História de Israel SUMÁRIO Introdução 1. Noções de Geografia do Antigo Oriente Médio 1.1. O Crescente Fértil 1.2. A Mesopotâmia 1.3.

A Palestina e o Egito de 3000 a 1700 a.C. 1.4. A Síria e a Fenícia 1.5. A Palestina 1.5.1. A Transjordânia 1.5.2. O Vale do Jordão 1.5.3. A Região Central da Palestina 1.5.4. A Costa Mediterrânea 2. As Origens de Israel 2.1. A Teoria da Conquista 2.2. A Teoria da Instalação Pacífica 2.3. A Teoria da Revolta 2.4. A Teoria da Evolução Pacífica e Gradual 2.4.1. Retirada Pacífica 2.4.2. Nomadismo Interno 2.4.3. Transição ou Transformação Pacífica 2.4.4. Amálgama Pacífico 3. Os Governos de Saul, Davi e Salomão

3.1. Ascensão e Queda de Saul 3.2. Davi e a Criação do Estado 3.3. Salomão e a Consolidação do Estado 3.4. A Ruptura do Consenso 3.5. As Fontes: Seu Peso, Seu Uso 3.6. Dois Exemplos de Fontes Primárias: as Estelas de Tel Dan e de Merneptah 3.7. A Questão Teórica: Como Nasce Um Estado Antigo? 3.8. As Soluções de Lemche e de Finkelstein & Silberman 4. O Reino de Israel 4.1. A Rebelião Explode e Divide Israel 4.2. Israel de Jeroboão I a Jeroboão II 4.3. A Assíria Vem aí: para Israel é o Fim 5. O Reino de Judá 5.1. Os Reis de Judá 5.2. A Reforma de Ezequias e a Invasão de Senaquerib 5.3. A Reforma de Josias e o Deuteronômio 5.4. Os Últimos Dias de Judá 5.5. Por que Judá Caiu? 6. A Época Persa e as Conquistas de Alexandre 6.1. A Situação da Grécia e a Política Macedônia 6.2. As Conquistas de Alexandre Magno (356-323 a.C.) 6.3. Quem é Alexandre Magno? 6.4. A Anexação da Judéia por Alexandre 6.5. A Situação da Judéia no Momento da Anexação 7. Os Ptolomeus Governam a Palestina

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A História de Israel no Debate Atual Este artigo foi publicado, de forma mais resumida, em Cadernos de Teologia n. 9 (maio de 2001), Campinas: FTCR da PUC-Campinas, p. 42-64. Acréscimos ao texto são feitos sempre que surgem novidades. ABSTRACT This article surveys some perspectives in the current research of the "History of Israel", the challenges that this poses, and proposes some trajectories for those researching this subject. The scholarly consensus that existed up until the middle seventies of the twentieth century was shattered. The rationalistic paraphrase of the biblical text that constituted the core of the handbooks of the "History of Israel" is no longer acceptable to most scholars. An increasing number of scholars question the use of the biblical text as a source for the “History of Israel”. The implementation of modern literary criticism on the biblical text requires a moving away from issues of historicity, and this allows the "biblical" stories to be evaluated primarily from a literary perspective. The writing of a "History of Israel" using only the archaeological context and nonbiblical writings is a controversial undertaking, however, an increasing number of scholars are attempting to do this. It appears a revisionist “History of Syria/Palestine" will compete

against the traditional "History of Israel" as scholars from both sides continue their research. Até meados da década de 70 do século XX, havia um razoável consenso na História de Israel. Entre outras coisas, o consenso dizia que a Bíblia Hebraica era guia confiável para a reconstrução da história do antigo Israel. Dos Patriarcas a Esdras, tudo era histórico. Se algum dado arqueológico não combinava com o texto bíblico, arranjava-se uma interpretação diferente que o acomodasse ao testemunho dos textos, como no caso da destruição das (inexistentes) muralhas de Jericó pelo grupo de Josué[1]. Exemplos? Os patriarcas eram personagens históricos, o que podia ser comprovado pelos textos mesopotâmicos de Nuzi, do século XIV a.C., em seus muitos paralelos, de estruturas sócio-econômicas a tradições legais, com Gn 12-35. E a migração dos amoritas, que ocuparam a Mesopotâmia e a Palestina no final do terceiro milênio a.C., criava as condições ideais para a entrada dos patriarcas na região da Palestina e explicava seus nomes, sua língua e sua religião. José era personagem historicamente possível, pois havia grande quantidade de evidências egípcias que testemunhava os costumes contados em Gn 3750. Semitas poderiam ter chegado a altos postos de governo no Egito, incluindo o de grão-vizir, especialmente durante o governo dos invasores asiáticos hicsos. A escravidão dos hebreus no Egito e o êxodo não podiam ser questionados, pois textos egípcios testemunham que Ramsés II utilizou hapirus (= hebreus) na construção de fortalezas no delta do Nilo em regime de trabalho forçado. A Estela de Merneptah, faraó sucessor de Ramsés II, comprova a existência de israelitas na terra de Canaã na segunda metade do século XIII a.C., o que nos permitia fixar a data do êxodo aí por volta de 1250 a.C. A conquista da Palestina pelas 12 tribos israelitas sob o comando de Josué, como narrada no livro que leva o seu nome, contava com testemunhos arqueológicos respeitáveis, como a destruição de importantes cidades cananéias na segunda metade do século XIII a.C., embora muitos autores preferissem explicar a entrada na terra de Canaã de outro modo, como pacífica e progressiva infiltração de seminômades pastores a partir da Transjordânia.

Richmond. Albright e esta sua ‘História de Israel’ foi o manual mais utilizado por nós nos anos 70 e 80 do século passado. a questão das origens de Israel e a data e a historicidade dos patriarcas. Os reinos separados de Israel e Judá. Diz o autor. hoje há um verdadeiro caos de opiniões conflitantes. constituindo marco seguro para qualquer manual de História de Israel ou de Introdução à Bíblia quanto às datas dos acontecimentos e às realizações da sociedade israelita. constituíam matéria real e sem maiores problemas. que. Poucas mudanças foram feitas. USA. após a morte de Salomão. em muitos pontos onde anteriormente havia certo consenso. traduzido da segunda edição inglesa de 1972. muito bem detalhado nos livros dos Reis. Brown..A construção e a consolidação do poderoso império davídico-salomônico eram consideradas como pontos fixos e imutáveis na historiografia israelita. no ano 2000. rei do vizinho país de Moab. História de Israel. E cita. Professor de Hebraico e de Interpretação do Antigo Testamento no Union Theological Seminary. Bright foi. O exílio babilônico e a volta e reconstrução de Jerusalém durante a época persa. como exemplo. basicamente. por sua vez. Mas manteve. as posições da 2a edição. eram bem testemunhados pelos textos assírios e babilônicos. A tradução brasileira desta 4a edição foi publicada pela Paulus no final de 2003. revista e ampliada a partir da 4a edição original. e até pela Estela de Mesha. até a sua morte. sendo tudo. 1978. A History of Israel. Uma resenha da . John Bright e sua História de Israel John Bright lançou uma 3a edição de sua História de Israel em 1981. Paulus. O melhor livro para detalhada exposição e defesa deste consenso é o de John Bright. como a 7a edição. no Prefácio da 3a edição. Philadelphia. Westminster Press. J. parte da confiável Obra Histórica Deuteronomista. O autor atualizou o livro quanto a algumas descobertas arqueológicas e mostrou-se mais prudente nas afirmações sobre a historicidade de certos acontecimentos e personagens bíblicos. Virginia. São Paulo. BRIGHT. Cf. pela Westminster John Knox Press. graças à confiabilidade dos textos bíblicos que detalhavam os acontecimentos desta época. com uma Introdução e um Apêndice de William P. Bright pertence à escola americana de historiografia de W. 1981. marcando o nascimento do judaísmo baseado no Templo e na Lei que passa a ser lida sistematicamente nas sinagogas. após a sua morte em 1995. Uma 4a edição do livro foi lançada. F.

negando. É preciso lembrar. por exemplo. José do Egito. O consenso foi rompido. passando por Julius Wellhausen. que os problemas da interpretação do Pentateuco estão intimamente ligados aos problemas mais amplos da reconstrução da história de Israel e da história de sua religião. porém. desde W. escravidão. exílio e volta para a terra está despedaçada. Vozes. pp. A construção de uma ‘História de Israel’ feita somente a partir da arqueologia e dos testemunhos escritos extrabíblicos é uma proposta cada vez mais tentadora. feita por Ludovico Garmus. O uso de métodos literários sofisticados para explicar os textos bíblicos. O uso dos textos bíblicos como fonte para a ‘História de Israel’ é questionado por muitos. em 1806-7. como Rolf Rendtorff. Uma ‘História de Israel’. . e as ‘estórias bíblicas’ são abordadas com outros olhares. E há pesquisadores de renome na área. ou uma ‘arqueologia da Síria/Palestina’ ou mesmo uma ‘arqueologia do Levante’. 2001. que a historiografia alemã. exegeta alemão. uma ‘História da Síria/Palestina’ ou uma ‘História do Levante’ parece ser o programa para os próximos anos. em 1950. A paráfrase racionalista do texto bíblico que constituía a base dos manuais de ‘História de Israel’ não é mais aceita. afasta-nos cada vez mais do gênero histórico. êxodo. professor em Heidelberg. império davídico-salomônico. A ‘tradição’ herdada dos antepassados e transmitida oralmente até à época da escrita dos textos freqüentemente não consegue provar sua existência. pp. que já em 1993 afirmava em artigo na revista Biblical Interpretation 1. A seqüência patriarcas. 69. que dispense o pressuposto teológico de Israel como ‘povo escolhido’ ou ‘povo de Deus’ que sempre a sustentou. a historicidade dos patriarcas. Mas. de Wette. em 1894. 34-53. Uma ‘História de Israel e dos Povos Vizinhos’. divisão entre norte e sul.'História de Israel' de Bright. Petrópolis. até Martin Noth. 90-93. melhor. pode ser lida na revista Estudos Bíblicos n. não participava integralmente deste consenso. confederação tribal. A arqueologia ampliou suas perspectivas e falar de ‘arqueologia bíblica’ hoje é proibido: existe uma ‘arqueologia da Palestina’. focalizando especialmente a 4a edição. conquista da terra. a ‘História de Israel’ está mudando.

como herdeiro (Gn 15. Isto quebrava o paralelismo feito pelos autores entre Nuzi e o mundo patriarcal e tirava a garantia de que os costumes patriarcais refletiam práticas do segundo milênio. em 1969.C. na clássica coleção The Anchor Bible.11. porém. mais provavelmente. Sua idéia fundamental: se algumas das narrativas sobre os patriarcas hebreus estavam se referindo historicamente ao segundo milênio a. que aceitou. W. no qual o autor discute cerca de 20 coincidências entre os costumes patriarcais e os costumes de Nuzi.C.2). Thompson começou sua tese de doutorado na Universidade de Tübingen. Doubleday. Garden City. 1500-1200 a. São Paulo. Thompson percebeu que os costumes familiares de Nuzi e as leis sobre propriedades não eram exclusivos nem de Nuzi. 2000. como os casos da esposa-irmã Sara (Gn 12.. 38-45. então Thompson poderia distinguir nelas as mais antigas histórias bíblicas da tradição posterior mais ampliada[2]. 1.C. na Alemanha. no norte da Mesopotâmia. Estes e outros exemplos podem ser mais facilmente vistos em VOGELS. apontar as dificuldades que a crise vem criando e propor algumas pistas de leitura para os interessados no assunto. Dois anos mais tarde.Este artigo quer traçar um panorama destas mudanças pelas quais vem passando a ‘História de Israel’ nos últimos vinte e tantos anos. a adoção de um estrangeiro.. refletiam práticas típicas do primeiro milênio a. .1-25. Nuzi e os Patriarcas Um bom exemplo desse paralelismo pode ser lido no comentário de SPEISER.10-20 e paralelos). como quase todos os arqueólogos e historiadores acreditavam naquela época. E. nem do segundo milênio. Abraão e sua Lenda.)[3]. Loyola. 1964. ele estava tão convencido da historicidade das narrativas sobre os patriarcas no Gênesis.1-6). A. Gênesis 12. pp. New York. Quando Thompson começou seu trabalho. o norte-americano Thomas L.. a mãe de aluguel como Agar (Gn 16. os paralelos feitos entre os costumes patriarcais e os contratos familiares encontrados na cidade de Nuzi. e datados da época do Bronze Recente (ca. Eliezer. O tema: as narrativas patriarcais. Genesis. sem questionar. mas. Patriarcas? Que Patriarcas? Em 1967.

pesquisando a historicidade dos patriarcas. independente de Thomas L. Estados Unidos. Thompson. O livro só foi publicado em 1974 e Thompson conseguiu seu PhD na Temple University. Isto é testemunhado pelas centenas de povoados espalhados do Eufrates até os vales dos rios Khabur e Balikh e datados pelos arqueólogos como existentes desde o Calcolítico. Em 1987 Thomas L. então. em 1976[4]. sob o título de “O Background dos Patriarcas”. mais cientificamente. no século X a. muitas das mudanças ocorridas em todo o Antigo Oriente Médio que antes eram atribuídas a invasões mal documentadas de povos. chegou a conclusões semelhantes. O crescimento populacional dos amoritas deve ter provocado a ampliação de seus territórios e a ocupação de várias cidades da região. Thompson passou. de quem falaremos mais detalhadamente no próximo item a propósito do Javista. não pôde defender sua tese na Europa nem publicar seu livro nos Estados Unidos. ou seja. hoje. . e a datação tradicional dos patriarcas e sua historicidade caíram por terra. O resultado foi academicamente desastroso. Thompson localizava as origens de um Israel histórico na região montanhosa ao norte de Jerusalém durante o século IX a. segundo a qual teria havido grande migração de nômades vindos das fronteiras do deserto siroarábico para a Mesopotâmia e para a Síria-Palestina no final do terceiro milênio. vivendo da agricultura e da criação de gado. Isto implicava a exclusão de qualquer unidade política de Israel que abrangesse toda a Palestina. a defender que as narrativas patriarcais estavam refletindo muito mais o primeiro do que o segundo milênio. que terminou a pesquisa em 1971.C. da editora Sheffield. sujeita a períodos de secas prolongadas e devastadoras. Thompson percebeu que não havia prova alguma para tal pressuposto. Thompson começou a trabalhar a questão das origens de Israel.C. no Journal for the Study of the Old Testament.Além do mais. Além do que. retomando a argumentação publicada em um artigo de 1978. Neste artigo. Reino Unido. podem ser explicadas. Philadelphia. Davi e Salomão em Jerusalém. Thompson. examinando a hipótese amorita. John Van Seters. não atribuindo qualquer valor histórico às estórias sobre Abraão. não podia ter existido uma ‘Monarquia Unida’ sob Saul. pois o que se descobriu nos últimos anos é que os amoritas são sedentários do norte da Mesopotâmia. pelas mudanças climáticas na região.

The Pentateuch. Sheffield. professor de Van Seters. elaboradas desde o século X a. Com um detalhe: estas fontes não seriam documentos independentes. . Thompson foi convidado para trabalhar no Departamento de Estudos Bíblicos da Universidade de Copenhague. 33-74. levando ao afastamento do autor da Marquette University. A ‘Hipótese Documentária’ afirmava.. onde trabalhava. J. em 1993. onde até hoje se encontra. desde o século XIX. Winnet não aceitava a fonte E como um documento independente. Eloísta. Leiden. o canadense John Van Seters aceita o desafio de um seu professor e começa a revisão da ‘Hipótese Documentária’ do Pentateuco. V.O artigo de T. Quando muito. Thompson foi relançado em livro: The Background of the Patriarchs: A Reply to William Dever and Malcolm Clark.C.. levantou uma série de dúvidas sobre os fundamentos da Hipótese Documentária. ela poderia ser uma revisão de mais antiga tradição patriarcal e não poderia ser encontrada no Êxodo e Números. 2. duas diferentes fontes deveriam ser vistas dentro do material J do Gênesis: uma mais antiga e outra da época do exílio. Isto porque o desenvolvimento literário do Gênesis teria ocorrido de modo independente de Êxodo e Números até o estágio final da composição do Pentateuco. Diz Thompson que a reação a este livro foi pior do que à tese sobre os patriarcas. em ROGERSON. Sheffield Academic Press. A Sheffield Reader.C. na corte davídico-salomônica até o século V a. quando então foram organizados e combinados pelo Sacerdotal (P). L. pp. examinando as tradições sobre Abraão. e onde encontrou um grupo com idéias avançadas sobre a ‘História de Israel’. 1996. que o Pentateuco era composto pelas fontes JEDP – Javista. 1992 [19942]. Deuteronômio e Sacerdotal. O estudo completo resultou no livro Early History of the Israelite People from the Written and Archaeological Sources [Antiga História do Povo Israelita a partir de Fontes Escritas e Arqueológicas]. Mas. O mesmo deveria ser dito do P. nos Estados Unidos. Assim. os hoje chamados ‘minimalistas’. com Esdras. Brill. admitia o pesquisador. mas complementos de outras mais antigas. em conferência feita em 1964. F. W. Van Seters Reinventa o Javista Ainda em 1964. Winnet. na Jerusalém pósexílica.

Gn 20. pelo menos em sua forma mais rígida. como dissemos. 1-18 ao complemento E e Gn 26. . em 1976. H.10-20. assim como o era o livro do Deuteronômio. Sheffield. H. Van Seters concluiu também que o material atribuído ao J mais antigo era muito pequeno. Examinando uma série de textos amplamente aceitos como javistas. examinando as tradições sobre Abraão. Sheffield Academic Press. e de que o J deveria ser visto em estreita associação com a escola deuteronômica nos últimos anos da monarquia ou na época do exílio. Estas conclusões podem ser lidas em VAN SETERS. contestou a tese de G. em plena luz do dia e ninguém mais podia escapar da constatação de que a teoria clássica das fontes do Pentateuco. e também que a forma da promessa da terra no J era um desenvolvimento posterior daquela encontrada no Deuteronômio e na tradição deuteronomista. Van Seters.Embora a proposta de Winnet não tenha causado repercussão. E também em VAN SETERS.. A crise do Pentateuco explodiu. Em 1976 e em 1977 apareceram os livros de Hans Heinrich Schmid e de Rolf Rendtorff sobre o mesmo assunto. 1999. como o ambiente no qual o javista teria nascido. percebeu que episódios paralelos – como a história de Sara “irmã” de Abraão em Gn 12. Schmid. Percebendo igualmente a forte afinidade do J com o Dêutero-Isaías. Yale University Press. que o E consistia de uma única estória e que todo o material não-P pertencia ao javista mais recente. Van Seters publicou sua pesquisa em 1975.1-11 ao J mais recente da proposta do professor. 1975. Van Seters concluiu que o J deveria ser visto como um autor pós-D. era insustentável. A conclusão a que se chegou foi de que o Pentateuco era o produto do movimento profético.20. New Haven.1-20 corresponde ao J mais antigo de Winnet. The Pentateuch.1-11 – não são documentos independentes agrupados por redatores. Abraham in History and Tradition. e que a ‘Hipótese Documentária’ deveria ser totalmente revista. então..26. 59-60. A Social-Science Commentary. mas sua relação é de complementação: Gn 12. do qual não se percebia nenhum sinal. J. J. Schmid procurou mostrar que o J dependia fortemente da tradição profética e estava muito próximo da escola deuteronômica. pp.1-18. Von Rad de um ‘Iluminismo Salomônico’.

NeukirchenVluyn. RENDTORFF. Rendtorff não vê nenhuma conexão original entre Gênesis e Êxodo-Números. Studien zur Komposition des Pentateuch.). Deuteronomist und Jahwist... 1976. em 1977. Ele defende que cada unidade maior teve seu próprio processo de redação antes de ser colocada em contato com outras unidades. Berlin. O Pentateuco em questão. 1990. M. E. Seu aluno Ehard Blum. Zürich. ed. por sua vez. Zürich. BLUM.. O J faz o trabalho de um historiador . 1981. 1984. mas sim uma posterior costura deuteronomista ligando estas tradições. As origens e a composição dos cinco primeiros livros da Bíblia à luz das pesquisas recentes. Petrópolis. O Questionamento do Consenso Wellhauseniano em Alemão Os estudos destes pesquisadores resultaram nas seguintes obras: SCHMID. Theologischer Verlag. 2. Donde se conclui que a idéia de fontes. seu discípulo Martin Rose. que o Javista compõe uma obra unificada que vai da criação do mundo até a morte de Moisés. retomando a idéia de M.Embora não tenha discutido a datação do J em relação ao D. Noth da formação do Pentateuco a partir de temas independentes. mais tarde. 63-70. R. Sheffield. mas o alcança. ROSE. Untersuchungen zu den Berührungspunkten beider Literaturwerke..no qual ele se baseia em fontes orais e escritas. dando-lhe. tal como a J. Die Komposition der Vätergeschichte.. A. Van Seters estendeu seu estudo sobre o J a todo o Tetrateuco e defendeu. 1990). confirma as intuições de seu mestre estudando as tradições patriarcais de Gn 12-50. em livros publicados em 1992 e 1994. Vozes. (org. Walter de Gruyter. e que o desenvolvimento dos temas é que deve ser enfocado. pp. Walter de Gruyter. 1977 (tradução inglesa: The Problem of the Process of Transmission in the Pentateuch. em português. Theologischer Verlag. Rolf Rendtorff. em DE PURY. chega à conclusão de que tal independência não deve ser limitada ao período pré-literário. Sheffield Academic Press. H. Neukirchener Verlag. . em 1981. 2002.semelhante ao trabalho do historiador grego Heródoto . H. Uma exposição do pensamento destes autores pode ser vista. Der sogenannte Jahwist. chegou à conclusão de que o Deuteronômio e a Obra Histórica Deuteronomista eram anteriores ao javista. Berlin. porém um significado teológico próprio. Das überlieferungsgeschichtliche Problem des Pentateuch. deve ser abandonada.

GERTZ. para fornecer suporte ideológico para sua reforma política e religiosa. Joseph Blenkinsopp. Konrad Schmid. Estados Unidos e . William Johnstone. no tempo do rei Josias.: esta obra mostra como a crise do Pentateuco continua e como um possível consenso parece ainda distante. Só para entendermos por onde pode caminhar a discussão atual. mas uma série de suplementos pós-exílicos ao D+J. da qual ela é uma espécie de introdução. Josué. que. Van Seters conclui: “Deste modo. SCHMID. E a Crise do Pentateuco Continua. Reinhard Gregor Kratz. Os autores defendem que boa parte do Pentateuco é uma criação da monarquia da época de Josias. Juízes. não é uma obra independente. K. J. o Javista é posterior ao Deuteronômio e à Obra Histórica Deuteronomista (Deuteronômio. 2002. Contribuem. (eds. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. Erhard Blum. Berlin... Jan Christian Gertz. Hans-Christoph Schmitt. Mas é anterior ao Sacerdotal (P).). Ernst Axel Knauf. cito aqui a proposta do arqueólogo Israel Finkelstein e do historiador Neil Asher Silberman. Já que o J era posterior ao D/OHDtr.. Thomas Römer.C. E que a Obra Histórica Deuteronomista foi igualmente compilada. Jean Louis Ska. Por isso. M. The Free Press. Abschied vom Jahwisten: Die Komposition des Hexateuch in der jüngsten Diskussion. 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis). por sua vez. Só gente do ramo. C. neste volume escrito em alemão e inglês. 2001. com Josué como o objetivo das promessas patriarcais. sendo contemporâneo do Dêutero-Isaías e tendo afinidades com Jeremias e com Ezequiel. Markus Witte. ele ligou as duas grandes obras e acrescentou sua própria conclusão final ao Hexateuco através do segundo discurso de Josué em Js 24" [5]. Graeme Auld.. em sua maior parte. XII + 345 pp. New York. Uwe Becker.. Walter de Gruyter. & WITTE. eu procuro resolver o problema existente entre os argumentos de Noth a favor de um Tetrateuco separado do D/OHDtr e a insistência de Von Rad em um Hexateuco. O Eloísta (E) não se sustenta como documento independente e desaparece. Thomas Dozeman. Albert de Pury. sustentando que a arqueologia hoje dá suporte à hipótese de que tanto o Pentateuco quanto a Obra Histórica Deuteronomista foram escritos no século sétimo a. proveniente da Europa. no livro The Bible Unearthed. elaborada para defender a ideologia e as necessidades do reino de Judá.O objetivo da obra do J é o de corrigir o nacionalismo e o ritualismo da Obra Histórica Deuteronomista.

1999. T. Biblical Archaeology and the Myth of Israel. no contexto do abandono da teoria das quatro fontes. 1997. sociais. Basic Books. . habitada principalmente por hurritas. Leia também artigo de 2006 de Rolf Rendtorff. L. Canadá. O livro de Thomas L. mais aqui. de outubro de 2003. Trinity Press International. NEXT [1]. p. Estou me inspirando no artigo de RENDSBURG. como observa Robert Gnuse.. N. Down with History. ninguém concorda com ninguém. em conferência pronunciada no Departamento de Estudos Judaicos da McGill University.arts.Israel! E. Cf. 1999.html . os autores concordam em rejeitar a fonte javista e sugerem que a coerência das narrativas do Pentateuco somente foi alcançada no pós-exílio com o D e o P. FREEDMAN. pp. no qual o autor lamenta e critica. Em Nuzi. Sheffield. cada um mais sugestivo do que o outro. Especialmente significantes são as informações administrativas. [5]. New York.ca/programs/jewish/30yrs/rendsburg/index. foram encontradas cerca de 3. Cf. que cobrem a vida da comunidade e de cidades vizinhas ao longo de seis gerações. Walter de Gruyter. THOMPSON. XI. [4]. 2002. 1992. onde o pesquisador se pergunta: O que aconteceu com o Javista na atual pesquisa do Pentateuco? E responde: ele desapareceu e levou consigo a Hipótese Documentária do Pentateuco. Cf. A Social-Science Commentary. Doubleday & Logos Library System.C. The Mythic Past. J. 656. (ed. 1974 e Harrisburg. [2]. E comenta Gnuse que os ensaios tipificam a natureza variada e caótica da pesquisa do Pentateuco. D.. p.). Sheffield Academic Press. verbete Nuzi. Berlin. The Pentateuch. a ruptura do consenso que passo a descrever. em resenha do livro na CBQ 65/4. em At the Cutting Edge of Jewish Studies.mcgill.. http://www. Cada um constrói seu próprio paradigma. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. É um material que ilustra brilhantemente a vida diária de uma comunidade da metade do segundo milênio a. Thompson: The Historicity of the Patriarchal Narratives: The Quest for the Historical Abraham. Up with Reading: The Current State of Biblical Studies. Cf. 61-62. VAN SETERS. econômicas e as descrições das práticas e estruturas jurídicas. Para além disso.500 tabuinhas cuneiformes.. Gary A.. [3]. em maio de 1999. New York.

Esta faixa de terra é regada por importantes rios. passando pelas nascentes dos rios Tigre e Eufrates. egípcio. Foram os rios que determinaram o estabelecimento da agricultura. fenícios etc) hamitas (que habitavam o Egito. a raça branca é constituída pelos: semitas (acádios. Quer conhecer as línguas do Oriente Médio? Experimente aqui! . celtas. no Egito. þÿ 1. a Abissínia e o Magrebe .Copyright © 1999-2008 Airton José da Silva.Marrocos. berbere. que condicionavam a vida do oriental antigo. O Crescente Fértil Se partirmos do Golfo Pérsico e traçarmos uma meia-lua. A região é habitada pela raça branca. anteriormente chamada camito-semítica. A família afroasiática compreende seis ramos: semítico. Todos os direitos reservados. da sedentarização e das rotas comerciais por onde passavam as caravanas que iam desde a Mesopotâmia até o Egito ou a Arábia. onde se desenrolaram os acontecimentos narrados na Bíblia.1. cuxita. dentro do qual está também a Palestina. amoritas.Sitemap. cananeus. árabes. colocando a outra ponta na foz do Nilo. gregos. É a chamada "meia-lua fértil" ou "Crescente Fértil". Noções de Geografia do Antigo Oriente Médio 1. As línguas semíticas constituem um ramo da grande família das línguas afro-asiáticas. homótico e chádico. Mapa do Site . No seu conjunto. hebreus. itálicos. iranianos etc) fineses. Argélia e Tunísia atuais) indo-europeus (eslavos. especialmente semitas e hamitas. teremos uma região bastante fértil.

. até os dias atuais com o árabe. Nos três quadros a seguir pode-se ver um panorama simplificado das principais línguas semíticas[1]. com o acádico e o eblaíta.C. documentada desde a metade do terceiro milênio a. o amárico e o hebraico.A família das línguas semíticas é bem antiga.

O vocabulário semítico: quase nenhum contato com o indo-europeu semelhanças apenas em palavras onomatopaicas . pronomes possessivos e objeto pronominal do verbo são anexados como sufixos ausência de nomes e verbos compostos pequeno número de partículas e predominância da coordenação sobre a subordinação. mormente na vocalização raízes ternárias verbos com apenas dois tempos dois gêneros casos oblíquos.Algumas características das línguas semíticas: A estrutura gramatical: grande número de guturais muito especiais.

os acádios. A Bíblia chama a esta terra de paddan aram ou aram naharayim (Síria dos dois rios). 1. . As escavações feitas em Uruk revelaram o uso da escrita cuneiforme (sinais em forma de cunha) desde o início do III milênio. que formavam uma assembléia. D. As únicas construções oficiais são os templos: as cidades eram dirigidas por senhores eclesiásticos. o etíope e o cuneiforme.. auxiliados por "anciãos".). Doubleday & Logos Research Systems. A Mesopotâmia A planície situada nos vales dos rios Tigre e Eufrates é chamada comumente de Mesopotâmia. de conotação religiosa. nas cenas gravadas nos cilindros. Foram os sumérios os inventores da escrita.2. Ele dirige o culto. New York. (ed. os assírios e os babilônios. 1992. Freedman. mais ou menos. O chefe da cidade suméria tem o título de En (= senhor). NEXT [1]. The Anchor Bible Dictionary.poucos empréstimos de um grupo lingüístico para o outro. A escrita semítica: consonantal da direita para a esquerda exceções: escritas da esquerda para a direita são o sabeu. verbete Languages. Clique na miniatura para ver o mapa da Mesopotâmia! Os sumérios construíram a sua civilização na Baixa Mesopotâmia entre os anos de 2800 e 2370 a. nome que vem do grego e significa (terra) entre rios. 1997. Cf.C. como os sumérios. A Mesopotâmia foi berço de civilizações antiqüíssimas e importantes. notadamente o Tigre e o Eufrates. N.

Sua residência era mais uma fortaleza do que um palácio. havia carros de guerra com 4 rodas compactas. Permaneceram sempre isoladas. Parece que estavam na região na segunda metade do IV milênio a. As cidades mais importantes eram: Adab. a vinha e a palmeira eram conhecidas. e para An. na verdade. O templo era um centro econômico: possuía terras. Havia mercadores e um comércio privado. vice-rei). que era apenas um administrador do Estado. na guerra. na forma de cidades-estado. Há. que entrou em luta com os chefes religiosos pelo controle interno das cidades e com as outras cidades em massacres periódicos. Também já conheciam a prata e o ouro. abrigada por grandes escudos e capacetes.Visite a Sumerian Mythology FAQ! O culto era celebrado para Inanna (a futura Ishtar). que indicava um poder menor do que o primeiro. Além de uma infantaria armada de lanças. É impossível saber quando chegaram os sumérios à Baixa Mesopotâmia. O metal mais citado é o cobre. ferreiros. Aparece o asno e o porco. Cada uma possuía ao seu redor um cinturão de aldeias e eram separadas por pântanos e desertos. deus do céu. Nippur. talvez subários e populações de língua semítica. O rei era sacerdote (mantinha os santuários). característicos da região. mas era uma monarquia militar. deusa da fecundidade e do amor. Lugal (rei) era o seu título ou Ensi (chefe das cidades. bois. Akshak. puxados por quadrigas de burros. Suas tropas chegavam a uma média de 600 a 700 homens. Foi a função guerreira que fez surgir a realeza. Umma. era juiz supremo. Usavam arados. assim como um carro de 4 rodas e o barco.C. Lagash. ourives e ceramistas. Bad-Tibira. por camponeses. No palácio vivia o rei. Mas. Avançando um pouco mais no tempo e pesquisando outros lugares além de Uruk. governador. Zabalam. os especialistas descobriram que as cidades organizavam-se ao redor dos templos e palácios reais. no trabalho dos templos. Uruk e Ur. chefe militar e administrador dos canais de irrigação. Shurupak. . pertencente. marceneiros. onde cultivavam-se a cevada e o trigo. Também a horticultura. Não se sabe quando se formou a monarquia suméria. Criavam principalmente carneiros e cabras e. Contudo não permaneceram unificadas por muito tempo. mais raros. pelo menos pode-se perceber que eles se misturaram às antigas culturas populares locais. ao deus. Kish. reforçados.

épicos e mitológicos. Lista do deus An = Anum 3. mais ou menos. Os templos podiam ter várias formas.C. Fundações ou refundações de Templos: 4 textos 4. cobrindo uma superfície de 5 km2. deu-se uma transposição da temática naturista para a cósmica (os deuses passam a figurar elementos do cosmos). início da idade clássica sumeriana. mas a disposição interna era a mesma em qualquer lugar. com mais de 900 torres semicirculares. No ritual exerciam funções importantes a grã-sacerdotisa e o rei. espécie de saia com longas franjas estilizadas. Disputas entre criaturas: • Disputa entre dois .Esta fase de guerras constantes. Revelam-nos o vestuário da época: o mais usado era o Kaunakés. Já a cidade de Nippur parecia ser uma espécie de território neutro. simbolizando o casamento sagrado entre um deus (Dumuzi?) e uma deusa (Inanna).C. Lagash e Umma foram duas das cidades que mais dominaram suas vizinhas. hínicos. TCL XV 10 = lista De Genouillac 3. baseada na cronologia e no gênero: TEXTOS SUMÉRIOS: Cosmogonias do 30 milênio até começo do 20 milênio a. a partir de 2800 a. são toscas demais.5 km de extensão. Listas de deuses: 3 textos 1. embora a primeira permanecesse. Em meados do III milênio. TEXTOS ACÁDICOS: Cosmogonias da metade do 20 milênio até o 10 milênio a. Uruk tinha muralhas de 9. SLT 122-124 1.. As estátuas não são muito bonitas. centro de uma anfictionia ou confederação.C. Cosmogonias menores: Encantamentos: 3 textos Textos Namburbi 2. Uma classificação possível para as cosmogonias mesopotâmicas pode ser a seguinte. A religião tem predominância naturista: os cultos da fertilidade estavam em primeiro plano. em forma de lingüetas. Links para o estudo da Mesopotâmia? Confira estes! Na literatura produziam-se textos sapienciais. 2. levou à construção de grandes muralhas nas cidades. porém.

5. 6.motivo ctônico: 5 textos 1. NBC 11108 Hino ao Templo de Eridu Louvor à Enxada Enuma elish Textos narrativos de Eridu .motivo cósmico: 6 Cosmogonias antológicas textos 1.insetos • • Disputa entre o Tamarindo e a Palmeira Disputa entre o Boi e o Cavalo 5. Prólogos ao Grande Tratado Astrológico: 2 textos 6. Enki e Ninmah A Teogonia Dunnu 5. Gilgamesh. História Suméria do Dilúvio . Enki e a Ordem do Mundo 2. A disputa entre a Árvore e o Junco 4. VAT 17019 Textos narrativos de Nippur . Casamento de An e Ki em meio à tempestade 3. Enki e Ninhursag (ou Mito do Dilmun) 3. Enkidu e o Atrahasis Inferno 2. A disputa entre o Pássaro e o Peixe 4.

Liste alphabétique des dieux sumériens. . pp. Leipzig. 86-106. NEXT Na luta entre os vários grupos observamos que a maioria deles ostenta nome amoritas.Um único texto: KAR 4 * Abreviações: SLT: CHIERA. TCL: Textes cunéiformes . Grande Liste de noms divins sumériens. Paris. Chicago. 137-139. XXXIV. NBC: Nies Babylonian Collection. pp. Esta entrada em cena dos amoritas (ou amorreus) assinala um fato fundamental na história da época. 1929.. Yale University.. RA 20 (1923). Wissenschaftliche Veröffentlichnungen der deutschen Orientgesellschaft XXVIII. 1919.). H. (ed. E. Sumerian Lexical Texts from the Temple School of Nippur. KAR: EBELING. RA 25 (1928). Chicago University Press.1923. De Genouillac: DE Genouillac.Musée du Louvre.Coleção de tabuinhas cuneiformes do Museu de Berlim. DE Genouillac.. Keilschrifttexte aus Assur religiösen Inhalts. H. conseqüência de grandes migrações que foram uma das causas da queda de Ur. E. VAT: Vorderasiatische Abteilung Tontafeln .

significando "ocidentais" ou "povo do oeste". A caracterização dos amoritas é feita em uma epopéia da época que.Em sumério são chamados de MAR. que come carne crua. hoje. que não tem casa durante a vida.TU. pois o que se descobriu nos últimos anos é que os amoritas são sedentários do norte da Mesopotâmia. mais cientificamente. vivendo da agricultura e da criação de gado. em acádico AMURRU. Durante muito tempo existiu certo consenso entre os especialistas. Hoje. podem ser explicadas. típica do século XIX. diz: "É um homem que desenterra trufas [espécie de cogumelo comestível] no sopé das montanhas. Mapa Cronológico do Antigo Oriente Médio II[4] Período Bronze Bronze Ferro Ferro Antigo Arqueológico Médio Recente Recente Mesopotâmia do Assírio Assírio Assírio Assírio Norte antigo médio médio recente ShamsiMitani Adad Cartas de . Além do que. descrevendo o mito do casamento do seu deus Amurru. enquanto na Alta Mesopotâmia a luta se dava entre Assur e Mari. não é mais possível sustentar esta posição. que não sabe dobrar os joelhos para cultivar a terra. sujeita a períodos de secas prolongadas e devastadoras[3]. É assim que se chega à luta pela hegemonia na Baixa Mesopotâmia. pelas mudanças climáticas na região. de que os amoritas eram nômades que invadiram a Mesopotâmia e também a Palestina vindos do deserto siro-arábico. baseados em sátiras como esta dos sumérios. chamados também de semitas do oeste. Isto é testemunhado pelas centenas de povoados espalhados do Eufrates até os vales dos rios Khabur e Balikh e datados pelos arqueólogos como existentes desde o Calcolítico. e em uma visão romântica do nomadismo. muitas das mudanças ocorridas em todo o Antigo Oriente Médio que eram atribuídas a invasões mal documentadas de povos. também governadas por amoritas. citada acima. porém. O crescimento populacional dos amoritas deve ter provocado a ampliação de seus territórios e a ocupação de várias cidades da região mesopotâmica. e não é sepultado após a morte". onde a disputa era entre as dinastias de Isin e Larsa.

Mari Mesopotâmia do Sul Babilônico antigo Influências do Egito Síria/Palestina Hicsos Isin Larsa Cassita Babilônico médio Domínio egípcio Cartas de Tell elAmarna Israelitas Elamita antigo Irã/Golfo Pérsico Godin III Dilmun Comércio da antiga Assíria Hitita antigo Carros Desenvolvimento cultural e técnico Rodas com raios Alfabeto primitivo Hitita Frígios Camelos Galinhas Vidro Cerâmica vidrada Ferro fundido Frígios Elamita médio Tribos iranianas Babilônico médio Israel Povos do mar Israel Estados fenícios Estados arameus e neo-hititas Medos Invasões de Urartu Invasões assírias Urartu Frígios Lídios Cavalaria Algodão Moedas Latão Aramaico Domínio assírio Anatólia No final deste período a cidade que emergiu com maior poder foi Babilônia. aos elamitas. Sob a III dinastia de Ur fora governada por um ensi e progressivamente seu poder cresceu. No 31º ano de seu reinado Hammurabi já era senhor da Suméria e de Akkad.C. .) subiu ao trono de Babilônia. Em 1792 Hammurabi (1792-1750 a. tornando-se um principado independente e controlando algumas cidades vizinhas. assírios e gútios. Consolidou sua posição frente aos vizinhos da Baixa Mesopotâmia e em seguida estendeu seu domínio a Mari.

espécie de mercadores itinerantes e corretores. categorias estas sem nenhum estatuto jurídico e que viviam a verdadeira escravidão. Na Mesopotâmia governada pelos babilônios da época de Hammurabi temos populações que. que Enlil me deu de presente e dos quais Marduk me deu o pastoreio. não fui negligente. especialmente quando a esposa era estéril. na sua maioria. além de haver grupos hurritas. com a habilidade que Marduk me deu. o babilônio e os idiomas semitas do noroeste. contratos de trabalho. Com a arma poderosa que Zababa e Ishtar me outorgaram. colonos. que agiam em nome do Estado. o rei perfeito. estabeleceu e que fez o país tomar um caminho seguro e uma direção boa. homens de corvéia e funcionários do Estado que recebiam glebas em troca de serviços prestados. pequenos artesãos e comerciantes.As terras na Babilônia pertenciam ao Estado. demandar em juízo e até assumir cargos públicos. pois podia exercer diversas profissões. aos templos e a particulares. Três classes compunham a sociedade: os ricos (awilum). o rei forte. mas acumulando também fortunas particulares. As regiões intermediárias eram habitadas também pelos amoritas. determinando preços. aniquilei os . Hammurabi desenvolveu uma legislação que ficou famosa através de seu conhecido código. falam línguas semíticas. (Estas são) as sentenças de justiça. O Estado intervinha em todos os setores da economia. salários etc. eu lhes procurei sempre lugares de paz. Eu (sou) Hammurabi. como o assírio. O comércio era dominado pelos tamkarum. mas existia o concubinato. Para com os cabeças-pretas. com a sabedoria que Ea me destinou. O casamento era monogâmico. resolvi dificuldades graves. nem deixei cair os braços. No campo viviam agricultores sedentários e nômades. As terras do Estado eram exploradas por arrendatários. Através dele podemos conhecer a estrutura social da época. que Hammurabi. o povo (mushkenum) e os escravos. Além disso havia os prisioneiros de guerra (asiru) e os deportados. Nas cidades. E interessante é observar que a mulher casada tinha certa autonomia. fiz-lhes aparecer a luz.

como Jericó. O Código de Hammurabi. leia.. . minha estela escrita e ouça minhas palavras preciosas. acabei com as lutas. o seu coração se dilate! (. Meguido. Introdução. a cidade cuja cabeça An e Enlil levantaram. 4a edição totalmente revista e melhorada.C. atentamente. quando houve um notável progresso na vida urbana... as sentenças do país que eu decidi. Para que o forte não oprima o fraco. Que o homem oprimido. Petrópolis. que está implicado em um processo. Havia muitas escolas de escribas ao redor de palácios e templos. tradução do texto cuneiforme e comentários.C. promovi o bem-estar do país (. A cultura suméria foi organizada e preservada. 1987.. provável resultado da sedentarização de grupos novos que se estabeleciam na região. que ele não altere os meus estatutos! (Trecho do Epílogo do Código de Hammurabi na tradução de EMANUEL BOUZON. Bet-Shan. para proclamar as leis do país..).inimigos em cima e embaixo. Começaremos a falar da Palestina na Idade do Bronze Antigo (3200-2050 a. Muitas das cidades que conhecemos através da história bíblica já existiam. para fazer direito aos oprimidos. para fazer justiça ao órfão e à viúva. Que minha estela resolva sua questão. venha diante da minha estátua de rei da justiça.3.) Que nos dias futuros.. um rei que surgir no país observe as palavras de justiça que escrevi em minha estela. na Esagila.). para sempre. escrevi minhas preciosas palavras em minha estela e coloquei-a diante de minha estátua de rei da justiça (. Vozes. Ai. 222-223). A literatura e as artes alcançaram grande esplendor na época de Hammurabi. ele veja o seu direito. a história começou a se desenvolver sob a forma de listas reais e a literatura religiosa cresceu enormemente. A Palestina e o Egito de 3000 a 1700 a. na indústria (sobretudo na cerâmica) e um aumento geral da população. Laquish. para proclamar o direito do país em Babel. o templo cujos fundamentos são tão firmes como o céu e a terra. que ele não mude a lei do país que eu promulguei. pp. Gezer.). 1. sendo mais rarefeita a população no sul. No centro e no norte da Palestina é que se situa a maior parte destas cidades.

verbete Amorites. O curioso é que se observa que seus novos habitantes não reconstruíram imediatamente as cidades: ou acamparam sobre as ruínas. seu território e as cidades teriam sido destruídas. ou viveram em cavernas e quando reconstruíram as casas estas eram bastante modestas. Biblical Archaeology and the Myth of Israel. (ed. Os utensílios de pedra dominavam ainda. lentilhas. o trigo. a partir do norte.A agricultura era a atividade básica. Freedman. pp. é que há sinais de nova vida urbana. provavelmente a ascendente do cananeu falado nos tempos israelitas. 1997. Sua língua era um semítico do noroeste. O comércio funcionava em direção à Síria do norte e do Egito.C. O mesmo aconteceu na Síria. Tell Beit Mirsim. a cevada. do qual o hebraico bíblico é uma derivação. Podemos chamar convencionalmente estes povos de cananeus. 101-225. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. Tell elFarah do sul etc. A vinha teria sido ali introduzida nesta época. Só por volta de 1900 a. Gezer. Cf.). New York. Havia também a cultura da oliveira e da amendoeira. e isto depois de alguns séculos de ocupação. THOMPSON. Doubleday & Logos Research Systems. D. Taanak. Dizia-se que possivelmente eram estes povos os mesmos amoritas ou semitas do oeste que invadiram também a Mesopotâmia. New York. Hoje se reconhece que as mudanças ocorridas então se devem muito mais a mudanças climáticas do que a qualquer entrada de povos na região. e o Negueb até o século X a. Jerusalém. embora já se começasse a fabricação de armas de cobre. nesta época. favas. T. 1992. Cidades populosas e bem guarnecidas. Até a década de 70 do século XX se acreditava que povos teriam invadido. Por volta de 2300 a. Bet-Shemesh. algumas bem violentamente.C. tais como Hazor. 1999. A Palestina conheceu a sua fase antiga mais próspera entre os anos de 1800 e 1550 a. NEXT [3]. Cultivavam.C. L. Jericó. Já a Transjordânia não teve civilização sedentária até cerca de 1300 a.C. N..C. Basic Books. cercadas por poderosas muralhas floresceram. Meguido. Siquém. . The Mythic Past. Na Síria. Tell el-Duweir. a cidade de Biblos conheceu um progresso semelhante e a influência egípcia tornou-se marcante graças ao comércio marítimo. esta civilização sofreu forte decadência.

inimigos do deus Assur. 6-7. porque estes dois países também nos interessam. 1. que estes eram nômades semitas que a partir do deserto siro-arábico invadiram a Alta Mesopotâmia. contudo. até a cidade de Rapigu da terra de Karduniash (Babilônia). No quarto ano de seu reinado ele combateu os Ahlamu-Arameus no Eufrates e lhes queimou seis acampamentos no Djebel Bishri. . a Anatólia (Ásia Menor) e a Síria. Cf. M. A primeira menção segura dos documentos antigos sobre os arameus data do ano 1110 a.. Mas hoje não temos mais tanta certeza disso. Com o tempo. à razão de duas por ano. os termos ahlamu e arameu tornaram-se sinônimos. sendo a Síria a sede de vários reinos arameus.. Eis o comunicado real:"Marchei contra os ahlamu-arameus.4. pp. Dizia-se. Certo é que nunca houve uma união política aramaica. ROAF. E ainda:"Por vinte e oito vezes. Coleção Grandes Impérios e Civilizações. Em um só dia realizei uma incursão desde as proximidades da terra de Suhi até Carquemish da terra de Hatti. por isso seria melhor não falar mais dos arameus desta maneira. e está em textos cuneiformes do reinado do assírio Tiglat-Pileser I (1115-1077 a. Para falar da Síria. A Síria e a Fenícia De novo.C. bens e gado sem conta". mas é possível que fossem dois grupos diversos. vamos ao norte da Palestina. até pouco atrás. cruzei o Eufrates em perseguição aos ahlamu-arameus.C. sua derrota foi por mim consumada"[13].[4]. aparentados. mais ou menos. Edições del Prado. meu senhor. Mesopotâmia e o Antigo Médio Oriente I. em um salto. temos que falar dos arameus.). Infligilhes baixas e trouxe prisioneiros. Madrid. 1996. Da cidade de Tadmor (Palmira) da terra de Amurru. com sua capital Damasco. da cidade de Anat da terra de Suhi.

um pouco antes de Israel do norte. Começando pelo sul da Fenícia. Líbano. sob o domínio romano. A província síria destacou-se depois. Seu nome vem da púrpura que era extraída ali de certas conchas. mas depois que Davi conquistou todos os outros. Em fenício-hebraico. foi famosa por causa de seus navegantes. Tiro era famosa por seu comércio e suas naves. na época sob mandato francês. antiga Laodicea ad mare. As escavações aí realizadas enriqueceram muito os estudos bíblicos nos últimos tempos. metade no continente. segundo os textos bíblicos. Por isso resistiu maravilhosamente a terríveis assédios assírios e babilônicos. Albanese e Dussaud prestaram atenção à colina vizinha. encarrega um especialista. que tinha toda a aparência de ser um tell . habitada por cananeus. "púrpura" se dizia canaan e em grego foinix. mas foi cidade livre sob os romanos..C.O reino de Aram-Damasco era pequeno. L. Foi aniquilado pelos assírios. a faixa costeira ao norte de Israel e ao lado da Síria. parente da hebraica. Albanese. A descoberta Em março de 1928. Concorrente de Tiro no comércio e navegação. donde "Fenícia". Por isso. era muito fértil. seu nome atual. Damasco se impôs como principal.[14]. construída metade sobre uma ilha. o Serviço de Antigüidades da Síria e do Líbano. Colocado a par da descoberta. por causa da neve no pico dos montes. A Fenícia. Os assírios conquistaram-na. um lavrador alauíta. Foi destruída pelos filisteus. Sídon. M. arando sua propriedade a cerca de 12 km ao norte de Latakia. encontramos a cidade de Tiro. que imediatamente notifica a presença de uma necrópole e identifica a tumba como sendo do tipo micênico. datável aí pelos séculos XIII ou XII a. Foi tomada por Alexandre Magno após sete meses de cerco. É importante por causa de sua grande literatura. de uns 20 metros de altitude. relacionada com a literatura bíblica e sua língua. existente desde o III milênio a. Foi quase sempre aliada de Israel. habitada por cananeus. dominando todo o território sírio. Ainda: Ugarit (Ras Shamra). é devido à cadeia de montanhas assim chamada e significa "o branco". Leia: Ugarit and the Bible! Uma necrópole supõe a existência de uma cidade. remove uma pedra na qual seu arado bate e encontra os restos de uma tumba antiga. chamada Ras Shamra.C.

E as pesquisas ainda continuam. e logo em seguida. primeiro da necrópole. do ponto de vista cultural e étnico esta é uma cidade cananéia. 20 : 2100 . porque. Visite o ERSP .C. Foi o começo de uma série de descobertas numa escavação que se prolonga até os nossos dias.1500 a. A. Os 5 níveis arqueológicos Os arqueólogos classificaram a seqüência estratigráfica em 5 níveis: 10 : 1500 . empreendimento só suspenso durante II Guerra Mundial. 40 : 4000 . 30 : 3000 . embora do ponto de vista geográfico Ugarit não se encontre em Canaã.4000 a. e que podia corresponder à cidade procurada. no dia 8 de maio. Poucos dias mais tarde.C. no dia 2 de abril de 1929.C. objetos de bronze e de pedra. O nível 3 (3000-2100 a. ou seja.C. De 1929 a 1980 foram realizadas 40 campanhas arqueológicas no local. ou Monte Zafon (o monte Casius.2100 a. 50 : ? .C. foram feitas as primeiras descobertas: tabuinhas de argila escritas em caracteres cuneiformes. Schaeffer.. .C. Isto é interessante. um acúmulo de ruínas antigas.3000 a. no tell. sob o comando de Claude F.The Edinburgh Ras Shamra Project! Um ano mais tarde. Ao norte se vê o Jebel Aqra'.1100 a. que tem um extensão de uns 25 hectares e se encontra a cerca de 800 metros da costa.arqueológico. Esta época manifesta contato ou influência da cultura contemporânea da Baixa Mesopotâmia.) apresenta em suas camadas superiores cerâmica cananéia. começaram as escavações. dos romanos) que separa a região dos alauítas do vale e da desembocadura do rio Orontes.. "monte pelado".

em acádico. à última fase da cidade. um sistema cuneiforme alfabético. em hurrita. pertencendo.O nível 2 (2100-1500 a. O testemunho acerca do culto dos mortos na civilização cananéia. ocorre no começo da época do ferro. em micênico linear e cipriota e em ugarítico. Chama a atenção. e guardam muitos utensílios e armas.) nos indica uma cultura tipicamente semita na cidade: cerâmica e templos são de tipo cananeu. Os vestígios de ocupação posterior são de menor importância. já conhecida por referências da literatura egípcia e mesopotâmica. Mas há influências estrangeiras. A reconstrução foi esplêndida e dominada pela arte de estilo micênico. que possuía diversas dependências para arquivos. E. Estavam principalmente na "Biblioteca" anexada ao templo de Baal e no "Palácio Real" ou "Grande Palácio". como conseqüência de um processo de decomposição social interna coincidente com a passagem dos "povos do mar". A invasão dos hicsos não modificou substancialmente esta cultura. da Mesopotâmia e da região do mar Egeu. encontrado em Ugarit. sobretudo pelas Cartas de Tell el-Amarna. foram encontrados cerca de 1300 textos . Tumbas familiares são feitas debaixo das casas. Virolleaud. que é uma forma do cananeu.C. A ruína desta civilização. onde se encontram algumas provenientes da própria Ugarit. Construiu-se neste época um bairro marítimo. As tabuinhas estão redigidas em sete sistemas diferentes de escrita. Os textos ugaríticos Os textos foram encontrados todos no primeiro nível. e verificado no tell por uma camada de cinzas que divide este nível em duas partes. que continuou sendo semítica e cananéia.C. Nesta língua. incêndio mencionado em uma das cartas de Tell el-Amarna. é de grande importância para se entender a reação israelita ao tema presente na Bíblia Hebraica. Um violento incêndio destruiu esta prosperidade. vindas do Egito. portanto. correspondente a sete línguas diferentes: em hieróglifos egípcios. Entre os textos encontrados aparece o nome da cidade. O estilo da cerâmica encontrada nas tumbas é ródio-cipriota. Os textos que nos interessam estão em ugarítico. e com ela a da cidade. que foi decifrado em poucos meses por H. Dhorme e Ch. Bauer. toda uma necrópole com cerâmica cananéia. refletidos nas construções amplas e nas tumbas da necrópole de Mina' al-bayda'. O nível 1 (1500-1100 a. em hitita hieroglífico e cuneiforme. neste nível. A identificação da cidade A identificação do nome do local não foi difícil.) mostra indícios de grande prosperidade no seu começo. pois os textos descobertos sugeriram imediatamente que se tratava de Ugarit (ú-ga-ri-it).

Suas dimensões eram mais ou menos as mesmas"[16].5 x 19. Outra dificuldade é o número e a ordem das tabuinhas. no verso. com tema e tramas próprios ou se estamos lidando com versões diferentes de um mesmo mito. redator ou. A exceção fica por conta da tabuinha 4. em Mitos y Leyendas de Canaán. para quem trabalhou e que deve ter ditado o texto. A escrita ugarítica caminha da esquerda para a direita. Delas. podemos estar falando de diferentes redações de um mesmo "mitema" ou de "mitemas diferentes". 2/5 e 3/4. a terceira coluna continua diretamente. Diz o autor: "Nos restam assim seis tabuinhas que podem representar uma versão ou redação unitária do ciclo mencionado. enquanto as colunas do anverso estão dispostas da esquerda para a direita.O Ciclo de Baal O Ciclo de Baal (ou Ba'lu)[15] apresenta algumas dificuldades especiais dentro da literatura ugarítica: não é fácil determinar se temos um mito único. Assim. junto com o nome do Sumo Sacerdote. segundo o uso da epigrafia cuneiforme. A divisão entre as colunas é feita por uma linha dupla profundamente marcada... E o mais interessante no Ciclo de Baal é que as seis tabuinhas têm a mesma "caligrafia".5.5 cm e 26 x 22 cm. que tem oito colunas e da tabuinha 2 que tem somente quatro colunas.3. da coerência e continuidade entre os diversos episódios que compõem o mito total. ou seja.6 e 1. Como é comum nas tabuinhas cuneiformes. exclui os fragmentos que por suas características externas.1. a tabuinha não deve ser virada como uma página de um livro. Apesar do mesmo tom e da mesma concepção mitológica. del Olmo Lete. Isto sem contar que.6) possuíam originalmente seis colunas de texto. que governou Ugarit de 1370 a 1335 a. ou se temos um ciclo que engloba diversas composições literárias. apenas o transmissor desta versão tradicional do mito de Baal e o nome do rei.16. quatro (1. ultrapassando a borda inferior. quem sabe.). e a quem deveremos considerar como o autor. mas de cima para baixo. de modo que a correspondência anverso/reverso das colunas é a seguinte: 1/6. três de cada lado (. Niqmaddu. O número de linhas conservadas por coluna oscila entre 62 e 65. De modo que. .. foram escritas pelo mesmo escriba que se identifica como Ilimilku em 1. história essa que é dificílima de ser feita. Attanu-Purlianni. com rigorosa unidade de composição. As dimensões padrão são 26. também em Ugarit. há uma "história da tradição e da redação" dos textos.C. G. as do reverso estão dispostas da direita para a esquerda. materiais ou epigráficas não podem constituir unidade editorial com os demais..

As tabuinhas do Ciclo de Baal foram encontradas todas nas campanhas arqueológicas de 1930. discípulo de Attanu-Purlianni. Destacam-se: ILU (=EL) BA'LU (=BAAL) YAMMU (=YAM) KÔTHARU (=KOSHARWAHASIS) 'ATHTARU (='ATHTAR) 'ANATU (= 'ANAT) ATIRATU (= 'ASHERAH) MÔTU (= MÔT) 'ATHTARTU (= ASTARTÉ) SHAPSHU deus supremo. O palácio de Ba'lu (1.6 VI diz.5-6). Paris. as seis tabuinhas trazem um ciclo mitológico. enquanto alguns outros que ali aparecem têm um papel muito impreciso.3-4) e a Luta entre Ba'lu e Môtu (1. criador dos deuses e do homem chefe dos deuses. shubbani. Pastor Máximo.5. Síria.3.KTU 1. senhor da terra deus do mar deus artesão deus do deserto deusa do amor. deus da chuva e da fertilidade. Rey de Ugarit Señor Formidable. Inspector de Niqmaddu.1-2). no seu final: El escriba fue Ilimilku. e no Museu de Aleppo (1.2. O universo mitológico de Ugarit Entre os muitos deuses que constituem o panteão de Ugarit. apenas uns dez ou doze são ativos em sua literatura. 1931 e 1933 e estão hoje no Museu do Louvre (1. deusa da guerra e da caça deusa sol . Provisor de nuestro sustento. Sumo Sacerdote.6). da guerra e da fertilidade .1.4).esposa de Baal esposa de El. composto de três mitos ou composições autônomas que giram cada uma em torno de um mitema particular: Luta entre Ba'lu e Yammu (1. Assim. deusa mãe deus da morte e da esterilidade esposa de Baal.

p.). NEXT [13]. Madrid. del Olmo Lete. J.275. Doubleday & Logos Research Systems. 1976.. (ed. verbete Ugarit. para o que se segue. 88-89. Para outra hipótese. 23-31. 1997.. 121. p. c. Pontifical Biblical Institute. H.. [14]. Paris. pp.. G. cf. pp. Para a posição de G.O. PRITCHARD. GORDON. São Leopoldo. B. História de Israel e dos povos vizinhos. Sanmartín. 274. Dietrich .). o. 1981.. DEL OLMO LETE. Princeton University Press. DEL OLMO LETE. cf. pp. 48-49. Cf. CLIFFORD. Roma. Institución San Jerónimo & Ediciones Cristiandad. DEL OLMO LETE. UT: C. R. FREEDMAN. Neukirchen-Vluyn. o. 1965. G. Creation Accounts in the Ancient Near East and in the Bible.. KTU: M. Ancient Near Eastern Texts Relating to the Old Testament (ANET). Loretz . (ed. del Olmo Lete adotou em sua obra a forma original semita na transcrição do nomes próprios. H. 87. . El é Ilu e assim por diante. 1997 [20043]. Neukirchener Verlag. onde são apresentadas as opções de 17 especialistas. New York. Die keilalphabetische Texte aus Ugarit. 83 da mesma obra.J. 1963. c. Volume 1: Dos primórdios até a formação do Estado. Teil I Transcription. [16]. Sinodal/Vozes. cf. Cf. Assim é que Baal é Ba'lu. 19693. a p. 1992. Cf. Princeton. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. 81-97. diferente da convencional que aparece na Bíblia Hebraica. Herdner. Mitos y Leyendas de Canaan según la Tradición de Ugarit. N. Corpus des tablettes en cunéiformes alphabétiques découvertes à Ras Shamra-Ugarit de 1929 a 1939. D. também DONNER. Cf. J.Aprenda mais sobre os deuses de Ugarit com a Canaanite/Ugaritic Mythology FAQ! Abreviações usadas no texto CTA: A.. Ugaritic Textbook. Einschliesslich der keilalphabetischen Texte ausserhalb Ugarits. Para a ordem das tabuinhas. G. as pp. [15].

mais ou menos. Tel-Aviv. A temperatura vai de -2 a 45 graus Celsius. que era apenas uma parte de seu território. Haifa e Tiberíades são quentes e úmidas. são cerca de 48 km de largura e na altura do mar Morto são cerca de 80 km.000 km2. F. A Palestina Palestina é um nome derivado de "filisteus". ou terra de Canaã. é outro nome da região usado para designar esta terra. sem a Transjordânia. Faziam parte dos "povos do mar". . Por isso. mais ou menos. no norte. dois renomados biblistas e arqueólogos.. Do Mediterrâneo ao Jordão. em hebraico pelishtim. Para a época do NT calcula-se: 500 mil habitantes na Palestina e 4 milhões no exterior (diáspora). é melhor não projetarmos a população para este período. Contando com a Transjordânia. O comprimento é de 250 km de Dan a Bersheba. de Vaux.1. com chuvas de novembro a março e seca de abril a outubro. A superfície da Palestina é de 16. quanto mais um Império davídicosalomômico. Albright e R. em 800 mil habitantes. tentaram invadir o Egito. considerado até meados da década de 70 do século XX como o mais florescente da história de Israel. Cai neve em Jerusalém e Jericó é muito quente. passou a ser chamada de terra de Israel. nome proveniente de seus antigos habitantes. Canaã.C. no período de Davi e Salomão. que nem sempre pertenceu a Israel. incluindo o deserto do Negueb nesta última. que não era propriamente território de Israel.5. A população foi estimada por W. Mas hoje nem sabemos se houve um monarquia unida. Os filisteus são de origem egéia. e mais tarde Judá ou Judéia. mas foram vencidos pelo faraó Ramsés III e passaram a viver naquela parte da Palestina. um povo que habitava a faixa costeira situada entre o Egito e a Fenícia. são 25. os cananeus. ou de 320 km de Dan a Cades-Barnea. Israel é uma zona subtropical. A superfície da Bélgica. talvez de Creta. que após 1175 a. Sob os hebreus.000 km2 de território. variando também segundo os lugares graças à topografia.

Entre estas duas cadeias está o vale do Jordão. por onde correm os afluentes ocidentais do Jordão. quanto ao relevo em quatro faixas verticais.C. Sua capital era Kir-hareseth (Kir.Samaria. Assim.1.5. até o mar Morto. 110 km de comprimento e 25 km de largura. os afluentes são: Zered. 1. Sela. Jabbok e Yarmuk.C. Cerca de oito km a oeste de Medeba está o monte Nebo (para a tradição sacerdotal) ou Pisgah (para a tradição eloísta) de onde Moisés teria contemplado a terra de Canaã e morrido. Seu território principal está situado em um planalto de 1200 metros de altitude. Moab.. Ammon. Sua capital. ao norte. a Cisjordânia e a costa mediterrânea. A configuração geográfica é a seguinte: há duas cadeias de montanhas que percorrem a Palestina de norte a sul e são: a continuação do Líbano. Cisjordânia. uma fortaleza perto de Sela. teria cerca de 30 mil habitantes e a Jerusalém do tempo de Jesus também não passava de 25 a 30 mil habitantes fixos. Outras cidades: Aroer. Moab está situado entre os vales do Zered e do Arnon. Aí por volta de 1300 a. norte-sul: a Transjordânia. numa depressão de 390 metros abaixo do nível do mar que vai do lago de Hule.C. foram destruídas e abandonadas. ao norte. Na Transjordânia estavam antigamente os seguintes países ou regiões: Edom. podemos descrever a Palestina. Kir-heres). o vale jordânico. A Transjordânia As montanhas da Transjordânia são altas e apresentam profundas gargantas. Seu limite ao norte é o rio Zered. O país está ao sul do mar Morto. quando foi destruída pelos assírios em 722 a. . Galaad e Bashan. A Bíblia costuma unir Teman e Bosrah para designar todo o país de Edom. Arnon. porém levava freqüentemente sua fronteira ao norte do Arnon.C. a Transjordânia. Edom é o país ocupado por um povo semita do deserto siro-arábico aí por volta de 1300 a. Do sul para o norte. Bosrah e Tofel. o país foi novamente ocupado por semitas nômades e pastores. Outras cidades: Teman. a moderna Kerak. As cidades do ano 3000 a. Medeba e Heshbon. Dibon. em um planalto de 1600 metros de altitude. ao sul. e a continuação do Antilíbano. ao sul o golfo de Aqaba.

Jabesh-Galaad. Os limites de seu território não são bem definidos. Suas cidades principais: Penuel.. Succoth. de quem sempre foi inimigo. Cultuavam os amonitas o deu Moloc (ou Melek). Antes de Israel adotar a monarquia como forma de governo. onde Herodes Antipas mandou matar João Batista.C.C. Galaad (ou Gilead) está também na região do Jabbok. mas se libertou logo após a divisão de 931 a. mas foi expulsa. boas para o cultivo do trigo e ótimas para pastagens. mais ou menos. Moab já o fizera. a atual Amman. a sudoeste do monte Nebo estava a fortaleza de Maqueronte. Pella. Sua capital era Rabbath-Ammon. Moab e Israel nunca foram amigos. que se revezavam na sua posse. Bashan (ou Hauran) é uma região ao norte do Galaad. ao qual eles ofereciam sacrifícios humanos. Seu deus principal era Kemosh. Sua língua se assemelha bastante ao hebraico. Moab foi submetida. formada por férteis planícies. Chove bem e era coberta antigamente por densos bosques. Parece que se estabeleceram aí em 1300 a. capital da Jordânia. Mahanaim. Esteve freqüentemente submetido a Israel. Ramoth-Galaad. Sua língua se assemelha ao aramaico. Gadara. Seu território tem uns 60 km de norte a sul por 40 km leste-oeste e é bastante fértil. Seus bosques eram comparáveis aos do Líbano.No tempo do NT. Não possuía cidades de destaque. e Ammon foi o mais fraco dos reinos transjordânicos. e sacrificavam-lhe crianças. Sob Davi e Salomão. A região sempre foi objeto de luta entre Israel e Síria. A tribo de Rubens tentou se estabelecer na parte norte de seu território. Ammon era uma tribo aramaica que se estabeleceu na região superior do Jabbok. Famoso era seu bálsamo e abundantes suas vinhas. NEXT NEXT . Esta região foi conquistada pelos israelitas e habitada pelas tribos de Gad e Manassés. No tempo do NT: Gerasa.

ainda a 80 metros acima do nível do mar. com seus 2750 metros de altitude. Para ir da Palestina para a Síria era necessário atravessar o Jordão ao sul de Hule.2. situado nada menos que a 390 metros abaixo do nível do Mediterrâneo. o Jordão corre violentamente no fundo de uma garganta de 350 metros de profundidade. O Vale do Jordão À sombra do monte Hermon. 110 km abaixo. É um belo lago. Jordão significa aquele que desce ou também lugar onde se desce (bebedouro). e é o ponto mais baixo da superfície terrestre: está a cerca de 390 metros abaixo do Mediterrâneo e tem outro tanto de profundidade. rico em peixes. sempre coberto de neve. pois realmente ele nasce acima do nível do Mediterrâneo. atravessa o lago de Hule. que contêm um alto teor de sal. pois provocava malária. Por isso foi construída aí uma fortaleza. Perto da desembocadura do Jordão no lago de Genezaré estão as ruínas de Corazim. O lago de Hule era pequeno e pouco profundo. Magdala. Hazor. nasce o rio Jordão. Nada vive nas suas águas. Tiberíades etc estavam na suas margens. na confluência de quatro torrentes que descem das montanhas do Líbano.5. cerca de 25%. por onde andou Jesus. mencionada em Mt 11. de 21 km de comprimento por 12 de largura. E também Guilgal. Entre o lago de Hule e o lago de Genezaré. Betsaida. Perto de suas nascentes estão as cidades de Dan e. O mar Morto tem 75 km de comprimento por 16 km de largura. na época do NT. forma a 16 km ao sul o lago de Genezaré. Nome bem adaptado ao maior rio da Palestina. Tinha cerca de 4 km e foi drenado pelo atual Israel. que se tornou a principal cidade do norte da Palestina.1. O NT fala continuamente destes paragens. que já está a 210 metros abaixo do nível marítimo e tem sua foz no mar Morto. . O lago de Genezaré (do hebraico Kinneret = harpa) é chamado também de lago de Tiberíades ou mar da Galiléia. santuário cananeu e depois israelita. Cesaréia de Filipe (Baniyas). uma das mais antigas cidades do mundo. A 9 km ao norte do mar Morto está Jericó. Cidades como Cafarnaum.21.

A Região Central da Palestina No extremo sul está o Negueb (deserto de Sin). Importante no Negueb era Cades-Barnea. para salvá-los dos romanos que tudo destruíram em 68 d. • • • • • . por onde passavam importantes rotas de caravanas.ligada à história de Abraão e de Davi. Há em Judá várias cidades e localidades importantes na história do povo de Israel. Arad. No extremo sul da Arabá estava a fortaleza de Elat e o porto de Esion-geber.A noroeste do mar Morto vivia. terra de Lázaro etc. Ao sul do mar Morto está a Arabá. segundo o texto bíblico. que se eleva progressivamente. povoado onde nasceu Jeremias Betânia. Era das colinas da Arabá que Salomão extraía o cobre para sua indústria. pátria de Davi e lugar tradicional do nascimento de Jesus. desde Bersheba até perto de Betel. e nas grutas de Qumran foram encontrados em 1947 importantes manuscritos bíblicos que eles. Cerca de 80 km ao norte estava Bersheba (Bersabéia). continuação da depressão palestina.está a 1000 metros de altitude . os essênios.5. Um pouco mais ao nordeste. A região é desértica.C. oásis onde os israelitas estiveram após o êxodo do Egito. a comunidade dos essênios. Fica a 32 km de Jerusalém Belém. esconderam em cavernas. do mar Morto ao golfo de Aqaba. alguns quilômetros ao norte de Jerusalém. pátria do valente profeta Amós. Ao norte do Negueb se estende o território montanhoso de Judá. está a 7 km de Jerusalém Jerusalém. nos últimos séculos de Israel. 1. cidade cananéia.3. nos seus 150 km de extensão. como por exemplo: • Hebron (Kiriat-arbá). apenas um povoado a 19 km de Jerusalém Anatot. a cidade conquistada por Davi aos jebuseus e transformada em sua capital Técua. a cidade mais alta da Judéia .

AA. Taanak.. em seguida o promontório e o monte Carmelo. Silo. em o NT. vindo do Egeu. Por ali passavam as principais vias de comunicação entre o Egito e a Síria. e para guardar a passagem foram construídas as fortalezas de Ibleam. São Paulo. que aparece muito pouco no AT. 1. Por ali passava a estrada que ia do Egito para a Síria. cidades cujas histórias deveriam ser cuidadosamente estudadas. Finalmente chegamos à região da Galiléia.VV. Azecah.4. Ascalon. Tirsá. Gat e Ekron. Merecem ainda atenção: Bet-shan e Jezreel. Lakish. depois já é a Fenícia. . Maggedah. um vale ótimo para a agricultura.VV. Afeq etc. De Gaza. Ao norte de Samaria está a planície de Esdrelon (Jezreel). 1996. por ser a pátria de Jesus.Continuando a subir em direção norte.. crescendo. onde eram cultivados o trigo e a oliveira. Bíblia. Meguido e Jokneam. localizada a 60 km de Jerusalém. Coleção Grandes Impérios e Civilizações. Entre a planície filistéia e as montanhas de Judá há uma faixa de terra de 15 a 25 km de largura chamada Shefelah (= terras baixas). chegamos à região de Samaria. Libnah. capital do reino do norte. eram defendidos pelas fortalezas de Debir. Lod.5. 1990. de Gaza. Caravanas em tempo de paz e exércitos destruidores em tempo de guerra eram uma constante. Mais para o norte está finalmente a cidade de Dor. Os Caminhos de Deus I-II. até Tiro. Ao norte da planície filistéia está a planície de Sharon. norte. uma confederação de cinco cidades: Gaza. são cerca de 200 km de costa. Siquém. Aí por volta de 1150 a. Ashdod. Paulus. Madrid. Os vales da Shefelah. contudo. Nesta região central encontramos: Ai. Aí estão os mais antigos santuários de Israel. Dotan. A Costa Mediterrânea Vamos começar de novo pelo sul. Edições del Prado. com as cidades de Jope. os filisteus. Bet-Shemesh e Gezer.C. Leituras Recomendadas AA. Betel. ocuparam uma faixa costeira formando a conhecida pentápoles filistéia. com o porto de Acco na planície de Asher. A planície filistéia tem de 7 a 15 km de largura. sul. A Criação e o Dilúvio Segundo os Textos do Oriente Médio Antigo. cidades com um longo passado de lutas e guerra. caminhos entre a filistéia e Judá.

BAINES, J. & MÁLEK, J., O Mundo Egípcio. Deuses, Templos e Faraós, 2 vols., Coleção Grandes Impérios e Civilizações, Madrid, Edições del Prado, 1996. CARDOSO, C. F. S., Sociedades do Antigo Oriente Próximo, São Paulo, Ática, 1986. CLIFFORD, R. J., Creation Accounts in the Ancient Near East and in the Bible, Washington, The Catholic Biblical Association of America, 1994. DEL OLMO LETE, G., Mitos y Leyendas de Canaan según la Tradición de Ugarit, Madrid, Institución San Jerónimo & Ediciones Cristiandad, 1981. DONNER, H., História de Israel e dos Povos Vizinhos I-II, São Leopoldo, Sinodal/Vozes, 1997 [20043]. ECHEGARAY, J. G., O Crescente Fértil e a Bíblia, Petrópolis, Vozes, 1995. FREEDMAN, D. N. (ed.), The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM, New York, Doubleday & Logos Research Systems, 1992, 1997. GALBIATI, E. & ALETTI, A., Atlas Histórico da Bíblia e do Antigo Oriente. Da Pré-História à Queda de Jerusalém no Ano 70 d. C., Petrópolis, Vozes, 1991. GARELLI, P., O Oriente Próximo Asiático I, São Paulo, Pioneira/Edusp, 1982. KRAMER, S. N., Os Sumérios. Sua História, Cultura e Carácter, Amadora, Livraria Bertrand, 1977. MAY, H. G. (ed.), Oxford Bible Atlas, Oxford, Oxford University Press, 19903. PRITCHARD, J. B. (ed.), Ancient Near Eastern Texts Relating to the Old Testament (ANET), Princeton, Princeton University Press, 19693. ROAF, M., Mesopotâmia e o Antigo Médio Oriente, Coleção Grandes Impérios e Civilizações, Madrid, Edições del Prado, 1996. THOMPSON, T. L., The Mythic Past. Biblical Archaeology and the

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2. As Origens de Israel 2.1. A Teoria da Conquista Israel invade a terra de Canaã, vindo da Transjordânia, pelo final do século XIII a.C. As tribos lutam unidas e, fazendo uma campanha militar em três fases, dirigidas ao centro, sul e norte, ocupam o país, destruindo seus habitantes, no espaço de uns 25 anos. Esta é a visão de Js 1-12 e a que dominou no mundo judaico. A síntese de Js 10,40-43 diz o seguinte:"Assim Josué conquistou toda a terra, a saber: a montanha, o Negueb, a planície e as encostas, com todos os seus reis. Não deixou nenhum sobrevivente e votou todo ser vivo ao anátema, conforme havia ordenado Iahweh, o Deus de Israel; Josué os destruiu desde Cades Barne até Gaza, e toda a terra de Gósen até Gabaon. Todos esses reis com suas terras, Josué os tomou de uma só vez, porquanto Iahweh, Deus de Israel, combatia por Israel. Finalmente Josué, com todo Israel, voltou ao acampamento em Guilgal". Mapas do Israel atual? Confira aqui!

Alguns defendem esta teoria, com matizes, baseados na "evidência" arqueológica como William Foxwell Albright, George Ernest Wright, Yehezkel Kaufmann, Nelson Glueck, Yigael Yadin, Abraham Malamat, John Bright, este último moderadamente[1]. A arqueologia atesta: a) Uma ampla destruição de cidades cananéias no final do século XIII a.C. Do norte para o sul, são essas as cidades: Hazor, Meguido, Succoth, Betel, Bet-Shemesh, Ashdod, Lakish, Eglon e Debir. Destas 9 cidades, 4 são ditas especificamente como destruídas por Josué: Hazor: Js 11,10-11 Lakish: Js 10,31-33 Eglon: Js 10,34-35 Debir: Js 10,38-39 b) A não destruição de cidades que os textos confirmam como não tendo sido tomadas por Josué: Gibeon: Js 9 Taanach: Jz 1,27 Siquém: Js 24 Jerusalém: Js 15,63; 2Sm 5,6-9 Bet-Shean: Jz 1,27-28 Gezer: Js 10,33 c) A reocupação das cidades destruídas foi homogênea e pode ser relacionada com a ocupação israelita que se seguiu à conquista. Além do que tal ocupação mostra, na sua maior parte, um empobrecimento técnico, típico do assentamento de populações seminômades (o tipo de cerâmica, de construções, de utensílios etc). d) Localidades que estavam abandonadas há muito tempo são ocupadas novamente no século XIII a.C., como: Dor, Gibeah, Bersabéia, Silo, Ai, Mispa, Bet-Zur...

Ora, em nenhuma destas evidências aparece qualquer inscrição dizendo tratar-se de Israel. Mas como nenhum outro povo ocupou tal região neste período, quem poderia ser senão Israel? Porém: • • • os dados arqueológicos não são puros, são interpretados várias destruições podem ter sido feitas por lutas internas, lutas entre as cidades cananéias o livro dos Juízes relata a conquista de maneira individualizada, feita pelas várias tribos isoladamente e não uma ação conjunta de um pretenso Israel unido o Dtr marcou muito sua obra com propósitos teológicos - necessários no tempo do exílio - e não tinha a nossa concepção de história. Ele projetou muito no passado o que era projeto para o presente, como: o hérem ou "anátema", uma guerra de extermínio, com o objetivo de manter os israelitas separados das populações estrangeiras que ocuparam a Palestina durante o exílio o processo de nacionalização através do chefe único - Josué - que interessava na reunificação dos israelitas no pós-exílio, quando na realidade Josué deve ter comandado apenas tribos da "casa de José", como Efraim, Manassés, Benjamim a chave litúrgica na apresentação dos fatos (o que interessava aos levitas e à reforma de Josias) como: a tomada de Jericó (Js 6), a travessia do Jordão (Js 3-5), o culto praticado num só lugar, na seqüência Guilgal, Silo, Siquém (Js 5,10;18,1;24,1) e a condenação do culto praticado em qualquer outro lugar (Jz 17-18), quando, na verdade, os lugares de culto parecem ter sido muitos nesta época, e contemporâneos! as cidades de Jericó, Ai e Gibeon não podem ter sido conquistadas nesta época, segundo os arqueólogos. Jericó foi destruída no século XIV a.C. e não há indícios de destruição nos séculos XIII-XII a.C., nem de reocupação; Ai (= ruína) também já fora destruída muito tempo antes, no III milênio. Gibeon não era nenhuma cidade importante na época de Josué, segundo mostra a arqueologia (cf. Js 9) o livro de Josué recorre muito à etiologia, quando diz: "e (tal está assim) até o dia de hoje" (Js 4,9;5,9;6,25;7,26;8,28-29;9,27;10,27 etc). O

a narrativa bíblica enfatiza os poderosos atos de Iahweh que liberta o povo do Egito. para as tribos israelitas: êxodos diferentes para os vários grupos. José Alberto Soggin. nas proximidades das cidades cananéias[4]. 1962. As tribos foram ocupando os espaços vazios entre as cidades-estado cananéias. Yohanan Aharoni e outros[2]. Defende uma entrada diferenciada na Palestina. Os relatos de conquista de Josué são etiológicos e Josué não passou de um chefe local efraimita. O artigo já começa com uma constatação. para o sul e para o norte. que assim acabam confirmando-na. A Teoria da Revolta A teoria da revolta foi defendida primeiro por George Mendenhall. 66-87. . Tal teoria baseia-se na análise crítica dos textos bíblicos e interpreta à sua luz os dados arqueológicos. o conduz pelo deserto e lhe dá a terra. pelo menos.? 2. De fato. pp. antes da monarquia. Qual o valor histórico destes relatos? 2. Os conflitos aconteciam quando um clã invadia o território de uma cidade-estado[3]. Siegfried Hermann. com um artigo[5] chamado The Hebrew Conquest of Palestine. publicado em Biblical Archaeologist 25. sem um conflito generalizado e organizado. em doze tribos. mais ou menos pacificamente. Ligas anfictiônicas: primeiro duas (Noth): uma de clãs do sul (6 clãs posteriormente assimilados a Judá) e outra de tribos do norte.1939).2. Apóia-se também nas tradições patriarcais do Gênesis: os patriarcas viviam. que hoje tornou-se lugar comum em congressos ou salas de aula: "Não existe problema da história bíblica que seja mais difícil do que a reconstrução do processo histórico pelo qual as Doze Tribos do antigo Israel se estabeleceram na Palestina e norte da Transjordânia"[6]. Depois sua união.1950).3.C. Problemas: • • • • anfictionia israelita? hapiru/hebreu? conceito de etiologia e narrativas etiológicas e as destruições do final do século XIII a. informando-nos. Manfred Weippert. Noth liga os hebreus aos hapiru. Martin Noth (1940. A Teoria da Instalação Pacífica Modelo defendido por Albrecht Alt (1925.mesmo acontece com o livro dos Juízes.

sobre a visão e os objetivos teológicos dos narradores de séculos depois. Igualmente critica a noção de tribo como um modo de organização social próprio de nômades. Mendenhall critica a visão romântica do modo de vida dos beduínos. G. sociais e políticas em que se deu o surgimento de Israel. mostrando que tribos podem ser parte ou estar em relação com povoados e cidades. inclusive. . erroneamente vistos como nômades contrastando com os sedentários das cidades. O que George Mendenhall propôs com o seu artigo foi apresentar um novo modelo ideal em substituição a modelos que não mais se sustentavam. continua Mendenhall. os pesquisadores sempre utilizaram modelos ideais para descrever as origens de Israel. Jacó e os filhos. e é aqui a reconstrução de uma alternativa deve começar"[7]. por exemplo. Ora. como. Mostra que os próprios relatos bíblicos jamais colocam os antepassados de Israel como inteiramente nômades. entretanto. o da conquista militar e o da infiltração pacífica de seminômades e elenca os três pressupostos presentes em ambos: • • • as doze tribos entram na Palestina vindo de outro lugar na época da "conquista" as tribos israelitas eram nômades ou seminômades que tomam posse da terra e se sedentarizam a solidariedade das doze tribos é do tipo étnico. mas "a suposição de que os israelitas primitivos eram nômades. Mendenhall começa descrevendo os dois modelos existentes até então para a entrada na terra de Canaã. mas ocultando-nos as circunstâncias econômicas. Jacó e Labão. sendo a relação de parentesco seu traço fundamental. A seguir. está inteiramente em contraste com as evidências bíblicas e extra-bíblicas.deste modo. o primeiro e o terceiro pressupostos até que podem ser aceitos. sugerindo uma linha de pesquisa que levasse em conta elementos que até então não tinham sido considerados. em contraste com os cananeus. caracterizando-as. importada do mundo grego. onde há sempre uma parte do grupo que é sedentária. Frente a isso. como o fez Martin Noth com a tese da anfictionia. que foi assumida sem criticidade pelos pesquisadores bíblicos e usada como modelo para o Israel primitivo.

New York. New York. muito acima de fatores sociais e políticos. como a causa da unidade solidária que faz surgir Israel. Mendenhall procura demonstrar que ninguém podia nascer hebreu já que este termo indica uma situação de ruptura de pessoas e/ou grupos com a fortemente estratificada sociedade das cidades cananéias. Esta motivação religiosa é a fé javista que transcende a religião tribal.. um javismo não muito bem explicado. Niels Peter Lemche. 1250-1050 B. através dos patriarcas. Mendenhall e avança por quase mil páginas em favor de uma revolta camponesa ou processo de retribalização que explicaria as origens de Israel. e que funciona como um poderoso mecanismo de coesão social. Mendenhall usa os modelos de Elman Service expostos em sua obra Primitive Social Organization. pois esta é o símbolo formal através da qual a solidariedade era tornada funcional. Norman K. coisa que os teóricos da antropologia não aprovariam de modo algum[9]. Segundo Lemche. A ênfase na mesma herança tribal. de 1975. no qual retoma a tese de G. . pode ser creditada à teologia dos autores da época da monarquia e do pós-exílio que deram motivações políticas a uma unidade que foi criada pelo fator religioso.E. mas especialmente por seu uso eclético destas teorias. 19622. "porque uma motivação e um movimento religioso criou uma solidariedade entre um grande grupo de unidades sociais preexistentes. critica Mendenhall. seu ponto mais crítico é o idealismo que permeia o seu estudo e coloca o "javismo". do ponto de vista de um historiador interessado somente nos processos sócio-políticos. Random. 1979. O que aconteceu pode ser sumariado. em um artigo anterior. Mas.. tornando-os capazes de desafiar e vencer o complexo mal estruturado de cidades que dominavam a Palestina e a Síria no final da Idade do Bronze"[8]. Orbis Books.C. Estes camponeses revoltados contra o domínio das cidades cananéias se organizam e conquistam a Palestina. didaticamente.. Por isso a tradição da aliança é tão importante na tradição bíblica. Gottwald publicou seu polêmico livro The Tribes of Yahweh: A Sociology of the Religion of Liberated Israel. E conclui: "Não houve uma real conquista da Palestina. diz Mendenhall. e utilizando as cartas de Tell el-Amarna. mas principalmente só o javismo e nenhuma outra esfera da vida daquele povo.Aproximando o conceito de hebreu ao de Hab/piru. Alguns anos mais tarde. como uma revolta camponesa contra a espessa rede de cidades-estado cananéias". por seu uso arbitrário de macro teorias antropológicas. Maryknoll. e na identificação de Iahweh com o "deus dos pais". Sem dúvida. por outro lado.

a percepção de que a tecnologia e a organização social exercem um impacto muito maior sobre as idéias do que pesquisadores humanistas poderiam admitir.. seja por imigração seja por conquista militar o pressuposto da criatividade do povo do deserto em iniciar mudanças sociais em regiões sedentárias. mas basta citarmos umas poucas para que as coisas comecem a clarear: a evidência etnográfica de que o seminomadismo era apenas uma atividade secundária de populações sedentárias que criavam gado e cultivavam o solo. resultando numa aculturação sócio-política o pressuposto de mudança social produzida por características especiais de um grupo ou por elementos culturais de destaque.Gottwald expõe sua tese então em desenvolvimento. ou seja. Israel teria ocupado a terra como recurso para realizar a passagem do seminomadismo para a sedentarização. • • As forças e pressões que dobraram e quebraram estes pressupostos são muitos. Ele diz que até recentemente a pesquisa sobre o Israel primitivo era dominada por três idéias básicas: • o pressuposto de mudança social ocorrida no deslocamento de populações. ou seja: um hiato sócio-político em Canaã teria ocorrido como resultado da substituição demográfica ou étnica de um grupo por outro. Os conceitos centrais que emergem deste deslocamento de pressupostos. cada vez maior entre os estudiosos. ou seja. desde a língua até a formação religiosa. e que usarei aqui para sintetizar seus pontos fundamentais[10]. podem ser sintetizados da seguinte maneira: • o pressuposto da ocorrência normal de mudança social ocorrida por pressão e conflitos sociais internos. a partir do momento em que o judaísmo é lido a partir da perspectiva do judaísmo tardio e do cristianismo.. indicações de que mudanças culturais e sociais são freqüentemente conseqüências do lento crescimento de conflitos sociais dentro de uma determinada população mais do que resultado de incursões de povos vindos de fora. como resultado de novos avanços tecnológicos e de idéias em confronto numa interação volátil . evidências da fundamental unidade cultural de Israel com Canaã em uma vasta gama de assuntos. o javismo é visto como fonte isolada e agente de mudança na emergência de Israel[11]. a conclusão de que conflitos ocorrem tanto dentro de sociedades controladas por um regime único como entre estados opostos.

• A partir de tais constatações. ou seja. especialmente o fato de que os fatores ideológicos não podem ser desligados de indivíduos e grupos vivendo em situações específicas. E Gottwald termina seu texto dizendo que o modelo da retribalização levanta uma série de questões para posterior pesquisa e reflexão teórica[14]. Esse desligar-se da forma de organização social da cidade-estado tomou a forma de um movimento de 'retribalização' entre agricultores e pastores organizados em famílias ampliadas economicamente auto-suficientes com acesso igual aos recursos básicos. que dividiu e opôs grupos que previamente viviam organizados em cidades-estado cananéias. O tribalismo israelita foi uma revolução social consciente. uma guerra civil. que lentamente se ajuntavam e se firmavam caracterizando-se por uma forma anti-estatal de organização social com liderança descentralizada. Israel tornou-se aquele segmento de Canaã que se separou soberanamente de outro segmento de Canaã envolvendo-se na 'política de base' dos habitantes dos povoados organizados de forma tribal contra uma 'política de elite' das hierarquizadas cidades estados"[13]. Gottwald vê o tribalismo israelita como uma forma escolhida por pessoas que rejeitaram conscientemente a centralização do poder cananeu e se organizaram em um sistema descentralizado.• o pressuposto da função secundária do deserto em precipitar a mudança social. Assim. que tinha seus fundamentos intelectuais e cultuais na religião do antigo Oriente Médio cananeu. se quisermos. nas quais determinados contextos tecnológicos e sociais adquirem configurações novas[12]. era idiossincrática e mutável. sendo que no Antigo Oriente Médio o seminomadismo era econômica e politicamente subordinado a uma região predominante agrícola e que nunca foi ocasião de deslocamentos maciços de populações ou de conquistas políticas provocadas por estes deslocamentos o pressuposto de que mudança social ocorre pela interação de elementos culturais de níveis diversos. Gottwald propõe um modelo social para o Israel primitivo que segue as seguintes linhas: "O Israel primitivo era um agrupamento de povos cananeus rebeldes e dissidentes. um ser divino integrado existia para um integrado e igualitário povo estruturado. A religião de Israel. onde as funções políticas ou eram partilhadas por vários membros do grupo ou assumiam um caráter temporário. NEXT .

& MEYERS. Terra Prometida. Winona Lake.[1]. Harper & Brothers. MENDENHALL. Sinodal. ALT. 154. ibidem. C.). Westminster Press. [7]. 19-110. C. C. 1971. Community. Eisenbrauns. Westminster Press. C. Identity and Ideology. Cf.. em CARTER. A. Cf. N. N. P. pp. 19603. Terra Prometida. Community. [6].). [5]. também Revisiting The Tribes of Yahweh (2006). Cf. E. Indiana. The Settlement of the Israelite Tribes in Palestine. 152. 152-169. 279. A. ibidem. The Archaeology of Palestine. [8]. 158-159. The Hebrew Conquest of Palestine. o artigo em CARTER. A. 1972. M.). (eds. Cf. Schocken Books.. 1978.. W. [4]. pp. (eds. NOTH. (eds. L. Philadelphia. pp. Social Sciences Approaches to the Hebrew Bible. [2]. ibidem. "On the Use of "System Theory".. Community. New York. Idem. Paulus. ALT.. London. 1975. G. Cf. p... BRIGHT. LEMCHE. & MEYERS. Cf. [9]. [10]. Cf. J. and Evolutionistic Thinking" in Modern Old Testament Research and Biblical Archaeology. em CARTER. F. The Religion of Israel: From its Beginnings to the Babylonian Exile. Community. ALT. Biblical Archaeology. em CARTER. L. História de Israel. Penguin. E. pp. ALBRIGHT. São Leopoldo.. G.. Cf. KAUFMANN. [12]. WEIPPERT. Idem. [11]. ibidem. 173-174. WRIGHT. 1960. 1972. C. p. L. pp. Cf.. [3]. Joshua. GOTTWALD. K. & MEYERS. C. A History of Israel in Old Testament Times. Fortress Press. M. p. São Paulo. Identity and Ideology. E.. HERMANN. Philadelphia. & MEYERS.. Baltimore. Identity and Ideology.. Philadelphia.. The History of Israel. Cf. C. Idem. New York. L. J. E. E. A. S. SOGGIN. 1996. "Macro Theories". . Terra Prometida. Ensaios sobre a história do povo de Israel. C. 1987. E. p.). Identity and Ideology. 19622. SCM Press. 170-181. Y. Ensaios sobre a História do Povo de Israel. pp. Idem. (eds. Domain Assumptions and Societal Models in the Study of Pre-Monarchic Israel. 56 e 72-73. 172.

Sua capital é Avaris. A XIX dinastia teve alguns nomes famosos: • • Ramsés II. Idem. ibidem. que construiu nova capital. Ascalon está deportada.C. Mas são expulsos por Amósis (1580-1558 a. estendendo seu domínio até o Eufrates. faraó da décima oitava dinastia que transforma o Egito na maior potência mundial. e o dominam durante um século. Sob a XX dinastia. . pp. deixando um vazio político na Palestina.C. PAUSA EM 06/10/2008 ÀS 16:30H O contexto histórico que apoiaria a teoria é o seguinte: Os hicsos conquistam o Egito por volta de 1670 a. Gazer foi tomada. o Hatti está em paz. A capital volta a Tebas. À décima oitava dinastia pertencem ainda: Amenófis IV (1372-1354 a. Tutmósis III. que cita Israel em estela de 1220 a. Cf. O Haru [=Canaã] está em viuvez diante do Egito.C. Akhetaton. seu filho. também da décima oitava dinastia. 180-181. Ramsés II é quem fez a aliança de paz com os hititas. [14]. Idem. o Egito vai progressivamente perdendo toda a sua influência na Ásia.).[13]. levou o Egito ao auge de seu poder. o faraó do culto a Aton -. Tehenu [=Líbia] está devastado. Estela de Merneptah Os príncipes estão prostrados dizendo: paz. arqueologicamente conhecida como ElAmarna. pp. a última do reino novo.) também conhecido como Akhenaton.C. Entre os Nove Arcos nenhum levanta a cabeça. Canaã está privada de toda a sua maldade. 174-175. Tutankhamon. o faraó do êxodo Merneptah. Yanoam está como se não existisse mais. Israel está aniquilado e não tem mais semente. ibidem. que é o último faraó desta dinastia e que volta ao antigo culto a Amon e traz a capital de novo para Tebas.

A chegada pouco depois da divisão Ptah pôs o exército hitita em fuga. A primeira. Suteh. a fez passar por um ressonante triunfo. acampou ao norte da cidade de Cades. deixando quase inteiro o exército inimigo encerrado na fortaleza. abandoando sua missão de pacificar o país. uma espécie de "feudo" seu: interesses estratégicos.C. que vinham para se unir ao exército egípcio na qualidade de aliados. os hicsos introduziram na Palestina o uso do carro de combate. que teve de se retirar às pressas e se refugiar na cidade de Cades. aconteceu a célebre batalha de Cades. não chegou a intervir na contenda. rodeou a cidade pelo sul e. mas só tinha 1. Para rechaçar os hicsos. G. como bases centrais. A última divisão egípcia. À vista dos acontecimentos. Ramsés II desistiu de tomar a cidade. O exército egípcio compunha-se de quatro divisões que levavam nomes religiosos. A batalha na realidade fora um confronto entre as duas maiores potências do mundo. retirou-se ordenadamente para a Palestina. que mandou gravar nas paredes dos templos de Tebas. aproximavam-se escalonadamente as divisões Rá. o faraó. não teria podido resistir se não fosse a intervenção inesperada de um corpo expedicionário de cavaleiros ‘amorreus’ procedentes da costa. Os hicsos invadem o Egito e a Palestina.Vale citar aqui um longo trecho de J. saindo de um bosque. O Crescente Fértil e a Bíblia: “Em 1286 a. modificando todas as táticas de guerra então em uso. Pelo contrário. Bem. que foi objeto de ataque imediato. porém. Então o exército hitita. Alguns se refugiaram no acampamento de Ramsés. a uma grande distância. ocultando-se. os egípcios da XVIII dinastia davam condições de defesa à Palestina. Echegaray. comerciais (produtos do Líbano e rotas caravaneiras) etc levaram o Egito a . A divisão foi desarticulada e posta em fuga. na qual ia o faraó. Não tinha sido uma verdadeira vitória. mas também não podia ser contado como uma derrota. o exército hitita possuía 3.500 carros de combate. As populações locais (cananéias) tiveram que reforçar a defesa de suas cidades e abrigar em seu interior as populações mais atacadas pelos invasores.000 homens. Ptah e Suteh. espetacular confrontação militar de Ramsés II com seu rival hitita Muwatalli. atacou a divisão Rá que acabava de atravessar o arroio Sabtuna (hoje El-Mukadiyeh). Atrás.500 carros de combate”[15]. que ainda não atravessara o Orontes. induzida por um deficiente serviço de ‘inteligência’ que garantia que as tropas hititas ainda estavam longe. chamada divisão de Amon. O exército egípcio era composto por cerca de 25. Embora a divisão Amon se defendesse valentemente com seu rei à frente. ocupando na região de Canaã. Jericó e Siquém.

uma aliança tribal. com muitos cananeísmos. Quando os israelitas do grupo de Moisés chegam a Canaã esta é a situação: confrontos generalizados entre as cidades. Unidos pela esperança javista os recém-chegados juntam-se aos revoltosos. As populações de baixa condição. procuravam aumentar seus domínios a expensas de seus vizinhos e rivais etc. sendo a de maior consistência a do dinamarquês Niels Peter Lemche. Quando o controle egípcio era menor. vivendo ao abrigo das cidades e de seus exércitos locais. príncipes das cidades-estado cananéias. Constituem um "governo" tribal. e ocupam as regiões montanhosas. o livro de Gottwald suscitou uma grande polêmica e polarizou as atenções dos especialistas durante muito tempo. Anthropological and Historical Studies on the Israelite Society before the Monarchy. Nos conflitos entre as cidades cananéias. senhores das cidades. estava assim submetida ao príncipe cananeu. da ajuda. tinham perdido o controle. as cidades cananéias diminuíam ou interrompiam o pagamento do tributo. Muitas críticas também foram formuladas a Gottwald.estabelecer guarnições na Palestina e a cobrar tributo dos senhores. onde os cananeus. confronto entre os marginalizados e as cidades. que estava submetido ao faraó egípcio. feita pelo inimigo. vazio de poder egípcio porque Ramsés II não conseguiu vencer os hititas e foi obrigado a fazer um acordo com este povo da Ásia Menor. formando com eles uma mesma identidade social. A espoliação se dava em dois níveis. analisa longamente os fundamentos do modelo de Gottwald[17]. Realmente. nas cartas. . Mas a liberdade das cidades não era repassada para a população marginalizada! Assim é descrita a situação nas cartas de Tell el-Amarna. descobertas a partir de 1887). aos hapiru: estes estariam conquistando cidades em Canaã e provocando revoltas[16]. Os hapiru revoltavam-se contra seus opressores cananeus e libertavam-se de seu controle. que em Early Israel. escritas pelos governantes das cidades cananéias à corte egípcia de Amenófis III e de seu filho Amenófis IV (são 377 cartas escritas em acádico vulgar. O modelo da retribalização ou da revolta camponesa passou a ser citado como uma alternativa bem mais interessante do que os modelos anteriores e fez surgir outras tentativas de explicação das origens de Israel. seus governantes se acusam.

um dos problemas do ecletismo de Gottwald é que embora se reporte às vezes a Marx. porém. nas técnicas agrícolas. faz uma leitura do Israel pré-monárquico segundo a tradição durkheimiana. deixaram os arqueólogos impressionados com a continuidade existente entre as cidades cananéias das planícies e os povoados israelitas das colinas. segundo ele. Gottwald adota enfoque funcionalista da sociedade israelita. Gottwald fundamenta suas teorias no estudo de Morton Fried. K. de alguma maneira. Beer-Sheba. Mayes: “Existem. os modelos derivados da corrente antropológica do "evolucionismo cultural" desconsideram a variável chamada Homem (enquanto indivíduo livre e imprevisível em suas ações) por não ser controlável. Tel Beit Mirsim. Tel Isdar. Har Adir. Bet Gala. Entretanto. Tel Masos. que entende a sociedade dentro do quadro da interação de diversas classes ou grupos de status. The Evolution of Political Society. Izbet Sarta. 2.4. a partir da transformação de parte da sociedade cananéia. Mas a birra principal de Lemche com estes autores e suas teorias é que. Como nos lembra R. New York. Tel en-Nasbeh.Segundo Lemche. boas razões. nas construções e nas ferramentas[19]. H. Nas palavras de A. as descobertas arqueológicas dos últimos anos encorajaram os pesquisadores na elaboração de novas maneiras de compreender as origens de Israel. A Teoria da Evolução Pacífica e Gradual Quanto a esta teoria. Horvart Harashim. para ver Gottwald neste contexto [durkheimiano] antes do que na tradição de conflito a que pertence Marx. Dan. e enfatiza sua dimensão estrutural sincrônica. Tel Quiri. Tel Qasileh. Por isso. Giloh. “A teoria sugere que. vale a pena olharmos alguns autores que procuraram avançar a partir e além de Mendenhall e Gottwald. 1967. D. estão inteiramente ausentes do estudo de Gottwald: nele Israel surge como unidade harmoniosa e indiferenciada. . Shiloh. Random. Gnuse. antes que sua dimensão histórica diacrônica”[18]. os arqueólogos começam a falar cada vez mais do processo de formação de Israel como um processo pacífico e gradual. As características distintivas da teoria de conflito. A continuidade está presente sobretudo na cerâmica. Khirbert Raddana. As escavações de localidades tais como Ai. Horvat ‘Avot. Beth-Zur e Tel el-Fûl. O crescente consenso entre os arqueólogos é de que a distinção entre cananeus e israelitas no primeiro período do assentamento na terra é cada vez mais difícil de ser feito. Arad. de uma maneira que dificilmente qualquer um deles aprovaria. pois estes parecem constituir um só povo. As diferenças entre os dois aparecem apenas mais tarde. mas faz um uso eclético de outras teorias e autores. Sasa. que tem certamente raízes na teoria social de Durkheim.

cananeus gradualmente tornaram-se israelitas. evitando. o que sugere uma significativa retirada. com a crescente tributação. Joseph Callaway foi um dos primeiros a observar nas escavações de Ai e Khirbet Raddana. na construção de casas e de terraços para a retenção da água da chuva. com mudanças climáticas. Mas o processo de evolução pacífica de onde surgiu Israel é descrito de maneira diferente pelos especialistas. deste modo. Gnuse cita especialmente Joseph Callaway. em uma avaliação detalhada da agricultura na região montanhosa da Palestina na Idade do Ferro I (1200-900 a. o número de povoados nas montanhas passou de 23 para 114. de modo que R. Para Hopkins. por sua vez. acompanhando transformações políticas e sociais no começo da Idade do Bronze”[20].1. R. os desastres comuns a que uma monocultura estava sujeita nestas regiões tão instáveis. e. na fabricação de ferramentas.4. estas pessoas desenvolveram um sistema de colaboração ao nível de clã e de famílias. David Hopkins. Gösta Ahlström e Carol Meyers[21].C. o que lhes permitia uma integração de culturas agrícolas com a criação de animais. com a deterioração da vida urbana causada pelas campanhas militares egípcias. James Flanagan. Entre 1200 e 900 a. observou que o desenvolvimento social aconteceu junto com a intensificação do cultivo da terra. talvez. no território de Efraim. que são: • • • • Retirada pacífica Nomadismo interno Transição ou transformação pacífica Amálgama pacífico. na perfuração de cisternas.C. K. que os habitantes destas pequenas localidades situadas nas montanhas usavam as mesmas técnicas dos cananeus na agricultura. K. Isto implica uma continuidade cultural com os cananeus das cidades situadas nos vales e sugere que as pessoas se deslocaram para Ai e Raddana para fugir de possíveis conflitos nos vales. Frank Frick. Gnuse prefere classificar as teorias em quatro categorias. 2.). Os defensores deste ponto de vista argumentam com o declínio cultural ocorrido no Bronze Antigo. David Hopkins. especialmente em . Retirada Pacífica Como defensores de uma retirada pacífica de grupos cananeus das planícies para as regiões montanhosas.

Os recursos tecnológicos menores. O próprio nome do povo. ao tipo nômade. Ahlström contesta a tese de Gottwald de uma 'retribalização' ocorrida nas montanhas. agora possível pela construção de cisternas e terraços e isto produziu. mas sim a escassez de recursos da área dos assentamentos. 'Israel'. 90-91. foi quem desenvolveu mais amplamente este modelo de uma retirada pacífica em vários de seus escritos. NEXT [15].de 23 para 114 povoados . . já que sua estrutura social de base familiar não corresponde. J. divindade cananéia. diferentes unidades clânicas e tribais israelitas devem ter surgido a partir de diferentes atividades agrícolas. Gösta Ahlström. O Crescente Fértil e a Bíblia. trazendo com eles o culto a Iahweh. Hopkins valorizou mais o sistema cooperativo baseado no parentesco do que o uso de técnicas como terraços. reflete esta lógica. levando à intensificação da agricultura. James Flanagan também acredita que o Israel pré-davídico surgiu da movimentação de grupos sedentários que deixaram os vales para uma organização mais descentralizada nas montanhas e na Transjordânia. Israel. cisternas e o uso do ferro para explicar o sucesso destes assentamentos agrícolas. finalmente. e busca reler os textos bíblicos dentro desta lógica. no final. Nenhuma 'revolta' de camponeses pode ser documentada. evidente na cultura material. não indicam a chegada de um grupo de pessoas vindas de fora da terra. o crescimento populacional . Carol Meyers defende que Israel surgiu nas montanhas após uma violenta praga que devastou os vales. pp. entretanto.Talvez um grupo tenha vindo de Edom e se juntado a estes camponeses.recursos hídricos. Ele trabalha a continuidade entre israelitas e cananeus. Esta nova sociedade teria então evoluído de uma 'sociedade segmentária' (época dos Juízes) para uma 'sociedade com chefia' (Saul) e. e cidades podem ter sido queimadas para evitar contágio. Teria havido um declínio de até 80% da população dos vales. igualmente. para o 'Estado' (Davi).. já que construído com o nome de El. segundo ele.exigiu mais alimento. ECHEGARAY. Nas montanhas. onde eles se dedicaram à agricultura e ao pastoreio. Para Hopkins. G. Frank Frick acredita que os assentamentos israelitas surgiram após um colapso das cidades cananéias.

L.. The Answers Lie Below: Essays in Honor of Lawrence Edmund Toombs. 1985. também MARTIN. [18]. Emergent Monotheism in Israel. Georgia. FLANAGAN. Leiden. ibidem. Almond Press. (org.4. Chr. Fortress Press. São Paulo. Decatur.. J. Oxford University Press. V. em CLEMENTS. Almond Press. [19]. Early Israel. 97118. L. Decatur. K. Georgia. GNUSE. SICRE. J. 104-121. C. E. Israel e Judá. Brill.. Minneapolis. [17]. Nomadismo Interno Defensores do nomadismo interno são C. R. [20]. 1996. [21]. Sheffield Academic Press. Cf. Jahrhundert v. 1985. 55. O Mundo do Antigo Israel. New York. H. A Survey of Models and Theories. J. cf. Lanham. Antropológicas e Políticas. O Mundo do Antigo Israel. R. E... AA. de Geus. MAYES. Cf. und 11. pp. em THOMPSON. Idem. 33. D. Volkmar Fritz e Israel Finkelstein[22]. estes especialistas defendem uma origem pastoril para os primeiros. Almond Press. . J.. MEYERS. Textos do Antigo Oriente Médio. AHLSTRÖM.. D. N.). Madrid. 1985. FRICK.). J. Decatur. Stuttgart. 1993. The Highlands of Canaan. Georgia. The Formation of the State in Ancient Israel. Cf. 1997. Paulus. A. I. p. pp. Sheffield. D. p. 421-456 e FRITZ. Los Orígenes de Israel. G. 1988.. P. (ed. 1988. H.[16]. Perspectivas Sociológicas. Anthropological and Historical Studies on the Israelite Society before the Monarchy. 28-31. R. (org. Cf. CALLAWAY.. H. University Press of America. David’s Social Drama: a Hologram of Israel’s Early Iron Age. Israel como sociedade tribal. 2.2. Paulus.. Die Entstehung Israels im 12. VV. HOPKINS. No Other Gods.. 1985. Sociologia e Antigo Testamento. pp. A History of Ancient Palestine. 1995. K. Cinco Respuestas a un Enigma Histórico.. em CLEMENTS. onde os vários modelos são descritos e analisados. Village Subsistence at Ai and Raddana in Iron Age I. pp. F. cartas G. Kohlhammer.).. LEMCHE. 1984. pp. 32-61. Embora admitindo a continuidade entre israelitas e cananeus. São Paulo.. Discovering Eve: Ancient Israelite Women in Context. J. E. H. em Estudios Biblicos 46 (1988).

Ou seja: eles estavam culturalmente próximos dos cananeus.4. Volkmar Fritz. na proximidade das cidades. a arquitetura diferenciada dos povoados israelitas nas montanhas mostra que eles não saíram simplesmente das cidades das planícies. vivendo nas áreas intermediárias entre as cidades e com elas interagindo. um dos mais brilhantes 'minimalistas' da Escola de Copenhague. Robert Coote & Keith Whitelam e Rainer Albertz[23]. Eles seriam os hapiru ou os shasu dos textos egípcios. estes pastores se dedicaram também à agricultura para conseguir cereais e outros alimentos não mais oferecidos pelas cidades. se espalhado.C. Talvez resumindo excessivamente seu matizado pensamento. antes de se sedentarizarem. gente que vivia na Palestina. experimentando. Quando as cidades sofreram um colapso eles expandiram seu controle. mas que foram proto-israelitas. propõe que os israelitas eram etnicamente unidos. mas eram etnicamente diferentes e trouxeram consigo suas próprias estruturas sociais e sua cultura material. que eventualmente deram origem a Israel. H. Eles estavam na região há séculos e pertenciam à cultura amorita siro-palestina do Bronze Médio. J. porém. antigo defensor das teorias de Mendenhall e Gottwald. 2. Drews. a partir dali. morando nas montanhas e usando categorias tribais. Para Fritz. de Geus. Israel Finkelstein é o principal defensor da idéia do 'nomadismo interno'. que. entraram em contato simbiótico com as culturas citadinas. para o norte e para o sul da região. por isso. Eles teriam se assentado em grande número na região montanhosa de Efraim e. eu diria que. Transição ou Transformação Pacífica Entre os proponentes de uma transição ou transformação pacífica se destacam o já citado Niels Peter Lemche e mais: William Stiebing. acredita que muito pouco pode ser dito das origens de Israel . Eles seriam os hapiru das cartas de Tell elAmarna. Moab e Edom. por toda a Idade do Bronze. percebe que a cultura israelita viveu um longo período em contato com a cultura cananéia e deslocou um pouco sua perspectiva. como defendia Alt. mas que estavam em contato comercial com as culturas das cidades da região. R. ao escavar no norte do Negev. O aumento populacional posterior colocou-os em conflito com populações das planícies até que se chegou à unificação davídica. vindos de fora. A casa israelita de quatro cômodos significa uma evolução da arquitetura cananéia e a sua familiaridade com a criação de animais domésticos e seus trabalhos em metal e cerâmica mostram que eles não eram verdadeiros nômades. para Finkelstein. uma 'simbiose cultural'. Com o declínio destas. antes defensor da idéia de infiltração pacífica de Albrecht Alt. os israelitas eram 'nômades internos'. Niels Peter Lemche.3.

p. não há época patriarcal. Na verdade. a não ser a percepção de um processo gradual de aumento da população nas montanhas da Palestina. 74. como fator fundamental para explicar o declínio da cultura urbana da Grécia Micénica à Palestina. Mas Lemche vê problemas nesta proposta. Então. até cerca de 1200 a. The Israelites in History and Tradition. políticos. no conturbado enfrentamento de grandes potências no século XIII a. êxodo.C. Ancient Israel: A New History of Israelite Society pressupõe que o aumento dos assentamentos tenha sido uma conseqüência natural da deterioração das condições de vida das cidades da Palestina durante a última parte do Bronze Recente. saindo das cidades. já que esta é um produto pós-exílico. a fixação dos migrantes. o que hoje se sabe é que a ausência egípcia na região não coincide com o aparecimento dos povoados na região montanhosa da Palestina. Condições climáticas mais favoráveis por volta do ano 1000 a. questiona o uso da Bíblia Hebraica na reconstrução da História de Israel. possibilitaram o aumento desta população e à . regionais e religiosos diferentes. por um lado. por que não creditar à política egípcia o processo de criação de assentamentos sem fortificações. coloca as mudanças climáticas ocorridas na região do Mediterrâneo entre 1250 e 1200 a. pois ela pressupõe um vazio de poder egípcio na região e a conseqüente decadência das cidades.. Lemche. e por outro. em sua exigência de mais tributos e mais trabalho forçado. deste modo. William Stiebing. Assim o Egito compensava as perdas do comércio internacional. pode ter sido causado não pela ausência.. juízes. monarquia unida. levando os habitantes dos povoados a se agrupar em grupos de parentesco.antes do século X a. Lemche expõe a sua visão no livro de 1998.C. mas pelo aumento da pressão egípcia sobre as mesmas. Daí. que o afastamento desta população. diferenças étnicas só apareceram com o passar do tempo. motivadas por interesses econômicos. linhagens e. agora improdutivas. no final do processo. assim como outros minimalistas.C. possivelmente da época helenística. consolidando o poder do império na região? Pois. Diz Lemche que o modelo 'evolucionário' por ele defendido na obra de 1988. e a presença de elementos nômades nestes assentamentos deve ser considerada. Mas esta proposta não inclui a participação dos nômades na formação desta nova sociedade. Segundo esta explicação. Entretanto.C. Afugentados pela seca.C. em tribos. ao mesmo tempo que procura superá-la com uma nova proposta nas páginas 75-77. por outro lado. os sobreviventes da fome que se abateu sobre as cidades foram para as montanhas. provocada pela perda das rendas do comércio internacional. para novas regiões e garantia os seus rendimentos na região. o Egito transferia parte da população de cidades. diz Lemche.

portanto. Ele dá pouca importância aos fatores climáticos na explicação dos acontecimentos. Para tais comunidades o grupo do êxodo trouxe as idéias do deus Iahweh. Albertz fala de 'digressão'. Gnuse. Thomas Thompson e Donald Redford. pois colocou em crise a sobrevivência das cidades e exigiu dos povoados das montanhas uma forma mais eficaz de colaboração e cooperação para a sobrevivência. é de que este grupo de pesquisadores prevalecerá sobre os outros. não propondo uma teoria específica.4. Processo que pode ser chamado de 'realinhamento' ou 'transformação'. segundo estes autores. pois nos períodos de prosperidade as regiões das montanhas providenciavam recursos para as cidades dos vales. Israel. mas mercenários treinados e com armamento superior ao dos exércitos locais. Robert Drews defende que os 'povos do mar' que invadem a região não eram simples migrantes. inclusive. Com o desenvolvimento destas regiões o comércio foi recuperado. A opinião de R. 2. que aqui se alinha. a idéia de um amálgama pacífico de diferentes grupos nas regiões montanhosas da Palestina para explicar as origens de Israel tem como defensores especialistas como Baruch Halpern. No surgimento de Israel o colapso do comércio foi o fator mais significativo. mas pelo crescimento populacional tornado possível pelas condições climáticas favoráveis à agricultura. enquanto que nos momentos das crises elas absorviam as populações que deixavam tais cidades. um grupo vindo do Egito com a experiência do êxodo. com mudanças. Robert Coote & Keith Whitelam vêem as origens de Israel como parte de um processo de integração milenar entre as regiões das cidades e as regiões das montanhas. em seu comportamento ético. muitos habitantes da região montanhosa. Daí o massacre das cidades e o aumento populacional dos habitantes das montanhas.criação do Estado. Baruch Halpern foi um dos primeiros a descrever o processo de assentamento como uma complexa interação de diferentes grupos nas montanhas: poucos habitantes dos vales. grupos . por considerar melhor os pressupostos teóricos do debate atual[24]. levando a um aumento populacional significativo. processo pelo qual o colapso do comércio internacional forçou os habitantes das cidades a se deslocarem para os povoados das montanhas e aí se desenvolverem. Amálgama Pacífico Finalmente. William Dever. agora mais igualitário. Rainer Albertz faz uma espécie de síntese de várias escolas. K.4. promovendo mais tarde o aparecimento do Estado. indo de Albright a Lemche. surgiu não pelo simples deslocamento de determinados grupos.

quando Jerusalém. no século VIII a. distinto dos cananeus.vindos da Síria. Todos estes grupos foram reunidos pela necessidade de manter rotas de comércio abertas com a ausência do Egito na região. e no século VII a.C. Anatólia e do Egeu. principalmente.. pura ficção pós-exílica. Donald Redford. William Dever já foi simpatizante do modelo da revolta de Gottwald. também ali se assentaram. dizendo que a distinção entre urbano e rural explica as diferenças. Thompson observa que a população da Palestina permaneceu inalterada durante milênios. egiptólogo. Por fim. de agricultores despossuídos. enquanto o grupo sírio.. alguns revolucionários. O grupo do Egito trouxe Iahweh. cananeus saídos das cidades. Ele sugere que o núcleo da população nas montanhas era formado por pastores que se sedentarizaram. trouxe a circuncisão e a proibição da criação do porco e criou o nome 'Israel' no século XIII a. Halpern sublinha ainda que o Israel histórico não é o Israel da Bíblia Hebraica. para Thompson. mas que pastores shasu vindos de Edom. A população das montanhas era formada por nativos da região. após a destruição de Lakish por Senaqueribe. Toda a 'estória bíblica' do império davídico-salomônico e dos reinos divididos de Israel e Judá é. um dos mais polêmicos 'minimalistas' é ferrenho defensor de uma História da Palestina escrita somente a partir dos dados arqueológicos e crítico de qualquer história e arqueologia bíblicas. 'bandidos sociais' (social bandits).. defende que existe uma diferença entre os habitantes das planícies e os habitantes das montanhas. mas foi o Israel histórico que produziu o Israel bíblico. mas. que se misturaram com gente que veio das planícies.. das propostas de Coote & Whitelam e do modelo de simbiose de Fritz. dando início ao futuro Israel. Progressivamente controlaram também as planícies. Thompson. Na região das montanhas eles progressivamente criaram uma identidade que os diferenciou dos cananeus das planícies. movendo-se os grupos entre as cidades das planícies e os povoados das montanhas segundo as estratégias de sobrevivência exigidas pelas mudanças climáticas. Thomas L.C. Para Dever Israel se formou de refugiados das cidades. e trazendo consigo o culto a Iahweh. como cidade cliente da Assíria. pastores de outras áreas e imigrantes da Síria. A unidade política de Israel só aparece na época das interferências assírias na região. para ele. principal fator de transformação social e política da região. levando ao surgimento da monarquia. que são funcionais e não étnicas. torna-se líder da região sul.C. no que diz respeito a Samaria. . Hoje ele vê o surgimento de Israel entre as populações que praticavam a agricultura na Palestina e rejeita a dicotomia cananeu/israelita. uns poucos nômades.

De qualquer modo. Quais recursos devem ser usados para se elaborar um modelo explicativo? Certamente a arqueologia.. de uma revolta de camponeses marginalizados que somam suas forças aos recém-chegados hebreus do êxodo foi o mais discutido até a década de 90. c. Os dados arqueológicos apóiam cada vez menos a versão da conquista tal como está no livro de Josué ou nas explicações dos norte-americanos 3. Outros. Parece provável que em cada região tenha havido um processo social específico que deve ser explicado. O elemento cananeu cresce em importância na explicação das origens de Israel. b. hoje. como o de LEMCHE. já que o processo de instalação parece ter sido diferenciado conforme as regiões e as circunstâncias. Qual é o modelo mais aceito na atualidade? O modelo da instalação pacífica (de ALT/NOTH) sempre foi muito considerado. d.. A contribuição da antropologia é cada vez maior para explicar estes mecanismos sociais antigos. A arqueologia é importantíssima para definir o modo como Israel ocupou a região da Palestina 2. Leituras Recomendadas .Conclusão a. mas são. existe uma certeza: ainda surgirão muitos modelos explicativos para as origens de Israel e é possível que a solução definitiva esteja bem distante. O modelo de MENDENHALL/GOTTWALD. Um modelo apenas explica tudo ou devemos recorrer a vários modelos? Parece que não se pode usar um só modelo para explicar a ocupação de todo o território de Canaã. a análise minuciosa dos textos bíblicos (exceto para alguns 'minimalistas') e as ciências sociais. de uma evolução progressiva. ainda não conseguiram espaço nos manuais. Existe algum acordo mínimo sobre a questão? O consenso dos especialistas tende a crescer na seguinte direção: 1. os mais discutidos entre os especialistas.

N. pp.. Terra Prometida. G. São Paulo. Perspectivas Sociológicas. São Paulo. Westminster John Knox. Jahrhundert v... CERESKO. Textos do Antigo Oriente Médio.. Petrópolis. Uma Sociologia da Religião de Israel Liberto 1250-1050 a.. Basic Books. Antropológicas e Políticas. Paulus. R.AA. pp. 202-229.VV. K. São Paulo. L. CLEMENTS. 251-276. Eisenbrauns. GOTTWALD. T. R. 1996.). em Estudios Bíblicos 46 (1988). L. 2001. Louisville.. LEMCHE... P. 1986 [20042]. Introdução Socioliterária à Bíblia Hebraica. São Paulo. (eds. FINKELSTEIN. Paulus. 99-119. 1997. R. pp. 23-61. 37-38. No Other Gods. Madrid. A. THOMPSON. São Paulo. Sheffield. GOTTWALD.. New York. Cinco Respuestas a un Enigma Histórico. Die Entstehung Israels im 12. Paulus. O Crescente Fértil e a Bíblia. L. N. pp. 1988. New York. C. 1999. Israel e Judá. Winona Lake. 83-105. Biblical Archaeology and the Myth of Israel. K. Community.. Indiana. ALT. SICRE. Chr. São Leopoldo. 1996. O Mundo do Antigo Israel. . As Tribos de Iahweh. The Bible Unearthed. Vozes. Emergent Monotheism in Israel. & SILBERMAN. N. Kohlhammer. The Israelites in History and Tradition. 19972. J. Los Orígenes de Israel.. Paulus. E.).. A. Kentucky. Stuttgart/Berlin/Köln. 1995. J. GNUSE. K. 101-225. Sheffield Academic Press. Sinodal. The Free Press. 104-121. 1998. pp. 19-110. FRITZ. pp. V. Ensaios sobre a História do Povo de Israel. (org. Identity and Ideology. The Mythic Past.C. A. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. pp. 1996. pp. 1987. ECHEGARAY. C. I.. E. CARTER. & MEYERS. pp. Introdução ao Antigo Testamento numa Perspectiva Libertadora. und 11. 421-456. N. Social Sciences Approaches to the Hebrew Bible. 1993. pp.. Paulus.

. COOTE. Princeton University Press. Louisville.. 1988. New York. & SILBERMAN. DEVER.. Von den Anfängen bis zum Ausgang des 13. The Israelites in History and Tradition. A History of Israelite Religion in the Old Testament Period. Early History of the Israelite People from the Written and Archaeological Sources. 1990. Cf. Almond Press. FINKELSTEIN. [1988]. HALPERN.. Brill. N. J.. 1987. The Mythic Past. Kentucky. Georgia. Scholar Press. C. 1992. Leiden. Early Israel: Anthropological and Historical Studies on the Israelite Society Before the Monarchy. 1999. Israel Exploration Society. K. The End of the Bronze Age: Changes in Warfare and the Catastrophe ca.. REDFORD. B. Egypt.. V. Kohlhammer... DE GEUS.. 1998. CA. Westminster John Knox. The Archaeology of the Israelite Settlement. 1983. Princeton University Press. Canaan and Israel in Ancient Times. W.. 1989. W.. The Emergence of Israel in Canaan. 1200 B. 1976. Jerusalem. Cf.. DREWS. P. Decatur. 1992. STIEBING. H. Sttutgart. R. LEMCHE. 2001.. 1995. Sheffield Academic Press. Die Vorgeschichte Israels. Van Gorcum. FRITZ.C. A. I. 19942. The Canaanites and Their Land: The Tradition of the Canaanites. ... Princeton. [24]. Philadelphia. Sheffield. Ancient Israel: A New History of Israelite Society. Biblical Archaeology and the Myth of Israel. 1996. Amsterdam. Cf. Basic Books. Chico. [23]. Prometheus. 2 vols. T.NEXT [22]. R. Brill. L. 1993. THOMPSON. Out of the Desert? Archaeology and the Conquest Narratives. Die Entstehung Israels im 12.. Sheffield. & WHITELAM. The Tribes of Israel: an Investigation into Some of the Presuppositions of Martin Noth’s Amphictyony Hypothesis. 1994. D. Stuttgart. FINKELSTEIN. Leiden.Chr. und 11. Jahrhundert v. The Free Press. Seattle. University of Washington Press. 1996. New York. 1991. ALBERTZ. N. Westminster Press. 1985. R. I. Princeton. Chr. Recent Archaeological Discoveries and Biblical Research. The Bible Unearthed. Jahrhunderts v. Kohlhammer. Buffalo. The Emergence of Early Israel in Historical Perspective. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. Sheffield Academic Press.

os filisteus avançaram com um exército organizado contra os agricultores israelitas. Eis o texto: . Gat e Ekron. na região norte.e saquearam os produtos de boa parte do país.C. Isto aconteceu por volta de 1150 a.3. como última esperança. foi capturada. então. superior às tribos todas em poder.C. 3. com perigoso precedente de utilização deste poder contra parte da população. Usavam armas de ferro. metal que sabiam trabalhar bem e perigosos carros de combate. Ou porque viam em Israel uma ameaça às suas rotas comerciais ou por algum outro motivo. haviam ocupado uma fértil faixa costeira no sudoeste da Palestina. foi a escolha de um chefe único. mas posicionaram-se em postos estratégicos. Aí por volta de 1050 a. Ascalon. os israelitas derrotados. além de possuírem uma longa tradição militar. cortando as comunicações entre os vários grupos israelitas. em um dos mais brilhantes panfletos anti-monárquicos que se conhece na história. Ascensão e Queda de Saul Os filisteus.8-15. Silo. Nem que fosse alguém com poder despótico. a Arca da Aliança. Os Governos de Saul. como acontecia nos reinos vizinhos e como demonstra o apólogo de Joatão em Jz 9. levada pelos sacerdotes de Silo para o campo de batalha. Além do mais. Ashdod. colocado acima de todos os grupos israelitas autônomos. Os filisteus formaram uma confederação de cinco cidades: Gaza.1. raras vozes no mundo acadêmico ousariam contestar a versão abaixo para descrever a origem e as características da monarquia israelita. De acordo com 1Sm 4. A saída. um dos "povos do mar" rechaçados pelo Egito. destruído. Samuel tentou por todos os meios levantar e organizar o povo para uma luta de libertação. Davi e Salomão Até meados da década de 70 do século XX. os filisteus atacam e vencem os israelitas perto de Afeq. Os filisteus não ocuparam todo o país. proibiram o trabalho em metal em todo o território israelita o que equivalia a um desarmamento geral do povo e à sua dependência dos filisteus até mesmo para os trabalhos mais elementares da agricultura . Em vão.

1-10. vinde e abrigai-vos à minha sombra. há duas versões opostas que refletem duas tendências: uma que aclama e defende a idéia (1Sm 9. Disseram à oliveira: 'Reina sobre nós!' A oliveira lhes respondeu: 'Renunciaria eu ao meu azeite. e reina sobre nós!' A videira lhes respondeu: 'Iria eu abandonar meu vinho novo. que tanto honra aos deuses como aos homens. outra que se opõe e alerta contra o perigo do empreendimento (1Sm 8). a fim de balançar-me por sobre as árvores?' As árvores disseram então à videira: 'Vem tu. Sobre a ascensão de Saul. "Este é o direito do rei que reinará sobre vós: Ele convocará os vossos filhos e os encarregará dos seus carros de guerra e dos seus cavalos e os fará correr à frente do seu carro. e os nomeará chefes de mil e chefes de cinqüenta.16). sairá fogo dos espinheiros e devorará os cedros do Líbano!'". a fim de balançar-me por sobre as árvores?' Então todas as árvores disseram ao espinheiro: 'Vem tu. um impetuoso benjaminita. que alegra os deuses e os homens."Um dia as árvores se puseram a caminho para ungir um rei que reinasse sobre elas. a líder do povo. e reina sobre nós!' A figueira lhes respondeu: 'Iria eu abandonar minha doçura e o meu saboroso fruto. e os fará lavrar a terra dele e ceifar a sua seara. fabricar as . a fim de balançar-me por sobre as árvores?' Então as árvores disseram à figueira: 'Vem tu. Se não. e reina sobre nós!' E o espinheiro respondeu às árvores: 'Se é de boa fé que me ungis para reinar sobre vós.

que destinará aos seus eunucos e aos seus oficiais. Se houve mais. cozinheiras e padeiras. na verdade. Exigirá o dízimo dos vossos rebanhos.14-15). As causas poderiam ser identificadas na ambigüidade de sua posição (rei ou chefe tribal?). Mas. quando o jovem pastor de . é. e os dará aos seus oficiais. porém. Das vossas culturas e e das vossas vinhas ele cobrará dízimo. Saul teria usurpado funções sacerdotais (1 Sm 13) e violado antigas leis da guerra santa que não favoreciam sua estratégia militar (1Sm 15). pouco foi. o que deu a Israel um alívio temporário. significativo representante da antiga ordem. As coisas se agravaram. Segundo as fontes bíblicas de que dispomos. Era um chefe militar: mantinha um pequeno exército permanente e regular e seu governo oferecia alguns cargos: seu primo Abner era general de seu exército. Então. podemos dizer que Saul não foi propriamente um rei. reclamareis contra o rei que vós mesmos tiverdes escolhido. Davi. Tomará os vossos campos. Gibea. e vós mesmos vos tornareis seus escravos. numa atuação carismática e espontânea. De qualquer maneira. alguns acham que se pode considerá-lo como herdeiro de uma tradição antimonárquica que se manifesta já na época de Saul. após a sua falência. Continuou a viver em sua terra. naquele dia!" (1Sm 8. Os melhores dentre os vossos servos e as vossas servas. e não tocou na estrutura interna da organização tribal. os vossos bois e os vossos jumentos. os vossos melhores olivais. seu escudeiro. Saul e seu filho Jônatas conseguiram uma boa vitória sobre os filisteus reunidos em Gibea e Micmas (1Sm 13-14).suas armas de guerra e as peças de seus carros. avaliando. Este discurso. Mas. colocado na boca de Samuel. Entretanto. ele os tomará para o seu serviço. Depois disso ele foi. acabou rompendo com Saul. Ele tomará as vossas filhas para perfumistas. segundo o Deuteronomista. um texto deuteronomista.11-18). na independência tribal. Samuel. a queda de Saul devia acontecer em breve. Saul conseguiu uma vitória sobre os amonitas que entusiasmou o povo e o convenceu de suas capacidades guerreiras (1Sm 11). aclamado rei em Guilgal (1Sm 11. o que de fato a monarquia representou em Israel. naquele dia. na sempre constante ameaça dos filisteus e principalmente no desentendimento entre a antiga ordem tribal e as exigências da nova ordem. mas Iahweh não vos responderá. as vossas vinhas.

Davi consegue uma união. amigo de Jônatas e marido de Mical. Davi refugiou-se no deserto e formou um bando de guerreiros que fugiam de Saul e atacavam os filisteus.2. Saul liderou os israelitas de 1030 a 1010 a. agora estabelecida em Nob. Em seguida. Os filisteus atacaram repetidamente e foram totalmente derrotados: tiveram que reconhecer a supremacia de Israel e tornaram-se seus vassalos. ainda que frágil. Isbaal é assassinado e. no Negueb. A queda de Saul acontece quando os filisteus partiram mais uma vez de Afeq e. dois anos mais tarde. na Transjordânia. e faz dela a sua cidade. Isto teria acontecido por volta de 1010 a. Então. Com efeito. escolhendo posição favorável. Davi e sua tropa oferecem seus serviços ao rei filisteu de Gat. . "se lançou sobre a sua espada" e seu exército foi totalmente desfeito (1Sm 31). com o consentimento dos filisteus e o apoio da população do sul. Foi só uma pretensão. tornou-se o líder de Judá (2Sm 2. realmente. entraram em choque com o exército de Saul a noroeste do monte Gelboé. através de hábeis manobras políticas.C. Segundo as fontes bíblicas.C. tornou-se seu rival. Competia agora a Davi vencer os filisteus e acabar de vez com suas ameaças. Saul assassinou a família sacerdotal de Silo. ocuparam toda a terra. muito ferido. Não se agüentando. cidade jebuséia situada no sul. A batalha estava perdida antes mesmo de começar. Davi é também aclamado rei da região norte do território por todo o povo (2Sm 5.1-4). e de lá pretendeu que fosse dada continuidade ao governo de Saul através do fraco Isbaal. mas Saul não voltou atrás. Enquanto isso. porque esta defendera Davi (1Sm 22) e a partir daí perseguiu Davi implacavelmente. Davi. ele conquista Jerusalém. Ele não se fez de rogado. nesta posição. Resultado: seus três filhos morreram em combate e ele mesmo. porém. como exemplo para os israelitas. dos vários grupos israelitas. 3. filhos de Saul. Os filisteus cortaram-lhe a cabeça e fixaram seu corpo e os de seus filhos nos muros de Bet-Shan. Davi dirigiu-se com seus homens para Hebron e. Este o acolhe e lhe dá como feudo a cidade de Siclaq.Belém. Davi e a Criação do Estado Para substituir Saul não ficara ninguém válido a não ser seu último filho Isbaal. Assim.1-5). Abner refugiou-se com ele em Mahanaim.

procurando assim manter o consenso da população ao redor da nova instituição. Saraías era secretário. Banaías. Assim. filho de Joiada. comandava os cereteus e os feleteus. Josafá. os arameus etc. Mandou matar seu irmão Adonias. exercendo o direito e fazendo justiça a todo o povo. também o general Joab e desterrou o sacerdote chefe Abiatar. comandava o exército.3. segundo o texto bíblico. um grande reino: submeteu Amon. Moab. Seu exército compunha-se de israelitas convocados das várias tribos. de sua guarda pessoal . como os cereteus e feleteus. Edom. Davi governara 39 anos. Davi enfrentou tensões surgidas entre a antiga e a nova ordem: por exemplo. 3.estrangeiros obrigados a trabalhar grátis nos projetos do Estado – e Davi não interferiu na administração da justiça tribal. Sadoc e Abiatar. "Davi reinou sobre todo o Israel. Joab. 1Rs 4. pagavam-lhe tributos.2223 conta de seus gastos: um absurdo em cereais e carne: . Salomão eliminou drasticamente seus inimigos. na verdade.Segundo o texto bíblico. Criou. Davi construiu. filhos de Aquimelec. logo que se viu garantido no poder. Os filhos de Davi eram sacerdotes" (2Sm 8. E o Estado sob Davi funciona. instituiu-se a corvéia .15-18). o recenseamento (com fins fiscais e militares) que ele mandou fazer gerou conflitos e críticas (2Sm 24) e a luta de seus filhos pela sucessão enfraqueceu muito seu prestígio. era o arauto. filho de Aquitob. Salomão e a Consolidação do Estado Salomão não era o herdeiro natural de Davi e sua posse foi recheada de intrigas e inimizades. filho de Ailud. Apesar de tudo isto. até o Eufrates. uma corte imensa e dispendiosa. de maneira austera e modesta. Os países dominados pagavam tributo.seus homens de confiança desde os tempos da clandestinidade . eram sacerdotes. Todos os reis da região. Salomão substituiu-o no poder em 971 a. Davi levou para Jerusalém a Arca da Aliança. mantendo uma administração baseada no respeito às instituições tribais e alguns funcionários. filho de Sárvia.C. segundo o texto bíblico. nomeou os chefes dos sacerdotes e fez tudo o que pôde para o culto.e de mercenários estrangeiros.

por exemplo. enquanto outra parte fazia a rota do Mediterrâneo até a Espanha. mestres na arte da navegação. Mas sua habilidade revelou-se totalmente foi no comércio e na indústria. uma vez que consumia 20 a 30 vezes mais carne que o grupo de Neemias. Quanto à administração. diz C. mais algumas aves. e cada qual segundo o seu turno". com o controle das caravanas: o comércio de cavalos da Cilícia e do Egito. como. Construiu uma frota mercante que comerciava até com Ofir (atual Somália) e com todos os portos do Mar Vermelho. vinte bois de pasto. manter o país nos limites estabelecidos por seu pai Davi.119). DREHER[1]. Exportava cobre e outros metais. diz 1Rs 4. Apesar de algumas revoltas nos reinos vassalos e de um possível enfraquecimento de poder."Salomão recebia diariamente para seu gasto trinta coros de flor de farinha [1 coro = 450 litros] e sessenta de farinha comum. a população que aumentava consideravelmente em número. além de veados. Estes carros foram uma inovação de Salomão. em geral. fornecendo "a cevada e a palha para os cavalos e os animais de tração. antílopes. Salomão sabia fazer se respeitar no armamento e na organização militar. E tem mais: cada província cuidava da manutenção da corte durante um mês (1Rs 4. 150 homens eram alimentados por Neemias diariamente com 1 boi e 6 ovelhas. cucos cevados". A população pagava por este exército. através de suas agências de compra e venda. Seu exército era poderoso na época e seus carros de combate temíveis. . o número será bem maior".500 pessoas. gazelas.28.. Embora não fosse um guerreiro. Toda esta atividade comercial gerou uma expansão interna muito grande no país: cidades que se fortaleciam. A. no lugar onde fosse preciso. cem carneiros. Com base nesta notícia. sempre segundo o texto bíblico. conseguiu. "Conforme Ne 5. Salomão introduziu novidades enormes. Salomão. desrespeitando a divisão tribal e nomeando prefeitos estranhos às populações locais. Davi só usava a infantaria. poder-se-ia imaginar que a corte de Salomão se tenha composto de 3. construções de grandes obras públicas por toda a parte. Seus navios eram construídos e tripulados pelos fenícios. dez bois cevados.17s. Salomão dominou igualmente o comércio da Arábia. a divisão do norte em 12 províncias.000 a 4. Se acrescentarmos ao consumo ainda a farinha..

O Estado classista estava em pleno funcionamento. forçou seus vassalos estrangeiros e a população cananéia à corvéia (trabalho grátis para o Estado) e usou o trabalho escravo em grande escala nas suas minas e fundições no sul do país (1Rs 9. Resultado: Salomão colocou pesados impostos sobre a população israelita. mas segundo 1Rs 5. servindo ao mesmo tempo como santuário nacional e como capela real. As obras públicas requeriam dinheiro para sua concretização. se olharmos menos ingenuamente este florescimento todo.Porém.11. A. cuja arca já se encontra em Jerusalém.27. Salomão governou a região de 971 a 931 a.22 os israelitas não foram submetidos à corvéia. Mas isso tem lá seus riscos na época de uma monarquia incipiente (. transferia para o Estado todo o poder religioso. Vejamos.20-22). Informações sobre o Templo de Jerusalém? A atual polêmica com os Palestinos? Confira aqui! A construção do Templo em Jerusalém. precisava de muito dinheiro para funcionar com eficiência e assim por diante.. A construção do templo. A burocracia estatal requeria um número respeitável de funcionários. a casa de Javé. veremos sobre quais bases foi construído. Com o correr do tempo. NEXT . a mão-de-obra grátis em Israel (segundo 1Rs 9. Muito interessante é a observação de C.) Um motivo religioso lhe será bem mais útil. O exército. sobre os motivos porque Salomão construiu o Templo: "Que fazer. recrutado entre o povo. as diferenças de classe e as contradições internas foram se aprofundando até levar à divisão do território. Sobre a exploração de uma boa parte da população. para continuar a garantir o direito ao tributo? Pode-se recorrer às armas e impor um governo através da força policial..C. embora haja notícias controvertidas na obra deuteronomista. DREHER. não mais respeitando as tribos.28 também os israelitas foram submetidos ao trabalho forçado para o Estado). altos cargos distribuídos a gente nascida na corte e que se julgava superior a todos os demais. lhe dará cobertura ideológica para garantir seu Estado e seu direito ao tributo"[2].. Usou também. num tempo de paz. durante 40 anos.

A.5. não tendo Israel e Judá jamais sido unidos? Existiu um Império davídico/salomônico ou só um pequeno reino sem maior importância? Se por acaso não existiu um grande reino davídico/salomônico. garantia o J salomônico: um círculo fechado. 1986.C. que. p. posteriormente. Esta historicidade. Vozes. composto pelas tribos de Israel e Judá.4. Petrópolis. As Fontes: Seu Peso. os estudos na linha de Gerhard Von Rad. curiosamente. A. vicioso.. sendo dividido em reinos do 'norte' e do 'sul'? Ou seria tudo isto mera ficção. foram de novo colocadas: O que teria sido o primeiro 'Estado Israelita'? Um reino unido. onde mais podemos buscar respostas? 3. Seu Uso . até mesmo porque muitas das dúvidas hoje existentes sobre o Pentateuco dependem da reconstrução da história de Israel e da história de sua religião[3]. a crise começou com as reavaliações da origem. especialmente os estudos feitos por Thomas L. era explicada pela Obra Histórica Deuteronomista (OHDtr). O trabalhador e o trabalho sob o reino de Salomão. C. 51. Assim. dominando todo o território da Palestina e. John Van Seters (1975). por que a Bíblia Hebraica o descreve? Enfim.? Além da Bíblia Hebraica. 56. Martin Noth e muitos outros. DREHER. ao colocarem o Javista (J) no reinado de Davi e Salomão. 11. questões que pareciam definitivamente resolvidas. o edifício inteiro desabou.[1]. C. especialmente. assim. sustentavam a historicidade da época. o que teria acontecido na região central da Palestina nos séculos X e IX a. em Estudos Bíblicos n. o consenso foi rompido. caracterizada até como "iluminismo salomônico". hoje não mais aceita por todos. Pois isto que acabo de descrever nada mais é do que uma paráfrase racionalista do texto bíblico. 3. quando o J começou a ser deslocado para outra época pelos autores acima citados. em que um texto bíblico amparava o outro. E daí se estendeu à História de Israel. penso hoje que o chamado ‘consenso wellhausiano’ sobre o Pentateuco e. Hans Heinrich Schmid (1976) e Rolf Rendtorff (1977). DREHER. datação e significado das narrativas do Pentateuco. E. A Ruptura do Consenso Entretanto. por sua vez. Ora. p. E então.. [2]. ibidem. Thompson (1974).

algo que parecíamos conhecer muito bem. por ser este o momento em que os reissacerdotes levaram o país o mais próximo possível do ideal presente nas leis bíblicas. Para Philip R. de fato. reter a segunda parte e ainda tratá-la como uma entidade histórica?" Para ele uma história de Israel que começa neste ponto deveria ser uma entidade bem diferente do Israel literário. "embora sabendo que a estória de Israel do Gênesis a Juízes não deve ser tratada como história. que o ‘antigo Israel’ é um construto erudito. é hoje uma incógnita. com o ‘Israel’ bíblico.Claro. Considerada mais polêmica ainda do que a de Philip R. Isto significa excluir a literatura bíblica" [sublinhado meu]. 154. a literatura bíblica foi composta a partir da época persa. Thompson. com o resto da estória bíblica. a conquista da terra que lhe é dada por Deus e assim por diante. Davies na p. "Nós não podemos transferir automaticamente nenhuma das características do ‘Israel’ bíblico para as páginas da história da Palestina (. Davies.. como denunciou o estudioso britânico Philip R. pois este constitui apenas uma parte desta região. além de suscitar muitos outros problemas.. é contraditório. não podemos identificar automaticamente a população da Palestina na Idade do Ferro (a partir de 1200 a. Ele concluiu.) Nós temos que extrair nossa definição do povo da Palestina de suas próprias relíquias. Davies. a transformação do Israel literário em um Israel histórico. resultante da tomada de uma construção literária. Thomas L. pois a maioria dos estudiosos. não obstante. o Israel bíblico é para nós um problema. sugerindo Philip R. conclui Philip R. 26. estas questões precisam ser recolocadas. prossegue. em seu estudo de 1992. A Bíblia. 51. de Saul ou Davi em diante. até mesmo porque o ‘antigo Israel’. não só Israel. Davies é a postura do norte-americano Thomas L. a escravidão no Egito. diz Philip R. Este construto erudito. e de certo modo também a do período persa. não um dado sobre o qual se apoiar sem mais. o obviamente literário tornou-se o obviamente histórico". Davies. mais para o final do livro. E. como uma criação literária e histórica é um conceito asmoneu[4]. Para o autor.). garante o autor na p. Davies na p. como demonstram os estudos sobre o Pentateuco. a partir deste ponto. que pressupõe a família patriarcal. Thompson é contra . na pressuposição de que. cujo programa é fazer uma história do Levante Sul sem contar com os míticos textos bíblicos e considerando todos os outros povos da região. que o Estado Asmoneu (ou Macabeu) é que viabilizou. a narrativa bíblica. tornada objeto de investigação histórica.C. E pergunta: "Pode alguém realmente deixar de lado a primeira parte da história literária de Israel.

mas o problema é que sem o texto bíblico muitas interpretações dos dados tornam-se extremamente difíceis. 3. mas fazendo uso do texto bíblico como fonte secundária usada com cautela. Diz o britânico Lester L. tem sido alvo de muitos debates e grandes controvérsias. Aliás. . o uso do texto bíblico como fonte válida para a escrita da História de Israel.qualquer arqueologia e história bíblicas! Para ele. 4. Na conclusão do livro onde foram publicados os debates deste encontro há uma boa amostragem do problema do uso das fontes. e ninguém neste grupo a defendeu. debatendo o assunto. por exemplo. Grabbe. O fato é que as posturas 1 e 4 são inconciliáveis e estão fora das possibilidades de uma ‘História de Israel’ mais crítica: isto porque a 1 rejeita a possibilidade concreta da história e a 4 trata o texto bíblico com peso diferente das outras fontes históricas. enquanto outros defenderam que o texto bíblico usado cuidadosa e criticamente é um elemento válido para um empreendimento deste tipo. Praticamente todos os membros do seminário ficaram nesta posição 3 ou. E não há como fugir da questão. neste ponto. alguns dos participantes acabaram classificando qualquer História de Israel como fictícia. exceto quando ela se mostra como absolutamente falseada: esta é a postura caracterizada como ‘maximalista’. Somente o diálogo entre as posições 2 e 3 podem levar a um resultado positivo. Em uma das reuniões do Seminário Europeu sobre Metodologia Histórica. ignorar o texto bíblico como um todo e escrever uma história fundamentada apenas nos dados arqueológicos e outras evidências primárias: esta é a postura verdadeiramente ‘minimalista’. que já ficou claro para o leitor a importância do exame das fontes primárias. aceitar a narrativa bíblica sempre. coordenador do grupo. 2. Grabbe. assumir a impossibilidade de se fazer uma ‘História de Israel’. se quisermos saber algo sobre a monarquia. Parece-me. o pior erro metodológico no uso das fontes é harmonizar a arqueologia com as narrativas bíblicas. dar prioridade aos dados primários. que parece haver quatro possíveis atitudes a respeito da questão: 1. concluiu Lester L. pelo menos enquanto muitas ‘Histórias de Israel’ continuarem a ser nada mais do que uma paráfrase racionalista da narrativa bíblica. talvez. entre a 2 e a 3.

TiglatPileser III. Nabucodonosor. Cerca . podendo ser classificadas. tais como a Estela de Merneptah. Biran e J.Aliás. em escavação sob a direção do arqueólogo israelense Avraham Biran. ao fazer tal distinção. Fontes Terciárias: livros da Bíblia Hebraica que retomam fontes secundárias. em quatro níveis: antropologia histórica. sempre sujeita a um processo contínuo de mudança. 3. Fontes primárias: fontes escritas provenientes da Palestina.6. norte de Israel. fontes primárias. a Estela de Mesha. em julho de 1993. Fontes Secundárias: a Bíblia Hebraica. a Carta Yavneh Yam. até mesmo porque quanto mais evidência primária tivermos com o avanço da pesquisa. foi descoberto um fragmento de uma estela de basalto de 32 por 22 cm.. repassa os problemas metodológicos relativos ao uso de cada uma destas fontes. da agricultura. a Inscrição de Siloé. em Some Aspects of Working with the Textual Sources [Alguns Aspectos do Trabalho com as Fontes Escritas]. argumentando que as tentativas para superar as diferenças existentes entre elas devem ser feitas cuidadosamente e concluindo que podemos fazer apenas tentativas de escrever uma História de Israel. Naveh em novembro de 1993. menor valor devemos atribuir aos textos da Bíblia Hebraica[5]. a Inscrição de Tel Dan. com uma inscrição em aramaico. O alemão Herbert Niehr. os testemunhos de reis assírios e babilônicos como Adad-nirari III. Sargão II. especialmente o Pentateuco e a Obra Histórica Deuteronomista. os Óstraca de Arad. do clima. os Anais de Salmanasar III. Na localidade de Tel Dan. as Cartas de Lakish. o Obelisco Negro de Salmanasar III. Dois Exemplos de Fontes Primárias: as Estelas de Tel Dan e de Merneptah Um exemplo de fonte primária muito interessante é a Estela de Tel Dan. por exemplo. escritos muito tempo depois dos fatos e com objetivos mais teológicos do que históricos. dos assentamentos humanos. publicada por A. Assurbanipal. fontes secundárias e fontes terciárias. evidência arqueológica da Palestina e fontes escritas fora da Palestina. e do Egito o Faraó Sheshonq. portanto. Assaradon. da organização social e da economia de uma região e de sua população. Senaquerib. o Calendário de Gezer. como os livros das Crônicas que retomam a OHDtr. os Selos lemelek de Judá. Antropologia histórica: considera os dados provenientes de estudos da geografia. as fontes sobre a monarquia israelita são de quatro tipos diferentes. os Óstraca de Samaria. todas mais ou menos contemporâneas aos eventos que relatam..

se bytdwd está no fragmento maior. a inscrição foi aparentemente escrita pelo rei Hazael de Damasco. é interessante. e foi encontrada em 1896 por Flinders Petrie no templo mortuário do faraó em Tebas.C. Aparentemente. bytdwd poderia ser o nome de uma localidade. pois outras traduções são possíveis. do qual só temos (ou tínhamos) informações na Bíblia Hebraica. estão nos fragmentos menores. Ocozias. do Instituto de Exegese Bíblica da Universidade de Copenhague.de 12 meses mais tarde. Pode ser datada por volta de 1220 a.36). Entre os Nove Arcos nenhum levanta a cabeça. mas em um ponto diferente do primeiro. lendo-se dwd não como "David". mas é incerto se eles pertencem à mesma estela da qual o maior faz parte.. Ainda: os fragmentos menores são seguramente parte de uma mesma pedra. como se pode ver em artigo do professor de Estudos Semíticos da Universidade La Sapienza. E a leitura "casa de Davi" seria induzida por esta segunda informação. ou. Imediatamente nos faz lembrar de outra famosa inscrição. Daí. Mas o que causou grande rebuliço foi um termo encontrado no fragmento maior: bytdwd. os nomes dos dois reis. dois outros fragmentos menores foram descobertos na mesma localidade. A polêmica não está encerrada. no caso. também. Lá no final da inscrição. de Roma. a grande novidade: seria esta a primeira menção extrabíblica da dinastia davídica e até mesmo da existência do rei Davi.C. Datada no século IX a.C.). a Estela de Merneptah. ou 1213-1203 a. no norte da Palestina. com enfoque diferente. sendo um deles. há o seguinte: Os príncipes estão prostrados dizendo: Paz. filho e sucessor de Ramsés II. Tehenu . davídico.. Esta estela comemora os feitos do Faraó Merneptah (1224-1214 a.C. (ou 1208 a.C. um epíteto para a divindade. mas como dôd. como casa do amado. (estes episódios. Os arqueólogos agruparam os três fragmentos.C. a menção de Israel como reino. quinto ano do governo de Merneptah. Contudo. e celebra sua vitória sobre líbios que ameaçavam o Egito. Iahweh. avaliando serem partes da mesma estela e produzindo um texto coerente.7-10. o que teria ocorrido por volta de 841 a. a tradução mais provável seria casa de Davi. Giovanni Garbini ou nas conclusões de Niels Peter Lemche. Porém. Qual é o problema? É que. Jorão (de Israel) e Ocozias (de Judá) e de ter instalado Jeú no trono de Israel. segundo a Bíblia. na qual ele se vangloria de ter assassinado dois reis israelitas. contestações a tal leitura continuam a ser feitas. segundo outra cronologia). são narrados em 2Rs 8. Dinamarca[6].

Para Niels Peter Lemche. Dever vê aqui um ‘proto-Israel”. Petrópolis. dizendo que este Israel pode ser pré-mosaico e não o grupo do êxodo . e assim por diante. enquanto outros. Gazer foi tomada. por exemplo. tentando desligar este “Israel” da referência bíblica. uma referência geográfica. a estela de Merneptah atesta a presença desta entidade nas colinas do norte da Palestina e isto pode ter relação com o posterior surgimento do reino de Israel nesta região[7]. 19952. Ou uma versão mais resumida em Estudos Bíblicos n. tanto pode ser aos suprimentos agrícolas quanto à descendência! Mas quando e como surgiu Israel como Estado na região? NEXT [3]. o Hatti está em paz. em 1981. enquanto outros pensam que seja um grupo nômade das montanhas da Palestina. [5]. Kentucky. o importante é que. Canaã está privada de toda a sua maldade. Esta é a primeira menção de Israel em documentos extrabíblicos que conhecemos. In Search of ‘Ancient Israel’. L. L. (ed. Sheffield. e é claro: a referência da estela à “semente” de Israel. Só que alguns acham que é um grupo étnico bem definido. P.embora tenha acrescentado uma nota na terceira edição do livro. [6]. seja qual for a natureza deste “Israel”. traduziram o termo egípcio por Jezrael. The Israelites in History and Tradition. . Israel está aniquilado e não tem mais semente. Sobre a ruptura do consenso e as várias etapas da pesquisa. pp. Westminster John Knox.[=Líbia] está devastado. Cf. Vozes. Sheffield Academic Press [1992]. Ascalon está deportada. de Niels Peter Lemche. pp. Can a ‘History of Israel’ Be Written? pp. Cf. o texto de Herbert Niehr em GRABBE. 6274. Ah. 38-43. 156-165. 1998.. R. Mas a identificação de quem ou o que é este “Israel” não é nada simples e tem gerado muitas controvérsias. Cf. Yanoam está como se não existisse mais. 2001. 71. viu a inscrição como seguro testemunho de que Israel já estava na Palestina nesta época . [4].)... convido o leitor a ler o artigo A História de Israel no Debate Atual. DAVIES. John Bright. O Haru [=Canaã] está em viuvez diante do Egito.e William G. Louisville. Mas a maioria lê mesmo o termo “Israel” na estela.

A Questão Teórica: Como Nasce Um Estado Antigo? Sem dúvida. D. O processo de desenvolvimento de uma fase para outra passa pelo enfraquecimento dos laços de parentesco e o fortalecimento das ações políticas centralizadas.[7]. pp.. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. 145-146. em FREEDMAN. The Israelites in History and Tradition. G.. de um Império davídico/salomônico e que traz dez conferências de renomados especialistas apresentadas em um Colóquio Internacional realizado em Jerusalém sobre A Formação de um Estado. o surgimento de uma ideologia comum e conceitos de legitimação dos governantes. pela transformação da posse comum da terra em propriedade privada dos . BRIGHT.). Problemas Históricos. N. Cf. J. as guerras e as ameaças de guerras. pp. 3. 1992.. No volume de 1996. as conquistas e invasões. 1997. LEMCHE. o desenvolvimento da produção e o aparecimento do excedente. especialmente. além da influência dos Estados vizinhos já existentes. Seguindo especialmente Henri Claessen. New York. 35-38. DEVER. editado por Volkmar Fritz & Philip R. Davies sobre As Origens dos Antigos Estados Israelitas. o estado primitivo típico e o estado primitivo de transição. Max Weber e Henri Claessen. a cobrança de tributos.. Claessen e outros estabeleceram que para se explicar a origem de um Estado é preciso considerar a emergência de vários fatores. P. no qual é apresentada a recente controvérsia sobre a existência ou não de uma monarquia unida em Israel e. (ed. Archaeology and the Israelite “Conquest”. a alemã Christa Schäfer-Lichtenberger sugere que somente a arqueologia não resolverá esta discussão. W. História de Israel. Ela questiona a aplicação pura e simples do conceito moderno de “Estado” às formas de organização política das comunidades antigas como forma de se desvelar sua existência e parte para uma discussão teórica na qual tentará definir a noção de Estado a partir dos estudos etnosociológicos de Georg Jellinek. Christa vai distinguir três fases de desenvolvimento do Estado primitivo: o estado primitivo incoativo.7. a questão da origem dos antigos Estados Israelitas passa pela discussão da noção de Estado como forma de organização política. Arqueológicos e Sociológicos no Período da Monarquia Unida em Israel. tais como o crescimento da população e suas necessidades. N. Doubleday & Logos Library System.

até o desenvolvimento de especializações por parte de oficiais estatais. pelos critérios de governo centralizado. governo centralizado. a codificação de leis e a constituição de estruturas jurídicas controladas pelo poder central. independência política. segundo a autora. para a autora. Egito e Assíria não conseguiram hegemonia política sobre esta região nesta época. ideologia comum e conceitos de legitimação . cada uma independente da outra: a) Não existiu uma entidade política de nome Israel nesta época b) Síria/Palestina. produção de excedente e tributos. onde tais achados arqueológicos são comuns. Christa é de opinião que as causas b e d oferecem uma explicação suficiente para o silêncio do Antigo Oriente Médio. é ainda um estado incoativo. pois este último. – população. território. onde dificilmente teriam sobrevivido . elas estariam em Jerusalém. pois Estados com estruturas pequenas ou médias não podem ser medidos pelos mesmos critérios de grandes impérios. E mesmo que inscrições em monumentos tenham existido.C. embora já possua algumas características de estado primitivo típico. Christa vai classificar o reino de Saul como um estado incoativo e o reino de Davi como um estado heterogêneo. nada registraram c) Os textos não sobreviveram porque foram registrados em papiros d) Os escritos ainda não foram encontrados. território. por isso. e. independência política e ideologia. o estabelecimento da taxação regular e constante.meios de produção e pela substituição de uma economia de trocas de bens e serviços em uma economia de mercado. considerando sete critérios usados tanto por Weber como por Claessen. Em seguida. como se explica a ausência de documentos escritos extrabíblicos sobre um reino unido? Christa diz que a ausência de documentos escritos no Antigo Oriente Médio sobre Israel na Idade do Ferro I (ca. fortalecendo o antagonismo de classes. estratificação.) pode ter quatro causas.e usando os dados do Deuteronomista. E. Christa trata também da ausência de monumentos e inscrições em monumentos nesta época na região e justifica tal ausência dizendo que não se deve colocar Judá-Israel no mesmo nível do Egito ou da Assíria. 1200-900 a. estratificação social e produção de excedente. ele já é um estado de transição. mas pelos critérios de população.

Thompson desconfiado e Niels Peter Lemche contrariado! Para ficar ainda no campo da discussão teórica. torna-os desnecessários. As contradições da sociedade tribal aumentam progressivamente até provocarem o aparecimento do Estado. anterior ao Estado. das tribos líderes sobre as outras tribos etc. que continua como na época tribal. No mínimo. . É um embrião de divisão de classes. como Davi e seus descendentes) e que passa a controlar também o comércio intertribal. passa-se a uma economia tribo-patriarcal baseada em certa hierarquização que permite a acumulação para determinadas camadas: há os privilégios dos homens sobre as mulheres. por exemplo) e da dominação de uma linhagem superior que se impõe sobre as outras (família do líder. através do desenvolvimento das forças produtivas. que inicialmente é uma função (de defesa. deixaria Thomas L. trabalhos de irrigação. Da economia tribo-patriarcal passa-se à economia do Estado tributário.às reformas religiosas de reis como Josias – por conterem nomes de outras divindades além de Iahweh – ou às maciças destruições militares de que a cidade foi vítima[8]. A mãode-obra é familiar. do primogênito sobre seus irmãos. Da economia de auto-subsistência. mas que passa a ser uma exploração. porque mais comuns naquele continente) que a sociedade tribal de tipo patriarcal já representa uma forma típica de transição da comunidade primitiva para a sociedade de classes. através da necessidade de obras conjuntas (defesa contra inimigos. dizem especialistas de tendência marxista que analisam as sociedades de tipo tributário (também chamadas "asiáticas". construção de muralhas. Neste tipo de sociedade a escravidão só existe de maneira secundária: o peso da produção não cai sobre os escravos. pois a propriedade coletiva da terra. Tem-se a impressão de que a leitura da OHDtr é que oferece as categorias etnosociológicas para a análise e não o contrário. detectável em Israel já no período conhecido biblicamente como "dos juízes". na sociedade tributária o comércio é possível só a partir da acumulação do excedente feita pelo Estado. mas o restante deixa uma sensação de “dèjá vu”! As categorias sócio-antropológicas da autora sobre o Estado me parecem insuficientes – especialmente quando confrontadas com as várias tentativas marxistas na área – e ela não escapa de uma leitura do Deuteronomista como sua fonte principal. O estudo é interessante quando questiona algumas posturas pouco elaboradas teoricamente de certos especialistas. de grande obras etc). Aliás.

um membro de uma linhagem líder. a ser um autêntico poder de classe (a classe que se constitui nele) para manter e aumentar a exploração.C. em 1996. . propõe o conceito de sociedade patronal [patronage society] para explicar a variedade social da Síria. organização etc) passa. profetas e juízes pagos pelo governo. O Estado é conseqüência da exploração de classe. testemunhados pela Assíria. A descrição bíblica de um grande Império israelita foi tratada com muito ceticismo [sublinhado meu]. as sociedades tributárias ficam estagnadas no seu nível social. O indivíduo passa assim. Grabbe nos lembra. A terra pertence a Iahweh em Israel. normalmente homens e suas famílias. 3. Como a de Niels Peter Lemche que. é que se buscam outras soluções. A grande contradição interna desta organização: coexistência de estruturas comunitárias e de estruturas de classe. Este modelo. na conclusão do volume sobre o primeiro Seminário Europeu sobre Metodologia Histórica. e a outra é a de que ‘Israel’ deve canalizar e dominar o estudo da região na antigüidade. O despotismo do governo é também uma conseqüência da formação de classes. no volume de 1996. Davies sobre As Origens dos Antigos Estados Israelitas.Assim. As Soluções de Lemche e de Finkelstein & Silberman Lester G. mas que não constituíam ainda Estados burocráticos. 1500-1200 a. pouco a pouco. onde no topo encontramos o patrono [patron]. Por tudo isto. ninguém negou a existência de um ‘reino de Israel’. mas os participantes do seminário fizeram objeções a duas concepções: uma é a de que o construto literário do ‘Israel bíblico’ pode ser diretamente traduzido em termos históricos. ele não é a sua causa. no Período do Bronze Recente (ca. E Lemche define como típico de uma sociedade patronal sua organização vertical. e abaixo dele seus clientes [clients]. assim como de um ‘reino de Judá’. Se ela não evolui. o Estado tributário que inicialmente nascera com funções públicas (defesa. e especialmente da Palestina. freqüentemente chamado de ‘sistema social mediterrâneo’ parece ter sido onipresente em sociedades com um certo grau de complexidade. editado por Volkmar Fritz & Philip R. por duas mediações: da comunidade tribal a que pertence e do Estado tributário[9]. na sociedade tributária. que durante as discussões em Dublin. mas o Estado detém o poder religioso através dos templos. do qual já falamos acima.).8. controlando a vontade da divindade através dos sacerdotes.

o Estado egípcio não os vê do mesmo modo e os trata de modo impessoal. e colocam aquela que é para eles a questão chave: o que diz a arqueologia sobre Davi/Salomão? Para Finkelstein e Silberman a evolução dos primeiros assentamentos para modestos reinos é um processo possível e até necessário na região. nos lembram como.) pode ser explicada. o primeiro período bíblico realmente histórico. o restabelecimento de um sistema patronal semelhante ao anterior[10]. E a proposta de Lemche para o que pode ter acontecido é a seguinte: as fortalezas do patrono foram substituídas por estruturas locais. . A crise da Palestina que aparece nas Cartas de Tell el-Amarna (século XIV a. Sem dúvida. New York. enquanto que para os estudiosos representavam. a (falsa) percepção dos pequenos reis das cidades de Canaã de que foram abandonados pelo faraó. simplesmente. códigos de leis não são necessários: ninguém vai dizer ao patrono como julgar. até recentemente. a partir desta realidade: os senhores das cidades-estado palestinas vêem o faraó como seu patrono e reivindicam sua proteção em nome de sua fidelidade. Daí. pp. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. a crise se abateu sobre o "império" davídico-salomônico.C. o aparecimento dos povoados da região montanhosa do centro da Palestina representa. com juramento de lealdade do cliente ao patrão e de proteção do patrono para o cliente. seguindo normas burocráticas. de fato. E se perguntam: Davi e Salomão existiram? Mostram como os minimalistas dizem: "não". Hoje. organizados sem um sistema de proteção como o do patrono – o assim chamado ‘rei’ – ou com patronos locais. os argumentos pró e contra a postura dos minimalistas. para os leitores da Bíblia. Portanto. foi.C. 123-145. que não está cuidando de seus interesses na região. 2001. segundo Lemche. concluem que este permaneceu pouco desenvolvido. The Free Press. no capítulo sobre a monarquia davídico-salomônica de seu livro The Bible Unearthed. um intervalo entre dois períodos de sistemas patronais mais extensos e melhor estabelecidos. Descrevendo as características do território de Judá.Lemche explica que a ligação entre patrono e cliente é de tipo pessoal. porém. Já Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman. houve uma crise social na Palestina no final do Bronze Recente. escassamente habitado e isolado no período atribuído pela Bíblia a Davi/Salomão: é o que a arqueologia descobriu. Davi e Salomão representam uma idade de ouro. Em tal sociedade. Pois o que aconteceu no século X a. por povoados.

ou identificou nas descobertas de outros.9.C. que diz: "Eis o que se refere à corvéia que o rei Salomão organizou para construir o Templo de Iahweh. na década de 60. bem como Hasor.19. e estes.C. da Universidade Hebraica de Jerusalém. enquanto que os "estábulos" seriam da época de Acab. portanto. 140. Durante muitos anos. nas décadas de 70 e 80. se perguntam os autores na p. Mas será que o fizeram? E o glorioso reino de Salomão? Em Jerusalém. estas "portas salomônicas" de Hasor. Mas. o Melo e o muro de Jerusalém. Teoricamente é possível que os israelitas da região montanhosa tenham controlado pequenas cidades filistéias como Tel Qasile. Yadin escava novamente Meguido e faz a descoberta de um belo palácio que parecia ligado à porta da cidade e abaixo dos "estábulos". só aparecem no século IX a.E Jerusalém? As escavações de Yigal Shiloh. Gazer [=Gezer]".. isto era atribuído a Davi por causa das narrativas de Samuel. um grande império davídico. escavada por Benjamin Mazar em 1948-1950.12. Mas o modelo arquitetônico dos palácios salomônicos veio dos palácios bit hilani da Síria. se descobriu. Gezer e Meguido foram o mais poderoso suporte arqueológico ao texto bíblico. Sua interpretação dos edifícios achados se baseou em 1Rs 7. mas e Meguido. seu palácio. Y.15.15. Guy.C. nas décadas de 20 e 30. E o contraste entre Meguido e Jerusalém? Como um rei constrói fabulosos palácios em uma cidade provincial e governa a partir de um modesto povoado? . dificilmente. Na década de 50. rei de Israel do norte no século IX a. Hasor e Gezer? Em Meguido P. A postura mais otimista aponta para um vilarejo no século décimo. O. Também a chave aqui foi 1Rs 9. pelo menos meio século após a época de Salomão. tendo havido. os "estábulos" de Salomão. as "portas salomônicas" de Hasor. Meguido ou Bet-Shean. na Jerusalém das Idades do Bronze e do Ferro mostram que não há nenhuma evidência de uma ocupação no século X a. da Universidade de Chicago. L. na mesma época seria composto por cerca de 20 pequenos povoados e poucos milhares de habitantes. ou até mesmo cidades cananéias maiores como Gezer. Mas e as conquistas davídicas? Até recentemente. descobriu. Yigael Yadin descobriu. o que o leva à seguinte conclusão: os palácios [a Universidade de Chicago encontrara outro antes] e a porta de Meguido são salomônicas. "Como poderiam os arquitetos de Salomão ter adotado um estilo arquitetônico que ainda não existia?". em qualquer lugar em que se encontravam cidades destruídas por volta do ano 1000 a. nada foi encontrado. enquanto que o resto de Judá. Meguido.C. Gezer e Meguido.

e se não existiu um grande império.e que sua lenda perdurou" (p. pp. Gezer e Meguido testemunhavam o reino de Salomão. Gezer e Meguido atribuídos à época salomônica são. 143). com grupos continuando o pastoreio.. O quadro é o seguinte: região rural. os estilos arquitetônicos e as cerâmicas de Hasor. 340-344.C. Arqueologicamente. dizem Finkelstein e Silberman na p. do século IX a.. nem uma magnífica capital. O que se atribuía ao século XI é da metade do século X e o que era datado na época de Salomão deve ser visto como pertencendo ao século IX a. de Jerusalém para o norte.. Hebron e mais uns 20 pequenos povoados de Judá. e as construções das monumentais portas e palácios de Hasor. nenhum sinal de uma estrutura cultural necessária em uma monarquia... estas evidências começaram a desabar [aqui os autores remetem o leitor ao Apêndice D. nenhum documento escrito. Mas.. qual era a natureza do reino de Davi?" (p. por último.C.Pois bem.C. nem uma espetacular capital. cerca de 40 mil habitariam os povoados do norte e apenas 5 mil se distribuíam entre Jerusalém. Davi e seus descendentes? "No século décimo. seu governo não possuía nenhum império.. de fato. mais escasso. de Davi e Salomão só podemos dizer que eles existiram . povoamento mais denso.. pelo menos. testes com o Carbono 14 em Meguido e outras localidades apontam para datas da metade do século IX a. estimativa populacional: dos 45 mil habitantes da região montanhosa. 142). muitos motivos para questionarmos as dimensões e o esplendor de seus reinos. Nós últimos anos. nem cidades com palácios.. de Jerusalém para o sul. . sim. 140: "Agora nós sabemos que a evidência arqueológica para a grande extensão das conquistas davídicas e para a grandiosidade do reino salomônico foi o resultado de datações equivocadas". Primeiro... Dizem os autores: "Não há razões para duvidarmos da historicidade de Davi e Salomão. Enfim: a arqueologia mostra hoje que é preciso "abaixar" as datas em cerca de um século [anoto aqui que esta "cronologia baixa" de Finkelstein tem dado muito o que falar nos meios acadêmicos!]. fundamentava as conquistas davídicas. onde os seus argumentos são mais detalhados]. segundo.C. e. do ponto de visto demográfico. Há. entretanto. Dois tipos de evidência fundavam os argumentos em favor de Davi e Salomão: o fim da típica cerâmica filistéia por volta de 1000 a. nem monumentos. a cerâmica filistéia continua após Davi e não serve mais para datar suas conquistas.

. F. H. 1990.C. Josias era o novo Davi e Iahweh cumprira suas promessas "O que o historiador deuteronomista queria dizer é simples e forte: existe ainda uma maneira de reconquistar a glória do passado" (p. DONNER. Chr. 1997 [20043]. W. Modo de produção asiático. Kohlhammer. DIETRICH. P. Sheffield Academic Press. Então. 2001. 1992. acabara com o ciclo idolátrico da época dos Juízes e concretizara a promessa feita a Abraão de um vasto e poderoso reino. N. Nova visita a um velho conceito. 197-268.. . & SILBERMAN. Stuttgart/Berlin/Köln. P. “Minimalism” is an invention.). Uma bem elaborada teologia ligava Josias e o destino de todo o povo de Israel à herança davídica: ele unificara o território. pp.. 144) Leituras Recomendadas Ayrton’s Biblical Page: Cf. Jahrhundert v. FRITZ. o ambiente desta época é que serviu de pano de fundo para a narrativa de um mítica idade de ouro. C.). New York. R.. (org. DAVIES. Sinodal/Vozes. 1997 FINKELSTEIN. New York. quando o Deuteronomista escreveu sua obra no século VII a. em Bible and Interpretation. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. Minimalism. R.). R.Entretanto. V. N. 19952. In Search of ‘Ancient Israel’. História de Israel e dos Povos Vizinhos I. São Leopoldo. I. D. FREEDMAN. Sheffield. Doubleday & Logos Library System. or a group. Die frühe Königszeit in Israel. 10. os artigos A História de Israel no Debate Atual e Pode uma ‘História de Israel’ Ser Escrita? CARDOSO. (org. (eds. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. & DAVIES. DAVIES. 1996. Rio de Janeiro... None of the “minimalist” scholars is aware of being part of a school. Sheffield.). (ed. S. Sheffield Academic Press [1992]. The Origins of the Ancient Israelite States. Conceito de modo de produção. The Bible Unearthed. P. 1997. "Ancient Israel. Rio de Janeiro. Campus. A. Jerusalém tinha todas as estruturas de uma sofisticada capital monárquica. Ph. The Free Press.. GEBRAN. 2002." and Anti-Semitism.

1978. pp. Sociological and Biblical Views of the Early State. The Origins of the Ancient Israelite States. PIXLEY. M. pp. C. Sheffield Academic Press. 20049. (org. (ed. VAN SETERS. Rio de Janeiro. 1986. toda a discussão sobre as origens dos Estados israelitas passa também pela discussão anterior sobre as origens de Israel. Sheffield Academic Press. Petrópolis. Conceito de modo de produção. P. 11. 1999. Vozes. Sheffield.Paz e Terra. J.). Sheffield. Cf. Westminster John Knox. em FRITZ. 1996. (eds. The Origins of the Ancient Israelite States. The Pentateuch. & DAVIES.). [10]. J. L. 22-36.. Kentucky. FIORAVANTE. Estudos Bíblicos n. Cf. Trabalhador e trabalho.. um pressuposto não discutido aqui.. V. LEMCHE. Vozes.. 78-105. em GEBRAN. R. A História de Israel a Partir dos Pobres. Do modo de produção asiático ao modo de produção capitalista. From Patronage Society to Patronage Society. Paz e Terra. E. L.). 1978. Sheffield Academic Press. LEMCHE. 1998. Petrópolis. Can a ‘History of Israel’ Be Written? Sheffield. 1996. P. SCHÄFER-LICHTENBERGER. Sheffield. N. Como parece ter ficado claro. mas que pode ser visto em detalhes no artigo A História de Israel no Debate Atual. NEXT [8]. et alii.. P.. A Social-Science Commentary. Ph. N. R. Cf. O Reino de Israel . pp. Louisville. & DAVIES.). 131-155. P. 4. pp. Sheffield Academic Press. [9]. GRABBE. V. (eds. 106-120. 1997. The Israelites in History and Tradition. em FRITZ. SCHWANTES.

agora.C. Perguntou-lhes: 'Que aconselhais que se responda a este povo' (.. eis o que lhes responderás. A Rebelião Explode e Divide Israel Para começar. os israelitas impuseram-lhe uma condição: aceitariam o seu governo. se te submeteres e dirigires boas palavras. escolheu para seu rei a Jeroboão. então. Proclamado rei em Judá. filho de Salomão. com a morte de Salomão. em 722 a. chamado doravante simplesmente de Israel.. separou-se do Estado davídico que permaneceu em Judá. até ser massacrado pelo poderoso Império assírio. "Disseram assim a Roboão: 'Teu pai tornou pesado o nosso jugo. Inicialmente nem guerra houve entre os dois países irmãos. Em Siquém. agora chamado de Israel. desabou a unidade do reino.). Roboão quis partir para a repressão armada. seus companheiros de infância.. em 931 a. então eles serão para sempre teus servidores'.. alivia a dura servidão de teu pai e o jugo pesado que ele nos impôs e nós te serviremos' (.) O rei Roboão consultou os anciãos que haviam auxiliado seu pai Salomão durante sua vida.C. Mas ele rejeitou o conselho que os anciãos lhe deram e consultou os jovens que foram seus companheiros de infância e o assistiam. Roboão (931-914 a. mas foi desaconselhado. que se encontrava exilado..C. Roboão não aceitou as condições e foi a gota d'água. Quando o norte se rebelou. Podemos seguir o desenrolar dos acontecimentos a partir do capítulo 12 do primeiro livro dos Reis. podemos anotar que o processo de sucessão de Salomão não foi bem visto. 'Meu dedo mínimo é mais grosso que os rins de meu pai! Meu pai vos sobrecarregou com um jugo pesado. a bandeira da rebelião. e eu vos açoitarei com escorpiões!' " (1Rs 12. e perguntou: 'Que me aconselhais a responder a este povo?' Eles lhe responderam: 'Se hoje te sujeitares à vontade deste povo.1. caso fossem retiradas as pesadas leis impostas ao povo por seu pai Salomão. mas eu aumentarei ainda o vosso jugo.). pois assim debilitados viram-se ameaçados pelos inimigos externos e deixaram suas rixas para acertar mais tarde. meu pai vos castigou com açoites. foi a Siquém para que o norte o aclamasse senhor também das outras tribos. O norte.3-11). E o reino do norte existiu durante 209 anos. um nobre da tribo de Efraim e inimigo de Salomão. .. constituído pelas 10 tribos rebeldes. responderam-lhe: 'Eis o que dirás a este povo (. 4.) Os jovens..Segundo o texto bíblico. Samaria ou ainda Efraim. Israel do norte. especialmente porque o norte tinha consciência da exploração a que era submetido pelo poder central e levantou.

como sempre. 910-909 909/8-886 886/5-885 885/4 885/4-874 874/3-853 853-852 852-841 Duração 21 anos 2 anos 22 anos 2 anos 7 dias 11 anos 21 anos 2 anos 11 anos . E isto deu o que falar. E quem saía perdendo. no extremo norte. assassinatos e chacinas várias. perto de Jerusalém. os nortistas rejeitaram também o Templo e as peregrinações nas grandes festas. Reis de Israel Nome Jeroboão I Nadab Baasa Ela Zimri Omri Acab Ocozias Jorão Data 931-910/9 a. e Betel. sob outro rei. teve 19 reis de diferentes dinastias que se sucederam com golpes de Estado. No curto espaço de 209 anos. Para substituir o Templo e mesmo para evitar que o povo fosse a Jerusalém e passasse para o lado de lá. tanto Israel quanto Judá eram fracos demais para dominar seus vizinhos. a capital definitiva. segundo o texto bíblico. Para o sul. foi construída Samaria. Por outro lado.Jeroboão escolheu a cidade de Siquém para capital do seu reino. no sul. onde permaneceu apenas 5 anos. Síria e Assíria) fizeram do novo país um foco de problemas e de crises sucessivas.C. Os mesmos camponeses e pescadores antes explorados pelo sul. Transferiu-a seguidamente para Penuel e Tirsá. já era a idolatria que dominava o norte. era o povo. Divididos. como dizem ter feito Davi e Salomão. Só mais tarde. todas as suas possessões estrangeiras: definitivamente os tempos do Israel forte haviam acabado. Israel caracterizou-se pela instabilidade política. passaram a sê-lo pelo norte. tanto o norte quanto o sul perderam. embora a intenção do rei fosse apenas reavivar o culto naqueles santuários. Jeroboão construiu dois touros de ouro e colocou-os em antigos santuários: Dan. A incerteza quanto à localização da capital e ainda o perigo da pressão estrangeira (Fenícia. Rejeitando o governo de Jerusalém.

Porém.Jeú Joacaz Joás Jeroboão II Zacarias Salum Menahem Pecahia Pecah Oséias 841-813 813-797 797-782 782/1-753 753 753/2 753/2-742 742/1-740 740/39-731 731-722 28 anos 16 anos 15 anos 29 anos 6 meses 1 mês 11 anos 2 anos 9 anos 9 anos[1] 4. que deu um golpe militar em 885 a. em "suaves prestações". O rei . Fez aliança com a Fenícia.. . Faltava dinheiro no país? O povo precisava de empréstimos? Os privilegiados emprestavam a juros exorbitantes. a situação do povo era muito difícil.. Omri construiu Samaria em 880 a. Para termos uma idéia da situação: a partir desta época ficou muito comum o camponês se vender ao rico credor para saldar suas dívidas. Quem quiser conferir.. Houve também vários conflitos com Judá por causa das fronteiras. seu filho Ela foi também assassinado por Zimri. Ou entregava seus filhos.C. Omri. foi um válido artífice da paz com Judá. trabalhando como escravo. o progresso do país empobrecia largas camadas da população e levava a exploração classista ao máximo. Israel de Jeroboão I a Jeroboão II De Jeroboão I a Omri (cerca de 50 anos) houve muita instabilidade em Israel. A lavoura não produzia quando a seca era forte? Os ricos vendiam mantimentos à população camponesa. filha de Etbaal. por sua vez. O intenso comércio com a Fenícia aumentou a riqueza da classe dominante em Israel.puxava a procissão das explorações.e sua gloriosa corte . para capital do reino e desenvolveu bastante o país. Nadab foi assassinado por Baasa.C.2. casando seu filho Acab com Jezabel. que. se suicidou. quando viu a morte trazida pelo general Omri. Sob Acab. como sempre. leia o episódio exemplar da vinha de Nabot (1Rs 21). Levou vantagem no confronto com Moab e com os arameus de Damasco. filho de Omri. rei de Tiro.

Resultado: por todo o país proliferaram os sacerdotes de Baal. atravessava um período de dificuldades. A Síria fora vencida pela Assíria. Isto era costume naquela época. embora de forma lendária e extremamente carregadas pelas cores teológicas do Deuteronomista. Até aí tudo bem. dá um golpe militar sangrento. Elias faz ver ao povo. Elias tornou-se no seu tempo um símbolo da fidelidade a Iahweh.. O profeta Elias. Acab construiu um templo para sua mulher Jezabel cultuar seu deus Baal. Esta. de âmbito nacional e causador de todos os males que dominavam o país. como demonstra o significado de seu nome (Elias = só Iahweh é Deus). o rei de turno. que prontamente percebeu o perigo por ele representado contra o seu culto e os seus privilégios.C.23-29). Jeroboão II. contemporâneo de Acab. Encontrando muita oposição entre as autoridades religiosas e entre o próprio povo explorado. bom militar. que a idolatria e o abandono do javismo era um problema muito sério.também Judá. livres de pressões maiores. a dinastia de Omri vai cair de maneira violenta: Jeú.graças a uma série de circunstâncias favoráveis. Suas ações estão narradas em 1Rs 17-22 e 2Rs 1-2. Mas com a subida ao trono de Jeroboão II (782/1-753 a. vai lutar com todas as forças contra tamanha deterioração do javismo e de seus ideais de justiça.) o país se recupera . com a aprovação do profeta Eliseu.C. rei de Damasco. segundo a interpretação deuteronomista dos livros dos Reis. sob o governo de Ozias. os dois reinos começaram a sua expansão. Havia paz entre os dois reinos irmãos. . em 841 a.Em Samaria. cresce bastante nesta mesma época . o mais sério deles sendo a exploração da maioria da população. Mas Jezabel arrastou a corte toda e a aristocracia atrás de si neste culto. inclusive as regiões da Transjordânia até Moab. E então. Perseguido pela rainha Jezabel. assassinando toda a família de Jorão. Jeú e seus descendentes enfrentaram graves problemas na política externa: Jeú pagou tributo ao rei assírio Salmanasar III e perdeu a Transjordânia para Hazael. levou a fronteira norte de seu país onde anteriormente a colocara Salomão (2Rs 14. Tomou Damasco e submeteu a Síria. Originário do Galaad. por sua vez.

Nesta época. Os pequenos agricultores. endividados. enquanto os tribunais..C. . Em Samaria os arqueólogos encontraram os restos de esplêndidos edifícios. a religião javista foi sendo colocada de lado em favor de outros deuses menos exigentes quanto à justiça e à igualdade social. mais uma vez.) e Oséias (755-725 a. À desintegração social somou-se a religiosa. Porém.C. o povo. só achavam a razão do lado dos ricos.. os profetas Amós (ca. 760 a. bem providos do bom e do melhor. Com os santuários cheios de adoradores.Israel controlou as rotas comerciais de então. provas da riqueza alcançada. Criaram-se extremos de riqueza e de pobreza. viam-se nas mãos de seus credores.) destacaram-se na denúncia da situação em que se encontrava Israel. O sistema administrativo adotado por Jeroboão II foi aquele mesmo próspero e injusto de Salomão: concentração da renda nas mãos de poucos com o conseqüente empobrecimento da maioria da população. regados a bom dinheiro.

não o revogarei! Porque vendem o justo (tsaddîd) por prata e o indigente ('ebyôn) por um par de sandálias. Amós. pelos quatro. 'ebyôn (indigente). um homem e seu pai vão à mesma jovem para profanar o meu santo nome. e bebem vinho daqueles que estão sujeitos a multas. na casa de seu deus. pobre. com o mínimo para sobreviver e que corre sério risco de perder casa.6-8 Assim falou Iahweh: Pelos três crimes de Israel. Eles se estendem sobre vestes penhoradas. com os termos tsaddîq (justo). Amós aponta o pequeno camponês. Eles esmagam sobre o pó da terra a cabeça dos fracos (dallîm) e tornam torto o caminho dos pobres ('anawim) . ao lado de qualquer altar. dal (fraco) e 'anaw (pobre). designa as principais vítimas da opressão na sua época. Sob estes termos. terra e liberdade com a política expansionista de Jeroboão II.Am 2. .

4-6). são as senhoras da alta sociedade (4. estendidos em seus divãs. segundo Amós.12).Am 6. mas não se preocupam com a ruína de José.10). "Amós. bebem crateras de vinho e se ungem com o melhor dos óleos. os opressores de sua época. político e judicial"[2] .4-6 Eles estão deitados em leitos de marfim. Estes são. são os que aceitam suborno na administração da justiça (5. como Davi. são os que constroem boas casas e plantam excelentes vinhas (5. comem cordeiros do rebanho e novilhos do curral. identifica os opressores com os que detêm o poder econômico. improvisam ao som da harpa. são os que controlam o comércio (8.1).11).4-6). como outros profetas após ele. Enfim. . são os que vivem no luxo e na boa vida (6. São os que vivem em palácios e acumulam (3. inventam para si instrumentos de música.

Mas perjúrio e mentira. Oséias está dizendo que o problema em Israel é que não há mais espaço para os valores do javismo e isso causa a desagregação da sociedade. O homem fenece. pois Iahweh vai abrir um processo contra os habitantes da terra. assassínio. assassínio e roubo. adultério e violência. nem conhecimento de Deus (da'at 'elohîm) na terra. filhos de Israel. segundo Oséias. os pássaros e os peixes desaparecem. É a experiência ou vivência do javismo que está em jogo. homicídio a morte. porque não há fidelidade (‘emeth) nem solidariedade (hesedh).Os 4. Portanto. NEXT . Por isso a terra se lamentará. desfalecerão os seus habitantes e desaparecerão os animais selvagens. Temos aqui três categorias negativas superpostas: o o o a falta de conhecimento de Deus (da'at 'elohîm). a raiz mais profunda do mal é a falta de conhecimento de Deus. com a desagregação do universo. adultério.1-3 Ouvi a palavra de Iahweh. Que não é conhecimento intelectual ou cultual. as aves dos céus e até os peixes do mar. que se manifesta como ausência de fidelidade ('emeth) e solidariedade (hesedh) as desordens sociais. e o sangue derramado soma-se ao sangue derramado. roubo. As feras. causadas pela falta de conhecimento: perjúrio. mentira.

os juízes. . SICRE. Sinodal/Vozes. 1990./VOGT. em Biblica 45 (1964).C. abalado por assassinatos e golpes sangrentos. Cf. 36-48 diz que os opressores de Israel. os senhores de escravos. pp. M.[1]..) já teria começado a pagar tributo à Assíria Pecahia (= Facéias). A Assíria Vem Aí: Para Israel é o Fim Com a morte de Jeroboão II desabou tudo o que ainda restava em Israel. Die Jahre der Könige von Juda und Israel. Houve 4 golpes de Estado (golpistas: Salum. Paulus. 200.C.) e foi assassinado Salum ben Jabes governou 1 mês (753/2 a. apesar de tudo. e ele estendeu a sua mão aos petulantes quando se aproximaram. L. pp.C. Salum. Roma. Há várias cronologias possíveis para o período dos reis. Amós.): foi assassinado Menahem ben Gadi (753/2-742 a.C. reinou de 742/1740 a. São Paulo. filho de Jeroboão II. 4.. segundo Amós.3. filho de Ela. Oséias.C. os cidadãos (os habitantes da cidade). Menahem. Pecah e Oséias) e 4 assassinatos (assassinados: Zacarias. A justiça social nos profetas. o exército. a noite inteira dorme a sua ira. 321-347. E. [2]. são: os sacerdotes (Templo). J. O profeta Oséias lamenta o golpismo da época: "No dia de nosso rei. filho de Romelias. São Leopoldo/Petrópolis. filho de Menahem. Pecahia e Pecah): o o o o o o Zacarias. governou 6 meses (753 a. assassinou Pecah e foi o último rei do norte. e foi assassinado Pecah (= Facéia). Meditações e Estudos. De 753 a 722 a.C. 1987.C. V.. pela manhã ela arde como uma fogueira. governou de 740/39 a 731 a. p. os príncipes ficaram doentes pelo calor do vinho. de 731a 722 a. Estou seguindo a de PAVLOVSKY. seis reis se sucederam no trono de Samaria. Todos eles estão quentes como um forno. SCHWANTES. Seu coração é como um forno em suas insídias.

o rei de Damasco e o rei de Israel invadiram Judá pelo norte e cercaram Jerusalém. Deste modo. Todos os seus reis caíram. tomou Urartu. conquistando algumas cidades de Judá. . Tiglat-Pileser III já submetera grande parte da Síria e da Fenícia. A saída foi pedir o auxílio da Assíria.C.devoram seus juízes. Pecah. também dominados por Judá. Pacificou os medos no norte do Irã. Invadiram o Negueb e a planície da Shefelah. Isto foi no ano de 734 a. Em 745 a. contra a qual efetuou várias campanhas a partir de 743 a.C. Por que a Assíria ambicionava a região? Por causa: o o o o da madeira e dos recursos naturais do Egito. e é a chamada guerra siro-efraimita. Em 738 a. dominando-os.5-7). Mas grupos patrióticos assassinaram em Israel o rei submisso à Assíria. Os filisteus. Judá. queria que Judá se aliasse a ele. igualmente não perderam tempo. aproveitaram a ocasião e declararam sua independência. Então.C. os filisteus e outros. Derrotaram as tropas de Judá em Elat e destruíram a cidade. Em Judá reinava Acaz. Não há entre eles quem me invoque" (Os 7. A grande ameaça internacional era a Assíria. Isaías foi contra este passo e avisou Acaz de que suas conseqüências seriam terríveis. sabiamente não quis. este era seu nome. E o oficial que subiu ao poder imediatamente tornou-se chefe de uma coalizão anti-assíria que congregava a Síria. pôde ocupar-se com o oeste: começou pela Síria. Ele começou por resolver os problemas com os babilônios no sul da Mesopotâmia.C. Em seguida. Os edomitas. Foi um imposto per capita que atingiu cerca de 60 mil proprietários de terras. que dependiam de Judá. Depois. o eterno rival da Ásia Menor do controle do comércio do Mediterrâneo. Judá foi invadido por três lados e não tinha como resistir. ao norte. Israel começou a pagar-lhe tributo possivelmente já sob o governo de Menahem. subiu ao trono assírio um hábil rei: Tiglat-Pileser III.

O rei Oséias só se submetera à Assíria porque não tinha outra saída. "Salmanasar. A destruição foi paralisada. executou o rei e deportou a população. Mas o rei da Assíria descobriu que Oséias o traía: é que este havia mandado mensageiros a Sô. por causa da cólera de Rason. o que se viu foi o seguinte: a Síria não existia mais. Foi um suicídio. pois que Aram. na estrada do campo do pisoeiro. dizendo: 'Subamos contra Judá e provoquemos a cisão e a divisão em seu seio em nosso benefício e estabeleçamos como rei sobre ele o filho de Tabeel'. Estabeleceu uma base no extremo sul. Deportou uma parte do povo e destruiu numerosas cidades. de Aram. Quando Tiglat-Pileser III foi sucedido por Salmanasar V. De Israel pouco restara: toda a costa. isto é. Tiglat-Pileser III conquistou-a. Oséias (não se confunda o rei Oséias com o profeta homônimo). Então o rei da Assíria mandou encarcerá-lo e prendê-lo com grilhões. e não tinha pago o tributo ao rei da Assíria. rei da Assíria.C. o rei . marchou contra Oséias e este submeteu-se a ele. Salmanasar V atacou.3-6 Então disse Iahweh a Isaías: Vai ao encontro de Acaz. e do filho de Romelias. Depois da tempestade. submeteu-se imediatamente à Assíria e pagou-lhe tributo. Tiglat-Pileser III destruiu rapidamente as forças aliadas. Tu lhe dirás: Toma as tuas precauções. prendeu o rei. cortando qualquer possível ajuda egípcia. pagando-lhe tributo. Virou-se. O Egito estava todo dividido e muito fraco. Faltava só Damasco. Efraim e o filho de Romelias tramaram o mal contra ti. ocupou o país e cercou Samaria em 724 a. em 732 a. Começou a negar o tributo à Assíria e a ligar-se ao Egito. rei do Egito. mas conserva a calma e não tenhas medo nem vacile o teu coração diante dessas duas achas de lenha fumegantes. Começou pela costa e avançou sobre os filisteus desbaratando-os completamente. contra Israel e saqueou toda a Galiléia e a Transjordânia. Encontrá-lo-ás no fim do canal da piscina superior. ainda não era tudo.C. como o fazia todo ano. Entretanto. a Galiléia e o Galaad passaram para a Assíria. Neste ínterim. passara a província assíria. em seguida.Is 7. Oséias pensou ser o momento bom para a revolta. Pecah de Israel foi assassinado e seu sucessor. Não veio ajuda nenhuma. Depois. tu juntamente com o teu filho Sear-Iasub [= um resto voltará].

pp.C. sempre foi aceito por arqueólogos e historiadores. pela guerra civil. em detrimento da autoridade real. 149-168.. este esquema bíblico. e nas cidades dos medos" (2Rs 17. mas era nítida a perda de influência. sem dúvida graças à energia do turtanu Shamshi-Ilu. TiglatPileser III teria que enfrentar a perigosa situação que se desenvolvia nas fronteiras do reino. em 746 a. Impérios Mesopotâmicos . estourou uma rebelião em Kalhu. assinala o termo da crise aberta. No nono ano de Oséias. que se desintegra após a morte de Salomão.C. O golpe de Estado. & NIKIPROWETZKY. Sargão II foi quem se encarregou da deportação e substituição da população israelita por outros povos que foram ali instalados.290 pessoas. 87-96.3-6). mas está errado. Pioneira/Edusp. o número de deportados samaritanos foi de 27. Com a instalação.C. cujo declínio quase arrastava à ruína todo o país. Para Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman. V. Ignora-se a participação que teve na trama ou em sua repressão. São Paulo. rio de Gozã. o rei da Assíria tomou Samaria e deportou Israel para a Assíria. pp. Verdade que não se dera nenhum revés de importância. A revolta que estourou em Kalhu. até que. garantem os autores. e o filho de Salmanasar V. o verdadeiro fundador de seu império. de fato. tal como se ignora a filiação do novo soberano: enquanto em uma inscrição faz-se . Samaria caiu em 722 a.da Assíria invadiu toda a terra e pôs cerco a Samaria durante três anos. Tiglat-Pileser III Resumo de GARELLI.. Ela acusara o triunfo da alta nobreza. mas há boas razões para se acreditar que sempre houve duas diferentes entidades políticas na região montanhosa de Canaã. de outros povos e outros costumes chegou para Israel do norte o fim definitivo. O Oriente Próximo Asiático. levou ao trono aquele que iria tornar-se um dos maiores reis da Assíria. A Assíria parecia inerte. P. estabelecendo-o em Hala e às margens do Habor. poderia parecer um simples episódio de uma época fértil em tentativas similares. no território. Não há evidências de uma monarquia unida governada por Jerusalém. em 827. 1982. no livro The Bible Unearthed.Israel. Segundo os anais de Sargão II. mas. de uma monarquia unida. conduzindo ao trono Tiglat-Pileser III. em 746 a. na realidade..

Nada mais incerto. por outro lado. que dois anos antes subira ao trono da Babilônia. Atribui-selhe demasiado no plano interno. visto que seu principal adversário. precisou transferir sua atenção para os medos e Urartu. por razões cronológicas. Tiglat-Pileser III empreendeu uma série de operações militares contra a Babilônia e Namri. Em parte alguma as tropas assírias bateram-se com as forças de Nabonassar (Nabu-Nasir). Na Babilônia. aliás. As conquistas de Tiglat-Pileser III são mal documentadas. uma das listas reais apresenta-o como um dos filhos de Assur-Nirari V. Chegou-se a pensar que fosse um usurpador. os exércitos assírios ganharam a rota do Sul. bem como em redor de Nippur. o que pode surpreender. é bastante curiosa. Sem dúvida o foi. durante três anos.C. a agitação permanecia endêmica. Em seguida. pelo menos . Seria. mas só se atribui aos ricos. A expedição levada a cabo por Tiglat-Pileser III em 745 a.. dele se fez o tipo de "rei reformador". se a intervenção assíria não se devera ao apelo de Nabonassar. inclusive. rei de Urartu. uma repetição da que Salmanasar III levara a efeito havia um século.C. porém conseguiram-no de forma bem imperfeita. e a personalidade do soberano era visivelmente rica. acabara de obter a adesão dos países sírios.C. antes de efetuar a . esforçavam-se por firmar sua autoridade. em grande parte era o mesmo: as tribos aramaicas e caldéias. Espírito metódico e audacioso. o que prova que a aparente paralisia do país refletia sobretudo uma crise do poder central. É possível. mas sabe-se que de 743 a 738 a. não tivera lugar com seu assentimento. em 745 a. como Kar-Assur. pois assim o designam fontes babilônicas e bíblicas. Pode-se indagar. Os reis caldeus. em política internacional. ou. e seus aliados. em suma. mas o fato também pode indicar que o perigo urártio não era tão premente quanto se tenderia a acreditar. A verdade é que. pois. Imaginou-se. pode muito bem ter sido de linhagem real. que antes de ajustar contas com Sardur. O adversário. Os vizinhos da Assíria logo se aperceberiam disso. ele desbaratou a coalizão siro-urártia e se impôs aos dinastas aramaicos. desde muito tempo. o que é pouco provável. cujo verdadeiro nome seria Pulu. Desde sua ascensão. Milhares de deportados tomaram a rota da Assíria e foram estabelecidos em novas cidades.passar como filho de Adad-Nirari III. na Babilônia central. o rei de Urartu. Encurraladas de Dur-kurigalzu e Sippar até o Golfo Pérsico. tiveram de submeter-se. ao longo do tigre e do Kerkha (Uknu). Tiglat-Pileser precisava garantir sua retaguarda e as grandes vias de comunicação com o Irã e o Golfo Pérsico.

eliminar seu importuno vizinho. por ocasião de uma vitória decisiva sobre Sardur. Em 740 a. com quem a guerra converteu-se em guerra de conquista: o território ocupado era incluído nos limites da terra de Assur e dividido em províncias dirigidas por bel pihati. e o infeliz Acaz. em parte.C. explica. As tropas assírias estavam. de conluio com os edomitas. Tudo decidira-se em 743 a. que não parecia muito entusiasmado pela aventura. O primeiro a renunciar a tal concepção foi Tiglat-Pileser III. a aparente facilidade das vitórias assírias. impedindo qualquer possibilidade de socorro egípcio. Havia. a seguir. seria necessário um acordo. ou. viu-se obrigado a apelar para o auxílio do rei da Assíria.C. atingiu Gaza e o Wadi El Arish. com a submissão de dezoito príncipes espalhados nos territórios compreendidos entre Tabal e Samaria. mas. Até então. de Israel. no mínimo. então. Para tanto. Tiglat-Pileser iria receber seus tributos em Arpade. Tiro. a neutralidade do rei de Judá. a dirigir-se novamente à Babilônia. Sua derrota incitou os países vizinhos.conquista de Damasco e da Palestina. houve raros confrontos de envergadura. encerrando-se em 738 a. aproveitam-se imediatamente da menor dificuldade experimentada pelo poder assírio. esperavam uma virada da situação. antes de sucumbir por seu turno em 732 a.. concebiam suas operações ofensivas como expedições destinadas a aniquilar o poderio material de seus vizinhos e recolher despojos.C. A revolta de Mukin-Zeri forçou-o. como Salmanasar III. oficialmente incorporada ao império em 729 a. Acaz. Pecah foi assassinado por um certo Oséias ben Elá. Razon conseguiria resistir por três anos. No decorrer desse vaivém contínuo. mais uma vez. assim.. Que (Cilícia) e Carquemish. voltou-se contra Israel. . Ante o desastre. de Damasco. Os vencidos tornavam-se tributários. cujo território saqueou. mesmo os mais audaciosos.C. Os conjurados tentaram então. que se apressou a pagar tributo. os soberanos da Assíria. a prestar submissão. Pecah. o Rio do Egito. ao que tudo indica. em Comagena. que provocou a dissolução da coligação aramaica. como conservam a independência. apesar das advertências de Isaías (capítulos 7 e 8). Essa demonstração não bastou para desencorajar todos os vencidos.C. em particular Damasco. que dispunham de guarnições permanentes. que recomeçar tudo. sua indestrutível coragem: as revoltas sucederam-se com grande obstinação. de 734 a 732 a. qual seja a política de ocupação permanente inaugurada por Tiglat-Pileser III. e Razon. Os dinastas aramaicos manifestariam.C. Um elemento relevante. o qual agiu prontamente: descendo pela costa.

exceto nas regiões excêntricas do planalto iraniano. A propósito. E soube gerir seu imenso domínio. e TiglatPileser III não insistiu. Chegou mesmo a implantar o culto de Assur na Média. como tais. revertido a evolução percorrida a partir de Shamshi-Adad V. submetê-las a uma única jurisdição. fracionando as unidades demasiado vastas. só se lhes interditara o comércio com a Palestina e o Egito. que enfraquecera o poder real. Tal revés não obscurece a amplitude de seus outros êxitos militares. Urartu. Num único local. sempre a postos para sufocar as dissidências e empreender novas operações. portanto. dosando habilmente firmeza e brandura. a fim de separá-las de seu meio natural e impedir quaisquer veleidades de rebelião. sem dúvida. Por outro lado. segundo certos historiadores. computou-as entre as pessoas da terra de Assur.C. a fim de diminuir o poderio da alta nobreza. Teria. às vésperas da campanha contra Israel e Damasco. canalizando as energias assírias para a conquista. o rei fora paralisado. tentou invadir o país. em 735 a.. O rei teria procedido a uma nova divisão das províncias. Certo é que Tiglat-Pileser III conseguiu perfeitamente manter as rédeas do seu mundo. às mesmas contribuições e corvéias. Impossível evocar o reinado de Tiglat-Pileser III sem mencionar sua obra administrativa. refletiria suas mais aprofundas intenções em matéria de política interna. chegou a ser atacada. Turushpa. submetendo-as. que. Mas é uma hipótese apenas. Esse enorme amálgama de populações em muito contribuiu. Cerca de 734 a. para a aramaização do império. No resto. sem confirmação nas fontes de que dispomos. é sintomático verificar que as cidades fenícias. Tiglat-Pileser pretendeu. Por isso. Apesar da derrota de Sardur. Os prisioneiros de Babilônia foram disseminados por todo o arco de círculo montanhoso que cercava o reino a norte e a leste. E as vitórias se sucediam. cuja capital.C. Após a vitória de Comagena. incorporadas ao império.portanto. cabendo indagar se o exército assírio não sofreu uma profunda reorganização. continuaram a usufruir de grande liberdade. as . no entanto.. freqüentemente. o rei deportou numerosas populações para regiões excêntricas. Em toda a parte praticou-se essa política de conquista e assimilação. o esforço foi inútil: Urartu conservava considerável poderio.

pois densa rede de correios sulcava o império. Tiglat-Pileser III só interveio quando o chefe da tribo Amukkanu. fonte de todas as tradições religiosas. ao mesmo tempo. contudo. O poderio do monarca assírio não era tal.C. Sargão II contribuiu de forma decisiva para assegurar seu poderio e dar-lhe seu caráter definitivo. Foi o que ocorreu com Bar-Rekub de Sam'al e Oséias de Samaria. nesta ocasião. A data de 722 a. Em 729 a.C. o único senhor da Babilônia era o rei da Assíria. Tiglat-Pileser III não caiu nesse erro: fez-se reconhecer como rei e sua decisão foi ratificada na lista real babilônica. mesmo sem ter sido o fundador do império. e o fisco assírio contentava-se com a cobrança de uma percentagem sobre as mercadorias na entrada da cidade. reduzir uma terra tão venerável. Sargão II deportou sua população para Kalhu.. Nabonassar.C.C. filho de Tiglat-Pileser III quem os reprimiu. que recolhiam os impostos. por sua vez. em toda a medida do possível. permitiu a incorporação oficial da Babilônia ao império. à ascensão de um dos mais prestigiosos monarcas do antigo Oriente. Foi Salmanasar V. no Habur e para a Média. disposta. a intervenção da legião ituéia e algumas advertências prontamente restabeleciam a ordem. e sim um império. Entretanto. que desencorajasse toda pretensão de independência. espoliados pelos exércitos assírios segundo as possibilidades do momento. reduzido a província assíria. e o filho de Salmanasar V. Em caso de revolta contra os fiscais. todas as terras do Crescente Fértil se achavam unificadas sob o rótulo inédito de uma dupla monarquia assirobabilônica. Não obstante. uma investida de nômades em Moab imediatamente eram comunicados à capital.autoridades locais agiam à vontade. Samaria foi tomada em 722 a. Com efeito. Embora fosse senhor deste país a partir de 745 a. a respeitar os interesses e franquias locais. observa-se ao mesmo tempo que a chancelaria de Kalhu era cuidadosamente mantida ao corrente da evolução da situação. em 727 a. mantido por guarnições administradas pelos governadores.. Tiglat-Pileser III não destronou o soberano legítimo.. Quando de sua morte. Daí em diante não houve mais um território nacional e territórios de caça. é duplamente simbólica: assinala uma importante inflexão da história de Israel e corresponde. Nabu-Mukin-Zeri revoltou-se. Esta sutil mistura de firmeza e diplomacia. O reino de Israel foi. . Tampouco tomou qualquer medida contra o filho deste último. e tomou o poder em 731 a. à simples condição de província teria sido inabilidade.C. Um incidente num templo de Tiro.C.

pp. J.. Petrópolis. 2003. Westminster John Knox. 1993. traduzido do inglês por Tuca Magalhães. LEMCHE. Vozes. Tradução brasileira: A Bíblia Não Tinha Razão.. PIXLEY. História de Israel e dos povos vizinhos II. Chr. 1998. Die assyrische Krise. SCHOORS.. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts... Vozes. ECHEGARAY. Kentucky. N. 1997 [20043]. A História de Israel a partir dos Pobres. FINKELSTEIN. H. G. 1998. N. The Free Press. J. Kohlhamer. Sinodal/Vozes. & SILBERMAN.. Stuttgart. 2001. A. 20049. O Crescente Fértil e a Bíblia. I. und 7. Louisville. São Leopoldo. Jahrhundert v. pp. NEXT . The Bible Unearthed. São Paulo. Die Königreiche Israel und Juda im 8. A. 63-67. Petrópolis. pp. 37-53. 299-362. 137-174.Leituras Recomendadas DONNER. A Girafa. 273-285. New York. The Israelites in History and Tradition. P.

Fortificou suas defesas e preparou-se cuidadosamente para esperar a Assíria. talvez uma peste. Não se sabe porque Jerusalém se salvou. sitiei e conquistei 46 cidades que lhe pertenciam (.C. como um pássaro na gaiola. Edom e Amon se entregaram e pagaram tributo a Senaquerib. Logo os reis de Biblos. Edom e Amon. mas isto não exclui que Ezequias tenha enviado o seu tributo e renovado de modo ostensivo o tratado de vassalagem. Jerusalém voltou a respirar. Senaquerib tomou primeiro Ascalon. Arvad. Entretanto. tenha obrigado à partida.35-37 diz que o Anjo de Iahweh atacou o acampamento assírio. e Ezequias. e imediatamente teve que enfrentar nova revolta na Babilônia. entrou como um dos chefes da revolta. sua cidade real. Somente Ascalon e Ekron. História II. Ascalon e Ekron. com outras cidades fenícias.) Quanto a ele. O Egito prometeu ajuda. estudando o caso. juntamente com Judá. Senaquerib não se fez de rogado e já em 701 a. Hermann. que não se tinha submetido ao meu jugo. Existe uma notícia de Heródoto. com algumas cidades filistéias. S. Mas teve que pagar forte tributo aos assírios.. Acreditavam ter chegado o momento da libertação. segundo a qual num confronto com os egípcios os exércitos de Senaquerib foram atacados por ratos (peste bubônica?).Senaquerib subiu ao trono assírio em 705 a. cuja ruptura provocara a invasão assíria"[1]. Senaquerib tomou 46 cidades fortificadas em Judá e cercou Jerusalém.. E foi a vez de Judá. acontecido no acampamento assírio que assediava Jerusalém. Todas as províncias do oeste então se levantaram. conclui: "Pode-se considerar que algum fato. Que não se fez esperar.. mais uma vez. Talvez Senaquerib tenha partido por causa de alguma rebelião na Mesopotâmia. . Moab. Nos Anais de Senaquerib se diz o seguinte: "Quanto a Ezequias do país de Judá. no último minuto. 2Rs 19. de Judá.".C. ele levantou o cerco e voltou para a Assíria.. encerrei-o em Jerusalém. A coalizão integrava Tiro.141. Ashdod. vencendo-a. Moab. Os egípcios tentaram socorrer Ekron e foram derrotados. ele começou por Tiro. resistiram. por motivos desconhecidos.

Então Ezequias mandou retirar o revestimento dos batentes e dos umbrais das portas do santuário de Iahweh. e despachou um mensageiro seu a cavalo para entregar o tributo e fazer ato de submissão"[2]. buxo. e o entregou ao rei da Assíria". ébano. trezentos talentos de prata e trinta talentos de ouro. peles de elefante. havia revestido de ouro. 800 talentos de prata. Senaquerib. com 30 talentos de ouro. Informação que concorda com a de 2Rs 18. Estando fortíssimo o império assírio. toda sorte de coisas. Deuses. O rei da Assíria exigiu de Ezequias. rei de Judá. mandou esta mensagem ao rei da Assíria. costumes. De qualquer maneira. rei de Judá.. os irregulares e os soldados de elite que ele tinha como tropa auxiliar. cantores. que. rei de Judá. o tributo pago por Ezequias ao rei assírio foi significativo: "Quanto a ele. cultos. leitos de marfim. Ezequias. sua influência se espalhou. Com isso.Outra questão é se teria havido uma segunda campanha de Senaquerib na Palestina. Então Ezequias. mulheres de seu palácio. e Ezequias entregou toda a prata que se achava no Templo de Iahweh e nos tesouros do palácio real. Quem protestava era duramente reprimido. grandes blocos de cornalina. Um grande sincretismo religioso ameaçava o javismo. um pesado tesouro. em Laquis: 'Cometi um erro! Retira-te de mim e aceitarei as condições que me impuseres'. poltronas de marfim. marfim. cantoras. Seu sucessor Manassés foi um dos piores governos de Judá. meu esplendor terrível de soberano o confundiu e ele enviou atrás de mim. veio para atacar todas as cidades fortificadas de Judá e apoderou-se delas.. minha cidade senhorial. antimônio escolhido. em Nínive. segundo os Anais de Senaquerib. a reforma de Ezequias perdeu o rumo. E um longo governo: 55 anos. rei da Assíria. e suas filhas. . domínio assírio.13-16: "No décimo quarto ano do rei Ezequias.

. Parece que a reforma começou aí pelo ano de 629 a.C. Povos dominados e oprimidos pela extrema violência e crueldade assírias levantaram as cabeças. em 640 a. imposta pelo . Os santuários do antigo reino de Israel.. os capítulos 26. A Reforma de Josias e o Deuteronômio A Assíria estava nos seus estertores finais. segundo outros. o núcleo do atual livro do Deuteronômio. Aproveitando a fraqueza assíria. o rei Josias deu início a uma ampla reforma. Ao ser promulgado por Josias em 622 a. artífices da derrocada definitiva da Assíria. A reforma de Josias surtiu efeito? Sim e não.C.32) e uma conclusão. foi feita de cima para baixo. décimo segundo do reinado de Josias.C. entre 626 e 610 a. pontos negativos.25 como o obra mestra deste rei.16-28.um código de leis. pois só elas valiam a pena.Manassés foi sucedido pelo filho Amon que acabou assassinado por elementos anti-assírios. Principalmente os babilônios e os medos. Não encontrou uma independência prolongada para poder se desenvolver. o Deuteronômio deu vida à reforma. enfrentando uma violência proveniente de vários pontos do império. o Deuteronômio original compreendia os capítulos 12. teve. 5. considerados idólatras. Judá alcançou esperançosa independência. foram definitivamente eliminados. introduzidos em Judá sob a influência assíria. mostrando que a certeza do povo de que Judá era indestrutível devido à promessa davídica era uma loucura. Josias recuperou o controle sobre as províncias do antigo reino de Israel. provavelmente. banidos. por grupos fugidos do norte. Segundo alguns. Durante seu reinado. seu filho Josias. aumentando seus tributos e melhorando suas defesas.15 . como se lê em 2Rs 22. E foi entronizado. escrito no reino do norte e levado para Jerusalém em seguida à destruição de Samaria em 722 a. Foi um momento bom para Judá. com apenas 8 anos de idade. uma espécie de ritual de renovação da aliança ornamentados por uma introdução (os atuais capítulos 4. durante o governo de Ezequias. Do Templo de Jerusalém foi recuperado um código de leis. segundo alguns. Positiva no geral. Houve uma limpeza geral no país: cultos e práticas estrangeiras. como lei oficial do Estado.C. destruídos.3-23. descrita em pormenores em 2Rs 22. escrito em Jerusalém mesmo.C. contudo. Era preciso reviver as antigas tradições mosaicas. Sob a influência de um forte espírito nacionalista.1-26.3. A magia e os vários modos de adivinhação. que contaria então com 20 anos de idade.68.44-11.

97-106. 347. sua morte. em 612 a.C. pp. Josias morreu cedo demais e a reforma se perdeu. Resumo de GARELLI. 1985. 76. p.C. I tempi dell'Antico Testamento. Israel e Judá. a centralização do culto não deu bons resultados. NEXT [1]. Paulus. suscitou uma interminável guerra civil. A morte do grande rei. terminou por prevalecer sobre as ambições assírias..Israel. Assarhadon.. E o pior: os acontecimentos se precipitaram. S. vejamos: Sargão II praticamente não tivera trégua até sua conquista da Babilônia em 710 a. foi o sinal para um levante geral. da Palestina ao Elam. cada mudança de reinado dava margem a sublevações esporádicas ou generalizadas. AA. Storia d'Israele. em primeiro lugar da política externa. em 705 a.. 1982. no decorrer dos cinco primeiros anos de reinado.. Senão. em cuja repressão Senaquerib gastaria quatro anos. V. HERMANN. Textos do Antigo Oriente Médio. cerca de 627 a.. que.. sem base popular mais ampla. São Paulo. suas medidas ficaram no exterior apenas sem levar o povo a uma reconstrução real do javismo. tendo amiúde de reprimi-las os soberanos durante longos anos. . [2]. viu-se acuado em defensiva nos mesmos teatros de operações. O Império Assírio de 721 a 610 a. Cf. na melhor das hipóteses. habilmente explorada pelos babilônios de Nabopolassar e à qual os medos dariam um termo brutal. & NIKIPROWETZKY.governo. a despeito de reveses passageiros. p. esvaziando a vida e a religiosidade do povo.. até obter. Queriniana. VV. Falemos.C. Brescia. São Paulo. Antes de mais nada. apenas uma calma momentânea. 19792. Pioneira/Edusp. Impérios Mesopotâmicos .C. P.C. e a ascensão de Assurbanipal provocou a revolta do Egito. O Oriente Próximo Asiático.

que levou Senaquerib a destruir 46 cidades de Judá e a sitiar Jerusalém. que teve de se abrir ao comércio assírio.C.. O projeto foi adiado devido às ameaças que pesavam sobre a fronteira ocidental do reino. Psamético I libertou o território egípcio e Assurbanipal. esmagada por Sargão II. mas a tomada de Sídon. pulverizando-se em poucos anos. E o Egito? Após a ocupação da Síria por Tiglat-Pileser III. e o tratado imposto a Baal de Tiro permitiram restaurar a ordem assíria nessas regiões. Ou com a revolta de Ezequias. enquanto cercava Jerusalém. Moab e Edom em 714 a.C.C. redundou em malogro. já demasiado absorvido pelos problemas da Babilônia e do Elam. Às vezes também os assírios tomavam a ofensiva. que só se salvou entregando seus tesouros. Foi o que aconteceu com a revolta de Ashdod. em 674 a. que.C.C. sem poder castigar o faraó. quando Sargão II resolveu acabar com a ameaça urártia. Assurbanipal prosseguiu a obra do pai. No ano seguinte Taharqa retomou Mênfis e Assarhadon morreu nesse meio tempo. se nos afiguram como loucos cometimentos. em 677 a. em 720 e 716. em 705. consideradas isoladamente. Em 653 a. Quatro anos mais tarde.C.C.Tal desfecho. e acabou vítima de uma peste provocada por ratos no seu acampamento. levou o faraó a abandonar sua atitude reservada. Uma primeira tentativa. Novamente apoderou-se de Mênfis e. Mas o domínio assírio permaneceu precário. Em 701. em 671 a. até certo ponto. tendo que voltar à Assíria. citas e cimérios agitavam-se na Ásia Menor. estourou a revolta.. O faraó Taharqa instigou as cidades fenícias a alastrarem o incêndio. de Judá. Os assírios jamais conseguiram. Em 666 a. conseguiu conquistar Mênfis sem maiores dificuldades. o faraó Shabako apoiava secretamente a rebelião de Ashdod e saiu dessa difícil situação entregando a Sargão II o instigador da revolta. A Caldéia estava em efervescência. de resto muitas vezes assim julgadas pelos próprios contemporâneos. entretanto.C. foi . O assassinato de Senaquerib em 681 a. o Egito alimentara sem cessar a agitação na Palestina.C. Por duas vezes. Sargão II chegou à fronteira egípcia. Só depois de concluir um tratado com os medos. Assarhadon pôsse à frente de uma expedição. só por milagre o Egito foi poupado por Senaquerib.. chegou mesmo a Tebas.. Assarhadon resolveu então extinguir esse foco perpétuo de agitação. que adiou a invasão do Egito. justifica as rebeliões anteriores que. para prevenir um perigo latente ou solidificar sua dominação. regulando definitivamente o problema egípcio. após uma revolta. assentar seu domínio no Egito. Assim aconteceu em 714 a. Em 670 a.

. sua segurança mais imediata. cortando assim as vias de comunicação com o planalto iraniano. Facilmente atraíram para a causa nacional as grandes cidades da planície. os reis da Assíria regularmente iam em peregrinação. Os babilônios tinham uma impertinente propensão a não se deixar assimilar. foram os caldeus que representaram a principal força de oposição.obrigado a renunciar a quaisquer projetos de represália. a partir do século IX. a fim de rechaçar o invasor do Norte. pelo menos as principais. o inacreditável acontecera: a Babilônia era território assírio. Havia séculos que encarava com inveja esse vizinho mais dotado que a rejeitava e talvez mesmo a desprezasse. de resto vitoriosas. a Assíria no global seguia as tradições do Sul. Conquanto fosse um nítido revés para a Assíria. onde. deixariam abater-se pesadamente à sua cólera. Por isso. O Egito não mais seria invadido até o reinado do persa Cambises. aos poucos. não se pode dizer que esta aventura desgastou suas forças. Tentariam todas as fórmulas constitucionais para poupar as suscetibilidades locais e. sob o enérgico impulso de Tiglat-Pileser III. fora precisamente porque o grosso das forças assírias se achava imobilizado em um verdadeiro ninho de vespas. E. atingir as fronteiras orientais. em 525 a. não empreenderiam outras campanhas militares antes de assegurar sua retaguarda nessa região e. O reino de Nínive não podia desviar-se desse teatro de operações. e nem sequer vacilaram em unir-se ao Elam. era com extrema atenção que os assírios vigiavam os acontecimentos na Babilônia. em caso de necessidade. Ora. já estafante nos pântanos do sul. E eis que. e foram simples guarnições que ali não conseguiram manter-se. Contudo. e de onde traziam os escritos fundamentais que inspiravam sua religião e a literatura de seu país. embora com seus particularismos.C. seu tradicional inimigo. visto que nele estavam em jogo. a terra dos santuários prestigiosos. a Babilônia e o Elam. A Assíria organizara apenas três breves expedições ao vale do Nilo. além de todo o seu prestígio. a repressão e as sucessivas destruições de Babilônia só serviram para galvanizar a resistência. Os novos senhores tudo fariam para conservar esse florão de sua coroa. renunciariam a elas para concentrar os esforços no teatro de operações essencial. se estas não haviam sido sustentadas com mais diligência. ameaçava alastrar-se ao longo do Zagros e. quando se tornasse flagrante a derrota. essa conjunção de caldeus e elamitas era bastante perigosa para os assírios. pois a guerra. a fonte de toda espiritualidade. A Babilônia era a jóia do império. Isto porque. Desde que as campanhas de Shamshi-Adad V suprimiram o poder real tradicional da Transtigrina.

Esse terrível exemplo e quiçá também a clemência de Assarhadon asseguraram. Assurbanipal e Shamash-Shum-Ukin. passou a hostilizar Merodaque-Baladam.C.. e seu irmão Shamash-Shum-Ukin morreu no incêndio de seu palácio.Isso se observa desde Sargão II. Cuta e Sippar. Senaquerib em 689 a. Quanto ao Elam. foi ela que levou o rei da Babilônia à revolta. Sargão II fez-se reconhecer como soberano do país. múltiplas causas. que seguiu de perto o triunfo de seu maior soberano. Uns vinte anos depois. Senaquerib. data da queda de Nínive. a situação evoluiria de forma dramática.. A divisão. devem ter entrado em jogo. é freqüentemente considerado um "escândalo histórico". de fato. havia sido bastante desigual. provavelmente. O fenômeno. data presumível da morte de Assurbanipal.C. cobria apenas os territórios de Babilônia. Tal situação devia parecer injusta e. e 612 a. Assurbanipal tomou de assalto a cidade de Babilônia em 648 a. apesar de ser o primogênito. A Babilônia reconquistada foi administrada por Kandalanu. Borsippa. devido às disposições testamentárias de Assarhadon que dividira os territórios mesopotâmicos entre os dois filhos. Assurbanipal. uma relativa calma na Babilônia. experimentou diversas fórmulas constitucionais. Vencedor no confronto. e a trama dos acontecimentos permanece objeto de discussão. as tropas assírias saquearam sua capital Susa e o país foi reduzido a província assíria.C. sem dúvida. recuperou a superioridade e deu livre curso a seu furor: saqueou Babilônia e a inundou com as águas do Eufrates. era o verdadeiro senhor do império. cujo reinado foi praticamente todo consagrado a tentar resolver o problema babilônico. mas não usou qualquer subterfúgio diplomático: tornou-se rei da Babilônia sob seu nome assírio. O desmoronamento do império assírio. Após as primeiras medidas destinadas a apaziguar a opinião pública assíria. os quais ele nem sequer controlava de maneira absoluta. Após vários confrontos duvidosos com babilônios e elamitas. Assurbanipal. No confronto que se seguiu. O novo rei restaurou a capital do sul e restituiu-lhe o papel de encruzilhada comercial. houve uma sucessão quase ininterrupta de guerras civis . porquanto o domínio de Shamash-Shum-Ukin.C. continuaria incompreensível. em parte. ainda mal conhecidas. Por certo. se não se levasse em conta o fato seguinte: entre 627 a. efetivamente. O filho mais novo. quando a revolta retumbava em todo o império. durante alguns anos. que com apoio do Elam se proclamara rei da Babilônia.

Seu rei fugiu para Harã e resistiu ainda dois anos. e não mais sabiam onde se encontrava a autoridade legítima. Assim. O direito de Assur-Etel-Ilani à sucessão de Assurbanipal foi contestado pelo general Sin-Shum-Lishir e. A guerra entre os dois irmãos campeou daí em diante. Em 612 a. em boa parte.C. que operavam a partir de bases militares em Babilônia. A direção tomada pelos acontecimentos levou o faraó Psamético a intervir. financiavam. ocorrera com a morte de Assurbanipal: o problema da sucessão não pôde ser solucionado. tomar Harã. para proveito de um caldeu. os pequenos reinos tinham que contar. novamente. o rei da Assíria é desalojado de Harã. nas cidades fenícias e nas antigas províncias aramaicas da Assíria.5. Em 610 a. 5. por um outro filho de Assurbanipal. Nabopolassar controlava toda a Babilônia e levava a cabo operações ofensivas ao longo do médio Eufrates. como sempre acontecera até então. a Assíria teve seu império assaltado e sua capital destruída pelos medos e babilônios. Os revoltosos. a peso de ouro. Um fato novo. e Sin-Shum-Lishir logo desapareceu de cena. com ajuda egípcia. Em 609 a. o país devia encontrar-se esgotado. pelo menos três exércitos atuavam ao mesmo tempo na Babilônia. foram atacados incontinente por Assur-Etel-Ilani.C. Os fatos são um pouco confusos. Quando os medos intervieram.C.ou externas. Sin-Shar-Ishkun. com efeito. até os vaus do Eufrates. Não estou falando de forças militares.C. Seja como for. Toda a Djezireh passou a ser território babilônico e o faraó Necao implantou o domínio egípcio na Palestina. a seguir. Enquanto as maiores potências da época mantinham grandes exércitos regulares e. mas em 616 a. tendo as províncias dessa região recobrado uma independência de fato. Por Que Judá Caiu? Quando Judá entrou na fase crítica de enfrentamento com o poderio estrangeiro. a nação estava totalmente despreparada para a crise[6]. com voluntários despreparados para guerras prolongadas. chefe do País do Mar. exércitos mercenários. Nabopolassar. os derradeiros restos do império assírio desapareceram então para sempre. As cidades mudavam freqüentemente de mãos. principalmente. pois por aí é que o país não acharia mesmo nenhuma saída. . balançando entre o enfraquecido Egito e a fortalecida Babilônia. os assírios tentam. pois os assírios se achavam impossibilitados de controlar a Síria e a Palestina. Sem sucesso.

Mas estou falando de outro despreparo. enquanto dois sacerdotes. em interessante artigo. Ou seja: dois generais. uma curiosa dualidade tanto no comando do exército quanto na chefia do sacerdócio. Quando Davi conquistou Jerusalém e estabeleceu ali a sua capital. 1Rs 2. a da invencibilidade de Jerusalém. distingue dois tipos de líderes judaítas desde a época de Davi. como sabemos através de 2Sm 8. enquanto o general Banaías e o sacerdote Sadoc representavam a nova ordem monárquica. espécie de trono móvel de Iahweh. Bettenzoli .15-18. como um fenômeno estritamente dependente de uma oportunidade política"[8].26-35). associada à crença na perpetuidade da dinastia davídica. sob Salomão. de fato. Jerusalém. Ou seja: "Enquanto nas tribos do norte esta [a instituição monárquica] é inserida no direito sagrado javista. o poder de Jerusalém constrói sua própria base. algumas providências significativas foram tomadas. Outro dado interessante é a associação do sacerdócio à nova ordem real que se estabeleceu com Davi. Silo. assumindo os seus cargos Banaías e Sadoc. 2Sm 6). foi uma manobra davídica para dar legitimidade à sua cidade (cf. respectivamente (cf. Diferente do norte. Guilgal etc. Foi a vitória da nova ordem monárquica. Abiatar e Sadoc. G. comandam o sacerdócio. sem ligação com as tradições tribais. sabemos que. independente dos líderes tradicionais[7]. antiga cidade-fortaleza jebuséia. Ele tinha. comandam o exército. carecia de legitimidade javista. Desde a época de Davi vinha sendo elaborada uma crença específica. A transferência da Arca. foi feito por Salomão. Tais como: a transferência da Arca da Aliança para a nova sede. BETTENZOLI. no território de Judá a monarquia é vista como uma realidade estranha à ordem sagrada. Os tradicionais santuários do povo de Israel estavam mais ao norte. Ora. a constituição de uma sacerdócio associado e submisso ao Estado e a tentativa de construção de um Templo. eram Siquém. Betel. Joab foi morto e Abiatar desterrado. Esta dualidade poderia significar que o general Joab e o sacerdote Abiatar representavam as forças tradicionais de Israel. onde o poder real se constitui a partir das lideranças tribais. o que. Despreparo gerado pelas atitudes políticas falhas e pela ideologia dominante enganosa de Judá. Joab e Banaías. Há os "anciãos de Judá" (ziqnê y'hûdâh). representantes do poder da corte davídica de Jerusalém. líderes tribais das várias cidades e aldeias judaítas e os "anciãos da casa" (ziqnê bayit).

podendo servir. referendada pelo profeta Natã (2Sm 7). .assinala que. associou-se. o 89 e o 132. que enfrentaria. com a morte de Josias quase tudo se perdeu: o poder real sob Joaquim tornou-se extremamente despótico e o Templo. PIXLEY: "Essa nova teologia não foi. gradualmente absorvidos pela monarquia e pela corte de Jerusalém. A vocação de Jeremias. É neste contexto que se desenvolve uma teologia da perpetuidade da dinastia davídica. moradia de Iahweh. que atuou incansavelmente desde 627 a. especialmente do Templo.C. mais uma vez. Para uma leitura a partir dos pobres a teologia davídica é muito ambígua. os "anciãos de Judá" vão perdendo sua liderança. Textos do Antigo Oriente Médio.VV. expressão máxima desta teologia. Esta teologia pode ser vista também em vários salmos. Israel e Judá.C. angustiado. J.. como aconteceu. observando os acontecimentos. para amparar e legitimar sua opressão"[9]. porém. Como vimos. Judá sabia. pois estes representam também orações e celebrações do Templo. Paulus. a ameaça sem limites do poderio babilônico.. acerca desta época. que garante a inviolabilidade de Jerusalém. os testemunhos dramáticos dos profetas Habacuc. 19972.C. obviamente esta teologia apareceria nos salmos.. Isto interessava aos poderes dominantes. que pregou entre 605 e 600 a. e da sacralidade de Sião.. fortalecido pela centralização do culto. São Paulo. com o tempo. toda elaborada no tempo de Davi. como o 2. Elaborada pelos sacerdotes associados ao poder real de Jerusalém. Podemos acompanhar. Foi ele. quem a iniciou. Leituras Recomendadas AA. A. provavelmente. Os Salmos. aos desmandos da classe dominante enquanto a legitimava e ocultava suas práticas através da religião. até o dia de hoje são atribuídos majoritariamente à autoria de Davi. e Jeremias. DA SILVA. vendo. Nascido profeta. o fim de seu país e indo morrer no Egito por volta de 580 a. mais cedo ou mais tarde. Quanto mais próximo estava o desenlace da crise. por exemplo. São Paulo. pois garantia seus privilégios a curto prazo. mais a nação se apegava ao dogma da inviolabilidade da cidade. Diz J.

rei da Macedônia. o . Idem.. História de Israel e dos povos vizinhos II. J. 1997 [20043]. em Biblica 64 (1983). 54-79. Sinodal/Vozes. pp. NEXT [6]. 1993.. 233. 20049.Paulus. pp.. DONNER. pp. 6. 211-224. Westminster John Knox. 1998. São Leopoldo. (ed. G. G. Kentucky. Vozes. A história de Israel a partir dos pobres. ECHEGARAY. BETTENZOLI. H. 363-442. [9]. c. 1992.). Petrópolis. depois de controlar toda a Grécia. 20049. LEMCHE. [7]. Queriniana. Alexandre. p. The Israelites in History and Tradition. Petrópolis. GRABBE. J. S.. PIXLEY. P.. HERMANN. a análise de PIXLEY.C. A história de Israel a partir dos pobres. Vozes. entra com seus exércitos na Ásia Menor. pp.. J.. pp. Storia d'Israele. pp. o. 19792. O Crescente Fértil e a Bíblia.. I tempi dell'Antico Testamento. Gli Anziani in Giuda. Cf. Leading Captivity Captive. Gli Anziani di Israele. 1998. Sheffield Academic Press. Petrópolis. p.. 31-43. Sheffield. 47-73. A Época Persa e as Conquistas de Alexandre Em 334 a. ‘The Exile’ as History and Ideology. 143-188. 73-90. Brescia. 30. J. em Biblica 64 (1983). Louisville. ibidem. Lester L. N. Vozes. Aos 23 anos de idade.. pp. [8]. PIXLEY.

e o controle macedônio de todo o Oriente. começo da guerra do Peloponeso. pertencente à V satrapia persa. responder às seguintes questões: qual é a situação da Grécia no século IV a. Use-a para este capítulo.. A guerra é uma das principais características da Grécia do século IV a. assim.1.C. Inclusive a comunidade judaica que vive em Jerusalém e arredores. E. Tentarei. até o vale do rio Indo. data da vitória de Filipe II na batalha de Queronéia . em direção à Babilônia. Estamos no ano de 333 a. Palestina. De 431 a. é anexada ao novo império. toda a Palestina.macedônio derrota o principal exército persa em Isso.a guerra quase nunca pára.C.C. de volta. Persépolis e além. A Situação da Grécia e a Política Macedônia O declínio da cidade-estado grega acontece antes mesmo de seu confronto com a Macedônia. É o fim do Império Persa e o começo de uma nova era. Durante estas campanhas.. a 338 a. Egito.C. The Perseus Project 6. e à política macedônia que possibilita a Alexandre a conquista do imenso Império Persa. Fenícia. vai acontecer sem interrupções significativas. . fiel aos persas.C.C. e qual é a política de Filipe II? qual é o roteiro das conquistas de Alexandre Magno? quem é Alexandre e quais são seus objetivos? como acontece a anexação da Judéia por Alexandre em 332 a. Política que foi iniciada por Filipe II e desenvolvida de modo brilhante por seu filho. sem maiores problemas. Na Fenícia e na Palestina somente as cidades de Tiro e Gaza oferecem a Alexandre alguma resistência: Tiro resiste heroicamente a 7 meses de cerco e Gaza. A rota das conquistas de Alexandre passa pela Síria.cerca de um século . As interrogações que afloram neste ponto dizem respeito à situação da Grécia no século IV a. cai após 2 meses. a do helenismo.? qual é a situação da Judéia no momento da anexação? O Projeto Perseu é uma enorme biblioteca digital sobre o mundo da Grécia antiga.C. Susa.

Atenas, no século V a.C., guiada por Címon e Péricles, torna-se uma potência imperial. Mas confronta-se com Esparta, dando origem à guerra do Peloponeso, que dura de 431 a 404 a.C., quando Atenas é derrotada. A guerra do Peloponeso "foi em seus aspectos mais importantes uma luta entre Atenas, um Estado democrático e uma potência marítima, que havia convertido a Confederação Délia (concebida para resistir aos persas) num império sob seu próprio comando, de um lado, e do outro a maioria dos Estados do Peloponeso conjuntamente com a Boiotia [= Beócia] e liderados por Esparta, uma potência oligárquica e conservadora, cujas forças terrestres constituíam o exército mais aguerrido da época"[1]. Esparta, senhora do mundo grego a partir de 404 a.C., cai rapidamente, especialmente porque sua estrutura institucional não lhe permite manter um império. O número de cidadãos espartanos, que é de cerca de 8.000 em 480 a.C., chega a cair para apenas 2.000 em 371 a.C. As causas podem ser vistas nas perdas da guerra, na concentração da terra em poucas mãos e na perda da Messênia, libertada pelo tebano Epaminondas em 370-369 a.C. Esparta perde sua hegemonia, definitivamente, na batalha de Leuctras, em 371 a.C., derrotada por Tebas. "Esparta não passará, desde então, de uma cidade de segunda categoria, limitada na sua ação ao Peloponeso, sobre o qual nunca mais conseguirá restabelecer a sua antiga dominação"[2]. Tebas sucede a Esparta na hegemonia sobre a Grécia, mas cai em 362 a.C., na batalha de Mantinéia - embora vitoriosa - quando morre seu célebre general Epaminondas. Em seguida, Tebas favorece os desígnios de Filipe II em relação à Grécia, mas acaba se aliando a Atenas, quando Filipe a ameaça. Termina derrotada pelo rei macedônio, em Queronéia, em 338 a.C. Posteriormente, em 335 a.C., Alexandre Magno reduz Tebas a ruínas. A batalha de Queronéia marca o fim da independência da Grécia[3]. No século IV a.C., por toda a Grécia, começa a emergir fortemente o contraste entre os ideais democráticos prometidos pelas constituições das cidades e a desigualdade criada pelas condições econômicas e sociais. O grande orador ateniense Demóstenes, em discurso de defesa pronunciado em 352 a.C., deixa bem claro esta situação: "Outrora, a cidade era rica, era magnífica, digo a cidade, pois entre os particulares, ninguém se elevava por cima da massa (...) Hoje, todos os

profissionais da vida pública têm, em privado, tal abundância de bens que mandam, por vezes, construir casas particulares mais imponentes do que muitos edifícios públicos; alguns compraram mais terras que aquelas que vós todos possuís, no tribunal"[4] O aumento dos mercenários é outro indício da desintegração da pólis grega. Ganhar a vida nos exércitos pagos pelos grandes reinos, seja a Pérsia ou outro qualquer, é a única saída para milhares de gregos empobrecidos. Estes homens perdem suas raízes cívicas, pois o exército é a única cidade que eles conhecem, ao mesmo tempo em que as cidades gregas perdem o controle da função militar. Há ainda inúmeros aspectos que poderiam ser analisados. Mas, enfim, vale apenas observar que os pensadores políticos do século IV a.C. começam a ficar sensíveis às tendências monárquicas, refletindo a evolução da época. "O poder efetivo passa cada vez mais das velhas cidades para os soberanos, gregos e não-gregos, que possuem os meios financeiros para assegurar a força militar que escapa às cidades. Ao perderem o controle da função militar, as cidades perdem igualmente a iniciativa política"[5]. Qual é a solução para o problema social da Grécia? Os gregos devem conquistar uma parte da Ásia, aí se instalarem, e submeter as populações locais à exploração do trabalho. Este será o projeto do macedônio Filipe II, realizado por seu filho Alexandre Magno. A Macedônia, com sua capital Pela, está situada ao norte da Grécia e é apenas semi-grega. Gregos de origem, os macedônios vivem, entretanto, em contato permanente com populações não-gregas, razão porque os atenienses, por exemplo, os qualificam como bárbaros. Na verdade sua língua é um dialeto grego com forte infusão de vocábulos estrangeiros e não é compreendido pelos gregos. Somente a aristocracia macedônia fala e escreve o grego ático. Mas os macedônios pertencem ao mesmo grupo étnico dos dórios e talvez tenham se originado de clãs ilírios ou trácios misturados com populações não-arianas... Da Macedônia arcaica quase nada sabemos. Mas, segundo o padrão conhecido dos dórios primitivos, os macedônios deveriam formar tribos de pastores parcialmente nômades, cada uma chefiada por um rei simultaneamente líder guerreiro e religioso -, um conselho de anciãos e uma assembléia. Com o tempo uma das tribos acaba controlando as outras.

No século VII a.C. estrangeiros se estabelecem entre os macedônios e acontece uma expansão de seu território e a consolidação de uma monarquia que se sustenta na aristocracia dos grandes proprietários de terra. A partir do contato e das alianças com a Pérsia, sob as pressões do persa Dario I (521-486 a.C.), o Estado macedônio absorve instituições políticas e militares do grande império oriental e se fortalece progressivamente até a época de Filipe II [6]. Filipe II, filho do rei Amintas, governa a Macedônia de 359 a 336 a.C. Tendo sido educado em Tebas, assimila a mentalidade grega clássica e também estuda as reformas militares de Epaminondas. As táticas militares deste grande comandante tebano, nascido por volta de 420 a.C., foram o segredo da (breve) hegemonia de Tebas sobre a Grécia, como vimos acima. Filipe II percebe que é necessário abrir à sua pátria os caminhos do mar Egeu, pois a região litorânea, com várias cidades autônomas, como Olinto, ou com cidades ligadas a Atenas, nunca tinha se submetido ao controle macedônio. Outro passo de Filipe II: a reorganização do exército macedônio. Especialmente a falange tebana, que é adaptada para fins ofensivos, tornando-se o principal instrumento de suas vitórias e das vitórias de Alexandre Magno. Filipe II "criou a infantaria `média' formada de macedônios e de mercenários ligeiramente armados: arqueiros, fundibulários, cavalaria onde serviam principalmente os nobres da Tessália e cavalaria ligeira empregada para reconhecimentos, tropas especialmente preparadas com meios adequados para o cerco e por fim a guarda real, tirada da infantaria"[7]. Filipe II cria o serviço militar obrigatório e profissionaliza o exército. Um corpo permanente de oficiais assessora o rei nas questões militares. Filipe II conquista a hegemonia sobre a Grécia. Faz uma política extremamente eficiente, sem escrúpulos, explorando as rivalidades entre as cidades gregas até se apresentar como a única alternativa possível para a solução dos conflitos. "Filipe II foi um excelente estrategista e um tático, homem de Estado e negociador perigoso, sabendo usar da corrupção, da mentira, da fraqueza ou da divisão dos adversários e do amor da paz em outros povos para os anestesiar e depois conquistar"[8]. Diante da ofensiva de Filipe II sobre a Grécia, três reações atenienses são típicas e servem para clarear a situação então vivida pelos gregos.

A primeira é a de Demóstenes, famoso orador, o maior opositor de Filipe II e principal porta-voz da democracia ateniense. Demóstenes vê na hegemonia da Macedônia o maior dos riscos que a Grécia corre e faz de tudo para impedi-la. Demóstenes, considerado o maior dos oradores gregos, nasce em Atenas em 382 a.C. e morre em 322 a.C. Temos hoje 61 discursos atribuídos a Demóstenes, mas é possível que alguns deles não sejam autênticos. Entre seus discursos destacam-se as quatro "Filípicas" - pronunciadas contra Filipe II -, as três "Olínticas" (também contra Filipe II), e a "Oração da Coroa", pronunciada em 330 a.C. (contra Ésquines), considerado o maior discurso do maior dos oradores[9]. Em maio de 341 a.C., diante da crescente ameaça representada por Filipe II, que utiliza vários subterfúgios para se intrigar com Atenas e destruí-la, Demóstenes pronuncia a "Terceira Filípica", na qual tenta alertar os atenienses para o perigo iminente. Entre outras coisas, ele aborda as transformações ocorridas na arte militar do século IV a.C. e chama a atenção para as suas conseqüências. Vejamos um trecho. "É verdade que os que querem consolar a cidade lhe pronunciam este discurso simplório: Filipe, dizem, não tem ainda o poder que outrora tinham os Lacedemônios [os espartanos] quando eram os senhores do mar e de todo o continente, quando tinham o Grande Rei [o rei da Pérsia] por aliado e ninguém lhes resistia. E, no entanto, a cidade fez-lhes frente, não foi dominada. Quanto a mim, constatando que tudo, por assim dizer, progrediu em dimensão, que o presente já nada se parece com o passado, penso que foram as coisas da guerra que conheceram as maiores mutações e o maior progresso. Primeiro que tudo, nada me diz que outrora os Lacedemônios, tal como todos os outros gregos, invadissem um país para lhe devastar o território com os seus hoplitas e os seus exércitos de cidadãos, a não ser quatro ou cinco meses por ano, durante a estação quente; após o que regressavam a casa. Além disso, tinham um comportamento tão arcaico, ou antes cívico, que não compravam qualquer serviço a ninguém; faziam uma guerra regular e aberta. Hoje, vós o presenciais, foram os traidores que tudo perdeu ou quase; as batalhas campais não servem para nada, e dizem-vos que Filipe se encontra aqui ou ali, onde ele quer, e não com uma falange de hoplitas; não, tropas ligeiras, cavaleiros, arqueiros, mercenários, eis o exército que lhe segue as passadas. Quando, por outro lado, ele cai sobre um povo minado por um mal interior e que não ousa sair dos muros para defender o seu território devido à desconfiança que aí reina, ele assesta as suas baterias e cerca a

2º porque a coroação. e morrido provavelmente em 314 a. méritos que ele não possuía e serviços que ele não prestara"[11]. em 336 a. de persuadir Atenas a aceitar a servidão. de origem modesta. em troca. É o grande adversário de Demóstenes e um fato bem o ilustra. após seis anos de tramitação do processo. não há qualquer diferença entre o verão e o inverno e que também não há para ele estação reservada onde interrompa as operações"[10]. que a cidade conceda uma coroa de ouro a Demóstenes. por seus serviços prestados à pátria na sua luta contra a hegemonia macedônia. "Ésquines.C. certa vez.C. deveria ter lugar na praça pública ou no Senado e não no teatro de Dionísio como pretendia Ctesifonte. significativas vantagens materiais.C. Devem ter pesado na decisão dos atenienses. Temos dele três discursos: Contra Tímarcos. por força da lei. Sobre a Embaixada e Contra Ctesifonte. foi também um ousado protesto do povo ateniense. Demóstenes vence. desde o início dos tempos. além de determinada quantia em dinheiro. o Grande já era o senhor do mundo de então. partidário da facção macedônia e rival do autor da Oração da Coroa nas lides oratórias e na vida pública.C. acusando-o de haver violado a Constituição por três motivos: 1º porque Demóstenes ainda não havia prestado contas de sua gestão em importante cargo público.cidade. "Essa vitória não foi somente o reconhecimento dos serviços prestados pelo orador a Atenas. Ésquines. comprado pelo ouro de Filipe II. no projeto em que propunha a concessão da coroa de ouro. Diametralmente oposta à de Demóstenes é a atitude de Ésquines. tolerando o poder divorciado do direito'"[12]. amantes da liberdade. É então que Ésquines pronuncia o discurso "Contra Ctesifonte" e Demóstenes responde com sua "A Oração da Coroa". de ter se enriquecido. e isso quando Alexandre. Em 330 a. . E Ésquines não consegue desmentir seu rival e acusador.. que se torna colaborador dos macedônios e destes recebe. Demóstenes acusa-o.. moveu uma ação contra Ctesifonte. tendo nascido por volta de 390 a. afirmações de Demóstenes como esta: `Ninguém até hoje foi capaz. para ele. os dois oradores se enfrentam. O cidadão ateniense Ctesifonte propõe ao povo. E abstenho-me de analisar o fato de que. premiando o mais destemido adversário do expansionismo macedônio. recebendo de Filipe II terras na Macedônia. onde tenta provar que Ésquines é um traidor da pátria. torna-se famoso orador em Atenas. e 3º porque Ctesifonte estaria atribuindo a Demóstenes.

. O mal é a desunião dos gregos.. No "Panegírico" Isócrates pede a Atenas e a Esparta que esqueçam suas rivalidades e se unam contra a Pérsia: "É muito melhor fazer a guerra contra o Grande Reino do que disputarmos a nós próprios a hegemonia. é uma exortação ao macedônio para que assuma o comando dos gregos contra os bárbaros. Jorge Zahar. Todos lutam contra todos. Isócrates quer se ver livre da pressão e do domínio persas. É necessário que esta expedição seja feita pela geração atual a fim de que aqueles que conheceram juntos a infelicidade sejam também os que gozem a felicidade e não passem todo o seu tempo no infortúnio. Tebas também não. "Vemos assim que a unidade da Grécia podia ser concebida de muitas formas. Filipe II é a solução. nem um colaboracionista como Ésquines.C. umas baseadas na democracia da cidade e levando à resistência a um imperialismo. a de Isócrates. no caso a de Demóstenes. O "Filipe". Quem deve exercer essa hegemonia?"[15]. escrito em 346 a. Atenas. Esparta não é a esperança. verdadeira "capital" da Grécia. HARVEY. . Segundo Isócrates. tendo por suporte valores do passado. que agora desmorona. verbete Guerra do Peloponeso. está submetida. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. P. NEXT [1]. Não chega já de um passado em que nem sequer se sabe que catástrofe nos faltou?"[14] "Feito o diagnóstico. As cidades devem entender-se para combater o bárbaro e estender sobre toda a Ásia as leis da civilização da Grécia. Isso é o que dá poder à Pérsia. outras aceitando esse imperialismo e constituindo-se numa variedade de colaboracionismo vulgar [ Ésquines]. Rio de Janeiro. de alto teor moral e inegável desinteresse mas não menos perigosas para a independência e a liberdade dos cidadãos"[16].A terceira posição sobre a questão da hegemonia macedônia sobre a Grécia é a de Isócrates[13]. Para isso é necessário que admitam uma direção única e que restabeleçam uma hegemonia necessária. outras por concepções utópicas políticas e históricas. Isócrates considerou que bastava a união para reparar todos os males. 1987. segundo Isócrates. que nem é um combatente da resistência como Demóstenes. a uma má democracia e cometera o erro de fundar um império pela força.

A cidade grega.. de aceitar suas responsabilidades".. Contra Aristócrates. DEMÓSTENES. . c. GOUKOWSKY.) I. p. 155-164. Terceira Filípica. Lisboa. a democracia mostrou-se incapaz de criar uma forma de governo que deveria reconciliar o individualismo característico do país com as condições essenciais à existência de um Estado poderoso. 75-80.. a condição política da Grécia só pode ser definida pela palavra anarquia'"./VIDAL-NAQUET. P. [4]. o. 206ss. marcada por um tom de gravidade e profunda preocupação". da parte do povo. HARVEY. o. 1978. Edições 70. Rio de Janeiro. São Paulo. o. Os gregos antigos. 21. DEMÓSTENES. G. M. Rio de Janeiro 1984. HARVEY. Cf. M.. Zahar. AUSTIN. Alexandre.. Sobre Demóstenes. P. verbete Demóstenes. 1986.. diz que "a agricultura a tal ponto se comercializa que a grande propriedade se reconstitui pela progressiva evicção dos pequenos camponeses e pela concentração das parcelas de terra entre as mesmas mãos". p. 1973. mas precisamente por essa razão parecia-lhe que o verdadeiro remédio para todos os males possíveis seria o fortalecimento dos costumes democráticos. Edições 70. HARVEY. c. DE CASTRO. [8]. e a vontade. Editora Três. o texto em AUSTIN. 9-12. p. [10]. P. ROSTOVTZEFF. P. M./VIDAL-NAQUET. 47-50. comenta sobre a "Terceira Filípica": "Esta é uma das mais belas orações de Demóstenes. P. 132-134. P... pp. 257. Cf.. p. 217: "Na Grécia. o. Lisboa..-C.. c. Cf. DE ROMILLY. verbete Tebas.. Essai sur les origines du mythe d'Alexandre (336-270 av. o. São Paulo. pp. 325. Université de Nancy II. M. 216. P. 1984. GLOTZ. E acrescenta na p. P. c. 312./VIDAL-NAQUET. P. Economia e sociedade na Grécia antiga. J. pp.[2]. o Grande.. cf. também FINLEY./VIDAL-NAQUET. J. c. P. Difel. [3]. p.. 161: "Demóstenes era democrata. I. c. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. o texto em AUSTIN. Esta autora observa na p.. Fundamentos de literatura grega. [7]. p. 1980. M. Zahar. AUSTIN. [9].. 143. M. 23. pp. Cf.. verbete Demóstenes. p.. Para isso ele reclama duas coisas: o respeito à lei. 1973. o. Nancy.. comenta: "Quando a liga espartana se desintegrou e Tebas estava ficando cada vez mais fraca. Cf. DE CASTRO. [6]. [5]. História da Grécia.

Panegírico. P. [14]. 30. eles ficaram admirados e acharam que a falada capacidade de Filipe nada era comparada com a iniciativa do filho e sua tendência às grandes empresas"[21]. 6.3. A Oração da Coroa. P. M. E para ilustrar isso contam certos episódios. p. outro grande orador ateniense. DA GAMA CURY. c. certa vez. Cf. o. vive entre 436 e 338 a. O mais famoso é o "Panegírico". 6. s/d.C. [13]. P. ele os entreteve de maneira cativante. ISÓCRATES. ele ainda adolescente. p. DE CASTRO. Rio de Janeiro. Assim. Isócrates.[11]. de como o rei mesmo procedia nas guerras. 6-7. Ediouro... Seus discursos políticos pregam a unidade grega.C. ibidem. c. .. o. [15]. Temos dele vinte e um discursos e nove cartas. p.. 29. publicado em 380 a. da combatividade e poderio da Pérsia. o texto em AUSTIN. o. c. provavelmente por ocasião do Festival Olímpico. Certa vez. recebe embaixadores persas e trata-os de maneira tão cativante que faz fama. Quem é Alexandre Magno? A cronologia das conquistas de Alexandre não é suficiente para se entender o macedônio e suas atitudes. não lhes fez perguntas pueris e banais. 166ss. pp... Alexandre é um jovem brilhante. estando ausente seu pai. Idem. [16]./VIDAL-NAQUET. Nas palavras de Plutarco: "Chegaram embaixadores do rei da Pérsia. Tratou-os com simpatia. É preciso perguntarmos agora: quem é Alexandre? Por que Alexandre invade a Ásia? Quais são os seus propósitos? Segundo os historiadores antigos.. informou-se da extensão das estradas e da natureza da viagem pelo interior. M. [12].. introdução a DEMÓSTENES. como o seguinte narrado por Plutarco. p. quando Filipe estava ausente em viagem. DE CASTRO. 313.

O brilhantismo de suas conquistas costuma ser retroprojetado para sua infância e adolescência. pois é muito difícil determinar as causas de certos comportamentos de personalidades famosas da antigüidade apenas através de narrativas não muito próximas aos acontecimentos e condicionadas por inúmeros fatores que precisam ser primeiro explicitados[22]. o mesmo Plutarco nos conta que ao aprisionar. por causa do poder. com ela traspassou Clito. que vinha ao seu encontro afastando o reposteiro da porta. apolínio. o risco é de: 1º) dar explicações psicológicas para fatos históricos ou sociais. antes de tudo. seu amigo e companheiro. regrado pela disciplina militar e pela educação grega .. dionisíaca. Em contraste com a irracionalidade deste episódio . Alexandre. é necessário que leiamos tais narrativas com olhos críticos. a personalidade de Alexandre através da dupla influência do pai Filipe . não as privou da mínima parte dos cuidados e honras a que estavam habituadas (.e da mãe Olímpia. agarrando-lhe os braços e conduzindo-o à força para os aposentos. Ao vê-lo tombar gemendo e rugindo. E que tudo o que tinham antes continuarão a ter. onde quem deve falar. manteve-se calado. pois Plutarco é do século I d.C. Costuma-se explicar.) . que o insulta durante um banquete. após a batalha de Isso. logo se lhe dissipou a cólera. trata-a com a maior deferência e humanidade. é o historiador ou o sociólogo. totalmente imoderada. "Ele permitiu sepultassem todos os mortos persas que elas quisessem. e a fama de Alexandre. como veremos adiante. há razões políticas para o assassinato de Clito -. Um dos episódios que costumam ser citados para ilustrar a personalidade de Alexandre é o da morte de Clito. caiu em si e. diante dos amigos emudecidos e parados. e que elas ..Naturalmente. 2º) fazer falsa psicologia. cansado de clamar e lastimar. pois. Diz-lhes que sua guerra é com Dario. quando ele já é senhor do Oriente: "Então. tomando a lança de um de seus guardas. Passou a noite e o dia seguinte a chorar perdidamente.espírito moderado. Aqui.nada têm a temer.pelo menos aparente. rapidamente arrancou a lança do cadáver e tê-la-ia cravado na própria garganta se não o contivessem os seus guardas pessoais. às vezes. como fica evidente no final deste trecho. a família de Dario. a esposa e as duas filhas moças de Dario . emitindo profundos suspiros"[23]. tirando dos despojos as roupas e adornos fúnebres. por fim. dada a exaltação e a "furores divinos". é muito grande.a mãe. nesta época .

No castelo de Mieza. pedagogos e professores. em Halicarnasso. com Aristóteles. Píndaro. adotou a versão corrigida por Aristóteles. e morre em 406 a. Vejamos. entre eles o filósofo Aristóteles. Tucídides. Alexandre leva nas suas campanhas uma edição da Ilíada anotada por Aristóteles. Grande dramaturgo que escreve 82 peças. O assunto de sua história é a luta entre a Ásia e a Grécia.C. Estuda. "Considerava e chamava a Ilíada um vade-mecum da arte da guerra. sua obra mais conhecida é a Anábasis (= escalada).C. das quais hoje sobrevivem 18 tragédias e um drama satírico. É considerado por muitos como o pai da historiografia ocidental. nasce por volta de 430 a. entre outros. quem são estes autores que o jovem Alexandre lê. próxima a Pela. segundo conta Onesícrito"[25]. Xenofonte. dialética. geografia. outra mulher além de Barsina"[24]. são as suas leituras.C. Xenofonte. mas temos apenas cerca de um quarto de sua obra.C. não lhes tocou. na época ainda sem a fama que mais tarde o caracteriza. Homero é a leitura básica. Historiador e militar. nem conheceu.Alexandre aparentemente considerava mais próprio de rei vencer a si mesmo que ao inimigo. famoso poeta lírico. Entre suas odes mais notáveis estão as Odes Olímpicas e as Odes Píticas. Alexandre ordena que se poupe a casa de Píndaro. moral. retórica. rei da Pérsia.C.. metafísica. Além de Homero. antes de casar. o Jovem e seus 10 mil gregos contra seu irmão Artaxerxes II. e conservava-a sempre junto com o punhal debaixo do travesseiro. Píndaro. narrativa em prosa da expedição de Ciro. Heródoto. Quando destrói Tebas em 335 a. Alexandre tem vários preceptores. nasce perto de Tebas por volta de 522 a. Heródoto nasce aproximadamente em 480 a. Escreve 17 livros. Textos dos autores gregos? Escolha: em grego ou inglês! Eurípedes nasce em Salamina por volta de 485 a. rapidamente. . medicina. conhecida como Ilíada do Escrínio. A educação ministrada a Alexandre por Aristóteles é a típica de um jovem grego. Aristóteles orienta Alexandre durante 4 anos. ateniense.C. Eurípedes.

não teria cabimento matar ou banir. mas com o próprio direito mencionado anteriormente. Eis os seus pontos principais: . que há uma família inteira (ou mesmo algum cidadão) de tal forma proeminente sobre as outras em qualidades que superam as de todas as outras. que imagina ser a comunidade política mais apta a proporcionar ao cidadão a vida em sua plenitude (. Harvey[27]. e a ele ser o soberano.C.. pois como foi dito antes isto se coaduna não apenas com o direito geralmente argüido pelos fundadores de governos aristocráticos e oligárquicos.Tucídides. e que este cidadão seja um rei. mas de modo absoluto"[28]. vive entre 460 e 400 a. Na verdade.condenar tal homem ao ostracismo. aproximadamente.. observa P. ao conquistar o Império Persa. existindo apenas uma versão árabe.. resta apenas à comunidade obedecer a tal homem.. não em alternância. soberana sobre todos. Do ponto de vista político. Escreve a história da guerra do Peloponeso. então. historiador ateniense. mas não a paridade entre gregos e bárbaros que Alexandre deseja e começa mais tarde. Aristóteles preconiza a unidade grega e a vitória sobre os persas. Aristóteles discute a ciência política do ponto de vista da cidade-estado. cujo original grego se perdeu. O pensamento político de Aristóteles pode ser visto de maneira clara em uma Carta do filósofo a Alexandre. Logo. e também pelos criadores de governos democráticos (todos baseiam suas pretensões na superioridade.é óbvio . nem sequer que ele passe à condição de súdito quando fora a sua vez. e um homem dotado dessa superioridade excepcional é como um todo em relação à parte. não é natural que a parte se sobreponha ao todo. porém descobre o tipo mais elevado de forma de governo na monarquia do governante perfeito.C. embora não na mesma superioridade). escrita provavelmente no final de 328 a.) Aristóteles reconhece as vantagens da democracia. nem mesmo . "Nos oito livros da 'Política'. se houve um governante dessa qualidade". uma das mais importantes obras históricas de todos os tempos por sua imparcialidade e seu método científico[26]. A carta é um programa de governo e Aristóteles recomenda a Alexandre que abandone suas tendências orientalizantes e volte a servir os gregos. Na "Política" diz Aristóteles: "Quando acontece. então é justo que esta família seja uma família real.

que Alexandre não seguirá .. Alguns acreditam que é para vingar as afrontas de Xerxes contra os gregos em 480 a. As vitórias de Alexandre geraram a paz e. ele pode conseguir que os homens obedeçam à Lei. Como ele é agora o soberano de muitos povos. Os nobres persas devem ser deportados para a Grécia para que a paz seja mantida. da Tessália e da Ática.é preciso lembrar que o macedônio é excelente soldado e estrategista brilhante. os gregos conseguem repelir Xerxes em Platéias e em Mícales. Apesar dos conselhos de Aristóteles . poderão dedicar-se à filosofia. após derrotarem sua frota em Salamina. da Macedônia. Enfrentando exércitos persas muito superiores aos seus. Somente no ano seguinte. pois grande número de cidades gregas dependem dele. sendo sua autoridade universal e seu poder ilimitado. Vários episódios de luta e coragem são contados a seu respeito. Alexandre deve se voltar para os gregos. Por isso. em 479 a. quando este rei persa avançara através da Trácia. criando na Grécia um Estado pan-helênico.C. Alexandre deve estar atento ao fato de que é mais glorioso governar homens livres [gregos] do que escravos [orientais] e que uma glória duradoura não pode ser construída só com empreendimentos militares. Outros acreditam que o objetivo inicial de Alexandre seja o de libertar as cidades gregas da Ásia Menor. dando assim continuidade ao projeto de seu . deve fazerse amar e ser respeitado pelos gregos e macedônios. em setembro de 480 a. Os gregos.C. sem mais conflitos internos.o o o o Alexandre deve preferir a atividade legisladora à glória das armas. com a adesão voluntária dos gregos. exercendo a função de legislador e fundador de cidades[29].. Alexandre deve se afastar dos maus conselheiros que tendem a fazer dele um tirano que não segue a justiça. O que se impõe perguntarmos agora é o seguinte: quais são os objetivos de Alexandre ao invadir a Ásia e se confrontar com o Império Persa? As opiniões dos historiadores são variadas a respeito[30]. vence-os com lances de genialidade e ousadia.C. chegando a tomar Atenas. às vezes contra os conselhos de seus melhores generais que recomendam maior prudência.

mais tarde Alexandre teria que se medir com ele para sustentar as suas conquistas asiáticas. na sua maioria inventadas. nem um capricho: era uma necessidade"[31]. A possibilidade de fusão das culturas grega e persa deve ter surgido provavelmente como conseqüência e necessidade. É certo que não faz parte do plano original do macedônio. Aliás. mas se não fossem anuladas as suas possibilidades navais ao longo da Fenícia e da Palestina daí a razão do duro cerco de Tiro e a tomada de Gaza . Se a perseguição a Dario não continuasse após a volta do Egito. P. seus contemporâneos gregos e macedônios não o vêem com bons olhos. "De duas uma: ou a própria amplidão de suas conquistas o obrigaria a deter-se. A imagem de um Alexandre defensor do helenismo só surgirá no século II a. Parece que a própria lógica da conquista é que leva avante sua expedição. Alexandre necessita de uma burocracia persa para administrar os territórios conquistados e precisa de exércitos nativos para sustentar as conquistas.. . que as práticas e as teorias do absolutismo político persa são revestidas por Alexandre de um verniz grego. na sua análise do mito de Alexandre.a Grécia e a Ásia Menor continuariam ameaçadas. tornando possível o exercício da monarquia absoluta com vocação universal. Goukowsky demonstra. Mas as circunstâncias levam-no a isto. ou então era preciso associar as populações autóctones à sua administração.pai Filipe II que já enviara para lá um exército de 10 mil homens comandado por Parmênion e que está prestes a ser empurrado de volta para o mar. Como ele assume cada vez mais o modelo persa de governar e viver. Foi fácil vencer o enorme exército de Dario em Isso. criadas após o tremendo sucesso de suas campanhas e o fascínio de sua figura de herói que conquista o mundo e morre jovem sem usufruir do poder e da riqueza que acumulara. É bem provável que a conquista de todo o Império Persa não faça parte de seus planos originais. após as conquistas das regiões mais diretamente persas. Parece-lhes que o objetivo inicial da Liga de Corinto foi abandonado e as conquistas do brilhante jovem macedônio nenhum benefício lhes trazem. questão interessante é a do mito de Alexandre.C. Histórias. A reconciliação greco-persa não era uma quimera. frente à ameaça romana[32].

de quem procura imitar as façanhas sobre-humanas. Do mesmo gênero "apócrifo" é o caso do cavalo Bucéfalo. "Na noite anterior à das núpcias. obedece prontamente a Alexandre e provoca a seguinte "previsão" de seu pai: "Meu filho. finalmente. O que narra Plutarco acerca de sua origem é uma espécie de "evangelho da infância" que legitima este mito de sua filiação divina. Ela recusou-se. eram dias de mau agouro. foi a Delfos. NEXT . a pitonisa chefe. mandou chamar. alegando a lei. foi ele em pessoa buscá-la. em meio a um trovão. Então. irromperam labaredas. como que subjugada por seu arrebatamento. Goukowsky observa. da chaga brotou um fogo violento. Além de se considerar descendente de Héracles. depois do casamento. por sua vez. certa vez. menção o episódio de sua visita a Delfos. grassaram por toda a parte e por fim se apagaram. pensava. Ouvindo isso. procura para ti um reino compatível com o teu valor. mais tarde. no Egito identificado a Amon. filho de Zeus. a quem vai reverenciar e consultar no oásis líbio de Siwah. Filipe II viu uma serpente estendida sobre o corpo de Olímpia: símbolo do deus. Alexandre declarou não precisar de outro oráculo. tinha já a resposta que dela desejava"[36]. Garanhão indomável. que o próprio conquistador constrói cuidadosamente esta imagem de super-herói que lhe rende altos dividendos políticos.Entretanto. a Macedônia é pequena para ti"[35]. Filipe. ninguém pode contigo'. a noiva [Olímpia] sonhou que. nos quais não é lícito dar consultas. em seu detalhado estudo das origens do mito de Alexandre. era a figura dum leão"[34]. sonhou que aplicava sua chancela no ventre da esposa e a gravura da chancela. Quando a arrastava à força para o templo. primeiramente. contudo. É ainda Plutarco quem diz que. lhe caía um raio sobre o ventre. P. Merece. deitado com sua mulher. "Desejando ouvir o oráculo a respeito de sua expedição. onde teria ido consultar o oráculo acerca de sua expedição à Ásia. ela exclamou: `Filho. tornando viável o desenvolvimento de seus projetos orientalizantes[33]. Consta que Alexandre se vê como privilegiado herói. Por acaso.

p. P. BERGER. c. 51-52. Zahar. 181. B. PLUTARCO... WRIGHT MILLS. Alexandre.-135 a. esta é uma característica marcante dos autores da época imperial romana. P. Homero é o maior poeta épico grego. [30]. feita por Plutarco. 17-43. C.C. conta um episódio do cerco de Tróia (também chamada Ílion) pelos gregos. Rio de Janeiro. 73-74. GARDINER.. Histoire d'Israel III. 1983.. o. São Paulo. GOUKOWSKY.. e sua linguagem o relaciona com os dialetos jônio e eólio da Ásia Menor. s/d.. 47. 143. em o. p. J. Vozes. [22]. LÉVÊQUE. PLUTARCO. 141. [29].Cf. C. 15-90. [27]. pp. em o. SAULNIER. Essai sur les origines du mythe d'Alexandre I.). verbete Aristóteles. Fundamentos da literatura grega. Alexandre.. P. [28].. Alexandre Magno. pp. pp. BOTTOMORE. c. Brasília. líder das forças gregas.BENOIST-MÉCHIN. Lisboa. p. c. O assunto é a cólera de Aquiles. [24]. p. Fundação Calouste Gulbenkian. HARVEY. 69-71. Homero é provavelmente do século IX a. P. XI. ARISTÓTELES.. Alexandre. [26]. 117-118. pp. Observe-se no final deste texto a avaliação moralizante do comportamento de Alexandre. Idem. 1985. 19899. Lisboa.. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a. Cultrix. Paris. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina.. O mundo helenístico. DE ROMILLY. Cf. PLUTARCO. 8. 1288a. 19843. 5.. nos respectivos verbetes. Introdução à sociologia. T. em o. Du Cerf. Cf. no seu décimo ano.. Aliás. 50-55. P.. p. pp. Política III. Zahar.[21]. pp.C. J. Edições 70. Alexandre. 1987. Rio de Janeiro. 21. Teorias da história. autor da "Ilíada" e da "Odisséia". causada por uma afronta cometida contra ele por Agamêmnon. em 24 cantos. 156-178. GOUKOWSKY. c.. A imaginação sociológica. ibidem. por volta de 1200 a. [25]. Petrópolis. 19882. Uma visão humanística.. PLUTARCO. em Vidas. Editora da UnB. [31]. Perspectivas sociológicas. [23]. 19826. . Cf. pp.D. P. pp.C. Cf. 155. 11-12. A Ilíada.

ibidem. em trajes de festa. o. não sabendo como se apresentar aos macedônios.. "Chegando à Síria.. Cf. Cf. Alexandre. Idem. Alexandre prostra-se diante do sumo sacerdote. parcialmente transcrito. Alexandre tomou Damasco. 6. a principal fonte que possuímos é um texto de Flávio Josefo. segundo a qual ele deve ir. que fornecesse provisões para o seu exército e que. 14. encheu-se de angústia e temor. p. Ouvindo isto. em 332 a. [34]. Alexandre se encolerizou muito (.. c. a Palestina é anexada ao novo império. GOUKOWSKY. PLUTARCO. dizendo tê-lo visto em sonhos e por isso pensa que vencerá Dario e quebrará o poder dos persas. O sumo sacerdote Jadus. .. p. 69-78. O texto prossegue dizendo que o sumo sacerdote. pedindo-lhe que lhe mandasse reforços. Idem. e que não ia faltar à palavra jurada enquanto Dario fosse vivo. que merece ser. Idem. A Anexação da Judéia por Alexandre Durante as campanhas de Alexandre contra Tiro e Gaza.) Depois de tomar Gaza. lhe mandasse os presentes que costumava mandar a Dario. p. cujo rei devia estar muito irritado com a sua recente desobediência"[37]. 6. Alexandre se apressou em subir a Jerusalém.. c. suplica a Deus e deste recebe uma mensagem em sonhos.C. pelo menos.. 2. 142. pp. apoderou-se de Sidônia e cercou Tiro. com os sacerdotes. Alexandre. P. [33]. Isto feito. Sobre a atitude de Jerusalém para com Alexandre. [35]. e acrescentou que os judeus não teriam nada a temer. 148. [36]. em o. c. aceitando a amizade dos macedônios. ao ouvir isto.[32]. De lá enviou uma carta ao sumo sacerdote dos judeus. Alexandre. O sumo sacerdote respondeu aos mensageiros que tinha prometido com juramento a Dario que não pegaria em armas contra ele. ao encontro de Alexandre. c.. em o. pp. 138. 17-68. em o. em apuros..4.

legitimando as suas conquistas como vontade de Iahweh. porém. Saulnier observa sobre este texto que "a referência às profecias de Daniel. que fica fora de sua rota em direção ao Egito. são plausíveis: o o o "a liberdade de viverem segundo as leis de seus pais" "a isenção de impostos a cada sete anos" "que os judeus de Babilônia e da Média vivessem segundo suas próprias leis". O texto de Flávio Josefo é fantasioso e está construído sobre temas típicos: a proteção divina dispensada ao Templo e ao povo fiel a Iahweh. acontece. Deste texto deduz-se que a situação da Judéia sob Alexandre permanece a mesma vigente na época persa: a comunidade continua governada pelo sumo sacerdote. O que ele pode ter feito foi enviar até lá um de seus oficiais para obter a submissão da comunidade judaica aos novos senhores da região. que Alexandre jamais esteve em Jerusalém ou na Judéia. os sonhos. sob a inspiração de romances gregos e mais especialmente do romance de Alexandre"[38]. em um círculo filo-heleno. A punição determinada por Alexandre. Já em Samaria a situação é diferente.5. em seguida. Andrômaco.Alexandre vai ao Templo. C. é queimado vivo pelos samaritanos. o texto é importante. Acontece. inclusive. onde sacrifica a Deus. ao voltar do Egito. regida pela Torá e ligada ao Templo. Anexada sem maiores problemas. indica que a história deve ter sido forjada aí pela metade do século II. e depois atende a vários pedidos do sumo sacerdote em benefício de seu povo. A Situação da Judéia no Momento da Anexação . é terrível. se ela não foi introduzida pelo próprio Flávio Josefo. a pedido do sumo sacerdote. este último. 6. Entretanto. Samaria é destruída e no lugar se estabelece uma colônia macedônia. quando o prefeito de Alexandre na Síria. na medida em que mostra a boa acolhida de Alexandre entre os judeus e as expectativas que suas conquistas criam para o pequeno distrito governado pelo Templo. uma revolta. provavelmente alexandrino. o do sumo sacerdote e o de Alexandre. As disposições tomadas por Alexandre a respeito do povo judeu.

Meyer. Segundo H. a propriedade é comunal e não pode ser vendida. a mishpâhâh: o o o o o o o o é um grupo de descendência patrilinear. enfim.C. que se esclareça a situação da Judéia no momento da anexação.100 km2 apenas. uma tribo[40]. esta condição geográfica vai determinar a produção de alimentos. ou seja. G. mas deve ser mantida em poder do grupo através da herança de pai para filho é formada de famílias ampliadas seus membros têm responsabilidade mútua. Somente no nordeste é que ele se estende um pouco pela planície do Jordão. os rebanhos.É preciso. Por que isto acontece? Terá surgido algum progresso econômico que ameaça as relações de parentesco da sociedade judaica? O pequeno distrito de Judá. Ora. com cerca de 1. em circunstâncias específicas. em 332 a. e de maneira pouco feliz para os judeus. A sociedade israelita tradicional sempre se fundamentara no clã (mishpâhâh). sendo a irrigação possível apenas na planície. O que acontece a partir da época persa é que a família (beth-'abh) vai tornar-se a unidade econômica fundamental. com preferência pelo casamento entre primos patrilineares e com a obrigatoriedade do dote integra. gerando uma solidariedade de sangue muito coesa tem regras específicas de casamento. do persa para o grego.. Kippenberg. Pois na região montanhosa o cultivo depende das chuvas. finalmente. O clã é constituído por uma agrupamento de famílias ampliadas (beth-'âbhoth) que moram na mesma região e se auxiliam tanto no setor social quanto no econômico. citando R. deixando o clã em segundo plano[41]. Daí . Pattai e E. a linha de descendência corre de pai para filho é unidade de convocação do exército tribal caracteriza-se pela residência comum de seus membros transmite o direito de posse por herança: a terra. não altera significativamente a vida judaica e as condições econômicas e políticas vigentes. constituindo uma comunidade jurídica local[39]. ocupa quase que só a região montanhosa da Judéia. já que a "mudança de dono".

cuja produção era inferior à relação de 1:4 (plantio/colheita). enquanto o agricultor produzia. enquanto que a região que desce para a planície costeira é mais favorável. As encostas íngremes das montanhas do leste praticamente impossibilitam o aproveitamento da terra. Os casos da Ática. Terrenos. já que a oliveira só começa a dar lucro 10 anos depois de plantada. mercadorias ou qualquer espécie de víveres.C. dependia de dois fatores: da existência de uma aristocracia que dispusesse de dinheiro para investir na produção agrícola e da possibilidade de troca de derivados da azeitona e da uva pelo trigo. Ne 10. seus mantimentos. A terra adequada para o plantio de cereais é a terra-roxa. como do fator troca"[44]. Só que aí há um problema: este tipo de cultivo exige riqueza. que calculavam a relação de uma pessoa para cada 6. E pode ser feito. na Grécia. numa região de poucas chuvas. como a oliveira. rica em ferro. em geral. Se um campo era usado para esta ou aquela cultura. mas de uma para cada 7. davam mais lucro se fossem aproveitados como bosques de oliveira ou como vinhedo"[43]. como vimos. . dependia tanto do fator riqueza. Este fator troca já é testemunhado no tempo de Neemias. Elas exigiam menos trabalho do que o cultivo do campo.25 hectares de campo. portanto. O cultivo da oliveira é menos trabalhoso do que o do trigo.5 hectares de plantações de oliveiras. apenas plantas de raízes profundas.32 diz: "Se os povos do país trouxerem para vender. e da Itália. Vamos acompanhar H. como o da Judéia. exige um certo capital. G. Kippenberg: "As plantações de oliveiras podiam ser feitas em terrenos que para o cultivo do trigo não eram muito vantajosos. desenvolvendo-se. "O produtor de oliveiras era obrigado a vender seu produto a troco de alimentos. Só que aqui a terra é calcária. no dia de sábado. nada compararemos em dia de sábado ou em dia santificado". a parreira e a figueira.estar comprometida a rentabilidade da lavoura. nos ensinam que o tipo de aproveitamento da terra. ele mesmo.. em terrenos ruins para o trigo. e esta os judeus não controlam mais[42]. Pelo menos é o que afirmam os agrônomos latinos. nos séculos VII e VI a.

Uma dracma de ouro vale 300 litros de cevada. de prata. para serem mandados para as batalhas. daí serem mais práticas no uso quotidiano as moedas de prata yehud que pesam 2. As primeiras moedas citadas no AT são as dracmas persas de ouro.08 g.É possível que a produção de trigo da Judéia seja insuficiente para o consumo e que este comércio feito pelo 'am ha'arez inclua a venda de trigo produzido em outra região. de múltiplas nacionalidades. duas mil minas de prata e sessenta e sete túnicas sacerdotais". "A dracma de ouro pesava cerca de 8. cinco mil minas de prata e cem túnicas sacerdotais". possuem valor bem menor. Esd 2. e. Sabemos também que. os dáricos.70-71 também diz: "Alguns chefes de família depuseram no cofre das obras vinte mil dracmas de ouro e duas mil e duzentas minas de prata. Por que Dario manda cunhar moedas? Heródoto nos informa: no tempo de Ciro e de Cambises não havia determinações fixas sobre o tributo devido pelas províncias do Império Persa. correspondendo à correlação de 1 por 13 entre ouro e prata"[46].6 g. . Outra coisa que caracteriza esta época persa é a propagação da moeda na Judéia[45]. os habitantes da Judéia devem produzir derivados de azeitona e vinho para trocar pelo trigo. o siclo de prata persa 5. A Judéia usa também as moedas de prata de Atenas e da Pérsia e as moedas yehud. E Ne 7. portanto.C.4 g. especialmente. Para pagá-los o Estado precisa de dinheiro. cunhadas por Dario I após 517 a. cunhadas na região. dado a enorme extensão do Império Persa. deram ao tesouro de culto sessenta e uma mil dracmas de ouro. Elas eram trocadas na proporção de 1 por 20.. É necessário a contratação de grande quantidade de mercenários. Neste caso. Dario cria um sistema que permite calcular receitas e despesas e regulariza os tributos com a criação da moeda[47]. As doações feitas pelo resto do povo atingiram o montante de vinte mil dracmas de ouro. não há soldados persas suficientes para guarnecer todas as províncias e.69 diz a respeito das oferendas feitas ao Templo após a volta dos exilados: "Segundo suas posses.

Segundo Heródoto. para podermos comer e sobreviver'. devem vender seus produtos agrícolas.995 quilos de prata[48]. dependem de negociantes estrangeiros[49]. o equivalente a 11. Acontece que os moradores da Judéia não têm minas de prata. Neste texto observamos três grupos de queixosos[50]: o o o o primeiro grupo penhora seus filhos para receber alimentos o segundo hipoteca suas terras na época da fome o terceiro grupo. temos a mesma carne que nossos irmãos e nossos filhos são como os deles: no entanto. entretanto. Outros ainda diziam: `Tivemos que tomar dinheiro emprestado. quando os judeus se queixam da situação a Neemias: "Tivemos que tomar dinheiro emprestado penhorando nossos campos e vinhas para pagar o tributo do rei". tem que vender seus filhos como escravos. porque nossos campos e nossas vinhas já pertencem a outros'".4. vinhas e casas para receber trigo durante a penúria'. Vendem cevada e derivados da oliveira e da videira. Ne 5. Esta situação econômica gera graves conseqüências sociais: os agricultores judeus precisam diminuir o número de familiares que vivem da renda da terra e investir em produtos que dêem mais lucro. e há entre nossas filhas algumas que já são escravas! Não podemos fazer nada. ora.C. Uns diziam: `Somos obrigados a penhorar nossos filhos e nossas filhas para receber trigo. à qual pertence a Judéia. por não ter pago os impostos. além do gado. excedentes ou não. Outros diziam: `Temos que empenhar nossos campos.: "Levantou-se uma grande queixa entre os homens do povo e suas mulheres contra seus irmãos. temos que entregar à escravidão nossos filhos e filhas. penhorando nossos campos e vinhas para pagar o tributo do rei. deve pagar à Pérsia 350 talentos de prata por ano. Não havendo grande produção de cevada na Judéia. É o que apresenta Ne 5. Assim. e adquirir prata para pagar o tributo persa.1-5 testemunha o conflito social que explode na Judéia no século V a. o que compensa é o cultivo de oliveiras e videiras. . os judeus. a V satrapia persa. Para vender o excedente.

A penhora permite o ataque direto do credor à propriedade e à família do devedor.11. Trata-se de uma penhora que transfere ao credor o usufruto da terra e não a sua propriedade. 12-18. O caso de segundo grupo é o daqueles que possuem campos. É o mesmo caso denunciado por Miquéias no século VIII a.C. depois a terra. tampouco existem restrições quanto a se permitir que a família do escravo seja alforriada. eles os roubam. é mais avançada do que aquela.1: "Ai daqueles que planejam iniqüidade e que tramam o mal nos seus leitos! Ao amanhecer eles o praticam porque que está no poder de sua mão. Diz Dt 15. para que não sejam de novo forçados à escravidão por dívidas. ao vinho e ao óleo.Há determinada seqüência na formação da dependência: primeiro penhoram-se os filhos (escravidão). posterior à do Ex 21. Se observarmos bem. Vamos ler Mq 2. hebreu ou hebréia. vinhas. correm o risco de serem vendidos como escravos. de fato.12: "Quando um dos teus irmãos.. prevista nas leis de Ex 21. ao dinheiro. quando o profeta diz que os credores podem se apropriar com facilidade dos campos e das casas dos outros e. Ao contrário da escravidão por dívida. . ao trigo. Talvez porque a lei estipulada no livro do Êxodo não estivesse sendo obedecida.12-18. e merecem algo por seus anos de trabalho"[51]. este ato é definitivo e irreversível"[53]. acaba na escravidão. "Se os produtores não tiverem condições de conseguir uma produção em seus campos que satisfaça sua fome. for vendido a ti. ele te servirá por seis anos. casas e oliveiras e têm que empenhá-los numa situação de penúria[52]. Os escravos devem receber provisões da parte do seu senhor para sobreviver como pessoas livres. No sétimo ano tu o deixarás ir em liberdade". o fazem.2-4. Ou seja: o credor tem direito aos produtos excedentes. como nos diz Ne 5. esta legislação de Dt 15. Se o camponês que penhora sua produção não produzir o suficiente. "Agora as mulheres recebem o mesmo direito à liberdade.2-4 e Dt 15. A penhora dos filhos é a `arabah. Se cobiçam campos.

Neemias declara uma anistia. segundo a qual os credores devem renunciar às rendas das terras hipotecadas. que observa: "Endividamento e principalmente insolvência não são frutos vindos diretamente de fatores como coação demográfica.7: "Tendo deliberado comigo mesmo. a . Segundo H. Kippenberg. este imposto tinha que ser pago em moedas. Por que a repreensão de Neemias? É que o endividamento tem como objetivo vender ao estrangeiro o judeu empobrecido.se casas. repreendi os nobres (horîm) e os magistrados (seghânîm) nestes termos: `Que fardo cada um de vós impõe a seu irmão!'"[55]. pode ter tido vários motivos. a crise do tempo de Neemias. como conseqüência. excluindo. pois o comércio de escravos no Mediterrâneo está em pleno florescimento. deterioração da terra ou mau tempo. senão vender seus filhos e filhas como escravos?"[54]. para apossar-se de imóveis ou para vender escravos"[56]. eles as tomam. eles oprimem o varão e sua casa o homem e sua herança". divisão de heranças. como: o o o o o piora da qualidade da terra mau tempo que prejudicou a colheita crescimento do número de familiares divisão e diminuição das terras por causa da herança exigências estatais de pagamentos de impostos. como aparece em Ne 5. G. G. Diz Ne 5. cujos campos e vinhedos já estavam hipotecados. Kippenberg. "E ainda mais.6-12 é que os credores dos quais os judeus dependem são seus irmãos de sangue e são pessoas de posses e classe alta. Que escolha tinham estes camponeses. E o que é denunciado em Ne 5. Finalizo com H. Eles são importantes para a formação de classes somente quando se tornam instrumentos dos relativamente mais ricos ou mais poderosos para criar novas dependências.

Alexandre. em um volume. 1978-1981. em Vidas Paralelas IV. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. 1988. 1987. KIPPENBERG.. LÉVÊQUE. M. FINLEY. Massachusetts. 1980. 1992. P. Os gregos antigos. São Paulo. AUSTIN. Rio de Janeiro. ou na edição inglesa. 1973. Editora da UnB. Minneapolis. GOUKOWSKY. P. 2 vols.. o que não sabemos. Política . H. PLUTARCO. HARVEY. ORLANDI (org. HERÓDOTO. P. 1989-1996.. Cambridge. M. P. O mundo helenístico. I. Essai sur les origines du mythe d'Alexandre (336270 av... 1987. 1986. Verbo. GRABBE. s/d. Editora Três. PLUTARCO. pp. Difel./VIDAL-NAQUET. Edições 70. GLOTZ. História.-C. Jorge Zahar. Lello & Irmão. Lisboa.escravidão do judeu ao estrangeiro. Lisboa. Leituras Recomendadas ARISTÓTELES. 1994.. Religião e formação de classes na antiga Judéia.. Judaism from Cyrus to Hadrian I-II.. 1985. São Paulo. Alexandre. 138199. Lisboa/São Paulo. pela SCM Press.). São Paulo..) I-II. L. A cidade grega. Fortress Press. Lisboa. Editora da UnB. Alexandre. Université de Nancy II.. Paulus. o Grande.. 1984.. G. ARRIAN. 1980. 1976. Economia e sociedade na Grécia antiga. São Paulo. J. L. Cultrix. São Paulo. Anabasis Alexandri. Isto se a lei tiver funcionado. Brasília. Porto. J. Alexandre Magno. P. Nancy. 19882. Edições 70. DE CASTRO. G. Edições 70. em Vidas. Harvard University Press. . Alexandre Magno. Brasília. BENOIST-MÉCHIN.

. H. G. YAMAUCHI. São Paulo. Histoire d'Israel III. G. atribuídas a Calístenes. 1988. chama a atenção para a diferença entre dinheiro e moeda. Idem. pp. [38]. pp. ROSTOVZEV. [45]. p. F. p.-135 a.. pp.C. M. Paris. História política. Histoire de la Palestine depuis la conquête d'Alexandre jusqu'a l'invasion arabe I. Uma sociologia da religião de Israel liberto. 1952. NEXT [37]. Cf.. M. 1985.. XI. pp. São Paulo. H.D. 1250-1050 a.. K. pp. Cf. KIPPENBERG. G. SAULNIER. 1981.. [39]. [40]. Além de Flávio Josefo. Grand Rapids. La Nuova Italia. também ABEL. que se cristalizam por volta do século III d. As tribos de Iahweh. ibidem. Storia economica e sociale del mondo ellenistico I. Gabalda. 10-12. Idem.).M. [41]. p. [43]. a excelente análise de KIPPENBERG. Histoire d'Israel III. O judaísmo tardio. Paulus. N.. C. 348. 1996. São Paulo.PAUMAPE. [1990]. o encontro do sumo sacerdote de Jerusalém com Alexandre é narrado também na "Recensão C do Pseudo-Calístenes" (um conjunto de lendas sobre Alexandre. ibidem. como medida de valor na . 1992. [42].. pp. 133-208. A. Cf. sobrinho de Aristóteles. 40-50. Baker Books. para esta questão. 43-44.C. Du Cerf. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a. C. MI. E. Paulus... 46-47. GOTTWALD. KIPPENBERG. Seguirei. 71.. O dinheiro. JOSEFO. Religião e formação de classes na antiga Judéia. c. ibidem.. 42. Idem. o. 63-64. H. Paris. p. Persia and the Bible. Paulus. pp. 1983. 44. no Anexo Tardio ao Meguillat Taanit (= Rolo dos Jejuns) e no Talmud da Babilônia (Yoma 69a). Antiquitates Iudaicae. SAULNIER. 22-28. 317ss. O texto em questão pode ser lido em PAUL. F. Firenze.). o. Cf.C. [44]. c. 1986...

fundamentada na relação de parentesco. a parte da Síria chamada Palestina. [56]. que abrangia toda a Fenícia. ibidem. No Israel antigo caracteriza-se a riqueza pela posse do gado. também VENDRAME. [52]. c. o shekel. [46]. . já existe bem antes da moeda. Cambises era duro e insensível e Ciros era generoso e se preocupava com o bem-estar de seus súditos". pagava trezentos e cinqüenta talentos e constituía a quinta província. na forma de peças de enfeite. 179-180. Idem. Cf. G. c. [51]. R. G. H. 56. pp. KIPPENBERG.. 50. 54-55. 41. p. H. c. o. não havia tributo fixo.. p. KIPPENBERG. pp. Cf. p.. 180. KIPPENBERG. [48]. Comunidade e propriedade na tradição bíblica.troca de produtos. Não roubarás. O conceito de irmão ('âh) designa o membro de uma sociedade solidária. Loyola.. filho de Anfiáraos. o. G.. p. Cf. 1981. 112-199. para o que se segue. c.. pp... 53-72. Diz Heródoto: "No reinado de Ciros. pp. do trigo. Brasília. G. o. História III. isenta de tributos). H.11 que se fala nas oliveiras: "Restitui-lhes sem demora seus campos. pesado segundo o método sumério-babilônico.. É usado também o ouro. assim como a prata. 91. e o Egito (à exceção da parte pertencente aos árabes. São Paulo. c. A escravidão na Bíblia. [54]. Cambises de déspota e Ciros de pai. p. ibidem. H. pois Dareios negociava com tudo. São Paulo. A queixa dos camponeses é baseada no conceito de solidariedade judaica. os persas chamaram Dareios de mascate. KIPPENBERG. Idem. p. Por causa da fixação dos tributos e de outras medidas análogas. [49]. 47. C. [55]. [50]. uma cidade fundada na fronteira da Cilícia com a Síria por Anfílocos.. [47]. sendo o pagamento feito em presentes. Desapropriação e escravidão não são compatíveis com esta ordem jurídica. e posteriormente no de Cambises. [53]. diz: "A região situada entre Posidêon. 1986. o. do vinho e do óleo que haveis emprestado". É em Ne 5. e Chipre". Cf. GNUSE. Ática. História III.. HERÓDOTO. vinhas. 58. 1985. oliveiras e casas e perdoai-lhes a dívida do dinheiro. Editora da UnB.. HERÓDOTO. 89. o.

produz uma movimentação política e econômica incomum na Palestina. . Em Alexandria. pois os senhores da região mudam constantemente. Os veteranos se fixam nas colônias militares. pois milhares de civis acompanham as tropas: mercadores. crianças. deportando alguns milhares de judeus para o Egito. Daí as desgraças que atingem a região: pilhagens. cerca de 1 milhão de habitantes e a comunidade judaica alcança o significativo número de 200 a 400 mil pessoas[8]. mulheres. deportações.C. Junto com o exército vem o comércio.. A região da Síria. C.C. tais situações acabam aumentando espetacularmente o número de judeus no Egito. Ptolomeu I. na verdade. Os dados são escassos e problemáticos. Qual é a situação da Palestina neste período de 22 anos de conflito entre os herdeiros de Alexandre? É claro que há uma enorme dificuldade de se seguir uma política coerente. traficantes de despojos. A cidade possui. dois dos cinco bairros da cidade são ocupados prioritariamente por judeus. na época romana. Eumênio ou Antígono. Aliás.. fazendo da diáspora alexandrina a maior comunidade judaica fora de Israel. A Situação da Palestina de 323 a 301 a. por exemplo. escravos. Entretanto. requisições. Entre 323 e 301 a. na sua luta pela posse da Celessíria. desmantelamento de defesas e bens imóveis para prejudicar o inimigo. seja sob o comando de Pérdicas. a Palestina é cruzada cerca de oito vezes por exércitos em luta. porém. sustento das guarnições etc.7. somadas às migrações e aos mercenários.2. acaba ficando bem no centro das disputas entre os diádocos. Antípater. as guerras trazem também alguns benefícios para a região. núcleos de futuras cidades. A presença do exército macedônio. é muito difícil calcular a população judaica da diáspora.. A maioria é destinada ao trabalho escravo das minas e da agricultura[7]. toma Jerusalém em 312 a. Apesar das atribulações.

A 2ª guerra síria (260-253 a. nomeia Selêuco.) acontece entre Ptolomeu III Evergetes e Selêuco II Calínicos. Motivado pelo assassinato de sua irmã Berenice . a Macedônia. agora. As grandes construções navais . Parece que Ptolomeu II procura construir. de Antioquia. um direito dinástico sobre o reino dos Selêucidas. As Guerras Sírias entre Ptolomeus e Selêucidas O domínio dos Ptolomeus sobre a Celessíria dura 103 anos. por Laodice.A guerra coloca em circulação. Deste conflito decorrem as chamadas "guerras sírias"[10].ou talvez chamado por ela em seu socorro. Os Selêucidas lutam pela região porque precisam cortar as bases dos Ptolomeus instaladas na costa da Ásia Menor. e dá sua filha Berenice em casamento a Antíoco II. A 1ª guerra síria (274-271 a.C. que é repelido. para sucedê-lo -. Outra invasão levao a algumas vitórias. de Alexandria. quando Antíoco II ao morrer em Éfeso. menos a Cária. seu filho mais velho com Laodice. enormes quantias de dinheiro. Antíoco II retoma as cidades da Ásia Menor que Ptolomeu II incorporara ao seu reino. A paz é feita quando Ptolomeu II cede aos Selêucidas suas possessões da Ásia Menor. e Antíoco I Soter.3. Berenice e seu filho são assassinados. a médio prazo. E também por razões comerciais: a posse dos portos da Celessíria lhes garante o controle do Mediterrâneo Oriental e a ligação com a terra-mãe. talvez assassinado por Laodice. onde vivia Laodice. Todo o episódio é extremamente confuso pela quase total ausência de documentos[11]. . porque não podem se sentir seguros no Egito se suas fronteiras não estiverem protegidas pela Celessíria.C. além disso. Os Ptolomeus. direito a ser reivindicado na hora certa. chegando até a Mesopotâmia.) é um confronto entre Ptolomeu II Filadelfo. desaparecido em circunstâncias misteriosas. 7.pois esquadras são montadas e destruídas fazem prosperar as cidades da costa[9]. Mas este deve repudiar sua esposa Laodice e os filhos que teve com ela. após a morte de Antíoco II. com certeza. assim. Durante todo este tempo Ptolomeus e Selêucidas lutam pela Síria. Só que alguns anos depois. A guerra começa com a invasão da Síria por Ptolomeu II. Ptolomeu III invade a Síria e obtém grandes vitórias. A 3ª guerra síria (246-241 a. A região da Celessíria fica fora da guerra.C. O acordo e o casamento são realizados.) coloca frente a frente Ptolomeu II Filadelfo e Antíoco II Theos.

daqui para a frente. 7. por isso.). Agátocles é assassinado e Scopas dirige o exército ptolomaico que. de dono.C.C. no istmo entre o Mar Mediterrâneo e o lago Mareótis. A Celessíria. Em 219 a.Selêuco II. mas é barrado pelas forças ptolomaicas no ano de 221 a.4. da Macedônia. Em seguida. Construída segundo uma forma alongada. um período de relativa paz. que favorece o desenvolvimento da região sob a administração ptolomaica.C. tem apenas 5 anos de idade. até atravessar a Palestina em 218 a. travam grande batalha perto de Ráfia. O Egito só não é tomado porque Roma o proíbe a Antíoco III. entretanto.C. a forma de uma clâmide12. Alexandria tem 5 bairros.) é entre Ptolomeu IV Filopator e Antíoco III. Selêuco II tenta tomar a Celessíria. é totalmente derrotado por Antíoco III em Panion (Baniyas). Ptolomeu V. O plano da cidade é do ródio . A tutela e a regência ficam com os ministros Sosíbio e Agátocles.) se dá entre Ptolomeu V Epífanes e Antíoco III. Alexandria e os Judeus O governo dos Ptolomeus se faz a partir de Alexandria. o herdeiro. selêucida. porém. a não ser em Gaza. no sul da Palestina. Quando morre Ptolomeu IV Filopator. o Grande: Antíoco III tenta tomar a Celessíria. selêucida e ptolomaico. perto do braço canópico do Nilo. Em 217 a. mas é repelido por Ptolomeu III. Com o Egito assim enfraquecido. será. mas uma vez. A 4ª guerra síria (221-217 a.C. o Grande.. Antíoco III invade a Celessíria e quase não encontra resistência. planejam reparti-lo entre si. O crescimento econômico acontece especialmente sob o governo de Ptolomeu II Filadelfo (285-246 a. com os nomes das 5 primeiras letras do alfabeto grego. consegue retomar as cidades conquistadas pelos Ptolomeus. Antíoco III e Filipe V.C. os dois exércitos. Há. e Antíoco III é derrotado. Como é Alexandria? Qual é a sua relação com o Egito? Como vivem aí os judeus? Alexandria está localizada a oeste do delta do Nilo. em 198 a. Estas três primeiras guerras sírias quase não afetam a região de Judá. tem um perímetro de mais de 15 km. E os judeus de Jerusalém mudam.C. A Celessíria retorna às mãos dos Ptolomeus. A 5ª guerra síria (202-198 a.C. no norte da Palestina. Antíoco III avança novamente através da Celessíria e vence cidade após cidade.

bairros especiais para o porto. por exemplo.C. A biblioteca de Alexandria. chama o Museu de "gaiola das Musas". Assim nasceram bibliotecas reais em todas as capitais helênicas: não apenas como fator de prestígio. é complementada por outra localizada no Serapeum (o templo de Serápis). da Alexandria submersa O Museu. Este plano é conhecido como hipodâmico. o que produz uma disposição em tabuleiro de xadrez..250 metros que liga a ilha de Faros à terra firme. O Museu é sustentado pelo Estado e ali os sábios convivem.C. como Aulo Gélio. Lévêque. Um poeta e filósofo satírico grego do século III a. Canfora acredita que "os gregos não aprenderam a língua de seus novos súditos. anexo ou próximo à biblioteca. por acidente. o museu e o teatro. a biblioteca teria sido queimada por ordem do califa Omar. 2) o plano quer-se funcional e reserva. é uma academia literária fundada por Ptolomeu II. Em 47 a. "o urbanismo hipodâmico apareceu cerca de 480. que vive em Atenas. obra de Sóstrato de . discutem e produzem a ciência da época.. E em 642 d. um filósofo (pitagórico?) que de fato parece ter sintetizado as pesquisas anteriores efetuadas especialmente nas cidades coloniais. aliás. era preciso entendê-los. mas compreenderam que. Os monumentos que se destacam em Alexandria são o ginásio. um paredão de cerca de 1. o túmulo de Alexandre. que vive na corte de Ptolomeu II Filadelfo. onde "são criados uns garatujadores livrescos que se bicam eternamente"[15]. de nome Timão. e que para entendê-los era necessário traduzir e reunir seus livros. Como explica P. O Farol. feitas por Franck Goddio. conquistador árabe da região. cerca de 40 mil volumes são destruídos pelo fogo. A tradição liga-o ao nome de Hipódamo de Mileto. o tribunal. Veja aqui as recentes descobertas. A biblioteca teria chegado a possuir cerca de 700 mil volumes. gramático latino do século II d. segundo autores antigos. Está fundado em dois princípios novos: 1) as ruas cortam-se em ângulo reto. O porto é dividido em dois pelo Heptastádio. os edifícios públicos.Deinócrates: duas vias principais de 30 metros de largura cruzam-se em ângulos retos. próxima ao Museu. Localizada no bairro real. mas também como instrumento de dominação"[14]. sem que. como virá a ser o caso nas criações romanas. a maior e mais célebre das bibliotecas da antigüidade. para dominá-los.C. existam dois eixos principais. o palácio. L. a biblioteca. é fundada por Ptolomeu I e notavelmente aumentada por Ptolomeu II. o habitat"[13].C.

entre um grande lago e o mar. por sua beleza. tem três andares e 110 metros de altura. a cidade adquiriu em seguida uma tal extensão que muitas a consideram como a primeira do mundo. Uma vez medido o terreno e dividido em bairros segundo todas as regras da arte. tirado de seu próprio nome. Alexandre ordenou também que se edificasse um palácio: esta grande e poderosa obra é também uma maravilha. ótimo para a saúde. estreitas e fáceis de vigiar. Como estes sopram sobre as vastas extensões do mar. Enfim. entre eles Estrabão e Diodoro[16]: Estrabão XVII.5 km]. e refrescam o ar da cidade. suas dimensões. com efeito.Cnido. com uma grande avenida que corta a cidade pelo meio.). praticamente todos os reis do Egito até hoje têm acrescentado ao palácio edifícios suntuosos.1-5 descreve do seguinte modo as características de Alexandria: "Como decidira fundar no Egito uma grande cidade. casas e templos. Ela se estende de uma ponta a outra com um comprimento de quarenta estádios e uma largura de um pletro [cerca de 30 metros] e ela é toda ornada de edifícios suntuosos.C. o rei deu à cidade o nome de Alexandria. faz com que ela seja atravessada pelo sopro dos ventos etésios. o rei dotou os habitantes de Alexandria de um clima temperado. mas há duas cuja largura excepcional excede um pletro [cerca de 30 metros] e que se cruzam em ângulo reto. Após Alexandre. ele [Alexandre] ordenou às pessoas que deixou no local com esta missão que a edificassem entre o lago e o mar. uma maravilha por suas dimensões e sua beleza.52. A cidade tem jardins públicos muito belos. ela possui apenas duas vias terrestres de acesso. e o hábil traçado das ruas. De fato. Ele lançou igualmente as fundações da muralha.8 diz o seguinte: "A cidade tem a forma de uma clâmide. Diodoro XVII. assim como palácios reais que ocupam um quarto ou um terço de sua superfície"[17]. Todas as ruas permitem a circulação a cavalo ou de carro.I. Sua construção se dá no começo do reinado de Ptolomeu II Filadelfo (285-247 a. Autores antigos nos falam de Alexandria. a . enquanto que de largura os istmos encerrados entre o mar e o lago têm cada um de 7 a 8 estádios. A forma que ele lhe deu é bastante próxima à de uma clâmide. cujos lados maiores são aqueles banhados pelas águas: eles têm cerca de 30 estádios [o equivalente a 5. que é obra do rei. Ela está muito favoravelmente situada perto do porto de Faros. Situada. que é de uma dimensão extraordinária e de uma solidez impressionante.

C. o único verdadeiro porto do Egito no Mediterrâneo. as outras"[18]. que calcula a circunferência da terra. Do ponto de vista cultural basta que nos lembremos de Eratóstenes. Arquimedes. ela ultrapassa. pois as outras duas que têm o estatuto de pólis. Alexandrinos controlam a Celessíria. Segundo P. Préaux assim resume o caráter específico da economia de Alexandria: a cidade vive em simbiose com o rei.. três fatores explicam o enorme desenvolvimento de Alexandria: o o o é a capital dos Ptolomeus e toda a burocracia do reino lágida aí se concentra é o centro de intensa atividade econômica. O rei. Hesíodo. gramático. Sua manutenção é garantida pelo abundante trigo egípcio. Alexandria é um entreposto de produtos da África e do Oriente. nascido em 190 a. E por aí afora[20]. de longe. Píndaro etc. conquistada pelos Ptolomeus. Náucratis e Ptolemaida. Zenódoto de Éfeso. Euclides. vivendo depois em Siracusa. Hiparco. Lévêque.abundância das rendas públicas e de tudo aquilo que faz o prazer da existência. calcula a duração do ano solar e cataloga estrelas.C.. Do ponto de vista comercial exporta vários produtos do campo egípcio. diretor da biblioteca. Alexandria é uma cidade totalmente isolada do Egito. famoso matemático. outro diretor da biblioteca. matemático e geógrafo. Seus bancos fazem crescer a receita real. C. Apolônio de Rodes. um dos maiores matemáticos da Antigüidade. que inventa a trigonometria. gramático e poeta. desenvolvendo a geometria e a teoria dos números. . Entretanto. provavelmente estuda em Alexandria. mas praticamente o Egito nada consome do que é produzido em Alexandria. a corte e os gregos a serviço do rei são os clientes da indústria e do comércio. que vive em Alexandria no século III a. diretor da biblioteca. não podem rivalizar com ela. Alexandria é praticamente a única cidade do Egito. um dos diretores da biblioteca de Alexandria. gramático que prepara edições críticas de Homero. Aristarco de Samotrácia. importa e exporta inúmeros produtos é um dos centros culturais mais importantes do mundo grego[19]. que aí chegam por via terrestre e marítima[21].

como são os judeus . que é uma imagem medieval. Paul quem explica: "Segundo a tradição grega antiga.pois não estão apenas em Alexandria . os representantes da comunidade (kaì tôn apó tou politéumatos) e os chefes da população e disseram. a politeía. todavia."[23]. É A. É uma espécie de cidade dentro da cidade. . À diferença da época romana. E por isso os judeus não têm o título de cidadãos de Alexandria. puseram-se de pé os sacerdotes. ou 'cidadania' grega total (isopoliteía) significava inegavelmente a apostasia"[26]. Esta Carta é o primeiro documento que menciona esta comunidade. A cidadania alexandrina exigiria do judeus um modo de vida que violaria as regras específicas da Lei judaica. como a própria etimologia do nome indica (do grego pólis = "cidade" + sufixo que indica o resultado da ação). o período dos Ptolomeus foi um pouco laxo neste ponto.várias profissões: são soldados. Ser ""cidadão" e ser "diferente" .Já dissemos que os judeus são numerosos em Alexandria.. artesãos. funcionários. Os judeus. Mais raramente comerciantes. a primeira condição para alguém adquirir a 'cidadania' ou a politeía era a educação recebida no ginásio com a formação específica no ephebeîon. Os judeus têm em Alexandria um etnarca. Para os judeus.. os anciãos da delegação de tradutores. E nisto diferem da imagem clássica que temos do judeu. com seus rigorosos critérios de raça. especialmente no que se refere às práticas alimentares. O etnarca exerce funções administrativas e judiciárias. em todo o Egito . O políteuma é um recurso que permite às comunidades preservarem sua cultura e seus direitos. Não se sabe bem o alcance dessas funções judiciárias: as sentenças são executadas pela comunidade judaica ou por instâncias reais? O etnarca tem competência jurídica sobre todos os casos ou somente sobre aqueles em que a lei judaica difere do direito grego?[24]. têm um políteuma em Alexandria[22]. diz o texto: "Enquanto se liam os rolos. agricultores. título que a administração real confirmava quase automaticamente. certamente escolhido pela comunidade e referendado pelo rei. Falando da leitura da versão grega da Bíblia. segundo a Carta de Aristéias a Filócrates. Qual é a sua situação? Os judeus ocupam dois dos cinco bairros de Alexandria. conhecida como a LXX. Em Alexandria provavelmente era este o meio habitual para se obter legalmente o título de cidadão. Exercem.é impossível[25].

. o. Sobre a 4ª e a 5ª guerras sírias temos boas informações em POLÍBIO. pp. Diodoro Sículo. 118-121. Cada uma delas se relaciona com uma arte: Calíope. vol. 26-44. p. Clio. 2. pp. [8].. C. C. Cf. História V. 1989. [10]. o. O mundo helenístico. produz uma importante obra de geografia universal. com a poesia épica. Companhia das Letras. atribuídos por cidades às quais eles prestam algum serviço ou libertam de algum inimigo. pp. Evergetes significa "Benfeitor".. Histórias da biblioteca de Alexandria.C. "Salvador". 233-238.C. [16]. 18-19. c. Filadelfo. Cf.. 146150. XVI. [12]. historiador grego romanizado do século I a. é chamado de Soter. Melpomene. CANFORA... 1985. p. Cf. c. Theos. o. [14]. porque salvou os ródios de um cerco imposto por Demétrio. E. pp. São Paulo. c. pp.. PRÉAUX.245-251. a 20 d. Theos é o "deus" etc. Urânia.C. Editora da UnB. pp. Após se instalar em Roma. A clâmide é um manto grego que se prende por um broche no pescoço ou no ombro direito. Epífanes etc . Polímnia.. com a astronomia e Talia. Brasília. . c. com a música para lira.. pp. 139-155.Soter.. F. Cf. O nome "museu" vem das musas. PRÉAUX. F. pp. por exemplo. 4487. com a tragédia. com a história. 1982.. o. LÉVÊQUE. F. 194195. Cf. C.. ABEL.C..-M. P. com a dança.lhes são.. Euterpe. PRÉAUX. A biblioteca desaparecida. [11]. C. 457-458. o. pp.. pp. Le monde hellénistique I. L. Estrabão é um geógrafo grego que vive de 63 a. o. [15]. em geral. 30-32. o. 286-287. em 29 a. CANFORA. C. Terpsicore. 63. ABEL.. c. [9]. com os cantos sacros. com a comédia. 63-87. com a música para flauta.-M. Histoire d'Israel III. o.-M. 293311. Evergetes. Cf. 39-43. 28. pp.NEXT [7].. 39-45. Epífanes é o "Manifesto". pp. c. Erato. WILL.. também PRÉAUX. L. Cf. c.. 231-233... [13]. ABEL. Ptolomeu I. Estes títulos dos reis helenísticos . nota 3.234-261.. que na mitologia grega são as nove deusas da literatura e das artes. esta questão em SAULNIER. c.

Cf. [20]. M. O judaísmo tardio. 1983. [22].publica. Histoire d'Israel III. A Administração Ptolomaica da Palestina Este sistema administrativo ptolomaico é também implantado na Palestina. "O autor se faz passar por um grego... 454-455.6. C. p. HARVEY. Cristiandad.. em DIEZ MACHO. Cf. explica SAULNIER. 365. adorador de Zeus. Idem.C. A data desta obra é discutida. Cf. pp. de um escrito judeu. 399-403. LÉVÊQUE. [26].. 19882. 61. entretanto a hipótese mais razoável parece ser a que se situa na metade do século II a.. 310. Trata-se. que escreve a seu amigo Filócrates para lhe relatar sua embaixada junto ao sumo sacerdote Eleazar. com .. pp. Cf.. durante os 103 anos de domínio de Alexandria sobre a região. Cf. C. p. 69.. A. [21].. Le monde hellénistique II. ibidem. p. PRÉAUX. respectivos verbetes. 359-360.C. de fato. 456. p.". Apócrifos del Antiguo Testamento II.-C) II. J. C. pp. [19]. Cf. C. C. PRÉAUX. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. [18].. p. P. p. Le monde hellénistique II. Histoire d'Israel III.. Mas. 497. Cf.C. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. CARTA DE ARISTEAS A FILÓCRATES. [23]. em 21 a. A. 510-511. Madrid. profundamente marcado pelas categorias do pensamento helênico. PRÉAUX. O mundo helenístico. 7.. 119-120. La Grèce et l'Orient (323146 av. Le monde hellénistique. Cf. P. [24]. [25]. Presses Universitaires de France.) [17]. SAULNIER. para esta questão. "Etnarca" significa aquele que governa uma etnia. uma história universal que abrange desde os tempos mitológicos até a conquista da Gália por César (58-51 a. PAUL. a discussão sobre a cidadania dos judeus de Alexandria em STERN. pp. Paris.

são inexoravelmente helenizadas. no sentido da Grécia clássica. na Iduméia[37]. O modo de vida grego se implanta mais rapidamente nas cidades fenícias. Não há cidades livres. . Acredita-se. Acco-Ptolemaida. que já teria havido. Gaza. por elas. Sídon. mas o distrito de Judá é considerado como "Estado do Templo". pelos sacerdotes e pelos escribas do Templo. Os Ptolomeus implantam um sistema de arrendamento. do direito de cobrar os impostos locais. Mas há cidades que se aproximam do modelo da pólis grega. da administração das finanças[38]. dentro do reino ptolomaico. aos senhores estrangeiros. no sul e na Transjordânia. Politicamente a região da Celessíria é composta das seguintes etnias: o o o o o o cidades fenícias ao longo da costa. entretanto. mas também as póleis mais significativas do interior. tanto na Judéia quanto na Iduméia. na Samaria como na Galiléia. Uma de suas funções é a de limitar o poder do sumo sacerdote. Será o conhecido Sinédrio da época de Jesus. Os judeus que habitam na Galiléia. de Ortozia a Gaza o distrito do Templo de Jerusalém. um oficial especial que se encarrega. na Iduméia e na Transjordânia não têm qualquer estatuto especial. com seu povo judeu os povos samaritano e idumeu grupos descendentes de cananeus e sírios várias cidades no interior. pois a estrutura social da região é diferente da egípcia e a complexidade política é maior. onde valem as leis tradicionais do povo judeu e onde o sumo sacerdote é o chefe principal. com seus magistrados e seu território.algumas modificações. Outra instituição que se desenvolve provavelmente durante o domínio ptolomaico é a gerousia (= senado). território sagrado. como Tiro. Ou Marisa. no tempo dos Ptolomeus. que tem seu nome mudado para Ptolemaida. repassados. Jope e Dor. Assim são as mais importantes cidades fenícias e palestinas. incluindo as colônias militares macedônias as tribos dos nabateus e dos árabes. Ascalon. uma assembléia aristocrática composta pelos chefes das famílias mais influentes. a famílias ricas da terra. O centro administrativo parece ser Acco. ao lado do sumo sacerdote.

E tal política se implanta principalmente através da aliança grega com os aristocratas locais. provocando a indignação e a revolta das populações locais. provavelmente de 261/260 a. dos quais já falei a propósito da crise agrária da época de Neemias. mas também política. H. aparentemente filantrópico. também emitido por Ptolomeu II Filadelfo. Kippenberg observa a propósito: "Pode-se duvidar de que este decreto tenha realmente surtido efeito na Palestina. desta vez. onde naquela época grassava a escravidão.De modo geral. invadindo o território dos judeus . Os habitantes da Síria e da Fenícia. convém observar que o desenvolvimento econômico da região da Celessíria faz parte de uma estratégia política bem definida por parte dos Ptolomeus. ou o adquiriram de um ou outro modo. após declarar que podem ser conservadas as pessoas que já eram escravas antes da compra. Todos aqueles que tomaram parte na expedição de nosso pai nas regiões da Síria e da Fenícia e. exceto aqueles que o governador das rendas do Estado sírio ou fenício entregou ao processo de execução (prosbolé = arremate de propriedade a terceiros). continua o decreto: "E no futuro a ninguém será permitido. Muito próximo deste decreto é outro conservado na Carta de Aristeas a Filócrates. como se encontra na lei do arrendamento"[39]. Este decreto. que compraram um nativo livre (sôma laikòn eleúteron) ou dele se apropriaram com violência. só que. na verdade estabelece um monopólio real na venda de homens livres. sob qualquer pretexto. É bem ilustrativo da política ptolomaica para a região da Celessíria um decreto de Ptolomeu II Filadelfo.C.: "Ordem do rei. Mais adiante. É uma medida econômica. a respeito dos judeus: "Ordem do rei. G. É a maneira mais eficaz de impedir o avanço de seus rivais Selêucidas sobre a região. vender ou penhorar nativos livres. devem declará-lo e apresentá-lo ao ecônomo em qualquer hiparquia dentro de vinte dias após a publicação deste decreto". Ele é digno de nota porque legaliza a escravidão como conseqüência da inadimplência fiscal"[40]. porque a caça ao homem livre cria uma desordem perigosa na região. também daqueles sobre os quais já foi pronunciada a pena de execução. valendo o mesmo para as pessoas livres vendidas em leilões reais.

A dôréa de Apolônio é liquidada em 243 a. ligado às questões públicas. Também os arquivos de Zenão são importantes para a compreensão da administração ptolomaica da Palestina[42]. por exemplo. Estão em Londres. Descobertos por escavadores clandestinos. Zenão vai para a Palestina. isto é. encontrados após 1910.C. no Cairo. . Apolônio. .C. por isso. Acredita-se que teria sido para proteger-se contra possíveis problemas jurídicos e políticos futuros a respeito de suas posses que Zenão meticulosamente arquiva os papiros referentes aos negócios de Apolônio sob sua responsabilidade e os papiros relativos a seus próprios negócios.igualmente os que são da mesma raça e que os tenham precedido aqui ou que tenham sido deportados depois deles . na Alemanha. originário de Caunos. onde o dioceta de Ptolomeu II Filadelfo. e trazem os arquivos de Zenão. Trata-se de uma coleção de cerca de 2. Os papiros cobrem um período de 32 anos. A partir deste ano. de 261 a 248 a.. os outros no banco real"[41].tornaram-se senhores de indivíduos judeus. Fica na região até o começo de 258 a.. o poderoso Apolônio. O seu último documento datado é de 14 de fevereiro de 229 a. a pública e a privada. na Itália.que os possuidores os deixem livres e recebam imediatamente em compensação 20 dracmas por cada pessoa.administra. os militares no pagamento de seu soldo. a sua dôréa durante nove anos . entre 261 e 229 a. Zenão vai para o Egito. Mas Apolônio parece não separar bem estas duas esferas de negócios.e se dedica a seus negócios particulares em Filadélfia. mantém sua dôréa. Zenão deixa Apolônio .000 papiros.C. encarregado das finanças e da fiscalização de todo o reino. Estamos em plena segunda guerra síria (260-253 a.. cidade da Cária controlada por Ptolomeu II. e Zenão está também. perto da antiga Filadélfia. por um período de 13 a 14 meses. um funcionário do governo. localizada nas vizinhanças do oásis de Fayum. quer os tenham vendido a outros . no final de 260 a. em New York. ao mesmo tempo que é um poderoso ministro de Estado. é também um grande proprietário e negociante. em viagem de negócios para seu patrão.C. Zenão é um de seus homens de confiança . portanto.C..).C. os papiros de Zenão são dispersos pelo mundo afora durante a 1ª Guerra Mundial. no qual permanece 13 anos. quer os tenham trazido para a cidade [de Alexandria] e para o país [do Egito]. não sendo.C.e cuida de seus negócios particulares.C.do qual não temos mais notícias após 245 a. onde entra para o serviço de Apolônio.

Apolônio é o proprietário da aldeia de Beth-Anath da Galiléia. Interessante é também sua visita aos Tobíadas. Zenão realiza negócios para Apolônio e para o rei Ptolomeu II. mas é possível que ele tenha desembarcado em Gaza e da lá ido a Marisa.]. sendo epônimos o sacerdote de Alexandre e dos deuses irmãos e a canéfora de Arsinoé Filadelfo que estão em função em Alexandria. Timopolis.quando Ptolomeu II enfrenta-se com o Selêucida Antíoco II. registrada no seguinte contrato: "No ano vinte e sete do reinado de Ptolomeu. O seu roteiro na região não é muito fácil de ser reconstituído.]. de sete anos de idade. aspendiano. fazendo o leva-e-traz entre Alexandria e a Síria-Fenícia a fim de informar seu patrão diretamente sobre os problemas financeiros colocados pela proximidade das operações militares. Zenão visita igualmente a Galiléia e fiscaliza propriedades de Apolônio nesta região. segundo um papiro da coleção. cnidiano. Nesta cidade ele se vê às voltas com a fuga de três escravos que comprara na Iduméia. colofoniense. Com os Tobíadas. juiz. Para lá chegar. Nicanor. filho de Straton. do séqüito de Tobias. Foram testemunhas [. como a compra de uma menina escrava. uma escrava babilônia chamada Sfragis. Sem ser funcionário ele tem a função de conduzir delicadas negociações oficiosas"[44]. Demóstratos. no mês de Xandikos. ateniense. Polemon. filho de Botes. Este distrito. por cinqüenta dracmas. Orrieux observa a propósito da visita de Zenão à fronteira com os Selêucidas: "Pode-se imaginá-lo como um enviado especial de Apolônio. na Iduméia. Heráclito. o persa.. ele passa por Jerusalém e Jericó. filho de Ananias. Zenão fiscaliza também a hiparquia da região norte da Celessíria. do séqüito de Apolônio o dioceta. Uma hiparquia é um distrito territorial governado por um hiparco. a missão de Zenão.. milésio. que atinge as fronteiras do reino. Como o dioceta Apolônio é também responsável pelos suprimentos do exército ptolomaico. Foi fiador [. macedônio. filho de Ptolomeu. divide-se em aldeias (kômê) chefiadas por um comarca. filho de Filipe. vendeu a Zenão. na Transjordânia. não é apenas privada. na birta de Auranítide. Zenão. todos os quatro do séqüito de Apolônio o dioceta"[43]. e de seu filho Ptolomeu. cauniano. assim como os nomos egípcios. C. filho de Dionísio. filho de Timarcos. todos os dois clerucos do corpo de cavaleiros de Tobias.. . filho de Xanocles. filho de Agreofon. cleruco de Tobias..

ele comanda o clã. vinho e figo que lhe devem fornecer. entretanto. Tobias. a serviço do qual punha seus soldados. Considero satisfatório a situação dos trabalhos. Estas notícias sobre a viagem de Zenão estão em cerca de 40 daqueles quase 2.. ilustram suas relações com os Ptolomeus. Passe bem! Ano 23. mas os camponeses estão em desacordo com ele quanto à quantidade de trigo. eu tomei comigo Melas e nós examinamos as novas plantações e todos os outros empreendimentos. a segunda a Apolônio. O que resulta da leitura destes papiros é a impressão de intensa atividade política e econômica dos Ptolomeus na região da Palestina. Paul: "Comandante de uma klerouchia militar (cujo centro era a birta ou `fortaleza' de família. saudações (. Estes administram os territórios conquistados "com a mesma desenvoltura com que um agricultor macedônio administra suas próprias terras"[47].) Ao chegar a Baitanata. Outro dado interessante para se conhecer a administração ptolomaica da Palestina é a história de José. transmitida por Flávio Josefo[48]. Ele construiu uma cisterna e uma casa adequada.C. como documenta um dos papiros de Zenão[45]. suas relações e suas influências"[49]. Tobias era o chefe de uma importante tribo local. Xandikos 7"[46].000 papiros do arquivo recuperado próximo a Fayum. construída inicialmente para resistir às invasões dos beduínos do deserto). A primeira é dirigida a Ptolomeu II. uva. Ele me disse que a vinha tem 80 mil pés. Diz A. pertencentes aos papiros de Zenão. Tu podes acreditar que um acaso feliz te favorece de todas as maneiras. o Tobíada e de seu filho Hircano. descendente do Tobias da época de Neemias (Ne 13. . o administrador consegue sucesso. ao sul do Galaad.O seu administrador consegue aumentar extraordinariamente a cultura da vinha. No ano seguinte. dirige uma cleruquia lágida na Transjordânia. Duas cartas de Tobias. identificada pelos arqueólogos com o `Arak el Emir atual. O centro do território é a birta (= fortaleza) de Amon. tendo ainda as funções de um prefeito do rei do Egito.4). Ele me fez provar o vinho e eu não pude adivinhar se ele vem de Quios ou da propriedade. como testemunha a seguinte carta enviada a Apolônio: "Glaukias a Apolônio.. Os Tobíadas vivem numa espécie de feudo na Transjordânia. Quando Zenão visita a Palestina em 259 a.

.C. olivais em vez de cereais. a seguir. As cidades provavelmente só puderam pagar as novas cargas fiscais impondo aos camponeses doação parcial em mantimentos.e estimula culturas mais rentáveis. Como? Diminui o número de bocas para comer. após ser designado pelo povo como chefe (prostátes). "Tobias a Apolônio. baseando-se no fato de que a terra era propriedade do dominador"[52]. saudações! Se tu vais bem e se teus negócios e o restante estão como tu desejas.. Com créditos samaritanos ele financia antecipadamente o arrendamento e "em lugar de 8.)..C. vai representar os interesses da Judéia diante do rei Ptolomeu em 242 a. seu filho Hircano o sucede no cargo. Quando acontece a terceira guerra síria ( 246-241 a. tendo se suicidado quanto Antíoco IV assume o governo[53]. José. Ptolomeu III Evergetes. lembrando-me de ti sem cessar. graças aos deuses! Eu estou bem.000 talentos para a província sírio-fenícia. José ofereceu o dobro. as características destes rapazes. José recolheu o tributo das cidades e mandou executar os parentes dos magistrados que relutaram. como é o certo.. sobrinho do sumo sacerdote Onias II por parte de mãe. Eu reproduzo.. Passe bem! Ano 29. enriquecendo-se com isso consideravelmente. partidário dos Selêucidas.[50]. nasce na Judéia em uma aldeia da família.] de excelente estirpe. José. O rei Lágida. cruzamento de jumenta. através da escravidão . ameaça então reduzir a Judéia a uma colônia militar. Onias II. Flávio Josefo diz que ele leva os judeus à prosperidade. escravos [."Ao rei Ptolomeu. Xandikos 10 [= 13 de maio de 257]".. se recusa a pagar os impostos devidos aos Ptolomeus. Xandikos 10 [13 de maio de 257]". Eu te enviei Aineas para te oferecer um eunuco e quatro rapazes. Ao morrer em 226 a. dois jumentos árabes brancos de tração. até o advento dos Selêucidas na região. Tobias deseja bom dia! Eu te enviei dois cavalos. pró-Lágida. Felicidades! Ano 29. o filho de Tobias. obtendo muito mais até: consegue o direito de recolher os impostos de toda a Celessíria[51]. que é de 20 talentos. Com o auxílio de 2 mil soldados ele exige duramente os impostos das cidades e dos campos.C. um meio-onagro.que ainda rende mais excedentes . A seguir vem as características dos escravos.. seis cães. dois filhotes de meio-onagro e um filhote de onagro. por exemplo. Dotado de plenos poderes estatais para aplicar a força. para teu uso.

mas o ultrajaram com palavras. Mandou prender imediatamente vinte dos principais. que o elogiou magnificamente e permitiu que. que mandou matar. mas ele soube castigá-los. O castigo dos ascalonitas encheu de temor as outras cidades da Síria.Vejamos um trecho do relato de Flávio Josefo sobre José. Cronologia dos Ptolomeus Ptolomeu I Soter : 323-285 Ptolomeu II Filadelfo : 285-247 Ptolomeu III Evergetes : 247-221 Ptolomeu IV Filopator : 221-205 Ptolomeu V Epífanes : 205-181 Ptolomeu VI Filometor : 181-145 Ptolomeu VII Néos Filopator : 145-144 Ptolomeu VIII Evergetes (Físcon) : 144-116 Ptolomeu IX Soter (Latiro) : 116-107 Cleópatra III : 107-101 Ptolomeu X Alexandre : 101-88 Ptolomeu IX Soter (Latiro) : 88-80 Ptolomeu XI Alexandre II : 80 Ptolomeu XII Aulete : 80-58. O príncipe ficou tão satisfeito com seu proceder. que lhe abriram suas portas e pagaram seu tributo sem dificuldade alguma"[54]. usasse deles como quisesse. dois mil homens das tropas do rei. a fim de poder obrigar os que se recusavam a pagar os tributos e. L. depois de ter dado a Alexandria quinhentos talentos. Histórias da biblioteca de Alexandria. através do qual poderemos apreciar os seus métodos: "José tomou. 55-51 Cleópatra VII Filopator : 51-30 Leituras Recomendadas CANFORA. escreveu ao rei para lhe dar contas do que tinha feito e mandou-lhe mil talentos do confisco de seus bens. Companhia das Letras. São Paulo. foi para a Síria. Não se contentaram em não querer pagar. A biblioteca desaparecida. . 1989. dali por diante. depois. o Tobíada. Os habitantes de Ascalon foram os primeiros a desprezar suas ordens..

A. História dos Hebreus. Obra Completa... 62-63. Histoire de la Palestine I.. 22. NEXT [37]. Judaism and Hellenism I. 19872.. KIPPENBERG.-M. PRÉAUX. H..-M. M. J.. 24-29. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. Judaism and Hellenism. J. CARTA DE ARISTEAS A FILÓCRATES. Paris. em DIEZ MACHO. G. Cf. M.) I-II. Histoire d'Israel III. ABEL. Studies in their Encounter in Palestine during the Early Hellenist Period I. Harvard University Press. Paris. Cf. M. SCM Press. Lisboa. 364. HENGEL. Cristiandad. H. Histoire politique du monde hellénistique (323-30 av.. WILL. Presses Universitaires de Nancy. pp. C. 1978.. p./WIKGREN. 51-60. F. 1983. [40]. KIPPENBERG. JOSEFO. 1976. Les papyrus de Zenon. H. TARN. 1987. SAULNIER. Cambridge..-C) I. Cf. Cf. pp. Religião e formação de classes na antiga Judéia. E. F. A. The Israel Academy of Sciences and Humanities. J. La Gréce et l'Orient (323-146 av. c. 19882. Le monde hellénistique II. Jerusalem. C. P. Apocrifos del Antiguo Testamento II. 73-74. ABEL. London. pp. o. LÉVÊQUE. PRÉAUX. Apócrifos del Antiguo Testamento II. Le Monde hellénistique.DIEZ MACHO... Nancy. F. Rio de Janeiro.. O mundo helenístico. 568 acredita na autenticidade deste documento. ORRIEUX. La Nuova Italia.. o. 1992. St. pelo menos nos seus termos mais gerais. Madrid. L'orizon d'un grec en Egypte an IIIe siècle avant J. Casa Publicadora das Assembléias de Deus. La civiltà ellenistica. THACKERAY.-C. 1926-1965. Macula. c. 1983. A.. G. 22-23... pp. [38]. C.. Presses Universitaires de France. C. L. C. p.. Edições 70. HENGEL.. Josephus I-X. 1981. 19792. STERN.. p. pp. R. Firenze. [39]. 74./MARCUS.../FELDMAN. [41]. W. H. .

JOSEFO.. H. o. uma transferência de poderes do sumo sacerdote pró-selêucida para o Tobíada pró-lágida. c. Cf. Brescia. pp. pp. SAULNIER. [51]. ORRIEUX. Religião e formação de classes na antiga Judéia. corregência. c. p. ORRIEUX. 43-44. M. 47. Aspetti dell'ellenizzazione del giudaismo in epoca precristiana.. c. Histoire d'Israel III. 1981. [47]. ORRIEUX. PAUL.. 48. 178.-M.. [50].. 6571. F. Com isso. 76. F. Les papyrus de Zenon. Greci e Barbari. testemunhas etc. C. [48]. [54].. [43]. p. HENGEL. p. KIPPENBERG.. [53]. F. "ao qual estava ligado o principal cargo administrativo e financeiro da Judéia. ABEL. Os Selêucidas: a Helenização da Palestina .. pp... pp. XII. Com o título de prostátes.. sacerdotes epônimos dos cultos dinásticos. C. 8. ORRIEUX. O contrato é redigido em abril/maio de 259 a. Antiquitates Iudaicae XII.. Esta carta está datada em 9 de maio de 257 a. [46]. [52]. Paideia. fiador. KIPPENBERG... p.. diz PAUL. C. 74-75. C. O judaísmo tardio. C. 181. O documento segue as regras mais estritas para este tipo de escrito: ano de reinado. p. [44]. p.. [49]. p.C. 42. efetuou-se. c. ORRIEUX.[42]. o. H. A. C. JOSEFO. 451-454.C.. 42-43. SAULNIER. Cf.. 450-451. Cf. o. o. 179. 158-236. C. Cf. c. [45]. Les papyrus de Zenon. pp. Cf. Cf. Le monde hellénistique II. José se tornou o mais alto funcionário civil de Jerusalém". PRÉAUX. 571-572. A. o. pp. sobre José e os Tobíadas.. Antiquitates Iudaicae.. de fato. Ebrei. G.... o. G. Histoire d'Israel III. c. C. Cf.

O partido selêucida em Jerusalém está mais forte do que o ptolomaico. havemos por bem reconhecer todos esses bons ofícios. o Grande. decidimos.). Que sejam terminados os trabalhos do templo. segundo Flávio Josefo. óleo e incenso. com quem entram em conflito. uma contribuição em animais de sacrifício. Diz o decreto: "O rei Antíoco a Ptolomeu[1]. 8. o Grande (223-187 a. como eles proveram abundantemente à subsistência de nossos soldados e de nossos elefantes e visto que nos ajudaram a expulsar a guarnição egípcia instalada na cidadela.C. os judeus de Jerusalém o apóiam nesta luta. A anexação da Celessíria se dá a seguir. desde que entramos em seu país. reconstruir sua cidade arruinada pelos infortúnios da guerra e repovoá-la. Pressionados por Roma. artabes[2] sagradas de farinha de frumento. e expulsa definitivamente os Ptolomeus da Ásia. Para solidificar o fragmentado Império. os pórticos e tudo o que tiver necessidade de ser reconstruído. saudações. Como os judeus. em 197 a. e especialmente Antíoco IV Epífanes (175-164 a. em vinho. vence os exércitos dos Ptolomeus. como à nossa chegada em sua cidade. fornecer-lhes. Jerusalém é contemplada com um decreto de Antíoco III. para os sacrifícios.O Governo de Antíoco III. o Grande. Em primeiro lugar. Por isso. medidas segundo o costume do país. nós. no valor de 20. e suas relações com os judeus e com Roma do governo de Antíoco IV Epífanes e seu conflito com os judeus das causas da helenização da Judéia. o Grande Quando Antíoco III.C. os reis Selêucidas. 1.000 dracmas de prata. Quero que todas estas contribuições lhes sejam entregues segundo minhas instruções.C. os Selêucidas assistem aos progressivo declínio de seu Império. As questões que abordarei neste capítulo tratam: do governo de Antíoco III . junto às nascentes do Jordão. o Selêucida Antíoco III. eles nos receberam magnificamente e vieram ao nosso encontro com o seu senado.460 médimos de trigo e 375 médimos[3] de sal.) vence os egípcios em Panion (Baniyas). As madeiras serão tiradas na Judéia mesma e entre os outros povos e no . nos testemunharam sua benevolência. implantam um acelerado processo de helenização dos vários povos e cidades da região. de nosso lado. fazendo voltar a ela os que foram dispersos.1.C. em razão de sua piedade.Em 198 a.

para que a cidade seja repovoada mais depressa. que incide sobre todas as mercadorias em circulação. o símbolo da vitória. ficam isentos da capitação. sem serem submetidas a nenhuma taxa. O senado e os funcionários do Templo ficam isentos da capitação. os escribas do templo e os cantores do templo serão isentos da capitação. para o futuro. do terço do tributo. para os gregos. incenso. Nós os isentamos ainda. em animais. em 201. nós lhes restituímos a liberdade e ordenamos que lhes sejam restituídos os seus bens"[5]. concedida aos vencedores dos jogos ou a um rei vitorioso[7].Líbano. uma isenção de impostos durante três anos. vinho. trigo e sal a madeira retirada da Judéia e do Líbano para os trabalhos de construção do Templo e dos pórticos está isenta de taxas todos os membros do povo judeu devem viver segundo as leis de seus pais o senado (gerousia). O mesmo será feito com todos os outros materiais necessários para se enriquecer a restauração do templo.C. a fim de indenizá-los de suas perdas. as cidades começam a oferecer aos seus reis coroas de ouro ou uma soma equivalente . imposto pessoal recolhido dos adultos. do imposto coronário e da taxa sobre o sal.o governo selêucida toma as seguintes medidas: o o o o o que seja dada uma contribuição real para os sacrifícios. concedo àqueles que a habitam atualmente e àqueles que nela se estabelecerem até o mês de hyperberetaios[4]. Para que a cidade seja repovoada mais depressa. . óleo. Além da reconstrução e do repovoamento da cidade . flor de farinha. O senado. Examinemos um pouco o decreto.que sofrera três assédios consecutivos. Com o tempo. Todos os membros da nação (éthnos) devem viver segundo as leis de seus pais. os escribas do Templo e os cantores do Templo. os sacerdotes. do imposto coronário e da taxa sobre o sal isenção de impostos durante três anos para os atuais habitantes da cidade e para aqueles que vierem nela morar até determinada data. A madeira para a restauração do Templo está isenta do imposto alfandegário. Quanto aos que foram tirados da cidade e reduzidos à escravidão. os sacerdotes. É interessante observarmos as medidas de Antíoco III sobre os impostos[6]. Ficam isentos também do imposto coronário: a coroa de folhas é. 199 e 198 a.

Na carta de nomeação de Artaxerxes a Esdras (do ano 398 a. porteiros e servos do templo (vv. o tributo. são isentos durante 3 anos do phóros. H. de um templo. O que Antíoco III faz é seguir a velha política persa em relação aos judeus. cantores.). finalmente.? Durante o século III a. está incluída a ordem ao encarregado das finanças da província Transeufratiana. ou talvez . se aceite o produto "in natura". com este decreto. de um éthnos ou de uma cidade. podendo somente o rei conceder a isenção. É preciso observar também que a reconstrução e o repovoamento da cidade são medidas necessárias para o fortalecimento do governo e dos interesses de Antíoco III naquela região disputada pelos Ptolomeus. a expansão selêucida sob Antíoco III. nos enganar. naquela época. Por que Roma e os Selêucidas se enfrentam no século II a. estas medidas não devem . Esta taxa é conhecida na Palestina e na Babilônia. Cartago é uma colônia fundada pelos . entretanto. G. bem como a isenção de tributos para sacerdotes. sob outro aspecto. Antíoco III reforça o papel da aristocracia. liga o destino do éthnos (= nação) judeu às decisões reais. levitas. pois não superam as decisões comuns tomadas em relação a outras cidades. associada há muito ao poder através da gerousia e que. na Palestina. Entretanto. Apesar de parecerem benevolentes. o Grande. que tem boas salinas. mas porque o quer o governo selêucida[8].em dinheiro. Provavelmente paga-se determinado valor ao governo. Pois as leis dos antepassados (a Torá) devem ser obedecidas não porque assim o decidem os judeus. O que antes era espontâneo acaba institucionalizado e tornado obrigatório.C. Ainda: o senado e o Templo ficam isentos da taxa sobre o sal. será impedida por Roma na medida em que seus interesses entram em choque com a forte república na Europa.C. que regulamenta o apoio material ao culto.12-26). este último sendo o caso de Jerusalém. exigido de uma província. em prata ou em produtos.C. 21-24)"[9]. Deve-se observar que. Kippenberg observa que "este decreto tem paralelo no documento de administração persa (Esd 7. Roma disputa com Cartago a posse da Sicília e o controle do Mediterrâneo ocidental. Os habitantes da cidade.

e a maior parte lançando coroas e fitas frontais em sua direção.C. após ser derrotado por Roma. A primeira guerra dura 23 anos.C. outros. sem guarnições em suas cidades e sem a imposição de quaisquer tributos e governados pelas próprias leis de suas respectivas pátrias: os coríntios. O cônsul Flamínio proclama a "liberdade dos gregos" em 196 a.C. Aníbal.) Cessadas as aclamações ninguém mais demonstrou o menor interesse pelos atletas. Roma enfrenta e vence Antíoco III na batalha de Magnésia. os foceus. Aliás.. os lócrios. De fato.. A segunda guerra acontece de 218 a 202 a.. alguns dos presentes.C. os magnésios. Três grandes guerras são feitas entre as duas potências[10]. realizados naquele ano. ao mesmo tempo em que Roma se torna líder de uma poderosa confederação italiana. A terceira guerra. agiam a bem dizer como homens fora de si. de tal maneira que terminados os jogos a multidão quase matou Flamínio com suas demonstrações de gratidão.C. quase o reduziram a pedaços"[13]. Desde o início haviam começado os aplausos ensurdecedores (. em 197 a. após a vitória sobre o rei Filipos e os macedônios. Os cartagineses constroem importante império comercial. no começo . Durante os jogos Ístmicos. Durante a segunda guerra púnica[11] Aníbal alia-se a Filipe V da Macedônia para abrir outro front para Roma. Após vencer Cartago. e todos os presentes. ansiosos por apertar-lhe a mão. Fatalmente os interesses das duas potências se chocam e o enfrentamento militar torna-se inevitável. com a vitória de Roma sobre o famoso general Aníbal. deixam livres os seguintes povos. Roma ataca a Macedônia e vence Filipe V em Cinoscéfalos. de 264 a 241 a. refugia-se na corte selêucida e instiga Antíoco III a lutar contra Roma. desejosos de vê-lo frente a frente e de chamá-lo de seu salvador. em Corinto. na qual Roma destrói Cartago e anexa seus territórios. oposta à Macedônia em um confronto pelo Épiro. maneira de barrar a interferência de Filipe V na Grécia. os eubeus. segundo Políbio: "'O Senado de Roma e o procônsul Tito Quíntio. se dá entre 149 e 146 a. falando com os seus vizinhos ou consigo mesmos.C. bandeira desfraldada cada vez que reis e Estados rivais se enfrentam pela posse da região. Após muitas negociações frustradas.fenícios no norte da África (na região da atual Tunísia) talvez no século IX a. o arauto anuncia. Então Roma faz uma acordo com a liga etólia12 . os aqueus ftióticos. os tessálios e os perrébios'. este tema da "liberdade dos gregos" é pura manobra política. como sempre.

nós lhe oferecemos paz e amizade sob condição de ratificação do Senado"[15]. O talento eubóico. No futuro ele não terá mais elefantes e terá somente o número de navios que nós fixaremos. a opinião grega.000 talentos eubóicos. Ele fornecerá vinte reféns. nem mesmo em assuntos gregos. Se Antíoco respeitar lealmente estas condições. conservado por Apiano. Logo.500 após a ratificação do tratado e 12. porém.as fronteiras serão traçadas em seguida. A todos. . Daqui para a frente. pai de Eumênio. Rostovtzeff comenta: "A situação geral do mundo helênico não foi afetada por esta guerra. diz o seguinte: "Antíoco deverá abandonar tudo o que ele possui na Europa e. Ele entregará todos os seus elefantes e todos os navios que indicaremos. mas nenhum poderoso. a paz entre Roma e os Selêucidas é estabelecida em Apaméia da Frígia. sem consultar. do nome da ilha de Eubéia.C. da qual ele é o responsável. Em 188 a. perde 50 mil homens de infantaria.000 kg de prata. assistindo à fragmentação progressiva dos seus domínios e lutando com grandes dificuldades financeiras. Os romanos perdem apenas 400 homens. O equilíbrio de poder de que Roma se tornara guardiã continuou a existir. 15 elefantes e Cipião faz 1400 prisioneiros. O exército romano é comandado por Lucius Cornelius Cipião depois cognominado "o Asiático" -. segundo a lista elaborada pelo cônsul. as províncias aquém do Taurus . e especialmente às cidades gregas. cada anuidade devendo ser paga a Roma. 2. Ele pagará pelas despesas desta guerra. Roma garantia 'liberdade'. embora de forma peculiar: Roma resolvia todas as disputas internas da Grécia. 3 mil cavaleiros.de 189 a. M. 500 talentos eubóicos imediatamente. o Africano. O tratado de Apaméia.C. mas no momento em que qualquer um deles mostrava tendências de realizar uma política independente.000 em doze anos. Todos os reinos helênicos eram independentes. Antíoco deve pagar a Roma o equivalente a 390. Assim começa o declínio do império selêucida. Antíoco III e seus sucessores debater-se-ão em crescentes lutas internas pelo poder. Antíoco. ajudado por seu irmão Cipião. quando são impostas humilhantes condições a Antíoco III[14]. Só a Roma Antíoco deve pagar 15. na Ásia. pesa cerca de 26 kg. que tem 72 mil soldados. Ele nos entregará todos os prisioneiros e os desertores e restituirá a Eumênio tudo o que ele ainda retém das possessões adquiridas em virtude do acordo feito com Átalo. prontamente o esmagava"[16].

na verdade. premidos que estarão por Roma. da estirpe de Belga. Este foi o fim pouco glorioso de Antíoco.500 kg) e de 200 talentos de ouro (5. Esta lenda nos oculta totalmente o que de fato acontece em Jerusalém neste episódio.C. em 187 a. Heliodoro é informado por ele de que os depósitos. após trinta e seis anos de reinado com a idade de cerca de cinqüenta e cinco anos. em relação a cidades como Jerusalém. Seu sucessor. Segundo 2 Macabeus.250 kg). dito o Grande. tenta apoderar-se do dinheiro depositado no Templo de Jerusalém. ao manifestar suas intenções a Onias III. escolhendo a Heliodoro. ele e os seus. pertencem aos órfãos e às viúvas. pelos habitantes que acorreram em defesa do santuário. o total dos depósitos é de 400 talentos de prata (10.4-40. investido no cargo de superintendente do Templo. "Ora. sendo portanto possível fazer tudo isso cair sob o domínio do rei. e tendo-o assaltado de noite com suas tropas.. É o conhecido incidente de Heliodoro. Abel explica que ele foi "ao templo de Bel. Não conseguindo prevalecer sobre Onias foi ter com Apolônio de Tarso. enviou-o com ordens de proceder à requisição das referidas riquezas" (2Mc 3.O que ocorrerá é que. ao contrário do que lhe fora dito. E que esse dinheiro não tinha proporção alguma com as despesas dos sacrifícios.C. Entrevistandose então com o rei. Selêuco IV Filopator (187-175 a. entrou em desacordo com o sumo sacerdote a respeito da administração dos mercados da cidade. F. por exemplo. narrado em 2Mc 3. O certo é que Heliodoro não consegue apossar-se do dinheiro do Templo. pela população revoltada. O texto continua dizendo que. certo Simão. Ele foi morto.24-34).C. E o rei. não levou em conta a coragem vigilante das populações desta região rude. E referiu-lhe que a câmara do tesouro em Jerusalém estava repleta de riquezas indizíveis. para conseguir dinheiro com que pagar aos romanos. além do dinheiro do Tobíada Hircano. famoso por possuir muito ouro e prata dedicado ao deus.-M. . o próprio Iahweh o impede através de anjos (2Mc 4. quando saqueia um templo elamita."[17]. E que. Apolônio informou-o acerca das riquezas que lhe haviam sido denunciadas. os sucessores de Antíoco III não terão condições de manter a prometida isenção tributária. a ponto de ser incalculável a quantidade de dinheiro.).4-7). superintendente dos seus negócios. O próprio Antíoco III é morto em 187 a. que naquela ocasião era o estratego da Celessíria e da Fenícia. apoiado por judeus dissidentes do sumo sacerdote Onias III.

mas tendo em vista o interesse comum e o individual de toda a população. não era mais possível alcançar a paz na vida pública. enquanto em Jerusalém os acontecimentos se precipitam. de cerca de 40 litros. E isto. o perigo dessa rivalidade e como Apolônio. como administrador do santuário. Pois ele estava percebendo que. [3]. estratego da Celessíria e da Fenícia. ainda fomentava a maldade de Simão. Onias foi ter com o rei. Artabe é uma medida egípcia de capacidade. não para se tornar acusador de seus concidadãos. garantidas pelo decreto de Antíoco III. de cerca de 50 litros. nos mercados.4-6: "Considerando. a quem se dirige o rei Antíoco. Heliodoro vai embora. então. a supervisão dos mercados. é o estratego e sumo sacerdote selêucida da Celessíria. mas as intrigas de Simão continuam. filho de Menesteu. ou porque Simão permite a venda. Este Ptolomeu. Simão pode ter acusado Onias de entesourar os excedentes das subvenções reais destinadas aos sacrifícios. ou porque ele comete abusos na venda de animais destinados aos sacrifícios. . É possível que neste conflito entre Simão e Onias III estejamos assistindo ao primeiro embate entre judeus helenistas e judeus ortodoxos. A tal ponto que Onias III é obrigado a ir a Antioquia dar explicações ao rei. a agoranomia é uma fiscalização encarregada de verificar os pesos e medidas e a regularidade das transações comerciais. [2]. que é supervisor dos mercados e superintendente (prostátes) do Templo[19]. sem uma intervenção do rei. Muitas soluções são propostas[18]: ou Onias discorda da acumulação de cargos feita por Simão. Não sabemos exatamente em que consiste a agoranomia em Jerusalém e nem qual é a razão do conflito entre Simão e Onias. Nas cidades gregas. NEXT [1]. segundo 2Mc 4. Médimo é uma medida antiga de capacidade.O desacordo entre o sacerdote Simão e o sumo sacerdote Onias III é a propósito da agoranomia. Por outro lado. De qualquer modo. de produtos proibidos pela Lei. Onias III acaba retido em Antioquia. nem Simão haveria de pôr termo à sua demência".

. a formação de confederações de cidades gregas é vista como uma solução. C. dizem AYMARD. PRÉAUX. 77-81. Religião e formação de classes na antiga Judéia. 199. Brasília. Cf. [14]. Israel e Judá. As guerras entre Roma e Cartago são chamadas de "púnicas" porque os romanos chamam os cartagineses. os etólios acabam anexando quase toda a Grécia central. 46.. um desafio aos romanos. 19822..221-224. pp. 32-34. PRÉAUX. Ars Poetica. KIPPENBERG. PEIXOTO. Cf. História de Roma. 78. Studies on the Meaning and Origin of the Maccabean Revolt. pp. Difel.. SAULNIER. Histoire politique du monde hellénistique II. os Jogos Ístmicos. JOSEFO. The God of Maccabees. [7]. 98-99.. sobre os impostos selêucidas. pp. Rio de Janeiro. e obscuros durante muito tempo. pp. Cf. M. São Paulo. c. em Corinto. Com a decadência da pólis. POLÍBIO. donde puni e "guerras púnicas". Le monde hellénistique I. Há quatro grandes jogos pan-helênicos: os Jogos Olímpicos. [11].. 481-482. Textos do Antigo Oriente Médio.. no vale de Neméia. os Jogos Píticos. Le monde hellénistique I. Paulus. [9]. P. de poeni (= fenícios). E.. [6]. 1991. 210-215. 1985. Leiden. São Paulo. Antiquitates Iudaicae XII. Cf.. H.. 138-144. [13]. 1993. E. O Oriente e a Grécia Antiga II. KIPPENBERG. . São Paulo. em Delfos e os Jogos Nemeus. G. H. J. Aníbal.. 153-163. [8]. 456-458.. C. Editora da UnB. WILL.. 1979. A. pp.. pp. Presses Universitaires de Nancy. F. E. Rio de Janeiro. C. 56-78. Nancy. pp. Brill. 19774. 19775. BICKERMAN. PAUMAPE. Aníbal. Histoire d'Israel III. ROSTOVTZEFF. em Olímpia. 102-104..[4]. Zahar. História XVIII. em latim. inclusive grande parte da Tessália". pp. p. Cf. [12]. [5]. Uso para este texto a tradução que se encontra em AA.VV. pp. Histoire d'Israel III. 384-388. SAULNIER. C. "Instalados na margem setentrional do golfo de Corinto. [10]. 19972. Hyperberetaios é um mês macedônio que corresponde a agosto/setembro. M. G. p.. pp. BRADFORD./AUBOYER. o pai da estratégia. o.

C. M. p. Cf. C. SAULNIER. Histoire de la Palestine I. pp. 1987. p.C. Só que menos da metade pode ser testemunhada com certeza pelos dados históricos e arqueológicos.. 372-373. c. [17]. História de Roma. Histoire d'Israel III. o. Syriaka 38-39.. 19-21. Histoire politique du monde hellénistique II. A instabilidade do reino selêucida aumenta e Antíoco IV toma medidas helenizantes como forma de consolidar o seu poder.. o texto em SAULNIER. Segundo Plutarco. Apiano é natural de Alexandria e morre aproximadamente em 160 d. Cf. ROSTOVTZEFF. Selêuco IV é assassinado. A fundação de cidades é um instrumento fundamental para a helenização do Oriente com o conseqüente fortalecimento do poder macedônio. [19]. Alexandre teria fundado 70 Alexandrias. A revolta dos Macabeus. São Paulo.2. 104. pp. que se tinha desenvolvido a civilização grega. pp. Atenas. 105-108.. 71. Alexandre tinha mostrado bem ser o herdeiro da tradição. ABEL. dos quais temos hoje dez. também WILL. Trabalha como advogado em Roma e compila narrativas em grego de várias guerras romanas em 24 livros. ABEL. F.. E. "A civilização arcaica e clássica tinha coincidido com o desenvolvimento da pólis e era nos grandes centros urbanos. promove a adoração de Zeus e reivindica para si prerrogativas divinas[20]. ao semear o Império que acaba de conquistar com numerosas Alexandrias"[21]. pp.C. 107-110. F. Histoire de la Palestine I. onde era refém desde 188 a. Siracusa. que voltava de Roma. Antíoco IV e a Proibição do Judaísmo Em 175 a.C. Corinto.). Assume o poder o seu irmão Antíoco IV Epífanes (175-164 a.. APIANO.. Paulus.-M. [16]. Concede o status de pólis a várias cidades. Idem. tais como Mileto. O prostátes é o encarregado de administrar as finanças do santuário. . 8. quando seu pai Antíoco III perdera a batalha de Magnésia e assinara o tratado de Apaméia. Cf.-M.[15]. C.. [18]. pp. 238-240.

fundação de uma cidade grega ao lado de uma cidade oriental[24].. Ele é o praesens divus. recorrem à política da difusão da pólis. na mesma proporção. Esta não é uma criação grega. enfatizada por Antíoco IV Epífanes. com estrutura grega. .A fundação de cidades tem. mas oriental. a partir desta época começa a ter sobre sua cabeça uma estrela. A reivindicação de prerrogativas divinas pelo rei é outra arma de controle das populações orientais. fragmentando as antigas satrapias entre as cidades"[23]. de 175 a 169 a. a fortuna do rei. que acresce. "Os objetivos desta urbanização [dos Selêucidas] são bastante diversos. de uma cidade arrasada pela guerra ou por um terremoto. que guardam os grandes eixos de circulação e as posições estratégicas (. a inscrição das moedas selêucidas é "Rei Antíoco Theos Epífanes". Especialmente os Selêucidas.. usada desde Alexandre e. recriação. são a garantia da ordem política. habilmente incorporada pelos dominadores macedônios.C. tornam-se lugares de comércio e atraem os nômades para as suas vizinhanças. fusão entre cidades pequenas que não têm como se defender.) Elas diminuem as resistências indígenas. para Alexandre. Situados acima dos homens. que sua vitória o manifestou como deus. entretanto. ou que é um deus que se manifestou na sua carne. Os reis egípcios. aparece nas moedas cunhadas em Antioquia apenas com a inscrição "Rei Antíoco". definitivamente. Há vários modos de se criar uma pólis: fundação de uma cidade grega dentro de uma antiga cidade oriental. face ao esfacelamento do império selêucida. econômicos e políticos: servem para guardar passagens de grandes vias de comunicação. lembrar que a fundação das póleis gregas nem sempre começam do nada. agora. herdeiros de um império multinacional. Elas permitem a implantação de tropas. É bom. E a partir de sua vitória sobre o Egito. símbolo da divindade. assírios ou babilônios são deuses ou filhos prediletos dos deuses. dando-lhe um estatuto político e um nome grego. mas também da ordem cósmica e da fertilidade da natureza. e. "Ele pensa. fazendo deles camponeses que sustentarão as cidades[22]. Os sucessores de Alexandre seguem a mesma política. objetivos estratégicos. Antíoco IV que.. As cidades favorecem o desenvolvimento econômico.

segundo sua intenção. especialmente entre a aristocracia sacerdotal e leiga. ou na Transjordânia é necessário ir a Pella. o processo de helenização avançara bastante desde o século anterior. 'manifesto'. F. E alguns de entre o povo apressaram-se em ir ter com o rei. que a Judéia está cada vez mais cercada por cidades helenizadas e é impossível ao judeu não tomar contato com o seu modo de vida. Gazara e Jope também não podem ser evitadas[26]. façamos aliança com as nações circunvizinhas. Jasão (Joshua). o qual lhes deu autorização para observarem os preceitos (dikaiômata) dos gentios". Quem vai a Ptolemaida passa por Samaria ou Dora. leva-o a sobrecarregar seus súditos e o instiga ao saque de templos para a obtenção de fundos.11-13 comenta o caso do seguinte modo: "Por esses dias apareceu em Israel uma geração de perversos (paránomoi) que seduziram a muitos com estas palavras: 'Vamos. geradas pela pressão romana. com sua apoteose"[25]. ou seja. o epíteto epifanés. por exemplo. Abel observa. que os impede de se integrarem totalmente no modo de vida grego. Do lado do mar? Marisa está na rota de Gaza ou Ascalon. é relacionado com Theós.-M. a Gadara ou a Filadélfia. Enquanto isto. em Jerusalém. oferece ao rei alta soma em dinheiro e um rápido programa de helenização dos judeus em troca do cargo de sumo sacerdote. Jâmnia. por isso. A ocasião favorável aos partidários da helenização surge quando Onias III. se alguém negocia na Galiléia não pode fugir de Citópolis ou Filotéria. Estes helenizantes defendem urgente revogação do decreto de Antíoco III. está em Antioquia cuidando dos interesses de seu povo e Antíoco IV assume o poder. Forma-se um forte partido pró-helênico. Um irmão de Onias III. Agradou-lhes tal modo de falar. o conservador sumo sacerdote. As dificuldades econômicas enfrentadas por Antíoco IV Epífanes. . está em luta com os judeus tradicionais e fiéis à Lei. a quem deve pagar mil talentos por ano. que pretende incrementar o avanço civilizatório grego e. pois muitos males caíram sobre nós desde que delas nos separamos'. 1Mc 1.

irmão de Onias. Além disso. ao que parece. direito) significando obrigações legais. Além dos esportes gregos. 2Mc 4. sendo recebido pelos filo-helenistas com grande entusiasmo. segundo Dt 13. Antíoco IV Epífanes aceita a oferta de Jasão. ele. Um ginásio grego não é mera praça de esportes. é instalado um ginásio em Jerusalém. bem como de fazer o levantamento dos antioquenos de Jerusalém. empenhava-se em subscrever-lhe outros cento e cinqüenta talentos[28]. praticados nus . Obtido. se lhe fosse dada a permissão. em 174 a. pela autoridade real. É uma instituição cultural das mais importantes. começou a fazer passar os seus irmãos de raça para o estilo de vida dos gregos". pois precisa de dinheiro. vestir-se à moda grega. são algumas das atividades praticadas no ginásio. Também o dikaiômata tôn éthnôn (preceitos dos gentios) é significativo. Durante uma audiência. Assim. assim. Jasão. abandonar as normas da Lei e seguir leis gentias[27]. suspeita de tendências pró-ptolomaicas em Onias III. portanto. Consta que o rei Antíoco IV vai a Jerusalém nesta época.14. Falar o grego corretamente. tem urgência em helenizar a região para garantir sua fronteira sul e. pessoas que fazem propostas de apostasia da Lei. Daí que "fazer aliança com as nações" indica renegar a Lei e seguir costumes gentios. cognominado Epífanes. Observar os preceitos dos gentios significa. de construir uma praça de esportes e uma efebia. tendo passado Selêuco à outra vida e assumindo o reino Antíoco. ele prometeu ao rei trezentos e sessenta talentos de prata e ainda.7-10 descreve do seguinte modo os fatos: "Entrementes. mais oitenta talentos. o ginásio implica a presença de divindades protetoras. o consentimento do rei. começou a manobrar para obter o cargo de sumo sacerdote. a serem deduzidos de uma renda não discriminada. Dikaíôma é usado pelos LXX para traduzir o hebraico derek ou mishpat (caminho. aos pés da acrópole. tão logo assumiu o poder.o que causa embaraço aos jovens judeus circuncidados -. . usada no processo de helenização de várias cidades orientais.C. contíguo à esplanada do Templo. como Héracles (= Hércules) e Hermes e ensina a maneira grega de se viver e de se ver o mundo. conhecer e discutir a cultura grega.O termo paránomoi indica.

tal ardor de helenismo e tão ampla difusão de costumes estrangeiros. "o ginásio parece ter sido realmente uma corporação separada de judeus helenizados. Jasão enviou Menelau. entrementes. C. irmão do já mencionado Simão. tendo se apresentado ao rei e adulando-o pela ostentação de sua autoridade. o resultado é o mesmo: uma parte dos judeus pretende doravante viver à maneira helênica. Certamente porque estão sob a proteção real. esse ímpio e de modo algum sumo sacerdote.aquele Simão que entrara em conflito com Onias III por causa da agoranomia . por causa da exorbitante perversidade de Jasão.9. Saulnier acredita que de duas uma: ou Antíoco IV autoriza a formação de uma pólis dentro de Jerusalém ou a organização de um políteuma em Jerusalém[30]. 2Mc 4.19. Diz 2Mc 4. de modo que a Torá não é mais a única lei. estabelecida dentro da cidade de Jerusalém"[29].23-24: "Depois de um período de três anos. quando um sacerdote não-sadoquita. irmão de Simão . a levar as quantias ao rei e a completar-lhe relatórios sobre certos assuntos urgentes. porém.oferece a Antíoco 300 talentos de prata (cerca de 7. superando em trezentos talentos de prata a oferta de Jasão". o decreto de Antíoco III não se aplica mais à totalidade da população"[31]. quer ele tenha reunido um certo número de judeus em um políteuma de estrutura grega -. faz uma oferta maior a Antíoco IV e obtém o sumo sacerdócio. se complica. desse modo. com satisfação que [Jasão] construiu a praça de esportes justamente abaixo da Acrópole e. isto é.quer Antíoco IV tenha fundado uma pólis em Jerusalém. segundo alguns. apoiado pela poderosa família dos Tobíadas. com direitos cívicos e legais definidos. pois. ou mesmo porque são considerados como "cidadãos de Antioquia". Menelau.12-14a fala do ginásio de Jerusalém com grande desgosto: "Foi. "De qualquer modo . chamado Menelau. conduziu-os ao uso do pétaso[32].800 kg) suplementares na época de pagar o tributo. obrigando os mais nobres de entre os moços.Além do que. como se vê em 2Mc 4. que os próprios sacerdotes já não se mostravam interessados nas liturgias do altar". Menelau. . conseguiu para si o sumo sacerdócio. A situação. Verificou-se. Estes judeus são chamados de "antioquenos" nos documentos da época.

Traçou com esta vara um círculo ao redor de Antíoco e convidou-o a lhe dar. início de 171 a. das coroas. A população de Jerusalém. do candelabro com todos os seus acessórios.C. além disso. dos incensórios de ouro. Vejamos a narração de 1 Macabeus: "Entrando com arrogância no Santuário. Talvez seja a sempre crescente necessidade de dinheiro. Jasão foge para a Transjordânia. já morto nesta época. das vasilhas para as libações. da decoração de ouro sobre a fachada do Templo: tudo ele despojou. em sua segunda campanha contra o Egito. a resposta ao documento. Onias III é assassinado a mando de Menelau.. Então Popilius e seus acompanhantes apertaram sua mão e o cumprimentaram com amizade. antes de sair. de longe o saudou e estendeu-lhe a mão. o rei [Antíoco IV]. Em 169 a. Roma defende. Como protestasse contra a venda de vasos sagrados do Templo (vendidos por Menelau para conseguir o dinheiro prometido a Antíoco IV).21-23 narra este saque do Templo. Políbio comenta o episódio do encontro de Antíoco IV e Popilius Laenas. e em seguida declarou que faria tudo o que os romanos pediam. O . revoltada com as ações de Menelau. apoderou-se do altar de ouro. campanha vitoriosa. Popilius fez um gesto aparentemente intolerável e de uma arrogância inusitada. os utensílios preciosos e os tesouros secretos que conseguiu descobrir". Mas o outro.C. 1Mc 1.) O rei a leu e declarou desejar deliberar com seus amigos acerca desta novidade. com a aprovação de Menelau[33]. Ao ouvir isto..C. aturdido com esta insolência.Isto se dá em fins de 172 a. do véu. do qual se desconhece a causa. Antíoco IV é impedido de entrar em Alexandria. O rei. pelo legado romano Popilius Laenas.. Tomou. pensou um instante.C.. das taças. deste modo. o ouro. interessante para se avaliar o poder de Roma neste momento histórico: "Quando ele viu o general romano Popilius. o Tobíada dissidente e pró-Lágida. Antíoco IV saqueia o Templo de Jerusalém. o fraco Egito e vigia de perto os Selêucidas.. vê três membros da gerousia serem executados por Antíoco IV. da mesa da proposição. a prata. para o feudo de Hircano. Já em 168 a. Ele tinha na mão uma vara de videira. quando oficialmente denunciam as arbitrariedades cometidas pelo sumo sacerdote. lha estendeu e pediu que a lesse imediatamente (. e de assim anexar o país. que tinha uma tabuinha onde estava transcrito o senatus-consulto. na volta de sua primeira campanha egípcia.

como Acra (= cidadela). sede de uma guarnição e verdadeira pólis. . filho de Tobias. a existência de um partido pró-Selêucidas. com forte contingente. Na Palestina corre o falso boato de que Antíoco morrera no Egito e Jasão ataca Jerusalém. No começo de 167 a. Antíoco IV deixa na cidade o frígio Filipe com uma guarnição. Saulnier assim resume estes acontecimentos: "Podemos dizer que há em Jerusalém dois motivos de dissensões que não coincidem entre si. outrora sustentado por Hircano. no final do verão de 168 a. que restabelece Menelau no poder. mas este não consegue controlá-la (2Mc 5. executando muitos judeus e vendendo a outros como escravos. Durante cerca de 25 anos a Acra será o braço armado selêucida em Jerusalém. Muralhas demolidas e construção de poderosa fortaleza em Jerusalém. Jasão promove sangrento massacre na cidade. pune Jerusalém. Antíoco IV envia a Jerusalém Apolônio. no coração de Jerusalém.. por Menelau e sem dúvida por aqueles que são designados como antioquenos de Jerusalém"[35]. Além disso. assassinatos em massa. Jasão e Menelau. e Onias III. em grego. C. encostada no Templo.C. de outro lado. o misarca (comandante das tropas mísias).514). o rei Selêucida. espinho atravessado na garganta dos judeus fiéis. apoiado pelos Tobíadas. o rei enviou o misarca Apolônio à frente de um exército de vinte e dois mil homens. mas foge com a chegada de Antíoco IV. as dificuldades do reinado de Antíoco IV sugerem a existência de um partido pró-Lágidas. Ataque. parecendo amplamente encorajados por dois sumos sacerdotes sucessivos e rivais. conhecida. Menelau refugia-se na acrópole.23b-24 assim fala da intervenção de Apolônio: "Nutrindo para com os súditos judeus uma disposição de ânimo profundamente hostil. e. os judeus estão divididos a propósito do helenismo em aproximadamente duas facções que podemos designar como a dos filohelenos e a dos assideus: os primeiros. Consta que. escravidão. com a ordem de trucidar todos os que estavam na força da idade e de vender as mulheres e os mais jovens". Primeiramente.senatus-consulto ordenava-lhe parar imediatamente a guerra contra Ptolomeu"[34].C. 2Mc 5. pensando estar havendo uma revolta. depois por Jasão e talvez por uma fração da população que já se esquecera das durezas da administração egípcia.

Abasteceram-na de armas e víveres e nela depositaram os despojos tomados em Jerusalém. Desencadeia-se feroz perseguição a todos os inimigos de Menelau. suas propriedades são confiscadas e transferidas para os Tobíadas ou para as colônias militares reais.41-53): o o a abolição da Torá. e nela se fortificaram. Acredita-se que tenha sido para vencer a. É nesta época que começa verdadeira caçada aos Oníadas e a seus partidários. Qualquer violação destas normas tem a morte por punição uma reforma do culto em toda a Judéia: a abolição dos sacrifícios e da sacralidade do santuário e dos sacerdotes. a ereção de altares em todo o país e o sacrifício de porcos e outros animais impuros a deuses estrangeiros. Como norma geral. com seus mandamentos e suas proibições: ficam proibidas as práticas do sábado. É quase certo que o partido helenista de Jerusalém tenha pedido a intervenção real e tenha apontado as medidas necessárias para aniquilar os judeus tradicionais[37]. . Os habitantes do distrito judaico transformam-se em cidadãos sem direitos. os assideus (= piedosos) são obrigados a fugir para os desertos e montanhas. Os fiéis seguidores da Lei. duas medidas são tomadas (1Mc 1. Por outro lado.1Mc 1. e dela fizeram a sua Cidadela. da distinção de alimentos puros e impuros. resistência judaica ao programa de helenização é que Antíoco IV decide proibir a prática do judaísmo. tornando-se eles assim uma armadilha enorme"[36]. dotando-a de grande e sólida muralha e torres fortificadas. Todos os manuscritos da Lei devem ser destruídos. Como é de praxe em tais circunstâncias. por enquanto pacífica. enfim. Povoaram-na de gente ímpia. Jerusalém é. é preciso considerar que esta intervenção direta e brutal contra os costumes e os deuses de outros povos não é uma praxe grega.33-35 descreve a construção da Acra: "Então reconstruíram a cidade de Davi. uma cidade contaminada: os gentios controlam a sua população.C. no verão de 167 a. homens perversos. das festas. da circuncisão.

ABEL. Por detrás disso tudo podemos ver as tristes figuras de Menelau e dos Tobíadas[39]. o epíteto Olímpico recordava suas prerrogativas sobre as outras divindades e seu aspecto uraniano (isto é.. História de Israel. pp. segundo Dn 11.C. Saulnier que "deus iminente dos gregos.]. WILL. M. A revolta dos Macabeus. 21-31. era designado nos textos judaicos como "o Deus dos céus". na Síria ele fora assimilado a Baal Shâmin. para o reinado de Antíoco IV e seu confronto com os judeus.Para completar... . Judaism and Hellenism I. Quanto aos livros da Lei. desde a época persa. 326-341. senhor das tempestades e da fecundidade. pp. podemos admitir que Antíoco IV quisesse introduzir em Jerusalém uma divindade sincrética.C.. o rei fez construir.31. pp. HENGEL.54-57. Zeus representava os valores do poder e da autoridade. pp. uma verdadeira cruzada contra a Lei. Nestas condições. Idem. F.. Histoire d'Israel III. Explica C. NEXT [20]. São Paulo. deus soberano. é introduzido o culto de Zeus Olímpico no Templo de Jerusalém. o decreto real o condenava à morte (. Os judeus são também obrigados a participar da festa de Dionísio e do sacrifício mensal em honra do aniversário do rei (2Mc 6. Histoire politique du monde hellénistique II.. os que lhes caíam nas mãos eram rasgados e lançados ao fogo.64 assim descreve a "abominação da desolação": "No décimo quinto dia do mês de Casleu do ano de cento e quarenta e cinco [8 de dezembro de 167 a. C. sírios e gregos reconhecer nela a emanação de um deus soberano"[38]. que permitisse a judeus. 1Mc1. Paulus.. Onde quer se encontrasse em casa de alguém um livro da Aliança ou se alguém se conformasse à Lei.. 277-290. Enfim. sobre o altar dos holocaustos. 570-576. SAULNIER. Tais aspectos podiam aparentemente aproximá-lo de Iahweh que. a Abominação da desolação. Histoire de la Palestine I.. com respectiva imagem e sacrifício. em dezembro de 167 a. 1978. pp.-M. BRIGHT. pp. Cf. de deus do céu). 109-132. E.7). A introdução deste culto no Templo é a "abominação da desolação". J. Também nas outras cidades de Judá erigiram-se altares e às portas das casas e sobre as praças queimava-se incenso. 105-121.) Foi sobremaneira grande a ira que se abateu sobre Israel".

BICKERMAN. Cf. Este começou as operações em 169 e. [32]. [22]. 59. 46-53. [30].. pp. o. The God of the Maccabees. Cf. [35]. O mundo helenístico. Le monde hellénistique II. p. 24. p. o equivalente a cerca de 15. ABEL. p. C. depois de uma campanha fácil. E. [25]. E. este texto em SAULNIER. pp. POLÍBIO. LÉVÊQUE. p. Idem. BRIGHT. pp. A revolta dos Macabeus.-M. PRÉAUX. C. pp. LÉVÊQUE. 401-403. P. pp. 403-408. pp.[21]. Jasão oferece a Antíoco 590 talentos. SAULNIER. [23]. Histoire politique du monde hellénistique II. Um talento ático pesa 26. [31]. p. 110-111. SAULNIER. p. explica SAULNIER. F. Cf.2 kg. 376-377. Cf.. ocupou Mênfis". Histoire d'Israel III. Histoire politique du monde hellénistique II. [26]. [34]. Pétaso é o chapéu de copa baixa e abas largas usado nos exercícios pelos atletas gregos no ginásio... que se tornara rei com a morte de seu pai em 180. C. Cf. 61. [33]. 113. ibidem..340 kg de prata. tais regentes parecem ter declarado guerra contra Antíoco IV em 170. a análise do episódio em WILL. Histoire d'Israel III. [29]. Cf. PRÉAUX. [27].. p. Cf. 27. 572. 320-325. cf. SAULNIER. C.. C. ibidem. C.. A revolta dos Macabeus... Por motivos obscuros. Le monde hellénistique II. p. Cf. [36]. 128.. História de Israel. p. Histoire d'Israel III. também WILL. História XXIX.. 311-320. 112. . "O reinado [dos Ptolomeus] era dirigido por regentes que governavam em nome do jovem Ptolomeu VI. 109. Histoire de la Palestine I. 23.. c.. Idem. [28]. J. P. p. Para o significado da Acra em Jerusalém.. C. [24]. E.

Idem. p. sugerido a Antíoco IV as medidas a serem tomadas. 287-289. 118-121. pp.As Causas da Helenização Com muita freqüência. mostra que há duas interpretações divergentes para as medidas anti-judaicas de Antíoco IV Epífanes[40]. Judaism and Hellenism I.41-42. HENGEL. 8. Cf. J. C. as motivações religiosas é que oferecerão os conceitos para a leitura dos fatos. Sem consideração para com os deuses de seus . inclusive. E todas as nações conformaram-se ao decreto do rei". em seguida. [39].. pp.. por exemplo. É a que considero mais provável.) O rei agirá a seu belprazer. ele os perverterá com suas lisonjas. que diz: "O rei prescreveu. 27-28.porque o que está decretado se cumprirá.[37]. Cf.. renunciando cada qual a seus costumes particulares. A revolta dos Macabeus. Judaism and Hellenism I. até que a cólera chegue a seu cúmulo . muito bem expressa em 1Mc 1. o livro de Daniel descreve a maldade de Antíoco IV no seu ataque às práticas judaicas: "Tropas enviadas por ele virão profanar o Santuário-cidadela e abolirão o sacrifício perpétuo. mas o povo dos que conhecem a seu Deus agirá com firmeza (. Os que transgridem a Aliança. Uma é a que expus acima: a helenização forçada é conseqüência da pressão exagerada da aristocracia judaica. Saulnier. Claro que. Ele proferirá coisas inauditas contra o deus dos deuses e no entanto prosperará.. C. [38]. ali introduzindo a abominação da desolação. HENGEL.. Com sua linguagem guerreira carregada de simbolismos. 292-303. Histoire d'Israel III. Mas há a versão judaica. pp. que todos formassem um só povo.. pp. na típica visão teocrática do judaísmo de então.. SAULNIER. a todo o seu reino. BRIGHT. exaltando-se e engrandecendo-se acima de todos os deuses. 26. pp. C. História de Israel. que teria.3. têm-se colocado as razões religiosa e cultural como motivo para a helenização da Judéia e conseqüente resistência macabéia. 574-576. M. SAULNIER. A revolta dos Macabeus. M.

com os traços de Zeus Olímpico. local onde se reúne também a assembléia do povo) e se mete nas mais acirradas disputas. sem consideração para com o favorito das mulheres ou para com qualquer outro deus. Tamuz é uma divindade assírio-babilônica de origem popular. mais para o fim de seu governo. é a si mesmo que ele exaltará acima de tudo" (Dn 11. mas ele cultua especialmente a Zeus Olímpico. não dispõe de um mecanismo fiscal para o recolhimento do tributo. Ele é amante de Ishtar. Diz Políbio que Antíoco IV aprecia sair da corte e se misturar com as pessoas do povo. a não ser a satisfação do dever cumprido e o sentimento de contribuir para o bem comum[43] . daí o texto dizer que ele age "sem consideração para com os deuses de seus pais". É que o sistema político grego tradicional. conhecido também sob o nome semítico de Adônis na mitologia mediterrânea. Ou que ele se infiltra nas festas do povo sem ser convidado ou vai ao mercado (ágora. porque também Políbio traça dele um perfil pouco lisonjeiro. Assim. como vimos no caso dos Tobíadas. Apesar de tudo isso.36-37). há motivos econômicos para o conflito que o processo desencadeia[42]. como adotado pelos Selêucidas. Este texto de Daniel é bem representativo da visão judaica do rei ímpio perseguidor do povo justo. está falando do deus Adônis-Tamuz. discutindo longamente com ourives ou outros peritos nos seus ateliês. proporcionando-lhe lucros financeiros e influência política junto ao governo estrangeiro. Quando o texto diz que ele não "tem consideração para com o favorito das mulheres". De qualquer maneira. Os reis Selêucidas antecessores de Antíoco IV cultuavam Apolo.pais. Ou seja: não há uma burocracia profissional que administra as finanças do Estado. a Inanna suméria e a Ishtar acádica. Além das razões estratégicas e políticas dos Selêucidas para incentivar a helenização dos judeus. além de protagonizar outras atitudes populistas41. . alguns elementos precisam ser explicados: "Engrandecendo-se acima de todos os deuses" é uma referência à efígie de Antíoco IV cunhada nas suas moedas. Em Atenas.31-32. por exemplo. Antíoco IV não é bem visto pelos escritores da época. Como esta é uma linguagem apocalíptica. nos reinos helenísticos a função de recolher o tributo é arrendada à aristocracia dos povos dominados. Tamuz é estreitamente vinculado à divindade feminina da fertilidade. razões já apresentadas. o cidadão se dedica à administração da cidade sem receber recompensa alguma. é preciso ir além na interpretação dos fatos.

Igualmente renuncio à terça parte da semeadura e à metade dos frutos das árvores. reforça os privilégios da aristocracia.C. também significava simplesmente 'viver'"[44]. com seu decreto de 197 a. "A autonomia étnica. uma associação de cidadãos livres e autônomos baseada na vizinhança ou no éthnos. sem dízimos e sem tributos". baseada na vontade do rei Selêucida . . que me caberiam de direito: de hoje em diante deixo de arrecadá-los à terra de Judá e aos três distritos que lhe foram anexos. "Desde agora desobrigo-vos.Por outro lado. o Grande. bem como à Samaria e à Galiléia. Ora. Os três primeiros impostos citados. Rodrigues explica que "três grandes princípios presidem à formação da pólis: eleuteria (independência).C. do imposto sobre o sal e do ouro das coroas. uma relação de parentesco baseada na solidariedade dos laços de sangue.que reivindica tal direito como "direito de lança" por ser o conquistador . que significava 'tomar parte nos negócios públicos'. M. em 152 a. por Demétrio I.e não nas tradições dos antepassados codificadas na Torá. dos tributos (phóroi). autonomia (poder próprio) e autarquia (autogestão). Isto a partir do dia de hoje e para todo o tempo. assim como seu território. que trata de uma isenção de impostos concedida aos judeus mais tarde. Judá é e permanece um éthnos também na administração selêucida. Jerusalém seja considerada santa e isenta. O verbo politeyestaí. cria condições para que a aristocracia judaica substitua as leis étnicas por leis políticas. deve-se levar em conta que a noção grega de Estado é concretizada no Oriente: o o ou na pólis. dá-nos uma idéia dos tributos recolhidos pelos Selêucidas na Judéia. A cidade era tudo para o cidadão grego.. e declaro isentos todos os judeus. que foi concedida oficialmente à Judéia. trouxe em si elementos que ofereciam à aristocracia das cidades novas possibilidades"[45]..29-31. do imposto sobre o sal e do imposto coronário. Mas o próprio Antíoco III. A lei. já os conhecemos do decreto de Antíoco III: trata-se do phóros. criando as condições para a sua emancipação da hierocracia e para o predomínio da pólis sobre o éthnos. O texto de 1Mc 10.

como em Dt 12. da estirpe de Belga. 19. a pagaram aos reis"[46]. Dt 12. depois que eles recolheram a quantia fixada. aponte uma razão econômica.Agora. Vende. Segundo as leis israelitas. quando comenta o decreto de Antíoco III. os Tobíadas e seus associados . Pode-se até negociar a terra. a terra é dom de Iahweh ao povo.28. investido no cargo de superintendente do Templo.16 e tantos outros lugares. repete isto sempre (Dt 12. mas não é seu proprietário.20 etc). entrou em desacordo com o sumo sacerdote a respeito da administração dos mercados da cidade". A solução será pedir a Antíoco IV Epífanes a eliminação da Lei.recolhe dos camponeses 1/3 do produto das colheitas e metade da produção das frutas.16. mas somente dentro de determinadas normas.10. Vamos lembrar o que diz 2Mc 3.20. A terra em Israel é classificada como nahala (= herança. a aristocracia começa a pressionar sempre mais na direção da helenização total. Diz Josefo: "Os nobres arrendaram nas suas próprias cidades paternas o direito de cobrar o tributo. escrito a partir do século VIII a. 13.1. O direito que regulamenta a venda da terra é o chamado ge'ulla (= resgate . Some-se a isso a precariedade financeira dos Selêucidas e o mecanismo começa a ficar claro. durante todos os dias em que viverdes sobre a terra".10.4: "Ora. certo Simão. e. por exemplo. baseado na tributação e na manutenção de seus privilégios.. choca-se com as normas da Lei. Deus de teus pais te dará.5. estes produtos e paga aos seus senhores Selêucidas determinada quantia em prata.13. Israel tem a posse da terra.9.9.18. Talvez cerca de 300 talentos anuais segundo 1Mc 11. como modo de quebrar as barreiras da tradição de solidariedade baseada na aliança. Assim. o que aqui nos interessa é perceber como se faz o recolhimento do tributo na Judéia.C.29.20. Daí ser significativo que a primeira notícia a respeito do nascente conflito com o helenismo.por exemplo. A aristocracia . como vimos acima. diz: "São estes os estatutos e as normas que cuidareis de pôr em prática na terra cuja posse Iahweh.10. posse).1. Seu enriquecimento fácil. certamente com ganhos. Flávio Josefo também testemunha que os impostos são cobrados pela aristocracia. O livro do Deuteronômio.

Caso contrário. G. se o israelita deve vender seu terreno. como no interior do clã a estratificação social avança bastante nos períodos persa e grego. Ora.23-28. onde a terra pode ser dada a quem o rei determinar. a aristocracia judaica que aí surge tende a excluir os mais pobres. no 49º ou no 50º ano o antigo dono deve receber de volta sua propriedade vendida. Entretanto. mas não com estranhos ao círculo de parentesco.da terra). Lv 25. a manutenção das regras do parentesco exigida pela Lei e confirmada por Antíoco III prejudica os interesses da aristocracia. O resgate da terra é baseado no conceito de hesed (= fidelidade). mas cria laços de solidariedade entre eles a terra pode ser negociada entre parentes. então o parente agnático (termo do direito romano que indica o parente por parte de pai) mais próximo deve comprá-lo. Compare-se esta concepção israelita da posse da terra com a concepção grega. . Uma confirmação do avanço da estratificação social pode ser encontrada na regra do ano jubilar estabelecida por Lv 25.. como pode protegê-lo também de ser vendido como escravo permanente a estrangeiros. Se isto não for possível. A venda da terra pode proteger o proprietário empobrecido de pagar tributos e impostos a estrangeiros. Segundo esta lei. Quem tem o direito de compra é apenas o parente do lado masculino da família. este princípio leva ao acúmulo de terras pelas famílias mais ricas[47]. uma solidariedade que sustenta a relação comunitária no nível do clã. H.C. porque ela lhe pertence por direito de conquista.47-55 estabelece também que se um israelita for vendido a estrangeiros como escravo. Kippenberg assim resume a relação de parentesco em Israel: o o o a estrutura de parentesco determina a reprodução das famílias e as relações sociais dentro da família a estrutura de parentesco une as famílias em uma hierarquia baseada nas prerrogativas dos irmãos mais velhos sobre os mais novos. deve ser resgatado pelo parente mais próximo. deve ser libertado no ano jubilar (49º ou 50º ano). provavelmente do século VI a. Por outro lado. O conflito jurídico é evidente.

quando o rei selêucida Demétrio II concede aos judeus a isenção dos tributos.C. dando aos camponeses maior folga em relação aos senhores da terra. se observarmos que. bem como a coroa que nos deveis. É porque estas regras não funcionam mais.1-18. Quanto às faltas por ignorância e os delitos cometidos até o dia de hoje. que eles se inscrevam. Ex 21. 1Mc 13. isto é festejado como libertação da escravidão e começo de uma nova era. E se alguma outra coisa era arrecadada em Jerusalém. Como veremos daqui a pouco. Que os motivos desta luta são também econômicos.36-51: a purificação do Templo). não o seja doravante. e seus partidários assideus.36-42 assim descreve o fato: "'O rei Demétrio a Simão.42-48: a circuncisão. defendem a manutenção dos laços de parentesco. sumo sacerdote insigne. Voltemos ao confronto entre a aristocracia filo-helenista e os judeus fiéis à Lei.29-38: o sábado. sumo sacerdote e amigo dos reis.21-27). devido à estratificação social. A desigualdade permanece a mesma. No ano cento e setenta. nós vo-los perdoamos. os sacerdotes Macabeus. . foi retirado de Israel o jugo das nações. E o povo começou a escrever. 2. a aristocracia não é mais identificada com o Estado. mas os camponeses conseguem controle sobre o excedente[49]. da solidariedade étnica contra a instalação do regime da pólis em Jerusalém. E reine a paz entre nós'. aos anciãos e à nação dos judeus. em 142 a. os revolucionários Macabeus fazem valer os antigos mandamentos (1Mc 2. e estamos prontos a celebrar convosco uma paz duradoura e a escrever aos nossos administradores que vos considerem totalmente isentos. 4.6.Parece claro que a regra do ano jubilar está em contradição com a norma do resgate imediato da terra e do escravo e a lei do ano sabático (Dt 15. que se tem de exigir a regra dos 49/50 anos[48]. É que. com o desaparecimento do arrendamento. Enquanto os partidários da helenização seguem as ordens do rei (1Mc 2. nos documentos e nos contratos: 'No primeiro ano de Simão. Tudo o que temos determinado a vosso respeito permanece firme e também são vossas as fortalezas que edificastes. estratego e chefe dos judeus'".1-11). líderes da resistência judaica.1920. saudações! Recebemos a coroa de ouro e a palma que nos enviastes. não resta dúvida.. Se houver entre vós alguns homens que sejam aptos a ser recrutados para a nossa guarda de corpo. gerados pelo arrendamento estatal dos impostos à aristocracia.

& VIDAL-NAQUET. 1993. Judaism and Hellenism. Brasília. São Paulo. Casa Publicadora das Assembléias de Deus. História. 1991. C. BICKERMAN. mantendo os produtores como simples moradores. P. 1987. Lisboa. C. H.. KIPPENBERG. Aníbal.. LÉVÊQUE. 1986.A lógica grega deste arrendamento é a de reduzir o direito de cidadania a pequena faixa aristocrática. Ars Poetica. objeto de conquista. M. Edições 70. PEIXOTO. HENGEL. Leiden. Edições 70. Aníbal. P. G.. 1979. Obra Completa. um desafio aos romanos. As instituições gregas. São Paulo. 1988. P. sem direito a cidadania. em Jerusalém. 1981. 1980. História dos Hebreus. The God of the Maccabees. Studies in their Encounter in Palestine during the Early Hellenist Period I. Paulus.. que não tem objetivos religiosos: o que se quer é uma reforma da constituição da Judéia. E. 1985. até que. . PRÉAUX.. Difel. 1992. SCM Press. Studies on the Meaning and Origin of the Maccabean Revolt. Edições 70. La Gréce et l'Orient (323-146 av. Le Monde hellénistique. Rio de Janeiro. GLOTZ. Leituras Recomendadas AUSTIN. o pai da estratégia. PAUMAPE. Mas será a simbologia religiosa que exprimirá os interesses igualitários de sacerdotes e camponeses[50].. BRADFORD. F. São Paulo.. Economia e sociedade na Grécia antiga. Religião e formação de classes na antiga Judéia. Brill... Editora da UnB. E. uma camada aristocrática força a helenização e entra em choque com o direito sagrado tradicional do povo judeu. M. Aí vem o conflito com os Macabeus. São Paulo. 1985. JOSEFO. Lisboa.. E esta lógica está funcionando. MOSSÉ. London. G. POLÍBIO. O mundo helenístico. A cidade grega. Lisboa.. M.

. Histoire d'Israel III. Cf.). GRUEN. Religião e formação de classes sociais no Judá pós-exílico. Rio de Janeiro. E.-C.. Du Cerf. Petrópolis. São Paulo. 118-121. Para as tendências da historiografia. pp. p.. p. 1980.C.. pp. F. c. M. H. 19864. Lisboa. Economia e sociedade na Grécia antiga. KIPPENBERG.. 1988. Histoire d'Israel III. 19774. 377-378. MOSSÉ. Religião e formação de classes na antiga Judéia. SAULNIER. [44]. segundo H. pp. 113-129. A cidade grega. 39. também. GLOTZ. Presses Universitaires de France. [45]. 19872.. p.. C. pp. G. São Paulo. Cf. M. G. 19882. em Atualização 171-172. RODRIGUES. Brasiliense.-135 a. JOSEFO. The God of the Maccabees. Cf. POLÍBIO. Histoire d'Israel III.. Idem. . SAULNIER. pp. 151-183.. também GIORDANI. Cf. A revolta dos Macabeus. M. pp. Paris. NEXT [40]. Paris.D. C. A revolta dos Macabeus.1987. Paulus. GLOTZ.J. cf. 24-31. pp. BICKERMAN.) I-II. As utopias gregas./VIDAL-NAQUET. 99-214. Histoire politique du monde hellénistique II. Histoire politique du monde hellénistique (323-30 av. C. [47]. E. o. WILL. 76. H.. C. sobre isto. História da Grécia. 155. sobre Antíoco IV. Cf. Antiquitates Iudaicae XII... 73-87. WILL. W. C. [43]. Zahar. A. [46]. [41].. Edições 70.. G. 306-308.) III. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a.. ao longo dos séculos. sobre a questão. KIPPENBERG. março/abril de 1984. Nancy. G. AUSTIN.. História de Roma. pp. KIPPENBERG.. C... pp. ROSTOVTZEFF. pp. Cf. História XXVI. 152-161. J. 27-28. KIPPENBERG. E.-C. H. SAULNIER.1. G. este texto em SAULNIER. c.. 80. [42]. o. G. 1985. P.. São Paulo. Presses Universitaires de Nancy. 1979-19822. Vozes. Cf. As instituições gregas. M. Cf. 1985. A cidade grega.. Difel.

Idem. que se retirara de Jerusalém desgostoso com o rumo das coisas. pp. ocupando um cargo que. Cf. começa um movimento de rebelião armada contra os gregos e seus associados da aristocracia judaica. na libertação de Jerusalém e na purificação do Templo apenas três anos após a proibição dos sacrifícios javistas. será o primeiro sumo sacerdote da família. não lhe pertence. p. Cf. irmão de Judas Macabeu.1. Jônatas. pois os judeus mais tradicionais não podem admitir esta atitude. desencadeia-se feroz perseguição àqueles que não se submetem às ordens do rei selêucida Antíoco IV Epífanes. A posse de livros da Lei. 61-63. Idem. os irmãos Macabeus vão pouco a pouco consolidando as suas conquistas na Judéia. ibidem. ibidem. Isto começa a criar divisões internas. Matatias e o Começo da Revolta . um sacerdote de Modin. de Judas Macabeu e de Jônatas pela independência da Judéia. com seu filho Judas Macabeu. Recusando-se a prestar culto aos deuses gregos. 86-87. a prática da circuncisão ou qualquer observância de um ritual judaico leva a pessoa à morte. Neste capítulo abordarei exatamente a luta de Matatias.[48]. ibidem. [49].C. [50]. 9. 86. embora esteja vago. pp. Com seus cinco filhos e grande grupo de camponeses fiéis às tradições judaicas ele faz uma guerra constante aos helenizantes. Aproveitando-se do aprofundamento da divisão interna do império selêucida e de seu enfraquecimento político e econômico. chamado Matatias. que culminará. nesta primeira fase. Idem. Cf. 9. Os Macabeus I: A Resistência Com a proibição das tradicionais práticas judaicas em 167 a.

Foi sobremaneira grande a ira que se abateu sobre Israel". as executavam com os mesmo filhinhos pendurados a seus pescoços. Temos. um livro da Aliança ou se alguém se conformasse à Lei. E ao chegarem as festas . no dia do aniversário do rei. os que lhes caíam nas mãos eram rasgados e lançados ao fogo. Apesar de tudo. e ainda com seus familiares e com aqueles que haviam operado a circuncisão. assim descreve 1Mc 1. daí por diante. ao dia 15 de dezembro. Na sua prepotência assim procediam. como de fato morreram. No dia vinte e cinco de cada mês ofereciam-se sacrifícios no altar levantado por sobre o altar dos holocaustos. a Ásia inteira comemora a efeméride com festejos e sacrifícios"[1]. com todos aqueles que fossem descobertos. mês por mês. em nosso calendário.7. que equivale.56-64 os fatos: "Quanto aos livros da Lei.Como vimos. Segundo 2Mc 6. mas não abdicam da aliança javista herdada de seus pais. cumprindo o decreto. contra Israel. nas cidades. O dia 25 de cada mês é a data do aniversário do rei e da inauguração do altar a Zeus Olímpico: o dia 25 de Casleu. eles. Onde quer que se encontrasse. herdeiro presuntivo da coroa.C. é em 167 a. em casa de alguém. A comemoração do aniversário do rei é uma prática persa retomada pelos macedônios no Oriente. desta prática. importante testemunho de Platão: "Quando nasce o primogênito. logo é festejado o acontecimento por todo o povo e os próprios governantes. É então que muitos judeus fiéis à Lei morrem. Falando da perseguição desencadeada pelo decreto real e da resistência dos judeus fiéis. muitos em Israel ficaram firmes e se mostraram irredutíveis em não comerem nada de impuro. que as práticas tradicionais do judaísmo são proibidas pelo decreto de Antíoco IV Epífanes e o culto de Zeus Olímpico é introduzido no Templo de Jerusalém. Quanto às mulheres que haviam feito circuncidar seus filhos. todos os anos. os judeus devem participar também da festa de Dionísio: "Eram arrastados com amarga violência ao banquete sacrifical que se realizava cada mês. no dia do aniversário do príncipe. o decreto real o condenava à morte. Eles aceitaram antes morrer que contaminar-se com os alimentos e profanar a Aliança sagrada.

que libera as forças do inconsciente humano e inspira a música e a poesia. o cortejo em honra de Dionísio". começos de março. Reafirma esta interpretação religiosa judaica o 2º livro dos Macabeus. 2Mc 6. Então. coroados de hera. também celebrado em Roma. C. durante seis dias)[2] . é filho de Zeus e da princesa Semele. as Antestérias (a "festa das flores". sendo também o deus do vinho . o começo desta crise é ambivalente. que faz uma verdadeira teologia do martírio. o que é interpretado em termos de perseguição pela literatura judaica. especialmente em Atenas.dionisíacas. Dionísio.18-31) e o martírio dos sete irmãos com sua mãe (2Mc 7. Assim. celebrada em fins de fevereiro. "Ao mesmo tempo. misticismos e orgias sagradas que celebram a vida. Na Grécia. Dionísio é um deus da vegetação. pode ser compreendido pelo historiador como uma reação contra a agitação que não parava de aumentar e a repressão de uma verdadeira revolta armada"[3] . porque mistura a perseguição religiosa à guerra civil. na mitologia grega. Pecados cometidos pelos helenizantes que violam a Lei sagrada: "Agora.12-13 garante ainda que o castigo que se abate sobre a nação judaica é a punição pelos pecados do povo e só servirá para purificá-lo e encaminhá-lo para o reto caminho. que morre e ressuscita. aos olhos de Antíoco IV. Saulnier pensa que a resistência dos judeus piedosos assuma. as Lenéias (em fins de janeiro. donde "bacanal" -. correção de . gostaria de exortar que não se desconcertem diante de tais calamidades. aos que estiverem defrontando-se com este livro. as características de uma verdadeira revolta e de uma oposição política perigosa. Os rituais dionisíacos são repletos de êxtases.1-42). a profunda divisão dos judeus permite-nos compreender que os helenistas deviam se sentir ameaçados e acolhessem de boa vontade o apoio e a proteção das forças gregas. obviamente. celebram-se quatro grandes festas em honra de Dionísio: as Dionisíacas Rurais (em dezembro). obrigavam-nos a acompanharem. começo de fevereiro). com grande ênfase na sexualidade. O livro descreve detalhadamente os suplícios sofridos pelo velho escriba Eleazar (2Mc 6.o Baco. festa que comemora o renascimento da natureza) e as Grandes Dionísias ou Dionísias Urbanas (em março/abril.

o benfeitor e o salvador. ergueram sobre o Garizim um templo anônimo e ofereceram os sacrifícios que lhes convinham. Não há sinal de perseguição entre os judeus da diáspora.nossa gente. agente real. não percebendo que era por causa dos pecados dos habitantes da cidade que o Senhor estava irritado por um tempo. Ao explicar a pilhagem do Templo por Antíoco IV. De fato. mas imediatamente atingi-los com castigos. entre os de Tiro e de Antioquia. de não nos molestar fazendo contra nós as mesmas acusações que contra os judeus que nos são estranhos tanto pela raça como pelos costumes. tu. enquanto que. Flávio Josefo traz um texto a propósito dos samaritanos datado de 166 a. chefe do distrito e a Nicanor. Mas é interessante observarmos também a atitude dos samaritanos durante estes acontecimentos. se designam nesta época. é sinal de grande benevolência". e de chamar ao nosso templo anônimo.C. de ordenar a Apolônio. por causa das secas que assolavam o país. não deixar impunes por longo tempo os que cometem impiedade. Deste modo. Nós te suplicamos. Hoje. É bom lembrarmos que a perseguição atinge apenas os judeus do distrito de Jerusalém. . obedecendo a um velho escrúpulo religioso.17 apresenta a mesma perspectiva: "Antíoco subia até às alturas em seu pensamento. É um rescrito (= decisão do rei comunicada por escrito) de Antíoco IV aos sidonianos de Siquém. 2Mc 5. segundo Flávio Josefo. adotaram o costume de celebrar o dia que os judeus chamam de sábado. portanto. templo de Zeus. que é como os samaritanos. os oficiais reais. nós não seremos mais molestados e. como o demonstram claramente as atas públicas. por exemplo. e que era por isso que se verificava essa sua indiferença para com o Lugar". pensando que é por causa de nosso parentesco com eles que nós seguimos as mesmas práticas. por origem nós somos sidonianos. nos envolvem nestas mesmas acusações. "Memorando dos sidonianos de Siquém ao rei Antíoco Théos Epífanes: 'Nossos ancestrais. quando tu tratas os judeus como merecem por sua maldade.

29 que . nós aumentaremos as tuas rendas'. Os cognomes dos filhos de Matatias significam o seguinte: Gadi é o "afortunado". asseguraram que eles nada têm a ver com o que é censurado nos judeus.27-28). como eles o pediram.2-5: "Tinha cinco filhos: João. Quando os emissários reais chegam a Modin e convocam a população para o sacrifício sacrílego. com o cognome de Gadi. talvez. Já que seus emissários. neto de Simeão. Abaron é o "desperto". povoado localizado a cerca de 12 km a leste de Lida/Lod. chamado Afus". Afus é o "favorecido". Judas. Eleazar. mas ainda mata outro sacerdote que se oferecera no seu lugar e mata também o emissário real. chamado Abaron. Os sidonianos de Siquém nos apresentaram o memorando que segue. e Jônatas. em seguida. os judeus fiéis e foge com seus filhos para as montanhas (1Mc 2. Mas a família de Matatias não está sozinha nesta luta. e de nossos amigos reunidos em conselho. seja chamado templo de Zeus'"[4]. da linhagem de Joiarib. nós os isentamos de todas as acusações e ordenamos que o seu templo. ele não só se recusa. Matatias se recusa a oficiar no Templo profanado pelo culto estrangeiro e se retira com a sua família para a sua propriedade situada em Modin. "martelo". Convoca. Tasi tem significado incerto. chamado Macabeu. pedindo a Matatias que oficiasse por ser um chefe ilustre na localidade. encontra-se um sacerdote chamado Matatias. à forma de sua cabeça. mas que eles desejam viver segundo o costume dos gregos. Diz 1Mc 2. Entre os judeus que permanecem fiéis à Lei. chamado Tasi. Começa assim a luta desta célebre família contra os Selêucidas e seus aliados helenistas de Jerusalém e povoados vizinhos. Simão. "designado por Iahweh". Matatias tem cinco filhos. ou do grego. como nos relata 1Mc 2. possível alusão à sua força física ou. diante de nós. A tal pedido dos samaritanos. bisneto de um certo Asmoneu[5]. o rei deu a seguinte resposta: 'O rei Antíoco a Nicanor.podendo ocupar-nos com segurança de nossos trabalhos. do hebraico maqqabiahu. Macabeu pode significar.

Vamos comentar algumas delas. Pode derivar do acádico shabattu ou shapattu. A ênfase sobre a observância do sábado cresce a partir do exílio e se torna lei. americanas e australianas praticam-na. não devem exercer suas funções. segundo Lv 12. deve ser cumprida no oitavo dia pós o nascimento. As proibições de Antíoco IV Epífanes tocam em práticas bastante arraigadas no judaísmo pós-exílico. suas mulheres e seu gado. quando então o rei. E 1Mc 2. Matatias e os seus percorrem o território destruindo altares sacrílegos. . os calendários mesopotâmicos assinalam como dias de azar. homens valorosos e apegados à Lei se unem a Matatias e a seus filhos [6]. facas de pedra lascadas. naqueles tempos. que significa "duas vezes sete" e indica o dia da lua cheia para os babilônios. amonitas. eles. o sacerdote e o médico. Para os judeus é um dia de descanso e dedicação do tempo a Iahweh.45-48. porque se tinham multiplicado os males sobre eles". Egípcios. seus filhos. claro que um motivo higiênico pode estar oculto pelos rituais e cerimônias. A circuncisão. moabitas.3. Para a cerimônia usam os israelitas. o que atesta a sua origem arcaica. circuncidando à força os meninos incircuncisos e recuperando a Lei das mãos dos gentios. porque ela passa a ser uma marca característica do judeu fiel[7]. Quanto à sua origem. somente os filisteus (que são indo-europeus) não são circuncidados. ou dias tabu. a circuncisão não é um ritual exclusivamente israelita: tribos africanas. edomitas. Quem não a conhece são os indo-europeus e os mongóis. Mas a circuncisão é. Aliás. A prática do sábado parece ser muito antiga. Entretanto. as passagens das fases da lua. em tempos mais remotos. Esta é a curta notícia que nos dá 1Mc 2. operação feita pelo pai da criança. por exemplo. Dos povos palestinos com os quais Israel entra em contato."Muitos que amavam a justiça e o direito desceram ao deserto para ali se estabelecerem.42 acrescenta que os assideus. árabes. A etimologia da palavra é incerta. que consiste na remoção do prepúcio. fenícios e cananeus usam igualmente a circuncisão.

mais tarde os portais das casas. A tradição sacerdotal. sem defeito e de um ano. entre as duas luzes (à noite) o cordeiro é degolado e o seu sangue aspergido nos portais de cada casa. em Lv 23. .C. A partir da reforma de Josias (629-609 a. o seguinte: no dia 10 de Nisan cada família escolhe um cordeiro macho. pão sem fermento.) celebra-se a Páscoa na primeira lua cheia da primavera (14 de Nisan) e os Ázimos a partir do dia 15. desde que sejam circuncidados. Também são consumidos nesta noite pães ázimos e ervas amargas. no mês de Nisan (março/abril) e se celebra durante uma semana. Daí a ênfase dada ao rito pelo judaísmo como marca característica do povo israelita[8].16-25. Esta festa marca o começo da colheita da cevada. une-se aos vizinhos. Os escravos e os estrangeiros residentes também podem participar.5-8. quando se sacrifica um animal novo para garantir a fecundidade de todo o rebanho. termo de etimologia incerta. progressivamente os outros povos da região vão deixando-na de lado. agora proibidas por Antíoco IV. Dá-se também às duas festas um novo sentido: a celebração da libertação do Egito. estabelece. Quando a família é pequena demais para comer todo o cordeiro. Durante os sete primeiros dias da colheita. come-se somente pão feito com farinha de grão novo. celebrado na primeira lua cheia da primavera. O seu sangue serve para aspergir as estacas da tenda. Não se pode quebrar nenhum osso e o que sobrar é queimado. As três principais festas (hag = peregrinação) israelitas. A Páscoa (pesah). Durante esta noite de lua cheia assam e comem o cordeiro. Nm 28. de sábado a sábado.40-51. Os Ázimos (massôt) são pães sem fermento. para afastar delas os poderes malignos. É excluído o que vem do "ano velho".1-20. são: a Páscoa/Ázimos. os sete dias da festa. No dia 14. posterior ao exílio. é um ritual muito antigo tipicamente pastoril. E é realizada uma primeira oferta das primícias a Iahweh. estando todos vestidos para viajar. simbolizando um novo ponto de partida. a festa das Semanas ou Pentecostes e a festa dos Tabernáculos ou das Tendas. Ex 12.provavelmente um rito de iniciação à puberdade: uma cerimônia pela qual os rapazes são reconhecidos como homens adultos. O seu uso israelita como símbolo de pertença a Iahweh data dos tempos do exílio babilônico. quando.

ou a festa dos Purim. Mais tarde. daí ser chamada pentecostés. celebrada no dia 10 de Tishri. a partir do dia 15 de Tishri (o mês de Tishri corresponde a setembro/outubro). segundo as leis sacerdotais. terminando com um dia solene de descanso. que dura uma semana. "cinqüenta". A cerimônia consiste em oferecer dois pães fermentados. Por isso. Como o Yom Kippur. . esta festa passa a chamar-se mais tarde sukkot. em grego.43). segundo o livro de Ester. esta é uma festa muito alegre. uma festa agrícola. clero e povo. são oferecidos a Iahweh. Além destas três grandes festas. No outono terminam todas as colheitas e se encerra o ano agrícola. Celebra o término da colheita. feitos com a nova farinha de trigo. A festa das Semanas ou Pentecostes é celebrada 50 dias após a apresentação do primeiro molho de cevada na festa dos Ázimos.No dia 15 começa a festa dos Ázimos. "tendas" ou "tabernáculos". pois segundo a tradição. celebrado de manhã e à tarde. o povo libertado do Egito chega ao monte naquele época do ano. A festa dos Tabernáculos ou Tendas é a mais importante das três festas de peregrinação em Israel. O nome sukkot vem da seguinte prática: durante as colheitas. no deserto. Mais tarde a festa passa a ser celebrada. Foi posteriormente ligada ao Sinai. celebrada no outono. a festa assume outro significado: o povo deve recordar o período em que vivera em tendas. ou Dia da Expiação pelo santuário.2-8. No primeiro e no sétimo dia são feitas celebrações religiosas. Há ainda um culto diário. para se proteger do sol. Inicialmente a festa é celebrada ao ar livre e certamente assume o nome das cabanas (sukkot) que se espalham entre as plantações. celebrada nos dias 14 e 15 de Adar (fevereiro/março). como as outras duas. Naturalmente esta é uma associação litúrgica e não histórica[9]. recordando a vitória dos judeus da Pérsia contra aqueles que querem exterminá-los. com uma duração de sete dias. quando os primeiros frutos da lavoura. é preciso lembrar que há outras celebrações no Israel da época grega. típico do pós-exílio. É. Primeiramente chamada de festa da colheita (asip). após a libertação do Egito (Lv 23. sem data precisa. que se traduz por "cabanas". como nossas festas juninas.38-42 e Nm 28. segundo Ex 29. as primícias. que são igualmente proibidas por Antíoco IV Epífanes. o povo constrói cabanas ou abrigos nos pomares e vinhas.

A luta contra a helenização é comandada por um grupo sacerdotal, os Macabeus, o que faz parecer que os motivos religiosos sejam prioritários ou mesmo os únicos para a resistência. Como, aliás, insistem os livros dos Macabeus. Mas é preciso lembrar que há uma coincidência de interesses dos sacerdotes e levitas empobrecidos com os interesses dos camponeses. Por isso lutam lado a lado. Sacerdotes e levitas vivem da contribuição dos camponeses, pois o culto e o sacerdócio não têm propriedades, excetuando-se, é claro, uns poucos sacerdotes da nobreza. Os sacerdotes prestam serviços em Jerusalém só de tempos em tempos, morando no mais, em suas cidades e aldeias. O financiamento do culto fica, na maioria das vezes, por conta do Estado. Assim, a classe sacerdotal sem terras está interessada no controle público das terras, como manda a Lei, e não na privatização da propriedade da terra, que é a tendência da aristocracia filo-helênica. Só assim os sacerdotes podem ter certeza das contribuições para o Templo e para o sustento de suas famílias. Se a terra pertence a Iahweh, como diz a Lei, e os sacerdotes são os intermediários entre Iahweh e o povo, através da instituição do Templo, a sua sobrevivência está garantida. Mas se a terra pertence ao rei, como o quer o direito do conquistador grego, os sacerdotes que não pertencem à aristocracia e não se associam aos gregos são prejudicados[10]. NEXT [1]. PLATÃO, O primeiro Alcibíades 121c, em Diálogos vol. V, Belém, Universidade Federal do Pará, 1975, p. 226. [2]. Cf., sobre o tema, DE SOUZA BRANDÃO, J., Mitologia grega II, Petrópolis, Vozes, 19882, pp. 113-140; ELIADE, M., História das crenças e das idéias religiosas I/2, Rio de Janeiro, Zahar, 1978, pp. 199-217. BICKERMAN, E., The God of the Maccabees. Studies on the Meaning and Origin of the Maccabean Revolt,, Leiden, Brill, 1979, pp. 74-75, acredita que estas festas, celebradas em Jerusalém, fazem renascer, ou melhor, são meros disfarces dos antigos cultos cananeus da fertilidade, tão fortes em Israel até o exílio.

[3]. SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, p. 126. [4]. JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XII, 258-264; cf. SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, pp. 379-380. [5]. Joiarib é, segundo 1Cr 24,7, o chefe da primeira das vinte quatro classes sacerdotais que servem no Templo. Mas é possível que esta posição de destaque seja uma reformulação do texto após as vitórias dos Macabeus e seu acesso ao sumo sacerdócio. Os descendentes de Matatias são conhecidos como "Macabeus", do nome de seu filho Judas Macabeu, ou "Asmoneus" por causa de um bisavô de Matatias, segundo JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XII, VIII, 1. [6]. Assideus é a forma grecizada do hebraico hassidim, os "piedosos". 1Mc 2,42 diz que "a partir daí, uniu-se a eles os grupos dos assideus (hê synagôgê ton assidáiôn), que eram israelitas fortes, corajosos e fiéis à Lei". [7]. Cf. DE VAUX, R., Ancient Israel. Its Life and Institutions, London, Darton, Longmann & Todd, 19682, pp. 475-483. [8]. Cf. Idem, ibidem, pp. 46-48. [9]. Cf. Idem, ibidem, pp. 415-517. Cf. também BICKERMAN, E., The God of the Maccabees, pp. 88-90. [10]. Cf. KIPPENBERG, H. G., Religião e formação de classes na antiga Judéia, pp. 59-64.

9.2. A Luta de Judas Macabeu (166-160 a.C.) Matatias morre logo, no começo de 166 a.C., mas seu filho Judas, assumindo o comando da luta, desenvolve uma guerra de guerrilhas cada vez mais ampla e vence um a um os generais selêucidas enviados para detêlo. É preciso considerarmos, porém, que o reino selêucida tem forças mais do que suficientes para massacrar a rebelião judaica. Acontece, contudo, de estar Antíoco IV ocupado com vários problemas que explodem por toda a parte em seus territórios. Não pode, por isso, ocupar-se, para valer, com os judeus. Para sorte dos Macabeus e dos assideus, os judeus fiéis que os acompanham na luta anti-helênica.

É 2Mc 8,1.5-7 que nos conta a estratégia de Judas: "Entretanto Judas, também chamado Macabeu, e os seus companheiros, iam introduzindo-se às ocultas nas aldeias. Chamando a si os coirmãos de raça e recrutando os que haviam perseverado firmes no judaísmo, chegaram a reunir cerca de seis mil pessoas (...) Transformada a sua gente em grupo organizado, o Macabeu começou a tornar-se irresistível para os gentios, tendo-se mudado em misericórdia a cólera do Senhor. Chegando de improviso às cidades e aldeias, ateava-lhes fogo; e, apoderando-se dos pontos estratégicos, punha em fuga a não poucos de entre os inimigos. Para tais incursões, escolhia de preferência a noite como colaboradora. De resto, a fama de sua valentia propagava-se por toda parte". As primeiras tropas selêucidas mandadas contra Judas são comandadas por Apolônio, governador da Samaria, provavelmente o misarca que saqueara Jerusalém no começo de 167 a.C. Este pequeno exército, composto de gregos e de samaritanos é facilmente vencido por Judas (1Mc 3,10-12). Forças maiores vêm com o general Seron, comandante do exército da Síria, mas são igualmente vencidas em Bet-Horon (1Mc 3,13-26). Em seguida, são vencidas as forças dos generais Nicanor e Górgias, até que Lísias, o encarregado da pacificação judaica pelo rei Antíoco IV , vem pessoalmente combater Judas. Contudo, nem mesmo Lísias consegue vencê-lo e uma trégua é estabelecida entre as duas forças (1Mc 3,38-4,35). C. Saulnier comenta que "esta vitória, aparentemente fácil, de Judas Macabeu explica-se pelos problemas que enfrentava neste momento o governo selêucida. Com efeito, Antíoco IV partira no princípio do ano 165 a.C. para uma campanha nas satrapias superiores (isto é, na alta Ásia), deixando Lísias em Antioquia para assegurar o governo e a guarda de seu jovem filho"[11] .

É então que, livre de represálias selêucidas, Judas e os seus tomam Jerusalém, purificam e dedicam novamente o Templo. É dezembro de 164 a.C., exatamente três anos após a profanação do santuário. Para comemorar o fato é instituída a festa da Hanukka, isto é, "Dedicação", celebrada no dia 25 de Casleu (15 de dezembro). 1Mc 4,52-54.59 descreve assim este fato: "No dia vinte e cinco do nono mês - chamado Casleu - do ano centro e quarenta e oito, eles se levantaram de manhã cedo e ofereceram um sacrifício, segundo as prescrições da Lei, sobre o novo altar dos holocaustos que haviam construído. Exatamente no mês e no dia em que os gentios o tinham profanado, foi o altar novamente consagrado com cânticos e ao som de cítaras, harpas e címbalos (...) E Judas, com seus irmãos e toda a assembléia de Israel, estabeleceu que os dias da dedicação do altar seriam celebrados a seu tempo, cada ano, durante oito dias, a partir do dia vinte e cinco do mês de Casleu, com júbilo e alegria". Durante esta festa os judeus acendem velas, fazem procissão com palmas e cantam salmos de louvor. Mesmo após a destruição do Templo a festa da Dedicação continua e o ritual de acender as velas ainda é observado, agora em casa[12] . Judas continua a guerra após a purificação do Templo. Entretanto, a seqüência dos fatos é um pouco confusa, porque as nossas fontes, 1 e 2 Macabeus, divergem entre si. C. Saulnier explica estas divergências pelas perspectivas diferentes de 1 Macabeus e 2 Macabeus. Segundo a autora, 1 Macabeus mistura dados históricos com uma teologia inspirada no deuteronomista, fazendo de Judas um libertador de Israel na linha dos juízes, os líderes da época da conquista. Já 2 Macabeus insiste muito na piedade de Judas, na sua fidelidade em observar o sábado e coisas do gênero. Mas, para além destes detalhes

2 Macabeus traz certas precisões que devem ser levadas a sério[13] . na Galiléia e na Judéia (1Mc 5. ou seja. Antíoco IV tenta saquear um templo em Persépolis. mas tem que fugir "acossado pelos habitantes do país". Segundo 1Mc 6.1-17. assalta-me a lembrança dos males que cometi em Jerusalém quando me apoderei de todos os objetos de prata e de ouro que lá se encontravam e mandei exterminar os habitantes de Judá sem motivo.12-13. Vede com quanta amargura eu morro em terra estrangeira". Judas dedica-se à proteção dos judeus que se vêem acuados pelos gentios em várias localidades. pensou em fazer pesar sobre os judeus também a injúria dos que o haviam posto em fuga. sem parar.4-5 diz: "Fora de si pela cólera. adoece e morre. ordenou ao cocheiro que completasse o percurso prosseguindo sempre. Antíoco IV tenta saquear o templo de Ártemis. Entretanto. 2Mc 9. Sucedem-se assim as campanhas contra os idumeus e os amonitas.C. Sabendo. o rei morre em outubro de 164 a. Londres. diz Antíoco aos seus amigos antes de morrer: "Agora.C. no final de 164 a. . da derrota de seus exércitos e da libertação de Jerusalém por Judas.1-68) [14] . Reconheço agora que é por causa disso que estes males se abateram sobre mim. Por esse motivo. entre outras coisas. provavelmente na mesma época em que o Templo é retomado e purificado. Segundo 2Mc 9. As versões de sua morte são muito estranhas e complexas. em Elimaida.1-19. morre Antíoco IV Epífanes. ainda na Pérsia.edificantes. e tem que fugir diante da reação da população[15] . no nono mês do ano 148 da era selêucida. Estando perto de Ecbátana[16] . a expedição no Galaad. porém. Segundo uma tabuinha conservada no British Museum. é notificado da derrota de Nicanor na Judéia e cheio de fúria se apressa para se vingar dos judeus. famoso por suas riquezas. Segundo 1Mc 6..

. acaba caindo da carruagem. ferido por um demônio. E o texto conclui que. que. assim havia ele falado. que tudo vê. possa haver uma duplicata. E até promete tornar-se missionário judeu! Políbio dá também a sua versão da morte de Antíoco IV: "Na Síria. De fato. Mas. deixou ele a vida. Suspeita-se. feriu-o com uma doença incurável e invisível: apenas terminara ele a sua frase. diante destas versões. diante do sofrimento. decidiu fazer uma expedição contra o Templo de Ártemis. Tendo chegado a esta região foi frustrado em sua esperança. uma simples repetição da história de seu pai. porque algumas manifestações do demônio tinham sobrevindo na ocasião do delito cometido contra o templo visado"[17] . o rei Antíoco III. desconjuntando os membros. porque os bárbaros que habitam neste lugar não consentiram neste delito. na sua soberba: 'Farei de Jerusalém um cemitério de judeus. acometeu-o uma dor insuportável nas entranhas e tormentos atrozes no ventre". em Elimaida. Voltando a Tabe da Pérsia. o Deus de Israel. desejando aumentar suas riquezas. Antíoco IV acaba se arrependendo dos males que fizera aos judeus (2Mc 9. prossegue o texto. apenas eu chegue aí!' Foi quando o Senhor. estando ele ainda vivo. as carnes se lhe caíam aos pedaços entre espasmos lancinantes" (2Mc 9. na única coisa em que concordam o fato do rei Antíoco resolver saquear um templo na Elimaida -.11-17). que morre ao saquear um templo na Elimaida[18] .9). e de seu corpo "começaram a pulular vermes. o rei Antíoco. E.enquanto já o acompanhava o julgamento do Céu. Antíoco IV não desiste. Os esquemas teológicos das versões dos livros dos Macabeus são evidentes: Antíoco IV morre porque é castigado na sua arrogância (especialmente segundo 2 Macabeus). como dizem alguns.

e deu-lhe o nome de Eupator" (1Mc 6. como observa E. contra Demétrio I (161-150 a. Lísias tem que voltar às pressas para enfrentá-lo e decide fazer a paz com os judeus. mas a luta de Judas Macabeu continua contra Antíoco V (164-162 a. ultrapassado por uma conjuntura por demais complexa"[19] . Lísias "proclamou rei o jovem Antíoco.C. que tem apenas 12 anos de idade.17). a quem havia educado desde pequenino. É a ele que Antíoco IV entrega "o diadema. o manto e o anel do sinete. parece certo que seu fim se dá lá pelos lados da Pérsia. Mas. ele confia a seu conselheiro Filipe o encargo de governar o reino em nome de seu filho menor de idade Antíoco V. Mas. Mas. e o regente Lísias e.15). não se sabe de que doença morre o rei Antíoco IV Epífanes. "a documentação de que dispomos sobre o homem e sobre sua obra não nos autoriza nem a apologia nem a condenação.). Mas. como seus contemporâneos. pouco antes de morrer. seu filho e de prepará-lo para o trono" (1Mc 6. A fama deste rei é muito ruim. Morre Antíoco IV. onde ele está em campanha. seu filho. vêm então combater Judas. ao mesmo tempo.). em seguida. Antíoco IV deixa Lísias encarregado dos negócios do reino em Antioquia.22-26 nos seguintes termos: . Atacam Betsur e Judas. Parece ter havido em Antíoco IV um homem de Estado nada desprezível. Judas aproveita-se destas circunstâncias e assedia a Acra em Jerusalém.C. Quando parte em campanha para as províncias mais orientais de seu Império. A carta de Antíoco V a respeito está conservada em 2Mc 11. Lísias e Antíoco V. enfrenta o exército selêucida em Bet-Zacarias. Will. Judas acaba cercado no monte Sião. mas. deixando o cerco da Acra.Na verdade. Só que com a chegada de Filipe a Antioquia. encarregando-o de tutelar Antíoco.

O que Antíoco V faz é revogar o decreto de seu pai que proibia as práticas judaicas. ou seja um helenizante: "O rei escolheu a Báquides. que os assideus se viram pressionados a aceitar. Segundo 1Mc 7."O rei Antíoco a seu irmão Lísias. querendo nós que os súditos de nosso reino estejam livres de qualquer incômodo a fim de poderem dedicar-se ao cuidado dos próprios interesses. desejam que se lhes permita a observância das suas leis. ouvimos dizer que os judeus não consentem na adoção dos costumes gregos. que vive como refém em Roma. chega à Síria. é executado (2Mc 13. . um dos seus amigos. dando-lhe ordens de exercer a vingança contra os filhos de Israel". Mas antes. Alcimo é um "ímpio". Alcimo "confirmado em sua dignidade [por Demétrio]. de vinte e cinco anos de idade. e o enviou com o ímpio Alcimo. por ordem de Lísias. mata seu primo Antíoco V e Lísias e assume o poder.Por isso. a quem assegurou o sumo sacerdócio.8-9. e fizera propostas de paz. O helenizante sumo sacerdote Menelau é convocado a Antioquia e. Porém. decidimos que o Templo lhes seja restituído e que eles possam governar-se segundo os costumes de seus antepassados. consegue fugir. Tendo-se trasladado nosso pai para junto dos deuses.C[20] . voltara a Jerusalém acompanhado de Báquides. homem poderoso no reino e fiel ao soberano. saudações. Querendo. preferindo o seu modo de vida particular. querida por nosso pai. um dos amigos do rei. governador das regiões de Além-do-Rio. enquanto Judas e seus partidários preferiam continuar na oposição"[21] . a liberdade religiosa novamente. um filho de Selêuco IV.3-8). Demétrio I governará de 161 a 150 a. E então assistimos a uma primeira dissidência entre os revolucionários judeus. que também este povo possa viver sem temor. Demétrio. a fim de que. sabedores de nossa intenção fiquem de ânimo sereno e se entreguem prazerosamente às próprias ocupações". pois. por decreto real. bem farás enviando-lhes embaixadores que lhes dêem as mãos. E os judeus obtêm. No seu lugar é nomeado o sumo sacerdote Alcimo. Filipe não consegue o controle do reino e foge para o Egito.

C. após seis anos de guerra. morto em Beerzet. que vai do Eufrates ao Egito. Os Macabeus continuam a sua luta e só em 160 a.Báquides é o governador da província da Transeufratênia. Com efeito. Alcimo "é tratado de ímpio porque convivia com os gregos e criava obstáculos às pretensões dos Asmoneus.C. o dos Macabeus é bem mais amplo.. em combate contra Báquides (1Mc 9. segundo 1Mc 7. é que os Selêucidas vencem Judas.1-18).14. Antíoco I Soter 280-261 Antíoco II Théos 261-246 Selêuco II Calínicos 246-226 Selêuco III Ceráunos 226-222 Antíoco III. os assideus raciocinam assim: "É um sacerdote da linhagem de Aarão que veio com este exército: ele não procederá injustamente conosco". A DINASTIA DOS SELÊUCIDAS Selêuco I Nicator 312-280 a. Mas na sua qualidade de aaronida legitimava sua nomeação e atraía à sua causa os assideus"[22] . o Grande 222-187 Selêuco IV Filopator 187-175 Antíoco IV Epífanes 175-164 Antíoco V Eupator 164-162 Demétrio I Soter 162-150 Alexandre Balas 150-145 Demétrio II Nicator 145-139 Antíoco VI Théos 145-142 Trifão 142-139 Antíoco VII Sidetes 139-128 Demétrio II Nicator 128-122 Selêuco V 125 Antíoco VIII Filometor 125-113 . 20 km ao norte de Jerusalém. Isto indica que enquanto o objetivo da luta dos assideus é apenas conseguir a liberdade religiosa.

p.. [16] . C. Histoire d'Israel III. Brescia.. F. Na realidade.. As tradições e as leis dos judeus praticantes.) I. diz a BÍBLIA DE JERUSALÉM.. 222-233. [13] . [18] . C. J.1 nota q..1) e. . 307. [15] . História de Israel. Cf. 365-367. explica a BÍBLIA DE JERUSALÉM. Imago.. ou em SAULNIER. Cf. 9.C. Histoire d'Israel III.3.. POLÍBIO. pp. p. 99. [14] . SCHÜRER. A revolta dos Macabeus. Histoire de la Palestine I.. em sentido restrito. Cf. pp. Cf. A revolta dos Macabeus. Ancient Israel. forma grega de Elam (Gn 10. 134-165. a meio caminho entre essas duas cidades". as lutas de Judas em BRIGHT. 227-229. 1987.Antíoco IX Filopator Antíoco VIII Filometor Antíoco X contra 5 filhos de Antíoco VIII Antíoco XIII 113-95 111-96 95-93 69-65 a. pp. História XXXI. p. SAULNIER. Rio de Janeiro. 580-582.. pp. Epífanes morreu em Tabe. é a região montanhosa a nordeste dessa cidade". ABEL. NEXT [11] . 30. não se tem notícia de cidade alguma com o nome de Elimaida. nota g a 2Mc 9. pp. 1Mc 6. A Elimaida é a região em torno de Susa. ASHERI. WILL. "Atualmente Hamadã. C.-135 d. [17] . p. ibidem. C. Textos do Antigo Oriente Médio. pp.. 1985. Le monde hellénistique I. R. SAULNIER. Israel e Judá. Idem. Histoire politique du monde hellénistique II. [20] . E. Cf. 700 km a nordeste de Persépolis. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo (175 a.22). 380. 171. p. p. este texto em AA.VV. 29. SAULNIER. O judaísmo vivo. pp.. [19] . E. 510-514. PRÉAUX.C.C. 136-138.. C. Paideia. antiga capital da Pérsia (Ne 1. Cf. [12] . DE VAUX. "De fato. M.-M.

levando suas fronteiras a um ponto que o país nunca mais tivera desde que fora destruído por Nabucodonosor em 586 a. O general Pompeu anexa a . que só acaba com a chegada definitiva dos romanos na região. Entretanto. grupo que vai se tornando cada vez mais popular. 1Mc7. Simão é sucedido por seu filho João Hircano I. finalmente. entram em violenta disputa pelo poder. filho e sucessor de João Hircano. Seu irmão Alexandre Janeu casa-se com a rainha viúva. Hircano II e Aristóbulo II. proclama-se rei. Os Macabeus II: a Independência Após a morte de Jônatas. p. ao dominar a Acra. Aristóbulo I. a independência da Judéia. Simão. a luta dos Macabeus continua com seu irmão Simão a partir de 143 a. Mas seus dois filhos. governando com grande habilidade. Mas. que continua o processo de judaização da Palestina. por adotar medidas militares políticas helenizantes. e continua o processo de anexação de territórios na Palestina. 32.. E a luta pelo poder no seio da família dos Macabeus é forte: Aristóbulo encarcera sua mãe e seus irmãos. A revolta dos Macabeus. BÍBLIA DE JERUSALÉM.C. apesar de ter governado apenas um ano. Salomé Alexandra. SAULNIER. após a morte da rainha.C. [22] . a poderosa fortaleza selêucida de Jerusalém. continua o processo de reaproximação com o helenismo. Janeu vai enfrentar pesada guerra civil no seu confronto com os fariseus. Agindo com crueldade extrema. João Hircano I começa a enfrentar a oposição dos fariseus. ele controla a situação após 6 anos de sangrentos conflitos. consegue.[21] . Sua mulher Salomé Alexandra assume o poder depois dele e faz a paz com os fariseus. Assassinado.9 nota q. C.

para confirmar a aliança com eles"[3]. com dois filhos. E a independência da Judéia do jugo dos Selêucidas é garantida com a destruição da Acra por Simão em 141 a. durante um banquete. sua importância política. e a expulsão dos gentios do território. repele um seu ataque na Judéia.C. Este Antíoco VII inicialmente reafirma os .C. Fortificou ainda mais o monte do Templo. afinal. e habitou ali. Gazara (= Gezer) é judaizada à força e João Hircano. enfrentando Trifão. em Jerusalém.Judéia à República Romana em 63 a. na parte contígua à Cidadela. Então clamaram a Simão para que aceitasse a sua mão direita. por um genro seu. Simão toma Gazara.C. torna-se o seu governador militar. perto de Jericó. 1Mc 13. Ptolomeu. removendo-lhe as abominações. ele com os seus". Simão acaba assassinado.1. perecendo não poucos dentre eles à míngua. Expulsou-os.C. e entoando hinos e cânticos. címbalos e harpas. de mil minas de peso.49-52 descreve a tomada da Acra por Simão: "Ora. Finalmente nela entraram no vigésimo terceiro dia do segundo mês do ano cento e setenta e um[2]. agora rei. Simão fortalece também as alianças com Esparta e com Roma. e ele os atendeu. os da guarnição da Cidadela. Demétrio II ainda comanda a Cilícia e a Mesopotâmia e Simão faz aliança com ele.36-42. filho de Simão. e. Simão Consegue a Independência da Judéia Simão sucede a seu irmão Jônatas em 143 a. 10. porque um grande inimigo havia sido esmagado e expelido fora de Israel. para comprar ou vender. como consta do decreto de Demétrio II citado em 1Mc 13. que entre 139 e 128 a. Este seu genro está em conluio com Antíoco VII Sidetes (irmão de Demétrio II). porém dali e purificou a Cidadela. filho de Abrebo. entre aclamações e palmas.24: "Simão enviou Numênio a Roma com um grande escudo de ouro. restituindo. à Judéia. começaram a passar muita fome. Consegue muitos benefícios para o povo judeu. ao som de cítaras. Como narra 1Mc 14. Simão estabeleceu que se comemorasse cada ano esta data com alegria. A importante fortaleza é transformada no palácio dos Macabeus[1]. impedidos de sair e de andar pela vizinhança. estratégica cidade helenística. é o rei selêucida.

Depois de ter devastado os campos e obrigado Hircano a se retirar para Jerusalém.C. tinha obtido sobre ele. Aí vemos que ele é etnarca (líder da etnia judaica). mas em seguida reclama de Simão as localidades por ele conquistadas e o tributo dos territórios anexados por Simão à Judéia (1Mc 15. 10. "chefe") e sumo sacerdote hereditário.25-26). pai de HIrcano.acordos dos reis anteriores. que conservava ainda o ressentimento pelas vantagens que Simão. O decreto é de setembro de 140 a. o que não consegue.2. segundo 1Mc 14. atacou a Judéia. por exemplo. inclusive reocupando a Acra. muito querido pelos judeus que resolvem fazer-lhe um elogio. expressão grega usada na LXX para traduzir sar. porque o povo é regido pela Lei. consegue cercar Jerusalém em 133 a.27-49 traz a inscrição sobre os feitos de Simão e da família dos Macabeus. dividindo o seu exército em sete corpos. João Hircano I e as Divisões Internas dos Judeus Quando Simão é assassinado. Antíoco VII.25-26. não se pode mais fazer reuniões sem a sua aprovação"[4]. Entretanto. consegue escapar e assume o poder. chamado João Hircano. que era o primeiro do principado de Hircano e a centésima sexagésima segunda Olimpíada. no quarto ano de seu reinado. "Não se pode dizer que ele tenha um poder legislativo. um filho seu. impor a João Hircano o tributo e obrigá-lo a combater ao seu lado contra os partos. entretanto. Simão é.C. Durante seus primeiros anos de governos João Hircano I enfrenta enormes dificuldades para manter a independência da Palestina. Antíoco VII apóia a ação criminosa de Ptolomeu contra Simão. "príncipe". é chefe (hegoumênos. ou rosh.C.é estratego (tem autoridade sobre o exército).. durante seu governo. sob pena de condenação. governando de 134 a 104 a. nem mesmo pelos sacerdotes. 1Mc 14. ele o sitiou. ele tem o direito de fazer 'julgamentos' que não podem ser contestados por ninguém. para cercar assim toda a praça"[5]. Como não chegam a um acordo. gravado em placas de bronze e afixado no monte Sião. tem o direito de usar a púrpura e a fivela de ouro (v. . 44) . Sua intenção é a de submeter novamente a Judéia ao poder selêucida. Flávio Josefo diz desse momento: "Antíoco.o que faz dele um dinasta .

João Hircano I continua as conquistas de seu pai Simão. . com quem renova o tratado de amizade.Quando o poder selêucida muda de mãos. por sinal. o que o incapacitava para o cargo de sumo sacerdote.tendo se tornado suspeita de ter sido violentada e tornada impura -. João Hircano I apela para os romanos. Paul lembra que a expansão territorial e os métodos imperialistas dos Macabeus vão se tornando cada vez mais fortes. a Iduméia. para explicar a ruptura de João Hircano I com os fariseus. Adora. e não só suas resistências. Para se libertar da tutela selêucida. durante um banquete.. segundo Lv 21. A partir deste momento João Hircano I alia-se aos saduceus e rompe com os fariseus[8]. em particular. segundo o qual. mas também manda dizer que. João Hircano destruiu o templo do monte Garizim e a cidade helenizada de Samaria e reduziu seus habitantes a escravos. no momento. O Senado romano renova então a amizade (filia) e a aliança (symmachía) com os judeus em 126 ou 125 a. ação que o partido farisaico não aprova. A. Os idumeus e os itureus da Galiléia foram obrigados a se circuncidarem (. Logo que puder. Os romanos não morrem de amor pelos judeus. judaizando importantes localidades palestinas como Mádaba. "A maior parte das guerras terminou com a conversão forçada dos vencidos e muitas vezes com extermínios que lembravam o 'anátema' praticado por Josué. há outros problemas mais urgentes em Roma. o destino das grandes e prósperas cidades costeiras e das cidades helenísticas fundadas a leste do Jordão"[6]. Siquém. bastante lendário.14. cujo território ambicionam. Pois sua mãe teria sido prisioneira de Antíoco IV Epífanes . já antes estabelecido por seus antepassados. Foram destruídas assim muitas cidades de importância econômica e cultural tanto para a Palestina como para os territórios vizinhos. 'Ou o judaísmo ou a morte': esta frase poderia resumir o programa político dos grandes Asmoneus.C. Flávio Josefo. entretanto. Samega. o Senado procurará defender os interesses dos judeus[7]. mas apóiam qualquer iniciativa que possa enfraquecer os Selêucidas. narra um episódio.. um fariseu teria requerido de João Hircano I que abandonasse o sumo sacerdócio. Entretanto. Marisa.. Tal foi. as crueldades cometidas por João Hircano I contra as cidades conquistadas e as populações forçadamente judaizadas provocam a primeira reação dos fariseus contra os governantes Macabeus. João Hircano I tenta punir este fariseu com a morte.) Era necessário aniquilar a civilização grega com suas realizações.

João Hircano I, na verdade, para conseguir as suas conquistas e garantir o seu território, começa a incorporar ao seu exército mercenários gentios. Naturalmente pagos com os tributos recolhidos do povo judeu. O que já desagrada bastante aos aliados dos Macabeus. P. Sacchi explica: "Os gentios engajados eram impuros que viviam junto ao povo judeu. Para os essênios a contaminação da cidade crescia, para os assideus surgiam problemas sobre a pureza que antes não existiam. A suspeita em relação ao Asmoneu devia crescer"[9]. Originariamente aliados dos Macabeus no combate à helenização, os assideus acabam divididos na época de Jônatas. Deles saem os essênios, que rompem com o governo dos Macabeus, e os fariseus, que ainda o apóiam[10]. É preciso considerar também que, pouco a pouco, o governo macabeu toma rumos semelhantes aos de seus inimigos Selêucidas, afastando-se dos ideais originais da resistência. É isto principalmente que provoca os atritos com os judeus mais rigorosos na observância da Lei. Observando outro aspecto, A. Paul crê que a política macabéia de destruição do helenismo é, a longo prazo, um suicídio. Esta política "consistia, de um lado, em destruir todos os traços, inclusive os humanos, do helenismo político e cultural das cidades da Palestina justamente quando a numerosa diáspora manifestava sua legalidade e impunha sua verdade, impregnando-se profundamente do modo grego de pensar, de viver e de se exprimir". Além do que, esta política "significava o aniquilamento das infra-estruturas e das estruturas sociais e econômicas, das quais dependiam a salvação e a prosperidade da Palestina". E o autor acrescenta: "Poucos decênios depois, quando da queda súbita do Estado asmoneu em 63 a.C., a história mostrou que, já nos tempos dos troféus, o processo de morte estava profundamente consolidado e generalizado". Para concluir, diz A. Paul: "Da luta pelo restabelecimento da paz civil e, depois, pela independência nacional, passara-se, com efeito, a conquistas cuja finalidade era garantir a segurança necessária às novas fronteiras, muito vulneráveis. Formava-se assim uma engrenagem irresistível, já que a segurança conseguida pelas armas exigia a garantia de uma outra segurança, a qual, por sua vez, devia também ser conseguida pelas armas"[11].

Também M. Hengel acredita que nesta época só a monarquia de tipo helenístico ou a pólis têm condição de sobreviver, sendo inviável qualquer outro tipo de Estado. Por que? Porque sem um exército moderno, um aparelho administrativo e financeiro eficiente e uma participação competitiva no mercado mundial um Estado não tem espaço neste contexto. Os judeus não conseguem compreender isso e estão destinados à falência, pois tentam transplantar seu antigo ideal teocrático para uma realidade política de um mundo transformado[12]. NEXT [1]. Sobre Simão, cf. ABEL, F.-M., Histoire de la Palestine I, pp. 191-206; SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, pp. 146-149; SCHÜRER, E., Storia del popolo giudaico al tempo de Gesù Cristo I, pp. 250-261. [2]. O vigésimo terceiro dia do segundo mês do ano cento e setenta e um da era selêucida corresponde aos começos de junho de 141 a.C. [3]. Uma mina ática pesa 436 gramas: o escudo pesaria quase meia tonelada de ouro. Entretanto, na resposta dos romanos à embaixada judaica se diz: "Eles nos trouxeram um escudo de ouro de mil minas" (1Mc 15,18). Deve-se entender que o escudo vale mil minas de prata, o equivalente a aproximadamente 44 kg de ouro, peso aceitável para esse tipo de escudo decorativo. [4]. SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, p. 155. [5]. JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XVII, 236. Sobre João Hircano I, cf. SCHÜRER, E., o. c., pp. 261-279. [6]. PAUL, A., O judaísmo tardio, pp. 191-192. JOSEFO, F., Bellum Iudaicum I, 64-66 descreve o cerco e a queda de Samaria. [7]. Cf. o texto em JOSEFO, F., Antiquitates Iuadaicae XIII, 259-266. [8]. Cf. JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XIII, 288-298. Cf. também SCHÜRER, E., o. c., pp. 275-278. Na p. 277 diz este autor: "Na sua forma anedótica, a história traz, sem dúvida, as marcas da lenda, e provavelmente Josefo a recebeu apenas de uma tradição oral. Não obstante, pode-se considerar como um dado de fato que Hircano verdadeiramente se distanciou dos fariseus e aboliu as suas prescrições".

[9]. SACCHI, P., Storia del mondo giudaico, Torino, Società Editrice Internazionale, 1976, p. 115. [10]. Cf., sobre os fariseus, saduceus e essênios, SCHÜRER, E., The history of the Jewish people in the age of Jesus Christ II, Edinburgh, T & T Clark, 1986, pp. 381-414; 555-590. [11]. PAUL, A., O judaísmo tardio, pp. 193-196. [12]. Cf. HENGEL, M., Ebrei, Greci e Barbari, pp. 134-135.

10.3. Aristóbulo I e a Reaproximação com o Helenismo Segundo Flávio Josefo, João Hircano tem cinco filhos, quando morre em 104 a.C. Mas ele não deixa o governo para nenhum deles, e sim para sua mulher[13] . É bem provável, entretanto, que tenhamos aqui uma confusão com a situação análoga ocorrida mais tarde, quando, ao morrer, Alexandre Janeu deixa o trono para sua mulher Salomé Alexandra. É que Janeu é rei e pode fazer isto, mas não João Hircano que não é rei[14] . De qualquer maneira, Aristóbulo, o filho mais velho de João Hircano I, aprisiona sua mãe e três de seus irmãos, assumindo o poder. Sua mãe morre de fome na prisão. Apenas um de seus irmãos, Antígono, fica livre. Contudo, as intrigas dos rivais de Antígono levam Aristóbulo a mandar matá-lo, temendo, provavelmente, sua concorrência, já que lhe fazem crer aspirar Antígono ao poder supremo[15] . Ainda segundo Flávio Josefo, Aristóbulo I terá sido o primeiro Macabeu a usar o título de rei: "Aristóbulo, que era o mais velho dos filhos de Hircano, cognominado 'Filélên', isto é, amigo dos gregos, mudou em reino, depois da morte de seu pai, o principado dos judeus e foi assim o primeiro que se fez coroar rei"[16] . Entretanto, esta notícia é controvertida. Nas suas moedas aparece apenas a seguinte inscrição: "Judas, sumo sacerdote e a comunidade dos judeus".

Além do que Estrabão diz que é seu irmão e sucessor Alexandre Janeu o primeiro Macabeu a ostentar o título de rei. Diz Estrabão: "De qualquer modo, quando agora a Judéia estava sob o domínio de tiranos, Alexandre foi o primeiro a se declarar rei em vez de sacerdote"[17] . Por outro lado, observe-se que tanto ele como seus irmãos têm nomes gregos - Aristóbulo, Antígono, Alexandre -, embora use para os judeus um nome semita, Judas. Isto significa que seu pai João Hircano já abrira as portas da família para a helenização. Helenização que um dia seus antepassados combateram. E Flávio Josefo chama Aristóbulo I de "filo-heleno", o que igualmente indica sua aproximação da cultura grega, certamente apoiado pelos seus aliados saduceus. Por sinal, os autores gregos o têm em grande conta, segundo relata o mesmo Josefo: "Era de natural tão doce e tão modesto, como Estrabão o refere com estas palavras, ante a relação de Timagenes: 'Este príncipe era muito afável (epieikês) e os judeus não lhe são devedores de pouco: porque ele levou tão longe os limites de seu país que ele aumentou com uma parte da Ituréia e uniu este povo a eles pelo laço da circuncisão'"[18] . Certo é que Aristóbulo I continua as conquistas de sua família: anexa e judaíza a Galiléia, segundo as fontes antigas habitada por tribos ituréias, obrigando seus habitantes a aceitar a circuncisão e a Lei[19] . Aristóbulo I morre, de dolorosa doença, tendo governado apenas um ano. 10.4. Alexandre Janeu, o Primeiro Rei Macabeu Após a morte de Aristóbulo I, sua viúva Salomé Alexandra, liberta seus irmãos da prisão e se casa com o mais velho, Alexandre Janeu, que se torna, assim, rei e sumo sacerdote. É o que nos diz Flávio Josefo: "Depois da morte do rei Aristóbulo, a rainha Salomé, sua esposa, que os gregos chamam de Alexandra, pôs em liberdade os irmãos desse príncipe, que ele mantinha na prisão, como vimos, e fez rei a Janeu, antes chamado de Alexandre, que era o mais velho e o mais moderado de todos"[20].

. então. outros para o outro.. desta vez a leste do Jordão e. Alexandre teve primeiramente uma atitude pacífica. mas se retira e deixa o território sob o comando de Alexandre Janeu. judeus de nascimento (. soltou suas tropas sobre os gazenses e deixou seus homens se vingarem deles. filhos de Onias IV. do Egito. Ela certamente teme as conquistas do filho e provavelmente é também influenciada por conselheiros judeus. Cleópatra III acaba tornando-se senhora de toda a Palestina. é um pequeno rei em Chipre. O comentário de Flávio Josefo é o seguinte: "Quando a rainha Cleópatra viu que seu filho crescia em poder daquele modo e devastava. apoderando-se inclusive da importante cidade de Gaza em 96 a. Alexandre Janeu continua. desde a fronteira com o Egito. Ptolomeu IX vence Alexandre Janeu. usando toda a sorte de armas que lhes caíam nas mãos e mataram tantos quantos foram os que perderam. no sul. para onde fora expulso por sua mãe. Assim. sem perder tempo. até o Monte Carmelo. suas conquistas. toda a Judéia. uns para um lado. tinha submetido Gaza à sua obediência e estava já quase às portas do Egito e que ele nada mais pretendia do que se apoderar do mesmo. da família sacerdotal de Jerusalém. entre os quais se destacam Ananias e Helquias. com redobrado vigor.. sem resistência. A descrição que faz Flávio Josefo da conquista de Gaza é exemplar para avaliarmos os métodos de Alexandre Janeu: "Quando entrou na cidade.) Alguns dos seus servidores propuseram-lhe apoderar-se de seu país e não permitir que um número tão grande de judeus. antigo sonho dos Ptolomeus. matando os gazenses. estivesse sujeito a um único homem.) defenderam-se dos judeus. em seguida. Porém. em seguida..Nos primeiros anos de seu governo. filho mais velho da rainha Cleópatra III. os soldados saíram. o processo de conquista.. vendo-se sozinhos. mas este recebe ajuda da rainha Cleópatra III. julgou não dever esperar mais para enfrentá-lo. ao norte. cujo comando confiou a Helquias e Ananias. reuniu grandes forças de terra e mar. Mas.C. anexação e judaização de várias cidades palestinas.. Alguns deles. Conquista a região costeira da Palestina. Estes (. Mas Ananias aconselhoulhe o contrário. generais do exército ptolomaico. puseram fogo em suas casas para que não fossem saqueadas . ao tentar tomar Ptolemaida."[21]. homens de bem. no sul. entra em cena um rei ptolomaico: Ptolomeu IX Latiro. Alexandre Janeu retoma.

Alexandre Janeu enfrenta uma guerra civil que dura seis anos e na qual terão morrido pelo menos cinqüenta mil judeus[25].retornou a Jerusalém"[22]. Ao fugir para Jerusalém encontra uma violenta rebelião armada contra seu governo. perto de Siquém. para se proteger da população. o povo atinge Alexandre Janeu com limões no momento em que ele está diante do altar para oferecer o sacrifício[23]. desta vez quando se confronta com os nabateus pela posse da região do Golã. mas Alexandre os matou e. Apoiado por seus mercenários estrangeiros. A reação de Alexandre Janeu é violenta: manda que seus mercenários ataquem a multidão e cerca de seis mil pessoas são massacradas. com suas próprias mãos. Alexandre Janeu acaba sofrendo mais uma derrota militar. Outros se desembaraçavam. que. rei de parte da Síria. seus mais ferrenhos adversários. podem atravessar esta paliçada. que são saduceus. Cerca de quinhentos membros da Assembléia se refugiaram no templo de Apolo. Só os sacerdotes. que enfrenta e vence Alexandre Janeu totalmente.. ao mesmo tempo que os Macabeus se distanciam progressivamente de suas aspirações.C.C. colocando-se os dois poderes em nítido contraste. capitaneada pelos fariseus.pelo inimigo. ele manda construir uma paliçada de madeira em torno do Templo e do altar. E é então que Alexandre Janeu começa a enfrentar séria oposição interna. de seus filhos e de suas mulheres: era o único meio de evitar que se tornassem escravos de seus inimigos. ao mesmo tempo. Em conseqüência desse episódio. E como podem os fariseus aceitar como sumo sacerdote um guerreiro do tipo de Alexandre Janeu que não cumpre as rigorosas prescrições que o cargo exige? Pois terá sido após as conquistas acima mencionadas.tendo decorrido um ano de cerco . A ruptura com os fariseus é total[24]. porque o ataque teve lugar justamente quando eles estavam em conselho. Os fariseus vêm aumentando constantemente sua influência junto ao povo. a ajuda de Demétrio III. Isto terá sido por volta de 89 a. . aí por volta do ano 90 a. a leste do lago de Genezaré. depois de ter demolido a cidade sobre seus cadáveres . Os fariseus pedem. durante a festa dos Tabernáculos.

Flávio Josefo diz que a razão é a reviravolta dos sentimentos judaicos ao verem seu território ocupado pelos estrangeiros: cerca de seis mil judeus teriam abandonado Demétrio III e passado para o lado de Alexandre Janeu[26]. o rei iraniano Mitridates VI. apesar de um confronto desastroso com o rei nabateu Aretas tê-lo obrigado a fazer algumas concessões a este povo[30]. egípcios e sírios para cortar a influência romana na região. recua no controle de seus interesses na região. que já não ameaça Roma. Somado a isso acontece o enfraquecimento definitivo do poder selêucida. do Ponto. por outro lado. Aproveitando-se do conflito interno em Roma. de modo que oito mil deles se retiram do país e não voltam enquanto ele permanece no governo[27]. é que permite igualmente a Alexandre Janeu o seu expansionismo judaizante.na verdade. Consegue grandes vitórias. Alexandre Janeu consegue então controlar a revolta interna e. violentas guerras civis entre o proletariado e a aristocracia romana e também entre os aliados italianos e os cidadãos romanos . após fazê-los assistir ao massacre de suas esposas e filhos. segundo muitos autores[28]. Estes acontecimentos. temporariamente. Este gesto de terror teria desencorajado os seus adversários. A. Após a pacificação interna. Esta "ausência" de Roma. de curta duração. armênios. o elemento judaico em toda a Palestina"[29]. A guerra conhecida como "Guerra dos aliados" (Bellum sociale) . alia-se aos partos. Paul. expandindo o processo de judaização. segundo Flávio Josefo. porque em seguida ele é vencido por seu irmão que tem o apoio dos partos. ao retornar a Jerusalém crucifica 800 de seus adversários enquanto participa de um alegre banquete. Alexandre Janeu dedica-se novamente às conquistas territoriais. que.faz com que Roma perca por breve período o controle do Oriente. pela força ou pela morte. comenta: "É pois. sob o impulso de 'reorientalização' dos territórios e Estados do Oriente Médio que acompanhava o declínio dos Selêucidas gregos. . Mas é mais provável que Demétrio III tenha se retirado por causa dos conflitos internos dos Selêucidas. Demétrio III abandona a Palestina e volta para a Síria. que se deve situar o combate impiedoso de Alexandre Janeu contra as cidades helenísticas e sua decisão de impor. por exemplo. estão relacionados à crise vivida por Roma nesta época.Entretanto.

os fariseus devem ter aumentado . todas as cidades costeiras da fronteira egípcia ao monte Carmelo foram conquistadas por Alexandre. 10. Talvez Josefo esteja apenas relatando. Eles gozam de tanto poder sobre seu espírito.. que fazem amar ou odiar o que eles querem (. na verdade. Além disso.Alexandre consegue. a fim de que a honra que lhes concedeis os leve a louvar publicamente. procurai conquistar o afeto dos fariseus. que estão rompidos com os Macabeus desde João Hircano I[34]. segundo o mesmo Josefo. baseado em alguma tradição. de que nada fareis no governo do reino.C. Com exceção de Ascalon.. estava agora quase inteiramente sob controle judaico. dando-lhes alguma autoridade. inclusive um número de importantes cidades que até então tinham sido centros de cultura grega como Hippos. Alexandre morre. onde Jope fora outrora a primeira conquista dos Macabeus. Através destes relatos de Flávio Josefo podemos concluir que. Esta notícia pode ser verdadeira ou não. que conseguiu conservar a independência.. Salomé Alexandra e o Poder dos Fariseus Segundo Flávio Josefo. segundo F. perante o povo. todo o país a leste do Jordão. a vossa magnanimidade. ficou sob seu domínio. o poder é partilhado entre a resoluta rainha e os fariseus[35].5. em seguida. Ocultai minha morte aos meus soldados até que esta praça [Ragaba] tenha sido tomada. enquanto sitia a fortaleza de Ragaba.) Dai-lhes vossa palavra. inventadas causas para um efeito real: Salomé Alexandra governa durante nove anos apoiada pelos fariseus. durante seus 37 anos de reinado. Josefo.seu poder no aristocrático . Mas. quando combate os nabateus na fronteira gerasena. Gadara. em 76 a. Schürer sintetiza assim as conquistas de Alexandre Janeu: "No sul os idumeus foram subjugados e judaizados. provavelmente por consumo excessivo de bebidas alcoólicas[32]. senão por seu conselho"[33].ou iniciado? . Díon e outras"[31]. do lago Merom ao mar Morto. no norte o domínio de Alexandre se estendia até a Selêucia sobre o lago Merom. De fato. A costa. Depois que voltardes vitoriosa a Jerusalém. Pela. Alexandre Janeu deixa o trono para sua esposa Salomé Alexandra e faz-lhe a seguinte recomendação: "Se quiserdes seguir o meu conselho podereis conservar o reino e também os nossos filhos. levar o território judaico à sua extensão máxima desde que o país fora devastado pelos babilônios cerca de 500 anos antes. ao morrer. E. Alexandre morre de doença e não em combate.

Storia del mondo giudaico. que apoiavam Alexandre Janeu e eram também responsáveis pela morte de tantos partidários seus. ela entrega a defesa das fronteiras do país nas mãos de seu outro filho. F. Mas Salomé Alexandra controla a situação. segundo Josefo. assessorado por oficiais saduceus[38]. 299-302. a gerousia. JOSEFO. Salomé Alexandra não é nada ingênua nesta atribuição de poder aos fariseus. agora deve ter admitido também mestres fariseus"[36]. Esta portanto. 118. ao mesmo tempo que os saduceus. P. de fato. mais jovem que Hircano. Hircano. pouco apto para o governo e que gosta de viver na ociosidade. oficializando o seu já imenso poder sobre o povo judeu. Antiquitates Iudaicae XIII. Enquanto era constituída. homem sem ambições. Além de reforçar a estrutura de seu exército com novos mercenários e. até então por representantes da nobreza e dos sacerdotes. [14]. empreendedor. Obviamente os fariseus fazem várias tentativas para punir os saduceus. É através da gerousia. E. mas.. E este comanda várias fortalezas. Talvez seja este o maior defeito de seu governo: a curto prazo. Aristóbulo. Por outro lado. os conflitos são controlados. ambicioso. ousado.. gerando próspero e pacífico período. Estas medidas desmobilizam os intermináveis conflitos internos.senado criado muito antes pelos Ptolomeus para mais facilmente controlar o país. Conta muito também o fato de ser nomeado para o sumo sacerdócio o filho mais velho de Alexandre Janeu. a "bomba" está sendo armada para detonar nas mãos de seus filhos. Cf. Schürer comenta a propósito: os fariseus "podiam exercer tal autoridade somente se fossem um fator determinante no órgão administrativo supremo. NEXT [13]. comandá-lo. a longo prazo. . liderados por Aristóbulo fazem exatamente o jogo contrário. deve ter sofrido uma importante transformação. p. Isto deixa amplo espaço para a atuação dos fariseus[37]. Cf. o futuro Sinédrio. que os fariseus começam de fato a legislar. SACCHI. que só irá explodir após sua morte aos 73 anos de idade.

Idem. História de Roma. STERN. JOSEFO.. M. I. . pp. A. 207-216. JOSEFO. ibidem XIII... Este é o costume da época. Editorial Presença. [23].C. Antiquitates Iudaicae XIII. Cf. F. Timagenes é um historiador alexandrino do século I a. [16]. 379. pp. 1989. pp. ESTRABÃO. Antiquitates Iudaicae XIII. 301-302. Storia del popolo giudaico al tempo de Gesù Cristo I... JOSEFO. [17]. pp. Sobre esta questão. O judaísmo tardio. Geographica XVI. 1982. [25]. C. Editorial Labor.. [27]. o. pp.. [18]. que ele mostrara amar tanto. M. Durante a festa dos Tabernáculos cada participante leva uma folha de palmeira e um limão. ibidem XIII. ibidem XIII. Cf. [28]. 19774. Publicações Europa-América 19742. F.[15]. [21]. Cf. Lutas sociais na Roma antiga. o. Cf. [20].. Idem. [22]. Antiquitates Iudaicae XIII. 137-212. PAUL.. ALFÖLDY. Barcelona. Diz JOSEFO. 198-199. Rio de Janeiro. Idem. c. Cf. G. É possível que os itureus habitem apenas as partes norte e nordeste da Galiléia e também que a anexação deste território (Galiléia) tenha começado antes do governo de Aristóbulo I. 362-364. ibidem XIII. Antiquitates Iudaicae XIII. p. cf. o texto de Estrabão em STERN. 319. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. Zahar. 303: "A esse crime [de matar a mãe] acrescentou o de mandar matar seu irmão Antígono. 762.. E. cf. pp. 301. [19]. NICOLET. Idem. L. c. M. ROSTOVTZEFF. 81-109. Lisboa. A história social de Roma. 107-118. Para a história da guerra dos aliados. ibidem XIII. de J. 222-226. ibidem XIII.. 225-226. F. M. [26]. Calúnias foram a causa disso". [29]. pp. Roma y la conquista del mundo mediterráneo 264-27 a. 320. 372-373. F... Cf. [24]. 348ss. C. SCHÜRER. Idem. BLOCH. A questão é controvertida.. 380. Idem.. pp. 375. STERN. 282.

. Storia del mondo giudaico. E. 401-404. JOSEFO. 408-409. Sendo o mais velho e. como afirmo acima.. Cf. neste tempo. F. pp. [35]. [38]. [31]. A extensão do território judaico à época da morte de Alexandre Janeu nos é conhecida através do relato de JOSEFO. Aristóbulo II e a Intervenção de Pompeu Mal morre a mãe Salomé Alexandra. Hircano II e Aristóbulo II. acontece a guerra entre os ... F.. JOSEFO. [34]. F. E. Cf.6.. p. F. Hircano II assume o posto de rei. F. nota 1. 395-397. avalia JOSEFO. 10.. [33]. ou em 69 a. A.[30]. à morte de Salomé Alexandra. e voltou depois de ter conversado com ele". O judaísmo tardio. E. Sobre a data da morte de Salomé Alexandra existe alguma divergência. pp. "Assim ela tinha só o nome de rainha e os fariseus gozavam de todo o poder que lhes dava a realeza. 262-263. SCHÜRER. Faziam voltar os exilados. P. JOSEFO. Cf. Antiquitates Iudaicae XIII.C. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. [36]. cf. perto de Adida. 292-293. p. Antiquitates Iudaicae XIII.. JOSEFO. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. 398. Apenas diz: "Ele [Aretas] entrou com soldados na Judéia. 405ss. [32]. Sobre a questão. sumo sacerdote. A história das cidades da região pode ser lida em PAUL. libertavam os prisioneiros e em nada se diferenciavam dos soberanos". Ou ela morre em 67 a. SCHÜRER. SCHÜRER. Josefo não especifica que concessões são essas. o conflito explode entre os dois irmãos. Antiquitates Iudaicae XIII. Antiquitates Iudaicae XIII. pp.. Comenta SACCHI.. 296.. 392. Alexandra conseguia subtraí-los às vinganças farisaicas e dava o comando do exército a homens que. 123: "Enviando os principais líderes saduceus para as fortalezas. 206-218. Antiquitates Iudaicae XIII. Antiquitates Iudaicae XIII.. [37]. como sustentam alguns autores.C. desde algum tempo. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I.. venceu o rei Alexandre. F. Mas Aristóbulo II não concorda. tinham experiência".

Os dois irmãos abraçaram-se com demonstrações de afeto"[39]. ele fugiu com o resto para a fortaleza Antônia.. amigo e conselheiro de Herodes Magno. mas ele o diz em favor de Herodes. por volta de 64 a. pois sabe-se que seu pai exerce altas funções políticas na cidade. aquela grave divergência. compreende-se sua colocação a respeito de Antípater[41] . ele negociou com seu irmão sem esperar chegar ao último extremo (.C. A partir desta sua ligação com Herodes Magno. Flávio Josefo. Além de escritor prolífico. . É o pai do futuro e famoso Herodes Magno. diz que Antípater seria um dos judeus descendentes dos exilados babilônicos. Quando tudo parece resolvido.. seu filho. de uma família importante.dois irmãos e. Mas Josefo mesmo considera falsa esta informação. próximo a Jericó. enquanto Aristóbulo II torna-se rei e sumo sacerdote dos judeus. Nicolau de Damasco é um historiador nascido.C. representando Herodes em negociações decisivas. Sua nacionalidade: idumeu. em 14 a. que a fortuna elevou depois ao trono de nossos reis. Nicolau é também retor e diplomata.. que se tornará rei dos judeus de 37 a 4 a.C. como veremos a seu tempo"[40]. Este ainda se refugia em Jerusalém. pelas armas. Seu nome: Antípater.) Esse acordo se fez no Templo em presença de todo o povo. Aristóbulo vence Hircano. Um acordo é feito entre eles: Hircano volta à vida privada. A maior parte das tropas de Hircano deixou-o para passar para o lado de Aristóbulo.. É a seguinte a informação de Flávio Josefo: "Nicolau de Damasco fá-lo descender de uma das principais famílias de judeus que vieram da Babilônia para a Judéia. mas é obrigado a render-se ao irmão que possui forças superiores. entra um complicador na história. Há grande controvérsia quanto à identidade de Antípater. Eis a narrativa de Flávio Josefo: "Os dois irmãos travaram batalha para decidir. em Damasco. um idumeu que se torna rei dos judeus. onde a mulher e os filhos de Aristóbulo se encontravam e assim o salvaram de uma ruína completa. Tendo nas mãos reféns tão preciosos. citando Nicolau de Damasco. Nicolau torna-se.

construída perto da muralha. em troca. através de presentes. o estratego (= governador militar) da Iduméia. na época do conflito entre Hircano e Aristóbulo. o ambicioso Aristóbulo II representa real perigo. também de nome Antípater. com o resto dos despojos. este nomeado para o posto por Alexandre Janeu[44]. Antípater é. o que confirma a opinião de Josefo a respeito de sua nacionalidade. Como o sacerdote não podia pagar o resgate pelo filho. o apoio do rei nabateu Aretas para o projeto. e o mantiveram preso. filho de um hieródulo. mas acaba sendo criado entre os idumeus. Segundo Flávio Josefo. embora divirja quanto a outros dados. que se refugia no . Antípater procura convencer o próprio Hircano II de que deve lutar pelo poder e consegue. que vem construindo seu poder através de alianças e amizades com árabes. Hircano lhe devolverá as 12 cidades da Transjordânia que Alexandre Janeu lhe tomara. Além destes "judeus ilustres". interessou-se por ele"[43]. como o fora seu pai. Ainda segundo Flávio Josefo. e negocia com ele a retomada do poder: Aretas baterá Aristóbulo II e.Flávio Josefo acredita que Antípater seja mesmo um idumeu. enquanto o fraco Hircano II poderá ser mais facilmente manobrado. Diz Eusébio: "Salteadores idumeus chegaram de surpresa a Ascalon. E é de fato o que acontece. lembrando-lhes que Aristóbulo é um usurpador do trono que pertence a Hircano. Há outras notícias sobre este personagem. Antípater foi educado segundo os costumes idumeus e. E isto explicaria a sua interferência nos negócios judaicos: para a família de Antípater. o pequeno Antípater. Antípater procura influenciar os judeus mais ilustres. por ser o mais velho[45]. É então que Antípater se posiciona politicamente do lado de Hircano II e começa a manobrar para que este reconquiste o poder. de origem nobre: "Ele era idumeu e o mais poderoso de sua nação. Herodes. e levaram da capela de Apolo. junta-se a Aretas em Petra. Aretas vence Aristóbulo. quer pela sua descendência. citando Júlio Africano. Hircano. Antípater é da cidade de Ascalon. mais tarde. quer pelas suas riquezas e por seu próprio mérito"[42] . Hircano II sai de Jerusalém. ascalonitas e gazenses. sumo sacerdote da Judéia. Segundo Eusébio de Cesaréia. cidade da Palestina.

E. o exército macabeu é baseado em tropas mercenárias e não em judeus partidários.. mas se dirige a homens 'poderosos em Israel' (. Porém. pois este pode pagar mais. quer seja dos fariseus. principalmente no antigo reino dos Selêucidas. faz o caminho inverso: passa de Aristóbulo a Hircano. Em segundo lugar. distanciados tanto dos nobres saduceus como da burguesia farisaica"[46].) não se dirige aos fariseus para reempossar o sacerdote legítimo. por outros poderes.capital Petra . onde fica assediado por Hircano e Aretas.). Cada vez mais a aristocracia se emancipa da hierocracia e se constitui em poderosa força econômica e política. Estão facilmente passando para o lado do vencedor. Em primeiro lugar. Esta é a opinião de P. que é multinacional.. será sob o governo de Herodes Magno (37-4 a. pois agrupa etnias e Estados variados que vão do sul da Palestina às fronteiras da Índia. É o antigo e irreversível mecanismo de helenização que continua em movimento. leva à ascensão de novas potências regionais. Estes acontecimentos nos levam a pensar que nestes confrontos há pelo menos dois fatores importantes. Como se não bastassem as complicações locais. Uma primeira constatação a ser feita: a decadência das monarquias helenísticas.. Um dos povos a participar desse jogo: os árabes nabateus.que se expande em direção norte. estava se formando uma nova classe de ricos. associados a Antípater que entram no jogo político. criadas após a morte de Alexandre Magno pelos Diádocos. Sua fragmentação deixa um vazio político enorme.. ligada por tradição ao rei e à posse da terra. parece que o conflito não se explica mais apenas pela luta entre fariseus e saduceus.C. que se criará um poder totalmente independente das tradições judaicas. baseado nesta aristocracia economicamente muito bem situada e etnicamente indiferente[47]. quer seja dos saduceus. Acabamos de ver sua interferência nos negócios judaicos[48]. no século I a.C. quando diz: "Antípater (.C. filho de Antípater. .) Poder-se-ia dizer que ao lado de uma nobreza essencialmente guerreira. Agora a maior parte do exército que antes passara de Hircano a Aristóbulo na primeira batalha.Templo com poucos seguidores. Roma reaparece no cenário político da Palestina. desta vez. vem para ficar. chegando a tomar Damasco dos Selêucidas em 87 a. Há outros judeus poderosos e ricos. povo nômade do sul do Mar Morto . especialmente a dos Ptolomeus e a dos Selêucidas. na Transjordânia. Sacchi. que será preenchido.. E agora com mais um detalhe: os governantes macabeus estão jogando também segundo as mesmas regras.

. ao Senado romano. ao morrer. Por volta de 80 a. acabam conquistando a Mesopotâmia e tornando-se a mais significativa potência além do Eufrates[49].. É que os impostos da região são cobrados pelos publicanos.C. de parte da Espanha em 197 a. da ordem dos cavaleiros. na verdade uma base de operações militares na Panfília e na Lícia. povo de origem incerta. onde é acolhido como libertador pelas cidades da região.C. em 133 a.C. o enfraquecimento dos grandes reinos helenísticos se faz acompanhar . deixa seu reino para Roma e Mitridates VI o invade. a Cólquida. governado por Mitridates VI Eupator.C.C. e negocia uma paz em 85 a. Ainda em 88 a. retoma Atenas em 86 a.C.) até o estabelecimento do Império (30 a. rei da Bitínia.Os partos. porém. As ameaças orientais à hegemonia romana crescem em conseqüência do esfacelamento dos Selêucidas e de sua "ausência" da região em função dos conflitos internos. da Macedônia e da Grécia também em 146 a.. que ocupam um território no interior do reino selêucida durante o século III a. Roma cria a província da Cilícia. criando Roma a província da Ásia em 129 a. em testamento. em 88 a. vence e expulsa . que nada resolve. mas não alcança qualquer resultado na luta contra os piratas. que vem combatê-lo. baseada na Cilícia torna-se fortíssima e se alia a Mitridates VI que. Sula. o Bósforo Cimeriano.C..do fortalecimento de Roma.C.. Lúculo.).C. e suas arbitrariedades são tão grandes que as populações locais sentem-se escravizadas.doado por seu rei Átalo. comandada por Tigranes. A situação se complica ainda mais quando Nicomedes. massacra cerca de 80 mil italianos na província romana da Ásia. que se torna senhora da Sicília em 241 a. Neste mesmo século I a. que acaba dominando a Paflagônia.C. da Sardenha e Córsega em 231 a. Por outro lado. Finalmente. além de se aliar aos piratas da Cilícia. que toda esta expansão de Roma provoca profundas transformações em sua estrutura social.C.. que reina também sobre a Síria a partir de 83 a.C. a Armênia Menor. que comanda as forças romanas na Cilícia contra-ataca.C. criando sérios embaraços para os interesses romanos na região[50]. acontece a ascensão da Armênia.C. o mais empreendedor dos novos reinos: o Ponto. e de Pérgamo..C. de Cartago em 146 a. na Ásia .e um fato está ligado ao outro . Acontece. Há um enfraquecimento do Senado e Roma vive permanentemente em conflito desde as tentativas de reforma dos Gracos (134 a. Mitridates VI toma a Grécia.C.C. A pirataria no Mediterrâneo oriental.

tem a ordem de equipar 500 navios e de requisitar suprimentos onde e quando necessitar[51].. os piratas atacam com força. Mas Mitridates VI retorna ao Ponto. O que faz Pompeu? Ataca com perícia e rapidez os piratas e os vence em 67 a. Pompeu interfere na Judéia. Pompeu ocupa o que resta do reino selêucida e cria a província da Síria. fazendo crescer notavelmente sua popularidade em Roma.C.. até 75 km para o interior. que se refugia na Armênia junto a seu genro Tigranes. Neste e no ano seguinte submete a Armênia: Tigranes continua no poder.. Em 64 a. Combate Mário. Ele tem o imperium sobre o mar e o litoral. chegando até mesmo ao porto de Óstia. E. Pompeu organiza a Ásia Menor. não é tão alheia assim à criação de novas províncias[52]. de uma família rica. ajuda Sula. Nos anos 69 e 68 a. ameaçada pelos partos de um lado e pela pirataria de outro. Em seguida.C. mesmo ano da morte de Salomé Alexandra e do começo do conflito entre Hircano II e Aristóbulo II em Jerusalém.o que é prerrogativa do Senado -.C. É então que o Senado dá um comando extraordinário a Pompeu. É janeiro de 67 a.os interesses dos publicanos que cobram o tributo dos povos dominados.C. finalmente. onde todos agora são aliados de Roma. ao mesmo tempo que Crasso. vence Sertório na Espanha e elimina os últimos escravos do grupo de Espártaco. Lúculo cai em desgraça e vê seus poderes lhe serem retirados um a um pelo Senado. que controla. Mas a outra é econômica: Pompeu restabelece no Oriente . ele tem direito de recrutar seus legados . com autoridade acima dos governadores locais. o imperium. Pode-se perceber que a aristocracia romana. na foz do Tibre.e expande extraordinariamente .C. Este por sua vez é vencido por Lúculo e obrigado a deixar a Síria.Mitridates VI. Gnaeus Pompeius nasce em 106 a. na Fenícia e na Cilícia. É então que Pompeu entra em cena. só que agora aliado a Roma e despojado de todas as suas conquistas na Síria. As razões para esta criação parecem vir de dois lados: a segurança da região.C. parece ser uma das razões. Conquista o Ponto no verão de 66 a. porque. e que é a maior beneficiária da tributação imposta aos conquistados. O poder de Pompeu é extraordinário. para combatê-los. É eleito cônsul no ano 70 a. graças a intrigas de seus adversários em Roma. a cerca de 20 km de Roma. que dá poderes tão extraordinários a Pompeu. .C.

o mais sagrado espaço dos judeus. escrito judaico de tendência farisaica situado entre 63 e 40 a. e Tu não o impedistes.C.200 judeus são mortos pelos romanos. Assediado. Os Salmos de Salomão.. entre eles muitos sacerdotes. A Judéia paga os tributos a Roma. No outono de 63 a. levam o seu caso ao poderoso romano. em luta pelo poder. trabalhando para os romanos. os negócios judaicos. agora. Porque os filhos de Jerusalém mancharam o culto do Senhor profanaram com suas impurezas as oferendas à divindade. Povos estrangeiros subiram ao teu altar. E na Transjordânia estão os perigosos nabateus.. assim avaliam o gesto de Pompeu: "Cheio de orgulho. em grego.. a Peréia (território "além do Jordão". Hircano II é reconduzido ao sumo sacerdócio. perán tou Iordánou). Aristóbulo e seu filho Antígono são levados presos para Roma. a Galiléia. pisotearam-no orgulhosamente com suas sandálias. conservando apenas a Judéia. Pompeu entra com seu estado maior no Santo dos Santos. o Templo é tomado por Pompeu e cerca de 1. O idumeu Antípater torna-se uma espécie de ministro de Hircano II e controla.C. acessível apenas ao sumo sacerdote. o sul da Samaria e o norte da Iduméia. de fato.C. Por que controlar os judeus? Amigos dos judeus desde a época do conflito dos Macabeus com os Selêucidas no século II a. mas apóia Hircano II. recolhidos por uma sociedade de publicanos sediada em Sídon. Emílio Escauro. Perde os territórios não-judeus. . o pecador destruiu com seu aríete as sólidas muralhas. Pompeu ordena que se levante o cerco a Jerusalém.Hircano II e Aristóbulo II. É provável que Pompeu apóie Hircano II exatamente por isso: é o mais fraco e o menos ambicioso dos dois irmãos Macabeus. com a criação da província da Síria. Por isso disse Deus: afastai-as de mim. Aristóbulo II refugia-se no Templo com seus adeptos. o expansionismo macabaico torna-se um risco para os romanos. Este gesto marca definitivamente o domínio de Roma sobre a terra de Israel e o povo de Iahweh. E a Judéia fica sob a jurisdição do legado romano na Síria. quando toma o Templo.

D. Nancy.. 1985.. JOSEFO. Judaism from Cyrus to Hadrian. Volume I: The Persian and Greek Periods. L. Seus filhos e filhas sofrem rigorosa escravidão. Casa Publicadora das Assembléias de Deus.). A beleza de sua glória nada significou diante de Deus. NEXT . Jerusalem. 1985. Torino. marcado entre os gentios. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. KIPPENBERG. T & T Clark. Histoire d'Israel III. Edinburgh. História dos Hebreus. Deus os tratou de acordo com seus pecados. SAULNIER. Religião e formação de classes na antiga Judéia. E. H. G. Rio de Janeiro..-C. 1976. SACCHI. Du Cerf. 1986.. SCHÜRER. 1979-19822. São Paulo.) III. E. Minneapolis. WILL. Storia del mondo giudaico. Augsburg Fortress.) I. Leituras Recomendadas GRABBE. Histoire politique du monde hellénistique (323-30 av. M. F. L. Paris. E. SCHÜRER. P.C.C. Paideia. 1992. Ele as desprezou totalmente. 1988. Brescia. 1992. 1976.. STERN. Presses Universitaires de Nancy.-135 d.-135 a.. The Israel Academy of Sciences and Humanities.. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a. por isso os entregou nas mãos dos vencedores"[53]. Società Editrice Internazionale. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo (175 a. C. Obra Completa.C.nelas não me comprazo. J. The History of the Jewish ... Paulus. seu pescoço está marcado.

. 9. Mitridates VI nasce de uma família helenizada e governa o Ponto de 112 a 63 a. também SCHÜRER. pp. que faz excelente análise deste processo na época de Herodes Magno. Bellum Iudaicum I. Cf. WILL. Bellum Iudaicum I. cf.. SAULNIER.. Religião e formação de classes na antiga Judéia. 227-260. VII. Idem. F. pp. [46]. e é bispo de Cesaréia. JOSEFO. cf. 1-7. também. pp. Histoire politique du monde hellénistique I. pp. pp.. [41]. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. F.. Antiquitates Iudaicae XIV. em 10 livros. Antiquitates Iudaicae XIV. Cf. Cf. do qual deriva seu nome: a região está en pôntoi. [43]. na Palestina. verbetes Mitridates e Pontos. pp.. P. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. cf. 301-308. Cf. JOSEFO. Sobre a origem de Antípater.. KIPPENBERG. [48].. Histoire d'Israel III. pp. 56-62. 10. Eusébio vive entre 263 e 339 d. pp. pp. F. C. [51]. HARVEY. JOSEFO. junto ao mar Negro. E. WILL. Cf. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. O reino do Ponto fica no noroeste da Ásia Menor. G. Para ver a estrutura romana de poder cf.C. EUSÉBIO. [52]. Cf.. E. Storia del mondo giudaico. 481-484.. 109-116. 450452.. Idem. Cf. ibidem XIV. 125..[39]. E. KIPPENBERG. nota 3. 120-122. [42]. H. P. Historia Ecclesiastica I. G.. 11.. 300-301. [50]. E. 123. p. SCHÜRER. 103-105. Histoire politique du monde hellénistique II. . "junto ao mar". [49].. F. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I.C. [45]. [40]. JOSEFO. Idem. M. [44]. Antiquitates Iudaicae XIV. Histoire politique du monde hellénistique II. Religião e formação de classes na antiga Judéia. 509512. [47]. 11. STERN. Sobre a incerta origem dos partos. Escreve uma importante "História Eclesiástica". SACCHI. H.

César chega à Síria. Otaviano e Lépido..1-7.1. na Grécia. nesta luta pelo controle do Egito. em 47 a. César nomeia Cleópatra VII. as intrigas palestinenses continuam: Antípater é envenenado em 43 a. pelos partos. e Roma volta a ser governada por triúnviros: Antônio. confirmando-o também no cargo de sumo sacerdote.C.C. no delta do Nilo.C.C. como prêmio. Apócrifos del Antiguo Testamento III. Madrid 1982.) há paz na Palestina.C.C. recebe apoio de Hircano II que lhe envia tropas comandadas por Antípater. Roma é governada pelo triunvirato Crasso. ficando somente Pompeu como cônsul (51-49 a. chega César. governam os cônsules Crasso e Pompeu (55-54 a. mas Crasso é derrotado em 53 a. SALMOS DE SALOMÃO 2.C.1. A “Pax Romana” chega a Jerusalém 11. No Egito. que é finalmente vencido em Farsália.). enquanto seus dois filhos Fasael e Herodes são nomeados respectivamente estrategos de Jerusalém e da Galiléia. a famosa herdeira dos Ptolomeus. Antônio nomeia Herodes e . enquanto César luta nas Gálias. Entretanto. Da Intervenção de Pompeu a Herodes Magno Nos anos seguintes à interferência de Pompeu (63 a. Porém. dá a Hircano II o título de etnarca (governador de um grupo racial com o seu território) da Judéia. p. O Domínio Romano 11. São estas tropas que conquistam Pelúsio. Cf. confronta-se com Pompeu. no ano 48 a. 24. A. Antípater recebe a cidadania romana e é nomeado prefeito ou procônsul da Judéia. Cristiandad. rainha do Egito e. Como era Roma nesta época? Veja aqui! Entretanto.1. Pompeu e César. o texto em DIEZ MACHO.). um pouco mais tarde. De 69 a 62 a. Pompeu é assassinado. Depois. Quando.C. César é assassinado em meados de março de 44 a. pelo copeiro de Hircano II.. 11. toma a Itália e a Espanha.C. Em 41 a.C.[53]. em Roma as coisas se complicam.. para César.

a isenção de tropas de ocupação. seu tio.. Herodes se equilibra no delicado jogo do poder porque sabe ser servil a Roma. cidades. depõe a coroa a seus pés. Resultado: volta para casa reconfirmado rei por Otaviano e ainda consegue favores: como o engrandecimento de território. através de assassinatos e intrigas várias. constrói obras grandiosas na Judéia.). Consolidado o poder. pelo Senado romano. Devido à fraqueza do controle romano na província da Síria.Fasael etnarcas. ginásios. Lv 21.17-23). Casa-se com Mariana I. em 40 a. filho de Aristóbulo II. Reconstrói totalmente o Templo de Jerusalém. antes de mais nada. Templos.C.. Herodes Magno governa o povo judeu durante 34 anos (37-4 a.C. como sumo sacerdote e rei na Judéia (40-37 a. Primeiro apóia Antônio. Herodes torna-se o senhor da Palestina. Herodes vai imediatamente visitar o vencedor. com uma única condição: terá que conquistar seu reino. Fasael se suicida. que ele elimina. adversários seus.C. parente de Aristóbulo II e Hircano II. rei da Judéia. Isto significa. Os partos colocam Antígono.C. Antígono corta as orelhas de Hircano II. teatros. enquanto Hircano II permanece apenas como sumo sacerdote. entrando definitivamente para a família asmonéia. a autonomia interior para as finanças. esta é invadida. Herodes luta com decisão para consolidar o seu poder. Herodes foge para Roma e no final do ano 40 a. fortalezas.). para o cargo de sumo sacerdote (cf. termas.como esposa e filhos. em gesto teatral. mas quando este é vencido por Otaviano na famosa batalha naval de Áccio. fontes. assim. Roma e suas Sete Colinas Em 37 a. descendentes do antigo império persa. hipódromos. pelos partos. a partir do inverno de 20-19 a. incapacitando-o. e. que está na ilha de Rodes. no ano 31 a. inclusive alguns membros de sua família . a justiça e o exército. a exoneração de tributo a Roma.C. .C. e nomeado.C.

conserva-se no poder. se a pessoa recusar o juramento. em homenagem a Augusto Cesaréia (Marítima). reveladores de seu espírito político: Sebaste (Samaria). mais tarde. da alexandrina exige de seus súditos um juramento que obriga a pessoa a obedecer às suas ordens em oposição às normas tradicionais.. Observemos os nomes de suas construções. em homenagem a si mesmo fortaleza Antônia (em Jerusalém). Herodes não tem legitimidade judaica. Jericó é embelezada e torna-se sua residência favorita.Reconstrói Samaria. em homenagem ao Imperador romano. controla possíveis revoltas.. Construindo fortalezas. seleciona seus herdeiros. pois descende de idumeus e sua mãe é descendente de árabe. Apoiando a cultura helenística. Herodes constrói uma estrutura de poder independente da tradição judaica: o o nomeia o sumo sacerdote do Templo: destitui os Asmoneus e nomeia um sacerdote da família sacerdotal babilônica e. fortalezas são reedificadas ou totalmente construídas como Alexandrium. lugar sagrado ligado a Abraão. Maqueronte. em homenagem a Marco Antônio. Entretanto. Massada. feminino grego de Augusto. é perseguida . Quando vence os seguidores de Antígono. recebe uma grande construção que o valoriza. dando-lhe o nome de Sebaste. em homenagem a sua mãe Heródion. por ser estrangeiro. Cesaréia Marítima. Mambré. em homenagem a seu irmão Fasael Cipros. Assim. constrói um importante porto. em homenagem a seu pai Antípater Fasélida. Hircania etc. Herodes Magno ganha para si o povo. Servindo fielmente a Roma. em homenagem a César Augusto Antipátrida. Heródion. Valorizando o culto. não tem para com os judeus nenhuma relação de reciprocidade e sua legitimidade se funda na própria estrutura do poder exercido[1]. aparece diante do mundo. Matando seus inimigos.

São Paulo. G. Kippenberg[2]. 1988.. ou seja: o rei é a fonte da lei. KIPPENBERG. se ele viola assim a tradição. Herodes Antipas e Felipe. . Religião e formação de classes na antiga Judéia. p. H. o poder militar de Herodes se baseia em mercenários estrangeiros que ficam em fortalezas ou em terras dadas aos mercenários (cleruquias) por ele (terras no vale de Jezrael). quando diz que o rei é "lei viva" (émpsychos nómos). com os camponeses dentro! Seus herdeiros: Arquelau. Mas. porque ele é regido pelo "nous": o rei tem função salvadora e.o o o interfere na justiça do Sinédrio manda vender os assaltantes e os revolucionários políticos capturados como escravos no exterior. dá aos seus súditos uma ordem racional. H. a cujos cidadãos ele dá como posse o território que as rodeia. "O rei em sua pessoa é a continuação do seu reino e o salvador de seus súditos". Paulus. para o que se segue. Religião e formação de classes na antiga Judéia. 114. mas pela aplicação do direito pelo senhor o direito à terra é transmitido pela distribuição: o dominador a dá ao usuário: é a "assignatio" a base filosófica helenística é que legitima o poder do rei. em oposição à lei codificada. sem direito a resgate a venda à escravidão e a execução pessoal (a morte) tornam-se normas comuns do arrendamento estatal. [2]. e nas cidades não-judaicas por ele fundadas. pp. através das normas do Estado.. Cf. Confira os Mapas do Império Romano aqui! NEXT [1]. G. 109-116. G. por isso. como consegue legitimidade? A estrutura de poder do Estado sob Herodes é bem diferente da estrutura da época dos Macabeus: o o o o o o rei é legitimado como pessoa e não por descendência o poderio não se orienta pela tradição. KIPPENBERG. diz H..

Os Prefeitos e Procuradores Romanos da Judéia Copônio : 6-8 d. graças a uma inscrição sobre Pilatos encontrada em Cesaréia[10]. Pôncio Pilatos. em Bible and Interpretation. . mas subia a Jerusalém e podia lá permanecer conforme as circunstâncias ou as necessidades. leia Warren CARTER. como era o caso da Judéia. podemos falar de “procuradores”. Pontius Pilate: Roman Governor. Marcos Ambívio : 8-12 (?) Ânio Rufo : 12-15 (?) Valério Grato : 15-26 Pôncio Pilatos : 26-36 Marcelo : 36-37 Marulo : 37-41 (?) Cúspio Fado : 44-46 Tibério Alexandre : 46-48 Ventídio Cumano : 48-52 Antônio Félix : 52-60 Pórcio Festo : 60-62 Lucéio Albino : 62-64 Géssio Floro : 64-66 O procurador ou prefeito era um administrador em ligação com o legado que governava a província romana da Síria e dependia dele. Portanto. para as províncias imperiais. militares e judiciais[11]. eram equivalentes.11. que pronuncia a sentença de morte contra Jesus de Nazaré. Residia em Cesaréia. até Cláudio. latim). tendo perdido o significado original da época da República. Tanto o prefeito como o procurador tinham funções fiscais. Sobre Pilatos e seu papel na crucifixão de Jesus. os governadores romanos da Judéia tinham o título de éparchos ou praefectus = prefeito. que se tornou Imperador no ano 41. é um governante duro e decidido. os dois títulos.C. procurator. a partir de Cúspio Fado (4446). Por causa de Flávio Josefo[9] se pensava que a Judéia fora governada por procuradores (epítropos. que. Após Cláudio. em grego. mas hoje se sabe.1. que nunca simpatizou com os judeus. prefeito da Judéia.4. Entretanto.

uma grande agitação tomou conta da cidade. e ele tenta reprimi-lo. espécie de concha sagrada. muitos de origem humilde e até descendentes de escravos. Pilatos é nomeado procurador por Tibério. escrevendo ao Imperador Calígula. classe de pessoas ricas. Todos quantos chegavam perto. Certa vez. Herodes Agripa I. de noite. que servia para demarcar o recinto onde os sacerdotes pagãos observavam as aves do sacrifício”. que os romanos chamavam de ‘estandartes’. Nas palavras de Flávio Josefo: “Certa feita. Quando amanhece. à noite. Acusa-o de venal. Pilatos é o único governante romano que tem tal ousadia[12]. extorsivo e tirânico. que eles tomaram como uma zombaria grave à lei que proibia colocar qualquer imagem que fosse no interior da cidade. Então os . Suplicavam-lhe que mandasse tirar as imagens de Jerusalém e desistisse de agir contra as normas da religião judaica. Mas tem que ceder diante da grande coragem dos judeus que preferem morrer a transgredir a Lei. faz com que Tibério tome decisões anti-judaicas. Mal o dia clareou. um certo número de imagens veladas do César. Sob um pretexto qualquer. descreve-o como inflexível por natureza e cruel por causa de sua obstinação. Símbolos como o lituus “um bastão recurvado numa das extremidades. o poderoso prefeito da guarda pretoriana em Roma que é realmente quem manobra o poder. Pilatos manda que seus soldados entrem em Jerusalém. e o simpulum. enchiam-se de indignação com o espetáculo. que fizeram fortuna das mais variadas maneiras. E consegue. desrespeitando-os deliberadamente.September 2004. Pilatos recusou-se a atender ao pedido deles. violento. Sejano faz de tudo para prejudicar os judeus. levando efígies do Imperador nos estandartes. E todos se dirigiram a Cesaréia. em forma de chifre. para irritá-los e reprimi-los. graças à influência de Sejano. para falar com Pilatos. Embora saiba que os judeus abominam a reprodução de imagens de qualquer espécie. o povo se revolta com tal afronta. para Jerusalém. Pilatos mandou levar. Pertence à ordem dos cavaleiros. Pouco a pouco a exacerbação dos habitantes da cidade atraiu grandes multidões de pessoas que moravam no campo. ele manda cunhar moedas com símbolos gentios. Pilatos faz muitas coisas contrárias aos costumes judeus.

de armas na mão. fez aos soldados o sinal antes combinado. A inscrição foi encontrada no teatro romano de Cesaréia Marítima por uma expedição arqueológica italiana dirigida por Antonio Frova. como se tivessem combinado entre si. JOSEFO. Para você entender a Paixão de Jesus. como se quisesse comunicar-lhe uma notícia. Diz: TIBERIEVM PON]TIVS PILATVS PRAEF]ECTUS IVDA[EA]E. [10] . Brescia. [13] . à uma. no lugar. [11] . Esta atitude heróica do povo em defesa de sua religião causou grande espanto em Pilatos. caso não admitissem a presença de imagens do Imperador em seu meio. F. declarando em alta voz que preferiam deixar-se matar a transgredir a Lei. NEXT [9] . Paulus. porém. e ofereceram o pescoço desnudo. 91-92.. Envolvidos por três fileiras de homens armados. O julgamento de Pilatos. 2. durante cinco dias e cinco noites. 169-174. Cf. Os judeus..judeus se lançaram por terra e ficaram imóveis. . e convocou o povo. São Paulo. No sexto dia Pilatos sentou-se numa tribuna. Paideia. Fez então novo sinal aos soldados para desembainharem as espadas. 2. Bellum Iudaicum. A.. Bellum Iudaicum. para cercarem os judeus. SCHÜRER. no grande hipódromo da cidade. Storia del Popolo Giudaico al Tempo de Gesù Cristo I. E. Ele ordenou. Pilatos mandou massacrá-los. então. [12] . “O território de Arquelau foi assim reduzido a província e Copônio. com plena autoridade”. 117. pp. diz JOSEFO. os judeus foram tomados de violenta comoção diante do fato inesperado. um romano da ordem dos cavaleiros. 1985. Em seguida. foi enviado por Augusto como procurador (epítropos). jogaram-se por terra.. que as insígnias do Imperador fossem retiradas de Jerusalém”[13]. K. SPEIDEL. pp. F. 1979. 441-444. Cf.

Agripa II vive incestuosamente. mas historicamente é condicionada e ocasionada pela inabilidade dos procuradores e até mesmo de alguns Imperadores.C. por exemplo) como na Judéia e demais províncias. Quando os judeus se recusam a cultuá-lo. com sua irmã Berenice e não é bem visto pelos judeus. Teve pouca influência sobre a comunidade judaica. quando prisioneiro em Cesaréia. Calígula chega a exigir que uma estátua do Imperador seja colocada no Templo. Já antes. dizem. muitas delas com o deliberado propósito de irritar os judeus.. a cultuá-lo. Agripa recebe também a antiga tetrarquia de Felipe e partes da Galiléia e da Peréia. É diante de Agripa II e Berenice que Paulo comparece. em 49 d.C. tenta demover . Quando Jerusalém é destruída em 70 d. Vimos como Pilatos cometera arbitrariedades sem conta.23-26. inclusive a Judéia. Em 52 d. O Imperador seguinte. sendo destituído por Tibério e chamado a Roma. embora a Judéia continue governada por procuradores romanos. são perseguidos tanto na diáspora (em Alexandria. graças às mudanças arbitrárias de sumos sacerdotes que sempre fez. proclama-se deus e obriga todas as províncias.). julgados totalmente impotentes frente ao poderio romano.C. legado da Síria. pelos procuradores.C. então. onde morre após o ano 93 d. O país é governado. os romanos não quiseram entregar logo o governo para seu filho Agripa II que é apenas um garoto de 17 anos e vive em Roma. que afinal é punido pelo que fizera.1. Agripa II recebe o governo de Cálcis. onde tem que se explicar.C. Calígula. Agripa II é o último governante da família herodiana. especialmente pelos sacerdotes. A crescente revolta judaica contra a ocupação romana é.3. com freqüência.. segundo At 25. E esta atitude prepotente não pára com Pilatos. De Agripa II ao Fim da Judéia Quando morre Herodes Agripa I (44 d. território antes dirigido por seu tio. oferecendo-lhe sacrifícios. atribuída ao sempre vivo espírito nacionalista judaico e à sua imorredoura fé na libertação messiânica. contra todo o bom senso. Petrônio. ele havia sido nomeado Inspetor do Templo. com direito de designar o sumo sacerdote. Mas em 48 d.11.5.C. ele muda-se para Roma.

) 50% dos restos de cabelo encontrados nas escavações arqueológicas tinham lêndeas”[15]. Richard L.) a tensão aumenta perigosamente. seus dentes tinham sido destruídos e sua vista acabado (. tinha uma expectativa de vida de 30 anos. Oakman.. diz sobre a expectativa de vida da população do Império Romano nesta época: “Cerca de 1/3 daqueles que ultrapassavam o primeiro ano de vida (portanto.o Imperador de seus propósitos: é condenado à morte. Cumano reprime o tumulto e vinte mil judeus perdem a vida. recebe ordem do Imperador para se suicidar. No tempo de seu sucessor Antônio Félix (52-60 d.. com uma má alimentação. não contabilizados como vítimas da mortalidade infantil) morriam até os 6 anos de idade. e Cláudio. com seus trinta e poucos anos de idade.C. já que um pobre em Roma. Existia uma violência epidêmica na Palestina[16]. dispensa os judeus do culto ao Imperador.C. acontece violenta revolta dos judeus durante a festa da Páscoa. desnutrida e com uma expectativa de mais 10 anos de vida.. na Introdução de um volume sobre “As Ciências Sociaise a Interpretação do Novo Testamento ”. por exemplo:este mesmo Jesus. assim .. chegando aos 60 anos de idade menos de 3% da população”[14]. Quando Vitélio Cumano (48-52 d. Por volta dos 30 anos a maioria das pessoas sofria de verminose. Fraudes. 90% já desaparecido. Com moradias precárias.) é procurador. perda da terra através da manipulação das dívidas atingiam a muitos. Só que assassinam Calígula em 41 d. Os que mais sofriam pertenciam às classes mais pobres das cidades e povoados. por causa de um ultraje cometido por um soldado romano. Por volta dos 26 anos 75% já tinha morrido e aos 46 anos. É claro que estes dados não são uniformemente distribuídos por toda a população da época. quando muito. mostra que a violência que sofriam era brutal. se tanto! Douglas E. havia um verdadeiro clima de terror. Olhemos para a audiência de Jesus.C. no século I de nossa era. Cerca de 60% dos sobreviventes morriam até os 16 anos. É no seu tempo que surge o grupo dos sicários.C. Na Palestina do século I d. seu sucessor. endividamento. Uma audiência doente. ou seja.. roubos. em um estudo sobre as condições de vida dos camponeses palestinos da época de Jesus . sem assistência médica. era mais velho do que 80% de sua audiência. salvando também a vida de Petrônio. Rohrbaugh. E o autor acrescenta: “Estudos feitos por paleopatologistas indicam que doenças infecciosas e desnutrição eram generalizadas. trabalhos forçados. sem condições sanitárias adequadas.

fazendo uma coleta para o “pobrezinho” Floro.) consegue então jogar a gota d’água para que o ódio acumulado pelos judeus derrame. “Reuniu-se um grande número daqueles judeus que queriam a guerra a qualquer preço. filho do sumo sacerdote Ananias. assim como antes Floro teve que se retirar para Cesaréia ao ser derrotado. a revolução estoura. Eleazar. Tais grupos são duramente reprimidos pelos romanos através de grandes matanças. proclamando-se profetas e fazendo promessas utópicas. Também as fortalezas de Massada e Heródion são ocupadas pelos rebeldes.C. Tinham se dirigido para uma fortaleza chamada Massada. Josefo fortifica várias cidades e se prepara. Então. Outros grupos tentam despertar no povo os sentimentos messiânicos. mas é rechaçado com pesadas perdas. e o desprezo é vingado: há uma carnificina geral. um jovem de grande atrevimento que comandava então a guarda do Templo. Nessa época.). ocupam o Templo e a fortaleza Antônia. Aí surpreenderam a guarnição romana. filho do sumo sacerdote. Começam os preparativos para o que der e vier. Félix manda crucificar inúmeros zelotas durante o seu mandato[17]. incitou os sacerdotes em exercício a não aceitar donativos ou sacrifícios da parte de não-judeus. Agripa II tenta conter a revolta e não consegue. Céstio Galo. Escondem a sica sob as vestes e misturados na multidão eliminam não só romanos. Outro procurador terrivelmente corrupto e repressor é Lucéio Albino (6264 d. G. após muitas arbitrariedades. Este foi o começo propriamente dito . Um dos assassinados neste tempo pelos sicários é o sumo sacerdote Jônatas. massacraram-na e em seu lugar colocaram um destacamento constituído pela própria gente. Floro requisita 17 talentos do tesouro do Templo. para que seja saqueada e crucifica alguns homens importantes da comunidade judaica. Seu sucessor Géssio Floro (64-66 d. O povo.C. não reage diante do saque. mas também quem colabora com a ocupação estrangeira. em supremo desprezo. Os judeus escarnecem do procurador. os revolucionários chefiados por Eleazar. Resultado: Floro entrega para os seus soldados uma parte de Jerusalém.chamados por usarem em suas ações uma adaga curva e curta chamada “sica”. É a guerra definitiva. legado da Síria. A Galiléia é entregue ao sacerdote fariseu Josefo. o nosso conhecido historiador Flávio Josefo. ataca com uma legião. Quando. Sua tática é provocar tumultos e desestabilizar o governo através de assassinatos inesperados de personagens importantes.

mas os rebeldes conseguem se refugiar no palácio de Herodes. as montanhas da Judéia. a costa. com quatro legiões (24 mil soldados). Os chefes rebeldes. sicário. Como os muros do Templo não cedem. Mas nesta época ultrapassava os 180 mil. A cidade é saqueada e os habitantes assassinados. um dos redutos rebeldes. Josefo é aprisionado e muito bem tratado. mas nenhum pára. Em companhia de seu filho Tito. zelota. O Imperador Nero confia então a Palestina a um experiente general: Vespasiano.da guerra contra os romanos. sem contar as tropas auxiliares. Quando finalmente é . o que duplica este número). Três Imperadores passam pelo trono. deixando a guerra sob o comando de Tito. Conquistam facilmente o território. abre um fosso ao seu redor para que ninguém escape e em julho de 70 toma a fortaleza Antônia. Tito cerca Jerusalém pouco antes da Páscoa de 70. Veja a posição ambígua de Flávio Josefo na guerra contra Roma aqui! Na primavera de 68 Vespasiano ocupa sucessivamente a Peréia. Vespasiano espera se definir a situação em Roma. Visite o Catálogo Virtual de Moedas Romanas! Tito ocupa o setor norte da cidade. É agosto de 70[19]. mas a fortaleza de Jotapata só cai após 47 tentativas de assalto. vendidos ou condenados a trabalhos públicos. Até o outono a Galiléia está nas mãos dos romanos. Massada e Maqueronte. Vespasiano ataca a Galiléia na primavera de 67 com 10 legiões (60 mil soldados. pois nesta ocasião foi praticamente rejeitado o oferecimento de sacrifício em favor dos romanos e do Imperador”[18]. Em setembro de 70 também o palácio cai. mas Massada resiste um ano de cerco. Tito o incendeia. João de Gíscala. Toda a construção é consumida pelas chamas. defendidas pelos sicários e zelotas. Uma cidade com cerca de 30 mil habitantes fixos. Finalmente Vespasiano é aclamado Imperador no dia primeiro de julho de 69 e marcha para Roma. são aprisionados e levados triunfalmente para Roma. e Simão Bargiora. Heródion e Maqueronte caem logo. a Iduméia e a Samaria. Estão ainda de pé três fortificações rebeldes: Heródion. que então podem hibernar tranqüilamente. Está para atacar Jerusalém quando Nero se suicida. A cidade está repleta de peregrinos.

C. A Judéia é separada da Síria e torna-se uma província imperial. Introduction. OAKMAN. p. Quando reina Adriano (117-138 d. sob pena de morte. celebra a vitória romana. os rebeldes como escravos. decide reconstruir Jerusalém com o nome de Aelia Capitolina e manda fazer um templo dedicado a Júpiter no mesmo local onde existira o Templo de Salomão. em ROHRBAUGH. É que o Imperador. numa interpretação messiânica de Nm 24. The Countryside in Luke-Acts. Depois de muita luta. Colonia Aelia Capitolina e o templo a Júpiter é levantado no local do antigo Templo dos judeus. em seguida. Massachusetts. ibidem. começada em 131 d. o arco do triunfo de Tito. um enviado especial de Adriano. então. [16]. p. Hendrickson. É o ano 135 d. Simeão Bar-Kosibah é o chefe desta nova revolta.). 1991. (ed.). E. . 5. há ainda nova revolta judaica. D. 4-5.tomada. A Judéia torna-se parte da província Síria-Palestina. MA.. ROHRBAUGH. L. Hendrickson. de pé ainda hoje. A inscrição dizia: Judaea capta. pp. J. em NEYREY. dirigida por um governador que mora em Cesaréia. Peabody.17. consegue dominar a revolta. 168. The Social World of Luke-Acts: Models of Interpretation.C. vendendo. Cf. uma mulher de luto e uma palmeira simbolizando Israel.. 1996. (ed. H. Peabody. The Social Sciences and New Testament Interpretation. feita por Rabi Aqiba. Júlio Severo.). Aos judeus Jerusalém foi proibida. Em Roma. Os rebeldes ocupam Jerusalém e algumas fortalezas espalhadas pelo território judaico. além dos outros templos construídos na cidade. os rebeldes incendeiam-na e se suicidam em massa para não caírem em mãos romanas. L. NEXT [14]. Idem. Ele é chamado também de Bar-Kokhba (filho da estrela). Vespasiano manda cunhar moedas sobre as quais estão um soldado romano. [15]. R. Jerusalém torna-se. em giro pelo Oriente. R.C.

. Judaism from Cyrus to Hadrian. Cf. A tradição rabínica diz que foi no dia 9 do mês de Ab (29 de agosto de 70).408-409. nota 115. F. F. 460.. Storia del Popolo Giudaico I. 613-614.. Volume II: The Roman Period. 2. [19]. Bellum Iudaicum. JOSEFO. L. L. Bellum Iudaicum. 441-442. GRABBE.[17]. A data exata da destruição do Templo é controvertida. . Fortress Press. enquanto Flávio Josefo diz que foi no dia 10 de Ab. L. pp. p. GRABBE.. 6. 250. Minneapolis. [18]. SCHÜRER. Judaism from Cyrus to Hadrian II. Cf. pp. L. 1991. JOSEFO.

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