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A História de Israel

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História de Israel SUMÁRIO Introdução 1. Noções de Geografia do Antigo Oriente Médio 1.1. O Crescente Fértil 1.2. A Mesopotâmia 1.3.

A Palestina e o Egito de 3000 a 1700 a.C. 1.4. A Síria e a Fenícia 1.5. A Palestina 1.5.1. A Transjordânia 1.5.2. O Vale do Jordão 1.5.3. A Região Central da Palestina 1.5.4. A Costa Mediterrânea 2. As Origens de Israel 2.1. A Teoria da Conquista 2.2. A Teoria da Instalação Pacífica 2.3. A Teoria da Revolta 2.4. A Teoria da Evolução Pacífica e Gradual 2.4.1. Retirada Pacífica 2.4.2. Nomadismo Interno 2.4.3. Transição ou Transformação Pacífica 2.4.4. Amálgama Pacífico 3. Os Governos de Saul, Davi e Salomão

3.1. Ascensão e Queda de Saul 3.2. Davi e a Criação do Estado 3.3. Salomão e a Consolidação do Estado 3.4. A Ruptura do Consenso 3.5. As Fontes: Seu Peso, Seu Uso 3.6. Dois Exemplos de Fontes Primárias: as Estelas de Tel Dan e de Merneptah 3.7. A Questão Teórica: Como Nasce Um Estado Antigo? 3.8. As Soluções de Lemche e de Finkelstein & Silberman 4. O Reino de Israel 4.1. A Rebelião Explode e Divide Israel 4.2. Israel de Jeroboão I a Jeroboão II 4.3. A Assíria Vem aí: para Israel é o Fim 5. O Reino de Judá 5.1. Os Reis de Judá 5.2. A Reforma de Ezequias e a Invasão de Senaquerib 5.3. A Reforma de Josias e o Deuteronômio 5.4. Os Últimos Dias de Judá 5.5. Por que Judá Caiu? 6. A Época Persa e as Conquistas de Alexandre 6.1. A Situação da Grécia e a Política Macedônia 6.2. As Conquistas de Alexandre Magno (356-323 a.C.) 6.3. Quem é Alexandre Magno? 6.4. A Anexação da Judéia por Alexandre 6.5. A Situação da Judéia no Momento da Anexação 7. Os Ptolomeus Governam a Palestina

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A História de Israel no Debate Atual Este artigo foi publicado, de forma mais resumida, em Cadernos de Teologia n. 9 (maio de 2001), Campinas: FTCR da PUC-Campinas, p. 42-64. Acréscimos ao texto são feitos sempre que surgem novidades. ABSTRACT This article surveys some perspectives in the current research of the "History of Israel", the challenges that this poses, and proposes some trajectories for those researching this subject. The scholarly consensus that existed up until the middle seventies of the twentieth century was shattered. The rationalistic paraphrase of the biblical text that constituted the core of the handbooks of the "History of Israel" is no longer acceptable to most scholars. An increasing number of scholars question the use of the biblical text as a source for the “History of Israel”. The implementation of modern literary criticism on the biblical text requires a moving away from issues of historicity, and this allows the "biblical" stories to be evaluated primarily from a literary perspective. The writing of a "History of Israel" using only the archaeological context and nonbiblical writings is a controversial undertaking, however, an increasing number of scholars are attempting to do this. It appears a revisionist “History of Syria/Palestine" will compete

against the traditional "History of Israel" as scholars from both sides continue their research. Até meados da década de 70 do século XX, havia um razoável consenso na História de Israel. Entre outras coisas, o consenso dizia que a Bíblia Hebraica era guia confiável para a reconstrução da história do antigo Israel. Dos Patriarcas a Esdras, tudo era histórico. Se algum dado arqueológico não combinava com o texto bíblico, arranjava-se uma interpretação diferente que o acomodasse ao testemunho dos textos, como no caso da destruição das (inexistentes) muralhas de Jericó pelo grupo de Josué[1]. Exemplos? Os patriarcas eram personagens históricos, o que podia ser comprovado pelos textos mesopotâmicos de Nuzi, do século XIV a.C., em seus muitos paralelos, de estruturas sócio-econômicas a tradições legais, com Gn 12-35. E a migração dos amoritas, que ocuparam a Mesopotâmia e a Palestina no final do terceiro milênio a.C., criava as condições ideais para a entrada dos patriarcas na região da Palestina e explicava seus nomes, sua língua e sua religião. José era personagem historicamente possível, pois havia grande quantidade de evidências egípcias que testemunhava os costumes contados em Gn 3750. Semitas poderiam ter chegado a altos postos de governo no Egito, incluindo o de grão-vizir, especialmente durante o governo dos invasores asiáticos hicsos. A escravidão dos hebreus no Egito e o êxodo não podiam ser questionados, pois textos egípcios testemunham que Ramsés II utilizou hapirus (= hebreus) na construção de fortalezas no delta do Nilo em regime de trabalho forçado. A Estela de Merneptah, faraó sucessor de Ramsés II, comprova a existência de israelitas na terra de Canaã na segunda metade do século XIII a.C., o que nos permitia fixar a data do êxodo aí por volta de 1250 a.C. A conquista da Palestina pelas 12 tribos israelitas sob o comando de Josué, como narrada no livro que leva o seu nome, contava com testemunhos arqueológicos respeitáveis, como a destruição de importantes cidades cananéias na segunda metade do século XIII a.C., embora muitos autores preferissem explicar a entrada na terra de Canaã de outro modo, como pacífica e progressiva infiltração de seminômades pastores a partir da Transjordânia.

. a questão das origens de Israel e a data e a historicidade dos patriarcas. J. parte da confiável Obra Histórica Deuteronomista. Poucas mudanças foram feitas. Cf. sendo tudo. Paulus. História de Israel. O exílio babilônico e a volta e reconstrução de Jerusalém durante a época persa. traduzido da segunda edição inglesa de 1972. A History of Israel. 1978. e até pela Estela de Mesha. Mas manteve. Virginia. E cita. após a morte de Salomão. Professor de Hebraico e de Interpretação do Antigo Testamento no Union Theological Seminary. Brown. constituindo marco seguro para qualquer manual de História de Israel ou de Introdução à Bíblia quanto às datas dos acontecimentos e às realizações da sociedade israelita. A tradução brasileira desta 4a edição foi publicada pela Paulus no final de 2003. revista e ampliada a partir da 4a edição original. graças à confiabilidade dos textos bíblicos que detalhavam os acontecimentos desta época. as posições da 2a edição. marcando o nascimento do judaísmo baseado no Templo e na Lei que passa a ser lida sistematicamente nas sinagogas. USA. basicamente. Westminster Press. BRIGHT. Os reinos separados de Israel e Judá. como a 7a edição. Philadelphia. hoje há um verdadeiro caos de opiniões conflitantes. constituíam matéria real e sem maiores problemas. como exemplo. que. por sua vez. eram bem testemunhados pelos textos assírios e babilônicos. John Bright e sua História de Israel John Bright lançou uma 3a edição de sua História de Israel em 1981. Bright foi. Bright pertence à escola americana de historiografia de W. no ano 2000. Richmond. São Paulo. Uma resenha da . 1981. com uma Introdução e um Apêndice de William P.A construção e a consolidação do poderoso império davídico-salomônico eram consideradas como pontos fixos e imutáveis na historiografia israelita. pela Westminster John Knox Press. O melhor livro para detalhada exposição e defesa deste consenso é o de John Bright. Diz o autor. muito bem detalhado nos livros dos Reis. em muitos pontos onde anteriormente havia certo consenso. no Prefácio da 3a edição. até a sua morte. F. O autor atualizou o livro quanto a algumas descobertas arqueológicas e mostrou-se mais prudente nas afirmações sobre a historicidade de certos acontecimentos e personagens bíblicos. após a sua morte em 1995. Albright e esta sua ‘História de Israel’ foi o manual mais utilizado por nós nos anos 70 e 80 do século passado. rei do vizinho país de Moab. Uma 4a edição do livro foi lançada.

Mas. em 1950. confederação tribal. focalizando especialmente a 4a edição. A seqüência patriarcas. em 1806-7. a historicidade dos patriarcas. Vozes. que a historiografia alemã. Petrópolis. ou uma ‘arqueologia da Síria/Palestina’ ou mesmo uma ‘arqueologia do Levante’. como Rolf Rendtorff. divisão entre norte e sul. A ‘tradição’ herdada dos antepassados e transmitida oralmente até à época da escrita dos textos freqüentemente não consegue provar sua existência. 69. O uso dos textos bíblicos como fonte para a ‘História de Israel’ é questionado por muitos.'História de Israel' de Bright. passando por Julius Wellhausen. E há pesquisadores de renome na área. A paráfrase racionalista do texto bíblico que constituía a base dos manuais de ‘História de Israel’ não é mais aceita. afasta-nos cada vez mais do gênero histórico. pp. 2001. . a ‘História de Israel’ está mudando. império davídico-salomônico. professor em Heidelberg. 90-93. uma ‘História da Síria/Palestina’ ou uma ‘História do Levante’ parece ser o programa para os próximos anos. pode ser lida na revista Estudos Bíblicos n. melhor. que já em 1993 afirmava em artigo na revista Biblical Interpretation 1. Uma ‘História de Israel e dos Povos Vizinhos’. escravidão. exílio e volta para a terra está despedaçada. O uso de métodos literários sofisticados para explicar os textos bíblicos. Uma ‘História de Israel’. negando. êxodo. conquista da terra. O consenso foi rompido. que os problemas da interpretação do Pentateuco estão intimamente ligados aos problemas mais amplos da reconstrução da história de Israel e da história de sua religião. de Wette. feita por Ludovico Garmus. porém. até Martin Noth. 34-53. por exemplo. A arqueologia ampliou suas perspectivas e falar de ‘arqueologia bíblica’ hoje é proibido: existe uma ‘arqueologia da Palestina’. É preciso lembrar. que dispense o pressuposto teológico de Israel como ‘povo escolhido’ ou ‘povo de Deus’ que sempre a sustentou. exegeta alemão. não participava integralmente deste consenso. A construção de uma ‘História de Israel’ feita somente a partir da arqueologia e dos testemunhos escritos extrabíblicos é uma proposta cada vez mais tentadora. em 1894. José do Egito. e as ‘estórias bíblicas’ são abordadas com outros olhares. desde W. pp.

São Paulo. Nuzi e os Patriarcas Um bom exemplo desse paralelismo pode ser lido no comentário de SPEISER. 1500-1200 a. 2000. refletiam práticas típicas do primeiro milênio a. Thompson percebeu que os costumes familiares de Nuzi e as leis sobre propriedades não eram exclusivos nem de Nuzi. 1964. W. pp.C. mais provavelmente. porém. Garden City. Quando Thompson começou seu trabalho.)[3]. Isto quebrava o paralelismo feito pelos autores entre Nuzi e o mundo patriarcal e tirava a garantia de que os costumes patriarcais refletiam práticas do segundo milênio. 38-45. no norte da Mesopotâmia. em 1969. E. Eliezer. nem do segundo milênio. Thompson começou sua tese de doutorado na Universidade de Tübingen. a adoção de um estrangeiro. como quase todos os arqueólogos e historiadores acreditavam naquela época. O tema: as narrativas patriarcais.2).10-20 e paralelos). Abraão e sua Lenda. na Alemanha. como herdeiro (Gn 15. Loyola. na clássica coleção The Anchor Bible. Genesis. a mãe de aluguel como Agar (Gn 16.11. A. Dois anos mais tarde.. .. como os casos da esposa-irmã Sara (Gn 12.Este artigo quer traçar um panorama destas mudanças pelas quais vem passando a ‘História de Israel’ nos últimos vinte e tantos anos. New York. Doubleday. os paralelos feitos entre os costumes patriarcais e os contratos familiares encontrados na cidade de Nuzi.1-6). apontar as dificuldades que a crise vem criando e propor algumas pistas de leitura para os interessados no assunto. no qual o autor discute cerca de 20 coincidências entre os costumes patriarcais e os costumes de Nuzi.C. então Thompson poderia distinguir nelas as mais antigas histórias bíblicas da tradição posterior mais ampliada[2]. Patriarcas? Que Patriarcas? Em 1967.. Estes e outros exemplos podem ser mais facilmente vistos em VOGELS. ele estava tão convencido da historicidade das narrativas sobre os patriarcas no Gênesis. 1. mas.1-25. e datados da época do Bronze Recente (ca. o norte-americano Thomas L. sem questionar.C. Sua idéia fundamental: se algumas das narrativas sobre os patriarcas hebreus estavam se referindo historicamente ao segundo milênio a. Gênesis 12. que aceitou.

não atribuindo qualquer valor histórico às estórias sobre Abraão. Davi e Salomão em Jerusalém. Reino Unido. podem ser explicadas. sujeita a períodos de secas prolongadas e devastadoras. O resultado foi academicamente desastroso. segundo a qual teria havido grande migração de nômades vindos das fronteiras do deserto siroarábico para a Mesopotâmia e para a Síria-Palestina no final do terceiro milênio. pesquisando a historicidade dos patriarcas. no século X a. Neste artigo. sob o título de “O Background dos Patriarcas”. Philadelphia. Em 1987 Thomas L. O livro só foi publicado em 1974 e Thompson conseguiu seu PhD na Temple University. Além do que. Thompson começou a trabalhar a questão das origens de Israel. mais cientificamente.C. hoje. . não pôde defender sua tese na Europa nem publicar seu livro nos Estados Unidos. Isto implicava a exclusão de qualquer unidade política de Israel que abrangesse toda a Palestina. e a datação tradicional dos patriarcas e sua historicidade caíram por terra. O crescimento populacional dos amoritas deve ter provocado a ampliação de seus territórios e a ocupação de várias cidades da região. Thompson passou. em 1976[4]. John Van Seters. no Journal for the Study of the Old Testament. Isto é testemunhado pelas centenas de povoados espalhados do Eufrates até os vales dos rios Khabur e Balikh e datados pelos arqueólogos como existentes desde o Calcolítico. retomando a argumentação publicada em um artigo de 1978.C. muitas das mudanças ocorridas em todo o Antigo Oriente Médio que antes eram atribuídas a invasões mal documentadas de povos. da editora Sheffield. ou seja. de quem falaremos mais detalhadamente no próximo item a propósito do Javista. Estados Unidos. Thompson localizava as origens de um Israel histórico na região montanhosa ao norte de Jerusalém durante o século IX a. a defender que as narrativas patriarcais estavam refletindo muito mais o primeiro do que o segundo milênio.Além do mais. vivendo da agricultura e da criação de gado. que terminou a pesquisa em 1971. Thompson. Thompson. Thompson percebeu que não havia prova alguma para tal pressuposto. chegou a conclusões semelhantes. pois o que se descobriu nos últimos anos é que os amoritas são sedentários do norte da Mesopotâmia. pelas mudanças climáticas na região. independente de Thomas L. então. não podia ter existido uma ‘Monarquia Unida’ sob Saul. examinando a hipótese amorita.

A ‘Hipótese Documentária’ afirmava. L. W. na corte davídico-salomônica até o século V a. que o Pentateuco era composto pelas fontes JEDP – Javista. examinando as tradições sobre Abraão. 1992 [19942]. Van Seters Reinventa o Javista Ainda em 1964. Isto porque o desenvolvimento literário do Gênesis teria ocorrido de modo independente de Êxodo e Números até o estágio final da composição do Pentateuco. 33-74. professor de Van Seters. Sheffield. onde até hoje se encontra. Sheffield Academic Press.. quando então foram organizados e combinados pelo Sacerdotal (P). mas complementos de outras mais antigas. Leiden. em ROGERSON. Winnet. elaboradas desde o século X a. o canadense John Van Seters aceita o desafio de um seu professor e começa a revisão da ‘Hipótese Documentária’ do Pentateuco. levando ao afastamento do autor da Marquette University. com Esdras. Diz Thompson que a reação a este livro foi pior do que à tese sobre os patriarcas. Thompson foi convidado para trabalhar no Departamento de Estudos Bíblicos da Universidade de Copenhague.C. os hoje chamados ‘minimalistas’. Winnet não aceitava a fonte E como um documento independente. onde trabalhava. Mas. Quando muito. ela poderia ser uma revisão de mais antiga tradição patriarcal e não poderia ser encontrada no Êxodo e Números. A Sheffield Reader. O estudo completo resultou no livro Early History of the Israelite People from the Written and Archaeological Sources [Antiga História do Povo Israelita a partir de Fontes Escritas e Arqueológicas].C. nos Estados Unidos. pp. desde o século XIX. levantou uma série de dúvidas sobre os fundamentos da Hipótese Documentária. F. The Pentateuch. admitia o pesquisador. na Jerusalém pósexílica. 1996. . duas diferentes fontes deveriam ser vistas dentro do material J do Gênesis: uma mais antiga e outra da época do exílio. Eloísta. Brill. O mesmo deveria ser dito do P. V. Deuteronômio e Sacerdotal. Thompson foi relançado em livro: The Background of the Patriarchs: A Reply to William Dever and Malcolm Clark. Com um detalhe: estas fontes não seriam documentos independentes.. em conferência feita em 1964. J. em 1993. 2.O artigo de T. e onde encontrou um grupo com idéias avançadas sobre a ‘História de Israel’. Assim.

1-18. A conclusão a que se chegou foi de que o Pentateuco era o produto do movimento profético. J. Estas conclusões podem ser lidas em VAN SETERS. do qual não se percebia nenhum sinal.26. assim como o era o livro do Deuteronômio. 1-18 ao complemento E e Gn 26. como o ambiente no qual o javista teria nascido. A Social-Science Commentary. 59-60. E também em VAN SETERS. e também que a forma da promessa da terra no J era um desenvolvimento posterior daquela encontrada no Deuteronômio e na tradição deuteronomista. em 1976. Examinando uma série de textos amplamente aceitos como javistas.Embora a proposta de Winnet não tenha causado repercussão. Van Seters. The Pentateuch. Yale University Press. pelo menos em sua forma mais rígida. examinando as tradições sobre Abraão. Abraham in History and Tradition. em plena luz do dia e ninguém mais podia escapar da constatação de que a teoria clássica das fontes do Pentateuco. Van Seters concluiu também que o material atribuído ao J mais antigo era muito pequeno. então. percebeu que episódios paralelos – como a história de Sara “irmã” de Abraão em Gn 12. Von Rad de um ‘Iluminismo Salomônico’.1-11 – não são documentos independentes agrupados por redatores. New Haven.1-20 corresponde ao J mais antigo de Winnet. 1999. Gn 20. Van Seters concluiu que o J deveria ser visto como um autor pós-D. . Schmid procurou mostrar que o J dependia fortemente da tradição profética e estava muito próximo da escola deuteronômica. que o E consistia de uma única estória e que todo o material não-P pertencia ao javista mais recente. contestou a tese de G. mas sua relação é de complementação: Gn 12. Percebendo igualmente a forte afinidade do J com o Dêutero-Isaías. 1975. e que a ‘Hipótese Documentária’ deveria ser totalmente revista. J.10-20. A crise do Pentateuco explodiu.1-11 ao J mais recente da proposta do professor. H.. Van Seters publicou sua pesquisa em 1975. Em 1976 e em 1977 apareceram os livros de Hans Heinrich Schmid e de Rolf Rendtorff sobre o mesmo assunto. como dissemos.. Sheffield. H.20. Schmid. Sheffield Academic Press. era insustentável. pp. e de que o J deveria ser visto em estreita associação com a escola deuteronômica nos últimos anos da monarquia ou na época do exílio.

Ele defende que cada unidade maior teve seu próprio processo de redação antes de ser colocada em contato com outras unidades. 2. O J faz o trabalho de um historiador . que o Javista compõe uma obra unificada que vai da criação do mundo até a morte de Moisés. porém um significado teológico próprio. Donde se conclui que a idéia de fontes. NeukirchenVluyn. Zürich. 2002. 1981. deve ser abandonada. Uma exposição do pensamento destes autores pode ser vista. retomando a idéia de M. chegou à conclusão de que o Deuteronômio e a Obra Histórica Deuteronomista eram anteriores ao javista. Berlin. e que o desenvolvimento dos temas é que deve ser enfocado. Petrópolis. Berlin. Theologischer Verlag. 1990). mais tarde. Neukirchener Verlag. RENDTORFF. em português. tal como a J. em 1977. BLUM. Sheffield Academic Press. Zürich. Theologischer Verlag. em DE PURY. mas o alcança. H. seu discípulo Martin Rose. dando-lhe. Rolf Rendtorff. chega à conclusão de que tal independência não deve ser limitada ao período pré-literário.semelhante ao trabalho do historiador grego Heródoto .. mas sim uma posterior costura deuteronomista ligando estas tradições. 1990. Studien zur Komposition des Pentateuch. Deuteronomist und Jahwist. confirma as intuições de seu mestre estudando as tradições patriarcais de Gn 12-50.. pp. As origens e a composição dos cinco primeiros livros da Bíblia à luz das pesquisas recentes. Die Komposition der Vätergeschichte. Rendtorff não vê nenhuma conexão original entre Gênesis e Êxodo-Números. 63-70.. Walter de Gruyter.Embora não tenha discutido a datação do J em relação ao D.no qual ele se baseia em fontes orais e escritas. Van Seters estendeu seu estudo sobre o J a todo o Tetrateuco e defendeu. 1984. ed. M. Sheffield. Das überlieferungsgeschichtliche Problem des Pentateuch. O Questionamento do Consenso Wellhauseniano em Alemão Os estudos destes pesquisadores resultaram nas seguintes obras: SCHMID. Der sogenannte Jahwist.). E.. R. ROSE. Walter de Gruyter. H. O Pentateuco em questão. 1977 (tradução inglesa: The Problem of the Process of Transmission in the Pentateuch. Noth da formação do Pentateuco a partir de temas independentes. (org. A. em livros publicados em 1992 e 1994. .. 1976. por sua vez. Untersuchungen zu den Berührungspunkten beider Literaturwerke. em 1981. Vozes. Seu aluno Ehard Blum.

O Eloísta (E) não se sustenta como documento independente e desaparece. Josué. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. Já que o J era posterior ao D/OHDtr. Graeme Auld. XII + 345 pp. não é uma obra independente.: esta obra mostra como a crise do Pentateuco continua e como um possível consenso parece ainda distante. Joseph Blenkinsopp. Walter de Gruyter. Jean Louis Ska. Berlin. E que a Obra Histórica Deuteronomista foi igualmente compilada. Reinhard Gregor Kratz. Van Seters conclui: “Deste modo. sustentando que a arqueologia hoje dá suporte à hipótese de que tanto o Pentateuco quanto a Obra Histórica Deuteronomista foram escritos no século sétimo a. Jan Christian Gertz. para fornecer suporte ideológico para sua reforma política e religiosa. (eds. ele ligou as duas grandes obras e acrescentou sua própria conclusão final ao Hexateuco através do segundo discurso de Josué em Js 24" [5]. Hans-Christoph Schmitt. The Free Press. elaborada para defender a ideologia e as necessidades do reino de Judá. cito aqui a proposta do arqueólogo Israel Finkelstein e do historiador Neil Asher Silberman. C. E a Crise do Pentateuco Continua. J. eu procuro resolver o problema existente entre os argumentos de Noth a favor de um Tetrateuco separado do D/OHDtr e a insistência de Von Rad em um Hexateuco. Thomas Dozeman. proveniente da Europa. Albert de Pury.). 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis). no livro The Bible Unearthed. Por isso.. & WITTE. Os autores defendem que boa parte do Pentateuco é uma criação da monarquia da época de Josias. K. por sua vez. Estados Unidos e .. Só gente do ramo. que. SCHMID. mas uma série de suplementos pós-exílicos ao D+J. Markus Witte. neste volume escrito em alemão e inglês. New York. sendo contemporâneo do Dêutero-Isaías e tendo afinidades com Jeremias e com Ezequiel. Mas é anterior ao Sacerdotal (P).. William Johnstone. o Javista é posterior ao Deuteronômio e à Obra Histórica Deuteronomista (Deuteronômio. 2002. Abschied vom Jahwisten: Die Komposition des Hexateuch in der jüngsten Diskussion. Ernst Axel Knauf. Juízes. com Josué como o objetivo das promessas patriarcais. Thomas Römer.. Konrad Schmid.C. no tempo do rei Josias. 2001. da qual ela é uma espécie de introdução..O objetivo da obra do J é o de corrigir o nacionalismo e o ritualismo da Obra Histórica Deuteronomista. Uwe Becker. Erhard Blum. Contribuem. Só para entendermos por onde pode caminhar a discussão atual. em sua maior parte. M. GERTZ.

. O livro de Thomas L. no qual o autor lamenta e critica. que cobrem a vida da comunidade e de cidades vizinhas ao longo de seis gerações. em resenha do livro na CBQ 65/4. onde o pesquisador se pergunta: O que aconteceu com o Javista na atual pesquisa do Pentateuco? E responde: ele desapareceu e levou consigo a Hipótese Documentária do Pentateuco. 1992. mais aqui. 1974 e Harrisburg..html . 2002. em maio de 1999. The Mythic Past. Especialmente significantes são as informações administrativas. em conferência pronunciada no Departamento de Estudos Judaicos da McGill University. THOMPSON. Basic Books. sociais. econômicas e as descrições das práticas e estruturas jurídicas. FREEDMAN. de outubro de 2003. T. pp. Em Nuzi. É um material que ilustra brilhantemente a vida diária de uma comunidade da metade do segundo milênio a. E comenta Gnuse que os ensaios tipificam a natureza variada e caótica da pesquisa do Pentateuco. a ruptura do consenso que passo a descrever.. Up with Reading: The Current State of Biblical Studies. p. Gary A. Walter de Gruyter. Cf.arts. New York. XI. Canadá.. Berlin. Thompson: The Historicity of the Patriarchal Narratives: The Quest for the Historical Abraham. em At the Cutting Edge of Jewish Studies. Sheffield Academic Press.Israel! E. Trinity Press International. 656. Leia também artigo de 2006 de Rolf Rendtorff. p. como observa Robert Gnuse. [4]. [3]. os autores concordam em rejeitar a fonte javista e sugerem que a coerência das narrativas do Pentateuco somente foi alcançada no pós-exílio com o D e o P. New York.mcgill. D. NEXT [1]. [5]. 1999. cada um mais sugestivo do que o outro. J. http://www. [2]. Cada um constrói seu próprio paradigma..C. Doubleday & Logos Library System. L. Sheffield. foram encontradas cerca de 3. 61-62. Cf. . 1999. Estou me inspirando no artigo de RENDSBURG. The Pentateuch. Para além disso. A Social-Science Commentary. Cf.). no contexto do abandono da teoria das quatro fontes.ca/programs/jewish/30yrs/rendsburg/index.500 tabuinhas cuneiformes. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. Down with History. VAN SETERS. ninguém concorda com ninguém. Cf. Biblical Archaeology and the Myth of Israel. 1997. N. verbete Nuzi. habitada principalmente por hurritas. (ed.

A região é habitada pela raça branca. No seu conjunto. anteriormente chamada camito-semítica. a raça branca é constituída pelos: semitas (acádios. Esta faixa de terra é regada por importantes rios. teremos uma região bastante fértil. da sedentarização e das rotas comerciais por onde passavam as caravanas que iam desde a Mesopotâmia até o Egito ou a Arábia. þÿ 1. que condicionavam a vida do oriental antigo. cananeus. passando pelas nascentes dos rios Tigre e Eufrates. gregos. homótico e chádico. colocando a outra ponta na foz do Nilo. no Egito. Argélia e Tunísia atuais) indo-europeus (eslavos. A família afroasiática compreende seis ramos: semítico.Copyright © 1999-2008 Airton José da Silva. amoritas.Sitemap. especialmente semitas e hamitas. As línguas semíticas constituem um ramo da grande família das línguas afro-asiáticas. berbere. itálicos. É a chamada "meia-lua fértil" ou "Crescente Fértil". onde se desenrolaram os acontecimentos narrados na Bíblia. Todos os direitos reservados. dentro do qual está também a Palestina. árabes.Marrocos. Mapa do Site .1. Foram os rios que determinaram o estabelecimento da agricultura. O Crescente Fértil Se partirmos do Golfo Pérsico e traçarmos uma meia-lua. celtas. Quer conhecer as línguas do Oriente Médio? Experimente aqui! . a Abissínia e o Magrebe . Noções de Geografia do Antigo Oriente Médio 1. egípcio. hebreus. fenícios etc) hamitas (que habitavam o Egito. cuxita. iranianos etc) fineses.

documentada desde a metade do terceiro milênio a. o amárico e o hebraico.C. com o acádico e o eblaíta. até os dias atuais com o árabe. .A família das línguas semíticas é bem antiga. Nos três quadros a seguir pode-se ver um panorama simplificado das principais línguas semíticas[1].

pronomes possessivos e objeto pronominal do verbo são anexados como sufixos ausência de nomes e verbos compostos pequeno número de partículas e predominância da coordenação sobre a subordinação. mormente na vocalização raízes ternárias verbos com apenas dois tempos dois gêneros casos oblíquos.Algumas características das línguas semíticas: A estrutura gramatical: grande número de guturais muito especiais. O vocabulário semítico: quase nenhum contato com o indo-europeu semelhanças apenas em palavras onomatopaicas .

Ele dirige o culto.. 1.C.2. verbete Languages. Clique na miniatura para ver o mapa da Mesopotâmia! Os sumérios construíram a sua civilização na Baixa Mesopotâmia entre os anos de 2800 e 2370 a. A Mesopotâmia A planície situada nos vales dos rios Tigre e Eufrates é chamada comumente de Mesopotâmia.poucos empréstimos de um grupo lingüístico para o outro. Freedman. o etíope e o cuneiforme. os assírios e os babilônios. A Mesopotâmia foi berço de civilizações antiqüíssimas e importantes. nome que vem do grego e significa (terra) entre rios. auxiliados por "anciãos". A escrita semítica: consonantal da direita para a esquerda exceções: escritas da esquerda para a direita são o sabeu. 1997. . As únicas construções oficiais são os templos: as cidades eram dirigidas por senhores eclesiásticos. 1992. Doubleday & Logos Research Systems. The Anchor Bible Dictionary. notadamente o Tigre e o Eufrates. que formavam uma assembléia. A Bíblia chama a esta terra de paddan aram ou aram naharayim (Síria dos dois rios). NEXT [1]. os acádios. Cf. N. D. Foram os sumérios os inventores da escrita. mais ou menos. New York. como os sumérios.). (ed. nas cenas gravadas nos cilindros. As escavações feitas em Uruk revelaram o uso da escrita cuneiforme (sinais em forma de cunha) desde o início do III milênio. O chefe da cidade suméria tem o título de En (= senhor). de conotação religiosa.

O rei era sacerdote (mantinha os santuários). Foi a função guerreira que fez surgir a realeza. Kish. Mas. No palácio vivia o rei. abrigada por grandes escudos e capacetes. por camponeses. O metal mais citado é o cobre. Akshak. que indicava um poder menor do que o primeiro. Sua residência era mais uma fortaleza do que um palácio. . Nippur. mas era uma monarquia militar. bois. Permaneceram sempre isoladas. na guerra. deusa da fecundidade e do amor. Não se sabe quando se formou a monarquia suméria. ferreiros. Aparece o asno e o porco. talvez subários e populações de língua semítica. no trabalho dos templos. Também já conheciam a prata e o ouro. Zabalam. O templo era um centro econômico: possuía terras. assim como um carro de 4 rodas e o barco. Avançando um pouco mais no tempo e pesquisando outros lugares além de Uruk. na forma de cidades-estado.Visite a Sumerian Mythology FAQ! O culto era celebrado para Inanna (a futura Ishtar). Além de uma infantaria armada de lanças. e para An. Havia mercadores e um comércio privado. onde cultivavam-se a cevada e o trigo. Lugal (rei) era o seu título ou Ensi (chefe das cidades. As cidades mais importantes eram: Adab. Contudo não permaneceram unificadas por muito tempo. pertencente. É impossível saber quando chegaram os sumérios à Baixa Mesopotâmia. ourives e ceramistas. os especialistas descobriram que as cidades organizavam-se ao redor dos templos e palácios reais. mais raros.C. reforçados. Shurupak. Umma. ao deus. marceneiros. governador. Também a horticultura. Lagash. Bad-Tibira. a vinha e a palmeira eram conhecidas. puxados por quadrigas de burros. característicos da região. deus do céu. Usavam arados. Há. vice-rei). Criavam principalmente carneiros e cabras e. Suas tropas chegavam a uma média de 600 a 700 homens. na verdade. que entrou em luta com os chefes religiosos pelo controle interno das cidades e com as outras cidades em massacres periódicos. Parece que estavam na região na segunda metade do IV milênio a. havia carros de guerra com 4 rodas compactas. era juiz supremo. Uruk e Ur. chefe militar e administrador dos canais de irrigação. Cada uma possuía ao seu redor um cinturão de aldeias e eram separadas por pântanos e desertos. que era apenas um administrador do Estado. pelo menos pode-se perceber que eles se misturaram às antigas culturas populares locais.

Os templos podiam ter várias formas.C. Revelam-nos o vestuário da época: o mais usado era o Kaunakés. Lagash e Umma foram duas das cidades que mais dominaram suas vizinhas. espécie de saia com longas franjas estilizadas.C. mais ou menos. a partir de 2800 a. simbolizando o casamento sagrado entre um deus (Dumuzi?) e uma deusa (Inanna). 2. Cosmogonias menores: Encantamentos: 3 textos Textos Namburbi 2. hínicos. em forma de lingüetas. As estátuas não são muito bonitas. Links para o estudo da Mesopotâmia? Confira estes! Na literatura produziam-se textos sapienciais. deu-se uma transposição da temática naturista para a cósmica (os deuses passam a figurar elementos do cosmos). porém. com mais de 900 torres semicirculares. Fundações ou refundações de Templos: 4 textos 4. A religião tem predominância naturista: os cultos da fertilidade estavam em primeiro plano. levou à construção de grandes muralhas nas cidades. início da idade clássica sumeriana. são toscas demais.Esta fase de guerras constantes. Uma classificação possível para as cosmogonias mesopotâmicas pode ser a seguinte.5 km de extensão. épicos e mitológicos. Lista do deus An = Anum 3. Disputas entre criaturas: • Disputa entre dois . TEXTOS ACÁDICOS: Cosmogonias da metade do 20 milênio até o 10 milênio a. Listas de deuses: 3 textos 1. TCL XV 10 = lista De Genouillac 3. Já a cidade de Nippur parecia ser uma espécie de território neutro.C. embora a primeira permanecesse. centro de uma anfictionia ou confederação. mas a disposição interna era a mesma em qualquer lugar.. cobrindo uma superfície de 5 km2. SLT 122-124 1. baseada na cronologia e no gênero: TEXTOS SUMÉRIOS: Cosmogonias do 30 milênio até começo do 20 milênio a. Uruk tinha muralhas de 9. No ritual exerciam funções importantes a grã-sacerdotisa e o rei. Em meados do III milênio.

motivo cósmico: 6 Cosmogonias antológicas textos 1. Enkidu e o Atrahasis Inferno 2. História Suméria do Dilúvio .insetos • • Disputa entre o Tamarindo e a Palmeira Disputa entre o Boi e o Cavalo 5. Prólogos ao Grande Tratado Astrológico: 2 textos 6. NBC 11108 Hino ao Templo de Eridu Louvor à Enxada Enuma elish Textos narrativos de Eridu . 6. A disputa entre a Árvore e o Junco 4. Casamento de An e Ki em meio à tempestade 3. Enki e Ninhursag (ou Mito do Dilmun) 3.motivo ctônico: 5 textos 1. Enki e a Ordem do Mundo 2. 5. Gilgamesh. A disputa entre o Pássaro e o Peixe 4. Enki e Ninmah A Teogonia Dunnu 5. VAT 17019 Textos narrativos de Nippur .

pp. TCL: Textes cunéiformes . NEXT Na luta entre os vários grupos observamos que a maioria deles ostenta nome amoritas.Um único texto: KAR 4 * Abreviações: SLT: CHIERA.1923. H. NBC: Nies Babylonian Collection.Musée du Louvre. Paris. Keilschrifttexte aus Assur religiösen Inhalts. VAT: Vorderasiatische Abteilung Tontafeln .. 86-106. Chicago. Leipzig. pp. E. H. Chicago University Press. XXXIV. DE Genouillac. 137-139. 1919. .). conseqüência de grandes migrações que foram uma das causas da queda de Ur. RA 20 (1923). Sumerian Lexical Texts from the Temple School of Nippur. De Genouillac: DE Genouillac. Liste alphabétique des dieux sumériens. Yale University. (ed.. Grande Liste de noms divins sumériens.Coleção de tabuinhas cuneiformes do Museu de Berlim. RA 25 (1928).. E. Esta entrada em cena dos amoritas (ou amorreus) assinala um fato fundamental na história da época. 1929. KAR: EBELING. Wissenschaftliche Veröffentlichnungen der deutschen Orientgesellschaft XXVIII.

muitas das mudanças ocorridas em todo o Antigo Oriente Médio que eram atribuídas a invasões mal documentadas de povos. não é mais possível sustentar esta posição. Mapa Cronológico do Antigo Oriente Médio II[4] Período Bronze Bronze Ferro Ferro Antigo Arqueológico Médio Recente Recente Mesopotâmia do Assírio Assírio Assírio Assírio Norte antigo médio médio recente ShamsiMitani Adad Cartas de . enquanto na Alta Mesopotâmia a luta se dava entre Assur e Mari. Além do que. Hoje. significando "ocidentais" ou "povo do oeste". sujeita a períodos de secas prolongadas e devastadoras[3]. que come carne crua. pois o que se descobriu nos últimos anos é que os amoritas são sedentários do norte da Mesopotâmia. vivendo da agricultura e da criação de gado. mais cientificamente. A caracterização dos amoritas é feita em uma epopéia da época que. citada acima. porém. onde a disputa era entre as dinastias de Isin e Larsa. hoje. que não sabe dobrar os joelhos para cultivar a terra. que não tem casa durante a vida. baseados em sátiras como esta dos sumérios. chamados também de semitas do oeste. em acádico AMURRU. diz: "É um homem que desenterra trufas [espécie de cogumelo comestível] no sopé das montanhas. pelas mudanças climáticas na região. e em uma visão romântica do nomadismo. podem ser explicadas.TU. Isto é testemunhado pelas centenas de povoados espalhados do Eufrates até os vales dos rios Khabur e Balikh e datados pelos arqueólogos como existentes desde o Calcolítico. É assim que se chega à luta pela hegemonia na Baixa Mesopotâmia. Durante muito tempo existiu certo consenso entre os especialistas. e não é sepultado após a morte". típica do século XIX. de que os amoritas eram nômades que invadiram a Mesopotâmia e também a Palestina vindos do deserto siro-arábico. descrevendo o mito do casamento do seu deus Amurru.Em sumério são chamados de MAR. também governadas por amoritas. O crescimento populacional dos amoritas deve ter provocado a ampliação de seus territórios e a ocupação de várias cidades da região mesopotâmica.

No 31º ano de seu reinado Hammurabi já era senhor da Suméria e de Akkad. Sob a III dinastia de Ur fora governada por um ensi e progressivamente seu poder cresceu.) subiu ao trono de Babilônia. Consolidou sua posição frente aos vizinhos da Baixa Mesopotâmia e em seguida estendeu seu domínio a Mari. Em 1792 Hammurabi (1792-1750 a. assírios e gútios. aos elamitas.C. .Mari Mesopotâmia do Sul Babilônico antigo Influências do Egito Síria/Palestina Hicsos Isin Larsa Cassita Babilônico médio Domínio egípcio Cartas de Tell elAmarna Israelitas Elamita antigo Irã/Golfo Pérsico Godin III Dilmun Comércio da antiga Assíria Hitita antigo Carros Desenvolvimento cultural e técnico Rodas com raios Alfabeto primitivo Hitita Frígios Camelos Galinhas Vidro Cerâmica vidrada Ferro fundido Frígios Elamita médio Tribos iranianas Babilônico médio Israel Povos do mar Israel Estados fenícios Estados arameus e neo-hititas Medos Invasões de Urartu Invasões assírias Urartu Frígios Lídios Cavalaria Algodão Moedas Latão Aramaico Domínio assírio Anatólia No final deste período a cidade que emergiu com maior poder foi Babilônia. tornando-se um principado independente e controlando algumas cidades vizinhas.

O comércio era dominado pelos tamkarum. Para com os cabeças-pretas. Com a arma poderosa que Zababa e Ishtar me outorgaram. (Estas são) as sentenças de justiça. fiz-lhes aparecer a luz. Além disso havia os prisioneiros de guerra (asiru) e os deportados. especialmente quando a esposa era estéril. E interessante é observar que a mulher casada tinha certa autonomia. o rei perfeito. mas acumulando também fortunas particulares. O Estado intervinha em todos os setores da economia. Três classes compunham a sociedade: os ricos (awilum). Através dele podemos conhecer a estrutura social da época. nem deixei cair os braços. pois podia exercer diversas profissões. resolvi dificuldades graves. Eu (sou) Hammurabi. o rei forte. na sua maioria. que Hammurabi. mas existia o concubinato. aniquilei os . o povo (mushkenum) e os escravos. espécie de mercadores itinerantes e corretores. demandar em juízo e até assumir cargos públicos. que Enlil me deu de presente e dos quais Marduk me deu o pastoreio. o babilônio e os idiomas semitas do noroeste. O casamento era monogâmico. salários etc. Na Mesopotâmia governada pelos babilônios da época de Hammurabi temos populações que. falam línguas semíticas. eu lhes procurei sempre lugares de paz. categorias estas sem nenhum estatuto jurídico e que viviam a verdadeira escravidão. estabeleceu e que fez o país tomar um caminho seguro e uma direção boa. como o assírio. pequenos artesãos e comerciantes. aos templos e a particulares. Hammurabi desenvolveu uma legislação que ficou famosa através de seu conhecido código. com a habilidade que Marduk me deu. As terras do Estado eram exploradas por arrendatários. além de haver grupos hurritas. contratos de trabalho. colonos. determinando preços. Nas cidades.As terras na Babilônia pertenciam ao Estado. No campo viviam agricultores sedentários e nômades. As regiões intermediárias eram habitadas também pelos amoritas. não fui negligente. com a sabedoria que Ea me destinou. que agiam em nome do Estado. homens de corvéia e funcionários do Estado que recebiam glebas em troca de serviços prestados.

. para fazer direito aos oprimidos. venha diante da minha estátua de rei da justiça. quando houve um notável progresso na vida urbana. para fazer justiça ao órfão e à viúva.) Que nos dias futuros. acabei com as lutas..). que ele não altere os meus estatutos! (Trecho do Epílogo do Código de Hammurabi na tradução de EMANUEL BOUZON. Laquish. para proclamar as leis do país. a história começou a se desenvolver sob a forma de listas reais e a literatura religiosa cresceu enormemente. na Esagila. como Jericó.3. minha estela escrita e ouça minhas palavras preciosas. Bet-Shan. Havia muitas escolas de escribas ao redor de palácios e templos. O Código de Hammurabi.. leia. escrevi minhas preciosas palavras em minha estela e coloquei-a diante de minha estátua de rei da justiça (. o templo cujos fundamentos são tão firmes como o céu e a terra.. No centro e no norte da Palestina é que se situa a maior parte destas cidades.. o seu coração se dilate! (.C. Que o homem oprimido. para proclamar o direito do país em Babel. 4a edição totalmente revista e melhorada. um rei que surgir no país observe as palavras de justiça que escrevi em minha estela. Que minha estela resolva sua questão.). na indústria (sobretudo na cerâmica) e um aumento geral da população. Ai. as sentenças do país que eu decidi. A literatura e as artes alcançaram grande esplendor na época de Hammurabi. A cultura suméria foi organizada e preservada. que ele não mude a lei do país que eu promulguei. sendo mais rarefeita a população no sul. 222-223).C. tradução do texto cuneiforme e comentários. Introdução. a cidade cuja cabeça An e Enlil levantaram. ele veja o seu direito. Meguido.inimigos em cima e embaixo. 1. Para que o forte não oprima o fraco. .. Começaremos a falar da Palestina na Idade do Bronze Antigo (3200-2050 a. Muitas das cidades que conhecemos através da história bíblica já existiam. que está implicado em um processo. provável resultado da sedentarização de grupos novos que se estabeleciam na região. 1987. pp. A Palestina e o Egito de 3000 a 1700 a.). para sempre. Vozes. Gezer. Petrópolis. atentamente. promovi o bem-estar do país (.

seu território e as cidades teriam sido destruídas.C. Doubleday & Logos Research Systems. esta civilização sofreu forte decadência.C. Gezer. Basic Books. D. provavelmente a ascendente do cananeu falado nos tempos israelitas. Por volta de 2300 a. O mesmo aconteceu na Síria. (ed. favas. THOMPSON. The Mythic Past. do qual o hebraico bíblico é uma derivação. e o Negueb até o século X a.C. Tell el-Duweir. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. T. a cidade de Biblos conheceu um progresso semelhante e a influência egípcia tornou-se marcante graças ao comércio marítimo. Dizia-se que possivelmente eram estes povos os mesmos amoritas ou semitas do oeste que invadiram também a Mesopotâmia. Havia também a cultura da oliveira e da amendoeira. N. 1992.. Cultivavam. 1999. Cidades populosas e bem guarnecidas. Até a década de 70 do século XX se acreditava que povos teriam invadido. O curioso é que se observa que seus novos habitantes não reconstruíram imediatamente as cidades: ou acamparam sobre as ruínas. lentilhas. verbete Amorites.). New York. Cf. Podemos chamar convencionalmente estes povos de cananeus. nesta época. 101-225. a partir do norte.C.C. ou viveram em cavernas e quando reconstruíram as casas estas eram bastante modestas. tais como Hazor. Tell elFarah do sul etc. Tell Beit Mirsim. Taanak. A vinha teria sido ali introduzida nesta época. . Na Síria. 1997. o trigo. embora já se começasse a fabricação de armas de cobre. cercadas por poderosas muralhas floresceram. Hoje se reconhece que as mudanças ocorridas então se devem muito mais a mudanças climáticas do que a qualquer entrada de povos na região. Já a Transjordânia não teve civilização sedentária até cerca de 1300 a. Só por volta de 1900 a. Biblical Archaeology and the Myth of Israel. Os utensílios de pedra dominavam ainda. Bet-Shemesh.A agricultura era a atividade básica. L. Siquém. pp. é que há sinais de nova vida urbana. algumas bem violentamente. e isto depois de alguns séculos de ocupação. Sua língua era um semítico do noroeste. NEXT [3]. Freedman. a cevada. O comércio funcionava em direção à Síria do norte e do Egito. New York. A Palestina conheceu a sua fase antiga mais próspera entre os anos de 1800 e 1550 a. Meguido. Jericó. Jerusalém.

Madrid.. Para falar da Síria. temos que falar dos arameus. até a cidade de Rapigu da terra de Karduniash (Babilônia). A primeira menção segura dos documentos antigos sobre os arameus data do ano 1110 a. vamos ao norte da Palestina. Edições del Prado. que estes eram nômades semitas que a partir do deserto siro-arábico invadiram a Alta Mesopotâmia. sendo a Síria a sede de vários reinos arameus. e está em textos cuneiformes do reinado do assírio Tiglat-Pileser I (1115-1077 a.[4]. Coleção Grandes Impérios e Civilizações. Dizia-se. Certo é que nunca houve uma união política aramaica. ROAF. aparentados. meu senhor. Da cidade de Tadmor (Palmira) da terra de Amurru. Em um só dia realizei uma incursão desde as proximidades da terra de Suhi até Carquemish da terra de Hatti. os termos ahlamu e arameu tornaram-se sinônimos. mas é possível que fossem dois grupos diversos.). Cf. 6-7. à razão de duas por ano.4. Mesopotâmia e o Antigo Médio Oriente I. . 1996. Eis o comunicado real:"Marchei contra os ahlamu-arameus.C. bens e gado sem conta". em um salto.C.. M. com sua capital Damasco. contudo. No quarto ano de seu reinado ele combateu os Ahlamu-Arameus no Eufrates e lhes queimou seis acampamentos no Djebel Bishri. a Anatólia (Ásia Menor) e a Síria. pp. até pouco atrás. Infligilhes baixas e trouxe prisioneiros. inimigos do deus Assur. mais ou menos. porque estes dois países também nos interessam. Mas hoje não temos mais tanta certeza disso. E ainda:"Por vinte e oito vezes. por isso seria melhor não falar mais dos arameus desta maneira. da cidade de Anat da terra de Suhi. 1. Com o tempo. sua derrota foi por mim consumada"[13]. cruzei o Eufrates em perseguição aos ahlamu-arameus. A Síria e a Fenícia De novo.

dominando todo o território sírio. seu nome atual. na época sob mandato francês. Tiro era famosa por seu comércio e suas naves. A província síria destacou-se depois. Foi aniquilado pelos assírios. sob o domínio romano. de uns 20 metros de altitude. Foi destruída pelos filisteus. foi famosa por causa de seus navegantes. Começando pelo sul da Fenícia. encarrega um especialista. mas depois que Davi conquistou todos os outros. Os assírios conquistaram-na. mas foi cidade livre sob os romanos. é devido à cadeia de montanhas assim chamada e significa "o branco". As escavações aí realizadas enriqueceram muito os estudos bíblicos nos últimos tempos.O reino de Aram-Damasco era pequeno. donde "Fenícia". parente da hebraica. antiga Laodicea ad mare. Colocado a par da descoberta. Ainda: Ugarit (Ras Shamra). Foi quase sempre aliada de Israel. Sídon. encontramos a cidade de Tiro. chamada Ras Shamra. remove uma pedra na qual seu arado bate e encontra os restos de uma tumba antiga.C. habitada por cananeus. por causa da neve no pico dos montes. o Serviço de Antigüidades da Síria e do Líbano. Albanese. Damasco se impôs como principal. M.C. que imediatamente notifica a presença de uma necrópole e identifica a tumba como sendo do tipo micênico. Por isso. A Fenícia. existente desde o III milênio a. Foi tomada por Alexandre Magno após sete meses de cerco. A descoberta Em março de 1928. Líbano.[14]. arando sua propriedade a cerca de 12 km ao norte de Latakia. construída metade sobre uma ilha. Em fenício-hebraico. relacionada com a literatura bíblica e sua língua. um lavrador alauíta. a faixa costeira ao norte de Israel e ao lado da Síria. Seu nome vem da púrpura que era extraída ali de certas conchas. É importante por causa de sua grande literatura. Albanese e Dussaud prestaram atenção à colina vizinha. L. era muito fértil. segundo os textos bíblicos. que tinha toda a aparência de ser um tell . Concorrente de Tiro no comércio e navegação. Por isso resistiu maravilhosamente a terríveis assédios assírios e babilônicos. metade no continente. um pouco antes de Israel do norte. habitada por cananeus.. Leia: Ugarit and the Bible! Uma necrópole supõe a existência de uma cidade. datável aí pelos séculos XIII ou XII a. "púrpura" se dizia canaan e em grego foinix.

empreendimento só suspenso durante II Guerra Mundial.C.C.3000 a. primeiro da necrópole. ou seja. no dia 8 de maio. Isto é interessante.) apresenta em suas camadas superiores cerâmica cananéia... sob o comando de Claude F. "monte pelado".The Edinburgh Ras Shamra Project! Um ano mais tarde. 50 : ? . . dos romanos) que separa a região dos alauítas do vale e da desembocadura do rio Orontes. do ponto de vista cultural e étnico esta é uma cidade cananéia. no dia 2 de abril de 1929.C. 30 : 3000 . embora do ponto de vista geográfico Ugarit não se encontre em Canaã. Esta época manifesta contato ou influência da cultura contemporânea da Baixa Mesopotâmia.2100 a. começaram as escavações.C. E as pesquisas ainda continuam. um acúmulo de ruínas antigas. porque. Os 5 níveis arqueológicos Os arqueólogos classificaram a seqüência estratigráfica em 5 níveis: 10 : 1500 .4000 a. A. ou Monte Zafon (o monte Casius. O nível 3 (3000-2100 a. Poucos dias mais tarde. e que podia corresponder à cidade procurada.1100 a.C. Ao norte se vê o Jebel Aqra'.C. De 1929 a 1980 foram realizadas 40 campanhas arqueológicas no local. Schaeffer.arqueológico. Visite o ERSP . objetos de bronze e de pedra. 20 : 2100 . Foi o começo de uma série de descobertas numa escavação que se prolonga até os nossos dias. e logo em seguida. que tem um extensão de uns 25 hectares e se encontra a cerca de 800 metros da costa.1500 a. 40 : 4000 . no tell. foram feitas as primeiras descobertas: tabuinhas de argila escritas em caracteres cuneiformes.

em hitita hieroglífico e cuneiforme. Um violento incêndio destruiu esta prosperidade. Bauer. e verificado no tell por uma camada de cinzas que divide este nível em duas partes. refletidos nas construções amplas e nas tumbas da necrópole de Mina' al-bayda'. como conseqüência de um processo de decomposição social interna coincidente com a passagem dos "povos do mar".C. foram encontrados cerca de 1300 textos . A invasão dos hicsos não modificou substancialmente esta cultura. que continuou sendo semítica e cananéia. encontrado em Ugarit. neste nível.O nível 2 (2100-1500 a. A ruína desta civilização. pertencendo. Nesta língua. incêndio mencionado em uma das cartas de Tell el-Amarna.) nos indica uma cultura tipicamente semita na cidade: cerâmica e templos são de tipo cananeu. que foi decifrado em poucos meses por H. O estilo da cerâmica encontrada nas tumbas é ródio-cipriota. A identificação da cidade A identificação do nome do local não foi difícil. Construiu-se neste época um bairro marítimo. Os vestígios de ocupação posterior são de menor importância. Os textos ugaríticos Os textos foram encontrados todos no primeiro nível. que possuía diversas dependências para arquivos. Virolleaud. é de grande importância para se entender a reação israelita ao tema presente na Bíblia Hebraica. já conhecida por referências da literatura egípcia e mesopotâmica. A reconstrução foi esplêndida e dominada pela arte de estilo micênico. e com ela a da cidade.C. Tumbas familiares são feitas debaixo das casas. Chama a atenção. vindas do Egito. pois os textos descobertos sugeriram imediatamente que se tratava de Ugarit (ú-ga-ri-it). onde se encontram algumas provenientes da própria Ugarit. Estavam principalmente na "Biblioteca" anexada ao templo de Baal e no "Palácio Real" ou "Grande Palácio". correspondente a sete línguas diferentes: em hieróglifos egípcios.) mostra indícios de grande prosperidade no seu começo. portanto. um sistema cuneiforme alfabético. que é uma forma do cananeu. da Mesopotâmia e da região do mar Egeu. em micênico linear e cipriota e em ugarítico. ocorre no começo da época do ferro. em acádico. à última fase da cidade. Dhorme e Ch. As tabuinhas estão redigidas em sete sistemas diferentes de escrita. Mas há influências estrangeiras. e guardam muitos utensílios e armas. sobretudo pelas Cartas de Tell el-Amarna. E. O nível 1 (1500-1100 a. Entre os textos encontrados aparece o nome da cidade. toda uma necrópole com cerâmica cananéia. O testemunho acerca do culto dos mortos na civilização cananéia. em hurrita. Os textos que nos interessam estão em ugarítico.

junto com o nome do Sumo Sacerdote. Suas dimensões eram mais ou menos as mesmas"[16].6) possuíam originalmente seis colunas de texto. quatro (1. a terceira coluna continua diretamente.5 x 19. del Olmo Lete. A exceção fica por conta da tabuinha 4. Outra dificuldade é o número e a ordem das tabuinhas. G. Diz o autor: "Nos restam assim seis tabuinhas que podem representar uma versão ou redação unitária do ciclo mencionado. materiais ou epigráficas não podem constituir unidade editorial com os demais. de modo que a correspondência anverso/reverso das colunas é a seguinte: 1/6. ultrapassando a borda inferior. com rigorosa unidade de composição. A escrita ugarítica caminha da esquerda para a direita. Apesar do mesmo tom e da mesma concepção mitológica. E o mais interessante no Ciclo de Baal é que as seis tabuinhas têm a mesma "caligrafia". história essa que é dificílima de ser feita. redator ou. também em Ugarit.. quem sabe.1. Niqmaddu. que governou Ugarit de 1370 a 1335 a. A divisão entre as colunas é feita por uma linha dupla profundamente marcada. para quem trabalhou e que deve ter ditado o texto.O Ciclo de Baal O Ciclo de Baal (ou Ba'lu)[15] apresenta algumas dificuldades especiais dentro da literatura ugarítica: não é fácil determinar se temos um mito único. foram escritas pelo mesmo escriba que se identifica como Ilimilku em 1. há uma "história da tradição e da redação" dos textos. ou se temos um ciclo que engloba diversas composições literárias. exclui os fragmentos que por suas características externas. e a quem deveremos considerar como o autor. da coerência e continuidade entre os diversos episódios que compõem o mito total.3. enquanto as colunas do anverso estão dispostas da esquerda para a direita.5. . em Mitos y Leyendas de Canaán. apenas o transmissor desta versão tradicional do mito de Baal e o nome do rei.. que tem oito colunas e da tabuinha 2 que tem somente quatro colunas. a tabuinha não deve ser virada como uma página de um livro. Isto sem contar que.C.). as do reverso estão dispostas da direita para a esquerda..16. O número de linhas conservadas por coluna oscila entre 62 e 65. 2/5 e 3/4. Delas. Como é comum nas tabuinhas cuneiformes. três de cada lado (. no verso. com tema e tramas próprios ou se estamos lidando com versões diferentes de um mesmo mito. Attanu-Purlianni. podemos estar falando de diferentes redações de um mesmo "mitema" ou de "mitemas diferentes". Assim. De modo que.6 e 1. As dimensões padrão são 26. ou seja. mas de cima para baixo.. segundo o uso da epigrafia cuneiforme.5 cm e 26 x 22 cm.

2.3.5-6).6 VI diz.esposa de Baal esposa de El.4). discípulo de Attanu-Purlianni. Paris. e no Museu de Aleppo (1. deusa da guerra e da caça deusa sol . shubbani. Assim. Destacam-se: ILU (=EL) BA'LU (=BAAL) YAMMU (=YAM) KÔTHARU (=KOSHARWAHASIS) 'ATHTARU (='ATHTAR) 'ANATU (= 'ANAT) ATIRATU (= 'ASHERAH) MÔTU (= MÔT) 'ATHTARTU (= ASTARTÉ) SHAPSHU deus supremo. deusa mãe deus da morte e da esterilidade esposa de Baal. Rey de Ugarit Señor Formidable. Sumo Sacerdote. As tabuinhas do Ciclo de Baal foram encontradas todas nas campanhas arqueológicas de 1930. O universo mitológico de Ugarit Entre os muitos deuses que constituem o panteão de Ugarit. composto de três mitos ou composições autônomas que giram cada uma em torno de um mitema particular: Luta entre Ba'lu e Yammu (1. apenas uns dez ou doze são ativos em sua literatura.1-2). O palácio de Ba'lu (1. criador dos deuses e do homem chefe dos deuses. Pastor Máximo.1. 1931 e 1933 e estão hoje no Museu do Louvre (1. da guerra e da fertilidade . Provisor de nuestro sustento. senhor da terra deus do mar deus artesão deus do deserto deusa do amor. no seu final: El escriba fue Ilimilku. deus da chuva e da fertilidade.6). enquanto alguns outros que ali aparecem têm um papel muito impreciso. Inspector de Niqmaddu. as seis tabuinhas trazem um ciclo mitológico. Síria.3-4) e a Luta entre Ba'lu e Môtu (1.5.KTU 1.

19693. PRITCHARD. diferente da convencional que aparece na Bíblia Hebraica. G. D. 1963. 81-97. c.. UT: C. São Leopoldo. DEL OLMO LETE. H. KTU: M. G... Loretz . J. o. Teil I Transcription. DEL OLMO LETE. [14]. R. GORDON. 1976. Princeton University Press. Princeton. Creation Accounts in the Ancient Near East and in the Bible. El é Ilu e assim por diante. Ugaritic Textbook. [16]. p. [15]. Cf. Neukirchen-Vluyn.. (ed. Mitos y Leyendas de Canaan según la Tradición de Ugarit. 1981. 48-49. Assim é que Baal é Ba'lu.O. Roma. 121. Para a posição de G. para o que se segue. B. 87. 1992.). N. a p.. onde são apresentadas as opções de 17 especialistas. Herdner. Para a ordem das tabuinhas.). cf. c. . The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. Cf. Einschliesslich der keilalphabetischen Texte ausserhalb Ugarits. pp. verbete Ugarit. História de Israel e dos povos vizinhos. Corpus des tablettes en cunéiformes alphabétiques découvertes à Ras Shamra-Ugarit de 1929 a 1939. cf. também DONNER. NEXT [13]. New York. pp. p. pp. 88-89.J. Ancient Near Eastern Texts Relating to the Old Testament (ANET). Volume 1: Dos primórdios até a formação do Estado. Sinodal/Vozes. J. Die keilalphabetische Texte aus Ugarit.. FREEDMAN. Institución San Jerónimo & Ediciones Cristiandad. Sanmartín. G. cf. Cf. Doubleday & Logos Research Systems. as pp. Paris. 274. Neukirchener Verlag. del Olmo Lete. 23-31. DEL OLMO LETE. Pontifical Biblical Institute. Dietrich . Madrid. 1997 [20043].Aprenda mais sobre os deuses de Ugarit com a Canaanite/Ugaritic Mythology FAQ! Abreviações usadas no texto CTA: A. del Olmo Lete adotou em sua obra a forma original semita na transcrição do nomes próprios. (ed. H. 1997. CLIFFORD. 1965. 83 da mesma obra. o. Cf.275.. Para outra hipótese.

são 25. A temperatura vai de -2 a 45 graus Celsius. Albright e R. no período de Davi e Salomão. que não era propriamente território de Israel. O comprimento é de 250 km de Dan a Bersheba. um povo que habitava a faixa costeira situada entre o Egito e a Fenícia. sem a Transjordânia.000 km2. Do Mediterrâneo ao Jordão. tentaram invadir o Egito. Cai neve em Jerusalém e Jericó é muito quente. é outro nome da região usado para designar esta terra. A superfície da Palestina é de 16. dois renomados biblistas e arqueólogos. nome proveniente de seus antigos habitantes. A Palestina Palestina é um nome derivado de "filisteus".1. talvez de Creta. os cananeus. Contando com a Transjordânia. Faziam parte dos "povos do mar". que nem sempre pertenceu a Israel. Sob os hebreus. no norte. F. passou a ser chamada de terra de Israel. de Vaux.5. em 800 mil habitantes. A população foi estimada por W. Canaã. incluindo o deserto do Negueb nesta última. são cerca de 48 km de largura e na altura do mar Morto são cerca de 80 km.. Por isso. é melhor não projetarmos a população para este período. e mais tarde Judá ou Judéia. variando também segundo os lugares graças à topografia. mas foram vencidos pelo faraó Ramsés III e passaram a viver naquela parte da Palestina. que após 1175 a. Mas hoje nem sabemos se houve um monarquia unida. considerado até meados da década de 70 do século XX como o mais florescente da história de Israel. ou de 320 km de Dan a Cades-Barnea. quanto mais um Império davídicosalomômico. .000 km2 de território. com chuvas de novembro a março e seca de abril a outubro. em hebraico pelishtim. ou terra de Canaã. Haifa e Tiberíades são quentes e úmidas. Tel-Aviv. A superfície da Bélgica. que era apenas uma parte de seu território.C. Os filisteus são de origem egéia. Para a época do NT calcula-se: 500 mil habitantes na Palestina e 4 milhões no exterior (diáspora). mais ou menos. Israel é uma zona subtropical. mais ou menos.

Seu território principal está situado em um planalto de 1200 metros de altitude. 1.5. Outras cidades: Aroer. Cerca de oito km a oeste de Medeba está o monte Nebo (para a tradição sacerdotal) ou Pisgah (para a tradição eloísta) de onde Moisés teria contemplado a terra de Canaã e morrido. Moab está situado entre os vales do Zered e do Arnon. uma fortaleza perto de Sela. ao norte. o vale jordânico. norte-sul: a Transjordânia. Bosrah e Tofel. em um planalto de 1600 metros de altitude. Moab. quanto ao relevo em quatro faixas verticais. Medeba e Heshbon. ao sul o golfo de Aqaba. Sua capital. A Transjordânia As montanhas da Transjordânia são altas e apresentam profundas gargantas. A Bíblia costuma unir Teman e Bosrah para designar todo o país de Edom. Outras cidades: Teman. porém levava freqüentemente sua fronteira ao norte do Arnon.C. até o mar Morto. . foram destruídas e abandonadas.C. Seu limite ao norte é o rio Zered. e a continuação do Antilíbano. a Transjordânia. Edom é o país ocupado por um povo semita do deserto siro-arábico aí por volta de 1300 a.1. ao norte. Galaad e Bashan. Kir-heres). As cidades do ano 3000 a. podemos descrever a Palestina. o país foi novamente ocupado por semitas nômades e pastores. Sela. quando foi destruída pelos assírios em 722 a. a moderna Kerak. 110 km de comprimento e 25 km de largura. Jabbok e Yarmuk. a Cisjordânia e a costa mediterrânea. Dibon. por onde correm os afluentes ocidentais do Jordão. Sua capital era Kir-hareseth (Kir.C. Cisjordânia.C.. Do sul para o norte. ao sul. Ammon.Samaria. Na Transjordânia estavam antigamente os seguintes países ou regiões: Edom. Assim. A configuração geográfica é a seguinte: há duas cadeias de montanhas que percorrem a Palestina de norte a sul e são: a continuação do Líbano. teria cerca de 30 mil habitantes e a Jerusalém do tempo de Jesus também não passava de 25 a 30 mil habitantes fixos. os afluentes são: Zered. Arnon. Entre estas duas cadeias está o vale do Jordão. numa depressão de 390 metros abaixo do nível do mar que vai do lago de Hule. Aí por volta de 1300 a. O país está ao sul do mar Morto.

Sob Davi e Salomão. e Ammon foi o mais fraco dos reinos transjordânicos. Moab foi submetida. que se revezavam na sua posse. Suas cidades principais: Penuel. e sacrificavam-lhe crianças. Chove bem e era coberta antigamente por densos bosques. Gadara. NEXT NEXT . a sudoeste do monte Nebo estava a fortaleza de Maqueronte. Moab e Israel nunca foram amigos. Famoso era seu bálsamo e abundantes suas vinhas. Bashan (ou Hauran) é uma região ao norte do Galaad. Pella. Jabesh-Galaad.C. Seus bosques eram comparáveis aos do Líbano. Não possuía cidades de destaque. Succoth. Ammon era uma tribo aramaica que se estabeleceu na região superior do Jabbok. Antes de Israel adotar a monarquia como forma de governo. onde Herodes Antipas mandou matar João Batista. mas se libertou logo após a divisão de 931 a. mais ou menos. de quem sempre foi inimigo. Sua língua se assemelha ao aramaico. boas para o cultivo do trigo e ótimas para pastagens.. Parece que se estabeleceram aí em 1300 a. Galaad (ou Gilead) está também na região do Jabbok. Sua língua se assemelha bastante ao hebraico. capital da Jordânia. Os limites de seu território não são bem definidos. formada por férteis planícies. A tribo de Rubens tentou se estabelecer na parte norte de seu território.No tempo do NT. Cultuavam os amonitas o deu Moloc (ou Melek). ao qual eles ofereciam sacrifícios humanos. No tempo do NT: Gerasa. Seu território tem uns 60 km de norte a sul por 40 km leste-oeste e é bastante fértil. Esta região foi conquistada pelos israelitas e habitada pelas tribos de Gad e Manassés.C. Esteve freqüentemente submetido a Israel. Sua capital era Rabbath-Ammon. Mahanaim. mas foi expulsa. Moab já o fizera. Seu deus principal era Kemosh. a atual Amman. A região sempre foi objeto de luta entre Israel e Síria. Ramoth-Galaad.

21. . que se tornou a principal cidade do norte da Palestina. sempre coberto de neve.5. que contêm um alto teor de sal. Cidades como Cafarnaum. Hazor. mencionada em Mt 11. Jordão significa aquele que desce ou também lugar onde se desce (bebedouro). na época do NT. O Vale do Jordão À sombra do monte Hermon. Por isso foi construída aí uma fortaleza. ainda a 80 metros acima do nível do mar. Perto da desembocadura do Jordão no lago de Genezaré estão as ruínas de Corazim. E também Guilgal. A 9 km ao norte do mar Morto está Jericó. na confluência de quatro torrentes que descem das montanhas do Líbano. Nada vive nas suas águas. Cesaréia de Filipe (Baniyas). Para ir da Palestina para a Síria era necessário atravessar o Jordão ao sul de Hule. Tinha cerca de 4 km e foi drenado pelo atual Israel. por onde andou Jesus. e é o ponto mais baixo da superfície terrestre: está a cerca de 390 metros abaixo do Mediterrâneo e tem outro tanto de profundidade. pois provocava malária. Magdala. santuário cananeu e depois israelita. nasce o rio Jordão.2. É um belo lago. de 21 km de comprimento por 12 de largura. forma a 16 km ao sul o lago de Genezaré. O NT fala continuamente destes paragens. O lago de Hule era pequeno e pouco profundo. rico em peixes. o Jordão corre violentamente no fundo de uma garganta de 350 metros de profundidade. situado nada menos que a 390 metros abaixo do nível do Mediterrâneo. atravessa o lago de Hule. pois realmente ele nasce acima do nível do Mediterrâneo. O lago de Genezaré (do hebraico Kinneret = harpa) é chamado também de lago de Tiberíades ou mar da Galiléia.1. O mar Morto tem 75 km de comprimento por 16 km de largura. Betsaida. Nome bem adaptado ao maior rio da Palestina. cerca de 25%. Tiberíades etc estavam na suas margens. uma das mais antigas cidades do mundo. 110 km abaixo. Perto de suas nascentes estão as cidades de Dan e. que já está a 210 metros abaixo do nível marítimo e tem sua foz no mar Morto. Entre o lago de Hule e o lago de Genezaré. com seus 2750 metros de altitude.

do mar Morto ao golfo de Aqaba.está a 1000 metros de altitude .C. No extremo sul da Arabá estava a fortaleza de Elat e o porto de Esion-geber. Fica a 32 km de Jerusalém Belém.3. por onde passavam importantes rotas de caravanas. nos últimos séculos de Israel. A região é desértica.A noroeste do mar Morto vivia. Cerca de 80 km ao norte estava Bersheba (Bersabéia). segundo o texto bíblico. • • • • • . alguns quilômetros ao norte de Jerusalém. está a 7 km de Jerusalém Jerusalém. como por exemplo: • Hebron (Kiriat-arbá). esconderam em cavernas. que se eleva progressivamente. a cidade mais alta da Judéia . nos seus 150 km de extensão. Ao sul do mar Morto está a Arabá. a comunidade dos essênios. terra de Lázaro etc. continuação da depressão palestina.ligada à história de Abraão e de Davi. apenas um povoado a 19 km de Jerusalém Anatot. para salvá-los dos romanos que tudo destruíram em 68 d. Há em Judá várias cidades e localidades importantes na história do povo de Israel. pátria de Davi e lugar tradicional do nascimento de Jesus. Arad. cidade cananéia.5. os essênios. oásis onde os israelitas estiveram após o êxodo do Egito. e nas grutas de Qumran foram encontrados em 1947 importantes manuscritos bíblicos que eles. Importante no Negueb era Cades-Barnea. desde Bersheba até perto de Betel. A Região Central da Palestina No extremo sul está o Negueb (deserto de Sin). povoado onde nasceu Jeremias Betânia. Era das colinas da Arabá que Salomão extraía o cobre para sua indústria. pátria do valente profeta Amós. Ao norte do Negueb se estende o território montanhoso de Judá. 1. Um pouco mais ao nordeste. a cidade conquistada por Davi aos jebuseus e transformada em sua capital Técua.

cidades com um longo passado de lutas e guerra.. Maggedah. Bíblia. em seguida o promontório e o monte Carmelo. ocuparam uma faixa costeira formando a conhecida pentápoles filistéia. Por ali passava a estrada que ia do Egito para a Síria. Libnah. depois já é a Fenícia.VV.5. A Criação e o Dilúvio Segundo os Textos do Oriente Médio Antigo. contudo. Merecem ainda atenção: Bet-shan e Jezreel. . norte. de Gaza. com as cidades de Jope. eram defendidos pelas fortalezas de Debir. são cerca de 200 km de costa.Continuando a subir em direção norte. crescendo. Meguido e Jokneam. e para guardar a passagem foram construídas as fortalezas de Ibleam. vindo do Egeu. em o NT. Ao norte de Samaria está a planície de Esdrelon (Jezreel). Aí estão os mais antigos santuários de Israel. Madrid. Afeq etc. A Costa Mediterrânea Vamos começar de novo pelo sul. Lod. 1.VV.. uma confederação de cinco cidades: Gaza. Leituras Recomendadas AA. Silo. por ser a pátria de Jesus. até Tiro.4. AA. São Paulo. Edições del Prado. A planície filistéia tem de 7 a 15 km de largura. 1990. Aí por volta de 1150 a. sul. Ascalon. os filisteus. Dotan.C. Paulus. Caravanas em tempo de paz e exércitos destruidores em tempo de guerra eram uma constante. Os Caminhos de Deus I-II. um vale ótimo para a agricultura. Finalmente chegamos à região da Galiléia. capital do reino do norte. Por ali passavam as principais vias de comunicação entre o Egito e a Síria. Gat e Ekron. Os vales da Shefelah. com o porto de Acco na planície de Asher. Azecah. 1996. chegamos à região de Samaria. localizada a 60 km de Jerusalém. Bet-Shemesh e Gezer. que aparece muito pouco no AT. Nesta região central encontramos: Ai. Entre a planície filistéia e as montanhas de Judá há uma faixa de terra de 15 a 25 km de largura chamada Shefelah (= terras baixas). Coleção Grandes Impérios e Civilizações. Tirsá. Lakish. Siquém. Mais para o norte está finalmente a cidade de Dor. caminhos entre a filistéia e Judá. Ashdod. Betel. De Gaza. cidades cujas histórias deveriam ser cuidadosamente estudadas. Taanak. onde eram cultivados o trigo e a oliveira. Ao norte da planície filistéia está a planície de Sharon.

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2. As Origens de Israel 2.1. A Teoria da Conquista Israel invade a terra de Canaã, vindo da Transjordânia, pelo final do século XIII a.C. As tribos lutam unidas e, fazendo uma campanha militar em três fases, dirigidas ao centro, sul e norte, ocupam o país, destruindo seus habitantes, no espaço de uns 25 anos. Esta é a visão de Js 1-12 e a que dominou no mundo judaico. A síntese de Js 10,40-43 diz o seguinte:"Assim Josué conquistou toda a terra, a saber: a montanha, o Negueb, a planície e as encostas, com todos os seus reis. Não deixou nenhum sobrevivente e votou todo ser vivo ao anátema, conforme havia ordenado Iahweh, o Deus de Israel; Josué os destruiu desde Cades Barne até Gaza, e toda a terra de Gósen até Gabaon. Todos esses reis com suas terras, Josué os tomou de uma só vez, porquanto Iahweh, Deus de Israel, combatia por Israel. Finalmente Josué, com todo Israel, voltou ao acampamento em Guilgal". Mapas do Israel atual? Confira aqui!

Alguns defendem esta teoria, com matizes, baseados na "evidência" arqueológica como William Foxwell Albright, George Ernest Wright, Yehezkel Kaufmann, Nelson Glueck, Yigael Yadin, Abraham Malamat, John Bright, este último moderadamente[1]. A arqueologia atesta: a) Uma ampla destruição de cidades cananéias no final do século XIII a.C. Do norte para o sul, são essas as cidades: Hazor, Meguido, Succoth, Betel, Bet-Shemesh, Ashdod, Lakish, Eglon e Debir. Destas 9 cidades, 4 são ditas especificamente como destruídas por Josué: Hazor: Js 11,10-11 Lakish: Js 10,31-33 Eglon: Js 10,34-35 Debir: Js 10,38-39 b) A não destruição de cidades que os textos confirmam como não tendo sido tomadas por Josué: Gibeon: Js 9 Taanach: Jz 1,27 Siquém: Js 24 Jerusalém: Js 15,63; 2Sm 5,6-9 Bet-Shean: Jz 1,27-28 Gezer: Js 10,33 c) A reocupação das cidades destruídas foi homogênea e pode ser relacionada com a ocupação israelita que se seguiu à conquista. Além do que tal ocupação mostra, na sua maior parte, um empobrecimento técnico, típico do assentamento de populações seminômades (o tipo de cerâmica, de construções, de utensílios etc). d) Localidades que estavam abandonadas há muito tempo são ocupadas novamente no século XIII a.C., como: Dor, Gibeah, Bersabéia, Silo, Ai, Mispa, Bet-Zur...

Ora, em nenhuma destas evidências aparece qualquer inscrição dizendo tratar-se de Israel. Mas como nenhum outro povo ocupou tal região neste período, quem poderia ser senão Israel? Porém: • • • os dados arqueológicos não são puros, são interpretados várias destruições podem ter sido feitas por lutas internas, lutas entre as cidades cananéias o livro dos Juízes relata a conquista de maneira individualizada, feita pelas várias tribos isoladamente e não uma ação conjunta de um pretenso Israel unido o Dtr marcou muito sua obra com propósitos teológicos - necessários no tempo do exílio - e não tinha a nossa concepção de história. Ele projetou muito no passado o que era projeto para o presente, como: o hérem ou "anátema", uma guerra de extermínio, com o objetivo de manter os israelitas separados das populações estrangeiras que ocuparam a Palestina durante o exílio o processo de nacionalização através do chefe único - Josué - que interessava na reunificação dos israelitas no pós-exílio, quando na realidade Josué deve ter comandado apenas tribos da "casa de José", como Efraim, Manassés, Benjamim a chave litúrgica na apresentação dos fatos (o que interessava aos levitas e à reforma de Josias) como: a tomada de Jericó (Js 6), a travessia do Jordão (Js 3-5), o culto praticado num só lugar, na seqüência Guilgal, Silo, Siquém (Js 5,10;18,1;24,1) e a condenação do culto praticado em qualquer outro lugar (Jz 17-18), quando, na verdade, os lugares de culto parecem ter sido muitos nesta época, e contemporâneos! as cidades de Jericó, Ai e Gibeon não podem ter sido conquistadas nesta época, segundo os arqueólogos. Jericó foi destruída no século XIV a.C. e não há indícios de destruição nos séculos XIII-XII a.C., nem de reocupação; Ai (= ruína) também já fora destruída muito tempo antes, no III milênio. Gibeon não era nenhuma cidade importante na época de Josué, segundo mostra a arqueologia (cf. Js 9) o livro de Josué recorre muito à etiologia, quando diz: "e (tal está assim) até o dia de hoje" (Js 4,9;5,9;6,25;7,26;8,28-29;9,27;10,27 etc). O

pp.C. .? 2. Martin Noth (1940. que assim acabam confirmando-na. sem um conflito generalizado e organizado.3. 1962. De fato. em doze tribos. Manfred Weippert. Depois sua união.1939). informando-nos. Problemas: • • • • anfictionia israelita? hapiru/hebreu? conceito de etiologia e narrativas etiológicas e as destruições do final do século XIII a. nas proximidades das cidades cananéias[4]. Os relatos de conquista de Josué são etiológicos e Josué não passou de um chefe local efraimita.mesmo acontece com o livro dos Juízes. com um artigo[5] chamado The Hebrew Conquest of Palestine. Defende uma entrada diferenciada na Palestina. Ligas anfictiônicas: primeiro duas (Noth): uma de clãs do sul (6 clãs posteriormente assimilados a Judá) e outra de tribos do norte. A Teoria da Instalação Pacífica Modelo defendido por Albrecht Alt (1925. a narrativa bíblica enfatiza os poderosos atos de Iahweh que liberta o povo do Egito. O artigo já começa com uma constatação. Apóia-se também nas tradições patriarcais do Gênesis: os patriarcas viviam. para as tribos israelitas: êxodos diferentes para os vários grupos. Noth liga os hebreus aos hapiru.2. 66-87. Siegfried Hermann. que hoje tornou-se lugar comum em congressos ou salas de aula: "Não existe problema da história bíblica que seja mais difícil do que a reconstrução do processo histórico pelo qual as Doze Tribos do antigo Israel se estabeleceram na Palestina e norte da Transjordânia"[6]. antes da monarquia. Yohanan Aharoni e outros[2]. Os conflitos aconteciam quando um clã invadia o território de uma cidade-estado[3]. Qual o valor histórico destes relatos? 2. mais ou menos pacificamente. As tribos foram ocupando os espaços vazios entre as cidades-estado cananéias. pelo menos. José Alberto Soggin.1950). Tal teoria baseia-se na análise crítica dos textos bíblicos e interpreta à sua luz os dados arqueológicos. A Teoria da Revolta A teoria da revolta foi defendida primeiro por George Mendenhall. para o sul e para o norte. publicado em Biblical Archaeologist 25. o conduz pelo deserto e lhe dá a terra.

sugerindo uma linha de pesquisa que levasse em conta elementos que até então não tinham sido considerados. Mendenhall critica a visão romântica do modo de vida dos beduínos. e é aqui a reconstrução de uma alternativa deve começar"[7]. entretanto. O que George Mendenhall propôs com o seu artigo foi apresentar um novo modelo ideal em substituição a modelos que não mais se sustentavam. erroneamente vistos como nômades contrastando com os sedentários das cidades. os pesquisadores sempre utilizaram modelos ideais para descrever as origens de Israel. está inteiramente em contraste com as evidências bíblicas e extra-bíblicas. o da conquista militar e o da infiltração pacífica de seminômades e elenca os três pressupostos presentes em ambos: • • • as doze tribos entram na Palestina vindo de outro lugar na época da "conquista" as tribos israelitas eram nômades ou seminômades que tomam posse da terra e se sedentarizam a solidariedade das doze tribos é do tipo étnico. Mendenhall começa descrevendo os dois modelos existentes até então para a entrada na terra de Canaã. sociais e políticas em que se deu o surgimento de Israel. onde há sempre uma parte do grupo que é sedentária. como. Ora. mas ocultando-nos as circunstâncias econômicas. Frente a isso. A seguir. que foi assumida sem criticidade pelos pesquisadores bíblicos e usada como modelo para o Israel primitivo. G. continua Mendenhall. Mostra que os próprios relatos bíblicos jamais colocam os antepassados de Israel como inteiramente nômades. sobre a visão e os objetivos teológicos dos narradores de séculos depois. importada do mundo grego. . caracterizando-as. em contraste com os cananeus. sendo a relação de parentesco seu traço fundamental. mostrando que tribos podem ser parte ou estar em relação com povoados e cidades. Igualmente critica a noção de tribo como um modo de organização social próprio de nômades. como o fez Martin Noth com a tese da anfictionia.deste modo. por exemplo. inclusive. Jacó e Labão. o primeiro e o terceiro pressupostos até que podem ser aceitos. mas "a suposição de que os israelitas primitivos eram nômades. Jacó e os filhos.

Gottwald publicou seu polêmico livro The Tribes of Yahweh: A Sociology of the Religion of Liberated Israel. Maryknoll. Mendenhall e avança por quase mil páginas em favor de uma revolta camponesa ou processo de retribalização que explicaria as origens de Israel. Norman K. tornando-os capazes de desafiar e vencer o complexo mal estruturado de cidades que dominavam a Palestina e a Síria no final da Idade do Bronze"[8]. através dos patriarcas. no qual retoma a tese de G. e que funciona como um poderoso mecanismo de coesão social. coisa que os teóricos da antropologia não aprovariam de modo algum[9]. por outro lado. mas especialmente por seu uso eclético destas teorias. A ênfase na mesma herança tribal. em um artigo anterior. Niels Peter Lemche. . Sem dúvida. Random. de 1975. pode ser creditada à teologia dos autores da época da monarquia e do pós-exílio que deram motivações políticas a uma unidade que foi criada pelo fator religioso. Mendenhall procura demonstrar que ninguém podia nascer hebreu já que este termo indica uma situação de ruptura de pessoas e/ou grupos com a fortemente estratificada sociedade das cidades cananéias. pois esta é o símbolo formal através da qual a solidariedade era tornada funcional. didaticamente. e utilizando as cartas de Tell el-Amarna. como a causa da unidade solidária que faz surgir Israel. do ponto de vista de um historiador interessado somente nos processos sócio-políticos. "porque uma motivação e um movimento religioso criou uma solidariedade entre um grande grupo de unidades sociais preexistentes. como uma revolta camponesa contra a espessa rede de cidades-estado cananéias". critica Mendenhall.E. Alguns anos mais tarde. muito acima de fatores sociais e políticos. E conclui: "Não houve uma real conquista da Palestina.. e na identificação de Iahweh com o "deus dos pais". um javismo não muito bem explicado. Orbis Books. New York. mas principalmente só o javismo e nenhuma outra esfera da vida daquele povo. 1979. Estes camponeses revoltados contra o domínio das cidades cananéias se organizam e conquistam a Palestina.. seu ponto mais crítico é o idealismo que permeia o seu estudo e coloca o "javismo". O que aconteceu pode ser sumariado.. Segundo Lemche. diz Mendenhall. 1250-1050 B. Por isso a tradição da aliança é tão importante na tradição bíblica. 19622. Mas. por seu uso arbitrário de macro teorias antropológicas.Aproximando o conceito de hebreu ao de Hab/piru. Esta motivação religiosa é a fé javista que transcende a religião tribal.C. New York. Mendenhall usa os modelos de Elman Service expostos em sua obra Primitive Social Organization.

a partir do momento em que o judaísmo é lido a partir da perspectiva do judaísmo tardio e do cristianismo. seja por imigração seja por conquista militar o pressuposto da criatividade do povo do deserto em iniciar mudanças sociais em regiões sedentárias. o javismo é visto como fonte isolada e agente de mudança na emergência de Israel[11].. mas basta citarmos umas poucas para que as coisas comecem a clarear: a evidência etnográfica de que o seminomadismo era apenas uma atividade secundária de populações sedentárias que criavam gado e cultivavam o solo. como resultado de novos avanços tecnológicos e de idéias em confronto numa interação volátil . Os conceitos centrais que emergem deste deslocamento de pressupostos.. Israel teria ocupado a terra como recurso para realizar a passagem do seminomadismo para a sedentarização. evidências da fundamental unidade cultural de Israel com Canaã em uma vasta gama de assuntos. indicações de que mudanças culturais e sociais são freqüentemente conseqüências do lento crescimento de conflitos sociais dentro de uma determinada população mais do que resultado de incursões de povos vindos de fora. e que usarei aqui para sintetizar seus pontos fundamentais[10]. desde a língua até a formação religiosa. ou seja: um hiato sócio-político em Canaã teria ocorrido como resultado da substituição demográfica ou étnica de um grupo por outro. resultando numa aculturação sócio-política o pressuposto de mudança social produzida por características especiais de um grupo ou por elementos culturais de destaque. ou seja. a conclusão de que conflitos ocorrem tanto dentro de sociedades controladas por um regime único como entre estados opostos. podem ser sintetizados da seguinte maneira: • o pressuposto da ocorrência normal de mudança social ocorrida por pressão e conflitos sociais internos. • • As forças e pressões que dobraram e quebraram estes pressupostos são muitos. a percepção de que a tecnologia e a organização social exercem um impacto muito maior sobre as idéias do que pesquisadores humanistas poderiam admitir.Gottwald expõe sua tese então em desenvolvimento. ou seja. cada vez maior entre os estudiosos. Ele diz que até recentemente a pesquisa sobre o Israel primitivo era dominada por três idéias básicas: • o pressuposto de mudança social ocorrida no deslocamento de populações.

Esse desligar-se da forma de organização social da cidade-estado tomou a forma de um movimento de 'retribalização' entre agricultores e pastores organizados em famílias ampliadas economicamente auto-suficientes com acesso igual aos recursos básicos. que tinha seus fundamentos intelectuais e cultuais na religião do antigo Oriente Médio cananeu. E Gottwald termina seu texto dizendo que o modelo da retribalização levanta uma série de questões para posterior pesquisa e reflexão teórica[14]. um ser divino integrado existia para um integrado e igualitário povo estruturado. ou seja. especialmente o fato de que os fatores ideológicos não podem ser desligados de indivíduos e grupos vivendo em situações específicas. se quisermos. era idiossincrática e mutável. sendo que no Antigo Oriente Médio o seminomadismo era econômica e politicamente subordinado a uma região predominante agrícola e que nunca foi ocasião de deslocamentos maciços de populações ou de conquistas políticas provocadas por estes deslocamentos o pressuposto de que mudança social ocorre pela interação de elementos culturais de níveis diversos. nas quais determinados contextos tecnológicos e sociais adquirem configurações novas[12]. Gottwald vê o tribalismo israelita como uma forma escolhida por pessoas que rejeitaram conscientemente a centralização do poder cananeu e se organizaram em um sistema descentralizado. Assim. uma guerra civil. A religião de Israel. NEXT . Gottwald propõe um modelo social para o Israel primitivo que segue as seguintes linhas: "O Israel primitivo era um agrupamento de povos cananeus rebeldes e dissidentes. que lentamente se ajuntavam e se firmavam caracterizando-se por uma forma anti-estatal de organização social com liderança descentralizada. • A partir de tais constatações. onde as funções políticas ou eram partilhadas por vários membros do grupo ou assumiam um caráter temporário.• o pressuposto da função secundária do deserto em precipitar a mudança social. que dividiu e opôs grupos que previamente viviam organizados em cidades-estado cananéias. Israel tornou-se aquele segmento de Canaã que se separou soberanamente de outro segmento de Canaã envolvendo-se na 'política de base' dos habitantes dos povoados organizados de forma tribal contra uma 'política de elite' das hierarquizadas cidades estados"[13]. O tribalismo israelita foi uma revolução social consciente.

. 1996. A History of Israel in Old Testament Times. N. Identity and Ideology. E. E. 279. Community. em CARTER. pp. L. Sinodal. ibidem.. p. Winona Lake. 56 e 72-73. L. E. Cf. Fortress Press. Idem. Philadelphia. [7]. Indiana. 19-110. Cf. C. Cf. E.. Identity and Ideology. Community. História de Israel. New York. (eds.. LEMCHE. ALT. A. Identity and Ideology. Penguin. Cf. 1978. em CARTER. Ensaios sobre a história do povo de Israel. Cf. SOGGIN. J. & MEYERS. Idem. Ensaios sobre a História do Povo de Israel. (eds. Schocken Books. em CARTER.. & MEYERS. ibidem. São Paulo. Social Sciences Approaches to the Hebrew Bible.. Cf. 152-169...). [9]. E. Westminster Press..[1].). Westminster Press.. S. & MEYERS. São Leopoldo. A. Biblical Archaeology. C. GOTTWALD. pp. K. 170-181. Cf. C. 1972. & MEYERS. F. 152. "On the Use of "System Theory". MENDENHALL. pp. (eds. Y. 173-174. A. p. G. Terra Prometida. NOTH. Identity and Ideology. Community. 172. Eisenbrauns. ALT. WRIGHT. [2]. C. C. London. The Religion of Israel: From its Beginnings to the Babylonian Exile. 154. The Hebrew Conquest of Palestine. 19622. (eds. J. A. Cf. Paulus. ALBRIGHT. ALT.. The History of Israel. Harper & Brothers. o artigo em CARTER. L. E. The Settlement of the Israelite Tribes in Palestine. . C. The Archaeology of Palestine. pp.). p. Cf. Baltimore. [8]. Philadelphia. Community. M. 19603. WEIPPERT. ibidem. L. [4]. Terra Prometida. Domain Assumptions and Societal Models in the Study of Pre-Monarchic Israel. 1975. New York. Cf. Joshua. p.. [3]. HERMANN. C. [10]. P. ibidem. 1971. [12]. Idem. 1960. Idem. [6].. 158-159. C. pp. [11]. M..). G. W. também Revisiting The Tribes of Yahweh (2006). 1987. 1972. N. SCM Press. [5]. Philadelphia. pp. and Evolutionistic Thinking" in Modern Old Testament Research and Biblical Archaeology. Terra Prometida. BRIGHT. KAUFMANN. "Macro Theories".

. o faraó do êxodo Merneptah. seu filho. PAUSA EM 06/10/2008 ÀS 16:30H O contexto histórico que apoiaria a teoria é o seguinte: Os hicsos conquistam o Egito por volta de 1670 a. faraó da décima oitava dinastia que transforma o Egito na maior potência mundial. também da décima oitava dinastia. Israel está aniquilado e não tem mais semente. o faraó do culto a Aton -.) também conhecido como Akhenaton. Estela de Merneptah Os príncipes estão prostrados dizendo: paz. deixando um vazio político na Palestina.). 174-175. Sua capital é Avaris. estendendo seu domínio até o Eufrates. Canaã está privada de toda a sua maldade. arqueologicamente conhecida como ElAmarna. o Hatti está em paz. Akhetaton. Idem. Cf.C.[13]. Tutankhamon. Gazer foi tomada.C. A capital volta a Tebas. Sob a XX dinastia. Tutmósis III. Tehenu [=Líbia] está devastado. pp. o Egito vai progressivamente perdendo toda a sua influência na Ásia. ibidem. que construiu nova capital. Ascalon está deportada. [14]. 180-181. Idem.C. Yanoam está como se não existisse mais. que cita Israel em estela de 1220 a. ibidem. Entre os Nove Arcos nenhum levanta a cabeça.C. O Haru [=Canaã] está em viuvez diante do Egito. e o dominam durante um século. Mas são expulsos por Amósis (1580-1558 a. À décima oitava dinastia pertencem ainda: Amenófis IV (1372-1354 a. A XIX dinastia teve alguns nomes famosos: • • Ramsés II. levou o Egito ao auge de seu poder. Ramsés II é quem fez a aliança de paz com os hititas. pp. que é o último faraó desta dinastia e que volta ao antigo culto a Amon e traz a capital de novo para Tebas. a última do reino novo.

saindo de um bosque. Então o exército hitita. Os hicsos invadem o Egito e a Palestina. aproximavam-se escalonadamente as divisões Rá. mas também não podia ser contado como uma derrota.Vale citar aqui um longo trecho de J.500 carros de combate. Embora a divisão Amon se defendesse valentemente com seu rei à frente. que ainda não atravessara o Orontes. A batalha na realidade fora um confronto entre as duas maiores potências do mundo. Alguns se refugiaram no acampamento de Ramsés. Suteh. Echegaray. Ptah e Suteh. G. que teve de se retirar às pressas e se refugiar na cidade de Cades. O Crescente Fértil e a Bíblia: “Em 1286 a. A última divisão egípcia.000 homens. que mandou gravar nas paredes dos templos de Tebas. Ramsés II desistiu de tomar a cidade. o faraó. ocultando-se. As populações locais (cananéias) tiveram que reforçar a defesa de suas cidades e abrigar em seu interior as populações mais atacadas pelos invasores. Atrás. uma espécie de "feudo" seu: interesses estratégicos. acampou ao norte da cidade de Cades. porém. O exército egípcio compunha-se de quatro divisões que levavam nomes religiosos. os hicsos introduziram na Palestina o uso do carro de combate. Não tinha sido uma verdadeira vitória. A primeira. na qual ia o faraó. Jericó e Siquém. que vinham para se unir ao exército egípcio na qualidade de aliados. atacou a divisão Rá que acabava de atravessar o arroio Sabtuna (hoje El-Mukadiyeh). como bases centrais. À vista dos acontecimentos. espetacular confrontação militar de Ramsés II com seu rival hitita Muwatalli.C. retirou-se ordenadamente para a Palestina. induzida por um deficiente serviço de ‘inteligência’ que garantia que as tropas hititas ainda estavam longe. A divisão foi desarticulada e posta em fuga. ocupando na região de Canaã. a fez passar por um ressonante triunfo. mas só tinha 1. abandoando sua missão de pacificar o país. os egípcios da XVIII dinastia davam condições de defesa à Palestina. não teria podido resistir se não fosse a intervenção inesperada de um corpo expedicionário de cavaleiros ‘amorreus’ procedentes da costa. rodeou a cidade pelo sul e. modificando todas as táticas de guerra então em uso. a uma grande distância. chamada divisão de Amon. A chegada pouco depois da divisão Ptah pôs o exército hitita em fuga. aconteceu a célebre batalha de Cades. Bem. Pelo contrário. Para rechaçar os hicsos. o exército hitita possuía 3. O exército egípcio era composto por cerca de 25. que foi objeto de ataque imediato. comerciais (produtos do Líbano e rotas caravaneiras) etc levaram o Egito a .500 carros de combate”[15]. deixando quase inteiro o exército inimigo encerrado na fortaleza. não chegou a intervir na contenda.

Quando os israelitas do grupo de Moisés chegam a Canaã esta é a situação: confrontos generalizados entre as cidades. e ocupam as regiões montanhosas. confronto entre os marginalizados e as cidades. senhores das cidades. onde os cananeus. Unidos pela esperança javista os recém-chegados juntam-se aos revoltosos. que estava submetido ao faraó egípcio. Quando o controle egípcio era menor. seus governantes se acusam. aos hapiru: estes estariam conquistando cidades em Canaã e provocando revoltas[16]. analisa longamente os fundamentos do modelo de Gottwald[17].estabelecer guarnições na Palestina e a cobrar tributo dos senhores. formando com eles uma mesma identidade social. O modelo da retribalização ou da revolta camponesa passou a ser citado como uma alternativa bem mais interessante do que os modelos anteriores e fez surgir outras tentativas de explicação das origens de Israel. Constituem um "governo" tribal. as cidades cananéias diminuíam ou interrompiam o pagamento do tributo. Muitas críticas também foram formuladas a Gottwald. Nos conflitos entre as cidades cananéias. da ajuda. procuravam aumentar seus domínios a expensas de seus vizinhos e rivais etc. nas cartas. o livro de Gottwald suscitou uma grande polêmica e polarizou as atenções dos especialistas durante muito tempo. que em Early Israel. vivendo ao abrigo das cidades e de seus exércitos locais. As populações de baixa condição. sendo a de maior consistência a do dinamarquês Niels Peter Lemche. príncipes das cidades-estado cananéias. Anthropological and Historical Studies on the Israelite Society before the Monarchy. escritas pelos governantes das cidades cananéias à corte egípcia de Amenófis III e de seu filho Amenófis IV (são 377 cartas escritas em acádico vulgar. Realmente. vazio de poder egípcio porque Ramsés II não conseguiu vencer os hititas e foi obrigado a fazer um acordo com este povo da Ásia Menor. Mas a liberdade das cidades não era repassada para a população marginalizada! Assim é descrita a situação nas cartas de Tell el-Amarna. descobertas a partir de 1887). . com muitos cananeísmos. Os hapiru revoltavam-se contra seus opressores cananeus e libertavam-se de seu controle. feita pelo inimigo. tinham perdido o controle. A espoliação se dava em dois níveis. estava assim submetida ao príncipe cananeu. uma aliança tribal.

The Evolution of Political Society. Har Adir. As diferenças entre os dois aparecem apenas mais tarde. 2. de uma maneira que dificilmente qualquer um deles aprovaria. que entende a sociedade dentro do quadro da interação de diversas classes ou grupos de status.4. Por isso. O crescente consenso entre os arqueólogos é de que a distinção entre cananeus e israelitas no primeiro período do assentamento na terra é cada vez mais difícil de ser feito. Gottwald adota enfoque funcionalista da sociedade israelita. K. segundo ele. Giloh. porém. Mayes: “Existem. que tem certamente raízes na teoria social de Durkheim. estão inteiramente ausentes do estudo de Gottwald: nele Israel surge como unidade harmoniosa e indiferenciada. a partir da transformação de parte da sociedade cananéia. pois estes parecem constituir um só povo. mas faz um uso eclético de outras teorias e autores. Tel Masos. de alguma maneira. A continuidade está presente sobretudo na cerâmica. Horvat ‘Avot. Tel Beit Mirsim. 1967. nas técnicas agrícolas. “A teoria sugere que. vale a pena olharmos alguns autores que procuraram avançar a partir e além de Mendenhall e Gottwald. boas razões. Gottwald fundamenta suas teorias no estudo de Morton Fried. Tel Qasileh. faz uma leitura do Israel pré-monárquico segundo a tradição durkheimiana. Horvart Harashim. os arqueólogos começam a falar cada vez mais do processo de formação de Israel como um processo pacífico e gradual. um dos problemas do ecletismo de Gottwald é que embora se reporte às vezes a Marx. Mas a birra principal de Lemche com estes autores e suas teorias é que. Khirbert Raddana. D. . Nas palavras de A. os modelos derivados da corrente antropológica do "evolucionismo cultural" desconsideram a variável chamada Homem (enquanto indivíduo livre e imprevisível em suas ações) por não ser controlável. as descobertas arqueológicas dos últimos anos encorajaram os pesquisadores na elaboração de novas maneiras de compreender as origens de Israel. Tel Quiri. Izbet Sarta. e enfatiza sua dimensão estrutural sincrônica. Beth-Zur e Tel el-Fûl. para ver Gottwald neste contexto [durkheimiano] antes do que na tradição de conflito a que pertence Marx. Beer-Sheba. Como nos lembra R. Arad. Gnuse. deixaram os arqueólogos impressionados com a continuidade existente entre as cidades cananéias das planícies e os povoados israelitas das colinas. As características distintivas da teoria de conflito. As escavações de localidades tais como Ai. Random. Entretanto. New York. nas construções e nas ferramentas[19]. A Teoria da Evolução Pacífica e Gradual Quanto a esta teoria.Segundo Lemche. Dan. Shiloh. Sasa. antes que sua dimensão histórica diacrônica”[18]. Bet Gala. Tel Isdar. Tel en-Nasbeh. H.

em uma avaliação detalhada da agricultura na região montanhosa da Palestina na Idade do Ferro I (1200-900 a. que os habitantes destas pequenas localidades situadas nas montanhas usavam as mesmas técnicas dos cananeus na agricultura. os desastres comuns a que uma monocultura estava sujeita nestas regiões tão instáveis. evitando. deste modo. especialmente em . o que lhes permitia uma integração de culturas agrícolas com a criação de animais. David Hopkins. K. na fabricação de ferramentas. com a deterioração da vida urbana causada pelas campanhas militares egípcias.C. Entre 1200 e 900 a. Gnuse prefere classificar as teorias em quatro categorias. no território de Efraim.1. acompanhando transformações políticas e sociais no começo da Idade do Bronze”[20]. por sua vez. David Hopkins.cananeus gradualmente tornaram-se israelitas. Gösta Ahlström e Carol Meyers[21]. R. na construção de casas e de terraços para a retenção da água da chuva. Os defensores deste ponto de vista argumentam com o declínio cultural ocorrido no Bronze Antigo. talvez. e.4. Mas o processo de evolução pacífica de onde surgiu Israel é descrito de maneira diferente pelos especialistas. Gnuse cita especialmente Joseph Callaway. Joseph Callaway foi um dos primeiros a observar nas escavações de Ai e Khirbet Raddana. com a crescente tributação. James Flanagan. Frank Frick. Para Hopkins. Isto implica uma continuidade cultural com os cananeus das cidades situadas nos vales e sugere que as pessoas se deslocaram para Ai e Raddana para fugir de possíveis conflitos nos vales.C. na perfuração de cisternas. de modo que R. Retirada Pacífica Como defensores de uma retirada pacífica de grupos cananeus das planícies para as regiões montanhosas. 2. que são: • • • • Retirada pacífica Nomadismo interno Transição ou transformação pacífica Amálgama pacífico. observou que o desenvolvimento social aconteceu junto com a intensificação do cultivo da terra.). o número de povoados nas montanhas passou de 23 para 114. o que sugere uma significativa retirada. K. com mudanças climáticas. estas pessoas desenvolveram um sistema de colaboração ao nível de clã e de famílias.

. foi quem desenvolveu mais amplamente este modelo de uma retirada pacífica em vários de seus escritos. O próprio nome do povo. G.recursos hídricos. O Crescente Fértil e a Bíblia. divindade cananéia. J. Ele trabalha a continuidade entre israelitas e cananeus. pp. agora possível pela construção de cisternas e terraços e isto produziu.exigiu mais alimento. ECHEGARAY. e cidades podem ter sido queimadas para evitar contágio. NEXT [15].. reflete esta lógica. o crescimento populacional . Israel.de 23 para 114 povoados . James Flanagan também acredita que o Israel pré-davídico surgiu da movimentação de grupos sedentários que deixaram os vales para uma organização mais descentralizada nas montanhas e na Transjordânia. Frank Frick acredita que os assentamentos israelitas surgiram após um colapso das cidades cananéias. no final. Nenhuma 'revolta' de camponeses pode ser documentada. levando à intensificação da agricultura. diferentes unidades clânicas e tribais israelitas devem ter surgido a partir de diferentes atividades agrícolas. igualmente. Teria havido um declínio de até 80% da população dos vales. já que sua estrutura social de base familiar não corresponde. Esta nova sociedade teria então evoluído de uma 'sociedade segmentária' (época dos Juízes) para uma 'sociedade com chefia' (Saul) e. 'Israel'.Talvez um grupo tenha vindo de Edom e se juntado a estes camponeses. finalmente. 90-91. onde eles se dedicaram à agricultura e ao pastoreio. entretanto. Gösta Ahlström. cisternas e o uso do ferro para explicar o sucesso destes assentamentos agrícolas. Para Hopkins. Carol Meyers defende que Israel surgiu nas montanhas após uma violenta praga que devastou os vales. não indicam a chegada de um grupo de pessoas vindas de fora da terra. evidente na cultura material. mas sim a escassez de recursos da área dos assentamentos. e busca reler os textos bíblicos dentro desta lógica. já que construído com o nome de El. Hopkins valorizou mais o sistema cooperativo baseado no parentesco do que o uso de técnicas como terraços. Nas montanhas. ao tipo nômade. para o 'Estado' (Davi). Ahlström contesta a tese de Gottwald de uma 'retribalização' ocorrida nas montanhas. segundo ele. Os recursos tecnológicos menores. trazendo com eles o culto a Iahweh.

Embora admitindo a continuidade entre israelitas e cananeus. N. Cf. 1997. Brill. Decatur. p. 28-31. cartas G. 97118. [20]. Paulus. em CLEMENTS. L. FRICK. 1985. R. SICRE. 2. 32-61. Decatur. 33. 1995. MEYERS. Almond Press. AA. Textos do Antigo Oriente Médio. New York. Israel e Judá. Cf.2. (ed. Jahrhundert v. (org. und 11..).. pp. E. F. onde os vários modelos são descritos e analisados. O Mundo do Antigo Israel. MAYES. pp.). O Mundo do Antigo Israel. (org. J.). [21]. E. Oxford University Press. Georgia. 1988. D. Village Subsistence at Ai and Raddana in Iron Age I.. GNUSE. Early Israel.4. R.. Sociologia e Antigo Testamento. 1985. The Highlands of Canaan.. 1985.. H. pp. Cinco Respuestas a un Enigma Histórico.. J. em Estudios Biblicos 46 (1988). Perspectivas Sociológicas.. E. L. Antropológicas e Políticas. [18]. também MARTIN. 421-456 e FRITZ. I. Almond Press. No Other Gods. Sheffield. Paulus. G. HOPKINS. Fortress Press. The Formation of the State in Ancient Israel. 1988. estes especialistas defendem uma origem pastoril para os primeiros... Nomadismo Interno Defensores do nomadismo interno são C.. Lanham. Decatur. Discovering Eve: Ancient Israelite Women in Context. AHLSTRÖM. J. J. 1993. 55. 1996. [17]. São Paulo.. Israel como sociedade tribal. Cf. Emergent Monotheism in Israel. J. p. H. cf. D. Georgia. CALLAWAY. Madrid. Kohlhammer. . pp. P. Volkmar Fritz e Israel Finkelstein[22]. de Geus.. K. FLANAGAN. Cf. Idem.[16]. em THOMPSON. [19]. Georgia. University Press of America. Almond Press. A Survey of Models and Theories. A History of Ancient Palestine. Sheffield Academic Press. Leiden. pp. Chr. 1985. em CLEMENTS. D. H. R. C. J. A. David’s Social Drama: a Hologram of Israel’s Early Iron Age. Stuttgart. VV. 104-121.. São Paulo. LEMCHE. K. V. 1984. Los Orígenes de Israel. Die Entstehung Israels im 12. The Answers Lie Below: Essays in Honor of Lawrence Edmund Toombs. Minneapolis. Anthropological and Historical Studies on the Israelite Society before the Monarchy. H. ibidem.

Eles teriam se assentado em grande número na região montanhosa de Efraim e. Niels Peter Lemche. Eles seriam os hapiru das cartas de Tell elAmarna. Robert Coote & Keith Whitelam e Rainer Albertz[23]. que. Com o declínio destas. Quando as cidades sofreram um colapso eles expandiram seu controle. como defendia Alt. morando nas montanhas e usando categorias tribais. Eles estavam na região há séculos e pertenciam à cultura amorita siro-palestina do Bronze Médio. Ou seja: eles estavam culturalmente próximos dos cananeus. para Finkelstein. Para Fritz. 2. por toda a Idade do Bronze.4. Moab e Edom. na proximidade das cidades. H. percebe que a cultura israelita viveu um longo período em contato com a cultura cananéia e deslocou um pouco sua perspectiva. para o norte e para o sul da região. eu diria que. Volkmar Fritz. a arquitetura diferenciada dos povoados israelitas nas montanhas mostra que eles não saíram simplesmente das cidades das planícies. vivendo nas áreas intermediárias entre as cidades e com elas interagindo. por isso. um dos mais brilhantes 'minimalistas' da Escola de Copenhague. O aumento populacional posterior colocou-os em conflito com populações das planícies até que se chegou à unificação davídica. porém. Transição ou Transformação Pacífica Entre os proponentes de uma transição ou transformação pacífica se destacam o já citado Niels Peter Lemche e mais: William Stiebing. vindos de fora. que eventualmente deram origem a Israel. de Geus.C. ao escavar no norte do Negev. entraram em contato simbiótico com as culturas citadinas. J.3. mas que foram proto-israelitas. Eles seriam os hapiru ou os shasu dos textos egípcios. antigo defensor das teorias de Mendenhall e Gottwald. Drews. A casa israelita de quatro cômodos significa uma evolução da arquitetura cananéia e a sua familiaridade com a criação de animais domésticos e seus trabalhos em metal e cerâmica mostram que eles não eram verdadeiros nômades. experimentando. acredita que muito pouco pode ser dito das origens de Israel . a partir dali. Israel Finkelstein é o principal defensor da idéia do 'nomadismo interno'. os israelitas eram 'nômades internos'. gente que vivia na Palestina. propõe que os israelitas eram etnicamente unidos. uma 'simbiose cultural'. mas eram etnicamente diferentes e trouxeram consigo suas próprias estruturas sociais e sua cultura material. antes defensor da idéia de infiltração pacífica de Albrecht Alt. se espalhado. R. mas que estavam em contato comercial com as culturas das cidades da região. antes de se sedentarizarem. Talvez resumindo excessivamente seu matizado pensamento. estes pastores se dedicaram também à agricultura para conseguir cereais e outros alimentos não mais oferecidos pelas cidades.

Entretanto. não há época patriarcal. Ancient Israel: A New History of Israelite Society pressupõe que o aumento dos assentamentos tenha sido uma conseqüência natural da deterioração das condições de vida das cidades da Palestina durante a última parte do Bronze Recente.C. provocada pela perda das rendas do comércio internacional. como fator fundamental para explicar o declínio da cultura urbana da Grécia Micénica à Palestina. deste modo. por outro lado. pois ela pressupõe um vazio de poder egípcio na região e a conseqüente decadência das cidades. William Stiebing. em tribos. diz Lemche. The Israelites in History and Tradition. e por outro. 74. no final do processo. p. mas pelo aumento da pressão egípcia sobre as mesmas. ao mesmo tempo que procura superá-la com uma nova proposta nas páginas 75-77. Lemche. Na verdade. no conturbado enfrentamento de grandes potências no século XIII a. regionais e religiosos diferentes. o Egito transferia parte da população de cidades. Mas Lemche vê problemas nesta proposta. possibilitaram o aumento desta população e à . políticos. os sobreviventes da fome que se abateu sobre as cidades foram para as montanhas. possivelmente da época helenística. até cerca de 1200 a. Segundo esta explicação. êxodo. Assim o Egito compensava as perdas do comércio internacional.antes do século X a. coloca as mudanças climáticas ocorridas na região do Mediterrâneo entre 1250 e 1200 a. assim como outros minimalistas. monarquia unida. por que não creditar à política egípcia o processo de criação de assentamentos sem fortificações. Afugentados pela seca. saindo das cidades. e a presença de elementos nômades nestes assentamentos deve ser considerada.C. linhagens e. Então. Diz Lemche que o modelo 'evolucionário' por ele defendido na obra de 1988.C. juízes. questiona o uso da Bíblia Hebraica na reconstrução da História de Israel. a não ser a percepção de um processo gradual de aumento da população nas montanhas da Palestina. consolidando o poder do império na região? Pois. levando os habitantes dos povoados a se agrupar em grupos de parentesco.. a fixação dos migrantes. agora improdutivas. o que hoje se sabe é que a ausência egípcia na região não coincide com o aparecimento dos povoados na região montanhosa da Palestina. para novas regiões e garantia os seus rendimentos na região.C. que o afastamento desta população. em sua exigência de mais tributos e mais trabalho forçado. diferenças étnicas só apareceram com o passar do tempo. já que esta é um produto pós-exílico. Daí.C. pode ter sido causado não pela ausência.. Lemche expõe a sua visão no livro de 1998. Mas esta proposta não inclui a participação dos nômades na formação desta nova sociedade. por um lado. Condições climáticas mais favoráveis por volta do ano 1000 a. motivadas por interesses econômicos.

um grupo vindo do Egito com a experiência do êxodo. Thomas Thompson e Donald Redford. A opinião de R. indo de Albright a Lemche. surgiu não pelo simples deslocamento de determinados grupos. Com o desenvolvimento destas regiões o comércio foi recuperado. pois nos períodos de prosperidade as regiões das montanhas providenciavam recursos para as cidades dos vales. Rainer Albertz faz uma espécie de síntese de várias escolas. mas mercenários treinados e com armamento superior ao dos exércitos locais. Para tais comunidades o grupo do êxodo trouxe as idéias do deus Iahweh. Ele dá pouca importância aos fatores climáticos na explicação dos acontecimentos. Gnuse. é de que este grupo de pesquisadores prevalecerá sobre os outros.criação do Estado. Amálgama Pacífico Finalmente. Israel. Baruch Halpern foi um dos primeiros a descrever o processo de assentamento como uma complexa interação de diferentes grupos nas montanhas: poucos habitantes dos vales. levando a um aumento populacional significativo. K. não propondo uma teoria específica. muitos habitantes da região montanhosa. enquanto que nos momentos das crises elas absorviam as populações que deixavam tais cidades. inclusive. William Dever. Processo que pode ser chamado de 'realinhamento' ou 'transformação'. que aqui se alinha. segundo estes autores. No surgimento de Israel o colapso do comércio foi o fator mais significativo. pois colocou em crise a sobrevivência das cidades e exigiu dos povoados das montanhas uma forma mais eficaz de colaboração e cooperação para a sobrevivência.4. Robert Drews defende que os 'povos do mar' que invadem a região não eram simples migrantes. a idéia de um amálgama pacífico de diferentes grupos nas regiões montanhosas da Palestina para explicar as origens de Israel tem como defensores especialistas como Baruch Halpern. mas pelo crescimento populacional tornado possível pelas condições climáticas favoráveis à agricultura. Robert Coote & Keith Whitelam vêem as origens de Israel como parte de um processo de integração milenar entre as regiões das cidades e as regiões das montanhas. Daí o massacre das cidades e o aumento populacional dos habitantes das montanhas. por considerar melhor os pressupostos teóricos do debate atual[24]. Albertz fala de 'digressão'.4. com mudanças. portanto. em seu comportamento ético. 2. processo pelo qual o colapso do comércio internacional forçou os habitantes das cidades a se deslocarem para os povoados das montanhas e aí se desenvolverem. promovendo mais tarde o aparecimento do Estado. agora mais igualitário. grupos .

um dos mais polêmicos 'minimalistas' é ferrenho defensor de uma História da Palestina escrita somente a partir dos dados arqueológicos e crítico de qualquer história e arqueologia bíblicas. uns poucos nômades. cananeus saídos das cidades.C. também ali se assentaram. trouxe a circuncisão e a proibição da criação do porco e criou o nome 'Israel' no século XIII a. alguns revolucionários.. pura ficção pós-exílica. Ele sugere que o núcleo da população nas montanhas era formado por pastores que se sedentarizaram. O grupo do Egito trouxe Iahweh. pastores de outras áreas e imigrantes da Síria. para ele. principal fator de transformação social e política da região. levando ao surgimento da monarquia. mas. Na região das montanhas eles progressivamente criaram uma identidade que os diferenciou dos cananeus das planícies.. e trazendo consigo o culto a Iahweh. William Dever já foi simpatizante do modelo da revolta de Gottwald. das propostas de Coote & Whitelam e do modelo de simbiose de Fritz. Thompson. enquanto o grupo sírio. Todos estes grupos foram reunidos pela necessidade de manter rotas de comércio abertas com a ausência do Egito na região. Anatólia e do Egeu. distinto dos cananeus. Toda a 'estória bíblica' do império davídico-salomônico e dos reinos divididos de Israel e Judá é. mas foi o Israel histórico que produziu o Israel bíblico. Hoje ele vê o surgimento de Israel entre as populações que praticavam a agricultura na Palestina e rejeita a dicotomia cananeu/israelita. Thomas L. no século VIII a. após a destruição de Lakish por Senaqueribe. no que diz respeito a Samaria. Donald Redford. A unidade política de Israel só aparece na época das interferências assírias na região. dizendo que a distinção entre urbano e rural explica as diferenças. 'bandidos sociais' (social bandits). movendo-se os grupos entre as cidades das planícies e os povoados das montanhas segundo as estratégias de sobrevivência exigidas pelas mudanças climáticas. que são funcionais e não étnicas. Para Dever Israel se formou de refugiados das cidades. Halpern sublinha ainda que o Israel histórico não é o Israel da Bíblia Hebraica. como cidade cliente da Assíria. Por fim.. A população das montanhas era formada por nativos da região. de agricultores despossuídos. principalmente. dando início ao futuro Israel. para Thompson. . Thompson observa que a população da Palestina permaneceu inalterada durante milênios. Progressivamente controlaram também as planícies.vindos da Síria. defende que existe uma diferença entre os habitantes das planícies e os habitantes das montanhas. egiptólogo. que se misturaram com gente que veio das planícies.C.C. torna-se líder da região sul. mas que pastores shasu vindos de Edom.. quando Jerusalém. e no século VII a.

de uma evolução progressiva. Parece provável que em cada região tenha havido um processo social específico que deve ser explicado. ainda não conseguiram espaço nos manuais. Outros. de uma revolta de camponeses marginalizados que somam suas forças aos recém-chegados hebreus do êxodo foi o mais discutido até a década de 90. Um modelo apenas explica tudo ou devemos recorrer a vários modelos? Parece que não se pode usar um só modelo para explicar a ocupação de todo o território de Canaã.. A contribuição da antropologia é cada vez maior para explicar estes mecanismos sociais antigos. a análise minuciosa dos textos bíblicos (exceto para alguns 'minimalistas') e as ciências sociais. A arqueologia é importantíssima para definir o modo como Israel ocupou a região da Palestina 2. os mais discutidos entre os especialistas. mas são. Os dados arqueológicos apóiam cada vez menos a versão da conquista tal como está no livro de Josué ou nas explicações dos norte-americanos 3. c. b.Conclusão a. Leituras Recomendadas .. hoje. Qual é o modelo mais aceito na atualidade? O modelo da instalação pacífica (de ALT/NOTH) sempre foi muito considerado. O elemento cananeu cresce em importância na explicação das origens de Israel. De qualquer modo. já que o processo de instalação parece ter sido diferenciado conforme as regiões e as circunstâncias. Quais recursos devem ser usados para se elaborar um modelo explicativo? Certamente a arqueologia. d. Existe algum acordo mínimo sobre a questão? O consenso dos especialistas tende a crescer na seguinte direção: 1. existe uma certeza: ainda surgirão muitos modelos explicativos para as origens de Israel e é possível que a solução definitiva esteja bem distante. O modelo de MENDENHALL/GOTTWALD. como o de LEMCHE.

.. 1996. Paulus. 99-119. O Crescente Fértil e a Bíblia. GOTTWALD. K. Paulus. SICRE. O Mundo do Antigo Israel. J. 1996. & SILBERMAN. Antropológicas e Políticas. 1999. Basic Books. I.C. N. THOMPSON. T. R. 101-225. (org. pp. 1986 [20042]. 2001.. Winona Lake. ECHEGARAY.. .. 1995. K. The Israelites in History and Tradition. CARTER. New York. E. 83-105. Madrid. São Paulo. P... L. Petrópolis. GNUSE. Community. FRITZ.. pp. São Paulo. Uma Sociologia da Religião de Israel Liberto 1250-1050 a. A. 23-61.. Terra Prometida. São Leopoldo.. pp. Sinodal. pp. Ensaios sobre a História do Povo de Israel. Louisville. pp. As Tribos de Iahweh. Sheffield.. Perspectivas Sociológicas.). CLEMENTS. Paulus. Westminster John Knox. Kentucky. N. Paulus. pp. Die Entstehung Israels im 12. São Paulo. CERESKO. ALT. A. Chr. pp. N. Biblical Archaeology and the Myth of Israel. 1998. 1997. 421-456. Social Sciences Approaches to the Hebrew Bible. pp. V. 251-276.. Eisenbrauns. 202-229. und 11. Cinco Respuestas a un Enigma Histórico. K. 104-121. 1988. E. L. 1993. São Paulo. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. em Estudios Bíblicos 46 (1988). 1987. Paulus. Textos do Antigo Oriente Médio. Jahrhundert v. The Free Press.AA. R. G. 19972. Introdução Socioliterária à Bíblia Hebraica. N. Stuttgart/Berlin/Köln. J. New York. Kohlhammer. A. FINKELSTEIN. Israel e Judá. Vozes. Indiana. Introdução ao Antigo Testamento numa Perspectiva Libertadora.VV. São Paulo. LEMCHE. Sheffield Academic Press. C.). R. 1996.. pp. (eds. pp. L. The Bible Unearthed. GOTTWALD.. Los Orígenes de Israel. The Mythic Past. C. & MEYERS. 37-38. Emergent Monotheism in Israel. 19-110. No Other Gods. Identity and Ideology.

Cf. N. Princeton. Egypt. The Israelites in History and Tradition. The Archaeology of the Israelite Settlement. Buffalo. Recent Archaeological Discoveries and Biblical Research.NEXT [22]. C. Chr. P. Ancient Israel: A New History of Israelite Society.. LEMCHE.. Decatur. 2001. Princeton. Early Israel: Anthropological and Historical Studies on the Israelite Society Before the Monarchy. Biblical Archaeology and the Myth of Israel. 1996. Sheffield... Princeton University Press. [23]. Westminster John Knox. A History of Israelite Religion in the Old Testament Period.. Leiden. N. W. 1996.Chr. 1992. 1995. Israel Exploration Society. 1985. Westminster Press. FINKELSTEIN. Stuttgart. 1993. 1200 B. DREWS. K.C. The Free Press. Seattle. 1990. Kohlhammer. V. REDFORD. Kohlhammer. Canaan and Israel in Ancient Times.. Von den Anfängen bis zum Ausgang des 13.. The Bible Unearthed. I. J. & WHITELAM.. Die Vorgeschichte Israels. Philadelphia. Leiden. 19942. HALPERN. The Emergence of Early Israel in Historical Perspective. 1991.. Princeton University Press. STIEBING. Brill. Amsterdam. 1983. [1988]. Georgia. The Mythic Past. University of Washington Press. 1994.. DEVER. FRITZ. R. A. 1992. T. Jahrhunderts v. The End of the Bronze Age: Changes in Warfare and the Catastrophe ca. & SILBERMAN. L. COOTE. 1998. 2 vols.. Kentucky. Almond Press.. New York. Sttutgart.. 1999. . R. The Tribes of Israel: an Investigation into Some of the Presuppositions of Martin Noth’s Amphictyony Hypothesis. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts.. Cf. FINKELSTEIN. Van Gorcum. I. B. [24]. THOMPSON. CA. Jahrhundert v. New York.. und 11. Chico. W. Early History of the Israelite People from the Written and Archaeological Sources. 1987. Louisville. R. D.. The Emergence of Israel in Canaan. Jerusalem.. Prometheus. Brill. 1989. DE GEUS. 1988. The Canaanites and Their Land: The Tradition of the Canaanites. H. Scholar Press. Cf. ALBERTZ. Sheffield. Sheffield Academic Press. Basic Books. Out of the Desert? Archaeology and the Conquest Narratives. Die Entstehung Israels im 12. Sheffield Academic Press. 1976.

Os Governos de Saul. Silo. foi capturada. Os filisteus formaram uma confederação de cinco cidades: Gaza.8-15.C. Nem que fosse alguém com poder despótico. destruído. Ashdod. então. Ascensão e Queda de Saul Os filisteus. Aí por volta de 1050 a. Em vão. foi a escolha de um chefe único. a Arca da Aliança.C. proibiram o trabalho em metal em todo o território israelita o que equivalia a um desarmamento geral do povo e à sua dependência dos filisteus até mesmo para os trabalhos mais elementares da agricultura .3. Os filisteus não ocuparam todo o país. Ou porque viam em Israel uma ameaça às suas rotas comerciais ou por algum outro motivo.e saquearam os produtos de boa parte do país. superior às tribos todas em poder. Além do mais. metal que sabiam trabalhar bem e perigosos carros de combate. os israelitas derrotados. haviam ocupado uma fértil faixa costeira no sudoeste da Palestina. raras vozes no mundo acadêmico ousariam contestar a versão abaixo para descrever a origem e as características da monarquia israelita. 3. na região norte. um dos "povos do mar" rechaçados pelo Egito. Ascalon. como acontecia nos reinos vizinhos e como demonstra o apólogo de Joatão em Jz 9. Isto aconteceu por volta de 1150 a. como última esperança. os filisteus avançaram com um exército organizado contra os agricultores israelitas. levada pelos sacerdotes de Silo para o campo de batalha. além de possuírem uma longa tradição militar. mas posicionaram-se em postos estratégicos. Davi e Salomão Até meados da década de 70 do século XX. com perigoso precedente de utilização deste poder contra parte da população. colocado acima de todos os grupos israelitas autônomos. em um dos mais brilhantes panfletos anti-monárquicos que se conhece na história. A saída. Usavam armas de ferro.1. Samuel tentou por todos os meios levantar e organizar o povo para uma luta de libertação. Gat e Ekron. cortando as comunicações entre os vários grupos israelitas. De acordo com 1Sm 4. Eis o texto: . os filisteus atacam e vencem os israelitas perto de Afeq.

vinde e abrigai-vos à minha sombra. a fim de balançar-me por sobre as árvores?' As árvores disseram então à videira: 'Vem tu. a líder do povo. e reina sobre nós!' A videira lhes respondeu: 'Iria eu abandonar meu vinho novo. a fim de balançar-me por sobre as árvores?' Então as árvores disseram à figueira: 'Vem tu. a fim de balançar-me por sobre as árvores?' Então todas as árvores disseram ao espinheiro: 'Vem tu. um impetuoso benjaminita."Um dia as árvores se puseram a caminho para ungir um rei que reinasse sobre elas.1-10. sairá fogo dos espinheiros e devorará os cedros do Líbano!'".16). há duas versões opostas que refletem duas tendências: uma que aclama e defende a idéia (1Sm 9. que alegra os deuses e os homens. fabricar as . e reina sobre nós!' A figueira lhes respondeu: 'Iria eu abandonar minha doçura e o meu saboroso fruto. Sobre a ascensão de Saul. e os fará lavrar a terra dele e ceifar a sua seara. Se não. e reina sobre nós!' E o espinheiro respondeu às árvores: 'Se é de boa fé que me ungis para reinar sobre vós. Disseram à oliveira: 'Reina sobre nós!' A oliveira lhes respondeu: 'Renunciaria eu ao meu azeite. outra que se opõe e alerta contra o perigo do empreendimento (1Sm 8). e os nomeará chefes de mil e chefes de cinqüenta. que tanto honra aos deuses como aos homens. "Este é o direito do rei que reinará sobre vós: Ele convocará os vossos filhos e os encarregará dos seus carros de guerra e dos seus cavalos e os fará correr à frente do seu carro.

Este discurso. o que deu a Israel um alívio temporário. Exigirá o dízimo dos vossos rebanhos. os vossos melhores olivais. na sempre constante ameaça dos filisteus e principalmente no desentendimento entre a antiga ordem tribal e as exigências da nova ordem. Ele tomará as vossas filhas para perfumistas.suas armas de guerra e as peças de seus carros. Entretanto. Tomará os vossos campos. e não tocou na estrutura interna da organização tribal. a queda de Saul devia acontecer em breve. Gibea. que destinará aos seus eunucos e aos seus oficiais. colocado na boca de Samuel. é. Samuel. Das vossas culturas e e das vossas vinhas ele cobrará dízimo. mas Iahweh não vos responderá. acabou rompendo com Saul. as vossas vinhas.11-18). significativo representante da antiga ordem. As coisas se agravaram. na verdade. cozinheiras e padeiras. os vossos bois e os vossos jumentos. Era um chefe militar: mantinha um pequeno exército permanente e regular e seu governo oferecia alguns cargos: seu primo Abner era general de seu exército. Os melhores dentre os vossos servos e as vossas servas. De qualquer maneira. As causas poderiam ser identificadas na ambigüidade de sua posição (rei ou chefe tribal?). naquele dia. Se houve mais. Então. ele os tomará para o seu serviço. Saul teria usurpado funções sacerdotais (1 Sm 13) e violado antigas leis da guerra santa que não favoreciam sua estratégia militar (1Sm 15). numa atuação carismática e espontânea.14-15). Continuou a viver em sua terra. e vós mesmos vos tornareis seus escravos. Mas. o que de fato a monarquia representou em Israel. Segundo as fontes bíblicas de que dispomos. naquele dia!" (1Sm 8. Mas. após a sua falência. quando o jovem pastor de . um texto deuteronomista. Depois disso ele foi. Davi. aclamado rei em Guilgal (1Sm 11. reclamareis contra o rei que vós mesmos tiverdes escolhido. segundo o Deuteronomista. na independência tribal. porém. Saul conseguiu uma vitória sobre os amonitas que entusiasmou o povo e o convenceu de suas capacidades guerreiras (1Sm 11). avaliando. seu escudeiro. podemos dizer que Saul não foi propriamente um rei. e os dará aos seus oficiais. alguns acham que se pode considerá-lo como herdeiro de uma tradição antimonárquica que se manifesta já na época de Saul. Saul e seu filho Jônatas conseguiram uma boa vitória sobre os filisteus reunidos em Gibea e Micmas (1Sm 13-14). pouco foi.

e faz dela a sua cidade. porém. nesta posição. Os filisteus atacaram repetidamente e foram totalmente derrotados: tiveram que reconhecer a supremacia de Israel e tornaram-se seus vassalos. Isto teria acontecido por volta de 1010 a. Segundo as fontes bíblicas. através de hábeis manobras políticas. Saul assassinou a família sacerdotal de Silo. no Negueb. dos vários grupos israelitas. tornou-se seu rival. entraram em choque com o exército de Saul a noroeste do monte Gelboé. A batalha estava perdida antes mesmo de começar.1-5).C.C. Este o acolhe e lhe dá como feudo a cidade de Siclaq. Davi e sua tropa oferecem seus serviços ao rei filisteu de Gat. ele conquista Jerusalém. Isbaal é assassinado e. amigo de Jônatas e marido de Mical. Não se agüentando. na Transjordânia. Os filisteus cortaram-lhe a cabeça e fixaram seu corpo e os de seus filhos nos muros de Bet-Shan.Belém. agora estabelecida em Nob. Saul liderou os israelitas de 1030 a 1010 a. Em seguida. realmente. Assim.2. e de lá pretendeu que fosse dada continuidade ao governo de Saul através do fraco Isbaal. Competia agora a Davi vencer os filisteus e acabar de vez com suas ameaças. Então. Davi é também aclamado rei da região norte do território por todo o povo (2Sm 5. Resultado: seus três filhos morreram em combate e ele mesmo. escolhendo posição favorável. Davi consegue uma união. cidade jebuséia situada no sul. Davi e a Criação do Estado Para substituir Saul não ficara ninguém válido a não ser seu último filho Isbaal. A queda de Saul acontece quando os filisteus partiram mais uma vez de Afeq e. ocuparam toda a terra. Davi dirigiu-se com seus homens para Hebron e. ainda que frágil. muito ferido. Abner refugiou-se com ele em Mahanaim. tornou-se o líder de Judá (2Sm 2. filhos de Saul. Davi refugiou-se no deserto e formou um bando de guerreiros que fugiam de Saul e atacavam os filisteus. "se lançou sobre a sua espada" e seu exército foi totalmente desfeito (1Sm 31). Davi. porque esta defendera Davi (1Sm 22) e a partir daí perseguiu Davi implacavelmente. com o consentimento dos filisteus e o apoio da população do sul. mas Saul não voltou atrás. dois anos mais tarde. como exemplo para os israelitas.1-4). Enquanto isso. . Foi só uma pretensão. Ele não se fez de rogado. 3. Com efeito.

até o Eufrates. Banaías. procurando assim manter o consenso da população ao redor da nova instituição. Salomão eliminou drasticamente seus inimigos. de sua guarda pessoal .15-18). era o arauto. Josafá. filhos de Aquimelec. 3. filho de Ailud. Os países dominados pagavam tributo. Davi enfrentou tensões surgidas entre a antiga e a nova ordem: por exemplo. comandava o exército.e de mercenários estrangeiros. Joab. Mandou matar seu irmão Adonias. exercendo o direito e fazendo justiça a todo o povo. Saraías era secretário. Moab. um grande reino: submeteu Amon. "Davi reinou sobre todo o Israel.seus homens de confiança desde os tempos da clandestinidade . uma corte imensa e dispendiosa. filho de Joiada. instituiu-se a corvéia . Salomão e a Consolidação do Estado Salomão não era o herdeiro natural de Davi e sua posse foi recheada de intrigas e inimizades.C. Todos os reis da região. também o general Joab e desterrou o sacerdote chefe Abiatar. Edom. filho de Aquitob. como os cereteus e feleteus.2223 conta de seus gastos: um absurdo em cereais e carne: . segundo o texto bíblico. pagavam-lhe tributos. Os filhos de Davi eram sacerdotes" (2Sm 8. 1Rs 4. eram sacerdotes. na verdade. E o Estado sob Davi funciona. Criou.estrangeiros obrigados a trabalhar grátis nos projetos do Estado – e Davi não interferiu na administração da justiça tribal. mantendo uma administração baseada no respeito às instituições tribais e alguns funcionários. segundo o texto bíblico. o recenseamento (com fins fiscais e militares) que ele mandou fazer gerou conflitos e críticas (2Sm 24) e a luta de seus filhos pela sucessão enfraqueceu muito seu prestígio. Davi governara 39 anos. Sadoc e Abiatar. Davi construiu. Seu exército compunha-se de israelitas convocados das várias tribos. filho de Sárvia. nomeou os chefes dos sacerdotes e fez tudo o que pôde para o culto.Segundo o texto bíblico.3. de maneira austera e modesta. logo que se viu garantido no poder. Salomão substituiu-o no poder em 971 a. Assim. Apesar de tudo isto. comandava os cereteus e os feleteus. Davi levou para Jerusalém a Arca da Aliança. os arameus etc.

no lugar onde fosse preciso. poder-se-ia imaginar que a corte de Salomão se tenha composto de 3.17s. Davi só usava a infantaria. Quanto à administração. enquanto outra parte fazia a rota do Mediterrâneo até a Espanha. DREHER[1]. Se acrescentarmos ao consumo ainda a farinha. "Conforme Ne 5. A população pagava por este exército. Salomão dominou igualmente o comércio da Arábia. a divisão do norte em 12 províncias.119). e cada qual segundo o seu turno". por exemplo.000 a 4. desrespeitando a divisão tribal e nomeando prefeitos estranhos às populações locais. A. Apesar de algumas revoltas nos reinos vassalos e de um possível enfraquecimento de poder. Embora não fosse um guerreiro. a população que aumentava consideravelmente em número.28.. manter o país nos limites estabelecidos por seu pai Davi. Toda esta atividade comercial gerou uma expansão interna muito grande no país: cidades que se fortaleciam. além de veados. .. Salomão introduziu novidades enormes. Com base nesta notícia. Seus navios eram construídos e tripulados pelos fenícios. Estes carros foram uma inovação de Salomão. em geral. o número será bem maior". dez bois cevados. através de suas agências de compra e venda. Seu exército era poderoso na época e seus carros de combate temíveis. Construiu uma frota mercante que comerciava até com Ofir (atual Somália) e com todos os portos do Mar Vermelho. com o controle das caravanas: o comércio de cavalos da Cilícia e do Egito. cem carneiros. fornecendo "a cevada e a palha para os cavalos e os animais de tração. 150 homens eram alimentados por Neemias diariamente com 1 boi e 6 ovelhas. Exportava cobre e outros metais. Salomão sabia fazer se respeitar no armamento e na organização militar. diz C. E tem mais: cada província cuidava da manutenção da corte durante um mês (1Rs 4. Salomão. uma vez que consumia 20 a 30 vezes mais carne que o grupo de Neemias. gazelas. conseguiu. vinte bois de pasto. Mas sua habilidade revelou-se totalmente foi no comércio e na indústria. sempre segundo o texto bíblico. construções de grandes obras públicas por toda a parte. cucos cevados". mestres na arte da navegação. mais algumas aves. diz 1Rs 4.500 pessoas. antílopes."Salomão recebia diariamente para seu gasto trinta coros de flor de farinha [1 coro = 450 litros] e sessenta de farinha comum. como.

O Estado classista estava em pleno funcionamento. Muito interessante é a observação de C. Sobre a exploração de uma boa parte da população. a mão-de-obra grátis em Israel (segundo 1Rs 9.) Um motivo religioso lhe será bem mais útil. NEXT . As obras públicas requeriam dinheiro para sua concretização.. as diferenças de classe e as contradições internas foram se aprofundando até levar à divisão do território. Vejamos.27. recrutado entre o povo. Com o correr do tempo.C. A. servindo ao mesmo tempo como santuário nacional e como capela real. embora haja notícias controvertidas na obra deuteronomista. forçou seus vassalos estrangeiros e a população cananéia à corvéia (trabalho grátis para o Estado) e usou o trabalho escravo em grande escala nas suas minas e fundições no sul do país (1Rs 9. Salomão governou a região de 971 a 931 a. cuja arca já se encontra em Jerusalém. não mais respeitando as tribos. altos cargos distribuídos a gente nascida na corte e que se julgava superior a todos os demais. sobre os motivos porque Salomão construiu o Templo: "Que fazer.20-22). se olharmos menos ingenuamente este florescimento todo.Porém. mas segundo 1Rs 5. transferia para o Estado todo o poder religioso. num tempo de paz. A construção do templo. A burocracia estatal requeria um número respeitável de funcionários.22 os israelitas não foram submetidos à corvéia. O exército. Mas isso tem lá seus riscos na época de uma monarquia incipiente (. veremos sobre quais bases foi construído. precisava de muito dinheiro para funcionar com eficiência e assim por diante.28 também os israelitas foram submetidos ao trabalho forçado para o Estado).11. a casa de Javé. DREHER.. Usou também.. lhe dará cobertura ideológica para garantir seu Estado e seu direito ao tributo"[2]. para continuar a garantir o direito ao tributo? Pode-se recorrer às armas e impor um governo através da força policial. Resultado: Salomão colocou pesados impostos sobre a população israelita. durante 40 anos. Informações sobre o Templo de Jerusalém? A atual polêmica com os Palestinos? Confira aqui! A construção do Templo em Jerusalém.

datação e significado das narrativas do Pentateuco. A Ruptura do Consenso Entretanto.C. a crise começou com as reavaliações da origem. E então. 1986. C. C. composto pelas tribos de Israel e Judá. por que a Bíblia Hebraica o descreve? Enfim. p. garantia o J salomônico: um círculo fechado. 51. onde mais podemos buscar respostas? 3.4. dominando todo o território da Palestina e. Assim. especialmente. os estudos na linha de Gerhard Von Rad. Esta historicidade. não tendo Israel e Judá jamais sido unidos? Existiu um Império davídico/salomônico ou só um pequeno reino sem maior importância? Se por acaso não existiu um grande reino davídico/salomônico. Vozes. Martin Noth e muitos outros. penso hoje que o chamado ‘consenso wellhausiano’ sobre o Pentateuco e. o que teria acontecido na região central da Palestina nos séculos X e IX a.[1]. sendo dividido em reinos do 'norte' e do 'sul'? Ou seria tudo isto mera ficção. era explicada pela Obra Histórica Deuteronomista (OHDtr). por sua vez. quando o J começou a ser deslocado para outra época pelos autores acima citados. John Van Seters (1975). 3. questões que pareciam definitivamente resolvidas. O trabalhador e o trabalho sob o reino de Salomão. até mesmo porque muitas das dúvidas hoje existentes sobre o Pentateuco dependem da reconstrução da história de Israel e da história de sua religião[3]. DREHER. Ora. caracterizada até como "iluminismo salomônico".? Além da Bíblia Hebraica. E. As Fontes: Seu Peso. Seu Uso . sustentavam a historicidade da época. em Estudos Bíblicos n. vicioso.. 56. assim. p. A. 11. posteriormente. foram de novo colocadas: O que teria sido o primeiro 'Estado Israelita'? Um reino unido. Pois isto que acabo de descrever nada mais é do que uma paráfrase racionalista do texto bíblico. Thompson (1974). o consenso foi rompido. ao colocarem o Javista (J) no reinado de Davi e Salomão. DREHER. ibidem. em que um texto bíblico amparava o outro. hoje não mais aceita por todos. o edifício inteiro desabou. que. E daí se estendeu à História de Israel. Hans Heinrich Schmid (1976) e Rolf Rendtorff (1977). A. [2]. especialmente os estudos feitos por Thomas L.5. Petrópolis. curiosamente..

E. Este construto erudito. Davies. até mesmo porque o ‘antigo Israel’. resultante da tomada de uma construção literária. de fato. "embora sabendo que a estória de Israel do Gênesis a Juízes não deve ser tratada como história. 154. conclui Philip R. Davies na p. como demonstram os estudos sobre o Pentateuco.C. na pressuposição de que. tornada objeto de investigação histórica. sugerindo Philip R. não obstante. como denunciou o estudioso britânico Philip R. Thompson é contra .. por ser este o momento em que os reissacerdotes levaram o país o mais próximo possível do ideal presente nas leis bíblicas. e de certo modo também a do período persa. de Saul ou Davi em diante. diz Philip R. não um dado sobre o qual se apoiar sem mais. Thompson. a conquista da terra que lhe é dada por Deus e assim por diante. como uma criação literária e histórica é um conceito asmoneu[4]. reter a segunda parte e ainda tratá-la como uma entidade histórica?" Para ele uma história de Israel que começa neste ponto deveria ser uma entidade bem diferente do Israel literário. Para Philip R. Thomas L. não podemos identificar automaticamente a população da Palestina na Idade do Ferro (a partir de 1200 a. Isto significa excluir a literatura bíblica" [sublinhado meu].. Davies é a postura do norte-americano Thomas L. a literatura bíblica foi composta a partir da época persa. o Israel bíblico é para nós um problema. com o ‘Israel’ bíblico.). não só Israel. a partir deste ponto. 51. pois este constitui apenas uma parte desta região.Claro. pois a maioria dos estudiosos. a escravidão no Egito. além de suscitar muitos outros problemas. garante o autor na p. que pressupõe a família patriarcal. cujo programa é fazer uma história do Levante Sul sem contar com os míticos textos bíblicos e considerando todos os outros povos da região. com o resto da estória bíblica. 26. "Nós não podemos transferir automaticamente nenhuma das características do ‘Israel’ bíblico para as páginas da história da Palestina (. é hoje uma incógnita. algo que parecíamos conhecer muito bem. mais para o final do livro. em seu estudo de 1992. E pergunta: "Pode alguém realmente deixar de lado a primeira parte da história literária de Israel. Davies na p. Davies. A Bíblia. a transformação do Israel literário em um Israel histórico. Davies.) Nós temos que extrair nossa definição do povo da Palestina de suas próprias relíquias. o obviamente literário tornou-se o obviamente histórico". a narrativa bíblica. prossegue. Ele concluiu. estas questões precisam ser recolocadas. que o Estado Asmoneu (ou Macabeu) é que viabilizou. Considerada mais polêmica ainda do que a de Philip R. que o ‘antigo Israel’ é um construto erudito. é contraditório. Para o autor.

mas o problema é que sem o texto bíblico muitas interpretações dos dados tornam-se extremamente difíceis. . concluiu Lester L. O fato é que as posturas 1 e 4 são inconciliáveis e estão fora das possibilidades de uma ‘História de Israel’ mais crítica: isto porque a 1 rejeita a possibilidade concreta da história e a 4 trata o texto bíblico com peso diferente das outras fontes históricas. Em uma das reuniões do Seminário Europeu sobre Metodologia Histórica. neste ponto. Diz o britânico Lester L. debatendo o assunto. entre a 2 e a 3. talvez. Somente o diálogo entre as posições 2 e 3 podem levar a um resultado positivo. que parece haver quatro possíveis atitudes a respeito da questão: 1. aceitar a narrativa bíblica sempre. Grabbe. Na conclusão do livro onde foram publicados os debates deste encontro há uma boa amostragem do problema do uso das fontes. ignorar o texto bíblico como um todo e escrever uma história fundamentada apenas nos dados arqueológicos e outras evidências primárias: esta é a postura verdadeiramente ‘minimalista’. Aliás. 4. Grabbe. alguns dos participantes acabaram classificando qualquer História de Israel como fictícia. o pior erro metodológico no uso das fontes é harmonizar a arqueologia com as narrativas bíblicas. E não há como fugir da questão. Parece-me. e ninguém neste grupo a defendeu. mas fazendo uso do texto bíblico como fonte secundária usada com cautela. pelo menos enquanto muitas ‘Histórias de Israel’ continuarem a ser nada mais do que uma paráfrase racionalista da narrativa bíblica. que já ficou claro para o leitor a importância do exame das fontes primárias.qualquer arqueologia e história bíblicas! Para ele. dar prioridade aos dados primários. 3. tem sido alvo de muitos debates e grandes controvérsias. Praticamente todos os membros do seminário ficaram nesta posição 3 ou. exceto quando ela se mostra como absolutamente falseada: esta é a postura caracterizada como ‘maximalista’. o uso do texto bíblico como fonte válida para a escrita da História de Israel. enquanto outros defenderam que o texto bíblico usado cuidadosa e criticamente é um elemento válido para um empreendimento deste tipo. se quisermos saber algo sobre a monarquia. por exemplo. coordenador do grupo. 2. assumir a impossibilidade de se fazer uma ‘História de Israel’.

fontes secundárias e fontes terciárias. especialmente o Pentateuco e a Obra Histórica Deuteronomista. a Carta Yavneh Yam. publicada por A. Naveh em novembro de 1993. os testemunhos de reis assírios e babilônicos como Adad-nirari III. as Cartas de Lakish. podendo ser classificadas. da organização social e da economia de uma região e de sua população. em julho de 1993. 3. todas mais ou menos contemporâneas aos eventos que relatam. portanto. os Selos lemelek de Judá. em quatro níveis: antropologia histórica.Aliás. com uma inscrição em aramaico. fontes primárias.6. norte de Israel. como os livros das Crônicas que retomam a OHDtr. até mesmo porque quanto mais evidência primária tivermos com o avanço da pesquisa. os Óstraca de Arad. escritos muito tempo depois dos fatos e com objetivos mais teológicos do que históricos. Sargão II. em escavação sob a direção do arqueólogo israelense Avraham Biran.. Nabucodonosor. TiglatPileser III. evidência arqueológica da Palestina e fontes escritas fora da Palestina. e do Egito o Faraó Sheshonq. as fontes sobre a monarquia israelita são de quatro tipos diferentes.. a Estela de Mesha. O alemão Herbert Niehr. da agricultura. Assaradon. dos assentamentos humanos. em Some Aspects of Working with the Textual Sources [Alguns Aspectos do Trabalho com as Fontes Escritas]. a Inscrição de Siloé. Biran e J. do clima. o Obelisco Negro de Salmanasar III. a Inscrição de Tel Dan. Senaquerib. Na localidade de Tel Dan. ao fazer tal distinção. Cerca . tais como a Estela de Merneptah. Fontes Terciárias: livros da Bíblia Hebraica que retomam fontes secundárias. foi descoberto um fragmento de uma estela de basalto de 32 por 22 cm. os Anais de Salmanasar III. repassa os problemas metodológicos relativos ao uso de cada uma destas fontes. Antropologia histórica: considera os dados provenientes de estudos da geografia. sempre sujeita a um processo contínuo de mudança. por exemplo. Fontes Secundárias: a Bíblia Hebraica. os Óstraca de Samaria. argumentando que as tentativas para superar as diferenças existentes entre elas devem ser feitas cuidadosamente e concluindo que podemos fazer apenas tentativas de escrever uma História de Israel. menor valor devemos atribuir aos textos da Bíblia Hebraica[5]. Assurbanipal. Dois Exemplos de Fontes Primárias: as Estelas de Tel Dan e de Merneptah Um exemplo de fonte primária muito interessante é a Estela de Tel Dan. Fontes primárias: fontes escritas provenientes da Palestina. o Calendário de Gezer.

. estão nos fragmentos menores. Porém. Ocozias. (ou 1208 a.7-10. o que teria ocorrido por volta de 841 a. um epíteto para a divindade.). há o seguinte: Os príncipes estão prostrados dizendo: Paz.de 12 meses mais tarde. Mas o que causou grande rebuliço foi um termo encontrado no fragmento maior: bytdwd.C. E a leitura "casa de Davi" seria induzida por esta segunda informação. a inscrição foi aparentemente escrita pelo rei Hazael de Damasco. Pode ser datada por volta de 1220 a. bytdwd poderia ser o nome de uma localidade. segundo a Bíblia.C. Os arqueólogos agruparam os três fragmentos. ou. quinto ano do governo de Merneptah. Datada no século IX a. a Estela de Merneptah. também. Lá no final da inscrição.C. sendo um deles. Dinamarca[6]. lendo-se dwd não como "David". como casa do amado.C. a grande novidade: seria esta a primeira menção extrabíblica da dinastia davídica e até mesmo da existência do rei Davi. como se pode ver em artigo do professor de Estudos Semíticos da Universidade La Sapienza. Tehenu . ou 1213-1203 a. do qual só temos (ou tínhamos) informações na Bíblia Hebraica. é interessante. são narrados em 2Rs 8. e foi encontrada em 1896 por Flinders Petrie no templo mortuário do faraó em Tebas. os nomes dos dois reis. Daí. com enfoque diferente. contestações a tal leitura continuam a ser feitas. dois outros fragmentos menores foram descobertos na mesma localidade. A polêmica não está encerrada. no caso. e celebra sua vitória sobre líbios que ameaçavam o Egito. a menção de Israel como reino. se bytdwd está no fragmento maior. mas em um ponto diferente do primeiro. (estes episódios. na qual ele se vangloria de ter assassinado dois reis israelitas. Ainda: os fragmentos menores são seguramente parte de uma mesma pedra. Giovanni Garbini ou nas conclusões de Niels Peter Lemche. Jorão (de Israel) e Ocozias (de Judá) e de ter instalado Jeú no trono de Israel. Iahweh.C.. Aparentemente. a tradução mais provável seria casa de Davi. avaliando serem partes da mesma estela e produzindo um texto coerente. do Instituto de Exegese Bíblica da Universidade de Copenhague. Entre os Nove Arcos nenhum levanta a cabeça. no norte da Palestina. Contudo. de Roma.36). segundo outra cronologia).C. Esta estela comemora os feitos do Faraó Merneptah (1224-1214 a. mas como dôd. mas é incerto se eles pertencem à mesma estela da qual o maior faz parte. Imediatamente nos faz lembrar de outra famosa inscrição. pois outras traduções são possíveis. davídico. filho e sucessor de Ramsés II. Qual é o problema? É que.

Sheffield. R. dizendo que este Israel pode ser pré-mosaico e não o grupo do êxodo . pp. tanto pode ser aos suprimentos agrícolas quanto à descendência! Mas quando e como surgiu Israel como Estado na região? NEXT [3]. Vozes. convido o leitor a ler o artigo A História de Israel no Debate Atual. e assim por diante. L. [4]. enquanto outros pensam que seja um grupo nômade das montanhas da Palestina. P. Westminster John Knox. em 1981. Israel está aniquilado e não tem mais semente. Cf. 6274. O Haru [=Canaã] está em viuvez diante do Egito.. Esta é a primeira menção de Israel em documentos extrabíblicos que conhecemos. e é claro: a referência da estela à “semente” de Israel. seja qual for a natureza deste “Israel”.. Para Niels Peter Lemche. Louisville. Can a ‘History of Israel’ Be Written? pp. 38-43. 1998. Kentucky. L. Sobre a ruptura do consenso e as várias etapas da pesquisa. Petrópolis. [6]. The Israelites in History and Tradition. a estela de Merneptah atesta a presença desta entidade nas colinas do norte da Palestina e isto pode ter relação com o posterior surgimento do reino de Israel nesta região[7]. tentando desligar este “Israel” da referência bíblica. 71. o Hatti está em paz. Ah. o importante é que. traduziram o termo egípcio por Jezrael. Sheffield Academic Press [1992]. Mas a identificação de quem ou o que é este “Israel” não é nada simples e tem gerado muitas controvérsias. de Niels Peter Lemche. 156-165. pp. 19952.). Gazer foi tomada.embora tenha acrescentado uma nota na terceira edição do livro.[=Líbia] está devastado. enquanto outros. Yanoam está como se não existisse mais. o texto de Herbert Niehr em GRABBE. (ed. por exemplo. Dever vê aqui um ‘proto-Israel”. DAVIES. John Bright. uma referência geográfica. viu a inscrição como seguro testemunho de que Israel já estava na Palestina nesta época . Cf. In Search of ‘Ancient Israel’. Ou uma versão mais resumida em Estudos Bíblicos n. . Canaã está privada de toda a sua maldade.. 2001. Ascalon está deportada.e William G. [5]. Cf. Só que alguns acham que é um grupo étnico bem definido. Mas a maioria lê mesmo o termo “Israel” na estela.

a alemã Christa Schäfer-Lichtenberger sugere que somente a arqueologia não resolverá esta discussão. P. 3. História de Israel. Problemas Históricos. 145-146. N. BRIGHT. o desenvolvimento da produção e o aparecimento do excedente. J. pela transformação da posse comum da terra em propriedade privada dos .. além da influência dos Estados vizinhos já existentes. A Questão Teórica: Como Nasce Um Estado Antigo? Sem dúvida. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. de um Império davídico/salomônico e que traz dez conferências de renomados especialistas apresentadas em um Colóquio Internacional realizado em Jerusalém sobre A Formação de um Estado. as guerras e as ameaças de guerras.[7]. a questão da origem dos antigos Estados Israelitas passa pela discussão da noção de Estado como forma de organização política. N.. 1997. Max Weber e Henri Claessen. Archaeology and the Israelite “Conquest”. D. pp. o surgimento de uma ideologia comum e conceitos de legitimação dos governantes. (ed. Cf. Davies sobre As Origens dos Antigos Estados Israelitas. Doubleday & Logos Library System. 1992. o estado primitivo típico e o estado primitivo de transição. New York. no qual é apresentada a recente controvérsia sobre a existência ou não de uma monarquia unida em Israel e. Ela questiona a aplicação pura e simples do conceito moderno de “Estado” às formas de organização política das comunidades antigas como forma de se desvelar sua existência e parte para uma discussão teórica na qual tentará definir a noção de Estado a partir dos estudos etnosociológicos de Georg Jellinek. Claessen e outros estabeleceram que para se explicar a origem de um Estado é preciso considerar a emergência de vários fatores. Arqueológicos e Sociológicos no Período da Monarquia Unida em Israel. LEMCHE..). a cobrança de tributos. as conquistas e invasões. pp. O processo de desenvolvimento de uma fase para outra passa pelo enfraquecimento dos laços de parentesco e o fortalecimento das ações políticas centralizadas. tais como o crescimento da população e suas necessidades. No volume de 1996. 35-38.7. DEVER. W. G. editado por Volkmar Fritz & Philip R. The Israelites in History and Tradition.. Seguindo especialmente Henri Claessen. em FREEDMAN. especialmente. Christa vai distinguir três fases de desenvolvimento do Estado primitivo: o estado primitivo incoativo.

como se explica a ausência de documentos escritos extrabíblicos sobre um reino unido? Christa diz que a ausência de documentos escritos no Antigo Oriente Médio sobre Israel na Idade do Ferro I (ca. até o desenvolvimento de especializações por parte de oficiais estatais. independência política. fortalecendo o antagonismo de classes. nada registraram c) Os textos não sobreviveram porque foram registrados em papiros d) Os escritos ainda não foram encontrados. para a autora. território. pois este último. Em seguida. por isso. mas pelos critérios de população. embora já possua algumas características de estado primitivo típico. onde tais achados arqueológicos são comuns. – população. independência política e ideologia. E. Egito e Assíria não conseguiram hegemonia política sobre esta região nesta época. território. e.C. estratificação social e produção de excedente. ideologia comum e conceitos de legitimação . é ainda um estado incoativo. pelos critérios de governo centralizado. o estabelecimento da taxação regular e constante. elas estariam em Jerusalém.) pode ter quatro causas. produção de excedente e tributos. ele já é um estado de transição. cada uma independente da outra: a) Não existiu uma entidade política de nome Israel nesta época b) Síria/Palestina. E mesmo que inscrições em monumentos tenham existido. Christa trata também da ausência de monumentos e inscrições em monumentos nesta época na região e justifica tal ausência dizendo que não se deve colocar Judá-Israel no mesmo nível do Egito ou da Assíria. estratificação. 1200-900 a. Christa é de opinião que as causas b e d oferecem uma explicação suficiente para o silêncio do Antigo Oriente Médio. a codificação de leis e a constituição de estruturas jurídicas controladas pelo poder central. Christa vai classificar o reino de Saul como um estado incoativo e o reino de Davi como um estado heterogêneo. onde dificilmente teriam sobrevivido . pois Estados com estruturas pequenas ou médias não podem ser medidos pelos mesmos critérios de grandes impérios. governo centralizado. considerando sete critérios usados tanto por Weber como por Claessen.e usando os dados do Deuteronomista.meios de produção e pela substituição de uma economia de trocas de bens e serviços em uma economia de mercado. segundo a autora.

das tribos líderes sobre as outras tribos etc.às reformas religiosas de reis como Josias – por conterem nomes de outras divindades além de Iahweh – ou às maciças destruições militares de que a cidade foi vítima[8]. A mãode-obra é familiar. . trabalhos de irrigação. por exemplo) e da dominação de uma linhagem superior que se impõe sobre as outras (família do líder. É um embrião de divisão de classes. Da economia de auto-subsistência. Neste tipo de sociedade a escravidão só existe de maneira secundária: o peso da produção não cai sobre os escravos. Da economia tribo-patriarcal passa-se à economia do Estado tributário. No mínimo. pois a propriedade coletiva da terra. O estudo é interessante quando questiona algumas posturas pouco elaboradas teoricamente de certos especialistas. Aliás. As contradições da sociedade tribal aumentam progressivamente até provocarem o aparecimento do Estado. torna-os desnecessários. de grande obras etc). que continua como na época tribal. anterior ao Estado. mas que passa a ser uma exploração. detectável em Israel já no período conhecido biblicamente como "dos juízes". na sociedade tributária o comércio é possível só a partir da acumulação do excedente feita pelo Estado. que inicialmente é uma função (de defesa. como Davi e seus descendentes) e que passa a controlar também o comércio intertribal. Thompson desconfiado e Niels Peter Lemche contrariado! Para ficar ainda no campo da discussão teórica. mas o restante deixa uma sensação de “dèjá vu”! As categorias sócio-antropológicas da autora sobre o Estado me parecem insuficientes – especialmente quando confrontadas com as várias tentativas marxistas na área – e ela não escapa de uma leitura do Deuteronomista como sua fonte principal. deixaria Thomas L. passa-se a uma economia tribo-patriarcal baseada em certa hierarquização que permite a acumulação para determinadas camadas: há os privilégios dos homens sobre as mulheres. construção de muralhas. do primogênito sobre seus irmãos. através do desenvolvimento das forças produtivas. Tem-se a impressão de que a leitura da OHDtr é que oferece as categorias etnosociológicas para a análise e não o contrário. dizem especialistas de tendência marxista que analisam as sociedades de tipo tributário (também chamadas "asiáticas". através da necessidade de obras conjuntas (defesa contra inimigos. porque mais comuns naquele continente) que a sociedade tribal de tipo patriarcal já representa uma forma típica de transição da comunidade primitiva para a sociedade de classes.

controlando a vontade da divindade através dos sacerdotes. na conclusão do volume sobre o primeiro Seminário Europeu sobre Metodologia Histórica. na sociedade tributária. do qual já falamos acima. onde no topo encontramos o patrono [patron]. ninguém negou a existência de um ‘reino de Israel’. testemunhados pela Assíria. o Estado tributário que inicialmente nascera com funções públicas (defesa. mas que não constituíam ainda Estados burocráticos. e a outra é a de que ‘Israel’ deve canalizar e dominar o estudo da região na antigüidade. mas os participantes do seminário fizeram objeções a duas concepções: uma é a de que o construto literário do ‘Israel bíblico’ pode ser diretamente traduzido em termos históricos. Se ela não evolui. assim como de um ‘reino de Judá’. é que se buscam outras soluções. que durante as discussões em Dublin. e especialmente da Palestina. 3. no Período do Bronze Recente (ca. Este modelo. freqüentemente chamado de ‘sistema social mediterrâneo’ parece ter sido onipresente em sociedades com um certo grau de complexidade.Assim. Davies sobre As Origens dos Antigos Estados Israelitas. mas o Estado detém o poder religioso através dos templos. Por tudo isto. em 1996. a ser um autêntico poder de classe (a classe que se constitui nele) para manter e aumentar a exploração. no volume de 1996. as sociedades tributárias ficam estagnadas no seu nível social.). editado por Volkmar Fritz & Philip R. A grande contradição interna desta organização: coexistência de estruturas comunitárias e de estruturas de classe. A descrição bíblica de um grande Império israelita foi tratada com muito ceticismo [sublinhado meu]. O Estado é conseqüência da exploração de classe.C. e abaixo dele seus clientes [clients]. organização etc) passa. O indivíduo passa assim. Grabbe nos lembra. pouco a pouco. As Soluções de Lemche e de Finkelstein & Silberman Lester G. normalmente homens e suas famílias. por duas mediações: da comunidade tribal a que pertence e do Estado tributário[9]. ele não é a sua causa. propõe o conceito de sociedade patronal [patronage society] para explicar a variedade social da Síria. profetas e juízes pagos pelo governo. O despotismo do governo é também uma conseqüência da formação de classes. um membro de uma linhagem líder. .8. Como a de Niels Peter Lemche que. 1500-1200 a. E Lemche define como típico de uma sociedade patronal sua organização vertical. A terra pertence a Iahweh em Israel.

Pois o que aconteceu no século X a. houve uma crise social na Palestina no final do Bronze Recente. Em tal sociedade. A crise da Palestina que aparece nas Cartas de Tell el-Amarna (século XIV a. 123-145. escassamente habitado e isolado no período atribuído pela Bíblia a Davi/Salomão: é o que a arqueologia descobriu. para os leitores da Bíblia. porém. que não está cuidando de seus interesses na região. Hoje. até recentemente. simplesmente. Portanto. com juramento de lealdade do cliente ao patrão e de proteção do patrono para o cliente. Davi e Salomão representam uma idade de ouro. New York. enquanto que para os estudiosos representavam. a partir desta realidade: os senhores das cidades-estado palestinas vêem o faraó como seu patrono e reivindicam sua proteção em nome de sua fidelidade. o Estado egípcio não os vê do mesmo modo e os trata de modo impessoal. seguindo normas burocráticas. Daí. organizados sem um sistema de proteção como o do patrono – o assim chamado ‘rei’ – ou com patronos locais. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. de fato. segundo Lemche.Lemche explica que a ligação entre patrono e cliente é de tipo pessoal. a (falsa) percepção dos pequenos reis das cidades de Canaã de que foram abandonados pelo faraó. concluem que este permaneceu pouco desenvolvido. Descrevendo as características do território de Judá. códigos de leis não são necessários: ninguém vai dizer ao patrono como julgar. E se perguntam: Davi e Salomão existiram? Mostram como os minimalistas dizem: "não". por povoados.C. . pp. 2001. E a proposta de Lemche para o que pode ter acontecido é a seguinte: as fortalezas do patrono foram substituídas por estruturas locais.C. foi. a crise se abateu sobre o "império" davídico-salomônico. Sem dúvida. o aparecimento dos povoados da região montanhosa do centro da Palestina representa. o primeiro período bíblico realmente histórico. o restabelecimento de um sistema patronal semelhante ao anterior[10]. e colocam aquela que é para eles a questão chave: o que diz a arqueologia sobre Davi/Salomão? Para Finkelstein e Silberman a evolução dos primeiros assentamentos para modestos reinos é um processo possível e até necessário na região. The Free Press. no capítulo sobre a monarquia davídico-salomônica de seu livro The Bible Unearthed. os argumentos pró e contra a postura dos minimalistas. nos lembram como. Já Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman. um intervalo entre dois períodos de sistemas patronais mais extensos e melhor estabelecidos.) pode ser explicada.

na Jerusalém das Idades do Bronze e do Ferro mostram que não há nenhuma evidência de uma ocupação no século X a. e estes.9. Mas o modelo arquitetônico dos palácios salomônicos veio dos palácios bit hilani da Síria. mas e Meguido. portanto. as "portas salomônicas" de Hasor. na década de 60. Y. Yigael Yadin descobriu. isto era atribuído a Davi por causa das narrativas de Samuel. dificilmente. nas décadas de 20 e 30. nas décadas de 70 e 80.C. Gezer e Meguido. Meguido ou Bet-Shean. O. 140. um grande império davídico. Yadin escava novamente Meguido e faz a descoberta de um belo palácio que parecia ligado à porta da cidade e abaixo dos "estábulos".12. pelo menos meio século após a época de Salomão. Mas e as conquistas davídicas? Até recentemente. Durante muitos anos. Teoricamente é possível que os israelitas da região montanhosa tenham controlado pequenas cidades filistéias como Tel Qasile. rei de Israel do norte no século IX a. Meguido. o Melo e o muro de Jerusalém.19. descobriu. ou até mesmo cidades cananéias maiores como Gezer. escavada por Benjamin Mazar em 1948-1950.E Jerusalém? As escavações de Yigal Shiloh. Na década de 50. Mas será que o fizeram? E o glorioso reino de Salomão? Em Jerusalém. "Como poderiam os arquitetos de Salomão ter adotado um estilo arquitetônico que ainda não existia?". E o contraste entre Meguido e Jerusalém? Como um rei constrói fabulosos palácios em uma cidade provincial e governa a partir de um modesto povoado? . enquanto que o resto de Judá. A postura mais otimista aponta para um vilarejo no século décimo. enquanto que os "estábulos" seriam da época de Acab. da Universidade de Chicago.C.15. se descobriu. Hasor e Gezer? Em Meguido P.15. Também a chave aqui foi 1Rs 9.C. seu palácio. em qualquer lugar em que se encontravam cidades destruídas por volta do ano 1000 a. estas "portas salomônicas" de Hasor. na mesma época seria composto por cerca de 20 pequenos povoados e poucos milhares de habitantes. se perguntam os autores na p. o que o leva à seguinte conclusão: os palácios [a Universidade de Chicago encontrara outro antes] e a porta de Meguido são salomônicas. da Universidade Hebraica de Jerusalém. tendo havido. Mas. só aparecem no século IX a. Sua interpretação dos edifícios achados se baseou em 1Rs 7. Guy. Gazer [=Gezer]". L. que diz: "Eis o que se refere à corvéia que o rei Salomão organizou para construir o Templo de Iahweh. Gezer e Meguido foram o mais poderoso suporte arqueológico ao texto bíblico. os "estábulos" de Salomão.. bem como Hasor. ou identificou nas descobertas de outros. nada foi encontrado.C.

Primeiro.C.. Há.. . testes com o Carbono 14 em Meguido e outras localidades apontam para datas da metade do século IX a. Mas. nenhum documento escrito. nenhum sinal de uma estrutura cultural necessária em uma monarquia. dizem Finkelstein e Silberman na p. 142). de Jerusalém para o sul. 143). pelo menos.. a cerâmica filistéia continua após Davi e não serve mais para datar suas conquistas. nem monumentos. Nós últimos anos. entretanto. 340-344. nem uma magnífica capital. Gezer e Meguido testemunhavam o reino de Salomão. Arqueologicamente. O que se atribuía ao século XI é da metade do século X e o que era datado na época de Salomão deve ser visto como pertencendo ao século IX a. e. estimativa populacional: dos 45 mil habitantes da região montanhosa. Hebron e mais uns 20 pequenos povoados de Judá.C. seu governo não possuía nenhum império. do século IX a.. do ponto de visto demográfico. e as construções das monumentais portas e palácios de Hasor. 140: "Agora nós sabemos que a evidência arqueológica para a grande extensão das conquistas davídicas e para a grandiosidade do reino salomônico foi o resultado de datações equivocadas".. estas evidências começaram a desabar [aqui os autores remetem o leitor ao Apêndice D. cerca de 40 mil habitariam os povoados do norte e apenas 5 mil se distribuíam entre Jerusalém. nem uma espetacular capital.Pois bem. nem cidades com palácios. de Jerusalém para o norte. segundo. pp. O quadro é o seguinte: região rural.. mais escasso.. de Davi e Salomão só podemos dizer que eles existiram . povoamento mais denso.C. com grupos continuando o pastoreio.. Davi e seus descendentes? "No século décimo. sim. e se não existiu um grande império. Dizem os autores: "Não há razões para duvidarmos da historicidade de Davi e Salomão. fundamentava as conquistas davídicas. de fato. Dois tipos de evidência fundavam os argumentos em favor de Davi e Salomão: o fim da típica cerâmica filistéia por volta de 1000 a. muitos motivos para questionarmos as dimensões e o esplendor de seus reinos..e que sua lenda perdurou" (p. Gezer e Meguido atribuídos à época salomônica são. qual era a natureza do reino de Davi?" (p. Enfim: a arqueologia mostra hoje que é preciso "abaixar" as datas em cerca de um século [anoto aqui que esta "cronologia baixa" de Finkelstein tem dado muito o que falar nos meios acadêmicos!].C. por último.. os estilos arquitetônicos e as cerâmicas de Hasor.. onde os seus argumentos são mais detalhados].

Sheffield.. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. V. In Search of ‘Ancient Israel’.. N. A. pp. Então.. Jahrhundert v.).C. o ambiente desta época é que serviu de pano de fundo para a narrativa de um mítica idade de ouro. “Minimalism” is an invention. Sheffield Academic Press [1992]. DAVIES. DAVIES. Doubleday & Logos Library System. Rio de Janeiro. N. (org. (ed. R. P. Sheffield Academic Press." and Anti-Semitism. 2001. & DAVIES. (eds. D. (org. FRITZ. H. Rio de Janeiro. Die frühe Königszeit in Israel. DONNER. P. R.. The Anchor Bible Dictionary on CD-ROM. acabara com o ciclo idolátrico da época dos Juízes e concretizara a promessa feita a Abraão de um vasto e poderoso reino. 1997 [20043]. Chr. The Origins of the Ancient Israelite States. quando o Deuteronomista escreveu sua obra no século VII a.Entretanto. C. Campus. New York. F. Sinodal/Vozes. New York. Minimalism. Stuttgart/Berlin/Köln. Ph. I. 1997 FINKELSTEIN. Nova visita a um velho conceito. The Free Press. P. 1990. em Bible and Interpretation. Uma bem elaborada teologia ligava Josias e o destino de todo o povo de Israel à herança davídica: ele unificara o território. 2002. The Bible Unearthed. São Leopoldo. Kohlhammer. . or a group. 1992. GEBRAN. & SILBERMAN. Josias era o novo Davi e Iahweh cumprira suas promessas "O que o historiador deuteronomista queria dizer é simples e forte: existe ainda uma maneira de reconquistar a glória do passado" (p. W. História de Israel e dos Povos Vizinhos I. os artigos A História de Israel no Debate Atual e Pode uma ‘História de Israel’ Ser Escrita? CARDOSO. 1996... S.).). "Ancient Israel. 144) Leituras Recomendadas Ayrton’s Biblical Page: Cf. 10. Conceito de modo de produção. FREEDMAN.. DIETRICH. 1997. Sheffield. Modo de produção asiático. R. Jerusalém tinha todas as estruturas de uma sofisticada capital monárquica.). 197-268. 19952. None of the “minimalist” scholars is aware of being part of a school.

pp. 1986. M. Sociological and Biblical Views of the Early State. The Israelites in History and Tradition. Can a ‘History of Israel’ Be Written? Sheffield. & DAVIES. N. et alii. LEMCHE. LEMCHE. The Pentateuch. P. The Origins of the Ancient Israelite States. 1999. J. NEXT [8]. Cf. Do modo de produção asiático ao modo de produção capitalista. Sheffield. 22-36. Cf.. um pressuposto não discutido aqui. V. 131-155. 1997. P.. FIORAVANTE. O Reino de Israel . Sheffield Academic Press. N. Vozes. VAN SETERS. 20049. (eds. GRABBE. 106-120. The Origins of the Ancient Israelite States. Sheffield Academic Press. Cf. A História de Israel a Partir dos Pobres.. 1996. Westminster John Knox.Paz e Terra. J. pp. em GEBRAN. Sheffield Academic Press. L. & DAVIES. Petrópolis.). Sheffield. Como parece ter ficado claro. SCHÄFER-LICHTENBERGER. mas que pode ser visto em detalhes no artigo A História de Israel no Debate Atual. L. 1978.). Rio de Janeiro. (ed. Vozes. R. 11. E. 1996. [9]. [10]. Petrópolis. From Patronage Society to Patronage Society. SCHWANTES. Kentucky. C. pp.. 1998. Trabalhador e trabalho. Paz e Terra. P. Louisville.). PIXLEY. A Social-Science Commentary. (eds. Estudos Bíblicos n. em FRITZ. R. 78-105. pp. em FRITZ.. (org. Ph. P. 1978. Sheffield Academic Press.). toda a discussão sobre as origens dos Estados israelitas passa também pela discussão anterior sobre as origens de Israel.. V. Sheffield. Conceito de modo de produção. 4.

caso fossem retiradas as pesadas leis impostas ao povo por seu pai Salomão.Segundo o texto bíblico. e perguntou: 'Que me aconselhais a responder a este povo?' Eles lhe responderam: 'Se hoje te sujeitares à vontade deste povo. até ser massacrado pelo poderoso Império assírio. Roboão não aceitou as condições e foi a gota d'água.C. pois assim debilitados viram-se ameaçados pelos inimigos externos e deixaram suas rixas para acertar mais tarde. então eles serão para sempre teus servidores'.... Podemos seguir o desenrolar dos acontecimentos a partir do capítulo 12 do primeiro livro dos Reis. Samaria ou ainda Efraim. chamado doravante simplesmente de Israel. mas foi desaconselhado. responderam-lhe: 'Eis o que dirás a este povo (. seus companheiros de infância. constituído pelas 10 tribos rebeldes. escolheu para seu rei a Jeroboão. E o reino do norte existiu durante 209 anos. e eu vos açoitarei com escorpiões!' " (1Rs 12. que se encontrava exilado. desabou a unidade do reino. Em Siquém.. O norte. 'Meu dedo mínimo é mais grosso que os rins de meu pai! Meu pai vos sobrecarregou com um jugo pesado.). Quando o norte se rebelou. eis o que lhes responderás. Inicialmente nem guerra houve entre os dois países irmãos. filho de Salomão. em 931 a.1. agora chamado de Israel. os israelitas impuseram-lhe uma condição: aceitariam o seu governo.3-11). especialmente porque o norte tinha consciência da exploração a que era submetido pelo poder central e levantou.. podemos anotar que o processo de sucessão de Salomão não foi bem visto.C. agora.. separou-se do Estado davídico que permaneceu em Judá. Perguntou-lhes: 'Que aconselhais que se responda a este povo' (. Israel do norte. 4. alivia a dura servidão de teu pai e o jugo pesado que ele nos impôs e nós te serviremos' (. Mas ele rejeitou o conselho que os anciãos lhe deram e consultou os jovens que foram seus companheiros de infância e o assistiam. se te submeteres e dirigires boas palavras. Roboão quis partir para a repressão armada. A Rebelião Explode e Divide Israel Para começar. meu pai vos castigou com açoites. foi a Siquém para que o norte o aclamasse senhor também das outras tribos. então.). "Disseram assim a Roboão: 'Teu pai tornou pesado o nosso jugo. . Proclamado rei em Judá. Roboão (931-914 a.C. mas eu aumentarei ainda o vosso jugo. com a morte de Salomão. em 722 a.) O rei Roboão consultou os anciãos que haviam auxiliado seu pai Salomão durante sua vida. um nobre da tribo de Efraim e inimigo de Salomão. a bandeira da rebelião..) Os jovens.

Os mesmos camponeses e pescadores antes explorados pelo sul. passaram a sê-lo pelo norte. no sul. Israel caracterizou-se pela instabilidade política. perto de Jerusalém. embora a intenção do rei fosse apenas reavivar o culto naqueles santuários. no extremo norte. assassinatos e chacinas várias. Só mais tarde. Divididos. onde permaneceu apenas 5 anos. E quem saía perdendo. A incerteza quanto à localização da capital e ainda o perigo da pressão estrangeira (Fenícia. Para substituir o Templo e mesmo para evitar que o povo fosse a Jerusalém e passasse para o lado de lá. tanto o norte quanto o sul perderam. teve 19 reis de diferentes dinastias que se sucederam com golpes de Estado. foi construída Samaria. todas as suas possessões estrangeiras: definitivamente os tempos do Israel forte haviam acabado. já era a idolatria que dominava o norte. segundo o texto bíblico. tanto Israel quanto Judá eram fracos demais para dominar seus vizinhos. sob outro rei. Rejeitando o governo de Jerusalém. a capital definitiva.C. Para o sul. Por outro lado. e Betel. como sempre. era o povo. Reis de Israel Nome Jeroboão I Nadab Baasa Ela Zimri Omri Acab Ocozias Jorão Data 931-910/9 a. No curto espaço de 209 anos.Jeroboão escolheu a cidade de Siquém para capital do seu reino. 910-909 909/8-886 886/5-885 885/4 885/4-874 874/3-853 853-852 852-841 Duração 21 anos 2 anos 22 anos 2 anos 7 dias 11 anos 21 anos 2 anos 11 anos . Jeroboão construiu dois touros de ouro e colocou-os em antigos santuários: Dan. os nortistas rejeitaram também o Templo e as peregrinações nas grandes festas. como dizem ter feito Davi e Salomão. Transferiu-a seguidamente para Penuel e Tirsá. E isto deu o que falar. Síria e Assíria) fizeram do novo país um foco de problemas e de crises sucessivas.

seu filho Ela foi também assassinado por Zimri. O rei .. Nadab foi assassinado por Baasa. Faltava dinheiro no país? O povo precisava de empréstimos? Os privilegiados emprestavam a juros exorbitantes. Para termos uma idéia da situação: a partir desta época ficou muito comum o camponês se vender ao rico credor para saldar suas dívidas. quando viu a morte trazida pelo general Omri.2.. O intenso comércio com a Fenícia aumentou a riqueza da classe dominante em Israel. para capital do reino e desenvolveu bastante o país. rei de Tiro. que.C. Sob Acab. casando seu filho Acab com Jezabel. Omri.e sua gloriosa corte .C. por sua vez. . Houve também vários conflitos com Judá por causa das fronteiras. Fez aliança com a Fenícia. leia o episódio exemplar da vinha de Nabot (1Rs 21). Ou entregava seus filhos..puxava a procissão das explorações. em "suaves prestações". Omri construiu Samaria em 880 a.Jeú Joacaz Joás Jeroboão II Zacarias Salum Menahem Pecahia Pecah Oséias 841-813 813-797 797-782 782/1-753 753 753/2 753/2-742 742/1-740 740/39-731 731-722 28 anos 16 anos 15 anos 29 anos 6 meses 1 mês 11 anos 2 anos 9 anos 9 anos[1] 4. trabalhando como escravo. Levou vantagem no confronto com Moab e com os arameus de Damasco. Porém. filha de Etbaal. que deu um golpe militar em 885 a. o progresso do país empobrecia largas camadas da população e levava a exploração classista ao máximo. como sempre. a situação do povo era muito difícil. A lavoura não produzia quando a seca era forte? Os ricos vendiam mantimentos à população camponesa. Quem quiser conferir. filho de Omri. Israel de Jeroboão I a Jeroboão II De Jeroboão I a Omri (cerca de 50 anos) houve muita instabilidade em Israel. foi um válido artífice da paz com Judá. se suicidou.

a dinastia de Omri vai cair de maneira violenta: Jeú.. embora de forma lendária e extremamente carregadas pelas cores teológicas do Deuteronomista. de âmbito nacional e causador de todos os males que dominavam o país. em 841 a. Jeú e seus descendentes enfrentaram graves problemas na política externa: Jeú pagou tributo ao rei assírio Salmanasar III e perdeu a Transjordânia para Hazael. Tomou Damasco e submeteu a Síria. inclusive as regiões da Transjordânia até Moab. Isto era costume naquela época. Havia paz entre os dois reinos irmãos. livres de pressões maiores. Mas com a subida ao trono de Jeroboão II (782/1-753 a. sob o governo de Ozias. E então. Mas Jezabel arrastou a corte toda e a aristocracia atrás de si neste culto. Acab construiu um templo para sua mulher Jezabel cultuar seu deus Baal.23-29).C.C. Elias faz ver ao povo.graças a uma série de circunstâncias favoráveis. . Suas ações estão narradas em 1Rs 17-22 e 2Rs 1-2. cresce bastante nesta mesma época . Perseguido pela rainha Jezabel. como demonstra o significado de seu nome (Elias = só Iahweh é Deus). Até aí tudo bem. A Síria fora vencida pela Assíria. contemporâneo de Acab. Resultado: por todo o país proliferaram os sacerdotes de Baal. Encontrando muita oposição entre as autoridades religiosas e entre o próprio povo explorado. Originário do Galaad. o mais sério deles sendo a exploração da maioria da população. levou a fronteira norte de seu país onde anteriormente a colocara Salomão (2Rs 14. atravessava um período de dificuldades. o rei de turno. com a aprovação do profeta Eliseu. por sua vez. bom militar. rei de Damasco.) o país se recupera .também Judá. dá um golpe militar sangrento. que prontamente percebeu o perigo por ele representado contra o seu culto e os seus privilégios. assassinando toda a família de Jorão. segundo a interpretação deuteronomista dos livros dos Reis.Em Samaria. Elias tornou-se no seu tempo um símbolo da fidelidade a Iahweh. os dois reinos começaram a sua expansão. O profeta Elias. Esta. que a idolatria e o abandono do javismo era um problema muito sério. Jeroboão II. vai lutar com todas as forças contra tamanha deterioração do javismo e de seus ideais de justiça.

os profetas Amós (ca. 760 a.) destacaram-se na denúncia da situação em que se encontrava Israel. Nesta época. bem providos do bom e do melhor. provas da riqueza alcançada. endividados. Os pequenos agricultores.C.C. mais uma vez. só achavam a razão do lado dos ricos. Porém. O sistema administrativo adotado por Jeroboão II foi aquele mesmo próspero e injusto de Salomão: concentração da renda nas mãos de poucos com o conseqüente empobrecimento da maioria da população. Com os santuários cheios de adoradores. enquanto os tribunais.. Em Samaria os arqueólogos encontraram os restos de esplêndidos edifícios..Israel controlou as rotas comerciais de então. regados a bom dinheiro. . À desintegração social somou-se a religiosa. viam-se nas mãos de seus credores. Criaram-se extremos de riqueza e de pobreza. o povo.) e Oséias (755-725 a. a religião javista foi sendo colocada de lado em favor de outros deuses menos exigentes quanto à justiça e à igualdade social.

pobre. e bebem vinho daqueles que estão sujeitos a multas. dal (fraco) e 'anaw (pobre). Eles se estendem sobre vestes penhoradas. Sob estes termos. Amós. 'ebyôn (indigente). pelos quatro. um homem e seu pai vão à mesma jovem para profanar o meu santo nome. Amós aponta o pequeno camponês. . terra e liberdade com a política expansionista de Jeroboão II.Am 2. com o mínimo para sobreviver e que corre sério risco de perder casa. designa as principais vítimas da opressão na sua época. ao lado de qualquer altar.6-8 Assim falou Iahweh: Pelos três crimes de Israel. na casa de seu deus. Eles esmagam sobre o pó da terra a cabeça dos fracos (dallîm) e tornam torto o caminho dos pobres ('anawim) . não o revogarei! Porque vendem o justo (tsaddîd) por prata e o indigente ('ebyôn) por um par de sandálias. com os termos tsaddîq (justo).

segundo Amós.4-6). São os que vivem em palácios e acumulam (3.1). Estes são. comem cordeiros do rebanho e novilhos do curral. são os que vivem no luxo e na boa vida (6. Enfim. como outros profetas após ele. como Davi. estendidos em seus divãs. improvisam ao som da harpa. mas não se preocupam com a ruína de José.11). inventam para si instrumentos de música. político e judicial"[2] . são os que controlam o comércio (8.12). "Amós. são os que constroem boas casas e plantam excelentes vinhas (5.4-6 Eles estão deitados em leitos de marfim. . identifica os opressores com os que detêm o poder econômico. são as senhoras da alta sociedade (4. são os que aceitam suborno na administração da justiça (5.Am 6. os opressores de sua época.10). bebem crateras de vinho e se ungem com o melhor dos óleos.4-6).

a raiz mais profunda do mal é a falta de conhecimento de Deus. adultério e violência. NEXT . que se manifesta como ausência de fidelidade ('emeth) e solidariedade (hesedh) as desordens sociais. com a desagregação do universo. Mas perjúrio e mentira. desfalecerão os seus habitantes e desaparecerão os animais selvagens. Por isso a terra se lamentará. As feras. mentira. segundo Oséias. Temos aqui três categorias negativas superpostas: o o o a falta de conhecimento de Deus (da'at 'elohîm). roubo. É a experiência ou vivência do javismo que está em jogo. porque não há fidelidade (‘emeth) nem solidariedade (hesedh). homicídio a morte. nem conhecimento de Deus (da'at 'elohîm) na terra. filhos de Israel.1-3 Ouvi a palavra de Iahweh. Portanto. causadas pela falta de conhecimento: perjúrio.Os 4. Que não é conhecimento intelectual ou cultual. assassínio e roubo. Oséias está dizendo que o problema em Israel é que não há mais espaço para os valores do javismo e isso causa a desagregação da sociedade. pois Iahweh vai abrir um processo contra os habitantes da terra. O homem fenece. as aves dos céus e até os peixes do mar. adultério. e o sangue derramado soma-se ao sangue derramado. assassínio. os pássaros e os peixes desaparecem.

apesar de tudo. e ele estendeu a sua mão aos petulantes quando se aproximaram. filho de Jeroboão II. os senhores de escravos. a noite inteira dorme a sua ira. governou 6 meses (753 a. 4. [2]. pp. filho de Menahem. Houve 4 golpes de Estado (golpistas: Salum. Pecah e Oséias) e 4 assassinatos (assassinados: Zacarias. seis reis se sucederam no trono de Samaria. Seu coração é como um forno em suas insídias. São Paulo.C. E. SICRE. 36-48 diz que os opressores de Israel. M.C. Oséias. abalado por assassinatos e golpes sangrentos. Menahem. L. de 731a 722 a. Cf. assassinou Pecah e foi o último rei do norte. Estou seguindo a de PAVLOVSKY. 1990. De 753 a 722 a. Salum. segundo Amós. e foi assassinado Pecah (= Facéia). 1987./VOGT. O profeta Oséias lamenta o golpismo da época: "No dia de nosso rei. Há várias cronologias possíveis para o período dos reis. filho de Ela. filho de Romelias.C. Roma. em Biblica 45 (1964). Pecahia e Pecah): o o o o o o Zacarias. Todos eles estão quentes como um forno. o exército. Amós. 321-347.C. os cidadãos (os habitantes da cidade). Paulus.) já teria começado a pagar tributo à Assíria Pecahia (= Facéias).C. São Leopoldo/Petrópolis.C. os juízes. J... Meditações e Estudos. A Assíria Vem Aí: Para Israel é o Fim Com a morte de Jeroboão II desabou tudo o que ainda restava em Israel. V. pela manhã ela arde como uma fogueira. SCHWANTES. os príncipes ficaram doentes pelo calor do vinho.[1]. A justiça social nos profetas.) e foi assassinado Salum ben Jabes governou 1 mês (753/2 a.): foi assassinado Menahem ben Gadi (753/2-742 a. Die Jahre der Könige von Juda und Israel. Sinodal/Vozes.3. governou de 740/39 a 731 a. 200. pp. .C. são: os sacerdotes (Templo). p. reinou de 742/1740 a..

devoram seus juízes. Judá foi invadido por três lados e não tinha como resistir. Pacificou os medos no norte do Irã. . Por que a Assíria ambicionava a região? Por causa: o o o o da madeira e dos recursos naturais do Egito. Isaías foi contra este passo e avisou Acaz de que suas conseqüências seriam terríveis. Deste modo.C. Então. o rei de Damasco e o rei de Israel invadiram Judá pelo norte e cercaram Jerusalém. A saída foi pedir o auxílio da Assíria. Judá.C. Todos os seus reis caíram. Não há entre eles quem me invoque" (Os 7.C. subiu ao trono assírio um hábil rei: Tiglat-Pileser III.C. conquistando algumas cidades de Judá. Pecah. Em Judá reinava Acaz. contra a qual efetuou várias campanhas a partir de 743 a. e é a chamada guerra siro-efraimita. sabiamente não quis. Invadiram o Negueb e a planície da Shefelah. queria que Judá se aliasse a ele. Tiglat-Pileser III já submetera grande parte da Síria e da Fenícia. ao norte. aproveitaram a ocasião e declararam sua independência. Depois. dominando-os. este era seu nome. Os edomitas. Em 738 a. Israel começou a pagar-lhe tributo possivelmente já sob o governo de Menahem. Isto foi no ano de 734 a. o eterno rival da Ásia Menor do controle do comércio do Mediterrâneo. Em seguida. os filisteus e outros. Ele começou por resolver os problemas com os babilônios no sul da Mesopotâmia. E o oficial que subiu ao poder imediatamente tornou-se chefe de uma coalizão anti-assíria que congregava a Síria. Os filisteus.5-7). Em 745 a. tomou Urartu. igualmente não perderam tempo. A grande ameaça internacional era a Assíria. também dominados por Judá. que dependiam de Judá. Mas grupos patrióticos assassinaram em Israel o rei submisso à Assíria. pôde ocupar-se com o oeste: começou pela Síria. Foi um imposto per capita que atingiu cerca de 60 mil proprietários de terras. Derrotaram as tropas de Judá em Elat e destruíram a cidade.

rei da Assíria. e do filho de Romelias. Virou-se. mas conserva a calma e não tenhas medo nem vacile o teu coração diante dessas duas achas de lenha fumegantes. de Aram. Oséias (não se confunda o rei Oséias com o profeta homônimo). Oséias pensou ser o momento bom para a revolta. contra Israel e saqueou toda a Galiléia e a Transjordânia. Não veio ajuda nenhuma. pagando-lhe tributo. Deportou uma parte do povo e destruiu numerosas cidades. Pecah de Israel foi assassinado e seu sucessor. Entretanto. A destruição foi paralisada. Efraim e o filho de Romelias tramaram o mal contra ti.C. o rei . o que se viu foi o seguinte: a Síria não existia mais. Depois. Foi um suicídio. rei do Egito. na estrada do campo do pisoeiro. e não tinha pago o tributo ao rei da Assíria. Tiglat-Pileser III destruiu rapidamente as forças aliadas. Depois da tempestade.C. passara a província assíria. O rei Oséias só se submetera à Assíria porque não tinha outra saída. submeteu-se imediatamente à Assíria e pagou-lhe tributo. O Egito estava todo dividido e muito fraco. Neste ínterim. dizendo: 'Subamos contra Judá e provoquemos a cisão e a divisão em seu seio em nosso benefício e estabeleçamos como rei sobre ele o filho de Tabeel'. em 732 a. isto é. pois que Aram. em seguida. a Galiléia e o Galaad passaram para a Assíria. Faltava só Damasco. De Israel pouco restara: toda a costa. como o fazia todo ano. Então o rei da Assíria mandou encarcerá-lo e prendê-lo com grilhões.3-6 Então disse Iahweh a Isaías: Vai ao encontro de Acaz. por causa da cólera de Rason. Tu lhe dirás: Toma as tuas precauções. ainda não era tudo. Começou a negar o tributo à Assíria e a ligar-se ao Egito.Is 7. Salmanasar V atacou. Tiglat-Pileser III conquistou-a. cortando qualquer possível ajuda egípcia. Estabeleceu uma base no extremo sul. tu juntamente com o teu filho Sear-Iasub [= um resto voltará]. Mas o rei da Assíria descobriu que Oséias o traía: é que este havia mandado mensageiros a Sô. Começou pela costa e avançou sobre os filisteus desbaratando-os completamente. Quando Tiglat-Pileser III foi sucedido por Salmanasar V. ocupou o país e cercou Samaria em 724 a. "Salmanasar. Encontrá-lo-ás no fim do canal da piscina superior. prendeu o rei. marchou contra Oséias e este submeteu-se a ele. executou o rei e deportou a população.

C. rio de Gozã. levou ao trono aquele que iria tornar-se um dos maiores reis da Assíria. mas há boas razões para se acreditar que sempre houve duas diferentes entidades políticas na região montanhosa de Canaã. & NIKIPROWETZKY. no território. assinala o termo da crise aberta. Impérios Mesopotâmicos . de fato. este esquema bíblico. cujo declínio quase arrastava à ruína todo o país. P. Ignora-se a participação que teve na trama ou em sua repressão. que se desintegra após a morte de Salomão. estabelecendo-o em Hala e às margens do Habor. Ela acusara o triunfo da alta nobreza. o número de deportados samaritanos foi de 27. O Oriente Próximo Asiático.290 pessoas.. A revolta que estourou em Kalhu. mas. em 746 a. Segundo os anais de Sargão II. 1982. pp. mas está errado. de uma monarquia unida. pp.C. 149-168. e o filho de Salmanasar V. V.. até que. Para Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman. sem dúvida graças à energia do turtanu Shamshi-Ilu. em 827. tal como se ignora a filiação do novo soberano: enquanto em uma inscrição faz-se . Samaria caiu em 722 a. de outros povos e outros costumes chegou para Israel do norte o fim definitivo.C. Sargão II foi quem se encarregou da deportação e substituição da população israelita por outros povos que foram ali instalados. A Assíria parecia inerte. o rei da Assíria tomou Samaria e deportou Israel para a Assíria.. Verdade que não se dera nenhum revés de importância. em 746 a. poderia parecer um simples episódio de uma época fértil em tentativas similares. Com a instalação. conduzindo ao trono Tiglat-Pileser III.Israel.da Assíria invadiu toda a terra e pôs cerco a Samaria durante três anos. sempre foi aceito por arqueólogos e historiadores. no livro The Bible Unearthed. Pioneira/Edusp. mas era nítida a perda de influência. estourou uma rebelião em Kalhu. pela guerra civil. e nas cidades dos medos" (2Rs 17. No nono ano de Oséias. Não há evidências de uma monarquia unida governada por Jerusalém. São Paulo. 87-96. Tiglat-Pileser III Resumo de GARELLI. O golpe de Estado. na realidade. garantem os autores. em detrimento da autoridade real.3-6). TiglatPileser III teria que enfrentar a perigosa situação que se desenvolvia nas fronteiras do reino. o verdadeiro fundador de seu império.

Os reis caldeus. ele desbaratou a coalizão siro-urártia e se impôs aos dinastas aramaicos. durante três anos. precisou transferir sua atenção para os medos e Urartu.C. acabara de obter a adesão dos países sírios. rei de Urartu.. uma repetição da que Salmanasar III levara a efeito havia um século. e a personalidade do soberano era visivelmente rica. o rei de Urartu. Sem dúvida o foi. aliás. ao longo do tigre e do Kerkha (Uknu). pois assim o designam fontes babilônicas e bíblicas. Os vizinhos da Assíria logo se aperceberiam disso. Em seguida. pode muito bem ter sido de linhagem real. Nada mais incerto.C. Chegou-se a pensar que fosse um usurpador. As conquistas de Tiglat-Pileser III são mal documentadas. Encurraladas de Dur-kurigalzu e Sippar até o Golfo Pérsico. Desde sua ascensão. esforçavam-se por firmar sua autoridade. dele se fez o tipo de "rei reformador". inclusive. por outro lado. mas sabe-se que de 743 a 738 a. porém conseguiram-no de forma bem imperfeita.passar como filho de Adad-Nirari III. e seus aliados. pois. que antes de ajustar contas com Sardur. Imaginou-se. o que pode surpreender. cujo verdadeiro nome seria Pulu. mas só se atribui aos ricos. Tiglat-Pileser precisava garantir sua retaguarda e as grandes vias de comunicação com o Irã e o Golfo Pérsico. Espírito metódico e audacioso. não tivera lugar com seu assentimento. Pode-se indagar. tiveram de submeter-se. Atribui-selhe demasiado no plano interno. desde muito tempo. antes de efetuar a . a agitação permanecia endêmica. mas o fato também pode indicar que o perigo urártio não era tão premente quanto se tenderia a acreditar. É possível. ou. Em parte alguma as tropas assírias bateram-se com as forças de Nabonassar (Nabu-Nasir). pelo menos . o que é pouco provável. se a intervenção assíria não se devera ao apelo de Nabonassar. Milhares de deportados tomaram a rota da Assíria e foram estabelecidos em novas cidades. Seria. é bastante curiosa. Tiglat-Pileser III empreendeu uma série de operações militares contra a Babilônia e Namri. em grande parte era o mesmo: as tribos aramaicas e caldéias. Na Babilônia.C. em política internacional. O adversário. em suma. os exércitos assírios ganharam a rota do Sul. como Kar-Assur. A expedição levada a cabo por Tiglat-Pileser III em 745 a. por razões cronológicas. o que prova que a aparente paralisia do país refletia sobretudo uma crise do poder central. na Babilônia central. uma das listas reais apresenta-o como um dos filhos de Assur-Nirari V. A verdade é que. visto que seu principal adversário. bem como em redor de Nippur. que dois anos antes subira ao trono da Babilônia. em 745 a.

Que (Cilícia) e Carquemish. Os vencidos tornavam-se tributários. Ante o desastre. qual seja a política de ocupação permanente inaugurada por Tiglat-Pileser III. eliminar seu importuno vizinho. a aparente facilidade das vitórias assírias.C. Acaz. em particular Damasco. que provocou a dissolução da coligação aramaica. Essa demonstração não bastou para desencorajar todos os vencidos. e o infeliz Acaz. concebiam suas operações ofensivas como expedições destinadas a aniquilar o poderio material de seus vizinhos e recolher despojos. então. o qual agiu prontamente: descendo pela costa. Tiro. Em 740 a. com a submissão de dezoito príncipes espalhados nos territórios compreendidos entre Tabal e Samaria.C. Havia. como Salmanasar III. Os conjurados tentaram então. explica. Para tanto. apesar das advertências de Isaías (capítulos 7 e 8). A revolta de Mukin-Zeri forçou-o. oficialmente incorporada ao império em 729 a. os soberanos da Assíria. a seguir. atingiu Gaza e o Wadi El Arish. Pecah foi assassinado por um certo Oséias ben Elá. Os dinastas aramaicos manifestariam. Sua derrota incitou os países vizinhos. Razon conseguiria resistir por três anos.C. esperavam uma virada da situação. viu-se obrigado a apelar para o auxílio do rei da Assíria. a neutralidade do rei de Judá. que se apressou a pagar tributo. o Rio do Egito.. seria necessário um acordo. em Comagena.. assim. sua indestrutível coragem: as revoltas sucederam-se com grande obstinação. que não parecia muito entusiasmado pela aventura.C. O primeiro a renunciar a tal concepção foi Tiglat-Pileser III. de 734 a 732 a. Um elemento relevante.C. voltou-se contra Israel. de conluio com os edomitas. mais uma vez.C. no mínimo. como conservam a independência. antes de sucumbir por seu turno em 732 a. que dispunham de guarnições permanentes. de Israel. com quem a guerra converteu-se em guerra de conquista: o território ocupado era incluído nos limites da terra de Assur e dividido em províncias dirigidas por bel pihati. No decorrer desse vaivém contínuo. Tiglat-Pileser iria receber seus tributos em Arpade. ou.conquista de Damasco e da Palestina. e Razon. As tropas assírias estavam. Até então. que recomeçar tudo. a prestar submissão. cujo território saqueou. Tudo decidira-se em 743 a. Pecah. . ao que tudo indica. mesmo os mais audaciosos. houve raros confrontos de envergadura. aproveitam-se imediatamente da menor dificuldade experimentada pelo poder assírio. por ocasião de uma vitória decisiva sobre Sardur. mas. de Damasco. impedindo qualquer possibilidade de socorro egípcio. encerrando-se em 738 a. em parte. a dirigir-se novamente à Babilônia.

para a aramaização do império. submetê-las a uma única jurisdição. o rei fora paralisado. Tiglat-Pileser pretendeu. A propósito. E soube gerir seu imenso domínio. e TiglatPileser III não insistiu. as . freqüentemente. Em toda a parte praticou-se essa política de conquista e assimilação. chegou a ser atacada. exceto nas regiões excêntricas do planalto iraniano. Urartu. que enfraquecera o poder real. refletiria suas mais aprofundas intenções em matéria de política interna. Num único local. Teria. submetendo-as. Os prisioneiros de Babilônia foram disseminados por todo o arco de círculo montanhoso que cercava o reino a norte e a leste. sempre a postos para sufocar as dissidências e empreender novas operações. cuja capital. revertido a evolução percorrida a partir de Shamshi-Adad V. Por isso. Mas é uma hipótese apenas. Após a vitória de Comagena.portanto. sem dúvida. computou-as entre as pessoas da terra de Assur. continuaram a usufruir de grande liberdade. No resto. Apesar da derrota de Sardur. o esforço foi inútil: Urartu conservava considerável poderio. Tal revés não obscurece a amplitude de seus outros êxitos militares. segundo certos historiadores. às mesmas contribuições e corvéias. a fim de separá-las de seu meio natural e impedir quaisquer veleidades de rebelião. sem confirmação nas fontes de que dispomos. Esse enorme amálgama de populações em muito contribuiu. fracionando as unidades demasiado vastas. só se lhes interditara o comércio com a Palestina e o Egito. o rei deportou numerosas populações para regiões excêntricas.. dosando habilmente firmeza e brandura. incorporadas ao império. no entanto. que. cabendo indagar se o exército assírio não sofreu uma profunda reorganização. a fim de diminuir o poderio da alta nobreza. O rei teria procedido a uma nova divisão das províncias. portanto. Por outro lado.C.. Cerca de 734 a. como tais. Chegou mesmo a implantar o culto de Assur na Média. Certo é que Tiglat-Pileser III conseguiu perfeitamente manter as rédeas do seu mundo. tentou invadir o país.C. às vésperas da campanha contra Israel e Damasco. Impossível evocar o reinado de Tiglat-Pileser III sem mencionar sua obra administrativa. é sintomático verificar que as cidades fenícias. Turushpa. E as vitórias se sucediam. canalizando as energias assírias para a conquista. em 735 a.

pois densa rede de correios sulcava o império.C. O reino de Israel foi. A data de 722 a. Sargão II contribuiu de forma decisiva para assegurar seu poderio e dar-lhe seu caráter definitivo. Um incidente num templo de Tiro. observa-se ao mesmo tempo que a chancelaria de Kalhu era cuidadosamente mantida ao corrente da evolução da situação. o único senhor da Babilônia era o rei da Assíria. Sargão II deportou sua população para Kalhu. Em caso de revolta contra os fiscais. mantido por guarnições administradas pelos governadores. contudo.autoridades locais agiam à vontade. a respeitar os interesses e franquias locais. Nabonassar. que recolhiam os impostos. todas as terras do Crescente Fértil se achavam unificadas sob o rótulo inédito de uma dupla monarquia assirobabilônica. Embora fosse senhor deste país a partir de 745 a. que desencorajasse toda pretensão de independência. e sim um império. ao mesmo tempo. disposta. reduzir uma terra tão venerável. e o filho de Salmanasar V. mesmo sem ter sido o fundador do império.. fonte de todas as tradições religiosas. Nabu-Mukin-Zeri revoltou-se. Foi o que ocorreu com Bar-Rekub de Sam'al e Oséias de Samaria. Tiglat-Pileser III não destronou o soberano legítimo. Esta sutil mistura de firmeza e diplomacia. Em 729 a.. e tomou o poder em 731 a. é duplamente simbólica: assinala uma importante inflexão da história de Israel e corresponde. à simples condição de província teria sido inabilidade. Daí em diante não houve mais um território nacional e territórios de caça. Quando de sua morte. no Habur e para a Média. O poderio do monarca assírio não era tal. Samaria foi tomada em 722 a.C.C. em 727 a. uma investida de nômades em Moab imediatamente eram comunicados à capital.C. Tampouco tomou qualquer medida contra o filho deste último.C.C. espoliados pelos exércitos assírios segundo as possibilidades do momento. a intervenção da legião ituéia e algumas advertências prontamente restabeleciam a ordem. nesta ocasião. Tiglat-Pileser III só interveio quando o chefe da tribo Amukkanu. permitiu a incorporação oficial da Babilônia ao império. filho de Tiglat-Pileser III quem os reprimiu. por sua vez. Tiglat-Pileser III não caiu nesse erro: fez-se reconhecer como rei e sua decisão foi ratificada na lista real babilônica. reduzido a província assíria. Com efeito.. em toda a medida do possível. e o fisco assírio contentava-se com a cobrança de uma percentagem sobre as mercadorias na entrada da cidade. Não obstante. à ascensão de um dos mais prestigiosos monarcas do antigo Oriente. Entretanto. . Foi Salmanasar V.

The Free Press. pp. São Paulo. História de Israel e dos povos vizinhos II. traduzido do inglês por Tuca Magalhães. São Leopoldo. 2003. Louisville. Sinodal/Vozes.. J. 63-67. H. PIXLEY.Leituras Recomendadas DONNER. pp. FINKELSTEIN. N. Stuttgart.. Die assyrische Krise. A Girafa. ECHEGARAY. 1998. 2001. A História de Israel a partir dos Pobres. Die Königreiche Israel und Juda im 8. pp. LEMCHE. und 7. & SILBERMAN. Vozes. 1998.. N. The Bible Unearthed. Westminster John Knox. 37-53. 1993. Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. Jahrhundert v. I. G. Tradução brasileira: A Bíblia Não Tinha Razão. SCHOORS. O Crescente Fértil e a Bíblia. 137-174. Kohlhamer.. Chr.. Petrópolis. NEXT . 1997 [20043]. 273-285. New York.. A. 299-362. The Israelites in History and Tradition. J. Vozes. Kentucky. A. 20049. Petrópolis. P.

mais uma vez.C. Edom e Amon. Senaquerib tomou 46 cidades fortificadas em Judá e cercou Jerusalém.. 2Rs 19.Senaquerib subiu ao trono assírio em 705 a. sua cidade real. ele levantou o cerco e voltou para a Assíria. Ashdod. acontecido no acampamento assírio que assediava Jerusalém. entrou como um dos chefes da revolta. com outras cidades fenícias. Acreditavam ter chegado o momento da libertação. ele começou por Tiro. mas isto não exclui que Ezequias tenha enviado o seu tributo e renovado de modo ostensivo o tratado de vassalagem. Moab. conclui: "Pode-se considerar que algum fato. Existe uma notícia de Heródoto. Edom e Amon se entregaram e pagaram tributo a Senaquerib. de Judá. Somente Ascalon e Ekron. Todas as províncias do oeste então se levantaram. e Ezequias. sitiei e conquistei 46 cidades que lhe pertenciam (. estudando o caso. História II. Jerusalém voltou a respirar. como um pássaro na gaiola.. Talvez Senaquerib tenha partido por causa de alguma rebelião na Mesopotâmia. no último minuto. Ascalon e Ekron. encerrei-o em Jerusalém. Senaquerib tomou primeiro Ascalon.141. Mas teve que pagar forte tributo aos assírios. juntamente com Judá. Senaquerib não se fez de rogado e já em 701 a. Nos Anais de Senaquerib se diz o seguinte: "Quanto a Ezequias do país de Judá. Não se sabe porque Jerusalém se salvou. Que não se fez esperar. que não se tinha submetido ao meu jugo. tenha obrigado à partida. cuja ruptura provocara a invasão assíria"[1]. por motivos desconhecidos. O Egito prometeu ajuda. Logo os reis de Biblos. E foi a vez de Judá. vencendo-a. segundo a qual num confronto com os egípcios os exércitos de Senaquerib foram atacados por ratos (peste bubônica?). resistiram.. Os egípcios tentaram socorrer Ekron e foram derrotados. S..35-37 diz que o Anjo de Iahweh atacou o acampamento assírio.) Quanto a ele. Entretanto. e imediatamente teve que enfrentar nova revolta na Babilônia. Hermann. A coalizão integrava Tiro. talvez uma peste. com algumas cidades filistéias. . Arvad. Moab. Fortificou suas defesas e preparou-se cuidadosamente para esperar a Assíria.".C.

rei da Assíria.Outra questão é se teria havido uma segunda campanha de Senaquerib na Palestina. peles de elefante. Estando fortíssimo o império assírio. leitos de marfim. minha cidade senhorial. Quem protestava era duramente reprimido. com 30 talentos de ouro. Com isso. em Nínive. os irregulares e os soldados de elite que ele tinha como tropa auxiliar. . cultos. veio para atacar todas as cidades fortificadas de Judá e apoderou-se delas. que. Deuses. um pesado tesouro. Então Ezequias. cantores. rei de Judá. cantoras. domínio assírio. Um grande sincretismo religioso ameaçava o javismo. em Laquis: 'Cometi um erro! Retira-te de mim e aceitarei as condições que me impuseres'. Ezequias. rei de Judá. Senaquerib. toda sorte de coisas. costumes. 800 talentos de prata. a reforma de Ezequias perdeu o rumo.. o tributo pago por Ezequias ao rei assírio foi significativo: "Quanto a ele. De qualquer maneira. poltronas de marfim. grandes blocos de cornalina. e o entregou ao rei da Assíria". segundo os Anais de Senaquerib. mulheres de seu palácio. Então Ezequias mandou retirar o revestimento dos batentes e dos umbrais das portas do santuário de Iahweh. e Ezequias entregou toda a prata que se achava no Templo de Iahweh e nos tesouros do palácio real. buxo. O rei da Assíria exigiu de Ezequias. rei de Judá. marfim. havia revestido de ouro. ébano. antimônio escolhido. E um longo governo: 55 anos. Seu sucessor Manassés foi um dos piores governos de Judá. e suas filhas. trezentos talentos de prata e trinta talentos de ouro.. sua influência se espalhou. mandou esta mensagem ao rei da Assíria. meu esplendor terrível de soberano o confundiu e ele enviou atrás de mim.13-16: "No décimo quarto ano do rei Ezequias. Informação que concorda com a de 2Rs 18. e despachou um mensageiro seu a cavalo para entregar o tributo e fazer ato de submissão"[2].

Durante seu reinado. entre 626 e 610 a. Sob a influência de um forte espírito nacionalista. durante o governo de Ezequias. escrito no reino do norte e levado para Jerusalém em seguida à destruição de Samaria em 722 a.um código de leis. o rei Josias deu início a uma ampla reforma. Principalmente os babilônios e os medos. décimo segundo do reinado de Josias. considerados idólatras. Parece que a reforma começou aí pelo ano de 629 a. E foi entronizado.C.25 como o obra mestra deste rei. em 640 a. o Deuteronômio deu vida à reforma. mostrando que a certeza do povo de que Judá era indestrutível devido à promessa davídica era uma loucura. imposta pelo . Povos dominados e oprimidos pela extrema violência e crueldade assírias levantaram as cabeças. Os santuários do antigo reino de Israel. A reforma de Josias surtiu efeito? Sim e não. Josias recuperou o controle sobre as províncias do antigo reino de Israel. o Deuteronômio original compreendia os capítulos 12. artífices da derrocada definitiva da Assíria.3-23. por grupos fugidos do norte. Aproveitando a fraqueza assíria. teve.C.1-26.Manassés foi sucedido pelo filho Amon que acabou assassinado por elementos anti-assírios. Houve uma limpeza geral no país: cultos e práticas estrangeiras. com apenas 8 anos de idade.16-28. os capítulos 26. pois só elas valiam a pena. Era preciso reviver as antigas tradições mosaicas. introduzidos em Judá sob a influência assíria. descrita em pormenores em 2Rs 22..15 . escrito em Jerusalém mesmo. A Reforma de Josias e o Deuteronômio A Assíria estava nos seus estertores finais. seu filho Josias. como lei oficial do Estado. que contaria então com 20 anos de idade. foi feita de cima para baixo. A magia e os vários modos de adivinhação.44-11.32) e uma conclusão.3. provavelmente. Judá alcançou esperançosa independência. como se lê em 2Rs 22. segundo outros.. pontos negativos. Não encontrou uma independência prolongada para poder se desenvolver. contudo. aumentando seus tributos e melhorando suas defesas. banidos. Do Templo de Jerusalém foi recuperado um código de leis. uma espécie de ritual de renovação da aliança ornamentados por uma introdução (os atuais capítulos 4. foram definitivamente eliminados. 5. Ao ser promulgado por Josias em 622 a. Foi um momento bom para Judá. segundo alguns. o núcleo do atual livro do Deuteronômio. Positiva no geral. enfrentando uma violência proveniente de vários pontos do império. Segundo alguns.68.C.C.C. destruídos.

.C. P. em 612 a. Assarhadon. suscitou uma interminável guerra civil. Pioneira/Edusp. NEXT [1]. em primeiro lugar da política externa. viu-se acuado em defensiva nos mesmos teatros de operações.governo. . 1985. S..C. sem base popular mais ampla..C.C. tendo amiúde de reprimi-las os soberanos durante longos anos. O Oriente Próximo Asiático. Textos do Antigo Oriente Médio. apenas uma calma momentânea. V. Paulus. HERMANN. Queriniana. a despeito de reveses passageiros. Impérios Mesopotâmicos . [2]. cerca de 627 a. São Paulo. A morte do grande rei. Senão. VV. cada mudança de reinado dava margem a sublevações esporádicas ou generalizadas. a centralização do culto não deu bons resultados. suas medidas ficaram no exterior apenas sem levar o povo a uma reconstrução real do javismo. p. 97-106. em cuja repressão Senaquerib gastaria quatro anos. São Paulo. que. E o pior: os acontecimentos se precipitaram. & NIKIPROWETZKY. foi o sinal para um levante geral. p. Resumo de GARELLI. 19792. esvaziando a vida e a religiosidade do povo. I tempi dell'Antico Testamento. Falemos. 76. AA. Josias morreu cedo demais e a reforma se perdeu. em 705 a. Antes de mais nada.. e a ascensão de Assurbanipal provocou a revolta do Egito. terminou por prevalecer sobre as ambições assírias. pp.Israel... no decorrer dos cinco primeiros anos de reinado.. vejamos: Sargão II praticamente não tivera trégua até sua conquista da Babilônia em 710 a. 347. na melhor das hipóteses. O Império Assírio de 721 a 610 a. 1982.C. Brescia. Cf. habilmente explorada pelos babilônios de Nabopolassar e à qual os medos dariam um termo brutal. Israel e Judá. sua morte. Storia d'Israele. da Palestina ao Elam. até obter.

já demasiado absorvido pelos problemas da Babilônia e do Elam. O assassinato de Senaquerib em 681 a. Às vezes também os assírios tomavam a ofensiva. que adiou a invasão do Egito. redundou em malogro. que.. chegou mesmo a Tebas. Em 670 a. justifica as rebeliões anteriores que. A Caldéia estava em efervescência. levou o faraó a abandonar sua atitude reservada. que só se salvou entregando seus tesouros. estourou a revolta. o faraó Shabako apoiava secretamente a rebelião de Ashdod e saiu dessa difícil situação entregando a Sargão II o instigador da revolta. pulverizando-se em poucos anos. Assarhadon pôsse à frente de uma expedição. O projeto foi adiado devido às ameaças que pesavam sobre a fronteira ocidental do reino.C. citas e cimérios agitavam-se na Ásia Menor. assentar seu domínio no Egito. de Judá. em 674 a. entretanto. Mas o domínio assírio permaneceu precário. Em 653 a. O faraó Taharqa instigou as cidades fenícias a alastrarem o incêndio. Em 666 a. de resto muitas vezes assim julgadas pelos próprios contemporâneos. Ou com a revolta de Ezequias. consideradas isoladamente. em 677 a. mas a tomada de Sídon.C. Foi o que aconteceu com a revolta de Ashdod. Sargão II chegou à fronteira egípcia. até certo ponto.. em 705.C. Em 701. tendo que voltar à Assíria. Assurbanipal prosseguiu a obra do pai. foi . se nos afiguram como loucos cometimentos. Por duas vezes.C. Psamético I libertou o território egípcio e Assurbanipal. Assarhadon resolveu então extinguir esse foco perpétuo de agitação. sem poder castigar o faraó. enquanto cercava Jerusalém. que teve de se abrir ao comércio assírio. após uma revolta. No ano seguinte Taharqa retomou Mênfis e Assarhadon morreu nesse meio tempo.. E o Egito? Após a ocupação da Síria por Tiglat-Pileser III. Os assírios jamais conseguiram. Assim aconteceu em 714 a. Novamente apoderou-se de Mênfis e. Só depois de concluir um tratado com os medos.. e acabou vítima de uma peste provocada por ratos no seu acampamento.C.C. esmagada por Sargão II. conseguiu conquistar Mênfis sem maiores dificuldades. em 720 e 716.C. regulando definitivamente o problema egípcio. Moab e Edom em 714 a. quando Sargão II resolveu acabar com a ameaça urártia. em 671 a.C.Tal desfecho. que levou Senaquerib a destruir 46 cidades de Judá e a sitiar Jerusalém. o Egito alimentara sem cessar a agitação na Palestina. só por milagre o Egito foi poupado por Senaquerib. para prevenir um perigo latente ou solidificar sua dominação.C. Quatro anos mais tarde. e o tratado imposto a Baal de Tiro permitiram restaurar a ordem assíria nessas regiões. Uma primeira tentativa.

deixariam abater-se pesadamente à sua cólera. . de resto vitoriosas. Conquanto fosse um nítido revés para a Assíria. atingir as fronteiras orientais. Os novos senhores tudo fariam para conservar esse florão de sua coroa. não empreenderiam outras campanhas militares antes de assegurar sua retaguarda nessa região e. cortando assim as vias de comunicação com o planalto iraniano. a terra dos santuários prestigiosos. O Egito não mais seria invadido até o reinado do persa Cambises. Isto porque. e de onde traziam os escritos fundamentais que inspiravam sua religião e a literatura de seu país. se estas não haviam sido sustentadas com mais diligência. era com extrema atenção que os assírios vigiavam os acontecimentos na Babilônia. já estafante nos pântanos do sul. foram os caldeus que representaram a principal força de oposição. pois a guerra. Por isso. a repressão e as sucessivas destruições de Babilônia só serviram para galvanizar a resistência. fora precisamente porque o grosso das forças assírias se achava imobilizado em um verdadeiro ninho de vespas. E eis que. Tentariam todas as fórmulas constitucionais para poupar as suscetibilidades locais e. pelo menos as principais. embora com seus particularismos. a Assíria no global seguia as tradições do Sul. não se pode dizer que esta aventura desgastou suas forças.C. sua segurança mais imediata. além de todo o seu prestígio. essa conjunção de caldeus e elamitas era bastante perigosa para os assírios. Facilmente atraíram para a causa nacional as grandes cidades da planície. Contudo. Os babilônios tinham uma impertinente propensão a não se deixar assimilar. seu tradicional inimigo. a partir do século IX. em caso de necessidade. Havia séculos que encarava com inveja esse vizinho mais dotado que a rejeitava e talvez mesmo a desprezasse. Ora. a fim de rechaçar o invasor do Norte. e foram simples guarnições que ali não conseguiram manter-se. a fonte de toda espiritualidade. em 525 a. os reis da Assíria regularmente iam em peregrinação. E. Desde que as campanhas de Shamshi-Adad V suprimiram o poder real tradicional da Transtigrina. o inacreditável acontecera: a Babilônia era território assírio. a Babilônia e o Elam. aos poucos. ameaçava alastrar-se ao longo do Zagros e. e nem sequer vacilaram em unir-se ao Elam. A Assíria organizara apenas três breves expedições ao vale do Nilo. sob o enérgico impulso de Tiglat-Pileser III. visto que nele estavam em jogo. O reino de Nínive não podia desviar-se desse teatro de operações. renunciariam a elas para concentrar os esforços no teatro de operações essencial. A Babilônia era a jóia do império. onde.obrigado a renunciar a quaisquer projetos de represália. quando se tornasse flagrante a derrota.

a situação evoluiria de forma dramática. foi ela que levou o rei da Babilônia à revolta. Após vários confrontos duvidosos com babilônios e elamitas. Assurbanipal. Sargão II fez-se reconhecer como soberano do país. Senaquerib. experimentou diversas fórmulas constitucionais. múltiplas causas. e a trama dos acontecimentos permanece objeto de discussão. devido às disposições testamentárias de Assarhadon que dividira os territórios mesopotâmicos entre os dois filhos. as tropas assírias saquearam sua capital Susa e o país foi reduzido a província assíria. sem dúvida. devem ter entrado em jogo.C. que seguiu de perto o triunfo de seu maior soberano. Borsippa. apesar de ser o primogênito.. mas não usou qualquer subterfúgio diplomático: tornou-se rei da Babilônia sob seu nome assírio. A Babilônia reconquistada foi administrada por Kandalanu. cobria apenas os territórios de Babilônia. No confronto que se seguiu. ainda mal conhecidas. quando a revolta retumbava em todo o império. O filho mais novo. durante alguns anos. cujo reinado foi praticamente todo consagrado a tentar resolver o problema babilônico.C. que com apoio do Elam se proclamara rei da Babilônia. havia sido bastante desigual.C. Após as primeiras medidas destinadas a apaziguar a opinião pública assíria. passou a hostilizar Merodaque-Baladam. é freqüentemente considerado um "escândalo histórico". Assurbanipal e Shamash-Shum-Ukin. houve uma sucessão quase ininterrupta de guerras civis . A divisão. Quanto ao Elam. Tal situação devia parecer injusta e. se não se levasse em conta o fato seguinte: entre 627 a. Por certo. Senaquerib em 689 a. Assurbanipal tomou de assalto a cidade de Babilônia em 648 a. O fenômeno. provavelmente. em parte. Uns vinte anos depois. porquanto o domínio de Shamash-Shum-Ukin. Esse terrível exemplo e quiçá também a clemência de Assarhadon asseguraram.Isso se observa desde Sargão II. Cuta e Sippar. os quais ele nem sequer controlava de maneira absoluta.C. Vencedor no confronto. uma relativa calma na Babilônia. data da queda de Nínive. recuperou a superioridade e deu livre curso a seu furor: saqueou Babilônia e a inundou com as águas do Eufrates. O novo rei restaurou a capital do sul e restituiu-lhe o papel de encruzilhada comercial. efetivamente.. O desmoronamento do império assírio. continuaria incompreensível. era o verdadeiro senhor do império. e 612 a. data presumível da morte de Assurbanipal. Assurbanipal. de fato. e seu irmão Shamash-Shum-Ukin morreu no incêndio de seu palácio.

a nação estava totalmente despreparada para a crise[6]. Em 609 a. Os fatos são um pouco confusos. e Sin-Shum-Lishir logo desapareceu de cena. Toda a Djezireh passou a ser território babilônico e o faraó Necao implantou o domínio egípcio na Palestina. que operavam a partir de bases militares em Babilônia. A direção tomada pelos acontecimentos levou o faraó Psamético a intervir. balançando entre o enfraquecido Egito e a fortalecida Babilônia. por um outro filho de Assurbanipal. pelo menos três exércitos atuavam ao mesmo tempo na Babilônia.C. Os revoltosos. o país devia encontrar-se esgotado. para proveito de um caldeu. Enquanto as maiores potências da época mantinham grandes exércitos regulares e. As cidades mudavam freqüentemente de mãos.5. o rei da Assíria é desalojado de Harã. os pequenos reinos tinham que contar. com efeito. em boa parte.C. Nabopolassar controlava toda a Babilônia e levava a cabo operações ofensivas ao longo do médio Eufrates. Sin-Shar-Ishkun. Por Que Judá Caiu? Quando Judá entrou na fase crítica de enfrentamento com o poderio estrangeiro. Assim.ou externas. tomar Harã. mas em 616 a. os assírios tentam. Não estou falando de forças militares. Um fato novo. com ajuda egípcia. foram atacados incontinente por Assur-Etel-Ilani. a seguir. até os vaus do Eufrates. Nabopolassar. chefe do País do Mar.C. A guerra entre os dois irmãos campeou daí em diante. pois os assírios se achavam impossibilitados de controlar a Síria e a Palestina. pois por aí é que o país não acharia mesmo nenhuma saída. . a peso de ouro. os derradeiros restos do império assírio desapareceram então para sempre. O direito de Assur-Etel-Ilani à sucessão de Assurbanipal foi contestado pelo general Sin-Shum-Lishir e. novamente. exércitos mercenários. Quando os medos intervieram. tendo as províncias dessa região recobrado uma independência de fato. e não mais sabiam onde se encontrava a autoridade legítima. ocorrera com a morte de Assurbanipal: o problema da sucessão não pôde ser solucionado.C. principalmente. como sempre acontecera até então. Seja como for. financiavam. Em 610 a. Em 612 a. Seu rei fugiu para Harã e resistiu ainda dois anos. Sem sucesso. com voluntários despreparados para guerras prolongadas. nas cidades fenícias e nas antigas províncias aramaicas da Assíria. 5. a Assíria teve seu império assaltado e sua capital destruída pelos medos e babilônios.

como um fenômeno estritamente dependente de uma oportunidade política"[8]. A transferência da Arca. o poder de Jerusalém constrói sua própria base. Bettenzoli . espécie de trono móvel de Iahweh. representantes do poder da corte davídica de Jerusalém. Ora. Diferente do norte. sem ligação com as tradições tribais. em interessante artigo. Joab e Banaías. no território de Judá a monarquia é vista como uma realidade estranha à ordem sagrada. carecia de legitimidade javista. associada à crença na perpetuidade da dinastia davídica. sob Salomão. Desde a época de Davi vinha sendo elaborada uma crença específica. respectivamente (cf. onde o poder real se constitui a partir das lideranças tribais. enquanto dois sacerdotes. Esta dualidade poderia significar que o general Joab e o sacerdote Abiatar representavam as forças tradicionais de Israel. Ou seja: "Enquanto nas tribos do norte esta [a instituição monárquica] é inserida no direito sagrado javista. antiga cidade-fortaleza jebuséia. 2Sm 6). Joab foi morto e Abiatar desterrado. assumindo os seus cargos Banaías e Sadoc.26-35). Silo. Despreparo gerado pelas atitudes políticas falhas e pela ideologia dominante enganosa de Judá. independente dos líderes tradicionais[7]. distingue dois tipos de líderes judaítas desde a época de Davi. comandam o sacerdócio. Ou seja: dois generais. como sabemos através de 2Sm 8. Outro dado interessante é a associação do sacerdócio à nova ordem real que se estabeleceu com Davi. eram Siquém. enquanto o general Banaías e o sacerdote Sadoc representavam a nova ordem monárquica. Tais como: a transferência da Arca da Aliança para a nova sede. comandam o exército.15-18. Quando Davi conquistou Jerusalém e estabeleceu ali a sua capital. Há os "anciãos de Judá" (ziqnê y'hûdâh). Abiatar e Sadoc. foi uma manobra davídica para dar legitimidade à sua cidade (cf. algumas providências significativas foram tomadas. Ele tinha. BETTENZOLI. uma curiosa dualidade tanto no comando do exército quanto na chefia do sacerdócio. 1Rs 2. Jerusalém. G. foi feito por Salomão.Mas estou falando de outro despreparo. de fato. Guilgal etc. Betel. sabemos que. Foi a vitória da nova ordem monárquica. o que. líderes tribais das várias cidades e aldeias judaítas e os "anciãos da casa" (ziqnê bayit). a constituição de uma sacerdócio associado e submisso ao Estado e a tentativa de construção de um Templo. Os tradicionais santuários do povo de Israel estavam mais ao norte. a da invencibilidade de Jerusalém.

com a morte de Josias quase tudo se perdeu: o poder real sob Joaquim tornou-se extremamente despótico e o Templo. Os Salmos. Textos do Antigo Oriente Médio. o 89 e o 132.assinala que. DA SILVA. fortalecido pela centralização do culto. gradualmente absorvidos pela monarquia e pela corte de Jerusalém. Elaborada pelos sacerdotes associados ao poder real de Jerusalém. Judá sabia. A vocação de Jeremias. aos desmandos da classe dominante enquanto a legitimava e ocultava suas práticas através da religião. provavelmente. moradia de Iahweh. Podemos acompanhar. Paulus. . Israel e Judá. A. os testemunhos dramáticos dos profetas Habacuc. especialmente do Templo. expressão máxima desta teologia. o fim de seu país e indo morrer no Egito por volta de 580 a.C. os "anciãos de Judá" vão perdendo sua liderança. Isto interessava aos poderes dominantes. obviamente esta teologia apareceria nos salmos. referendada pelo profeta Natã (2Sm 7). que atuou incansavelmente desde 627 a. para amparar e legitimar sua opressão"[9]. J. Para uma leitura a partir dos pobres a teologia davídica é muito ambígua. mais a nação se apegava ao dogma da inviolabilidade da cidade. observando os acontecimentos. Foi ele. e Jeremias. que pregou entre 605 e 600 a. vendo. a ameaça sem limites do poderio babilônico. Quanto mais próximo estava o desenlace da crise.. toda elaborada no tempo de Davi. acerca desta época. por exemplo. 19972. e da sacralidade de Sião. São Paulo. São Paulo. pois estes representam também orações e celebrações do Templo. mais uma vez.C.VV. Nascido profeta. É neste contexto que se desenvolve uma teologia da perpetuidade da dinastia davídica. Diz J. quem a iniciou. como aconteceu. Esta teologia pode ser vista também em vários salmos. que enfrentaria. Leituras Recomendadas AA. porém. até o dia de hoje são atribuídos majoritariamente à autoria de Davi. mais cedo ou mais tarde. PIXLEY: "Essa nova teologia não foi..C. pois garantia seus privilégios a curto prazo. podendo servir.. que garante a inviolabilidade de Jerusalém.. como o 2. com o tempo. associou-se. Como vimos. angustiado.

. Petrópolis. Vozes. pp.. o. História de Israel e dos povos vizinhos II. A história de Israel a partir dos pobres. [9]. 1993. 20049. Gli Anziani di Israele. rei da Macedônia. 19792. entra com seus exércitos na Ásia Menor. pp.. PIXLEY. I tempi dell'Antico Testamento. 1997 [20043]. P. HERMANN. em Biblica 64 (1983).. A história de Israel a partir dos pobres. Louisville. Petrópolis.. Storia d'Israele. Sinodal/Vozes... 1998. G. p. J. São Leopoldo. BETTENZOLI. 73-90.. Brescia. O Crescente Fértil e a Bíblia. a análise de PIXLEY. H. The Israelites in History and Tradition. Westminster John Knox. S. NEXT [6]. A Época Persa e as Conquistas de Alexandre Em 334 a. Kentucky. o . J. G. Queriniana.).C. Vozes. Leading Captivity Captive. 6.. J. pp. c. 363-442. 20049. 31-43. pp. [8]. 211-224. em Biblica 64 (1983). Sheffield. GRABBE. Sheffield Academic Press. 54-79. LEMCHE. Vozes. Idem. Lester L. PIXLEY. 143-188.Paulus. (ed. Gli Anziani in Giuda. pp. DONNER. 30. Alexandre. Cf. ibidem. 1998. [7]. pp. J. ECHEGARAY. p. pp. 47-73. 1992. 233.. N. Petrópolis. Aos 23 anos de idade. ‘The Exile’ as History and Ideology. depois de controlar toda a Grécia.

em direção à Babilônia. data da vitória de Filipe II na batalha de Queronéia . A guerra é uma das principais características da Grécia do século IV a.cerca de um século . E. Fenícia.? qual é a situação da Judéia no momento da anexação? O Projeto Perseu é uma enorme biblioteca digital sobre o mundo da Grécia antiga. Política que foi iniciada por Filipe II e desenvolvida de modo brilhante por seu filho. Palestina.C. A rota das conquistas de Alexandre passa pela Síria.C. toda a Palestina. É o fim do Império Persa e o começo de uma nova era. De 431 a.C.a guerra quase nunca pára. até o vale do rio Indo. Na Fenícia e na Palestina somente as cidades de Tiro e Gaza oferecem a Alexandre alguma resistência: Tiro resiste heroicamente a 7 meses de cerco e Gaza. A Situação da Grécia e a Política Macedônia O declínio da cidade-estado grega acontece antes mesmo de seu confronto com a Macedônia. . Use-a para este capítulo. sem maiores problemas. e o controle macedônio de todo o Oriente.. assim. e qual é a política de Filipe II? qual é o roteiro das conquistas de Alexandre Magno? quem é Alexandre e quais são seus objetivos? como acontece a anexação da Judéia por Alexandre em 332 a. e à política macedônia que possibilita a Alexandre a conquista do imenso Império Persa. vai acontecer sem interrupções significativas. de volta. começo da guerra do Peloponeso. Inclusive a comunidade judaica que vive em Jerusalém e arredores. Tentarei.. responder às seguintes questões: qual é a situação da Grécia no século IV a. As interrogações que afloram neste ponto dizem respeito à situação da Grécia no século IV a. pertencente à V satrapia persa. fiel aos persas.1. Egito.C. The Perseus Project 6.C. cai após 2 meses.C. Persépolis e além. a 338 a. Estamos no ano de 333 a.macedônio derrota o principal exército persa em Isso.C. é anexada ao novo império. Susa. a do helenismo. Durante estas campanhas.

Atenas, no século V a.C., guiada por Címon e Péricles, torna-se uma potência imperial. Mas confronta-se com Esparta, dando origem à guerra do Peloponeso, que dura de 431 a 404 a.C., quando Atenas é derrotada. A guerra do Peloponeso "foi em seus aspectos mais importantes uma luta entre Atenas, um Estado democrático e uma potência marítima, que havia convertido a Confederação Délia (concebida para resistir aos persas) num império sob seu próprio comando, de um lado, e do outro a maioria dos Estados do Peloponeso conjuntamente com a Boiotia [= Beócia] e liderados por Esparta, uma potência oligárquica e conservadora, cujas forças terrestres constituíam o exército mais aguerrido da época"[1]. Esparta, senhora do mundo grego a partir de 404 a.C., cai rapidamente, especialmente porque sua estrutura institucional não lhe permite manter um império. O número de cidadãos espartanos, que é de cerca de 8.000 em 480 a.C., chega a cair para apenas 2.000 em 371 a.C. As causas podem ser vistas nas perdas da guerra, na concentração da terra em poucas mãos e na perda da Messênia, libertada pelo tebano Epaminondas em 370-369 a.C. Esparta perde sua hegemonia, definitivamente, na batalha de Leuctras, em 371 a.C., derrotada por Tebas. "Esparta não passará, desde então, de uma cidade de segunda categoria, limitada na sua ação ao Peloponeso, sobre o qual nunca mais conseguirá restabelecer a sua antiga dominação"[2]. Tebas sucede a Esparta na hegemonia sobre a Grécia, mas cai em 362 a.C., na batalha de Mantinéia - embora vitoriosa - quando morre seu célebre general Epaminondas. Em seguida, Tebas favorece os desígnios de Filipe II em relação à Grécia, mas acaba se aliando a Atenas, quando Filipe a ameaça. Termina derrotada pelo rei macedônio, em Queronéia, em 338 a.C. Posteriormente, em 335 a.C., Alexandre Magno reduz Tebas a ruínas. A batalha de Queronéia marca o fim da independência da Grécia[3]. No século IV a.C., por toda a Grécia, começa a emergir fortemente o contraste entre os ideais democráticos prometidos pelas constituições das cidades e a desigualdade criada pelas condições econômicas e sociais. O grande orador ateniense Demóstenes, em discurso de defesa pronunciado em 352 a.C., deixa bem claro esta situação: "Outrora, a cidade era rica, era magnífica, digo a cidade, pois entre os particulares, ninguém se elevava por cima da massa (...) Hoje, todos os

profissionais da vida pública têm, em privado, tal abundância de bens que mandam, por vezes, construir casas particulares mais imponentes do que muitos edifícios públicos; alguns compraram mais terras que aquelas que vós todos possuís, no tribunal"[4] O aumento dos mercenários é outro indício da desintegração da pólis grega. Ganhar a vida nos exércitos pagos pelos grandes reinos, seja a Pérsia ou outro qualquer, é a única saída para milhares de gregos empobrecidos. Estes homens perdem suas raízes cívicas, pois o exército é a única cidade que eles conhecem, ao mesmo tempo em que as cidades gregas perdem o controle da função militar. Há ainda inúmeros aspectos que poderiam ser analisados. Mas, enfim, vale apenas observar que os pensadores políticos do século IV a.C. começam a ficar sensíveis às tendências monárquicas, refletindo a evolução da época. "O poder efetivo passa cada vez mais das velhas cidades para os soberanos, gregos e não-gregos, que possuem os meios financeiros para assegurar a força militar que escapa às cidades. Ao perderem o controle da função militar, as cidades perdem igualmente a iniciativa política"[5]. Qual é a solução para o problema social da Grécia? Os gregos devem conquistar uma parte da Ásia, aí se instalarem, e submeter as populações locais à exploração do trabalho. Este será o projeto do macedônio Filipe II, realizado por seu filho Alexandre Magno. A Macedônia, com sua capital Pela, está situada ao norte da Grécia e é apenas semi-grega. Gregos de origem, os macedônios vivem, entretanto, em contato permanente com populações não-gregas, razão porque os atenienses, por exemplo, os qualificam como bárbaros. Na verdade sua língua é um dialeto grego com forte infusão de vocábulos estrangeiros e não é compreendido pelos gregos. Somente a aristocracia macedônia fala e escreve o grego ático. Mas os macedônios pertencem ao mesmo grupo étnico dos dórios e talvez tenham se originado de clãs ilírios ou trácios misturados com populações não-arianas... Da Macedônia arcaica quase nada sabemos. Mas, segundo o padrão conhecido dos dórios primitivos, os macedônios deveriam formar tribos de pastores parcialmente nômades, cada uma chefiada por um rei simultaneamente líder guerreiro e religioso -, um conselho de anciãos e uma assembléia. Com o tempo uma das tribos acaba controlando as outras.

No século VII a.C. estrangeiros se estabelecem entre os macedônios e acontece uma expansão de seu território e a consolidação de uma monarquia que se sustenta na aristocracia dos grandes proprietários de terra. A partir do contato e das alianças com a Pérsia, sob as pressões do persa Dario I (521-486 a.C.), o Estado macedônio absorve instituições políticas e militares do grande império oriental e se fortalece progressivamente até a época de Filipe II [6]. Filipe II, filho do rei Amintas, governa a Macedônia de 359 a 336 a.C. Tendo sido educado em Tebas, assimila a mentalidade grega clássica e também estuda as reformas militares de Epaminondas. As táticas militares deste grande comandante tebano, nascido por volta de 420 a.C., foram o segredo da (breve) hegemonia de Tebas sobre a Grécia, como vimos acima. Filipe II percebe que é necessário abrir à sua pátria os caminhos do mar Egeu, pois a região litorânea, com várias cidades autônomas, como Olinto, ou com cidades ligadas a Atenas, nunca tinha se submetido ao controle macedônio. Outro passo de Filipe II: a reorganização do exército macedônio. Especialmente a falange tebana, que é adaptada para fins ofensivos, tornando-se o principal instrumento de suas vitórias e das vitórias de Alexandre Magno. Filipe II "criou a infantaria `média' formada de macedônios e de mercenários ligeiramente armados: arqueiros, fundibulários, cavalaria onde serviam principalmente os nobres da Tessália e cavalaria ligeira empregada para reconhecimentos, tropas especialmente preparadas com meios adequados para o cerco e por fim a guarda real, tirada da infantaria"[7]. Filipe II cria o serviço militar obrigatório e profissionaliza o exército. Um corpo permanente de oficiais assessora o rei nas questões militares. Filipe II conquista a hegemonia sobre a Grécia. Faz uma política extremamente eficiente, sem escrúpulos, explorando as rivalidades entre as cidades gregas até se apresentar como a única alternativa possível para a solução dos conflitos. "Filipe II foi um excelente estrategista e um tático, homem de Estado e negociador perigoso, sabendo usar da corrupção, da mentira, da fraqueza ou da divisão dos adversários e do amor da paz em outros povos para os anestesiar e depois conquistar"[8]. Diante da ofensiva de Filipe II sobre a Grécia, três reações atenienses são típicas e servem para clarear a situação então vivida pelos gregos.

A primeira é a de Demóstenes, famoso orador, o maior opositor de Filipe II e principal porta-voz da democracia ateniense. Demóstenes vê na hegemonia da Macedônia o maior dos riscos que a Grécia corre e faz de tudo para impedi-la. Demóstenes, considerado o maior dos oradores gregos, nasce em Atenas em 382 a.C. e morre em 322 a.C. Temos hoje 61 discursos atribuídos a Demóstenes, mas é possível que alguns deles não sejam autênticos. Entre seus discursos destacam-se as quatro "Filípicas" - pronunciadas contra Filipe II -, as três "Olínticas" (também contra Filipe II), e a "Oração da Coroa", pronunciada em 330 a.C. (contra Ésquines), considerado o maior discurso do maior dos oradores[9]. Em maio de 341 a.C., diante da crescente ameaça representada por Filipe II, que utiliza vários subterfúgios para se intrigar com Atenas e destruí-la, Demóstenes pronuncia a "Terceira Filípica", na qual tenta alertar os atenienses para o perigo iminente. Entre outras coisas, ele aborda as transformações ocorridas na arte militar do século IV a.C. e chama a atenção para as suas conseqüências. Vejamos um trecho. "É verdade que os que querem consolar a cidade lhe pronunciam este discurso simplório: Filipe, dizem, não tem ainda o poder que outrora tinham os Lacedemônios [os espartanos] quando eram os senhores do mar e de todo o continente, quando tinham o Grande Rei [o rei da Pérsia] por aliado e ninguém lhes resistia. E, no entanto, a cidade fez-lhes frente, não foi dominada. Quanto a mim, constatando que tudo, por assim dizer, progrediu em dimensão, que o presente já nada se parece com o passado, penso que foram as coisas da guerra que conheceram as maiores mutações e o maior progresso. Primeiro que tudo, nada me diz que outrora os Lacedemônios, tal como todos os outros gregos, invadissem um país para lhe devastar o território com os seus hoplitas e os seus exércitos de cidadãos, a não ser quatro ou cinco meses por ano, durante a estação quente; após o que regressavam a casa. Além disso, tinham um comportamento tão arcaico, ou antes cívico, que não compravam qualquer serviço a ninguém; faziam uma guerra regular e aberta. Hoje, vós o presenciais, foram os traidores que tudo perdeu ou quase; as batalhas campais não servem para nada, e dizem-vos que Filipe se encontra aqui ou ali, onde ele quer, e não com uma falange de hoplitas; não, tropas ligeiras, cavaleiros, arqueiros, mercenários, eis o exército que lhe segue as passadas. Quando, por outro lado, ele cai sobre um povo minado por um mal interior e que não ousa sair dos muros para defender o seu território devido à desconfiança que aí reina, ele assesta as suas baterias e cerca a

afirmações de Demóstenes como esta: `Ninguém até hoje foi capaz. no projeto em que propunha a concessão da coroa de ouro. e 3º porque Ctesifonte estaria atribuindo a Demóstenes. Sobre a Embaixada e Contra Ctesifonte. tendo nascido por volta de 390 a. de persuadir Atenas a aceitar a servidão. e morrido provavelmente em 314 a. Demóstenes acusa-o. E abstenho-me de analisar o fato de que.. de ter se enriquecido. premiando o mais destemido adversário do expansionismo macedônio. para ele. "Essa vitória não foi somente o reconhecimento dos serviços prestados pelo orador a Atenas. após seis anos de tramitação do processo. méritos que ele não possuía e serviços que ele não prestara"[11]. de origem modesta. deveria ter lugar na praça pública ou no Senado e não no teatro de Dionísio como pretendia Ctesifonte. É o grande adversário de Demóstenes e um fato bem o ilustra. amantes da liberdade. foi também um ousado protesto do povo ateniense. Temos dele três discursos: Contra Tímarcos. torna-se famoso orador em Atenas. em 336 a. Devem ter pesado na decisão dos atenienses. Ésquines. . não há qualquer diferença entre o verão e o inverno e que também não há para ele estação reservada onde interrompa as operações"[10]. que a cidade conceda uma coroa de ouro a Demóstenes. o Grande já era o senhor do mundo de então. Demóstenes vence. os dois oradores se enfrentam. O cidadão ateniense Ctesifonte propõe ao povo.C. É então que Ésquines pronuncia o discurso "Contra Ctesifonte" e Demóstenes responde com sua "A Oração da Coroa". tolerando o poder divorciado do direito'"[12]. onde tenta provar que Ésquines é um traidor da pátria. significativas vantagens materiais.. partidário da facção macedônia e rival do autor da Oração da Coroa nas lides oratórias e na vida pública. moveu uma ação contra Ctesifonte.C. acusando-o de haver violado a Constituição por três motivos: 1º porque Demóstenes ainda não havia prestado contas de sua gestão em importante cargo público. em troca. Em 330 a. certa vez. e isso quando Alexandre. além de determinada quantia em dinheiro. Diametralmente oposta à de Demóstenes é a atitude de Ésquines. desde o início dos tempos. recebendo de Filipe II terras na Macedônia. por seus serviços prestados à pátria na sua luta contra a hegemonia macedônia. por força da lei. 2º porque a coroação. E Ésquines não consegue desmentir seu rival e acusador.C. comprado pelo ouro de Filipe II.cidade. "Ésquines.C. que se torna colaborador dos macedônios e destes recebe.

escrito em 346 a. que nem é um combatente da resistência como Demóstenes. outras por concepções utópicas políticas e históricas. Jorge Zahar. outras aceitando esse imperialismo e constituindo-se numa variedade de colaboracionismo vulgar [ Ésquines]. umas baseadas na democracia da cidade e levando à resistência a um imperialismo. No "Panegírico" Isócrates pede a Atenas e a Esparta que esqueçam suas rivalidades e se unam contra a Pérsia: "É muito melhor fazer a guerra contra o Grande Reino do que disputarmos a nós próprios a hegemonia. Isso é o que dá poder à Pérsia. está submetida. no caso a de Demóstenes. As cidades devem entender-se para combater o bárbaro e estender sobre toda a Ásia as leis da civilização da Grécia. Para isso é necessário que admitam uma direção única e que restabeleçam uma hegemonia necessária. nem um colaboracionista como Ésquines. segundo Isócrates. Não chega já de um passado em que nem sequer se sabe que catástrofe nos faltou?"[14] "Feito o diagnóstico. O "Filipe". "Vemos assim que a unidade da Grécia podia ser concebida de muitas formas. Rio de Janeiro. É necessário que esta expedição seja feita pela geração atual a fim de que aqueles que conheceram juntos a infelicidade sejam também os que gozem a felicidade e não passem todo o seu tempo no infortúnio. Filipe II é a solução.A terceira posição sobre a questão da hegemonia macedônia sobre a Grécia é a de Isócrates[13]. Atenas. Isócrates quer se ver livre da pressão e do domínio persas. Quem deve exercer essa hegemonia?"[15].C. que agora desmorona.. P. NEXT [1]. verbete Guerra do Peloponeso. Todos lutam contra todos. . Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. Isócrates considerou que bastava a união para reparar todos os males. é uma exortação ao macedônio para que assuma o comando dos gregos contra os bárbaros. Esparta não é a esperança.. Segundo Isócrates. O mal é a desunião dos gregos. a uma má democracia e cometera o erro de fundar um império pela força. Tebas também não. verdadeira "capital" da Grécia. 1987. HARVEY. a de Isócrates. de alto teor moral e inegável desinteresse mas não menos perigosas para a independência e a liberdade dos cidadãos"[16]. tendo por suporte valores do passado.

o Grande. P. A cidade grega. 47-50. da parte do povo.. 1984. 75-80. comenta: "Quando a liga espartana se desintegrou e Tebas estava ficando cada vez mais fraca. Rio de Janeiro 1984. [10]. P../VIDAL-NAQUET. 1978. Rio de Janeiro. 1980.. 161: "Demóstenes era democrata. ROSTOVTZEFF. I. Os gregos antigos.... p. marcada por um tom de gravidade e profunda preocupação". mas precisamente por essa razão parecia-lhe que o verdadeiro remédio para todos os males possíveis seria o fortalecimento dos costumes democráticos. [3]. Editora Três. verbete Demóstenes. M. [6]. c. Cf. c. o. o texto em AUSTIN.-C. o texto em AUSTIN. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. DE ROMILLY. M. 1973. comenta sobre a "Terceira Filípica": "Esta é uma das mais belas orações de Demóstenes. [7]. M. a democracia mostrou-se incapaz de criar uma forma de governo que deveria reconciliar o individualismo característico do país com as condições essenciais à existência de um Estado poderoso. o. P. p. E acrescenta na p... [8]. HARVEY. c. a condição política da Grécia só pode ser definida pela palavra anarquia'". 143.. verbete Demóstenes. Fundamentos de literatura grega. [4]. Lisboa. verbete Tebas. DEMÓSTENES. pp. Difel. o.. o. P. J. pp.. c. Nancy. P. P. c.. DE CASTRO. o./VIDAL-NAQUET. p.) I.. Essai sur les origines du mythe d'Alexandre (336-270 av. História da Grécia. GLOTZ. 257. p. DEMÓSTENES. 132-134. AUSTIN. 9-12. também FINLEY. 23. 217: "Na Grécia. p. . [9]./VIDAL-NAQUET. p. São Paulo. Alexandre. 206ss. Cf./VIDAL-NAQUET. Terceira Filípica. c. M. São Paulo. Cf. 312. Cf. 1986.. 1973. P.. e a vontade. pp. HARVEY. Cf. Edições 70. [5]. 155-164. P.. HARVEY.. GOUKOWSKY. p. P. Lisboa. Para isso ele reclama duas coisas: o respeito à lei. o. Edições 70. AUSTIN. Zahar.[2]. Université de Nancy II. P. Contra Aristócrates. diz que "a agricultura a tal ponto se comercializa que a grande propriedade se reconstitui pela progressiva evicção dos pequenos camponeses e pela concentração das parcelas de terra entre as mesmas mãos". M. Economia e sociedade na Grécia antiga. G. 216... cf. M. 21. de aceitar suas responsabilidades". J. pp. Zahar. Sobre Demóstenes. DE CASTRO. 325. Esta autora observa na p.

DE CASTRO. DA GAMA CURY. o. Alexandre é um jovem brilhante. 313. não lhes fez perguntas pueris e banais. o. s/d. vive entre 436 e 338 a. 6-7. c. ibidem. 166ss. E para ilustrar isso contam certos episódios. provavelmente por ocasião do Festival Olímpico. certa vez. Certa vez. da combatividade e poderio da Pérsia. 6. Ediouro. outro grande orador ateniense. Tratou-os com simpatia. recebe embaixadores persas e trata-os de maneira tão cativante que faz fama. c. 30. [12]. O mais famoso é o "Panegírico".C.3. eles ficaram admirados e acharam que a falada capacidade de Filipe nada era comparada com a iniciativa do filho e sua tendência às grandes empresas"[21].. Seus discursos políticos pregam a unidade grega. P. p. p. P. É preciso perguntarmos agora: quem é Alexandre? Por que Alexandre invade a Ásia? Quais são os seus propósitos? Segundo os historiadores antigos. p. ele os entreteve de maneira cativante. A Oração da Coroa. Nas palavras de Plutarco: "Chegaram embaixadores do rei da Pérsia. M. 29. de como o rei mesmo procedia nas guerras. [13]. [16]. ISÓCRATES. Quem é Alexandre Magno? A cronologia das conquistas de Alexandre não é suficiente para se entender o macedônio e suas atitudes.. como o seguinte narrado por Plutarco. . Cf.. o texto em AUSTIN.C. Idem. pp. publicado em 380 a... Rio de Janeiro. ele ainda adolescente. [14]. Assim. P. c. introdução a DEMÓSTENES. Isócrates. o. Temos dele vinte e um discursos e nove cartas. estando ausente seu pai. 6. p. [15]. DE CASTRO. informou-se da extensão das estradas e da natureza da viagem pelo interior. M./VIDAL-NAQUET. Panegírico...[11].. quando Filipe estava ausente em viagem.

por causa do poder. Ao vê-lo tombar gemendo e rugindo. 2º) fazer falsa psicologia. logo se lhe dissipou a cólera. após a batalha de Isso. totalmente imoderada. pois. quando ele já é senhor do Oriente: "Então. agarrando-lhe os braços e conduzindo-o à força para os aposentos. Em contraste com a irracionalidade deste episódio . a família de Dario. emitindo profundos suspiros"[23]. Costuma-se explicar.. trata-a com a maior deferência e humanidade. rapidamente arrancou a lança do cadáver e tê-la-ia cravado na própria garganta se não o contivessem os seus guardas pessoais. E que tudo o que tinham antes continuarão a ter. diante dos amigos emudecidos e parados. como fica evidente no final deste trecho. às vezes. é muito grande. a personalidade de Alexandre através da dupla influência do pai Filipe . cansado de clamar e lastimar. e que elas . O brilhantismo de suas conquistas costuma ser retroprojetado para sua infância e adolescência.pelo menos aparente. há razões políticas para o assassinato de Clito -. dada a exaltação e a "furores divinos". regrado pela disciplina militar e pela educação grega . Diz-lhes que sua guerra é com Dario. Um dos episódios que costumam ser citados para ilustrar a personalidade de Alexandre é o da morte de Clito.C. como veremos adiante. o mesmo Plutarco nos conta que ao aprisionar.Naturalmente. tirando dos despojos as roupas e adornos fúnebres. tomando a lança de um de seus guardas. pois Plutarco é do século I d. Passou a noite e o dia seguinte a chorar perdidamente. o risco é de: 1º) dar explicações psicológicas para fatos históricos ou sociais.espírito moderado. é o historiador ou o sociólogo. é necessário que leiamos tais narrativas com olhos críticos. Alexandre. que vinha ao seu encontro afastando o reposteiro da porta. Aqui. manteve-se calado.a mãe. e a fama de Alexandre. apolínio. "Ele permitiu sepultassem todos os mortos persas que elas quisessem. com ela traspassou Clito. que o insulta durante um banquete. onde quem deve falar. por fim. caiu em si e. pois é muito difícil determinar as causas de certos comportamentos de personalidades famosas da antigüidade apenas através de narrativas não muito próximas aos acontecimentos e condicionadas por inúmeros fatores que precisam ser primeiro explicitados[22].) . dionisíaca. a esposa e as duas filhas moças de Dario . seu amigo e companheiro.e da mãe Olímpia. não as privou da mínima parte dos cuidados e honras a que estavam habituadas (. antes de tudo.nada têm a temer.. nesta época .

pedagogos e professores. ateniense. Heródoto. Homero é a leitura básica. Heródoto nasce aproximadamente em 480 a. quem são estes autores que o jovem Alexandre lê. Quando destrói Tebas em 335 a. metafísica. Vejamos. Píndaro. sua obra mais conhecida é a Anábasis (= escalada).C. famoso poeta lírico. Alexandre leva nas suas campanhas uma edição da Ilíada anotada por Aristóteles. narrativa em prosa da expedição de Ciro.C. Eurípedes. Xenofonte. entre eles o filósofo Aristóteles. geografia. nasce por volta de 430 a. antes de casar. rapidamente. Xenofonte. próxima a Pela. Tucídides. Textos dos autores gregos? Escolha: em grego ou inglês! Eurípedes nasce em Salamina por volta de 485 a. É considerado por muitos como o pai da historiografia ocidental. Alexandre ordena que se poupe a casa de Píndaro. das quais hoje sobrevivem 18 tragédias e um drama satírico. Escreve 17 livros. nem conheceu. medicina.C. Historiador e militar. O assunto de sua história é a luta entre a Ásia e a Grécia. e morre em 406 a. em Halicarnasso. segundo conta Onesícrito"[25]. . moral. adotou a versão corrigida por Aristóteles.C. entre outros. retórica.C. nasce perto de Tebas por volta de 522 a.. Píndaro. outra mulher além de Barsina"[24]. conhecida como Ilíada do Escrínio. dialética. e conservava-a sempre junto com o punhal debaixo do travesseiro. não lhes tocou. Entre suas odes mais notáveis estão as Odes Olímpicas e as Odes Píticas. Além de Homero. Alexandre tem vários preceptores. rei da Pérsia. mas temos apenas cerca de um quarto de sua obra. Grande dramaturgo que escreve 82 peças. A educação ministrada a Alexandre por Aristóteles é a típica de um jovem grego. na época ainda sem a fama que mais tarde o caracteriza. "Considerava e chamava a Ilíada um vade-mecum da arte da guerra. Aristóteles orienta Alexandre durante 4 anos. o Jovem e seus 10 mil gregos contra seu irmão Artaxerxes II.Alexandre aparentemente considerava mais próprio de rei vencer a si mesmo que ao inimigo. são as suas leituras.C. com Aristóteles. No castelo de Mieza. Estuda.

Na "Política" diz Aristóteles: "Quando acontece. pois como foi dito antes isto se coaduna não apenas com o direito geralmente argüido pelos fundadores de governos aristocráticos e oligárquicos. embora não na mesma superioridade).Tucídides. O pensamento político de Aristóteles pode ser visto de maneira clara em uma Carta do filósofo a Alexandre.) Aristóteles reconhece as vantagens da democracia. Logo. cujo original grego se perdeu. resta apenas à comunidade obedecer a tal homem. Eis os seus pontos principais: . mas não a paridade entre gregos e bárbaros que Alexandre deseja e começa mais tarde. escrita provavelmente no final de 328 a. ao conquistar o Império Persa. existindo apenas uma versão árabe. Aristóteles preconiza a unidade grega e a vitória sobre os persas. Na verdade.. então. se houve um governante dessa qualidade".. soberana sobre todos. Escreve a história da guerra do Peloponeso. não é natural que a parte se sobreponha ao todo. porém descobre o tipo mais elevado de forma de governo na monarquia do governante perfeito.. então é justo que esta família seja uma família real.condenar tal homem ao ostracismo. uma das mais importantes obras históricas de todos os tempos por sua imparcialidade e seu método científico[26]. Harvey[27]. "Nos oito livros da 'Política'.C. nem sequer que ele passe à condição de súdito quando fora a sua vez. que há uma família inteira (ou mesmo algum cidadão) de tal forma proeminente sobre as outras em qualidades que superam as de todas as outras. observa P. e também pelos criadores de governos democráticos (todos baseiam suas pretensões na superioridade. Aristóteles discute a ciência política do ponto de vista da cidade-estado. não teria cabimento matar ou banir. aproximadamente. e um homem dotado dessa superioridade excepcional é como um todo em relação à parte.C.é óbvio . mas de modo absoluto"[28]. Do ponto de vista político. historiador ateniense. nem mesmo . que imagina ser a comunidade política mais apta a proporcionar ao cidadão a vida em sua plenitude (. vive entre 460 e 400 a. mas com o próprio direito mencionado anteriormente. não em alternância.. e que este cidadão seja um rei. A carta é um programa de governo e Aristóteles recomenda a Alexandre que abandone suas tendências orientalizantes e volte a servir os gregos. e a ele ser o soberano.

.é preciso lembrar que o macedônio é excelente soldado e estrategista brilhante.. em setembro de 480 a. poderão dedicar-se à filosofia.C.o o o o Alexandre deve preferir a atividade legisladora à glória das armas. com a adesão voluntária dos gregos. quando este rei persa avançara através da Trácia. O que se impõe perguntarmos agora é o seguinte: quais são os objetivos de Alexandre ao invadir a Ásia e se confrontar com o Império Persa? As opiniões dos historiadores são variadas a respeito[30]. Os nobres persas devem ser deportados para a Grécia para que a paz seja mantida. Alexandre deve se afastar dos maus conselheiros que tendem a fazer dele um tirano que não segue a justiça. ele pode conseguir que os homens obedeçam à Lei. Alguns acreditam que é para vingar as afrontas de Xerxes contra os gregos em 480 a. os gregos conseguem repelir Xerxes em Platéias e em Mícales. sendo sua autoridade universal e seu poder ilimitado. da Tessália e da Ática. em 479 a. Vários episódios de luta e coragem são contados a seu respeito. pois grande número de cidades gregas dependem dele. Por isso. após derrotarem sua frota em Salamina.C. Alexandre deve se voltar para os gregos. Apesar dos conselhos de Aristóteles .que Alexandre não seguirá . criando na Grécia um Estado pan-helênico. às vezes contra os conselhos de seus melhores generais que recomendam maior prudência. As vitórias de Alexandre geraram a paz e. Como ele é agora o soberano de muitos povos. Enfrentando exércitos persas muito superiores aos seus. Alexandre deve estar atento ao fato de que é mais glorioso governar homens livres [gregos] do que escravos [orientais] e que uma glória duradoura não pode ser construída só com empreendimentos militares. Somente no ano seguinte. Outros acreditam que o objetivo inicial de Alexandre seja o de libertar as cidades gregas da Ásia Menor. sem mais conflitos internos. dando assim continuidade ao projeto de seu . vence-os com lances de genialidade e ousadia. Os gregos. da Macedônia. exercendo a função de legislador e fundador de cidades[29]. chegando a tomar Atenas. deve fazerse amar e ser respeitado pelos gregos e macedônios.C.

criadas após o tremendo sucesso de suas campanhas e o fascínio de sua figura de herói que conquista o mundo e morre jovem sem usufruir do poder e da riqueza que acumulara. mas se não fossem anuladas as suas possibilidades navais ao longo da Fenícia e da Palestina daí a razão do duro cerco de Tiro e a tomada de Gaza . nem um capricho: era uma necessidade"[31]. após as conquistas das regiões mais diretamente persas. É bem provável que a conquista de todo o Império Persa não faça parte de seus planos originais. Mas as circunstâncias levam-no a isto. "De duas uma: ou a própria amplidão de suas conquistas o obrigaria a deter-se. frente à ameaça romana[32]. na sua maioria inventadas.C. Alexandre necessita de uma burocracia persa para administrar os territórios conquistados e precisa de exércitos nativos para sustentar as conquistas. A possibilidade de fusão das culturas grega e persa deve ter surgido provavelmente como conseqüência e necessidade. Parece-lhes que o objetivo inicial da Liga de Corinto foi abandonado e as conquistas do brilhante jovem macedônio nenhum benefício lhes trazem. que as práticas e as teorias do absolutismo político persa são revestidas por Alexandre de um verniz grego. Se a perseguição a Dario não continuasse após a volta do Egito. tornando possível o exercício da monarquia absoluta com vocação universal. ou então era preciso associar as populações autóctones à sua administração. P. Goukowsky demonstra. Histórias. Parece que a própria lógica da conquista é que leva avante sua expedição. na sua análise do mito de Alexandre..pai Filipe II que já enviara para lá um exército de 10 mil homens comandado por Parmênion e que está prestes a ser empurrado de volta para o mar. Como ele assume cada vez mais o modelo persa de governar e viver. mais tarde Alexandre teria que se medir com ele para sustentar as suas conquistas asiáticas. A imagem de um Alexandre defensor do helenismo só surgirá no século II a. questão interessante é a do mito de Alexandre. A reconciliação greco-persa não era uma quimera. .a Grécia e a Ásia Menor continuariam ameaçadas. seus contemporâneos gregos e macedônios não o vêem com bons olhos. Foi fácil vencer o enorme exército de Dario em Isso. É certo que não faz parte do plano original do macedônio. Aliás.

procura para ti um reino compatível com o teu valor. foi ele em pessoa buscá-la. O que narra Plutarco acerca de sua origem é uma espécie de "evangelho da infância" que legitima este mito de sua filiação divina. tornando viável o desenvolvimento de seus projetos orientalizantes[33]. a pitonisa chefe. filho de Zeus. Além de se considerar descendente de Héracles. Merece. primeiramente. Quando a arrastava à força para o templo. finalmente. Então. da chaga brotou um fogo violento. por sua vez. deitado com sua mulher. depois do casamento. em seu detalhado estudo das origens do mito de Alexandre. "Desejando ouvir o oráculo a respeito de sua expedição. alegando a lei. Alexandre declarou não precisar de outro oráculo. sonhou que aplicava sua chancela no ventre da esposa e a gravura da chancela. P. a noiva [Olímpia] sonhou que. nos quais não é lícito dar consultas.Entretanto. menção o episódio de sua visita a Delfos. ela exclamou: `Filho. Filipe II viu uma serpente estendida sobre o corpo de Olímpia: símbolo do deus. "Na noite anterior à das núpcias. que o próprio conquistador constrói cuidadosamente esta imagem de super-herói que lhe rende altos dividendos políticos. de quem procura imitar as façanhas sobre-humanas. Garanhão indomável. Ela recusou-se. certa vez. É ainda Plutarco quem diz que. Goukowsky observa. a Macedônia é pequena para ti"[35]. Consta que Alexandre se vê como privilegiado herói. ninguém pode contigo'. a quem vai reverenciar e consultar no oásis líbio de Siwah. no Egito identificado a Amon. grassaram por toda a parte e por fim se apagaram. NEXT . mais tarde. Por acaso. pensava. tinha já a resposta que dela desejava"[36]. Do mesmo gênero "apócrifo" é o caso do cavalo Bucéfalo. Filipe. mandou chamar. era a figura dum leão"[34]. em meio a um trovão. Ouvindo isso. contudo. eram dias de mau agouro. onde teria ido consultar o oráculo acerca de sua expedição à Ásia. foi a Delfos. como que subjugada por seu arrebatamento. lhe caía um raio sobre o ventre. irromperam labaredas. obedece prontamente a Alexandre e provoca a seguinte "previsão" de seu pai: "Meu filho.

líder das forças gregas. c. em o. HARVEY. C.C. T.. p. s/d. 181. [22]. feita por Plutarco. GOUKOWSKY. pp. pp..-135 a. 143. c. Histoire d'Israel III.. pp. [30]. P. Essai sur les origines du mythe d'Alexandre I. 19899. esta é uma característica marcante dos autores da época imperial romana. Alexandre.. em o.. causada por uma afronta cometida contra ele por Agamêmnon. 1983. [29]. 117-118. 69-71. Vozes. p. 1288a.. [25]. BERGER. Du Cerf. 156-178. p. 21. PLUTARCO. GARDINER. 141. 73-74. Cf. . e sua linguagem o relaciona com os dialetos jônio e eólio da Ásia Menor. SAULNIER. P. WRIGHT MILLS.C.. Homero é o maior poeta épico grego.. Lisboa. em Vidas. P. [27]. Lisboa. 8. c.. Zahar.. PLUTARCO. Paris. Editora da UnB. 15-90. Cf. LÉVÊQUE. 19882. Cf. Petrópolis. Alexandre.D.. Fundamentos da literatura grega. nos respectivos verbetes. Idem. pp. J. [31]. 19826. Teorias da história.).[21]. O mundo helenístico. 17-43. 155. 11-12. 47. C. PLUTARCO. BOTTOMORE. P.Cf. Cf. P. conta um episódio do cerco de Tróia (também chamada Ílion) pelos gregos. J. Zahar.. pp. no seu décimo ano. A imaginação sociológica..BENOIST-MÉCHIN. GOUKOWSKY. pp. [28]. Aliás.. Rio de Janeiro. Alexandre. Perspectivas sociológicas. em 24 cantos. Observe-se no final deste texto a avaliação moralizante do comportamento de Alexandre. Introdução à sociologia.C. Alexandre Magno. 19843. 50-55. autor da "Ilíada" e da "Odisséia". [26].. ARISTÓTELES. ibidem. São Paulo. em o. Uma visão humanística. verbete Aristóteles. por volta de 1200 a. XI. Política III. A Ilíada.. [23]. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. Rio de Janeiro. B. 1987. c. Homero é provavelmente do século IX a. pp. DE ROMILLY. p. o. 51-52. Brasília. pp. Alexandre. 5. Edições 70. Cultrix. O assunto é a cólera de Aquiles. P. [24]. PLUTARCO. p. Fundação Calouste Gulbenkian. 1985.

ibidem. não sabendo como se apresentar aos macedônios. Alexandre. suplica a Deus e deste recebe uma mensagem em sonhos. 14. c. encheu-se de angústia e temor.. Alexandre se encolerizou muito (. que merece ser. p. o. 69-78. em 332 a.4. . PLUTARCO. ao encontro de Alexandre. segundo a qual ele deve ir. com os sacerdotes. GOUKOWSKY.. a Palestina é anexada ao novo império. Cf. Idem.) Depois de tomar Gaza. 138. a principal fonte que possuímos é um texto de Flávio Josefo. [36].[32]. p.. O texto prossegue dizendo que o sumo sacerdote..C. c. De lá enviou uma carta ao sumo sacerdote dos judeus. 6. Alexandre. dizendo tê-lo visto em sonhos e por isso pensa que vencerá Dario e quebrará o poder dos persas. p. e que não ia faltar à palavra jurada enquanto Dario fosse vivo. em trajes de festa. Idem. Ouvindo isto. 6. 142. em o. [33]. c. ao ouvir isto. Alexandre tomou Damasco. em apuros. Idem. [35]. [34].. "Chegando à Síria. cujo rei devia estar muito irritado com a sua recente desobediência"[37]. P. A Anexação da Judéia por Alexandre Durante as campanhas de Alexandre contra Tiro e Gaza. Isto feito. Alexandre prostra-se diante do sumo sacerdote. Cf. 2. Sobre a atitude de Jerusalém para com Alexandre. Alexandre. aceitando a amizade dos macedônios. pp. e acrescentou que os judeus não teriam nada a temer. 17-68. lhe mandasse os presentes que costumava mandar a Dario.. pedindo-lhe que lhe mandasse reforços. 148. em o. que fornecesse provisões para o seu exército e que. pelo menos. c. em o. apoderou-se de Sidônia e cercou Tiro.. pp. parcialmente transcrito. Alexandre se apressou em subir a Jerusalém. O sumo sacerdote respondeu aos mensageiros que tinha prometido com juramento a Dario que não pegaria em armas contra ele. O sumo sacerdote Jadus..

Saulnier observa sobre este texto que "a referência às profecias de Daniel. se ela não foi introduzida pelo próprio Flávio Josefo. é queimado vivo pelos samaritanos. Andrômaco. Já em Samaria a situação é diferente. quando o prefeito de Alexandre na Síria. os sonhos. Acontece. A punição determinada por Alexandre. inclusive. o texto é importante. indica que a história deve ter sido forjada aí pela metade do século II.5. O que ele pode ter feito foi enviar até lá um de seus oficiais para obter a submissão da comunidade judaica aos novos senhores da região. O texto de Flávio Josefo é fantasioso e está construído sobre temas típicos: a proteção divina dispensada ao Templo e ao povo fiel a Iahweh. sob a inspiração de romances gregos e mais especialmente do romance de Alexandre"[38]. Entretanto. o do sumo sacerdote e o de Alexandre. a pedido do sumo sacerdote. Samaria é destruída e no lugar se estabelece uma colônia macedônia. A Situação da Judéia no Momento da Anexação . em um círculo filo-heleno. em seguida. acontece. onde sacrifica a Deus. legitimando as suas conquistas como vontade de Iahweh. são plausíveis: o o o "a liberdade de viverem segundo as leis de seus pais" "a isenção de impostos a cada sete anos" "que os judeus de Babilônia e da Média vivessem segundo suas próprias leis". este último. C. uma revolta. que fica fora de sua rota em direção ao Egito. 6. porém. ao voltar do Egito. regida pela Torá e ligada ao Templo.Alexandre vai ao Templo. Deste texto deduz-se que a situação da Judéia sob Alexandre permanece a mesma vigente na época persa: a comunidade continua governada pelo sumo sacerdote. e depois atende a vários pedidos do sumo sacerdote em benefício de seu povo. As disposições tomadas por Alexandre a respeito do povo judeu. Anexada sem maiores problemas. na medida em que mostra a boa acolhida de Alexandre entre os judeus e as expectativas que suas conquistas criam para o pequeno distrito governado pelo Templo. que Alexandre jamais esteve em Jerusalém ou na Judéia. é terrível. provavelmente alexandrino.

a propriedade é comunal e não pode ser vendida. O que acontece a partir da época persa é que a família (beth-'abh) vai tornar-se a unidade econômica fundamental. gerando uma solidariedade de sangue muito coesa tem regras específicas de casamento. do persa para o grego. já que a "mudança de dono". finalmente. a mishpâhâh: o o o o o o o o é um grupo de descendência patrilinear. uma tribo[40]. com cerca de 1. Ora. constituindo uma comunidade jurídica local[39]. Kippenberg. não altera significativamente a vida judaica e as condições econômicas e políticas vigentes. com preferência pelo casamento entre primos patrilineares e com a obrigatoriedade do dote integra. Por que isto acontece? Terá surgido algum progresso econômico que ameaça as relações de parentesco da sociedade judaica? O pequeno distrito de Judá. que se esclareça a situação da Judéia no momento da anexação. em 332 a. Daí . Pattai e E. em circunstâncias específicas.C. G. Segundo H. ou seja. mas deve ser mantida em poder do grupo através da herança de pai para filho é formada de famílias ampliadas seus membros têm responsabilidade mútua. e de maneira pouco feliz para os judeus.. Meyer. a linha de descendência corre de pai para filho é unidade de convocação do exército tribal caracteriza-se pela residência comum de seus membros transmite o direito de posse por herança: a terra. deixando o clã em segundo plano[41]. O clã é constituído por uma agrupamento de famílias ampliadas (beth-'âbhoth) que moram na mesma região e se auxiliam tanto no setor social quanto no econômico. os rebanhos. Somente no nordeste é que ele se estende um pouco pela planície do Jordão. Pois na região montanhosa o cultivo depende das chuvas.É preciso. ocupa quase que só a região montanhosa da Judéia. sendo a irrigação possível apenas na planície. A sociedade israelita tradicional sempre se fundamentara no clã (mishpâhâh). enfim.100 km2 apenas. esta condição geográfica vai determinar a produção de alimentos. citando R.

portanto. a parreira e a figueira. Se um campo era usado para esta ou aquela cultura. mercadorias ou qualquer espécie de víveres. . seus mantimentos. Os casos da Ática. Kippenberg: "As plantações de oliveiras podiam ser feitas em terrenos que para o cultivo do trigo não eram muito vantajosos. Vamos acompanhar H. dependia tanto do fator riqueza. no dia de sábado. em geral. como do fator troca"[44]. nos ensinam que o tipo de aproveitamento da terra. numa região de poucas chuvas. cuja produção era inferior à relação de 1:4 (plantio/colheita). A terra adequada para o plantio de cereais é a terra-roxa. em terrenos ruins para o trigo..5 hectares de plantações de oliveiras. Ne 10. apenas plantas de raízes profundas. já que a oliveira só começa a dar lucro 10 anos depois de plantada. desenvolvendo-se. E pode ser feito. exige um certo capital. "O produtor de oliveiras era obrigado a vender seu produto a troco de alimentos. Pelo menos é o que afirmam os agrônomos latinos. na Grécia. davam mais lucro se fossem aproveitados como bosques de oliveira ou como vinhedo"[43]. As encostas íngremes das montanhas do leste praticamente impossibilitam o aproveitamento da terra. Este fator troca já é testemunhado no tempo de Neemias. como a oliveira. e esta os judeus não controlam mais[42]. G.C. O cultivo da oliveira é menos trabalhoso do que o do trigo. Elas exigiam menos trabalho do que o cultivo do campo.estar comprometida a rentabilidade da lavoura. enquanto o agricultor produzia. nada compararemos em dia de sábado ou em dia santificado". rica em ferro. dependia de dois fatores: da existência de uma aristocracia que dispusesse de dinheiro para investir na produção agrícola e da possibilidade de troca de derivados da azeitona e da uva pelo trigo. como o da Judéia. enquanto que a região que desce para a planície costeira é mais favorável. ele mesmo. e da Itália. que calculavam a relação de uma pessoa para cada 6. como vimos. mas de uma para cada 7. Só que aqui a terra é calcária. nos séculos VII e VI a.25 hectares de campo.32 diz: "Se os povos do país trouxerem para vender. Só que aí há um problema: este tipo de cultivo exige riqueza. Terrenos.

correspondendo à correlação de 1 por 13 entre ouro e prata"[46]. não há soldados persas suficientes para guarnecer todas as províncias e. A Judéia usa também as moedas de prata de Atenas e da Pérsia e as moedas yehud. Para pagá-los o Estado precisa de dinheiro. de múltiplas nacionalidades. cunhadas na região. duas mil minas de prata e sessenta e sete túnicas sacerdotais".. "A dracma de ouro pesava cerca de 8. os habitantes da Judéia devem produzir derivados de azeitona e vinho para trocar pelo trigo. os dáricos. daí serem mais práticas no uso quotidiano as moedas de prata yehud que pesam 2. deram ao tesouro de culto sessenta e uma mil dracmas de ouro.4 g. As doações feitas pelo resto do povo atingiram o montante de vinte mil dracmas de ouro. Esd 2. Elas eram trocadas na proporção de 1 por 20. Neste caso. especialmente. Dario cria um sistema que permite calcular receitas e despesas e regulariza os tributos com a criação da moeda[47].6 g.70-71 também diz: "Alguns chefes de família depuseram no cofre das obras vinte mil dracmas de ouro e duas mil e duzentas minas de prata. de prata. Uma dracma de ouro vale 300 litros de cevada. portanto. e.É possível que a produção de trigo da Judéia seja insuficiente para o consumo e que este comércio feito pelo 'am ha'arez inclua a venda de trigo produzido em outra região. É necessário a contratação de grande quantidade de mercenários. cinco mil minas de prata e cem túnicas sacerdotais". o siclo de prata persa 5.C.69 diz a respeito das oferendas feitas ao Templo após a volta dos exilados: "Segundo suas posses. para serem mandados para as batalhas. possuem valor bem menor. Por que Dario manda cunhar moedas? Heródoto nos informa: no tempo de Ciro e de Cambises não havia determinações fixas sobre o tributo devido pelas províncias do Império Persa. cunhadas por Dario I após 517 a. dado a enorme extensão do Império Persa.08 g. E Ne 7. Outra coisa que caracteriza esta época persa é a propagação da moeda na Judéia[45]. Sabemos também que. As primeiras moedas citadas no AT são as dracmas persas de ouro. .

e há entre nossas filhas algumas que já são escravas! Não podemos fazer nada. penhorando nossos campos e vinhas para pagar o tributo do rei. à qual pertence a Judéia. porque nossos campos e nossas vinhas já pertencem a outros'". para podermos comer e sobreviver'. o equivalente a 11. devem vender seus produtos agrícolas. Para vender o excedente. tem que vender seus filhos como escravos. Esta situação econômica gera graves conseqüências sociais: os agricultores judeus precisam diminuir o número de familiares que vivem da renda da terra e investir em produtos que dêem mais lucro. ora. . deve pagar à Pérsia 350 talentos de prata por ano. entretanto.4. Ne 5.: "Levantou-se uma grande queixa entre os homens do povo e suas mulheres contra seus irmãos. É o que apresenta Ne 5. Uns diziam: `Somos obrigados a penhorar nossos filhos e nossas filhas para receber trigo. Assim. quando os judeus se queixam da situação a Neemias: "Tivemos que tomar dinheiro emprestado penhorando nossos campos e vinhas para pagar o tributo do rei". dependem de negociantes estrangeiros[49]. a V satrapia persa. Acontece que os moradores da Judéia não têm minas de prata. excedentes ou não.1-5 testemunha o conflito social que explode na Judéia no século V a. Vendem cevada e derivados da oliveira e da videira. Outros diziam: `Temos que empenhar nossos campos.995 quilos de prata[48]. vinhas e casas para receber trigo durante a penúria'. por não ter pago os impostos.C. e adquirir prata para pagar o tributo persa. Outros ainda diziam: `Tivemos que tomar dinheiro emprestado. os judeus. temos que entregar à escravidão nossos filhos e filhas. o que compensa é o cultivo de oliveiras e videiras. além do gado. Não havendo grande produção de cevada na Judéia. temos a mesma carne que nossos irmãos e nossos filhos são como os deles: no entanto.Segundo Heródoto. Neste texto observamos três grupos de queixosos[50]: o o o o primeiro grupo penhora seus filhos para receber alimentos o segundo hipoteca suas terras na época da fome o terceiro grupo.

Ou seja: o credor tem direito aos produtos excedentes. Ao contrário da escravidão por dívida. este ato é definitivo e irreversível"[53].C. o fazem. Diz Dt 15. é mais avançada do que aquela. É o mesmo caso denunciado por Miquéias no século VIII a.2-4 e Dt 15. for vendido a ti. correm o risco de serem vendidos como escravos. tampouco existem restrições quanto a se permitir que a família do escravo seja alforriada. esta legislação de Dt 15. casas e oliveiras e têm que empenhá-los numa situação de penúria[52]. O caso de segundo grupo é o daqueles que possuem campos. Se cobiçam campos. vinhas. A penhora permite o ataque direto do credor à propriedade e à família do devedor.11. posterior à do Ex 21. Trata-se de uma penhora que transfere ao credor o usufruto da terra e não a sua propriedade.12: "Quando um dos teus irmãos. ao vinho e ao óleo. Os escravos devem receber provisões da parte do seu senhor para sobreviver como pessoas livres. de fato. Se o camponês que penhora sua produção não produzir o suficiente. A penhora dos filhos é a `arabah. ele te servirá por seis anos.Há determinada seqüência na formação da dependência: primeiro penhoram-se os filhos (escravidão). . eles os roubam. "Agora as mulheres recebem o mesmo direito à liberdade.2-4.12-18.. acaba na escravidão. No sétimo ano tu o deixarás ir em liberdade". ao dinheiro. ao trigo. Talvez porque a lei estipulada no livro do Êxodo não estivesse sendo obedecida. "Se os produtores não tiverem condições de conseguir uma produção em seus campos que satisfaça sua fome. Vamos ler Mq 2. prevista nas leis de Ex 21. como nos diz Ne 5. e merecem algo por seus anos de trabalho"[51].1: "Ai daqueles que planejam iniqüidade e que tramam o mal nos seus leitos! Ao amanhecer eles o praticam porque que está no poder de sua mão. hebreu ou hebréia. depois a terra. 12-18. para que não sejam de novo forçados à escravidão por dívidas. Se observarmos bem. quando o profeta diz que os credores podem se apropriar com facilidade dos campos e das casas dos outros e.

Diz Ne 5.7: "Tendo deliberado comigo mesmo. a crise do tempo de Neemias.6-12 é que os credores dos quais os judeus dependem são seus irmãos de sangue e são pessoas de posses e classe alta. a .se casas. senão vender seus filhos e filhas como escravos?"[54]. segundo a qual os credores devem renunciar às rendas das terras hipotecadas. eles oprimem o varão e sua casa o homem e sua herança". E o que é denunciado em Ne 5. Segundo H. para apossar-se de imóveis ou para vender escravos"[56]. pois o comércio de escravos no Mediterrâneo está em pleno florescimento. Neemias declara uma anistia. como conseqüência. G. Finalizo com H. Por que a repreensão de Neemias? É que o endividamento tem como objetivo vender ao estrangeiro o judeu empobrecido. "E ainda mais. excluindo. cujos campos e vinhedos já estavam hipotecados. Que escolha tinham estes camponeses. como: o o o o o piora da qualidade da terra mau tempo que prejudicou a colheita crescimento do número de familiares divisão e diminuição das terras por causa da herança exigências estatais de pagamentos de impostos. Kippenberg. Kippenberg. eles as tomam. este imposto tinha que ser pago em moedas. deterioração da terra ou mau tempo. Eles são importantes para a formação de classes somente quando se tornam instrumentos dos relativamente mais ricos ou mais poderosos para criar novas dependências. que observa: "Endividamento e principalmente insolvência não são frutos vindos diretamente de fatores como coação demográfica. divisão de heranças. pode ter tido vários motivos. repreendi os nobres (horîm) e os magistrados (seghânîm) nestes termos: `Que fardo cada um de vós impõe a seu irmão!'"[55]. G. como aparece em Ne 5.

Harvard University Press. I. P.. História. s/d. PLUTARCO. H. Cultrix. Université de Nancy II. Nancy. ou na edição inglesa... Alexandre. G. Editora Três.. Edições 70. o Grande. Editora da UnB. 1985. Verbo. Economia e sociedade na Grécia antiga. GLOTZ.. J. KIPPENBERG. J. 1994. Paulus. Edições 70. M. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina. Cambridge. Difel. 1980. Brasília. P. Essai sur les origines du mythe d'Alexandre (336270 av. 1978-1981. Política . Os gregos antigos. . Isto se a lei tiver funcionado.. Lello & Irmão. PLUTARCO.). Religião e formação de classes na antiga Judéia. Brasília. LÉVÊQUE. em Vidas Paralelas IV. 1992. GOUKOWSKY. Massachusetts. Rio de Janeiro. G. L. Leituras Recomendadas ARISTÓTELES. 1987. Alexandre. Lisboa. 1989-1996. Lisboa/São Paulo. São Paulo. Edições 70. M. 1973. em Vidas. P. AUSTIN. Judaism from Cyrus to Hadrian I-II. 2 vols. GRABBE. 1986. Lisboa. ORLANDI (org. 1976.. Alexandre Magno. 19882. DE CASTRO. 1987. São Paulo. Minneapolis. HARVEY. P. 1980. Editora da UnB. 1988.. Anabasis Alexandri. Lisboa. São Paulo..-C. L. Fortress Press.) I-II. Alexandre. 1984. São Paulo. P. pp.. 138199. o que não sabemos.. A cidade grega.. pela SCM Press. BENOIST-MÉCHIN. O mundo helenístico.escravidão do judeu ao estrangeiro. em um volume. Porto. Jorge Zahar. FINLEY. ARRIAN. São Paulo. HERÓDOTO. Alexandre Magno./VIDAL-NAQUET.

Grand Rapids. SAULNIER.C. [1990]. Cf. Histoire d'Israel III. o encontro do sumo sacerdote de Jerusalém com Alexandre é narrado também na "Recensão C do Pseudo-Calístenes" (um conjunto de lendas sobre Alexandre.D. 42. p. 1992. [43].. Paulus. As tribos de Iahweh. 1986. c. Persia and the Bible. Além de Flávio Josefo. [39]. São Paulo. Baker Books. G. para esta questão. YAMAUCHI. também ABEL. M. História política.. 10-12. N. 46-47. GOTTWALD. pp. sobrinho de Aristóteles. H. [44]. 44. Cf. Paulus. Histoire d'Israel III. O texto em questão pode ser lido em PAUL.. p. KIPPENBERG.. 22-28. Antiquitates Iudaicae. ibidem. pp.M. A. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a. pp.-135 a.. 348. 133-208.C. Paris. 63-64. Idem. p. São Paulo. [41]. M. chama a atenção para a diferença entre dinheiro e moeda. p.. C. [38]. NEXT [37]. pp. Seguirei. F. Uma sociologia da religião de Israel liberto. H. Idem. ROSTOVZEV.. ibidem. 1952. Idem.. [45].PAUMAPE. pp.). Religião e formação de classes na antiga Judéia. Firenze. a excelente análise de KIPPENBERG. 71. 43-44. KIPPENBERG. La Nuova Italia. que se cristalizam por volta do século III d. 40-50.. o. atribuídas a Calístenes. Storia economica e sociale del mondo ellenistico I. pp. 317ss. Gabalda. O dinheiro. 1983.. XI. Du Cerf. pp. 1981. MI. SAULNIER. São Paulo. H. como medida de valor na . o.. 1988. G. [42]. G. E. 1250-1050 a. K. JOSEFO. Cf. Paris. O judaísmo tardio. no Anexo Tardio ao Meguillat Taanit (= Rolo dos Jejuns) e no Talmud da Babilônia (Yoma 69a). Histoire de la Palestine depuis la conquête d'Alexandre jusqu'a l'invasion arabe I. C. F. ibidem. [40].C.). 1996. Cf.. c.. Paulus. 1985..

G. 1986. c. GNUSE. H. o. na forma de peças de enfeite. Cf. isenta de tributos). 112-199. 41. [46]. [48]. Loyola. do vinho e do óleo que haveis emprestado". e Chipre". 56.. e posteriormente no de Cambises. . Por causa da fixação dos tributos e de outras medidas análogas. vinhas. G.. o. 1981. Editora da UnB.. [51]. [54]. p.. sendo o pagamento feito em presentes. KIPPENBERG.. 179-180. diz: "A região situada entre Posidêon. Desapropriação e escravidão não são compatíveis com esta ordem jurídica. R. 180. Não roubarás. Ática. 58. É em Ne 5. pesado segundo o método sumério-babilônico. Diz Heródoto: "No reinado de Ciros. KIPPENBERG. 53-72. c. Idem. c. 50. pp. [56]. [55]. É usado também o ouro.. Brasília. os persas chamaram Dareios de mascate. Cambises de déspota e Ciros de pai. H. G. No Israel antigo caracteriza-se a riqueza pela posse do gado.. G. uma cidade fundada na fronteira da Cilícia com a Síria por Anfílocos. KIPPENBERG. já existe bem antes da moeda. p. filho de Anfiáraos. não havia tributo fixo.. pp. Idem. História III.. pp. fundamentada na relação de parentesco. História III. 91. Cf. c. [50]. pp. A queixa dos camponeses é baseada no conceito de solidariedade judaica.11 que se fala nas oliveiras: "Restitui-lhes sem demora seus campos. A escravidão na Bíblia. Cf. pois Dareios negociava com tudo. pagava trezentos e cinqüenta talentos e constituía a quinta província. c. Cf.troca de produtos. p. oliveiras e casas e perdoai-lhes a dívida do dinheiro. [52]. ibidem. [53]. p. do trigo. HERÓDOTO.. 54-55. 47. p. 1985. o. H. 89. [49]. H. C. e o Egito (à exceção da parte pertencente aos árabes. também VENDRAME. ibidem. para o que se segue. KIPPENBERG. o... O conceito de irmão ('âh) designa o membro de uma sociedade solidária. Cambises era duro e insensível e Ciros era generoso e se preocupava com o bem-estar de seus súditos". HERÓDOTO. [47]. São Paulo. Comunidade e propriedade na tradição bíblica. que abrangia toda a Fenícia. o shekel. a parte da Síria chamada Palestina. p. o. São Paulo. assim como a prata.

produz uma movimentação política e econômica incomum na Palestina. desmantelamento de defesas e bens imóveis para prejudicar o inimigo. porém. Apesar das atribulações. cerca de 1 milhão de habitantes e a comunidade judaica alcança o significativo número de 200 a 400 mil pessoas[8]. Entre 323 e 301 a.C.. sustento das guarnições etc. tais situações acabam aumentando espetacularmente o número de judeus no Egito. somadas às migrações e aos mercenários. dois dos cinco bairros da cidade são ocupados prioritariamente por judeus. Daí as desgraças que atingem a região: pilhagens. Qual é a situação da Palestina neste período de 22 anos de conflito entre os herdeiros de Alexandre? É claro que há uma enorme dificuldade de se seguir uma política coerente. toma Jerusalém em 312 a. requisições.. A presença do exército macedônio.2. Eumênio ou Antígono. Em Alexandria. Aliás. pois os senhores da região mudam constantemente. seja sob o comando de Pérdicas. crianças. A Situação da Palestina de 323 a 301 a. deportando alguns milhares de judeus para o Egito. A cidade possui. deportações.C. na verdade. A maioria é destinada ao trabalho escravo das minas e da agricultura[7]. . fazendo da diáspora alexandrina a maior comunidade judaica fora de Israel.7. Antípater. Os veteranos se fixam nas colônias militares. as guerras trazem também alguns benefícios para a região. a Palestina é cruzada cerca de oito vezes por exércitos em luta. mulheres. escravos. acaba ficando bem no centro das disputas entre os diádocos. pois milhares de civis acompanham as tropas: mercadores. Os dados são escassos e problemáticos. Ptolomeu I.. na sua luta pela posse da Celessíria. é muito difícil calcular a população judaica da diáspora. A região da Síria. por exemplo. C. traficantes de despojos. núcleos de futuras cidades. Entretanto. na época romana. Junto com o exército vem o comércio.

Todo o episódio é extremamente confuso pela quase total ausência de documentos[11]. As Guerras Sírias entre Ptolomeus e Selêucidas O domínio dos Ptolomeus sobre a Celessíria dura 103 anos. com certeza.C. quando Antíoco II ao morrer em Éfeso. 7. A 2ª guerra síria (260-253 a. O acordo e o casamento são realizados.) é um confronto entre Ptolomeu II Filadelfo. direito a ser reivindicado na hora certa. porque não podem se sentir seguros no Egito se suas fronteiras não estiverem protegidas pela Celessíria. para sucedê-lo -.A guerra coloca em circulação. a Macedônia. desaparecido em circunstâncias misteriosas. por Laodice.C. seu filho mais velho com Laodice. agora. Deste conflito decorrem as chamadas "guerras sírias"[10]. nomeia Selêuco. Ptolomeu III invade a Síria e obtém grandes vitórias.ou talvez chamado por ela em seu socorro. que é repelido. A paz é feita quando Ptolomeu II cede aos Selêucidas suas possessões da Ásia Menor. e dá sua filha Berenice em casamento a Antíoco II. Os Selêucidas lutam pela região porque precisam cortar as bases dos Ptolomeus instaladas na costa da Ásia Menor.) coloca frente a frente Ptolomeu II Filadelfo e Antíoco II Theos. Antíoco II retoma as cidades da Ásia Menor que Ptolomeu II incorporara ao seu reino. enormes quantias de dinheiro. A 3ª guerra síria (246-241 a. a médio prazo.3.pois esquadras são montadas e destruídas fazem prosperar as cidades da costa[9]. Mas este deve repudiar sua esposa Laodice e os filhos que teve com ela. onde vivia Laodice. talvez assassinado por Laodice.C. Motivado pelo assassinato de sua irmã Berenice .) acontece entre Ptolomeu III Evergetes e Selêuco II Calínicos. de Alexandria. A guerra começa com a invasão da Síria por Ptolomeu II. E também por razões comerciais: a posse dos portos da Celessíria lhes garante o controle do Mediterrâneo Oriental e a ligação com a terra-mãe. um direito dinástico sobre o reino dos Selêucidas. As grandes construções navais . A região da Celessíria fica fora da guerra. assim. Outra invasão levao a algumas vitórias. Só que alguns anos depois. de Antioquia. menos a Cária. . Parece que Ptolomeu II procura construir. após a morte de Antíoco II. chegando até a Mesopotâmia. Os Ptolomeus. além disso. A 1ª guerra síria (274-271 a. e Antíoco I Soter. Berenice e seu filho são assassinados. Durante todo este tempo Ptolomeus e Selêucidas lutam pela Síria.

o herdeiro.C.C. consegue retomar as cidades conquistadas pelos Ptolomeus. Em 217 a. mas é repelido por Ptolomeu III. é totalmente derrotado por Antíoco III em Panion (Baniyas).) se dá entre Ptolomeu V Epífanes e Antíoco III. por isso. A tutela e a regência ficam com os ministros Sosíbio e Agátocles. porém. Agátocles é assassinado e Scopas dirige o exército ptolomaico que. Há. no norte da Palestina. Antíoco III avança novamente através da Celessíria e vence cidade após cidade.C. mas é barrado pelas forças ptolomaicas no ano de 221 a. entretanto. um período de relativa paz.C. Alexandria e os Judeus O governo dos Ptolomeus se faz a partir de Alexandria. O plano da cidade é do ródio .C. em 198 a. Como é Alexandria? Qual é a sua relação com o Egito? Como vivem aí os judeus? Alexandria está localizada a oeste do delta do Nilo. Em 219 a.C. Quando morre Ptolomeu IV Filopator. a não ser em Gaza. até atravessar a Palestina em 218 a. Antíoco III invade a Celessíria e quase não encontra resistência. O crescimento econômico acontece especialmente sob o governo de Ptolomeu II Filadelfo (285-246 a.Selêuco II. Estas três primeiras guerras sírias quase não afetam a região de Judá. 7. que favorece o desenvolvimento da região sob a administração ptolomaica. o Grande: Antíoco III tenta tomar a Celessíria. Com o Egito assim enfraquecido. Alexandria tem 5 bairros. selêucida. e Antíoco III é derrotado. A 5ª guerra síria (202-198 a. A 4ª guerra síria (221-217 a.) é entre Ptolomeu IV Filopator e Antíoco III. Antíoco III e Filipe V. a forma de uma clâmide12. travam grande batalha perto de Ráfia. tem um perímetro de mais de 15 km. Selêuco II tenta tomar a Celessíria. O Egito só não é tomado porque Roma o proíbe a Antíoco III. Construída segundo uma forma alongada. Ptolomeu V. de dono. tem apenas 5 anos de idade. selêucida e ptolomaico.4. no istmo entre o Mar Mediterrâneo e o lago Mareótis. E os judeus de Jerusalém mudam.C. com os nomes das 5 primeiras letras do alfabeto grego.. da Macedônia.C. mas uma vez. será. A Celessíria. Em seguida. os dois exércitos.). daqui para a frente. perto do braço canópico do Nilo. o Grande. A Celessíria retorna às mãos dos Ptolomeus. no sul da Palestina. planejam reparti-lo entre si.

A biblioteca teria chegado a possuir cerca de 700 mil volumes.Deinócrates: duas vias principais de 30 metros de largura cruzam-se em ângulos retos. mas também como instrumento de dominação"[14]. aliás.250 metros que liga a ilha de Faros à terra firme. Este plano é conhecido como hipodâmico. o habitat"[13]. o museu e o teatro.C. é complementada por outra localizada no Serapeum (o templo de Serápis). Lévêque. O Farol. como Aulo Gélio. existam dois eixos principais. chama o Museu de "gaiola das Musas". o palácio. por exemplo. é fundada por Ptolomeu I e notavelmente aumentada por Ptolomeu II. Canfora acredita que "os gregos não aprenderam a língua de seus novos súditos. "o urbanismo hipodâmico apareceu cerca de 480. L. um filósofo (pitagórico?) que de fato parece ter sintetizado as pesquisas anteriores efetuadas especialmente nas cidades coloniais. Assim nasceram bibliotecas reais em todas as capitais helênicas: não apenas como fator de prestígio. cerca de 40 mil volumes são destruídos pelo fogo. onde "são criados uns garatujadores livrescos que se bicam eternamente"[15]. o tribunal. A biblioteca de Alexandria. Os monumentos que se destacam em Alexandria são o ginásio. A tradição liga-o ao nome de Hipódamo de Mileto.C. que vive em Atenas. os edifícios públicos. O Museu é sustentado pelo Estado e ali os sábios convivem. O porto é dividido em dois pelo Heptastádio. feitas por Franck Goddio. a maior e mais célebre das bibliotecas da antigüidade.C. como virá a ser o caso nas criações romanas. gramático latino do século II d. obra de Sóstrato de .C. 2) o plano quer-se funcional e reserva. Veja aqui as recentes descobertas. a biblioteca teria sido queimada por ordem do califa Omar.. anexo ou próximo à biblioteca. o túmulo de Alexandre. para dominá-los. um paredão de cerca de 1. por acidente.. a biblioteca. bairros especiais para o porto. e que para entendê-los era necessário traduzir e reunir seus livros. discutem e produzem a ciência da época. próxima ao Museu. Está fundado em dois princípios novos: 1) as ruas cortam-se em ângulo reto. é uma academia literária fundada por Ptolomeu II. Um poeta e filósofo satírico grego do século III a. o que produz uma disposição em tabuleiro de xadrez. Localizada no bairro real. Em 47 a. sem que. que vive na corte de Ptolomeu II Filadelfo. segundo autores antigos. Como explica P. era preciso entendê-los. E em 642 d. mas compreenderam que. de nome Timão. da Alexandria submersa O Museu. conquistador árabe da região.

por sua beleza. a cidade adquiriu em seguida uma tal extensão que muitas a consideram como a primeira do mundo. Uma vez medido o terreno e dividido em bairros segundo todas as regras da arte. assim como palácios reais que ocupam um quarto ou um terço de sua superfície"[17].8 diz o seguinte: "A cidade tem a forma de uma clâmide. entre um grande lago e o mar. ótimo para a saúde. Ela se estende de uma ponta a outra com um comprimento de quarenta estádios e uma largura de um pletro [cerca de 30 metros] e ela é toda ornada de edifícios suntuosos.5 km]. com uma grande avenida que corta a cidade pelo meio. Autores antigos nos falam de Alexandria. praticamente todos os reis do Egito até hoje têm acrescentado ao palácio edifícios suntuosos. faz com que ela seja atravessada pelo sopro dos ventos etésios. tirado de seu próprio nome. enquanto que de largura os istmos encerrados entre o mar e o lago têm cada um de 7 a 8 estádios. Todas as ruas permitem a circulação a cavalo ou de carro. o rei dotou os habitantes de Alexandria de um clima temperado. Sua construção se dá no começo do reinado de Ptolomeu II Filadelfo (285-247 a. Ele lançou igualmente as fundações da muralha. mas há duas cuja largura excepcional excede um pletro [cerca de 30 metros] e que se cruzam em ângulo reto.I. Ela está muito favoravelmente situada perto do porto de Faros. ela possui apenas duas vias terrestres de acesso. entre eles Estrabão e Diodoro[16]: Estrabão XVII. A forma que ele lhe deu é bastante próxima à de uma clâmide. casas e templos. o rei deu à cidade o nome de Alexandria. Situada. estreitas e fáceis de vigiar.52. tem três andares e 110 metros de altura. que é de uma dimensão extraordinária e de uma solidez impressionante. cujos lados maiores são aqueles banhados pelas águas: eles têm cerca de 30 estádios [o equivalente a 5. Enfim.Cnido. Diodoro XVII.C. Como estes sopram sobre as vastas extensões do mar. Após Alexandre. que é obra do rei. A cidade tem jardins públicos muito belos. a . De fato. e o hábil traçado das ruas. uma maravilha por suas dimensões e sua beleza. ele [Alexandre] ordenou às pessoas que deixou no local com esta missão que a edificassem entre o lago e o mar. com efeito.). e refrescam o ar da cidade.1-5 descreve do seguinte modo as características de Alexandria: "Como decidira fundar no Egito uma grande cidade. Alexandre ordenou também que se edificasse um palácio: esta grande e poderosa obra é também uma maravilha. suas dimensões.

calcula a duração do ano solar e cataloga estrelas. Seus bancos fazem crescer a receita real. Lévêque. de longe. provavelmente estuda em Alexandria. desenvolvendo a geometria e a teoria dos números. importa e exporta inúmeros produtos é um dos centros culturais mais importantes do mundo grego[19]. um dos diretores da biblioteca de Alexandria. diretor da biblioteca. pois as outras duas que têm o estatuto de pólis. Sua manutenção é garantida pelo abundante trigo egípcio. diretor da biblioteca. Apolônio de Rodes. Alexandrinos controlam a Celessíria. o único verdadeiro porto do Egito no Mediterrâneo. Segundo P. Hiparco. Arquimedes. Hesíodo. que vive em Alexandria no século III a.C. . Alexandria é uma cidade totalmente isolada do Egito. Alexandria é praticamente a única cidade do Egito..abundância das rendas públicas e de tudo aquilo que faz o prazer da existência. Préaux assim resume o caráter específico da economia de Alexandria: a cidade vive em simbiose com o rei. gramático e poeta. não podem rivalizar com ela. conquistada pelos Ptolomeus. que aí chegam por via terrestre e marítima[21]. Alexandria é um entreposto de produtos da África e do Oriente. vivendo depois em Siracusa. E por aí afora[20]. ela ultrapassa. mas praticamente o Egito nada consome do que é produzido em Alexandria. Do ponto de vista cultural basta que nos lembremos de Eratóstenes. Píndaro etc. Zenódoto de Éfeso. famoso matemático. Do ponto de vista comercial exporta vários produtos do campo egípcio. que calcula a circunferência da terra. Náucratis e Ptolemaida. a corte e os gregos a serviço do rei são os clientes da indústria e do comércio. Aristarco de Samotrácia. Euclides.C. C. O rei. três fatores explicam o enorme desenvolvimento de Alexandria: o o o é a capital dos Ptolomeus e toda a burocracia do reino lágida aí se concentra é o centro de intensa atividade econômica. que inventa a trigonometria. outro diretor da biblioteca. matemático e geógrafo. gramático. Entretanto. gramático que prepara edições críticas de Homero. as outras"[18]. um dos maiores matemáticos da Antigüidade. nascido em 190 a..

ou 'cidadania' grega total (isopoliteía) significava inegavelmente a apostasia"[26]. O políteuma é um recurso que permite às comunidades preservarem sua cultura e seus direitos. a primeira condição para alguém adquirir a 'cidadania' ou a politeía era a educação recebida no ginásio com a formação específica no ephebeîon.. a politeía. Ser ""cidadão" e ser "diferente" . segundo a Carta de Aristéias a Filócrates. À diferença da época romana. diz o texto: "Enquanto se liam os rolos. certamente escolhido pela comunidade e referendado pelo rei. os anciãos da delegação de tradutores. Os judeus têm em Alexandria um etnarca. como a própria etimologia do nome indica (do grego pólis = "cidade" + sufixo que indica o resultado da ação). A cidadania alexandrina exigiria do judeus um modo de vida que violaria as regras específicas da Lei judaica. Qual é a sua situação? Os judeus ocupam dois dos cinco bairros de Alexandria.Já dissemos que os judeus são numerosos em Alexandria. E por isso os judeus não têm o título de cidadãos de Alexandria. . Em Alexandria provavelmente era este o meio habitual para se obter legalmente o título de cidadão. artesãos. todavia. Não se sabe bem o alcance dessas funções judiciárias: as sentenças são executadas pela comunidade judaica ou por instâncias reais? O etnarca tem competência jurídica sobre todos os casos ou somente sobre aqueles em que a lei judaica difere do direito grego?[24]. O etnarca exerce funções administrativas e judiciárias. Falando da leitura da versão grega da Bíblia. título que a administração real confirmava quase automaticamente. especialmente no que se refere às práticas alimentares. Esta Carta é o primeiro documento que menciona esta comunidade.várias profissões: são soldados.. conhecida como a LXX. agricultores. em todo o Egito . puseram-se de pé os sacerdotes.como são os judeus .é impossível[25]. Mais raramente comerciantes. com seus rigorosos critérios de raça. Os judeus. têm um políteuma em Alexandria[22]."[23]. E nisto diferem da imagem clássica que temos do judeu. que é uma imagem medieval.pois não estão apenas em Alexandria . os representantes da comunidade (kaì tôn apó tou politéumatos) e os chefes da população e disseram. o período dos Ptolomeus foi um pouco laxo neste ponto. É A. Exercem. Para os judeus. funcionários. Paul quem explica: "Segundo a tradição grega antiga. É uma espécie de cidade dentro da cidade.

pp. ABEL. c. nota 3. [8].-M. Evergetes. O nome "museu" vem das musas. 30-32. Cf. 39-43.. Le monde hellénistique I. F.. 146150. 139-155. C.C. P. Estrabão é um geógrafo grego que vive de 63 a. o. esta questão em SAULNIER.C. 231-233. com a astronomia e Talia. . 4487. 1985. Euterpe. ABEL. F. pp. com a poesia épica.-M.C. C. Cada uma delas se relaciona com uma arte: Calíope. com a comédia. Cf. Histórias da biblioteca de Alexandria. 2. [10]. Cf. com a história. LÉVÊQUE. c. Evergetes significa "Benfeitor". "Salvador".245-251.. Cf. c. pp. Editora da UnB.. Histoire d'Israel III. E. por exemplo. 18-19. o. 28. Urânia.... p. F. pp. 457-458. [13].. CANFORA. o. Polímnia. Diodoro Sículo.. 286-287. c. pp. 63-87. PRÉAUX..234-261. [9]. com a tragédia... [16]. c. [15]. pp. é chamado de Soter. Brasília.. o. São Paulo. 293311. Melpomene. C.. também PRÉAUX. O mundo helenístico. Epífanes etc . 233-238. Sobre a 4ª e a 5ª guerras sírias temos boas informações em POLÍBIO. o.. porque salvou os ródios de um cerco imposto por Demétrio. ABEL. o.. pp.. XVI. Estes títulos dos reis helenísticos . Ptolomeu I. [11]. História V. 118-121. WILL. 1982. Erato. pp.. c. 39-45. A biblioteca desaparecida. produz uma importante obra de geografia universal. Após se instalar em Roma.C.. Terpsicore. atribuídos por cidades às quais eles prestam algum serviço ou libertam de algum inimigo. Theos é o "deus" etc. Filadelfo.NEXT [7]. p. com a música para lira. pp. 63. com a música para flauta. CANFORA. historiador grego romanizado do século I a. c. Epífanes é o "Manifesto".. que na mitologia grega são as nove deusas da literatura e das artes. [14]. A clâmide é um manto grego que se prende por um broche no pescoço ou no ombro direito. PRÉAUX. [12]. vol. com os cantos sacros. C. o.Soter. PRÉAUX. 1989. em geral.. 26-44. pp. Cf. Theos. Cf. a 20 d. pp. com a dança. c.lhes são. L.-M. em 29 a. pp. o. Companhia das Letras. 194195. L.. Cf. C. Clio.

497. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. Le monde hellénistique II. [25]..C. [22]. [26]. [18]. Histoire d'Israel III.. Histoire d'Israel III.. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina.6. C. [19]. Cf. pp.-C) II. profundamente marcado pelas categorias do pensamento helênico. 454-455. O judaísmo tardio. com . p. que escreve a seu amigo Filócrates para lhe relatar sua embaixada junto ao sumo sacerdote Eleazar. uma história universal que abrange desde os tempos mitológicos até a conquista da Gália por César (58-51 a. [21]. [23].publica. 310. HARVEY. em 21 a. P. a discussão sobre a cidadania dos judeus de Alexandria em STERN. SAULNIER.. p. Presses Universitaires de France.. 399-403. PRÉAUX. respectivos verbetes... A. p. LÉVÊQUE... ibidem.. C. pp.. A Administração Ptolomaica da Palestina Este sistema administrativo ptolomaico é também implantado na Palestina.". Idem. Cf. Cf. [20]. A. pp. p. p. Le monde hellénistique II. para esta questão. 7. Trata-se. A data desta obra é discutida. Cf. 69. PRÉAUX. C. entretanto a hipótese mais razoável parece ser a que se situa na metade do século II a. PRÉAUX.) [17]. 119-120. 19882. CARTA DE ARISTEAS A FILÓCRATES. p. Cristiandad. [24]. Cf. 510-511. de fato. Cf. "O autor se faz passar por um grego. 359-360. P. 1983. explica SAULNIER. Le monde hellénistique.C. em DIEZ MACHO. Paris. 456. La Grèce et l'Orient (323146 av. Cf. C. durante os 103 anos de domínio de Alexandria sobre a região. adorador de Zeus. O mundo helenístico. 61.C. 365. C. pp. Cf. de um escrito judeu. Apócrifos del Antiguo Testamento II. Madrid. J. "Etnarca" significa aquele que governa uma etnia.. Mas. M. PAUL.

da administração das finanças[38]. Outra instituição que se desenvolve provavelmente durante o domínio ptolomaico é a gerousia (= senado). Gaza. Ascalon. Será o conhecido Sinédrio da época de Jesus. tanto na Judéia quanto na Iduméia. mas o distrito de Judá é considerado como "Estado do Templo". Os Ptolomeus implantam um sistema de arrendamento. O centro administrativo parece ser Acco. Politicamente a região da Celessíria é composta das seguintes etnias: o o o o o o cidades fenícias ao longo da costa. de Ortozia a Gaza o distrito do Templo de Jerusalém. Os judeus que habitam na Galiléia. Ou Marisa. aos senhores estrangeiros. incluindo as colônias militares macedônias as tribos dos nabateus e dos árabes. com seu povo judeu os povos samaritano e idumeu grupos descendentes de cananeus e sírios várias cidades no interior. Jope e Dor. dentro do reino ptolomaico. ao lado do sumo sacerdote. território sagrado. do direito de cobrar os impostos locais.algumas modificações. que tem seu nome mudado para Ptolemaida. na Iduméia e na Transjordânia não têm qualquer estatuto especial. Não há cidades livres. com seus magistrados e seu território. que já teria havido. por elas. repassados. como Tiro. a famílias ricas da terra. mas também as póleis mais significativas do interior. O modo de vida grego se implanta mais rapidamente nas cidades fenícias. Acredita-se. onde valem as leis tradicionais do povo judeu e onde o sumo sacerdote é o chefe principal. Mas há cidades que se aproximam do modelo da pólis grega. Sídon. no sul e na Transjordânia. Acco-Ptolemaida. entretanto. no tempo dos Ptolomeus. Assim são as mais importantes cidades fenícias e palestinas. . na Iduméia[37]. no sentido da Grécia clássica. uma assembléia aristocrática composta pelos chefes das famílias mais influentes. pois a estrutura social da região é diferente da egípcia e a complexidade política é maior. são inexoravelmente helenizadas. na Samaria como na Galiléia. um oficial especial que se encarrega. Uma de suas funções é a de limitar o poder do sumo sacerdote. pelos sacerdotes e pelos escribas do Templo.

H. Este decreto. Os habitantes da Síria e da Fenícia. aparentemente filantrópico. É bem ilustrativo da política ptolomaica para a região da Celessíria um decreto de Ptolomeu II Filadelfo. valendo o mesmo para as pessoas livres vendidas em leilões reais. mas também política. ou o adquiriram de um ou outro modo.: "Ordem do rei. após declarar que podem ser conservadas as pessoas que já eram escravas antes da compra. G. provocando a indignação e a revolta das populações locais. devem declará-lo e apresentá-lo ao ecônomo em qualquer hiparquia dentro de vinte dias após a publicação deste decreto". só que. continua o decreto: "E no futuro a ninguém será permitido. Ele é digno de nota porque legaliza a escravidão como conseqüência da inadimplência fiscal"[40]. provavelmente de 261/260 a. Todos aqueles que tomaram parte na expedição de nosso pai nas regiões da Síria e da Fenícia e. Muito próximo deste decreto é outro conservado na Carta de Aristeas a Filócrates. dos quais já falei a propósito da crise agrária da época de Neemias. E tal política se implanta principalmente através da aliança grega com os aristocratas locais. porque a caça ao homem livre cria uma desordem perigosa na região.De modo geral. na verdade estabelece um monopólio real na venda de homens livres. Kippenberg observa a propósito: "Pode-se duvidar de que este decreto tenha realmente surtido efeito na Palestina. onde naquela época grassava a escravidão. que compraram um nativo livre (sôma laikòn eleúteron) ou dele se apropriaram com violência. desta vez. sob qualquer pretexto. vender ou penhorar nativos livres. Mais adiante. É a maneira mais eficaz de impedir o avanço de seus rivais Selêucidas sobre a região.C. a respeito dos judeus: "Ordem do rei. convém observar que o desenvolvimento econômico da região da Celessíria faz parte de uma estratégia política bem definida por parte dos Ptolomeus. também emitido por Ptolomeu II Filadelfo. também daqueles sobre os quais já foi pronunciada a pena de execução. invadindo o território dos judeus . como se encontra na lei do arrendamento"[39]. exceto aqueles que o governador das rendas do Estado sírio ou fenício entregou ao processo de execução (prosbolé = arremate de propriedade a terceiros). É uma medida econômica.

Zenão é um de seus homens de confiança . no final de 260 a. portanto. é também um grande proprietário e negociante.C. mantém sua dôréa.. A partir deste ano. o poderoso Apolônio.C. localizada nas vizinhanças do oásis de Fayum. Zenão vai para a Palestina. os papiros de Zenão são dispersos pelo mundo afora durante a 1ª Guerra Mundial..C. um funcionário do governo.administra. os outros no banco real"[41].igualmente os que são da mesma raça e que os tenham precedido aqui ou que tenham sido deportados depois deles . entre 261 e 229 a. quer os tenham trazido para a cidade [de Alexandria] e para o país [do Egito]. a sua dôréa durante nove anos . Mas Apolônio parece não separar bem estas duas esferas de negócios.). na Itália. Acredita-se que teria sido para proteger-se contra possíveis problemas jurídicos e políticos futuros a respeito de suas posses que Zenão meticulosamente arquiva os papiros referentes aos negócios de Apolônio sob sua responsabilidade e os papiros relativos a seus próprios negócios. .do qual não temos mais notícias após 245 a. a pública e a privada.000 papiros. os militares no pagamento de seu soldo. Também os arquivos de Zenão são importantes para a compreensão da administração ptolomaica da Palestina[42]. A dôréa de Apolônio é liquidada em 243 a. não sendo. e trazem os arquivos de Zenão. cidade da Cária controlada por Ptolomeu II. onde o dioceta de Ptolomeu II Filadelfo. de 261 a 248 a. . encontrados após 1910. em viagem de negócios para seu patrão. originário de Caunos.e cuida de seus negócios particulares. por exemplo. no Cairo. perto da antiga Filadélfia.C. ligado às questões públicas. onde entra para o serviço de Apolônio. Zenão vai para o Egito. O seu último documento datado é de 14 de fevereiro de 229 a. por isso. na Alemanha. por um período de 13 a 14 meses. e Zenão está também. Trata-se de uma coleção de cerca de 2. Descobertos por escavadores clandestinos.que os possuidores os deixem livres e recebam imediatamente em compensação 20 dracmas por cada pessoa. Zenão deixa Apolônio .C.tornaram-se senhores de indivíduos judeus. isto é.. quer os tenham vendido a outros .C.C.C.e se dedica a seus negócios particulares em Filadélfia.. no qual permanece 13 anos. Apolônio. Estamos em plena segunda guerra síria (260-253 a. encarregado das finanças e da fiscalização de todo o reino. em New York. Fica na região até o começo de 258 a. Estão em Londres. Os papiros cobrem um período de 32 anos. ao mesmo tempo que é um poderoso ministro de Estado.

Zenão realiza negócios para Apolônio e para o rei Ptolomeu II. filho de Straton. filho de Filipe.. todos os dois clerucos do corpo de cavaleiros de Tobias. do séqüito de Apolônio o dioceta. Este distrito.. . Foi fiador [. filho de Ananias. filho de Ptolomeu. Orrieux observa a propósito da visita de Zenão à fronteira com os Selêucidas: "Pode-se imaginá-lo como um enviado especial de Apolônio. vendeu a Zenão. Uma hiparquia é um distrito territorial governado por um hiparco. Heráclito. que atinge as fronteiras do reino. de sete anos de idade. cleruco de Tobias. macedônio.]. ateniense. Interessante é também sua visita aos Tobíadas. Polemon. Demóstratos.. juiz. filho de Botes.]. C. o persa. na Transjordânia. não é apenas privada. Zenão. sendo epônimos o sacerdote de Alexandre e dos deuses irmãos e a canéfora de Arsinoé Filadelfo que estão em função em Alexandria. por cinqüenta dracmas. Para lá chegar. aspendiano. filho de Timarcos. Timopolis. Zenão visita igualmente a Galiléia e fiscaliza propriedades de Apolônio nesta região. no mês de Xandikos.. na Iduméia. a missão de Zenão. fazendo o leva-e-traz entre Alexandria e a Síria-Fenícia a fim de informar seu patrão diretamente sobre os problemas financeiros colocados pela proximidade das operações militares. filho de Xanocles. cnidiano. ele passa por Jerusalém e Jericó. registrada no seguinte contrato: "No ano vinte e sete do reinado de Ptolomeu. na birta de Auranítide. Apolônio é o proprietário da aldeia de Beth-Anath da Galiléia. cauniano. colofoniense.quando Ptolomeu II enfrenta-se com o Selêucida Antíoco II. do séqüito de Tobias. Sem ser funcionário ele tem a função de conduzir delicadas negociações oficiosas"[44]. como a compra de uma menina escrava. O seu roteiro na região não é muito fácil de ser reconstituído. segundo um papiro da coleção. Como o dioceta Apolônio é também responsável pelos suprimentos do exército ptolomaico. Nicanor. Nesta cidade ele se vê às voltas com a fuga de três escravos que comprara na Iduméia. mas é possível que ele tenha desembarcado em Gaza e da lá ido a Marisa. todos os quatro do séqüito de Apolônio o dioceta"[43]. Foram testemunhas [. uma escrava babilônia chamada Sfragis. filho de Dionísio. Com os Tobíadas. filho de Agreofon. e de seu filho Ptolomeu. milésio. Zenão fiscaliza também a hiparquia da região norte da Celessíria. divide-se em aldeias (kômê) chefiadas por um comarca. assim como os nomos egípcios.

Estas notícias sobre a viagem de Zenão estão em cerca de 40 daqueles quase 2. vinho e figo que lhe devem fornecer. Passe bem! Ano 23.4). entretanto. suas relações e suas influências"[49]. a segunda a Apolônio. Estes administram os territórios conquistados "com a mesma desenvoltura com que um agricultor macedônio administra suas próprias terras"[47]. Paul: "Comandante de uma klerouchia militar (cujo centro era a birta ou `fortaleza' de família. Ele me fez provar o vinho e eu não pude adivinhar se ele vem de Quios ou da propriedade. o Tobíada e de seu filho Hircano. a serviço do qual punha seus soldados. Considero satisfatório a situação dos trabalhos. Tobias. como documenta um dos papiros de Zenão[45]. Quando Zenão visita a Palestina em 259 a. saudações (. dirige uma cleruquia lágida na Transjordânia. No ano seguinte. Outro dado interessante para se conhecer a administração ptolomaica da Palestina é a história de José. descendente do Tobias da época de Neemias (Ne 13. Tu podes acreditar que um acaso feliz te favorece de todas as maneiras.O seu administrador consegue aumentar extraordinariamente a cultura da vinha. uva. tendo ainda as funções de um prefeito do rei do Egito. transmitida por Flávio Josefo[48].000 papiros do arquivo recuperado próximo a Fayum. ele comanda o clã. construída inicialmente para resistir às invasões dos beduínos do deserto). A primeira é dirigida a Ptolomeu II. identificada pelos arqueólogos com o `Arak el Emir atual. Tobias era o chefe de uma importante tribo local. Xandikos 7"[46]. O que resulta da leitura destes papiros é a impressão de intensa atividade política e econômica dos Ptolomeus na região da Palestina.. ao sul do Galaad. Ele me disse que a vinha tem 80 mil pés. . o administrador consegue sucesso. O centro do território é a birta (= fortaleza) de Amon. ilustram suas relações com os Ptolomeus. Duas cartas de Tobias. Ele construiu uma cisterna e uma casa adequada.C. Os Tobíadas vivem numa espécie de feudo na Transjordânia..) Ao chegar a Baitanata. Diz A. como testemunha a seguinte carta enviada a Apolônio: "Glaukias a Apolônio. mas os camponeses estão em desacordo com ele quanto à quantidade de trigo. pertencentes aos papiros de Zenão. eu tomei comigo Melas e nós examinamos as novas plantações e todos os outros empreendimentos.

C. através da escravidão . obtendo muito mais até: consegue o direito de recolher os impostos de toda a Celessíria[51]. As cidades provavelmente só puderam pagar as novas cargas fiscais impondo aos camponeses doação parcial em mantimentos. Xandikos 10 [= 13 de maio de 257]". se recusa a pagar os impostos devidos aos Ptolomeus. pró-Lágida. baseando-se no fato de que a terra era propriedade do dominador"[52].. seu filho Hircano o sucede no cargo. José. para teu uso. Tobias deseja bom dia! Eu te enviei dois cavalos. José. vai representar os interesses da Judéia diante do rei Ptolomeu em 242 a..que ainda rende mais excedentes . o filho de Tobias.[50]. a seguir. Com o auxílio de 2 mil soldados ele exige duramente os impostos das cidades e dos campos.. as características destes rapazes. Como? Diminui o número de bocas para comer. por exemplo.000 talentos para a província sírio-fenícia."Ao rei Ptolomeu. "Tobias a Apolônio.e estimula culturas mais rentáveis. Eu te enviei Aineas para te oferecer um eunuco e quatro rapazes. partidário dos Selêucidas. ameaça então reduzir a Judéia a uma colônia militar. como é o certo. após ser designado pelo povo como chefe (prostátes). um meio-onagro. enriquecendo-se com isso consideravelmente. José recolheu o tributo das cidades e mandou executar os parentes dos magistrados que relutaram.C. tendo se suicidado quanto Antíoco IV assume o governo[53]. Flávio Josefo diz que ele leva os judeus à prosperidade. escravos [. cruzamento de jumenta. dois jumentos árabes brancos de tração. Quando acontece a terceira guerra síria ( 246-241 a. .C. nasce na Judéia em uma aldeia da família. sobrinho do sumo sacerdote Onias II por parte de mãe. até o advento dos Selêucidas na região. Com créditos samaritanos ele financia antecipadamente o arrendamento e "em lugar de 8. O rei Lágida. José ofereceu o dobro.).. Eu reproduzo. lembrando-me de ti sem cessar. saudações! Se tu vais bem e se teus negócios e o restante estão como tu desejas. Felicidades! Ano 29. Onias II. A seguir vem as características dos escravos.] de excelente estirpe. Ao morrer em 226 a. Dotado de plenos poderes estatais para aplicar a força. Xandikos 10 [13 de maio de 257]". Ptolomeu III Evergetes... Passe bem! Ano 29. olivais em vez de cereais. dois filhotes de meio-onagro e um filhote de onagro. graças aos deuses! Eu estou bem. que é de 20 talentos. seis cães.

através do qual poderemos apreciar os seus métodos: "José tomou. Histórias da biblioteca de Alexandria. que o elogiou magnificamente e permitiu que. o Tobíada. foi para a Síria. 55-51 Cleópatra VII Filopator : 51-30 Leituras Recomendadas CANFORA. mas ele soube castigá-los. que lhe abriram suas portas e pagaram seu tributo sem dificuldade alguma"[54]. depois de ter dado a Alexandria quinhentos talentos. O castigo dos ascalonitas encheu de temor as outras cidades da Síria. a fim de poder obrigar os que se recusavam a pagar os tributos e. Cronologia dos Ptolomeus Ptolomeu I Soter : 323-285 Ptolomeu II Filadelfo : 285-247 Ptolomeu III Evergetes : 247-221 Ptolomeu IV Filopator : 221-205 Ptolomeu V Epífanes : 205-181 Ptolomeu VI Filometor : 181-145 Ptolomeu VII Néos Filopator : 145-144 Ptolomeu VIII Evergetes (Físcon) : 144-116 Ptolomeu IX Soter (Latiro) : 116-107 Cleópatra III : 107-101 Ptolomeu X Alexandre : 101-88 Ptolomeu IX Soter (Latiro) : 88-80 Ptolomeu XI Alexandre II : 80 Ptolomeu XII Aulete : 80-58. A biblioteca desaparecida. depois. Não se contentaram em não querer pagar. Companhia das Letras.. que mandou matar. usasse deles como quisesse. O príncipe ficou tão satisfeito com seu proceder. escreveu ao rei para lhe dar contas do que tinha feito e mandou-lhe mil talentos do confisco de seus bens. mas o ultrajaram com palavras. Os habitantes de Ascalon foram os primeiros a desprezar suas ordens. dali por diante. dois mil homens das tropas do rei.Vejamos um trecho do relato de Flávio Josefo sobre José. 1989. Mandou prender imediatamente vinte dos principais. São Paulo. . L.

Le Monde hellénistique..-M. Histoire politique du monde hellénistique (323-30 av. em DIEZ MACHO. PRÉAUX. Apocrifos del Antiguo Testamento II.. SCM Press. J. p. [40]. 568 acredita na autenticidade deste documento. L'orizon d'un grec en Egypte an IIIe siècle avant J. E. o. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. 1926-1965.-M. M. H. ABEL. La civiltà ellenistica. ABEL. H. KIPPENBERG.. Firenze. H.. G. c. A. Harvard University Press. 1983. W. LÉVÊQUE. 1987. Apócrifos del Antiguo Testamento II.. [41]. HENGEL. 19792.. 22.. 51-60. Madrid.DIEZ MACHO. 73-74. 1992. Histoire d'Israel III. pelo menos nos seus termos mais gerais. The Israel Academy of Sciences and Humanities. pp. Paris.. A. J. . 19882. Jerusalem. Cf. Cf. 1981.) I-II. HENGEL. Cf. STERN. O mundo helenístico. Presses Universitaires de France. C. Presses Universitaires de Nancy. 62-63. Casa Publicadora das Assembléias de Deus. C. Histoire de la Palestine I. Josephus I-X../WIKGREN. F.. História dos Hebreus. NEXT [37]. Lisboa. [39].. L. PRÉAUX. 24-29. Cristiandad. R. c. St.-C) I. London. M.. C. p. Cambridge. CARTA DE ARISTEAS A FILÓCRATES. pp./FELDMAN. J. 1983. Cf.. Studies in their Encounter in Palestine during the Early Hellenist Period I. Rio de Janeiro. SAULNIER. F. 22-23. Les papyrus de Zenon. KIPPENBERG. La Gréce et l'Orient (323-146 av. G..-C. 19872. La Nuova Italia. pp. F. 74.. P. pp. H. Macula. JOSEFO. 1978.. C. 364. o. 1976./MARCUS. WILL. Religião e formação de classes na antiga Judéia. p. C. Judaism and Hellenism I. TARN. Paris. Obra Completa. Judaism and Hellenism.... Nancy.. [38]. THACKERAY. Le monde hellénistique II. Edições 70. ORRIEUX.. M. pp.. A.

pp. Les papyrus de Zenon. A. [48]. fiador. 6571. Religião e formação de classes na antiga Judéia. 450-451. 1981...[42]. Cf. F. PAUL. o. [44].. Antiquitates Iudaicae. [46].. C. 8. Brescia. 42. de fato. KIPPENBERG. ORRIEUX. testemunhas etc. Cf. [50]. Histoire d'Israel III. C. [43]. diz PAUL. F. 181.C. efetuou-se. JOSEFO. corregência. [52]. pp.. JOSEFO.. Cf. p. H. c. c. [47]. [49]. O contrato é redigido em abril/maio de 259 a. O judaísmo tardio.. [54]. HENGEL. G. ABEL. Cf. c. p. Les papyrus de Zenon. sacerdotes epônimos dos cultos dinásticos. Greci e Barbari. Com isso. 42-43.. p. Histoire d'Israel III... F. "ao qual estava ligado o principal cargo administrativo e financeiro da Judéia. c. Cf. 47.. Aspetti dell'ellenizzazione del giudaismo in epoca precristiana. M. ORRIEUX. [53]. Cf.. C. ORRIEUX. Os Selêucidas: a Helenização da Palestina . C. pp. 451-454.C. 179. pp. p. XII. G. C. ORRIEUX.. C. Cf. o.. ORRIEUX. [51]. c. 158-236.. C. p. uma transferência de poderes do sumo sacerdote pró-selêucida para o Tobíada pró-lágida. p. p. SAULNIER. O documento segue as regras mais estritas para este tipo de escrito: ano de reinado. pp. 178.. A. H. 74-75. o. c. PRÉAUX. Antiquitates Iudaicae XII. Esta carta está datada em 9 de maio de 257 a. José se tornou o mais alto funcionário civil de Jerusalém". 48. KIPPENBERG. pp.. [45]. Paideia. o. sobre José e os Tobíadas. Le monde hellénistique II. 76. C.. Ebrei. Com o título de prostátes.. o. o... 571-572.. 43-44..-M. SAULNIER.

óleo e incenso.).1. os Selêucidas assistem aos progressivo declínio de seu Império. como eles proveram abundantemente à subsistência de nossos soldados e de nossos elefantes e visto que nos ajudaram a expulsar a guarnição egípcia instalada na cidadela. saudações. medidas segundo o costume do país.C. o Grande Quando Antíoco III. As questões que abordarei neste capítulo tratam: do governo de Antíoco III . fazendo voltar a ela os que foram dispersos. de nosso lado. nos testemunharam sua benevolência. nós. Quero que todas estas contribuições lhes sejam entregues segundo minhas instruções. os judeus de Jerusalém o apóiam nesta luta. o Grande. Como os judeus. em 197 a. com quem entram em conflito. eles nos receberam magnificamente e vieram ao nosso encontro com o seu senado. fornecer-lhes. em vinho. Pressionados por Roma. e expulsa definitivamente os Ptolomeus da Ásia. para os sacrifícios. desde que entramos em seu país.C. reconstruir sua cidade arruinada pelos infortúnios da guerra e repovoá-la. segundo Flávio Josefo. Por isso. Jerusalém é contemplada com um decreto de Antíoco III. As madeiras serão tiradas na Judéia mesma e entre os outros povos e no . 8. Que sejam terminados os trabalhos do templo. o Grande (223-187 a. Em primeiro lugar. os reis Selêucidas. e especialmente Antíoco IV Epífanes (175-164 a. o Grande. no valor de 20. o Selêucida Antíoco III. vence os exércitos dos Ptolomeus.C.O Governo de Antíoco III. artabes[2] sagradas de farinha de frumento.C. decidimos. implantam um acelerado processo de helenização dos vários povos e cidades da região. Diz o decreto: "O rei Antíoco a Ptolomeu[1].) vence os egípcios em Panion (Baniyas). 1. junto às nascentes do Jordão. havemos por bem reconhecer todos esses bons ofícios.000 dracmas de prata. O partido selêucida em Jerusalém está mais forte do que o ptolomaico.Em 198 a. em razão de sua piedade. como à nossa chegada em sua cidade.460 médimos de trigo e 375 médimos[3] de sal. Para solidificar o fragmentado Império. A anexação da Celessíria se dá a seguir. e suas relações com os judeus e com Roma do governo de Antíoco IV Epífanes e seu conflito com os judeus das causas da helenização da Judéia. os pórticos e tudo o que tiver necessidade de ser reconstruído. uma contribuição em animais de sacrifício.

concedo àqueles que a habitam atualmente e àqueles que nela se estabelecerem até o mês de hyperberetaios[4]. Examinemos um pouco o decreto. A madeira para a restauração do Templo está isenta do imposto alfandegário.o governo selêucida toma as seguintes medidas: o o o o o que seja dada uma contribuição real para os sacrifícios. Todos os membros da nação (éthnos) devem viver segundo as leis de seus pais. É interessante observarmos as medidas de Antíoco III sobre os impostos[6]. óleo. nós lhes restituímos a liberdade e ordenamos que lhes sejam restituídos os seus bens"[5]. Além da reconstrução e do repovoamento da cidade . para que a cidade seja repovoada mais depressa. o símbolo da vitória. para os gregos. as cidades começam a oferecer aos seus reis coroas de ouro ou uma soma equivalente . do terço do tributo. . flor de farinha. Ficam isentos também do imposto coronário: a coroa de folhas é. os sacerdotes. do imposto coronário e da taxa sobre o sal isenção de impostos durante três anos para os atuais habitantes da cidade e para aqueles que vierem nela morar até determinada data. ficam isentos da capitação. O mesmo será feito com todos os outros materiais necessários para se enriquecer a restauração do templo. 199 e 198 a. Quanto aos que foram tirados da cidade e reduzidos à escravidão. a fim de indenizá-los de suas perdas.que sofrera três assédios consecutivos. Para que a cidade seja repovoada mais depressa. os escribas do templo e os cantores do templo serão isentos da capitação. para o futuro. em animais. em 201.C. que incide sobre todas as mercadorias em circulação. vinho. sem serem submetidas a nenhuma taxa.Líbano. os sacerdotes. O senado e os funcionários do Templo ficam isentos da capitação. imposto pessoal recolhido dos adultos. Nós os isentamos ainda. os escribas do Templo e os cantores do Templo. uma isenção de impostos durante três anos. trigo e sal a madeira retirada da Judéia e do Líbano para os trabalhos de construção do Templo e dos pórticos está isenta de taxas todos os membros do povo judeu devem viver segundo as leis de seus pais o senado (gerousia). concedida aos vencedores dos jogos ou a um rei vitorioso[7]. incenso. Com o tempo. O senado. do imposto coronário e da taxa sobre o sal.

na Palestina. Deve-se observar que.). levitas. finalmente. a expansão selêucida sob Antíoco III. ou talvez . de um éthnos ou de uma cidade. o tributo. que regulamenta o apoio material ao culto. H. Apesar de parecerem benevolentes. associada há muito ao poder através da gerousia e que. É preciso observar também que a reconstrução e o repovoamento da cidade são medidas necessárias para o fortalecimento do governo e dos interesses de Antíoco III naquela região disputada pelos Ptolomeus. em prata ou em produtos. Na carta de nomeação de Artaxerxes a Esdras (do ano 398 a. mas porque o quer o governo selêucida[8]. naquela época. Roma disputa com Cartago a posse da Sicília e o controle do Mediterrâneo ocidental. Kippenberg observa que "este decreto tem paralelo no documento de administração persa (Esd 7. que tem boas salinas. Entretanto. são isentos durante 3 anos do phóros. será impedida por Roma na medida em que seus interesses entram em choque com a forte república na Europa. Provavelmente paga-se determinado valor ao governo. exigido de uma província. Cartago é uma colônia fundada pelos . Os habitantes da cidade. está incluída a ordem ao encarregado das finanças da província Transeufratiana.em dinheiro. Esta taxa é conhecida na Palestina e na Babilônia. Antíoco III reforça o papel da aristocracia. liga o destino do éthnos (= nação) judeu às decisões reais. porteiros e servos do templo (vv. Pois as leis dos antepassados (a Torá) devem ser obedecidas não porque assim o decidem os judeus. 21-24)"[9]. com este decreto. podendo somente o rei conceder a isenção. este último sendo o caso de Jerusalém. G. de um templo. sob outro aspecto.? Durante o século III a. O que Antíoco III faz é seguir a velha política persa em relação aos judeus.12-26). cantores. Ainda: o senado e o Templo ficam isentos da taxa sobre o sal.C. Por que Roma e os Selêucidas se enfrentam no século II a. o Grande.C. bem como a isenção de tributos para sacerdotes. estas medidas não devem .C. O que antes era espontâneo acaba institucionalizado e tornado obrigatório. pois não superam as decisões comuns tomadas em relação a outras cidades. nos enganar. se aceite o produto "in natura". entretanto.

se dá entre 149 e 146 a. Roma ataca a Macedônia e vence Filipe V em Cinoscéfalos. alguns dos presentes. em 197 a. como sempre.C. De fato.C. A primeira guerra dura 23 anos. realizados naquele ano.) Cessadas as aclamações ninguém mais demonstrou o menor interesse pelos atletas. ao mesmo tempo em que Roma se torna líder de uma poderosa confederação italiana. Então Roma faz uma acordo com a liga etólia12 . A segunda guerra acontece de 218 a 202 a. no começo . os foceus. Após vencer Cartago. outros. segundo Políbio: "'O Senado de Roma e o procônsul Tito Quíntio.C. na qual Roma destrói Cartago e anexa seus territórios. Roma enfrenta e vence Antíoco III na batalha de Magnésia.C. os lócrios. os eubeus. Durante os jogos Ístmicos. os aqueus ftióticos. oposta à Macedônia em um confronto pelo Épiro. Fatalmente os interesses das duas potências se chocam e o enfrentamento militar torna-se inevitável. com a vitória de Roma sobre o famoso general Aníbal. quase o reduziram a pedaços"[13]. Desde o início haviam começado os aplausos ensurdecedores (. de 264 a 241 a.C. Três grandes guerras são feitas entre as duas potências[10]. refugia-se na corte selêucida e instiga Antíoco III a lutar contra Roma. falando com os seus vizinhos ou consigo mesmos. Aliás. Após muitas negociações frustradas. ansiosos por apertar-lhe a mão. o arauto anuncia.C. A terceira guerra. os tessálios e os perrébios'. e a maior parte lançando coroas e fitas frontais em sua direção. os magnésios.fenícios no norte da África (na região da atual Tunísia) talvez no século IX a. sem guarnições em suas cidades e sem a imposição de quaisquer tributos e governados pelas próprias leis de suas respectivas pátrias: os coríntios. bandeira desfraldada cada vez que reis e Estados rivais se enfrentam pela posse da região.. e todos os presentes. Durante a segunda guerra púnica[11] Aníbal alia-se a Filipe V da Macedônia para abrir outro front para Roma. desejosos de vê-lo frente a frente e de chamá-lo de seu salvador. deixam livres os seguintes povos.. Aníbal. maneira de barrar a interferência de Filipe V na Grécia. O cônsul Flamínio proclama a "liberdade dos gregos" em 196 a. de tal maneira que terminados os jogos a multidão quase matou Flamínio com suas demonstrações de gratidão.. Os cartagineses constroem importante império comercial. em Corinto. após ser derrotado por Roma. após a vitória sobre o rei Filipos e os macedônios. este tema da "liberdade dos gregos" é pura manobra política. agiam a bem dizer como homens fora de si.

Os romanos perdem apenas 400 homens. O exército romano é comandado por Lucius Cornelius Cipião depois cognominado "o Asiático" -. mas nenhum poderoso. as províncias aquém do Taurus . cada anuidade devendo ser paga a Roma.C. Ele nos entregará todos os prisioneiros e os desertores e restituirá a Eumênio tudo o que ele ainda retém das possessões adquiridas em virtude do acordo feito com Átalo. quando são impostas humilhantes condições a Antíoco III[14]. Roma garantia 'liberdade'. na Ásia.000 em doze anos. Ele pagará pelas despesas desta guerra. a paz entre Roma e os Selêucidas é estabelecida em Apaméia da Frígia. nós lhe oferecemos paz e amizade sob condição de ratificação do Senado"[15]. A todos. 15 elefantes e Cipião faz 1400 prisioneiros.C. Em 188 a. nem mesmo em assuntos gregos.as fronteiras serão traçadas em seguida. 3 mil cavaleiros. ajudado por seu irmão Cipião. sem consultar. conservado por Apiano. prontamente o esmagava"[16]. pesa cerca de 26 kg. e especialmente às cidades gregas. Só a Roma Antíoco deve pagar 15. Daqui para a frente. Todos os reinos helênicos eram independentes. Antíoco. mas no momento em que qualquer um deles mostrava tendências de realizar uma política independente. Assim começa o declínio do império selêucida. assistindo à fragmentação progressiva dos seus domínios e lutando com grandes dificuldades financeiras. Se Antíoco respeitar lealmente estas condições.500 após a ratificação do tratado e 12. Ele entregará todos os seus elefantes e todos os navios que indicaremos. Antíoco deve pagar a Roma o equivalente a 390.000 talentos eubóicos. a opinião grega. 500 talentos eubóicos imediatamente. embora de forma peculiar: Roma resolvia todas as disputas internas da Grécia. que tem 72 mil soldados. do nome da ilha de Eubéia. porém.000 kg de prata. . O equilíbrio de poder de que Roma se tornara guardiã continuou a existir. perde 50 mil homens de infantaria. Ele fornecerá vinte reféns.de 189 a. segundo a lista elaborada pelo cônsul. Logo. O talento eubóico. pai de Eumênio. o Africano. O tratado de Apaméia. Antíoco III e seus sucessores debater-se-ão em crescentes lutas internas pelo poder. 2. M. da qual ele é o responsável. Rostovtzeff comenta: "A situação geral do mundo helênico não foi afetada por esta guerra. diz o seguinte: "Antíoco deverá abandonar tudo o que ele possui na Europa e. No futuro ele não terá mais elefantes e terá somente o número de navios que nós fixaremos.

pertencem aos órfãos e às viúvas. É o conhecido incidente de Heliodoro. O certo é que Heliodoro não consegue apossar-se do dinheiro do Templo. Esta lenda nos oculta totalmente o que de fato acontece em Jerusalém neste episódio. Seu sucessor.500 kg) e de 200 talentos de ouro (5.O que ocorrerá é que. entrou em desacordo com o sumo sacerdote a respeito da administração dos mercados da cidade. além do dinheiro do Tobíada Hircano. em 187 a. Este foi o fim pouco glorioso de Antíoco.4-40."[17].24-34). Selêuco IV Filopator (187-175 a. para conseguir dinheiro com que pagar aos romanos.. E referiu-lhe que a câmara do tesouro em Jerusalém estava repleta de riquezas indizíveis. ao manifestar suas intenções a Onias III. O texto continua dizendo que.). tenta apoderar-se do dinheiro depositado no Templo de Jerusalém. superintendente dos seus negócios. Segundo 2 Macabeus. escolhendo a Heliodoro. Entrevistandose então com o rei. a ponto de ser incalculável a quantidade de dinheiro. premidos que estarão por Roma. Heliodoro é informado por ele de que os depósitos. E que.C. Abel explica que ele foi "ao templo de Bel. enviou-o com ordens de proceder à requisição das referidas riquezas" (2Mc 3. ao contrário do que lhe fora dito. após trinta e seis anos de reinado com a idade de cerca de cinqüenta e cinco anos. dito o Grande. não levou em conta a coragem vigilante das populações desta região rude. por exemplo. na verdade. E o rei. .C. ele e os seus. Apolônio informou-o acerca das riquezas que lhe haviam sido denunciadas. o total dos depósitos é de 400 talentos de prata (10. narrado em 2Mc 3. o próprio Iahweh o impede através de anjos (2Mc 4. certo Simão. investido no cargo de superintendente do Templo.4-7).C. "Ora. e tendo-o assaltado de noite com suas tropas. Não conseguindo prevalecer sobre Onias foi ter com Apolônio de Tarso. pelos habitantes que acorreram em defesa do santuário. que naquela ocasião era o estratego da Celessíria e da Fenícia. sendo portanto possível fazer tudo isso cair sob o domínio do rei.-M. os sucessores de Antíoco III não terão condições de manter a prometida isenção tributária. quando saqueia um templo elamita. famoso por possuir muito ouro e prata dedicado ao deus. apoiado por judeus dissidentes do sumo sacerdote Onias III. Ele foi morto. da estirpe de Belga. O próprio Antíoco III é morto em 187 a. E que esse dinheiro não tinha proporção alguma com as despesas dos sacrifícios. em relação a cidades como Jerusalém. pela população revoltada.250 kg). F.

Simão pode ter acusado Onias de entesourar os excedentes das subvenções reais destinadas aos sacrifícios. como administrador do santuário. de cerca de 50 litros. o perigo dessa rivalidade e como Apolônio. estratego da Celessíria e da Fenícia. nem Simão haveria de pôr termo à sua demência". É possível que neste conflito entre Simão e Onias III estejamos assistindo ao primeiro embate entre judeus helenistas e judeus ortodoxos. mas tendo em vista o interesse comum e o individual de toda a população. enquanto em Jerusalém os acontecimentos se precipitam.4-6: "Considerando. que é supervisor dos mercados e superintendente (prostátes) do Templo[19]. de cerca de 40 litros. filho de Menesteu. não para se tornar acusador de seus concidadãos. Nas cidades gregas. mas as intrigas de Simão continuam. ou porque Simão permite a venda. garantidas pelo decreto de Antíoco III. não era mais possível alcançar a paz na vida pública. a supervisão dos mercados. [3]. Muitas soluções são propostas[18]: ou Onias discorda da acumulação de cargos feita por Simão. segundo 2Mc 4. ainda fomentava a maldade de Simão. Este Ptolomeu. Não sabemos exatamente em que consiste a agoranomia em Jerusalém e nem qual é a razão do conflito entre Simão e Onias. ou porque ele comete abusos na venda de animais destinados aos sacrifícios. Por outro lado. de produtos proibidos pela Lei. NEXT [1]. Médimo é uma medida antiga de capacidade. é o estratego e sumo sacerdote selêucida da Celessíria.O desacordo entre o sacerdote Simão e o sumo sacerdote Onias III é a propósito da agoranomia. Pois ele estava percebendo que. Artabe é uma medida egípcia de capacidade. A tal ponto que Onias III é obrigado a ir a Antioquia dar explicações ao rei. a agoranomia é uma fiscalização encarregada de verificar os pesos e medidas e a regularidade das transações comerciais. [2]. Onias foi ter com o rei. . a quem se dirige o rei Antíoco. nos mercados. De qualquer modo. então. sem uma intervenção do rei. Heliodoro vai embora. Onias III acaba retido em Antioquia. E isto.

32-34. História XVIII.. O Oriente e a Grécia Antiga II. Brasília. Nancy. J.. Israel e Judá. 19972. KIPPENBERG. 1985. 1991. 19774. p. pp.. Antiquitates Iudaicae XII. Histoire politique du monde hellénistique II. E.. [12].. pp. 481-482. Aníbal. Studies on the Meaning and Origin of the Maccabean Revolt. Aníbal. G. História de Roma. 102-104. no vale de Neméia. Uso para este texto a tradução que se encontra em AA. [6]. 1993.. 56-78. Cf. F. os Jogos Ístmicos. em Olímpia. Cf. c. Histoire d'Israel III. a formação de confederações de cidades gregas é vista como uma solução.. pp.221-224. Histoire d'Israel III. 19822. em Delfos e os Jogos Nemeus. Textos do Antigo Oriente Médio.. [8]. Difel. Editora da UnB. Há quatro grandes jogos pan-helênicos: os Jogos Olímpicos. H. os etólios acabam anexando quase toda a Grécia central.. 19775.. Le monde hellénistique I. 78.. C. SAULNIER. [13]. As guerras entre Roma e Cartago são chamadas de "púnicas" porque os romanos chamam os cartagineses. Cf. Cf. POLÍBIO. BICKERMAN. PAUMAPE. C. Le monde hellénistique I. P. E... PRÉAUX. 210-215. ROSTOVTZEFF. 199. [14]. Religião e formação de classes na antiga Judéia. JOSEFO. 46. p. [9]. "Instalados na margem setentrional do golfo de Corinto. Presses Universitaires de Nancy. BRADFORD. Paulus.. e obscuros durante muito tempo. inclusive grande parte da Tessália". donde puni e "guerras púnicas". SAULNIER. M. H. Hyperberetaios é um mês macedônio que corresponde a agosto/setembro. pp. Leiden. pp. [7]. C. 138-144. São Paulo. de poeni (= fenícios). [11]. pp. dizem AYMARD./AUBOYER. em latim. 1979. E. Rio de Janeiro. 384-388. Rio de Janeiro. São Paulo. sobre os impostos selêucidas.[4]. PEIXOTO. [10]. pp. [5]. pp. pp. 77-81. . pp. Com a decadência da pólis. C. The God of Maccabees. KIPPENBERG. A. G. WILL.. M. 456-458. em Corinto. 98-99. 153-163. Zahar. um desafio aos romanos. Ars Poetica. PRÉAUX. os Jogos Píticos. o pai da estratégia. São Paulo.VV. o.. Brill. Cf.

[16]. Antíoco IV e a Proibição do Judaísmo Em 175 a. o. onde era refém desde 188 a. 8. E. o texto em SAULNIER. promove a adoração de Zeus e reivindica para si prerrogativas divinas[20].. Cf. O prostátes é o encarregado de administrar as finanças do santuário. [18].C. Alexandre teria fundado 70 Alexandrias. Alexandre tinha mostrado bem ser o herdeiro da tradição..2. C.. pp. também WILL. ao semear o Império que acaba de conquistar com numerosas Alexandrias"[21]. quando seu pai Antíoco III perdera a batalha de Magnésia e assinara o tratado de Apaméia. que voltava de Roma. ROSTOVTZEFF. 1987.. tais como Mileto.[15]. 105-108. Paulus. Syriaka 38-39. SAULNIER. F. 104. Histoire de la Palestine I. pp. [17]. Cf. . Assume o poder o seu irmão Antíoco IV Epífanes (175-164 a.. [19]. Histoire de la Palestine I. 238-240. Trabalha como advogado em Roma e compila narrativas em grego de várias guerras romanas em 24 livros. 71. São Paulo. dos quais temos hoje dez. pp. Cf. pp.C. 107-110. Atenas.-M. F. ABEL. Histoire d'Israel III. A revolta dos Macabeus. Apiano é natural de Alexandria e morre aproximadamente em 160 d. APIANO.. Selêuco IV é assassinado. ABEL. Segundo Plutarco. "A civilização arcaica e clássica tinha coincidido com o desenvolvimento da pólis e era nos grandes centros urbanos.C.)..C. pp.-M. p. História de Roma. Siracusa. Idem.. que se tinha desenvolvido a civilização grega. Só que menos da metade pode ser testemunhada com certeza pelos dados históricos e arqueológicos. Histoire politique du monde hellénistique II. M. c. 372-373. Corinto. A instabilidade do reino selêucida aumenta e Antíoco IV toma medidas helenizantes como forma de consolidar o seu poder. C. p. A fundação de cidades é um instrumento fundamental para a helenização do Oriente com o conseqüente fortalecimento do poder macedônio. 19-21. Concede o status de pólis a várias cidades.

E a partir de sua vitória sobre o Egito. As cidades favorecem o desenvolvimento econômico. Ele é o praesens divus. entretanto. de uma cidade arrasada pela guerra ou por um terremoto. recriação. .. fazendo deles camponeses que sustentarão as cidades[22]. Os sucessores de Alexandre seguem a mesma política.C. Especialmente os Selêucidas. são a garantia da ordem política. agora. face ao esfacelamento do império selêucida. que acresce. usada desde Alexandre e. "Ele pensa. dando-lhe um estatuto político e um nome grego. a inscrição das moedas selêucidas é "Rei Antíoco Theos Epífanes". de 175 a 169 a. Elas permitem a implantação de tropas. Situados acima dos homens. lembrar que a fundação das póleis gregas nem sempre começam do nada. A reivindicação de prerrogativas divinas pelo rei é outra arma de controle das populações orientais. tornam-se lugares de comércio e atraem os nômades para as suas vizinhanças. que guardam os grandes eixos de circulação e as posições estratégicas (.A fundação de cidades tem. ou que é um deus que se manifestou na sua carne. na mesma proporção. com estrutura grega. aparece nas moedas cunhadas em Antioquia apenas com a inscrição "Rei Antíoco". "Os objetivos desta urbanização [dos Selêucidas] são bastante diversos.. enfatizada por Antíoco IV Epífanes. econômicos e políticos: servem para guardar passagens de grandes vias de comunicação. herdeiros de um império multinacional. para Alexandre. definitivamente. recorrem à política da difusão da pólis.) Elas diminuem as resistências indígenas. a partir desta época começa a ter sobre sua cabeça uma estrela. a fortuna do rei. símbolo da divindade. É bom. Há vários modos de se criar uma pólis: fundação de uma cidade grega dentro de uma antiga cidade oriental. que sua vitória o manifestou como deus. objetivos estratégicos. Antíoco IV que. habilmente incorporada pelos dominadores macedônios. e. Esta não é uma criação grega. assírios ou babilônios são deuses ou filhos prediletos dos deuses. mas também da ordem cósmica e da fertilidade da natureza. mas oriental. fusão entre cidades pequenas que não têm como se defender. fundação de uma cidade grega ao lado de uma cidade oriental[24].. Os reis egípcios. fragmentando as antigas satrapias entre as cidades"[23].

Jasão (Joshua). pois muitos males caíram sobre nós desde que delas nos separamos'. As dificuldades econômicas enfrentadas por Antíoco IV Epífanes. A ocasião favorável aos partidários da helenização surge quando Onias III. 1Mc 1. que os impede de se integrarem totalmente no modo de vida grego. por isso. Enquanto isto. Gazara e Jope também não podem ser evitadas[26]. façamos aliança com as nações circunvizinhas. oferece ao rei alta soma em dinheiro e um rápido programa de helenização dos judeus em troca do cargo de sumo sacerdote. em Jerusalém. Agradou-lhes tal modo de falar. ou na Transjordânia é necessário ir a Pella. é relacionado com Theós.11-13 comenta o caso do seguinte modo: "Por esses dias apareceu em Israel uma geração de perversos (paránomoi) que seduziram a muitos com estas palavras: 'Vamos. F. o conservador sumo sacerdote. está em Antioquia cuidando dos interesses de seu povo e Antíoco IV assume o poder. se alguém negocia na Galiléia não pode fugir de Citópolis ou Filotéria. que a Judéia está cada vez mais cercada por cidades helenizadas e é impossível ao judeu não tomar contato com o seu modo de vida. com sua apoteose"[25]. Um irmão de Onias III. o epíteto epifanés. 'manifesto'. especialmente entre a aristocracia sacerdotal e leiga. o processo de helenização avançara bastante desde o século anterior. que pretende incrementar o avanço civilizatório grego e. ou seja. geradas pela pressão romana. Forma-se um forte partido pró-helênico.-M. por exemplo. E alguns de entre o povo apressaram-se em ir ter com o rei. o qual lhes deu autorização para observarem os preceitos (dikaiômata) dos gentios". a quem deve pagar mil talentos por ano. Abel observa. a Gadara ou a Filadélfia. está em luta com os judeus tradicionais e fiéis à Lei. Quem vai a Ptolemaida passa por Samaria ou Dora.segundo sua intenção. leva-o a sobrecarregar seus súditos e o instiga ao saque de templos para a obtenção de fundos. . Estes helenizantes defendem urgente revogação do decreto de Antíoco III. Jâmnia. Do lado do mar? Marisa está na rota de Gaza ou Ascalon.

Obtido. pessoas que fazem propostas de apostasia da Lei. Observar os preceitos dos gentios significa. aos pés da acrópole.o que causa embaraço aos jovens judeus circuncidados -. pois precisa de dinheiro. segundo Dt 13. em 174 a. tem urgência em helenizar a região para garantir sua fronteira sul e.7-10 descreve do seguinte modo os fatos: "Entrementes. sendo recebido pelos filo-helenistas com grande entusiasmo. Jasão. direito) significando obrigações legais. usada no processo de helenização de várias cidades orientais. assim. começou a manobrar para obter o cargo de sumo sacerdote. empenhava-se em subscrever-lhe outros cento e cinqüenta talentos[28]. vestir-se à moda grega. Também o dikaiômata tôn éthnôn (preceitos dos gentios) é significativo. Assim. Dikaíôma é usado pelos LXX para traduzir o hebraico derek ou mishpat (caminho. o consentimento do rei. ele. Antíoco IV Epífanes aceita a oferta de Jasão. portanto.C. Além dos esportes gregos. 2Mc 4. irmão de Onias. Falar o grego corretamente. Durante uma audiência. abandonar as normas da Lei e seguir leis gentias[27].O termo paránomoi indica. conhecer e discutir a cultura grega. mais oitenta talentos. suspeita de tendências pró-ptolomaicas em Onias III. Consta que o rei Antíoco IV vai a Jerusalém nesta época. Além disso. ele prometeu ao rei trezentos e sessenta talentos de prata e ainda. ao que parece. é instalado um ginásio em Jerusalém. É uma instituição cultural das mais importantes.14. contíguo à esplanada do Templo. de construir uma praça de esportes e uma efebia. tendo passado Selêuco à outra vida e assumindo o reino Antíoco. começou a fazer passar os seus irmãos de raça para o estilo de vida dos gregos". . se lhe fosse dada a permissão. pela autoridade real. cognominado Epífanes. o ginásio implica a presença de divindades protetoras. tão logo assumiu o poder. praticados nus . Um ginásio grego não é mera praça de esportes. são algumas das atividades praticadas no ginásio. bem como de fazer o levantamento dos antioquenos de Jerusalém. Daí que "fazer aliança com as nações" indica renegar a Lei e seguir costumes gentios. como Héracles (= Hércules) e Hermes e ensina a maneira grega de se viver e de se ver o mundo. a serem deduzidos de uma renda não discriminada.

2Mc 4. esse ímpio e de modo algum sumo sacerdote. faz uma oferta maior a Antíoco IV e obtém o sumo sacerdócio. Jasão enviou Menelau. entrementes. chamado Menelau. obrigando os mais nobres de entre os moços. isto é. irmão de Simão .23-24: "Depois de um período de três anos. "o ginásio parece ter sido realmente uma corporação separada de judeus helenizados. que os próprios sacerdotes já não se mostravam interessados nas liturgias do altar". quando um sacerdote não-sadoquita. irmão do já mencionado Simão. Saulnier acredita que de duas uma: ou Antíoco IV autoriza a formação de uma pólis dentro de Jerusalém ou a organização de um políteuma em Jerusalém[30]. Certamente porque estão sob a proteção real. conduziu-os ao uso do pétaso[32].800 kg) suplementares na época de pagar o tributo. Menelau.12-14a fala do ginásio de Jerusalém com grande desgosto: "Foi. estabelecida dentro da cidade de Jerusalém"[29]. A situação. apoiado pela poderosa família dos Tobíadas. com satisfação que [Jasão] construiu a praça de esportes justamente abaixo da Acrópole e.aquele Simão que entrara em conflito com Onias III por causa da agoranomia . tal ardor de helenismo e tão ampla difusão de costumes estrangeiros. tendo se apresentado ao rei e adulando-o pela ostentação de sua autoridade.quer Antíoco IV tenha fundado uma pólis em Jerusalém.9. pois. superando em trezentos talentos de prata a oferta de Jasão". ou mesmo porque são considerados como "cidadãos de Antioquia". o resultado é o mesmo: uma parte dos judeus pretende doravante viver à maneira helênica. porém. de modo que a Torá não é mais a única lei. "De qualquer modo . como se vê em 2Mc 4. Menelau. se complica. desse modo. por causa da exorbitante perversidade de Jasão. quer ele tenha reunido um certo número de judeus em um políteuma de estrutura grega -.Além do que. Diz 2Mc 4. Verificou-se. segundo alguns. a levar as quantias ao rei e a completar-lhe relatórios sobre certos assuntos urgentes.oferece a Antíoco 300 talentos de prata (cerca de 7. . com direitos cívicos e legais definidos.19. C. conseguiu para si o sumo sacerdócio. o decreto de Antíoco III não se aplica mais à totalidade da população"[31]. Estes judeus são chamados de "antioquenos" nos documentos da época.

C. da decoração de ouro sobre a fachada do Templo: tudo ele despojou. Jasão foge para a Transjordânia. além disso.21-23 narra este saque do Templo. o ouro. interessante para se avaliar o poder de Roma neste momento histórico: "Quando ele viu o general romano Popilius. o fraco Egito e vigia de perto os Selêucidas. início de 171 a. da mesa da proposição. do véu. Onias III é assassinado a mando de Menelau.C. Em 169 a. de longe o saudou e estendeu-lhe a mão. apoderou-se do altar de ouro. pelo legado romano Popilius Laenas. Então Popilius e seus acompanhantes apertaram sua mão e o cumprimentaram com amizade. com a aprovação de Menelau[33]. antes de sair. a resposta ao documento.. Talvez seja a sempre crescente necessidade de dinheiro. Popilius fez um gesto aparentemente intolerável e de uma arrogância inusitada.) O rei a leu e declarou desejar deliberar com seus amigos acerca desta novidade. na volta de sua primeira campanha egípcia. Antíoco IV saqueia o Templo de Jerusalém. Tomou. Mas o outro. o rei [Antíoco IV]. já morto nesta época. o Tobíada dissidente e pró-Lágida. Traçou com esta vara um círculo ao redor de Antíoco e convidou-o a lhe dar. revoltada com as ações de Menelau. quando oficialmente denunciam as arbitrariedades cometidas pelo sumo sacerdote. Ele tinha na mão uma vara de videira. Já em 168 a.. que tinha uma tabuinha onde estava transcrito o senatus-consulto. os utensílios preciosos e os tesouros secretos que conseguiu descobrir". deste modo. das taças. vê três membros da gerousia serem executados por Antíoco IV. Antíoco IV é impedido de entrar em Alexandria. Vejamos a narração de 1 Macabeus: "Entrando com arrogância no Santuário.Isto se dá em fins de 172 a. Como protestasse contra a venda de vasos sagrados do Templo (vendidos por Menelau para conseguir o dinheiro prometido a Antíoco IV). pensou um instante. Roma defende. A população de Jerusalém. das coroas. O .C. campanha vitoriosa. em sua segunda campanha contra o Egito. e de assim anexar o país. aturdido com esta insolência. dos incensórios de ouro. O rei.. das vasilhas para as libações. para o feudo de Hircano. Ao ouvir isto. do qual se desconhece a causa. a prata.. 1Mc 1.C. Políbio comenta o episódio do encontro de Antíoco IV e Popilius Laenas. e em seguida declarou que faria tudo o que os romanos pediam.. do candelabro com todos os seus acessórios. lha estendeu e pediu que a lesse imediatamente (.

parecendo amplamente encorajados por dois sumos sacerdotes sucessivos e rivais.. de outro lado. e. Na Palestina corre o falso boato de que Antíoco morrera no Egito e Jasão ataca Jerusalém. filho de Tobias.C. no coração de Jerusalém. C. as dificuldades do reinado de Antíoco IV sugerem a existência de um partido pró-Lágidas. Primeiramente.514). Saulnier assim resume estes acontecimentos: "Podemos dizer que há em Jerusalém dois motivos de dissensões que não coincidem entre si. por Menelau e sem dúvida por aqueles que são designados como antioquenos de Jerusalém"[35]. e Onias III. pensando estar havendo uma revolta. com a ordem de trucidar todos os que estavam na força da idade e de vender as mulheres e os mais jovens". Muralhas demolidas e construção de poderosa fortaleza em Jerusalém. apoiado pelos Tobíadas. como Acra (= cidadela). no final do verão de 168 a.senatus-consulto ordenava-lhe parar imediatamente a guerra contra Ptolomeu"[34]. No começo de 167 a. sede de uma guarnição e verdadeira pólis. outrora sustentado por Hircano. que restabelece Menelau no poder. a existência de um partido pró-Selêucidas. Jasão e Menelau. assassinatos em massa. o misarca (comandante das tropas mísias). em grego. Além disso. escravidão. Jasão promove sangrento massacre na cidade. Menelau refugia-se na acrópole. Consta que. . os judeus estão divididos a propósito do helenismo em aproximadamente duas facções que podemos designar como a dos filohelenos e a dos assideus: os primeiros. Ataque. 2Mc 5. mas este não consegue controlá-la (2Mc 5. Durante cerca de 25 anos a Acra será o braço armado selêucida em Jerusalém. conhecida. executando muitos judeus e vendendo a outros como escravos. Antíoco IV envia a Jerusalém Apolônio. encostada no Templo. depois por Jasão e talvez por uma fração da população que já se esquecera das durezas da administração egípcia. Antíoco IV deixa na cidade o frígio Filipe com uma guarnição. o rei enviou o misarca Apolônio à frente de um exército de vinte e dois mil homens. o rei Selêucida. mas foge com a chegada de Antíoco IV.23b-24 assim fala da intervenção de Apolônio: "Nutrindo para com os súditos judeus uma disposição de ânimo profundamente hostil. com forte contingente. pune Jerusalém. espinho atravessado na garganta dos judeus fiéis.C.

Qualquer violação destas normas tem a morte por punição uma reforma do culto em toda a Judéia: a abolição dos sacrifícios e da sacralidade do santuário e dos sacerdotes. Abasteceram-na de armas e víveres e nela depositaram os despojos tomados em Jerusalém. e dela fizeram a sua Cidadela. suas propriedades são confiscadas e transferidas para os Tobíadas ou para as colônias militares reais. com seus mandamentos e suas proibições: ficam proibidas as práticas do sábado. da distinção de alimentos puros e impuros. dotando-a de grande e sólida muralha e torres fortificadas. Por outro lado. da circuncisão. Como é de praxe em tais circunstâncias. duas medidas são tomadas (1Mc 1. Acredita-se que tenha sido para vencer a. no verão de 167 a. É quase certo que o partido helenista de Jerusalém tenha pedido a intervenção real e tenha apontado as medidas necessárias para aniquilar os judeus tradicionais[37]. Povoaram-na de gente ímpia.1Mc 1. por enquanto pacífica. Todos os manuscritos da Lei devem ser destruídos. os assideus (= piedosos) são obrigados a fugir para os desertos e montanhas. Os habitantes do distrito judaico transformam-se em cidadãos sem direitos. a ereção de altares em todo o país e o sacrifício de porcos e outros animais impuros a deuses estrangeiros. enfim. . das festas. Jerusalém é. Os fiéis seguidores da Lei.33-35 descreve a construção da Acra: "Então reconstruíram a cidade de Davi. É nesta época que começa verdadeira caçada aos Oníadas e a seus partidários. Como norma geral. Desencadeia-se feroz perseguição a todos os inimigos de Menelau. tornando-se eles assim uma armadilha enorme"[36]. é preciso considerar que esta intervenção direta e brutal contra os costumes e os deuses de outros povos não é uma praxe grega. e nela se fortificaram. homens perversos. resistência judaica ao programa de helenização é que Antíoco IV decide proibir a prática do judaísmo. uma cidade contaminada: os gentios controlam a sua população.C.41-53): o o a abolição da Torá.

54-57. 21-31. o rei fez construir. na Síria ele fora assimilado a Baal Shâmin. segundo Dn 11. Saulnier que "deus iminente dos gregos. com respectiva imagem e sacrifício. J. era designado nos textos judaicos como "o Deus dos céus"..].C. Tais aspectos podiam aparentemente aproximá-lo de Iahweh que.. C. deus soberano. Histoire de la Palestine I. A introdução deste culto no Templo é a "abominação da desolação".7). Cf. . WILL. SAULNIER. podemos admitir que Antíoco IV quisesse introduzir em Jerusalém uma divindade sincrética.. pp. pp. BRIGHT.) Foi sobremaneira grande a ira que se abateu sobre Israel". sírios e gregos reconhecer nela a emanação de um deus soberano"[38].. Zeus representava os valores do poder e da autoridade. a Abominação da desolação. 1Mc1. Histoire politique du monde hellénistique II. Os judeus são também obrigados a participar da festa de Dionísio e do sacrifício mensal em honra do aniversário do rei (2Mc 6.. ABEL. desde a época persa.C. F..Para completar. 109-132. em dezembro de 167 a. é introduzido o culto de Zeus Olímpico no Templo de Jerusalém. Paulus. pp. que permitisse a judeus. Enfim.64 assim descreve a "abominação da desolação": "No décimo quinto dia do mês de Casleu do ano de cento e quarenta e cinco [8 de dezembro de 167 a. São Paulo. Nestas condições.. M. HENGEL. pp. Judaism and Hellenism I. NEXT [20]. de deus do céu). senhor das tempestades e da fecundidade. Também nas outras cidades de Judá erigiram-se altares e às portas das casas e sobre as praças queimava-se incenso. os que lhes caíam nas mãos eram rasgados e lançados ao fogo. Onde quer se encontrasse em casa de alguém um livro da Aliança ou se alguém se conformasse à Lei. o epíteto Olímpico recordava suas prerrogativas sobre as outras divindades e seu aspecto uraniano (isto é. 1978. Histoire d'Israel III. sobre o altar dos holocaustos. E. Por detrás disso tudo podemos ver as tristes figuras de Menelau e dos Tobíadas[39]. o decreto real o condenava à morte (. Explica C. Quanto aos livros da Lei. 326-341. para o reinado de Antíoco IV e seu confronto com os judeus. 277-290. História de Israel. pp.31.. 570-576. 105-121.. A revolta dos Macabeus. pp. uma verdadeira cruzada contra a Lei.-M. Idem.

. 128. Um talento ático pesa 26. [31]. Jasão oferece a Antíoco 590 talentos. SAULNIER. 24.2 kg. O mundo helenístico. 401-403. [32]. C. C. ABEL.. História XXIX. 320-325. [24].. tais regentes parecem ter declarado guerra contra Antíoco IV em 170. este texto em SAULNIER. Histoire politique du monde hellénistique II. Histoire politique du monde hellénistique II. Le monde hellénistique II. 59. ibidem. Pétaso é o chapéu de copa baixa e abas largas usado nos exercícios pelos atletas gregos no ginásio. p. SAULNIER. explica SAULNIER. Por motivos obscuros. 572. 109. [25]. PRÉAUX. [33]. c. p. BICKERMAN. [34]. Le monde hellénistique II. E. Histoire d'Israel III.. [22].. 23. p. The God of the Maccabees. A revolta dos Macabeus. Cf. ibidem. p. [36]..[21]. Idem. E. [30]. "O reinado [dos Ptolomeus] era dirigido por regentes que governavam em nome do jovem Ptolomeu VI. SAULNIER. 403-408. o equivalente a cerca de 15. BRIGHT. Idem. 110-111.. C. a análise do episódio em WILL. POLÍBIO. p. Cf. P. pp. p.. também WILL. p. 311-320.. Cf. p. C. C. Cf. Histoire d'Israel III. F. Cf. LÉVÊQUE. PRÉAUX. 113. depois de uma campanha fácil. [28]. [35]. [29]. Cf. pp. C. 27. E. C. História de Israel. Histoire d'Israel III. Este começou as operações em 169 e. o. pp. Cf.340 kg de prata. LÉVÊQUE. que se tornara rei com a morte de seu pai em 180. Para o significado da Acra em Jerusalém... Cf.. p.. pp.. [26]. 46-53.-M. J. Histoire de la Palestine I. P.. 112. p. pp. A revolta dos Macabeus.. [23]. pp. [27]. ocupou Mênfis". 376-377. cf. 61.

por exemplo. pp.. A revolta dos Macabeus.) O rei agirá a seu belprazer. até que a cólera chegue a seu cúmulo . Cf. pp. que todos formassem um só povo. [39].41-42. Histoire d'Israel III. muito bem expressa em 1Mc 1. que diz: "O rei prescreveu. [38]. mas o povo dos que conhecem a seu Deus agirá com firmeza (. C. mostra que há duas interpretações divergentes para as medidas anti-judaicas de Antíoco IV Epífanes[40].. pp. E todas as nações conformaram-se ao decreto do rei". M. na típica visão teocrática do judaísmo de então. inclusive. Sem consideração para com os deuses de seus . Idem. ele os perverterá com suas lisonjas.. BRIGHT. HENGEL. Saulnier. Ele proferirá coisas inauditas contra o deus dos deuses e no entanto prosperará. C. 27-28.porque o que está decretado se cumprirá. Uma é a que expus acima: a helenização forçada é conseqüência da pressão exagerada da aristocracia judaica. 287-289. 26. Cf. a todo o seu reino..3.. HENGEL. pp. J. Claro que. o livro de Daniel descreve a maldade de Antíoco IV no seu ataque às práticas judaicas: "Tropas enviadas por ele virão profanar o Santuário-cidadela e abolirão o sacrifício perpétuo. Judaism and Hellenism I.[37]. as motivações religiosas é que oferecerão os conceitos para a leitura dos fatos. 292-303. É a que considero mais provável. 574-576. M. em seguida. 118-121.. Mas há a versão judaica.. Com sua linguagem guerreira carregada de simbolismos. renunciando cada qual a seus costumes particulares. ali introduzindo a abominação da desolação.As Causas da Helenização Com muita freqüência. História de Israel. sugerido a Antíoco IV as medidas a serem tomadas. SAULNIER. têm-se colocado as razões religiosa e cultural como motivo para a helenização da Judéia e conseqüente resistência macabéia. p. pp. C. Judaism and Hellenism I. que teria. SAULNIER. exaltando-se e engrandecendo-se acima de todos os deuses. Os que transgridem a Aliança. A revolta dos Macabeus. 8.

mas ele cultua especialmente a Zeus Olímpico. De qualquer maneira. proporcionando-lhe lucros financeiros e influência política junto ao governo estrangeiro. Assim. Em Atenas. além de protagonizar outras atitudes populistas41. conhecido também sob o nome semítico de Adônis na mitologia mediterrânea. Tamuz é uma divindade assírio-babilônica de origem popular. local onde se reúne também a assembléia do povo) e se mete nas mais acirradas disputas. Este texto de Daniel é bem representativo da visão judaica do rei ímpio perseguidor do povo justo. discutindo longamente com ourives ou outros peritos nos seus ateliês. Tamuz é estreitamente vinculado à divindade feminina da fertilidade. É que o sistema político grego tradicional. Quando o texto diz que ele não "tem consideração para com o favorito das mulheres". como adotado pelos Selêucidas. porque também Políbio traça dele um perfil pouco lisonjeiro. Ou seja: não há uma burocracia profissional que administra as finanças do Estado.36-37). alguns elementos precisam ser explicados: "Engrandecendo-se acima de todos os deuses" é uma referência à efígie de Antíoco IV cunhada nas suas moedas. é preciso ir além na interpretação dos fatos. sem consideração para com o favorito das mulheres ou para com qualquer outro deus. há motivos econômicos para o conflito que o processo desencadeia[42]. nos reinos helenísticos a função de recolher o tributo é arrendada à aristocracia dos povos dominados. é a si mesmo que ele exaltará acima de tudo" (Dn 11. Antíoco IV não é bem visto pelos escritores da época. a Inanna suméria e a Ishtar acádica.pais.31-32. Apesar de tudo isso. com os traços de Zeus Olímpico. mais para o fim de seu governo. Diz Políbio que Antíoco IV aprecia sair da corte e se misturar com as pessoas do povo. daí o texto dizer que ele age "sem consideração para com os deuses de seus pais". o cidadão se dedica à administração da cidade sem receber recompensa alguma. Além das razões estratégicas e políticas dos Selêucidas para incentivar a helenização dos judeus. como vimos no caso dos Tobíadas. não dispõe de um mecanismo fiscal para o recolhimento do tributo. Ele é amante de Ishtar. está falando do deus Adônis-Tamuz. a não ser a satisfação do dever cumprido e o sentimento de contribuir para o bem comum[43] . por exemplo. Ou que ele se infiltra nas festas do povo sem ser convidado ou vai ao mercado (ágora. razões já apresentadas. . Como esta é uma linguagem apocalíptica. Os reis Selêucidas antecessores de Antíoco IV cultuavam Apolo.

O verbo politeyestaí. já os conhecemos do decreto de Antíoco III: trata-se do phóros.C. e declaro isentos todos os judeus. Rodrigues explica que "três grandes princípios presidem à formação da pólis: eleuteria (independência). Mas o próprio Antíoco III. sem dízimos e sem tributos". do imposto sobre o sal e do ouro das coroas. A lei. O texto de 1Mc 10. autonomia (poder próprio) e autarquia (autogestão). que significava 'tomar parte nos negócios públicos'. deve-se levar em conta que a noção grega de Estado é concretizada no Oriente: o o ou na pólis. A cidade era tudo para o cidadão grego. Jerusalém seja considerada santa e isenta.. "Desde agora desobrigo-vos.. que foi concedida oficialmente à Judéia. cria condições para que a aristocracia judaica substitua as leis étnicas por leis políticas. em 152 a. dá-nos uma idéia dos tributos recolhidos pelos Selêucidas na Judéia. com seu decreto de 197 a. do imposto sobre o sal e do imposto coronário. uma relação de parentesco baseada na solidariedade dos laços de sangue. dos tributos (phóroi). Os três primeiros impostos citados. por Demétrio I.Por outro lado. o Grande. criando as condições para a sua emancipação da hierocracia e para o predomínio da pólis sobre o éthnos. também significava simplesmente 'viver'"[44].que reivindica tal direito como "direito de lança" por ser o conquistador . Judá é e permanece um éthnos também na administração selêucida. . "A autonomia étnica. bem como à Samaria e à Galiléia. Isto a partir do dia de hoje e para todo o tempo. assim como seu território. Ora. M. uma associação de cidadãos livres e autônomos baseada na vizinhança ou no éthnos.29-31. baseada na vontade do rei Selêucida . trouxe em si elementos que ofereciam à aristocracia das cidades novas possibilidades"[45]. reforça os privilégios da aristocracia. que trata de uma isenção de impostos concedida aos judeus mais tarde. que me caberiam de direito: de hoje em diante deixo de arrecadá-los à terra de Judá e aos três distritos que lhe foram anexos.C.e não nas tradições dos antepassados codificadas na Torá. Igualmente renuncio à terça parte da semeadura e à metade dos frutos das árvores.

19. Vende. entrou em desacordo com o sumo sacerdote a respeito da administração dos mercados da cidade". por exemplo. choca-se com as normas da Lei. baseado na tributação e na manutenção de seus privilégios.10.20.9. Some-se a isso a precariedade financeira dos Selêucidas e o mecanismo começa a ficar claro. Daí ser significativo que a primeira notícia a respeito do nascente conflito com o helenismo. como vimos acima.9. posse). repete isto sempre (Dt 12. estes produtos e paga aos seus senhores Selêucidas determinada quantia em prata. a aristocracia começa a pressionar sempre mais na direção da helenização total. mas não é seu proprietário. Segundo as leis israelitas. escrito a partir do século VIII a. Seu enriquecimento fácil. Dt 12. quando comenta o decreto de Antíoco III. Deus de teus pais te dará. aponte uma razão econômica. A terra em Israel é classificada como nahala (= herança.4: "Ora.29. A solução será pedir a Antíoco IV Epífanes a eliminação da Lei. Talvez cerca de 300 talentos anuais segundo 1Mc 11. depois que eles recolheram a quantia fixada. investido no cargo de superintendente do Templo.. Diz Josefo: "Os nobres arrendaram nas suas próprias cidades paternas o direito de cobrar o tributo. a pagaram aos reis"[46]. Israel tem a posse da terra.1. 13. mas somente dentro de determinadas normas. como modo de quebrar as barreiras da tradição de solidariedade baseada na aliança.20 etc). da estirpe de Belga.16 e tantos outros lugares. a terra é dom de Iahweh ao povo. o que aqui nos interessa é perceber como se faz o recolhimento do tributo na Judéia. como em Dt 12. certo Simão. O direito que regulamenta a venda da terra é o chamado ge'ulla (= resgate .28. durante todos os dias em que viverdes sobre a terra".10.13.20. diz: "São estes os estatutos e as normas que cuidareis de pôr em prática na terra cuja posse Iahweh.18. os Tobíadas e seus associados .1. certamente com ganhos. Flávio Josefo também testemunha que os impostos são cobrados pela aristocracia. O livro do Deuteronômio.Agora. Assim.5. A aristocracia . e.10.por exemplo.16.C.recolhe dos camponeses 1/3 do produto das colheitas e metade da produção das frutas. Vamos lembrar o que diz 2Mc 3. Pode-se até negociar a terra.

A venda da terra pode proteger o proprietário empobrecido de pagar tributos e impostos a estrangeiros. mas cria laços de solidariedade entre eles a terra pode ser negociada entre parentes. onde a terra pode ser dada a quem o rei determinar. Entretanto. Segundo esta lei.da terra). então o parente agnático (termo do direito romano que indica o parente por parte de pai) mais próximo deve comprá-lo. no 49º ou no 50º ano o antigo dono deve receber de volta sua propriedade vendida. Lv 25. se o israelita deve vender seu terreno. H. deve ser resgatado pelo parente mais próximo. provavelmente do século VI a. Por outro lado. O conflito jurídico é evidente. como pode protegê-lo também de ser vendido como escravo permanente a estrangeiros. .47-55 estabelece também que se um israelita for vendido a estrangeiros como escravo. G. a aristocracia judaica que aí surge tende a excluir os mais pobres. Caso contrário. Kippenberg assim resume a relação de parentesco em Israel: o o o a estrutura de parentesco determina a reprodução das famílias e as relações sociais dentro da família a estrutura de parentesco une as famílias em uma hierarquia baseada nas prerrogativas dos irmãos mais velhos sobre os mais novos. mas não com estranhos ao círculo de parentesco. Compare-se esta concepção israelita da posse da terra com a concepção grega. este princípio leva ao acúmulo de terras pelas famílias mais ricas[47]. O resgate da terra é baseado no conceito de hesed (= fidelidade). porque ela lhe pertence por direito de conquista. Uma confirmação do avanço da estratificação social pode ser encontrada na regra do ano jubilar estabelecida por Lv 25. Quem tem o direito de compra é apenas o parente do lado masculino da família.C. Se isto não for possível.23-28. uma solidariedade que sustenta a relação comunitária no nível do clã. Ora. deve ser libertado no ano jubilar (49º ou 50º ano).. como no interior do clã a estratificação social avança bastante nos períodos persa e grego. a manutenção das regras do parentesco exigida pela Lei e confirmada por Antíoco III prejudica os interesses da aristocracia.

sumo sacerdote e amigo dos reis. a aristocracia não é mais identificada com o Estado. da solidariedade étnica contra a instalação do regime da pólis em Jerusalém. mas os camponeses conseguem controle sobre o excedente[49].1920. É porque estas regras não funcionam mais. Tudo o que temos determinado a vosso respeito permanece firme e também são vossas as fortalezas que edificastes. que se tem de exigir a regra dos 49/50 anos[48]. em 142 a. E se alguma outra coisa era arrecadada em Jerusalém. estratego e chefe dos judeus'". É que. que eles se inscrevam.C.29-38: o sábado. nos documentos e nos contratos: 'No primeiro ano de Simão. devido à estratificação social. Ex 21.36-42 assim descreve o fato: "'O rei Demétrio a Simão. se observarmos que. Voltemos ao confronto entre a aristocracia filo-helenista e os judeus fiéis à Lei. líderes da resistência judaica. sumo sacerdote insigne. os revolucionários Macabeus fazem valer os antigos mandamentos (1Mc 2. bem como a coroa que nos deveis. A desigualdade permanece a mesma. . não o seja doravante. E reine a paz entre nós'.1-18. 2. nós vo-los perdoamos. defendem a manutenção dos laços de parentesco. saudações! Recebemos a coroa de ouro e a palma que nos enviastes. Como veremos daqui a pouco.36-51: a purificação do Templo). aos anciãos e à nação dos judeus.21-27). Que os motivos desta luta são também econômicos. No ano cento e setenta.42-48: a circuncisão. e estamos prontos a celebrar convosco uma paz duradoura e a escrever aos nossos administradores que vos considerem totalmente isentos. E o povo começou a escrever. 4. Se houver entre vós alguns homens que sejam aptos a ser recrutados para a nossa guarda de corpo. gerados pelo arrendamento estatal dos impostos à aristocracia. os sacerdotes Macabeus. isto é festejado como libertação da escravidão e começo de uma nova era.Parece claro que a regra do ano jubilar está em contradição com a norma do resgate imediato da terra e do escravo e a lei do ano sabático (Dt 15. Enquanto os partidários da helenização seguem as ordens do rei (1Mc 2. não resta dúvida. com o desaparecimento do arrendamento. 1Mc 13. dando aos camponeses maior folga em relação aos senhores da terra. e seus partidários assideus. foi retirado de Israel o jugo das nações.1-11). quando o rei selêucida Demétrio II concede aos judeus a isenção dos tributos.6. Quanto às faltas por ignorância e os delitos cometidos até o dia de hoje..

E esta lógica está funcionando. Lisboa. F. Difel. A cidade grega.. 1985. São Paulo. MOSSÉ. Lisboa. 1979. Judaism and Hellenism. sem direito a cidadania. Editora da UnB. 1988. As instituições gregas. G. KIPPENBERG.. Religião e formação de classes na antiga Judéia. 1992. LÉVÊQUE. Edições 70. JOSEFO. E. H. Casa Publicadora das Assembléias de Deus. Rio de Janeiro. Studies in their Encounter in Palestine during the Early Hellenist Period I. PEIXOTO. G. 1987.. E. 1980. que não tem objetivos religiosos: o que se quer é uma reforma da constituição da Judéia. M. HENGEL. Mas será a simbologia religiosa que exprimirá os interesses igualitários de sacerdotes e camponeses[50].. Aníbal. Paulus. SCM Press. até que.A lógica grega deste arrendamento é a de reduzir o direito de cidadania a pequena faixa aristocrática. La Gréce et l'Orient (323-146 av. 1981. GLOTZ. objeto de conquista. PRÉAUX. História dos Hebreus. Studies on the Meaning and Origin of the Maccabean Revolt. 1991. The God of the Maccabees. POLÍBIO. Aníbal. PAUMAPE. Edições 70. 1985. Aí vem o conflito com os Macabeus.. BICKERMAN. 1993. Economia e sociedade na Grécia antiga. O mundo helenístico. . C. uma camada aristocrática força a helenização e entra em choque com o direito sagrado tradicional do povo judeu. em Jerusalém. História. mantendo os produtores como simples moradores. Ars Poetica. Lisboa. São Paulo. Obra Completa. M. um desafio aos romanos.. São Paulo. São Paulo. & VIDAL-NAQUET. o pai da estratégia.. BRADFORD. Leiden. M.. Le Monde hellénistique... 1986.. Leituras Recomendadas AUSTIN. London. P. C. Brasília. Brill. Edições 70. P. P.

MOSSÉ.. SAULNIER. História XXVI. H... São Paulo. SAULNIER. Lisboa. 19872. KIPPENBERG.) I-II.) III. este texto em SAULNIER. 1985. W. NEXT [40]. A cidade grega. Histoire d'Israel III. [45].C. pp. E. G. A revolta dos Macabeus. Cf. pp. pp. Cf. sobre Antíoco IV. AUSTIN. 306-308.. 1985. C. [41]. pp. Paris. Economia e sociedade na Grécia antiga. Paris. Edições 70. 99-214. São Paulo. SAULNIER. 76. Cf. G. 151-183. [47]. Idem. C. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a. P. As instituições gregas. o.-135 a.. Histoire d'Israel III.. 39. Cf. Para as tendências da historiografia. também. pp. M. KIPPENBERG.. o. sobre a questão. Histoire politique du monde hellénistique II. em Atualização 171-172.-C. 19882. GRUEN.. Rio de Janeiro. [46]. Antiquitates Iudaicae XII. The God of the Maccabees../VIDAL-NAQUET. C. sobre isto. E. pp. março/abril de 1984. [43]. JOSEFO. 1988. G. 80. 113-129. Nancy. WILL.. p. 73-87. segundo H. Histoire d'Israel III.J. RODRIGUES. [44]. WILL. Petrópolis.. pp. 19774.. A cidade grega. Difel. c. 27-28. Paulus. 1980. p. 19864. Religião e formação de classes sociais no Judá pós-exílico. G. KIPPENBERG. 152-161. Cf. F.1987. Zahar. M. . Presses Universitaires de Nancy. GLOTZ. Cf. H. História de Roma. cf. pp. São Paulo.D. História da Grécia.1.. Du Cerf. Presses Universitaires de France. M.. c. POLÍBIO. ROSTOVTZEFF.. G.. Cf. C. Cf. [42]. 155. A revolta dos Macabeus... Vozes. A. 118-121.-C. pp. M. pp. 24-31. GLOTZ. BICKERMAN. J. G. KIPPENBERG. Brasiliense. Histoire politique du monde hellénistique (323-30 av.. C.. 1979-19822.).. As utopias gregas.. 377-378. E. H. C. Religião e formação de classes na antiga Judéia. ao longo dos séculos. também GIORDANI. p.

ibidem. Os Macabeus I: A Resistência Com a proibição das tradicionais práticas judaicas em 167 a. Idem. pois os judeus mais tradicionais não podem admitir esta atitude. A posse de livros da Lei. Idem. irmão de Judas Macabeu. Cf. que culminará. embora esteja vago. 86. [49]. nesta primeira fase. de Judas Macabeu e de Jônatas pela independência da Judéia. 61-63. 9. 9. pp. Cf. a prática da circuncisão ou qualquer observância de um ritual judaico leva a pessoa à morte.C. na libertação de Jerusalém e na purificação do Templo apenas três anos após a proibição dos sacrifícios javistas. p. chamado Matatias. ibidem.[48]. Aproveitando-se do aprofundamento da divisão interna do império selêucida e de seu enfraquecimento político e econômico. ocupando um cargo que. que se retirara de Jerusalém desgostoso com o rumo das coisas. um sacerdote de Modin. pp. Recusando-se a prestar culto aos deuses gregos. começa um movimento de rebelião armada contra os gregos e seus associados da aristocracia judaica. ibidem. Matatias e o Começo da Revolta . Neste capítulo abordarei exatamente a luta de Matatias. Jônatas. os irmãos Macabeus vão pouco a pouco consolidando as suas conquistas na Judéia. não lhe pertence. Idem. Cf.1. 86-87. desencadeia-se feroz perseguição àqueles que não se submetem às ordens do rei selêucida Antíoco IV Epífanes. Com seus cinco filhos e grande grupo de camponeses fiéis às tradições judaicas ele faz uma guerra constante aos helenizantes. será o primeiro sumo sacerdote da família. [50]. Isto começa a criar divisões internas. com seu filho Judas Macabeu.

contra Israel. Na sua prepotência assim procediam. as executavam com os mesmo filhinhos pendurados a seus pescoços. como de fato morreram. com todos aqueles que fossem descobertos. Temos. e ainda com seus familiares e com aqueles que haviam operado a circuncisão. os judeus devem participar também da festa de Dionísio: "Eram arrastados com amarga violência ao banquete sacrifical que se realizava cada mês. Eles aceitaram antes morrer que contaminar-se com os alimentos e profanar a Aliança sagrada. logo é festejado o acontecimento por todo o povo e os próprios governantes. daí por diante. assim descreve 1Mc 1. E ao chegarem as festas . ao dia 15 de dezembro.Como vimos. é em 167 a. O dia 25 de cada mês é a data do aniversário do rei e da inauguração do altar a Zeus Olímpico: o dia 25 de Casleu. desta prática. que as práticas tradicionais do judaísmo são proibidas pelo decreto de Antíoco IV Epífanes e o culto de Zeus Olímpico é introduzido no Templo de Jerusalém. herdeiro presuntivo da coroa.C. nas cidades. É então que muitos judeus fiéis à Lei morrem. a Ásia inteira comemora a efeméride com festejos e sacrifícios"[1]. no dia do aniversário do príncipe. mês por mês. um livro da Aliança ou se alguém se conformasse à Lei. A comemoração do aniversário do rei é uma prática persa retomada pelos macedônios no Oriente. os que lhes caíam nas mãos eram rasgados e lançados ao fogo.7. o decreto real o condenava à morte. Onde quer que se encontrasse. que equivale. No dia vinte e cinco de cada mês ofereciam-se sacrifícios no altar levantado por sobre o altar dos holocaustos. mas não abdicam da aliança javista herdada de seus pais. todos os anos. Falando da perseguição desencadeada pelo decreto real e da resistência dos judeus fiéis. Foi sobremaneira grande a ira que se abateu sobre Israel". importante testemunho de Platão: "Quando nasce o primogênito. eles. em casa de alguém. Quanto às mulheres que haviam feito circuncidar seus filhos. Apesar de tudo. em nosso calendário. cumprindo o decreto. no dia do aniversário do rei. Segundo 2Mc 6. muitos em Israel ficaram firmes e se mostraram irredutíveis em não comerem nada de impuro.56-64 os fatos: "Quanto aos livros da Lei.

Reafirma esta interpretação religiosa judaica o 2º livro dos Macabeus. também celebrado em Roma. o cortejo em honra de Dionísio". as Antestérias (a "festa das flores". com grande ênfase na sexualidade. começo de fevereiro). o que é interpretado em termos de perseguição pela literatura judaica.18-31) e o martírio dos sete irmãos com sua mãe (2Mc 7. Assim. especialmente em Atenas.dionisíacas. pode ser compreendido pelo historiador como uma reação contra a agitação que não parava de aumentar e a repressão de uma verdadeira revolta armada"[3] . a profunda divisão dos judeus permite-nos compreender que os helenistas deviam se sentir ameaçados e acolhessem de boa vontade o apoio e a proteção das forças gregas. Na Grécia. que morre e ressuscita.o Baco.12-13 garante ainda que o castigo que se abate sobre a nação judaica é a punição pelos pecados do povo e só servirá para purificá-lo e encaminhá-lo para o reto caminho. aos que estiverem defrontando-se com este livro. Os rituais dionisíacos são repletos de êxtases. durante seis dias)[2] . misticismos e orgias sagradas que celebram a vida. aos olhos de Antíoco IV. 2Mc 6. Dionísio é um deus da vegetação. que faz uma verdadeira teologia do martírio. "Ao mesmo tempo. que libera as forças do inconsciente humano e inspira a música e a poesia. O livro descreve detalhadamente os suplícios sofridos pelo velho escriba Eleazar (2Mc 6. donde "bacanal" -. obrigavam-nos a acompanharem. porque mistura a perseguição religiosa à guerra civil. festa que comemora o renascimento da natureza) e as Grandes Dionísias ou Dionísias Urbanas (em março/abril. gostaria de exortar que não se desconcertem diante de tais calamidades. C.1-42). é filho de Zeus e da princesa Semele. coroados de hera. as características de uma verdadeira revolta e de uma oposição política perigosa. as Lenéias (em fins de janeiro. correção de . o começo desta crise é ambivalente. celebram-se quatro grandes festas em honra de Dionísio: as Dionisíacas Rurais (em dezembro). celebrada em fins de fevereiro. Dionísio. sendo também o deus do vinho . Pecados cometidos pelos helenizantes que violam a Lei sagrada: "Agora. Saulnier pensa que a resistência dos judeus piedosos assuma. começos de março. obviamente. na mitologia grega. Então.

o benfeitor e o salvador. ergueram sobre o Garizim um templo anônimo e ofereceram os sacrifícios que lhes convinham. enquanto que. os oficiais reais. de não nos molestar fazendo contra nós as mesmas acusações que contra os judeus que nos são estranhos tanto pela raça como pelos costumes. nós não seremos mais molestados e. entre os de Tiro e de Antioquia. chefe do distrito e a Nicanor. De fato. Nós te suplicamos. de ordenar a Apolônio. por origem nós somos sidonianos. "Memorando dos sidonianos de Siquém ao rei Antíoco Théos Epífanes: 'Nossos ancestrais. portanto. por causa das secas que assolavam o país. . Flávio Josefo traz um texto a propósito dos samaritanos datado de 166 a. Ao explicar a pilhagem do Templo por Antíoco IV. Deste modo. é sinal de grande benevolência". Hoje. nos envolvem nestas mesmas acusações. adotaram o costume de celebrar o dia que os judeus chamam de sábado. Não há sinal de perseguição entre os judeus da diáspora. não percebendo que era por causa dos pecados dos habitantes da cidade que o Senhor estava irritado por um tempo. quando tu tratas os judeus como merecem por sua maldade. obedecendo a um velho escrúpulo religioso. pensando que é por causa de nosso parentesco com eles que nós seguimos as mesmas práticas. segundo Flávio Josefo. Mas é interessante observarmos também a atitude dos samaritanos durante estes acontecimentos.nossa gente.17 apresenta a mesma perspectiva: "Antíoco subia até às alturas em seu pensamento. É bom lembrarmos que a perseguição atinge apenas os judeus do distrito de Jerusalém. mas imediatamente atingi-los com castigos. se designam nesta época. É um rescrito (= decisão do rei comunicada por escrito) de Antíoco IV aos sidonianos de Siquém. tu. templo de Zeus. não deixar impunes por longo tempo os que cometem impiedade. por exemplo. como o demonstram claramente as atas públicas. 2Mc 5. que é como os samaritanos. agente real. e de chamar ao nosso templo anônimo. e que era por isso que se verificava essa sua indiferença para com o Lugar".C.

Macabeu pode significar. encontra-se um sacerdote chamado Matatias. chamado Afus". Abaron é o "desperto". e Jônatas. talvez. Já que seus emissários. ele não só se recusa. Convoca. o rei deu a seguinte resposta: 'O rei Antíoco a Nicanor. mas que eles desejam viver segundo o costume dos gregos. da linhagem de Joiarib. A tal pedido dos samaritanos. seja chamado templo de Zeus'"[4]. pedindo a Matatias que oficiasse por ser um chefe ilustre na localidade. Entre os judeus que permanecem fiéis à Lei.29 que . em seguida. Matatias tem cinco filhos. povoado localizado a cerca de 12 km a leste de Lida/Lod. chamado Abaron. Quando os emissários reais chegam a Modin e convocam a população para o sacrifício sacrílego. nós os isentamos de todas as acusações e ordenamos que o seu templo. diante de nós. asseguraram que eles nada têm a ver com o que é censurado nos judeus.podendo ocupar-nos com segurança de nossos trabalhos. "martelo". Matatias se recusa a oficiar no Templo profanado pelo culto estrangeiro e se retira com a sua família para a sua propriedade situada em Modin. Afus é o "favorecido". mas ainda mata outro sacerdote que se oferecera no seu lugar e mata também o emissário real.27-28). Eleazar. os judeus fiéis e foge com seus filhos para as montanhas (1Mc 2. nós aumentaremos as tuas rendas'. ou do grego. Judas. e de nossos amigos reunidos em conselho. Os sidonianos de Siquém nos apresentaram o memorando que segue. Os cognomes dos filhos de Matatias significam o seguinte: Gadi é o "afortunado". Começa assim a luta desta célebre família contra os Selêucidas e seus aliados helenistas de Jerusalém e povoados vizinhos. bisneto de um certo Asmoneu[5]. como nos relata 1Mc 2. "designado por Iahweh". como eles o pediram. do hebraico maqqabiahu. Diz 1Mc 2. Mas a família de Matatias não está sozinha nesta luta. neto de Simeão. Simão. com o cognome de Gadi. chamado Macabeu. à forma de sua cabeça. chamado Tasi. Tasi tem significado incerto.2-5: "Tinha cinco filhos: João. possível alusão à sua força física ou.

E 1Mc 2. deve ser cumprida no oitavo dia pós o nascimento. Para a cerimônia usam os israelitas.45-48. facas de pedra lascadas. o sacerdote e o médico. porque ela passa a ser uma marca característica do judeu fiel[7]. ."Muitos que amavam a justiça e o direito desceram ao deserto para ali se estabelecerem. ou dias tabu. Quem não a conhece são os indo-europeus e os mongóis. segundo Lv 12.3. fenícios e cananeus usam igualmente a circuncisão. Entretanto. somente os filisteus (que são indo-europeus) não são circuncidados. suas mulheres e seu gado. eles. árabes. as passagens das fases da lua. o que atesta a sua origem arcaica. Dos povos palestinos com os quais Israel entra em contato. A etimologia da palavra é incerta. americanas e australianas praticam-na. Aliás.42 acrescenta que os assideus. seus filhos. Mas a circuncisão é. A ênfase sobre a observância do sábado cresce a partir do exílio e se torna lei. As proibições de Antíoco IV Epífanes tocam em práticas bastante arraigadas no judaísmo pós-exílico. por exemplo. amonitas. a circuncisão não é um ritual exclusivamente israelita: tribos africanas. edomitas. porque se tinham multiplicado os males sobre eles". em tempos mais remotos. moabitas. operação feita pelo pai da criança. Pode derivar do acádico shabattu ou shapattu. Quanto à sua origem. os calendários mesopotâmicos assinalam como dias de azar. Egípcios. Para os judeus é um dia de descanso e dedicação do tempo a Iahweh. Esta é a curta notícia que nos dá 1Mc 2. que consiste na remoção do prepúcio. claro que um motivo higiênico pode estar oculto pelos rituais e cerimônias. quando então o rei. Vamos comentar algumas delas. A prática do sábado parece ser muito antiga. A circuncisão. homens valorosos e apegados à Lei se unem a Matatias e a seus filhos [6]. naqueles tempos. circuncidando à força os meninos incircuncisos e recuperando a Lei das mãos dos gentios. que significa "duas vezes sete" e indica o dia da lua cheia para os babilônios. Matatias e os seus percorrem o território destruindo altares sacrílegos. não devem exercer suas funções.

A Páscoa (pesah). E é realizada uma primeira oferta das primícias a Iahweh.) celebra-se a Páscoa na primeira lua cheia da primavera (14 de Nisan) e os Ázimos a partir do dia 15. mais tarde os portais das casas. Não se pode quebrar nenhum osso e o que sobrar é queimado. Nm 28. Ex 12. une-se aos vizinhos. estando todos vestidos para viajar.40-51. Durante os sete primeiros dias da colheita. Daí a ênfase dada ao rito pelo judaísmo como marca característica do povo israelita[8].1-20. progressivamente os outros povos da região vão deixando-na de lado. é um ritual muito antigo tipicamente pastoril. posterior ao exílio. agora proibidas por Antíoco IV. No dia 14.C. Os Ázimos (massôt) são pães sem fermento. A tradição sacerdotal. para afastar delas os poderes malignos. come-se somente pão feito com farinha de grão novo. no mês de Nisan (março/abril) e se celebra durante uma semana. Durante esta noite de lua cheia assam e comem o cordeiro. Os escravos e os estrangeiros residentes também podem participar. os sete dias da festa. estabelece. o seguinte: no dia 10 de Nisan cada família escolhe um cordeiro macho.provavelmente um rito de iniciação à puberdade: uma cerimônia pela qual os rapazes são reconhecidos como homens adultos. A partir da reforma de Josias (629-609 a.5-8. Dá-se também às duas festas um novo sentido: a celebração da libertação do Egito. pão sem fermento. O seu uso israelita como símbolo de pertença a Iahweh data dos tempos do exílio babilônico. É excluído o que vem do "ano velho". O seu sangue serve para aspergir as estacas da tenda. simbolizando um novo ponto de partida. entre as duas luzes (à noite) o cordeiro é degolado e o seu sangue aspergido nos portais de cada casa. Quando a família é pequena demais para comer todo o cordeiro. As três principais festas (hag = peregrinação) israelitas. quando. são: a Páscoa/Ázimos. em Lv 23. celebrado na primeira lua cheia da primavera. Esta festa marca o começo da colheita da cevada. quando se sacrifica um animal novo para garantir a fecundidade de todo o rebanho. sem defeito e de um ano. a festa das Semanas ou Pentecostes e a festa dos Tabernáculos ou das Tendas. termo de etimologia incerta. Também são consumidos nesta noite pães ázimos e ervas amargas. desde que sejam circuncidados. . de sábado a sábado.16-25.

Inicialmente a festa é celebrada ao ar livre e certamente assume o nome das cabanas (sukkot) que se espalham entre as plantações. A festa das Semanas ou Pentecostes é celebrada 50 dias após a apresentação do primeiro molho de cevada na festa dos Ázimos. Foi posteriormente ligada ao Sinai. esta festa passa a chamar-se mais tarde sukkot.2-8. daí ser chamada pentecostés. como as outras duas. Há ainda um culto diário. feitos com a nova farinha de trigo. No outono terminam todas as colheitas e se encerra o ano agrícola. após a libertação do Egito (Lv 23. Primeiramente chamada de festa da colheita (asip). que são igualmente proibidas por Antíoco IV Epífanes. segundo as leis sacerdotais. para se proteger do sol. as primícias. o povo constrói cabanas ou abrigos nos pomares e vinhas. celebrada nos dias 14 e 15 de Adar (fevereiro/março). celebrada no outono. É. segundo o livro de Ester. Como o Yom Kippur. "tendas" ou "tabernáculos". ou Dia da Expiação pelo santuário. a festa assume outro significado: o povo deve recordar o período em que vivera em tendas. esta é uma festa muito alegre. que dura uma semana.43). "cinqüenta". o povo libertado do Egito chega ao monte naquele época do ano. Naturalmente esta é uma associação litúrgica e não histórica[9]. Mais tarde. é preciso lembrar que há outras celebrações no Israel da época grega. No primeiro e no sétimo dia são feitas celebrações religiosas. ou a festa dos Purim. recordando a vitória dos judeus da Pérsia contra aqueles que querem exterminá-los. a partir do dia 15 de Tishri (o mês de Tishri corresponde a setembro/outubro). pois segundo a tradição. são oferecidos a Iahweh. Celebra o término da colheita. A festa dos Tabernáculos ou Tendas é a mais importante das três festas de peregrinação em Israel. celebrada no dia 10 de Tishri. Por isso. que se traduz por "cabanas".38-42 e Nm 28. quando os primeiros frutos da lavoura. em grego. uma festa agrícola. A cerimônia consiste em oferecer dois pães fermentados. no deserto. terminando com um dia solene de descanso. clero e povo.No dia 15 começa a festa dos Ázimos. com uma duração de sete dias. segundo Ex 29. Mais tarde a festa passa a ser celebrada. como nossas festas juninas. sem data precisa. celebrado de manhã e à tarde. . O nome sukkot vem da seguinte prática: durante as colheitas. Além destas três grandes festas. típico do pós-exílio.

A luta contra a helenização é comandada por um grupo sacerdotal, os Macabeus, o que faz parecer que os motivos religiosos sejam prioritários ou mesmo os únicos para a resistência. Como, aliás, insistem os livros dos Macabeus. Mas é preciso lembrar que há uma coincidência de interesses dos sacerdotes e levitas empobrecidos com os interesses dos camponeses. Por isso lutam lado a lado. Sacerdotes e levitas vivem da contribuição dos camponeses, pois o culto e o sacerdócio não têm propriedades, excetuando-se, é claro, uns poucos sacerdotes da nobreza. Os sacerdotes prestam serviços em Jerusalém só de tempos em tempos, morando no mais, em suas cidades e aldeias. O financiamento do culto fica, na maioria das vezes, por conta do Estado. Assim, a classe sacerdotal sem terras está interessada no controle público das terras, como manda a Lei, e não na privatização da propriedade da terra, que é a tendência da aristocracia filo-helênica. Só assim os sacerdotes podem ter certeza das contribuições para o Templo e para o sustento de suas famílias. Se a terra pertence a Iahweh, como diz a Lei, e os sacerdotes são os intermediários entre Iahweh e o povo, através da instituição do Templo, a sua sobrevivência está garantida. Mas se a terra pertence ao rei, como o quer o direito do conquistador grego, os sacerdotes que não pertencem à aristocracia e não se associam aos gregos são prejudicados[10]. NEXT [1]. PLATÃO, O primeiro Alcibíades 121c, em Diálogos vol. V, Belém, Universidade Federal do Pará, 1975, p. 226. [2]. Cf., sobre o tema, DE SOUZA BRANDÃO, J., Mitologia grega II, Petrópolis, Vozes, 19882, pp. 113-140; ELIADE, M., História das crenças e das idéias religiosas I/2, Rio de Janeiro, Zahar, 1978, pp. 199-217. BICKERMAN, E., The God of the Maccabees. Studies on the Meaning and Origin of the Maccabean Revolt,, Leiden, Brill, 1979, pp. 74-75, acredita que estas festas, celebradas em Jerusalém, fazem renascer, ou melhor, são meros disfarces dos antigos cultos cananeus da fertilidade, tão fortes em Israel até o exílio.

[3]. SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, p. 126. [4]. JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XII, 258-264; cf. SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, pp. 379-380. [5]. Joiarib é, segundo 1Cr 24,7, o chefe da primeira das vinte quatro classes sacerdotais que servem no Templo. Mas é possível que esta posição de destaque seja uma reformulação do texto após as vitórias dos Macabeus e seu acesso ao sumo sacerdócio. Os descendentes de Matatias são conhecidos como "Macabeus", do nome de seu filho Judas Macabeu, ou "Asmoneus" por causa de um bisavô de Matatias, segundo JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XII, VIII, 1. [6]. Assideus é a forma grecizada do hebraico hassidim, os "piedosos". 1Mc 2,42 diz que "a partir daí, uniu-se a eles os grupos dos assideus (hê synagôgê ton assidáiôn), que eram israelitas fortes, corajosos e fiéis à Lei". [7]. Cf. DE VAUX, R., Ancient Israel. Its Life and Institutions, London, Darton, Longmann & Todd, 19682, pp. 475-483. [8]. Cf. Idem, ibidem, pp. 46-48. [9]. Cf. Idem, ibidem, pp. 415-517. Cf. também BICKERMAN, E., The God of the Maccabees, pp. 88-90. [10]. Cf. KIPPENBERG, H. G., Religião e formação de classes na antiga Judéia, pp. 59-64.

9.2. A Luta de Judas Macabeu (166-160 a.C.) Matatias morre logo, no começo de 166 a.C., mas seu filho Judas, assumindo o comando da luta, desenvolve uma guerra de guerrilhas cada vez mais ampla e vence um a um os generais selêucidas enviados para detêlo. É preciso considerarmos, porém, que o reino selêucida tem forças mais do que suficientes para massacrar a rebelião judaica. Acontece, contudo, de estar Antíoco IV ocupado com vários problemas que explodem por toda a parte em seus territórios. Não pode, por isso, ocupar-se, para valer, com os judeus. Para sorte dos Macabeus e dos assideus, os judeus fiéis que os acompanham na luta anti-helênica.

É 2Mc 8,1.5-7 que nos conta a estratégia de Judas: "Entretanto Judas, também chamado Macabeu, e os seus companheiros, iam introduzindo-se às ocultas nas aldeias. Chamando a si os coirmãos de raça e recrutando os que haviam perseverado firmes no judaísmo, chegaram a reunir cerca de seis mil pessoas (...) Transformada a sua gente em grupo organizado, o Macabeu começou a tornar-se irresistível para os gentios, tendo-se mudado em misericórdia a cólera do Senhor. Chegando de improviso às cidades e aldeias, ateava-lhes fogo; e, apoderando-se dos pontos estratégicos, punha em fuga a não poucos de entre os inimigos. Para tais incursões, escolhia de preferência a noite como colaboradora. De resto, a fama de sua valentia propagava-se por toda parte". As primeiras tropas selêucidas mandadas contra Judas são comandadas por Apolônio, governador da Samaria, provavelmente o misarca que saqueara Jerusalém no começo de 167 a.C. Este pequeno exército, composto de gregos e de samaritanos é facilmente vencido por Judas (1Mc 3,10-12). Forças maiores vêm com o general Seron, comandante do exército da Síria, mas são igualmente vencidas em Bet-Horon (1Mc 3,13-26). Em seguida, são vencidas as forças dos generais Nicanor e Górgias, até que Lísias, o encarregado da pacificação judaica pelo rei Antíoco IV , vem pessoalmente combater Judas. Contudo, nem mesmo Lísias consegue vencê-lo e uma trégua é estabelecida entre as duas forças (1Mc 3,38-4,35). C. Saulnier comenta que "esta vitória, aparentemente fácil, de Judas Macabeu explica-se pelos problemas que enfrentava neste momento o governo selêucida. Com efeito, Antíoco IV partira no princípio do ano 165 a.C. para uma campanha nas satrapias superiores (isto é, na alta Ásia), deixando Lísias em Antioquia para assegurar o governo e a guarda de seu jovem filho"[11] .

É então que, livre de represálias selêucidas, Judas e os seus tomam Jerusalém, purificam e dedicam novamente o Templo. É dezembro de 164 a.C., exatamente três anos após a profanação do santuário. Para comemorar o fato é instituída a festa da Hanukka, isto é, "Dedicação", celebrada no dia 25 de Casleu (15 de dezembro). 1Mc 4,52-54.59 descreve assim este fato: "No dia vinte e cinco do nono mês - chamado Casleu - do ano centro e quarenta e oito, eles se levantaram de manhã cedo e ofereceram um sacrifício, segundo as prescrições da Lei, sobre o novo altar dos holocaustos que haviam construído. Exatamente no mês e no dia em que os gentios o tinham profanado, foi o altar novamente consagrado com cânticos e ao som de cítaras, harpas e címbalos (...) E Judas, com seus irmãos e toda a assembléia de Israel, estabeleceu que os dias da dedicação do altar seriam celebrados a seu tempo, cada ano, durante oito dias, a partir do dia vinte e cinco do mês de Casleu, com júbilo e alegria". Durante esta festa os judeus acendem velas, fazem procissão com palmas e cantam salmos de louvor. Mesmo após a destruição do Templo a festa da Dedicação continua e o ritual de acender as velas ainda é observado, agora em casa[12] . Judas continua a guerra após a purificação do Templo. Entretanto, a seqüência dos fatos é um pouco confusa, porque as nossas fontes, 1 e 2 Macabeus, divergem entre si. C. Saulnier explica estas divergências pelas perspectivas diferentes de 1 Macabeus e 2 Macabeus. Segundo a autora, 1 Macabeus mistura dados históricos com uma teologia inspirada no deuteronomista, fazendo de Judas um libertador de Israel na linha dos juízes, os líderes da época da conquista. Já 2 Macabeus insiste muito na piedade de Judas, na sua fidelidade em observar o sábado e coisas do gênero. Mas, para além destes detalhes

assalta-me a lembrança dos males que cometi em Jerusalém quando me apoderei de todos os objetos de prata e de ouro que lá se encontravam e mandei exterminar os habitantes de Judá sem motivo. 2 Macabeus traz certas precisões que devem ser levadas a sério[13] .C. ordenou ao cocheiro que completasse o percurso prosseguindo sempre. Segundo 1Mc 6. Londres. diz Antíoco aos seus amigos antes de morrer: "Agora.12-13. mas tem que fugir "acossado pelos habitantes do país". é notificado da derrota de Nicanor na Judéia e cheio de fúria se apressa para se vingar dos judeus. porém. entre outras coisas. da derrota de seus exércitos e da libertação de Jerusalém por Judas. Judas dedica-se à proteção dos judeus que se vêem acuados pelos gentios em várias localidades. Segundo 2Mc 9. Segundo uma tabuinha conservada no British Museum. . provavelmente na mesma época em que o Templo é retomado e purificado. ou seja. na Galiléia e na Judéia (1Mc 5.1-19. e tem que fugir diante da reação da população[15] . Estando perto de Ecbátana[16] . no final de 164 a. morre Antíoco IV Epífanes.C. Sabendo. Antíoco IV tenta saquear um templo em Persépolis. pensou em fazer pesar sobre os judeus também a injúria dos que o haviam posto em fuga. Vede com quanta amargura eu morro em terra estrangeira". a expedição no Galaad. sem parar. Segundo 1Mc 6. no nono mês do ano 148 da era selêucida. adoece e morre. 2Mc 9. Sucedem-se assim as campanhas contra os idumeus e os amonitas.1-68) [14] . Por esse motivo. As versões de sua morte são muito estranhas e complexas.edificantes. famoso por suas riquezas. ainda na Pérsia.1-17. o rei morre em outubro de 164 a. em Elimaida.4-5 diz: "Fora de si pela cólera.. Reconheço agora que é por causa disso que estes males se abateram sobre mim. Entretanto. Antíoco IV tenta saquear o templo de Ártemis.

assim havia ele falado. desejando aumentar suas riquezas. como dizem alguns. desconjuntando os membros. em Elimaida. Os esquemas teológicos das versões dos livros dos Macabeus são evidentes: Antíoco IV morre porque é castigado na sua arrogância (especialmente segundo 2 Macabeus).enquanto já o acompanhava o julgamento do Céu. E o texto conclui que. decidiu fazer uma expedição contra o Templo de Ártemis. porque algumas manifestações do demônio tinham sobrevindo na ocasião do delito cometido contra o templo visado"[17] . o Deus de Israel. diante do sofrimento. que. que tudo vê. uma simples repetição da história de seu pai.11-17). prossegue o texto. o rei Antíoco III. ferido por um demônio. E até promete tornar-se missionário judeu! Políbio dá também a sua versão da morte de Antíoco IV: "Na Síria. na única coisa em que concordam o fato do rei Antíoco resolver saquear um templo na Elimaida -. Antíoco IV não desiste. e de seu corpo "começaram a pulular vermes. deixou ele a vida. acaba caindo da carruagem. possa haver uma duplicata. . diante destas versões. Suspeita-se. na sua soberba: 'Farei de Jerusalém um cemitério de judeus. que morre ao saquear um templo na Elimaida[18] . Mas. as carnes se lhe caíam aos pedaços entre espasmos lancinantes" (2Mc 9. Antíoco IV acaba se arrependendo dos males que fizera aos judeus (2Mc 9.9). apenas eu chegue aí!' Foi quando o Senhor. o rei Antíoco. feriu-o com uma doença incurável e invisível: apenas terminara ele a sua frase. De fato. estando ele ainda vivo. porque os bárbaros que habitam neste lugar não consentiram neste delito. Voltando a Tabe da Pérsia. E. acometeu-o uma dor insuportável nas entranhas e tormentos atrozes no ventre". Tendo chegado a esta região foi frustrado em sua esperança.

mas.). o manto e o anel do sinete. que tem apenas 12 anos de idade. "a documentação de que dispomos sobre o homem e sobre sua obra não nos autoriza nem a apologia nem a condenação.17).Na verdade. Quando parte em campanha para as províncias mais orientais de seu Império. Parece ter havido em Antíoco IV um homem de Estado nada desprezível. e o regente Lísias e. onde ele está em campanha. parece certo que seu fim se dá lá pelos lados da Pérsia. em seguida. Mas. não se sabe de que doença morre o rei Antíoco IV Epífanes. seu filho. e deu-lhe o nome de Eupator" (1Mc 6. Mas. Só que com a chegada de Filipe a Antioquia. A fama deste rei é muito ruim.15). Lísias "proclamou rei o jovem Antíoco. ao mesmo tempo. Mas. deixando o cerco da Acra. pouco antes de morrer.22-26 nos seguintes termos: . ele confia a seu conselheiro Filipe o encargo de governar o reino em nome de seu filho menor de idade Antíoco V.C. Lísias e Antíoco V. mas a luta de Judas Macabeu continua contra Antíoco V (164-162 a.C. Judas aproveita-se destas circunstâncias e assedia a Acra em Jerusalém. a quem havia educado desde pequenino. contra Demétrio I (161-150 a. encarregando-o de tutelar Antíoco. Lísias tem que voltar às pressas para enfrentá-lo e decide fazer a paz com os judeus.). É a ele que Antíoco IV entrega "o diadema. como observa E. A carta de Antíoco V a respeito está conservada em 2Mc 11. enfrenta o exército selêucida em Bet-Zacarias. Will. vêm então combater Judas. seu filho e de prepará-lo para o trono" (1Mc 6. Atacam Betsur e Judas. Morre Antíoco IV. ultrapassado por uma conjuntura por demais complexa"[19] . como seus contemporâneos. Judas acaba cercado no monte Sião. Mas. Antíoco IV deixa Lísias encarregado dos negócios do reino em Antioquia.

No seu lugar é nomeado o sumo sacerdote Alcimo. saudações. querendo nós que os súditos de nosso reino estejam livres de qualquer incômodo a fim de poderem dedicar-se ao cuidado dos próprios interesses.C[20] . e o enviou com o ímpio Alcimo."O rei Antíoco a seu irmão Lísias. . a fim de que. desejam que se lhes permita a observância das suas leis. Demétrio. por decreto real. a liberdade religiosa novamente. ouvimos dizer que os judeus não consentem na adoção dos costumes gregos. mata seu primo Antíoco V e Lísias e assume o poder. Tendo-se trasladado nosso pai para junto dos deuses. um dos seus amigos.3-8). Alcimo é um "ímpio". que os assideus se viram pressionados a aceitar. Mas antes. homem poderoso no reino e fiel ao soberano. querida por nosso pai. por ordem de Lísias. bem farás enviando-lhes embaixadores que lhes dêem as mãos. um dos amigos do rei. Querendo. Porém. Filipe não consegue o controle do reino e foge para o Egito.8-9. Demétrio I governará de 161 a 150 a. voltara a Jerusalém acompanhado de Báquides. Alcimo "confirmado em sua dignidade [por Demétrio]. a quem assegurou o sumo sacerdócio. O que Antíoco V faz é revogar o decreto de seu pai que proibia as práticas judaicas. preferindo o seu modo de vida particular. pois. que vive como refém em Roma. que também este povo possa viver sem temor.Por isso. sabedores de nossa intenção fiquem de ânimo sereno e se entreguem prazerosamente às próprias ocupações". ou seja um helenizante: "O rei escolheu a Báquides. dando-lhe ordens de exercer a vingança contra os filhos de Israel". E os judeus obtêm. um filho de Selêuco IV. consegue fugir. Segundo 1Mc 7. enquanto Judas e seus partidários preferiam continuar na oposição"[21] . governador das regiões de Além-do-Rio. decidimos que o Templo lhes seja restituído e que eles possam governar-se segundo os costumes de seus antepassados. e fizera propostas de paz. de vinte e cinco anos de idade. é executado (2Mc 13. O helenizante sumo sacerdote Menelau é convocado a Antioquia e. E então assistimos a uma primeira dissidência entre os revolucionários judeus. chega à Síria.

segundo 1Mc 7. após seis anos de guerra. Mas na sua qualidade de aaronida legitimava sua nomeação e atraía à sua causa os assideus"[22] . é que os Selêucidas vencem Judas. que vai do Eufrates ao Egito. A DINASTIA DOS SELÊUCIDAS Selêuco I Nicator 312-280 a. 20 km ao norte de Jerusalém.1-18). em combate contra Báquides (1Mc 9. Com efeito. os assideus raciocinam assim: "É um sacerdote da linhagem de Aarão que veio com este exército: ele não procederá injustamente conosco".. o Grande 222-187 Selêuco IV Filopator 187-175 Antíoco IV Epífanes 175-164 Antíoco V Eupator 164-162 Demétrio I Soter 162-150 Alexandre Balas 150-145 Demétrio II Nicator 145-139 Antíoco VI Théos 145-142 Trifão 142-139 Antíoco VII Sidetes 139-128 Demétrio II Nicator 128-122 Selêuco V 125 Antíoco VIII Filometor 125-113 . o dos Macabeus é bem mais amplo.14. Os Macabeus continuam a sua luta e só em 160 a. Isto indica que enquanto o objetivo da luta dos assideus é apenas conseguir a liberdade religiosa.C. Antíoco I Soter 280-261 Antíoco II Théos 261-246 Selêuco II Calínicos 246-226 Selêuco III Ceráunos 226-222 Antíoco III. Alcimo "é tratado de ímpio porque convivia com os gregos e criava obstáculos às pretensões dos Asmoneus. morto em Beerzet.Báquides é o governador da província da Transeufratênia.C.

[14] . J.3.. Histoire politique du monde hellénistique II. [18] . diz a BÍBLIA DE JERUSALÉM. Epífanes morreu em Tabe. Cf. nota g a 2Mc 9. pp. ou em SAULNIER. não se tem notícia de cidade alguma com o nome de Elimaida. 171. p.C. Cf. SCHÜRER. C. 1Mc 6.. [20] . A revolta dos Macabeus.. 1985. "De fato. [12] .. Na realidade. 99. Cf. p. 307. Rio de Janeiro. F. História XXXI. . 134-165. 580-582. ibidem.1) e. SAULNIER.. [13] .. p. pp. a meio caminho entre essas duas cidades". E.-M. Histoire d'Israel III.C. p. pp. 136-138. este texto em AA.22). 700 km a nordeste de Persépolis. p. R.Antíoco IX Filopator Antíoco VIII Filometor Antíoco X contra 5 filhos de Antíoco VIII Antíoco XIII 113-95 111-96 95-93 69-65 a. 365-367. 30. forma grega de Elam (Gn 10.1 nota q.-135 d.. pp. antiga capital da Pérsia (Ne 1.. é a região montanhosa a nordeste dessa cidade".. As tradições e as leis dos judeus praticantes. 9. [19] . ABEL. C. WILL. PRÉAUX. explica a BÍBLIA DE JERUSALÉM. E. Brescia. Cf. A revolta dos Macabeus. p. História de Israel. as lutas de Judas em BRIGHT. C. 1987. pp. 227-229.) I.C. 29. SAULNIER. "Atualmente Hamadã. 510-514. Idem. Imago. Le monde hellénistique I. C. ASHERI. Histoire de la Palestine I. SAULNIER.VV. A Elimaida é a região em torno de Susa. POLÍBIO. Histoire d'Israel III. [16] . 380.. 222-233. pp. DE VAUX. Ancient Israel. Cf. pp. [17] . [15] . C. NEXT [11] . M.. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo (175 a. em sentido restrito. O judaísmo vivo. Paideia. Israel e Judá.. Textos do Antigo Oriente Médio. Cf.

que continua o processo de judaização da Palestina. ele controla a situação após 6 anos de sangrentos conflitos. por adotar medidas militares políticas helenizantes. João Hircano I começa a enfrentar a oposição dos fariseus.[21] . SAULNIER. Aristóbulo I. a poderosa fortaleza selêucida de Jerusalém. a luta dos Macabeus continua com seu irmão Simão a partir de 143 a.C. Simão. Simão é sucedido por seu filho João Hircano I. Sua mulher Salomé Alexandra assume o poder depois dele e faz a paz com os fariseus. governando com grande habilidade. Assassinado. Agindo com crueldade extrema. O general Pompeu anexa a . apesar de ter governado apenas um ano. Seu irmão Alexandre Janeu casa-se com a rainha viúva. levando suas fronteiras a um ponto que o país nunca mais tivera desde que fora destruído por Nabucodonosor em 586 a. E a luta pelo poder no seio da família dos Macabeus é forte: Aristóbulo encarcera sua mãe e seus irmãos. consegue. e continua o processo de anexação de territórios na Palestina. Hircano II e Aristóbulo II. proclama-se rei. Entretanto. p. filho e sucessor de João Hircano. Mas. entram em violenta disputa pelo poder. BÍBLIA DE JERUSALÉM.9 nota q. finalmente. continua o processo de reaproximação com o helenismo. Janeu vai enfrentar pesada guerra civil no seu confronto com os fariseus. ao dominar a Acra.C. que só acaba com a chegada definitiva dos romanos na região. A revolta dos Macabeus. após a morte da rainha.. a independência da Judéia. Salomé Alexandra. 32. Mas seus dois filhos. grupo que vai se tornando cada vez mais popular. [22] . Os Macabeus II: a Independência Após a morte de Jônatas. 1Mc7. C.

A importante fortaleza é transformada no palácio dos Macabeus[1]. repele um seu ataque na Judéia. e. ele com os seus". Demétrio II ainda comanda a Cilícia e a Mesopotâmia e Simão faz aliança com ele. Como narra 1Mc 14.C. agora rei. para comprar ou vender. Este Antíoco VII inicialmente reafirma os . sua importância política. Simão estabeleceu que se comemorasse cada ano esta data com alegria. Finalmente nela entraram no vigésimo terceiro dia do segundo mês do ano cento e setenta e um[2]. Então clamaram a Simão para que aceitasse a sua mão direita. Fortificou ainda mais o monte do Templo. perecendo não poucos dentre eles à míngua. na parte contígua à Cidadela. à Judéia. e entoando hinos e cânticos.C.49-52 descreve a tomada da Acra por Simão: "Ora.C. os da guarnição da Cidadela. Este seu genro está em conluio com Antíoco VII Sidetes (irmão de Demétrio II). de mil minas de peso. Gazara (= Gezer) é judaizada à força e João Hircano. Ptolomeu. címbalos e harpas.1. com dois filhos. Expulsou-os. em Jerusalém. E a independência da Judéia do jugo dos Selêucidas é garantida com a destruição da Acra por Simão em 141 a. começaram a passar muita fome. 1Mc 13. enfrentando Trifão. removendo-lhe as abominações. que entre 139 e 128 a. Consegue muitos benefícios para o povo judeu. porém dali e purificou a Cidadela. Simão toma Gazara. filho de Abrebo. impedidos de sair e de andar pela vizinhança. e a expulsão dos gentios do território.24: "Simão enviou Numênio a Roma com um grande escudo de ouro. e ele os atendeu. Simão Consegue a Independência da Judéia Simão sucede a seu irmão Jônatas em 143 a. porque um grande inimigo havia sido esmagado e expelido fora de Israel. como consta do decreto de Demétrio II citado em 1Mc 13. Simão fortalece também as alianças com Esparta e com Roma.C. filho de Simão.36-42. entre aclamações e palmas. para confirmar a aliança com eles"[3]. por um genro seu. restituindo. estratégica cidade helenística. torna-se o seu governador militar. perto de Jericó. afinal. é o rei selêucida. e habitou ali. Simão acaba assassinado.Judéia à República Romana em 63 a. 10. durante um banquete. ao som de cítaras.

. consegue escapar e assume o poder. tinha obtido sobre ele.2. ele o sitiou. nem mesmo pelos sacerdotes. mas em seguida reclama de Simão as localidades por ele conquistadas e o tributo dos territórios anexados por Simão à Judéia (1Mc 15. gravado em placas de bronze e afixado no monte Sião. chamado João Hircano.C. 1Mc 14. durante seu governo. ele tem o direito de fazer 'julgamentos' que não podem ser contestados por ninguém. Durante seus primeiros anos de governos João Hircano I enfrenta enormes dificuldades para manter a independência da Palestina. muito querido pelos judeus que resolvem fazer-lhe um elogio.é estratego (tem autoridade sobre o exército). "príncipe". 44) . 10. dividindo o seu exército em sete corpos.acordos dos reis anteriores. entretanto. Entretanto. atacou a Judéia. Aí vemos que ele é etnarca (líder da etnia judaica). Como não chegam a um acordo. sob pena de condenação. Depois de ter devastado os campos e obrigado Hircano a se retirar para Jerusalém. inclusive reocupando a Acra.. que era o primeiro do principado de Hircano e a centésima sexagésima segunda Olimpíada.25-26).27-49 traz a inscrição sobre os feitos de Simão e da família dos Macabeus. por exemplo. "chefe") e sumo sacerdote hereditário. impor a João Hircano o tributo e obrigá-lo a combater ao seu lado contra os partos.C. Flávio Josefo diz desse momento: "Antíoco. um filho seu. tem o direito de usar a púrpura e a fivela de ouro (v. porque o povo é regido pela Lei. que conservava ainda o ressentimento pelas vantagens que Simão. "Não se pode dizer que ele tenha um poder legislativo. João Hircano I e as Divisões Internas dos Judeus Quando Simão é assassinado. O decreto é de setembro de 140 a. governando de 134 a 104 a. não se pode mais fazer reuniões sem a sua aprovação"[4].o que faz dele um dinasta . é chefe (hegoumênos. expressão grega usada na LXX para traduzir sar. consegue cercar Jerusalém em 133 a. Simão é. Antíoco VII apóia a ação criminosa de Ptolomeu contra Simão. no quarto ano de seu reinado. o que não consegue. Sua intenção é a de submeter novamente a Judéia ao poder selêucida.C. pai de HIrcano.25-26. segundo 1Mc 14. para cercar assim toda a praça"[5]. ou rosh. Antíoco VII.

"A maior parte das guerras terminou com a conversão forçada dos vencidos e muitas vezes com extermínios que lembravam o 'anátema' praticado por Josué. a Iduméia. Tal foi. Paul lembra que a expansão territorial e os métodos imperialistas dos Macabeus vão se tornando cada vez mais fortes. O Senado romano renova então a amizade (filia) e a aliança (symmachía) com os judeus em 126 ou 125 a. por sinal. A. durante um banquete. em particular. Entretanto. João Hircano I tenta punir este fariseu com a morte. o que o incapacitava para o cargo de sumo sacerdote.Quando o poder selêucida muda de mãos. João Hircano I apela para os romanos. Foram destruídas assim muitas cidades de importância econômica e cultural tanto para a Palestina como para os territórios vizinhos. Adora. . as crueldades cometidas por João Hircano I contra as cidades conquistadas e as populações forçadamente judaizadas provocam a primeira reação dos fariseus contra os governantes Macabeus. segundo Lv 21. e não só suas resistências. 'Ou o judaísmo ou a morte': esta frase poderia resumir o programa político dos grandes Asmoneus. para explicar a ruptura de João Hircano I com os fariseus. entretanto. Marisa.. narra um episódio. Logo que puder. Os idumeus e os itureus da Galiléia foram obrigados a se circuncidarem (.C. o destino das grandes e prósperas cidades costeiras e das cidades helenísticas fundadas a leste do Jordão"[6]. João Hircano destruiu o templo do monte Garizim e a cidade helenizada de Samaria e reduziu seus habitantes a escravos. o Senado procurará defender os interesses dos judeus[7]. A partir deste momento João Hircano I alia-se aos saduceus e rompe com os fariseus[8]. Pois sua mãe teria sido prisioneira de Antíoco IV Epífanes . há outros problemas mais urgentes em Roma. no momento. mas apóiam qualquer iniciativa que possa enfraquecer os Selêucidas.) Era necessário aniquilar a civilização grega com suas realizações.tendo se tornado suspeita de ter sido violentada e tornada impura -. João Hircano I continua as conquistas de seu pai Simão. mas também manda dizer que. ação que o partido farisaico não aprova. cujo território ambicionam. Siquém.14... Samega. judaizando importantes localidades palestinas como Mádaba. Para se libertar da tutela selêucida. com quem renova o tratado de amizade. bastante lendário. Flávio Josefo. um fariseu teria requerido de João Hircano I que abandonasse o sumo sacerdócio. já antes estabelecido por seus antepassados. Os romanos não morrem de amor pelos judeus. segundo o qual.

João Hircano I, na verdade, para conseguir as suas conquistas e garantir o seu território, começa a incorporar ao seu exército mercenários gentios. Naturalmente pagos com os tributos recolhidos do povo judeu. O que já desagrada bastante aos aliados dos Macabeus. P. Sacchi explica: "Os gentios engajados eram impuros que viviam junto ao povo judeu. Para os essênios a contaminação da cidade crescia, para os assideus surgiam problemas sobre a pureza que antes não existiam. A suspeita em relação ao Asmoneu devia crescer"[9]. Originariamente aliados dos Macabeus no combate à helenização, os assideus acabam divididos na época de Jônatas. Deles saem os essênios, que rompem com o governo dos Macabeus, e os fariseus, que ainda o apóiam[10]. É preciso considerar também que, pouco a pouco, o governo macabeu toma rumos semelhantes aos de seus inimigos Selêucidas, afastando-se dos ideais originais da resistência. É isto principalmente que provoca os atritos com os judeus mais rigorosos na observância da Lei. Observando outro aspecto, A. Paul crê que a política macabéia de destruição do helenismo é, a longo prazo, um suicídio. Esta política "consistia, de um lado, em destruir todos os traços, inclusive os humanos, do helenismo político e cultural das cidades da Palestina justamente quando a numerosa diáspora manifestava sua legalidade e impunha sua verdade, impregnando-se profundamente do modo grego de pensar, de viver e de se exprimir". Além do que, esta política "significava o aniquilamento das infra-estruturas e das estruturas sociais e econômicas, das quais dependiam a salvação e a prosperidade da Palestina". E o autor acrescenta: "Poucos decênios depois, quando da queda súbita do Estado asmoneu em 63 a.C., a história mostrou que, já nos tempos dos troféus, o processo de morte estava profundamente consolidado e generalizado". Para concluir, diz A. Paul: "Da luta pelo restabelecimento da paz civil e, depois, pela independência nacional, passara-se, com efeito, a conquistas cuja finalidade era garantir a segurança necessária às novas fronteiras, muito vulneráveis. Formava-se assim uma engrenagem irresistível, já que a segurança conseguida pelas armas exigia a garantia de uma outra segurança, a qual, por sua vez, devia também ser conseguida pelas armas"[11].

Também M. Hengel acredita que nesta época só a monarquia de tipo helenístico ou a pólis têm condição de sobreviver, sendo inviável qualquer outro tipo de Estado. Por que? Porque sem um exército moderno, um aparelho administrativo e financeiro eficiente e uma participação competitiva no mercado mundial um Estado não tem espaço neste contexto. Os judeus não conseguem compreender isso e estão destinados à falência, pois tentam transplantar seu antigo ideal teocrático para uma realidade política de um mundo transformado[12]. NEXT [1]. Sobre Simão, cf. ABEL, F.-M., Histoire de la Palestine I, pp. 191-206; SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, pp. 146-149; SCHÜRER, E., Storia del popolo giudaico al tempo de Gesù Cristo I, pp. 250-261. [2]. O vigésimo terceiro dia do segundo mês do ano cento e setenta e um da era selêucida corresponde aos começos de junho de 141 a.C. [3]. Uma mina ática pesa 436 gramas: o escudo pesaria quase meia tonelada de ouro. Entretanto, na resposta dos romanos à embaixada judaica se diz: "Eles nos trouxeram um escudo de ouro de mil minas" (1Mc 15,18). Deve-se entender que o escudo vale mil minas de prata, o equivalente a aproximadamente 44 kg de ouro, peso aceitável para esse tipo de escudo decorativo. [4]. SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, p. 155. [5]. JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XVII, 236. Sobre João Hircano I, cf. SCHÜRER, E., o. c., pp. 261-279. [6]. PAUL, A., O judaísmo tardio, pp. 191-192. JOSEFO, F., Bellum Iudaicum I, 64-66 descreve o cerco e a queda de Samaria. [7]. Cf. o texto em JOSEFO, F., Antiquitates Iuadaicae XIII, 259-266. [8]. Cf. JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XIII, 288-298. Cf. também SCHÜRER, E., o. c., pp. 275-278. Na p. 277 diz este autor: "Na sua forma anedótica, a história traz, sem dúvida, as marcas da lenda, e provavelmente Josefo a recebeu apenas de uma tradição oral. Não obstante, pode-se considerar como um dado de fato que Hircano verdadeiramente se distanciou dos fariseus e aboliu as suas prescrições".

[9]. SACCHI, P., Storia del mondo giudaico, Torino, Società Editrice Internazionale, 1976, p. 115. [10]. Cf., sobre os fariseus, saduceus e essênios, SCHÜRER, E., The history of the Jewish people in the age of Jesus Christ II, Edinburgh, T & T Clark, 1986, pp. 381-414; 555-590. [11]. PAUL, A., O judaísmo tardio, pp. 193-196. [12]. Cf. HENGEL, M., Ebrei, Greci e Barbari, pp. 134-135.

10.3. Aristóbulo I e a Reaproximação com o Helenismo Segundo Flávio Josefo, João Hircano tem cinco filhos, quando morre em 104 a.C. Mas ele não deixa o governo para nenhum deles, e sim para sua mulher[13] . É bem provável, entretanto, que tenhamos aqui uma confusão com a situação análoga ocorrida mais tarde, quando, ao morrer, Alexandre Janeu deixa o trono para sua mulher Salomé Alexandra. É que Janeu é rei e pode fazer isto, mas não João Hircano que não é rei[14] . De qualquer maneira, Aristóbulo, o filho mais velho de João Hircano I, aprisiona sua mãe e três de seus irmãos, assumindo o poder. Sua mãe morre de fome na prisão. Apenas um de seus irmãos, Antígono, fica livre. Contudo, as intrigas dos rivais de Antígono levam Aristóbulo a mandar matá-lo, temendo, provavelmente, sua concorrência, já que lhe fazem crer aspirar Antígono ao poder supremo[15] . Ainda segundo Flávio Josefo, Aristóbulo I terá sido o primeiro Macabeu a usar o título de rei: "Aristóbulo, que era o mais velho dos filhos de Hircano, cognominado 'Filélên', isto é, amigo dos gregos, mudou em reino, depois da morte de seu pai, o principado dos judeus e foi assim o primeiro que se fez coroar rei"[16] . Entretanto, esta notícia é controvertida. Nas suas moedas aparece apenas a seguinte inscrição: "Judas, sumo sacerdote e a comunidade dos judeus".

Além do que Estrabão diz que é seu irmão e sucessor Alexandre Janeu o primeiro Macabeu a ostentar o título de rei. Diz Estrabão: "De qualquer modo, quando agora a Judéia estava sob o domínio de tiranos, Alexandre foi o primeiro a se declarar rei em vez de sacerdote"[17] . Por outro lado, observe-se que tanto ele como seus irmãos têm nomes gregos - Aristóbulo, Antígono, Alexandre -, embora use para os judeus um nome semita, Judas. Isto significa que seu pai João Hircano já abrira as portas da família para a helenização. Helenização que um dia seus antepassados combateram. E Flávio Josefo chama Aristóbulo I de "filo-heleno", o que igualmente indica sua aproximação da cultura grega, certamente apoiado pelos seus aliados saduceus. Por sinal, os autores gregos o têm em grande conta, segundo relata o mesmo Josefo: "Era de natural tão doce e tão modesto, como Estrabão o refere com estas palavras, ante a relação de Timagenes: 'Este príncipe era muito afável (epieikês) e os judeus não lhe são devedores de pouco: porque ele levou tão longe os limites de seu país que ele aumentou com uma parte da Ituréia e uniu este povo a eles pelo laço da circuncisão'"[18] . Certo é que Aristóbulo I continua as conquistas de sua família: anexa e judaíza a Galiléia, segundo as fontes antigas habitada por tribos ituréias, obrigando seus habitantes a aceitar a circuncisão e a Lei[19] . Aristóbulo I morre, de dolorosa doença, tendo governado apenas um ano. 10.4. Alexandre Janeu, o Primeiro Rei Macabeu Após a morte de Aristóbulo I, sua viúva Salomé Alexandra, liberta seus irmãos da prisão e se casa com o mais velho, Alexandre Janeu, que se torna, assim, rei e sumo sacerdote. É o que nos diz Flávio Josefo: "Depois da morte do rei Aristóbulo, a rainha Salomé, sua esposa, que os gregos chamam de Alexandra, pôs em liberdade os irmãos desse príncipe, que ele mantinha na prisão, como vimos, e fez rei a Janeu, antes chamado de Alexandre, que era o mais velho e o mais moderado de todos"[20].

mas este recebe ajuda da rainha Cleópatra III. mas se retira e deixa o território sob o comando de Alexandre Janeu. Mas. puseram fogo em suas casas para que não fossem saqueadas . os soldados saíram. sem resistência. A descrição que faz Flávio Josefo da conquista de Gaza é exemplar para avaliarmos os métodos de Alexandre Janeu: "Quando entrou na cidade. da família sacerdotal de Jerusalém.. em seguida. no sul. Ptolomeu IX vence Alexandre Janeu. do Egito. ao tentar tomar Ptolemaida."[21]. até o Monte Carmelo. uns para um lado. Porém. Alexandre Janeu retoma. ao norte. reuniu grandes forças de terra e mar. o processo de conquista. no sul.) Alguns dos seus servidores propuseram-lhe apoderar-se de seu país e não permitir que um número tão grande de judeus. entra em cena um rei ptolomaico: Ptolomeu IX Latiro. cujo comando confiou a Helquias e Ananias. Alguns deles. toda a Judéia. outros para o outro. desta vez a leste do Jordão e. suas conquistas.. em seguida.C. estivesse sujeito a um único homem. entre os quais se destacam Ananias e Helquias. Ela certamente teme as conquistas do filho e provavelmente é também influenciada por conselheiros judeus. filho mais velho da rainha Cleópatra III. homens de bem. generais do exército ptolomaico. anexação e judaização de várias cidades palestinas. usando toda a sorte de armas que lhes caíam nas mãos e mataram tantos quantos foram os que perderam.. Conquista a região costeira da Palestina. com redobrado vigor. para onde fora expulso por sua mãe. matando os gazenses. vendo-se sozinhos. Estes (. Alexandre Janeu continua. soltou suas tropas sobre os gazenses e deixou seus homens se vingarem deles. então.) defenderam-se dos judeus.. apoderando-se inclusive da importante cidade de Gaza em 96 a. julgou não dever esperar mais para enfrentá-lo.. Assim. sem perder tempo. antigo sonho dos Ptolomeus. Mas Ananias aconselhoulhe o contrário. O comentário de Flávio Josefo é o seguinte: "Quando a rainha Cleópatra viu que seu filho crescia em poder daquele modo e devastava. é um pequeno rei em Chipre. desde a fronteira com o Egito. Cleópatra III acaba tornando-se senhora de toda a Palestina. filhos de Onias IV.Nos primeiros anos de seu governo.. judeus de nascimento (. tinha submetido Gaza à sua obediência e estava já quase às portas do Egito e que ele nada mais pretendia do que se apoderar do mesmo. Alexandre teve primeiramente uma atitude pacífica.

. colocando-se os dois poderes em nítido contraste. Ao fugir para Jerusalém encontra uma violenta rebelião armada contra seu governo. ao mesmo tempo que os Macabeus se distanciam progressivamente de suas aspirações. A reação de Alexandre Janeu é violenta: manda que seus mercenários ataquem a multidão e cerca de seis mil pessoas são massacradas. capitaneada pelos fariseus.. durante a festa dos Tabernáculos.tendo decorrido um ano de cerco .retornou a Jerusalém"[22]. Em conseqüência desse episódio. perto de Siquém. Isto terá sido por volta de 89 a. ele manda construir uma paliçada de madeira em torno do Templo e do altar. que são saduceus. Apoiado por seus mercenários estrangeiros. Só os sacerdotes. que enfrenta e vence Alexandre Janeu totalmente.C. Alexandre Janeu enfrenta uma guerra civil que dura seis anos e na qual terão morrido pelo menos cinqüenta mil judeus[25]. Os fariseus pedem. o povo atinge Alexandre Janeu com limões no momento em que ele está diante do altar para oferecer o sacrifício[23]. mas Alexandre os matou e. A ruptura com os fariseus é total[24].C. desta vez quando se confronta com os nabateus pela posse da região do Golã. ao mesmo tempo.pelo inimigo. Alexandre Janeu acaba sofrendo mais uma derrota militar. a leste do lago de Genezaré. depois de ter demolido a cidade sobre seus cadáveres . que. Os fariseus vêm aumentando constantemente sua influência junto ao povo. podem atravessar esta paliçada. de seus filhos e de suas mulheres: era o único meio de evitar que se tornassem escravos de seus inimigos. E é então que Alexandre Janeu começa a enfrentar séria oposição interna. Outros se desembaraçavam. com suas próprias mãos. E como podem os fariseus aceitar como sumo sacerdote um guerreiro do tipo de Alexandre Janeu que não cumpre as rigorosas prescrições que o cargo exige? Pois terá sido após as conquistas acima mencionadas. Cerca de quinhentos membros da Assembléia se refugiaram no templo de Apolo. seus mais ferrenhos adversários. para se proteger da população. aí por volta do ano 90 a. porque o ataque teve lugar justamente quando eles estavam em conselho. rei de parte da Síria. a ajuda de Demétrio III.

segundo Flávio Josefo. que já não ameaça Roma. egípcios e sírios para cortar a influência romana na região. expandindo o processo de judaização. Aproveitando-se do conflito interno em Roma. que se deve situar o combate impiedoso de Alexandre Janeu contra as cidades helenísticas e sua decisão de impor. após fazê-los assistir ao massacre de suas esposas e filhos. Flávio Josefo diz que a razão é a reviravolta dos sentimentos judaicos ao verem seu território ocupado pelos estrangeiros: cerca de seis mil judeus teriam abandonado Demétrio III e passado para o lado de Alexandre Janeu[26]. por outro lado. ao retornar a Jerusalém crucifica 800 de seus adversários enquanto participa de um alegre banquete. apesar de um confronto desastroso com o rei nabateu Aretas tê-lo obrigado a fazer algumas concessões a este povo[30]. Alexandre Janeu consegue então controlar a revolta interna e.faz com que Roma perca por breve período o controle do Oriente.na verdade. A guerra conhecida como "Guerra dos aliados" (Bellum sociale) . segundo muitos autores[28]. Demétrio III abandona a Palestina e volta para a Síria. armênios. Somado a isso acontece o enfraquecimento definitivo do poder selêucida. de modo que oito mil deles se retiram do país e não voltam enquanto ele permanece no governo[27]. o elemento judaico em toda a Palestina"[29]. é que permite igualmente a Alexandre Janeu o seu expansionismo judaizante. Alexandre Janeu dedica-se novamente às conquistas territoriais. porque em seguida ele é vencido por seu irmão que tem o apoio dos partos. Este gesto de terror teria desencorajado os seus adversários. Esta "ausência" de Roma. temporariamente. por exemplo.Entretanto. pela força ou pela morte. A. de curta duração. . Após a pacificação interna. que. comenta: "É pois. Mas é mais provável que Demétrio III tenha se retirado por causa dos conflitos internos dos Selêucidas. o rei iraniano Mitridates VI. violentas guerras civis entre o proletariado e a aristocracia romana e também entre os aliados italianos e os cidadãos romanos . Estes acontecimentos. do Ponto. alia-se aos partos. recua no controle de seus interesses na região. Consegue grandes vitórias. sob o impulso de 'reorientalização' dos territórios e Estados do Oriente Médio que acompanhava o declínio dos Selêucidas gregos. Paul. estão relacionados à crise vivida por Roma nesta época.

inventadas causas para um efeito real: Salomé Alexandra governa durante nove anos apoiada pelos fariseus. 10. perante o povo. Alexandre Janeu deixa o trono para sua esposa Salomé Alexandra e faz-lhe a seguinte recomendação: "Se quiserdes seguir o meu conselho podereis conservar o reino e também os nossos filhos.C. Depois que voltardes vitoriosa a Jerusalém. inclusive um número de importantes cidades que até então tinham sido centros de cultura grega como Hippos. baseado em alguma tradição. Através destes relatos de Flávio Josefo podemos concluir que. ao morrer. senão por seu conselho"[33]. Além disso. todas as cidades costeiras da fronteira egípcia ao monte Carmelo foram conquistadas por Alexandre. E. De fato. segundo F. que estão rompidos com os Macabeus desde João Hircano I[34]. Esta notícia pode ser verdadeira ou não. A costa. Pela. a fim de que a honra que lhes concedeis os leve a louvar publicamente. do lago Merom ao mar Morto... dando-lhes alguma autoridade. de que nada fareis no governo do reino. Com exceção de Ascalon.5. Josefo. que conseguiu conservar a independência. que fazem amar ou odiar o que eles querem (. Eles gozam de tanto poder sobre seu espírito. estava agora quase inteiramente sob controle judaico. em seguida. ficou sob seu domínio. segundo o mesmo Josefo.seu poder no aristocrático . Ocultai minha morte aos meus soldados até que esta praça [Ragaba] tenha sido tomada.) Dai-lhes vossa palavra.ou iniciado? . Mas. Schürer sintetiza assim as conquistas de Alexandre Janeu: "No sul os idumeus foram subjugados e judaizados. enquanto sitia a fortaleza de Ragaba. onde Jope fora outrora a primeira conquista dos Macabeus. levar o território judaico à sua extensão máxima desde que o país fora devastado pelos babilônios cerca de 500 anos antes. Díon e outras"[31]. durante seus 37 anos de reinado. o poder é partilhado entre a resoluta rainha e os fariseus[35]. Alexandre morre de doença e não em combate. provavelmente por consumo excessivo de bebidas alcoólicas[32]..Alexandre consegue. Alexandre morre. os fariseus devem ter aumentado . na verdade. no norte o domínio de Alexandre se estendia até a Selêucia sobre o lago Merom. procurai conquistar o afeto dos fariseus. Talvez Josefo esteja apenas relatando. todo o país a leste do Jordão. quando combate os nabateus na fronteira gerasena. Salomé Alexandra e o Poder dos Fariseus Segundo Flávio Josefo. Gadara. a vossa magnanimidade. em 76 a.

299-302. SACCHI. Esta portanto. Salomé Alexandra não é nada ingênua nesta atribuição de poder aos fariseus. empreendedor. E.senado criado muito antes pelos Ptolomeus para mais facilmente controlar o país. Estas medidas desmobilizam os intermináveis conflitos internos. Cf. deve ter sofrido uma importante transformação. oficializando o seu já imenso poder sobre o povo judeu. que apoiavam Alexandre Janeu e eram também responsáveis pela morte de tantos partidários seus. Talvez seja este o maior defeito de seu governo: a curto prazo. até então por representantes da nobreza e dos sacerdotes. ambicioso. liderados por Aristóbulo fazem exatamente o jogo contrário. É através da gerousia. Além de reforçar a estrutura de seu exército com novos mercenários e. Storia del mondo giudaico. que só irá explodir após sua morte aos 73 anos de idade. mas. . pouco apto para o governo e que gosta de viver na ociosidade. assessorado por oficiais saduceus[38].. a "bomba" está sendo armada para detonar nas mãos de seus filhos. ao mesmo tempo que os saduceus. Obviamente os fariseus fazem várias tentativas para punir os saduceus. p. [14]. mais jovem que Hircano. F. Enquanto era constituída. Hircano. JOSEFO. segundo Josefo. comandá-lo. Por outro lado. ela entrega a defesa das fronteiras do país nas mãos de seu outro filho. Isto deixa amplo espaço para a atuação dos fariseus[37]. o futuro Sinédrio. a longo prazo. Aristóbulo. Mas Salomé Alexandra controla a situação. ousado. P. de fato. agora deve ter admitido também mestres fariseus"[36]. Conta muito também o fato de ser nomeado para o sumo sacerdócio o filho mais velho de Alexandre Janeu. 118. Antiquitates Iudaicae XIII. a gerousia. Schürer comenta a propósito: os fariseus "podiam exercer tal autoridade somente se fossem um fator determinante no órgão administrativo supremo. os conflitos são controlados. Cf. NEXT [13]. homem sem ambições. gerando próspero e pacífico período. E este comanda várias fortalezas. que os fariseus começam de fato a legislar..

que ele mostrara amar tanto. Idem. C. o texto de Estrabão em STERN. 222-226. 372-373. STERN. .. Cf. F.. [21]. JOSEFO. Sobre esta questão. A história social de Roma. pp. 225-226. [17].. 282. pp. Idem. 107-118. [28]. O judaísmo tardio. 301-302.. 1982. pp. 320. c. ibidem XIII. Cf. 1989. 137-212. Lutas sociais na Roma antiga.. G. L. Lisboa. Geographica XVI. Antiquitates Iudaicae XIII. Idem. Este é o costume da época. Idem. C. A.. 380. Antiquitates Iudaicae XIII. 303: "A esse crime [de matar a mãe] acrescentou o de mandar matar seu irmão Antígono. pp. ibidem XIII. ibidem XIII. cf. Editorial Labor. 362-364. p. E. Diz JOSEFO. BLOCH. o. [19]. pp. ibidem XIII. [16].. 375. 81-109.. [26]. F. Timagenes é um historiador alexandrino do século I a. pp. o.[15]. STERN. Publicações Europa-América 19742.. A questão é controvertida. ALFÖLDY. [29]. [22]. Roma y la conquista del mundo mediterráneo 264-27 a. Calúnias foram a causa disso". Idem. ibidem XIII. 198-199. pp.. Rio de Janeiro. M. Durante a festa dos Tabernáculos cada participante leva uma folha de palmeira e um limão. Cf. F.. ibidem XIII.. Idem. NICOLET. ESTRABÃO. M.C. Antiquitates Iudaicae XIII. 319.. de J. JOSEFO.. 301. I. Antiquitates Iudaicae XIII. 379. [23]. Para a história da guerra dos aliados. F. M. 19774. Storia del popolo giudaico al tempo de Gesù Cristo I. [18]. [25]. Cf. PAUL. pp. [24]. JOSEFO. 762. M. SCHÜRER. cf. 207-216. Barcelona. Zahar. Editorial Presença. Cf. c. Cf. 348ss. História de Roma. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I.. [27]. ROSTOVTZEFF. É possível que os itureus habitem apenas as partes norte e nordeste da Galiléia e também que a anexação deste território (Galiléia) tenha começado antes do governo de Aristóbulo I. [20].

Apenas diz: "Ele [Aretas] entrou com soldados na Judéia. F. SCHÜRER. [33]. Ou ela morre em 67 a.. JOSEFO. Hircano II e Aristóbulo II. como sustentam alguns autores. F. cf. neste tempo. "Assim ela tinha só o nome de rainha e os fariseus gozavam de todo o poder que lhes dava a realeza. JOSEFO. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. SCHÜRER.. Alexandra conseguia subtraí-los às vinganças farisaicas e dava o comando do exército a homens que. p. A. Antiquitates Iudaicae XIII. e voltou depois de ter conversado com ele". O judaísmo tardio. acontece a guerra entre os . o conflito explode entre os dois irmãos. perto de Adida.. venceu o rei Alexandre. libertavam os prisioneiros e em nada se diferenciavam dos soberanos". Aristóbulo II e a Intervenção de Pompeu Mal morre a mãe Salomé Alexandra. Sobre a data da morte de Salomé Alexandra existe alguma divergência. p. Josefo não especifica que concessões são essas. F. F. [35]. 398. à morte de Salomé Alexandra.C. pp. 401-404. tinham experiência".6.C. Antiquitates Iudaicae XIII. pp.. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. 262-263.. Faziam voltar os exilados.. [34]. [37].. Mas Aristóbulo II não concorda. Antiquitates Iudaicae XIII. 296. [36]. Cf. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. avalia JOSEFO. pp. F. Storia del mondo giudaico.. Antiquitates Iudaicae XIII. A extensão do território judaico à época da morte de Alexandre Janeu nos é conhecida através do relato de JOSEFO. A história das cidades da região pode ser lida em PAUL. 408-409. [38].. Antiquitates Iudaicae XIII. 123: "Enviando os principais líderes saduceus para as fortalezas. 395-397. Cf. SCHÜRER. 206-218. E. Sobre a questão. sumo sacerdote. F. E. ou em 69 a. 392. 292-293. E.. Cf. Hircano II assume o posto de rei.. JOSEFO. Sendo o mais velho e.. como afirmo acima. nota 1. 10. Comenta SACCHI. [31]. desde algum tempo. Antiquitates Iudaicae XIII. 405ss. P. [32]. JOSEFO.[30]..

Seu nome: Antípater. compreende-se sua colocação a respeito de Antípater[41] . Um acordo é feito entre eles: Hircano volta à vida privada.. entra um complicador na história. enquanto Aristóbulo II torna-se rei e sumo sacerdote dos judeus. onde a mulher e os filhos de Aristóbulo se encontravam e assim o salvaram de uma ruína completa. Quando tudo parece resolvido. pelas armas. Mas Josefo mesmo considera falsa esta informação. Este ainda se refugia em Jerusalém.. Nicolau de Damasco é um historiador nascido. diz que Antípater seria um dos judeus descendentes dos exilados babilônicos.C. que se tornará rei dos judeus de 37 a 4 a. que a fortuna elevou depois ao trono de nossos reis. Eis a narrativa de Flávio Josefo: "Os dois irmãos travaram batalha para decidir. Flávio Josefo. pois sabe-se que seu pai exerce altas funções políticas na cidade. seu filho. Nicolau é também retor e diplomata. Nicolau torna-se. como veremos a seu tempo"[40]. próximo a Jericó. em 14 a. por volta de 64 a. um idumeu que se torna rei dos judeus.C. Há grande controvérsia quanto à identidade de Antípater. Tendo nas mãos reféns tão preciosos.) Esse acordo se fez no Templo em presença de todo o povo. É a seguinte a informação de Flávio Josefo: "Nicolau de Damasco fá-lo descender de uma das principais famílias de judeus que vieram da Babilônia para a Judéia. citando Nicolau de Damasco. representando Herodes em negociações decisivas. ele negociou com seu irmão sem esperar chegar ao último extremo (.. Além de escritor prolífico. em Damasco. Aristóbulo vence Hircano. mas é obrigado a render-se ao irmão que possui forças superiores. ele fugiu com o resto para a fortaleza Antônia.dois irmãos e. . aquela grave divergência. Sua nacionalidade: idumeu.C. A partir desta sua ligação com Herodes Magno. A maior parte das tropas de Hircano deixou-o para passar para o lado de Aristóbulo.. É o pai do futuro e famoso Herodes Magno. amigo e conselheiro de Herodes Magno. de uma família importante. Os dois irmãos abraçaram-se com demonstrações de afeto"[39]. mas ele o diz em favor de Herodes.

com o resto dos despojos. construída perto da muralha.Flávio Josefo acredita que Antípater seja mesmo um idumeu. mais tarde. e o mantiveram preso. Antípater é. quer pela sua descendência. mas acaba sendo criado entre os idumeus. o pequeno Antípater. Segundo Flávio Josefo. através de presentes. e levaram da capela de Apolo. de origem nobre: "Ele era idumeu e o mais poderoso de sua nação. É então que Antípater se posiciona politicamente do lado de Hircano II e começa a manobrar para que este reconquiste o poder. Além destes "judeus ilustres". Há outras notícias sobre este personagem. que vem construindo seu poder através de alianças e amizades com árabes. como o fora seu pai. em troca. citando Júlio Africano. quer pelas suas riquezas e por seu próprio mérito"[42] . na época do conflito entre Hircano e Aristóbulo. o ambicioso Aristóbulo II representa real perigo. Como o sacerdote não podia pagar o resgate pelo filho. enquanto o fraco Hircano II poderá ser mais facilmente manobrado. este nomeado para o posto por Alexandre Janeu[44]. o estratego (= governador militar) da Iduméia. que se refugia no . embora divirja quanto a outros dados. sumo sacerdote da Judéia. Hircano. o apoio do rei nabateu Aretas para o projeto. Ainda segundo Flávio Josefo. ascalonitas e gazenses. E isto explicaria a sua interferência nos negócios judaicos: para a família de Antípater. Herodes. Antípater foi educado segundo os costumes idumeus e. Antípater procura influenciar os judeus mais ilustres. junta-se a Aretas em Petra. e negocia com ele a retomada do poder: Aretas baterá Aristóbulo II e. Aretas vence Aristóbulo. por ser o mais velho[45]. lembrando-lhes que Aristóbulo é um usurpador do trono que pertence a Hircano. cidade da Palestina. Segundo Eusébio de Cesaréia. Diz Eusébio: "Salteadores idumeus chegaram de surpresa a Ascalon. o que confirma a opinião de Josefo a respeito de sua nacionalidade. Antípater procura convencer o próprio Hircano II de que deve lutar pelo poder e consegue. Hircano lhe devolverá as 12 cidades da Transjordânia que Alexandre Janeu lhe tomara. também de nome Antípater. interessou-se por ele"[43]. Antípater é da cidade de Ascalon. Hircano II sai de Jerusalém. filho de um hieródulo. E é de fato o que acontece.

). ligada por tradição ao rei e à posse da terra. baseado nesta aristocracia economicamente muito bem situada e etnicamente indiferente[47]. que se criará um poder totalmente independente das tradições judaicas. o exército macabeu é baseado em tropas mercenárias e não em judeus partidários. Estão facilmente passando para o lado do vencedor. E. desta vez..capital Petra . pois agrupa etnias e Estados variados que vão do sul da Palestina às fronteiras da Índia. distanciados tanto dos nobres saduceus como da burguesia farisaica"[46]. onde fica assediado por Hircano e Aretas. quer seja dos saduceus. que é multinacional.. Acabamos de ver sua interferência nos negócios judaicos[48]. Há outros judeus poderosos e ricos.. Agora a maior parte do exército que antes passara de Hircano a Aristóbulo na primeira batalha. Em primeiro lugar. leva à ascensão de novas potências regionais. Esta é a opinião de P. principalmente no antigo reino dos Selêucidas. quer seja dos fariseus. na Transjordânia. Cada vez mais a aristocracia se emancipa da hierocracia e se constitui em poderosa força econômica e política. Porém.. por outros poderes. É o antigo e irreversível mecanismo de helenização que continua em movimento. filho de Antípater. Estes acontecimentos nos levam a pensar que nestes confrontos há pelo menos dois fatores importantes.C. que será preenchido. associados a Antípater que entram no jogo político. povo nômade do sul do Mar Morto . Uma primeira constatação a ser feita: a decadência das monarquias helenísticas. especialmente a dos Ptolomeus e a dos Selêucidas. Um dos povos a participar desse jogo: os árabes nabateus. parece que o conflito não se explica mais apenas pela luta entre fariseus e saduceus. criadas após a morte de Alexandre Magno pelos Diádocos. Em segundo lugar. pois este pode pagar mais. quando diz: "Antípater (. . mas se dirige a homens 'poderosos em Israel' (.que se expande em direção norte. Como se não bastassem as complicações locais.. faz o caminho inverso: passa de Aristóbulo a Hircano. vem para ficar. E agora com mais um detalhe: os governantes macabeus estão jogando também segundo as mesmas regras.) Poder-se-ia dizer que ao lado de uma nobreza essencialmente guerreira.Templo com poucos seguidores. Roma reaparece no cenário político da Palestina. estava se formando uma nova classe de ricos. será sob o governo de Herodes Magno (37-4 a.C.C.) não se dirige aos fariseus para reempossar o sacerdote legítimo. Sacchi. chegando a tomar Damasco dos Selêucidas em 87 a. Sua fragmentação deixa um vazio político enorme. no século I a.

a Cólquida. criando Roma a província da Ásia em 129 a. além de se aliar aos piratas da Cilícia. vence e expulsa . em 88 a. que ocupam um território no interior do reino selêucida durante o século III a. governado por Mitridates VI Eupator. acontece a ascensão da Armênia. que nada resolve.C. rei da Bitínia. acabam conquistando a Mesopotâmia e tornando-se a mais significativa potência além do Eufrates[49]. em 133 a. porém. o Bósforo Cimeriano.C.C.C. Por outro lado.. Finalmente.C. e de Pérgamo. onde é acolhido como libertador pelas cidades da região. na Ásia . povo de origem incerta. É que os impostos da região são cobrados pelos publicanos.C.C. mas não alcança qualquer resultado na luta contra os piratas. A situação se complica ainda mais quando Nicomedes. deixa seu reino para Roma e Mitridates VI o invade..C.do fortalecimento de Roma.C.) até o estabelecimento do Império (30 a. em testamento. Ainda em 88 a.C.).. que acaba dominando a Paflagônia. que se torna senhora da Sicília em 241 a. da ordem dos cavaleiros. As ameaças orientais à hegemonia romana crescem em conseqüência do esfacelamento dos Selêucidas e de sua "ausência" da região em função dos conflitos internos. que comanda as forças romanas na Cilícia contra-ataca. criando sérios embaraços para os interesses romanos na região[50]. que vem combatê-lo.e um fato está ligado ao outro ..C..Os partos.C. retoma Atenas em 86 a.C. Há um enfraquecimento do Senado e Roma vive permanentemente em conflito desde as tentativas de reforma dos Gracos (134 a. Lúculo. Mitridates VI toma a Grécia.. massacra cerca de 80 mil italianos na província romana da Ásia.C. da Sardenha e Córsega em 231 a. Acontece. que toda esta expansão de Roma provoca profundas transformações em sua estrutura social. que reina também sobre a Síria a partir de 83 a. Sula.C. na verdade uma base de operações militares na Panfília e na Lícia. e suas arbitrariedades são tão grandes que as populações locais sentem-se escravizadas. ao Senado romano. de Cartago em 146 a. Roma cria a província da Cilícia. da Macedônia e da Grécia também em 146 a.doado por seu rei Átalo. o enfraquecimento dos grandes reinos helenísticos se faz acompanhar . A pirataria no Mediterrâneo oriental. baseada na Cilícia torna-se fortíssima e se alia a Mitridates VI que.C. comandada por Tigranes. de parte da Espanha em 197 a.. e negocia uma paz em 85 a.C. Por volta de 80 a. ao morrer. Neste mesmo século I a. o mais empreendedor dos novos reinos: o Ponto. a Armênia Menor.

que dá poderes tão extraordinários a Pompeu. Em 64 a. parece ser uma das razões. O que faz Pompeu? Ataca com perícia e rapidez os piratas e os vence em 67 a. Conquista o Ponto no verão de 66 a. onde todos agora são aliados de Roma. de uma família rica. É janeiro de 67 a.. As razões para esta criação parecem vir de dois lados: a segurança da região. Pompeu interfere na Judéia. que se refugia na Armênia junto a seu genro Tigranes.C. Lúculo cai em desgraça e vê seus poderes lhe serem retirados um a um pelo Senado. vence Sertório na Espanha e elimina os últimos escravos do grupo de Espártaco.C.C. Mas Mitridates VI retorna ao Ponto. É então que o Senado dá um comando extraordinário a Pompeu. ao mesmo tempo que Crasso.. só que agora aliado a Roma e despojado de todas as suas conquistas na Síria. graças a intrigas de seus adversários em Roma. É então que Pompeu entra em cena.C.C. É eleito cônsul no ano 70 a. porque. finalmente. Em seguida. Este por sua vez é vencido por Lúculo e obrigado a deixar a Síria. chegando até mesmo ao porto de Óstia. fazendo crescer notavelmente sua popularidade em Roma. . a cerca de 20 km de Roma. até 75 km para o interior. na Fenícia e na Cilícia. Pompeu ocupa o que resta do reino selêucida e cria a província da Síria.C. Neste e no ano seguinte submete a Armênia: Tigranes continua no poder. Gnaeus Pompeius nasce em 106 a. ele tem direito de recrutar seus legados . o imperium.C. Mas a outra é econômica: Pompeu restabelece no Oriente . os piratas atacam com força. E. Pompeu organiza a Ásia Menor.o que é prerrogativa do Senado -. ameaçada pelos partos de um lado e pela pirataria de outro. Pode-se perceber que a aristocracia romana.Mitridates VI.. na foz do Tibre.os interesses dos publicanos que cobram o tributo dos povos dominados. ajuda Sula. mesmo ano da morte de Salomé Alexandra e do começo do conflito entre Hircano II e Aristóbulo II em Jerusalém.e expande extraordinariamente . O poder de Pompeu é extraordinário. Nos anos 69 e 68 a. com autoridade acima dos governadores locais. não é tão alheia assim à criação de novas províncias[52]. para combatê-los. Ele tem o imperium sobre o mar e o litoral. Combate Mário. e que é a maior beneficiária da tributação imposta aos conquistados. tem a ordem de equipar 500 navios e de requisitar suprimentos onde e quando necessitar[51]. que controla.

Por que controlar os judeus? Amigos dos judeus desde a época do conflito dos Macabeus com os Selêucidas no século II a. No outono de 63 a. levam o seu caso ao poderoso romano. com a criação da província da Síria. Assediado. É provável que Pompeu apóie Hircano II exatamente por isso: é o mais fraco e o menos ambicioso dos dois irmãos Macabeus. pisotearam-no orgulhosamente com suas sandálias. Povos estrangeiros subiram ao teu altar. O idumeu Antípater torna-se uma espécie de ministro de Hircano II e controla. Perde os territórios não-judeus. E a Judéia fica sob a jurisdição do legado romano na Síria. entre eles muitos sacerdotes.C.C. Porque os filhos de Jerusalém mancharam o culto do Senhor profanaram com suas impurezas as oferendas à divindade. Por isso disse Deus: afastai-as de mim. assim avaliam o gesto de Pompeu: "Cheio de orgulho. acessível apenas ao sumo sacerdote. Este gesto marca definitivamente o domínio de Roma sobre a terra de Israel e o povo de Iahweh.. o Templo é tomado por Pompeu e cerca de 1. Os Salmos de Salomão. trabalhando para os romanos. Aristóbulo II refugia-se no Templo com seus adeptos. agora. conservando apenas a Judéia. em luta pelo poder. Hircano II é reconduzido ao sumo sacerdócio.Hircano II e Aristóbulo II. escrito judaico de tendência farisaica situado entre 63 e 40 a. Aristóbulo e seu filho Antígono são levados presos para Roma.200 judeus são mortos pelos romanos. de fato. a Galiléia. recolhidos por uma sociedade de publicanos sediada em Sídon. a Peréia (território "além do Jordão". Emílio Escauro. o expansionismo macabaico torna-se um risco para os romanos. Pompeu entra com seu estado maior no Santo dos Santos. os negócios judaicos. perán tou Iordánou). A Judéia paga os tributos a Roma. Pompeu ordena que se levante o cerco a Jerusalém.C.. o sul da Samaria e o norte da Iduméia. o mais sagrado espaço dos judeus. o pecador destruiu com seu aríete as sólidas muralhas. e Tu não o impedistes. mas apóia Hircano II. . quando toma o Templo. em grego.. E na Transjordânia estão os perigosos nabateus.

-135 d. 1986.. 1992. por isso os entregou nas mãos dos vencedores"[53]. Judaism from Cyrus to Hadrian. Paulus. Presses Universitaires de Nancy. 1992. T & T Clark. 1979-19822. Histoire politique du monde hellénistique (323-30 av. 1985. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. Società Editrice Internazionale. E.. Obra Completa.) III.nelas não me comprazo. C. The History of the Jewish . KIPPENBERG.). P. STERN. Leituras Recomendadas GRABBE. Storia del mondo giudaico.C. 1985. SCHÜRER. marcado entre os gentios. Nancy.. F. 1976. Jerusalem. Rio de Janeiro. Brescia. Torino. H. Casa Publicadora das Assembléias de Deus.. E. Volume I: The Persian and Greek Periods. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo (175 a. WILL.. Minneapolis. Ele as desprezou totalmente.C. Seus filhos e filhas sofrem rigorosa escravidão.-C. São Paulo. Deus os tratou de acordo com seus pecados. SAULNIER. De la conquête d'Alexandre à la destruction du temple (331 a.) I.D. JOSEFO. G. Augsburg Fortress. 1988.. E. seu pescoço está marcado.. Histoire d'Israel III. L. NEXT .. M.-135 a. Religião e formação de classes na antiga Judéia. 1976. Paris. Du Cerf. Paideia. A beleza de sua glória nada significou diante de Deus. The Israel Academy of Sciences and Humanities.. Edinburgh.C. J. L. SCHÜRER. SACCHI. História dos Hebreus.

E.. Sobre a incerta origem dos partos. Greek and Latin Authors on Jews and Judaism I. Antiquitates Iudaicae XIV.. pp. pp. P. pp. [40]. 301-308. [46]. 450452. [51]. C. [42]. [47]. p. também SCHÜRER. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina.C. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. [49]. WILL. KIPPENBERG. cf. 509512. [43]. Storia del mondo giudaico. ibidem XIV.. P.. F. Escreve uma importante "História Eclesiástica". Para ver a estrutura romana de poder cf. EUSÉBIO. cf. Cf. 9. G.. Religião e formação de classes na antiga Judéia. H. [44]. STERN. Bellum Iudaicum I. VII. Histoire politique du monde hellénistique I. [50]. 11. 123. pp. do qual deriva seu nome: a região está en pôntoi.[39]. 120-122. 11. pp. também. Antiquitates Iudaicae XIV. E.. Cf. F. 481-484. Idem. Histoire politique du monde hellénistique II. Historia Ecclesiastica I. Idem. pp. verbetes Mitridates e Pontos.. pp. JOSEFO. cf. WILL. Idem. [41]. 10. E. JOSEFO. [48].. Mitridates VI nasce de uma família helenizada e governa o Ponto de 112 a 63 a. e é bispo de Cesaréia.. junto ao mar Negro.. E. nota 3. KIPPENBERG. Cf. JOSEFO. G. pp. Storia del popolo giudaico al tempo di Gesù Cristo I. na Palestina. . [45]. 125. F. Religião e formação de classes na antiga Judéia. Sobre a origem de Antípater. JOSEFO. M. pp. [52]. H.C.. Bellum Iudaicum I. em 10 livros.. 1-7. SACCHI. Cf. Cf. 103-105. 300-301.. SCHÜRER. HARVEY. "junto ao mar". Histoire d'Israel III. 227-260. Eusébio vive entre 263 e 339 d. Cf. SAULNIER.. 109-116. F. O reino do Ponto fica no noroeste da Ásia Menor. 56-62. Antiquitates Iudaicae XIV. Histoire politique du monde hellénistique II. Cf. que faz excelente análise deste processo na época de Herodes Magno..

Pompeu e César. como prêmio.[53]. a famosa herdeira dos Ptolomeus. Antípater recebe a cidadania romana e é nomeado prefeito ou procônsul da Judéia. Antônio nomeia Herodes e . um pouco mais tarde.C. em Roma as coisas se complicam. César é assassinado em meados de março de 44 a.C.C. chega César. O Domínio Romano 11.C. Cf. confronta-se com Pompeu. em 47 a.1.1-7. A.C. Em 41 a.C. Da Intervenção de Pompeu a Herodes Magno Nos anos seguintes à interferência de Pompeu (63 a. toma a Itália e a Espanha.. pelo copeiro de Hircano II. Roma é governada pelo triunvirato Crasso. e Roma volta a ser governada por triúnviros: Antônio. para César. Apócrifos del Antiguo Testamento III. recebe apoio de Hircano II que lhe envia tropas comandadas por Antípater. Entretanto. Como era Roma nesta época? Veja aqui! Entretanto. Cristiandad. 11.C. que é finalmente vencido em Farsália.1. enquanto César luta nas Gálias.. nesta luta pelo controle do Egito. no ano 48 a. pelos partos. rainha do Egito e. São estas tropas que conquistam Pelúsio.1. enquanto seus dois filhos Fasael e Herodes são nomeados respectivamente estrategos de Jerusalém e da Galiléia. ficando somente Pompeu como cônsul (51-49 a.C.C.). o texto em DIEZ MACHO. no delta do Nilo. Madrid 1982. dá a Hircano II o título de etnarca (governador de um grupo racial com o seu território) da Judéia. confirmando-o também no cargo de sumo sacerdote. Depois. Otaviano e Lépido. César nomeia Cleópatra VII. César chega à Síria. De 69 a 62 a.). governam os cônsules Crasso e Pompeu (55-54 a. Porém.C.) há paz na Palestina. mas Crasso é derrotado em 53 a. na Grécia. No Egito.. Pompeu é assassinado. 24. SALMOS DE SALOMÃO 2. p. A “Pax Romana” chega a Jerusalém 11. Quando. as intrigas palestinenses continuam: Antípater é envenenado em 43 a.

C. e nomeado. Herodes Magno governa o povo judeu durante 34 anos (37-4 a. fortalezas.).). Fasael se suicida. Roma e suas Sete Colinas Em 37 a.C. ginásios. Antígono corta as orelhas de Hircano II. Isto significa. antes de mais nada. fontes. Consolidado o poder.17-23).. para o cargo de sumo sacerdote (cf. pelo Senado romano. parente de Aristóbulo II e Hircano II. Herodes foge para Roma e no final do ano 40 a. Resultado: volta para casa reconfirmado rei por Otaviano e ainda consegue favores: como o engrandecimento de território. a exoneração de tributo a Roma. Templos. Primeiro apóia Antônio. Herodes se equilibra no delicado jogo do poder porque sabe ser servil a Roma. que ele elimina. assim.C. Herodes vai imediatamente visitar o vencedor. .C. e. a partir do inverno de 20-19 a. esta é invadida. Casa-se com Mariana I. que está na ilha de Rodes.C. a isenção de tropas de ocupação. enquanto Hircano II permanece apenas como sumo sacerdote. em gesto teatral. cidades. a justiça e o exército. mas quando este é vencido por Otaviano na famosa batalha naval de Áccio. Herodes luta com decisão para consolidar o seu poder. Reconstrói totalmente o Templo de Jerusalém. hipódromos. descendentes do antigo império persa. Lv 21.como esposa e filhos. Herodes torna-se o senhor da Palestina. incapacitando-o. depõe a coroa a seus pés. rei da Judéia. pelos partos. em 40 a. a autonomia interior para as finanças.. seu tio. teatros. como sumo sacerdote e rei na Judéia (40-37 a. inclusive alguns membros de sua família . adversários seus.Fasael etnarcas. Devido à fraqueza do controle romano na província da Síria. constrói obras grandiosas na Judéia. entrando definitivamente para a família asmonéia. termas.C.C. filho de Aristóbulo II. no ano 31 a. com uma única condição: terá que conquistar seu reino. através de assassinatos e intrigas várias. Os partos colocam Antígono.

em homenagem a Augusto Cesaréia (Marítima). mais tarde. fortalezas são reedificadas ou totalmente construídas como Alexandrium. pois descende de idumeus e sua mãe é descendente de árabe. em homenagem a Marco Antônio. Cesaréia Marítima. em homenagem a sua mãe Heródion. reveladores de seu espírito político: Sebaste (Samaria). em homenagem a seu pai Antípater Fasélida. Heródion. não tem para com os judeus nenhuma relação de reciprocidade e sua legitimidade se funda na própria estrutura do poder exercido[1]. Mambré. Servindo fielmente a Roma. em homenagem ao Imperador romano.Reconstrói Samaria. aparece diante do mundo. Observemos os nomes de suas construções. em homenagem a si mesmo fortaleza Antônia (em Jerusalém). Apoiando a cultura helenística. constrói um importante porto. conserva-se no poder. Valorizando o culto. Herodes Magno ganha para si o povo. lugar sagrado ligado a Abraão. seleciona seus herdeiros. Entretanto. em homenagem a César Augusto Antipátrida. se a pessoa recusar o juramento. em homenagem a seu irmão Fasael Cipros. Massada. recebe uma grande construção que o valoriza. Maqueronte. Construindo fortalezas. dando-lhe o nome de Sebaste. controla possíveis revoltas. por ser estrangeiro. é perseguida . Quando vence os seguidores de Antígono. da alexandrina exige de seus súditos um juramento que obriga a pessoa a obedecer às suas ordens em oposição às normas tradicionais. feminino grego de Augusto. Herodes não tem legitimidade judaica. Assim. Jericó é embelezada e torna-se sua residência favorita.. Matando seus inimigos. Hircania etc. Herodes constrói uma estrutura de poder independente da tradição judaica: o o nomeia o sumo sacerdote do Templo: destitui os Asmoneus e nomeia um sacerdote da família sacerdotal babilônica e..

. com os camponeses dentro! Seus herdeiros: Arquelau. Mas. Religião e formação de classes na antiga Judéia. . Kippenberg[2]. 114. mas pela aplicação do direito pelo senhor o direito à terra é transmitido pela distribuição: o dominador a dá ao usuário: é a "assignatio" a base filosófica helenística é que legitima o poder do rei. H.. para o que se segue. sem direito a resgate a venda à escravidão e a execução pessoal (a morte) tornam-se normas comuns do arrendamento estatal. KIPPENBERG. Herodes Antipas e Felipe. ou seja: o rei é a fonte da lei. 1988. o poder militar de Herodes se baseia em mercenários estrangeiros que ficam em fortalezas ou em terras dadas aos mercenários (cleruquias) por ele (terras no vale de Jezrael). G.o o o interfere na justiça do Sinédrio manda vender os assaltantes e os revolucionários políticos capturados como escravos no exterior. [2]. porque ele é regido pelo "nous": o rei tem função salvadora e. dá aos seus súditos uma ordem racional. através das normas do Estado. a cujos cidadãos ele dá como posse o território que as rodeia. p. Confira os Mapas do Império Romano aqui! NEXT [1]. "O rei em sua pessoa é a continuação do seu reino e o salvador de seus súditos". KIPPENBERG. se ele viola assim a tradição. Cf. por isso. em oposição à lei codificada. pp. Paulus. quando diz que o rei é "lei viva" (émpsychos nómos). diz H. Religião e formação de classes na antiga Judéia. G. São Paulo. como consegue legitimidade? A estrutura de poder do Estado sob Herodes é bem diferente da estrutura da época dos Macabeus: o o o o o o rei é legitimado como pessoa e não por descendência o poderio não se orienta pela tradição. 109-116. G.. e nas cidades não-judaicas por ele fundadas. H.

Portanto. mas hoje se sabe. prefeito da Judéia. que se tornou Imperador no ano 41. eram equivalentes. podemos falar de “procuradores”. para as províncias imperiais. tendo perdido o significado original da época da República.11. Marcos Ambívio : 8-12 (?) Ânio Rufo : 12-15 (?) Valério Grato : 15-26 Pôncio Pilatos : 26-36 Marcelo : 36-37 Marulo : 37-41 (?) Cúspio Fado : 44-46 Tibério Alexandre : 46-48 Ventídio Cumano : 48-52 Antônio Félix : 52-60 Pórcio Festo : 60-62 Lucéio Albino : 62-64 Géssio Floro : 64-66 O procurador ou prefeito era um administrador em ligação com o legado que governava a província romana da Síria e dependia dele. Residia em Cesaréia.1. que pronuncia a sentença de morte contra Jesus de Nazaré. Pontius Pilate: Roman Governor. que nunca simpatizou com os judeus. . Os Prefeitos e Procuradores Romanos da Judéia Copônio : 6-8 d. é um governante duro e decidido. Após Cláudio. a partir de Cúspio Fado (4446). os dois títulos. que.C. latim). em grego. graças a uma inscrição sobre Pilatos encontrada em Cesaréia[10]. procurator. até Cláudio. Entretanto. Tanto o prefeito como o procurador tinham funções fiscais. Por causa de Flávio Josefo[9] se pensava que a Judéia fora governada por procuradores (epítropos. em Bible and Interpretation. como era o caso da Judéia. Sobre Pilatos e seu papel na crucifixão de Jesus. os governadores romanos da Judéia tinham o título de éparchos ou praefectus = prefeito. leia Warren CARTER. mas subia a Jerusalém e podia lá permanecer conforme as circunstâncias ou as necessidades. militares e judiciais[11].4. Pôncio Pilatos.

muitos de origem humilde e até descendentes de escravos. o povo se revolta com tal afronta. graças à influência de Sejano. Mal o dia clareou. Sejano faz de tudo para prejudicar os judeus. que fizeram fortuna das mais variadas maneiras. violento. escrevendo ao Imperador Calígula. o poderoso prefeito da guarda pretoriana em Roma que é realmente quem manobra o poder. E consegue. Pilatos faz muitas coisas contrárias aos costumes judeus. Herodes Agripa I. uma grande agitação tomou conta da cidade. espécie de concha sagrada. descreve-o como inflexível por natureza e cruel por causa de sua obstinação. classe de pessoas ricas. enchiam-se de indignação com o espetáculo. e o simpulum. Pilatos mandou levar. à noite. ele manda cunhar moedas com símbolos gentios. que eles tomaram como uma zombaria grave à lei que proibia colocar qualquer imagem que fosse no interior da cidade. de noite. Certa vez. um certo número de imagens veladas do César. que os romanos chamavam de ‘estandartes’. Pilatos manda que seus soldados entrem em Jerusalém. para falar com Pilatos. que servia para demarcar o recinto onde os sacerdotes pagãos observavam as aves do sacrifício”. Pilatos recusou-se a atender ao pedido deles. Suplicavam-lhe que mandasse tirar as imagens de Jerusalém e desistisse de agir contra as normas da religião judaica. Embora saiba que os judeus abominam a reprodução de imagens de qualquer espécie. Pilatos é o único governante romano que tem tal ousadia[12]. em forma de chifre. Símbolos como o lituus “um bastão recurvado numa das extremidades. Todos quantos chegavam perto. Pilatos é nomeado procurador por Tibério. Então os . E todos se dirigiram a Cesaréia. para Jerusalém. Acusa-o de venal. para irritá-los e reprimi-los. desrespeitando-os deliberadamente. Sob um pretexto qualquer. Mas tem que ceder diante da grande coragem dos judeus que preferem morrer a transgredir a Lei. Pouco a pouco a exacerbação dos habitantes da cidade atraiu grandes multidões de pessoas que moravam no campo. Pertence à ordem dos cavaleiros. faz com que Tibério tome decisões anti-judaicas. Quando amanhece. extorsivo e tirânico. e ele tenta reprimi-lo. levando efígies do Imperador nos estandartes. Nas palavras de Flávio Josefo: “Certa feita.September 2004.

. Para você entender a Paixão de Jesus. 1985. como se tivessem combinado entre si. como se quisesse comunicar-lhe uma notícia.. JOSEFO. jogaram-se por terra. Os judeus. 1979. Paulus. 2. no lugar. Pilatos mandou massacrá-los. 169-174. Envolvidos por três fileiras de homens armados. à uma. Em seguida. Ele ordenou.. pp. os judeus foram tomados de violenta comoção diante do fato inesperado. NEXT [9] . um romano da ordem dos cavaleiros. durante cinco dias e cinco noites. fez aos soldados o sinal antes combinado. no grande hipódromo da cidade. caso não admitissem a presença de imagens do Imperador em seu meio. “O território de Arquelau foi assim reduzido a província e Copônio.judeus se lançaram por terra e ficaram imóveis. para cercarem os judeus. Esta atitude heróica do povo em defesa de sua religião causou grande espanto em Pilatos. Storia del Popolo Giudaico al Tempo de Gesù Cristo I. K. [12] . e convocou o povo. 2. Cf. . Bellum Iudaicum. Fez então novo sinal aos soldados para desembainharem as espadas. O julgamento de Pilatos. Cf. Diz: TIBERIEVM PON]TIVS PILATVS PRAEF]ECTUS IVDA[EA]E. Brescia. [11] . São Paulo. 117. [10] . Bellum Iudaicum. declarando em alta voz que preferiam deixar-se matar a transgredir a Lei. 441-444. [13] . F. e ofereceram o pescoço desnudo. foi enviado por Augusto como procurador (epítropos). porém. SPEIDEL. SCHÜRER. E. de armas na mão. F. Paideia. que as insígnias do Imperador fossem retiradas de Jerusalém”[13]. No sexto dia Pilatos sentou-se numa tribuna. diz JOSEFO. A. pp. 91-92. com plena autoridade”. A inscrição foi encontrada no teatro romano de Cesaréia Marítima por uma expedição arqueológica italiana dirigida por Antonio Frova.. então.

1.. ele muda-se para Roma. legado da Síria. tenta demover . proclama-se deus e obriga todas as províncias. em 49 d.C. pelos procuradores. com freqüência. A crescente revolta judaica contra a ocupação romana é. território antes dirigido por seu tio. Vimos como Pilatos cometera arbitrariedades sem conta. oferecendo-lhe sacrifícios. De Agripa II ao Fim da Judéia Quando morre Herodes Agripa I (44 d.C.. É diante de Agripa II e Berenice que Paulo comparece. então.3. que afinal é punido pelo que fizera. por exemplo) como na Judéia e demais províncias. Já antes. quando prisioneiro em Cesaréia. Petrônio. Agripa recebe também a antiga tetrarquia de Felipe e partes da Galiléia e da Peréia. os romanos não quiseram entregar logo o governo para seu filho Agripa II que é apenas um garoto de 17 anos e vive em Roma. são perseguidos tanto na diáspora (em Alexandria. Quando os judeus se recusam a cultuá-lo. Mas em 48 d.C. segundo At 25. graças às mudanças arbitrárias de sumos sacerdotes que sempre fez. a cultuá-lo. O país é governado. especialmente pelos sacerdotes.23-26. dizem. ele havia sido nomeado Inspetor do Templo.5.C. Calígula. atribuída ao sempre vivo espírito nacionalista judaico e à sua imorredoura fé na libertação messiânica. Quando Jerusalém é destruída em 70 d. O Imperador seguinte.11. inclusive a Judéia. embora a Judéia continue governada por procuradores romanos. julgados totalmente impotentes frente ao poderio romano. Calígula chega a exigir que uma estátua do Imperador seja colocada no Templo. Agripa II vive incestuosamente. com sua irmã Berenice e não é bem visto pelos judeus. onde tem que se explicar. mas historicamente é condicionada e ocasionada pela inabilidade dos procuradores e até mesmo de alguns Imperadores.C. com direito de designar o sumo sacerdote.). E esta atitude prepotente não pára com Pilatos. muitas delas com o deliberado propósito de irritar os judeus. onde morre após o ano 93 d. Agripa II é o último governante da família herodiana. Agripa II recebe o governo de Cálcis. Em 52 d. Teve pouca influência sobre a comunidade judaica.C. contra todo o bom senso. sendo destituído por Tibério e chamado a Roma.

não contabilizados como vítimas da mortalidade infantil) morriam até os 6 anos de idade.C. por exemplo:este mesmo Jesus.. É no seu tempo que surge o grupo dos sicários. endividamento.. trabalhos forçados. acontece violenta revolta dos judeus durante a festa da Páscoa. com uma má alimentação. havia um verdadeiro clima de terror.) é procurador. Rohrbaugh.. 90% já desaparecido.. Quando Vitélio Cumano (48-52 d. Richard L. É claro que estes dados não são uniformemente distribuídos por toda a população da época. em um estudo sobre as condições de vida dos camponeses palestinos da época de Jesus . Uma audiência doente. e Cláudio. era mais velho do que 80% de sua audiência. Cumano reprime o tumulto e vinte mil judeus perdem a vida. E o autor acrescenta: “Estudos feitos por paleopatologistas indicam que doenças infecciosas e desnutrição eram generalizadas. sem condições sanitárias adequadas.C. ou seja. salvando também a vida de Petrônio. Olhemos para a audiência de Jesus. assim . se tanto! Douglas E. por causa de um ultraje cometido por um soldado romano. perda da terra através da manipulação das dívidas atingiam a muitos. no século I de nossa era. Só que assassinam Calígula em 41 d. seu sucessor. dispensa os judeus do culto ao Imperador. já que um pobre em Roma. sem assistência médica. Existia uma violência epidêmica na Palestina[16]. recebe ordem do Imperador para se suicidar.) a tensão aumenta perigosamente.) 50% dos restos de cabelo encontrados nas escavações arqueológicas tinham lêndeas”[15]. Na Palestina do século I d.C. mostra que a violência que sofriam era brutal.C. Cerca de 60% dos sobreviventes morriam até os 16 anos. diz sobre a expectativa de vida da população do Império Romano nesta época: “Cerca de 1/3 daqueles que ultrapassavam o primeiro ano de vida (portanto. roubos. quando muito. tinha uma expectativa de vida de 30 anos. Por volta dos 30 anos a maioria das pessoas sofria de verminose.o Imperador de seus propósitos: é condenado à morte. Fraudes. desnutrida e com uma expectativa de mais 10 anos de vida. Por volta dos 26 anos 75% já tinha morrido e aos 46 anos.. com seus trinta e poucos anos de idade. Com moradias precárias. na Introdução de um volume sobre “As Ciências Sociaise a Interpretação do Novo Testamento ”. Os que mais sofriam pertenciam às classes mais pobres das cidades e povoados. Oakman. chegando aos 60 anos de idade menos de 3% da população”[14]. seus dentes tinham sido destruídos e sua vista acabado (. No tempo de seu sucessor Antônio Félix (52-60 d.

massacraram-na e em seu lugar colocaram um destacamento constituído pela própria gente. Agripa II tenta conter a revolta e não consegue. legado da Síria. Então. Começam os preparativos para o que der e vier. Félix manda crucificar inúmeros zelotas durante o seu mandato[17]. Também as fortalezas de Massada e Heródion são ocupadas pelos rebeldes. Céstio Galo. Josefo fortifica várias cidades e se prepara. Quando. Resultado: Floro entrega para os seus soldados uma parte de Jerusalém. Os judeus escarnecem do procurador. Outros grupos tentam despertar no povo os sentimentos messiânicos. Escondem a sica sob as vestes e misturados na multidão eliminam não só romanos. É a guerra definitiva. “Reuniu-se um grande número daqueles judeus que queriam a guerra a qualquer preço. Eleazar. ocupam o Templo e a fortaleza Antônia. o nosso conhecido historiador Flávio Josefo. Floro requisita 17 talentos do tesouro do Templo. filho do sumo sacerdote Ananias. não reage diante do saque. os revolucionários chefiados por Eleazar. Tinham se dirigido para uma fortaleza chamada Massada.chamados por usarem em suas ações uma adaga curva e curta chamada “sica”. a revolução estoura. G. Aí surpreenderam a guarnição romana. O povo.) consegue então jogar a gota d’água para que o ódio acumulado pelos judeus derrame. mas é rechaçado com pesadas perdas. ataca com uma legião. um jovem de grande atrevimento que comandava então a guarda do Templo. em supremo desprezo. Sua tática é provocar tumultos e desestabilizar o governo através de assassinatos inesperados de personagens importantes. Um dos assassinados neste tempo pelos sicários é o sumo sacerdote Jônatas. Seu sucessor Géssio Floro (64-66 d. assim como antes Floro teve que se retirar para Cesaréia ao ser derrotado. Este foi o começo propriamente dito . para que seja saqueada e crucifica alguns homens importantes da comunidade judaica. fazendo uma coleta para o “pobrezinho” Floro. mas também quem colabora com a ocupação estrangeira. incitou os sacerdotes em exercício a não aceitar donativos ou sacrifícios da parte de não-judeus. A Galiléia é entregue ao sacerdote fariseu Josefo. após muitas arbitrariedades. filho do sumo sacerdote.). Outro procurador terrivelmente corrupto e repressor é Lucéio Albino (6264 d. proclamando-se profetas e fazendo promessas utópicas. e o desprezo é vingado: há uma carnificina geral. Nessa época.C. Tais grupos são duramente reprimidos pelos romanos através de grandes matanças.C.

É agosto de 70[19]. mas os rebeldes conseguem se refugiar no palácio de Herodes. Vespasiano espera se definir a situação em Roma. abre um fosso ao seu redor para que ninguém escape e em julho de 70 toma a fortaleza Antônia. Josefo é aprisionado e muito bem tratado. A cidade é saqueada e os habitantes assassinados. zelota. Toda a construção é consumida pelas chamas. Finalmente Vespasiano é aclamado Imperador no dia primeiro de julho de 69 e marcha para Roma. A cidade está repleta de peregrinos. sem contar as tropas auxiliares. Massada e Maqueronte. o que duplica este número). Até o outono a Galiléia está nas mãos dos romanos. mas a fortaleza de Jotapata só cai após 47 tentativas de assalto. Vespasiano ataca a Galiléia na primavera de 67 com 10 legiões (60 mil soldados. mas nenhum pára. Os chefes rebeldes.da guerra contra os romanos. Em companhia de seu filho Tito. Três Imperadores passam pelo trono. Tito cerca Jerusalém pouco antes da Páscoa de 70. com quatro legiões (24 mil soldados). defendidas pelos sicários e zelotas. deixando a guerra sob o comando de Tito. vendidos ou condenados a trabalhos públicos. são aprisionados e levados triunfalmente para Roma. Quando finalmente é . as montanhas da Judéia. Estão ainda de pé três fortificações rebeldes: Heródion. Como os muros do Templo não cedem. O Imperador Nero confia então a Palestina a um experiente general: Vespasiano. Visite o Catálogo Virtual de Moedas Romanas! Tito ocupa o setor norte da cidade. Tito o incendeia. Em setembro de 70 também o palácio cai. a costa. e Simão Bargiora. sicário. Mas nesta época ultrapassava os 180 mil. mas Massada resiste um ano de cerco. Heródion e Maqueronte caem logo. pois nesta ocasião foi praticamente rejeitado o oferecimento de sacrifício em favor dos romanos e do Imperador”[18]. que então podem hibernar tranqüilamente. Está para atacar Jerusalém quando Nero se suicida. um dos redutos rebeldes. João de Gíscala. Veja a posição ambígua de Flávio Josefo na guerra contra Roma aqui! Na primavera de 68 Vespasiano ocupa sucessivamente a Peréia. a Iduméia e a Samaria. Conquistam facilmente o território. Uma cidade com cerca de 30 mil habitantes fixos.

em seguida.. A Judéia é separada da Síria e torna-se uma província imperial.). em NEYREY. R. numa interpretação messiânica de Nm 24. A inscrição dizia: Judaea capta. Simeão Bar-Kosibah é o chefe desta nova revolta. The Social Sciences and New Testament Interpretation. A Judéia torna-se parte da província Síria-Palestina.. em giro pelo Oriente. Júlio Severo. os rebeldes incendeiam-na e se suicidam em massa para não caírem em mãos romanas. [15]. É o ano 135 d. Jerusalém torna-se. um enviado especial de Adriano. 1996. pp. sob pena de morte. em ROHRBAUGH. ROHRBAUGH. Peabody.C. Em Roma. Introduction. [16].). Massachusetts. há ainda nova revolta judaica. celebra a vitória romana. The Countryside in Luke-Acts. NEXT [14]. D. Depois de muita luta. (ed. dirigida por um governador que mora em Cesaréia. H. além dos outros templos construídos na cidade. Hendrickson. Colonia Aelia Capitolina e o templo a Júpiter é levantado no local do antigo Templo dos judeus. The Social World of Luke-Acts: Models of Interpretation. É que o Imperador. vendendo. OAKMAN. J. L. feita por Rabi Aqiba.C. 4-5. ibidem. 1991. de pé ainda hoje. Peabody. o arco do triunfo de Tito. E. Hendrickson. uma mulher de luto e uma palmeira simbolizando Israel. Quando reina Adriano (117-138 d. L. . Vespasiano manda cunhar moedas sobre as quais estão um soldado romano.17. decide reconstruir Jerusalém com o nome de Aelia Capitolina e manda fazer um templo dedicado a Júpiter no mesmo local onde existira o Templo de Salomão. Idem. Ele é chamado também de Bar-Kokhba (filho da estrela).C. 168. Os rebeldes ocupam Jerusalém e algumas fortalezas espalhadas pelo território judaico. começada em 131 d. Aos judeus Jerusalém foi proibida. os rebeldes como escravos.tomada. consegue dominar a revolta.). 5. então. p. Cf. (ed. p. R. MA.

Bellum Iudaicum. L. F. p. F. 1991. pp. Volume II: The Roman Period. 250. Storia del Popolo Giudaico I. [18]. Minneapolis.. pp.408-409. A tradição rabínica diz que foi no dia 9 do mês de Ab (29 de agosto de 70). 441-442. L. GRABBE. 613-614. nota 115. . JOSEFO. Judaism from Cyrus to Hadrian II. SCHÜRER. Fortress Press. L. L. Bellum Iudaicum. Judaism from Cyrus to Hadrian. Cf. GRABBE. 2. Cf. A data exata da destruição do Templo é controvertida. 460. 6. enquanto Flávio Josefo diz que foi no dia 10 de Ab.. JOSEFO.[17]. [19]...

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