História de Israel SUMÁRIO Introdução 1. Noções de Geografia do Antigo Oriente Médio 1.1. O Crescente Fértil 1.2. A Mesopotâmia 1.3.

A Palestina e o Egito de 3000 a 1700 a.C. 1.4. A Síria e a Fenícia 1.5. A Palestina 1.5.1. A Transjordânia 1.5.2. O Vale do Jordão 1.5.3. A Região Central da Palestina 1.5.4. A Costa Mediterrânea 2. As Origens de Israel 2.1. A Teoria da Conquista 2.2. A Teoria da Instalação Pacífica 2.3. A Teoria da Revolta 2.4. A Teoria da Evolução Pacífica e Gradual 2.4.1. Retirada Pacífica 2.4.2. Nomadismo Interno 2.4.3. Transição ou Transformação Pacífica 2.4.4. Amálgama Pacífico 3. Os Governos de Saul, Davi e Salomão

3.1. Ascensão e Queda de Saul 3.2. Davi e a Criação do Estado 3.3. Salomão e a Consolidação do Estado 3.4. A Ruptura do Consenso 3.5. As Fontes: Seu Peso, Seu Uso 3.6. Dois Exemplos de Fontes Primárias: as Estelas de Tel Dan e de Merneptah 3.7. A Questão Teórica: Como Nasce Um Estado Antigo? 3.8. As Soluções de Lemche e de Finkelstein & Silberman 4. O Reino de Israel 4.1. A Rebelião Explode e Divide Israel 4.2. Israel de Jeroboão I a Jeroboão II 4.3. A Assíria Vem aí: para Israel é o Fim 5. O Reino de Judá 5.1. Os Reis de Judá 5.2. A Reforma de Ezequias e a Invasão de Senaquerib 5.3. A Reforma de Josias e o Deuteronômio 5.4. Os Últimos Dias de Judá 5.5. Por que Judá Caiu? 6. A Época Persa e as Conquistas de Alexandre 6.1. A Situação da Grécia e a Política Macedônia 6.2. As Conquistas de Alexandre Magno (356-323 a.C.) 6.3. Quem é Alexandre Magno? 6.4. A Anexação da Judéia por Alexandre 6.5. A Situação da Judéia no Momento da Anexação 7. Os Ptolomeus Governam a Palestina

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A História de Israel no Debate Atual Este artigo foi publicado, de forma mais resumida, em Cadernos de Teologia n. 9 (maio de 2001), Campinas: FTCR da PUC-Campinas, p. 42-64. Acréscimos ao texto são feitos sempre que surgem novidades. ABSTRACT This article surveys some perspectives in the current research of the "History of Israel", the challenges that this poses, and proposes some trajectories for those researching this subject. The scholarly consensus that existed up until the middle seventies of the twentieth century was shattered. The rationalistic paraphrase of the biblical text that constituted the core of the handbooks of the "History of Israel" is no longer acceptable to most scholars. An increasing number of scholars question the use of the biblical text as a source for the “History of Israel”. The implementation of modern literary criticism on the biblical text requires a moving away from issues of historicity, and this allows the "biblical" stories to be evaluated primarily from a literary perspective. The writing of a "History of Israel" using only the archaeological context and nonbiblical writings is a controversial undertaking, however, an increasing number of scholars are attempting to do this. It appears a revisionist “History of Syria/Palestine" will compete

against the traditional "History of Israel" as scholars from both sides continue their research. Até meados da década de 70 do século XX, havia um razoável consenso na História de Israel. Entre outras coisas, o consenso dizia que a Bíblia Hebraica era guia confiável para a reconstrução da história do antigo Israel. Dos Patriarcas a Esdras, tudo era histórico. Se algum dado arqueológico não combinava com o texto bíblico, arranjava-se uma interpretação diferente que o acomodasse ao testemunho dos textos, como no caso da destruição das (inexistentes) muralhas de Jericó pelo grupo de Josué[1]. Exemplos? Os patriarcas eram personagens históricos, o que podia ser comprovado pelos textos mesopotâmicos de Nuzi, do século XIV a.C., em seus muitos paralelos, de estruturas sócio-econômicas a tradições legais, com Gn 12-35. E a migração dos amoritas, que ocuparam a Mesopotâmia e a Palestina no final do terceiro milênio a.C., criava as condições ideais para a entrada dos patriarcas na região da Palestina e explicava seus nomes, sua língua e sua religião. José era personagem historicamente possível, pois havia grande quantidade de evidências egípcias que testemunhava os costumes contados em Gn 3750. Semitas poderiam ter chegado a altos postos de governo no Egito, incluindo o de grão-vizir, especialmente durante o governo dos invasores asiáticos hicsos. A escravidão dos hebreus no Egito e o êxodo não podiam ser questionados, pois textos egípcios testemunham que Ramsés II utilizou hapirus (= hebreus) na construção de fortalezas no delta do Nilo em regime de trabalho forçado. A Estela de Merneptah, faraó sucessor de Ramsés II, comprova a existência de israelitas na terra de Canaã na segunda metade do século XIII a.C., o que nos permitia fixar a data do êxodo aí por volta de 1250 a.C. A conquista da Palestina pelas 12 tribos israelitas sob o comando de Josué, como narrada no livro que leva o seu nome, contava com testemunhos arqueológicos respeitáveis, como a destruição de importantes cidades cananéias na segunda metade do século XIII a.C., embora muitos autores preferissem explicar a entrada na terra de Canaã de outro modo, como pacífica e progressiva infiltração de seminômades pastores a partir da Transjordânia.

BRIGHT. 1978. Westminster Press. Diz o autor. revista e ampliada a partir da 4a edição original. graças à confiabilidade dos textos bíblicos que detalhavam os acontecimentos desta época. a questão das origens de Israel e a data e a historicidade dos patriarcas. O exílio babilônico e a volta e reconstrução de Jerusalém durante a época persa. Uma resenha da .. as posições da 2a edição. USA. e até pela Estela de Mesha. São Paulo. John Bright e sua História de Israel John Bright lançou uma 3a edição de sua História de Israel em 1981. hoje há um verdadeiro caos de opiniões conflitantes. Poucas mudanças foram feitas. que. História de Israel. após a sua morte em 1995. marcando o nascimento do judaísmo baseado no Templo e na Lei que passa a ser lida sistematicamente nas sinagogas. Bright foi. sendo tudo. Os reinos separados de Israel e Judá. Richmond. basicamente. Uma 4a edição do livro foi lançada. Albright e esta sua ‘História de Israel’ foi o manual mais utilizado por nós nos anos 70 e 80 do século passado. J. Bright pertence à escola americana de historiografia de W. pela Westminster John Knox Press. eram bem testemunhados pelos textos assírios e babilônicos. Virginia. como a 7a edição. com uma Introdução e um Apêndice de William P. Professor de Hebraico e de Interpretação do Antigo Testamento no Union Theological Seminary. F. Brown. muito bem detalhado nos livros dos Reis. no ano 2000. O autor atualizou o livro quanto a algumas descobertas arqueológicas e mostrou-se mais prudente nas afirmações sobre a historicidade de certos acontecimentos e personagens bíblicos. O melhor livro para detalhada exposição e defesa deste consenso é o de John Bright. por sua vez. parte da confiável Obra Histórica Deuteronomista. Mas manteve. como exemplo. em muitos pontos onde anteriormente havia certo consenso. após a morte de Salomão. 1981. Cf. constituíam matéria real e sem maiores problemas. traduzido da segunda edição inglesa de 1972. constituindo marco seguro para qualquer manual de História de Israel ou de Introdução à Bíblia quanto às datas dos acontecimentos e às realizações da sociedade israelita. no Prefácio da 3a edição. Philadelphia. A History of Israel. até a sua morte. Paulus. A tradução brasileira desta 4a edição foi publicada pela Paulus no final de 2003.A construção e a consolidação do poderoso império davídico-salomônico eram consideradas como pontos fixos e imutáveis na historiografia israelita. E cita. rei do vizinho país de Moab.

uma ‘História da Síria/Palestina’ ou uma ‘História do Levante’ parece ser o programa para os próximos anos. a ‘História de Israel’ está mudando. melhor. A construção de uma ‘História de Israel’ feita somente a partir da arqueologia e dos testemunhos escritos extrabíblicos é uma proposta cada vez mais tentadora. A seqüência patriarcas. pode ser lida na revista Estudos Bíblicos n. E há pesquisadores de renome na área. 69. não participava integralmente deste consenso. escravidão. pp. Uma ‘História de Israel’. conquista da terra. feita por Ludovico Garmus. e as ‘estórias bíblicas’ são abordadas com outros olhares. É preciso lembrar. . êxodo. Uma ‘História de Israel e dos Povos Vizinhos’. O consenso foi rompido. negando. A arqueologia ampliou suas perspectivas e falar de ‘arqueologia bíblica’ hoje é proibido: existe uma ‘arqueologia da Palestina’. professor em Heidelberg. porém. O uso dos textos bíblicos como fonte para a ‘História de Israel’ é questionado por muitos. afasta-nos cada vez mais do gênero histórico. ou uma ‘arqueologia da Síria/Palestina’ ou mesmo uma ‘arqueologia do Levante’. que a historiografia alemã. império davídico-salomônico. exegeta alemão. em 1950. O uso de métodos literários sofisticados para explicar os textos bíblicos. A paráfrase racionalista do texto bíblico que constituía a base dos manuais de ‘História de Israel’ não é mais aceita.'História de Israel' de Bright. que já em 1993 afirmava em artigo na revista Biblical Interpretation 1. até Martin Noth. exílio e volta para a terra está despedaçada. Vozes. divisão entre norte e sul. 90-93. A ‘tradição’ herdada dos antepassados e transmitida oralmente até à época da escrita dos textos freqüentemente não consegue provar sua existência. por exemplo. passando por Julius Wellhausen. em 1894. focalizando especialmente a 4a edição. que dispense o pressuposto teológico de Israel como ‘povo escolhido’ ou ‘povo de Deus’ que sempre a sustentou. a historicidade dos patriarcas. José do Egito. que os problemas da interpretação do Pentateuco estão intimamente ligados aos problemas mais amplos da reconstrução da história de Israel e da história de sua religião. confederação tribal. como Rolf Rendtorff. 2001. em 1806-7. 34-53. Mas. pp. de Wette. Petrópolis. desde W.

na clássica coleção The Anchor Bible.1-6). mas. Doubleday. Sua idéia fundamental: se algumas das narrativas sobre os patriarcas hebreus estavam se referindo historicamente ao segundo milênio a.)[3]. A.. o norte-americano Thomas L. a adoção de um estrangeiro.C.. apontar as dificuldades que a crise vem criando e propor algumas pistas de leitura para os interessados no assunto.Este artigo quer traçar um panorama destas mudanças pelas quais vem passando a ‘História de Israel’ nos últimos vinte e tantos anos. New York. 1500-1200 a.11. Dois anos mais tarde. 2000. nem do segundo milênio. Abraão e sua Lenda.2). Isto quebrava o paralelismo feito pelos autores entre Nuzi e o mundo patriarcal e tirava a garantia de que os costumes patriarcais refletiam práticas do segundo milênio. Estes e outros exemplos podem ser mais facilmente vistos em VOGELS. Garden City. O tema: as narrativas patriarcais. Thompson começou sua tese de doutorado na Universidade de Tübingen. sem questionar.C. Thompson percebeu que os costumes familiares de Nuzi e as leis sobre propriedades não eram exclusivos nem de Nuzi. Quando Thompson começou seu trabalho. 38-45. e datados da época do Bronze Recente (ca. a mãe de aluguel como Agar (Gn 16. então Thompson poderia distinguir nelas as mais antigas histórias bíblicas da tradição posterior mais ampliada[2].10-20 e paralelos). como quase todos os arqueólogos e historiadores acreditavam naquela época. Genesis. 1. como herdeiro (Gn 15. no qual o autor discute cerca de 20 coincidências entre os costumes patriarcais e os costumes de Nuzi. refletiam práticas típicas do primeiro milênio a. São Paulo. W. E. como os casos da esposa-irmã Sara (Gn 12. no norte da Mesopotâmia.1-25. Gênesis 12. os paralelos feitos entre os costumes patriarcais e os contratos familiares encontrados na cidade de Nuzi. .C. porém. Loyola.. na Alemanha. Nuzi e os Patriarcas Um bom exemplo desse paralelismo pode ser lido no comentário de SPEISER. Patriarcas? Que Patriarcas? Em 1967. 1964. em 1969. Eliezer. ele estava tão convencido da historicidade das narrativas sobre os patriarcas no Gênesis. que aceitou. mais provavelmente. pp.

não pôde defender sua tese na Europa nem publicar seu livro nos Estados Unidos. pelas mudanças climáticas na região. mais cientificamente. então. em 1976[4]. que terminou a pesquisa em 1971. muitas das mudanças ocorridas em todo o Antigo Oriente Médio que antes eram atribuídas a invasões mal documentadas de povos. sujeita a períodos de secas prolongadas e devastadoras. Reino Unido. Além do que. Philadelphia. Thompson. Estados Unidos. sob o título de “O Background dos Patriarcas”. não podia ter existido uma ‘Monarquia Unida’ sob Saul. de quem falaremos mais detalhadamente no próximo item a propósito do Javista. segundo a qual teria havido grande migração de nômades vindos das fronteiras do deserto siroarábico para a Mesopotâmia e para a Síria-Palestina no final do terceiro milênio. Davi e Salomão em Jerusalém. Neste artigo. Thompson percebeu que não havia prova alguma para tal pressuposto. no século X a. Em 1987 Thomas L. Thompson começou a trabalhar a questão das origens de Israel. da editora Sheffield. pois o que se descobriu nos últimos anos é que os amoritas são sedentários do norte da Mesopotâmia. O crescimento populacional dos amoritas deve ter provocado a ampliação de seus territórios e a ocupação de várias cidades da região.C. ou seja. O livro só foi publicado em 1974 e Thompson conseguiu seu PhD na Temple University. John Van Seters. independente de Thomas L. Isto é testemunhado pelas centenas de povoados espalhados do Eufrates até os vales dos rios Khabur e Balikh e datados pelos arqueólogos como existentes desde o Calcolítico. e a datação tradicional dos patriarcas e sua historicidade caíram por terra. vivendo da agricultura e da criação de gado.C. a defender que as narrativas patriarcais estavam refletindo muito mais o primeiro do que o segundo milênio. O resultado foi academicamente desastroso. pesquisando a historicidade dos patriarcas.Além do mais. hoje. no Journal for the Study of the Old Testament. retomando a argumentação publicada em um artigo de 1978. examinando a hipótese amorita. podem ser explicadas. . não atribuindo qualquer valor histórico às estórias sobre Abraão. Thompson localizava as origens de um Israel histórico na região montanhosa ao norte de Jerusalém durante o século IX a. chegou a conclusões semelhantes. Thompson passou. Isto implicava a exclusão de qualquer unidade política de Israel que abrangesse toda a Palestina. Thompson.

2. Leiden. Thompson foi convidado para trabalhar no Departamento de Estudos Bíblicos da Universidade de Copenhague. Mas. Winnet. duas diferentes fontes deveriam ser vistas dentro do material J do Gênesis: uma mais antiga e outra da época do exílio. admitia o pesquisador. Winnet não aceitava a fonte E como um documento independente. em 1993. examinando as tradições sobre Abraão. onde trabalhava. ela poderia ser uma revisão de mais antiga tradição patriarcal e não poderia ser encontrada no Êxodo e Números. Quando muito. Sheffield Academic Press. Brill.. F. O estudo completo resultou no livro Early History of the Israelite People from the Written and Archaeological Sources [Antiga História do Povo Israelita a partir de Fontes Escritas e Arqueológicas]. elaboradas desde o século X a. mas complementos de outras mais antigas. onde até hoje se encontra. Isto porque o desenvolvimento literário do Gênesis teria ocorrido de modo independente de Êxodo e Números até o estágio final da composição do Pentateuco. e onde encontrou um grupo com idéias avançadas sobre a ‘História de Israel’.. O mesmo deveria ser dito do P. L. o canadense John Van Seters aceita o desafio de um seu professor e começa a revisão da ‘Hipótese Documentária’ do Pentateuco. A Sheffield Reader. nos Estados Unidos. os hoje chamados ‘minimalistas’. na corte davídico-salomônica até o século V a. Sheffield.C.O artigo de T. Deuteronômio e Sacerdotal. 1992 [19942]. Diz Thompson que a reação a este livro foi pior do que à tese sobre os patriarcas. com Esdras. em ROGERSON. quando então foram organizados e combinados pelo Sacerdotal (P). Eloísta. J. V. . 33-74. Com um detalhe: estas fontes não seriam documentos independentes. pp. em conferência feita em 1964. The Pentateuch. W. desde o século XIX. A ‘Hipótese Documentária’ afirmava. levando ao afastamento do autor da Marquette University. Van Seters Reinventa o Javista Ainda em 1964. 1996. professor de Van Seters. Assim. na Jerusalém pósexílica.C. levantou uma série de dúvidas sobre os fundamentos da Hipótese Documentária. Thompson foi relançado em livro: The Background of the Patriarchs: A Reply to William Dever and Malcolm Clark. que o Pentateuco era composto pelas fontes JEDP – Javista.

Schmid procurou mostrar que o J dependia fortemente da tradição profética e estava muito próximo da escola deuteronômica. Van Seters. examinando as tradições sobre Abraão. Em 1976 e em 1977 apareceram os livros de Hans Heinrich Schmid e de Rolf Rendtorff sobre o mesmo assunto. Van Seters concluiu também que o material atribuído ao J mais antigo era muito pequeno. Van Seters concluiu que o J deveria ser visto como um autor pós-D. Percebendo igualmente a forte afinidade do J com o Dêutero-Isaías. Abraham in History and Tradition.1-20 corresponde ao J mais antigo de Winnet.1-11 ao J mais recente da proposta do professor. e também que a forma da promessa da terra no J era um desenvolvimento posterior daquela encontrada no Deuteronômio e na tradição deuteronomista. A Social-Science Commentary.Embora a proposta de Winnet não tenha causado repercussão.10-20. E também em VAN SETERS. em 1976. Gn 20. era insustentável. e que a ‘Hipótese Documentária’ deveria ser totalmente revista.1-11 – não são documentos independentes agrupados por redatores. 59-60. Schmid.. pp.. Sheffield Academic Press. The Pentateuch. A conclusão a que se chegou foi de que o Pentateuco era o produto do movimento profético. como dissemos. 1-18 ao complemento E e Gn 26. Yale University Press.26. H. do qual não se percebia nenhum sinal. A crise do Pentateuco explodiu. J. Sheffield. como o ambiente no qual o javista teria nascido. Van Seters publicou sua pesquisa em 1975.1-18. assim como o era o livro do Deuteronômio. pelo menos em sua forma mais rígida. Estas conclusões podem ser lidas em VAN SETERS. percebeu que episódios paralelos – como a história de Sara “irmã” de Abraão em Gn 12.20. New Haven. Von Rad de um ‘Iluminismo Salomônico’. . em plena luz do dia e ninguém mais podia escapar da constatação de que a teoria clássica das fontes do Pentateuco. 1975. e de que o J deveria ser visto em estreita associação com a escola deuteronômica nos últimos anos da monarquia ou na época do exílio. H. que o E consistia de uma única estória e que todo o material não-P pertencia ao javista mais recente. Examinando uma série de textos amplamente aceitos como javistas. então. mas sua relação é de complementação: Gn 12. 1999. contestou a tese de G. J.

1976. Das überlieferungsgeschichtliche Problem des Pentateuch.. por sua vez. A. . dando-lhe. Neukirchener Verlag. mas sim uma posterior costura deuteronomista ligando estas tradições. Berlin. que o Javista compõe uma obra unificada que vai da criação do mundo até a morte de Moisés. (org. Sheffield.. em DE PURY. BLUM. NeukirchenVluyn. E. pp. Studien zur Komposition des Pentateuch. O Pentateuco em questão. R. 1984. chegou à conclusão de que o Deuteronômio e a Obra Histórica Deuteronomista eram anteriores ao javista. mais tarde. Zürich. em livros publicados em 1992 e 1994. Petrópolis. Deuteronomist und Jahwist. ed. O J faz o trabalho de um historiador . Der sogenannte Jahwist. Walter de Gruyter. H. 63-70. porém um significado teológico próprio. 2002. Ele defende que cada unidade maior teve seu próprio processo de redação antes de ser colocada em contato com outras unidades. Sheffield Academic Press. 1990. Donde se conclui que a idéia de fontes. Rolf Rendtorff. mas o alcança.). Theologischer Verlag. em 1981.Embora não tenha discutido a datação do J em relação ao D. Theologischer Verlag. em 1977. seu discípulo Martin Rose. M. confirma as intuições de seu mestre estudando as tradições patriarcais de Gn 12-50. ROSE.no qual ele se baseia em fontes orais e escritas. Uma exposição do pensamento destes autores pode ser vista.. As origens e a composição dos cinco primeiros livros da Bíblia à luz das pesquisas recentes. 2.. Walter de Gruyter. Untersuchungen zu den Berührungspunkten beider Literaturwerke. em português. chega à conclusão de que tal independência não deve ser limitada ao período pré-literário. Berlin. Rendtorff não vê nenhuma conexão original entre Gênesis e Êxodo-Números. Seu aluno Ehard Blum. Noth da formação do Pentateuco a partir de temas independentes.. e que o desenvolvimento dos temas é que deve ser enfocado. 1977 (tradução inglesa: The Problem of the Process of Transmission in the Pentateuch. tal como a J. 1981. deve ser abandonada. 1990).semelhante ao trabalho do historiador grego Heródoto . Van Seters estendeu seu estudo sobre o J a todo o Tetrateuco e defendeu. retomando a idéia de M. O Questionamento do Consenso Wellhauseniano em Alemão Os estudos destes pesquisadores resultaram nas seguintes obras: SCHMID. H. Zürich. Die Komposition der Vätergeschichte. RENDTORFF. Vozes.

proveniente da Europa.: esta obra mostra como a crise do Pentateuco continua e como um possível consenso parece ainda distante. Walter de Gruyter. da qual ela é uma espécie de introdução. 2001. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts.. Berlin. Só para entendermos por onde pode caminhar a discussão atual.).. ele ligou as duas grandes obras e acrescentou sua própria conclusão final ao Hexateuco através do segundo discurso de Josué em Js 24" [5]. Os autores defendem que boa parte do Pentateuco é uma criação da monarquia da época de Josias. William Johnstone. mas uma série de suplementos pós-exílicos ao D+J. Hans-Christoph Schmitt. GERTZ. em sua maior parte. Markus Witte.. Albert de Pury. Mas é anterior ao Sacerdotal (P). Van Seters conclui: “Deste modo. Joseph Blenkinsopp. 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis). Josué. K. E a Crise do Pentateuco Continua. Thomas Römer. Já que o J era posterior ao D/OHDtr. O Eloísta (E) não se sustenta como documento independente e desaparece. Erhard Blum. Por isso. com Josué como o objetivo das promessas patriarcais. Thomas Dozeman.C. Só gente do ramo. The Free Press..O objetivo da obra do J é o de corrigir o nacionalismo e o ritualismo da Obra Histórica Deuteronomista. que. Graeme Auld. Ernst Axel Knauf. não é uma obra independente. cito aqui a proposta do arqueólogo Israel Finkelstein e do historiador Neil Asher Silberman. Reinhard Gregor Kratz. E que a Obra Histórica Deuteronomista foi igualmente compilada. por sua vez. SCHMID. J. Jean Louis Ska. Juízes. C. neste volume escrito em alemão e inglês. eu procuro resolver o problema existente entre os argumentos de Noth a favor de um Tetrateuco separado do D/OHDtr e a insistência de Von Rad em um Hexateuco. & WITTE. elaborada para defender a ideologia e as necessidades do reino de Judá. Konrad Schmid. para fornecer suporte ideológico para sua reforma política e religiosa. no livro The Bible Unearthed. 2002. no tempo do rei Josias. Contribuem. XII + 345 pp. M. sustentando que a arqueologia hoje dá suporte à hipótese de que tanto o Pentateuco quanto a Obra Histórica Deuteronomista foram escritos no século sétimo a. sendo contemporâneo do Dêutero-Isaías e tendo afinidades com Jeremias e com Ezequiel. Uwe Becker. Jan Christian Gertz. New York. Estados Unidos e . Abschied vom Jahwisten: Die Komposition des Hexateuch in der jüngsten Diskussion. (eds.. o Javista é posterior ao Deuteronômio e à Obra Histórica Deuteronomista (Deuteronômio.

[3].Israel! E. Up with Reading: The Current State of Biblical Studies. verbete Nuzi. New York. a ruptura do consenso que passo a descrever. N. T. 656. em maio de 1999. Em Nuzi. Trinity Press International. 1992. Basic Books. os autores concordam em rejeitar a fonte javista e sugerem que a coerência das narrativas do Pentateuco somente foi alcançada no pós-exílio com o D e o P. mais aqui. Sheffield Academic Press. New York. J. XI. Cf. É um material que ilustra brilhantemente a vida diária de uma comunidade da metade do segundo milênio a. Berlin. cada um mais sugestivo do que o outro. onde o pesquisador se pergunta: O que aconteceu com o Javista na atual pesquisa do Pentateuco? E responde: ele desapareceu e levou consigo a Hipótese Documentária do Pentateuco. THOMPSON. p. de outubro de 2003. VAN SETERS. Thompson: The Historicity of the Patriarchal Narratives: The Quest for the Historical Abraham. como observa Robert Gnuse. em resenha do livro na CBQ 65/4. Cf. O livro de Thomas L. The Pentateuch..500 tabuinhas cuneiformes. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. Cada um constrói seu próprio paradigma.. em conferência pronunciada no Departamento de Estudos Judaicos da McGill University. sociais. Leia também artigo de 2006 de Rolf Rendtorff. Gary A. 1999. 61-62.html . econômicas e as descrições das práticas e estruturas jurídicas. Estou me inspirando no artigo de RENDSBURG. [2]. Biblical Archaeology and the Myth of Israel. Walter de Gruyter. Para além disso. 1997. pp. p. no contexto do abandono da teoria das quatro fontes. Down with History. A Social-Science Commentary. em At the Cutting Edge of Jewish Studies. http://www. FREEDMAN.. L. ninguém concorda com ninguém. Cf.C. que cobrem a vida da comunidade e de cidades vizinhas ao longo de seis gerações.. (ed. Sheffield.arts. Doubleday & Logos Library System. 1974 e Harrisburg. 2002. The Mythic Past. [4].mcgill.ca/programs/jewish/30yrs/rendsburg/index. Cf. Especialmente significantes são as informações administrativas. foram encontradas cerca de 3. [5]. 1999.. . E comenta Gnuse que os ensaios tipificam a natureza variada e caótica da pesquisa do Pentateuco. Canadá. NEXT [1]. habitada principalmente por hurritas.). no qual o autor lamenta e critica. D.

A região é habitada pela raça branca.Copyright © 1999-2008 Airton José da Silva. teremos uma região bastante fértil. da sedentarização e das rotas comerciais por onde passavam as caravanas que iam desde a Mesopotâmia até o Egito ou a Arábia. árabes.Marrocos.Sitemap. egípcio. iranianos etc) fineses. A família afroasiática compreende seis ramos: semítico. no Egito. cuxita. onde se desenrolaram os acontecimentos narrados na Bíblia. Todos os direitos reservados. þÿ 1. celtas. Quer conhecer as línguas do Oriente Médio? Experimente aqui! . Foram os rios que determinaram o estabelecimento da agricultura. O Crescente Fértil Se partirmos do Golfo Pérsico e traçarmos uma meia-lua. a Abissínia e o Magrebe . hebreus. especialmente semitas e hamitas. Esta faixa de terra é regada por importantes rios. Mapa do Site . passando pelas nascentes dos rios Tigre e Eufrates. homótico e chádico. Argélia e Tunísia atuais) indo-europeus (eslavos. Noções de Geografia do Antigo Oriente Médio 1.1. que condicionavam a vida do oriental antigo. colocando a outra ponta na foz do Nilo. cananeus. a raça branca é constituída pelos: semitas (acádios. É a chamada "meia-lua fértil" ou "Crescente Fértil". amoritas. gregos. itálicos. dentro do qual está também a Palestina. No seu conjunto. fenícios etc) hamitas (que habitavam o Egito. berbere. anteriormente chamada camito-semítica. As línguas semíticas constituem um ramo da grande família das línguas afro-asiáticas.

documentada desde a metade do terceiro milênio a. com o acádico e o eblaíta. até os dias atuais com o árabe. .A família das línguas semíticas é bem antiga. o amárico e o hebraico.C. Nos três quadros a seguir pode-se ver um panorama simplificado das principais línguas semíticas[1].

Algumas características das línguas semíticas: A estrutura gramatical: grande número de guturais muito especiais. O vocabulário semítico: quase nenhum contato com o indo-europeu semelhanças apenas em palavras onomatopaicas . mormente na vocalização raízes ternárias verbos com apenas dois tempos dois gêneros casos oblíquos. pronomes possessivos e objeto pronominal do verbo são anexados como sufixos ausência de nomes e verbos compostos pequeno número de partículas e predominância da coordenação sobre a subordinação.

nome que vem do grego e significa (terra) entre rios. que formavam uma assembléia. New York. Doubleday & Logos Research Systems. Freedman. de conotação religiosa. A Mesopotâmia A planície situada nos vales dos rios Tigre e Eufrates é chamada comumente de Mesopotâmia. Clique na miniatura para ver o mapa da Mesopotâmia! Os sumérios construíram a sua civilização na Baixa Mesopotâmia entre os anos de 2800 e 2370 a.). A escrita semítica: consonantal da direita para a esquerda exceções: escritas da esquerda para a direita são o sabeu. (ed. os assírios e os babilônios. A Mesopotâmia foi berço de civilizações antiqüíssimas e importantes. As únicas construções oficiais são os templos: as cidades eram dirigidas por senhores eclesiásticos. o etíope e o cuneiforme. . verbete Languages.C.poucos empréstimos de um grupo lingüístico para o outro. os acádios. A Bíblia chama a esta terra de paddan aram ou aram naharayim (Síria dos dois rios). notadamente o Tigre e o Eufrates. nas cenas gravadas nos cilindros.2. NEXT [1]. N. como os sumérios. Ele dirige o culto. auxiliados por "anciãos". O chefe da cidade suméria tem o título de En (= senhor). 1992.. 1997. The Anchor Bible Dictionary. As escavações feitas em Uruk revelaram o uso da escrita cuneiforme (sinais em forma de cunha) desde o início do III milênio. Cf. D. Foram os sumérios os inventores da escrita. mais ou menos. 1.

mais raros. Também a horticultura. Akshak.Visite a Sumerian Mythology FAQ! O culto era celebrado para Inanna (a futura Ishtar). Foi a função guerreira que fez surgir a realeza. marceneiros. Kish. Sua residência era mais uma fortaleza do que um palácio. por camponeses. vice-rei). deus do céu. Há. pelo menos pode-se perceber que eles se misturaram às antigas culturas populares locais. O rei era sacerdote (mantinha os santuários). Não se sabe quando se formou a monarquia suméria. na verdade. característicos da região. assim como um carro de 4 rodas e o barco. a vinha e a palmeira eram conhecidas. ao deus. ourives e ceramistas. Uruk e Ur. bois. os especialistas descobriram que as cidades organizavam-se ao redor dos templos e palácios reais. Aparece o asno e o porco. Também já conheciam a prata e o ouro. É impossível saber quando chegaram os sumérios à Baixa Mesopotâmia. era juiz supremo. que era apenas um administrador do Estado. governador. Criavam principalmente carneiros e cabras e. que indicava um poder menor do que o primeiro. Lugal (rei) era o seu título ou Ensi (chefe das cidades. abrigada por grandes escudos e capacetes. Avançando um pouco mais no tempo e pesquisando outros lugares além de Uruk. chefe militar e administrador dos canais de irrigação. havia carros de guerra com 4 rodas compactas. mas era uma monarquia militar. na forma de cidades-estado. Umma. Suas tropas chegavam a uma média de 600 a 700 homens. na guerra. Permaneceram sempre isoladas. Havia mercadores e um comércio privado. Usavam arados. Além de uma infantaria armada de lanças. O templo era um centro econômico: possuía terras. Shurupak. puxados por quadrigas de burros. Bad-Tibira. Lagash. no trabalho dos templos. . O metal mais citado é o cobre. deusa da fecundidade e do amor. reforçados. que entrou em luta com os chefes religiosos pelo controle interno das cidades e com as outras cidades em massacres periódicos.C. Mas. e para An. Contudo não permaneceram unificadas por muito tempo. ferreiros. Parece que estavam na região na segunda metade do IV milênio a. As cidades mais importantes eram: Adab. Nippur. talvez subários e populações de língua semítica. No palácio vivia o rei. Zabalam. pertencente. onde cultivavam-se a cevada e o trigo. Cada uma possuía ao seu redor um cinturão de aldeias e eram separadas por pântanos e desertos.

Uma classificação possível para as cosmogonias mesopotâmicas pode ser a seguinte. embora a primeira permanecesse. baseada na cronologia e no gênero: TEXTOS SUMÉRIOS: Cosmogonias do 30 milênio até começo do 20 milênio a. mais ou menos. Lagash e Umma foram duas das cidades que mais dominaram suas vizinhas. TEXTOS ACÁDICOS: Cosmogonias da metade do 20 milênio até o 10 milênio a. Lista do deus An = Anum 3. centro de uma anfictionia ou confederação. Listas de deuses: 3 textos 1. com mais de 900 torres semicirculares. Fundações ou refundações de Templos: 4 textos 4. As estátuas não são muito bonitas. cobrindo uma superfície de 5 km2. SLT 122-124 1. Cosmogonias menores: Encantamentos: 3 textos Textos Namburbi 2. em forma de lingüetas. 2. Já a cidade de Nippur parecia ser uma espécie de território neutro. são toscas demais. hínicos. épicos e mitológicos.5 km de extensão. porém.C. levou à construção de grandes muralhas nas cidades. deu-se uma transposição da temática naturista para a cósmica (os deuses passam a figurar elementos do cosmos). A religião tem predominância naturista: os cultos da fertilidade estavam em primeiro plano. simbolizando o casamento sagrado entre um deus (Dumuzi?) e uma deusa (Inanna). No ritual exerciam funções importantes a grã-sacerdotisa e o rei. Disputas entre criaturas: • Disputa entre dois . início da idade clássica sumeriana. Uruk tinha muralhas de 9. Links para o estudo da Mesopotâmia? Confira estes! Na literatura produziam-se textos sapienciais.C. mas a disposição interna era a mesma em qualquer lugar.Esta fase de guerras constantes. a partir de 2800 a. TCL XV 10 = lista De Genouillac 3. espécie de saia com longas franjas estilizadas.C.. Revelam-nos o vestuário da época: o mais usado era o Kaunakés. Em meados do III milênio. Os templos podiam ter várias formas.

5. 6. Gilgamesh. Casamento de An e Ki em meio à tempestade 3. Enki e a Ordem do Mundo 2. Enkidu e o Atrahasis Inferno 2. Enki e Ninhursag (ou Mito do Dilmun) 3. VAT 17019 Textos narrativos de Nippur . NBC 11108 Hino ao Templo de Eridu Louvor à Enxada Enuma elish Textos narrativos de Eridu . A disputa entre a Árvore e o Junco 4.motivo ctônico: 5 textos 1.motivo cósmico: 6 Cosmogonias antológicas textos 1. Enki e Ninmah A Teogonia Dunnu 5. História Suméria do Dilúvio .insetos • • Disputa entre o Tamarindo e a Palmeira Disputa entre o Boi e o Cavalo 5. A disputa entre o Pássaro e o Peixe 4. Prólogos ao Grande Tratado Astrológico: 2 textos 6.

Um único texto: KAR 4 * Abreviações: SLT: CHIERA. .1923. 86-106. Grande Liste de noms divins sumériens. VAT: Vorderasiatische Abteilung Tontafeln . (ed. Liste alphabétique des dieux sumériens. TCL: Textes cunéiformes . pp. Keilschrifttexte aus Assur religiösen Inhalts.). E. pp. Chicago. NEXT Na luta entre os vários grupos observamos que a maioria deles ostenta nome amoritas. Wissenschaftliche Veröffentlichnungen der deutschen Orientgesellschaft XXVIII.. XXXIV. Sumerian Lexical Texts from the Temple School of Nippur. Leipzig.. E.. 137-139.Coleção de tabuinhas cuneiformes do Museu de Berlim. conseqüência de grandes migrações que foram uma das causas da queda de Ur. RA 25 (1928). RA 20 (1923). Chicago University Press. Paris. H. H. 1929. Yale University. DE Genouillac. Esta entrada em cena dos amoritas (ou amorreus) assinala um fato fundamental na história da época. NBC: Nies Babylonian Collection. De Genouillac: DE Genouillac. KAR: EBELING.Musée du Louvre. 1919.

descrevendo o mito do casamento do seu deus Amurru. que não tem casa durante a vida. típica do século XIX. porém. diz: "É um homem que desenterra trufas [espécie de cogumelo comestível] no sopé das montanhas. O crescimento populacional dos amoritas deve ter provocado a ampliação de seus territórios e a ocupação de várias cidades da região mesopotâmica. vivendo da agricultura e da criação de gado.TU. Mapa Cronológico do Antigo Oriente Médio II[4] Período Bronze Bronze Ferro Ferro Antigo Arqueológico Médio Recente Recente Mesopotâmia do Assírio Assírio Assírio Assírio Norte antigo médio médio recente ShamsiMitani Adad Cartas de . que come carne crua. citada acima. Durante muito tempo existiu certo consenso entre os especialistas. de que os amoritas eram nômades que invadiram a Mesopotâmia e também a Palestina vindos do deserto siro-arábico. Além do que. Hoje. pelas mudanças climáticas na região.Em sumério são chamados de MAR. sujeita a períodos de secas prolongadas e devastadoras[3]. que não sabe dobrar os joelhos para cultivar a terra. pois o que se descobriu nos últimos anos é que os amoritas são sedentários do norte da Mesopotâmia. e não é sepultado após a morte". A caracterização dos amoritas é feita em uma epopéia da época que. enquanto na Alta Mesopotâmia a luta se dava entre Assur e Mari. não é mais possível sustentar esta posição. Isto é testemunhado pelas centenas de povoados espalhados do Eufrates até os vales dos rios Khabur e Balikh e datados pelos arqueólogos como existentes desde o Calcolítico. hoje. também governadas por amoritas. muitas das mudanças ocorridas em todo o Antigo Oriente Médio que eram atribuídas a invasões mal documentadas de povos. mais cientificamente. baseados em sátiras como esta dos sumérios. significando "ocidentais" ou "povo do oeste". em acádico AMURRU. É assim que se chega à luta pela hegemonia na Baixa Mesopotâmia. chamados também de semitas do oeste. e em uma visão romântica do nomadismo. podem ser explicadas. onde a disputa era entre as dinastias de Isin e Larsa.

. No 31º ano de seu reinado Hammurabi já era senhor da Suméria e de Akkad. assírios e gútios.Mari Mesopotâmia do Sul Babilônico antigo Influências do Egito Síria/Palestina Hicsos Isin Larsa Cassita Babilônico médio Domínio egípcio Cartas de Tell elAmarna Israelitas Elamita antigo Irã/Golfo Pérsico Godin III Dilmun Comércio da antiga Assíria Hitita antigo Carros Desenvolvimento cultural e técnico Rodas com raios Alfabeto primitivo Hitita Frígios Camelos Galinhas Vidro Cerâmica vidrada Ferro fundido Frígios Elamita médio Tribos iranianas Babilônico médio Israel Povos do mar Israel Estados fenícios Estados arameus e neo-hititas Medos Invasões de Urartu Invasões assírias Urartu Frígios Lídios Cavalaria Algodão Moedas Latão Aramaico Domínio assírio Anatólia No final deste período a cidade que emergiu com maior poder foi Babilônia. Em 1792 Hammurabi (1792-1750 a. Sob a III dinastia de Ur fora governada por um ensi e progressivamente seu poder cresceu.C. tornando-se um principado independente e controlando algumas cidades vizinhas. Consolidou sua posição frente aos vizinhos da Baixa Mesopotâmia e em seguida estendeu seu domínio a Mari.) subiu ao trono de Babilônia. aos elamitas.

especialmente quando a esposa era estéril. nem deixei cair os braços. Três classes compunham a sociedade: os ricos (awilum). determinando preços. resolvi dificuldades graves. estabeleceu e que fez o país tomar um caminho seguro e uma direção boa. Na Mesopotâmia governada pelos babilônios da época de Hammurabi temos populações que. Através dele podemos conhecer a estrutura social da época. falam línguas semíticas. Com a arma poderosa que Zababa e Ishtar me outorgaram. como o assírio. na sua maioria. homens de corvéia e funcionários do Estado que recebiam glebas em troca de serviços prestados. aniquilei os . As terras do Estado eram exploradas por arrendatários. o rei forte. O comércio era dominado pelos tamkarum. que Hammurabi. O Estado intervinha em todos os setores da economia. demandar em juízo e até assumir cargos públicos. contratos de trabalho. (Estas são) as sentenças de justiça. mas existia o concubinato. com a sabedoria que Ea me destinou. Eu (sou) Hammurabi. o rei perfeito. Além disso havia os prisioneiros de guerra (asiru) e os deportados. mas acumulando também fortunas particulares. eu lhes procurei sempre lugares de paz. aos templos e a particulares. espécie de mercadores itinerantes e corretores. E interessante é observar que a mulher casada tinha certa autonomia. com a habilidade que Marduk me deu. que Enlil me deu de presente e dos quais Marduk me deu o pastoreio. Hammurabi desenvolveu uma legislação que ficou famosa através de seu conhecido código. Nas cidades. o babilônio e os idiomas semitas do noroeste. que agiam em nome do Estado. Para com os cabeças-pretas. além de haver grupos hurritas. pois podia exercer diversas profissões. salários etc. categorias estas sem nenhum estatuto jurídico e que viviam a verdadeira escravidão. pequenos artesãos e comerciantes.As terras na Babilônia pertenciam ao Estado. o povo (mushkenum) e os escravos. não fui negligente. No campo viviam agricultores sedentários e nômades. fiz-lhes aparecer a luz. colonos. As regiões intermediárias eram habitadas também pelos amoritas. O casamento era monogâmico.

1. a cidade cuja cabeça An e Enlil levantaram. minha estela escrita e ouça minhas palavras preciosas. tradução do texto cuneiforme e comentários. sendo mais rarefeita a população no sul. No centro e no norte da Palestina é que se situa a maior parte destas cidades. A cultura suméria foi organizada e preservada.). .inimigos em cima e embaixo. as sentenças do país que eu decidi. Vozes. para fazer justiça ao órfão e à viúva. o seu coração se dilate! (. atentamente.3. Muitas das cidades que conhecemos através da história bíblica já existiam. Que o homem oprimido.. Começaremos a falar da Palestina na Idade do Bronze Antigo (3200-2050 a. Havia muitas escolas de escribas ao redor de palácios e templos. pp. Introdução.. A literatura e as artes alcançaram grande esplendor na época de Hammurabi. na Esagila.. Bet-Shan.C. escrevi minhas preciosas palavras em minha estela e coloquei-a diante de minha estátua de rei da justiça (. para sempre. 1987. venha diante da minha estátua de rei da justiça. provável resultado da sedentarização de grupos novos que se estabeleciam na região. promovi o bem-estar do país (.. Laquish.). Gezer. Ai. leia. para fazer direito aos oprimidos..C. Que minha estela resolva sua questão. 222-223). ele veja o seu direito. um rei que surgir no país observe as palavras de justiça que escrevi em minha estela. O Código de Hammurabi. que ele não mude a lei do país que eu promulguei. o templo cujos fundamentos são tão firmes como o céu e a terra. para proclamar as leis do país.). quando houve um notável progresso na vida urbana. acabei com as lutas. 4a edição totalmente revista e melhorada. como Jericó. Petrópolis. A Palestina e o Egito de 3000 a 1700 a. que está implicado em um processo. a história começou a se desenvolver sob a forma de listas reais e a literatura religiosa cresceu enormemente.. Meguido. para proclamar o direito do país em Babel.) Que nos dias futuros. na indústria (sobretudo na cerâmica) e um aumento geral da população. que ele não altere os meus estatutos! (Trecho do Epílogo do Código de Hammurabi na tradução de EMANUEL BOUZON. Para que o forte não oprima o fraco.

e isto depois de alguns séculos de ocupação. Siquém. nesta época. Os utensílios de pedra dominavam ainda. esta civilização sofreu forte decadência. seu território e as cidades teriam sido destruídas. Meguido. Só por volta de 1900 a. ou viveram em cavernas e quando reconstruíram as casas estas eram bastante modestas. Por volta de 2300 a. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. Tell el-Duweir. O comércio funcionava em direção à Síria do norte e do Egito. New York. a cevada. Cf. favas. A Palestina conheceu a sua fase antiga mais próspera entre os anos de 1800 e 1550 a. O curioso é que se observa que seus novos habitantes não reconstruíram imediatamente as cidades: ou acamparam sobre as ruínas. e o Negueb até o século X a. New York. Jerusalém. é que há sinais de nova vida urbana. Já a Transjordânia não teve civilização sedentária até cerca de 1300 a. Na Síria. Taanak. tais como Hazor. Freedman. Cidades populosas e bem guarnecidas.. O mesmo aconteceu na Síria. D. Tell elFarah do sul etc. pp. verbete Amorites.C. Podemos chamar convencionalmente estes povos de cananeus. NEXT [3]. Havia também a cultura da oliveira e da amendoeira. Tell Beit Mirsim. Até a década de 70 do século XX se acreditava que povos teriam invadido. Dizia-se que possivelmente eram estes povos os mesmos amoritas ou semitas do oeste que invadiram também a Mesopotâmia. cercadas por poderosas muralhas floresceram. Gezer. o trigo.C. N. Hoje se reconhece que as mudanças ocorridas então se devem muito mais a mudanças climáticas do que a qualquer entrada de povos na região. Sua língua era um semítico do noroeste.C. Basic Books. A vinha teria sido ali introduzida nesta época. . Bet-Shemesh. provavelmente a ascendente do cananeu falado nos tempos israelitas. THOMPSON.C. T.). embora já se começasse a fabricação de armas de cobre. a cidade de Biblos conheceu um progresso semelhante e a influência egípcia tornou-se marcante graças ao comércio marítimo. 1999. algumas bem violentamente. L.C. Biblical Archaeology and the Myth of Israel. a partir do norte. Cultivavam. do qual o hebraico bíblico é uma derivação. 101-225.A agricultura era a atividade básica. 1997. The Mythic Past. 1992. (ed. lentilhas. Jericó. Doubleday & Logos Research Systems.

à razão de duas por ano.. aparentados. Cf. Edições del Prado.4. sua derrota foi por mim consumada"[13]. mais ou menos. com sua capital Damasco. ROAF. Certo é que nunca houve uma união política aramaica. Em um só dia realizei uma incursão desde as proximidades da terra de Suhi até Carquemish da terra de Hatti. pp.C. mas é possível que fossem dois grupos diversos. . porque estes dois países também nos interessam.[4]. inimigos do deus Assur. sendo a Síria a sede de vários reinos arameus. que estes eram nômades semitas que a partir do deserto siro-arábico invadiram a Alta Mesopotâmia. Para falar da Síria. No quarto ano de seu reinado ele combateu os Ahlamu-Arameus no Eufrates e lhes queimou seis acampamentos no Djebel Bishri.C. bens e gado sem conta". Eis o comunicado real:"Marchei contra os ahlamu-arameus. da cidade de Anat da terra de Suhi. a Anatólia (Ásia Menor) e a Síria. A Síria e a Fenícia De novo. 1996. Infligilhes baixas e trouxe prisioneiros. Mesopotâmia e o Antigo Médio Oriente I. até a cidade de Rapigu da terra de Karduniash (Babilônia). A primeira menção segura dos documentos antigos sobre os arameus data do ano 1110 a. os termos ahlamu e arameu tornaram-se sinônimos. temos que falar dos arameus. Coleção Grandes Impérios e Civilizações. Com o tempo. 6-7. por isso seria melhor não falar mais dos arameus desta maneira. vamos ao norte da Palestina. em um salto. Madrid. 1. até pouco atrás. E ainda:"Por vinte e oito vezes.. meu senhor. Da cidade de Tadmor (Palmira) da terra de Amurru. M. Dizia-se. contudo.). Mas hoje não temos mais tanta certeza disso. cruzei o Eufrates em perseguição aos ahlamu-arameus. e está em textos cuneiformes do reinado do assírio Tiglat-Pileser I (1115-1077 a.

Leia: Ugarit and the Bible! Uma necrópole supõe a existência de uma cidade. Concorrente de Tiro no comércio e navegação. que tinha toda a aparência de ser um tell . Albanese. Por isso. arando sua propriedade a cerca de 12 km ao norte de Latakia. mas foi cidade livre sob os romanos. era muito fértil. Sídon. Por isso resistiu maravilhosamente a terríveis assédios assírios e babilônicos. Foi aniquilado pelos assírios. Os assírios conquistaram-na. Foi tomada por Alexandre Magno após sete meses de cerco. mas depois que Davi conquistou todos os outros. de uns 20 metros de altitude. um pouco antes de Israel do norte. relacionada com a literatura bíblica e sua língua. Albanese e Dussaud prestaram atenção à colina vizinha. na época sob mandato francês.[14]. Ainda: Ugarit (Ras Shamra). dominando todo o território sírio. Líbano. Damasco se impôs como principal.. "púrpura" se dizia canaan e em grego foinix. o Serviço de Antigüidades da Síria e do Líbano. habitada por cananeus. remove uma pedra na qual seu arado bate e encontra os restos de uma tumba antiga. Tiro era famosa por seu comércio e suas naves. donde "Fenícia". Colocado a par da descoberta. encontramos a cidade de Tiro. A província síria destacou-se depois. Foi destruída pelos filisteus. A Fenícia. existente desde o III milênio a. é devido à cadeia de montanhas assim chamada e significa "o branco". metade no continente. M. por causa da neve no pico dos montes. habitada por cananeus. chamada Ras Shamra. segundo os textos bíblicos. É importante por causa de sua grande literatura. encarrega um especialista. seu nome atual. A descoberta Em março de 1928. foi famosa por causa de seus navegantes. Começando pelo sul da Fenícia. Seu nome vem da púrpura que era extraída ali de certas conchas. Em fenício-hebraico. datável aí pelos séculos XIII ou XII a. que imediatamente notifica a presença de uma necrópole e identifica a tumba como sendo do tipo micênico.C.O reino de Aram-Damasco era pequeno. parente da hebraica.C. um lavrador alauíta. construída metade sobre uma ilha. Foi quase sempre aliada de Israel. a faixa costeira ao norte de Israel e ao lado da Síria. L. antiga Laodicea ad mare. As escavações aí realizadas enriqueceram muito os estudos bíblicos nos últimos tempos. sob o domínio romano.

C. foram feitas as primeiras descobertas: tabuinhas de argila escritas em caracteres cuneiformes. Esta época manifesta contato ou influência da cultura contemporânea da Baixa Mesopotâmia.. objetos de bronze e de pedra. que tem um extensão de uns 25 hectares e se encontra a cerca de 800 metros da costa. dos romanos) que separa a região dos alauítas do vale e da desembocadura do rio Orontes. e que podia corresponder à cidade procurada.C.The Edinburgh Ras Shamra Project! Um ano mais tarde.C. 20 : 2100 . Foi o começo de uma série de descobertas numa escavação que se prolonga até os nossos dias. Os 5 níveis arqueológicos Os arqueólogos classificaram a seqüência estratigráfica em 5 níveis: 10 : 1500 . 40 : 4000 .C.C.C. O nível 3 (3000-2100 a. empreendimento só suspenso durante II Guerra Mundial. Ao norte se vê o Jebel Aqra'. do ponto de vista cultural e étnico esta é uma cidade cananéia.4000 a. Isto é interessante. embora do ponto de vista geográfico Ugarit não se encontre em Canaã. e logo em seguida. porque.) apresenta em suas camadas superiores cerâmica cananéia. primeiro da necrópole. Poucos dias mais tarde. no dia 2 de abril de 1929.2100 a. no tell. De 1929 a 1980 foram realizadas 40 campanhas arqueológicas no local. Schaeffer. 50 : ? .. ou Monte Zafon (o monte Casius. A. começaram as escavações.1100 a. E as pesquisas ainda continuam.3000 a. no dia 8 de maio. ou seja.1500 a. sob o comando de Claude F. um acúmulo de ruínas antigas. Visite o ERSP . 30 : 3000 . . "monte pelado".arqueológico.

pois os textos descobertos sugeriram imediatamente que se tratava de Ugarit (ú-ga-ri-it). encontrado em Ugarit. Estavam principalmente na "Biblioteca" anexada ao templo de Baal e no "Palácio Real" ou "Grande Palácio". neste nível.O nível 2 (2100-1500 a. que continuou sendo semítica e cananéia. Mas há influências estrangeiras. e verificado no tell por uma camada de cinzas que divide este nível em duas partes. e com ela a da cidade. toda uma necrópole com cerâmica cananéia. que é uma forma do cananeu. Tumbas familiares são feitas debaixo das casas. sobretudo pelas Cartas de Tell el-Amarna. que foi decifrado em poucos meses por H. Construiu-se neste época um bairro marítimo. O estilo da cerâmica encontrada nas tumbas é ródio-cipriota. A reconstrução foi esplêndida e dominada pela arte de estilo micênico.C. Chama a atenção. em acádico. portanto. Os textos que nos interessam estão em ugarítico. Dhorme e Ch. O nível 1 (1500-1100 a. onde se encontram algumas provenientes da própria Ugarit. Os vestígios de ocupação posterior são de menor importância. refletidos nas construções amplas e nas tumbas da necrópole de Mina' al-bayda'. A identificação da cidade A identificação do nome do local não foi difícil.) nos indica uma cultura tipicamente semita na cidade: cerâmica e templos são de tipo cananeu. Entre os textos encontrados aparece o nome da cidade. vindas do Egito. pertencendo.C. já conhecida por referências da literatura egípcia e mesopotâmica. Virolleaud. em hitita hieroglífico e cuneiforme. ocorre no começo da época do ferro.) mostra indícios de grande prosperidade no seu começo. um sistema cuneiforme alfabético. em micênico linear e cipriota e em ugarítico. Os textos ugaríticos Os textos foram encontrados todos no primeiro nível. e guardam muitos utensílios e armas. E. da Mesopotâmia e da região do mar Egeu. em hurrita. Bauer. à última fase da cidade. foram encontrados cerca de 1300 textos . correspondente a sete línguas diferentes: em hieróglifos egípcios. que possuía diversas dependências para arquivos. Um violento incêndio destruiu esta prosperidade. como conseqüência de um processo de decomposição social interna coincidente com a passagem dos "povos do mar". As tabuinhas estão redigidas em sete sistemas diferentes de escrita. é de grande importância para se entender a reação israelita ao tema presente na Bíblia Hebraica. incêndio mencionado em uma das cartas de Tell el-Amarna. Nesta língua. A invasão dos hicsos não modificou substancialmente esta cultura. A ruína desta civilização. O testemunho acerca do culto dos mortos na civilização cananéia.

Isto sem contar que.1. junto com o nome do Sumo Sacerdote. quem sabe. Assim. segundo o uso da epigrafia cuneiforme. que governou Ugarit de 1370 a 1335 a. Como é comum nas tabuinhas cuneiformes. mas de cima para baixo.5 x 19.6 e 1. enquanto as colunas do anverso estão dispostas da esquerda para a direita. apenas o transmissor desta versão tradicional do mito de Baal e o nome do rei.. Suas dimensões eram mais ou menos as mesmas"[16]. a terceira coluna continua diretamente. Apesar do mesmo tom e da mesma concepção mitológica. materiais ou epigráficas não podem constituir unidade editorial com os demais..16. del Olmo Lete. quatro (1. ou se temos um ciclo que engloba diversas composições literárias.. Niqmaddu. que tem oito colunas e da tabuinha 2 que tem somente quatro colunas. . e a quem deveremos considerar como o autor. Diz o autor: "Nos restam assim seis tabuinhas que podem representar uma versão ou redação unitária do ciclo mencionado. A divisão entre as colunas é feita por uma linha dupla profundamente marcada. também em Ugarit. três de cada lado (. as do reverso estão dispostas da direita para a esquerda. com tema e tramas próprios ou se estamos lidando com versões diferentes de um mesmo mito. A exceção fica por conta da tabuinha 4.5 cm e 26 x 22 cm. G. de modo que a correspondência anverso/reverso das colunas é a seguinte: 1/6.3. ultrapassando a borda inferior. história essa que é dificílima de ser feita. E o mais interessante no Ciclo de Baal é que as seis tabuinhas têm a mesma "caligrafia". com rigorosa unidade de composição. foram escritas pelo mesmo escriba que se identifica como Ilimilku em 1. As dimensões padrão são 26. 2/5 e 3/4. A escrita ugarítica caminha da esquerda para a direita.O Ciclo de Baal O Ciclo de Baal (ou Ba'lu)[15] apresenta algumas dificuldades especiais dentro da literatura ugarítica: não é fácil determinar se temos um mito único. De modo que. podemos estar falando de diferentes redações de um mesmo "mitema" ou de "mitemas diferentes". Attanu-Purlianni.5. exclui os fragmentos que por suas características externas. O número de linhas conservadas por coluna oscila entre 62 e 65.. Outra dificuldade é o número e a ordem das tabuinhas.C. há uma "história da tradição e da redação" dos textos.). Delas. da coerência e continuidade entre os diversos episódios que compõem o mito total. para quem trabalhou e que deve ter ditado o texto. em Mitos y Leyendas de Canaán. redator ou. no verso. ou seja.6) possuíam originalmente seis colunas de texto. a tabuinha não deve ser virada como uma página de um livro.

enquanto alguns outros que ali aparecem têm um papel muito impreciso. Pastor Máximo.KTU 1.1. Síria. no seu final: El escriba fue Ilimilku. Rey de Ugarit Señor Formidable. apenas uns dez ou doze são ativos em sua literatura. O universo mitológico de Ugarit Entre os muitos deuses que constituem o panteão de Ugarit.4). deus da chuva e da fertilidade.3.6 VI diz. deusa da guerra e da caça deusa sol . e no Museu de Aleppo (1. O palácio de Ba'lu (1. discípulo de Attanu-Purlianni. Provisor de nuestro sustento. Destacam-se: ILU (=EL) BA'LU (=BAAL) YAMMU (=YAM) KÔTHARU (=KOSHARWAHASIS) 'ATHTARU (='ATHTAR) 'ANATU (= 'ANAT) ATIRATU (= 'ASHERAH) MÔTU (= MÔT) 'ATHTARTU (= ASTARTÉ) SHAPSHU deus supremo. da guerra e da fertilidade .1-2). 1931 e 1933 e estão hoje no Museu do Louvre (1. Assim. as seis tabuinhas trazem um ciclo mitológico. criador dos deuses e do homem chefe dos deuses.5. Paris. senhor da terra deus do mar deus artesão deus do deserto deusa do amor. Inspector de Niqmaddu.6). deusa mãe deus da morte e da esterilidade esposa de Baal. Sumo Sacerdote.5-6).3-4) e a Luta entre Ba'lu e Môtu (1. As tabuinhas do Ciclo de Baal foram encontradas todas nas campanhas arqueológicas de 1930.2.esposa de Baal esposa de El. composto de três mitos ou composições autônomas que giram cada uma em torno de um mitema particular: Luta entre Ba'lu e Yammu (1. shubbani.

Doubleday & Logos Research Systems.O. 274. DEL OLMO LETE. (ed. c. Volume 1: Dos primórdios até a formação do Estado.. p. 1997 [20043]. Mitos y Leyendas de Canaan según la Tradición de Ugarit. NEXT [13]. KTU: M. GORDON.. História de Israel e dos povos vizinhos. 19693. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. Princeton University Press. para o que se segue..275. Para outra hipótese. Ancient Near Eastern Texts Relating to the Old Testament (ANET). G. Para a ordem das tabuinhas. G. 83 da mesma obra. Cf. Ugaritic Textbook. p. Sanmartín. as pp. 1992. cf. Roma. G. Dietrich . pp. Institución San Jerónimo & Ediciones Cristiandad. 1976. diferente da convencional que aparece na Bíblia Hebraica. Cf.Aprenda mais sobre os deuses de Ugarit com a Canaanite/Ugaritic Mythology FAQ! Abreviações usadas no texto CTA: A. Loretz .). B.. del Olmo Lete adotou em sua obra a forma original semita na transcrição do nomes próprios. Die keilalphabetische Texte aus Ugarit. del Olmo Lete. DEL OLMO LETE. 1963. Assim é que Baal é Ba'lu. pp. a p. Cf.. Cf. 88-89. cf. cf. 87. o. onde são apresentadas as opções de 17 especialistas. 1965. Neukirchener Verlag. (ed. verbete Ugarit. Para a posição de G. 1997.. Teil I Transcription. El é Ilu e assim por diante. UT: C. D. DEL OLMO LETE. São Leopoldo. 121. [15]. J. Neukirchen-Vluyn. CLIFFORD. R. FREEDMAN. New York. . 81-97. Princeton.J. [16]. também DONNER. pp. Herdner. 23-31. Corpus des tablettes en cunéiformes alphabétiques découvertes à Ras Shamra-Ugarit de 1929 a 1939. [14]. Pontifical Biblical Institute.. Einschliesslich der keilalphabetischen Texte ausserhalb Ugarits. N.). Creation Accounts in the Ancient Near East and in the Bible. J. 1981. Sinodal/Vozes. PRITCHARD. c. H. 48-49. o. Paris. H. Madrid.

Contando com a Transjordânia. nome proveniente de seus antigos habitantes. mas foram vencidos pelo faraó Ramsés III e passaram a viver naquela parte da Palestina. que nem sempre pertenceu a Israel. incluindo o deserto do Negueb nesta última. é outro nome da região usado para designar esta terra. A temperatura vai de -2 a 45 graus Celsius. passou a ser chamada de terra de Israel. sem a Transjordânia. O comprimento é de 250 km de Dan a Bersheba. em hebraico pelishtim. um povo que habitava a faixa costeira situada entre o Egito e a Fenícia. é melhor não projetarmos a população para este período. ou terra de Canaã. no norte. são cerca de 48 km de largura e na altura do mar Morto são cerca de 80 km. Os filisteus são de origem egéia. Haifa e Tiberíades são quentes e úmidas.C. que era apenas uma parte de seu território. dois renomados biblistas e arqueólogos. os cananeus.000 km2.1.5. e mais tarde Judá ou Judéia. A Palestina Palestina é um nome derivado de "filisteus". mais ou menos. Por isso. ou de 320 km de Dan a Cades-Barnea. quanto mais um Império davídicosalomômico. de Vaux. F. com chuvas de novembro a março e seca de abril a outubro. mais ou menos. Sob os hebreus. variando também segundo os lugares graças à topografia. que não era propriamente território de Israel. A superfície da Palestina é de 16. Do Mediterrâneo ao Jordão. Para a época do NT calcula-se: 500 mil habitantes na Palestina e 4 milhões no exterior (diáspora). talvez de Creta. Albright e R. no período de Davi e Salomão.000 km2 de território. Cai neve em Jerusalém e Jericó é muito quente. Israel é uma zona subtropical. A superfície da Bélgica. Canaã. em 800 mil habitantes. considerado até meados da década de 70 do século XX como o mais florescente da história de Israel. Faziam parte dos "povos do mar". são 25. A população foi estimada por W. tentaram invadir o Egito. Mas hoje nem sabemos se houve um monarquia unida.. . que após 1175 a. Tel-Aviv.

teria cerca de 30 mil habitantes e a Jerusalém do tempo de Jesus também não passava de 25 a 30 mil habitantes fixos. norte-sul: a Transjordânia. Arnon. Moab está situado entre os vales do Zered e do Arnon. podemos descrever a Palestina. Aí por volta de 1300 a. Sela. numa depressão de 390 metros abaixo do nível do mar que vai do lago de Hule. foram destruídas e abandonadas. ao sul o golfo de Aqaba. Kir-heres). uma fortaleza perto de Sela. Seu limite ao norte é o rio Zered. Edom é o país ocupado por um povo semita do deserto siro-arábico aí por volta de 1300 a. porém levava freqüentemente sua fronteira ao norte do Arnon.C. O país está ao sul do mar Morto. a moderna Kerak. Outras cidades: Teman. Dibon. Outras cidades: Aroer. e a continuação do Antilíbano. Sua capital era Kir-hareseth (Kir. Do sul para o norte. em um planalto de 1600 metros de altitude. quanto ao relevo em quatro faixas verticais. os afluentes são: Zered. A Bíblia costuma unir Teman e Bosrah para designar todo o país de Edom.C.1. por onde correm os afluentes ocidentais do Jordão. Bosrah e Tofel. Cerca de oito km a oeste de Medeba está o monte Nebo (para a tradição sacerdotal) ou Pisgah (para a tradição eloísta) de onde Moisés teria contemplado a terra de Canaã e morrido. Seu território principal está situado em um planalto de 1200 metros de altitude. a Transjordânia..C. a Cisjordânia e a costa mediterrânea. . Cisjordânia. ao norte. até o mar Morto. Galaad e Bashan. ao sul. quando foi destruída pelos assírios em 722 a.C. o país foi novamente ocupado por semitas nômades e pastores.5.Samaria. As cidades do ano 3000 a. Na Transjordânia estavam antigamente os seguintes países ou regiões: Edom. Ammon. Moab. A configuração geográfica é a seguinte: há duas cadeias de montanhas que percorrem a Palestina de norte a sul e são: a continuação do Líbano. A Transjordânia As montanhas da Transjordânia são altas e apresentam profundas gargantas. 110 km de comprimento e 25 km de largura. Jabbok e Yarmuk. ao norte. 1. Entre estas duas cadeias está o vale do Jordão. o vale jordânico. Medeba e Heshbon. Assim. Sua capital.

C. Sua língua se assemelha ao aramaico. Sua língua se assemelha bastante ao hebraico. de quem sempre foi inimigo. a sudoeste do monte Nebo estava a fortaleza de Maqueronte. A região sempre foi objeto de luta entre Israel e Síria. Seus bosques eram comparáveis aos do Líbano. Moab já o fizera.No tempo do NT. Esteve freqüentemente submetido a Israel. Galaad (ou Gilead) está também na região do Jabbok. NEXT NEXT . ao qual eles ofereciam sacrifícios humanos. Cultuavam os amonitas o deu Moloc (ou Melek). Suas cidades principais: Penuel. a atual Amman. Famoso era seu bálsamo e abundantes suas vinhas. Parece que se estabeleceram aí em 1300 a. e Ammon foi o mais fraco dos reinos transjordânicos. Chove bem e era coberta antigamente por densos bosques. Antes de Israel adotar a monarquia como forma de governo. Não possuía cidades de destaque. Jabesh-Galaad. Pella. mais ou menos. que se revezavam na sua posse. Sua capital era Rabbath-Ammon. A tribo de Rubens tentou se estabelecer na parte norte de seu território. Ammon era uma tribo aramaica que se estabeleceu na região superior do Jabbok. Seu deus principal era Kemosh.. formada por férteis planícies. mas foi expulsa. boas para o cultivo do trigo e ótimas para pastagens. Moab foi submetida. Succoth. Seu território tem uns 60 km de norte a sul por 40 km leste-oeste e é bastante fértil. Mahanaim. Sob Davi e Salomão. e sacrificavam-lhe crianças. Os limites de seu território não são bem definidos. Moab e Israel nunca foram amigos. No tempo do NT: Gerasa. mas se libertou logo após a divisão de 931 a. onde Herodes Antipas mandou matar João Batista. Esta região foi conquistada pelos israelitas e habitada pelas tribos de Gad e Manassés.C. Ramoth-Galaad. Gadara. Bashan (ou Hauran) é uma região ao norte do Galaad. capital da Jordânia.

Por isso foi construída aí uma fortaleza. 110 km abaixo. pois realmente ele nasce acima do nível do Mediterrâneo. sempre coberto de neve. A 9 km ao norte do mar Morto está Jericó. situado nada menos que a 390 metros abaixo do nível do Mediterrâneo. rico em peixes.5. que já está a 210 metros abaixo do nível marítimo e tem sua foz no mar Morto. Hazor. O lago de Genezaré (do hebraico Kinneret = harpa) é chamado também de lago de Tiberíades ou mar da Galiléia. cerca de 25%. que contêm um alto teor de sal. Perto de suas nascentes estão as cidades de Dan e. Cesaréia de Filipe (Baniyas). pois provocava malária. O lago de Hule era pequeno e pouco profundo. Nome bem adaptado ao maior rio da Palestina. atravessa o lago de Hule.21. . É um belo lago. Para ir da Palestina para a Síria era necessário atravessar o Jordão ao sul de Hule. Entre o lago de Hule e o lago de Genezaré. o Jordão corre violentamente no fundo de uma garganta de 350 metros de profundidade. por onde andou Jesus. Perto da desembocadura do Jordão no lago de Genezaré estão as ruínas de Corazim. Nada vive nas suas águas. com seus 2750 metros de altitude. Tinha cerca de 4 km e foi drenado pelo atual Israel. na época do NT. O NT fala continuamente destes paragens. forma a 16 km ao sul o lago de Genezaré.1. mencionada em Mt 11. Magdala. santuário cananeu e depois israelita. de 21 km de comprimento por 12 de largura. O mar Morto tem 75 km de comprimento por 16 km de largura. Cidades como Cafarnaum. nasce o rio Jordão. na confluência de quatro torrentes que descem das montanhas do Líbano.2. Tiberíades etc estavam na suas margens. ainda a 80 metros acima do nível do mar. E também Guilgal. uma das mais antigas cidades do mundo. e é o ponto mais baixo da superfície terrestre: está a cerca de 390 metros abaixo do Mediterrâneo e tem outro tanto de profundidade. Betsaida. O Vale do Jordão À sombra do monte Hermon. que se tornou a principal cidade do norte da Palestina. Jordão significa aquele que desce ou também lugar onde se desce (bebedouro).

apenas um povoado a 19 km de Jerusalém Anatot. para salvá-los dos romanos que tudo destruíram em 68 d. povoado onde nasceu Jeremias Betânia. continuação da depressão palestina. Era das colinas da Arabá que Salomão extraía o cobre para sua indústria.está a 1000 metros de altitude .5. A região é desértica. do mar Morto ao golfo de Aqaba. está a 7 km de Jerusalém Jerusalém. segundo o texto bíblico. a cidade mais alta da Judéia . os essênios. pátria de Davi e lugar tradicional do nascimento de Jesus. Cerca de 80 km ao norte estava Bersheba (Bersabéia). Um pouco mais ao nordeste.ligada à história de Abraão e de Davi. Há em Judá várias cidades e localidades importantes na história do povo de Israel. a comunidade dos essênios. esconderam em cavernas. que se eleva progressivamente. Arad. 1. cidade cananéia.3.A noroeste do mar Morto vivia. a cidade conquistada por Davi aos jebuseus e transformada em sua capital Técua. desde Bersheba até perto de Betel. Fica a 32 km de Jerusalém Belém. Importante no Negueb era Cades-Barnea. nos seus 150 km de extensão. oásis onde os israelitas estiveram após o êxodo do Egito. Ao sul do mar Morto está a Arabá. Ao norte do Negueb se estende o território montanhoso de Judá. e nas grutas de Qumran foram encontrados em 1947 importantes manuscritos bíblicos que eles. alguns quilômetros ao norte de Jerusalém.C. por onde passavam importantes rotas de caravanas. A Região Central da Palestina No extremo sul está o Negueb (deserto de Sin). terra de Lázaro etc. • • • • • . No extremo sul da Arabá estava a fortaleza de Elat e o porto de Esion-geber. pátria do valente profeta Amós. como por exemplo: • Hebron (Kiriat-arbá). nos últimos séculos de Israel.

contudo. Azecah. caminhos entre a filistéia e Judá.4.C. cidades com um longo passado de lutas e guerra.. A planície filistéia tem de 7 a 15 km de largura. Ao norte de Samaria está a planície de Esdrelon (Jezreel). cidades cujas histórias deveriam ser cuidadosamente estudadas. Aí por volta de 1150 a. Siquém. chegamos à região de Samaria. Lakish. Por ali passava a estrada que ia do Egito para a Síria. Entre a planície filistéia e as montanhas de Judá há uma faixa de terra de 15 a 25 km de largura chamada Shefelah (= terras baixas). Os vales da Shefelah. 1990. Bet-Shemesh e Gezer. um vale ótimo para a agricultura. os filisteus. uma confederação de cinco cidades: Gaza. Os Caminhos de Deus I-II. Edições del Prado. em o NT. Merecem ainda atenção: Bet-shan e Jezreel. Lod.Continuando a subir em direção norte. AA. capital do reino do norte. Madrid. são cerca de 200 km de costa. ocuparam uma faixa costeira formando a conhecida pentápoles filistéia. Finalmente chegamos à região da Galiléia. Silo. Bíblia. sul. vindo do Egeu. A Criação e o Dilúvio Segundo os Textos do Oriente Médio Antigo.VV.VV. 1996. Aí estão os mais antigos santuários de Israel. Afeq etc. Gat e Ekron. onde eram cultivados o trigo e a oliveira. que aparece muito pouco no AT. . Ashdod. Maggedah. Mais para o norte está finalmente a cidade de Dor. e para guardar a passagem foram construídas as fortalezas de Ibleam. 1. Betel.. A Costa Mediterrânea Vamos começar de novo pelo sul. Nesta região central encontramos: Ai. localizada a 60 km de Jerusalém. Libnah. depois já é a Fenícia. norte. Dotan. Tirsá. eram defendidos pelas fortalezas de Debir. por ser a pátria de Jesus. Ascalon. de Gaza. Por ali passavam as principais vias de comunicação entre o Egito e a Síria. Meguido e Jokneam. com as cidades de Jope.5. em seguida o promontório e o monte Carmelo. Taanak. Leituras Recomendadas AA. com o porto de Acco na planície de Asher. De Gaza. São Paulo. Paulus. Coleção Grandes Impérios e Civilizações. Caravanas em tempo de paz e exércitos destruidores em tempo de guerra eram uma constante. até Tiro. crescendo. Ao norte da planície filistéia está a planície de Sharon.

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2. As Origens de Israel 2.1. A Teoria da Conquista Israel invade a terra de Canaã, vindo da Transjordânia, pelo final do século XIII a.C. As tribos lutam unidas e, fazendo uma campanha militar em três fases, dirigidas ao centro, sul e norte, ocupam o país, destruindo seus habitantes, no espaço de uns 25 anos. Esta é a visão de Js 1-12 e a que dominou no mundo judaico. A síntese de Js 10,40-43 diz o seguinte:"Assim Josué conquistou toda a terra, a saber: a montanha, o Negueb, a planície e as encostas, com todos os seus reis. Não deixou nenhum sobrevivente e votou todo ser vivo ao anátema, conforme havia ordenado Iahweh, o Deus de Israel; Josué os destruiu desde Cades Barne até Gaza, e toda a terra de Gósen até Gabaon. Todos esses reis com suas terras, Josué os tomou de uma só vez, porquanto Iahweh, Deus de Israel, combatia por Israel. Finalmente Josué, com todo Israel, voltou ao acampamento em Guilgal". Mapas do Israel atual? Confira aqui!

Alguns defendem esta teoria, com matizes, baseados na "evidência" arqueológica como William Foxwell Albright, George Ernest Wright, Yehezkel Kaufmann, Nelson Glueck, Yigael Yadin, Abraham Malamat, John Bright, este último moderadamente[1]. A arqueologia atesta: a) Uma ampla destruição de cidades cananéias no final do século XIII a.C. Do norte para o sul, são essas as cidades: Hazor, Meguido, Succoth, Betel, Bet-Shemesh, Ashdod, Lakish, Eglon e Debir. Destas 9 cidades, 4 são ditas especificamente como destruídas por Josué: Hazor: Js 11,10-11 Lakish: Js 10,31-33 Eglon: Js 10,34-35 Debir: Js 10,38-39 b) A não destruição de cidades que os textos confirmam como não tendo sido tomadas por Josué: Gibeon: Js 9 Taanach: Jz 1,27 Siquém: Js 24 Jerusalém: Js 15,63; 2Sm 5,6-9 Bet-Shean: Jz 1,27-28 Gezer: Js 10,33 c) A reocupação das cidades destruídas foi homogênea e pode ser relacionada com a ocupação israelita que se seguiu à conquista. Além do que tal ocupação mostra, na sua maior parte, um empobrecimento técnico, típico do assentamento de populações seminômades (o tipo de cerâmica, de construções, de utensílios etc). d) Localidades que estavam abandonadas há muito tempo são ocupadas novamente no século XIII a.C., como: Dor, Gibeah, Bersabéia, Silo, Ai, Mispa, Bet-Zur...

Ora, em nenhuma destas evidências aparece qualquer inscrição dizendo tratar-se de Israel. Mas como nenhum outro povo ocupou tal região neste período, quem poderia ser senão Israel? Porém: • • • os dados arqueológicos não são puros, são interpretados várias destruições podem ter sido feitas por lutas internas, lutas entre as cidades cananéias o livro dos Juízes relata a conquista de maneira individualizada, feita pelas várias tribos isoladamente e não uma ação conjunta de um pretenso Israel unido o Dtr marcou muito sua obra com propósitos teológicos - necessários no tempo do exílio - e não tinha a nossa concepção de história. Ele projetou muito no passado o que era projeto para o presente, como: o hérem ou "anátema", uma guerra de extermínio, com o objetivo de manter os israelitas separados das populações estrangeiras que ocuparam a Palestina durante o exílio o processo de nacionalização através do chefe único - Josué - que interessava na reunificação dos israelitas no pós-exílio, quando na realidade Josué deve ter comandado apenas tribos da "casa de José", como Efraim, Manassés, Benjamim a chave litúrgica na apresentação dos fatos (o que interessava aos levitas e à reforma de Josias) como: a tomada de Jericó (Js 6), a travessia do Jordão (Js 3-5), o culto praticado num só lugar, na seqüência Guilgal, Silo, Siquém (Js 5,10;18,1;24,1) e a condenação do culto praticado em qualquer outro lugar (Jz 17-18), quando, na verdade, os lugares de culto parecem ter sido muitos nesta época, e contemporâneos! as cidades de Jericó, Ai e Gibeon não podem ter sido conquistadas nesta época, segundo os arqueólogos. Jericó foi destruída no século XIV a.C. e não há indícios de destruição nos séculos XIII-XII a.C., nem de reocupação; Ai (= ruína) também já fora destruída muito tempo antes, no III milênio. Gibeon não era nenhuma cidade importante na época de Josué, segundo mostra a arqueologia (cf. Js 9) o livro de Josué recorre muito à etiologia, quando diz: "e (tal está assim) até o dia de hoje" (Js 4,9;5,9;6,25;7,26;8,28-29;9,27;10,27 etc). O

mesmo acontece com o livro dos Juízes. com um artigo[5] chamado The Hebrew Conquest of Palestine. que assim acabam confirmando-na. em doze tribos. Yohanan Aharoni e outros[2]. 1962. De fato. Apóia-se também nas tradições patriarcais do Gênesis: os patriarcas viviam. Noth liga os hebreus aos hapiru. Martin Noth (1940. A Teoria da Revolta A teoria da revolta foi defendida primeiro por George Mendenhall. . 66-87. publicado em Biblical Archaeologist 25. O artigo já começa com uma constatação. As tribos foram ocupando os espaços vazios entre as cidades-estado cananéias. Siegfried Hermann. A Teoria da Instalação Pacífica Modelo defendido por Albrecht Alt (1925. José Alberto Soggin. Ligas anfictiônicas: primeiro duas (Noth): uma de clãs do sul (6 clãs posteriormente assimilados a Judá) e outra de tribos do norte.3. pp. a narrativa bíblica enfatiza os poderosos atos de Iahweh que liberta o povo do Egito. Tal teoria baseia-se na análise crítica dos textos bíblicos e interpreta à sua luz os dados arqueológicos. Os conflitos aconteciam quando um clã invadia o território de uma cidade-estado[3].1950).C. que hoje tornou-se lugar comum em congressos ou salas de aula: "Não existe problema da história bíblica que seja mais difícil do que a reconstrução do processo histórico pelo qual as Doze Tribos do antigo Israel se estabeleceram na Palestina e norte da Transjordânia"[6]. antes da monarquia. nas proximidades das cidades cananéias[4]. para o sul e para o norte. para as tribos israelitas: êxodos diferentes para os vários grupos.1939). Defende uma entrada diferenciada na Palestina. Problemas: • • • • anfictionia israelita? hapiru/hebreu? conceito de etiologia e narrativas etiológicas e as destruições do final do século XIII a. Manfred Weippert. mais ou menos pacificamente. sem um conflito generalizado e organizado. informando-nos. o conduz pelo deserto e lhe dá a terra. Os relatos de conquista de Josué são etiológicos e Josué não passou de um chefe local efraimita. Qual o valor histórico destes relatos? 2.? 2.2. Depois sua união. pelo menos.

o primeiro e o terceiro pressupostos até que podem ser aceitos. e é aqui a reconstrução de uma alternativa deve começar"[7]. Jacó e os filhos. como. como o fez Martin Noth com a tese da anfictionia. A seguir. Mostra que os próprios relatos bíblicos jamais colocam os antepassados de Israel como inteiramente nômades. que foi assumida sem criticidade pelos pesquisadores bíblicos e usada como modelo para o Israel primitivo. Jacó e Labão. Ora. Frente a isso. Mendenhall começa descrevendo os dois modelos existentes até então para a entrada na terra de Canaã. Igualmente critica a noção de tribo como um modo de organização social próprio de nômades. sendo a relação de parentesco seu traço fundamental. sociais e políticas em que se deu o surgimento de Israel. mas ocultando-nos as circunstâncias econômicas.deste modo. caracterizando-as. mostrando que tribos podem ser parte ou estar em relação com povoados e cidades. o da conquista militar e o da infiltração pacífica de seminômades e elenca os três pressupostos presentes em ambos: • • • as doze tribos entram na Palestina vindo de outro lugar na época da "conquista" as tribos israelitas eram nômades ou seminômades que tomam posse da terra e se sedentarizam a solidariedade das doze tribos é do tipo étnico. em contraste com os cananeus. Mendenhall critica a visão romântica do modo de vida dos beduínos. erroneamente vistos como nômades contrastando com os sedentários das cidades. G. inclusive. os pesquisadores sempre utilizaram modelos ideais para descrever as origens de Israel. por exemplo. mas "a suposição de que os israelitas primitivos eram nômades. sugerindo uma linha de pesquisa que levasse em conta elementos que até então não tinham sido considerados. . O que George Mendenhall propôs com o seu artigo foi apresentar um novo modelo ideal em substituição a modelos que não mais se sustentavam. está inteiramente em contraste com as evidências bíblicas e extra-bíblicas. sobre a visão e os objetivos teológicos dos narradores de séculos depois. importada do mundo grego. onde há sempre uma parte do grupo que é sedentária. entretanto. continua Mendenhall.

Sem dúvida. Segundo Lemche. New York. E conclui: "Não houve uma real conquista da Palestina. e utilizando as cartas de Tell el-Amarna. um javismo não muito bem explicado. Alguns anos mais tarde. A ênfase na mesma herança tribal. .. 1250-1050 B. "porque uma motivação e um movimento religioso criou uma solidariedade entre um grande grupo de unidades sociais preexistentes. pode ser creditada à teologia dos autores da época da monarquia e do pós-exílio que deram motivações políticas a uma unidade que foi criada pelo fator religioso. mas especialmente por seu uso eclético destas teorias. em um artigo anterior. Mendenhall usa os modelos de Elman Service expostos em sua obra Primitive Social Organization. 19622. pois esta é o símbolo formal através da qual a solidariedade era tornada funcional. Orbis Books.E. didaticamente. Por isso a tradição da aliança é tão importante na tradição bíblica. New York. coisa que os teóricos da antropologia não aprovariam de modo algum[9]. critica Mendenhall. por outro lado. Norman K. seu ponto mais crítico é o idealismo que permeia o seu estudo e coloca o "javismo". como uma revolta camponesa contra a espessa rede de cidades-estado cananéias". 1979. Mendenhall procura demonstrar que ninguém podia nascer hebreu já que este termo indica uma situação de ruptura de pessoas e/ou grupos com a fortemente estratificada sociedade das cidades cananéias. Estes camponeses revoltados contra o domínio das cidades cananéias se organizam e conquistam a Palestina. tornando-os capazes de desafiar e vencer o complexo mal estruturado de cidades que dominavam a Palestina e a Síria no final da Idade do Bronze"[8]. e na identificação de Iahweh com o "deus dos pais". diz Mendenhall. Esta motivação religiosa é a fé javista que transcende a religião tribal. muito acima de fatores sociais e políticos..Aproximando o conceito de hebreu ao de Hab/piru. Niels Peter Lemche.C. de 1975. e que funciona como um poderoso mecanismo de coesão social. O que aconteceu pode ser sumariado. Gottwald publicou seu polêmico livro The Tribes of Yahweh: A Sociology of the Religion of Liberated Israel. no qual retoma a tese de G. Random. Mas. Mendenhall e avança por quase mil páginas em favor de uma revolta camponesa ou processo de retribalização que explicaria as origens de Israel.. Maryknoll. do ponto de vista de um historiador interessado somente nos processos sócio-políticos. mas principalmente só o javismo e nenhuma outra esfera da vida daquele povo. através dos patriarcas. como a causa da unidade solidária que faz surgir Israel. por seu uso arbitrário de macro teorias antropológicas.

Ele diz que até recentemente a pesquisa sobre o Israel primitivo era dominada por três idéias básicas: • o pressuposto de mudança social ocorrida no deslocamento de populações. • • As forças e pressões que dobraram e quebraram estes pressupostos são muitos. ou seja: um hiato sócio-político em Canaã teria ocorrido como resultado da substituição demográfica ou étnica de um grupo por outro. mas basta citarmos umas poucas para que as coisas comecem a clarear: a evidência etnográfica de que o seminomadismo era apenas uma atividade secundária de populações sedentárias que criavam gado e cultivavam o solo.. resultando numa aculturação sócio-política o pressuposto de mudança social produzida por características especiais de um grupo ou por elementos culturais de destaque. Os conceitos centrais que emergem deste deslocamento de pressupostos. evidências da fundamental unidade cultural de Israel com Canaã em uma vasta gama de assuntos. a percepção de que a tecnologia e a organização social exercem um impacto muito maior sobre as idéias do que pesquisadores humanistas poderiam admitir. indicações de que mudanças culturais e sociais são freqüentemente conseqüências do lento crescimento de conflitos sociais dentro de uma determinada população mais do que resultado de incursões de povos vindos de fora.Gottwald expõe sua tese então em desenvolvimento. o javismo é visto como fonte isolada e agente de mudança na emergência de Israel[11]. e que usarei aqui para sintetizar seus pontos fundamentais[10].. seja por imigração seja por conquista militar o pressuposto da criatividade do povo do deserto em iniciar mudanças sociais em regiões sedentárias. a conclusão de que conflitos ocorrem tanto dentro de sociedades controladas por um regime único como entre estados opostos. desde a língua até a formação religiosa. ou seja. ou seja. como resultado de novos avanços tecnológicos e de idéias em confronto numa interação volátil . Israel teria ocupado a terra como recurso para realizar a passagem do seminomadismo para a sedentarização. podem ser sintetizados da seguinte maneira: • o pressuposto da ocorrência normal de mudança social ocorrida por pressão e conflitos sociais internos. a partir do momento em que o judaísmo é lido a partir da perspectiva do judaísmo tardio e do cristianismo. cada vez maior entre os estudiosos.

onde as funções políticas ou eram partilhadas por vários membros do grupo ou assumiam um caráter temporário. um ser divino integrado existia para um integrado e igualitário povo estruturado. O tribalismo israelita foi uma revolução social consciente. especialmente o fato de que os fatores ideológicos não podem ser desligados de indivíduos e grupos vivendo em situações específicas. que tinha seus fundamentos intelectuais e cultuais na religião do antigo Oriente Médio cananeu. • A partir de tais constatações. Israel tornou-se aquele segmento de Canaã que se separou soberanamente de outro segmento de Canaã envolvendo-se na 'política de base' dos habitantes dos povoados organizados de forma tribal contra uma 'política de elite' das hierarquizadas cidades estados"[13]. A religião de Israel. que dividiu e opôs grupos que previamente viviam organizados em cidades-estado cananéias. nas quais determinados contextos tecnológicos e sociais adquirem configurações novas[12]. Gottwald vê o tribalismo israelita como uma forma escolhida por pessoas que rejeitaram conscientemente a centralização do poder cananeu e se organizaram em um sistema descentralizado. ou seja. NEXT . sendo que no Antigo Oriente Médio o seminomadismo era econômica e politicamente subordinado a uma região predominante agrícola e que nunca foi ocasião de deslocamentos maciços de populações ou de conquistas políticas provocadas por estes deslocamentos o pressuposto de que mudança social ocorre pela interação de elementos culturais de níveis diversos. Gottwald propõe um modelo social para o Israel primitivo que segue as seguintes linhas: "O Israel primitivo era um agrupamento de povos cananeus rebeldes e dissidentes. Assim. E Gottwald termina seu texto dizendo que o modelo da retribalização levanta uma série de questões para posterior pesquisa e reflexão teórica[14]. se quisermos. que lentamente se ajuntavam e se firmavam caracterizando-se por uma forma anti-estatal de organização social com liderança descentralizada.• o pressuposto da função secundária do deserto em precipitar a mudança social. Esse desligar-se da forma de organização social da cidade-estado tomou a forma de um movimento de 'retribalização' entre agricultores e pastores organizados em famílias ampliadas economicamente auto-suficientes com acesso igual aos recursos básicos. uma guerra civil. era idiossincrática e mutável.

and Evolutionistic Thinking" in Modern Old Testament Research and Biblical Archaeology. Idem. G. p. Cf. E. London.. Cf. C. 172. Fortress Press. Joshua. The Hebrew Conquest of Palestine. Cf. Community. Idem. KAUFMANN. Identity and Ideology. New York. Eisenbrauns. & MEYERS. Penguin.. & MEYERS. C. pp. Westminster Press. Philadelphia. [7]. [11]. C. Domain Assumptions and Societal Models in the Study of Pre-Monarchic Israel. 279.). pp. LEMCHE. L. 19603. ALBRIGHT. Cf. Idem. "Macro Theories". 1960. Cf. & MEYERS. M. N. The Settlement of the Israelite Tribes in Palestine. Biblical Archaeology. p. WRIGHT. & MEYERS. pp. [8]. Westminster Press. WEIPPERT.. [6]. C. 1972. A. E. N. Ensaios sobre a História do Povo de Israel. ALT. The Archaeology of Palestine. Harper & Brothers. 170-181. Cf. São Leopoldo. (eds. [3]. ibidem. M. 19622. (eds. L. em CARTER.. F. L.). pp. [9]. 1975. Community. C. The History of Israel.). (eds. 1972. Community. [4].. p. Community. . GOTTWALD. MENDENHALL.. C. E. J. 152-169. Ensaios sobre a história do povo de Israel. BRIGHT. 1987. Cf. Identity and Ideology. Paulus. Social Sciences Approaches to the Hebrew Bible. New York.. J. A. A. SOGGIN. A. Sinodal. 158-159. SCM Press. Winona Lake.. 1978. ibidem. em CARTER. "On the Use of "System Theory". [2]. E.[1].. pp. Identity and Ideology. P.. Idem.). o artigo em CARTER. The Religion of Israel: From its Beginnings to the Babylonian Exile. C. HERMANN. Philadelphia. também Revisiting The Tribes of Yahweh (2006). ALT. E. G. [10]. C. A History of Israel in Old Testament Times. ibidem. Terra Prometida.. Schocken Books. em CARTER.. São Paulo. 152. pp. Terra Prometida. p. Terra Prometida. [12].. 1971. 173-174. L. 56 e 72-73. História de Israel. (eds. ibidem. ALT. S. K. 19-110. Philadelphia. Indiana. NOTH. E.. Identity and Ideology. 154. 1996. [5]. W. Baltimore. Cf. Y. Cf. Cf.

Entre os Nove Arcos nenhum levanta a cabeça. levou o Egito ao auge de seu poder. Canaã está privada de toda a sua maldade. Gazer foi tomada. ibidem.C. [14]. Tutmósis III. também da décima oitava dinastia. pp.). Tutankhamon. a última do reino novo.[13].C. que cita Israel em estela de 1220 a. que construiu nova capital. o Hatti está em paz. Mas são expulsos por Amósis (1580-1558 a. . Ramsés II é quem fez a aliança de paz com os hititas. Tehenu [=Líbia] está devastado. seu filho. Sua capital é Avaris. Israel está aniquilado e não tem mais semente.C. À décima oitava dinastia pertencem ainda: Amenófis IV (1372-1354 a. pp. PAUSA EM 06/10/2008 ÀS 16:30H O contexto histórico que apoiaria a teoria é o seguinte: Os hicsos conquistam o Egito por volta de 1670 a. deixando um vazio político na Palestina. o faraó do culto a Aton -. A capital volta a Tebas. Yanoam está como se não existisse mais. Sob a XX dinastia. 174-175. Akhetaton. Cf. Idem. Idem. faraó da décima oitava dinastia que transforma o Egito na maior potência mundial. A XIX dinastia teve alguns nomes famosos: • • Ramsés II. estendendo seu domínio até o Eufrates. 180-181.C. arqueologicamente conhecida como ElAmarna. O Haru [=Canaã] está em viuvez diante do Egito. ibidem. o faraó do êxodo Merneptah. Estela de Merneptah Os príncipes estão prostrados dizendo: paz. que é o último faraó desta dinastia e que volta ao antigo culto a Amon e traz a capital de novo para Tebas.) também conhecido como Akhenaton. o Egito vai progressivamente perdendo toda a sua influência na Ásia. e o dominam durante um século. Ascalon está deportada.

a fez passar por um ressonante triunfo. que ainda não atravessara o Orontes. Ptah e Suteh. uma espécie de "feudo" seu: interesses estratégicos. os egípcios da XVIII dinastia davam condições de defesa à Palestina. induzida por um deficiente serviço de ‘inteligência’ que garantia que as tropas hititas ainda estavam longe. O exército egípcio compunha-se de quatro divisões que levavam nomes religiosos. A batalha na realidade fora um confronto entre as duas maiores potências do mundo. Jericó e Siquém. Suteh. Bem. Para rechaçar os hicsos. saindo de um bosque. modificando todas as táticas de guerra então em uso. como bases centrais. Alguns se refugiaram no acampamento de Ramsés. não teria podido resistir se não fosse a intervenção inesperada de um corpo expedicionário de cavaleiros ‘amorreus’ procedentes da costa. o exército hitita possuía 3. retirou-se ordenadamente para a Palestina. aconteceu a célebre batalha de Cades. Então o exército hitita. aproximavam-se escalonadamente as divisões Rá. As populações locais (cananéias) tiveram que reforçar a defesa de suas cidades e abrigar em seu interior as populações mais atacadas pelos invasores. A divisão foi desarticulada e posta em fuga. mas só tinha 1. atacou a divisão Rá que acabava de atravessar o arroio Sabtuna (hoje El-Mukadiyeh). o faraó. Os hicsos invadem o Egito e a Palestina. que foi objeto de ataque imediato. Pelo contrário.500 carros de combate”[15]. A última divisão egípcia. abandoando sua missão de pacificar o país. porém. que vinham para se unir ao exército egípcio na qualidade de aliados. comerciais (produtos do Líbano e rotas caravaneiras) etc levaram o Egito a . Atrás. que teve de se retirar às pressas e se refugiar na cidade de Cades. a uma grande distância. acampou ao norte da cidade de Cades.C. O Crescente Fértil e a Bíblia: “Em 1286 a. Ramsés II desistiu de tomar a cidade. os hicsos introduziram na Palestina o uso do carro de combate. na qual ia o faraó. ocupando na região de Canaã. que mandou gravar nas paredes dos templos de Tebas. O exército egípcio era composto por cerca de 25. Echegaray. G. Embora a divisão Amon se defendesse valentemente com seu rei à frente.000 homens. não chegou a intervir na contenda. Não tinha sido uma verdadeira vitória.500 carros de combate. chamada divisão de Amon.Vale citar aqui um longo trecho de J. ocultando-se. À vista dos acontecimentos. espetacular confrontação militar de Ramsés II com seu rival hitita Muwatalli. deixando quase inteiro o exército inimigo encerrado na fortaleza. A primeira. rodeou a cidade pelo sul e. A chegada pouco depois da divisão Ptah pôs o exército hitita em fuga. mas também não podia ser contado como uma derrota.

tinham perdido o controle. sendo a de maior consistência a do dinamarquês Niels Peter Lemche. descobertas a partir de 1887). vazio de poder egípcio porque Ramsés II não conseguiu vencer os hititas e foi obrigado a fazer um acordo com este povo da Ásia Menor. Constituem um "governo" tribal. Nos conflitos entre as cidades cananéias. analisa longamente os fundamentos do modelo de Gottwald[17]. Os hapiru revoltavam-se contra seus opressores cananeus e libertavam-se de seu controle. Unidos pela esperança javista os recém-chegados juntam-se aos revoltosos.estabelecer guarnições na Palestina e a cobrar tributo dos senhores. formando com eles uma mesma identidade social. As populações de baixa condição. Muitas críticas também foram formuladas a Gottwald. Quando o controle egípcio era menor. nas cartas. que estava submetido ao faraó egípcio. que em Early Israel. . escritas pelos governantes das cidades cananéias à corte egípcia de Amenófis III e de seu filho Amenófis IV (são 377 cartas escritas em acádico vulgar. uma aliança tribal. estava assim submetida ao príncipe cananeu. Anthropological and Historical Studies on the Israelite Society before the Monarchy. as cidades cananéias diminuíam ou interrompiam o pagamento do tributo. onde os cananeus. seus governantes se acusam. da ajuda. A espoliação se dava em dois níveis. feita pelo inimigo. Quando os israelitas do grupo de Moisés chegam a Canaã esta é a situação: confrontos generalizados entre as cidades. príncipes das cidades-estado cananéias. procuravam aumentar seus domínios a expensas de seus vizinhos e rivais etc. e ocupam as regiões montanhosas. senhores das cidades. Realmente. aos hapiru: estes estariam conquistando cidades em Canaã e provocando revoltas[16]. confronto entre os marginalizados e as cidades. vivendo ao abrigo das cidades e de seus exércitos locais. o livro de Gottwald suscitou uma grande polêmica e polarizou as atenções dos especialistas durante muito tempo. com muitos cananeísmos. Mas a liberdade das cidades não era repassada para a população marginalizada! Assim é descrita a situação nas cartas de Tell el-Amarna. O modelo da retribalização ou da revolta camponesa passou a ser citado como uma alternativa bem mais interessante do que os modelos anteriores e fez surgir outras tentativas de explicação das origens de Israel.

antes que sua dimensão histórica diacrônica”[18]. O crescente consenso entre os arqueólogos é de que a distinção entre cananeus e israelitas no primeiro período do assentamento na terra é cada vez mais difícil de ser feito. New York. Tel en-Nasbeh. Dan. que entende a sociedade dentro do quadro da interação de diversas classes ou grupos de status. Tel Isdar. Bet Gala. H. nas construções e nas ferramentas[19]. As diferenças entre os dois aparecem apenas mais tarde. pois estes parecem constituir um só povo. segundo ele. Por isso. Har Adir. Mas a birra principal de Lemche com estes autores e suas teorias é que. Mayes: “Existem. 1967. Horvat ‘Avot. Entretanto. As características distintivas da teoria de conflito. The Evolution of Political Society. “A teoria sugere que. Gnuse. a partir da transformação de parte da sociedade cananéia. Como nos lembra R. 2. vale a pena olharmos alguns autores que procuraram avançar a partir e além de Mendenhall e Gottwald.4. os arqueólogos começam a falar cada vez mais do processo de formação de Israel como um processo pacífico e gradual. Nas palavras de A.Segundo Lemche. para ver Gottwald neste contexto [durkheimiano] antes do que na tradição de conflito a que pertence Marx. Khirbert Raddana. Random. Tel Quiri. Gottwald adota enfoque funcionalista da sociedade israelita. A Teoria da Evolução Pacífica e Gradual Quanto a esta teoria. Giloh. Gottwald fundamenta suas teorias no estudo de Morton Fried. Shiloh. de alguma maneira. os modelos derivados da corrente antropológica do "evolucionismo cultural" desconsideram a variável chamada Homem (enquanto indivíduo livre e imprevisível em suas ações) por não ser controlável. Beer-Sheba. mas faz um uso eclético de outras teorias e autores. As escavações de localidades tais como Ai. K. e enfatiza sua dimensão estrutural sincrônica. D. estão inteiramente ausentes do estudo de Gottwald: nele Israel surge como unidade harmoniosa e indiferenciada. Izbet Sarta. nas técnicas agrícolas. Tel Masos. Horvart Harashim. Tel Qasileh. que tem certamente raízes na teoria social de Durkheim. faz uma leitura do Israel pré-monárquico segundo a tradição durkheimiana. deixaram os arqueólogos impressionados com a continuidade existente entre as cidades cananéias das planícies e os povoados israelitas das colinas. as descobertas arqueológicas dos últimos anos encorajaram os pesquisadores na elaboração de novas maneiras de compreender as origens de Israel. boas razões. um dos problemas do ecletismo de Gottwald é que embora se reporte às vezes a Marx. porém. Tel Beit Mirsim. Arad. . Beth-Zur e Tel el-Fûl. A continuidade está presente sobretudo na cerâmica. Sasa. de uma maneira que dificilmente qualquer um deles aprovaria.

acompanhando transformações políticas e sociais no começo da Idade do Bronze”[20].C. o que sugere uma significativa retirada. Entre 1200 e 900 a. Mas o processo de evolução pacífica de onde surgiu Israel é descrito de maneira diferente pelos especialistas. Os defensores deste ponto de vista argumentam com o declínio cultural ocorrido no Bronze Antigo.cananeus gradualmente tornaram-se israelitas. K.1. James Flanagan. evitando. observou que o desenvolvimento social aconteceu junto com a intensificação do cultivo da terra.). deste modo. Gnuse cita especialmente Joseph Callaway. em uma avaliação detalhada da agricultura na região montanhosa da Palestina na Idade do Ferro I (1200-900 a. de modo que R. por sua vez. Joseph Callaway foi um dos primeiros a observar nas escavações de Ai e Khirbet Raddana. com a crescente tributação. Retirada Pacífica Como defensores de uma retirada pacífica de grupos cananeus das planícies para as regiões montanhosas. o número de povoados nas montanhas passou de 23 para 114. estas pessoas desenvolveram um sistema de colaboração ao nível de clã e de famílias. especialmente em .4. Frank Frick. Gösta Ahlström e Carol Meyers[21]. na perfuração de cisternas. talvez. no território de Efraim. Gnuse prefere classificar as teorias em quatro categorias. que são: • • • • Retirada pacífica Nomadismo interno Transição ou transformação pacífica Amálgama pacífico. com a deterioração da vida urbana causada pelas campanhas militares egípcias. David Hopkins. com mudanças climáticas. os desastres comuns a que uma monocultura estava sujeita nestas regiões tão instáveis. e. David Hopkins. 2. o que lhes permitia uma integração de culturas agrícolas com a criação de animais. K. Para Hopkins. R. Isto implica uma continuidade cultural com os cananeus das cidades situadas nos vales e sugere que as pessoas se deslocaram para Ai e Raddana para fugir de possíveis conflitos nos vales. na fabricação de ferramentas. que os habitantes destas pequenas localidades situadas nas montanhas usavam as mesmas técnicas dos cananeus na agricultura. na construção de casas e de terraços para a retenção da água da chuva.C.

finalmente. ao tipo nômade. trazendo com eles o culto a Iahweh.recursos hídricos. diferentes unidades clânicas e tribais israelitas devem ter surgido a partir de diferentes atividades agrícolas. já que construído com o nome de El. James Flanagan também acredita que o Israel pré-davídico surgiu da movimentação de grupos sedentários que deixaram os vales para uma organização mais descentralizada nas montanhas e na Transjordânia. para o 'Estado' (Davi). Para Hopkins. Esta nova sociedade teria então evoluído de uma 'sociedade segmentária' (época dos Juízes) para uma 'sociedade com chefia' (Saul) e. Os recursos tecnológicos menores. 'Israel'. Frank Frick acredita que os assentamentos israelitas surgiram após um colapso das cidades cananéias. divindade cananéia. igualmente.Talvez um grupo tenha vindo de Edom e se juntado a estes camponeses.de 23 para 114 povoados . segundo ele. onde eles se dedicaram à agricultura e ao pastoreio. e cidades podem ter sido queimadas para evitar contágio. Ahlström contesta a tese de Gottwald de uma 'retribalização' ocorrida nas montanhas. pp. não indicam a chegada de um grupo de pessoas vindas de fora da terra. G. J. Carol Meyers defende que Israel surgiu nas montanhas após uma violenta praga que devastou os vales. mas sim a escassez de recursos da área dos assentamentos. levando à intensificação da agricultura. Gösta Ahlström. entretanto. Israel.. Ele trabalha a continuidade entre israelitas e cananeus. Hopkins valorizou mais o sistema cooperativo baseado no parentesco do que o uso de técnicas como terraços. no final. Nas montanhas. evidente na cultura material. Nenhuma 'revolta' de camponeses pode ser documentada. o crescimento populacional . Teria havido um declínio de até 80% da população dos vales.exigiu mais alimento. foi quem desenvolveu mais amplamente este modelo de uma retirada pacífica em vários de seus escritos. O próprio nome do povo. e busca reler os textos bíblicos dentro desta lógica. reflete esta lógica. já que sua estrutura social de base familiar não corresponde. O Crescente Fértil e a Bíblia. agora possível pela construção de cisternas e terraços e isto produziu. . ECHEGARAY. cisternas e o uso do ferro para explicar o sucesso destes assentamentos agrícolas. 90-91. NEXT [15].

Lanham. [17].. São Paulo.. 1988.[16]. Village Subsistence at Ai and Raddana in Iron Age I. Fortress Press. R. Antropológicas e Políticas. D. Textos do Antigo Oriente Médio. Cinco Respuestas a un Enigma Histórico.4. Cf. CALLAWAY. VV. cartas G. R. cf. Almond Press. Georgia. D. MEYERS.. LEMCHE. p. Georgia. 1993. em CLEMENTS. Die Entstehung Israels im 12. L. pp. Sheffield Academic Press.. Decatur. A. Paulus. Minneapolis. A Survey of Models and Theories. (ed.. Cf. Brill. H.. 1996. onde os vários modelos são descritos e analisados. ibidem. 1985. . J. de Geus. [21]. AHLSTRÖM. O Mundo do Antigo Israel. 1984. 33. 104-121. FLANAGAN. pp. 1985. Georgia. Leiden.. K. SICRE. J. Idem. Sheffield. 1988. [20]. pp. Decatur. Cf. L..2. Almond Press. [19]. The Highlands of Canaan. E. 1997. Perspectivas Sociológicas. (org. em CLEMENTS. New York. Paulus. N. David’s Social Drama: a Hologram of Israel’s Early Iron Age. 55.). H. Israel como sociedade tribal. The Formation of the State in Ancient Israel. Chr. Early Israel. 1995. The Answers Lie Below: Essays in Honor of Lawrence Edmund Toombs. I. Stuttgart. FRICK. Oxford University Press. [18]. E. pp. em THOMPSON. Volkmar Fritz e Israel Finkelstein[22]. pp. D. GNUSE. A History of Ancient Palestine. Embora admitindo a continuidade entre israelitas e cananeus.).. Nomadismo Interno Defensores do nomadismo interno são C. Sociologia e Antigo Testamento. São Paulo. Anthropological and Historical Studies on the Israelite Society before the Monarchy.. und 11. J. MAYES. K. Kohlhammer. Almond Press..). Cf. Los Orígenes de Israel. J. V. H.. J. Jahrhundert v. H. F. 421-456 e FRITZ. em Estudios Biblicos 46 (1988). Madrid. G. O Mundo do Antigo Israel. 1985. P. (org.. p. R. Decatur. 2. No Other Gods. 32-61. AA. E. 1985.. HOPKINS. J. University Press of America. Emergent Monotheism in Israel. Israel e Judá. também MARTIN. 97118. C. 28-31. Discovering Eve: Ancient Israelite Women in Context. estes especialistas defendem uma origem pastoril para os primeiros.

Niels Peter Lemche. que. mas que estavam em contato comercial com as culturas das cidades da região. por toda a Idade do Bronze. A casa israelita de quatro cômodos significa uma evolução da arquitetura cananéia e a sua familiaridade com a criação de animais domésticos e seus trabalhos em metal e cerâmica mostram que eles não eram verdadeiros nômades. morando nas montanhas e usando categorias tribais. de Geus. Drews. Moab e Edom. mas que foram proto-israelitas. a arquitetura diferenciada dos povoados israelitas nas montanhas mostra que eles não saíram simplesmente das cidades das planícies. eu diria que. vivendo nas áreas intermediárias entre as cidades e com elas interagindo. na proximidade das cidades.4. percebe que a cultura israelita viveu um longo período em contato com a cultura cananéia e deslocou um pouco sua perspectiva. estes pastores se dedicaram também à agricultura para conseguir cereais e outros alimentos não mais oferecidos pelas cidades. vindos de fora. para Finkelstein. Quando as cidades sofreram um colapso eles expandiram seu controle. experimentando. a partir dali. antigo defensor das teorias de Mendenhall e Gottwald. mas eram etnicamente diferentes e trouxeram consigo suas próprias estruturas sociais e sua cultura material. H. porém. um dos mais brilhantes 'minimalistas' da Escola de Copenhague. Eles seriam os hapiru das cartas de Tell elAmarna. O aumento populacional posterior colocou-os em conflito com populações das planícies até que se chegou à unificação davídica. como defendia Alt. 2. se espalhado. Para Fritz. Eles teriam se assentado em grande número na região montanhosa de Efraim e. Volkmar Fritz. Talvez resumindo excessivamente seu matizado pensamento. ao escavar no norte do Negev.3. os israelitas eram 'nômades internos'. antes defensor da idéia de infiltração pacífica de Albrecht Alt. Israel Finkelstein é o principal defensor da idéia do 'nomadismo interno'. Ou seja: eles estavam culturalmente próximos dos cananeus. antes de se sedentarizarem. por isso. Robert Coote & Keith Whitelam e Rainer Albertz[23]. que eventualmente deram origem a Israel. entraram em contato simbiótico com as culturas citadinas. Transição ou Transformação Pacífica Entre os proponentes de uma transição ou transformação pacífica se destacam o já citado Niels Peter Lemche e mais: William Stiebing. uma 'simbiose cultural'. gente que vivia na Palestina. Eles estavam na região há séculos e pertenciam à cultura amorita siro-palestina do Bronze Médio. Com o declínio destas. para o norte e para o sul da região. acredita que muito pouco pode ser dito das origens de Israel .C. J. Eles seriam os hapiru ou os shasu dos textos egípcios. R. propõe que os israelitas eram etnicamente unidos.

74.. o Egito transferia parte da população de cidades. êxodo.C. em tribos. Daí.C. Condições climáticas mais favoráveis por volta do ano 1000 a. Assim o Egito compensava as perdas do comércio internacional. regionais e religiosos diferentes. assim como outros minimalistas.C. para novas regiões e garantia os seus rendimentos na região. em sua exigência de mais tributos e mais trabalho forçado. os sobreviventes da fome que se abateu sobre as cidades foram para as montanhas.. Entretanto. motivadas por interesses econômicos.antes do século X a. não há época patriarcal. pode ter sido causado não pela ausência. possibilitaram o aumento desta população e à . já que esta é um produto pós-exílico. possivelmente da época helenística. p. saindo das cidades. mas pelo aumento da pressão egípcia sobre as mesmas. por que não creditar à política egípcia o processo de criação de assentamentos sem fortificações. que o afastamento desta população. The Israelites in History and Tradition. Mas Lemche vê problemas nesta proposta. monarquia unida. questiona o uso da Bíblia Hebraica na reconstrução da História de Israel. a não ser a percepção de um processo gradual de aumento da população nas montanhas da Palestina. políticos. diz Lemche. pois ela pressupõe um vazio de poder egípcio na região e a conseqüente decadência das cidades. William Stiebing. Afugentados pela seca. Então. no conturbado enfrentamento de grandes potências no século XIII a. ao mesmo tempo que procura superá-la com uma nova proposta nas páginas 75-77. provocada pela perda das rendas do comércio internacional.C. no final do processo. deste modo. e por outro. o que hoje se sabe é que a ausência egípcia na região não coincide com o aparecimento dos povoados na região montanhosa da Palestina. como fator fundamental para explicar o declínio da cultura urbana da Grécia Micénica à Palestina. Segundo esta explicação. agora improdutivas. e a presença de elementos nômades nestes assentamentos deve ser considerada. Mas esta proposta não inclui a participação dos nômades na formação desta nova sociedade. coloca as mudanças climáticas ocorridas na região do Mediterrâneo entre 1250 e 1200 a. até cerca de 1200 a. consolidando o poder do império na região? Pois. a fixação dos migrantes. levando os habitantes dos povoados a se agrupar em grupos de parentesco. Ancient Israel: A New History of Israelite Society pressupõe que o aumento dos assentamentos tenha sido uma conseqüência natural da deterioração das condições de vida das cidades da Palestina durante a última parte do Bronze Recente. juízes. diferenças étnicas só apareceram com o passar do tempo. por outro lado. Na verdade. Diz Lemche que o modelo 'evolucionário' por ele defendido na obra de 1988. por um lado. linhagens e. Lemche expõe a sua visão no livro de 1998. Lemche.C.

Processo que pode ser chamado de 'realinhamento' ou 'transformação'. por considerar melhor os pressupostos teóricos do debate atual[24]. processo pelo qual o colapso do comércio internacional forçou os habitantes das cidades a se deslocarem para os povoados das montanhas e aí se desenvolverem. agora mais igualitário. é de que este grupo de pesquisadores prevalecerá sobre os outros. Thomas Thompson e Donald Redford. inclusive. não propondo uma teoria específica. levando a um aumento populacional significativo. que aqui se alinha. Daí o massacre das cidades e o aumento populacional dos habitantes das montanhas. No surgimento de Israel o colapso do comércio foi o fator mais significativo. A opinião de R.criação do Estado. Com o desenvolvimento destas regiões o comércio foi recuperado. promovendo mais tarde o aparecimento do Estado. segundo estes autores. Ele dá pouca importância aos fatores climáticos na explicação dos acontecimentos. a idéia de um amálgama pacífico de diferentes grupos nas regiões montanhosas da Palestina para explicar as origens de Israel tem como defensores especialistas como Baruch Halpern. enquanto que nos momentos das crises elas absorviam as populações que deixavam tais cidades. muitos habitantes da região montanhosa. em seu comportamento ético.4. Robert Drews defende que os 'povos do mar' que invadem a região não eram simples migrantes. indo de Albright a Lemche. Amálgama Pacífico Finalmente. Para tais comunidades o grupo do êxodo trouxe as idéias do deus Iahweh. Albertz fala de 'digressão'.4. Robert Coote & Keith Whitelam vêem as origens de Israel como parte de um processo de integração milenar entre as regiões das cidades e as regiões das montanhas. um grupo vindo do Egito com a experiência do êxodo. pois colocou em crise a sobrevivência das cidades e exigiu dos povoados das montanhas uma forma mais eficaz de colaboração e cooperação para a sobrevivência. Rainer Albertz faz uma espécie de síntese de várias escolas. com mudanças. William Dever. grupos . 2. surgiu não pelo simples deslocamento de determinados grupos. mas pelo crescimento populacional tornado possível pelas condições climáticas favoráveis à agricultura. portanto. mas mercenários treinados e com armamento superior ao dos exércitos locais. K. pois nos períodos de prosperidade as regiões das montanhas providenciavam recursos para as cidades dos vales. Baruch Halpern foi um dos primeiros a descrever o processo de assentamento como uma complexa interação de diferentes grupos nas montanhas: poucos habitantes dos vales. Gnuse. Israel.

C. para Thompson. distinto dos cananeus. cananeus saídos das cidades. das propostas de Coote & Whitelam e do modelo de simbiose de Fritz. Para Dever Israel se formou de refugiados das cidades. Donald Redford.. no que diz respeito a Samaria. Ele sugere que o núcleo da população nas montanhas era formado por pastores que se sedentarizaram. principal fator de transformação social e política da região. mas. enquanto o grupo sírio. egiptólogo. uns poucos nômades. Thompson. também ali se assentaram. A população das montanhas era formada por nativos da região. torna-se líder da região sul.C. defende que existe uma diferença entre os habitantes das planícies e os habitantes das montanhas. quando Jerusalém. 'bandidos sociais' (social bandits). Progressivamente controlaram também as planícies. . pura ficção pós-exílica. movendo-se os grupos entre as cidades das planícies e os povoados das montanhas segundo as estratégias de sobrevivência exigidas pelas mudanças climáticas. trouxe a circuncisão e a proibição da criação do porco e criou o nome 'Israel' no século XIII a. Thomas L. após a destruição de Lakish por Senaqueribe. mas que pastores shasu vindos de Edom. um dos mais polêmicos 'minimalistas' é ferrenho defensor de uma História da Palestina escrita somente a partir dos dados arqueológicos e crítico de qualquer história e arqueologia bíblicas. O grupo do Egito trouxe Iahweh. mas foi o Israel histórico que produziu o Israel bíblico.. Halpern sublinha ainda que o Israel histórico não é o Israel da Bíblia Hebraica. dizendo que a distinção entre urbano e rural explica as diferenças.. Na região das montanhas eles progressivamente criaram uma identidade que os diferenciou dos cananeus das planícies. levando ao surgimento da monarquia. alguns revolucionários. Thompson observa que a população da Palestina permaneceu inalterada durante milênios. William Dever já foi simpatizante do modelo da revolta de Gottwald. principalmente. Hoje ele vê o surgimento de Israel entre as populações que praticavam a agricultura na Palestina e rejeita a dicotomia cananeu/israelita. de agricultores despossuídos.. Toda a 'estória bíblica' do império davídico-salomônico e dos reinos divididos de Israel e Judá é. que são funcionais e não étnicas.C. dando início ao futuro Israel. pastores de outras áreas e imigrantes da Síria. Todos estes grupos foram reunidos pela necessidade de manter rotas de comércio abertas com a ausência do Egito na região. e no século VII a. e trazendo consigo o culto a Iahweh. que se misturaram com gente que veio das planícies. no século VIII a. como cidade cliente da Assíria. Anatólia e do Egeu.vindos da Síria. A unidade política de Israel só aparece na época das interferências assírias na região. Por fim. para ele.

como o de LEMCHE. A contribuição da antropologia é cada vez maior para explicar estes mecanismos sociais antigos. os mais discutidos entre os especialistas. O elemento cananeu cresce em importância na explicação das origens de Israel.Conclusão a. Parece provável que em cada região tenha havido um processo social específico que deve ser explicado. Leituras Recomendadas . Os dados arqueológicos apóiam cada vez menos a versão da conquista tal como está no livro de Josué ou nas explicações dos norte-americanos 3. mas são. de uma evolução progressiva. existe uma certeza: ainda surgirão muitos modelos explicativos para as origens de Israel e é possível que a solução definitiva esteja bem distante. A arqueologia é importantíssima para definir o modo como Israel ocupou a região da Palestina 2. Quais recursos devem ser usados para se elaborar um modelo explicativo? Certamente a arqueologia. Qual é o modelo mais aceito na atualidade? O modelo da instalação pacífica (de ALT/NOTH) sempre foi muito considerado.. Outros. d. O modelo de MENDENHALL/GOTTWALD. ainda não conseguiram espaço nos manuais. De qualquer modo. já que o processo de instalação parece ter sido diferenciado conforme as regiões e as circunstâncias.. a análise minuciosa dos textos bíblicos (exceto para alguns 'minimalistas') e as ciências sociais. hoje. de uma revolta de camponeses marginalizados que somam suas forças aos recém-chegados hebreus do êxodo foi o mais discutido até a década de 90. Existe algum acordo mínimo sobre a questão? O consenso dos especialistas tende a crescer na seguinte direção: 1. b. Um modelo apenas explica tudo ou devemos recorrer a vários modelos? Parece que não se pode usar um só modelo para explicar a ocupação de todo o território de Canaã. c.

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. HALPERN. Van Gorcum. Recent Archaeological Discoveries and Biblical Research.Chr. D.. L. Princeton.. 2 vols. STIEBING. 1994. Ancient Israel: A New History of Israelite Society. Canaan and Israel in Ancient Times. Cf. Scholar Press.NEXT [22].. A History of Israelite Religion in the Old Testament Period. LEMCHE. 19942. P. 1996. Kohlhammer. W. Leiden. COOTE. 1989. Sheffield Academic Press. The Emergence of Early Israel in Historical Perspective. 1998. Jerusalem. 1983. Out of the Desert? Archaeology and the Conquest Narratives. Westminster Press. 1988...C. 1987.. Jahrhunderts v. Die Vorgeschichte Israels. Early Israel: Anthropological and Historical Studies on the Israelite Society Before the Monarchy. CA. Jahrhundert v. New York. Sheffield. Von den Anfängen bis zum Ausgang des 13. Biblical Archaeology and the Myth of Israel. [1988]. V. & SILBERMAN. Almond Press.. Egypt. The Mythic Past. Louisville. Sttutgart. DE GEUS. B. R. The Archaeology of the Israelite Settlement. Basic Books. I. Stuttgart. Philadelphia. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. 1976.. Sheffield Academic Press. 1991.. Cf. The Bible Unearthed. Chr. Brill. 2001. [23]. Leiden. Early History of the Israelite People from the Written and Archaeological Sources. Brill. FINKELSTEIN. 1992. N. DREWS. A. I. THOMPSON. 1993. DEVER. The Emergence of Israel in Canaan. 1999. Sheffield. Cf. Buffalo. H. The Tribes of Israel: an Investigation into Some of the Presuppositions of Martin Noth’s Amphictyony Hypothesis... Princeton. [24]. 1990. The End of the Bronze Age: Changes in Warfare and the Catastrophe ca. Die Entstehung Israels im 12. Kentucky. C. und 11. Seattle. New York. 1985. Princeton University Press.. T... 1996. W. K.. ALBERTZ. Amsterdam. University of Washington Press. N. R. Israel Exploration Society. Kohlhammer.. REDFORD. The Israelites in History and Tradition. R. The Free Press. Chico. FRITZ. Westminster John Knox. The Canaanites and Their Land: The Tradition of the Canaanites. 1992. FINKELSTEIN. Princeton University Press. 1200 B. J. Georgia. . & WHITELAM. Prometheus. Decatur. 1995.

Nem que fosse alguém com poder despótico. com perigoso precedente de utilização deste poder contra parte da população. Aí por volta de 1050 a. foi capturada. Silo. Usavam armas de ferro. cortando as comunicações entre os vários grupos israelitas. metal que sabiam trabalhar bem e perigosos carros de combate. haviam ocupado uma fértil faixa costeira no sudoeste da Palestina. Além do mais. então. colocado acima de todos os grupos israelitas autônomos. a Arca da Aliança.C. destruído. proibiram o trabalho em metal em todo o território israelita o que equivalia a um desarmamento geral do povo e à sua dependência dos filisteus até mesmo para os trabalhos mais elementares da agricultura . Gat e Ekron. Ou porque viam em Israel uma ameaça às suas rotas comerciais ou por algum outro motivo. Davi e Salomão Até meados da década de 70 do século XX. Em vão.1. Os filisteus não ocuparam todo o país. levada pelos sacerdotes de Silo para o campo de batalha. Isto aconteceu por volta de 1150 a.C. na região norte. De acordo com 1Sm 4. raras vozes no mundo acadêmico ousariam contestar a versão abaixo para descrever a origem e as características da monarquia israelita. A saída. Eis o texto: . além de possuírem uma longa tradição militar. em um dos mais brilhantes panfletos anti-monárquicos que se conhece na história. Os Governos de Saul. Ascalon. os filisteus avançaram com um exército organizado contra os agricultores israelitas. foi a escolha de um chefe único. Ascensão e Queda de Saul Os filisteus.8-15. como acontecia nos reinos vizinhos e como demonstra o apólogo de Joatão em Jz 9. os filisteus atacam e vencem os israelitas perto de Afeq. Os filisteus formaram uma confederação de cinco cidades: Gaza. 3.3. como última esperança. mas posicionaram-se em postos estratégicos. Samuel tentou por todos os meios levantar e organizar o povo para uma luta de libertação. superior às tribos todas em poder. os israelitas derrotados.e saquearam os produtos de boa parte do país. um dos "povos do mar" rechaçados pelo Egito. Ashdod.

16). fabricar as . e os nomeará chefes de mil e chefes de cinqüenta. Sobre a ascensão de Saul. um impetuoso benjaminita. vinde e abrigai-vos à minha sombra. há duas versões opostas que refletem duas tendências: uma que aclama e defende a idéia (1Sm 9.1-10. e os fará lavrar a terra dele e ceifar a sua seara. que tanto honra aos deuses como aos homens. "Este é o direito do rei que reinará sobre vós: Ele convocará os vossos filhos e os encarregará dos seus carros de guerra e dos seus cavalos e os fará correr à frente do seu carro. Se não. a fim de balançar-me por sobre as árvores?' Então todas as árvores disseram ao espinheiro: 'Vem tu. a fim de balançar-me por sobre as árvores?' Então as árvores disseram à figueira: 'Vem tu. que alegra os deuses e os homens. outra que se opõe e alerta contra o perigo do empreendimento (1Sm 8). e reina sobre nós!' E o espinheiro respondeu às árvores: 'Se é de boa fé que me ungis para reinar sobre vós. a líder do povo. Disseram à oliveira: 'Reina sobre nós!' A oliveira lhes respondeu: 'Renunciaria eu ao meu azeite. e reina sobre nós!' A figueira lhes respondeu: 'Iria eu abandonar minha doçura e o meu saboroso fruto."Um dia as árvores se puseram a caminho para ungir um rei que reinasse sobre elas. a fim de balançar-me por sobre as árvores?' As árvores disseram então à videira: 'Vem tu. sairá fogo dos espinheiros e devorará os cedros do Líbano!'". e reina sobre nós!' A videira lhes respondeu: 'Iria eu abandonar meu vinho novo.

após a sua falência. Tomará os vossos campos. os vossos melhores olivais. e os dará aos seus oficiais. e não tocou na estrutura interna da organização tribal. seu escudeiro. os vossos bois e os vossos jumentos. Os melhores dentre os vossos servos e as vossas servas. Saul teria usurpado funções sacerdotais (1 Sm 13) e violado antigas leis da guerra santa que não favoreciam sua estratégia militar (1Sm 15). podemos dizer que Saul não foi propriamente um rei. na independência tribal. Ele tomará as vossas filhas para perfumistas. Saul e seu filho Jônatas conseguiram uma boa vitória sobre os filisteus reunidos em Gibea e Micmas (1Sm 13-14). Exigirá o dízimo dos vossos rebanhos. significativo representante da antiga ordem. cozinheiras e padeiras. colocado na boca de Samuel.14-15). mas Iahweh não vos responderá. pouco foi. Então. as vossas vinhas. Continuou a viver em sua terra. Mas. De qualquer maneira. Saul conseguiu uma vitória sobre os amonitas que entusiasmou o povo e o convenceu de suas capacidades guerreiras (1Sm 11). Das vossas culturas e e das vossas vinhas ele cobrará dízimo. Samuel. As causas poderiam ser identificadas na ambigüidade de sua posição (rei ou chefe tribal?). é. Mas.suas armas de guerra e as peças de seus carros. Este discurso. As coisas se agravaram. na sempre constante ameaça dos filisteus e principalmente no desentendimento entre a antiga ordem tribal e as exigências da nova ordem. numa atuação carismática e espontânea. aclamado rei em Guilgal (1Sm 11. Gibea. quando o jovem pastor de . que destinará aos seus eunucos e aos seus oficiais. reclamareis contra o rei que vós mesmos tiverdes escolhido. acabou rompendo com Saul. um texto deuteronomista. segundo o Deuteronomista.11-18). Depois disso ele foi. e vós mesmos vos tornareis seus escravos. ele os tomará para o seu serviço. Entretanto. naquele dia. alguns acham que se pode considerá-lo como herdeiro de uma tradição antimonárquica que se manifesta já na época de Saul. na verdade. Se houve mais. Segundo as fontes bíblicas de que dispomos. o que de fato a monarquia representou em Israel. naquele dia!" (1Sm 8. porém. Era um chefe militar: mantinha um pequeno exército permanente e regular e seu governo oferecia alguns cargos: seu primo Abner era general de seu exército. avaliando. Davi. a queda de Saul devia acontecer em breve. o que deu a Israel um alívio temporário.

com o consentimento dos filisteus e o apoio da população do sul. Enquanto isso. 3. porque esta defendera Davi (1Sm 22) e a partir daí perseguiu Davi implacavelmente. ele conquista Jerusalém. Assim. e de lá pretendeu que fosse dada continuidade ao governo de Saul através do fraco Isbaal. Foi só uma pretensão. agora estabelecida em Nob. escolhendo posição favorável. "se lançou sobre a sua espada" e seu exército foi totalmente desfeito (1Sm 31). A queda de Saul acontece quando os filisteus partiram mais uma vez de Afeq e. Então. filhos de Saul.Belém.C.1-5). ainda que frágil. nesta posição. Resultado: seus três filhos morreram em combate e ele mesmo. tornou-se o líder de Judá (2Sm 2. mas Saul não voltou atrás. A batalha estava perdida antes mesmo de começar.1-4). Os filisteus atacaram repetidamente e foram totalmente derrotados: tiveram que reconhecer a supremacia de Israel e tornaram-se seus vassalos. através de hábeis manobras políticas. Davi e sua tropa oferecem seus serviços ao rei filisteu de Gat. Os filisteus cortaram-lhe a cabeça e fixaram seu corpo e os de seus filhos nos muros de Bet-Shan. na Transjordânia. tornou-se seu rival. Davi e a Criação do Estado Para substituir Saul não ficara ninguém válido a não ser seu último filho Isbaal.C. Isbaal é assassinado e. entraram em choque com o exército de Saul a noroeste do monte Gelboé. e faz dela a sua cidade. dos vários grupos israelitas. Saul liderou os israelitas de 1030 a 1010 a. Ele não se fez de rogado. Abner refugiou-se com ele em Mahanaim. Davi é também aclamado rei da região norte do território por todo o povo (2Sm 5. porém. Competia agora a Davi vencer os filisteus e acabar de vez com suas ameaças. dois anos mais tarde. Davi. cidade jebuséia situada no sul. Segundo as fontes bíblicas. Com efeito. ocuparam toda a terra. Este o acolhe e lhe dá como feudo a cidade de Siclaq. como exemplo para os israelitas.2. Davi consegue uma união. Saul assassinou a família sacerdotal de Silo. Isto teria acontecido por volta de 1010 a. muito ferido. realmente. Davi refugiou-se no deserto e formou um bando de guerreiros que fugiam de Saul e atacavam os filisteus. no Negueb. Em seguida. Davi dirigiu-se com seus homens para Hebron e. . amigo de Jônatas e marido de Mical. Não se agüentando.

filho de Sárvia.15-18). filho de Joiada. segundo o texto bíblico. logo que se viu garantido no poder. Edom. nomeou os chefes dos sacerdotes e fez tudo o que pôde para o culto. 3. Salomão substituiu-o no poder em 971 a. Moab. até o Eufrates. segundo o texto bíblico. Salomão e a Consolidação do Estado Salomão não era o herdeiro natural de Davi e sua posse foi recheada de intrigas e inimizades. Os filhos de Davi eram sacerdotes" (2Sm 8. Davi governara 39 anos.seus homens de confiança desde os tempos da clandestinidade .estrangeiros obrigados a trabalhar grátis nos projetos do Estado – e Davi não interferiu na administração da justiça tribal. Davi construiu. Assim. Banaías. Sadoc e Abiatar. o recenseamento (com fins fiscais e militares) que ele mandou fazer gerou conflitos e críticas (2Sm 24) e a luta de seus filhos pela sucessão enfraqueceu muito seu prestígio. Davi enfrentou tensões surgidas entre a antiga e a nova ordem: por exemplo. mantendo uma administração baseada no respeito às instituições tribais e alguns funcionários. Todos os reis da região. como os cereteus e feleteus.2223 conta de seus gastos: um absurdo em cereais e carne: . uma corte imensa e dispendiosa. filho de Ailud. na verdade. filhos de Aquimelec. Davi levou para Jerusalém a Arca da Aliança. instituiu-se a corvéia . Salomão eliminou drasticamente seus inimigos. um grande reino: submeteu Amon. os arameus etc. Josafá. de maneira austera e modesta. Mandou matar seu irmão Adonias.Segundo o texto bíblico. Joab. comandava o exército.C. Criou. 1Rs 4. também o general Joab e desterrou o sacerdote chefe Abiatar. exercendo o direito e fazendo justiça a todo o povo. comandava os cereteus e os feleteus. procurando assim manter o consenso da população ao redor da nova instituição.e de mercenários estrangeiros.3. de sua guarda pessoal . Saraías era secretário. era o arauto. Os países dominados pagavam tributo. E o Estado sob Davi funciona. Seu exército compunha-se de israelitas convocados das várias tribos. filho de Aquitob. Apesar de tudo isto. eram sacerdotes. pagavam-lhe tributos. "Davi reinou sobre todo o Israel.

diz 1Rs 4. no lugar onde fosse preciso. mais algumas aves. Toda esta atividade comercial gerou uma expansão interna muito grande no país: cidades que se fortaleciam. em geral. Salomão.. Quanto à administração. Com base nesta notícia. enquanto outra parte fazia a rota do Mediterrâneo até a Espanha. . Construiu uma frota mercante que comerciava até com Ofir (atual Somália) e com todos os portos do Mar Vermelho. DREHER[1]. Estes carros foram uma inovação de Salomão. cucos cevados". manter o país nos limites estabelecidos por seu pai Davi. Embora não fosse um guerreiro. A. conseguiu. "Conforme Ne 5. o número será bem maior".28. antílopes.17s. E tem mais: cada província cuidava da manutenção da corte durante um mês (1Rs 4. Seu exército era poderoso na época e seus carros de combate temíveis. Salomão introduziu novidades enormes. mestres na arte da navegação.. Salomão dominou igualmente o comércio da Arábia. poder-se-ia imaginar que a corte de Salomão se tenha composto de 3. com o controle das caravanas: o comércio de cavalos da Cilícia e do Egito. construções de grandes obras públicas por toda a parte. desrespeitando a divisão tribal e nomeando prefeitos estranhos às populações locais. Se acrescentarmos ao consumo ainda a farinha. cem carneiros. gazelas. Seus navios eram construídos e tripulados pelos fenícios. Davi só usava a infantaria. A população pagava por este exército. Apesar de algumas revoltas nos reinos vassalos e de um possível enfraquecimento de poder. por exemplo. uma vez que consumia 20 a 30 vezes mais carne que o grupo de Neemias. e cada qual segundo o seu turno". como."Salomão recebia diariamente para seu gasto trinta coros de flor de farinha [1 coro = 450 litros] e sessenta de farinha comum.000 a 4. além de veados. fornecendo "a cevada e a palha para os cavalos e os animais de tração. através de suas agências de compra e venda. Mas sua habilidade revelou-se totalmente foi no comércio e na indústria. a população que aumentava consideravelmente em número. Exportava cobre e outros metais. sempre segundo o texto bíblico. 150 homens eram alimentados por Neemias diariamente com 1 boi e 6 ovelhas.119). vinte bois de pasto. Salomão sabia fazer se respeitar no armamento e na organização militar.500 pessoas. a divisão do norte em 12 províncias. dez bois cevados. diz C.

mas segundo 1Rs 5. recrutado entre o povo. Informações sobre o Templo de Jerusalém? A atual polêmica com os Palestinos? Confira aqui! A construção do Templo em Jerusalém. lhe dará cobertura ideológica para garantir seu Estado e seu direito ao tributo"[2]. num tempo de paz.. servindo ao mesmo tempo como santuário nacional e como capela real. Usou também. As obras públicas requeriam dinheiro para sua concretização. Muito interessante é a observação de C. a casa de Javé. para continuar a garantir o direito ao tributo? Pode-se recorrer às armas e impor um governo através da força policial.27. Sobre a exploração de uma boa parte da população. A burocracia estatal requeria um número respeitável de funcionários. veremos sobre quais bases foi construído. A construção do templo. as diferenças de classe e as contradições internas foram se aprofundando até levar à divisão do território.11. se olharmos menos ingenuamente este florescimento todo.) Um motivo religioso lhe será bem mais útil. Salomão governou a região de 971 a 931 a..Porém. forçou seus vassalos estrangeiros e a população cananéia à corvéia (trabalho grátis para o Estado) e usou o trabalho escravo em grande escala nas suas minas e fundições no sul do país (1Rs 9. Com o correr do tempo.20-22). sobre os motivos porque Salomão construiu o Templo: "Que fazer. A. não mais respeitando as tribos. a mão-de-obra grátis em Israel (segundo 1Rs 9. DREHER..28 também os israelitas foram submetidos ao trabalho forçado para o Estado). O exército. Mas isso tem lá seus riscos na época de uma monarquia incipiente (.22 os israelitas não foram submetidos à corvéia. Vejamos. cuja arca já se encontra em Jerusalém. O Estado classista estava em pleno funcionamento. precisava de muito dinheiro para funcionar com eficiência e assim por diante. Resultado: Salomão colocou pesados impostos sobre a população israelita. durante 40 anos. altos cargos distribuídos a gente nascida na corte e que se julgava superior a todos os demais. embora haja notícias controvertidas na obra deuteronomista. NEXT .C. transferia para o Estado todo o poder religioso.

p.4. Pois isto que acabo de descrever nada mais é do que uma paráfrase racionalista do texto bíblico. caracterizada até como "iluminismo salomônico". por que a Bíblia Hebraica o descreve? Enfim. questões que pareciam definitivamente resolvidas. 1986. curiosamente. sendo dividido em reinos do 'norte' e do 'sul'? Ou seria tudo isto mera ficção. C. especialmente os estudos feitos por Thomas L. ao colocarem o Javista (J) no reinado de Davi e Salomão. A. especialmente. Esta historicidade. era explicada pela Obra Histórica Deuteronomista (OHDtr). ibidem. por sua vez. composto pelas tribos de Israel e Judá. assim. E.? Além da Bíblia Hebraica. vicioso.5. Ora. penso hoje que o chamado ‘consenso wellhausiano’ sobre o Pentateuco e. o que teria acontecido na região central da Palestina nos séculos X e IX a. 56.. que. 3. E então. DREHER. a crise começou com as reavaliações da origem. foram de novo colocadas: O que teria sido o primeiro 'Estado Israelita'? Um reino unido. DREHER. Martin Noth e muitos outros. dominando todo o território da Palestina e.[1]. O trabalhador e o trabalho sob o reino de Salomão. garantia o J salomônico: um círculo fechado. o edifício inteiro desabou. datação e significado das narrativas do Pentateuco. Vozes. 51. Assim. A. [2]. em que um texto bíblico amparava o outro. John Van Seters (1975). os estudos na linha de Gerhard Von Rad. quando o J começou a ser deslocado para outra época pelos autores acima citados.C. até mesmo porque muitas das dúvidas hoje existentes sobre o Pentateuco dependem da reconstrução da história de Israel e da história de sua religião[3]. E daí se estendeu à História de Israel. Thompson (1974). sustentavam a historicidade da época. p. 11. hoje não mais aceita por todos. não tendo Israel e Judá jamais sido unidos? Existiu um Império davídico/salomônico ou só um pequeno reino sem maior importância? Se por acaso não existiu um grande reino davídico/salomônico. Hans Heinrich Schmid (1976) e Rolf Rendtorff (1977). As Fontes: Seu Peso. Petrópolis. A Ruptura do Consenso Entretanto. Seu Uso .. o consenso foi rompido. em Estudos Bíblicos n. posteriormente. onde mais podemos buscar respostas? 3. C.

e de certo modo também a do período persa. Isto significa excluir a literatura bíblica" [sublinhado meu]. pois a maioria dos estudiosos. tornada objeto de investigação histórica. prossegue.. a partir deste ponto. que o Estado Asmoneu (ou Macabeu) é que viabilizou. não podemos identificar automaticamente a população da Palestina na Idade do Ferro (a partir de 1200 a. de fato. de Saul ou Davi em diante. a transformação do Israel literário em um Israel histórico. além de suscitar muitos outros problemas. com o resto da estória bíblica. cujo programa é fazer uma história do Levante Sul sem contar com os míticos textos bíblicos e considerando todos os outros povos da região. até mesmo porque o ‘antigo Israel’. garante o autor na p. com o ‘Israel’ bíblico. a narrativa bíblica. pois este constitui apenas uma parte desta região. Thomas L. é hoje uma incógnita.) Nós temos que extrair nossa definição do povo da Palestina de suas próprias relíquias.. estas questões precisam ser recolocadas. que o ‘antigo Israel’ é um construto erudito. E pergunta: "Pode alguém realmente deixar de lado a primeira parte da história literária de Israel. resultante da tomada de uma construção literária. Davies na p. na pressuposição de que. o Israel bíblico é para nós um problema. reter a segunda parte e ainda tratá-la como uma entidade histórica?" Para ele uma história de Israel que começa neste ponto deveria ser uma entidade bem diferente do Israel literário. A Bíblia. mais para o final do livro. Para Philip R. Thompson é contra . como demonstram os estudos sobre o Pentateuco. como denunciou o estudioso britânico Philip R. 154.). não só Israel. a escravidão no Egito. Davies. algo que parecíamos conhecer muito bem. é contraditório. "embora sabendo que a estória de Israel do Gênesis a Juízes não deve ser tratada como história. Ele concluiu. o obviamente literário tornou-se o obviamente histórico". em seu estudo de 1992. Este construto erudito. não um dado sobre o qual se apoiar sem mais.Claro. 26. Considerada mais polêmica ainda do que a de Philip R.C. Para o autor. Thompson. como uma criação literária e histórica é um conceito asmoneu[4]. Davies na p. 51. diz Philip R. E. Davies. por ser este o momento em que os reissacerdotes levaram o país o mais próximo possível do ideal presente nas leis bíblicas. sugerindo Philip R. "Nós não podemos transferir automaticamente nenhuma das características do ‘Israel’ bíblico para as páginas da história da Palestina (. a conquista da terra que lhe é dada por Deus e assim por diante. a literatura bíblica foi composta a partir da época persa. Davies é a postura do norte-americano Thomas L. Davies. conclui Philip R. não obstante. que pressupõe a família patriarcal.

o pior erro metodológico no uso das fontes é harmonizar a arqueologia com as narrativas bíblicas. Aliás. Grabbe. 4. e ninguém neste grupo a defendeu. O fato é que as posturas 1 e 4 são inconciliáveis e estão fora das possibilidades de uma ‘História de Israel’ mais crítica: isto porque a 1 rejeita a possibilidade concreta da história e a 4 trata o texto bíblico com peso diferente das outras fontes históricas. que já ficou claro para o leitor a importância do exame das fontes primárias. exceto quando ela se mostra como absolutamente falseada: esta é a postura caracterizada como ‘maximalista’. Praticamente todos os membros do seminário ficaram nesta posição 3 ou. alguns dos participantes acabaram classificando qualquer História de Israel como fictícia.qualquer arqueologia e história bíblicas! Para ele. Grabbe. Somente o diálogo entre as posições 2 e 3 podem levar a um resultado positivo. mas fazendo uso do texto bíblico como fonte secundária usada com cautela. aceitar a narrativa bíblica sempre. Na conclusão do livro onde foram publicados os debates deste encontro há uma boa amostragem do problema do uso das fontes. assumir a impossibilidade de se fazer uma ‘História de Israel’. ignorar o texto bíblico como um todo e escrever uma história fundamentada apenas nos dados arqueológicos e outras evidências primárias: esta é a postura verdadeiramente ‘minimalista’. enquanto outros defenderam que o texto bíblico usado cuidadosa e criticamente é um elemento válido para um empreendimento deste tipo. dar prioridade aos dados primários. 2. debatendo o assunto. E não há como fugir da questão. pelo menos enquanto muitas ‘Histórias de Israel’ continuarem a ser nada mais do que uma paráfrase racionalista da narrativa bíblica. concluiu Lester L. entre a 2 e a 3. coordenador do grupo. que parece haver quatro possíveis atitudes a respeito da questão: 1. neste ponto. . tem sido alvo de muitos debates e grandes controvérsias. mas o problema é que sem o texto bíblico muitas interpretações dos dados tornam-se extremamente difíceis. 3. por exemplo. o uso do texto bíblico como fonte válida para a escrita da História de Israel. se quisermos saber algo sobre a monarquia. Parece-me. talvez. Diz o britânico Lester L. Em uma das reuniões do Seminário Europeu sobre Metodologia Histórica.

os Selos lemelek de Judá. em quatro níveis: antropologia histórica. em julho de 1993. em escavação sob a direção do arqueólogo israelense Avraham Biran. Fontes Terciárias: livros da Bíblia Hebraica que retomam fontes secundárias. podendo ser classificadas. a Inscrição de Siloé.6. em Some Aspects of Working with the Textual Sources [Alguns Aspectos do Trabalho com as Fontes Escritas]. publicada por A.Aliás.. sempre sujeita a um processo contínuo de mudança. Na localidade de Tel Dan. fontes secundárias e fontes terciárias. Senaquerib. as Cartas de Lakish. 3. o Calendário de Gezer. da organização social e da economia de uma região e de sua população. ao fazer tal distinção. Naveh em novembro de 1993. Biran e J. Dois Exemplos de Fontes Primárias: as Estelas de Tel Dan e de Merneptah Um exemplo de fonte primária muito interessante é a Estela de Tel Dan. menor valor devemos atribuir aos textos da Bíblia Hebraica[5]. Assaradon. dos assentamentos humanos. O alemão Herbert Niehr. os Anais de Salmanasar III. o Obelisco Negro de Salmanasar III. foi descoberto um fragmento de uma estela de basalto de 32 por 22 cm. a Carta Yavneh Yam. Assurbanipal. do clima. evidência arqueológica da Palestina e fontes escritas fora da Palestina. Sargão II. os Óstraca de Arad. as fontes sobre a monarquia israelita são de quatro tipos diferentes. Fontes primárias: fontes escritas provenientes da Palestina. os testemunhos de reis assírios e babilônicos como Adad-nirari III. Fontes Secundárias: a Bíblia Hebraica. repassa os problemas metodológicos relativos ao uso de cada uma destas fontes. fontes primárias. a Estela de Mesha. Cerca . a Inscrição de Tel Dan. por exemplo. com uma inscrição em aramaico. Nabucodonosor. portanto. argumentando que as tentativas para superar as diferenças existentes entre elas devem ser feitas cuidadosamente e concluindo que podemos fazer apenas tentativas de escrever uma História de Israel. e do Egito o Faraó Sheshonq. norte de Israel. os Óstraca de Samaria. todas mais ou menos contemporâneas aos eventos que relatam. TiglatPileser III. como os livros das Crônicas que retomam a OHDtr. da agricultura. Antropologia histórica: considera os dados provenientes de estudos da geografia. especialmente o Pentateuco e a Obra Histórica Deuteronomista. até mesmo porque quanto mais evidência primária tivermos com o avanço da pesquisa. tais como a Estela de Merneptah.. escritos muito tempo depois dos fatos e com objetivos mais teológicos do que históricos.

estão nos fragmentos menores. Aparentemente. quinto ano do governo de Merneptah. e celebra sua vitória sobre líbios que ameaçavam o Egito. A polêmica não está encerrada. como casa do amado. E a leitura "casa de Davi" seria induzida por esta segunda informação. são narrados em 2Rs 8. avaliando serem partes da mesma estela e produzindo um texto coerente. pois outras traduções são possíveis. a inscrição foi aparentemente escrita pelo rei Hazael de Damasco. Os arqueólogos agruparam os três fragmentos. a Estela de Merneptah. de Roma. (ou 1208 a. Ocozias. dois outros fragmentos menores foram descobertos na mesma localidade.de 12 meses mais tarde. Qual é o problema? É que. lendo-se dwd não como "David". mas é incerto se eles pertencem à mesma estela da qual o maior faz parte. se bytdwd está no fragmento maior. os nomes dos dois reis. a menção de Israel como reino.). sendo um deles. Datada no século IX a. Dinamarca[6]. Entre os Nove Arcos nenhum levanta a cabeça. segundo a Bíblia.C. ou. a grande novidade: seria esta a primeira menção extrabíblica da dinastia davídica e até mesmo da existência do rei Davi. e foi encontrada em 1896 por Flinders Petrie no templo mortuário do faraó em Tebas. como se pode ver em artigo do professor de Estudos Semíticos da Universidade La Sapienza. um epíteto para a divindade. a tradução mais provável seria casa de Davi.36). filho e sucessor de Ramsés II. (estes episódios. bytdwd poderia ser o nome de uma localidade. davídico.C. contestações a tal leitura continuam a ser feitas. na qual ele se vangloria de ter assassinado dois reis israelitas. é interessante. do Instituto de Exegese Bíblica da Universidade de Copenhague.. o que teria ocorrido por volta de 841 a. mas como dôd. Giovanni Garbini ou nas conclusões de Niels Peter Lemche.C.C. no caso. Porém.C.C. também. com enfoque diferente. Imediatamente nos faz lembrar de outra famosa inscrição. ou 1213-1203 a.7-10. Esta estela comemora os feitos do Faraó Merneptah (1224-1214 a. Ainda: os fragmentos menores são seguramente parte de uma mesma pedra. Mas o que causou grande rebuliço foi um termo encontrado no fragmento maior: bytdwd. Jorão (de Israel) e Ocozias (de Judá) e de ter instalado Jeú no trono de Israel. Daí. no norte da Palestina. Tehenu . Pode ser datada por volta de 1220 a. do qual só temos (ou tínhamos) informações na Bíblia Hebraica. mas em um ponto diferente do primeiro. Lá no final da inscrição. Iahweh.. segundo outra cronologia). há o seguinte: Os príncipes estão prostrados dizendo: Paz. Contudo.

uma referência geográfica. viu a inscrição como seguro testemunho de que Israel já estava na Palestina nesta época . R. convido o leitor a ler o artigo A História de Israel no Debate Atual. In Search of ‘Ancient Israel’... pp.). de Niels Peter Lemche. tentando desligar este “Israel” da referência bíblica. L. Dever vê aqui um ‘proto-Israel”. o Hatti está em paz. L. John Bright. Mas a maioria lê mesmo o termo “Israel” na estela. Israel está aniquilado e não tem mais semente. P.[=Líbia] está devastado. Mas a identificação de quem ou o que é este “Israel” não é nada simples e tem gerado muitas controvérsias.e William G. a estela de Merneptah atesta a presença desta entidade nas colinas do norte da Palestina e isto pode ter relação com o posterior surgimento do reino de Israel nesta região[7]. Yanoam está como se não existisse mais. Westminster John Knox. Esta é a primeira menção de Israel em documentos extrabíblicos que conhecemos. 1998.embora tenha acrescentado uma nota na terceira edição do livro. Só que alguns acham que é um grupo étnico bem definido. Ah. traduziram o termo egípcio por Jezrael. [5]. O Haru [=Canaã] está em viuvez diante do Egito. e é claro: a referência da estela à “semente” de Israel. 2001. enquanto outros. Para Niels Peter Lemche. . por exemplo. Sheffield. The Israelites in History and Tradition. seja qual for a natureza deste “Israel”. Canaã está privada de toda a sua maldade. e assim por diante. Louisville. 6274. pp. Sheffield Academic Press [1992]. DAVIES. [4].. 38-43. 71. (ed. Vozes. Cf. o texto de Herbert Niehr em GRABBE. Gazer foi tomada. dizendo que este Israel pode ser pré-mosaico e não o grupo do êxodo . Cf. 19952. em 1981. Ascalon está deportada. o importante é que. Ou uma versão mais resumida em Estudos Bíblicos n. 156-165. tanto pode ser aos suprimentos agrícolas quanto à descendência! Mas quando e como surgiu Israel como Estado na região? NEXT [3]. Kentucky. [6]. Sobre a ruptura do consenso e as várias etapas da pesquisa. Cf. enquanto outros pensam que seja um grupo nômade das montanhas da Palestina. Petrópolis. Can a ‘History of Israel’ Be Written? pp.

as guerras e as ameaças de guerras. o estado primitivo típico e o estado primitivo de transição. P. História de Israel.. Problemas Históricos. W. Seguindo especialmente Henri Claessen. N.). pela transformação da posse comum da terra em propriedade privada dos . The Israelites in History and Tradition. Doubleday & Logos Library System.7.. 35-38. Christa vai distinguir três fases de desenvolvimento do Estado primitivo: o estado primitivo incoativo.[7]. 1997. Davies sobre As Origens dos Antigos Estados Israelitas. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. as conquistas e invasões. New York. J. o desenvolvimento da produção e o aparecimento do excedente... 145-146. D. DEVER. em FREEDMAN. Arqueológicos e Sociológicos no Período da Monarquia Unida em Israel. Archaeology and the Israelite “Conquest”. A Questão Teórica: Como Nasce Um Estado Antigo? Sem dúvida. BRIGHT. o surgimento de uma ideologia comum e conceitos de legitimação dos governantes. N. 1992. editado por Volkmar Fritz & Philip R. pp. a cobrança de tributos. de um Império davídico/salomônico e que traz dez conferências de renomados especialistas apresentadas em um Colóquio Internacional realizado em Jerusalém sobre A Formação de um Estado. LEMCHE. pp. No volume de 1996. Ela questiona a aplicação pura e simples do conceito moderno de “Estado” às formas de organização política das comunidades antigas como forma de se desvelar sua existência e parte para uma discussão teórica na qual tentará definir a noção de Estado a partir dos estudos etnosociológicos de Georg Jellinek. a questão da origem dos antigos Estados Israelitas passa pela discussão da noção de Estado como forma de organização política. 3. Cf. além da influência dos Estados vizinhos já existentes. no qual é apresentada a recente controvérsia sobre a existência ou não de uma monarquia unida em Israel e. Claessen e outros estabeleceram que para se explicar a origem de um Estado é preciso considerar a emergência de vários fatores. (ed. O processo de desenvolvimento de uma fase para outra passa pelo enfraquecimento dos laços de parentesco e o fortalecimento das ações políticas centralizadas. especialmente. a alemã Christa Schäfer-Lichtenberger sugere que somente a arqueologia não resolverá esta discussão. Max Weber e Henri Claessen. tais como o crescimento da população e suas necessidades. G.

Christa vai classificar o reino de Saul como um estado incoativo e o reino de Davi como um estado heterogêneo.) pode ter quatro causas. é ainda um estado incoativo. como se explica a ausência de documentos escritos extrabíblicos sobre um reino unido? Christa diz que a ausência de documentos escritos no Antigo Oriente Médio sobre Israel na Idade do Ferro I (ca. até o desenvolvimento de especializações por parte de oficiais estatais.C. o estabelecimento da taxação regular e constante.e usando os dados do Deuteronomista. ideologia comum e conceitos de legitimação . mas pelos critérios de população. para a autora. estratificação social e produção de excedente. considerando sete critérios usados tanto por Weber como por Claessen. e. pois este último. Egito e Assíria não conseguiram hegemonia política sobre esta região nesta época. Christa trata também da ausência de monumentos e inscrições em monumentos nesta época na região e justifica tal ausência dizendo que não se deve colocar Judá-Israel no mesmo nível do Egito ou da Assíria. Em seguida. ele já é um estado de transição. estratificação. E. segundo a autora. – população. independência política e ideologia. território. 1200-900 a. pelos critérios de governo centralizado. E mesmo que inscrições em monumentos tenham existido. por isso. produção de excedente e tributos. a codificação de leis e a constituição de estruturas jurídicas controladas pelo poder central. independência política. onde dificilmente teriam sobrevivido . cada uma independente da outra: a) Não existiu uma entidade política de nome Israel nesta época b) Síria/Palestina.meios de produção e pela substituição de uma economia de trocas de bens e serviços em uma economia de mercado. elas estariam em Jerusalém. Christa é de opinião que as causas b e d oferecem uma explicação suficiente para o silêncio do Antigo Oriente Médio. nada registraram c) Os textos não sobreviveram porque foram registrados em papiros d) Os escritos ainda não foram encontrados. embora já possua algumas características de estado primitivo típico. pois Estados com estruturas pequenas ou médias não podem ser medidos pelos mesmos critérios de grandes impérios. governo centralizado. território. onde tais achados arqueológicos são comuns. fortalecendo o antagonismo de classes.

mas o restante deixa uma sensação de “dèjá vu”! As categorias sócio-antropológicas da autora sobre o Estado me parecem insuficientes – especialmente quando confrontadas com as várias tentativas marxistas na área – e ela não escapa de uma leitura do Deuteronomista como sua fonte principal. dizem especialistas de tendência marxista que analisam as sociedades de tipo tributário (também chamadas "asiáticas". trabalhos de irrigação. que continua como na época tribal.às reformas religiosas de reis como Josias – por conterem nomes de outras divindades além de Iahweh – ou às maciças destruições militares de que a cidade foi vítima[8]. Da economia de auto-subsistência. através da necessidade de obras conjuntas (defesa contra inimigos. Aliás. que inicialmente é uma função (de defesa. As contradições da sociedade tribal aumentam progressivamente até provocarem o aparecimento do Estado. passa-se a uma economia tribo-patriarcal baseada em certa hierarquização que permite a acumulação para determinadas camadas: há os privilégios dos homens sobre as mulheres. deixaria Thomas L. do primogênito sobre seus irmãos. Neste tipo de sociedade a escravidão só existe de maneira secundária: o peso da produção não cai sobre os escravos. O estudo é interessante quando questiona algumas posturas pouco elaboradas teoricamente de certos especialistas. mas que passa a ser uma exploração. por exemplo) e da dominação de uma linhagem superior que se impõe sobre as outras (família do líder. Thompson desconfiado e Niels Peter Lemche contrariado! Para ficar ainda no campo da discussão teórica. . detectável em Israel já no período conhecido biblicamente como "dos juízes". torna-os desnecessários. porque mais comuns naquele continente) que a sociedade tribal de tipo patriarcal já representa uma forma típica de transição da comunidade primitiva para a sociedade de classes. anterior ao Estado. É um embrião de divisão de classes. através do desenvolvimento das forças produtivas. construção de muralhas. como Davi e seus descendentes) e que passa a controlar também o comércio intertribal. A mãode-obra é familiar. Tem-se a impressão de que a leitura da OHDtr é que oferece as categorias etnosociológicas para a análise e não o contrário. na sociedade tributária o comércio é possível só a partir da acumulação do excedente feita pelo Estado. No mínimo. de grande obras etc). das tribos líderes sobre as outras tribos etc. pois a propriedade coletiva da terra. Da economia tribo-patriarcal passa-se à economia do Estado tributário.

1500-1200 a.C. do qual já falamos acima. assim como de um ‘reino de Judá’. organização etc) passa. na sociedade tributária. ninguém negou a existência de um ‘reino de Israel’. normalmente homens e suas famílias. onde no topo encontramos o patrono [patron]. ele não é a sua causa. freqüentemente chamado de ‘sistema social mediterrâneo’ parece ter sido onipresente em sociedades com um certo grau de complexidade. Por tudo isto. o Estado tributário que inicialmente nascera com funções públicas (defesa. no volume de 1996. mas o Estado detém o poder religioso através dos templos. a ser um autêntico poder de classe (a classe que se constitui nele) para manter e aumentar a exploração. e especialmente da Palestina. profetas e juízes pagos pelo governo. . é que se buscam outras soluções.). as sociedades tributárias ficam estagnadas no seu nível social. Como a de Niels Peter Lemche que. na conclusão do volume sobre o primeiro Seminário Europeu sobre Metodologia Histórica. mas os participantes do seminário fizeram objeções a duas concepções: uma é a de que o construto literário do ‘Israel bíblico’ pode ser diretamente traduzido em termos históricos. mas que não constituíam ainda Estados burocráticos. As Soluções de Lemche e de Finkelstein & Silberman Lester G. Se ela não evolui. pouco a pouco. um membro de uma linhagem líder. Davies sobre As Origens dos Antigos Estados Israelitas. E Lemche define como típico de uma sociedade patronal sua organização vertical. O despotismo do governo é também uma conseqüência da formação de classes. A terra pertence a Iahweh em Israel. Este modelo. editado por Volkmar Fritz & Philip R. em 1996.8. controlando a vontade da divindade através dos sacerdotes. O indivíduo passa assim. A grande contradição interna desta organização: coexistência de estruturas comunitárias e de estruturas de classe. O Estado é conseqüência da exploração de classe.Assim. e a outra é a de que ‘Israel’ deve canalizar e dominar o estudo da região na antigüidade. por duas mediações: da comunidade tribal a que pertence e do Estado tributário[9]. testemunhados pela Assíria. no Período do Bronze Recente (ca. Grabbe nos lembra. propõe o conceito de sociedade patronal [patronage society] para explicar a variedade social da Síria. 3. que durante as discussões em Dublin. e abaixo dele seus clientes [clients]. A descrição bíblica de um grande Império israelita foi tratada com muito ceticismo [sublinhado meu].

nos lembram como. Hoje. Pois o que aconteceu no século X a. Portanto.C. The Free Press.C. Daí. A crise da Palestina que aparece nas Cartas de Tell el-Amarna (século XIV a. foi. de fato. no capítulo sobre a monarquia davídico-salomônica de seu livro The Bible Unearthed. para os leitores da Bíblia. segundo Lemche. Sem dúvida. . a crise se abateu sobre o "império" davídico-salomônico. um intervalo entre dois períodos de sistemas patronais mais extensos e melhor estabelecidos. New York. Em tal sociedade. simplesmente. o restabelecimento de um sistema patronal semelhante ao anterior[10]. o aparecimento dos povoados da região montanhosa do centro da Palestina representa. 2001. E a proposta de Lemche para o que pode ter acontecido é a seguinte: as fortalezas do patrono foram substituídas por estruturas locais. que não está cuidando de seus interesses na região. organizados sem um sistema de proteção como o do patrono – o assim chamado ‘rei’ – ou com patronos locais. Já Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman. a (falsa) percepção dos pequenos reis das cidades de Canaã de que foram abandonados pelo faraó. escassamente habitado e isolado no período atribuído pela Bíblia a Davi/Salomão: é o que a arqueologia descobriu. E se perguntam: Davi e Salomão existiram? Mostram como os minimalistas dizem: "não". até recentemente. concluem que este permaneceu pouco desenvolvido. seguindo normas burocráticas. o Estado egípcio não os vê do mesmo modo e os trata de modo impessoal. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. Davi e Salomão representam uma idade de ouro. pp. a partir desta realidade: os senhores das cidades-estado palestinas vêem o faraó como seu patrono e reivindicam sua proteção em nome de sua fidelidade.) pode ser explicada. Descrevendo as características do território de Judá. códigos de leis não são necessários: ninguém vai dizer ao patrono como julgar. 123-145. enquanto que para os estudiosos representavam. com juramento de lealdade do cliente ao patrão e de proteção do patrono para o cliente. por povoados. os argumentos pró e contra a postura dos minimalistas.Lemche explica que a ligação entre patrono e cliente é de tipo pessoal. porém. o primeiro período bíblico realmente histórico. e colocam aquela que é para eles a questão chave: o que diz a arqueologia sobre Davi/Salomão? Para Finkelstein e Silberman a evolução dos primeiros assentamentos para modestos reinos é um processo possível e até necessário na região. houve uma crise social na Palestina no final do Bronze Recente.

escavada por Benjamin Mazar em 1948-1950.C. 140. e estes. nada foi encontrado. Mas e as conquistas davídicas? Até recentemente. Sua interpretação dos edifícios achados se baseou em 1Rs 7. seu palácio.15. Gezer e Meguido. enquanto que o resto de Judá. estas "portas salomônicas" de Hasor. A postura mais otimista aponta para um vilarejo no século décimo.19. descobriu. Hasor e Gezer? Em Meguido P. dificilmente. na Jerusalém das Idades do Bronze e do Ferro mostram que não há nenhuma evidência de uma ocupação no século X a. pelo menos meio século após a época de Salomão. Também a chave aqui foi 1Rs 9. E o contraste entre Meguido e Jerusalém? Como um rei constrói fabulosos palácios em uma cidade provincial e governa a partir de um modesto povoado? . da Universidade Hebraica de Jerusalém. Mas será que o fizeram? E o glorioso reino de Salomão? Em Jerusalém. mas e Meguido. da Universidade de Chicago.C. que diz: "Eis o que se refere à corvéia que o rei Salomão organizou para construir o Templo de Iahweh. Guy. Gezer e Meguido foram o mais poderoso suporte arqueológico ao texto bíblico. rei de Israel do norte no século IX a. L. em qualquer lugar em que se encontravam cidades destruídas por volta do ano 1000 a. isto era atribuído a Davi por causa das narrativas de Samuel. ou identificou nas descobertas de outros.E Jerusalém? As escavações de Yigal Shiloh. as "portas salomônicas" de Hasor. na década de 60.15. Mas. "Como poderiam os arquitetos de Salomão ter adotado um estilo arquitetônico que ainda não existia?".C. um grande império davídico. Meguido. se descobriu. enquanto que os "estábulos" seriam da época de Acab. Yadin escava novamente Meguido e faz a descoberta de um belo palácio que parecia ligado à porta da cidade e abaixo dos "estábulos".. bem como Hasor. tendo havido. os "estábulos" de Salomão. na mesma época seria composto por cerca de 20 pequenos povoados e poucos milhares de habitantes. Y.12. Teoricamente é possível que os israelitas da região montanhosa tenham controlado pequenas cidades filistéias como Tel Qasile. o que o leva à seguinte conclusão: os palácios [a Universidade de Chicago encontrara outro antes] e a porta de Meguido são salomônicas. Durante muitos anos. se perguntam os autores na p. portanto. Meguido ou Bet-Shean.C. ou até mesmo cidades cananéias maiores como Gezer. Yigael Yadin descobriu. Mas o modelo arquitetônico dos palácios salomônicos veio dos palácios bit hilani da Síria. nas décadas de 70 e 80.9. Na década de 50. Gazer [=Gezer]". só aparecem no século IX a. nas décadas de 20 e 30. O. o Melo e o muro de Jerusalém.

sim. mais escasso. O quadro é o seguinte: região rural. . estas evidências começaram a desabar [aqui os autores remetem o leitor ao Apêndice D. Nós últimos anos.. segundo.. por último. Gezer e Meguido atribuídos à época salomônica são.C.C. povoamento mais denso. seu governo não possuía nenhum império. e as construções das monumentais portas e palácios de Hasor. com grupos continuando o pastoreio.Pois bem. e. Mas. fundamentava as conquistas davídicas. os estilos arquitetônicos e as cerâmicas de Hasor. do ponto de visto demográfico.. do século IX a. Dois tipos de evidência fundavam os argumentos em favor de Davi e Salomão: o fim da típica cerâmica filistéia por volta de 1000 a. e se não existiu um grande império. Há. nenhum documento escrito. estimativa populacional: dos 45 mil habitantes da região montanhosa.. pelo menos. dizem Finkelstein e Silberman na p.C. de Jerusalém para o norte. 142). Hebron e mais uns 20 pequenos povoados de Judá.. testes com o Carbono 14 em Meguido e outras localidades apontam para datas da metade do século IX a. Primeiro.. de Jerusalém para o sul.e que sua lenda perdurou" (p. Enfim: a arqueologia mostra hoje que é preciso "abaixar" as datas em cerca de um século [anoto aqui que esta "cronologia baixa" de Finkelstein tem dado muito o que falar nos meios acadêmicos!]. nenhum sinal de uma estrutura cultural necessária em uma monarquia. nem uma espetacular capital. qual era a natureza do reino de Davi?" (p. de Davi e Salomão só podemos dizer que eles existiram . 140: "Agora nós sabemos que a evidência arqueológica para a grande extensão das conquistas davídicas e para a grandiosidade do reino salomônico foi o resultado de datações equivocadas".. cerca de 40 mil habitariam os povoados do norte e apenas 5 mil se distribuíam entre Jerusalém. Dizem os autores: "Não há razões para duvidarmos da historicidade de Davi e Salomão. muitos motivos para questionarmos as dimensões e o esplendor de seus reinos. nem uma magnífica capital. Gezer e Meguido testemunhavam o reino de Salomão. 143). Arqueologicamente.C. O que se atribuía ao século XI é da metade do século X e o que era datado na época de Salomão deve ser visto como pertencendo ao século IX a. nem monumentos. pp. Davi e seus descendentes? "No século décimo.. a cerâmica filistéia continua após Davi e não serve mais para datar suas conquistas.. 340-344. entretanto. de fato. onde os seus argumentos são mais detalhados]. nem cidades com palácios...

(org. 1996. Die frühe Königszeit in Israel. Doubleday & Logos Library System. 2002. (org. Sheffield Academic Press [1992]. A. 1997 [20043]. DIETRICH. Kohlhammer. H. 1997 FINKELSTEIN. 19952. DAVIES. P. Chr. I. Stuttgart/Berlin/Köln. New York.. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. or a group. R. N. 10. R. R.). F. 144) Leituras Recomendadas Ayrton’s Biblical Page: Cf." and Anti-Semitism. & SILBERMAN. Então. V. Sheffield. Rio de Janeiro.. 1992. Sheffield. W. quando o Deuteronomista escreveu sua obra no século VII a. Minimalism. FRITZ. (eds.). D. o ambiente desta época é que serviu de pano de fundo para a narrativa de um mítica idade de ouro. (ed. New York. "Ancient Israel. 197-268. Sinodal/Vozes. em Bible and Interpretation. Jerusalém tinha todas as estruturas de uma sofisticada capital monárquica. The Origins of the Ancient Israelite States. . “Minimalism” is an invention. The Free Press. DONNER. N.. GEBRAN. P. Rio de Janeiro. Josias era o novo Davi e Iahweh cumprira suas promessas "O que o historiador deuteronomista queria dizer é simples e forte: existe ainda uma maneira de reconquistar a glória do passado" (p. pp. 2001.Entretanto.). & DAVIES. None of the “minimalist” scholars is aware of being part of a school. Nova visita a um velho conceito.. P.C. 1990. Uma bem elaborada teologia ligava Josias e o destino de todo o povo de Israel à herança davídica: ele unificara o território. FREEDMAN.. Campus. DAVIES.). Conceito de modo de produção. Jahrhundert v. São Leopoldo. Ph. In Search of ‘Ancient Israel’. Sheffield Academic Press... 1997. acabara com o ciclo idolátrico da época dos Juízes e concretizara a promessa feita a Abraão de um vasto e poderoso reino. The Bible Unearthed. História de Israel e dos Povos Vizinhos I. Modo de produção asiático. os artigos A História de Israel no Debate Atual e Pode uma ‘História de Israel’ Ser Escrita? CARDOSO. C. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. S.

106-120. mas que pode ser visto em detalhes no artigo A História de Israel no Debate Atual. [10]. L. & DAVIES. A Social-Science Commentary. 1996. um pressuposto não discutido aqui.Paz e Terra.. N. C. (eds. Sheffield Academic Press. J. Como parece ter ficado claro. Cf. The Israelites in History and Tradition. Do modo de produção asiático ao modo de produção capitalista. From Patronage Society to Patronage Society. M. LEMCHE.). P. toda a discussão sobre as origens dos Estados israelitas passa também pela discussão anterior sobre as origens de Israel. pp. FIORAVANTE. em GEBRAN. V. Vozes. PIXLEY. Vozes. SCHWANTES. pp. P. Sheffield. 1999. 22-36. 1996.. The Pentateuch. pp. em FRITZ.. em FRITZ. Petrópolis. 20049.. Trabalhador e trabalho.. & DAVIES. 11. N. Sheffield. Sheffield Academic Press.). (eds.). The Origins of the Ancient Israelite States. Can a ‘History of Israel’ Be Written? Sheffield. 1978. Sheffield. GRABBE. Ph. (ed. Cf. E. L. pp. R.). Louisville. 1978. [9]. SCHÄFER-LICHTENBERGER. Sheffield Academic Press. 1997. Westminster John Knox. Estudos Bíblicos n. V. (org. 78-105. Rio de Janeiro. Sociological and Biblical Views of the Early State. Sheffield Academic Press. et alii. Petrópolis. The Origins of the Ancient Israelite States.. 1986. 4. Paz e Terra. 1998. P. Conceito de modo de produção. O Reino de Israel . 131-155. LEMCHE. J. VAN SETERS. R. A História de Israel a Partir dos Pobres. Cf. NEXT [8]. P. Kentucky.

Inicialmente nem guerra houve entre os dois países irmãos.. Samaria ou ainda Efraim.3-11). em 722 a. mas foi desaconselhado. Quando o norte se rebelou. se te submeteres e dirigires boas palavras. A Rebelião Explode e Divide Israel Para começar. podemos anotar que o processo de sucessão de Salomão não foi bem visto. Roboão (931-914 a..) Os jovens.. constituído pelas 10 tribos rebeldes.C.C. meu pai vos castigou com açoites.. e eu vos açoitarei com escorpiões!' " (1Rs 12.. agora chamado de Israel.. E o reino do norte existiu durante 209 anos. "Disseram assim a Roboão: 'Teu pai tornou pesado o nosso jugo. responderam-lhe: 'Eis o que dirás a este povo (. um nobre da tribo de Efraim e inimigo de Salomão. escolheu para seu rei a Jeroboão. desabou a unidade do reino. então eles serão para sempre teus servidores'. que se encontrava exilado. O norte. com a morte de Salomão.Segundo o texto bíblico.C. separou-se do Estado davídico que permaneceu em Judá. caso fossem retiradas as pesadas leis impostas ao povo por seu pai Salomão. Roboão quis partir para a repressão armada. então.1. .. pois assim debilitados viram-se ameaçados pelos inimigos externos e deixaram suas rixas para acertar mais tarde. alivia a dura servidão de teu pai e o jugo pesado que ele nos impôs e nós te serviremos' (. 4. a bandeira da rebelião. chamado doravante simplesmente de Israel. mas eu aumentarei ainda o vosso jugo. especialmente porque o norte tinha consciência da exploração a que era submetido pelo poder central e levantou.). e perguntou: 'Que me aconselhais a responder a este povo?' Eles lhe responderam: 'Se hoje te sujeitares à vontade deste povo. Em Siquém.) O rei Roboão consultou os anciãos que haviam auxiliado seu pai Salomão durante sua vida. em 931 a. Podemos seguir o desenrolar dos acontecimentos a partir do capítulo 12 do primeiro livro dos Reis. Proclamado rei em Judá. agora. seus companheiros de infância. Mas ele rejeitou o conselho que os anciãos lhe deram e consultou os jovens que foram seus companheiros de infância e o assistiam. Israel do norte. filho de Salomão. foi a Siquém para que o norte o aclamasse senhor também das outras tribos.). eis o que lhes responderás. 'Meu dedo mínimo é mais grosso que os rins de meu pai! Meu pai vos sobrecarregou com um jugo pesado. Perguntou-lhes: 'Que aconselhais que se responda a este povo' (. até ser massacrado pelo poderoso Império assírio. os israelitas impuseram-lhe uma condição: aceitariam o seu governo. Roboão não aceitou as condições e foi a gota d'água.

onde permaneceu apenas 5 anos. E isto deu o que falar. no extremo norte. 910-909 909/8-886 886/5-885 885/4 885/4-874 874/3-853 853-852 852-841 Duração 21 anos 2 anos 22 anos 2 anos 7 dias 11 anos 21 anos 2 anos 11 anos . Transferiu-a seguidamente para Penuel e Tirsá. já era a idolatria que dominava o norte. Só mais tarde. tanto Israel quanto Judá eram fracos demais para dominar seus vizinhos. era o povo. como dizem ter feito Davi e Salomão. Reis de Israel Nome Jeroboão I Nadab Baasa Ela Zimri Omri Acab Ocozias Jorão Data 931-910/9 a. E quem saía perdendo. no sul. Os mesmos camponeses e pescadores antes explorados pelo sul. Jeroboão construiu dois touros de ouro e colocou-os em antigos santuários: Dan. Para o sul. Síria e Assíria) fizeram do novo país um foco de problemas e de crises sucessivas. todas as suas possessões estrangeiras: definitivamente os tempos do Israel forte haviam acabado. Para substituir o Templo e mesmo para evitar que o povo fosse a Jerusalém e passasse para o lado de lá. teve 19 reis de diferentes dinastias que se sucederam com golpes de Estado. No curto espaço de 209 anos. Por outro lado. Rejeitando o governo de Jerusalém. sob outro rei. foi construída Samaria. e Betel. perto de Jerusalém.Jeroboão escolheu a cidade de Siquém para capital do seu reino. os nortistas rejeitaram também o Templo e as peregrinações nas grandes festas. segundo o texto bíblico. assassinatos e chacinas várias. embora a intenção do rei fosse apenas reavivar o culto naqueles santuários.C. passaram a sê-lo pelo norte. Israel caracterizou-se pela instabilidade política. a capital definitiva. A incerteza quanto à localização da capital e ainda o perigo da pressão estrangeira (Fenícia. Divididos. como sempre. tanto o norte quanto o sul perderam.

rei de Tiro. Israel de Jeroboão I a Jeroboão II De Jeroboão I a Omri (cerca de 50 anos) houve muita instabilidade em Israel. filho de Omri.puxava a procissão das explorações. Houve também vários conflitos com Judá por causa das fronteiras. se suicidou. Ou entregava seus filhos. que deu um golpe militar em 885 a. Fez aliança com a Fenícia. como sempre. por sua vez. Omri construiu Samaria em 880 a. casando seu filho Acab com Jezabel. O intenso comércio com a Fenícia aumentou a riqueza da classe dominante em Israel.. filha de Etbaal. Para termos uma idéia da situação: a partir desta época ficou muito comum o camponês se vender ao rico credor para saldar suas dívidas.C. foi um válido artífice da paz com Judá. O rei . leia o episódio exemplar da vinha de Nabot (1Rs 21).C. quando viu a morte trazida pelo general Omri. Quem quiser conferir. .. a situação do povo era muito difícil. A lavoura não produzia quando a seca era forte? Os ricos vendiam mantimentos à população camponesa. seu filho Ela foi também assassinado por Zimri. em "suaves prestações". que. Omri. Porém. trabalhando como escravo. Sob Acab. Faltava dinheiro no país? O povo precisava de empréstimos? Os privilegiados emprestavam a juros exorbitantes. para capital do reino e desenvolveu bastante o país.2.Jeú Joacaz Joás Jeroboão II Zacarias Salum Menahem Pecahia Pecah Oséias 841-813 813-797 797-782 782/1-753 753 753/2 753/2-742 742/1-740 740/39-731 731-722 28 anos 16 anos 15 anos 29 anos 6 meses 1 mês 11 anos 2 anos 9 anos 9 anos[1] 4. o progresso do país empobrecia largas camadas da população e levava a exploração classista ao máximo..e sua gloriosa corte . Levou vantagem no confronto com Moab e com os arameus de Damasco. Nadab foi assassinado por Baasa.

Suas ações estão narradas em 1Rs 17-22 e 2Rs 1-2. Jeú e seus descendentes enfrentaram graves problemas na política externa: Jeú pagou tributo ao rei assírio Salmanasar III e perdeu a Transjordânia para Hazael.graças a uma série de circunstâncias favoráveis.também Judá. Isto era costume naquela época. Originário do Galaad. em 841 a. Esta. . Mas com a subida ao trono de Jeroboão II (782/1-753 a. Encontrando muita oposição entre as autoridades religiosas e entre o próprio povo explorado. a dinastia de Omri vai cair de maneira violenta: Jeú.Em Samaria. Jeroboão II. Havia paz entre os dois reinos irmãos. Elias tornou-se no seu tempo um símbolo da fidelidade a Iahweh. levou a fronteira norte de seu país onde anteriormente a colocara Salomão (2Rs 14. cresce bastante nesta mesma época . embora de forma lendária e extremamente carregadas pelas cores teológicas do Deuteronomista. Tomou Damasco e submeteu a Síria. A Síria fora vencida pela Assíria. que a idolatria e o abandono do javismo era um problema muito sério. os dois reinos começaram a sua expansão. Acab construiu um templo para sua mulher Jezabel cultuar seu deus Baal. O profeta Elias.) o país se recupera . contemporâneo de Acab. rei de Damasco. o rei de turno. por sua vez. sob o governo de Ozias. Resultado: por todo o país proliferaram os sacerdotes de Baal. segundo a interpretação deuteronomista dos livros dos Reis. atravessava um período de dificuldades. que prontamente percebeu o perigo por ele representado contra o seu culto e os seus privilégios. assassinando toda a família de Jorão. vai lutar com todas as forças contra tamanha deterioração do javismo e de seus ideais de justiça. bom militar. inclusive as regiões da Transjordânia até Moab..C. dá um golpe militar sangrento. E então. com a aprovação do profeta Eliseu. Até aí tudo bem.23-29).C. Perseguido pela rainha Jezabel. livres de pressões maiores. Elias faz ver ao povo. Mas Jezabel arrastou a corte toda e a aristocracia atrás de si neste culto. o mais sério deles sendo a exploração da maioria da população. como demonstra o significado de seu nome (Elias = só Iahweh é Deus). de âmbito nacional e causador de todos os males que dominavam o país.

regados a bom dinheiro. 760 a. a religião javista foi sendo colocada de lado em favor de outros deuses menos exigentes quanto à justiça e à igualdade social.) e Oséias (755-725 a. Nesta época.. Criaram-se extremos de riqueza e de pobreza. bem providos do bom e do melhor. À desintegração social somou-se a religiosa.. endividados. enquanto os tribunais. o povo.Israel controlou as rotas comerciais de então. viam-se nas mãos de seus credores. Porém. provas da riqueza alcançada. Em Samaria os arqueólogos encontraram os restos de esplêndidos edifícios.C.C. os profetas Amós (ca.) destacaram-se na denúncia da situação em que se encontrava Israel. só achavam a razão do lado dos ricos. mais uma vez. Com os santuários cheios de adoradores. . O sistema administrativo adotado por Jeroboão II foi aquele mesmo próspero e injusto de Salomão: concentração da renda nas mãos de poucos com o conseqüente empobrecimento da maioria da população. Os pequenos agricultores.

Sob estes termos. pobre. com o mínimo para sobreviver e que corre sério risco de perder casa. designa as principais vítimas da opressão na sua época.Am 2. não o revogarei! Porque vendem o justo (tsaddîd) por prata e o indigente ('ebyôn) por um par de sandálias. pelos quatro. na casa de seu deus. Amós aponta o pequeno camponês. 'ebyôn (indigente). dal (fraco) e 'anaw (pobre).6-8 Assim falou Iahweh: Pelos três crimes de Israel. um homem e seu pai vão à mesma jovem para profanar o meu santo nome. e bebem vinho daqueles que estão sujeitos a multas. Eles esmagam sobre o pó da terra a cabeça dos fracos (dallîm) e tornam torto o caminho dos pobres ('anawim) . Eles se estendem sobre vestes penhoradas. . ao lado de qualquer altar. com os termos tsaddîq (justo). Amós. terra e liberdade com a política expansionista de Jeroboão II.

são os que vivem no luxo e na boa vida (6.4-6).4-6). "Amós. . são os que constroem boas casas e plantam excelentes vinhas (5.4-6 Eles estão deitados em leitos de marfim.11). inventam para si instrumentos de música. comem cordeiros do rebanho e novilhos do curral. segundo Amós. identifica os opressores com os que detêm o poder econômico. São os que vivem em palácios e acumulam (3. os opressores de sua época.Am 6.12). são os que controlam o comércio (8. improvisam ao som da harpa. Enfim.10). estendidos em seus divãs. Estes são. são as senhoras da alta sociedade (4. são os que aceitam suborno na administração da justiça (5. político e judicial"[2] .1). mas não se preocupam com a ruína de José. bebem crateras de vinho e se ungem com o melhor dos óleos. como Davi. como outros profetas após ele.

nem conhecimento de Deus (da'at 'elohîm) na terra. desfalecerão os seus habitantes e desaparecerão os animais selvagens. Temos aqui três categorias negativas superpostas: o o o a falta de conhecimento de Deus (da'at 'elohîm). As feras. É a experiência ou vivência do javismo que está em jogo. e o sangue derramado soma-se ao sangue derramado. a raiz mais profunda do mal é a falta de conhecimento de Deus. mentira. adultério e violência. roubo. Mas perjúrio e mentira. as aves dos céus e até os peixes do mar. NEXT .1-3 Ouvi a palavra de Iahweh. segundo Oséias. O homem fenece. homicídio a morte.Os 4. que se manifesta como ausência de fidelidade ('emeth) e solidariedade (hesedh) as desordens sociais. assassínio e roubo. com a desagregação do universo. pois Iahweh vai abrir um processo contra os habitantes da terra. causadas pela falta de conhecimento: perjúrio. os pássaros e os peixes desaparecem. filhos de Israel. Portanto. porque não há fidelidade (‘emeth) nem solidariedade (hesedh). assassínio. adultério. Por isso a terra se lamentará. Oséias está dizendo que o problema em Israel é que não há mais espaço para os valores do javismo e isso causa a desagregação da sociedade. Que não é conhecimento intelectual ou cultual.

1987.. e ele estendeu a sua mão aos petulantes quando se aproximaram. 1990.C. L.): foi assassinado Menahem ben Gadi (753/2-742 a.3. Roma. filho de Ela. a noite inteira dorme a sua ira. M. 4. Houve 4 golpes de Estado (golpistas: Salum./VOGT. segundo Amós. São Leopoldo/Petrópolis. Sinodal/Vozes. governou 6 meses (753 a.C. . os senhores de escravos. Pecah e Oséias) e 4 assassinatos (assassinados: Zacarias. SICRE. V.C. filho de Menahem. assassinou Pecah e foi o último rei do norte. Seu coração é como um forno em suas insídias. Meditações e Estudos. o exército. [2]. pela manhã ela arde como uma fogueira. pp. 200. Cf. Salum. O profeta Oséias lamenta o golpismo da época: "No dia de nosso rei. 321-347.[1]. p. Todos eles estão quentes como um forno. reinou de 742/1740 a. J. SCHWANTES.C. seis reis se sucederam no trono de Samaria. filho de Romelias. A Assíria Vem Aí: Para Israel é o Fim Com a morte de Jeroboão II desabou tudo o que ainda restava em Israel.) já teria começado a pagar tributo à Assíria Pecahia (= Facéias). abalado por assassinatos e golpes sangrentos. A justiça social nos profetas. filho de Jeroboão II. os juízes. pp. os príncipes ficaram doentes pelo calor do vinho. São Paulo.) e foi assassinado Salum ben Jabes governou 1 mês (753/2 a. E. apesar de tudo. de 731a 722 a. governou de 740/39 a 731 a. são: os sacerdotes (Templo). 36-48 diz que os opressores de Israel.C. Menahem. De 753 a 722 a.C. Die Jahre der Könige von Juda und Israel. em Biblica 45 (1964).. e foi assassinado Pecah (= Facéia). Paulus. Amós. Oséias. Há várias cronologias possíveis para o período dos reis. os cidadãos (os habitantes da cidade).C. Pecahia e Pecah): o o o o o o Zacarias. Estou seguindo a de PAVLOVSKY..

Todos os seus reis caíram. contra a qual efetuou várias campanhas a partir de 743 a. dominando-os. Judá. também dominados por Judá. este era seu nome. Mas grupos patrióticos assassinaram em Israel o rei submisso à Assíria. Em Judá reinava Acaz. E o oficial que subiu ao poder imediatamente tornou-se chefe de uma coalizão anti-assíria que congregava a Síria. Isaías foi contra este passo e avisou Acaz de que suas conseqüências seriam terríveis. Em seguida. Então. Israel começou a pagar-lhe tributo possivelmente já sob o governo de Menahem. Não há entre eles quem me invoque" (Os 7. conquistando algumas cidades de Judá. Isto foi no ano de 734 a. Os filisteus. os filisteus e outros.C. A grande ameaça internacional era a Assíria.devoram seus juízes. Pecah.C. Pacificou os medos no norte do Irã. Em 745 a. tomou Urartu. o eterno rival da Ásia Menor do controle do comércio do Mediterrâneo. Por que a Assíria ambicionava a região? Por causa: o o o o da madeira e dos recursos naturais do Egito.C. subiu ao trono assírio um hábil rei: Tiglat-Pileser III. pôde ocupar-se com o oeste: começou pela Síria. Invadiram o Negueb e a planície da Shefelah.5-7).C. Deste modo. aproveitaram a ocasião e declararam sua independência. o rei de Damasco e o rei de Israel invadiram Judá pelo norte e cercaram Jerusalém. ao norte. Foi um imposto per capita que atingiu cerca de 60 mil proprietários de terras. igualmente não perderam tempo. A saída foi pedir o auxílio da Assíria. Depois. Em 738 a. que dependiam de Judá. Ele começou por resolver os problemas com os babilônios no sul da Mesopotâmia. e é a chamada guerra siro-efraimita. Derrotaram as tropas de Judá em Elat e destruíram a cidade. . Judá foi invadido por três lados e não tinha como resistir. Os edomitas. Tiglat-Pileser III já submetera grande parte da Síria e da Fenícia. queria que Judá se aliasse a ele. sabiamente não quis.

Encontrá-lo-ás no fim do canal da piscina superior. O rei Oséias só se submetera à Assíria porque não tinha outra saída. Tu lhe dirás: Toma as tuas precauções. De Israel pouco restara: toda a costa. na estrada do campo do pisoeiro. em 732 a. pagando-lhe tributo. prendeu o rei. marchou contra Oséias e este submeteu-se a ele. passara a província assíria. executou o rei e deportou a população. Tiglat-Pileser III conquistou-a.3-6 Então disse Iahweh a Isaías: Vai ao encontro de Acaz. A destruição foi paralisada. submeteu-se imediatamente à Assíria e pagou-lhe tributo. Faltava só Damasco. Efraim e o filho de Romelias tramaram o mal contra ti. por causa da cólera de Rason. Quando Tiglat-Pileser III foi sucedido por Salmanasar V. Foi um suicídio. a Galiléia e o Galaad passaram para a Assíria. dizendo: 'Subamos contra Judá e provoquemos a cisão e a divisão em seu seio em nosso benefício e estabeleçamos como rei sobre ele o filho de Tabeel'. "Salmanasar. contra Israel e saqueou toda a Galiléia e a Transjordânia. rei da Assíria. Então o rei da Assíria mandou encarcerá-lo e prendê-lo com grilhões. Tiglat-Pileser III destruiu rapidamente as forças aliadas. e do filho de Romelias. ocupou o país e cercou Samaria em 724 a. O Egito estava todo dividido e muito fraco. pois que Aram. Começou a negar o tributo à Assíria e a ligar-se ao Egito. Mas o rei da Assíria descobriu que Oséias o traía: é que este havia mandado mensageiros a Sô. mas conserva a calma e não tenhas medo nem vacile o teu coração diante dessas duas achas de lenha fumegantes. cortando qualquer possível ajuda egípcia. Estabeleceu uma base no extremo sul. Neste ínterim.C. em seguida. Começou pela costa e avançou sobre os filisteus desbaratando-os completamente. Não veio ajuda nenhuma. Depois. e não tinha pago o tributo ao rei da Assíria. Depois da tempestade. ainda não era tudo. Oséias (não se confunda o rei Oséias com o profeta homônimo). Deportou uma parte do povo e destruiu numerosas cidades. de Aram. Entretanto. Salmanasar V atacou. Pecah de Israel foi assassinado e seu sucessor. rei do Egito. o rei . como o fazia todo ano. isto é. o que se viu foi o seguinte: a Síria não existia mais.Is 7. Oséias pensou ser o momento bom para a revolta. Virou-se.C. tu juntamente com o teu filho Sear-Iasub [= um resto voltará].

estourou uma rebelião em Kalhu. O Oriente Próximo Asiático. levou ao trono aquele que iria tornar-se um dos maiores reis da Assíria. 149-168.. de uma monarquia unida. em 746 a. V. Para Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman. pp. TiglatPileser III teria que enfrentar a perigosa situação que se desenvolvia nas fronteiras do reino. e nas cidades dos medos" (2Rs 17. este esquema bíblico. em 746 a. na realidade.. pela guerra civil. pp. até que. Tiglat-Pileser III Resumo de GARELLI. Samaria caiu em 722 a. sempre foi aceito por arqueólogos e historiadores. mas. tal como se ignora a filiação do novo soberano: enquanto em uma inscrição faz-se . Com a instalação. de outros povos e outros costumes chegou para Israel do norte o fim definitivo. cujo declínio quase arrastava à ruína todo o país.C. 87-96. P. Impérios Mesopotâmicos . mas era nítida a perda de influência. no território. Pioneira/Edusp.da Assíria invadiu toda a terra e pôs cerco a Samaria durante três anos. conduzindo ao trono Tiglat-Pileser III. Segundo os anais de Sargão II. o número de deportados samaritanos foi de 27. Ela acusara o triunfo da alta nobreza. garantem os autores. em 827. o verdadeiro fundador de seu império. São Paulo.Israel. mas está errado. A Assíria parecia inerte. sem dúvida graças à energia do turtanu Shamshi-Ilu. o rei da Assíria tomou Samaria e deportou Israel para a Assíria. e o filho de Salmanasar V. de fato.C. A revolta que estourou em Kalhu. & NIKIPROWETZKY.290 pessoas. 1982. Não há evidências de uma monarquia unida governada por Jerusalém. mas há boas razões para se acreditar que sempre houve duas diferentes entidades políticas na região montanhosa de Canaã. no livro The Bible Unearthed. Sargão II foi quem se encarregou da deportação e substituição da população israelita por outros povos que foram ali instalados.. Ignora-se a participação que teve na trama ou em sua repressão.3-6). em detrimento da autoridade real. poderia parecer um simples episódio de uma época fértil em tentativas similares. que se desintegra após a morte de Salomão. estabelecendo-o em Hala e às margens do Habor. O golpe de Estado.C. No nono ano de Oséias. rio de Gozã. assinala o termo da crise aberta. Verdade que não se dera nenhum revés de importância.

C. e seus aliados. mas sabe-se que de 743 a 738 a. pois. dele se fez o tipo de "rei reformador". desde muito tempo. Tiglat-Pileser III empreendeu uma série de operações militares contra a Babilônia e Namri. rei de Urartu. porém conseguiram-no de forma bem imperfeita. mas o fato também pode indicar que o perigo urártio não era tão premente quanto se tenderia a acreditar. Atribui-selhe demasiado no plano interno. pois assim o designam fontes babilônicas e bíblicas. em política internacional. não tivera lugar com seu assentimento. Encurraladas de Dur-kurigalzu e Sippar até o Golfo Pérsico. As conquistas de Tiglat-Pileser III são mal documentadas. Os vizinhos da Assíria logo se aperceberiam disso. cujo verdadeiro nome seria Pulu. Nada mais incerto. Desde sua ascensão. ou. ele desbaratou a coalizão siro-urártia e se impôs aos dinastas aramaicos. uma repetição da que Salmanasar III levara a efeito havia um século. Chegou-se a pensar que fosse um usurpador. aliás. É possível. na Babilônia central. durante três anos. Em seguida. a agitação permanecia endêmica. A verdade é que. em 745 a. Na Babilônia. como Kar-Assur. Milhares de deportados tomaram a rota da Assíria e foram estabelecidos em novas cidades. em grande parte era o mesmo: as tribos aramaicas e caldéias. acabara de obter a adesão dos países sírios. se a intervenção assíria não se devera ao apelo de Nabonassar. Os reis caldeus. por outro lado. visto que seu principal adversário. uma das listas reais apresenta-o como um dos filhos de Assur-Nirari V. pode muito bem ter sido de linhagem real. antes de efetuar a . pelo menos .passar como filho de Adad-Nirari III. inclusive. precisou transferir sua atenção para os medos e Urartu. A expedição levada a cabo por Tiglat-Pileser III em 745 a.C. o rei de Urartu. que antes de ajustar contas com Sardur. Imaginou-se. Espírito metódico e audacioso. em suma. os exércitos assírios ganharam a rota do Sul. que dois anos antes subira ao trono da Babilônia. esforçavam-se por firmar sua autoridade. mas só se atribui aos ricos.. ao longo do tigre e do Kerkha (Uknu). Sem dúvida o foi. Seria. Tiglat-Pileser precisava garantir sua retaguarda e as grandes vias de comunicação com o Irã e o Golfo Pérsico.C. o que pode surpreender. tiveram de submeter-se. Em parte alguma as tropas assírias bateram-se com as forças de Nabonassar (Nabu-Nasir). o que prova que a aparente paralisia do país refletia sobretudo uma crise do poder central. Pode-se indagar. é bastante curiosa. e a personalidade do soberano era visivelmente rica. bem como em redor de Nippur. por razões cronológicas. O adversário. o que é pouco provável.

Os dinastas aramaicos manifestariam. .C.C. Até então. que se apressou a pagar tributo. que dispunham de guarnições permanentes. de Damasco. apesar das advertências de Isaías (capítulos 7 e 8).C.C. de 734 a 732 a. ou. o qual agiu prontamente: descendo pela costa. e Razon.. que não parecia muito entusiasmado pela aventura. Os conjurados tentaram então. sua indestrutível coragem: as revoltas sucederam-se com grande obstinação. em Comagena. assim. os soberanos da Assíria. eliminar seu importuno vizinho. mais uma vez. como Salmanasar III. como conservam a independência. com quem a guerra converteu-se em guerra de conquista: o território ocupado era incluído nos limites da terra de Assur e dividido em províncias dirigidas por bel pihati. A revolta de Mukin-Zeri forçou-o. O primeiro a renunciar a tal concepção foi Tiglat-Pileser III. atingiu Gaza e o Wadi El Arish. que recomeçar tudo. esperavam uma virada da situação. a neutralidade do rei de Judá. seria necessário um acordo. ao que tudo indica. antes de sucumbir por seu turno em 732 a. Um elemento relevante. voltou-se contra Israel.. Os vencidos tornavam-se tributários. No decorrer desse vaivém contínuo. oficialmente incorporada ao império em 729 a. Pecah foi assassinado por um certo Oséias ben Elá. em parte. encerrando-se em 738 a. a aparente facilidade das vitórias assírias. por ocasião de uma vitória decisiva sobre Sardur. de conluio com os edomitas. Ante o desastre. de Israel. impedindo qualquer possibilidade de socorro egípcio. e o infeliz Acaz. no mínimo.C. Para tanto. Em 740 a. então. com a submissão de dezoito príncipes espalhados nos territórios compreendidos entre Tabal e Samaria. que provocou a dissolução da coligação aramaica. Tiro. a seguir. Essa demonstração não bastou para desencorajar todos os vencidos. aproveitam-se imediatamente da menor dificuldade experimentada pelo poder assírio. a prestar submissão. As tropas assírias estavam. Razon conseguiria resistir por três anos. o Rio do Egito. Acaz. a dirigir-se novamente à Babilônia. qual seja a política de ocupação permanente inaugurada por Tiglat-Pileser III. Pecah. Que (Cilícia) e Carquemish. Sua derrota incitou os países vizinhos. Tiglat-Pileser iria receber seus tributos em Arpade. houve raros confrontos de envergadura. viu-se obrigado a apelar para o auxílio do rei da Assíria.conquista de Damasco e da Palestina. mesmo os mais audaciosos.C. explica. concebiam suas operações ofensivas como expedições destinadas a aniquilar o poderio material de seus vizinhos e recolher despojos. em particular Damasco. Havia. cujo território saqueou. Tudo decidira-se em 743 a. mas.

às mesmas contribuições e corvéias. no entanto.C. sem dúvida. E as vitórias se sucediam. E soube gerir seu imenso domínio. em 735 a. segundo certos historiadores. portanto. computou-as entre as pessoas da terra de Assur. Teria. A propósito. que enfraquecera o poder real. sempre a postos para sufocar as dissidências e empreender novas operações. cuja capital. Urartu. canalizando as energias assírias para a conquista.portanto. o rei deportou numerosas populações para regiões excêntricas. Por isso. Mas é uma hipótese apenas. cabendo indagar se o exército assírio não sofreu uma profunda reorganização. chegou a ser atacada. o esforço foi inútil: Urartu conservava considerável poderio. Em toda a parte praticou-se essa política de conquista e assimilação. Certo é que Tiglat-Pileser III conseguiu perfeitamente manter as rédeas do seu mundo. fracionando as unidades demasiado vastas. e TiglatPileser III não insistiu.. Por outro lado. Após a vitória de Comagena. a fim de separá-las de seu meio natural e impedir quaisquer veleidades de rebelião. tentou invadir o país. exceto nas regiões excêntricas do planalto iraniano. No resto. Os prisioneiros de Babilônia foram disseminados por todo o arco de círculo montanhoso que cercava o reino a norte e a leste.C. Tal revés não obscurece a amplitude de seus outros êxitos militares. a fim de diminuir o poderio da alta nobreza. Impossível evocar o reinado de Tiglat-Pileser III sem mencionar sua obra administrativa. Tiglat-Pileser pretendeu. dosando habilmente firmeza e brandura.. refletiria suas mais aprofundas intenções em matéria de política interna. freqüentemente. como tais. as . sem confirmação nas fontes de que dispomos. submetendo-as. O rei teria procedido a uma nova divisão das províncias. Turushpa. Chegou mesmo a implantar o culto de Assur na Média. é sintomático verificar que as cidades fenícias. incorporadas ao império. submetê-las a uma única jurisdição. Num único local. que. continuaram a usufruir de grande liberdade. Esse enorme amálgama de populações em muito contribuiu. só se lhes interditara o comércio com a Palestina e o Egito. Cerca de 734 a. o rei fora paralisado. às vésperas da campanha contra Israel e Damasco. Apesar da derrota de Sardur. para a aramaização do império. revertido a evolução percorrida a partir de Shamshi-Adad V.

a intervenção da legião ituéia e algumas advertências prontamente restabeleciam a ordem. e sim um império. e o filho de Salmanasar V. filho de Tiglat-Pileser III quem os reprimiu. Em caso de revolta contra os fiscais. Daí em diante não houve mais um território nacional e territórios de caça. fonte de todas as tradições religiosas. pois densa rede de correios sulcava o império. A data de 722 a. à simples condição de província teria sido inabilidade. Um incidente num templo de Tiro. observa-se ao mesmo tempo que a chancelaria de Kalhu era cuidadosamente mantida ao corrente da evolução da situação. e o fisco assírio contentava-se com a cobrança de uma percentagem sobre as mercadorias na entrada da cidade.autoridades locais agiam à vontade. Sargão II deportou sua população para Kalhu.C...C. O poderio do monarca assírio não era tal. Foi Salmanasar V.. Embora fosse senhor deste país a partir de 745 a. reduzir uma terra tão venerável. ao mesmo tempo. em toda a medida do possível. que recolhiam os impostos. mantido por guarnições administradas pelos governadores. nesta ocasião. Nabu-Mukin-Zeri revoltou-se. Com efeito.C. Quando de sua morte. mesmo sem ter sido o fundador do império.C. Esta sutil mistura de firmeza e diplomacia. Nabonassar. e tomou o poder em 731 a. Samaria foi tomada em 722 a.C. uma investida de nômades em Moab imediatamente eram comunicados à capital. o único senhor da Babilônia era o rei da Assíria. disposta.C. à ascensão de um dos mais prestigiosos monarcas do antigo Oriente. contudo. que desencorajasse toda pretensão de independência. O reino de Israel foi. reduzido a província assíria. . é duplamente simbólica: assinala uma importante inflexão da história de Israel e corresponde. espoliados pelos exércitos assírios segundo as possibilidades do momento. Não obstante. Sargão II contribuiu de forma decisiva para assegurar seu poderio e dar-lhe seu caráter definitivo. Em 729 a. Tiglat-Pileser III não destronou o soberano legítimo. Foi o que ocorreu com Bar-Rekub de Sam'al e Oséias de Samaria. a respeitar os interesses e franquias locais. no Habur e para a Média. todas as terras do Crescente Fértil se achavam unificadas sob o rótulo inédito de uma dupla monarquia assirobabilônica. Tampouco tomou qualquer medida contra o filho deste último. em 727 a. Tiglat-Pileser III só interveio quando o chefe da tribo Amukkanu. Entretanto. por sua vez. Tiglat-Pileser III não caiu nesse erro: fez-se reconhecer como rei e sua decisão foi ratificada na lista real babilônica. permitiu a incorporação oficial da Babilônia ao império.

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Somente Ascalon e Ekron. Entretanto. Logo os reis de Biblos. conclui: "Pode-se considerar que algum fato. .. 2Rs 19. Existe uma notícia de Heródoto. mas isto não exclui que Ezequias tenha enviado o seu tributo e renovado de modo ostensivo o tratado de vassalagem. S. juntamente com Judá.. e imediatamente teve que enfrentar nova revolta na Babilônia. cuja ruptura provocara a invasão assíria"[1]. Senaquerib não se fez de rogado e já em 701 a.) Quanto a ele. Senaquerib tomou primeiro Ascalon. E foi a vez de Judá. ele começou por Tiro. Os egípcios tentaram socorrer Ekron e foram derrotados. encerrei-o em Jerusalém..C. Acreditavam ter chegado o momento da libertação. Talvez Senaquerib tenha partido por causa de alguma rebelião na Mesopotâmia. sua cidade real. A coalizão integrava Tiro. ele levantou o cerco e voltou para a Assíria. vencendo-a.C. com algumas cidades filistéias. segundo a qual num confronto com os egípcios os exércitos de Senaquerib foram atacados por ratos (peste bubônica?). entrou como um dos chefes da revolta. Edom e Amon se entregaram e pagaram tributo a Senaquerib. Que não se fez esperar. Nos Anais de Senaquerib se diz o seguinte: "Quanto a Ezequias do país de Judá. Ascalon e Ekron. Edom e Amon. acontecido no acampamento assírio que assediava Jerusalém. por motivos desconhecidos. Jerusalém voltou a respirar. como um pássaro na gaiola.141. Não se sabe porque Jerusalém se salvou. O Egito prometeu ajuda. resistiram.Senaquerib subiu ao trono assírio em 705 a.. no último minuto. Senaquerib tomou 46 cidades fortificadas em Judá e cercou Jerusalém.35-37 diz que o Anjo de Iahweh atacou o acampamento assírio. sitiei e conquistei 46 cidades que lhe pertenciam (. Hermann. Mas teve que pagar forte tributo aos assírios.". de Judá. tenha obrigado à partida. Todas as províncias do oeste então se levantaram. talvez uma peste. História II. e Ezequias. Moab. mais uma vez. Moab. que não se tinha submetido ao meu jugo. Ashdod. estudando o caso. com outras cidades fenícias. Arvad. Fortificou suas defesas e preparou-se cuidadosamente para esperar a Assíria.

o tributo pago por Ezequias ao rei assírio foi significativo: "Quanto a ele. minha cidade senhorial. trezentos talentos de prata e trinta talentos de ouro.. 800 talentos de prata. ébano. Com isso.13-16: "No décimo quarto ano do rei Ezequias. Então Ezequias. Um grande sincretismo religioso ameaçava o javismo. cantoras. sua influência se espalhou. E um longo governo: 55 anos. Deuses. De qualquer maneira. rei de Judá. havia revestido de ouro. leitos de marfim. grandes blocos de cornalina. poltronas de marfim. antimônio escolhido. em Nínive. O rei da Assíria exigiu de Ezequias. os irregulares e os soldados de elite que ele tinha como tropa auxiliar. que. a reforma de Ezequias perdeu o rumo. rei de Judá. Senaquerib. Estando fortíssimo o império assírio. Ezequias. mulheres de seu palácio. rei da Assíria. peles de elefante.. costumes. cantores. e o entregou ao rei da Assíria". e despachou um mensageiro seu a cavalo para entregar o tributo e fazer ato de submissão"[2]. veio para atacar todas as cidades fortificadas de Judá e apoderou-se delas. . em Laquis: 'Cometi um erro! Retira-te de mim e aceitarei as condições que me impuseres'. toda sorte de coisas. um pesado tesouro.Outra questão é se teria havido uma segunda campanha de Senaquerib na Palestina. com 30 talentos de ouro. Informação que concorda com a de 2Rs 18. Seu sucessor Manassés foi um dos piores governos de Judá. mandou esta mensagem ao rei da Assíria. domínio assírio. meu esplendor terrível de soberano o confundiu e ele enviou atrás de mim. cultos. Quem protestava era duramente reprimido. e suas filhas. buxo. e Ezequias entregou toda a prata que se achava no Templo de Iahweh e nos tesouros do palácio real. rei de Judá. marfim. segundo os Anais de Senaquerib. Então Ezequias mandou retirar o revestimento dos batentes e dos umbrais das portas do santuário de Iahweh.

68.C. considerados idólatras. uma espécie de ritual de renovação da aliança ornamentados por uma introdução (os atuais capítulos 4.32) e uma conclusão. descrita em pormenores em 2Rs 22. 5. introduzidos em Judá sob a influência assíria. o núcleo do atual livro do Deuteronômio.16-28. Houve uma limpeza geral no país: cultos e práticas estrangeiras. décimo segundo do reinado de Josias. escrito em Jerusalém mesmo. A magia e os vários modos de adivinhação. entre 626 e 610 a. escrito no reino do norte e levado para Jerusalém em seguida à destruição de Samaria em 722 a. Os santuários do antigo reino de Israel. destruídos.44-11. Foi um momento bom para Judá. contudo. segundo outros. Não encontrou uma independência prolongada para poder se desenvolver. mostrando que a certeza do povo de que Judá era indestrutível devido à promessa davídica era uma loucura. artífices da derrocada definitiva da Assíria. os capítulos 26. segundo alguns. Aproveitando a fraqueza assíria. aumentando seus tributos e melhorando suas defesas. como se lê em 2Rs 22.1-26.Manassés foi sucedido pelo filho Amon que acabou assassinado por elementos anti-assírios. provavelmente.25 como o obra mestra deste rei. Era preciso reviver as antigas tradições mosaicas. em 640 a. seu filho Josias. Segundo alguns. banidos.C. A reforma de Josias surtiu efeito? Sim e não. o rei Josias deu início a uma ampla reforma. pontos negativos. que contaria então com 20 anos de idade.C. Povos dominados e oprimidos pela extrema violência e crueldade assírias levantaram as cabeças. Durante seu reinado.3-23. E foi entronizado. o Deuteronômio original compreendia os capítulos 12. teve. Principalmente os babilônios e os medos.C. Positiva no geral. Josias recuperou o controle sobre as províncias do antigo reino de Israel. pois só elas valiam a pena. como lei oficial do Estado.C. Ao ser promulgado por Josias em 622 a. Do Templo de Jerusalém foi recuperado um código de leis.15 . o Deuteronômio deu vida à reforma. Sob a influência de um forte espírito nacionalista. enfrentando uma violência proveniente de vários pontos do império. A Reforma de Josias e o Deuteronômio A Assíria estava nos seus estertores finais. durante o governo de Ezequias. com apenas 8 anos de idade.3. foram definitivamente eliminados. foi feita de cima para baixo. por grupos fugidos do norte... Parece que a reforma começou aí pelo ano de 629 a.um código de leis. imposta pelo . Judá alcançou esperançosa independência.

Textos do Antigo Oriente Médio. terminou por prevalecer sobre as ambições assírias. Israel e Judá.. no decorrer dos cinco primeiros anos de reinado. Pioneira/Edusp. & NIKIPROWETZKY.. NEXT [1]. São Paulo. Paulus. Senão. a centralização do culto não deu bons resultados. 97-106.. e a ascensão de Assurbanipal provocou a revolta do Egito. Antes de mais nada. na melhor das hipóteses. Assarhadon. Cf. habilmente explorada pelos babilônios de Nabopolassar e à qual os medos dariam um termo brutal. V.C. Falemos. sua morte. A morte do grande rei. esvaziando a vida e a religiosidade do povo.C. em primeiro lugar da política externa. Queriniana. S. p. VV.. [2]. apenas uma calma momentânea. Impérios Mesopotâmicos . vejamos: Sargão II praticamente não tivera trégua até sua conquista da Babilônia em 710 a. O Oriente Próximo Asiático. da Palestina ao Elam. em 612 a. pp.. que.. São Paulo. 76. 347. até obter. Brescia. AA.C. O Império Assírio de 721 a 610 a. cada mudança de reinado dava margem a sublevações esporádicas ou generalizadas. Josias morreu cedo demais e a reforma se perdeu. P. a despeito de reveses passageiros. foi o sinal para um levante geral.C. 1985. suas medidas ficaram no exterior apenas sem levar o povo a uma reconstrução real do javismo. viu-se acuado em defensiva nos mesmos teatros de operações.governo. em cuja repressão Senaquerib gastaria quatro anos. suscitou uma interminável guerra civil..Israel. p. Storia d'Israele. 1982. 19792. HERMANN. em 705 a. .C. E o pior: os acontecimentos se precipitaram. I tempi dell'Antico Testamento. Resumo de GARELLI. sem base popular mais ampla. tendo amiúde de reprimi-las os soberanos durante longos anos. cerca de 627 a.

Em 666 a..Tal desfecho. Por duas vezes. o faraó Shabako apoiava secretamente a rebelião de Ashdod e saiu dessa difícil situação entregando a Sargão II o instigador da revolta. para prevenir um perigo latente ou solidificar sua dominação.. assentar seu domínio no Egito. Quatro anos mais tarde. Em 670 a. redundou em malogro. em 720 e 716. Os assírios jamais conseguiram. só por milagre o Egito foi poupado por Senaquerib. quando Sargão II resolveu acabar com a ameaça urártia.C. estourou a revolta. tendo que voltar à Assíria. em 705. que só se salvou entregando seus tesouros. e o tratado imposto a Baal de Tiro permitiram restaurar a ordem assíria nessas regiões.C. justifica as rebeliões anteriores que.C. Só depois de concluir um tratado com os medos. Assarhadon pôsse à frente de uma expedição. E o Egito? Após a ocupação da Síria por Tiglat-Pileser III.C.C. esmagada por Sargão II. Assurbanipal prosseguiu a obra do pai. que adiou a invasão do Egito. que levou Senaquerib a destruir 46 cidades de Judá e a sitiar Jerusalém. citas e cimérios agitavam-se na Ásia Menor. Em 701. de resto muitas vezes assim julgadas pelos próprios contemporâneos.C. Ou com a revolta de Ezequias. Às vezes também os assírios tomavam a ofensiva. Assim aconteceu em 714 a. O projeto foi adiado devido às ameaças que pesavam sobre a fronteira ocidental do reino. pulverizando-se em poucos anos.C. Mas o domínio assírio permaneceu precário. Em 653 a.C. Foi o que aconteceu com a revolta de Ashdod. o Egito alimentara sem cessar a agitação na Palestina. em 674 a. que teve de se abrir ao comércio assírio. levou o faraó a abandonar sua atitude reservada. e acabou vítima de uma peste provocada por ratos no seu acampamento. conseguiu conquistar Mênfis sem maiores dificuldades.. Sargão II chegou à fronteira egípcia. chegou mesmo a Tebas. enquanto cercava Jerusalém. O assassinato de Senaquerib em 681 a. foi .C. Uma primeira tentativa. regulando definitivamente o problema egípcio. que. até certo ponto. em 671 a. consideradas isoladamente. se nos afiguram como loucos cometimentos. entretanto. Psamético I libertou o território egípcio e Assurbanipal. No ano seguinte Taharqa retomou Mênfis e Assarhadon morreu nesse meio tempo. mas a tomada de Sídon. Moab e Edom em 714 a. em 677 a. após uma revolta. de Judá. Novamente apoderou-se de Mênfis e. A Caldéia estava em efervescência. O faraó Taharqa instigou as cidades fenícias a alastrarem o incêndio. já demasiado absorvido pelos problemas da Babilônia e do Elam. Assarhadon resolveu então extinguir esse foco perpétuo de agitação.. sem poder castigar o faraó.

ameaçava alastrar-se ao longo do Zagros e. Ora. já estafante nos pântanos do sul. e nem sequer vacilaram em unir-se ao Elam. atingir as fronteiras orientais. Desde que as campanhas de Shamshi-Adad V suprimiram o poder real tradicional da Transtigrina. em 525 a. Contudo. pelo menos as principais. se estas não haviam sido sustentadas com mais diligência. E eis que. cortando assim as vias de comunicação com o planalto iraniano. além de todo o seu prestígio. A Assíria organizara apenas três breves expedições ao vale do Nilo. O Egito não mais seria invadido até o reinado do persa Cambises. os reis da Assíria regularmente iam em peregrinação. essa conjunção de caldeus e elamitas era bastante perigosa para os assírios. Por isso. sob o enérgico impulso de Tiglat-Pileser III. o inacreditável acontecera: a Babilônia era território assírio. a terra dos santuários prestigiosos. aos poucos. a fonte de toda espiritualidade. visto que nele estavam em jogo. a fim de rechaçar o invasor do Norte. em caso de necessidade. não empreenderiam outras campanhas militares antes de assegurar sua retaguarda nessa região e. O reino de Nínive não podia desviar-se desse teatro de operações. era com extrema atenção que os assírios vigiavam os acontecimentos na Babilônia. sua segurança mais imediata. a Babilônia e o Elam. onde. não se pode dizer que esta aventura desgastou suas forças. de resto vitoriosas. . a partir do século IX. Isto porque. A Babilônia era a jóia do império. renunciariam a elas para concentrar os esforços no teatro de operações essencial. deixariam abater-se pesadamente à sua cólera.C. Tentariam todas as fórmulas constitucionais para poupar as suscetibilidades locais e. Os babilônios tinham uma impertinente propensão a não se deixar assimilar. Facilmente atraíram para a causa nacional as grandes cidades da planície. a repressão e as sucessivas destruições de Babilônia só serviram para galvanizar a resistência. a Assíria no global seguia as tradições do Sul. fora precisamente porque o grosso das forças assírias se achava imobilizado em um verdadeiro ninho de vespas. embora com seus particularismos. seu tradicional inimigo. E. e foram simples guarnições que ali não conseguiram manter-se. Havia séculos que encarava com inveja esse vizinho mais dotado que a rejeitava e talvez mesmo a desprezasse. pois a guerra. quando se tornasse flagrante a derrota. foram os caldeus que representaram a principal força de oposição. e de onde traziam os escritos fundamentais que inspiravam sua religião e a literatura de seu país. Conquanto fosse um nítido revés para a Assíria.obrigado a renunciar a quaisquer projetos de represália. Os novos senhores tudo fariam para conservar esse florão de sua coroa.

Assurbanipal. passou a hostilizar Merodaque-Baladam. data presumível da morte de Assurbanipal. as tropas assírias saquearam sua capital Susa e o país foi reduzido a província assíria. quando a revolta retumbava em todo o império. Esse terrível exemplo e quiçá também a clemência de Assarhadon asseguraram. cobria apenas os territórios de Babilônia. mas não usou qualquer subterfúgio diplomático: tornou-se rei da Babilônia sob seu nome assírio.. foi ela que levou o rei da Babilônia à revolta.C. Após as primeiras medidas destinadas a apaziguar a opinião pública assíria. houve uma sucessão quase ininterrupta de guerras civis . No confronto que se seguiu. os quais ele nem sequer controlava de maneira absoluta. em parte. é freqüentemente considerado um "escândalo histórico". cujo reinado foi praticamente todo consagrado a tentar resolver o problema babilônico. Assurbanipal tomou de assalto a cidade de Babilônia em 648 a. e a trama dos acontecimentos permanece objeto de discussão. de fato. ainda mal conhecidas. havia sido bastante desigual. Uns vinte anos depois. durante alguns anos. Após vários confrontos duvidosos com babilônios e elamitas. e 612 a. A divisão. O novo rei restaurou a capital do sul e restituiu-lhe o papel de encruzilhada comercial. apesar de ser o primogênito. uma relativa calma na Babilônia. sem dúvida. efetivamente. Assurbanipal e Shamash-Shum-Ukin. Assurbanipal. continuaria incompreensível. se não se levasse em conta o fato seguinte: entre 627 a. O fenômeno. múltiplas causas. a situação evoluiria de forma dramática. A Babilônia reconquistada foi administrada por Kandalanu. provavelmente. recuperou a superioridade e deu livre curso a seu furor: saqueou Babilônia e a inundou com as águas do Eufrates. Vencedor no confronto. Sargão II fez-se reconhecer como soberano do país. Quanto ao Elam. Borsippa. Senaquerib.C. Senaquerib em 689 a. que seguiu de perto o triunfo de seu maior soberano. Por certo. Tal situação devia parecer injusta e. O filho mais novo. devido às disposições testamentárias de Assarhadon que dividira os territórios mesopotâmicos entre os dois filhos.C.Isso se observa desde Sargão II. O desmoronamento do império assírio. e seu irmão Shamash-Shum-Ukin morreu no incêndio de seu palácio. devem ter entrado em jogo. Cuta e Sippar. data da queda de Nínive.. porquanto o domínio de Shamash-Shum-Ukin.C. que com apoio do Elam se proclamara rei da Babilônia. experimentou diversas fórmulas constitucionais. era o verdadeiro senhor do império.

Os fatos são um pouco confusos. Sin-Shar-Ishkun. 5.C. para proveito de um caldeu. o país devia encontrar-se esgotado. Quando os medos intervieram. tendo as províncias dessa região recobrado uma independência de fato. a nação estava totalmente despreparada para a crise[6]. com voluntários despreparados para guerras prolongadas. tomar Harã. nas cidades fenícias e nas antigas províncias aramaicas da Assíria. por um outro filho de Assurbanipal. Nabopolassar. que operavam a partir de bases militares em Babilônia. e Sin-Shum-Lishir logo desapareceu de cena. foram atacados incontinente por Assur-Etel-Ilani. o rei da Assíria é desalojado de Harã. Enquanto as maiores potências da época mantinham grandes exércitos regulares e. ocorrera com a morte de Assurbanipal: o problema da sucessão não pôde ser solucionado. mas em 616 a. Nabopolassar controlava toda a Babilônia e levava a cabo operações ofensivas ao longo do médio Eufrates. novamente. e não mais sabiam onde se encontrava a autoridade legítima. Não estou falando de forças militares. pelo menos três exércitos atuavam ao mesmo tempo na Babilônia.ou externas. os derradeiros restos do império assírio desapareceram então para sempre. Seja como for. financiavam. principalmente. Seu rei fugiu para Harã e resistiu ainda dois anos. pois os assírios se achavam impossibilitados de controlar a Síria e a Palestina. Assim.C.5. O direito de Assur-Etel-Ilani à sucessão de Assurbanipal foi contestado pelo general Sin-Shum-Lishir e. pois por aí é que o país não acharia mesmo nenhuma saída. balançando entre o enfraquecido Egito e a fortalecida Babilônia. como sempre acontecera até então. Por Que Judá Caiu? Quando Judá entrou na fase crítica de enfrentamento com o poderio estrangeiro. com efeito.C. em boa parte. os pequenos reinos tinham que contar. A direção tomada pelos acontecimentos levou o faraó Psamético a intervir. até os vaus do Eufrates. Em 612 a. chefe do País do Mar. As cidades mudavam freqüentemente de mãos. a seguir. Um fato novo. exércitos mercenários. a Assíria teve seu império assaltado e sua capital destruída pelos medos e babilônios. A guerra entre os dois irmãos campeou daí em diante. . os assírios tentam. Em 610 a. a peso de ouro. Toda a Djezireh passou a ser território babilônico e o faraó Necao implantou o domínio egípcio na Palestina. Os revoltosos.C. Em 609 a. Sem sucesso. com ajuda egípcia.

Quando Davi conquistou Jerusalém e estabeleceu ali a sua capital. o poder de Jerusalém constrói sua própria base. a da invencibilidade de Jerusalém. independente dos líderes tradicionais[7]. associada à crença na perpetuidade da dinastia davídica. 1Rs 2. Betel. Despreparo gerado pelas atitudes políticas falhas e pela ideologia dominante enganosa de Judá. comandam o sacerdócio. sabemos que. assumindo os seus cargos Banaías e Sadoc. Outro dado interessante é a associação do sacerdócio à nova ordem real que se estabeleceu com Davi. foi uma manobra davídica para dar legitimidade à sua cidade (cf. sem ligação com as tradições tribais. Desde a época de Davi vinha sendo elaborada uma crença específica. algumas providências significativas foram tomadas. Silo. a constituição de uma sacerdócio associado e submisso ao Estado e a tentativa de construção de um Templo. Joab e Banaías.15-18. respectivamente (cf.26-35). Há os "anciãos de Judá" (ziqnê y'hûdâh). Abiatar e Sadoc. em interessante artigo. onde o poder real se constitui a partir das lideranças tribais. uma curiosa dualidade tanto no comando do exército quanto na chefia do sacerdócio. Foi a vitória da nova ordem monárquica. representantes do poder da corte davídica de Jerusalém. carecia de legitimidade javista. como sabemos através de 2Sm 8. A transferência da Arca. Ora. Os tradicionais santuários do povo de Israel estavam mais ao norte. eram Siquém. enquanto o general Banaías e o sacerdote Sadoc representavam a nova ordem monárquica. Ou seja: "Enquanto nas tribos do norte esta [a instituição monárquica] é inserida no direito sagrado javista. Ele tinha. sob Salomão. líderes tribais das várias cidades e aldeias judaítas e os "anciãos da casa" (ziqnê bayit). no território de Judá a monarquia é vista como uma realidade estranha à ordem sagrada. de fato. comandam o exército. espécie de trono móvel de Iahweh. 2Sm 6). o que. Guilgal etc. enquanto dois sacerdotes. G. Esta dualidade poderia significar que o general Joab e o sacerdote Abiatar representavam as forças tradicionais de Israel. Ou seja: dois generais. Joab foi morto e Abiatar desterrado. foi feito por Salomão. Diferente do norte.Mas estou falando de outro despreparo. BETTENZOLI. Jerusalém. distingue dois tipos de líderes judaítas desde a época de Davi. Bettenzoli . Tais como: a transferência da Arca da Aliança para a nova sede. como um fenômeno estritamente dependente de uma oportunidade política"[8]. antiga cidade-fortaleza jebuséia.

que enfrentaria. . A. com a morte de Josias quase tudo se perdeu: o poder real sob Joaquim tornou-se extremamente despótico e o Templo. pois garantia seus privilégios a curto prazo. São Paulo.C. Elaborada pelos sacerdotes associados ao poder real de Jerusalém. Judá sabia. porém. Podemos acompanhar.. expressão máxima desta teologia. gradualmente absorvidos pela monarquia e pela corte de Jerusalém. aos desmandos da classe dominante enquanto a legitimava e ocultava suas práticas através da religião. Esta teologia pode ser vista também em vários salmos. pois estes representam também orações e celebrações do Templo. o fim de seu país e indo morrer no Egito por volta de 580 a. especialmente do Templo. A vocação de Jeremias. que atuou incansavelmente desde 627 a. moradia de Iahweh. Textos do Antigo Oriente Médio.. Isto interessava aos poderes dominantes. para amparar e legitimar sua opressão"[9]. observando os acontecimentos. Para uma leitura a partir dos pobres a teologia davídica é muito ambígua. vendo. mais uma vez. os testemunhos dramáticos dos profetas Habacuc. Foi ele. São Paulo. quem a iniciou. os "anciãos de Judá" vão perdendo sua liderança. e da sacralidade de Sião. Diz J. até o dia de hoje são atribuídos majoritariamente à autoria de Davi. obviamente esta teologia apareceria nos salmos. PIXLEY: "Essa nova teologia não foi. como aconteceu.VV.. angustiado. Paulus. referendada pelo profeta Natã (2Sm 7). por exemplo.C. Os Salmos. como o 2.C. fortalecido pela centralização do culto. Quanto mais próximo estava o desenlace da crise. a ameaça sem limites do poderio babilônico. mais cedo ou mais tarde. É neste contexto que se desenvolve uma teologia da perpetuidade da dinastia davídica. podendo servir. e Jeremias. Nascido profeta. Israel e Judá. toda elaborada no tempo de Davi. 19972. mais a nação se apegava ao dogma da inviolabilidade da cidade. J. que garante a inviolabilidade de Jerusalém. que pregou entre 605 e 600 a. associou-se. provavelmente. Leituras Recomendadas AA. com o tempo.assinala que. o 89 e o 132. DA SILVA.. acerca desta época. Como vimos.

pp. GRABBE. em Biblica 64 (1983). Petrópolis.Paulus. [7]. 1993. depois de controlar toda a Grécia. Kentucky. a análise de PIXLEY. p. ‘The Exile’ as History and Ideology. 363-442. DONNER.). Petrópolis. 6. G.. o... 20049. 1997 [20043]. p. 31-43. o . Sheffield. Queriniana. The Israelites in History and Tradition. 19792. Brescia. LEMCHE. pp. 47-73. Lester L. PIXLEY. S. Louisville. Cf. Petrópolis. Storia d'Israele. pp. (ed. Gli Anziani in Giuda. NEXT [6]. J. PIXLEY. A Época Persa e as Conquistas de Alexandre Em 334 a. 73-90. c. 1998. Vozes. BETTENZOLI. 1992. em Biblica 64 (1983).. Leading Captivity Captive.C. História de Israel e dos povos vizinhos II. pp. São Leopoldo. Aos 23 anos de idade. J. Gli Anziani di Israele. J. pp. P. ECHEGARAY. pp. Westminster John Knox. I tempi dell'Antico Testamento. entra com seus exércitos na Ásia Menor. Idem. Vozes. 1998. Sheffield Academic Press. N... G.. [8]. Sinodal/Vozes. 211-224. H.. Vozes.. HERMANN.. rei da Macedônia. [9]. 233. J. ibidem. 54-79. Alexandre. A história de Israel a partir dos pobres. 20049. pp. 30. A história de Israel a partir dos pobres. 143-188. O Crescente Fértil e a Bíblia.

É o fim do Império Persa e o começo de uma nova era. As interrogações que afloram neste ponto dizem respeito à situação da Grécia no século IV a.C.C.C. Tentarei. Egito. pertencente à V satrapia persa. e à política macedônia que possibilita a Alexandre a conquista do imenso Império Persa. assim. A guerra é uma das principais características da Grécia do século IV a. E. Susa.C. até o vale do rio Indo. A rota das conquistas de Alexandre passa pela Síria. A Situação da Grécia e a Política Macedônia O declínio da cidade-estado grega acontece antes mesmo de seu confronto com a Macedônia.1. toda a Palestina. cai após 2 meses. Na Fenícia e na Palestina somente as cidades de Tiro e Gaza oferecem a Alexandre alguma resistência: Tiro resiste heroicamente a 7 meses de cerco e Gaza. fiel aos persas.C. em direção à Babilônia. a do helenismo. Durante estas campanhas. The Perseus Project 6. é anexada ao novo império.macedônio derrota o principal exército persa em Isso. Política que foi iniciada por Filipe II e desenvolvida de modo brilhante por seu filho. Fenícia. e o controle macedônio de todo o Oriente. data da vitória de Filipe II na batalha de Queronéia . De 431 a. Use-a para este capítulo. sem maiores problemas.? qual é a situação da Judéia no momento da anexação? O Projeto Perseu é uma enorme biblioteca digital sobre o mundo da Grécia antiga. . a 338 a. Estamos no ano de 333 a.cerca de um século . Persépolis e além.a guerra quase nunca pára.C.. Palestina. vai acontecer sem interrupções significativas. Inclusive a comunidade judaica que vive em Jerusalém e arredores..C. de volta. responder às seguintes questões: qual é a situação da Grécia no século IV a. e qual é a política de Filipe II? qual é o roteiro das conquistas de Alexandre Magno? quem é Alexandre e quais são seus objetivos? como acontece a anexação da Judéia por Alexandre em 332 a. começo da guerra do Peloponeso.

Atenas, no século V a.C., guiada por Címon e Péricles, torna-se uma potência imperial. Mas confronta-se com Esparta, dando origem à guerra do Peloponeso, que dura de 431 a 404 a.C., quando Atenas é derrotada. A guerra do Peloponeso "foi em seus aspectos mais importantes uma luta entre Atenas, um Estado democrático e uma potência marítima, que havia convertido a Confederação Délia (concebida para resistir aos persas) num império sob seu próprio comando, de um lado, e do outro a maioria dos Estados do Peloponeso conjuntamente com a Boiotia [= Beócia] e liderados por Esparta, uma potência oligárquica e conservadora, cujas forças terrestres constituíam o exército mais aguerrido da época"[1]. Esparta, senhora do mundo grego a partir de 404 a.C., cai rapidamente, especialmente porque sua estrutura institucional não lhe permite manter um império. O número de cidadãos espartanos, que é de cerca de 8.000 em 480 a.C., chega a cair para apenas 2.000 em 371 a.C. As causas podem ser vistas nas perdas da guerra, na concentração da terra em poucas mãos e na perda da Messênia, libertada pelo tebano Epaminondas em 370-369 a.C. Esparta perde sua hegemonia, definitivamente, na batalha de Leuctras, em 371 a.C., derrotada por Tebas. "Esparta não passará, desde então, de uma cidade de segunda categoria, limitada na sua ação ao Peloponeso, sobre o qual nunca mais conseguirá restabelecer a sua antiga dominação"[2]. Tebas sucede a Esparta na hegemonia sobre a Grécia, mas cai em 362 a.C., na batalha de Mantinéia - embora vitoriosa - quando morre seu célebre general Epaminondas. Em seguida, Tebas favorece os desígnios de Filipe II em relação à Grécia, mas acaba se aliando a Atenas, quando Filipe a ameaça. Termina derrotada pelo rei macedônio, em Queronéia, em 338 a.C. Posteriormente, em 335 a.C., Alexandre Magno reduz Tebas a ruínas. A batalha de Queronéia marca o fim da independência da Grécia[3]. No século IV a.C., por toda a Grécia, começa a emergir fortemente o contraste entre os ideais democráticos prometidos pelas constituições das cidades e a desigualdade criada pelas condições econômicas e sociais. O grande orador ateniense Demóstenes, em discurso de defesa pronunciado em 352 a.C., deixa bem claro esta situação: "Outrora, a cidade era rica, era magnífica, digo a cidade, pois entre os particulares, ninguém se elevava por cima da massa (...) Hoje, todos os

profissionais da vida pública têm, em privado, tal abundância de bens que mandam, por vezes, construir casas particulares mais imponentes do que muitos edifícios públicos; alguns compraram mais terras que aquelas que vós todos possuís, no tribunal"[4] O aumento dos mercenários é outro indício da desintegração da pólis grega. Ganhar a vida nos exércitos pagos pelos grandes reinos, seja a Pérsia ou outro qualquer, é a única saída para milhares de gregos empobrecidos. Estes homens perdem suas raízes cívicas, pois o exército é a única cidade que eles conhecem, ao mesmo tempo em que as cidades gregas perdem o controle da função militar. Há ainda inúmeros aspectos que poderiam ser analisados. Mas, enfim, vale apenas observar que os pensadores políticos do século IV a.C. começam a ficar sensíveis às tendências monárquicas, refletindo a evolução da época. "O poder efetivo passa cada vez mais das velhas cidades para os soberanos, gregos e não-gregos, que possuem os meios financeiros para assegurar a força militar que escapa às cidades. Ao perderem o controle da função militar, as cidades perdem igualmente a iniciativa política"[5]. Qual é a solução para o problema social da Grécia? Os gregos devem conquistar uma parte da Ásia, aí se instalarem, e submeter as populações locais à exploração do trabalho. Este será o projeto do macedônio Filipe II, realizado por seu filho Alexandre Magno. A Macedônia, com sua capital Pela, está situada ao norte da Grécia e é apenas semi-grega. Gregos de origem, os macedônios vivem, entretanto, em contato permanente com populações não-gregas, razão porque os atenienses, por exemplo, os qualificam como bárbaros. Na verdade sua língua é um dialeto grego com forte infusão de vocábulos estrangeiros e não é compreendido pelos gregos. Somente a aristocracia macedônia fala e escreve o grego ático. Mas os macedônios pertencem ao mesmo grupo étnico dos dórios e talvez tenham se originado de clãs ilírios ou trácios misturados com populações não-arianas... Da Macedônia arcaica quase nada sabemos. Mas, segundo o padrão conhecido dos dórios primitivos, os macedônios deveriam formar tribos de pastores parcialmente nômades, cada uma chefiada por um rei simultaneamente líder guerreiro e religioso -, um conselho de anciãos e uma assembléia. Com o tempo uma das tribos acaba controlando as outras.

No século VII a.C. estrangeiros se estabelecem entre os macedônios e acontece uma expansão de seu território e a consolidação de uma monarquia que se sustenta na aristocracia dos grandes proprietários de terra. A partir do contato e das alianças com a Pérsia, sob as pressões do persa Dario I (521-486 a.C.), o Estado macedônio absorve instituições políticas e militares do grande império oriental e se fortalece progressivamente até a época de Filipe II [6]. Filipe II, filho do rei Amintas, governa a Macedônia de 359 a 336 a.C. Tendo sido educado em Tebas, assimila a mentalidade grega clássica e também estuda as reformas militares de Epaminondas. As táticas militares deste grande comandante tebano, nascido por volta de 420 a.C., foram o segredo da (breve) hegemonia de Tebas sobre a Grécia, como vimos acima. Filipe II percebe que é necessário abrir à sua pátria os caminhos do mar Egeu, pois a região litorânea, com várias cidades autônomas, como Olinto, ou com cidades ligadas a Atenas, nunca tinha se submetido ao controle macedônio. Outro passo de Filipe II: a reorganização do exército macedônio. Especialmente a falange tebana, que é adaptada para fins ofensivos, tornando-se o principal instrumento de suas vitórias e das vitórias de Alexandre Magno. Filipe II "criou a infantaria `média' formada de macedônios e de mercenários ligeiramente armados: arqueiros, fundibulários, cavalaria onde serviam principalmente os nobres da Tessália e cavalaria ligeira empregada para reconhecimentos, tropas especialmente preparadas com meios adequados para o cerco e por fim a guarda real, tirada da infantaria"[7]. Filipe II cria o serviço militar obrigatório e profissionaliza o exército. Um corpo permanente de oficiais assessora o rei nas questões militares. Filipe II conquista a hegemonia sobre a Grécia. Faz uma política extremamente eficiente, sem escrúpulos, explorando as rivalidades entre as cidades gregas até se apresentar como a única alternativa possível para a solução dos conflitos. "Filipe II foi um excelente estrategista e um tático, homem de Estado e negociador perigoso, sabendo usar da corrupção, da mentira, da fraqueza ou da divisão dos adversários e do amor da paz em outros povos para os anestesiar e depois conquistar"[8]. Diante da ofensiva de Filipe II sobre a Grécia, três reações atenienses são típicas e servem para clarear a situação então vivida pelos gregos.

A primeira é a de Demóstenes, famoso orador, o maior opositor de Filipe II e principal porta-voz da democracia ateniense. Demóstenes vê na hegemonia da Macedônia o maior dos riscos que a Grécia corre e faz de tudo para impedi-la. Demóstenes, considerado o maior dos oradores gregos, nasce em Atenas em 382 a.C. e morre em 322 a.C. Temos hoje 61 discursos atribuídos a Demóstenes, mas é possível que alguns deles não sejam autênticos. Entre seus discursos destacam-se as quatro "Filípicas" - pronunciadas contra Filipe II -, as três "Olínticas" (também contra Filipe II), e a "Oração da Coroa", pronunciada em 330 a.C. (contra Ésquines), considerado o maior discurso do maior dos oradores[9]. Em maio de 341 a.C., diante da crescente ameaça representada por Filipe II, que utiliza vários subterfúgios para se intrigar com Atenas e destruí-la, Demóstenes pronuncia a "Terceira Filípica", na qual tenta alertar os atenienses para o perigo iminente. Entre outras coisas, ele aborda as transformações ocorridas na arte militar do século IV a.C. e chama a atenção para as suas conseqüências. Vejamos um trecho. "É verdade que os que querem consolar a cidade lhe pronunciam este discurso simplório: Filipe, dizem, não tem ainda o poder que outrora tinham os Lacedemônios [os espartanos] quando eram os senhores do mar e de todo o continente, quando tinham o Grande Rei [o rei da Pérsia] por aliado e ninguém lhes resistia. E, no entanto, a cidade fez-lhes frente, não foi dominada. Quanto a mim, constatando que tudo, por assim dizer, progrediu em dimensão, que o presente já nada se parece com o passado, penso que foram as coisas da guerra que conheceram as maiores mutações e o maior progresso. Primeiro que tudo, nada me diz que outrora os Lacedemônios, tal como todos os outros gregos, invadissem um país para lhe devastar o território com os seus hoplitas e os seus exércitos de cidadãos, a não ser quatro ou cinco meses por ano, durante a estação quente; após o que regressavam a casa. Além disso, tinham um comportamento tão arcaico, ou antes cívico, que não compravam qualquer serviço a ninguém; faziam uma guerra regular e aberta. Hoje, vós o presenciais, foram os traidores que tudo perdeu ou quase; as batalhas campais não servem para nada, e dizem-vos que Filipe se encontra aqui ou ali, onde ele quer, e não com uma falange de hoplitas; não, tropas ligeiras, cavaleiros, arqueiros, mercenários, eis o exército que lhe segue as passadas. Quando, por outro lado, ele cai sobre um povo minado por um mal interior e que não ousa sair dos muros para defender o seu território devido à desconfiança que aí reina, ele assesta as suas baterias e cerca a

amantes da liberdade. Sobre a Embaixada e Contra Ctesifonte. e isso quando Alexandre. onde tenta provar que Ésquines é um traidor da pátria. por seus serviços prestados à pátria na sua luta contra a hegemonia macedônia. de ter se enriquecido. foi também um ousado protesto do povo ateniense. Em 330 a. É o grande adversário de Demóstenes e um fato bem o ilustra. não há qualquer diferença entre o verão e o inverno e que também não há para ele estação reservada onde interrompa as operações"[10]. moveu uma ação contra Ctesifonte. torna-se famoso orador em Atenas. para ele. em 336 a. que se torna colaborador dos macedônios e destes recebe. .cidade. os dois oradores se enfrentam. partidário da facção macedônia e rival do autor da Oração da Coroa nas lides oratórias e na vida pública.C. após seis anos de tramitação do processo. Temos dele três discursos: Contra Tímarcos. "Ésquines. significativas vantagens materiais. méritos que ele não possuía e serviços que ele não prestara"[11]. tendo nascido por volta de 390 a. E abstenho-me de analisar o fato de que. e morrido provavelmente em 314 a. O cidadão ateniense Ctesifonte propõe ao povo. o Grande já era o senhor do mundo de então.C. tolerando o poder divorciado do direito'"[12]. de origem modesta.C. em troca. e 3º porque Ctesifonte estaria atribuindo a Demóstenes. certa vez. deveria ter lugar na praça pública ou no Senado e não no teatro de Dionísio como pretendia Ctesifonte. no projeto em que propunha a concessão da coroa de ouro. acusando-o de haver violado a Constituição por três motivos: 1º porque Demóstenes ainda não havia prestado contas de sua gestão em importante cargo público. além de determinada quantia em dinheiro. Devem ter pesado na decisão dos atenienses... Diametralmente oposta à de Demóstenes é a atitude de Ésquines. E Ésquines não consegue desmentir seu rival e acusador. afirmações de Demóstenes como esta: `Ninguém até hoje foi capaz. Demóstenes acusa-o. "Essa vitória não foi somente o reconhecimento dos serviços prestados pelo orador a Atenas.C. recebendo de Filipe II terras na Macedônia. desde o início dos tempos. É então que Ésquines pronuncia o discurso "Contra Ctesifonte" e Demóstenes responde com sua "A Oração da Coroa". comprado pelo ouro de Filipe II. que a cidade conceda uma coroa de ouro a Demóstenes. de persuadir Atenas a aceitar a servidão. 2º porque a coroação. premiando o mais destemido adversário do expansionismo macedônio. Ésquines. Demóstenes vence. por força da lei.

. Isócrates quer se ver livre da pressão e do domínio persas. umas baseadas na democracia da cidade e levando à resistência a um imperialismo. escrito em 346 a.C. Esparta não é a esperança. a de Isócrates. outras aceitando esse imperialismo e constituindo-se numa variedade de colaboracionismo vulgar [ Ésquines]. que nem é um combatente da resistência como Demóstenes. Segundo Isócrates. Filipe II é a solução. Não chega já de um passado em que nem sequer se sabe que catástrofe nos faltou?"[14] "Feito o diagnóstico. segundo Isócrates. de alto teor moral e inegável desinteresse mas não menos perigosas para a independência e a liberdade dos cidadãos"[16]. O "Filipe". outras por concepções utópicas políticas e históricas. está submetida. Para isso é necessário que admitam uma direção única e que restabeleçam uma hegemonia necessária. no caso a de Demóstenes. . 1987. HARVEY. é uma exortação ao macedônio para que assuma o comando dos gregos contra os bárbaros. As cidades devem entender-se para combater o bárbaro e estender sobre toda a Ásia as leis da civilização da Grécia. nem um colaboracionista como Ésquines. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. que agora desmorona. verbete Guerra do Peloponeso. O mal é a desunião dos gregos. a uma má democracia e cometera o erro de fundar um império pela força.A terceira posição sobre a questão da hegemonia macedônia sobre a Grécia é a de Isócrates[13]. NEXT [1]. Atenas. Tebas também não. verdadeira "capital" da Grécia.. "Vemos assim que a unidade da Grécia podia ser concebida de muitas formas. P. É necessário que esta expedição seja feita pela geração atual a fim de que aqueles que conheceram juntos a infelicidade sejam também os que gozem a felicidade e não passem todo o seu tempo no infortúnio. Isso é o que dá poder à Pérsia. Jorge Zahar. Rio de Janeiro. Isócrates considerou que bastava a união para reparar todos os males. Quem deve exercer essa hegemonia?"[15]. tendo por suporte valores do passado. No "Panegírico" Isócrates pede a Atenas e a Esparta que esqueçam suas rivalidades e se unam contra a Pérsia: "É muito melhor fazer a guerra contra o Grande Reino do que disputarmos a nós próprios a hegemonia. Todos lutam contra todos.

206ss. P. P.. M. o texto em AUSTIN.. M. Cf. M. São Paulo. o. o. G.. 143. 216. HARVEY. p. J. 23. p.) I./VIDAL-NAQUET. Os gregos antigos. 312. c. verbete Demóstenes.. São Paulo. pp. [9]. Rio de Janeiro 1984. Fundamentos de literatura grega. [3]. 47-50... 1980. p. M. DEMÓSTENES. GOUKOWSKY. DEMÓSTENES. o Grande. o. P. Essai sur les origines du mythe d'Alexandre (336-270 av. pp. Cf. c. Terceira Filípica. . AUSTIN.. Contra Aristócrates. Esta autora observa na p. 21. Editora Três. 1978. Lisboa. 1984. verbete Demóstenes. Lisboa. J. HARVEY.. Para isso ele reclama duas coisas: o respeito à lei. 217: "Na Grécia. [4]. E acrescenta na p. da parte do povo. Cf. 257. P. Edições 70.. o. c. 325.. [10]. 1973. diz que "a agricultura a tal ponto se comercializa que a grande propriedade se reconstitui pela progressiva evicção dos pequenos camponeses e pela concentração das parcelas de terra entre as mesmas mãos". pp. Cf. [8].[2]../VIDAL-NAQUET. p. 161: "Demóstenes era democrata.. [7]. c./VIDAL-NAQUET.. GLOTZ. Nancy. 155-164. [5]. a condição política da Grécia só pode ser definida pela palavra anarquia'". Difel. mas precisamente por essa razão parecia-lhe que o verdadeiro remédio para todos os males possíveis seria o fortalecimento dos costumes democráticos. marcada por um tom de gravidade e profunda preocupação". DE ROMILLY.. o. Alexandre. P. Economia e sociedade na Grécia antiga. Université de Nancy II. M. p. Sobre Demóstenes. DE CASTRO. verbete Tebas. Zahar. Edições 70. comenta sobre a "Terceira Filípica": "Esta é uma das mais belas orações de Demóstenes. p. 75-80. o texto em AUSTIN. 1973. História da Grécia.-C.. Rio de Janeiro. também FINLEY. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. c.. 132-134. de aceitar suas responsabilidades". 1986. pp. AUSTIN. 9-12. I. Cf. cf../VIDAL-NAQUET.. p. Zahar. comenta: "Quando a liga espartana se desintegrou e Tebas estava ficando cada vez mais fraca. o. P.. P. P. P. DE CASTRO. e a vontade. M. A cidade grega. HARVEY. c. ROSTOVTZEFF. a democracia mostrou-se incapaz de criar uma forma de governo que deveria reconciliar o individualismo característico do país com as condições essenciais à existência de um Estado poderoso. [6]. P.

introdução a DEMÓSTENES. publicado em 380 a. 6. o. O mais famoso é o "Panegírico". . [14]. P. provavelmente por ocasião do Festival Olímpico. Rio de Janeiro. Seus discursos políticos pregam a unidade grega. Isócrates. o. p. Temos dele vinte e um discursos e nove cartas.. [13]. 166ss.C. [15]. É preciso perguntarmos agora: quem é Alexandre? Por que Alexandre invade a Ásia? Quais são os seus propósitos? Segundo os historiadores antigos..[11]. o. P. [16]. p. informou-se da extensão das estradas e da natureza da viagem pelo interior. eles ficaram admirados e acharam que a falada capacidade de Filipe nada era comparada com a iniciativa do filho e sua tendência às grandes empresas"[21]. não lhes fez perguntas pueris e banais. Nas palavras de Plutarco: "Chegaram embaixadores do rei da Pérsia. Ediouro. ele os entreteve de maneira cativante. s/d.C. ISÓCRATES. A Oração da Coroa. de como o rei mesmo procedia nas guerras. 6-7. Tratou-os com simpatia. DA GAMA CURY. pp. outro grande orador ateniense. 6. vive entre 436 e 338 a. c. ibidem. 313. Assim. p. quando Filipe estava ausente em viagem. Panegírico. ele ainda adolescente. c. estando ausente seu pai. recebe embaixadores persas e trata-os de maneira tão cativante que faz fama. P. Quem é Alexandre Magno? A cronologia das conquistas de Alexandre não é suficiente para se entender o macedônio e suas atitudes.. M.. Idem. o texto em AUSTIN./VIDAL-NAQUET. p. como o seguinte narrado por Plutarco. [12]. DE CASTRO. Alexandre é um jovem brilhante. M.3.. E para ilustrar isso contam certos episódios. 30. DE CASTRO.. c. certa vez. Certa vez.. 29. da combatividade e poderio da Pérsia.. Cf.

é muito grande.Naturalmente.. caiu em si e. trata-a com a maior deferência e humanidade. Um dos episódios que costumam ser citados para ilustrar a personalidade de Alexandre é o da morte de Clito. apolínio. pois. por fim.e da mãe Olímpia. dada a exaltação e a "furores divinos". a personalidade de Alexandre através da dupla influência do pai Filipe . cansado de clamar e lastimar. que o insulta durante um banquete. "Ele permitiu sepultassem todos os mortos persas que elas quisessem. emitindo profundos suspiros"[23]. após a batalha de Isso.pelo menos aparente. nesta época . 2º) fazer falsa psicologia. o mesmo Plutarco nos conta que ao aprisionar. por causa do poder. logo se lhe dissipou a cólera. Passou a noite e o dia seguinte a chorar perdidamente. dionisíaca. pois Plutarco é do século I d. agarrando-lhe os braços e conduzindo-o à força para os aposentos. antes de tudo. totalmente imoderada. há razões políticas para o assassinato de Clito -. e a fama de Alexandre. diante dos amigos emudecidos e parados. seu amigo e companheiro.nada têm a temer. com ela traspassou Clito.. Ao vê-lo tombar gemendo e rugindo. a esposa e as duas filhas moças de Dario . que vinha ao seu encontro afastando o reposteiro da porta. é necessário que leiamos tais narrativas com olhos críticos. às vezes.espírito moderado. não as privou da mínima parte dos cuidados e honras a que estavam habituadas (. e que elas . manteve-se calado. E que tudo o que tinham antes continuarão a ter. a família de Dario. onde quem deve falar.) . Alexandre. tirando dos despojos as roupas e adornos fúnebres. Aqui.a mãe. quando ele já é senhor do Oriente: "Então. O brilhantismo de suas conquistas costuma ser retroprojetado para sua infância e adolescência. Diz-lhes que sua guerra é com Dario. pois é muito difícil determinar as causas de certos comportamentos de personalidades famosas da antigüidade apenas através de narrativas não muito próximas aos acontecimentos e condicionadas por inúmeros fatores que precisam ser primeiro explicitados[22]. o risco é de: 1º) dar explicações psicológicas para fatos históricos ou sociais. Costuma-se explicar. Em contraste com a irracionalidade deste episódio .C. é o historiador ou o sociólogo. como veremos adiante. como fica evidente no final deste trecho. tomando a lança de um de seus guardas. rapidamente arrancou a lança do cadáver e tê-la-ia cravado na própria garganta se não o contivessem os seus guardas pessoais. regrado pela disciplina militar e pela educação grega .

outra mulher além de Barsina"[24]. Xenofonte. mas temos apenas cerca de um quarto de sua obra. e morre em 406 a. não lhes tocou. Quando destrói Tebas em 335 a.. segundo conta Onesícrito"[25]. Entre suas odes mais notáveis estão as Odes Olímpicas e as Odes Píticas. adotou a versão corrigida por Aristóteles.C. geografia. Textos dos autores gregos? Escolha: em grego ou inglês! Eurípedes nasce em Salamina por volta de 485 a. conhecida como Ilíada do Escrínio. são as suas leituras. moral. A educação ministrada a Alexandre por Aristóteles é a típica de um jovem grego. pedagogos e professores. Tucídides. entre eles o filósofo Aristóteles. o Jovem e seus 10 mil gregos contra seu irmão Artaxerxes II. medicina. com Aristóteles. Homero é a leitura básica. No castelo de Mieza. Xenofonte. antes de casar.C.C. entre outros. nasce por volta de 430 a.C. próxima a Pela. Estuda. Píndaro. rapidamente. É considerado por muitos como o pai da historiografia ocidental. metafísica. O assunto de sua história é a luta entre a Ásia e a Grécia.C. Alexandre tem vários preceptores. narrativa em prosa da expedição de Ciro.Alexandre aparentemente considerava mais próprio de rei vencer a si mesmo que ao inimigo. nasce perto de Tebas por volta de 522 a. quem são estes autores que o jovem Alexandre lê. e conservava-a sempre junto com o punhal debaixo do travesseiro. na época ainda sem a fama que mais tarde o caracteriza. Píndaro.C. Vejamos. em Halicarnasso. Além de Homero. rei da Pérsia. Alexandre ordena que se poupe a casa de Píndaro. . Eurípedes. Escreve 17 livros. dialética. famoso poeta lírico. "Considerava e chamava a Ilíada um vade-mecum da arte da guerra. Grande dramaturgo que escreve 82 peças. Aristóteles orienta Alexandre durante 4 anos. Heródoto nasce aproximadamente em 480 a. Heródoto. retórica. ateniense. sua obra mais conhecida é a Anábasis (= escalada). nem conheceu. Alexandre leva nas suas campanhas uma edição da Ilíada anotada por Aristóteles. Historiador e militar. das quais hoje sobrevivem 18 tragédias e um drama satírico.

Eis os seus pontos principais: .. A carta é um programa de governo e Aristóteles recomenda a Alexandre que abandone suas tendências orientalizantes e volte a servir os gregos. Na verdade. "Nos oito livros da 'Política'. mas não a paridade entre gregos e bárbaros que Alexandre deseja e começa mais tarde. Harvey[27]. e a ele ser o soberano. O pensamento político de Aristóteles pode ser visto de maneira clara em uma Carta do filósofo a Alexandre. que imagina ser a comunidade política mais apta a proporcionar ao cidadão a vida em sua plenitude (. aproximadamente.condenar tal homem ao ostracismo. pois como foi dito antes isto se coaduna não apenas com o direito geralmente argüido pelos fundadores de governos aristocráticos e oligárquicos. e que este cidadão seja um rei. Na "Política" diz Aristóteles: "Quando acontece. mas com o próprio direito mencionado anteriormente. ao conquistar o Império Persa.é óbvio . nem mesmo .) Aristóteles reconhece as vantagens da democracia. não é natural que a parte se sobreponha ao todo. Do ponto de vista político. embora não na mesma superioridade).. historiador ateniense.. observa P. e um homem dotado dessa superioridade excepcional é como um todo em relação à parte. Aristóteles discute a ciência política do ponto de vista da cidade-estado.. Logo. e também pelos criadores de governos democráticos (todos baseiam suas pretensões na superioridade. resta apenas à comunidade obedecer a tal homem. nem sequer que ele passe à condição de súdito quando fora a sua vez. Escreve a história da guerra do Peloponeso.Tucídides. escrita provavelmente no final de 328 a. não teria cabimento matar ou banir. que há uma família inteira (ou mesmo algum cidadão) de tal forma proeminente sobre as outras em qualidades que superam as de todas as outras. existindo apenas uma versão árabe. uma das mais importantes obras históricas de todos os tempos por sua imparcialidade e seu método científico[26]. não em alternância. soberana sobre todos. então. Aristóteles preconiza a unidade grega e a vitória sobre os persas. mas de modo absoluto"[28].C. vive entre 460 e 400 a. então é justo que esta família seja uma família real.C. cujo original grego se perdeu. se houve um governante dessa qualidade". porém descobre o tipo mais elevado de forma de governo na monarquia do governante perfeito.

Os gregos. os gregos conseguem repelir Xerxes em Platéias e em Mícales. Somente no ano seguinte. com a adesão voluntária dos gregos. sem mais conflitos internos. dando assim continuidade ao projeto de seu . criando na Grécia um Estado pan-helênico. Outros acreditam que o objetivo inicial de Alexandre seja o de libertar as cidades gregas da Ásia Menor. poderão dedicar-se à filosofia. quando este rei persa avançara através da Trácia. Os nobres persas devem ser deportados para a Grécia para que a paz seja mantida.. da Tessália e da Ática. exercendo a função de legislador e fundador de cidades[29]. deve fazerse amar e ser respeitado pelos gregos e macedônios.é preciso lembrar que o macedônio é excelente soldado e estrategista brilhante. Apesar dos conselhos de Aristóteles . As vitórias de Alexandre geraram a paz e.o o o o Alexandre deve preferir a atividade legisladora à glória das armas.. Alexandre deve se voltar para os gregos.C.C. em setembro de 480 a. Alguns acreditam que é para vingar as afrontas de Xerxes contra os gregos em 480 a. ele pode conseguir que os homens obedeçam à Lei. da Macedônia. pois grande número de cidades gregas dependem dele. Alexandre deve estar atento ao fato de que é mais glorioso governar homens livres [gregos] do que escravos [orientais] e que uma glória duradoura não pode ser construída só com empreendimentos militares. Por isso. Vários episódios de luta e coragem são contados a seu respeito. em 479 a. Alexandre deve se afastar dos maus conselheiros que tendem a fazer dele um tirano que não segue a justiça. Como ele é agora o soberano de muitos povos. Enfrentando exércitos persas muito superiores aos seus. às vezes contra os conselhos de seus melhores generais que recomendam maior prudência. chegando a tomar Atenas.que Alexandre não seguirá .C. sendo sua autoridade universal e seu poder ilimitado. vence-os com lances de genialidade e ousadia. O que se impõe perguntarmos agora é o seguinte: quais são os objetivos de Alexandre ao invadir a Ásia e se confrontar com o Império Persa? As opiniões dos historiadores são variadas a respeito[30]. após derrotarem sua frota em Salamina.

. tornando possível o exercício da monarquia absoluta com vocação universal. criadas após o tremendo sucesso de suas campanhas e o fascínio de sua figura de herói que conquista o mundo e morre jovem sem usufruir do poder e da riqueza que acumulara.pai Filipe II que já enviara para lá um exército de 10 mil homens comandado por Parmênion e que está prestes a ser empurrado de volta para o mar.. A reconciliação greco-persa não era uma quimera. após as conquistas das regiões mais diretamente persas. A possibilidade de fusão das culturas grega e persa deve ter surgido provavelmente como conseqüência e necessidade. Aliás.a Grécia e a Ásia Menor continuariam ameaçadas. P. seus contemporâneos gregos e macedônios não o vêem com bons olhos. É bem provável que a conquista de todo o Império Persa não faça parte de seus planos originais. mais tarde Alexandre teria que se medir com ele para sustentar as suas conquistas asiáticas. frente à ameaça romana[32]. Parece-lhes que o objetivo inicial da Liga de Corinto foi abandonado e as conquistas do brilhante jovem macedônio nenhum benefício lhes trazem. questão interessante é a do mito de Alexandre. "De duas uma: ou a própria amplidão de suas conquistas o obrigaria a deter-se. Como ele assume cada vez mais o modelo persa de governar e viver. Histórias. Alexandre necessita de uma burocracia persa para administrar os territórios conquistados e precisa de exércitos nativos para sustentar as conquistas. Goukowsky demonstra. mas se não fossem anuladas as suas possibilidades navais ao longo da Fenícia e da Palestina daí a razão do duro cerco de Tiro e a tomada de Gaza . Parece que a própria lógica da conquista é que leva avante sua expedição. É certo que não faz parte do plano original do macedônio. que as práticas e as teorias do absolutismo político persa são revestidas por Alexandre de um verniz grego. A imagem de um Alexandre defensor do helenismo só surgirá no século II a. Se a perseguição a Dario não continuasse após a volta do Egito. na sua maioria inventadas. Foi fácil vencer o enorme exército de Dario em Isso. ou então era preciso associar as populações autóctones à sua administração.C. nem um capricho: era uma necessidade"[31]. Mas as circunstâncias levam-no a isto. na sua análise do mito de Alexandre.

de quem procura imitar as façanhas sobre-humanas. certa vez. "Desejando ouvir o oráculo a respeito de sua expedição. em meio a um trovão. ninguém pode contigo'. como que subjugada por seu arrebatamento. que o próprio conquistador constrói cuidadosamente esta imagem de super-herói que lhe rende altos dividendos políticos. tinha já a resposta que dela desejava"[36]. por sua vez. Por acaso. grassaram por toda a parte e por fim se apagaram. Além de se considerar descendente de Héracles. Ouvindo isso. P. da chaga brotou um fogo violento. procura para ti um reino compatível com o teu valor. Então. contudo. em seu detalhado estudo das origens do mito de Alexandre. foi a Delfos. Ela recusou-se. alegando a lei. lhe caía um raio sobre o ventre. depois do casamento. primeiramente. pensava. nos quais não é lícito dar consultas. Merece. era a figura dum leão"[34]. tornando viável o desenvolvimento de seus projetos orientalizantes[33]. Garanhão indomável. onde teria ido consultar o oráculo acerca de sua expedição à Ásia. Quando a arrastava à força para o templo.Entretanto. foi ele em pessoa buscá-la. Consta que Alexandre se vê como privilegiado herói. a noiva [Olímpia] sonhou que. NEXT . Filipe. no Egito identificado a Amon. "Na noite anterior à das núpcias. filho de Zeus. O que narra Plutarco acerca de sua origem é uma espécie de "evangelho da infância" que legitima este mito de sua filiação divina. Filipe II viu uma serpente estendida sobre o corpo de Olímpia: símbolo do deus. eram dias de mau agouro. finalmente. irromperam labaredas. Alexandre declarou não precisar de outro oráculo. a quem vai reverenciar e consultar no oásis líbio de Siwah. a Macedônia é pequena para ti"[35]. ela exclamou: `Filho. mais tarde. menção o episódio de sua visita a Delfos. mandou chamar. sonhou que aplicava sua chancela no ventre da esposa e a gravura da chancela. Goukowsky observa. obedece prontamente a Alexandre e provoca a seguinte "previsão" de seu pai: "Meu filho. É ainda Plutarco quem diz que. a pitonisa chefe. Do mesmo gênero "apócrifo" é o caso do cavalo Bucéfalo. deitado com sua mulher.

[29]. pp. Lisboa.. Aliás. P. Fundamentos da literatura grega. e sua linguagem o relaciona com os dialetos jônio e eólio da Ásia Menor... feita por Plutarco. 19826. Observe-se no final deste texto a avaliação moralizante do comportamento de Alexandre. em o. 1288a. 1987.-135 a. 155. p. WRIGHT MILLS. São Paulo. DE ROMILLY. 156-178. 117-118. Rio de Janeiro. [24]. 21. Edições 70. Introdução à sociologia. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. Zahar. P. A Ilíada. GOUKOWSKY. A imaginação sociológica. p. 181.. J.C.Cf. O assunto é a cólera de Aquiles. pp. Cf. p. Perspectivas sociológicas. pp. B. causada por uma afronta cometida contra ele por Agamêmnon. p.). Idem. HARVEY. Essai sur les origines du mythe d'Alexandre I.C. Alexandre. 11-12. Alexandre Magno. [25]. T. [23]. BOTTOMORE. GARDINER. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a. BERGER. c. Cf. pp. Homero é o maior poeta épico grego. Rio de Janeiro. J.. . conta um episódio do cerco de Tróia (também chamada Ílion) pelos gregos. XI. Política III. pp.. 19899. s/d. 1985. 19882.. Cultrix.[21]. [31]. P. [26]. verbete Aristóteles. [30]. PLUTARCO. Petrópolis.. SAULNIER. PLUTARCO. 15-90. pp. Alexandre. 73-74. c. por volta de 1200 a. P. 5. Alexandre.BENOIST-MÉCHIN.. Alexandre. c. C.. líder das forças gregas. em o. em Vidas. Editora da UnB. Lisboa. esta é uma característica marcante dos autores da época imperial romana. ARISTÓTELES. 47. LÉVÊQUE. nos respectivos verbetes.. 51-52. Fundação Calouste Gulbenkian. 69-71. Cf. 8.. 17-43. Du Cerf. GOUKOWSKY.. Zahar. Uma visão humanística. PLUTARCO. pp. Histoire d'Israel III. [27]. Cf. p. pp. em 24 cantos. Vozes.. Homero é provavelmente do século IX a.D. autor da "Ilíada" e da "Odisséia". o. 141. [28]. 143. PLUTARCO. Paris. Teorias da história. c. O mundo helenístico. P.C. 50-55.. no seu décimo ano. P. C. em o. 1983. 19843. [22].. ibidem. Brasília.

. pp. PLUTARCO. Isto feito. em 332 a. ao encontro de Alexandre. que fornecesse provisões para o seu exército e que. c. apoderou-se de Sidônia e cercou Tiro. O sumo sacerdote respondeu aos mensageiros que tinha prometido com juramento a Dario que não pegaria em armas contra ele.[32].. O texto prossegue dizendo que o sumo sacerdote. Sobre a atitude de Jerusalém para com Alexandre. em trajes de festa. pelo menos. Alexandre prostra-se diante do sumo sacerdote. [33]. p. Idem. Alexandre tomou Damasco. p. c. De lá enviou uma carta ao sumo sacerdote dos judeus. que merece ser..) Depois de tomar Gaza.4. 17-68. c. ibidem. em o. 6.. não sabendo como se apresentar aos macedônios. com os sacerdotes. e que não ia faltar à palavra jurada enquanto Dario fosse vivo. Alexandre. suplica a Deus e deste recebe uma mensagem em sonhos. em o.. [34]. 148.. em o.. segundo a qual ele deve ir. e acrescentou que os judeus não teriam nada a temer. cujo rei devia estar muito irritado com a sua recente desobediência"[37]. Ouvindo isto. lhe mandasse os presentes que costumava mandar a Dario. ao ouvir isto. pp. 6. P. Idem. 14. Alexandre. encheu-se de angústia e temor. Idem.C. 138. . 69-78. Alexandre. 2. a Palestina é anexada ao novo império. a principal fonte que possuímos é um texto de Flávio Josefo. [35]. o. GOUKOWSKY. "Chegando à Síria. aceitando a amizade dos macedônios. parcialmente transcrito. 142. [36]. dizendo tê-lo visto em sonhos e por isso pensa que vencerá Dario e quebrará o poder dos persas. O sumo sacerdote Jadus. Cf. p.. c. em apuros. pedindo-lhe que lhe mandasse reforços. Alexandre se apressou em subir a Jerusalém. Alexandre se encolerizou muito (. Cf. A Anexação da Judéia por Alexandre Durante as campanhas de Alexandre contra Tiro e Gaza.

em um círculo filo-heleno. As disposições tomadas por Alexandre a respeito do povo judeu. que Alexandre jamais esteve em Jerusalém ou na Judéia. legitimando as suas conquistas como vontade de Iahweh. regida pela Torá e ligada ao Templo. o do sumo sacerdote e o de Alexandre. Samaria é destruída e no lugar se estabelece uma colônia macedônia. Entretanto. Andrômaco. inclusive. A punição determinada por Alexandre. ao voltar do Egito. em seguida. A Situação da Judéia no Momento da Anexação . a pedido do sumo sacerdote. C. uma revolta. é queimado vivo pelos samaritanos. porém.5.Alexandre vai ao Templo. onde sacrifica a Deus. são plausíveis: o o o "a liberdade de viverem segundo as leis de seus pais" "a isenção de impostos a cada sete anos" "que os judeus de Babilônia e da Média vivessem segundo suas próprias leis". o texto é importante. os sonhos. provavelmente alexandrino. e depois atende a vários pedidos do sumo sacerdote em benefício de seu povo. Saulnier observa sobre este texto que "a referência às profecias de Daniel. O texto de Flávio Josefo é fantasioso e está construído sobre temas típicos: a proteção divina dispensada ao Templo e ao povo fiel a Iahweh. sob a inspiração de romances gregos e mais especialmente do romance de Alexandre"[38]. Acontece. acontece. indica que a história deve ter sido forjada aí pela metade do século II. que fica fora de sua rota em direção ao Egito. é terrível. Já em Samaria a situação é diferente. se ela não foi introduzida pelo próprio Flávio Josefo. 6. Anexada sem maiores problemas. Deste texto deduz-se que a situação da Judéia sob Alexandre permanece a mesma vigente na época persa: a comunidade continua governada pelo sumo sacerdote. este último. O que ele pode ter feito foi enviar até lá um de seus oficiais para obter a submissão da comunidade judaica aos novos senhores da região. quando o prefeito de Alexandre na Síria. na medida em que mostra a boa acolhida de Alexandre entre os judeus e as expectativas que suas conquistas criam para o pequeno distrito governado pelo Templo.

O clã é constituído por uma agrupamento de famílias ampliadas (beth-'âbhoth) que moram na mesma região e se auxiliam tanto no setor social quanto no econômico. Meyer. deixando o clã em segundo plano[41]. gerando uma solidariedade de sangue muito coesa tem regras específicas de casamento. O que acontece a partir da época persa é que a família (beth-'abh) vai tornar-se a unidade econômica fundamental.. os rebanhos. esta condição geográfica vai determinar a produção de alimentos. ocupa quase que só a região montanhosa da Judéia. Segundo H. a propriedade é comunal e não pode ser vendida. ou seja. Kippenberg. não altera significativamente a vida judaica e as condições econômicas e políticas vigentes. do persa para o grego. a linha de descendência corre de pai para filho é unidade de convocação do exército tribal caracteriza-se pela residência comum de seus membros transmite o direito de posse por herança: a terra. finalmente. que se esclareça a situação da Judéia no momento da anexação. em circunstâncias específicas. A sociedade israelita tradicional sempre se fundamentara no clã (mishpâhâh). Ora. mas deve ser mantida em poder do grupo através da herança de pai para filho é formada de famílias ampliadas seus membros têm responsabilidade mútua. Pattai e E. uma tribo[40]. Por que isto acontece? Terá surgido algum progresso econômico que ameaça as relações de parentesco da sociedade judaica? O pequeno distrito de Judá. Daí . com preferência pelo casamento entre primos patrilineares e com a obrigatoriedade do dote integra. sendo a irrigação possível apenas na planície. G. constituindo uma comunidade jurídica local[39]. em 332 a. Pois na região montanhosa o cultivo depende das chuvas.É preciso.C.100 km2 apenas. enfim. citando R. e de maneira pouco feliz para os judeus. com cerca de 1. a mishpâhâh: o o o o o o o o é um grupo de descendência patrilinear. Somente no nordeste é que ele se estende um pouco pela planície do Jordão. já que a "mudança de dono".

Elas exigiam menos trabalho do que o cultivo do campo. G. e da Itália. e esta os judeus não controlam mais[42].. Só que aí há um problema: este tipo de cultivo exige riqueza. seus mantimentos. como a oliveira. como vimos. As encostas íngremes das montanhas do leste praticamente impossibilitam o aproveitamento da terra. como o da Judéia.32 diz: "Se os povos do país trouxerem para vender. no dia de sábado.estar comprometida a rentabilidade da lavoura.25 hectares de campo. Este fator troca já é testemunhado no tempo de Neemias. em geral.C. Terrenos. em terrenos ruins para o trigo. mas de uma para cada 7. O cultivo da oliveira é menos trabalhoso do que o do trigo. Pelo menos é o que afirmam os agrônomos latinos. E pode ser feito. rica em ferro. nos séculos VII e VI a. como do fator troca"[44]. . exige um certo capital. Vamos acompanhar H. davam mais lucro se fossem aproveitados como bosques de oliveira ou como vinhedo"[43]. Se um campo era usado para esta ou aquela cultura. Os casos da Ática. ele mesmo. cuja produção era inferior à relação de 1:4 (plantio/colheita). nada compararemos em dia de sábado ou em dia santificado". nos ensinam que o tipo de aproveitamento da terra. "O produtor de oliveiras era obrigado a vender seu produto a troco de alimentos. na Grécia. dependia de dois fatores: da existência de uma aristocracia que dispusesse de dinheiro para investir na produção agrícola e da possibilidade de troca de derivados da azeitona e da uva pelo trigo.5 hectares de plantações de oliveiras. Só que aqui a terra é calcária. Ne 10. mercadorias ou qualquer espécie de víveres. apenas plantas de raízes profundas. a parreira e a figueira. enquanto que a região que desce para a planície costeira é mais favorável. desenvolvendo-se. numa região de poucas chuvas. enquanto o agricultor produzia. portanto. dependia tanto do fator riqueza. que calculavam a relação de uma pessoa para cada 6. já que a oliveira só começa a dar lucro 10 anos depois de plantada. A terra adequada para o plantio de cereais é a terra-roxa. Kippenberg: "As plantações de oliveiras podiam ser feitas em terrenos que para o cultivo do trigo não eram muito vantajosos.

A Judéia usa também as moedas de prata de Atenas e da Pérsia e as moedas yehud. Neste caso. duas mil minas de prata e sessenta e sete túnicas sacerdotais". não há soldados persas suficientes para guarnecer todas as províncias e. Sabemos também que. de múltiplas nacionalidades.69 diz a respeito das oferendas feitas ao Templo após a volta dos exilados: "Segundo suas posses.70-71 também diz: "Alguns chefes de família depuseram no cofre das obras vinte mil dracmas de ouro e duas mil e duzentas minas de prata. Dario cria um sistema que permite calcular receitas e despesas e regulariza os tributos com a criação da moeda[47].. Uma dracma de ouro vale 300 litros de cevada. Elas eram trocadas na proporção de 1 por 20. daí serem mais práticas no uso quotidiano as moedas de prata yehud que pesam 2. É necessário a contratação de grande quantidade de mercenários. Para pagá-los o Estado precisa de dinheiro. cinco mil minas de prata e cem túnicas sacerdotais". os dáricos. o siclo de prata persa 5. As doações feitas pelo resto do povo atingiram o montante de vinte mil dracmas de ouro. portanto. correspondendo à correlação de 1 por 13 entre ouro e prata"[46]. Esd 2. cunhadas por Dario I após 517 a.6 g. especialmente.4 g. "A dracma de ouro pesava cerca de 8. para serem mandados para as batalhas. Outra coisa que caracteriza esta época persa é a propagação da moeda na Judéia[45].É possível que a produção de trigo da Judéia seja insuficiente para o consumo e que este comércio feito pelo 'am ha'arez inclua a venda de trigo produzido em outra região. deram ao tesouro de culto sessenta e uma mil dracmas de ouro. Por que Dario manda cunhar moedas? Heródoto nos informa: no tempo de Ciro e de Cambises não havia determinações fixas sobre o tributo devido pelas províncias do Império Persa.C. e. os habitantes da Judéia devem produzir derivados de azeitona e vinho para trocar pelo trigo. As primeiras moedas citadas no AT são as dracmas persas de ouro. E Ne 7.08 g. possuem valor bem menor. dado a enorme extensão do Império Persa. cunhadas na região. . de prata.

Vendem cevada e derivados da oliveira e da videira.Segundo Heródoto. . deve pagar à Pérsia 350 talentos de prata por ano. a V satrapia persa. devem vender seus produtos agrícolas. e há entre nossas filhas algumas que já são escravas! Não podemos fazer nada. É o que apresenta Ne 5. o que compensa é o cultivo de oliveiras e videiras.1-5 testemunha o conflito social que explode na Judéia no século V a. temos que entregar à escravidão nossos filhos e filhas.995 quilos de prata[48]. à qual pertence a Judéia. Assim. Para vender o excedente. ora. o equivalente a 11. além do gado. Esta situação econômica gera graves conseqüências sociais: os agricultores judeus precisam diminuir o número de familiares que vivem da renda da terra e investir em produtos que dêem mais lucro. e adquirir prata para pagar o tributo persa. dependem de negociantes estrangeiros[49]. tem que vender seus filhos como escravos.C. temos a mesma carne que nossos irmãos e nossos filhos são como os deles: no entanto. Ne 5. por não ter pago os impostos. Não havendo grande produção de cevada na Judéia. Uns diziam: `Somos obrigados a penhorar nossos filhos e nossas filhas para receber trigo.: "Levantou-se uma grande queixa entre os homens do povo e suas mulheres contra seus irmãos. Outros ainda diziam: `Tivemos que tomar dinheiro emprestado. Acontece que os moradores da Judéia não têm minas de prata. excedentes ou não. entretanto. os judeus. Neste texto observamos três grupos de queixosos[50]: o o o o primeiro grupo penhora seus filhos para receber alimentos o segundo hipoteca suas terras na época da fome o terceiro grupo. quando os judeus se queixam da situação a Neemias: "Tivemos que tomar dinheiro emprestado penhorando nossos campos e vinhas para pagar o tributo do rei". penhorando nossos campos e vinhas para pagar o tributo do rei. vinhas e casas para receber trigo durante a penúria'.4. para podermos comer e sobreviver'. porque nossos campos e nossas vinhas já pertencem a outros'". Outros diziam: `Temos que empenhar nossos campos.

Ao contrário da escravidão por dívida.2-4 e Dt 15.. acaba na escravidão. depois a terra. é mais avançada do que aquela. "Se os produtores não tiverem condições de conseguir uma produção em seus campos que satisfaça sua fome. correm o risco de serem vendidos como escravos. Diz Dt 15. ele te servirá por seis anos. o fazem. A penhora permite o ataque direto do credor à propriedade e à família do devedor. posterior à do Ex 21.1: "Ai daqueles que planejam iniqüidade e que tramam o mal nos seus leitos! Ao amanhecer eles o praticam porque que está no poder de sua mão. Se observarmos bem. A penhora dos filhos é a `arabah. prevista nas leis de Ex 21. No sétimo ano tu o deixarás ir em liberdade".12: "Quando um dos teus irmãos. Se cobiçam campos. Vamos ler Mq 2. tampouco existem restrições quanto a se permitir que a família do escravo seja alforriada. este ato é definitivo e irreversível"[53].C. Ou seja: o credor tem direito aos produtos excedentes. É o mesmo caso denunciado por Miquéias no século VIII a.2-4. de fato. for vendido a ti. hebreu ou hebréia. Se o camponês que penhora sua produção não produzir o suficiente. como nos diz Ne 5. O caso de segundo grupo é o daqueles que possuem campos. Os escravos devem receber provisões da parte do seu senhor para sobreviver como pessoas livres. "Agora as mulheres recebem o mesmo direito à liberdade. Trata-se de uma penhora que transfere ao credor o usufruto da terra e não a sua propriedade. e merecem algo por seus anos de trabalho"[51].12-18. quando o profeta diz que os credores podem se apropriar com facilidade dos campos e das casas dos outros e. esta legislação de Dt 15. para que não sejam de novo forçados à escravidão por dívidas. eles os roubam. ao dinheiro. 12-18.11. Talvez porque a lei estipulada no livro do Êxodo não estivesse sendo obedecida. ao vinho e ao óleo. vinhas. casas e oliveiras e têm que empenhá-los numa situação de penúria[52]. .Há determinada seqüência na formação da dependência: primeiro penhoram-se os filhos (escravidão). ao trigo.

a crise do tempo de Neemias. Finalizo com H. este imposto tinha que ser pago em moedas. excluindo. pois o comércio de escravos no Mediterrâneo está em pleno florescimento. pode ter tido vários motivos. que observa: "Endividamento e principalmente insolvência não são frutos vindos diretamente de fatores como coação demográfica. Neemias declara uma anistia. Diz Ne 5. Eles são importantes para a formação de classes somente quando se tornam instrumentos dos relativamente mais ricos ou mais poderosos para criar novas dependências. para apossar-se de imóveis ou para vender escravos"[56]. como conseqüência. divisão de heranças. deterioração da terra ou mau tempo. Kippenberg. G. Por que a repreensão de Neemias? É que o endividamento tem como objetivo vender ao estrangeiro o judeu empobrecido. eles oprimem o varão e sua casa o homem e sua herança". G. a . eles as tomam. Kippenberg. cujos campos e vinhedos já estavam hipotecados. Segundo H. repreendi os nobres (horîm) e os magistrados (seghânîm) nestes termos: `Que fardo cada um de vós impõe a seu irmão!'"[55].6-12 é que os credores dos quais os judeus dependem são seus irmãos de sangue e são pessoas de posses e classe alta. E o que é denunciado em Ne 5. Que escolha tinham estes camponeses. como: o o o o o piora da qualidade da terra mau tempo que prejudicou a colheita crescimento do número de familiares divisão e diminuição das terras por causa da herança exigências estatais de pagamentos de impostos.se casas. senão vender seus filhos e filhas como escravos?"[54].7: "Tendo deliberado comigo mesmo. "E ainda mais. como aparece em Ne 5. segundo a qual os credores devem renunciar às rendas das terras hipotecadas.

1989-1996. São Paulo. em um volume. DE CASTRO. HARVEY. Alexandre Magno. GOUKOWSKY. 1987. São Paulo. H. Religião e formação de classes na antiga Judéia. Leituras Recomendadas ARISTÓTELES. Lello & Irmão. Rio de Janeiro. Nancy. P. Isto se a lei tiver funcionado. P.escravidão do judeu ao estrangeiro. ARRIAN.) I-II. LÉVÊQUE.. L. Harvard University Press. Cambridge. pp.. 1986.. o Grande. L. PLUTARCO. Lisboa. Alexandre.. São Paulo. . I.. 1980. 1984. P. Editora da UnB. Massachusetts. Economia e sociedade na Grécia antiga. Jorge Zahar. KIPPENBERG. 1987.-C. Brasília. 1978-1981. São Paulo. Edições 70. J. M. Verbo. Alexandre Magno. Cultrix.. Editora Três. P. 1992. 1973. Brasília. pela SCM Press. São Paulo. Lisboa. M. Fortress Press. PLUTARCO. em Vidas Paralelas IV. s/d. Essai sur les origines du mythe d'Alexandre (336270 av. ou na edição inglesa. 2 vols. AUSTIN.. BENOIST-MÉCHIN. o que não sabemos. 1976. Minneapolis. Alexandre. J.. Anabasis Alexandri. GLOTZ. P. G./VIDAL-NAQUET. Alexandre. Porto. 1988. Judaism from Cyrus to Hadrian I-II. Paulus. 138199. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. 1994. Os gregos antigos.).. 1985. A cidade grega. ORLANDI (org. Université de Nancy II... G. Política . 19882. Lisboa. em Vidas. O mundo helenístico. FINLEY. Editora da UnB. HERÓDOTO. 1980. Difel.. Edições 70. História. Lisboa/São Paulo. GRABBE. Edições 70.

História política. 44. O judaísmo tardio. 317ss. G. [39].. 71. p. G. Paulus. [42]. C. 1952. Idem. GOTTWALD. 40-50. ibidem.PAUMAPE. Cf. Idem. Persia and the Bible. Paris. pp.C. Além de Flávio Josefo. SAULNIER.. pp.M. Cf. 22-28.. M.). F. o.. JOSEFO. 10-12. São Paulo. Histoire d'Israel III. c.. [41]. N. [44]. 1983. Paris. pp. como medida de valor na . [38]. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a. c. Paulus. ibidem. no Anexo Tardio ao Meguillat Taanit (= Rolo dos Jejuns) e no Talmud da Babilônia (Yoma 69a). São Paulo.. Histoire d'Israel III. o. atribuídas a Calístenes. pp. G. [43]. Grand Rapids.. MI. A. Religião e formação de classes na antiga Judéia. 348. 63-64. 42.). para esta questão. Histoire de la Palestine depuis la conquête d'Alexandre jusqu'a l'invasion arabe I. SAULNIER. Antiquitates Iudaicae. M. Du Cerf. 1985. KIPPENBERG. 1992. KIPPENBERG. 1981. Idem. [40].D. Firenze.. Baker Books. também ABEL. XI.. K. 1250-1050 a. H. p. p. 1988. O dinheiro. pp. [45]. YAMAUCHI.. p. H. Storia economica e sociale del mondo ellenistico I.C. pp. pp.C. que se cristalizam por volta do século III d.. chama a atenção para a diferença entre dinheiro e moeda. 1986. ROSTOVZEV. o encontro do sumo sacerdote de Jerusalém com Alexandre é narrado também na "Recensão C do Pseudo-Calístenes" (um conjunto de lendas sobre Alexandre. 43-44. Cf. 133-208. O texto em questão pode ser lido em PAUL. C. E. [1990]. ibidem. Cf. Seguirei. São Paulo. 46-47.. Paulus. 1996. NEXT [37]. a excelente análise de KIPPENBERG. H. As tribos de Iahweh. Uma sociologia da religião de Israel liberto.. sobrinho de Aristóteles. La Nuova Italia..-135 a. Gabalda. F.

o shekel. pagava trezentos e cinqüenta talentos e constituía a quinta província. já existe bem antes da moeda. Não roubarás. pois Dareios negociava com tudo. História III. No Israel antigo caracteriza-se a riqueza pela posse do gado. Cambises de déspota e Ciros de pai. pp. assim como a prata. a parte da Síria chamada Palestina. Desapropriação e escravidão não são compatíveis com esta ordem jurídica. Cf. . H. Idem. G. [55]. uma cidade fundada na fronteira da Cilícia com a Síria por Anfílocos. o. p. Editora da UnB. e o Egito (à exceção da parte pertencente aos árabes. c. diz: "A região situada entre Posidêon. para o que se segue. [56]. Ática. c. 54-55. 1986. História III. Por causa da fixação dos tributos e de outras medidas análogas. [50].. 56. do trigo. 1985. 89. KIPPENBERG. 179-180. o. 58.. Loyola. KIPPENBERG. H. G. 41.. Cf. pp. A queixa dos camponeses é baseada no conceito de solidariedade judaica. ibidem. R. 53-72. Cf. Diz Heródoto: "No reinado de Ciros. O conceito de irmão ('âh) designa o membro de uma sociedade solidária. G. não havia tributo fixo. Cambises era duro e insensível e Ciros era generoso e se preocupava com o bem-estar de seus súditos". o. p. A escravidão na Bíblia. KIPPENBERG. [51].troca de produtos. c. filho de Anfiáraos. Cf. Brasília. [46]. pp. o. Comunidade e propriedade na tradição bíblica. que abrangia toda a Fenícia. fundamentada na relação de parentesco. H.. pp... o. os persas chamaram Dareios de mascate. isenta de tributos). GNUSE. vinhas. HERÓDOTO. oliveiras e casas e perdoai-lhes a dívida do dinheiro. do vinho e do óleo que haveis emprestado". pesado segundo o método sumério-babilônico.. [48]. [47]. [53]. c. p.. também VENDRAME. C. H. 50. 180. na forma de peças de enfeite. [49]. [54]. 91... KIPPENBERG. 1981. p. São Paulo. p. 112-199. sendo o pagamento feito em presentes. 47. É usado também o ouro.11 que se fala nas oliveiras: "Restitui-lhes sem demora seus campos. e posteriormente no de Cambises. p.. ibidem. [52]. É em Ne 5. G. Idem. e Chipre". HERÓDOTO. São Paulo. c..

Os veteranos se fixam nas colônias militares. dois dos cinco bairros da cidade são ocupados prioritariamente por judeus. traficantes de despojos. C.2. Eumênio ou Antígono. cerca de 1 milhão de habitantes e a comunidade judaica alcança o significativo número de 200 a 400 mil pessoas[8]. a Palestina é cruzada cerca de oito vezes por exércitos em luta. fazendo da diáspora alexandrina a maior comunidade judaica fora de Israel. Aliás. sustento das guarnições etc. Junto com o exército vem o comércio. tais situações acabam aumentando espetacularmente o número de judeus no Egito. Apesar das atribulações. produz uma movimentação política e econômica incomum na Palestina. mulheres. Os dados são escassos e problemáticos. somadas às migrações e aos mercenários. A região da Síria. Entre 323 e 301 a.7. A Situação da Palestina de 323 a 301 a. crianças. na sua luta pela posse da Celessíria. porém. Ptolomeu I.C.. núcleos de futuras cidades. Daí as desgraças que atingem a região: pilhagens. seja sob o comando de Pérdicas.. por exemplo. Entretanto. A presença do exército macedônio. Em Alexandria. deportações. deportando alguns milhares de judeus para o Egito. desmantelamento de defesas e bens imóveis para prejudicar o inimigo. . as guerras trazem também alguns benefícios para a região. A cidade possui. é muito difícil calcular a população judaica da diáspora. pois milhares de civis acompanham as tropas: mercadores. pois os senhores da região mudam constantemente. Antípater. acaba ficando bem no centro das disputas entre os diádocos. A maioria é destinada ao trabalho escravo das minas e da agricultura[7]..C. escravos. toma Jerusalém em 312 a. requisições. na verdade. Qual é a situação da Palestina neste período de 22 anos de conflito entre os herdeiros de Alexandre? É claro que há uma enorme dificuldade de se seguir uma política coerente. na época romana.

A 3ª guerra síria (246-241 a. Os Selêucidas lutam pela região porque precisam cortar as bases dos Ptolomeus instaladas na costa da Ásia Menor. 7. A paz é feita quando Ptolomeu II cede aos Selêucidas suas possessões da Ásia Menor.C. O acordo e o casamento são realizados. de Antioquia. Ptolomeu III invade a Síria e obtém grandes vitórias. a Macedônia. porque não podem se sentir seguros no Egito se suas fronteiras não estiverem protegidas pela Celessíria. chegando até a Mesopotâmia. Parece que Ptolomeu II procura construir.) acontece entre Ptolomeu III Evergetes e Selêuco II Calínicos. As Guerras Sírias entre Ptolomeus e Selêucidas O domínio dos Ptolomeus sobre a Celessíria dura 103 anos. a médio prazo. quando Antíoco II ao morrer em Éfeso. onde vivia Laodice. Motivado pelo assassinato de sua irmã Berenice . As grandes construções navais . A região da Celessíria fica fora da guerra. Berenice e seu filho são assassinados. A 2ª guerra síria (260-253 a. desaparecido em circunstâncias misteriosas.C. Só que alguns anos depois. e Antíoco I Soter. seu filho mais velho com Laodice. A 1ª guerra síria (274-271 a.) coloca frente a frente Ptolomeu II Filadelfo e Antíoco II Theos. assim.3. Durante todo este tempo Ptolomeus e Selêucidas lutam pela Síria. Todo o episódio é extremamente confuso pela quase total ausência de documentos[11]. Deste conflito decorrem as chamadas "guerras sírias"[10]. Os Ptolomeus. por Laodice. que é repelido.ou talvez chamado por ela em seu socorro. além disso. de Alexandria. . agora. após a morte de Antíoco II.A guerra coloca em circulação. nomeia Selêuco. Mas este deve repudiar sua esposa Laodice e os filhos que teve com ela. e dá sua filha Berenice em casamento a Antíoco II. A guerra começa com a invasão da Síria por Ptolomeu II. Antíoco II retoma as cidades da Ásia Menor que Ptolomeu II incorporara ao seu reino. para sucedê-lo -. menos a Cária. talvez assassinado por Laodice. enormes quantias de dinheiro.C. Outra invasão levao a algumas vitórias.) é um confronto entre Ptolomeu II Filadelfo. direito a ser reivindicado na hora certa. E também por razões comerciais: a posse dos portos da Celessíria lhes garante o controle do Mediterrâneo Oriental e a ligação com a terra-mãe.pois esquadras são montadas e destruídas fazem prosperar as cidades da costa[9]. um direito dinástico sobre o reino dos Selêucidas. com certeza.

Antíoco III invade a Celessíria e quase não encontra resistência.) é entre Ptolomeu IV Filopator e Antíoco III. no sul da Palestina. por isso. o herdeiro. A 5ª guerra síria (202-198 a..) se dá entre Ptolomeu V Epífanes e Antíoco III. entretanto. mas uma vez. A tutela e a regência ficam com os ministros Sosíbio e Agátocles. O Egito só não é tomado porque Roma o proíbe a Antíoco III. Agátocles é assassinado e Scopas dirige o exército ptolomaico que.C. em 198 a.C. Antíoco III e Filipe V. Há. A Celessíria.). Em 219 a. Em 217 a. Alexandria tem 5 bairros. Como é Alexandria? Qual é a sua relação com o Egito? Como vivem aí os judeus? Alexandria está localizada a oeste do delta do Nilo.C. Estas três primeiras guerras sírias quase não afetam a região de Judá. travam grande batalha perto de Ráfia.Selêuco II. mas é repelido por Ptolomeu III.C. Ptolomeu V. no istmo entre o Mar Mediterrâneo e o lago Mareótis. é totalmente derrotado por Antíoco III em Panion (Baniyas). e Antíoco III é derrotado.C.C. selêucida. mas é barrado pelas forças ptolomaicas no ano de 221 a. de dono. planejam reparti-lo entre si. perto do braço canópico do Nilo. que favorece o desenvolvimento da região sob a administração ptolomaica. A 4ª guerra síria (221-217 a. E os judeus de Jerusalém mudam.C. A Celessíria retorna às mãos dos Ptolomeus. os dois exércitos. tem apenas 5 anos de idade. O plano da cidade é do ródio . a não ser em Gaza. tem um perímetro de mais de 15 km. selêucida e ptolomaico. Quando morre Ptolomeu IV Filopator. Antíoco III avança novamente através da Celessíria e vence cidade após cidade. no norte da Palestina. o Grande. Em seguida. o Grande: Antíoco III tenta tomar a Celessíria.4. Construída segundo uma forma alongada. um período de relativa paz. será. Com o Egito assim enfraquecido. O crescimento econômico acontece especialmente sob o governo de Ptolomeu II Filadelfo (285-246 a. daqui para a frente. 7. porém. Alexandria e os Judeus O governo dos Ptolomeus se faz a partir de Alexandria. a forma de uma clâmide12. consegue retomar as cidades conquistadas pelos Ptolomeus. da Macedônia. Selêuco II tenta tomar a Celessíria. até atravessar a Palestina em 218 a.C. com os nomes das 5 primeiras letras do alfabeto grego.

bairros especiais para o porto. chama o Museu de "gaiola das Musas". Como explica P. que vive na corte de Ptolomeu II Filadelfo. a biblioteca. como Aulo Gélio. O porto é dividido em dois pelo Heptastádio. Este plano é conhecido como hipodâmico.C. conquistador árabe da região. é uma academia literária fundada por Ptolomeu II.. O Farol. de nome Timão. sem que. o habitat"[13]. mas compreenderam que. por exemplo. próxima ao Museu. o museu e o teatro.C. o palácio. segundo autores antigos.C. 2) o plano quer-se funcional e reserva. "o urbanismo hipodâmico apareceu cerca de 480. o túmulo de Alexandre. A biblioteca de Alexandria. onde "são criados uns garatujadores livrescos que se bicam eternamente"[15]. feitas por Franck Goddio. A tradição liga-o ao nome de Hipódamo de Mileto. é complementada por outra localizada no Serapeum (o templo de Serápis). um filósofo (pitagórico?) que de fato parece ter sintetizado as pesquisas anteriores efetuadas especialmente nas cidades coloniais. Veja aqui as recentes descobertas. a maior e mais célebre das bibliotecas da antigüidade. Assim nasceram bibliotecas reais em todas as capitais helênicas: não apenas como fator de prestígio.Deinócrates: duas vias principais de 30 metros de largura cruzam-se em ângulos retos. discutem e produzem a ciência da época. Os monumentos que se destacam em Alexandria são o ginásio.C. Em 47 a. cerca de 40 mil volumes são destruídos pelo fogo. os edifícios públicos. O Museu é sustentado pelo Estado e ali os sábios convivem. Localizada no bairro real.. o que produz uma disposição em tabuleiro de xadrez. anexo ou próximo à biblioteca. da Alexandria submersa O Museu. como virá a ser o caso nas criações romanas. obra de Sóstrato de . Um poeta e filósofo satírico grego do século III a. a biblioteca teria sido queimada por ordem do califa Omar. que vive em Atenas. Está fundado em dois princípios novos: 1) as ruas cortam-se em ângulo reto. Canfora acredita que "os gregos não aprenderam a língua de seus novos súditos. um paredão de cerca de 1. L. aliás. A biblioteca teria chegado a possuir cerca de 700 mil volumes. o tribunal. é fundada por Ptolomeu I e notavelmente aumentada por Ptolomeu II. e que para entendê-los era necessário traduzir e reunir seus livros. existam dois eixos principais. E em 642 d. gramático latino do século II d. por acidente. era preciso entendê-los. Lévêque.250 metros que liga a ilha de Faros à terra firme. mas também como instrumento de dominação"[14]. para dominá-los.

Sua construção se dá no começo do reinado de Ptolomeu II Filadelfo (285-247 a. que é de uma dimensão extraordinária e de uma solidez impressionante. Ela está muito favoravelmente situada perto do porto de Faros.5 km].52. ela possui apenas duas vias terrestres de acesso.8 diz o seguinte: "A cidade tem a forma de uma clâmide. Enfim. ótimo para a saúde. Ele lançou igualmente as fundações da muralha. De fato. praticamente todos os reis do Egito até hoje têm acrescentado ao palácio edifícios suntuosos. Diodoro XVII. suas dimensões. A cidade tem jardins públicos muito belos. tem três andares e 110 metros de altura.1-5 descreve do seguinte modo as características de Alexandria: "Como decidira fundar no Egito uma grande cidade. e refrescam o ar da cidade. casas e templos. Situada. por sua beleza. entre eles Estrabão e Diodoro[16]: Estrabão XVII. o rei deu à cidade o nome de Alexandria. a . que é obra do rei. estreitas e fáceis de vigiar. faz com que ela seja atravessada pelo sopro dos ventos etésios. Ela se estende de uma ponta a outra com um comprimento de quarenta estádios e uma largura de um pletro [cerca de 30 metros] e ela é toda ornada de edifícios suntuosos. tirado de seu próprio nome. Após Alexandre. Alexandre ordenou também que se edificasse um palácio: esta grande e poderosa obra é também uma maravilha. e o hábil traçado das ruas. Como estes sopram sobre as vastas extensões do mar. Uma vez medido o terreno e dividido em bairros segundo todas as regras da arte. enquanto que de largura os istmos encerrados entre o mar e o lago têm cada um de 7 a 8 estádios. o rei dotou os habitantes de Alexandria de um clima temperado. A forma que ele lhe deu é bastante próxima à de uma clâmide. mas há duas cuja largura excepcional excede um pletro [cerca de 30 metros] e que se cruzam em ângulo reto. a cidade adquiriu em seguida uma tal extensão que muitas a consideram como a primeira do mundo. assim como palácios reais que ocupam um quarto ou um terço de sua superfície"[17]. uma maravilha por suas dimensões e sua beleza. cujos lados maiores são aqueles banhados pelas águas: eles têm cerca de 30 estádios [o equivalente a 5. Todas as ruas permitem a circulação a cavalo ou de carro.I. com uma grande avenida que corta a cidade pelo meio.C.). com efeito. Autores antigos nos falam de Alexandria.Cnido. entre um grande lago e o mar. ele [Alexandre] ordenou às pessoas que deixou no local com esta missão que a edificassem entre o lago e o mar.

importa e exporta inúmeros produtos é um dos centros culturais mais importantes do mundo grego[19]. Aristarco de Samotrácia. conquistada pelos Ptolomeus. E por aí afora[20]. as outras"[18]. Alexandria é um entreposto de produtos da África e do Oriente. ela ultrapassa. calcula a duração do ano solar e cataloga estrelas. outro diretor da biblioteca. que vive em Alexandria no século III a. um dos diretores da biblioteca de Alexandria. Hiparco.C. mas praticamente o Egito nada consome do que é produzido em Alexandria. que aí chegam por via terrestre e marítima[21]. gramático. Préaux assim resume o caráter específico da economia de Alexandria: a cidade vive em simbiose com o rei. Lévêque. nascido em 190 a. matemático e geógrafo. Zenódoto de Éfeso. Arquimedes. Do ponto de vista comercial exporta vários produtos do campo egípcio. desenvolvendo a geometria e a teoria dos números. Hesíodo. Sua manutenção é garantida pelo abundante trigo egípcio. três fatores explicam o enorme desenvolvimento de Alexandria: o o o é a capital dos Ptolomeus e toda a burocracia do reino lágida aí se concentra é o centro de intensa atividade econômica. Náucratis e Ptolemaida. Píndaro etc. Alexandrinos controlam a Celessíria. C. diretor da biblioteca. de longe. gramático e poeta.abundância das rendas públicas e de tudo aquilo que faz o prazer da existência. que inventa a trigonometria. provavelmente estuda em Alexandria. Segundo P. diretor da biblioteca. . Alexandria é praticamente a única cidade do Egito. gramático que prepara edições críticas de Homero. vivendo depois em Siracusa. a corte e os gregos a serviço do rei são os clientes da indústria e do comércio. Apolônio de Rodes. O rei. Euclides. um dos maiores matemáticos da Antigüidade. Entretanto.. pois as outras duas que têm o estatuto de pólis.C.. o único verdadeiro porto do Egito no Mediterrâneo. não podem rivalizar com ela. que calcula a circunferência da terra. Alexandria é uma cidade totalmente isolada do Egito. Seus bancos fazem crescer a receita real. famoso matemático. Do ponto de vista cultural basta que nos lembremos de Eratóstenes.

especialmente no que se refere às práticas alimentares. ou 'cidadania' grega total (isopoliteía) significava inegavelmente a apostasia"[26].é impossível[25]. Paul quem explica: "Segundo a tradição grega antiga. E nisto diferem da imagem clássica que temos do judeu. todavia. conhecida como a LXX."[23]. Qual é a sua situação? Os judeus ocupam dois dos cinco bairros de Alexandria. É uma espécie de cidade dentro da cidade. com seus rigorosos critérios de raça. que é uma imagem medieval. o período dos Ptolomeus foi um pouco laxo neste ponto. Os judeus têm em Alexandria um etnarca. em todo o Egito . Ser ""cidadão" e ser "diferente" . Não se sabe bem o alcance dessas funções judiciárias: as sentenças são executadas pela comunidade judaica ou por instâncias reais? O etnarca tem competência jurídica sobre todos os casos ou somente sobre aqueles em que a lei judaica difere do direito grego?[24]. Em Alexandria provavelmente era este o meio habitual para se obter legalmente o título de cidadão. os representantes da comunidade (kaì tôn apó tou politéumatos) e os chefes da população e disseram.várias profissões: são soldados. a politeía. Para os judeus. Esta Carta é o primeiro documento que menciona esta comunidade. E por isso os judeus não têm o título de cidadãos de Alexandria.. A cidadania alexandrina exigiria do judeus um modo de vida que violaria as regras específicas da Lei judaica. Os judeus. título que a administração real confirmava quase automaticamente. É A. funcionários. O políteuma é um recurso que permite às comunidades preservarem sua cultura e seus direitos. diz o texto: "Enquanto se liam os rolos. Mais raramente comerciantes. Falando da leitura da versão grega da Bíblia. têm um políteuma em Alexandria[22].como são os judeus . como a própria etimologia do nome indica (do grego pólis = "cidade" + sufixo que indica o resultado da ação). O etnarca exerce funções administrativas e judiciárias.pois não estão apenas em Alexandria .. À diferença da época romana. Exercem. puseram-se de pé os sacerdotes. segundo a Carta de Aristéias a Filócrates. artesãos. agricultores. . os anciãos da delegação de tradutores. certamente escolhido pela comunidade e referendado pelo rei.Já dissemos que os judeus são numerosos em Alexandria. a primeira condição para alguém adquirir a 'cidadania' ou a politeía era a educação recebida no ginásio com a formação específica no ephebeîon.

lhes são. 286-287. 457-458. o. LÉVÊQUE. Cf. Epífanes é o "Manifesto".. c. o.C. 28.. Le monde hellénistique I.NEXT [7]. [13]. Euterpe. Cf.Soter. pp. Epífanes etc . PRÉAUX. c. P. Evergetes.C.. 146150. em geral. O nome "museu" vem das musas. ABEL. C. CANFORA. produz uma importante obra de geografia universal. E. pp.C. XVI. Erato. c.. [10]. F. F. [15]. com a tragédia. com a dança. 118-121.. Histórias da biblioteca de Alexandria. Cf. Sobre a 4ª e a 5ª guerras sírias temos boas informações em POLÍBIO. C. Theos é o "deus" etc. também PRÉAUX. Brasília. 18-19. Filadelfo. CANFORA. 1985. C. Evergetes significa "Benfeitor".. Theos.234-261.. o. 231-233. o. o. Urânia.. p.. por exemplo.-M. o. Polímnia. pp. com a comédia. Diodoro Sículo. Companhia das Letras.. Ptolomeu I. com a história.. 63-87. p. atribuídos por cidades às quais eles prestam algum serviço ou libertam de algum inimigo. Estes títulos dos reis helenísticos . WILL. com a música para lira. Após se instalar em Roma. a 20 d. em 29 a. PRÉAUX. c. 39-43. C. Estrabão é um geógrafo grego que vive de 63 a. 4487. A clâmide é um manto grego que se prende por um broche no pescoço ou no ombro direito.245-251.-M. historiador grego romanizado do século I a. O mundo helenístico. porque salvou os ródios de um cerco imposto por Demétrio. . F. [14]. 1989. [11]. pp.C. com a poesia épica. pp. São Paulo. 2. Terpsicore. com os cantos sacros.. 194195.. com a astronomia e Talia. pp.. pp. Cf. c.. [8]. o. o. A biblioteca desaparecida. 293311. pp. esta questão em SAULNIER. ABEL. Cf. C. Clio. com a música para flauta. que na mitologia grega são as nove deusas da literatura e das artes.. 63.. vol. [9]. c. ABEL. História V. c. pp.-M. c.. PRÉAUX. L. 30-32. 26-44.. nota 3. Cada uma delas se relaciona com uma arte: Calíope. Editora da UnB.. Melpomene. 39-45. pp. Cf. pp. Histoire d'Israel III. L. "Salvador". pp.. Cf. 1982.. [16]. é chamado de Soter. [12]. 233-238. 139-155.

[19]. C.6. O mundo helenístico. Cf.. Paris. 497. [24]. uma história universal que abrange desde os tempos mitológicos até a conquista da Gália por César (58-51 a. pp. Idem. Cf. 454-455. Cf. P. explica SAULNIER. PRÉAUX. [21]. [25]. a discussão sobre a cidadania dos judeus de Alexandria em STERN.. p. Cf. p. [23].-C) II. 510-511. C. entretanto a hipótese mais razoável parece ser a que se situa na metade do século II a. PAUL. Histoire d'Israel III. 359-360.C. 456. Presses Universitaires de France. em 21 a.. p.C. Cf... p. Mas.C.. C. de fato. Trata-se. Cf. 7. 1983. Cf.publica.. P. para esta questão. CARTA DE ARISTEAS A FILÓCRATES.. de um escrito judeu.. C. profundamente marcado pelas categorias do pensamento helênico. em DIEZ MACHO. [20]. Apócrifos del Antiguo Testamento II. 310. pp. adorador de Zeus. respectivos verbetes. Histoire d'Israel III. Le monde hellénistique II.) [17]. "O autor se faz passar por um grego. 69.. C. ibidem.. p.. 365. p. A data desta obra é discutida. M. A Administração Ptolomaica da Palestina Este sistema administrativo ptolomaico é também implantado na Palestina. 61. [26]. Le monde hellénistique II. que escreve a seu amigo Filócrates para lhe relatar sua embaixada junto ao sumo sacerdote Eleazar. [22]. Cf. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. Le monde hellénistique.". pp. Madrid. "Etnarca" significa aquele que governa uma etnia. Cristiandad. A. pp. 399-403. LÉVÊQUE. PRÉAUX. 119-120. [18]. J. A. durante os 103 anos de domínio de Alexandria sobre a região. com . PRÉAUX. O judaísmo tardio. SAULNIER. HARVEY. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. La Grèce et l'Orient (323146 av. 19882.

com seus magistrados e seu território. com seu povo judeu os povos samaritano e idumeu grupos descendentes de cananeus e sírios várias cidades no interior. ao lado do sumo sacerdote. que já teria havido. repassados. pois a estrutura social da região é diferente da egípcia e a complexidade política é maior. O centro administrativo parece ser Acco. como Tiro. Não há cidades livres. na Samaria como na Galiléia. Os Ptolomeus implantam um sistema de arrendamento. Os judeus que habitam na Galiléia. Assim são as mais importantes cidades fenícias e palestinas. . território sagrado. aos senhores estrangeiros. dentro do reino ptolomaico. mas também as póleis mais significativas do interior. uma assembléia aristocrática composta pelos chefes das famílias mais influentes. a famílias ricas da terra. Mas há cidades que se aproximam do modelo da pólis grega. entretanto. de Ortozia a Gaza o distrito do Templo de Jerusalém. Acredita-se. Uma de suas funções é a de limitar o poder do sumo sacerdote. Gaza. incluindo as colônias militares macedônias as tribos dos nabateus e dos árabes. Ascalon. pelos sacerdotes e pelos escribas do Templo. no sul e na Transjordânia. Sídon. onde valem as leis tradicionais do povo judeu e onde o sumo sacerdote é o chefe principal. mas o distrito de Judá é considerado como "Estado do Templo". um oficial especial que se encarrega. na Iduméia[37]. tanto na Judéia quanto na Iduméia.algumas modificações. Será o conhecido Sinédrio da época de Jesus. na Iduméia e na Transjordânia não têm qualquer estatuto especial. Jope e Dor. do direito de cobrar os impostos locais. por elas. no sentido da Grécia clássica. no tempo dos Ptolomeus. que tem seu nome mudado para Ptolemaida. são inexoravelmente helenizadas. Politicamente a região da Celessíria é composta das seguintes etnias: o o o o o o cidades fenícias ao longo da costa. Ou Marisa. O modo de vida grego se implanta mais rapidamente nas cidades fenícias. Acco-Ptolemaida. Outra instituição que se desenvolve provavelmente durante o domínio ptolomaico é a gerousia (= senado). da administração das finanças[38].

devem declará-lo e apresentá-lo ao ecônomo em qualquer hiparquia dentro de vinte dias após a publicação deste decreto". onde naquela época grassava a escravidão. valendo o mesmo para as pessoas livres vendidas em leilões reais. G. também daqueles sobre os quais já foi pronunciada a pena de execução. porque a caça ao homem livre cria uma desordem perigosa na região. Este decreto. É bem ilustrativo da política ptolomaica para a região da Celessíria um decreto de Ptolomeu II Filadelfo. E tal política se implanta principalmente através da aliança grega com os aristocratas locais.: "Ordem do rei. vender ou penhorar nativos livres. continua o decreto: "E no futuro a ninguém será permitido. ou o adquiriram de um ou outro modo. como se encontra na lei do arrendamento"[39]. Kippenberg observa a propósito: "Pode-se duvidar de que este decreto tenha realmente surtido efeito na Palestina. convém observar que o desenvolvimento econômico da região da Celessíria faz parte de uma estratégia política bem definida por parte dos Ptolomeus. na verdade estabelece um monopólio real na venda de homens livres. H.C. Todos aqueles que tomaram parte na expedição de nosso pai nas regiões da Síria e da Fenícia e. exceto aqueles que o governador das rendas do Estado sírio ou fenício entregou ao processo de execução (prosbolé = arremate de propriedade a terceiros). que compraram um nativo livre (sôma laikòn eleúteron) ou dele se apropriaram com violência. Mais adiante. invadindo o território dos judeus . também emitido por Ptolomeu II Filadelfo.De modo geral. dos quais já falei a propósito da crise agrária da época de Neemias. só que. Ele é digno de nota porque legaliza a escravidão como conseqüência da inadimplência fiscal"[40]. a respeito dos judeus: "Ordem do rei. sob qualquer pretexto. aparentemente filantrópico. desta vez. É a maneira mais eficaz de impedir o avanço de seus rivais Selêucidas sobre a região. Muito próximo deste decreto é outro conservado na Carta de Aristeas a Filócrates. mas também política. provocando a indignação e a revolta das populações locais. após declarar que podem ser conservadas as pessoas que já eram escravas antes da compra. Os habitantes da Síria e da Fenícia. É uma medida econômica. provavelmente de 261/260 a.

um funcionário do governo. em viagem de negócios para seu patrão. os militares no pagamento de seu soldo. os outros no banco real"[41].000 papiros. Apolônio. mantém sua dôréa. Trata-se de uma coleção de cerca de 2. na Alemanha. Zenão vai para a Palestina.do qual não temos mais notícias após 245 a. quer os tenham vendido a outros . de 261 a 248 a.C. em New York. a sua dôréa durante nove anos . portanto.e se dedica a seus negócios particulares em Filadélfia. Os papiros cobrem um período de 32 anos.. ligado às questões públicas. localizada nas vizinhanças do oásis de Fayum.. entre 261 e 229 a. perto da antiga Filadélfia. é também um grande proprietário e negociante. . não sendo. Estão em Londres.e cuida de seus negócios particulares. originário de Caunos. A partir deste ano. no qual permanece 13 anos.). na Itália.C.. os papiros de Zenão são dispersos pelo mundo afora durante a 1ª Guerra Mundial. Zenão é um de seus homens de confiança . Também os arquivos de Zenão são importantes para a compreensão da administração ptolomaica da Palestina[42]. onde o dioceta de Ptolomeu II Filadelfo. por um período de 13 a 14 meses. ao mesmo tempo que é um poderoso ministro de Estado.igualmente os que são da mesma raça e que os tenham precedido aqui ou que tenham sido deportados depois deles . por isso.que os possuidores os deixem livres e recebam imediatamente em compensação 20 dracmas por cada pessoa. quer os tenham trazido para a cidade [de Alexandria] e para o país [do Egito]. Zenão vai para o Egito. Acredita-se que teria sido para proteger-se contra possíveis problemas jurídicos e políticos futuros a respeito de suas posses que Zenão meticulosamente arquiva os papiros referentes aos negócios de Apolônio sob sua responsabilidade e os papiros relativos a seus próprios negócios.C.C. Zenão deixa Apolônio .C. e trazem os arquivos de Zenão. encarregado das finanças e da fiscalização de todo o reino. encontrados após 1910. Mas Apolônio parece não separar bem estas duas esferas de negócios. Fica na região até o começo de 258 a. A dôréa de Apolônio é liquidada em 243 a. o poderoso Apolônio. Estamos em plena segunda guerra síria (260-253 a. isto é.C. por exemplo. cidade da Cária controlada por Ptolomeu II. O seu último documento datado é de 14 de fevereiro de 229 a..tornaram-se senhores de indivíduos judeus.C. no Cairo. onde entra para o serviço de Apolônio. e Zenão está também. Descobertos por escavadores clandestinos. no final de 260 a. .administra. a pública e a privada.C.

quando Ptolomeu II enfrenta-se com o Selêucida Antíoco II. Foram testemunhas [. filho de Timarcos. filho de Straton. Demóstratos. uma escrava babilônia chamada Sfragis. cleruco de Tobias.]. o persa. filho de Agreofon. Sem ser funcionário ele tem a função de conduzir delicadas negociações oficiosas"[44]. Zenão realiza negócios para Apolônio e para o rei Ptolomeu II. na Iduméia. O seu roteiro na região não é muito fácil de ser reconstituído. no mês de Xandikos. Para lá chegar. juiz. Este distrito. Nesta cidade ele se vê às voltas com a fuga de três escravos que comprara na Iduméia. Como o dioceta Apolônio é também responsável pelos suprimentos do exército ptolomaico. todos os dois clerucos do corpo de cavaleiros de Tobias. do séqüito de Tobias. C. não é apenas privada. filho de Ptolomeu. Orrieux observa a propósito da visita de Zenão à fronteira com os Selêucidas: "Pode-se imaginá-lo como um enviado especial de Apolônio. sendo epônimos o sacerdote de Alexandre e dos deuses irmãos e a canéfora de Arsinoé Filadelfo que estão em função em Alexandria. Zenão.. mas é possível que ele tenha desembarcado em Gaza e da lá ido a Marisa. vendeu a Zenão. por cinqüenta dracmas. cnidiano. Nicanor. filho de Dionísio.]. macedônio. Uma hiparquia é um distrito territorial governado por um hiparco. registrada no seguinte contrato: "No ano vinte e sete do reinado de Ptolomeu. que atinge as fronteiras do reino. ele passa por Jerusalém e Jericó. Zenão visita igualmente a Galiléia e fiscaliza propriedades de Apolônio nesta região. divide-se em aldeias (kômê) chefiadas por um comarca. na Transjordânia. . de sete anos de idade. milésio. fazendo o leva-e-traz entre Alexandria e a Síria-Fenícia a fim de informar seu patrão diretamente sobre os problemas financeiros colocados pela proximidade das operações militares. Apolônio é o proprietário da aldeia de Beth-Anath da Galiléia. segundo um papiro da coleção. filho de Filipe. Heráclito. ateniense. a missão de Zenão.. aspendiano. todos os quatro do séqüito de Apolônio o dioceta"[43]. e de seu filho Ptolomeu. Foi fiador [. Timopolis. Polemon. Interessante é também sua visita aos Tobíadas. como a compra de uma menina escrava. filho de Ananias. cauniano. filho de Botes.. filho de Xanocles.. do séqüito de Apolônio o dioceta. na birta de Auranítide. colofoniense. Com os Tobíadas. Zenão fiscaliza também a hiparquia da região norte da Celessíria. assim como os nomos egípcios.

.4).O seu administrador consegue aumentar extraordinariamente a cultura da vinha. identificada pelos arqueólogos com o `Arak el Emir atual. O que resulta da leitura destes papiros é a impressão de intensa atividade política e econômica dos Ptolomeus na região da Palestina. o Tobíada e de seu filho Hircano. No ano seguinte. Estas notícias sobre a viagem de Zenão estão em cerca de 40 daqueles quase 2. Ele me fez provar o vinho e eu não pude adivinhar se ele vem de Quios ou da propriedade. pertencentes aos papiros de Zenão. Tobias. ao sul do Galaad. transmitida por Flávio Josefo[48]. O centro do território é a birta (= fortaleza) de Amon. descendente do Tobias da época de Neemias (Ne 13. Tobias era o chefe de uma importante tribo local. Xandikos 7"[46]. Ele construiu uma cisterna e uma casa adequada. a segunda a Apolônio.C. uva. Paul: "Comandante de uma klerouchia militar (cujo centro era a birta ou `fortaleza' de família. Quando Zenão visita a Palestina em 259 a. construída inicialmente para resistir às invasões dos beduínos do deserto). como testemunha a seguinte carta enviada a Apolônio: "Glaukias a Apolônio. Duas cartas de Tobias. vinho e figo que lhe devem fornecer. eu tomei comigo Melas e nós examinamos as novas plantações e todos os outros empreendimentos. entretanto. Considero satisfatório a situação dos trabalhos. suas relações e suas influências"[49]. Tu podes acreditar que um acaso feliz te favorece de todas as maneiras. mas os camponeses estão em desacordo com ele quanto à quantidade de trigo. como documenta um dos papiros de Zenão[45]. Ele me disse que a vinha tem 80 mil pés. ele comanda o clã. Diz A. Passe bem! Ano 23. saudações (. dirige uma cleruquia lágida na Transjordânia.. tendo ainda as funções de um prefeito do rei do Egito. o administrador consegue sucesso. A primeira é dirigida a Ptolomeu II.) Ao chegar a Baitanata. Estes administram os territórios conquistados "com a mesma desenvoltura com que um agricultor macedônio administra suas próprias terras"[47].000 papiros do arquivo recuperado próximo a Fayum. Os Tobíadas vivem numa espécie de feudo na Transjordânia. Outro dado interessante para se conhecer a administração ptolomaica da Palestina é a história de José. a serviço do qual punha seus soldados. ilustram suas relações com os Ptolomeus. .

que ainda rende mais excedentes . partidário dos Selêucidas. "Tobias a Apolônio.[50]. sobrinho do sumo sacerdote Onias II por parte de mãe. José recolheu o tributo das cidades e mandou executar os parentes dos magistrados que relutaram. que é de 20 talentos. saudações! Se tu vais bem e se teus negócios e o restante estão como tu desejas. Ptolomeu III Evergetes. Onias II. Tobias deseja bom dia! Eu te enviei dois cavalos. Dotado de plenos poderes estatais para aplicar a força. nasce na Judéia em uma aldeia da família. Como? Diminui o número de bocas para comer. se recusa a pagar os impostos devidos aos Ptolomeus. Xandikos 10 [= 13 de maio de 257]". um meio-onagro. as características destes rapazes. seis cães. Com o auxílio de 2 mil soldados ele exige duramente os impostos das cidades e dos campos. para teu uso. dois filhotes de meio-onagro e um filhote de onagro.e estimula culturas mais rentáveis. graças aos deuses! Eu estou bem.C.. olivais em vez de cereais.. dois jumentos árabes brancos de tração.C. Xandikos 10 [13 de maio de 257]". enriquecendo-se com isso consideravelmente.. Ao morrer em 226 a.). As cidades provavelmente só puderam pagar as novas cargas fiscais impondo aos camponeses doação parcial em mantimentos. Passe bem! Ano 29. o filho de Tobias. como é o certo. até o advento dos Selêucidas na região. seu filho Hircano o sucede no cargo.C. Eu reproduzo.] de excelente estirpe.. José ofereceu o dobro. por exemplo. O rei Lágida. obtendo muito mais até: consegue o direito de recolher os impostos de toda a Celessíria[51]. José. vai representar os interesses da Judéia diante do rei Ptolomeu em 242 a. escravos [. José.000 talentos para a província sírio-fenícia. Flávio Josefo diz que ele leva os judeus à prosperidade. Com créditos samaritanos ele financia antecipadamente o arrendamento e "em lugar de 8. ameaça então reduzir a Judéia a uma colônia militar. pró-Lágida. a seguir. através da escravidão .. baseando-se no fato de que a terra era propriedade do dominador"[52]. A seguir vem as características dos escravos. tendo se suicidado quanto Antíoco IV assume o governo[53]. Quando acontece a terceira guerra síria ( 246-241 a.. Felicidades! Ano 29. cruzamento de jumenta. Eu te enviei Aineas para te oferecer um eunuco e quatro rapazes. ."Ao rei Ptolomeu. lembrando-me de ti sem cessar. após ser designado pelo povo como chefe (prostátes).

O castigo dos ascalonitas encheu de temor as outras cidades da Síria. Mandou prender imediatamente vinte dos principais. dois mil homens das tropas do rei. através do qual poderemos apreciar os seus métodos: "José tomou.Vejamos um trecho do relato de Flávio Josefo sobre José. Cronologia dos Ptolomeus Ptolomeu I Soter : 323-285 Ptolomeu II Filadelfo : 285-247 Ptolomeu III Evergetes : 247-221 Ptolomeu IV Filopator : 221-205 Ptolomeu V Epífanes : 205-181 Ptolomeu VI Filometor : 181-145 Ptolomeu VII Néos Filopator : 145-144 Ptolomeu VIII Evergetes (Físcon) : 144-116 Ptolomeu IX Soter (Latiro) : 116-107 Cleópatra III : 107-101 Ptolomeu X Alexandre : 101-88 Ptolomeu IX Soter (Latiro) : 88-80 Ptolomeu XI Alexandre II : 80 Ptolomeu XII Aulete : 80-58. que mandou matar. a fim de poder obrigar os que se recusavam a pagar os tributos e. escreveu ao rei para lhe dar contas do que tinha feito e mandou-lhe mil talentos do confisco de seus bens. São Paulo. Os habitantes de Ascalon foram os primeiros a desprezar suas ordens.. depois de ter dado a Alexandria quinhentos talentos. Companhia das Letras. que o elogiou magnificamente e permitiu que. Histórias da biblioteca de Alexandria. Não se contentaram em não querer pagar. o Tobíada. foi para a Síria. L. depois. O príncipe ficou tão satisfeito com seu proceder. usasse deles como quisesse. 55-51 Cleópatra VII Filopator : 51-30 Leituras Recomendadas CANFORA. mas ele soube castigá-los. dali por diante. . A biblioteca desaparecida. que lhe abriram suas portas e pagaram seu tributo sem dificuldade alguma"[54]. mas o ultrajaram com palavras. 1989.

Cf. Cambridge. Madrid.. THACKERAY. Cristiandad.. Apócrifos del Antiguo Testamento II. W. Obra Completa. 74. Jerusalem. HENGEL. M. ORRIEUX. F. C. Paris. NEXT [37]. 1976. 73-74. p. em DIEZ MACHO. 364. G. P. c. Nancy.. L'orizon d'un grec en Egypte an IIIe siècle avant J. R. Presses Universitaires de Nancy. Rio de Janeiro. 1992. Macula. 22. La Nuova Italia. HENGEL. La Gréce et l'Orient (323-146 av.DIEZ MACHO..-M. Cf. pp. LÉVÊQUE.. 1983. H.. p. Apocrifos del Antiguo Testamento II.. PRÉAUX./WIKGREN. PRÉAUX.. C. ABEL. 1981. A. Presses Universitaires de France. Histoire d'Israel III. Paris.. C. J. SCM Press. 62-63. F. M. A. O mundo helenístico. Le monde hellénistique II.. . c. Josephus I-X. Harvard University Press. J. H. E. pp. STERN. La civiltà ellenistica. pp. 19882. Histoire politique du monde hellénistique (323-30 av. [39]. SAULNIER. 22-23. [41]. Histoire de la Palestine I.. Cf. pp. 51-60. o. 1978. London. 19792. KIPPENBERG.. pp. A.. pelo menos nos seus termos mais gerais. The Israel Academy of Sciences and Humanities. 568 acredita na autenticidade deste documento. Judaism and Hellenism I./FELDMAN.. C. Firenze. Les papyrus de Zenon. H. 19872... o. Judaism and Hellenism. [40]. 1983. JOSEFO. St. Religião e formação de classes na antiga Judéia. 1987.-C) I. L. WILL.-M./MARCUS. p. M.. 24-29. [38]. C. Edições 70. Casa Publicadora das Assembléias de Deus. ABEL. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. 1926-1965. Lisboa.. J. Le Monde hellénistique.. Studies in their Encounter in Palestine during the Early Hellenist Period I. KIPPENBERG.-C.. História dos Hebreus. G.) I-II. H. CARTA DE ARISTEAS A FILÓCRATES. Cf.. TARN.. F.

testemunhas etc. Cf. c. KIPPENBERG. 181.. Cf. 74-75.. SAULNIER. G. uma transferência de poderes do sumo sacerdote pró-selêucida para o Tobíada pró-lágida. "ao qual estava ligado o principal cargo administrativo e financeiro da Judéia.. 178... C. H. p. o. C. O judaísmo tardio. C. corregência. p. 571-572. [52].. 42.. F. pp. o. sacerdotes epônimos dos cultos dinásticos. p. Ebrei. O contrato é redigido em abril/maio de 259 a... HENGEL. o. Cf... p. o.. 451-454. diz PAUL. p. JOSEFO. 179. 47. M.. Esta carta está datada em 9 de maio de 257 a. [43]. 43-44. Cf. efetuou-se. [51].. JOSEFO. Les papyrus de Zenon. F. Les papyrus de Zenon. A. sobre José e os Tobíadas. [46]. KIPPENBERG. c. c.. Cf. 48. Histoire d'Israel III. ABEL. [45]. 158-236.. Antiquitates Iudaicae. C. 76. [50]. Aspetti dell'ellenizzazione del giudaismo in epoca precristiana.. de fato. pp. C. o. pp. 450-451. [48]. fiador. c.C. PRÉAUX. Le monde hellénistique II. p. [54]. C. ORRIEUX.. 6571. H. Com o título de prostátes. ORRIEUX. ORRIEUX. A. SAULNIER. o. pp. Histoire d'Israel III.. [44]. 8. G.[42]. 42-43. José se tornou o mais alto funcionário civil de Jerusalém". ORRIEUX. Brescia. O documento segue as regras mais estritas para este tipo de escrito: ano de reinado.-M. Religião e formação de classes na antiga Judéia. Cf. PAUL. c.. XII. pp. Cf. p. Os Selêucidas: a Helenização da Palestina .C. [47]. C. [49]. C. [53].. Antiquitates Iudaicae XII. ORRIEUX. F.. Com isso. 1981. pp.. Paideia. Greci e Barbari. c.

havemos por bem reconhecer todos esses bons ofícios.C. em 197 a. Para solidificar o fragmentado Império. com quem entram em conflito. o Grande Quando Antíoco III. Que sejam terminados os trabalhos do templo. As madeiras serão tiradas na Judéia mesma e entre os outros povos e no . 1. Diz o decreto: "O rei Antíoco a Ptolomeu[1]. reconstruir sua cidade arruinada pelos infortúnios da guerra e repovoá-la. o Grande. os pórticos e tudo o que tiver necessidade de ser reconstruído.C. Quero que todas estas contribuições lhes sejam entregues segundo minhas instruções.) vence os egípcios em Panion (Baniyas). e suas relações com os judeus e com Roma do governo de Antíoco IV Epífanes e seu conflito com os judeus das causas da helenização da Judéia. As questões que abordarei neste capítulo tratam: do governo de Antíoco III . vence os exércitos dos Ptolomeus. Em primeiro lugar.C. no valor de 20. junto às nascentes do Jordão. os reis Selêucidas. de nosso lado. uma contribuição em animais de sacrifício. os judeus de Jerusalém o apóiam nesta luta. fornecer-lhes. A anexação da Celessíria se dá a seguir. medidas segundo o costume do país. e expulsa definitivamente os Ptolomeus da Ásia. o Grande (223-187 a. Pressionados por Roma. O partido selêucida em Jerusalém está mais forte do que o ptolomaico. como à nossa chegada em sua cidade. e especialmente Antíoco IV Epífanes (175-164 a. como eles proveram abundantemente à subsistência de nossos soldados e de nossos elefantes e visto que nos ajudaram a expulsar a guarnição egípcia instalada na cidadela. segundo Flávio Josefo. Como os judeus. Jerusalém é contemplada com um decreto de Antíoco III.). implantam um acelerado processo de helenização dos vários povos e cidades da região. o Grande. em razão de sua piedade. Por isso.C. óleo e incenso. artabes[2] sagradas de farinha de frumento.000 dracmas de prata. nós. o Selêucida Antíoco III.Em 198 a. desde que entramos em seu país. em vinho. decidimos.O Governo de Antíoco III.1. fazendo voltar a ela os que foram dispersos.460 médimos de trigo e 375 médimos[3] de sal. para os sacrifícios. os Selêucidas assistem aos progressivo declínio de seu Império. eles nos receberam magnificamente e vieram ao nosso encontro com o seu senado. saudações. 8. nos testemunharam sua benevolência.

incenso.que sofrera três assédios consecutivos. do terço do tributo. para o futuro. Com o tempo. trigo e sal a madeira retirada da Judéia e do Líbano para os trabalhos de construção do Templo e dos pórticos está isenta de taxas todos os membros do povo judeu devem viver segundo as leis de seus pais o senado (gerousia). uma isenção de impostos durante três anos. Ficam isentos também do imposto coronário: a coroa de folhas é. Examinemos um pouco o decreto. O senado. em animais. 199 e 198 a. A madeira para a restauração do Templo está isenta do imposto alfandegário.Líbano. O senado e os funcionários do Templo ficam isentos da capitação. os escribas do Templo e os cantores do Templo. a fim de indenizá-los de suas perdas. O mesmo será feito com todos os outros materiais necessários para se enriquecer a restauração do templo. sem serem submetidas a nenhuma taxa. concedo àqueles que a habitam atualmente e àqueles que nela se estabelecerem até o mês de hyperberetaios[4]. os sacerdotes. para que a cidade seja repovoada mais depressa. flor de farinha. os sacerdotes. para os gregos. óleo. Nós os isentamos ainda. as cidades começam a oferecer aos seus reis coroas de ouro ou uma soma equivalente . Todos os membros da nação (éthnos) devem viver segundo as leis de seus pais. do imposto coronário e da taxa sobre o sal isenção de impostos durante três anos para os atuais habitantes da cidade e para aqueles que vierem nela morar até determinada data. . nós lhes restituímos a liberdade e ordenamos que lhes sejam restituídos os seus bens"[5]. em 201. Quanto aos que foram tirados da cidade e reduzidos à escravidão.o governo selêucida toma as seguintes medidas: o o o o o que seja dada uma contribuição real para os sacrifícios. Para que a cidade seja repovoada mais depressa. do imposto coronário e da taxa sobre o sal.C. Além da reconstrução e do repovoamento da cidade . concedida aos vencedores dos jogos ou a um rei vitorioso[7]. os escribas do templo e os cantores do templo serão isentos da capitação. o símbolo da vitória. vinho. imposto pessoal recolhido dos adultos. ficam isentos da capitação. que incide sobre todas as mercadorias em circulação. É interessante observarmos as medidas de Antíoco III sobre os impostos[6].

G. cantores. podendo somente o rei conceder a isenção. o Grande.12-26). O que Antíoco III faz é seguir a velha política persa em relação aos judeus. este último sendo o caso de Jerusalém. Na carta de nomeação de Artaxerxes a Esdras (do ano 398 a. Apesar de parecerem benevolentes. nos enganar. Deve-se observar que. Os habitantes da cidade.C. Pois as leis dos antepassados (a Torá) devem ser obedecidas não porque assim o decidem os judeus. de um templo. associada há muito ao poder através da gerousia e que.C. É preciso observar também que a reconstrução e o repovoamento da cidade são medidas necessárias para o fortalecimento do governo e dos interesses de Antíoco III naquela região disputada pelos Ptolomeus. Esta taxa é conhecida na Palestina e na Babilônia. são isentos durante 3 anos do phóros. porteiros e servos do templo (vv. levitas. o tributo. H. de um éthnos ou de uma cidade. Roma disputa com Cartago a posse da Sicília e o controle do Mediterrâneo ocidental. finalmente. com este decreto. Kippenberg observa que "este decreto tem paralelo no documento de administração persa (Esd 7. ou talvez .C. 21-24)"[9]. Cartago é uma colônia fundada pelos . a expansão selêucida sob Antíoco III. naquela época. sob outro aspecto. estas medidas não devem . Antíoco III reforça o papel da aristocracia. Provavelmente paga-se determinado valor ao governo.em dinheiro. pois não superam as decisões comuns tomadas em relação a outras cidades. exigido de uma província. em prata ou em produtos. bem como a isenção de tributos para sacerdotes. está incluída a ordem ao encarregado das finanças da província Transeufratiana. que tem boas salinas. O que antes era espontâneo acaba institucionalizado e tornado obrigatório. se aceite o produto "in natura". mas porque o quer o governo selêucida[8]. que regulamenta o apoio material ao culto. na Palestina.). Por que Roma e os Selêucidas se enfrentam no século II a. Ainda: o senado e o Templo ficam isentos da taxa sobre o sal. será impedida por Roma na medida em que seus interesses entram em choque com a forte república na Europa.? Durante o século III a. entretanto. liga o destino do éthnos (= nação) judeu às decisões reais. Entretanto.

Durante a segunda guerra púnica[11] Aníbal alia-se a Filipe V da Macedônia para abrir outro front para Roma.C. e todos os presentes. O cônsul Flamínio proclama a "liberdade dos gregos" em 196 a. outros. Após muitas negociações frustradas. A terceira guerra.C. A segunda guerra acontece de 218 a 202 a. Roma ataca a Macedônia e vence Filipe V em Cinoscéfalos. Aliás. oposta à Macedônia em um confronto pelo Épiro. como sempre. este tema da "liberdade dos gregos" é pura manobra política. maneira de barrar a interferência de Filipe V na Grécia. realizados naquele ano. após ser derrotado por Roma. os eubeus. sem guarnições em suas cidades e sem a imposição de quaisquer tributos e governados pelas próprias leis de suas respectivas pátrias: os coríntios. de 264 a 241 a. na qual Roma destrói Cartago e anexa seus territórios.. em Corinto. deixam livres os seguintes povos. ansiosos por apertar-lhe a mão. agiam a bem dizer como homens fora de si. após a vitória sobre o rei Filipos e os macedônios. Três grandes guerras são feitas entre as duas potências[10]. os magnésios. falando com os seus vizinhos ou consigo mesmos. Desde o início haviam começado os aplausos ensurdecedores (. quase o reduziram a pedaços"[13].C. Durante os jogos Ístmicos. Então Roma faz uma acordo com a liga etólia12 . De fato.. os lócrios.. com a vitória de Roma sobre o famoso general Aníbal. se dá entre 149 e 146 a.fenícios no norte da África (na região da atual Tunísia) talvez no século IX a. ao mesmo tempo em que Roma se torna líder de uma poderosa confederação italiana.) Cessadas as aclamações ninguém mais demonstrou o menor interesse pelos atletas. de tal maneira que terminados os jogos a multidão quase matou Flamínio com suas demonstrações de gratidão. Aníbal. refugia-se na corte selêucida e instiga Antíoco III a lutar contra Roma. os tessálios e os perrébios'. segundo Políbio: "'O Senado de Roma e o procônsul Tito Quíntio. no começo . Roma enfrenta e vence Antíoco III na batalha de Magnésia.C. bandeira desfraldada cada vez que reis e Estados rivais se enfrentam pela posse da região. os foceus. Fatalmente os interesses das duas potências se chocam e o enfrentamento militar torna-se inevitável. os aqueus ftióticos. A primeira guerra dura 23 anos.C. Após vencer Cartago. desejosos de vê-lo frente a frente e de chamá-lo de seu salvador. e a maior parte lançando coroas e fitas frontais em sua direção. Os cartagineses constroem importante império comercial.C. o arauto anuncia. alguns dos presentes. em 197 a.

ajudado por seu irmão Cipião. nós lhe oferecemos paz e amizade sob condição de ratificação do Senado"[15]. Daqui para a frente. sem consultar. nem mesmo em assuntos gregos.C. as províncias aquém do Taurus . Os romanos perdem apenas 400 homens. porém. O talento eubóico.de 189 a. do nome da ilha de Eubéia. a paz entre Roma e os Selêucidas é estabelecida em Apaméia da Frígia. quando são impostas humilhantes condições a Antíoco III[14]. Ele entregará todos os seus elefantes e todos os navios que indicaremos. mas no momento em que qualquer um deles mostrava tendências de realizar uma política independente. Antíoco. Ele fornecerá vinte reféns. perde 50 mil homens de infantaria. da qual ele é o responsável. o Africano. Antíoco deve pagar a Roma o equivalente a 390. Todos os reinos helênicos eram independentes. embora de forma peculiar: Roma resolvia todas as disputas internas da Grécia.as fronteiras serão traçadas em seguida. Se Antíoco respeitar lealmente estas condições.500 após a ratificação do tratado e 12. conservado por Apiano. pai de Eumênio. O tratado de Apaméia. Roma garantia 'liberdade'. M. pesa cerca de 26 kg. cada anuidade devendo ser paga a Roma. 15 elefantes e Cipião faz 1400 prisioneiros. Logo. .C. assistindo à fragmentação progressiva dos seus domínios e lutando com grandes dificuldades financeiras. A todos. que tem 72 mil soldados. Em 188 a. No futuro ele não terá mais elefantes e terá somente o número de navios que nós fixaremos. diz o seguinte: "Antíoco deverá abandonar tudo o que ele possui na Europa e. prontamente o esmagava"[16]. mas nenhum poderoso. O equilíbrio de poder de que Roma se tornara guardiã continuou a existir. na Ásia. Ele nos entregará todos os prisioneiros e os desertores e restituirá a Eumênio tudo o que ele ainda retém das possessões adquiridas em virtude do acordo feito com Átalo. 3 mil cavaleiros. Antíoco III e seus sucessores debater-se-ão em crescentes lutas internas pelo poder. Ele pagará pelas despesas desta guerra. Só a Roma Antíoco deve pagar 15. Assim começa o declínio do império selêucida. e especialmente às cidades gregas.000 em doze anos. segundo a lista elaborada pelo cônsul. 2. O exército romano é comandado por Lucius Cornelius Cipião depois cognominado "o Asiático" -. a opinião grega.000 talentos eubóicos. Rostovtzeff comenta: "A situação geral do mundo helênico não foi afetada por esta guerra. 500 talentos eubóicos imediatamente.000 kg de prata.

250 kg). Heliodoro é informado por ele de que os depósitos. apoiado por judeus dissidentes do sumo sacerdote Onias III. Entrevistandose então com o rei. ele e os seus. Segundo 2 Macabeus. o total dos depósitos é de 400 talentos de prata (10. ao contrário do que lhe fora dito. Selêuco IV Filopator (187-175 a.). na verdade.C.C.C. pelos habitantes que acorreram em defesa do santuário. por exemplo. narrado em 2Mc 3. superintendente dos seus negócios. dito o Grande.O que ocorrerá é que."[17]. Seu sucessor.4-7). ao manifestar suas intenções a Onias III. Não conseguindo prevalecer sobre Onias foi ter com Apolônio de Tarso. quando saqueia um templo elamita. não levou em conta a coragem vigilante das populações desta região rude. F.-M. Este foi o fim pouco glorioso de Antíoco. certo Simão. Esta lenda nos oculta totalmente o que de fato acontece em Jerusalém neste episódio. que naquela ocasião era o estratego da Celessíria e da Fenícia. além do dinheiro do Tobíada Hircano. Ele foi morto. a ponto de ser incalculável a quantidade de dinheiro. Apolônio informou-o acerca das riquezas que lhe haviam sido denunciadas. escolhendo a Heliodoro. e tendo-o assaltado de noite com suas tropas. sendo portanto possível fazer tudo isso cair sob o domínio do rei. E que esse dinheiro não tinha proporção alguma com as despesas dos sacrifícios.24-34). E o rei. entrou em desacordo com o sumo sacerdote a respeito da administração dos mercados da cidade. tenta apoderar-se do dinheiro depositado no Templo de Jerusalém. O certo é que Heliodoro não consegue apossar-se do dinheiro do Templo. famoso por possuir muito ouro e prata dedicado ao deus. investido no cargo de superintendente do Templo. os sucessores de Antíoco III não terão condições de manter a prometida isenção tributária. o próprio Iahweh o impede através de anjos (2Mc 4. "Ora.500 kg) e de 200 talentos de ouro (5. pela população revoltada. Abel explica que ele foi "ao templo de Bel. pertencem aos órfãos e às viúvas. É o conhecido incidente de Heliodoro. da estirpe de Belga. O próprio Antíoco III é morto em 187 a. enviou-o com ordens de proceder à requisição das referidas riquezas" (2Mc 3. após trinta e seis anos de reinado com a idade de cerca de cinqüenta e cinco anos.4-40. O texto continua dizendo que. E que. premidos que estarão por Roma. E referiu-lhe que a câmara do tesouro em Jerusalém estava repleta de riquezas indizíveis.. para conseguir dinheiro com que pagar aos romanos. . em 187 a. em relação a cidades como Jerusalém.

. filho de Menesteu. de produtos proibidos pela Lei. E isto. A tal ponto que Onias III é obrigado a ir a Antioquia dar explicações ao rei. não para se tornar acusador de seus concidadãos. mas as intrigas de Simão continuam. Este Ptolomeu. Não sabemos exatamente em que consiste a agoranomia em Jerusalém e nem qual é a razão do conflito entre Simão e Onias. ou porque ele comete abusos na venda de animais destinados aos sacrifícios. Onias III acaba retido em Antioquia. que é supervisor dos mercados e superintendente (prostátes) do Templo[19]. mas tendo em vista o interesse comum e o individual de toda a população. Simão pode ter acusado Onias de entesourar os excedentes das subvenções reais destinadas aos sacrifícios. a quem se dirige o rei Antíoco. nem Simão haveria de pôr termo à sua demência". Nas cidades gregas. Por outro lado. a agoranomia é uma fiscalização encarregada de verificar os pesos e medidas e a regularidade das transações comerciais. não era mais possível alcançar a paz na vida pública. Artabe é uma medida egípcia de capacidade. garantidas pelo decreto de Antíoco III. Heliodoro vai embora. Muitas soluções são propostas[18]: ou Onias discorda da acumulação de cargos feita por Simão. de cerca de 40 litros. De qualquer modo. segundo 2Mc 4. nos mercados. enquanto em Jerusalém os acontecimentos se precipitam. Onias foi ter com o rei. de cerca de 50 litros. estratego da Celessíria e da Fenícia. ainda fomentava a maldade de Simão.4-6: "Considerando. Pois ele estava percebendo que. [2]. É possível que neste conflito entre Simão e Onias III estejamos assistindo ao primeiro embate entre judeus helenistas e judeus ortodoxos. como administrador do santuário. [3]. sem uma intervenção do rei.O desacordo entre o sacerdote Simão e o sumo sacerdote Onias III é a propósito da agoranomia. NEXT [1]. ou porque Simão permite a venda. Médimo é uma medida antiga de capacidade. então. o perigo dessa rivalidade e como Apolônio. é o estratego e sumo sacerdote selêucida da Celessíria. a supervisão dos mercados.

H. [12].VV. [6]. 456-458. a formação de confederações de cidades gregas é vista como uma solução. pp. M. Rio de Janeiro. os Jogos Ístmicos. Aníbal. os Jogos Píticos.. PEIXOTO.. [10]. M. BICKERMAN. 32-34. Histoire d'Israel III. O Oriente e a Grécia Antiga II. pp. SAULNIER. dizem AYMARD. sobre os impostos selêucidas. F.. 77-81. em latim. em Olímpia.. o. Le monde hellénistique I. Cf. pp. de poeni (= fenícios). um desafio aos romanos. 56-78. Nancy. J. donde puni e "guerras púnicas". The God of Maccabees. 19775. E. p. 1993. "Instalados na margem setentrional do golfo de Corinto. Leiden. em Corinto. 19774. [13]. KIPPENBERG. E.. Studies on the Meaning and Origin of the Maccabean Revolt. 153-163. SAULNIER. 210-215.. Presses Universitaires de Nancy. Ars Poetica.. pp.. inclusive grande parte da Tessália". PRÉAUX. 1991. G. Há quatro grandes jogos pan-helênicos: os Jogos Olímpicos.. As guerras entre Roma e Cartago são chamadas de "púnicas" porque os romanos chamam os cartagineses. Zahar. [11]. 1985. Cf. no vale de Neméia. [9]. Difel. Cf. Histoire d'Israel III. São Paulo. 199. E.. pp. C. KIPPENBERG. 78. São Paulo. [7]. Com a decadência da pólis.. [14]. G. os etólios acabam anexando quase toda a Grécia central. pp.221-224. Paulus. e obscuros durante muito tempo. 98-99. [8]. Israel e Judá.. pp. Aníbal. . pp.. 19822. 1979. Textos do Antigo Oriente Médio. Uso para este texto a tradução que se encontra em AA. C. WILL. pp. Brill. Le monde hellénistique I.. PRÉAUX. H.[4]. o pai da estratégia.. JOSEFO./AUBOYER. 481-482. C. Antiquitates Iudaicae XII. 102-104. História XVIII. POLÍBIO. Rio de Janeiro. [5]. Cf. A. Brasília. 46. Editora da UnB. 384-388. Histoire politique du monde hellénistique II. BRADFORD. 19972. P. História de Roma. 138-144. C. p. São Paulo. Cf. c. PAUMAPE.. ROSTOVTZEFF. Religião e formação de classes na antiga Judéia. em Delfos e os Jogos Nemeus. Hyperberetaios é um mês macedônio que corresponde a agosto/setembro. pp.

.C. [18]. 372-373. pp. 105-108.-M. 107-110. 8. Paulus. A fundação de cidades é um instrumento fundamental para a helenização do Oriente com o conseqüente fortalecimento do poder macedônio. Concede o status de pólis a várias cidades..-M. 1987. E. Histoire politique du monde hellénistique II. Apiano é natural de Alexandria e morre aproximadamente em 160 d. p. [17]. Cf. .. Corinto. 71. Segundo Plutarco.. C. 19-21. ABEL. Siracusa. pp. pp. Cf. Assume o poder o seu irmão Antíoco IV Epífanes (175-164 a. Alexandre tinha mostrado bem ser o herdeiro da tradição. tais como Mileto.2. Antíoco IV e a Proibição do Judaísmo Em 175 a. M. pp. Selêuco IV é assassinado. Cf. pp. 104. F. 238-240. dos quais temos hoje dez. [19]. onde era refém desde 188 a.. Atenas. APIANO.). ABEL. c. A instabilidade do reino selêucida aumenta e Antíoco IV toma medidas helenizantes como forma de consolidar o seu poder. promove a adoração de Zeus e reivindica para si prerrogativas divinas[20].C. ROSTOVTZEFF. também WILL. quando seu pai Antíoco III perdera a batalha de Magnésia e assinara o tratado de Apaméia. o. São Paulo.C. Idem. Trabalha como advogado em Roma e compila narrativas em grego de várias guerras romanas em 24 livros.C. p. ao semear o Império que acaba de conquistar com numerosas Alexandrias"[21]. Histoire de la Palestine I. Histoire d'Israel III. C.[15]. Histoire de la Palestine I. Só que menos da metade pode ser testemunhada com certeza pelos dados históricos e arqueológicos. que se tinha desenvolvido a civilização grega. Syriaka 38-39. o texto em SAULNIER.. A revolta dos Macabeus. "A civilização arcaica e clássica tinha coincidido com o desenvolvimento da pólis e era nos grandes centros urbanos. História de Roma.. que voltava de Roma. O prostátes é o encarregado de administrar as finanças do santuário. SAULNIER. [16].. F. Alexandre teria fundado 70 Alexandrias.

definitivamente. de 175 a 169 a. de uma cidade arrasada pela guerra ou por um terremoto. fazendo deles camponeses que sustentarão as cidades[22]. face ao esfacelamento do império selêucida. mas oriental. Esta não é uma criação grega. Ele é o praesens divus. assírios ou babilônios são deuses ou filhos prediletos dos deuses. Antíoco IV que. fragmentando as antigas satrapias entre as cidades"[23]. "Ele pensa. lembrar que a fundação das póleis gregas nem sempre começam do nada. habilmente incorporada pelos dominadores macedônios. dando-lhe um estatuto político e um nome grego. Há vários modos de se criar uma pólis: fundação de uma cidade grega dentro de uma antiga cidade oriental.. a partir desta época começa a ter sobre sua cabeça uma estrela. recriação. "Os objetivos desta urbanização [dos Selêucidas] são bastante diversos. objetivos estratégicos. Especialmente os Selêucidas. a inscrição das moedas selêucidas é "Rei Antíoco Theos Epífanes". mas também da ordem cósmica e da fertilidade da natureza. símbolo da divindade. que sua vitória o manifestou como deus. ou que é um deus que se manifestou na sua carne. com estrutura grega. E a partir de sua vitória sobre o Egito. entretanto. herdeiros de um império multinacional. para Alexandre. aparece nas moedas cunhadas em Antioquia apenas com a inscrição "Rei Antíoco". As cidades favorecem o desenvolvimento econômico.A fundação de cidades tem. agora. tornam-se lugares de comércio e atraem os nômades para as suas vizinhanças. enfatizada por Antíoco IV Epífanes. Os reis egípcios. usada desde Alexandre e.. econômicos e políticos: servem para guardar passagens de grandes vias de comunicação. fundação de uma cidade grega ao lado de uma cidade oriental[24]. a fortuna do rei. É bom. Situados acima dos homens.C. . Elas permitem a implantação de tropas. que guardam os grandes eixos de circulação e as posições estratégicas (. A reivindicação de prerrogativas divinas pelo rei é outra arma de controle das populações orientais.) Elas diminuem as resistências indígenas. Os sucessores de Alexandre seguem a mesma política. que acresce. fusão entre cidades pequenas que não têm como se defender. e. são a garantia da ordem política. na mesma proporção.. recorrem à política da difusão da pólis.

As dificuldades econômicas enfrentadas por Antíoco IV Epífanes. Forma-se um forte partido pró-helênico. pois muitos males caíram sobre nós desde que delas nos separamos'.-M. o qual lhes deu autorização para observarem os preceitos (dikaiômata) dos gentios". 'manifesto'. a quem deve pagar mil talentos por ano. especialmente entre a aristocracia sacerdotal e leiga. Estes helenizantes defendem urgente revogação do decreto de Antíoco III. que a Judéia está cada vez mais cercada por cidades helenizadas e é impossível ao judeu não tomar contato com o seu modo de vida. E alguns de entre o povo apressaram-se em ir ter com o rei. está em luta com os judeus tradicionais e fiéis à Lei. oferece ao rei alta soma em dinheiro e um rápido programa de helenização dos judeus em troca do cargo de sumo sacerdote. por isso. Do lado do mar? Marisa está na rota de Gaza ou Ascalon. Abel observa. Enquanto isto. façamos aliança com as nações circunvizinhas. geradas pela pressão romana. Agradou-lhes tal modo de falar. o epíteto epifanés. Um irmão de Onias III. Quem vai a Ptolemaida passa por Samaria ou Dora. ou na Transjordânia é necessário ir a Pella. está em Antioquia cuidando dos interesses de seu povo e Antíoco IV assume o poder. A ocasião favorável aos partidários da helenização surge quando Onias III. é relacionado com Theós. em Jerusalém. Jâmnia. que pretende incrementar o avanço civilizatório grego e.11-13 comenta o caso do seguinte modo: "Por esses dias apareceu em Israel uma geração de perversos (paránomoi) que seduziram a muitos com estas palavras: 'Vamos.segundo sua intenção. Gazara e Jope também não podem ser evitadas[26]. se alguém negocia na Galiléia não pode fugir de Citópolis ou Filotéria. ou seja. a Gadara ou a Filadélfia. Jasão (Joshua). leva-o a sobrecarregar seus súditos e o instiga ao saque de templos para a obtenção de fundos. 1Mc 1. o conservador sumo sacerdote. que os impede de se integrarem totalmente no modo de vida grego. F. o processo de helenização avançara bastante desde o século anterior. por exemplo. com sua apoteose"[25]. .

Obtido. irmão de Onias. é instalado um ginásio em Jerusalém. Um ginásio grego não é mera praça de esportes. Além disso. Durante uma audiência. abandonar as normas da Lei e seguir leis gentias[27]. portanto. conhecer e discutir a cultura grega. . o ginásio implica a presença de divindades protetoras. Além dos esportes gregos.7-10 descreve do seguinte modo os fatos: "Entrementes. Falar o grego corretamente. tem urgência em helenizar a região para garantir sua fronteira sul e. bem como de fazer o levantamento dos antioquenos de Jerusalém. direito) significando obrigações legais. começou a manobrar para obter o cargo de sumo sacerdote. Jasão. tendo passado Selêuco à outra vida e assumindo o reino Antíoco.o que causa embaraço aos jovens judeus circuncidados -. empenhava-se em subscrever-lhe outros cento e cinqüenta talentos[28]. pois precisa de dinheiro. o consentimento do rei.14. ele. 2Mc 4. ele prometeu ao rei trezentos e sessenta talentos de prata e ainda. de construir uma praça de esportes e uma efebia. suspeita de tendências pró-ptolomaicas em Onias III. pessoas que fazem propostas de apostasia da Lei. cognominado Epífanes. Consta que o rei Antíoco IV vai a Jerusalém nesta época. em 174 a. vestir-se à moda grega. aos pés da acrópole. pela autoridade real.O termo paránomoi indica. ao que parece. Dikaíôma é usado pelos LXX para traduzir o hebraico derek ou mishpat (caminho. Observar os preceitos dos gentios significa. começou a fazer passar os seus irmãos de raça para o estilo de vida dos gregos". Assim. sendo recebido pelos filo-helenistas com grande entusiasmo. assim. contíguo à esplanada do Templo. como Héracles (= Hércules) e Hermes e ensina a maneira grega de se viver e de se ver o mundo. se lhe fosse dada a permissão. Antíoco IV Epífanes aceita a oferta de Jasão. É uma instituição cultural das mais importantes. Também o dikaiômata tôn éthnôn (preceitos dos gentios) é significativo. praticados nus . a serem deduzidos de uma renda não discriminada. tão logo assumiu o poder. mais oitenta talentos. usada no processo de helenização de várias cidades orientais. são algumas das atividades praticadas no ginásio. Daí que "fazer aliança com as nações" indica renegar a Lei e seguir costumes gentios. segundo Dt 13.C.

A situação. conseguiu para si o sumo sacerdócio. superando em trezentos talentos de prata a oferta de Jasão". tendo se apresentado ao rei e adulando-o pela ostentação de sua autoridade. faz uma oferta maior a Antíoco IV e obtém o sumo sacerdócio. o resultado é o mesmo: uma parte dos judeus pretende doravante viver à maneira helênica.quer Antíoco IV tenha fundado uma pólis em Jerusalém.oferece a Antíoco 300 talentos de prata (cerca de 7. chamado Menelau. . Certamente porque estão sob a proteção real. o decreto de Antíoco III não se aplica mais à totalidade da população"[31]. se complica. de modo que a Torá não é mais a única lei. irmão de Simão . isto é. Jasão enviou Menelau. apoiado pela poderosa família dos Tobíadas. "De qualquer modo . que os próprios sacerdotes já não se mostravam interessados nas liturgias do altar". com direitos cívicos e legais definidos. irmão do já mencionado Simão. ou mesmo porque são considerados como "cidadãos de Antioquia". 2Mc 4. como se vê em 2Mc 4. conduziu-os ao uso do pétaso[32]. entrementes.aquele Simão que entrara em conflito com Onias III por causa da agoranomia . estabelecida dentro da cidade de Jerusalém"[29].Além do que.12-14a fala do ginásio de Jerusalém com grande desgosto: "Foi. Estes judeus são chamados de "antioquenos" nos documentos da época. pois. tal ardor de helenismo e tão ampla difusão de costumes estrangeiros. a levar as quantias ao rei e a completar-lhe relatórios sobre certos assuntos urgentes. porém. Diz 2Mc 4. "o ginásio parece ter sido realmente uma corporação separada de judeus helenizados. quando um sacerdote não-sadoquita.9. segundo alguns. por causa da exorbitante perversidade de Jasão.23-24: "Depois de um período de três anos. desse modo. Saulnier acredita que de duas uma: ou Antíoco IV autoriza a formação de uma pólis dentro de Jerusalém ou a organização de um políteuma em Jerusalém[30]. Menelau. com satisfação que [Jasão] construiu a praça de esportes justamente abaixo da Acrópole e. quer ele tenha reunido um certo número de judeus em um políteuma de estrutura grega -. Menelau.19. obrigando os mais nobres de entre os moços. Verificou-se. esse ímpio e de modo algum sumo sacerdote. C.800 kg) suplementares na época de pagar o tributo.

a prata.Isto se dá em fins de 172 a. que tinha uma tabuinha onde estava transcrito o senatus-consulto.C.C.. em sua segunda campanha contra o Egito. da decoração de ouro sobre a fachada do Templo: tudo ele despojou. pensou um instante. Já em 168 a. Políbio comenta o episódio do encontro de Antíoco IV e Popilius Laenas. das vasilhas para as libações. além disso.21-23 narra este saque do Templo. e de assim anexar o país. Traçou com esta vara um círculo ao redor de Antíoco e convidou-o a lhe dar. Onias III é assassinado a mando de Menelau. para o feudo de Hircano. campanha vitoriosa. Antíoco IV saqueia o Templo de Jerusalém. e em seguida declarou que faria tudo o que os romanos pediam.. O rei. do qual se desconhece a causa. Em 169 a. a resposta ao documento. Ao ouvir isto. Como protestasse contra a venda de vasos sagrados do Templo (vendidos por Menelau para conseguir o dinheiro prometido a Antíoco IV). das coroas. A população de Jerusalém. já morto nesta época. de longe o saudou e estendeu-lhe a mão. da mesa da proposição. Talvez seja a sempre crescente necessidade de dinheiro. na volta de sua primeira campanha egípcia. início de 171 a. aturdido com esta insolência. Popilius fez um gesto aparentemente intolerável e de uma arrogância inusitada. apoderou-se do altar de ouro. do véu. Tomou. o Tobíada dissidente e pró-Lágida. o ouro. quando oficialmente denunciam as arbitrariedades cometidas pelo sumo sacerdote.. o rei [Antíoco IV].. Então Popilius e seus acompanhantes apertaram sua mão e o cumprimentaram com amizade. interessante para se avaliar o poder de Roma neste momento histórico: "Quando ele viu o general romano Popilius. os utensílios preciosos e os tesouros secretos que conseguiu descobrir". Roma defende. o fraco Egito e vigia de perto os Selêucidas. 1Mc 1.C. Antíoco IV é impedido de entrar em Alexandria. vê três membros da gerousia serem executados por Antíoco IV. com a aprovação de Menelau[33]. antes de sair. revoltada com as ações de Menelau. Jasão foge para a Transjordânia. das taças. do candelabro com todos os seus acessórios.C. pelo legado romano Popilius Laenas.) O rei a leu e declarou desejar deliberar com seus amigos acerca desta novidade. O . Ele tinha na mão uma vara de videira.. Mas o outro. Vejamos a narração de 1 Macabeus: "Entrando com arrogância no Santuário. dos incensórios de ouro. lha estendeu e pediu que a lesse imediatamente (. deste modo.

o rei Selêucida.23b-24 assim fala da intervenção de Apolônio: "Nutrindo para com os súditos judeus uma disposição de ânimo profundamente hostil. filho de Tobias. Muralhas demolidas e construção de poderosa fortaleza em Jerusalém. Ataque. de outro lado. pensando estar havendo uma revolta. parecendo amplamente encorajados por dois sumos sacerdotes sucessivos e rivais. Jasão promove sangrento massacre na cidade. mas este não consegue controlá-la (2Mc 5. em grego. a existência de um partido pró-Selêucidas.514). os judeus estão divididos a propósito do helenismo em aproximadamente duas facções que podemos designar como a dos filohelenos e a dos assideus: os primeiros. apoiado pelos Tobíadas. com a ordem de trucidar todos os que estavam na força da idade e de vender as mulheres e os mais jovens". . com forte contingente. pune Jerusalém. conhecida. outrora sustentado por Hircano. assassinatos em massa. C. no coração de Jerusalém. e Onias III. espinho atravessado na garganta dos judeus fiéis. mas foge com a chegada de Antíoco IV. Primeiramente. Antíoco IV envia a Jerusalém Apolônio. encostada no Templo.C. Na Palestina corre o falso boato de que Antíoco morrera no Egito e Jasão ataca Jerusalém. 2Mc 5. Antíoco IV deixa na cidade o frígio Filipe com uma guarnição. que restabelece Menelau no poder. no final do verão de 168 a. executando muitos judeus e vendendo a outros como escravos. Durante cerca de 25 anos a Acra será o braço armado selêucida em Jerusalém. as dificuldades do reinado de Antíoco IV sugerem a existência de um partido pró-Lágidas. depois por Jasão e talvez por uma fração da população que já se esquecera das durezas da administração egípcia. por Menelau e sem dúvida por aqueles que são designados como antioquenos de Jerusalém"[35].senatus-consulto ordenava-lhe parar imediatamente a guerra contra Ptolomeu"[34]. Menelau refugia-se na acrópole. escravidão. No começo de 167 a.. e. o rei enviou o misarca Apolônio à frente de um exército de vinte e dois mil homens. Consta que. Jasão e Menelau. o misarca (comandante das tropas mísias). Saulnier assim resume estes acontecimentos: "Podemos dizer que há em Jerusalém dois motivos de dissensões que não coincidem entre si. Além disso. como Acra (= cidadela). sede de uma guarnição e verdadeira pólis.C.

duas medidas são tomadas (1Mc 1. É nesta época que começa verdadeira caçada aos Oníadas e a seus partidários. no verão de 167 a. Como norma geral. Povoaram-na de gente ímpia. Acredita-se que tenha sido para vencer a. e nela se fortificaram. por enquanto pacífica. Os habitantes do distrito judaico transformam-se em cidadãos sem direitos. é preciso considerar que esta intervenção direta e brutal contra os costumes e os deuses de outros povos não é uma praxe grega. Qualquer violação destas normas tem a morte por punição uma reforma do culto em toda a Judéia: a abolição dos sacrifícios e da sacralidade do santuário e dos sacerdotes.1Mc 1. dotando-a de grande e sólida muralha e torres fortificadas. a ereção de altares em todo o país e o sacrifício de porcos e outros animais impuros a deuses estrangeiros. da circuncisão. homens perversos.41-53): o o a abolição da Torá. Por outro lado. suas propriedades são confiscadas e transferidas para os Tobíadas ou para as colônias militares reais. das festas. resistência judaica ao programa de helenização é que Antíoco IV decide proibir a prática do judaísmo. Todos os manuscritos da Lei devem ser destruídos. enfim. da distinção de alimentos puros e impuros. . Jerusalém é. os assideus (= piedosos) são obrigados a fugir para os desertos e montanhas. Desencadeia-se feroz perseguição a todos os inimigos de Menelau.33-35 descreve a construção da Acra: "Então reconstruíram a cidade de Davi. Como é de praxe em tais circunstâncias. uma cidade contaminada: os gentios controlam a sua população.C. Abasteceram-na de armas e víveres e nela depositaram os despojos tomados em Jerusalém. É quase certo que o partido helenista de Jerusalém tenha pedido a intervenção real e tenha apontado as medidas necessárias para aniquilar os judeus tradicionais[37]. com seus mandamentos e suas proibições: ficam proibidas as práticas do sábado. e dela fizeram a sua Cidadela. tornando-se eles assim uma armadilha enorme"[36]. Os fiéis seguidores da Lei.

.31. Histoire politique du monde hellénistique II. Histoire de la Palestine I. 326-341. 21-31. J. pp.-M. podemos admitir que Antíoco IV quisesse introduzir em Jerusalém uma divindade sincrética. Enfim.C. na Síria ele fora assimilado a Baal Shâmin. Cf. E. 105-121.. em dezembro de 167 a.. era designado nos textos judaicos como "o Deus dos céus". desde a época persa. Quanto aos livros da Lei. Explica C. A introdução deste culto no Templo é a "abominação da desolação". pp.64 assim descreve a "abominação da desolação": "No décimo quinto dia do mês de Casleu do ano de cento e quarenta e cinco [8 de dezembro de 167 a. M. 1978. o epíteto Olímpico recordava suas prerrogativas sobre as outras divindades e seu aspecto uraniano (isto é.7). São Paulo. Também nas outras cidades de Judá erigiram-se altares e às portas das casas e sobre as praças queimava-se incenso. senhor das tempestades e da fecundidade. F. pp. Nestas condições.) Foi sobremaneira grande a ira que se abateu sobre Israel".]. pp. BRIGHT.. os que lhes caíam nas mãos eram rasgados e lançados ao fogo. pp. segundo Dn 11.. de deus do céu). que permitisse a judeus. Histoire d'Israel III. com respectiva imagem e sacrifício. Judaism and Hellenism I..C. o decreto real o condenava à morte (. 570-576. WILL. Saulnier que "deus iminente dos gregos. História de Israel. HENGEL. . a Abominação da desolação.. A revolta dos Macabeus.. Paulus. pp. C. Idem. para o reinado de Antíoco IV e seu confronto com os judeus. sírios e gregos reconhecer nela a emanação de um deus soberano"[38]. Zeus representava os valores do poder e da autoridade. 1Mc1. é introduzido o culto de Zeus Olímpico no Templo de Jerusalém. ABEL. Tais aspectos podiam aparentemente aproximá-lo de Iahweh que. NEXT [20]. Onde quer se encontrasse em casa de alguém um livro da Aliança ou se alguém se conformasse à Lei. o rei fez construir. 109-132. Por detrás disso tudo podemos ver as tristes figuras de Menelau e dos Tobíadas[39]. sobre o altar dos holocaustos. SAULNIER. 277-290.Para completar.54-57. Os judeus são também obrigados a participar da festa de Dionísio e do sacrifício mensal em honra do aniversário do rei (2Mc 6.. uma verdadeira cruzada contra a Lei. deus soberano.

"O reinado [dos Ptolomeus] era dirigido por regentes que governavam em nome do jovem Ptolomeu VI. A revolta dos Macabeus. Le monde hellénistique II. [23]. ABEL. SAULNIER. Histoire politique du monde hellénistique II. o. [29]. [32]. Pétaso é o chapéu de copa baixa e abas largas usado nos exercícios pelos atletas gregos no ginásio. pp. [30]. C.. p. que se tornara rei com a morte de seu pai em 180. Jasão oferece a Antíoco 590 talentos. [27]. p.-M. História de Israel. Histoire politique du monde hellénistique II. E. Histoire de la Palestine I. pp. Um talento ático pesa 26. Histoire d'Israel III. BRIGHT. E. C. p. BICKERMAN.. Por motivos obscuros. explica SAULNIER. 128. pp. p. Cf. PRÉAUX. p. 61. c. p. Idem. C. depois de uma campanha fácil. 24. Cf.. [34]. 572. 403-408. ibidem. [25]. LÉVÊQUE. C. pp. 112. A revolta dos Macabeus.. Histoire d'Israel III. [26]. E. pp. P. POLÍBIO. 59. The God of the Maccabees.. p. 113. [24].. História XXIX. 110-111.. Este começou as operações em 169 e. C. F. Idem. também WILL.. C. SAULNIER. SAULNIER. Le monde hellénistique II. [22]. J.. . 23. ocupou Mênfis". LÉVÊQUE..[21].. [31]. [36].340 kg de prata. p. p. Cf. C. este texto em SAULNIER. [35]. O mundo helenístico.. o equivalente a cerca de 15. [28]. tais regentes parecem ter declarado guerra contra Antíoco IV em 170. pp. 27. PRÉAUX. P. cf. 401-403. Histoire d'Israel III. ibidem. a análise do episódio em WILL. p.. Cf. 311-320.. 376-377. 320-325. 46-53. [33].2 kg. Para o significado da Acra em Jerusalém. 109. Cf.. Cf. Cf. Cf.

[37]. [39]. que todos formassem um só povo. muito bem expressa em 1Mc 1.. SAULNIER. [38]. A revolta dos Macabeus. C. por exemplo. renunciando cada qual a seus costumes particulares. HENGEL. Sem consideração para com os deuses de seus . pp. Claro que. 27-28. Histoire d'Israel III. em seguida. Com sua linguagem guerreira carregada de simbolismos.3. Ele proferirá coisas inauditas contra o deus dos deuses e no entanto prosperará. exaltando-se e engrandecendo-se acima de todos os deuses. 287-289. pp. 118-121. mas o povo dos que conhecem a seu Deus agirá com firmeza (. J. p.. mostra que há duas interpretações divergentes para as medidas anti-judaicas de Antíoco IV Epífanes[40]. Saulnier. que teria. 292-303. pp. Judaism and Hellenism I. M. que diz: "O rei prescreveu.. Mas há a versão judaica.porque o que está decretado se cumprirá. E todas as nações conformaram-se ao decreto do rei". É a que considero mais provável. A revolta dos Macabeus. 26.41-42. Os que transgridem a Aliança. História de Israel. pp. a todo o seu reino. as motivações religiosas é que oferecerão os conceitos para a leitura dos fatos. pp.. 574-576. SAULNIER. Idem. C. C. HENGEL. BRIGHT.As Causas da Helenização Com muita freqüência. sugerido a Antíoco IV as medidas a serem tomadas.. M. Judaism and Hellenism I. inclusive. ele os perverterá com suas lisonjas. têm-se colocado as razões religiosa e cultural como motivo para a helenização da Judéia e conseqüente resistência macabéia. Uma é a que expus acima: a helenização forçada é conseqüência da pressão exagerada da aristocracia judaica. Cf. até que a cólera chegue a seu cúmulo . Cf. na típica visão teocrática do judaísmo de então.. ali introduzindo a abominação da desolação. 8.) O rei agirá a seu belprazer.. o livro de Daniel descreve a maldade de Antíoco IV no seu ataque às práticas judaicas: "Tropas enviadas por ele virão profanar o Santuário-cidadela e abolirão o sacrifício perpétuo.

está falando do deus Adônis-Tamuz. como vimos no caso dos Tobíadas. proporcionando-lhe lucros financeiros e influência política junto ao governo estrangeiro. razões já apresentadas. Apesar de tudo isso.31-32. Ele é amante de Ishtar. porque também Políbio traça dele um perfil pouco lisonjeiro.pais. mais para o fim de seu governo.36-37). Os reis Selêucidas antecessores de Antíoco IV cultuavam Apolo. É que o sistema político grego tradicional. Como esta é uma linguagem apocalíptica. mas ele cultua especialmente a Zeus Olímpico. . é preciso ir além na interpretação dos fatos. daí o texto dizer que ele age "sem consideração para com os deuses de seus pais". Ou seja: não há uma burocracia profissional que administra as finanças do Estado. Antíoco IV não é bem visto pelos escritores da época. Este texto de Daniel é bem representativo da visão judaica do rei ímpio perseguidor do povo justo. Assim. a não ser a satisfação do dever cumprido e o sentimento de contribuir para o bem comum[43] . Tamuz é uma divindade assírio-babilônica de origem popular. Em Atenas. não dispõe de um mecanismo fiscal para o recolhimento do tributo. discutindo longamente com ourives ou outros peritos nos seus ateliês. local onde se reúne também a assembléia do povo) e se mete nas mais acirradas disputas. além de protagonizar outras atitudes populistas41. o cidadão se dedica à administração da cidade sem receber recompensa alguma. Além das razões estratégicas e políticas dos Selêucidas para incentivar a helenização dos judeus. Diz Políbio que Antíoco IV aprecia sair da corte e se misturar com as pessoas do povo. há motivos econômicos para o conflito que o processo desencadeia[42]. Ou que ele se infiltra nas festas do povo sem ser convidado ou vai ao mercado (ágora. De qualquer maneira. por exemplo. Tamuz é estreitamente vinculado à divindade feminina da fertilidade. sem consideração para com o favorito das mulheres ou para com qualquer outro deus. Quando o texto diz que ele não "tem consideração para com o favorito das mulheres". a Inanna suméria e a Ishtar acádica. como adotado pelos Selêucidas. conhecido também sob o nome semítico de Adônis na mitologia mediterrânea. é a si mesmo que ele exaltará acima de tudo" (Dn 11. nos reinos helenísticos a função de recolher o tributo é arrendada à aristocracia dos povos dominados. alguns elementos precisam ser explicados: "Engrandecendo-se acima de todos os deuses" é uma referência à efígie de Antíoco IV cunhada nas suas moedas. com os traços de Zeus Olímpico.

do imposto sobre o sal e do imposto coronário. trouxe em si elementos que ofereciam à aristocracia das cidades novas possibilidades"[45].C. uma relação de parentesco baseada na solidariedade dos laços de sangue. que trata de uma isenção de impostos concedida aos judeus mais tarde. que me caberiam de direito: de hoje em diante deixo de arrecadá-los à terra de Judá e aos três distritos que lhe foram anexos. uma associação de cidadãos livres e autônomos baseada na vizinhança ou no éthnos. autonomia (poder próprio) e autarquia (autogestão).29-31.e não nas tradições dos antepassados codificadas na Torá. sem dízimos e sem tributos". Mas o próprio Antíoco III. Rodrigues explica que "três grandes princípios presidem à formação da pólis: eleuteria (independência). M. Os três primeiros impostos citados. O texto de 1Mc 10. A cidade era tudo para o cidadão grego.. já os conhecemos do decreto de Antíoco III: trata-se do phóros. com seu decreto de 197 a. criando as condições para a sua emancipação da hierocracia e para o predomínio da pólis sobre o éthnos. A lei. baseada na vontade do rei Selêucida .C.. que foi concedida oficialmente à Judéia. assim como seu território. Jerusalém seja considerada santa e isenta. também significava simplesmente 'viver'"[44]. dos tributos (phóroi). Judá é e permanece um éthnos também na administração selêucida. "Desde agora desobrigo-vos. deve-se levar em conta que a noção grega de Estado é concretizada no Oriente: o o ou na pólis.que reivindica tal direito como "direito de lança" por ser o conquistador . bem como à Samaria e à Galiléia. Ora. reforça os privilégios da aristocracia. cria condições para que a aristocracia judaica substitua as leis étnicas por leis políticas. que significava 'tomar parte nos negócios públicos'. O verbo politeyestaí. . Isto a partir do dia de hoje e para todo o tempo. por Demétrio I. em 152 a. o Grande. "A autonomia étnica. Igualmente renuncio à terça parte da semeadura e à metade dos frutos das árvores. do imposto sobre o sal e do ouro das coroas. dá-nos uma idéia dos tributos recolhidos pelos Selêucidas na Judéia.Por outro lado. e declaro isentos todos os judeus.

Diz Josefo: "Os nobres arrendaram nas suas próprias cidades paternas o direito de cobrar o tributo.5.recolhe dos camponeses 1/3 do produto das colheitas e metade da produção das frutas. Some-se a isso a precariedade financeira dos Selêucidas e o mecanismo começa a ficar claro. Pode-se até negociar a terra.28. a aristocracia começa a pressionar sempre mais na direção da helenização total. mas somente dentro de determinadas normas. O direito que regulamenta a venda da terra é o chamado ge'ulla (= resgate . 13. baseado na tributação e na manutenção de seus privilégios.1.10. Daí ser significativo que a primeira notícia a respeito do nascente conflito com o helenismo. diz: "São estes os estatutos e as normas que cuidareis de pôr em prática na terra cuja posse Iahweh. escrito a partir do século VIII a.por exemplo. quando comenta o decreto de Antíoco III. certamente com ganhos. a pagaram aos reis"[46].13.Agora. Dt 12. a terra é dom de Iahweh ao povo. Israel tem a posse da terra.9. depois que eles recolheram a quantia fixada. Flávio Josefo também testemunha que os impostos são cobrados pela aristocracia. os Tobíadas e seus associados .16 e tantos outros lugares..18.C. A terra em Israel é classificada como nahala (= herança.20. repete isto sempre (Dt 12. investido no cargo de superintendente do Templo. como em Dt 12.20 etc). Segundo as leis israelitas. estes produtos e paga aos seus senhores Selêucidas determinada quantia em prata. A aristocracia . entrou em desacordo com o sumo sacerdote a respeito da administração dos mercados da cidade". A solução será pedir a Antíoco IV Epífanes a eliminação da Lei. Seu enriquecimento fácil. aponte uma razão econômica. por exemplo. certo Simão.20.10. da estirpe de Belga. durante todos os dias em que viverdes sobre a terra".29. mas não é seu proprietário. Vende. o que aqui nos interessa é perceber como se faz o recolhimento do tributo na Judéia.10. choca-se com as normas da Lei. Deus de teus pais te dará.1. Vamos lembrar o que diz 2Mc 3. Assim.9. como vimos acima. Talvez cerca de 300 talentos anuais segundo 1Mc 11. e. como modo de quebrar as barreiras da tradição de solidariedade baseada na aliança.16. posse).4: "Ora. O livro do Deuteronômio. 19.

Lv 25.47-55 estabelece também que se um israelita for vendido a estrangeiros como escravo. mas cria laços de solidariedade entre eles a terra pode ser negociada entre parentes. como pode protegê-lo também de ser vendido como escravo permanente a estrangeiros. Se isto não for possível.da terra). Entretanto. este princípio leva ao acúmulo de terras pelas famílias mais ricas[47]. Segundo esta lei. G. Por outro lado. Kippenberg assim resume a relação de parentesco em Israel: o o o a estrutura de parentesco determina a reprodução das famílias e as relações sociais dentro da família a estrutura de parentesco une as famílias em uma hierarquia baseada nas prerrogativas dos irmãos mais velhos sobre os mais novos. Compare-se esta concepção israelita da posse da terra com a concepção grega. . A venda da terra pode proteger o proprietário empobrecido de pagar tributos e impostos a estrangeiros. como no interior do clã a estratificação social avança bastante nos períodos persa e grego. onde a terra pode ser dada a quem o rei determinar. no 49º ou no 50º ano o antigo dono deve receber de volta sua propriedade vendida. uma solidariedade que sustenta a relação comunitária no nível do clã. deve ser libertado no ano jubilar (49º ou 50º ano). Caso contrário. Uma confirmação do avanço da estratificação social pode ser encontrada na regra do ano jubilar estabelecida por Lv 25. O resgate da terra é baseado no conceito de hesed (= fidelidade). O conflito jurídico é evidente. a manutenção das regras do parentesco exigida pela Lei e confirmada por Antíoco III prejudica os interesses da aristocracia. se o israelita deve vender seu terreno. deve ser resgatado pelo parente mais próximo.23-28. Quem tem o direito de compra é apenas o parente do lado masculino da família. Ora. a aristocracia judaica que aí surge tende a excluir os mais pobres.C. provavelmente do século VI a. então o parente agnático (termo do direito romano que indica o parente por parte de pai) mais próximo deve comprá-lo.. mas não com estranhos ao círculo de parentesco. porque ela lhe pertence por direito de conquista. H.

mas os camponeses conseguem controle sobre o excedente[49]. saudações! Recebemos a coroa de ouro e a palma que nos enviastes. dando aos camponeses maior folga em relação aos senhores da terra. líderes da resistência judaica.36-51: a purificação do Templo). bem como a coroa que nos deveis.1-11). sumo sacerdote e amigo dos reis. E se alguma outra coisa era arrecadada em Jerusalém. não o seja doravante. nos documentos e nos contratos: 'No primeiro ano de Simão. se observarmos que. E reine a paz entre nós'. Ex 21. aos anciãos e à nação dos judeus. que se tem de exigir a regra dos 49/50 anos[48]. isto é festejado como libertação da escravidão e começo de uma nova era. Voltemos ao confronto entre a aristocracia filo-helenista e os judeus fiéis à Lei. que eles se inscrevam.1920. estratego e chefe dos judeus'". sumo sacerdote insigne.21-27).C. foi retirado de Israel o jugo das nações. os revolucionários Macabeus fazem valer os antigos mandamentos (1Mc 2. gerados pelo arrendamento estatal dos impostos à aristocracia.6. . Tudo o que temos determinado a vosso respeito permanece firme e também são vossas as fortalezas que edificastes. não resta dúvida. nós vo-los perdoamos. No ano cento e setenta. 4. 2.36-42 assim descreve o fato: "'O rei Demétrio a Simão. É porque estas regras não funcionam mais. Que os motivos desta luta são também econômicos. 1Mc 13.. Enquanto os partidários da helenização seguem as ordens do rei (1Mc 2.Parece claro que a regra do ano jubilar está em contradição com a norma do resgate imediato da terra e do escravo e a lei do ano sabático (Dt 15. Se houver entre vós alguns homens que sejam aptos a ser recrutados para a nossa guarda de corpo. devido à estratificação social. em 142 a. e seus partidários assideus.42-48: a circuncisão. quando o rei selêucida Demétrio II concede aos judeus a isenção dos tributos. A desigualdade permanece a mesma. Quanto às faltas por ignorância e os delitos cometidos até o dia de hoje. E o povo começou a escrever.1-18. da solidariedade étnica contra a instalação do regime da pólis em Jerusalém. e estamos prontos a celebrar convosco uma paz duradoura e a escrever aos nossos administradores que vos considerem totalmente isentos. com o desaparecimento do arrendamento. os sacerdotes Macabeus. defendem a manutenção dos laços de parentesco. Como veremos daqui a pouco. a aristocracia não é mais identificada com o Estado. É que.29-38: o sábado.

Aí vem o conflito com os Macabeus. Obra Completa. São Paulo. Difel... LÉVÊQUE. & VIDAL-NAQUET. Aníbal. Economia e sociedade na Grécia antiga. Lisboa. A cidade grega. Rio de Janeiro. BICKERMAN.. São Paulo. The God of the Maccabees. História dos Hebreus. E. Judaism and Hellenism. 1993. História. que não tem objetivos religiosos: o que se quer é uma reforma da constituição da Judéia.. 1979. O mundo helenístico. São Paulo... Le Monde hellénistique. MOSSÉ. Leiden. 1988. Editora da UnB. KIPPENBERG. Studies in their Encounter in Palestine during the Early Hellenist Period I. até que. objeto de conquista. em Jerusalém. M. 1987. PRÉAUX. G. La Gréce et l'Orient (323-146 av. Lisboa. Studies on the Meaning and Origin of the Maccabean Revolt. P. E. JOSEFO. Brasília. 1981. 1985. 1991. London. Aníbal. Brill. Lisboa. Edições 70. Mas será a simbologia religiosa que exprimirá os interesses igualitários de sacerdotes e camponeses[50]. Casa Publicadora das Assembléias de Deus.. uma camada aristocrática força a helenização e entra em choque com o direito sagrado tradicional do povo judeu. M. As instituições gregas. 1992. Leituras Recomendadas AUSTIN. Paulus. C. mantendo os produtores como simples moradores. G. C. PAUMAPE. PEIXOTO. POLÍBIO. SCM Press. GLOTZ.. F.A lógica grega deste arrendamento é a de reduzir o direito de cidadania a pequena faixa aristocrática. Edições 70. sem direito a cidadania.. 1985.. H.. São Paulo. Edições 70. 1986. um desafio aos romanos. Religião e formação de classes na antiga Judéia. Ars Poetica. P. 1980. o pai da estratégia. BRADFORD. M. E esta lógica está funcionando. . P. HENGEL.

113-129.) III. P.1. pp. 76. 1985. Cf. A revolta dos Macabeus.. The God of the Maccabees. este texto em SAULNIER. 73-87.D. NEXT [40]. KIPPENBERG. o. Histoire politique du monde hellénistique (323-30 av. São Paulo. pp.) I-II. Cf... sobre a questão. Cf. Presses Universitaires de Nancy. Presses Universitaires de France.. Paris. 1979-19822. pp. 377-378. março/abril de 1984. pp. WILL. Economia e sociedade na Grécia antiga. H. BICKERMAN. pp. Antiquitates Iudaicae XII.. pp. G. Religião e formação de classes na antiga Judéia. 24-31. KIPPENBERG. M. pp. [45]. 1988./VIDAL-NAQUET. Nancy. Histoire d'Israel III.1987. C. H. pp. As utopias gregas. São Paulo. o. Cf.. A cidade grega. 39. J.. [46]. A. [41]. Cf. SAULNIER. E.. 118-121. pp. também GIORDANI. Paulus. 19872. W. Vozes.-C. Cf. POLÍBIO. [43]. Zahar. 1980.. em Atualização 171-172. c. G. 19882. A revolta dos Macabeus. G.. 99-214. Histoire d'Israel III. p. Histoire politique du monde hellénistique II. História XXVI. [42]. Idem. 152-161. M. AUSTIN. Histoire d'Israel III. 80. sobre isto. 1985. 155. G.. G. G. p. WILL.. C. [47].. sobre Antíoco IV. As instituições gregas. JOSEFO. Religião e formação de classes sociais no Judá pós-exílico. p. C. História de Roma.. GLOTZ. E.. 19864. São Paulo. E. Lisboa. KIPPENBERG. [44]... Edições 70. RODRIGUES. Brasiliense.. C.J. 306-308. . História da Grécia. também. Cf. Rio de Janeiro. GRUEN. KIPPENBERG. M.. cf. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a. C. Cf. SAULNIER. Paris. 19774. GLOTZ. pp. Para as tendências da historiografia. Du Cerf. ROSTOVTZEFF. Petrópolis.. F.-C. 151-183. ao longo dos séculos.. SAULNIER. segundo H. C. Difel.). H. 27-28. MOSSÉ.-135 a. c.C.. A cidade grega. M.

Idem. um sacerdote de Modin. desencadeia-se feroz perseguição àqueles que não se submetem às ordens do rei selêucida Antíoco IV Epífanes.C. embora esteja vago. Isto começa a criar divisões internas. chamado Matatias. ibidem. que se retirara de Jerusalém desgostoso com o rumo das coisas. 86-87. 9. Os Macabeus I: A Resistência Com a proibição das tradicionais práticas judaicas em 167 a. de Judas Macabeu e de Jônatas pela independência da Judéia. pp. 61-63. Idem. Idem. na libertação de Jerusalém e na purificação do Templo apenas três anos após a proibição dos sacrifícios javistas. A posse de livros da Lei. Aproveitando-se do aprofundamento da divisão interna do império selêucida e de seu enfraquecimento político e econômico. pp. ibidem. [50]. 86. 9. Cf. Neste capítulo abordarei exatamente a luta de Matatias. Cf. irmão de Judas Macabeu. pois os judeus mais tradicionais não podem admitir esta atitude. Cf. os irmãos Macabeus vão pouco a pouco consolidando as suas conquistas na Judéia. Matatias e o Começo da Revolta .[48]. [49]. começa um movimento de rebelião armada contra os gregos e seus associados da aristocracia judaica. não lhe pertence. que culminará. ocupando um cargo que.1. Jônatas. nesta primeira fase. a prática da circuncisão ou qualquer observância de um ritual judaico leva a pessoa à morte. Recusando-se a prestar culto aos deuses gregos. Com seus cinco filhos e grande grupo de camponeses fiéis às tradições judaicas ele faz uma guerra constante aos helenizantes. será o primeiro sumo sacerdote da família. ibidem. com seu filho Judas Macabeu. p.

eles. muitos em Israel ficaram firmes e se mostraram irredutíveis em não comerem nada de impuro. Falando da perseguição desencadeada pelo decreto real e da resistência dos judeus fiéis. e ainda com seus familiares e com aqueles que haviam operado a circuncisão. um livro da Aliança ou se alguém se conformasse à Lei. no dia do aniversário do príncipe. contra Israel. em casa de alguém. mas não abdicam da aliança javista herdada de seus pais. mês por mês. as executavam com os mesmo filhinhos pendurados a seus pescoços. desta prática. o decreto real o condenava à morte. Eles aceitaram antes morrer que contaminar-se com os alimentos e profanar a Aliança sagrada. Onde quer que se encontrasse. que equivale. É então que muitos judeus fiéis à Lei morrem.7. A comemoração do aniversário do rei é uma prática persa retomada pelos macedônios no Oriente. a Ásia inteira comemora a efeméride com festejos e sacrifícios"[1]. Na sua prepotência assim procediam. todos os anos. nas cidades.56-64 os fatos: "Quanto aos livros da Lei. daí por diante. Quanto às mulheres que haviam feito circuncidar seus filhos. é em 167 a. No dia vinte e cinco de cada mês ofereciam-se sacrifícios no altar levantado por sobre o altar dos holocaustos. com todos aqueles que fossem descobertos. O dia 25 de cada mês é a data do aniversário do rei e da inauguração do altar a Zeus Olímpico: o dia 25 de Casleu. Foi sobremaneira grande a ira que se abateu sobre Israel".C. Apesar de tudo. assim descreve 1Mc 1. como de fato morreram. os que lhes caíam nas mãos eram rasgados e lançados ao fogo. que as práticas tradicionais do judaísmo são proibidas pelo decreto de Antíoco IV Epífanes e o culto de Zeus Olímpico é introduzido no Templo de Jerusalém. Segundo 2Mc 6. E ao chegarem as festas . ao dia 15 de dezembro. cumprindo o decreto. no dia do aniversário do rei.Como vimos. importante testemunho de Platão: "Quando nasce o primogênito. Temos. em nosso calendário. os judeus devem participar também da festa de Dionísio: "Eram arrastados com amarga violência ao banquete sacrifical que se realizava cada mês. herdeiro presuntivo da coroa. logo é festejado o acontecimento por todo o povo e os próprios governantes.

misticismos e orgias sagradas que celebram a vida. Assim. festa que comemora o renascimento da natureza) e as Grandes Dionísias ou Dionísias Urbanas (em março/abril.1-42). as Lenéias (em fins de janeiro. aos olhos de Antíoco IV. donde "bacanal" -. durante seis dias)[2] . Os rituais dionisíacos são repletos de êxtases. C. que faz uma verdadeira teologia do martírio. que libera as forças do inconsciente humano e inspira a música e a poesia. correção de . começos de março. gostaria de exortar que não se desconcertem diante de tais calamidades. as características de uma verdadeira revolta e de uma oposição política perigosa. as Antestérias (a "festa das flores".o Baco. aos que estiverem defrontando-se com este livro. Saulnier pensa que a resistência dos judeus piedosos assuma. começo de fevereiro). com grande ênfase na sexualidade. o cortejo em honra de Dionísio". Dionísio é um deus da vegetação. obviamente. também celebrado em Roma.12-13 garante ainda que o castigo que se abate sobre a nação judaica é a punição pelos pecados do povo e só servirá para purificá-lo e encaminhá-lo para o reto caminho. Na Grécia. celebrada em fins de fevereiro. celebram-se quatro grandes festas em honra de Dionísio: as Dionisíacas Rurais (em dezembro). O livro descreve detalhadamente os suplícios sofridos pelo velho escriba Eleazar (2Mc 6. "Ao mesmo tempo. obrigavam-nos a acompanharem. porque mistura a perseguição religiosa à guerra civil. Pecados cometidos pelos helenizantes que violam a Lei sagrada: "Agora. 2Mc 6.18-31) e o martírio dos sete irmãos com sua mãe (2Mc 7.dionisíacas. a profunda divisão dos judeus permite-nos compreender que os helenistas deviam se sentir ameaçados e acolhessem de boa vontade o apoio e a proteção das forças gregas. o que é interpretado em termos de perseguição pela literatura judaica. Reafirma esta interpretação religiosa judaica o 2º livro dos Macabeus. especialmente em Atenas. que morre e ressuscita. coroados de hera. é filho de Zeus e da princesa Semele. sendo também o deus do vinho . pode ser compreendido pelo historiador como uma reação contra a agitação que não parava de aumentar e a repressão de uma verdadeira revolta armada"[3] . o começo desta crise é ambivalente. Dionísio. Então. na mitologia grega.

. Mas é interessante observarmos também a atitude dos samaritanos durante estes acontecimentos. não percebendo que era por causa dos pecados dos habitantes da cidade que o Senhor estava irritado por um tempo. nós não seremos mais molestados e. É um rescrito (= decisão do rei comunicada por escrito) de Antíoco IV aos sidonianos de Siquém. como o demonstram claramente as atas públicas. Deste modo. Flávio Josefo traz um texto a propósito dos samaritanos datado de 166 a. por exemplo. adotaram o costume de celebrar o dia que os judeus chamam de sábado. enquanto que. Hoje. Nós te suplicamos. entre os de Tiro e de Antioquia. os oficiais reais. Ao explicar a pilhagem do Templo por Antíoco IV. 2Mc 5. não deixar impunes por longo tempo os que cometem impiedade.nossa gente.C. É bom lembrarmos que a perseguição atinge apenas os judeus do distrito de Jerusalém. tu. quando tu tratas os judeus como merecem por sua maldade. o benfeitor e o salvador. "Memorando dos sidonianos de Siquém ao rei Antíoco Théos Epífanes: 'Nossos ancestrais. obedecendo a um velho escrúpulo religioso. chefe do distrito e a Nicanor. de ordenar a Apolônio. ergueram sobre o Garizim um templo anônimo e ofereceram os sacrifícios que lhes convinham. agente real. mas imediatamente atingi-los com castigos. segundo Flávio Josefo. por origem nós somos sidonianos. e de chamar ao nosso templo anônimo. nos envolvem nestas mesmas acusações. De fato. templo de Zeus. por causa das secas que assolavam o país. Não há sinal de perseguição entre os judeus da diáspora. que é como os samaritanos. de não nos molestar fazendo contra nós as mesmas acusações que contra os judeus que nos são estranhos tanto pela raça como pelos costumes. é sinal de grande benevolência".17 apresenta a mesma perspectiva: "Antíoco subia até às alturas em seu pensamento. portanto. pensando que é por causa de nosso parentesco com eles que nós seguimos as mesmas práticas. se designam nesta época. e que era por isso que se verificava essa sua indiferença para com o Lugar".

podendo ocupar-nos com segurança de nossos trabalhos. chamado Macabeu. talvez. povoado localizado a cerca de 12 km a leste de Lida/Lod. mas ainda mata outro sacerdote que se oferecera no seu lugar e mata também o emissário real. bisneto de um certo Asmoneu[5]. em seguida. e de nossos amigos reunidos em conselho. mas que eles desejam viver segundo o costume dos gregos. chamado Tasi. com o cognome de Gadi. Entre os judeus que permanecem fiéis à Lei. nós aumentaremos as tuas rendas'. Os cognomes dos filhos de Matatias significam o seguinte: Gadi é o "afortunado". à forma de sua cabeça. "designado por Iahweh". Tasi tem significado incerto.29 que . como nos relata 1Mc 2. Já que seus emissários. nós os isentamos de todas as acusações e ordenamos que o seu templo. Macabeu pode significar. pedindo a Matatias que oficiasse por ser um chefe ilustre na localidade. Matatias tem cinco filhos. Começa assim a luta desta célebre família contra os Selêucidas e seus aliados helenistas de Jerusalém e povoados vizinhos. Abaron é o "desperto". ou do grego. Matatias se recusa a oficiar no Templo profanado pelo culto estrangeiro e se retira com a sua família para a sua propriedade situada em Modin. A tal pedido dos samaritanos.27-28). Judas. Quando os emissários reais chegam a Modin e convocam a população para o sacrifício sacrílego. seja chamado templo de Zeus'"[4]. como eles o pediram. neto de Simeão. Mas a família de Matatias não está sozinha nesta luta. Os sidonianos de Siquém nos apresentaram o memorando que segue. Eleazar. diante de nós.2-5: "Tinha cinco filhos: João. chamado Abaron. ele não só se recusa. chamado Afus". do hebraico maqqabiahu. Afus é o "favorecido". e Jônatas. os judeus fiéis e foge com seus filhos para as montanhas (1Mc 2. o rei deu a seguinte resposta: 'O rei Antíoco a Nicanor. Simão. Diz 1Mc 2. encontra-se um sacerdote chamado Matatias. "martelo". asseguraram que eles nada têm a ver com o que é censurado nos judeus. da linhagem de Joiarib. possível alusão à sua força física ou. Convoca.

3. as passagens das fases da lua. Quanto à sua origem. circuncidando à força os meninos incircuncisos e recuperando a Lei das mãos dos gentios. Aliás. A prática do sábado parece ser muito antiga. Esta é a curta notícia que nos dá 1Mc 2. E 1Mc 2. por exemplo. seus filhos. Matatias e os seus percorrem o território destruindo altares sacrílegos. homens valorosos e apegados à Lei se unem a Matatias e a seus filhos [6]. Pode derivar do acádico shabattu ou shapattu. americanas e australianas praticam-na. claro que um motivo higiênico pode estar oculto pelos rituais e cerimônias. Egípcios. amonitas. Para a cerimônia usam os israelitas. o sacerdote e o médico. Para os judeus é um dia de descanso e dedicação do tempo a Iahweh. segundo Lv 12. o que atesta a sua origem arcaica. quando então o rei. árabes. porque se tinham multiplicado os males sobre eles". naqueles tempos. fenícios e cananeus usam igualmente a circuncisão. ou dias tabu. suas mulheres e seu gado. moabitas. Vamos comentar algumas delas. edomitas. A etimologia da palavra é incerta.42 acrescenta que os assideus. . os calendários mesopotâmicos assinalam como dias de azar. eles. deve ser cumprida no oitavo dia pós o nascimento. facas de pedra lascadas. porque ela passa a ser uma marca característica do judeu fiel[7]. operação feita pelo pai da criança. A circuncisão. Entretanto. que consiste na remoção do prepúcio. que significa "duas vezes sete" e indica o dia da lua cheia para os babilônios.45-48. não devem exercer suas funções. Mas a circuncisão é. Quem não a conhece são os indo-europeus e os mongóis. As proibições de Antíoco IV Epífanes tocam em práticas bastante arraigadas no judaísmo pós-exílico. Dos povos palestinos com os quais Israel entra em contato. a circuncisão não é um ritual exclusivamente israelita: tribos africanas. A ênfase sobre a observância do sábado cresce a partir do exílio e se torna lei. somente os filisteus (que são indo-europeus) não são circuncidados."Muitos que amavam a justiça e o direito desceram ao deserto para ali se estabelecerem. em tempos mais remotos.

é um ritual muito antigo tipicamente pastoril.40-51. termo de etimologia incerta.C. a festa das Semanas ou Pentecostes e a festa dos Tabernáculos ou das Tendas. estando todos vestidos para viajar. celebrado na primeira lua cheia da primavera. o seguinte: no dia 10 de Nisan cada família escolhe um cordeiro macho.provavelmente um rito de iniciação à puberdade: uma cerimônia pela qual os rapazes são reconhecidos como homens adultos. Quando a família é pequena demais para comer todo o cordeiro. os sete dias da festa. agora proibidas por Antíoco IV. em Lv 23. Durante os sete primeiros dias da colheita.5-8. sem defeito e de um ano. No dia 14. Os Ázimos (massôt) são pães sem fermento. une-se aos vizinhos. Os escravos e os estrangeiros residentes também podem participar. para afastar delas os poderes malignos. A tradição sacerdotal. Nm 28. Daí a ênfase dada ao rito pelo judaísmo como marca característica do povo israelita[8]. são: a Páscoa/Ázimos. Não se pode quebrar nenhum osso e o que sobrar é queimado.1-20. come-se somente pão feito com farinha de grão novo. A Páscoa (pesah). simbolizando um novo ponto de partida. pão sem fermento. Também são consumidos nesta noite pães ázimos e ervas amargas. O seu uso israelita como símbolo de pertença a Iahweh data dos tempos do exílio babilônico. E é realizada uma primeira oferta das primícias a Iahweh. progressivamente os outros povos da região vão deixando-na de lado. desde que sejam circuncidados. Durante esta noite de lua cheia assam e comem o cordeiro. entre as duas luzes (à noite) o cordeiro é degolado e o seu sangue aspergido nos portais de cada casa. posterior ao exílio. no mês de Nisan (março/abril) e se celebra durante uma semana. de sábado a sábado. Dá-se também às duas festas um novo sentido: a celebração da libertação do Egito. estabelece. quando.) celebra-se a Páscoa na primeira lua cheia da primavera (14 de Nisan) e os Ázimos a partir do dia 15. O seu sangue serve para aspergir as estacas da tenda. É excluído o que vem do "ano velho". . Ex 12. quando se sacrifica um animal novo para garantir a fecundidade de todo o rebanho. mais tarde os portais das casas.16-25. As três principais festas (hag = peregrinação) israelitas. Esta festa marca o começo da colheita da cevada. A partir da reforma de Josias (629-609 a.

O nome sukkot vem da seguinte prática: durante as colheitas.38-42 e Nm 28. feitos com a nova farinha de trigo. celebrada no outono. como as outras duas. clero e povo. segundo Ex 29. esta é uma festa muito alegre. Mais tarde a festa passa a ser celebrada. Foi posteriormente ligada ao Sinai.No dia 15 começa a festa dos Ázimos. uma festa agrícola. segundo o livro de Ester. sem data precisa. Há ainda um culto diário. no deserto. ou a festa dos Purim. que se traduz por "cabanas". Por isso. pois segundo a tradição. segundo as leis sacerdotais. Celebra o término da colheita. Primeiramente chamada de festa da colheita (asip). como nossas festas juninas. são oferecidos a Iahweh. celebrada nos dias 14 e 15 de Adar (fevereiro/março). "cinqüenta". as primícias. terminando com um dia solene de descanso. com uma duração de sete dias. para se proteger do sol. No primeiro e no sétimo dia são feitas celebrações religiosas. ou Dia da Expiação pelo santuário. celebrado de manhã e à tarde. em grego. é preciso lembrar que há outras celebrações no Israel da época grega. No outono terminam todas as colheitas e se encerra o ano agrícola. A festa dos Tabernáculos ou Tendas é a mais importante das três festas de peregrinação em Israel. Como o Yom Kippur. Mais tarde. que dura uma semana. Inicialmente a festa é celebrada ao ar livre e certamente assume o nome das cabanas (sukkot) que se espalham entre as plantações. Naturalmente esta é uma associação litúrgica e não histórica[9]. o povo libertado do Egito chega ao monte naquele época do ano. típico do pós-exílio.2-8. a partir do dia 15 de Tishri (o mês de Tishri corresponde a setembro/outubro). A cerimônia consiste em oferecer dois pães fermentados. É. o povo constrói cabanas ou abrigos nos pomares e vinhas. a festa assume outro significado: o povo deve recordar o período em que vivera em tendas. daí ser chamada pentecostés. A festa das Semanas ou Pentecostes é celebrada 50 dias após a apresentação do primeiro molho de cevada na festa dos Ázimos. recordando a vitória dos judeus da Pérsia contra aqueles que querem exterminá-los. que são igualmente proibidas por Antíoco IV Epífanes. celebrada no dia 10 de Tishri. quando os primeiros frutos da lavoura. "tendas" ou "tabernáculos".43). Além destas três grandes festas. após a libertação do Egito (Lv 23. esta festa passa a chamar-se mais tarde sukkot. .

A luta contra a helenização é comandada por um grupo sacerdotal, os Macabeus, o que faz parecer que os motivos religiosos sejam prioritários ou mesmo os únicos para a resistência. Como, aliás, insistem os livros dos Macabeus. Mas é preciso lembrar que há uma coincidência de interesses dos sacerdotes e levitas empobrecidos com os interesses dos camponeses. Por isso lutam lado a lado. Sacerdotes e levitas vivem da contribuição dos camponeses, pois o culto e o sacerdócio não têm propriedades, excetuando-se, é claro, uns poucos sacerdotes da nobreza. Os sacerdotes prestam serviços em Jerusalém só de tempos em tempos, morando no mais, em suas cidades e aldeias. O financiamento do culto fica, na maioria das vezes, por conta do Estado. Assim, a classe sacerdotal sem terras está interessada no controle público das terras, como manda a Lei, e não na privatização da propriedade da terra, que é a tendência da aristocracia filo-helênica. Só assim os sacerdotes podem ter certeza das contribuições para o Templo e para o sustento de suas famílias. Se a terra pertence a Iahweh, como diz a Lei, e os sacerdotes são os intermediários entre Iahweh e o povo, através da instituição do Templo, a sua sobrevivência está garantida. Mas se a terra pertence ao rei, como o quer o direito do conquistador grego, os sacerdotes que não pertencem à aristocracia e não se associam aos gregos são prejudicados[10]. NEXT [1]. PLATÃO, O primeiro Alcibíades 121c, em Diálogos vol. V, Belém, Universidade Federal do Pará, 1975, p. 226. [2]. Cf., sobre o tema, DE SOUZA BRANDÃO, J., Mitologia grega II, Petrópolis, Vozes, 19882, pp. 113-140; ELIADE, M., História das crenças e das idéias religiosas I/2, Rio de Janeiro, Zahar, 1978, pp. 199-217. BICKERMAN, E., The God of the Maccabees. Studies on the Meaning and Origin of the Maccabean Revolt,, Leiden, Brill, 1979, pp. 74-75, acredita que estas festas, celebradas em Jerusalém, fazem renascer, ou melhor, são meros disfarces dos antigos cultos cananeus da fertilidade, tão fortes em Israel até o exílio.

[3]. SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, p. 126. [4]. JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XII, 258-264; cf. SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, pp. 379-380. [5]. Joiarib é, segundo 1Cr 24,7, o chefe da primeira das vinte quatro classes sacerdotais que servem no Templo. Mas é possível que esta posição de destaque seja uma reformulação do texto após as vitórias dos Macabeus e seu acesso ao sumo sacerdócio. Os descendentes de Matatias são conhecidos como "Macabeus", do nome de seu filho Judas Macabeu, ou "Asmoneus" por causa de um bisavô de Matatias, segundo JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XII, VIII, 1. [6]. Assideus é a forma grecizada do hebraico hassidim, os "piedosos". 1Mc 2,42 diz que "a partir daí, uniu-se a eles os grupos dos assideus (hê synagôgê ton assidáiôn), que eram israelitas fortes, corajosos e fiéis à Lei". [7]. Cf. DE VAUX, R., Ancient Israel. Its Life and Institutions, London, Darton, Longmann & Todd, 19682, pp. 475-483. [8]. Cf. Idem, ibidem, pp. 46-48. [9]. Cf. Idem, ibidem, pp. 415-517. Cf. também BICKERMAN, E., The God of the Maccabees, pp. 88-90. [10]. Cf. KIPPENBERG, H. G., Religião e formação de classes na antiga Judéia, pp. 59-64.

9.2. A Luta de Judas Macabeu (166-160 a.C.) Matatias morre logo, no começo de 166 a.C., mas seu filho Judas, assumindo o comando da luta, desenvolve uma guerra de guerrilhas cada vez mais ampla e vence um a um os generais selêucidas enviados para detêlo. É preciso considerarmos, porém, que o reino selêucida tem forças mais do que suficientes para massacrar a rebelião judaica. Acontece, contudo, de estar Antíoco IV ocupado com vários problemas que explodem por toda a parte em seus territórios. Não pode, por isso, ocupar-se, para valer, com os judeus. Para sorte dos Macabeus e dos assideus, os judeus fiéis que os acompanham na luta anti-helênica.

É 2Mc 8,1.5-7 que nos conta a estratégia de Judas: "Entretanto Judas, também chamado Macabeu, e os seus companheiros, iam introduzindo-se às ocultas nas aldeias. Chamando a si os coirmãos de raça e recrutando os que haviam perseverado firmes no judaísmo, chegaram a reunir cerca de seis mil pessoas (...) Transformada a sua gente em grupo organizado, o Macabeu começou a tornar-se irresistível para os gentios, tendo-se mudado em misericórdia a cólera do Senhor. Chegando de improviso às cidades e aldeias, ateava-lhes fogo; e, apoderando-se dos pontos estratégicos, punha em fuga a não poucos de entre os inimigos. Para tais incursões, escolhia de preferência a noite como colaboradora. De resto, a fama de sua valentia propagava-se por toda parte". As primeiras tropas selêucidas mandadas contra Judas são comandadas por Apolônio, governador da Samaria, provavelmente o misarca que saqueara Jerusalém no começo de 167 a.C. Este pequeno exército, composto de gregos e de samaritanos é facilmente vencido por Judas (1Mc 3,10-12). Forças maiores vêm com o general Seron, comandante do exército da Síria, mas são igualmente vencidas em Bet-Horon (1Mc 3,13-26). Em seguida, são vencidas as forças dos generais Nicanor e Górgias, até que Lísias, o encarregado da pacificação judaica pelo rei Antíoco IV , vem pessoalmente combater Judas. Contudo, nem mesmo Lísias consegue vencê-lo e uma trégua é estabelecida entre as duas forças (1Mc 3,38-4,35). C. Saulnier comenta que "esta vitória, aparentemente fácil, de Judas Macabeu explica-se pelos problemas que enfrentava neste momento o governo selêucida. Com efeito, Antíoco IV partira no princípio do ano 165 a.C. para uma campanha nas satrapias superiores (isto é, na alta Ásia), deixando Lísias em Antioquia para assegurar o governo e a guarda de seu jovem filho"[11] .

É então que, livre de represálias selêucidas, Judas e os seus tomam Jerusalém, purificam e dedicam novamente o Templo. É dezembro de 164 a.C., exatamente três anos após a profanação do santuário. Para comemorar o fato é instituída a festa da Hanukka, isto é, "Dedicação", celebrada no dia 25 de Casleu (15 de dezembro). 1Mc 4,52-54.59 descreve assim este fato: "No dia vinte e cinco do nono mês - chamado Casleu - do ano centro e quarenta e oito, eles se levantaram de manhã cedo e ofereceram um sacrifício, segundo as prescrições da Lei, sobre o novo altar dos holocaustos que haviam construído. Exatamente no mês e no dia em que os gentios o tinham profanado, foi o altar novamente consagrado com cânticos e ao som de cítaras, harpas e címbalos (...) E Judas, com seus irmãos e toda a assembléia de Israel, estabeleceu que os dias da dedicação do altar seriam celebrados a seu tempo, cada ano, durante oito dias, a partir do dia vinte e cinco do mês de Casleu, com júbilo e alegria". Durante esta festa os judeus acendem velas, fazem procissão com palmas e cantam salmos de louvor. Mesmo após a destruição do Templo a festa da Dedicação continua e o ritual de acender as velas ainda é observado, agora em casa[12] . Judas continua a guerra após a purificação do Templo. Entretanto, a seqüência dos fatos é um pouco confusa, porque as nossas fontes, 1 e 2 Macabeus, divergem entre si. C. Saulnier explica estas divergências pelas perspectivas diferentes de 1 Macabeus e 2 Macabeus. Segundo a autora, 1 Macabeus mistura dados históricos com uma teologia inspirada no deuteronomista, fazendo de Judas um libertador de Israel na linha dos juízes, os líderes da época da conquista. Já 2 Macabeus insiste muito na piedade de Judas, na sua fidelidade em observar o sábado e coisas do gênero. Mas, para além destes detalhes

Por esse motivo. entre outras coisas. Sucedem-se assim as campanhas contra os idumeus e os amonitas. famoso por suas riquezas. 2 Macabeus traz certas precisões que devem ser levadas a sério[13] . a expedição no Galaad. pensou em fazer pesar sobre os judeus também a injúria dos que o haviam posto em fuga.C. Londres. o rei morre em outubro de 164 a. em Elimaida. ordenou ao cocheiro que completasse o percurso prosseguindo sempre. provavelmente na mesma época em que o Templo é retomado e purificado. ainda na Pérsia. Reconheço agora que é por causa disso que estes males se abateram sobre mim. Antíoco IV tenta saquear o templo de Ártemis. mas tem que fugir "acossado pelos habitantes do país". morre Antíoco IV Epífanes. 2Mc 9.1-68) [14] . Estando perto de Ecbátana[16] . no final de 164 a. Entretanto. Vede com quanta amargura eu morro em terra estrangeira". . sem parar. ou seja. adoece e morre.4-5 diz: "Fora de si pela cólera. porém. As versões de sua morte são muito estranhas e complexas. na Galiléia e na Judéia (1Mc 5. diz Antíoco aos seus amigos antes de morrer: "Agora. Segundo 1Mc 6. Judas dedica-se à proteção dos judeus que se vêem acuados pelos gentios em várias localidades.C. Segundo uma tabuinha conservada no British Museum. Segundo 2Mc 9. Antíoco IV tenta saquear um templo em Persépolis.edificantes. no nono mês do ano 148 da era selêucida.. e tem que fugir diante da reação da população[15] . é notificado da derrota de Nicanor na Judéia e cheio de fúria se apressa para se vingar dos judeus. assalta-me a lembrança dos males que cometi em Jerusalém quando me apoderei de todos os objetos de prata e de ouro que lá se encontravam e mandei exterminar os habitantes de Judá sem motivo. da derrota de seus exércitos e da libertação de Jerusalém por Judas. Sabendo. Segundo 1Mc 6.1-19.1-17.12-13.

E. . na sua soberba: 'Farei de Jerusalém um cemitério de judeus. que tudo vê. diante do sofrimento. assim havia ele falado. como dizem alguns. uma simples repetição da história de seu pai. acaba caindo da carruagem. as carnes se lhe caíam aos pedaços entre espasmos lancinantes" (2Mc 9. prossegue o texto. deixou ele a vida. apenas eu chegue aí!' Foi quando o Senhor.enquanto já o acompanhava o julgamento do Céu. diante destas versões. o rei Antíoco. ferido por um demônio.11-17). na única coisa em que concordam o fato do rei Antíoco resolver saquear um templo na Elimaida -. porque os bárbaros que habitam neste lugar não consentiram neste delito. Os esquemas teológicos das versões dos livros dos Macabeus são evidentes: Antíoco IV morre porque é castigado na sua arrogância (especialmente segundo 2 Macabeus). acometeu-o uma dor insuportável nas entranhas e tormentos atrozes no ventre". Mas. E o texto conclui que. desconjuntando os membros. Antíoco IV não desiste. feriu-o com uma doença incurável e invisível: apenas terminara ele a sua frase. decidiu fazer uma expedição contra o Templo de Ártemis. Voltando a Tabe da Pérsia. o rei Antíoco III. Antíoco IV acaba se arrependendo dos males que fizera aos judeus (2Mc 9. Suspeita-se. desejando aumentar suas riquezas. o Deus de Israel. Tendo chegado a esta região foi frustrado em sua esperança. De fato. em Elimaida. que. e de seu corpo "começaram a pulular vermes. possa haver uma duplicata. estando ele ainda vivo. E até promete tornar-se missionário judeu! Políbio dá também a sua versão da morte de Antíoco IV: "Na Síria. que morre ao saquear um templo na Elimaida[18] .9). porque algumas manifestações do demônio tinham sobrevindo na ocasião do delito cometido contra o templo visado"[17] .

). É a ele que Antíoco IV entrega "o diadema.). deixando o cerco da Acra. a quem havia educado desde pequenino. encarregando-o de tutelar Antíoco. Parece ter havido em Antíoco IV um homem de Estado nada desprezível. mas a luta de Judas Macabeu continua contra Antíoco V (164-162 a. Antíoco IV deixa Lísias encarregado dos negócios do reino em Antioquia. enfrenta o exército selêucida em Bet-Zacarias. seu filho. "a documentação de que dispomos sobre o homem e sobre sua obra não nos autoriza nem a apologia nem a condenação. Lísias tem que voltar às pressas para enfrentá-lo e decide fazer a paz com os judeus. mas. Judas aproveita-se destas circunstâncias e assedia a Acra em Jerusalém. e deu-lhe o nome de Eupator" (1Mc 6. onde ele está em campanha. como observa E. Mas. A carta de Antíoco V a respeito está conservada em 2Mc 11. seu filho e de prepará-lo para o trono" (1Mc 6. Só que com a chegada de Filipe a Antioquia. Lísias e Antíoco V. vêm então combater Judas. Atacam Betsur e Judas. em seguida.17). ele confia a seu conselheiro Filipe o encargo de governar o reino em nome de seu filho menor de idade Antíoco V. Mas. o manto e o anel do sinete. Quando parte em campanha para as províncias mais orientais de seu Império. Lísias "proclamou rei o jovem Antíoco. como seus contemporâneos. contra Demétrio I (161-150 a. Mas. A fama deste rei é muito ruim. Mas. não se sabe de que doença morre o rei Antíoco IV Epífanes.Na verdade. parece certo que seu fim se dá lá pelos lados da Pérsia.22-26 nos seguintes termos: . Will.C.15). ultrapassado por uma conjuntura por demais complexa"[19] . pouco antes de morrer. Morre Antíoco IV. que tem apenas 12 anos de idade. Judas acaba cercado no monte Sião. ao mesmo tempo. e o regente Lísias e.C.

ouvimos dizer que os judeus não consentem na adoção dos costumes gregos. de vinte e cinco anos de idade. consegue fugir.C[20] . um dos amigos do rei. preferindo o seu modo de vida particular. Demétrio I governará de 161 a 150 a. Porém. E os judeus obtêm. a fim de que. decidimos que o Templo lhes seja restituído e que eles possam governar-se segundo os costumes de seus antepassados. desejam que se lhes permita a observância das suas leis. Querendo. Demétrio. No seu lugar é nomeado o sumo sacerdote Alcimo. bem farás enviando-lhes embaixadores que lhes dêem as mãos. Segundo 1Mc 7. é executado (2Mc 13. que os assideus se viram pressionados a aceitar. E então assistimos a uma primeira dissidência entre os revolucionários judeus. dando-lhe ordens de exercer a vingança contra os filhos de Israel". governador das regiões de Além-do-Rio. por decreto real. um dos seus amigos. pois. . a liberdade religiosa novamente."O rei Antíoco a seu irmão Lísias. O helenizante sumo sacerdote Menelau é convocado a Antioquia e. que vive como refém em Roma. querida por nosso pai. chega à Síria. Alcimo "confirmado em sua dignidade [por Demétrio]. Alcimo é um "ímpio". por ordem de Lísias. e o enviou com o ímpio Alcimo.8-9. saudações. a quem assegurou o sumo sacerdócio. e fizera propostas de paz. Tendo-se trasladado nosso pai para junto dos deuses. homem poderoso no reino e fiel ao soberano. Filipe não consegue o controle do reino e foge para o Egito. sabedores de nossa intenção fiquem de ânimo sereno e se entreguem prazerosamente às próprias ocupações". enquanto Judas e seus partidários preferiam continuar na oposição"[21] . O que Antíoco V faz é revogar o decreto de seu pai que proibia as práticas judaicas. querendo nós que os súditos de nosso reino estejam livres de qualquer incômodo a fim de poderem dedicar-se ao cuidado dos próprios interesses. ou seja um helenizante: "O rei escolheu a Báquides.3-8). mata seu primo Antíoco V e Lísias e assume o poder.Por isso. um filho de Selêuco IV. que também este povo possa viver sem temor. Mas antes. voltara a Jerusalém acompanhado de Báquides.

C. 20 km ao norte de Jerusalém. Com efeito. segundo 1Mc 7. que vai do Eufrates ao Egito. é que os Selêucidas vencem Judas. morto em Beerzet. após seis anos de guerra. Isto indica que enquanto o objetivo da luta dos assideus é apenas conseguir a liberdade religiosa. Mas na sua qualidade de aaronida legitimava sua nomeação e atraía à sua causa os assideus"[22] .. Alcimo "é tratado de ímpio porque convivia com os gregos e criava obstáculos às pretensões dos Asmoneus. o dos Macabeus é bem mais amplo. os assideus raciocinam assim: "É um sacerdote da linhagem de Aarão que veio com este exército: ele não procederá injustamente conosco".1-18). Antíoco I Soter 280-261 Antíoco II Théos 261-246 Selêuco II Calínicos 246-226 Selêuco III Ceráunos 226-222 Antíoco III. em combate contra Báquides (1Mc 9. A DINASTIA DOS SELÊUCIDAS Selêuco I Nicator 312-280 a.14. o Grande 222-187 Selêuco IV Filopator 187-175 Antíoco IV Epífanes 175-164 Antíoco V Eupator 164-162 Demétrio I Soter 162-150 Alexandre Balas 150-145 Demétrio II Nicator 145-139 Antíoco VI Théos 145-142 Trifão 142-139 Antíoco VII Sidetes 139-128 Demétrio II Nicator 128-122 Selêuco V 125 Antíoco VIII Filometor 125-113 . Os Macabeus continuam a sua luta e só em 160 a.Báquides é o governador da província da Transeufratênia.C.

pp. Cf. Cf. 1987.. "Atualmente Hamadã. R. [19] . p. M..-135 d. C.. p. 380. não se tem notícia de cidade alguma com o nome de Elimaida. p. 1Mc 6. 307. Cf. Brescia. [20] .. 227-229.C.. 365-367. pp. Epífanes morreu em Tabe.. NEXT [11] . As tradições e as leis dos judeus praticantes.. [18] . 136-138. História XXXI. F. 1985. SCHÜRER. nota g a 2Mc 9. p. Rio de Janeiro. Ancient Israel. PRÉAUX. pp. p. O judaísmo vivo. 222-233. 9. A revolta dos Macabeus. "De fato. pp. Histoire de la Palestine I. Histoire politique du monde hellénistique II. [17] . 700 km a nordeste de Persépolis. 510-514.VV. DE VAUX. Idem.Antíoco IX Filopator Antíoco VIII Filometor Antíoco X contra 5 filhos de Antíoco VIII Antíoco XIII 113-95 111-96 95-93 69-65 a. E. 30. [12] .. [15] .C. [16] . ABEL. WILL. C. pp. Le monde hellénistique I.. p. 29. em sentido restrito. [13] . C. 171. Textos do Antigo Oriente Médio. Cf. Imago. é a região montanhosa a nordeste dessa cidade". 134-165. diz a BÍBLIA DE JERUSALÉM.C. Histoire d'Israel III.1 nota q. Histoire d'Israel III. este texto em AA. Israel e Judá. Paideia. SAULNIER.. SAULNIER. ASHERI. forma grega de Elam (Gn 10. C.3. Cf. a meio caminho entre essas duas cidades". ou em SAULNIER. antiga capital da Pérsia (Ne 1. Na realidade. POLÍBIO.1) e. A revolta dos Macabeus.-M... 99. 580-582. [14] . J.22). ibidem. pp. Cf. História de Israel. C. SAULNIER. E. .) I. pp. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo (175 a. explica a BÍBLIA DE JERUSALÉM. A Elimaida é a região em torno de Susa. as lutas de Judas em BRIGHT.

32. Seu irmão Alexandre Janeu casa-se com a rainha viúva. p. Mas. Mas seus dois filhos. continua o processo de reaproximação com o helenismo. finalmente. João Hircano I começa a enfrentar a oposição dos fariseus. apesar de ter governado apenas um ano. que só acaba com a chegada definitiva dos romanos na região. filho e sucessor de João Hircano. a poderosa fortaleza selêucida de Jerusalém. Salomé Alexandra.C. Agindo com crueldade extrema. BÍBLIA DE JERUSALÉM. consegue. entram em violenta disputa pelo poder.C. [22] . Janeu vai enfrentar pesada guerra civil no seu confronto com os fariseus. ele controla a situação após 6 anos de sangrentos conflitos. Simão. O general Pompeu anexa a . e continua o processo de anexação de territórios na Palestina. que continua o processo de judaização da Palestina. a independência da Judéia. a luta dos Macabeus continua com seu irmão Simão a partir de 143 a. SAULNIER. 1Mc7. Sua mulher Salomé Alexandra assume o poder depois dele e faz a paz com os fariseus. após a morte da rainha. proclama-se rei. por adotar medidas militares políticas helenizantes. Hircano II e Aristóbulo II.. E a luta pelo poder no seio da família dos Macabeus é forte: Aristóbulo encarcera sua mãe e seus irmãos. A revolta dos Macabeus. Assassinado. governando com grande habilidade. C. ao dominar a Acra. levando suas fronteiras a um ponto que o país nunca mais tivera desde que fora destruído por Nabucodonosor em 586 a. Aristóbulo I.9 nota q. Entretanto. Simão é sucedido por seu filho João Hircano I. Os Macabeus II: a Independência Após a morte de Jônatas.[21] . grupo que vai se tornando cada vez mais popular.

1Mc 13. para comprar ou vender. entre aclamações e palmas. e habitou ali. Fortificou ainda mais o monte do Templo. agora rei. címbalos e harpas. em Jerusalém. afinal. removendo-lhe as abominações. sua importância política. restituindo. torna-se o seu governador militar. Finalmente nela entraram no vigésimo terceiro dia do segundo mês do ano cento e setenta e um[2]. Demétrio II ainda comanda a Cilícia e a Mesopotâmia e Simão faz aliança com ele. é o rei selêucida.49-52 descreve a tomada da Acra por Simão: "Ora. 10. Simão fortalece também as alianças com Esparta e com Roma. de mil minas de peso. Como narra 1Mc 14. Ptolomeu. Gazara (= Gezer) é judaizada à força e João Hircano. na parte contígua à Cidadela. perecendo não poucos dentre eles à míngua. perto de Jericó. e. Este Antíoco VII inicialmente reafirma os . e entoando hinos e cânticos. começaram a passar muita fome. Simão Consegue a Independência da Judéia Simão sucede a seu irmão Jônatas em 143 a. filho de Abrebo. enfrentando Trifão. porque um grande inimigo havia sido esmagado e expelido fora de Israel. estratégica cidade helenística. por um genro seu. Então clamaram a Simão para que aceitasse a sua mão direita. Simão toma Gazara.C.36-42. com dois filhos. e a expulsão dos gentios do território. Consegue muitos benefícios para o povo judeu.Judéia à República Romana em 63 a.1. à Judéia. para confirmar a aliança com eles"[3].C. Simão acaba assassinado. durante um banquete. A importante fortaleza é transformada no palácio dos Macabeus[1].C. como consta do decreto de Demétrio II citado em 1Mc 13. Expulsou-os. os da guarnição da Cidadela. porém dali e purificou a Cidadela. repele um seu ataque na Judéia.24: "Simão enviou Numênio a Roma com um grande escudo de ouro. filho de Simão. que entre 139 e 128 a.C. impedidos de sair e de andar pela vizinhança. ao som de cítaras. Simão estabeleceu que se comemorasse cada ano esta data com alegria. e ele os atendeu. ele com os seus". Este seu genro está em conluio com Antíoco VII Sidetes (irmão de Demétrio II). E a independência da Judéia do jugo dos Selêucidas é garantida com a destruição da Acra por Simão em 141 a.

mas em seguida reclama de Simão as localidades por ele conquistadas e o tributo dos territórios anexados por Simão à Judéia (1Mc 15. Sua intenção é a de submeter novamente a Judéia ao poder selêucida. nem mesmo pelos sacerdotes. sob pena de condenação..27-49 traz a inscrição sobre os feitos de Simão e da família dos Macabeus. durante seu governo.é estratego (tem autoridade sobre o exército). Antíoco VII. "príncipe". é chefe (hegoumênos.C. no quarto ano de seu reinado. Como não chegam a um acordo. chamado João Hircano. "chefe") e sumo sacerdote hereditário. dividindo o seu exército em sete corpos. expressão grega usada na LXX para traduzir sar. para cercar assim toda a praça"[5].o que faz dele um dinasta . muito querido pelos judeus que resolvem fazer-lhe um elogio. Durante seus primeiros anos de governos João Hircano I enfrenta enormes dificuldades para manter a independência da Palestina. Entretanto. ele tem o direito de fazer 'julgamentos' que não podem ser contestados por ninguém.acordos dos reis anteriores. atacou a Judéia. tem o direito de usar a púrpura e a fivela de ouro (v. 44) . impor a João Hircano o tributo e obrigá-lo a combater ao seu lado contra os partos. consegue cercar Jerusalém em 133 a. Aí vemos que ele é etnarca (líder da etnia judaica). entretanto. não se pode mais fazer reuniões sem a sua aprovação"[4]. 10. um filho seu. Flávio Josefo diz desse momento: "Antíoco. ou rosh. que conservava ainda o ressentimento pelas vantagens que Simão.2. inclusive reocupando a Acra. Antíoco VII apóia a ação criminosa de Ptolomeu contra Simão.25-26.25-26). 1Mc 14. consegue escapar e assume o poder. que era o primeiro do principado de Hircano e a centésima sexagésima segunda Olimpíada.C. Depois de ter devastado os campos e obrigado Hircano a se retirar para Jerusalém. o que não consegue. gravado em placas de bronze e afixado no monte Sião.C. segundo 1Mc 14. governando de 134 a 104 a. João Hircano I e as Divisões Internas dos Judeus Quando Simão é assassinado. ele o sitiou. por exemplo. . pai de HIrcano. "Não se pode dizer que ele tenha um poder legislativo. Simão é. O decreto é de setembro de 140 a. porque o povo é regido pela Lei. tinha obtido sobre ele.

há outros problemas mais urgentes em Roma. Paul lembra que a expansão territorial e os métodos imperialistas dos Macabeus vão se tornando cada vez mais fortes.Quando o poder selêucida muda de mãos. judaizando importantes localidades palestinas como Mádaba.C. João Hircano I continua as conquistas de seu pai Simão. Flávio Josefo.tendo se tornado suspeita de ter sido violentada e tornada impura -.. mas apóiam qualquer iniciativa que possa enfraquecer os Selêucidas. . Foram destruídas assim muitas cidades de importância econômica e cultural tanto para a Palestina como para os territórios vizinhos.) Era necessário aniquilar a civilização grega com suas realizações. João Hircano I apela para os romanos. Os romanos não morrem de amor pelos judeus. para explicar a ruptura de João Hircano I com os fariseus. entretanto. o Senado procurará defender os interesses dos judeus[7]. bastante lendário. 'Ou o judaísmo ou a morte': esta frase poderia resumir o programa político dos grandes Asmoneus. Marisa. o que o incapacitava para o cargo de sumo sacerdote. Adora. no momento..14. ação que o partido farisaico não aprova. mas também manda dizer que. Tal foi. Samega. por sinal. Entretanto. segundo Lv 21. Siquém. A partir deste momento João Hircano I alia-se aos saduceus e rompe com os fariseus[8]. já antes estabelecido por seus antepassados. cujo território ambicionam. Logo que puder. durante um banquete. A. em particular. a Iduméia. Para se libertar da tutela selêucida. O Senado romano renova então a amizade (filia) e a aliança (symmachía) com os judeus em 126 ou 125 a. Os idumeus e os itureus da Galiléia foram obrigados a se circuncidarem (. com quem renova o tratado de amizade.. João Hircano destruiu o templo do monte Garizim e a cidade helenizada de Samaria e reduziu seus habitantes a escravos. e não só suas resistências. um fariseu teria requerido de João Hircano I que abandonasse o sumo sacerdócio. o destino das grandes e prósperas cidades costeiras e das cidades helenísticas fundadas a leste do Jordão"[6]. Pois sua mãe teria sido prisioneira de Antíoco IV Epífanes . João Hircano I tenta punir este fariseu com a morte. "A maior parte das guerras terminou com a conversão forçada dos vencidos e muitas vezes com extermínios que lembravam o 'anátema' praticado por Josué. narra um episódio. as crueldades cometidas por João Hircano I contra as cidades conquistadas e as populações forçadamente judaizadas provocam a primeira reação dos fariseus contra os governantes Macabeus. segundo o qual.

João Hircano I, na verdade, para conseguir as suas conquistas e garantir o seu território, começa a incorporar ao seu exército mercenários gentios. Naturalmente pagos com os tributos recolhidos do povo judeu. O que já desagrada bastante aos aliados dos Macabeus. P. Sacchi explica: "Os gentios engajados eram impuros que viviam junto ao povo judeu. Para os essênios a contaminação da cidade crescia, para os assideus surgiam problemas sobre a pureza que antes não existiam. A suspeita em relação ao Asmoneu devia crescer"[9]. Originariamente aliados dos Macabeus no combate à helenização, os assideus acabam divididos na época de Jônatas. Deles saem os essênios, que rompem com o governo dos Macabeus, e os fariseus, que ainda o apóiam[10]. É preciso considerar também que, pouco a pouco, o governo macabeu toma rumos semelhantes aos de seus inimigos Selêucidas, afastando-se dos ideais originais da resistência. É isto principalmente que provoca os atritos com os judeus mais rigorosos na observância da Lei. Observando outro aspecto, A. Paul crê que a política macabéia de destruição do helenismo é, a longo prazo, um suicídio. Esta política "consistia, de um lado, em destruir todos os traços, inclusive os humanos, do helenismo político e cultural das cidades da Palestina justamente quando a numerosa diáspora manifestava sua legalidade e impunha sua verdade, impregnando-se profundamente do modo grego de pensar, de viver e de se exprimir". Além do que, esta política "significava o aniquilamento das infra-estruturas e das estruturas sociais e econômicas, das quais dependiam a salvação e a prosperidade da Palestina". E o autor acrescenta: "Poucos decênios depois, quando da queda súbita do Estado asmoneu em 63 a.C., a história mostrou que, já nos tempos dos troféus, o processo de morte estava profundamente consolidado e generalizado". Para concluir, diz A. Paul: "Da luta pelo restabelecimento da paz civil e, depois, pela independência nacional, passara-se, com efeito, a conquistas cuja finalidade era garantir a segurança necessária às novas fronteiras, muito vulneráveis. Formava-se assim uma engrenagem irresistível, já que a segurança conseguida pelas armas exigia a garantia de uma outra segurança, a qual, por sua vez, devia também ser conseguida pelas armas"[11].

Também M. Hengel acredita que nesta época só a monarquia de tipo helenístico ou a pólis têm condição de sobreviver, sendo inviável qualquer outro tipo de Estado. Por que? Porque sem um exército moderno, um aparelho administrativo e financeiro eficiente e uma participação competitiva no mercado mundial um Estado não tem espaço neste contexto. Os judeus não conseguem compreender isso e estão destinados à falência, pois tentam transplantar seu antigo ideal teocrático para uma realidade política de um mundo transformado[12]. NEXT [1]. Sobre Simão, cf. ABEL, F.-M., Histoire de la Palestine I, pp. 191-206; SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, pp. 146-149; SCHÜRER, E., Storia del popolo giudaico al tempo de Gesù Cristo I, pp. 250-261. [2]. O vigésimo terceiro dia do segundo mês do ano cento e setenta e um da era selêucida corresponde aos começos de junho de 141 a.C. [3]. Uma mina ática pesa 436 gramas: o escudo pesaria quase meia tonelada de ouro. Entretanto, na resposta dos romanos à embaixada judaica se diz: "Eles nos trouxeram um escudo de ouro de mil minas" (1Mc 15,18). Deve-se entender que o escudo vale mil minas de prata, o equivalente a aproximadamente 44 kg de ouro, peso aceitável para esse tipo de escudo decorativo. [4]. SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, p. 155. [5]. JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XVII, 236. Sobre João Hircano I, cf. SCHÜRER, E., o. c., pp. 261-279. [6]. PAUL, A., O judaísmo tardio, pp. 191-192. JOSEFO, F., Bellum Iudaicum I, 64-66 descreve o cerco e a queda de Samaria. [7]. Cf. o texto em JOSEFO, F., Antiquitates Iuadaicae XIII, 259-266. [8]. Cf. JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XIII, 288-298. Cf. também SCHÜRER, E., o. c., pp. 275-278. Na p. 277 diz este autor: "Na sua forma anedótica, a história traz, sem dúvida, as marcas da lenda, e provavelmente Josefo a recebeu apenas de uma tradição oral. Não obstante, pode-se considerar como um dado de fato que Hircano verdadeiramente se distanciou dos fariseus e aboliu as suas prescrições".

[9]. SACCHI, P., Storia del mondo giudaico, Torino, Società Editrice Internazionale, 1976, p. 115. [10]. Cf., sobre os fariseus, saduceus e essênios, SCHÜRER, E., The history of the Jewish people in the age of Jesus Christ II, Edinburgh, T & T Clark, 1986, pp. 381-414; 555-590. [11]. PAUL, A., O judaísmo tardio, pp. 193-196. [12]. Cf. HENGEL, M., Ebrei, Greci e Barbari, pp. 134-135.

10.3. Aristóbulo I e a Reaproximação com o Helenismo Segundo Flávio Josefo, João Hircano tem cinco filhos, quando morre em 104 a.C. Mas ele não deixa o governo para nenhum deles, e sim para sua mulher[13] . É bem provável, entretanto, que tenhamos aqui uma confusão com a situação análoga ocorrida mais tarde, quando, ao morrer, Alexandre Janeu deixa o trono para sua mulher Salomé Alexandra. É que Janeu é rei e pode fazer isto, mas não João Hircano que não é rei[14] . De qualquer maneira, Aristóbulo, o filho mais velho de João Hircano I, aprisiona sua mãe e três de seus irmãos, assumindo o poder. Sua mãe morre de fome na prisão. Apenas um de seus irmãos, Antígono, fica livre. Contudo, as intrigas dos rivais de Antígono levam Aristóbulo a mandar matá-lo, temendo, provavelmente, sua concorrência, já que lhe fazem crer aspirar Antígono ao poder supremo[15] . Ainda segundo Flávio Josefo, Aristóbulo I terá sido o primeiro Macabeu a usar o título de rei: "Aristóbulo, que era o mais velho dos filhos de Hircano, cognominado 'Filélên', isto é, amigo dos gregos, mudou em reino, depois da morte de seu pai, o principado dos judeus e foi assim o primeiro que se fez coroar rei"[16] . Entretanto, esta notícia é controvertida. Nas suas moedas aparece apenas a seguinte inscrição: "Judas, sumo sacerdote e a comunidade dos judeus".

Além do que Estrabão diz que é seu irmão e sucessor Alexandre Janeu o primeiro Macabeu a ostentar o título de rei. Diz Estrabão: "De qualquer modo, quando agora a Judéia estava sob o domínio de tiranos, Alexandre foi o primeiro a se declarar rei em vez de sacerdote"[17] . Por outro lado, observe-se que tanto ele como seus irmãos têm nomes gregos - Aristóbulo, Antígono, Alexandre -, embora use para os judeus um nome semita, Judas. Isto significa que seu pai João Hircano já abrira as portas da família para a helenização. Helenização que um dia seus antepassados combateram. E Flávio Josefo chama Aristóbulo I de "filo-heleno", o que igualmente indica sua aproximação da cultura grega, certamente apoiado pelos seus aliados saduceus. Por sinal, os autores gregos o têm em grande conta, segundo relata o mesmo Josefo: "Era de natural tão doce e tão modesto, como Estrabão o refere com estas palavras, ante a relação de Timagenes: 'Este príncipe era muito afável (epieikês) e os judeus não lhe são devedores de pouco: porque ele levou tão longe os limites de seu país que ele aumentou com uma parte da Ituréia e uniu este povo a eles pelo laço da circuncisão'"[18] . Certo é que Aristóbulo I continua as conquistas de sua família: anexa e judaíza a Galiléia, segundo as fontes antigas habitada por tribos ituréias, obrigando seus habitantes a aceitar a circuncisão e a Lei[19] . Aristóbulo I morre, de dolorosa doença, tendo governado apenas um ano. 10.4. Alexandre Janeu, o Primeiro Rei Macabeu Após a morte de Aristóbulo I, sua viúva Salomé Alexandra, liberta seus irmãos da prisão e se casa com o mais velho, Alexandre Janeu, que se torna, assim, rei e sumo sacerdote. É o que nos diz Flávio Josefo: "Depois da morte do rei Aristóbulo, a rainha Salomé, sua esposa, que os gregos chamam de Alexandra, pôs em liberdade os irmãos desse príncipe, que ele mantinha na prisão, como vimos, e fez rei a Janeu, antes chamado de Alexandre, que era o mais velho e o mais moderado de todos"[20].

. ao tentar tomar Ptolemaida. vendo-se sozinhos. judeus de nascimento (. entre os quais se destacam Ananias e Helquias. os soldados saíram. sem resistência. para onde fora expulso por sua mãe.C. filho mais velho da rainha Cleópatra III. é um pequeno rei em Chipre. apoderando-se inclusive da importante cidade de Gaza em 96 a. estivesse sujeito a um único homem. Mas Ananias aconselhoulhe o contrário. Porém. Ela certamente teme as conquistas do filho e provavelmente é também influenciada por conselheiros judeus.. Alguns deles. soltou suas tropas sobre os gazenses e deixou seus homens se vingarem deles. toda a Judéia. até o Monte Carmelo. ao norte. uns para um lado. desde a fronteira com o Egito. no sul. Alexandre Janeu continua. cujo comando confiou a Helquias e Ananias. com redobrado vigor. julgou não dever esperar mais para enfrentá-lo.. entra em cena um rei ptolomaico: Ptolomeu IX Latiro. anexação e judaização de várias cidades palestinas.. desta vez a leste do Jordão e. Mas. do Egito. Conquista a região costeira da Palestina. generais do exército ptolomaico."[21]. usando toda a sorte de armas que lhes caíam nas mãos e mataram tantos quantos foram os que perderam. antigo sonho dos Ptolomeus.) defenderam-se dos judeus. matando os gazenses. A descrição que faz Flávio Josefo da conquista de Gaza é exemplar para avaliarmos os métodos de Alexandre Janeu: "Quando entrou na cidade. filhos de Onias IV.. Alexandre teve primeiramente uma atitude pacífica.. puseram fogo em suas casas para que não fossem saqueadas . tinha submetido Gaza à sua obediência e estava já quase às portas do Egito e que ele nada mais pretendia do que se apoderar do mesmo. em seguida. mas este recebe ajuda da rainha Cleópatra III.) Alguns dos seus servidores propuseram-lhe apoderar-se de seu país e não permitir que um número tão grande de judeus.Nos primeiros anos de seu governo. outros para o outro. homens de bem. Alexandre Janeu retoma. no sul. reuniu grandes forças de terra e mar. suas conquistas. Cleópatra III acaba tornando-se senhora de toda a Palestina. da família sacerdotal de Jerusalém. então. Assim. Ptolomeu IX vence Alexandre Janeu. O comentário de Flávio Josefo é o seguinte: "Quando a rainha Cleópatra viu que seu filho crescia em poder daquele modo e devastava. o processo de conquista. mas se retira e deixa o território sob o comando de Alexandre Janeu. em seguida. sem perder tempo. Estes (.

A reação de Alexandre Janeu é violenta: manda que seus mercenários ataquem a multidão e cerca de seis mil pessoas são massacradas. Os fariseus pedem. Isto terá sido por volta de 89 a. ao mesmo tempo que os Macabeus se distanciam progressivamente de suas aspirações. perto de Siquém. Só os sacerdotes.. aí por volta do ano 90 a. depois de ter demolido a cidade sobre seus cadáveres .C. ele manda construir uma paliçada de madeira em torno do Templo e do altar. Em conseqüência desse episódio.pelo inimigo. que são saduceus. mas Alexandre os matou e. a ajuda de Demétrio III. ao mesmo tempo. que. que enfrenta e vence Alexandre Janeu totalmente.retornou a Jerusalém"[22]. E como podem os fariseus aceitar como sumo sacerdote um guerreiro do tipo de Alexandre Janeu que não cumpre as rigorosas prescrições que o cargo exige? Pois terá sido após as conquistas acima mencionadas. A ruptura com os fariseus é total[24]. Outros se desembaraçavam. colocando-se os dois poderes em nítido contraste. desta vez quando se confronta com os nabateus pela posse da região do Golã. Alexandre Janeu acaba sofrendo mais uma derrota militar. Alexandre Janeu enfrenta uma guerra civil que dura seis anos e na qual terão morrido pelo menos cinqüenta mil judeus[25]. de seus filhos e de suas mulheres: era o único meio de evitar que se tornassem escravos de seus inimigos. porque o ataque teve lugar justamente quando eles estavam em conselho. E é então que Alexandre Janeu começa a enfrentar séria oposição interna. a leste do lago de Genezaré. capitaneada pelos fariseus.C. para se proteger da população. Cerca de quinhentos membros da Assembléia se refugiaram no templo de Apolo. . Os fariseus vêm aumentando constantemente sua influência junto ao povo. Apoiado por seus mercenários estrangeiros. com suas próprias mãos.tendo decorrido um ano de cerco . rei de parte da Síria. o povo atinge Alexandre Janeu com limões no momento em que ele está diante do altar para oferecer o sacrifício[23]. seus mais ferrenhos adversários. durante a festa dos Tabernáculos. Ao fugir para Jerusalém encontra uma violenta rebelião armada contra seu governo. podem atravessar esta paliçada.

na verdade. pela força ou pela morte. . é que permite igualmente a Alexandre Janeu o seu expansionismo judaizante. Demétrio III abandona a Palestina e volta para a Síria. de curta duração. o rei iraniano Mitridates VI. ao retornar a Jerusalém crucifica 800 de seus adversários enquanto participa de um alegre banquete. alia-se aos partos. Paul. expandindo o processo de judaização. A guerra conhecida como "Guerra dos aliados" (Bellum sociale) . por exemplo. Somado a isso acontece o enfraquecimento definitivo do poder selêucida. Aproveitando-se do conflito interno em Roma. temporariamente. Mas é mais provável que Demétrio III tenha se retirado por causa dos conflitos internos dos Selêucidas. de modo que oito mil deles se retiram do país e não voltam enquanto ele permanece no governo[27]. Alexandre Janeu dedica-se novamente às conquistas territoriais. segundo muitos autores[28]. por outro lado. egípcios e sírios para cortar a influência romana na região. A.Entretanto. sob o impulso de 'reorientalização' dos territórios e Estados do Oriente Médio que acompanhava o declínio dos Selêucidas gregos. segundo Flávio Josefo. do Ponto. porque em seguida ele é vencido por seu irmão que tem o apoio dos partos. Este gesto de terror teria desencorajado os seus adversários. violentas guerras civis entre o proletariado e a aristocracia romana e também entre os aliados italianos e os cidadãos romanos .faz com que Roma perca por breve período o controle do Oriente. recua no controle de seus interesses na região. armênios. o elemento judaico em toda a Palestina"[29]. Após a pacificação interna. que já não ameaça Roma. estão relacionados à crise vivida por Roma nesta época. Flávio Josefo diz que a razão é a reviravolta dos sentimentos judaicos ao verem seu território ocupado pelos estrangeiros: cerca de seis mil judeus teriam abandonado Demétrio III e passado para o lado de Alexandre Janeu[26]. que se deve situar o combate impiedoso de Alexandre Janeu contra as cidades helenísticas e sua decisão de impor. Estes acontecimentos. que. comenta: "É pois. apesar de um confronto desastroso com o rei nabateu Aretas tê-lo obrigado a fazer algumas concessões a este povo[30]. Esta "ausência" de Roma. Consegue grandes vitórias. após fazê-los assistir ao massacre de suas esposas e filhos. Alexandre Janeu consegue então controlar a revolta interna e.

levar o território judaico à sua extensão máxima desde que o país fora devastado pelos babilônios cerca de 500 anos antes. Alexandre morre. Pela. Schürer sintetiza assim as conquistas de Alexandre Janeu: "No sul os idumeus foram subjugados e judaizados. do lago Merom ao mar Morto. Ocultai minha morte aos meus soldados até que esta praça [Ragaba] tenha sido tomada.ou iniciado? . a fim de que a honra que lhes concedeis os leve a louvar publicamente. perante o povo.Alexandre consegue. Alexandre morre de doença e não em combate. 10.5. E. enquanto sitia a fortaleza de Ragaba.) Dai-lhes vossa palavra. o poder é partilhado entre a resoluta rainha e os fariseus[35]. Talvez Josefo esteja apenas relatando. provavelmente por consumo excessivo de bebidas alcoólicas[32].. Além disso. De fato. que fazem amar ou odiar o que eles querem (. quando combate os nabateus na fronteira gerasena. no norte o domínio de Alexandre se estendia até a Selêucia sobre o lago Merom. na verdade. segundo o mesmo Josefo. Eles gozam de tanto poder sobre seu espírito. procurai conquistar o afeto dos fariseus. de que nada fareis no governo do reino.seu poder no aristocrático . Depois que voltardes vitoriosa a Jerusalém. os fariseus devem ter aumentado . em 76 a. inventadas causas para um efeito real: Salomé Alexandra governa durante nove anos apoiada pelos fariseus. todas as cidades costeiras da fronteira egípcia ao monte Carmelo foram conquistadas por Alexandre. baseado em alguma tradição. Com exceção de Ascalon. Díon e outras"[31].. Através destes relatos de Flávio Josefo podemos concluir que. segundo F. dando-lhes alguma autoridade. a vossa magnanimidade. senão por seu conselho"[33]. ficou sob seu domínio. Gadara.. que estão rompidos com os Macabeus desde João Hircano I[34]. Alexandre Janeu deixa o trono para sua esposa Salomé Alexandra e faz-lhe a seguinte recomendação: "Se quiserdes seguir o meu conselho podereis conservar o reino e também os nossos filhos. Josefo. durante seus 37 anos de reinado. em seguida. todo o país a leste do Jordão. estava agora quase inteiramente sob controle judaico.C. Mas. inclusive um número de importantes cidades que até então tinham sido centros de cultura grega como Hippos. A costa. Salomé Alexandra e o Poder dos Fariseus Segundo Flávio Josefo. onde Jope fora outrora a primeira conquista dos Macabeus. ao morrer. que conseguiu conservar a independência. Esta notícia pode ser verdadeira ou não.

. 299-302. os conflitos são controlados. Cf. Esta portanto. Storia del mondo giudaico. E este comanda várias fortalezas. de fato. [14]. ambicioso. Hircano. mais jovem que Hircano. assessorado por oficiais saduceus[38]. ousado. Mas Salomé Alexandra controla a situação. a longo prazo. . empreendedor. É através da gerousia. Talvez seja este o maior defeito de seu governo: a curto prazo. homem sem ambições. ao mesmo tempo que os saduceus. ela entrega a defesa das fronteiras do país nas mãos de seu outro filho. segundo Josefo. até então por representantes da nobreza e dos sacerdotes. SACCHI. Schürer comenta a propósito: os fariseus "podiam exercer tal autoridade somente se fossem um fator determinante no órgão administrativo supremo. Por outro lado. E. P. mas. Além de reforçar a estrutura de seu exército com novos mercenários e. Estas medidas desmobilizam os intermináveis conflitos internos. 118. F. Salomé Alexandra não é nada ingênua nesta atribuição de poder aos fariseus. Obviamente os fariseus fazem várias tentativas para punir os saduceus. NEXT [13]. gerando próspero e pacífico período.senado criado muito antes pelos Ptolomeus para mais facilmente controlar o país. comandá-lo. a gerousia. liderados por Aristóbulo fazem exatamente o jogo contrário. deve ter sofrido uma importante transformação. o futuro Sinédrio. Aristóbulo. Enquanto era constituída. a "bomba" está sendo armada para detonar nas mãos de seus filhos. que só irá explodir após sua morte aos 73 anos de idade. agora deve ter admitido também mestres fariseus"[36]. JOSEFO. Conta muito também o fato de ser nomeado para o sumo sacerdócio o filho mais velho de Alexandre Janeu. que os fariseus começam de fato a legislar. Antiquitates Iudaicae XIII. oficializando o seu já imenso poder sobre o povo judeu. pouco apto para o governo e que gosta de viver na ociosidade. p. que apoiavam Alexandre Janeu e eram também responsáveis pela morte de tantos partidários seus. Cf.. Isto deixa amplo espaço para a atuação dos fariseus[37].

Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. I. PAUL. [28]. Idem. M. JOSEFO. F. Antiquitates Iudaicae XIII. 375. 207-216. [22]. Antiquitates Iudaicae XIII. A. M. 348ss. [24].. Cf. JOSEFO. pp. F. 1982. 380. Idem. ibidem XIII. Editorial Presença.. STERN. L. pp.[15]. BLOCH. o. Cf. Zahar. 1989. ibidem XIII.. pp. Idem. [20]. [27]. 81-109. 282. 198-199. M. Timagenes é um historiador alexandrino do século I a.. Idem. Sobre esta questão. Cf. o texto de Estrabão em STERN. 319. 19774. ibidem XIII.C.. ibidem XIII. F.. [16]. Idem. Calúnias foram a causa disso". ibidem XIII. G.. 225-226. É possível que os itureus habitem apenas as partes norte e nordeste da Galiléia e também que a anexação deste território (Galiléia) tenha começado antes do governo de Aristóbulo I. F. ESTRABÃO.. Idem. [25]. História de Roma. cf. ALFÖLDY. [19]. [23]. O judaísmo tardio. p. E. 301. c. Diz JOSEFO. Este é o costume da época. ibidem XIII. [18]. SCHÜRER. JOSEFO.. Editorial Labor.. Para a história da guerra dos aliados. Antiquitates Iudaicae XIII. 372-373. Antiquitates Iudaicae XIII. . Barcelona.. [21]. Publicações Europa-América 19742. 762. 362-364. A história social de Roma. Lutas sociais na Roma antiga. Storia del popolo giudaico al tempo de Gesù Cristo I. C. Cf.. 301-302. Rio de Janeiro. cf. Roma y la conquista del mundo mediterráneo 264-27 a. pp. Geographica XVI. C. Cf.. M. Lisboa. 379. [29]. [17]. Cf. 107-118. A questão é controvertida. c. pp. pp. que ele mostrara amar tanto. Durante a festa dos Tabernáculos cada participante leva uma folha de palmeira e um limão. 303: "A esse crime [de matar a mãe] acrescentou o de mandar matar seu irmão Antígono. o. pp. [26]. STERN. 137-212.. pp. 320. 222-226.. de J. ROSTOVTZEFF. NICOLET.

Ou ela morre em 67 a. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I.. Sendo o mais velho e. Cf. 10.. 262-263. Sobre a questão. neste tempo.[30]. [32]. [31]. Apenas diz: "Ele [Aretas] entrou com soldados na Judéia. Josefo não especifica que concessões são essas. 401-404. à morte de Salomé Alexandra. Alexandra conseguia subtraí-los às vinganças farisaicas e dava o comando do exército a homens que.. [33].C. [36]. A. F. Storia del mondo giudaico. Antiquitates Iudaicae XIII. 405ss.. Sobre a data da morte de Salomé Alexandra existe alguma divergência. ou em 69 a. nota 1. [35]. [38]. 292-293.6. JOSEFO.. 395-397.C. pp. SCHÜRER. 206-218. Antiquitates Iudaicae XIII. Antiquitates Iudaicae XIII. Cf. P. A extensão do território judaico à época da morte de Alexandre Janeu nos é conhecida através do relato de JOSEFO. Cf. cf. 296. 123: "Enviando os principais líderes saduceus para as fortalezas. libertavam os prisioneiros e em nada se diferenciavam dos soberanos". 392. Antiquitates Iudaicae XIII. como afirmo acima. 398. F. E. SCHÜRER.. O judaísmo tardio. A história das cidades da região pode ser lida em PAUL. [34].. Hircano II e Aristóbulo II. JOSEFO.. "Assim ela tinha só o nome de rainha e os fariseus gozavam de todo o poder que lhes dava a realeza. E. Faziam voltar os exilados... Aristóbulo II e a Intervenção de Pompeu Mal morre a mãe Salomé Alexandra. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. 408-409. [37]. p. Antiquitates Iudaicae XIII. e voltou depois de ter conversado com ele". perto de Adida. F. E. F. desde algum tempo. pp. Mas Aristóbulo II não concorda... F. p. pp. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. acontece a guerra entre os . venceu o rei Alexandre.. Hircano II assume o posto de rei. avalia JOSEFO. SCHÜRER. JOSEFO. Comenta SACCHI. como sustentam alguns autores. tinham experiência". F. Antiquitates Iudaicae XIII. sumo sacerdote. o conflito explode entre os dois irmãos. JOSEFO.

Há grande controvérsia quanto à identidade de Antípater. representando Herodes em negociações decisivas. aquela grave divergência. por volta de 64 a.) Esse acordo se fez no Templo em presença de todo o povo. em Damasco. Nicolau torna-se. A maior parte das tropas de Hircano deixou-o para passar para o lado de Aristóbulo. Os dois irmãos abraçaram-se com demonstrações de afeto"[39]. Eis a narrativa de Flávio Josefo: "Os dois irmãos travaram batalha para decidir. entra um complicador na história. um idumeu que se torna rei dos judeus. Flávio Josefo. É a seguinte a informação de Flávio Josefo: "Nicolau de Damasco fá-lo descender de uma das principais famílias de judeus que vieram da Babilônia para a Judéia. amigo e conselheiro de Herodes Magno. Tendo nas mãos reféns tão preciosos. Quando tudo parece resolvido. mas é obrigado a render-se ao irmão que possui forças superiores. . A partir desta sua ligação com Herodes Magno..dois irmãos e. de uma família importante. próximo a Jericó. ele fugiu com o resto para a fortaleza Antônia. pelas armas. pois sabe-se que seu pai exerce altas funções políticas na cidade. em 14 a. seu filho. Nicolau é também retor e diplomata. É o pai do futuro e famoso Herodes Magno.. citando Nicolau de Damasco. Nicolau de Damasco é um historiador nascido. diz que Antípater seria um dos judeus descendentes dos exilados babilônicos. Um acordo é feito entre eles: Hircano volta à vida privada. enquanto Aristóbulo II torna-se rei e sumo sacerdote dos judeus. que a fortuna elevou depois ao trono de nossos reis. Seu nome: Antípater.. Além de escritor prolífico. Aristóbulo vence Hircano. ele negociou com seu irmão sem esperar chegar ao último extremo (.C.. Sua nacionalidade: idumeu. mas ele o diz em favor de Herodes. compreende-se sua colocação a respeito de Antípater[41] . que se tornará rei dos judeus de 37 a 4 a. como veremos a seu tempo"[40].C. Este ainda se refugia em Jerusalém. onde a mulher e os filhos de Aristóbulo se encontravam e assim o salvaram de uma ruína completa. Mas Josefo mesmo considera falsa esta informação.C.

Antípater é da cidade de Ascalon. que se refugia no .Flávio Josefo acredita que Antípater seja mesmo um idumeu. E isto explicaria a sua interferência nos negócios judaicos: para a família de Antípater. É então que Antípater se posiciona politicamente do lado de Hircano II e começa a manobrar para que este reconquiste o poder. quer pelas suas riquezas e por seu próprio mérito"[42] . o pequeno Antípater. enquanto o fraco Hircano II poderá ser mais facilmente manobrado. Aretas vence Aristóbulo. Antípater é. este nomeado para o posto por Alexandre Janeu[44]. e negocia com ele a retomada do poder: Aretas baterá Aristóbulo II e. E é de fato o que acontece. mas acaba sendo criado entre os idumeus. Além destes "judeus ilustres". mais tarde. Há outras notícias sobre este personagem. Como o sacerdote não podia pagar o resgate pelo filho. o ambicioso Aristóbulo II representa real perigo. como o fora seu pai. Segundo Flávio Josefo. citando Júlio Africano. Hircano II sai de Jerusalém. Herodes. filho de um hieródulo. através de presentes. lembrando-lhes que Aristóbulo é um usurpador do trono que pertence a Hircano. com o resto dos despojos. Segundo Eusébio de Cesaréia. e levaram da capela de Apolo. construída perto da muralha. ascalonitas e gazenses. Diz Eusébio: "Salteadores idumeus chegaram de surpresa a Ascalon. o que confirma a opinião de Josefo a respeito de sua nacionalidade. em troca. Hircano lhe devolverá as 12 cidades da Transjordânia que Alexandre Janeu lhe tomara. cidade da Palestina. o estratego (= governador militar) da Iduméia. que vem construindo seu poder através de alianças e amizades com árabes. sumo sacerdote da Judéia. de origem nobre: "Ele era idumeu e o mais poderoso de sua nação. quer pela sua descendência. também de nome Antípater. Antípater procura influenciar os judeus mais ilustres. Antípater procura convencer o próprio Hircano II de que deve lutar pelo poder e consegue. interessou-se por ele"[43]. junta-se a Aretas em Petra. Ainda segundo Flávio Josefo. embora divirja quanto a outros dados. o apoio do rei nabateu Aretas para o projeto. Antípater foi educado segundo os costumes idumeus e. e o mantiveram preso. na época do conflito entre Hircano e Aristóbulo. por ser o mais velho[45]. Hircano.

estava se formando uma nova classe de ricos. Sacchi. principalmente no antigo reino dos Selêucidas. será sob o governo de Herodes Magno (37-4 a. associados a Antípater que entram no jogo político. que é multinacional. E. no século I a. quer seja dos saduceus.que se expande em direção norte. Esta é a opinião de P. Em primeiro lugar. o exército macabeu é baseado em tropas mercenárias e não em judeus partidários. onde fica assediado por Hircano e Aretas. pois este pode pagar mais. Agora a maior parte do exército que antes passara de Hircano a Aristóbulo na primeira batalha.) Poder-se-ia dizer que ao lado de uma nobreza essencialmente guerreira. parece que o conflito não se explica mais apenas pela luta entre fariseus e saduceus.C. leva à ascensão de novas potências regionais. desta vez. Roma reaparece no cenário político da Palestina. ligada por tradição ao rei e à posse da terra. que se criará um poder totalmente independente das tradições judaicas.. criadas após a morte de Alexandre Magno pelos Diádocos. baseado nesta aristocracia economicamente muito bem situada e etnicamente indiferente[47]. chegando a tomar Damasco dos Selêucidas em 87 a. Um dos povos a participar desse jogo: os árabes nabateus. que será preenchido. quando diz: "Antípater (. mas se dirige a homens 'poderosos em Israel' (. povo nômade do sul do Mar Morto . Acabamos de ver sua interferência nos negócios judaicos[48]. pois agrupa etnias e Estados variados que vão do sul da Palestina às fronteiras da Índia.capital Petra . Estes acontecimentos nos levam a pensar que nestes confrontos há pelo menos dois fatores importantes. na Transjordânia. por outros poderes. .. faz o caminho inverso: passa de Aristóbulo a Hircano. filho de Antípater. distanciados tanto dos nobres saduceus como da burguesia farisaica"[46]. Como se não bastassem as complicações locais.. quer seja dos fariseus. Em segundo lugar.).Templo com poucos seguidores.C.) não se dirige aos fariseus para reempossar o sacerdote legítimo.. Uma primeira constatação a ser feita: a decadência das monarquias helenísticas.C. Estão facilmente passando para o lado do vencedor. É o antigo e irreversível mecanismo de helenização que continua em movimento. Cada vez mais a aristocracia se emancipa da hierocracia e se constitui em poderosa força econômica e política.. Sua fragmentação deixa um vazio político enorme. vem para ficar. Porém. especialmente a dos Ptolomeus e a dos Selêucidas. Há outros judeus poderosos e ricos. E agora com mais um detalhe: os governantes macabeus estão jogando também segundo as mesmas regras.

C. porém.C. Por outro lado.e um fato está ligado ao outro . Neste mesmo século I a. que reina também sobre a Síria a partir de 83 a.doado por seu rei Átalo. Acontece. da Macedônia e da Grécia também em 146 a. A situação se complica ainda mais quando Nicomedes.C. Finalmente.C. ao morrer.C. que ocupam um território no interior do reino selêucida durante o século III a. o mais empreendedor dos novos reinos: o Ponto. baseada na Cilícia torna-se fortíssima e se alia a Mitridates VI que. a Armênia Menor. de parte da Espanha em 197 a. na verdade uma base de operações militares na Panfília e na Lícia. vence e expulsa .Os partos. da ordem dos cavaleiros.C. Há um enfraquecimento do Senado e Roma vive permanentemente em conflito desde as tentativas de reforma dos Gracos (134 a.. É que os impostos da região são cobrados pelos publicanos. criando sérios embaraços para os interesses romanos na região[50].do fortalecimento de Roma.) até o estabelecimento do Império (30 a. rei da Bitínia.C. que se torna senhora da Sicília em 241 a. retoma Atenas em 86 a..C. deixa seu reino para Roma e Mitridates VI o invade.. As ameaças orientais à hegemonia romana crescem em conseqüência do esfacelamento dos Selêucidas e de sua "ausência" da região em função dos conflitos internos. governado por Mitridates VI Eupator. que comanda as forças romanas na Cilícia contra-ataca. massacra cerca de 80 mil italianos na província romana da Ásia.C. da Sardenha e Córsega em 231 a. o enfraquecimento dos grandes reinos helenísticos se faz acompanhar . criando Roma a província da Ásia em 129 a. o Bósforo Cimeriano. comandada por Tigranes. em 88 a.C. que acaba dominando a Paflagônia. Roma cria a província da Cilícia. na Ásia . povo de origem incerta..). que toda esta expansão de Roma provoca profundas transformações em sua estrutura social. acontece a ascensão da Armênia.C.C.C. e de Pérgamo. e suas arbitrariedades são tão grandes que as populações locais sentem-se escravizadas.. e negocia uma paz em 85 a. em 133 a.. que nada resolve. que vem combatê-lo. A pirataria no Mediterrâneo oriental. acabam conquistando a Mesopotâmia e tornando-se a mais significativa potência além do Eufrates[49].. mas não alcança qualquer resultado na luta contra os piratas.C. Sula. além de se aliar aos piratas da Cilícia. ao Senado romano.C. onde é acolhido como libertador pelas cidades da região.C. Ainda em 88 a. Lúculo. de Cartago em 146 a. Mitridates VI toma a Grécia. a Cólquida.C. em testamento. Por volta de 80 a.

só que agora aliado a Roma e despojado de todas as suas conquistas na Síria. Mas Mitridates VI retorna ao Ponto. ameaçada pelos partos de um lado e pela pirataria de outro. na foz do Tibre. É janeiro de 67 a. ao mesmo tempo que Crasso. E. Ele tem o imperium sobre o mar e o litoral. ele tem direito de recrutar seus legados . É então que o Senado dá um comando extraordinário a Pompeu.Mitridates VI.C. parece ser uma das razões. não é tão alheia assim à criação de novas províncias[52]. a cerca de 20 km de Roma.C. Em 64 a. vence Sertório na Espanha e elimina os últimos escravos do grupo de Espártaco. que controla. As razões para esta criação parecem vir de dois lados: a segurança da região. que se refugia na Armênia junto a seu genro Tigranes. mesmo ano da morte de Salomé Alexandra e do começo do conflito entre Hircano II e Aristóbulo II em Jerusalém.. É então que Pompeu entra em cena. Este por sua vez é vencido por Lúculo e obrigado a deixar a Síria. na Fenícia e na Cilícia. e que é a maior beneficiária da tributação imposta aos conquistados.C. Gnaeus Pompeius nasce em 106 a. Em seguida. até 75 km para o interior. tem a ordem de equipar 500 navios e de requisitar suprimentos onde e quando necessitar[51]. o imperium. Nos anos 69 e 68 a. Lúculo cai em desgraça e vê seus poderes lhe serem retirados um a um pelo Senado.o que é prerrogativa do Senado -. fazendo crescer notavelmente sua popularidade em Roma.C.. O poder de Pompeu é extraordinário. Neste e no ano seguinte submete a Armênia: Tigranes continua no poder.C. para combatê-los. chegando até mesmo ao porto de Óstia. ajuda Sula. de uma família rica..e expande extraordinariamente . com autoridade acima dos governadores locais. porque. graças a intrigas de seus adversários em Roma.C. Combate Mário. Pompeu interfere na Judéia. finalmente.C. onde todos agora são aliados de Roma. os piratas atacam com força. Conquista o Ponto no verão de 66 a. O que faz Pompeu? Ataca com perícia e rapidez os piratas e os vence em 67 a. . Pompeu ocupa o que resta do reino selêucida e cria a província da Síria. que dá poderes tão extraordinários a Pompeu.os interesses dos publicanos que cobram o tributo dos povos dominados. Pompeu organiza a Ásia Menor. Mas a outra é econômica: Pompeu restabelece no Oriente . É eleito cônsul no ano 70 a. Pode-se perceber que a aristocracia romana.

É provável que Pompeu apóie Hircano II exatamente por isso: é o mais fraco e o menos ambicioso dos dois irmãos Macabeus..Hircano II e Aristóbulo II.200 judeus são mortos pelos romanos. de fato. o sul da Samaria e o norte da Iduméia. perán tou Iordánou).C. em grego. agora. quando toma o Templo. Porque os filhos de Jerusalém mancharam o culto do Senhor profanaram com suas impurezas as oferendas à divindade.C. Assediado. o Templo é tomado por Pompeu e cerca de 1. Aristóbulo II refugia-se no Templo com seus adeptos. conservando apenas a Judéia. o mais sagrado espaço dos judeus. Pompeu entra com seu estado maior no Santo dos Santos. em luta pelo poder. com a criação da província da Síria. Perde os territórios não-judeus. o pecador destruiu com seu aríete as sólidas muralhas. recolhidos por uma sociedade de publicanos sediada em Sídon. A Judéia paga os tributos a Roma. O idumeu Antípater torna-se uma espécie de ministro de Hircano II e controla. a Galiléia. o expansionismo macabaico torna-se um risco para os romanos. Aristóbulo e seu filho Antígono são levados presos para Roma. escrito judaico de tendência farisaica situado entre 63 e 40 a. pisotearam-no orgulhosamente com suas sandálias. Hircano II é reconduzido ao sumo sacerdócio. trabalhando para os romanos.. .. levam o seu caso ao poderoso romano. os negócios judaicos. Emílio Escauro. Povos estrangeiros subiram ao teu altar. e Tu não o impedistes. acessível apenas ao sumo sacerdote. a Peréia (território "além do Jordão". assim avaliam o gesto de Pompeu: "Cheio de orgulho. Os Salmos de Salomão. Este gesto marca definitivamente o domínio de Roma sobre a terra de Israel e o povo de Iahweh. No outono de 63 a. E a Judéia fica sob a jurisdição do legado romano na Síria. mas apóia Hircano II. Por que controlar os judeus? Amigos dos judeus desde a época do conflito dos Macabeus com os Selêucidas no século II a.C. E na Transjordânia estão os perigosos nabateus. Pompeu ordena que se levante o cerco a Jerusalém. Por isso disse Deus: afastai-as de mim. entre eles muitos sacerdotes.

Augsburg Fortress. Storia del mondo giudaico.nelas não me comprazo. Torino. 1986. The Israel Academy of Sciences and Humanities. L. 1988. Presses Universitaires de Nancy. 1992.C.. E.-135 a. Edinburgh. WILL. J.C. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo (175 a.) III. The History of the Jewish . E. STERN. 1985. JOSEFO.. São Paulo. Deus os tratou de acordo com seus pecados. História dos Hebreus. Ele as desprezou totalmente. Volume I: The Persian and Greek Periods.. M.-135 d.. Società Editrice Internazionale. G. Judaism from Cyrus to Hadrian. C.. Rio de Janeiro. Minneapolis. L. P.). Obra Completa. Religião e formação de classes na antiga Judéia. seu pescoço está marcado.) I. SCHÜRER. E.-C. A beleza de sua glória nada significou diante de Deus. Paris. F. NEXT . 1979-19822. KIPPENBERG. Du Cerf. por isso os entregou nas mãos dos vencedores"[53]. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a.D.. 1992. Brescia. T & T Clark.. Histoire d'Israel III. SCHÜRER. marcado entre os gentios. Nancy. SACCHI. Casa Publicadora das Assembléias de Deus.. 1985. Paulus.. Histoire politique du monde hellénistique (323-30 av. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. Paideia. Leituras Recomendadas GRABBE.C. Jerusalem. SAULNIER. H. Seus filhos e filhas sofrem rigorosa escravidão. 1976. 1976.

Cf. O reino do Ponto fica no noroeste da Ásia Menor. Sobre a origem de Antípater. Cf. também SCHÜRER. SACCHI.C. [40]. cf. [45]. [50]. F. G. STERN.. ibidem XIV.. Cf.. F. SCHÜRER. 11. na Palestina.. JOSEFO. Idem. 56-62.. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I.. E. 123. JOSEFO. Escreve uma importante "História Eclesiástica". Mitridates VI nasce de uma família helenizada e governa o Ponto de 112 a 63 a. VII. H. cf. nota 3.. JOSEFO. em 10 livros. KIPPENBERG. Cf. E.. pp. C. Antiquitates Iudaicae XIV. pp. KIPPENBERG. verbetes Mitridates e Pontos. Idem. pp. 125. 509512. 227-260.. JOSEFO. EUSÉBIO. Para ver a estrutura romana de poder cf. WILL. HARVEY. [42]. 1-7. 481-484. SAULNIER. . E. Cf. 300-301.. pp. pp. [47]. pp. 11. Eusébio vive entre 263 e 339 d. Storia del mondo giudaico. F.. 109-116. H. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. cf. Histoire politique du monde hellénistique II. p. 103-105. Cf. do qual deriva seu nome: a região está en pôntoi. E. [52]. G. "junto ao mar". Idem. e é bispo de Cesaréia.[39]. [49]. também. Bellum Iudaicum I. que faz excelente análise deste processo na época de Herodes Magno.C. Sobre a incerta origem dos partos. Religião e formação de classes na antiga Judéia. F. [46]. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina.. Antiquitates Iudaicae XIV. Histoire d'Israel III.. Histoire politique du monde hellénistique I. 301-308. pp. Bellum Iudaicum I... Histoire politique du monde hellénistique II. [48]. P. pp. M. [41]. [44]. 10. pp. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. junto ao mar Negro. 120-122. Religião e formação de classes na antiga Judéia. WILL. 450452. Antiquitates Iudaicae XIV. P. [43]. [51]. Cf. Historia Ecclesiastica I. 9.

Depois. toma a Itália e a Espanha. ficando somente Pompeu como cônsul (51-49 a. O Domínio Romano 11. e Roma volta a ser governada por triúnviros: Antônio. o texto em DIEZ MACHO. recebe apoio de Hircano II que lhe envia tropas comandadas por Antípater. pelos partos.[53]. César nomeia Cleópatra VII. mas Crasso é derrotado em 53 a. A. as intrigas palestinenses continuam: Antípater é envenenado em 43 a. p.C. Em 41 a.C. De 69 a 62 a. Cristiandad. Apócrifos del Antiguo Testamento III. Da Intervenção de Pompeu a Herodes Magno Nos anos seguintes à interferência de Pompeu (63 a. No Egito.C. nesta luta pelo controle do Egito. a famosa herdeira dos Ptolomeus. enquanto César luta nas Gálias.. A “Pax Romana” chega a Jerusalém 11.. enquanto seus dois filhos Fasael e Herodes são nomeados respectivamente estrategos de Jerusalém e da Galiléia. São estas tropas que conquistam Pelúsio.1. para César. Otaviano e Lépido. 11.C. confirmando-o também no cargo de sumo sacerdote.). Porém.C. Antípater recebe a cidadania romana e é nomeado prefeito ou procônsul da Judéia.) há paz na Palestina. dá a Hircano II o título de etnarca (governador de um grupo racial com o seu território) da Judéia. em Roma as coisas se complicam. um pouco mais tarde. Quando. Entretanto. confronta-se com Pompeu.1. no delta do Nilo.C.1-7. César chega à Síria. Pompeu e César. governam os cônsules Crasso e Pompeu (55-54 a. rainha do Egito e. em 47 a. chega César.C. no ano 48 a. pelo copeiro de Hircano II. Pompeu é assassinado. Antônio nomeia Herodes e . como prêmio. que é finalmente vencido em Farsália. na Grécia.C.. Roma é governada pelo triunvirato Crasso.C.C.1. 24. Madrid 1982.). SALMOS DE SALOMÃO 2. César é assassinado em meados de março de 44 a. Como era Roma nesta época? Veja aqui! Entretanto. Cf.

). pelo Senado romano. Primeiro apóia Antônio. Os partos colocam Antígono. Consolidado o poder. cidades. fortalezas. constrói obras grandiosas na Judéia. Devido à fraqueza do controle romano na província da Síria. Resultado: volta para casa reconfirmado rei por Otaviano e ainda consegue favores: como o engrandecimento de território. Isto significa. Lv 21. parente de Aristóbulo II e Hircano II. fontes. através de assassinatos e intrigas várias.17-23). Herodes luta com decisão para consolidar o seu poder. em 40 a..C. ginásios. termas. teatros. a autonomia interior para as finanças.C. a justiça e o exército. entrando definitivamente para a família asmonéia. mas quando este é vencido por Otaviano na famosa batalha naval de Áccio. assim.Fasael etnarcas. a partir do inverno de 20-19 a. descendentes do antigo império persa. Templos. Herodes Magno governa o povo judeu durante 34 anos (37-4 a. que ele elimina. Herodes torna-se o senhor da Palestina. hipódromos.). Roma e suas Sete Colinas Em 37 a. Antígono corta as orelhas de Hircano II. incapacitando-o. pelos partos.C. com uma única condição: terá que conquistar seu reino. Fasael se suicida. depõe a coroa a seus pés. no ano 31 a. Herodes se equilibra no delicado jogo do poder porque sabe ser servil a Roma. esta é invadida.C. seu tio. para o cargo de sumo sacerdote (cf. Herodes foge para Roma e no final do ano 40 a.C. enquanto Hircano II permanece apenas como sumo sacerdote. rei da Judéia. Reconstrói totalmente o Templo de Jerusalém. a isenção de tropas de ocupação. Casa-se com Mariana I. e. e nomeado. antes de mais nada.C. adversários seus. que está na ilha de Rodes. a exoneração de tributo a Roma. em gesto teatral. . como sumo sacerdote e rei na Judéia (40-37 a. inclusive alguns membros de sua família .C. Herodes vai imediatamente visitar o vencedor. filho de Aristóbulo II..como esposa e filhos.

controla possíveis revoltas. é perseguida . Matando seus inimigos.. Mambré.. em homenagem a si mesmo fortaleza Antônia (em Jerusalém). em homenagem a sua mãe Heródion. em homenagem a Marco Antônio. mais tarde. constrói um importante porto. Observemos os nomes de suas construções. Jericó é embelezada e torna-se sua residência favorita. fortalezas são reedificadas ou totalmente construídas como Alexandrium. Herodes Magno ganha para si o povo. Heródion. Apoiando a cultura helenística. Herodes constrói uma estrutura de poder independente da tradição judaica: o o nomeia o sumo sacerdote do Templo: destitui os Asmoneus e nomeia um sacerdote da família sacerdotal babilônica e. Herodes não tem legitimidade judaica. reveladores de seu espírito político: Sebaste (Samaria). Quando vence os seguidores de Antígono. Massada. não tem para com os judeus nenhuma relação de reciprocidade e sua legitimidade se funda na própria estrutura do poder exercido[1]. da alexandrina exige de seus súditos um juramento que obriga a pessoa a obedecer às suas ordens em oposição às normas tradicionais. em homenagem ao Imperador romano. em homenagem a César Augusto Antipátrida. Valorizando o culto. lugar sagrado ligado a Abraão. Maqueronte. dando-lhe o nome de Sebaste. conserva-se no poder. Hircania etc. feminino grego de Augusto. Servindo fielmente a Roma. pois descende de idumeus e sua mãe é descendente de árabe. Assim.Reconstrói Samaria. Cesaréia Marítima. se a pessoa recusar o juramento. Construindo fortalezas. em homenagem a Augusto Cesaréia (Marítima). recebe uma grande construção que o valoriza. por ser estrangeiro. em homenagem a seu irmão Fasael Cipros. Entretanto. seleciona seus herdeiros. em homenagem a seu pai Antípater Fasélida. aparece diante do mundo.

o poder militar de Herodes se baseia em mercenários estrangeiros que ficam em fortalezas ou em terras dadas aos mercenários (cleruquias) por ele (terras no vale de Jezrael). Cf.. Paulus. [2]. KIPPENBERG. p. G. "O rei em sua pessoa é a continuação do seu reino e o salvador de seus súditos". para o que se segue. H. por isso. sem direito a resgate a venda à escravidão e a execução pessoal (a morte) tornam-se normas comuns do arrendamento estatal. em oposição à lei codificada. quando diz que o rei é "lei viva" (émpsychos nómos). 1988. 114. e nas cidades não-judaicas por ele fundadas. Religião e formação de classes na antiga Judéia. mas pela aplicação do direito pelo senhor o direito à terra é transmitido pela distribuição: o dominador a dá ao usuário: é a "assignatio" a base filosófica helenística é que legitima o poder do rei. Religião e formação de classes na antiga Judéia. com os camponeses dentro! Seus herdeiros: Arquelau. São Paulo. a cujos cidadãos ele dá como posse o território que as rodeia. G. H. . ou seja: o rei é a fonte da lei. Kippenberg[2]. porque ele é regido pelo "nous": o rei tem função salvadora e. 109-116. dá aos seus súditos uma ordem racional. como consegue legitimidade? A estrutura de poder do Estado sob Herodes é bem diferente da estrutura da época dos Macabeus: o o o o o o rei é legitimado como pessoa e não por descendência o poderio não se orienta pela tradição.o o o interfere na justiça do Sinédrio manda vender os assaltantes e os revolucionários políticos capturados como escravos no exterior. G. pp. Herodes Antipas e Felipe... KIPPENBERG. Mas. através das normas do Estado. se ele viola assim a tradição. diz H. Confira os Mapas do Império Romano aqui! NEXT [1].

mas subia a Jerusalém e podia lá permanecer conforme as circunstâncias ou as necessidades. a partir de Cúspio Fado (4446). Entretanto. Os Prefeitos e Procuradores Romanos da Judéia Copônio : 6-8 d. os governadores romanos da Judéia tinham o título de éparchos ou praefectus = prefeito. latim). prefeito da Judéia. Por causa de Flávio Josefo[9] se pensava que a Judéia fora governada por procuradores (epítropos. que se tornou Imperador no ano 41. Pontius Pilate: Roman Governor. tendo perdido o significado original da época da República. Sobre Pilatos e seu papel na crucifixão de Jesus. em Bible and Interpretation. que. mas hoje se sabe. como era o caso da Judéia. podemos falar de “procuradores”.1. graças a uma inscrição sobre Pilatos encontrada em Cesaréia[10].11. . os dois títulos. para as províncias imperiais. que pronuncia a sentença de morte contra Jesus de Nazaré. até Cláudio. em grego.C. Portanto. Pôncio Pilatos. que nunca simpatizou com os judeus. Residia em Cesaréia. militares e judiciais[11]. leia Warren CARTER. procurator. Marcos Ambívio : 8-12 (?) Ânio Rufo : 12-15 (?) Valério Grato : 15-26 Pôncio Pilatos : 26-36 Marcelo : 36-37 Marulo : 37-41 (?) Cúspio Fado : 44-46 Tibério Alexandre : 46-48 Ventídio Cumano : 48-52 Antônio Félix : 52-60 Pórcio Festo : 60-62 Lucéio Albino : 62-64 Géssio Floro : 64-66 O procurador ou prefeito era um administrador em ligação com o legado que governava a província romana da Síria e dependia dele. Após Cláudio. Tanto o prefeito como o procurador tinham funções fiscais. eram equivalentes. é um governante duro e decidido.4.

violento. um certo número de imagens veladas do César. que fizeram fortuna das mais variadas maneiras. Quando amanhece. Mas tem que ceder diante da grande coragem dos judeus que preferem morrer a transgredir a Lei. Pouco a pouco a exacerbação dos habitantes da cidade atraiu grandes multidões de pessoas que moravam no campo. Pilatos manda que seus soldados entrem em Jerusalém. Embora saiba que os judeus abominam a reprodução de imagens de qualquer espécie. classe de pessoas ricas. uma grande agitação tomou conta da cidade. espécie de concha sagrada. Pilatos é nomeado procurador por Tibério. Sob um pretexto qualquer. Herodes Agripa I. Certa vez. Mal o dia clareou. Então os . enchiam-se de indignação com o espetáculo. que servia para demarcar o recinto onde os sacerdotes pagãos observavam as aves do sacrifício”. levando efígies do Imperador nos estandartes. Símbolos como o lituus “um bastão recurvado numa das extremidades. extorsivo e tirânico. que eles tomaram como uma zombaria grave à lei que proibia colocar qualquer imagem que fosse no interior da cidade. e o simpulum. Pilatos é o único governante romano que tem tal ousadia[12]. Sejano faz de tudo para prejudicar os judeus. E todos se dirigiram a Cesaréia. E consegue. ele manda cunhar moedas com símbolos gentios. o poderoso prefeito da guarda pretoriana em Roma que é realmente quem manobra o poder. à noite. escrevendo ao Imperador Calígula. Acusa-o de venal. Pilatos recusou-se a atender ao pedido deles. Todos quantos chegavam perto. desrespeitando-os deliberadamente. Pilatos faz muitas coisas contrárias aos costumes judeus. Pertence à ordem dos cavaleiros. para irritá-los e reprimi-los. o povo se revolta com tal afronta. para falar com Pilatos. faz com que Tibério tome decisões anti-judaicas. Pilatos mandou levar. que os romanos chamavam de ‘estandartes’. descreve-o como inflexível por natureza e cruel por causa de sua obstinação. em forma de chifre. muitos de origem humilde e até descendentes de escravos. graças à influência de Sejano. de noite. para Jerusalém. Nas palavras de Flávio Josefo: “Certa feita. Suplicavam-lhe que mandasse tirar as imagens de Jerusalém e desistisse de agir contra as normas da religião judaica.September 2004. e ele tenta reprimi-lo.

. 1985. 169-174. A inscrição foi encontrada no teatro romano de Cesaréia Marítima por uma expedição arqueológica italiana dirigida por Antonio Frova. e ofereceram o pescoço desnudo.. 441-444. que as insígnias do Imperador fossem retiradas de Jerusalém”[13]. diz JOSEFO. 91-92. e convocou o povo. NEXT [9] . O julgamento de Pilatos. A. E. “O território de Arquelau foi assim reduzido a província e Copônio. 1979. no grande hipódromo da cidade. os judeus foram tomados de violenta comoção diante do fato inesperado. Para você entender a Paixão de Jesus.. . [13] . durante cinco dias e cinco noites. 2. fez aos soldados o sinal antes combinado. caso não admitissem a presença de imagens do Imperador em seu meio. [12] . pp. Fez então novo sinal aos soldados para desembainharem as espadas. Pilatos mandou massacrá-los.. com plena autoridade”. Storia del Popolo Giudaico al Tempo de Gesù Cristo I. 117. SCHÜRER. SPEIDEL. jogaram-se por terra. Bellum Iudaicum. de armas na mão. à uma. 2. como se quisesse comunicar-lhe uma notícia. Cf. Em seguida. Bellum Iudaicum. como se tivessem combinado entre si. no lugar. Esta atitude heróica do povo em defesa de sua religião causou grande espanto em Pilatos. pp. JOSEFO. [10] . Brescia. Diz: TIBERIEVM PON]TIVS PILATVS PRAEF]ECTUS IVDA[EA]E. para cercarem os judeus. porém. declarando em alta voz que preferiam deixar-se matar a transgredir a Lei. Paulus.judeus se lançaram por terra e ficaram imóveis. Cf. Os judeus. [11] . K. F. um romano da ordem dos cavaleiros. Paideia. No sexto dia Pilatos sentou-se numa tribuna. F. São Paulo. Envolvidos por três fileiras de homens armados. foi enviado por Augusto como procurador (epítropos). então. Ele ordenou.

muitas delas com o deliberado propósito de irritar os judeus. então. sendo destituído por Tibério e chamado a Roma.11. Vimos como Pilatos cometera arbitrariedades sem conta. oferecendo-lhe sacrifícios. ele muda-se para Roma.1. Agripa recebe também a antiga tetrarquia de Felipe e partes da Galiléia e da Peréia. É diante de Agripa II e Berenice que Paulo comparece. os romanos não quiseram entregar logo o governo para seu filho Agripa II que é apenas um garoto de 17 anos e vive em Roma. legado da Síria. julgados totalmente impotentes frente ao poderio romano. Calígula. Quando Jerusalém é destruída em 70 d. com direito de designar o sumo sacerdote. O país é governado. embora a Judéia continue governada por procuradores romanos. segundo At 25. dizem. território antes dirigido por seu tio.. em 49 d. Em 52 d. Quando os judeus se recusam a cultuá-lo. ele havia sido nomeado Inspetor do Templo. Agripa II recebe o governo de Cálcis. a cultuá-lo. quando prisioneiro em Cesaréia. Calígula chega a exigir que uma estátua do Imperador seja colocada no Templo. com freqüência. especialmente pelos sacerdotes..C. tenta demover . graças às mudanças arbitrárias de sumos sacerdotes que sempre fez. O Imperador seguinte. com sua irmã Berenice e não é bem visto pelos judeus.C.5. proclama-se deus e obriga todas as províncias.23-26. Teve pouca influência sobre a comunidade judaica. Agripa II é o último governante da família herodiana. De Agripa II ao Fim da Judéia Quando morre Herodes Agripa I (44 d. Petrônio. Mas em 48 d.C. pelos procuradores.3. Agripa II vive incestuosamente.). mas historicamente é condicionada e ocasionada pela inabilidade dos procuradores e até mesmo de alguns Imperadores. E esta atitude prepotente não pára com Pilatos. por exemplo) como na Judéia e demais províncias.C. contra todo o bom senso. são perseguidos tanto na diáspora (em Alexandria. inclusive a Judéia. onde tem que se explicar.C. que afinal é punido pelo que fizera.C. atribuída ao sempre vivo espírito nacionalista judaico e à sua imorredoura fé na libertação messiânica. A crescente revolta judaica contra a ocupação romana é. onde morre após o ano 93 d. Já antes.

Os que mais sofriam pertenciam às classes mais pobres das cidades e povoados. acontece violenta revolta dos judeus durante a festa da Páscoa. É no seu tempo que surge o grupo dos sicários. ou seja. se tanto! Douglas E. Na Palestina do século I d.. era mais velho do que 80% de sua audiência.) 50% dos restos de cabelo encontrados nas escavações arqueológicas tinham lêndeas”[15].) a tensão aumenta perigosamente.C. trabalhos forçados.. já que um pobre em Roma. com seus trinta e poucos anos de idade. Fraudes. no século I de nossa era.C. salvando também a vida de Petrônio... desnutrida e com uma expectativa de mais 10 anos de vida. Existia uma violência epidêmica na Palestina[16]. Por volta dos 26 anos 75% já tinha morrido e aos 46 anos. chegando aos 60 anos de idade menos de 3% da população”[14]. sem condições sanitárias adequadas.C. diz sobre a expectativa de vida da população do Império Romano nesta época: “Cerca de 1/3 daqueles que ultrapassavam o primeiro ano de vida (portanto. e Cláudio. 90% já desaparecido. mostra que a violência que sofriam era brutal. Uma audiência doente.) é procurador. É claro que estes dados não são uniformemente distribuídos por toda a população da época. E o autor acrescenta: “Estudos feitos por paleopatologistas indicam que doenças infecciosas e desnutrição eram generalizadas. não contabilizados como vítimas da mortalidade infantil) morriam até os 6 anos de idade. Oakman. com uma má alimentação. Cumano reprime o tumulto e vinte mil judeus perdem a vida. Por volta dos 30 anos a maioria das pessoas sofria de verminose. tinha uma expectativa de vida de 30 anos. sem assistência médica. em um estudo sobre as condições de vida dos camponeses palestinos da época de Jesus . na Introdução de um volume sobre “As Ciências Sociaise a Interpretação do Novo Testamento ”. Cerca de 60% dos sobreviventes morriam até os 16 anos. endividamento. por exemplo:este mesmo Jesus. perda da terra através da manipulação das dívidas atingiam a muitos. Rohrbaugh. Só que assassinam Calígula em 41 d. seus dentes tinham sido destruídos e sua vista acabado (. roubos.o Imperador de seus propósitos: é condenado à morte. seu sucessor. Richard L.C. dispensa os judeus do culto ao Imperador. recebe ordem do Imperador para se suicidar. Olhemos para a audiência de Jesus. havia um verdadeiro clima de terror.. por causa de um ultraje cometido por um soldado romano. assim . No tempo de seu sucessor Antônio Félix (52-60 d. Com moradias precárias. Quando Vitélio Cumano (48-52 d. quando muito.

ocupam o Templo e a fortaleza Antônia. O povo. assim como antes Floro teve que se retirar para Cesaréia ao ser derrotado. não reage diante do saque. Começam os preparativos para o que der e vier. É a guerra definitiva. Também as fortalezas de Massada e Heródion são ocupadas pelos rebeldes. filho do sumo sacerdote. Quando. Sua tática é provocar tumultos e desestabilizar o governo através de assassinatos inesperados de personagens importantes. “Reuniu-se um grande número daqueles judeus que queriam a guerra a qualquer preço. Outros grupos tentam despertar no povo os sentimentos messiânicos. Aí surpreenderam a guarnição romana. Este foi o começo propriamente dito . e o desprezo é vingado: há uma carnificina geral. massacraram-na e em seu lugar colocaram um destacamento constituído pela própria gente. filho do sumo sacerdote Ananias. Seu sucessor Géssio Floro (64-66 d. mas também quem colabora com a ocupação estrangeira. em supremo desprezo. Tais grupos são duramente reprimidos pelos romanos através de grandes matanças. ataca com uma legião. para que seja saqueada e crucifica alguns homens importantes da comunidade judaica. após muitas arbitrariedades. Floro requisita 17 talentos do tesouro do Templo. Então. Céstio Galo. Nessa época. A Galiléia é entregue ao sacerdote fariseu Josefo. incitou os sacerdotes em exercício a não aceitar donativos ou sacrifícios da parte de não-judeus. Escondem a sica sob as vestes e misturados na multidão eliminam não só romanos. Josefo fortifica várias cidades e se prepara.C. G. Agripa II tenta conter a revolta e não consegue. Resultado: Floro entrega para os seus soldados uma parte de Jerusalém. o nosso conhecido historiador Flávio Josefo. Tinham se dirigido para uma fortaleza chamada Massada. os revolucionários chefiados por Eleazar.).C. Um dos assassinados neste tempo pelos sicários é o sumo sacerdote Jônatas. Félix manda crucificar inúmeros zelotas durante o seu mandato[17]. mas é rechaçado com pesadas perdas. a revolução estoura. legado da Síria.chamados por usarem em suas ações uma adaga curva e curta chamada “sica”. Eleazar.) consegue então jogar a gota d’água para que o ódio acumulado pelos judeus derrame. fazendo uma coleta para o “pobrezinho” Floro. proclamando-se profetas e fazendo promessas utópicas. Os judeus escarnecem do procurador. Outro procurador terrivelmente corrupto e repressor é Lucéio Albino (6264 d. um jovem de grande atrevimento que comandava então a guarda do Templo.

sicário. as montanhas da Judéia. Estão ainda de pé três fortificações rebeldes: Heródion. Mas nesta época ultrapassava os 180 mil. a Iduméia e a Samaria. Tito cerca Jerusalém pouco antes da Páscoa de 70. Josefo é aprisionado e muito bem tratado. a costa. pois nesta ocasião foi praticamente rejeitado o oferecimento de sacrifício em favor dos romanos e do Imperador”[18]. Quando finalmente é . Tito o incendeia. com quatro legiões (24 mil soldados). Visite o Catálogo Virtual de Moedas Romanas! Tito ocupa o setor norte da cidade. A cidade está repleta de peregrinos. são aprisionados e levados triunfalmente para Roma. sem contar as tropas auxiliares. mas os rebeldes conseguem se refugiar no palácio de Herodes. Até o outono a Galiléia está nas mãos dos romanos. Em setembro de 70 também o palácio cai. e Simão Bargiora. Heródion e Maqueronte caem logo.da guerra contra os romanos. A cidade é saqueada e os habitantes assassinados. Os chefes rebeldes. Veja a posição ambígua de Flávio Josefo na guerra contra Roma aqui! Na primavera de 68 Vespasiano ocupa sucessivamente a Peréia. Três Imperadores passam pelo trono. João de Gíscala. defendidas pelos sicários e zelotas. abre um fosso ao seu redor para que ninguém escape e em julho de 70 toma a fortaleza Antônia. mas a fortaleza de Jotapata só cai após 47 tentativas de assalto. que então podem hibernar tranqüilamente. mas nenhum pára. Vespasiano ataca a Galiléia na primavera de 67 com 10 legiões (60 mil soldados. Massada e Maqueronte. vendidos ou condenados a trabalhos públicos. O Imperador Nero confia então a Palestina a um experiente general: Vespasiano. Como os muros do Templo não cedem. o que duplica este número). Finalmente Vespasiano é aclamado Imperador no dia primeiro de julho de 69 e marcha para Roma. Em companhia de seu filho Tito. Vespasiano espera se definir a situação em Roma. um dos redutos rebeldes. É agosto de 70[19]. Uma cidade com cerca de 30 mil habitantes fixos. Está para atacar Jerusalém quando Nero se suicida. zelota. Conquistam facilmente o território. Toda a construção é consumida pelas chamas. deixando a guerra sob o comando de Tito. mas Massada resiste um ano de cerco.

). R. Massachusetts. R. de pé ainda hoje. Em Roma.C.tomada.17. NEXT [14]. celebra a vitória romana. consegue dominar a revolta. o arco do triunfo de Tito. Quando reina Adriano (117-138 d. É que o Imperador. um enviado especial de Adriano.C. Júlio Severo. Introduction. p. Cf. OAKMAN. 1991. há ainda nova revolta judaica. Jerusalém torna-se. . dirigida por um governador que mora em Cesaréia. Aos judeus Jerusalém foi proibida.). L.. (ed. uma mulher de luto e uma palmeira simbolizando Israel. [16]. os rebeldes como escravos. Hendrickson. ibidem. 168. sob pena de morte. [15]. ROHRBAUGH. The Countryside in Luke-Acts. Colonia Aelia Capitolina e o templo a Júpiter é levantado no local do antigo Templo dos judeus. decide reconstruir Jerusalém com o nome de Aelia Capitolina e manda fazer um templo dedicado a Júpiter no mesmo local onde existira o Templo de Salomão. Hendrickson. A Judéia é separada da Síria e torna-se uma província imperial. H.C. (ed. numa interpretação messiânica de Nm 24.). Simeão Bar-Kosibah é o chefe desta nova revolta. 5. Os rebeldes ocupam Jerusalém e algumas fortalezas espalhadas pelo território judaico. A inscrição dizia: Judaea capta.. L. em seguida. p. A Judéia torna-se parte da província Síria-Palestina. 1996. em ROHRBAUGH. os rebeldes incendeiam-na e se suicidam em massa para não caírem em mãos romanas. Peabody. começada em 131 d. feita por Rabi Aqiba. E. MA. Ele é chamado também de Bar-Kokhba (filho da estrela). Peabody. 4-5. J. D. É o ano 135 d. pp. The Social World of Luke-Acts: Models of Interpretation. Idem. então. em NEYREY. Vespasiano manda cunhar moedas sobre as quais estão um soldado romano. The Social Sciences and New Testament Interpretation. em giro pelo Oriente. Depois de muita luta. vendendo. além dos outros templos construídos na cidade.

[19]. A tradição rabínica diz que foi no dia 9 do mês de Ab (29 de agosto de 70). JOSEFO. pp. L. Judaism from Cyrus to Hadrian. GRABBE. F. L. SCHÜRER. Volume II: The Roman Period. pp. GRABBE.. Bellum Iudaicum. Bellum Iudaicum. L. F. JOSEFO. enquanto Flávio Josefo diz que foi no dia 10 de Ab. 1991. Minneapolis. 2. 250. Cf. 6. nota 115. L.. .408-409. A data exata da destruição do Templo é controvertida. [18]. Judaism from Cyrus to Hadrian II. 460. Storia del Popolo Giudaico I. Fortress Press..[17].. 613-614. Cf. p. 441-442.

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