operações. foram os caldeus que representaram a principal força de oposição. já estafante nos pântanos do sul. e nem sequer vacilaram em unir-se ao Elam. em caso de necessidade. onde. sob o enérgico impulso de Tiglat-Pileser III. e de onde traziam os escritos fundamentais que inspiravam sua religião e a literatura de seu país. renunciariam a elas para concentrar os esforços no teatro de operações essencial. Os babilônios tinham uma impertinente propensão a não se deixar assimilar. Conquanto fosse um nítido revés para a Assíria. atingir as fronteiras orientais. E. . a fim de rechaçar o invasor do Norte. O Egito não mais seria invadido até o reinado do persa Cambises. se estas não haviam sido sustentadas com mais diligência.C. os reis da Assíria regularmente iam em peregrinação. fora precisamente porque o grosso das forças assírias se achava imobilizado em um verdadeiro ninho de vespas. deixariam abater-se pesadamente à sua cólera. E eis que. Contudo. e foram simples guarnições que ali não conseguiram manter-se. era com extrema atenção que os assírios vigiavam os acontecimentos na Babilônia. aos poucos. Os novos senhores tudo fariam para conservar esse florão de sua coroa. Isto porque. o inacreditável acontecera: a Babilônia era território assírio. Por isso.obrigado a renunciar a quaisquer projetos de represália. não se pode dizer que esta aventura desgastou suas forças. a partir do século IX. de resto vitoriosas. em 525 a. essa conjunção de caldeus e elamitas era bastante perigosa para os assírios. A Babilônia era a jóia do império. sua segurança mais imediata. a terra dos santuários prestigiosos. não empreenderiam outras campanhas militares antes de assegurar sua retaguarda nessa região e. Ora.

Por certo. e a trama dos acontecimentos permanece objeto de discussão. Uns vinte anos depois. e seu irmão Shamash-Shum-Ukin morreu no incêndio de seu palácio. que seguiu de perto o triunfo de seu maior soberano. A Babilônia reconquistada foi administrada por Kandalanu. havia sido bastante desigual. Borsippa. Esse terrível exemplo e quiçá também a clemência de Assarhadon asseguraram. mas não usou qualquer subterfúgio diplomático: tornou-se rei da Babilônia sob seu nome assírio. era o verdadeiro senhor do império. que com apoio do Elam se proclamara rei da Babilônia. recuperou a superioridade e deu livre curso a seu furor: saqueou Babilônia e a inundou com as águas do Eufrates. devido às disposições testamentárias de Assarhadon que dividira os territórios mesopotâmicos entre os dois filhos. cobria apenas os territórios de Babilônia. O filho mais novo. e 612 a. data presumível da morte de Assurbanipal. cujo reinado foi praticamente todo consagrado a tentar resolver o problema babilônico. O novo rei restaurou a capital do sul e restituiu-lhe o papel de encruzilhada comercial. é freqüentemente considerado um "escândalo histórico". as tropas assírias saquearam sua capital Susa e o país foi reduzido a província assíria.C. a situação evoluiria de forma dramática. Cuta e Sippar. Assurbanipal tomou de assalto a cidade de Babilônia em 648 a. Senaquerib. Senaquerib em 689 a. data da queda de Nínive. continuaria incompreensível.C. Assurbanipal.C. sem dúvida. durante alguns anos. efetivamente. O desmoronamento do império assírio. Assurbanipal.C. Após as primeiras medidas destinadas a apaziguar a opinião pública assíria. porquanto o domínio de Shamash-Shum-Ukin. apesar de ser o primogênito. provavelmente. O fenômeno. os quais ele nem sequer controlava de maneira absoluta.. devem ter entrado em jogo. No confronto que se seguiu. quando a revolta retumbava em todo o império. Assurbanipal e Shamash-Shum-Ukin. ainda mal conhecidas. Tal situação devia parecer injusta e.Isso se observa desde Sargão II. houve uma sucessão quase ininterrupta de guerras civis . múltiplas causas. foi ela que levou o rei da Babilônia à revolta. em parte. de fato. se não se levasse em conta o fato seguinte: entre 627 a. uma relativa calma na Babilônia. Sargão II fez-se reconhecer como soberano do país. Vencedor no confronto.. A divisão. Após vários confrontos duvidosos com babilônios e elamitas. passou a hostilizar Merodaque-Baladam. Quanto ao Elam. experimentou diversas fórmulas constitucionais.

até os vaus do Eufrates. o rei da Assíria é desalojado de Harã. Enquanto as maiores potências da época mantinham grandes exércitos regulares e. com efeito. principalmente. os pequenos reinos tinham que contar. Quando os medos intervieram. pelo menos três exércitos atuavam ao mesmo tempo na Babilônia. tomar Harã. pois por aí é que o país não acharia mesmo nenhuma saída. em boa parte. por um outro filho de Assurbanipal. a peso de ouro. Não estou falando de forças militares. 5. Em 610 a. Toda a Djezireh passou a ser território babilônico e o faraó Necao implantou o domínio egípcio na Palestina. como sempre acontecera até então. A direção tomada pelos acontecimentos levou o faraó Psamético a intervir. pois os assírios se achavam impossibilitados de controlar a Síria e a Palestina. mas em 616 a. As cidades mudavam freqüentemente de mãos. e Sin-Shum-Lishir logo desapareceu de cena. chefe do País do Mar. Seja como for. a Assíria teve seu império assaltado e sua capital destruída pelos medos e babilônios. exércitos mercenários.ou externas. Nabopolassar controlava toda a Babilônia e levava a cabo operações ofensivas ao longo do médio Eufrates. os assírios tentam. Nabopolassar. financiavam. o país devia encontrar-se esgotado. . a nação estava totalmente despreparada para a crise[6].C. Os revoltosos.C. Por Que Judá Caiu? Quando Judá entrou na fase crítica de enfrentamento com o poderio estrangeiro. com voluntários despreparados para guerras prolongadas. nas cidades fenícias e nas antigas províncias aramaicas da Assíria. que operavam a partir de bases militares em Babilônia.5. Assim.C. Os fatos são um pouco confusos. balançando entre o enfraquecido Egito e a fortalecida Babilônia. para proveito de um caldeu. O direito de Assur-Etel-Ilani à sucessão de Assurbanipal foi contestado pelo general Sin-Shum-Lishir e. Em 612 a. ocorrera com a morte de Assurbanipal: o problema da sucessão não pôde ser solucionado. os derradeiros restos do império assírio desapareceram então para sempre. Sem sucesso. Um fato novo. Em 609 a. Sin-Shar-Ishkun. novamente. tendo as províncias dessa região recobrado uma independência de fato. a seguir. foram atacados incontinente por Assur-Etel-Ilani. Seu rei fugiu para Harã e resistiu ainda dois anos. A guerra entre os dois irmãos campeou daí em diante. com ajuda egípcia.C. e não mais sabiam onde se encontrava a autoridade legítima.

líderes tribais das várias cidades e aldeias judaítas e os "anciãos da casa" (ziqnê bayit). uma curiosa dualidade tanto no comando do exército quanto na chefia do sacerdócio. Ou seja: dois generais. como sabemos através de 2Sm 8. Abiatar e Sadoc. Despreparo gerado pelas atitudes políticas falhas e pela ideologia dominante enganosa de Judá. Há os "anciãos de Judá" (ziqnê y'hûdâh). Bettenzoli . Joab foi morto e Abiatar desterrado. espécie de trono móvel de Iahweh. onde o poder real se constitui a partir das lideranças tribais. carecia de legitimidade javista. BETTENZOLI. comandam o sacerdócio. Joab e Banaías. em interessante artigo. respectivamente (cf. Jerusalém. enquanto dois sacerdotes. 1Rs 2. a constituição de uma sacerdócio associado e submisso ao Estado e a tentativa de construção de um Templo. Ora. o poder de Jerusalém constrói sua própria base. A transferência da Arca. 2Sm 6). Desde a época de Davi vinha sendo elaborada uma crença específica. a da invencibilidade de Jerusalém. foi uma manobra davídica para dar legitimidade à sua cidade (cf. no território de Judá a monarquia é vista como uma realidade estranha à ordem sagrada. assumindo os seus cargos Banaías e Sadoc. Silo. Quando Davi conquistou Jerusalém e estabeleceu ali a sua capital. algumas providências significativas foram tomadas. representantes do poder da corte davídica de Jerusalém. Os tradicionais santuários do povo de Israel estavam mais ao norte.15-18. Foi a vitória da nova ordem monárquica. de fato. Ou seja: "Enquanto nas tribos do norte esta [a instituição monárquica] é inserida no direito sagrado javista.Mas estou falando de outro despreparo. eram Siquém. como um fenômeno estritamente dependente de uma oportunidade política"[8]. independente dos líderes tradicionais[7]. distingue dois tipos de líderes judaítas desde a época de Davi. sob Salomão. Esta dualidade poderia significar que o general Joab e o sacerdote Abiatar representavam as forças tradicionais de Israel. Betel.26-35). Guilgal etc. comandam o exército. Outro dado interessante é a associação do sacerdócio à nova ordem real que se estabeleceu com Davi. Ele tinha. Tais como: a transferência da Arca da Aliança para a nova sede. G. foi feito por Salomão. sabemos que. sem ligação com as tradições tribais. antiga cidade-fortaleza jebuséia. associada à crença na perpetuidade da dinastia davídica. o que. Diferente do norte. enquanto o general Banaías e o sacerdote Sadoc representavam a nova ordem monárquica.

toda elaborada no tempo de Davi. até o dia de hoje são atribuídos majoritariamente à autoria de Davi. Nascido profeta. mais uma vez. referendada pelo profeta Natã (2Sm 7). expressão máxima desta teologia. Isto interessava aos poderes dominantes. vendo. mais a nação se apegava ao dogma da inviolabilidade da cidade. 19972. especialmente do Templo. PIXLEY: "Essa nova teologia não foi. associou-se. São Paulo. Paulus. provavelmente. e da sacralidade de Sião. angustiado.assinala que. os "anciãos de Judá" vão perdendo sua liderança.VV. por exemplo. mais cedo ou mais tarde.C. Foi ele. e Jeremias. moradia de Iahweh. obviamente esta teologia apareceria nos salmos. com a morte de Josias quase tudo se perdeu: o poder real sob Joaquim tornou-se extremamente despótico e o Templo. Elaborada pelos sacerdotes associados ao poder real de Jerusalém. que atuou incansavelmente desde 627 a. Quanto mais próximo estava o desenlace da crise. Podemos acompanhar. Diz J. que pregou entre 605 e 600 a. É neste contexto que se desenvolve uma teologia da perpetuidade da dinastia davídica. acerca desta época. como aconteceu. observando os acontecimentos. como o 2. os testemunhos dramáticos dos profetas Habacuc. porém. gradualmente absorvidos pela monarquia e pela corte de Jerusalém.C. Leituras Recomendadas AA. A vocação de Jeremias. J. São Paulo. que garante a inviolabilidade de Jerusalém. com o tempo. Os Salmos. A. o fim de seu país e indo morrer no Egito por volta de 580 a. que enfrentaria. Como vimos. pois estes representam também orações e celebrações do Templo.. Israel e Judá. Para uma leitura a partir dos pobres a teologia davídica é muito ambígua. aos desmandos da classe dominante enquanto a legitimava e ocultava suas práticas através da religião. Judá sabia. Textos do Antigo Oriente Médio. podendo servir. fortalecido pela centralização do culto. DA SILVA.. o 89 e o 132..C. pois garantia seus privilégios a curto prazo.. . a ameaça sem limites do poderio babilônico. quem a iniciou. para amparar e legitimar sua opressão"[9]. Esta teologia pode ser vista também em vários salmos.

Cf. Brescia.. entra com seus exércitos na Ásia Menor. J. H. Storia d'Israele. 73-90. Sheffield Academic Press. 1997 [20043].. Gli Anziani in Giuda. [7]. 1998. Queriniana. S. 54-79.. P. Petrópolis. Leading Captivity Captive. Vozes. p. pp. pp. 20049. c. PIXLEY. o . 47-73.. Petrópolis. BETTENZOLI. Louisville. em Biblica 64 (1983). ECHEGARAY. J. ‘The Exile’ as History and Ideology.. 31-43. HERMANN.. Vozes. 19792. Sheffield. O Crescente Fértil e a Bíblia. Gli Anziani di Israele. 1992. [8]. [9].C. Westminster John Knox. São Leopoldo. LEMCHE. GRABBE. A história de Israel a partir dos pobres. PIXLEY. Alexandre. 30. p. ibidem. Kentucky.Paulus. Petrópolis. 211-224. depois de controlar toda a Grécia. 233. pp. J. pp. G. 1993. pp. pp. pp. rei da Macedônia.. A história de Israel a partir dos pobres.. 20049. Lester L. 6. História de Israel e dos povos vizinhos II. 143-188. 1998. J. DONNER. The Israelites in History and Tradition. G. a análise de PIXLEY. A Época Persa e as Conquistas de Alexandre Em 334 a. Vozes. o.. em Biblica 64 (1983). NEXT [6]. Idem. Aos 23 anos de idade. I tempi dell'Antico Testamento.).. Sinodal/Vozes. N. (ed. 363-442.

C. Estamos no ano de 333 a.C.C. Política que foi iniciada por Filipe II e desenvolvida de modo brilhante por seu filho. É o fim do Império Persa e o começo de uma nova era. sem maiores problemas. Inclusive a comunidade judaica que vive em Jerusalém e arredores. . até o vale do rio Indo. fiel aos persas. a 338 a. Fenícia.macedônio derrota o principal exército persa em Isso. Use-a para este capítulo. De 431 a. data da vitória de Filipe II na batalha de Queronéia . Durante estas campanhas. The Perseus Project 6. de volta. Na Fenícia e na Palestina somente as cidades de Tiro e Gaza oferecem a Alexandre alguma resistência: Tiro resiste heroicamente a 7 meses de cerco e Gaza. começo da guerra do Peloponeso. Egito. assim. em direção à Babilônia. responder às seguintes questões: qual é a situação da Grécia no século IV a. A Situação da Grécia e a Política Macedônia O declínio da cidade-estado grega acontece antes mesmo de seu confronto com a Macedônia. e o controle macedônio de todo o Oriente. pertencente à V satrapia persa. Palestina. a do helenismo. E.. vai acontecer sem interrupções significativas. e qual é a política de Filipe II? qual é o roteiro das conquistas de Alexandre Magno? quem é Alexandre e quais são seus objetivos? como acontece a anexação da Judéia por Alexandre em 332 a.1.C. As interrogações que afloram neste ponto dizem respeito à situação da Grécia no século IV a. cai após 2 meses. A rota das conquistas de Alexandre passa pela Síria.C. Tentarei.C.? qual é a situação da Judéia no momento da anexação? O Projeto Perseu é uma enorme biblioteca digital sobre o mundo da Grécia antiga. toda a Palestina.. Persépolis e além. A guerra é uma das principais características da Grécia do século IV a. e à política macedônia que possibilita a Alexandre a conquista do imenso Império Persa.cerca de um século .C. é anexada ao novo império.a guerra quase nunca pára. Susa.

Atenas, no século V a.C., guiada por Címon e Péricles, torna-se uma potência imperial. Mas confronta-se com Esparta, dando origem à guerra do Peloponeso, que dura de 431 a 404 a.C., quando Atenas é derrotada. A guerra do Peloponeso "foi em seus aspectos mais importantes uma luta entre Atenas, um Estado democrático e uma potência marítima, que havia convertido a Confederação Délia (concebida para resistir aos persas) num império sob seu próprio comando, de um lado, e do outro a maioria dos Estados do Peloponeso conjuntamente com a Boiotia [= Beócia] e liderados por Esparta, uma potência oligárquica e conservadora, cujas forças terrestres constituíam o exército mais aguerrido da época"[1]. Esparta, senhora do mundo grego a partir de 404 a.C., cai rapidamente, especialmente porque sua estrutura institucional não lhe permite manter um império. O número de cidadãos espartanos, que é de cerca de 8.000 em 480 a.C., chega a cair para apenas 2.000 em 371 a.C. As causas podem ser vistas nas perdas da guerra, na concentração da terra em poucas mãos e na perda da Messênia, libertada pelo tebano Epaminondas em 370-369 a.C. Esparta perde sua hegemonia, definitivamente, na batalha de Leuctras, em 371 a.C., derrotada por Tebas. "Esparta não passará, desde então, de uma cidade de segunda categoria, limitada na sua ação ao Peloponeso, sobre o qual nunca mais conseguirá restabelecer a sua antiga dominação"[2]. Tebas sucede a Esparta na hegemonia sobre a Grécia, mas cai em 362 a.C., na batalha de Mantinéia - embora vitoriosa - quando morre seu célebre general Epaminondas. Em seguida, Tebas favorece os desígnios de Filipe II em relação à Grécia, mas acaba se aliando a Atenas, quando Filipe a ameaça. Termina derrotada pelo rei macedônio, em Queronéia, em 338 a.C. Posteriormente, em 335 a.C., Alexandre Magno reduz Tebas a ruínas. A batalha de Queronéia marca o fim da independência da Grécia[3]. No século IV a.C., por toda a Grécia, começa a emergir fortemente o contraste entre os ideais democráticos prometidos pelas constituições das cidades e a desigualdade criada pelas condições econômicas e sociais. O grande orador ateniense Demóstenes, em discurso de defesa pronunciado em 352 a.C., deixa bem claro esta situação: "Outrora, a cidade era rica, era magnífica, digo a cidade, pois entre os particulares, ninguém se elevava por cima da massa (...) Hoje, todos os

profissionais da vida pública têm, em privado, tal abundância de bens que mandam, por vezes, construir casas particulares mais imponentes do que muitos edifícios públicos; alguns compraram mais terras que aquelas que vós todos possuís, no tribunal"[4] O aumento dos mercenários é outro indício da desintegração da pólis grega. Ganhar a vida nos exércitos pagos pelos grandes reinos, seja a Pérsia ou outro qualquer, é a única saída para milhares de gregos empobrecidos. Estes homens perdem suas raízes cívicas, pois o exército é a única cidade que eles conhecem, ao mesmo tempo em que as cidades gregas perdem o controle da função militar. Há ainda inúmeros aspectos que poderiam ser analisados. Mas, enfim, vale apenas observar que os pensadores políticos do século IV a.C. começam a ficar sensíveis às tendências monárquicas, refletindo a evolução da época. "O poder efetivo passa cada vez mais das velhas cidades para os soberanos, gregos e não-gregos, que possuem os meios financeiros para assegurar a força militar que escapa às cidades. Ao perderem o controle da função militar, as cidades perdem igualmente a iniciativa política"[5]. Qual é a solução para o problema social da Grécia? Os gregos devem conquistar uma parte da Ásia, aí se instalarem, e submeter as populações locais à exploração do trabalho. Este será o projeto do macedônio Filipe II, realizado por seu filho Alexandre Magno. A Macedônia, com sua capital Pela, está situada ao norte da Grécia e é apenas semi-grega. Gregos de origem, os macedônios vivem, entretanto, em contato permanente com populações não-gregas, razão porque os atenienses, por exemplo, os qualificam como bárbaros. Na verdade sua língua é um dialeto grego com forte infusão de vocábulos estrangeiros e não é compreendido pelos gregos. Somente a aristocracia macedônia fala e escreve o grego ático. Mas os macedônios pertencem ao mesmo grupo étnico dos dórios e talvez tenham se originado de clãs ilírios ou trácios misturados com populações não-arianas... Da Macedônia arcaica quase nada sabemos. Mas, segundo o padrão conhecido dos dórios primitivos, os macedônios deveriam formar tribos de pastores parcialmente nômades, cada uma chefiada por um rei simultaneamente líder guerreiro e religioso -, um conselho de anciãos e uma assembléia. Com o tempo uma das tribos acaba controlando as outras.

No século VII a.C. estrangeiros se estabelecem entre os macedônios e acontece uma expansão de seu território e a consolidação de uma monarquia que se sustenta na aristocracia dos grandes proprietários de terra. A partir do contato e das alianças com a Pérsia, sob as pressões do persa Dario I (521-486 a.C.), o Estado macedônio absorve instituições políticas e militares do grande império oriental e se fortalece progressivamente até a época de Filipe II [6]. Filipe II, filho do rei Amintas, governa a Macedônia de 359 a 336 a.C. Tendo sido educado em Tebas, assimila a mentalidade grega clássica e também estuda as reformas militares de Epaminondas. As táticas militares deste grande comandante tebano, nascido por volta de 420 a.C., foram o segredo da (breve) hegemonia de Tebas sobre a Grécia, como vimos acima. Filipe II percebe que é necessário abrir à sua pátria os caminhos do mar Egeu, pois a região litorânea, com várias cidades autônomas, como Olinto, ou com cidades ligadas a Atenas, nunca tinha se submetido ao controle macedônio. Outro passo de Filipe II: a reorganização do exército macedônio. Especialmente a falange tebana, que é adaptada para fins ofensivos, tornando-se o principal instrumento de suas vitórias e das vitórias de Alexandre Magno. Filipe II "criou a infantaria `média' formada de macedônios e de mercenários ligeiramente armados: arqueiros, fundibulários, cavalaria onde serviam principalmente os nobres da Tessália e cavalaria ligeira empregada para reconhecimentos, tropas especialmente preparadas com meios adequados para o cerco e por fim a guarda real, tirada da infantaria"[7]. Filipe II cria o serviço militar obrigatório e profissionaliza o exército. Um corpo permanente de oficiais assessora o rei nas questões militares. Filipe II conquista a hegemonia sobre a Grécia. Faz uma política extremamente eficiente, sem escrúpulos, explorando as rivalidades entre as cidades gregas até se apresentar como a única alternativa possível para a solução dos conflitos. "Filipe II foi um excelente estrategista e um tático, homem de Estado e negociador perigoso, sabendo usar da corrupção, da mentira, da fraqueza ou da divisão dos adversários e do amor da paz em outros povos para os anestesiar e depois conquistar"[8]. Diante da ofensiva de Filipe II sobre a Grécia, três reações atenienses são típicas e servem para clarear a situação então vivida pelos gregos.

A primeira é a de Demóstenes, famoso orador, o maior opositor de Filipe II e principal porta-voz da democracia ateniense. Demóstenes vê na hegemonia da Macedônia o maior dos riscos que a Grécia corre e faz de tudo para impedi-la. Demóstenes, considerado o maior dos oradores gregos, nasce em Atenas em 382 a.C. e morre em 322 a.C. Temos hoje 61 discursos atribuídos a Demóstenes, mas é possível que alguns deles não sejam autênticos. Entre seus discursos destacam-se as quatro "Filípicas" - pronunciadas contra Filipe II -, as três "Olínticas" (também contra Filipe II), e a "Oração da Coroa", pronunciada em 330 a.C. (contra Ésquines), considerado o maior discurso do maior dos oradores[9]. Em maio de 341 a.C., diante da crescente ameaça representada por Filipe II, que utiliza vários subterfúgios para se intrigar com Atenas e destruí-la, Demóstenes pronuncia a "Terceira Filípica", na qual tenta alertar os atenienses para o perigo iminente. Entre outras coisas, ele aborda as transformações ocorridas na arte militar do século IV a.C. e chama a atenção para as suas conseqüências. Vejamos um trecho. "É verdade que os que querem consolar a cidade lhe pronunciam este discurso simplório: Filipe, dizem, não tem ainda o poder que outrora tinham os Lacedemônios [os espartanos] quando eram os senhores do mar e de todo o continente, quando tinham o Grande Rei [o rei da Pérsia] por aliado e ninguém lhes resistia. E, no entanto, a cidade fez-lhes frente, não foi dominada. Quanto a mim, constatando que tudo, por assim dizer, progrediu em dimensão, que o presente já nada se parece com o passado, penso que foram as coisas da guerra que conheceram as maiores mutações e o maior progresso. Primeiro que tudo, nada me diz que outrora os Lacedemônios, tal como todos os outros gregos, invadissem um país para lhe devastar o território com os seus hoplitas e os seus exércitos de cidadãos, a não ser quatro ou cinco meses por ano, durante a estação quente; após o que regressavam a casa. Além disso, tinham um comportamento tão arcaico, ou antes cívico, que não compravam qualquer serviço a ninguém; faziam uma guerra regular e aberta. Hoje, vós o presenciais, foram os traidores que tudo perdeu ou quase; as batalhas campais não servem para nada, e dizem-vos que Filipe se encontra aqui ou ali, onde ele quer, e não com uma falange de hoplitas; não, tropas ligeiras, cavaleiros, arqueiros, mercenários, eis o exército que lhe segue as passadas. Quando, por outro lado, ele cai sobre um povo minado por um mal interior e que não ousa sair dos muros para defender o seu território devido à desconfiança que aí reina, ele assesta as suas baterias e cerca a

por seus serviços prestados à pátria na sua luta contra a hegemonia macedônia. em 336 a. afirmações de Demóstenes como esta: `Ninguém até hoje foi capaz. que a cidade conceda uma coroa de ouro a Demóstenes.. . Demóstenes acusa-o. torna-se famoso orador em Atenas. Sobre a Embaixada e Contra Ctesifonte. méritos que ele não possuía e serviços que ele não prestara"[11]. foi também um ousado protesto do povo ateniense. onde tenta provar que Ésquines é um traidor da pátria. e isso quando Alexandre. E Ésquines não consegue desmentir seu rival e acusador. O cidadão ateniense Ctesifonte propõe ao povo. comprado pelo ouro de Filipe II. certa vez. É então que Ésquines pronuncia o discurso "Contra Ctesifonte" e Demóstenes responde com sua "A Oração da Coroa". que se torna colaborador dos macedônios e destes recebe. significativas vantagens materiais. recebendo de Filipe II terras na Macedônia. partidário da facção macedônia e rival do autor da Oração da Coroa nas lides oratórias e na vida pública. de origem modesta. de persuadir Atenas a aceitar a servidão.C.cidade. além de determinada quantia em dinheiro.C. de ter se enriquecido. acusando-o de haver violado a Constituição por três motivos: 1º porque Demóstenes ainda não havia prestado contas de sua gestão em importante cargo público. "Ésquines. não há qualquer diferença entre o verão e o inverno e que também não há para ele estação reservada onde interrompa as operações"[10]. amantes da liberdade. Temos dele três discursos: Contra Tímarcos. e 3º porque Ctesifonte estaria atribuindo a Demóstenes. premiando o mais destemido adversário do expansionismo macedônio. deveria ter lugar na praça pública ou no Senado e não no teatro de Dionísio como pretendia Ctesifonte. em troca. E abstenho-me de analisar o fato de que.C. Em 330 a. os dois oradores se enfrentam. por força da lei. Devem ter pesado na decisão dos atenienses. o Grande já era o senhor do mundo de então. 2º porque a coroação. desde o início dos tempos. Diametralmente oposta à de Demóstenes é a atitude de Ésquines. após seis anos de tramitação do processo. "Essa vitória não foi somente o reconhecimento dos serviços prestados pelo orador a Atenas. para ele.. e morrido provavelmente em 314 a. tolerando o poder divorciado do direito'"[12]. É o grande adversário de Demóstenes e um fato bem o ilustra. tendo nascido por volta de 390 a. no projeto em que propunha a concessão da coroa de ouro. Demóstenes vence. moveu uma ação contra Ctesifonte.C. Ésquines.

. que nem é um combatente da resistência como Demóstenes. outras aceitando esse imperialismo e constituindo-se numa variedade de colaboracionismo vulgar [ Ésquines]. a de Isócrates. Tebas também não. tendo por suporte valores do passado. As cidades devem entender-se para combater o bárbaro e estender sobre toda a Ásia as leis da civilização da Grécia. verbete Guerra do Peloponeso. segundo Isócrates. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. que agora desmorona. É necessário que esta expedição seja feita pela geração atual a fim de que aqueles que conheceram juntos a infelicidade sejam também os que gozem a felicidade e não passem todo o seu tempo no infortúnio. Quem deve exercer essa hegemonia?"[15]. . a uma má democracia e cometera o erro de fundar um império pela força. está submetida. Isócrates quer se ver livre da pressão e do domínio persas. HARVEY. é uma exortação ao macedônio para que assuma o comando dos gregos contra os bárbaros. 1987. verdadeira "capital" da Grécia. O mal é a desunião dos gregos. No "Panegírico" Isócrates pede a Atenas e a Esparta que esqueçam suas rivalidades e se unam contra a Pérsia: "É muito melhor fazer a guerra contra o Grande Reino do que disputarmos a nós próprios a hegemonia. de alto teor moral e inegável desinteresse mas não menos perigosas para a independência e a liberdade dos cidadãos"[16]. P. O "Filipe". Todos lutam contra todos. Filipe II é a solução. Segundo Isócrates. NEXT [1]. Esparta não é a esperança.C. outras por concepções utópicas políticas e históricas. Rio de Janeiro. Isócrates considerou que bastava a união para reparar todos os males. Não chega já de um passado em que nem sequer se sabe que catástrofe nos faltou?"[14] "Feito o diagnóstico. "Vemos assim que a unidade da Grécia podia ser concebida de muitas formas. Para isso é necessário que admitam uma direção única e que restabeleçam uma hegemonia necessária. Atenas. umas baseadas na democracia da cidade e levando à resistência a um imperialismo.A terceira posição sobre a questão da hegemonia macedônia sobre a Grécia é a de Isócrates[13]. escrito em 346 a. Jorge Zahar. nem um colaboracionista como Ésquines. Isso é o que dá poder à Pérsia.. no caso a de Demóstenes.

M. comenta sobre a "Terceira Filípica": "Esta é uma das mais belas orações de Demóstenes. Université de Nancy II. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. Os gregos antigos. o Grande. 23. Cf. o. P. P.-C. Cf. e a vontade. p. 1984. 217: "Na Grécia.. J. P. 143. a condição política da Grécia só pode ser definida pela palavra anarquia'". de aceitar suas responsabilidades". Para isso ele reclama duas coisas: o respeito à lei. DE ROMILLY.. M. c. mas precisamente por essa razão parecia-lhe que o verdadeiro remédio para todos os males possíveis seria o fortalecimento dos costumes democráticos. P. Zahar. [10].. c. p. verbete Tebas. p. M. Contra Aristócrates./VIDAL-NAQUET. Rio de Janeiro. o texto em AUSTIN. da parte do povo. .. M. Lisboa./VIDAL-NAQUET. p. São Paulo. Economia e sociedade na Grécia antiga. o. [5]. Edições 70. também FINLEY. Cf.) I. AUSTIN. P. c. J. o. Zahar. o. Sobre Demóstenes. pp. 257... Alexandre. E acrescenta na p.. [3]. 1973. Nancy. 161: "Demóstenes era democrata. G. comenta: "Quando a liga espartana se desintegrou e Tebas estava ficando cada vez mais fraca... HARVEY. pp. verbete Demóstenes. c. Lisboa. diz que "a agricultura a tal ponto se comercializa que a grande propriedade se reconstitui pela progressiva evicção dos pequenos camponeses e pela concentração das parcelas de terra entre as mesmas mãos". ROSTOVTZEFF. 132-134. cf.. Terceira Filípica. P. 1978. [6]. 325. P. [4]. 75-80.. I. DEMÓSTENES. [9].. 155-164. DEMÓSTENES. 1980. o texto em AUSTIN. 21. o. Esta autora observa na p. GOUKOWSKY. 1986.. P. DE CASTRO./VIDAL-NAQUET. Cf. P. Fundamentos de literatura grega. Edições 70. c.. 47-50. [7]. [8]. 9-12. 216. Difel. p.. a democracia mostrou-se incapaz de criar uma forma de governo que deveria reconciliar o individualismo característico do país com as condições essenciais à existência de um Estado poderoso. pp. São Paulo... P./VIDAL-NAQUET. Editora Três. M. História da Grécia. Essai sur les origines du mythe d'Alexandre (336-270 av. marcada por um tom de gravidade e profunda preocupação". Cf. p. 1973. GLOTZ. verbete Demóstenes. 206ss. 312. o. pp. A cidade grega.. Rio de Janeiro 1984. DE CASTRO. HARVEY. c. HARVEY.[2]. p.. AUSTIN. M.

Cf. o texto em AUSTIN. M. P. recebe embaixadores persas e trata-os de maneira tão cativante que faz fama. [16].. vive entre 436 e 338 a.C. informou-se da extensão das estradas e da natureza da viagem pelo interior. Quem é Alexandre Magno? A cronologia das conquistas de Alexandre não é suficiente para se entender o macedônio e suas atitudes.. Isócrates. Ediouro.[11]. p. Panegírico.. Assim. A Oração da Coroa. certa vez. 313. c. 6. . [13]. c. Rio de Janeiro. É preciso perguntarmos agora: quem é Alexandre? Por que Alexandre invade a Ásia? Quais são os seus propósitos? Segundo os historiadores antigos. DA GAMA CURY. 30. eles ficaram admirados e acharam que a falada capacidade de Filipe nada era comparada com a iniciativa do filho e sua tendência às grandes empresas"[21]. p. Temos dele vinte e um discursos e nove cartas. quando Filipe estava ausente em viagem. p. Seus discursos políticos pregam a unidade grega../VIDAL-NAQUET. 29. Alexandre é um jovem brilhante. [12].. como o seguinte narrado por Plutarco. não lhes fez perguntas pueris e banais. publicado em 380 a. outro grande orador ateniense. E para ilustrar isso contam certos episódios. P. s/d. introdução a DEMÓSTENES. [14]. o. c. Nas palavras de Plutarco: "Chegaram embaixadores do rei da Pérsia..3. 6. ele ainda adolescente. p. Tratou-os com simpatia. [15]. pp..C. DE CASTRO. 6-7. de como o rei mesmo procedia nas guerras. ele os entreteve de maneira cativante. DE CASTRO. 166ss.. P. O mais famoso é o "Panegírico". o. ISÓCRATES. provavelmente por ocasião do Festival Olímpico. Certa vez. ibidem. M. Idem. o. da combatividade e poderio da Pérsia. estando ausente seu pai.

onde quem deve falar.e da mãe Olímpia. totalmente imoderada. com ela traspassou Clito. Diz-lhes que sua guerra é com Dario. dionisíaca. como fica evidente no final deste trecho. dada a exaltação e a "furores divinos". E que tudo o que tinham antes continuarão a ter. caiu em si e. manteve-se calado. o mesmo Plutarco nos conta que ao aprisionar.espírito moderado. após a batalha de Isso. não as privou da mínima parte dos cuidados e honras a que estavam habituadas (. às vezes. pois é muito difícil determinar as causas de certos comportamentos de personalidades famosas da antigüidade apenas através de narrativas não muito próximas aos acontecimentos e condicionadas por inúmeros fatores que precisam ser primeiro explicitados[22]. regrado pela disciplina militar e pela educação grega . tirando dos despojos as roupas e adornos fúnebres. é o historiador ou o sociólogo. Costuma-se explicar. rapidamente arrancou a lança do cadáver e tê-la-ia cravado na própria garganta se não o contivessem os seus guardas pessoais.a mãe. trata-a com a maior deferência e humanidade. que vinha ao seu encontro afastando o reposteiro da porta. e que elas . "Ele permitiu sepultassem todos os mortos persas que elas quisessem. Passou a noite e o dia seguinte a chorar perdidamente. cansado de clamar e lastimar.. pois. emitindo profundos suspiros"[23]. 2º) fazer falsa psicologia.C. quando ele já é senhor do Oriente: "Então. e a fama de Alexandre. por fim. tomando a lança de um de seus guardas. que o insulta durante um banquete. é necessário que leiamos tais narrativas com olhos críticos. a esposa e as duas filhas moças de Dario . é muito grande.Naturalmente.) . Aqui. Alexandre. a família de Dario. antes de tudo. a personalidade de Alexandre através da dupla influência do pai Filipe . agarrando-lhe os braços e conduzindo-o à força para os aposentos. apolínio. o risco é de: 1º) dar explicações psicológicas para fatos históricos ou sociais. por causa do poder. Em contraste com a irracionalidade deste episódio . como veremos adiante. logo se lhe dissipou a cólera. O brilhantismo de suas conquistas costuma ser retroprojetado para sua infância e adolescência. diante dos amigos emudecidos e parados..pelo menos aparente. Um dos episódios que costumam ser citados para ilustrar a personalidade de Alexandre é o da morte de Clito. seu amigo e companheiro. nesta época . há razões políticas para o assassinato de Clito -. Ao vê-lo tombar gemendo e rugindo. pois Plutarco é do século I d.nada têm a temer.

Entre suas odes mais notáveis estão as Odes Olímpicas e as Odes Píticas. são as suas leituras.. Grande dramaturgo que escreve 82 peças. A educação ministrada a Alexandre por Aristóteles é a típica de um jovem grego. das quais hoje sobrevivem 18 tragédias e um drama satírico. nasce por volta de 430 a. Escreve 17 livros. Estuda. próxima a Pela. mas temos apenas cerca de um quarto de sua obra. medicina. "Considerava e chamava a Ilíada um vade-mecum da arte da guerra. ateniense. Alexandre leva nas suas campanhas uma edição da Ilíada anotada por Aristóteles. Alexandre tem vários preceptores. entre eles o filósofo Aristóteles. Eurípedes. sua obra mais conhecida é a Anábasis (= escalada).C.C. metafísica. Alexandre ordena que se poupe a casa de Píndaro. adotou a versão corrigida por Aristóteles. narrativa em prosa da expedição de Ciro. e conservava-a sempre junto com o punhal debaixo do travesseiro. quem são estes autores que o jovem Alexandre lê. o Jovem e seus 10 mil gregos contra seu irmão Artaxerxes II. Xenofonte. nem conheceu. e morre em 406 a. Vejamos. No castelo de Mieza. com Aristóteles. pedagogos e professores. O assunto de sua história é a luta entre a Ásia e a Grécia. Heródoto. não lhes tocou. entre outros. na época ainda sem a fama que mais tarde o caracteriza. rei da Pérsia. Aristóteles orienta Alexandre durante 4 anos. dialética. Homero é a leitura básica. famoso poeta lírico. em Halicarnasso.C.C. segundo conta Onesícrito"[25].C. Além de Homero. outra mulher além de Barsina"[24]. Textos dos autores gregos? Escolha: em grego ou inglês! Eurípedes nasce em Salamina por volta de 485 a.C. retórica. Tucídides. Xenofonte. nasce perto de Tebas por volta de 522 a.Alexandre aparentemente considerava mais próprio de rei vencer a si mesmo que ao inimigo. . Heródoto nasce aproximadamente em 480 a. Píndaro. antes de casar. Píndaro. Historiador e militar. moral. conhecida como Ilíada do Escrínio. É considerado por muitos como o pai da historiografia ocidental. rapidamente. geografia. Quando destrói Tebas em 335 a.

O pensamento político de Aristóteles pode ser visto de maneira clara em uma Carta do filósofo a Alexandre. não teria cabimento matar ou banir. Harvey[27]. nem mesmo . mas com o próprio direito mencionado anteriormente. então. nem sequer que ele passe à condição de súdito quando fora a sua vez. Logo.Tucídides. Aristóteles discute a ciência política do ponto de vista da cidade-estado. e a ele ser o soberano. e também pelos criadores de governos democráticos (todos baseiam suas pretensões na superioridade.C. "Nos oito livros da 'Política'. e que este cidadão seja um rei. embora não na mesma superioridade). soberana sobre todos. Eis os seus pontos principais: .condenar tal homem ao ostracismo.é óbvio .. e um homem dotado dessa superioridade excepcional é como um todo em relação à parte. pois como foi dito antes isto se coaduna não apenas com o direito geralmente argüido pelos fundadores de governos aristocráticos e oligárquicos. se houve um governante dessa qualidade". aproximadamente... Escreve a história da guerra do Peloponeso. que há uma família inteira (ou mesmo algum cidadão) de tal forma proeminente sobre as outras em qualidades que superam as de todas as outras. Na "Política" diz Aristóteles: "Quando acontece. Aristóteles preconiza a unidade grega e a vitória sobre os persas. cujo original grego se perdeu. não é natural que a parte se sobreponha ao todo. Do ponto de vista político. ao conquistar o Império Persa. resta apenas à comunidade obedecer a tal homem. Na verdade. porém descobre o tipo mais elevado de forma de governo na monarquia do governante perfeito. A carta é um programa de governo e Aristóteles recomenda a Alexandre que abandone suas tendências orientalizantes e volte a servir os gregos. mas de modo absoluto"[28]. escrita provavelmente no final de 328 a. historiador ateniense. existindo apenas uma versão árabe..) Aristóteles reconhece as vantagens da democracia. que imagina ser a comunidade política mais apta a proporcionar ao cidadão a vida em sua plenitude (. mas não a paridade entre gregos e bárbaros que Alexandre deseja e começa mais tarde. observa P. não em alternância.C. então é justo que esta família seja uma família real. vive entre 460 e 400 a. uma das mais importantes obras históricas de todos os tempos por sua imparcialidade e seu método científico[26].

o o o o Alexandre deve preferir a atividade legisladora à glória das armas. Apesar dos conselhos de Aristóteles . em 479 a. da Tessália e da Ática. poderão dedicar-se à filosofia. Somente no ano seguinte. em setembro de 480 a. quando este rei persa avançara através da Trácia. após derrotarem sua frota em Salamina. sendo sua autoridade universal e seu poder ilimitado. da Macedônia. Os nobres persas devem ser deportados para a Grécia para que a paz seja mantida. ele pode conseguir que os homens obedeçam à Lei.que Alexandre não seguirá . O que se impõe perguntarmos agora é o seguinte: quais são os objetivos de Alexandre ao invadir a Ásia e se confrontar com o Império Persa? As opiniões dos historiadores são variadas a respeito[30]. sem mais conflitos internos. Alguns acreditam que é para vingar as afrontas de Xerxes contra os gregos em 480 a.. Alexandre deve estar atento ao fato de que é mais glorioso governar homens livres [gregos] do que escravos [orientais] e que uma glória duradoura não pode ser construída só com empreendimentos militares. Por isso. Vários episódios de luta e coragem são contados a seu respeito.C. Outros acreditam que o objetivo inicial de Alexandre seja o de libertar as cidades gregas da Ásia Menor. Alexandre deve se afastar dos maus conselheiros que tendem a fazer dele um tirano que não segue a justiça. chegando a tomar Atenas. deve fazerse amar e ser respeitado pelos gregos e macedônios. pois grande número de cidades gregas dependem dele.. Os gregos.C. às vezes contra os conselhos de seus melhores generais que recomendam maior prudência. As vitórias de Alexandre geraram a paz e.é preciso lembrar que o macedônio é excelente soldado e estrategista brilhante. Enfrentando exércitos persas muito superiores aos seus. os gregos conseguem repelir Xerxes em Platéias e em Mícales. dando assim continuidade ao projeto de seu . exercendo a função de legislador e fundador de cidades[29]. vence-os com lances de genialidade e ousadia.C. Como ele é agora o soberano de muitos povos. criando na Grécia um Estado pan-helênico. com a adesão voluntária dos gregos. Alexandre deve se voltar para os gregos.

tornando possível o exercício da monarquia absoluta com vocação universal. "De duas uma: ou a própria amplidão de suas conquistas o obrigaria a deter-se. mas se não fossem anuladas as suas possibilidades navais ao longo da Fenícia e da Palestina daí a razão do duro cerco de Tiro e a tomada de Gaza . A reconciliação greco-persa não era uma quimera. após as conquistas das regiões mais diretamente persas. É certo que não faz parte do plano original do macedônio. seus contemporâneos gregos e macedônios não o vêem com bons olhos.C.. P. Histórias. criadas após o tremendo sucesso de suas campanhas e o fascínio de sua figura de herói que conquista o mundo e morre jovem sem usufruir do poder e da riqueza que acumulara. Mas as circunstâncias levam-no a isto. na sua análise do mito de Alexandre. ou então era preciso associar as populações autóctones à sua administração. frente à ameaça romana[32]. Goukowsky demonstra. Aliás.pai Filipe II que já enviara para lá um exército de 10 mil homens comandado por Parmênion e que está prestes a ser empurrado de volta para o mar. Foi fácil vencer o enorme exército de Dario em Isso. questão interessante é a do mito de Alexandre. que as práticas e as teorias do absolutismo político persa são revestidas por Alexandre de um verniz grego. mais tarde Alexandre teria que se medir com ele para sustentar as suas conquistas asiáticas. . Como ele assume cada vez mais o modelo persa de governar e viver. na sua maioria inventadas. nem um capricho: era uma necessidade"[31]. Alexandre necessita de uma burocracia persa para administrar os territórios conquistados e precisa de exércitos nativos para sustentar as conquistas. É bem provável que a conquista de todo o Império Persa não faça parte de seus planos originais. Parece-lhes que o objetivo inicial da Liga de Corinto foi abandonado e as conquistas do brilhante jovem macedônio nenhum benefício lhes trazem.a Grécia e a Ásia Menor continuariam ameaçadas. A imagem de um Alexandre defensor do helenismo só surgirá no século II a. Se a perseguição a Dario não continuasse após a volta do Egito. Parece que a própria lógica da conquista é que leva avante sua expedição. A possibilidade de fusão das culturas grega e persa deve ter surgido provavelmente como conseqüência e necessidade.

sonhou que aplicava sua chancela no ventre da esposa e a gravura da chancela. deitado com sua mulher. eram dias de mau agouro. foi a Delfos. mandou chamar. finalmente. em seu detalhado estudo das origens do mito de Alexandre.Entretanto. Quando a arrastava à força para o templo. foi ele em pessoa buscá-la. a quem vai reverenciar e consultar no oásis líbio de Siwah. depois do casamento. "Na noite anterior à das núpcias. Consta que Alexandre se vê como privilegiado herói. obedece prontamente a Alexandre e provoca a seguinte "previsão" de seu pai: "Meu filho. que o próprio conquistador constrói cuidadosamente esta imagem de super-herói que lhe rende altos dividendos políticos. O que narra Plutarco acerca de sua origem é uma espécie de "evangelho da infância" que legitima este mito de sua filiação divina. nos quais não é lícito dar consultas. onde teria ido consultar o oráculo acerca de sua expedição à Ásia. Alexandre declarou não precisar de outro oráculo. "Desejando ouvir o oráculo a respeito de sua expedição. em meio a um trovão. menção o episódio de sua visita a Delfos. NEXT . Do mesmo gênero "apócrifo" é o caso do cavalo Bucéfalo. Garanhão indomável. ela exclamou: `Filho. Merece. Então. lhe caía um raio sobre o ventre. de quem procura imitar as façanhas sobre-humanas. mais tarde. tornando viável o desenvolvimento de seus projetos orientalizantes[33]. a pitonisa chefe. ninguém pode contigo'. a Macedônia é pequena para ti"[35]. como que subjugada por seu arrebatamento. Goukowsky observa. contudo. Filipe. alegando a lei. primeiramente. filho de Zeus. P. Ouvindo isso. Além de se considerar descendente de Héracles. no Egito identificado a Amon. Ela recusou-se. Filipe II viu uma serpente estendida sobre o corpo de Olímpia: símbolo do deus. da chaga brotou um fogo violento. tinha já a resposta que dela desejava"[36]. É ainda Plutarco quem diz que. a noiva [Olímpia] sonhou que. grassaram por toda a parte e por fim se apagaram. pensava. Por acaso. procura para ti um reino compatível com o teu valor. era a figura dum leão"[34]. certa vez. irromperam labaredas. por sua vez.

C. Perspectivas sociológicas. o. p. Alexandre. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a. Homero é o maior poeta épico grego. SAULNIER. P. Fundação Calouste Gulbenkian. p. PLUTARCO. Fundamentos da literatura grega.. GOUKOWSKY. GOUKOWSKY. Alexandre. ARISTÓTELES. c... Uma visão humanística. 15-90. Cultrix. 19899. Política III. 1983.BENOIST-MÉCHIN. c.Cf. c. 19882. ibidem. por volta de 1200 a. P. Vozes. GARDINER. em o. 117-118. 73-74. Editora da UnB. pp. [23]. P. C. Brasília. Petrópolis. e sua linguagem o relaciona com os dialetos jônio e eólio da Ásia Menor. 8. Introdução à sociologia.D. HARVEY.. PLUTARCO. Rio de Janeiro. Edições 70. autor da "Ilíada" e da "Odisséia". líder das forças gregas. pp.C. 1985. P. BERGER. pp. Idem. Cf. . T. [31]. Lisboa. J. nos respectivos verbetes. DE ROMILLY.. Cf. em 24 cantos.. [27]. 69-71. Observe-se no final deste texto a avaliação moralizante do comportamento de Alexandre.).. WRIGHT MILLS. pp. Rio de Janeiro. 50-55. em o. P.. B.. [25]. Zahar. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. Zahar. PLUTARCO. p.C... [30]. [24]. [22]. esta é uma característica marcante dos autores da época imperial romana. Histoire d'Israel III. Lisboa. pp. 51-52. 141. Alexandre.-135 a. O mundo helenístico. J. 11-12. P. em Vidas. Homero é provavelmente do século IX a.C. no seu décimo ano. s/d. 155. Alexandre. [28]. p. BOTTOMORE. causada por uma afronta cometida contra ele por Agamêmnon.... LÉVÊQUE. conta um episódio do cerco de Tróia (também chamada Ílion) pelos gregos. 5. Paris. Cf. [29]. em o. 156-178.. [26]. feita por Plutarco. pp. PLUTARCO. 143. verbete Aristóteles. 181. O assunto é a cólera de Aquiles. 19826. São Paulo. 47. Alexandre Magno. A Ilíada. Teorias da história. 1987. p. Cf. pp.. Essai sur les origines du mythe d'Alexandre I. Du Cerf. 17-43.[21]. 19843. pp. Aliás. XI. 21. c. A imaginação sociológica. 1288a.

Alexandre tomou Damasco. e acrescentou que os judeus não teriam nada a temer. Alexandre se apressou em subir a Jerusalém. pp. ao encontro de Alexandre.. pedindo-lhe que lhe mandasse reforços. em apuros. Alexandre. 14. [36].. O sumo sacerdote Jadus.. em o. o.. 138. PLUTARCO.. Cf. Cf. O texto prossegue dizendo que o sumo sacerdote. 6. segundo a qual ele deve ir.C. com os sacerdotes. 142. que merece ser. apoderou-se de Sidônia e cercou Tiro. O sumo sacerdote respondeu aos mensageiros que tinha prometido com juramento a Dario que não pegaria em armas contra ele. cujo rei devia estar muito irritado com a sua recente desobediência"[37]. pelo menos. Idem. não sabendo como se apresentar aos macedônios. 6. [33]. Alexandre prostra-se diante do sumo sacerdote.4. c. suplica a Deus e deste recebe uma mensagem em sonhos. 17-68. [35].) Depois de tomar Gaza. Alexandre se encolerizou muito (. dizendo tê-lo visto em sonhos e por isso pensa que vencerá Dario e quebrará o poder dos persas. P.. p. Alexandre. ibidem. e que não ia faltar à palavra jurada enquanto Dario fosse vivo. a principal fonte que possuímos é um texto de Flávio Josefo. 69-78. em o. lhe mandasse os presentes que costumava mandar a Dario. 148. Idem. em 332 a. De lá enviou uma carta ao sumo sacerdote dos judeus. aceitando a amizade dos macedônios. . ao ouvir isto. Idem. 2. Sobre a atitude de Jerusalém para com Alexandre. c. p. Alexandre. A Anexação da Judéia por Alexandre Durante as campanhas de Alexandre contra Tiro e Gaza.. c.[32]. c. a Palestina é anexada ao novo império. pp. encheu-se de angústia e temor. GOUKOWSKY. parcialmente transcrito. Isto feito. [34]. p. Ouvindo isto.. "Chegando à Síria. em o. em trajes de festa. que fornecesse provisões para o seu exército e que.

porém. ao voltar do Egito. Andrômaco. o do sumo sacerdote e o de Alexandre. provavelmente alexandrino. são plausíveis: o o o "a liberdade de viverem segundo as leis de seus pais" "a isenção de impostos a cada sete anos" "que os judeus de Babilônia e da Média vivessem segundo suas próprias leis". Acontece. em um círculo filo-heleno. este último. legitimando as suas conquistas como vontade de Iahweh.Alexandre vai ao Templo. e depois atende a vários pedidos do sumo sacerdote em benefício de seu povo. se ela não foi introduzida pelo próprio Flávio Josefo. sob a inspiração de romances gregos e mais especialmente do romance de Alexandre"[38]. é terrível. O texto de Flávio Josefo é fantasioso e está construído sobre temas típicos: a proteção divina dispensada ao Templo e ao povo fiel a Iahweh. A Situação da Judéia no Momento da Anexação . em seguida. os sonhos. Já em Samaria a situação é diferente. O que ele pode ter feito foi enviar até lá um de seus oficiais para obter a submissão da comunidade judaica aos novos senhores da região. que fica fora de sua rota em direção ao Egito. o texto é importante. As disposições tomadas por Alexandre a respeito do povo judeu. é queimado vivo pelos samaritanos. onde sacrifica a Deus. que Alexandre jamais esteve em Jerusalém ou na Judéia. Anexada sem maiores problemas. C. Samaria é destruída e no lugar se estabelece uma colônia macedônia. quando o prefeito de Alexandre na Síria. regida pela Torá e ligada ao Templo. Deste texto deduz-se que a situação da Judéia sob Alexandre permanece a mesma vigente na época persa: a comunidade continua governada pelo sumo sacerdote. uma revolta. Entretanto. indica que a história deve ter sido forjada aí pela metade do século II. Saulnier observa sobre este texto que "a referência às profecias de Daniel.5. 6. a pedido do sumo sacerdote. inclusive. A punição determinada por Alexandre. na medida em que mostra a boa acolhida de Alexandre entre os judeus e as expectativas que suas conquistas criam para o pequeno distrito governado pelo Templo. acontece.

gerando uma solidariedade de sangue muito coesa tem regras específicas de casamento. a linha de descendência corre de pai para filho é unidade de convocação do exército tribal caracteriza-se pela residência comum de seus membros transmite o direito de posse por herança: a terra. sendo a irrigação possível apenas na planície. O clã é constituído por uma agrupamento de famílias ampliadas (beth-'âbhoth) que moram na mesma região e se auxiliam tanto no setor social quanto no econômico. O que acontece a partir da época persa é que a família (beth-'abh) vai tornar-se a unidade econômica fundamental. Pois na região montanhosa o cultivo depende das chuvas. Pattai e E. constituindo uma comunidade jurídica local[39]. deixando o clã em segundo plano[41]. esta condição geográfica vai determinar a produção de alimentos. com preferência pelo casamento entre primos patrilineares e com a obrigatoriedade do dote integra. já que a "mudança de dono". a mishpâhâh: o o o o o o o o é um grupo de descendência patrilinear. ou seja. Por que isto acontece? Terá surgido algum progresso econômico que ameaça as relações de parentesco da sociedade judaica? O pequeno distrito de Judá. e de maneira pouco feliz para os judeus. Segundo H.. Somente no nordeste é que ele se estende um pouco pela planície do Jordão. os rebanhos. em 332 a. enfim. A sociedade israelita tradicional sempre se fundamentara no clã (mishpâhâh). do persa para o grego. em circunstâncias específicas.É preciso. a propriedade é comunal e não pode ser vendida. com cerca de 1. Kippenberg. G. uma tribo[40]. citando R. Ora.100 km2 apenas. finalmente.C. Meyer. ocupa quase que só a região montanhosa da Judéia. não altera significativamente a vida judaica e as condições econômicas e políticas vigentes. que se esclareça a situação da Judéia no momento da anexação. Daí . mas deve ser mantida em poder do grupo através da herança de pai para filho é formada de famílias ampliadas seus membros têm responsabilidade mútua.

O cultivo da oliveira é menos trabalhoso do que o do trigo. no dia de sábado. G. desenvolvendo-se. nos ensinam que o tipo de aproveitamento da terra.32 diz: "Se os povos do país trouxerem para vender. Este fator troca já é testemunhado no tempo de Neemias. na Grécia.25 hectares de campo. dependia de dois fatores: da existência de uma aristocracia que dispusesse de dinheiro para investir na produção agrícola e da possibilidade de troca de derivados da azeitona e da uva pelo trigo. mercadorias ou qualquer espécie de víveres.estar comprometida a rentabilidade da lavoura. enquanto que a região que desce para a planície costeira é mais favorável. Se um campo era usado para esta ou aquela cultura.. dependia tanto do fator riqueza. seus mantimentos. Ne 10. nos séculos VII e VI a. Só que aqui a terra é calcária. em terrenos ruins para o trigo. e esta os judeus não controlam mais[42]. ele mesmo. que calculavam a relação de uma pessoa para cada 6. "O produtor de oliveiras era obrigado a vender seu produto a troco de alimentos. E pode ser feito. nada compararemos em dia de sábado ou em dia santificado". portanto. mas de uma para cada 7. davam mais lucro se fossem aproveitados como bosques de oliveira ou como vinhedo"[43]. Terrenos. As encostas íngremes das montanhas do leste praticamente impossibilitam o aproveitamento da terra. Os casos da Ática. como vimos. e da Itália. numa região de poucas chuvas. enquanto o agricultor produzia. cuja produção era inferior à relação de 1:4 (plantio/colheita). . Só que aí há um problema: este tipo de cultivo exige riqueza.C. rica em ferro. Pelo menos é o que afirmam os agrônomos latinos. a parreira e a figueira. exige um certo capital. em geral. já que a oliveira só começa a dar lucro 10 anos depois de plantada. como o da Judéia. Vamos acompanhar H. Elas exigiam menos trabalho do que o cultivo do campo. A terra adequada para o plantio de cereais é a terra-roxa. como a oliveira.5 hectares de plantações de oliveiras. Kippenberg: "As plantações de oliveiras podiam ser feitas em terrenos que para o cultivo do trigo não eram muito vantajosos. apenas plantas de raízes profundas. como do fator troca"[44].

. não há soldados persas suficientes para guarnecer todas as províncias e. para serem mandados para as batalhas. As doações feitas pelo resto do povo atingiram o montante de vinte mil dracmas de ouro. e. duas mil minas de prata e sessenta e sete túnicas sacerdotais". cinco mil minas de prata e cem túnicas sacerdotais".4 g. Outra coisa que caracteriza esta época persa é a propagação da moeda na Judéia[45]. Por que Dario manda cunhar moedas? Heródoto nos informa: no tempo de Ciro e de Cambises não havia determinações fixas sobre o tributo devido pelas províncias do Império Persa. Esd 2. correspondendo à correlação de 1 por 13 entre ouro e prata"[46]. cunhadas na região. deram ao tesouro de culto sessenta e uma mil dracmas de ouro. possuem valor bem menor. "A dracma de ouro pesava cerca de 8. os dáricos. especialmente. de múltiplas nacionalidades. A Judéia usa também as moedas de prata de Atenas e da Pérsia e as moedas yehud.69 diz a respeito das oferendas feitas ao Templo após a volta dos exilados: "Segundo suas posses.C. . Neste caso. Dario cria um sistema que permite calcular receitas e despesas e regulariza os tributos com a criação da moeda[47]. As primeiras moedas citadas no AT são as dracmas persas de ouro. Sabemos também que. Uma dracma de ouro vale 300 litros de cevada.08 g. portanto. dado a enorme extensão do Império Persa. É necessário a contratação de grande quantidade de mercenários.6 g. o siclo de prata persa 5. os habitantes da Judéia devem produzir derivados de azeitona e vinho para trocar pelo trigo.70-71 também diz: "Alguns chefes de família depuseram no cofre das obras vinte mil dracmas de ouro e duas mil e duzentas minas de prata. Elas eram trocadas na proporção de 1 por 20. de prata. daí serem mais práticas no uso quotidiano as moedas de prata yehud que pesam 2. E Ne 7.É possível que a produção de trigo da Judéia seja insuficiente para o consumo e que este comércio feito pelo 'am ha'arez inclua a venda de trigo produzido em outra região. cunhadas por Dario I após 517 a. Para pagá-los o Estado precisa de dinheiro.

excedentes ou não. além do gado. à qual pertence a Judéia. e adquirir prata para pagar o tributo persa. Não havendo grande produção de cevada na Judéia. Uns diziam: `Somos obrigados a penhorar nossos filhos e nossas filhas para receber trigo. penhorando nossos campos e vinhas para pagar o tributo do rei. temos que entregar à escravidão nossos filhos e filhas. Assim. Esta situação econômica gera graves conseqüências sociais: os agricultores judeus precisam diminuir o número de familiares que vivem da renda da terra e investir em produtos que dêem mais lucro. Ne 5.995 quilos de prata[48]. Vendem cevada e derivados da oliveira e da videira. É o que apresenta Ne 5. devem vender seus produtos agrícolas. Outros ainda diziam: `Tivemos que tomar dinheiro emprestado. Outros diziam: `Temos que empenhar nossos campos. o equivalente a 11. por não ter pago os impostos. para podermos comer e sobreviver'.C. e há entre nossas filhas algumas que já são escravas! Não podemos fazer nada. a V satrapia persa. . vinhas e casas para receber trigo durante a penúria'.: "Levantou-se uma grande queixa entre os homens do povo e suas mulheres contra seus irmãos.1-5 testemunha o conflito social que explode na Judéia no século V a. o que compensa é o cultivo de oliveiras e videiras. dependem de negociantes estrangeiros[49].4. Para vender o excedente.Segundo Heródoto. quando os judeus se queixam da situação a Neemias: "Tivemos que tomar dinheiro emprestado penhorando nossos campos e vinhas para pagar o tributo do rei". Neste texto observamos três grupos de queixosos[50]: o o o o primeiro grupo penhora seus filhos para receber alimentos o segundo hipoteca suas terras na época da fome o terceiro grupo. ora. temos a mesma carne que nossos irmãos e nossos filhos são como os deles: no entanto. tem que vender seus filhos como escravos. porque nossos campos e nossas vinhas já pertencem a outros'". Acontece que os moradores da Judéia não têm minas de prata. os judeus. deve pagar à Pérsia 350 talentos de prata por ano. entretanto.

este ato é definitivo e irreversível"[53].2-4 e Dt 15. acaba na escravidão.2-4. posterior à do Ex 21. como nos diz Ne 5.12-18. quando o profeta diz que os credores podem se apropriar com facilidade dos campos e das casas dos outros e. Ao contrário da escravidão por dívida. A penhora permite o ataque direto do credor à propriedade e à família do devedor. "Se os produtores não tiverem condições de conseguir uma produção em seus campos que satisfaça sua fome. para que não sejam de novo forçados à escravidão por dívidas. A penhora dos filhos é a `arabah. 12-18. "Agora as mulheres recebem o mesmo direito à liberdade. é mais avançada do que aquela. É o mesmo caso denunciado por Miquéias no século VIII a. . ao vinho e ao óleo. eles os roubam. Trata-se de uma penhora que transfere ao credor o usufruto da terra e não a sua propriedade. Se o camponês que penhora sua produção não produzir o suficiente. hebreu ou hebréia. de fato. for vendido a ti. No sétimo ano tu o deixarás ir em liberdade".12: "Quando um dos teus irmãos. O caso de segundo grupo é o daqueles que possuem campos.Há determinada seqüência na formação da dependência: primeiro penhoram-se os filhos (escravidão). o fazem. tampouco existem restrições quanto a se permitir que a família do escravo seja alforriada. Se observarmos bem. Se cobiçam campos. e merecem algo por seus anos de trabalho"[51]. ao trigo. casas e oliveiras e têm que empenhá-los numa situação de penúria[52]. depois a terra.C. Diz Dt 15. ao dinheiro..11. Vamos ler Mq 2. Talvez porque a lei estipulada no livro do Êxodo não estivesse sendo obedecida. Ou seja: o credor tem direito aos produtos excedentes. correm o risco de serem vendidos como escravos. ele te servirá por seis anos. vinhas. esta legislação de Dt 15.1: "Ai daqueles que planejam iniqüidade e que tramam o mal nos seus leitos! Ao amanhecer eles o praticam porque que está no poder de sua mão. Os escravos devem receber provisões da parte do seu senhor para sobreviver como pessoas livres. prevista nas leis de Ex 21.

6-12 é que os credores dos quais os judeus dependem são seus irmãos de sangue e são pessoas de posses e classe alta. para apossar-se de imóveis ou para vender escravos"[56]. divisão de heranças. G. repreendi os nobres (horîm) e os magistrados (seghânîm) nestes termos: `Que fardo cada um de vós impõe a seu irmão!'"[55]. cujos campos e vinhedos já estavam hipotecados.7: "Tendo deliberado comigo mesmo. Eles são importantes para a formação de classes somente quando se tornam instrumentos dos relativamente mais ricos ou mais poderosos para criar novas dependências. Diz Ne 5. como conseqüência. que observa: "Endividamento e principalmente insolvência não são frutos vindos diretamente de fatores como coação demográfica. segundo a qual os credores devem renunciar às rendas das terras hipotecadas. pois o comércio de escravos no Mediterrâneo está em pleno florescimento. Neemias declara uma anistia. G. "E ainda mais. Kippenberg. a .se casas. Que escolha tinham estes camponeses. Segundo H. eles as tomam. E o que é denunciado em Ne 5. eles oprimem o varão e sua casa o homem e sua herança". como aparece em Ne 5. a crise do tempo de Neemias. este imposto tinha que ser pago em moedas. excluindo. pode ter tido vários motivos. Kippenberg. Finalizo com H. Por que a repreensão de Neemias? É que o endividamento tem como objetivo vender ao estrangeiro o judeu empobrecido. senão vender seus filhos e filhas como escravos?"[54]. como: o o o o o piora da qualidade da terra mau tempo que prejudicou a colheita crescimento do número de familiares divisão e diminuição das terras por causa da herança exigências estatais de pagamentos de impostos. deterioração da terra ou mau tempo.

Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. Lisboa. Judaism from Cyrus to Hadrian I-II. FINLEY. PLUTARCO. o Grande. M. Difel. 1986.. em Vidas Paralelas IV. Alexandre Magno. P. A cidade grega. LÉVÊQUE.. 1988. 1978-1981. L./VIDAL-NAQUET. Brasília. I. ou na edição inglesa. Alexandre Magno. Edições 70. Editora da UnB. 138199. Porto.. Lisboa. Edições 70. São Paulo. História. Edições 70. Alexandre. J.) I-II. pp. Fortress Press. Anabasis Alexandri. Isto se a lei tiver funcionado.. 1976. Religião e formação de classes na antiga Judéia. GLOTZ. PLUTARCO. G. Alexandre. pela SCM Press. H. AUSTIN. 19882. O mundo helenístico. Lisboa. BENOIST-MÉCHIN. Harvard University Press. 2 vols. Brasília. Essai sur les origines du mythe d'Alexandre (336270 av. Alexandre. São Paulo. 1987. Economia e sociedade na Grécia antiga. 1992. Editora Três. s/d.. Nancy. . Jorge Zahar. Minneapolis. em Vidas.-C. DE CASTRO. L. Paulus. Leituras Recomendadas ARISTÓTELES. 1987. 1980. KIPPENBERG. 1980. G. Massachusetts. São Paulo. Lello & Irmão. HERÓDOTO. Université de Nancy II. 1989-1996. Lisboa/São Paulo. GRABBE. Cultrix. em um volume. P. Os gregos antigos. ARRIAN.). 1994.. HARVEY. 1973. o que não sabemos. Verbo. 1984. ORLANDI (org. São Paulo. 1985. P. M. São Paulo.... J.. P. Rio de Janeiro. Política .escravidão do judeu ao estrangeiro. Editora da UnB. Cambridge.. P. GOUKOWSKY..

Idem. Grand Rapids. ROSTOVZEV. 44. F.. KIPPENBERG.. Uma sociologia da religião de Israel liberto. pp. Paulus. Idem. Storia economica e sociale del mondo ellenistico I. c. H. Além de Flávio Josefo.. Histoire de la Palestine depuis la conquête d'Alexandre jusqu'a l'invasion arabe I. Du Cerf.. M. 10-12. 133-208. [40]. C. pp. Paulus. c.C.C. 42. NEXT [37].). O dinheiro. pp. Paris. 348. a excelente análise de KIPPENBERG. p. [39]. Cf. que se cristalizam por volta do século III d. [38].. Seguirei. JOSEFO. La Nuova Italia.PAUMAPE.. [41]. Cf. [42]. 1988. C. [45]. F. ibidem. [44]. 1981. H. pp.. Antiquitates Iudaicae. Paris. chama a atenção para a diferença entre dinheiro e moeda. GOTTWALD. H. atribuídas a Calístenes.. p. 317ss.. sobrinho de Aristóteles. 46-47. G.M. 43-44. G. 1996. Cf. XI. também ABEL.. 1952. Histoire d'Israel III. pp. 1250-1050 a. para esta questão. o. Baker Books.C. 63-64. 71. A. 1986. 40-50. o encontro do sumo sacerdote de Jerusalém com Alexandre é narrado também na "Recensão C do Pseudo-Calístenes" (um conjunto de lendas sobre Alexandre. 22-28. [1990]. como medida de valor na . História política. Religião e formação de classes na antiga Judéia. As tribos de Iahweh. p. E. ibidem. O texto em questão pode ser lido em PAUL.). SAULNIER. Paulus. G. no Anexo Tardio ao Meguillat Taanit (= Rolo dos Jejuns) e no Talmud da Babilônia (Yoma 69a). Persia and the Bible. São Paulo. o. 1985. ibidem.. Histoire d'Israel III. K. [43]. p. pp. N. Gabalda. pp. Idem. M. São Paulo.D. KIPPENBERG. Cf. SAULNIER...-135 a. São Paulo. 1983. MI. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a. YAMAUCHI. Firenze. 1992. O judaísmo tardio..

41. G.11 que se fala nas oliveiras: "Restitui-lhes sem demora seus campos. c. Desapropriação e escravidão não são compatíveis com esta ordem jurídica. Cambises de déspota e Ciros de pai. C. 89. 58. p.. 112-199. Loyola.. ibidem. [55].. Cf. p.. G. Brasília. A queixa dos camponeses é baseada no conceito de solidariedade judaica.. Por causa da fixação dos tributos e de outras medidas análogas. [52]. e posteriormente no de Cambises. p.. pp. 56. Cf. o shekel. também VENDRAME. fundamentada na relação de parentesco. pp. 1981. [51]. 53-72. e o Egito (à exceção da parte pertencente aos árabes. pagava trezentos e cinqüenta talentos e constituía a quinta província. HERÓDOTO. assim como a prata. H. Comunidade e propriedade na tradição bíblica. oliveiras e casas e perdoai-lhes a dívida do dinheiro. G. 179-180. Cf. 91. uma cidade fundada na fronteira da Cilícia com a Síria por Anfílocos. p. 1985.. c. Diz Heródoto: "No reinado de Ciros. [48]. p. diz: "A região situada entre Posidêon. Cambises era duro e insensível e Ciros era generoso e se preocupava com o bem-estar de seus súditos". O conceito de irmão ('âh) designa o membro de uma sociedade solidária. 1986. que abrangia toda a Fenícia. KIPPENBERG.. No Israel antigo caracteriza-se a riqueza pela posse do gado. Idem. não havia tributo fixo. [50]. c. 47.. [53]. KIPPENBERG. do vinho e do óleo que haveis emprestado". G. . GNUSE. a parte da Síria chamada Palestina. o. para o que se segue. pois Dareios negociava com tudo. H. c. os persas chamaram Dareios de mascate. São Paulo. p. [47]. H. sendo o pagamento feito em presentes. Ática. já existe bem antes da moeda. História III. pp. e Chipre". [49]... História III. Não roubarás. do trigo. 54-55. 180. ibidem. o. filho de Anfiáraos. HERÓDOTO. A escravidão na Bíblia. pp. R. [56]. KIPPENBERG. vinhas. Cf. [46]. o. isenta de tributos). É usado também o ouro.. pesado segundo o método sumério-babilônico. 50. o. É em Ne 5. São Paulo. c. o. Editora da UnB.troca de produtos. na forma de peças de enfeite. H. Idem. [54]. KIPPENBERG.

produz uma movimentação política e econômica incomum na Palestina. as guerras trazem também alguns benefícios para a região.. cerca de 1 milhão de habitantes e a comunidade judaica alcança o significativo número de 200 a 400 mil pessoas[8]. requisições. pois milhares de civis acompanham as tropas: mercadores. A Situação da Palestina de 323 a 301 a. núcleos de futuras cidades. Apesar das atribulações. fazendo da diáspora alexandrina a maior comunidade judaica fora de Israel.C. Daí as desgraças que atingem a região: pilhagens. deportações. Eumênio ou Antígono. . Aliás. Os dados são escassos e problemáticos. A cidade possui. Em Alexandria.C. A maioria é destinada ao trabalho escravo das minas e da agricultura[7]. escravos. Junto com o exército vem o comércio. traficantes de despojos. mulheres. deportando alguns milhares de judeus para o Egito. somadas às migrações e aos mercenários. Os veteranos se fixam nas colônias militares.. desmantelamento de defesas e bens imóveis para prejudicar o inimigo. pois os senhores da região mudam constantemente. C. Entretanto. na sua luta pela posse da Celessíria. dois dos cinco bairros da cidade são ocupados prioritariamente por judeus. porém. é muito difícil calcular a população judaica da diáspora. Ptolomeu I. na época romana. sustento das guarnições etc. seja sob o comando de Pérdicas. Antípater.7. toma Jerusalém em 312 a. por exemplo. acaba ficando bem no centro das disputas entre os diádocos. crianças.2. tais situações acabam aumentando espetacularmente o número de judeus no Egito. Qual é a situação da Palestina neste período de 22 anos de conflito entre os herdeiros de Alexandre? É claro que há uma enorme dificuldade de se seguir uma política coerente. A presença do exército macedônio. A região da Síria. Entre 323 e 301 a.. a Palestina é cruzada cerca de oito vezes por exércitos em luta. na verdade.

chegando até a Mesopotâmia.) coloca frente a frente Ptolomeu II Filadelfo e Antíoco II Theos. A 1ª guerra síria (274-271 a. seu filho mais velho com Laodice. de Alexandria. além disso. Outra invasão levao a algumas vitórias. e dá sua filha Berenice em casamento a Antíoco II. A região da Celessíria fica fora da guerra. Os Ptolomeus. desaparecido em circunstâncias misteriosas. quando Antíoco II ao morrer em Éfeso. Mas este deve repudiar sua esposa Laodice e os filhos que teve com ela. Parece que Ptolomeu II procura construir. direito a ser reivindicado na hora certa. a médio prazo. por Laodice. O acordo e o casamento são realizados.A guerra coloca em circulação. talvez assassinado por Laodice.) acontece entre Ptolomeu III Evergetes e Selêuco II Calínicos. Todo o episódio é extremamente confuso pela quase total ausência de documentos[11]. Ptolomeu III invade a Síria e obtém grandes vitórias. de Antioquia. A guerra começa com a invasão da Síria por Ptolomeu II. A 3ª guerra síria (246-241 a.pois esquadras são montadas e destruídas fazem prosperar as cidades da costa[9]. E também por razões comerciais: a posse dos portos da Celessíria lhes garante o controle do Mediterrâneo Oriental e a ligação com a terra-mãe. porque não podem se sentir seguros no Egito se suas fronteiras não estiverem protegidas pela Celessíria. Motivado pelo assassinato de sua irmã Berenice . nomeia Selêuco. a Macedônia. As Guerras Sírias entre Ptolomeus e Selêucidas O domínio dos Ptolomeus sobre a Celessíria dura 103 anos. um direito dinástico sobre o reino dos Selêucidas. agora. Só que alguns anos depois. Deste conflito decorrem as chamadas "guerras sírias"[10].C. onde vivia Laodice. Os Selêucidas lutam pela região porque precisam cortar as bases dos Ptolomeus instaladas na costa da Ásia Menor. com certeza. que é repelido. após a morte de Antíoco II. A 2ª guerra síria (260-253 a.3. para sucedê-lo -.ou talvez chamado por ela em seu socorro. . assim. As grandes construções navais . menos a Cária.C. enormes quantias de dinheiro. Berenice e seu filho são assassinados. A paz é feita quando Ptolomeu II cede aos Selêucidas suas possessões da Ásia Menor. 7. Antíoco II retoma as cidades da Ásia Menor que Ptolomeu II incorporara ao seu reino. e Antíoco I Soter. Durante todo este tempo Ptolomeus e Selêucidas lutam pela Síria.) é um confronto entre Ptolomeu II Filadelfo.C.

7. e Antíoco III é derrotado.C.C. a forma de uma clâmide12. até atravessar a Palestina em 218 a. selêucida e ptolomaico. porém. mas é repelido por Ptolomeu III. Antíoco III avança novamente através da Celessíria e vence cidade após cidade.C. tem um perímetro de mais de 15 km. Em seguida. tem apenas 5 anos de idade. Antíoco III invade a Celessíria e quase não encontra resistência. por isso. O Egito só não é tomado porque Roma o proíbe a Antíoco III. E os judeus de Jerusalém mudam. mas é barrado pelas forças ptolomaicas no ano de 221 a. a não ser em Gaza. Alexandria tem 5 bairros. Construída segundo uma forma alongada.4. no norte da Palestina. é totalmente derrotado por Antíoco III em Panion (Baniyas). A 5ª guerra síria (202-198 a. Selêuco II tenta tomar a Celessíria.C.) é entre Ptolomeu IV Filopator e Antíoco III.C.. Em 217 a. Agátocles é assassinado e Scopas dirige o exército ptolomaico que. Estas três primeiras guerras sírias quase não afetam a região de Judá.Selêuco II. os dois exércitos. planejam reparti-lo entre si. daqui para a frente. Ptolomeu V. em 198 a. Há. um período de relativa paz.). perto do braço canópico do Nilo. Alexandria e os Judeus O governo dos Ptolomeus se faz a partir de Alexandria. A Celessíria. entretanto. consegue retomar as cidades conquistadas pelos Ptolomeus. será. o Grande.C. travam grande batalha perto de Ráfia. A 4ª guerra síria (221-217 a.) se dá entre Ptolomeu V Epífanes e Antíoco III.C. A tutela e a regência ficam com os ministros Sosíbio e Agátocles. Com o Egito assim enfraquecido. com os nomes das 5 primeiras letras do alfabeto grego. que favorece o desenvolvimento da região sob a administração ptolomaica. no sul da Palestina. de dono. no istmo entre o Mar Mediterrâneo e o lago Mareótis. selêucida. Como é Alexandria? Qual é a sua relação com o Egito? Como vivem aí os judeus? Alexandria está localizada a oeste do delta do Nilo. A Celessíria retorna às mãos dos Ptolomeus.C. Em 219 a. O crescimento econômico acontece especialmente sob o governo de Ptolomeu II Filadelfo (285-246 a. Antíoco III e Filipe V. mas uma vez. O plano da cidade é do ródio . o herdeiro. da Macedônia. Quando morre Ptolomeu IV Filopator. o Grande: Antíoco III tenta tomar a Celessíria.

Como explica P. por acidente. Lévêque.C. gramático latino do século II d. aliás.C. é uma academia literária fundada por Ptolomeu II. cerca de 40 mil volumes são destruídos pelo fogo. O Museu é sustentado pelo Estado e ali os sábios convivem. anexo ou próximo à biblioteca. Veja aqui as recentes descobertas.Deinócrates: duas vias principais de 30 metros de largura cruzam-se em ângulos retos. o que produz uma disposição em tabuleiro de xadrez.C. e que para entendê-los era necessário traduzir e reunir seus livros. mas também como instrumento de dominação"[14]. chama o Museu de "gaiola das Musas". L. como Aulo Gélio. o palácio. sem que. O porto é dividido em dois pelo Heptastádio. Canfora acredita que "os gregos não aprenderam a língua de seus novos súditos.. a biblioteca. o museu e o teatro. onde "são criados uns garatujadores livrescos que se bicam eternamente"[15]. que vive na corte de Ptolomeu II Filadelfo. por exemplo. Em 47 a. um filósofo (pitagórico?) que de fato parece ter sintetizado as pesquisas anteriores efetuadas especialmente nas cidades coloniais. para dominá-los. da Alexandria submersa O Museu. A biblioteca teria chegado a possuir cerca de 700 mil volumes. é fundada por Ptolomeu I e notavelmente aumentada por Ptolomeu II. A biblioteca de Alexandria. "o urbanismo hipodâmico apareceu cerca de 480. a maior e mais célebre das bibliotecas da antigüidade. que vive em Atenas.C. A tradição liga-o ao nome de Hipódamo de Mileto. obra de Sóstrato de . discutem e produzem a ciência da época. segundo autores antigos. bairros especiais para o porto. Está fundado em dois princípios novos: 1) as ruas cortam-se em ângulo reto. o túmulo de Alexandre. 2) o plano quer-se funcional e reserva. E em 642 d. como virá a ser o caso nas criações romanas. Os monumentos que se destacam em Alexandria são o ginásio. feitas por Franck Goddio. os edifícios públicos. é complementada por outra localizada no Serapeum (o templo de Serápis). conquistador árabe da região. O Farol.. Localizada no bairro real.250 metros que liga a ilha de Faros à terra firme. a biblioteca teria sido queimada por ordem do califa Omar. existam dois eixos principais. mas compreenderam que. era preciso entendê-los. o habitat"[13]. de nome Timão. Um poeta e filósofo satírico grego do século III a. Assim nasceram bibliotecas reais em todas as capitais helênicas: não apenas como fator de prestígio. Este plano é conhecido como hipodâmico. um paredão de cerca de 1. o tribunal. próxima ao Museu.

que é obra do rei. Situada. enquanto que de largura os istmos encerrados entre o mar e o lago têm cada um de 7 a 8 estádios. Como estes sopram sobre as vastas extensões do mar. mas há duas cuja largura excepcional excede um pletro [cerca de 30 metros] e que se cruzam em ângulo reto. ela possui apenas duas vias terrestres de acesso. o rei dotou os habitantes de Alexandria de um clima temperado. praticamente todos os reis do Egito até hoje têm acrescentado ao palácio edifícios suntuosos.5 km]. A cidade tem jardins públicos muito belos. uma maravilha por suas dimensões e sua beleza. Ele lançou igualmente as fundações da muralha. Uma vez medido o terreno e dividido em bairros segundo todas as regras da arte. ele [Alexandre] ordenou às pessoas que deixou no local com esta missão que a edificassem entre o lago e o mar. Autores antigos nos falam de Alexandria. cujos lados maiores são aqueles banhados pelas águas: eles têm cerca de 30 estádios [o equivalente a 5. entre um grande lago e o mar. Alexandre ordenou também que se edificasse um palácio: esta grande e poderosa obra é também uma maravilha. A forma que ele lhe deu é bastante próxima à de uma clâmide. e refrescam o ar da cidade. o rei deu à cidade o nome de Alexandria. ótimo para a saúde. Ela se estende de uma ponta a outra com um comprimento de quarenta estádios e uma largura de um pletro [cerca de 30 metros] e ela é toda ornada de edifícios suntuosos. assim como palácios reais que ocupam um quarto ou um terço de sua superfície"[17].Cnido. estreitas e fáceis de vigiar. Diodoro XVII.). tem três andares e 110 metros de altura.52. Após Alexandre.C. e o hábil traçado das ruas. casas e templos. entre eles Estrabão e Diodoro[16]: Estrabão XVII. a cidade adquiriu em seguida uma tal extensão que muitas a consideram como a primeira do mundo. De fato. que é de uma dimensão extraordinária e de uma solidez impressionante. faz com que ela seja atravessada pelo sopro dos ventos etésios. com uma grande avenida que corta a cidade pelo meio.8 diz o seguinte: "A cidade tem a forma de uma clâmide. suas dimensões. por sua beleza. Sua construção se dá no começo do reinado de Ptolomeu II Filadelfo (285-247 a.I. Todas as ruas permitem a circulação a cavalo ou de carro. Ela está muito favoravelmente situada perto do porto de Faros.1-5 descreve do seguinte modo as características de Alexandria: "Como decidira fundar no Egito uma grande cidade. Enfim. com efeito. tirado de seu próprio nome. a .

de longe. vivendo depois em Siracusa. três fatores explicam o enorme desenvolvimento de Alexandria: o o o é a capital dos Ptolomeus e toda a burocracia do reino lágida aí se concentra é o centro de intensa atividade econômica. Alexandria é um entreposto de produtos da África e do Oriente. O rei. Segundo P. Arquimedes. Sua manutenção é garantida pelo abundante trigo egípcio. diretor da biblioteca. famoso matemático. ela ultrapassa. um dos diretores da biblioteca de Alexandria. outro diretor da biblioteca. Préaux assim resume o caráter específico da economia de Alexandria: a cidade vive em simbiose com o rei. Alexandrinos controlam a Celessíria. Píndaro etc. que calcula a circunferência da terra.abundância das rendas públicas e de tudo aquilo que faz o prazer da existência. a corte e os gregos a serviço do rei são os clientes da indústria e do comércio. que inventa a trigonometria. C. desenvolvendo a geometria e a teoria dos números. o único verdadeiro porto do Egito no Mediterrâneo. . Do ponto de vista comercial exporta vários produtos do campo egípcio. Aristarco de Samotrácia. gramático e poeta. gramático. Seus bancos fazem crescer a receita real. E por aí afora[20]. não podem rivalizar com ela. Apolônio de Rodes. Do ponto de vista cultural basta que nos lembremos de Eratóstenes. Alexandria é uma cidade totalmente isolada do Egito. Zenódoto de Éfeso. Náucratis e Ptolemaida. que aí chegam por via terrestre e marítima[21]. matemático e geógrafo. importa e exporta inúmeros produtos é um dos centros culturais mais importantes do mundo grego[19].C. diretor da biblioteca. Hesíodo. Lévêque. Alexandria é praticamente a única cidade do Egito. gramático que prepara edições críticas de Homero. mas praticamente o Egito nada consome do que é produzido em Alexandria. Euclides.C. Entretanto.. calcula a duração do ano solar e cataloga estrelas. um dos maiores matemáticos da Antigüidade. pois as outras duas que têm o estatuto de pólis. Hiparco. provavelmente estuda em Alexandria.. nascido em 190 a. conquistada pelos Ptolomeus. que vive em Alexandria no século III a. as outras"[18].

com seus rigorosos critérios de raça. Esta Carta é o primeiro documento que menciona esta comunidade. É uma espécie de cidade dentro da cidade. a politeía.Já dissemos que os judeus são numerosos em Alexandria. Não se sabe bem o alcance dessas funções judiciárias: as sentenças são executadas pela comunidade judaica ou por instâncias reais? O etnarca tem competência jurídica sobre todos os casos ou somente sobre aqueles em que a lei judaica difere do direito grego?[24].várias profissões: são soldados. Os judeus têm em Alexandria um etnarca. Ser ""cidadão" e ser "diferente" . os anciãos da delegação de tradutores. agricultores."[23]. É A. que é uma imagem medieval. puseram-se de pé os sacerdotes. Paul quem explica: "Segundo a tradição grega antiga. A cidadania alexandrina exigiria do judeus um modo de vida que violaria as regras específicas da Lei judaica. Os judeus.pois não estão apenas em Alexandria .como são os judeus . diz o texto: "Enquanto se liam os rolos.. conhecida como a LXX. Em Alexandria provavelmente era este o meio habitual para se obter legalmente o título de cidadão. Qual é a sua situação? Os judeus ocupam dois dos cinco bairros de Alexandria. ou 'cidadania' grega total (isopoliteía) significava inegavelmente a apostasia"[26]. artesãos. funcionários. especialmente no que se refere às práticas alimentares. título que a administração real confirmava quase automaticamente. . Mais raramente comerciantes.é impossível[25].. O etnarca exerce funções administrativas e judiciárias. E por isso os judeus não têm o título de cidadãos de Alexandria. Exercem. E nisto diferem da imagem clássica que temos do judeu. todavia. Para os judeus. como a própria etimologia do nome indica (do grego pólis = "cidade" + sufixo que indica o resultado da ação). em todo o Egito . têm um políteuma em Alexandria[22]. À diferença da época romana. a primeira condição para alguém adquirir a 'cidadania' ou a politeía era a educação recebida no ginásio com a formação específica no ephebeîon. os representantes da comunidade (kaì tôn apó tou politéumatos) e os chefes da população e disseram. segundo a Carta de Aristéias a Filócrates. certamente escolhido pela comunidade e referendado pelo rei. Falando da leitura da versão grega da Bíblia. O políteuma é um recurso que permite às comunidades preservarem sua cultura e seus direitos. o período dos Ptolomeus foi um pouco laxo neste ponto.

CANFORA. [14]. pp. pp. XVI. Diodoro Sículo. com a dança.-M. com a música para flauta. Evergetes significa "Benfeitor". 4487. [8]. Melpomene. A clâmide é um manto grego que se prende por um broche no pescoço ou no ombro direito. Polímnia.Soter. Sobre a 4ª e a 5ª guerras sírias temos boas informações em POLÍBIO. o. História V. CANFORA. C. C.C. pp. Cf. c.NEXT [7]. Cf.234-261.. c. 457-458. [15]. F. o. 63-87.. porque salvou os ródios de um cerco imposto por Demétrio. Epífanes etc .-M...lhes são. [10]. Evergetes. Filadelfo. Terpsicore. Cf. Clio. Urânia. C. [11]. 26-44. 28. pp. Brasília. produz uma importante obra de geografia universal. São Paulo.. Histoire d'Israel III. em 29 a. [9]. PRÉAUX.C. . 63.. 30-32. Le monde hellénistique I. Cada uma delas se relaciona com uma arte: Calíope. com a comédia. esta questão em SAULNIER. WILL. ABEL. com a história.. vol. c.C. Epífanes é o "Manifesto". Cf.. Euterpe. L.C. Theos. LÉVÊQUE. c. L. c. A biblioteca desaparecida. com os cantos sacros. PRÉAUX. ABEL. 39-45. 18-19. 293311.. C. o.. c. Erato..245-251. o. p. pp. F. Estrabão é um geógrafo grego que vive de 63 a... 39-43. 139-155. O mundo helenístico.. [13]. o. O nome "museu" vem das musas. F. ABEL.. Cf. 1982. pp. 1989. com a tragédia. por exemplo. também PRÉAUX. pp. pp. [16]... Cf. 286-287.. 146150. 194195. 233-238. com a poesia épica. Histórias da biblioteca de Alexandria. pp. c. 2.. 231-233. Após se instalar em Roma. historiador grego romanizado do século I a. 118-121. Theos é o "deus" etc. c. pp. Ptolomeu I... pp. "Salvador". PRÉAUX. com a astronomia e Talia. o. o. 1985. em geral. Editora da UnB. nota 3. p. com a música para lira. [12].-M. é chamado de Soter. Estes títulos dos reis helenísticos . E. a 20 d. atribuídos por cidades às quais eles prestam algum serviço ou libertam de algum inimigo. o. Companhia das Letras. pp. Cf.. C. P. que na mitologia grega são as nove deusas da literatura e das artes.

C. A Administração Ptolomaica da Palestina Este sistema administrativo ptolomaico é também implantado na Palestina.) [17]. Le monde hellénistique II. 365.C. durante os 103 anos de domínio de Alexandria sobre a região.... PRÉAUX.C. P. pp. Presses Universitaires de France. 510-511. Histoire d'Israel III. PAUL. Trata-se. pp. La Grèce et l'Orient (323146 av. J. Histoire d'Israel III. p.. O judaísmo tardio. Cf. de um escrito judeu. Cf. p. 456. de fato. para esta questão. CARTA DE ARISTEAS A FILÓCRATES.. [25]. "O autor se faz passar por um grego. A.. [22]. 454-455. a discussão sobre a cidadania dos judeus de Alexandria em STERN. Idem. [19]. uma história universal que abrange desde os tempos mitológicos até a conquista da Gália por César (58-51 a. Cristiandad. C. profundamente marcado pelas categorias do pensamento helênico.". pp. p.-C) II. 7. HARVEY. 119-120. 359-360. 69. entretanto a hipótese mais razoável parece ser a que se situa na metade do século II a.. ibidem. com . explica SAULNIER. Le monde hellénistique II. A. 1983.. M. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. 310. "Etnarca" significa aquele que governa uma etnia. respectivos verbetes. C. [21]. 399-403.. Le monde hellénistique. Cf. Cf. p. P. em 21 a. Cf. [20]. [18]. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. 19882. p. [24]. adorador de Zeus. O mundo helenístico.. pp. 61.6. Apócrifos del Antiguo Testamento II. A data desta obra é discutida. PRÉAUX.. Mas.. C. Cf. SAULNIER. LÉVÊQUE. que escreve a seu amigo Filócrates para lhe relatar sua embaixada junto ao sumo sacerdote Eleazar. Cf. p.publica. [23]. PRÉAUX. 497. em DIEZ MACHO. C. Cf. [26]. Paris. C. Madrid.

aos senhores estrangeiros.algumas modificações. na Iduméia e na Transjordânia não têm qualquer estatuto especial. incluindo as colônias militares macedônias as tribos dos nabateus e dos árabes. por elas. da administração das finanças[38]. a famílias ricas da terra. entretanto. Os Ptolomeus implantam um sistema de arrendamento. Será o conhecido Sinédrio da época de Jesus. tanto na Judéia quanto na Iduméia. são inexoravelmente helenizadas. Acco-Ptolemaida. Politicamente a região da Celessíria é composta das seguintes etnias: o o o o o o cidades fenícias ao longo da costa. Ascalon. no sul e na Transjordânia. Sídon. como Tiro. do direito de cobrar os impostos locais. no sentido da Grécia clássica. O modo de vida grego se implanta mais rapidamente nas cidades fenícias. pois a estrutura social da região é diferente da egípcia e a complexidade política é maior. um oficial especial que se encarrega. Gaza. onde valem as leis tradicionais do povo judeu e onde o sumo sacerdote é o chefe principal. dentro do reino ptolomaico. Assim são as mais importantes cidades fenícias e palestinas. Outra instituição que se desenvolve provavelmente durante o domínio ptolomaico é a gerousia (= senado). pelos sacerdotes e pelos escribas do Templo. . Mas há cidades que se aproximam do modelo da pólis grega. O centro administrativo parece ser Acco. com seu povo judeu os povos samaritano e idumeu grupos descendentes de cananeus e sírios várias cidades no interior. uma assembléia aristocrática composta pelos chefes das famílias mais influentes. Acredita-se. na Samaria como na Galiléia. de Ortozia a Gaza o distrito do Templo de Jerusalém. que tem seu nome mudado para Ptolemaida. mas o distrito de Judá é considerado como "Estado do Templo". com seus magistrados e seu território. repassados. território sagrado. Jope e Dor. Ou Marisa. Uma de suas funções é a de limitar o poder do sumo sacerdote. mas também as póleis mais significativas do interior. Os judeus que habitam na Galiléia. na Iduméia[37]. que já teria havido. Não há cidades livres. no tempo dos Ptolomeus. ao lado do sumo sacerdote.

E tal política se implanta principalmente através da aliança grega com os aristocratas locais. É a maneira mais eficaz de impedir o avanço de seus rivais Selêucidas sobre a região. valendo o mesmo para as pessoas livres vendidas em leilões reais. Ele é digno de nota porque legaliza a escravidão como conseqüência da inadimplência fiscal"[40].C. Mais adiante. porque a caça ao homem livre cria uma desordem perigosa na região. sob qualquer pretexto. na verdade estabelece um monopólio real na venda de homens livres. convém observar que o desenvolvimento econômico da região da Celessíria faz parte de uma estratégia política bem definida por parte dos Ptolomeus. invadindo o território dos judeus . onde naquela época grassava a escravidão. Todos aqueles que tomaram parte na expedição de nosso pai nas regiões da Síria e da Fenícia e. aparentemente filantrópico. a respeito dos judeus: "Ordem do rei. mas também política. continua o decreto: "E no futuro a ninguém será permitido. Muito próximo deste decreto é outro conservado na Carta de Aristeas a Filócrates.: "Ordem do rei. exceto aqueles que o governador das rendas do Estado sírio ou fenício entregou ao processo de execução (prosbolé = arremate de propriedade a terceiros). vender ou penhorar nativos livres. G. ou o adquiriram de um ou outro modo. devem declará-lo e apresentá-lo ao ecônomo em qualquer hiparquia dentro de vinte dias após a publicação deste decreto". desta vez.De modo geral. É uma medida econômica. É bem ilustrativo da política ptolomaica para a região da Celessíria um decreto de Ptolomeu II Filadelfo. também emitido por Ptolomeu II Filadelfo. Os habitantes da Síria e da Fenícia. também daqueles sobre os quais já foi pronunciada a pena de execução. provavelmente de 261/260 a. só que. dos quais já falei a propósito da crise agrária da época de Neemias. provocando a indignação e a revolta das populações locais. após declarar que podem ser conservadas as pessoas que já eram escravas antes da compra. Kippenberg observa a propósito: "Pode-se duvidar de que este decreto tenha realmente surtido efeito na Palestina. que compraram um nativo livre (sôma laikòn eleúteron) ou dele se apropriaram com violência. como se encontra na lei do arrendamento"[39]. Este decreto. H.

Também os arquivos de Zenão são importantes para a compreensão da administração ptolomaica da Palestina[42].. na Alemanha.C. os papiros de Zenão são dispersos pelo mundo afora durante a 1ª Guerra Mundial. e Zenão está também. não sendo. Descobertos por escavadores clandestinos. perto da antiga Filadélfia. onde entra para o serviço de Apolônio. por isso. mantém sua dôréa. isto é. Zenão deixa Apolônio . quer os tenham trazido para a cidade [de Alexandria] e para o país [do Egito].C.C. quer os tenham vendido a outros . Trata-se de uma coleção de cerca de 2. cidade da Cária controlada por Ptolomeu II. os outros no banco real"[41]. Acredita-se que teria sido para proteger-se contra possíveis problemas jurídicos e políticos futuros a respeito de suas posses que Zenão meticulosamente arquiva os papiros referentes aos negócios de Apolônio sob sua responsabilidade e os papiros relativos a seus próprios negócios. na Itália. Apolônio.C. encarregado das finanças e da fiscalização de todo o reino.). os militares no pagamento de seu soldo..C. Estamos em plena segunda guerra síria (260-253 a. um funcionário do governo. encontrados após 1910. A partir deste ano. no qual permanece 13 anos. Mas Apolônio parece não separar bem estas duas esferas de negócios. A dôréa de Apolônio é liquidada em 243 a.do qual não temos mais notícias após 245 a. Os papiros cobrem um período de 32 anos. a sua dôréa durante nove anos . entre 261 e 229 a.e cuida de seus negócios particulares.tornaram-se senhores de indivíduos judeus. O seu último documento datado é de 14 de fevereiro de 229 a. Estão em Londres.C. portanto...C. originário de Caunos. de 261 a 248 a. Zenão vai para o Egito. por um período de 13 a 14 meses. ligado às questões públicas. a pública e a privada. no final de 260 a.000 papiros.administra. localizada nas vizinhanças do oásis de Fayum.e se dedica a seus negócios particulares em Filadélfia. o poderoso Apolônio. . Zenão vai para a Palestina.igualmente os que são da mesma raça e que os tenham precedido aqui ou que tenham sido deportados depois deles .C. onde o dioceta de Ptolomeu II Filadelfo. Fica na região até o começo de 258 a. em viagem de negócios para seu patrão. em New York.que os possuidores os deixem livres e recebam imediatamente em compensação 20 dracmas por cada pessoa. ao mesmo tempo que é um poderoso ministro de Estado. e trazem os arquivos de Zenão. é também um grande proprietário e negociante. por exemplo. Zenão é um de seus homens de confiança . no Cairo. .

registrada no seguinte contrato: "No ano vinte e sete do reinado de Ptolomeu. e de seu filho Ptolomeu. todos os dois clerucos do corpo de cavaleiros de Tobias. divide-se em aldeias (kômê) chefiadas por um comarca. Polemon. Heráclito. filho de Filipe. filho de Agreofon. juiz. Sem ser funcionário ele tem a função de conduzir delicadas negociações oficiosas"[44].. mas é possível que ele tenha desembarcado em Gaza e da lá ido a Marisa. Foi fiador [. filho de Botes. assim como os nomos egípcios. cauniano. Zenão fiscaliza também a hiparquia da região norte da Celessíria. milésio. Este distrito. Nesta cidade ele se vê às voltas com a fuga de três escravos que comprara na Iduméia. . Timopolis. Para lá chegar. Foram testemunhas [. Como o dioceta Apolônio é também responsável pelos suprimentos do exército ptolomaico. por cinqüenta dracmas. do séqüito de Tobias. do séqüito de Apolônio o dioceta. Apolônio é o proprietário da aldeia de Beth-Anath da Galiléia. a missão de Zenão. filho de Ptolomeu. que atinge as fronteiras do reino. cnidiano.. filho de Straton. filho de Ananias. na Transjordânia. ele passa por Jerusalém e Jericó. cleruco de Tobias. Demóstratos.]. aspendiano. C. de sete anos de idade. fazendo o leva-e-traz entre Alexandria e a Síria-Fenícia a fim de informar seu patrão diretamente sobre os problemas financeiros colocados pela proximidade das operações militares. como a compra de uma menina escrava. O seu roteiro na região não é muito fácil de ser reconstituído. o persa.. Uma hiparquia é um distrito territorial governado por um hiparco. não é apenas privada. ateniense. filho de Timarcos. Zenão. segundo um papiro da coleção. na birta de Auranítide. Orrieux observa a propósito da visita de Zenão à fronteira com os Selêucidas: "Pode-se imaginá-lo como um enviado especial de Apolônio.. Zenão realiza negócios para Apolônio e para o rei Ptolomeu II. macedônio. filho de Dionísio. vendeu a Zenão. Nicanor. uma escrava babilônia chamada Sfragis. no mês de Xandikos. Com os Tobíadas. filho de Xanocles. todos os quatro do séqüito de Apolônio o dioceta"[43]. sendo epônimos o sacerdote de Alexandre e dos deuses irmãos e a canéfora de Arsinoé Filadelfo que estão em função em Alexandria. na Iduméia. Zenão visita igualmente a Galiléia e fiscaliza propriedades de Apolônio nesta região. colofoniense. Interessante é também sua visita aos Tobíadas.quando Ptolomeu II enfrenta-se com o Selêucida Antíoco II.].

No ano seguinte. A primeira é dirigida a Ptolomeu II. Tobias. a serviço do qual punha seus soldados.4). . Ele me fez provar o vinho e eu não pude adivinhar se ele vem de Quios ou da propriedade. saudações (. vinho e figo que lhe devem fornecer.) Ao chegar a Baitanata. ele comanda o clã. Tobias era o chefe de uma importante tribo local. Os Tobíadas vivem numa espécie de feudo na Transjordânia. transmitida por Flávio Josefo[48]. construída inicialmente para resistir às invasões dos beduínos do deserto). ao sul do Galaad. o Tobíada e de seu filho Hircano. mas os camponeses estão em desacordo com ele quanto à quantidade de trigo. a segunda a Apolônio. Considero satisfatório a situação dos trabalhos. identificada pelos arqueólogos com o `Arak el Emir atual. uva. dirige uma cleruquia lágida na Transjordânia. Ele me disse que a vinha tem 80 mil pés. O centro do território é a birta (= fortaleza) de Amon. Diz A. Ele construiu uma cisterna e uma casa adequada. como testemunha a seguinte carta enviada a Apolônio: "Glaukias a Apolônio. Passe bem! Ano 23. Tu podes acreditar que um acaso feliz te favorece de todas as maneiras.C. Xandikos 7"[46]. Outro dado interessante para se conhecer a administração ptolomaica da Palestina é a história de José. O que resulta da leitura destes papiros é a impressão de intensa atividade política e econômica dos Ptolomeus na região da Palestina.. como documenta um dos papiros de Zenão[45]. ilustram suas relações com os Ptolomeus. Quando Zenão visita a Palestina em 259 a.O seu administrador consegue aumentar extraordinariamente a cultura da vinha. tendo ainda as funções de um prefeito do rei do Egito. Paul: "Comandante de uma klerouchia militar (cujo centro era a birta ou `fortaleza' de família. pertencentes aos papiros de Zenão. suas relações e suas influências"[49].000 papiros do arquivo recuperado próximo a Fayum. eu tomei comigo Melas e nós examinamos as novas plantações e todos os outros empreendimentos. o administrador consegue sucesso. Estas notícias sobre a viagem de Zenão estão em cerca de 40 daqueles quase 2. Estes administram os territórios conquistados "com a mesma desenvoltura com que um agricultor macedônio administra suas próprias terras"[47]. entretanto. Duas cartas de Tobias.. descendente do Tobias da época de Neemias (Ne 13.

escravos [.[50].000 talentos para a província sírio-fenícia. Felicidades! Ano 29. O rei Lágida. sobrinho do sumo sacerdote Onias II por parte de mãe. por exemplo. Como? Diminui o número de bocas para comer.C.. Xandikos 10 [13 de maio de 257]". "Tobias a Apolônio. José ofereceu o dobro. olivais em vez de cereais. como é o certo.. baseando-se no fato de que a terra era propriedade do dominador"[52]."Ao rei Ptolomeu. através da escravidão . Passe bem! Ano 29. que é de 20 talentos.. A seguir vem as características dos escravos. As cidades provavelmente só puderam pagar as novas cargas fiscais impondo aos camponeses doação parcial em mantimentos. após ser designado pelo povo como chefe (prostátes). um meio-onagro.] de excelente estirpe.C. para teu uso. ameaça então reduzir a Judéia a uma colônia militar. se recusa a pagar os impostos devidos aos Ptolomeus. dois jumentos árabes brancos de tração. seu filho Hircano o sucede no cargo. Onias II. as características destes rapazes.C. Ao morrer em 226 a. José. José recolheu o tributo das cidades e mandou executar os parentes dos magistrados que relutaram. partidário dos Selêucidas. até o advento dos Selêucidas na região. Quando acontece a terceira guerra síria ( 246-241 a. seis cães. . Tobias deseja bom dia! Eu te enviei dois cavalos. lembrando-me de ti sem cessar.e estimula culturas mais rentáveis. pró-Lágida... Com créditos samaritanos ele financia antecipadamente o arrendamento e "em lugar de 8.). enriquecendo-se com isso consideravelmente. vai representar os interesses da Judéia diante do rei Ptolomeu em 242 a. José. cruzamento de jumenta. Flávio Josefo diz que ele leva os judeus à prosperidade. Eu te enviei Aineas para te oferecer um eunuco e quatro rapazes. obtendo muito mais até: consegue o direito de recolher os impostos de toda a Celessíria[51]. tendo se suicidado quanto Antíoco IV assume o governo[53]. Ptolomeu III Evergetes. dois filhotes de meio-onagro e um filhote de onagro. Com o auxílio de 2 mil soldados ele exige duramente os impostos das cidades e dos campos. graças aos deuses! Eu estou bem. saudações! Se tu vais bem e se teus negócios e o restante estão como tu desejas.. nasce na Judéia em uma aldeia da família. Eu reproduzo. Dotado de plenos poderes estatais para aplicar a força.que ainda rende mais excedentes . o filho de Tobias. a seguir. Xandikos 10 [= 13 de maio de 257]".

que lhe abriram suas portas e pagaram seu tributo sem dificuldade alguma"[54]. dois mil homens das tropas do rei. 55-51 Cleópatra VII Filopator : 51-30 Leituras Recomendadas CANFORA. . Histórias da biblioteca de Alexandria. foi para a Síria. depois de ter dado a Alexandria quinhentos talentos. A biblioteca desaparecida. Os habitantes de Ascalon foram os primeiros a desprezar suas ordens.Vejamos um trecho do relato de Flávio Josefo sobre José. a fim de poder obrigar os que se recusavam a pagar os tributos e. depois. Não se contentaram em não querer pagar. Cronologia dos Ptolomeus Ptolomeu I Soter : 323-285 Ptolomeu II Filadelfo : 285-247 Ptolomeu III Evergetes : 247-221 Ptolomeu IV Filopator : 221-205 Ptolomeu V Epífanes : 205-181 Ptolomeu VI Filometor : 181-145 Ptolomeu VII Néos Filopator : 145-144 Ptolomeu VIII Evergetes (Físcon) : 144-116 Ptolomeu IX Soter (Latiro) : 116-107 Cleópatra III : 107-101 Ptolomeu X Alexandre : 101-88 Ptolomeu IX Soter (Latiro) : 88-80 Ptolomeu XI Alexandre II : 80 Ptolomeu XII Aulete : 80-58. O príncipe ficou tão satisfeito com seu proceder. através do qual poderemos apreciar os seus métodos: "José tomou. São Paulo. Mandou prender imediatamente vinte dos principais. mas ele soube castigá-los. escreveu ao rei para lhe dar contas do que tinha feito e mandou-lhe mil talentos do confisco de seus bens. L. dali por diante. Companhia das Letras. o Tobíada. que mandou matar.. mas o ultrajaram com palavras. O castigo dos ascalonitas encheu de temor as outras cidades da Síria. usasse deles como quisesse. que o elogiou magnificamente e permitiu que. 1989.

Judaism and Hellenism I.. [39]. Lisboa. Madrid. 22-23./MARCUS. LÉVÊQUE. London. 22. Religião e formação de classes na antiga Judéia. Cf. La civiltà ellenistica./WIKGREN. H. ABEL. Paris. R. o. TARN. Jerusalem.. Cf. 19882. H. CARTA DE ARISTEAS A FILÓCRATES. Le monde hellénistique II. Studies in their Encounter in Palestine during the Early Hellenist Period I. Paris.. W. HENGEL. C. pp. 364. pelo menos nos seus termos mais gerais. Presses Universitaires de Nancy. 1981./FELDMAN. The Israel Academy of Sciences and Humanities.-M... Rio de Janeiro. M.. F. Judaism and Hellenism. 51-60. Apocrifos del Antiguo Testamento II. p. A. H. História dos Hebreus. Nancy. La Gréce et l'Orient (323-146 av. 1983. Histoire politique du monde hellénistique (323-30 av. H. La Nuova Italia. F. p.-M. 1978.. PRÉAUX. p. [38]. JOSEFO.DIEZ MACHO. 1926-1965.. M. St. c. WILL. L. Histoire de la Palestine I. THACKERAY. Macula. Casa Publicadora das Assembléias de Deus. pp. A. 1987. Harvard University Press. E. C. G. L'orizon d'un grec en Egypte an IIIe siècle avant J.. Cf. em DIEZ MACHO. 74. c. Les papyrus de Zenon. pp.) I-II. Cambridge.. ABEL. C. Apócrifos del Antiguo Testamento II. HENGEL... Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I.. ORRIEUX. F. P. M.. C. 1983. 24-29. pp. Edições 70. SCM Press. 19792. 568 acredita na autenticidade deste documento. O mundo helenístico. Cf. KIPPENBERG.. o. [40]. 73-74. PRÉAUX. STERN. C. Josephus I-X. NEXT [37]. Histoire d'Israel III. A. 1976.. Le Monde hellénistique.-C) I. Obra Completa. 62-63. SAULNIER. Cristiandad. Presses Universitaires de France. KIPPENBERG...-C. J. Firenze. pp... . 1992... [41]. G. J. 19872. J.

Le monde hellénistique II. p. Cf. JOSEFO. p.. Greci e Barbari. [51]. SAULNIER.. M. José se tornou o mais alto funcionário civil de Jerusalém". Paideia. o. O contrato é redigido em abril/maio de 259 a. [47]. ORRIEUX. ORRIEUX. 43-44. pp. [50].. p. "ao qual estava ligado o principal cargo administrativo e financeiro da Judéia. PRÉAUX. C. c. 450-451.C. c.. pp. O documento segue as regras mais estritas para este tipo de escrito: ano de reinado.. Antiquitates Iudaicae. SAULNIER. 47. [54].. c. o. 6571. ORRIEUX. H.. sacerdotes epônimos dos cultos dinásticos. G. C.. F. corregência. PAUL. JOSEFO.. pp... Com isso. 178. Ebrei. O judaísmo tardio. o. c. Cf. Com o título de prostátes.. Esta carta está datada em 9 de maio de 257 a.C. Les papyrus de Zenon. Religião e formação de classes na antiga Judéia. C. p. G. Cf. diz PAUL.. H. Aspetti dell'ellenizzazione del giudaismo in epoca precristiana. 48. [49]. pp. [45]. HENGEL.. 571-572. 1981. sobre José e os Tobíadas. Cf. Cf. C. C. [52]. p.-M. A. 451-454. KIPPENBERG.. Histoire d'Israel III.. Cf.. KIPPENBERG. p. Histoire d'Israel III. ORRIEUX. Les papyrus de Zenon. Os Selêucidas: a Helenização da Palestina . o.. Brescia. [44].. C. C. 179. [53]. testemunhas etc. c. 181. de fato. uma transferência de poderes do sumo sacerdote pró-selêucida para o Tobíada pró-lágida. ORRIEUX. F.[42]. o. [48].. 42.. 76. [46]. c.. pp. fiador. ABEL. 158-236. C. Cf. 74-75. o. 42-43. A. XII. Antiquitates Iudaicae XII. efetuou-se. F. [43]. pp. p. 8..

fornecer-lhes. com quem entram em conflito.C. o Grande. implantam um acelerado processo de helenização dos vários povos e cidades da região. vence os exércitos dos Ptolomeus. os Selêucidas assistem aos progressivo declínio de seu Império. os judeus de Jerusalém o apóiam nesta luta.Em 198 a. Diz o decreto: "O rei Antíoco a Ptolomeu[1]. junto às nascentes do Jordão. artabes[2] sagradas de farinha de frumento. o Grande. O partido selêucida em Jerusalém está mais forte do que o ptolomaico. 1.C. nós. nos testemunharam sua benevolência. de nosso lado. Por isso. Em primeiro lugar. 8. como à nossa chegada em sua cidade. desde que entramos em seu país. Como os judeus. os reis Selêucidas. em vinho.460 médimos de trigo e 375 médimos[3] de sal. Para solidificar o fragmentado Império. e suas relações com os judeus e com Roma do governo de Antíoco IV Epífanes e seu conflito com os judeus das causas da helenização da Judéia. o Selêucida Antíoco III.) vence os egípcios em Panion (Baniyas). uma contribuição em animais de sacrifício. em razão de sua piedade. o Grande (223-187 a. os pórticos e tudo o que tiver necessidade de ser reconstruído. e expulsa definitivamente os Ptolomeus da Ásia. Que sejam terminados os trabalhos do templo. para os sacrifícios.1. reconstruir sua cidade arruinada pelos infortúnios da guerra e repovoá-la. fazendo voltar a ela os que foram dispersos. como eles proveram abundantemente à subsistência de nossos soldados e de nossos elefantes e visto que nos ajudaram a expulsar a guarnição egípcia instalada na cidadela. Quero que todas estas contribuições lhes sejam entregues segundo minhas instruções.C. em 197 a. decidimos.O Governo de Antíoco III. segundo Flávio Josefo.). medidas segundo o costume do país. havemos por bem reconhecer todos esses bons ofícios. eles nos receberam magnificamente e vieram ao nosso encontro com o seu senado.C. A anexação da Celessíria se dá a seguir. saudações. As madeiras serão tiradas na Judéia mesma e entre os outros povos e no . óleo e incenso.000 dracmas de prata. As questões que abordarei neste capítulo tratam: do governo de Antíoco III . no valor de 20. Jerusalém é contemplada com um decreto de Antíoco III. Pressionados por Roma. e especialmente Antíoco IV Epífanes (175-164 a. o Grande Quando Antíoco III.

os escribas do Templo e os cantores do Templo. Ficam isentos também do imposto coronário: a coroa de folhas é. óleo. do imposto coronário e da taxa sobre o sal. para o futuro. incenso. do terço do tributo. O mesmo será feito com todos os outros materiais necessários para se enriquecer a restauração do templo. em 201. em animais. imposto pessoal recolhido dos adultos. flor de farinha. ficam isentos da capitação.que sofrera três assédios consecutivos.o governo selêucida toma as seguintes medidas: o o o o o que seja dada uma contribuição real para os sacrifícios. . trigo e sal a madeira retirada da Judéia e do Líbano para os trabalhos de construção do Templo e dos pórticos está isenta de taxas todos os membros do povo judeu devem viver segundo as leis de seus pais o senado (gerousia).Líbano. Quanto aos que foram tirados da cidade e reduzidos à escravidão. Nós os isentamos ainda. o símbolo da vitória. a fim de indenizá-los de suas perdas. Além da reconstrução e do repovoamento da cidade . para os gregos. concedo àqueles que a habitam atualmente e àqueles que nela se estabelecerem até o mês de hyperberetaios[4]. nós lhes restituímos a liberdade e ordenamos que lhes sejam restituídos os seus bens"[5]. sem serem submetidas a nenhuma taxa. A madeira para a restauração do Templo está isenta do imposto alfandegário. as cidades começam a oferecer aos seus reis coroas de ouro ou uma soma equivalente . Examinemos um pouco o decreto. que incide sobre todas as mercadorias em circulação. Com o tempo. O senado e os funcionários do Templo ficam isentos da capitação. do imposto coronário e da taxa sobre o sal isenção de impostos durante três anos para os atuais habitantes da cidade e para aqueles que vierem nela morar até determinada data. Para que a cidade seja repovoada mais depressa. 199 e 198 a. O senado. É interessante observarmos as medidas de Antíoco III sobre os impostos[6]. os escribas do templo e os cantores do templo serão isentos da capitação. concedida aos vencedores dos jogos ou a um rei vitorioso[7]. os sacerdotes.C. os sacerdotes. Todos os membros da nação (éthnos) devem viver segundo as leis de seus pais. vinho. uma isenção de impostos durante três anos. para que a cidade seja repovoada mais depressa.

podendo somente o rei conceder a isenção.C. está incluída a ordem ao encarregado das finanças da província Transeufratiana. É preciso observar também que a reconstrução e o repovoamento da cidade são medidas necessárias para o fortalecimento do governo e dos interesses de Antíoco III naquela região disputada pelos Ptolomeus. este último sendo o caso de Jerusalém. liga o destino do éthnos (= nação) judeu às decisões reais. Na carta de nomeação de Artaxerxes a Esdras (do ano 398 a.). Provavelmente paga-se determinado valor ao governo. na Palestina. O que antes era espontâneo acaba institucionalizado e tornado obrigatório. H. se aceite o produto "in natura". Antíoco III reforça o papel da aristocracia. que tem boas salinas. que regulamenta o apoio material ao culto. Entretanto. finalmente. pois não superam as decisões comuns tomadas em relação a outras cidades. de um éthnos ou de uma cidade.C.C. nos enganar. bem como a isenção de tributos para sacerdotes. Cartago é uma colônia fundada pelos . G. exigido de uma província. mas porque o quer o governo selêucida[8]. Esta taxa é conhecida na Palestina e na Babilônia. a expansão selêucida sob Antíoco III. o tributo. Roma disputa com Cartago a posse da Sicília e o controle do Mediterrâneo ocidental. Apesar de parecerem benevolentes. entretanto. Os habitantes da cidade. naquela época. levitas. sob outro aspecto.em dinheiro. Ainda: o senado e o Templo ficam isentos da taxa sobre o sal. de um templo. 21-24)"[9]. em prata ou em produtos. cantores.? Durante o século III a.12-26). Kippenberg observa que "este decreto tem paralelo no documento de administração persa (Esd 7. será impedida por Roma na medida em que seus interesses entram em choque com a forte república na Europa. estas medidas não devem . associada há muito ao poder através da gerousia e que. Por que Roma e os Selêucidas se enfrentam no século II a. o Grande. com este decreto. são isentos durante 3 anos do phóros. O que Antíoco III faz é seguir a velha política persa em relação aos judeus. porteiros e servos do templo (vv. Deve-se observar que. Pois as leis dos antepassados (a Torá) devem ser obedecidas não porque assim o decidem os judeus. ou talvez .

desejosos de vê-lo frente a frente e de chamá-lo de seu salvador. outros. os eubeus. Então Roma faz uma acordo com a liga etólia12 . na qual Roma destrói Cartago e anexa seus territórios. e todos os presentes. Durante a segunda guerra púnica[11] Aníbal alia-se a Filipe V da Macedônia para abrir outro front para Roma. como sempre. quase o reduziram a pedaços"[13]. alguns dos presentes. os foceus.. Aliás. após ser derrotado por Roma. Durante os jogos Ístmicos.C. Os cartagineses constroem importante império comercial. em 197 a. e a maior parte lançando coroas e fitas frontais em sua direção. falando com os seus vizinhos ou consigo mesmos.. A terceira guerra. os tessálios e os perrébios'. sem guarnições em suas cidades e sem a imposição de quaisquer tributos e governados pelas próprias leis de suas respectivas pátrias: os coríntios. deixam livres os seguintes povos. oposta à Macedônia em um confronto pelo Épiro. maneira de barrar a interferência de Filipe V na Grécia. se dá entre 149 e 146 a.. ao mesmo tempo em que Roma se torna líder de uma poderosa confederação italiana. o arauto anuncia.C. os lócrios. em Corinto.C. Após muitas negociações frustradas. Roma enfrenta e vence Antíoco III na batalha de Magnésia. após a vitória sobre o rei Filipos e os macedônios.C. de tal maneira que terminados os jogos a multidão quase matou Flamínio com suas demonstrações de gratidão.C. Roma ataca a Macedônia e vence Filipe V em Cinoscéfalos.fenícios no norte da África (na região da atual Tunísia) talvez no século IX a. De fato. refugia-se na corte selêucida e instiga Antíoco III a lutar contra Roma. Fatalmente os interesses das duas potências se chocam e o enfrentamento militar torna-se inevitável. O cônsul Flamínio proclama a "liberdade dos gregos" em 196 a. os magnésios. este tema da "liberdade dos gregos" é pura manobra política. A segunda guerra acontece de 218 a 202 a. agiam a bem dizer como homens fora de si. Após vencer Cartago.) Cessadas as aclamações ninguém mais demonstrou o menor interesse pelos atletas. Três grandes guerras são feitas entre as duas potências[10]. no começo . bandeira desfraldada cada vez que reis e Estados rivais se enfrentam pela posse da região.C. com a vitória de Roma sobre o famoso general Aníbal. de 264 a 241 a. Aníbal. realizados naquele ano. ansiosos por apertar-lhe a mão. A primeira guerra dura 23 anos. segundo Políbio: "'O Senado de Roma e o procônsul Tito Quíntio. Desde o início haviam começado os aplausos ensurdecedores (. os aqueus ftióticos.

que tem 72 mil soldados. na Ásia. a paz entre Roma e os Selêucidas é estabelecida em Apaméia da Frígia. Rostovtzeff comenta: "A situação geral do mundo helênico não foi afetada por esta guerra. a opinião grega. e especialmente às cidades gregas. da qual ele é o responsável. nem mesmo em assuntos gregos. as províncias aquém do Taurus . 3 mil cavaleiros. 500 talentos eubóicos imediatamente. segundo a lista elaborada pelo cônsul. perde 50 mil homens de infantaria. quando são impostas humilhantes condições a Antíoco III[14]. nós lhe oferecemos paz e amizade sob condição de ratificação do Senado"[15]. Antíoco deve pagar a Roma o equivalente a 390. No futuro ele não terá mais elefantes e terá somente o número de navios que nós fixaremos. Daqui para a frente. prontamente o esmagava"[16]. Roma garantia 'liberdade'. . Antíoco III e seus sucessores debater-se-ão em crescentes lutas internas pelo poder. O talento eubóico. sem consultar. Em 188 a. embora de forma peculiar: Roma resolvia todas as disputas internas da Grécia.de 189 a. do nome da ilha de Eubéia. Só a Roma Antíoco deve pagar 15.C. Ele entregará todos os seus elefantes e todos os navios que indicaremos. A todos. 15 elefantes e Cipião faz 1400 prisioneiros. Todos os reinos helênicos eram independentes. conservado por Apiano. Assim começa o declínio do império selêucida.000 em doze anos. O equilíbrio de poder de que Roma se tornara guardiã continuou a existir. Logo. diz o seguinte: "Antíoco deverá abandonar tudo o que ele possui na Europa e. mas nenhum poderoso.C. assistindo à fragmentação progressiva dos seus domínios e lutando com grandes dificuldades financeiras. porém.as fronteiras serão traçadas em seguida. pai de Eumênio. cada anuidade devendo ser paga a Roma. Ele pagará pelas despesas desta guerra.000 talentos eubóicos. pesa cerca de 26 kg. O tratado de Apaméia. Ele nos entregará todos os prisioneiros e os desertores e restituirá a Eumênio tudo o que ele ainda retém das possessões adquiridas em virtude do acordo feito com Átalo. Antíoco.000 kg de prata. Os romanos perdem apenas 400 homens. mas no momento em que qualquer um deles mostrava tendências de realizar uma política independente. o Africano. Se Antíoco respeitar lealmente estas condições. Ele fornecerá vinte reféns. ajudado por seu irmão Cipião. O exército romano é comandado por Lucius Cornelius Cipião depois cognominado "o Asiático" -. 2.500 após a ratificação do tratado e 12. M.

É o conhecido incidente de Heliodoro.-M.C. além do dinheiro do Tobíada Hircano. superintendente dos seus negócios. ao contrário do que lhe fora dito. Este foi o fim pouco glorioso de Antíoco. Esta lenda nos oculta totalmente o que de fato acontece em Jerusalém neste episódio. Seu sucessor. Abel explica que ele foi "ao templo de Bel. quando saqueia um templo elamita. narrado em 2Mc 3. premidos que estarão por Roma. não levou em conta a coragem vigilante das populações desta região rude. pelos habitantes que acorreram em defesa do santuário. para conseguir dinheiro com que pagar aos romanos. O próprio Antíoco III é morto em 187 a. escolhendo a Heliodoro. Heliodoro é informado por ele de que os depósitos. Ele foi morto. da estirpe de Belga. certo Simão. enviou-o com ordens de proceder à requisição das referidas riquezas" (2Mc 3. E referiu-lhe que a câmara do tesouro em Jerusalém estava repleta de riquezas indizíveis. apoiado por judeus dissidentes do sumo sacerdote Onias III. em 187 a."[17]. dito o Grande.4-7). a ponto de ser incalculável a quantidade de dinheiro. O texto continua dizendo que. na verdade. tenta apoderar-se do dinheiro depositado no Templo de Jerusalém. Segundo 2 Macabeus. após trinta e seis anos de reinado com a idade de cerca de cinqüenta e cinco anos.).O que ocorrerá é que. . sendo portanto possível fazer tudo isso cair sob o domínio do rei.. pela população revoltada. E o rei.500 kg) e de 200 talentos de ouro (5. ao manifestar suas intenções a Onias III. e tendo-o assaltado de noite com suas tropas. E que.24-34). Selêuco IV Filopator (187-175 a. Não conseguindo prevalecer sobre Onias foi ter com Apolônio de Tarso. o total dos depósitos é de 400 talentos de prata (10. pertencem aos órfãos e às viúvas.C.C. O certo é que Heliodoro não consegue apossar-se do dinheiro do Templo. famoso por possuir muito ouro e prata dedicado ao deus. F.250 kg). "Ora. investido no cargo de superintendente do Templo. que naquela ocasião era o estratego da Celessíria e da Fenícia. por exemplo. Apolônio informou-o acerca das riquezas que lhe haviam sido denunciadas. o próprio Iahweh o impede através de anjos (2Mc 4.4-40. em relação a cidades como Jerusalém. entrou em desacordo com o sumo sacerdote a respeito da administração dos mercados da cidade. os sucessores de Antíoco III não terão condições de manter a prometida isenção tributária. E que esse dinheiro não tinha proporção alguma com as despesas dos sacrifícios. Entrevistandose então com o rei. ele e os seus.

NEXT [1].4-6: "Considerando. ainda fomentava a maldade de Simão. nos mercados. [2]. segundo 2Mc 4. mas tendo em vista o interesse comum e o individual de toda a população. Não sabemos exatamente em que consiste a agoranomia em Jerusalém e nem qual é a razão do conflito entre Simão e Onias. garantidas pelo decreto de Antíoco III. Onias III acaba retido em Antioquia. a supervisão dos mercados. De qualquer modo. sem uma intervenção do rei. é o estratego e sumo sacerdote selêucida da Celessíria. enquanto em Jerusalém os acontecimentos se precipitam. Nas cidades gregas. Onias foi ter com o rei. filho de Menesteu. de produtos proibidos pela Lei. [3]. mas as intrigas de Simão continuam. estratego da Celessíria e da Fenícia. que é supervisor dos mercados e superintendente (prostátes) do Templo[19]. Muitas soluções são propostas[18]: ou Onias discorda da acumulação de cargos feita por Simão. de cerca de 40 litros.O desacordo entre o sacerdote Simão e o sumo sacerdote Onias III é a propósito da agoranomia. ou porque Simão permite a venda. E isto. Artabe é uma medida egípcia de capacidade. A tal ponto que Onias III é obrigado a ir a Antioquia dar explicações ao rei. Médimo é uma medida antiga de capacidade. de cerca de 50 litros. Simão pode ter acusado Onias de entesourar os excedentes das subvenções reais destinadas aos sacrifícios. como administrador do santuário. a agoranomia é uma fiscalização encarregada de verificar os pesos e medidas e a regularidade das transações comerciais. . nem Simão haveria de pôr termo à sua demência". Por outro lado. a quem se dirige o rei Antíoco. Pois ele estava percebendo que. ou porque ele comete abusos na venda de animais destinados aos sacrifícios. não era mais possível alcançar a paz na vida pública. Este Ptolomeu. É possível que neste conflito entre Simão e Onias III estejamos assistindo ao primeiro embate entre judeus helenistas e judeus ortodoxos. não para se tornar acusador de seus concidadãos. o perigo dessa rivalidade e como Apolônio. então. Heliodoro vai embora.

pp. KIPPENBERG. Nancy. São Paulo. São Paulo. PAUMAPE. São Paulo. Brasília.[4]. Textos do Antigo Oriente Médio. História XVIII. [11]. A. Cf. M. J. E. pp. 78. Histoire d'Israel III.. pp. Cf. O Oriente e a Grécia Antiga II. [8]. 46.VV. Rio de Janeiro. 1993. o pai da estratégia. em latim. donde puni e "guerras púnicas". E. [13]. Brill. dizem AYMARD. H. Studies on the Meaning and Origin of the Maccabean Revolt. em Delfos e os Jogos Nemeus. C. SAULNIER. 1979. C. no vale de Neméia. 153-163.. 77-81. The God of Maccabees. P. "Instalados na margem setentrional do golfo de Corinto.. Aníbal. WILL. As guerras entre Roma e Cartago são chamadas de "púnicas" porque os romanos chamam os cartagineses. Aníbal. . G. pp. Hyperberetaios é um mês macedônio que corresponde a agosto/setembro.. inclusive grande parte da Tessália". pp. p. a formação de confederações de cidades gregas é vista como uma solução.. Presses Universitaires de Nancy. Há quatro grandes jogos pan-helênicos: os Jogos Olímpicos. pp. c. 199.. Le monde hellénistique I. 456-458. H.. F. Cf. um desafio aos romanos. Religião e formação de classes na antiga Judéia. Antiquitates Iudaicae XII./AUBOYER. e obscuros durante muito tempo.221-224. 138-144. [12]. p. Ars Poetica. PRÉAUX. 384-388. pp. 19972. sobre os impostos selêucidas.. C. POLÍBIO. PRÉAUX. 19822. SAULNIER. BICKERMAN. 1985. 56-78. 19775. 32-34. Com a decadência da pólis. pp. [6].. Difel. o. Histoire d'Israel III. pp. C. História de Roma.. 19774. Cf. M. [14]. Le monde hellénistique I. Editora da UnB. Leiden. JOSEFO. Zahar. pp. [9]. de poeni (= fenícios). Histoire politique du monde hellénistique II. [5]. os Jogos Píticos. os etólios acabam anexando quase toda a Grécia central. 481-482.. E. 102-104.. os Jogos Ístmicos. [10]. 98-99. Uso para este texto a tradução que se encontra em AA. Rio de Janeiro. Israel e Judá. BRADFORD.. 1991. [7]. 210-215. PEIXOTO. em Olímpia. G.. ROSTOVTZEFF. em Corinto. KIPPENBERG. Paulus. Cf...

São Paulo. Syriaka 38-39. Histoire d'Israel III. Alexandre teria fundado 70 Alexandrias. Antíoco IV e a Proibição do Judaísmo Em 175 a. Concede o status de pólis a várias cidades.C. A instabilidade do reino selêucida aumenta e Antíoco IV toma medidas helenizantes como forma de consolidar o seu poder. pp. Só que menos da metade pode ser testemunhada com certeza pelos dados históricos e arqueológicos. Histoire politique du monde hellénistique II.C. que se tinha desenvolvido a civilização grega. pp. Siracusa. C. E. o. Assume o poder o seu irmão Antíoco IV Epífanes (175-164 a.. História de Roma. 105-108. [19]. F. 71. A revolta dos Macabeus.[15]. SAULNIER. Corinto. Selêuco IV é assassinado.. c. . pp. ABEL. 19-21.2. ROSTOVTZEFF. Segundo Plutarco.-M. Cf. Histoire de la Palestine I. tais como Mileto. A fundação de cidades é um instrumento fundamental para a helenização do Oriente com o conseqüente fortalecimento do poder macedônio. pp. 104. M. Cf.. onde era refém desde 188 a.. 372-373. p. 107-110. Atenas. p. promove a adoração de Zeus e reivindica para si prerrogativas divinas[20]. [16]. o texto em SAULNIER.. 8.C.. também WILL. Idem. [17]. O prostátes é o encarregado de administrar as finanças do santuário. F. [18]. 238-240.. Histoire de la Palestine I.. quando seu pai Antíoco III perdera a batalha de Magnésia e assinara o tratado de Apaméia. ABEL. Trabalha como advogado em Roma e compila narrativas em grego de várias guerras romanas em 24 livros. ao semear o Império que acaba de conquistar com numerosas Alexandrias"[21]. Apiano é natural de Alexandria e morre aproximadamente em 160 d.C.). "A civilização arcaica e clássica tinha coincidido com o desenvolvimento da pólis e era nos grandes centros urbanos. 1987. dos quais temos hoje dez. C. que voltava de Roma. APIANO. Alexandre tinha mostrado bem ser o herdeiro da tradição.-M. pp. Cf. Paulus.

Especialmente os Selêucidas. "Os objetivos desta urbanização [dos Selêucidas] são bastante diversos. entretanto. a fortuna do rei. a partir desta época começa a ter sobre sua cabeça uma estrela. de 175 a 169 a. lembrar que a fundação das póleis gregas nem sempre começam do nada. Há vários modos de se criar uma pólis: fundação de uma cidade grega dentro de uma antiga cidade oriental. na mesma proporção. herdeiros de um império multinacional. Ele é o praesens divus. mas oriental. "Ele pensa. dando-lhe um estatuto político e um nome grego.A fundação de cidades tem.. que sua vitória o manifestou como deus. tornam-se lugares de comércio e atraem os nômades para as suas vizinhanças. e. agora. mas também da ordem cósmica e da fertilidade da natureza. fragmentando as antigas satrapias entre as cidades"[23]. símbolo da divindade. Os sucessores de Alexandre seguem a mesma política. objetivos estratégicos. .. recorrem à política da difusão da pólis. face ao esfacelamento do império selêucida. Esta não é uma criação grega. Antíoco IV que. definitivamente. para Alexandre. recriação.) Elas diminuem as resistências indígenas. usada desde Alexandre e. Situados acima dos homens. que guardam os grandes eixos de circulação e as posições estratégicas (. E a partir de sua vitória sobre o Egito. ou que é um deus que se manifestou na sua carne. fazendo deles camponeses que sustentarão as cidades[22]. habilmente incorporada pelos dominadores macedônios. com estrutura grega. que acresce. A reivindicação de prerrogativas divinas pelo rei é outra arma de controle das populações orientais. As cidades favorecem o desenvolvimento econômico. enfatizada por Antíoco IV Epífanes. são a garantia da ordem política. econômicos e políticos: servem para guardar passagens de grandes vias de comunicação. Elas permitem a implantação de tropas. É bom. fundação de uma cidade grega ao lado de uma cidade oriental[24]. de uma cidade arrasada pela guerra ou por um terremoto. a inscrição das moedas selêucidas é "Rei Antíoco Theos Epífanes"..C. assírios ou babilônios são deuses ou filhos prediletos dos deuses. fusão entre cidades pequenas que não têm como se defender. Os reis egípcios. aparece nas moedas cunhadas em Antioquia apenas com a inscrição "Rei Antíoco".

Jâmnia. se alguém negocia na Galiléia não pode fugir de Citópolis ou Filotéria. está em luta com os judeus tradicionais e fiéis à Lei. As dificuldades econômicas enfrentadas por Antíoco IV Epífanes. F. geradas pela pressão romana. 1Mc 1.11-13 comenta o caso do seguinte modo: "Por esses dias apareceu em Israel uma geração de perversos (paránomoi) que seduziram a muitos com estas palavras: 'Vamos. 'manifesto'. com sua apoteose"[25]. especialmente entre a aristocracia sacerdotal e leiga. está em Antioquia cuidando dos interesses de seu povo e Antíoco IV assume o poder. Gazara e Jope também não podem ser evitadas[26]. Enquanto isto. .-M. Do lado do mar? Marisa está na rota de Gaza ou Ascalon. oferece ao rei alta soma em dinheiro e um rápido programa de helenização dos judeus em troca do cargo de sumo sacerdote. que os impede de se integrarem totalmente no modo de vida grego. que pretende incrementar o avanço civilizatório grego e. A ocasião favorável aos partidários da helenização surge quando Onias III. pois muitos males caíram sobre nós desde que delas nos separamos'. é relacionado com Theós. façamos aliança com as nações circunvizinhas. o epíteto epifanés. a quem deve pagar mil talentos por ano. em Jerusalém. E alguns de entre o povo apressaram-se em ir ter com o rei. o qual lhes deu autorização para observarem os preceitos (dikaiômata) dos gentios". Forma-se um forte partido pró-helênico. ou na Transjordânia é necessário ir a Pella. o conservador sumo sacerdote. Um irmão de Onias III. por isso. por exemplo.segundo sua intenção. ou seja. Quem vai a Ptolemaida passa por Samaria ou Dora. Jasão (Joshua). que a Judéia está cada vez mais cercada por cidades helenizadas e é impossível ao judeu não tomar contato com o seu modo de vida. Agradou-lhes tal modo de falar. leva-o a sobrecarregar seus súditos e o instiga ao saque de templos para a obtenção de fundos. Abel observa. a Gadara ou a Filadélfia. Estes helenizantes defendem urgente revogação do decreto de Antíoco III. o processo de helenização avançara bastante desde o século anterior.

Jasão. Além disso. Assim. praticados nus . segundo Dt 13. 2Mc 4. suspeita de tendências pró-ptolomaicas em Onias III. empenhava-se em subscrever-lhe outros cento e cinqüenta talentos[28]. tendo passado Selêuco à outra vida e assumindo o reino Antíoco. . contíguo à esplanada do Templo.14. usada no processo de helenização de várias cidades orientais. vestir-se à moda grega. Consta que o rei Antíoco IV vai a Jerusalém nesta época. é instalado um ginásio em Jerusalém.O termo paránomoi indica. ele. irmão de Onias. aos pés da acrópole. Também o dikaiômata tôn éthnôn (preceitos dos gentios) é significativo. ele prometeu ao rei trezentos e sessenta talentos de prata e ainda. Antíoco IV Epífanes aceita a oferta de Jasão. Um ginásio grego não é mera praça de esportes. de construir uma praça de esportes e uma efebia.C. tem urgência em helenizar a região para garantir sua fronteira sul e. o ginásio implica a presença de divindades protetoras. Dikaíôma é usado pelos LXX para traduzir o hebraico derek ou mishpat (caminho. começou a manobrar para obter o cargo de sumo sacerdote. direito) significando obrigações legais. sendo recebido pelos filo-helenistas com grande entusiasmo. pessoas que fazem propostas de apostasia da Lei. a serem deduzidos de uma renda não discriminada. assim. cognominado Epífanes. conhecer e discutir a cultura grega. são algumas das atividades praticadas no ginásio. Além dos esportes gregos.7-10 descreve do seguinte modo os fatos: "Entrementes. bem como de fazer o levantamento dos antioquenos de Jerusalém. pois precisa de dinheiro. ao que parece. Obtido. começou a fazer passar os seus irmãos de raça para o estilo de vida dos gregos". como Héracles (= Hércules) e Hermes e ensina a maneira grega de se viver e de se ver o mundo. em 174 a. Daí que "fazer aliança com as nações" indica renegar a Lei e seguir costumes gentios.o que causa embaraço aos jovens judeus circuncidados -. se lhe fosse dada a permissão. tão logo assumiu o poder. pela autoridade real. Observar os preceitos dos gentios significa. mais oitenta talentos. Durante uma audiência. É uma instituição cultural das mais importantes. Falar o grego corretamente. o consentimento do rei. abandonar as normas da Lei e seguir leis gentias[27]. portanto.

de modo que a Torá não é mais a única lei.19. ou mesmo porque são considerados como "cidadãos de Antioquia". o resultado é o mesmo: uma parte dos judeus pretende doravante viver à maneira helênica. Jasão enviou Menelau. esse ímpio e de modo algum sumo sacerdote. chamado Menelau. Certamente porque estão sob a proteção real. A situação. irmão do já mencionado Simão. superando em trezentos talentos de prata a oferta de Jasão". tal ardor de helenismo e tão ampla difusão de costumes estrangeiros. quando um sacerdote não-sadoquita. Diz 2Mc 4. estabelecida dentro da cidade de Jerusalém"[29].Além do que. quer ele tenha reunido um certo número de judeus em um políteuma de estrutura grega -. 2Mc 4. pois. o decreto de Antíoco III não se aplica mais à totalidade da população"[31]. Menelau. Saulnier acredita que de duas uma: ou Antíoco IV autoriza a formação de uma pólis dentro de Jerusalém ou a organização de um políteuma em Jerusalém[30]. desse modo. apoiado pela poderosa família dos Tobíadas. irmão de Simão .23-24: "Depois de um período de três anos. Estes judeus são chamados de "antioquenos" nos documentos da época. . que os próprios sacerdotes já não se mostravam interessados nas liturgias do altar". segundo alguns. com satisfação que [Jasão] construiu a praça de esportes justamente abaixo da Acrópole e. obrigando os mais nobres de entre os moços. entrementes. porém. tendo se apresentado ao rei e adulando-o pela ostentação de sua autoridade.quer Antíoco IV tenha fundado uma pólis em Jerusalém. a levar as quantias ao rei e a completar-lhe relatórios sobre certos assuntos urgentes. C. "o ginásio parece ter sido realmente uma corporação separada de judeus helenizados. com direitos cívicos e legais definidos. como se vê em 2Mc 4. Verificou-se.oferece a Antíoco 300 talentos de prata (cerca de 7. conduziu-os ao uso do pétaso[32].800 kg) suplementares na época de pagar o tributo. se complica. "De qualquer modo . conseguiu para si o sumo sacerdócio. por causa da exorbitante perversidade de Jasão.12-14a fala do ginásio de Jerusalém com grande desgosto: "Foi.9. isto é. faz uma oferta maior a Antíoco IV e obtém o sumo sacerdócio.aquele Simão que entrara em conflito com Onias III por causa da agoranomia . Menelau.

das taças.) O rei a leu e declarou desejar deliberar com seus amigos acerca desta novidade. Como protestasse contra a venda de vasos sagrados do Templo (vendidos por Menelau para conseguir o dinheiro prometido a Antíoco IV). quando oficialmente denunciam as arbitrariedades cometidas pelo sumo sacerdote. Em 169 a. apoderou-se do altar de ouro. Antíoco IV é impedido de entrar em Alexandria. e em seguida declarou que faria tudo o que os romanos pediam. lha estendeu e pediu que a lesse imediatamente (. do qual se desconhece a causa. Onias III é assassinado a mando de Menelau.. das coroas. Traçou com esta vara um círculo ao redor de Antíoco e convidou-o a lhe dar. Jasão foge para a Transjordânia. Então Popilius e seus acompanhantes apertaram sua mão e o cumprimentaram com amizade. para o feudo de Hircano. início de 171 a. O rei. Tomou. o fraco Egito e vigia de perto os Selêucidas. O . o ouro.. Ele tinha na mão uma vara de videira. além disso. dos incensórios de ouro. em sua segunda campanha contra o Egito. pelo legado romano Popilius Laenas. e de assim anexar o país..C. o rei [Antíoco IV]. Talvez seja a sempre crescente necessidade de dinheiro. já morto nesta época. o Tobíada dissidente e pró-Lágida.C.. os utensílios preciosos e os tesouros secretos que conseguiu descobrir". Popilius fez um gesto aparentemente intolerável e de uma arrogância inusitada. A população de Jerusalém.C. campanha vitoriosa. do véu.. da decoração de ouro sobre a fachada do Templo: tudo ele despojou. das vasilhas para as libações. Políbio comenta o episódio do encontro de Antíoco IV e Popilius Laenas. Já em 168 a. revoltada com as ações de Menelau. de longe o saudou e estendeu-lhe a mão.21-23 narra este saque do Templo. interessante para se avaliar o poder de Roma neste momento histórico: "Quando ele viu o general romano Popilius. Vejamos a narração de 1 Macabeus: "Entrando com arrogância no Santuário.Isto se dá em fins de 172 a. Mas o outro. Ao ouvir isto. Roma defende. pensou um instante. deste modo. com a aprovação de Menelau[33]. Antíoco IV saqueia o Templo de Jerusalém. do candelabro com todos os seus acessórios.C. a resposta ao documento. aturdido com esta insolência. vê três membros da gerousia serem executados por Antíoco IV. antes de sair. que tinha uma tabuinha onde estava transcrito o senatus-consulto. a prata. 1Mc 1. da mesa da proposição. na volta de sua primeira campanha egípcia.

Na Palestina corre o falso boato de que Antíoco morrera no Egito e Jasão ataca Jerusalém.senatus-consulto ordenava-lhe parar imediatamente a guerra contra Ptolomeu"[34]. o rei Selêucida. . Ataque.23b-24 assim fala da intervenção de Apolônio: "Nutrindo para com os súditos judeus uma disposição de ânimo profundamente hostil. 2Mc 5. Muralhas demolidas e construção de poderosa fortaleza em Jerusalém.C. encostada no Templo. Consta que. Primeiramente. e. o rei enviou o misarca Apolônio à frente de um exército de vinte e dois mil homens. com forte contingente.. por Menelau e sem dúvida por aqueles que são designados como antioquenos de Jerusalém"[35]. e Onias III. Durante cerca de 25 anos a Acra será o braço armado selêucida em Jerusalém. C. depois por Jasão e talvez por uma fração da população que já se esquecera das durezas da administração egípcia. escravidão. como Acra (= cidadela). filho de Tobias. que restabelece Menelau no poder. a existência de um partido pró-Selêucidas. Jasão promove sangrento massacre na cidade. de outro lado. espinho atravessado na garganta dos judeus fiéis.C. Jasão e Menelau. outrora sustentado por Hircano. mas foge com a chegada de Antíoco IV. parecendo amplamente encorajados por dois sumos sacerdotes sucessivos e rivais. pensando estar havendo uma revolta. em grego. Antíoco IV deixa na cidade o frígio Filipe com uma guarnição. assassinatos em massa. No começo de 167 a. os judeus estão divididos a propósito do helenismo em aproximadamente duas facções que podemos designar como a dos filohelenos e a dos assideus: os primeiros. o misarca (comandante das tropas mísias). sede de uma guarnição e verdadeira pólis. no final do verão de 168 a. no coração de Jerusalém. as dificuldades do reinado de Antíoco IV sugerem a existência de um partido pró-Lágidas. executando muitos judeus e vendendo a outros como escravos. Antíoco IV envia a Jerusalém Apolônio. apoiado pelos Tobíadas. mas este não consegue controlá-la (2Mc 5.514). conhecida. Além disso. Menelau refugia-se na acrópole. pune Jerusalém. com a ordem de trucidar todos os que estavam na força da idade e de vender as mulheres e os mais jovens". Saulnier assim resume estes acontecimentos: "Podemos dizer que há em Jerusalém dois motivos de dissensões que não coincidem entre si.

resistência judaica ao programa de helenização é que Antíoco IV decide proibir a prática do judaísmo. por enquanto pacífica. a ereção de altares em todo o país e o sacrifício de porcos e outros animais impuros a deuses estrangeiros. da circuncisão. duas medidas são tomadas (1Mc 1.41-53): o o a abolição da Torá. no verão de 167 a. os assideus (= piedosos) são obrigados a fugir para os desertos e montanhas. Abasteceram-na de armas e víveres e nela depositaram os despojos tomados em Jerusalém. Desencadeia-se feroz perseguição a todos os inimigos de Menelau.C. com seus mandamentos e suas proibições: ficam proibidas as práticas do sábado. Como é de praxe em tais circunstâncias. É nesta época que começa verdadeira caçada aos Oníadas e a seus partidários. Povoaram-na de gente ímpia. suas propriedades são confiscadas e transferidas para os Tobíadas ou para as colônias militares reais. é preciso considerar que esta intervenção direta e brutal contra os costumes e os deuses de outros povos não é uma praxe grega.33-35 descreve a construção da Acra: "Então reconstruíram a cidade de Davi. Os fiéis seguidores da Lei. enfim. Por outro lado.1Mc 1. uma cidade contaminada: os gentios controlam a sua população. Todos os manuscritos da Lei devem ser destruídos. tornando-se eles assim uma armadilha enorme"[36]. Qualquer violação destas normas tem a morte por punição uma reforma do culto em toda a Judéia: a abolição dos sacrifícios e da sacralidade do santuário e dos sacerdotes. Os habitantes do distrito judaico transformam-se em cidadãos sem direitos. Como norma geral. . e nela se fortificaram. homens perversos. das festas. e dela fizeram a sua Cidadela. Acredita-se que tenha sido para vencer a. Jerusalém é. dotando-a de grande e sólida muralha e torres fortificadas. da distinção de alimentos puros e impuros. É quase certo que o partido helenista de Jerusalém tenha pedido a intervenção real e tenha apontado as medidas necessárias para aniquilar os judeus tradicionais[37].

Histoire de la Palestine I. Explica C. NEXT [20]. o decreto real o condenava à morte (.. senhor das tempestades e da fecundidade.31. 1978. 21-31. segundo Dn 11. . pp. F. A introdução deste culto no Templo é a "abominação da desolação". pp. História de Israel. ABEL. J. na Síria ele fora assimilado a Baal Shâmin. em dezembro de 167 a. 326-341.. 105-121.64 assim descreve a "abominação da desolação": "No décimo quinto dia do mês de Casleu do ano de cento e quarenta e cinco [8 de dezembro de 167 a.C. M. Cf. o epíteto Olímpico recordava suas prerrogativas sobre as outras divindades e seu aspecto uraniano (isto é.7). Também nas outras cidades de Judá erigiram-se altares e às portas das casas e sobre as praças queimava-se incenso. Histoire d'Israel III. a Abominação da desolação. E. Nestas condições. Onde quer se encontrasse em casa de alguém um livro da Aliança ou se alguém se conformasse à Lei. pp. Idem. 109-132.) Foi sobremaneira grande a ira que se abateu sobre Israel". BRIGHT. C. pp. os que lhes caíam nas mãos eram rasgados e lançados ao fogo. era designado nos textos judaicos como "o Deus dos céus". Histoire politique du monde hellénistique II. Judaism and Hellenism I. São Paulo.. WILL. podemos admitir que Antíoco IV quisesse introduzir em Jerusalém uma divindade sincrética. SAULNIER. o rei fez construir. Enfim. Os judeus são também obrigados a participar da festa de Dionísio e do sacrifício mensal em honra do aniversário do rei (2Mc 6. Quanto aos livros da Lei.. de deus do céu). sobre o altar dos holocaustos. uma verdadeira cruzada contra a Lei. HENGEL.. sírios e gregos reconhecer nela a emanação de um deus soberano"[38]. 1Mc1.. A revolta dos Macabeus. que permitisse a judeus. desde a época persa.Para completar. para o reinado de Antíoco IV e seu confronto com os judeus. pp.].-M. Paulus. Por detrás disso tudo podemos ver as tristes figuras de Menelau e dos Tobíadas[39]. com respectiva imagem e sacrifício. Zeus representava os valores do poder e da autoridade. deus soberano.54-57.... pp.C. Saulnier que "deus iminente dos gregos. Tais aspectos podiam aparentemente aproximá-lo de Iahweh que. é introduzido o culto de Zeus Olímpico no Templo de Jerusalém. 570-576. 277-290.

Cf. 112. BRIGHT. Le monde hellénistique II. O mundo helenístico.. pp. ibidem. PRÉAUX. [34]. 59. 61.. [27]. [35].. "O reinado [dos Ptolomeus] era dirigido por regentes que governavam em nome do jovem Ptolomeu VI. 320-325. 109. pp.. Histoire de la Palestine I. c. p. Cf. 403-408. F. História XXIX.2 kg. E. 46-53.. C. The God of the Maccabees. Histoire d'Israel III. também WILL. J. Le monde hellénistique II. 27.-M.. p. Histoire d'Israel III. Idem.. p... pp. 376-377. SAULNIER. cf. p. Histoire politique du monde hellénistique II. o equivalente a cerca de 15. [29]. Cf. C. POLÍBIO. p. Cf. Por motivos obscuros. a análise do episódio em WILL. SAULNIER. p. E.. que se tornara rei com a morte de seu pai em 180. [33]. p. Um talento ático pesa 26. 110-111. Pétaso é o chapéu de copa baixa e abas largas usado nos exercícios pelos atletas gregos no ginásio. [25]. explica SAULNIER. [28]. Histoire politique du monde hellénistique II. . pp. C. Cf. Idem.. depois de uma campanha fácil. o. LÉVÊQUE. p. [32]. SAULNIER. pp. E. 401-403. [23]. Cf. Este começou as operações em 169 e. [30]. Jasão oferece a Antíoco 590 talentos. Histoire d'Israel III. PRÉAUX. 128. C. ibidem..[21]. BICKERMAN. [22]. 23. tais regentes parecem ter declarado guerra contra Antíoco IV em 170. 572. C. [26].. C. Cf. C. ABEL.. este texto em SAULNIER. [31].. P. pp. 113.340 kg de prata. [24]. A revolta dos Macabeus. p. ocupou Mênfis". Cf. P. p. LÉVÊQUE. A revolta dos Macabeus. [36]. 24. 311-320. História de Israel. Para o significado da Acra em Jerusalém.

. 287-289. até que a cólera chegue a seu cúmulo . Sem consideração para com os deuses de seus .. Cf. que diz: "O rei prescreveu.. em seguida. C. 8.. J. Idem.As Causas da Helenização Com muita freqüência. SAULNIER. 292-303. renunciando cada qual a seus costumes particulares. inclusive. que todos formassem um só povo.41-42. mostra que há duas interpretações divergentes para as medidas anti-judaicas de Antíoco IV Epífanes[40]. [38]. pp.) O rei agirá a seu belprazer. 27-28. 574-576. C. A revolta dos Macabeus. o livro de Daniel descreve a maldade de Antíoco IV no seu ataque às práticas judaicas: "Tropas enviadas por ele virão profanar o Santuário-cidadela e abolirão o sacrifício perpétuo. HENGEL. têm-se colocado as razões religiosa e cultural como motivo para a helenização da Judéia e conseqüente resistência macabéia. ele os perverterá com suas lisonjas.. [39]. muito bem expressa em 1Mc 1. Cf. na típica visão teocrática do judaísmo de então.porque o que está decretado se cumprirá. C. pp. pp. Claro que. História de Israel. Ele proferirá coisas inauditas contra o deus dos deuses e no entanto prosperará. a todo o seu reino. E todas as nações conformaram-se ao decreto do rei". HENGEL.[37]. Judaism and Hellenism I. 26. É a que considero mais provável. que teria. exaltando-se e engrandecendo-se acima de todos os deuses. p. por exemplo. BRIGHT. Com sua linguagem guerreira carregada de simbolismos. Uma é a que expus acima: a helenização forçada é conseqüência da pressão exagerada da aristocracia judaica. pp. 118-121.. as motivações religiosas é que oferecerão os conceitos para a leitura dos fatos. ali introduzindo a abominação da desolação.3. M. SAULNIER. Mas há a versão judaica. mas o povo dos que conhecem a seu Deus agirá com firmeza (. Judaism and Hellenism I. A revolta dos Macabeus.. pp. Histoire d'Israel III. M. Saulnier. Os que transgridem a Aliança. sugerido a Antíoco IV as medidas a serem tomadas.

é preciso ir além na interpretação dos fatos. com os traços de Zeus Olímpico. proporcionando-lhe lucros financeiros e influência política junto ao governo estrangeiro. conhecido também sob o nome semítico de Adônis na mitologia mediterrânea. Este texto de Daniel é bem representativo da visão judaica do rei ímpio perseguidor do povo justo. Além das razões estratégicas e políticas dos Selêucidas para incentivar a helenização dos judeus. Apesar de tudo isso. Assim. alguns elementos precisam ser explicados: "Engrandecendo-se acima de todos os deuses" é uma referência à efígie de Antíoco IV cunhada nas suas moedas. Os reis Selêucidas antecessores de Antíoco IV cultuavam Apolo. a Inanna suméria e a Ishtar acádica. porque também Políbio traça dele um perfil pouco lisonjeiro. mas ele cultua especialmente a Zeus Olímpico.31-32. daí o texto dizer que ele age "sem consideração para com os deuses de seus pais". o cidadão se dedica à administração da cidade sem receber recompensa alguma. além de protagonizar outras atitudes populistas41. Ele é amante de Ishtar. Quando o texto diz que ele não "tem consideração para com o favorito das mulheres". não dispõe de um mecanismo fiscal para o recolhimento do tributo. De qualquer maneira. Antíoco IV não é bem visto pelos escritores da época. Como esta é uma linguagem apocalíptica. Ou que ele se infiltra nas festas do povo sem ser convidado ou vai ao mercado (ágora. razões já apresentadas. está falando do deus Adônis-Tamuz.pais. é a si mesmo que ele exaltará acima de tudo" (Dn 11. Tamuz é estreitamente vinculado à divindade feminina da fertilidade. Ou seja: não há uma burocracia profissional que administra as finanças do Estado. . nos reinos helenísticos a função de recolher o tributo é arrendada à aristocracia dos povos dominados. por exemplo. mais para o fim de seu governo. Tamuz é uma divindade assírio-babilônica de origem popular. sem consideração para com o favorito das mulheres ou para com qualquer outro deus. local onde se reúne também a assembléia do povo) e se mete nas mais acirradas disputas. É que o sistema político grego tradicional. a não ser a satisfação do dever cumprido e o sentimento de contribuir para o bem comum[43] . discutindo longamente com ourives ou outros peritos nos seus ateliês.36-37). Diz Políbio que Antíoco IV aprecia sair da corte e se misturar com as pessoas do povo. como adotado pelos Selêucidas. há motivos econômicos para o conflito que o processo desencadeia[42]. como vimos no caso dos Tobíadas. Em Atenas.

por Demétrio I. do imposto sobre o sal e do imposto coronário. cria condições para que a aristocracia judaica substitua as leis étnicas por leis políticas. e declaro isentos todos os judeus. Jerusalém seja considerada santa e isenta. deve-se levar em conta que a noção grega de Estado é concretizada no Oriente: o o ou na pólis.29-31. que trata de uma isenção de impostos concedida aos judeus mais tarde. que significava 'tomar parte nos negócios públicos'. Igualmente renuncio à terça parte da semeadura e à metade dos frutos das árvores. uma associação de cidadãos livres e autônomos baseada na vizinhança ou no éthnos. O verbo politeyestaí. . também significava simplesmente 'viver'"[44]. sem dízimos e sem tributos". criando as condições para a sua emancipação da hierocracia e para o predomínio da pólis sobre o éthnos. Isto a partir do dia de hoje e para todo o tempo. "Desde agora desobrigo-vos.e não nas tradições dos antepassados codificadas na Torá. dá-nos uma idéia dos tributos recolhidos pelos Selêucidas na Judéia. o Grande. Ora. com seu decreto de 197 a. Rodrigues explica que "três grandes princípios presidem à formação da pólis: eleuteria (independência). Mas o próprio Antíoco III. bem como à Samaria e à Galiléia. em 152 a. baseada na vontade do rei Selêucida . trouxe em si elementos que ofereciam à aristocracia das cidades novas possibilidades"[45].que reivindica tal direito como "direito de lança" por ser o conquistador .. M.C. que me caberiam de direito: de hoje em diante deixo de arrecadá-los à terra de Judá e aos três distritos que lhe foram anexos. reforça os privilégios da aristocracia. dos tributos (phóroi). Os três primeiros impostos citados. autonomia (poder próprio) e autarquia (autogestão).Por outro lado.. A cidade era tudo para o cidadão grego. O texto de 1Mc 10. assim como seu território. que foi concedida oficialmente à Judéia. "A autonomia étnica. uma relação de parentesco baseada na solidariedade dos laços de sangue. do imposto sobre o sal e do ouro das coroas. Judá é e permanece um éthnos também na administração selêucida. A lei. já os conhecemos do decreto de Antíoco III: trata-se do phóros.C.

entrou em desacordo com o sumo sacerdote a respeito da administração dos mercados da cidade". o que aqui nos interessa é perceber como se faz o recolhimento do tributo na Judéia. a terra é dom de Iahweh ao povo.C. Vende.18. da estirpe de Belga.20 etc).13. como em Dt 12. Some-se a isso a precariedade financeira dos Selêucidas e o mecanismo começa a ficar claro. e.29.. diz: "São estes os estatutos e as normas que cuidareis de pôr em prática na terra cuja posse Iahweh. escrito a partir do século VIII a.Agora. A terra em Israel é classificada como nahala (= herança. Dt 12. Flávio Josefo também testemunha que os impostos são cobrados pela aristocracia.9.10. Daí ser significativo que a primeira notícia a respeito do nascente conflito com o helenismo. A solução será pedir a Antíoco IV Epífanes a eliminação da Lei. 19. A aristocracia . baseado na tributação e na manutenção de seus privilégios. a pagaram aos reis"[46]. Israel tem a posse da terra. depois que eles recolheram a quantia fixada.20. Assim.5. Seu enriquecimento fácil. Deus de teus pais te dará. durante todos os dias em que viverdes sobre a terra". a aristocracia começa a pressionar sempre mais na direção da helenização total. repete isto sempre (Dt 12. choca-se com as normas da Lei. Vamos lembrar o que diz 2Mc 3. certo Simão. 13.9.20.28. mas somente dentro de determinadas normas.10. O livro do Deuteronômio.10.1. por exemplo.recolhe dos camponeses 1/3 do produto das colheitas e metade da produção das frutas. certamente com ganhos.16.16 e tantos outros lugares. Talvez cerca de 300 talentos anuais segundo 1Mc 11. como vimos acima. Segundo as leis israelitas. mas não é seu proprietário.por exemplo.4: "Ora. estes produtos e paga aos seus senhores Selêucidas determinada quantia em prata. O direito que regulamenta a venda da terra é o chamado ge'ulla (= resgate . Pode-se até negociar a terra. aponte uma razão econômica. quando comenta o decreto de Antíoco III.1. os Tobíadas e seus associados . posse). Diz Josefo: "Os nobres arrendaram nas suas próprias cidades paternas o direito de cobrar o tributo. investido no cargo de superintendente do Templo. como modo de quebrar as barreiras da tradição de solidariedade baseada na aliança.

Ora. A venda da terra pode proteger o proprietário empobrecido de pagar tributos e impostos a estrangeiros. porque ela lhe pertence por direito de conquista. .47-55 estabelece também que se um israelita for vendido a estrangeiros como escravo. provavelmente do século VI a. mas não com estranhos ao círculo de parentesco. O resgate da terra é baseado no conceito de hesed (= fidelidade). H. mas cria laços de solidariedade entre eles a terra pode ser negociada entre parentes.23-28. uma solidariedade que sustenta a relação comunitária no nível do clã. deve ser resgatado pelo parente mais próximo. Compare-se esta concepção israelita da posse da terra com a concepção grega. G. Lv 25. onde a terra pode ser dada a quem o rei determinar. Kippenberg assim resume a relação de parentesco em Israel: o o o a estrutura de parentesco determina a reprodução das famílias e as relações sociais dentro da família a estrutura de parentesco une as famílias em uma hierarquia baseada nas prerrogativas dos irmãos mais velhos sobre os mais novos. deve ser libertado no ano jubilar (49º ou 50º ano). Segundo esta lei. então o parente agnático (termo do direito romano que indica o parente por parte de pai) mais próximo deve comprá-lo. Entretanto. Se isto não for possível. a manutenção das regras do parentesco exigida pela Lei e confirmada por Antíoco III prejudica os interesses da aristocracia.C..da terra). como pode protegê-lo também de ser vendido como escravo permanente a estrangeiros. O conflito jurídico é evidente. este princípio leva ao acúmulo de terras pelas famílias mais ricas[47]. a aristocracia judaica que aí surge tende a excluir os mais pobres. Quem tem o direito de compra é apenas o parente do lado masculino da família. se o israelita deve vender seu terreno. no 49º ou no 50º ano o antigo dono deve receber de volta sua propriedade vendida. Caso contrário. como no interior do clã a estratificação social avança bastante nos períodos persa e grego. Uma confirmação do avanço da estratificação social pode ser encontrada na regra do ano jubilar estabelecida por Lv 25. Por outro lado.

com o desaparecimento do arrendamento. saudações! Recebemos a coroa de ouro e a palma que nos enviastes.Parece claro que a regra do ano jubilar está em contradição com a norma do resgate imediato da terra e do escravo e a lei do ano sabático (Dt 15. Enquanto os partidários da helenização seguem as ordens do rei (1Mc 2. os revolucionários Macabeus fazem valer os antigos mandamentos (1Mc 2. bem como a coroa que nos deveis. sumo sacerdote insigne. Que os motivos desta luta são também econômicos. nos documentos e nos contratos: 'No primeiro ano de Simão. Tudo o que temos determinado a vosso respeito permanece firme e também são vossas as fortalezas que edificastes.36-42 assim descreve o fato: "'O rei Demétrio a Simão. gerados pelo arrendamento estatal dos impostos à aristocracia. líderes da resistência judaica. . defendem a manutenção dos laços de parentesco. Ex 21. se observarmos que. É porque estas regras não funcionam mais. É que. e seus partidários assideus. devido à estratificação social. Quanto às faltas por ignorância e os delitos cometidos até o dia de hoje. que se tem de exigir a regra dos 49/50 anos[48]. dando aos camponeses maior folga em relação aos senhores da terra. em 142 a. A desigualdade permanece a mesma. e estamos prontos a celebrar convosco uma paz duradoura e a escrever aos nossos administradores que vos considerem totalmente isentos. E o povo começou a escrever. E se alguma outra coisa era arrecadada em Jerusalém.. aos anciãos e à nação dos judeus. Voltemos ao confronto entre a aristocracia filo-helenista e os judeus fiéis à Lei. não resta dúvida. E reine a paz entre nós'. Como veremos daqui a pouco.42-48: a circuncisão. foi retirado de Israel o jugo das nações. os sacerdotes Macabeus.1-11).1920. estratego e chefe dos judeus'". Se houver entre vós alguns homens que sejam aptos a ser recrutados para a nossa guarda de corpo. a aristocracia não é mais identificada com o Estado. 1Mc 13. 4.29-38: o sábado.36-51: a purificação do Templo). mas os camponeses conseguem controle sobre o excedente[49]. No ano cento e setenta.21-27). não o seja doravante.6. da solidariedade étnica contra a instalação do regime da pólis em Jerusalém. quando o rei selêucida Demétrio II concede aos judeus a isenção dos tributos.1-18. nós vo-los perdoamos. que eles se inscrevam.C. sumo sacerdote e amigo dos reis. isto é festejado como libertação da escravidão e começo de uma nova era. 2.

MOSSÉ. Lisboa. P. G. Paulus. até que.. São Paulo. um desafio aos romanos.A lógica grega deste arrendamento é a de reduzir o direito de cidadania a pequena faixa aristocrática.. SCM Press. Aí vem o conflito com os Macabeus. 1992. 1985. O mundo helenístico. As instituições gregas. mantendo os produtores como simples moradores. 1991. POLÍBIO.. M. P. H. sem direito a cidadania. em Jerusalém. 1980. Religião e formação de classes na antiga Judéia. BRADFORD. 1993. 1981. História. Brill. 1979... Aníbal. BICKERMAN. C. 1988. Ars Poetica. HENGEL. 1986. P. & VIDAL-NAQUET. Edições 70. PEIXOTO. M. São Paulo. La Gréce et l'Orient (323-146 av. Brasília. Leiden.. Leituras Recomendadas AUSTIN. . G. uma camada aristocrática força a helenização e entra em choque com o direito sagrado tradicional do povo judeu. The God of the Maccabees. M. F. E esta lógica está funcionando. Editora da UnB. London. C. KIPPENBERG. Aníbal. PAUMAPE. objeto de conquista. E. PRÉAUX. Obra Completa.. Mas será a simbologia religiosa que exprimirá os interesses igualitários de sacerdotes e camponeses[50].. História dos Hebreus. 1987. E. JOSEFO. São Paulo. Le Monde hellénistique. GLOTZ. A cidade grega.. Rio de Janeiro. LÉVÊQUE. São Paulo. Edições 70.. o pai da estratégia. Studies in their Encounter in Palestine during the Early Hellenist Period I. Lisboa. Economia e sociedade na Grécia antiga. 1985.. Judaism and Hellenism. Casa Publicadora das Assembléias de Deus. Lisboa. Edições 70. Studies on the Meaning and Origin of the Maccabean Revolt. Difel. que não tem objetivos religiosos: o que se quer é uma reforma da constituição da Judéia.

. NEXT [40]. pp. pp. C. Paris. G. M. C. 113-129. Histoire politique du monde hellénistique II. c. KIPPENBERG. KIPPENBERG. E. 73-87. São Paulo.. Du Cerf.. The God of the Maccabees. 76. [47].-135 a. pp. J. As instituições gregas. Antiquitates Iudaicae XII. Brasiliense.. também GIORDANI. o. H. 19872.C. Cf. SAULNIER. pp.. M. 1985. Presses Universitaires de France. pp. WILL. [46]. [41]. M. [44]. C. ROSTOVTZEFF. GLOTZ. 1988. p. 306-308. G. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a. AUSTIN. pp. sobre a questão. História da Grécia. Lisboa.1987. p./VIDAL-NAQUET. p. História XXVI. .. SAULNIER. A.. 1979-19822.. também. 19864. Histoire d'Israel III. São Paulo. SAULNIER. G. GLOTZ. MOSSÉ. [45]. A revolta dos Macabeus. Idem. em Atualização 171-172. 39.. Petrópolis. pp. H. Economia e sociedade na Grécia antiga. segundo H.. KIPPENBERG.. Cf. P. M.-C. As utopias gregas.. 1980.. A cidade grega. Histoire d'Israel III. São Paulo.. este texto em SAULNIER. G. 80. Cf.. Nancy. sobre isto.) III. 151-183.1. C. 27-28. BICKERMAN. 19774. A revolta dos Macabeus. 24-31. C. GRUEN. 99-214. Religião e formação de classes na antiga Judéia. 118-121.) I-II. História de Roma..D. E. [43]. o. Histoire d'Israel III. pp. Cf... Cf. Paulus. G. WILL. Paris. KIPPENBERG. F. Religião e formação de classes sociais no Judá pós-exílico. cf. A cidade grega. G. C.. 1985. Cf.. Cf. 155. 19882. pp. c. Difel. Vozes.. RODRIGUES.).-C.. pp. Zahar. POLÍBIO. Histoire politique du monde hellénistique (323-30 av. 152-161. sobre Antíoco IV. W. E. [42]. Presses Universitaires de Nancy. Cf. ao longo dos séculos. março/abril de 1984. Para as tendências da historiografia.J. Rio de Janeiro. H. 377-378. JOSEFO. Edições 70.

86-87. Cf. Isto começa a criar divisões internas. Idem. começa um movimento de rebelião armada contra os gregos e seus associados da aristocracia judaica.C. Idem. Cf. pp. que se retirara de Jerusalém desgostoso com o rumo das coisas. 61-63. na libertação de Jerusalém e na purificação do Templo apenas três anos após a proibição dos sacrifícios javistas. os irmãos Macabeus vão pouco a pouco consolidando as suas conquistas na Judéia. 9.1. [49]. Cf. 86. a prática da circuncisão ou qualquer observância de um ritual judaico leva a pessoa à morte. de Judas Macabeu e de Jônatas pela independência da Judéia. ibidem. não lhe pertence. Matatias e o Começo da Revolta . Os Macabeus I: A Resistência Com a proibição das tradicionais práticas judaicas em 167 a. desencadeia-se feroz perseguição àqueles que não se submetem às ordens do rei selêucida Antíoco IV Epífanes. nesta primeira fase. embora esteja vago. Com seus cinco filhos e grande grupo de camponeses fiéis às tradições judaicas ele faz uma guerra constante aos helenizantes. Aproveitando-se do aprofundamento da divisão interna do império selêucida e de seu enfraquecimento político e econômico.[48]. A posse de livros da Lei. Jônatas. chamado Matatias. pois os judeus mais tradicionais não podem admitir esta atitude. um sacerdote de Modin. 9. ibidem. ocupando um cargo que. pp. [50]. com seu filho Judas Macabeu. Neste capítulo abordarei exatamente a luta de Matatias. Recusando-se a prestar culto aos deuses gregos. p. ibidem. irmão de Judas Macabeu. será o primeiro sumo sacerdote da família. que culminará. Idem.

Temos. o decreto real o condenava à morte. No dia vinte e cinco de cada mês ofereciam-se sacrifícios no altar levantado por sobre o altar dos holocaustos. Eles aceitaram antes morrer que contaminar-se com os alimentos e profanar a Aliança sagrada. daí por diante. Foi sobremaneira grande a ira que se abateu sobre Israel". no dia do aniversário do príncipe. assim descreve 1Mc 1. O dia 25 de cada mês é a data do aniversário do rei e da inauguração do altar a Zeus Olímpico: o dia 25 de Casleu. ao dia 15 de dezembro. Onde quer que se encontrasse. Apesar de tudo. a Ásia inteira comemora a efeméride com festejos e sacrifícios"[1]. as executavam com os mesmo filhinhos pendurados a seus pescoços. importante testemunho de Platão: "Quando nasce o primogênito. É então que muitos judeus fiéis à Lei morrem. como de fato morreram. muitos em Israel ficaram firmes e se mostraram irredutíveis em não comerem nada de impuro. desta prática.C. Quanto às mulheres que haviam feito circuncidar seus filhos. todos os anos. os que lhes caíam nas mãos eram rasgados e lançados ao fogo. no dia do aniversário do rei. que equivale. herdeiro presuntivo da coroa. Segundo 2Mc 6. é em 167 a. mês por mês. Na sua prepotência assim procediam. um livro da Aliança ou se alguém se conformasse à Lei. logo é festejado o acontecimento por todo o povo e os próprios governantes. cumprindo o decreto. contra Israel. eles. A comemoração do aniversário do rei é uma prática persa retomada pelos macedônios no Oriente. Falando da perseguição desencadeada pelo decreto real e da resistência dos judeus fiéis.56-64 os fatos: "Quanto aos livros da Lei.Como vimos. que as práticas tradicionais do judaísmo são proibidas pelo decreto de Antíoco IV Epífanes e o culto de Zeus Olímpico é introduzido no Templo de Jerusalém. nas cidades. e ainda com seus familiares e com aqueles que haviam operado a circuncisão. com todos aqueles que fossem descobertos.7. em nosso calendário. os judeus devem participar também da festa de Dionísio: "Eram arrastados com amarga violência ao banquete sacrifical que se realizava cada mês. em casa de alguém. E ao chegarem as festas . mas não abdicam da aliança javista herdada de seus pais.

durante seis dias)[2] . Os rituais dionisíacos são repletos de êxtases. "Ao mesmo tempo. Reafirma esta interpretação religiosa judaica o 2º livro dos Macabeus. O livro descreve detalhadamente os suplícios sofridos pelo velho escriba Eleazar (2Mc 6. Assim. especialmente em Atenas. pode ser compreendido pelo historiador como uma reação contra a agitação que não parava de aumentar e a repressão de uma verdadeira revolta armada"[3] . correção de . aos que estiverem defrontando-se com este livro. porque mistura a perseguição religiosa à guerra civil. 2Mc 6. as Antestérias (a "festa das flores". celebrada em fins de fevereiro. com grande ênfase na sexualidade. celebram-se quatro grandes festas em honra de Dionísio: as Dionisíacas Rurais (em dezembro). que faz uma verdadeira teologia do martírio. começo de fevereiro).18-31) e o martírio dos sete irmãos com sua mãe (2Mc 7. Saulnier pensa que a resistência dos judeus piedosos assuma.o Baco. é filho de Zeus e da princesa Semele. as características de uma verdadeira revolta e de uma oposição política perigosa. coroados de hera. começos de março. obviamente. a profunda divisão dos judeus permite-nos compreender que os helenistas deviam se sentir ameaçados e acolhessem de boa vontade o apoio e a proteção das forças gregas. também celebrado em Roma. aos olhos de Antíoco IV. Então.dionisíacas. que morre e ressuscita. o cortejo em honra de Dionísio". gostaria de exortar que não se desconcertem diante de tais calamidades.12-13 garante ainda que o castigo que se abate sobre a nação judaica é a punição pelos pecados do povo e só servirá para purificá-lo e encaminhá-lo para o reto caminho. o começo desta crise é ambivalente. Dionísio é um deus da vegetação. misticismos e orgias sagradas que celebram a vida. na mitologia grega. donde "bacanal" -. Dionísio. as Lenéias (em fins de janeiro.1-42). festa que comemora o renascimento da natureza) e as Grandes Dionísias ou Dionísias Urbanas (em março/abril. que libera as forças do inconsciente humano e inspira a música e a poesia. obrigavam-nos a acompanharem. o que é interpretado em termos de perseguição pela literatura judaica. C. Pecados cometidos pelos helenizantes que violam a Lei sagrada: "Agora. Na Grécia. sendo também o deus do vinho .

2Mc 5. de não nos molestar fazendo contra nós as mesmas acusações que contra os judeus que nos são estranhos tanto pela raça como pelos costumes. portanto. tu. mas imediatamente atingi-los com castigos. Ao explicar a pilhagem do Templo por Antíoco IV. nos envolvem nestas mesmas acusações. entre os de Tiro e de Antioquia. agente real.17 apresenta a mesma perspectiva: "Antíoco subia até às alturas em seu pensamento. É um rescrito (= decisão do rei comunicada por escrito) de Antíoco IV aos sidonianos de Siquém. por causa das secas que assolavam o país. É bom lembrarmos que a perseguição atinge apenas os judeus do distrito de Jerusalém. ergueram sobre o Garizim um templo anônimo e ofereceram os sacrifícios que lhes convinham. o benfeitor e o salvador. obedecendo a um velho escrúpulo religioso.nossa gente. quando tu tratas os judeus como merecem por sua maldade. segundo Flávio Josefo. Hoje. os oficiais reais. Flávio Josefo traz um texto a propósito dos samaritanos datado de 166 a. "Memorando dos sidonianos de Siquém ao rei Antíoco Théos Epífanes: 'Nossos ancestrais. adotaram o costume de celebrar o dia que os judeus chamam de sábado. de ordenar a Apolônio. pensando que é por causa de nosso parentesco com eles que nós seguimos as mesmas práticas. se designam nesta época. é sinal de grande benevolência". e que era por isso que se verificava essa sua indiferença para com o Lugar". e de chamar ao nosso templo anônimo. não percebendo que era por causa dos pecados dos habitantes da cidade que o Senhor estava irritado por um tempo. como o demonstram claramente as atas públicas. por exemplo. . Não há sinal de perseguição entre os judeus da diáspora. Mas é interessante observarmos também a atitude dos samaritanos durante estes acontecimentos.C. não deixar impunes por longo tempo os que cometem impiedade. De fato. templo de Zeus. por origem nós somos sidonianos. Nós te suplicamos. Deste modo. chefe do distrito e a Nicanor. nós não seremos mais molestados e. enquanto que. que é como os samaritanos.

Convoca. "martelo". "designado por Iahweh". diante de nós. ou do grego. A tal pedido dos samaritanos. Matatias tem cinco filhos. do hebraico maqqabiahu. nós os isentamos de todas as acusações e ordenamos que o seu templo. pedindo a Matatias que oficiasse por ser um chefe ilustre na localidade. ele não só se recusa. encontra-se um sacerdote chamado Matatias. à forma de sua cabeça. mas que eles desejam viver segundo o costume dos gregos. chamado Tasi. em seguida. chamado Afus". Diz 1Mc 2. os judeus fiéis e foge com seus filhos para as montanhas (1Mc 2. Judas. como eles o pediram. bisneto de um certo Asmoneu[5]. com o cognome de Gadi. Os cognomes dos filhos de Matatias significam o seguinte: Gadi é o "afortunado". neto de Simeão. asseguraram que eles nada têm a ver com o que é censurado nos judeus.27-28). Eleazar. chamado Macabeu. Abaron é o "desperto". seja chamado templo de Zeus'"[4]. povoado localizado a cerca de 12 km a leste de Lida/Lod. talvez. Tasi tem significado incerto. como nos relata 1Mc 2.29 que .2-5: "Tinha cinco filhos: João. Quando os emissários reais chegam a Modin e convocam a população para o sacrifício sacrílego. nós aumentaremos as tuas rendas'. Começa assim a luta desta célebre família contra os Selêucidas e seus aliados helenistas de Jerusalém e povoados vizinhos. e Jônatas. mas ainda mata outro sacerdote que se oferecera no seu lugar e mata também o emissário real. Matatias se recusa a oficiar no Templo profanado pelo culto estrangeiro e se retira com a sua família para a sua propriedade situada em Modin. Os sidonianos de Siquém nos apresentaram o memorando que segue. o rei deu a seguinte resposta: 'O rei Antíoco a Nicanor. Já que seus emissários. Afus é o "favorecido". Mas a família de Matatias não está sozinha nesta luta. Entre os judeus que permanecem fiéis à Lei. Macabeu pode significar.podendo ocupar-nos com segurança de nossos trabalhos. possível alusão à sua força física ou. e de nossos amigos reunidos em conselho. da linhagem de Joiarib. chamado Abaron. Simão.

Vamos comentar algumas delas. seus filhos. As proibições de Antíoco IV Epífanes tocam em práticas bastante arraigadas no judaísmo pós-exílico."Muitos que amavam a justiça e o direito desceram ao deserto para ali se estabelecerem. Quanto à sua origem. não devem exercer suas funções. a circuncisão não é um ritual exclusivamente israelita: tribos africanas. A ênfase sobre a observância do sábado cresce a partir do exílio e se torna lei. A prática do sábado parece ser muito antiga. homens valorosos e apegados à Lei se unem a Matatias e a seus filhos [6]. os calendários mesopotâmicos assinalam como dias de azar.45-48.42 acrescenta que os assideus. porque se tinham multiplicado os males sobre eles". circuncidando à força os meninos incircuncisos e recuperando a Lei das mãos dos gentios. claro que um motivo higiênico pode estar oculto pelos rituais e cerimônias. somente os filisteus (que são indo-europeus) não são circuncidados. Dos povos palestinos com os quais Israel entra em contato. Egípcios. Aliás. que significa "duas vezes sete" e indica o dia da lua cheia para os babilônios. moabitas. operação feita pelo pai da criança. o sacerdote e o médico. Para a cerimônia usam os israelitas. em tempos mais remotos. fenícios e cananeus usam igualmente a circuncisão. facas de pedra lascadas. A etimologia da palavra é incerta. porque ela passa a ser uma marca característica do judeu fiel[7]. suas mulheres e seu gado. A circuncisão. Esta é a curta notícia que nos dá 1Mc 2. naqueles tempos. Pode derivar do acádico shabattu ou shapattu. as passagens das fases da lua. Quem não a conhece são os indo-europeus e os mongóis. segundo Lv 12. Para os judeus é um dia de descanso e dedicação do tempo a Iahweh. . eles. o que atesta a sua origem arcaica. Mas a circuncisão é. por exemplo. Entretanto. deve ser cumprida no oitavo dia pós o nascimento. árabes.3. quando então o rei. americanas e australianas praticam-na. Matatias e os seus percorrem o território destruindo altares sacrílegos. E 1Mc 2. edomitas. amonitas. que consiste na remoção do prepúcio. ou dias tabu.

E é realizada uma primeira oferta das primícias a Iahweh. o seguinte: no dia 10 de Nisan cada família escolhe um cordeiro macho.5-8. No dia 14. desde que sejam circuncidados. celebrado na primeira lua cheia da primavera. simbolizando um novo ponto de partida. progressivamente os outros povos da região vão deixando-na de lado. Durante esta noite de lua cheia assam e comem o cordeiro. em Lv 23.16-25. . posterior ao exílio. O seu uso israelita como símbolo de pertença a Iahweh data dos tempos do exílio babilônico. Ex 12. é um ritual muito antigo tipicamente pastoril. Daí a ênfase dada ao rito pelo judaísmo como marca característica do povo israelita[8].C. Quando a família é pequena demais para comer todo o cordeiro. no mês de Nisan (março/abril) e se celebra durante uma semana. Também são consumidos nesta noite pães ázimos e ervas amargas. Esta festa marca o começo da colheita da cevada. quando. mais tarde os portais das casas. A Páscoa (pesah). estabelece. Nm 28. agora proibidas por Antíoco IV.provavelmente um rito de iniciação à puberdade: uma cerimônia pela qual os rapazes são reconhecidos como homens adultos.) celebra-se a Páscoa na primeira lua cheia da primavera (14 de Nisan) e os Ázimos a partir do dia 15. quando se sacrifica um animal novo para garantir a fecundidade de todo o rebanho.40-51. Não se pode quebrar nenhum osso e o que sobrar é queimado. são: a Páscoa/Ázimos.1-20. O seu sangue serve para aspergir as estacas da tenda. Durante os sete primeiros dias da colheita. Os escravos e os estrangeiros residentes também podem participar. estando todos vestidos para viajar. entre as duas luzes (à noite) o cordeiro é degolado e o seu sangue aspergido nos portais de cada casa. para afastar delas os poderes malignos. A tradição sacerdotal. come-se somente pão feito com farinha de grão novo. É excluído o que vem do "ano velho". pão sem fermento. de sábado a sábado. termo de etimologia incerta. os sete dias da festa. sem defeito e de um ano. a festa das Semanas ou Pentecostes e a festa dos Tabernáculos ou das Tendas. une-se aos vizinhos. As três principais festas (hag = peregrinação) israelitas. Dá-se também às duas festas um novo sentido: a celebração da libertação do Egito. A partir da reforma de Josias (629-609 a. Os Ázimos (massôt) são pães sem fermento.

é preciso lembrar que há outras celebrações no Israel da época grega. recordando a vitória dos judeus da Pérsia contra aqueles que querem exterminá-los. em grego. sem data precisa. A cerimônia consiste em oferecer dois pães fermentados. esta é uma festa muito alegre. Como o Yom Kippur. terminando com um dia solene de descanso. segundo Ex 29. A festa dos Tabernáculos ou Tendas é a mais importante das três festas de peregrinação em Israel. celebrado de manhã e à tarde. a festa assume outro significado: o povo deve recordar o período em que vivera em tendas. Foi posteriormente ligada ao Sinai. celebrada no dia 10 de Tishri. feitos com a nova farinha de trigo. Mais tarde a festa passa a ser celebrada. para se proteger do sol. Inicialmente a festa é celebrada ao ar livre e certamente assume o nome das cabanas (sukkot) que se espalham entre as plantações. com uma duração de sete dias. pois segundo a tradição. ou Dia da Expiação pelo santuário. as primícias. Além destas três grandes festas. "tendas" ou "tabernáculos". que se traduz por "cabanas". que dura uma semana. no deserto. segundo o livro de Ester. Há ainda um culto diário. típico do pós-exílio. que são igualmente proibidas por Antíoco IV Epífanes. "cinqüenta". É. A festa das Semanas ou Pentecostes é celebrada 50 dias após a apresentação do primeiro molho de cevada na festa dos Ázimos.43). como as outras duas. uma festa agrícola.No dia 15 começa a festa dos Ázimos. Celebra o término da colheita. segundo as leis sacerdotais. No outono terminam todas as colheitas e se encerra o ano agrícola. o povo constrói cabanas ou abrigos nos pomares e vinhas. quando os primeiros frutos da lavoura. esta festa passa a chamar-se mais tarde sukkot. a partir do dia 15 de Tishri (o mês de Tishri corresponde a setembro/outubro). celebrada no outono. o povo libertado do Egito chega ao monte naquele época do ano.38-42 e Nm 28. ou a festa dos Purim. celebrada nos dias 14 e 15 de Adar (fevereiro/março). Mais tarde. como nossas festas juninas. Naturalmente esta é uma associação litúrgica e não histórica[9]. daí ser chamada pentecostés. são oferecidos a Iahweh. Primeiramente chamada de festa da colheita (asip). O nome sukkot vem da seguinte prática: durante as colheitas. Por isso. clero e povo. após a libertação do Egito (Lv 23.2-8. . No primeiro e no sétimo dia são feitas celebrações religiosas.

A luta contra a helenização é comandada por um grupo sacerdotal, os Macabeus, o que faz parecer que os motivos religiosos sejam prioritários ou mesmo os únicos para a resistência. Como, aliás, insistem os livros dos Macabeus. Mas é preciso lembrar que há uma coincidência de interesses dos sacerdotes e levitas empobrecidos com os interesses dos camponeses. Por isso lutam lado a lado. Sacerdotes e levitas vivem da contribuição dos camponeses, pois o culto e o sacerdócio não têm propriedades, excetuando-se, é claro, uns poucos sacerdotes da nobreza. Os sacerdotes prestam serviços em Jerusalém só de tempos em tempos, morando no mais, em suas cidades e aldeias. O financiamento do culto fica, na maioria das vezes, por conta do Estado. Assim, a classe sacerdotal sem terras está interessada no controle público das terras, como manda a Lei, e não na privatização da propriedade da terra, que é a tendência da aristocracia filo-helênica. Só assim os sacerdotes podem ter certeza das contribuições para o Templo e para o sustento de suas famílias. Se a terra pertence a Iahweh, como diz a Lei, e os sacerdotes são os intermediários entre Iahweh e o povo, através da instituição do Templo, a sua sobrevivência está garantida. Mas se a terra pertence ao rei, como o quer o direito do conquistador grego, os sacerdotes que não pertencem à aristocracia e não se associam aos gregos são prejudicados[10]. NEXT [1]. PLATÃO, O primeiro Alcibíades 121c, em Diálogos vol. V, Belém, Universidade Federal do Pará, 1975, p. 226. [2]. Cf., sobre o tema, DE SOUZA BRANDÃO, J., Mitologia grega II, Petrópolis, Vozes, 19882, pp. 113-140; ELIADE, M., História das crenças e das idéias religiosas I/2, Rio de Janeiro, Zahar, 1978, pp. 199-217. BICKERMAN, E., The God of the Maccabees. Studies on the Meaning and Origin of the Maccabean Revolt,, Leiden, Brill, 1979, pp. 74-75, acredita que estas festas, celebradas em Jerusalém, fazem renascer, ou melhor, são meros disfarces dos antigos cultos cananeus da fertilidade, tão fortes em Israel até o exílio.

[3]. SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, p. 126. [4]. JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XII, 258-264; cf. SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, pp. 379-380. [5]. Joiarib é, segundo 1Cr 24,7, o chefe da primeira das vinte quatro classes sacerdotais que servem no Templo. Mas é possível que esta posição de destaque seja uma reformulação do texto após as vitórias dos Macabeus e seu acesso ao sumo sacerdócio. Os descendentes de Matatias são conhecidos como "Macabeus", do nome de seu filho Judas Macabeu, ou "Asmoneus" por causa de um bisavô de Matatias, segundo JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XII, VIII, 1. [6]. Assideus é a forma grecizada do hebraico hassidim, os "piedosos". 1Mc 2,42 diz que "a partir daí, uniu-se a eles os grupos dos assideus (hê synagôgê ton assidáiôn), que eram israelitas fortes, corajosos e fiéis à Lei". [7]. Cf. DE VAUX, R., Ancient Israel. Its Life and Institutions, London, Darton, Longmann & Todd, 19682, pp. 475-483. [8]. Cf. Idem, ibidem, pp. 46-48. [9]. Cf. Idem, ibidem, pp. 415-517. Cf. também BICKERMAN, E., The God of the Maccabees, pp. 88-90. [10]. Cf. KIPPENBERG, H. G., Religião e formação de classes na antiga Judéia, pp. 59-64.

9.2. A Luta de Judas Macabeu (166-160 a.C.) Matatias morre logo, no começo de 166 a.C., mas seu filho Judas, assumindo o comando da luta, desenvolve uma guerra de guerrilhas cada vez mais ampla e vence um a um os generais selêucidas enviados para detêlo. É preciso considerarmos, porém, que o reino selêucida tem forças mais do que suficientes para massacrar a rebelião judaica. Acontece, contudo, de estar Antíoco IV ocupado com vários problemas que explodem por toda a parte em seus territórios. Não pode, por isso, ocupar-se, para valer, com os judeus. Para sorte dos Macabeus e dos assideus, os judeus fiéis que os acompanham na luta anti-helênica.

É 2Mc 8,1.5-7 que nos conta a estratégia de Judas: "Entretanto Judas, também chamado Macabeu, e os seus companheiros, iam introduzindo-se às ocultas nas aldeias. Chamando a si os coirmãos de raça e recrutando os que haviam perseverado firmes no judaísmo, chegaram a reunir cerca de seis mil pessoas (...) Transformada a sua gente em grupo organizado, o Macabeu começou a tornar-se irresistível para os gentios, tendo-se mudado em misericórdia a cólera do Senhor. Chegando de improviso às cidades e aldeias, ateava-lhes fogo; e, apoderando-se dos pontos estratégicos, punha em fuga a não poucos de entre os inimigos. Para tais incursões, escolhia de preferência a noite como colaboradora. De resto, a fama de sua valentia propagava-se por toda parte". As primeiras tropas selêucidas mandadas contra Judas são comandadas por Apolônio, governador da Samaria, provavelmente o misarca que saqueara Jerusalém no começo de 167 a.C. Este pequeno exército, composto de gregos e de samaritanos é facilmente vencido por Judas (1Mc 3,10-12). Forças maiores vêm com o general Seron, comandante do exército da Síria, mas são igualmente vencidas em Bet-Horon (1Mc 3,13-26). Em seguida, são vencidas as forças dos generais Nicanor e Górgias, até que Lísias, o encarregado da pacificação judaica pelo rei Antíoco IV , vem pessoalmente combater Judas. Contudo, nem mesmo Lísias consegue vencê-lo e uma trégua é estabelecida entre as duas forças (1Mc 3,38-4,35). C. Saulnier comenta que "esta vitória, aparentemente fácil, de Judas Macabeu explica-se pelos problemas que enfrentava neste momento o governo selêucida. Com efeito, Antíoco IV partira no princípio do ano 165 a.C. para uma campanha nas satrapias superiores (isto é, na alta Ásia), deixando Lísias em Antioquia para assegurar o governo e a guarda de seu jovem filho"[11] .

É então que, livre de represálias selêucidas, Judas e os seus tomam Jerusalém, purificam e dedicam novamente o Templo. É dezembro de 164 a.C., exatamente três anos após a profanação do santuário. Para comemorar o fato é instituída a festa da Hanukka, isto é, "Dedicação", celebrada no dia 25 de Casleu (15 de dezembro). 1Mc 4,52-54.59 descreve assim este fato: "No dia vinte e cinco do nono mês - chamado Casleu - do ano centro e quarenta e oito, eles se levantaram de manhã cedo e ofereceram um sacrifício, segundo as prescrições da Lei, sobre o novo altar dos holocaustos que haviam construído. Exatamente no mês e no dia em que os gentios o tinham profanado, foi o altar novamente consagrado com cânticos e ao som de cítaras, harpas e címbalos (...) E Judas, com seus irmãos e toda a assembléia de Israel, estabeleceu que os dias da dedicação do altar seriam celebrados a seu tempo, cada ano, durante oito dias, a partir do dia vinte e cinco do mês de Casleu, com júbilo e alegria". Durante esta festa os judeus acendem velas, fazem procissão com palmas e cantam salmos de louvor. Mesmo após a destruição do Templo a festa da Dedicação continua e o ritual de acender as velas ainda é observado, agora em casa[12] . Judas continua a guerra após a purificação do Templo. Entretanto, a seqüência dos fatos é um pouco confusa, porque as nossas fontes, 1 e 2 Macabeus, divergem entre si. C. Saulnier explica estas divergências pelas perspectivas diferentes de 1 Macabeus e 2 Macabeus. Segundo a autora, 1 Macabeus mistura dados históricos com uma teologia inspirada no deuteronomista, fazendo de Judas um libertador de Israel na linha dos juízes, os líderes da época da conquista. Já 2 Macabeus insiste muito na piedade de Judas, na sua fidelidade em observar o sábado e coisas do gênero. Mas, para além destes detalhes

da derrota de seus exércitos e da libertação de Jerusalém por Judas. Reconheço agora que é por causa disso que estes males se abateram sobre mim. Por esse motivo. sem parar. As versões de sua morte são muito estranhas e complexas. porém. adoece e morre. ainda na Pérsia. ou seja. Judas dedica-se à proteção dos judeus que se vêem acuados pelos gentios em várias localidades. o rei morre em outubro de 164 a. morre Antíoco IV Epífanes. entre outras coisas.C. pensou em fazer pesar sobre os judeus também a injúria dos que o haviam posto em fuga. Segundo 2Mc 9. Estando perto de Ecbátana[16] . 2Mc 9. Sucedem-se assim as campanhas contra os idumeus e os amonitas. Segundo uma tabuinha conservada no British Museum. mas tem que fugir "acossado pelos habitantes do país".1-19. e tem que fugir diante da reação da população[15] . diz Antíoco aos seus amigos antes de morrer: "Agora. Sabendo. no final de 164 a. 2 Macabeus traz certas precisões que devem ser levadas a sério[13] .. famoso por suas riquezas. assalta-me a lembrança dos males que cometi em Jerusalém quando me apoderei de todos os objetos de prata e de ouro que lá se encontravam e mandei exterminar os habitantes de Judá sem motivo. provavelmente na mesma época em que o Templo é retomado e purificado.4-5 diz: "Fora de si pela cólera. Vede com quanta amargura eu morro em terra estrangeira". Segundo 1Mc 6. . no nono mês do ano 148 da era selêucida. é notificado da derrota de Nicanor na Judéia e cheio de fúria se apressa para se vingar dos judeus.1-17.1-68) [14] . Antíoco IV tenta saquear um templo em Persépolis. a expedição no Galaad. ordenou ao cocheiro que completasse o percurso prosseguindo sempre.edificantes. Entretanto.C. Antíoco IV tenta saquear o templo de Ártemis. Londres. na Galiléia e na Judéia (1Mc 5.12-13. em Elimaida. Segundo 1Mc 6.

Antíoco IV acaba se arrependendo dos males que fizera aos judeus (2Mc 9. desejando aumentar suas riquezas. o Deus de Israel. De fato. apenas eu chegue aí!' Foi quando o Senhor. . acometeu-o uma dor insuportável nas entranhas e tormentos atrozes no ventre". prossegue o texto. o rei Antíoco III. Suspeita-se. que tudo vê. feriu-o com uma doença incurável e invisível: apenas terminara ele a sua frase. decidiu fazer uma expedição contra o Templo de Ártemis.9). uma simples repetição da história de seu pai. na única coisa em que concordam o fato do rei Antíoco resolver saquear um templo na Elimaida -. E até promete tornar-se missionário judeu! Políbio dá também a sua versão da morte de Antíoco IV: "Na Síria. Mas. estando ele ainda vivo. possa haver uma duplicata. em Elimaida. e de seu corpo "começaram a pulular vermes. que morre ao saquear um templo na Elimaida[18] . porque algumas manifestações do demônio tinham sobrevindo na ocasião do delito cometido contra o templo visado"[17] . desconjuntando os membros. assim havia ele falado. Antíoco IV não desiste. como dizem alguns. Os esquemas teológicos das versões dos livros dos Macabeus são evidentes: Antíoco IV morre porque é castigado na sua arrogância (especialmente segundo 2 Macabeus). ferido por um demônio. Voltando a Tabe da Pérsia.enquanto já o acompanhava o julgamento do Céu.11-17). as carnes se lhe caíam aos pedaços entre espasmos lancinantes" (2Mc 9. diante do sofrimento. E o texto conclui que. o rei Antíoco. na sua soberba: 'Farei de Jerusalém um cemitério de judeus. deixou ele a vida. Tendo chegado a esta região foi frustrado em sua esperança. E. que. diante destas versões. porque os bárbaros que habitam neste lugar não consentiram neste delito. acaba caindo da carruagem.

C. Judas aproveita-se destas circunstâncias e assedia a Acra em Jerusalém. que tem apenas 12 anos de idade. Atacam Betsur e Judas. Quando parte em campanha para as províncias mais orientais de seu Império. seu filho. vêm então combater Judas. Mas.C. Lísias "proclamou rei o jovem Antíoco. e deu-lhe o nome de Eupator" (1Mc 6. Mas.). Parece ter havido em Antíoco IV um homem de Estado nada desprezível. Morre Antíoco IV.15).Na verdade. Só que com a chegada de Filipe a Antioquia. parece certo que seu fim se dá lá pelos lados da Pérsia. A carta de Antíoco V a respeito está conservada em 2Mc 11. Lísias tem que voltar às pressas para enfrentá-lo e decide fazer a paz com os judeus. Will. seu filho e de prepará-lo para o trono" (1Mc 6.22-26 nos seguintes termos: . Antíoco IV deixa Lísias encarregado dos negócios do reino em Antioquia. ele confia a seu conselheiro Filipe o encargo de governar o reino em nome de seu filho menor de idade Antíoco V. Mas. Mas. ao mesmo tempo. Judas acaba cercado no monte Sião. mas a luta de Judas Macabeu continua contra Antíoco V (164-162 a. o manto e o anel do sinete. como seus contemporâneos.). pouco antes de morrer. ultrapassado por uma conjuntura por demais complexa"[19] . contra Demétrio I (161-150 a. É a ele que Antíoco IV entrega "o diadema. a quem havia educado desde pequenino. como observa E. "a documentação de que dispomos sobre o homem e sobre sua obra não nos autoriza nem a apologia nem a condenação. mas. e o regente Lísias e. Lísias e Antíoco V. deixando o cerco da Acra. em seguida. encarregando-o de tutelar Antíoco. enfrenta o exército selêucida em Bet-Zacarias. onde ele está em campanha.17). A fama deste rei é muito ruim. não se sabe de que doença morre o rei Antíoco IV Epífanes.

No seu lugar é nomeado o sumo sacerdote Alcimo. . querida por nosso pai. voltara a Jerusalém acompanhado de Báquides.C[20] . Alcimo é um "ímpio". que vive como refém em Roma. O helenizante sumo sacerdote Menelau é convocado a Antioquia e. pois. Querendo. a liberdade religiosa novamente. Tendo-se trasladado nosso pai para junto dos deuses. homem poderoso no reino e fiel ao soberano. E os judeus obtêm. O que Antíoco V faz é revogar o decreto de seu pai que proibia as práticas judaicas. que também este povo possa viver sem temor. um dos amigos do rei. bem farás enviando-lhes embaixadores que lhes dêem as mãos.8-9. um dos seus amigos. Mas antes. a quem assegurou o sumo sacerdócio. enquanto Judas e seus partidários preferiam continuar na oposição"[21] . Demétrio. Filipe não consegue o controle do reino e foge para o Egito. Demétrio I governará de 161 a 150 a. mata seu primo Antíoco V e Lísias e assume o poder. a fim de que. ouvimos dizer que os judeus não consentem na adoção dos costumes gregos. querendo nós que os súditos de nosso reino estejam livres de qualquer incômodo a fim de poderem dedicar-se ao cuidado dos próprios interesses. por decreto real. Segundo 1Mc 7. consegue fugir. de vinte e cinco anos de idade. ou seja um helenizante: "O rei escolheu a Báquides.3-8). governador das regiões de Além-do-Rio. Porém. E então assistimos a uma primeira dissidência entre os revolucionários judeus. é executado (2Mc 13. sabedores de nossa intenção fiquem de ânimo sereno e se entreguem prazerosamente às próprias ocupações". que os assideus se viram pressionados a aceitar. dando-lhe ordens de exercer a vingança contra os filhos de Israel". Alcimo "confirmado em sua dignidade [por Demétrio]. por ordem de Lísias. desejam que se lhes permita a observância das suas leis. decidimos que o Templo lhes seja restituído e que eles possam governar-se segundo os costumes de seus antepassados. chega à Síria. um filho de Selêuco IV. e o enviou com o ímpio Alcimo.Por isso."O rei Antíoco a seu irmão Lísias. preferindo o seu modo de vida particular. e fizera propostas de paz. saudações.

. segundo 1Mc 7. os assideus raciocinam assim: "É um sacerdote da linhagem de Aarão que veio com este exército: ele não procederá injustamente conosco". após seis anos de guerra.14. Mas na sua qualidade de aaronida legitimava sua nomeação e atraía à sua causa os assideus"[22] . o dos Macabeus é bem mais amplo. A DINASTIA DOS SELÊUCIDAS Selêuco I Nicator 312-280 a.Báquides é o governador da província da Transeufratênia. Alcimo "é tratado de ímpio porque convivia com os gregos e criava obstáculos às pretensões dos Asmoneus. que vai do Eufrates ao Egito. Com efeito.C.C. em combate contra Báquides (1Mc 9. Isto indica que enquanto o objetivo da luta dos assideus é apenas conseguir a liberdade religiosa. é que os Selêucidas vencem Judas. Os Macabeus continuam a sua luta e só em 160 a. Antíoco I Soter 280-261 Antíoco II Théos 261-246 Selêuco II Calínicos 246-226 Selêuco III Ceráunos 226-222 Antíoco III. 20 km ao norte de Jerusalém. o Grande 222-187 Selêuco IV Filopator 187-175 Antíoco IV Epífanes 175-164 Antíoco V Eupator 164-162 Demétrio I Soter 162-150 Alexandre Balas 150-145 Demétrio II Nicator 145-139 Antíoco VI Théos 145-142 Trifão 142-139 Antíoco VII Sidetes 139-128 Demétrio II Nicator 128-122 Selêuco V 125 Antíoco VIII Filometor 125-113 .1-18). morto em Beerzet.

R.-135 d. p. a meio caminho entre essas duas cidades". 380. M. SCHÜRER. 227-229. Na realidade.1 nota q. [13] ... é a região montanhosa a nordeste dessa cidade". E. Histoire d'Israel III. 510-514. O judaísmo vivo. SAULNIER. 700 km a nordeste de Persépolis. Epífanes morreu em Tabe.. C. este texto em AA. 29. SAULNIER. 30. [19] . [12] . ASHERI. "Atualmente Hamadã. Idem. p. . antiga capital da Pérsia (Ne 1. Rio de Janeiro. Cf. diz a BÍBLIA DE JERUSALÉM. Histoire d'Israel III. A revolta dos Macabeus. as lutas de Judas em BRIGHT. ibidem. WILL. História de Israel.1) e. [18] .) I. História XXXI. 365-367. Textos do Antigo Oriente Médio. p. "De fato. Israel e Judá. PRÉAUX. [15] . em sentido restrito. pp. pp. pp.22).C.C. [14] . p. p. Histoire politique du monde hellénistique II.. C. NEXT [11] . 580-582. Cf. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo (175 a. [20] ... 307. 1985. explica a BÍBLIA DE JERUSALÉM. [17] ... Cf.3. [16] . J. 136-138. A revolta dos Macabeus. 1Mc 6. A Elimaida é a região em torno de Susa. Cf. não se tem notícia de cidade alguma com o nome de Elimaida. 9.C. ou em SAULNIER.. C. Le monde hellénistique I. forma grega de Elam (Gn 10. 134-165. C. POLÍBIO. 222-233. C.. Cf. Histoire de la Palestine I. Brescia. pp. pp. 99. DE VAUX. E.. pp. ABEL.. p. F. As tradições e as leis dos judeus praticantes. Paideia. pp. Ancient Israel. Imago.VV. Cf. SAULNIER.-M. nota g a 2Mc 9. 171. 1987.Antíoco IX Filopator Antíoco VIII Filometor Antíoco X contra 5 filhos de Antíoco VIII Antíoco XIII 113-95 111-96 95-93 69-65 a.

Aristóbulo I.. Entretanto. Simão. Agindo com crueldade extrema. A revolta dos Macabeus. ele controla a situação após 6 anos de sangrentos conflitos. a luta dos Macabeus continua com seu irmão Simão a partir de 143 a. levando suas fronteiras a um ponto que o país nunca mais tivera desde que fora destruído por Nabucodonosor em 586 a. grupo que vai se tornando cada vez mais popular.C. a poderosa fortaleza selêucida de Jerusalém. finalmente. entram em violenta disputa pelo poder.[21] . governando com grande habilidade. Sua mulher Salomé Alexandra assume o poder depois dele e faz a paz com os fariseus.9 nota q. que só acaba com a chegada definitiva dos romanos na região. a independência da Judéia. proclama-se rei. João Hircano I começa a enfrentar a oposição dos fariseus. [22] . Mas seus dois filhos. ao dominar a Acra. Salomé Alexandra. e continua o processo de anexação de territórios na Palestina. SAULNIER. BÍBLIA DE JERUSALÉM. após a morte da rainha. filho e sucessor de João Hircano. continua o processo de reaproximação com o helenismo. p. que continua o processo de judaização da Palestina. 1Mc7. Mas. O general Pompeu anexa a . consegue. apesar de ter governado apenas um ano. Os Macabeus II: a Independência Após a morte de Jônatas.C. por adotar medidas militares políticas helenizantes. E a luta pelo poder no seio da família dos Macabeus é forte: Aristóbulo encarcera sua mãe e seus irmãos. Hircano II e Aristóbulo II. C. Seu irmão Alexandre Janeu casa-se com a rainha viúva. Assassinado. 32. Janeu vai enfrentar pesada guerra civil no seu confronto com os fariseus. Simão é sucedido por seu filho João Hircano I.

Expulsou-os. Ptolomeu.C. sua importância política.49-52 descreve a tomada da Acra por Simão: "Ora. perecendo não poucos dentre eles à míngua. Como narra 1Mc 14. os da guarnição da Cidadela. e a expulsão dos gentios do território. Consegue muitos benefícios para o povo judeu. por um genro seu. removendo-lhe as abominações. entre aclamações e palmas. Simão toma Gazara. A importante fortaleza é transformada no palácio dos Macabeus[1]. à Judéia. afinal. com dois filhos. como consta do decreto de Demétrio II citado em 1Mc 13. Este Antíoco VII inicialmente reafirma os . E a independência da Judéia do jugo dos Selêucidas é garantida com a destruição da Acra por Simão em 141 a. 1Mc 13. em Jerusalém. e entoando hinos e cânticos. perto de Jericó. é o rei selêucida. Finalmente nela entraram no vigésimo terceiro dia do segundo mês do ano cento e setenta e um[2]. Fortificou ainda mais o monte do Templo. torna-se o seu governador militar.1. começaram a passar muita fome. na parte contígua à Cidadela. Este seu genro está em conluio com Antíoco VII Sidetes (irmão de Demétrio II). filho de Simão.Judéia à República Romana em 63 a.C. para confirmar a aliança com eles"[3]. Simão fortalece também as alianças com Esparta e com Roma. agora rei. Então clamaram a Simão para que aceitasse a sua mão direita. Simão estabeleceu que se comemorasse cada ano esta data com alegria.24: "Simão enviou Numênio a Roma com um grande escudo de ouro. e ele os atendeu. Simão acaba assassinado. restituindo. repele um seu ataque na Judéia. para comprar ou vender. filho de Abrebo. Gazara (= Gezer) é judaizada à força e João Hircano. 10. Simão Consegue a Independência da Judéia Simão sucede a seu irmão Jônatas em 143 a. que entre 139 e 128 a. impedidos de sair e de andar pela vizinhança. estratégica cidade helenística. porém dali e purificou a Cidadela. ele com os seus". e.C. porque um grande inimigo havia sido esmagado e expelido fora de Israel.36-42. enfrentando Trifão. durante um banquete. de mil minas de peso. Demétrio II ainda comanda a Cilícia e a Mesopotâmia e Simão faz aliança com ele.C. e habitou ali. címbalos e harpas. ao som de cítaras.

um filho seu. para cercar assim toda a praça"[5]. sob pena de condenação. Depois de ter devastado os campos e obrigado Hircano a se retirar para Jerusalém. segundo 1Mc 14. 44) . ele tem o direito de fazer 'julgamentos' que não podem ser contestados por ninguém. Antíoco VII apóia a ação criminosa de Ptolomeu contra Simão. Antíoco VII. consegue escapar e assume o poder. O decreto é de setembro de 140 a. que era o primeiro do principado de Hircano e a centésima sexagésima segunda Olimpíada. não se pode mais fazer reuniões sem a sua aprovação"[4]. por exemplo. "chefe") e sumo sacerdote hereditário.C. Flávio Josefo diz desse momento: "Antíoco. expressão grega usada na LXX para traduzir sar. "príncipe". durante seu governo. impor a João Hircano o tributo e obrigá-lo a combater ao seu lado contra os partos. consegue cercar Jerusalém em 133 a. 1Mc 14. o que não consegue. . é chefe (hegoumênos. ou rosh.é estratego (tem autoridade sobre o exército). João Hircano I e as Divisões Internas dos Judeus Quando Simão é assassinado. Aí vemos que ele é etnarca (líder da etnia judaica). mas em seguida reclama de Simão as localidades por ele conquistadas e o tributo dos territórios anexados por Simão à Judéia (1Mc 15.27-49 traz a inscrição sobre os feitos de Simão e da família dos Macabeus. no quarto ano de seu reinado. que conservava ainda o ressentimento pelas vantagens que Simão.C. nem mesmo pelos sacerdotes. tinha obtido sobre ele.o que faz dele um dinasta . entretanto.25-26. pai de HIrcano. Entretanto. "Não se pode dizer que ele tenha um poder legislativo. Sua intenção é a de submeter novamente a Judéia ao poder selêucida.acordos dos reis anteriores. Simão é. tem o direito de usar a púrpura e a fivela de ouro (v. Durante seus primeiros anos de governos João Hircano I enfrenta enormes dificuldades para manter a independência da Palestina. atacou a Judéia. Como não chegam a um acordo. inclusive reocupando a Acra.25-26). chamado João Hircano.2. porque o povo é regido pela Lei..C. governando de 134 a 104 a. muito querido pelos judeus que resolvem fazer-lhe um elogio. 10. dividindo o seu exército em sete corpos. gravado em placas de bronze e afixado no monte Sião. ele o sitiou.

Os idumeus e os itureus da Galiléia foram obrigados a se circuncidarem (. para explicar a ruptura de João Hircano I com os fariseus. em particular. Foram destruídas assim muitas cidades de importância econômica e cultural tanto para a Palestina como para os territórios vizinhos. judaizando importantes localidades palestinas como Mádaba. 'Ou o judaísmo ou a morte': esta frase poderia resumir o programa político dos grandes Asmoneus. Samega. Entretanto.) Era necessário aniquilar a civilização grega com suas realizações. já antes estabelecido por seus antepassados. as crueldades cometidas por João Hircano I contra as cidades conquistadas e as populações forçadamente judaizadas provocam a primeira reação dos fariseus contra os governantes Macabeus. João Hircano I apela para os romanos. Siquém. Tal foi. o Senado procurará defender os interesses dos judeus[7]. João Hircano destruiu o templo do monte Garizim e a cidade helenizada de Samaria e reduziu seus habitantes a escravos. no momento. João Hircano I continua as conquistas de seu pai Simão. cujo território ambicionam. "A maior parte das guerras terminou com a conversão forçada dos vencidos e muitas vezes com extermínios que lembravam o 'anátema' praticado por Josué.. com quem renova o tratado de amizade. um fariseu teria requerido de João Hircano I que abandonasse o sumo sacerdócio. Marisa. segundo o qual. há outros problemas mais urgentes em Roma. João Hircano I tenta punir este fariseu com a morte. Flávio Josefo. Pois sua mãe teria sido prisioneira de Antíoco IV Epífanes . ação que o partido farisaico não aprova. o destino das grandes e prósperas cidades costeiras e das cidades helenísticas fundadas a leste do Jordão"[6]. Adora. por sinal.Quando o poder selêucida muda de mãos. mas também manda dizer que. durante um banquete. . a Iduméia.. O Senado romano renova então a amizade (filia) e a aliança (symmachía) com os judeus em 126 ou 125 a. entretanto. Os romanos não morrem de amor pelos judeus. Paul lembra que a expansão territorial e os métodos imperialistas dos Macabeus vão se tornando cada vez mais fortes. mas apóiam qualquer iniciativa que possa enfraquecer os Selêucidas. e não só suas resistências..tendo se tornado suspeita de ter sido violentada e tornada impura -. Para se libertar da tutela selêucida. Logo que puder. bastante lendário. A partir deste momento João Hircano I alia-se aos saduceus e rompe com os fariseus[8]. narra um episódio.C. o que o incapacitava para o cargo de sumo sacerdote. segundo Lv 21. A.14.

João Hircano I, na verdade, para conseguir as suas conquistas e garantir o seu território, começa a incorporar ao seu exército mercenários gentios. Naturalmente pagos com os tributos recolhidos do povo judeu. O que já desagrada bastante aos aliados dos Macabeus. P. Sacchi explica: "Os gentios engajados eram impuros que viviam junto ao povo judeu. Para os essênios a contaminação da cidade crescia, para os assideus surgiam problemas sobre a pureza que antes não existiam. A suspeita em relação ao Asmoneu devia crescer"[9]. Originariamente aliados dos Macabeus no combate à helenização, os assideus acabam divididos na época de Jônatas. Deles saem os essênios, que rompem com o governo dos Macabeus, e os fariseus, que ainda o apóiam[10]. É preciso considerar também que, pouco a pouco, o governo macabeu toma rumos semelhantes aos de seus inimigos Selêucidas, afastando-se dos ideais originais da resistência. É isto principalmente que provoca os atritos com os judeus mais rigorosos na observância da Lei. Observando outro aspecto, A. Paul crê que a política macabéia de destruição do helenismo é, a longo prazo, um suicídio. Esta política "consistia, de um lado, em destruir todos os traços, inclusive os humanos, do helenismo político e cultural das cidades da Palestina justamente quando a numerosa diáspora manifestava sua legalidade e impunha sua verdade, impregnando-se profundamente do modo grego de pensar, de viver e de se exprimir". Além do que, esta política "significava o aniquilamento das infra-estruturas e das estruturas sociais e econômicas, das quais dependiam a salvação e a prosperidade da Palestina". E o autor acrescenta: "Poucos decênios depois, quando da queda súbita do Estado asmoneu em 63 a.C., a história mostrou que, já nos tempos dos troféus, o processo de morte estava profundamente consolidado e generalizado". Para concluir, diz A. Paul: "Da luta pelo restabelecimento da paz civil e, depois, pela independência nacional, passara-se, com efeito, a conquistas cuja finalidade era garantir a segurança necessária às novas fronteiras, muito vulneráveis. Formava-se assim uma engrenagem irresistível, já que a segurança conseguida pelas armas exigia a garantia de uma outra segurança, a qual, por sua vez, devia também ser conseguida pelas armas"[11].

Também M. Hengel acredita que nesta época só a monarquia de tipo helenístico ou a pólis têm condição de sobreviver, sendo inviável qualquer outro tipo de Estado. Por que? Porque sem um exército moderno, um aparelho administrativo e financeiro eficiente e uma participação competitiva no mercado mundial um Estado não tem espaço neste contexto. Os judeus não conseguem compreender isso e estão destinados à falência, pois tentam transplantar seu antigo ideal teocrático para uma realidade política de um mundo transformado[12]. NEXT [1]. Sobre Simão, cf. ABEL, F.-M., Histoire de la Palestine I, pp. 191-206; SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, pp. 146-149; SCHÜRER, E., Storia del popolo giudaico al tempo de Gesù Cristo I, pp. 250-261. [2]. O vigésimo terceiro dia do segundo mês do ano cento e setenta e um da era selêucida corresponde aos começos de junho de 141 a.C. [3]. Uma mina ática pesa 436 gramas: o escudo pesaria quase meia tonelada de ouro. Entretanto, na resposta dos romanos à embaixada judaica se diz: "Eles nos trouxeram um escudo de ouro de mil minas" (1Mc 15,18). Deve-se entender que o escudo vale mil minas de prata, o equivalente a aproximadamente 44 kg de ouro, peso aceitável para esse tipo de escudo decorativo. [4]. SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, p. 155. [5]. JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XVII, 236. Sobre João Hircano I, cf. SCHÜRER, E., o. c., pp. 261-279. [6]. PAUL, A., O judaísmo tardio, pp. 191-192. JOSEFO, F., Bellum Iudaicum I, 64-66 descreve o cerco e a queda de Samaria. [7]. Cf. o texto em JOSEFO, F., Antiquitates Iuadaicae XIII, 259-266. [8]. Cf. JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XIII, 288-298. Cf. também SCHÜRER, E., o. c., pp. 275-278. Na p. 277 diz este autor: "Na sua forma anedótica, a história traz, sem dúvida, as marcas da lenda, e provavelmente Josefo a recebeu apenas de uma tradição oral. Não obstante, pode-se considerar como um dado de fato que Hircano verdadeiramente se distanciou dos fariseus e aboliu as suas prescrições".

[9]. SACCHI, P., Storia del mondo giudaico, Torino, Società Editrice Internazionale, 1976, p. 115. [10]. Cf., sobre os fariseus, saduceus e essênios, SCHÜRER, E., The history of the Jewish people in the age of Jesus Christ II, Edinburgh, T & T Clark, 1986, pp. 381-414; 555-590. [11]. PAUL, A., O judaísmo tardio, pp. 193-196. [12]. Cf. HENGEL, M., Ebrei, Greci e Barbari, pp. 134-135.

10.3. Aristóbulo I e a Reaproximação com o Helenismo Segundo Flávio Josefo, João Hircano tem cinco filhos, quando morre em 104 a.C. Mas ele não deixa o governo para nenhum deles, e sim para sua mulher[13] . É bem provável, entretanto, que tenhamos aqui uma confusão com a situação análoga ocorrida mais tarde, quando, ao morrer, Alexandre Janeu deixa o trono para sua mulher Salomé Alexandra. É que Janeu é rei e pode fazer isto, mas não João Hircano que não é rei[14] . De qualquer maneira, Aristóbulo, o filho mais velho de João Hircano I, aprisiona sua mãe e três de seus irmãos, assumindo o poder. Sua mãe morre de fome na prisão. Apenas um de seus irmãos, Antígono, fica livre. Contudo, as intrigas dos rivais de Antígono levam Aristóbulo a mandar matá-lo, temendo, provavelmente, sua concorrência, já que lhe fazem crer aspirar Antígono ao poder supremo[15] . Ainda segundo Flávio Josefo, Aristóbulo I terá sido o primeiro Macabeu a usar o título de rei: "Aristóbulo, que era o mais velho dos filhos de Hircano, cognominado 'Filélên', isto é, amigo dos gregos, mudou em reino, depois da morte de seu pai, o principado dos judeus e foi assim o primeiro que se fez coroar rei"[16] . Entretanto, esta notícia é controvertida. Nas suas moedas aparece apenas a seguinte inscrição: "Judas, sumo sacerdote e a comunidade dos judeus".

Além do que Estrabão diz que é seu irmão e sucessor Alexandre Janeu o primeiro Macabeu a ostentar o título de rei. Diz Estrabão: "De qualquer modo, quando agora a Judéia estava sob o domínio de tiranos, Alexandre foi o primeiro a se declarar rei em vez de sacerdote"[17] . Por outro lado, observe-se que tanto ele como seus irmãos têm nomes gregos - Aristóbulo, Antígono, Alexandre -, embora use para os judeus um nome semita, Judas. Isto significa que seu pai João Hircano já abrira as portas da família para a helenização. Helenização que um dia seus antepassados combateram. E Flávio Josefo chama Aristóbulo I de "filo-heleno", o que igualmente indica sua aproximação da cultura grega, certamente apoiado pelos seus aliados saduceus. Por sinal, os autores gregos o têm em grande conta, segundo relata o mesmo Josefo: "Era de natural tão doce e tão modesto, como Estrabão o refere com estas palavras, ante a relação de Timagenes: 'Este príncipe era muito afável (epieikês) e os judeus não lhe são devedores de pouco: porque ele levou tão longe os limites de seu país que ele aumentou com uma parte da Ituréia e uniu este povo a eles pelo laço da circuncisão'"[18] . Certo é que Aristóbulo I continua as conquistas de sua família: anexa e judaíza a Galiléia, segundo as fontes antigas habitada por tribos ituréias, obrigando seus habitantes a aceitar a circuncisão e a Lei[19] . Aristóbulo I morre, de dolorosa doença, tendo governado apenas um ano. 10.4. Alexandre Janeu, o Primeiro Rei Macabeu Após a morte de Aristóbulo I, sua viúva Salomé Alexandra, liberta seus irmãos da prisão e se casa com o mais velho, Alexandre Janeu, que se torna, assim, rei e sumo sacerdote. É o que nos diz Flávio Josefo: "Depois da morte do rei Aristóbulo, a rainha Salomé, sua esposa, que os gregos chamam de Alexandra, pôs em liberdade os irmãos desse príncipe, que ele mantinha na prisão, como vimos, e fez rei a Janeu, antes chamado de Alexandre, que era o mais velho e o mais moderado de todos"[20].

usando toda a sorte de armas que lhes caíam nas mãos e mataram tantos quantos foram os que perderam. com redobrado vigor. uns para um lado. para onde fora expulso por sua mãe. filho mais velho da rainha Cleópatra III. O comentário de Flávio Josefo é o seguinte: "Quando a rainha Cleópatra viu que seu filho crescia em poder daquele modo e devastava. então. é um pequeno rei em Chipre. em seguida.. no sul. Estes (. ao norte. os soldados saíram. tinha submetido Gaza à sua obediência e estava já quase às portas do Egito e que ele nada mais pretendia do que se apoderar do mesmo. Alexandre Janeu retoma. o processo de conquista. suas conquistas. em seguida. antigo sonho dos Ptolomeus. Alexandre teve primeiramente uma atitude pacífica. generais do exército ptolomaico. Assim. Alexandre Janeu continua.Nos primeiros anos de seu governo. Conquista a região costeira da Palestina. puseram fogo em suas casas para que não fossem saqueadas . do Egito. no sul. anexação e judaização de várias cidades palestinas... apoderando-se inclusive da importante cidade de Gaza em 96 a. entra em cena um rei ptolomaico: Ptolomeu IX Latiro. até o Monte Carmelo. Porém. mas este recebe ajuda da rainha Cleópatra III. A descrição que faz Flávio Josefo da conquista de Gaza é exemplar para avaliarmos os métodos de Alexandre Janeu: "Quando entrou na cidade.C. ao tentar tomar Ptolemaida. Ptolomeu IX vence Alexandre Janeu. homens de bem. entre os quais se destacam Ananias e Helquias. desta vez a leste do Jordão e.) Alguns dos seus servidores propuseram-lhe apoderar-se de seu país e não permitir que um número tão grande de judeus. julgou não dever esperar mais para enfrentá-lo. judeus de nascimento (.. cujo comando confiou a Helquias e Ananias.. Mas Ananias aconselhoulhe o contrário. Alguns deles. soltou suas tropas sobre os gazenses e deixou seus homens se vingarem deles. estivesse sujeito a um único homem. desde a fronteira com o Egito. mas se retira e deixa o território sob o comando de Alexandre Janeu. reuniu grandes forças de terra e mar. toda a Judéia. Ela certamente teme as conquistas do filho e provavelmente é também influenciada por conselheiros judeus. outros para o outro. filhos de Onias IV. matando os gazenses. Mas. Cleópatra III acaba tornando-se senhora de toda a Palestina. da família sacerdotal de Jerusalém."[21].) defenderam-se dos judeus. sem resistência.. sem perder tempo. vendo-se sozinhos.

. A ruptura com os fariseus é total[24]. porque o ataque teve lugar justamente quando eles estavam em conselho. Outros se desembaraçavam. E como podem os fariseus aceitar como sumo sacerdote um guerreiro do tipo de Alexandre Janeu que não cumpre as rigorosas prescrições que o cargo exige? Pois terá sido após as conquistas acima mencionadas. Só os sacerdotes. durante a festa dos Tabernáculos. a leste do lago de Genezaré. de seus filhos e de suas mulheres: era o único meio de evitar que se tornassem escravos de seus inimigos. colocando-se os dois poderes em nítido contraste.C. ao mesmo tempo que os Macabeus se distanciam progressivamente de suas aspirações. Ao fugir para Jerusalém encontra uma violenta rebelião armada contra seu governo. Alexandre Janeu acaba sofrendo mais uma derrota militar. Apoiado por seus mercenários estrangeiros. o povo atinge Alexandre Janeu com limões no momento em que ele está diante do altar para oferecer o sacrifício[23]. rei de parte da Síria. desta vez quando se confronta com os nabateus pela posse da região do Golã.pelo inimigo. Os fariseus vêm aumentando constantemente sua influência junto ao povo.tendo decorrido um ano de cerco . com suas próprias mãos. aí por volta do ano 90 a.C. Alexandre Janeu enfrenta uma guerra civil que dura seis anos e na qual terão morrido pelo menos cinqüenta mil judeus[25]. ao mesmo tempo. E é então que Alexandre Janeu começa a enfrentar séria oposição interna. podem atravessar esta paliçada. mas Alexandre os matou e. a ajuda de Demétrio III. depois de ter demolido a cidade sobre seus cadáveres .retornou a Jerusalém"[22]. para se proteger da população. A reação de Alexandre Janeu é violenta: manda que seus mercenários ataquem a multidão e cerca de seis mil pessoas são massacradas.. Em conseqüência desse episódio. que enfrenta e vence Alexandre Janeu totalmente. perto de Siquém. capitaneada pelos fariseus. ele manda construir uma paliçada de madeira em torno do Templo e do altar. Os fariseus pedem. que são saduceus. Isto terá sido por volta de 89 a. seus mais ferrenhos adversários. que. Cerca de quinhentos membros da Assembléia se refugiaram no templo de Apolo.

o elemento judaico em toda a Palestina"[29]. ao retornar a Jerusalém crucifica 800 de seus adversários enquanto participa de um alegre banquete. Estes acontecimentos. comenta: "É pois. A. de modo que oito mil deles se retiram do país e não voltam enquanto ele permanece no governo[27]. que se deve situar o combate impiedoso de Alexandre Janeu contra as cidades helenísticas e sua decisão de impor.faz com que Roma perca por breve período o controle do Oriente. segundo Flávio Josefo. expandindo o processo de judaização. o rei iraniano Mitridates VI.na verdade. A guerra conhecida como "Guerra dos aliados" (Bellum sociale) . por outro lado. Paul. egípcios e sírios para cortar a influência romana na região. Flávio Josefo diz que a razão é a reviravolta dos sentimentos judaicos ao verem seu território ocupado pelos estrangeiros: cerca de seis mil judeus teriam abandonado Demétrio III e passado para o lado de Alexandre Janeu[26]. que. Consegue grandes vitórias.Entretanto. do Ponto. armênios. Após a pacificação interna. estão relacionados à crise vivida por Roma nesta época. de curta duração. Mas é mais provável que Demétrio III tenha se retirado por causa dos conflitos internos dos Selêucidas. temporariamente. Alexandre Janeu dedica-se novamente às conquistas territoriais. sob o impulso de 'reorientalização' dos territórios e Estados do Oriente Médio que acompanhava o declínio dos Selêucidas gregos. porque em seguida ele é vencido por seu irmão que tem o apoio dos partos. que já não ameaça Roma. Esta "ausência" de Roma. violentas guerras civis entre o proletariado e a aristocracia romana e também entre os aliados italianos e os cidadãos romanos . Este gesto de terror teria desencorajado os seus adversários. apesar de um confronto desastroso com o rei nabateu Aretas tê-lo obrigado a fazer algumas concessões a este povo[30]. após fazê-los assistir ao massacre de suas esposas e filhos. Alexandre Janeu consegue então controlar a revolta interna e. pela força ou pela morte. segundo muitos autores[28]. . Demétrio III abandona a Palestina e volta para a Síria. Somado a isso acontece o enfraquecimento definitivo do poder selêucida. alia-se aos partos. recua no controle de seus interesses na região. por exemplo. Aproveitando-se do conflito interno em Roma. é que permite igualmente a Alexandre Janeu o seu expansionismo judaizante.

ficou sob seu domínio. Alexandre morre. segundo o mesmo Josefo. que fazem amar ou odiar o que eles querem (. na verdade. baseado em alguma tradição.ou iniciado? . Talvez Josefo esteja apenas relatando. Alexandre morre de doença e não em combate. A costa. a fim de que a honra que lhes concedeis os leve a louvar publicamente. Ocultai minha morte aos meus soldados até que esta praça [Ragaba] tenha sido tomada.5. em 76 a. de que nada fareis no governo do reino. que conseguiu conservar a independência. Díon e outras"[31].Alexandre consegue. inclusive um número de importantes cidades que até então tinham sido centros de cultura grega como Hippos. perante o povo. procurai conquistar o afeto dos fariseus. De fato.. enquanto sitia a fortaleza de Ragaba. Gadara. Além disso. onde Jope fora outrora a primeira conquista dos Macabeus. Alexandre Janeu deixa o trono para sua esposa Salomé Alexandra e faz-lhe a seguinte recomendação: "Se quiserdes seguir o meu conselho podereis conservar o reino e também os nossos filhos.C.) Dai-lhes vossa palavra. que estão rompidos com os Macabeus desde João Hircano I[34]. Schürer sintetiza assim as conquistas de Alexandre Janeu: "No sul os idumeus foram subjugados e judaizados. Esta notícia pode ser verdadeira ou não. do lago Merom ao mar Morto. o poder é partilhado entre a resoluta rainha e os fariseus[35]. durante seus 37 anos de reinado. Josefo.. levar o território judaico à sua extensão máxima desde que o país fora devastado pelos babilônios cerca de 500 anos antes. Salomé Alexandra e o Poder dos Fariseus Segundo Flávio Josefo. estava agora quase inteiramente sob controle judaico. Depois que voltardes vitoriosa a Jerusalém. E. provavelmente por consumo excessivo de bebidas alcoólicas[32].seu poder no aristocrático . inventadas causas para um efeito real: Salomé Alexandra governa durante nove anos apoiada pelos fariseus. ao morrer. Com exceção de Ascalon. em seguida.. Mas. segundo F. Através destes relatos de Flávio Josefo podemos concluir que. dando-lhes alguma autoridade. Eles gozam de tanto poder sobre seu espírito. a vossa magnanimidade. os fariseus devem ter aumentado . Pela. 10. todo o país a leste do Jordão. no norte o domínio de Alexandre se estendia até a Selêucia sobre o lago Merom. todas as cidades costeiras da fronteira egípcia ao monte Carmelo foram conquistadas por Alexandre. senão por seu conselho"[33]. quando combate os nabateus na fronteira gerasena.

agora deve ter admitido também mestres fariseus"[36]. P. Aristóbulo.. Mas Salomé Alexandra controla a situação. até então por representantes da nobreza e dos sacerdotes. que apoiavam Alexandre Janeu e eram também responsáveis pela morte de tantos partidários seus. ambicioso. a longo prazo. [14]. Por outro lado. F. 299-302. ela entrega a defesa das fronteiras do país nas mãos de seu outro filho. deve ter sofrido uma importante transformação. É através da gerousia. a "bomba" está sendo armada para detonar nas mãos de seus filhos. NEXT [13]. Isto deixa amplo espaço para a atuação dos fariseus[37]. que os fariseus começam de fato a legislar. mais jovem que Hircano. E este comanda várias fortalezas. Storia del mondo giudaico. 118. Salomé Alexandra não é nada ingênua nesta atribuição de poder aos fariseus. liderados por Aristóbulo fazem exatamente o jogo contrário. a gerousia.senado criado muito antes pelos Ptolomeus para mais facilmente controlar o país. Talvez seja este o maior defeito de seu governo: a curto prazo. ousado. comandá-lo. E. Esta portanto. assessorado por oficiais saduceus[38]. homem sem ambições. JOSEFO. Estas medidas desmobilizam os intermináveis conflitos internos. ao mesmo tempo que os saduceus. Conta muito também o fato de ser nomeado para o sumo sacerdócio o filho mais velho de Alexandre Janeu. o futuro Sinédrio. Hircano.. gerando próspero e pacífico período. oficializando o seu já imenso poder sobre o povo judeu. Antiquitates Iudaicae XIII. segundo Josefo. Cf. p. mas. Além de reforçar a estrutura de seu exército com novos mercenários e. empreendedor. Obviamente os fariseus fazem várias tentativas para punir os saduceus. Enquanto era constituída. Schürer comenta a propósito: os fariseus "podiam exercer tal autoridade somente se fossem um fator determinante no órgão administrativo supremo. SACCHI. Cf. . os conflitos são controlados. de fato. que só irá explodir após sua morte aos 73 anos de idade. pouco apto para o governo e que gosta de viver na ociosidade.

[16]. M. 301. [21].C. ALFÖLDY. pp. [20]. Para a história da guerra dos aliados. o. 19774. ESTRABÃO.. Cf. F. [27]. 372-373. Idem. 107-118. cf. Roma y la conquista del mundo mediterráneo 264-27 a. Este é o costume da época. pp. G.. 303: "A esse crime [de matar a mãe] acrescentou o de mandar matar seu irmão Antígono. Barcelona. Lisboa. ibidem XIII. 762. 362-364. pp. cf. pp. A. M. Durante a festa dos Tabernáculos cada participante leva uma folha de palmeira e um limão. de J.. pp. Idem. C. 301-302. A história social de Roma.. [18]. ibidem XIII. pp. Diz JOSEFO. 207-216. Calúnias foram a causa disso". PAUL. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. Publicações Europa-América 19742.. Idem. . É possível que os itureus habitem apenas as partes norte e nordeste da Galiléia e também que a anexação deste território (Galiléia) tenha começado antes do governo de Aristóbulo I. BLOCH. Idem. 1982.. pp. C.. Antiquitates Iudaicae XIII. [19]. 198-199. [25]. Timagenes é um historiador alexandrino do século I a. Sobre esta questão. Rio de Janeiro. A questão é controvertida. M. c. Cf. ROSTOVTZEFF. ibidem XIII. História de Roma. JOSEFO. JOSEFO. 282. 81-109. E. que ele mostrara amar tanto. [24]. NICOLET. [26]. 137-212.. 1989. F. L. Antiquitates Iudaicae XIII. Geographica XVI. [28]. Editorial Labor. Cf.. Idem. Cf. Antiquitates Iudaicae XIII. Zahar. F.. pp. ibidem XIII. 225-226. 320. 222-226. Storia del popolo giudaico al tempo de Gesù Cristo I. o. [17]. o texto de Estrabão em STERN. STERN. M.. STERN. 380. ibidem XIII. Cf. Idem.. [22]. ibidem XIII. c. I. [23]. Editorial Presença. O judaísmo tardio. 379. F. JOSEFO. Lutas sociais na Roma antiga.. [29].. SCHÜRER. Cf. p. 348ss.[15]. Antiquitates Iudaicae XIII. 375. 319..

296. perto de Adida. A extensão do território judaico à época da morte de Alexandre Janeu nos é conhecida através do relato de JOSEFO. Hircano II e Aristóbulo II.C. [35]. 262-263..6. nota 1.. SCHÜRER.. Alexandra conseguia subtraí-los às vinganças farisaicas e dava o comando do exército a homens que. E. Storia del mondo giudaico.. acontece a guerra entre os . Cf. Sobre a data da morte de Salomé Alexandra existe alguma divergência. Apenas diz: "Ele [Aretas] entrou com soldados na Judéia. F. [37]. F. 398. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. [31]. libertavam os prisioneiros e em nada se diferenciavam dos soberanos". sumo sacerdote. 292-293. avalia JOSEFO. e voltou depois de ter conversado com ele". Ou ela morre em 67 a. Mas Aristóbulo II não concorda. p. Faziam voltar os exilados. O judaísmo tardio. Antiquitates Iudaicae XIII. F. [32]. 405ss. Josefo não especifica que concessões são essas. 123: "Enviando os principais líderes saduceus para as fortalezas. neste tempo. E.. Comenta SACCHI. Cf. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. F. Antiquitates Iudaicae XIII. 401-404.. Hircano II assume o posto de rei. cf.. pp. SCHÜRER. venceu o rei Alexandre. P. Antiquitates Iudaicae XIII. 392. A. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. [34]. SCHÜRER.. E. Sobre a questão. à morte de Salomé Alexandra. JOSEFO. F. 206-218. p. o conflito explode entre os dois irmãos. 408-409. pp. desde algum tempo... A história das cidades da região pode ser lida em PAUL. pp. [38]. JOSEFO. Sendo o mais velho e. [33]. tinham experiência".. Cf. ou em 69 a. como afirmo acima. JOSEFO. Aristóbulo II e a Intervenção de Pompeu Mal morre a mãe Salomé Alexandra. "Assim ela tinha só o nome de rainha e os fariseus gozavam de todo o poder que lhes dava a realeza. 395-397. 10.C. JOSEFO.. Antiquitates Iudaicae XIII. Antiquitates Iudaicae XIII. como sustentam alguns autores.[30]. [36].. Antiquitates Iudaicae XIII. F.

C. entra um complicador na história. que se tornará rei dos judeus de 37 a 4 a. ele negociou com seu irmão sem esperar chegar ao último extremo (. . enquanto Aristóbulo II torna-se rei e sumo sacerdote dos judeus. Aristóbulo vence Hircano. representando Herodes em negociações decisivas. mas é obrigado a render-se ao irmão que possui forças superiores. um idumeu que se torna rei dos judeus. Nicolau é também retor e diplomata. onde a mulher e os filhos de Aristóbulo se encontravam e assim o salvaram de uma ruína completa. Nicolau de Damasco é um historiador nascido. amigo e conselheiro de Herodes Magno.C.C. Flávio Josefo. mas ele o diz em favor de Herodes. É a seguinte a informação de Flávio Josefo: "Nicolau de Damasco fá-lo descender de uma das principais famílias de judeus que vieram da Babilônia para a Judéia. Seu nome: Antípater. em 14 a. É o pai do futuro e famoso Herodes Magno. Um acordo é feito entre eles: Hircano volta à vida privada. Há grande controvérsia quanto à identidade de Antípater. Eis a narrativa de Flávio Josefo: "Os dois irmãos travaram batalha para decidir. Nicolau torna-se.. Sua nacionalidade: idumeu... Este ainda se refugia em Jerusalém. citando Nicolau de Damasco. aquela grave divergência. pelas armas. por volta de 64 a. Mas Josefo mesmo considera falsa esta informação. Quando tudo parece resolvido. pois sabe-se que seu pai exerce altas funções políticas na cidade. diz que Antípater seria um dos judeus descendentes dos exilados babilônicos. A maior parte das tropas de Hircano deixou-o para passar para o lado de Aristóbulo. que a fortuna elevou depois ao trono de nossos reis. como veremos a seu tempo"[40].dois irmãos e. Os dois irmãos abraçaram-se com demonstrações de afeto"[39].. ele fugiu com o resto para a fortaleza Antônia.) Esse acordo se fez no Templo em presença de todo o povo. próximo a Jericó. Tendo nas mãos reféns tão preciosos. A partir desta sua ligação com Herodes Magno. de uma família importante. em Damasco. compreende-se sua colocação a respeito de Antípater[41] . seu filho. Além de escritor prolífico.

quer pelas suas riquezas e por seu próprio mérito"[42] . por ser o mais velho[45]. Há outras notícias sobre este personagem. junta-se a Aretas em Petra. Antípater foi educado segundo os costumes idumeus e. de origem nobre: "Ele era idumeu e o mais poderoso de sua nação. E isto explicaria a sua interferência nos negócios judaicos: para a família de Antípater. o ambicioso Aristóbulo II representa real perigo. embora divirja quanto a outros dados. Antípater é. Ainda segundo Flávio Josefo. o apoio do rei nabateu Aretas para o projeto. citando Júlio Africano. Antípater procura influenciar os judeus mais ilustres. Antípater procura convencer o próprio Hircano II de que deve lutar pelo poder e consegue. Como o sacerdote não podia pagar o resgate pelo filho. Segundo Eusébio de Cesaréia. também de nome Antípater. e levaram da capela de Apolo. interessou-se por ele"[43].Flávio Josefo acredita que Antípater seja mesmo um idumeu. sumo sacerdote da Judéia. através de presentes. lembrando-lhes que Aristóbulo é um usurpador do trono que pertence a Hircano. Diz Eusébio: "Salteadores idumeus chegaram de surpresa a Ascalon. enquanto o fraco Hircano II poderá ser mais facilmente manobrado. o estratego (= governador militar) da Iduméia. Além destes "judeus ilustres". Segundo Flávio Josefo. em troca. ascalonitas e gazenses. quer pela sua descendência. e o mantiveram preso. mais tarde. Aretas vence Aristóbulo. Hircano. como o fora seu pai. E é de fato o que acontece. o que confirma a opinião de Josefo a respeito de sua nacionalidade. este nomeado para o posto por Alexandre Janeu[44]. o pequeno Antípater. Hircano II sai de Jerusalém. que se refugia no . filho de um hieródulo. Hircano lhe devolverá as 12 cidades da Transjordânia que Alexandre Janeu lhe tomara. É então que Antípater se posiciona politicamente do lado de Hircano II e começa a manobrar para que este reconquiste o poder. construída perto da muralha. cidade da Palestina. com o resto dos despojos. Herodes. e negocia com ele a retomada do poder: Aretas baterá Aristóbulo II e. Antípater é da cidade de Ascalon. mas acaba sendo criado entre os idumeus. que vem construindo seu poder através de alianças e amizades com árabes. na época do conflito entre Hircano e Aristóbulo.

que será preenchido. pois este pode pagar mais. distanciados tanto dos nobres saduceus como da burguesia farisaica"[46]. especialmente a dos Ptolomeus e a dos Selêucidas. Cada vez mais a aristocracia se emancipa da hierocracia e se constitui em poderosa força econômica e política. Agora a maior parte do exército que antes passara de Hircano a Aristóbulo na primeira batalha.que se expande em direção norte. na Transjordânia. quer seja dos fariseus. Sacchi. quer seja dos saduceus. E agora com mais um detalhe: os governantes macabeus estão jogando também segundo as mesmas regras. faz o caminho inverso: passa de Aristóbulo a Hircano. chegando a tomar Damasco dos Selêucidas em 87 a. Acabamos de ver sua interferência nos negócios judaicos[48].. Como se não bastassem as complicações locais. vem para ficar. associados a Antípater que entram no jogo político. baseado nesta aristocracia economicamente muito bem situada e etnicamente indiferente[47]. filho de Antípater. estava se formando uma nova classe de ricos.C. Porém. povo nômade do sul do Mar Morto . que se criará um poder totalmente independente das tradições judaicas. Esta é a opinião de P. ligada por tradição ao rei e à posse da terra. parece que o conflito não se explica mais apenas pela luta entre fariseus e saduceus. E. Roma reaparece no cenário político da Palestina.) Poder-se-ia dizer que ao lado de uma nobreza essencialmente guerreira. principalmente no antigo reino dos Selêucidas. que é multinacional. Há outros judeus poderosos e ricos. mas se dirige a homens 'poderosos em Israel' (. Em primeiro lugar.. Sua fragmentação deixa um vazio político enorme. onde fica assediado por Hircano e Aretas. no século I a.. Estes acontecimentos nos levam a pensar que nestes confrontos há pelo menos dois fatores importantes. quando diz: "Antípater (. Em segundo lugar.). será sob o governo de Herodes Magno (37-4 a.) não se dirige aos fariseus para reempossar o sacerdote legítimo.C. Estão facilmente passando para o lado do vencedor.Templo com poucos seguidores. criadas após a morte de Alexandre Magno pelos Diádocos. É o antigo e irreversível mecanismo de helenização que continua em movimento. desta vez. Um dos povos a participar desse jogo: os árabes nabateus. por outros poderes. leva à ascensão de novas potências regionais. Uma primeira constatação a ser feita: a decadência das monarquias helenísticas. pois agrupa etnias e Estados variados que vão do sul da Palestina às fronteiras da Índia.capital Petra ..C. . o exército macabeu é baseado em tropas mercenárias e não em judeus partidários..

comandada por Tigranes. As ameaças orientais à hegemonia romana crescem em conseqüência do esfacelamento dos Selêucidas e de sua "ausência" da região em função dos conflitos internos.C. Ainda em 88 a.. vence e expulsa . É que os impostos da região são cobrados pelos publicanos. da ordem dos cavaleiros. em 88 a. Sula. que acaba dominando a Paflagônia.C. acabam conquistando a Mesopotâmia e tornando-se a mais significativa potência além do Eufrates[49]. a Cólquida. Lúculo. na verdade uma base de operações militares na Panfília e na Lícia.C. que comanda as forças romanas na Cilícia contra-ataca. A pirataria no Mediterrâneo oriental. Por volta de 80 a.C. e negocia uma paz em 85 a. rei da Bitínia. povo de origem incerta. Há um enfraquecimento do Senado e Roma vive permanentemente em conflito desde as tentativas de reforma dos Gracos (134 a. da Sardenha e Córsega em 231 a. Neste mesmo século I a. da Macedônia e da Grécia também em 146 a.. Roma cria a província da Cilícia. ao morrer.C. que nada resolve. o enfraquecimento dos grandes reinos helenísticos se faz acompanhar . Mitridates VI toma a Grécia. baseada na Cilícia torna-se fortíssima e se alia a Mitridates VI que. Por outro lado.do fortalecimento de Roma. e suas arbitrariedades são tão grandes que as populações locais sentem-se escravizadas. acontece a ascensão da Armênia.C.C. e de Pérgamo. que reina também sobre a Síria a partir de 83 a. de parte da Espanha em 197 a. ao Senado romano. Acontece.. deixa seu reino para Roma e Mitridates VI o invade. mas não alcança qualquer resultado na luta contra os piratas.C. que ocupam um território no interior do reino selêucida durante o século III a.C..C.C.C. Finalmente. que se torna senhora da Sicília em 241 a.doado por seu rei Átalo. massacra cerca de 80 mil italianos na província romana da Ásia.) até o estabelecimento do Império (30 a. em testamento. em 133 a.C.C. a Armênia Menor.C. criando Roma a província da Ásia em 129 a.. que vem combatê-lo.). o Bósforo Cimeriano. porém.C.. além de se aliar aos piratas da Cilícia. na Ásia . onde é acolhido como libertador pelas cidades da região.e um fato está ligado ao outro . A situação se complica ainda mais quando Nicomedes.C. o mais empreendedor dos novos reinos: o Ponto. governado por Mitridates VI Eupator. que toda esta expansão de Roma provoca profundas transformações em sua estrutura social. retoma Atenas em 86 a.Os partos.. de Cartago em 146 a. criando sérios embaraços para os interesses romanos na região[50].

parece ser uma das razões. na Fenícia e na Cilícia. fazendo crescer notavelmente sua popularidade em Roma. a cerca de 20 km de Roma.C. com autoridade acima dos governadores locais. É eleito cônsul no ano 70 a. até 75 km para o interior.C. porque.C. e que é a maior beneficiária da tributação imposta aos conquistados.C. Lúculo cai em desgraça e vê seus poderes lhe serem retirados um a um pelo Senado. Em 64 a. graças a intrigas de seus adversários em Roma. Este por sua vez é vencido por Lúculo e obrigado a deixar a Síria. Conquista o Ponto no verão de 66 a.C. tem a ordem de equipar 500 navios e de requisitar suprimentos onde e quando necessitar[51]. vence Sertório na Espanha e elimina os últimos escravos do grupo de Espártaco. para combatê-los.. mesmo ano da morte de Salomé Alexandra e do começo do conflito entre Hircano II e Aristóbulo II em Jerusalém.Mitridates VI. E.e expande extraordinariamente . ele tem direito de recrutar seus legados . chegando até mesmo ao porto de Óstia. As razões para esta criação parecem vir de dois lados: a segurança da região. O poder de Pompeu é extraordinário. Pompeu ocupa o que resta do reino selêucida e cria a província da Síria.. que controla. Em seguida. onde todos agora são aliados de Roma.C.. É então que o Senado dá um comando extraordinário a Pompeu. Mas Mitridates VI retorna ao Ponto. ao mesmo tempo que Crasso. Ele tem o imperium sobre o mar e o litoral. que se refugia na Armênia junto a seu genro Tigranes.C. o imperium.o que é prerrogativa do Senado -. É janeiro de 67 a.os interesses dos publicanos que cobram o tributo dos povos dominados. não é tão alheia assim à criação de novas províncias[52]. finalmente. na foz do Tibre. ajuda Sula. . que dá poderes tão extraordinários a Pompeu. Pompeu interfere na Judéia. Pompeu organiza a Ásia Menor. só que agora aliado a Roma e despojado de todas as suas conquistas na Síria. ameaçada pelos partos de um lado e pela pirataria de outro. de uma família rica. Pode-se perceber que a aristocracia romana. Neste e no ano seguinte submete a Armênia: Tigranes continua no poder. Nos anos 69 e 68 a. O que faz Pompeu? Ataca com perícia e rapidez os piratas e os vence em 67 a. É então que Pompeu entra em cena. Combate Mário. Gnaeus Pompeius nasce em 106 a. os piratas atacam com força. Mas a outra é econômica: Pompeu restabelece no Oriente .

em luta pelo poder. A Judéia paga os tributos a Roma.. No outono de 63 a. Pompeu ordena que se levante o cerco a Jerusalém. E a Judéia fica sob a jurisdição do legado romano na Síria. pisotearam-no orgulhosamente com suas sandálias. assim avaliam o gesto de Pompeu: "Cheio de orgulho. Porque os filhos de Jerusalém mancharam o culto do Senhor profanaram com suas impurezas as oferendas à divindade. acessível apenas ao sumo sacerdote. o mais sagrado espaço dos judeus.C.Hircano II e Aristóbulo II. recolhidos por uma sociedade de publicanos sediada em Sídon. entre eles muitos sacerdotes.C. mas apóia Hircano II. de fato. Pompeu entra com seu estado maior no Santo dos Santos. Por isso disse Deus: afastai-as de mim. Perde os territórios não-judeus. o expansionismo macabaico torna-se um risco para os romanos. escrito judaico de tendência farisaica situado entre 63 e 40 a. E na Transjordânia estão os perigosos nabateus. e Tu não o impedistes.C. a Peréia (território "além do Jordão". trabalhando para os romanos. o pecador destruiu com seu aríete as sólidas muralhas. Assediado. Povos estrangeiros subiram ao teu altar. Este gesto marca definitivamente o domínio de Roma sobre a terra de Israel e o povo de Iahweh.200 judeus são mortos pelos romanos. perán tou Iordánou). Aristóbulo e seu filho Antígono são levados presos para Roma. conservando apenas a Judéia. quando toma o Templo. É provável que Pompeu apóie Hircano II exatamente por isso: é o mais fraco e o menos ambicioso dos dois irmãos Macabeus. Os Salmos de Salomão. levam o seu caso ao poderoso romano.. agora.. o Templo é tomado por Pompeu e cerca de 1. Emílio Escauro. . os negócios judaicos. O idumeu Antípater torna-se uma espécie de ministro de Hircano II e controla. o sul da Samaria e o norte da Iduméia. em grego. Aristóbulo II refugia-se no Templo com seus adeptos. a Galiléia. Hircano II é reconduzido ao sumo sacerdócio. Por que controlar os judeus? Amigos dos judeus desde a época do conflito dos Macabeus com os Selêucidas no século II a. com a criação da província da Síria.

STERN.. Società Editrice Internazionale. JOSEFO.C. A beleza de sua glória nada significou diante de Deus. The History of the Jewish . 1988. P. Histoire politique du monde hellénistique (323-30 av.D.-C.. Torino.nelas não me comprazo. 1985.. Religião e formação de classes na antiga Judéia.C. Obra Completa. L. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a.. Brescia. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo (175 a. G. SCHÜRER. Paideia. Casa Publicadora das Assembléias de Deus.).. 1979-19822. História dos Hebreus. SAULNIER. Seus filhos e filhas sofrem rigorosa escravidão. T & T Clark. 1992. E. por isso os entregou nas mãos dos vencedores"[53].. F. Presses Universitaires de Nancy. L. M. E. Leituras Recomendadas GRABBE. Paulus. São Paulo. SACCHI. Paris. marcado entre os gentios. The Israel Academy of Sciences and Humanities. Histoire d'Israel III. Minneapolis.. 1976. NEXT . Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. 1992. J. Nancy. H. KIPPENBERG. WILL.C. Judaism from Cyrus to Hadrian. C..) III. Edinburgh. Du Cerf. Volume I: The Persian and Greek Periods. 1976.. Rio de Janeiro.) I. Jerusalem.-135 a. 1985. Ele as desprezou totalmente. seu pescoço está marcado. Deus os tratou de acordo com seus pecados.-135 d. 1986. Augsburg Fortress. Storia del mondo giudaico. SCHÜRER. E.

. Antiquitates Iudaicae XIV. KIPPENBERG. Sobre a incerta origem dos partos. [52]. Antiquitates Iudaicae XIV.. 103-105. p. Religião e formação de classes na antiga Judéia. cf.. E. Mitridates VI nasce de uma família helenizada e governa o Ponto de 112 a 63 a.. Cf.C. Storia del mondo giudaico. [42]. pp. . [50]. 11. Escreve uma importante "História Eclesiástica". STERN. 301-308. C. 109-116. pp. [49]. WILL. Cf. SCHÜRER. Histoire politique du monde hellénistique II.. também SCHÜRER. 56-62. Idem. em 10 livros.. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. Histoire politique du monde hellénistique II. Eusébio vive entre 263 e 339 d. 120-122. 1-7... H. M. junto ao mar Negro. também. [41].C. [43]. nota 3. 11. 300-301. E. Idem. E. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. Idem. Cf. 227-260. [45]. [47]. na Palestina. ibidem XIV.. Cf.[39]. O reino do Ponto fica no noroeste da Ásia Menor.. 123. VII. e é bispo de Cesaréia. pp.. verbetes Mitridates e Pontos. KIPPENBERG.. [48]. H. 9. Cf.. pp. que faz excelente análise deste processo na época de Herodes Magno. Para ver a estrutura romana de poder cf. Cf. 450452. Bellum Iudaicum I. G.. Histoire politique du monde hellénistique I. F. Historia Ecclesiastica I. 509512. 481-484. WILL. "junto ao mar". Sobre a origem de Antípater. HARVEY. [44]. EUSÉBIO. SAULNIER. [40]. pp. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. do qual deriva seu nome: a região está en pôntoi. F. P. G. cf. cf. Religião e formação de classes na antiga Judéia. pp. [51]. pp. pp. JOSEFO.. Histoire d'Israel III. F. pp. JOSEFO. Cf. [46]. 10. JOSEFO. P. 125. Bellum Iudaicum I. F. JOSEFO. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. E. SACCHI. Antiquitates Iudaicae XIV.

enquanto César luta nas Gálias. Porém.. pelo copeiro de Hircano II. no ano 48 a. rainha do Egito e. Depois.1. toma a Itália e a Espanha. chega César. pelos partos. o texto em DIEZ MACHO. Pompeu é assassinado. Em 41 a. nesta luta pelo controle do Egito.C. p. Quando. Cf. como prêmio...C. Madrid 1982. A “Pax Romana” chega a Jerusalém 11. Pompeu e César.). ficando somente Pompeu como cônsul (51-49 a. em 47 a. César é assassinado em meados de março de 44 a.) há paz na Palestina. No Egito.C.C. enquanto seus dois filhos Fasael e Herodes são nomeados respectivamente estrategos de Jerusalém e da Galiléia.1-7.[53]. César chega à Síria. na Grécia. César nomeia Cleópatra VII. em Roma as coisas se complicam. O Domínio Romano 11.C. recebe apoio de Hircano II que lhe envia tropas comandadas por Antípater. 11.C. Cristiandad. confronta-se com Pompeu.C. para César. dá a Hircano II o título de etnarca (governador de um grupo racial com o seu território) da Judéia. São estas tropas que conquistam Pelúsio. e Roma volta a ser governada por triúnviros: Antônio. confirmando-o também no cargo de sumo sacerdote. governam os cônsules Crasso e Pompeu (55-54 a. Como era Roma nesta época? Veja aqui! Entretanto. De 69 a 62 a. Entretanto. as intrigas palestinenses continuam: Antípater é envenenado em 43 a. Antônio nomeia Herodes e . 24. Antípater recebe a cidadania romana e é nomeado prefeito ou procônsul da Judéia. A.1. Otaviano e Lépido. Da Intervenção de Pompeu a Herodes Magno Nos anos seguintes à interferência de Pompeu (63 a.).C. no delta do Nilo. a famosa herdeira dos Ptolomeus. que é finalmente vencido em Farsália. um pouco mais tarde. mas Crasso é derrotado em 53 a. SALMOS DE SALOMÃO 2.1.C. Apócrifos del Antiguo Testamento III. Roma é governada pelo triunvirato Crasso.C.

Herodes foge para Roma e no final do ano 40 a.C.. mas quando este é vencido por Otaviano na famosa batalha naval de Áccio. através de assassinatos e intrigas várias. que está na ilha de Rodes. no ano 31 a. ginásios. Devido à fraqueza do controle romano na província da Síria. a justiça e o exército. assim.como esposa e filhos. Herodes se equilibra no delicado jogo do poder porque sabe ser servil a Roma. Resultado: volta para casa reconfirmado rei por Otaviano e ainda consegue favores: como o engrandecimento de território. fortalezas. a isenção de tropas de ocupação. Consolidado o poder. . seu tio. a exoneração de tributo a Roma. que ele elimina. Roma e suas Sete Colinas Em 37 a. cidades.C. e. Reconstrói totalmente o Templo de Jerusalém. Primeiro apóia Antônio. em gesto teatral.C. Isto significa. fontes. adversários seus. como sumo sacerdote e rei na Judéia (40-37 a.. enquanto Hircano II permanece apenas como sumo sacerdote.C. pelos partos. filho de Aristóbulo II. descendentes do antigo império persa. Lv 21. termas. Antígono corta as orelhas de Hircano II. Herodes torna-se o senhor da Palestina. rei da Judéia. pelo Senado romano. para o cargo de sumo sacerdote (cf.). a autonomia interior para as finanças. esta é invadida. Fasael se suicida. inclusive alguns membros de sua família . Herodes luta com decisão para consolidar o seu poder. constrói obras grandiosas na Judéia.Fasael etnarcas. com uma única condição: terá que conquistar seu reino. a partir do inverno de 20-19 a.17-23). parente de Aristóbulo II e Hircano II.C. incapacitando-o.C. em 40 a.). Casa-se com Mariana I.C. Herodes vai imediatamente visitar o vencedor. antes de mais nada. Os partos colocam Antígono. Herodes Magno governa o povo judeu durante 34 anos (37-4 a. hipódromos. depõe a coroa a seus pés. teatros. e nomeado. Templos. entrando definitivamente para a família asmonéia.

Construindo fortalezas. feminino grego de Augusto. Apoiando a cultura helenística. mais tarde. Cesaréia Marítima. Mambré. Quando vence os seguidores de Antígono. recebe uma grande construção que o valoriza. Observemos os nomes de suas construções. em homenagem a si mesmo fortaleza Antônia (em Jerusalém). em homenagem a seu irmão Fasael Cipros. seleciona seus herdeiros.Reconstrói Samaria. Massada. em homenagem ao Imperador romano. Valorizando o culto. controla possíveis revoltas.. é perseguida . em homenagem a sua mãe Heródion. dando-lhe o nome de Sebaste. Entretanto. constrói um importante porto. em homenagem a seu pai Antípater Fasélida. por ser estrangeiro. Herodes Magno ganha para si o povo. pois descende de idumeus e sua mãe é descendente de árabe. conserva-se no poder. fortalezas são reedificadas ou totalmente construídas como Alexandrium.. Maqueronte. Jericó é embelezada e torna-se sua residência favorita. reveladores de seu espírito político: Sebaste (Samaria). em homenagem a Augusto Cesaréia (Marítima). Heródion. em homenagem a César Augusto Antipátrida. Matando seus inimigos. aparece diante do mundo. Herodes constrói uma estrutura de poder independente da tradição judaica: o o nomeia o sumo sacerdote do Templo: destitui os Asmoneus e nomeia um sacerdote da família sacerdotal babilônica e. Herodes não tem legitimidade judaica. Assim. se a pessoa recusar o juramento. não tem para com os judeus nenhuma relação de reciprocidade e sua legitimidade se funda na própria estrutura do poder exercido[1]. da alexandrina exige de seus súditos um juramento que obriga a pessoa a obedecer às suas ordens em oposição às normas tradicionais. Hircania etc. lugar sagrado ligado a Abraão. Servindo fielmente a Roma. em homenagem a Marco Antônio.

dá aos seus súditos uma ordem racional. G. .. 114. [2]. Confira os Mapas do Império Romano aqui! NEXT [1]. 1988. H. KIPPENBERG. para o que se segue. p. se ele viola assim a tradição.o o o interfere na justiça do Sinédrio manda vender os assaltantes e os revolucionários políticos capturados como escravos no exterior. KIPPENBERG. Paulus. e nas cidades não-judaicas por ele fundadas. pp. com os camponeses dentro! Seus herdeiros: Arquelau. por isso. Kippenberg[2]. em oposição à lei codificada.. através das normas do Estado. mas pela aplicação do direito pelo senhor o direito à terra é transmitido pela distribuição: o dominador a dá ao usuário: é a "assignatio" a base filosófica helenística é que legitima o poder do rei. G. Religião e formação de classes na antiga Judéia. diz H. Herodes Antipas e Felipe. sem direito a resgate a venda à escravidão e a execução pessoal (a morte) tornam-se normas comuns do arrendamento estatal. Cf. G. H. 109-116. a cujos cidadãos ele dá como posse o território que as rodeia. ou seja: o rei é a fonte da lei. o poder militar de Herodes se baseia em mercenários estrangeiros que ficam em fortalezas ou em terras dadas aos mercenários (cleruquias) por ele (terras no vale de Jezrael). Mas. quando diz que o rei é "lei viva" (émpsychos nómos).. São Paulo. "O rei em sua pessoa é a continuação do seu reino e o salvador de seus súditos". como consegue legitimidade? A estrutura de poder do Estado sob Herodes é bem diferente da estrutura da época dos Macabeus: o o o o o o rei é legitimado como pessoa e não por descendência o poderio não se orienta pela tradição. porque ele é regido pelo "nous": o rei tem função salvadora e. Religião e formação de classes na antiga Judéia.

que pronuncia a sentença de morte contra Jesus de Nazaré. Entretanto. procurator. Por causa de Flávio Josefo[9] se pensava que a Judéia fora governada por procuradores (epítropos. que nunca simpatizou com os judeus. para as províncias imperiais. que. mas hoje se sabe. Portanto. em Bible and Interpretation. Após Cláudio. é um governante duro e decidido. mas subia a Jerusalém e podia lá permanecer conforme as circunstâncias ou as necessidades. Pôncio Pilatos. . Residia em Cesaréia. Sobre Pilatos e seu papel na crucifixão de Jesus.1. a partir de Cúspio Fado (4446). em grego.4. Tanto o prefeito como o procurador tinham funções fiscais. eram equivalentes. Pontius Pilate: Roman Governor. Os Prefeitos e Procuradores Romanos da Judéia Copônio : 6-8 d. podemos falar de “procuradores”. latim). tendo perdido o significado original da época da República. leia Warren CARTER. os governadores romanos da Judéia tinham o título de éparchos ou praefectus = prefeito. os dois títulos. como era o caso da Judéia. graças a uma inscrição sobre Pilatos encontrada em Cesaréia[10]. prefeito da Judéia. Marcos Ambívio : 8-12 (?) Ânio Rufo : 12-15 (?) Valério Grato : 15-26 Pôncio Pilatos : 26-36 Marcelo : 36-37 Marulo : 37-41 (?) Cúspio Fado : 44-46 Tibério Alexandre : 46-48 Ventídio Cumano : 48-52 Antônio Félix : 52-60 Pórcio Festo : 60-62 Lucéio Albino : 62-64 Géssio Floro : 64-66 O procurador ou prefeito era um administrador em ligação com o legado que governava a província romana da Síria e dependia dele. que se tornou Imperador no ano 41. até Cláudio.C.11. militares e judiciais[11].

Sejano faz de tudo para prejudicar os judeus. Embora saiba que os judeus abominam a reprodução de imagens de qualquer espécie. de noite. faz com que Tibério tome decisões anti-judaicas. graças à influência de Sejano. e ele tenta reprimi-lo. Pilatos é o único governante romano que tem tal ousadia[12]. E consegue. desrespeitando-os deliberadamente. Pilatos manda que seus soldados entrem em Jerusalém. violento. Acusa-o de venal. uma grande agitação tomou conta da cidade. ele manda cunhar moedas com símbolos gentios. muitos de origem humilde e até descendentes de escravos. um certo número de imagens veladas do César. que fizeram fortuna das mais variadas maneiras.September 2004. Pertence à ordem dos cavaleiros. levando efígies do Imperador nos estandartes. e o simpulum. Suplicavam-lhe que mandasse tirar as imagens de Jerusalém e desistisse de agir contra as normas da religião judaica. espécie de concha sagrada. Pilatos recusou-se a atender ao pedido deles. que servia para demarcar o recinto onde os sacerdotes pagãos observavam as aves do sacrifício”. o poderoso prefeito da guarda pretoriana em Roma que é realmente quem manobra o poder. para Jerusalém. Herodes Agripa I. Mas tem que ceder diante da grande coragem dos judeus que preferem morrer a transgredir a Lei. Todos quantos chegavam perto. Símbolos como o lituus “um bastão recurvado numa das extremidades. descreve-o como inflexível por natureza e cruel por causa de sua obstinação. escrevendo ao Imperador Calígula. Mal o dia clareou. Certa vez. Então os . classe de pessoas ricas. o povo se revolta com tal afronta. Pilatos é nomeado procurador por Tibério. em forma de chifre. Sob um pretexto qualquer. à noite. para falar com Pilatos. para irritá-los e reprimi-los. Nas palavras de Flávio Josefo: “Certa feita. que os romanos chamavam de ‘estandartes’. E todos se dirigiram a Cesaréia. enchiam-se de indignação com o espetáculo. extorsivo e tirânico. que eles tomaram como uma zombaria grave à lei que proibia colocar qualquer imagem que fosse no interior da cidade. Pilatos mandou levar. Quando amanhece. Pilatos faz muitas coisas contrárias aos costumes judeus. Pouco a pouco a exacerbação dos habitantes da cidade atraiu grandes multidões de pessoas que moravam no campo.

1979. e ofereceram o pescoço desnudo. Ele ordenou. e convocou o povo. Pilatos mandou massacrá-los. NEXT [9] . no lugar. os judeus foram tomados de violenta comoção diante do fato inesperado. para cercarem os judeus. 91-92. Em seguida. então. diz JOSEFO. [13] . JOSEFO. F. caso não admitissem a presença de imagens do Imperador em seu meio. Envolvidos por três fileiras de homens armados. SPEIDEL. Os judeus. A. No sexto dia Pilatos sentou-se numa tribuna. Brescia. um romano da ordem dos cavaleiros. 1985.. como se quisesse comunicar-lhe uma notícia. declarando em alta voz que preferiam deixar-se matar a transgredir a Lei. A inscrição foi encontrada no teatro romano de Cesaréia Marítima por uma expedição arqueológica italiana dirigida por Antonio Frova. Cf. com plena autoridade”. “O território de Arquelau foi assim reduzido a província e Copônio. 169-174. foi enviado por Augusto como procurador (epítropos).judeus se lançaram por terra e ficaram imóveis. . 2. Cf. pp. K. Storia del Popolo Giudaico al Tempo de Gesù Cristo I. F. de armas na mão.. à uma.. Paulus. 441-444. durante cinco dias e cinco noites. como se tivessem combinado entre si. Diz: TIBERIEVM PON]TIVS PILATVS PRAEF]ECTUS IVDA[EA]E. SCHÜRER. fez aos soldados o sinal antes combinado. que as insígnias do Imperador fossem retiradas de Jerusalém”[13]. São Paulo. E. O julgamento de Pilatos. jogaram-se por terra. porém. no grande hipódromo da cidade. [12] . pp. Esta atitude heróica do povo em defesa de sua religião causou grande espanto em Pilatos.. Paideia. 117. [11] . [10] . Fez então novo sinal aos soldados para desembainharem as espadas. Bellum Iudaicum. Para você entender a Paixão de Jesus. Bellum Iudaicum. 2.

C. contra todo o bom senso. a cultuá-lo. ele muda-se para Roma. Calígula chega a exigir que uma estátua do Imperador seja colocada no Templo. em 49 d. território antes dirigido por seu tio.11. sendo destituído por Tibério e chamado a Roma. segundo At 25. Agripa II recebe o governo de Cálcis. que afinal é punido pelo que fizera. os romanos não quiseram entregar logo o governo para seu filho Agripa II que é apenas um garoto de 17 anos e vive em Roma. tenta demover . proclama-se deus e obriga todas as províncias. E esta atitude prepotente não pára com Pilatos.).23-26. com sua irmã Berenice e não é bem visto pelos judeus. são perseguidos tanto na diáspora (em Alexandria. Quando Jerusalém é destruída em 70 d. embora a Judéia continue governada por procuradores romanos. com direito de designar o sumo sacerdote. graças às mudanças arbitrárias de sumos sacerdotes que sempre fez. Mas em 48 d. O Imperador seguinte. mas historicamente é condicionada e ocasionada pela inabilidade dos procuradores e até mesmo de alguns Imperadores. O país é governado. quando prisioneiro em Cesaréia. oferecendo-lhe sacrifícios. atribuída ao sempre vivo espírito nacionalista judaico e à sua imorredoura fé na libertação messiânica.C. Petrônio. Vimos como Pilatos cometera arbitrariedades sem conta. pelos procuradores. ele havia sido nomeado Inspetor do Templo. muitas delas com o deliberado propósito de irritar os judeus. especialmente pelos sacerdotes..C.C. onde tem que se explicar.3.C. De Agripa II ao Fim da Judéia Quando morre Herodes Agripa I (44 d.C. por exemplo) como na Judéia e demais províncias. Teve pouca influência sobre a comunidade judaica. Já antes. dizem. Agripa recebe também a antiga tetrarquia de Felipe e partes da Galiléia e da Peréia. inclusive a Judéia. onde morre após o ano 93 d. com freqüência. Agripa II vive incestuosamente.1.5. É diante de Agripa II e Berenice que Paulo comparece. Calígula. legado da Síria. Quando os judeus se recusam a cultuá-lo. Em 52 d.. Agripa II é o último governante da família herodiana. julgados totalmente impotentes frente ao poderio romano. então. A crescente revolta judaica contra a ocupação romana é.

C. com seus trinta e poucos anos de idade. por causa de um ultraje cometido por um soldado romano. salvando também a vida de Petrônio. endividamento.C.. já que um pobre em Roma. se tanto! Douglas E. Oakman. Por volta dos 30 anos a maioria das pessoas sofria de verminose. assim . sem condições sanitárias adequadas. tinha uma expectativa de vida de 30 anos.C. quando muito. chegando aos 60 anos de idade menos de 3% da população”[14]. Por volta dos 26 anos 75% já tinha morrido e aos 46 anos. Fraudes. em um estudo sobre as condições de vida dos camponeses palestinos da época de Jesus . com uma má alimentação. Na Palestina do século I d. acontece violenta revolta dos judeus durante a festa da Páscoa. seus dentes tinham sido destruídos e sua vista acabado (. Rohrbaugh. Olhemos para a audiência de Jesus.C. 90% já desaparecido.. Uma audiência doente. No tempo de seu sucessor Antônio Félix (52-60 d. Cerca de 60% dos sobreviventes morriam até os 16 anos. dispensa os judeus do culto ao Imperador.) é procurador. Os que mais sofriam pertenciam às classes mais pobres das cidades e povoados. havia um verdadeiro clima de terror. e Cláudio. Só que assassinam Calígula em 41 d. não contabilizados como vítimas da mortalidade infantil) morriam até os 6 anos de idade.. mostra que a violência que sofriam era brutal. por exemplo:este mesmo Jesus. E o autor acrescenta: “Estudos feitos por paleopatologistas indicam que doenças infecciosas e desnutrição eram generalizadas. Richard L. Com moradias precárias. perda da terra através da manipulação das dívidas atingiam a muitos.. Quando Vitélio Cumano (48-52 d.) a tensão aumenta perigosamente. no século I de nossa era. seu sucessor. Cumano reprime o tumulto e vinte mil judeus perdem a vida. É claro que estes dados não são uniformemente distribuídos por toda a população da época.. Existia uma violência epidêmica na Palestina[16]. na Introdução de um volume sobre “As Ciências Sociaise a Interpretação do Novo Testamento ”. diz sobre a expectativa de vida da população do Império Romano nesta época: “Cerca de 1/3 daqueles que ultrapassavam o primeiro ano de vida (portanto. recebe ordem do Imperador para se suicidar. desnutrida e com uma expectativa de mais 10 anos de vida.o Imperador de seus propósitos: é condenado à morte. trabalhos forçados. sem assistência médica. roubos. era mais velho do que 80% de sua audiência.) 50% dos restos de cabelo encontrados nas escavações arqueológicas tinham lêndeas”[15]. ou seja. É no seu tempo que surge o grupo dos sicários.

Céstio Galo. ataca com uma legião.) consegue então jogar a gota d’água para que o ódio acumulado pelos judeus derrame. Quando. Seu sucessor Géssio Floro (64-66 d. Sua tática é provocar tumultos e desestabilizar o governo através de assassinatos inesperados de personagens importantes. assim como antes Floro teve que se retirar para Cesaréia ao ser derrotado. “Reuniu-se um grande número daqueles judeus que queriam a guerra a qualquer preço. filho do sumo sacerdote. Escondem a sica sob as vestes e misturados na multidão eliminam não só romanos. Começam os preparativos para o que der e vier. mas também quem colabora com a ocupação estrangeira. filho do sumo sacerdote Ananias. Tais grupos são duramente reprimidos pelos romanos através de grandes matanças. um jovem de grande atrevimento que comandava então a guarda do Templo. Este foi o começo propriamente dito . e o desprezo é vingado: há uma carnificina geral. fazendo uma coleta para o “pobrezinho” Floro. Também as fortalezas de Massada e Heródion são ocupadas pelos rebeldes. G. a revolução estoura. Josefo fortifica várias cidades e se prepara. Floro requisita 17 talentos do tesouro do Templo. Eleazar.C.C. para que seja saqueada e crucifica alguns homens importantes da comunidade judaica. Outro procurador terrivelmente corrupto e repressor é Lucéio Albino (6264 d. massacraram-na e em seu lugar colocaram um destacamento constituído pela própria gente. É a guerra definitiva. Resultado: Floro entrega para os seus soldados uma parte de Jerusalém.chamados por usarem em suas ações uma adaga curva e curta chamada “sica”. O povo. os revolucionários chefiados por Eleazar. mas é rechaçado com pesadas perdas. Um dos assassinados neste tempo pelos sicários é o sumo sacerdote Jônatas. Aí surpreenderam a guarnição romana.). Agripa II tenta conter a revolta e não consegue. não reage diante do saque. Outros grupos tentam despertar no povo os sentimentos messiânicos. incitou os sacerdotes em exercício a não aceitar donativos ou sacrifícios da parte de não-judeus. Nessa época. Félix manda crucificar inúmeros zelotas durante o seu mandato[17]. A Galiléia é entregue ao sacerdote fariseu Josefo. proclamando-se profetas e fazendo promessas utópicas. legado da Síria. ocupam o Templo e a fortaleza Antônia. Os judeus escarnecem do procurador. em supremo desprezo. após muitas arbitrariedades. Tinham se dirigido para uma fortaleza chamada Massada. Então. o nosso conhecido historiador Flávio Josefo.

mas os rebeldes conseguem se refugiar no palácio de Herodes. Vespasiano ataca a Galiléia na primavera de 67 com 10 legiões (60 mil soldados. Até o outono a Galiléia está nas mãos dos romanos. A cidade é saqueada e os habitantes assassinados. vendidos ou condenados a trabalhos públicos. Em setembro de 70 também o palácio cai. Veja a posição ambígua de Flávio Josefo na guerra contra Roma aqui! Na primavera de 68 Vespasiano ocupa sucessivamente a Peréia. com quatro legiões (24 mil soldados). defendidas pelos sicários e zelotas. Os chefes rebeldes. João de Gíscala. Está para atacar Jerusalém quando Nero se suicida. Toda a construção é consumida pelas chamas. Tito cerca Jerusalém pouco antes da Páscoa de 70. mas a fortaleza de Jotapata só cai após 47 tentativas de assalto. e Simão Bargiora. mas Massada resiste um ano de cerco.da guerra contra os romanos. Tito o incendeia. Josefo é aprisionado e muito bem tratado. Mas nesta época ultrapassava os 180 mil. O Imperador Nero confia então a Palestina a um experiente general: Vespasiano. Em companhia de seu filho Tito. zelota. o que duplica este número). Heródion e Maqueronte caem logo. Como os muros do Templo não cedem. são aprisionados e levados triunfalmente para Roma. Quando finalmente é . Massada e Maqueronte. abre um fosso ao seu redor para que ninguém escape e em julho de 70 toma a fortaleza Antônia. a costa. que então podem hibernar tranqüilamente. sem contar as tropas auxiliares. sicário. É agosto de 70[19]. a Iduméia e a Samaria. Estão ainda de pé três fortificações rebeldes: Heródion. Conquistam facilmente o território. um dos redutos rebeldes. Vespasiano espera se definir a situação em Roma. Visite o Catálogo Virtual de Moedas Romanas! Tito ocupa o setor norte da cidade. as montanhas da Judéia. deixando a guerra sob o comando de Tito. Finalmente Vespasiano é aclamado Imperador no dia primeiro de julho de 69 e marcha para Roma. mas nenhum pára. Uma cidade com cerca de 30 mil habitantes fixos. pois nesta ocasião foi praticamente rejeitado o oferecimento de sacrifício em favor dos romanos e do Imperador”[18]. A cidade está repleta de peregrinos. Três Imperadores passam pelo trono.

R. The Social Sciences and New Testament Interpretation. A Judéia é separada da Síria e torna-se uma província imperial. Em Roma. consegue dominar a revolta. Os rebeldes ocupam Jerusalém e algumas fortalezas espalhadas pelo território judaico. 1996. (ed. além dos outros templos construídos na cidade. [15].C. É que o Imperador. Massachusetts. Aos judeus Jerusalém foi proibida. MA. Simeão Bar-Kosibah é o chefe desta nova revolta. em NEYREY. p. NEXT [14]. The Countryside in Luke-Acts. Depois de muita luta. Idem. em giro pelo Oriente.). Peabody.C. pp. OAKMAN. R. então.. de pé ainda hoje. L. L.C. A Judéia torna-se parte da província Síria-Palestina. Hendrickson. Quando reina Adriano (117-138 d. Peabody.tomada. 5. The Social World of Luke-Acts: Models of Interpretation. feita por Rabi Aqiba. dirigida por um governador que mora em Cesaréia. um enviado especial de Adriano. 168. H. sob pena de morte. ibidem. decide reconstruir Jerusalém com o nome de Aelia Capitolina e manda fazer um templo dedicado a Júpiter no mesmo local onde existira o Templo de Salomão. os rebeldes incendeiam-na e se suicidam em massa para não caírem em mãos romanas. em seguida. Vespasiano manda cunhar moedas sobre as quais estão um soldado romano. ROHRBAUGH. o arco do triunfo de Tito. os rebeldes como escravos. J. Ele é chamado também de Bar-Kokhba (filho da estrela). Colonia Aelia Capitolina e o templo a Júpiter é levantado no local do antigo Templo dos judeus. 1991. . A inscrição dizia: Judaea capta. celebra a vitória romana. numa interpretação messiânica de Nm 24. E. em ROHRBAUGH. Hendrickson. p. Introduction. (ed. vendendo. [16].). É o ano 135 d.). há ainda nova revolta judaica. Júlio Severo. Cf. 4-5. começada em 131 d.17. Jerusalém torna-se. D. uma mulher de luto e uma palmeira simbolizando Israel..

441-442. [18]. A data exata da destruição do Templo é controvertida. Judaism from Cyrus to Hadrian II. Cf. .. 613-614. Minneapolis. GRABBE. GRABBE. L. SCHÜRER. 460. Cf. nota 115. pp... Fortress Press. 1991. 250. Storia del Popolo Giudaico I. A tradição rabínica diz que foi no dia 9 do mês de Ab (29 de agosto de 70). 6. Bellum Iudaicum. F. L.408-409. L. Bellum Iudaicum.. L. pp. p. JOSEFO. [19]. enquanto Flávio Josefo diz que foi no dia 10 de Ab. 2. Judaism from Cyrus to Hadrian. JOSEFO. Volume II: The Roman Period. F.[17].