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Universidade Paulista – UNIP

Instituto de Ciências Sociais e Comunicação


Campus de Bauru

Curso: Comunicação Social – Jornalismo


Disciplina: Técnicas e Gêneros Jornalísticos
Professor: Juliano Araujo

Aula: 7 de maio de 2004

Tema: O gênero opinativo I (editorial, comentário, artigo)

Gêneros Opinativos: breve contextualização

Século XIX Atualidade

Imprensa Imprensa
como empreendimento como empresa / instituição
Individual

Monolitismo opinativo Linha editorial


e manuais de redação

Gêneros Opinativos: os núcleos emissores

Em seu livro Jornalismo opinativo, o professor José Marques de Melo, aponta


a existência de quatro núcleos emissores de opinião no jornalismo brasileiro:
opinião da empresa (editorial), opinião do jornalista (comentário, resenha,
crônica, artigo), opinião do colaborador (artigo) e opinião do leitor (carta).
Vejamos, agora, cada um dos gêneros opinativos.

1. Editorial
Segundo Barbosa & Rabaça (2001, p. 255), o editorial pode ser definido
como um “texto jornalístico opinativo, escrito de maneira impessoal e publicado sem
assinatura, referente a assuntos ou acontecimentos locais, nacionais ou

1
internacionais de maior relevância”. Na maior parte dos jornais nacionais, estaduais
e regionais o editorial vem publicado na página 2.
Marques de Melo (2003, p. 103-104), aponta que o editorial “é o gênero
jornalístico que expressa a opinião oficial de empresa diante dos fatos de maior
repercussão no momento”. O mesmo autor, entretanto, aponta que a natureza do
editorial como “porta-voz” da empresa jornalística precisa ser melhor compreendida
e definida. De qual “empresa” estamos falando?
Dessa forma, é preciso considerar que o editorial não reflete a “opinião da
empresa”, mas dos “diferentes núcleos que participam da propriedade da
organização”.

1.1. Características do editorial


a) Impessoalidade: com o objetivo de manter a impessoalidade é empregada na
redação do editorial a terceira pessoa ou a primeira do plural;
b) Topicalidade / tematização: o editorial é redigido a partir de um tema de
relevância para os leitores do jornal;
c) Condensalidade: poucas idéias, dando maior ênfase às afirmações que às
demonstrações;
d) Plasticidade: flexibilidade, não-dogmatismo.

1.2. Técnicas de redação do editorial


Tecnicamente o editorial parte de um axioma que será demonstrado em toda
a sua evidência, conforme o ponto de vista do jornal.
Comparando a estrutura técnica dos gêneros, pode-se afirmar que a notícia
informativa precisa conter basicamente as respostas pertinentes ao Que, Quem,
Quando. Mas o Interpretativo e o Opinativo precisam aprofundar-se no Como e no
Porque, pois se trata de argumentar para chegar a uma conclusão lógica.
O axioma a ser discutido pode ser inspirado numa notícia ou declaração do
dia. Uma vez exposta a informação, em curtas linhas, parte-se para a
argumentação, sobrepondo linhas de raciocínio cuja estrutura vai depender do
perfeito domínio do redator sobre o texto.
Ao final é preciso que a argumentação caminhe para uma conclusão sobre os
pontos de vista defendidos no texto, confirmando ou negando a tese por meio da
antítese. Esquematicamente, a estrutura do editorial ficaria assim:

2
INFORMAÇÃO

ARGUMENTAÇÃO

CONCLUSÃO

2. Comentário
O comentário é mais freqüente no rádio e na televisão que no jornalismo
impresso. Segundo Marques de Melo (2003, p. 112):

“Gênero só recentemente introduzido no Brasil, o comentário atendeu a


uma exigência da mutação jornalística que se processou através da rapidez
na divulgação das notícias (rádio e televisão). Informado rapidamente e
resumidamente dos fatos que estão acontecendo, o cidadão sente-se
desejoso de saber um pouco mais e quer orientar-se sobre o desenrolar
das ocorrências”.

É, justamente, aí, que surge o comentário, que vem explicar as notícias, seu
alcance, suas circunstâncias e conseqüências para os receptores.
Os comentaristas geralmente são jornalistas que têm uma grande
experiência, que acompanham os fatos não apenas em sua aparência, mas que
trazem dados nem sempre disponíveis ao cidadão comum. “Trata-se de um
observador privilegiado, que tem condições para descobrir certas tramas que
envolvem os acontecimentos e oferecê-las à compreensão do público”. (MARQUES
DE MELO, 2003, p. 112)

3. Artigo
Segundo Barbosa & Rabaça (2001, p. 42), o artigo é definido como um “texto
jornalístico interpretativo e opinativo, mais ou menos extenso, que desenvolve uma
idéia ou comenta um assunto a partir de determinada fundamentação”. A diferença
fundamental entre o artigo é o editorial é que aquele é assinado, este, não.

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Marques de Melo (2003, p. 121) entende o artigo como “uma matéria
jornalística onde alguém (jornalista ou não) desenvolve uma idéia e apresenta sua
opinião”. Já Martín Vivaldi1 apresenta a seguinte definição para o artigo: “Escrito, de
conteúdo amplo e variado, de forma diversa, na qual se interpreta, julga ou explica
um fato ou uma idéia atual, de especial transcendência, segundo a conveniência do
articulista”.

3.1. Características do artigo


Martín Vivaldi diz que o artigo jornalístico apresenta dois elementos, a saber:
a) Atualidade: o articulista tem liberdade de conteúdo e de forma, mas ele deve
tratar de fato ou idéia da atualidade, isto é, do momento histórico vivido;
b) Opinião: a significação maior do gênero está contida no ponto de vista que
alguém expõe. A opinião ali expressa liga-se à assinatura do autor; o leitor a
procura, justamente, para saber como o articulista pensa e reage diante dos
acontecimentos atuais.

3.2. Técnicas de redação do artigo


A estrutura do artigo também é semelhante à do editorial, apresentando uma
introdução, um desenvolvimento (argumentação/discussão) e uma conclusão. Além
disso, o artigo possibilita que autor deixe seu “estilo pessoal” fluir. Entretanto, deve-
se ressaltar que não há um “padrão” de artigo.

Textos-base:
1. BARBOSA, G. G. & RABAÇA, C. A. Dicionário de Comunicação. Rio de Janeiro,
Campus, 2001.
2. BELTRÃO, Luiz. Jornalismo opinativo. Porto Alegre: Sulina, 1980.
3. MARQUES DE MELO, José. Jornalismo opinativo: gêneros opinativos no
jornalismo brasileiro. 3.ª edição. Campos do Jordão, Mantiqueira, 2003.

Texto complementar:
BRITO, Sônia de. A Argumentação e a Perlocução no Discurso Jornalístico: o
Editorial. Tese de mestrado. Bauru: Unesp, 1994.

1
Citado por Marques de Melo (2003, p. 122).