História de Israel SUMÁRIO Introdução 1. Noções de Geografia do Antigo Oriente Médio 1.1. O Crescente Fértil 1.2. A Mesopotâmia 1.3.

A Palestina e o Egito de 3000 a 1700 a.C. 1.4. A Síria e a Fenícia 1.5. A Palestina 1.5.1. A Transjordânia 1.5.2. O Vale do Jordão 1.5.3. A Região Central da Palestina 1.5.4. A Costa Mediterrânea 2. As Origens de Israel 2.1. A Teoria da Conquista 2.2. A Teoria da Instalação Pacífica 2.3. A Teoria da Revolta 2.4. A Teoria da Evolução Pacífica e Gradual 2.4.1. Retirada Pacífica 2.4.2. Nomadismo Interno 2.4.3. Transição ou Transformação Pacífica 2.4.4. Amálgama Pacífico 3. Os Governos de Saul, Davi e Salomão

3.1. Ascensão e Queda de Saul 3.2. Davi e a Criação do Estado 3.3. Salomão e a Consolidação do Estado 3.4. A Ruptura do Consenso 3.5. As Fontes: Seu Peso, Seu Uso 3.6. Dois Exemplos de Fontes Primárias: as Estelas de Tel Dan e de Merneptah 3.7. A Questão Teórica: Como Nasce Um Estado Antigo? 3.8. As Soluções de Lemche e de Finkelstein & Silberman 4. O Reino de Israel 4.1. A Rebelião Explode e Divide Israel 4.2. Israel de Jeroboão I a Jeroboão II 4.3. A Assíria Vem aí: para Israel é o Fim 5. O Reino de Judá 5.1. Os Reis de Judá 5.2. A Reforma de Ezequias e a Invasão de Senaquerib 5.3. A Reforma de Josias e o Deuteronômio 5.4. Os Últimos Dias de Judá 5.5. Por que Judá Caiu? 6. A Época Persa e as Conquistas de Alexandre 6.1. A Situação da Grécia e a Política Macedônia 6.2. As Conquistas de Alexandre Magno (356-323 a.C.) 6.3. Quem é Alexandre Magno? 6.4. A Anexação da Judéia por Alexandre 6.5. A Situação da Judéia no Momento da Anexação 7. Os Ptolomeus Governam a Palestina

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A História de Israel no Debate Atual Este artigo foi publicado, de forma mais resumida, em Cadernos de Teologia n. 9 (maio de 2001), Campinas: FTCR da PUC-Campinas, p. 42-64. Acréscimos ao texto são feitos sempre que surgem novidades. ABSTRACT This article surveys some perspectives in the current research of the "History of Israel", the challenges that this poses, and proposes some trajectories for those researching this subject. The scholarly consensus that existed up until the middle seventies of the twentieth century was shattered. The rationalistic paraphrase of the biblical text that constituted the core of the handbooks of the "History of Israel" is no longer acceptable to most scholars. An increasing number of scholars question the use of the biblical text as a source for the “History of Israel”. The implementation of modern literary criticism on the biblical text requires a moving away from issues of historicity, and this allows the "biblical" stories to be evaluated primarily from a literary perspective. The writing of a "History of Israel" using only the archaeological context and nonbiblical writings is a controversial undertaking, however, an increasing number of scholars are attempting to do this. It appears a revisionist “History of Syria/Palestine" will compete

against the traditional "History of Israel" as scholars from both sides continue their research. Até meados da década de 70 do século XX, havia um razoável consenso na História de Israel. Entre outras coisas, o consenso dizia que a Bíblia Hebraica era guia confiável para a reconstrução da história do antigo Israel. Dos Patriarcas a Esdras, tudo era histórico. Se algum dado arqueológico não combinava com o texto bíblico, arranjava-se uma interpretação diferente que o acomodasse ao testemunho dos textos, como no caso da destruição das (inexistentes) muralhas de Jericó pelo grupo de Josué[1]. Exemplos? Os patriarcas eram personagens históricos, o que podia ser comprovado pelos textos mesopotâmicos de Nuzi, do século XIV a.C., em seus muitos paralelos, de estruturas sócio-econômicas a tradições legais, com Gn 12-35. E a migração dos amoritas, que ocuparam a Mesopotâmia e a Palestina no final do terceiro milênio a.C., criava as condições ideais para a entrada dos patriarcas na região da Palestina e explicava seus nomes, sua língua e sua religião. José era personagem historicamente possível, pois havia grande quantidade de evidências egípcias que testemunhava os costumes contados em Gn 3750. Semitas poderiam ter chegado a altos postos de governo no Egito, incluindo o de grão-vizir, especialmente durante o governo dos invasores asiáticos hicsos. A escravidão dos hebreus no Egito e o êxodo não podiam ser questionados, pois textos egípcios testemunham que Ramsés II utilizou hapirus (= hebreus) na construção de fortalezas no delta do Nilo em regime de trabalho forçado. A Estela de Merneptah, faraó sucessor de Ramsés II, comprova a existência de israelitas na terra de Canaã na segunda metade do século XIII a.C., o que nos permitia fixar a data do êxodo aí por volta de 1250 a.C. A conquista da Palestina pelas 12 tribos israelitas sob o comando de Josué, como narrada no livro que leva o seu nome, contava com testemunhos arqueológicos respeitáveis, como a destruição de importantes cidades cananéias na segunda metade do século XIII a.C., embora muitos autores preferissem explicar a entrada na terra de Canaã de outro modo, como pacífica e progressiva infiltração de seminômades pastores a partir da Transjordânia.

eram bem testemunhados pelos textos assírios e babilônicos. Virginia. Professor de Hebraico e de Interpretação do Antigo Testamento no Union Theological Seminary. após a morte de Salomão. traduzido da segunda edição inglesa de 1972. USA. Bright foi. Albright e esta sua ‘História de Israel’ foi o manual mais utilizado por nós nos anos 70 e 80 do século passado. revista e ampliada a partir da 4a edição original. História de Israel. São Paulo. 1978. e até pela Estela de Mesha.A construção e a consolidação do poderoso império davídico-salomônico eram consideradas como pontos fixos e imutáveis na historiografia israelita. após a sua morte em 1995. BRIGHT. Uma 4a edição do livro foi lançada. como a 7a edição. 1981. rei do vizinho país de Moab. as posições da 2a edição. que. Mas manteve. E cita. Bright pertence à escola americana de historiografia de W. Uma resenha da . O exílio babilônico e a volta e reconstrução de Jerusalém durante a época persa.. Os reinos separados de Israel e Judá. sendo tudo. no ano 2000. Philadelphia. em muitos pontos onde anteriormente havia certo consenso. por sua vez. no Prefácio da 3a edição. Paulus. graças à confiabilidade dos textos bíblicos que detalhavam os acontecimentos desta época. muito bem detalhado nos livros dos Reis. marcando o nascimento do judaísmo baseado no Templo e na Lei que passa a ser lida sistematicamente nas sinagogas. A tradução brasileira desta 4a edição foi publicada pela Paulus no final de 2003. constituindo marco seguro para qualquer manual de História de Israel ou de Introdução à Bíblia quanto às datas dos acontecimentos e às realizações da sociedade israelita. Poucas mudanças foram feitas. F. basicamente. Westminster Press. A History of Israel. pela Westminster John Knox Press. J. até a sua morte. parte da confiável Obra Histórica Deuteronomista. John Bright e sua História de Israel John Bright lançou uma 3a edição de sua História de Israel em 1981. O melhor livro para detalhada exposição e defesa deste consenso é o de John Bright. Brown. O autor atualizou o livro quanto a algumas descobertas arqueológicas e mostrou-se mais prudente nas afirmações sobre a historicidade de certos acontecimentos e personagens bíblicos. hoje há um verdadeiro caos de opiniões conflitantes. Cf. Richmond. constituíam matéria real e sem maiores problemas. com uma Introdução e um Apêndice de William P. Diz o autor. como exemplo. a questão das origens de Israel e a data e a historicidade dos patriarcas.

A ‘tradição’ herdada dos antepassados e transmitida oralmente até à época da escrita dos textos freqüentemente não consegue provar sua existência. A paráfrase racionalista do texto bíblico que constituía a base dos manuais de ‘História de Israel’ não é mais aceita. pode ser lida na revista Estudos Bíblicos n. êxodo. confederação tribal. Uma ‘História de Israel e dos Povos Vizinhos’. até Martin Noth. por exemplo. 90-93. escravidão. feita por Ludovico Garmus. a historicidade dos patriarcas. O consenso foi rompido. Mas. que os problemas da interpretação do Pentateuco estão intimamente ligados aos problemas mais amplos da reconstrução da história de Israel e da história de sua religião. desde W. exílio e volta para a terra está despedaçada. A arqueologia ampliou suas perspectivas e falar de ‘arqueologia bíblica’ hoje é proibido: existe uma ‘arqueologia da Palestina’. Vozes. passando por Julius Wellhausen. que dispense o pressuposto teológico de Israel como ‘povo escolhido’ ou ‘povo de Deus’ que sempre a sustentou. em 1950. melhor. A construção de uma ‘História de Israel’ feita somente a partir da arqueologia e dos testemunhos escritos extrabíblicos é uma proposta cada vez mais tentadora. em 1806-7.'História de Israel' de Bright. e as ‘estórias bíblicas’ são abordadas com outros olhares. E há pesquisadores de renome na área. Petrópolis. em 1894. de Wette. como Rolf Rendtorff. porém. José do Egito. focalizando especialmente a 4a edição. império davídico-salomônico. O uso de métodos literários sofisticados para explicar os textos bíblicos. 2001. uma ‘História da Síria/Palestina’ ou uma ‘História do Levante’ parece ser o programa para os próximos anos. Uma ‘História de Israel’. 69. que já em 1993 afirmava em artigo na revista Biblical Interpretation 1. pp. pp. negando. ou uma ‘arqueologia da Síria/Palestina’ ou mesmo uma ‘arqueologia do Levante’. professor em Heidelberg. O uso dos textos bíblicos como fonte para a ‘História de Israel’ é questionado por muitos. a ‘História de Israel’ está mudando. afasta-nos cada vez mais do gênero histórico. divisão entre norte e sul. A seqüência patriarcas. não participava integralmente deste consenso. É preciso lembrar. que a historiografia alemã. conquista da terra. 34-53. exegeta alemão. .

1.1-6). refletiam práticas típicas do primeiro milênio a. ele estava tão convencido da historicidade das narrativas sobre os patriarcas no Gênesis. Isto quebrava o paralelismo feito pelos autores entre Nuzi e o mundo patriarcal e tirava a garantia de que os costumes patriarcais refletiam práticas do segundo milênio. Dois anos mais tarde. como os casos da esposa-irmã Sara (Gn 12. Loyola.. no norte da Mesopotâmia. 2000. Abraão e sua Lenda. em 1969.C. 1500-1200 a. New York.2). que aceitou. Genesis. e datados da época do Bronze Recente (ca. como quase todos os arqueólogos e historiadores acreditavam naquela época. mas. Garden City. então Thompson poderia distinguir nelas as mais antigas histórias bíblicas da tradição posterior mais ampliada[2]. E. porém. Thompson começou sua tese de doutorado na Universidade de Tübingen. Estes e outros exemplos podem ser mais facilmente vistos em VOGELS. Gênesis 12. mais provavelmente. Patriarcas? Que Patriarcas? Em 1967.. Nuzi e os Patriarcas Um bom exemplo desse paralelismo pode ser lido no comentário de SPEISER. Sua idéia fundamental: se algumas das narrativas sobre os patriarcas hebreus estavam se referindo historicamente ao segundo milênio a. W. Thompson percebeu que os costumes familiares de Nuzi e as leis sobre propriedades não eram exclusivos nem de Nuzi.)[3]. sem questionar. pp. nem do segundo milênio. 1964.C.. . O tema: as narrativas patriarcais. a mãe de aluguel como Agar (Gn 16. apontar as dificuldades que a crise vem criando e propor algumas pistas de leitura para os interessados no assunto. A. na Alemanha.Este artigo quer traçar um panorama destas mudanças pelas quais vem passando a ‘História de Israel’ nos últimos vinte e tantos anos. como herdeiro (Gn 15. os paralelos feitos entre os costumes patriarcais e os contratos familiares encontrados na cidade de Nuzi.C. Doubleday. São Paulo.1-25. Quando Thompson começou seu trabalho. no qual o autor discute cerca de 20 coincidências entre os costumes patriarcais e os costumes de Nuzi. 38-45. o norte-americano Thomas L. Eliezer. a adoção de um estrangeiro.11.10-20 e paralelos). na clássica coleção The Anchor Bible.

O resultado foi academicamente desastroso. hoje. John Van Seters. . em 1976[4]. Philadelphia. muitas das mudanças ocorridas em todo o Antigo Oriente Médio que antes eram atribuídas a invasões mal documentadas de povos. ou seja. Thompson passou. mais cientificamente. não pôde defender sua tese na Europa nem publicar seu livro nos Estados Unidos. sob o título de “O Background dos Patriarcas”. Isto é testemunhado pelas centenas de povoados espalhados do Eufrates até os vales dos rios Khabur e Balikh e datados pelos arqueólogos como existentes desde o Calcolítico. Davi e Salomão em Jerusalém. Thompson localizava as origens de um Israel histórico na região montanhosa ao norte de Jerusalém durante o século IX a. então. Thompson. da editora Sheffield. Reino Unido. a defender que as narrativas patriarcais estavam refletindo muito mais o primeiro do que o segundo milênio. de quem falaremos mais detalhadamente no próximo item a propósito do Javista. vivendo da agricultura e da criação de gado. Thompson percebeu que não havia prova alguma para tal pressuposto. Em 1987 Thomas L. pois o que se descobriu nos últimos anos é que os amoritas são sedentários do norte da Mesopotâmia. pesquisando a historicidade dos patriarcas.C.C. independente de Thomas L. O crescimento populacional dos amoritas deve ter provocado a ampliação de seus territórios e a ocupação de várias cidades da região. Thompson começou a trabalhar a questão das origens de Israel. e a datação tradicional dos patriarcas e sua historicidade caíram por terra. O livro só foi publicado em 1974 e Thompson conseguiu seu PhD na Temple University. Neste artigo. no século X a. Isto implicava a exclusão de qualquer unidade política de Israel que abrangesse toda a Palestina. examinando a hipótese amorita. Além do que. podem ser explicadas. não atribuindo qualquer valor histórico às estórias sobre Abraão. retomando a argumentação publicada em um artigo de 1978. Thompson. sujeita a períodos de secas prolongadas e devastadoras. chegou a conclusões semelhantes. segundo a qual teria havido grande migração de nômades vindos das fronteiras do deserto siroarábico para a Mesopotâmia e para a Síria-Palestina no final do terceiro milênio. não podia ter existido uma ‘Monarquia Unida’ sob Saul.Além do mais. que terminou a pesquisa em 1971. no Journal for the Study of the Old Testament. pelas mudanças climáticas na região. Estados Unidos.

onde trabalhava. mas complementos de outras mais antigas. em ROGERSON. Winnet não aceitava a fonte E como um documento independente.C. Thompson foi relançado em livro: The Background of the Patriarchs: A Reply to William Dever and Malcolm Clark. Eloísta. Diz Thompson que a reação a este livro foi pior do que à tese sobre os patriarcas. Com um detalhe: estas fontes não seriam documentos independentes. desde o século XIX. levando ao afastamento do autor da Marquette University. F. Mas. 1992 [19942]. A Sheffield Reader. V. em conferência feita em 1964. 2. J. o canadense John Van Seters aceita o desafio de um seu professor e começa a revisão da ‘Hipótese Documentária’ do Pentateuco. admitia o pesquisador. Thompson foi convidado para trabalhar no Departamento de Estudos Bíblicos da Universidade de Copenhague. na Jerusalém pósexílica. professor de Van Seters. ela poderia ser uma revisão de mais antiga tradição patriarcal e não poderia ser encontrada no Êxodo e Números. Isto porque o desenvolvimento literário do Gênesis teria ocorrido de modo independente de Êxodo e Números até o estágio final da composição do Pentateuco. 1996. Sheffield.C. duas diferentes fontes deveriam ser vistas dentro do material J do Gênesis: uma mais antiga e outra da época do exílio. em 1993.O artigo de T. O mesmo deveria ser dito do P. Quando muito. Brill. nos Estados Unidos. Leiden. onde até hoje se encontra. L. . O estudo completo resultou no livro Early History of the Israelite People from the Written and Archaeological Sources [Antiga História do Povo Israelita a partir de Fontes Escritas e Arqueológicas]. que o Pentateuco era composto pelas fontes JEDP – Javista. com Esdras. Winnet. elaboradas desde o século X a. Van Seters Reinventa o Javista Ainda em 1964. quando então foram organizados e combinados pelo Sacerdotal (P). examinando as tradições sobre Abraão. Deuteronômio e Sacerdotal. e onde encontrou um grupo com idéias avançadas sobre a ‘História de Israel’. Assim. na corte davídico-salomônica até o século V a. W. 33-74.. os hoje chamados ‘minimalistas’. The Pentateuch. A ‘Hipótese Documentária’ afirmava. pp. levantou uma série de dúvidas sobre os fundamentos da Hipótese Documentária.. Sheffield Academic Press.

mas sua relação é de complementação: Gn 12. pp.1-18. Sheffield Academic Press.26. H. Percebendo igualmente a forte afinidade do J com o Dêutero-Isaías. Schmid procurou mostrar que o J dependia fortemente da tradição profética e estava muito próximo da escola deuteronômica. e também que a forma da promessa da terra no J era um desenvolvimento posterior daquela encontrada no Deuteronômio e na tradição deuteronomista. 1999. Schmid. como o ambiente no qual o javista teria nascido. pelo menos em sua forma mais rígida. que o E consistia de uma única estória e que todo o material não-P pertencia ao javista mais recente.. então. 1-18 ao complemento E e Gn 26. do qual não se percebia nenhum sinal. A Social-Science Commentary. A crise do Pentateuco explodiu. Em 1976 e em 1977 apareceram os livros de Hans Heinrich Schmid e de Rolf Rendtorff sobre o mesmo assunto. em 1976. J. The Pentateuch.. New Haven.Embora a proposta de Winnet não tenha causado repercussão. Yale University Press.20. A conclusão a que se chegou foi de que o Pentateuco era o produto do movimento profético. Van Seters concluiu também que o material atribuído ao J mais antigo era muito pequeno. percebeu que episódios paralelos – como a história de Sara “irmã” de Abraão em Gn 12. Examinando uma série de textos amplamente aceitos como javistas. e de que o J deveria ser visto em estreita associação com a escola deuteronômica nos últimos anos da monarquia ou na época do exílio.10-20. 1975. em plena luz do dia e ninguém mais podia escapar da constatação de que a teoria clássica das fontes do Pentateuco. Abraham in History and Tradition. . Van Seters publicou sua pesquisa em 1975. H.1-20 corresponde ao J mais antigo de Winnet. Sheffield. Estas conclusões podem ser lidas em VAN SETERS. E também em VAN SETERS. contestou a tese de G. como dissemos. Von Rad de um ‘Iluminismo Salomônico’. Van Seters concluiu que o J deveria ser visto como um autor pós-D.1-11 ao J mais recente da proposta do professor. J. 59-60. assim como o era o livro do Deuteronômio. era insustentável. examinando as tradições sobre Abraão. Van Seters. e que a ‘Hipótese Documentária’ deveria ser totalmente revista. Gn 20.1-11 – não são documentos independentes agrupados por redatores.

Zürich. Neukirchener Verlag. seu discípulo Martin Rose. H. em 1977.semelhante ao trabalho do historiador grego Heródoto . 1981.no qual ele se baseia em fontes orais e escritas. 1990). em português. O Questionamento do Consenso Wellhauseniano em Alemão Os estudos destes pesquisadores resultaram nas seguintes obras: SCHMID. chega à conclusão de que tal independência não deve ser limitada ao período pré-literário. 63-70. em DE PURY. Berlin. chegou à conclusão de que o Deuteronômio e a Obra Histórica Deuteronomista eram anteriores ao javista. NeukirchenVluyn. Walter de Gruyter. Deuteronomist und Jahwist. As origens e a composição dos cinco primeiros livros da Bíblia à luz das pesquisas recentes. Seu aluno Ehard Blum. 1976. 1977 (tradução inglesa: The Problem of the Process of Transmission in the Pentateuch. 1990. Donde se conclui que a idéia de fontes. confirma as intuições de seu mestre estudando as tradições patriarcais de Gn 12-50. Berlin. Rendtorff não vê nenhuma conexão original entre Gênesis e Êxodo-Números. em livros publicados em 1992 e 1994. mas o alcança..Embora não tenha discutido a datação do J em relação ao D. O J faz o trabalho de um historiador .. BLUM. ed. Ele defende que cada unidade maior teve seu próprio processo de redação antes de ser colocada em contato com outras unidades. O Pentateuco em questão. H. 1984. RENDTORFF. 2. Sheffield. mas sim uma posterior costura deuteronomista ligando estas tradições. E. tal como a J. Uma exposição do pensamento destes autores pode ser vista. mais tarde.. Theologischer Verlag.). Walter de Gruyter. A. retomando a idéia de M. em 1981. Das überlieferungsgeschichtliche Problem des Pentateuch. Zürich. Vozes. dando-lhe. Die Komposition der Vätergeschichte. que o Javista compõe uma obra unificada que vai da criação do mundo até a morte de Moisés. Petrópolis. Theologischer Verlag. pp. por sua vez. e que o desenvolvimento dos temas é que deve ser enfocado. Der sogenannte Jahwist.. deve ser abandonada. 2002. Sheffield Academic Press. R.. porém um significado teológico próprio. ROSE. . M. Untersuchungen zu den Berührungspunkten beider Literaturwerke. Van Seters estendeu seu estudo sobre o J a todo o Tetrateuco e defendeu. Noth da formação do Pentateuco a partir de temas independentes. (org. Rolf Rendtorff. Studien zur Komposition des Pentateuch.

Mas é anterior ao Sacerdotal (P). Jean Louis Ska. Hans-Christoph Schmitt. Por isso. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. J. no livro The Bible Unearthed. K. E a Crise do Pentateuco Continua..: esta obra mostra como a crise do Pentateuco continua e como um possível consenso parece ainda distante. não é uma obra independente. Josué. Berlin. Albert de Pury. 2001. Uwe Becker. E que a Obra Histórica Deuteronomista foi igualmente compilada. & WITTE. Erhard Blum. Joseph Blenkinsopp.. elaborada para defender a ideologia e as necessidades do reino de Judá. com Josué como o objetivo das promessas patriarcais. M. Thomas Dozeman.. cito aqui a proposta do arqueólogo Israel Finkelstein e do historiador Neil Asher Silberman. The Free Press.C. GERTZ. Graeme Auld. New York. Juízes. da qual ela é uma espécie de introdução. que. Reinhard Gregor Kratz. Jan Christian Gertz. XII + 345 pp. Walter de Gruyter. neste volume escrito em alemão e inglês. eu procuro resolver o problema existente entre os argumentos de Noth a favor de um Tetrateuco separado do D/OHDtr e a insistência de Von Rad em um Hexateuco. William Johnstone. Estados Unidos e . Markus Witte.O objetivo da obra do J é o de corrigir o nacionalismo e o ritualismo da Obra Histórica Deuteronomista. por sua vez. O Eloísta (E) não se sustenta como documento independente e desaparece. Só para entendermos por onde pode caminhar a discussão atual. Já que o J era posterior ao D/OHDtr. Ernst Axel Knauf. Os autores defendem que boa parte do Pentateuco é uma criação da monarquia da época de Josias. para fornecer suporte ideológico para sua reforma política e religiosa. o Javista é posterior ao Deuteronômio e à Obra Histórica Deuteronomista (Deuteronômio. Konrad Schmid. mas uma série de suplementos pós-exílicos ao D+J. Contribuem. SCHMID. em sua maior parte. sustentando que a arqueologia hoje dá suporte à hipótese de que tanto o Pentateuco quanto a Obra Histórica Deuteronomista foram escritos no século sétimo a. no tempo do rei Josias... Van Seters conclui: “Deste modo.). proveniente da Europa. Abschied vom Jahwisten: Die Komposition des Hexateuch in der jüngsten Diskussion. C. 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis). sendo contemporâneo do Dêutero-Isaías e tendo afinidades com Jeremias e com Ezequiel. Só gente do ramo. Thomas Römer. 2002. ele ligou as duas grandes obras e acrescentou sua própria conclusão final ao Hexateuco através do segundo discurso de Josué em Js 24" [5]. (eds.

O livro de Thomas L. Biblical Archaeology and the Myth of Israel. New York. ninguém concorda com ninguém. E comenta Gnuse que os ensaios tipificam a natureza variada e caótica da pesquisa do Pentateuco. foram encontradas cerca de 3.ca/programs/jewish/30yrs/rendsburg/index. Cf. (ed. no qual o autor lamenta e critica. XI. VAN SETERS. [4]. NEXT [1]. Gary A. Trinity Press International. a ruptura do consenso que passo a descrever. Walter de Gruyter. Sheffield. os autores concordam em rejeitar a fonte javista e sugerem que a coerência das narrativas do Pentateuco somente foi alcançada no pós-exílio com o D e o P. N. Especialmente significantes são as informações administrativas. The Mythic Past. como observa Robert Gnuse. pp. que cobrem a vida da comunidade e de cidades vizinhas ao longo de seis gerações. 61-62. sociais. [3]. [2]. Basic Books. p. em resenha do livro na CBQ 65/4. . Sheffield Academic Press. Leia também artigo de 2006 de Rolf Rendtorff. Thompson: The Historicity of the Patriarchal Narratives: The Quest for the Historical Abraham. Canadá. Estou me inspirando no artigo de RENDSBURG...arts. 1999. em At the Cutting Edge of Jewish Studies. The Pentateuch. 1974 e Harrisburg. A Social-Science Commentary.C. http://www. L. 1997. 1999. econômicas e as descrições das práticas e estruturas jurídicas. Doubleday & Logos Library System. Cf. em conferência pronunciada no Departamento de Estudos Judaicos da McGill University. Down with History. FREEDMAN. T.mcgill. Cf. Cada um constrói seu próprio paradigma. Up with Reading: The Current State of Biblical Studies.500 tabuinhas cuneiformes.. mais aqui. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. p.. É um material que ilustra brilhantemente a vida diária de uma comunidade da metade do segundo milênio a. verbete Nuzi. de outubro de 2003. Cf. habitada principalmente por hurritas. J. Em Nuzi. 2002. 1992. [5]. 656.). onde o pesquisador se pergunta: O que aconteceu com o Javista na atual pesquisa do Pentateuco? E responde: ele desapareceu e levou consigo a Hipótese Documentária do Pentateuco.html . em maio de 1999.Israel! E.. no contexto do abandono da teoria das quatro fontes. Para além disso. THOMPSON. Berlin. cada um mais sugestivo do que o outro. New York. D.

onde se desenrolaram os acontecimentos narrados na Bíblia. amoritas. O Crescente Fértil Se partirmos do Golfo Pérsico e traçarmos uma meia-lua. É a chamada "meia-lua fértil" ou "Crescente Fértil".Marrocos. Noções de Geografia do Antigo Oriente Médio 1. celtas. itálicos. a Abissínia e o Magrebe . iranianos etc) fineses. fenícios etc) hamitas (que habitavam o Egito.Sitemap.1. especialmente semitas e hamitas. dentro do qual está também a Palestina. Argélia e Tunísia atuais) indo-europeus (eslavos.Copyright © 1999-2008 Airton José da Silva. cuxita. colocando a outra ponta na foz do Nilo. Foram os rios que determinaram o estabelecimento da agricultura. no Egito. A família afroasiática compreende seis ramos: semítico. hebreus. que condicionavam a vida do oriental antigo. A região é habitada pela raça branca. gregos. Todos os direitos reservados. Mapa do Site . anteriormente chamada camito-semítica. passando pelas nascentes dos rios Tigre e Eufrates. a raça branca é constituída pelos: semitas (acádios. As línguas semíticas constituem um ramo da grande família das línguas afro-asiáticas. berbere. þÿ 1. No seu conjunto. Quer conhecer as línguas do Oriente Médio? Experimente aqui! . teremos uma região bastante fértil. da sedentarização e das rotas comerciais por onde passavam as caravanas que iam desde a Mesopotâmia até o Egito ou a Arábia. egípcio. árabes. homótico e chádico. Esta faixa de terra é regada por importantes rios. cananeus.

.A família das línguas semíticas é bem antiga. até os dias atuais com o árabe. o amárico e o hebraico. com o acádico e o eblaíta. documentada desde a metade do terceiro milênio a. Nos três quadros a seguir pode-se ver um panorama simplificado das principais línguas semíticas[1].C.

O vocabulário semítico: quase nenhum contato com o indo-europeu semelhanças apenas em palavras onomatopaicas . mormente na vocalização raízes ternárias verbos com apenas dois tempos dois gêneros casos oblíquos. pronomes possessivos e objeto pronominal do verbo são anexados como sufixos ausência de nomes e verbos compostos pequeno número de partículas e predominância da coordenação sobre a subordinação.Algumas características das línguas semíticas: A estrutura gramatical: grande número de guturais muito especiais.

D. New York.poucos empréstimos de um grupo lingüístico para o outro. Doubleday & Logos Research Systems.C. A Bíblia chama a esta terra de paddan aram ou aram naharayim (Síria dos dois rios). The Anchor Bible Dictionary. verbete Languages. Cf. o etíope e o cuneiforme. nome que vem do grego e significa (terra) entre rios. A Mesopotâmia foi berço de civilizações antiqüíssimas e importantes. os acádios. A escrita semítica: consonantal da direita para a esquerda exceções: escritas da esquerda para a direita são o sabeu. Freedman. Foram os sumérios os inventores da escrita. Ele dirige o culto. (ed. mais ou menos. notadamente o Tigre e o Eufrates. N. 1992. os assírios e os babilônios. O chefe da cidade suméria tem o título de En (= senhor). . As escavações feitas em Uruk revelaram o uso da escrita cuneiforme (sinais em forma de cunha) desde o início do III milênio. As únicas construções oficiais são os templos: as cidades eram dirigidas por senhores eclesiásticos. Clique na miniatura para ver o mapa da Mesopotâmia! Os sumérios construíram a sua civilização na Baixa Mesopotâmia entre os anos de 2800 e 2370 a.. que formavam uma assembléia. 1. como os sumérios.). nas cenas gravadas nos cilindros. 1997. A Mesopotâmia A planície situada nos vales dos rios Tigre e Eufrates é chamada comumente de Mesopotâmia. auxiliados por "anciãos". NEXT [1].2. de conotação religiosa.

Parece que estavam na região na segunda metade do IV milênio a. Zabalam. na guerra. Lugal (rei) era o seu título ou Ensi (chefe das cidades. vice-rei). Havia mercadores e um comércio privado. É impossível saber quando chegaram os sumérios à Baixa Mesopotâmia. na forma de cidades-estado. Kish. O rei era sacerdote (mantinha os santuários). na verdade. Usavam arados. Umma. Nippur. ferreiros. Uruk e Ur. Avançando um pouco mais no tempo e pesquisando outros lugares além de Uruk. característicos da região. Suas tropas chegavam a uma média de 600 a 700 homens. mais raros. marceneiros. Foi a função guerreira que fez surgir a realeza. Aparece o asno e o porco. Shurupak. Permaneceram sempre isoladas. . pertencente. bois. abrigada por grandes escudos e capacetes. onde cultivavam-se a cevada e o trigo. assim como um carro de 4 rodas e o barco. deus do céu. Lagash. Não se sabe quando se formou a monarquia suméria. O metal mais citado é o cobre.C. Há. pelo menos pode-se perceber que eles se misturaram às antigas culturas populares locais. O templo era um centro econômico: possuía terras. os especialistas descobriram que as cidades organizavam-se ao redor dos templos e palácios reais. reforçados. Akshak. Contudo não permaneceram unificadas por muito tempo. Cada uma possuía ao seu redor um cinturão de aldeias e eram separadas por pântanos e desertos. era juiz supremo. deusa da fecundidade e do amor. Bad-Tibira. a vinha e a palmeira eram conhecidas. e para An. Mas. por camponeses. Também a horticultura. puxados por quadrigas de burros. que entrou em luta com os chefes religiosos pelo controle interno das cidades e com as outras cidades em massacres periódicos. havia carros de guerra com 4 rodas compactas. Sua residência era mais uma fortaleza do que um palácio. As cidades mais importantes eram: Adab.Visite a Sumerian Mythology FAQ! O culto era celebrado para Inanna (a futura Ishtar). No palácio vivia o rei. Também já conheciam a prata e o ouro. talvez subários e populações de língua semítica. no trabalho dos templos. que indicava um poder menor do que o primeiro. governador. Criavam principalmente carneiros e cabras e. chefe militar e administrador dos canais de irrigação. que era apenas um administrador do Estado. ao deus. ourives e ceramistas. mas era uma monarquia militar. Além de uma infantaria armada de lanças.

Fundações ou refundações de Templos: 4 textos 4. Os templos podiam ter várias formas. A religião tem predominância naturista: os cultos da fertilidade estavam em primeiro plano. são toscas demais. centro de uma anfictionia ou confederação. baseada na cronologia e no gênero: TEXTOS SUMÉRIOS: Cosmogonias do 30 milênio até começo do 20 milênio a. levou à construção de grandes muralhas nas cidades. SLT 122-124 1. As estátuas não são muito bonitas. início da idade clássica sumeriana. Cosmogonias menores: Encantamentos: 3 textos Textos Namburbi 2. Links para o estudo da Mesopotâmia? Confira estes! Na literatura produziam-se textos sapienciais. Listas de deuses: 3 textos 1.5 km de extensão. Revelam-nos o vestuário da época: o mais usado era o Kaunakés. em forma de lingüetas. porém.C.Esta fase de guerras constantes. hínicos. Em meados do III milênio. TCL XV 10 = lista De Genouillac 3.C. Uruk tinha muralhas de 9. mais ou menos. com mais de 900 torres semicirculares. simbolizando o casamento sagrado entre um deus (Dumuzi?) e uma deusa (Inanna). Disputas entre criaturas: • Disputa entre dois . Lagash e Umma foram duas das cidades que mais dominaram suas vizinhas. cobrindo uma superfície de 5 km2. 2. espécie de saia com longas franjas estilizadas.. Já a cidade de Nippur parecia ser uma espécie de território neutro. embora a primeira permanecesse. No ritual exerciam funções importantes a grã-sacerdotisa e o rei.C. épicos e mitológicos. TEXTOS ACÁDICOS: Cosmogonias da metade do 20 milênio até o 10 milênio a. deu-se uma transposição da temática naturista para a cósmica (os deuses passam a figurar elementos do cosmos). Lista do deus An = Anum 3. mas a disposição interna era a mesma em qualquer lugar. a partir de 2800 a. Uma classificação possível para as cosmogonias mesopotâmicas pode ser a seguinte.

Prólogos ao Grande Tratado Astrológico: 2 textos 6. Enki e Ninhursag (ou Mito do Dilmun) 3. NBC 11108 Hino ao Templo de Eridu Louvor à Enxada Enuma elish Textos narrativos de Eridu . Casamento de An e Ki em meio à tempestade 3. A disputa entre o Pássaro e o Peixe 4. História Suméria do Dilúvio . 5.motivo ctônico: 5 textos 1. Enkidu e o Atrahasis Inferno 2. 6. Enki e Ninmah A Teogonia Dunnu 5.insetos • • Disputa entre o Tamarindo e a Palmeira Disputa entre o Boi e o Cavalo 5. Gilgamesh.motivo cósmico: 6 Cosmogonias antológicas textos 1. Enki e a Ordem do Mundo 2. A disputa entre a Árvore e o Junco 4. VAT 17019 Textos narrativos de Nippur .

Um único texto: KAR 4 * Abreviações: SLT: CHIERA. . 1919.. Sumerian Lexical Texts from the Temple School of Nippur. RA 20 (1923). pp. H. Chicago University Press.1923. Wissenschaftliche Veröffentlichnungen der deutschen Orientgesellschaft XXVIII. TCL: Textes cunéiformes . NBC: Nies Babylonian Collection. E. pp. Keilschrifttexte aus Assur religiösen Inhalts. KAR: EBELING. DE Genouillac. Leipzig. conseqüência de grandes migrações que foram uma das causas da queda de Ur. Yale University. Chicago. E. Paris.). H. 137-139. 86-106. XXXIV. VAT: Vorderasiatische Abteilung Tontafeln .Coleção de tabuinhas cuneiformes do Museu de Berlim. Grande Liste de noms divins sumériens...Musée du Louvre. RA 25 (1928). De Genouillac: DE Genouillac. (ed. Liste alphabétique des dieux sumériens. Esta entrada em cena dos amoritas (ou amorreus) assinala um fato fundamental na história da época. 1929. NEXT Na luta entre os vários grupos observamos que a maioria deles ostenta nome amoritas.

Mapa Cronológico do Antigo Oriente Médio II[4] Período Bronze Bronze Ferro Ferro Antigo Arqueológico Médio Recente Recente Mesopotâmia do Assírio Assírio Assírio Assírio Norte antigo médio médio recente ShamsiMitani Adad Cartas de . pelas mudanças climáticas na região. não é mais possível sustentar esta posição. A caracterização dos amoritas é feita em uma epopéia da época que. podem ser explicadas. sujeita a períodos de secas prolongadas e devastadoras[3]. que não tem casa durante a vida. muitas das mudanças ocorridas em todo o Antigo Oriente Médio que eram atribuídas a invasões mal documentadas de povos. Hoje. É assim que se chega à luta pela hegemonia na Baixa Mesopotâmia. hoje. Além do que. também governadas por amoritas. mais cientificamente. baseados em sátiras como esta dos sumérios.Em sumério são chamados de MAR. Isto é testemunhado pelas centenas de povoados espalhados do Eufrates até os vales dos rios Khabur e Balikh e datados pelos arqueólogos como existentes desde o Calcolítico. em acádico AMURRU. enquanto na Alta Mesopotâmia a luta se dava entre Assur e Mari. vivendo da agricultura e da criação de gado. O crescimento populacional dos amoritas deve ter provocado a ampliação de seus territórios e a ocupação de várias cidades da região mesopotâmica. significando "ocidentais" ou "povo do oeste".TU. pois o que se descobriu nos últimos anos é que os amoritas são sedentários do norte da Mesopotâmia. e não é sepultado após a morte". e em uma visão romântica do nomadismo. de que os amoritas eram nômades que invadiram a Mesopotâmia e também a Palestina vindos do deserto siro-arábico. diz: "É um homem que desenterra trufas [espécie de cogumelo comestível] no sopé das montanhas. Durante muito tempo existiu certo consenso entre os especialistas. porém. típica do século XIX. onde a disputa era entre as dinastias de Isin e Larsa. que come carne crua. descrevendo o mito do casamento do seu deus Amurru. que não sabe dobrar os joelhos para cultivar a terra. chamados também de semitas do oeste. citada acima.

aos elamitas. Consolidou sua posição frente aos vizinhos da Baixa Mesopotâmia e em seguida estendeu seu domínio a Mari. tornando-se um principado independente e controlando algumas cidades vizinhas. assírios e gútios.Mari Mesopotâmia do Sul Babilônico antigo Influências do Egito Síria/Palestina Hicsos Isin Larsa Cassita Babilônico médio Domínio egípcio Cartas de Tell elAmarna Israelitas Elamita antigo Irã/Golfo Pérsico Godin III Dilmun Comércio da antiga Assíria Hitita antigo Carros Desenvolvimento cultural e técnico Rodas com raios Alfabeto primitivo Hitita Frígios Camelos Galinhas Vidro Cerâmica vidrada Ferro fundido Frígios Elamita médio Tribos iranianas Babilônico médio Israel Povos do mar Israel Estados fenícios Estados arameus e neo-hititas Medos Invasões de Urartu Invasões assírias Urartu Frígios Lídios Cavalaria Algodão Moedas Latão Aramaico Domínio assírio Anatólia No final deste período a cidade que emergiu com maior poder foi Babilônia.C.) subiu ao trono de Babilônia. Sob a III dinastia de Ur fora governada por um ensi e progressivamente seu poder cresceu. Em 1792 Hammurabi (1792-1750 a. . No 31º ano de seu reinado Hammurabi já era senhor da Suméria e de Akkad.

pequenos artesãos e comerciantes. mas existia o concubinato. Três classes compunham a sociedade: os ricos (awilum). Eu (sou) Hammurabi. fiz-lhes aparecer a luz. Na Mesopotâmia governada pelos babilônios da época de Hammurabi temos populações que. eu lhes procurei sempre lugares de paz. determinando preços. demandar em juízo e até assumir cargos públicos. E interessante é observar que a mulher casada tinha certa autonomia. homens de corvéia e funcionários do Estado que recebiam glebas em troca de serviços prestados. Através dele podemos conhecer a estrutura social da época. que Enlil me deu de presente e dos quais Marduk me deu o pastoreio. Com a arma poderosa que Zababa e Ishtar me outorgaram. Hammurabi desenvolveu uma legislação que ficou famosa através de seu conhecido código.As terras na Babilônia pertenciam ao Estado. especialmente quando a esposa era estéril. mas acumulando também fortunas particulares. Nas cidades. como o assírio. No campo viviam agricultores sedentários e nômades. o rei forte. O Estado intervinha em todos os setores da economia. As terras do Estado eram exploradas por arrendatários. nem deixei cair os braços. contratos de trabalho. com a habilidade que Marduk me deu. que agiam em nome do Estado. categorias estas sem nenhum estatuto jurídico e que viviam a verdadeira escravidão. com a sabedoria que Ea me destinou. o babilônio e os idiomas semitas do noroeste. que Hammurabi. Além disso havia os prisioneiros de guerra (asiru) e os deportados. o rei perfeito. O casamento era monogâmico. salários etc. aos templos e a particulares. não fui negligente. falam línguas semíticas. colonos. O comércio era dominado pelos tamkarum. (Estas são) as sentenças de justiça. resolvi dificuldades graves. além de haver grupos hurritas. estabeleceu e que fez o país tomar um caminho seguro e uma direção boa. pois podia exercer diversas profissões. o povo (mushkenum) e os escravos. na sua maioria. Para com os cabeças-pretas. As regiões intermediárias eram habitadas também pelos amoritas. aniquilei os . espécie de mercadores itinerantes e corretores.

Petrópolis. . Para que o forte não oprima o fraco. para fazer justiça ao órfão e à viúva. Introdução. A cultura suméria foi organizada e preservada. 1. na Esagila.C. que ele não altere os meus estatutos! (Trecho do Epílogo do Código de Hammurabi na tradução de EMANUEL BOUZON. a cidade cuja cabeça An e Enlil levantaram..) Que nos dias futuros. acabei com as lutas. quando houve um notável progresso na vida urbana. 222-223). que está implicado em um processo. Vozes. a história começou a se desenvolver sob a forma de listas reais e a literatura religiosa cresceu enormemente. 1987. Bet-Shan.). o templo cujos fundamentos são tão firmes como o céu e a terra.).. o seu coração se dilate! (. provável resultado da sedentarização de grupos novos que se estabeleciam na região. A Palestina e o Egito de 3000 a 1700 a. sendo mais rarefeita a população no sul. Ai.C. tradução do texto cuneiforme e comentários. 4a edição totalmente revista e melhorada. Laquish. Gezer..inimigos em cima e embaixo. Meguido. promovi o bem-estar do país (. para fazer direito aos oprimidos.. O Código de Hammurabi. para proclamar as leis do país. na indústria (sobretudo na cerâmica) e um aumento geral da população. as sentenças do país que eu decidi. um rei que surgir no país observe as palavras de justiça que escrevi em minha estela.). como Jericó. Muitas das cidades que conhecemos através da história bíblica já existiam. atentamente. que ele não mude a lei do país que eu promulguei. para sempre. A literatura e as artes alcançaram grande esplendor na época de Hammurabi.. ele veja o seu direito. Que minha estela resolva sua questão. minha estela escrita e ouça minhas palavras preciosas. Havia muitas escolas de escribas ao redor de palácios e templos. pp. escrevi minhas preciosas palavras em minha estela e coloquei-a diante de minha estátua de rei da justiça (. venha diante da minha estátua de rei da justiça.. No centro e no norte da Palestina é que se situa a maior parte destas cidades. para proclamar o direito do país em Babel. leia. Que o homem oprimido. Começaremos a falar da Palestina na Idade do Bronze Antigo (3200-2050 a.3.

Tell el-Duweir. a cevada.C. Cidades populosas e bem guarnecidas. Sua língua era um semítico do noroeste. Por volta de 2300 a. 1999. embora já se começasse a fabricação de armas de cobre. Freedman. e o Negueb até o século X a. Só por volta de 1900 a. Cf. Doubleday & Logos Research Systems.C. New York. do qual o hebraico bíblico é uma derivação. Siquém. cercadas por poderosas muralhas floresceram. pp.. Basic Books. Na Síria. Os utensílios de pedra dominavam ainda. The Mythic Past. (ed. algumas bem violentamente. Já a Transjordânia não teve civilização sedentária até cerca de 1300 a. Jericó. Jerusalém. nesta época. 101-225. D. 1997. New York. L. Gezer. verbete Amorites. N. Taanak. o trigo. . Tell elFarah do sul etc. Meguido. T.C. NEXT [3].). The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. Tell Beit Mirsim. e isto depois de alguns séculos de ocupação. seu território e as cidades teriam sido destruídas. esta civilização sofreu forte decadência. THOMPSON. Bet-Shemesh. O mesmo aconteceu na Síria. ou viveram em cavernas e quando reconstruíram as casas estas eram bastante modestas. favas. Até a década de 70 do século XX se acreditava que povos teriam invadido. Biblical Archaeology and the Myth of Israel. é que há sinais de nova vida urbana. A Palestina conheceu a sua fase antiga mais próspera entre os anos de 1800 e 1550 a. O comércio funcionava em direção à Síria do norte e do Egito. tais como Hazor. 1992. Havia também a cultura da oliveira e da amendoeira. A vinha teria sido ali introduzida nesta época. Hoje se reconhece que as mudanças ocorridas então se devem muito mais a mudanças climáticas do que a qualquer entrada de povos na região. O curioso é que se observa que seus novos habitantes não reconstruíram imediatamente as cidades: ou acamparam sobre as ruínas. Cultivavam. lentilhas. provavelmente a ascendente do cananeu falado nos tempos israelitas.A agricultura era a atividade básica. a cidade de Biblos conheceu um progresso semelhante e a influência egípcia tornou-se marcante graças ao comércio marítimo. Dizia-se que possivelmente eram estes povos os mesmos amoritas ou semitas do oeste que invadiram também a Mesopotâmia. Podemos chamar convencionalmente estes povos de cananeus.C.C. a partir do norte.

sua derrota foi por mim consumada"[13]. e está em textos cuneiformes do reinado do assírio Tiglat-Pileser I (1115-1077 a. Com o tempo. contudo.C. Edições del Prado. Dizia-se. A primeira menção segura dos documentos antigos sobre os arameus data do ano 1110 a. meu senhor. sendo a Síria a sede de vários reinos arameus. os termos ahlamu e arameu tornaram-se sinônimos. da cidade de Anat da terra de Suhi. Infligilhes baixas e trouxe prisioneiros. . em um salto. mas é possível que fossem dois grupos diversos.. 6-7. porque estes dois países também nos interessam. por isso seria melhor não falar mais dos arameus desta maneira. vamos ao norte da Palestina. Mas hoje não temos mais tanta certeza disso. Madrid. Da cidade de Tadmor (Palmira) da terra de Amurru.C. Coleção Grandes Impérios e Civilizações. a Anatólia (Ásia Menor) e a Síria. E ainda:"Por vinte e oito vezes. Em um só dia realizei uma incursão desde as proximidades da terra de Suhi até Carquemish da terra de Hatti.4. 1. temos que falar dos arameus.[4]. ROAF. cruzei o Eufrates em perseguição aos ahlamu-arameus. mais ou menos. Cf. pp. até a cidade de Rapigu da terra de Karduniash (Babilônia). que estes eram nômades semitas que a partir do deserto siro-arábico invadiram a Alta Mesopotâmia. bens e gado sem conta".. 1996. M. Certo é que nunca houve uma união política aramaica.). Para falar da Síria. inimigos do deus Assur. com sua capital Damasco. A Síria e a Fenícia De novo. Eis o comunicado real:"Marchei contra os ahlamu-arameus. até pouco atrás. aparentados. Mesopotâmia e o Antigo Médio Oriente I. No quarto ano de seu reinado ele combateu os Ahlamu-Arameus no Eufrates e lhes queimou seis acampamentos no Djebel Bishri. à razão de duas por ano.

remove uma pedra na qual seu arado bate e encontra os restos de uma tumba antiga. Os assírios conquistaram-na. mas depois que Davi conquistou todos os outros. existente desde o III milênio a. Concorrente de Tiro no comércio e navegação. na época sob mandato francês. Colocado a par da descoberta.[14]. antiga Laodicea ad mare. era muito fértil. seu nome atual. que imediatamente notifica a presença de uma necrópole e identifica a tumba como sendo do tipo micênico. Em fenício-hebraico. relacionada com a literatura bíblica e sua língua. Foi quase sempre aliada de Israel. Tiro era famosa por seu comércio e suas naves. Foi tomada por Alexandre Magno após sete meses de cerco. metade no continente. Foi destruída pelos filisteus. arando sua propriedade a cerca de 12 km ao norte de Latakia. Ainda: Ugarit (Ras Shamra).C. A província síria destacou-se depois. A Fenícia. donde "Fenícia". Leia: Ugarit and the Bible! Uma necrópole supõe a existência de uma cidade. construída metade sobre uma ilha. foi famosa por causa de seus navegantes. É importante por causa de sua grande literatura. um lavrador alauíta. encontramos a cidade de Tiro. A descoberta Em março de 1928. Começando pelo sul da Fenícia. Albanese. mas foi cidade livre sob os romanos. por causa da neve no pico dos montes. Albanese e Dussaud prestaram atenção à colina vizinha. Por isso resistiu maravilhosamente a terríveis assédios assírios e babilônicos. a faixa costeira ao norte de Israel e ao lado da Síria. que tinha toda a aparência de ser um tell . Líbano. Sídon. Seu nome vem da púrpura que era extraída ali de certas conchas. habitada por cananeus.O reino de Aram-Damasco era pequeno. As escavações aí realizadas enriqueceram muito os estudos bíblicos nos últimos tempos. "púrpura" se dizia canaan e em grego foinix. Por isso. habitada por cananeus. encarrega um especialista. um pouco antes de Israel do norte. de uns 20 metros de altitude. M. sob o domínio romano. L. dominando todo o território sírio. datável aí pelos séculos XIII ou XII a.C. Foi aniquilado pelos assírios. parente da hebraica. o Serviço de Antigüidades da Síria e do Líbano. chamada Ras Shamra. é devido à cadeia de montanhas assim chamada e significa "o branco". Damasco se impôs como principal.. segundo os textos bíblicos.

C. Os 5 níveis arqueológicos Os arqueólogos classificaram a seqüência estratigráfica em 5 níveis: 10 : 1500 . Poucos dias mais tarde. começaram as escavações. no dia 2 de abril de 1929.C. no dia 8 de maio. empreendimento só suspenso durante II Guerra Mundial.3000 a. 20 : 2100 .1500 a. sob o comando de Claude F. que tem um extensão de uns 25 hectares e se encontra a cerca de 800 metros da costa.C. e que podia corresponder à cidade procurada.. A. e logo em seguida.C. Visite o ERSP ..2100 a. primeiro da necrópole. "monte pelado". De 1929 a 1980 foram realizadas 40 campanhas arqueológicas no local.C. Esta época manifesta contato ou influência da cultura contemporânea da Baixa Mesopotâmia.1100 a. do ponto de vista cultural e étnico esta é uma cidade cananéia.4000 a. 30 : 3000 . Schaeffer. . objetos de bronze e de pedra. Ao norte se vê o Jebel Aqra'. um acúmulo de ruínas antigas. foram feitas as primeiras descobertas: tabuinhas de argila escritas em caracteres cuneiformes. 40 : 4000 . porque. embora do ponto de vista geográfico Ugarit não se encontre em Canaã. dos romanos) que separa a região dos alauítas do vale e da desembocadura do rio Orontes.) apresenta em suas camadas superiores cerâmica cananéia. no tell.The Edinburgh Ras Shamra Project! Um ano mais tarde. Foi o começo de uma série de descobertas numa escavação que se prolonga até os nossos dias. E as pesquisas ainda continuam. Isto é interessante.C. 50 : ? .arqueológico. O nível 3 (3000-2100 a. ou seja. ou Monte Zafon (o monte Casius.

C. em acádico. em hurrita. Os textos que nos interessam estão em ugarítico. da Mesopotâmia e da região do mar Egeu. é de grande importância para se entender a reação israelita ao tema presente na Bíblia Hebraica. portanto. que foi decifrado em poucos meses por H. toda uma necrópole com cerâmica cananéia. Estavam principalmente na "Biblioteca" anexada ao templo de Baal e no "Palácio Real" ou "Grande Palácio". Dhorme e Ch. Bauer. Construiu-se neste época um bairro marítimo. O nível 1 (1500-1100 a.O nível 2 (2100-1500 a. já conhecida por referências da literatura egípcia e mesopotâmica. Tumbas familiares são feitas debaixo das casas. pois os textos descobertos sugeriram imediatamente que se tratava de Ugarit (ú-ga-ri-it). Nesta língua. neste nível. um sistema cuneiforme alfabético. como conseqüência de um processo de decomposição social interna coincidente com a passagem dos "povos do mar". Mas há influências estrangeiras. encontrado em Ugarit. A identificação da cidade A identificação do nome do local não foi difícil.C. em hitita hieroglífico e cuneiforme. Virolleaud. Entre os textos encontrados aparece o nome da cidade. refletidos nas construções amplas e nas tumbas da necrópole de Mina' al-bayda'. O estilo da cerâmica encontrada nas tumbas é ródio-cipriota. foram encontrados cerca de 1300 textos .) mostra indícios de grande prosperidade no seu começo. correspondente a sete línguas diferentes: em hieróglifos egípcios. pertencendo. Um violento incêndio destruiu esta prosperidade. Os textos ugaríticos Os textos foram encontrados todos no primeiro nível. que é uma forma do cananeu. A reconstrução foi esplêndida e dominada pela arte de estilo micênico. em micênico linear e cipriota e em ugarítico. incêndio mencionado em uma das cartas de Tell el-Amarna. onde se encontram algumas provenientes da própria Ugarit.) nos indica uma cultura tipicamente semita na cidade: cerâmica e templos são de tipo cananeu. e verificado no tell por uma camada de cinzas que divide este nível em duas partes. A ruína desta civilização. A invasão dos hicsos não modificou substancialmente esta cultura. vindas do Egito. e com ela a da cidade. que possuía diversas dependências para arquivos. que continuou sendo semítica e cananéia. e guardam muitos utensílios e armas. Chama a atenção. Os vestígios de ocupação posterior são de menor importância. E. sobretudo pelas Cartas de Tell el-Amarna. As tabuinhas estão redigidas em sete sistemas diferentes de escrita. ocorre no começo da época do ferro. O testemunho acerca do culto dos mortos na civilização cananéia. à última fase da cidade.

materiais ou epigráficas não podem constituir unidade editorial com os demais. em Mitos y Leyendas de Canaán.6) possuíam originalmente seis colunas de texto. com rigorosa unidade de composição.). Niqmaddu. quatro (1. para quem trabalhou e que deve ter ditado o texto. Apesar do mesmo tom e da mesma concepção mitológica. apenas o transmissor desta versão tradicional do mito de Baal e o nome do rei. A exceção fica por conta da tabuinha 4.. ultrapassando a borda inferior. da coerência e continuidade entre os diversos episódios que compõem o mito total. Assim. Diz o autor: "Nos restam assim seis tabuinhas que podem representar uma versão ou redação unitária do ciclo mencionado.3. e a quem deveremos considerar como o autor. foram escritas pelo mesmo escriba que se identifica como Ilimilku em 1. Outra dificuldade é o número e a ordem das tabuinhas. enquanto as colunas do anverso estão dispostas da esquerda para a direita. 2/5 e 3/4. que tem oito colunas e da tabuinha 2 que tem somente quatro colunas. A divisão entre as colunas é feita por uma linha dupla profundamente marcada. três de cada lado (. exclui os fragmentos que por suas características externas. as do reverso estão dispostas da direita para a esquerda.O Ciclo de Baal O Ciclo de Baal (ou Ba'lu)[15] apresenta algumas dificuldades especiais dentro da literatura ugarítica: não é fácil determinar se temos um mito único. a tabuinha não deve ser virada como uma página de um livro.. A escrita ugarítica caminha da esquerda para a direita.. Isto sem contar que.C.5 x 19. há uma "história da tradição e da redação" dos textos. podemos estar falando de diferentes redações de um mesmo "mitema" ou de "mitemas diferentes". ou se temos um ciclo que engloba diversas composições literárias. De modo que.1. no verso. mas de cima para baixo.5. a terceira coluna continua diretamente.6 e 1.5 cm e 26 x 22 cm. . G. junto com o nome do Sumo Sacerdote. Suas dimensões eram mais ou menos as mesmas"[16]. de modo que a correspondência anverso/reverso das colunas é a seguinte: 1/6. ou seja. E o mais interessante no Ciclo de Baal é que as seis tabuinhas têm a mesma "caligrafia". que governou Ugarit de 1370 a 1335 a.16. As dimensões padrão são 26. del Olmo Lete. Como é comum nas tabuinhas cuneiformes. Delas. com tema e tramas próprios ou se estamos lidando com versões diferentes de um mesmo mito. Attanu-Purlianni. redator ou.. segundo o uso da epigrafia cuneiforme. também em Ugarit. história essa que é dificílima de ser feita. quem sabe. O número de linhas conservadas por coluna oscila entre 62 e 65.

3. senhor da terra deus do mar deus artesão deus do deserto deusa do amor. deus da chuva e da fertilidade. deusa da guerra e da caça deusa sol .6 VI diz.6). deusa mãe deus da morte e da esterilidade esposa de Baal. Rey de Ugarit Señor Formidable. e no Museu de Aleppo (1. O palácio de Ba'lu (1. Provisor de nuestro sustento.2. discípulo de Attanu-Purlianni. Inspector de Niqmaddu.esposa de Baal esposa de El. no seu final: El escriba fue Ilimilku. composto de três mitos ou composições autônomas que giram cada uma em torno de um mitema particular: Luta entre Ba'lu e Yammu (1. apenas uns dez ou doze são ativos em sua literatura.5. Sumo Sacerdote. Síria. O universo mitológico de Ugarit Entre os muitos deuses que constituem o panteão de Ugarit.1-2). As tabuinhas do Ciclo de Baal foram encontradas todas nas campanhas arqueológicas de 1930. enquanto alguns outros que ali aparecem têm um papel muito impreciso.KTU 1.1.5-6).4). 1931 e 1933 e estão hoje no Museu do Louvre (1.3-4) e a Luta entre Ba'lu e Môtu (1. da guerra e da fertilidade . as seis tabuinhas trazem um ciclo mitológico. Paris. Assim. Destacam-se: ILU (=EL) BA'LU (=BAAL) YAMMU (=YAM) KÔTHARU (=KOSHARWAHASIS) 'ATHTARU (='ATHTAR) 'ANATU (= 'ANAT) ATIRATU (= 'ASHERAH) MÔTU (= MÔT) 'ATHTARTU (= ASTARTÉ) SHAPSHU deus supremo. Pastor Máximo. shubbani. criador dos deuses e do homem chefe dos deuses.

121. p. a p. c. Cf. Doubleday & Logos Research Systems.. verbete Ugarit. R. cf. del Olmo Lete adotou em sua obra a forma original semita na transcrição do nomes próprios. del Olmo Lete. Assim é que Baal é Ba'lu. G. J. Para outra hipótese. G. Sanmartín.J. 87. CLIFFORD. pp. PRITCHARD. pp. Corpus des tablettes en cunéiformes alphabétiques découvertes à Ras Shamra-Ugarit de 1929 a 1939. J. São Leopoldo. FREEDMAN. 1976. o. Pontifical Biblical Institute. Ancient Near Eastern Texts Relating to the Old Testament (ANET). 274. p.).. GORDON.Aprenda mais sobre os deuses de Ugarit com a Canaanite/Ugaritic Mythology FAQ! Abreviações usadas no texto CTA: A. também DONNER. Herdner. 88-89. Teil I Transcription. H. Roma. 1997. 1997 [20043]. Para a ordem das tabuinhas. Mitos y Leyendas de Canaan según la Tradición de Ugarit. diferente da convencional que aparece na Bíblia Hebraica. pp. 1965. (ed.. cf. New York.275. Princeton University Press. para o que se segue. [14]..O. Cf. 1992. c. N. Ugaritic Textbook.. Creation Accounts in the Ancient Near East and in the Bible. Neukirchener Verlag. Loretz . 1981. Sinodal/Vozes. 23-31. 19693. 83 da mesma obra. El é Ilu e assim por diante. Princeton. B. DEL OLMO LETE. [16]. UT: C. KTU: M. História de Israel e dos povos vizinhos. DEL OLMO LETE. H. D. (ed. o.. DEL OLMO LETE.. Institución San Jerónimo & Ediciones Cristiandad. NEXT [13]. 81-97. Madrid. Para a posição de G. cf. 1963. onde são apresentadas as opções de 17 especialistas. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. Cf.). Einschliesslich der keilalphabetischen Texte ausserhalb Ugarits. Dietrich . Volume 1: Dos primórdios até a formação do Estado. Neukirchen-Vluyn. as pp. [15]. Paris. G. . Cf. 48-49. Die keilalphabetische Texte aus Ugarit.

mais ou menos. em hebraico pelishtim. Canaã. passou a ser chamada de terra de Israel.C. quanto mais um Império davídicosalomômico. nome proveniente de seus antigos habitantes. . Para a época do NT calcula-se: 500 mil habitantes na Palestina e 4 milhões no exterior (diáspora). e mais tarde Judá ou Judéia.1. incluindo o deserto do Negueb nesta última. em 800 mil habitantes. são 25. Faziam parte dos "povos do mar". Do Mediterrâneo ao Jordão. os cananeus. A superfície da Bélgica. variando também segundo os lugares graças à topografia. no período de Davi e Salomão. é melhor não projetarmos a população para este período.000 km2 de território. que após 1175 a. A Palestina Palestina é um nome derivado de "filisteus". Cai neve em Jerusalém e Jericó é muito quente. Albright e R. são cerca de 48 km de largura e na altura do mar Morto são cerca de 80 km. um povo que habitava a faixa costeira situada entre o Egito e a Fenícia. é outro nome da região usado para designar esta terra. de Vaux. Os filisteus são de origem egéia. Haifa e Tiberíades são quentes e úmidas. Mas hoje nem sabemos se houve um monarquia unida.000 km2.. talvez de Creta. Israel é uma zona subtropical. mas foram vencidos pelo faraó Ramsés III e passaram a viver naquela parte da Palestina. O comprimento é de 250 km de Dan a Bersheba. que não era propriamente território de Israel. A superfície da Palestina é de 16. no norte. com chuvas de novembro a março e seca de abril a outubro. dois renomados biblistas e arqueólogos. F. Contando com a Transjordânia. considerado até meados da década de 70 do século XX como o mais florescente da história de Israel. tentaram invadir o Egito.5. ou de 320 km de Dan a Cades-Barnea. Sob os hebreus. que era apenas uma parte de seu território. A temperatura vai de -2 a 45 graus Celsius. ou terra de Canaã. sem a Transjordânia. Tel-Aviv. A população foi estimada por W. mais ou menos. que nem sempre pertenceu a Israel. Por isso.

Sela. Entre estas duas cadeias está o vale do Jordão. ao norte. Moab. norte-sul: a Transjordânia. A Transjordânia As montanhas da Transjordânia são altas e apresentam profundas gargantas. 1. O país está ao sul do mar Morto. Sua capital era Kir-hareseth (Kir. a Transjordânia. até o mar Morto. Cisjordânia. Medeba e Heshbon. porém levava freqüentemente sua fronteira ao norte do Arnon. Arnon. o vale jordânico. teria cerca de 30 mil habitantes e a Jerusalém do tempo de Jesus também não passava de 25 a 30 mil habitantes fixos. e a continuação do Antilíbano. 110 km de comprimento e 25 km de largura. quando foi destruída pelos assírios em 722 a. a moderna Kerak. Bosrah e Tofel. Seu limite ao norte é o rio Zered.C. Galaad e Bashan. podemos descrever a Palestina. As cidades do ano 3000 a.C.1. ao sul o golfo de Aqaba. Assim. Dibon.C. . numa depressão de 390 metros abaixo do nível do mar que vai do lago de Hule. quanto ao relevo em quatro faixas verticais. a Cisjordânia e a costa mediterrânea.5. Aí por volta de 1300 a. A Bíblia costuma unir Teman e Bosrah para designar todo o país de Edom. uma fortaleza perto de Sela. Jabbok e Yarmuk. Sua capital. Seu território principal está situado em um planalto de 1200 metros de altitude. Moab está situado entre os vales do Zered e do Arnon. ao norte. Outras cidades: Teman. Do sul para o norte. por onde correm os afluentes ocidentais do Jordão. Kir-heres). Outras cidades: Aroer. Ammon.Samaria. A configuração geográfica é a seguinte: há duas cadeias de montanhas que percorrem a Palestina de norte a sul e são: a continuação do Líbano.C. Cerca de oito km a oeste de Medeba está o monte Nebo (para a tradição sacerdotal) ou Pisgah (para a tradição eloísta) de onde Moisés teria contemplado a terra de Canaã e morrido. ao sul. o país foi novamente ocupado por semitas nômades e pastores. Na Transjordânia estavam antigamente os seguintes países ou regiões: Edom.. em um planalto de 1600 metros de altitude. foram destruídas e abandonadas. os afluentes são: Zered. Edom é o país ocupado por um povo semita do deserto siro-arábico aí por volta de 1300 a.

Pella. Seu território tem uns 60 km de norte a sul por 40 km leste-oeste e é bastante fértil. Seus bosques eram comparáveis aos do Líbano. Jabesh-Galaad. capital da Jordânia.C. Cultuavam os amonitas o deu Moloc (ou Melek). Seu deus principal era Kemosh. Não possuía cidades de destaque. formada por férteis planícies. mas se libertou logo após a divisão de 931 a. Esta região foi conquistada pelos israelitas e habitada pelas tribos de Gad e Manassés. Suas cidades principais: Penuel. Chove bem e era coberta antigamente por densos bosques. A tribo de Rubens tentou se estabelecer na parte norte de seu território. boas para o cultivo do trigo e ótimas para pastagens.No tempo do NT. mais ou menos. A região sempre foi objeto de luta entre Israel e Síria. Ramoth-Galaad. NEXT NEXT . Moab e Israel nunca foram amigos. Succoth. Parece que se estabeleceram aí em 1300 a. Moab já o fizera. a atual Amman. Sua capital era Rabbath-Ammon. Ammon era uma tribo aramaica que se estabeleceu na região superior do Jabbok. a sudoeste do monte Nebo estava a fortaleza de Maqueronte. Sua língua se assemelha ao aramaico. Gadara. e Ammon foi o mais fraco dos reinos transjordânicos. No tempo do NT: Gerasa. ao qual eles ofereciam sacrifícios humanos. Os limites de seu território não são bem definidos. que se revezavam na sua posse. Moab foi submetida. Famoso era seu bálsamo e abundantes suas vinhas. de quem sempre foi inimigo. Sua língua se assemelha bastante ao hebraico. Antes de Israel adotar a monarquia como forma de governo. Sob Davi e Salomão. Esteve freqüentemente submetido a Israel. onde Herodes Antipas mandou matar João Batista. e sacrificavam-lhe crianças..C. Mahanaim. mas foi expulsa. Galaad (ou Gilead) está também na região do Jabbok. Bashan (ou Hauran) é uma região ao norte do Galaad.

O Vale do Jordão À sombra do monte Hermon. Magdala. Cesaréia de Filipe (Baniyas).21. com seus 2750 metros de altitude. situado nada menos que a 390 metros abaixo do nível do Mediterrâneo. 110 km abaixo. E também Guilgal. santuário cananeu e depois israelita. na época do NT. e é o ponto mais baixo da superfície terrestre: está a cerca de 390 metros abaixo do Mediterrâneo e tem outro tanto de profundidade. . Nome bem adaptado ao maior rio da Palestina. Nada vive nas suas águas. Tiberíades etc estavam na suas margens. forma a 16 km ao sul o lago de Genezaré. uma das mais antigas cidades do mundo. ainda a 80 metros acima do nível do mar. Para ir da Palestina para a Síria era necessário atravessar o Jordão ao sul de Hule. cerca de 25%. de 21 km de comprimento por 12 de largura. Por isso foi construída aí uma fortaleza. Entre o lago de Hule e o lago de Genezaré.2. rico em peixes. Cidades como Cafarnaum. O mar Morto tem 75 km de comprimento por 16 km de largura. nasce o rio Jordão. atravessa o lago de Hule. O lago de Hule era pequeno e pouco profundo. que contêm um alto teor de sal. O lago de Genezaré (do hebraico Kinneret = harpa) é chamado também de lago de Tiberíades ou mar da Galiléia. por onde andou Jesus. que se tornou a principal cidade do norte da Palestina.1. na confluência de quatro torrentes que descem das montanhas do Líbano. o Jordão corre violentamente no fundo de uma garganta de 350 metros de profundidade. sempre coberto de neve. Jordão significa aquele que desce ou também lugar onde se desce (bebedouro). que já está a 210 metros abaixo do nível marítimo e tem sua foz no mar Morto. Hazor. A 9 km ao norte do mar Morto está Jericó. pois realmente ele nasce acima do nível do Mediterrâneo. É um belo lago. Betsaida. O NT fala continuamente destes paragens. Perto de suas nascentes estão as cidades de Dan e. pois provocava malária. Perto da desembocadura do Jordão no lago de Genezaré estão as ruínas de Corazim. Tinha cerca de 4 km e foi drenado pelo atual Israel.5. mencionada em Mt 11.

povoado onde nasceu Jeremias Betânia. A região é desértica. para salvá-los dos romanos que tudo destruíram em 68 d. 1.5. como por exemplo: • Hebron (Kiriat-arbá). desde Bersheba até perto de Betel.ligada à história de Abraão e de Davi. e nas grutas de Qumran foram encontrados em 1947 importantes manuscritos bíblicos que eles. apenas um povoado a 19 km de Jerusalém Anatot. • • • • • . Há em Judá várias cidades e localidades importantes na história do povo de Israel. do mar Morto ao golfo de Aqaba. Ao norte do Negueb se estende o território montanhoso de Judá.3. Importante no Negueb era Cades-Barnea.A noroeste do mar Morto vivia. terra de Lázaro etc. Arad.está a 1000 metros de altitude . os essênios. esconderam em cavernas. a cidade conquistada por Davi aos jebuseus e transformada em sua capital Técua. segundo o texto bíblico. Um pouco mais ao nordeste. continuação da depressão palestina. Cerca de 80 km ao norte estava Bersheba (Bersabéia). nos seus 150 km de extensão. No extremo sul da Arabá estava a fortaleza de Elat e o porto de Esion-geber. Fica a 32 km de Jerusalém Belém. a comunidade dos essênios. que se eleva progressivamente. nos últimos séculos de Israel. está a 7 km de Jerusalém Jerusalém. pátria de Davi e lugar tradicional do nascimento de Jesus. Ao sul do mar Morto está a Arabá. oásis onde os israelitas estiveram após o êxodo do Egito. a cidade mais alta da Judéia . cidade cananéia. Era das colinas da Arabá que Salomão extraía o cobre para sua indústria.C. por onde passavam importantes rotas de caravanas. alguns quilômetros ao norte de Jerusalém. pátria do valente profeta Amós. A Região Central da Palestina No extremo sul está o Negueb (deserto de Sin).

Ao norte da planície filistéia está a planície de Sharon. Bíblia. Ao norte de Samaria está a planície de Esdrelon (Jezreel). são cerca de 200 km de costa. depois já é a Fenícia. que aparece muito pouco no AT.VV. e para guardar a passagem foram construídas as fortalezas de Ibleam. norte. capital do reino do norte. com as cidades de Jope.4. Por ali passavam as principais vias de comunicação entre o Egito e a Síria. Betel. Silo. com o porto de Acco na planície de Asher. Por ali passava a estrada que ia do Egito para a Síria. localizada a 60 km de Jerusalém. eram defendidos pelas fortalezas de Debir. onde eram cultivados o trigo e a oliveira. sul. uma confederação de cinco cidades: Gaza. Tirsá.C.. Coleção Grandes Impérios e Civilizações. Paulus. de Gaza. Meguido e Jokneam. 1990. Madrid. Entre a planície filistéia e as montanhas de Judá há uma faixa de terra de 15 a 25 km de largura chamada Shefelah (= terras baixas). Merecem ainda atenção: Bet-shan e Jezreel. AA. Leituras Recomendadas AA. Afeq etc. cidades cujas histórias deveriam ser cuidadosamente estudadas. Siquém. 1. em seguida o promontório e o monte Carmelo. Taanak. São Paulo. Os Caminhos de Deus I-II. Bet-Shemesh e Gezer.. os filisteus. vindo do Egeu. A planície filistéia tem de 7 a 15 km de largura. Ascalon.Continuando a subir em direção norte. contudo. Edições del Prado. Azecah. Aí estão os mais antigos santuários de Israel. Ashdod. Finalmente chegamos à região da Galiléia. Mais para o norte está finalmente a cidade de Dor. caminhos entre a filistéia e Judá. Libnah. Caravanas em tempo de paz e exércitos destruidores em tempo de guerra eram uma constante. Maggedah.5. 1996. . até Tiro. Lod. A Costa Mediterrânea Vamos começar de novo pelo sul. Os vales da Shefelah. Dotan. em o NT. Aí por volta de 1150 a. crescendo. De Gaza. cidades com um longo passado de lutas e guerra. por ser a pátria de Jesus. chegamos à região de Samaria. Lakish. Nesta região central encontramos: Ai. Gat e Ekron.VV. ocuparam uma faixa costeira formando a conhecida pentápoles filistéia. A Criação e o Dilúvio Segundo os Textos do Oriente Médio Antigo. um vale ótimo para a agricultura.

BAINES, J. & MÁLEK, J., O Mundo Egípcio. Deuses, Templos e Faraós, 2 vols., Coleção Grandes Impérios e Civilizações, Madrid, Edições del Prado, 1996. CARDOSO, C. F. S., Sociedades do Antigo Oriente Próximo, São Paulo, Ática, 1986. CLIFFORD, R. J., Creation Accounts in the Ancient Near East and in the Bible, Washington, The Catholic Biblical Association of America, 1994. DEL OLMO LETE, G., Mitos y Leyendas de Canaan según la Tradición de Ugarit, Madrid, Institución San Jerónimo & Ediciones Cristiandad, 1981. DONNER, H., História de Israel e dos Povos Vizinhos I-II, São Leopoldo, Sinodal/Vozes, 1997 [20043]. ECHEGARAY, J. G., O Crescente Fértil e a Bíblia, Petrópolis, Vozes, 1995. FREEDMAN, D. N. (ed.), The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM, New York, Doubleday & Logos Research Systems, 1992, 1997. GALBIATI, E. & ALETTI, A., Atlas Histórico da Bíblia e do Antigo Oriente. Da Pré-História à Queda de Jerusalém no Ano 70 d. C., Petrópolis, Vozes, 1991. GARELLI, P., O Oriente Próximo Asiático I, São Paulo, Pioneira/Edusp, 1982. KRAMER, S. N., Os Sumérios. Sua História, Cultura e Carácter, Amadora, Livraria Bertrand, 1977. MAY, H. G. (ed.), Oxford Bible Atlas, Oxford, Oxford University Press, 19903. PRITCHARD, J. B. (ed.), Ancient Near Eastern Texts Relating to the Old Testament (ANET), Princeton, Princeton University Press, 19693. ROAF, M., Mesopotâmia e o Antigo Médio Oriente, Coleção Grandes Impérios e Civilizações, Madrid, Edições del Prado, 1996. THOMPSON, T. L., The Mythic Past. Biblical Archaeology and the

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2. As Origens de Israel 2.1. A Teoria da Conquista Israel invade a terra de Canaã, vindo da Transjordânia, pelo final do século XIII a.C. As tribos lutam unidas e, fazendo uma campanha militar em três fases, dirigidas ao centro, sul e norte, ocupam o país, destruindo seus habitantes, no espaço de uns 25 anos. Esta é a visão de Js 1-12 e a que dominou no mundo judaico. A síntese de Js 10,40-43 diz o seguinte:"Assim Josué conquistou toda a terra, a saber: a montanha, o Negueb, a planície e as encostas, com todos os seus reis. Não deixou nenhum sobrevivente e votou todo ser vivo ao anátema, conforme havia ordenado Iahweh, o Deus de Israel; Josué os destruiu desde Cades Barne até Gaza, e toda a terra de Gósen até Gabaon. Todos esses reis com suas terras, Josué os tomou de uma só vez, porquanto Iahweh, Deus de Israel, combatia por Israel. Finalmente Josué, com todo Israel, voltou ao acampamento em Guilgal". Mapas do Israel atual? Confira aqui!

Alguns defendem esta teoria, com matizes, baseados na "evidência" arqueológica como William Foxwell Albright, George Ernest Wright, Yehezkel Kaufmann, Nelson Glueck, Yigael Yadin, Abraham Malamat, John Bright, este último moderadamente[1]. A arqueologia atesta: a) Uma ampla destruição de cidades cananéias no final do século XIII a.C. Do norte para o sul, são essas as cidades: Hazor, Meguido, Succoth, Betel, Bet-Shemesh, Ashdod, Lakish, Eglon e Debir. Destas 9 cidades, 4 são ditas especificamente como destruídas por Josué: Hazor: Js 11,10-11 Lakish: Js 10,31-33 Eglon: Js 10,34-35 Debir: Js 10,38-39 b) A não destruição de cidades que os textos confirmam como não tendo sido tomadas por Josué: Gibeon: Js 9 Taanach: Jz 1,27 Siquém: Js 24 Jerusalém: Js 15,63; 2Sm 5,6-9 Bet-Shean: Jz 1,27-28 Gezer: Js 10,33 c) A reocupação das cidades destruídas foi homogênea e pode ser relacionada com a ocupação israelita que se seguiu à conquista. Além do que tal ocupação mostra, na sua maior parte, um empobrecimento técnico, típico do assentamento de populações seminômades (o tipo de cerâmica, de construções, de utensílios etc). d) Localidades que estavam abandonadas há muito tempo são ocupadas novamente no século XIII a.C., como: Dor, Gibeah, Bersabéia, Silo, Ai, Mispa, Bet-Zur...

Ora, em nenhuma destas evidências aparece qualquer inscrição dizendo tratar-se de Israel. Mas como nenhum outro povo ocupou tal região neste período, quem poderia ser senão Israel? Porém: • • • os dados arqueológicos não são puros, são interpretados várias destruições podem ter sido feitas por lutas internas, lutas entre as cidades cananéias o livro dos Juízes relata a conquista de maneira individualizada, feita pelas várias tribos isoladamente e não uma ação conjunta de um pretenso Israel unido o Dtr marcou muito sua obra com propósitos teológicos - necessários no tempo do exílio - e não tinha a nossa concepção de história. Ele projetou muito no passado o que era projeto para o presente, como: o hérem ou "anátema", uma guerra de extermínio, com o objetivo de manter os israelitas separados das populações estrangeiras que ocuparam a Palestina durante o exílio o processo de nacionalização através do chefe único - Josué - que interessava na reunificação dos israelitas no pós-exílio, quando na realidade Josué deve ter comandado apenas tribos da "casa de José", como Efraim, Manassés, Benjamim a chave litúrgica na apresentação dos fatos (o que interessava aos levitas e à reforma de Josias) como: a tomada de Jericó (Js 6), a travessia do Jordão (Js 3-5), o culto praticado num só lugar, na seqüência Guilgal, Silo, Siquém (Js 5,10;18,1;24,1) e a condenação do culto praticado em qualquer outro lugar (Jz 17-18), quando, na verdade, os lugares de culto parecem ter sido muitos nesta época, e contemporâneos! as cidades de Jericó, Ai e Gibeon não podem ter sido conquistadas nesta época, segundo os arqueólogos. Jericó foi destruída no século XIV a.C. e não há indícios de destruição nos séculos XIII-XII a.C., nem de reocupação; Ai (= ruína) também já fora destruída muito tempo antes, no III milênio. Gibeon não era nenhuma cidade importante na época de Josué, segundo mostra a arqueologia (cf. Js 9) o livro de Josué recorre muito à etiologia, quando diz: "e (tal está assim) até o dia de hoje" (Js 4,9;5,9;6,25;7,26;8,28-29;9,27;10,27 etc). O

para o sul e para o norte. nas proximidades das cidades cananéias[4]. em doze tribos. Noth liga os hebreus aos hapiru. Martin Noth (1940. pelo menos. que assim acabam confirmando-na.1950). que hoje tornou-se lugar comum em congressos ou salas de aula: "Não existe problema da história bíblica que seja mais difícil do que a reconstrução do processo histórico pelo qual as Doze Tribos do antigo Israel se estabeleceram na Palestina e norte da Transjordânia"[6]. Problemas: • • • • anfictionia israelita? hapiru/hebreu? conceito de etiologia e narrativas etiológicas e as destruições do final do século XIII a. . com um artigo[5] chamado The Hebrew Conquest of Palestine. antes da monarquia. Apóia-se também nas tradições patriarcais do Gênesis: os patriarcas viviam. As tribos foram ocupando os espaços vazios entre as cidades-estado cananéias. Siegfried Hermann. A Teoria da Revolta A teoria da revolta foi defendida primeiro por George Mendenhall. a narrativa bíblica enfatiza os poderosos atos de Iahweh que liberta o povo do Egito. Manfred Weippert.? 2.1939). Qual o valor histórico destes relatos? 2. Os relatos de conquista de Josué são etiológicos e Josué não passou de um chefe local efraimita. 66-87. De fato. A Teoria da Instalação Pacífica Modelo defendido por Albrecht Alt (1925.2. Os conflitos aconteciam quando um clã invadia o território de uma cidade-estado[3]. Tal teoria baseia-se na análise crítica dos textos bíblicos e interpreta à sua luz os dados arqueológicos. O artigo já começa com uma constatação. para as tribos israelitas: êxodos diferentes para os vários grupos. Yohanan Aharoni e outros[2]. mais ou menos pacificamente. publicado em Biblical Archaeologist 25. sem um conflito generalizado e organizado. Depois sua união. 1962. informando-nos. Defende uma entrada diferenciada na Palestina. José Alberto Soggin.3. Ligas anfictiônicas: primeiro duas (Noth): uma de clãs do sul (6 clãs posteriormente assimilados a Judá) e outra de tribos do norte. pp.mesmo acontece com o livro dos Juízes.C. o conduz pelo deserto e lhe dá a terra.

Frente a isso. e é aqui a reconstrução de uma alternativa deve começar"[7]. mas "a suposição de que os israelitas primitivos eram nômades. mas ocultando-nos as circunstâncias econômicas. Igualmente critica a noção de tribo como um modo de organização social próprio de nômades. sobre a visão e os objetivos teológicos dos narradores de séculos depois. Jacó e os filhos. por exemplo. O que George Mendenhall propôs com o seu artigo foi apresentar um novo modelo ideal em substituição a modelos que não mais se sustentavam. está inteiramente em contraste com as evidências bíblicas e extra-bíblicas. que foi assumida sem criticidade pelos pesquisadores bíblicos e usada como modelo para o Israel primitivo. sendo a relação de parentesco seu traço fundamental. G. Mendenhall critica a visão romântica do modo de vida dos beduínos. Ora. como o fez Martin Noth com a tese da anfictionia. em contraste com os cananeus. mostrando que tribos podem ser parte ou estar em relação com povoados e cidades.deste modo. entretanto. onde há sempre uma parte do grupo que é sedentária. erroneamente vistos como nômades contrastando com os sedentários das cidades. A seguir. como. . caracterizando-as. importada do mundo grego. sociais e políticas em que se deu o surgimento de Israel. continua Mendenhall. o da conquista militar e o da infiltração pacífica de seminômades e elenca os três pressupostos presentes em ambos: • • • as doze tribos entram na Palestina vindo de outro lugar na época da "conquista" as tribos israelitas eram nômades ou seminômades que tomam posse da terra e se sedentarizam a solidariedade das doze tribos é do tipo étnico. Mendenhall começa descrevendo os dois modelos existentes até então para a entrada na terra de Canaã. o primeiro e o terceiro pressupostos até que podem ser aceitos. Mostra que os próprios relatos bíblicos jamais colocam os antepassados de Israel como inteiramente nômades. os pesquisadores sempre utilizaram modelos ideais para descrever as origens de Israel. Jacó e Labão. inclusive. sugerindo uma linha de pesquisa que levasse em conta elementos que até então não tinham sido considerados.

por outro lado.. pode ser creditada à teologia dos autores da época da monarquia e do pós-exílio que deram motivações políticas a uma unidade que foi criada pelo fator religioso. A ênfase na mesma herança tribal. Maryknoll. Alguns anos mais tarde. de 1975. Esta motivação religiosa é a fé javista que transcende a religião tribal.. e na identificação de Iahweh com o "deus dos pais". Mendenhall procura demonstrar que ninguém podia nascer hebreu já que este termo indica uma situação de ruptura de pessoas e/ou grupos com a fortemente estratificada sociedade das cidades cananéias. mas principalmente só o javismo e nenhuma outra esfera da vida daquele povo. Mas. tornando-os capazes de desafiar e vencer o complexo mal estruturado de cidades que dominavam a Palestina e a Síria no final da Idade do Bronze"[8].Aproximando o conceito de hebreu ao de Hab/piru. Sem dúvida. critica Mendenhall. muito acima de fatores sociais e políticos. como uma revolta camponesa contra a espessa rede de cidades-estado cananéias". 1979. New York. New York. por seu uso arbitrário de macro teorias antropológicas.. O que aconteceu pode ser sumariado. em um artigo anterior. diz Mendenhall. Mendenhall e avança por quase mil páginas em favor de uma revolta camponesa ou processo de retribalização que explicaria as origens de Israel. Gottwald publicou seu polêmico livro The Tribes of Yahweh: A Sociology of the Religion of Liberated Israel. . Niels Peter Lemche. pois esta é o símbolo formal através da qual a solidariedade era tornada funcional. e que funciona como um poderoso mecanismo de coesão social. e utilizando as cartas de Tell el-Amarna. do ponto de vista de um historiador interessado somente nos processos sócio-políticos. mas especialmente por seu uso eclético destas teorias. coisa que os teóricos da antropologia não aprovariam de modo algum[9]. Estes camponeses revoltados contra o domínio das cidades cananéias se organizam e conquistam a Palestina. E conclui: "Não houve uma real conquista da Palestina. Mendenhall usa os modelos de Elman Service expostos em sua obra Primitive Social Organization. um javismo não muito bem explicado. como a causa da unidade solidária que faz surgir Israel. "porque uma motivação e um movimento religioso criou uma solidariedade entre um grande grupo de unidades sociais preexistentes. didaticamente. Por isso a tradição da aliança é tão importante na tradição bíblica. Random.C. seu ponto mais crítico é o idealismo que permeia o seu estudo e coloca o "javismo". Segundo Lemche. Orbis Books. no qual retoma a tese de G. 19622. 1250-1050 B.E. Norman K. através dos patriarcas.

o javismo é visto como fonte isolada e agente de mudança na emergência de Israel[11]. resultando numa aculturação sócio-política o pressuposto de mudança social produzida por características especiais de um grupo ou por elementos culturais de destaque. a partir do momento em que o judaísmo é lido a partir da perspectiva do judaísmo tardio e do cristianismo. cada vez maior entre os estudiosos. mas basta citarmos umas poucas para que as coisas comecem a clarear: a evidência etnográfica de que o seminomadismo era apenas uma atividade secundária de populações sedentárias que criavam gado e cultivavam o solo. podem ser sintetizados da seguinte maneira: • o pressuposto da ocorrência normal de mudança social ocorrida por pressão e conflitos sociais internos. a conclusão de que conflitos ocorrem tanto dentro de sociedades controladas por um regime único como entre estados opostos. e que usarei aqui para sintetizar seus pontos fundamentais[10]. como resultado de novos avanços tecnológicos e de idéias em confronto numa interação volátil .. ou seja: um hiato sócio-político em Canaã teria ocorrido como resultado da substituição demográfica ou étnica de um grupo por outro. Os conceitos centrais que emergem deste deslocamento de pressupostos. Ele diz que até recentemente a pesquisa sobre o Israel primitivo era dominada por três idéias básicas: • o pressuposto de mudança social ocorrida no deslocamento de populações..Gottwald expõe sua tese então em desenvolvimento. ou seja. indicações de que mudanças culturais e sociais são freqüentemente conseqüências do lento crescimento de conflitos sociais dentro de uma determinada população mais do que resultado de incursões de povos vindos de fora. ou seja. desde a língua até a formação religiosa. a percepção de que a tecnologia e a organização social exercem um impacto muito maior sobre as idéias do que pesquisadores humanistas poderiam admitir. seja por imigração seja por conquista militar o pressuposto da criatividade do povo do deserto em iniciar mudanças sociais em regiões sedentárias. Israel teria ocupado a terra como recurso para realizar a passagem do seminomadismo para a sedentarização. • • As forças e pressões que dobraram e quebraram estes pressupostos são muitos. evidências da fundamental unidade cultural de Israel com Canaã em uma vasta gama de assuntos.

que lentamente se ajuntavam e se firmavam caracterizando-se por uma forma anti-estatal de organização social com liderança descentralizada. era idiossincrática e mutável. Gottwald propõe um modelo social para o Israel primitivo que segue as seguintes linhas: "O Israel primitivo era um agrupamento de povos cananeus rebeldes e dissidentes. nas quais determinados contextos tecnológicos e sociais adquirem configurações novas[12]. ou seja. NEXT . Gottwald vê o tribalismo israelita como uma forma escolhida por pessoas que rejeitaram conscientemente a centralização do poder cananeu e se organizaram em um sistema descentralizado. sendo que no Antigo Oriente Médio o seminomadismo era econômica e politicamente subordinado a uma região predominante agrícola e que nunca foi ocasião de deslocamentos maciços de populações ou de conquistas políticas provocadas por estes deslocamentos o pressuposto de que mudança social ocorre pela interação de elementos culturais de níveis diversos. O tribalismo israelita foi uma revolução social consciente. onde as funções políticas ou eram partilhadas por vários membros do grupo ou assumiam um caráter temporário. E Gottwald termina seu texto dizendo que o modelo da retribalização levanta uma série de questões para posterior pesquisa e reflexão teórica[14]. • A partir de tais constatações. uma guerra civil. que tinha seus fundamentos intelectuais e cultuais na religião do antigo Oriente Médio cananeu. A religião de Israel. especialmente o fato de que os fatores ideológicos não podem ser desligados de indivíduos e grupos vivendo em situações específicas. um ser divino integrado existia para um integrado e igualitário povo estruturado. Assim. Esse desligar-se da forma de organização social da cidade-estado tomou a forma de um movimento de 'retribalização' entre agricultores e pastores organizados em famílias ampliadas economicamente auto-suficientes com acesso igual aos recursos básicos. Israel tornou-se aquele segmento de Canaã que se separou soberanamente de outro segmento de Canaã envolvendo-se na 'política de base' dos habitantes dos povoados organizados de forma tribal contra uma 'política de elite' das hierarquizadas cidades estados"[13]. se quisermos. que dividiu e opôs grupos que previamente viviam organizados em cidades-estado cananéias.• o pressuposto da função secundária do deserto em precipitar a mudança social.

19-110. 1972.. Westminster Press. em CARTER. Terra Prometida.. [12]. [4]. E. MENDENHALL. The Religion of Israel: From its Beginnings to the Babylonian Exile. NOTH. Eisenbrauns. Cf. "On the Use of "System Theory". (eds.). L. [11]. Paulus. KAUFMANN. A History of Israel in Old Testament Times.. o artigo em CARTER. Harper & Brothers. K. E. 152. Ensaios sobre a história do povo de Israel. 19603. G. & MEYERS. 1960. C. J. pp. Cf. Community.. M. Cf. ALBRIGHT. N. Y. F. Cf. New York. Idem. G. A. Cf. A. L. 172. 1971. 1975. História de Israel. ibidem. Idem. Terra Prometida. Fortress Press. The Settlement of the Israelite Tribes in Palestine.. Identity and Ideology. p. P.. Philadelphia. Identity and Ideology. Philadelphia. S. (eds. 158-159. A. Identity and Ideology. 154. and Evolutionistic Thinking" in Modern Old Testament Research and Biblical Archaeology. Cf. em CARTER. [6]. Community. 1972. também Revisiting The Tribes of Yahweh (2006). Penguin. The Archaeology of Palestine. LEMCHE. ALT. C. & MEYERS. WEIPPERT.. C. Indiana. Community.). ALT. Terra Prometida. ibidem. Baltimore. N. Idem. pp. Cf. ALT. pp.). C. Identity and Ideology. Winona Lake. Cf. J. [10]. p. 173-174. [8]. pp. GOTTWALD. [9]. Biblical Archaeology. C. Community.. The Hebrew Conquest of Palestine.. Philadelphia. 170-181. Social Sciences Approaches to the Hebrew Bible.. Sinodal. [2]. em CARTER. SCM Press. New York. Cf. 1996. (eds. SOGGIN.. BRIGHT. London. Cf.. 279. WRIGHT. Idem. Domain Assumptions and Societal Models in the Study of Pre-Monarchic Israel. ibidem. C.). The History of Israel. Westminster Press. São Paulo. [3]. ibidem. C. 1987. pp.. A. E. E.[1]. 56 e 72-73. [7]. L. Joshua. L. 1978. C. [5]. "Macro Theories". M. p. São Leopoldo. p. (eds. Ensaios sobre a História do Povo de Israel. 19622. E. HERMANN.. & MEYERS. W. Schocken Books. & MEYERS. pp. 152-169. . E.

[13].) também conhecido como Akhenaton. Akhetaton. Ramsés II é quem fez a aliança de paz com os hititas.C. ibidem. [14]. pp.C. O Haru [=Canaã] está em viuvez diante do Egito. Estela de Merneptah Os príncipes estão prostrados dizendo: paz. .C. Sua capital é Avaris. A capital volta a Tebas. deixando um vazio político na Palestina. Mas são expulsos por Amósis (1580-1558 a. Gazer foi tomada. e o dominam durante um século. pp. À décima oitava dinastia pertencem ainda: Amenófis IV (1372-1354 a. o Egito vai progressivamente perdendo toda a sua influência na Ásia. Tehenu [=Líbia] está devastado. Tutmósis III. o Hatti está em paz. A XIX dinastia teve alguns nomes famosos: • • Ramsés II. estendendo seu domínio até o Eufrates.). Ascalon está deportada. o faraó do culto a Aton -. Yanoam está como se não existisse mais. Idem. Cf. Sob a XX dinastia.C. ibidem. Entre os Nove Arcos nenhum levanta a cabeça. Canaã está privada de toda a sua maldade. Tutankhamon. PAUSA EM 06/10/2008 ÀS 16:30H O contexto histórico que apoiaria a teoria é o seguinte: Os hicsos conquistam o Egito por volta de 1670 a. Idem. seu filho. arqueologicamente conhecida como ElAmarna. 174-175. o faraó do êxodo Merneptah. Israel está aniquilado e não tem mais semente. 180-181. que é o último faraó desta dinastia e que volta ao antigo culto a Amon e traz a capital de novo para Tebas. levou o Egito ao auge de seu poder. que construiu nova capital. a última do reino novo. faraó da décima oitava dinastia que transforma o Egito na maior potência mundial. também da décima oitava dinastia. que cita Israel em estela de 1220 a.

comerciais (produtos do Líbano e rotas caravaneiras) etc levaram o Egito a . aproximavam-se escalonadamente as divisões Rá. Jericó e Siquém. Embora a divisão Amon se defendesse valentemente com seu rei à frente. o faraó. que vinham para se unir ao exército egípcio na qualidade de aliados. Os hicsos invadem o Egito e a Palestina. Pelo contrário. As populações locais (cananéias) tiveram que reforçar a defesa de suas cidades e abrigar em seu interior as populações mais atacadas pelos invasores. chamada divisão de Amon. O exército egípcio era composto por cerca de 25. mas também não podia ser contado como uma derrota. rodeou a cidade pelo sul e. que foi objeto de ataque imediato. espetacular confrontação militar de Ramsés II com seu rival hitita Muwatalli. Para rechaçar os hicsos.Vale citar aqui um longo trecho de J. Então o exército hitita. não chegou a intervir na contenda.500 carros de combate. A primeira.C. os hicsos introduziram na Palestina o uso do carro de combate. atacou a divisão Rá que acabava de atravessar o arroio Sabtuna (hoje El-Mukadiyeh). Ramsés II desistiu de tomar a cidade. Suteh. Echegaray. retirou-se ordenadamente para a Palestina. A divisão foi desarticulada e posta em fuga. Não tinha sido uma verdadeira vitória. induzida por um deficiente serviço de ‘inteligência’ que garantia que as tropas hititas ainda estavam longe.000 homens.500 carros de combate”[15]. como bases centrais. a fez passar por um ressonante triunfo. A batalha na realidade fora um confronto entre as duas maiores potências do mundo. A chegada pouco depois da divisão Ptah pôs o exército hitita em fuga. uma espécie de "feudo" seu: interesses estratégicos. ocupando na região de Canaã. a uma grande distância. abandoando sua missão de pacificar o país. porém. O Crescente Fértil e a Bíblia: “Em 1286 a. que mandou gravar nas paredes dos templos de Tebas. que ainda não atravessara o Orontes. não teria podido resistir se não fosse a intervenção inesperada de um corpo expedicionário de cavaleiros ‘amorreus’ procedentes da costa. o exército hitita possuía 3. ocultando-se. Atrás. na qual ia o faraó. À vista dos acontecimentos. que teve de se retirar às pressas e se refugiar na cidade de Cades. saindo de um bosque. G. Ptah e Suteh. O exército egípcio compunha-se de quatro divisões que levavam nomes religiosos. os egípcios da XVIII dinastia davam condições de defesa à Palestina. mas só tinha 1. A última divisão egípcia. modificando todas as táticas de guerra então em uso. Bem. acampou ao norte da cidade de Cades. deixando quase inteiro o exército inimigo encerrado na fortaleza. Alguns se refugiaram no acampamento de Ramsés. aconteceu a célebre batalha de Cades.

feita pelo inimigo. Anthropological and Historical Studies on the Israelite Society before the Monarchy. analisa longamente os fundamentos do modelo de Gottwald[17]. Muitas críticas também foram formuladas a Gottwald. que estava submetido ao faraó egípcio. formando com eles uma mesma identidade social. da ajuda. o livro de Gottwald suscitou uma grande polêmica e polarizou as atenções dos especialistas durante muito tempo. Realmente. estava assim submetida ao príncipe cananeu. vazio de poder egípcio porque Ramsés II não conseguiu vencer os hititas e foi obrigado a fazer um acordo com este povo da Ásia Menor. escritas pelos governantes das cidades cananéias à corte egípcia de Amenófis III e de seu filho Amenófis IV (são 377 cartas escritas em acádico vulgar. Mas a liberdade das cidades não era repassada para a população marginalizada! Assim é descrita a situação nas cartas de Tell el-Amarna. As populações de baixa condição. uma aliança tribal. A espoliação se dava em dois níveis. Quando os israelitas do grupo de Moisés chegam a Canaã esta é a situação: confrontos generalizados entre as cidades. descobertas a partir de 1887).estabelecer guarnições na Palestina e a cobrar tributo dos senhores. com muitos cananeísmos. Quando o controle egípcio era menor. Nos conflitos entre as cidades cananéias. e ocupam as regiões montanhosas. vivendo ao abrigo das cidades e de seus exércitos locais. seus governantes se acusam. príncipes das cidades-estado cananéias. que em Early Israel. O modelo da retribalização ou da revolta camponesa passou a ser citado como uma alternativa bem mais interessante do que os modelos anteriores e fez surgir outras tentativas de explicação das origens de Israel. Os hapiru revoltavam-se contra seus opressores cananeus e libertavam-se de seu controle. onde os cananeus. senhores das cidades. as cidades cananéias diminuíam ou interrompiam o pagamento do tributo. Unidos pela esperança javista os recém-chegados juntam-se aos revoltosos. Constituem um "governo" tribal. aos hapiru: estes estariam conquistando cidades em Canaã e provocando revoltas[16]. tinham perdido o controle. nas cartas. confronto entre os marginalizados e as cidades. procuravam aumentar seus domínios a expensas de seus vizinhos e rivais etc. . sendo a de maior consistência a do dinamarquês Niels Peter Lemche.

Mas a birra principal de Lemche com estes autores e suas teorias é que. deixaram os arqueólogos impressionados com a continuidade existente entre as cidades cananéias das planícies e os povoados israelitas das colinas. Tel Isdar. Nas palavras de A. A Teoria da Evolução Pacífica e Gradual Quanto a esta teoria. Horvat ‘Avot. Tel Masos. As diferenças entre os dois aparecem apenas mais tarde. os modelos derivados da corrente antropológica do "evolucionismo cultural" desconsideram a variável chamada Homem (enquanto indivíduo livre e imprevisível em suas ações) por não ser controlável. The Evolution of Political Society. Entretanto. . Gnuse. mas faz um uso eclético de outras teorias e autores. para ver Gottwald neste contexto [durkheimiano] antes do que na tradição de conflito a que pertence Marx. New York. 2. Shiloh. Izbet Sarta. que entende a sociedade dentro do quadro da interação de diversas classes ou grupos de status. Giloh. nas técnicas agrícolas. boas razões. porém. Har Adir. Mayes: “Existem. os arqueólogos começam a falar cada vez mais do processo de formação de Israel como um processo pacífico e gradual. Horvart Harashim. D. segundo ele. nas construções e nas ferramentas[19]. Sasa.Segundo Lemche. Dan. O crescente consenso entre os arqueólogos é de que a distinção entre cananeus e israelitas no primeiro período do assentamento na terra é cada vez mais difícil de ser feito. a partir da transformação de parte da sociedade cananéia. que tem certamente raízes na teoria social de Durkheim. Tel en-Nasbeh. Beth-Zur e Tel el-Fûl. As características distintivas da teoria de conflito. estão inteiramente ausentes do estudo de Gottwald: nele Israel surge como unidade harmoniosa e indiferenciada. A continuidade está presente sobretudo na cerâmica. Random. as descobertas arqueológicas dos últimos anos encorajaram os pesquisadores na elaboração de novas maneiras de compreender as origens de Israel. K. Beer-Sheba. Arad. Gottwald fundamenta suas teorias no estudo de Morton Fried. Por isso. Bet Gala. e enfatiza sua dimensão estrutural sincrônica. As escavações de localidades tais como Ai. Como nos lembra R. vale a pena olharmos alguns autores que procuraram avançar a partir e além de Mendenhall e Gottwald. um dos problemas do ecletismo de Gottwald é que embora se reporte às vezes a Marx. Khirbert Raddana. H. Tel Qasileh. faz uma leitura do Israel pré-monárquico segundo a tradição durkheimiana. Tel Quiri. 1967. Tel Beit Mirsim. antes que sua dimensão histórica diacrônica”[18]. pois estes parecem constituir um só povo. Gottwald adota enfoque funcionalista da sociedade israelita. de alguma maneira. de uma maneira que dificilmente qualquer um deles aprovaria.4. “A teoria sugere que.

C. os desastres comuns a que uma monocultura estava sujeita nestas regiões tão instáveis. o que sugere uma significativa retirada. Gnuse cita especialmente Joseph Callaway. Frank Frick. que são: • • • • Retirada pacífica Nomadismo interno Transição ou transformação pacífica Amálgama pacífico.). o número de povoados nas montanhas passou de 23 para 114. David Hopkins. David Hopkins. no território de Efraim. Mas o processo de evolução pacífica de onde surgiu Israel é descrito de maneira diferente pelos especialistas. na fabricação de ferramentas. com mudanças climáticas. de modo que R. Joseph Callaway foi um dos primeiros a observar nas escavações de Ai e Khirbet Raddana.4. James Flanagan. especialmente em . com a crescente tributação. na perfuração de cisternas. deste modo. K.1. R. Retirada Pacífica Como defensores de uma retirada pacífica de grupos cananeus das planícies para as regiões montanhosas. Entre 1200 e 900 a. Para Hopkins. K. 2. o que lhes permitia uma integração de culturas agrícolas com a criação de animais. Os defensores deste ponto de vista argumentam com o declínio cultural ocorrido no Bronze Antigo. observou que o desenvolvimento social aconteceu junto com a intensificação do cultivo da terra. Isto implica uma continuidade cultural com os cananeus das cidades situadas nos vales e sugere que as pessoas se deslocaram para Ai e Raddana para fugir de possíveis conflitos nos vales. que os habitantes destas pequenas localidades situadas nas montanhas usavam as mesmas técnicas dos cananeus na agricultura. com a deterioração da vida urbana causada pelas campanhas militares egípcias. talvez. estas pessoas desenvolveram um sistema de colaboração ao nível de clã e de famílias. Gnuse prefere classificar as teorias em quatro categorias. na construção de casas e de terraços para a retenção da água da chuva. e. evitando. Gösta Ahlström e Carol Meyers[21].cananeus gradualmente tornaram-se israelitas. por sua vez. acompanhando transformações políticas e sociais no começo da Idade do Bronze”[20].C. em uma avaliação detalhada da agricultura na região montanhosa da Palestina na Idade do Ferro I (1200-900 a.

. Nenhuma 'revolta' de camponeses pode ser documentada. Ahlström contesta a tese de Gottwald de uma 'retribalização' ocorrida nas montanhas.exigiu mais alimento. já que construído com o nome de El. onde eles se dedicaram à agricultura e ao pastoreio. Ele trabalha a continuidade entre israelitas e cananeus. James Flanagan também acredita que o Israel pré-davídico surgiu da movimentação de grupos sedentários que deixaram os vales para uma organização mais descentralizada nas montanhas e na Transjordânia. NEXT [15]. O próprio nome do povo. trazendo com eles o culto a Iahweh. Frank Frick acredita que os assentamentos israelitas surgiram após um colapso das cidades cananéias. não indicam a chegada de um grupo de pessoas vindas de fora da terra. já que sua estrutura social de base familiar não corresponde. Hopkins valorizou mais o sistema cooperativo baseado no parentesco do que o uso de técnicas como terraços. segundo ele. Carol Meyers defende que Israel surgiu nas montanhas após uma violenta praga que devastou os vales. e cidades podem ter sido queimadas para evitar contágio. Gösta Ahlström. igualmente. Israel. G. cisternas e o uso do ferro para explicar o sucesso destes assentamentos agrícolas. no final. Nas montanhas. diferentes unidades clânicas e tribais israelitas devem ter surgido a partir de diferentes atividades agrícolas. o crescimento populacional . levando à intensificação da agricultura. foi quem desenvolveu mais amplamente este modelo de uma retirada pacífica em vários de seus escritos. e busca reler os textos bíblicos dentro desta lógica. mas sim a escassez de recursos da área dos assentamentos. 90-91. pp. O Crescente Fértil e a Bíblia.. entretanto. para o 'Estado' (Davi). Teria havido um declínio de até 80% da população dos vales. Esta nova sociedade teria então evoluído de uma 'sociedade segmentária' (época dos Juízes) para uma 'sociedade com chefia' (Saul) e. J. Os recursos tecnológicos menores. divindade cananéia. agora possível pela construção de cisternas e terraços e isto produziu. ECHEGARAY. Para Hopkins. 'Israel'. finalmente.recursos hídricos.Talvez um grupo tenha vindo de Edom e se juntado a estes camponeses. reflete esta lógica.de 23 para 114 povoados . evidente na cultura material. ao tipo nômade.

CALLAWAY. R. 1985. Textos do Antigo Oriente Médio. pp. 104-121. Minneapolis. H. em CLEMENTS. O Mundo do Antigo Israel. em THOMPSON. Georgia. em CLEMENTS. Madrid. Embora admitindo a continuidade entre israelitas e cananeus. HOPKINS. D. E. pp. Brill. Lanham.. Early Israel. Los Orígenes de Israel. 421-456 e FRITZ.). C. p. [18]. Cf. The Formation of the State in Ancient Israel.. MEYERS. K. Georgia.. Anthropological and Historical Studies on the Israelite Society before the Monarchy. [19]. GNUSE. pp. Leiden. H. University Press of America. 97118. Georgia.. Village Subsistence at Ai and Raddana in Iron Age I. 1984. Cf. Emergent Monotheism in Israel. Israel como sociedade tribal. E. LEMCHE. Oxford University Press. Paulus.). cartas G. 1985. J. [17]. G. A. AHLSTRÖM. de Geus. [20]. pp. Israel e Judá. H. (org. 1993. 1985. p.. Almond Press. SICRE. E. pp. 1997. No Other Gods. New York. Decatur.. Antropológicas e Políticas. F. J.. (ed.. 33. Sociologia e Antigo Testamento.2. 32-61. 1988.4. Cf. 1988. O Mundo do Antigo Israel. Decatur. Idem. FLANAGAN.[16]. São Paulo. 1985. (org. David’s Social Drama: a Hologram of Israel’s Early Iron Age. Discovering Eve: Ancient Israelite Women in Context. estes especialistas defendem uma origem pastoril para os primeiros. The Answers Lie Below: Essays in Honor of Lawrence Edmund Toombs.. A Survey of Models and Theories. Fortress Press. VV. em Estudios Biblicos 46 (1988). D. R. The Highlands of Canaan. Stuttgart. 55. Volkmar Fritz e Israel Finkelstein[22]. 28-31. Cf. também MARTIN. cf. J. Paulus. Perspectivas Sociológicas. Decatur. Kohlhammer. Sheffield Academic Press. K. L.. J. Nomadismo Interno Defensores do nomadismo interno são C. R. N. V. Almond Press. 1996. J. J.. MAYES. onde os vários modelos são descritos e analisados. und 11.). D. São Paulo. . Jahrhundert v. A History of Ancient Palestine. 1995. FRICK. AA. [21]. H. Almond Press. 2.. Chr. Die Entstehung Israels im 12. Sheffield. Cinco Respuestas a un Enigma Histórico. L. P. I.. ibidem..

vivendo nas áreas intermediárias entre as cidades e com elas interagindo. Volkmar Fritz. experimentando. entraram em contato simbiótico com as culturas citadinas. vindos de fora. antes de se sedentarizarem. 2. Com o declínio destas. a partir dali. Eles estavam na região há séculos e pertenciam à cultura amorita siro-palestina do Bronze Médio. Israel Finkelstein é o principal defensor da idéia do 'nomadismo interno'. que. morando nas montanhas e usando categorias tribais. mas que foram proto-israelitas. percebe que a cultura israelita viveu um longo período em contato com a cultura cananéia e deslocou um pouco sua perspectiva. Ou seja: eles estavam culturalmente próximos dos cananeus.4. um dos mais brilhantes 'minimalistas' da Escola de Copenhague. propõe que os israelitas eram etnicamente unidos. antigo defensor das teorias de Mendenhall e Gottwald. ao escavar no norte do Negev. que eventualmente deram origem a Israel. Moab e Edom. como defendia Alt. se espalhado. eu diria que. R. por toda a Idade do Bronze. Eles seriam os hapiru ou os shasu dos textos egípcios. H. Eles seriam os hapiru das cartas de Tell elAmarna. Robert Coote & Keith Whitelam e Rainer Albertz[23]. mas eram etnicamente diferentes e trouxeram consigo suas próprias estruturas sociais e sua cultura material. J. Quando as cidades sofreram um colapso eles expandiram seu controle. Para Fritz. uma 'simbiose cultural'. Talvez resumindo excessivamente seu matizado pensamento. O aumento populacional posterior colocou-os em conflito com populações das planícies até que se chegou à unificação davídica. a arquitetura diferenciada dos povoados israelitas nas montanhas mostra que eles não saíram simplesmente das cidades das planícies. de Geus. os israelitas eram 'nômades internos'.3. por isso. A casa israelita de quatro cômodos significa uma evolução da arquitetura cananéia e a sua familiaridade com a criação de animais domésticos e seus trabalhos em metal e cerâmica mostram que eles não eram verdadeiros nômades. porém. acredita que muito pouco pode ser dito das origens de Israel . Drews.C. Niels Peter Lemche. Eles teriam se assentado em grande número na região montanhosa de Efraim e. gente que vivia na Palestina. para o norte e para o sul da região. Transição ou Transformação Pacífica Entre os proponentes de uma transição ou transformação pacífica se destacam o já citado Niels Peter Lemche e mais: William Stiebing. mas que estavam em contato comercial com as culturas das cidades da região. na proximidade das cidades. para Finkelstein. antes defensor da idéia de infiltração pacífica de Albrecht Alt. estes pastores se dedicaram também à agricultura para conseguir cereais e outros alimentos não mais oferecidos pelas cidades.

Lemche. Daí. em tribos. pode ter sido causado não pela ausência. Diz Lemche que o modelo 'evolucionário' por ele defendido na obra de 1988. saindo das cidades. para novas regiões e garantia os seus rendimentos na região. e por outro. possibilitaram o aumento desta população e à . monarquia unida. linhagens e. agora improdutivas. diz Lemche. no final do processo. Mas Lemche vê problemas nesta proposta.. os sobreviventes da fome que se abateu sobre as cidades foram para as montanhas. Então. até cerca de 1200 a..C. o que hoje se sabe é que a ausência egípcia na região não coincide com o aparecimento dos povoados na região montanhosa da Palestina. levando os habitantes dos povoados a se agrupar em grupos de parentesco. Lemche expõe a sua visão no livro de 1998. em sua exigência de mais tributos e mais trabalho forçado. diferenças étnicas só apareceram com o passar do tempo. Condições climáticas mais favoráveis por volta do ano 1000 a. Assim o Egito compensava as perdas do comércio internacional. provocada pela perda das rendas do comércio internacional. o Egito transferia parte da população de cidades. consolidando o poder do império na região? Pois. Afugentados pela seca. pois ela pressupõe um vazio de poder egípcio na região e a conseqüente decadência das cidades. assim como outros minimalistas. 74. a fixação dos migrantes. Entretanto. já que esta é um produto pós-exílico. políticos. que o afastamento desta população. por que não creditar à política egípcia o processo de criação de assentamentos sem fortificações. mas pelo aumento da pressão egípcia sobre as mesmas. deste modo.C.C. Segundo esta explicação. motivadas por interesses econômicos.C. juízes. no conturbado enfrentamento de grandes potências no século XIII a.antes do século X a. p. questiona o uso da Bíblia Hebraica na reconstrução da História de Israel. a não ser a percepção de um processo gradual de aumento da população nas montanhas da Palestina. coloca as mudanças climáticas ocorridas na região do Mediterrâneo entre 1250 e 1200 a. não há época patriarcal. possivelmente da época helenística. The Israelites in History and Tradition. por outro lado. Na verdade.C. e a presença de elementos nômades nestes assentamentos deve ser considerada. regionais e religiosos diferentes. ao mesmo tempo que procura superá-la com uma nova proposta nas páginas 75-77. como fator fundamental para explicar o declínio da cultura urbana da Grécia Micénica à Palestina. Mas esta proposta não inclui a participação dos nômades na formação desta nova sociedade. por um lado. William Stiebing. Ancient Israel: A New History of Israelite Society pressupõe que o aumento dos assentamentos tenha sido uma conseqüência natural da deterioração das condições de vida das cidades da Palestina durante a última parte do Bronze Recente. êxodo.

portanto.4. inclusive. que aqui se alinha.criação do Estado. por considerar melhor os pressupostos teóricos do debate atual[24]. Daí o massacre das cidades e o aumento populacional dos habitantes das montanhas. William Dever. promovendo mais tarde o aparecimento do Estado. Para tais comunidades o grupo do êxodo trouxe as idéias do deus Iahweh. 2. Robert Drews defende que os 'povos do mar' que invadem a região não eram simples migrantes. não propondo uma teoria específica. enquanto que nos momentos das crises elas absorviam as populações que deixavam tais cidades. Israel. muitos habitantes da região montanhosa. K. Gnuse.4. Robert Coote & Keith Whitelam vêem as origens de Israel como parte de um processo de integração milenar entre as regiões das cidades e as regiões das montanhas. mas mercenários treinados e com armamento superior ao dos exércitos locais. a idéia de um amálgama pacífico de diferentes grupos nas regiões montanhosas da Palestina para explicar as origens de Israel tem como defensores especialistas como Baruch Halpern. processo pelo qual o colapso do comércio internacional forçou os habitantes das cidades a se deslocarem para os povoados das montanhas e aí se desenvolverem. Rainer Albertz faz uma espécie de síntese de várias escolas. um grupo vindo do Egito com a experiência do êxodo. em seu comportamento ético. levando a um aumento populacional significativo. Baruch Halpern foi um dos primeiros a descrever o processo de assentamento como uma complexa interação de diferentes grupos nas montanhas: poucos habitantes dos vales. grupos . No surgimento de Israel o colapso do comércio foi o fator mais significativo. Ele dá pouca importância aos fatores climáticos na explicação dos acontecimentos. surgiu não pelo simples deslocamento de determinados grupos. com mudanças. indo de Albright a Lemche. pois colocou em crise a sobrevivência das cidades e exigiu dos povoados das montanhas uma forma mais eficaz de colaboração e cooperação para a sobrevivência. agora mais igualitário. segundo estes autores. Albertz fala de 'digressão'. é de que este grupo de pesquisadores prevalecerá sobre os outros. pois nos períodos de prosperidade as regiões das montanhas providenciavam recursos para as cidades dos vales. Thomas Thompson e Donald Redford. Amálgama Pacífico Finalmente. Processo que pode ser chamado de 'realinhamento' ou 'transformação'. A opinião de R. Com o desenvolvimento destas regiões o comércio foi recuperado. mas pelo crescimento populacional tornado possível pelas condições climáticas favoráveis à agricultura.

vindos da Síria. Todos estes grupos foram reunidos pela necessidade de manter rotas de comércio abertas com a ausência do Egito na região. Para Dever Israel se formou de refugiados das cidades. e no século VII a. para Thompson... movendo-se os grupos entre as cidades das planícies e os povoados das montanhas segundo as estratégias de sobrevivência exigidas pelas mudanças climáticas. Anatólia e do Egeu. principalmente. Thompson. Donald Redford. William Dever já foi simpatizante do modelo da revolta de Gottwald. alguns revolucionários. após a destruição de Lakish por Senaqueribe. Thompson observa que a população da Palestina permaneceu inalterada durante milênios. dando início ao futuro Israel. . enquanto o grupo sírio. pura ficção pós-exílica. cananeus saídos das cidades. uns poucos nômades. no que diz respeito a Samaria. Toda a 'estória bíblica' do império davídico-salomônico e dos reinos divididos de Israel e Judá é. Hoje ele vê o surgimento de Israel entre as populações que praticavam a agricultura na Palestina e rejeita a dicotomia cananeu/israelita. quando Jerusalém. mas foi o Israel histórico que produziu o Israel bíblico. Na região das montanhas eles progressivamente criaram uma identidade que os diferenciou dos cananeus das planícies. 'bandidos sociais' (social bandits). mas. A unidade política de Israel só aparece na época das interferências assírias na região.C. das propostas de Coote & Whitelam e do modelo de simbiose de Fritz. dizendo que a distinção entre urbano e rural explica as diferenças. e trazendo consigo o culto a Iahweh. O grupo do Egito trouxe Iahweh. no século VIII a. Por fim. mas que pastores shasu vindos de Edom. Thomas L. egiptólogo.. defende que existe uma diferença entre os habitantes das planícies e os habitantes das montanhas. pastores de outras áreas e imigrantes da Síria. também ali se assentaram. levando ao surgimento da monarquia..C. Halpern sublinha ainda que o Israel histórico não é o Israel da Bíblia Hebraica. Ele sugere que o núcleo da população nas montanhas era formado por pastores que se sedentarizaram. de agricultores despossuídos. um dos mais polêmicos 'minimalistas' é ferrenho defensor de uma História da Palestina escrita somente a partir dos dados arqueológicos e crítico de qualquer história e arqueologia bíblicas. que se misturaram com gente que veio das planícies. Progressivamente controlaram também as planícies. distinto dos cananeus. A população das montanhas era formada por nativos da região. trouxe a circuncisão e a proibição da criação do porco e criou o nome 'Israel' no século XIII a. torna-se líder da região sul. principal fator de transformação social e política da região. que são funcionais e não étnicas. para ele. como cidade cliente da Assíria.C.

já que o processo de instalação parece ter sido diferenciado conforme as regiões e as circunstâncias. Os dados arqueológicos apóiam cada vez menos a versão da conquista tal como está no livro de Josué ou nas explicações dos norte-americanos 3. a análise minuciosa dos textos bíblicos (exceto para alguns 'minimalistas') e as ciências sociais. de uma revolta de camponeses marginalizados que somam suas forças aos recém-chegados hebreus do êxodo foi o mais discutido até a década de 90. existe uma certeza: ainda surgirão muitos modelos explicativos para as origens de Israel e é possível que a solução definitiva esteja bem distante. Parece provável que em cada região tenha havido um processo social específico que deve ser explicado. os mais discutidos entre os especialistas. Um modelo apenas explica tudo ou devemos recorrer a vários modelos? Parece que não se pode usar um só modelo para explicar a ocupação de todo o território de Canaã. O elemento cananeu cresce em importância na explicação das origens de Israel. A arqueologia é importantíssima para definir o modo como Israel ocupou a região da Palestina 2. A contribuição da antropologia é cada vez maior para explicar estes mecanismos sociais antigos.. Qual é o modelo mais aceito na atualidade? O modelo da instalação pacífica (de ALT/NOTH) sempre foi muito considerado..Conclusão a. O modelo de MENDENHALL/GOTTWALD. c. Existe algum acordo mínimo sobre a questão? O consenso dos especialistas tende a crescer na seguinte direção: 1. d. como o de LEMCHE. de uma evolução progressiva. mas são. ainda não conseguiram espaço nos manuais. hoje. b. De qualquer modo. Quais recursos devem ser usados para se elaborar um modelo explicativo? Certamente a arqueologia. Leituras Recomendadas . Outros.

FRITZ. São Paulo. São Paulo. Basic Books. São Paulo. São Paulo. L. 19972. 2001. São Leopoldo. Terra Prometida. pp. 83-105. em Estudios Bíblicos 46 (1988). GOTTWALD. Sheffield Academic Press. pp. Identity and Ideology. Paulus. Stuttgart/Berlin/Köln. N. 104-121. K. Community.. Winona Lake. The Israelites in History and Tradition. THOMPSON. 251-276. New York. GOTTWALD. P. pp. N. Sheffield. Textos do Antigo Oriente Médio. Introdução ao Antigo Testamento numa Perspectiva Libertadora. Eisenbrauns. O Crescente Fértil e a Bíblia.). C.). L.. 1997. K. CARTER. 1988.. Jahrhundert v. 421-456. Social Sciences Approaches to the Hebrew Bible. pp. 1987. Sinodal. LEMCHE. 101-225. CLEMENTS. 1996.. Vozes.. R. FINKELSTEIN. ECHEGARAY. Westminster John Knox. Paulus. Paulus. 1995. L. 99-119. Biblical Archaeology and the Myth of Israel. 1999. 202-229. . R. A. pp. The Mythic Past. Madrid. 1986 [20042]. N. O Mundo do Antigo Israel.. 23-61. 1998. N. CERESKO.. 1993.. As Tribos de Iahweh. & MEYERS.. Die Entstehung Israels im 12. pp. V. SICRE. pp. GNUSE. E. K. The Bible Unearthed.C.. pp.VV. Emergent Monotheism in Israel. T... Louisville. New York. Antropológicas e Políticas. Kohlhammer. Uma Sociologia da Religião de Israel Liberto 1250-1050 a. Israel e Judá. A. 19-110. Petrópolis. Ensaios sobre a História do Povo de Israel. Perspectivas Sociológicas. E. Introdução Socioliterária à Bíblia Hebraica. pp. Paulus. (eds. Indiana. São Paulo. 1996. und 11. Los Orígenes de Israel. G. 1996. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. Chr. & SILBERMAN.AA. The Free Press. Kentucky. R. I. (org. pp. 37-38. A.. ALT. J. No Other Gods. J. Paulus.. Cinco Respuestas a un Enigma Histórico. C.

und 11.. Leiden. 1200 B. 2 vols. The Emergence of Early Israel in Historical Perspective. Sttutgart.. 1996. Georgia. 1985. [23]. Almond Press. Princeton. Cf. P. The End of the Bronze Age: Changes in Warfare and the Catastrophe ca. A. Scholar Press. 1990. The Bible Unearthed.. The Free Press. 1992. R. Philadelphia. C. Decatur. ALBERTZ. 1996. 1993. The Canaanites and Their Land: The Tradition of the Canaanites. A History of Israelite Religion in the Old Testament Period. & SILBERMAN.. R.. Chico. Jahrhunderts v. Die Vorgeschichte Israels. Van Gorcum.. New York. Westminster Press. W. Kohlhammer. The Mythic Past. FINKELSTEIN. DEVER. .. I. 2001. Princeton. The Archaeology of the Israelite Settlement. 1995. Ancient Israel: A New History of Israelite Society. 1983. B. CA.. Sheffield. K. [24]. 1994. 1987. Buffalo. & WHITELAM. Brill. Early History of the Israelite People from the Written and Archaeological Sources. Cf. J. Amsterdam..C. Leiden. 1999. COOTE. FRITZ. HALPERN. T. 1988. Sheffield. Canaan and Israel in Ancient Times.. Sheffield Academic Press. Kohlhammer. University of Washington Press. LEMCHE. 1989. Sheffield Academic Press. Princeton University Press. 1992... L. H. Princeton University Press. Israel Exploration Society. Brill. DE GEUS.. 1976. Von den Anfängen bis zum Ausgang des 13. Cf. The Emergence of Israel in Canaan. R. Jahrhundert v. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. Prometheus. THOMPSON. Jerusalem. 1991... The Israelites in History and Tradition. Biblical Archaeology and the Myth of Israel. FINKELSTEIN. N. V. Egypt. New York. Kentucky. I. Recent Archaeological Discoveries and Biblical Research. REDFORD. Basic Books. Seattle. D. Louisville. N. [1988].. Die Entstehung Israels im 12.NEXT [22]. Early Israel: Anthropological and Historical Studies on the Israelite Society Before the Monarchy. Stuttgart. 1998. DREWS.Chr. W. 19942.. Chr. Out of the Desert? Archaeology and the Conquest Narratives. STIEBING. Westminster John Knox. The Tribes of Israel: an Investigation into Some of the Presuppositions of Martin Noth’s Amphictyony Hypothesis.

na região norte. Silo. os filisteus atacam e vencem os israelitas perto de Afeq. Isto aconteceu por volta de 1150 a. Eis o texto: .8-15. um dos "povos do mar" rechaçados pelo Egito. com perigoso precedente de utilização deste poder contra parte da população. Samuel tentou por todos os meios levantar e organizar o povo para uma luta de libertação. proibiram o trabalho em metal em todo o território israelita o que equivalia a um desarmamento geral do povo e à sua dependência dos filisteus até mesmo para os trabalhos mais elementares da agricultura . superior às tribos todas em poder. Davi e Salomão Até meados da década de 70 do século XX. levada pelos sacerdotes de Silo para o campo de batalha. A saída. Ashdod. mas posicionaram-se em postos estratégicos.1. cortando as comunicações entre os vários grupos israelitas. os israelitas derrotados. Aí por volta de 1050 a. como última esperança. De acordo com 1Sm 4. além de possuírem uma longa tradição militar. Além do mais. 3.C.3. Os filisteus não ocuparam todo o país. foi capturada.e saquearam os produtos de boa parte do país. Os filisteus formaram uma confederação de cinco cidades: Gaza. Ascalon. foi a escolha de um chefe único. destruído. colocado acima de todos os grupos israelitas autônomos. Em vão. Ascensão e Queda de Saul Os filisteus. então. Nem que fosse alguém com poder despótico. os filisteus avançaram com um exército organizado contra os agricultores israelitas. Gat e Ekron. Usavam armas de ferro. a Arca da Aliança. haviam ocupado uma fértil faixa costeira no sudoeste da Palestina. Ou porque viam em Israel uma ameaça às suas rotas comerciais ou por algum outro motivo. como acontecia nos reinos vizinhos e como demonstra o apólogo de Joatão em Jz 9. raras vozes no mundo acadêmico ousariam contestar a versão abaixo para descrever a origem e as características da monarquia israelita. metal que sabiam trabalhar bem e perigosos carros de combate.C. Os Governos de Saul. em um dos mais brilhantes panfletos anti-monárquicos que se conhece na história.

Disseram à oliveira: 'Reina sobre nós!' A oliveira lhes respondeu: 'Renunciaria eu ao meu azeite. a fim de balançar-me por sobre as árvores?' As árvores disseram então à videira: 'Vem tu. sairá fogo dos espinheiros e devorará os cedros do Líbano!'". que alegra os deuses e os homens. a fim de balançar-me por sobre as árvores?' Então todas as árvores disseram ao espinheiro: 'Vem tu. e os nomeará chefes de mil e chefes de cinqüenta. e os fará lavrar a terra dele e ceifar a sua seara. outra que se opõe e alerta contra o perigo do empreendimento (1Sm 8). e reina sobre nós!' A videira lhes respondeu: 'Iria eu abandonar meu vinho novo.1-10. Sobre a ascensão de Saul. Se não. há duas versões opostas que refletem duas tendências: uma que aclama e defende a idéia (1Sm 9. a líder do povo. a fim de balançar-me por sobre as árvores?' Então as árvores disseram à figueira: 'Vem tu. "Este é o direito do rei que reinará sobre vós: Ele convocará os vossos filhos e os encarregará dos seus carros de guerra e dos seus cavalos e os fará correr à frente do seu carro.16)."Um dia as árvores se puseram a caminho para ungir um rei que reinasse sobre elas. vinde e abrigai-vos à minha sombra. e reina sobre nós!' E o espinheiro respondeu às árvores: 'Se é de boa fé que me ungis para reinar sobre vós. e reina sobre nós!' A figueira lhes respondeu: 'Iria eu abandonar minha doçura e o meu saboroso fruto. um impetuoso benjaminita. que tanto honra aos deuses como aos homens. fabricar as .

é. na sempre constante ameaça dos filisteus e principalmente no desentendimento entre a antiga ordem tribal e as exigências da nova ordem. avaliando. aclamado rei em Guilgal (1Sm 11. os vossos melhores olivais. que destinará aos seus eunucos e aos seus oficiais. numa atuação carismática e espontânea. Saul e seu filho Jônatas conseguiram uma boa vitória sobre os filisteus reunidos em Gibea e Micmas (1Sm 13-14). na independência tribal. As coisas se agravaram.14-15). As causas poderiam ser identificadas na ambigüidade de sua posição (rei ou chefe tribal?). Os melhores dentre os vossos servos e as vossas servas. naquele dia!" (1Sm 8. Este discurso. De qualquer maneira. Continuou a viver em sua terra. o que de fato a monarquia representou em Israel. Mas.suas armas de guerra e as peças de seus carros. e os dará aos seus oficiais. pouco foi. os vossos bois e os vossos jumentos. a queda de Saul devia acontecer em breve. mas Iahweh não vos responderá. Saul teria usurpado funções sacerdotais (1 Sm 13) e violado antigas leis da guerra santa que não favoreciam sua estratégia militar (1Sm 15). quando o jovem pastor de . as vossas vinhas. Samuel. um texto deuteronomista. Saul conseguiu uma vitória sobre os amonitas que entusiasmou o povo e o convenceu de suas capacidades guerreiras (1Sm 11). Gibea.11-18). Se houve mais. significativo representante da antiga ordem. e vós mesmos vos tornareis seus escravos. e não tocou na estrutura interna da organização tribal. Ele tomará as vossas filhas para perfumistas. ele os tomará para o seu serviço. Segundo as fontes bíblicas de que dispomos. Então. Entretanto. reclamareis contra o rei que vós mesmos tiverdes escolhido. podemos dizer que Saul não foi propriamente um rei. colocado na boca de Samuel. acabou rompendo com Saul. Mas. porém. Depois disso ele foi. seu escudeiro. Era um chefe militar: mantinha um pequeno exército permanente e regular e seu governo oferecia alguns cargos: seu primo Abner era general de seu exército. segundo o Deuteronomista. Davi. na verdade. Tomará os vossos campos. naquele dia. Exigirá o dízimo dos vossos rebanhos. Das vossas culturas e e das vossas vinhas ele cobrará dízimo. cozinheiras e padeiras. alguns acham que se pode considerá-lo como herdeiro de uma tradição antimonárquica que se manifesta já na época de Saul. o que deu a Israel um alívio temporário. após a sua falência.

porém. nesta posição. agora estabelecida em Nob.Belém. Ele não se fez de rogado. cidade jebuséia situada no sul. Davi refugiou-se no deserto e formou um bando de guerreiros que fugiam de Saul e atacavam os filisteus. dos vários grupos israelitas. amigo de Jônatas e marido de Mical. através de hábeis manobras políticas. Não se agüentando. e faz dela a sua cidade. tornou-se o líder de Judá (2Sm 2.C. Com efeito.1-5). Então. Resultado: seus três filhos morreram em combate e ele mesmo. com o consentimento dos filisteus e o apoio da população do sul. Competia agora a Davi vencer os filisteus e acabar de vez com suas ameaças. muito ferido. Davi é também aclamado rei da região norte do território por todo o povo (2Sm 5. Foi só uma pretensão. Este o acolhe e lhe dá como feudo a cidade de Siclaq. Davi consegue uma união. Em seguida. tornou-se seu rival. Enquanto isso. porque esta defendera Davi (1Sm 22) e a partir daí perseguiu Davi implacavelmente. na Transjordânia.2. Isto teria acontecido por volta de 1010 a. Os filisteus atacaram repetidamente e foram totalmente derrotados: tiveram que reconhecer a supremacia de Israel e tornaram-se seus vassalos. realmente. "se lançou sobre a sua espada" e seu exército foi totalmente desfeito (1Sm 31). ele conquista Jerusalém. Davi e a Criação do Estado Para substituir Saul não ficara ninguém válido a não ser seu último filho Isbaal. Saul liderou os israelitas de 1030 a 1010 a. ocuparam toda a terra. ainda que frágil. como exemplo para os israelitas. dois anos mais tarde. A queda de Saul acontece quando os filisteus partiram mais uma vez de Afeq e. mas Saul não voltou atrás. Davi. e de lá pretendeu que fosse dada continuidade ao governo de Saul através do fraco Isbaal. no Negueb. Os filisteus cortaram-lhe a cabeça e fixaram seu corpo e os de seus filhos nos muros de Bet-Shan. A batalha estava perdida antes mesmo de começar. Davi dirigiu-se com seus homens para Hebron e. Segundo as fontes bíblicas.1-4). Isbaal é assassinado e. Abner refugiou-se com ele em Mahanaim.C. Saul assassinou a família sacerdotal de Silo. 3. . entraram em choque com o exército de Saul a noroeste do monte Gelboé. filhos de Saul. Davi e sua tropa oferecem seus serviços ao rei filisteu de Gat. escolhendo posição favorável. Assim.

Seu exército compunha-se de israelitas convocados das várias tribos. os arameus etc. comandava os cereteus e os feleteus. procurando assim manter o consenso da população ao redor da nova instituição. Salomão e a Consolidação do Estado Salomão não era o herdeiro natural de Davi e sua posse foi recheada de intrigas e inimizades. como os cereteus e feleteus. comandava o exército. Salomão eliminou drasticamente seus inimigos. também o general Joab e desterrou o sacerdote chefe Abiatar.2223 conta de seus gastos: um absurdo em cereais e carne: . um grande reino: submeteu Amon. Davi levou para Jerusalém a Arca da Aliança. segundo o texto bíblico. até o Eufrates. o recenseamento (com fins fiscais e militares) que ele mandou fazer gerou conflitos e críticas (2Sm 24) e a luta de seus filhos pela sucessão enfraqueceu muito seu prestígio.3.C. segundo o texto bíblico.Segundo o texto bíblico. Davi enfrentou tensões surgidas entre a antiga e a nova ordem: por exemplo. Josafá. Mandou matar seu irmão Adonias. Banaías. exercendo o direito e fazendo justiça a todo o povo. Joab. filho de Aquitob. logo que se viu garantido no poder. Sadoc e Abiatar. Salomão substituiu-o no poder em 971 a. filho de Ailud. instituiu-se a corvéia . pagavam-lhe tributos. 3. Edom. Davi construiu. Os países dominados pagavam tributo. nomeou os chefes dos sacerdotes e fez tudo o que pôde para o culto. "Davi reinou sobre todo o Israel. uma corte imensa e dispendiosa. na verdade.estrangeiros obrigados a trabalhar grátis nos projetos do Estado – e Davi não interferiu na administração da justiça tribal. mantendo uma administração baseada no respeito às instituições tribais e alguns funcionários. Moab. Todos os reis da região. de sua guarda pessoal . E o Estado sob Davi funciona. era o arauto. eram sacerdotes. Os filhos de Davi eram sacerdotes" (2Sm 8. Criou. filho de Joiada.e de mercenários estrangeiros. Assim. filho de Sárvia.15-18). Apesar de tudo isto. de maneira austera e modesta. Davi governara 39 anos. Saraías era secretário. filhos de Aquimelec. 1Rs 4.seus homens de confiança desde os tempos da clandestinidade .

antílopes. e cada qual segundo o seu turno". "Conforme Ne 5. Seus navios eram construídos e tripulados pelos fenícios. . Salomão dominou igualmente o comércio da Arábia. o número será bem maior". mais algumas aves. com o controle das caravanas: o comércio de cavalos da Cilícia e do Egito. A população pagava por este exército. dez bois cevados. Salomão introduziu novidades enormes.. Construiu uma frota mercante que comerciava até com Ofir (atual Somália) e com todos os portos do Mar Vermelho. conseguiu. enquanto outra parte fazia a rota do Mediterrâneo até a Espanha. construções de grandes obras públicas por toda a parte.28."Salomão recebia diariamente para seu gasto trinta coros de flor de farinha [1 coro = 450 litros] e sessenta de farinha comum. Salomão.500 pessoas. cem carneiros. Embora não fosse um guerreiro. Mas sua habilidade revelou-se totalmente foi no comércio e na indústria. Estes carros foram uma inovação de Salomão.000 a 4. Se acrescentarmos ao consumo ainda a farinha. A. através de suas agências de compra e venda.. a população que aumentava consideravelmente em número. Apesar de algumas revoltas nos reinos vassalos e de um possível enfraquecimento de poder. como. por exemplo. Quanto à administração. gazelas. a divisão do norte em 12 províncias. Seu exército era poderoso na época e seus carros de combate temíveis.17s. vinte bois de pasto. 150 homens eram alimentados por Neemias diariamente com 1 boi e 6 ovelhas. sempre segundo o texto bíblico. Com base nesta notícia. mestres na arte da navegação. no lugar onde fosse preciso. Toda esta atividade comercial gerou uma expansão interna muito grande no país: cidades que se fortaleciam. Davi só usava a infantaria. diz C. diz 1Rs 4. fornecendo "a cevada e a palha para os cavalos e os animais de tração. em geral. desrespeitando a divisão tribal e nomeando prefeitos estranhos às populações locais. DREHER[1]. além de veados. Salomão sabia fazer se respeitar no armamento e na organização militar. uma vez que consumia 20 a 30 vezes mais carne que o grupo de Neemias. manter o país nos limites estabelecidos por seu pai Davi.119). E tem mais: cada província cuidava da manutenção da corte durante um mês (1Rs 4. cucos cevados". poder-se-ia imaginar que a corte de Salomão se tenha composto de 3. Exportava cobre e outros metais.

transferia para o Estado todo o poder religioso. A. mas segundo 1Rs 5. NEXT . Vejamos. a casa de Javé. precisava de muito dinheiro para funcionar com eficiência e assim por diante. A burocracia estatal requeria um número respeitável de funcionários. lhe dará cobertura ideológica para garantir seu Estado e seu direito ao tributo"[2]. cuja arca já se encontra em Jerusalém. A construção do templo.20-22). recrutado entre o povo. Muito interessante é a observação de C. Resultado: Salomão colocou pesados impostos sobre a população israelita.Porém. a mão-de-obra grátis em Israel (segundo 1Rs 9. forçou seus vassalos estrangeiros e a população cananéia à corvéia (trabalho grátis para o Estado) e usou o trabalho escravo em grande escala nas suas minas e fundições no sul do país (1Rs 9.. Informações sobre o Templo de Jerusalém? A atual polêmica com os Palestinos? Confira aqui! A construção do Templo em Jerusalém. As obras públicas requeriam dinheiro para sua concretização. O Estado classista estava em pleno funcionamento.27. servindo ao mesmo tempo como santuário nacional e como capela real. O exército. Sobre a exploração de uma boa parte da população. não mais respeitando as tribos. DREHER.11. embora haja notícias controvertidas na obra deuteronomista. sobre os motivos porque Salomão construiu o Templo: "Que fazer. para continuar a garantir o direito ao tributo? Pode-se recorrer às armas e impor um governo através da força policial. veremos sobre quais bases foi construído. num tempo de paz. Mas isso tem lá seus riscos na época de uma monarquia incipiente (. altos cargos distribuídos a gente nascida na corte e que se julgava superior a todos os demais. se olharmos menos ingenuamente este florescimento todo..C.28 também os israelitas foram submetidos ao trabalho forçado para o Estado).) Um motivo religioso lhe será bem mais útil..22 os israelitas não foram submetidos à corvéia. Usou também. Com o correr do tempo. durante 40 anos. Salomão governou a região de 971 a 931 a. as diferenças de classe e as contradições internas foram se aprofundando até levar à divisão do território.

[2]. ao colocarem o Javista (J) no reinado de Davi e Salomão. em que um texto bíblico amparava o outro. Vozes. caracterizada até como "iluminismo salomônico". p. sendo dividido em reinos do 'norte' e do 'sul'? Ou seria tudo isto mera ficção. garantia o J salomônico: um círculo fechado.. Pois isto que acabo de descrever nada mais é do que uma paráfrase racionalista do texto bíblico. DREHER. dominando todo o território da Palestina e. o edifício inteiro desabou. quando o J começou a ser deslocado para outra época pelos autores acima citados.C. curiosamente. Martin Noth e muitos outros. Esta historicidade. E então. onde mais podemos buscar respostas? 3. por que a Bíblia Hebraica o descreve? Enfim. vicioso. As Fontes: Seu Peso. Assim. questões que pareciam definitivamente resolvidas.? Além da Bíblia Hebraica. 11. 1986. datação e significado das narrativas do Pentateuco. a crise começou com as reavaliações da origem. Thompson (1974). os estudos na linha de Gerhard Von Rad. A. Seu Uso . foram de novo colocadas: O que teria sido o primeiro 'Estado Israelita'? Um reino unido. ibidem. o que teria acontecido na região central da Palestina nos séculos X e IX a. assim. até mesmo porque muitas das dúvidas hoje existentes sobre o Pentateuco dependem da reconstrução da história de Israel e da história de sua religião[3]. A Ruptura do Consenso Entretanto. p. E. especialmente os estudos feitos por Thomas L. posteriormente. C. C. era explicada pela Obra Histórica Deuteronomista (OHDtr). John Van Seters (1975). o consenso foi rompido. penso hoje que o chamado ‘consenso wellhausiano’ sobre o Pentateuco e. sustentavam a historicidade da época. hoje não mais aceita por todos. especialmente.5. que. Ora. composto pelas tribos de Israel e Judá.. DREHER. O trabalhador e o trabalho sob o reino de Salomão. em Estudos Bíblicos n. 56. por sua vez. 3. não tendo Israel e Judá jamais sido unidos? Existiu um Império davídico/salomônico ou só um pequeno reino sem maior importância? Se por acaso não existiu um grande reino davídico/salomônico. A.[1]. Petrópolis. 51. E daí se estendeu à História de Israel.4. Hans Heinrich Schmid (1976) e Rolf Rendtorff (1977).

Para Philip R. mais para o final do livro. que o ‘antigo Israel’ é um construto erudito. que o Estado Asmoneu (ou Macabeu) é que viabilizou. Thomas L. A Bíblia. E pergunta: "Pode alguém realmente deixar de lado a primeira parte da história literária de Israel. é hoje uma incógnita.). Isto significa excluir a literatura bíblica" [sublinhado meu]. como demonstram os estudos sobre o Pentateuco. além de suscitar muitos outros problemas. Thompson é contra . Considerada mais polêmica ainda do que a de Philip R. não um dado sobre o qual se apoiar sem mais. não obstante. reter a segunda parte e ainda tratá-la como uma entidade histórica?" Para ele uma história de Israel que começa neste ponto deveria ser uma entidade bem diferente do Israel literário.C. não podemos identificar automaticamente a população da Palestina na Idade do Ferro (a partir de 1200 a. Davies.. Este construto erudito. a escravidão no Egito. cujo programa é fazer uma história do Levante Sul sem contar com os míticos textos bíblicos e considerando todos os outros povos da região. Davies na p. como uma criação literária e histórica é um conceito asmoneu[4]. "Nós não podemos transferir automaticamente nenhuma das características do ‘Israel’ bíblico para as páginas da história da Palestina (. "embora sabendo que a estória de Israel do Gênesis a Juízes não deve ser tratada como história. Davies.Claro. Davies é a postura do norte-americano Thomas L. tornada objeto de investigação histórica. como denunciou o estudioso britânico Philip R. conclui Philip R. é contraditório. a narrativa bíblica. 26. o Israel bíblico é para nós um problema. por ser este o momento em que os reissacerdotes levaram o país o mais próximo possível do ideal presente nas leis bíblicas. Ele concluiu. 154. até mesmo porque o ‘antigo Israel’. e de certo modo também a do período persa. pois a maioria dos estudiosos. a conquista da terra que lhe é dada por Deus e assim por diante. resultante da tomada de uma construção literária. 51. não só Israel. a transformação do Israel literário em um Israel histórico. Davies na p. a partir deste ponto. algo que parecíamos conhecer muito bem. pois este constitui apenas uma parte desta região. o obviamente literário tornou-se o obviamente histórico". estas questões precisam ser recolocadas. com o resto da estória bíblica. a literatura bíblica foi composta a partir da época persa. com o ‘Israel’ bíblico. de fato. diz Philip R. na pressuposição de que. que pressupõe a família patriarcal. prossegue. sugerindo Philip R. Thompson. Davies. Para o autor. garante o autor na p..) Nós temos que extrair nossa definição do povo da Palestina de suas próprias relíquias. E. de Saul ou Davi em diante. em seu estudo de 1992.

assumir a impossibilidade de se fazer uma ‘História de Israel’.qualquer arqueologia e história bíblicas! Para ele. concluiu Lester L. que parece haver quatro possíveis atitudes a respeito da questão: 1. ignorar o texto bíblico como um todo e escrever uma história fundamentada apenas nos dados arqueológicos e outras evidências primárias: esta é a postura verdadeiramente ‘minimalista’. Grabbe. o uso do texto bíblico como fonte válida para a escrita da História de Israel. dar prioridade aos dados primários. entre a 2 e a 3. aceitar a narrativa bíblica sempre. O fato é que as posturas 1 e 4 são inconciliáveis e estão fora das possibilidades de uma ‘História de Israel’ mais crítica: isto porque a 1 rejeita a possibilidade concreta da história e a 4 trata o texto bíblico com peso diferente das outras fontes históricas. coordenador do grupo. enquanto outros defenderam que o texto bíblico usado cuidadosa e criticamente é um elemento válido para um empreendimento deste tipo. E não há como fugir da questão. debatendo o assunto. por exemplo. Parece-me. talvez. mas fazendo uso do texto bíblico como fonte secundária usada com cautela. tem sido alvo de muitos debates e grandes controvérsias. mas o problema é que sem o texto bíblico muitas interpretações dos dados tornam-se extremamente difíceis. se quisermos saber algo sobre a monarquia. Na conclusão do livro onde foram publicados os debates deste encontro há uma boa amostragem do problema do uso das fontes. 2. 3. . e ninguém neste grupo a defendeu. pelo menos enquanto muitas ‘Histórias de Israel’ continuarem a ser nada mais do que uma paráfrase racionalista da narrativa bíblica. 4. Diz o britânico Lester L. o pior erro metodológico no uso das fontes é harmonizar a arqueologia com as narrativas bíblicas. Em uma das reuniões do Seminário Europeu sobre Metodologia Histórica. exceto quando ela se mostra como absolutamente falseada: esta é a postura caracterizada como ‘maximalista’. neste ponto. Somente o diálogo entre as posições 2 e 3 podem levar a um resultado positivo. Praticamente todos os membros do seminário ficaram nesta posição 3 ou. Aliás. que já ficou claro para o leitor a importância do exame das fontes primárias. alguns dos participantes acabaram classificando qualquer História de Israel como fictícia. Grabbe.

portanto. foi descoberto um fragmento de uma estela de basalto de 32 por 22 cm. norte de Israel. Fontes Secundárias: a Bíblia Hebraica. da organização social e da economia de uma região e de sua população. Sargão II. o Calendário de Gezer. Dois Exemplos de Fontes Primárias: as Estelas de Tel Dan e de Merneptah Um exemplo de fonte primária muito interessante é a Estela de Tel Dan. os Selos lemelek de Judá. Antropologia histórica: considera os dados provenientes de estudos da geografia. as Cartas de Lakish. os Anais de Salmanasar III.. Na localidade de Tel Dan. sempre sujeita a um processo contínuo de mudança. em julho de 1993. fontes primárias. 3.Aliás. repassa os problemas metodológicos relativos ao uso de cada uma destas fontes. todas mais ou menos contemporâneas aos eventos que relatam. em Some Aspects of Working with the Textual Sources [Alguns Aspectos do Trabalho com as Fontes Escritas]. O alemão Herbert Niehr. os Óstraca de Samaria. os testemunhos de reis assírios e babilônicos como Adad-nirari III. Senaquerib. do clima. especialmente o Pentateuco e a Obra Histórica Deuteronomista. Biran e J. com uma inscrição em aramaico. a Inscrição de Siloé. fontes secundárias e fontes terciárias. Fontes Terciárias: livros da Bíblia Hebraica que retomam fontes secundárias. Naveh em novembro de 1993. da agricultura. podendo ser classificadas. a Carta Yavneh Yam. e do Egito o Faraó Sheshonq. publicada por A. Nabucodonosor. por exemplo.. a Estela de Mesha. menor valor devemos atribuir aos textos da Bíblia Hebraica[5]. evidência arqueológica da Palestina e fontes escritas fora da Palestina. o Obelisco Negro de Salmanasar III. como os livros das Crônicas que retomam a OHDtr. ao fazer tal distinção. em escavação sob a direção do arqueólogo israelense Avraham Biran. dos assentamentos humanos. em quatro níveis: antropologia histórica. até mesmo porque quanto mais evidência primária tivermos com o avanço da pesquisa. tais como a Estela de Merneptah. escritos muito tempo depois dos fatos e com objetivos mais teológicos do que históricos. as fontes sobre a monarquia israelita são de quatro tipos diferentes. Cerca . Fontes primárias: fontes escritas provenientes da Palestina. TiglatPileser III. argumentando que as tentativas para superar as diferenças existentes entre elas devem ser feitas cuidadosamente e concluindo que podemos fazer apenas tentativas de escrever uma História de Israel.6. Assaradon. Assurbanipal. a Inscrição de Tel Dan. os Óstraca de Arad.

o que teria ocorrido por volta de 841 a. davídico. Iahweh. bytdwd poderia ser o nome de uma localidade. segundo a Bíblia. Jorão (de Israel) e Ocozias (de Judá) e de ter instalado Jeú no trono de Israel. quinto ano do governo de Merneptah.de 12 meses mais tarde. Pode ser datada por volta de 1220 a. no norte da Palestina.. pois outras traduções são possíveis. um epíteto para a divindade. há o seguinte: Os príncipes estão prostrados dizendo: Paz. do qual só temos (ou tínhamos) informações na Bíblia Hebraica. mas em um ponto diferente do primeiro. estão nos fragmentos menores. e foi encontrada em 1896 por Flinders Petrie no templo mortuário do faraó em Tebas. na qual ele se vangloria de ter assassinado dois reis israelitas. se bytdwd está no fragmento maior. os nomes dos dois reis.C.). e celebra sua vitória sobre líbios que ameaçavam o Egito. Giovanni Garbini ou nas conclusões de Niels Peter Lemche. ou 1213-1203 a. Esta estela comemora os feitos do Faraó Merneptah (1224-1214 a. Dinamarca[6]. no caso. Ainda: os fragmentos menores são seguramente parte de uma mesma pedra. E a leitura "casa de Davi" seria induzida por esta segunda informação. é interessante. como se pode ver em artigo do professor de Estudos Semíticos da Universidade La Sapienza. são narrados em 2Rs 8. a inscrição foi aparentemente escrita pelo rei Hazael de Damasco. Tehenu . A polêmica não está encerrada. Entre os Nove Arcos nenhum levanta a cabeça. também. a menção de Israel como reino. Qual é o problema? É que. dois outros fragmentos menores foram descobertos na mesma localidade.C. a Estela de Merneptah. com enfoque diferente.. Mas o que causou grande rebuliço foi um termo encontrado no fragmento maior: bytdwd. sendo um deles. Os arqueólogos agruparam os três fragmentos. mas como dôd.36). mas é incerto se eles pertencem à mesma estela da qual o maior faz parte. Ocozias. Datada no século IX a. (ou 1208 a. Porém. lendo-se dwd não como "David". filho e sucessor de Ramsés II.C. contestações a tal leitura continuam a ser feitas. a tradução mais provável seria casa de Davi.C. segundo outra cronologia). avaliando serem partes da mesma estela e produzindo um texto coerente.C. Daí. Aparentemente. (estes episódios. Imediatamente nos faz lembrar de outra famosa inscrição. ou. do Instituto de Exegese Bíblica da Universidade de Copenhague. Contudo. como casa do amado. a grande novidade: seria esta a primeira menção extrabíblica da dinastia davídica e até mesmo da existência do rei Davi.C. Lá no final da inscrição. de Roma.7-10.

Ah. tentando desligar este “Israel” da referência bíblica. enquanto outros pensam que seja um grupo nômade das montanhas da Palestina. de Niels Peter Lemche. o texto de Herbert Niehr em GRABBE. Mas a maioria lê mesmo o termo “Israel” na estela.. 6274. Vozes. pp. tanto pode ser aos suprimentos agrícolas quanto à descendência! Mas quando e como surgiu Israel como Estado na região? NEXT [3]. traduziram o termo egípcio por Jezrael. Esta é a primeira menção de Israel em documentos extrabíblicos que conhecemos. uma referência geográfica. seja qual for a natureza deste “Israel”. 156-165. Sobre a ruptura do consenso e as várias etapas da pesquisa. viu a inscrição como seguro testemunho de que Israel já estava na Palestina nesta época . e é claro: a referência da estela à “semente” de Israel. Petrópolis. Só que alguns acham que é um grupo étnico bem definido.. 38-43. Canaã está privada de toda a sua maldade.). Mas a identificação de quem ou o que é este “Israel” não é nada simples e tem gerado muitas controvérsias. Para Niels Peter Lemche. . Cf. enquanto outros. R. Kentucky. e assim por diante. (ed. O Haru [=Canaã] está em viuvez diante do Egito. P. [6]. Ou uma versão mais resumida em Estudos Bíblicos n. Ascalon está deportada. Cf. DAVIES. 19952. Gazer foi tomada. Can a ‘History of Israel’ Be Written? pp.[=Líbia] está devastado. pp. [4]. Dever vê aqui um ‘proto-Israel”. L. dizendo que este Israel pode ser pré-mosaico e não o grupo do êxodo . Israel está aniquilado e não tem mais semente. 71.embora tenha acrescentado uma nota na terceira edição do livro. Yanoam está como se não existisse mais. The Israelites in History and Tradition. In Search of ‘Ancient Israel’. Cf.e William G. o importante é que. John Bright. 1998. o Hatti está em paz. em 1981. L. 2001. [5]. a estela de Merneptah atesta a presença desta entidade nas colinas do norte da Palestina e isto pode ter relação com o posterior surgimento do reino de Israel nesta região[7]. Sheffield Academic Press [1992]. Louisville. Sheffield. por exemplo. convido o leitor a ler o artigo A História de Israel no Debate Atual. Westminster John Knox..

145-146. Max Weber e Henri Claessen. pp.). no qual é apresentada a recente controvérsia sobre a existência ou não de uma monarquia unida em Israel e. as guerras e as ameaças de guerras. G. de um Império davídico/salomônico e que traz dez conferências de renomados especialistas apresentadas em um Colóquio Internacional realizado em Jerusalém sobre A Formação de um Estado. além da influência dos Estados vizinhos já existentes. D. 35-38. J. New York. N. A Questão Teórica: Como Nasce Um Estado Antigo? Sem dúvida. Christa vai distinguir três fases de desenvolvimento do Estado primitivo: o estado primitivo incoativo. Arqueológicos e Sociológicos no Período da Monarquia Unida em Israel. O processo de desenvolvimento de uma fase para outra passa pelo enfraquecimento dos laços de parentesco e o fortalecimento das ações políticas centralizadas. o surgimento de uma ideologia comum e conceitos de legitimação dos governantes. especialmente. o desenvolvimento da produção e o aparecimento do excedente. em FREEDMAN. Davies sobre As Origens dos Antigos Estados Israelitas. No volume de 1996. W. tais como o crescimento da população e suas necessidades. a cobrança de tributos. Archaeology and the Israelite “Conquest”.. 3. a alemã Christa Schäfer-Lichtenberger sugere que somente a arqueologia não resolverá esta discussão.[7]. DEVER. pela transformação da posse comum da terra em propriedade privada dos . Seguindo especialmente Henri Claessen. Problemas Históricos.7. N. (ed.. 1997.. LEMCHE. as conquistas e invasões. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. o estado primitivo típico e o estado primitivo de transição.. História de Israel. pp. a questão da origem dos antigos Estados Israelitas passa pela discussão da noção de Estado como forma de organização política. 1992. Claessen e outros estabeleceram que para se explicar a origem de um Estado é preciso considerar a emergência de vários fatores. Doubleday & Logos Library System. BRIGHT. Cf. P. editado por Volkmar Fritz & Philip R. Ela questiona a aplicação pura e simples do conceito moderno de “Estado” às formas de organização política das comunidades antigas como forma de se desvelar sua existência e parte para uma discussão teórica na qual tentará definir a noção de Estado a partir dos estudos etnosociológicos de Georg Jellinek. The Israelites in History and Tradition.

Christa trata também da ausência de monumentos e inscrições em monumentos nesta época na região e justifica tal ausência dizendo que não se deve colocar Judá-Israel no mesmo nível do Egito ou da Assíria. ideologia comum e conceitos de legitimação . embora já possua algumas características de estado primitivo típico.C. estratificação. para a autora. por isso. produção de excedente e tributos. pelos critérios de governo centralizado. estratificação social e produção de excedente. fortalecendo o antagonismo de classes. até o desenvolvimento de especializações por parte de oficiais estatais. ele já é um estado de transição.e usando os dados do Deuteronomista. segundo a autora.meios de produção e pela substituição de uma economia de trocas de bens e serviços em uma economia de mercado. Christa é de opinião que as causas b e d oferecem uma explicação suficiente para o silêncio do Antigo Oriente Médio. Em seguida. independência política. nada registraram c) Os textos não sobreviveram porque foram registrados em papiros d) Os escritos ainda não foram encontrados. território. E mesmo que inscrições em monumentos tenham existido. pois este último. Egito e Assíria não conseguiram hegemonia política sobre esta região nesta época.) pode ter quatro causas. o estabelecimento da taxação regular e constante. a codificação de leis e a constituição de estruturas jurídicas controladas pelo poder central. 1200-900 a. E. onde dificilmente teriam sobrevivido . cada uma independente da outra: a) Não existiu uma entidade política de nome Israel nesta época b) Síria/Palestina. como se explica a ausência de documentos escritos extrabíblicos sobre um reino unido? Christa diz que a ausência de documentos escritos no Antigo Oriente Médio sobre Israel na Idade do Ferro I (ca. considerando sete critérios usados tanto por Weber como por Claessen. mas pelos critérios de população. e. é ainda um estado incoativo. onde tais achados arqueológicos são comuns. Christa vai classificar o reino de Saul como um estado incoativo e o reino de Davi como um estado heterogêneo. elas estariam em Jerusalém. governo centralizado. pois Estados com estruturas pequenas ou médias não podem ser medidos pelos mesmos critérios de grandes impérios. território. independência política e ideologia. – população.

na sociedade tributária o comércio é possível só a partir da acumulação do excedente feita pelo Estado. passa-se a uma economia tribo-patriarcal baseada em certa hierarquização que permite a acumulação para determinadas camadas: há os privilégios dos homens sobre as mulheres. O estudo é interessante quando questiona algumas posturas pouco elaboradas teoricamente de certos especialistas. A mãode-obra é familiar. através da necessidade de obras conjuntas (defesa contra inimigos. de grande obras etc). Neste tipo de sociedade a escravidão só existe de maneira secundária: o peso da produção não cai sobre os escravos. No mínimo. através do desenvolvimento das forças produtivas. como Davi e seus descendentes) e que passa a controlar também o comércio intertribal. das tribos líderes sobre as outras tribos etc. Thompson desconfiado e Niels Peter Lemche contrariado! Para ficar ainda no campo da discussão teórica. pois a propriedade coletiva da terra. anterior ao Estado. As contradições da sociedade tribal aumentam progressivamente até provocarem o aparecimento do Estado. . trabalhos de irrigação. Tem-se a impressão de que a leitura da OHDtr é que oferece as categorias etnosociológicas para a análise e não o contrário. mas o restante deixa uma sensação de “dèjá vu”! As categorias sócio-antropológicas da autora sobre o Estado me parecem insuficientes – especialmente quando confrontadas com as várias tentativas marxistas na área – e ela não escapa de uma leitura do Deuteronomista como sua fonte principal. que continua como na época tribal. porque mais comuns naquele continente) que a sociedade tribal de tipo patriarcal já representa uma forma típica de transição da comunidade primitiva para a sociedade de classes. torna-os desnecessários. que inicialmente é uma função (de defesa. Aliás. detectável em Israel já no período conhecido biblicamente como "dos juízes". Da economia tribo-patriarcal passa-se à economia do Estado tributário. dizem especialistas de tendência marxista que analisam as sociedades de tipo tributário (também chamadas "asiáticas". mas que passa a ser uma exploração. deixaria Thomas L. É um embrião de divisão de classes. do primogênito sobre seus irmãos.às reformas religiosas de reis como Josias – por conterem nomes de outras divindades além de Iahweh – ou às maciças destruições militares de que a cidade foi vítima[8]. Da economia de auto-subsistência. construção de muralhas. por exemplo) e da dominação de uma linhagem superior que se impõe sobre as outras (família do líder.

do qual já falamos acima. no Período do Bronze Recente (ca. Por tudo isto. controlando a vontade da divindade através dos sacerdotes.). a ser um autêntico poder de classe (a classe que se constitui nele) para manter e aumentar a exploração. Davies sobre As Origens dos Antigos Estados Israelitas. ele não é a sua causa. E Lemche define como típico de uma sociedade patronal sua organização vertical. e a outra é a de que ‘Israel’ deve canalizar e dominar o estudo da região na antigüidade. O Estado é conseqüência da exploração de classe. 3. o Estado tributário que inicialmente nascera com funções públicas (defesa. testemunhados pela Assíria.C. ninguém negou a existência de um ‘reino de Israel’. e abaixo dele seus clientes [clients]. A descrição bíblica de um grande Império israelita foi tratada com muito ceticismo [sublinhado meu]. as sociedades tributárias ficam estagnadas no seu nível social. A terra pertence a Iahweh em Israel. assim como de um ‘reino de Judá’. e especialmente da Palestina. freqüentemente chamado de ‘sistema social mediterrâneo’ parece ter sido onipresente em sociedades com um certo grau de complexidade. mas os participantes do seminário fizeram objeções a duas concepções: uma é a de que o construto literário do ‘Israel bíblico’ pode ser diretamente traduzido em termos históricos. em 1996. Este modelo. organização etc) passa. profetas e juízes pagos pelo governo.8. por duas mediações: da comunidade tribal a que pertence e do Estado tributário[9]. 1500-1200 a. A grande contradição interna desta organização: coexistência de estruturas comunitárias e de estruturas de classe. no volume de 1996. que durante as discussões em Dublin. é que se buscam outras soluções. Grabbe nos lembra. um membro de uma linhagem líder. . mas o Estado detém o poder religioso através dos templos. na sociedade tributária. O despotismo do governo é também uma conseqüência da formação de classes. mas que não constituíam ainda Estados burocráticos. pouco a pouco. onde no topo encontramos o patrono [patron]. normalmente homens e suas famílias. O indivíduo passa assim.Assim. Se ela não evolui. Como a de Niels Peter Lemche que. propõe o conceito de sociedade patronal [patronage society] para explicar a variedade social da Síria. As Soluções de Lemche e de Finkelstein & Silberman Lester G. na conclusão do volume sobre o primeiro Seminário Europeu sobre Metodologia Histórica. editado por Volkmar Fritz & Philip R.

o Estado egípcio não os vê do mesmo modo e os trata de modo impessoal. E se perguntam: Davi e Salomão existiram? Mostram como os minimalistas dizem: "não". foi. simplesmente. Davi e Salomão representam uma idade de ouro. até recentemente. Daí. que não está cuidando de seus interesses na região. Portanto. Hoje. Em tal sociedade. códigos de leis não são necessários: ninguém vai dizer ao patrono como julgar. concluem que este permaneceu pouco desenvolvido. com juramento de lealdade do cliente ao patrão e de proteção do patrono para o cliente. organizados sem um sistema de proteção como o do patrono – o assim chamado ‘rei’ – ou com patronos locais. nos lembram como. a partir desta realidade: os senhores das cidades-estado palestinas vêem o faraó como seu patrono e reivindicam sua proteção em nome de sua fidelidade. no capítulo sobre a monarquia davídico-salomônica de seu livro The Bible Unearthed. e colocam aquela que é para eles a questão chave: o que diz a arqueologia sobre Davi/Salomão? Para Finkelstein e Silberman a evolução dos primeiros assentamentos para modestos reinos é um processo possível e até necessário na região. Já Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman. por povoados. Pois o que aconteceu no século X a. houve uma crise social na Palestina no final do Bronze Recente. pp. .Lemche explica que a ligação entre patrono e cliente é de tipo pessoal. o primeiro período bíblico realmente histórico. The Free Press. 2001. o aparecimento dos povoados da região montanhosa do centro da Palestina representa. segundo Lemche. escassamente habitado e isolado no período atribuído pela Bíblia a Davi/Salomão: é o que a arqueologia descobriu. a (falsa) percepção dos pequenos reis das cidades de Canaã de que foram abandonados pelo faraó. os argumentos pró e contra a postura dos minimalistas.) pode ser explicada. seguindo normas burocráticas. um intervalo entre dois períodos de sistemas patronais mais extensos e melhor estabelecidos.C. New York. o restabelecimento de um sistema patronal semelhante ao anterior[10]. Sem dúvida. A crise da Palestina que aparece nas Cartas de Tell el-Amarna (século XIV a. Descrevendo as características do território de Judá. porém. 123-145. E a proposta de Lemche para o que pode ter acontecido é a seguinte: as fortalezas do patrono foram substituídas por estruturas locais.C. enquanto que para os estudiosos representavam. a crise se abateu sobre o "império" davídico-salomônico. para os leitores da Bíblia. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. de fato.

isto era atribuído a Davi por causa das narrativas de Samuel. Gazer [=Gezer]".C. mas e Meguido. dificilmente. se descobriu.E Jerusalém? As escavações de Yigal Shiloh. as "portas salomônicas" de Hasor.12. na década de 60. Meguido ou Bet-Shean. Mas. em qualquer lugar em que se encontravam cidades destruídas por volta do ano 1000 a. Durante muitos anos. O. nas décadas de 70 e 80. escavada por Benjamin Mazar em 1948-1950. Gezer e Meguido. "Como poderiam os arquitetos de Salomão ter adotado um estilo arquitetônico que ainda não existia?". Yadin escava novamente Meguido e faz a descoberta de um belo palácio que parecia ligado à porta da cidade e abaixo dos "estábulos".C.19. nas décadas de 20 e 30. enquanto que o resto de Judá. estas "portas salomônicas" de Hasor. que diz: "Eis o que se refere à corvéia que o rei Salomão organizou para construir o Templo de Iahweh. Mas o modelo arquitetônico dos palácios salomônicos veio dos palácios bit hilani da Síria. nada foi encontrado. Guy. rei de Israel do norte no século IX a. Y. os "estábulos" de Salomão. descobriu. enquanto que os "estábulos" seriam da época de Acab. se perguntam os autores na p. pelo menos meio século após a época de Salomão. L. Hasor e Gezer? Em Meguido P. da Universidade Hebraica de Jerusalém. da Universidade de Chicago. portanto. Gezer e Meguido foram o mais poderoso suporte arqueológico ao texto bíblico. e estes. ou até mesmo cidades cananéias maiores como Gezer. tendo havido.. Yigael Yadin descobriu. Mas e as conquistas davídicas? Até recentemente. o Melo e o muro de Jerusalém. ou identificou nas descobertas de outros. bem como Hasor. Na década de 50. E o contraste entre Meguido e Jerusalém? Como um rei constrói fabulosos palácios em uma cidade provincial e governa a partir de um modesto povoado? .9. na Jerusalém das Idades do Bronze e do Ferro mostram que não há nenhuma evidência de uma ocupação no século X a. Mas será que o fizeram? E o glorioso reino de Salomão? Em Jerusalém. o que o leva à seguinte conclusão: os palácios [a Universidade de Chicago encontrara outro antes] e a porta de Meguido são salomônicas. Meguido. só aparecem no século IX a.C. A postura mais otimista aponta para um vilarejo no século décimo.C. Também a chave aqui foi 1Rs 9. seu palácio.15. Sua interpretação dos edifícios achados se baseou em 1Rs 7. 140. um grande império davídico. na mesma época seria composto por cerca de 20 pequenos povoados e poucos milhares de habitantes. Teoricamente é possível que os israelitas da região montanhosa tenham controlado pequenas cidades filistéias como Tel Qasile.15.

. nem cidades com palácios.C. de Jerusalém para o sul. muitos motivos para questionarmos as dimensões e o esplendor de seus reinos.C. Mas. nenhum documento escrito. por último... testes com o Carbono 14 em Meguido e outras localidades apontam para datas da metade do século IX a. . Hebron e mais uns 20 pequenos povoados de Judá. Dizem os autores: "Não há razões para duvidarmos da historicidade de Davi e Salomão. 142). de Davi e Salomão só podemos dizer que eles existiram . do século IX a. qual era a natureza do reino de Davi?" (p. pp. Arqueologicamente. a cerâmica filistéia continua após Davi e não serve mais para datar suas conquistas.. nem uma espetacular capital. Nós últimos anos.Pois bem. cerca de 40 mil habitariam os povoados do norte e apenas 5 mil se distribuíam entre Jerusalém. sim. Enfim: a arqueologia mostra hoje que é preciso "abaixar" as datas em cerca de um século [anoto aqui que esta "cronologia baixa" de Finkelstein tem dado muito o que falar nos meios acadêmicos!]. O que se atribuía ao século XI é da metade do século X e o que era datado na época de Salomão deve ser visto como pertencendo ao século IX a. mais escasso. Primeiro. dizem Finkelstein e Silberman na p. O quadro é o seguinte: região rural. entretanto.. do ponto de visto demográfico.C. com grupos continuando o pastoreio. nem uma magnífica capital. Gezer e Meguido atribuídos à época salomônica são. segundo. pelo menos. nem monumentos. fundamentava as conquistas davídicas. nenhum sinal de uma estrutura cultural necessária em uma monarquia. e.. Gezer e Meguido testemunhavam o reino de Salomão. seu governo não possuía nenhum império. os estilos arquitetônicos e as cerâmicas de Hasor.. de Jerusalém para o norte. 143). e se não existiu um grande império. 340-344. povoamento mais denso. Davi e seus descendentes? "No século décimo. e as construções das monumentais portas e palácios de Hasor. Dois tipos de evidência fundavam os argumentos em favor de Davi e Salomão: o fim da típica cerâmica filistéia por volta de 1000 a. 140: "Agora nós sabemos que a evidência arqueológica para a grande extensão das conquistas davídicas e para a grandiosidade do reino salomônico foi o resultado de datações equivocadas".C. estas evidências começaram a desabar [aqui os autores remetem o leitor ao Apêndice D. onde os seus argumentos são mais detalhados].e que sua lenda perdurou" (p. de fato. Há..... estimativa populacional: dos 45 mil habitantes da região montanhosa.

The Free Press. .). 10. 1996. The Bible Unearthed. In Search of ‘Ancient Israel’. N.. DIETRICH. W. S.).. acabara com o ciclo idolátrico da época dos Juízes e concretizara a promessa feita a Abraão de um vasto e poderoso reino. História de Israel e dos Povos Vizinhos I. V.). em Bible and Interpretation. Minimalism. quando o Deuteronomista escreveu sua obra no século VII a. os artigos A História de Israel no Debate Atual e Pode uma ‘História de Israel’ Ser Escrita? CARDOSO. 1997. F. 2002. I.Entretanto. New York. 197-268. DAVIES. P. (ed. Então. C. Sheffield Academic Press [1992]. 19952.. (org. Conceito de modo de produção. 1997 [20043]. Sheffield Academic Press. (eds. Campus. Jahrhundert v. 2001. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. N. R. pp.C. P. 144) Leituras Recomendadas Ayrton’s Biblical Page: Cf. 1990. "Ancient Israel. A. H.. R. Die frühe Königszeit in Israel. 1997 FINKELSTEIN. Rio de Janeiro. Jerusalém tinha todas as estruturas de uma sofisticada capital monárquica. Uma bem elaborada teologia ligava Josias e o destino de todo o povo de Israel à herança davídica: ele unificara o território. Modo de produção asiático. R. P. São Leopoldo. GEBRAN.. & DAVIES. New York. Nova visita a um velho conceito. The Origins of the Ancient Israelite States.. “Minimalism” is an invention. Sheffield. Chr. D. 1992. or a group.. Josias era o novo Davi e Iahweh cumprira suas promessas "O que o historiador deuteronomista queria dizer é simples e forte: existe ainda uma maneira de reconquistar a glória do passado" (p. DAVIES. Doubleday & Logos Library System." and Anti-Semitism. FRITZ.). DONNER. Kohlhammer. & SILBERMAN. None of the “minimalist” scholars is aware of being part of a school. Stuttgart/Berlin/Köln. Sinodal/Vozes. FREEDMAN. Rio de Janeiro. Sheffield. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. (org. Ph. o ambiente desta época é que serviu de pano de fundo para a narrativa de um mítica idade de ouro.

1996. Sociological and Biblical Views of the Early State. R. 20049. Do modo de produção asiático ao modo de produção capitalista. 1978. Sheffield Academic Press. A Social-Science Commentary. Cf. Petrópolis. M. 1986. Estudos Bíblicos n. Paz e Terra. Trabalhador e trabalho. The Origins of the Ancient Israelite States. toda a discussão sobre as origens dos Estados israelitas passa também pela discussão anterior sobre as origens de Israel. Como parece ter ficado claro. P. A História de Israel a Partir dos Pobres. Ph. Petrópolis. V. (eds. em FRITZ. L. The Pentateuch.. FIORAVANTE. 106-120. LEMCHE.. [9]. Cf. Conceito de modo de produção. C. Sheffield. R. O Reino de Israel . 1978. P. (eds. pp. PIXLEY. N. Westminster John Knox. 22-36. em GEBRAN. Sheffield Academic Press. um pressuposto não discutido aqui. L. LEMCHE. (ed. Sheffield. Vozes. (org. GRABBE. [10]. Can a ‘History of Israel’ Be Written? Sheffield. Kentucky. J. J.). Sheffield Academic Press. NEXT [8]. P.).. 1999. From Patronage Society to Patronage Society. 131-155. P. E. et alii.). & DAVIES. The Israelites in History and Tradition. pp. pp. N.. pp. Rio de Janeiro. 4. Louisville.. & DAVIES. V. VAN SETERS. em FRITZ.). mas que pode ser visto em detalhes no artigo A História de Israel no Debate Atual. 11. 1997. 1996. SCHWANTES. Sheffield Academic Press. Cf.. SCHÄFER-LICHTENBERGER. Sheffield.Paz e Terra. 78-105. The Origins of the Ancient Israelite States. Vozes. 1998.

. até ser massacrado pelo poderoso Império assírio. podemos anotar que o processo de sucessão de Salomão não foi bem visto. então. filho de Salomão. então eles serão para sempre teus servidores'. eis o que lhes responderás. seus companheiros de infância. em 931 a. Quando o norte se rebelou. responderam-lhe: 'Eis o que dirás a este povo (. pois assim debilitados viram-se ameaçados pelos inimigos externos e deixaram suas rixas para acertar mais tarde.. Mas ele rejeitou o conselho que os anciãos lhe deram e consultou os jovens que foram seus companheiros de infância e o assistiam. agora chamado de Israel.. chamado doravante simplesmente de Israel. Israel do norte. especialmente porque o norte tinha consciência da exploração a que era submetido pelo poder central e levantou.) O rei Roboão consultou os anciãos que haviam auxiliado seu pai Salomão durante sua vida. desabou a unidade do reino. Inicialmente nem guerra houve entre os dois países irmãos. a bandeira da rebelião.C. e perguntou: 'Que me aconselhais a responder a este povo?' Eles lhe responderam: 'Se hoje te sujeitares à vontade deste povo.C.C.). e eu vos açoitarei com escorpiões!' " (1Rs 12. caso fossem retiradas as pesadas leis impostas ao povo por seu pai Salomão. Proclamado rei em Judá. os israelitas impuseram-lhe uma condição: aceitariam o seu governo.1. A Rebelião Explode e Divide Israel Para começar. Podemos seguir o desenrolar dos acontecimentos a partir do capítulo 12 do primeiro livro dos Reis. separou-se do Estado davídico que permaneceu em Judá. Roboão quis partir para a repressão armada. em 722 a. Roboão (931-914 a. Em Siquém.) Os jovens. que se encontrava exilado. O norte. meu pai vos castigou com açoites.3-11). . mas foi desaconselhado.. 'Meu dedo mínimo é mais grosso que os rins de meu pai! Meu pai vos sobrecarregou com um jugo pesado.. Roboão não aceitou as condições e foi a gota d'água. com a morte de Salomão.. agora.. 4. "Disseram assim a Roboão: 'Teu pai tornou pesado o nosso jugo. um nobre da tribo de Efraim e inimigo de Salomão. alivia a dura servidão de teu pai e o jugo pesado que ele nos impôs e nós te serviremos' (.Segundo o texto bíblico. E o reino do norte existiu durante 209 anos. escolheu para seu rei a Jeroboão. Perguntou-lhes: 'Que aconselhais que se responda a este povo' (.). se te submeteres e dirigires boas palavras. constituído pelas 10 tribos rebeldes. foi a Siquém para que o norte o aclamasse senhor também das outras tribos. Samaria ou ainda Efraim. mas eu aumentarei ainda o vosso jugo.

Reis de Israel Nome Jeroboão I Nadab Baasa Ela Zimri Omri Acab Ocozias Jorão Data 931-910/9 a.Jeroboão escolheu a cidade de Siquém para capital do seu reino. Para o sul. 910-909 909/8-886 886/5-885 885/4 885/4-874 874/3-853 853-852 852-841 Duração 21 anos 2 anos 22 anos 2 anos 7 dias 11 anos 21 anos 2 anos 11 anos . já era a idolatria que dominava o norte. os nortistas rejeitaram também o Templo e as peregrinações nas grandes festas. onde permaneceu apenas 5 anos. Síria e Assíria) fizeram do novo país um foco de problemas e de crises sucessivas. tanto o norte quanto o sul perderam. e Betel. todas as suas possessões estrangeiras: definitivamente os tempos do Israel forte haviam acabado. Israel caracterizou-se pela instabilidade política. no extremo norte. como dizem ter feito Davi e Salomão. Rejeitando o governo de Jerusalém. Jeroboão construiu dois touros de ouro e colocou-os em antigos santuários: Dan. A incerteza quanto à localização da capital e ainda o perigo da pressão estrangeira (Fenícia. passaram a sê-lo pelo norte.C. Por outro lado. foi construída Samaria. No curto espaço de 209 anos. Só mais tarde. teve 19 reis de diferentes dinastias que se sucederam com golpes de Estado. Os mesmos camponeses e pescadores antes explorados pelo sul. sob outro rei. como sempre. E isto deu o que falar. E quem saía perdendo. era o povo. Para substituir o Templo e mesmo para evitar que o povo fosse a Jerusalém e passasse para o lado de lá. tanto Israel quanto Judá eram fracos demais para dominar seus vizinhos. Divididos. assassinatos e chacinas várias. a capital definitiva. no sul. perto de Jerusalém. segundo o texto bíblico. Transferiu-a seguidamente para Penuel e Tirsá. embora a intenção do rei fosse apenas reavivar o culto naqueles santuários.

C. Nadab foi assassinado por Baasa. por sua vez. Sob Acab. filha de Etbaal. filho de Omri. foi um válido artífice da paz com Judá. quando viu a morte trazida pelo general Omri. em "suaves prestações". O rei . Omri construiu Samaria em 880 a. a situação do povo era muito difícil. como sempre. O intenso comércio com a Fenícia aumentou a riqueza da classe dominante em Israel.. para capital do reino e desenvolveu bastante o país. Israel de Jeroboão I a Jeroboão II De Jeroboão I a Omri (cerca de 50 anos) houve muita instabilidade em Israel. Quem quiser conferir. Levou vantagem no confronto com Moab e com os arameus de Damasco.2. trabalhando como escravo. Ou entregava seus filhos.Jeú Joacaz Joás Jeroboão II Zacarias Salum Menahem Pecahia Pecah Oséias 841-813 813-797 797-782 782/1-753 753 753/2 753/2-742 742/1-740 740/39-731 731-722 28 anos 16 anos 15 anos 29 anos 6 meses 1 mês 11 anos 2 anos 9 anos 9 anos[1] 4. que. Porém. . Omri. seu filho Ela foi também assassinado por Zimri. que deu um golpe militar em 885 a.C. o progresso do país empobrecia largas camadas da população e levava a exploração classista ao máximo.e sua gloriosa corte .puxava a procissão das explorações.. Para termos uma idéia da situação: a partir desta época ficou muito comum o camponês se vender ao rico credor para saldar suas dívidas. Faltava dinheiro no país? O povo precisava de empréstimos? Os privilegiados emprestavam a juros exorbitantes. rei de Tiro.. se suicidou. Houve também vários conflitos com Judá por causa das fronteiras. Fez aliança com a Fenícia. A lavoura não produzia quando a seca era forte? Os ricos vendiam mantimentos à população camponesa. leia o episódio exemplar da vinha de Nabot (1Rs 21). casando seu filho Acab com Jezabel.

levou a fronteira norte de seu país onde anteriormente a colocara Salomão (2Rs 14. Isto era costume naquela época. Suas ações estão narradas em 1Rs 17-22 e 2Rs 1-2. o rei de turno. Encontrando muita oposição entre as autoridades religiosas e entre o próprio povo explorado.graças a uma série de circunstâncias favoráveis. Esta. Perseguido pela rainha Jezabel. sob o governo de Ozias. segundo a interpretação deuteronomista dos livros dos Reis. contemporâneo de Acab. Jeú e seus descendentes enfrentaram graves problemas na política externa: Jeú pagou tributo ao rei assírio Salmanasar III e perdeu a Transjordânia para Hazael. por sua vez. assassinando toda a família de Jorão. dá um golpe militar sangrento. O profeta Elias. Originário do Galaad. Até aí tudo bem.C.Em Samaria. cresce bastante nesta mesma época . Acab construiu um templo para sua mulher Jezabel cultuar seu deus Baal. como demonstra o significado de seu nome (Elias = só Iahweh é Deus). Mas Jezabel arrastou a corte toda e a aristocracia atrás de si neste culto. inclusive as regiões da Transjordânia até Moab.também Judá. vai lutar com todas as forças contra tamanha deterioração do javismo e de seus ideais de justiça. o mais sério deles sendo a exploração da maioria da população.C. embora de forma lendária e extremamente carregadas pelas cores teológicas do Deuteronomista. de âmbito nacional e causador de todos os males que dominavam o país. Tomou Damasco e submeteu a Síria. que a idolatria e o abandono do javismo era um problema muito sério. E então.) o país se recupera . atravessava um período de dificuldades. Jeroboão II. . livres de pressões maiores. A Síria fora vencida pela Assíria. que prontamente percebeu o perigo por ele representado contra o seu culto e os seus privilégios..23-29). Elias tornou-se no seu tempo um símbolo da fidelidade a Iahweh. com a aprovação do profeta Eliseu. Havia paz entre os dois reinos irmãos. rei de Damasco. Elias faz ver ao povo. os dois reinos começaram a sua expansão. Mas com a subida ao trono de Jeroboão II (782/1-753 a. bom militar. Resultado: por todo o país proliferaram os sacerdotes de Baal. em 841 a. a dinastia de Omri vai cair de maneira violenta: Jeú.

viam-se nas mãos de seus credores. Os pequenos agricultores. os profetas Amós (ca. só achavam a razão do lado dos ricos. . Porém. provas da riqueza alcançada. regados a bom dinheiro. Nesta época.C. 760 a. a religião javista foi sendo colocada de lado em favor de outros deuses menos exigentes quanto à justiça e à igualdade social. endividados. À desintegração social somou-se a religiosa. Com os santuários cheios de adoradores.C. mais uma vez.) destacaram-se na denúncia da situação em que se encontrava Israel.. O sistema administrativo adotado por Jeroboão II foi aquele mesmo próspero e injusto de Salomão: concentração da renda nas mãos de poucos com o conseqüente empobrecimento da maioria da população.. enquanto os tribunais.) e Oséias (755-725 a.Israel controlou as rotas comerciais de então. o povo. Criaram-se extremos de riqueza e de pobreza. bem providos do bom e do melhor. Em Samaria os arqueólogos encontraram os restos de esplêndidos edifícios.

com o mínimo para sobreviver e que corre sério risco de perder casa. não o revogarei! Porque vendem o justo (tsaddîd) por prata e o indigente ('ebyôn) por um par de sandálias. pelos quatro. na casa de seu deus. dal (fraco) e 'anaw (pobre).Am 2. 'ebyôn (indigente). com os termos tsaddîq (justo). designa as principais vítimas da opressão na sua época. Amós aponta o pequeno camponês. terra e liberdade com a política expansionista de Jeroboão II. e bebem vinho daqueles que estão sujeitos a multas. Sob estes termos. pobre. Eles esmagam sobre o pó da terra a cabeça dos fracos (dallîm) e tornam torto o caminho dos pobres ('anawim) . Amós. um homem e seu pai vão à mesma jovem para profanar o meu santo nome.6-8 Assim falou Iahweh: Pelos três crimes de Israel. Eles se estendem sobre vestes penhoradas. ao lado de qualquer altar. .

segundo Amós.Am 6. identifica os opressores com os que detêm o poder econômico. "Amós. mas não se preocupam com a ruína de José. são os que vivem no luxo e na boa vida (6.1).4-6). como Davi. São os que vivem em palácios e acumulam (3.4-6). político e judicial"[2] . Enfim. Estes são. são os que controlam o comércio (8. os opressores de sua época. são os que constroem boas casas e plantam excelentes vinhas (5. .11). comem cordeiros do rebanho e novilhos do curral. são as senhoras da alta sociedade (4.4-6 Eles estão deitados em leitos de marfim. inventam para si instrumentos de música. improvisam ao som da harpa. estendidos em seus divãs. como outros profetas após ele.12). bebem crateras de vinho e se ungem com o melhor dos óleos.10). são os que aceitam suborno na administração da justiça (5.

assassínio. homicídio a morte. causadas pela falta de conhecimento: perjúrio. as aves dos céus e até os peixes do mar. nem conhecimento de Deus (da'at 'elohîm) na terra. e o sangue derramado soma-se ao sangue derramado. Mas perjúrio e mentira. Oséias está dizendo que o problema em Israel é que não há mais espaço para os valores do javismo e isso causa a desagregação da sociedade. assassínio e roubo. É a experiência ou vivência do javismo que está em jogo. NEXT . a raiz mais profunda do mal é a falta de conhecimento de Deus. As feras. roubo. segundo Oséias. desfalecerão os seus habitantes e desaparecerão os animais selvagens. mentira. que se manifesta como ausência de fidelidade ('emeth) e solidariedade (hesedh) as desordens sociais.1-3 Ouvi a palavra de Iahweh. O homem fenece. adultério. Portanto. Temos aqui três categorias negativas superpostas: o o o a falta de conhecimento de Deus (da'at 'elohîm). Por isso a terra se lamentará.Os 4. com a desagregação do universo. porque não há fidelidade (‘emeth) nem solidariedade (hesedh). os pássaros e os peixes desaparecem. adultério e violência. Que não é conhecimento intelectual ou cultual. filhos de Israel. pois Iahweh vai abrir um processo contra os habitantes da terra.

./VOGT. L.C. De 753 a 722 a. pp. A Assíria Vem Aí: Para Israel é o Fim Com a morte de Jeroboão II desabou tudo o que ainda restava em Israel.): foi assassinado Menahem ben Gadi (753/2-742 a. governou de 740/39 a 731 a. os príncipes ficaram doentes pelo calor do vinho. Roma.[1]. 4.. M. p. Die Jahre der Könige von Juda und Israel. Salum. pp. Cf. filho de Romelias.C. 321-347. V. filho de Jeroboão II. O profeta Oséias lamenta o golpismo da época: "No dia de nosso rei. Estou seguindo a de PAVLOVSKY. e ele estendeu a sua mão aos petulantes quando se aproximaram. e foi assassinado Pecah (= Facéia). Oséias.C. 1990. os cidadãos (os habitantes da cidade).) e foi assassinado Salum ben Jabes governou 1 mês (753/2 a. são: os sacerdotes (Templo). segundo Amós.C. seis reis se sucederam no trono de Samaria.. Menahem.3. em Biblica 45 (1964).C. Meditações e Estudos. de 731a 722 a. Todos eles estão quentes como um forno. Seu coração é como um forno em suas insídias. os juízes. Há várias cronologias possíveis para o período dos reis. governou 6 meses (753 a. Sinodal/Vozes. São Leopoldo/Petrópolis. 1987. reinou de 742/1740 a. abalado por assassinatos e golpes sangrentos.) já teria começado a pagar tributo à Assíria Pecahia (= Facéias). J.C. 200. Pecahia e Pecah): o o o o o o Zacarias. apesar de tudo. filho de Ela. Paulus. 36-48 diz que os opressores de Israel. filho de Menahem. SICRE. SCHWANTES.. A justiça social nos profetas.C. Pecah e Oséias) e 4 assassinatos (assassinados: Zacarias. assassinou Pecah e foi o último rei do norte. Amós. São Paulo. [2]. pela manhã ela arde como uma fogueira. E. Houve 4 golpes de Estado (golpistas: Salum. a noite inteira dorme a sua ira. os senhores de escravos. o exército.

Então. Judá. Por que a Assíria ambicionava a região? Por causa: o o o o da madeira e dos recursos naturais do Egito.C. A grande ameaça internacional era a Assíria. que dependiam de Judá. subiu ao trono assírio um hábil rei: Tiglat-Pileser III. Derrotaram as tropas de Judá em Elat e destruíram a cidade.C. também dominados por Judá. ao norte.C. .devoram seus juízes. igualmente não perderam tempo. Mas grupos patrióticos assassinaram em Israel o rei submisso à Assíria. Pacificou os medos no norte do Irã. Invadiram o Negueb e a planície da Shefelah. Em 745 a. aproveitaram a ocasião e declararam sua independência. dominando-os. queria que Judá se aliasse a ele. Isaías foi contra este passo e avisou Acaz de que suas conseqüências seriam terríveis. o eterno rival da Ásia Menor do controle do comércio do Mediterrâneo. Todos os seus reis caíram. Judá foi invadido por três lados e não tinha como resistir. o rei de Damasco e o rei de Israel invadiram Judá pelo norte e cercaram Jerusalém. Depois. sabiamente não quis. Em 738 a.5-7). Os edomitas. conquistando algumas cidades de Judá. Israel começou a pagar-lhe tributo possivelmente já sob o governo de Menahem. pôde ocupar-se com o oeste: começou pela Síria. os filisteus e outros. Tiglat-Pileser III já submetera grande parte da Síria e da Fenícia. Os filisteus. e é a chamada guerra siro-efraimita.C. Foi um imposto per capita que atingiu cerca de 60 mil proprietários de terras. Pecah. Ele começou por resolver os problemas com os babilônios no sul da Mesopotâmia. Em seguida. Isto foi no ano de 734 a. Em Judá reinava Acaz. A saída foi pedir o auxílio da Assíria. tomou Urartu. Deste modo. E o oficial que subiu ao poder imediatamente tornou-se chefe de uma coalizão anti-assíria que congregava a Síria. contra a qual efetuou várias campanhas a partir de 743 a. Não há entre eles quem me invoque" (Os 7. este era seu nome.

na estrada do campo do pisoeiro. Pecah de Israel foi assassinado e seu sucessor. Então o rei da Assíria mandou encarcerá-lo e prendê-lo com grilhões. por causa da cólera de Rason. De Israel pouco restara: toda a costa. "Salmanasar. em 732 a. Estabeleceu uma base no extremo sul. e do filho de Romelias. rei do Egito.3-6 Então disse Iahweh a Isaías: Vai ao encontro de Acaz. como o fazia todo ano. Deportou uma parte do povo e destruiu numerosas cidades. Não veio ajuda nenhuma. Oséias (não se confunda o rei Oséias com o profeta homônimo). O rei Oséias só se submetera à Assíria porque não tinha outra saída. Mas o rei da Assíria descobriu que Oséias o traía: é que este havia mandado mensageiros a Sô. em seguida. ocupou o país e cercou Samaria em 724 a. marchou contra Oséias e este submeteu-se a ele. isto é. Tu lhe dirás: Toma as tuas precauções. A destruição foi paralisada. Quando Tiglat-Pileser III foi sucedido por Salmanasar V. o rei .C.C. Tiglat-Pileser III destruiu rapidamente as forças aliadas. Faltava só Damasco. o que se viu foi o seguinte: a Síria não existia mais. Depois da tempestade. Salmanasar V atacou. ainda não era tudo. Foi um suicídio. pois que Aram. cortando qualquer possível ajuda egípcia. mas conserva a calma e não tenhas medo nem vacile o teu coração diante dessas duas achas de lenha fumegantes. Começou a negar o tributo à Assíria e a ligar-se ao Egito. Entretanto. Tiglat-Pileser III conquistou-a. Neste ínterim. Efraim e o filho de Romelias tramaram o mal contra ti. a Galiléia e o Galaad passaram para a Assíria. passara a província assíria. executou o rei e deportou a população.Is 7. Começou pela costa e avançou sobre os filisteus desbaratando-os completamente. rei da Assíria. dizendo: 'Subamos contra Judá e provoquemos a cisão e a divisão em seu seio em nosso benefício e estabeleçamos como rei sobre ele o filho de Tabeel'. O Egito estava todo dividido e muito fraco. Encontrá-lo-ás no fim do canal da piscina superior. Depois. tu juntamente com o teu filho Sear-Iasub [= um resto voltará]. e não tinha pago o tributo ao rei da Assíria. submeteu-se imediatamente à Assíria e pagou-lhe tributo. contra Israel e saqueou toda a Galiléia e a Transjordânia. Oséias pensou ser o momento bom para a revolta. pagando-lhe tributo. prendeu o rei. Virou-se. de Aram.

de fato. sem dúvida graças à energia do turtanu Shamshi-Ilu. 1982. Com a instalação. e o filho de Salmanasar V. No nono ano de Oséias. levou ao trono aquele que iria tornar-se um dos maiores reis da Assíria. poderia parecer um simples episódio de uma época fértil em tentativas similares. sempre foi aceito por arqueólogos e historiadores.Israel.290 pessoas. pela guerra civil.. até que. que se desintegra após a morte de Salomão. O golpe de Estado. garantem os autores. 149-168. em 746 a. pp.da Assíria invadiu toda a terra e pôs cerco a Samaria durante três anos. de outros povos e outros costumes chegou para Israel do norte o fim definitivo.3-6). 87-96. pp. A Assíria parecia inerte. assinala o termo da crise aberta.. no livro The Bible Unearthed. de uma monarquia unida. em detrimento da autoridade real. rio de Gozã. Segundo os anais de Sargão II. estourou uma rebelião em Kalhu. mas está errado. V. Não há evidências de uma monarquia unida governada por Jerusalém. Samaria caiu em 722 a. & NIKIPROWETZKY. o verdadeiro fundador de seu império. Sargão II foi quem se encarregou da deportação e substituição da população israelita por outros povos que foram ali instalados. em 746 a. Pioneira/Edusp. Para Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman. cujo declínio quase arrastava à ruína todo o país. A revolta que estourou em Kalhu. em 827. mas. São Paulo. o número de deportados samaritanos foi de 27. este esquema bíblico. Tiglat-Pileser III Resumo de GARELLI. na realidade. no território. mas há boas razões para se acreditar que sempre houve duas diferentes entidades políticas na região montanhosa de Canaã.C. tal como se ignora a filiação do novo soberano: enquanto em uma inscrição faz-se . Ela acusara o triunfo da alta nobreza. mas era nítida a perda de influência. Ignora-se a participação que teve na trama ou em sua repressão. o rei da Assíria tomou Samaria e deportou Israel para a Assíria.C. conduzindo ao trono Tiglat-Pileser III. Verdade que não se dera nenhum revés de importância. P.C.. estabelecendo-o em Hala e às margens do Habor. O Oriente Próximo Asiático. Impérios Mesopotâmicos . e nas cidades dos medos" (2Rs 17. TiglatPileser III teria que enfrentar a perigosa situação que se desenvolvia nas fronteiras do reino.

mas o fato também pode indicar que o perigo urártio não era tão premente quanto se tenderia a acreditar.. se a intervenção assíria não se devera ao apelo de Nabonassar. precisou transferir sua atenção para os medos e Urartu. A verdade é que. Atribui-selhe demasiado no plano interno. uma repetição da que Salmanasar III levara a efeito havia um século. Chegou-se a pensar que fosse um usurpador. antes de efetuar a . acabara de obter a adesão dos países sírios. por outro lado. Seria. ao longo do tigre e do Kerkha (Uknu). pelo menos . os exércitos assírios ganharam a rota do Sul. como Kar-Assur. Nada mais incerto. Sem dúvida o foi. Milhares de deportados tomaram a rota da Assíria e foram estabelecidos em novas cidades. mas sabe-se que de 743 a 738 a. mas só se atribui aos ricos. o que é pouco provável. porém conseguiram-no de forma bem imperfeita. O adversário. em suma. esforçavam-se por firmar sua autoridade. As conquistas de Tiglat-Pileser III são mal documentadas. pois. não tivera lugar com seu assentimento. Em seguida. É possível. Espírito metódico e audacioso. em política internacional. o rei de Urartu. que antes de ajustar contas com Sardur. durante três anos. em grande parte era o mesmo: as tribos aramaicas e caldéias. o que prova que a aparente paralisia do país refletia sobretudo uma crise do poder central. dele se fez o tipo de "rei reformador". Desde sua ascensão. pois assim o designam fontes babilônicas e bíblicas. uma das listas reais apresenta-o como um dos filhos de Assur-Nirari V. Na Babilônia.passar como filho de Adad-Nirari III.C.C. e seus aliados. e a personalidade do soberano era visivelmente rica. cujo verdadeiro nome seria Pulu. o que pode surpreender. Imaginou-se. Tiglat-Pileser III empreendeu uma série de operações militares contra a Babilônia e Namri. a agitação permanecia endêmica. Os reis caldeus. pode muito bem ter sido de linhagem real. Pode-se indagar. ou. Encurraladas de Dur-kurigalzu e Sippar até o Golfo Pérsico. inclusive. Os vizinhos da Assíria logo se aperceberiam disso. aliás. ele desbaratou a coalizão siro-urártia e se impôs aos dinastas aramaicos. na Babilônia central. por razões cronológicas. que dois anos antes subira ao trono da Babilônia. Tiglat-Pileser precisava garantir sua retaguarda e as grandes vias de comunicação com o Irã e o Golfo Pérsico. visto que seu principal adversário. bem como em redor de Nippur. Em parte alguma as tropas assírias bateram-se com as forças de Nabonassar (Nabu-Nasir). em 745 a. é bastante curiosa. tiveram de submeter-se.C. A expedição levada a cabo por Tiglat-Pileser III em 745 a. rei de Urartu. desde muito tempo.

Sua derrota incitou os países vizinhos. mas. como conservam a independência. e Razon. a aparente facilidade das vitórias assírias. com a submissão de dezoito príncipes espalhados nos territórios compreendidos entre Tabal e Samaria.. de conluio com os edomitas. que recomeçar tudo. voltou-se contra Israel. Pecah. mesmo os mais audaciosos. Tiglat-Pileser iria receber seus tributos em Arpade. No decorrer desse vaivém contínuo. houve raros confrontos de envergadura. seria necessário um acordo. de 734 a 732 a. apesar das advertências de Isaías (capítulos 7 e 8). a prestar submissão.conquista de Damasco e da Palestina. em Comagena. Essa demonstração não bastou para desencorajar todos os vencidos. o Rio do Egito. cujo território saqueou. ou. A revolta de Mukin-Zeri forçou-o. a neutralidade do rei de Judá. Tudo decidira-se em 743 a. a dirigir-se novamente à Babilônia. viu-se obrigado a apelar para o auxílio do rei da Assíria. a seguir. Até então. qual seja a política de ocupação permanente inaugurada por Tiglat-Pileser III. Acaz. concebiam suas operações ofensivas como expedições destinadas a aniquilar o poderio material de seus vizinhos e recolher despojos. eliminar seu importuno vizinho. Os conjurados tentaram então. Razon conseguiria resistir por três anos. Havia. oficialmente incorporada ao império em 729 a. no mínimo. que dispunham de guarnições permanentes. mais uma vez. Os vencidos tornavam-se tributários. sua indestrutível coragem: as revoltas sucederam-se com grande obstinação.C. atingiu Gaza e o Wadi El Arish. Um elemento relevante. então. que não parecia muito entusiasmado pela aventura. em particular Damasco. . explica. com quem a guerra converteu-se em guerra de conquista: o território ocupado era incluído nos limites da terra de Assur e dividido em províncias dirigidas por bel pihati. As tropas assírias estavam. os soberanos da Assíria. ao que tudo indica. que se apressou a pagar tributo. O primeiro a renunciar a tal concepção foi Tiglat-Pileser III. Para tanto. Em 740 a. Ante o desastre. Os dinastas aramaicos manifestariam.C. por ocasião de uma vitória decisiva sobre Sardur.C. assim. de Israel.C. esperavam uma virada da situação. Pecah foi assassinado por um certo Oséias ben Elá. encerrando-se em 738 a. que provocou a dissolução da coligação aramaica. e o infeliz Acaz. aproveitam-se imediatamente da menor dificuldade experimentada pelo poder assírio. Tiro. como Salmanasar III.C. de Damasco. impedindo qualquer possibilidade de socorro egípcio. Que (Cilícia) e Carquemish. antes de sucumbir por seu turno em 732 a. em parte.. o qual agiu prontamente: descendo pela costa.C.

Cerca de 734 a. sempre a postos para sufocar as dissidências e empreender novas operações. no entanto. continuaram a usufruir de grande liberdade. sem dúvida. Os prisioneiros de Babilônia foram disseminados por todo o arco de círculo montanhoso que cercava o reino a norte e a leste. o esforço foi inútil: Urartu conservava considerável poderio. cuja capital. Impossível evocar o reinado de Tiglat-Pileser III sem mencionar sua obra administrativa. submetendo-as.C. que enfraquecera o poder real. dosando habilmente firmeza e brandura. Esse enorme amálgama de populações em muito contribuiu. computou-as entre as pessoas da terra de Assur. às vésperas da campanha contra Israel e Damasco. canalizando as energias assírias para a conquista. revertido a evolução percorrida a partir de Shamshi-Adad V. o rei deportou numerosas populações para regiões excêntricas. em 735 a. que. Num único local. E soube gerir seu imenso domínio. Mas é uma hipótese apenas. Em toda a parte praticou-se essa política de conquista e assimilação. o rei fora paralisado. chegou a ser atacada. para a aramaização do império. a fim de separá-las de seu meio natural e impedir quaisquer veleidades de rebelião. Turushpa. Chegou mesmo a implantar o culto de Assur na Média. sem confirmação nas fontes de que dispomos. refletiria suas mais aprofundas intenções em matéria de política interna. a fim de diminuir o poderio da alta nobreza. Por isso. Urartu. O rei teria procedido a uma nova divisão das províncias. cabendo indagar se o exército assírio não sofreu uma profunda reorganização. Certo é que Tiglat-Pileser III conseguiu perfeitamente manter as rédeas do seu mundo. tentou invadir o país. às mesmas contribuições e corvéias. Tiglat-Pileser pretendeu. é sintomático verificar que as cidades fenícias. Apesar da derrota de Sardur. as . portanto. segundo certos historiadores. só se lhes interditara o comércio com a Palestina e o Egito. Por outro lado. A propósito. submetê-las a uma única jurisdição... exceto nas regiões excêntricas do planalto iraniano. como tais. Teria.C. No resto.portanto. fracionando as unidades demasiado vastas. incorporadas ao império. E as vitórias se sucediam. freqüentemente. Após a vitória de Comagena. e TiglatPileser III não insistiu. Tal revés não obscurece a amplitude de seus outros êxitos militares.

Não obstante. e o fisco assírio contentava-se com a cobrança de uma percentagem sobre as mercadorias na entrada da cidade. Com efeito. reduzido a província assíria. Um incidente num templo de Tiro. Tiglat-Pileser III não caiu nesse erro: fez-se reconhecer como rei e sua decisão foi ratificada na lista real babilônica. Daí em diante não houve mais um território nacional e territórios de caça. filho de Tiglat-Pileser III quem os reprimiu. Esta sutil mistura de firmeza e diplomacia. permitiu a incorporação oficial da Babilônia ao império. O reino de Israel foi. . pois densa rede de correios sulcava o império. no Habur e para a Média. Samaria foi tomada em 722 a.. e sim um império. Quando de sua morte. Em caso de revolta contra os fiscais. o único senhor da Babilônia era o rei da Assíria. O poderio do monarca assírio não era tal. ao mesmo tempo. em 727 a. espoliados pelos exércitos assírios segundo as possibilidades do momento.C.C. Foi Salmanasar V. fonte de todas as tradições religiosas.C. nesta ocasião. a intervenção da legião ituéia e algumas advertências prontamente restabeleciam a ordem.autoridades locais agiam à vontade. mantido por guarnições administradas pelos governadores. Tampouco tomou qualquer medida contra o filho deste último. A data de 722 a. contudo.. Sargão II contribuiu de forma decisiva para assegurar seu poderio e dar-lhe seu caráter definitivo. uma investida de nômades em Moab imediatamente eram comunicados à capital. todas as terras do Crescente Fértil se achavam unificadas sob o rótulo inédito de uma dupla monarquia assirobabilônica. que recolhiam os impostos. reduzir uma terra tão venerável. à simples condição de província teria sido inabilidade.C. e o filho de Salmanasar V. observa-se ao mesmo tempo que a chancelaria de Kalhu era cuidadosamente mantida ao corrente da evolução da situação. Embora fosse senhor deste país a partir de 745 a. Foi o que ocorreu com Bar-Rekub de Sam'al e Oséias de Samaria. à ascensão de um dos mais prestigiosos monarcas do antigo Oriente. Entretanto.C. Nabonassar. disposta. Tiglat-Pileser III só interveio quando o chefe da tribo Amukkanu. a respeitar os interesses e franquias locais. e tomou o poder em 731 a. que desencorajasse toda pretensão de independência. por sua vez. Tiglat-Pileser III não destronou o soberano legítimo. é duplamente simbólica: assinala uma importante inflexão da história de Israel e corresponde.. Nabu-Mukin-Zeri revoltou-se. mesmo sem ter sido o fundador do império. Em 729 a.C. Sargão II deportou sua população para Kalhu. em toda a medida do possível.

Chr. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. A História de Israel a partir dos Pobres. 137-174. Westminster John Knox. Kohlhamer. J. New York. Vozes. G. Petrópolis. LEMCHE. pp. São Paulo. O Crescente Fértil e a Bíblia.Leituras Recomendadas DONNER. São Leopoldo. & SILBERMAN. The Bible Unearthed. H. The Israelites in History and Tradition. Louisville. N. NEXT .. 1998. História de Israel e dos povos vizinhos II. pp.. 63-67. 273-285. N. The Free Press. A.. 1997 [20043]. Sinodal/Vozes.. SCHOORS. J. Stuttgart. Die assyrische Krise. P. 1993.. 2001. FINKELSTEIN. 2003. ECHEGARAY. Die Königreiche Israel und Juda im 8. Vozes. Kentucky. traduzido do inglês por Tuca Magalhães. 1998. Jahrhundert v. PIXLEY. und 7. 299-362. A. A Girafa. I.. Petrópolis. pp. 20049. 37-53. Tradução brasileira: A Bíblia Não Tinha Razão.

segundo a qual num confronto com os egípcios os exércitos de Senaquerib foram atacados por ratos (peste bubônica?). S. Mas teve que pagar forte tributo aos assírios. A coalizão integrava Tiro.C. mais uma vez. de Judá. como um pássaro na gaiola. Senaquerib tomou 46 cidades fortificadas em Judá e cercou Jerusalém. juntamente com Judá. estudando o caso. 2Rs 19. encerrei-o em Jerusalém. Edom e Amon se entregaram e pagaram tributo a Senaquerib.) Quanto a ele. resistiram. O Egito prometeu ajuda. Existe uma notícia de Heródoto. Acreditavam ter chegado o momento da libertação. ele começou por Tiro. que não se tinha submetido ao meu jugo. Jerusalém voltou a respirar. Hermann. acontecido no acampamento assírio que assediava Jerusalém. Somente Ascalon e Ekron. tenha obrigado à partida. Os egípcios tentaram socorrer Ekron e foram derrotados. Talvez Senaquerib tenha partido por causa de alguma rebelião na Mesopotâmia. sua cidade real. Que não se fez esperar. cuja ruptura provocara a invasão assíria"[1]. Logo os reis de Biblos. conclui: "Pode-se considerar que algum fato. com outras cidades fenícias. História II. Edom e Amon. Senaquerib tomou primeiro Ascalon.Senaquerib subiu ao trono assírio em 705 a. . no último minuto. Arvad. e Ezequias. Moab. Fortificou suas defesas e preparou-se cuidadosamente para esperar a Assíria.C. ele levantou o cerco e voltou para a Assíria. Entretanto. entrou como um dos chefes da revolta.".. com algumas cidades filistéias. Ashdod. Não se sabe porque Jerusalém se salvou. e imediatamente teve que enfrentar nova revolta na Babilônia... por motivos desconhecidos. Moab.35-37 diz que o Anjo de Iahweh atacou o acampamento assírio. Ascalon e Ekron. mas isto não exclui que Ezequias tenha enviado o seu tributo e renovado de modo ostensivo o tratado de vassalagem. Todas as províncias do oeste então se levantaram.. E foi a vez de Judá. Nos Anais de Senaquerib se diz o seguinte: "Quanto a Ezequias do país de Judá.141. vencendo-a. talvez uma peste. sitiei e conquistei 46 cidades que lhe pertenciam (. Senaquerib não se fez de rogado e já em 701 a.

leitos de marfim. mandou esta mensagem ao rei da Assíria. minha cidade senhorial. Então Ezequias. Com isso. Ezequias. Então Ezequias mandou retirar o revestimento dos batentes e dos umbrais das portas do santuário de Iahweh. toda sorte de coisas. De qualquer maneira. O rei da Assíria exigiu de Ezequias.. Senaquerib. em Nínive. rei de Judá. domínio assírio. um pesado tesouro. rei de Judá. . rei de Judá. Um grande sincretismo religioso ameaçava o javismo. havia revestido de ouro. o tributo pago por Ezequias ao rei assírio foi significativo: "Quanto a ele. antimônio escolhido. meu esplendor terrível de soberano o confundiu e ele enviou atrás de mim. cantoras. que. cantores. Seu sucessor Manassés foi um dos piores governos de Judá. segundo os Anais de Senaquerib. mulheres de seu palácio. em Laquis: 'Cometi um erro! Retira-te de mim e aceitarei as condições que me impuseres'.Outra questão é se teria havido uma segunda campanha de Senaquerib na Palestina. rei da Assíria. Quem protestava era duramente reprimido. 800 talentos de prata. costumes. poltronas de marfim. E um longo governo: 55 anos. cultos. Deuses. peles de elefante. buxo. e suas filhas. Informação que concorda com a de 2Rs 18. veio para atacar todas as cidades fortificadas de Judá e apoderou-se delas. trezentos talentos de prata e trinta talentos de ouro. marfim. e o entregou ao rei da Assíria". a reforma de Ezequias perdeu o rumo.13-16: "No décimo quarto ano do rei Ezequias. com 30 talentos de ouro. os irregulares e os soldados de elite que ele tinha como tropa auxiliar. grandes blocos de cornalina. Estando fortíssimo o império assírio. ébano. e Ezequias entregou toda a prata que se achava no Templo de Iahweh e nos tesouros do palácio real. sua influência se espalhou.. e despachou um mensageiro seu a cavalo para entregar o tributo e fazer ato de submissão"[2].

C. Houve uma limpeza geral no país: cultos e práticas estrangeiras. por grupos fugidos do norte. os capítulos 26. enfrentando uma violência proveniente de vários pontos do império. Josias recuperou o controle sobre as províncias do antigo reino de Israel. artífices da derrocada definitiva da Assíria. pois só elas valiam a pena.C. entre 626 e 610 a. aumentando seus tributos e melhorando suas defesas. com apenas 8 anos de idade.C. Do Templo de Jerusalém foi recuperado um código de leis. em 640 a. Positiva no geral. Segundo alguns.16-28. teve. o Deuteronômio original compreendia os capítulos 12. durante o governo de Ezequias. Sob a influência de um forte espírito nacionalista. Judá alcançou esperançosa independência. o rei Josias deu início a uma ampla reforma. segundo outros. contudo. seu filho Josias. 5. foram definitivamente eliminados. Os santuários do antigo reino de Israel.3.C. Parece que a reforma começou aí pelo ano de 629 a. Principalmente os babilônios e os medos.. pontos negativos. escrito em Jerusalém mesmo. Aproveitando a fraqueza assíria.1-26. segundo alguns. o núcleo do atual livro do Deuteronômio. imposta pelo . destruídos. Durante seu reinado. A magia e os vários modos de adivinhação. décimo segundo do reinado de Josias.C. Povos dominados e oprimidos pela extrema violência e crueldade assírias levantaram as cabeças. escrito no reino do norte e levado para Jerusalém em seguida à destruição de Samaria em 722 a. uma espécie de ritual de renovação da aliança ornamentados por uma introdução (os atuais capítulos 4. provavelmente. mostrando que a certeza do povo de que Judá era indestrutível devido à promessa davídica era uma loucura.. considerados idólatras. Foi um momento bom para Judá.44-11. descrita em pormenores em 2Rs 22.um código de leis.32) e uma conclusão.Manassés foi sucedido pelo filho Amon que acabou assassinado por elementos anti-assírios. como lei oficial do Estado. Ao ser promulgado por Josias em 622 a. introduzidos em Judá sob a influência assíria. como se lê em 2Rs 22. que contaria então com 20 anos de idade. E foi entronizado. Era preciso reviver as antigas tradições mosaicas. A Reforma de Josias e o Deuteronômio A Assíria estava nos seus estertores finais. Não encontrou uma independência prolongada para poder se desenvolver.3-23. A reforma de Josias surtiu efeito? Sim e não.68.25 como o obra mestra deste rei. o Deuteronômio deu vida à reforma. foi feita de cima para baixo. banidos.15 .

cerca de 627 a.C. em primeiro lugar da política externa. suscitou uma interminável guerra civil. AA. em cuja repressão Senaquerib gastaria quatro anos. foi o sinal para um levante geral. Israel e Judá. em 705 a. p. Brescia. no decorrer dos cinco primeiros anos de reinado. vejamos: Sargão II praticamente não tivera trégua até sua conquista da Babilônia em 710 a. até obter.C. O Império Assírio de 721 a 610 a. Queriniana.governo.Israel. Paulus. a despeito de reveses passageiros. HERMANN. Senão. V. & NIKIPROWETZKY. I tempi dell'Antico Testamento.. São Paulo. São Paulo. viu-se acuado em defensiva nos mesmos teatros de operações. tendo amiúde de reprimi-las os soberanos durante longos anos.. . sem base popular mais ampla.C.. da Palestina ao Elam. cada mudança de reinado dava margem a sublevações esporádicas ou generalizadas. que. 97-106. esvaziando a vida e a religiosidade do povo. O Oriente Próximo Asiático. 76. pp. na melhor das hipóteses. Impérios Mesopotâmicos .. em 612 a. 1982.C.. e a ascensão de Assurbanipal provocou a revolta do Egito. [2]. suas medidas ficaram no exterior apenas sem levar o povo a uma reconstrução real do javismo. Antes de mais nada. 19792. habilmente explorada pelos babilônios de Nabopolassar e à qual os medos dariam um termo brutal. A morte do grande rei. apenas uma calma momentânea. Resumo de GARELLI. sua morte. VV. NEXT [1].. p. S. a centralização do culto não deu bons resultados. Textos do Antigo Oriente Médio. 347. Pioneira/Edusp. 1985. Josias morreu cedo demais e a reforma se perdeu. P.C. terminou por prevalecer sobre as ambições assírias. Assarhadon. E o pior: os acontecimentos se precipitaram. Cf.. Storia d'Israele. Falemos.

No ano seguinte Taharqa retomou Mênfis e Assarhadon morreu nesse meio tempo. após uma revolta. consideradas isoladamente. Novamente apoderou-se de Mênfis e. Assim aconteceu em 714 a. pulverizando-se em poucos anos. mas a tomada de Sídon.C. tendo que voltar à Assíria. O projeto foi adiado devido às ameaças que pesavam sobre a fronteira ocidental do reino. Uma primeira tentativa.C. regulando definitivamente o problema egípcio. Moab e Edom em 714 a. que só se salvou entregando seus tesouros..C. foi . O assassinato de Senaquerib em 681 a. Foi o que aconteceu com a revolta de Ashdod. O faraó Taharqa instigou as cidades fenícias a alastrarem o incêndio. para prevenir um perigo latente ou solidificar sua dominação.. que adiou a invasão do Egito. Ou com a revolta de Ezequias.Tal desfecho. o faraó Shabako apoiava secretamente a rebelião de Ashdod e saiu dessa difícil situação entregando a Sargão II o instigador da revolta. Só depois de concluir um tratado com os medos. de resto muitas vezes assim julgadas pelos próprios contemporâneos. em 677 a. até certo ponto. Psamético I libertou o território egípcio e Assurbanipal. assentar seu domínio no Egito. Em 653 a.C. só por milagre o Egito foi poupado por Senaquerib. Às vezes também os assírios tomavam a ofensiva. Quatro anos mais tarde. Assarhadon pôsse à frente de uma expedição. o Egito alimentara sem cessar a agitação na Palestina.C. de Judá.C. em 720 e 716. conseguiu conquistar Mênfis sem maiores dificuldades. Assarhadon resolveu então extinguir esse foco perpétuo de agitação. Mas o domínio assírio permaneceu precário. chegou mesmo a Tebas. já demasiado absorvido pelos problemas da Babilônia e do Elam.. Em 670 a. que levou Senaquerib a destruir 46 cidades de Judá e a sitiar Jerusalém. levou o faraó a abandonar sua atitude reservada. em 705. entretanto. sem poder castigar o faraó. E o Egito? Após a ocupação da Síria por Tiglat-Pileser III. Em 666 a. esmagada por Sargão II.C. se nos afiguram como loucos cometimentos. redundou em malogro. Os assírios jamais conseguiram. enquanto cercava Jerusalém. estourou a revolta. que. e o tratado imposto a Baal de Tiro permitiram restaurar a ordem assíria nessas regiões. que teve de se abrir ao comércio assírio.C. em 674 a. justifica as rebeliões anteriores que.C. Por duas vezes. Assurbanipal prosseguiu a obra do pai. citas e cimérios agitavam-se na Ásia Menor. Sargão II chegou à fronteira egípcia. Em 701.. A Caldéia estava em efervescência. e acabou vítima de uma peste provocada por ratos no seu acampamento. quando Sargão II resolveu acabar com a ameaça urártia. em 671 a.

embora com seus particularismos. a terra dos santuários prestigiosos. já estafante nos pântanos do sul. além de todo o seu prestígio. quando se tornasse flagrante a derrota. Ora. pois a guerra. Havia séculos que encarava com inveja esse vizinho mais dotado que a rejeitava e talvez mesmo a desprezasse. Tentariam todas as fórmulas constitucionais para poupar as suscetibilidades locais e. onde. não empreenderiam outras campanhas militares antes de assegurar sua retaguarda nessa região e. a partir do século IX. ameaçava alastrar-se ao longo do Zagros e. e de onde traziam os escritos fundamentais que inspiravam sua religião e a literatura de seu país. essa conjunção de caldeus e elamitas era bastante perigosa para os assírios. aos poucos. o inacreditável acontecera: a Babilônia era território assírio. A Assíria organizara apenas três breves expedições ao vale do Nilo. e foram simples guarnições que ali não conseguiram manter-se. atingir as fronteiras orientais. Conquanto fosse um nítido revés para a Assíria. visto que nele estavam em jogo. a fim de rechaçar o invasor do Norte. e nem sequer vacilaram em unir-se ao Elam. Os novos senhores tudo fariam para conservar esse florão de sua coroa. seu tradicional inimigo. em 525 a. em caso de necessidade. era com extrema atenção que os assírios vigiavam os acontecimentos na Babilônia. renunciariam a elas para concentrar os esforços no teatro de operações essencial. cortando assim as vias de comunicação com o planalto iraniano.obrigado a renunciar a quaisquer projetos de represália. Isto porque. fora precisamente porque o grosso das forças assírias se achava imobilizado em um verdadeiro ninho de vespas. a fonte de toda espiritualidade. os reis da Assíria regularmente iam em peregrinação. sob o enérgico impulso de Tiglat-Pileser III. A Babilônia era a jóia do império. O reino de Nínive não podia desviar-se desse teatro de operações. foram os caldeus que representaram a principal força de oposição.C. Desde que as campanhas de Shamshi-Adad V suprimiram o poder real tradicional da Transtigrina. E. Os babilônios tinham uma impertinente propensão a não se deixar assimilar. Facilmente atraíram para a causa nacional as grandes cidades da planície. . a Assíria no global seguia as tradições do Sul. de resto vitoriosas. pelo menos as principais. deixariam abater-se pesadamente à sua cólera. E eis que. a Babilônia e o Elam. O Egito não mais seria invadido até o reinado do persa Cambises. sua segurança mais imediata. a repressão e as sucessivas destruições de Babilônia só serviram para galvanizar a resistência. se estas não haviam sido sustentadas com mais diligência. Por isso. Contudo. não se pode dizer que esta aventura desgastou suas forças.

e 612 a. O novo rei restaurou a capital do sul e restituiu-lhe o papel de encruzilhada comercial. porquanto o domínio de Shamash-Shum-Ukin. Senaquerib. experimentou diversas fórmulas constitucionais. foi ela que levou o rei da Babilônia à revolta. provavelmente.C. Após as primeiras medidas destinadas a apaziguar a opinião pública assíria.Isso se observa desde Sargão II.. Assurbanipal tomou de assalto a cidade de Babilônia em 648 a. era o verdadeiro senhor do império. devem ter entrado em jogo. e a trama dos acontecimentos permanece objeto de discussão. Esse terrível exemplo e quiçá também a clemência de Assarhadon asseguraram. Vencedor no confronto. os quais ele nem sequer controlava de maneira absoluta. havia sido bastante desigual. a situação evoluiria de forma dramática.C. apesar de ser o primogênito. Assurbanipal. Quanto ao Elam. passou a hostilizar Merodaque-Baladam. as tropas assírias saquearam sua capital Susa e o país foi reduzido a província assíria. houve uma sucessão quase ininterrupta de guerras civis . No confronto que se seguiu. uma relativa calma na Babilônia. é freqüentemente considerado um "escândalo histórico". Sargão II fez-se reconhecer como soberano do país. A Babilônia reconquistada foi administrada por Kandalanu. ainda mal conhecidas.. Uns vinte anos depois. continuaria incompreensível.C. recuperou a superioridade e deu livre curso a seu furor: saqueou Babilônia e a inundou com as águas do Eufrates. cobria apenas os territórios de Babilônia. em parte. Senaquerib em 689 a. O fenômeno. Assurbanipal. Assurbanipal e Shamash-Shum-Ukin. Tal situação devia parecer injusta e. mas não usou qualquer subterfúgio diplomático: tornou-se rei da Babilônia sob seu nome assírio. data presumível da morte de Assurbanipal. que com apoio do Elam se proclamara rei da Babilônia. O desmoronamento do império assírio. efetivamente.C. O filho mais novo. e seu irmão Shamash-Shum-Ukin morreu no incêndio de seu palácio. A divisão. que seguiu de perto o triunfo de seu maior soberano. Por certo. Após vários confrontos duvidosos com babilônios e elamitas. de fato. data da queda de Nínive. se não se levasse em conta o fato seguinte: entre 627 a. quando a revolta retumbava em todo o império. sem dúvida. Borsippa. múltiplas causas. durante alguns anos. cujo reinado foi praticamente todo consagrado a tentar resolver o problema babilônico. Cuta e Sippar. devido às disposições testamentárias de Assarhadon que dividira os territórios mesopotâmicos entre os dois filhos.

exércitos mercenários. a nação estava totalmente despreparada para a crise[6]. a seguir. tomar Harã. com ajuda egípcia. 5. novamente. ocorrera com a morte de Assurbanipal: o problema da sucessão não pôde ser solucionado. até os vaus do Eufrates. Em 610 a. a Assíria teve seu império assaltado e sua capital destruída pelos medos e babilônios. balançando entre o enfraquecido Egito e a fortalecida Babilônia. Nabopolassar controlava toda a Babilônia e levava a cabo operações ofensivas ao longo do médio Eufrates. e não mais sabiam onde se encontrava a autoridade legítima. com voluntários despreparados para guerras prolongadas. Por Que Judá Caiu? Quando Judá entrou na fase crítica de enfrentamento com o poderio estrangeiro. com efeito. que operavam a partir de bases militares em Babilônia. principalmente. e Sin-Shum-Lishir logo desapareceu de cena. Um fato novo. o rei da Assíria é desalojado de Harã. Seja como for. Seu rei fugiu para Harã e resistiu ainda dois anos.C. Sin-Shar-Ishkun.5. a peso de ouro. Os revoltosos. Não estou falando de forças militares. O direito de Assur-Etel-Ilani à sucessão de Assurbanipal foi contestado pelo general Sin-Shum-Lishir e. tendo as províncias dessa região recobrado uma independência de fato. para proveito de um caldeu. nas cidades fenícias e nas antigas províncias aramaicas da Assíria. Sem sucesso.C. por um outro filho de Assurbanipal. pelo menos três exércitos atuavam ao mesmo tempo na Babilônia.C. Assim. foram atacados incontinente por Assur-Etel-Ilani. os assírios tentam. os derradeiros restos do império assírio desapareceram então para sempre. Os fatos são um pouco confusos. o país devia encontrar-se esgotado.C. Em 612 a. Quando os medos intervieram. A guerra entre os dois irmãos campeou daí em diante. A direção tomada pelos acontecimentos levou o faraó Psamético a intervir. As cidades mudavam freqüentemente de mãos. Enquanto as maiores potências da época mantinham grandes exércitos regulares e.ou externas. como sempre acontecera até então. pois por aí é que o país não acharia mesmo nenhuma saída. os pequenos reinos tinham que contar. em boa parte. . chefe do País do Mar. Nabopolassar. Toda a Djezireh passou a ser território babilônico e o faraó Necao implantou o domínio egípcio na Palestina. mas em 616 a. pois os assírios se achavam impossibilitados de controlar a Síria e a Palestina. financiavam. Em 609 a.

Quando Davi conquistou Jerusalém e estabeleceu ali a sua capital. Outro dado interessante é a associação do sacerdócio à nova ordem real que se estabeleceu com Davi. sabemos que. assumindo os seus cargos Banaías e Sadoc. Esta dualidade poderia significar que o general Joab e o sacerdote Abiatar representavam as forças tradicionais de Israel. 2Sm 6). no território de Judá a monarquia é vista como uma realidade estranha à ordem sagrada. G. espécie de trono móvel de Iahweh. foi feito por Salomão. Os tradicionais santuários do povo de Israel estavam mais ao norte. BETTENZOLI.15-18. comandam o sacerdócio. Despreparo gerado pelas atitudes políticas falhas e pela ideologia dominante enganosa de Judá. Foi a vitória da nova ordem monárquica. Ele tinha. Desde a época de Davi vinha sendo elaborada uma crença específica. Abiatar e Sadoc. Bettenzoli . carecia de legitimidade javista. a constituição de uma sacerdócio associado e submisso ao Estado e a tentativa de construção de um Templo. Diferente do norte. uma curiosa dualidade tanto no comando do exército quanto na chefia do sacerdócio. a da invencibilidade de Jerusalém. independente dos líderes tradicionais[7]. distingue dois tipos de líderes judaítas desde a época de Davi. Jerusalém. Joab foi morto e Abiatar desterrado. Ou seja: dois generais. Tais como: a transferência da Arca da Aliança para a nova sede. enquanto dois sacerdotes. respectivamente (cf. o poder de Jerusalém constrói sua própria base. A transferência da Arca. enquanto o general Banaías e o sacerdote Sadoc representavam a nova ordem monárquica. 1Rs 2. líderes tribais das várias cidades e aldeias judaítas e os "anciãos da casa" (ziqnê bayit). Ora. em interessante artigo. Silo. Há os "anciãos de Judá" (ziqnê y'hûdâh). Joab e Banaías. Ou seja: "Enquanto nas tribos do norte esta [a instituição monárquica] é inserida no direito sagrado javista. associada à crença na perpetuidade da dinastia davídica. comandam o exército.Mas estou falando de outro despreparo. eram Siquém. como um fenômeno estritamente dependente de uma oportunidade política"[8]. antiga cidade-fortaleza jebuséia. o que. Betel. Guilgal etc. de fato. representantes do poder da corte davídica de Jerusalém. como sabemos através de 2Sm 8. algumas providências significativas foram tomadas. foi uma manobra davídica para dar legitimidade à sua cidade (cf. sob Salomão. sem ligação com as tradições tribais. onde o poder real se constitui a partir das lideranças tribais.26-35).

C.C. Judá sabia. Israel e Judá. que enfrentaria. A vocação de Jeremias. o 89 e o 132. A. com o tempo. moradia de Iahweh.. fortalecido pela centralização do culto. porém. os testemunhos dramáticos dos profetas Habacuc. Isto interessava aos poderes dominantes. como o 2. mais cedo ou mais tarde. por exemplo. especialmente do Templo. Foi ele. pois garantia seus privilégios a curto prazo. Como vimos. referendada pelo profeta Natã (2Sm 7). e Jeremias. expressão máxima desta teologia. quem a iniciou. São Paulo.. mais a nação se apegava ao dogma da inviolabilidade da cidade. que atuou incansavelmente desde 627 a. a ameaça sem limites do poderio babilônico. 19972. mais uma vez. Nascido profeta.VV.. os "anciãos de Judá" vão perdendo sua liderança. acerca desta época. provavelmente. PIXLEY: "Essa nova teologia não foi. como aconteceu. o fim de seu país e indo morrer no Egito por volta de 580 a. Textos do Antigo Oriente Médio. Esta teologia pode ser vista também em vários salmos. com a morte de Josias quase tudo se perdeu: o poder real sob Joaquim tornou-se extremamente despótico e o Templo. J. É neste contexto que se desenvolve uma teologia da perpetuidade da dinastia davídica. Paulus. que garante a inviolabilidade de Jerusalém. Elaborada pelos sacerdotes associados ao poder real de Jerusalém. DA SILVA. . Diz J. Quanto mais próximo estava o desenlace da crise. observando os acontecimentos. angustiado. Os Salmos. gradualmente absorvidos pela monarquia e pela corte de Jerusalém. pois estes representam também orações e celebrações do Templo. Podemos acompanhar. Para uma leitura a partir dos pobres a teologia davídica é muito ambígua. e da sacralidade de Sião.. para amparar e legitimar sua opressão"[9]. que pregou entre 605 e 600 a. associou-se. até o dia de hoje são atribuídos majoritariamente à autoria de Davi. vendo.C. São Paulo. Leituras Recomendadas AA.assinala que. toda elaborada no tempo de Davi. podendo servir. aos desmandos da classe dominante enquanto a legitimava e ocultava suas práticas através da religião. obviamente esta teologia apareceria nos salmos.

. Sheffield Academic Press. Kentucky.. A Época Persa e as Conquistas de Alexandre Em 334 a. 73-90. 6. 20049... a análise de PIXLEY. Vozes. (ed. p. Sheffield. A história de Israel a partir dos pobres. 20049. 211-224. G. DONNER. ibidem. Louisville. GRABBE. Vozes. Idem... Sinodal/Vozes. Gli Anziani in Giuda. [7]. rei da Macedônia. [9]. H. em Biblica 64 (1983). G. PIXLEY. S. 1998. pp. Petrópolis. 1992. pp. J. 19792. 1993.). 54-79.. pp. PIXLEY. The Israelites in History and Tradition. I tempi dell'Antico Testamento. 233. entra com seus exércitos na Ásia Menor. 47-73. Aos 23 anos de idade. 31-43. Brescia. J.C. 1998.. P. HERMANN. 363-442. Lester L. pp. pp. N. p. Leading Captivity Captive.. 30. A história de Israel a partir dos pobres. em Biblica 64 (1983). NEXT [6]. depois de controlar toda a Grécia. J. Cf. ‘The Exile’ as History and Ideology. Storia d'Israele. Queriniana. Alexandre. o. 1997 [20043]. o . LEMCHE. Petrópolis. ECHEGARAY. Westminster John Knox. BETTENZOLI. São Leopoldo. c. pp. [8]. Vozes. O Crescente Fértil e a Bíblia. Petrópolis. História de Israel e dos povos vizinhos II. Gli Anziani di Israele..Paulus. pp. 143-188. J.

a guerra quase nunca pára.C.C. pertencente à V satrapia persa.C. Política que foi iniciada por Filipe II e desenvolvida de modo brilhante por seu filho. Estamos no ano de 333 a.macedônio derrota o principal exército persa em Isso. De 431 a. The Perseus Project 6.? qual é a situação da Judéia no momento da anexação? O Projeto Perseu é uma enorme biblioteca digital sobre o mundo da Grécia antiga.C. sem maiores problemas. Na Fenícia e na Palestina somente as cidades de Tiro e Gaza oferecem a Alexandre alguma resistência: Tiro resiste heroicamente a 7 meses de cerco e Gaza. de volta. a 338 a. cai após 2 meses. responder às seguintes questões: qual é a situação da Grécia no século IV a.C. é anexada ao novo império. As interrogações que afloram neste ponto dizem respeito à situação da Grécia no século IV a. vai acontecer sem interrupções significativas. E. A guerra é uma das principais características da Grécia do século IV a. e o controle macedônio de todo o Oriente. a do helenismo. Persépolis e além. A Situação da Grécia e a Política Macedônia O declínio da cidade-estado grega acontece antes mesmo de seu confronto com a Macedônia. Tentarei. assim. Susa.C. Durante estas campanhas.C. toda a Palestina. até o vale do rio Indo.cerca de um século . data da vitória de Filipe II na batalha de Queronéia .. É o fim do Império Persa e o começo de uma nova era. e qual é a política de Filipe II? qual é o roteiro das conquistas de Alexandre Magno? quem é Alexandre e quais são seus objetivos? como acontece a anexação da Judéia por Alexandre em 332 a. A rota das conquistas de Alexandre passa pela Síria. Palestina. Use-a para este capítulo. fiel aos persas.. . começo da guerra do Peloponeso. Inclusive a comunidade judaica que vive em Jerusalém e arredores. e à política macedônia que possibilita a Alexandre a conquista do imenso Império Persa. em direção à Babilônia. Egito. Fenícia.1.

Atenas, no século V a.C., guiada por Címon e Péricles, torna-se uma potência imperial. Mas confronta-se com Esparta, dando origem à guerra do Peloponeso, que dura de 431 a 404 a.C., quando Atenas é derrotada. A guerra do Peloponeso "foi em seus aspectos mais importantes uma luta entre Atenas, um Estado democrático e uma potência marítima, que havia convertido a Confederação Délia (concebida para resistir aos persas) num império sob seu próprio comando, de um lado, e do outro a maioria dos Estados do Peloponeso conjuntamente com a Boiotia [= Beócia] e liderados por Esparta, uma potência oligárquica e conservadora, cujas forças terrestres constituíam o exército mais aguerrido da época"[1]. Esparta, senhora do mundo grego a partir de 404 a.C., cai rapidamente, especialmente porque sua estrutura institucional não lhe permite manter um império. O número de cidadãos espartanos, que é de cerca de 8.000 em 480 a.C., chega a cair para apenas 2.000 em 371 a.C. As causas podem ser vistas nas perdas da guerra, na concentração da terra em poucas mãos e na perda da Messênia, libertada pelo tebano Epaminondas em 370-369 a.C. Esparta perde sua hegemonia, definitivamente, na batalha de Leuctras, em 371 a.C., derrotada por Tebas. "Esparta não passará, desde então, de uma cidade de segunda categoria, limitada na sua ação ao Peloponeso, sobre o qual nunca mais conseguirá restabelecer a sua antiga dominação"[2]. Tebas sucede a Esparta na hegemonia sobre a Grécia, mas cai em 362 a.C., na batalha de Mantinéia - embora vitoriosa - quando morre seu célebre general Epaminondas. Em seguida, Tebas favorece os desígnios de Filipe II em relação à Grécia, mas acaba se aliando a Atenas, quando Filipe a ameaça. Termina derrotada pelo rei macedônio, em Queronéia, em 338 a.C. Posteriormente, em 335 a.C., Alexandre Magno reduz Tebas a ruínas. A batalha de Queronéia marca o fim da independência da Grécia[3]. No século IV a.C., por toda a Grécia, começa a emergir fortemente o contraste entre os ideais democráticos prometidos pelas constituições das cidades e a desigualdade criada pelas condições econômicas e sociais. O grande orador ateniense Demóstenes, em discurso de defesa pronunciado em 352 a.C., deixa bem claro esta situação: "Outrora, a cidade era rica, era magnífica, digo a cidade, pois entre os particulares, ninguém se elevava por cima da massa (...) Hoje, todos os

profissionais da vida pública têm, em privado, tal abundância de bens que mandam, por vezes, construir casas particulares mais imponentes do que muitos edifícios públicos; alguns compraram mais terras que aquelas que vós todos possuís, no tribunal"[4] O aumento dos mercenários é outro indício da desintegração da pólis grega. Ganhar a vida nos exércitos pagos pelos grandes reinos, seja a Pérsia ou outro qualquer, é a única saída para milhares de gregos empobrecidos. Estes homens perdem suas raízes cívicas, pois o exército é a única cidade que eles conhecem, ao mesmo tempo em que as cidades gregas perdem o controle da função militar. Há ainda inúmeros aspectos que poderiam ser analisados. Mas, enfim, vale apenas observar que os pensadores políticos do século IV a.C. começam a ficar sensíveis às tendências monárquicas, refletindo a evolução da época. "O poder efetivo passa cada vez mais das velhas cidades para os soberanos, gregos e não-gregos, que possuem os meios financeiros para assegurar a força militar que escapa às cidades. Ao perderem o controle da função militar, as cidades perdem igualmente a iniciativa política"[5]. Qual é a solução para o problema social da Grécia? Os gregos devem conquistar uma parte da Ásia, aí se instalarem, e submeter as populações locais à exploração do trabalho. Este será o projeto do macedônio Filipe II, realizado por seu filho Alexandre Magno. A Macedônia, com sua capital Pela, está situada ao norte da Grécia e é apenas semi-grega. Gregos de origem, os macedônios vivem, entretanto, em contato permanente com populações não-gregas, razão porque os atenienses, por exemplo, os qualificam como bárbaros. Na verdade sua língua é um dialeto grego com forte infusão de vocábulos estrangeiros e não é compreendido pelos gregos. Somente a aristocracia macedônia fala e escreve o grego ático. Mas os macedônios pertencem ao mesmo grupo étnico dos dórios e talvez tenham se originado de clãs ilírios ou trácios misturados com populações não-arianas... Da Macedônia arcaica quase nada sabemos. Mas, segundo o padrão conhecido dos dórios primitivos, os macedônios deveriam formar tribos de pastores parcialmente nômades, cada uma chefiada por um rei simultaneamente líder guerreiro e religioso -, um conselho de anciãos e uma assembléia. Com o tempo uma das tribos acaba controlando as outras.

No século VII a.C. estrangeiros se estabelecem entre os macedônios e acontece uma expansão de seu território e a consolidação de uma monarquia que se sustenta na aristocracia dos grandes proprietários de terra. A partir do contato e das alianças com a Pérsia, sob as pressões do persa Dario I (521-486 a.C.), o Estado macedônio absorve instituições políticas e militares do grande império oriental e se fortalece progressivamente até a época de Filipe II [6]. Filipe II, filho do rei Amintas, governa a Macedônia de 359 a 336 a.C. Tendo sido educado em Tebas, assimila a mentalidade grega clássica e também estuda as reformas militares de Epaminondas. As táticas militares deste grande comandante tebano, nascido por volta de 420 a.C., foram o segredo da (breve) hegemonia de Tebas sobre a Grécia, como vimos acima. Filipe II percebe que é necessário abrir à sua pátria os caminhos do mar Egeu, pois a região litorânea, com várias cidades autônomas, como Olinto, ou com cidades ligadas a Atenas, nunca tinha se submetido ao controle macedônio. Outro passo de Filipe II: a reorganização do exército macedônio. Especialmente a falange tebana, que é adaptada para fins ofensivos, tornando-se o principal instrumento de suas vitórias e das vitórias de Alexandre Magno. Filipe II "criou a infantaria `média' formada de macedônios e de mercenários ligeiramente armados: arqueiros, fundibulários, cavalaria onde serviam principalmente os nobres da Tessália e cavalaria ligeira empregada para reconhecimentos, tropas especialmente preparadas com meios adequados para o cerco e por fim a guarda real, tirada da infantaria"[7]. Filipe II cria o serviço militar obrigatório e profissionaliza o exército. Um corpo permanente de oficiais assessora o rei nas questões militares. Filipe II conquista a hegemonia sobre a Grécia. Faz uma política extremamente eficiente, sem escrúpulos, explorando as rivalidades entre as cidades gregas até se apresentar como a única alternativa possível para a solução dos conflitos. "Filipe II foi um excelente estrategista e um tático, homem de Estado e negociador perigoso, sabendo usar da corrupção, da mentira, da fraqueza ou da divisão dos adversários e do amor da paz em outros povos para os anestesiar e depois conquistar"[8]. Diante da ofensiva de Filipe II sobre a Grécia, três reações atenienses são típicas e servem para clarear a situação então vivida pelos gregos.

A primeira é a de Demóstenes, famoso orador, o maior opositor de Filipe II e principal porta-voz da democracia ateniense. Demóstenes vê na hegemonia da Macedônia o maior dos riscos que a Grécia corre e faz de tudo para impedi-la. Demóstenes, considerado o maior dos oradores gregos, nasce em Atenas em 382 a.C. e morre em 322 a.C. Temos hoje 61 discursos atribuídos a Demóstenes, mas é possível que alguns deles não sejam autênticos. Entre seus discursos destacam-se as quatro "Filípicas" - pronunciadas contra Filipe II -, as três "Olínticas" (também contra Filipe II), e a "Oração da Coroa", pronunciada em 330 a.C. (contra Ésquines), considerado o maior discurso do maior dos oradores[9]. Em maio de 341 a.C., diante da crescente ameaça representada por Filipe II, que utiliza vários subterfúgios para se intrigar com Atenas e destruí-la, Demóstenes pronuncia a "Terceira Filípica", na qual tenta alertar os atenienses para o perigo iminente. Entre outras coisas, ele aborda as transformações ocorridas na arte militar do século IV a.C. e chama a atenção para as suas conseqüências. Vejamos um trecho. "É verdade que os que querem consolar a cidade lhe pronunciam este discurso simplório: Filipe, dizem, não tem ainda o poder que outrora tinham os Lacedemônios [os espartanos] quando eram os senhores do mar e de todo o continente, quando tinham o Grande Rei [o rei da Pérsia] por aliado e ninguém lhes resistia. E, no entanto, a cidade fez-lhes frente, não foi dominada. Quanto a mim, constatando que tudo, por assim dizer, progrediu em dimensão, que o presente já nada se parece com o passado, penso que foram as coisas da guerra que conheceram as maiores mutações e o maior progresso. Primeiro que tudo, nada me diz que outrora os Lacedemônios, tal como todos os outros gregos, invadissem um país para lhe devastar o território com os seus hoplitas e os seus exércitos de cidadãos, a não ser quatro ou cinco meses por ano, durante a estação quente; após o que regressavam a casa. Além disso, tinham um comportamento tão arcaico, ou antes cívico, que não compravam qualquer serviço a ninguém; faziam uma guerra regular e aberta. Hoje, vós o presenciais, foram os traidores que tudo perdeu ou quase; as batalhas campais não servem para nada, e dizem-vos que Filipe se encontra aqui ou ali, onde ele quer, e não com uma falange de hoplitas; não, tropas ligeiras, cavaleiros, arqueiros, mercenários, eis o exército que lhe segue as passadas. Quando, por outro lado, ele cai sobre um povo minado por um mal interior e que não ousa sair dos muros para defender o seu território devido à desconfiança que aí reina, ele assesta as suas baterias e cerca a

Em 330 a. em troca. após seis anos de tramitação do processo. torna-se famoso orador em Atenas. por força da lei. E Ésquines não consegue desmentir seu rival e acusador. para ele. . onde tenta provar que Ésquines é um traidor da pátria. Diametralmente oposta à de Demóstenes é a atitude de Ésquines.C.. méritos que ele não possuía e serviços que ele não prestara"[11]. foi também um ousado protesto do povo ateniense. Devem ter pesado na decisão dos atenienses. de origem modesta. Ésquines. moveu uma ação contra Ctesifonte. o Grande já era o senhor do mundo de então. 2º porque a coroação. que se torna colaborador dos macedônios e destes recebe.. que a cidade conceda uma coroa de ouro a Demóstenes. Temos dele três discursos: Contra Tímarcos. tolerando o poder divorciado do direito'"[12]. Demóstenes acusa-o. além de determinada quantia em dinheiro. comprado pelo ouro de Filipe II. e 3º porque Ctesifonte estaria atribuindo a Demóstenes.C. afirmações de Demóstenes como esta: `Ninguém até hoje foi capaz. e morrido provavelmente em 314 a. O cidadão ateniense Ctesifonte propõe ao povo. por seus serviços prestados à pátria na sua luta contra a hegemonia macedônia. de persuadir Atenas a aceitar a servidão.C. deveria ter lugar na praça pública ou no Senado e não no teatro de Dionísio como pretendia Ctesifonte. É o grande adversário de Demóstenes e um fato bem o ilustra. E abstenho-me de analisar o fato de que. amantes da liberdade. significativas vantagens materiais. certa vez. de ter se enriquecido. tendo nascido por volta de 390 a. Demóstenes vence. "Essa vitória não foi somente o reconhecimento dos serviços prestados pelo orador a Atenas. recebendo de Filipe II terras na Macedônia.cidade. e isso quando Alexandre. no projeto em que propunha a concessão da coroa de ouro. Sobre a Embaixada e Contra Ctesifonte. desde o início dos tempos. acusando-o de haver violado a Constituição por três motivos: 1º porque Demóstenes ainda não havia prestado contas de sua gestão em importante cargo público. em 336 a. É então que Ésquines pronuncia o discurso "Contra Ctesifonte" e Demóstenes responde com sua "A Oração da Coroa". "Ésquines. os dois oradores se enfrentam.C. premiando o mais destemido adversário do expansionismo macedônio. partidário da facção macedônia e rival do autor da Oração da Coroa nas lides oratórias e na vida pública. não há qualquer diferença entre o verão e o inverno e que também não há para ele estação reservada onde interrompa as operações"[10].

verbete Guerra do Peloponeso. NEXT [1]. 1987. Segundo Isócrates. P. Esparta não é a esperança.A terceira posição sobre a questão da hegemonia macedônia sobre a Grécia é a de Isócrates[13]. As cidades devem entender-se para combater o bárbaro e estender sobre toda a Ásia as leis da civilização da Grécia. . No "Panegírico" Isócrates pede a Atenas e a Esparta que esqueçam suas rivalidades e se unam contra a Pérsia: "É muito melhor fazer a guerra contra o Grande Reino do que disputarmos a nós próprios a hegemonia. segundo Isócrates. O mal é a desunião dos gregos. tendo por suporte valores do passado. outras por concepções utópicas políticas e históricas. Não chega já de um passado em que nem sequer se sabe que catástrofe nos faltou?"[14] "Feito o diagnóstico. de alto teor moral e inegável desinteresse mas não menos perigosas para a independência e a liberdade dos cidadãos"[16]. outras aceitando esse imperialismo e constituindo-se numa variedade de colaboracionismo vulgar [ Ésquines]. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. que agora desmorona.. Rio de Janeiro. a de Isócrates. O "Filipe". escrito em 346 a. a uma má democracia e cometera o erro de fundar um império pela força. verdadeira "capital" da Grécia. Todos lutam contra todos. Tebas também não. HARVEY. Jorge Zahar.C. Isócrates quer se ver livre da pressão e do domínio persas. no caso a de Demóstenes. Para isso é necessário que admitam uma direção única e que restabeleçam uma hegemonia necessária. Isócrates considerou que bastava a união para reparar todos os males. Isso é o que dá poder à Pérsia. É necessário que esta expedição seja feita pela geração atual a fim de que aqueles que conheceram juntos a infelicidade sejam também os que gozem a felicidade e não passem todo o seu tempo no infortúnio. Quem deve exercer essa hegemonia?"[15]. "Vemos assim que a unidade da Grécia podia ser concebida de muitas formas. Atenas. que nem é um combatente da resistência como Demóstenes. está submetida. umas baseadas na democracia da cidade e levando à resistência a um imperialismo. nem um colaboracionista como Ésquines.. Filipe II é a solução. é uma exortação ao macedônio para que assuma o comando dos gregos contra os bárbaros.

75-80. e a vontade. M. 161: "Demóstenes era democrata.. Zahar. P. diz que "a agricultura a tal ponto se comercializa que a grande propriedade se reconstitui pela progressiva evicção dos pequenos camponeses e pela concentração das parcelas de terra entre as mesmas mãos". verbete Demóstenes. Terceira Filípica.. Para isso ele reclama duas coisas: o respeito à lei.. mas precisamente por essa razão parecia-lhe que o verdadeiro remédio para todos os males possíveis seria o fortalecimento dos costumes democráticos. c. [3]. Rio de Janeiro. 1973. o. Edições 70. Nancy. pp. 257. J. I. 1978. M.. 216. AUSTIN. Cf.. M. J. também FINLEY. a condição política da Grécia só pode ser definida pela palavra anarquia'". P... 1984. 9-12. Cf. 1980. verbete Tebas. o. [7]. comenta: "Quando a liga espartana se desintegrou e Tebas estava ficando cada vez mais fraca. o. p. Université de Nancy II. HARVEY. de aceitar suas responsabilidades". 155-164. Lisboa./VIDAL-NAQUET. Esta autora observa na p. 23.[2]. Difel. GLOTZ. c. M.. 21. DE ROMILLY. Alexandre. P./VIDAL-NAQUET. DEMÓSTENES. HARVEY. [4]. . P. pp. 217: "Na Grécia. Cf. História da Grécia. p.-C. 1973. Essai sur les origines du mythe d'Alexandre (336-270 av. São Paulo./VIDAL-NAQUET. 1986. GOUKOWSKY. 132-134... ROSTOVTZEFF. A cidade grega. Fundamentos de literatura grega. 325. P.. 47-50. P. Zahar. c. Rio de Janeiro 1984. cf. [6]. [9].. c. p. AUSTIN. M. o Grande.. Economia e sociedade na Grécia antiga. P. o texto em AUSTIN. Cf. DEMÓSTENES.. P. P.. o texto em AUSTIN.. o. Os gregos antigos. o. [10]. comenta sobre a "Terceira Filípica": "Esta é uma das mais belas orações de Demóstenes. E acrescenta na p. p. G.. c. Sobre Demóstenes. Lisboa.. M. c. pp. o. [8].) I. HARVEY.. P. Contra Aristócrates. São Paulo. Editora Três. verbete Demóstenes. p. da parte do povo. pp. 206ss. [5]. a democracia mostrou-se incapaz de criar uma forma de governo que deveria reconciliar o individualismo característico do país com as condições essenciais à existência de um Estado poderoso. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina./VIDAL-NAQUET. DE CASTRO. 143. 312. marcada por um tom de gravidade e profunda preocupação". p. Edições 70. p. Cf. DE CASTRO.

c..[11]. 6.. provavelmente por ocasião do Festival Olímpico. c. p.. É preciso perguntarmos agora: quem é Alexandre? Por que Alexandre invade a Ásia? Quais são os seus propósitos? Segundo os historiadores antigos.. p. M. o. O mais famoso é o "Panegírico".. p. 313. [15]. vive entre 436 e 338 a. informou-se da extensão das estradas e da natureza da viagem pelo interior. Seus discursos políticos pregam a unidade grega. 6. introdução a DEMÓSTENES. M. 30. Nas palavras de Plutarco: "Chegaram embaixadores do rei da Pérsia. [12]. publicado em 380 a. como o seguinte narrado por Plutarco. [13].C. Isócrates. Ediouro. E para ilustrar isso contam certos episódios. Quem é Alexandre Magno? A cronologia das conquistas de Alexandre não é suficiente para se entender o macedônio e suas atitudes. [14].. [16]. DE CASTRO. p. Rio de Janeiro. Idem. Cf.. 166ss. DA GAMA CURY.. 6-7. Panegírico. o texto em AUSTIN./VIDAL-NAQUET. não lhes fez perguntas pueris e banais. o. Tratou-os com simpatia. o. P. ISÓCRATES. de como o rei mesmo procedia nas guerras. Assim. estando ausente seu pai. Alexandre é um jovem brilhante. 29. pp. quando Filipe estava ausente em viagem. Temos dele vinte e um discursos e nove cartas. P. ele os entreteve de maneira cativante. ele ainda adolescente. s/d. da combatividade e poderio da Pérsia. Certa vez. c.C. outro grande orador ateniense. DE CASTRO. recebe embaixadores persas e trata-os de maneira tão cativante que faz fama. ibidem.3. eles ficaram admirados e acharam que a falada capacidade de Filipe nada era comparada com a iniciativa do filho e sua tendência às grandes empresas"[21]. A Oração da Coroa. . certa vez. P.

antes de tudo. caiu em si e.. emitindo profundos suspiros"[23]. cansado de clamar e lastimar. seu amigo e companheiro. o risco é de: 1º) dar explicações psicológicas para fatos históricos ou sociais. Passou a noite e o dia seguinte a chorar perdidamente. onde quem deve falar..nada têm a temer. pois.e da mãe Olímpia. é necessário que leiamos tais narrativas com olhos críticos. logo se lhe dissipou a cólera. que o insulta durante um banquete. totalmente imoderada. a personalidade de Alexandre através da dupla influência do pai Filipe . E que tudo o que tinham antes continuarão a ter.pelo menos aparente. Em contraste com a irracionalidade deste episódio . 2º) fazer falsa psicologia. apolínio. quando ele já é senhor do Oriente: "Então. por fim. Aqui.Naturalmente.) . pois Plutarco é do século I d.C. a esposa e as duas filhas moças de Dario . por causa do poder. pois é muito difícil determinar as causas de certos comportamentos de personalidades famosas da antigüidade apenas através de narrativas não muito próximas aos acontecimentos e condicionadas por inúmeros fatores que precisam ser primeiro explicitados[22]. dada a exaltação e a "furores divinos". regrado pela disciplina militar e pela educação grega . O brilhantismo de suas conquistas costuma ser retroprojetado para sua infância e adolescência. como fica evidente no final deste trecho. é muito grande. trata-a com a maior deferência e humanidade. e que elas . rapidamente arrancou a lança do cadáver e tê-la-ia cravado na própria garganta se não o contivessem os seus guardas pessoais. como veremos adiante. Ao vê-lo tombar gemendo e rugindo. dionisíaca. "Ele permitiu sepultassem todos os mortos persas que elas quisessem. a família de Dario. Alexandre. há razões políticas para o assassinato de Clito -. o mesmo Plutarco nos conta que ao aprisionar. que vinha ao seu encontro afastando o reposteiro da porta. é o historiador ou o sociólogo. diante dos amigos emudecidos e parados. após a batalha de Isso.a mãe.espírito moderado. com ela traspassou Clito. tomando a lança de um de seus guardas. Um dos episódios que costumam ser citados para ilustrar a personalidade de Alexandre é o da morte de Clito. Diz-lhes que sua guerra é com Dario. e a fama de Alexandre. nesta época . não as privou da mínima parte dos cuidados e honras a que estavam habituadas (. manteve-se calado. tirando dos despojos as roupas e adornos fúnebres. às vezes. agarrando-lhe os braços e conduzindo-o à força para os aposentos. Costuma-se explicar.

É considerado por muitos como o pai da historiografia ocidental. rei da Pérsia. O assunto de sua história é a luta entre a Ásia e a Grécia. Xenofonte. segundo conta Onesícrito"[25]. pedagogos e professores. Heródoto nasce aproximadamente em 480 a. Alexandre ordena que se poupe a casa de Píndaro. Estuda.C. Xenofonte. Entre suas odes mais notáveis estão as Odes Olímpicas e as Odes Píticas. . em Halicarnasso. nem conheceu. No castelo de Mieza. rapidamente. moral. entre eles o filósofo Aristóteles. entre outros. quem são estes autores que o jovem Alexandre lê. próxima a Pela. conhecida como Ilíada do Escrínio. ateniense. Aristóteles orienta Alexandre durante 4 anos.Alexandre aparentemente considerava mais próprio de rei vencer a si mesmo que ao inimigo.C. retórica. o Jovem e seus 10 mil gregos contra seu irmão Artaxerxes II. Vejamos. geografia. das quais hoje sobrevivem 18 tragédias e um drama satírico. são as suas leituras. Píndaro. mas temos apenas cerca de um quarto de sua obra. Além de Homero. Historiador e militar. não lhes tocou.C. antes de casar..C. "Considerava e chamava a Ilíada um vade-mecum da arte da guerra. narrativa em prosa da expedição de Ciro. nasce perto de Tebas por volta de 522 a. Alexandre tem vários preceptores. e conservava-a sempre junto com o punhal debaixo do travesseiro. adotou a versão corrigida por Aristóteles. Escreve 17 livros. medicina. Textos dos autores gregos? Escolha: em grego ou inglês! Eurípedes nasce em Salamina por volta de 485 a. sua obra mais conhecida é a Anábasis (= escalada). outra mulher além de Barsina"[24]. nasce por volta de 430 a. e morre em 406 a. Píndaro. Quando destrói Tebas em 335 a. Alexandre leva nas suas campanhas uma edição da Ilíada anotada por Aristóteles. Tucídides. na época ainda sem a fama que mais tarde o caracteriza. Grande dramaturgo que escreve 82 peças. A educação ministrada a Alexandre por Aristóteles é a típica de um jovem grego. metafísica. Eurípedes. dialética. com Aristóteles.C. famoso poeta lírico. Heródoto. Homero é a leitura básica.C.

existindo apenas uma versão árabe. que imagina ser a comunidade política mais apta a proporcionar ao cidadão a vida em sua plenitude (. e a ele ser o soberano. que há uma família inteira (ou mesmo algum cidadão) de tal forma proeminente sobre as outras em qualidades que superam as de todas as outras.C.. Aristóteles discute a ciência política do ponto de vista da cidade-estado. ao conquistar o Império Persa.. uma das mais importantes obras históricas de todos os tempos por sua imparcialidade e seu método científico[26]. embora não na mesma superioridade). então. aproximadamente. observa P.. não é natural que a parte se sobreponha ao todo. mas não a paridade entre gregos e bárbaros que Alexandre deseja e começa mais tarde. e um homem dotado dessa superioridade excepcional é como um todo em relação à parte. Do ponto de vista político. não em alternância. nem sequer que ele passe à condição de súdito quando fora a sua vez. mas com o próprio direito mencionado anteriormente. historiador ateniense. mas de modo absoluto"[28]. pois como foi dito antes isto se coaduna não apenas com o direito geralmente argüido pelos fundadores de governos aristocráticos e oligárquicos. então é justo que esta família seja uma família real.Tucídides.é óbvio . nem mesmo . "Nos oito livros da 'Política'. cujo original grego se perdeu. Na verdade.condenar tal homem ao ostracismo..C. Aristóteles preconiza a unidade grega e a vitória sobre os persas. não teria cabimento matar ou banir. Harvey[27]. Logo. escrita provavelmente no final de 328 a. Escreve a história da guerra do Peloponeso. A carta é um programa de governo e Aristóteles recomenda a Alexandre que abandone suas tendências orientalizantes e volte a servir os gregos. Na "Política" diz Aristóteles: "Quando acontece. Eis os seus pontos principais: . porém descobre o tipo mais elevado de forma de governo na monarquia do governante perfeito. e que este cidadão seja um rei. soberana sobre todos. e também pelos criadores de governos democráticos (todos baseiam suas pretensões na superioridade. se houve um governante dessa qualidade".) Aristóteles reconhece as vantagens da democracia. vive entre 460 e 400 a. resta apenas à comunidade obedecer a tal homem. O pensamento político de Aristóteles pode ser visto de maneira clara em uma Carta do filósofo a Alexandre.

Alexandre deve se afastar dos maus conselheiros que tendem a fazer dele um tirano que não segue a justiça. deve fazerse amar e ser respeitado pelos gregos e macedônios. dando assim continuidade ao projeto de seu . As vitórias de Alexandre geraram a paz e. exercendo a função de legislador e fundador de cidades[29].é preciso lembrar que o macedônio é excelente soldado e estrategista brilhante. Alguns acreditam que é para vingar as afrontas de Xerxes contra os gregos em 480 a. da Tessália e da Ática. vence-os com lances de genialidade e ousadia.C. Como ele é agora o soberano de muitos povos.C. pois grande número de cidades gregas dependem dele. em 479 a. após derrotarem sua frota em Salamina. sendo sua autoridade universal e seu poder ilimitado. Os nobres persas devem ser deportados para a Grécia para que a paz seja mantida. com a adesão voluntária dos gregos. poderão dedicar-se à filosofia. Apesar dos conselhos de Aristóteles .que Alexandre não seguirá . ele pode conseguir que os homens obedeçam à Lei. chegando a tomar Atenas. os gregos conseguem repelir Xerxes em Platéias e em Mícales.C. às vezes contra os conselhos de seus melhores generais que recomendam maior prudência. Por isso. Alexandre deve estar atento ao fato de que é mais glorioso governar homens livres [gregos] do que escravos [orientais] e que uma glória duradoura não pode ser construída só com empreendimentos militares. sem mais conflitos internos. em setembro de 480 a. da Macedônia. Outros acreditam que o objetivo inicial de Alexandre seja o de libertar as cidades gregas da Ásia Menor. O que se impõe perguntarmos agora é o seguinte: quais são os objetivos de Alexandre ao invadir a Ásia e se confrontar com o Império Persa? As opiniões dos historiadores são variadas a respeito[30]. quando este rei persa avançara através da Trácia.o o o o Alexandre deve preferir a atividade legisladora à glória das armas. Os gregos.. Enfrentando exércitos persas muito superiores aos seus.. Alexandre deve se voltar para os gregos. criando na Grécia um Estado pan-helênico. Somente no ano seguinte. Vários episódios de luta e coragem são contados a seu respeito.

. Mas as circunstâncias levam-no a isto.pai Filipe II que já enviara para lá um exército de 10 mil homens comandado por Parmênion e que está prestes a ser empurrado de volta para o mar. Alexandre necessita de uma burocracia persa para administrar os territórios conquistados e precisa de exércitos nativos para sustentar as conquistas. Goukowsky demonstra. Se a perseguição a Dario não continuasse após a volta do Egito. após as conquistas das regiões mais diretamente persas. ou então era preciso associar as populações autóctones à sua administração. Foi fácil vencer o enorme exército de Dario em Isso. Aliás.a Grécia e a Ásia Menor continuariam ameaçadas. "De duas uma: ou a própria amplidão de suas conquistas o obrigaria a deter-se. É certo que não faz parte do plano original do macedônio. A possibilidade de fusão das culturas grega e persa deve ter surgido provavelmente como conseqüência e necessidade. É bem provável que a conquista de todo o Império Persa não faça parte de seus planos originais. Parece que a própria lógica da conquista é que leva avante sua expedição. mas se não fossem anuladas as suas possibilidades navais ao longo da Fenícia e da Palestina daí a razão do duro cerco de Tiro e a tomada de Gaza . Como ele assume cada vez mais o modelo persa de governar e viver. que as práticas e as teorias do absolutismo político persa são revestidas por Alexandre de um verniz grego. Histórias.C. tornando possível o exercício da monarquia absoluta com vocação universal. na sua análise do mito de Alexandre.. seus contemporâneos gregos e macedônios não o vêem com bons olhos. mais tarde Alexandre teria que se medir com ele para sustentar as suas conquistas asiáticas. na sua maioria inventadas. P. nem um capricho: era uma necessidade"[31]. Parece-lhes que o objetivo inicial da Liga de Corinto foi abandonado e as conquistas do brilhante jovem macedônio nenhum benefício lhes trazem. A imagem de um Alexandre defensor do helenismo só surgirá no século II a. questão interessante é a do mito de Alexandre. frente à ameaça romana[32]. A reconciliação greco-persa não era uma quimera. criadas após o tremendo sucesso de suas campanhas e o fascínio de sua figura de herói que conquista o mundo e morre jovem sem usufruir do poder e da riqueza que acumulara.

a noiva [Olímpia] sonhou que. "Na noite anterior à das núpcias. mandou chamar. de quem procura imitar as façanhas sobre-humanas.Entretanto. Do mesmo gênero "apócrifo" é o caso do cavalo Bucéfalo. tinha já a resposta que dela desejava"[36]. foi a Delfos. em seu detalhado estudo das origens do mito de Alexandre. Goukowsky observa. no Egito identificado a Amon. a pitonisa chefe. contudo. primeiramente. a Macedônia é pequena para ti"[35]. grassaram por toda a parte e por fim se apagaram. por sua vez. procura para ti um reino compatível com o teu valor. pensava. nos quais não é lícito dar consultas. sonhou que aplicava sua chancela no ventre da esposa e a gravura da chancela. ela exclamou: `Filho. finalmente. Por acaso. certa vez. eram dias de mau agouro. lhe caía um raio sobre o ventre. menção o episódio de sua visita a Delfos. Consta que Alexandre se vê como privilegiado herói. Alexandre declarou não precisar de outro oráculo. alegando a lei. tornando viável o desenvolvimento de seus projetos orientalizantes[33]. onde teria ido consultar o oráculo acerca de sua expedição à Ásia. NEXT . Quando a arrastava à força para o templo. deitado com sua mulher. da chaga brotou um fogo violento. que o próprio conquistador constrói cuidadosamente esta imagem de super-herói que lhe rende altos dividendos políticos. foi ele em pessoa buscá-la. Garanhão indomável. Ouvindo isso. irromperam labaredas. filho de Zeus. É ainda Plutarco quem diz que. Além de se considerar descendente de Héracles. "Desejando ouvir o oráculo a respeito de sua expedição. em meio a um trovão. Ela recusou-se. como que subjugada por seu arrebatamento. Merece. Filipe. a quem vai reverenciar e consultar no oásis líbio de Siwah. depois do casamento. era a figura dum leão"[34]. P. O que narra Plutarco acerca de sua origem é uma espécie de "evangelho da infância" que legitima este mito de sua filiação divina. Então. mais tarde. obedece prontamente a Alexandre e provoca a seguinte "previsão" de seu pai: "Meu filho. ninguém pode contigo'. Filipe II viu uma serpente estendida sobre o corpo de Olímpia: símbolo do deus.

. A imaginação sociológica. P. p. Cultrix. O assunto é a cólera de Aquiles.. J. 19843. pp. . 47. p.BENOIST-MÉCHIN. Teorias da história. Cf. pp. PLUTARCO. WRIGHT MILLS. B.. 19826. pp.. Zahar. 8.C. pp.. 51-52. Alexandre. Cf. Vozes. LÉVÊQUE. por volta de 1200 a. XI. pp. C. O mundo helenístico. pp. Idem. em o. Du Cerf. 50-55. c. Zahar. 155. Homero é provavelmente do século IX a. em 24 cantos. 141. P. Rio de Janeiro. em Vidas. São Paulo. c.. 1288a. GOUKOWSKY. [27].Cf. em o.-135 a. p. Alexandre. Fundamentos da literatura grega.). [29]. HARVEY. Essai sur les origines du mythe d'Alexandre I. Paris. P. Rio de Janeiro. 143. Brasília. Cf.. Política III. feita por Plutarco.. 181. 15-90. em o. pp. 1983. BERGER. Alexandre. P. e sua linguagem o relaciona com os dialetos jônio e eólio da Ásia Menor. [25].C. Homero é o maior poeta épico grego. [26]. Lisboa. verbete Aristóteles. no seu décimo ano. PLUTARCO. Cf.. c. s/d. c. causada por uma afronta cometida contra ele por Agamêmnon.. Observe-se no final deste texto a avaliação moralizante do comportamento de Alexandre.. BOTTOMORE. [28]. 17-43. p. líder das forças gregas. autor da "Ilíada" e da "Odisséia". P. P. 19882. [31]. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. 1985. Histoire d'Israel III.. Alexandre. Perspectivas sociológicas.. nos respectivos verbetes. 156-178. DE ROMILLY. A Ilíada. o. Petrópolis. [22]. PLUTARCO. Editora da UnB. Lisboa. GOUKOWSKY. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a. 117-118. C. 19899. 1987. T. PLUTARCO. SAULNIER.. conta um episódio do cerco de Tróia (também chamada Ílion) pelos gregos. Introdução à sociologia. [24].C. 11-12.. Edições 70. pp.D. esta é uma característica marcante dos autores da época imperial romana. ibidem. [30].[21]. 5. ARISTÓTELES. 69-71. p. [23]. 21. Uma visão humanística. Aliás. J. Fundação Calouste Gulbenkian.. Alexandre Magno. GARDINER. 73-74.

[36]. 17-68. [33]. . cujo rei devia estar muito irritado com a sua recente desobediência"[37]. [34]. [35]. O texto prossegue dizendo que o sumo sacerdote. encheu-se de angústia e temor. em trajes de festa. em 332 a. PLUTARCO... Idem. 148. ao encontro de Alexandre. em o. ibidem. pp. A Anexação da Judéia por Alexandre Durante as campanhas de Alexandre contra Tiro e Gaza. 14. em o. segundo a qual ele deve ir. 69-78. Cf. c. 6. pelo menos. e acrescentou que os judeus não teriam nada a temer. parcialmente transcrito. O sumo sacerdote respondeu aos mensageiros que tinha prometido com juramento a Dario que não pegaria em armas contra ele. Idem. Alexandre. 138. 142. GOUKOWSKY. a principal fonte que possuímos é um texto de Flávio Josefo. c. p. p. dizendo tê-lo visto em sonhos e por isso pensa que vencerá Dario e quebrará o poder dos persas. Alexandre tomou Damasco. Alexandre se encolerizou muito (.. pp. aceitando a amizade dos macedônios. que merece ser.[32].4. De lá enviou uma carta ao sumo sacerdote dos judeus. não sabendo como se apresentar aos macedônios.. a Palestina é anexada ao novo império. Alexandre prostra-se diante do sumo sacerdote.C. Isto feito.. c. 2. 6. P. Ouvindo isto. com os sacerdotes. e que não ia faltar à palavra jurada enquanto Dario fosse vivo. suplica a Deus e deste recebe uma mensagem em sonhos.) Depois de tomar Gaza.. Sobre a atitude de Jerusalém para com Alexandre. Alexandre. Idem.. em apuros. "Chegando à Síria. que fornecesse provisões para o seu exército e que. Cf. lhe mandasse os presentes que costumava mandar a Dario. p. em o. O sumo sacerdote Jadus.. c. Alexandre. ao ouvir isto. Alexandre se apressou em subir a Jerusalém. apoderou-se de Sidônia e cercou Tiro. pedindo-lhe que lhe mandasse reforços. o.

A punição determinada por Alexandre. Acontece. 6. inclusive. o do sumo sacerdote e o de Alexandre. a pedido do sumo sacerdote. A Situação da Judéia no Momento da Anexação . C. Saulnier observa sobre este texto que "a referência às profecias de Daniel. que fica fora de sua rota em direção ao Egito. Entretanto. uma revolta. em um círculo filo-heleno. O que ele pode ter feito foi enviar até lá um de seus oficiais para obter a submissão da comunidade judaica aos novos senhores da região. regida pela Torá e ligada ao Templo. este último. quando o prefeito de Alexandre na Síria.Alexandre vai ao Templo. o texto é importante. O texto de Flávio Josefo é fantasioso e está construído sobre temas típicos: a proteção divina dispensada ao Templo e ao povo fiel a Iahweh. As disposições tomadas por Alexandre a respeito do povo judeu. porém.5. é queimado vivo pelos samaritanos. Deste texto deduz-se que a situação da Judéia sob Alexandre permanece a mesma vigente na época persa: a comunidade continua governada pelo sumo sacerdote. provavelmente alexandrino. onde sacrifica a Deus. é terrível. Anexada sem maiores problemas. ao voltar do Egito. legitimando as suas conquistas como vontade de Iahweh. acontece. indica que a história deve ter sido forjada aí pela metade do século II. que Alexandre jamais esteve em Jerusalém ou na Judéia. em seguida. são plausíveis: o o o "a liberdade de viverem segundo as leis de seus pais" "a isenção de impostos a cada sete anos" "que os judeus de Babilônia e da Média vivessem segundo suas próprias leis". Samaria é destruída e no lugar se estabelece uma colônia macedônia. Já em Samaria a situação é diferente. se ela não foi introduzida pelo próprio Flávio Josefo. na medida em que mostra a boa acolhida de Alexandre entre os judeus e as expectativas que suas conquistas criam para o pequeno distrito governado pelo Templo. Andrômaco. os sonhos. e depois atende a vários pedidos do sumo sacerdote em benefício de seu povo. sob a inspiração de romances gregos e mais especialmente do romance de Alexandre"[38].

em 332 a. do persa para o grego.. Segundo H. O clã é constituído por uma agrupamento de famílias ampliadas (beth-'âbhoth) que moram na mesma região e se auxiliam tanto no setor social quanto no econômico. O que acontece a partir da época persa é que a família (beth-'abh) vai tornar-se a unidade econômica fundamental. não altera significativamente a vida judaica e as condições econômicas e políticas vigentes. a propriedade é comunal e não pode ser vendida. G. Daí . já que a "mudança de dono". em circunstâncias específicas. uma tribo[40]. finalmente. sendo a irrigação possível apenas na planície. constituindo uma comunidade jurídica local[39]. Somente no nordeste é que ele se estende um pouco pela planície do Jordão. a linha de descendência corre de pai para filho é unidade de convocação do exército tribal caracteriza-se pela residência comum de seus membros transmite o direito de posse por herança: a terra. e de maneira pouco feliz para os judeus. Kippenberg. gerando uma solidariedade de sangue muito coesa tem regras específicas de casamento. Pois na região montanhosa o cultivo depende das chuvas. deixando o clã em segundo plano[41]. enfim. a mishpâhâh: o o o o o o o o é um grupo de descendência patrilinear. ou seja. ocupa quase que só a região montanhosa da Judéia. esta condição geográfica vai determinar a produção de alimentos. que se esclareça a situação da Judéia no momento da anexação. com preferência pelo casamento entre primos patrilineares e com a obrigatoriedade do dote integra. Ora. Pattai e E.100 km2 apenas. Por que isto acontece? Terá surgido algum progresso econômico que ameaça as relações de parentesco da sociedade judaica? O pequeno distrito de Judá. citando R.C. mas deve ser mantida em poder do grupo através da herança de pai para filho é formada de famílias ampliadas seus membros têm responsabilidade mútua. com cerca de 1. Meyer.É preciso. A sociedade israelita tradicional sempre se fundamentara no clã (mishpâhâh). os rebanhos.

como a oliveira. cuja produção era inferior à relação de 1:4 (plantio/colheita). como do fator troca"[44]. portanto. como vimos.estar comprometida a rentabilidade da lavoura. Se um campo era usado para esta ou aquela cultura.5 hectares de plantações de oliveiras. Os casos da Ática. exige um certo capital. e da Itália. Kippenberg: "As plantações de oliveiras podiam ser feitas em terrenos que para o cultivo do trigo não eram muito vantajosos.25 hectares de campo.C. Só que aqui a terra é calcária. que calculavam a relação de uma pessoa para cada 6. desenvolvendo-se. no dia de sábado. As encostas íngremes das montanhas do leste praticamente impossibilitam o aproveitamento da terra. mas de uma para cada 7. O cultivo da oliveira é menos trabalhoso do que o do trigo. nos séculos VII e VI a. nos ensinam que o tipo de aproveitamento da terra. dependia de dois fatores: da existência de uma aristocracia que dispusesse de dinheiro para investir na produção agrícola e da possibilidade de troca de derivados da azeitona e da uva pelo trigo. mercadorias ou qualquer espécie de víveres. Só que aí há um problema: este tipo de cultivo exige riqueza. davam mais lucro se fossem aproveitados como bosques de oliveira ou como vinhedo"[43]. apenas plantas de raízes profundas. A terra adequada para o plantio de cereais é a terra-roxa. Ne 10.. E pode ser feito. em terrenos ruins para o trigo. rica em ferro. G. . seus mantimentos.32 diz: "Se os povos do país trouxerem para vender. "O produtor de oliveiras era obrigado a vender seu produto a troco de alimentos. na Grécia. ele mesmo. como o da Judéia. enquanto que a região que desce para a planície costeira é mais favorável. Elas exigiam menos trabalho do que o cultivo do campo. a parreira e a figueira. numa região de poucas chuvas. enquanto o agricultor produzia. Vamos acompanhar H. já que a oliveira só começa a dar lucro 10 anos depois de plantada. dependia tanto do fator riqueza. Pelo menos é o que afirmam os agrônomos latinos. Este fator troca já é testemunhado no tempo de Neemias. e esta os judeus não controlam mais[42]. nada compararemos em dia de sábado ou em dia santificado". em geral. Terrenos.

deram ao tesouro de culto sessenta e uma mil dracmas de ouro. "A dracma de ouro pesava cerca de 8.69 diz a respeito das oferendas feitas ao Templo após a volta dos exilados: "Segundo suas posses. dado a enorme extensão do Império Persa. Dario cria um sistema que permite calcular receitas e despesas e regulariza os tributos com a criação da moeda[47]. daí serem mais práticas no uso quotidiano as moedas de prata yehud que pesam 2. Elas eram trocadas na proporção de 1 por 20. .C. duas mil minas de prata e sessenta e sete túnicas sacerdotais".08 g. correspondendo à correlação de 1 por 13 entre ouro e prata"[46]. A Judéia usa também as moedas de prata de Atenas e da Pérsia e as moedas yehud. cinco mil minas de prata e cem túnicas sacerdotais". possuem valor bem menor.70-71 também diz: "Alguns chefes de família depuseram no cofre das obras vinte mil dracmas de ouro e duas mil e duzentas minas de prata. os dáricos. Esd 2. E Ne 7. e. As primeiras moedas citadas no AT são as dracmas persas de ouro. os habitantes da Judéia devem produzir derivados de azeitona e vinho para trocar pelo trigo. Sabemos também que. Neste caso.. cunhadas na região. para serem mandados para as batalhas. de múltiplas nacionalidades. de prata. especialmente.6 g. não há soldados persas suficientes para guarnecer todas as províncias e. Por que Dario manda cunhar moedas? Heródoto nos informa: no tempo de Ciro e de Cambises não havia determinações fixas sobre o tributo devido pelas províncias do Império Persa. o siclo de prata persa 5. É necessário a contratação de grande quantidade de mercenários. Para pagá-los o Estado precisa de dinheiro. cunhadas por Dario I após 517 a.É possível que a produção de trigo da Judéia seja insuficiente para o consumo e que este comércio feito pelo 'am ha'arez inclua a venda de trigo produzido em outra região.4 g. As doações feitas pelo resto do povo atingiram o montante de vinte mil dracmas de ouro. portanto. Uma dracma de ouro vale 300 litros de cevada. Outra coisa que caracteriza esta época persa é a propagação da moeda na Judéia[45].

quando os judeus se queixam da situação a Neemias: "Tivemos que tomar dinheiro emprestado penhorando nossos campos e vinhas para pagar o tributo do rei". porque nossos campos e nossas vinhas já pertencem a outros'".C.995 quilos de prata[48]. ora.4. É o que apresenta Ne 5. e há entre nossas filhas algumas que já são escravas! Não podemos fazer nada.1-5 testemunha o conflito social que explode na Judéia no século V a. deve pagar à Pérsia 350 talentos de prata por ano. além do gado. excedentes ou não. . e adquirir prata para pagar o tributo persa. Vendem cevada e derivados da oliveira e da videira. penhorando nossos campos e vinhas para pagar o tributo do rei. para podermos comer e sobreviver'. Assim. Para vender o excedente. os judeus. Neste texto observamos três grupos de queixosos[50]: o o o o primeiro grupo penhora seus filhos para receber alimentos o segundo hipoteca suas terras na época da fome o terceiro grupo. devem vender seus produtos agrícolas. o que compensa é o cultivo de oliveiras e videiras. tem que vender seus filhos como escravos. temos a mesma carne que nossos irmãos e nossos filhos são como os deles: no entanto. à qual pertence a Judéia. entretanto. Esta situação econômica gera graves conseqüências sociais: os agricultores judeus precisam diminuir o número de familiares que vivem da renda da terra e investir em produtos que dêem mais lucro. Ne 5. a V satrapia persa. Acontece que os moradores da Judéia não têm minas de prata. temos que entregar à escravidão nossos filhos e filhas. por não ter pago os impostos. o equivalente a 11. Outros diziam: `Temos que empenhar nossos campos. Outros ainda diziam: `Tivemos que tomar dinheiro emprestado.Segundo Heródoto. Não havendo grande produção de cevada na Judéia. dependem de negociantes estrangeiros[49]. Uns diziam: `Somos obrigados a penhorar nossos filhos e nossas filhas para receber trigo.: "Levantou-se uma grande queixa entre os homens do povo e suas mulheres contra seus irmãos. vinhas e casas para receber trigo durante a penúria'.

. Os escravos devem receber provisões da parte do seu senhor para sobreviver como pessoas livres. acaba na escravidão. Ao contrário da escravidão por dívida. "Se os produtores não tiverem condições de conseguir uma produção em seus campos que satisfaça sua fome.11. para que não sejam de novo forçados à escravidão por dívidas. ao dinheiro. como nos diz Ne 5. vinhas. depois a terra. No sétimo ano tu o deixarás ir em liberdade". Talvez porque a lei estipulada no livro do Êxodo não estivesse sendo obedecida. Ou seja: o credor tem direito aos produtos excedentes. O caso de segundo grupo é o daqueles que possuem campos. for vendido a ti. hebreu ou hebréia. A penhora permite o ataque direto do credor à propriedade e à família do devedor. de fato.Há determinada seqüência na formação da dependência: primeiro penhoram-se os filhos (escravidão).2-4 e Dt 15. tampouco existem restrições quanto a se permitir que a família do escravo seja alforriada.C. Vamos ler Mq 2. ele te servirá por seis anos. e merecem algo por seus anos de trabalho"[51]. ao vinho e ao óleo. quando o profeta diz que os credores podem se apropriar com facilidade dos campos e das casas dos outros e. prevista nas leis de Ex 21. Se observarmos bem. este ato é definitivo e irreversível"[53]. esta legislação de Dt 15. . eles os roubam.12-18.2-4.1: "Ai daqueles que planejam iniqüidade e que tramam o mal nos seus leitos! Ao amanhecer eles o praticam porque que está no poder de sua mão. A penhora dos filhos é a `arabah. Trata-se de uma penhora que transfere ao credor o usufruto da terra e não a sua propriedade. é mais avançada do que aquela. Diz Dt 15. 12-18. o fazem. posterior à do Ex 21. Se cobiçam campos.12: "Quando um dos teus irmãos. casas e oliveiras e têm que empenhá-los numa situação de penúria[52]. É o mesmo caso denunciado por Miquéias no século VIII a. Se o camponês que penhora sua produção não produzir o suficiente. ao trigo. correm o risco de serem vendidos como escravos. "Agora as mulheres recebem o mesmo direito à liberdade.

repreendi os nobres (horîm) e os magistrados (seghânîm) nestes termos: `Que fardo cada um de vós impõe a seu irmão!'"[55]. Kippenberg. Finalizo com H. Que escolha tinham estes camponeses. Eles são importantes para a formação de classes somente quando se tornam instrumentos dos relativamente mais ricos ou mais poderosos para criar novas dependências. "E ainda mais. Neemias declara uma anistia. divisão de heranças. a . senão vender seus filhos e filhas como escravos?"[54]. como aparece em Ne 5.6-12 é que os credores dos quais os judeus dependem são seus irmãos de sangue e são pessoas de posses e classe alta. eles as tomam. como conseqüência. deterioração da terra ou mau tempo. este imposto tinha que ser pago em moedas.7: "Tendo deliberado comigo mesmo. pois o comércio de escravos no Mediterrâneo está em pleno florescimento. G. eles oprimem o varão e sua casa o homem e sua herança". G. segundo a qual os credores devem renunciar às rendas das terras hipotecadas. como: o o o o o piora da qualidade da terra mau tempo que prejudicou a colheita crescimento do número de familiares divisão e diminuição das terras por causa da herança exigências estatais de pagamentos de impostos. para apossar-se de imóveis ou para vender escravos"[56]. a crise do tempo de Neemias. pode ter tido vários motivos. Segundo H. E o que é denunciado em Ne 5. Diz Ne 5. cujos campos e vinhedos já estavam hipotecados. Por que a repreensão de Neemias? É que o endividamento tem como objetivo vender ao estrangeiro o judeu empobrecido. Kippenberg. excluindo. que observa: "Endividamento e principalmente insolvência não são frutos vindos diretamente de fatores como coação demográfica.se casas.

Lisboa/São Paulo. P. J. Lisboa. São Paulo. GLOTZ. HERÓDOTO. Lisboa. I. P. P. Alexandre Magno. L. O mundo helenístico. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. Harvard University Press. Política . Os gregos antigos. 1986. Nancy. Edições 70. L. M. H. Rio de Janeiro.. G.. Porto. 1984. J. DE CASTRO. 1978-1981. ou na edição inglesa.). 1973. 1987. Isto se a lei tiver funcionado. Alexandre. BENOIST-MÉCHIN.. M. 1980. Leituras Recomendadas ARISTÓTELES. Difel. Lisboa. 1988. 1980. 1976.. AUSTIN. o Grande. São Paulo.) I-II. em um volume. Edições 70.escravidão do judeu ao estrangeiro. Lello & Irmão. G. Anabasis Alexandri. História. pela SCM Press. Massachusetts. PLUTARCO. São Paulo. 2 vols.. Economia e sociedade na Grécia antiga. P. Alexandre. 138199. ORLANDI (org. A cidade grega. Essai sur les origines du mythe d'Alexandre (336270 av.. Paulus. Edições 70. em Vidas Paralelas IV. Cambridge. Judaism from Cyrus to Hadrian I-II. Brasília. Religião e formação de classes na antiga Judéia. Fortress Press. HARVEY. São Paulo. Brasília. em Vidas... Jorge Zahar. 1994. LÉVÊQUE. 1992. Minneapolis. 19882./VIDAL-NAQUET. Editora Três. Editora da UnB. ARRIAN. Editora da UnB. Alexandre. 1985. PLUTARCO. s/d. GOUKOWSKY. Université de Nancy II... o que não sabemos. São Paulo.-C. 1987. pp. P. . KIPPENBERG. Cultrix. 1989-1996. Verbo. FINLEY.. Alexandre Magno. GRABBE..

Idem. pp. G. NEXT [37]. M. ibidem. M. Histoire d'Israel III. O texto em questão pode ser lido em PAUL. como medida de valor na .. 40-50.. Cf. [43]. 46-47. [44]. G.C. La Nuova Italia. 1992.. Paris.. 317ss. Firenze. 22-28.. 1981. Paris.PAUMAPE. p. 1250-1050 a. c. O dinheiro. Persia and the Bible. As tribos de Iahweh. KIPPENBERG. SAULNIER. sobrinho de Aristóteles. H.. Uma sociologia da religião de Israel liberto.D. Storia economica e sociale del mondo ellenistico I. [39]. Paulus. 10-12.. Paulus. H.. pp. 133-208. São Paulo. p.). Histoire d'Israel III.-135 a. JOSEFO. 63-64. [1990]. MI.. 42. Baker Books... Seguirei. F. c. no Anexo Tardio ao Meguillat Taanit (= Rolo dos Jejuns) e no Talmud da Babilônia (Yoma 69a). 348. também ABEL. São Paulo. K. [40]. XI. SAULNIER. atribuídas a Calístenes. Cf. A. o. [38].).. 1983.. [45].. KIPPENBERG.C. Du Cerf. pp. 1996. 44. para esta questão. H. E. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a. Idem. que se cristalizam por volta do século III d. [42]. ROSTOVZEV. ibidem. História política. 1952. Cf. 43-44. [41].C.M. 1986. São Paulo. Religião e formação de classes na antiga Judéia. Paulus. Antiquitates Iudaicae. chama a atenção para a diferença entre dinheiro e moeda. C. 1988. pp. GOTTWALD. N. Além de Flávio Josefo. Gabalda. pp. C. p. o encontro do sumo sacerdote de Jerusalém com Alexandre é narrado também na "Recensão C do Pseudo-Calístenes" (um conjunto de lendas sobre Alexandre. YAMAUCHI. F. a excelente análise de KIPPENBERG. p. G. Cf. pp. 1985. O judaísmo tardio. Idem. pp. o. 71. ibidem. Grand Rapids. Histoire de la Palestine depuis la conquête d'Alexandre jusqu'a l'invasion arabe I.

Idem. fundamentada na relação de parentesco. isenta de tributos). H. No Israel antigo caracteriza-se a riqueza pela posse do gado. [48]. É em Ne 5.. 53-72. HERÓDOTO.. pp. 1985. 47. Cambises era duro e insensível e Ciros era generoso e se preocupava com o bem-estar de seus súditos". e o Egito (à exceção da parte pertencente aos árabes. pois Dareios negociava com tudo. [47]. Desapropriação e escravidão não são compatíveis com esta ordem jurídica. H. Diz Heródoto: "No reinado de Ciros. 50. p. ibidem. KIPPENBERG. c. G.. o shekel. Cf. Não roubarás. o. Cf. os persas chamaram Dareios de mascate. . Editora da UnB. oliveiras e casas e perdoai-lhes a dívida do dinheiro. o. também VENDRAME. p. Cf. 180. 41. sendo o pagamento feito em presentes. 89. já existe bem antes da moeda. Comunidade e propriedade na tradição bíblica. a parte da Síria chamada Palestina. Brasília. [50]. 91. do vinho e do óleo que haveis emprestado". KIPPENBERG. Cambises de déspota e Ciros de pai. assim como a prata... p. [56]. p. HERÓDOTO. e Chipre". [52]. História III. G. H. C.troca de produtos. do trigo. diz: "A região situada entre Posidêon. G. Loyola. R. ibidem. o. [55]. A queixa dos camponeses é baseada no conceito de solidariedade judaica.. 1986. Por causa da fixação dos tributos e de outras medidas análogas. pp. Cf. H. GNUSE. História III. pagava trezentos e cinqüenta talentos e constituía a quinta província.. uma cidade fundada na fronteira da Cilícia com a Síria por Anfílocos. Idem. [46]. c. c. p. Ática. [54]. não havia tributo fixo. o.. c. 54-55. pp. pp. É usado também o ouro. A escravidão na Bíblia. e posteriormente no de Cambises. São Paulo. vinhas. G. pesado segundo o método sumério-babilônico. KIPPENBERG. c. 179-180. para o que se segue. [53]. O conceito de irmão ('âh) designa o membro de uma sociedade solidária. KIPPENBERG. o.11 que se fala nas oliveiras: "Restitui-lhes sem demora seus campos. 56. [51]. [49].. São Paulo. que abrangia toda a Fenícia. filho de Anfiáraos.. 58. na forma de peças de enfeite.. p. 112-199. 1981..

na sua luta pela posse da Celessíria. Os dados são escassos e problemáticos. A cidade possui. por exemplo. Qual é a situação da Palestina neste período de 22 anos de conflito entre os herdeiros de Alexandre? É claro que há uma enorme dificuldade de se seguir uma política coerente. dois dos cinco bairros da cidade são ocupados prioritariamente por judeus. crianças.7. Entre 323 e 301 a. deportando alguns milhares de judeus para o Egito. seja sob o comando de Pérdicas. Antípater. C. tais situações acabam aumentando espetacularmente o número de judeus no Egito. é muito difícil calcular a população judaica da diáspora. na época romana. traficantes de despojos. . Em Alexandria. pois milhares de civis acompanham as tropas: mercadores. mulheres. toma Jerusalém em 312 a. porém. Daí as desgraças que atingem a região: pilhagens. pois os senhores da região mudam constantemente. cerca de 1 milhão de habitantes e a comunidade judaica alcança o significativo número de 200 a 400 mil pessoas[8]..C. Ptolomeu I. Eumênio ou Antígono. A maioria é destinada ao trabalho escravo das minas e da agricultura[7]. Os veteranos se fixam nas colônias militares. escravos. acaba ficando bem no centro das disputas entre os diádocos. Apesar das atribulações. A região da Síria. somadas às migrações e aos mercenários. na verdade. Entretanto. sustento das guarnições etc.C. as guerras trazem também alguns benefícios para a região. Junto com o exército vem o comércio. produz uma movimentação política e econômica incomum na Palestina. desmantelamento de defesas e bens imóveis para prejudicar o inimigo.2.. fazendo da diáspora alexandrina a maior comunidade judaica fora de Israel. A Situação da Palestina de 323 a 301 a. Aliás. requisições. núcleos de futuras cidades. a Palestina é cruzada cerca de oito vezes por exércitos em luta. A presença do exército macedônio. deportações..

A 3ª guerra síria (246-241 a. talvez assassinado por Laodice. O acordo e o casamento são realizados. Durante todo este tempo Ptolomeus e Selêucidas lutam pela Síria. Todo o episódio é extremamente confuso pela quase total ausência de documentos[11]. porque não podem se sentir seguros no Egito se suas fronteiras não estiverem protegidas pela Celessíria. Mas este deve repudiar sua esposa Laodice e os filhos que teve com ela. após a morte de Antíoco II. para sucedê-lo -. A região da Celessíria fica fora da guerra. por Laodice. Antíoco II retoma as cidades da Ásia Menor que Ptolomeu II incorporara ao seu reino.pois esquadras são montadas e destruídas fazem prosperar as cidades da costa[9]. menos a Cária. A paz é feita quando Ptolomeu II cede aos Selêucidas suas possessões da Ásia Menor. A guerra começa com a invasão da Síria por Ptolomeu II. Só que alguns anos depois. e dá sua filha Berenice em casamento a Antíoco II. a Macedônia. além disso. Ptolomeu III invade a Síria e obtém grandes vitórias.C.ou talvez chamado por ela em seu socorro. nomeia Selêuco. quando Antíoco II ao morrer em Éfeso. de Alexandria. A 1ª guerra síria (274-271 a.3. a médio prazo. chegando até a Mesopotâmia.C. Motivado pelo assassinato de sua irmã Berenice .C. A 2ª guerra síria (260-253 a.) acontece entre Ptolomeu III Evergetes e Selêuco II Calínicos. de Antioquia. direito a ser reivindicado na hora certa. seu filho mais velho com Laodice. 7.) coloca frente a frente Ptolomeu II Filadelfo e Antíoco II Theos. Deste conflito decorrem as chamadas "guerras sírias"[10]. As Guerras Sírias entre Ptolomeus e Selêucidas O domínio dos Ptolomeus sobre a Celessíria dura 103 anos. onde vivia Laodice. com certeza. E também por razões comerciais: a posse dos portos da Celessíria lhes garante o controle do Mediterrâneo Oriental e a ligação com a terra-mãe. agora. que é repelido. assim. . Parece que Ptolomeu II procura construir. Os Ptolomeus. um direito dinástico sobre o reino dos Selêucidas. Berenice e seu filho são assassinados.A guerra coloca em circulação.) é um confronto entre Ptolomeu II Filadelfo. Os Selêucidas lutam pela região porque precisam cortar as bases dos Ptolomeus instaladas na costa da Ásia Menor. desaparecido em circunstâncias misteriosas. e Antíoco I Soter. Outra invasão levao a algumas vitórias. As grandes construções navais . enormes quantias de dinheiro.

selêucida e ptolomaico. por isso. Ptolomeu V. os dois exércitos. A 5ª guerra síria (202-198 a. O Egito só não é tomado porque Roma o proíbe a Antíoco III. Como é Alexandria? Qual é a sua relação com o Egito? Como vivem aí os judeus? Alexandria está localizada a oeste do delta do Nilo. Em 219 a. Há. no istmo entre o Mar Mediterrâneo e o lago Mareótis. porém. o Grande: Antíoco III tenta tomar a Celessíria. e Antíoco III é derrotado. planejam reparti-lo entre si. com os nomes das 5 primeiras letras do alfabeto grego.. em 198 a.C. a não ser em Gaza. um período de relativa paz. entretanto. Agátocles é assassinado e Scopas dirige o exército ptolomaico que.C. será.Selêuco II. 7. o herdeiro. tem apenas 5 anos de idade. de dono.C. Quando morre Ptolomeu IV Filopator. Antíoco III avança novamente através da Celessíria e vence cidade após cidade. até atravessar a Palestina em 218 a.C. mas é repelido por Ptolomeu III. O plano da cidade é do ródio . no sul da Palestina. mas uma vez. Selêuco II tenta tomar a Celessíria. A Celessíria. Antíoco III e Filipe V. Alexandria tem 5 bairros.C. tem um perímetro de mais de 15 km. é totalmente derrotado por Antíoco III em Panion (Baniyas).C. travam grande batalha perto de Ráfia. que favorece o desenvolvimento da região sob a administração ptolomaica.C.). Construída segundo uma forma alongada. Alexandria e os Judeus O governo dos Ptolomeus se faz a partir de Alexandria. da Macedônia. Antíoco III invade a Celessíria e quase não encontra resistência. Estas três primeiras guerras sírias quase não afetam a região de Judá. Com o Egito assim enfraquecido. Em seguida. consegue retomar as cidades conquistadas pelos Ptolomeus. no norte da Palestina. A tutela e a regência ficam com os ministros Sosíbio e Agátocles. Em 217 a. selêucida.) se dá entre Ptolomeu V Epífanes e Antíoco III. perto do braço canópico do Nilo. A Celessíria retorna às mãos dos Ptolomeus. o Grande. daqui para a frente.C. mas é barrado pelas forças ptolomaicas no ano de 221 a. O crescimento econômico acontece especialmente sob o governo de Ptolomeu II Filadelfo (285-246 a. A 4ª guerra síria (221-217 a.) é entre Ptolomeu IV Filopator e Antíoco III. E os judeus de Jerusalém mudam. a forma de uma clâmide12.4.

O porto é dividido em dois pelo Heptastádio. a maior e mais célebre das bibliotecas da antigüidade. o habitat"[13]. a biblioteca.C. A tradição liga-o ao nome de Hipódamo de Mileto. mas compreenderam que. Este plano é conhecido como hipodâmico. o museu e o teatro. Como explica P.. Os monumentos que se destacam em Alexandria são o ginásio. que vive na corte de Ptolomeu II Filadelfo. da Alexandria submersa O Museu. de nome Timão. anexo ou próximo à biblioteca. Em 47 a. O Farol. aliás.C.Deinócrates: duas vias principais de 30 metros de largura cruzam-se em ângulos retos. bairros especiais para o porto. próxima ao Museu. que vive em Atenas. um filósofo (pitagórico?) que de fato parece ter sintetizado as pesquisas anteriores efetuadas especialmente nas cidades coloniais. é fundada por Ptolomeu I e notavelmente aumentada por Ptolomeu II. para dominá-los.250 metros que liga a ilha de Faros à terra firme. como virá a ser o caso nas criações romanas. segundo autores antigos. por acidente. cerca de 40 mil volumes são destruídos pelo fogo. gramático latino do século II d. como Aulo Gélio. "o urbanismo hipodâmico apareceu cerca de 480. 2) o plano quer-se funcional e reserva. A biblioteca teria chegado a possuir cerca de 700 mil volumes. conquistador árabe da região. existam dois eixos principais.C. obra de Sóstrato de . A biblioteca de Alexandria. Canfora acredita que "os gregos não aprenderam a língua de seus novos súditos. Está fundado em dois princípios novos: 1) as ruas cortam-se em ângulo reto.C. a biblioteca teria sido queimada por ordem do califa Omar. é uma academia literária fundada por Ptolomeu II. o tribunal. Lévêque. é complementada por outra localizada no Serapeum (o templo de Serápis). era preciso entendê-los. chama o Museu de "gaiola das Musas". mas também como instrumento de dominação"[14]. o túmulo de Alexandre. feitas por Franck Goddio. os edifícios públicos. Localizada no bairro real. por exemplo. e que para entendê-los era necessário traduzir e reunir seus livros. Um poeta e filósofo satírico grego do século III a. um paredão de cerca de 1. E em 642 d. Veja aqui as recentes descobertas. O Museu é sustentado pelo Estado e ali os sábios convivem. o que produz uma disposição em tabuleiro de xadrez. onde "são criados uns garatujadores livrescos que se bicam eternamente"[15]. discutem e produzem a ciência da época. Assim nasceram bibliotecas reais em todas as capitais helênicas: não apenas como fator de prestígio. sem que.. L. o palácio.

Cnido. assim como palácios reais que ocupam um quarto ou um terço de sua superfície"[17].I. com efeito. suas dimensões.8 diz o seguinte: "A cidade tem a forma de uma clâmide. o rei dotou os habitantes de Alexandria de um clima temperado.1-5 descreve do seguinte modo as características de Alexandria: "Como decidira fundar no Egito uma grande cidade. Ela se estende de uma ponta a outra com um comprimento de quarenta estádios e uma largura de um pletro [cerca de 30 metros] e ela é toda ornada de edifícios suntuosos. tem três andares e 110 metros de altura. Alexandre ordenou também que se edificasse um palácio: esta grande e poderosa obra é também uma maravilha.52. que é de uma dimensão extraordinária e de uma solidez impressionante. Situada. mas há duas cuja largura excepcional excede um pletro [cerca de 30 metros] e que se cruzam em ângulo reto. Ela está muito favoravelmente situada perto do porto de Faros. Ele lançou igualmente as fundações da muralha. Uma vez medido o terreno e dividido em bairros segundo todas as regras da arte. entre eles Estrabão e Diodoro[16]: Estrabão XVII. e refrescam o ar da cidade. A cidade tem jardins públicos muito belos. faz com que ela seja atravessada pelo sopro dos ventos etésios.). praticamente todos os reis do Egito até hoje têm acrescentado ao palácio edifícios suntuosos. ela possui apenas duas vias terrestres de acesso. o rei deu à cidade o nome de Alexandria. Sua construção se dá no começo do reinado de Ptolomeu II Filadelfo (285-247 a. Como estes sopram sobre as vastas extensões do mar. estreitas e fáceis de vigiar. ótimo para a saúde. a . Todas as ruas permitem a circulação a cavalo ou de carro.C.5 km]. Enfim. enquanto que de largura os istmos encerrados entre o mar e o lago têm cada um de 7 a 8 estádios. Autores antigos nos falam de Alexandria. De fato. e o hábil traçado das ruas. cujos lados maiores são aqueles banhados pelas águas: eles têm cerca de 30 estádios [o equivalente a 5. Após Alexandre. uma maravilha por suas dimensões e sua beleza. casas e templos. A forma que ele lhe deu é bastante próxima à de uma clâmide. por sua beleza. Diodoro XVII. entre um grande lago e o mar. ele [Alexandre] ordenou às pessoas que deixou no local com esta missão que a edificassem entre o lago e o mar. que é obra do rei. com uma grande avenida que corta a cidade pelo meio. a cidade adquiriu em seguida uma tal extensão que muitas a consideram como a primeira do mundo. tirado de seu próprio nome.

vivendo depois em Siracusa.abundância das rendas públicas e de tudo aquilo que faz o prazer da existência. Hiparco. gramático e poeta.. Alexandria é uma cidade totalmente isolada do Egito. Entretanto. que vive em Alexandria no século III a.C. Do ponto de vista comercial exporta vários produtos do campo egípcio. diretor da biblioteca. Apolônio de Rodes. conquistada pelos Ptolomeus. de longe. três fatores explicam o enorme desenvolvimento de Alexandria: o o o é a capital dos Ptolomeus e toda a burocracia do reino lágida aí se concentra é o centro de intensa atividade econômica. um dos maiores matemáticos da Antigüidade. o único verdadeiro porto do Egito no Mediterrâneo. Seus bancos fazem crescer a receita real. não podem rivalizar com ela. calcula a duração do ano solar e cataloga estrelas. Píndaro etc. um dos diretores da biblioteca de Alexandria. ela ultrapassa. nascido em 190 a. que calcula a circunferência da terra. Euclides. E por aí afora[20].C.. que aí chegam por via terrestre e marítima[21]. Sua manutenção é garantida pelo abundante trigo egípcio. gramático que prepara edições críticas de Homero. C. Alexandrinos controlam a Celessíria. . gramático. pois as outras duas que têm o estatuto de pólis. famoso matemático. matemático e geógrafo. a corte e os gregos a serviço do rei são os clientes da indústria e do comércio. Alexandria é praticamente a única cidade do Egito. Arquimedes. Alexandria é um entreposto de produtos da África e do Oriente. que inventa a trigonometria. Lévêque. importa e exporta inúmeros produtos é um dos centros culturais mais importantes do mundo grego[19]. mas praticamente o Egito nada consome do que é produzido em Alexandria. Aristarco de Samotrácia. Náucratis e Ptolemaida. desenvolvendo a geometria e a teoria dos números. as outras"[18]. diretor da biblioteca. Segundo P. Hesíodo. provavelmente estuda em Alexandria. O rei. Zenódoto de Éfeso. outro diretor da biblioteca. Préaux assim resume o caráter específico da economia de Alexandria: a cidade vive em simbiose com o rei. Do ponto de vista cultural basta que nos lembremos de Eratóstenes.

a politeía.várias profissões: são soldados. . que é uma imagem medieval. Para os judeus. título que a administração real confirmava quase automaticamente.. Mais raramente comerciantes."[23]. É A. conhecida como a LXX. E nisto diferem da imagem clássica que temos do judeu. Esta Carta é o primeiro documento que menciona esta comunidade. os representantes da comunidade (kaì tôn apó tou politéumatos) e os chefes da população e disseram. o período dos Ptolomeus foi um pouco laxo neste ponto. O políteuma é um recurso que permite às comunidades preservarem sua cultura e seus direitos. É uma espécie de cidade dentro da cidade. Qual é a sua situação? Os judeus ocupam dois dos cinco bairros de Alexandria. têm um políteuma em Alexandria[22]. os anciãos da delegação de tradutores.é impossível[25].Já dissemos que os judeus são numerosos em Alexandria. A cidadania alexandrina exigiria do judeus um modo de vida que violaria as regras específicas da Lei judaica. Ser ""cidadão" e ser "diferente" . Os judeus têm em Alexandria um etnarca. Os judeus. Paul quem explica: "Segundo a tradição grega antiga. ou 'cidadania' grega total (isopoliteía) significava inegavelmente a apostasia"[26]. segundo a Carta de Aristéias a Filócrates. funcionários. À diferença da época romana. agricultores. especialmente no que se refere às práticas alimentares. Em Alexandria provavelmente era este o meio habitual para se obter legalmente o título de cidadão. E por isso os judeus não têm o título de cidadãos de Alexandria. Falando da leitura da versão grega da Bíblia. certamente escolhido pela comunidade e referendado pelo rei. como a própria etimologia do nome indica (do grego pólis = "cidade" + sufixo que indica o resultado da ação). em todo o Egito . O etnarca exerce funções administrativas e judiciárias. artesãos. com seus rigorosos critérios de raça. puseram-se de pé os sacerdotes. todavia..como são os judeus .pois não estão apenas em Alexandria . Não se sabe bem o alcance dessas funções judiciárias: as sentenças são executadas pela comunidade judaica ou por instâncias reais? O etnarca tem competência jurídica sobre todos os casos ou somente sobre aqueles em que a lei judaica difere do direito grego?[24]. diz o texto: "Enquanto se liam os rolos. a primeira condição para alguém adquirir a 'cidadania' ou a politeía era a educação recebida no ginásio com a formação específica no ephebeîon. Exercem.

São Paulo. c. [10]. pp. Epífanes etc . 63-87. c. Terpsicore. pp. 18-19. Urânia.... historiador grego romanizado do século I a. 233-238. 118-121.-M. Euterpe. ABEL. Companhia das Letras.... 2. pp.NEXT [7]. E.-M. Diodoro Sículo. L. [16]. PRÉAUX.. 139-155. Le monde hellénistique I. o. 146150. C. 286-287. Brasília. O nome "museu" vem das musas.. C. Histórias da biblioteca de Alexandria. [13]. Cada uma delas se relaciona com uma arte: Calíope. também PRÉAUX.. com a comédia. produz uma importante obra de geografia universal. Cf. PRÉAUX. LÉVÊQUE. c. F. Ptolomeu I. o. Estes títulos dos reis helenísticos . [9]. com a história. [8]. P. Após se instalar em Roma. Theos. o.-M. que na mitologia grega são as nove deusas da literatura e das artes. pp. 1982. PRÉAUX. c. Editora da UnB. Cf. Cf. 293311. CANFORA. ABEL. C. [12]. pp. com a tragédia.. F.234-261. 28. pp. por exemplo. vol. Cf. CANFORA. . F.. A clâmide é um manto grego que se prende por um broche no pescoço ou no ombro direito.C. a 20 d. p. C. o. c.C. Evergetes significa "Benfeitor". Melpomene. ABEL... o. pp. 194195. Cf.245-251. 4487. é chamado de Soter. pp. Cf.Soter. Polímnia. nota 3.. c. Erato. porque salvou os ródios de um cerco imposto por Demétrio. atribuídos por cidades às quais eles prestam algum serviço ou libertam de algum inimigo. WILL. com a poesia épica. o. [14]. pp. Epífanes é o "Manifesto". esta questão em SAULNIER.. 1989... XVI. em 29 a.lhes são. 30-32. c. L. o. 1985. História V. em geral. o. pp. C. com a música para lira. A biblioteca desaparecida.C. 63. Evergetes... pp. 26-44. c. 39-45. com a música para flauta. Cf. O mundo helenístico. pp. "Salvador". Sobre a 4ª e a 5ª guerras sírias temos boas informações em POLÍBIO. Estrabão é um geógrafo grego que vive de 63 a..C. 231-233. p. Histoire d'Israel III.. Theos é o "deus" etc. com os cantos sacros. [15]. 39-43.. com a astronomia e Talia. com a dança. 457-458. [11]. Filadelfo. Clio.

pp. C. A Administração Ptolomaica da Palestina Este sistema administrativo ptolomaico é também implantado na Palestina. Le monde hellénistique II. de fato. O judaísmo tardio.C. pp. Idem.. a discussão sobre a cidadania dos judeus de Alexandria em STERN. adorador de Zeus. A. "Etnarca" significa aquele que governa uma etnia. Cf. p. em 21 a. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I.. LÉVÊQUE. HARVEY. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. p. p.. C. ibidem. Cf. 310. Presses Universitaires de France... Le monde hellénistique.. J. entretanto a hipótese mais razoável parece ser a que se situa na metade do século II a. 1983. 510-511. CARTA DE ARISTEAS A FILÓCRATES. [18]. [25]. p. que escreve a seu amigo Filócrates para lhe relatar sua embaixada junto ao sumo sacerdote Eleazar.publica. Cf. A data desta obra é discutida. 454-455. em DIEZ MACHO. La Grèce et l'Orient (323146 av. "O autor se faz passar por um grego. 497. Trata-se. Cf.C. Cristiandad. M. 456. Apócrifos del Antiguo Testamento II. p. 69.. profundamente marcado pelas categorias do pensamento helênico. P. Cf. [22]. C. PRÉAUX. [26]. 119-120.". explica SAULNIER. Madrid. [24]. pp. respectivos verbetes. O mundo helenístico. Cf. PAUL. durante os 103 anos de domínio de Alexandria sobre a região. pp.. PRÉAUX. 61.6. Paris. PRÉAUX. p. A.. uma história universal que abrange desde os tempos mitológicos até a conquista da Gália por César (58-51 a. Cf. Histoire d'Israel III. Histoire d'Israel III. P. C.) [17]. [23]. Cf. de um escrito judeu. com . para esta questão. SAULNIER.. 7. [21].. Le monde hellénistique II.C. 365.. Mas. C. [20]. 359-360. [19]. 399-403.-C) II. 19882.

mas o distrito de Judá é considerado como "Estado do Templo". Será o conhecido Sinédrio da época de Jesus. no tempo dos Ptolomeus. com seus magistrados e seu território. Uma de suas funções é a de limitar o poder do sumo sacerdote. de Ortozia a Gaza o distrito do Templo de Jerusalém. Não há cidades livres. como Tiro. que tem seu nome mudado para Ptolemaida. Politicamente a região da Celessíria é composta das seguintes etnias: o o o o o o cidades fenícias ao longo da costa.algumas modificações. que já teria havido. uma assembléia aristocrática composta pelos chefes das famílias mais influentes. mas também as póleis mais significativas do interior. do direito de cobrar os impostos locais. O centro administrativo parece ser Acco. Os Ptolomeus implantam um sistema de arrendamento. Ou Marisa. Assim são as mais importantes cidades fenícias e palestinas. no sul e na Transjordânia. Sídon. pelos sacerdotes e pelos escribas do Templo. aos senhores estrangeiros. . na Iduméia e na Transjordânia não têm qualquer estatuto especial. a famílias ricas da terra. ao lado do sumo sacerdote. são inexoravelmente helenizadas. Os judeus que habitam na Galiléia. Gaza. Outra instituição que se desenvolve provavelmente durante o domínio ptolomaico é a gerousia (= senado). na Samaria como na Galiléia. no sentido da Grécia clássica. pois a estrutura social da região é diferente da egípcia e a complexidade política é maior. dentro do reino ptolomaico. por elas. da administração das finanças[38]. Acco-Ptolemaida. Ascalon. um oficial especial que se encarrega. repassados. incluindo as colônias militares macedônias as tribos dos nabateus e dos árabes. na Iduméia[37]. O modo de vida grego se implanta mais rapidamente nas cidades fenícias. Acredita-se. Mas há cidades que se aproximam do modelo da pólis grega. entretanto. território sagrado. onde valem as leis tradicionais do povo judeu e onde o sumo sacerdote é o chefe principal. Jope e Dor. tanto na Judéia quanto na Iduméia. com seu povo judeu os povos samaritano e idumeu grupos descendentes de cananeus e sírios várias cidades no interior.

ou o adquiriram de um ou outro modo. desta vez. na verdade estabelece um monopólio real na venda de homens livres. Os habitantes da Síria e da Fenícia.C. onde naquela época grassava a escravidão. É uma medida econômica. convém observar que o desenvolvimento econômico da região da Celessíria faz parte de uma estratégia política bem definida por parte dos Ptolomeus. também emitido por Ptolomeu II Filadelfo. G. dos quais já falei a propósito da crise agrária da época de Neemias. como se encontra na lei do arrendamento"[39]. Kippenberg observa a propósito: "Pode-se duvidar de que este decreto tenha realmente surtido efeito na Palestina. Ele é digno de nota porque legaliza a escravidão como conseqüência da inadimplência fiscal"[40]. mas também política. Muito próximo deste decreto é outro conservado na Carta de Aristeas a Filócrates. invadindo o território dos judeus . valendo o mesmo para as pessoas livres vendidas em leilões reais. a respeito dos judeus: "Ordem do rei. também daqueles sobre os quais já foi pronunciada a pena de execução. H. após declarar que podem ser conservadas as pessoas que já eram escravas antes da compra.De modo geral. exceto aqueles que o governador das rendas do Estado sírio ou fenício entregou ao processo de execução (prosbolé = arremate de propriedade a terceiros). aparentemente filantrópico. devem declará-lo e apresentá-lo ao ecônomo em qualquer hiparquia dentro de vinte dias após a publicação deste decreto". sob qualquer pretexto. provocando a indignação e a revolta das populações locais. porque a caça ao homem livre cria uma desordem perigosa na região. vender ou penhorar nativos livres. que compraram um nativo livre (sôma laikòn eleúteron) ou dele se apropriaram com violência.: "Ordem do rei. É bem ilustrativo da política ptolomaica para a região da Celessíria um decreto de Ptolomeu II Filadelfo. continua o decreto: "E no futuro a ninguém será permitido. E tal política se implanta principalmente através da aliança grega com os aristocratas locais. provavelmente de 261/260 a. É a maneira mais eficaz de impedir o avanço de seus rivais Selêucidas sobre a região. Este decreto. Mais adiante. Todos aqueles que tomaram parte na expedição de nosso pai nas regiões da Síria e da Fenícia e. só que.

no qual permanece 13 anos. a pública e a privada.C. Mas Apolônio parece não separar bem estas duas esferas de negócios. localizada nas vizinhanças do oásis de Fayum. Zenão é um de seus homens de confiança . isto é. portanto. Estamos em plena segunda guerra síria (260-253 a. originário de Caunos.. de 261 a 248 a.C. um funcionário do governo.C. .C. encarregado das finanças e da fiscalização de todo o reino. A partir deste ano.. os militares no pagamento de seu soldo.000 papiros.e se dedica a seus negócios particulares em Filadélfia. Acredita-se que teria sido para proteger-se contra possíveis problemas jurídicos e políticos futuros a respeito de suas posses que Zenão meticulosamente arquiva os papiros referentes aos negócios de Apolônio sob sua responsabilidade e os papiros relativos a seus próprios negócios. no Cairo. e trazem os arquivos de Zenão.C.. ligado às questões públicas. Zenão vai para o Egito. é também um grande proprietário e negociante. o poderoso Apolônio. os papiros de Zenão são dispersos pelo mundo afora durante a 1ª Guerra Mundial. no final de 260 a. entre 261 e 229 a. ao mesmo tempo que é um poderoso ministro de Estado. a sua dôréa durante nove anos . A dôréa de Apolônio é liquidada em 243 a. Estão em Londres. na Itália. Apolônio.igualmente os que são da mesma raça e que os tenham precedido aqui ou que tenham sido deportados depois deles .do qual não temos mais notícias após 245 a. em New York. onde entra para o serviço de Apolônio. Também os arquivos de Zenão são importantes para a compreensão da administração ptolomaica da Palestina[42]. em viagem de negócios para seu patrão. não sendo.). encontrados após 1910. perto da antiga Filadélfia. O seu último documento datado é de 14 de fevereiro de 229 a. quer os tenham vendido a outros .C. onde o dioceta de Ptolomeu II Filadelfo. Fica na região até o começo de 258 a.C. Zenão deixa Apolônio . por um período de 13 a 14 meses. quer os tenham trazido para a cidade [de Alexandria] e para o país [do Egito]. Descobertos por escavadores clandestinos.administra.. mantém sua dôréa.e cuida de seus negócios particulares. e Zenão está também. .C. os outros no banco real"[41]. por isso. Os papiros cobrem um período de 32 anos. Zenão vai para a Palestina. na Alemanha.tornaram-se senhores de indivíduos judeus. Trata-se de uma coleção de cerca de 2. cidade da Cária controlada por Ptolomeu II. por exemplo.que os possuidores os deixem livres e recebam imediatamente em compensação 20 dracmas por cada pessoa.

Foi fiador [. Orrieux observa a propósito da visita de Zenão à fronteira com os Selêucidas: "Pode-se imaginá-lo como um enviado especial de Apolônio. Apolônio é o proprietário da aldeia de Beth-Anath da Galiléia. aspendiano. Nesta cidade ele se vê às voltas com a fuga de três escravos que comprara na Iduméia. Polemon. que atinge as fronteiras do reino.. cleruco de Tobias. não é apenas privada. Interessante é também sua visita aos Tobíadas. de sete anos de idade. a missão de Zenão. do séqüito de Apolônio o dioceta. milésio. todos os dois clerucos do corpo de cavaleiros de Tobias.]. vendeu a Zenão. filho de Botes. Foram testemunhas [. cnidiano. filho de Ananias. na Iduméia. colofoniense. Com os Tobíadas. Timopolis. sendo epônimos o sacerdote de Alexandre e dos deuses irmãos e a canéfora de Arsinoé Filadelfo que estão em função em Alexandria. macedônio. mas é possível que ele tenha desembarcado em Gaza e da lá ido a Marisa. ateniense. uma escrava babilônia chamada Sfragis. filho de Ptolomeu. e de seu filho Ptolomeu. ele passa por Jerusalém e Jericó. todos os quatro do séqüito de Apolônio o dioceta"[43].. do séqüito de Tobias.quando Ptolomeu II enfrenta-se com o Selêucida Antíoco II. na Transjordânia. filho de Agreofon. como a compra de uma menina escrava. Este distrito. fazendo o leva-e-traz entre Alexandria e a Síria-Fenícia a fim de informar seu patrão diretamente sobre os problemas financeiros colocados pela proximidade das operações militares.. filho de Timarcos. . segundo um papiro da coleção. Zenão visita igualmente a Galiléia e fiscaliza propriedades de Apolônio nesta região. Zenão fiscaliza também a hiparquia da região norte da Celessíria.. no mês de Xandikos. filho de Straton.]. Nicanor. Demóstratos. juiz. assim como os nomos egípcios. Uma hiparquia é um distrito territorial governado por um hiparco. registrada no seguinte contrato: "No ano vinte e sete do reinado de Ptolomeu. o persa. filho de Filipe. Para lá chegar. O seu roteiro na região não é muito fácil de ser reconstituído. cauniano. Heráclito. Sem ser funcionário ele tem a função de conduzir delicadas negociações oficiosas"[44]. na birta de Auranítide. Zenão realiza negócios para Apolônio e para o rei Ptolomeu II. C. por cinqüenta dracmas. filho de Xanocles. Zenão. filho de Dionísio. divide-se em aldeias (kômê) chefiadas por um comarca. Como o dioceta Apolônio é também responsável pelos suprimentos do exército ptolomaico.

Passe bem! Ano 23. Paul: "Comandante de uma klerouchia militar (cujo centro era a birta ou `fortaleza' de família. pertencentes aos papiros de Zenão. dirige uma cleruquia lágida na Transjordânia. o administrador consegue sucesso. eu tomei comigo Melas e nós examinamos as novas plantações e todos os outros empreendimentos. como testemunha a seguinte carta enviada a Apolônio: "Glaukias a Apolônio. Quando Zenão visita a Palestina em 259 a. . ilustram suas relações com os Ptolomeus. Ele me disse que a vinha tem 80 mil pés. Estes administram os territórios conquistados "com a mesma desenvoltura com que um agricultor macedônio administra suas próprias terras"[47]. Ele me fez provar o vinho e eu não pude adivinhar se ele vem de Quios ou da propriedade.O seu administrador consegue aumentar extraordinariamente a cultura da vinha. descendente do Tobias da época de Neemias (Ne 13.. Outro dado interessante para se conhecer a administração ptolomaica da Palestina é a história de José.000 papiros do arquivo recuperado próximo a Fayum. vinho e figo que lhe devem fornecer. identificada pelos arqueólogos com o `Arak el Emir atual. suas relações e suas influências"[49]. Os Tobíadas vivem numa espécie de feudo na Transjordânia.4). Tobias era o chefe de uma importante tribo local. transmitida por Flávio Josefo[48]. O que resulta da leitura destes papiros é a impressão de intensa atividade política e econômica dos Ptolomeus na região da Palestina. A primeira é dirigida a Ptolomeu II. uva. ao sul do Galaad. o Tobíada e de seu filho Hircano. saudações (. a serviço do qual punha seus soldados. Diz A. construída inicialmente para resistir às invasões dos beduínos do deserto). Considero satisfatório a situação dos trabalhos. Xandikos 7"[46]. ele comanda o clã. tendo ainda as funções de um prefeito do rei do Egito. Ele construiu uma cisterna e uma casa adequada. mas os camponeses estão em desacordo com ele quanto à quantidade de trigo. a segunda a Apolônio. entretanto. O centro do território é a birta (= fortaleza) de Amon. Tu podes acreditar que um acaso feliz te favorece de todas as maneiras.C. Duas cartas de Tobias. como documenta um dos papiros de Zenão[45].. No ano seguinte. Estas notícias sobre a viagem de Zenão estão em cerca de 40 daqueles quase 2. Tobias.) Ao chegar a Baitanata.

. enriquecendo-se com isso consideravelmente.000 talentos para a província sírio-fenícia. A seguir vem as características dos escravos. que é de 20 talentos. Ptolomeu III Evergetes. Ao morrer em 226 a. Passe bem! Ano 29..C. Onias II. Eu reproduzo. por exemplo. as características destes rapazes. dois filhotes de meio-onagro e um filhote de onagro. "Tobias a Apolônio.C. Com créditos samaritanos ele financia antecipadamente o arrendamento e "em lugar de 8. Xandikos 10 [= 13 de maio de 257]". Dotado de plenos poderes estatais para aplicar a força. José. José ofereceu o dobro.). José recolheu o tributo das cidades e mandou executar os parentes dos magistrados que relutaram. partidário dos Selêucidas. ameaça então reduzir a Judéia a uma colônia militar. através da escravidão . lembrando-me de ti sem cessar.que ainda rende mais excedentes . cruzamento de jumenta. para teu uso. se recusa a pagar os impostos devidos aos Ptolomeus. O rei Lágida. após ser designado pelo povo como chefe (prostátes).] de excelente estirpe. Flávio Josefo diz que ele leva os judeus à prosperidade.e estimula culturas mais rentáveis. um meio-onagro. Eu te enviei Aineas para te oferecer um eunuco e quatro rapazes. até o advento dos Selêucidas na região. Com o auxílio de 2 mil soldados ele exige duramente os impostos das cidades e dos campos.[50].. graças aos deuses! Eu estou bem. saudações! Se tu vais bem e se teus negócios e o restante estão como tu desejas. seu filho Hircano o sucede no cargo. seis cães. escravos [.. vai representar os interesses da Judéia diante do rei Ptolomeu em 242 a. Quando acontece a terceira guerra síria ( 246-241 a. baseando-se no fato de que a terra era propriedade do dominador"[52]. dois jumentos árabes brancos de tração. tendo se suicidado quanto Antíoco IV assume o governo[53]. As cidades provavelmente só puderam pagar as novas cargas fiscais impondo aos camponeses doação parcial em mantimentos.C. Xandikos 10 [13 de maio de 257]"."Ao rei Ptolomeu. obtendo muito mais até: consegue o direito de recolher os impostos de toda a Celessíria[51]. Tobias deseja bom dia! Eu te enviei dois cavalos. Felicidades! Ano 29. como é o certo. o filho de Tobias. sobrinho do sumo sacerdote Onias II por parte de mãe. José.. nasce na Judéia em uma aldeia da família. Como? Diminui o número de bocas para comer. a seguir... pró-Lágida. olivais em vez de cereais.

São Paulo. A biblioteca desaparecida. escreveu ao rei para lhe dar contas do que tinha feito e mandou-lhe mil talentos do confisco de seus bens.. depois de ter dado a Alexandria quinhentos talentos. que o elogiou magnificamente e permitiu que.Vejamos um trecho do relato de Flávio Josefo sobre José. foi para a Síria. 1989. mas ele soube castigá-los. a fim de poder obrigar os que se recusavam a pagar os tributos e. usasse deles como quisesse. Os habitantes de Ascalon foram os primeiros a desprezar suas ordens. mas o ultrajaram com palavras. Histórias da biblioteca de Alexandria. através do qual poderemos apreciar os seus métodos: "José tomou. Mandou prender imediatamente vinte dos principais. depois. O príncipe ficou tão satisfeito com seu proceder. dali por diante. Companhia das Letras. o Tobíada. Cronologia dos Ptolomeus Ptolomeu I Soter : 323-285 Ptolomeu II Filadelfo : 285-247 Ptolomeu III Evergetes : 247-221 Ptolomeu IV Filopator : 221-205 Ptolomeu V Epífanes : 205-181 Ptolomeu VI Filometor : 181-145 Ptolomeu VII Néos Filopator : 145-144 Ptolomeu VIII Evergetes (Físcon) : 144-116 Ptolomeu IX Soter (Latiro) : 116-107 Cleópatra III : 107-101 Ptolomeu X Alexandre : 101-88 Ptolomeu IX Soter (Latiro) : 88-80 Ptolomeu XI Alexandre II : 80 Ptolomeu XII Aulete : 80-58. dois mil homens das tropas do rei. que lhe abriram suas portas e pagaram seu tributo sem dificuldade alguma"[54]. L. 55-51 Cleópatra VII Filopator : 51-30 Leituras Recomendadas CANFORA. Não se contentaram em não querer pagar. . O castigo dos ascalonitas encheu de temor as outras cidades da Síria. que mandou matar.

PRÉAUX. A. STERN. 19872. La civiltà ellenistica. J. PRÉAUX. 22-23. CARTA DE ARISTEAS A FILÓCRATES.DIEZ MACHO. Paris. Firenze. C.-M. E. Cristiandad. 1926-1965.. Nancy. Lisboa. H. Le Monde hellénistique. Harvard University Press. ABEL. Cf. LÉVÊQUE. [41]. [38]../WIKGREN. C. pp. London. [39]. W. 1983. NEXT [37].-M. o. J. TARN. Madrid. SCM Press.. 1992. 22. SAULNIER. Cf. pp.. c.-C. L'orizon d'un grec en Egypte an IIIe siècle avant J. M. 19882. St. 19792. 1983. HENGEL. Cf. Histoire d'Israel III. Les papyrus de Zenon. c. R.. P. La Gréce et l'Orient (323-146 av. The Israel Academy of Sciences and Humanities. História dos Hebreus.. p. Presses Universitaires de France.. A. 364. ABEL. H. Judaism and Hellenism I. pelo menos nos seus termos mais gerais./MARCUS. C. Rio de Janeiro..-C) I. Studies in their Encounter in Palestine during the Early Hellenist Period I.. . Macula. Apócrifos del Antiguo Testamento II. Cambridge. 73-74. 1981. p. La Nuova Italia. [40]. A. Apocrifos del Antiguo Testamento II.) I-II.. O mundo helenístico. Le monde hellénistique II. Josephus I-X. F. Paris. F.. H. JOSEFO. Judaism and Hellenism. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I.. C. 568 acredita na autenticidade deste documento.. Edições 70. pp. 1978. ORRIEUX. THACKERAY. C. em DIEZ MACHO. WILL. 62-63. 24-29. Histoire de la Palestine I. Histoire politique du monde hellénistique (323-30 av.. F. Casa Publicadora das Assembléias de Deus./FELDMAN.. o. J.. KIPPENBERG. Presses Universitaires de Nancy. L.. HENGEL.. M. M. H. Obra Completa.. 1976. Religião e formação de classes na antiga Judéia. Jerusalem. 1987.. pp. 74. Cf. 51-60. G. p.. pp.. G. KIPPENBERG.

Histoire d'Israel III... pp. O judaísmo tardio. Cf. [46]. c. o.. c. H.[42]. O contrato é redigido em abril/maio de 259 a. [48]. c... uma transferência de poderes do sumo sacerdote pró-selêucida para o Tobíada pró-lágida. diz PAUL.. 158-236. C. [45]. KIPPENBERG... C. 74-75.. p. o.. Religião e formação de classes na antiga Judéia. ORRIEUX.. p.. p. [52]. pp. ORRIEUX. Paideia. G. Com isso. Aspetti dell'ellenizzazione del giudaismo in epoca precristiana. ABEL.. F. o. PAUL.. JOSEFO. Brescia. SAULNIER. [51].. F. Com o título de prostátes. KIPPENBERG.. C. c. JOSEFO. XII. 179. 6571. 42-43. 42. efetuou-se. [49].. 43-44. sacerdotes epônimos dos cultos dinásticos. testemunhas etc. 1981. [54]... 450-451. [50]. ORRIEUX. Les papyrus de Zenon. ORRIEUX. Cf. 48. A. Cf. Antiquitates Iudaicae XII. p. de fato. fiador. Greci e Barbari. pp. "ao qual estava ligado o principal cargo administrativo e financeiro da Judéia. HENGEL. sobre José e os Tobíadas.. Cf.C. 571-572. corregência. C. 8. o. [44]. 47. c. p. 451-454. Les papyrus de Zenon.. F. [53]. c. PRÉAUX. [43]. 181. José se tornou o mais alto funcionário civil de Jerusalém". p.C. Antiquitates Iudaicae. Histoire d'Israel III. C. ORRIEUX.. M. O documento segue as regras mais estritas para este tipo de escrito: ano de reinado. SAULNIER. A. Cf. Ebrei. [47]. pp. pp. pp. Esta carta está datada em 9 de maio de 257 a. 76.-M. H. Cf. C. p. 178. G. C. Le monde hellénistique II. C. o. o. Cf.. Os Selêucidas: a Helenização da Palestina .

O Governo de Antíoco III. os reis Selêucidas.460 médimos de trigo e 375 médimos[3] de sal. nos testemunharam sua benevolência. decidimos. o Grande (223-187 a. uma contribuição em animais de sacrifício.). com quem entram em conflito. fazendo voltar a ela os que foram dispersos. 8.Em 198 a. os judeus de Jerusalém o apóiam nesta luta. As questões que abordarei neste capítulo tratam: do governo de Antíoco III . desde que entramos em seu país. fornecer-lhes. As madeiras serão tiradas na Judéia mesma e entre os outros povos e no . e expulsa definitivamente os Ptolomeus da Ásia.C. em vinho. em razão de sua piedade. para os sacrifícios. Diz o decreto: "O rei Antíoco a Ptolomeu[1]. o Grande. os pórticos e tudo o que tiver necessidade de ser reconstruído. nós. implantam um acelerado processo de helenização dos vários povos e cidades da região. o Grande. segundo Flávio Josefo.C. Para solidificar o fragmentado Império.1.C.000 dracmas de prata. Em primeiro lugar. A anexação da Celessíria se dá a seguir. óleo e incenso. os Selêucidas assistem aos progressivo declínio de seu Império.C. vence os exércitos dos Ptolomeus. junto às nascentes do Jordão. saudações. Por isso. Quero que todas estas contribuições lhes sejam entregues segundo minhas instruções. havemos por bem reconhecer todos esses bons ofícios. O partido selêucida em Jerusalém está mais forte do que o ptolomaico. Como os judeus. 1.) vence os egípcios em Panion (Baniyas). Jerusalém é contemplada com um decreto de Antíoco III. artabes[2] sagradas de farinha de frumento. e especialmente Antíoco IV Epífanes (175-164 a. Que sejam terminados os trabalhos do templo. de nosso lado. como eles proveram abundantemente à subsistência de nossos soldados e de nossos elefantes e visto que nos ajudaram a expulsar a guarnição egípcia instalada na cidadela. e suas relações com os judeus e com Roma do governo de Antíoco IV Epífanes e seu conflito com os judeus das causas da helenização da Judéia. Pressionados por Roma. como à nossa chegada em sua cidade. no valor de 20. eles nos receberam magnificamente e vieram ao nosso encontro com o seu senado. o Selêucida Antíoco III. reconstruir sua cidade arruinada pelos infortúnios da guerra e repovoá-la. medidas segundo o costume do país. em 197 a. o Grande Quando Antíoco III.

os escribas do templo e os cantores do templo serão isentos da capitação. Quanto aos que foram tirados da cidade e reduzidos à escravidão. nós lhes restituímos a liberdade e ordenamos que lhes sejam restituídos os seus bens"[5]. Examinemos um pouco o decreto. os sacerdotes. O senado. Para que a cidade seja repovoada mais depressa. em 201. concedida aos vencedores dos jogos ou a um rei vitorioso[7]. para o futuro. imposto pessoal recolhido dos adultos. para que a cidade seja repovoada mais depressa. para os gregos. flor de farinha. ficam isentos da capitação. em animais. Ficam isentos também do imposto coronário: a coroa de folhas é. A madeira para a restauração do Templo está isenta do imposto alfandegário. Além da reconstrução e do repovoamento da cidade . trigo e sal a madeira retirada da Judéia e do Líbano para os trabalhos de construção do Templo e dos pórticos está isenta de taxas todos os membros do povo judeu devem viver segundo as leis de seus pais o senado (gerousia). do imposto coronário e da taxa sobre o sal. as cidades começam a oferecer aos seus reis coroas de ouro ou uma soma equivalente . Todos os membros da nação (éthnos) devem viver segundo as leis de seus pais. o símbolo da vitória. do terço do tributo. Nós os isentamos ainda. óleo. uma isenção de impostos durante três anos. vinho. concedo àqueles que a habitam atualmente e àqueles que nela se estabelecerem até o mês de hyperberetaios[4].Líbano. do imposto coronário e da taxa sobre o sal isenção de impostos durante três anos para os atuais habitantes da cidade e para aqueles que vierem nela morar até determinada data. O mesmo será feito com todos os outros materiais necessários para se enriquecer a restauração do templo. O senado e os funcionários do Templo ficam isentos da capitação. sem serem submetidas a nenhuma taxa. 199 e 198 a. a fim de indenizá-los de suas perdas. incenso. os sacerdotes. os escribas do Templo e os cantores do Templo.o governo selêucida toma as seguintes medidas: o o o o o que seja dada uma contribuição real para os sacrifícios. que incide sobre todas as mercadorias em circulação.que sofrera três assédios consecutivos. É interessante observarmos as medidas de Antíoco III sobre os impostos[6]. .C. Com o tempo.

Provavelmente paga-se determinado valor ao governo. a expansão selêucida sob Antíoco III. Apesar de parecerem benevolentes. são isentos durante 3 anos do phóros. liga o destino do éthnos (= nação) judeu às decisões reais. Entretanto. Kippenberg observa que "este decreto tem paralelo no documento de administração persa (Esd 7. Os habitantes da cidade. sob outro aspecto. entretanto. com este decreto.? Durante o século III a.C.12-26). bem como a isenção de tributos para sacerdotes.em dinheiro. se aceite o produto "in natura". Deve-se observar que. finalmente. Antíoco III reforça o papel da aristocracia. Na carta de nomeação de Artaxerxes a Esdras (do ano 398 a. na Palestina. podendo somente o rei conceder a isenção. naquela época. este último sendo o caso de Jerusalém. que tem boas salinas.). pois não superam as decisões comuns tomadas em relação a outras cidades. nos enganar. que regulamenta o apoio material ao culto. de um templo. o Grande. está incluída a ordem ao encarregado das finanças da província Transeufratiana. levitas. cantores. G. mas porque o quer o governo selêucida[8].C. exigido de uma província. Ainda: o senado e o Templo ficam isentos da taxa sobre o sal. porteiros e servos do templo (vv. Cartago é uma colônia fundada pelos . estas medidas não devem . Pois as leis dos antepassados (a Torá) devem ser obedecidas não porque assim o decidem os judeus. o tributo. em prata ou em produtos. Por que Roma e os Selêucidas se enfrentam no século II a. Esta taxa é conhecida na Palestina e na Babilônia. H. 21-24)"[9]. O que Antíoco III faz é seguir a velha política persa em relação aos judeus. É preciso observar também que a reconstrução e o repovoamento da cidade são medidas necessárias para o fortalecimento do governo e dos interesses de Antíoco III naquela região disputada pelos Ptolomeus. de um éthnos ou de uma cidade. associada há muito ao poder através da gerousia e que. Roma disputa com Cartago a posse da Sicília e o controle do Mediterrâneo ocidental. será impedida por Roma na medida em que seus interesses entram em choque com a forte república na Europa. O que antes era espontâneo acaba institucionalizado e tornado obrigatório. ou talvez .C.

. Durante os jogos Ístmicos. os tessálios e os perrébios'. no começo . Os cartagineses constroem importante império comercial. Aníbal. Aliás. Roma enfrenta e vence Antíoco III na batalha de Magnésia.C.. o arauto anuncia. se dá entre 149 e 146 a. Desde o início haviam começado os aplausos ensurdecedores (. outros. refugia-se na corte selêucida e instiga Antíoco III a lutar contra Roma. Após muitas negociações frustradas. os lócrios. realizados naquele ano. sem guarnições em suas cidades e sem a imposição de quaisquer tributos e governados pelas próprias leis de suas respectivas pátrias: os coríntios. ansiosos por apertar-lhe a mão.) Cessadas as aclamações ninguém mais demonstrou o menor interesse pelos atletas. A segunda guerra acontece de 218 a 202 a. quase o reduziram a pedaços"[13]..C. e a maior parte lançando coroas e fitas frontais em sua direção. Roma ataca a Macedônia e vence Filipe V em Cinoscéfalos.C.C. desejosos de vê-lo frente a frente e de chamá-lo de seu salvador. na qual Roma destrói Cartago e anexa seus territórios. segundo Políbio: "'O Senado de Roma e o procônsul Tito Quíntio.C. de tal maneira que terminados os jogos a multidão quase matou Flamínio com suas demonstrações de gratidão. Três grandes guerras são feitas entre as duas potências[10]. alguns dos presentes. este tema da "liberdade dos gregos" é pura manobra política. os eubeus. os foceus. maneira de barrar a interferência de Filipe V na Grécia. falando com os seus vizinhos ou consigo mesmos. após ser derrotado por Roma. De fato. após a vitória sobre o rei Filipos e os macedônios. deixam livres os seguintes povos. Então Roma faz uma acordo com a liga etólia12 . em Corinto. Após vencer Cartago.C. e todos os presentes. os aqueus ftióticos. Fatalmente os interesses das duas potências se chocam e o enfrentamento militar torna-se inevitável. como sempre.fenícios no norte da África (na região da atual Tunísia) talvez no século IX a. Durante a segunda guerra púnica[11] Aníbal alia-se a Filipe V da Macedônia para abrir outro front para Roma. agiam a bem dizer como homens fora de si. bandeira desfraldada cada vez que reis e Estados rivais se enfrentam pela posse da região. os magnésios. oposta à Macedônia em um confronto pelo Épiro. com a vitória de Roma sobre o famoso general Aníbal. O cônsul Flamínio proclama a "liberdade dos gregos" em 196 a. A terceira guerra. em 197 a. ao mesmo tempo em que Roma se torna líder de uma poderosa confederação italiana. de 264 a 241 a. A primeira guerra dura 23 anos.

No futuro ele não terá mais elefantes e terá somente o número de navios que nós fixaremos. Ele entregará todos os seus elefantes e todos os navios que indicaremos. Em 188 a.de 189 a. O talento eubóico. Ele pagará pelas despesas desta guerra. do nome da ilha de Eubéia. segundo a lista elaborada pelo cônsul. Todos os reinos helênicos eram independentes. pai de Eumênio. O tratado de Apaméia. Antíoco. . M. que tem 72 mil soldados. O equilíbrio de poder de que Roma se tornara guardiã continuou a existir. nós lhe oferecemos paz e amizade sob condição de ratificação do Senado"[15]. ajudado por seu irmão Cipião.C. pesa cerca de 26 kg. prontamente o esmagava"[16]. A todos. o Africano. mas nenhum poderoso. Logo. quando são impostas humilhantes condições a Antíoco III[14]. na Ásia. e especialmente às cidades gregas. Antíoco deve pagar a Roma o equivalente a 390.000 talentos eubóicos. Assim começa o declínio do império selêucida. Daqui para a frente. 2. perde 50 mil homens de infantaria. Rostovtzeff comenta: "A situação geral do mundo helênico não foi afetada por esta guerra. Antíoco III e seus sucessores debater-se-ão em crescentes lutas internas pelo poder. Ele nos entregará todos os prisioneiros e os desertores e restituirá a Eumênio tudo o que ele ainda retém das possessões adquiridas em virtude do acordo feito com Átalo. Só a Roma Antíoco deve pagar 15. diz o seguinte: "Antíoco deverá abandonar tudo o que ele possui na Europa e. a paz entre Roma e os Selêucidas é estabelecida em Apaméia da Frígia. 3 mil cavaleiros. mas no momento em que qualquer um deles mostrava tendências de realizar uma política independente. 500 talentos eubóicos imediatamente. Ele fornecerá vinte reféns. Roma garantia 'liberdade'. assistindo à fragmentação progressiva dos seus domínios e lutando com grandes dificuldades financeiras.000 em doze anos. da qual ele é o responsável. Os romanos perdem apenas 400 homens.500 após a ratificação do tratado e 12. as províncias aquém do Taurus .C.as fronteiras serão traçadas em seguida. embora de forma peculiar: Roma resolvia todas as disputas internas da Grécia. conservado por Apiano. sem consultar. O exército romano é comandado por Lucius Cornelius Cipião depois cognominado "o Asiático" -. a opinião grega. porém. cada anuidade devendo ser paga a Roma. Se Antíoco respeitar lealmente estas condições. nem mesmo em assuntos gregos. 15 elefantes e Cipião faz 1400 prisioneiros.000 kg de prata.

É o conhecido incidente de Heliodoro. e tendo-o assaltado de noite com suas tropas. Ele foi morto. após trinta e seis anos de reinado com a idade de cerca de cinqüenta e cinco anos. F.. que naquela ocasião era o estratego da Celessíria e da Fenícia.500 kg) e de 200 talentos de ouro (5. a ponto de ser incalculável a quantidade de dinheiro. O texto continua dizendo que. E o rei. ele e os seus. "Ora.C. pelos habitantes que acorreram em defesa do santuário. enviou-o com ordens de proceder à requisição das referidas riquezas" (2Mc 3. o próprio Iahweh o impede através de anjos (2Mc 4. Heliodoro é informado por ele de que os depósitos."[17]. não levou em conta a coragem vigilante das populações desta região rude. Selêuco IV Filopator (187-175 a. Seu sucessor. investido no cargo de superintendente do Templo. pertencem aos órfãos e às viúvas. dito o Grande. . na verdade. superintendente dos seus negócios. para conseguir dinheiro com que pagar aos romanos. Entrevistandose então com o rei. narrado em 2Mc 3. Apolônio informou-o acerca das riquezas que lhe haviam sido denunciadas. certo Simão. ao manifestar suas intenções a Onias III. da estirpe de Belga. famoso por possuir muito ouro e prata dedicado ao deus. escolhendo a Heliodoro.250 kg). Segundo 2 Macabeus. premidos que estarão por Roma.C. E referiu-lhe que a câmara do tesouro em Jerusalém estava repleta de riquezas indizíveis. pela população revoltada. Este foi o fim pouco glorioso de Antíoco. os sucessores de Antíoco III não terão condições de manter a prometida isenção tributária. E que. O certo é que Heliodoro não consegue apossar-se do dinheiro do Templo.4-40. Esta lenda nos oculta totalmente o que de fato acontece em Jerusalém neste episódio. em relação a cidades como Jerusalém.-M. ao contrário do que lhe fora dito. quando saqueia um templo elamita. E que esse dinheiro não tinha proporção alguma com as despesas dos sacrifícios. em 187 a.4-7).O que ocorrerá é que. entrou em desacordo com o sumo sacerdote a respeito da administração dos mercados da cidade. O próprio Antíoco III é morto em 187 a.24-34). tenta apoderar-se do dinheiro depositado no Templo de Jerusalém. Não conseguindo prevalecer sobre Onias foi ter com Apolônio de Tarso. por exemplo. Abel explica que ele foi "ao templo de Bel.C. apoiado por judeus dissidentes do sumo sacerdote Onias III. o total dos depósitos é de 400 talentos de prata (10. além do dinheiro do Tobíada Hircano.). sendo portanto possível fazer tudo isso cair sob o domínio do rei.

como administrador do santuário. Onias foi ter com o rei. então. E isto. De qualquer modo. filho de Menesteu. não para se tornar acusador de seus concidadãos. de cerca de 50 litros. Por outro lado. de produtos proibidos pela Lei. NEXT [1]. . A tal ponto que Onias III é obrigado a ir a Antioquia dar explicações ao rei. a agoranomia é uma fiscalização encarregada de verificar os pesos e medidas e a regularidade das transações comerciais. de cerca de 40 litros.O desacordo entre o sacerdote Simão e o sumo sacerdote Onias III é a propósito da agoranomia. Artabe é uma medida egípcia de capacidade. a supervisão dos mercados. ainda fomentava a maldade de Simão. que é supervisor dos mercados e superintendente (prostátes) do Templo[19].4-6: "Considerando. garantidas pelo decreto de Antíoco III. a quem se dirige o rei Antíoco. Pois ele estava percebendo que. não era mais possível alcançar a paz na vida pública. Muitas soluções são propostas[18]: ou Onias discorda da acumulação de cargos feita por Simão. É possível que neste conflito entre Simão e Onias III estejamos assistindo ao primeiro embate entre judeus helenistas e judeus ortodoxos. [2]. o perigo dessa rivalidade e como Apolônio. Simão pode ter acusado Onias de entesourar os excedentes das subvenções reais destinadas aos sacrifícios. é o estratego e sumo sacerdote selêucida da Celessíria. enquanto em Jerusalém os acontecimentos se precipitam. Não sabemos exatamente em que consiste a agoranomia em Jerusalém e nem qual é a razão do conflito entre Simão e Onias. Onias III acaba retido em Antioquia. nos mercados. Heliodoro vai embora. nem Simão haveria de pôr termo à sua demência". mas tendo em vista o interesse comum e o individual de toda a população. ou porque ele comete abusos na venda de animais destinados aos sacrifícios. segundo 2Mc 4. [3]. sem uma intervenção do rei. ou porque Simão permite a venda. Este Ptolomeu. estratego da Celessíria e da Fenícia. Médimo é uma medida antiga de capacidade. Nas cidades gregas. mas as intrigas de Simão continuam.

. inclusive grande parte da Tessália". Histoire d'Israel III. a formação de confederações de cidades gregas é vista como uma solução.. PEIXOTO. G. H. [13]. M. [5]. os Jogos Píticos. Hyperberetaios é um mês macedônio que corresponde a agosto/setembro. p. pp. 153-163.. em latim. Zahar. Rio de Janeiro. 1985. História XVIII. p.VV.. 19775. 98-99. Le monde hellénistique I. Cf. Religião e formação de classes na antiga Judéia. Textos do Antigo Oriente Médio. 199. Antiquitates Iudaicae XII. [10]. Cf. 1993. Leiden. c. Ars Poetica. os etólios acabam anexando quase toda a Grécia central. Le monde hellénistique I. pp. Aníbal. o. Paulus. pp. em Corinto. Nancy. Brill. [7]. 78. KIPPENBERG. PRÉAUX. Difel. Studies on the Meaning and Origin of the Maccabean Revolt.[4]. P. 102-104. 1979. 138-144. Uso para este texto a tradução que se encontra em AA. sobre os impostos selêucidas. C. pp. G. dizem AYMARD. A. o pai da estratégia. no vale de Neméia.. 19822.. WILL. 481-482.. E. C. Cf.. História de Roma.. pp. 77-81. 456-458. pp. 56-78. C.221-224. Histoire politique du monde hellénistique II. C. POLÍBIO. Israel e Judá. [9]. Cf. donde puni e "guerras púnicas". E. PAUMAPE. M. BRADFORD. H. F. e obscuros durante muito tempo. 384-388. 210-215. J. ROSTOVTZEFF. E.. pp. The God of Maccabees.. As guerras entre Roma e Cartago são chamadas de "púnicas" porque os romanos chamam os cartagineses.. SAULNIER. BICKERMAN. Editora da UnB. JOSEFO. [12]. de poeni (= fenícios). KIPPENBERG. 19972. Há quatro grandes jogos pan-helênicos: os Jogos Olímpicos.. 32-34. 1991. Brasília. pp. São Paulo. 46./AUBOYER.. "Instalados na margem setentrional do golfo de Corinto. Aníbal. [8].. SAULNIER. Rio de Janeiro. Com a decadência da pólis. PRÉAUX. pp. São Paulo. [14]. Cf. Presses Universitaires de Nancy. os Jogos Ístmicos. São Paulo. um desafio aos romanos. pp. em Olímpia. O Oriente e a Grécia Antiga II. Histoire d'Israel III. 19774. em Delfos e os Jogos Nemeus. [6]. [11].. .

105-108. ao semear o Império que acaba de conquistar com numerosas Alexandrias"[21]. 8. Cf. Histoire politique du monde hellénistique II. [17]. História de Roma. [19]. [16]... C. tais como Mileto. que voltava de Roma. ABEL. E. Syriaka 38-39. quando seu pai Antíoco III perdera a batalha de Magnésia e assinara o tratado de Apaméia. dos quais temos hoje dez.-M..C. o.. que se tinha desenvolvido a civilização grega. 104. 372-373.. APIANO.). Antíoco IV e a Proibição do Judaísmo Em 175 a. 107-110.2. "A civilização arcaica e clássica tinha coincidido com o desenvolvimento da pólis e era nos grandes centros urbanos.C. ABEL. Cf. Corinto. M. pp. . pp.C. Alexandre teria fundado 70 Alexandrias. F. [18]. A fundação de cidades é um instrumento fundamental para a helenização do Oriente com o conseqüente fortalecimento do poder macedônio. Histoire de la Palestine I.. 1987.[15]. Selêuco IV é assassinado. Atenas. Assume o poder o seu irmão Antíoco IV Epífanes (175-164 a. Segundo Plutarco. Idem.. c. 19-21. São Paulo. também WILL. F. Cf. pp. 71. 238-240. Histoire d'Israel III. onde era refém desde 188 a. Siracusa. Só que menos da metade pode ser testemunhada com certeza pelos dados históricos e arqueológicos. Alexandre tinha mostrado bem ser o herdeiro da tradição. A revolta dos Macabeus. Paulus. Apiano é natural de Alexandria e morre aproximadamente em 160 d. p. o texto em SAULNIER. A instabilidade do reino selêucida aumenta e Antíoco IV toma medidas helenizantes como forma de consolidar o seu poder.. Concede o status de pólis a várias cidades. SAULNIER. pp.-M. Histoire de la Palestine I. O prostátes é o encarregado de administrar as finanças do santuário. promove a adoração de Zeus e reivindica para si prerrogativas divinas[20]. C. ROSTOVTZEFF. pp. Trabalha como advogado em Roma e compila narrativas em grego de várias guerras romanas em 24 livros. p.C.

"Os objetivos desta urbanização [dos Selêucidas] são bastante diversos. que guardam os grandes eixos de circulação e as posições estratégicas (. "Ele pensa. herdeiros de um império multinacional. com estrutura grega. tornam-se lugares de comércio e atraem os nômades para as suas vizinhanças. recriação. na mesma proporção. aparece nas moedas cunhadas em Antioquia apenas com a inscrição "Rei Antíoco". . Esta não é uma criação grega. fazendo deles camponeses que sustentarão as cidades[22]. econômicos e políticos: servem para guardar passagens de grandes vias de comunicação. Os sucessores de Alexandre seguem a mesma política. símbolo da divindade. para Alexandre. fragmentando as antigas satrapias entre as cidades"[23]. face ao esfacelamento do império selêucida.A fundação de cidades tem. lembrar que a fundação das póleis gregas nem sempre começam do nada. As cidades favorecem o desenvolvimento econômico.. definitivamente. de uma cidade arrasada pela guerra ou por um terremoto. agora.C. E a partir de sua vitória sobre o Egito. entretanto.) Elas diminuem as resistências indígenas.. Há vários modos de se criar uma pólis: fundação de uma cidade grega dentro de uma antiga cidade oriental. a inscrição das moedas selêucidas é "Rei Antíoco Theos Epífanes". e. que sua vitória o manifestou como deus. mas oriental. usada desde Alexandre e. a fortuna do rei. fusão entre cidades pequenas que não têm como se defender. mas também da ordem cósmica e da fertilidade da natureza. assírios ou babilônios são deuses ou filhos prediletos dos deuses. recorrem à política da difusão da pólis. enfatizada por Antíoco IV Epífanes. Ele é o praesens divus. Antíoco IV que.. dando-lhe um estatuto político e um nome grego. Situados acima dos homens. Os reis egípcios. A reivindicação de prerrogativas divinas pelo rei é outra arma de controle das populações orientais. são a garantia da ordem política. ou que é um deus que se manifestou na sua carne. que acresce. habilmente incorporada pelos dominadores macedônios. de 175 a 169 a. objetivos estratégicos. fundação de uma cidade grega ao lado de uma cidade oriental[24]. Especialmente os Selêucidas. a partir desta época começa a ter sobre sua cabeça uma estrela. É bom. Elas permitem a implantação de tropas.

o qual lhes deu autorização para observarem os preceitos (dikaiômata) dos gentios". a quem deve pagar mil talentos por ano. oferece ao rei alta soma em dinheiro e um rápido programa de helenização dos judeus em troca do cargo de sumo sacerdote.segundo sua intenção. Enquanto isto. Quem vai a Ptolemaida passa por Samaria ou Dora. é relacionado com Theós. está em Antioquia cuidando dos interesses de seu povo e Antíoco IV assume o poder. com sua apoteose"[25]. que pretende incrementar o avanço civilizatório grego e. o conservador sumo sacerdote. façamos aliança com as nações circunvizinhas. a Gadara ou a Filadélfia. . 'manifesto'. Jâmnia.11-13 comenta o caso do seguinte modo: "Por esses dias apareceu em Israel uma geração de perversos (paránomoi) que seduziram a muitos com estas palavras: 'Vamos. pois muitos males caíram sobre nós desde que delas nos separamos'. Gazara e Jope também não podem ser evitadas[26]. que os impede de se integrarem totalmente no modo de vida grego. leva-o a sobrecarregar seus súditos e o instiga ao saque de templos para a obtenção de fundos. que a Judéia está cada vez mais cercada por cidades helenizadas e é impossível ao judeu não tomar contato com o seu modo de vida. E alguns de entre o povo apressaram-se em ir ter com o rei. ou seja. geradas pela pressão romana. por exemplo. Um irmão de Onias III. As dificuldades econômicas enfrentadas por Antíoco IV Epífanes. 1Mc 1. em Jerusalém. Abel observa. Jasão (Joshua). ou na Transjordânia é necessário ir a Pella. Estes helenizantes defendem urgente revogação do decreto de Antíoco III. F. o epíteto epifanés. Do lado do mar? Marisa está na rota de Gaza ou Ascalon. se alguém negocia na Galiléia não pode fugir de Citópolis ou Filotéria. especialmente entre a aristocracia sacerdotal e leiga. está em luta com os judeus tradicionais e fiéis à Lei. Forma-se um forte partido pró-helênico. Agradou-lhes tal modo de falar.-M. o processo de helenização avançara bastante desde o século anterior. por isso. A ocasião favorável aos partidários da helenização surge quando Onias III.

Dikaíôma é usado pelos LXX para traduzir o hebraico derek ou mishpat (caminho. tão logo assumiu o poder. como Héracles (= Hércules) e Hermes e ensina a maneira grega de se viver e de se ver o mundo.7-10 descreve do seguinte modo os fatos: "Entrementes. ele prometeu ao rei trezentos e sessenta talentos de prata e ainda. suspeita de tendências pró-ptolomaicas em Onias III. começou a manobrar para obter o cargo de sumo sacerdote. Falar o grego corretamente.o que causa embaraço aos jovens judeus circuncidados -. Jasão. é instalado um ginásio em Jerusalém. pessoas que fazem propostas de apostasia da Lei. Também o dikaiômata tôn éthnôn (preceitos dos gentios) é significativo. Antíoco IV Epífanes aceita a oferta de Jasão. Durante uma audiência. conhecer e discutir a cultura grega. empenhava-se em subscrever-lhe outros cento e cinqüenta talentos[28]. o consentimento do rei. direito) significando obrigações legais. contíguo à esplanada do Templo. segundo Dt 13. Consta que o rei Antíoco IV vai a Jerusalém nesta época. ao que parece. a serem deduzidos de uma renda não discriminada. pela autoridade real. Além dos esportes gregos. ele. irmão de Onias. começou a fazer passar os seus irmãos de raça para o estilo de vida dos gregos". se lhe fosse dada a permissão. Obtido. Além disso. de construir uma praça de esportes e uma efebia. . cognominado Epífanes. abandonar as normas da Lei e seguir leis gentias[27]. em 174 a. usada no processo de helenização de várias cidades orientais.O termo paránomoi indica. sendo recebido pelos filo-helenistas com grande entusiasmo. Daí que "fazer aliança com as nações" indica renegar a Lei e seguir costumes gentios. pois precisa de dinheiro.C. Assim. Observar os preceitos dos gentios significa. aos pés da acrópole. portanto. Um ginásio grego não é mera praça de esportes. o ginásio implica a presença de divindades protetoras. são algumas das atividades praticadas no ginásio. 2Mc 4.14. tendo passado Selêuco à outra vida e assumindo o reino Antíoco. praticados nus . vestir-se à moda grega. bem como de fazer o levantamento dos antioquenos de Jerusalém. mais oitenta talentos. tem urgência em helenizar a região para garantir sua fronteira sul e. assim. É uma instituição cultural das mais importantes.

apoiado pela poderosa família dos Tobíadas. ou mesmo porque são considerados como "cidadãos de Antioquia".800 kg) suplementares na época de pagar o tributo. desse modo. quando um sacerdote não-sadoquita. irmão de Simão . esse ímpio e de modo algum sumo sacerdote. . o resultado é o mesmo: uma parte dos judeus pretende doravante viver à maneira helênica. Menelau. segundo alguns. Jasão enviou Menelau. obrigando os mais nobres de entre os moços. Verificou-se. Diz 2Mc 4. por causa da exorbitante perversidade de Jasão. Estes judeus são chamados de "antioquenos" nos documentos da época. Menelau.aquele Simão que entrara em conflito com Onias III por causa da agoranomia . superando em trezentos talentos de prata a oferta de Jasão". conseguiu para si o sumo sacerdócio. "o ginásio parece ter sido realmente uma corporação separada de judeus helenizados. de modo que a Torá não é mais a única lei. C. entrementes.12-14a fala do ginásio de Jerusalém com grande desgosto: "Foi. a levar as quantias ao rei e a completar-lhe relatórios sobre certos assuntos urgentes. porém. "De qualquer modo . isto é. tendo se apresentado ao rei e adulando-o pela ostentação de sua autoridade. A situação. com satisfação que [Jasão] construiu a praça de esportes justamente abaixo da Acrópole e. faz uma oferta maior a Antíoco IV e obtém o sumo sacerdócio.19. que os próprios sacerdotes já não se mostravam interessados nas liturgias do altar". conduziu-os ao uso do pétaso[32]. tal ardor de helenismo e tão ampla difusão de costumes estrangeiros. irmão do já mencionado Simão. estabelecida dentro da cidade de Jerusalém"[29]. Certamente porque estão sob a proteção real.quer Antíoco IV tenha fundado uma pólis em Jerusalém.oferece a Antíoco 300 talentos de prata (cerca de 7. Saulnier acredita que de duas uma: ou Antíoco IV autoriza a formação de uma pólis dentro de Jerusalém ou a organização de um políteuma em Jerusalém[30].23-24: "Depois de um período de três anos. 2Mc 4.Além do que. quer ele tenha reunido um certo número de judeus em um políteuma de estrutura grega -. chamado Menelau. se complica.9. pois. o decreto de Antíoco III não se aplica mais à totalidade da população"[31]. como se vê em 2Mc 4. com direitos cívicos e legais definidos.

Antíoco IV é impedido de entrar em Alexandria. já morto nesta época.C. Ao ouvir isto. de longe o saudou e estendeu-lhe a mão.. Popilius fez um gesto aparentemente intolerável e de uma arrogância inusitada. com a aprovação de Menelau[33]. das coroas. Mas o outro. Políbio comenta o episódio do encontro de Antíoco IV e Popilius Laenas. para o feudo de Hircano. o fraco Egito e vigia de perto os Selêucidas. e em seguida declarou que faria tudo o que os romanos pediam. Vejamos a narração de 1 Macabeus: "Entrando com arrogância no Santuário. antes de sair.Isto se dá em fins de 172 a. Onias III é assassinado a mando de Menelau. O rei. Talvez seja a sempre crescente necessidade de dinheiro. 1Mc 1. das taças. em sua segunda campanha contra o Egito. interessante para se avaliar o poder de Roma neste momento histórico: "Quando ele viu o general romano Popilius. além disso. o Tobíada dissidente e pró-Lágida. que tinha uma tabuinha onde estava transcrito o senatus-consulto. aturdido com esta insolência... Ele tinha na mão uma vara de videira. Já em 168 a. apoderou-se do altar de ouro. A população de Jerusalém. o rei [Antíoco IV]. da mesa da proposição. do candelabro com todos os seus acessórios. Roma defende. campanha vitoriosa. Tomou.C. Traçou com esta vara um círculo ao redor de Antíoco e convidou-o a lhe dar.C. do qual se desconhece a causa. Em 169 a. e de assim anexar o país. o ouro. do véu. pelo legado romano Popilius Laenas. Então Popilius e seus acompanhantes apertaram sua mão e o cumprimentaram com amizade. dos incensórios de ouro. deste modo. da decoração de ouro sobre a fachada do Templo: tudo ele despojou. Antíoco IV saqueia o Templo de Jerusalém. revoltada com as ações de Menelau. Como protestasse contra a venda de vasos sagrados do Templo (vendidos por Menelau para conseguir o dinheiro prometido a Antíoco IV). lha estendeu e pediu que a lesse imediatamente (.) O rei a leu e declarou desejar deliberar com seus amigos acerca desta novidade. quando oficialmente denunciam as arbitrariedades cometidas pelo sumo sacerdote. das vasilhas para as libações. vê três membros da gerousia serem executados por Antíoco IV.21-23 narra este saque do Templo.. início de 171 a. O .. os utensílios preciosos e os tesouros secretos que conseguiu descobrir". a prata. pensou um instante. a resposta ao documento. Jasão foge para a Transjordânia. na volta de sua primeira campanha egípcia.C.

Consta que. apoiado pelos Tobíadas. sede de uma guarnição e verdadeira pólis. os judeus estão divididos a propósito do helenismo em aproximadamente duas facções que podemos designar como a dos filohelenos e a dos assideus: os primeiros.C.. Ataque. Além disso. Menelau refugia-se na acrópole. o rei Selêucida. no coração de Jerusalém. espinho atravessado na garganta dos judeus fiéis. com a ordem de trucidar todos os que estavam na força da idade e de vender as mulheres e os mais jovens". assassinatos em massa. 2Mc 5. Jasão e Menelau.514).C. no final do verão de 168 a. como Acra (= cidadela). Durante cerca de 25 anos a Acra será o braço armado selêucida em Jerusalém. em grego. Primeiramente.23b-24 assim fala da intervenção de Apolônio: "Nutrindo para com os súditos judeus uma disposição de ânimo profundamente hostil. depois por Jasão e talvez por uma fração da população que já se esquecera das durezas da administração egípcia. executando muitos judeus e vendendo a outros como escravos. Muralhas demolidas e construção de poderosa fortaleza em Jerusalém. outrora sustentado por Hircano. escravidão.senatus-consulto ordenava-lhe parar imediatamente a guerra contra Ptolomeu"[34]. que restabelece Menelau no poder. Saulnier assim resume estes acontecimentos: "Podemos dizer que há em Jerusalém dois motivos de dissensões que não coincidem entre si. pune Jerusalém. o misarca (comandante das tropas mísias). . o rei enviou o misarca Apolônio à frente de um exército de vinte e dois mil homens. No começo de 167 a. com forte contingente. mas este não consegue controlá-la (2Mc 5. mas foge com a chegada de Antíoco IV. Antíoco IV envia a Jerusalém Apolônio. e Onias III. parecendo amplamente encorajados por dois sumos sacerdotes sucessivos e rivais. Antíoco IV deixa na cidade o frígio Filipe com uma guarnição. conhecida. pensando estar havendo uma revolta. C. Na Palestina corre o falso boato de que Antíoco morrera no Egito e Jasão ataca Jerusalém. filho de Tobias. a existência de um partido pró-Selêucidas. as dificuldades do reinado de Antíoco IV sugerem a existência de um partido pró-Lágidas. encostada no Templo. de outro lado. por Menelau e sem dúvida por aqueles que são designados como antioquenos de Jerusalém"[35]. Jasão promove sangrento massacre na cidade. e.

enfim. É quase certo que o partido helenista de Jerusalém tenha pedido a intervenção real e tenha apontado as medidas necessárias para aniquilar os judeus tradicionais[37]. É nesta época que começa verdadeira caçada aos Oníadas e a seus partidários. resistência judaica ao programa de helenização é que Antíoco IV decide proibir a prática do judaísmo. Os fiéis seguidores da Lei. dotando-a de grande e sólida muralha e torres fortificadas. Jerusalém é.33-35 descreve a construção da Acra: "Então reconstruíram a cidade de Davi. tornando-se eles assim uma armadilha enorme"[36]. por enquanto pacífica. e dela fizeram a sua Cidadela. duas medidas são tomadas (1Mc 1. Por outro lado. da distinção de alimentos puros e impuros. da circuncisão. Como é de praxe em tais circunstâncias. os assideus (= piedosos) são obrigados a fugir para os desertos e montanhas. .41-53): o o a abolição da Torá. Todos os manuscritos da Lei devem ser destruídos. Acredita-se que tenha sido para vencer a. Povoaram-na de gente ímpia. a ereção de altares em todo o país e o sacrifício de porcos e outros animais impuros a deuses estrangeiros.1Mc 1. Abasteceram-na de armas e víveres e nela depositaram os despojos tomados em Jerusalém. Como norma geral. uma cidade contaminada: os gentios controlam a sua população. das festas. homens perversos. Desencadeia-se feroz perseguição a todos os inimigos de Menelau. Os habitantes do distrito judaico transformam-se em cidadãos sem direitos. suas propriedades são confiscadas e transferidas para os Tobíadas ou para as colônias militares reais. e nela se fortificaram. no verão de 167 a. com seus mandamentos e suas proibições: ficam proibidas as práticas do sábado. é preciso considerar que esta intervenção direta e brutal contra os costumes e os deuses de outros povos não é uma praxe grega. Qualquer violação destas normas tem a morte por punição uma reforma do culto em toda a Judéia: a abolição dos sacrifícios e da sacralidade do santuário e dos sacerdotes.C.

Idem. Onde quer se encontrasse em casa de alguém um livro da Aliança ou se alguém se conformasse à Lei. pp. era designado nos textos judaicos como "o Deus dos céus". HENGEL.C. Histoire politique du monde hellénistique II. Zeus representava os valores do poder e da autoridade. M. com respectiva imagem e sacrifício. WILL. 1978. 21-31. Quanto aos livros da Lei. pp.. pp. o rei fez construir. na Síria ele fora assimilado a Baal Shâmin. NEXT [20].Para completar. Judaism and Hellenism I. para o reinado de Antíoco IV e seu confronto com os judeus. História de Israel.. deus soberano. 109-132.. desde a época persa.. Histoire de la Palestine I. sírios e gregos reconhecer nela a emanação de um deus soberano"[38].. Explica C. SAULNIER. A introdução deste culto no Templo é a "abominação da desolação". os que lhes caíam nas mãos eram rasgados e lançados ao fogo. Também nas outras cidades de Judá erigiram-se altares e às portas das casas e sobre as praças queimava-se incenso.64 assim descreve a "abominação da desolação": "No décimo quinto dia do mês de Casleu do ano de cento e quarenta e cinco [8 de dezembro de 167 a. de deus do céu). Paulus.. Nestas condições. ABEL. . pp.. podemos admitir que Antíoco IV quisesse introduzir em Jerusalém uma divindade sincrética. senhor das tempestades e da fecundidade. 326-341. uma verdadeira cruzada contra a Lei..-M.54-57. Saulnier que "deus iminente dos gregos..]. 277-290. 105-121. A revolta dos Macabeus. segundo Dn 11. Por detrás disso tudo podemos ver as tristes figuras de Menelau e dos Tobíadas[39].31. J. F. BRIGHT. é introduzido o culto de Zeus Olímpico no Templo de Jerusalém. o decreto real o condenava à morte (. pp. o epíteto Olímpico recordava suas prerrogativas sobre as outras divindades e seu aspecto uraniano (isto é. Enfim. Cf. pp.C. 1Mc1. Os judeus são também obrigados a participar da festa de Dionísio e do sacrifício mensal em honra do aniversário do rei (2Mc 6. C. sobre o altar dos holocaustos. Tais aspectos podiam aparentemente aproximá-lo de Iahweh que. que permitisse a judeus. em dezembro de 167 a. 570-576.) Foi sobremaneira grande a ira que se abateu sobre Israel". São Paulo. a Abominação da desolação. Histoire d'Israel III.7). E.

572. Le monde hellénistique II. [25]. Pétaso é o chapéu de copa baixa e abas largas usado nos exercícios pelos atletas gregos no ginásio. A revolta dos Macabeus. p. 311-320. E. E. LÉVÊQUE.. p. Le monde hellénistique II. [29]. C. pp. pp. Por motivos obscuros. Para o significado da Acra em Jerusalém. C. p. c.. A revolta dos Macabeus. pp. Histoire politique du monde hellénistique II. Histoire politique du monde hellénistique II. também WILL. História XXIX. p. The God of the Maccabees. BICKERMAN. 61. Cf. [22]. 59. Cf. [27]. Histoire de la Palestine I.-M. SAULNIER. Este começou as operações em 169 e. PRÉAUX.. o. p. a análise do episódio em WILL. SAULNIER. 128.. explica SAULNIER. 27. p. o equivalente a cerca de 15. Cf. Histoire d'Israel III. Histoire d'Israel III. pp. ABEL. pp. Jasão oferece a Antíoco 590 talentos. 24. LÉVÊQUE. este texto em SAULNIER. 110-111. pp. [23]. ocupou Mênfis".. Idem.. 320-325.. que se tornara rei com a morte de seu pai em 180. C. História de Israel... cf. depois de uma campanha fácil. Cf. p.. 23.340 kg de prata. 46-53. [34].. 109. [30]. C.. [28]..2 kg. [24]. Cf. 401-403. [35]. 403-408. Histoire d'Israel III. C. 376-377. C.. p. [31]. [36]. Idem. 113. tais regentes parecem ter declarado guerra contra Antíoco IV em 170. Cf. [26]. C. O mundo helenístico. PRÉAUX.[21]. [33]. J. P. Um talento ático pesa 26. Cf. SAULNIER. F. 112.. E. P. POLÍBIO. Cf. p. p. "O reinado [dos Ptolomeus] era dirigido por regentes que governavam em nome do jovem Ptolomeu VI. [32]. ibidem. BRIGHT. ibidem. .

inclusive. 287-289. ali introduzindo a abominação da desolação. muito bem expressa em 1Mc 1. E todas as nações conformaram-se ao decreto do rei".. C. as motivações religiosas é que oferecerão os conceitos para a leitura dos fatos. até que a cólera chegue a seu cúmulo . Cf. Mas há a versão judaica. o livro de Daniel descreve a maldade de Antíoco IV no seu ataque às práticas judaicas: "Tropas enviadas por ele virão profanar o Santuário-cidadela e abolirão o sacrifício perpétuo. 27-28.. C. 118-121. [39]. Histoire d'Israel III.[37]. 574-576. que todos formassem um só povo. por exemplo. A revolta dos Macabeus. SAULNIER. Com sua linguagem guerreira carregada de simbolismos. que diz: "O rei prescreveu..) O rei agirá a seu belprazer. HENGEL. mostra que há duas interpretações divergentes para as medidas anti-judaicas de Antíoco IV Epífanes[40]. pp.. Os que transgridem a Aliança. A revolta dos Macabeus. na típica visão teocrática do judaísmo de então..porque o que está decretado se cumprirá. em seguida. BRIGHT. Idem. que teria. pp.3. M. ele os perverterá com suas lisonjas. renunciando cada qual a seus costumes particulares. Cf. exaltando-se e engrandecendo-se acima de todos os deuses. [38]. 8. É a que considero mais provável. Saulnier. M. sugerido a Antíoco IV as medidas a serem tomadas. pp. Uma é a que expus acima: a helenização forçada é conseqüência da pressão exagerada da aristocracia judaica. Sem consideração para com os deuses de seus .As Causas da Helenização Com muita freqüência. Ele proferirá coisas inauditas contra o deus dos deuses e no entanto prosperará. Judaism and Hellenism I. Judaism and Hellenism I. pp..41-42.. HENGEL. 292-303. têm-se colocado as razões religiosa e cultural como motivo para a helenização da Judéia e conseqüente resistência macabéia. J. SAULNIER. p. História de Israel. mas o povo dos que conhecem a seu Deus agirá com firmeza (. pp. a todo o seu reino. 26. C. Claro que.

é a si mesmo que ele exaltará acima de tudo" (Dn 11. mas ele cultua especialmente a Zeus Olímpico. É que o sistema político grego tradicional. Apesar de tudo isso. conhecido também sob o nome semítico de Adônis na mitologia mediterrânea. porque também Políbio traça dele um perfil pouco lisonjeiro. nos reinos helenísticos a função de recolher o tributo é arrendada à aristocracia dos povos dominados. mais para o fim de seu governo. Os reis Selêucidas antecessores de Antíoco IV cultuavam Apolo. Tamuz é uma divindade assírio-babilônica de origem popular. a Inanna suméria e a Ishtar acádica. proporcionando-lhe lucros financeiros e influência política junto ao governo estrangeiro. com os traços de Zeus Olímpico. razões já apresentadas.36-37).pais. Além das razões estratégicas e políticas dos Selêucidas para incentivar a helenização dos judeus. há motivos econômicos para o conflito que o processo desencadeia[42]. Diz Políbio que Antíoco IV aprecia sair da corte e se misturar com as pessoas do povo.31-32. como vimos no caso dos Tobíadas. Tamuz é estreitamente vinculado à divindade feminina da fertilidade. Ou seja: não há uma burocracia profissional que administra as finanças do Estado. não dispõe de um mecanismo fiscal para o recolhimento do tributo. alguns elementos precisam ser explicados: "Engrandecendo-se acima de todos os deuses" é uma referência à efígie de Antíoco IV cunhada nas suas moedas. está falando do deus Adônis-Tamuz. De qualquer maneira. o cidadão se dedica à administração da cidade sem receber recompensa alguma. Este texto de Daniel é bem representativo da visão judaica do rei ímpio perseguidor do povo justo. daí o texto dizer que ele age "sem consideração para com os deuses de seus pais". Ou que ele se infiltra nas festas do povo sem ser convidado ou vai ao mercado (ágora. por exemplo. Ele é amante de Ishtar. sem consideração para com o favorito das mulheres ou para com qualquer outro deus. Em Atenas. a não ser a satisfação do dever cumprido e o sentimento de contribuir para o bem comum[43] . Antíoco IV não é bem visto pelos escritores da época. Quando o texto diz que ele não "tem consideração para com o favorito das mulheres". Assim. além de protagonizar outras atitudes populistas41. é preciso ir além na interpretação dos fatos. . Como esta é uma linguagem apocalíptica. local onde se reúne também a assembléia do povo) e se mete nas mais acirradas disputas. discutindo longamente com ourives ou outros peritos nos seus ateliês. como adotado pelos Selêucidas.

cria condições para que a aristocracia judaica substitua as leis étnicas por leis políticas.que reivindica tal direito como "direito de lança" por ser o conquistador . Isto a partir do dia de hoje e para todo o tempo. também significava simplesmente 'viver'"[44].. que foi concedida oficialmente à Judéia. Ora. uma relação de parentesco baseada na solidariedade dos laços de sangue. trouxe em si elementos que ofereciam à aristocracia das cidades novas possibilidades"[45]. M. por Demétrio I.e não nas tradições dos antepassados codificadas na Torá.C. que trata de uma isenção de impostos concedida aos judeus mais tarde. deve-se levar em conta que a noção grega de Estado é concretizada no Oriente: o o ou na pólis.. Judá é e permanece um éthnos também na administração selêucida. assim como seu território. autonomia (poder próprio) e autarquia (autogestão). Igualmente renuncio à terça parte da semeadura e à metade dos frutos das árvores. do imposto sobre o sal e do imposto coronário. "Desde agora desobrigo-vos. sem dízimos e sem tributos". O texto de 1Mc 10.Por outro lado. baseada na vontade do rei Selêucida . reforça os privilégios da aristocracia.C. uma associação de cidadãos livres e autônomos baseada na vizinhança ou no éthnos. o Grande. e declaro isentos todos os judeus. Jerusalém seja considerada santa e isenta. bem como à Samaria e à Galiléia. A lei. Mas o próprio Antíoco III.29-31. dá-nos uma idéia dos tributos recolhidos pelos Selêucidas na Judéia. "A autonomia étnica. que significava 'tomar parte nos negócios públicos'. O verbo politeyestaí. Os três primeiros impostos citados. com seu decreto de 197 a. criando as condições para a sua emancipação da hierocracia e para o predomínio da pólis sobre o éthnos. do imposto sobre o sal e do ouro das coroas. já os conhecemos do decreto de Antíoco III: trata-se do phóros. Rodrigues explica que "três grandes princípios presidem à formação da pólis: eleuteria (independência). em 152 a. A cidade era tudo para o cidadão grego. que me caberiam de direito: de hoje em diante deixo de arrecadá-los à terra de Judá e aos três distritos que lhe foram anexos. dos tributos (phóroi). .

5. A aristocracia . mas não é seu proprietário. quando comenta o decreto de Antíoco III. como em Dt 12. investido no cargo de superintendente do Templo.. aponte uma razão econômica. O livro do Deuteronômio.C.13. estes produtos e paga aos seus senhores Selêucidas determinada quantia em prata. certamente com ganhos. o que aqui nos interessa é perceber como se faz o recolhimento do tributo na Judéia. A terra em Israel é classificada como nahala (= herança. Israel tem a posse da terra.29.28. escrito a partir do século VIII a. como vimos acima.1. diz: "São estes os estatutos e as normas que cuidareis de pôr em prática na terra cuja posse Iahweh. Assim. Diz Josefo: "Os nobres arrendaram nas suas próprias cidades paternas o direito de cobrar o tributo.20. a pagaram aos reis"[46]. Vende.20. baseado na tributação e na manutenção de seus privilégios.9.10. como modo de quebrar as barreiras da tradição de solidariedade baseada na aliança. Seu enriquecimento fácil.1. Daí ser significativo que a primeira notícia a respeito do nascente conflito com o helenismo. a terra é dom de Iahweh ao povo. Segundo as leis israelitas. da estirpe de Belga. A solução será pedir a Antíoco IV Epífanes a eliminação da Lei.10. posse). Pode-se até negociar a terra.10.18. por exemplo. Vamos lembrar o que diz 2Mc 3. Deus de teus pais te dará. entrou em desacordo com o sumo sacerdote a respeito da administração dos mercados da cidade". certo Simão. O direito que regulamenta a venda da terra é o chamado ge'ulla (= resgate .por exemplo. Flávio Josefo também testemunha que os impostos são cobrados pela aristocracia. a aristocracia começa a pressionar sempre mais na direção da helenização total. repete isto sempre (Dt 12.16.Agora. Some-se a isso a precariedade financeira dos Selêucidas e o mecanismo começa a ficar claro.4: "Ora. e.20 etc).16 e tantos outros lugares. 13.recolhe dos camponeses 1/3 do produto das colheitas e metade da produção das frutas.9. os Tobíadas e seus associados . choca-se com as normas da Lei. depois que eles recolheram a quantia fixada. 19. durante todos os dias em que viverdes sobre a terra". Talvez cerca de 300 talentos anuais segundo 1Mc 11. Dt 12. mas somente dentro de determinadas normas.

Compare-se esta concepção israelita da posse da terra com a concepção grega. Segundo esta lei. O resgate da terra é baseado no conceito de hesed (= fidelidade). este princípio leva ao acúmulo de terras pelas famílias mais ricas[47].da terra). Caso contrário. mas não com estranhos ao círculo de parentesco.23-28. deve ser resgatado pelo parente mais próximo. uma solidariedade que sustenta a relação comunitária no nível do clã. Uma confirmação do avanço da estratificação social pode ser encontrada na regra do ano jubilar estabelecida por Lv 25.47-55 estabelece também que se um israelita for vendido a estrangeiros como escravo. onde a terra pode ser dada a quem o rei determinar. . como no interior do clã a estratificação social avança bastante nos períodos persa e grego. Por outro lado. então o parente agnático (termo do direito romano que indica o parente por parte de pai) mais próximo deve comprá-lo. Quem tem o direito de compra é apenas o parente do lado masculino da família. como pode protegê-lo também de ser vendido como escravo permanente a estrangeiros. a aristocracia judaica que aí surge tende a excluir os mais pobres. Lv 25. O conflito jurídico é evidente. H. provavelmente do século VI a. se o israelita deve vender seu terreno.C. A venda da terra pode proteger o proprietário empobrecido de pagar tributos e impostos a estrangeiros. mas cria laços de solidariedade entre eles a terra pode ser negociada entre parentes. G. Ora. porque ela lhe pertence por direito de conquista. Kippenberg assim resume a relação de parentesco em Israel: o o o a estrutura de parentesco determina a reprodução das famílias e as relações sociais dentro da família a estrutura de parentesco une as famílias em uma hierarquia baseada nas prerrogativas dos irmãos mais velhos sobre os mais novos.. Entretanto. Se isto não for possível. deve ser libertado no ano jubilar (49º ou 50º ano). a manutenção das regras do parentesco exigida pela Lei e confirmada por Antíoco III prejudica os interesses da aristocracia. no 49º ou no 50º ano o antigo dono deve receber de volta sua propriedade vendida.

36-51: a purificação do Templo).29-38: o sábado.. 4. . estratego e chefe dos judeus'". e estamos prontos a celebrar convosco uma paz duradoura e a escrever aos nossos administradores que vos considerem totalmente isentos. os sacerdotes Macabeus. 1Mc 13. aos anciãos e à nação dos judeus.42-48: a circuncisão. sumo sacerdote e amigo dos reis. defendem a manutenção dos laços de parentesco. nós vo-los perdoamos. É porque estas regras não funcionam mais. a aristocracia não é mais identificada com o Estado. dando aos camponeses maior folga em relação aos senhores da terra.C. líderes da resistência judaica. bem como a coroa que nos deveis.36-42 assim descreve o fato: "'O rei Demétrio a Simão. Ex 21. 2.1920. Que os motivos desta luta são também econômicos. gerados pelo arrendamento estatal dos impostos à aristocracia. com o desaparecimento do arrendamento. E o povo começou a escrever.21-27). isto é festejado como libertação da escravidão e começo de uma nova era. nos documentos e nos contratos: 'No primeiro ano de Simão. em 142 a. E reine a paz entre nós'. A desigualdade permanece a mesma. se observarmos que. É que. sumo sacerdote insigne. os revolucionários Macabeus fazem valer os antigos mandamentos (1Mc 2. devido à estratificação social. e seus partidários assideus.6. que se tem de exigir a regra dos 49/50 anos[48]. Voltemos ao confronto entre a aristocracia filo-helenista e os judeus fiéis à Lei. mas os camponeses conseguem controle sobre o excedente[49]. Como veremos daqui a pouco. que eles se inscrevam. Quanto às faltas por ignorância e os delitos cometidos até o dia de hoje. não o seja doravante. E se alguma outra coisa era arrecadada em Jerusalém. Se houver entre vós alguns homens que sejam aptos a ser recrutados para a nossa guarda de corpo. quando o rei selêucida Demétrio II concede aos judeus a isenção dos tributos. Tudo o que temos determinado a vosso respeito permanece firme e também são vossas as fortalezas que edificastes. da solidariedade étnica contra a instalação do regime da pólis em Jerusalém.Parece claro que a regra do ano jubilar está em contradição com a norma do resgate imediato da terra e do escravo e a lei do ano sabático (Dt 15.1-11). não resta dúvida. saudações! Recebemos a coroa de ouro e a palma que nos enviastes. foi retirado de Israel o jugo das nações. Enquanto os partidários da helenização seguem as ordens do rei (1Mc 2.1-18. No ano cento e setenta.

Edições 70. 1991. P. em Jerusalém. PEIXOTO. Paulus. H. objeto de conquista. Leituras Recomendadas AUSTIN. M.. uma camada aristocrática força a helenização e entra em choque com o direito sagrado tradicional do povo judeu. Studies on the Meaning and Origin of the Maccabean Revolt. até que. 1980. Editora da UnB. Studies in their Encounter in Palestine during the Early Hellenist Period I. Difel.. Aí vem o conflito com os Macabeus. O mundo helenístico. 1986. SCM Press. Edições 70. LÉVÊQUE. E esta lógica está funcionando. mantendo os produtores como simples moradores. que não tem objetivos religiosos: o que se quer é uma reforma da constituição da Judéia. GLOTZ. E. MOSSÉ.... 1979. Brasília. M. Casa Publicadora das Assembléias de Deus. Ars Poetica.. G. Economia e sociedade na Grécia antiga.A lógica grega deste arrendamento é a de reduzir o direito de cidadania a pequena faixa aristocrática. sem direito a cidadania. Lisboa. 1985. São Paulo. 1981. M. Lisboa. F. São Paulo. La Gréce et l'Orient (323-146 av. The God of the Maccabees. Le Monde hellénistique. BICKERMAN. o pai da estratégia. London. HENGEL. 1992. P.. KIPPENBERG. P. C. 1993. JOSEFO. um desafio aos romanos. Rio de Janeiro. 1988. BRADFORD.. C. Lisboa. São Paulo. PAUMAPE. Edições 70. Aníbal. Leiden. G. 1985. Mas será a simbologia religiosa que exprimirá os interesses igualitários de sacerdotes e camponeses[50]. Obra Completa. E. PRÉAUX.. Brill. As instituições gregas.. & VIDAL-NAQUET. História. Judaism and Hellenism. Aníbal. 1987. POLÍBIO. Religião e formação de classes na antiga Judéia. História dos Hebreus.. . São Paulo. A cidade grega.

Paris. W. Economia e sociedade na Grécia antiga. A. G. A revolta dos Macabeus. pp. c. São Paulo. 1988. [44]. G. F. São Paulo. 1980. Cf. C. ROSTOVTZEFF.1. Presses Universitaires de France. Petrópolis.-135 a.. WILL. sobre Antíoco IV. H. Edições 70. [46]. pp.D. A cidade grega.J. GLOTZ. 152-161. pp..) I-II. M. Cf. J. pp. pp. Brasiliense. SAULNIER. p. 19872. Histoire d'Israel III. .. História da Grécia. KIPPENBERG. [45].C. Cf. 19882. Religião e formação de classes na antiga Judéia. Cf. P. 39. Nancy. História XXVI. 99-214.. WILL./VIDAL-NAQUET.. em Atualização 171-172. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a. Paulus. Cf. C. Idem. G. C. Lisboa. cf... Histoire politique du monde hellénistique II. Religião e formação de classes sociais no Judá pós-exílico. sobre isto..1987. KIPPENBERG. 19864. 24-31. São Paulo. [43]. o. G. Zahar.-C. sobre a questão. E.. Histoire d'Israel III. Cf. 27-28. 151-183. 118-121. p. Histoire d'Israel III. Cf. C. ao longo dos séculos. AUSTIN. MOSSÉ. H. GRUEN.. pp.. E. 73-87. M.. M.. GLOTZ. c. C. Cf. também GIORDANI. 155. Vozes. RODRIGUES. SAULNIER. 377-378. BICKERMAN. 306-308. pp. pp. Histoire politique du monde hellénistique (323-30 av. pp. 1979-19822. [47]. G. The God of the Maccabees. março/abril de 1984. segundo H. 1985.. NEXT [40]. p. JOSEFO. A cidade grega. H. C. SAULNIER. 76. 19774. o. POLÍBIO. Antiquitates Iudaicae XII.). A revolta dos Macabeus. Rio de Janeiro. [41]. História de Roma.. 80.. Difel. também. [42].-C. KIPPENBERG.. G. 1985.. Paris. Para as tendências da historiografia.) III... M.. pp. este texto em SAULNIER. 113-129. Du Cerf. Presses Universitaires de Nancy. KIPPENBERG.. E. As instituições gregas. As utopias gregas.

A posse de livros da Lei. com seu filho Judas Macabeu. Idem. pp. desencadeia-se feroz perseguição àqueles que não se submetem às ordens do rei selêucida Antíoco IV Epífanes. [49]. a prática da circuncisão ou qualquer observância de um ritual judaico leva a pessoa à morte. de Judas Macabeu e de Jônatas pela independência da Judéia. 9. pois os judeus mais tradicionais não podem admitir esta atitude. chamado Matatias.[48]. Cf. Isto começa a criar divisões internas. que culminará. os irmãos Macabeus vão pouco a pouco consolidando as suas conquistas na Judéia. irmão de Judas Macabeu. Idem. não lhe pertence. ocupando um cargo que. um sacerdote de Modin. Idem.C. Com seus cinco filhos e grande grupo de camponeses fiéis às tradições judaicas ele faz uma guerra constante aos helenizantes.1. Cf. ibidem. Neste capítulo abordarei exatamente a luta de Matatias. Matatias e o Começo da Revolta . Aproveitando-se do aprofundamento da divisão interna do império selêucida e de seu enfraquecimento político e econômico. na libertação de Jerusalém e na purificação do Templo apenas três anos após a proibição dos sacrifícios javistas. 86. que se retirara de Jerusalém desgostoso com o rumo das coisas. será o primeiro sumo sacerdote da família. começa um movimento de rebelião armada contra os gregos e seus associados da aristocracia judaica. 86-87. ibidem. Recusando-se a prestar culto aos deuses gregos. Os Macabeus I: A Resistência Com a proibição das tradicionais práticas judaicas em 167 a. [50]. 9. embora esteja vago. pp. Cf. 61-63. ibidem. Jônatas. p. nesta primeira fase.

Onde quer que se encontrasse. Eles aceitaram antes morrer que contaminar-se com os alimentos e profanar a Aliança sagrada. os que lhes caíam nas mãos eram rasgados e lançados ao fogo. Apesar de tudo.56-64 os fatos: "Quanto aos livros da Lei. cumprindo o decreto. Segundo 2Mc 6. que equivale. assim descreve 1Mc 1. muitos em Israel ficaram firmes e se mostraram irredutíveis em não comerem nada de impuro. todos os anos. e ainda com seus familiares e com aqueles que haviam operado a circuncisão. contra Israel. que as práticas tradicionais do judaísmo são proibidas pelo decreto de Antíoco IV Epífanes e o culto de Zeus Olímpico é introduzido no Templo de Jerusalém. daí por diante. Temos. Falando da perseguição desencadeada pelo decreto real e da resistência dos judeus fiéis. importante testemunho de Platão: "Quando nasce o primogênito. ao dia 15 de dezembro. em casa de alguém. A comemoração do aniversário do rei é uma prática persa retomada pelos macedônios no Oriente. Foi sobremaneira grande a ira que se abateu sobre Israel". as executavam com os mesmo filhinhos pendurados a seus pescoços. em nosso calendário. como de fato morreram. logo é festejado o acontecimento por todo o povo e os próprios governantes. mês por mês. nas cidades. No dia vinte e cinco de cada mês ofereciam-se sacrifícios no altar levantado por sobre o altar dos holocaustos. E ao chegarem as festas . Na sua prepotência assim procediam. a Ásia inteira comemora a efeméride com festejos e sacrifícios"[1]. mas não abdicam da aliança javista herdada de seus pais. no dia do aniversário do rei. É então que muitos judeus fiéis à Lei morrem. com todos aqueles que fossem descobertos. os judeus devem participar também da festa de Dionísio: "Eram arrastados com amarga violência ao banquete sacrifical que se realizava cada mês. O dia 25 de cada mês é a data do aniversário do rei e da inauguração do altar a Zeus Olímpico: o dia 25 de Casleu. no dia do aniversário do príncipe. desta prática. o decreto real o condenava à morte. é em 167 a.7. herdeiro presuntivo da coroa. eles.C.Como vimos. Quanto às mulheres que haviam feito circuncidar seus filhos. um livro da Aliança ou se alguém se conformasse à Lei.

18-31) e o martírio dos sete irmãos com sua mãe (2Mc 7. festa que comemora o renascimento da natureza) e as Grandes Dionísias ou Dionísias Urbanas (em março/abril. que faz uma verdadeira teologia do martírio. obviamente.dionisíacas. começo de fevereiro). Dionísio. as Antestérias (a "festa das flores". porque mistura a perseguição religiosa à guerra civil. coroados de hera. pode ser compreendido pelo historiador como uma reação contra a agitação que não parava de aumentar e a repressão de uma verdadeira revolta armada"[3] . também celebrado em Roma. o cortejo em honra de Dionísio".1-42). aos que estiverem defrontando-se com este livro. 2Mc 6. na mitologia grega. correção de . com grande ênfase na sexualidade. especialmente em Atenas. começos de março. misticismos e orgias sagradas que celebram a vida. celebram-se quatro grandes festas em honra de Dionísio: as Dionisíacas Rurais (em dezembro). "Ao mesmo tempo. que morre e ressuscita. Saulnier pensa que a resistência dos judeus piedosos assuma. as características de uma verdadeira revolta e de uma oposição política perigosa. que libera as forças do inconsciente humano e inspira a música e a poesia. gostaria de exortar que não se desconcertem diante de tais calamidades. a profunda divisão dos judeus permite-nos compreender que os helenistas deviam se sentir ameaçados e acolhessem de boa vontade o apoio e a proteção das forças gregas. o que é interpretado em termos de perseguição pela literatura judaica. Pecados cometidos pelos helenizantes que violam a Lei sagrada: "Agora. as Lenéias (em fins de janeiro. é filho de Zeus e da princesa Semele. C.12-13 garante ainda que o castigo que se abate sobre a nação judaica é a punição pelos pecados do povo e só servirá para purificá-lo e encaminhá-lo para o reto caminho. donde "bacanal" -. durante seis dias)[2] . Os rituais dionisíacos são repletos de êxtases. Então. Na Grécia. sendo também o deus do vinho .o Baco. O livro descreve detalhadamente os suplícios sofridos pelo velho escriba Eleazar (2Mc 6. o começo desta crise é ambivalente. Assim. aos olhos de Antíoco IV. Reafirma esta interpretação religiosa judaica o 2º livro dos Macabeus. celebrada em fins de fevereiro. Dionísio é um deus da vegetação. obrigavam-nos a acompanharem.

enquanto que. o benfeitor e o salvador. quando tu tratas os judeus como merecem por sua maldade. Hoje. não deixar impunes por longo tempo os que cometem impiedade. obedecendo a um velho escrúpulo religioso. os oficiais reais. De fato. adotaram o costume de celebrar o dia que os judeus chamam de sábado. não percebendo que era por causa dos pecados dos habitantes da cidade que o Senhor estava irritado por um tempo. pensando que é por causa de nosso parentesco com eles que nós seguimos as mesmas práticas. é sinal de grande benevolência". nós não seremos mais molestados e. Mas é interessante observarmos também a atitude dos samaritanos durante estes acontecimentos. Ao explicar a pilhagem do Templo por Antíoco IV. que é como os samaritanos. de não nos molestar fazendo contra nós as mesmas acusações que contra os judeus que nos são estranhos tanto pela raça como pelos costumes. templo de Zeus. . É um rescrito (= decisão do rei comunicada por escrito) de Antíoco IV aos sidonianos de Siquém. se designam nesta época. É bom lembrarmos que a perseguição atinge apenas os judeus do distrito de Jerusalém. "Memorando dos sidonianos de Siquém ao rei Antíoco Théos Epífanes: 'Nossos ancestrais. entre os de Tiro e de Antioquia. ergueram sobre o Garizim um templo anônimo e ofereceram os sacrifícios que lhes convinham. Deste modo. e que era por isso que se verificava essa sua indiferença para com o Lugar".C. chefe do distrito e a Nicanor. por causa das secas que assolavam o país. por exemplo. 2Mc 5. por origem nós somos sidonianos. nos envolvem nestas mesmas acusações. agente real. e de chamar ao nosso templo anônimo. Flávio Josefo traz um texto a propósito dos samaritanos datado de 166 a. como o demonstram claramente as atas públicas.17 apresenta a mesma perspectiva: "Antíoco subia até às alturas em seu pensamento.nossa gente. mas imediatamente atingi-los com castigos. portanto. Nós te suplicamos. segundo Flávio Josefo. de ordenar a Apolônio. Não há sinal de perseguição entre os judeus da diáspora. tu.

talvez. povoado localizado a cerca de 12 km a leste de Lida/Lod. chamado Afus".27-28). Eleazar. à forma de sua cabeça. Diz 1Mc 2. Matatias tem cinco filhos. "designado por Iahweh". diante de nós. asseguraram que eles nada têm a ver com o que é censurado nos judeus. Abaron é o "desperto". Convoca. nós os isentamos de todas as acusações e ordenamos que o seu templo. Mas a família de Matatias não está sozinha nesta luta. Tasi tem significado incerto.podendo ocupar-nos com segurança de nossos trabalhos. o rei deu a seguinte resposta: 'O rei Antíoco a Nicanor. da linhagem de Joiarib. como eles o pediram. Entre os judeus que permanecem fiéis à Lei. Os cognomes dos filhos de Matatias significam o seguinte: Gadi é o "afortunado". "martelo". mas que eles desejam viver segundo o costume dos gregos. Judas. neto de Simeão.2-5: "Tinha cinco filhos: João. e Jônatas. pedindo a Matatias que oficiasse por ser um chefe ilustre na localidade. mas ainda mata outro sacerdote que se oferecera no seu lugar e mata também o emissário real. chamado Abaron. Matatias se recusa a oficiar no Templo profanado pelo culto estrangeiro e se retira com a sua família para a sua propriedade situada em Modin. Afus é o "favorecido". do hebraico maqqabiahu. Quando os emissários reais chegam a Modin e convocam a população para o sacrifício sacrílego. ele não só se recusa. em seguida. seja chamado templo de Zeus'"[4]. Começa assim a luta desta célebre família contra os Selêucidas e seus aliados helenistas de Jerusalém e povoados vizinhos. com o cognome de Gadi. como nos relata 1Mc 2. possível alusão à sua força física ou. Já que seus emissários. bisneto de um certo Asmoneu[5].29 que . e de nossos amigos reunidos em conselho. A tal pedido dos samaritanos. Macabeu pode significar. Simão. nós aumentaremos as tuas rendas'. chamado Tasi. Os sidonianos de Siquém nos apresentaram o memorando que segue. chamado Macabeu. ou do grego. os judeus fiéis e foge com seus filhos para as montanhas (1Mc 2. encontra-se um sacerdote chamado Matatias.

segundo Lv 12. Egípcios. somente os filisteus (que são indo-europeus) não são circuncidados. homens valorosos e apegados à Lei se unem a Matatias e a seus filhos [6]. Pode derivar do acádico shabattu ou shapattu. quando então o rei. o que atesta a sua origem arcaica. moabitas. claro que um motivo higiênico pode estar oculto pelos rituais e cerimônias. . As proibições de Antíoco IV Epífanes tocam em práticas bastante arraigadas no judaísmo pós-exílico. A prática do sábado parece ser muito antiga. Entretanto. as passagens das fases da lua. Matatias e os seus percorrem o território destruindo altares sacrílegos. eles. o sacerdote e o médico. A circuncisão. seus filhos."Muitos que amavam a justiça e o direito desceram ao deserto para ali se estabelecerem. amonitas. edomitas. Esta é a curta notícia que nos dá 1Mc 2.3. circuncidando à força os meninos incircuncisos e recuperando a Lei das mãos dos gentios. porque se tinham multiplicado os males sobre eles". os calendários mesopotâmicos assinalam como dias de azar. Para os judeus é um dia de descanso e dedicação do tempo a Iahweh. que consiste na remoção do prepúcio. operação feita pelo pai da criança. americanas e australianas praticam-na. suas mulheres e seu gado. Aliás. ou dias tabu. E 1Mc 2. Mas a circuncisão é. Quem não a conhece são os indo-europeus e os mongóis. que significa "duas vezes sete" e indica o dia da lua cheia para os babilônios. fenícios e cananeus usam igualmente a circuncisão. não devem exercer suas funções. deve ser cumprida no oitavo dia pós o nascimento. a circuncisão não é um ritual exclusivamente israelita: tribos africanas. em tempos mais remotos. A ênfase sobre a observância do sábado cresce a partir do exílio e se torna lei. Dos povos palestinos com os quais Israel entra em contato. Para a cerimônia usam os israelitas. Vamos comentar algumas delas.42 acrescenta que os assideus. porque ela passa a ser uma marca característica do judeu fiel[7].45-48. Quanto à sua origem. naqueles tempos. facas de pedra lascadas. A etimologia da palavra é incerta. por exemplo. árabes.

termo de etimologia incerta. A partir da reforma de Josias (629-609 a. O seu uso israelita como símbolo de pertença a Iahweh data dos tempos do exílio babilônico. une-se aos vizinhos. Esta festa marca o começo da colheita da cevada. Também são consumidos nesta noite pães ázimos e ervas amargas. Durante esta noite de lua cheia assam e comem o cordeiro. posterior ao exílio.provavelmente um rito de iniciação à puberdade: uma cerimônia pela qual os rapazes são reconhecidos como homens adultos. em Lv 23. quando.1-20. no mês de Nisan (março/abril) e se celebra durante uma semana.) celebra-se a Páscoa na primeira lua cheia da primavera (14 de Nisan) e os Ázimos a partir do dia 15.16-25. estabelece. Ex 12. desde que sejam circuncidados. quando se sacrifica um animal novo para garantir a fecundidade de todo o rebanho. No dia 14. E é realizada uma primeira oferta das primícias a Iahweh. As três principais festas (hag = peregrinação) israelitas.C. de sábado a sábado. celebrado na primeira lua cheia da primavera. mais tarde os portais das casas. são: a Páscoa/Ázimos. Dá-se também às duas festas um novo sentido: a celebração da libertação do Egito. A Páscoa (pesah). Quando a família é pequena demais para comer todo o cordeiro.40-51. come-se somente pão feito com farinha de grão novo. É excluído o que vem do "ano velho". simbolizando um novo ponto de partida. sem defeito e de um ano. a festa das Semanas ou Pentecostes e a festa dos Tabernáculos ou das Tendas. progressivamente os outros povos da região vão deixando-na de lado. Não se pode quebrar nenhum osso e o que sobrar é queimado. os sete dias da festa. entre as duas luzes (à noite) o cordeiro é degolado e o seu sangue aspergido nos portais de cada casa. O seu sangue serve para aspergir as estacas da tenda. é um ritual muito antigo tipicamente pastoril. Os escravos e os estrangeiros residentes também podem participar. estando todos vestidos para viajar. Daí a ênfase dada ao rito pelo judaísmo como marca característica do povo israelita[8]. . o seguinte: no dia 10 de Nisan cada família escolhe um cordeiro macho. Durante os sete primeiros dias da colheita. agora proibidas por Antíoco IV.5-8. para afastar delas os poderes malignos. Nm 28. Os Ázimos (massôt) são pães sem fermento. pão sem fermento. A tradição sacerdotal.

43). como nossas festas juninas. terminando com um dia solene de descanso. A festa das Semanas ou Pentecostes é celebrada 50 dias após a apresentação do primeiro molho de cevada na festa dos Ázimos. A festa dos Tabernáculos ou Tendas é a mais importante das três festas de peregrinação em Israel. como as outras duas. Mais tarde a festa passa a ser celebrada. daí ser chamada pentecostés. ou Dia da Expiação pelo santuário. esta é uma festa muito alegre. que se traduz por "cabanas".2-8. celebrada no dia 10 de Tishri. para se proteger do sol.No dia 15 começa a festa dos Ázimos. "tendas" ou "tabernáculos". clero e povo. as primícias. No primeiro e no sétimo dia são feitas celebrações religiosas. . no deserto. Foi posteriormente ligada ao Sinai. Primeiramente chamada de festa da colheita (asip). que dura uma semana. Naturalmente esta é uma associação litúrgica e não histórica[9]. Mais tarde. É. a partir do dia 15 de Tishri (o mês de Tishri corresponde a setembro/outubro). "cinqüenta". a festa assume outro significado: o povo deve recordar o período em que vivera em tendas. após a libertação do Egito (Lv 23. feitos com a nova farinha de trigo. A cerimônia consiste em oferecer dois pães fermentados. recordando a vitória dos judeus da Pérsia contra aqueles que querem exterminá-los. são oferecidos a Iahweh. sem data precisa. uma festa agrícola. Como o Yom Kippur. esta festa passa a chamar-se mais tarde sukkot. pois segundo a tradição.38-42 e Nm 28. ou a festa dos Purim. o povo constrói cabanas ou abrigos nos pomares e vinhas. com uma duração de sete dias. Por isso. que são igualmente proibidas por Antíoco IV Epífanes. é preciso lembrar que há outras celebrações no Israel da época grega. em grego. Há ainda um culto diário. Celebra o término da colheita. o povo libertado do Egito chega ao monte naquele época do ano. quando os primeiros frutos da lavoura. celebrada no outono. celebrado de manhã e à tarde. Além destas três grandes festas. Inicialmente a festa é celebrada ao ar livre e certamente assume o nome das cabanas (sukkot) que se espalham entre as plantações. segundo as leis sacerdotais. típico do pós-exílio. segundo Ex 29. segundo o livro de Ester. O nome sukkot vem da seguinte prática: durante as colheitas. No outono terminam todas as colheitas e se encerra o ano agrícola. celebrada nos dias 14 e 15 de Adar (fevereiro/março).

A luta contra a helenização é comandada por um grupo sacerdotal, os Macabeus, o que faz parecer que os motivos religiosos sejam prioritários ou mesmo os únicos para a resistência. Como, aliás, insistem os livros dos Macabeus. Mas é preciso lembrar que há uma coincidência de interesses dos sacerdotes e levitas empobrecidos com os interesses dos camponeses. Por isso lutam lado a lado. Sacerdotes e levitas vivem da contribuição dos camponeses, pois o culto e o sacerdócio não têm propriedades, excetuando-se, é claro, uns poucos sacerdotes da nobreza. Os sacerdotes prestam serviços em Jerusalém só de tempos em tempos, morando no mais, em suas cidades e aldeias. O financiamento do culto fica, na maioria das vezes, por conta do Estado. Assim, a classe sacerdotal sem terras está interessada no controle público das terras, como manda a Lei, e não na privatização da propriedade da terra, que é a tendência da aristocracia filo-helênica. Só assim os sacerdotes podem ter certeza das contribuições para o Templo e para o sustento de suas famílias. Se a terra pertence a Iahweh, como diz a Lei, e os sacerdotes são os intermediários entre Iahweh e o povo, através da instituição do Templo, a sua sobrevivência está garantida. Mas se a terra pertence ao rei, como o quer o direito do conquistador grego, os sacerdotes que não pertencem à aristocracia e não se associam aos gregos são prejudicados[10]. NEXT [1]. PLATÃO, O primeiro Alcibíades 121c, em Diálogos vol. V, Belém, Universidade Federal do Pará, 1975, p. 226. [2]. Cf., sobre o tema, DE SOUZA BRANDÃO, J., Mitologia grega II, Petrópolis, Vozes, 19882, pp. 113-140; ELIADE, M., História das crenças e das idéias religiosas I/2, Rio de Janeiro, Zahar, 1978, pp. 199-217. BICKERMAN, E., The God of the Maccabees. Studies on the Meaning and Origin of the Maccabean Revolt,, Leiden, Brill, 1979, pp. 74-75, acredita que estas festas, celebradas em Jerusalém, fazem renascer, ou melhor, são meros disfarces dos antigos cultos cananeus da fertilidade, tão fortes em Israel até o exílio.

[3]. SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, p. 126. [4]. JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XII, 258-264; cf. SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, pp. 379-380. [5]. Joiarib é, segundo 1Cr 24,7, o chefe da primeira das vinte quatro classes sacerdotais que servem no Templo. Mas é possível que esta posição de destaque seja uma reformulação do texto após as vitórias dos Macabeus e seu acesso ao sumo sacerdócio. Os descendentes de Matatias são conhecidos como "Macabeus", do nome de seu filho Judas Macabeu, ou "Asmoneus" por causa de um bisavô de Matatias, segundo JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XII, VIII, 1. [6]. Assideus é a forma grecizada do hebraico hassidim, os "piedosos". 1Mc 2,42 diz que "a partir daí, uniu-se a eles os grupos dos assideus (hê synagôgê ton assidáiôn), que eram israelitas fortes, corajosos e fiéis à Lei". [7]. Cf. DE VAUX, R., Ancient Israel. Its Life and Institutions, London, Darton, Longmann & Todd, 19682, pp. 475-483. [8]. Cf. Idem, ibidem, pp. 46-48. [9]. Cf. Idem, ibidem, pp. 415-517. Cf. também BICKERMAN, E., The God of the Maccabees, pp. 88-90. [10]. Cf. KIPPENBERG, H. G., Religião e formação de classes na antiga Judéia, pp. 59-64.

9.2. A Luta de Judas Macabeu (166-160 a.C.) Matatias morre logo, no começo de 166 a.C., mas seu filho Judas, assumindo o comando da luta, desenvolve uma guerra de guerrilhas cada vez mais ampla e vence um a um os generais selêucidas enviados para detêlo. É preciso considerarmos, porém, que o reino selêucida tem forças mais do que suficientes para massacrar a rebelião judaica. Acontece, contudo, de estar Antíoco IV ocupado com vários problemas que explodem por toda a parte em seus territórios. Não pode, por isso, ocupar-se, para valer, com os judeus. Para sorte dos Macabeus e dos assideus, os judeus fiéis que os acompanham na luta anti-helênica.

É 2Mc 8,1.5-7 que nos conta a estratégia de Judas: "Entretanto Judas, também chamado Macabeu, e os seus companheiros, iam introduzindo-se às ocultas nas aldeias. Chamando a si os coirmãos de raça e recrutando os que haviam perseverado firmes no judaísmo, chegaram a reunir cerca de seis mil pessoas (...) Transformada a sua gente em grupo organizado, o Macabeu começou a tornar-se irresistível para os gentios, tendo-se mudado em misericórdia a cólera do Senhor. Chegando de improviso às cidades e aldeias, ateava-lhes fogo; e, apoderando-se dos pontos estratégicos, punha em fuga a não poucos de entre os inimigos. Para tais incursões, escolhia de preferência a noite como colaboradora. De resto, a fama de sua valentia propagava-se por toda parte". As primeiras tropas selêucidas mandadas contra Judas são comandadas por Apolônio, governador da Samaria, provavelmente o misarca que saqueara Jerusalém no começo de 167 a.C. Este pequeno exército, composto de gregos e de samaritanos é facilmente vencido por Judas (1Mc 3,10-12). Forças maiores vêm com o general Seron, comandante do exército da Síria, mas são igualmente vencidas em Bet-Horon (1Mc 3,13-26). Em seguida, são vencidas as forças dos generais Nicanor e Górgias, até que Lísias, o encarregado da pacificação judaica pelo rei Antíoco IV , vem pessoalmente combater Judas. Contudo, nem mesmo Lísias consegue vencê-lo e uma trégua é estabelecida entre as duas forças (1Mc 3,38-4,35). C. Saulnier comenta que "esta vitória, aparentemente fácil, de Judas Macabeu explica-se pelos problemas que enfrentava neste momento o governo selêucida. Com efeito, Antíoco IV partira no princípio do ano 165 a.C. para uma campanha nas satrapias superiores (isto é, na alta Ásia), deixando Lísias em Antioquia para assegurar o governo e a guarda de seu jovem filho"[11] .

É então que, livre de represálias selêucidas, Judas e os seus tomam Jerusalém, purificam e dedicam novamente o Templo. É dezembro de 164 a.C., exatamente três anos após a profanação do santuário. Para comemorar o fato é instituída a festa da Hanukka, isto é, "Dedicação", celebrada no dia 25 de Casleu (15 de dezembro). 1Mc 4,52-54.59 descreve assim este fato: "No dia vinte e cinco do nono mês - chamado Casleu - do ano centro e quarenta e oito, eles se levantaram de manhã cedo e ofereceram um sacrifício, segundo as prescrições da Lei, sobre o novo altar dos holocaustos que haviam construído. Exatamente no mês e no dia em que os gentios o tinham profanado, foi o altar novamente consagrado com cânticos e ao som de cítaras, harpas e címbalos (...) E Judas, com seus irmãos e toda a assembléia de Israel, estabeleceu que os dias da dedicação do altar seriam celebrados a seu tempo, cada ano, durante oito dias, a partir do dia vinte e cinco do mês de Casleu, com júbilo e alegria". Durante esta festa os judeus acendem velas, fazem procissão com palmas e cantam salmos de louvor. Mesmo após a destruição do Templo a festa da Dedicação continua e o ritual de acender as velas ainda é observado, agora em casa[12] . Judas continua a guerra após a purificação do Templo. Entretanto, a seqüência dos fatos é um pouco confusa, porque as nossas fontes, 1 e 2 Macabeus, divergem entre si. C. Saulnier explica estas divergências pelas perspectivas diferentes de 1 Macabeus e 2 Macabeus. Segundo a autora, 1 Macabeus mistura dados históricos com uma teologia inspirada no deuteronomista, fazendo de Judas um libertador de Israel na linha dos juízes, os líderes da época da conquista. Já 2 Macabeus insiste muito na piedade de Judas, na sua fidelidade em observar o sábado e coisas do gênero. Mas, para além destes detalhes

morre Antíoco IV Epífanes.1-19. ainda na Pérsia. famoso por suas riquezas. Sucedem-se assim as campanhas contra os idumeus e os amonitas. porém. provavelmente na mesma época em que o Templo é retomado e purificado. pensou em fazer pesar sobre os judeus também a injúria dos que o haviam posto em fuga. mas tem que fugir "acossado pelos habitantes do país". Segundo 2Mc 9. 2 Macabeus traz certas precisões que devem ser levadas a sério[13] . Reconheço agora que é por causa disso que estes males se abateram sobre mim.. a expedição no Galaad.1-17. sem parar. Antíoco IV tenta saquear o templo de Ártemis. . adoece e morre. na Galiléia e na Judéia (1Mc 5.edificantes.12-13. Vede com quanta amargura eu morro em terra estrangeira". da derrota de seus exércitos e da libertação de Jerusalém por Judas. Segundo 1Mc 6. assalta-me a lembrança dos males que cometi em Jerusalém quando me apoderei de todos os objetos de prata e de ouro que lá se encontravam e mandei exterminar os habitantes de Judá sem motivo. Segundo uma tabuinha conservada no British Museum. ou seja. Segundo 1Mc 6. no nono mês do ano 148 da era selêucida. e tem que fugir diante da reação da população[15] . ordenou ao cocheiro que completasse o percurso prosseguindo sempre. o rei morre em outubro de 164 a.4-5 diz: "Fora de si pela cólera. diz Antíoco aos seus amigos antes de morrer: "Agora. entre outras coisas. Por esse motivo.1-68) [14] . Estando perto de Ecbátana[16] .C. no final de 164 a. As versões de sua morte são muito estranhas e complexas. Judas dedica-se à proteção dos judeus que se vêem acuados pelos gentios em várias localidades. Antíoco IV tenta saquear um templo em Persépolis. em Elimaida. Sabendo. 2Mc 9. é notificado da derrota de Nicanor na Judéia e cheio de fúria se apressa para se vingar dos judeus. Entretanto. Londres.C.

assim havia ele falado. o rei Antíoco III. estando ele ainda vivo. como dizem alguns. na sua soberba: 'Farei de Jerusalém um cemitério de judeus. que morre ao saquear um templo na Elimaida[18] . acometeu-o uma dor insuportável nas entranhas e tormentos atrozes no ventre". e de seu corpo "começaram a pulular vermes. as carnes se lhe caíam aos pedaços entre espasmos lancinantes" (2Mc 9. que tudo vê. Os esquemas teológicos das versões dos livros dos Macabeus são evidentes: Antíoco IV morre porque é castigado na sua arrogância (especialmente segundo 2 Macabeus). porque algumas manifestações do demônio tinham sobrevindo na ocasião do delito cometido contra o templo visado"[17] . diante do sofrimento. uma simples repetição da história de seu pai. Tendo chegado a esta região foi frustrado em sua esperança. deixou ele a vida. E o texto conclui que. Mas. feriu-o com uma doença incurável e invisível: apenas terminara ele a sua frase. Suspeita-se.enquanto já o acompanhava o julgamento do Céu. apenas eu chegue aí!' Foi quando o Senhor. na única coisa em que concordam o fato do rei Antíoco resolver saquear um templo na Elimaida -. Antíoco IV não desiste. porque os bárbaros que habitam neste lugar não consentiram neste delito. E. decidiu fazer uma expedição contra o Templo de Ártemis. Voltando a Tabe da Pérsia. acaba caindo da carruagem. possa haver uma duplicata. ferido por um demônio. Antíoco IV acaba se arrependendo dos males que fizera aos judeus (2Mc 9.9). desconjuntando os membros. o rei Antíoco. prossegue o texto. em Elimaida.11-17). E até promete tornar-se missionário judeu! Políbio dá também a sua versão da morte de Antíoco IV: "Na Síria. diante destas versões. desejando aumentar suas riquezas. que. . o Deus de Israel. De fato.

C. mas a luta de Judas Macabeu continua contra Antíoco V (164-162 a. Judas acaba cercado no monte Sião. contra Demétrio I (161-150 a. como observa E. o manto e o anel do sinete. como seus contemporâneos. A fama deste rei é muito ruim. Só que com a chegada de Filipe a Antioquia. Mas. Parece ter havido em Antíoco IV um homem de Estado nada desprezível. Mas.C. Judas aproveita-se destas circunstâncias e assedia a Acra em Jerusalém. pouco antes de morrer.22-26 nos seguintes termos: . É a ele que Antíoco IV entrega "o diadema. Morre Antíoco IV. ele confia a seu conselheiro Filipe o encargo de governar o reino em nome de seu filho menor de idade Antíoco V. deixando o cerco da Acra. Lísias tem que voltar às pressas para enfrentá-lo e decide fazer a paz com os judeus. que tem apenas 12 anos de idade.Na verdade. Lísias e Antíoco V. Mas. parece certo que seu fim se dá lá pelos lados da Pérsia. em seguida. seu filho. ao mesmo tempo. A carta de Antíoco V a respeito está conservada em 2Mc 11. ultrapassado por uma conjuntura por demais complexa"[19] . Quando parte em campanha para as províncias mais orientais de seu Império. encarregando-o de tutelar Antíoco.17). Will. não se sabe de que doença morre o rei Antíoco IV Epífanes. Antíoco IV deixa Lísias encarregado dos negócios do reino em Antioquia. seu filho e de prepará-lo para o trono" (1Mc 6. a quem havia educado desde pequenino. "a documentação de que dispomos sobre o homem e sobre sua obra não nos autoriza nem a apologia nem a condenação. e deu-lhe o nome de Eupator" (1Mc 6. vêm então combater Judas. Mas. mas.). Lísias "proclamou rei o jovem Antíoco. e o regente Lísias e.). Atacam Betsur e Judas.15). enfrenta o exército selêucida em Bet-Zacarias. onde ele está em campanha.

querida por nosso pai. Alcimo é um "ímpio". ouvimos dizer que os judeus não consentem na adoção dos costumes gregos. um filho de Selêuco IV. dando-lhe ordens de exercer a vingança contra os filhos de Israel". por decreto real. saudações. sabedores de nossa intenção fiquem de ânimo sereno e se entreguem prazerosamente às próprias ocupações". No seu lugar é nomeado o sumo sacerdote Alcimo. enquanto Judas e seus partidários preferiam continuar na oposição"[21] . E então assistimos a uma primeira dissidência entre os revolucionários judeus. que também este povo possa viver sem temor. um dos seus amigos. E os judeus obtêm. que vive como refém em Roma. por ordem de Lísias. querendo nós que os súditos de nosso reino estejam livres de qualquer incômodo a fim de poderem dedicar-se ao cuidado dos próprios interesses. voltara a Jerusalém acompanhado de Báquides. consegue fugir. que os assideus se viram pressionados a aceitar. desejam que se lhes permita a observância das suas leis. Demétrio I governará de 161 a 150 a. Querendo. ou seja um helenizante: "O rei escolheu a Báquides. a quem assegurou o sumo sacerdócio. . é executado (2Mc 13. e fizera propostas de paz.8-9. um dos amigos do rei. decidimos que o Templo lhes seja restituído e que eles possam governar-se segundo os costumes de seus antepassados. e o enviou com o ímpio Alcimo. a liberdade religiosa novamente. Segundo 1Mc 7. governador das regiões de Além-do-Rio. Filipe não consegue o controle do reino e foge para o Egito.3-8). Demétrio. Alcimo "confirmado em sua dignidade [por Demétrio]. homem poderoso no reino e fiel ao soberano.Por isso. bem farás enviando-lhes embaixadores que lhes dêem as mãos. Porém. O helenizante sumo sacerdote Menelau é convocado a Antioquia e. preferindo o seu modo de vida particular.C[20] . chega à Síria. pois. O que Antíoco V faz é revogar o decreto de seu pai que proibia as práticas judaicas."O rei Antíoco a seu irmão Lísias. a fim de que. de vinte e cinco anos de idade. Tendo-se trasladado nosso pai para junto dos deuses. mata seu primo Antíoco V e Lísias e assume o poder. Mas antes.

C. Com efeito. morto em Beerzet. Os Macabeus continuam a sua luta e só em 160 a.1-18). que vai do Eufrates ao Egito. é que os Selêucidas vencem Judas. em combate contra Báquides (1Mc 9. os assideus raciocinam assim: "É um sacerdote da linhagem de Aarão que veio com este exército: ele não procederá injustamente conosco". Antíoco I Soter 280-261 Antíoco II Théos 261-246 Selêuco II Calínicos 246-226 Selêuco III Ceráunos 226-222 Antíoco III. 20 km ao norte de Jerusalém. Alcimo "é tratado de ímpio porque convivia com os gregos e criava obstáculos às pretensões dos Asmoneus. Mas na sua qualidade de aaronida legitimava sua nomeação e atraía à sua causa os assideus"[22] . o dos Macabeus é bem mais amplo. segundo 1Mc 7. o Grande 222-187 Selêuco IV Filopator 187-175 Antíoco IV Epífanes 175-164 Antíoco V Eupator 164-162 Demétrio I Soter 162-150 Alexandre Balas 150-145 Demétrio II Nicator 145-139 Antíoco VI Théos 145-142 Trifão 142-139 Antíoco VII Sidetes 139-128 Demétrio II Nicator 128-122 Selêuco V 125 Antíoco VIII Filometor 125-113 .14. Isto indica que enquanto o objetivo da luta dos assideus é apenas conseguir a liberdade religiosa.C.Báquides é o governador da província da Transeufratênia.. após seis anos de guerra. A DINASTIA DOS SELÊUCIDAS Selêuco I Nicator 312-280 a.

134-165. não se tem notícia de cidade alguma com o nome de Elimaida. A revolta dos Macabeus.. Histoire d'Israel III. Rio de Janeiro. diz a BÍBLIA DE JERUSALÉM.. pp..C.22).C. O judaísmo vivo.1 nota q. Idem.. explica a BÍBLIA DE JERUSALÉM. p. Histoire d'Israel III. pp. forma grega de Elam (Gn 10.. em sentido restrito. Histoire politique du monde hellénistique II. F. SAULNIER. 9.3.. . C. 307. "Atualmente Hamadã. [17] . POLÍBIO. M. R. História de Israel. WILL.1) e. ibidem. Histoire de la Palestine I. antiga capital da Pérsia (Ne 1. DE VAUX. 227-229. [12] . SCHÜRER.. NEXT [11] . C. Cf. a meio caminho entre essas duas cidades". 365-367. pp. p. 30. Ancient Israel. [16] . As tradições e as leis dos judeus praticantes. pp. E. Cf. História XXXI. ASHERI. 1Mc 6. C. Israel e Judá. p.) I. [20] .-M. "De fato... 171. ou em SAULNIER. C. C. A revolta dos Macabeus. Imago. Cf. 1987. 1985.C. 700 km a nordeste de Persépolis. Cf. p... SAULNIER. Cf. [13] . pp. pp. 510-514. PRÉAUX. SAULNIER.VV. é a região montanhosa a nordeste dessa cidade". Brescia. ABEL. E. Cf. Le monde hellénistique I. 136-138. 29. Textos do Antigo Oriente Médio. 99. 380. este texto em AA. nota g a 2Mc 9. Epífanes morreu em Tabe. 580-582. pp. Na realidade. as lutas de Judas em BRIGHT. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo (175 a. [15] . A Elimaida é a região em torno de Susa. p. Paideia. [19] . 222-233.. J.-135 d.Antíoco IX Filopator Antíoco VIII Filometor Antíoco X contra 5 filhos de Antíoco VIII Antíoco XIII 113-95 111-96 95-93 69-65 a. [18] . [14] . p.

a luta dos Macabeus continua com seu irmão Simão a partir de 143 a.[21] . ao dominar a Acra. que continua o processo de judaização da Palestina. finalmente. Mas seus dois filhos. Seu irmão Alexandre Janeu casa-se com a rainha viúva. entram em violenta disputa pelo poder. [22] . levando suas fronteiras a um ponto que o país nunca mais tivera desde que fora destruído por Nabucodonosor em 586 a. O general Pompeu anexa a . filho e sucessor de João Hircano. 1Mc7. continua o processo de reaproximação com o helenismo. que só acaba com a chegada definitiva dos romanos na região. Simão é sucedido por seu filho João Hircano I. após a morte da rainha. Mas.. Os Macabeus II: a Independência Após a morte de Jônatas. Assassinado. Janeu vai enfrentar pesada guerra civil no seu confronto com os fariseus.9 nota q. Sua mulher Salomé Alexandra assume o poder depois dele e faz a paz com os fariseus. apesar de ter governado apenas um ano. C. governando com grande habilidade.C. João Hircano I começa a enfrentar a oposição dos fariseus. 32. por adotar medidas militares políticas helenizantes. Simão. p. Entretanto. Aristóbulo I. SAULNIER. Salomé Alexandra. ele controla a situação após 6 anos de sangrentos conflitos. BÍBLIA DE JERUSALÉM. e continua o processo de anexação de territórios na Palestina. a poderosa fortaleza selêucida de Jerusalém. A revolta dos Macabeus.C. grupo que vai se tornando cada vez mais popular. Hircano II e Aristóbulo II. E a luta pelo poder no seio da família dos Macabeus é forte: Aristóbulo encarcera sua mãe e seus irmãos. consegue. a independência da Judéia. Agindo com crueldade extrema. proclama-se rei.

é o rei selêucida. porém dali e purificou a Cidadela.36-42. como consta do decreto de Demétrio II citado em 1Mc 13. perecendo não poucos dentre eles à míngua. removendo-lhe as abominações. impedidos de sair e de andar pela vizinhança. e.C. e a expulsão dos gentios do território. por um genro seu.C. filho de Abrebo. e ele os atendeu. e habitou ali. na parte contígua à Cidadela. Expulsou-os. e entoando hinos e cânticos. de mil minas de peso. ele com os seus".C. ao som de cítaras. durante um banquete. afinal. Gazara (= Gezer) é judaizada à força e João Hircano. Simão fortalece também as alianças com Esparta e com Roma. torna-se o seu governador militar.1.24: "Simão enviou Numênio a Roma com um grande escudo de ouro.49-52 descreve a tomada da Acra por Simão: "Ora. à Judéia. para confirmar a aliança com eles"[3]. címbalos e harpas. Demétrio II ainda comanda a Cilícia e a Mesopotâmia e Simão faz aliança com ele. com dois filhos. começaram a passar muita fome. perto de Jericó. A importante fortaleza é transformada no palácio dos Macabeus[1]. entre aclamações e palmas. em Jerusalém. Consegue muitos benefícios para o povo judeu. filho de Simão. Como narra 1Mc 14. Este seu genro está em conluio com Antíoco VII Sidetes (irmão de Demétrio II). que entre 139 e 128 a. enfrentando Trifão. os da guarnição da Cidadela. sua importância política. Finalmente nela entraram no vigésimo terceiro dia do segundo mês do ano cento e setenta e um[2]. porque um grande inimigo havia sido esmagado e expelido fora de Israel. Este Antíoco VII inicialmente reafirma os . restituindo. Simão toma Gazara. Fortificou ainda mais o monte do Templo. estratégica cidade helenística.C. Então clamaram a Simão para que aceitasse a sua mão direita. 1Mc 13. Ptolomeu. repele um seu ataque na Judéia. Simão acaba assassinado. 10. agora rei. E a independência da Judéia do jugo dos Selêucidas é garantida com a destruição da Acra por Simão em 141 a.Judéia à República Romana em 63 a. Simão estabeleceu que se comemorasse cada ano esta data com alegria. para comprar ou vender. Simão Consegue a Independência da Judéia Simão sucede a seu irmão Jônatas em 143 a.

nem mesmo pelos sacerdotes. é chefe (hegoumênos. O decreto é de setembro de 140 a. gravado em placas de bronze e afixado no monte Sião.C. um filho seu.acordos dos reis anteriores. dividindo o seu exército em sete corpos. Antíoco VII apóia a ação criminosa de Ptolomeu contra Simão. no quarto ano de seu reinado. João Hircano I e as Divisões Internas dos Judeus Quando Simão é assassinado.25-26. governando de 134 a 104 a.C. o que não consegue. "chefe") e sumo sacerdote hereditário. 1Mc 14. Aí vemos que ele é etnarca (líder da etnia judaica). que era o primeiro do principado de Hircano e a centésima sexagésima segunda Olimpíada. pai de HIrcano. "príncipe". ou rosh. Antíoco VII. tinha obtido sobre ele.. ele o sitiou. . expressão grega usada na LXX para traduzir sar. consegue escapar e assume o poder. não se pode mais fazer reuniões sem a sua aprovação"[4]. entretanto. atacou a Judéia. "Não se pode dizer que ele tenha um poder legislativo. Sua intenção é a de submeter novamente a Judéia ao poder selêucida. Como não chegam a um acordo. ele tem o direito de fazer 'julgamentos' que não podem ser contestados por ninguém. muito querido pelos judeus que resolvem fazer-lhe um elogio. Depois de ter devastado os campos e obrigado Hircano a se retirar para Jerusalém. chamado João Hircano. porque o povo é regido pela Lei.é estratego (tem autoridade sobre o exército). Entretanto. inclusive reocupando a Acra. 10. tem o direito de usar a púrpura e a fivela de ouro (v. 44) .C. durante seu governo. para cercar assim toda a praça"[5]. impor a João Hircano o tributo e obrigá-lo a combater ao seu lado contra os partos. segundo 1Mc 14. que conservava ainda o ressentimento pelas vantagens que Simão. mas em seguida reclama de Simão as localidades por ele conquistadas e o tributo dos territórios anexados por Simão à Judéia (1Mc 15.27-49 traz a inscrição sobre os feitos de Simão e da família dos Macabeus.2.o que faz dele um dinasta . Durante seus primeiros anos de governos João Hircano I enfrenta enormes dificuldades para manter a independência da Palestina. sob pena de condenação. consegue cercar Jerusalém em 133 a. Simão é. por exemplo. Flávio Josefo diz desse momento: "Antíoco.25-26).

o destino das grandes e prósperas cidades costeiras e das cidades helenísticas fundadas a leste do Jordão"[6]. Adora.tendo se tornado suspeita de ter sido violentada e tornada impura -. João Hircano I tenta punir este fariseu com a morte. um fariseu teria requerido de João Hircano I que abandonasse o sumo sacerdócio. Tal foi.Quando o poder selêucida muda de mãos. Marisa. cujo território ambicionam.C. Paul lembra que a expansão territorial e os métodos imperialistas dos Macabeus vão se tornando cada vez mais fortes. já antes estabelecido por seus antepassados. durante um banquete. o Senado procurará defender os interesses dos judeus[7].14. João Hircano destruiu o templo do monte Garizim e a cidade helenizada de Samaria e reduziu seus habitantes a escravos.. ação que o partido farisaico não aprova. judaizando importantes localidades palestinas como Mádaba. A. no momento. segundo Lv 21. com quem renova o tratado de amizade. . Logo que puder. segundo o qual. para explicar a ruptura de João Hircano I com os fariseus. Os idumeus e os itureus da Galiléia foram obrigados a se circuncidarem (. entretanto. narra um episódio. Os romanos não morrem de amor pelos judeus. Pois sua mãe teria sido prisioneira de Antíoco IV Epífanes ..) Era necessário aniquilar a civilização grega com suas realizações. Samega. mas também manda dizer que. Para se libertar da tutela selêucida. mas apóiam qualquer iniciativa que possa enfraquecer os Selêucidas. em particular. a Iduméia. João Hircano I apela para os romanos. e não só suas resistências. Foram destruídas assim muitas cidades de importância econômica e cultural tanto para a Palestina como para os territórios vizinhos. O Senado romano renova então a amizade (filia) e a aliança (symmachía) com os judeus em 126 ou 125 a. Flávio Josefo. por sinal. "A maior parte das guerras terminou com a conversão forçada dos vencidos e muitas vezes com extermínios que lembravam o 'anátema' praticado por Josué. João Hircano I continua as conquistas de seu pai Simão. bastante lendário. Siquém. o que o incapacitava para o cargo de sumo sacerdote. A partir deste momento João Hircano I alia-se aos saduceus e rompe com os fariseus[8]. há outros problemas mais urgentes em Roma. as crueldades cometidas por João Hircano I contra as cidades conquistadas e as populações forçadamente judaizadas provocam a primeira reação dos fariseus contra os governantes Macabeus. 'Ou o judaísmo ou a morte': esta frase poderia resumir o programa político dos grandes Asmoneus.. Entretanto.

João Hircano I, na verdade, para conseguir as suas conquistas e garantir o seu território, começa a incorporar ao seu exército mercenários gentios. Naturalmente pagos com os tributos recolhidos do povo judeu. O que já desagrada bastante aos aliados dos Macabeus. P. Sacchi explica: "Os gentios engajados eram impuros que viviam junto ao povo judeu. Para os essênios a contaminação da cidade crescia, para os assideus surgiam problemas sobre a pureza que antes não existiam. A suspeita em relação ao Asmoneu devia crescer"[9]. Originariamente aliados dos Macabeus no combate à helenização, os assideus acabam divididos na época de Jônatas. Deles saem os essênios, que rompem com o governo dos Macabeus, e os fariseus, que ainda o apóiam[10]. É preciso considerar também que, pouco a pouco, o governo macabeu toma rumos semelhantes aos de seus inimigos Selêucidas, afastando-se dos ideais originais da resistência. É isto principalmente que provoca os atritos com os judeus mais rigorosos na observância da Lei. Observando outro aspecto, A. Paul crê que a política macabéia de destruição do helenismo é, a longo prazo, um suicídio. Esta política "consistia, de um lado, em destruir todos os traços, inclusive os humanos, do helenismo político e cultural das cidades da Palestina justamente quando a numerosa diáspora manifestava sua legalidade e impunha sua verdade, impregnando-se profundamente do modo grego de pensar, de viver e de se exprimir". Além do que, esta política "significava o aniquilamento das infra-estruturas e das estruturas sociais e econômicas, das quais dependiam a salvação e a prosperidade da Palestina". E o autor acrescenta: "Poucos decênios depois, quando da queda súbita do Estado asmoneu em 63 a.C., a história mostrou que, já nos tempos dos troféus, o processo de morte estava profundamente consolidado e generalizado". Para concluir, diz A. Paul: "Da luta pelo restabelecimento da paz civil e, depois, pela independência nacional, passara-se, com efeito, a conquistas cuja finalidade era garantir a segurança necessária às novas fronteiras, muito vulneráveis. Formava-se assim uma engrenagem irresistível, já que a segurança conseguida pelas armas exigia a garantia de uma outra segurança, a qual, por sua vez, devia também ser conseguida pelas armas"[11].

Também M. Hengel acredita que nesta época só a monarquia de tipo helenístico ou a pólis têm condição de sobreviver, sendo inviável qualquer outro tipo de Estado. Por que? Porque sem um exército moderno, um aparelho administrativo e financeiro eficiente e uma participação competitiva no mercado mundial um Estado não tem espaço neste contexto. Os judeus não conseguem compreender isso e estão destinados à falência, pois tentam transplantar seu antigo ideal teocrático para uma realidade política de um mundo transformado[12]. NEXT [1]. Sobre Simão, cf. ABEL, F.-M., Histoire de la Palestine I, pp. 191-206; SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, pp. 146-149; SCHÜRER, E., Storia del popolo giudaico al tempo de Gesù Cristo I, pp. 250-261. [2]. O vigésimo terceiro dia do segundo mês do ano cento e setenta e um da era selêucida corresponde aos começos de junho de 141 a.C. [3]. Uma mina ática pesa 436 gramas: o escudo pesaria quase meia tonelada de ouro. Entretanto, na resposta dos romanos à embaixada judaica se diz: "Eles nos trouxeram um escudo de ouro de mil minas" (1Mc 15,18). Deve-se entender que o escudo vale mil minas de prata, o equivalente a aproximadamente 44 kg de ouro, peso aceitável para esse tipo de escudo decorativo. [4]. SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, p. 155. [5]. JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XVII, 236. Sobre João Hircano I, cf. SCHÜRER, E., o. c., pp. 261-279. [6]. PAUL, A., O judaísmo tardio, pp. 191-192. JOSEFO, F., Bellum Iudaicum I, 64-66 descreve o cerco e a queda de Samaria. [7]. Cf. o texto em JOSEFO, F., Antiquitates Iuadaicae XIII, 259-266. [8]. Cf. JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XIII, 288-298. Cf. também SCHÜRER, E., o. c., pp. 275-278. Na p. 277 diz este autor: "Na sua forma anedótica, a história traz, sem dúvida, as marcas da lenda, e provavelmente Josefo a recebeu apenas de uma tradição oral. Não obstante, pode-se considerar como um dado de fato que Hircano verdadeiramente se distanciou dos fariseus e aboliu as suas prescrições".

[9]. SACCHI, P., Storia del mondo giudaico, Torino, Società Editrice Internazionale, 1976, p. 115. [10]. Cf., sobre os fariseus, saduceus e essênios, SCHÜRER, E., The history of the Jewish people in the age of Jesus Christ II, Edinburgh, T & T Clark, 1986, pp. 381-414; 555-590. [11]. PAUL, A., O judaísmo tardio, pp. 193-196. [12]. Cf. HENGEL, M., Ebrei, Greci e Barbari, pp. 134-135.

10.3. Aristóbulo I e a Reaproximação com o Helenismo Segundo Flávio Josefo, João Hircano tem cinco filhos, quando morre em 104 a.C. Mas ele não deixa o governo para nenhum deles, e sim para sua mulher[13] . É bem provável, entretanto, que tenhamos aqui uma confusão com a situação análoga ocorrida mais tarde, quando, ao morrer, Alexandre Janeu deixa o trono para sua mulher Salomé Alexandra. É que Janeu é rei e pode fazer isto, mas não João Hircano que não é rei[14] . De qualquer maneira, Aristóbulo, o filho mais velho de João Hircano I, aprisiona sua mãe e três de seus irmãos, assumindo o poder. Sua mãe morre de fome na prisão. Apenas um de seus irmãos, Antígono, fica livre. Contudo, as intrigas dos rivais de Antígono levam Aristóbulo a mandar matá-lo, temendo, provavelmente, sua concorrência, já que lhe fazem crer aspirar Antígono ao poder supremo[15] . Ainda segundo Flávio Josefo, Aristóbulo I terá sido o primeiro Macabeu a usar o título de rei: "Aristóbulo, que era o mais velho dos filhos de Hircano, cognominado 'Filélên', isto é, amigo dos gregos, mudou em reino, depois da morte de seu pai, o principado dos judeus e foi assim o primeiro que se fez coroar rei"[16] . Entretanto, esta notícia é controvertida. Nas suas moedas aparece apenas a seguinte inscrição: "Judas, sumo sacerdote e a comunidade dos judeus".

Além do que Estrabão diz que é seu irmão e sucessor Alexandre Janeu o primeiro Macabeu a ostentar o título de rei. Diz Estrabão: "De qualquer modo, quando agora a Judéia estava sob o domínio de tiranos, Alexandre foi o primeiro a se declarar rei em vez de sacerdote"[17] . Por outro lado, observe-se que tanto ele como seus irmãos têm nomes gregos - Aristóbulo, Antígono, Alexandre -, embora use para os judeus um nome semita, Judas. Isto significa que seu pai João Hircano já abrira as portas da família para a helenização. Helenização que um dia seus antepassados combateram. E Flávio Josefo chama Aristóbulo I de "filo-heleno", o que igualmente indica sua aproximação da cultura grega, certamente apoiado pelos seus aliados saduceus. Por sinal, os autores gregos o têm em grande conta, segundo relata o mesmo Josefo: "Era de natural tão doce e tão modesto, como Estrabão o refere com estas palavras, ante a relação de Timagenes: 'Este príncipe era muito afável (epieikês) e os judeus não lhe são devedores de pouco: porque ele levou tão longe os limites de seu país que ele aumentou com uma parte da Ituréia e uniu este povo a eles pelo laço da circuncisão'"[18] . Certo é que Aristóbulo I continua as conquistas de sua família: anexa e judaíza a Galiléia, segundo as fontes antigas habitada por tribos ituréias, obrigando seus habitantes a aceitar a circuncisão e a Lei[19] . Aristóbulo I morre, de dolorosa doença, tendo governado apenas um ano. 10.4. Alexandre Janeu, o Primeiro Rei Macabeu Após a morte de Aristóbulo I, sua viúva Salomé Alexandra, liberta seus irmãos da prisão e se casa com o mais velho, Alexandre Janeu, que se torna, assim, rei e sumo sacerdote. É o que nos diz Flávio Josefo: "Depois da morte do rei Aristóbulo, a rainha Salomé, sua esposa, que os gregos chamam de Alexandra, pôs em liberdade os irmãos desse príncipe, que ele mantinha na prisão, como vimos, e fez rei a Janeu, antes chamado de Alexandre, que era o mais velho e o mais moderado de todos"[20].

Nos primeiros anos de seu governo. ao tentar tomar Ptolemaida. homens de bem. generais do exército ptolomaico. sem perder tempo. filho mais velho da rainha Cleópatra III. outros para o outro. Mas Ananias aconselhoulhe o contrário. Mas. Alexandre Janeu retoma. é um pequeno rei em Chipre. sem resistência. cujo comando confiou a Helquias e Ananias. em seguida.. para onde fora expulso por sua mãe.) Alguns dos seus servidores propuseram-lhe apoderar-se de seu país e não permitir que um número tão grande de judeus.C. anexação e judaização de várias cidades palestinas. Ela certamente teme as conquistas do filho e provavelmente é também influenciada por conselheiros judeus. Alexandre teve primeiramente uma atitude pacífica. entra em cena um rei ptolomaico: Ptolomeu IX Latiro. ao norte. o processo de conquista. Assim. da família sacerdotal de Jerusalém. A descrição que faz Flávio Josefo da conquista de Gaza é exemplar para avaliarmos os métodos de Alexandre Janeu: "Quando entrou na cidade. Ptolomeu IX vence Alexandre Janeu. no sul. O comentário de Flávio Josefo é o seguinte: "Quando a rainha Cleópatra viu que seu filho crescia em poder daquele modo e devastava.) defenderam-se dos judeus. vendo-se sozinhos. soltou suas tropas sobre os gazenses e deixou seus homens se vingarem deles.. filhos de Onias IV. usando toda a sorte de armas que lhes caíam nas mãos e mataram tantos quantos foram os que perderam. estivesse sujeito a um único homem. Estes (. Alexandre Janeu continua. no sul.. reuniu grandes forças de terra e mar. até o Monte Carmelo. então. Conquista a região costeira da Palestina. judeus de nascimento (. mas este recebe ajuda da rainha Cleópatra III. antigo sonho dos Ptolomeus. mas se retira e deixa o território sob o comando de Alexandre Janeu. com redobrado vigor. desde a fronteira com o Egito."[21]. puseram fogo em suas casas para que não fossem saqueadas . Alguns deles. entre os quais se destacam Ananias e Helquias. Cleópatra III acaba tornando-se senhora de toda a Palestina.. matando os gazenses.. apoderando-se inclusive da importante cidade de Gaza em 96 a. do Egito. toda a Judéia. Porém. os soldados saíram. tinha submetido Gaza à sua obediência e estava já quase às portas do Egito e que ele nada mais pretendia do que se apoderar do mesmo. uns para um lado. desta vez a leste do Jordão e. suas conquistas.. em seguida. julgou não dever esperar mais para enfrentá-lo.

durante a festa dos Tabernáculos. A reação de Alexandre Janeu é violenta: manda que seus mercenários ataquem a multidão e cerca de seis mil pessoas são massacradas.C.pelo inimigo. Apoiado por seus mercenários estrangeiros. Alexandre Janeu enfrenta uma guerra civil que dura seis anos e na qual terão morrido pelo menos cinqüenta mil judeus[25]. Ao fugir para Jerusalém encontra uma violenta rebelião armada contra seu governo. Só os sacerdotes. seus mais ferrenhos adversários. Alexandre Janeu acaba sofrendo mais uma derrota militar. aí por volta do ano 90 a. A ruptura com os fariseus é total[24]. E como podem os fariseus aceitar como sumo sacerdote um guerreiro do tipo de Alexandre Janeu que não cumpre as rigorosas prescrições que o cargo exige? Pois terá sido após as conquistas acima mencionadas. para se proteger da população.tendo decorrido um ano de cerco . porque o ataque teve lugar justamente quando eles estavam em conselho. E é então que Alexandre Janeu começa a enfrentar séria oposição interna. Os fariseus vêm aumentando constantemente sua influência junto ao povo. capitaneada pelos fariseus. ao mesmo tempo que os Macabeus se distanciam progressivamente de suas aspirações. Cerca de quinhentos membros da Assembléia se refugiaram no templo de Apolo. mas Alexandre os matou e.C. . com suas próprias mãos. colocando-se os dois poderes em nítido contraste. desta vez quando se confronta com os nabateus pela posse da região do Golã. de seus filhos e de suas mulheres: era o único meio de evitar que se tornassem escravos de seus inimigos. que. Outros se desembaraçavam. que enfrenta e vence Alexandre Janeu totalmente.retornou a Jerusalém"[22]. Em conseqüência desse episódio. ele manda construir uma paliçada de madeira em torno do Templo e do altar. a ajuda de Demétrio III. Isto terá sido por volta de 89 a. rei de parte da Síria. o povo atinge Alexandre Janeu com limões no momento em que ele está diante do altar para oferecer o sacrifício[23]. perto de Siquém. podem atravessar esta paliçada. que são saduceus. a leste do lago de Genezaré. depois de ter demolido a cidade sobre seus cadáveres . ao mesmo tempo. Os fariseus pedem..

Consegue grandes vitórias. por outro lado.faz com que Roma perca por breve período o controle do Oriente. armênios. recua no controle de seus interesses na região. . A. Estes acontecimentos. por exemplo.na verdade. Mas é mais provável que Demétrio III tenha se retirado por causa dos conflitos internos dos Selêucidas. que já não ameaça Roma. após fazê-los assistir ao massacre de suas esposas e filhos. apesar de um confronto desastroso com o rei nabateu Aretas tê-lo obrigado a fazer algumas concessões a este povo[30]. Flávio Josefo diz que a razão é a reviravolta dos sentimentos judaicos ao verem seu território ocupado pelos estrangeiros: cerca de seis mil judeus teriam abandonado Demétrio III e passado para o lado de Alexandre Janeu[26]. sob o impulso de 'reorientalização' dos territórios e Estados do Oriente Médio que acompanhava o declínio dos Selêucidas gregos. alia-se aos partos. Paul. Após a pacificação interna. segundo Flávio Josefo. que. A guerra conhecida como "Guerra dos aliados" (Bellum sociale) . de modo que oito mil deles se retiram do país e não voltam enquanto ele permanece no governo[27]. temporariamente. o elemento judaico em toda a Palestina"[29]. Alexandre Janeu dedica-se novamente às conquistas territoriais. ao retornar a Jerusalém crucifica 800 de seus adversários enquanto participa de um alegre banquete.Entretanto. Alexandre Janeu consegue então controlar a revolta interna e. de curta duração. pela força ou pela morte. porque em seguida ele é vencido por seu irmão que tem o apoio dos partos. egípcios e sírios para cortar a influência romana na região. que se deve situar o combate impiedoso de Alexandre Janeu contra as cidades helenísticas e sua decisão de impor. Esta "ausência" de Roma. estão relacionados à crise vivida por Roma nesta época. expandindo o processo de judaização. Demétrio III abandona a Palestina e volta para a Síria. violentas guerras civis entre o proletariado e a aristocracia romana e também entre os aliados italianos e os cidadãos romanos . do Ponto. segundo muitos autores[28]. é que permite igualmente a Alexandre Janeu o seu expansionismo judaizante. Somado a isso acontece o enfraquecimento definitivo do poder selêucida. comenta: "É pois. Aproveitando-se do conflito interno em Roma. o rei iraniano Mitridates VI. Este gesto de terror teria desencorajado os seus adversários.

levar o território judaico à sua extensão máxima desde que o país fora devastado pelos babilônios cerca de 500 anos antes. de que nada fareis no governo do reino. o poder é partilhado entre a resoluta rainha e os fariseus[35]. senão por seu conselho"[33]. onde Jope fora outrora a primeira conquista dos Macabeus. Talvez Josefo esteja apenas relatando. no norte o domínio de Alexandre se estendia até a Selêucia sobre o lago Merom. procurai conquistar o afeto dos fariseus. que fazem amar ou odiar o que eles querem (. todo o país a leste do Jordão.Alexandre consegue. Alexandre morre de doença e não em combate. inventadas causas para um efeito real: Salomé Alexandra governa durante nove anos apoiada pelos fariseus. 10. segundo F. segundo o mesmo Josefo. em 76 a. os fariseus devem ter aumentado . baseado em alguma tradição. ao morrer. Com exceção de Ascalon. Schürer sintetiza assim as conquistas de Alexandre Janeu: "No sul os idumeus foram subjugados e judaizados. Díon e outras"[31]. Ocultai minha morte aos meus soldados até que esta praça [Ragaba] tenha sido tomada. estava agora quase inteiramente sob controle judaico.. em seguida. Alexandre Janeu deixa o trono para sua esposa Salomé Alexandra e faz-lhe a seguinte recomendação: "Se quiserdes seguir o meu conselho podereis conservar o reino e também os nossos filhos. Pela. Mas. Depois que voltardes vitoriosa a Jerusalém. Josefo. dando-lhes alguma autoridade. E. que conseguiu conservar a independência.5. do lago Merom ao mar Morto.. provavelmente por consumo excessivo de bebidas alcoólicas[32]. a fim de que a honra que lhes concedeis os leve a louvar publicamente. ficou sob seu domínio. quando combate os nabateus na fronteira gerasena.) Dai-lhes vossa palavra. todas as cidades costeiras da fronteira egípcia ao monte Carmelo foram conquistadas por Alexandre. que estão rompidos com os Macabeus desde João Hircano I[34]. Eles gozam de tanto poder sobre seu espírito. Salomé Alexandra e o Poder dos Fariseus Segundo Flávio Josefo.C. durante seus 37 anos de reinado. a vossa magnanimidade. na verdade. Através destes relatos de Flávio Josefo podemos concluir que. inclusive um número de importantes cidades que até então tinham sido centros de cultura grega como Hippos. Além disso. A costa. enquanto sitia a fortaleza de Ragaba.seu poder no aristocrático . De fato.ou iniciado? . Gadara. Alexandre morre. Esta notícia pode ser verdadeira ou não.. perante o povo.

Por outro lado.senado criado muito antes pelos Ptolomeus para mais facilmente controlar o país. P. ao mesmo tempo que os saduceus. Mas Salomé Alexandra controla a situação. os conflitos são controlados. ousado. É através da gerousia. a gerousia. deve ter sofrido uma importante transformação. ambicioso.. mais jovem que Hircano. até então por representantes da nobreza e dos sacerdotes. SACCHI. Salomé Alexandra não é nada ingênua nesta atribuição de poder aos fariseus. gerando próspero e pacífico período. . E este comanda várias fortalezas. de fato. ela entrega a defesa das fronteiras do país nas mãos de seu outro filho. a "bomba" está sendo armada para detonar nas mãos de seus filhos. homem sem ambições. Obviamente os fariseus fazem várias tentativas para punir os saduceus. mas. que só irá explodir após sua morte aos 73 anos de idade.. Cf. NEXT [13]. a longo prazo. comandá-lo. p. Cf. agora deve ter admitido também mestres fariseus"[36]. Esta portanto. 299-302. Antiquitates Iudaicae XIII. Talvez seja este o maior defeito de seu governo: a curto prazo. que os fariseus começam de fato a legislar. oficializando o seu já imenso poder sobre o povo judeu. 118. F. segundo Josefo. [14]. Conta muito também o fato de ser nomeado para o sumo sacerdócio o filho mais velho de Alexandre Janeu. pouco apto para o governo e que gosta de viver na ociosidade. Estas medidas desmobilizam os intermináveis conflitos internos. Além de reforçar a estrutura de seu exército com novos mercenários e. o futuro Sinédrio. E. assessorado por oficiais saduceus[38]. Isto deixa amplo espaço para a atuação dos fariseus[37]. que apoiavam Alexandre Janeu e eram também responsáveis pela morte de tantos partidários seus. Schürer comenta a propósito: os fariseus "podiam exercer tal autoridade somente se fossem um fator determinante no órgão administrativo supremo. Enquanto era constituída. JOSEFO. empreendedor. Aristóbulo. Hircano. Storia del mondo giudaico. liderados por Aristóbulo fazem exatamente o jogo contrário.

C.. [20].C. L. 762. NICOLET. JOSEFO. F... 362-364. p. Idem.. É possível que os itureus habitem apenas as partes norte e nordeste da Galiléia e também que a anexação deste território (Galiléia) tenha começado antes do governo de Aristóbulo I.. 198-199. A história social de Roma. [28]. pp. E. 379. Idem. Cf. ibidem XIII. pp. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. O judaísmo tardio. 375. Storia del popolo giudaico al tempo de Gesù Cristo I. de J.. c. [18]. Publicações Europa-América 19742. Editorial Labor. Calúnias foram a causa disso". A questão é controvertida. Cf. pp. 372-373. M. 301. o. Antiquitates Iudaicae XIII. 19774. Roma y la conquista del mundo mediterráneo 264-27 a. F. ESTRABÃO.. 320. [21]. Para a história da guerra dos aliados. c. ibidem XIII. Timagenes é um historiador alexandrino do século I a. M. I. A. F.. Durante a festa dos Tabernáculos cada participante leva uma folha de palmeira e um limão. pp.. Cf. F.. STERN.. 107-118. [19]. 348ss. G. pp. ibidem XIII. Idem. [16]. Cf. pp. ibidem XIII. pp. [29].[15]. o. Antiquitates Iudaicae XIII. 303: "A esse crime [de matar a mãe] acrescentou o de mandar matar seu irmão Antígono. C. 81-109.. [24]. cf. 319. ALFÖLDY. . JOSEFO. 207-216. Geographica XVI. ibidem XIII. o texto de Estrabão em STERN. [17]. [23]. Cf.. [25]. 380. 282. ibidem XIII. História de Roma. 225-226. Sobre esta questão. Idem. [27]. que ele mostrara amar tanto. [26].. Lisboa. STERN. Editorial Presença. Zahar. [22]. 1982. Lutas sociais na Roma antiga. 222-226. BLOCH.. M. Rio de Janeiro. Antiquitates Iudaicae XIII. 301-302. PAUL. ROSTOVTZEFF. Diz JOSEFO. JOSEFO. Este é o costume da época. Idem. Idem. 1989. pp. 137-212. Cf. SCHÜRER. cf. M. Barcelona. Antiquitates Iudaicae XIII.

395-397. Apenas diz: "Ele [Aretas] entrou com soldados na Judéia. 292-293. neste tempo. acontece a guerra entre os . 296. [36]. Sobre a data da morte de Salomé Alexandra existe alguma divergência. Hircano II assume o posto de rei. E. [32]. Storia del mondo giudaico. SCHÜRER. 405ss. Antiquitates Iudaicae XIII. [35].. Antiquitates Iudaicae XIII. Antiquitates Iudaicae XIII. p. 401-404. SCHÜRER. 10. 398. e voltou depois de ter conversado com ele". Aristóbulo II e a Intervenção de Pompeu Mal morre a mãe Salomé Alexandra.. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. nota 1. Josefo não especifica que concessões são essas. Antiquitates Iudaicae XIII. libertavam os prisioneiros e em nada se diferenciavam dos soberanos". cf. JOSEFO. [34].C. 123: "Enviando os principais líderes saduceus para as fortalezas. avalia JOSEFO. como sustentam alguns autores.. A extensão do território judaico à época da morte de Alexandre Janeu nos é conhecida através do relato de JOSEFO. F. A. Mas Aristóbulo II não concorda. Alexandra conseguia subtraí-los às vinganças farisaicas e dava o comando do exército a homens que. Cf.C. "Assim ela tinha só o nome de rainha e os fariseus gozavam de todo o poder que lhes dava a realeza. ou em 69 a. sumo sacerdote. 206-218. O judaísmo tardio. p. venceu o rei Alexandre.. E. F.. à morte de Salomé Alexandra. o conflito explode entre os dois irmãos. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. 392. [38]. pp... 262-263. tinham experiência".. Ou ela morre em 67 a. P.[30]. [33]. Hircano II e Aristóbulo II. JOSEFO. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. F. [37].6. A história das cidades da região pode ser lida em PAUL. desde algum tempo. Cf. pp. F. Sobre a questão. Cf. [31]. 408-409.. Faziam voltar os exilados. JOSEFO. como afirmo acima. perto de Adida. pp. SCHÜRER.. Antiquitates Iudaicae XIII.. Sendo o mais velho e. Antiquitates Iudaicae XIII. Comenta SACCHI. E.. F. JOSEFO.. F.

Quando tudo parece resolvido. Nicolau torna-se. . ele fugiu com o resto para a fortaleza Antônia. pois sabe-se que seu pai exerce altas funções políticas na cidade.C.) Esse acordo se fez no Templo em presença de todo o povo. Aristóbulo vence Hircano. É o pai do futuro e famoso Herodes Magno. Este ainda se refugia em Jerusalém. próximo a Jericó. citando Nicolau de Damasco.C. enquanto Aristóbulo II torna-se rei e sumo sacerdote dos judeus. Flávio Josefo. como veremos a seu tempo"[40].dois irmãos e. entra um complicador na história. por volta de 64 a. É a seguinte a informação de Flávio Josefo: "Nicolau de Damasco fá-lo descender de uma das principais famílias de judeus que vieram da Babilônia para a Judéia. Há grande controvérsia quanto à identidade de Antípater. um idumeu que se torna rei dos judeus. mas ele o diz em favor de Herodes. A maior parte das tropas de Hircano deixou-o para passar para o lado de Aristóbulo. onde a mulher e os filhos de Aristóbulo se encontravam e assim o salvaram de uma ruína completa. amigo e conselheiro de Herodes Magno. de uma família importante. compreende-se sua colocação a respeito de Antípater[41] . aquela grave divergência. diz que Antípater seria um dos judeus descendentes dos exilados babilônicos. seu filho. pelas armas. Mas Josefo mesmo considera falsa esta informação. Seu nome: Antípater. Sua nacionalidade: idumeu. A partir desta sua ligação com Herodes Magno. em 14 a. Um acordo é feito entre eles: Hircano volta à vida privada. representando Herodes em negociações decisivas. que a fortuna elevou depois ao trono de nossos reis.. mas é obrigado a render-se ao irmão que possui forças superiores. Nicolau é também retor e diplomata. Eis a narrativa de Flávio Josefo: "Os dois irmãos travaram batalha para decidir. em Damasco. Tendo nas mãos reféns tão preciosos. Nicolau de Damasco é um historiador nascido. Os dois irmãos abraçaram-se com demonstrações de afeto"[39].. Além de escritor prolífico. que se tornará rei dos judeus de 37 a 4 a.C... ele negociou com seu irmão sem esperar chegar ao último extremo (.

sumo sacerdote da Judéia. e negocia com ele a retomada do poder: Aretas baterá Aristóbulo II e. o apoio do rei nabateu Aretas para o projeto. quer pela sua descendência. construída perto da muralha. Segundo Flávio Josefo. ascalonitas e gazenses. o ambicioso Aristóbulo II representa real perigo. enquanto o fraco Hircano II poderá ser mais facilmente manobrado. e o mantiveram preso. o estratego (= governador militar) da Iduméia. Antípater procura influenciar os judeus mais ilustres. Antípater procura convencer o próprio Hircano II de que deve lutar pelo poder e consegue. Antípater é da cidade de Ascalon. o pequeno Antípater. e levaram da capela de Apolo. Aretas vence Aristóbulo. embora divirja quanto a outros dados. Segundo Eusébio de Cesaréia. este nomeado para o posto por Alexandre Janeu[44]. lembrando-lhes que Aristóbulo é um usurpador do trono que pertence a Hircano. mais tarde. como o fora seu pai. Hircano. Hircano II sai de Jerusalém. É então que Antípater se posiciona politicamente do lado de Hircano II e começa a manobrar para que este reconquiste o poder. de origem nobre: "Ele era idumeu e o mais poderoso de sua nação. E é de fato o que acontece. cidade da Palestina. Hircano lhe devolverá as 12 cidades da Transjordânia que Alexandre Janeu lhe tomara. também de nome Antípater. Diz Eusébio: "Salteadores idumeus chegaram de surpresa a Ascalon. junta-se a Aretas em Petra. na época do conflito entre Hircano e Aristóbulo. em troca. Além destes "judeus ilustres". através de presentes. filho de um hieródulo. com o resto dos despojos. mas acaba sendo criado entre os idumeus. Como o sacerdote não podia pagar o resgate pelo filho. que vem construindo seu poder através de alianças e amizades com árabes. que se refugia no . Ainda segundo Flávio Josefo. citando Júlio Africano. quer pelas suas riquezas e por seu próprio mérito"[42] . Herodes. o que confirma a opinião de Josefo a respeito de sua nacionalidade. Antípater foi educado segundo os costumes idumeus e. por ser o mais velho[45]. Antípater é. Há outras notícias sobre este personagem. E isto explicaria a sua interferência nos negócios judaicos: para a família de Antípater. interessou-se por ele"[43].Flávio Josefo acredita que Antípater seja mesmo um idumeu.

Em segundo lugar. que se criará um poder totalmente independente das tradições judaicas. quer seja dos fariseus. . associados a Antípater que entram no jogo político. E agora com mais um detalhe: os governantes macabeus estão jogando também segundo as mesmas regras. parece que o conflito não se explica mais apenas pela luta entre fariseus e saduceus. povo nômade do sul do Mar Morto . É o antigo e irreversível mecanismo de helenização que continua em movimento. quando diz: "Antípater (. chegando a tomar Damasco dos Selêucidas em 87 a.C. especialmente a dos Ptolomeus e a dos Selêucidas. o exército macabeu é baseado em tropas mercenárias e não em judeus partidários. que será preenchido. na Transjordânia. E. Estes acontecimentos nos levam a pensar que nestes confrontos há pelo menos dois fatores importantes. Porém. baseado nesta aristocracia economicamente muito bem situada e etnicamente indiferente[47].capital Petra . onde fica assediado por Hircano e Aretas. criadas após a morte de Alexandre Magno pelos Diádocos.) Poder-se-ia dizer que ao lado de uma nobreza essencialmente guerreira.C. Cada vez mais a aristocracia se emancipa da hierocracia e se constitui em poderosa força econômica e política. pois agrupa etnias e Estados variados que vão do sul da Palestina às fronteiras da Índia. que é multinacional. filho de Antípater..que se expande em direção norte. Acabamos de ver sua interferência nos negócios judaicos[48]. pois este pode pagar mais. Sacchi. faz o caminho inverso: passa de Aristóbulo a Hircano. Roma reaparece no cenário político da Palestina. Esta é a opinião de P. Como se não bastassem as complicações locais. desta vez. estava se formando uma nova classe de ricos. Sua fragmentação deixa um vazio político enorme. Um dos povos a participar desse jogo: os árabes nabateus. ligada por tradição ao rei e à posse da terra..) não se dirige aos fariseus para reempossar o sacerdote legítimo. por outros poderes. Uma primeira constatação a ser feita: a decadência das monarquias helenísticas. leva à ascensão de novas potências regionais.). principalmente no antigo reino dos Selêucidas.Templo com poucos seguidores. vem para ficar. Há outros judeus poderosos e ricos. Agora a maior parte do exército que antes passara de Hircano a Aristóbulo na primeira batalha. mas se dirige a homens 'poderosos em Israel' (. no século I a. Estão facilmente passando para o lado do vencedor.C. será sob o governo de Herodes Magno (37-4 a.. distanciados tanto dos nobres saduceus como da burguesia farisaica"[46]. Em primeiro lugar. quer seja dos saduceus...

Os partos. ao Senado romano. que toda esta expansão de Roma provoca profundas transformações em sua estrutura social. da ordem dos cavaleiros.C. onde é acolhido como libertador pelas cidades da região..C. em 88 a. criando sérios embaraços para os interesses romanos na região[50].do fortalecimento de Roma.C. É que os impostos da região são cobrados pelos publicanos. Lúculo. que nada resolve. Finalmente. Sula. na verdade uma base de operações militares na Panfília e na Lícia. Há um enfraquecimento do Senado e Roma vive permanentemente em conflito desde as tentativas de reforma dos Gracos (134 a. rei da Bitínia. o Bósforo Cimeriano. As ameaças orientais à hegemonia romana crescem em conseqüência do esfacelamento dos Selêucidas e de sua "ausência" da região em função dos conflitos internos.C. comandada por Tigranes. que se torna senhora da Sicília em 241 a. porém. acontece a ascensão da Armênia. povo de origem incerta. criando Roma a província da Ásia em 129 a.C. baseada na Cilícia torna-se fortíssima e se alia a Mitridates VI que. Ainda em 88 a. na Ásia . que vem combatê-lo. Por outro lado. Por volta de 80 a.).C. o enfraquecimento dos grandes reinos helenísticos se faz acompanhar .C. em testamento.C. acabam conquistando a Mesopotâmia e tornando-se a mais significativa potência além do Eufrates[49].. a Cólquida..C. massacra cerca de 80 mil italianos na província romana da Ásia. em 133 a.C.. que comanda as forças romanas na Cilícia contra-ataca. o mais empreendedor dos novos reinos: o Ponto...doado por seu rei Átalo.C. que reina também sobre a Síria a partir de 83 a.C. deixa seu reino para Roma e Mitridates VI o invade. A situação se complica ainda mais quando Nicomedes. Neste mesmo século I a. mas não alcança qualquer resultado na luta contra os piratas. além de se aliar aos piratas da Cilícia. de parte da Espanha em 197 a.) até o estabelecimento do Império (30 a.C.C.C. da Macedônia e da Grécia também em 146 a.e um fato está ligado ao outro . e negocia uma paz em 85 a. Roma cria a província da Cilícia. a Armênia Menor. de Cartago em 146 a. da Sardenha e Córsega em 231 a. vence e expulsa . Acontece.C. e de Pérgamo.C.. que ocupam um território no interior do reino selêucida durante o século III a. retoma Atenas em 86 a. e suas arbitrariedades são tão grandes que as populações locais sentem-se escravizadas. que acaba dominando a Paflagônia. governado por Mitridates VI Eupator. A pirataria no Mediterrâneo oriental. ao morrer. Mitridates VI toma a Grécia.

para combatê-los. os piratas atacam com força.Mitridates VI. com autoridade acima dos governadores locais. fazendo crescer notavelmente sua popularidade em Roma. Combate Mário. mesmo ano da morte de Salomé Alexandra e do começo do conflito entre Hircano II e Aristóbulo II em Jerusalém.e expande extraordinariamente . que dá poderes tão extraordinários a Pompeu. porque. Conquista o Ponto no verão de 66 a. Pompeu organiza a Ásia Menor. ele tem direito de recrutar seus legados . ao mesmo tempo que Crasso. .C. finalmente. As razões para esta criação parecem vir de dois lados: a segurança da região. ajuda Sula. o imperium. É então que Pompeu entra em cena. E. parece ser uma das razões. na Fenícia e na Cilícia. e que é a maior beneficiária da tributação imposta aos conquistados. Pode-se perceber que a aristocracia romana.C. Ele tem o imperium sobre o mar e o litoral. Pompeu interfere na Judéia. vence Sertório na Espanha e elimina os últimos escravos do grupo de Espártaco. que se refugia na Armênia junto a seu genro Tigranes. É eleito cônsul no ano 70 a. Em 64 a. Lúculo cai em desgraça e vê seus poderes lhe serem retirados um a um pelo Senado. Em seguida. É então que o Senado dá um comando extraordinário a Pompeu. ameaçada pelos partos de um lado e pela pirataria de outro. Mas a outra é econômica: Pompeu restabelece no Oriente . É janeiro de 67 a. O poder de Pompeu é extraordinário.C. Neste e no ano seguinte submete a Armênia: Tigranes continua no poder.o que é prerrogativa do Senado -.C..C.C. onde todos agora são aliados de Roma. Nos anos 69 e 68 a. Gnaeus Pompeius nasce em 106 a. não é tão alheia assim à criação de novas províncias[52]. Mas Mitridates VI retorna ao Ponto. Este por sua vez é vencido por Lúculo e obrigado a deixar a Síria.. até 75 km para o interior. só que agora aliado a Roma e despojado de todas as suas conquistas na Síria. chegando até mesmo ao porto de Óstia. Pompeu ocupa o que resta do reino selêucida e cria a província da Síria. de uma família rica.C. a cerca de 20 km de Roma.os interesses dos publicanos que cobram o tributo dos povos dominados. graças a intrigas de seus adversários em Roma. na foz do Tibre. tem a ordem de equipar 500 navios e de requisitar suprimentos onde e quando necessitar[51].. O que faz Pompeu? Ataca com perícia e rapidez os piratas e os vence em 67 a. que controla.

Aristóbulo e seu filho Antígono são levados presos para Roma. e Tu não o impedistes. escrito judaico de tendência farisaica situado entre 63 e 40 a. a Peréia (território "além do Jordão". os negócios judaicos. recolhidos por uma sociedade de publicanos sediada em Sídon. Hircano II é reconduzido ao sumo sacerdócio. E na Transjordânia estão os perigosos nabateus. o sul da Samaria e o norte da Iduméia. quando toma o Templo. Perde os territórios não-judeus.C. Os Salmos de Salomão.Hircano II e Aristóbulo II. perán tou Iordánou). Porque os filhos de Jerusalém mancharam o culto do Senhor profanaram com suas impurezas as oferendas à divindade. a Galiléia. E a Judéia fica sob a jurisdição do legado romano na Síria. Por que controlar os judeus? Amigos dos judeus desde a época do conflito dos Macabeus com os Selêucidas no século II a. entre eles muitos sacerdotes. Pompeu entra com seu estado maior no Santo dos Santos.. Pompeu ordena que se levante o cerco a Jerusalém. acessível apenas ao sumo sacerdote. assim avaliam o gesto de Pompeu: "Cheio de orgulho. Aristóbulo II refugia-se no Templo com seus adeptos.200 judeus são mortos pelos romanos.. em luta pelo poder. o Templo é tomado por Pompeu e cerca de 1. de fato. levam o seu caso ao poderoso romano. Por isso disse Deus: afastai-as de mim. O idumeu Antípater torna-se uma espécie de ministro de Hircano II e controla.C. Este gesto marca definitivamente o domínio de Roma sobre a terra de Israel e o povo de Iahweh. trabalhando para os romanos. com a criação da província da Síria. em grego. conservando apenas a Judéia. o mais sagrado espaço dos judeus. Assediado.. . Povos estrangeiros subiram ao teu altar.C. pisotearam-no orgulhosamente com suas sandálias. É provável que Pompeu apóie Hircano II exatamente por isso: é o mais fraco e o menos ambicioso dos dois irmãos Macabeus. agora. No outono de 63 a. mas apóia Hircano II. Emílio Escauro. o expansionismo macabaico torna-se um risco para os romanos. A Judéia paga os tributos a Roma. o pecador destruiu com seu aríete as sólidas muralhas.

Nancy. The Israel Academy of Sciences and Humanities. 1976. 1985..-135 a.-135 d. 1992. STERN. T & T Clark. História dos Hebreus. Du Cerf. SAULNIER. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo (175 a. SCHÜRER..C. Presses Universitaires de Nancy. Casa Publicadora das Assembléias de Deus. Judaism from Cyrus to Hadrian. Paideia. NEXT .. seu pescoço está marcado.. SCHÜRER. P. Histoire politique du monde hellénistique (323-30 av. E.. The History of the Jewish .). Volume I: The Persian and Greek Periods. Augsburg Fortress. Histoire d'Israel III. J. Torino. Jerusalem. KIPPENBERG. L. H. marcado entre os gentios.-C.. C.. Brescia. E.D. 1986. 1988. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a. Ele as desprezou totalmente. por isso os entregou nas mãos dos vencedores"[53].. 1976. Paris. G. WILL. Minneapolis. SACCHI. Edinburgh. E. Religião e formação de classes na antiga Judéia. 1979-19822. L.) III. Paulus..C. Storia del mondo giudaico. Società Editrice Internazionale. A beleza de sua glória nada significou diante de Deus. M. 1992. Seus filhos e filhas sofrem rigorosa escravidão. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. Rio de Janeiro. F. Obra Completa.nelas não me comprazo.) I. Leituras Recomendadas GRABBE.C. JOSEFO. 1985. São Paulo. Deus os tratou de acordo com seus pecados.

Escreve uma importante "História Eclesiástica". F. Mitridates VI nasce de uma família helenizada e governa o Ponto de 112 a 63 a. 10.. JOSEFO. Para ver a estrutura romana de poder cf. em 10 livros. e é bispo de Cesaréia. pp. KIPPENBERG. Histoire politique du monde hellénistique I. P. Storia del mondo giudaico. Idem. WILL. 227-260.. Idem. 123. na Palestina. Histoire politique du monde hellénistique II. junto ao mar Negro. F.[39]. Antiquitates Iudaicae XIV. cf. também SCHÜRER. 120-122. E... STERN.. H. VII. 11. [51]. 9. Idem. G. Eusébio vive entre 263 e 339 d. E. pp.. SAULNIER. pp. ibidem XIV. WILL. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. [50]. O reino do Ponto fica no noroeste da Ásia Menor.. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. Cf. pp. [41]. 56-62. Cf. [48]. pp. EUSÉBIO. [47]. Antiquitates Iudaicae XIV. [49]. SACCHI. [43]. Cf. KIPPENBERG.. pp. 481-484. [52]. JOSEFO. SCHÜRER. 1-7. 103-105. Histoire d'Israel III. Cf. Sobre a origem de Antípater. do qual deriva seu nome: a região está en pôntoi.. E. Historia Ecclesiastica I.. [46]. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. pp. Bellum Iudaicum I. Antiquitates Iudaicae XIV. pp. [45]. cf. JOSEFO. P. p. 509512. JOSEFO. 109-116.. Sobre a incerta origem dos partos. cf. Histoire politique du monde hellénistique II. Cf. Cf. [44]. F. verbetes Mitridates e Pontos. Cf. G. que faz excelente análise deste processo na época de Herodes Magno. C. também..C. H. [42]. 125. M. Religião e formação de classes na antiga Judéia. nota 3. HARVEY. [40]. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I.C. 301-308.. E. 300-301. F.. 450452. Bellum Iudaicum I. pp.. Religião e formação de classes na antiga Judéia. 11. . "junto ao mar".

o texto em DIEZ MACHO. dá a Hircano II o título de etnarca (governador de um grupo racial com o seu território) da Judéia.C. rainha do Egito e. que é finalmente vencido em Farsália.C..C. governam os cônsules Crasso e Pompeu (55-54 a.C.). Entretanto. Cf. em Roma as coisas se complicam. a famosa herdeira dos Ptolomeus.1. Madrid 1982. confirmando-o também no cargo de sumo sacerdote. em 47 a. Quando. pelos partos. Apócrifos del Antiguo Testamento III.. nesta luta pelo controle do Egito. no ano 48 a. Pompeu é assassinado. as intrigas palestinenses continuam: Antípater é envenenado em 43 a.1-7. Otaviano e Lépido. pelo copeiro de Hircano II. 11. mas Crasso é derrotado em 53 a. Como era Roma nesta época? Veja aqui! Entretanto.C. e Roma volta a ser governada por triúnviros: Antônio.[53]. O Domínio Romano 11. Antípater recebe a cidadania romana e é nomeado prefeito ou procônsul da Judéia. toma a Itália e a Espanha. recebe apoio de Hircano II que lhe envia tropas comandadas por Antípater. enquanto seus dois filhos Fasael e Herodes são nomeados respectivamente estrategos de Jerusalém e da Galiléia. como prêmio. César chega à Síria.).1. no delta do Nilo.) há paz na Palestina. um pouco mais tarde.C. ficando somente Pompeu como cônsul (51-49 a. De 69 a 62 a. César é assassinado em meados de março de 44 a. A “Pax Romana” chega a Jerusalém 11. No Egito. na Grécia. Pompeu e César. 24. Da Intervenção de Pompeu a Herodes Magno Nos anos seguintes à interferência de Pompeu (63 a. p.1. São estas tropas que conquistam Pelúsio. confronta-se com Pompeu. Roma é governada pelo triunvirato Crasso.C. chega César. Porém. para César. SALMOS DE SALOMÃO 2..C.C.C. Depois. enquanto César luta nas Gálias. César nomeia Cleópatra VII. Antônio nomeia Herodes e . Cristiandad. Em 41 a. A.

Casa-se com Mariana I. ginásios.C. e nomeado. Isto significa. depõe a coroa a seus pés.como esposa e filhos. que ele elimina. assim. parente de Aristóbulo II e Hircano II. Os partos colocam Antígono.). Fasael se suicida. constrói obras grandiosas na Judéia. Templos. fortalezas. Primeiro apóia Antônio.C. Herodes luta com decisão para consolidar o seu poder. inclusive alguns membros de sua família . antes de mais nada. Herodes Magno governa o povo judeu durante 34 anos (37-4 a. entrando definitivamente para a família asmonéia. para o cargo de sumo sacerdote (cf.C. cidades.C. seu tio. através de assassinatos e intrigas várias.C. a partir do inverno de 20-19 a. Devido à fraqueza do controle romano na província da Síria. Herodes se equilibra no delicado jogo do poder porque sabe ser servil a Roma. esta é invadida.C. a autonomia interior para as finanças. hipódromos.Fasael etnarcas. adversários seus. Lv 21. teatros. filho de Aristóbulo II. a isenção de tropas de ocupação.). a exoneração de tributo a Roma.. mas quando este é vencido por Otaviano na famosa batalha naval de Áccio. Herodes vai imediatamente visitar o vencedor. incapacitando-o.17-23). pelos partos. Herodes foge para Roma e no final do ano 40 a.C. Resultado: volta para casa reconfirmado rei por Otaviano e ainda consegue favores: como o engrandecimento de território. no ano 31 a. Consolidado o poder. Antígono corta as orelhas de Hircano II. termas. fontes. como sumo sacerdote e rei na Judéia (40-37 a. pelo Senado romano. em 40 a. descendentes do antigo império persa. Roma e suas Sete Colinas Em 37 a.. que está na ilha de Rodes. a justiça e o exército. rei da Judéia. em gesto teatral. enquanto Hircano II permanece apenas como sumo sacerdote. Reconstrói totalmente o Templo de Jerusalém. Herodes torna-se o senhor da Palestina. . com uma única condição: terá que conquistar seu reino. e.

Valorizando o culto. não tem para com os judeus nenhuma relação de reciprocidade e sua legitimidade se funda na própria estrutura do poder exercido[1]. mais tarde. é perseguida . conserva-se no poder. Entretanto. Cesaréia Marítima. recebe uma grande construção que o valoriza. em homenagem a César Augusto Antipátrida. Maqueronte. Assim. aparece diante do mundo. constrói um importante porto. pois descende de idumeus e sua mãe é descendente de árabe. em homenagem a si mesmo fortaleza Antônia (em Jerusalém). lugar sagrado ligado a Abraão. se a pessoa recusar o juramento. Herodes constrói uma estrutura de poder independente da tradição judaica: o o nomeia o sumo sacerdote do Templo: destitui os Asmoneus e nomeia um sacerdote da família sacerdotal babilônica e. Herodes Magno ganha para si o povo. Heródion. Quando vence os seguidores de Antígono. seleciona seus herdeiros. da alexandrina exige de seus súditos um juramento que obriga a pessoa a obedecer às suas ordens em oposição às normas tradicionais. Jericó é embelezada e torna-se sua residência favorita. em homenagem a Marco Antônio. feminino grego de Augusto. Servindo fielmente a Roma. dando-lhe o nome de Sebaste. em homenagem a Augusto Cesaréia (Marítima). em homenagem ao Imperador romano. Massada. Herodes não tem legitimidade judaica. Matando seus inimigos. Apoiando a cultura helenística. Construindo fortalezas.Reconstrói Samaria. fortalezas são reedificadas ou totalmente construídas como Alexandrium. em homenagem a sua mãe Heródion. Mambré. em homenagem a seu irmão Fasael Cipros. reveladores de seu espírito político: Sebaste (Samaria).. em homenagem a seu pai Antípater Fasélida. por ser estrangeiro. Hircania etc.. Observemos os nomes de suas construções. controla possíveis revoltas.

p. Confira os Mapas do Império Romano aqui! NEXT [1]. Cf. G. se ele viola assim a tradição. Paulus. e nas cidades não-judaicas por ele fundadas.o o o interfere na justiça do Sinédrio manda vender os assaltantes e os revolucionários políticos capturados como escravos no exterior.. [2]. Mas. para o que se segue. 114. através das normas do Estado. sem direito a resgate a venda à escravidão e a execução pessoal (a morte) tornam-se normas comuns do arrendamento estatal. o poder militar de Herodes se baseia em mercenários estrangeiros que ficam em fortalezas ou em terras dadas aos mercenários (cleruquias) por ele (terras no vale de Jezrael). São Paulo. com os camponeses dentro! Seus herdeiros: Arquelau. Religião e formação de classes na antiga Judéia. mas pela aplicação do direito pelo senhor o direito à terra é transmitido pela distribuição: o dominador a dá ao usuário: é a "assignatio" a base filosófica helenística é que legitima o poder do rei. porque ele é regido pelo "nous": o rei tem função salvadora e. KIPPENBERG. Religião e formação de classes na antiga Judéia. H. Herodes Antipas e Felipe. diz H. pp. por isso.. 1988. G. G. dá aos seus súditos uma ordem racional. Kippenberg[2]. . "O rei em sua pessoa é a continuação do seu reino e o salvador de seus súditos". a cujos cidadãos ele dá como posse o território que as rodeia.. ou seja: o rei é a fonte da lei. quando diz que o rei é "lei viva" (émpsychos nómos). em oposição à lei codificada. como consegue legitimidade? A estrutura de poder do Estado sob Herodes é bem diferente da estrutura da época dos Macabeus: o o o o o o rei é legitimado como pessoa e não por descendência o poderio não se orienta pela tradição. H. KIPPENBERG. 109-116.

11. tendo perdido o significado original da época da República. os dois títulos.1. militares e judiciais[11]. em grego. a partir de Cúspio Fado (4446). Residia em Cesaréia. em Bible and Interpretation. prefeito da Judéia. para as províncias imperiais. Após Cláudio. procurator. Marcos Ambívio : 8-12 (?) Ânio Rufo : 12-15 (?) Valério Grato : 15-26 Pôncio Pilatos : 26-36 Marcelo : 36-37 Marulo : 37-41 (?) Cúspio Fado : 44-46 Tibério Alexandre : 46-48 Ventídio Cumano : 48-52 Antônio Félix : 52-60 Pórcio Festo : 60-62 Lucéio Albino : 62-64 Géssio Floro : 64-66 O procurador ou prefeito era um administrador em ligação com o legado que governava a província romana da Síria e dependia dele. Portanto. que. os governadores romanos da Judéia tinham o título de éparchos ou praefectus = prefeito. Pôncio Pilatos. Tanto o prefeito como o procurador tinham funções fiscais. eram equivalentes. Sobre Pilatos e seu papel na crucifixão de Jesus. mas subia a Jerusalém e podia lá permanecer conforme as circunstâncias ou as necessidades. é um governante duro e decidido.C. podemos falar de “procuradores”. Pontius Pilate: Roman Governor. até Cláudio. mas hoje se sabe. graças a uma inscrição sobre Pilatos encontrada em Cesaréia[10]. Os Prefeitos e Procuradores Romanos da Judéia Copônio : 6-8 d. como era o caso da Judéia. que nunca simpatizou com os judeus. Por causa de Flávio Josefo[9] se pensava que a Judéia fora governada por procuradores (epítropos. . latim). leia Warren CARTER. Entretanto.4. que pronuncia a sentença de morte contra Jesus de Nazaré. que se tornou Imperador no ano 41.

Pilatos recusou-se a atender ao pedido deles. enchiam-se de indignação com o espetáculo. Todos quantos chegavam perto. levando efígies do Imperador nos estandartes. Acusa-o de venal. que fizeram fortuna das mais variadas maneiras. o povo se revolta com tal afronta. Embora saiba que os judeus abominam a reprodução de imagens de qualquer espécie. graças à influência de Sejano. em forma de chifre. um certo número de imagens veladas do César. para irritá-los e reprimi-los. Pilatos faz muitas coisas contrárias aos costumes judeus. e ele tenta reprimi-lo. E todos se dirigiram a Cesaréia. Mas tem que ceder diante da grande coragem dos judeus que preferem morrer a transgredir a Lei. Pilatos mandou levar. Pilatos é nomeado procurador por Tibério. Nas palavras de Flávio Josefo: “Certa feita. Mal o dia clareou. Suplicavam-lhe que mandasse tirar as imagens de Jerusalém e desistisse de agir contra as normas da religião judaica. de noite. Quando amanhece. à noite. uma grande agitação tomou conta da cidade. Herodes Agripa I. Símbolos como o lituus “um bastão recurvado numa das extremidades. desrespeitando-os deliberadamente. que servia para demarcar o recinto onde os sacerdotes pagãos observavam as aves do sacrifício”. classe de pessoas ricas. faz com que Tibério tome decisões anti-judaicas. violento. e o simpulum. muitos de origem humilde e até descendentes de escravos. Certa vez. Pouco a pouco a exacerbação dos habitantes da cidade atraiu grandes multidões de pessoas que moravam no campo. Sob um pretexto qualquer. Pilatos é o único governante romano que tem tal ousadia[12]. E consegue. descreve-o como inflexível por natureza e cruel por causa de sua obstinação. Pertence à ordem dos cavaleiros. Pilatos manda que seus soldados entrem em Jerusalém. que os romanos chamavam de ‘estandartes’. extorsivo e tirânico. ele manda cunhar moedas com símbolos gentios. para Jerusalém.September 2004. espécie de concha sagrada. para falar com Pilatos. Sejano faz de tudo para prejudicar os judeus. escrevendo ao Imperador Calígula. o poderoso prefeito da guarda pretoriana em Roma que é realmente quem manobra o poder. Então os . que eles tomaram como uma zombaria grave à lei que proibia colocar qualquer imagem que fosse no interior da cidade.

fez aos soldados o sinal antes combinado. Diz: TIBERIEVM PON]TIVS PILATVS PRAEF]ECTUS IVDA[EA]E. Esta atitude heróica do povo em defesa de sua religião causou grande espanto em Pilatos. um romano da ordem dos cavaleiros. K. Paideia. [10] . A inscrição foi encontrada no teatro romano de Cesaréia Marítima por uma expedição arqueológica italiana dirigida por Antonio Frova.. à uma. com plena autoridade”. pp. [13] . SPEIDEL.. 2. Storia del Popolo Giudaico al Tempo de Gesù Cristo I. [11] . Paulus. como se tivessem combinado entre si. JOSEFO. jogaram-se por terra. Em seguida. 2. e convocou o povo. 1985. Cf. Pilatos mandou massacrá-los. [12] . E. no grande hipódromo da cidade. 91-92. Envolvidos por três fileiras de homens armados. durante cinco dias e cinco noites. de armas na mão. F. Bellum Iudaicum. São Paulo. Cf. 441-444. F. então. declarando em alta voz que preferiam deixar-se matar a transgredir a Lei.. O julgamento de Pilatos. NEXT [9] . Fez então novo sinal aos soldados para desembainharem as espadas. diz JOSEFO. os judeus foram tomados de violenta comoção diante do fato inesperado. como se quisesse comunicar-lhe uma notícia. que as insígnias do Imperador fossem retiradas de Jerusalém”[13]. e ofereceram o pescoço desnudo. Bellum Iudaicum. No sexto dia Pilatos sentou-se numa tribuna. A. no lugar. Para você entender a Paixão de Jesus. 169-174. foi enviado por Augusto como procurador (epítropos). para cercarem os judeus. Brescia. Os judeus. Ele ordenou. “O território de Arquelau foi assim reduzido a província e Copônio. pp.judeus se lançaram por terra e ficaram imóveis.. 1979. 117. . caso não admitissem a presença de imagens do Imperador em seu meio. porém. SCHÜRER.

Mas em 48 d. dizem. embora a Judéia continue governada por procuradores romanos. Teve pouca influência sobre a comunidade judaica. sendo destituído por Tibério e chamado a Roma. mas historicamente é condicionada e ocasionada pela inabilidade dos procuradores e até mesmo de alguns Imperadores. Vimos como Pilatos cometera arbitrariedades sem conta. onde morre após o ano 93 d. De Agripa II ao Fim da Judéia Quando morre Herodes Agripa I (44 d. O país é governado. a cultuá-lo.C. ele havia sido nomeado Inspetor do Templo. julgados totalmente impotentes frente ao poderio romano.C.).3. Agripa II recebe o governo de Cálcis. tenta demover .C. oferecendo-lhe sacrifícios. graças às mudanças arbitrárias de sumos sacerdotes que sempre fez.5. Já antes. E esta atitude prepotente não pára com Pilatos. É diante de Agripa II e Berenice que Paulo comparece. muitas delas com o deliberado propósito de irritar os judeus. especialmente pelos sacerdotes.23-26.11. proclama-se deus e obriga todas as províncias.. território antes dirigido por seu tio. Quando os judeus se recusam a cultuá-lo. que afinal é punido pelo que fizera. Em 52 d. em 49 d. Quando Jerusalém é destruída em 70 d. legado da Síria. com sua irmã Berenice e não é bem visto pelos judeus. são perseguidos tanto na diáspora (em Alexandria.C. então. os romanos não quiseram entregar logo o governo para seu filho Agripa II que é apenas um garoto de 17 anos e vive em Roma. A crescente revolta judaica contra a ocupação romana é. por exemplo) como na Judéia e demais províncias. com direito de designar o sumo sacerdote. atribuída ao sempre vivo espírito nacionalista judaico e à sua imorredoura fé na libertação messiânica. inclusive a Judéia. Calígula chega a exigir que uma estátua do Imperador seja colocada no Templo.. Agripa II vive incestuosamente. pelos procuradores. onde tem que se explicar. O Imperador seguinte. Agripa II é o último governante da família herodiana. segundo At 25.1.C. ele muda-se para Roma. quando prisioneiro em Cesaréia. com freqüência. contra todo o bom senso. Petrônio. Agripa recebe também a antiga tetrarquia de Felipe e partes da Galiléia e da Peréia.C. Calígula.

Os que mais sofriam pertenciam às classes mais pobres das cidades e povoados. recebe ordem do Imperador para se suicidar.C. No tempo de seu sucessor Antônio Félix (52-60 d. Quando Vitélio Cumano (48-52 d. já que um pobre em Roma. roubos. tinha uma expectativa de vida de 30 anos. 90% já desaparecido. Com moradias precárias.) é procurador. Por volta dos 26 anos 75% já tinha morrido e aos 46 anos. endividamento.. seus dentes tinham sido destruídos e sua vista acabado (. E o autor acrescenta: “Estudos feitos por paleopatologistas indicam que doenças infecciosas e desnutrição eram generalizadas. perda da terra através da manipulação das dívidas atingiam a muitos. por causa de um ultraje cometido por um soldado romano. em um estudo sobre as condições de vida dos camponeses palestinos da época de Jesus . na Introdução de um volume sobre “As Ciências Sociaise a Interpretação do Novo Testamento ”. Richard L.) a tensão aumenta perigosamente. Rohrbaugh.C.. chegando aos 60 anos de idade menos de 3% da população”[14]. acontece violenta revolta dos judeus durante a festa da Páscoa. Por volta dos 30 anos a maioria das pessoas sofria de verminose. com uma má alimentação. havia um verdadeiro clima de terror. não contabilizados como vítimas da mortalidade infantil) morriam até os 6 anos de idade.C. mostra que a violência que sofriam era brutal. Cerca de 60% dos sobreviventes morriam até os 16 anos. sem condições sanitárias adequadas. e Cláudio.. desnutrida e com uma expectativa de mais 10 anos de vida.C. É claro que estes dados não são uniformemente distribuídos por toda a população da época. dispensa os judeus do culto ao Imperador. Cumano reprime o tumulto e vinte mil judeus perdem a vida. seu sucessor. trabalhos forçados. Uma audiência doente.. ou seja.. Na Palestina do século I d. no século I de nossa era. diz sobre a expectativa de vida da população do Império Romano nesta época: “Cerca de 1/3 daqueles que ultrapassavam o primeiro ano de vida (portanto. É no seu tempo que surge o grupo dos sicários.) 50% dos restos de cabelo encontrados nas escavações arqueológicas tinham lêndeas”[15]. com seus trinta e poucos anos de idade. se tanto! Douglas E. Existia uma violência epidêmica na Palestina[16]. assim . por exemplo:este mesmo Jesus. sem assistência médica. Fraudes.o Imperador de seus propósitos: é condenado à morte. Olhemos para a audiência de Jesus. era mais velho do que 80% de sua audiência. Oakman. salvando também a vida de Petrônio. quando muito. Só que assassinam Calígula em 41 d.

Quando. Félix manda crucificar inúmeros zelotas durante o seu mandato[17]. Nessa época. mas é rechaçado com pesadas perdas.chamados por usarem em suas ações uma adaga curva e curta chamada “sica”. Começam os preparativos para o que der e vier. Floro requisita 17 talentos do tesouro do Templo. os revolucionários chefiados por Eleazar. filho do sumo sacerdote Ananias. Então. Os judeus escarnecem do procurador. massacraram-na e em seu lugar colocaram um destacamento constituído pela própria gente.). proclamando-se profetas e fazendo promessas utópicas. após muitas arbitrariedades. fazendo uma coleta para o “pobrezinho” Floro. o nosso conhecido historiador Flávio Josefo. assim como antes Floro teve que se retirar para Cesaréia ao ser derrotado. Outros grupos tentam despertar no povo os sentimentos messiânicos. Um dos assassinados neste tempo pelos sicários é o sumo sacerdote Jônatas.C. Escondem a sica sob as vestes e misturados na multidão eliminam não só romanos. Céstio Galo. É a guerra definitiva. Também as fortalezas de Massada e Heródion são ocupadas pelos rebeldes. G. e o desprezo é vingado: há uma carnificina geral. a revolução estoura. um jovem de grande atrevimento que comandava então a guarda do Templo. Seu sucessor Géssio Floro (64-66 d. “Reuniu-se um grande número daqueles judeus que queriam a guerra a qualquer preço. legado da Síria.) consegue então jogar a gota d’água para que o ódio acumulado pelos judeus derrame.C. ataca com uma legião. Resultado: Floro entrega para os seus soldados uma parte de Jerusalém. para que seja saqueada e crucifica alguns homens importantes da comunidade judaica. O povo. Eleazar. incitou os sacerdotes em exercício a não aceitar donativos ou sacrifícios da parte de não-judeus. filho do sumo sacerdote. Josefo fortifica várias cidades e se prepara. Agripa II tenta conter a revolta e não consegue. mas também quem colabora com a ocupação estrangeira. Sua tática é provocar tumultos e desestabilizar o governo através de assassinatos inesperados de personagens importantes. Outro procurador terrivelmente corrupto e repressor é Lucéio Albino (6264 d. Tinham se dirigido para uma fortaleza chamada Massada. não reage diante do saque. em supremo desprezo. Aí surpreenderam a guarnição romana. Tais grupos são duramente reprimidos pelos romanos através de grandes matanças. ocupam o Templo e a fortaleza Antônia. A Galiléia é entregue ao sacerdote fariseu Josefo. Este foi o começo propriamente dito .

pois nesta ocasião foi praticamente rejeitado o oferecimento de sacrifício em favor dos romanos e do Imperador”[18]. Conquistam facilmente o território. sicário. a Iduméia e a Samaria. sem contar as tropas auxiliares. e Simão Bargiora. com quatro legiões (24 mil soldados). João de Gíscala. Até o outono a Galiléia está nas mãos dos romanos. Como os muros do Templo não cedem. Tito cerca Jerusalém pouco antes da Páscoa de 70. A cidade está repleta de peregrinos. mas Massada resiste um ano de cerco. Três Imperadores passam pelo trono. Quando finalmente é . Visite o Catálogo Virtual de Moedas Romanas! Tito ocupa o setor norte da cidade. defendidas pelos sicários e zelotas. mas os rebeldes conseguem se refugiar no palácio de Herodes. Em setembro de 70 também o palácio cai. Os chefes rebeldes. um dos redutos rebeldes. Em companhia de seu filho Tito. que então podem hibernar tranqüilamente. Tito o incendeia. o que duplica este número). vendidos ou condenados a trabalhos públicos. Veja a posição ambígua de Flávio Josefo na guerra contra Roma aqui! Na primavera de 68 Vespasiano ocupa sucessivamente a Peréia. Vespasiano espera se definir a situação em Roma. são aprisionados e levados triunfalmente para Roma. É agosto de 70[19]. deixando a guerra sob o comando de Tito. a costa. Vespasiano ataca a Galiléia na primavera de 67 com 10 legiões (60 mil soldados. mas a fortaleza de Jotapata só cai após 47 tentativas de assalto. Massada e Maqueronte. Está para atacar Jerusalém quando Nero se suicida. as montanhas da Judéia. Estão ainda de pé três fortificações rebeldes: Heródion. zelota. A cidade é saqueada e os habitantes assassinados.da guerra contra os romanos. Finalmente Vespasiano é aclamado Imperador no dia primeiro de julho de 69 e marcha para Roma. O Imperador Nero confia então a Palestina a um experiente general: Vespasiano. Mas nesta época ultrapassava os 180 mil. Uma cidade com cerca de 30 mil habitantes fixos. Toda a construção é consumida pelas chamas. Heródion e Maqueronte caem logo. abre um fosso ao seu redor para que ninguém escape e em julho de 70 toma a fortaleza Antônia. Josefo é aprisionado e muito bem tratado. mas nenhum pára.

Depois de muita luta. L. decide reconstruir Jerusalém com o nome de Aelia Capitolina e manda fazer um templo dedicado a Júpiter no mesmo local onde existira o Templo de Salomão. Aos judeus Jerusalém foi proibida. Peabody. Hendrickson. D. The Social World of Luke-Acts: Models of Interpretation. p. (ed.C. Hendrickson. [16]. 1996. A Judéia é separada da Síria e torna-se uma província imperial. Peabody. Vespasiano manda cunhar moedas sobre as quais estão um soldado romano. consegue dominar a revolta. os rebeldes incendeiam-na e se suicidam em massa para não caírem em mãos romanas. Júlio Severo. The Social Sciences and New Testament Interpretation. em giro pelo Oriente. 4-5. começada em 131 d. Cf. dirigida por um governador que mora em Cesaréia. R. celebra a vitória romana. pp.C.C. 168. .). numa interpretação messiânica de Nm 24. ROHRBAUGH. É que o Imperador. em ROHRBAUGH. L. p.. Quando reina Adriano (117-138 d. (ed. Os rebeldes ocupam Jerusalém e algumas fortalezas espalhadas pelo território judaico. um enviado especial de Adriano. 5. vendendo. em seguida. É o ano 135 d. Colonia Aelia Capitolina e o templo a Júpiter é levantado no local do antigo Templo dos judeus.tomada. E. o arco do triunfo de Tito. A inscrição dizia: Judaea capta. feita por Rabi Aqiba. além dos outros templos construídos na cidade. 1991. [15].17. J. os rebeldes como escravos.). MA.. OAKMAN. NEXT [14]. Massachusetts. The Countryside in Luke-Acts. de pé ainda hoje.). uma mulher de luto e uma palmeira simbolizando Israel. ibidem. A Judéia torna-se parte da província Síria-Palestina. sob pena de morte. então. H. Simeão Bar-Kosibah é o chefe desta nova revolta. Em Roma. Jerusalém torna-se. em NEYREY. R. há ainda nova revolta judaica. Ele é chamado também de Bar-Kokhba (filho da estrela). Introduction. Idem.

L. Storia del Popolo Giudaico I. F. Judaism from Cyrus to Hadrian. enquanto Flávio Josefo diz que foi no dia 10 de Ab. 441-442.. SCHÜRER. Fortress Press. A tradição rabínica diz que foi no dia 9 do mês de Ab (29 de agosto de 70). Cf. pp. [19].[17]. Volume II: The Roman Period. pp. A data exata da destruição do Templo é controvertida. [18]. nota 115. 460.. Bellum Iudaicum. L. Minneapolis. JOSEFO. F.. 1991.408-409. GRABBE. p. 6. Judaism from Cyrus to Hadrian II. L. GRABBE.. Bellum Iudaicum. . JOSEFO. Cf. 250. 613-614. L. 2.

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