História de Israel SUMÁRIO Introdução 1. Noções de Geografia do Antigo Oriente Médio 1.1. O Crescente Fértil 1.2. A Mesopotâmia 1.3.

A Palestina e o Egito de 3000 a 1700 a.C. 1.4. A Síria e a Fenícia 1.5. A Palestina 1.5.1. A Transjordânia 1.5.2. O Vale do Jordão 1.5.3. A Região Central da Palestina 1.5.4. A Costa Mediterrânea 2. As Origens de Israel 2.1. A Teoria da Conquista 2.2. A Teoria da Instalação Pacífica 2.3. A Teoria da Revolta 2.4. A Teoria da Evolução Pacífica e Gradual 2.4.1. Retirada Pacífica 2.4.2. Nomadismo Interno 2.4.3. Transição ou Transformação Pacífica 2.4.4. Amálgama Pacífico 3. Os Governos de Saul, Davi e Salomão

3.1. Ascensão e Queda de Saul 3.2. Davi e a Criação do Estado 3.3. Salomão e a Consolidação do Estado 3.4. A Ruptura do Consenso 3.5. As Fontes: Seu Peso, Seu Uso 3.6. Dois Exemplos de Fontes Primárias: as Estelas de Tel Dan e de Merneptah 3.7. A Questão Teórica: Como Nasce Um Estado Antigo? 3.8. As Soluções de Lemche e de Finkelstein & Silberman 4. O Reino de Israel 4.1. A Rebelião Explode e Divide Israel 4.2. Israel de Jeroboão I a Jeroboão II 4.3. A Assíria Vem aí: para Israel é o Fim 5. O Reino de Judá 5.1. Os Reis de Judá 5.2. A Reforma de Ezequias e a Invasão de Senaquerib 5.3. A Reforma de Josias e o Deuteronômio 5.4. Os Últimos Dias de Judá 5.5. Por que Judá Caiu? 6. A Época Persa e as Conquistas de Alexandre 6.1. A Situação da Grécia e a Política Macedônia 6.2. As Conquistas de Alexandre Magno (356-323 a.C.) 6.3. Quem é Alexandre Magno? 6.4. A Anexação da Judéia por Alexandre 6.5. A Situação da Judéia no Momento da Anexação 7. Os Ptolomeus Governam a Palestina

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A História de Israel no Debate Atual Este artigo foi publicado, de forma mais resumida, em Cadernos de Teologia n. 9 (maio de 2001), Campinas: FTCR da PUC-Campinas, p. 42-64. Acréscimos ao texto são feitos sempre que surgem novidades. ABSTRACT This article surveys some perspectives in the current research of the "History of Israel", the challenges that this poses, and proposes some trajectories for those researching this subject. The scholarly consensus that existed up until the middle seventies of the twentieth century was shattered. The rationalistic paraphrase of the biblical text that constituted the core of the handbooks of the "History of Israel" is no longer acceptable to most scholars. An increasing number of scholars question the use of the biblical text as a source for the “History of Israel”. The implementation of modern literary criticism on the biblical text requires a moving away from issues of historicity, and this allows the "biblical" stories to be evaluated primarily from a literary perspective. The writing of a "History of Israel" using only the archaeological context and nonbiblical writings is a controversial undertaking, however, an increasing number of scholars are attempting to do this. It appears a revisionist “History of Syria/Palestine" will compete

against the traditional "History of Israel" as scholars from both sides continue their research. Até meados da década de 70 do século XX, havia um razoável consenso na História de Israel. Entre outras coisas, o consenso dizia que a Bíblia Hebraica era guia confiável para a reconstrução da história do antigo Israel. Dos Patriarcas a Esdras, tudo era histórico. Se algum dado arqueológico não combinava com o texto bíblico, arranjava-se uma interpretação diferente que o acomodasse ao testemunho dos textos, como no caso da destruição das (inexistentes) muralhas de Jericó pelo grupo de Josué[1]. Exemplos? Os patriarcas eram personagens históricos, o que podia ser comprovado pelos textos mesopotâmicos de Nuzi, do século XIV a.C., em seus muitos paralelos, de estruturas sócio-econômicas a tradições legais, com Gn 12-35. E a migração dos amoritas, que ocuparam a Mesopotâmia e a Palestina no final do terceiro milênio a.C., criava as condições ideais para a entrada dos patriarcas na região da Palestina e explicava seus nomes, sua língua e sua religião. José era personagem historicamente possível, pois havia grande quantidade de evidências egípcias que testemunhava os costumes contados em Gn 3750. Semitas poderiam ter chegado a altos postos de governo no Egito, incluindo o de grão-vizir, especialmente durante o governo dos invasores asiáticos hicsos. A escravidão dos hebreus no Egito e o êxodo não podiam ser questionados, pois textos egípcios testemunham que Ramsés II utilizou hapirus (= hebreus) na construção de fortalezas no delta do Nilo em regime de trabalho forçado. A Estela de Merneptah, faraó sucessor de Ramsés II, comprova a existência de israelitas na terra de Canaã na segunda metade do século XIII a.C., o que nos permitia fixar a data do êxodo aí por volta de 1250 a.C. A conquista da Palestina pelas 12 tribos israelitas sob o comando de Josué, como narrada no livro que leva o seu nome, contava com testemunhos arqueológicos respeitáveis, como a destruição de importantes cidades cananéias na segunda metade do século XIII a.C., embora muitos autores preferissem explicar a entrada na terra de Canaã de outro modo, como pacífica e progressiva infiltração de seminômades pastores a partir da Transjordânia.

no Prefácio da 3a edição. O autor atualizou o livro quanto a algumas descobertas arqueológicas e mostrou-se mais prudente nas afirmações sobre a historicidade de certos acontecimentos e personagens bíblicos. Mas manteve. Bright pertence à escola americana de historiografia de W. muito bem detalhado nos livros dos Reis. F. as posições da 2a edição. O melhor livro para detalhada exposição e defesa deste consenso é o de John Bright. A History of Israel. Cf. até a sua morte. Poucas mudanças foram feitas. Brown. basicamente. E cita. revista e ampliada a partir da 4a edição original. parte da confiável Obra Histórica Deuteronomista. pela Westminster John Knox Press. BRIGHT. a questão das origens de Israel e a data e a historicidade dos patriarcas. Paulus. constituíam matéria real e sem maiores problemas. John Bright e sua História de Israel John Bright lançou uma 3a edição de sua História de Israel em 1981. Westminster Press. Professor de Hebraico e de Interpretação do Antigo Testamento no Union Theological Seminary.A construção e a consolidação do poderoso império davídico-salomônico eram consideradas como pontos fixos e imutáveis na historiografia israelita. graças à confiabilidade dos textos bíblicos que detalhavam os acontecimentos desta época. constituindo marco seguro para qualquer manual de História de Israel ou de Introdução à Bíblia quanto às datas dos acontecimentos e às realizações da sociedade israelita. Uma 4a edição do livro foi lançada. História de Israel. Philadelphia. como exemplo. no ano 2000. hoje há um verdadeiro caos de opiniões conflitantes. que. 1978. 1981.. Diz o autor. após a sua morte em 1995. Virginia. Os reinos separados de Israel e Judá. Richmond. traduzido da segunda edição inglesa de 1972. após a morte de Salomão. Uma resenha da . USA. rei do vizinho país de Moab. Albright e esta sua ‘História de Israel’ foi o manual mais utilizado por nós nos anos 70 e 80 do século passado. eram bem testemunhados pelos textos assírios e babilônicos. marcando o nascimento do judaísmo baseado no Templo e na Lei que passa a ser lida sistematicamente nas sinagogas. em muitos pontos onde anteriormente havia certo consenso. como a 7a edição. com uma Introdução e um Apêndice de William P. A tradução brasileira desta 4a edição foi publicada pela Paulus no final de 2003. O exílio babilônico e a volta e reconstrução de Jerusalém durante a época persa. e até pela Estela de Mesha. por sua vez. sendo tudo. J. Bright foi. São Paulo.

que a historiografia alemã. de Wette. em 1894. focalizando especialmente a 4a edição. exílio e volta para a terra está despedaçada. conquista da terra. divisão entre norte e sul. negando. passando por Julius Wellhausen. confederação tribal. É preciso lembrar. por exemplo. a historicidade dos patriarcas. A construção de uma ‘História de Israel’ feita somente a partir da arqueologia e dos testemunhos escritos extrabíblicos é uma proposta cada vez mais tentadora. ou uma ‘arqueologia da Síria/Palestina’ ou mesmo uma ‘arqueologia do Levante’. porém. que já em 1993 afirmava em artigo na revista Biblical Interpretation 1. em 1806-7. como Rolf Rendtorff. afasta-nos cada vez mais do gênero histórico. E há pesquisadores de renome na área. em 1950. exegeta alemão. pp. pp. que dispense o pressuposto teológico de Israel como ‘povo escolhido’ ou ‘povo de Deus’ que sempre a sustentou. 2001. até Martin Noth. Uma ‘História de Israel’. 90-93. Uma ‘História de Israel e dos Povos Vizinhos’. José do Egito. êxodo. O uso dos textos bíblicos como fonte para a ‘História de Israel’ é questionado por muitos. não participava integralmente deste consenso. pode ser lida na revista Estudos Bíblicos n. A paráfrase racionalista do texto bíblico que constituía a base dos manuais de ‘História de Israel’ não é mais aceita. Petrópolis. feita por Ludovico Garmus. melhor. 69. A seqüência patriarcas. A arqueologia ampliou suas perspectivas e falar de ‘arqueologia bíblica’ hoje é proibido: existe uma ‘arqueologia da Palestina’.'História de Israel' de Bright. a ‘História de Israel’ está mudando. professor em Heidelberg. uma ‘História da Síria/Palestina’ ou uma ‘História do Levante’ parece ser o programa para os próximos anos. A ‘tradição’ herdada dos antepassados e transmitida oralmente até à época da escrita dos textos freqüentemente não consegue provar sua existência. O uso de métodos literários sofisticados para explicar os textos bíblicos. Mas. escravidão. e as ‘estórias bíblicas’ são abordadas com outros olhares. O consenso foi rompido. que os problemas da interpretação do Pentateuco estão intimamente ligados aos problemas mais amplos da reconstrução da história de Israel e da história de sua religião. . desde W. Vozes. 34-53. império davídico-salomônico.

no norte da Mesopotâmia. 1. ele estava tão convencido da historicidade das narrativas sobre os patriarcas no Gênesis. refletiam práticas típicas do primeiro milênio a. que aceitou. pp. porém. São Paulo. Dois anos mais tarde. na Alemanha.11. O tema: as narrativas patriarcais.2). o norte-americano Thomas L. mas. então Thompson poderia distinguir nelas as mais antigas histórias bíblicas da tradição posterior mais ampliada[2]. 1500-1200 a. e datados da época do Bronze Recente (ca. em 1969.)[3]. Sua idéia fundamental: se algumas das narrativas sobre os patriarcas hebreus estavam se referindo historicamente ao segundo milênio a.C. Quando Thompson começou seu trabalho. na clássica coleção The Anchor Bible. a mãe de aluguel como Agar (Gn 16. os paralelos feitos entre os costumes patriarcais e os contratos familiares encontrados na cidade de Nuzi. Doubleday.. Isto quebrava o paralelismo feito pelos autores entre Nuzi e o mundo patriarcal e tirava a garantia de que os costumes patriarcais refletiam práticas do segundo milênio.Este artigo quer traçar um panorama destas mudanças pelas quais vem passando a ‘História de Israel’ nos últimos vinte e tantos anos. Nuzi e os Patriarcas Um bom exemplo desse paralelismo pode ser lido no comentário de SPEISER. New York. sem questionar. como quase todos os arqueólogos e historiadores acreditavam naquela época. Loyola..1-6). Estes e outros exemplos podem ser mais facilmente vistos em VOGELS. Thompson percebeu que os costumes familiares de Nuzi e as leis sobre propriedades não eram exclusivos nem de Nuzi.C.. E. Patriarcas? Que Patriarcas? Em 1967. nem do segundo milênio. Gênesis 12. Eliezer. W.C. 38-45. Abraão e sua Lenda. mais provavelmente. como os casos da esposa-irmã Sara (Gn 12. A. Thompson começou sua tese de doutorado na Universidade de Tübingen. Garden City. Genesis. . 1964. 2000.1-25. apontar as dificuldades que a crise vem criando e propor algumas pistas de leitura para os interessados no assunto.10-20 e paralelos). no qual o autor discute cerca de 20 coincidências entre os costumes patriarcais e os costumes de Nuzi. a adoção de um estrangeiro. como herdeiro (Gn 15.

vivendo da agricultura e da criação de gado. Thompson. chegou a conclusões semelhantes. no século X a. mais cientificamente. Thompson começou a trabalhar a questão das origens de Israel. O resultado foi academicamente desastroso. Neste artigo. Davi e Salomão em Jerusalém. sob o título de “O Background dos Patriarcas”. em 1976[4]. muitas das mudanças ocorridas em todo o Antigo Oriente Médio que antes eram atribuídas a invasões mal documentadas de povos. sujeita a períodos de secas prolongadas e devastadoras. Além do que.C. pesquisando a historicidade dos patriarcas. ou seja. no Journal for the Study of the Old Testament. da editora Sheffield. John Van Seters. podem ser explicadas. e a datação tradicional dos patriarcas e sua historicidade caíram por terra. independente de Thomas L. examinando a hipótese amorita. Philadelphia. Isto é testemunhado pelas centenas de povoados espalhados do Eufrates até os vales dos rios Khabur e Balikh e datados pelos arqueólogos como existentes desde o Calcolítico.Além do mais. a defender que as narrativas patriarcais estavam refletindo muito mais o primeiro do que o segundo milênio. Estados Unidos. retomando a argumentação publicada em um artigo de 1978. segundo a qual teria havido grande migração de nômades vindos das fronteiras do deserto siroarábico para a Mesopotâmia e para a Síria-Palestina no final do terceiro milênio. não podia ter existido uma ‘Monarquia Unida’ sob Saul. Thompson localizava as origens de um Israel histórico na região montanhosa ao norte de Jerusalém durante o século IX a. de quem falaremos mais detalhadamente no próximo item a propósito do Javista. Reino Unido. pois o que se descobriu nos últimos anos é que os amoritas são sedentários do norte da Mesopotâmia. hoje. Thompson.C. que terminou a pesquisa em 1971. Thompson percebeu que não havia prova alguma para tal pressuposto. Isto implicava a exclusão de qualquer unidade política de Israel que abrangesse toda a Palestina. Em 1987 Thomas L. pelas mudanças climáticas na região. O crescimento populacional dos amoritas deve ter provocado a ampliação de seus territórios e a ocupação de várias cidades da região. então. . O livro só foi publicado em 1974 e Thompson conseguiu seu PhD na Temple University. não pôde defender sua tese na Europa nem publicar seu livro nos Estados Unidos. não atribuindo qualquer valor histórico às estórias sobre Abraão. Thompson passou.

em ROGERSON. Com um detalhe: estas fontes não seriam documentos independentes. o canadense John Van Seters aceita o desafio de um seu professor e começa a revisão da ‘Hipótese Documentária’ do Pentateuco. Winnet não aceitava a fonte E como um documento independente. ela poderia ser uma revisão de mais antiga tradição patriarcal e não poderia ser encontrada no Êxodo e Números. Mas. Brill. os hoje chamados ‘minimalistas’. 1992 [19942]. Assim. Thompson foi relançado em livro: The Background of the Patriarchs: A Reply to William Dever and Malcolm Clark. onde trabalhava. O mesmo deveria ser dito do P. elaboradas desde o século X a. levantou uma série de dúvidas sobre os fundamentos da Hipótese Documentária. Leiden. examinando as tradições sobre Abraão. pp. Deuteronômio e Sacerdotal.O artigo de T. Van Seters Reinventa o Javista Ainda em 1964. J. professor de Van Seters. e onde encontrou um grupo com idéias avançadas sobre a ‘História de Israel’. F. A ‘Hipótese Documentária’ afirmava.C. admitia o pesquisador. Thompson foi convidado para trabalhar no Departamento de Estudos Bíblicos da Universidade de Copenhague. levando ao afastamento do autor da Marquette University. W. 1996. em conferência feita em 1964. Sheffield. onde até hoje se encontra. Diz Thompson que a reação a este livro foi pior do que à tese sobre os patriarcas. . V. quando então foram organizados e combinados pelo Sacerdotal (P). mas complementos de outras mais antigas. The Pentateuch. L. na corte davídico-salomônica até o século V a.. Winnet. com Esdras. desde o século XIX. nos Estados Unidos.C. 2. Eloísta. Quando muito. A Sheffield Reader. O estudo completo resultou no livro Early History of the Israelite People from the Written and Archaeological Sources [Antiga História do Povo Israelita a partir de Fontes Escritas e Arqueológicas]. Sheffield Academic Press. em 1993. na Jerusalém pósexílica. 33-74. Isto porque o desenvolvimento literário do Gênesis teria ocorrido de modo independente de Êxodo e Números até o estágio final da composição do Pentateuco. duas diferentes fontes deveriam ser vistas dentro do material J do Gênesis: uma mais antiga e outra da época do exílio.. que o Pentateuco era composto pelas fontes JEDP – Javista.

que o E consistia de uma única estória e que todo o material não-P pertencia ao javista mais recente. . e que a ‘Hipótese Documentária’ deveria ser totalmente revista.1-18. A Social-Science Commentary. 59-60. como o ambiente no qual o javista teria nascido. A crise do Pentateuco explodiu. 1-18 ao complemento E e Gn 26. Von Rad de um ‘Iluminismo Salomônico’.10-20. pp. e também que a forma da promessa da terra no J era um desenvolvimento posterior daquela encontrada no Deuteronômio e na tradição deuteronomista. Schmid. Van Seters concluiu que o J deveria ser visto como um autor pós-D. mas sua relação é de complementação: Gn 12. contestou a tese de G. A conclusão a que se chegou foi de que o Pentateuco era o produto do movimento profético. em plena luz do dia e ninguém mais podia escapar da constatação de que a teoria clássica das fontes do Pentateuco. do qual não se percebia nenhum sinal.26.Embora a proposta de Winnet não tenha causado repercussão. H. 1999.1-11 ao J mais recente da proposta do professor. como dissemos. E também em VAN SETERS. e de que o J deveria ser visto em estreita associação com a escola deuteronômica nos últimos anos da monarquia ou na época do exílio. Percebendo igualmente a forte afinidade do J com o Dêutero-Isaías. Van Seters.20. Abraham in History and Tradition. em 1976. Examinando uma série de textos amplamente aceitos como javistas. Estas conclusões podem ser lidas em VAN SETERS. J. J. Schmid procurou mostrar que o J dependia fortemente da tradição profética e estava muito próximo da escola deuteronômica. pelo menos em sua forma mais rígida. Yale University Press.. Gn 20. Sheffield. H. Em 1976 e em 1977 apareceram os livros de Hans Heinrich Schmid e de Rolf Rendtorff sobre o mesmo assunto. percebeu que episódios paralelos – como a história de Sara “irmã” de Abraão em Gn 12.1-20 corresponde ao J mais antigo de Winnet. era insustentável. The Pentateuch. então. New Haven.1-11 – não são documentos independentes agrupados por redatores. 1975. Sheffield Academic Press. assim como o era o livro do Deuteronômio. Van Seters publicou sua pesquisa em 1975. Van Seters concluiu também que o material atribuído ao J mais antigo era muito pequeno.. examinando as tradições sobre Abraão.

Sheffield Academic Press. em livros publicados em 1992 e 1994. Das überlieferungsgeschichtliche Problem des Pentateuch. 63-70. Untersuchungen zu den Berührungspunkten beider Literaturwerke. dando-lhe.). Die Komposition der Vätergeschichte. tal como a J. mas sim uma posterior costura deuteronomista ligando estas tradições. Berlin. Der sogenannte Jahwist. ROSE. 1981. 1990). 2. ed. em 1981. chegou à conclusão de que o Deuteronômio e a Obra Histórica Deuteronomista eram anteriores ao javista. Van Seters estendeu seu estudo sobre o J a todo o Tetrateuco e defendeu.. Donde se conclui que a idéia de fontes. Vozes. Uma exposição do pensamento destes autores pode ser vista. por sua vez... As origens e a composição dos cinco primeiros livros da Bíblia à luz das pesquisas recentes. seu discípulo Martin Rose. M. mas o alcança. H. A. mais tarde. Berlin. RENDTORFF.Embora não tenha discutido a datação do J em relação ao D.. retomando a idéia de M. NeukirchenVluyn. 1990. O Questionamento do Consenso Wellhauseniano em Alemão Os estudos destes pesquisadores resultaram nas seguintes obras: SCHMID. Zürich. 1984. Neukirchener Verlag. Sheffield. Noth da formação do Pentateuco a partir de temas independentes. Walter de Gruyter. Seu aluno Ehard Blum.. em português. que o Javista compõe uma obra unificada que vai da criação do mundo até a morte de Moisés. em DE PURY. . chega à conclusão de que tal independência não deve ser limitada ao período pré-literário. Theologischer Verlag. 2002. Walter de Gruyter. Ele defende que cada unidade maior teve seu próprio processo de redação antes de ser colocada em contato com outras unidades. Deuteronomist und Jahwist. 1976. porém um significado teológico próprio. pp. deve ser abandonada. O Pentateuco em questão. E. Rolf Rendtorff. O J faz o trabalho de um historiador . Petrópolis. Theologischer Verlag.semelhante ao trabalho do historiador grego Heródoto . Studien zur Komposition des Pentateuch.no qual ele se baseia em fontes orais e escritas. R. confirma as intuições de seu mestre estudando as tradições patriarcais de Gn 12-50. Rendtorff não vê nenhuma conexão original entre Gênesis e Êxodo-Números. (org. BLUM. Zürich. e que o desenvolvimento dos temas é que deve ser enfocado. em 1977. 1977 (tradução inglesa: The Problem of the Process of Transmission in the Pentateuch. H.

cito aqui a proposta do arqueólogo Israel Finkelstein e do historiador Neil Asher Silberman. para fornecer suporte ideológico para sua reforma política e religiosa. Albert de Pury. no livro The Bible Unearthed. Ernst Axel Knauf. William Johnstone. O Eloísta (E) não se sustenta como documento independente e desaparece. (eds. Reinhard Gregor Kratz. J. Markus Witte. C. Abschied vom Jahwisten: Die Komposition des Hexateuch in der jüngsten Diskussion. Berlin. ele ligou as duas grandes obras e acrescentou sua própria conclusão final ao Hexateuco através do segundo discurso de Josué em Js 24" [5]. neste volume escrito em alemão e inglês.). elaborada para defender a ideologia e as necessidades do reino de Judá. XII + 345 pp. sendo contemporâneo do Dêutero-Isaías e tendo afinidades com Jeremias e com Ezequiel. Só para entendermos por onde pode caminhar a discussão atual. Joseph Blenkinsopp. Josué. The Free Press.: esta obra mostra como a crise do Pentateuco continua e como um possível consenso parece ainda distante. M. eu procuro resolver o problema existente entre os argumentos de Noth a favor de um Tetrateuco separado do D/OHDtr e a insistência de Von Rad em um Hexateuco. não é uma obra independente. New York. por sua vez. Hans-Christoph Schmitt. da qual ela é uma espécie de introdução. Uwe Becker. 2002. com Josué como o objetivo das promessas patriarcais. sustentando que a arqueologia hoje dá suporte à hipótese de que tanto o Pentateuco quanto a Obra Histórica Deuteronomista foram escritos no século sétimo a. E que a Obra Histórica Deuteronomista foi igualmente compilada. Thomas Römer. Por isso... Mas é anterior ao Sacerdotal (P).. K. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. Konrad Schmid. SCHMID. Thomas Dozeman. Só gente do ramo. Jean Louis Ska. Jan Christian Gertz. o Javista é posterior ao Deuteronômio e à Obra Histórica Deuteronomista (Deuteronômio. mas uma série de suplementos pós-exílicos ao D+J. 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis). & WITTE. Van Seters conclui: “Deste modo.. no tempo do rei Josias. 2001. Os autores defendem que boa parte do Pentateuco é uma criação da monarquia da época de Josias. proveniente da Europa. Erhard Blum. Contribuem. Já que o J era posterior ao D/OHDtr. Estados Unidos e .O objetivo da obra do J é o de corrigir o nacionalismo e o ritualismo da Obra Histórica Deuteronomista. E a Crise do Pentateuco Continua. Walter de Gruyter. em sua maior parte. Graeme Auld.C. GERTZ. que. Juízes..

61-62.500 tabuinhas cuneiformes.. Walter de Gruyter.. cada um mais sugestivo do que o outro. [3]. verbete Nuzi.. Em Nuzi. O livro de Thomas L. Sheffield Academic Press. 656. [2]. Doubleday & Logos Library System. The Mythic Past.Israel! E. L. Gary A. sociais. que cobrem a vida da comunidade e de cidades vizinhas ao longo de seis gerações.html . 1999.C. Berlin. Basic Books. XI. foram encontradas cerca de 3.ca/programs/jewish/30yrs/rendsburg/index. no qual o autor lamenta e critica. N. habitada principalmente por hurritas. 2002. mais aqui. em maio de 1999. Leia também artigo de 2006 de Rolf Rendtorff.. T. Cada um constrói seu próprio paradigma. 1992. Estou me inspirando no artigo de RENDSBURG. THOMPSON.. D. 1997. Down with History. (ed. É um material que ilustra brilhantemente a vida diária de uma comunidade da metade do segundo milênio a. Cf. E comenta Gnuse que os ensaios tipificam a natureza variada e caótica da pesquisa do Pentateuco. em conferência pronunciada no Departamento de Estudos Judaicos da McGill University. Up with Reading: The Current State of Biblical Studies. no contexto do abandono da teoria das quatro fontes. Biblical Archaeology and the Myth of Israel.arts. New York. Para além disso. 1999. Canadá. em resenha do livro na CBQ 65/4. os autores concordam em rejeitar a fonte javista e sugerem que a coerência das narrativas do Pentateuco somente foi alcançada no pós-exílio com o D e o P. onde o pesquisador se pergunta: O que aconteceu com o Javista na atual pesquisa do Pentateuco? E responde: ele desapareceu e levou consigo a Hipótese Documentária do Pentateuco. 1974 e Harrisburg. Sheffield. ninguém concorda com ninguém. econômicas e as descrições das práticas e estruturas jurídicas.mcgill. NEXT [1]. . como observa Robert Gnuse. A Social-Science Commentary. p. Especialmente significantes são as informações administrativas. Cf. http://www. FREEDMAN. [4]. Cf. pp. a ruptura do consenso que passo a descrever.). p. The Pentateuch. J. New York. Thompson: The Historicity of the Patriarchal Narratives: The Quest for the Historical Abraham. de outubro de 2003. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. [5]. em At the Cutting Edge of Jewish Studies. VAN SETERS. Cf. Trinity Press International.

a Abissínia e o Magrebe . egípcio. celtas. Mapa do Site . berbere. que condicionavam a vida do oriental antigo. da sedentarização e das rotas comerciais por onde passavam as caravanas que iam desde a Mesopotâmia até o Egito ou a Arábia. fenícios etc) hamitas (que habitavam o Egito. a raça branca é constituída pelos: semitas (acádios. cuxita. itálicos. Argélia e Tunísia atuais) indo-europeus (eslavos. amoritas. especialmente semitas e hamitas. gregos. As línguas semíticas constituem um ramo da grande família das línguas afro-asiáticas. Foram os rios que determinaram o estabelecimento da agricultura. iranianos etc) fineses. Quer conhecer as línguas do Oriente Médio? Experimente aqui! . hebreus. cananeus. Esta faixa de terra é regada por importantes rios.Marrocos. É a chamada "meia-lua fértil" ou "Crescente Fértil". no Egito. colocando a outra ponta na foz do Nilo. Todos os direitos reservados.Copyright © 1999-2008 Airton José da Silva.Sitemap. passando pelas nascentes dos rios Tigre e Eufrates. Noções de Geografia do Antigo Oriente Médio 1.1. No seu conjunto. anteriormente chamada camito-semítica. þÿ 1. homótico e chádico. árabes. dentro do qual está também a Palestina. A família afroasiática compreende seis ramos: semítico. A região é habitada pela raça branca. onde se desenrolaram os acontecimentos narrados na Bíblia. teremos uma região bastante fértil. O Crescente Fértil Se partirmos do Golfo Pérsico e traçarmos uma meia-lua.

o amárico e o hebraico. documentada desde a metade do terceiro milênio a. .A família das línguas semíticas é bem antiga.C. com o acádico e o eblaíta. Nos três quadros a seguir pode-se ver um panorama simplificado das principais línguas semíticas[1]. até os dias atuais com o árabe.

Algumas características das línguas semíticas: A estrutura gramatical: grande número de guturais muito especiais. pronomes possessivos e objeto pronominal do verbo são anexados como sufixos ausência de nomes e verbos compostos pequeno número de partículas e predominância da coordenação sobre a subordinação. mormente na vocalização raízes ternárias verbos com apenas dois tempos dois gêneros casos oblíquos. O vocabulário semítico: quase nenhum contato com o indo-europeu semelhanças apenas em palavras onomatopaicas .

A Mesopotâmia A planície situada nos vales dos rios Tigre e Eufrates é chamada comumente de Mesopotâmia. A Bíblia chama a esta terra de paddan aram ou aram naharayim (Síria dos dois rios). notadamente o Tigre e o Eufrates. The Anchor Bible Dictionary. A escrita semítica: consonantal da direita para a esquerda exceções: escritas da esquerda para a direita são o sabeu. de conotação religiosa. Cf. 1997. Foram os sumérios os inventores da escrita. Doubleday & Logos Research Systems. os assírios e os babilônios. Clique na miniatura para ver o mapa da Mesopotâmia! Os sumérios construíram a sua civilização na Baixa Mesopotâmia entre os anos de 2800 e 2370 a. O chefe da cidade suméria tem o título de En (= senhor). o etíope e o cuneiforme. D. auxiliados por "anciãos". 1. New York. como os sumérios. A Mesopotâmia foi berço de civilizações antiqüíssimas e importantes. N. nome que vem do grego e significa (terra) entre rios.2.C.poucos empréstimos de um grupo lingüístico para o outro. os acádios. As escavações feitas em Uruk revelaram o uso da escrita cuneiforme (sinais em forma de cunha) desde o início do III milênio. (ed. nas cenas gravadas nos cilindros. As únicas construções oficiais são os templos: as cidades eram dirigidas por senhores eclesiásticos..). Ele dirige o culto. . Freedman. 1992. mais ou menos. que formavam uma assembléia. verbete Languages. NEXT [1].

marceneiros. Também já conheciam a prata e o ouro. O rei era sacerdote (mantinha os santuários). na forma de cidades-estado. chefe militar e administrador dos canais de irrigação. característicos da região. Permaneceram sempre isoladas. puxados por quadrigas de burros. É impossível saber quando chegaram os sumérios à Baixa Mesopotâmia. Shurupak. e para An. os especialistas descobriram que as cidades organizavam-se ao redor dos templos e palácios reais. ourives e ceramistas. na guerra. Contudo não permaneceram unificadas por muito tempo. ferreiros. Lagash. ao deus. deusa da fecundidade e do amor. No palácio vivia o rei. Akshak. assim como um carro de 4 rodas e o barco. Aparece o asno e o porco. Sua residência era mais uma fortaleza do que um palácio. que entrou em luta com os chefes religiosos pelo controle interno das cidades e com as outras cidades em massacres periódicos. Suas tropas chegavam a uma média de 600 a 700 homens. O templo era um centro econômico: possuía terras. mas era uma monarquia militar. Lugal (rei) era o seu título ou Ensi (chefe das cidades. As cidades mais importantes eram: Adab. pertencente. Uruk e Ur. deus do céu. mais raros. Há. que indicava um poder menor do que o primeiro.Visite a Sumerian Mythology FAQ! O culto era celebrado para Inanna (a futura Ishtar).C. Usavam arados. na verdade. vice-rei). talvez subários e populações de língua semítica. Parece que estavam na região na segunda metade do IV milênio a. . onde cultivavam-se a cevada e o trigo. reforçados. Zabalam. no trabalho dos templos. Umma. Bad-Tibira. bois. havia carros de guerra com 4 rodas compactas. Cada uma possuía ao seu redor um cinturão de aldeias e eram separadas por pântanos e desertos. abrigada por grandes escudos e capacetes. Havia mercadores e um comércio privado. Nippur. governador. que era apenas um administrador do Estado. era juiz supremo. por camponeses. Além de uma infantaria armada de lanças. Foi a função guerreira que fez surgir a realeza. O metal mais citado é o cobre. Não se sabe quando se formou a monarquia suméria. Kish. Também a horticultura. pelo menos pode-se perceber que eles se misturaram às antigas culturas populares locais. Avançando um pouco mais no tempo e pesquisando outros lugares além de Uruk. Criavam principalmente carneiros e cabras e. Mas. a vinha e a palmeira eram conhecidas.

levou à construção de grandes muralhas nas cidades. A religião tem predominância naturista: os cultos da fertilidade estavam em primeiro plano.C. Já a cidade de Nippur parecia ser uma espécie de território neutro. Revelam-nos o vestuário da época: o mais usado era o Kaunakés. Fundações ou refundações de Templos: 4 textos 4. mais ou menos. 2. Uruk tinha muralhas de 9. Lista do deus An = Anum 3. em forma de lingüetas. embora a primeira permanecesse. simbolizando o casamento sagrado entre um deus (Dumuzi?) e uma deusa (Inanna). épicos e mitológicos. porém. Os templos podiam ter várias formas. TCL XV 10 = lista De Genouillac 3.C. espécie de saia com longas franjas estilizadas. mas a disposição interna era a mesma em qualquer lugar.Esta fase de guerras constantes. a partir de 2800 a. Disputas entre criaturas: • Disputa entre dois . No ritual exerciam funções importantes a grã-sacerdotisa e o rei. Uma classificação possível para as cosmogonias mesopotâmicas pode ser a seguinte. início da idade clássica sumeriana. As estátuas não são muito bonitas. com mais de 900 torres semicirculares. TEXTOS ACÁDICOS: Cosmogonias da metade do 20 milênio até o 10 milênio a. cobrindo uma superfície de 5 km2. Lagash e Umma foram duas das cidades que mais dominaram suas vizinhas. Listas de deuses: 3 textos 1. Cosmogonias menores: Encantamentos: 3 textos Textos Namburbi 2. Links para o estudo da Mesopotâmia? Confira estes! Na literatura produziam-se textos sapienciais.. SLT 122-124 1. deu-se uma transposição da temática naturista para a cósmica (os deuses passam a figurar elementos do cosmos). são toscas demais. Em meados do III milênio. baseada na cronologia e no gênero: TEXTOS SUMÉRIOS: Cosmogonias do 30 milênio até começo do 20 milênio a. hínicos.5 km de extensão. centro de uma anfictionia ou confederação.C.

Casamento de An e Ki em meio à tempestade 3. Prólogos ao Grande Tratado Astrológico: 2 textos 6.motivo cósmico: 6 Cosmogonias antológicas textos 1. História Suméria do Dilúvio . A disputa entre a Árvore e o Junco 4. A disputa entre o Pássaro e o Peixe 4. VAT 17019 Textos narrativos de Nippur . Enki e Ninmah A Teogonia Dunnu 5. NBC 11108 Hino ao Templo de Eridu Louvor à Enxada Enuma elish Textos narrativos de Eridu . Enkidu e o Atrahasis Inferno 2.insetos • • Disputa entre o Tamarindo e a Palmeira Disputa entre o Boi e o Cavalo 5. Enki e Ninhursag (ou Mito do Dilmun) 3. 6. Enki e a Ordem do Mundo 2. Gilgamesh.motivo ctônico: 5 textos 1. 5.

Chicago. De Genouillac: DE Genouillac. Chicago University Press.Um único texto: KAR 4 * Abreviações: SLT: CHIERA. XXXIV. 137-139.1923. NBC: Nies Babylonian Collection. (ed. Liste alphabétique des dieux sumériens. E. 1919.. TCL: Textes cunéiformes . KAR: EBELING. pp. RA 20 (1923). conseqüência de grandes migrações que foram uma das causas da queda de Ur.Musée du Louvre.. VAT: Vorderasiatische Abteilung Tontafeln . Esta entrada em cena dos amoritas (ou amorreus) assinala um fato fundamental na história da época. Keilschrifttexte aus Assur religiösen Inhalts. Yale University.).. DE Genouillac. 1929. NEXT Na luta entre os vários grupos observamos que a maioria deles ostenta nome amoritas. Leipzig. Paris. H. Wissenschaftliche Veröffentlichnungen der deutschen Orientgesellschaft XXVIII. H. 86-106. Grande Liste de noms divins sumériens.Coleção de tabuinhas cuneiformes do Museu de Berlim. pp. . Sumerian Lexical Texts from the Temple School of Nippur. RA 25 (1928). E.

chamados também de semitas do oeste. baseados em sátiras como esta dos sumérios. mais cientificamente. vivendo da agricultura e da criação de gado. pelas mudanças climáticas na região. que não tem casa durante a vida. que não sabe dobrar os joelhos para cultivar a terra. sujeita a períodos de secas prolongadas e devastadoras[3]. Além do que. diz: "É um homem que desenterra trufas [espécie de cogumelo comestível] no sopé das montanhas. O crescimento populacional dos amoritas deve ter provocado a ampliação de seus territórios e a ocupação de várias cidades da região mesopotâmica. onde a disputa era entre as dinastias de Isin e Larsa. e em uma visão romântica do nomadismo. significando "ocidentais" ou "povo do oeste". Isto é testemunhado pelas centenas de povoados espalhados do Eufrates até os vales dos rios Khabur e Balikh e datados pelos arqueólogos como existentes desde o Calcolítico. muitas das mudanças ocorridas em todo o Antigo Oriente Médio que eram atribuídas a invasões mal documentadas de povos. porém. hoje. A caracterização dos amoritas é feita em uma epopéia da época que. Hoje. de que os amoritas eram nômades que invadiram a Mesopotâmia e também a Palestina vindos do deserto siro-arábico. descrevendo o mito do casamento do seu deus Amurru. pois o que se descobriu nos últimos anos é que os amoritas são sedentários do norte da Mesopotâmia. em acádico AMURRU.TU. não é mais possível sustentar esta posição. que come carne crua. citada acima. podem ser explicadas. Mapa Cronológico do Antigo Oriente Médio II[4] Período Bronze Bronze Ferro Ferro Antigo Arqueológico Médio Recente Recente Mesopotâmia do Assírio Assírio Assírio Assírio Norte antigo médio médio recente ShamsiMitani Adad Cartas de . também governadas por amoritas. enquanto na Alta Mesopotâmia a luta se dava entre Assur e Mari.Em sumério são chamados de MAR. e não é sepultado após a morte". típica do século XIX. É assim que se chega à luta pela hegemonia na Baixa Mesopotâmia. Durante muito tempo existiu certo consenso entre os especialistas.

assírios e gútios.Mari Mesopotâmia do Sul Babilônico antigo Influências do Egito Síria/Palestina Hicsos Isin Larsa Cassita Babilônico médio Domínio egípcio Cartas de Tell elAmarna Israelitas Elamita antigo Irã/Golfo Pérsico Godin III Dilmun Comércio da antiga Assíria Hitita antigo Carros Desenvolvimento cultural e técnico Rodas com raios Alfabeto primitivo Hitita Frígios Camelos Galinhas Vidro Cerâmica vidrada Ferro fundido Frígios Elamita médio Tribos iranianas Babilônico médio Israel Povos do mar Israel Estados fenícios Estados arameus e neo-hititas Medos Invasões de Urartu Invasões assírias Urartu Frígios Lídios Cavalaria Algodão Moedas Latão Aramaico Domínio assírio Anatólia No final deste período a cidade que emergiu com maior poder foi Babilônia. No 31º ano de seu reinado Hammurabi já era senhor da Suméria e de Akkad. Sob a III dinastia de Ur fora governada por um ensi e progressivamente seu poder cresceu. . aos elamitas.) subiu ao trono de Babilônia.C. tornando-se um principado independente e controlando algumas cidades vizinhas. Em 1792 Hammurabi (1792-1750 a. Consolidou sua posição frente aos vizinhos da Baixa Mesopotâmia e em seguida estendeu seu domínio a Mari.

pequenos artesãos e comerciantes. o rei forte. fiz-lhes aparecer a luz. Hammurabi desenvolveu uma legislação que ficou famosa através de seu conhecido código. o babilônio e os idiomas semitas do noroeste. na sua maioria. com a habilidade que Marduk me deu. espécie de mercadores itinerantes e corretores. que Enlil me deu de presente e dos quais Marduk me deu o pastoreio. As terras do Estado eram exploradas por arrendatários. (Estas são) as sentenças de justiça. O Estado intervinha em todos os setores da economia. não fui negligente. o rei perfeito. além de haver grupos hurritas. colonos. falam línguas semíticas. Através dele podemos conhecer a estrutura social da época. o povo (mushkenum) e os escravos. resolvi dificuldades graves. especialmente quando a esposa era estéril. categorias estas sem nenhum estatuto jurídico e que viviam a verdadeira escravidão. determinando preços. Além disso havia os prisioneiros de guerra (asiru) e os deportados. homens de corvéia e funcionários do Estado que recebiam glebas em troca de serviços prestados.As terras na Babilônia pertenciam ao Estado. Para com os cabeças-pretas. aniquilei os . Com a arma poderosa que Zababa e Ishtar me outorgaram. Na Mesopotâmia governada pelos babilônios da época de Hammurabi temos populações que. nem deixei cair os braços. eu lhes procurei sempre lugares de paz. Nas cidades. As regiões intermediárias eram habitadas também pelos amoritas. mas acumulando também fortunas particulares. E interessante é observar que a mulher casada tinha certa autonomia. Eu (sou) Hammurabi. que agiam em nome do Estado. mas existia o concubinato. No campo viviam agricultores sedentários e nômades. aos templos e a particulares. Três classes compunham a sociedade: os ricos (awilum). estabeleceu e que fez o país tomar um caminho seguro e uma direção boa. com a sabedoria que Ea me destinou. contratos de trabalho. pois podia exercer diversas profissões. como o assírio. que Hammurabi. O casamento era monogâmico. salários etc. demandar em juízo e até assumir cargos públicos. O comércio era dominado pelos tamkarum.

para fazer justiça ao órfão e à viúva. para fazer direito aos oprimidos. promovi o bem-estar do país (. Meguido. tradução do texto cuneiforme e comentários. Começaremos a falar da Palestina na Idade do Bronze Antigo (3200-2050 a. um rei que surgir no país observe as palavras de justiça que escrevi em minha estela. para proclamar o direito do país em Babel.. 1987. que está implicado em um processo. Vozes. Gezer. para sempre. quando houve um notável progresso na vida urbana. Para que o forte não oprima o fraco. Petrópolis..) Que nos dias futuros. que ele não altere os meus estatutos! (Trecho do Epílogo do Código de Hammurabi na tradução de EMANUEL BOUZON. Laquish. como Jericó. A Palestina e o Egito de 3000 a 1700 a. na indústria (sobretudo na cerâmica) e um aumento geral da população. a cidade cuja cabeça An e Enlil levantaram.C. 1. Ai. Bet-Shan.). No centro e no norte da Palestina é que se situa a maior parte destas cidades. Introdução. atentamente.. . as sentenças do país que eu decidi. na Esagila. escrevi minhas preciosas palavras em minha estela e coloquei-a diante de minha estátua de rei da justiça (. O Código de Hammurabi. A literatura e as artes alcançaram grande esplendor na época de Hammurabi. pp.C.. ele veja o seu direito. minha estela escrita e ouça minhas palavras preciosas.).3. para proclamar as leis do país. provável resultado da sedentarização de grupos novos que se estabeleciam na região. o templo cujos fundamentos são tão firmes como o céu e a terra.). 222-223).. A cultura suméria foi organizada e preservada. sendo mais rarefeita a população no sul. leia.. Muitas das cidades que conhecemos através da história bíblica já existiam. Havia muitas escolas de escribas ao redor de palácios e templos. acabei com as lutas. 4a edição totalmente revista e melhorada. que ele não mude a lei do país que eu promulguei. o seu coração se dilate! (. Que o homem oprimido. venha diante da minha estátua de rei da justiça. a história começou a se desenvolver sob a forma de listas reais e a literatura religiosa cresceu enormemente.inimigos em cima e embaixo. Que minha estela resolva sua questão.

A Palestina conheceu a sua fase antiga mais próspera entre os anos de 1800 e 1550 a. O comércio funcionava em direção à Síria do norte e do Egito..C. New York. nesta época. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. 1999. Basic Books. Jericó. Os utensílios de pedra dominavam ainda. Dizia-se que possivelmente eram estes povos os mesmos amoritas ou semitas do oeste que invadiram também a Mesopotâmia.C. e o Negueb até o século X a.C. 1992.C. seu território e as cidades teriam sido destruídas. Tell elFarah do sul etc. Cultivavam. embora já se começasse a fabricação de armas de cobre. N. Meguido. cercadas por poderosas muralhas floresceram. Gezer. ou viveram em cavernas e quando reconstruíram as casas estas eram bastante modestas. Sua língua era um semítico do noroeste. algumas bem violentamente. Por volta de 2300 a. tais como Hazor. Biblical Archaeology and the Myth of Israel. A vinha teria sido ali introduzida nesta época. lentilhas. L. Bet-Shemesh. Cf. T.A agricultura era a atividade básica. provavelmente a ascendente do cananeu falado nos tempos israelitas. O mesmo aconteceu na Síria. Taanak. (ed. é que há sinais de nova vida urbana. Hoje se reconhece que as mudanças ocorridas então se devem muito mais a mudanças climáticas do que a qualquer entrada de povos na região. Freedman. Cidades populosas e bem guarnecidas. Tell el-Duweir. O curioso é que se observa que seus novos habitantes não reconstruíram imediatamente as cidades: ou acamparam sobre as ruínas. 1997. 101-225. Só por volta de 1900 a. esta civilização sofreu forte decadência. Tell Beit Mirsim. New York. D. do qual o hebraico bíblico é uma derivação. Siquém. NEXT [3]. The Mythic Past. a partir do norte. o trigo. Até a década de 70 do século XX se acreditava que povos teriam invadido. pp.C. .). verbete Amorites. e isto depois de alguns séculos de ocupação. Jerusalém. favas. a cidade de Biblos conheceu um progresso semelhante e a influência egípcia tornou-se marcante graças ao comércio marítimo. Na Síria. a cevada. THOMPSON. Doubleday & Logos Research Systems. Havia também a cultura da oliveira e da amendoeira. Já a Transjordânia não teve civilização sedentária até cerca de 1300 a. Podemos chamar convencionalmente estes povos de cananeus.

. A primeira menção segura dos documentos antigos sobre os arameus data do ano 1110 a. com sua capital Damasco. Cf. mais ou menos. Infligilhes baixas e trouxe prisioneiros. Mesopotâmia e o Antigo Médio Oriente I. vamos ao norte da Palestina. contudo. por isso seria melhor não falar mais dos arameus desta maneira. Eis o comunicado real:"Marchei contra os ahlamu-arameus. 1. No quarto ano de seu reinado ele combateu os Ahlamu-Arameus no Eufrates e lhes queimou seis acampamentos no Djebel Bishri. Certo é que nunca houve uma união política aramaica. ROAF. Em um só dia realizei uma incursão desde as proximidades da terra de Suhi até Carquemish da terra de Hatti. Mas hoje não temos mais tanta certeza disso. Com o tempo. em um salto. a Anatólia (Ásia Menor) e a Síria.[4]. porque estes dois países também nos interessam. cruzei o Eufrates em perseguição aos ahlamu-arameus.4. e está em textos cuneiformes do reinado do assírio Tiglat-Pileser I (1115-1077 a. até pouco atrás. Edições del Prado. à razão de duas por ano.C. Madrid. bens e gado sem conta". Dizia-se. pp. aparentados. Da cidade de Tadmor (Palmira) da terra de Amurru. temos que falar dos arameus. os termos ahlamu e arameu tornaram-se sinônimos. M. até a cidade de Rapigu da terra de Karduniash (Babilônia). . Para falar da Síria. Coleção Grandes Impérios e Civilizações. A Síria e a Fenícia De novo. inimigos do deus Assur. 6-7.C. que estes eram nômades semitas que a partir do deserto siro-arábico invadiram a Alta Mesopotâmia. sua derrota foi por mim consumada"[13]. mas é possível que fossem dois grupos diversos. E ainda:"Por vinte e oito vezes.). da cidade de Anat da terra de Suhi. meu senhor.. sendo a Síria a sede de vários reinos arameus. 1996.

relacionada com a literatura bíblica e sua língua. seu nome atual. "púrpura" se dizia canaan e em grego foinix. Sídon. Foi destruída pelos filisteus. remove uma pedra na qual seu arado bate e encontra os restos de uma tumba antiga. Leia: Ugarit and the Bible! Uma necrópole supõe a existência de uma cidade. Colocado a par da descoberta. Concorrente de Tiro no comércio e navegação. L. A Fenícia. Os assírios conquistaram-na.C. a faixa costeira ao norte de Israel e ao lado da Síria. o Serviço de Antigüidades da Síria e do Líbano. Por isso. por causa da neve no pico dos montes. dominando todo o território sírio. Seu nome vem da púrpura que era extraída ali de certas conchas. que imediatamente notifica a presença de uma necrópole e identifica a tumba como sendo do tipo micênico. Ainda: Ugarit (Ras Shamra). construída metade sobre uma ilha. metade no continente. Em fenício-hebraico. habitada por cananeus. é devido à cadeia de montanhas assim chamada e significa "o branco".C. Foi quase sempre aliada de Israel. A província síria destacou-se depois. Líbano. A descoberta Em março de 1928. Começando pelo sul da Fenícia. mas foi cidade livre sob os romanos. Por isso resistiu maravilhosamente a terríveis assédios assírios e babilônicos. As escavações aí realizadas enriqueceram muito os estudos bíblicos nos últimos tempos. encarrega um especialista. foi famosa por causa de seus navegantes. chamada Ras Shamra. Foi tomada por Alexandre Magno após sete meses de cerco. Foi aniquilado pelos assírios. Damasco se impôs como principal. segundo os textos bíblicos. na época sob mandato francês. existente desde o III milênio a. parente da hebraica.[14]. Tiro era famosa por seu comércio e suas naves. mas depois que Davi conquistou todos os outros. donde "Fenícia". antiga Laodicea ad mare. habitada por cananeus. É importante por causa de sua grande literatura. datável aí pelos séculos XIII ou XII a. era muito fértil.O reino de Aram-Damasco era pequeno. sob o domínio romano. um pouco antes de Israel do norte. que tinha toda a aparência de ser um tell . Albanese. um lavrador alauíta. arando sua propriedade a cerca de 12 km ao norte de Latakia. encontramos a cidade de Tiro. de uns 20 metros de altitude. M.. Albanese e Dussaud prestaram atenção à colina vizinha.

. no dia 8 de maio. Foi o começo de uma série de descobertas numa escavação que se prolonga até os nossos dias. ou Monte Zafon (o monte Casius. embora do ponto de vista geográfico Ugarit não se encontre em Canaã.arqueológico. objetos de bronze e de pedra. sob o comando de Claude F. no dia 2 de abril de 1929.2100 a.. "monte pelado".C. Ao norte se vê o Jebel Aqra'.C. Schaeffer. 50 : ? .) apresenta em suas camadas superiores cerâmica cananéia.The Edinburgh Ras Shamra Project! Um ano mais tarde. e que podia corresponder à cidade procurada. 30 : 3000 . e logo em seguida. no tell.4000 a. Os 5 níveis arqueológicos Os arqueólogos classificaram a seqüência estratigráfica em 5 níveis: 10 : 1500 . foram feitas as primeiras descobertas: tabuinhas de argila escritas em caracteres cuneiformes.C. empreendimento só suspenso durante II Guerra Mundial.1500 a. um acúmulo de ruínas antigas. ou seja. 40 : 4000 . Esta época manifesta contato ou influência da cultura contemporânea da Baixa Mesopotâmia. dos romanos) que separa a região dos alauítas do vale e da desembocadura do rio Orontes. porque.C. Poucos dias mais tarde.C. Isto é interessante. E as pesquisas ainda continuam. que tem um extensão de uns 25 hectares e se encontra a cerca de 800 metros da costa.1100 a.3000 a. 20 : 2100 . do ponto de vista cultural e étnico esta é uma cidade cananéia.. primeiro da necrópole.C. começaram as escavações. De 1929 a 1980 foram realizadas 40 campanhas arqueológicas no local. A. Visite o ERSP . O nível 3 (3000-2100 a.

foram encontrados cerca de 1300 textos . vindas do Egito. Os textos ugaríticos Os textos foram encontrados todos no primeiro nível. em micênico linear e cipriota e em ugarítico.O nível 2 (2100-1500 a. em hurrita. correspondente a sete línguas diferentes: em hieróglifos egípcios. onde se encontram algumas provenientes da própria Ugarit. toda uma necrópole com cerâmica cananéia.) mostra indícios de grande prosperidade no seu começo. O estilo da cerâmica encontrada nas tumbas é ródio-cipriota. A reconstrução foi esplêndida e dominada pela arte de estilo micênico. E. Tumbas familiares são feitas debaixo das casas. Mas há influências estrangeiras. e guardam muitos utensílios e armas. incêndio mencionado em uma das cartas de Tell el-Amarna. e com ela a da cidade. Nesta língua. encontrado em Ugarit. é de grande importância para se entender a reação israelita ao tema presente na Bíblia Hebraica. à última fase da cidade. Dhorme e Ch. neste nível. pertencendo.C. Um violento incêndio destruiu esta prosperidade. Os vestígios de ocupação posterior são de menor importância. já conhecida por referências da literatura egípcia e mesopotâmica. O testemunho acerca do culto dos mortos na civilização cananéia. Construiu-se neste época um bairro marítimo. em hitita hieroglífico e cuneiforme. da Mesopotâmia e da região do mar Egeu. sobretudo pelas Cartas de Tell el-Amarna. A identificação da cidade A identificação do nome do local não foi difícil. portanto. um sistema cuneiforme alfabético. como conseqüência de um processo de decomposição social interna coincidente com a passagem dos "povos do mar". que continuou sendo semítica e cananéia. Virolleaud.) nos indica uma cultura tipicamente semita na cidade: cerâmica e templos são de tipo cananeu. que é uma forma do cananeu. A ruína desta civilização. que possuía diversas dependências para arquivos. Chama a atenção. As tabuinhas estão redigidas em sete sistemas diferentes de escrita. e verificado no tell por uma camada de cinzas que divide este nível em duas partes. pois os textos descobertos sugeriram imediatamente que se tratava de Ugarit (ú-ga-ri-it). Os textos que nos interessam estão em ugarítico. O nível 1 (1500-1100 a. ocorre no começo da época do ferro. refletidos nas construções amplas e nas tumbas da necrópole de Mina' al-bayda'. Bauer. que foi decifrado em poucos meses por H. em acádico. Entre os textos encontrados aparece o nome da cidade.C. Estavam principalmente na "Biblioteca" anexada ao templo de Baal e no "Palácio Real" ou "Grande Palácio". A invasão dos hicsos não modificou substancialmente esta cultura.

história essa que é dificílima de ser feita. ultrapassando a borda inferior.16. em Mitos y Leyendas de Canaán. Outra dificuldade é o número e a ordem das tabuinhas. foram escritas pelo mesmo escriba que se identifica como Ilimilku em 1. As dimensões padrão são 26. Isto sem contar que. . O número de linhas conservadas por coluna oscila entre 62 e 65. podemos estar falando de diferentes redações de um mesmo "mitema" ou de "mitemas diferentes". também em Ugarit. e a quem deveremos considerar como o autor.5.. del Olmo Lete. mas de cima para baixo.5 cm e 26 x 22 cm. A divisão entre as colunas é feita por uma linha dupla profundamente marcada.3. Como é comum nas tabuinhas cuneiformes. há uma "história da tradição e da redação" dos textos. junto com o nome do Sumo Sacerdote. quem sabe. as do reverso estão dispostas da direita para a esquerda. com tema e tramas próprios ou se estamos lidando com versões diferentes de um mesmo mito. A escrita ugarítica caminha da esquerda para a direita. Diz o autor: "Nos restam assim seis tabuinhas que podem representar uma versão ou redação unitária do ciclo mencionado. 2/5 e 3/4. três de cada lado (.). ou seja. que tem oito colunas e da tabuinha 2 que tem somente quatro colunas. Delas. ou se temos um ciclo que engloba diversas composições literárias. quatro (1. a terceira coluna continua diretamente. Assim.5 x 19.O Ciclo de Baal O Ciclo de Baal (ou Ba'lu)[15] apresenta algumas dificuldades especiais dentro da literatura ugarítica: não é fácil determinar se temos um mito único. Apesar do mesmo tom e da mesma concepção mitológica. E o mais interessante no Ciclo de Baal é que as seis tabuinhas têm a mesma "caligrafia". para quem trabalhou e que deve ter ditado o texto. com rigorosa unidade de composição.1. a tabuinha não deve ser virada como uma página de um livro. da coerência e continuidade entre os diversos episódios que compõem o mito total. redator ou. Attanu-Purlianni. apenas o transmissor desta versão tradicional do mito de Baal e o nome do rei. Niqmaddu.6 e 1. segundo o uso da epigrafia cuneiforme. no verso. Suas dimensões eram mais ou menos as mesmas"[16]... G.. A exceção fica por conta da tabuinha 4.6) possuíam originalmente seis colunas de texto.C. que governou Ugarit de 1370 a 1335 a. materiais ou epigráficas não podem constituir unidade editorial com os demais. exclui os fragmentos que por suas características externas. de modo que a correspondência anverso/reverso das colunas é a seguinte: 1/6. De modo que. enquanto as colunas do anverso estão dispostas da esquerda para a direita.

no seu final: El escriba fue Ilimilku. As tabuinhas do Ciclo de Baal foram encontradas todas nas campanhas arqueológicas de 1930.1-2). as seis tabuinhas trazem um ciclo mitológico. Destacam-se: ILU (=EL) BA'LU (=BAAL) YAMMU (=YAM) KÔTHARU (=KOSHARWAHASIS) 'ATHTARU (='ATHTAR) 'ANATU (= 'ANAT) ATIRATU (= 'ASHERAH) MÔTU (= MÔT) 'ATHTARTU (= ASTARTÉ) SHAPSHU deus supremo. e no Museu de Aleppo (1. Provisor de nuestro sustento. 1931 e 1933 e estão hoje no Museu do Louvre (1. Sumo Sacerdote. composto de três mitos ou composições autônomas que giram cada uma em torno de um mitema particular: Luta entre Ba'lu e Yammu (1.3-4) e a Luta entre Ba'lu e Môtu (1. da guerra e da fertilidade . Paris. O palácio de Ba'lu (1.KTU 1. O universo mitológico de Ugarit Entre os muitos deuses que constituem o panteão de Ugarit.5-6). Síria.esposa de Baal esposa de El. senhor da terra deus do mar deus artesão deus do deserto deusa do amor.5. Pastor Máximo.2. Inspector de Niqmaddu. shubbani. deusa da guerra e da caça deusa sol . deusa mãe deus da morte e da esterilidade esposa de Baal. Rey de Ugarit Señor Formidable.6).1. apenas uns dez ou doze são ativos em sua literatura.6 VI diz. criador dos deuses e do homem chefe dos deuses. discípulo de Attanu-Purlianni.4). deus da chuva e da fertilidade. enquanto alguns outros que ali aparecem têm um papel muito impreciso. Assim.3.

Institución San Jerónimo & Ediciones Cristiandad. p. Doubleday & Logos Research Systems. o. Mitos y Leyendas de Canaan según la Tradición de Ugarit.J. 48-49.Aprenda mais sobre os deuses de Ugarit com a Canaanite/Ugaritic Mythology FAQ! Abreviações usadas no texto CTA: A. c. onde são apresentadas as opções de 17 especialistas. pp. R. G. Volume 1: Dos primórdios até a formação do Estado. Einschliesslich der keilalphabetischen Texte ausserhalb Ugarits. 83 da mesma obra. a p. 274.. diferente da convencional que aparece na Bíblia Hebraica. CLIFFORD. UT: C. também DONNER. Cf. H. DEL OLMO LETE. 1981. del Olmo Lete. [16]. Sinodal/Vozes. pp. (ed. DEL OLMO LETE. 88-89. Paris. . Neukirchen-Vluyn. cf.. J. Para outra hipótese. 121. cf. Ugaritic Textbook. Corpus des tablettes en cunéiformes alphabétiques découvertes à Ras Shamra-Ugarit de 1929 a 1939. p.. del Olmo Lete adotou em sua obra a forma original semita na transcrição do nomes próprios. El é Ilu e assim por diante. 19693. 1992. pp. 1963. Creation Accounts in the Ancient Near East and in the Bible. Cf. [15]. Princeton. para o que se segue. cf. Neukirchener Verlag. verbete Ugarit. São Leopoldo. G. KTU: M. Cf.275. J. (ed. 1965. Dietrich . Loretz . H. 87.. Assim é que Baal é Ba'lu. B. Herdner. Madrid. Cf. Para a posição de G. Roma. 23-31. [14]. 1976. Die keilalphabetische Texte aus Ugarit. Pontifical Biblical Institute. NEXT [13].O. História de Israel e dos povos vizinhos. o.. FREEDMAN. D. Para a ordem das tabuinhas. Sanmartín. N. DEL OLMO LETE. Teil I Transcription.). 1997. PRITCHARD. Ancient Near Eastern Texts Relating to the Old Testament (ANET). 81-97. G. New York. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. c. Princeton University Press. GORDON.).. as pp. 1997 [20043]..

nome proveniente de seus antigos habitantes. dois renomados biblistas e arqueólogos. que era apenas uma parte de seu território. é melhor não projetarmos a população para este período. Por isso. que nem sempre pertenceu a Israel. talvez de Creta. mas foram vencidos pelo faraó Ramsés III e passaram a viver naquela parte da Palestina. com chuvas de novembro a março e seca de abril a outubro. tentaram invadir o Egito. Os filisteus são de origem egéia. A temperatura vai de -2 a 45 graus Celsius. quanto mais um Império davídicosalomômico. é outro nome da região usado para designar esta terra. Para a época do NT calcula-se: 500 mil habitantes na Palestina e 4 milhões no exterior (diáspora). . Cai neve em Jerusalém e Jericó é muito quente. Haifa e Tiberíades são quentes e úmidas. Sob os hebreus. considerado até meados da década de 70 do século XX como o mais florescente da história de Israel.000 km2. Contando com a Transjordânia. de Vaux. são 25.C. A população foi estimada por W. Do Mediterrâneo ao Jordão. ou terra de Canaã. e mais tarde Judá ou Judéia. incluindo o deserto do Negueb nesta última. Mas hoje nem sabemos se houve um monarquia unida. Albright e R. Tel-Aviv. A Palestina Palestina é um nome derivado de "filisteus". mais ou menos. os cananeus. Israel é uma zona subtropical. sem a Transjordânia.1. em 800 mil habitantes. são cerca de 48 km de largura e na altura do mar Morto são cerca de 80 km. variando também segundo os lugares graças à topografia. O comprimento é de 250 km de Dan a Bersheba. em hebraico pelishtim. F. A superfície da Palestina é de 16. que não era propriamente território de Israel. ou de 320 km de Dan a Cades-Barnea. passou a ser chamada de terra de Israel. um povo que habitava a faixa costeira situada entre o Egito e a Fenícia. que após 1175 a.5.. Faziam parte dos "povos do mar".000 km2 de território. no norte. mais ou menos. no período de Davi e Salomão. A superfície da Bélgica. Canaã.

uma fortaleza perto de Sela. a Transjordânia. até o mar Morto.C. Do sul para o norte. Sua capital. As cidades do ano 3000 a. o país foi novamente ocupado por semitas nômades e pastores.C. ao sul o golfo de Aqaba. a Cisjordânia e a costa mediterrânea. Jabbok e Yarmuk. teria cerca de 30 mil habitantes e a Jerusalém do tempo de Jesus também não passava de 25 a 30 mil habitantes fixos. Outras cidades: Aroer. A Transjordânia As montanhas da Transjordânia são altas e apresentam profundas gargantas. foram destruídas e abandonadas. Seu limite ao norte é o rio Zered. Bosrah e Tofel. Sela. ao sul.. numa depressão de 390 metros abaixo do nível do mar que vai do lago de Hule.1. A Bíblia costuma unir Teman e Bosrah para designar todo o país de Edom. Ammon. Medeba e Heshbon. Edom é o país ocupado por um povo semita do deserto siro-arábico aí por volta de 1300 a.C. 1. os afluentes são: Zered. em um planalto de 1600 metros de altitude. quanto ao relevo em quatro faixas verticais. Seu território principal está situado em um planalto de 1200 metros de altitude. Galaad e Bashan. Entre estas duas cadeias está o vale do Jordão. Sua capital era Kir-hareseth (Kir. 110 km de comprimento e 25 km de largura. ao norte. O país está ao sul do mar Morto.Samaria. A configuração geográfica é a seguinte: há duas cadeias de montanhas que percorrem a Palestina de norte a sul e são: a continuação do Líbano. Arnon. quando foi destruída pelos assírios em 722 a. . Outras cidades: Teman. ao norte. Cerca de oito km a oeste de Medeba está o monte Nebo (para a tradição sacerdotal) ou Pisgah (para a tradição eloísta) de onde Moisés teria contemplado a terra de Canaã e morrido. Kir-heres). o vale jordânico. Aí por volta de 1300 a. Moab está situado entre os vales do Zered e do Arnon. Cisjordânia. e a continuação do Antilíbano. podemos descrever a Palestina. por onde correm os afluentes ocidentais do Jordão. norte-sul: a Transjordânia. Dibon. Na Transjordânia estavam antigamente os seguintes países ou regiões: Edom. porém levava freqüentemente sua fronteira ao norte do Arnon. Moab. Assim. a moderna Kerak.5.C.

Parece que se estabeleceram aí em 1300 a. boas para o cultivo do trigo e ótimas para pastagens. e Ammon foi o mais fraco dos reinos transjordânicos. Moab já o fizera. Seu deus principal era Kemosh. Ammon era uma tribo aramaica que se estabeleceu na região superior do Jabbok. Mahanaim.. mas foi expulsa. ao qual eles ofereciam sacrifícios humanos. Bashan (ou Hauran) é uma região ao norte do Galaad. Jabesh-Galaad. Sob Davi e Salomão. a atual Amman. Seus bosques eram comparáveis aos do Líbano. e sacrificavam-lhe crianças. Antes de Israel adotar a monarquia como forma de governo. Não possuía cidades de destaque. Sua língua se assemelha ao aramaico. NEXT NEXT . Galaad (ou Gilead) está também na região do Jabbok.C. Moab e Israel nunca foram amigos. Pella. Esta região foi conquistada pelos israelitas e habitada pelas tribos de Gad e Manassés. Gadara. formada por férteis planícies. Seu território tem uns 60 km de norte a sul por 40 km leste-oeste e é bastante fértil. de quem sempre foi inimigo. Os limites de seu território não são bem definidos. mas se libertou logo após a divisão de 931 a. Succoth. A região sempre foi objeto de luta entre Israel e Síria. Famoso era seu bálsamo e abundantes suas vinhas. capital da Jordânia. Cultuavam os amonitas o deu Moloc (ou Melek). A tribo de Rubens tentou se estabelecer na parte norte de seu território. que se revezavam na sua posse. Sua capital era Rabbath-Ammon. No tempo do NT: Gerasa. a sudoeste do monte Nebo estava a fortaleza de Maqueronte. Sua língua se assemelha bastante ao hebraico. Moab foi submetida. mais ou menos. Suas cidades principais: Penuel.C.No tempo do NT. Esteve freqüentemente submetido a Israel. onde Herodes Antipas mandou matar João Batista. Chove bem e era coberta antigamente por densos bosques. Ramoth-Galaad.

Cesaréia de Filipe (Baniyas). com seus 2750 metros de altitude. forma a 16 km ao sul o lago de Genezaré. mencionada em Mt 11. Por isso foi construída aí uma fortaleza. Jordão significa aquele que desce ou também lugar onde se desce (bebedouro). O NT fala continuamente destes paragens. Tinha cerca de 4 km e foi drenado pelo atual Israel. situado nada menos que a 390 metros abaixo do nível do Mediterrâneo. Betsaida. de 21 km de comprimento por 12 de largura. Nome bem adaptado ao maior rio da Palestina. na época do NT. atravessa o lago de Hule.1. O lago de Hule era pequeno e pouco profundo. A 9 km ao norte do mar Morto está Jericó.21. nasce o rio Jordão. Hazor. rico em peixes. É um belo lago.5. ainda a 80 metros acima do nível do mar. e é o ponto mais baixo da superfície terrestre: está a cerca de 390 metros abaixo do Mediterrâneo e tem outro tanto de profundidade. que se tornou a principal cidade do norte da Palestina. E também Guilgal. O mar Morto tem 75 km de comprimento por 16 km de largura. Cidades como Cafarnaum. uma das mais antigas cidades do mundo. por onde andou Jesus. Perto da desembocadura do Jordão no lago de Genezaré estão as ruínas de Corazim. Tiberíades etc estavam na suas margens.2. Magdala. que já está a 210 metros abaixo do nível marítimo e tem sua foz no mar Morto. na confluência de quatro torrentes que descem das montanhas do Líbano. pois realmente ele nasce acima do nível do Mediterrâneo. pois provocava malária. 110 km abaixo. Para ir da Palestina para a Síria era necessário atravessar o Jordão ao sul de Hule. que contêm um alto teor de sal. Perto de suas nascentes estão as cidades de Dan e. Entre o lago de Hule e o lago de Genezaré. Nada vive nas suas águas. O lago de Genezaré (do hebraico Kinneret = harpa) é chamado também de lago de Tiberíades ou mar da Galiléia. santuário cananeu e depois israelita. . sempre coberto de neve. o Jordão corre violentamente no fundo de uma garganta de 350 metros de profundidade. O Vale do Jordão À sombra do monte Hermon. cerca de 25%.

Arad. está a 7 km de Jerusalém Jerusalém. Ao sul do mar Morto está a Arabá. apenas um povoado a 19 km de Jerusalém Anatot. cidade cananéia. esconderam em cavernas. Ao norte do Negueb se estende o território montanhoso de Judá. Fica a 32 km de Jerusalém Belém.3. para salvá-los dos romanos que tudo destruíram em 68 d.A noroeste do mar Morto vivia. terra de Lázaro etc. A região é desértica. 1. nos últimos séculos de Israel. Cerca de 80 km ao norte estava Bersheba (Bersabéia). Era das colinas da Arabá que Salomão extraía o cobre para sua indústria.5. No extremo sul da Arabá estava a fortaleza de Elat e o porto de Esion-geber.C. segundo o texto bíblico. nos seus 150 km de extensão. povoado onde nasceu Jeremias Betânia. • • • • • . os essênios. Importante no Negueb era Cades-Barnea. a cidade conquistada por Davi aos jebuseus e transformada em sua capital Técua. a comunidade dos essênios. por onde passavam importantes rotas de caravanas. a cidade mais alta da Judéia . que se eleva progressivamente.ligada à história de Abraão e de Davi. desde Bersheba até perto de Betel. e nas grutas de Qumran foram encontrados em 1947 importantes manuscritos bíblicos que eles. pátria do valente profeta Amós. pátria de Davi e lugar tradicional do nascimento de Jesus. oásis onde os israelitas estiveram após o êxodo do Egito. como por exemplo: • Hebron (Kiriat-arbá). A Região Central da Palestina No extremo sul está o Negueb (deserto de Sin). continuação da depressão palestina. Há em Judá várias cidades e localidades importantes na história do povo de Israel. Um pouco mais ao nordeste.está a 1000 metros de altitude . alguns quilômetros ao norte de Jerusalém. do mar Morto ao golfo de Aqaba.

Aí por volta de 1150 a. Ascalon. Afeq etc. Betel. com as cidades de Jope. Finalmente chegamos à região da Galiléia. Coleção Grandes Impérios e Civilizações.4. Bet-Shemesh e Gezer. os filisteus. A Costa Mediterrânea Vamos começar de novo pelo sul. Libnah. Leituras Recomendadas AA. caminhos entre a filistéia e Judá. Entre a planície filistéia e as montanhas de Judá há uma faixa de terra de 15 a 25 km de largura chamada Shefelah (= terras baixas). São Paulo.VV. chegamos à região de Samaria. capital do reino do norte. em o NT. Ao norte de Samaria está a planície de Esdrelon (Jezreel). eram defendidos pelas fortalezas de Debir. Lakish. . Edições del Prado. de Gaza. Dotan.C. onde eram cultivados o trigo e a oliveira. depois já é a Fenícia. Nesta região central encontramos: Ai. A Criação e o Dilúvio Segundo os Textos do Oriente Médio Antigo. norte. 1.5. 1996. Os vales da Shefelah. Azecah. ocuparam uma faixa costeira formando a conhecida pentápoles filistéia. localizada a 60 km de Jerusalém. com o porto de Acco na planície de Asher. Por ali passava a estrada que ia do Egito para a Síria. uma confederação de cinco cidades: Gaza. Silo. A planície filistéia tem de 7 a 15 km de largura.. Aí estão os mais antigos santuários de Israel. contudo. Mais para o norte está finalmente a cidade de Dor. Meguido e Jokneam. um vale ótimo para a agricultura. cidades com um longo passado de lutas e guerra. Merecem ainda atenção: Bet-shan e Jezreel.. até Tiro. Taanak. que aparece muito pouco no AT. De Gaza. Maggedah. são cerca de 200 km de costa. Bíblia. Ao norte da planície filistéia está a planície de Sharon. 1990. Por ali passavam as principais vias de comunicação entre o Egito e a Síria. Caravanas em tempo de paz e exércitos destruidores em tempo de guerra eram uma constante. crescendo. Gat e Ekron. AA. Lod. Madrid.VV.Continuando a subir em direção norte. Siquém. por ser a pátria de Jesus. Ashdod. Os Caminhos de Deus I-II. Paulus. Tirsá. cidades cujas histórias deveriam ser cuidadosamente estudadas. sul. em seguida o promontório e o monte Carmelo. e para guardar a passagem foram construídas as fortalezas de Ibleam. vindo do Egeu.

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2. As Origens de Israel 2.1. A Teoria da Conquista Israel invade a terra de Canaã, vindo da Transjordânia, pelo final do século XIII a.C. As tribos lutam unidas e, fazendo uma campanha militar em três fases, dirigidas ao centro, sul e norte, ocupam o país, destruindo seus habitantes, no espaço de uns 25 anos. Esta é a visão de Js 1-12 e a que dominou no mundo judaico. A síntese de Js 10,40-43 diz o seguinte:"Assim Josué conquistou toda a terra, a saber: a montanha, o Negueb, a planície e as encostas, com todos os seus reis. Não deixou nenhum sobrevivente e votou todo ser vivo ao anátema, conforme havia ordenado Iahweh, o Deus de Israel; Josué os destruiu desde Cades Barne até Gaza, e toda a terra de Gósen até Gabaon. Todos esses reis com suas terras, Josué os tomou de uma só vez, porquanto Iahweh, Deus de Israel, combatia por Israel. Finalmente Josué, com todo Israel, voltou ao acampamento em Guilgal". Mapas do Israel atual? Confira aqui!

Alguns defendem esta teoria, com matizes, baseados na "evidência" arqueológica como William Foxwell Albright, George Ernest Wright, Yehezkel Kaufmann, Nelson Glueck, Yigael Yadin, Abraham Malamat, John Bright, este último moderadamente[1]. A arqueologia atesta: a) Uma ampla destruição de cidades cananéias no final do século XIII a.C. Do norte para o sul, são essas as cidades: Hazor, Meguido, Succoth, Betel, Bet-Shemesh, Ashdod, Lakish, Eglon e Debir. Destas 9 cidades, 4 são ditas especificamente como destruídas por Josué: Hazor: Js 11,10-11 Lakish: Js 10,31-33 Eglon: Js 10,34-35 Debir: Js 10,38-39 b) A não destruição de cidades que os textos confirmam como não tendo sido tomadas por Josué: Gibeon: Js 9 Taanach: Jz 1,27 Siquém: Js 24 Jerusalém: Js 15,63; 2Sm 5,6-9 Bet-Shean: Jz 1,27-28 Gezer: Js 10,33 c) A reocupação das cidades destruídas foi homogênea e pode ser relacionada com a ocupação israelita que se seguiu à conquista. Além do que tal ocupação mostra, na sua maior parte, um empobrecimento técnico, típico do assentamento de populações seminômades (o tipo de cerâmica, de construções, de utensílios etc). d) Localidades que estavam abandonadas há muito tempo são ocupadas novamente no século XIII a.C., como: Dor, Gibeah, Bersabéia, Silo, Ai, Mispa, Bet-Zur...

Ora, em nenhuma destas evidências aparece qualquer inscrição dizendo tratar-se de Israel. Mas como nenhum outro povo ocupou tal região neste período, quem poderia ser senão Israel? Porém: • • • os dados arqueológicos não são puros, são interpretados várias destruições podem ter sido feitas por lutas internas, lutas entre as cidades cananéias o livro dos Juízes relata a conquista de maneira individualizada, feita pelas várias tribos isoladamente e não uma ação conjunta de um pretenso Israel unido o Dtr marcou muito sua obra com propósitos teológicos - necessários no tempo do exílio - e não tinha a nossa concepção de história. Ele projetou muito no passado o que era projeto para o presente, como: o hérem ou "anátema", uma guerra de extermínio, com o objetivo de manter os israelitas separados das populações estrangeiras que ocuparam a Palestina durante o exílio o processo de nacionalização através do chefe único - Josué - que interessava na reunificação dos israelitas no pós-exílio, quando na realidade Josué deve ter comandado apenas tribos da "casa de José", como Efraim, Manassés, Benjamim a chave litúrgica na apresentação dos fatos (o que interessava aos levitas e à reforma de Josias) como: a tomada de Jericó (Js 6), a travessia do Jordão (Js 3-5), o culto praticado num só lugar, na seqüência Guilgal, Silo, Siquém (Js 5,10;18,1;24,1) e a condenação do culto praticado em qualquer outro lugar (Jz 17-18), quando, na verdade, os lugares de culto parecem ter sido muitos nesta época, e contemporâneos! as cidades de Jericó, Ai e Gibeon não podem ter sido conquistadas nesta época, segundo os arqueólogos. Jericó foi destruída no século XIV a.C. e não há indícios de destruição nos séculos XIII-XII a.C., nem de reocupação; Ai (= ruína) também já fora destruída muito tempo antes, no III milênio. Gibeon não era nenhuma cidade importante na época de Josué, segundo mostra a arqueologia (cf. Js 9) o livro de Josué recorre muito à etiologia, quando diz: "e (tal está assim) até o dia de hoje" (Js 4,9;5,9;6,25;7,26;8,28-29;9,27;10,27 etc). O

Manfred Weippert. O artigo já começa com uma constatação. nas proximidades das cidades cananéias[4]. para o sul e para o norte. com um artigo[5] chamado The Hebrew Conquest of Palestine.1950). A Teoria da Revolta A teoria da revolta foi defendida primeiro por George Mendenhall. Os relatos de conquista de Josué são etiológicos e Josué não passou de um chefe local efraimita. Noth liga os hebreus aos hapiru. pelo menos. que assim acabam confirmando-na. Apóia-se também nas tradições patriarcais do Gênesis: os patriarcas viviam. . Depois sua união.2.1939).mesmo acontece com o livro dos Juízes. Defende uma entrada diferenciada na Palestina. em doze tribos.? 2. Yohanan Aharoni e outros[2]. Martin Noth (1940.C. que hoje tornou-se lugar comum em congressos ou salas de aula: "Não existe problema da história bíblica que seja mais difícil do que a reconstrução do processo histórico pelo qual as Doze Tribos do antigo Israel se estabeleceram na Palestina e norte da Transjordânia"[6].3. 1962. pp. mais ou menos pacificamente. De fato. Os conflitos aconteciam quando um clã invadia o território de uma cidade-estado[3]. antes da monarquia. Problemas: • • • • anfictionia israelita? hapiru/hebreu? conceito de etiologia e narrativas etiológicas e as destruições do final do século XIII a. para as tribos israelitas: êxodos diferentes para os vários grupos. A Teoria da Instalação Pacífica Modelo defendido por Albrecht Alt (1925. Ligas anfictiônicas: primeiro duas (Noth): uma de clãs do sul (6 clãs posteriormente assimilados a Judá) e outra de tribos do norte. informando-nos. Siegfried Hermann. sem um conflito generalizado e organizado. 66-87. As tribos foram ocupando os espaços vazios entre as cidades-estado cananéias. Qual o valor histórico destes relatos? 2. publicado em Biblical Archaeologist 25. a narrativa bíblica enfatiza os poderosos atos de Iahweh que liberta o povo do Egito. o conduz pelo deserto e lhe dá a terra. José Alberto Soggin. Tal teoria baseia-se na análise crítica dos textos bíblicos e interpreta à sua luz os dados arqueológicos.

como. Ora. G. está inteiramente em contraste com as evidências bíblicas e extra-bíblicas. mas ocultando-nos as circunstâncias econômicas. por exemplo. Mendenhall começa descrevendo os dois modelos existentes até então para a entrada na terra de Canaã. sendo a relação de parentesco seu traço fundamental. sobre a visão e os objetivos teológicos dos narradores de séculos depois. que foi assumida sem criticidade pelos pesquisadores bíblicos e usada como modelo para o Israel primitivo. Mostra que os próprios relatos bíblicos jamais colocam os antepassados de Israel como inteiramente nômades. o primeiro e o terceiro pressupostos até que podem ser aceitos. continua Mendenhall. inclusive. mostrando que tribos podem ser parte ou estar em relação com povoados e cidades. . como o fez Martin Noth com a tese da anfictionia. A seguir. Jacó e os filhos. o da conquista militar e o da infiltração pacífica de seminômades e elenca os três pressupostos presentes em ambos: • • • as doze tribos entram na Palestina vindo de outro lugar na época da "conquista" as tribos israelitas eram nômades ou seminômades que tomam posse da terra e se sedentarizam a solidariedade das doze tribos é do tipo étnico. entretanto. caracterizando-as. erroneamente vistos como nômades contrastando com os sedentários das cidades.deste modo. Igualmente critica a noção de tribo como um modo de organização social próprio de nômades. e é aqui a reconstrução de uma alternativa deve começar"[7]. em contraste com os cananeus. os pesquisadores sempre utilizaram modelos ideais para descrever as origens de Israel. mas "a suposição de que os israelitas primitivos eram nômades. Frente a isso. O que George Mendenhall propôs com o seu artigo foi apresentar um novo modelo ideal em substituição a modelos que não mais se sustentavam. Mendenhall critica a visão romântica do modo de vida dos beduínos. sociais e políticas em que se deu o surgimento de Israel. sugerindo uma linha de pesquisa que levasse em conta elementos que até então não tinham sido considerados. onde há sempre uma parte do grupo que é sedentária. importada do mundo grego. Jacó e Labão.

Mendenhall usa os modelos de Elman Service expostos em sua obra Primitive Social Organization.Aproximando o conceito de hebreu ao de Hab/piru.E. e na identificação de Iahweh com o "deus dos pais". Orbis Books. critica Mendenhall. Sem dúvida. e utilizando as cartas de Tell el-Amarna. A ênfase na mesma herança tribal. de 1975. O que aconteceu pode ser sumariado. New York.. Mas. Alguns anos mais tarde. Esta motivação religiosa é a fé javista que transcende a religião tribal. Estes camponeses revoltados contra o domínio das cidades cananéias se organizam e conquistam a Palestina. pois esta é o símbolo formal através da qual a solidariedade era tornada funcional. do ponto de vista de um historiador interessado somente nos processos sócio-políticos. Mendenhall e avança por quase mil páginas em favor de uma revolta camponesa ou processo de retribalização que explicaria as origens de Israel.C. Segundo Lemche. Gottwald publicou seu polêmico livro The Tribes of Yahweh: A Sociology of the Religion of Liberated Israel. Mendenhall procura demonstrar que ninguém podia nascer hebreu já que este termo indica uma situação de ruptura de pessoas e/ou grupos com a fortemente estratificada sociedade das cidades cananéias. em um artigo anterior... seu ponto mais crítico é o idealismo que permeia o seu estudo e coloca o "javismo". "porque uma motivação e um movimento religioso criou uma solidariedade entre um grande grupo de unidades sociais preexistentes. Por isso a tradição da aliança é tão importante na tradição bíblica. . por outro lado. através dos patriarcas. E conclui: "Não houve uma real conquista da Palestina. e que funciona como um poderoso mecanismo de coesão social. 1250-1050 B. diz Mendenhall. didaticamente. muito acima de fatores sociais e políticos. pode ser creditada à teologia dos autores da época da monarquia e do pós-exílio que deram motivações políticas a uma unidade que foi criada pelo fator religioso. no qual retoma a tese de G. Niels Peter Lemche. tornando-os capazes de desafiar e vencer o complexo mal estruturado de cidades que dominavam a Palestina e a Síria no final da Idade do Bronze"[8]. mas especialmente por seu uso eclético destas teorias. como a causa da unidade solidária que faz surgir Israel. por seu uso arbitrário de macro teorias antropológicas. Norman K. como uma revolta camponesa contra a espessa rede de cidades-estado cananéias". um javismo não muito bem explicado. New York. mas principalmente só o javismo e nenhuma outra esfera da vida daquele povo. Maryknoll. 19622. coisa que os teóricos da antropologia não aprovariam de modo algum[9]. Random. 1979.

indicações de que mudanças culturais e sociais são freqüentemente conseqüências do lento crescimento de conflitos sociais dentro de uma determinada população mais do que resultado de incursões de povos vindos de fora. Ele diz que até recentemente a pesquisa sobre o Israel primitivo era dominada por três idéias básicas: • o pressuposto de mudança social ocorrida no deslocamento de populações. o javismo é visto como fonte isolada e agente de mudança na emergência de Israel[11]. ou seja. ou seja: um hiato sócio-político em Canaã teria ocorrido como resultado da substituição demográfica ou étnica de um grupo por outro. e que usarei aqui para sintetizar seus pontos fundamentais[10]. a conclusão de que conflitos ocorrem tanto dentro de sociedades controladas por um regime único como entre estados opostos. a partir do momento em que o judaísmo é lido a partir da perspectiva do judaísmo tardio e do cristianismo. ou seja. Os conceitos centrais que emergem deste deslocamento de pressupostos. como resultado de novos avanços tecnológicos e de idéias em confronto numa interação volátil . resultando numa aculturação sócio-política o pressuposto de mudança social produzida por características especiais de um grupo ou por elementos culturais de destaque. seja por imigração seja por conquista militar o pressuposto da criatividade do povo do deserto em iniciar mudanças sociais em regiões sedentárias. Israel teria ocupado a terra como recurso para realizar a passagem do seminomadismo para a sedentarização. desde a língua até a formação religiosa. • • As forças e pressões que dobraram e quebraram estes pressupostos são muitos.. cada vez maior entre os estudiosos. a percepção de que a tecnologia e a organização social exercem um impacto muito maior sobre as idéias do que pesquisadores humanistas poderiam admitir. mas basta citarmos umas poucas para que as coisas comecem a clarear: a evidência etnográfica de que o seminomadismo era apenas uma atividade secundária de populações sedentárias que criavam gado e cultivavam o solo. evidências da fundamental unidade cultural de Israel com Canaã em uma vasta gama de assuntos..Gottwald expõe sua tese então em desenvolvimento. podem ser sintetizados da seguinte maneira: • o pressuposto da ocorrência normal de mudança social ocorrida por pressão e conflitos sociais internos.

Israel tornou-se aquele segmento de Canaã que se separou soberanamente de outro segmento de Canaã envolvendo-se na 'política de base' dos habitantes dos povoados organizados de forma tribal contra uma 'política de elite' das hierarquizadas cidades estados"[13]. que tinha seus fundamentos intelectuais e cultuais na religião do antigo Oriente Médio cananeu. um ser divino integrado existia para um integrado e igualitário povo estruturado. especialmente o fato de que os fatores ideológicos não podem ser desligados de indivíduos e grupos vivendo em situações específicas. A religião de Israel. que lentamente se ajuntavam e se firmavam caracterizando-se por uma forma anti-estatal de organização social com liderança descentralizada. • A partir de tais constatações. onde as funções políticas ou eram partilhadas por vários membros do grupo ou assumiam um caráter temporário. Gottwald vê o tribalismo israelita como uma forma escolhida por pessoas que rejeitaram conscientemente a centralização do poder cananeu e se organizaram em um sistema descentralizado.• o pressuposto da função secundária do deserto em precipitar a mudança social. Assim. se quisermos. Esse desligar-se da forma de organização social da cidade-estado tomou a forma de um movimento de 'retribalização' entre agricultores e pastores organizados em famílias ampliadas economicamente auto-suficientes com acesso igual aos recursos básicos. ou seja. NEXT . que dividiu e opôs grupos que previamente viviam organizados em cidades-estado cananéias. nas quais determinados contextos tecnológicos e sociais adquirem configurações novas[12]. O tribalismo israelita foi uma revolução social consciente. era idiossincrática e mutável. uma guerra civil. Gottwald propõe um modelo social para o Israel primitivo que segue as seguintes linhas: "O Israel primitivo era um agrupamento de povos cananeus rebeldes e dissidentes. sendo que no Antigo Oriente Médio o seminomadismo era econômica e politicamente subordinado a uma região predominante agrícola e que nunca foi ocasião de deslocamentos maciços de populações ou de conquistas políticas provocadas por estes deslocamentos o pressuposto de que mudança social ocorre pela interação de elementos culturais de níveis diversos. E Gottwald termina seu texto dizendo que o modelo da retribalização levanta uma série de questões para posterior pesquisa e reflexão teórica[14].

C. [9].. "On the Use of "System Theory". pp.. [5]. Terra Prometida. E..). C. 1987. The Hebrew Conquest of Palestine. Idem. Schocken Books. Community. 158-159. E. 279. The Archaeology of Palestine. (eds. KAUFMANN. ALT. MENDENHALL. E. ibidem. p. [2]. 152-169. E. p. Cf. 1975. LEMCHE. G. 170-181. (eds. & MEYERS. A. p. Westminster Press. [6].). J. ALT. Paulus. Philadelphia. "Macro Theories". Ensaios sobre a história do povo de Israel. Philadelphia. em CARTER. Idem. Community. História de Israel. 1972. pp. London.. Idem. L. C. NOTH. A History of Israel in Old Testament Times. (eds. M. and Evolutionistic Thinking" in Modern Old Testament Research and Biblical Archaeology. 19603. Joshua. The Settlement of the Israelite Tribes in Palestine. Idem. Winona Lake. em CARTER. Ensaios sobre a História do Povo de Israel. pp. Identity and Ideology. pp.. pp. C. Harper & Brothers. E. Identity and Ideology. (eds. p. BRIGHT. Fortress Press.. A. L. SCM Press. E. 1960. ALBRIGHT. Terra Prometida. 173-174. K. [3]. pp. [10]. Cf. L. Cf. ALT. Westminster Press.. [7]. HERMANN. São Leopoldo. São Paulo. WRIGHT. J.). [12]. ibidem. GOTTWALD. 1978. C.. o artigo em CARTER. Cf. Baltimore. C. Philadelphia.. 1996. Cf.. ibidem. [4]. The History of Israel. Identity and Ideology. também Revisiting The Tribes of Yahweh (2006). Eisenbrauns.). Cf.. N. & MEYERS. em CARTER. 19622. Penguin. & MEYERS. Community.. 1972. A. M. 19-110. Cf. C. The Religion of Israel: From its Beginnings to the Babylonian Exile. Biblical Archaeology. WEIPPERT. 152. Cf. Identity and Ideology. C. [8]. Social Sciences Approaches to the Hebrew Bible. A. 154. New York.[1]. ibidem. N. Cf. & MEYERS. S. Community. P. Sinodal. F. Domain Assumptions and Societal Models in the Study of Pre-Monarchic Israel. 1971. New York. 172. . Indiana.. G. Cf. L. Terra Prometida. W.. 56 e 72-73. [11]. Y. SOGGIN.

Idem. À décima oitava dinastia pertencem ainda: Amenófis IV (1372-1354 a. Yanoam está como se não existisse mais. que construiu nova capital. também da décima oitava dinastia. e o dominam durante um século. o faraó do culto a Aton -. a última do reino novo. Canaã está privada de toda a sua maldade. Sob a XX dinastia. arqueologicamente conhecida como ElAmarna. Israel está aniquilado e não tem mais semente.C. 174-175. Estela de Merneptah Os príncipes estão prostrados dizendo: paz. Ramsés II é quem fez a aliança de paz com os hititas.[13]. pp. que cita Israel em estela de 1220 a. Gazer foi tomada. A XIX dinastia teve alguns nomes famosos: • • Ramsés II. A capital volta a Tebas. ibidem.C. o faraó do êxodo Merneptah. O Haru [=Canaã] está em viuvez diante do Egito. Tutankhamon.) também conhecido como Akhenaton.C. ibidem. Mas são expulsos por Amósis (1580-1558 a. [14]. Tutmósis III. Entre os Nove Arcos nenhum levanta a cabeça.). o Hatti está em paz. Sua capital é Avaris. faraó da décima oitava dinastia que transforma o Egito na maior potência mundial. que é o último faraó desta dinastia e que volta ao antigo culto a Amon e traz a capital de novo para Tebas. Akhetaton. deixando um vazio político na Palestina. . levou o Egito ao auge de seu poder. Tehenu [=Líbia] está devastado. estendendo seu domínio até o Eufrates. Idem. o Egito vai progressivamente perdendo toda a sua influência na Ásia. pp. Ascalon está deportada. seu filho. Cf. PAUSA EM 06/10/2008 ÀS 16:30H O contexto histórico que apoiaria a teoria é o seguinte: Os hicsos conquistam o Egito por volta de 1670 a.C. 180-181.

Alguns se refugiaram no acampamento de Ramsés. chamada divisão de Amon. rodeou a cidade pelo sul e. Jericó e Siquém. aconteceu a célebre batalha de Cades. uma espécie de "feudo" seu: interesses estratégicos.500 carros de combate”[15].500 carros de combate. mas também não podia ser contado como uma derrota. porém. saindo de um bosque. Ramsés II desistiu de tomar a cidade. ocultando-se. a fez passar por um ressonante triunfo.000 homens.C. Ptah e Suteh. atacou a divisão Rá que acabava de atravessar o arroio Sabtuna (hoje El-Mukadiyeh). o exército hitita possuía 3. modificando todas as táticas de guerra então em uso. O exército egípcio compunha-se de quatro divisões que levavam nomes religiosos. As populações locais (cananéias) tiveram que reforçar a defesa de suas cidades e abrigar em seu interior as populações mais atacadas pelos invasores. A chegada pouco depois da divisão Ptah pôs o exército hitita em fuga. mas só tinha 1. não chegou a intervir na contenda. que mandou gravar nas paredes dos templos de Tebas. não teria podido resistir se não fosse a intervenção inesperada de um corpo expedicionário de cavaleiros ‘amorreus’ procedentes da costa. que ainda não atravessara o Orontes. Bem. acampou ao norte da cidade de Cades. Então o exército hitita. espetacular confrontação militar de Ramsés II com seu rival hitita Muwatalli. A divisão foi desarticulada e posta em fuga. Para rechaçar os hicsos. que teve de se retirar às pressas e se refugiar na cidade de Cades. que foi objeto de ataque imediato. A batalha na realidade fora um confronto entre as duas maiores potências do mundo. A primeira. Embora a divisão Amon se defendesse valentemente com seu rei à frente. À vista dos acontecimentos. Atrás. Os hicsos invadem o Egito e a Palestina. deixando quase inteiro o exército inimigo encerrado na fortaleza. os egípcios da XVIII dinastia davam condições de defesa à Palestina. comerciais (produtos do Líbano e rotas caravaneiras) etc levaram o Egito a . O exército egípcio era composto por cerca de 25. aproximavam-se escalonadamente as divisões Rá. que vinham para se unir ao exército egípcio na qualidade de aliados. Pelo contrário. Não tinha sido uma verdadeira vitória. ocupando na região de Canaã. abandoando sua missão de pacificar o país. induzida por um deficiente serviço de ‘inteligência’ que garantia que as tropas hititas ainda estavam longe. retirou-se ordenadamente para a Palestina. na qual ia o faraó. Echegaray. O Crescente Fértil e a Bíblia: “Em 1286 a. Suteh. G. o faraó. como bases centrais. os hicsos introduziram na Palestina o uso do carro de combate. a uma grande distância. A última divisão egípcia.Vale citar aqui um longo trecho de J.

formando com eles uma mesma identidade social. Muitas críticas também foram formuladas a Gottwald. sendo a de maior consistência a do dinamarquês Niels Peter Lemche. O modelo da retribalização ou da revolta camponesa passou a ser citado como uma alternativa bem mais interessante do que os modelos anteriores e fez surgir outras tentativas de explicação das origens de Israel. As populações de baixa condição. uma aliança tribal. feita pelo inimigo. seus governantes se acusam. e ocupam as regiões montanhosas.estabelecer guarnições na Palestina e a cobrar tributo dos senhores. onde os cananeus. as cidades cananéias diminuíam ou interrompiam o pagamento do tributo. Realmente. tinham perdido o controle. nas cartas. procuravam aumentar seus domínios a expensas de seus vizinhos e rivais etc. Nos conflitos entre as cidades cananéias. analisa longamente os fundamentos do modelo de Gottwald[17]. aos hapiru: estes estariam conquistando cidades em Canaã e provocando revoltas[16]. Unidos pela esperança javista os recém-chegados juntam-se aos revoltosos. Constituem um "governo" tribal. . Anthropological and Historical Studies on the Israelite Society before the Monarchy. senhores das cidades. estava assim submetida ao príncipe cananeu. que em Early Israel. Mas a liberdade das cidades não era repassada para a população marginalizada! Assim é descrita a situação nas cartas de Tell el-Amarna. escritas pelos governantes das cidades cananéias à corte egípcia de Amenófis III e de seu filho Amenófis IV (são 377 cartas escritas em acádico vulgar. príncipes das cidades-estado cananéias. Quando o controle egípcio era menor. descobertas a partir de 1887). que estava submetido ao faraó egípcio. confronto entre os marginalizados e as cidades. vazio de poder egípcio porque Ramsés II não conseguiu vencer os hititas e foi obrigado a fazer um acordo com este povo da Ásia Menor. da ajuda. com muitos cananeísmos. Os hapiru revoltavam-se contra seus opressores cananeus e libertavam-se de seu controle. vivendo ao abrigo das cidades e de seus exércitos locais. A espoliação se dava em dois níveis. Quando os israelitas do grupo de Moisés chegam a Canaã esta é a situação: confrontos generalizados entre as cidades. o livro de Gottwald suscitou uma grande polêmica e polarizou as atenções dos especialistas durante muito tempo.

Beer-Sheba. Tel Quiri. 1967. As escavações de localidades tais como Ai. Tel Isdar. Bet Gala. Mayes: “Existem. Como nos lembra R. as descobertas arqueológicas dos últimos anos encorajaram os pesquisadores na elaboração de novas maneiras de compreender as origens de Israel. boas razões. H.Segundo Lemche. Mas a birra principal de Lemche com estes autores e suas teorias é que. Izbet Sarta. estão inteiramente ausentes do estudo de Gottwald: nele Israel surge como unidade harmoniosa e indiferenciada. que entende a sociedade dentro do quadro da interação de diversas classes ou grupos de status. a partir da transformação de parte da sociedade cananéia. pois estes parecem constituir um só povo. 2. os modelos derivados da corrente antropológica do "evolucionismo cultural" desconsideram a variável chamada Homem (enquanto indivíduo livre e imprevisível em suas ações) por não ser controlável. O crescente consenso entre os arqueólogos é de que a distinção entre cananeus e israelitas no primeiro período do assentamento na terra é cada vez mais difícil de ser feito. mas faz um uso eclético de outras teorias e autores. Gottwald fundamenta suas teorias no estudo de Morton Fried.4. segundo ele. Nas palavras de A. Khirbert Raddana. “A teoria sugere que. A continuidade está presente sobretudo na cerâmica. deixaram os arqueólogos impressionados com a continuidade existente entre as cidades cananéias das planícies e os povoados israelitas das colinas. Arad. New York. um dos problemas do ecletismo de Gottwald é que embora se reporte às vezes a Marx. . Dan. Beth-Zur e Tel el-Fûl. Horvat ‘Avot. Giloh. nas construções e nas ferramentas[19]. Tel Beit Mirsim. e enfatiza sua dimensão estrutural sincrônica. os arqueólogos começam a falar cada vez mais do processo de formação de Israel como um processo pacífico e gradual. que tem certamente raízes na teoria social de Durkheim. The Evolution of Political Society. Tel Masos. para ver Gottwald neste contexto [durkheimiano] antes do que na tradição de conflito a que pertence Marx. vale a pena olharmos alguns autores que procuraram avançar a partir e além de Mendenhall e Gottwald. A Teoria da Evolução Pacífica e Gradual Quanto a esta teoria. Random. faz uma leitura do Israel pré-monárquico segundo a tradição durkheimiana. Sasa. porém. As características distintivas da teoria de conflito. Por isso. Har Adir. antes que sua dimensão histórica diacrônica”[18]. Entretanto. Tel Qasileh. D. de uma maneira que dificilmente qualquer um deles aprovaria. Gnuse. de alguma maneira. Horvart Harashim. Tel en-Nasbeh. Gottwald adota enfoque funcionalista da sociedade israelita. As diferenças entre os dois aparecem apenas mais tarde. K. nas técnicas agrícolas. Shiloh.

2. o que sugere uma significativa retirada. evitando. deste modo.C. que os habitantes destas pequenas localidades situadas nas montanhas usavam as mesmas técnicas dos cananeus na agricultura.1. na construção de casas e de terraços para a retenção da água da chuva. estas pessoas desenvolveram um sistema de colaboração ao nível de clã e de famílias. Os defensores deste ponto de vista argumentam com o declínio cultural ocorrido no Bronze Antigo. acompanhando transformações políticas e sociais no começo da Idade do Bronze”[20]. na perfuração de cisternas. com a crescente tributação. com a deterioração da vida urbana causada pelas campanhas militares egípcias. o número de povoados nas montanhas passou de 23 para 114. os desastres comuns a que uma monocultura estava sujeita nestas regiões tão instáveis. Para Hopkins.C. James Flanagan. com mudanças climáticas. por sua vez. R.4. na fabricação de ferramentas. de modo que R. que são: • • • • Retirada pacífica Nomadismo interno Transição ou transformação pacífica Amálgama pacífico. Gnuse prefere classificar as teorias em quatro categorias.). David Hopkins. especialmente em . Isto implica uma continuidade cultural com os cananeus das cidades situadas nos vales e sugere que as pessoas se deslocaram para Ai e Raddana para fugir de possíveis conflitos nos vales. o que lhes permitia uma integração de culturas agrícolas com a criação de animais. Frank Frick. K. David Hopkins. Gösta Ahlström e Carol Meyers[21]. talvez. observou que o desenvolvimento social aconteceu junto com a intensificação do cultivo da terra. e. Entre 1200 e 900 a. em uma avaliação detalhada da agricultura na região montanhosa da Palestina na Idade do Ferro I (1200-900 a. Mas o processo de evolução pacífica de onde surgiu Israel é descrito de maneira diferente pelos especialistas. Gnuse cita especialmente Joseph Callaway. no território de Efraim. Retirada Pacífica Como defensores de uma retirada pacífica de grupos cananeus das planícies para as regiões montanhosas.cananeus gradualmente tornaram-se israelitas. K. Joseph Callaway foi um dos primeiros a observar nas escavações de Ai e Khirbet Raddana.

Carol Meyers defende que Israel surgiu nas montanhas após uma violenta praga que devastou os vales. igualmente.exigiu mais alimento. NEXT [15]. pp. J. O próprio nome do povo. O Crescente Fértil e a Bíblia. não indicam a chegada de um grupo de pessoas vindas de fora da terra. divindade cananéia. Nenhuma 'revolta' de camponeses pode ser documentada. já que sua estrutura social de base familiar não corresponde. e cidades podem ter sido queimadas para evitar contágio. 'Israel'. onde eles se dedicaram à agricultura e ao pastoreio. e busca reler os textos bíblicos dentro desta lógica. Hopkins valorizou mais o sistema cooperativo baseado no parentesco do que o uso de técnicas como terraços. Os recursos tecnológicos menores. James Flanagan também acredita que o Israel pré-davídico surgiu da movimentação de grupos sedentários que deixaram os vales para uma organização mais descentralizada nas montanhas e na Transjordânia. trazendo com eles o culto a Iahweh. Ahlström contesta a tese de Gottwald de uma 'retribalização' ocorrida nas montanhas. ECHEGARAY. Ele trabalha a continuidade entre israelitas e cananeus.Talvez um grupo tenha vindo de Edom e se juntado a estes camponeses. ao tipo nômade.recursos hídricos. Esta nova sociedade teria então evoluído de uma 'sociedade segmentária' (época dos Juízes) para uma 'sociedade com chefia' (Saul) e. para o 'Estado' (Davi). o crescimento populacional .. Nas montanhas. segundo ele. reflete esta lógica. mas sim a escassez de recursos da área dos assentamentos. foi quem desenvolveu mais amplamente este modelo de uma retirada pacífica em vários de seus escritos. agora possível pela construção de cisternas e terraços e isto produziu. Para Hopkins.de 23 para 114 povoados . já que construído com o nome de El. evidente na cultura material. Frank Frick acredita que os assentamentos israelitas surgiram após um colapso das cidades cananéias. Gösta Ahlström. entretanto. Teria havido um declínio de até 80% da população dos vales. 90-91. G. diferentes unidades clânicas e tribais israelitas devem ter surgido a partir de diferentes atividades agrícolas. Israel. no final. finalmente. . levando à intensificação da agricultura. cisternas e o uso do ferro para explicar o sucesso destes assentamentos agrícolas.

1985. Israel e Judá. [20]. 1997.. HOPKINS. New York. Sociologia e Antigo Testamento. Lanham. MAYES. Antropológicas e Políticas. pp. J. H. R. Paulus. também MARTIN. AA. R. São Paulo. 1995. Early Israel. cartas G.. Almond Press. [19]. D. und 11. O Mundo do Antigo Israel. Minneapolis. LEMCHE. 104-121.4.. 32-61. 1984. E. K. 1996. J. FRICK.. de Geus. Stuttgart. P. H. em THOMPSON. ibidem. K. Perspectivas Sociológicas. Sheffield. R.. pp. F. J.. GNUSE. The Highlands of Canaan. Decatur.. pp.. 28-31.). The Formation of the State in Ancient Israel. J. pp. L. Sheffield Academic Press. D. Textos do Antigo Oriente Médio. pp. E.. Almond Press. Georgia. 55. [18]. SICRE. Die Entstehung Israels im 12. estes especialistas defendem uma origem pastoril para os primeiros. (ed. Cf. São Paulo. 1985. 97118. Oxford University Press. 421-456 e FRITZ. 33. Madrid. (org. Emergent Monotheism in Israel. University Press of America. Cf. em CLEMENTS. Discovering Eve: Ancient Israelite Women in Context. J. . Fortress Press. 2. G. Volkmar Fritz e Israel Finkelstein[22]. Israel como sociedade tribal. Cf. 1985.).2. D. [17]. Brill. H. Cinco Respuestas a un Enigma Histórico. em Estudios Biblicos 46 (1988). VV. Almond Press.. CALLAWAY. J. cf. [21]. FLANAGAN. Decatur. Chr. MEYERS. Kohlhammer. Village Subsistence at Ai and Raddana in Iron Age I. A Survey of Models and Theories. H. 1993. A. A History of Ancient Palestine.. p. 1988. 1988. No Other Gods.. L. onde os vários modelos são descritos e analisados. Idem. C. p. I. Anthropological and Historical Studies on the Israelite Society before the Monarchy. Cf.. David’s Social Drama: a Hologram of Israel’s Early Iron Age. em CLEMENTS. 1985.[16]. Embora admitindo a continuidade entre israelitas e cananeus. (org. Georgia. V. Los Orígenes de Israel. Nomadismo Interno Defensores do nomadismo interno são C. The Answers Lie Below: Essays in Honor of Lawrence Edmund Toombs. Leiden.. N. Paulus. E. Jahrhundert v.). Georgia. AHLSTRÖM. O Mundo do Antigo Israel. Decatur.

porém. Moab e Edom. como defendia Alt. antes de se sedentarizarem. uma 'simbiose cultural'. vindos de fora. por isso. para Finkelstein. Israel Finkelstein é o principal defensor da idéia do 'nomadismo interno'. os israelitas eram 'nômades internos'. O aumento populacional posterior colocou-os em conflito com populações das planícies até que se chegou à unificação davídica. Quando as cidades sofreram um colapso eles expandiram seu controle. a arquitetura diferenciada dos povoados israelitas nas montanhas mostra que eles não saíram simplesmente das cidades das planícies. Transição ou Transformação Pacífica Entre os proponentes de uma transição ou transformação pacífica se destacam o já citado Niels Peter Lemche e mais: William Stiebing. Drews. percebe que a cultura israelita viveu um longo período em contato com a cultura cananéia e deslocou um pouco sua perspectiva. ao escavar no norte do Negev. 2. H. que.3. mas que estavam em contato comercial com as culturas das cidades da região. Ou seja: eles estavam culturalmente próximos dos cananeus. eu diria que. Talvez resumindo excessivamente seu matizado pensamento. gente que vivia na Palestina. A casa israelita de quatro cômodos significa uma evolução da arquitetura cananéia e a sua familiaridade com a criação de animais domésticos e seus trabalhos em metal e cerâmica mostram que eles não eram verdadeiros nômades. experimentando. Para Fritz. vivendo nas áreas intermediárias entre as cidades e com elas interagindo. estes pastores se dedicaram também à agricultura para conseguir cereais e outros alimentos não mais oferecidos pelas cidades. para o norte e para o sul da região.C. R. que eventualmente deram origem a Israel. morando nas montanhas e usando categorias tribais. Eles seriam os hapiru das cartas de Tell elAmarna. entraram em contato simbiótico com as culturas citadinas. se espalhado. acredita que muito pouco pode ser dito das origens de Israel . mas eram etnicamente diferentes e trouxeram consigo suas próprias estruturas sociais e sua cultura material.4. a partir dali. antigo defensor das teorias de Mendenhall e Gottwald. Com o declínio destas. Eles seriam os hapiru ou os shasu dos textos egípcios. antes defensor da idéia de infiltração pacífica de Albrecht Alt. Eles teriam se assentado em grande número na região montanhosa de Efraim e. um dos mais brilhantes 'minimalistas' da Escola de Copenhague. Eles estavam na região há séculos e pertenciam à cultura amorita siro-palestina do Bronze Médio. por toda a Idade do Bronze. Robert Coote & Keith Whitelam e Rainer Albertz[23]. na proximidade das cidades. J. mas que foram proto-israelitas. propõe que os israelitas eram etnicamente unidos. Niels Peter Lemche. Volkmar Fritz. de Geus.

regionais e religiosos diferentes. diferenças étnicas só apareceram com o passar do tempo. possivelmente da época helenística. no conturbado enfrentamento de grandes potências no século XIII a. por que não creditar à política egípcia o processo de criação de assentamentos sem fortificações. os sobreviventes da fome que se abateu sobre as cidades foram para as montanhas. Mas Lemche vê problemas nesta proposta. ao mesmo tempo que procura superá-la com uma nova proposta nas páginas 75-77. juízes. Afugentados pela seca. Na verdade. Ancient Israel: A New History of Israelite Society pressupõe que o aumento dos assentamentos tenha sido uma conseqüência natural da deterioração das condições de vida das cidades da Palestina durante a última parte do Bronze Recente. 74. Lemche expõe a sua visão no livro de 1998. monarquia unida.C. Entretanto. saindo das cidades. mas pelo aumento da pressão egípcia sobre as mesmas. não há época patriarcal. consolidando o poder do império na região? Pois. levando os habitantes dos povoados a se agrupar em grupos de parentesco.C. linhagens e. motivadas por interesses econômicos. diz Lemche. Diz Lemche que o modelo 'evolucionário' por ele defendido na obra de 1988. a não ser a percepção de um processo gradual de aumento da população nas montanhas da Palestina.. em sua exigência de mais tributos e mais trabalho forçado. pode ter sido causado não pela ausência. Assim o Egito compensava as perdas do comércio internacional. como fator fundamental para explicar o declínio da cultura urbana da Grécia Micénica à Palestina. o Egito transferia parte da população de cidades. por outro lado. The Israelites in History and Tradition. já que esta é um produto pós-exílico. agora improdutivas. p. a fixação dos migrantes. provocada pela perda das rendas do comércio internacional.C. o que hoje se sabe é que a ausência egípcia na região não coincide com o aparecimento dos povoados na região montanhosa da Palestina. no final do processo. assim como outros minimalistas. coloca as mudanças climáticas ocorridas na região do Mediterrâneo entre 1250 e 1200 a. Mas esta proposta não inclui a participação dos nômades na formação desta nova sociedade. em tribos. até cerca de 1200 a.antes do século X a.. William Stiebing.C. Daí. e por outro. políticos. deste modo. possibilitaram o aumento desta população e à . por um lado.C. Condições climáticas mais favoráveis por volta do ano 1000 a. Então. êxodo. e a presença de elementos nômades nestes assentamentos deve ser considerada. Segundo esta explicação. que o afastamento desta população. Lemche. pois ela pressupõe um vazio de poder egípcio na região e a conseqüente decadência das cidades. para novas regiões e garantia os seus rendimentos na região. questiona o uso da Bíblia Hebraica na reconstrução da História de Israel.

Para tais comunidades o grupo do êxodo trouxe as idéias do deus Iahweh. indo de Albright a Lemche. pois colocou em crise a sobrevivência das cidades e exigiu dos povoados das montanhas uma forma mais eficaz de colaboração e cooperação para a sobrevivência. Ele dá pouca importância aos fatores climáticos na explicação dos acontecimentos. Robert Coote & Keith Whitelam vêem as origens de Israel como parte de um processo de integração milenar entre as regiões das cidades e as regiões das montanhas. Daí o massacre das cidades e o aumento populacional dos habitantes das montanhas. Baruch Halpern foi um dos primeiros a descrever o processo de assentamento como uma complexa interação de diferentes grupos nas montanhas: poucos habitantes dos vales. um grupo vindo do Egito com a experiência do êxodo. em seu comportamento ético. mas pelo crescimento populacional tornado possível pelas condições climáticas favoráveis à agricultura. 2. promovendo mais tarde o aparecimento do Estado. pois nos períodos de prosperidade as regiões das montanhas providenciavam recursos para as cidades dos vales. por considerar melhor os pressupostos teóricos do debate atual[24]. processo pelo qual o colapso do comércio internacional forçou os habitantes das cidades a se deslocarem para os povoados das montanhas e aí se desenvolverem. Rainer Albertz faz uma espécie de síntese de várias escolas. levando a um aumento populacional significativo. No surgimento de Israel o colapso do comércio foi o fator mais significativo. muitos habitantes da região montanhosa. Thomas Thompson e Donald Redford. segundo estes autores.4. Robert Drews defende que os 'povos do mar' que invadem a região não eram simples migrantes. não propondo uma teoria específica. que aqui se alinha. A opinião de R. portanto. Com o desenvolvimento destas regiões o comércio foi recuperado. Israel. enquanto que nos momentos das crises elas absorviam as populações que deixavam tais cidades. a idéia de um amálgama pacífico de diferentes grupos nas regiões montanhosas da Palestina para explicar as origens de Israel tem como defensores especialistas como Baruch Halpern. mas mercenários treinados e com armamento superior ao dos exércitos locais. William Dever. Amálgama Pacífico Finalmente. grupos .criação do Estado. Albertz fala de 'digressão'. Gnuse. Processo que pode ser chamado de 'realinhamento' ou 'transformação'. K. inclusive. com mudanças. agora mais igualitário. surgiu não pelo simples deslocamento de determinados grupos. é de que este grupo de pesquisadores prevalecerá sobre os outros.4.

alguns revolucionários. como cidade cliente da Assíria. principalmente. 'bandidos sociais' (social bandits). após a destruição de Lakish por Senaqueribe. que se misturaram com gente que veio das planícies. enquanto o grupo sírio. uns poucos nômades. torna-se líder da região sul. Todos estes grupos foram reunidos pela necessidade de manter rotas de comércio abertas com a ausência do Egito na região. mas. Hoje ele vê o surgimento de Israel entre as populações que praticavam a agricultura na Palestina e rejeita a dicotomia cananeu/israelita.. Por fim. quando Jerusalém. . Progressivamente controlaram também as planícies..C. no século VIII a.C. levando ao surgimento da monarquia. Thompson observa que a população da Palestina permaneceu inalterada durante milênios. distinto dos cananeus. no que diz respeito a Samaria. Donald Redford.vindos da Síria. Toda a 'estória bíblica' do império davídico-salomônico e dos reinos divididos de Israel e Judá é. das propostas de Coote & Whitelam e do modelo de simbiose de Fritz. pura ficção pós-exílica. Na região das montanhas eles progressivamente criaram uma identidade que os diferenciou dos cananeus das planícies. William Dever já foi simpatizante do modelo da revolta de Gottwald. trouxe a circuncisão e a proibição da criação do porco e criou o nome 'Israel' no século XIII a. Anatólia e do Egeu. que são funcionais e não étnicas. para Thompson. O grupo do Egito trouxe Iahweh. Para Dever Israel se formou de refugiados das cidades. também ali se assentaram. A população das montanhas era formada por nativos da região. defende que existe uma diferença entre os habitantes das planícies e os habitantes das montanhas. dizendo que a distinção entre urbano e rural explica as diferenças. principal fator de transformação social e política da região. Thomas L. um dos mais polêmicos 'minimalistas' é ferrenho defensor de uma História da Palestina escrita somente a partir dos dados arqueológicos e crítico de qualquer história e arqueologia bíblicas. egiptólogo.C. movendo-se os grupos entre as cidades das planícies e os povoados das montanhas segundo as estratégias de sobrevivência exigidas pelas mudanças climáticas. mas foi o Israel histórico que produziu o Israel bíblico.. e trazendo consigo o culto a Iahweh. Halpern sublinha ainda que o Israel histórico não é o Israel da Bíblia Hebraica. mas que pastores shasu vindos de Edom. dando início ao futuro Israel. A unidade política de Israel só aparece na época das interferências assírias na região. de agricultores despossuídos. e no século VII a. pastores de outras áreas e imigrantes da Síria.. cananeus saídos das cidades. Ele sugere que o núcleo da população nas montanhas era formado por pastores que se sedentarizaram. Thompson. para ele.

. d. Outros. hoje. b. como o de LEMCHE. Os dados arqueológicos apóiam cada vez menos a versão da conquista tal como está no livro de Josué ou nas explicações dos norte-americanos 3. Quais recursos devem ser usados para se elaborar um modelo explicativo? Certamente a arqueologia. O elemento cananeu cresce em importância na explicação das origens de Israel. Parece provável que em cada região tenha havido um processo social específico que deve ser explicado. a análise minuciosa dos textos bíblicos (exceto para alguns 'minimalistas') e as ciências sociais. de uma revolta de camponeses marginalizados que somam suas forças aos recém-chegados hebreus do êxodo foi o mais discutido até a década de 90. De qualquer modo.. existe uma certeza: ainda surgirão muitos modelos explicativos para as origens de Israel e é possível que a solução definitiva esteja bem distante.Conclusão a. Um modelo apenas explica tudo ou devemos recorrer a vários modelos? Parece que não se pode usar um só modelo para explicar a ocupação de todo o território de Canaã. Leituras Recomendadas . de uma evolução progressiva. A arqueologia é importantíssima para definir o modo como Israel ocupou a região da Palestina 2. Existe algum acordo mínimo sobre a questão? O consenso dos especialistas tende a crescer na seguinte direção: 1. c. A contribuição da antropologia é cada vez maior para explicar estes mecanismos sociais antigos. O modelo de MENDENHALL/GOTTWALD. Qual é o modelo mais aceito na atualidade? O modelo da instalação pacífica (de ALT/NOTH) sempre foi muito considerado. os mais discutidos entre os especialistas. já que o processo de instalação parece ter sido diferenciado conforme as regiões e as circunstâncias. mas são. ainda não conseguiram espaço nos manuais.

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metal que sabiam trabalhar bem e perigosos carros de combate. colocado acima de todos os grupos israelitas autônomos. os israelitas derrotados. Os filisteus não ocuparam todo o país. De acordo com 1Sm 4. um dos "povos do mar" rechaçados pelo Egito. a Arca da Aliança. além de possuírem uma longa tradição militar. haviam ocupado uma fértil faixa costeira no sudoeste da Palestina. Usavam armas de ferro. na região norte. com perigoso precedente de utilização deste poder contra parte da população. Ascensão e Queda de Saul Os filisteus. raras vozes no mundo acadêmico ousariam contestar a versão abaixo para descrever a origem e as características da monarquia israelita. como acontecia nos reinos vizinhos e como demonstra o apólogo de Joatão em Jz 9. Samuel tentou por todos os meios levantar e organizar o povo para uma luta de libertação. Eis o texto: .C. Em vão. Ashdod. cortando as comunicações entre os vários grupos israelitas. foi capturada. como última esperança. proibiram o trabalho em metal em todo o território israelita o que equivalia a um desarmamento geral do povo e à sua dependência dos filisteus até mesmo para os trabalhos mais elementares da agricultura .3. Aí por volta de 1050 a. mas posicionaram-se em postos estratégicos. Gat e Ekron. A saída. em um dos mais brilhantes panfletos anti-monárquicos que se conhece na história. os filisteus atacam e vencem os israelitas perto de Afeq. 3. levada pelos sacerdotes de Silo para o campo de batalha.8-15. Isto aconteceu por volta de 1150 a. foi a escolha de um chefe único. Ou porque viam em Israel uma ameaça às suas rotas comerciais ou por algum outro motivo. Silo.C. Os Governos de Saul. Ascalon.e saquearam os produtos de boa parte do país. Davi e Salomão Até meados da década de 70 do século XX. então.1. destruído. Os filisteus formaram uma confederação de cinco cidades: Gaza. superior às tribos todas em poder. Além do mais. Nem que fosse alguém com poder despótico. os filisteus avançaram com um exército organizado contra os agricultores israelitas.

a fim de balançar-me por sobre as árvores?' Então todas as árvores disseram ao espinheiro: 'Vem tu. que alegra os deuses e os homens. a fim de balançar-me por sobre as árvores?' As árvores disseram então à videira: 'Vem tu. Sobre a ascensão de Saul. a líder do povo. e os nomeará chefes de mil e chefes de cinqüenta. Se não."Um dia as árvores se puseram a caminho para ungir um rei que reinasse sobre elas. e os fará lavrar a terra dele e ceifar a sua seara. Disseram à oliveira: 'Reina sobre nós!' A oliveira lhes respondeu: 'Renunciaria eu ao meu azeite. e reina sobre nós!' E o espinheiro respondeu às árvores: 'Se é de boa fé que me ungis para reinar sobre vós. fabricar as . sairá fogo dos espinheiros e devorará os cedros do Líbano!'". outra que se opõe e alerta contra o perigo do empreendimento (1Sm 8). que tanto honra aos deuses como aos homens. e reina sobre nós!' A videira lhes respondeu: 'Iria eu abandonar meu vinho novo. a fim de balançar-me por sobre as árvores?' Então as árvores disseram à figueira: 'Vem tu. vinde e abrigai-vos à minha sombra. e reina sobre nós!' A figueira lhes respondeu: 'Iria eu abandonar minha doçura e o meu saboroso fruto.1-10.16). "Este é o direito do rei que reinará sobre vós: Ele convocará os vossos filhos e os encarregará dos seus carros de guerra e dos seus cavalos e os fará correr à frente do seu carro. há duas versões opostas que refletem duas tendências: uma que aclama e defende a idéia (1Sm 9. um impetuoso benjaminita.

Das vossas culturas e e das vossas vinhas ele cobrará dízimo. quando o jovem pastor de . Era um chefe militar: mantinha um pequeno exército permanente e regular e seu governo oferecia alguns cargos: seu primo Abner era general de seu exército. após a sua falência. Ele tomará as vossas filhas para perfumistas. acabou rompendo com Saul. segundo o Deuteronomista. Saul e seu filho Jônatas conseguiram uma boa vitória sobre os filisteus reunidos em Gibea e Micmas (1Sm 13-14). Tomará os vossos campos. porém. Mas. podemos dizer que Saul não foi propriamente um rei. na verdade. Mas. Exigirá o dízimo dos vossos rebanhos. avaliando. mas Iahweh não vos responderá. De qualquer maneira. na independência tribal. Entretanto.14-15). Saul teria usurpado funções sacerdotais (1 Sm 13) e violado antigas leis da guerra santa que não favoreciam sua estratégia militar (1Sm 15). é. Saul conseguiu uma vitória sobre os amonitas que entusiasmou o povo e o convenceu de suas capacidades guerreiras (1Sm 11). alguns acham que se pode considerá-lo como herdeiro de uma tradição antimonárquica que se manifesta já na época de Saul. na sempre constante ameaça dos filisteus e principalmente no desentendimento entre a antiga ordem tribal e as exigências da nova ordem. As coisas se agravaram. o que de fato a monarquia representou em Israel. aclamado rei em Guilgal (1Sm 11. Continuou a viver em sua terra.suas armas de guerra e as peças de seus carros. cozinheiras e padeiras. os vossos bois e os vossos jumentos. e os dará aos seus oficiais. a queda de Saul devia acontecer em breve. numa atuação carismática e espontânea. Segundo as fontes bíblicas de que dispomos. reclamareis contra o rei que vós mesmos tiverdes escolhido. significativo representante da antiga ordem. Então. As causas poderiam ser identificadas na ambigüidade de sua posição (rei ou chefe tribal?). Depois disso ele foi. seu escudeiro. Samuel.11-18). e vós mesmos vos tornareis seus escravos. Os melhores dentre os vossos servos e as vossas servas. e não tocou na estrutura interna da organização tribal. pouco foi. colocado na boca de Samuel. as vossas vinhas. os vossos melhores olivais. Davi. um texto deuteronomista. que destinará aos seus eunucos e aos seus oficiais. o que deu a Israel um alívio temporário. naquele dia!" (1Sm 8. ele os tomará para o seu serviço. naquele dia. Se houve mais. Este discurso. Gibea.

1-4). tornou-se seu rival. Segundo as fontes bíblicas. Com efeito. amigo de Jônatas e marido de Mical. dois anos mais tarde. Davi e a Criação do Estado Para substituir Saul não ficara ninguém válido a não ser seu último filho Isbaal. na Transjordânia. Isbaal é assassinado e. Resultado: seus três filhos morreram em combate e ele mesmo. e de lá pretendeu que fosse dada continuidade ao governo de Saul através do fraco Isbaal. Abner refugiou-se com ele em Mahanaim. no Negueb. muito ferido. Davi é também aclamado rei da região norte do território por todo o povo (2Sm 5. 3. Davi e sua tropa oferecem seus serviços ao rei filisteu de Gat. Saul assassinou a família sacerdotal de Silo. . A queda de Saul acontece quando os filisteus partiram mais uma vez de Afeq e. dos vários grupos israelitas. cidade jebuséia situada no sul. Foi só uma pretensão. porque esta defendera Davi (1Sm 22) e a partir daí perseguiu Davi implacavelmente. com o consentimento dos filisteus e o apoio da população do sul. Davi refugiou-se no deserto e formou um bando de guerreiros que fugiam de Saul e atacavam os filisteus. Em seguida. realmente. "se lançou sobre a sua espada" e seu exército foi totalmente desfeito (1Sm 31). Ele não se fez de rogado. Não se agüentando. escolhendo posição favorável. Os filisteus cortaram-lhe a cabeça e fixaram seu corpo e os de seus filhos nos muros de Bet-Shan.C. nesta posição. Saul liderou os israelitas de 1030 a 1010 a. ainda que frágil. através de hábeis manobras políticas. ocuparam toda a terra. Enquanto isso. como exemplo para os israelitas. agora estabelecida em Nob. porém. Os filisteus atacaram repetidamente e foram totalmente derrotados: tiveram que reconhecer a supremacia de Israel e tornaram-se seus vassalos. A batalha estava perdida antes mesmo de começar. Este o acolhe e lhe dá como feudo a cidade de Siclaq. Davi consegue uma união. mas Saul não voltou atrás. Davi dirigiu-se com seus homens para Hebron e. filhos de Saul. entraram em choque com o exército de Saul a noroeste do monte Gelboé.Belém. Assim.C. ele conquista Jerusalém. tornou-se o líder de Judá (2Sm 2. e faz dela a sua cidade. Competia agora a Davi vencer os filisteus e acabar de vez com suas ameaças.2. Então. Isto teria acontecido por volta de 1010 a. Davi.1-5).

Moab. Todos os reis da região. pagavam-lhe tributos. segundo o texto bíblico. na verdade. 1Rs 4. Josafá. comandava os cereteus e os feleteus. uma corte imensa e dispendiosa.3. Seu exército compunha-se de israelitas convocados das várias tribos.15-18). 3. Davi levou para Jerusalém a Arca da Aliança. de maneira austera e modesta. exercendo o direito e fazendo justiça a todo o povo.Segundo o texto bíblico. Mandou matar seu irmão Adonias. logo que se viu garantido no poder. filhos de Aquimelec. comandava o exército. Edom. Criou. Os filhos de Davi eram sacerdotes" (2Sm 8. E o Estado sob Davi funciona. procurando assim manter o consenso da população ao redor da nova instituição. filho de Joiada. eram sacerdotes. mantendo uma administração baseada no respeito às instituições tribais e alguns funcionários. nomeou os chefes dos sacerdotes e fez tudo o que pôde para o culto.e de mercenários estrangeiros.C. também o general Joab e desterrou o sacerdote chefe Abiatar. Os países dominados pagavam tributo. Banaías. Saraías era secretário. Salomão eliminou drasticamente seus inimigos. de sua guarda pessoal . Davi enfrentou tensões surgidas entre a antiga e a nova ordem: por exemplo. Apesar de tudo isto. os arameus etc. Davi governara 39 anos. Salomão e a Consolidação do Estado Salomão não era o herdeiro natural de Davi e sua posse foi recheada de intrigas e inimizades.2223 conta de seus gastos: um absurdo em cereais e carne: . Davi construiu. filho de Aquitob. o recenseamento (com fins fiscais e militares) que ele mandou fazer gerou conflitos e críticas (2Sm 24) e a luta de seus filhos pela sucessão enfraqueceu muito seu prestígio. instituiu-se a corvéia . era o arauto.estrangeiros obrigados a trabalhar grátis nos projetos do Estado – e Davi não interferiu na administração da justiça tribal. filho de Ailud. "Davi reinou sobre todo o Israel. Joab. um grande reino: submeteu Amon. até o Eufrates. Sadoc e Abiatar. Salomão substituiu-o no poder em 971 a. Assim. segundo o texto bíblico. como os cereteus e feleteus. filho de Sárvia.seus homens de confiança desde os tempos da clandestinidade .

500 pessoas. Seus navios eram construídos e tripulados pelos fenícios. Salomão. Construiu uma frota mercante que comerciava até com Ofir (atual Somália) e com todos os portos do Mar Vermelho. uma vez que consumia 20 a 30 vezes mais carne que o grupo de Neemias. Apesar de algumas revoltas nos reinos vassalos e de um possível enfraquecimento de poder. sempre segundo o texto bíblico. . através de suas agências de compra e venda. diz C. conseguiu. Se acrescentarmos ao consumo ainda a farinha. DREHER[1]. gazelas. poder-se-ia imaginar que a corte de Salomão se tenha composto de 3. antílopes. Davi só usava a infantaria. Exportava cobre e outros metais. e cada qual segundo o seu turno". desrespeitando a divisão tribal e nomeando prefeitos estranhos às populações locais.. por exemplo. manter o país nos limites estabelecidos por seu pai Davi. Toda esta atividade comercial gerou uma expansão interna muito grande no país: cidades que se fortaleciam."Salomão recebia diariamente para seu gasto trinta coros de flor de farinha [1 coro = 450 litros] e sessenta de farinha comum. Quanto à administração. no lugar onde fosse preciso.28.000 a 4. Salomão dominou igualmente o comércio da Arábia. Com base nesta notícia.17s. fornecendo "a cevada e a palha para os cavalos e os animais de tração. dez bois cevados. 150 homens eram alimentados por Neemias diariamente com 1 boi e 6 ovelhas. Salomão sabia fazer se respeitar no armamento e na organização militar. mestres na arte da navegação. Embora não fosse um guerreiro. A. cucos cevados". Estes carros foram uma inovação de Salomão. a população que aumentava consideravelmente em número. o número será bem maior". construções de grandes obras públicas por toda a parte.. além de veados. Salomão introduziu novidades enormes. cem carneiros. diz 1Rs 4. vinte bois de pasto. mais algumas aves. Seu exército era poderoso na época e seus carros de combate temíveis. com o controle das caravanas: o comércio de cavalos da Cilícia e do Egito. em geral. Mas sua habilidade revelou-se totalmente foi no comércio e na indústria. enquanto outra parte fazia a rota do Mediterrâneo até a Espanha. como. E tem mais: cada província cuidava da manutenção da corte durante um mês (1Rs 4. A população pagava por este exército.119). a divisão do norte em 12 províncias. "Conforme Ne 5.

a mão-de-obra grátis em Israel (segundo 1Rs 9. recrutado entre o povo. embora haja notícias controvertidas na obra deuteronomista. para continuar a garantir o direito ao tributo? Pode-se recorrer às armas e impor um governo através da força policial.11. NEXT . Vejamos. Com o correr do tempo.27.20-22).. altos cargos distribuídos a gente nascida na corte e que se julgava superior a todos os demais. As obras públicas requeriam dinheiro para sua concretização. O Estado classista estava em pleno funcionamento. Muito interessante é a observação de C.. Usou também. num tempo de paz.) Um motivo religioso lhe será bem mais útil. não mais respeitando as tribos. servindo ao mesmo tempo como santuário nacional e como capela real.Porém. A burocracia estatal requeria um número respeitável de funcionários. se olharmos menos ingenuamente este florescimento todo.C. lhe dará cobertura ideológica para garantir seu Estado e seu direito ao tributo"[2]. sobre os motivos porque Salomão construiu o Templo: "Que fazer. durante 40 anos. A construção do templo.28 também os israelitas foram submetidos ao trabalho forçado para o Estado). forçou seus vassalos estrangeiros e a população cananéia à corvéia (trabalho grátis para o Estado) e usou o trabalho escravo em grande escala nas suas minas e fundições no sul do país (1Rs 9. A. veremos sobre quais bases foi construído. O exército. transferia para o Estado todo o poder religioso. as diferenças de classe e as contradições internas foram se aprofundando até levar à divisão do território. precisava de muito dinheiro para funcionar com eficiência e assim por diante.. cuja arca já se encontra em Jerusalém. Salomão governou a região de 971 a 931 a. Mas isso tem lá seus riscos na época de uma monarquia incipiente (. Sobre a exploração de uma boa parte da população. Informações sobre o Templo de Jerusalém? A atual polêmica com os Palestinos? Confira aqui! A construção do Templo em Jerusalém. a casa de Javé.22 os israelitas não foram submetidos à corvéia. Resultado: Salomão colocou pesados impostos sobre a população israelita. DREHER. mas segundo 1Rs 5.

E. Assim. C. 51. composto pelas tribos de Israel e Judá. a crise começou com as reavaliações da origem. A. hoje não mais aceita por todos. Petrópolis. Thompson (1974).. foram de novo colocadas: O que teria sido o primeiro 'Estado Israelita'? Um reino unido. Esta historicidade. Pois isto que acabo de descrever nada mais é do que uma paráfrase racionalista do texto bíblico. 11. sendo dividido em reinos do 'norte' e do 'sul'? Ou seria tudo isto mera ficção. até mesmo porque muitas das dúvidas hoje existentes sobre o Pentateuco dependem da reconstrução da história de Israel e da história de sua religião[3]. por que a Bíblia Hebraica o descreve? Enfim. Martin Noth e muitos outros. onde mais podemos buscar respostas? 3. vicioso. As Fontes: Seu Peso. 56. não tendo Israel e Judá jamais sido unidos? Existiu um Império davídico/salomônico ou só um pequeno reino sem maior importância? Se por acaso não existiu um grande reino davídico/salomônico. O trabalhador e o trabalho sob o reino de Salomão. em Estudos Bíblicos n. o consenso foi rompido. sustentavam a historicidade da época. o edifício inteiro desabou. E então. era explicada pela Obra Histórica Deuteronomista (OHDtr). DREHER. em que um texto bíblico amparava o outro. Ora. especialmente os estudos feitos por Thomas L. p. 1986. datação e significado das narrativas do Pentateuco.5. Vozes. A Ruptura do Consenso Entretanto.4. C. Seu Uso . dominando todo o território da Palestina e. garantia o J salomônico: um círculo fechado. penso hoje que o chamado ‘consenso wellhausiano’ sobre o Pentateuco e.[1]. questões que pareciam definitivamente resolvidas. ao colocarem o Javista (J) no reinado de Davi e Salomão. assim. curiosamente. que. caracterizada até como "iluminismo salomônico".C.? Além da Bíblia Hebraica. especialmente. quando o J começou a ser deslocado para outra época pelos autores acima citados.. p. [2]. ibidem. E daí se estendeu à História de Israel. DREHER. posteriormente. A. o que teria acontecido na região central da Palestina nos séculos X e IX a. os estudos na linha de Gerhard Von Rad. 3. Hans Heinrich Schmid (1976) e Rolf Rendtorff (1977). John Van Seters (1975). por sua vez.

o obviamente literário tornou-se o obviamente histórico". prossegue. que o ‘antigo Israel’ é um construto erudito. diz Philip R. Para Philip R.. e de certo modo também a do período persa. como denunciou o estudioso britânico Philip R. de Saul ou Davi em diante. 154. tornada objeto de investigação histórica. 51. que pressupõe a família patriarcal. Davies na p. é contraditório.C. E pergunta: "Pode alguém realmente deixar de lado a primeira parte da história literária de Israel. algo que parecíamos conhecer muito bem. Este construto erudito. a literatura bíblica foi composta a partir da época persa. não podemos identificar automaticamente a população da Palestina na Idade do Ferro (a partir de 1200 a. Thomas L. pois a maioria dos estudiosos. "Nós não podemos transferir automaticamente nenhuma das características do ‘Israel’ bíblico para as páginas da história da Palestina (. Ele concluiu. na pressuposição de que. Thompson é contra . A Bíblia. resultante da tomada de uma construção literária. Davies é a postura do norte-americano Thomas L. com o ‘Israel’ bíblico. Davies. pois este constitui apenas uma parte desta região. Thompson. é hoje uma incógnita. Davies. 26. "embora sabendo que a estória de Israel do Gênesis a Juízes não deve ser tratada como história. Considerada mais polêmica ainda do que a de Philip R. estas questões precisam ser recolocadas. Davies na p. com o resto da estória bíblica. Isto significa excluir a literatura bíblica" [sublinhado meu].Claro. até mesmo porque o ‘antigo Israel’. não obstante. a narrativa bíblica. Para o autor. Davies. em seu estudo de 1992. além de suscitar muitos outros problemas. reter a segunda parte e ainda tratá-la como uma entidade histórica?" Para ele uma história de Israel que começa neste ponto deveria ser uma entidade bem diferente do Israel literário. a transformação do Israel literário em um Israel histórico.) Nós temos que extrair nossa definição do povo da Palestina de suas próprias relíquias.). de fato. como demonstram os estudos sobre o Pentateuco.. E. não um dado sobre o qual se apoiar sem mais. conclui Philip R. por ser este o momento em que os reissacerdotes levaram o país o mais próximo possível do ideal presente nas leis bíblicas. a escravidão no Egito. cujo programa é fazer uma história do Levante Sul sem contar com os míticos textos bíblicos e considerando todos os outros povos da região. a conquista da terra que lhe é dada por Deus e assim por diante. não só Israel. que o Estado Asmoneu (ou Macabeu) é que viabilizou. o Israel bíblico é para nós um problema. garante o autor na p. a partir deste ponto. mais para o final do livro. como uma criação literária e histórica é um conceito asmoneu[4]. sugerindo Philip R.

Somente o diálogo entre as posições 2 e 3 podem levar a um resultado positivo. o uso do texto bíblico como fonte válida para a escrita da História de Israel. Em uma das reuniões do Seminário Europeu sobre Metodologia Histórica. Grabbe. pelo menos enquanto muitas ‘Histórias de Israel’ continuarem a ser nada mais do que uma paráfrase racionalista da narrativa bíblica. ignorar o texto bíblico como um todo e escrever uma história fundamentada apenas nos dados arqueológicos e outras evidências primárias: esta é a postura verdadeiramente ‘minimalista’. coordenador do grupo. enquanto outros defenderam que o texto bíblico usado cuidadosa e criticamente é um elemento válido para um empreendimento deste tipo. o pior erro metodológico no uso das fontes é harmonizar a arqueologia com as narrativas bíblicas. mas o problema é que sem o texto bíblico muitas interpretações dos dados tornam-se extremamente difíceis. neste ponto. Na conclusão do livro onde foram publicados os debates deste encontro há uma boa amostragem do problema do uso das fontes. assumir a impossibilidade de se fazer uma ‘História de Israel’. aceitar a narrativa bíblica sempre. E não há como fugir da questão. dar prioridade aos dados primários. Grabbe. Diz o britânico Lester L. concluiu Lester L. 2.qualquer arqueologia e história bíblicas! Para ele. exceto quando ela se mostra como absolutamente falseada: esta é a postura caracterizada como ‘maximalista’. Praticamente todos os membros do seminário ficaram nesta posição 3 ou. se quisermos saber algo sobre a monarquia. que já ficou claro para o leitor a importância do exame das fontes primárias. e ninguém neste grupo a defendeu. alguns dos participantes acabaram classificando qualquer História de Israel como fictícia. por exemplo. Aliás. 4. mas fazendo uso do texto bíblico como fonte secundária usada com cautela. Parece-me. O fato é que as posturas 1 e 4 são inconciliáveis e estão fora das possibilidades de uma ‘História de Israel’ mais crítica: isto porque a 1 rejeita a possibilidade concreta da história e a 4 trata o texto bíblico com peso diferente das outras fontes históricas. tem sido alvo de muitos debates e grandes controvérsias. que parece haver quatro possíveis atitudes a respeito da questão: 1. talvez. entre a 2 e a 3. debatendo o assunto. . 3.

o Obelisco Negro de Salmanasar III. a Estela de Mesha. repassa os problemas metodológicos relativos ao uso de cada uma destas fontes. Assaradon. em quatro níveis: antropologia histórica. menor valor devemos atribuir aos textos da Bíblia Hebraica[5]. por exemplo. ao fazer tal distinção. os Óstraca de Arad. Na localidade de Tel Dan. Fontes primárias: fontes escritas provenientes da Palestina. Fontes Terciárias: livros da Bíblia Hebraica que retomam fontes secundárias. Senaquerib.. TiglatPileser III. em julho de 1993. dos assentamentos humanos. do clima. escritos muito tempo depois dos fatos e com objetivos mais teológicos do que históricos. norte de Israel. Assurbanipal. Sargão II. em escavação sob a direção do arqueólogo israelense Avraham Biran. evidência arqueológica da Palestina e fontes escritas fora da Palestina. especialmente o Pentateuco e a Obra Histórica Deuteronomista. fontes primárias. Biran e J. Dois Exemplos de Fontes Primárias: as Estelas de Tel Dan e de Merneptah Um exemplo de fonte primária muito interessante é a Estela de Tel Dan. O alemão Herbert Niehr. as fontes sobre a monarquia israelita são de quatro tipos diferentes. Naveh em novembro de 1993.6. as Cartas de Lakish. portanto. os Anais de Salmanasar III. todas mais ou menos contemporâneas aos eventos que relatam. da agricultura.Aliás. e do Egito o Faraó Sheshonq. os testemunhos de reis assírios e babilônicos como Adad-nirari III. em Some Aspects of Working with the Textual Sources [Alguns Aspectos do Trabalho com as Fontes Escritas]. a Carta Yavneh Yam. a Inscrição de Tel Dan. podendo ser classificadas. a Inscrição de Siloé.. com uma inscrição em aramaico. Nabucodonosor. os Selos lemelek de Judá. Fontes Secundárias: a Bíblia Hebraica. tais como a Estela de Merneptah. como os livros das Crônicas que retomam a OHDtr. da organização social e da economia de uma região e de sua população. fontes secundárias e fontes terciárias. Antropologia histórica: considera os dados provenientes de estudos da geografia. publicada por A. os Óstraca de Samaria. argumentando que as tentativas para superar as diferenças existentes entre elas devem ser feitas cuidadosamente e concluindo que podemos fazer apenas tentativas de escrever uma História de Israel. sempre sujeita a um processo contínuo de mudança. Cerca . 3. até mesmo porque quanto mais evidência primária tivermos com o avanço da pesquisa. o Calendário de Gezer. foi descoberto um fragmento de uma estela de basalto de 32 por 22 cm.

segundo outra cronologia). a tradução mais provável seria casa de Davi. a menção de Israel como reino. como casa do amado. do Instituto de Exegese Bíblica da Universidade de Copenhague. Ainda: os fragmentos menores são seguramente parte de uma mesma pedra. de Roma. lendo-se dwd não como "David". ou. com enfoque diferente. segundo a Bíblia. também. A polêmica não está encerrada. Mas o que causou grande rebuliço foi um termo encontrado no fragmento maior: bytdwd. Iahweh. sendo um deles.). davídico.C.C. avaliando serem partes da mesma estela e produzindo um texto coerente. Jorão (de Israel) e Ocozias (de Judá) e de ter instalado Jeú no trono de Israel. pois outras traduções são possíveis. quinto ano do governo de Merneptah.C. Qual é o problema? É que. (ou 1208 a. mas em um ponto diferente do primeiro. os nomes dos dois reis. a Estela de Merneptah. Pode ser datada por volta de 1220 a. Aparentemente. ou 1213-1203 a. Datada no século IX a. se bytdwd está no fragmento maior. há o seguinte: Os príncipes estão prostrados dizendo: Paz.C. no caso.de 12 meses mais tarde. estão nos fragmentos menores. Contudo. Entre os Nove Arcos nenhum levanta a cabeça.7-10. contestações a tal leitura continuam a ser feitas. a inscrição foi aparentemente escrita pelo rei Hazael de Damasco. Tehenu .. (estes episódios. mas é incerto se eles pertencem à mesma estela da qual o maior faz parte. é interessante. dois outros fragmentos menores foram descobertos na mesma localidade.C. e foi encontrada em 1896 por Flinders Petrie no templo mortuário do faraó em Tebas. no norte da Palestina. mas como dôd. filho e sucessor de Ramsés II. bytdwd poderia ser o nome de uma localidade. são narrados em 2Rs 8. a grande novidade: seria esta a primeira menção extrabíblica da dinastia davídica e até mesmo da existência do rei Davi. Os arqueólogos agruparam os três fragmentos.. E a leitura "casa de Davi" seria induzida por esta segunda informação. do qual só temos (ou tínhamos) informações na Bíblia Hebraica. Daí. Ocozias. Esta estela comemora os feitos do Faraó Merneptah (1224-1214 a.C. Lá no final da inscrição. Imediatamente nos faz lembrar de outra famosa inscrição. o que teria ocorrido por volta de 841 a.36). como se pode ver em artigo do professor de Estudos Semíticos da Universidade La Sapienza. Dinamarca[6]. Porém. um epíteto para a divindade. Giovanni Garbini ou nas conclusões de Niels Peter Lemche. e celebra sua vitória sobre líbios que ameaçavam o Egito. na qual ele se vangloria de ter assassinado dois reis israelitas.

1998. 2001.. seja qual for a natureza deste “Israel”. 6274. por exemplo. R. Cf. Yanoam está como se não existisse mais. 71. 19952. Ah. Petrópolis. uma referência geográfica. Sheffield Academic Press [1992]. pp. [4]. enquanto outros. dizendo que este Israel pode ser pré-mosaico e não o grupo do êxodo . . L. enquanto outros pensam que seja um grupo nômade das montanhas da Palestina.[=Líbia] está devastado. 38-43. (ed. Mas a identificação de quem ou o que é este “Israel” não é nada simples e tem gerado muitas controvérsias. The Israelites in History and Tradition. tentando desligar este “Israel” da referência bíblica. [6]. Vozes.e William G. traduziram o termo egípcio por Jezrael. Só que alguns acham que é um grupo étnico bem definido. Cf.). Dever vê aqui um ‘proto-Israel”.. L. Sobre a ruptura do consenso e as várias etapas da pesquisa. Gazer foi tomada. John Bright. o importante é que. In Search of ‘Ancient Israel’. e assim por diante. 156-165. Esta é a primeira menção de Israel em documentos extrabíblicos que conhecemos. Sheffield. tanto pode ser aos suprimentos agrícolas quanto à descendência! Mas quando e como surgiu Israel como Estado na região? NEXT [3]. Mas a maioria lê mesmo o termo “Israel” na estela. Can a ‘History of Israel’ Be Written? pp. convido o leitor a ler o artigo A História de Israel no Debate Atual. pp.. Cf. Westminster John Knox. viu a inscrição como seguro testemunho de que Israel já estava na Palestina nesta época . Ascalon está deportada. DAVIES. Ou uma versão mais resumida em Estudos Bíblicos n. Israel está aniquilado e não tem mais semente. O Haru [=Canaã] está em viuvez diante do Egito. e é claro: a referência da estela à “semente” de Israel. a estela de Merneptah atesta a presença desta entidade nas colinas do norte da Palestina e isto pode ter relação com o posterior surgimento do reino de Israel nesta região[7]. Louisville. Canaã está privada de toda a sua maldade. de Niels Peter Lemche. o texto de Herbert Niehr em GRABBE. P.embora tenha acrescentado uma nota na terceira edição do livro. o Hatti está em paz. Para Niels Peter Lemche. Kentucky. [5]. em 1981.

a alemã Christa Schäfer-Lichtenberger sugere que somente a arqueologia não resolverá esta discussão. a questão da origem dos antigos Estados Israelitas passa pela discussão da noção de Estado como forma de organização política. W.7. A Questão Teórica: Como Nasce Um Estado Antigo? Sem dúvida. New York. O processo de desenvolvimento de uma fase para outra passa pelo enfraquecimento dos laços de parentesco e o fortalecimento das ações políticas centralizadas.. Cf. D. 1992. pela transformação da posse comum da terra em propriedade privada dos . 35-38. 145-146. as conquistas e invasões. N.. além da influência dos Estados vizinhos já existentes. G.. LEMCHE. Christa vai distinguir três fases de desenvolvimento do Estado primitivo: o estado primitivo incoativo. Davies sobre As Origens dos Antigos Estados Israelitas. No volume de 1996..[7]. o desenvolvimento da produção e o aparecimento do excedente. Doubleday & Logos Library System. o estado primitivo típico e o estado primitivo de transição. especialmente. Claessen e outros estabeleceram que para se explicar a origem de um Estado é preciso considerar a emergência de vários fatores. The Israelites in History and Tradition. as guerras e as ameaças de guerras. Max Weber e Henri Claessen. tais como o crescimento da população e suas necessidades. editado por Volkmar Fritz & Philip R. N. pp. em FREEDMAN. DEVER. Seguindo especialmente Henri Claessen. (ed. BRIGHT. o surgimento de uma ideologia comum e conceitos de legitimação dos governantes. P. 1997. de um Império davídico/salomônico e que traz dez conferências de renomados especialistas apresentadas em um Colóquio Internacional realizado em Jerusalém sobre A Formação de um Estado. J. pp. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. Archaeology and the Israelite “Conquest”. no qual é apresentada a recente controvérsia sobre a existência ou não de uma monarquia unida em Israel e.). 3. Problemas Históricos. Arqueológicos e Sociológicos no Período da Monarquia Unida em Israel. a cobrança de tributos. Ela questiona a aplicação pura e simples do conceito moderno de “Estado” às formas de organização política das comunidades antigas como forma de se desvelar sua existência e parte para uma discussão teórica na qual tentará definir a noção de Estado a partir dos estudos etnosociológicos de Georg Jellinek. História de Israel.

ele já é um estado de transição. ideologia comum e conceitos de legitimação . – população. estratificação social e produção de excedente. para a autora.) pode ter quatro causas. Em seguida. Christa trata também da ausência de monumentos e inscrições em monumentos nesta época na região e justifica tal ausência dizendo que não se deve colocar Judá-Israel no mesmo nível do Egito ou da Assíria. Christa vai classificar o reino de Saul como um estado incoativo e o reino de Davi como um estado heterogêneo. território. Egito e Assíria não conseguiram hegemonia política sobre esta região nesta época. estratificação. embora já possua algumas características de estado primitivo típico. mas pelos critérios de população. produção de excedente e tributos. segundo a autora. pelos critérios de governo centralizado. elas estariam em Jerusalém. nada registraram c) Os textos não sobreviveram porque foram registrados em papiros d) Os escritos ainda não foram encontrados. independência política e ideologia. é ainda um estado incoativo. onde dificilmente teriam sobrevivido . cada uma independente da outra: a) Não existiu uma entidade política de nome Israel nesta época b) Síria/Palestina. território.meios de produção e pela substituição de uma economia de trocas de bens e serviços em uma economia de mercado. pois Estados com estruturas pequenas ou médias não podem ser medidos pelos mesmos critérios de grandes impérios. considerando sete critérios usados tanto por Weber como por Claessen. fortalecendo o antagonismo de classes. onde tais achados arqueológicos são comuns. por isso. a codificação de leis e a constituição de estruturas jurídicas controladas pelo poder central. E. pois este último.C. Christa é de opinião que as causas b e d oferecem uma explicação suficiente para o silêncio do Antigo Oriente Médio.e usando os dados do Deuteronomista. E mesmo que inscrições em monumentos tenham existido. e. o estabelecimento da taxação regular e constante. 1200-900 a. governo centralizado. como se explica a ausência de documentos escritos extrabíblicos sobre um reino unido? Christa diz que a ausência de documentos escritos no Antigo Oriente Médio sobre Israel na Idade do Ferro I (ca. independência política. até o desenvolvimento de especializações por parte de oficiais estatais.

dizem especialistas de tendência marxista que analisam as sociedades de tipo tributário (também chamadas "asiáticas". Tem-se a impressão de que a leitura da OHDtr é que oferece as categorias etnosociológicas para a análise e não o contrário. como Davi e seus descendentes) e que passa a controlar também o comércio intertribal. através da necessidade de obras conjuntas (defesa contra inimigos. torna-os desnecessários. que inicialmente é uma função (de defesa. Neste tipo de sociedade a escravidão só existe de maneira secundária: o peso da produção não cai sobre os escravos. É um embrião de divisão de classes. mas que passa a ser uma exploração. das tribos líderes sobre as outras tribos etc. passa-se a uma economia tribo-patriarcal baseada em certa hierarquização que permite a acumulação para determinadas camadas: há os privilégios dos homens sobre as mulheres. construção de muralhas. deixaria Thomas L. O estudo é interessante quando questiona algumas posturas pouco elaboradas teoricamente de certos especialistas. de grande obras etc).às reformas religiosas de reis como Josias – por conterem nomes de outras divindades além de Iahweh – ou às maciças destruições militares de que a cidade foi vítima[8]. pois a propriedade coletiva da terra. na sociedade tributária o comércio é possível só a partir da acumulação do excedente feita pelo Estado. trabalhos de irrigação. A mãode-obra é familiar. por exemplo) e da dominação de uma linhagem superior que se impõe sobre as outras (família do líder. Da economia de auto-subsistência. Aliás. através do desenvolvimento das forças produtivas. Thompson desconfiado e Niels Peter Lemche contrariado! Para ficar ainda no campo da discussão teórica. As contradições da sociedade tribal aumentam progressivamente até provocarem o aparecimento do Estado. do primogênito sobre seus irmãos. que continua como na época tribal. porque mais comuns naquele continente) que a sociedade tribal de tipo patriarcal já representa uma forma típica de transição da comunidade primitiva para a sociedade de classes. Da economia tribo-patriarcal passa-se à economia do Estado tributário. . mas o restante deixa uma sensação de “dèjá vu”! As categorias sócio-antropológicas da autora sobre o Estado me parecem insuficientes – especialmente quando confrontadas com as várias tentativas marxistas na área – e ela não escapa de uma leitura do Deuteronomista como sua fonte principal. No mínimo. detectável em Israel já no período conhecido biblicamente como "dos juízes". anterior ao Estado.

e especialmente da Palestina. E Lemche define como típico de uma sociedade patronal sua organização vertical. pouco a pouco. que durante as discussões em Dublin. do qual já falamos acima. O indivíduo passa assim. mas o Estado detém o poder religioso através dos templos. O despotismo do governo é também uma conseqüência da formação de classes. é que se buscam outras soluções. onde no topo encontramos o patrono [patron]. A terra pertence a Iahweh em Israel. e abaixo dele seus clientes [clients]. o Estado tributário que inicialmente nascera com funções públicas (defesa. um membro de uma linhagem líder. a ser um autêntico poder de classe (a classe que se constitui nele) para manter e aumentar a exploração. ele não é a sua causa. testemunhados pela Assíria. profetas e juízes pagos pelo governo. 1500-1200 a. mas os participantes do seminário fizeram objeções a duas concepções: uma é a de que o construto literário do ‘Israel bíblico’ pode ser diretamente traduzido em termos históricos. normalmente homens e suas famílias. Como a de Niels Peter Lemche que. na sociedade tributária. ninguém negou a existência de um ‘reino de Israel’. organização etc) passa. editado por Volkmar Fritz & Philip R.C. controlando a vontade da divindade através dos sacerdotes. assim como de um ‘reino de Judá’. na conclusão do volume sobre o primeiro Seminário Europeu sobre Metodologia Histórica. por duas mediações: da comunidade tribal a que pertence e do Estado tributário[9]. A grande contradição interna desta organização: coexistência de estruturas comunitárias e de estruturas de classe. no Período do Bronze Recente (ca. Por tudo isto. as sociedades tributárias ficam estagnadas no seu nível social.Assim. no volume de 1996. Se ela não evolui. em 1996.). .8. 3. As Soluções de Lemche e de Finkelstein & Silberman Lester G. e a outra é a de que ‘Israel’ deve canalizar e dominar o estudo da região na antigüidade. O Estado é conseqüência da exploração de classe. freqüentemente chamado de ‘sistema social mediterrâneo’ parece ter sido onipresente em sociedades com um certo grau de complexidade. mas que não constituíam ainda Estados burocráticos. A descrição bíblica de um grande Império israelita foi tratada com muito ceticismo [sublinhado meu]. propõe o conceito de sociedade patronal [patronage society] para explicar a variedade social da Síria. Este modelo. Grabbe nos lembra. Davies sobre As Origens dos Antigos Estados Israelitas.

com juramento de lealdade do cliente ao patrão e de proteção do patrono para o cliente. Daí. pp. o restabelecimento de um sistema patronal semelhante ao anterior[10]. organizados sem um sistema de proteção como o do patrono – o assim chamado ‘rei’ – ou com patronos locais. que não está cuidando de seus interesses na região. o aparecimento dos povoados da região montanhosa do centro da Palestina representa.C. A crise da Palestina que aparece nas Cartas de Tell el-Amarna (século XIV a. no capítulo sobre a monarquia davídico-salomônica de seu livro The Bible Unearthed. Descrevendo as características do território de Judá. enquanto que para os estudiosos representavam. segundo Lemche. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts.) pode ser explicada. Davi e Salomão representam uma idade de ouro. por povoados. 123-145. Em tal sociedade. foi. escassamente habitado e isolado no período atribuído pela Bíblia a Davi/Salomão: é o que a arqueologia descobriu. a crise se abateu sobre o "império" davídico-salomônico. o primeiro período bíblico realmente histórico. a (falsa) percepção dos pequenos reis das cidades de Canaã de que foram abandonados pelo faraó. houve uma crise social na Palestina no final do Bronze Recente. a partir desta realidade: os senhores das cidades-estado palestinas vêem o faraó como seu patrono e reivindicam sua proteção em nome de sua fidelidade. seguindo normas burocráticas. E a proposta de Lemche para o que pode ter acontecido é a seguinte: as fortalezas do patrono foram substituídas por estruturas locais. The Free Press. simplesmente. códigos de leis não são necessários: ninguém vai dizer ao patrono como julgar. 2001.C. Hoje. . de fato. Pois o que aconteceu no século X a. um intervalo entre dois períodos de sistemas patronais mais extensos e melhor estabelecidos. para os leitores da Bíblia. o Estado egípcio não os vê do mesmo modo e os trata de modo impessoal. Sem dúvida. e colocam aquela que é para eles a questão chave: o que diz a arqueologia sobre Davi/Salomão? Para Finkelstein e Silberman a evolução dos primeiros assentamentos para modestos reinos é um processo possível e até necessário na região. concluem que este permaneceu pouco desenvolvido. Portanto. New York. porém. os argumentos pró e contra a postura dos minimalistas. Já Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman. E se perguntam: Davi e Salomão existiram? Mostram como os minimalistas dizem: "não". nos lembram como. até recentemente.Lemche explica que a ligação entre patrono e cliente é de tipo pessoal.

C. se perguntam os autores na p.15. Hasor e Gezer? Em Meguido P. enquanto que os "estábulos" seriam da época de Acab. dificilmente. escavada por Benjamin Mazar em 1948-1950. o Melo e o muro de Jerusalém. Teoricamente é possível que os israelitas da região montanhosa tenham controlado pequenas cidades filistéias como Tel Qasile. as "portas salomônicas" de Hasor. mas e Meguido. bem como Hasor. Meguido ou Bet-Shean. Meguido. Durante muitos anos. nas décadas de 20 e 30. e estes. isto era atribuído a Davi por causa das narrativas de Samuel. da Universidade Hebraica de Jerusalém. da Universidade de Chicago. O.19. Yigael Yadin descobriu. A postura mais otimista aponta para um vilarejo no século décimo.C. que diz: "Eis o que se refere à corvéia que o rei Salomão organizou para construir o Templo de Iahweh. nas décadas de 70 e 80.E Jerusalém? As escavações de Yigal Shiloh..9. E o contraste entre Meguido e Jerusalém? Como um rei constrói fabulosos palácios em uma cidade provincial e governa a partir de um modesto povoado? . Mas e as conquistas davídicas? Até recentemente. L. portanto. Na década de 50. ou até mesmo cidades cananéias maiores como Gezer. Mas o modelo arquitetônico dos palácios salomônicos veio dos palácios bit hilani da Síria. na mesma época seria composto por cerca de 20 pequenos povoados e poucos milhares de habitantes. Gezer e Meguido foram o mais poderoso suporte arqueológico ao texto bíblico. um grande império davídico. nada foi encontrado. Y.C. enquanto que o resto de Judá. Também a chave aqui foi 1Rs 9. em qualquer lugar em que se encontravam cidades destruídas por volta do ano 1000 a. o que o leva à seguinte conclusão: os palácios [a Universidade de Chicago encontrara outro antes] e a porta de Meguido são salomônicas. Mas será que o fizeram? E o glorioso reino de Salomão? Em Jerusalém.12. na Jerusalém das Idades do Bronze e do Ferro mostram que não há nenhuma evidência de uma ocupação no século X a. Yadin escava novamente Meguido e faz a descoberta de um belo palácio que parecia ligado à porta da cidade e abaixo dos "estábulos". pelo menos meio século após a época de Salomão. na década de 60. Guy. rei de Israel do norte no século IX a. estas "portas salomônicas" de Hasor.C. Gezer e Meguido. Sua interpretação dos edifícios achados se baseou em 1Rs 7. Gazer [=Gezer]". os "estábulos" de Salomão. 140. ou identificou nas descobertas de outros. descobriu. seu palácio. Mas. "Como poderiam os arquitetos de Salomão ter adotado um estilo arquitetônico que ainda não existia?".15. só aparecem no século IX a. se descobriu. tendo havido.

.. Enfim: a arqueologia mostra hoje que é preciso "abaixar" as datas em cerca de um século [anoto aqui que esta "cronologia baixa" de Finkelstein tem dado muito o que falar nos meios acadêmicos!].C. seu governo não possuía nenhum império. de Davi e Salomão só podemos dizer que eles existiram .. Mas. qual era a natureza do reino de Davi?" (p.C. por último. Dizem os autores: "Não há razões para duvidarmos da historicidade de Davi e Salomão. nem uma magnífica capital.. pp. fundamentava as conquistas davídicas. Nós últimos anos.e que sua lenda perdurou" (p. O que se atribuía ao século XI é da metade do século X e o que era datado na época de Salomão deve ser visto como pertencendo ao século IX a. mais escasso. com grupos continuando o pastoreio. estimativa populacional: dos 45 mil habitantes da região montanhosa. do século IX a. povoamento mais denso. nem uma espetacular capital. Davi e seus descendentes? "No século décimo. e as construções das monumentais portas e palácios de Hasor. de Jerusalém para o sul. 140: "Agora nós sabemos que a evidência arqueológica para a grande extensão das conquistas davídicas e para a grandiosidade do reino salomônico foi o resultado de datações equivocadas". e se não existiu um grande império.. muitos motivos para questionarmos as dimensões e o esplendor de seus reinos. os estilos arquitetônicos e as cerâmicas de Hasor. cerca de 40 mil habitariam os povoados do norte e apenas 5 mil se distribuíam entre Jerusalém. nenhum documento escrito. segundo. de Jerusalém para o norte. Primeiro. nem monumentos. Dois tipos de evidência fundavam os argumentos em favor de Davi e Salomão: o fim da típica cerâmica filistéia por volta de 1000 a.Pois bem.. Gezer e Meguido atribuídos à época salomônica são.C. dizem Finkelstein e Silberman na p. sim. Arqueologicamente. Há. e. 142). do ponto de visto demográfico.. onde os seus argumentos são mais detalhados]. pelo menos.C. entretanto.. 340-344. Hebron e mais uns 20 pequenos povoados de Judá.. nem cidades com palácios. estas evidências começaram a desabar [aqui os autores remetem o leitor ao Apêndice D.... de fato. 143). nenhum sinal de uma estrutura cultural necessária em uma monarquia. testes com o Carbono 14 em Meguido e outras localidades apontam para datas da metade do século IX a. Gezer e Meguido testemunhavam o reino de Salomão. a cerâmica filistéia continua após Davi e não serve mais para datar suas conquistas. O quadro é o seguinte: região rural.

). N. DIETRICH. FRITZ. Então. o ambiente desta época é que serviu de pano de fundo para a narrativa de um mítica idade de ouro. “Minimalism” is an invention. The Free Press. pp. Rio de Janeiro." and Anti-Semitism. In Search of ‘Ancient Israel’. 10. 1996.C. New York. F. 1997 FINKELSTEIN. Josias era o novo Davi e Iahweh cumprira suas promessas "O que o historiador deuteronomista queria dizer é simples e forte: existe ainda uma maneira de reconquistar a glória do passado" (p. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. (org.. P. C. V. Campus. & DAVIES. (ed. I. . DONNER. os artigos A História de Israel no Debate Atual e Pode uma ‘História de Israel’ Ser Escrita? CARDOSO. acabara com o ciclo idolátrico da época dos Juízes e concretizara a promessa feita a Abraão de um vasto e poderoso reino. quando o Deuteronomista escreveu sua obra no século VII a. Jerusalém tinha todas as estruturas de uma sofisticada capital monárquica. The Origins of the Ancient Israelite States. Nova visita a um velho conceito. & SILBERMAN. Jahrhundert v. Modo de produção asiático.. P. "Ancient Israel. S. R. Die frühe Königszeit in Israel. em Bible and Interpretation. New York. Sheffield Academic Press [1992]. 1992. História de Israel e dos Povos Vizinhos I. 197-268. D.. Conceito de modo de produção. N. Sheffield. The Bible Unearthed. Stuttgart/Berlin/Köln. Ph. R. Uma bem elaborada teologia ligava Josias e o destino de todo o povo de Israel à herança davídica: ele unificara o território.). DAVIES. 1997. 1997 [20043]. Minimalism. FREEDMAN. 19952. Chr. GEBRAN.. DAVIES. (org. Rio de Janeiro.. W.). Kohlhammer. R. 144) Leituras Recomendadas Ayrton’s Biblical Page: Cf. (eds. 1990. or a group. 2001... H. São Leopoldo. Sheffield Academic Press. Sinodal/Vozes.Entretanto. Doubleday & Logos Library System. None of the “minimalist” scholars is aware of being part of a school. A. Sheffield. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM.). 2002. P.

. Sheffield. PIXLEY.. Westminster John Knox. (org. (eds. L. The Origins of the Ancient Israelite States. R.). et alii. P. 1996. (ed.. (eds. FIORAVANTE. um pressuposto não discutido aqui. O Reino de Israel . Sheffield Academic Press. Sociological and Biblical Views of the Early State. 1999. 78-105... em FRITZ. L. Cf. 1978. pp. Rio de Janeiro. R. Vozes.). 106-120. N. 1996. & DAVIES. V. 22-36. The Israelites in History and Tradition. 1978. Vozes. LEMCHE. A Social-Science Commentary. LEMCHE. V. P. E. The Origins of the Ancient Israelite States. J. 1998. 11. Ph. C. [10]. SCHWANTES. pp. P. Sheffield Academic Press. [9]. Sheffield. VAN SETERS. em GEBRAN. Trabalhador e trabalho. Louisville. From Patronage Society to Patronage Society. Estudos Bíblicos n. 1986. Do modo de produção asiático ao modo de produção capitalista. em FRITZ. 4.. pp. Paz e Terra. N. pp. Petrópolis. SCHÄFER-LICHTENBERGER. J. M.). mas que pode ser visto em detalhes no artigo A História de Israel no Debate Atual. A História de Israel a Partir dos Pobres. Kentucky. GRABBE. 131-155.). Cf. Can a ‘History of Israel’ Be Written? Sheffield. 20049. P. 1997. Sheffield Academic Press. & DAVIES. The Pentateuch. Conceito de modo de produção. Petrópolis. toda a discussão sobre as origens dos Estados israelitas passa também pela discussão anterior sobre as origens de Israel. Sheffield. Como parece ter ficado claro. NEXT [8].Paz e Terra. Cf. Sheffield Academic Press.

meu pai vos castigou com açoites. Mas ele rejeitou o conselho que os anciãos lhe deram e consultou os jovens que foram seus companheiros de infância e o assistiam. e perguntou: 'Que me aconselhais a responder a este povo?' Eles lhe responderam: 'Se hoje te sujeitares à vontade deste povo. em 722 a. mas eu aumentarei ainda o vosso jugo. "Disseram assim a Roboão: 'Teu pai tornou pesado o nosso jugo. seus companheiros de infância.). especialmente porque o norte tinha consciência da exploração a que era submetido pelo poder central e levantou. então eles serão para sempre teus servidores'. Quando o norte se rebelou. Proclamado rei em Judá. Podemos seguir o desenrolar dos acontecimentos a partir do capítulo 12 do primeiro livro dos Reis.1. escolheu para seu rei a Jeroboão. Roboão (931-914 a.. que se encontrava exilado. caso fossem retiradas as pesadas leis impostas ao povo por seu pai Salomão. e eu vos açoitarei com escorpiões!' " (1Rs 12. mas foi desaconselhado. constituído pelas 10 tribos rebeldes. até ser massacrado pelo poderoso Império assírio. com a morte de Salomão. alivia a dura servidão de teu pai e o jugo pesado que ele nos impôs e nós te serviremos' (. agora. E o reino do norte existiu durante 209 anos. Roboão não aceitou as condições e foi a gota d'água. Roboão quis partir para a repressão armada. Israel do norte. foi a Siquém para que o norte o aclamasse senhor também das outras tribos..).. agora chamado de Israel. então.. A Rebelião Explode e Divide Israel Para começar.) Os jovens. pois assim debilitados viram-se ameaçados pelos inimigos externos e deixaram suas rixas para acertar mais tarde. desabou a unidade do reino. separou-se do Estado davídico que permaneceu em Judá. Inicialmente nem guerra houve entre os dois países irmãos..Segundo o texto bíblico. Perguntou-lhes: 'Que aconselhais que se responda a este povo' (. O norte. os israelitas impuseram-lhe uma condição: aceitariam o seu governo.3-11).) O rei Roboão consultou os anciãos que haviam auxiliado seu pai Salomão durante sua vida. um nobre da tribo de Efraim e inimigo de Salomão. em 931 a. podemos anotar que o processo de sucessão de Salomão não foi bem visto. . se te submeteres e dirigires boas palavras. filho de Salomão. Samaria ou ainda Efraim. Em Siquém. a bandeira da rebelião. 'Meu dedo mínimo é mais grosso que os rins de meu pai! Meu pai vos sobrecarregou com um jugo pesado.C. eis o que lhes responderás...C. chamado doravante simplesmente de Israel. 4.C. responderam-lhe: 'Eis o que dirás a este povo (.

C. no extremo norte. sob outro rei. perto de Jerusalém. Rejeitando o governo de Jerusalém. E isto deu o que falar. era o povo. todas as suas possessões estrangeiras: definitivamente os tempos do Israel forte haviam acabado. como sempre. Israel caracterizou-se pela instabilidade política. Por outro lado. assassinatos e chacinas várias. tanto Israel quanto Judá eram fracos demais para dominar seus vizinhos. no sul. Reis de Israel Nome Jeroboão I Nadab Baasa Ela Zimri Omri Acab Ocozias Jorão Data 931-910/9 a. No curto espaço de 209 anos. tanto o norte quanto o sul perderam. onde permaneceu apenas 5 anos.Jeroboão escolheu a cidade de Siquém para capital do seu reino. A incerteza quanto à localização da capital e ainda o perigo da pressão estrangeira (Fenícia. Jeroboão construiu dois touros de ouro e colocou-os em antigos santuários: Dan. Os mesmos camponeses e pescadores antes explorados pelo sul. 910-909 909/8-886 886/5-885 885/4 885/4-874 874/3-853 853-852 852-841 Duração 21 anos 2 anos 22 anos 2 anos 7 dias 11 anos 21 anos 2 anos 11 anos . passaram a sê-lo pelo norte. Síria e Assíria) fizeram do novo país um foco de problemas e de crises sucessivas. como dizem ter feito Davi e Salomão. os nortistas rejeitaram também o Templo e as peregrinações nas grandes festas. E quem saía perdendo. e Betel. a capital definitiva. já era a idolatria que dominava o norte. teve 19 reis de diferentes dinastias que se sucederam com golpes de Estado. segundo o texto bíblico. embora a intenção do rei fosse apenas reavivar o culto naqueles santuários. Para substituir o Templo e mesmo para evitar que o povo fosse a Jerusalém e passasse para o lado de lá. Só mais tarde. foi construída Samaria. Divididos. Transferiu-a seguidamente para Penuel e Tirsá. Para o sul.

leia o episódio exemplar da vinha de Nabot (1Rs 21). Para termos uma idéia da situação: a partir desta época ficou muito comum o camponês se vender ao rico credor para saldar suas dívidas. o progresso do país empobrecia largas camadas da população e levava a exploração classista ao máximo. rei de Tiro. O intenso comércio com a Fenícia aumentou a riqueza da classe dominante em Israel. casando seu filho Acab com Jezabel. Sob Acab. Israel de Jeroboão I a Jeroboão II De Jeroboão I a Omri (cerca de 50 anos) houve muita instabilidade em Israel. Levou vantagem no confronto com Moab e com os arameus de Damasco.. Faltava dinheiro no país? O povo precisava de empréstimos? Os privilegiados emprestavam a juros exorbitantes. Fez aliança com a Fenícia. O rei . como sempre. se suicidou. A lavoura não produzia quando a seca era forte? Os ricos vendiam mantimentos à população camponesa. filho de Omri. em "suaves prestações".2.e sua gloriosa corte . para capital do reino e desenvolveu bastante o país. por sua vez. Nadab foi assassinado por Baasa. Omri construiu Samaria em 880 a. Ou entregava seus filhos. Houve também vários conflitos com Judá por causa das fronteiras. que deu um golpe militar em 885 a. seu filho Ela foi também assassinado por Zimri. Omri. Quem quiser conferir. .C.C. filha de Etbaal. Porém.Jeú Joacaz Joás Jeroboão II Zacarias Salum Menahem Pecahia Pecah Oséias 841-813 813-797 797-782 782/1-753 753 753/2 753/2-742 742/1-740 740/39-731 731-722 28 anos 16 anos 15 anos 29 anos 6 meses 1 mês 11 anos 2 anos 9 anos 9 anos[1] 4... a situação do povo era muito difícil. trabalhando como escravo.puxava a procissão das explorações. que. foi um válido artífice da paz com Judá. quando viu a morte trazida pelo general Omri.

Elias tornou-se no seu tempo um símbolo da fidelidade a Iahweh. Originário do Galaad. a dinastia de Omri vai cair de maneira violenta: Jeú. sob o governo de Ozias. o rei de turno.C.graças a uma série de circunstâncias favoráveis. em 841 a. Mas Jezabel arrastou a corte toda e a aristocracia atrás de si neste culto. Encontrando muita oposição entre as autoridades religiosas e entre o próprio povo explorado. Jeroboão II. Suas ações estão narradas em 1Rs 17-22 e 2Rs 1-2. O profeta Elias. os dois reinos começaram a sua expansão. vai lutar com todas as forças contra tamanha deterioração do javismo e de seus ideais de justiça. E então.também Judá. cresce bastante nesta mesma época .C. dá um golpe militar sangrento. Esta. assassinando toda a família de Jorão. o mais sério deles sendo a exploração da maioria da população. Mas com a subida ao trono de Jeroboão II (782/1-753 a.Em Samaria. levou a fronteira norte de seu país onde anteriormente a colocara Salomão (2Rs 14. A Síria fora vencida pela Assíria. atravessava um período de dificuldades. livres de pressões maiores. rei de Damasco. Resultado: por todo o país proliferaram os sacerdotes de Baal. Até aí tudo bem. segundo a interpretação deuteronomista dos livros dos Reis.23-29). embora de forma lendária e extremamente carregadas pelas cores teológicas do Deuteronomista. que a idolatria e o abandono do javismo era um problema muito sério. Havia paz entre os dois reinos irmãos. . Jeú e seus descendentes enfrentaram graves problemas na política externa: Jeú pagou tributo ao rei assírio Salmanasar III e perdeu a Transjordânia para Hazael. Tomou Damasco e submeteu a Síria.. como demonstra o significado de seu nome (Elias = só Iahweh é Deus). com a aprovação do profeta Eliseu. contemporâneo de Acab. por sua vez. inclusive as regiões da Transjordânia até Moab. que prontamente percebeu o perigo por ele representado contra o seu culto e os seus privilégios. de âmbito nacional e causador de todos os males que dominavam o país. bom militar. Perseguido pela rainha Jezabel. Elias faz ver ao povo. Acab construiu um templo para sua mulher Jezabel cultuar seu deus Baal.) o país se recupera . Isto era costume naquela época.

os profetas Amós (ca. À desintegração social somou-se a religiosa.) destacaram-se na denúncia da situação em que se encontrava Israel. bem providos do bom e do melhor. endividados.. Nesta época. Os pequenos agricultores. Porém.C. .. viam-se nas mãos de seus credores. regados a bom dinheiro. Em Samaria os arqueólogos encontraram os restos de esplêndidos edifícios.) e Oséias (755-725 a.C. 760 a. O sistema administrativo adotado por Jeroboão II foi aquele mesmo próspero e injusto de Salomão: concentração da renda nas mãos de poucos com o conseqüente empobrecimento da maioria da população. a religião javista foi sendo colocada de lado em favor de outros deuses menos exigentes quanto à justiça e à igualdade social.Israel controlou as rotas comerciais de então. mais uma vez. provas da riqueza alcançada. Com os santuários cheios de adoradores. só achavam a razão do lado dos ricos. o povo. enquanto os tribunais. Criaram-se extremos de riqueza e de pobreza.

. dal (fraco) e 'anaw (pobre). na casa de seu deus. ao lado de qualquer altar. com o mínimo para sobreviver e que corre sério risco de perder casa. e bebem vinho daqueles que estão sujeitos a multas.6-8 Assim falou Iahweh: Pelos três crimes de Israel. designa as principais vítimas da opressão na sua época. não o revogarei! Porque vendem o justo (tsaddîd) por prata e o indigente ('ebyôn) por um par de sandálias. 'ebyôn (indigente). com os termos tsaddîq (justo). Sob estes termos. um homem e seu pai vão à mesma jovem para profanar o meu santo nome. Amós aponta o pequeno camponês. terra e liberdade com a política expansionista de Jeroboão II. Amós. Eles se estendem sobre vestes penhoradas. Eles esmagam sobre o pó da terra a cabeça dos fracos (dallîm) e tornam torto o caminho dos pobres ('anawim) .Am 2. pobre. pelos quatro.

improvisam ao som da harpa.11). são os que aceitam suborno na administração da justiça (5. mas não se preocupam com a ruína de José.Am 6.12). são as senhoras da alta sociedade (4. inventam para si instrumentos de música. são os que controlam o comércio (8. "Amós. bebem crateras de vinho e se ungem com o melhor dos óleos. . comem cordeiros do rebanho e novilhos do curral. político e judicial"[2] . Estes são. como Davi. São os que vivem em palácios e acumulam (3. os opressores de sua época. estendidos em seus divãs. identifica os opressores com os que detêm o poder econômico.4-6). Enfim. segundo Amós. são os que constroem boas casas e plantam excelentes vinhas (5.1).4-6 Eles estão deitados em leitos de marfim.10).4-6). como outros profetas após ele. são os que vivem no luxo e na boa vida (6.

e o sangue derramado soma-se ao sangue derramado. É a experiência ou vivência do javismo que está em jogo.Os 4. causadas pela falta de conhecimento: perjúrio. NEXT . adultério. mentira. Portanto. Oséias está dizendo que o problema em Israel é que não há mais espaço para os valores do javismo e isso causa a desagregação da sociedade. roubo. que se manifesta como ausência de fidelidade ('emeth) e solidariedade (hesedh) as desordens sociais. a raiz mais profunda do mal é a falta de conhecimento de Deus.1-3 Ouvi a palavra de Iahweh. Que não é conhecimento intelectual ou cultual. as aves dos céus e até os peixes do mar. adultério e violência. pois Iahweh vai abrir um processo contra os habitantes da terra. desfalecerão os seus habitantes e desaparecerão os animais selvagens. nem conhecimento de Deus (da'at 'elohîm) na terra. homicídio a morte. As feras. O homem fenece. Temos aqui três categorias negativas superpostas: o o o a falta de conhecimento de Deus (da'at 'elohîm). segundo Oséias. Por isso a terra se lamentará. porque não há fidelidade (‘emeth) nem solidariedade (hesedh). assassínio. filhos de Israel. Mas perjúrio e mentira. com a desagregação do universo. assassínio e roubo. os pássaros e os peixes desaparecem.

filho de Menahem. Há várias cronologias possíveis para o período dos reis. filho de Jeroboão II.. governou de 740/39 a 731 a.C. São Leopoldo/Petrópolis. seis reis se sucederam no trono de Samaria. reinou de 742/1740 a. Seu coração é como um forno em suas insídias. 1987.C. e ele estendeu a sua mão aos petulantes quando se aproximaram.): foi assassinado Menahem ben Gadi (753/2-742 a. O profeta Oséias lamenta o golpismo da época: "No dia de nosso rei. Cf. o exército. L. Salum. E. os cidadãos (os habitantes da cidade). De 753 a 722 a.C.3. governou 6 meses (753 a. 4. filho de Ela. [2]. Estou seguindo a de PAVLOVSKY. em Biblica 45 (1964). . Die Jahre der Könige von Juda und Israel. M. assassinou Pecah e foi o último rei do norte. Pecah e Oséias) e 4 assassinatos (assassinados: Zacarias.C.[1].. Houve 4 golpes de Estado (golpistas: Salum. abalado por assassinatos e golpes sangrentos. Pecahia e Pecah): o o o o o o Zacarias./VOGT. Paulus. Todos eles estão quentes como um forno.) já teria começado a pagar tributo à Assíria Pecahia (= Facéias). 321-347. 1990. p. a noite inteira dorme a sua ira. são: os sacerdotes (Templo). filho de Romelias. J.C. A Assíria Vem Aí: Para Israel é o Fim Com a morte de Jeroboão II desabou tudo o que ainda restava em Israel. os senhores de escravos. Amós. os juízes. 36-48 diz que os opressores de Israel. Meditações e Estudos.C. pp. Roma. SCHWANTES.C.. pp. A justiça social nos profetas. Menahem. pela manhã ela arde como uma fogueira. apesar de tudo. São Paulo. 200. SICRE. os príncipes ficaram doentes pelo calor do vinho. Oséias.) e foi assassinado Salum ben Jabes governou 1 mês (753/2 a. V. de 731a 722 a. Sinodal/Vozes. e foi assassinado Pecah (= Facéia). segundo Amós.

queria que Judá se aliasse a ele.C. conquistando algumas cidades de Judá. e é a chamada guerra siro-efraimita. Todos os seus reis caíram.5-7). Pacificou os medos no norte do Irã. Então. Não há entre eles quem me invoque" (Os 7. sabiamente não quis. Os filisteus. A saída foi pedir o auxílio da Assíria. Em 738 a.C. E o oficial que subiu ao poder imediatamente tornou-se chefe de uma coalizão anti-assíria que congregava a Síria. Israel começou a pagar-lhe tributo possivelmente já sob o governo de Menahem. A grande ameaça internacional era a Assíria. o eterno rival da Ásia Menor do controle do comércio do Mediterrâneo. Tiglat-Pileser III já submetera grande parte da Síria e da Fenícia. Invadiram o Negueb e a planície da Shefelah. Judá foi invadido por três lados e não tinha como resistir. pôde ocupar-se com o oeste: começou pela Síria. Foi um imposto per capita que atingiu cerca de 60 mil proprietários de terras. Em 745 a. Ele começou por resolver os problemas com os babilônios no sul da Mesopotâmia. Mas grupos patrióticos assassinaram em Israel o rei submisso à Assíria. ao norte.C. Derrotaram as tropas de Judá em Elat e destruíram a cidade.C. . Judá. que dependiam de Judá.devoram seus juízes. Isaías foi contra este passo e avisou Acaz de que suas conseqüências seriam terríveis. Isto foi no ano de 734 a. Deste modo. também dominados por Judá. Por que a Assíria ambicionava a região? Por causa: o o o o da madeira e dos recursos naturais do Egito. dominando-os. Em Judá reinava Acaz. o rei de Damasco e o rei de Israel invadiram Judá pelo norte e cercaram Jerusalém. este era seu nome. subiu ao trono assírio um hábil rei: Tiglat-Pileser III. Depois. contra a qual efetuou várias campanhas a partir de 743 a. igualmente não perderam tempo. tomou Urartu. os filisteus e outros. Pecah. Em seguida. Os edomitas. aproveitaram a ocasião e declararam sua independência.

Mas o rei da Assíria descobriu que Oséias o traía: é que este havia mandado mensageiros a Sô. Pecah de Israel foi assassinado e seu sucessor. "Salmanasar. isto é. como o fazia todo ano. Faltava só Damasco. Então o rei da Assíria mandou encarcerá-lo e prendê-lo com grilhões. marchou contra Oséias e este submeteu-se a ele. cortando qualquer possível ajuda egípcia. prendeu o rei. Quando Tiglat-Pileser III foi sucedido por Salmanasar V. ocupou o país e cercou Samaria em 724 a. Foi um suicídio. De Israel pouco restara: toda a costa. de Aram.C. Começou a negar o tributo à Assíria e a ligar-se ao Egito. o rei . Depois. executou o rei e deportou a população. na estrada do campo do pisoeiro. Oséias pensou ser o momento bom para a revolta. O Egito estava todo dividido e muito fraco. rei da Assíria. pagando-lhe tributo. Começou pela costa e avançou sobre os filisteus desbaratando-os completamente. Tiglat-Pileser III destruiu rapidamente as forças aliadas. tu juntamente com o teu filho Sear-Iasub [= um resto voltará]. em 732 a. dizendo: 'Subamos contra Judá e provoquemos a cisão e a divisão em seu seio em nosso benefício e estabeleçamos como rei sobre ele o filho de Tabeel'. a Galiléia e o Galaad passaram para a Assíria. o que se viu foi o seguinte: a Síria não existia mais. em seguida. e não tinha pago o tributo ao rei da Assíria. rei do Egito. passara a província assíria. Depois da tempestade. Não veio ajuda nenhuma. A destruição foi paralisada. Estabeleceu uma base no extremo sul.C. ainda não era tudo. Tu lhe dirás: Toma as tuas precauções. Oséias (não se confunda o rei Oséias com o profeta homônimo). Deportou uma parte do povo e destruiu numerosas cidades. submeteu-se imediatamente à Assíria e pagou-lhe tributo. pois que Aram. Salmanasar V atacou.Is 7.3-6 Então disse Iahweh a Isaías: Vai ao encontro de Acaz. Virou-se. e do filho de Romelias. Tiglat-Pileser III conquistou-a. mas conserva a calma e não tenhas medo nem vacile o teu coração diante dessas duas achas de lenha fumegantes. Entretanto. Efraim e o filho de Romelias tramaram o mal contra ti. Neste ínterim. contra Israel e saqueou toda a Galiléia e a Transjordânia. por causa da cólera de Rason. Encontrá-lo-ás no fim do canal da piscina superior. O rei Oséias só se submetera à Assíria porque não tinha outra saída.

Sargão II foi quem se encarregou da deportação e substituição da população israelita por outros povos que foram ali instalados. Verdade que não se dera nenhum revés de importância. O golpe de Estado. & NIKIPROWETZKY. no território. São Paulo. Para Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman. de uma monarquia unida. A Assíria parecia inerte. pela guerra civil. em 746 a.290 pessoas. de fato. conduzindo ao trono Tiglat-Pileser III. o rei da Assíria tomou Samaria e deportou Israel para a Assíria. TiglatPileser III teria que enfrentar a perigosa situação que se desenvolvia nas fronteiras do reino. Ignora-se a participação que teve na trama ou em sua repressão.. levou ao trono aquele que iria tornar-se um dos maiores reis da Assíria. no livro The Bible Unearthed. assinala o termo da crise aberta. tal como se ignora a filiação do novo soberano: enquanto em uma inscrição faz-se . que se desintegra após a morte de Salomão. o verdadeiro fundador de seu império. pp. na realidade. Pioneira/Edusp. Segundo os anais de Sargão II. e nas cidades dos medos" (2Rs 17. mas há boas razões para se acreditar que sempre houve duas diferentes entidades políticas na região montanhosa de Canaã. o número de deportados samaritanos foi de 27. mas era nítida a perda de influência..Israel. Ela acusara o triunfo da alta nobreza. pp.3-6). O Oriente Próximo Asiático. poderia parecer um simples episódio de uma época fértil em tentativas similares. cujo declínio quase arrastava à ruína todo o país. estourou uma rebelião em Kalhu. Com a instalação. Impérios Mesopotâmicos . em 746 a. Não há evidências de uma monarquia unida governada por Jerusalém. de outros povos e outros costumes chegou para Israel do norte o fim definitivo. Tiglat-Pileser III Resumo de GARELLI. A revolta que estourou em Kalhu. P. sempre foi aceito por arqueólogos e historiadores. rio de Gozã.C. 1982. este esquema bíblico. Samaria caiu em 722 a. em detrimento da autoridade real. até que.da Assíria invadiu toda a terra e pôs cerco a Samaria durante três anos. e o filho de Salmanasar V. estabelecendo-o em Hala e às margens do Habor.. mas está errado. garantem os autores. 87-96. No nono ano de Oséias. em 827. 149-168. sem dúvida graças à energia do turtanu Shamshi-Ilu. V.C. mas.C.

na Babilônia central. por outro lado. e a personalidade do soberano era visivelmente rica. mas o fato também pode indicar que o perigo urártio não era tão premente quanto se tenderia a acreditar. Espírito metódico e audacioso. o que é pouco provável. cujo verdadeiro nome seria Pulu. em política internacional. é bastante curiosa. em 745 a. Tiglat-Pileser precisava garantir sua retaguarda e as grandes vias de comunicação com o Irã e o Golfo Pérsico. aliás. O adversário.C. Os vizinhos da Assíria logo se aperceberiam disso. que dois anos antes subira ao trono da Babilônia. Na Babilônia. uma das listas reais apresenta-o como um dos filhos de Assur-Nirari V. e seus aliados. durante três anos. Sem dúvida o foi.C. pelo menos . por razões cronológicas. não tivera lugar com seu assentimento. porém conseguiram-no de forma bem imperfeita. mas só se atribui aos ricos. Seria. em suma. precisou transferir sua atenção para os medos e Urartu. Encurraladas de Dur-kurigalzu e Sippar até o Golfo Pérsico. mas sabe-se que de 743 a 738 a.passar como filho de Adad-Nirari III. desde muito tempo. que antes de ajustar contas com Sardur. o que prova que a aparente paralisia do país refletia sobretudo uma crise do poder central. É possível. Tiglat-Pileser III empreendeu uma série de operações militares contra a Babilônia e Namri. Pode-se indagar. como Kar-Assur. Desde sua ascensão. tiveram de submeter-se. bem como em redor de Nippur. Nada mais incerto. esforçavam-se por firmar sua autoridade. rei de Urartu. uma repetição da que Salmanasar III levara a efeito havia um século. o que pode surpreender. o rei de Urartu. Os reis caldeus. ou. A expedição levada a cabo por Tiglat-Pileser III em 745 a. Em parte alguma as tropas assírias bateram-se com as forças de Nabonassar (Nabu-Nasir). se a intervenção assíria não se devera ao apelo de Nabonassar. ele desbaratou a coalizão siro-urártia e se impôs aos dinastas aramaicos. a agitação permanecia endêmica. acabara de obter a adesão dos países sírios. inclusive. Chegou-se a pensar que fosse um usurpador. pois assim o designam fontes babilônicas e bíblicas. os exércitos assírios ganharam a rota do Sul.C. pois. Atribui-selhe demasiado no plano interno. antes de efetuar a . Em seguida. Imaginou-se. Milhares de deportados tomaram a rota da Assíria e foram estabelecidos em novas cidades. ao longo do tigre e do Kerkha (Uknu). As conquistas de Tiglat-Pileser III são mal documentadas. A verdade é que. pode muito bem ter sido de linhagem real. dele se fez o tipo de "rei reformador". visto que seu principal adversário.. em grande parte era o mesmo: as tribos aramaicas e caldéias.

qual seja a política de ocupação permanente inaugurada por Tiglat-Pileser III. mais uma vez. esperavam uma virada da situação. Os conjurados tentaram então. aproveitam-se imediatamente da menor dificuldade experimentada pelo poder assírio. A revolta de Mukin-Zeri forçou-o. por ocasião de uma vitória decisiva sobre Sardur. apesar das advertências de Isaías (capítulos 7 e 8). então. cujo território saqueou. com a submissão de dezoito príncipes espalhados nos territórios compreendidos entre Tabal e Samaria. No decorrer desse vaivém contínuo. oficialmente incorporada ao império em 729 a. Essa demonstração não bastou para desencorajar todos os vencidos. Ante o desastre. Tiro. os soberanos da Assíria. Pecah foi assassinado por um certo Oséias ben Elá. voltou-se contra Israel. e Razon. atingiu Gaza e o Wadi El Arish. Um elemento relevante. houve raros confrontos de envergadura. que provocou a dissolução da coligação aramaica. o qual agiu prontamente: descendo pela costa. antes de sucumbir por seu turno em 732 a. Os vencidos tornavam-se tributários. em parte. a aparente facilidade das vitórias assírias. Que (Cilícia) e Carquemish. seria necessário um acordo. . Acaz. explica. de 734 a 732 a.. impedindo qualquer possibilidade de socorro egípcio. concebiam suas operações ofensivas como expedições destinadas a aniquilar o poderio material de seus vizinhos e recolher despojos.. como Salmanasar III. eliminar seu importuno vizinho. que recomeçar tudo. Sua derrota incitou os países vizinhos. a neutralidade do rei de Judá. assim.C. Havia. no mínimo. mas. a prestar submissão. a dirigir-se novamente à Babilônia.conquista de Damasco e da Palestina. o Rio do Egito. com quem a guerra converteu-se em guerra de conquista: o território ocupado era incluído nos limites da terra de Assur e dividido em províncias dirigidas por bel pihati. Tiglat-Pileser iria receber seus tributos em Arpade. que dispunham de guarnições permanentes. As tropas assírias estavam. Até então. ou. em Comagena. Tudo decidira-se em 743 a. Para tanto.C. em particular Damasco. que se apressou a pagar tributo. que não parecia muito entusiasmado pela aventura. Pecah. Em 740 a. a seguir.C. sua indestrutível coragem: as revoltas sucederam-se com grande obstinação. ao que tudo indica. Os dinastas aramaicos manifestariam. Razon conseguiria resistir por três anos. como conservam a independência. e o infeliz Acaz.C. encerrando-se em 738 a. O primeiro a renunciar a tal concepção foi Tiglat-Pileser III. de Israel.C. de Damasco. de conluio com os edomitas. mesmo os mais audaciosos. viu-se obrigado a apelar para o auxílio do rei da Assíria.C.

Turushpa. que enfraquecera o poder real. computou-as entre as pessoas da terra de Assur. canalizando as energias assírias para a conquista. sem confirmação nas fontes de que dispomos. No resto. Esse enorme amálgama de populações em muito contribuiu. A propósito. o esforço foi inútil: Urartu conservava considerável poderio. sem dúvida. cuja capital. exceto nas regiões excêntricas do planalto iraniano. Urartu.portanto. portanto. segundo certos historiadores. no entanto. Impossível evocar o reinado de Tiglat-Pileser III sem mencionar sua obra administrativa. Após a vitória de Comagena. dosando habilmente firmeza e brandura. às mesmas contribuições e corvéias. tentou invadir o país. Tiglat-Pileser pretendeu. submetê-las a uma única jurisdição. sempre a postos para sufocar as dissidências e empreender novas operações. freqüentemente. o rei deportou numerosas populações para regiões excêntricas. E as vitórias se sucediam. Certo é que Tiglat-Pileser III conseguiu perfeitamente manter as rédeas do seu mundo. chegou a ser atacada. Tal revés não obscurece a amplitude de seus outros êxitos militares. continuaram a usufruir de grande liberdade.. Chegou mesmo a implantar o culto de Assur na Média. Apesar da derrota de Sardur. fracionando as unidades demasiado vastas. é sintomático verificar que as cidades fenícias. revertido a evolução percorrida a partir de Shamshi-Adad V. o rei fora paralisado. como tais. a fim de diminuir o poderio da alta nobreza. Mas é uma hipótese apenas. Cerca de 734 a. Teria. Os prisioneiros de Babilônia foram disseminados por todo o arco de círculo montanhoso que cercava o reino a norte e a leste.C. O rei teria procedido a uma nova divisão das províncias. que. incorporadas ao império. às vésperas da campanha contra Israel e Damasco. Em toda a parte praticou-se essa política de conquista e assimilação. a fim de separá-las de seu meio natural e impedir quaisquer veleidades de rebelião. E soube gerir seu imenso domínio. para a aramaização do império. cabendo indagar se o exército assírio não sofreu uma profunda reorganização. só se lhes interditara o comércio com a Palestina e o Egito. Por isso. Por outro lado. Num único local. em 735 a. as .. refletiria suas mais aprofundas intenções em matéria de política interna. submetendo-as.C. e TiglatPileser III não insistiu.

C.C. filho de Tiglat-Pileser III quem os reprimiu. Nabu-Mukin-Zeri revoltou-se.autoridades locais agiam à vontade. em toda a medida do possível. e tomou o poder em 731 a. espoliados pelos exércitos assírios segundo as possibilidades do momento. Não obstante. Quando de sua morte. fonte de todas as tradições religiosas. e o fisco assírio contentava-se com a cobrança de uma percentagem sobre as mercadorias na entrada da cidade. todas as terras do Crescente Fértil se achavam unificadas sob o rótulo inédito de uma dupla monarquia assirobabilônica. observa-se ao mesmo tempo que a chancelaria de Kalhu era cuidadosamente mantida ao corrente da evolução da situação.C. Samaria foi tomada em 722 a. o único senhor da Babilônia era o rei da Assíria.C. Daí em diante não houve mais um território nacional e territórios de caça. que recolhiam os impostos. é duplamente simbólica: assinala uma importante inflexão da história de Israel e corresponde. reduzido a província assíria.. O poderio do monarca assírio não era tal. Tiglat-Pileser III só interveio quando o chefe da tribo Amukkanu. Com efeito. reduzir uma terra tão venerável. Foi o que ocorreu com Bar-Rekub de Sam'al e Oséias de Samaria.. uma investida de nômades em Moab imediatamente eram comunicados à capital. à simples condição de província teria sido inabilidade. A data de 722 a. Sargão II contribuiu de forma decisiva para assegurar seu poderio e dar-lhe seu caráter definitivo. a respeitar os interesses e franquias locais. nesta ocasião.C. Entretanto. em 727 a.. Em caso de revolta contra os fiscais. mesmo sem ter sido o fundador do império. pois densa rede de correios sulcava o império. mantido por guarnições administradas pelos governadores. a intervenção da legião ituéia e algumas advertências prontamente restabeleciam a ordem. O reino de Israel foi. Um incidente num templo de Tiro. à ascensão de um dos mais prestigiosos monarcas do antigo Oriente. Foi Salmanasar V. Esta sutil mistura de firmeza e diplomacia. e sim um império. Tiglat-Pileser III não caiu nesse erro: fez-se reconhecer como rei e sua decisão foi ratificada na lista real babilônica. contudo. que desencorajasse toda pretensão de independência. Nabonassar. Sargão II deportou sua população para Kalhu. . no Habur e para a Média. Embora fosse senhor deste país a partir de 745 a. por sua vez.C. e o filho de Salmanasar V. Tampouco tomou qualquer medida contra o filho deste último. Tiglat-Pileser III não destronou o soberano legítimo. disposta. permitiu a incorporação oficial da Babilônia ao império. ao mesmo tempo. Em 729 a.

und 7.. Chr. Vozes. Die assyrische Krise. A. São Paulo. 1997 [20043]. pp. pp. New York. I. PIXLEY. Louisville. Stuttgart. P. Westminster John Knox. J. 37-53.. Die Königreiche Israel und Juda im 8. traduzido do inglês por Tuca Magalhães.. 299-362. H.Leituras Recomendadas DONNER. O Crescente Fértil e a Bíblia.. Kentucky. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. História de Israel e dos povos vizinhos II. Sinodal/Vozes. FINKELSTEIN. N. J. NEXT . A. 1998. Petrópolis.. 273-285. G. São Leopoldo. 63-67. LEMCHE. A História de Israel a partir dos Pobres. 137-174. Kohlhamer. 20049. Tradução brasileira: A Bíblia Não Tinha Razão. 2001. 1998. Jahrhundert v. The Free Press. The Israelites in History and Tradition. 2003. 1993. pp. ECHEGARAY.. The Bible Unearthed. Petrópolis. N. SCHOORS. & SILBERMAN. A Girafa. Vozes.

Somente Ascalon e Ekron. Nos Anais de Senaquerib se diz o seguinte: "Quanto a Ezequias do país de Judá. Que não se fez esperar. ele começou por Tiro. vencendo-a. tenha obrigado à partida. acontecido no acampamento assírio que assediava Jerusalém. Ascalon e Ekron. conclui: "Pode-se considerar que algum fato. Jerusalém voltou a respirar. Não se sabe porque Jerusalém se salvou. entrou como um dos chefes da revolta.". de Judá. 2Rs 19.. Existe uma notícia de Heródoto.. Acreditavam ter chegado o momento da libertação. mais uma vez. estudando o caso. e imediatamente teve que enfrentar nova revolta na Babilônia.141.. Edom e Amon se entregaram e pagaram tributo a Senaquerib. com algumas cidades filistéias. Fortificou suas defesas e preparou-se cuidadosamente para esperar a Assíria. sua cidade real. por motivos desconhecidos. e Ezequias. Arvad. mas isto não exclui que Ezequias tenha enviado o seu tributo e renovado de modo ostensivo o tratado de vassalagem. ele levantou o cerco e voltou para a Assíria.C. Mas teve que pagar forte tributo aos assírios. Talvez Senaquerib tenha partido por causa de alguma rebelião na Mesopotâmia. sitiei e conquistei 46 cidades que lhe pertenciam (. Entretanto. Ashdod. cuja ruptura provocara a invasão assíria"[1]. Logo os reis de Biblos. História II. O Egito prometeu ajuda. E foi a vez de Judá. como um pássaro na gaiola. encerrei-o em Jerusalém.Senaquerib subiu ao trono assírio em 705 a. Moab. no último minuto. Hermann. Senaquerib não se fez de rogado e já em 701 a. Edom e Amon. A coalizão integrava Tiro. Moab. Senaquerib tomou 46 cidades fortificadas em Judá e cercou Jerusalém.) Quanto a ele. S. juntamente com Judá. Os egípcios tentaram socorrer Ekron e foram derrotados.35-37 diz que o Anjo de Iahweh atacou o acampamento assírio. . Todas as províncias do oeste então se levantaram. talvez uma peste. que não se tinha submetido ao meu jugo.. com outras cidades fenícias. segundo a qual num confronto com os egípcios os exércitos de Senaquerib foram atacados por ratos (peste bubônica?). Senaquerib tomou primeiro Ascalon.C. resistiram.

Senaquerib. havia revestido de ouro. Com isso. mandou esta mensagem ao rei da Assíria. em Laquis: 'Cometi um erro! Retira-te de mim e aceitarei as condições que me impuseres'. ébano.13-16: "No décimo quarto ano do rei Ezequias. E um longo governo: 55 anos. um pesado tesouro. rei de Judá. Então Ezequias. cantoras. Ezequias. . 800 talentos de prata. Um grande sincretismo religioso ameaçava o javismo. leitos de marfim. Informação que concorda com a de 2Rs 18. cultos. e suas filhas.. minha cidade senhorial. e despachou um mensageiro seu a cavalo para entregar o tributo e fazer ato de submissão"[2]. rei de Judá. domínio assírio. os irregulares e os soldados de elite que ele tinha como tropa auxiliar. a reforma de Ezequias perdeu o rumo. e Ezequias entregou toda a prata que se achava no Templo de Iahweh e nos tesouros do palácio real. Seu sucessor Manassés foi um dos piores governos de Judá. mulheres de seu palácio. rei de Judá. segundo os Anais de Senaquerib. poltronas de marfim. com 30 talentos de ouro. meu esplendor terrível de soberano o confundiu e ele enviou atrás de mim. trezentos talentos de prata e trinta talentos de ouro.. antimônio escolhido. em Nínive. sua influência se espalhou. Estando fortíssimo o império assírio. Então Ezequias mandou retirar o revestimento dos batentes e dos umbrais das portas do santuário de Iahweh. veio para atacar todas as cidades fortificadas de Judá e apoderou-se delas. buxo. O rei da Assíria exigiu de Ezequias. Deuses. cantores. De qualquer maneira. o tributo pago por Ezequias ao rei assírio foi significativo: "Quanto a ele. Quem protestava era duramente reprimido. marfim. grandes blocos de cornalina. toda sorte de coisas. e o entregou ao rei da Assíria". rei da Assíria. peles de elefante. que. costumes.Outra questão é se teria havido uma segunda campanha de Senaquerib na Palestina.

Houve uma limpeza geral no país: cultos e práticas estrangeiras.C. Positiva no geral. segundo alguns. como se lê em 2Rs 22. Josias recuperou o controle sobre as províncias do antigo reino de Israel. como lei oficial do Estado.3. escrito no reino do norte e levado para Jerusalém em seguida à destruição de Samaria em 722 a. Aproveitando a fraqueza assíria. foi feita de cima para baixo. Povos dominados e oprimidos pela extrema violência e crueldade assírias levantaram as cabeças. artífices da derrocada definitiva da Assíria. banidos. descrita em pormenores em 2Rs 22. uma espécie de ritual de renovação da aliança ornamentados por uma introdução (os atuais capítulos 4. mostrando que a certeza do povo de que Judá era indestrutível devido à promessa davídica era uma loucura. pois só elas valiam a pena. Ao ser promulgado por Josias em 622 a. Principalmente os babilônios e os medos. A magia e os vários modos de adivinhação.C. que contaria então com 20 anos de idade. com apenas 8 anos de idade.15 . seu filho Josias.1-26. décimo segundo do reinado de Josias. Parece que a reforma começou aí pelo ano de 629 a. Durante seu reinado. introduzidos em Judá sob a influência assíria.C. imposta pelo .um código de leis. durante o governo de Ezequias. Segundo alguns.25 como o obra mestra deste rei. Judá alcançou esperançosa independência. em 640 a.44-11. enfrentando uma violência proveniente de vários pontos do império. 5. o núcleo do atual livro do Deuteronômio. Era preciso reviver as antigas tradições mosaicas. Do Templo de Jerusalém foi recuperado um código de leis.16-28. teve. contudo. destruídos. foram definitivamente eliminados. segundo outros. A Reforma de Josias e o Deuteronômio A Assíria estava nos seus estertores finais. o rei Josias deu início a uma ampla reforma. Foi um momento bom para Judá. aumentando seus tributos e melhorando suas defesas.. Os santuários do antigo reino de Israel.C. o Deuteronômio deu vida à reforma. considerados idólatras. escrito em Jerusalém mesmo. Não encontrou uma independência prolongada para poder se desenvolver.Manassés foi sucedido pelo filho Amon que acabou assassinado por elementos anti-assírios. A reforma de Josias surtiu efeito? Sim e não.68. E foi entronizado. Sob a influência de um forte espírito nacionalista.3-23. por grupos fugidos do norte.. provavelmente.32) e uma conclusão. o Deuteronômio original compreendia os capítulos 12. pontos negativos.C. entre 626 e 610 a. os capítulos 26.

viu-se acuado em defensiva nos mesmos teatros de operações. esvaziando a vida e a religiosidade do povo. p. em primeiro lugar da política externa. cerca de 627 a. Josias morreu cedo demais e a reforma se perdeu. suas medidas ficaram no exterior apenas sem levar o povo a uma reconstrução real do javismo.C. em 612 a. São Paulo.. Cf. E o pior: os acontecimentos se precipitaram. & NIKIPROWETZKY.. habilmente explorada pelos babilônios de Nabopolassar e à qual os medos dariam um termo brutal. Israel e Judá. V. HERMANN. 347. apenas uma calma momentânea. P..Israel. pp. suscitou uma interminável guerra civil. cada mudança de reinado dava margem a sublevações esporádicas ou generalizadas. Pioneira/Edusp. S. [2]. 97-106.. Resumo de GARELLI. AA. Textos do Antigo Oriente Médio.. 19792. I tempi dell'Antico Testamento. Paulus. que.governo. O Império Assírio de 721 a 610 a. São Paulo.C. 1985. Brescia. em 705 a. tendo amiúde de reprimi-las os soberanos durante longos anos. Antes de mais nada. p. Senão. terminou por prevalecer sobre as ambições assírias. A morte do grande rei. 1982. vejamos: Sargão II praticamente não tivera trégua até sua conquista da Babilônia em 710 a. Impérios Mesopotâmicos .. a despeito de reveses passageiros.. Queriniana. O Oriente Próximo Asiático. em cuja repressão Senaquerib gastaria quatro anos. Storia d'Israele. a centralização do culto não deu bons resultados. NEXT [1]. 76. .C. da Palestina ao Elam.C. Assarhadon. VV. na melhor das hipóteses. sua morte.C. sem base popular mais ampla. foi o sinal para um levante geral. Falemos. no decorrer dos cinco primeiros anos de reinado. até obter. e a ascensão de Assurbanipal provocou a revolta do Egito.

redundou em malogro. enquanto cercava Jerusalém. e o tratado imposto a Baal de Tiro permitiram restaurar a ordem assíria nessas regiões.C. Por duas vezes. Mas o domínio assírio permaneceu precário. conseguiu conquistar Mênfis sem maiores dificuldades.. que adiou a invasão do Egito.Tal desfecho.C. Assarhadon resolveu então extinguir esse foco perpétuo de agitação. foi . se nos afiguram como loucos cometimentos. em 705. Sargão II chegou à fronteira egípcia.C. Psamético I libertou o território egípcio e Assurbanipal. entretanto..C.C. só por milagre o Egito foi poupado por Senaquerib. justifica as rebeliões anteriores que. o Egito alimentara sem cessar a agitação na Palestina. Às vezes também os assírios tomavam a ofensiva. que levou Senaquerib a destruir 46 cidades de Judá e a sitiar Jerusalém. Uma primeira tentativa. O projeto foi adiado devido às ameaças que pesavam sobre a fronteira ocidental do reino. Só depois de concluir um tratado com os medos. mas a tomada de Sídon. Assurbanipal prosseguiu a obra do pai. regulando definitivamente o problema egípcio. em 677 a.C.C. Quatro anos mais tarde. e acabou vítima de uma peste provocada por ratos no seu acampamento. estourou a revolta. No ano seguinte Taharqa retomou Mênfis e Assarhadon morreu nesse meio tempo. O assassinato de Senaquerib em 681 a.. em 671 a. em 720 e 716. para prevenir um perigo latente ou solidificar sua dominação. em 674 a. que. citas e cimérios agitavam-se na Ásia Menor. quando Sargão II resolveu acabar com a ameaça urártia. Em 653 a. Moab e Edom em 714 a. esmagada por Sargão II. chegou mesmo a Tebas. A Caldéia estava em efervescência. Em 701. consideradas isoladamente. que só se salvou entregando seus tesouros. Ou com a revolta de Ezequias. já demasiado absorvido pelos problemas da Babilônia e do Elam. que teve de se abrir ao comércio assírio. Os assírios jamais conseguiram. Novamente apoderou-se de Mênfis e. Foi o que aconteceu com a revolta de Ashdod. Assarhadon pôsse à frente de uma expedição. levou o faraó a abandonar sua atitude reservada.C. Em 670 a. tendo que voltar à Assíria. E o Egito? Após a ocupação da Síria por Tiglat-Pileser III.. sem poder castigar o faraó. de resto muitas vezes assim julgadas pelos próprios contemporâneos. de Judá. Assim aconteceu em 714 a. até certo ponto. pulverizando-se em poucos anos. assentar seu domínio no Egito. após uma revolta. o faraó Shabako apoiava secretamente a rebelião de Ashdod e saiu dessa difícil situação entregando a Sargão II o instigador da revolta. O faraó Taharqa instigou as cidades fenícias a alastrarem o incêndio.C. Em 666 a.

o inacreditável acontecera: a Babilônia era território assírio. a Assíria no global seguia as tradições do Sul. e nem sequer vacilaram em unir-se ao Elam. sob o enérgico impulso de Tiglat-Pileser III.obrigado a renunciar a quaisquer projetos de represália. Desde que as campanhas de Shamshi-Adad V suprimiram o poder real tradicional da Transtigrina. ameaçava alastrar-se ao longo do Zagros e. embora com seus particularismos. visto que nele estavam em jogo. sua segurança mais imediata. não empreenderiam outras campanhas militares antes de assegurar sua retaguarda nessa região e. a Babilônia e o Elam. a terra dos santuários prestigiosos. não se pode dizer que esta aventura desgastou suas forças. a fonte de toda espiritualidade. Conquanto fosse um nítido revés para a Assíria. foram os caldeus que representaram a principal força de oposição. Havia séculos que encarava com inveja esse vizinho mais dotado que a rejeitava e talvez mesmo a desprezasse. onde. era com extrema atenção que os assírios vigiavam os acontecimentos na Babilônia. de resto vitoriosas. a fim de rechaçar o invasor do Norte. Ora. fora precisamente porque o grosso das forças assírias se achava imobilizado em um verdadeiro ninho de vespas. os reis da Assíria regularmente iam em peregrinação. cortando assim as vias de comunicação com o planalto iraniano. deixariam abater-se pesadamente à sua cólera. e de onde traziam os escritos fundamentais que inspiravam sua religião e a literatura de seu país. seu tradicional inimigo. em caso de necessidade. já estafante nos pântanos do sul. essa conjunção de caldeus e elamitas era bastante perigosa para os assírios. Os babilônios tinham uma impertinente propensão a não se deixar assimilar. A Assíria organizara apenas três breves expedições ao vale do Nilo. A Babilônia era a jóia do império.C. e foram simples guarnições que ali não conseguiram manter-se. E eis que. Contudo. a partir do século IX. O reino de Nínive não podia desviar-se desse teatro de operações. além de todo o seu prestígio. atingir as fronteiras orientais. aos poucos. renunciariam a elas para concentrar os esforços no teatro de operações essencial. a repressão e as sucessivas destruições de Babilônia só serviram para galvanizar a resistência. Por isso. pois a guerra. O Egito não mais seria invadido até o reinado do persa Cambises. Isto porque. em 525 a. Facilmente atraíram para a causa nacional as grandes cidades da planície. E. . Os novos senhores tudo fariam para conservar esse florão de sua coroa. Tentariam todas as fórmulas constitucionais para poupar as suscetibilidades locais e. pelo menos as principais. se estas não haviam sido sustentadas com mais diligência. quando se tornasse flagrante a derrota.

C.. durante alguns anos. em parte. apesar de ser o primogênito. experimentou diversas fórmulas constitucionais. é freqüentemente considerado um "escândalo histórico". Quanto ao Elam. que com apoio do Elam se proclamara rei da Babilônia. continuaria incompreensível. Após vários confrontos duvidosos com babilônios e elamitas. Após as primeiras medidas destinadas a apaziguar a opinião pública assíria. que seguiu de perto o triunfo de seu maior soberano. Esse terrível exemplo e quiçá também a clemência de Assarhadon asseguraram. devido às disposições testamentárias de Assarhadon que dividira os territórios mesopotâmicos entre os dois filhos. e 612 a. Senaquerib em 689 a. quando a revolta retumbava em todo o império. Senaquerib. O fenômeno. porquanto o domínio de Shamash-Shum-Ukin. Vencedor no confronto. O filho mais novo. cobria apenas os territórios de Babilônia. devem ter entrado em jogo. a situação evoluiria de forma dramática. data presumível da morte de Assurbanipal. efetivamente. mas não usou qualquer subterfúgio diplomático: tornou-se rei da Babilônia sob seu nome assírio.Isso se observa desde Sargão II. data da queda de Nínive. múltiplas causas. passou a hostilizar Merodaque-Baladam. Borsippa.C. e a trama dos acontecimentos permanece objeto de discussão. houve uma sucessão quase ininterrupta de guerras civis . A Babilônia reconquistada foi administrada por Kandalanu.C. as tropas assírias saquearam sua capital Susa e o país foi reduzido a província assíria. foi ela que levou o rei da Babilônia à revolta. sem dúvida. e seu irmão Shamash-Shum-Ukin morreu no incêndio de seu palácio. de fato. era o verdadeiro senhor do império. cujo reinado foi praticamente todo consagrado a tentar resolver o problema babilônico. Por certo.. Assurbanipal tomou de assalto a cidade de Babilônia em 648 a. havia sido bastante desigual. A divisão. Cuta e Sippar. se não se levasse em conta o fato seguinte: entre 627 a. O desmoronamento do império assírio.C. os quais ele nem sequer controlava de maneira absoluta. O novo rei restaurou a capital do sul e restituiu-lhe o papel de encruzilhada comercial. No confronto que se seguiu. Assurbanipal. Uns vinte anos depois. uma relativa calma na Babilônia. Assurbanipal e Shamash-Shum-Ukin. Sargão II fez-se reconhecer como soberano do país. provavelmente. Tal situação devia parecer injusta e. Assurbanipal. recuperou a superioridade e deu livre curso a seu furor: saqueou Babilônia e a inundou com as águas do Eufrates. ainda mal conhecidas.

ocorrera com a morte de Assurbanipal: o problema da sucessão não pôde ser solucionado. nas cidades fenícias e nas antigas províncias aramaicas da Assíria.C. a seguir. Em 609 a. e Sin-Shum-Lishir logo desapareceu de cena. chefe do País do Mar. a Assíria teve seu império assaltado e sua capital destruída pelos medos e babilônios. Quando os medos intervieram. Nabopolassar controlava toda a Babilônia e levava a cabo operações ofensivas ao longo do médio Eufrates. Os fatos são um pouco confusos. Seu rei fugiu para Harã e resistiu ainda dois anos. até os vaus do Eufrates. pois por aí é que o país não acharia mesmo nenhuma saída. O direito de Assur-Etel-Ilani à sucessão de Assurbanipal foi contestado pelo general Sin-Shum-Lishir e. balançando entre o enfraquecido Egito e a fortalecida Babilônia.C. principalmente. Um fato novo.C. a peso de ouro. que operavam a partir de bases militares em Babilônia. com voluntários despreparados para guerras prolongadas. os pequenos reinos tinham que contar. Assim.ou externas. Os revoltosos. Não estou falando de forças militares. tomar Harã. tendo as províncias dessa região recobrado uma independência de fato. Em 610 a. os derradeiros restos do império assírio desapareceram então para sempre. mas em 616 a. pelo menos três exércitos atuavam ao mesmo tempo na Babilônia. em boa parte. com efeito. o rei da Assíria é desalojado de Harã. o país devia encontrar-se esgotado. com ajuda egípcia.5. . os assírios tentam. A direção tomada pelos acontecimentos levou o faraó Psamético a intervir. Enquanto as maiores potências da época mantinham grandes exércitos regulares e. para proveito de um caldeu. por um outro filho de Assurbanipal. Por Que Judá Caiu? Quando Judá entrou na fase crítica de enfrentamento com o poderio estrangeiro. financiavam. 5. e não mais sabiam onde se encontrava a autoridade legítima. como sempre acontecera até então. Seja como for.C. Sin-Shar-Ishkun. Sem sucesso. a nação estava totalmente despreparada para a crise[6]. Toda a Djezireh passou a ser território babilônico e o faraó Necao implantou o domínio egípcio na Palestina. Nabopolassar. exércitos mercenários. A guerra entre os dois irmãos campeou daí em diante. novamente. pois os assírios se achavam impossibilitados de controlar a Síria e a Palestina. Em 612 a. As cidades mudavam freqüentemente de mãos. foram atacados incontinente por Assur-Etel-Ilani.

Despreparo gerado pelas atitudes políticas falhas e pela ideologia dominante enganosa de Judá. antiga cidade-fortaleza jebuséia. enquanto o general Banaías e o sacerdote Sadoc representavam a nova ordem monárquica. comandam o sacerdócio. algumas providências significativas foram tomadas. uma curiosa dualidade tanto no comando do exército quanto na chefia do sacerdócio. líderes tribais das várias cidades e aldeias judaítas e os "anciãos da casa" (ziqnê bayit). independente dos líderes tradicionais[7]. Foi a vitória da nova ordem monárquica. sabemos que. Abiatar e Sadoc. Jerusalém. sob Salomão. Ora. de fato. sem ligação com as tradições tribais. representantes do poder da corte davídica de Jerusalém. a constituição de uma sacerdócio associado e submisso ao Estado e a tentativa de construção de um Templo. enquanto dois sacerdotes. assumindo os seus cargos Banaías e Sadoc. como um fenômeno estritamente dependente de uma oportunidade política"[8]. em interessante artigo. foi feito por Salomão. o poder de Jerusalém constrói sua própria base. Ou seja: dois generais. a da invencibilidade de Jerusalém. Guilgal etc. como sabemos através de 2Sm 8. A transferência da Arca. Ou seja: "Enquanto nas tribos do norte esta [a instituição monárquica] é inserida no direito sagrado javista. foi uma manobra davídica para dar legitimidade à sua cidade (cf. eram Siquém.15-18. Os tradicionais santuários do povo de Israel estavam mais ao norte. Outro dado interessante é a associação do sacerdócio à nova ordem real que se estabeleceu com Davi. Tais como: a transferência da Arca da Aliança para a nova sede. carecia de legitimidade javista. 2Sm 6). Esta dualidade poderia significar que o general Joab e o sacerdote Abiatar representavam as forças tradicionais de Israel. o que. Há os "anciãos de Judá" (ziqnê y'hûdâh). 1Rs 2. Diferente do norte. Quando Davi conquistou Jerusalém e estabeleceu ali a sua capital.Mas estou falando de outro despreparo. Ele tinha.26-35). G. BETTENZOLI. Joab foi morto e Abiatar desterrado. Desde a época de Davi vinha sendo elaborada uma crença específica. no território de Judá a monarquia é vista como uma realidade estranha à ordem sagrada. associada à crença na perpetuidade da dinastia davídica. Betel. onde o poder real se constitui a partir das lideranças tribais. distingue dois tipos de líderes judaítas desde a época de Davi. espécie de trono móvel de Iahweh. Bettenzoli . respectivamente (cf. Joab e Banaías. Silo. comandam o exército.

para amparar e legitimar sua opressão"[9]. A vocação de Jeremias. Israel e Judá. com o tempo. referendada pelo profeta Natã (2Sm 7). moradia de Iahweh. Isto interessava aos poderes dominantes. pois estes representam também orações e celebrações do Templo. A. 19972. Foi ele. Diz J. com a morte de Josias quase tudo se perdeu: o poder real sob Joaquim tornou-se extremamente despótico e o Templo.. São Paulo. aos desmandos da classe dominante enquanto a legitimava e ocultava suas práticas através da religião. fortalecido pela centralização do culto. . que garante a inviolabilidade de Jerusalém. São Paulo.. Textos do Antigo Oriente Médio.. Os Salmos. Quanto mais próximo estava o desenlace da crise.assinala que.C. a ameaça sem limites do poderio babilônico. PIXLEY: "Essa nova teologia não foi. obviamente esta teologia apareceria nos salmos. Judá sabia. provavelmente. DA SILVA.C. associou-se. Para uma leitura a partir dos pobres a teologia davídica é muito ambígua. os testemunhos dramáticos dos profetas Habacuc. especialmente do Templo. que atuou incansavelmente desde 627 a. acerca desta época. Esta teologia pode ser vista também em vários salmos. que pregou entre 605 e 600 a.. Elaborada pelos sacerdotes associados ao poder real de Jerusalém. Como vimos. Podemos acompanhar. pois garantia seus privilégios a curto prazo. Leituras Recomendadas AA. o fim de seu país e indo morrer no Egito por volta de 580 a. Paulus. mais uma vez.C. os "anciãos de Judá" vão perdendo sua liderança. É neste contexto que se desenvolve uma teologia da perpetuidade da dinastia davídica. gradualmente absorvidos pela monarquia e pela corte de Jerusalém. Nascido profeta. por exemplo. mais a nação se apegava ao dogma da inviolabilidade da cidade. toda elaborada no tempo de Davi. e Jeremias. vendo. angustiado. expressão máxima desta teologia. até o dia de hoje são atribuídos majoritariamente à autoria de Davi. que enfrentaria. J. porém. o 89 e o 132. e da sacralidade de Sião. quem a iniciou. podendo servir.VV. como o 2. mais cedo ou mais tarde. observando os acontecimentos. como aconteceu.

. 20049. PIXLEY. ‘The Exile’ as History and Ideology.. Gli Anziani di Israele.. Brescia. Kentucky. S. pp. Aos 23 anos de idade. Petrópolis. Gli Anziani in Giuda. 47-73. Vozes.Paulus. H. ECHEGARAY.C. 211-224. P. [8]. São Leopoldo.. Queriniana. 143-188. Idem. DONNER. LEMCHE..). [7]. c. em Biblica 64 (1983). 73-90. N. A Época Persa e as Conquistas de Alexandre Em 334 a. Vozes. J. I tempi dell'Antico Testamento. GRABBE. 30. pp. pp. J. J. entra com seus exércitos na Ásia Menor. 1998. pp. PIXLEY. J. 54-79. Sinodal/Vozes. 19792. Westminster John Knox.. Storia d'Israele. depois de controlar toda a Grécia. NEXT [6]. ibidem. G. (ed. História de Israel e dos povos vizinhos II. G. 31-43. 363-442. 1997 [20043]. Sheffield. [9]. Leading Captivity Captive. BETTENZOLI. pp. rei da Macedônia. 20049. 1992. 1998.. Petrópolis.. 1993. p. Lester L. Cf. A história de Israel a partir dos pobres. em Biblica 64 (1983). 233. a análise de PIXLEY. Sheffield Academic Press. 6. A história de Israel a partir dos pobres. The Israelites in History and Tradition... o . Petrópolis. O Crescente Fértil e a Bíblia. Louisville. Vozes. Alexandre. pp. p. o. pp. HERMANN.

cerca de um século . responder às seguintes questões: qual é a situação da Grécia no século IV a. Fenícia. Inclusive a comunidade judaica que vive em Jerusalém e arredores.C.. As interrogações que afloram neste ponto dizem respeito à situação da Grécia no século IV a. Na Fenícia e na Palestina somente as cidades de Tiro e Gaza oferecem a Alexandre alguma resistência: Tiro resiste heroicamente a 7 meses de cerco e Gaza. fiel aos persas. De 431 a.a guerra quase nunca pára. Use-a para este capítulo. é anexada ao novo império. The Perseus Project 6.? qual é a situação da Judéia no momento da anexação? O Projeto Perseu é uma enorme biblioteca digital sobre o mundo da Grécia antiga.macedônio derrota o principal exército persa em Isso. . começo da guerra do Peloponeso. Palestina. toda a Palestina. de volta. A guerra é uma das principais características da Grécia do século IV a. Durante estas campanhas. A Situação da Grécia e a Política Macedônia O declínio da cidade-estado grega acontece antes mesmo de seu confronto com a Macedônia.C. e à política macedônia que possibilita a Alexandre a conquista do imenso Império Persa. Política que foi iniciada por Filipe II e desenvolvida de modo brilhante por seu filho. A rota das conquistas de Alexandre passa pela Síria. até o vale do rio Indo. cai após 2 meses..C. Estamos no ano de 333 a. E. em direção à Babilônia.C.1. Susa.C. assim. Tentarei. Egito.C.C. pertencente à V satrapia persa. a do helenismo. a 338 a. vai acontecer sem interrupções significativas. É o fim do Império Persa e o começo de uma nova era. data da vitória de Filipe II na batalha de Queronéia . sem maiores problemas. e o controle macedônio de todo o Oriente. Persépolis e além. e qual é a política de Filipe II? qual é o roteiro das conquistas de Alexandre Magno? quem é Alexandre e quais são seus objetivos? como acontece a anexação da Judéia por Alexandre em 332 a.

Atenas, no século V a.C., guiada por Címon e Péricles, torna-se uma potência imperial. Mas confronta-se com Esparta, dando origem à guerra do Peloponeso, que dura de 431 a 404 a.C., quando Atenas é derrotada. A guerra do Peloponeso "foi em seus aspectos mais importantes uma luta entre Atenas, um Estado democrático e uma potência marítima, que havia convertido a Confederação Délia (concebida para resistir aos persas) num império sob seu próprio comando, de um lado, e do outro a maioria dos Estados do Peloponeso conjuntamente com a Boiotia [= Beócia] e liderados por Esparta, uma potência oligárquica e conservadora, cujas forças terrestres constituíam o exército mais aguerrido da época"[1]. Esparta, senhora do mundo grego a partir de 404 a.C., cai rapidamente, especialmente porque sua estrutura institucional não lhe permite manter um império. O número de cidadãos espartanos, que é de cerca de 8.000 em 480 a.C., chega a cair para apenas 2.000 em 371 a.C. As causas podem ser vistas nas perdas da guerra, na concentração da terra em poucas mãos e na perda da Messênia, libertada pelo tebano Epaminondas em 370-369 a.C. Esparta perde sua hegemonia, definitivamente, na batalha de Leuctras, em 371 a.C., derrotada por Tebas. "Esparta não passará, desde então, de uma cidade de segunda categoria, limitada na sua ação ao Peloponeso, sobre o qual nunca mais conseguirá restabelecer a sua antiga dominação"[2]. Tebas sucede a Esparta na hegemonia sobre a Grécia, mas cai em 362 a.C., na batalha de Mantinéia - embora vitoriosa - quando morre seu célebre general Epaminondas. Em seguida, Tebas favorece os desígnios de Filipe II em relação à Grécia, mas acaba se aliando a Atenas, quando Filipe a ameaça. Termina derrotada pelo rei macedônio, em Queronéia, em 338 a.C. Posteriormente, em 335 a.C., Alexandre Magno reduz Tebas a ruínas. A batalha de Queronéia marca o fim da independência da Grécia[3]. No século IV a.C., por toda a Grécia, começa a emergir fortemente o contraste entre os ideais democráticos prometidos pelas constituições das cidades e a desigualdade criada pelas condições econômicas e sociais. O grande orador ateniense Demóstenes, em discurso de defesa pronunciado em 352 a.C., deixa bem claro esta situação: "Outrora, a cidade era rica, era magnífica, digo a cidade, pois entre os particulares, ninguém se elevava por cima da massa (...) Hoje, todos os

profissionais da vida pública têm, em privado, tal abundância de bens que mandam, por vezes, construir casas particulares mais imponentes do que muitos edifícios públicos; alguns compraram mais terras que aquelas que vós todos possuís, no tribunal"[4] O aumento dos mercenários é outro indício da desintegração da pólis grega. Ganhar a vida nos exércitos pagos pelos grandes reinos, seja a Pérsia ou outro qualquer, é a única saída para milhares de gregos empobrecidos. Estes homens perdem suas raízes cívicas, pois o exército é a única cidade que eles conhecem, ao mesmo tempo em que as cidades gregas perdem o controle da função militar. Há ainda inúmeros aspectos que poderiam ser analisados. Mas, enfim, vale apenas observar que os pensadores políticos do século IV a.C. começam a ficar sensíveis às tendências monárquicas, refletindo a evolução da época. "O poder efetivo passa cada vez mais das velhas cidades para os soberanos, gregos e não-gregos, que possuem os meios financeiros para assegurar a força militar que escapa às cidades. Ao perderem o controle da função militar, as cidades perdem igualmente a iniciativa política"[5]. Qual é a solução para o problema social da Grécia? Os gregos devem conquistar uma parte da Ásia, aí se instalarem, e submeter as populações locais à exploração do trabalho. Este será o projeto do macedônio Filipe II, realizado por seu filho Alexandre Magno. A Macedônia, com sua capital Pela, está situada ao norte da Grécia e é apenas semi-grega. Gregos de origem, os macedônios vivem, entretanto, em contato permanente com populações não-gregas, razão porque os atenienses, por exemplo, os qualificam como bárbaros. Na verdade sua língua é um dialeto grego com forte infusão de vocábulos estrangeiros e não é compreendido pelos gregos. Somente a aristocracia macedônia fala e escreve o grego ático. Mas os macedônios pertencem ao mesmo grupo étnico dos dórios e talvez tenham se originado de clãs ilírios ou trácios misturados com populações não-arianas... Da Macedônia arcaica quase nada sabemos. Mas, segundo o padrão conhecido dos dórios primitivos, os macedônios deveriam formar tribos de pastores parcialmente nômades, cada uma chefiada por um rei simultaneamente líder guerreiro e religioso -, um conselho de anciãos e uma assembléia. Com o tempo uma das tribos acaba controlando as outras.

No século VII a.C. estrangeiros se estabelecem entre os macedônios e acontece uma expansão de seu território e a consolidação de uma monarquia que se sustenta na aristocracia dos grandes proprietários de terra. A partir do contato e das alianças com a Pérsia, sob as pressões do persa Dario I (521-486 a.C.), o Estado macedônio absorve instituições políticas e militares do grande império oriental e se fortalece progressivamente até a época de Filipe II [6]. Filipe II, filho do rei Amintas, governa a Macedônia de 359 a 336 a.C. Tendo sido educado em Tebas, assimila a mentalidade grega clássica e também estuda as reformas militares de Epaminondas. As táticas militares deste grande comandante tebano, nascido por volta de 420 a.C., foram o segredo da (breve) hegemonia de Tebas sobre a Grécia, como vimos acima. Filipe II percebe que é necessário abrir à sua pátria os caminhos do mar Egeu, pois a região litorânea, com várias cidades autônomas, como Olinto, ou com cidades ligadas a Atenas, nunca tinha se submetido ao controle macedônio. Outro passo de Filipe II: a reorganização do exército macedônio. Especialmente a falange tebana, que é adaptada para fins ofensivos, tornando-se o principal instrumento de suas vitórias e das vitórias de Alexandre Magno. Filipe II "criou a infantaria `média' formada de macedônios e de mercenários ligeiramente armados: arqueiros, fundibulários, cavalaria onde serviam principalmente os nobres da Tessália e cavalaria ligeira empregada para reconhecimentos, tropas especialmente preparadas com meios adequados para o cerco e por fim a guarda real, tirada da infantaria"[7]. Filipe II cria o serviço militar obrigatório e profissionaliza o exército. Um corpo permanente de oficiais assessora o rei nas questões militares. Filipe II conquista a hegemonia sobre a Grécia. Faz uma política extremamente eficiente, sem escrúpulos, explorando as rivalidades entre as cidades gregas até se apresentar como a única alternativa possível para a solução dos conflitos. "Filipe II foi um excelente estrategista e um tático, homem de Estado e negociador perigoso, sabendo usar da corrupção, da mentira, da fraqueza ou da divisão dos adversários e do amor da paz em outros povos para os anestesiar e depois conquistar"[8]. Diante da ofensiva de Filipe II sobre a Grécia, três reações atenienses são típicas e servem para clarear a situação então vivida pelos gregos.

A primeira é a de Demóstenes, famoso orador, o maior opositor de Filipe II e principal porta-voz da democracia ateniense. Demóstenes vê na hegemonia da Macedônia o maior dos riscos que a Grécia corre e faz de tudo para impedi-la. Demóstenes, considerado o maior dos oradores gregos, nasce em Atenas em 382 a.C. e morre em 322 a.C. Temos hoje 61 discursos atribuídos a Demóstenes, mas é possível que alguns deles não sejam autênticos. Entre seus discursos destacam-se as quatro "Filípicas" - pronunciadas contra Filipe II -, as três "Olínticas" (também contra Filipe II), e a "Oração da Coroa", pronunciada em 330 a.C. (contra Ésquines), considerado o maior discurso do maior dos oradores[9]. Em maio de 341 a.C., diante da crescente ameaça representada por Filipe II, que utiliza vários subterfúgios para se intrigar com Atenas e destruí-la, Demóstenes pronuncia a "Terceira Filípica", na qual tenta alertar os atenienses para o perigo iminente. Entre outras coisas, ele aborda as transformações ocorridas na arte militar do século IV a.C. e chama a atenção para as suas conseqüências. Vejamos um trecho. "É verdade que os que querem consolar a cidade lhe pronunciam este discurso simplório: Filipe, dizem, não tem ainda o poder que outrora tinham os Lacedemônios [os espartanos] quando eram os senhores do mar e de todo o continente, quando tinham o Grande Rei [o rei da Pérsia] por aliado e ninguém lhes resistia. E, no entanto, a cidade fez-lhes frente, não foi dominada. Quanto a mim, constatando que tudo, por assim dizer, progrediu em dimensão, que o presente já nada se parece com o passado, penso que foram as coisas da guerra que conheceram as maiores mutações e o maior progresso. Primeiro que tudo, nada me diz que outrora os Lacedemônios, tal como todos os outros gregos, invadissem um país para lhe devastar o território com os seus hoplitas e os seus exércitos de cidadãos, a não ser quatro ou cinco meses por ano, durante a estação quente; após o que regressavam a casa. Além disso, tinham um comportamento tão arcaico, ou antes cívico, que não compravam qualquer serviço a ninguém; faziam uma guerra regular e aberta. Hoje, vós o presenciais, foram os traidores que tudo perdeu ou quase; as batalhas campais não servem para nada, e dizem-vos que Filipe se encontra aqui ou ali, onde ele quer, e não com uma falange de hoplitas; não, tropas ligeiras, cavaleiros, arqueiros, mercenários, eis o exército que lhe segue as passadas. Quando, por outro lado, ele cai sobre um povo minado por um mal interior e que não ousa sair dos muros para defender o seu território devido à desconfiança que aí reina, ele assesta as suas baterias e cerca a

no projeto em que propunha a concessão da coroa de ouro. por seus serviços prestados à pátria na sua luta contra a hegemonia macedônia. e isso quando Alexandre. partidário da facção macedônia e rival do autor da Oração da Coroa nas lides oratórias e na vida pública. certa vez. tolerando o poder divorciado do direito'"[12]. premiando o mais destemido adversário do expansionismo macedônio. torna-se famoso orador em Atenas. O cidadão ateniense Ctesifonte propõe ao povo. afirmações de Demóstenes como esta: `Ninguém até hoje foi capaz. que a cidade conceda uma coroa de ouro a Demóstenes.cidade. Ésquines. É então que Ésquines pronuncia o discurso "Contra Ctesifonte" e Demóstenes responde com sua "A Oração da Coroa". Sobre a Embaixada e Contra Ctesifonte. "Ésquines. desde o início dos tempos. É o grande adversário de Demóstenes e um fato bem o ilustra. E Ésquines não consegue desmentir seu rival e acusador. Demóstenes vence. significativas vantagens materiais. tendo nascido por volta de 390 a. o Grande já era o senhor do mundo de então. para ele.. Devem ter pesado na decisão dos atenienses. "Essa vitória não foi somente o reconhecimento dos serviços prestados pelo orador a Atenas. e morrido provavelmente em 314 a. após seis anos de tramitação do processo. moveu uma ação contra Ctesifonte. amantes da liberdade. de origem modesta. foi também um ousado protesto do povo ateniense. . onde tenta provar que Ésquines é um traidor da pátria. os dois oradores se enfrentam. e 3º porque Ctesifonte estaria atribuindo a Demóstenes. Temos dele três discursos: Contra Tímarcos. de ter se enriquecido. Demóstenes acusa-o. 2º porque a coroação. não há qualquer diferença entre o verão e o inverno e que também não há para ele estação reservada onde interrompa as operações"[10]. Diametralmente oposta à de Demóstenes é a atitude de Ésquines.C. E abstenho-me de analisar o fato de que. recebendo de Filipe II terras na Macedônia. deveria ter lugar na praça pública ou no Senado e não no teatro de Dionísio como pretendia Ctesifonte. além de determinada quantia em dinheiro. de persuadir Atenas a aceitar a servidão. por força da lei. em 336 a. méritos que ele não possuía e serviços que ele não prestara"[11]. em troca. que se torna colaborador dos macedônios e destes recebe. acusando-o de haver violado a Constituição por três motivos: 1º porque Demóstenes ainda não havia prestado contas de sua gestão em importante cargo público.C. Em 330 a.. comprado pelo ouro de Filipe II.C.C.

verbete Guerra do Peloponeso. está submetida. No "Panegírico" Isócrates pede a Atenas e a Esparta que esqueçam suas rivalidades e se unam contra a Pérsia: "É muito melhor fazer a guerra contra o Grande Reino do que disputarmos a nós próprios a hegemonia. de alto teor moral e inegável desinteresse mas não menos perigosas para a independência e a liberdade dos cidadãos"[16]. Isócrates considerou que bastava a união para reparar todos os males. NEXT [1]. Não chega já de um passado em que nem sequer se sabe que catástrofe nos faltou?"[14] "Feito o diagnóstico. nem um colaboracionista como Ésquines.. a de Isócrates. Segundo Isócrates. outras por concepções utópicas políticas e históricas.C. O "Filipe". Esparta não é a esperança. que nem é um combatente da resistência como Demóstenes. segundo Isócrates. Jorge Zahar. Tebas também não. Rio de Janeiro.A terceira posição sobre a questão da hegemonia macedônia sobre a Grécia é a de Isócrates[13]. P. . no caso a de Demóstenes. Isócrates quer se ver livre da pressão e do domínio persas. Isso é o que dá poder à Pérsia. O mal é a desunião dos gregos. tendo por suporte valores do passado. Todos lutam contra todos. outras aceitando esse imperialismo e constituindo-se numa variedade de colaboracionismo vulgar [ Ésquines]. verdadeira "capital" da Grécia. As cidades devem entender-se para combater o bárbaro e estender sobre toda a Ásia as leis da civilização da Grécia. Filipe II é a solução.. Quem deve exercer essa hegemonia?"[15]. escrito em 346 a. umas baseadas na democracia da cidade e levando à resistência a um imperialismo. É necessário que esta expedição seja feita pela geração atual a fim de que aqueles que conheceram juntos a infelicidade sejam também os que gozem a felicidade e não passem todo o seu tempo no infortúnio. Atenas. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. a uma má democracia e cometera o erro de fundar um império pela força. é uma exortação ao macedônio para que assuma o comando dos gregos contra os bárbaros. HARVEY. que agora desmorona. 1987. "Vemos assim que a unidade da Grécia podia ser concebida de muitas formas. Para isso é necessário que admitam uma direção única e que restabeleçam uma hegemonia necessária.

1978.. e a vontade. P. comenta: "Quando a liga espartana se desintegrou e Tebas estava ficando cada vez mais fraca. Cf. o texto em AUSTIN. 1986. M. pp.. Alexandre. História da Grécia.. p. c. p. 132-134. [4]. [10]. mas precisamente por essa razão parecia-lhe que o verdadeiro remédio para todos os males possíveis seria o fortalecimento dos costumes democráticos. M.. GLOTZ.. 23. J. p.. 1973. p.. Nancy. Fundamentos de literatura grega. Cf. HARVEY. [8]. Os gregos antigos. Edições 70.. marcada por um tom de gravidade e profunda preocupação". p. Essai sur les origines du mythe d'Alexandre (336-270 av.. 257... c. Cf. a democracia mostrou-se incapaz de criar uma forma de governo que deveria reconciliar o individualismo característico do país com as condições essenciais à existência de um Estado poderoso. DEMÓSTENES../VIDAL-NAQUET. J. 47-50. o. 1973. DE CASTRO.. Economia e sociedade na Grécia antiga. P. 1980. 143. o texto em AUSTIN. Esta autora observa na p. 312. pp. p. da parte do povo. HARVEY. HARVEY. . 1984. verbete Tebas. M. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. São Paulo.[2]. Zahar. de aceitar suas responsabilidades". P. Lisboa. diz que "a agricultura a tal ponto se comercializa que a grande propriedade se reconstitui pela progressiva evicção dos pequenos camponeses e pela concentração das parcelas de terra entre as mesmas mãos". P. c. Rio de Janeiro 1984. ROSTOVTZEFF. P. P.. AUSTIN. 216. 21./VIDAL-NAQUET. Contra Aristócrates. P. cf. p. verbete Demóstenes. [9]. c. M. Université de Nancy II. DEMÓSTENES. Zahar. São Paulo. G. c. 155-164. Terceira Filípica. P. 161: "Demóstenes era democrata. Para isso ele reclama duas coisas: o respeito à lei. E acrescenta na p. [7]. DE ROMILLY. GOUKOWSKY. também FINLEY. Rio de Janeiro. M. AUSTIN. 325. a condição política da Grécia só pode ser definida pela palavra anarquia'".) I. 9-12. P. I. o. o Grande. o.-C. 75-80. [5]. o. pp. Sobre Demóstenes.. [6]. Difel. Editora Três. P. [3].. 217: "Na Grécia. o. Lisboa. Cf./VIDAL-NAQUET./VIDAL-NAQUET. verbete Demóstenes.. Cf. Edições 70. pp. A cidade grega. 206ss. o.. DE CASTRO.. M. comenta sobre a "Terceira Filípica": "Esta é uma das mais belas orações de Demóstenes. c.

P. p.. DE CASTRO. A Oração da Coroa.C. P. 166ss. informou-se da extensão das estradas e da natureza da viagem pelo interior. Idem. Rio de Janeiro. 6. Seus discursos políticos pregam a unidade grega. c. DE CASTRO. M... da combatividade e poderio da Pérsia. Nas palavras de Plutarco: "Chegaram embaixadores do rei da Pérsia. O mais famoso é o "Panegírico". Certa vez.3. 313. o. p. certa vez. ele os entreteve de maneira cativante. c. Alexandre é um jovem brilhante. M. Temos dele vinte e um discursos e nove cartas. [13]. introdução a DEMÓSTENES.[11]. não lhes fez perguntas pueris e banais. 6. [12]. [15]. s/d. 6-7.C./VIDAL-NAQUET. c. o.. provavelmente por ocasião do Festival Olímpico. o. Assim. E para ilustrar isso contam certos episódios. p. [16]. P. eles ficaram admirados e acharam que a falada capacidade de Filipe nada era comparada com a iniciativa do filho e sua tendência às grandes empresas"[21]. Tratou-os com simpatia.. 30. Isócrates. [14]. estando ausente seu pai. É preciso perguntarmos agora: quem é Alexandre? Por que Alexandre invade a Ásia? Quais são os seus propósitos? Segundo os historiadores antigos. publicado em 380 a. ISÓCRATES. Cf. 29. Quem é Alexandre Magno? A cronologia das conquistas de Alexandre não é suficiente para se entender o macedônio e suas atitudes. de como o rei mesmo procedia nas guerras. vive entre 436 e 338 a.. p.. pp. DA GAMA CURY. como o seguinte narrado por Plutarco.. o texto em AUSTIN. . Ediouro. outro grande orador ateniense. quando Filipe estava ausente em viagem. recebe embaixadores persas e trata-os de maneira tão cativante que faz fama. ibidem. ele ainda adolescente. Panegírico.

manteve-se calado. caiu em si e. cansado de clamar e lastimar. o mesmo Plutarco nos conta que ao aprisionar. que vinha ao seu encontro afastando o reposteiro da porta. nesta época . Um dos episódios que costumam ser citados para ilustrar a personalidade de Alexandre é o da morte de Clito.a mãe. e que elas . é necessário que leiamos tais narrativas com olhos críticos.C.) . que o insulta durante um banquete. dionisíaca. logo se lhe dissipou a cólera. 2º) fazer falsa psicologia. antes de tudo. tirando dos despojos as roupas e adornos fúnebres. com ela traspassou Clito. a personalidade de Alexandre através da dupla influência do pai Filipe . Em contraste com a irracionalidade deste episódio . pois. como veremos adiante. por causa do poder. Costuma-se explicar. e a fama de Alexandre. às vezes. seu amigo e companheiro. é o historiador ou o sociólogo. onde quem deve falar. emitindo profundos suspiros"[23]. trata-a com a maior deferência e humanidade. totalmente imoderada. Aqui. apolínio. rapidamente arrancou a lança do cadáver e tê-la-ia cravado na própria garganta se não o contivessem os seus guardas pessoais. diante dos amigos emudecidos e parados. a família de Dario. O brilhantismo de suas conquistas costuma ser retroprojetado para sua infância e adolescência. E que tudo o que tinham antes continuarão a ter. por fim.e da mãe Olímpia.. como fica evidente no final deste trecho. não as privou da mínima parte dos cuidados e honras a que estavam habituadas (. Passou a noite e o dia seguinte a chorar perdidamente. é muito grande. a esposa e as duas filhas moças de Dario . tomando a lança de um de seus guardas. dada a exaltação e a "furores divinos". quando ele já é senhor do Oriente: "Então.Naturalmente. Alexandre.nada têm a temer. pois Plutarco é do século I d. Ao vê-lo tombar gemendo e rugindo. há razões políticas para o assassinato de Clito -.espírito moderado..pelo menos aparente. regrado pela disciplina militar e pela educação grega . pois é muito difícil determinar as causas de certos comportamentos de personalidades famosas da antigüidade apenas através de narrativas não muito próximas aos acontecimentos e condicionadas por inúmeros fatores que precisam ser primeiro explicitados[22]. após a batalha de Isso. Diz-lhes que sua guerra é com Dario. agarrando-lhe os braços e conduzindo-o à força para os aposentos. "Ele permitiu sepultassem todos os mortos persas que elas quisessem. o risco é de: 1º) dar explicações psicológicas para fatos históricos ou sociais.

. Vejamos. Alexandre leva nas suas campanhas uma edição da Ilíada anotada por Aristóteles. No castelo de Mieza. quem são estes autores que o jovem Alexandre lê. e morre em 406 a. retórica. em Halicarnasso. e conservava-a sempre junto com o punhal debaixo do travesseiro. pedagogos e professores. Textos dos autores gregos? Escolha: em grego ou inglês! Eurípedes nasce em Salamina por volta de 485 a. são as suas leituras. Heródoto. conhecida como Ilíada do Escrínio. narrativa em prosa da expedição de Ciro..C. com Aristóteles. Grande dramaturgo que escreve 82 peças.C. Homero é a leitura básica. das quais hoje sobrevivem 18 tragédias e um drama satírico. moral. rei da Pérsia. Heródoto nasce aproximadamente em 480 a. O assunto de sua história é a luta entre a Ásia e a Grécia. o Jovem e seus 10 mil gregos contra seu irmão Artaxerxes II. Quando destrói Tebas em 335 a. sua obra mais conhecida é a Anábasis (= escalada). É considerado por muitos como o pai da historiografia ocidental. dialética. antes de casar. metafísica. nasce por volta de 430 a.Alexandre aparentemente considerava mais próprio de rei vencer a si mesmo que ao inimigo. Entre suas odes mais notáveis estão as Odes Olímpicas e as Odes Píticas. entre outros. ateniense. Xenofonte. nasce perto de Tebas por volta de 522 a. não lhes tocou. Aristóteles orienta Alexandre durante 4 anos. na época ainda sem a fama que mais tarde o caracteriza. Píndaro. próxima a Pela. Escreve 17 livros.C. "Considerava e chamava a Ilíada um vade-mecum da arte da guerra. nem conheceu.C. rapidamente. medicina. Píndaro. A educação ministrada a Alexandre por Aristóteles é a típica de um jovem grego. Xenofonte. segundo conta Onesícrito"[25]. mas temos apenas cerca de um quarto de sua obra. entre eles o filósofo Aristóteles. Alexandre ordena que se poupe a casa de Píndaro. Eurípedes.C. Historiador e militar. geografia. Estuda. Alexandre tem vários preceptores. famoso poeta lírico. Além de Homero. outra mulher além de Barsina"[24]. adotou a versão corrigida por Aristóteles.C. Tucídides.

mas com o próprio direito mencionado anteriormente. Aristóteles discute a ciência política do ponto de vista da cidade-estado. mas de modo absoluto"[28]. existindo apenas uma versão árabe. não em alternância. resta apenas à comunidade obedecer a tal homem..C.. Escreve a história da guerra do Peloponeso. que imagina ser a comunidade política mais apta a proporcionar ao cidadão a vida em sua plenitude (.é óbvio . e a ele ser o soberano. O pensamento político de Aristóteles pode ser visto de maneira clara em uma Carta do filósofo a Alexandre.. soberana sobre todos.condenar tal homem ao ostracismo. embora não na mesma superioridade).Tucídides. então.. porém descobre o tipo mais elevado de forma de governo na monarquia do governante perfeito. mas não a paridade entre gregos e bárbaros que Alexandre deseja e começa mais tarde. Aristóteles preconiza a unidade grega e a vitória sobre os persas. não é natural que a parte se sobreponha ao todo. observa P. nem mesmo . Na "Política" diz Aristóteles: "Quando acontece. aproximadamente. historiador ateniense. que há uma família inteira (ou mesmo algum cidadão) de tal forma proeminente sobre as outras em qualidades que superam as de todas as outras. e também pelos criadores de governos democráticos (todos baseiam suas pretensões na superioridade. ao conquistar o Império Persa. e que este cidadão seja um rei. escrita provavelmente no final de 328 a. Harvey[27]. nem sequer que ele passe à condição de súdito quando fora a sua vez. e um homem dotado dessa superioridade excepcional é como um todo em relação à parte. Na verdade. pois como foi dito antes isto se coaduna não apenas com o direito geralmente argüido pelos fundadores de governos aristocráticos e oligárquicos.) Aristóteles reconhece as vantagens da democracia.C. Logo. "Nos oito livros da 'Política'. Do ponto de vista político. se houve um governante dessa qualidade". cujo original grego se perdeu. então é justo que esta família seja uma família real. uma das mais importantes obras históricas de todos os tempos por sua imparcialidade e seu método científico[26]. vive entre 460 e 400 a. Eis os seus pontos principais: . A carta é um programa de governo e Aristóteles recomenda a Alexandre que abandone suas tendências orientalizantes e volte a servir os gregos. não teria cabimento matar ou banir.

Os nobres persas devem ser deportados para a Grécia para que a paz seja mantida. Alexandre deve se afastar dos maus conselheiros que tendem a fazer dele um tirano que não segue a justiça. Enfrentando exércitos persas muito superiores aos seus. às vezes contra os conselhos de seus melhores generais que recomendam maior prudência.C.que Alexandre não seguirá .. criando na Grécia um Estado pan-helênico.C. os gregos conseguem repelir Xerxes em Platéias e em Mícales. pois grande número de cidades gregas dependem dele.é preciso lembrar que o macedônio é excelente soldado e estrategista brilhante. exercendo a função de legislador e fundador de cidades[29]. As vitórias de Alexandre geraram a paz e.o o o o Alexandre deve preferir a atividade legisladora à glória das armas. Alexandre deve estar atento ao fato de que é mais glorioso governar homens livres [gregos] do que escravos [orientais] e que uma glória duradoura não pode ser construída só com empreendimentos militares. da Tessália e da Ática. Como ele é agora o soberano de muitos povos. sendo sua autoridade universal e seu poder ilimitado. deve fazerse amar e ser respeitado pelos gregos e macedônios. O que se impõe perguntarmos agora é o seguinte: quais são os objetivos de Alexandre ao invadir a Ásia e se confrontar com o Império Persa? As opiniões dos historiadores são variadas a respeito[30]. após derrotarem sua frota em Salamina.. em setembro de 480 a. Alexandre deve se voltar para os gregos. Vários episódios de luta e coragem são contados a seu respeito. Somente no ano seguinte. ele pode conseguir que os homens obedeçam à Lei. sem mais conflitos internos. vence-os com lances de genialidade e ousadia. com a adesão voluntária dos gregos. Apesar dos conselhos de Aristóteles . chegando a tomar Atenas. poderão dedicar-se à filosofia. dando assim continuidade ao projeto de seu . Alguns acreditam que é para vingar as afrontas de Xerxes contra os gregos em 480 a. da Macedônia. Outros acreditam que o objetivo inicial de Alexandre seja o de libertar as cidades gregas da Ásia Menor. em 479 a. quando este rei persa avançara através da Trácia. Os gregos.C. Por isso.

a Grécia e a Ásia Menor continuariam ameaçadas. Mas as circunstâncias levam-no a isto. P. A imagem de um Alexandre defensor do helenismo só surgirá no século II a. Como ele assume cada vez mais o modelo persa de governar e viver.C. tornando possível o exercício da monarquia absoluta com vocação universal. mas se não fossem anuladas as suas possibilidades navais ao longo da Fenícia e da Palestina daí a razão do duro cerco de Tiro e a tomada de Gaza . Goukowsky demonstra. na sua análise do mito de Alexandre. criadas após o tremendo sucesso de suas campanhas e o fascínio de sua figura de herói que conquista o mundo e morre jovem sem usufruir do poder e da riqueza que acumulara. Se a perseguição a Dario não continuasse após a volta do Egito. após as conquistas das regiões mais diretamente persas. questão interessante é a do mito de Alexandre. . frente à ameaça romana[32]. É certo que não faz parte do plano original do macedônio. que as práticas e as teorias do absolutismo político persa são revestidas por Alexandre de um verniz grego. Parece que a própria lógica da conquista é que leva avante sua expedição.pai Filipe II que já enviara para lá um exército de 10 mil homens comandado por Parmênion e que está prestes a ser empurrado de volta para o mar. A possibilidade de fusão das culturas grega e persa deve ter surgido provavelmente como conseqüência e necessidade. seus contemporâneos gregos e macedônios não o vêem com bons olhos. ou então era preciso associar as populações autóctones à sua administração. Parece-lhes que o objetivo inicial da Liga de Corinto foi abandonado e as conquistas do brilhante jovem macedônio nenhum benefício lhes trazem. Foi fácil vencer o enorme exército de Dario em Isso. Histórias. Alexandre necessita de uma burocracia persa para administrar os territórios conquistados e precisa de exércitos nativos para sustentar as conquistas. na sua maioria inventadas. A reconciliação greco-persa não era uma quimera. Aliás.. mais tarde Alexandre teria que se medir com ele para sustentar as suas conquistas asiáticas. É bem provável que a conquista de todo o Império Persa não faça parte de seus planos originais. nem um capricho: era uma necessidade"[31]. "De duas uma: ou a própria amplidão de suas conquistas o obrigaria a deter-se.

"Na noite anterior à das núpcias. alegando a lei. lhe caía um raio sobre o ventre. NEXT . mandou chamar. ela exclamou: `Filho. grassaram por toda a parte e por fim se apagaram. Goukowsky observa. Alexandre declarou não precisar de outro oráculo. O que narra Plutarco acerca de sua origem é uma espécie de "evangelho da infância" que legitima este mito de sua filiação divina. como que subjugada por seu arrebatamento. contudo. era a figura dum leão"[34]. obedece prontamente a Alexandre e provoca a seguinte "previsão" de seu pai: "Meu filho. finalmente. eram dias de mau agouro. É ainda Plutarco quem diz que. Ouvindo isso. foi a Delfos. procura para ti um reino compatível com o teu valor. Além de se considerar descendente de Héracles. de quem procura imitar as façanhas sobre-humanas. Ela recusou-se. foi ele em pessoa buscá-la. Do mesmo gênero "apócrifo" é o caso do cavalo Bucéfalo. ninguém pode contigo'. irromperam labaredas. em seu detalhado estudo das origens do mito de Alexandre.Entretanto. Merece. Então. Filipe II viu uma serpente estendida sobre o corpo de Olímpia: símbolo do deus. depois do casamento. a noiva [Olímpia] sonhou que. da chaga brotou um fogo violento. Quando a arrastava à força para o templo. Filipe. Consta que Alexandre se vê como privilegiado herói. tinha já a resposta que dela desejava"[36]. primeiramente. Por acaso. filho de Zeus. certa vez. que o próprio conquistador constrói cuidadosamente esta imagem de super-herói que lhe rende altos dividendos políticos. no Egito identificado a Amon. tornando viável o desenvolvimento de seus projetos orientalizantes[33]. "Desejando ouvir o oráculo a respeito de sua expedição. em meio a um trovão. deitado com sua mulher. pensava. nos quais não é lícito dar consultas. Garanhão indomável. onde teria ido consultar o oráculo acerca de sua expedição à Ásia. P. por sua vez. sonhou que aplicava sua chancela no ventre da esposa e a gravura da chancela. mais tarde. a Macedônia é pequena para ti"[35]. a pitonisa chefe. menção o episódio de sua visita a Delfos. a quem vai reverenciar e consultar no oásis líbio de Siwah.

. Rio de Janeiro. 19843.C. pp.C. [29]. BOTTOMORE. Política III..BENOIST-MÉCHIN. 117-118. Cf. Perspectivas sociológicas.. Brasília. p. B. por volta de 1200 a. Observe-se no final deste texto a avaliação moralizante do comportamento de Alexandre. no seu décimo ano. J. DE ROMILLY. 19882. ARISTÓTELES.. J.. Petrópolis. causada por uma afronta cometida contra ele por Agamêmnon. [28]. Alexandre. 141. [22].. 5. c.. 1985. O assunto é a cólera de Aquiles.Cf. esta é uma característica marcante dos autores da época imperial romana. [25]. P.. Uma visão humanística. Homero é o maior poeta épico grego. Zahar. 156-178.. Teorias da história. Alexandre. GARDINER. p. Cf. Lisboa. Edições 70. BERGER. nos respectivos verbetes. 19899. 21.. SAULNIER. 73-74.. [31]. C. em o. p. Fundação Calouste Gulbenkian. Introdução à sociologia. LÉVÊQUE. Rio de Janeiro. ibidem. s/d. autor da "Ilíada" e da "Odisséia". P. líder das forças gregas. 8. P. Idem. T. A Ilíada. Essai sur les origines du mythe d'Alexandre I. pp. 69-71. o. 15-90. São Paulo. P. Du Cerf. Editora da UnB. c.D. Cf. 1987. pp.. O mundo helenístico. PLUTARCO.. [30]. 1983. P. PLUTARCO. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. Histoire d'Israel III. PLUTARCO. GOUKOWSKY.. feita por Plutarco. 11-12. A imaginação sociológica. 181. pp. pp. em 24 cantos. [27]. pp. Cultrix. Zahar. 50-55. e sua linguagem o relaciona com os dialetos jônio e eólio da Ásia Menor. [23]. 143. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a. 155. p.. Paris. verbete Aristóteles. HARVEY. Alexandre. em Vidas. P.C... Vozes. [24]. em o. Alexandre. c. p. WRIGHT MILLS. Fundamentos da literatura grega.). 47. pp. Homero é provavelmente do século IX a. 51-52.[21]. GOUKOWSKY. 19826. PLUTARCO. Aliás. pp. Alexandre Magno. c. conta um episódio do cerco de Tróia (também chamada Ílion) pelos gregos. 17-43. Cf. C. [26]. XI. 1288a.-135 a. Lisboa. em o.

. GOUKOWSKY. pelo menos. em o. [36]. c.. com os sacerdotes. Alexandre se encolerizou muito (. ibidem.. 2.4. em 332 a. Alexandre se apressou em subir a Jerusalém. segundo a qual ele deve ir. [35].) Depois de tomar Gaza.C. 69-78. cujo rei devia estar muito irritado com a sua recente desobediência"[37]. pedindo-lhe que lhe mandasse reforços. apoderou-se de Sidônia e cercou Tiro. O texto prossegue dizendo que o sumo sacerdote. em o. Idem. c.[32]. c. ao encontro de Alexandre. O sumo sacerdote Jadus. 17-68. Alexandre prostra-se diante do sumo sacerdote. "Chegando à Síria. [33]. encheu-se de angústia e temor. aceitando a amizade dos macedônios. em apuros. o. lhe mandasse os presentes que costumava mandar a Dario. 138. Alexandre. [34]. 14. 6. p. Cf. De lá enviou uma carta ao sumo sacerdote dos judeus. que merece ser. parcialmente transcrito. O sumo sacerdote respondeu aos mensageiros que tinha prometido com juramento a Dario que não pegaria em armas contra ele.. que fornecesse provisões para o seu exército e que. p. em trajes de festa. em o. c. dizendo tê-lo visto em sonhos e por isso pensa que vencerá Dario e quebrará o poder dos persas. Alexandre. Sobre a atitude de Jerusalém para com Alexandre. . e que não ia faltar à palavra jurada enquanto Dario fosse vivo. suplica a Deus e deste recebe uma mensagem em sonhos. 142. Isto feito. e acrescentou que os judeus não teriam nada a temer. 6. A Anexação da Judéia por Alexandre Durante as campanhas de Alexandre contra Tiro e Gaza. Cf. Ouvindo isto... p. não sabendo como se apresentar aos macedônios. ao ouvir isto.. 148. a Palestina é anexada ao novo império. Alexandre tomou Damasco.. P. Idem. a principal fonte que possuímos é um texto de Flávio Josefo. pp. Idem. Alexandre. PLUTARCO. pp.

5. uma revolta. é terrível. os sonhos. Deste texto deduz-se que a situação da Judéia sob Alexandre permanece a mesma vigente na época persa: a comunidade continua governada pelo sumo sacerdote. que fica fora de sua rota em direção ao Egito. em um círculo filo-heleno. Anexada sem maiores problemas. indica que a história deve ter sido forjada aí pela metade do século II.Alexandre vai ao Templo. em seguida. provavelmente alexandrino. O texto de Flávio Josefo é fantasioso e está construído sobre temas típicos: a proteção divina dispensada ao Templo e ao povo fiel a Iahweh. Acontece. sob a inspiração de romances gregos e mais especialmente do romance de Alexandre"[38]. Entretanto. inclusive. ao voltar do Egito. Saulnier observa sobre este texto que "a referência às profecias de Daniel. a pedido do sumo sacerdote. 6. é queimado vivo pelos samaritanos. porém. o texto é importante. Samaria é destruída e no lugar se estabelece uma colônia macedônia. na medida em que mostra a boa acolhida de Alexandre entre os judeus e as expectativas que suas conquistas criam para o pequeno distrito governado pelo Templo. quando o prefeito de Alexandre na Síria. onde sacrifica a Deus. o do sumo sacerdote e o de Alexandre. As disposições tomadas por Alexandre a respeito do povo judeu. acontece. e depois atende a vários pedidos do sumo sacerdote em benefício de seu povo. regida pela Torá e ligada ao Templo. C. este último. Já em Samaria a situação é diferente. legitimando as suas conquistas como vontade de Iahweh. são plausíveis: o o o "a liberdade de viverem segundo as leis de seus pais" "a isenção de impostos a cada sete anos" "que os judeus de Babilônia e da Média vivessem segundo suas próprias leis". se ela não foi introduzida pelo próprio Flávio Josefo. Andrômaco. A Situação da Judéia no Momento da Anexação . que Alexandre jamais esteve em Jerusalém ou na Judéia. A punição determinada por Alexandre. O que ele pode ter feito foi enviar até lá um de seus oficiais para obter a submissão da comunidade judaica aos novos senhores da região.

com cerca de 1. gerando uma solidariedade de sangue muito coesa tem regras específicas de casamento. já que a "mudança de dono".É preciso. do persa para o grego. A sociedade israelita tradicional sempre se fundamentara no clã (mishpâhâh). em circunstâncias específicas. Ora. G. que se esclareça a situação da Judéia no momento da anexação. a linha de descendência corre de pai para filho é unidade de convocação do exército tribal caracteriza-se pela residência comum de seus membros transmite o direito de posse por herança: a terra.C. Por que isto acontece? Terá surgido algum progresso econômico que ameaça as relações de parentesco da sociedade judaica? O pequeno distrito de Judá. Daí . mas deve ser mantida em poder do grupo através da herança de pai para filho é formada de famílias ampliadas seus membros têm responsabilidade mútua. O clã é constituído por uma agrupamento de famílias ampliadas (beth-'âbhoth) que moram na mesma região e se auxiliam tanto no setor social quanto no econômico. Kippenberg. enfim. não altera significativamente a vida judaica e as condições econômicas e políticas vigentes. ocupa quase que só a região montanhosa da Judéia.. Pois na região montanhosa o cultivo depende das chuvas. em 332 a. com preferência pelo casamento entre primos patrilineares e com a obrigatoriedade do dote integra. deixando o clã em segundo plano[41]. a mishpâhâh: o o o o o o o o é um grupo de descendência patrilinear. uma tribo[40]. sendo a irrigação possível apenas na planície. Segundo H. ou seja.100 km2 apenas. Pattai e E. citando R. Meyer. O que acontece a partir da época persa é que a família (beth-'abh) vai tornar-se a unidade econômica fundamental. e de maneira pouco feliz para os judeus. finalmente. a propriedade é comunal e não pode ser vendida. constituindo uma comunidade jurídica local[39]. esta condição geográfica vai determinar a produção de alimentos. os rebanhos. Somente no nordeste é que ele se estende um pouco pela planície do Jordão.

mercadorias ou qualquer espécie de víveres. nos séculos VII e VI a. como a oliveira. em terrenos ruins para o trigo. como vimos. O cultivo da oliveira é menos trabalhoso do que o do trigo. Os casos da Ática. em geral. como do fator troca"[44]. Terrenos. . no dia de sábado. e esta os judeus não controlam mais[42]. ele mesmo. Kippenberg: "As plantações de oliveiras podiam ser feitas em terrenos que para o cultivo do trigo não eram muito vantajosos. dependia tanto do fator riqueza.25 hectares de campo. Vamos acompanhar H. e da Itália. rica em ferro.32 diz: "Se os povos do país trouxerem para vender. mas de uma para cada 7. Só que aí há um problema: este tipo de cultivo exige riqueza. apenas plantas de raízes profundas. como o da Judéia. numa região de poucas chuvas. exige um certo capital. Ne 10. desenvolvendo-se. na Grécia. Só que aqui a terra é calcária. Elas exigiam menos trabalho do que o cultivo do campo. nos ensinam que o tipo de aproveitamento da terra. davam mais lucro se fossem aproveitados como bosques de oliveira ou como vinhedo"[43]. enquanto o agricultor produzia. Este fator troca já é testemunhado no tempo de Neemias. Pelo menos é o que afirmam os agrônomos latinos.. "O produtor de oliveiras era obrigado a vender seu produto a troco de alimentos. seus mantimentos. dependia de dois fatores: da existência de uma aristocracia que dispusesse de dinheiro para investir na produção agrícola e da possibilidade de troca de derivados da azeitona e da uva pelo trigo. portanto. E pode ser feito.estar comprometida a rentabilidade da lavoura. A terra adequada para o plantio de cereais é a terra-roxa. já que a oliveira só começa a dar lucro 10 anos depois de plantada. Se um campo era usado para esta ou aquela cultura. G. que calculavam a relação de uma pessoa para cada 6.5 hectares de plantações de oliveiras. As encostas íngremes das montanhas do leste praticamente impossibilitam o aproveitamento da terra.C. enquanto que a região que desce para a planície costeira é mais favorável. a parreira e a figueira. nada compararemos em dia de sábado ou em dia santificado". cuja produção era inferior à relação de 1:4 (plantio/colheita).

Dario cria um sistema que permite calcular receitas e despesas e regulariza os tributos com a criação da moeda[47]. Sabemos também que. correspondendo à correlação de 1 por 13 entre ouro e prata"[46].6 g. daí serem mais práticas no uso quotidiano as moedas de prata yehud que pesam 2. Esd 2. especialmente. dado a enorme extensão do Império Persa. E Ne 7. os dáricos. de prata. As primeiras moedas citadas no AT são as dracmas persas de ouro.. Uma dracma de ouro vale 300 litros de cevada. deram ao tesouro de culto sessenta e uma mil dracmas de ouro.69 diz a respeito das oferendas feitas ao Templo após a volta dos exilados: "Segundo suas posses. o siclo de prata persa 5. não há soldados persas suficientes para guarnecer todas as províncias e. Neste caso. para serem mandados para as batalhas. "A dracma de ouro pesava cerca de 8.C. A Judéia usa também as moedas de prata de Atenas e da Pérsia e as moedas yehud.É possível que a produção de trigo da Judéia seja insuficiente para o consumo e que este comércio feito pelo 'am ha'arez inclua a venda de trigo produzido em outra região. Para pagá-los o Estado precisa de dinheiro. duas mil minas de prata e sessenta e sete túnicas sacerdotais".08 g.70-71 também diz: "Alguns chefes de família depuseram no cofre das obras vinte mil dracmas de ouro e duas mil e duzentas minas de prata. possuem valor bem menor. Por que Dario manda cunhar moedas? Heródoto nos informa: no tempo de Ciro e de Cambises não havia determinações fixas sobre o tributo devido pelas províncias do Império Persa.4 g. cunhadas na região. cinco mil minas de prata e cem túnicas sacerdotais". e. de múltiplas nacionalidades. As doações feitas pelo resto do povo atingiram o montante de vinte mil dracmas de ouro. os habitantes da Judéia devem produzir derivados de azeitona e vinho para trocar pelo trigo. Elas eram trocadas na proporção de 1 por 20. É necessário a contratação de grande quantidade de mercenários. cunhadas por Dario I após 517 a. portanto. . Outra coisa que caracteriza esta época persa é a propagação da moeda na Judéia[45].

C. Para vender o excedente. o que compensa é o cultivo de oliveiras e videiras. Ne 5. Vendem cevada e derivados da oliveira e da videira. devem vender seus produtos agrícolas. deve pagar à Pérsia 350 talentos de prata por ano.: "Levantou-se uma grande queixa entre os homens do povo e suas mulheres contra seus irmãos. Uns diziam: `Somos obrigados a penhorar nossos filhos e nossas filhas para receber trigo. entretanto. para podermos comer e sobreviver'. além do gado.1-5 testemunha o conflito social que explode na Judéia no século V a. Neste texto observamos três grupos de queixosos[50]: o o o o primeiro grupo penhora seus filhos para receber alimentos o segundo hipoteca suas terras na época da fome o terceiro grupo. por não ter pago os impostos. e adquirir prata para pagar o tributo persa. tem que vender seus filhos como escravos. porque nossos campos e nossas vinhas já pertencem a outros'". ora. Outros ainda diziam: `Tivemos que tomar dinheiro emprestado. temos a mesma carne que nossos irmãos e nossos filhos são como os deles: no entanto. Assim. É o que apresenta Ne 5. temos que entregar à escravidão nossos filhos e filhas. Outros diziam: `Temos que empenhar nossos campos. Esta situação econômica gera graves conseqüências sociais: os agricultores judeus precisam diminuir o número de familiares que vivem da renda da terra e investir em produtos que dêem mais lucro. penhorando nossos campos e vinhas para pagar o tributo do rei.Segundo Heródoto. à qual pertence a Judéia. Não havendo grande produção de cevada na Judéia. vinhas e casas para receber trigo durante a penúria'. quando os judeus se queixam da situação a Neemias: "Tivemos que tomar dinheiro emprestado penhorando nossos campos e vinhas para pagar o tributo do rei". a V satrapia persa. Acontece que os moradores da Judéia não têm minas de prata. .995 quilos de prata[48]. e há entre nossas filhas algumas que já são escravas! Não podemos fazer nada.4. o equivalente a 11. excedentes ou não. dependem de negociantes estrangeiros[49]. os judeus.

A penhora dos filhos é a `arabah. Ou seja: o credor tem direito aos produtos excedentes. Ao contrário da escravidão por dívida. depois a terra. "Agora as mulheres recebem o mesmo direito à liberdade.12: "Quando um dos teus irmãos.12-18. Vamos ler Mq 2.. Talvez porque a lei estipulada no livro do Êxodo não estivesse sendo obedecida. . para que não sejam de novo forçados à escravidão por dívidas. o fazem. ao vinho e ao óleo. vinhas. for vendido a ti. ao trigo. casas e oliveiras e têm que empenhá-los numa situação de penúria[52]. Diz Dt 15. 12-18. esta legislação de Dt 15. quando o profeta diz que os credores podem se apropriar com facilidade dos campos e das casas dos outros e. tampouco existem restrições quanto a se permitir que a família do escravo seja alforriada. Se o camponês que penhora sua produção não produzir o suficiente. Se cobiçam campos.2-4 e Dt 15. "Se os produtores não tiverem condições de conseguir uma produção em seus campos que satisfaça sua fome.C. acaba na escravidão.Há determinada seqüência na formação da dependência: primeiro penhoram-se os filhos (escravidão). é mais avançada do que aquela.2-4. No sétimo ano tu o deixarás ir em liberdade".11. O caso de segundo grupo é o daqueles que possuem campos.1: "Ai daqueles que planejam iniqüidade e que tramam o mal nos seus leitos! Ao amanhecer eles o praticam porque que está no poder de sua mão. ele te servirá por seis anos. eles os roubam. A penhora permite o ataque direto do credor à propriedade e à família do devedor. correm o risco de serem vendidos como escravos. Se observarmos bem. Trata-se de uma penhora que transfere ao credor o usufruto da terra e não a sua propriedade. ao dinheiro. É o mesmo caso denunciado por Miquéias no século VIII a. este ato é definitivo e irreversível"[53]. Os escravos devem receber provisões da parte do seu senhor para sobreviver como pessoas livres. de fato. prevista nas leis de Ex 21. posterior à do Ex 21. hebreu ou hebréia. como nos diz Ne 5. e merecem algo por seus anos de trabalho"[51].

pode ter tido vários motivos. Segundo H. para apossar-se de imóveis ou para vender escravos"[56]. como: o o o o o piora da qualidade da terra mau tempo que prejudicou a colheita crescimento do número de familiares divisão e diminuição das terras por causa da herança exigências estatais de pagamentos de impostos.se casas.7: "Tendo deliberado comigo mesmo. a . divisão de heranças. eles as tomam. senão vender seus filhos e filhas como escravos?"[54]. este imposto tinha que ser pago em moedas. Neemias declara uma anistia. Kippenberg. Diz Ne 5. G. Que escolha tinham estes camponeses. como conseqüência. pois o comércio de escravos no Mediterrâneo está em pleno florescimento. segundo a qual os credores devem renunciar às rendas das terras hipotecadas. como aparece em Ne 5. excluindo. "E ainda mais.6-12 é que os credores dos quais os judeus dependem são seus irmãos de sangue e são pessoas de posses e classe alta. a crise do tempo de Neemias. E o que é denunciado em Ne 5. eles oprimem o varão e sua casa o homem e sua herança". repreendi os nobres (horîm) e os magistrados (seghânîm) nestes termos: `Que fardo cada um de vós impõe a seu irmão!'"[55]. Eles são importantes para a formação de classes somente quando se tornam instrumentos dos relativamente mais ricos ou mais poderosos para criar novas dependências. deterioração da terra ou mau tempo. Por que a repreensão de Neemias? É que o endividamento tem como objetivo vender ao estrangeiro o judeu empobrecido. G. Finalizo com H. Kippenberg. que observa: "Endividamento e principalmente insolvência não são frutos vindos diretamente de fatores como coação demográfica. cujos campos e vinhedos já estavam hipotecados.

1986. 1976. HERÓDOTO. Difel. Alexandre. A cidade grega. J. Paulus.. Cultrix. Université de Nancy II. M. L.. Anabasis Alexandri. Religião e formação de classes na antiga Judéia.. Massachusetts. 1988. Edições 70. em Vidas Paralelas IV.. São Paulo. pp. Judaism from Cyrus to Hadrian I-II. São Paulo. 1989-1996. s/d. Alexandre Magno. em um volume. Brasília. Jorge Zahar. G. Fortress Press.. ORLANDI (org. GOUKOWSKY. P. ..) I-II. KIPPENBERG./VIDAL-NAQUET. Alexandre. 1980.. Minneapolis. P.. HARVEY. São Paulo. São Paulo. LÉVÊQUE. ou na edição inglesa. 1985. Porto. 1973. H. Editora da UnB.. Rio de Janeiro. Lisboa. G. Verbo. Edições 70. GRABBE. 1987. Nancy. 1980. Os gregos antigos. em Vidas. Alexandre. PLUTARCO. DE CASTRO. PLUTARCO. 1978-1981. L. Harvard University Press. AUSTIN.. 1994. Lisboa.. Cambridge. 2 vols. P.-C. Lisboa. Leituras Recomendadas ARISTÓTELES. o que não sabemos. Editora da UnB.. o Grande. Alexandre Magno. São Paulo. Isto se a lei tiver funcionado. Editora Três. P. Brasília. 1992. ARRIAN. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. P. M. I. 1984. J. História. O mundo helenístico. 19882. GLOTZ. Economia e sociedade na Grécia antiga.escravidão do judeu ao estrangeiro.). Lisboa/São Paulo. Lello & Irmão. 1987. 138199. Essai sur les origines du mythe d'Alexandre (336270 av. pela SCM Press. Edições 70. BENOIST-MÉCHIN. FINLEY. Política .

K. G.D. Uma sociologia da religião de Israel liberto. H. N. F. São Paulo.. [45]. 42. 43-44. [38]. 63-64.. pp. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a. São Paulo. 1992... 1250-1050 a. O texto em questão pode ser lido em PAUL. 44. KIPPENBERG. Idem. [41]. pp. Persia and the Bible. Cf. H. Grand Rapids.. Histoire d'Israel III. As tribos de Iahweh. 1986. 317ss. a excelente análise de KIPPENBERG.C. Religião e formação de classes na antiga Judéia.. Cf. Além de Flávio Josefo..M.. 348.. YAMAUCHI.. sobrinho de Aristóteles. KIPPENBERG. Baker Books. XI.PAUMAPE. SAULNIER. o. Histoire de la Palestine depuis la conquête d'Alexandre jusqu'a l'invasion arabe I. São Paulo. 1981. para esta questão. Paulus. C. [40]. chama a atenção para a diferença entre dinheiro e moeda.C. MI. O judaísmo tardio. A. [44]. [1990]. La Nuova Italia. 1952. M. 1985. Gabalda. Idem. pp.).. [39]. ROSTOVZEV. NEXT [37]. 133-208. Seguirei. C. JOSEFO. F. Storia economica e sociale del mondo ellenistico I. ibidem. 1988. [43]. Idem. G. 22-28. História política. também ABEL. o encontro do sumo sacerdote de Jerusalém com Alexandre é narrado também na "Recensão C do Pseudo-Calístenes" (um conjunto de lendas sobre Alexandre. 1996. Histoire d'Israel III. Paris. pp. Antiquitates Iudaicae.. p. Cf. Firenze. Paulus. Paris. 46-47. c. GOTTWALD. Du Cerf. H. p. ibidem. pp. O dinheiro. no Anexo Tardio ao Meguillat Taanit (= Rolo dos Jejuns) e no Talmud da Babilônia (Yoma 69a). como medida de valor na . pp. [42]. 71. ibidem. atribuídas a Calístenes. 10-12. Cf. pp.C.).-135 a. 40-50. que se cristalizam por volta do século III d. c.. p. p. SAULNIER. G. 1983. M.. E. o. Paulus.

[56]. Cambises de déspota e Ciros de pai. os persas chamaram Dareios de mascate. GNUSE. c. 53-72. vinhas. O conceito de irmão ('âh) designa o membro de uma sociedade solidária. É em Ne 5. já existe bem antes da moeda. oliveiras e casas e perdoai-lhes a dívida do dinheiro. São Paulo. [53]. Idem. Editora da UnB. [49]. 54-55. Diz Heródoto: "No reinado de Ciros. Cf. 56. que abrangia toda a Fenícia. Ática. Não roubarás.. 180. ibidem.. G. não havia tributo fixo. [50]. 47. A queixa dos camponeses é baseada no conceito de solidariedade judaica. São Paulo. Idem. É usado também o ouro. o. isenta de tributos). Cf. Por causa da fixação dos tributos e de outras medidas análogas... 50. KIPPENBERG. e Chipre". H. 1986. p. [47]. H. 1985. KIPPENBERG. KIPPENBERG. Brasília.. Desapropriação e escravidão não são compatíveis com esta ordem jurídica. A escravidão na Bíblia. G. [51]. assim como a prata. pp. c. o shekel.. p.. [48]. e o Egito (à exceção da parte pertencente aos árabes. p. [52]. c. pesado segundo o método sumério-babilônico. do trigo. p. 41. uma cidade fundada na fronteira da Cilícia com a Síria por Anfílocos. o. Cf. para o que se segue.. [55]. o. No Israel antigo caracteriza-se a riqueza pela posse do gado. HERÓDOTO. 58. fundamentada na relação de parentesco. ibidem. [54]. 112-199. 179-180. c. p. p.troca de produtos. 1981... o. e posteriormente no de Cambises. Cambises era duro e insensível e Ciros era generoso e se preocupava com o bem-estar de seus súditos". H. Comunidade e propriedade na tradição bíblica. pp. História III. Loyola. R. G. . G. 91.. C. na forma de peças de enfeite. diz: "A região situada entre Posidêon. pp. HERÓDOTO. pagava trezentos e cinqüenta talentos e constituía a quinta província. do vinho e do óleo que haveis emprestado". também VENDRAME. [46]. filho de Anfiáraos.. 89. a parte da Síria chamada Palestina. sendo o pagamento feito em presentes. História III.11 que se fala nas oliveiras: "Restitui-lhes sem demora seus campos. H. o. pois Dareios negociava com tudo. c. pp. Cf. KIPPENBERG.

tais situações acabam aumentando espetacularmente o número de judeus no Egito..C.. Ptolomeu I. cerca de 1 milhão de habitantes e a comunidade judaica alcança o significativo número de 200 a 400 mil pessoas[8]. Em Alexandria. dois dos cinco bairros da cidade são ocupados prioritariamente por judeus. A presença do exército macedônio. A maioria é destinada ao trabalho escravo das minas e da agricultura[7].2. Daí as desgraças que atingem a região: pilhagens. seja sob o comando de Pérdicas. deportando alguns milhares de judeus para o Egito. Entre 323 e 301 a. núcleos de futuras cidades. por exemplo. Entretanto. Qual é a situação da Palestina neste período de 22 anos de conflito entre os herdeiros de Alexandre? É claro que há uma enorme dificuldade de se seguir uma política coerente. escravos. sustento das guarnições etc. Eumênio ou Antígono. as guerras trazem também alguns benefícios para a região. mulheres. na época romana.C. deportações.. Os veteranos se fixam nas colônias militares. pois os senhores da região mudam constantemente. acaba ficando bem no centro das disputas entre os diádocos. requisições. desmantelamento de defesas e bens imóveis para prejudicar o inimigo.7. C. crianças. pois milhares de civis acompanham as tropas: mercadores. Apesar das atribulações. toma Jerusalém em 312 a. fazendo da diáspora alexandrina a maior comunidade judaica fora de Israel. é muito difícil calcular a população judaica da diáspora. Junto com o exército vem o comércio. a Palestina é cruzada cerca de oito vezes por exércitos em luta. A Situação da Palestina de 323 a 301 a. Antípater. na sua luta pela posse da Celessíria. porém. A região da Síria. traficantes de despojos. Aliás. na verdade. produz uma movimentação política e econômica incomum na Palestina. somadas às migrações e aos mercenários. Os dados são escassos e problemáticos. A cidade possui. .

A 2ª guerra síria (260-253 a. para sucedê-lo -. A 1ª guerra síria (274-271 a. assim. Antíoco II retoma as cidades da Ásia Menor que Ptolomeu II incorporara ao seu reino. Todo o episódio é extremamente confuso pela quase total ausência de documentos[11]. com certeza. a médio prazo. de Alexandria. a Macedônia. direito a ser reivindicado na hora certa.ou talvez chamado por ela em seu socorro. enormes quantias de dinheiro. um direito dinástico sobre o reino dos Selêucidas.) coloca frente a frente Ptolomeu II Filadelfo e Antíoco II Theos.3. A 3ª guerra síria (246-241 a. agora. Só que alguns anos depois. e dá sua filha Berenice em casamento a Antíoco II. . Os Ptolomeus. onde vivia Laodice. Mas este deve repudiar sua esposa Laodice e os filhos que teve com ela. desaparecido em circunstâncias misteriosas.) acontece entre Ptolomeu III Evergetes e Selêuco II Calínicos.C. As Guerras Sírias entre Ptolomeus e Selêucidas O domínio dos Ptolomeus sobre a Celessíria dura 103 anos. seu filho mais velho com Laodice. e Antíoco I Soter. A região da Celessíria fica fora da guerra.A guerra coloca em circulação. chegando até a Mesopotâmia. Outra invasão levao a algumas vitórias. Os Selêucidas lutam pela região porque precisam cortar as bases dos Ptolomeus instaladas na costa da Ásia Menor. que é repelido. Motivado pelo assassinato de sua irmã Berenice . por Laodice. talvez assassinado por Laodice. quando Antíoco II ao morrer em Éfeso. A guerra começa com a invasão da Síria por Ptolomeu II. de Antioquia. E também por razões comerciais: a posse dos portos da Celessíria lhes garante o controle do Mediterrâneo Oriental e a ligação com a terra-mãe. A paz é feita quando Ptolomeu II cede aos Selêucidas suas possessões da Ásia Menor.) é um confronto entre Ptolomeu II Filadelfo.pois esquadras são montadas e destruídas fazem prosperar as cidades da costa[9].C. porque não podem se sentir seguros no Egito se suas fronteiras não estiverem protegidas pela Celessíria. nomeia Selêuco. As grandes construções navais . Durante todo este tempo Ptolomeus e Selêucidas lutam pela Síria. Berenice e seu filho são assassinados. 7. O acordo e o casamento são realizados. Ptolomeu III invade a Síria e obtém grandes vitórias.C. Deste conflito decorrem as chamadas "guerras sírias"[10]. Parece que Ptolomeu II procura construir. menos a Cária. além disso. após a morte de Antíoco II.

em 198 a. da Macedônia. com os nomes das 5 primeiras letras do alfabeto grego. entretanto.) se dá entre Ptolomeu V Epífanes e Antíoco III. mas uma vez. e Antíoco III é derrotado. planejam reparti-lo entre si.4. A Celessíria retorna às mãos dos Ptolomeus.) é entre Ptolomeu IV Filopator e Antíoco III.C. no norte da Palestina. Em seguida. A Celessíria. até atravessar a Palestina em 218 a.C. daqui para a frente. Antíoco III avança novamente através da Celessíria e vence cidade após cidade. Em 217 a. E os judeus de Jerusalém mudam. no istmo entre o Mar Mediterrâneo e o lago Mareótis. A 4ª guerra síria (221-217 a. Agátocles é assassinado e Scopas dirige o exército ptolomaico que. a forma de uma clâmide12.C. de dono. Em 219 a. O crescimento econômico acontece especialmente sob o governo de Ptolomeu II Filadelfo (285-246 a. Alexandria e os Judeus O governo dos Ptolomeus se faz a partir de Alexandria. O plano da cidade é do ródio . porém. o Grande: Antíoco III tenta tomar a Celessíria. Antíoco III invade a Celessíria e quase não encontra resistência. os dois exércitos. A 5ª guerra síria (202-198 a. Ptolomeu V.C. Construída segundo uma forma alongada. é totalmente derrotado por Antíoco III em Panion (Baniyas). Selêuco II tenta tomar a Celessíria. perto do braço canópico do Nilo. Estas três primeiras guerras sírias quase não afetam a região de Judá. travam grande batalha perto de Ráfia. tem um perímetro de mais de 15 km. mas é repelido por Ptolomeu III. no sul da Palestina.). consegue retomar as cidades conquistadas pelos Ptolomeus. selêucida. 7. Quando morre Ptolomeu IV Filopator. selêucida e ptolomaico. Com o Egito assim enfraquecido.C. A tutela e a regência ficam com os ministros Sosíbio e Agátocles.. mas é barrado pelas forças ptolomaicas no ano de 221 a. por isso.C. será. Antíoco III e Filipe V.C. o Grande. a não ser em Gaza. Alexandria tem 5 bairros.C. O Egito só não é tomado porque Roma o proíbe a Antíoco III. Como é Alexandria? Qual é a sua relação com o Egito? Como vivem aí os judeus? Alexandria está localizada a oeste do delta do Nilo. que favorece o desenvolvimento da região sob a administração ptolomaica.Selêuco II. Há. o herdeiro. um período de relativa paz. tem apenas 5 anos de idade.

Está fundado em dois princípios novos: 1) as ruas cortam-se em ângulo reto. aliás. Localizada no bairro real. de nome Timão. A tradição liga-o ao nome de Hipódamo de Mileto. O porto é dividido em dois pelo Heptastádio.C. como virá a ser o caso nas criações romanas. o que produz uma disposição em tabuleiro de xadrez. o palácio. bairros especiais para o porto. que vive em Atenas. por acidente. era preciso entendê-los. onde "são criados uns garatujadores livrescos que se bicam eternamente"[15]. 2) o plano quer-se funcional e reserva. Como explica P. para dominá-los. A biblioteca de Alexandria. Este plano é conhecido como hipodâmico. E em 642 d. o habitat"[13]. que vive na corte de Ptolomeu II Filadelfo. segundo autores antigos. Em 47 a. o museu e o teatro.. feitas por Franck Goddio.C. A biblioteca teria chegado a possuir cerca de 700 mil volumes. Veja aqui as recentes descobertas. os edifícios públicos. Canfora acredita que "os gregos não aprenderam a língua de seus novos súditos. por exemplo. O Museu é sustentado pelo Estado e ali os sábios convivem. mas compreenderam que. Lévêque. discutem e produzem a ciência da época. mas também como instrumento de dominação"[14]. obra de Sóstrato de . o túmulo de Alexandre. um filósofo (pitagórico?) que de fato parece ter sintetizado as pesquisas anteriores efetuadas especialmente nas cidades coloniais. sem que. "o urbanismo hipodâmico apareceu cerca de 480. e que para entendê-los era necessário traduzir e reunir seus livros. Um poeta e filósofo satírico grego do século III a.C. é uma academia literária fundada por Ptolomeu II. existam dois eixos principais. é fundada por Ptolomeu I e notavelmente aumentada por Ptolomeu II.C. L. cerca de 40 mil volumes são destruídos pelo fogo. Os monumentos que se destacam em Alexandria são o ginásio. da Alexandria submersa O Museu. é complementada por outra localizada no Serapeum (o templo de Serápis). Assim nasceram bibliotecas reais em todas as capitais helênicas: não apenas como fator de prestígio. conquistador árabe da região. gramático latino do século II d.. a biblioteca teria sido queimada por ordem do califa Omar. O Farol. o tribunal. anexo ou próximo à biblioteca. a maior e mais célebre das bibliotecas da antigüidade. chama o Museu de "gaiola das Musas". como Aulo Gélio.250 metros que liga a ilha de Faros à terra firme. um paredão de cerca de 1.Deinócrates: duas vias principais de 30 metros de largura cruzam-se em ângulos retos. próxima ao Museu. a biblioteca.

com efeito. a . assim como palácios reais que ocupam um quarto ou um terço de sua superfície"[17]. e o hábil traçado das ruas. o rei deu à cidade o nome de Alexandria. A forma que ele lhe deu é bastante próxima à de uma clâmide.). estreitas e fáceis de vigiar.Cnido. Todas as ruas permitem a circulação a cavalo ou de carro. Ele lançou igualmente as fundações da muralha.8 diz o seguinte: "A cidade tem a forma de uma clâmide. Uma vez medido o terreno e dividido em bairros segundo todas as regras da arte. entre um grande lago e o mar. Autores antigos nos falam de Alexandria. por sua beleza. praticamente todos os reis do Egito até hoje têm acrescentado ao palácio edifícios suntuosos. que é obra do rei.1-5 descreve do seguinte modo as características de Alexandria: "Como decidira fundar no Egito uma grande cidade. Enfim. a cidade adquiriu em seguida uma tal extensão que muitas a consideram como a primeira do mundo. tirado de seu próprio nome. faz com que ela seja atravessada pelo sopro dos ventos etésios. ele [Alexandre] ordenou às pessoas que deixou no local com esta missão que a edificassem entre o lago e o mar. com uma grande avenida que corta a cidade pelo meio.52. Diodoro XVII. enquanto que de largura os istmos encerrados entre o mar e o lago têm cada um de 7 a 8 estádios. o rei dotou os habitantes de Alexandria de um clima temperado. tem três andares e 110 metros de altura. cujos lados maiores são aqueles banhados pelas águas: eles têm cerca de 30 estádios [o equivalente a 5. Ela se estende de uma ponta a outra com um comprimento de quarenta estádios e uma largura de um pletro [cerca de 30 metros] e ela é toda ornada de edifícios suntuosos.C. A cidade tem jardins públicos muito belos. suas dimensões. e refrescam o ar da cidade. ótimo para a saúde. mas há duas cuja largura excepcional excede um pletro [cerca de 30 metros] e que se cruzam em ângulo reto. Alexandre ordenou também que se edificasse um palácio: esta grande e poderosa obra é também uma maravilha.5 km]. Ela está muito favoravelmente situada perto do porto de Faros. ela possui apenas duas vias terrestres de acesso. Sua construção se dá no começo do reinado de Ptolomeu II Filadelfo (285-247 a. Como estes sopram sobre as vastas extensões do mar. casas e templos. Após Alexandre.I. De fato. que é de uma dimensão extraordinária e de uma solidez impressionante. entre eles Estrabão e Diodoro[16]: Estrabão XVII. uma maravilha por suas dimensões e sua beleza. Situada.

as outras"[18]. Do ponto de vista cultural basta que nos lembremos de Eratóstenes. mas praticamente o Egito nada consome do que é produzido em Alexandria. que calcula a circunferência da terra. um dos diretores da biblioteca de Alexandria. ela ultrapassa. desenvolvendo a geometria e a teoria dos números. Préaux assim resume o caráter específico da economia de Alexandria: a cidade vive em simbiose com o rei. Entretanto. Alexandria é uma cidade totalmente isolada do Egito. gramático que prepara edições críticas de Homero. matemático e geógrafo.abundância das rendas públicas e de tudo aquilo que faz o prazer da existência. Arquimedes. diretor da biblioteca. gramático.C. Náucratis e Ptolemaida. Sua manutenção é garantida pelo abundante trigo egípcio. C. Hesíodo. que inventa a trigonometria. Seus bancos fazem crescer a receita real. três fatores explicam o enorme desenvolvimento de Alexandria: o o o é a capital dos Ptolomeus e toda a burocracia do reino lágida aí se concentra é o centro de intensa atividade econômica. Alexandria é um entreposto de produtos da África e do Oriente. um dos maiores matemáticos da Antigüidade. gramático e poeta. Zenódoto de Éfeso. Alexandria é praticamente a única cidade do Egito. vivendo depois em Siracusa. que aí chegam por via terrestre e marítima[21]. . Euclides. a corte e os gregos a serviço do rei são os clientes da indústria e do comércio. conquistada pelos Ptolomeus. Alexandrinos controlam a Celessíria. de longe.C. diretor da biblioteca. outro diretor da biblioteca. pois as outras duas que têm o estatuto de pólis. o único verdadeiro porto do Egito no Mediterrâneo. Aristarco de Samotrácia. famoso matemático. provavelmente estuda em Alexandria. que vive em Alexandria no século III a. Do ponto de vista comercial exporta vários produtos do campo egípcio. Píndaro etc. calcula a duração do ano solar e cataloga estrelas. Segundo P. O rei. importa e exporta inúmeros produtos é um dos centros culturais mais importantes do mundo grego[19].. Apolônio de Rodes. E por aí afora[20]. Lévêque. Hiparco. não podem rivalizar com ela.. nascido em 190 a.

Mais raramente comerciantes. E nisto diferem da imagem clássica que temos do judeu. É A. O etnarca exerce funções administrativas e judiciárias. conhecida como a LXX. artesãos. título que a administração real confirmava quase automaticamente.. a primeira condição para alguém adquirir a 'cidadania' ou a politeía era a educação recebida no ginásio com a formação específica no ephebeîon. Os judeus. Paul quem explica: "Segundo a tradição grega antiga. como a própria etimologia do nome indica (do grego pólis = "cidade" + sufixo que indica o resultado da ação). Qual é a sua situação? Os judeus ocupam dois dos cinco bairros de Alexandria. agricultores. À diferença da época romana. Exercem. funcionários. os representantes da comunidade (kaì tôn apó tou politéumatos) e os chefes da população e disseram. Em Alexandria provavelmente era este o meio habitual para se obter legalmente o título de cidadão. Não se sabe bem o alcance dessas funções judiciárias: as sentenças são executadas pela comunidade judaica ou por instâncias reais? O etnarca tem competência jurídica sobre todos os casos ou somente sobre aqueles em que a lei judaica difere do direito grego?[24]. Os judeus têm em Alexandria um etnarca. com seus rigorosos critérios de raça. O políteuma é um recurso que permite às comunidades preservarem sua cultura e seus direitos. . o período dos Ptolomeus foi um pouco laxo neste ponto. a politeía. E por isso os judeus não têm o título de cidadãos de Alexandria.como são os judeus .é impossível[25]. ou 'cidadania' grega total (isopoliteía) significava inegavelmente a apostasia"[26].Já dissemos que os judeus são numerosos em Alexandria. Esta Carta é o primeiro documento que menciona esta comunidade. Ser ""cidadão" e ser "diferente" ."[23]. segundo a Carta de Aristéias a Filócrates. têm um políteuma em Alexandria[22]. especialmente no que se refere às práticas alimentares. É uma espécie de cidade dentro da cidade. todavia.pois não estão apenas em Alexandria . Falando da leitura da versão grega da Bíblia. Para os judeus. A cidadania alexandrina exigiria do judeus um modo de vida que violaria as regras específicas da Lei judaica. que é uma imagem medieval. puseram-se de pé os sacerdotes.. certamente escolhido pela comunidade e referendado pelo rei. em todo o Egito . diz o texto: "Enquanto se liam os rolos. os anciãos da delegação de tradutores.várias profissões: são soldados.

[16]. ABEL. 30-32. é chamado de Soter. Filadelfo. Cf. 231-233. [12]. a 20 d. pp. Sobre a 4ª e a 5ª guerras sírias temos boas informações em POLÍBIO. 457-458. Histoire d'Israel III. Cf.-M.. c. produz uma importante obra de geografia universal. A clâmide é um manto grego que se prende por um broche no pescoço ou no ombro direito. Terpsicore. pp. pp. porque salvou os ródios de um cerco imposto por Demétrio. 4487. História V. o.. 146150. c. com os cantos sacros. C. C. Le monde hellénistique I. Evergetes. Cf. [9]. Cf.. Theos é o "deus" etc. pp. . historiador grego romanizado do século I a. pp. 1982. E. PRÉAUX. c. CANFORA. 1989. 194195. esta questão em SAULNIER. pp. F. PRÉAUX. 63-87.C. com a música para flauta. 18-19. 2. 286-287. Ptolomeu I. [8]. c. Cf. Evergetes significa "Benfeitor". P.Soter.. atribuídos por cidades às quais eles prestam algum serviço ou libertam de algum inimigo. Polímnia. [15]. c. 118-121. o. LÉVÊQUE.lhes são. São Paulo. por exemplo. Melpomene..-M.. Cf. O mundo helenístico. WILL. vol. pp. o.. com a música para lira. Clio. 26-44.. Erato. 293311. também PRÉAUX. Epífanes etc .... p.NEXT [7].C.C. L. Histórias da biblioteca de Alexandria. "Salvador". pp. que na mitologia grega são as nove deusas da literatura e das artes. C. Urânia.245-251. com a astronomia e Talia. A biblioteca desaparecida. com a tragédia. 39-43. com a comédia.. 63. Cf.. [11]. com a história. C. C. ABEL.-M.C. [14]. F. Euterpe. o. CANFORA. Brasília. Companhia das Letras. c. O nome "museu" vem das musas. Estes títulos dos reis helenísticos .. o.. Epífanes é o "Manifesto". Editora da UnB.. 28. L. c. 39-45. [10]. com a poesia épica.. pp. [13]. 233-238. 1985. XVI. 139-155. Cada uma delas se relaciona com uma arte: Calíope. F. o.. pp.. em geral. pp. Diodoro Sículo. pp. PRÉAUX. Theos. Após se instalar em Roma. c..234-261. em 29 a. o. Estrabão é um geógrafo grego que vive de 63 a. nota 3. ABEL. com a dança. o. p...

C. HARVEY. respectivos verbetes. 310.. 365. 61. Cf. p. SAULNIER. Apócrifos del Antiguo Testamento II. [26]. adorador de Zeus. C. PRÉAUX.. 7. J. de um escrito judeu. [19].C. pp. A data desta obra é discutida. Cf. Cf. "O autor se faz passar por um grego.6. Cristiandad. uma história universal que abrange desde os tempos mitológicos até a conquista da Gália por César (58-51 a. PRÉAUX. A. P.. Le monde hellénistique II. Cf. 1983.) [17]. LÉVÊQUE. Madrid. que escreve a seu amigo Filócrates para lhe relatar sua embaixada junto ao sumo sacerdote Eleazar. Presses Universitaires de France. La Grèce et l'Orient (323146 av. [25].-C) II. pp. "Etnarca" significa aquele que governa uma etnia. Idem. explica SAULNIER. M. Le monde hellénistique II. profundamente marcado pelas categorias do pensamento helênico. [18]. p. p. em 21 a. p. para esta questão..C.. Mas. a discussão sobre a cidadania dos judeus de Alexandria em STERN. Cf. de fato. 19882. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. 119-120. p. pp. Cf. [24]. C. em DIEZ MACHO. Trata-se.. entretanto a hipótese mais razoável parece ser a que se situa na metade do século II a.. ibidem. Histoire d'Israel III. 456. Le monde hellénistique. O mundo helenístico.publica.. PAUL. Paris. [23]. pp. A. Histoire d'Israel III. p.. 510-511. CARTA DE ARISTEAS A FILÓCRATES. [20].". 69. A Administração Ptolomaica da Palestina Este sistema administrativo ptolomaico é também implantado na Palestina. Cf. P.. C. com . Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. 359-360. C. 399-403. O judaísmo tardio. [22]. 497. Cf. durante os 103 anos de domínio de Alexandria sobre a região. [21].. PRÉAUX. 454-455..C.

no sul e na Transjordânia.algumas modificações. Os judeus que habitam na Galiléia. da administração das finanças[38]. Acco-Ptolemaida. tanto na Judéia quanto na Iduméia. um oficial especial que se encarrega. Mas há cidades que se aproximam do modelo da pólis grega. a famílias ricas da terra. Ou Marisa. como Tiro. Acredita-se. aos senhores estrangeiros. com seu povo judeu os povos samaritano e idumeu grupos descendentes de cananeus e sírios várias cidades no interior. Outra instituição que se desenvolve provavelmente durante o domínio ptolomaico é a gerousia (= senado). O modo de vida grego se implanta mais rapidamente nas cidades fenícias. Politicamente a região da Celessíria é composta das seguintes etnias: o o o o o o cidades fenícias ao longo da costa. Uma de suas funções é a de limitar o poder do sumo sacerdote. Os Ptolomeus implantam um sistema de arrendamento. no tempo dos Ptolomeus. território sagrado. uma assembléia aristocrática composta pelos chefes das famílias mais influentes. com seus magistrados e seu território. por elas. . pois a estrutura social da região é diferente da egípcia e a complexidade política é maior. na Iduméia[37]. O centro administrativo parece ser Acco. Gaza. são inexoravelmente helenizadas. Ascalon. mas o distrito de Judá é considerado como "Estado do Templo". repassados. dentro do reino ptolomaico. Assim são as mais importantes cidades fenícias e palestinas. na Samaria como na Galiléia. do direito de cobrar os impostos locais. onde valem as leis tradicionais do povo judeu e onde o sumo sacerdote é o chefe principal. Será o conhecido Sinédrio da época de Jesus. Não há cidades livres. mas também as póleis mais significativas do interior. ao lado do sumo sacerdote. que já teria havido. Jope e Dor. Sídon. no sentido da Grécia clássica. que tem seu nome mudado para Ptolemaida. incluindo as colônias militares macedônias as tribos dos nabateus e dos árabes. na Iduméia e na Transjordânia não têm qualquer estatuto especial. entretanto. de Ortozia a Gaza o distrito do Templo de Jerusalém. pelos sacerdotes e pelos escribas do Templo.

também daqueles sobre os quais já foi pronunciada a pena de execução. É a maneira mais eficaz de impedir o avanço de seus rivais Selêucidas sobre a região. valendo o mesmo para as pessoas livres vendidas em leilões reais. devem declará-lo e apresentá-lo ao ecônomo em qualquer hiparquia dentro de vinte dias após a publicação deste decreto". Kippenberg observa a propósito: "Pode-se duvidar de que este decreto tenha realmente surtido efeito na Palestina. exceto aqueles que o governador das rendas do Estado sírio ou fenício entregou ao processo de execução (prosbolé = arremate de propriedade a terceiros). Ele é digno de nota porque legaliza a escravidão como conseqüência da inadimplência fiscal"[40].C. aparentemente filantrópico. É uma medida econômica. só que. a respeito dos judeus: "Ordem do rei. Este decreto. porque a caça ao homem livre cria uma desordem perigosa na região. dos quais já falei a propósito da crise agrária da época de Neemias. continua o decreto: "E no futuro a ninguém será permitido. provavelmente de 261/260 a. G.: "Ordem do rei. sob qualquer pretexto. após declarar que podem ser conservadas as pessoas que já eram escravas antes da compra. convém observar que o desenvolvimento econômico da região da Celessíria faz parte de uma estratégia política bem definida por parte dos Ptolomeus. Os habitantes da Síria e da Fenícia. como se encontra na lei do arrendamento"[39]. É bem ilustrativo da política ptolomaica para a região da Celessíria um decreto de Ptolomeu II Filadelfo. desta vez. ou o adquiriram de um ou outro modo. H. provocando a indignação e a revolta das populações locais. Mais adiante. vender ou penhorar nativos livres. E tal política se implanta principalmente através da aliança grega com os aristocratas locais. que compraram um nativo livre (sôma laikòn eleúteron) ou dele se apropriaram com violência. onde naquela época grassava a escravidão. mas também política.De modo geral. Todos aqueles que tomaram parte na expedição de nosso pai nas regiões da Síria e da Fenícia e. também emitido por Ptolomeu II Filadelfo. na verdade estabelece um monopólio real na venda de homens livres. Muito próximo deste decreto é outro conservado na Carta de Aristeas a Filócrates. invadindo o território dos judeus .

C. Também os arquivos de Zenão são importantes para a compreensão da administração ptolomaica da Palestina[42]. Os papiros cobrem um período de 32 anos. O seu último documento datado é de 14 de fevereiro de 229 a. não sendo. encarregado das finanças e da fiscalização de todo o reino.C. quer os tenham trazido para a cidade [de Alexandria] e para o país [do Egito]. Zenão deixa Apolônio . localizada nas vizinhanças do oásis de Fayum.C. os papiros de Zenão são dispersos pelo mundo afora durante a 1ª Guerra Mundial. é também um grande proprietário e negociante.C. por um período de 13 a 14 meses.. portanto. o poderoso Apolônio. Mas Apolônio parece não separar bem estas duas esferas de negócios. . Descobertos por escavadores clandestinos. Zenão vai para a Palestina. em New York. onde o dioceta de Ptolomeu II Filadelfo. a pública e a privada. quer os tenham vendido a outros . ao mesmo tempo que é um poderoso ministro de Estado.000 papiros. Apolônio. Estão em Londres. no Cairo. Fica na região até o começo de 258 a.e cuida de seus negócios particulares.do qual não temos mais notícias após 245 a. Estamos em plena segunda guerra síria (260-253 a. no qual permanece 13 anos.C. a sua dôréa durante nove anos . de 261 a 248 a. mantém sua dôréa. Trata-se de uma coleção de cerca de 2.C..que os possuidores os deixem livres e recebam imediatamente em compensação 20 dracmas por cada pessoa. cidade da Cária controlada por Ptolomeu II. Acredita-se que teria sido para proteger-se contra possíveis problemas jurídicos e políticos futuros a respeito de suas posses que Zenão meticulosamente arquiva os papiros referentes aos negócios de Apolônio sob sua responsabilidade e os papiros relativos a seus próprios negócios. na Alemanha.. no final de 260 a. Zenão é um de seus homens de confiança . onde entra para o serviço de Apolônio. os militares no pagamento de seu soldo. entre 261 e 229 a..C. os outros no banco real"[41]. isto é.tornaram-se senhores de indivíduos judeus. encontrados após 1910. A dôréa de Apolônio é liquidada em 243 a. e trazem os arquivos de Zenão. por exemplo. A partir deste ano. e Zenão está também. originário de Caunos. ligado às questões públicas. Zenão vai para o Egito.e se dedica a seus negócios particulares em Filadélfia. em viagem de negócios para seu patrão. um funcionário do governo.). perto da antiga Filadélfia. na Itália.administra.igualmente os que são da mesma raça e que os tenham precedido aqui ou que tenham sido deportados depois deles .C. por isso. .

filho de Timarcos. macedônio. Como o dioceta Apolônio é também responsável pelos suprimentos do exército ptolomaico. O seu roteiro na região não é muito fácil de ser reconstituído. na birta de Auranítide. Interessante é também sua visita aos Tobíadas. Zenão. todos os dois clerucos do corpo de cavaleiros de Tobias. colofoniense. na Iduméia. Zenão visita igualmente a Galiléia e fiscaliza propriedades de Apolônio nesta região. cleruco de Tobias. C. Zenão fiscaliza também a hiparquia da região norte da Celessíria.]. . divide-se em aldeias (kômê) chefiadas por um comarca. fazendo o leva-e-traz entre Alexandria e a Síria-Fenícia a fim de informar seu patrão diretamente sobre os problemas financeiros colocados pela proximidade das operações militares. do séqüito de Tobias. uma escrava babilônia chamada Sfragis. Foi fiador [. aspendiano.. cauniano. filho de Xanocles. vendeu a Zenão. filho de Dionísio. e de seu filho Ptolomeu.quando Ptolomeu II enfrenta-se com o Selêucida Antíoco II. Nicanor. Foram testemunhas [. Para lá chegar. filho de Ptolomeu. ele passa por Jerusalém e Jericó. filho de Straton. registrada no seguinte contrato: "No ano vinte e sete do reinado de Ptolomeu. Demóstratos. milésio. Orrieux observa a propósito da visita de Zenão à fronteira com os Selêucidas: "Pode-se imaginá-lo como um enviado especial de Apolônio.]. filho de Ananias. na Transjordânia. ateniense. não é apenas privada. o persa. juiz. Nesta cidade ele se vê às voltas com a fuga de três escravos que comprara na Iduméia. Uma hiparquia é um distrito territorial governado por um hiparco. segundo um papiro da coleção. todos os quatro do séqüito de Apolônio o dioceta"[43]. a missão de Zenão. assim como os nomos egípcios. por cinqüenta dracmas. sendo epônimos o sacerdote de Alexandre e dos deuses irmãos e a canéfora de Arsinoé Filadelfo que estão em função em Alexandria. cnidiano. de sete anos de idade. Zenão realiza negócios para Apolônio e para o rei Ptolomeu II. como a compra de uma menina escrava. que atinge as fronteiras do reino.. Timopolis.. no mês de Xandikos. Polemon. Com os Tobíadas. Apolônio é o proprietário da aldeia de Beth-Anath da Galiléia. mas é possível que ele tenha desembarcado em Gaza e da lá ido a Marisa.. filho de Filipe. filho de Agreofon. filho de Botes. do séqüito de Apolônio o dioceta. Heráclito. Sem ser funcionário ele tem a função de conduzir delicadas negociações oficiosas"[44]. Este distrito.

Ele construiu uma cisterna e uma casa adequada. Outro dado interessante para se conhecer a administração ptolomaica da Palestina é a história de José. transmitida por Flávio Josefo[48]. entretanto. a segunda a Apolônio. . Tobias era o chefe de uma importante tribo local. Xandikos 7"[46]. A primeira é dirigida a Ptolomeu II.4). como documenta um dos papiros de Zenão[45]. ao sul do Galaad. No ano seguinte. ele comanda o clã. descendente do Tobias da época de Neemias (Ne 13. Duas cartas de Tobias. suas relações e suas influências"[49]. mas os camponeses estão em desacordo com ele quanto à quantidade de trigo.. Quando Zenão visita a Palestina em 259 a. Passe bem! Ano 23.) Ao chegar a Baitanata. uva. o Tobíada e de seu filho Hircano. construída inicialmente para resistir às invasões dos beduínos do deserto). Estes administram os territórios conquistados "com a mesma desenvoltura com que um agricultor macedônio administra suas próprias terras"[47]. Os Tobíadas vivem numa espécie de feudo na Transjordânia. como testemunha a seguinte carta enviada a Apolônio: "Glaukias a Apolônio. pertencentes aos papiros de Zenão. Ele me fez provar o vinho e eu não pude adivinhar se ele vem de Quios ou da propriedade.C..000 papiros do arquivo recuperado próximo a Fayum. tendo ainda as funções de um prefeito do rei do Egito. dirige uma cleruquia lágida na Transjordânia. O centro do território é a birta (= fortaleza) de Amon. vinho e figo que lhe devem fornecer. Considero satisfatório a situação dos trabalhos. O que resulta da leitura destes papiros é a impressão de intensa atividade política e econômica dos Ptolomeus na região da Palestina. Estas notícias sobre a viagem de Zenão estão em cerca de 40 daqueles quase 2. ilustram suas relações com os Ptolomeus. saudações (. Ele me disse que a vinha tem 80 mil pés. a serviço do qual punha seus soldados. Tobias. eu tomei comigo Melas e nós examinamos as novas plantações e todos os outros empreendimentos. Diz A. Paul: "Comandante de uma klerouchia militar (cujo centro era a birta ou `fortaleza' de família. identificada pelos arqueólogos com o `Arak el Emir atual. Tu podes acreditar que um acaso feliz te favorece de todas as maneiras.O seu administrador consegue aumentar extraordinariamente a cultura da vinha. o administrador consegue sucesso.

olivais em vez de cereais. para teu uso..C. obtendo muito mais até: consegue o direito de recolher os impostos de toda a Celessíria[51]. "Tobias a Apolônio. Dotado de plenos poderes estatais para aplicar a força. O rei Lágida. Xandikos 10 [= 13 de maio de 257]". até o advento dos Selêucidas na região.. que é de 20 talentos. enriquecendo-se com isso consideravelmente.. Passe bem! Ano 29.] de excelente estirpe. José recolheu o tributo das cidades e mandou executar os parentes dos magistrados que relutaram.)."Ao rei Ptolomeu. as características destes rapazes. após ser designado pelo povo como chefe (prostátes).que ainda rende mais excedentes . a seguir. Quando acontece a terceira guerra síria ( 246-241 a. baseando-se no fato de que a terra era propriedade do dominador"[52]. partidário dos Selêucidas. nasce na Judéia em uma aldeia da família. As cidades provavelmente só puderam pagar as novas cargas fiscais impondo aos camponeses doação parcial em mantimentos. . José ofereceu o dobro.. saudações! Se tu vais bem e se teus negócios e o restante estão como tu desejas. tendo se suicidado quanto Antíoco IV assume o governo[53]. Flávio Josefo diz que ele leva os judeus à prosperidade. José. como é o certo. Com o auxílio de 2 mil soldados ele exige duramente os impostos das cidades e dos campos. por exemplo. graças aos deuses! Eu estou bem. Como? Diminui o número de bocas para comer.000 talentos para a província sírio-fenícia. Xandikos 10 [13 de maio de 257]". cruzamento de jumenta. dois filhotes de meio-onagro e um filhote de onagro. seis cães. Eu te enviei Aineas para te oferecer um eunuco e quatro rapazes. escravos [. Felicidades! Ano 29.e estimula culturas mais rentáveis.C. através da escravidão . o filho de Tobias.. Eu reproduzo. Ao morrer em 226 a. José. Onias II. ameaça então reduzir a Judéia a uma colônia militar.[50].C. A seguir vem as características dos escravos. Tobias deseja bom dia! Eu te enviei dois cavalos. Com créditos samaritanos ele financia antecipadamente o arrendamento e "em lugar de 8. seu filho Hircano o sucede no cargo. um meio-onagro. dois jumentos árabes brancos de tração. lembrando-me de ti sem cessar. se recusa a pagar os impostos devidos aos Ptolomeus. pró-Lágida. vai representar os interesses da Judéia diante do rei Ptolomeu em 242 a. sobrinho do sumo sacerdote Onias II por parte de mãe. Ptolomeu III Evergetes..

Mandou prender imediatamente vinte dos principais. que o elogiou magnificamente e permitiu que. Cronologia dos Ptolomeus Ptolomeu I Soter : 323-285 Ptolomeu II Filadelfo : 285-247 Ptolomeu III Evergetes : 247-221 Ptolomeu IV Filopator : 221-205 Ptolomeu V Epífanes : 205-181 Ptolomeu VI Filometor : 181-145 Ptolomeu VII Néos Filopator : 145-144 Ptolomeu VIII Evergetes (Físcon) : 144-116 Ptolomeu IX Soter (Latiro) : 116-107 Cleópatra III : 107-101 Ptolomeu X Alexandre : 101-88 Ptolomeu IX Soter (Latiro) : 88-80 Ptolomeu XI Alexandre II : 80 Ptolomeu XII Aulete : 80-58. Os habitantes de Ascalon foram os primeiros a desprezar suas ordens. o Tobíada.. Histórias da biblioteca de Alexandria. que lhe abriram suas portas e pagaram seu tributo sem dificuldade alguma"[54]. depois. através do qual poderemos apreciar os seus métodos: "José tomou. 55-51 Cleópatra VII Filopator : 51-30 Leituras Recomendadas CANFORA. usasse deles como quisesse. O castigo dos ascalonitas encheu de temor as outras cidades da Síria. a fim de poder obrigar os que se recusavam a pagar os tributos e. A biblioteca desaparecida. L. depois de ter dado a Alexandria quinhentos talentos.Vejamos um trecho do relato de Flávio Josefo sobre José. Companhia das Letras. foi para a Síria. . 1989. mas o ultrajaram com palavras. mas ele soube castigá-los. dali por diante. São Paulo. dois mil homens das tropas do rei. escreveu ao rei para lhe dar contas do que tinha feito e mandou-lhe mil talentos do confisco de seus bens. O príncipe ficou tão satisfeito com seu proceder. Não se contentaram em não querer pagar. que mandou matar.

KIPPENBERG. 51-60. Cf. Nancy. C. ABEL. E. 1978. Cf. pp.. pelo menos nos seus termos mais gerais. [40]. pp. Histoire politique du monde hellénistique (323-30 av. Histoire d'Israel III. C. O mundo helenístico. The Israel Academy of Sciences and Humanities. Studies in their Encounter in Palestine during the Early Hellenist Period I.. Judaism and Hellenism. Cf. La Nuova Italia. Paris. L.. Presses Universitaires de France. CARTA DE ARISTEAS A FILÓCRATES..DIEZ MACHO./FELDMAN. Apócrifos del Antiguo Testamento II. H. 62-63. LÉVÊQUE.. Judaism and Hellenism I. J. M. P.. W. 19882.. Le Monde hellénistique. La civiltà ellenistica.. ABEL. PRÉAUX.-C) I. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. F. o.. o. F. G. 1983. St. 19792. [38]. H. J. 364./MARCUS.. Les papyrus de Zenon. 73-74. PRÉAUX. C. A. pp.-M. p. Apocrifos del Antiguo Testamento II. 568 acredita na autenticidade deste documento. em DIEZ MACHO.. Histoire de la Palestine I. Obra Completa. Presses Universitaires de Nancy. pp. J. Cf. F. Rio de Janeiro. A. 22-23. p. pp.-C.. 1987. JOSEFO.. Edições 70.-M. Jerusalem. 22. SCM Press.. STERN. Lisboa. C. c. R. H. HENGEL. 1981. 1976./WIKGREN. TARN. Paris. [41]. A. ORRIEUX. Harvard University Press. Josephus I-X. 1992. SAULNIER. [39]. 1983. Madrid. Le monde hellénistique II. L'orizon d'un grec en Egypte an IIIe siècle avant J. WILL. História dos Hebreus.. c. Cristiandad.. G. p. KIPPENBERG.. Firenze. 19872.) I-II. Casa Publicadora das Assembléias de Deus. M. . Macula. 24-29. M. NEXT [37]. Cambridge.. H. London. 1926-1965.. HENGEL. Religião e formação de classes na antiga Judéia... C. THACKERAY. La Gréce et l'Orient (323-146 av. 74..

ABEL. de fato. O contrato é redigido em abril/maio de 259 a. [46]. [48]. Cf. C. 76. C. Les papyrus de Zenon. o. [54]. H. Com isso. c. pp. Les papyrus de Zenon. c. JOSEFO. C... Cf. Os Selêucidas: a Helenização da Palestina . 43-44. O judaísmo tardio. p. uma transferência de poderes do sumo sacerdote pró-selêucida para o Tobíada pró-lágida... SAULNIER. [52]. HENGEL. [51]... SAULNIER. ORRIEUX. sacerdotes epônimos dos cultos dinásticos. sobre José e os Tobíadas. o.. 42. 451-454. Cf.. p. p. 178. JOSEFO. Le monde hellénistique II. G. c. ORRIEUX. C.. M. 42-43. testemunhas etc.. F. PAUL. 8. [44]. p. 1981.-M. o. Brescia. c. p. 48. o. 74-75. pp.. p. Antiquitates Iudaicae.C.[42]. C.. o. 181. 179. pp. [53]. KIPPENBERG.... pp. [45]. Aspetti dell'ellenizzazione del giudaismo in epoca precristiana. Cf. diz PAUL. A. O documento segue as regras mais estritas para este tipo de escrito: ano de reinado. ORRIEUX. 158-236. [49]... Antiquitates Iudaicae XII. pp. José se tornou o mais alto funcionário civil de Jerusalém".. [50]. A. 450-451.. Com o título de prostátes. 571-572. pp. Cf.. XII. C. Cf. C. ORRIEUX.C. "ao qual estava ligado o principal cargo administrativo e financeiro da Judéia. efetuou-se. fiador. c. Histoire d'Israel III.. H. [43]. c. PRÉAUX. F.. ORRIEUX. o. Greci e Barbari. Cf. Paideia. F. 47. corregência. Religião e formação de classes na antiga Judéia. p. Histoire d'Israel III. [47]. Esta carta está datada em 9 de maio de 257 a. G. 6571. C.. KIPPENBERG. Ebrei.

medidas segundo o costume do país. e expulsa definitivamente os Ptolomeus da Ásia. como à nossa chegada em sua cidade. com quem entram em conflito. os reis Selêucidas. Em primeiro lugar. fazendo voltar a ela os que foram dispersos. óleo e incenso.Em 198 a. de nosso lado. desde que entramos em seu país. no valor de 20. reconstruir sua cidade arruinada pelos infortúnios da guerra e repovoá-la. 8. Quero que todas estas contribuições lhes sejam entregues segundo minhas instruções. junto às nascentes do Jordão.O Governo de Antíoco III. os judeus de Jerusalém o apóiam nesta luta. implantam um acelerado processo de helenização dos vários povos e cidades da região. como eles proveram abundantemente à subsistência de nossos soldados e de nossos elefantes e visto que nos ajudaram a expulsar a guarnição egípcia instalada na cidadela. Jerusalém é contemplada com um decreto de Antíoco III. os Selêucidas assistem aos progressivo declínio de seu Império. o Grande (223-187 a.). o Grande.C. vence os exércitos dos Ptolomeus.460 médimos de trigo e 375 médimos[3] de sal. em razão de sua piedade. saudações. e suas relações com os judeus e com Roma do governo de Antíoco IV Epífanes e seu conflito com os judeus das causas da helenização da Judéia. Pressionados por Roma.1. eles nos receberam magnificamente e vieram ao nosso encontro com o seu senado. os pórticos e tudo o que tiver necessidade de ser reconstruído. o Grande Quando Antíoco III. o Selêucida Antíoco III. fornecer-lhes. havemos por bem reconhecer todos esses bons ofícios. Para solidificar o fragmentado Império. para os sacrifícios. As questões que abordarei neste capítulo tratam: do governo de Antíoco III . artabes[2] sagradas de farinha de frumento. nos testemunharam sua benevolência. Diz o decreto: "O rei Antíoco a Ptolomeu[1].C. em 197 a. uma contribuição em animais de sacrifício. 1. Como os judeus. O partido selêucida em Jerusalém está mais forte do que o ptolomaico.C. As madeiras serão tiradas na Judéia mesma e entre os outros povos e no . Por isso. Que sejam terminados os trabalhos do templo. em vinho. nós.C.) vence os egípcios em Panion (Baniyas). o Grande. segundo Flávio Josefo.000 dracmas de prata. e especialmente Antíoco IV Epífanes (175-164 a. decidimos. A anexação da Celessíria se dá a seguir.

o governo selêucida toma as seguintes medidas: o o o o o que seja dada uma contribuição real para os sacrifícios. do terço do tributo. Para que a cidade seja repovoada mais depressa. o símbolo da vitória. que incide sobre todas as mercadorias em circulação. concedida aos vencedores dos jogos ou a um rei vitorioso[7]. nós lhes restituímos a liberdade e ordenamos que lhes sejam restituídos os seus bens"[5]. O mesmo será feito com todos os outros materiais necessários para se enriquecer a restauração do templo. É interessante observarmos as medidas de Antíoco III sobre os impostos[6]. os sacerdotes. para que a cidade seja repovoada mais depressa.C. Além da reconstrução e do repovoamento da cidade . para os gregos. os sacerdotes. as cidades começam a oferecer aos seus reis coroas de ouro ou uma soma equivalente . Com o tempo. O senado. incenso. em 201. Quanto aos que foram tirados da cidade e reduzidos à escravidão.que sofrera três assédios consecutivos. uma isenção de impostos durante três anos. flor de farinha. ficam isentos da capitação. óleo. do imposto coronário e da taxa sobre o sal. em animais. Ficam isentos também do imposto coronário: a coroa de folhas é. . A madeira para a restauração do Templo está isenta do imposto alfandegário. para o futuro. do imposto coronário e da taxa sobre o sal isenção de impostos durante três anos para os atuais habitantes da cidade e para aqueles que vierem nela morar até determinada data.Líbano. imposto pessoal recolhido dos adultos. Todos os membros da nação (éthnos) devem viver segundo as leis de seus pais. os escribas do templo e os cantores do templo serão isentos da capitação. os escribas do Templo e os cantores do Templo. Examinemos um pouco o decreto. vinho. a fim de indenizá-los de suas perdas. trigo e sal a madeira retirada da Judéia e do Líbano para os trabalhos de construção do Templo e dos pórticos está isenta de taxas todos os membros do povo judeu devem viver segundo as leis de seus pais o senado (gerousia). Nós os isentamos ainda. concedo àqueles que a habitam atualmente e àqueles que nela se estabelecerem até o mês de hyperberetaios[4]. 199 e 198 a. O senado e os funcionários do Templo ficam isentos da capitação. sem serem submetidas a nenhuma taxa.

Apesar de parecerem benevolentes. G. H. com este decreto. Deve-se observar que. podendo somente o rei conceder a isenção. sob outro aspecto. de um templo. o Grande. Cartago é uma colônia fundada pelos . será impedida por Roma na medida em que seus interesses entram em choque com a forte república na Europa. que tem boas salinas.C. a expansão selêucida sob Antíoco III.). associada há muito ao poder através da gerousia e que. na Palestina. está incluída a ordem ao encarregado das finanças da província Transeufratiana. levitas. são isentos durante 3 anos do phóros. entretanto. porteiros e servos do templo (vv. se aceite o produto "in natura". de um éthnos ou de uma cidade.em dinheiro.12-26). finalmente. mas porque o quer o governo selêucida[8]. Kippenberg observa que "este decreto tem paralelo no documento de administração persa (Esd 7. Ainda: o senado e o Templo ficam isentos da taxa sobre o sal.C. Na carta de nomeação de Artaxerxes a Esdras (do ano 398 a. este último sendo o caso de Jerusalém. liga o destino do éthnos (= nação) judeu às decisões reais. estas medidas não devem . Os habitantes da cidade. pois não superam as decisões comuns tomadas em relação a outras cidades. nos enganar. que regulamenta o apoio material ao culto. É preciso observar também que a reconstrução e o repovoamento da cidade são medidas necessárias para o fortalecimento do governo e dos interesses de Antíoco III naquela região disputada pelos Ptolomeus. Roma disputa com Cartago a posse da Sicília e o controle do Mediterrâneo ocidental. Por que Roma e os Selêucidas se enfrentam no século II a. Pois as leis dos antepassados (a Torá) devem ser obedecidas não porque assim o decidem os judeus. cantores. em prata ou em produtos. Provavelmente paga-se determinado valor ao governo. exigido de uma província.? Durante o século III a. ou talvez . Esta taxa é conhecida na Palestina e na Babilônia. Antíoco III reforça o papel da aristocracia. o tributo.C. O que antes era espontâneo acaba institucionalizado e tornado obrigatório. Entretanto. O que Antíoco III faz é seguir a velha política persa em relação aos judeus. bem como a isenção de tributos para sacerdotes. 21-24)"[9]. naquela época.

de 264 a 241 a. no começo . Durante os jogos Ístmicos.C. bandeira desfraldada cada vez que reis e Estados rivais se enfrentam pela posse da região. agiam a bem dizer como homens fora de si. se dá entre 149 e 146 a. falando com os seus vizinhos ou consigo mesmos. os aqueus ftióticos. oposta à Macedônia em um confronto pelo Épiro. ansiosos por apertar-lhe a mão. refugia-se na corte selêucida e instiga Antíoco III a lutar contra Roma. De fato. O cônsul Flamínio proclama a "liberdade dos gregos" em 196 a. após a vitória sobre o rei Filipos e os macedônios. de tal maneira que terminados os jogos a multidão quase matou Flamínio com suas demonstrações de gratidão. com a vitória de Roma sobre o famoso general Aníbal.. Aliás. realizados naquele ano.. em 197 a. A segunda guerra acontece de 218 a 202 a. o arauto anuncia.C. alguns dos presentes. os eubeus. em Corinto. Após vencer Cartago. e todos os presentes.C.) Cessadas as aclamações ninguém mais demonstrou o menor interesse pelos atletas.fenícios no norte da África (na região da atual Tunísia) talvez no século IX a. Roma ataca a Macedônia e vence Filipe V em Cinoscéfalos. ao mesmo tempo em que Roma se torna líder de uma poderosa confederação italiana..C. sem guarnições em suas cidades e sem a imposição de quaisquer tributos e governados pelas próprias leis de suas respectivas pátrias: os coríntios. Durante a segunda guerra púnica[11] Aníbal alia-se a Filipe V da Macedônia para abrir outro front para Roma. Fatalmente os interesses das duas potências se chocam e o enfrentamento militar torna-se inevitável. após ser derrotado por Roma. Três grandes guerras são feitas entre as duas potências[10]. Desde o início haviam começado os aplausos ensurdecedores (. Após muitas negociações frustradas. desejosos de vê-lo frente a frente e de chamá-lo de seu salvador. maneira de barrar a interferência de Filipe V na Grécia. quase o reduziram a pedaços"[13]. A terceira guerra. os tessálios e os perrébios'. e a maior parte lançando coroas e fitas frontais em sua direção.C. segundo Políbio: "'O Senado de Roma e o procônsul Tito Quíntio. este tema da "liberdade dos gregos" é pura manobra política. os lócrios. como sempre. os foceus. Roma enfrenta e vence Antíoco III na batalha de Magnésia. A primeira guerra dura 23 anos. na qual Roma destrói Cartago e anexa seus territórios. Os cartagineses constroem importante império comercial.C. Aníbal. os magnésios. deixam livres os seguintes povos. outros. Então Roma faz uma acordo com a liga etólia12 .

mas nenhum poderoso. na Ásia. Rostovtzeff comenta: "A situação geral do mundo helênico não foi afetada por esta guerra. da qual ele é o responsável. Daqui para a frente. a paz entre Roma e os Selêucidas é estabelecida em Apaméia da Frígia. Todos os reinos helênicos eram independentes.C. perde 50 mil homens de infantaria. O tratado de Apaméia. mas no momento em que qualquer um deles mostrava tendências de realizar uma política independente. Só a Roma Antíoco deve pagar 15. sem consultar.000 talentos eubóicos.500 após a ratificação do tratado e 12. quando são impostas humilhantes condições a Antíoco III[14]. ajudado por seu irmão Cipião. diz o seguinte: "Antíoco deverá abandonar tudo o que ele possui na Europa e. Antíoco. M. Ele entregará todos os seus elefantes e todos os navios que indicaremos.000 em doze anos. do nome da ilha de Eubéia. 2. conservado por Apiano.as fronteiras serão traçadas em seguida. pesa cerca de 26 kg. Ele nos entregará todos os prisioneiros e os desertores e restituirá a Eumênio tudo o que ele ainda retém das possessões adquiridas em virtude do acordo feito com Átalo. A todos. Antíoco deve pagar a Roma o equivalente a 390. Em 188 a. O talento eubóico. assistindo à fragmentação progressiva dos seus domínios e lutando com grandes dificuldades financeiras. embora de forma peculiar: Roma resolvia todas as disputas internas da Grécia. . Assim começa o declínio do império selêucida. Ele pagará pelas despesas desta guerra. Ele fornecerá vinte reféns. O exército romano é comandado por Lucius Cornelius Cipião depois cognominado "o Asiático" -. Se Antíoco respeitar lealmente estas condições. Os romanos perdem apenas 400 homens.C. porém. O equilíbrio de poder de que Roma se tornara guardiã continuou a existir. prontamente o esmagava"[16]. que tem 72 mil soldados. as províncias aquém do Taurus . nós lhe oferecemos paz e amizade sob condição de ratificação do Senado"[15]. a opinião grega. 3 mil cavaleiros. o Africano. 15 elefantes e Cipião faz 1400 prisioneiros.de 189 a. Logo.000 kg de prata. cada anuidade devendo ser paga a Roma. segundo a lista elaborada pelo cônsul. 500 talentos eubóicos imediatamente. pai de Eumênio. Antíoco III e seus sucessores debater-se-ão em crescentes lutas internas pelo poder. No futuro ele não terá mais elefantes e terá somente o número de navios que nós fixaremos. nem mesmo em assuntos gregos. e especialmente às cidades gregas. Roma garantia 'liberdade'.

por exemplo. Esta lenda nos oculta totalmente o que de fato acontece em Jerusalém neste episódio.C. Entrevistandose então com o rei. Seu sucessor. após trinta e seis anos de reinado com a idade de cerca de cinqüenta e cinco anos. o total dos depósitos é de 400 talentos de prata (10. narrado em 2Mc 3.24-34). E o rei.-M. escolhendo a Heliodoro. em relação a cidades como Jerusalém. Não conseguindo prevalecer sobre Onias foi ter com Apolônio de Tarso. Ele foi morto. certo Simão. dito o Grande. O certo é que Heliodoro não consegue apossar-se do dinheiro do Templo. entrou em desacordo com o sumo sacerdote a respeito da administração dos mercados da cidade. e tendo-o assaltado de noite com suas tropas. "Ora. E referiu-lhe que a câmara do tesouro em Jerusalém estava repleta de riquezas indizíveis. os sucessores de Antíoco III não terão condições de manter a prometida isenção tributária. famoso por possuir muito ouro e prata dedicado ao deus. O texto continua dizendo que. pela população revoltada.4-7). sendo portanto possível fazer tudo isso cair sob o domínio do rei. pelos habitantes que acorreram em defesa do santuário. ele e os seus. investido no cargo de superintendente do Templo. além do dinheiro do Tobíada Hircano. quando saqueia um templo elamita. E que. ao manifestar suas intenções a Onias III.500 kg) e de 200 talentos de ouro (5. a ponto de ser incalculável a quantidade de dinheiro. E que esse dinheiro não tinha proporção alguma com as despesas dos sacrifícios. Apolônio informou-o acerca das riquezas que lhe haviam sido denunciadas. É o conhecido incidente de Heliodoro. para conseguir dinheiro com que pagar aos romanos. não levou em conta a coragem vigilante das populações desta região rude. tenta apoderar-se do dinheiro depositado no Templo de Jerusalém. Este foi o fim pouco glorioso de Antíoco. O próprio Antíoco III é morto em 187 a. premidos que estarão por Roma.4-40. ao contrário do que lhe fora dito."[17].. pertencem aos órfãos e às viúvas. F.C. Heliodoro é informado por ele de que os depósitos.O que ocorrerá é que. Abel explica que ele foi "ao templo de Bel. . Segundo 2 Macabeus. Selêuco IV Filopator (187-175 a. o próprio Iahweh o impede através de anjos (2Mc 4. em 187 a. na verdade. enviou-o com ordens de proceder à requisição das referidas riquezas" (2Mc 3. superintendente dos seus negócios. apoiado por judeus dissidentes do sumo sacerdote Onias III. da estirpe de Belga.250 kg).). que naquela ocasião era o estratego da Celessíria e da Fenícia.C.

Nas cidades gregas. não era mais possível alcançar a paz na vida pública. ou porque ele comete abusos na venda de animais destinados aos sacrifícios. então. Este Ptolomeu. . a supervisão dos mercados. a agoranomia é uma fiscalização encarregada de verificar os pesos e medidas e a regularidade das transações comerciais. Por outro lado. Médimo é uma medida antiga de capacidade. a quem se dirige o rei Antíoco. não para se tornar acusador de seus concidadãos. estratego da Celessíria e da Fenícia. filho de Menesteu. Artabe é uma medida egípcia de capacidade. Não sabemos exatamente em que consiste a agoranomia em Jerusalém e nem qual é a razão do conflito entre Simão e Onias. enquanto em Jerusalém os acontecimentos se precipitam. como administrador do santuário. Pois ele estava percebendo que. NEXT [1]. Muitas soluções são propostas[18]: ou Onias discorda da acumulação de cargos feita por Simão. é o estratego e sumo sacerdote selêucida da Celessíria.4-6: "Considerando. de cerca de 40 litros. Heliodoro vai embora. De qualquer modo. nos mercados. mas as intrigas de Simão continuam. de cerca de 50 litros. E isto. garantidas pelo decreto de Antíoco III. que é supervisor dos mercados e superintendente (prostátes) do Templo[19].O desacordo entre o sacerdote Simão e o sumo sacerdote Onias III é a propósito da agoranomia. nem Simão haveria de pôr termo à sua demência". Simão pode ter acusado Onias de entesourar os excedentes das subvenções reais destinadas aos sacrifícios. o perigo dessa rivalidade e como Apolônio. de produtos proibidos pela Lei. A tal ponto que Onias III é obrigado a ir a Antioquia dar explicações ao rei. [2]. segundo 2Mc 4. ou porque Simão permite a venda. ainda fomentava a maldade de Simão. É possível que neste conflito entre Simão e Onias III estejamos assistindo ao primeiro embate entre judeus helenistas e judeus ortodoxos. sem uma intervenção do rei. [3]. Onias III acaba retido em Antioquia. Onias foi ter com o rei. mas tendo em vista o interesse comum e o individual de toda a população.

. [6]. Cf. São Paulo. 210-215. SAULNIER. Histoire d'Israel III. São Paulo. Nancy. 1993. a formação de confederações de cidades gregas é vista como uma solução. The God of Maccabees. 56-78. o.. o pai da estratégia. Leiden. Paulus. Israel e Judá. donde puni e "guerras púnicas". J. 1985. Cf. Antiquitates Iudaicae XII. E. BRADFORD. em Olímpia. 19775.. Uso para este texto a tradução que se encontra em AA. [8]. no vale de Neméia. [9]. Presses Universitaires de Nancy. [7]. os Jogos Píticos. em Corinto. dizem AYMARD. O Oriente e a Grécia Antiga II.. 19822. Cf. pp. Com a decadência da pólis. Hyperberetaios é um mês macedônio que corresponde a agosto/setembro. M. KIPPENBERG. 456-458. História XVIII. 98-99.. 46. Rio de Janeiro. inclusive grande parte da Tessália". pp. Le monde hellénistique I. H.221-224. PRÉAUX. [10]. 481-482. 102-104. os Jogos Ístmicos. [11]. As guerras entre Roma e Cartago são chamadas de "púnicas" porque os romanos chamam os cartagineses. e obscuros durante muito tempo.. História de Roma. Histoire d'Israel III. E. F. PRÉAUX. Aníbal.[4]. em latim. C. BICKERMAN.. 32-34.VV. p. G. "Instalados na margem setentrional do golfo de Corinto. WILL. 1979. pp. Le monde hellénistique I.. 77-81. POLÍBIO. Histoire politique du monde hellénistique II. Zahar. pp. . [13]. ROSTOVTZEFF.. M. de poeni (= fenícios).. [14]. Religião e formação de classes na antiga Judéia. pp. P. Editora da UnB. C.. 384-388. PAUMAPE.. Studies on the Meaning and Origin of the Maccabean Revolt./AUBOYER. Aníbal. G. Cf. SAULNIER. os etólios acabam anexando quase toda a Grécia central. 138-144.. Ars Poetica. pp. p.. [5]. 19774. C. PEIXOTO. Há quatro grandes jogos pan-helênicos: os Jogos Olímpicos. 199. E. 153-163. A.. c. sobre os impostos selêucidas. pp. C. JOSEFO. [12]. 1991. São Paulo. 78. Rio de Janeiro. um desafio aos romanos. Cf. H. em Delfos e os Jogos Nemeus. pp. 19972. pp. Difel. Brill. pp. Textos do Antigo Oriente Médio. Brasília.. KIPPENBERG.

Corinto.). São Paulo.[15]. Syriaka 38-39.. Paulus. também WILL. que voltava de Roma. Apiano é natural de Alexandria e morre aproximadamente em 160 d. A revolta dos Macabeus. Histoire politique du monde hellénistique II.. 1987. dos quais temos hoje dez. C. Alexandre teria fundado 70 Alexandrias.. Só que menos da metade pode ser testemunhada com certeza pelos dados históricos e arqueológicos. .. SAULNIER. pp. Cf. que se tinha desenvolvido a civilização grega. História de Roma. Segundo Plutarco. pp. ao semear o Império que acaba de conquistar com numerosas Alexandrias"[21]. E. ABEL.. A fundação de cidades é um instrumento fundamental para a helenização do Oriente com o conseqüente fortalecimento do poder macedônio. APIANO.. 372-373. Histoire d'Israel III.2. Trabalha como advogado em Roma e compila narrativas em grego de várias guerras romanas em 24 livros. onde era refém desde 188 a. ABEL. [19]. pp. F. ROSTOVTZEFF. 19-21. 105-108. o. [18]. Histoire de la Palestine I. C. 238-240. Antíoco IV e a Proibição do Judaísmo Em 175 a. A instabilidade do reino selêucida aumenta e Antíoco IV toma medidas helenizantes como forma de consolidar o seu poder. 107-110. Cf.C. Histoire de la Palestine I.C. "A civilização arcaica e clássica tinha coincidido com o desenvolvimento da pólis e era nos grandes centros urbanos. 71..C. pp. pp. Selêuco IV é assassinado.-M. [16]. promove a adoração de Zeus e reivindica para si prerrogativas divinas[20]. F. Siracusa.C.. [17]. Assume o poder o seu irmão Antíoco IV Epífanes (175-164 a. M. tais como Mileto. p. 8.-M. Idem. o texto em SAULNIER. Cf. c. p. quando seu pai Antíoco III perdera a batalha de Magnésia e assinara o tratado de Apaméia. 104. Alexandre tinha mostrado bem ser o herdeiro da tradição. O prostátes é o encarregado de administrar as finanças do santuário. Atenas. Concede o status de pólis a várias cidades.

a partir desta época começa a ter sobre sua cabeça uma estrela. tornam-se lugares de comércio e atraem os nômades para as suas vizinhanças. assírios ou babilônios são deuses ou filhos prediletos dos deuses. são a garantia da ordem política. E a partir de sua vitória sobre o Egito. aparece nas moedas cunhadas em Antioquia apenas com a inscrição "Rei Antíoco". definitivamente. As cidades favorecem o desenvolvimento econômico. mas oriental. a fortuna do rei. lembrar que a fundação das póleis gregas nem sempre começam do nada. recriação. "Os objetivos desta urbanização [dos Selêucidas] são bastante diversos. símbolo da divindade. entretanto. A reivindicação de prerrogativas divinas pelo rei é outra arma de controle das populações orientais.) Elas diminuem as resistências indígenas. mas também da ordem cósmica e da fertilidade da natureza.C. face ao esfacelamento do império selêucida.A fundação de cidades tem. Situados acima dos homens. fusão entre cidades pequenas que não têm como se defender. que acresce... Os reis egípcios. e. na mesma proporção. econômicos e políticos: servem para guardar passagens de grandes vias de comunicação. Ele é o praesens divus. que sua vitória o manifestou como deus. usada desde Alexandre e. objetivos estratégicos. a inscrição das moedas selêucidas é "Rei Antíoco Theos Epífanes". Há vários modos de se criar uma pólis: fundação de uma cidade grega dentro de uma antiga cidade oriental. Esta não é uma criação grega. que guardam os grandes eixos de circulação e as posições estratégicas (.. de 175 a 169 a. Os sucessores de Alexandre seguem a mesma política. ou que é um deus que se manifestou na sua carne. para Alexandre. de uma cidade arrasada pela guerra ou por um terremoto. "Ele pensa. É bom. fazendo deles camponeses que sustentarão as cidades[22]. . dando-lhe um estatuto político e um nome grego. agora. recorrem à política da difusão da pólis. fundação de uma cidade grega ao lado de uma cidade oriental[24]. herdeiros de um império multinacional. Elas permitem a implantação de tropas. habilmente incorporada pelos dominadores macedônios. fragmentando as antigas satrapias entre as cidades"[23]. com estrutura grega. Especialmente os Selêucidas. Antíoco IV que. enfatizada por Antíoco IV Epífanes.

pois muitos males caíram sobre nós desde que delas nos separamos'. Abel observa.-M. que os impede de se integrarem totalmente no modo de vida grego. leva-o a sobrecarregar seus súditos e o instiga ao saque de templos para a obtenção de fundos. Gazara e Jope também não podem ser evitadas[26]. Forma-se um forte partido pró-helênico. geradas pela pressão romana. o epíteto epifanés. se alguém negocia na Galiléia não pode fugir de Citópolis ou Filotéria. o processo de helenização avançara bastante desde o século anterior. Jâmnia. em Jerusalém. ou seja. As dificuldades econômicas enfrentadas por Antíoco IV Epífanes. Enquanto isto. ou na Transjordânia é necessário ir a Pella. por isso. 'manifesto'. Um irmão de Onias III. a Gadara ou a Filadélfia.segundo sua intenção. A ocasião favorável aos partidários da helenização surge quando Onias III. . Quem vai a Ptolemaida passa por Samaria ou Dora. está em Antioquia cuidando dos interesses de seu povo e Antíoco IV assume o poder. façamos aliança com as nações circunvizinhas. 1Mc 1. o qual lhes deu autorização para observarem os preceitos (dikaiômata) dos gentios". Jasão (Joshua). por exemplo. está em luta com os judeus tradicionais e fiéis à Lei. com sua apoteose"[25]. é relacionado com Theós. o conservador sumo sacerdote. a quem deve pagar mil talentos por ano. Do lado do mar? Marisa está na rota de Gaza ou Ascalon. F. que a Judéia está cada vez mais cercada por cidades helenizadas e é impossível ao judeu não tomar contato com o seu modo de vida. Estes helenizantes defendem urgente revogação do decreto de Antíoco III. E alguns de entre o povo apressaram-se em ir ter com o rei. que pretende incrementar o avanço civilizatório grego e.11-13 comenta o caso do seguinte modo: "Por esses dias apareceu em Israel uma geração de perversos (paránomoi) que seduziram a muitos com estas palavras: 'Vamos. Agradou-lhes tal modo de falar. oferece ao rei alta soma em dinheiro e um rápido programa de helenização dos judeus em troca do cargo de sumo sacerdote. especialmente entre a aristocracia sacerdotal e leiga.

pessoas que fazem propostas de apostasia da Lei. pois precisa de dinheiro. a serem deduzidos de uma renda não discriminada. Consta que o rei Antíoco IV vai a Jerusalém nesta época. conhecer e discutir a cultura grega. Durante uma audiência. sendo recebido pelos filo-helenistas com grande entusiasmo. Também o dikaiômata tôn éthnôn (preceitos dos gentios) é significativo.C. portanto. pela autoridade real. é instalado um ginásio em Jerusalém. Jasão. em 174 a. abandonar as normas da Lei e seguir leis gentias[27]. são algumas das atividades praticadas no ginásio. de construir uma praça de esportes e uma efebia. se lhe fosse dada a permissão. irmão de Onias. É uma instituição cultural das mais importantes. tendo passado Selêuco à outra vida e assumindo o reino Antíoco. Daí que "fazer aliança com as nações" indica renegar a Lei e seguir costumes gentios. vestir-se à moda grega. o ginásio implica a presença de divindades protetoras. empenhava-se em subscrever-lhe outros cento e cinqüenta talentos[28]. ele prometeu ao rei trezentos e sessenta talentos de prata e ainda. Falar o grego corretamente. suspeita de tendências pró-ptolomaicas em Onias III. Antíoco IV Epífanes aceita a oferta de Jasão. tem urgência em helenizar a região para garantir sua fronteira sul e. assim. ao que parece. Observar os preceitos dos gentios significa. como Héracles (= Hércules) e Hermes e ensina a maneira grega de se viver e de se ver o mundo.o que causa embaraço aos jovens judeus circuncidados -. Além disso.O termo paránomoi indica. 2Mc 4. bem como de fazer o levantamento dos antioquenos de Jerusalém. cognominado Epífanes. . Um ginásio grego não é mera praça de esportes. mais oitenta talentos. começou a fazer passar os seus irmãos de raça para o estilo de vida dos gregos".14. começou a manobrar para obter o cargo de sumo sacerdote. Dikaíôma é usado pelos LXX para traduzir o hebraico derek ou mishpat (caminho. segundo Dt 13. Além dos esportes gregos. direito) significando obrigações legais. aos pés da acrópole.7-10 descreve do seguinte modo os fatos: "Entrementes. Obtido. o consentimento do rei. usada no processo de helenização de várias cidades orientais. tão logo assumiu o poder. contíguo à esplanada do Templo. praticados nus . ele. Assim.

o resultado é o mesmo: uma parte dos judeus pretende doravante viver à maneira helênica. Estes judeus são chamados de "antioquenos" nos documentos da época. se complica. Saulnier acredita que de duas uma: ou Antíoco IV autoriza a formação de uma pólis dentro de Jerusalém ou a organização de um políteuma em Jerusalém[30]. o decreto de Antíoco III não se aplica mais à totalidade da população"[31]. 2Mc 4. esse ímpio e de modo algum sumo sacerdote. faz uma oferta maior a Antíoco IV e obtém o sumo sacerdócio. porém. obrigando os mais nobres de entre os moços.23-24: "Depois de um período de três anos. tendo se apresentado ao rei e adulando-o pela ostentação de sua autoridade.aquele Simão que entrara em conflito com Onias III por causa da agoranomia .9. Diz 2Mc 4. estabelecida dentro da cidade de Jerusalém"[29]. apoiado pela poderosa família dos Tobíadas. por causa da exorbitante perversidade de Jasão. conduziu-os ao uso do pétaso[32]. Menelau. superando em trezentos talentos de prata a oferta de Jasão". "De qualquer modo . "o ginásio parece ter sido realmente uma corporação separada de judeus helenizados. segundo alguns.800 kg) suplementares na época de pagar o tributo.Além do que. desse modo. conseguiu para si o sumo sacerdócio. Jasão enviou Menelau. irmão do já mencionado Simão. ou mesmo porque são considerados como "cidadãos de Antioquia". quer ele tenha reunido um certo número de judeus em um políteuma de estrutura grega -. pois. . chamado Menelau. A situação. Menelau. isto é. que os próprios sacerdotes já não se mostravam interessados nas liturgias do altar".quer Antíoco IV tenha fundado uma pólis em Jerusalém. Verificou-se. C. de modo que a Torá não é mais a única lei. tal ardor de helenismo e tão ampla difusão de costumes estrangeiros. a levar as quantias ao rei e a completar-lhe relatórios sobre certos assuntos urgentes. como se vê em 2Mc 4. com satisfação que [Jasão] construiu a praça de esportes justamente abaixo da Acrópole e. entrementes. irmão de Simão .oferece a Antíoco 300 talentos de prata (cerca de 7. quando um sacerdote não-sadoquita. Certamente porque estão sob a proteção real.19. com direitos cívicos e legais definidos.12-14a fala do ginásio de Jerusalém com grande desgosto: "Foi.

para o feudo de Hircano. das coroas. os utensílios preciosos e os tesouros secretos que conseguiu descobrir".C. deste modo. Jasão foge para a Transjordânia. antes de sair.C. de longe o saudou e estendeu-lhe a mão. campanha vitoriosa. que tinha uma tabuinha onde estava transcrito o senatus-consulto.. o Tobíada dissidente e pró-Lágida. início de 171 a. e em seguida declarou que faria tudo o que os romanos pediam. 1Mc 1. Roma defende. Traçou com esta vara um círculo ao redor de Antíoco e convidou-o a lhe dar. apoderou-se do altar de ouro. Tomou. revoltada com as ações de Menelau. além disso. Políbio comenta o episódio do encontro de Antíoco IV e Popilius Laenas. Em 169 a. O rei...) O rei a leu e declarou desejar deliberar com seus amigos acerca desta novidade. vê três membros da gerousia serem executados por Antíoco IV. das taças..C. em sua segunda campanha contra o Egito. o ouro. quando oficialmente denunciam as arbitrariedades cometidas pelo sumo sacerdote. Antíoco IV é impedido de entrar em Alexandria. da mesa da proposição. do qual se desconhece a causa. O .C. do candelabro com todos os seus acessórios. já morto nesta época. Vejamos a narração de 1 Macabeus: "Entrando com arrogância no Santuário. aturdido com esta insolência. o rei [Antíoco IV]. Popilius fez um gesto aparentemente intolerável e de uma arrogância inusitada. Já em 168 a. Então Popilius e seus acompanhantes apertaram sua mão e o cumprimentaram com amizade.. das vasilhas para as libações. lha estendeu e pediu que a lesse imediatamente (. Onias III é assassinado a mando de Menelau. Mas o outro. a prata. Ao ouvir isto. Como protestasse contra a venda de vasos sagrados do Templo (vendidos por Menelau para conseguir o dinheiro prometido a Antíoco IV). da decoração de ouro sobre a fachada do Templo: tudo ele despojou. o fraco Egito e vigia de perto os Selêucidas. A população de Jerusalém.Isto se dá em fins de 172 a. a resposta ao documento. do véu. e de assim anexar o país. na volta de sua primeira campanha egípcia. pensou um instante. interessante para se avaliar o poder de Roma neste momento histórico: "Quando ele viu o general romano Popilius. pelo legado romano Popilius Laenas. dos incensórios de ouro. Ele tinha na mão uma vara de videira.21-23 narra este saque do Templo. Antíoco IV saqueia o Templo de Jerusalém. Talvez seja a sempre crescente necessidade de dinheiro. com a aprovação de Menelau[33].

mas este não consegue controlá-la (2Mc 5. Além disso. o rei Selêucida.. Primeiramente. pensando estar havendo uma revolta. conhecida. outrora sustentado por Hircano. Antíoco IV deixa na cidade o frígio Filipe com uma guarnição. Consta que. depois por Jasão e talvez por uma fração da população que já se esquecera das durezas da administração egípcia. Na Palestina corre o falso boato de que Antíoco morrera no Egito e Jasão ataca Jerusalém. sede de uma guarnição e verdadeira pólis. as dificuldades do reinado de Antíoco IV sugerem a existência de um partido pró-Lágidas. .senatus-consulto ordenava-lhe parar imediatamente a guerra contra Ptolomeu"[34]. no coração de Jerusalém. Ataque. espinho atravessado na garganta dos judeus fiéis. em grego. filho de Tobias. como Acra (= cidadela). apoiado pelos Tobíadas. Muralhas demolidas e construção de poderosa fortaleza em Jerusalém. pune Jerusalém. Saulnier assim resume estes acontecimentos: "Podemos dizer que há em Jerusalém dois motivos de dissensões que não coincidem entre si. com a ordem de trucidar todos os que estavam na força da idade e de vender as mulheres e os mais jovens". os judeus estão divididos a propósito do helenismo em aproximadamente duas facções que podemos designar como a dos filohelenos e a dos assideus: os primeiros. encostada no Templo. e Onias III. o misarca (comandante das tropas mísias).514). Durante cerca de 25 anos a Acra será o braço armado selêucida em Jerusalém. Jasão promove sangrento massacre na cidade. Jasão e Menelau.23b-24 assim fala da intervenção de Apolônio: "Nutrindo para com os súditos judeus uma disposição de ânimo profundamente hostil.C. com forte contingente. no final do verão de 168 a. assassinatos em massa. escravidão. que restabelece Menelau no poder. o rei enviou o misarca Apolônio à frente de um exército de vinte e dois mil homens. executando muitos judeus e vendendo a outros como escravos. C. mas foge com a chegada de Antíoco IV. de outro lado.C. Antíoco IV envia a Jerusalém Apolônio. Menelau refugia-se na acrópole. No começo de 167 a. parecendo amplamente encorajados por dois sumos sacerdotes sucessivos e rivais. e. 2Mc 5. a existência de um partido pró-Selêucidas. por Menelau e sem dúvida por aqueles que são designados como antioquenos de Jerusalém"[35].

das festas. a ereção de altares em todo o país e o sacrifício de porcos e outros animais impuros a deuses estrangeiros. no verão de 167 a. suas propriedades são confiscadas e transferidas para os Tobíadas ou para as colônias militares reais. Povoaram-na de gente ímpia. . Acredita-se que tenha sido para vencer a. por enquanto pacífica. duas medidas são tomadas (1Mc 1. Como é de praxe em tais circunstâncias. é preciso considerar que esta intervenção direta e brutal contra os costumes e os deuses de outros povos não é uma praxe grega. e dela fizeram a sua Cidadela. da distinção de alimentos puros e impuros. Por outro lado.1Mc 1. homens perversos. Como norma geral. enfim. uma cidade contaminada: os gentios controlam a sua população. da circuncisão.41-53): o o a abolição da Torá. É quase certo que o partido helenista de Jerusalém tenha pedido a intervenção real e tenha apontado as medidas necessárias para aniquilar os judeus tradicionais[37].C. Desencadeia-se feroz perseguição a todos os inimigos de Menelau. Qualquer violação destas normas tem a morte por punição uma reforma do culto em toda a Judéia: a abolição dos sacrifícios e da sacralidade do santuário e dos sacerdotes. e nela se fortificaram. Abasteceram-na de armas e víveres e nela depositaram os despojos tomados em Jerusalém.33-35 descreve a construção da Acra: "Então reconstruíram a cidade de Davi. É nesta época que começa verdadeira caçada aos Oníadas e a seus partidários. tornando-se eles assim uma armadilha enorme"[36]. os assideus (= piedosos) são obrigados a fugir para os desertos e montanhas. Os habitantes do distrito judaico transformam-se em cidadãos sem direitos. Jerusalém é. dotando-a de grande e sólida muralha e torres fortificadas. Os fiéis seguidores da Lei. Todos os manuscritos da Lei devem ser destruídos. resistência judaica ao programa de helenização é que Antíoco IV decide proibir a prática do judaísmo. com seus mandamentos e suas proibições: ficam proibidas as práticas do sábado.

Zeus representava os valores do poder e da autoridade. Por detrás disso tudo podemos ver as tristes figuras de Menelau e dos Tobíadas[39]. 570-576. 1Mc1. Histoire politique du monde hellénistique II. pp.31. 1978. uma verdadeira cruzada contra a Lei. A introdução deste culto no Templo é a "abominação da desolação". ABEL.54-57. era designado nos textos judaicos como "o Deus dos céus". Saulnier que "deus iminente dos gregos. NEXT [20]. C. A revolta dos Macabeus. 105-121. com respectiva imagem e sacrifício. desde a época persa.C. Judaism and Hellenism I. o epíteto Olímpico recordava suas prerrogativas sobre as outras divindades e seu aspecto uraniano (isto é.. 21-31. pp. Cf... podemos admitir que Antíoco IV quisesse introduzir em Jerusalém uma divindade sincrética.64 assim descreve a "abominação da desolação": "No décimo quinto dia do mês de Casleu do ano de cento e quarenta e cinco [8 de dezembro de 167 a. Histoire d'Israel III. os que lhes caíam nas mãos eram rasgados e lançados ao fogo. o decreto real o condenava à morte (. sobre o altar dos holocaustos. . M. Tais aspectos podiam aparentemente aproximá-lo de Iahweh que. pp.]. HENGEL. sírios e gregos reconhecer nela a emanação de um deus soberano"[38]. Idem. São Paulo. Os judeus são também obrigados a participar da festa de Dionísio e do sacrifício mensal em honra do aniversário do rei (2Mc 6. 277-290. Paulus.. Histoire de la Palestine I. para o reinado de Antíoco IV e seu confronto com os judeus. WILL. História de Israel. E. Explica C.Para completar. pp. segundo Dn 11. J..C. pp. senhor das tempestades e da fecundidade. SAULNIER. em dezembro de 167 a.. deus soberano.. a Abominação da desolação. Também nas outras cidades de Judá erigiram-se altares e às portas das casas e sobre as praças queimava-se incenso. é introduzido o culto de Zeus Olímpico no Templo de Jerusalém. 326-341. F. o rei fez construir. que permitisse a judeus. Onde quer se encontrasse em casa de alguém um livro da Aliança ou se alguém se conformasse à Lei.. 109-132. Nestas condições. na Síria ele fora assimilado a Baal Shâmin. pp. de deus do céu).-M.) Foi sobremaneira grande a ira que se abateu sobre Israel". Enfim. BRIGHT. Quanto aos livros da Lei.7)..

p. The God of the Maccabees. Le monde hellénistique II. História de Israel. 109. c. Cf. PRÉAUX. o equivalente a cerca de 15. 61.-M. [35]. C... [26].. . [27]. Cf. explica SAULNIER. C. Por motivos obscuros. [32]. p. pp. BRIGHT. Cf. Pétaso é o chapéu de copa baixa e abas largas usado nos exercícios pelos atletas gregos no ginásio. [34]. P. Jasão oferece a Antíoco 590 talentos. 112. p. Cf. depois de uma campanha fácil. 376-377. Histoire d'Israel III. 46-53. 401-403. pp. Histoire d'Israel III.. Histoire d'Israel III. A revolta dos Macabeus. [36]. [28]. Idem. também WILL. pp... 128. F. Cf. SAULNIER. Cf. P. Cf. POLÍBIO. 27.. tais regentes parecem ter declarado guerra contra Antíoco IV em 170. Cf.. [25]. p. Histoire politique du monde hellénistique II.[21]. que se tornara rei com a morte de seu pai em 180. 23.. C. 24. ABEL. História XXIX. C. p.. C. p.. [23]. 320-325. Um talento ático pesa 26. cf. BICKERMAN. SAULNIER.340 kg de prata. 113. E. pp. SAULNIER. C. pp. Este começou as operações em 169 e. LÉVÊQUE. "O reinado [dos Ptolomeus] era dirigido por regentes que governavam em nome do jovem Ptolomeu VI. o. LÉVÊQUE. p. a análise do episódio em WILL. [30]. Histoire politique du monde hellénistique II.. ocupou Mênfis". Le monde hellénistique II. [33]. p. ibidem. Idem. [31].. Histoire de la Palestine I. 572. p. este texto em SAULNIER. E. O mundo helenístico. p. [22]. ibidem.. J. 59. 110-111. PRÉAUX. Para o significado da Acra em Jerusalém. 311-320. A revolta dos Macabeus. pp. [24]. 403-408.. [29]. C. E.2 kg.

muito bem expressa em 1Mc 1.41-42. pp. ali introduzindo a abominação da desolação. SAULNIER. na típica visão teocrática do judaísmo de então. M. C. em seguida. Ele proferirá coisas inauditas contra o deus dos deuses e no entanto prosperará. Idem.porque o que está decretado se cumprirá. Com sua linguagem guerreira carregada de simbolismos. [39]. Mas há a versão judaica. Cf.. Histoire d'Israel III. 8. que teria.. 26.) O rei agirá a seu belprazer. 27-28. p. A revolta dos Macabeus. ele os perverterá com suas lisonjas. A revolta dos Macabeus. Uma é a que expus acima: a helenização forçada é conseqüência da pressão exagerada da aristocracia judaica. M. mostra que há duas interpretações divergentes para as medidas anti-judaicas de Antíoco IV Epífanes[40]. que diz: "O rei prescreveu. [38]. SAULNIER. Judaism and Hellenism I.. as motivações religiosas é que oferecerão os conceitos para a leitura dos fatos. sugerido a Antíoco IV as medidas a serem tomadas. Os que transgridem a Aliança. pp. Cf. Saulnier. mas o povo dos que conhecem a seu Deus agirá com firmeza (. até que a cólera chegue a seu cúmulo . É a que considero mais provável. E todas as nações conformaram-se ao decreto do rei". J. inclusive. C. C.. 292-303. pp. 574-576.. por exemplo.3. BRIGHT. o livro de Daniel descreve a maldade de Antíoco IV no seu ataque às práticas judaicas: "Tropas enviadas por ele virão profanar o Santuário-cidadela e abolirão o sacrifício perpétuo. HENGEL. têm-se colocado as razões religiosa e cultural como motivo para a helenização da Judéia e conseqüente resistência macabéia. Sem consideração para com os deuses de seus . renunciando cada qual a seus costumes particulares. 287-289. que todos formassem um só povo. HENGEL.[37]. a todo o seu reino. Judaism and Hellenism I.. Claro que. História de Israel.. pp.As Causas da Helenização Com muita freqüência. exaltando-se e engrandecendo-se acima de todos os deuses. pp. 118-121.

não dispõe de um mecanismo fiscal para o recolhimento do tributo. Além das razões estratégicas e políticas dos Selêucidas para incentivar a helenização dos judeus. alguns elementos precisam ser explicados: "Engrandecendo-se acima de todos os deuses" é uma referência à efígie de Antíoco IV cunhada nas suas moedas. mas ele cultua especialmente a Zeus Olímpico. está falando do deus Adônis-Tamuz. Este texto de Daniel é bem representativo da visão judaica do rei ímpio perseguidor do povo justo. Antíoco IV não é bem visto pelos escritores da época. Ou seja: não há uma burocracia profissional que administra as finanças do Estado. por exemplo. o cidadão se dedica à administração da cidade sem receber recompensa alguma. sem consideração para com o favorito das mulheres ou para com qualquer outro deus. porque também Políbio traça dele um perfil pouco lisonjeiro. daí o texto dizer que ele age "sem consideração para com os deuses de seus pais". Tamuz é uma divindade assírio-babilônica de origem popular. Apesar de tudo isso. Tamuz é estreitamente vinculado à divindade feminina da fertilidade. Os reis Selêucidas antecessores de Antíoco IV cultuavam Apolo. é preciso ir além na interpretação dos fatos. há motivos econômicos para o conflito que o processo desencadeia[42]. como adotado pelos Selêucidas. Ele é amante de Ishtar. além de protagonizar outras atitudes populistas41.36-37).pais. proporcionando-lhe lucros financeiros e influência política junto ao governo estrangeiro. Diz Políbio que Antíoco IV aprecia sair da corte e se misturar com as pessoas do povo. a Inanna suméria e a Ishtar acádica. a não ser a satisfação do dever cumprido e o sentimento de contribuir para o bem comum[43] . É que o sistema político grego tradicional. Assim. Ou que ele se infiltra nas festas do povo sem ser convidado ou vai ao mercado (ágora. conhecido também sob o nome semítico de Adônis na mitologia mediterrânea. nos reinos helenísticos a função de recolher o tributo é arrendada à aristocracia dos povos dominados. mais para o fim de seu governo.31-32. discutindo longamente com ourives ou outros peritos nos seus ateliês. é a si mesmo que ele exaltará acima de tudo" (Dn 11. . Quando o texto diz que ele não "tem consideração para com o favorito das mulheres". Em Atenas. como vimos no caso dos Tobíadas. De qualquer maneira. local onde se reúne também a assembléia do povo) e se mete nas mais acirradas disputas. com os traços de Zeus Olímpico. razões já apresentadas. Como esta é uma linguagem apocalíptica.

do imposto sobre o sal e do imposto coronário. uma relação de parentesco baseada na solidariedade dos laços de sangue. que me caberiam de direito: de hoje em diante deixo de arrecadá-los à terra de Judá e aos três distritos que lhe foram anexos. A cidade era tudo para o cidadão grego.que reivindica tal direito como "direito de lança" por ser o conquistador . dos tributos (phóroi). assim como seu território. deve-se levar em conta que a noção grega de Estado é concretizada no Oriente: o o ou na pólis. Mas o próprio Antíoco III. Isto a partir do dia de hoje e para todo o tempo. Judá é e permanece um éthnos também na administração selêucida. já os conhecemos do decreto de Antíoco III: trata-se do phóros. baseada na vontade do rei Selêucida . e declaro isentos todos os judeus. sem dízimos e sem tributos". reforça os privilégios da aristocracia. cria condições para que a aristocracia judaica substitua as leis étnicas por leis políticas. A lei. Os três primeiros impostos citados.e não nas tradições dos antepassados codificadas na Torá. bem como à Samaria e à Galiléia. do imposto sobre o sal e do ouro das coroas. Jerusalém seja considerada santa e isenta.. "A autonomia étnica.C. dá-nos uma idéia dos tributos recolhidos pelos Selêucidas na Judéia. M. O texto de 1Mc 10. Igualmente renuncio à terça parte da semeadura e à metade dos frutos das árvores. por Demétrio I. trouxe em si elementos que ofereciam à aristocracia das cidades novas possibilidades"[45]. que significava 'tomar parte nos negócios públicos'.Por outro lado..29-31. O verbo politeyestaí. em 152 a. que foi concedida oficialmente à Judéia. "Desde agora desobrigo-vos. também significava simplesmente 'viver'"[44]. que trata de uma isenção de impostos concedida aos judeus mais tarde. o Grande. uma associação de cidadãos livres e autônomos baseada na vizinhança ou no éthnos. Rodrigues explica que "três grandes princípios presidem à formação da pólis: eleuteria (independência). com seu decreto de 197 a.C. Ora. . autonomia (poder próprio) e autarquia (autogestão). criando as condições para a sua emancipação da hierocracia e para o predomínio da pólis sobre o éthnos.

9. Segundo as leis israelitas.20 etc). da estirpe de Belga.1. o que aqui nos interessa é perceber como se faz o recolhimento do tributo na Judéia. Assim. como em Dt 12.20.1. Daí ser significativo que a primeira notícia a respeito do nascente conflito com o helenismo.10. A solução será pedir a Antíoco IV Epífanes a eliminação da Lei.recolhe dos camponeses 1/3 do produto das colheitas e metade da produção das frutas. 19. quando comenta o decreto de Antíoco III. 13. Talvez cerca de 300 talentos anuais segundo 1Mc 11. Flávio Josefo também testemunha que os impostos são cobrados pela aristocracia. investido no cargo de superintendente do Templo.20. O livro do Deuteronômio. A aristocracia . mas somente dentro de determinadas normas.13.por exemplo. a terra é dom de Iahweh ao povo. a aristocracia começa a pressionar sempre mais na direção da helenização total.18. certo Simão.9.29. Dt 12. Some-se a isso a precariedade financeira dos Selêucidas e o mecanismo começa a ficar claro. A terra em Israel é classificada como nahala (= herança. por exemplo.10. choca-se com as normas da Lei. Seu enriquecimento fácil.. baseado na tributação e na manutenção de seus privilégios. como vimos acima. durante todos os dias em que viverdes sobre a terra". escrito a partir do século VIII a. Israel tem a posse da terra. Pode-se até negociar a terra.C. estes produtos e paga aos seus senhores Selêucidas determinada quantia em prata. Deus de teus pais te dará. entrou em desacordo com o sumo sacerdote a respeito da administração dos mercados da cidade".4: "Ora. Diz Josefo: "Os nobres arrendaram nas suas próprias cidades paternas o direito de cobrar o tributo.10. O direito que regulamenta a venda da terra é o chamado ge'ulla (= resgate . posse).5. Vende.16 e tantos outros lugares.28. e.Agora. repete isto sempre (Dt 12. mas não é seu proprietário. depois que eles recolheram a quantia fixada. os Tobíadas e seus associados . a pagaram aos reis"[46]. certamente com ganhos. Vamos lembrar o que diz 2Mc 3. diz: "São estes os estatutos e as normas que cuidareis de pôr em prática na terra cuja posse Iahweh. como modo de quebrar as barreiras da tradição de solidariedade baseada na aliança.16. aponte uma razão econômica.

O resgate da terra é baseado no conceito de hesed (= fidelidade). deve ser resgatado pelo parente mais próximo. mas cria laços de solidariedade entre eles a terra pode ser negociada entre parentes. Por outro lado. Kippenberg assim resume a relação de parentesco em Israel: o o o a estrutura de parentesco determina a reprodução das famílias e as relações sociais dentro da família a estrutura de parentesco une as famílias em uma hierarquia baseada nas prerrogativas dos irmãos mais velhos sobre os mais novos. Quem tem o direito de compra é apenas o parente do lado masculino da família. Ora. Segundo esta lei. . Lv 25. a manutenção das regras do parentesco exigida pela Lei e confirmada por Antíoco III prejudica os interesses da aristocracia. mas não com estranhos ao círculo de parentesco. H. O conflito jurídico é evidente. como pode protegê-lo também de ser vendido como escravo permanente a estrangeiros. Entretanto. como no interior do clã a estratificação social avança bastante nos períodos persa e grego. uma solidariedade que sustenta a relação comunitária no nível do clã. este princípio leva ao acúmulo de terras pelas famílias mais ricas[47].da terra). G. deve ser libertado no ano jubilar (49º ou 50º ano). a aristocracia judaica que aí surge tende a excluir os mais pobres. provavelmente do século VI a. no 49º ou no 50º ano o antigo dono deve receber de volta sua propriedade vendida. porque ela lhe pertence por direito de conquista.. Se isto não for possível. onde a terra pode ser dada a quem o rei determinar. então o parente agnático (termo do direito romano que indica o parente por parte de pai) mais próximo deve comprá-lo.C. se o israelita deve vender seu terreno. Uma confirmação do avanço da estratificação social pode ser encontrada na regra do ano jubilar estabelecida por Lv 25.47-55 estabelece também que se um israelita for vendido a estrangeiros como escravo. Caso contrário.23-28. Compare-se esta concepção israelita da posse da terra com a concepção grega. A venda da terra pode proteger o proprietário empobrecido de pagar tributos e impostos a estrangeiros.

e seus partidários assideus. defendem a manutenção dos laços de parentesco. nós vo-los perdoamos. bem como a coroa que nos deveis.C. .36-42 assim descreve o fato: "'O rei Demétrio a Simão. 2.Parece claro que a regra do ano jubilar está em contradição com a norma do resgate imediato da terra e do escravo e a lei do ano sabático (Dt 15. quando o rei selêucida Demétrio II concede aos judeus a isenção dos tributos. aos anciãos e à nação dos judeus. estratego e chefe dos judeus'". em 142 a. 4. Que os motivos desta luta são também econômicos.42-48: a circuncisão. e estamos prontos a celebrar convosco uma paz duradoura e a escrever aos nossos administradores que vos considerem totalmente isentos. saudações! Recebemos a coroa de ouro e a palma que nos enviastes. líderes da resistência judaica. nos documentos e nos contratos: 'No primeiro ano de Simão. foi retirado de Israel o jugo das nações.1-18.. devido à estratificação social. que eles se inscrevam. É que.21-27). sumo sacerdote e amigo dos reis. Voltemos ao confronto entre a aristocracia filo-helenista e os judeus fiéis à Lei. sumo sacerdote insigne.36-51: a purificação do Templo). a aristocracia não é mais identificada com o Estado. 1Mc 13. os revolucionários Macabeus fazem valer os antigos mandamentos (1Mc 2. isto é festejado como libertação da escravidão e começo de uma nova era. Ex 21. se observarmos que. não o seja doravante. A desigualdade permanece a mesma. E reine a paz entre nós'. Se houver entre vós alguns homens que sejam aptos a ser recrutados para a nossa guarda de corpo. No ano cento e setenta.1-11). Tudo o que temos determinado a vosso respeito permanece firme e também são vossas as fortalezas que edificastes. E se alguma outra coisa era arrecadada em Jerusalém. não resta dúvida. Como veremos daqui a pouco.29-38: o sábado.1920. gerados pelo arrendamento estatal dos impostos à aristocracia. É porque estas regras não funcionam mais. Quanto às faltas por ignorância e os delitos cometidos até o dia de hoje. Enquanto os partidários da helenização seguem as ordens do rei (1Mc 2. que se tem de exigir a regra dos 49/50 anos[48]. E o povo começou a escrever. dando aos camponeses maior folga em relação aos senhores da terra. os sacerdotes Macabeus. mas os camponeses conseguem controle sobre o excedente[49]. com o desaparecimento do arrendamento.6. da solidariedade étnica contra a instalação do regime da pólis em Jerusalém.

H. Difel. Le Monde hellénistique. 1985. PAUMAPE. Aníbal.. G. & VIDAL-NAQUET.. F. São Paulo. São Paulo. 1992. Ars Poetica.A lógica grega deste arrendamento é a de reduzir o direito de cidadania a pequena faixa aristocrática. 1981. London. LÉVÊQUE. E esta lógica está funcionando. Edições 70. E. mantendo os produtores como simples moradores.. um desafio aos romanos. o pai da estratégia.. A cidade grega.. Religião e formação de classes na antiga Judéia.. uma camada aristocrática força a helenização e entra em choque com o direito sagrado tradicional do povo judeu. MOSSÉ. São Paulo. Aí vem o conflito com os Macabeus. Economia e sociedade na Grécia antiga. The God of the Maccabees. 1980. E. objeto de conquista. 1987. Obra Completa.. em Jerusalém. BRADFORD. Edições 70. C. P. Leiden.. M. História. SCM Press. até que. sem direito a cidadania. Studies in their Encounter in Palestine during the Early Hellenist Period I. Edições 70. 1991. . Brill. Editora da UnB. PEIXOTO. 1986. P. GLOTZ. Aníbal. 1979. M. Brasília. Leituras Recomendadas AUSTIN. Rio de Janeiro. POLÍBIO. JOSEFO. O mundo helenístico. Lisboa.. HENGEL. Mas será a simbologia religiosa que exprimirá os interesses igualitários de sacerdotes e camponeses[50].. 1993. Studies on the Meaning and Origin of the Maccabean Revolt. Lisboa. Lisboa. que não tem objetivos religiosos: o que se quer é uma reforma da constituição da Judéia. P. São Paulo. PRÉAUX. Paulus. BICKERMAN. 1985. Judaism and Hellenism. As instituições gregas. Casa Publicadora das Assembléias de Deus. La Gréce et l'Orient (323-146 av. C. KIPPENBERG. História dos Hebreus.. 1988. M. G.

Antiquitates Iudaicae XII. ROSTOVTZEFF. também. Idem. Histoire politique du monde hellénistique (323-30 av. pp. março/abril de 1984. GLOTZ. Rio de Janeiro. pp. História de Roma. São Paulo. 24-31. Edições 70. C.. C. pp.-C. 113-129. [41]. pp.) I-II. E. NEXT [40].1987. Cf..C. p. KIPPENBERG. 152-161. M. Du Cerf. M. 1985. Petrópolis. A cidade grega. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a. [46]. Vozes. G. Brasiliense. Economia e sociedade na Grécia antiga. sobre Antíoco IV. Histoire d'Israel III. São Paulo.. este texto em SAULNIER. Religião e formação de classes na antiga Judéia. C. em Atualização 171-172.. As utopias gregas. p. p. sobre isto. 19774.. C. The God of the Maccabees.. pp.. F. Cf. G. SAULNIER. 19864. G... W.. [45]. Cf. E. pp. J. Nancy.) III.. São Paulo. 377-378.-135 a. 1979-19822. KIPPENBERG. BICKERMAN. C. 1985.. segundo H. [42]. [44]. c.. Cf. Cf. 118-121. também GIORDANI. 27-28. 306-308. Religião e formação de classes sociais no Judá pós-exílico. SAULNIER. SAULNIER.1. Cf.J.D.. As instituições gregas. 73-87. G.. AUSTIN.-C. E.. o. POLÍBIO. G. Paris. Cf. cf. [43]. H. 80. A cidade grega. 155. . 76.. 39. KIPPENBERG. sobre a questão. KIPPENBERG. RODRIGUES. M. JOSEFO. História da Grécia./VIDAL-NAQUET. [47].. pp. A revolta dos Macabeus. WILL. 151-183.. H. 1980. WILL. Presses Universitaires de France. GLOTZ. MOSSÉ.. Lisboa. ao longo dos séculos. P. H. História XXVI. Cf. C. Histoire d'Israel III.. pp.. A. pp. Histoire d'Israel III. G. Zahar. o. Paulus.). 1988. M. 19872. 19882. A revolta dos Macabeus. GRUEN. pp. Histoire politique du monde hellénistique II. Para as tendências da historiografia. 99-214. Difel. Presses Universitaires de Nancy. Paris. c.

Matatias e o Começo da Revolta . de Judas Macabeu e de Jônatas pela independência da Judéia. na libertação de Jerusalém e na purificação do Templo apenas três anos após a proibição dos sacrifícios javistas.C. nesta primeira fase. ocupando um cargo que. começa um movimento de rebelião armada contra os gregos e seus associados da aristocracia judaica. irmão de Judas Macabeu. um sacerdote de Modin. Jônatas. p. 86. chamado Matatias. que culminará. Aproveitando-se do aprofundamento da divisão interna do império selêucida e de seu enfraquecimento político e econômico. A posse de livros da Lei. 86-87. Idem. Cf.[48]. embora esteja vago. desencadeia-se feroz perseguição àqueles que não se submetem às ordens do rei selêucida Antíoco IV Epífanes. pp. Recusando-se a prestar culto aos deuses gregos. 61-63. a prática da circuncisão ou qualquer observância de um ritual judaico leva a pessoa à morte. que se retirara de Jerusalém desgostoso com o rumo das coisas. ibidem. 9. Os Macabeus I: A Resistência Com a proibição das tradicionais práticas judaicas em 167 a. [50]. Com seus cinco filhos e grande grupo de camponeses fiéis às tradições judaicas ele faz uma guerra constante aos helenizantes. não lhe pertence.1. [49]. Idem. ibidem. 9. ibidem. será o primeiro sumo sacerdote da família. Isto começa a criar divisões internas. Idem. com seu filho Judas Macabeu. Cf. os irmãos Macabeus vão pouco a pouco consolidando as suas conquistas na Judéia. Cf. Neste capítulo abordarei exatamente a luta de Matatias. pp. pois os judeus mais tradicionais não podem admitir esta atitude.

Onde quer que se encontrasse. logo é festejado o acontecimento por todo o povo e os próprios governantes. A comemoração do aniversário do rei é uma prática persa retomada pelos macedônios no Oriente. Na sua prepotência assim procediam. a Ásia inteira comemora a efeméride com festejos e sacrifícios"[1]. eles. desta prática. com todos aqueles que fossem descobertos. em nosso calendário. no dia do aniversário do príncipe. as executavam com os mesmo filhinhos pendurados a seus pescoços. os que lhes caíam nas mãos eram rasgados e lançados ao fogo. Apesar de tudo. Foi sobremaneira grande a ira que se abateu sobre Israel". mas não abdicam da aliança javista herdada de seus pais. mês por mês. importante testemunho de Platão: "Quando nasce o primogênito.C. os judeus devem participar também da festa de Dionísio: "Eram arrastados com amarga violência ao banquete sacrifical que se realizava cada mês. herdeiro presuntivo da coroa. e ainda com seus familiares e com aqueles que haviam operado a circuncisão. cumprindo o decreto. todos os anos. Temos. daí por diante. um livro da Aliança ou se alguém se conformasse à Lei. Segundo 2Mc 6.7. como de fato morreram. O dia 25 de cada mês é a data do aniversário do rei e da inauguração do altar a Zeus Olímpico: o dia 25 de Casleu. em casa de alguém. o decreto real o condenava à morte.Como vimos. É então que muitos judeus fiéis à Lei morrem. nas cidades. é em 167 a. Quanto às mulheres que haviam feito circuncidar seus filhos. Eles aceitaram antes morrer que contaminar-se com os alimentos e profanar a Aliança sagrada. Falando da perseguição desencadeada pelo decreto real e da resistência dos judeus fiéis. ao dia 15 de dezembro.56-64 os fatos: "Quanto aos livros da Lei. No dia vinte e cinco de cada mês ofereciam-se sacrifícios no altar levantado por sobre o altar dos holocaustos. contra Israel. assim descreve 1Mc 1. no dia do aniversário do rei. muitos em Israel ficaram firmes e se mostraram irredutíveis em não comerem nada de impuro. E ao chegarem as festas . que as práticas tradicionais do judaísmo são proibidas pelo decreto de Antíoco IV Epífanes e o culto de Zeus Olímpico é introduzido no Templo de Jerusalém. que equivale.

que morre e ressuscita. o cortejo em honra de Dionísio". durante seis dias)[2] . Então. celebram-se quatro grandes festas em honra de Dionísio: as Dionisíacas Rurais (em dezembro). porque mistura a perseguição religiosa à guerra civil. a profunda divisão dos judeus permite-nos compreender que os helenistas deviam se sentir ameaçados e acolhessem de boa vontade o apoio e a proteção das forças gregas. as Antestérias (a "festa das flores". começos de março. o que é interpretado em termos de perseguição pela literatura judaica. "Ao mesmo tempo.dionisíacas.o Baco. Reafirma esta interpretação religiosa judaica o 2º livro dos Macabeus. donde "bacanal" -. é filho de Zeus e da princesa Semele. Pecados cometidos pelos helenizantes que violam a Lei sagrada: "Agora. misticismos e orgias sagradas que celebram a vida.12-13 garante ainda que o castigo que se abate sobre a nação judaica é a punição pelos pecados do povo e só servirá para purificá-lo e encaminhá-lo para o reto caminho. obrigavam-nos a acompanharem. celebrada em fins de fevereiro. Saulnier pensa que a resistência dos judeus piedosos assuma. as características de uma verdadeira revolta e de uma oposição política perigosa.18-31) e o martírio dos sete irmãos com sua mãe (2Mc 7. Na Grécia. 2Mc 6. com grande ênfase na sexualidade. Assim. festa que comemora o renascimento da natureza) e as Grandes Dionísias ou Dionísias Urbanas (em março/abril. gostaria de exortar que não se desconcertem diante de tais calamidades. também celebrado em Roma. O livro descreve detalhadamente os suplícios sofridos pelo velho escriba Eleazar (2Mc 6. que libera as forças do inconsciente humano e inspira a música e a poesia. Os rituais dionisíacos são repletos de êxtases. especialmente em Atenas. Dionísio. começo de fevereiro).1-42). que faz uma verdadeira teologia do martírio. correção de . sendo também o deus do vinho . coroados de hera. o começo desta crise é ambivalente. pode ser compreendido pelo historiador como uma reação contra a agitação que não parava de aumentar e a repressão de uma verdadeira revolta armada"[3] . C. aos olhos de Antíoco IV. aos que estiverem defrontando-se com este livro. Dionísio é um deus da vegetação. as Lenéias (em fins de janeiro. obviamente. na mitologia grega.

nos envolvem nestas mesmas acusações. os oficiais reais. É bom lembrarmos que a perseguição atinge apenas os judeus do distrito de Jerusalém. portanto. Flávio Josefo traz um texto a propósito dos samaritanos datado de 166 a. Nós te suplicamos. tu. e que era por isso que se verificava essa sua indiferença para com o Lugar". por causa das secas que assolavam o país. . como o demonstram claramente as atas públicas. obedecendo a um velho escrúpulo religioso. templo de Zeus. enquanto que. o benfeitor e o salvador.nossa gente. chefe do distrito e a Nicanor. e de chamar ao nosso templo anônimo. adotaram o costume de celebrar o dia que os judeus chamam de sábado. por origem nós somos sidonianos. quando tu tratas os judeus como merecem por sua maldade. não percebendo que era por causa dos pecados dos habitantes da cidade que o Senhor estava irritado por um tempo. entre os de Tiro e de Antioquia. De fato. "Memorando dos sidonianos de Siquém ao rei Antíoco Théos Epífanes: 'Nossos ancestrais. que é como os samaritanos.C. de não nos molestar fazendo contra nós as mesmas acusações que contra os judeus que nos são estranhos tanto pela raça como pelos costumes.17 apresenta a mesma perspectiva: "Antíoco subia até às alturas em seu pensamento. segundo Flávio Josefo. pensando que é por causa de nosso parentesco com eles que nós seguimos as mesmas práticas. não deixar impunes por longo tempo os que cometem impiedade. 2Mc 5. mas imediatamente atingi-los com castigos. Não há sinal de perseguição entre os judeus da diáspora. ergueram sobre o Garizim um templo anônimo e ofereceram os sacrifícios que lhes convinham. se designam nesta época. agente real. Deste modo. Hoje. de ordenar a Apolônio. Mas é interessante observarmos também a atitude dos samaritanos durante estes acontecimentos. É um rescrito (= decisão do rei comunicada por escrito) de Antíoco IV aos sidonianos de Siquém. nós não seremos mais molestados e. Ao explicar a pilhagem do Templo por Antíoco IV. por exemplo. é sinal de grande benevolência".

do hebraico maqqabiahu. como eles o pediram. nós aumentaremos as tuas rendas'. chamado Abaron. asseguraram que eles nada têm a ver com o que é censurado nos judeus. Mas a família de Matatias não está sozinha nesta luta. chamado Tasi. possível alusão à sua força física ou. A tal pedido dos samaritanos. neto de Simeão. Já que seus emissários.29 que .27-28). Matatias tem cinco filhos. os judeus fiéis e foge com seus filhos para as montanhas (1Mc 2. chamado Afus". Os cognomes dos filhos de Matatias significam o seguinte: Gadi é o "afortunado". em seguida. Quando os emissários reais chegam a Modin e convocam a população para o sacrifício sacrílego. diante de nós. bisneto de um certo Asmoneu[5]. Afus é o "favorecido". como nos relata 1Mc 2. Entre os judeus que permanecem fiéis à Lei. Simão. mas ainda mata outro sacerdote que se oferecera no seu lugar e mata também o emissário real. à forma de sua cabeça. encontra-se um sacerdote chamado Matatias. ou do grego. mas que eles desejam viver segundo o costume dos gregos. Diz 1Mc 2. Começa assim a luta desta célebre família contra os Selêucidas e seus aliados helenistas de Jerusalém e povoados vizinhos. ele não só se recusa. pedindo a Matatias que oficiasse por ser um chefe ilustre na localidade. da linhagem de Joiarib. e de nossos amigos reunidos em conselho. Convoca. Eleazar. com o cognome de Gadi. nós os isentamos de todas as acusações e ordenamos que o seu templo. Tasi tem significado incerto. Judas. Matatias se recusa a oficiar no Templo profanado pelo culto estrangeiro e se retira com a sua família para a sua propriedade situada em Modin. e Jônatas. "martelo". Abaron é o "desperto". povoado localizado a cerca de 12 km a leste de Lida/Lod. Macabeu pode significar.podendo ocupar-nos com segurança de nossos trabalhos. chamado Macabeu. talvez. seja chamado templo de Zeus'"[4]. "designado por Iahweh".2-5: "Tinha cinco filhos: João. Os sidonianos de Siquém nos apresentaram o memorando que segue. o rei deu a seguinte resposta: 'O rei Antíoco a Nicanor.

facas de pedra lascadas. americanas e australianas praticam-na. As proibições de Antíoco IV Epífanes tocam em práticas bastante arraigadas no judaísmo pós-exílico. em tempos mais remotos. E 1Mc 2. claro que um motivo higiênico pode estar oculto pelos rituais e cerimônias. que significa "duas vezes sete" e indica o dia da lua cheia para os babilônios. edomitas. ou dias tabu. por exemplo. moabitas. Entretanto. Para a cerimônia usam os israelitas. Egípcios.45-48. Esta é a curta notícia que nos dá 1Mc 2. o sacerdote e o médico. suas mulheres e seu gado. seus filhos. Quanto à sua origem. Aliás. as passagens das fases da lua. fenícios e cananeus usam igualmente a circuncisão. homens valorosos e apegados à Lei se unem a Matatias e a seus filhos [6]. árabes. a circuncisão não é um ritual exclusivamente israelita: tribos africanas. A circuncisão.3. que consiste na remoção do prepúcio. amonitas. Pode derivar do acádico shabattu ou shapattu. eles. quando então o rei. Para os judeus é um dia de descanso e dedicação do tempo a Iahweh.42 acrescenta que os assideus. Quem não a conhece são os indo-europeus e os mongóis. . o que atesta a sua origem arcaica. operação feita pelo pai da criança. porque se tinham multiplicado os males sobre eles". porque ela passa a ser uma marca característica do judeu fiel[7]."Muitos que amavam a justiça e o direito desceram ao deserto para ali se estabelecerem. A ênfase sobre a observância do sábado cresce a partir do exílio e se torna lei. Mas a circuncisão é. circuncidando à força os meninos incircuncisos e recuperando a Lei das mãos dos gentios. Matatias e os seus percorrem o território destruindo altares sacrílegos. Vamos comentar algumas delas. A etimologia da palavra é incerta. naqueles tempos. segundo Lv 12. A prática do sábado parece ser muito antiga. somente os filisteus (que são indo-europeus) não são circuncidados. os calendários mesopotâmicos assinalam como dias de azar. não devem exercer suas funções. deve ser cumprida no oitavo dia pós o nascimento. Dos povos palestinos com os quais Israel entra em contato.

é um ritual muito antigo tipicamente pastoril. É excluído o que vem do "ano velho". Também são consumidos nesta noite pães ázimos e ervas amargas. O seu sangue serve para aspergir as estacas da tenda. progressivamente os outros povos da região vão deixando-na de lado. . Os escravos e os estrangeiros residentes também podem participar. entre as duas luzes (à noite) o cordeiro é degolado e o seu sangue aspergido nos portais de cada casa.C. estabelece. Dá-se também às duas festas um novo sentido: a celebração da libertação do Egito. Ex 12. mais tarde os portais das casas.provavelmente um rito de iniciação à puberdade: uma cerimônia pela qual os rapazes são reconhecidos como homens adultos. Não se pode quebrar nenhum osso e o que sobrar é queimado. No dia 14. os sete dias da festa. em Lv 23. E é realizada uma primeira oferta das primícias a Iahweh. Nm 28. Esta festa marca o começo da colheita da cevada.40-51. celebrado na primeira lua cheia da primavera. termo de etimologia incerta.) celebra-se a Páscoa na primeira lua cheia da primavera (14 de Nisan) e os Ázimos a partir do dia 15. A tradição sacerdotal. quando. no mês de Nisan (março/abril) e se celebra durante uma semana. para afastar delas os poderes malignos. pão sem fermento. a festa das Semanas ou Pentecostes e a festa dos Tabernáculos ou das Tendas. desde que sejam circuncidados. sem defeito e de um ano. O seu uso israelita como símbolo de pertença a Iahweh data dos tempos do exílio babilônico.1-20. posterior ao exílio. de sábado a sábado.16-25. Os Ázimos (massôt) são pães sem fermento. estando todos vestidos para viajar. A Páscoa (pesah). agora proibidas por Antíoco IV. Daí a ênfase dada ao rito pelo judaísmo como marca característica do povo israelita[8]. são: a Páscoa/Ázimos. come-se somente pão feito com farinha de grão novo.5-8. A partir da reforma de Josias (629-609 a. As três principais festas (hag = peregrinação) israelitas. quando se sacrifica um animal novo para garantir a fecundidade de todo o rebanho. Quando a família é pequena demais para comer todo o cordeiro. o seguinte: no dia 10 de Nisan cada família escolhe um cordeiro macho. Durante esta noite de lua cheia assam e comem o cordeiro. Durante os sete primeiros dias da colheita. simbolizando um novo ponto de partida. une-se aos vizinhos.

esta festa passa a chamar-se mais tarde sukkot. A festa das Semanas ou Pentecostes é celebrada 50 dias após a apresentação do primeiro molho de cevada na festa dos Ázimos.43). após a libertação do Egito (Lv 23. o povo constrói cabanas ou abrigos nos pomares e vinhas. pois segundo a tradição. ou a festa dos Purim. Inicialmente a festa é celebrada ao ar livre e certamente assume o nome das cabanas (sukkot) que se espalham entre as plantações. com uma duração de sete dias. Mais tarde. Como o Yom Kippur. segundo o livro de Ester. daí ser chamada pentecostés. a festa assume outro significado: o povo deve recordar o período em que vivera em tendas. como as outras duas. quando os primeiros frutos da lavoura. sem data precisa. Por isso. A cerimônia consiste em oferecer dois pães fermentados. Naturalmente esta é uma associação litúrgica e não histórica[9]. "cinqüenta".No dia 15 começa a festa dos Ázimos. para se proteger do sol. que dura uma semana. esta é uma festa muito alegre. a partir do dia 15 de Tishri (o mês de Tishri corresponde a setembro/outubro). O nome sukkot vem da seguinte prática: durante as colheitas. É. no deserto.2-8.38-42 e Nm 28. são oferecidos a Iahweh. segundo as leis sacerdotais. celebrada no outono. ou Dia da Expiação pelo santuário. Além destas três grandes festas. Mais tarde a festa passa a ser celebrada. em grego. celebrado de manhã e à tarde. recordando a vitória dos judeus da Pérsia contra aqueles que querem exterminá-los. segundo Ex 29. Primeiramente chamada de festa da colheita (asip). celebrada nos dias 14 e 15 de Adar (fevereiro/março). é preciso lembrar que há outras celebrações no Israel da época grega. Há ainda um culto diário. No primeiro e no sétimo dia são feitas celebrações religiosas. típico do pós-exílio. que se traduz por "cabanas". celebrada no dia 10 de Tishri. o povo libertado do Egito chega ao monte naquele época do ano. terminando com um dia solene de descanso. . as primícias. A festa dos Tabernáculos ou Tendas é a mais importante das três festas de peregrinação em Israel. que são igualmente proibidas por Antíoco IV Epífanes. Celebra o término da colheita. "tendas" ou "tabernáculos". clero e povo. No outono terminam todas as colheitas e se encerra o ano agrícola. uma festa agrícola. feitos com a nova farinha de trigo. Foi posteriormente ligada ao Sinai. como nossas festas juninas.

A luta contra a helenização é comandada por um grupo sacerdotal, os Macabeus, o que faz parecer que os motivos religiosos sejam prioritários ou mesmo os únicos para a resistência. Como, aliás, insistem os livros dos Macabeus. Mas é preciso lembrar que há uma coincidência de interesses dos sacerdotes e levitas empobrecidos com os interesses dos camponeses. Por isso lutam lado a lado. Sacerdotes e levitas vivem da contribuição dos camponeses, pois o culto e o sacerdócio não têm propriedades, excetuando-se, é claro, uns poucos sacerdotes da nobreza. Os sacerdotes prestam serviços em Jerusalém só de tempos em tempos, morando no mais, em suas cidades e aldeias. O financiamento do culto fica, na maioria das vezes, por conta do Estado. Assim, a classe sacerdotal sem terras está interessada no controle público das terras, como manda a Lei, e não na privatização da propriedade da terra, que é a tendência da aristocracia filo-helênica. Só assim os sacerdotes podem ter certeza das contribuições para o Templo e para o sustento de suas famílias. Se a terra pertence a Iahweh, como diz a Lei, e os sacerdotes são os intermediários entre Iahweh e o povo, através da instituição do Templo, a sua sobrevivência está garantida. Mas se a terra pertence ao rei, como o quer o direito do conquistador grego, os sacerdotes que não pertencem à aristocracia e não se associam aos gregos são prejudicados[10]. NEXT [1]. PLATÃO, O primeiro Alcibíades 121c, em Diálogos vol. V, Belém, Universidade Federal do Pará, 1975, p. 226. [2]. Cf., sobre o tema, DE SOUZA BRANDÃO, J., Mitologia grega II, Petrópolis, Vozes, 19882, pp. 113-140; ELIADE, M., História das crenças e das idéias religiosas I/2, Rio de Janeiro, Zahar, 1978, pp. 199-217. BICKERMAN, E., The God of the Maccabees. Studies on the Meaning and Origin of the Maccabean Revolt,, Leiden, Brill, 1979, pp. 74-75, acredita que estas festas, celebradas em Jerusalém, fazem renascer, ou melhor, são meros disfarces dos antigos cultos cananeus da fertilidade, tão fortes em Israel até o exílio.

[3]. SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, p. 126. [4]. JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XII, 258-264; cf. SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, pp. 379-380. [5]. Joiarib é, segundo 1Cr 24,7, o chefe da primeira das vinte quatro classes sacerdotais que servem no Templo. Mas é possível que esta posição de destaque seja uma reformulação do texto após as vitórias dos Macabeus e seu acesso ao sumo sacerdócio. Os descendentes de Matatias são conhecidos como "Macabeus", do nome de seu filho Judas Macabeu, ou "Asmoneus" por causa de um bisavô de Matatias, segundo JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XII, VIII, 1. [6]. Assideus é a forma grecizada do hebraico hassidim, os "piedosos". 1Mc 2,42 diz que "a partir daí, uniu-se a eles os grupos dos assideus (hê synagôgê ton assidáiôn), que eram israelitas fortes, corajosos e fiéis à Lei". [7]. Cf. DE VAUX, R., Ancient Israel. Its Life and Institutions, London, Darton, Longmann & Todd, 19682, pp. 475-483. [8]. Cf. Idem, ibidem, pp. 46-48. [9]. Cf. Idem, ibidem, pp. 415-517. Cf. também BICKERMAN, E., The God of the Maccabees, pp. 88-90. [10]. Cf. KIPPENBERG, H. G., Religião e formação de classes na antiga Judéia, pp. 59-64.

9.2. A Luta de Judas Macabeu (166-160 a.C.) Matatias morre logo, no começo de 166 a.C., mas seu filho Judas, assumindo o comando da luta, desenvolve uma guerra de guerrilhas cada vez mais ampla e vence um a um os generais selêucidas enviados para detêlo. É preciso considerarmos, porém, que o reino selêucida tem forças mais do que suficientes para massacrar a rebelião judaica. Acontece, contudo, de estar Antíoco IV ocupado com vários problemas que explodem por toda a parte em seus territórios. Não pode, por isso, ocupar-se, para valer, com os judeus. Para sorte dos Macabeus e dos assideus, os judeus fiéis que os acompanham na luta anti-helênica.

É 2Mc 8,1.5-7 que nos conta a estratégia de Judas: "Entretanto Judas, também chamado Macabeu, e os seus companheiros, iam introduzindo-se às ocultas nas aldeias. Chamando a si os coirmãos de raça e recrutando os que haviam perseverado firmes no judaísmo, chegaram a reunir cerca de seis mil pessoas (...) Transformada a sua gente em grupo organizado, o Macabeu começou a tornar-se irresistível para os gentios, tendo-se mudado em misericórdia a cólera do Senhor. Chegando de improviso às cidades e aldeias, ateava-lhes fogo; e, apoderando-se dos pontos estratégicos, punha em fuga a não poucos de entre os inimigos. Para tais incursões, escolhia de preferência a noite como colaboradora. De resto, a fama de sua valentia propagava-se por toda parte". As primeiras tropas selêucidas mandadas contra Judas são comandadas por Apolônio, governador da Samaria, provavelmente o misarca que saqueara Jerusalém no começo de 167 a.C. Este pequeno exército, composto de gregos e de samaritanos é facilmente vencido por Judas (1Mc 3,10-12). Forças maiores vêm com o general Seron, comandante do exército da Síria, mas são igualmente vencidas em Bet-Horon (1Mc 3,13-26). Em seguida, são vencidas as forças dos generais Nicanor e Górgias, até que Lísias, o encarregado da pacificação judaica pelo rei Antíoco IV , vem pessoalmente combater Judas. Contudo, nem mesmo Lísias consegue vencê-lo e uma trégua é estabelecida entre as duas forças (1Mc 3,38-4,35). C. Saulnier comenta que "esta vitória, aparentemente fácil, de Judas Macabeu explica-se pelos problemas que enfrentava neste momento o governo selêucida. Com efeito, Antíoco IV partira no princípio do ano 165 a.C. para uma campanha nas satrapias superiores (isto é, na alta Ásia), deixando Lísias em Antioquia para assegurar o governo e a guarda de seu jovem filho"[11] .

É então que, livre de represálias selêucidas, Judas e os seus tomam Jerusalém, purificam e dedicam novamente o Templo. É dezembro de 164 a.C., exatamente três anos após a profanação do santuário. Para comemorar o fato é instituída a festa da Hanukka, isto é, "Dedicação", celebrada no dia 25 de Casleu (15 de dezembro). 1Mc 4,52-54.59 descreve assim este fato: "No dia vinte e cinco do nono mês - chamado Casleu - do ano centro e quarenta e oito, eles se levantaram de manhã cedo e ofereceram um sacrifício, segundo as prescrições da Lei, sobre o novo altar dos holocaustos que haviam construído. Exatamente no mês e no dia em que os gentios o tinham profanado, foi o altar novamente consagrado com cânticos e ao som de cítaras, harpas e címbalos (...) E Judas, com seus irmãos e toda a assembléia de Israel, estabeleceu que os dias da dedicação do altar seriam celebrados a seu tempo, cada ano, durante oito dias, a partir do dia vinte e cinco do mês de Casleu, com júbilo e alegria". Durante esta festa os judeus acendem velas, fazem procissão com palmas e cantam salmos de louvor. Mesmo após a destruição do Templo a festa da Dedicação continua e o ritual de acender as velas ainda é observado, agora em casa[12] . Judas continua a guerra após a purificação do Templo. Entretanto, a seqüência dos fatos é um pouco confusa, porque as nossas fontes, 1 e 2 Macabeus, divergem entre si. C. Saulnier explica estas divergências pelas perspectivas diferentes de 1 Macabeus e 2 Macabeus. Segundo a autora, 1 Macabeus mistura dados históricos com uma teologia inspirada no deuteronomista, fazendo de Judas um libertador de Israel na linha dos juízes, os líderes da época da conquista. Já 2 Macabeus insiste muito na piedade de Judas, na sua fidelidade em observar o sábado e coisas do gênero. Mas, para além destes detalhes

Segundo 1Mc 6. entre outras coisas. Entretanto. ordenou ao cocheiro que completasse o percurso prosseguindo sempre. e tem que fugir diante da reação da população[15] . Antíoco IV tenta saquear o templo de Ártemis.12-13.1-17. o rei morre em outubro de 164 a.C. Judas dedica-se à proteção dos judeus que se vêem acuados pelos gentios em várias localidades. ainda na Pérsia.edificantes. na Galiléia e na Judéia (1Mc 5. As versões de sua morte são muito estranhas e complexas. pensou em fazer pesar sobre os judeus também a injúria dos que o haviam posto em fuga. Sabendo. Segundo 2Mc 9. Por esse motivo.1-68) [14] . mas tem que fugir "acossado pelos habitantes do país". Segundo 1Mc 6. morre Antíoco IV Epífanes.C. 2 Macabeus traz certas precisões que devem ser levadas a sério[13] . assalta-me a lembrança dos males que cometi em Jerusalém quando me apoderei de todos os objetos de prata e de ouro que lá se encontravam e mandei exterminar os habitantes de Judá sem motivo. é notificado da derrota de Nicanor na Judéia e cheio de fúria se apressa para se vingar dos judeus. diz Antíoco aos seus amigos antes de morrer: "Agora. 2Mc 9. a expedição no Galaad. adoece e morre. no final de 164 a. provavelmente na mesma época em que o Templo é retomado e purificado. sem parar. da derrota de seus exércitos e da libertação de Jerusalém por Judas. Estando perto de Ecbátana[16] . famoso por suas riquezas. . porém. em Elimaida.1-19. Antíoco IV tenta saquear um templo em Persépolis. no nono mês do ano 148 da era selêucida. ou seja. Sucedem-se assim as campanhas contra os idumeus e os amonitas.. Londres.4-5 diz: "Fora de si pela cólera. Reconheço agora que é por causa disso que estes males se abateram sobre mim. Segundo uma tabuinha conservada no British Museum. Vede com quanta amargura eu morro em terra estrangeira".

feriu-o com uma doença incurável e invisível: apenas terminara ele a sua frase. na única coisa em que concordam o fato do rei Antíoco resolver saquear um templo na Elimaida -. porque algumas manifestações do demônio tinham sobrevindo na ocasião do delito cometido contra o templo visado"[17] . desejando aumentar suas riquezas. porque os bárbaros que habitam neste lugar não consentiram neste delito. Antíoco IV não desiste. ferido por um demônio. prossegue o texto. Voltando a Tabe da Pérsia. que tudo vê. Os esquemas teológicos das versões dos livros dos Macabeus são evidentes: Antíoco IV morre porque é castigado na sua arrogância (especialmente segundo 2 Macabeus). apenas eu chegue aí!' Foi quando o Senhor. estando ele ainda vivo. Antíoco IV acaba se arrependendo dos males que fizera aos judeus (2Mc 9. o Deus de Israel. acometeu-o uma dor insuportável nas entranhas e tormentos atrozes no ventre". o rei Antíoco III.11-17). diante destas versões. . assim havia ele falado. deixou ele a vida. as carnes se lhe caíam aos pedaços entre espasmos lancinantes" (2Mc 9. E até promete tornar-se missionário judeu! Políbio dá também a sua versão da morte de Antíoco IV: "Na Síria. o rei Antíoco. possa haver uma duplicata. acaba caindo da carruagem. diante do sofrimento.9). na sua soberba: 'Farei de Jerusalém um cemitério de judeus. decidiu fazer uma expedição contra o Templo de Ártemis. Tendo chegado a esta região foi frustrado em sua esperança. que. E.enquanto já o acompanhava o julgamento do Céu. De fato. uma simples repetição da história de seu pai. e de seu corpo "começaram a pulular vermes. Mas. desconjuntando os membros. em Elimaida. que morre ao saquear um templo na Elimaida[18] . Suspeita-se. como dizem alguns. E o texto conclui que.

em seguida. deixando o cerco da Acra. mas a luta de Judas Macabeu continua contra Antíoco V (164-162 a. Mas. seu filho. Lísias tem que voltar às pressas para enfrentá-lo e decide fazer a paz com os judeus. encarregando-o de tutelar Antíoco. ele confia a seu conselheiro Filipe o encargo de governar o reino em nome de seu filho menor de idade Antíoco V. Mas. Atacam Betsur e Judas. Lísias "proclamou rei o jovem Antíoco. Só que com a chegada de Filipe a Antioquia. e deu-lhe o nome de Eupator" (1Mc 6. A carta de Antíoco V a respeito está conservada em 2Mc 11. Quando parte em campanha para as províncias mais orientais de seu Império. contra Demétrio I (161-150 a. Morre Antíoco IV. que tem apenas 12 anos de idade.C. como observa E. mas. Judas acaba cercado no monte Sião. Mas. "a documentação de que dispomos sobre o homem e sobre sua obra não nos autoriza nem a apologia nem a condenação. como seus contemporâneos. Judas aproveita-se destas circunstâncias e assedia a Acra em Jerusalém.).17). ultrapassado por uma conjuntura por demais complexa"[19] . Mas. A fama deste rei é muito ruim. pouco antes de morrer.22-26 nos seguintes termos: . o manto e o anel do sinete.Na verdade.C. vêm então combater Judas. Will. enfrenta o exército selêucida em Bet-Zacarias. Lísias e Antíoco V. a quem havia educado desde pequenino. onde ele está em campanha. seu filho e de prepará-lo para o trono" (1Mc 6. parece certo que seu fim se dá lá pelos lados da Pérsia. Antíoco IV deixa Lísias encarregado dos negócios do reino em Antioquia.). ao mesmo tempo. e o regente Lísias e.15). não se sabe de que doença morre o rei Antíoco IV Epífanes. Parece ter havido em Antíoco IV um homem de Estado nada desprezível. É a ele que Antíoco IV entrega "o diadema.

Segundo 1Mc 7. chega à Síria. e o enviou com o ímpio Alcimo. bem farás enviando-lhes embaixadores que lhes dêem as mãos.8-9. No seu lugar é nomeado o sumo sacerdote Alcimo. querida por nosso pai. mata seu primo Antíoco V e Lísias e assume o poder. decidimos que o Templo lhes seja restituído e que eles possam governar-se segundo os costumes de seus antepassados. por decreto real. querendo nós que os súditos de nosso reino estejam livres de qualquer incômodo a fim de poderem dedicar-se ao cuidado dos próprios interesses. Tendo-se trasladado nosso pai para junto dos deuses. é executado (2Mc 13. O helenizante sumo sacerdote Menelau é convocado a Antioquia e. por ordem de Lísias.C[20] . Mas antes. consegue fugir. dando-lhe ordens de exercer a vingança contra os filhos de Israel". um dos amigos do rei. de vinte e cinco anos de idade. um dos seus amigos. Demétrio I governará de 161 a 150 a. Demétrio. Filipe não consegue o controle do reino e foge para o Egito. a liberdade religiosa novamente.Por isso. voltara a Jerusalém acompanhado de Báquides. a quem assegurou o sumo sacerdócio. E os judeus obtêm. ou seja um helenizante: "O rei escolheu a Báquides. ouvimos dizer que os judeus não consentem na adoção dos costumes gregos. homem poderoso no reino e fiel ao soberano. Alcimo "confirmado em sua dignidade [por Demétrio]. que os assideus se viram pressionados a aceitar. Querendo. governador das regiões de Além-do-Rio. saudações. preferindo o seu modo de vida particular. pois. que também este povo possa viver sem temor. um filho de Selêuco IV. que vive como refém em Roma. e fizera propostas de paz. a fim de que. Alcimo é um "ímpio".3-8). . desejam que se lhes permita a observância das suas leis. sabedores de nossa intenção fiquem de ânimo sereno e se entreguem prazerosamente às próprias ocupações". E então assistimos a uma primeira dissidência entre os revolucionários judeus."O rei Antíoco a seu irmão Lísias. enquanto Judas e seus partidários preferiam continuar na oposição"[21] . Porém. O que Antíoco V faz é revogar o decreto de seu pai que proibia as práticas judaicas.

Alcimo "é tratado de ímpio porque convivia com os gregos e criava obstáculos às pretensões dos Asmoneus.14. A DINASTIA DOS SELÊUCIDAS Selêuco I Nicator 312-280 a. os assideus raciocinam assim: "É um sacerdote da linhagem de Aarão que veio com este exército: ele não procederá injustamente conosco". após seis anos de guerra. morto em Beerzet. 20 km ao norte de Jerusalém.C. que vai do Eufrates ao Egito. Com efeito. o dos Macabeus é bem mais amplo.C. segundo 1Mc 7.Báquides é o governador da província da Transeufratênia.. Mas na sua qualidade de aaronida legitimava sua nomeação e atraía à sua causa os assideus"[22] . Os Macabeus continuam a sua luta e só em 160 a. em combate contra Báquides (1Mc 9. é que os Selêucidas vencem Judas. Antíoco I Soter 280-261 Antíoco II Théos 261-246 Selêuco II Calínicos 246-226 Selêuco III Ceráunos 226-222 Antíoco III. o Grande 222-187 Selêuco IV Filopator 187-175 Antíoco IV Epífanes 175-164 Antíoco V Eupator 164-162 Demétrio I Soter 162-150 Alexandre Balas 150-145 Demétrio II Nicator 145-139 Antíoco VI Théos 145-142 Trifão 142-139 Antíoco VII Sidetes 139-128 Demétrio II Nicator 128-122 Selêuco V 125 Antíoco VIII Filometor 125-113 . Isto indica que enquanto o objetivo da luta dos assideus é apenas conseguir a liberdade religiosa.1-18).

C. 510-514. ABEL. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo (175 a. este texto em AA.3. 380.) I. p. Rio de Janeiro.. ASHERI. Textos do Antigo Oriente Médio. 1Mc 6. Cf. História XXXI. antiga capital da Pérsia (Ne 1. Cf. p. F.VV. WILL.1) e. 700 km a nordeste de Persépolis. Cf. A revolta dos Macabeus. Israel e Judá. Imago. NEXT [11] . [20] . pp. 30. M. Idem. 1985.. 171. 227-229.. Cf. C. 307.22). E. DE VAUX. As tradições e as leis dos judeus praticantes. 580-582. R. Na realidade.. 9. pp. p.Antíoco IX Filopator Antíoco VIII Filometor Antíoco X contra 5 filhos de Antíoco VIII Antíoco XIII 113-95 111-96 95-93 69-65 a.C. Histoire politique du monde hellénistique II. [17] . 29. 99. Histoire d'Israel III.. SCHÜRER. [14] . ibidem.1 nota q. O judaísmo vivo. pp. [19] . Ancient Israel. 222-233. C. 134-165. [16] . pp. p. C. Epífanes morreu em Tabe. ou em SAULNIER. Le monde hellénistique I. "Atualmente Hamadã. p. [12] . [13] . não se tem notícia de cidade alguma com o nome de Elimaida. 1987.C. pp. C. em sentido restrito. pp. SAULNIER. Cf.. a meio caminho entre essas duas cidades". SAULNIER. A revolta dos Macabeus.C. p. PRÉAUX. A Elimaida é a região em torno de Susa..-M. pp. POLÍBIO. é a região montanhosa a nordeste dessa cidade". Cf. 365-367. Paideia. E. [15] . explica a BÍBLIA DE JERUSALÉM. [18] . SAULNIER.. J. "De fato. as lutas de Judas em BRIGHT.. Histoire de la Palestine I.. nota g a 2Mc 9. . Brescia. diz a BÍBLIA DE JERUSALÉM.-135 d. 136-138. História de Israel.. Histoire d'Israel III. forma grega de Elam (Gn 10..

a poderosa fortaleza selêucida de Jerusalém.C. continua o processo de reaproximação com o helenismo. ao dominar a Acra.9 nota q. Simão.[21] . que só acaba com a chegada definitiva dos romanos na região. governando com grande habilidade. Agindo com crueldade extrema. O general Pompeu anexa a . 1Mc7. consegue. Seu irmão Alexandre Janeu casa-se com a rainha viúva.. Simão é sucedido por seu filho João Hircano I. filho e sucessor de João Hircano. Assassinado. p. finalmente. C. Aristóbulo I. Mas seus dois filhos. a independência da Judéia. após a morte da rainha. Salomé Alexandra.C. Hircano II e Aristóbulo II. apesar de ter governado apenas um ano. e continua o processo de anexação de territórios na Palestina. A revolta dos Macabeus. Mas. Os Macabeus II: a Independência Após a morte de Jônatas. por adotar medidas militares políticas helenizantes. João Hircano I começa a enfrentar a oposição dos fariseus. [22] . Janeu vai enfrentar pesada guerra civil no seu confronto com os fariseus. 32. Entretanto. proclama-se rei. a luta dos Macabeus continua com seu irmão Simão a partir de 143 a. grupo que vai se tornando cada vez mais popular. levando suas fronteiras a um ponto que o país nunca mais tivera desde que fora destruído por Nabucodonosor em 586 a. que continua o processo de judaização da Palestina. BÍBLIA DE JERUSALÉM. ele controla a situação após 6 anos de sangrentos conflitos. entram em violenta disputa pelo poder. E a luta pelo poder no seio da família dos Macabeus é forte: Aristóbulo encarcera sua mãe e seus irmãos. Sua mulher Salomé Alexandra assume o poder depois dele e faz a paz com os fariseus. SAULNIER.

impedidos de sair e de andar pela vizinhança. durante um banquete. Gazara (= Gezer) é judaizada à força e João Hircano. Fortificou ainda mais o monte do Templo. Consegue muitos benefícios para o povo judeu.Judéia à República Romana em 63 a. e a expulsão dos gentios do território. Ptolomeu. estratégica cidade helenística. restituindo. Este Antíoco VII inicialmente reafirma os . filho de Abrebo. Simão estabeleceu que se comemorasse cada ano esta data com alegria. torna-se o seu governador militar.36-42. com dois filhos.C. Finalmente nela entraram no vigésimo terceiro dia do segundo mês do ano cento e setenta e um[2]. Simão toma Gazara.49-52 descreve a tomada da Acra por Simão: "Ora. Então clamaram a Simão para que aceitasse a sua mão direita. para confirmar a aliança com eles"[3]. removendo-lhe as abominações. perecendo não poucos dentre eles à míngua. para comprar ou vender. enfrentando Trifão. agora rei. começaram a passar muita fome. Expulsou-os.24: "Simão enviou Numênio a Roma com um grande escudo de ouro. em Jerusalém. Simão fortalece também as alianças com Esparta e com Roma.C. e ele os atendeu. Este seu genro está em conluio com Antíoco VII Sidetes (irmão de Demétrio II). E a independência da Judéia do jugo dos Selêucidas é garantida com a destruição da Acra por Simão em 141 a. e entoando hinos e cânticos. porque um grande inimigo havia sido esmagado e expelido fora de Israel.1. porém dali e purificou a Cidadela. e. como consta do decreto de Demétrio II citado em 1Mc 13. os da guarnição da Cidadela. é o rei selêucida.C. A importante fortaleza é transformada no palácio dos Macabeus[1]. à Judéia. címbalos e harpas.C. Simão Consegue a Independência da Judéia Simão sucede a seu irmão Jônatas em 143 a. Demétrio II ainda comanda a Cilícia e a Mesopotâmia e Simão faz aliança com ele. entre aclamações e palmas. e habitou ali. afinal. perto de Jericó. Como narra 1Mc 14. 10. 1Mc 13. ele com os seus". que entre 139 e 128 a. Simão acaba assassinado. por um genro seu. repele um seu ataque na Judéia. ao som de cítaras. de mil minas de peso. na parte contígua à Cidadela. sua importância política. filho de Simão.

é chefe (hegoumênos. por exemplo. pai de HIrcano. não se pode mais fazer reuniões sem a sua aprovação"[4]. que era o primeiro do principado de Hircano e a centésima sexagésima segunda Olimpíada. impor a João Hircano o tributo e obrigá-lo a combater ao seu lado contra os partos. um filho seu. nem mesmo pelos sacerdotes.é estratego (tem autoridade sobre o exército). inclusive reocupando a Acra. Antíoco VII. 1Mc 14. governando de 134 a 104 a. tinha obtido sobre ele. Flávio Josefo diz desse momento: "Antíoco. Aí vemos que ele é etnarca (líder da etnia judaica). para cercar assim toda a praça"[5]. durante seu governo. Sua intenção é a de submeter novamente a Judéia ao poder selêucida. O decreto é de setembro de 140 a. Durante seus primeiros anos de governos João Hircano I enfrenta enormes dificuldades para manter a independência da Palestina. ou rosh. Depois de ter devastado os campos e obrigado Hircano a se retirar para Jerusalém. ele tem o direito de fazer 'julgamentos' que não podem ser contestados por ninguém. . Antíoco VII apóia a ação criminosa de Ptolomeu contra Simão. Como não chegam a um acordo. tem o direito de usar a púrpura e a fivela de ouro (v.o que faz dele um dinasta .C. atacou a Judéia. porque o povo é regido pela Lei. muito querido pelos judeus que resolvem fazer-lhe um elogio. Entretanto. o que não consegue. que conservava ainda o ressentimento pelas vantagens que Simão. mas em seguida reclama de Simão as localidades por ele conquistadas e o tributo dos territórios anexados por Simão à Judéia (1Mc 15. consegue escapar e assume o poder. "chefe") e sumo sacerdote hereditário. "príncipe".C. "Não se pode dizer que ele tenha um poder legislativo. 10. ele o sitiou. sob pena de condenação.C..acordos dos reis anteriores. 44) . consegue cercar Jerusalém em 133 a. Simão é. gravado em placas de bronze e afixado no monte Sião. João Hircano I e as Divisões Internas dos Judeus Quando Simão é assassinado. segundo 1Mc 14. entretanto.2.25-26). dividindo o seu exército em sete corpos.27-49 traz a inscrição sobre os feitos de Simão e da família dos Macabeus. no quarto ano de seu reinado.25-26. chamado João Hircano. expressão grega usada na LXX para traduzir sar.

ação que o partido farisaico não aprova. Marisa. João Hircano I continua as conquistas de seu pai Simão. .. narra um episódio. um fariseu teria requerido de João Hircano I que abandonasse o sumo sacerdócio. Os idumeus e os itureus da Galiléia foram obrigados a se circuncidarem (. judaizando importantes localidades palestinas como Mádaba. A. João Hircano destruiu o templo do monte Garizim e a cidade helenizada de Samaria e reduziu seus habitantes a escravos.C. mas também manda dizer que. as crueldades cometidas por João Hircano I contra as cidades conquistadas e as populações forçadamente judaizadas provocam a primeira reação dos fariseus contra os governantes Macabeus. para explicar a ruptura de João Hircano I com os fariseus. A partir deste momento João Hircano I alia-se aos saduceus e rompe com os fariseus[8]. já antes estabelecido por seus antepassados. Para se libertar da tutela selêucida. durante um banquete. com quem renova o tratado de amizade. Pois sua mãe teria sido prisioneira de Antíoco IV Epífanes . Flávio Josefo. mas apóiam qualquer iniciativa que possa enfraquecer os Selêucidas. cujo território ambicionam. João Hircano I tenta punir este fariseu com a morte. Siquém. a Iduméia. 'Ou o judaísmo ou a morte': esta frase poderia resumir o programa político dos grandes Asmoneus. o Senado procurará defender os interesses dos judeus[7]. e não só suas resistências. João Hircano I apela para os romanos. segundo o qual. Samega.Quando o poder selêucida muda de mãos. no momento. Adora. o destino das grandes e prósperas cidades costeiras e das cidades helenísticas fundadas a leste do Jordão"[6].tendo se tornado suspeita de ter sido violentada e tornada impura -. Logo que puder. há outros problemas mais urgentes em Roma. "A maior parte das guerras terminou com a conversão forçada dos vencidos e muitas vezes com extermínios que lembravam o 'anátema' praticado por Josué. o que o incapacitava para o cargo de sumo sacerdote. entretanto.. Paul lembra que a expansão territorial e os métodos imperialistas dos Macabeus vão se tornando cada vez mais fortes. Foram destruídas assim muitas cidades de importância econômica e cultural tanto para a Palestina como para os territórios vizinhos.. por sinal. em particular. segundo Lv 21. Os romanos não morrem de amor pelos judeus.14. bastante lendário. Entretanto. O Senado romano renova então a amizade (filia) e a aliança (symmachía) com os judeus em 126 ou 125 a. Tal foi.) Era necessário aniquilar a civilização grega com suas realizações.

João Hircano I, na verdade, para conseguir as suas conquistas e garantir o seu território, começa a incorporar ao seu exército mercenários gentios. Naturalmente pagos com os tributos recolhidos do povo judeu. O que já desagrada bastante aos aliados dos Macabeus. P. Sacchi explica: "Os gentios engajados eram impuros que viviam junto ao povo judeu. Para os essênios a contaminação da cidade crescia, para os assideus surgiam problemas sobre a pureza que antes não existiam. A suspeita em relação ao Asmoneu devia crescer"[9]. Originariamente aliados dos Macabeus no combate à helenização, os assideus acabam divididos na época de Jônatas. Deles saem os essênios, que rompem com o governo dos Macabeus, e os fariseus, que ainda o apóiam[10]. É preciso considerar também que, pouco a pouco, o governo macabeu toma rumos semelhantes aos de seus inimigos Selêucidas, afastando-se dos ideais originais da resistência. É isto principalmente que provoca os atritos com os judeus mais rigorosos na observância da Lei. Observando outro aspecto, A. Paul crê que a política macabéia de destruição do helenismo é, a longo prazo, um suicídio. Esta política "consistia, de um lado, em destruir todos os traços, inclusive os humanos, do helenismo político e cultural das cidades da Palestina justamente quando a numerosa diáspora manifestava sua legalidade e impunha sua verdade, impregnando-se profundamente do modo grego de pensar, de viver e de se exprimir". Além do que, esta política "significava o aniquilamento das infra-estruturas e das estruturas sociais e econômicas, das quais dependiam a salvação e a prosperidade da Palestina". E o autor acrescenta: "Poucos decênios depois, quando da queda súbita do Estado asmoneu em 63 a.C., a história mostrou que, já nos tempos dos troféus, o processo de morte estava profundamente consolidado e generalizado". Para concluir, diz A. Paul: "Da luta pelo restabelecimento da paz civil e, depois, pela independência nacional, passara-se, com efeito, a conquistas cuja finalidade era garantir a segurança necessária às novas fronteiras, muito vulneráveis. Formava-se assim uma engrenagem irresistível, já que a segurança conseguida pelas armas exigia a garantia de uma outra segurança, a qual, por sua vez, devia também ser conseguida pelas armas"[11].

Também M. Hengel acredita que nesta época só a monarquia de tipo helenístico ou a pólis têm condição de sobreviver, sendo inviável qualquer outro tipo de Estado. Por que? Porque sem um exército moderno, um aparelho administrativo e financeiro eficiente e uma participação competitiva no mercado mundial um Estado não tem espaço neste contexto. Os judeus não conseguem compreender isso e estão destinados à falência, pois tentam transplantar seu antigo ideal teocrático para uma realidade política de um mundo transformado[12]. NEXT [1]. Sobre Simão, cf. ABEL, F.-M., Histoire de la Palestine I, pp. 191-206; SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, pp. 146-149; SCHÜRER, E., Storia del popolo giudaico al tempo de Gesù Cristo I, pp. 250-261. [2]. O vigésimo terceiro dia do segundo mês do ano cento e setenta e um da era selêucida corresponde aos começos de junho de 141 a.C. [3]. Uma mina ática pesa 436 gramas: o escudo pesaria quase meia tonelada de ouro. Entretanto, na resposta dos romanos à embaixada judaica se diz: "Eles nos trouxeram um escudo de ouro de mil minas" (1Mc 15,18). Deve-se entender que o escudo vale mil minas de prata, o equivalente a aproximadamente 44 kg de ouro, peso aceitável para esse tipo de escudo decorativo. [4]. SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, p. 155. [5]. JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XVII, 236. Sobre João Hircano I, cf. SCHÜRER, E., o. c., pp. 261-279. [6]. PAUL, A., O judaísmo tardio, pp. 191-192. JOSEFO, F., Bellum Iudaicum I, 64-66 descreve o cerco e a queda de Samaria. [7]. Cf. o texto em JOSEFO, F., Antiquitates Iuadaicae XIII, 259-266. [8]. Cf. JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XIII, 288-298. Cf. também SCHÜRER, E., o. c., pp. 275-278. Na p. 277 diz este autor: "Na sua forma anedótica, a história traz, sem dúvida, as marcas da lenda, e provavelmente Josefo a recebeu apenas de uma tradição oral. Não obstante, pode-se considerar como um dado de fato que Hircano verdadeiramente se distanciou dos fariseus e aboliu as suas prescrições".

[9]. SACCHI, P., Storia del mondo giudaico, Torino, Società Editrice Internazionale, 1976, p. 115. [10]. Cf., sobre os fariseus, saduceus e essênios, SCHÜRER, E., The history of the Jewish people in the age of Jesus Christ II, Edinburgh, T & T Clark, 1986, pp. 381-414; 555-590. [11]. PAUL, A., O judaísmo tardio, pp. 193-196. [12]. Cf. HENGEL, M., Ebrei, Greci e Barbari, pp. 134-135.

10.3. Aristóbulo I e a Reaproximação com o Helenismo Segundo Flávio Josefo, João Hircano tem cinco filhos, quando morre em 104 a.C. Mas ele não deixa o governo para nenhum deles, e sim para sua mulher[13] . É bem provável, entretanto, que tenhamos aqui uma confusão com a situação análoga ocorrida mais tarde, quando, ao morrer, Alexandre Janeu deixa o trono para sua mulher Salomé Alexandra. É que Janeu é rei e pode fazer isto, mas não João Hircano que não é rei[14] . De qualquer maneira, Aristóbulo, o filho mais velho de João Hircano I, aprisiona sua mãe e três de seus irmãos, assumindo o poder. Sua mãe morre de fome na prisão. Apenas um de seus irmãos, Antígono, fica livre. Contudo, as intrigas dos rivais de Antígono levam Aristóbulo a mandar matá-lo, temendo, provavelmente, sua concorrência, já que lhe fazem crer aspirar Antígono ao poder supremo[15] . Ainda segundo Flávio Josefo, Aristóbulo I terá sido o primeiro Macabeu a usar o título de rei: "Aristóbulo, que era o mais velho dos filhos de Hircano, cognominado 'Filélên', isto é, amigo dos gregos, mudou em reino, depois da morte de seu pai, o principado dos judeus e foi assim o primeiro que se fez coroar rei"[16] . Entretanto, esta notícia é controvertida. Nas suas moedas aparece apenas a seguinte inscrição: "Judas, sumo sacerdote e a comunidade dos judeus".

Além do que Estrabão diz que é seu irmão e sucessor Alexandre Janeu o primeiro Macabeu a ostentar o título de rei. Diz Estrabão: "De qualquer modo, quando agora a Judéia estava sob o domínio de tiranos, Alexandre foi o primeiro a se declarar rei em vez de sacerdote"[17] . Por outro lado, observe-se que tanto ele como seus irmãos têm nomes gregos - Aristóbulo, Antígono, Alexandre -, embora use para os judeus um nome semita, Judas. Isto significa que seu pai João Hircano já abrira as portas da família para a helenização. Helenização que um dia seus antepassados combateram. E Flávio Josefo chama Aristóbulo I de "filo-heleno", o que igualmente indica sua aproximação da cultura grega, certamente apoiado pelos seus aliados saduceus. Por sinal, os autores gregos o têm em grande conta, segundo relata o mesmo Josefo: "Era de natural tão doce e tão modesto, como Estrabão o refere com estas palavras, ante a relação de Timagenes: 'Este príncipe era muito afável (epieikês) e os judeus não lhe são devedores de pouco: porque ele levou tão longe os limites de seu país que ele aumentou com uma parte da Ituréia e uniu este povo a eles pelo laço da circuncisão'"[18] . Certo é que Aristóbulo I continua as conquistas de sua família: anexa e judaíza a Galiléia, segundo as fontes antigas habitada por tribos ituréias, obrigando seus habitantes a aceitar a circuncisão e a Lei[19] . Aristóbulo I morre, de dolorosa doença, tendo governado apenas um ano. 10.4. Alexandre Janeu, o Primeiro Rei Macabeu Após a morte de Aristóbulo I, sua viúva Salomé Alexandra, liberta seus irmãos da prisão e se casa com o mais velho, Alexandre Janeu, que se torna, assim, rei e sumo sacerdote. É o que nos diz Flávio Josefo: "Depois da morte do rei Aristóbulo, a rainha Salomé, sua esposa, que os gregos chamam de Alexandra, pôs em liberdade os irmãos desse príncipe, que ele mantinha na prisão, como vimos, e fez rei a Janeu, antes chamado de Alexandre, que era o mais velho e o mais moderado de todos"[20].

Alguns deles. Alexandre Janeu continua. antigo sonho dos Ptolomeus."[21].) defenderam-se dos judeus. apoderando-se inclusive da importante cidade de Gaza em 96 a. Ptolomeu IX vence Alexandre Janeu. matando os gazenses..C. mas este recebe ajuda da rainha Cleópatra III. outros para o outro. homens de bem. generais do exército ptolomaico. é um pequeno rei em Chipre. Ela certamente teme as conquistas do filho e provavelmente é também influenciada por conselheiros judeus. desta vez a leste do Jordão e. soltou suas tropas sobre os gazenses e deixou seus homens se vingarem deles. tinha submetido Gaza à sua obediência e estava já quase às portas do Egito e que ele nada mais pretendia do que se apoderar do mesmo. no sul. filhos de Onias IV. ao tentar tomar Ptolemaida. Mas Ananias aconselhoulhe o contrário. estivesse sujeito a um único homem. sem perder tempo. Mas. sem resistência. suas conquistas. A descrição que faz Flávio Josefo da conquista de Gaza é exemplar para avaliarmos os métodos de Alexandre Janeu: "Quando entrou na cidade. toda a Judéia. cujo comando confiou a Helquias e Ananias. Estes (. judeus de nascimento (. julgou não dever esperar mais para enfrentá-lo. para onde fora expulso por sua mãe. reuniu grandes forças de terra e mar. então. entre os quais se destacam Ananias e Helquias. ao norte. Alexandre teve primeiramente uma atitude pacífica. da família sacerdotal de Jerusalém. Conquista a região costeira da Palestina. no sul.. vendo-se sozinhos. em seguida. os soldados saíram. desde a fronteira com o Egito.. Porém. anexação e judaização de várias cidades palestinas.. o processo de conquista. O comentário de Flávio Josefo é o seguinte: "Quando a rainha Cleópatra viu que seu filho crescia em poder daquele modo e devastava. Assim.. até o Monte Carmelo.. uns para um lado. Alexandre Janeu retoma. Cleópatra III acaba tornando-se senhora de toda a Palestina. em seguida. filho mais velho da rainha Cleópatra III. usando toda a sorte de armas que lhes caíam nas mãos e mataram tantos quantos foram os que perderam. do Egito.Nos primeiros anos de seu governo. mas se retira e deixa o território sob o comando de Alexandre Janeu. entra em cena um rei ptolomaico: Ptolomeu IX Latiro. com redobrado vigor.) Alguns dos seus servidores propuseram-lhe apoderar-se de seu país e não permitir que um número tão grande de judeus. puseram fogo em suas casas para que não fossem saqueadas .

E como podem os fariseus aceitar como sumo sacerdote um guerreiro do tipo de Alexandre Janeu que não cumpre as rigorosas prescrições que o cargo exige? Pois terá sido após as conquistas acima mencionadas. o povo atinge Alexandre Janeu com limões no momento em que ele está diante do altar para oferecer o sacrifício[23].tendo decorrido um ano de cerco . ao mesmo tempo. podem atravessar esta paliçada. porque o ataque teve lugar justamente quando eles estavam em conselho. A reação de Alexandre Janeu é violenta: manda que seus mercenários ataquem a multidão e cerca de seis mil pessoas são massacradas. . para se proteger da população. rei de parte da Síria. E é então que Alexandre Janeu começa a enfrentar séria oposição interna. Só os sacerdotes. Os fariseus pedem. a ajuda de Demétrio III. perto de Siquém. Os fariseus vêm aumentando constantemente sua influência junto ao povo. que. durante a festa dos Tabernáculos. que enfrenta e vence Alexandre Janeu totalmente. A ruptura com os fariseus é total[24].pelo inimigo. a leste do lago de Genezaré. que são saduceus. de seus filhos e de suas mulheres: era o único meio de evitar que se tornassem escravos de seus inimigos. mas Alexandre os matou e.retornou a Jerusalém"[22]. Isto terá sido por volta de 89 a. colocando-se os dois poderes em nítido contraste. Ao fugir para Jerusalém encontra uma violenta rebelião armada contra seu governo. com suas próprias mãos. desta vez quando se confronta com os nabateus pela posse da região do Golã.C. Alexandre Janeu enfrenta uma guerra civil que dura seis anos e na qual terão morrido pelo menos cinqüenta mil judeus[25]. Cerca de quinhentos membros da Assembléia se refugiaram no templo de Apolo. Apoiado por seus mercenários estrangeiros. aí por volta do ano 90 a. ao mesmo tempo que os Macabeus se distanciam progressivamente de suas aspirações. ele manda construir uma paliçada de madeira em torno do Templo e do altar.. seus mais ferrenhos adversários. Em conseqüência desse episódio. capitaneada pelos fariseus. Outros se desembaraçavam. depois de ter demolido a cidade sobre seus cadáveres .C. Alexandre Janeu acaba sofrendo mais uma derrota militar.

que se deve situar o combate impiedoso de Alexandre Janeu contra as cidades helenísticas e sua decisão de impor. Esta "ausência" de Roma. por outro lado. que. temporariamente. comenta: "É pois. após fazê-los assistir ao massacre de suas esposas e filhos. A guerra conhecida como "Guerra dos aliados" (Bellum sociale) . Consegue grandes vitórias. segundo Flávio Josefo. pela força ou pela morte. estão relacionados à crise vivida por Roma nesta época. violentas guerras civis entre o proletariado e a aristocracia romana e também entre os aliados italianos e os cidadãos romanos . que já não ameaça Roma.Entretanto. expandindo o processo de judaização. é que permite igualmente a Alexandre Janeu o seu expansionismo judaizante. Mas é mais provável que Demétrio III tenha se retirado por causa dos conflitos internos dos Selêucidas. o elemento judaico em toda a Palestina"[29]. A. Alexandre Janeu dedica-se novamente às conquistas territoriais. de curta duração. Somado a isso acontece o enfraquecimento definitivo do poder selêucida. Estes acontecimentos. egípcios e sírios para cortar a influência romana na região. do Ponto. Aproveitando-se do conflito interno em Roma. porque em seguida ele é vencido por seu irmão que tem o apoio dos partos. de modo que oito mil deles se retiram do país e não voltam enquanto ele permanece no governo[27]. Demétrio III abandona a Palestina e volta para a Síria. ao retornar a Jerusalém crucifica 800 de seus adversários enquanto participa de um alegre banquete. apesar de um confronto desastroso com o rei nabateu Aretas tê-lo obrigado a fazer algumas concessões a este povo[30]. Alexandre Janeu consegue então controlar a revolta interna e. segundo muitos autores[28].na verdade. . alia-se aos partos. armênios. recua no controle de seus interesses na região. Após a pacificação interna. Flávio Josefo diz que a razão é a reviravolta dos sentimentos judaicos ao verem seu território ocupado pelos estrangeiros: cerca de seis mil judeus teriam abandonado Demétrio III e passado para o lado de Alexandre Janeu[26]. Paul. Este gesto de terror teria desencorajado os seus adversários. sob o impulso de 'reorientalização' dos territórios e Estados do Oriente Médio que acompanhava o declínio dos Selêucidas gregos.faz com que Roma perca por breve período o controle do Oriente. o rei iraniano Mitridates VI. por exemplo.

todas as cidades costeiras da fronteira egípcia ao monte Carmelo foram conquistadas por Alexandre. ao morrer. Alexandre morre. Com exceção de Ascalon. na verdade. durante seus 37 anos de reinado. em seguida.seu poder no aristocrático . dando-lhes alguma autoridade. que conseguiu conservar a independência. perante o povo. Pela.. Além disso. inventadas causas para um efeito real: Salomé Alexandra governa durante nove anos apoiada pelos fariseus. De fato.. Eles gozam de tanto poder sobre seu espírito. Mas.) Dai-lhes vossa palavra. Depois que voltardes vitoriosa a Jerusalém. estava agora quase inteiramente sob controle judaico. ficou sob seu domínio. Josefo. a vossa magnanimidade. A costa. inclusive um número de importantes cidades que até então tinham sido centros de cultura grega como Hippos.5. senão por seu conselho"[33]. do lago Merom ao mar Morto. os fariseus devem ter aumentado . Díon e outras"[31]. segundo F. onde Jope fora outrora a primeira conquista dos Macabeus. segundo o mesmo Josefo. Ocultai minha morte aos meus soldados até que esta praça [Ragaba] tenha sido tomada. que fazem amar ou odiar o que eles querem (. a fim de que a honra que lhes concedeis os leve a louvar publicamente.Alexandre consegue.C. Alexandre morre de doença e não em combate. 10.ou iniciado? . levar o território judaico à sua extensão máxima desde que o país fora devastado pelos babilônios cerca de 500 anos antes. provavelmente por consumo excessivo de bebidas alcoólicas[32]. baseado em alguma tradição. todo o país a leste do Jordão. de que nada fareis no governo do reino. Alexandre Janeu deixa o trono para sua esposa Salomé Alexandra e faz-lhe a seguinte recomendação: "Se quiserdes seguir o meu conselho podereis conservar o reino e também os nossos filhos. Schürer sintetiza assim as conquistas de Alexandre Janeu: "No sul os idumeus foram subjugados e judaizados.. Gadara. Através destes relatos de Flávio Josefo podemos concluir que. E. o poder é partilhado entre a resoluta rainha e os fariseus[35]. no norte o domínio de Alexandre se estendia até a Selêucia sobre o lago Merom. enquanto sitia a fortaleza de Ragaba. Esta notícia pode ser verdadeira ou não. procurai conquistar o afeto dos fariseus. em 76 a. Salomé Alexandra e o Poder dos Fariseus Segundo Flávio Josefo. Talvez Josefo esteja apenas relatando. quando combate os nabateus na fronteira gerasena. que estão rompidos com os Macabeus desde João Hircano I[34].

P. que os fariseus começam de fato a legislar. os conflitos são controlados. Storia del mondo giudaico. E este comanda várias fortalezas. ousado. homem sem ambições. Por outro lado. Conta muito também o fato de ser nomeado para o sumo sacerdócio o filho mais velho de Alexandre Janeu. mas. deve ter sofrido uma importante transformação. Obviamente os fariseus fazem várias tentativas para punir os saduceus. . a longo prazo. NEXT [13]. Isto deixa amplo espaço para a atuação dos fariseus[37]. Schürer comenta a propósito: os fariseus "podiam exercer tal autoridade somente se fossem um fator determinante no órgão administrativo supremo. o futuro Sinédrio. empreendedor. Esta portanto. Cf. Talvez seja este o maior defeito de seu governo: a curto prazo. 299-302. É através da gerousia. mais jovem que Hircano. de fato. a gerousia. JOSEFO. oficializando o seu já imenso poder sobre o povo judeu. Mas Salomé Alexandra controla a situação. Hircano. liderados por Aristóbulo fazem exatamente o jogo contrário. comandá-lo. [14].senado criado muito antes pelos Ptolomeus para mais facilmente controlar o país. Aristóbulo. até então por representantes da nobreza e dos sacerdotes. a "bomba" está sendo armada para detonar nas mãos de seus filhos. agora deve ter admitido também mestres fariseus"[36]. F. Cf. gerando próspero e pacífico período. Estas medidas desmobilizam os intermináveis conflitos internos. segundo Josefo. E. pouco apto para o governo e que gosta de viver na ociosidade.. Salomé Alexandra não é nada ingênua nesta atribuição de poder aos fariseus. Além de reforçar a estrutura de seu exército com novos mercenários e. ela entrega a defesa das fronteiras do país nas mãos de seu outro filho. que só irá explodir após sua morte aos 73 anos de idade. Enquanto era constituída. assessorado por oficiais saduceus[38]. SACCHI. Antiquitates Iudaicae XIII. p.. ao mesmo tempo que os saduceus. 118. ambicioso. que apoiavam Alexandre Janeu e eram também responsáveis pela morte de tantos partidários seus.

81-109. ibidem XIII. 198-199. Lisboa. 303: "A esse crime [de matar a mãe] acrescentou o de mandar matar seu irmão Antígono.. pp. 375. STERN. [16]. Cf. [28]. . Idem. ibidem XIII.C. ibidem XIII. M. c. A questão é controvertida. [26]. A. PAUL. STERN. pp. pp.. Para a história da guerra dos aliados. Antiquitates Iudaicae XIII. M. pp. A história social de Roma. Durante a festa dos Tabernáculos cada participante leva uma folha de palmeira e um limão. [27]. 19774. 137-212. pp. 319.. NICOLET. F. 362-364. [18]. de J. pp. p. pp. JOSEFO. SCHÜRER. E. M.. pp. Idem.. Antiquitates Iudaicae XIII. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. [29]. Zahar. [17]. F. ALFÖLDY. 107-118. 372-373.. [25]. o... ibidem XIII. que ele mostrara amar tanto. o.. [19]. I.. o texto de Estrabão em STERN. 207-216.[15]. 348ss. Calúnias foram a causa disso". G.. Cf. [21]. 1982. ibidem XIII. 380. Idem. Barcelona. Storia del popolo giudaico al tempo de Gesù Cristo I. F. Publicações Europa-América 19742. M. 222-226. Timagenes é um historiador alexandrino do século I a. Geographica XVI. Idem. Cf. [22]. Cf. 225-226. 301. 301-302. História de Roma. Idem. Diz JOSEFO. É possível que os itureus habitem apenas as partes norte e nordeste da Galiléia e também que a anexação deste território (Galiléia) tenha começado antes do governo de Aristóbulo I. 762. ESTRABÃO. Editorial Presença. 282. cf. JOSEFO.. 1989. F. C. Sobre esta questão. O judaísmo tardio. cf. [20]. Antiquitates Iudaicae XIII. C. [23]. 379. 320. ibidem XIII. [24]. Idem. Roma y la conquista del mundo mediterráneo 264-27 a. Lutas sociais na Roma antiga. c.... L. Antiquitates Iudaicae XIII. BLOCH. Cf. Este é o costume da época. Rio de Janeiro. JOSEFO. ROSTOVTZEFF. Editorial Labor. Cf.

desde algum tempo. [32]... A extensão do território judaico à época da morte de Alexandre Janeu nos é conhecida através do relato de JOSEFO. Antiquitates Iudaicae XIII. SCHÜRER. tinham experiência".. Cf. como afirmo acima. E. Hircano II e Aristóbulo II. pp. pp. Antiquitates Iudaicae XIII. Hircano II assume o posto de rei.. libertavam os prisioneiros e em nada se diferenciavam dos soberanos". [38]. "Assim ela tinha só o nome de rainha e os fariseus gozavam de todo o poder que lhes dava a realeza. e voltou depois de ter conversado com ele". SCHÜRER. Antiquitates Iudaicae XIII.6. à morte de Salomé Alexandra.C. [33]. E. JOSEFO. Josefo não especifica que concessões são essas. A. cf.[30]. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. 408-409. como sustentam alguns autores. venceu o rei Alexandre. Sendo o mais velho e. O judaísmo tardio. Sobre a questão. F. [34]. 206-218. p. E. Storia del mondo giudaico. F. pp. 296. 10. Cf.. JOSEFO. Alexandra conseguia subtraí-los às vinganças farisaicas e dava o comando do exército a homens que. F. Comenta SACCHI. Sobre a data da morte de Salomé Alexandra existe alguma divergência.C. acontece a guerra entre os . sumo sacerdote.. JOSEFO. 401-404. [36].. P. neste tempo. SCHÜRER. perto de Adida. F. [35]. JOSEFO. F. Antiquitates Iudaicae XIII. o conflito explode entre os dois irmãos. 392. 405ss. Antiquitates Iudaicae XIII. avalia JOSEFO. [31]. p.... ou em 69 a. Faziam voltar os exilados. Antiquitates Iudaicae XIII. 123: "Enviando os principais líderes saduceus para as fortalezas. 292-293. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. 398. Apenas diz: "Ele [Aretas] entrou com soldados na Judéia. 262-263. [37]... Mas Aristóbulo II não concorda. nota 1. Ou ela morre em 67 a. A história das cidades da região pode ser lida em PAUL.. 395-397. Aristóbulo II e a Intervenção de Pompeu Mal morre a mãe Salomé Alexandra. Cf. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. F.

de uma família importante. ele negociou com seu irmão sem esperar chegar ao último extremo (. Este ainda se refugia em Jerusalém. próximo a Jericó. enquanto Aristóbulo II torna-se rei e sumo sacerdote dos judeus. Aristóbulo vence Hircano. A partir desta sua ligação com Herodes Magno.) Esse acordo se fez no Templo em presença de todo o povo.. diz que Antípater seria um dos judeus descendentes dos exilados babilônicos. É a seguinte a informação de Flávio Josefo: "Nicolau de Damasco fá-lo descender de uma das principais famílias de judeus que vieram da Babilônia para a Judéia.C. seu filho. entra um complicador na história. compreende-se sua colocação a respeito de Antípater[41] . Além de escritor prolífico.dois irmãos e. mas é obrigado a render-se ao irmão que possui forças superiores. Nicolau de Damasco é um historiador nascido. Seu nome: Antípater. Os dois irmãos abraçaram-se com demonstrações de afeto"[39]. Sua nacionalidade: idumeu. amigo e conselheiro de Herodes Magno. Flávio Josefo. Tendo nas mãos reféns tão preciosos.. Um acordo é feito entre eles: Hircano volta à vida privada. que se tornará rei dos judeus de 37 a 4 a. representando Herodes em negociações decisivas. como veremos a seu tempo"[40].. um idumeu que se torna rei dos judeus. . Há grande controvérsia quanto à identidade de Antípater. Nicolau torna-se. mas ele o diz em favor de Herodes. Quando tudo parece resolvido. aquela grave divergência. Nicolau é também retor e diplomata. Eis a narrativa de Flávio Josefo: "Os dois irmãos travaram batalha para decidir. que a fortuna elevou depois ao trono de nossos reis. pois sabe-se que seu pai exerce altas funções políticas na cidade. ele fugiu com o resto para a fortaleza Antônia. A maior parte das tropas de Hircano deixou-o para passar para o lado de Aristóbulo.C.. pelas armas. em Damasco. onde a mulher e os filhos de Aristóbulo se encontravam e assim o salvaram de uma ruína completa. Mas Josefo mesmo considera falsa esta informação.C. em 14 a. citando Nicolau de Damasco. por volta de 64 a. É o pai do futuro e famoso Herodes Magno.

Antípater é. Segundo Eusébio de Cesaréia. este nomeado para o posto por Alexandre Janeu[44]. Hircano. e negocia com ele a retomada do poder: Aretas baterá Aristóbulo II e. como o fora seu pai. filho de um hieródulo. em troca. mais tarde. Antípater é da cidade de Ascalon. embora divirja quanto a outros dados. quer pelas suas riquezas e por seu próprio mérito"[42] . mas acaba sendo criado entre os idumeus. enquanto o fraco Hircano II poderá ser mais facilmente manobrado. construída perto da muralha. sumo sacerdote da Judéia.Flávio Josefo acredita que Antípater seja mesmo um idumeu. e o mantiveram preso. e levaram da capela de Apolo. Antípater procura convencer o próprio Hircano II de que deve lutar pelo poder e consegue. o pequeno Antípater. quer pela sua descendência. E isto explicaria a sua interferência nos negócios judaicos: para a família de Antípater. que se refugia no . Aretas vence Aristóbulo. É então que Antípater se posiciona politicamente do lado de Hircano II e começa a manobrar para que este reconquiste o poder. Antípater foi educado segundo os costumes idumeus e. Antípater procura influenciar os judeus mais ilustres. Segundo Flávio Josefo. Há outras notícias sobre este personagem. o estratego (= governador militar) da Iduméia. lembrando-lhes que Aristóbulo é um usurpador do trono que pertence a Hircano. o ambicioso Aristóbulo II representa real perigo. cidade da Palestina. interessou-se por ele"[43]. Além destes "judeus ilustres". por ser o mais velho[45]. na época do conflito entre Hircano e Aristóbulo. também de nome Antípater. o apoio do rei nabateu Aretas para o projeto. Hircano lhe devolverá as 12 cidades da Transjordânia que Alexandre Janeu lhe tomara. Como o sacerdote não podia pagar o resgate pelo filho. de origem nobre: "Ele era idumeu e o mais poderoso de sua nação. Ainda segundo Flávio Josefo. que vem construindo seu poder através de alianças e amizades com árabes. Diz Eusébio: "Salteadores idumeus chegaram de surpresa a Ascalon. Hircano II sai de Jerusalém. o que confirma a opinião de Josefo a respeito de sua nacionalidade. com o resto dos despojos. junta-se a Aretas em Petra. ascalonitas e gazenses. E é de fato o que acontece. citando Júlio Africano. Herodes. através de presentes.

onde fica assediado por Hircano e Aretas. que é multinacional. distanciados tanto dos nobres saduceus como da burguesia farisaica"[46]. Em segundo lugar. Acabamos de ver sua interferência nos negócios judaicos[48]. que será preenchido. filho de Antípater.. chegando a tomar Damasco dos Selêucidas em 87 a. Esta é a opinião de P. Porém. faz o caminho inverso: passa de Aristóbulo a Hircano. que se criará um poder totalmente independente das tradições judaicas.C. Sacchi.Templo com poucos seguidores.. pois este pode pagar mais. na Transjordânia. Roma reaparece no cenário político da Palestina. quer seja dos saduceus.que se expande em direção norte. Como se não bastassem as complicações locais.. Agora a maior parte do exército que antes passara de Hircano a Aristóbulo na primeira batalha.). estava se formando uma nova classe de ricos. ligada por tradição ao rei e à posse da terra. É o antigo e irreversível mecanismo de helenização que continua em movimento. criadas após a morte de Alexandre Magno pelos Diádocos. parece que o conflito não se explica mais apenas pela luta entre fariseus e saduceus. pois agrupa etnias e Estados variados que vão do sul da Palestina às fronteiras da Índia. Um dos povos a participar desse jogo: os árabes nabateus. Uma primeira constatação a ser feita: a decadência das monarquias helenísticas. quando diz: "Antípater (. mas se dirige a homens 'poderosos em Israel' (.C. Estes acontecimentos nos levam a pensar que nestes confrontos há pelo menos dois fatores importantes. principalmente no antigo reino dos Selêucidas.capital Petra . desta vez. no século I a. Estão facilmente passando para o lado do vencedor. associados a Antípater que entram no jogo político. quer seja dos fariseus.C. leva à ascensão de novas potências regionais.. E. por outros poderes.) Poder-se-ia dizer que ao lado de uma nobreza essencialmente guerreira. . Sua fragmentação deixa um vazio político enorme. baseado nesta aristocracia economicamente muito bem situada e etnicamente indiferente[47]. será sob o governo de Herodes Magno (37-4 a. povo nômade do sul do Mar Morto . Há outros judeus poderosos e ricos.. vem para ficar.) não se dirige aos fariseus para reempossar o sacerdote legítimo. Em primeiro lugar. E agora com mais um detalhe: os governantes macabeus estão jogando também segundo as mesmas regras. o exército macabeu é baseado em tropas mercenárias e não em judeus partidários. especialmente a dos Ptolomeus e a dos Selêucidas. Cada vez mais a aristocracia se emancipa da hierocracia e se constitui em poderosa força econômica e política.

que comanda as forças romanas na Cilícia contra-ataca. que se torna senhora da Sicília em 241 a. e suas arbitrariedades são tão grandes que as populações locais sentem-se escravizadas. da Macedônia e da Grécia também em 146 a. a Armênia Menor.do fortalecimento de Roma. que ocupam um território no interior do reino selêucida durante o século III a. ao Senado romano. a Cólquida. rei da Bitínia. ao morrer. vence e expulsa .. na verdade uma base de operações militares na Panfília e na Lícia.. deixa seu reino para Roma e Mitridates VI o invade.C..C. de parte da Espanha em 197 a.. Há um enfraquecimento do Senado e Roma vive permanentemente em conflito desde as tentativas de reforma dos Gracos (134 a. Finalmente.C. da ordem dos cavaleiros. baseada na Cilícia torna-se fortíssima e se alia a Mitridates VI que.C. povo de origem incerta. criando sérios embaraços para os interesses romanos na região[50]. acontece a ascensão da Armênia..C. que toda esta expansão de Roma provoca profundas transformações em sua estrutura social.C.C.C. massacra cerca de 80 mil italianos na província romana da Ásia.. acabam conquistando a Mesopotâmia e tornando-se a mais significativa potência além do Eufrates[49]. governado por Mitridates VI Eupator.doado por seu rei Átalo. da Sardenha e Córsega em 231 a.Os partos.C. É que os impostos da região são cobrados pelos publicanos. e negocia uma paz em 85 a.C.C. em testamento.). A pirataria no Mediterrâneo oriental. onde é acolhido como libertador pelas cidades da região. Acontece. em 88 a. que vem combatê-lo. Ainda em 88 a. o Bósforo Cimeriano.C. Roma cria a província da Cilícia. Mitridates VI toma a Grécia. de Cartago em 146 a.. As ameaças orientais à hegemonia romana crescem em conseqüência do esfacelamento dos Selêucidas e de sua "ausência" da região em função dos conflitos internos. comandada por Tigranes. A situação se complica ainda mais quando Nicomedes. que nada resolve.C. criando Roma a província da Ásia em 129 a. Por volta de 80 a. em 133 a. retoma Atenas em 86 a. porém.C.e um fato está ligado ao outro . o enfraquecimento dos grandes reinos helenísticos se faz acompanhar . Por outro lado. que acaba dominando a Paflagônia. Lúculo. que reina também sobre a Síria a partir de 83 a. o mais empreendedor dos novos reinos: o Ponto. Sula.C. na Ásia .C. e de Pérgamo. mas não alcança qualquer resultado na luta contra os piratas. além de se aliar aos piratas da Cilícia. Neste mesmo século I a.) até o estabelecimento do Império (30 a.C.

o imperium. ameaçada pelos partos de um lado e pela pirataria de outro. Em seguida. Ele tem o imperium sobre o mar e o litoral. Pompeu interfere na Judéia. Lúculo cai em desgraça e vê seus poderes lhe serem retirados um a um pelo Senado.C. Pode-se perceber que a aristocracia romana. Este por sua vez é vencido por Lúculo e obrigado a deixar a Síria. graças a intrigas de seus adversários em Roma. que dá poderes tão extraordinários a Pompeu. porque. Pompeu ocupa o que resta do reino selêucida e cria a província da Síria. Mas Mitridates VI retorna ao Ponto.C. que controla. As razões para esta criação parecem vir de dois lados: a segurança da região.. Em 64 a. na Fenícia e na Cilícia. .. só que agora aliado a Roma e despojado de todas as suas conquistas na Síria. É então que Pompeu entra em cena. Combate Mário. É janeiro de 67 a.C. mesmo ano da morte de Salomé Alexandra e do começo do conflito entre Hircano II e Aristóbulo II em Jerusalém. na foz do Tibre. Mas a outra é econômica: Pompeu restabelece no Oriente . chegando até mesmo ao porto de Óstia. de uma família rica.C. E.o que é prerrogativa do Senado -. É então que o Senado dá um comando extraordinário a Pompeu. para combatê-los.os interesses dos publicanos que cobram o tributo dos povos dominados.C. tem a ordem de equipar 500 navios e de requisitar suprimentos onde e quando necessitar[51]. fazendo crescer notavelmente sua popularidade em Roma. parece ser uma das razões. vence Sertório na Espanha e elimina os últimos escravos do grupo de Espártaco. ao mesmo tempo que Crasso. a cerca de 20 km de Roma. com autoridade acima dos governadores locais.C. Nos anos 69 e 68 a. que se refugia na Armênia junto a seu genro Tigranes.Mitridates VI.C. Pompeu organiza a Ásia Menor. É eleito cônsul no ano 70 a. O poder de Pompeu é extraordinário. ajuda Sula. até 75 km para o interior.e expande extraordinariamente . Gnaeus Pompeius nasce em 106 a. finalmente. Neste e no ano seguinte submete a Armênia: Tigranes continua no poder. e que é a maior beneficiária da tributação imposta aos conquistados. onde todos agora são aliados de Roma.. O que faz Pompeu? Ataca com perícia e rapidez os piratas e os vence em 67 a. Conquista o Ponto no verão de 66 a. ele tem direito de recrutar seus legados . os piratas atacam com força. não é tão alheia assim à criação de novas províncias[52].

mas apóia Hircano II. Este gesto marca definitivamente o domínio de Roma sobre a terra de Israel e o povo de Iahweh. de fato. quando toma o Templo. Emílio Escauro. os negócios judaicos. Hircano II é reconduzido ao sumo sacerdócio.C. assim avaliam o gesto de Pompeu: "Cheio de orgulho. recolhidos por uma sociedade de publicanos sediada em Sídon.. o Templo é tomado por Pompeu e cerca de 1. Aristóbulo e seu filho Antígono são levados presos para Roma. com a criação da província da Síria. Perde os territórios não-judeus. agora.C. conservando apenas a Judéia. Pompeu ordena que se levante o cerco a Jerusalém. Por isso disse Deus: afastai-as de mim. e Tu não o impedistes. Aristóbulo II refugia-se no Templo com seus adeptos. O idumeu Antípater torna-se uma espécie de ministro de Hircano II e controla.. entre eles muitos sacerdotes. o pecador destruiu com seu aríete as sólidas muralhas. perán tou Iordánou). É provável que Pompeu apóie Hircano II exatamente por isso: é o mais fraco e o menos ambicioso dos dois irmãos Macabeus. levam o seu caso ao poderoso romano. em grego. acessível apenas ao sumo sacerdote. Os Salmos de Salomão. No outono de 63 a. a Galiléia. . Pompeu entra com seu estado maior no Santo dos Santos. pisotearam-no orgulhosamente com suas sandálias. o sul da Samaria e o norte da Iduméia. trabalhando para os romanos. Povos estrangeiros subiram ao teu altar. A Judéia paga os tributos a Roma. o expansionismo macabaico torna-se um risco para os romanos. E a Judéia fica sob a jurisdição do legado romano na Síria. Porque os filhos de Jerusalém mancharam o culto do Senhor profanaram com suas impurezas as oferendas à divindade. a Peréia (território "além do Jordão". em luta pelo poder. escrito judaico de tendência farisaica situado entre 63 e 40 a.C. Por que controlar os judeus? Amigos dos judeus desde a época do conflito dos Macabeus com os Selêucidas no século II a. Assediado.200 judeus são mortos pelos romanos. E na Transjordânia estão os perigosos nabateus..Hircano II e Aristóbulo II. o mais sagrado espaço dos judeus.

. Ele as desprezou totalmente. Obra Completa. Augsburg Fortress. SCHÜRER. Volume I: The Persian and Greek Periods. SCHÜRER. F. seu pescoço está marcado. T & T Clark. WILL. H. J. Nancy. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a. Leituras Recomendadas GRABBE.C. 1988. NEXT . Rio de Janeiro. Edinburgh. Paris. Judaism from Cyrus to Hadrian. 1979-19822. 1985.C.. C. Paideia. Minneapolis. Seus filhos e filhas sofrem rigorosa escravidão.) III.C. São Paulo.. 1976. The Israel Academy of Sciences and Humanities. por isso os entregou nas mãos dos vencedores"[53]. 1992. The History of the Jewish . L.D. E.. STERN.. Histoire d'Israel III. L. Deus os tratou de acordo com seus pecados. Religião e formação de classes na antiga Judéia. SACCHI. 1976. G. marcado entre os gentios. 1986.-135 d.-C. 1992. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I.. Du Cerf. 1985. KIPPENBERG. História dos Hebreus. Casa Publicadora das Assembléias de Deus. E. Torino. Histoire politique du monde hellénistique (323-30 av. M. Storia del mondo giudaico. A beleza de sua glória nada significou diante de Deus.. P. E.). Jerusalem. JOSEFO. Brescia.. SAULNIER.nelas não me comprazo.) I.. Società Editrice Internazionale.-135 a. Paulus. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo (175 a. Presses Universitaires de Nancy.

. pp. pp. cf. STERN. Antiquitates Iudaicae XIV. na Palestina. cf. KIPPENBERG.[39]. SAULNIER. em 10 livros. 481-484. também. Bellum Iudaicum I. 450452. E. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. pp. [45]. [47]. Cf. 123. HARVEY.. p. [50]. ibidem XIV. 301-308. Idem. [52]. P. Historia Ecclesiastica I. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. KIPPENBERG. Cf. EUSÉBIO.. pp. 1-7.. 227-260. Antiquitates Iudaicae XIV. C. F. SCHÜRER. Histoire politique du monde hellénistique I. JOSEFO. [49]. Cf. [48]. cf. JOSEFO. E. Mitridates VI nasce de uma família helenizada e governa o Ponto de 112 a 63 a. 56-62. do qual deriva seu nome: a região está en pôntoi. [43]. P. 125. Cf. G. F. O reino do Ponto fica no noroeste da Ásia Menor. VII. [40]. WILL. 509512. Idem. Antiquitates Iudaicae XIV. F. "junto ao mar". Sobre a origem de Antípater.. 109-116. Para ver a estrutura romana de poder cf. WILL. e é bispo de Cesaréia. 103-105. também SCHÜRER. Bellum Iudaicum I. M. 9. E.. Idem. pp.. [41]. 11. 120-122. Storia del mondo giudaico. 300-301. JOSEFO. [51]. pp. H. SACCHI. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina... Religião e formação de classes na antiga Judéia.C. G. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. . Escreve uma importante "História Eclesiástica".. pp.. F. que faz excelente análise deste processo na época de Herodes Magno. [44]. 11. Cf. [46]. pp. E. Cf. Religião e formação de classes na antiga Judéia. Cf. nota 3. Eusébio vive entre 263 e 339 d.. [42]. 10. junto ao mar Negro. Histoire politique du monde hellénistique II.. Sobre a incerta origem dos partos.. verbetes Mitridates e Pontos.C. pp. JOSEFO.. Histoire d'Israel III. H. Histoire politique du monde hellénistique II.

César nomeia Cleópatra VII. 11. Antônio nomeia Herodes e . na Grécia. Em 41 a. no ano 48 a. Roma é governada pelo triunvirato Crasso. p.). No Egito.C. recebe apoio de Hircano II que lhe envia tropas comandadas por Antípater. dá a Hircano II o título de etnarca (governador de um grupo racial com o seu território) da Judéia.C. no delta do Nilo. O Domínio Romano 11. Da Intervenção de Pompeu a Herodes Magno Nos anos seguintes à interferência de Pompeu (63 a.C. Pompeu e César. Pompeu é assassinado.. rainha do Egito e. que é finalmente vencido em Farsália. confronta-se com Pompeu. toma a Itália e a Espanha. ficando somente Pompeu como cônsul (51-49 a. Madrid 1982.C.C. confirmando-o também no cargo de sumo sacerdote. um pouco mais tarde.. enquanto César luta nas Gálias. Apócrifos del Antiguo Testamento III. São estas tropas que conquistam Pelúsio.) há paz na Palestina. enquanto seus dois filhos Fasael e Herodes são nomeados respectivamente estrategos de Jerusalém e da Galiléia. pelo copeiro de Hircano II. Otaviano e Lépido. Depois. SALMOS DE SALOMÃO 2.C.C.1-7. o texto em DIEZ MACHO. em Roma as coisas se complicam.C. Porém. as intrigas palestinenses continuam: Antípater é envenenado em 43 a. governam os cônsules Crasso e Pompeu (55-54 a. 24. nesta luta pelo controle do Egito. Cristiandad. em 47 a.1. Antípater recebe a cidadania romana e é nomeado prefeito ou procônsul da Judéia. a famosa herdeira dos Ptolomeus. De 69 a 62 a..C.1.). para César. pelos partos. chega César. A “Pax Romana” chega a Jerusalém 11. e Roma volta a ser governada por triúnviros: Antônio. Como era Roma nesta época? Veja aqui! Entretanto. mas Crasso é derrotado em 53 a. Entretanto. Quando. Cf.C. como prêmio. César é assassinado em meados de março de 44 a. César chega à Síria. A.1.[53].

pelos partos. que ele elimina. antes de mais nada. Primeiro apóia Antônio. a exoneração de tributo a Roma. no ano 31 a. incapacitando-o. Devido à fraqueza do controle romano na província da Síria. Herodes se equilibra no delicado jogo do poder porque sabe ser servil a Roma. esta é invadida.C..C. Consolidado o poder. Os partos colocam Antígono. depõe a coroa a seus pés. a justiça e o exército.C. inclusive alguns membros de sua família . entrando definitivamente para a família asmonéia. em gesto teatral. a isenção de tropas de ocupação. Herodes luta com decisão para consolidar o seu poder.como esposa e filhos. fontes. Herodes vai imediatamente visitar o vencedor. com uma única condição: terá que conquistar seu reino.). descendentes do antigo império persa. a partir do inverno de 20-19 a. Resultado: volta para casa reconfirmado rei por Otaviano e ainda consegue favores: como o engrandecimento de território. Isto significa. Antígono corta as orelhas de Hircano II. como sumo sacerdote e rei na Judéia (40-37 a. para o cargo de sumo sacerdote (cf. termas. Lv 21. Herodes foge para Roma e no final do ano 40 a. Casa-se com Mariana I. .17-23).. através de assassinatos e intrigas várias.). mas quando este é vencido por Otaviano na famosa batalha naval de Áccio. fortalezas. adversários seus.C. e nomeado. constrói obras grandiosas na Judéia. Herodes torna-se o senhor da Palestina. que está na ilha de Rodes. seu tio. assim. Templos.C. enquanto Hircano II permanece apenas como sumo sacerdote. e. filho de Aristóbulo II. Herodes Magno governa o povo judeu durante 34 anos (37-4 a. ginásios. a autonomia interior para as finanças. hipódromos. cidades. em 40 a.Fasael etnarcas. teatros. Reconstrói totalmente o Templo de Jerusalém. Fasael se suicida. parente de Aristóbulo II e Hircano II. rei da Judéia. pelo Senado romano. Roma e suas Sete Colinas Em 37 a.C.C.

fortalezas são reedificadas ou totalmente construídas como Alexandrium.. seleciona seus herdeiros. Jericó é embelezada e torna-se sua residência favorita. conserva-se no poder. Herodes não tem legitimidade judaica. em homenagem a Marco Antônio. em homenagem a si mesmo fortaleza Antônia (em Jerusalém). é perseguida . em homenagem a seu irmão Fasael Cipros. feminino grego de Augusto. recebe uma grande construção que o valoriza. Valorizando o culto. da alexandrina exige de seus súditos um juramento que obriga a pessoa a obedecer às suas ordens em oposição às normas tradicionais.. Cesaréia Marítima. Herodes constrói uma estrutura de poder independente da tradição judaica: o o nomeia o sumo sacerdote do Templo: destitui os Asmoneus e nomeia um sacerdote da família sacerdotal babilônica e. Massada.Reconstrói Samaria. Hircania etc. Entretanto. Herodes Magno ganha para si o povo. em homenagem a seu pai Antípater Fasélida. aparece diante do mundo. Quando vence os seguidores de Antígono. mais tarde. em homenagem a Augusto Cesaréia (Marítima). Mambré. em homenagem a sua mãe Heródion. se a pessoa recusar o juramento. não tem para com os judeus nenhuma relação de reciprocidade e sua legitimidade se funda na própria estrutura do poder exercido[1]. dando-lhe o nome de Sebaste. Construindo fortalezas. Assim. reveladores de seu espírito político: Sebaste (Samaria). Maqueronte. controla possíveis revoltas. lugar sagrado ligado a Abraão. Apoiando a cultura helenística. Matando seus inimigos. em homenagem ao Imperador romano. Observemos os nomes de suas construções. Heródion. pois descende de idumeus e sua mãe é descendente de árabe. em homenagem a César Augusto Antipátrida. constrói um importante porto. por ser estrangeiro. Servindo fielmente a Roma.

através das normas do Estado. 109-116. mas pela aplicação do direito pelo senhor o direito à terra é transmitido pela distribuição: o dominador a dá ao usuário: é a "assignatio" a base filosófica helenística é que legitima o poder do rei. se ele viola assim a tradição. G.. Cf. . com os camponeses dentro! Seus herdeiros: Arquelau. por isso. G. em oposição à lei codificada. ou seja: o rei é a fonte da lei. e nas cidades não-judaicas por ele fundadas. dá aos seus súditos uma ordem racional. H. Kippenberg[2].o o o interfere na justiça do Sinédrio manda vender os assaltantes e os revolucionários políticos capturados como escravos no exterior. Religião e formação de classes na antiga Judéia. [2].. Paulus. p. São Paulo. 1988. H. "O rei em sua pessoa é a continuação do seu reino e o salvador de seus súditos". Mas. G. Religião e formação de classes na antiga Judéia. diz H. quando diz que o rei é "lei viva" (émpsychos nómos). para o que se segue. Confira os Mapas do Império Romano aqui! NEXT [1]. KIPPENBERG. porque ele é regido pelo "nous": o rei tem função salvadora e. KIPPENBERG. o poder militar de Herodes se baseia em mercenários estrangeiros que ficam em fortalezas ou em terras dadas aos mercenários (cleruquias) por ele (terras no vale de Jezrael).. Herodes Antipas e Felipe. a cujos cidadãos ele dá como posse o território que as rodeia. sem direito a resgate a venda à escravidão e a execução pessoal (a morte) tornam-se normas comuns do arrendamento estatal. como consegue legitimidade? A estrutura de poder do Estado sob Herodes é bem diferente da estrutura da época dos Macabeus: o o o o o o rei é legitimado como pessoa e não por descendência o poderio não se orienta pela tradição. pp. 114.

os governadores romanos da Judéia tinham o título de éparchos ou praefectus = prefeito. para as províncias imperiais. em Bible and Interpretation. latim). é um governante duro e decidido. Entretanto. a partir de Cúspio Fado (4446).11. que se tornou Imperador no ano 41. Portanto.C. militares e judiciais[11]. procurator. em grego. Pôncio Pilatos.1. Os Prefeitos e Procuradores Romanos da Judéia Copônio : 6-8 d. que pronuncia a sentença de morte contra Jesus de Nazaré. tendo perdido o significado original da época da República. que. Por causa de Flávio Josefo[9] se pensava que a Judéia fora governada por procuradores (epítropos. os dois títulos. podemos falar de “procuradores”. mas subia a Jerusalém e podia lá permanecer conforme as circunstâncias ou as necessidades. até Cláudio. que nunca simpatizou com os judeus. Após Cláudio. como era o caso da Judéia.4. Residia em Cesaréia. Tanto o prefeito como o procurador tinham funções fiscais. eram equivalentes. graças a uma inscrição sobre Pilatos encontrada em Cesaréia[10]. Marcos Ambívio : 8-12 (?) Ânio Rufo : 12-15 (?) Valério Grato : 15-26 Pôncio Pilatos : 26-36 Marcelo : 36-37 Marulo : 37-41 (?) Cúspio Fado : 44-46 Tibério Alexandre : 46-48 Ventídio Cumano : 48-52 Antônio Félix : 52-60 Pórcio Festo : 60-62 Lucéio Albino : 62-64 Géssio Floro : 64-66 O procurador ou prefeito era um administrador em ligação com o legado que governava a província romana da Síria e dependia dele. leia Warren CARTER. mas hoje se sabe. . prefeito da Judéia. Sobre Pilatos e seu papel na crucifixão de Jesus. Pontius Pilate: Roman Governor.

Todos quantos chegavam perto. de noite. para Jerusalém. ele manda cunhar moedas com símbolos gentios. E consegue.September 2004. Pouco a pouco a exacerbação dos habitantes da cidade atraiu grandes multidões de pessoas que moravam no campo. Símbolos como o lituus “um bastão recurvado numa das extremidades. à noite. uma grande agitação tomou conta da cidade. Pilatos é o único governante romano que tem tal ousadia[12]. faz com que Tibério tome decisões anti-judaicas. Quando amanhece. graças à influência de Sejano. descreve-o como inflexível por natureza e cruel por causa de sua obstinação. desrespeitando-os deliberadamente. Pilatos recusou-se a atender ao pedido deles. enchiam-se de indignação com o espetáculo. Mal o dia clareou. Pilatos mandou levar. Pilatos faz muitas coisas contrárias aos costumes judeus. Pilatos é nomeado procurador por Tibério. espécie de concha sagrada. e o simpulum. Herodes Agripa I. Pertence à ordem dos cavaleiros. e ele tenta reprimi-lo. Sejano faz de tudo para prejudicar os judeus. o poderoso prefeito da guarda pretoriana em Roma que é realmente quem manobra o poder. Suplicavam-lhe que mandasse tirar as imagens de Jerusalém e desistisse de agir contra as normas da religião judaica. levando efígies do Imperador nos estandartes. que servia para demarcar o recinto onde os sacerdotes pagãos observavam as aves do sacrifício”. E todos se dirigiram a Cesaréia. para falar com Pilatos. muitos de origem humilde e até descendentes de escravos. Embora saiba que os judeus abominam a reprodução de imagens de qualquer espécie. Nas palavras de Flávio Josefo: “Certa feita. um certo número de imagens veladas do César. Pilatos manda que seus soldados entrem em Jerusalém. Certa vez. Sob um pretexto qualquer. classe de pessoas ricas. Então os . que eles tomaram como uma zombaria grave à lei que proibia colocar qualquer imagem que fosse no interior da cidade. extorsivo e tirânico. Mas tem que ceder diante da grande coragem dos judeus que preferem morrer a transgredir a Lei. que fizeram fortuna das mais variadas maneiras. para irritá-los e reprimi-los. que os romanos chamavam de ‘estandartes’. escrevendo ao Imperador Calígula. Acusa-o de venal. em forma de chifre. o povo se revolta com tal afronta. violento.

foi enviado por Augusto como procurador (epítropos). jogaram-se por terra. Cf. como se quisesse comunicar-lhe uma notícia. Brescia. [10] . pp. que as insígnias do Imperador fossem retiradas de Jerusalém”[13]. “O território de Arquelau foi assim reduzido a província e Copônio.. caso não admitissem a presença de imagens do Imperador em seu meio. No sexto dia Pilatos sentou-se numa tribuna. . Bellum Iudaicum. JOSEFO. Diz: TIBERIEVM PON]TIVS PILATVS PRAEF]ECTUS IVDA[EA]E. A. porém. pp. NEXT [9] . Para você entender a Paixão de Jesus. à uma. e ofereceram o pescoço desnudo. [13] . Paideia. diz JOSEFO. 2. [12] . A inscrição foi encontrada no teatro romano de Cesaréia Marítima por uma expedição arqueológica italiana dirigida por Antonio Frova. Envolvidos por três fileiras de homens armados. Em seguida. F. 2. 91-92. Esta atitude heróica do povo em defesa de sua religião causou grande espanto em Pilatos. São Paulo. no grande hipódromo da cidade. fez aos soldados o sinal antes combinado. declarando em alta voz que preferiam deixar-se matar a transgredir a Lei. 441-444. SCHÜRER. Pilatos mandou massacrá-los. E. F. e convocou o povo. no lugar. para cercarem os judeus. Storia del Popolo Giudaico al Tempo de Gesù Cristo I... 117..judeus se lançaram por terra e ficaram imóveis. 169-174. Fez então novo sinal aos soldados para desembainharem as espadas. um romano da ordem dos cavaleiros. durante cinco dias e cinco noites. Paulus. 1985. de armas na mão. então. com plena autoridade”. Ele ordenou. O julgamento de Pilatos. K. SPEIDEL. [11] . como se tivessem combinado entre si. os judeus foram tomados de violenta comoção diante do fato inesperado. 1979. Bellum Iudaicum. Os judeus. Cf.

C. dizem.23-26. O país é governado. embora a Judéia continue governada por procuradores romanos.). Agripa II vive incestuosamente. Calígula chega a exigir que uma estátua do Imperador seja colocada no Templo. Já antes. É diante de Agripa II e Berenice que Paulo comparece. Mas em 48 d. por exemplo) como na Judéia e demais províncias. com sua irmã Berenice e não é bem visto pelos judeus. oferecendo-lhe sacrifícios.1. julgados totalmente impotentes frente ao poderio romano. Agripa recebe também a antiga tetrarquia de Felipe e partes da Galiléia e da Peréia. Petrônio. E esta atitude prepotente não pára com Pilatos. sendo destituído por Tibério e chamado a Roma.C. Quando Jerusalém é destruída em 70 d. graças às mudanças arbitrárias de sumos sacerdotes que sempre fez. em 49 d. Agripa II é o último governante da família herodiana. onde morre após o ano 93 d. onde tem que se explicar. território antes dirigido por seu tio. De Agripa II ao Fim da Judéia Quando morre Herodes Agripa I (44 d.. Vimos como Pilatos cometera arbitrariedades sem conta.3.C. atribuída ao sempre vivo espírito nacionalista judaico e à sua imorredoura fé na libertação messiânica. Quando os judeus se recusam a cultuá-lo. A crescente revolta judaica contra a ocupação romana é.. pelos procuradores. especialmente pelos sacerdotes. ele muda-se para Roma. Teve pouca influência sobre a comunidade judaica. a cultuá-lo. tenta demover .C. Agripa II recebe o governo de Cálcis. mas historicamente é condicionada e ocasionada pela inabilidade dos procuradores e até mesmo de alguns Imperadores.11.C. quando prisioneiro em Cesaréia.C. os romanos não quiseram entregar logo o governo para seu filho Agripa II que é apenas um garoto de 17 anos e vive em Roma. Calígula. que afinal é punido pelo que fizera. Em 52 d. então. são perseguidos tanto na diáspora (em Alexandria. muitas delas com o deliberado propósito de irritar os judeus. com direito de designar o sumo sacerdote. proclama-se deus e obriga todas as províncias. contra todo o bom senso. O Imperador seguinte. ele havia sido nomeado Inspetor do Templo.5. inclusive a Judéia. segundo At 25. legado da Síria. com freqüência.

quando muito. já que um pobre em Roma. por causa de um ultraje cometido por um soldado romano. roubos. acontece violenta revolta dos judeus durante a festa da Páscoa. No tempo de seu sucessor Antônio Félix (52-60 d.C. Rohrbaugh. não contabilizados como vítimas da mortalidade infantil) morriam até os 6 anos de idade. diz sobre a expectativa de vida da população do Império Romano nesta época: “Cerca de 1/3 daqueles que ultrapassavam o primeiro ano de vida (portanto.. endividamento. e Cláudio. mostra que a violência que sofriam era brutal. Cerca de 60% dos sobreviventes morriam até os 16 anos. era mais velho do que 80% de sua audiência. 90% já desaparecido.. trabalhos forçados. É no seu tempo que surge o grupo dos sicários.C. seus dentes tinham sido destruídos e sua vista acabado (. Oakman. Existia uma violência epidêmica na Palestina[16].C. Os que mais sofriam pertenciam às classes mais pobres das cidades e povoados. salvando também a vida de Petrônio. por exemplo:este mesmo Jesus. na Introdução de um volume sobre “As Ciências Sociaise a Interpretação do Novo Testamento ”.) é procurador. Com moradias precárias. desnutrida e com uma expectativa de mais 10 anos de vida. recebe ordem do Imperador para se suicidar. Só que assassinam Calígula em 41 d. no século I de nossa era. E o autor acrescenta: “Estudos feitos por paleopatologistas indicam que doenças infecciosas e desnutrição eram generalizadas. chegando aos 60 anos de idade menos de 3% da população”[14]. seu sucessor. com seus trinta e poucos anos de idade.) 50% dos restos de cabelo encontrados nas escavações arqueológicas tinham lêndeas”[15]. Quando Vitélio Cumano (48-52 d. sem assistência médica. Por volta dos 30 anos a maioria das pessoas sofria de verminose. Fraudes..C. Uma audiência doente. Cumano reprime o tumulto e vinte mil judeus perdem a vida. dispensa os judeus do culto ao Imperador. sem condições sanitárias adequadas. Olhemos para a audiência de Jesus.. tinha uma expectativa de vida de 30 anos. É claro que estes dados não são uniformemente distribuídos por toda a população da época. Por volta dos 26 anos 75% já tinha morrido e aos 46 anos.) a tensão aumenta perigosamente.. com uma má alimentação. Richard L. perda da terra através da manipulação das dívidas atingiam a muitos. Na Palestina do século I d. assim . havia um verdadeiro clima de terror. em um estudo sobre as condições de vida dos camponeses palestinos da época de Jesus . se tanto! Douglas E.o Imperador de seus propósitos: é condenado à morte. ou seja.

Aí surpreenderam a guarnição romana.C. Este foi o começo propriamente dito . a revolução estoura. Também as fortalezas de Massada e Heródion são ocupadas pelos rebeldes. após muitas arbitrariedades. um jovem de grande atrevimento que comandava então a guarda do Templo. filho do sumo sacerdote. em supremo desprezo. legado da Síria. e o desprezo é vingado: há uma carnificina geral. ataca com uma legião. proclamando-se profetas e fazendo promessas utópicas. O povo. Agripa II tenta conter a revolta e não consegue. mas também quem colabora com a ocupação estrangeira.).C. o nosso conhecido historiador Flávio Josefo. para que seja saqueada e crucifica alguns homens importantes da comunidade judaica. massacraram-na e em seu lugar colocaram um destacamento constituído pela própria gente. A Galiléia é entregue ao sacerdote fariseu Josefo. Outro procurador terrivelmente corrupto e repressor é Lucéio Albino (6264 d. Tais grupos são duramente reprimidos pelos romanos através de grandes matanças.chamados por usarem em suas ações uma adaga curva e curta chamada “sica”. Escondem a sica sob as vestes e misturados na multidão eliminam não só romanos. G. Floro requisita 17 talentos do tesouro do Templo. assim como antes Floro teve que se retirar para Cesaréia ao ser derrotado. ocupam o Templo e a fortaleza Antônia. Eleazar. Seu sucessor Géssio Floro (64-66 d. Outros grupos tentam despertar no povo os sentimentos messiânicos. Nessa época. Céstio Galo. fazendo uma coleta para o “pobrezinho” Floro. Tinham se dirigido para uma fortaleza chamada Massada. É a guerra definitiva. Resultado: Floro entrega para os seus soldados uma parte de Jerusalém. Sua tática é provocar tumultos e desestabilizar o governo através de assassinatos inesperados de personagens importantes. Quando. Começam os preparativos para o que der e vier. Josefo fortifica várias cidades e se prepara. mas é rechaçado com pesadas perdas.) consegue então jogar a gota d’água para que o ódio acumulado pelos judeus derrame. Os judeus escarnecem do procurador. Então. incitou os sacerdotes em exercício a não aceitar donativos ou sacrifícios da parte de não-judeus. Um dos assassinados neste tempo pelos sicários é o sumo sacerdote Jônatas. os revolucionários chefiados por Eleazar. filho do sumo sacerdote Ananias. Félix manda crucificar inúmeros zelotas durante o seu mandato[17]. não reage diante do saque. “Reuniu-se um grande número daqueles judeus que queriam a guerra a qualquer preço.

zelota. um dos redutos rebeldes. Conquistam facilmente o território. com quatro legiões (24 mil soldados). mas nenhum pára. Vespasiano espera se definir a situação em Roma. e Simão Bargiora. pois nesta ocasião foi praticamente rejeitado o oferecimento de sacrifício em favor dos romanos e do Imperador”[18]. deixando a guerra sob o comando de Tito. Visite o Catálogo Virtual de Moedas Romanas! Tito ocupa o setor norte da cidade. a Iduméia e a Samaria. Toda a construção é consumida pelas chamas. vendidos ou condenados a trabalhos públicos. Até o outono a Galiléia está nas mãos dos romanos. O Imperador Nero confia então a Palestina a um experiente general: Vespasiano. Vespasiano ataca a Galiléia na primavera de 67 com 10 legiões (60 mil soldados. sicário. A cidade é saqueada e os habitantes assassinados. que então podem hibernar tranqüilamente. Três Imperadores passam pelo trono. são aprisionados e levados triunfalmente para Roma. Tito cerca Jerusalém pouco antes da Páscoa de 70. É agosto de 70[19]. Os chefes rebeldes. mas os rebeldes conseguem se refugiar no palácio de Herodes. Estão ainda de pé três fortificações rebeldes: Heródion. Josefo é aprisionado e muito bem tratado.da guerra contra os romanos. Veja a posição ambígua de Flávio Josefo na guerra contra Roma aqui! Na primavera de 68 Vespasiano ocupa sucessivamente a Peréia. defendidas pelos sicários e zelotas. Está para atacar Jerusalém quando Nero se suicida. João de Gíscala. sem contar as tropas auxiliares. Em companhia de seu filho Tito. Tito o incendeia. Como os muros do Templo não cedem. Heródion e Maqueronte caem logo. mas Massada resiste um ano de cerco. Uma cidade com cerca de 30 mil habitantes fixos. Quando finalmente é . Massada e Maqueronte. o que duplica este número). abre um fosso ao seu redor para que ninguém escape e em julho de 70 toma a fortaleza Antônia. Finalmente Vespasiano é aclamado Imperador no dia primeiro de julho de 69 e marcha para Roma. as montanhas da Judéia. mas a fortaleza de Jotapata só cai após 47 tentativas de assalto. Em setembro de 70 também o palácio cai. Mas nesta época ultrapassava os 180 mil. a costa. A cidade está repleta de peregrinos.

1991.C. vendendo. começada em 131 d. os rebeldes como escravos. D. Vespasiano manda cunhar moedas sobre as quais estão um soldado romano. A Judéia é separada da Síria e torna-se uma província imperial. então.. Em Roma. R. J. The Social Sciences and New Testament Interpretation. 1996.tomada. Massachusetts. (ed. em ROHRBAUGH. uma mulher de luto e uma palmeira simbolizando Israel. p. E. em NEYREY. Hendrickson. p.). consegue dominar a revolta. em seguida. ROHRBAUGH. 168. Quando reina Adriano (117-138 d. Peabody. NEXT [14]. o arco do triunfo de Tito. numa interpretação messiânica de Nm 24. A Judéia torna-se parte da província Síria-Palestina.17. Idem. The Social World of Luke-Acts: Models of Interpretation. Os rebeldes ocupam Jerusalém e algumas fortalezas espalhadas pelo território judaico. além dos outros templos construídos na cidade. ibidem. Aos judeus Jerusalém foi proibida. Hendrickson. Simeão Bar-Kosibah é o chefe desta nova revolta. É o ano 135 d. Júlio Severo. L. Introduction. feita por Rabi Aqiba.). um enviado especial de Adriano. 4-5. É que o Imperador. The Countryside in Luke-Acts.C. MA. [15]. Depois de muita luta. Peabody.). há ainda nova revolta judaica. R. Cf. OAKMAN. A inscrição dizia: Judaea capta. H. Colonia Aelia Capitolina e o templo a Júpiter é levantado no local do antigo Templo dos judeus. Jerusalém torna-se. . decide reconstruir Jerusalém com o nome de Aelia Capitolina e manda fazer um templo dedicado a Júpiter no mesmo local onde existira o Templo de Salomão. [16]. Ele é chamado também de Bar-Kokhba (filho da estrela). os rebeldes incendeiam-na e se suicidam em massa para não caírem em mãos romanas. (ed. pp. dirigida por um governador que mora em Cesaréia. de pé ainda hoje. em giro pelo Oriente. sob pena de morte.. 5.C. L. celebra a vitória romana.

Cf.408-409. L. p. Judaism from Cyrus to Hadrian II. pp. Minneapolis. . pp. Storia del Popolo Giudaico I. 2. 250. Volume II: The Roman Period. A tradição rabínica diz que foi no dia 9 do mês de Ab (29 de agosto de 70).. 460. SCHÜRER. L. [18]. L. Bellum Iudaicum. F. Fortress Press.. 6. JOSEFO.. Bellum Iudaicum. 1991. nota 115. GRABBE.[17]. [19].. GRABBE. Judaism from Cyrus to Hadrian. L. enquanto Flávio Josefo diz que foi no dia 10 de Ab. Cf. 441-442. JOSEFO. 613-614. F. A data exata da destruição do Templo é controvertida.

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