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História Geral - Apostila 01

História Geral - Apostila 01

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História Geral

O MODO DE PRODUÇÃO ASIÁTICO: ANTECEDENTES: Em torno de 700.000 a.C. se inicia a história evolutiva da humanidade, marcada por um longo período de igualdade através da distribuição da caça e da coleta (Período paleolítico - pedra lascada) ou da distribuição da agricultura e pecuária (Período neolítico - pedra polida). A desigualdade aparece quando os primeiros homens se fixam em torno dos rios (civilização hidráulica) fugindo de um processo de desertificação, resultando numa grande produção proveniente do húmus (Terra fértil as margens do rio, rica em material orgânico gerado pelo processo de cheia e vazante) determinando uma diferenciação com a produção do homem das terras mais secas. Este poder produtivo maior dos privilegiados acarreta na formação de uma sociedade desigual (mudança infra-estrutural), consolidada com medidas de efetivação das injustiças sociais, convencendo através da lei, do exército e da religião que as diferenças são naturais e divinas (mudança superestrutural). CARACTERÍSTICAS: Estado forte e centralizado; monarquia teocrática; civilização hidráulica; sociedade estamental (pouca mobilidade social); politeístas (crença em mais de um deus), apresentando diversas formas (Antropomórficas - humanas; Zoomórficas - animais; Antropozoomórfico - metade homem, metade animal); predomínio da agricultura, exceção dos fenícios e cretenses que viviam predominantemente do comércio etc... EGITO: PERÍODO PRÉ-DINÁSTICO: Os Haminitas (povo que ocupava todo o norte de África) fugiram do processo de desertificação do Saara em torno de 10.000 a.C., buscando as margens do rio Nilo, onde formaram diversas tribos conhecidas como nomos e lideradas pelos nomarcas. Num processo de transformação lenta, os nomos mais fortes foram anexando os mais fracos, originando a formação de dois impérios: O Alto e o Baixo Império Egípcio. O nomarca do Baixo Império, Menés, venceu o Alto Império, unificando o Egito, e se tornando o primeiro faraó, em torno de 3.200 a.C. O Antigo Império Egípcio: Período de aproximadamente 1.000 anos, com a sucessão dos descendentes de Menés, onde se destacaram Queóps, Quéfrem e Miquerinos. Esta duração longa se deve a paz externa, gerada pela proteção geográfica do território.

Nesta etapa do desenvolvimento egípcio, a estrutura social foi organizada hierarquicamente da seguinte forma (Faraó, nobreza, sacerdote, escribas, soldados, camponeses, artesãos e escravos). Os egípcios eram muito religiosos, acreditando em diversos deuses, e na imortalidade da alma e do corpo, surgindo daí o processo da mumificação. Esta influência religiosa se encontra presente na pintura, arquitetura e escultura. A pintura representava o cotidiano, portanto, de grande valor histórico. Os principais dogmas da sua religião estão contidos no Livro dos Mortos. Os egípcios desenvolveram a matemática, astronomia e medicina. Na escrita desenvolveram três formas: hieróglifo (textos sagrados); hierática (usada pelos sacerdotes) e demótica (usada pelos escribas). A capital deste império era Tínis. Médio Império Egípcio: Momento em que uma nova dinastia da cidade de Tebas derruba os descendentes de Menés, e se projeta ambiciosamente para iniciar sua trajetória imperialista, no entanto, acaba permitindo o conhecimento de sua região pelos inimigos, como os Hicsos que por domesticarem os cavalos, acabaram vencendo os egípcios. Nesta fase de domínio hicso, os hebreus fugindo da seca, foram acolhidos no Egito. E com a expulsão dos Hicsos, passam a serem vistos como inimigos e geralmente tratados como servos. Novo Império Egípcio: Começa com expulsão dos Hicsos do Egito pela liderança de Amósis I. Este período marca o apogeu cultural e expansionista do Egito, onde aparecerem seus principais faraós. Tutmés III, Ramsés II (Apogeu expansionista - criador dos templos de Carnac e Luxor), Tutankâmon, Amenóphis IV (fundador do monoteísmo, através do culto ao deus Aton - A finalidade era diminuir o poder dos sacerdotes, aumentando seu poder real) etc... O fim do império egípcio ficou conhecido como saíta. MESOPOTÂMIA (TERRA ENTRE RIOS - ATUAL IRAQUE): O modo de produção asiático se inicia nesta região, com o aparecimento dos Sumérios no sul da Mesopotâmia. povo de origem desconhecida, fundou cidades-Estado, como Ur, Nipur, Uruk, Lagash etc.. Este povo cria a escrita (cuneiforme), a roda, os zigurats (espécies de observatório, se dedicando a astronomia e astrologia), o sistema sexagesimal etc... Os Sumérios foram derrotados pelos Acádios e Amoritas (povos de origem Semita), fundando na região da Caldéia, o Império da Babilônia. No primeiro império da Babilônia se destaca Hamurábi (Criador do primeiro código de leis baseado em Talião - “Olho por olho, dente por dente). Os babilônios foram vencidos pelos assírios (povo do norte da Mesopotâmia), conhecidos pela violência de seu exército. Seu grande patesí foi Assurbanípal que transferiu a capital da Assíria de Assur para Nínive. Os babilônios se uniram aos Medos liderados por Ciáxares e venceram os assírios, de onde surge o 2º império da Babilônia, onde o destaque foi o rei

Nabucodonosor, fundador dos Jardins suspensos da Babilônia e da Torre de Babel. PÉRSIA (ATUAL IRÃ): Povo de origem indo-européia que chega no planalto iraniano, inicialmente dominado pelos Medos, e mais tarde dominando-os através de Ciro, unificador do planalto iraniano que foi responsável pela implantação da política de diplomacia. Cambises, filho de Ciro, chegou no Egito, no entanto foi com Dario I que a Pérsia chegou ao seu apogeu, onde foram criadas as Satrapias (espécies de prefeituras controladas pelo poder local, mas vigiada pelos funcionários do rei - Os olhos e os ouvidos do rei), além de construir estradas modernas que facilitavam a comunicação no império. Acabou derrotado nas Guerras médicas para os gregos. A grande contribuição dos persas foi a idéia de bem e de mal, deixada pelo filósofo Zaratrusta ou Zoroastro, através do livro “Zend-Avesta”. FENÍCIOS (ATUAIS LIBANESES): Viviam primordialmente do comércio e do pastoreio, e secundariamente da agricultura, em cidades - Estado, com destaque para Tiro, Sidon, Biblos e Cartago. Fundaram a escrita e a arte de navegação. HEBREUS (ATUAIS JUDEUS): A história deste povo está contada principalmente na Bíblia, e se inicia com a saída de Abraão da cidade de Ur para à Terra Prometida. Os descendentes de Abraão fugindo da seca foram para o Egito durante o domínio Hicso, e mais tarde acabaram semi-escravizados. Moisés comandou a fuga dos Hebreus em direção à Terra prometida - êxodo. Para combater os filisteus e cananeus que ocupavam aquela região, formaram uma monarquia que funcionou com três reis: Saul, Davi e Salomão. Ao final da monarquia os hebreus passaram pelo Cisma (divisão), onde as doze tribos se dividiram formando os reinos de Judá e Israel. Divididos, foram facilmente derrotados. No domínio dos Romanos, nasce Jesus Cristo e acontece a Diáspora (Dispersão) dos judeus pelo mundo do século III até o século XX após a 2º guerra mundial. OUTROS POVOS DO MODO DE PRODUÇÃO ASIÁTICO: Japoneses, Chineses, Astecas, Maias, Hititas, Hicsos, Cretenses, Indianos, Frígios, Lídios etc...

GRÉCIA (O Mundo Grego): ANTECEDENTES: O primeiro período da formação da civilização grega é conhecida como pré-homérico (Século XX - XII a.C.), onde as primeiras tri-

bos de origem indo-européia fugindo da glaciação se deslocaram para a Península Balcânica. Os primeiros foram os Aqueus que dominaram os pelasgos ou pelágios (povo rudimentar natural da região). Estes fundaram as primeiras cidades de Micenas e Tirinto e se uniram com Creta, fundando a civilização CretoMicênica. Com a chegada de novas tribos , os Jônios e os Eólios, os gregos unificados derrotaram os cretenses e os troianos, ocupando o comércio de parte do Mediterrâneo e do Mar Negro. A ligação do mundo grego com o Modo de Produção asiático começa a ser interrompida com a chegada dos Dórios, últimos gregos, com forte estrutura militar, mas com uma cultura inferior aos demais. A chegada desses gregos geraram a 1º diáspora grega (Dispersão dos gregos pela Península Balcânica, Mar Egeu e Ásia Menor), gerando uma perda de contato com o resto do mundo, sendo responsável no futuro pela formação de uma sociedade original. PERÍODO HOMÉRICO (Séculos XII - VIII a.C.): momento conhecido como período das trevas, devido ao pouco conhecimento da época, no entanto, nesta fase os gregos entraram na idade do ferro. O pouco que se conhece está contido nos livros de Homero: “Ilíada” e “Odisséia”, onde o autor ao tentar retratar o período anterior dos grandes heróis, acabou deixando elementos do seu período. Esta fase é marcada pelo funcionamento dos genos familiares liderados pelo Pater-família, numa estrutura de igualdade, produção de subsistência e de casamento endogâmico. O grande crescimento demográfico não foi acompanhado pelo processo produtivo, gerando a fome e criando um sentimento de desigualdade que procurava garantir o privilégio de poucos, e gradativamente cria uma sociedade desigual de acordo com a proximidade do Pater-família, gerando a seguinte divisão: Eupátridas (Bem-nascidos); Georgóis (Camponeses); Thetas (Marginalizados). PERÍODO ARCAICO (Século VIII - VI): momento de retorno da desigualdade onde praticamente desaparece qualquer contato com o Modo de produção asiático. Cerca de 160 pólis (Cidades-Estado) surgem como reflexo do período tribal anterior que criou uma autonomia entre as regiões, agravadas pelas cadeias de montanhas que dificultavam a comunicação. Toda Cidade-Estado apresentava uma ágora (Praça onde acontecia as atividades culturais, políticas e comerciais) e a acrópole (Parte alta da cidade, destinada aos cultos religiosos e a defesa militar). ESPARTA: Formada pelos antigos Dórios que para dominarem a pólis de Messênia, acabaram reforçando a tendência militar desta sociedade, principalmente com o aparecimento do Hoplita (Soldado) que se auto-sustentava. A sociedade espartana passou a ser dividida da seguinte maneira: Espartíatas (Cidadão espartano de origem dórica que vivia da atividade militar); Peri-

ecos (Gregos livres de origem não dórica que viviam na periferia da atividade comercial, sem direitos políticos); Hilotas (Gregos não Dóricos semiescravizados da pólis de Messênia que viviam da agricultura). A sociedade militarizada contava com a participação da mulher que criava o seu filho até os sete anos, onde era enviado para os quartéis para ser preparado para vida militar que durava até os 30 anos. A partir daí se tornava um cidadão, porém, poderia ser convocado em caso de guerra até os 60 anos. A divisão política atribuída ao legislador Licurgo, era a seguinte: Diarquia Dois reis; Éforos - em número de cinco, responsáveis pelo funcionamento das leis; Gerúsia - conselho de idosos (acima de 60 anos), responsáveis pela elaboração das leis; Ápela - Conselho de todos os cidadãos que aprovavam ou rejeitavam as leis da Gerúsia, através do voto. ATENAS: localizada na região da Ática, foi fundada pelos Jônios, e a estrutura lendária atribui ao herói Teseu. Inicialmente foi formada uma monarquia com o Basileu (Título de monarca), tendo um papel limitado pela aristocracia Eupátrida, e esta acaba organizando o fim da monarquia, estabelecendo uma nova forma de governo, a aristocracia. Os Eupátridas no poder iniciam uma política de injustiça social determinada pelo instituição das leis consuetudinárias (orais), estabelecida pelo arcontado e vigiada pelo areópago. Entre as injustiças do período arcaico, encontramos a sociedade estamental e a escravidão por dívidas, em virtude da inadimplência, onde a lei incide sobre as coisas e as pessoas. O povo revoltado com as injustiças passam a pressionar os Eupátridas, e diante do crescimento demográfico, passam a incentivar a 2º diáspora grega, ou seja, a colonização das terras do mar Mediterrâneo e do Mar Negro. Com a colonização acontece o desenvolvimento do comércio determinando o surgimento de uma nova classe de ricos, além do aparecimento do dinheiro (Dracma). E os gregos passam a trocar vinho, azeite e cerâmica por trigo, metais preciosos e outras mercadorias. O problema da injustiça acaba amenizado, mas não solucionado, e as pressões continuam, evoluindo para a formação de um primeiro partido popular. Assustados, os Eupátridas acabam dando concessões, convocando legisladores para estabelecerem as primeiras leis escritas. Drácon, primeiro legislador, determina a elaboração de leis muito severas, mas sem sentido prático. Sólon, este sim o maior legislador, cria o fim da escravidão por dívidas; estipula o poder político pela sua estrutura financeira; beneficia mais o comércio; cria o ensino público e gratuito etc.. Os Eupátridas tentam impedir a efetivação das leis de Sólon, mas são surpreendidos pela ação dos partidários de Pisístrato que através de um golpe de Estado implantam a Tirania, colocando em prática as leis de Sólon. Com a morte de Pisístrato, seus filhos Hípias e Hiparco, não conseguem continuar o trabalho do pai, permitindo a recuperação dos Eupátridas que tentam retornar ao poder mas são novamente pegos de surpresa, quando

Clístenes liderando os populares, implanta a democracia (cracia = governo; demo = povo). PERÍODO CLÁSSICO (SÉCULO VI A IV a.C.): Começa com o estabelecimento da democracia, onde Clístenes determina que todos os cidadãos são iguais perante à lei. Os cidadãos são inicialmente todos os homens acima de 20 anos, de pai ou mãe ateniense (Mais tarde para ser cidadão deve ser filho de pai e mãe ateniense). Estão excluídos mulheres, escravos e metecos (estrangeiros). A organização política estabelecida por Clístenes era a seguinte: Estrategos - Cuidavam dos assuntos militares e do poder executivo, em número de dez (um por aldeia), liderados pelo estratego mor; Bulê - conselho de 500 representantes, de 50 por aldeia, responsáveis pela elaboração das leis; Eclésia conselho popular com direito a voz e voto, rejeitando ou aprovando as leis; Heliéia - poder judiciário; ostracismo - exílio por dez anos dos inimigos da democracia, sem a perda de bens. O período clássico caracterizou-se pelas hegemonias e imperialismos das Cidades-Estado gregas. A primeira potência hegemônica foi Atenas; sucedeu-lhe Esparta; e por fim Tebas. O enfraquecimento das cidades facilitou a intervenção de Felipe da Macedônia. AS GUERRAS MÉDICAS: Conflito imperialista entre gregos e persas (medos). O império persa havia se estendido até a Ásia Menor, submetendo as cidades gregas da região. A revolta das cidades jônicas, lideradas por Mileto, deu início às guerras médicas. Depois de arrasar Mileto, os persas invadiram a Grécia, onde foram enfrentados pelos atenienses. Comandados por Milcíades os atenienses venceram os persas liderados por Dario em Maratona, salvando a Grécia da dominação persa. Voltando dez anos mais tarde, os persas liderados por Xerxes venceram a resistência dos espartanos liderados por Leônidas no desfiladeiro de Termópilas, mas foram surpreendidos pela tática da terra devastada estabelecida pelo estratego Temístocles que queimou Atenas, e atraiu os inimigos para o estrito de Salamina, usando os trirremes atenienses contra a esquadra pesada dos Persas, Estes derrotados, bateram em retirada. Os Gregos passam a ofensiva contra os persas, organizando a Confederação de Delos, liderada por Atenas e composta por diversos Estados gregos, com a finalidade de enviarem dinheiro para sustentar a marinha ateniense contra uma nova invasão persa. Címon, filho de Milcíades, vence os persas na foz do rio Eurimedonte, obrigando os derrotados a assinarem o tratado de Susa se comprometendo a não efetuarem nova invasão, além de desocuparem as pólis da Ásia menor. Os Estados gregos ameaçaram abandonar a Confederação ou liga de Delos, e Atenas usou da violência e num instrumento do seu imperialismo, subjugou os antigos aliados, obrigando-os a continuarem com o pagamento dos tributos.

Atenas tornou-se sede da liga, para onde foi transferido o tesouro comum, com o qual Péricles passou a financiar a construção de diversas obras públicas em Atenas. A ERA DE PÉRICLES: Apogeu do império ateniense, marcado pelo advento cultural, político e filosófico. O teatro grego foi uma das maiores manifestações culturais da antigüidade; ganhou impulso com os concursos de tragédias realizados durante as festas em homenagem ao deus Dionísio. Os maiores escritores trágicos foram: Ésquilo “Prometeu Acorrentado”, “Os persas”, “Os sete contra Tebas” etc.; Sófocles “Édipo rei”, “Antígona” etc.; Eurípides (preocupação com os problemas do homem) “Alceste” e “Medéia”. Na comédia de destaca Aristófanes nas sátiras contra pessoas proeminentes da sociedade. “A paz”, “As rãs”, “As vespas” etc. A filosofia grega divide-se em antes de Sócrates e depois de Sócrates. Os principais filósofos pré-socráticos ou da natureza foram: Tales de Mileto, Anaximandro, Anaxímenes, Pitágoras, Demócrito, Parmênides, Heráclito, Hipócrates etc. No tempo de Sócrates, predominava a Escola dos sofistas, defendia que para se atingir os objetivos desejados, todos os métodos eram válidos. A frase famosa dos sofistas “O homem é a medida de todas as coisas”, teve como principal representante Protágoras. Sócrates (470 - 399 a.C.) foi o fundador da filosofia humanista, através da prática da Maiêutica = parto das idéias, baseado em perguntas e respostas, buscando a reflexão necessária para a formação de uma moral responsável pelo viver e pensar corretamente. A virtude era vista por Sócrates como uma ciência que poderia ser aprendida. Apesar de não deixar nada escrito (Sua filosofia foi recuperada pelos seus discípulos, principalmente Platão), sua habilidade em confundir os interlocutores e o espírito crítico e irônico principalmente contra os sofistas, valeramlhe muitos inimigos. Acusado de corromper os jovens e renegar os deuses atenienses, foi condenado a beber cicuta. Platão (427 - 347 a.C.), o principal discípulo de Sócrates, fundou a Academia ateniense de Atenas, partindo das idéias socráticas de bem e de mal, teoria baseada nas idéias (formas essenciais), onde o mundo real transcende o mundo das aparências, o qual nada mais do que uma derivação das idéias matrizes. Platão destaca como virtudes essenciais a sabedoria, a bravura, a serenidade e a justiça. Suas principais obras foram: Apologia de Sócrates, Críton, O banquete, Fédon, Fedro e A República. Aristóteles (384 - 322 a.C.) foi o fundador do Liceu de Atenas, é considerado por muitos como o maior filósofo de todos os tempos. Sua obra abrange a totalidade dos conhecimentos de seu tempo - lógica, física, metafísica, moral, política, retórica e poética.

Aristóteles, natural da Macedônia e ex-discípulo de Platão, elaborou o seu raciocínio no silogismo, ou seja, partindo do geral se chega ao particular. Ex.: Todo homem é mortal; Sócrates é homem; logo, Sócrates é mortal. O conhecimento para Aristóteles surge das realidades sensíveis. Obras principais: Organum; A retórica; A poética; A metafísica; política; Ética a Nicômaco; Ética a Eudemo etc. Na poesia se destacou Píndaro, exaltando os feitos dos vencedores dos jogos pan-helênicos. Na história se destacaram Heródoto de Halicarnasso, o pai da história, foi o grande historiador das guerras médicas, e apesar de tendencioso e de explicar a guerra pela ótica religiosa, recolheu diversas informações importantes em seus escritos. Tucídides escreveu a “História da guerra do Peloponeso”, onde determinou que a origem da guerra estava nas causas políticas e não na vontade dos deuses. Procurou escrever de forma neutra. Xenofonte que escreveu “Anabase” e “Helênica” relatos da história do seu tempo. A arte grega estava profundamente ligada a religião e atingiu seu ponto máximo em Atenas, no século V a.C. Os templos gregos - principal manifestação da arquitetura grega - obedeciam a três estilos: dórico, jônico e Coríntio. O maior escultor grego foi Fídias que restaurou o Parthenon e esculpiu a estátua de Atena Promachos. Outros escultores importantes foram: Mirom (Discóbolo), Praxíteles e Polícletes de Argos. A religião grega não tinha dogmas: os fiéis podiam praticar o culto da maneira como bem estendessem, pedindo ajuda para suas atividades práticas e não a salvação da alma. A mitologia grega conta a história dos deuses antropomórficos, com virtudes e defeitos humanos. Os principais deuses eram: Zeus (maior de todos), seus irmãos Héstia, Demeter, Hera, Poseidon, Hades; e os filhos Ares, Afrodite, Apolo, Atena, Artêmis, Hefaístos, Hermes e Dionísio. Os heróis (Filhos de deuses com mortais) que se destacaram foram: Perseu, Jasão, Teseu, Édipo e Hércules. Clio era a musa da história. A organização da religião grega era bastante complexa, compreendendo o culto familiar (Culto a Zeus e Héstia), culto público (Cerimônias em Atenas homenageando Atena - Panatenéia e Dionísio - Dionisíaca) e os jogos panhelênicos em homenagem aos deuses realizavam-se os grandes jogos, iniciados em 776 a.C. em Olímpia. Vários santuários espalhados pela Grécia atraiam os fiéis; para conhecer o seu futuro, os gregos se utilizavam dos oráculos, onde uma sacerdotisa chamada de pitonisa, recebia os desígnios divinos. GUERRA DO PELOPONESO: Esparta, Corinto, Tebas e Megara aliaram-se contra Atenas. A causa principal da guerra foi a rivalidade entre Atenas e Esparta; O motivo imediato para o início dos combates foi o apoio dado por Atenas à Córcira. Esta guerra durou 27 anos e provocou um grande enfraquecimento dos Estados em luta.

A estratégia de Péricles de concentrar toda população ateniense nas muralhas de Atenas e utilizando a tática da terra devastada nos campos atenienses fracassou com a peste que assolou a região, inclusive vitimando-o. Num esforço desesperado, Atenas tentou uma expedição a Siracusa, aliada de Corinto, perdendo numerosos barcos e milhares de vítima. sendo derrotados pelos espartanos na batalha de Égos-Pótamos. Terminada a guerra do Peloponeso, começou a hegemonia de Esparta, que passou a dominar seus antigos aliados, como fizera Atenas. Para facilitar a dominação interna se aliou com os persas, e a necessidade de combater os Hilotas de Messênia facilitou a aliança dos tebanos com Atenas liderados por Epaminondas, derrotando os espartanos na batalha de Leuctras; começava a hegemonia de Tebas. O imperialismo tebano durou apenas 9 anos; em Mantinéia, o exército de Tebas foi vencido por espartanos e atenienses, que tinham se reconciliado. A fraqueza das cidades gregas , provocada pelas guerras, abriu caminho para a dominação da Macedônica. O PERÍODO HELÊNICO: Período de domínio macedônico quando Felipe da Macedônia invadiu a Grécia, vencendo na batalha de Queronéia, e profundo conhecedor da civilização grega, pois tinha convivido com os tebanos, aprendendo a arte da guerra. O grande orador ateniense Demóstenes tinha prevenido da ameaça Macedônica, mas ninguém deu atenção as suas denúncias. Felipe foi assassinado, assumindo seu filho Alexandre Magno influenciado pela mãe Olímpia e pelo filósofo Aristóteles. Com suas conquistas fundou um grande império. Alexandre, o grande iniciou sua luta contra os persas, ocupando todo antigo império dos inimigos, até vencer definitivamente Dario III. Depois de vencer os persas, avançou em direção à Índia, morrendo na volta. Alexandre procurou formar um império universal, através da integração do mundo bárbaro e do mundo helênico. Esta integração foi feita através da política de casamento, da fundação de cidades, da incorporação dos persas ao exército e da aceitação dos valores políticos orientais. Com a morte de Alexandre, o império desmoronou, sendo dividido entre seus principais generais. O reino da Macedônia ficou com Antígono; o reino do Egito ficou com Ptolomeu e a Ásia com Seleuco. O grandes centros culturais do império de Alexandre eram: Alexandria, Antióquia e Pérgamo; o centro econômico localizava-se no Oriente médio. Neste período surgem novas filosofias: Estoicismo fundado por Zenão que pregava a indiferença à dor ou ao prazer físico, considerando apenas a vida intelectual; o epicurismo fundado por Epicuro defendendo a idéia de que o homem deve procurar o prazer como única forma de se alcançar a sabedoria. ROMA ANTIGA:

PERÍODO MONÁRQUICO (753 - 509 a.C.): A península Itálica apresenta três regiões bem distintas: a Cadeia dos Alpes e a planície do Rio Pó ao norte; a Cadeia dos Apeninos que percorre a península de norte a sul; e as planícies costeiras da Apúria, Lácio e Campânia. Os primitivos autóctones da Itália em estágio rudimentar, foram derrotados por italiotas (arianos) que ocuparam a parte central da península; subdividiam-se em várias tribos: latinos, sabinos, équos, volscos, samnitas etc. Os gregos se fixaram no sul da península, onde fundaram numerosas colônias - Magna Grécia e os Etruscos (originários da Ásia), ocuparam o norte da Itália, formando a Etrúria. Historicamente, pode-se deduzir que Roma se originou de um forte construído por latinos e sabinos às margens do Rio Tibre. A origem de Roma pode ser interpretada também através de lendas, onde Virgílio atribuiu a fundação de Roma a Rômulo e Remo, descendentes de Enéas, herói de Tróia. Netos de Numitor destituído do poder pelo tio-avô Amúlio, recolocam o antigo monarca no poder da pólis de Alba Longa, e este cede uma parte de suas terras às margens do rio Tibre, na região do Lácio, para a formação de Roma. Outras lendas importantes falam sobre o rapto das sabinas e a luta dos Horácios sobre os Curiácios. Pelas lendas ficamos sabendo que dos sete reis de Roma, os quatro primeiros eram sabinos e latinos (Rômulo, Numa Pompílio, Túlio Hostílio e Anco Márcio), e os três últimos eram Etruscos (Tarquínio Prisco, Sérvio Túlio e Tarquínio, o Soberbo), mostrando a dominação etrusca nos últimos momentos da Monarquia. A economia baseava-se na atividade agro-pastoril: a terra era a riqueza fundamental. A sociedade era dividida em Patrícios, Clientes e Plebeus e o poder era exercido pelo Rei, com auxílio do conselho dos anciãos (Senado) e da Assembléia Curiata. Os Patrícios romanos se reuniam numa Assembléia chamada comício, para propor, votar as leis da cidade. Os Patrícios eram classificados em trinta grupos chamados de cúrias. Os comícios curiatos escolhiam reis e demais funcionários do governo, julgavam as disputas e declaravam a guerra ou a paz, conforme necessário. A família teve um papel importante dentro desta sociedade, onde toda organização se baseava no laço de parentesco e estes, por sua vez estavam ligados à religião. A autoridade do pai era absoluta dentro da casa. Ele tinha autoridade de vida e morte sobre a mulher e os filhos. A figura da mãe era muito respeitada, mas esta não participava da vida pública. A nível religioso eram muito supersticiosos e achavam que deviam adotar os deuses que entravam em contato. Dos gregos assimilaram os deuses do Olimpo, embora lhes tenham trocados de nomes. Ex.: Zeus - Júpiter; Hermes Mercúrio; Afrodite - Vênus; Ares - Marte; Ártemis - Diana; Possêidon - Netuno.

Os latinos praticavam o culto doméstico, onde veneravam os espíritos dos antepassados e os lares, gênios protetores da casa. REPÚBLICA ROMANA (509 - 27 a.C.): Na sua origem, a República Romana era essencialmente aristocrática; durante as lutas entre Patrícios e Plebeus, ela atingiu um estágio mais democrático. As principais instituições políticas da República eram: Senado, Magistraturas e Assembléias. O poder do Senado era praticamente universal, estendendo-se à administração, à legislação interna, às relações exteriores e aos problemas religiosos, bem como o controle das Finanças públicas. Os principais magistrados eram os Cônsules (em número de dois), transformado em ditador em época de guerra (apenas por seis meses). Estes eram auxiliados pelos Pretores - responsáveis pela Justiça; Questores - Finanças; Censores - Censura e Censo; Edil - Prefeito. A Assembléia Centuriata era uma reunião do exército, dividida em centúrias, que votava as principais leis do Estado e Assembléia Tribunícia, antiga Curiata, com menos importância, onde cada tribo tinha um voto. LUTA ENTRE PATRÍCIOS E PLEBEUS: O conflito começou em 494 a.C. e terminou por volta de 286 a.C. No fim desse período, os Plebeus tinham conseguido uma certa igualdade de direitos em relação aos Patrícios. A primeira revolta da plebe ocorreu em 494 a.C., quando os Plebeus de Roma se retiram para o Monte Sagrado, e resultou na criação do Tribuno da Plebe. A segunda revolta aconteceu em 450 a.C., quando os Plebeus exigiram a redação da lei, que foi então codificada em 12 Tábuas de bronze. A terceira revolta, em 445 a.C., terminou com a criação da lei da Canuléia, que permitia o casamento entre Patrícios e Plebeus. A quarta revolta resultou na Lei Licínia Sextia que praticamente aboliu a escravidão por dívida e abriu aos Plebeus a participação no consulado. Durante a quinta revolta (287-286) foi conseguida a vitória mais importante, quando o plebiscito passou a ter força de lei. A luta da plebe foi longa e penosa, mas gradativamente foi conquistando o direito à participação em todas as Magistraturas da República, da ditadura ao pontificado, através do tribunato da plebe. AS GUERRAS PÚNICAS (POENI = FENÍCIOS): Conflito entre Cartago e Roma. Esta guerra tem antecedentes no processo expansionista dos romanos, onde estes desviam a atenção dos Plebeus para o processo de conquista, derrotando primeiro os italiotas no centro da península para depois dominarem os Etruscos no norte e os gregos da Magna Grécia (sul da Itália) que contavam com ajuda de Pirro, rei do Épiro (Atual Albânia). Ao dominarem toda península Itálica os romanos passam a desejar a ilha de Sicília que estava sob o controle de Cartago (Antiga colônia fenícia - atual Tunísia), iniciando as guerras púnicas.

As guerras púnicas aconteceram em três etapas: na primeira acontece o conflito direto entre os dois países de forma muita violenta, levando Amilcar Barca, de Cartago a pedir a paz momentânea, onde os romanos aproveitaram para tomar a Sicília. Na segunda etapa Aníbal filho de Amilcar prepara a desforra contra os romanos que comandando um exército numeroso acompanhado de uma manada de elefantes invade a Itália pela Espanha vencendo todas batalhas, mas acaba parando na entrada de Roma esperando auxílio de Asdrúbal que não veio (este foi derrotado). Esta indecisão permitiu que os romanos liderados por Cipião, o africano aproveitassem para invadir Cartago, obrigando o recuo tardio de Aníbal e permitindo a segunda vitória dos romanos. O renascimento comercial dos cartagineses passou a incomodar novamente os romanos que aproveitaram da luta de Cartago com a vizinha Numídia para declarar a destruição efetiva deste país. “delenda est Cartago”. Depois de Cartago os romanos dominaram a Espanha e a Gália do sul constituindo a Narbonesa Gália e em seguida dominaram a Macedônia alegando auxílio desta a Cartago. O mesmo acontecendo com a Síria liderada por Antíoco III. Ao morrer o rei de Pérgamo (província da Ásia) para os romanos. No século I conquistaram os reinos do Ponto, Bitínia, Síria e Egito. CONSEQÜÊNCIAS DAS GUERRAS PÚNICAS: Domínio comercial e militar sobre o Mar Mediterrâneo (Mare nostrum - Mar nosso). Formação do sistema escravista principalmente através da ação de guerras. Aparecimento de uma nova classe de ricos provenientes do comércio - os Homens Novos ou Eqüestres. Concorrência dos produtos importados das novas províncias, fazendo entrar em crise a agricultura italiana - os pequenos e médios proprietários foram obrigados a venderem suas propriedades para os latifundiários e para o Estado (Ager publicus). O êxodo rural foi acompanhado pela política do “pão e circo” - aumento do n.º de clientes que viviam da proteção do Estado. A riqueza proveniente da conquista modifica o comportamento de simplicidade marcado pelo de virtude (Virtus) substituída pela luxúria - viver à grega. O governo das províncias era controlado pelos magistrados e a cobrança de impostos pelos publicanos, etc. AS GUERRAS CIVIS DOS GRACOS A SILA: O primeiro grande reformador romano foi Tibério Graco que exerceu o seu primeiro tribunato em 133 a.C. O principal objetivo de Tibério era realizar uma reforma agrária, já prevista por leis antigas, limitando a posse de terras públicas por particulares. As terras excedentes seriam distribuídas gratuitamente aos cidadãos pobres. Tibério foi assassinado pelos adversários políticos, e seu irmão Caio Graco retomou a tese do primeiro, dando-lhes maior alcance. Além da luta pela reforma agrária, Caio Graco estabeleceu a lei frumentária (Subsídio do trigo), mas, ao pretender ampliar o direito de cidadania para toda a Itália, acabou perdendo o apoio da população romana, e abrindo prece-

dente para que seus opositores cercassem Caio no Monte Aventino, onde se suicidou.

IMPÉRIO ROMANO: O império romano foi marcado pelo poder de Caio Otávio; mas o imperador procurou disfarçar seu poder, mantendo as aparências do regime republicano. As bases concretas do poder de Otávio eram a plebe e o exército. O senado romano legalizou o poder de Otávio, concedendo-lhe títulos de: pontíficie máximo, prínceps senatus, augustus, além do poder tribunício e do poder pró-consular. O título mais importante era o de augusto, concedido em 27 a.C. Esse título reconhecia a divindade do imperador e lhe dava o direito de indicar seus sucessores. A administração foi reorganizada, contribuindo para a maior centralização do poder. As funções do senado foram restringidas a Roma e à Itália. As províncias foram divididas em civis (senado) e militares ou imperiais (imperador). A arrecadação do imposto passou para o Estado. A sociedade foi dividida em ordens de acordo com a riqueza de cada cidadão. as novas ordens eram: senatorial, eqüestre e inferior. Encorajou a preservação da família numerosa e incentivou os cultos tradicionais, além de combater o relaxamento moral. Abandonou a expansão territorial, passando a definir apenas as fronteiras, principalmente nos rios Reno, Danúbio e Eufrates. A dinastia Júlio - Claudiana: Otávio, Tibério, Calígula, Cláudio e Nero. Os flavianos: Vespasiano, Tito e Domiciano. Os Antoninos (apogeu): Nerva, Trajano, Adriano-Antonino Pio, Marco Aurélio e Cômodo. Os Severos governaram com apoio do exército, desprezando o senado Séptimo severo, Caracala e severo Alexandre. As causas da queda do império romano: anarquia militar (a partir de 235 d.C.); crise da escravidão (O império romano baseava-se no trabalho escravo, na produção para o comércio das cidades e no mercado internacional e na arrecadação de impostos que permitiam o Estado pagar o exército e seus funcionários); na substituição do paganismo pelo cristianismo e as invasões bárbaras. - Últimos grandes imperadores: Diocleciano - divisão do império em quatro partes (tetrarquia); criação do Édito do Máximo; Último perseguidor dos cristãos.

Constantino - Unificou o império, transferindo a capital para Bizâncio (futura Constantinopla); criação do Édito de Milão (fim da perseguição aos cristãos). Teodósio - criou o Édito de Tessalônica (oficialização do cristianismo) e dividiu Império romano em duas partes: Império romano do ocidente, com capital em Roma, derrubado em 473 d.C. com a vitória de Odoacro rei dos Hérulos sobre Rômulo Augustus; e o Império Romano do Oriente, com capital em Constantinopla, derrubado em 1453, com a tomada de Constantinopla pelos turcos Otomanos liderados por Maomé II. Invasões bárbaras: Vândalos liderados por Genserico (saqueou Roma, ocupou a Espanha, e mais tarde foram empurrados para o norte da África); Visigodos (chefiados por Alarico ocuparam a Gália e a Espanha); Ostrogodos (liderados por Teodorico, derrotaram Odoacro em Roma. foram derrotados pelos Bizantinobs); Burgúndios e Alamanos (região dos Alpes); Lombardos (norte da Itália); Suevos (Lusitânia); Celtas (Bretanha e Gália); anglo-saxãos (Bretanha); Francos (Gálea); Árabes (norte da África, Península Ibérica e parte do mar Mediterrâneo) etc... O MUNDO MEDIEVAL: O mundo Árabe: O surgimento do Islão em 630, quando Maomé unificou política e religiosamente os árabes. Os árabes viviam em tribos de nômades liderados por sheiks, e visitavam a Caaba (templo religioso) na cidade de Meca, controlada pela família dos Coraixitas, onde se encontrava inclusive a pedra negra. Nas viagens com as caravanas, Maomé da família dos Haxeminitas, entrou em contato com o cristianismo e o judaísmo, que se tornaram a base do Islamismo. Depois da visão do anjo Gabriel, do qual recebeu sua missão de profeta, Maomé passa a pregar o monoteísmo, atrapalhando o comércio dos Coraixitas. Os Coraixitas tentam matar Maomé que foge para Iatreb (futura Medina cidade do profeta). Esta fuga é conhecida como Hégira (que dá início ao calendário muçulmano). O Islamismo prega a crença em um Único Deus (Alá) e prescreve cinco obrigações fundamentais: orar cinco vezes ao dia; jejuar no mês de Ramadã; esmolas; guerra santa e peregrinação pelo menos uma vez na vida à Meca. O Alcorão e o Suna são os dois livros sagrados dos muçulmanos. Os árabes realizaram grandes conquistas em todos os continentes, chegando a controlar todo o Mediterrâneo. Principais fatores das conquistas foram: botim, alta densidade demográfica, unificação política, guerra santa, atração do paraíso e fraqueza dos adversários. Os parentes de Maomé foram os primeiros governantes do Islão e realizaram a conquista do Oriente Médio.

Os Omíadas transferiram a capital de Meca para Damasco e expandiram o império para o Ocidente, anexando as regiões do Mediterrâneo Ocidental. As facções religiosas deram origem a partidos políticos que causaram divisões no Islão, com numerosos califados autônomos: Córdoba, Marrocos, Egito, Tunísia etc..., capital de Damasco p/ Bagdá. Durante a idade média, os árabes enriqueceram o patrimônio cultural do Ocidente com valiosas contribuições: A cultura árabe desenvolveu-se sob a influência de muitas outras. Nas artes, os árabes contribuíram com a arquitetura das mesquitas, com decoração com letras do alfabeto (arabescos). Introduziram novas técnicas de cultivo agrícola. No artesanato, produziram artigos refinados em couro, seda e metal. A ciência árabe realizou notáveis progressos na física, química, matemática, astronomia; na filosofia, destacou-se Averroes; Na Medicina, Avicenas; Na literatura, são célebres os contos As mil e uma noites; na História, Ibn etc. O IMPÉRIO BIZANTINO O grande imperador de Bizâncio foi Justiniano, de origem humilde, mas protegido por seu tio, o general Justino. Justiniano casou-se com Teodora e isso marcou profundamente o seu governo. Justiniano foi um grande legislador; mandou realizar uma compilação das leis romanas desde a república até o império, publicando-a sob o título de Corpo do Direito civil (Corpus juris civilis): Código, digesto ou pandectas, institutas e novelas. Combateu as heresias (Nestorianismo - duas naturezas separadas - humanas e divina; monofisismo - uma única natureza de Cristo: divina; Arianismo Separação das três trindades: pai, filho e espírito santo; iconoclasta - combate as imagens), facilitando a consolidação da monarquia universal. Interferência do poder temporal no funcionamento da igreja: cesaropapismo. As conquistas de Justiniano tinham como objetivo a reconstituição do antigo império romano. Depois de assegurar a paz com os persas, seus tradicionais inimigos, iniciou a reconquista do Ocidente. Seus generais Belisário e Narses e conquistaram África dos Vândalos, a Itália dos Ostrogodos e o sul da Espanha dos Visigodos. Essas conquistas não tiveram longa duração, com exceção de algumas regiões da Itália, onde foi constituído o Exarcado de Ravena. A nível interno, Justiniano enfrentou a famosa revolta de NIKA, no hipódromo de Constantinopla. A cultura bizantina retrata uma profunda influência romana, grega e oriental. A grande manifestação artística do império bizantino foi a construção da igreja de Santa Sofia, caracterizada pela enorme cúpula central.

Na pintura, destacaram-se os mosaicos, cujos exemplos mais belos encontravam-se em Ravena.

ALTA IDADE MÉDIA: (Resumo Medieval) OS FRANCOS: Os francos formaram o reino de maior destaque na alta idade média. Os primeiros reis francos descendiam de meroveu, por isso eram chamados de merovíngios. O rei Merovíngio mais importante foi Clóvis, que unificou os francos, expandiu o reino e aliou-se à igreja, depois de converter-se ao cristianismo. As sucessivos divisões do reino contribuíram para enfraquecê-lo, favorecendo a ascensão do Major Domus. O primeiro Major Domus importante foi Pepino de Heristal; vieram em seguida Carlos Martel e Pepino, o breve, o qual foi sagrado o rei dos francos. Com Carlos Magno começou efetivamente a dinastia carolíngia. Carlos Magno expandiu as fronteiras do reino em direção à Itália e a Germânia; na Germânia, formou vários ducados e converteu os Saxões. Com o prestígio militar que adquiriu, Carlos Magno foi sagrado imperador pelo papa Leão XIII, em Roma; renascia assim o império romano do Ocidente. Carlos Magno organizou o poder central confiando a administração do reino aos funcionários do palácio; o governo das províncias foi confiado aos condes, auxiliados pelo bispos. Com a finalidade de centralizar o poder, criou os missi dominici, inspetores que percorriam o império e mantinham o imperador informado da administração dos domínios. As capitulares, leis escritas, permitiam maior eficiência administrativa e critérios mais adequados na distribuição da justiça. Um notável renascimento cultural completou a época de prosperidade de Carlos Magno; foram criadas escolas, construídas igrejas e traduzidas muitas obras de escritores antigos. Com a morte de Carlos Magno, subiu ao trono do reino franco e do império, seu único filho, Luís , o piedoso. Com a morte de Luís, o piedoso, os herdeiros dividiram o império de três partes: Carlos, o calvo, ficou no ocidente, Luís, o germânico, no Oriente e Lotário na França central - Tratado de Verdun. MODO DE PRODUÇÃO FEUDAL: O processo de formação do sistema feudal começou com a crise do império romano, no século III, e terminou no fim do século VIII e início do século IX. Do século IX até o século XII, o sistema feudal funcionou perfeitamente (alta idade média); no fim desse período começou sua transformação.

A visão pejorativa da idade média surgiu no renascimento e continua até nossos dias. segundo essa visão, a idade média foi um período de regressão cultual e institucional. Hoje existe um movimento entre os historiadores, que procura rever o conceito de idade média; para eles, foi um período importante, durante o qual foram lançadas as estruturas básicas do mundo moderno. As definições do sistema feudal ou feudalismo são numerosas. Cada uma destaca um aspecto particular: econômico, jurídico-social, político, ou as relações sociais. O ponto de vista econômico destaca a produção auto-suficiente e a baixa produtividade; o jurídico-social destaca a posição dominante da nobreza e as relações de vassalagem: o político destaca o enfraquecimento do poder central gerando formas de poder local. Tomando-se por centro as relações sociais, destacam-se as obrigações costumeiras sob a forma de produtos ou serviços, devidos pelo servo ao senhor. O sistema feudal baseava-se na exploração da propriedade rural, chamada domínio ou senhoria. Havia três tipos de posse da terra: privada na reserva senhorial; coletiva, nos pastos e bosques; e co-propriedade, no manso servil. O regime de trabalho servil se baseava nas obrigações costumeiras devidas pelo servo ao senhor. As principais obrigações eram: Corvéia (trabalho na reserva senhorial), talha (metade da produção do manso servil), banalidade (pagamento pela utilização de instalações e ferramentas), dízimo (10% da produção para à igreja), mão-morta (pagamento pelo direito hereditário do manso servil), capitação (pagamento por cabeça de servos do manso servil) etc... O nível da técnica de cultivo era rudimentar, resultando em baixa produtividade; as culturas eram alternadas a cada dois anos (rotação Bienal) ou três anos (rotação trienal), com campos de repouso, para não esgotar o solo. A sociedade feudal era estamental, isto é, cada membro estava preso à sua posição na sociedade; a mobilidade era rara. As camadas principais eram senhor e servo; o primeiro se definia pela posse legal da terra e pelo direito de receber obrigações ; o segundo, pela posse útil da terra e pela obrigação de realizar pagamentos ao senhor. Havia outras camadas sociais: escravos, vilões e ministeriais (senescais e bailios). O tipo de vida em geral era bastante rude. Mesmo a camada dos senhores não vivia luxuosamente, mas tinha alimentação abundante, embora preparada sem requintes. A vida dos servos era miserável em todos os sentidos: casa, roupa, alimentação; divertiam-se só nos dias de festas religiosas ou nas colheitas. No plano político, o poder era local; as relações entre os homens eram diretas, impostas pelas necessidades de autoproteção.

O poder, sendo localizado, era descentralizado em relação ao rei. A origem das relações políticas locais teve início no mundo romano, com o surgimento de instituições como a clientela, o patrocínio, a recomendação e as imunidades. O juramento de fidelidade (comitatus) ligava o vassalo ao seu suserano. quem prestava homenagem era o vassalo, recebendo em troca benefício. Os suseranos e os vassalos estavam ligados por obrigações recíprocas; o vassalo devia serviço militar ao suserano e este proteção militar ao seu vassalo. O PAPEL DA IGREJA: A igreja teve um papel importante na vida da sociedade medieval, não somente na condução das almas para a salvação, mas também no domínio material, quando se identificou com a própria sociedade feudal: A igreja monopolizava a cultura e fornecia funcionários administrativos aos estados medievais. A organização eclesiástica somente ficou definida por volta do século III, com a estruturação do clero secular e o surgimento do clero regular. O clero secular, clero do mundo (século) foi o primeiro clero da igreja católica e compunha-se basicamente de padres e bispos. A supremacia do bispo de Roma sobre toda a cristandade evoluiu lentamente, sendo oficializado em 455 pelo imperador Valentiano III. O primeiro grande papa na idade média foi Gregório I que estabeleceu os direitos e obrigações do clero, estimulou a fé através do canto gregoriano e, acima de tudo, procurou converter os povos germânicos para o cristianismo. Por volta do séc. VIII, todo o ocidente e parte da Germânia se converteram ao cristianismo. Em 756, a igreja adquiriu o seu próprio Estado na Itália, quando Pepino, o breve doou ao papado o Patrimônio de São Pedro, formado por terras tomadas ao Lombardos. O clero regular nasceu do movimento monástico, por volta do século III, e tomou forma definida quando São Basílio organizou a regra para os Cenobitas. A maior figura da vida monástica medieval foi Bento de Núrsia: fundou o Mosteiro do Monte Cassino e a ordem Beneditina, à qual deu uma regra que prescrevia a pobreza, a castidade, à obediência, a oração e o trabalho. O relaxamento da vida monástica invadiu a maioria dos mosteiros, como conseqüência da intromissão do poder político na escolha dos abades. Para acabar com esses abusos, surgiram diversos movimentos reformistas liderados pelos monges de Cluny, pela ordem dos cartuxos e pelos monges de Cister. A relação entre a igreja e o estado começou no império romano, depois da oficialização do cristianismo, o Estado passou a proteger a igreja, recebendo em troca a legalização divina do seu poder.

A crise do império romano e a formação dos reinos bárbaros obrigou a igreja a buscar um novo reino que a protegesse, encontrando-o no reino franco. Com o batismo de Clóvis, começou uma relação estreita entre o poder espiritual e o poder temporal; essa relação continuou com Pepino, o breve, e Carlos Magno. Mas foi com o Sacro império romano Germânico que a dominação da igreja pelo Estado se tornou mais acentuada, pois os imperadores controlavam o papado e os bispos do império, com a finalidade de terem o domínio sobre os grandes príncipes alemães. Resultava dessa intervenção uma série de problemas para a igreja, dentre os quais o relaxamento dos costumes do clero (Nicolaísmo - Não cumprimento do celibato) e a (simonia-venda de cargos eclesiásticos) Querela das investiduras consistiu na luta entre a igreja e o império, em torno da indicação dos bispos alemães. O movimento reformista de Cluny, iniciado no clero regular, atingiu também o clero secular; um dos resultados foi a criação do colégio dos cardeais, pelo papa Nicolau II. Depois de eleito pelo colégio dos cardeais, o papa Gregório VII proibiu o casamento dos padres e as nomeações de bispos e abades pelo imperador (investidura leiga). Essas medidas puseram em choque o papado e o império. O imperador reagiu, mas foi excomungado e obrigado a pedir perdão ao papa em Canossa. Perdoado, Henrique VII voltou à Alemanha, dominou a revolta dos duques e invadiu a Itália. O papa fugiu e o imperador nomeou outro papa. Começou o período de divisão da igreja (cisma), que terminou com a concordata de Worms, entre Henrique V e o papa Calixto II. A indicação dos bispos ficou a cargo da igreja (simbolizado pelo anel e a cruz) e o império (representado pelo báculo - cajado). Como, entretanto, a escolha dos bispos ficou a cargo da igreja, o poder do imperador diminuiu em relação aos duques alemães; com isso, quem ganhou força foi o papado, que se elevou a condição de grande força política espiritual e política da Europa.

BAIXA IDADE MÉDIA (Séc. XI-XII A XV): (Modo de Produção Feudal) A partir do século XI, o sistema feudal entrou em crise; a solução para essa crise foi o sistema capitalista. O fator principal da crise do feudalismo foi o crescimento demográfico, que ampliou o mercado consumidor, provocando um choque com o modo de produção servil, incapaz de atender às necessidades do mercado em expansão. O crescimento demográfico foi ocasionado pelo fim das invasões, que permitiram uma melhor redistribuição da produção agrícola.

Para solucionar a crise era necessário aumentar a produção; e isto só era possível substituindo o modo de produção servil pela produção com trabalhadores assalariados. A solução mais imediata e mais fácil foi marginalizar os excedentes populacionais, em todas as camadas sociais: isto forneceu mão-de-obra militar para realizar as cruzadas. As cruzadas foram resultados de um complexo de fatores: A crise do sistema feudal e a marginalização de um grande número de indivíduos foram fatores decisivos. A força da igreja e o profundo sentimento de fé da época também foram poderosos estímulos. Contribuiu também a luta pelo controle do poder papal dentro da igreja, principalmente o desejo de reconquistar a igreja separada do oriente. Como fatores imediatos devem ser citados a pressão dos turcos seldjúcidas sobre Constantinopla e os empecilhos peregrinação dos cristãos a Jerusalém. Realizaram-se oito cruzadas oficiais e duas extra-oficiais: A cruzada dos mendigos (extra) foi liderada pôr Pedro, o eremita. A primeira cruzada, convocada pelo papa Urbano II, no concílio de Clermont, atingiu seu objetivo com a tomada de Jerusalém, principalmente pôr causa da ação de duas ordens militares celibatárias: Templários e Hospitalários. Foram conquistados quatro reinos: condados de Edessa, principado de Antióquia, condado de Trípoli e reino de Jerusalém. A queda de Jerusalém novamente para os turcos liderados pôr Saladino provocou a organização da 2º cruzada liderada pôr são Bernardo. A terceira cruzada ou cruzada dos reis reuniu Frederico, Barbarruiva (Germânia), Ricardo Coração de Leão (Inglaterra) e Felipe Augusto (França). O papa Inocêncio III que deveria atacar o Egito; os venezianos ficaram responsáveis pelo transporte. O doge veneziano mudou o destino da Cruzada para Constantinopla para auxiliar o império bizantino, no entanto como não foram recompensados acabaram saqueando a cidade. Esta cruzada liberou o mar Mediterrâneo. A cruzada das crianças (extra), antecedeu a quinta cruzada liderada João de Brienne, não chegou a atingir o objetivo de conquistar o Egito. A sexta cruzada foi liderada pelo Alemão Frederico II e a sétima e a oitava foram lideradas pôr São Luís. O RENASCIMENTO URBANO E COMERCIAL E AS TROCAS DE LONGA DISTÂNCIA: A origem do renascimento urbano é uma questão controvertida, mas de modo geral, pode-se afirmar que as cidades medievais surgiram com o renascimento comercial. As primeiras cidades surgiram junto aos castelos e em localizações topográficas favoráveis. O crescimento das cidades estimulava o comércio e viceversa.

Os primeiros comerciantes originaram-se dos marginais da sociedade feudal, que buscavam novas formas de subsistência. As cidades apareciam de diversas formas: Algumas já existentes desde o período do antigo império romano do ocidente eram recuperadas; Outras surgiam dos nós de trânsito (encontro de rotas) onde aconteciam as feiras sazonais; com autorização do rei através de cartas de franquias; ou conquistadas através da força contra os senhores feudais, as comunas. Os primeiros tempos das atividades comerciais na Europa foram muito difíceis. Um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento comercial eram os pedágios, cobrados nas estradas e nos rios. Outro obstáculo era o mau estado dos caminhos, sobretudo no inverno, quando se tornavam intransitáveis. As principais rotas comerciais eram as seguintes: Rota do mar Mediterrâneo - saindo de Gênova e Veneza, atravessava o mar Mediterrâneo, passando pôr Alexandria e parando em Antióquia, na Síria; Rota do Champagne - saindo de Gênova e Veneza atravessa toda França em direção ao porto de Flandres; Rota do mar do Mar do Norte - saindo do porto de Flandres, segue o antigo caminho dos vickings, entrando na Rússia em direção a Constantinopla. Em Flandres desenvolveu-se uma importante indústria de panos, dando origem a grandes centros comerciais, como Bruges, Gand, Lille e Ypres. As feiras mais importantes localizavam-se na Champagne: Lagny, Provins, Troyes e Bar-Sur-Aube; Bruges, Gand, Antuérpia (Flandres), Veneza, Piza, Gênova, Bari (Itália), Colônia, Frankfurt (Alemanha), Stourbridge e St. Ives (Inglaterra).

MODO DE PRODUÇÃO FEUDAL: O FUNCIONAMENTO DAS CIDADES: As cidades medievais são marcadas pela idéia do justo preço de São Thomás de Aquino, onde o lucro passa a ser permitido desde que sem exagero. Proibição da livre concorrência: guildas-associações de mercadores; Hansas - associações de cidades. Ex.: Liga hanseática teutônica, formada por aproximadamente 90 cidades com a liderança de Bremen, Hamburgo e Lübeck; Corporações de Ofício - Associações de profissionais de um mesmo ramo de atividade. A primeira produção pré-capitalista foi a artesanal liderada pelas Corporações de Ofício, formado por mestre, oficial e aprendiz. Com o crescimento da demanda (desejo de compra), surge a produção doméstica, onde a corporação de Ofício abriga um novo elemento, o jornaleiro (trabalhador por jornada). Os mercadores param de fornecer matéria-prima para a corporação de ofício, gerando o empobrecimento progressivo de seus membros, ao mesmo tempo em que começa a ser efetivada o aparecimento das fábricas.

A separação do capital e trabalho, marca a consolidação definitiva do capitalismo. A burguesia passa a controlar os meios de produção (dinheiro, ferramentas, propriedade etc...) e o trabalhador fica apenas dono da sua força de trabalho. A força de trabalho passa a ser trocada pelo salário criando num primeiro momento a idéia de que acontecia a justiça do trabalho, diferentemente da escravidão e da servidão, no entanto, Karl Marx e Friedrich Engels demonstraram através da Mais Valia que as horas trabalhadas não são devidamente remuneradas, e a não remuneração de todas as horas trabalhadas, representa o processo de exploração responsável pelo lucro do patrão. Dentro do capitalismo não existe possibilidade de conciliação entre capital e trabalho. As diferenças de interesses entre patrões e empregados determinaram a substituição futura das corporações de ofício pelos sindicatos. A substituição do trabalho do homem pelo da máquina (Revolução Industrial), ajudou a separar ainda mais o capital do trabalho - A produção manufatureira foi substituída pela maquinofatureira. CULTURA MEDIEVAL: Durante a Alta Idade Média o predomínio da zona rural sobre a zona urbana determinou o retrocesso cultural. Na literatura houve o predomínio do romance épico, marcado pela valorização do guerreiro medieval. Ex.: “La Chanson de Roland”. Na arquitetura e na pintura prevaleceu o estilo românico, marcado pelos traços sombrios e pesados, ausência de proporcionalidade, falta de luminosidade, entradas arredondadas etc... Carlos Magno tentou estabelecer uma cultura leiga para diminuir o poder da igreja, mas o projeto terminou com sua morte. A baixa idade média apresenta o renascimento da cidade e a recuperação da atividade cultural. A burguesia em ascensão funda as primeiras faculdades: XI - Salermo; XII Bolonha e Paris: XIII - Montpellier, Oxford, Cambridge etc... O ensino era baseado na escolástica e influenciado principalmente pela filosofia Aristotélica - Tomista, e os principais mestres foram São Thomás de Aquino e Abelardo. O ensino elementar era dividido em trivium (gramática, retórica e lógica) e quadrivium (aritmética, geometria, astronomia e música), para mais tarde freqüentar as faculdades de medicina, direito e teologia. Na arquitetura aparece o estilo gótico aparecido em Provença, no sul da França, com características leves, noção de proporcionalidade, presença de janelas e vitrais para entrada de ar e luminosidade, entradas ogivais etc... Ex.: Catedral de Notre Dame. Na literatura surge o trovadorismo e os Goliardos e Fabliaux; na música surge o profano em contraposição ao canto gregoriano. Na ciência se destaca na óptica Rogério Bacon, queimado pela Santa Inquisição.

REFORMA PROTESTANTE: Nova religião mais adaptada ao espírito acumulador e empresarial do capitalismo. Combate a teoria do pecado da usura de São Thomás de Aquino. Teoria da subordinação da religião ao Estado - Separação do espírito da matéria. Transformação da mentalidade dos indivíduos. O lucro visto como uma dádiva de Deus. A reforma protestante da idade moderna acontece como conseqüência direta de movimentos anteriores que questionavam os desmandos da igreja católica. Na alta idade média aparecia a igreja regular em contraposição ao materialismo que a igreja secular se aproximava. No século XI acontece o grande cisma que separa a igreja em romana e ortodoxa. Surgimento de movimentos heréticos como albigenses e valdenses pregando a pobreza em oposição a luxúria da igreja. Surgimento do Tribunal do Santo do Ofício. As críticas ao catolicismo ganham vulto no século XIV e XV com John Wyclif, professor de Oxford que atacava a opulência e a venda de indulgências insistindo em que as sagradas escrituras eram as verdadeiras fontes de fé e do seu seguidor John Huss da universidade de Praga, e acabou queimado na fogueira por decisão do Concílio de Constança (1415). Erasmo de Rotterdam e Thomas Morus pregaram uma reforma interna, mas não romperam com a igreja católica. A igreja católica se afastava dos preceitos cristãos estabelecendo a venda de indulgências, de relíquias, além da prática da Simonia e do Nicolaísmo; facilitando a expansão de pregadores protestantes. No século XVI acontece a primeira grande reforma protestante da idade moderna. Martinho Lutero, frade agostiniano, iniciou suas pregações na Universidade Wittenberg, na Sa-xônia, defendendo a teoria da predestinação, fatalidade da salvação, negando os jejuns, as indulgências ... O rompimento de Lutero começou quando revoltado com a venda de indulgências pelo dominicano João Tetzel a mando do papa Leão X (Filho de Lourenço de Medici) que pretendia construir a Basílica de São Pedro as custas do dinheiro dos fiéis, mandou fixar 95 teses criticando o sistema clerical. Leão X exigiu a retratação de Lutero por meio de uma bula, queimada em praça pública, onde acabou excomungado , no entanto, não foi punido pois recebeu proteção de um grande número de príncipes, interessados em ocupar parte da terça parte das terras da Alemanha que pertenciam à igreja católica.

Carlos V, rei do sacro império-romano, convocou a Dieta de Worms confirmando a heresia de Lutero, mas este não recebeu punição, pois foi protegido pelo príncipe da Saxônia, onde traduziu a bíblia para o alemão. Carlos V convoca nova assembléia através da Dieta de Spira que decidiu tolerar a doutrina luterana nas regiões convertidas, mantendo a proibição no resto do país. Os luteranos protestaram, passando daí a serem chamados de protestantes. Finalmente com a paz de Augsburg, Carlos V definiu que o povo deveria seguir a religião do príncipe. Lutero e o teólogo Felipe de Melanchton escreveram a confissão de Augsburg, base da filosofia de Lutero: Escrituras sagradas como único dogma; Fé como única salvação; negação da transubstanciação e defesa da consubstanciação; Supressão do clero regular, do celibato e das imagens (ícones); livre interpretação da bíblia; substituição do latim, nos cultos religiosos, pelo alemão; Submissão da igreja ao Estado; Manutenção apenas da eucaristia e do batismo etc.. Lutero defendia o interesse dos príncipes, se posicionando contra a burguesia, confirmando o dinheiro como invento do demônio; e se posicionando principalmente contra os camponeses que reivindicavam melhores condições de vida, como os anabatistas liderados por Thomas Müntzer, ordenando o massacre dos “cães raivosos”. Surge o primeiro protestantismo identificando com os interesses da burguesia, e plenamente inserido na dinâmica do capitalismo. O francês João Calvino, seguidor do suíço Ulrich Zwinglio morto numa guerra civil, prega na suíça a obra “A instituição da Religião Cristã”. Calvino através de uma rígida censura dos valores políticos e morais, adquiriu total controle da vida religiosa de Genebra. Como Lutero, defendia a predestinação e a fé como salvação, no entanto, estimulou o lucro e o trabalho que favorecia a burguesia. Pode ser chamado de Teólogo do Capitalismo. O calvinismo deu a paz de espírito aos burgueses que viviam assustados com a acusação de adeptos do demônio, e acabou financiado pelo mundo. Na Escócia John Knox e seus seguidores fundaram á igreja presbiteriana (Organizada pelo conselho de presbíteros-padres); na França - huguenotes; na Inglaterra - puritanos; na Holanda - Igreja reformada. A reforma protestante na Inglaterra foi eminentemente política, favorecendo ao processo de unificação do estado absolutista. Henrique VIII rompeu com o papado por problemas pessoais, onde pretendia desfazer seu casamento com Catarina de Aragão para se casar com Ana Bolena, pretendo um herdeiro para o trono. A igreja não concede o divórcio, pois Catarina era tia de Carlos V e o rei rompe com o catolicismo, criando o anglicanismo. O anglicanismo manteve preceitos tipicamente católicos, mudando basicamente a chefia da igreja para o monarca.

A contra-reforma ou reforma católica foi a reação da igreja católica ao avanço protestante. Em 1545, o papa Paulo III convocou o Concílio de Trento, para confirmar os dogmas da igreja católica, condenando as teologias protestantes, e negando apenas a continuidade da venda de indulgências. No Concílio de Trento o Tribunal de Santo Ofício foi reativado; além do estabelecimento do Índex (relação de livros proibidos), dificultando o progresso cultural e científico do mundo. A contra-reforma não conseguiu eliminar o protestantismo , mas conseguiu contê-lo. A cia. de Jesus criada por Ignácio de Loyola ficou encarregada de combater as heresias protestantes e de levar o cristianismo ao novo mundo. A prática de tortura e de assassinato não foi uma prerrogativa da igreja católica, pois a igreja protestante teve o mesmo papel de carrasco das pessoas que ousavam pensar de forma diferenciada de suas doutrinas. neste aspecto a idade moderna inserida no contexto do capitalismo foi mais atrasada do que a idade média, que os burgueses insistiam em chamar de idade das trevas. RENASCIMENTO CULTURAL: As condições históricas ligadas ao intenso movimento comercial e ao crescimento urbano, permitiram que nessa região se iniciasse uma verdadeira revolução no campo da cultura nos séculos XV - XVI: O renascimento. A rica burguesia, os príncipes e até os papas financiavam e protegiam as artes e os artistas - eram os mecenas. A base do pensamento renascentista foi o humanismo que representou uma volta aos valores da antigüidade clássica inserida na nova realidade da época. As características principais do renascimento: Humanismo, classicismo, individualismo, hedonismo, naturalismo, antropocentrismo, espírito crítico e racionalismo. Na ciência o heliocentrismo substitui o geocentrismo de Ptolomeu, onde homens como Copérnico, Giordano Bruno, Kepler e Galileu Galilei, destrõem o discurso católico que procurava mostrar a terra como centro do universo. O renascimento italiano é dividido em três fases: O trecento (século XIV), o quatrocento (século XV) e o quinhencento (século XVI). O período chamado de trecento pode ser considerado como precursor do movimento renascentista: na pintura destacou-se Giotto (Lamento ante o Cristo morto); e na literatura destacaram-se: Dante Aliguieri (Divina Comédia), Petrarca (De África) e Giovanni Bocaccio (Decameron). No período chamado quatrocento a Itália renascentista, tendo Florença como centro, conheceu um dos maiores gênios da humanidade, Leonardo da Vinci, um humanista total: pintor, escultor, músico, arquiteto, cientista e filósofo. Outros nomes do quatrocento: Botticceli (Nascimento de Vênus e Alegoria da primavera); Rafael (Madona Sistina) e Ticiano, Donatelo etc...

No quinhencento, Roma tornou-se a brilhante capital das artes financiadas pelos papas renascentistas (Alexandre VI e Júlio II). Destaque especial para Michelângelo e seus afrescos na capela Sistina (O juízo final) e na escultura (Moisés e Pietá). Na literatura destaque para Macchiavel (Mandrágora, Vida de Tito Lívio e O Príncipe). O renascimento fora da Itália foi facilitado pela invenção da imprensa por Guttenberg no século XV, que facilitou a reprodução das obras, em maior quantidade e com maior rapidez, barateando o preço do livro. Países Baixos: Pintura - irmãos Van Eick, Bosch (Os sete pecados capitais e As tentações de Santo Antônio) e Brueghel. Literatura - Erasmo de Roterdã (o elogio da loucura). Inglaterra: Literatura - Shakespeare (Macbeth, Otelo, Hamlet, Romeu e Julieta, A megera Domada etc..) e Thomás Morus (A Utopia). França: Literatura - Rabelais (Gargantua e Pantagruel) e Montaign (Ensaios). Espanha: Literatura - Miguel de Cervantes (D. Quixote). Pintura - El greco (A Crucificação e São João Evangelista). Portugal: Literatura - Luis Vaz de Camões (Os Lusíadas) e Gil Vicente (Auto da Barca do Inferno, A farsa de Inês Pereira etc...). Alemanha: Pintura - Albrecht Dürer e Hans Holbein. Outros destaques na ciência que auxiliaram na formação de uma nova mentalidade cultural da humanidade. Os ingleses Francis Bacon e Willian harvey: Bacon formulou a teoria do empirismo (O progresso da ciência) e Harvey estudou a circulação Sangüínea. O médico espanhol Servet, descobridor da pequena circulação (circulação Pulmonar pelas artérias). O belga André Vesálio que aprofundou os estudos sobre anatomia. O astrônomo alemão Kepler, que conseguiu demonstrar a órbita elíptica dos planetas.

ABSOLUTISMO: Diversos fatores contribuíram para a formação dos estados nacionais: O impulso dado ao comércio, a partir da baixa idade média. As lutas constantes entre os senhores feudais e as permanentes tentativas dos reis para consolidarem seu poder. O desenvolvimento da língua nacional, somado a expansão da cultura, a partir da invenção da imprensa. A idéia de que os reis catalisadores das aspirações nacionais, eram figuras sagradas, imbuídas por Deus.

A organização de um corpo burocrático-administrativo, subordinado à autoridade do rei. Os teóricos do absolutismo foram os responsáveis pelo conjunto ideológico da idade moderna. Nicola Macchiavel (membro do governo dos Medicis, de Florença), deixou algumas importantes como: “O príncipe”, “Mandrágora”, “discursos sobre a década de Tito Lívio”, critica a divisão das repúblicas italianas, defendo à unificação da Itália. Defendia a idéia de que os fins justificavam os meios e a de que o soberano deveria ser amado e temido, no entanto, não podendo escolher das duas situações, deveria optar pela última. Thomas Hobbes que no livro “Leviatã” (Nome do monstro fenício do caos), defendia a idéia de que o homem nasceu livre, porém, mau - O homem é o lobo do homem. Para acabar com a maldade humana, o homem abriu mão da sua liberdade ou estado natural, assinando um contrato que cede seus direitos ao soberano. Jacques Bossuet, Preceptor de Luís XV, escreve no seu livro “Política sagrada segundo a sagrada escritura”, o princípio do direito divino dos reis. Jean Bodin autor de “A República” defendia a idéia da soberania não partilhada e Hugo Grotius autor de “Do direito da paz e da guerra”, trata do direito internacional, onde defende o poder ilimitado do Estado. A formação das monarquias nacionais na França e na Inglaterra. Na França começa com os Capetíngios (de Hugo Capeto), com destaque para Felipe Augusto ou Felipe II, participante da III Cruzada, e contando com ajuda da burguesia, organizou o exército nacional, onde aumentou as fronteiras do reino, vencendo os ingleses na batalha de Bouvines, onde conquistou diversos domínios. No reinado de Luís IX houve a continuidade da política expansionista de Felipe II. Liderou as duas últimas cruzadas, onde foi canonizado como São Luís. Com Felipe IV ou Felipe, o belo, na luta de fortalecimento da monarquia nacional entrou em conflito com a igreja católica, pretendo que a mesma pagasse impostos ao Estado. O papa Bonifácio VIII ameaçou de excomungá-lo, onde o rei recuou momentaneamente, mas acabou convocando a Assembléia dos Estados Gerais, onde com apoio do povo escolheu outro papa Clemente V e levou a sede do papado para Avignon (Cativeiro da Babilônia). Na Inglaterra, os Anglo, Saxões e Jutos (Povos do norte da Alemanha e da Dinamarca), dominaram os Celtas, onde o último rei foi Artur, formado uma Heptarquia: Essex, Sussex, Wessex (Saxões); Anglia, Nortúmbria e Mércia (Anglos) e Kent (Jutos). Egberto rei de Wessex unificou a Inglaterra. Guilherme do ducado da Normândia, vence Haroldo II na batalha de Hastings, formando a dinastia dos Plantagenetas, além de formar os Shires (condados) supervisionados pelos sheriffs. Depois de Guilherme vieram: Henrique II, Ricardo coração de Leão, João Sem-terra que não fez um bom governo perdendo para Felipe II na batalha de Bouvines, e tendo seu poder reduzido quando a nobreza apoiada pela

burguesia impuseram ao rei a primeira Carta Magna (1215) e seu sucessor Henrique III foi obrigado a reconhecer a criação do parlamento formado pela câmara dos comuns e câmara dos lordes. A nobreza se aburguesou iniciando a prática da desapropriação de pequenos e médios proprietários para a criação de ovelhas, com a finalidade de vender lã para as manufaturas de Flandres. Eduardo III rei da Inglaterra passou a reivindicar o trono da França, com a morte do avô francês Felipe, o belo e do tio Carlos IV, no entanto, os franceses justificaram a coroação de Felipe de Valois, como Felipe VI (sobrinho de Felipe, o belo) alegando e lei sálica que proibia a sucessão pela linhagem feminina na França. A não aceitação de Eduardo III com a recusa da sua coroação como rei da França e a perda conseqüente do porto de Flandres (em poder dos franceses) aliado comercial da Inglaterra, foram responsáveis pela eclosão da guerra dos cem anos. - A Guerra dos Cem Anos (1337-1453): Em 1337 a França declara guerra aos ingleses iniciando um conflito que duraria mais de cem anos. A guerra não foi contínua com 55 anos efetivamente de combate, e o resto intercalado de tréguas. Durante a primeira fase do conflito foi evidente a supremacia da Inglaterra com vitórias nas batalhas de Crécy, Ecluse e Poitier, onde em 1360 impuseram a paz de Brétigny, onde a Inglaterra ocupa um terço da França. A situação francesa era desesperadora, assolada pela guerra, peste e fome. No campo surgem as jacqueries, em alusão a Jacques Bonhomme (JoãoNinguém), destruindo castelos e exterminando seus habitantes. O exército sufocou a rebelião executando mais de 20.000 pessoas. Na Inglaterra surge revoltas camponesas lideradas por Wat Tyler. Em 1364 com a ascensão de Carlos V ao trono francês, a França reinicia a guerra, reconquistando a maior parte do território, no entanto, com sua morte, duas dinastias passam a disputar o poder: Os armagnacs e os borguinhões. Com a vitória dos Armagnacs, os Borguinhões aliaram-se aos ingleses que liderados por Henrique V derrotam os franceses impondo o tratado de Troyes. A França estava dividida ao norte com os ingleses apoiados pelos Borguinhões e o sul governado por Carlos VII, apoiado pelos Armagnacs. O sentimento nacionalista gerado pela prisão do mito Joana D’arc pelos borguinhões mandando-a para Inglaterra, onde foi queimada, insuflou à reação francesa que acabou vitoriosa. Depois de derrotada na guerra dos cem anos, a Inglaterra passou por outra guerra a das Duas Rosas (1455-1485), onde duas famílias passam a disputar o trono: Lancarsters representado pela rosa vermelha e os Yorks representados pela rosa branca.

O conflito foi resolvido com o casamento entre os membros das duas famílias. Henrique Tudor, da dinastia dos Lancarsters casou com Elisabeth dos Yorks, passando a ser o primeiro rei absolutista da Inglaterra com o título de Henrique VII. A dinastia Tudor prossegue com Henrique VIII que consolidou o absolutismo fundando o Anglicanismo e usurpando as riquezas da igreja católica. Seguem na dinastia: Eduardo VI que morre com 15 anos; Mary I (Mary Blood) mulher de Felipe II que restabelece o catolicismo e Elisabeth I (apogeu do absolutismo) Com Elisabeth I a Inglaterra vence a “invencível armada” e passa a se tornar uma grande potência marítima e em sua homenagem foi fundada Virgínia, primeira das treze colônias. A nível interno institucionalizou a lei do cercamento (Enclosure act) acabando com os campos abertos (Open fields) e criou a lei dos pobres. Morre sem deixar herdeiros. Inicia a dinastia dos Stuarts escoceses. Jaime VI da Escócia era primo de Elisabeth e assumiu o trono como Jaime I, onde para receber apoio dos ingleses, renegou o catolicismo, passando para o anglicanismo, além de perseguir os protestantes. No seu governo partem os primeiros protestantes para as 13 Colônias através do navio Mayflower, onde funda a colônia de Plymouth (primeiro povoamento puritano). Carlos I tentou ampliar o absolutismo estabelecendo novos impostos sem autorização do parlamento, mas teve que recorrer ao mesmo para pedir dinheiro no combate aos católicos escoceses, e estes concordaram desde que ficasse estabelecido a petição de direitos (Petition of Right), ou seja controle do exército e consulta ao parlamento aos novos impostos, diante da recusa surge uma guerra civil que resultará na Revolução puritana formado pelo exército dos cabeças redondas liderados pelo líder do parlamento Oliver Cromwell que vence o exército dos cavaleiros. O rei Carlos I acaba decapitado. Inicia a fase do commonwealth ou republicana, liderada pelo lorde protetor Oliver Cromwell, onde no seu governo acontece o grande domínio dos mares, através do ato de navegação. Cromwell apesar de ter contribuído para o crescimento do domínio inglês, era muito autoritário e depois de sua morte o parlamento optou pelo retorno da monarquia. O retorno dos Stuarts começa com Carlos II que reinicia uma política absolutista e era simpatizante do catolicismo. Neste período o parlamento dividiu-se em dois partidos: Whig formado por burgueses liberais e tory formado por conservadores absolutistas favoráveis ao rei. Com Jaime II a situação se complica pois o monarca casado com uma protestante e pai de duas filhas, acaba se casando com uma católica onde deixa um herdeiro. Assustado os partidos se unem contra o rei e Através da Revolução Gloriosa depõe o rei, estabelecendo uma monarquia parlamentarista e assinando a declaração de direitos (Bill of Right), com medidas liberais, colocando no poder Guilherme de Orange ou Guilherme III. A dinastia alemã dos Hanover e a mesma que se encontra no poder com o nome de Windsor.

O absolutismo na França não se consolida na Dinastia vitoriosa dos Valois, depois da guerra dos Cem Anos, devido a guerra de religiões. Durante o governo de Carlos VIII, Francisco I e Henrique III houve uma maior centralização do Estado. Com o governo de Francisco II, acontece o crescimento dos Huguenotes dando origem ao partido huguenote, liderado pelo almirante Coligny e pela família dos Bourbons e do outro lado o partido papista de tendência católica, liderado pela família Guise. Acontecem primeiro grande massacre de protestantes em Vassy. No governo de Carlos IX (1560-1574), destacou-se Catarina de Medicis, a rainha mãe, que praticamente governou pois o filho era menor. No início tentando acabar com as guerras de religiões, cria o Edito de Saint-Germain dando liberdade de culto aos protestantes em algumas cidades. Casa sua filha Margarida de Valois (Margot) com o protestante Henrique Bourbon, de Navarra, no entanto, no casamento recebeu da família Guise a notícia de uma conspiração dos Huguenotes, estabelecendo o massacre de protestantes que tinham ido para o casamento, inclusive do almirante Coligny - A Noite de São Bartolomeu. Com Henrique III, acontece a aproximação do cunhado Henrique de Navarra, e Henrique de Guise preocupado com a aproximação do rei com os Huguenotes, tenta dar o golpe - A guerra dos Três Henriques - Henrique III manda matar Henrique de Guise, e um fanático católico se vinga, matando o rei. Henrique Bourbon, de Navarra, passa a ser o parente mais próximo e para assumir a coroa, abandona a religião huguenote, se tornando católico, com a frase: “Paris bem vale uma missa”. Com a entrada dos Bourbons acontece a consolidação do absolutismo com Henrique IV. Henrique IV criou o Edito de Nantes proibindo a perseguição dos protestantes. No governo de Henrique IV houve uma recuperação da agricultura permitindo ao duque Sully, primeiro ministro restaurar a economia da França, duplicando as receitas do Estado com o corte de despesas e criação de taxas, como o imposto sobre o sal, além da venda de cargos administrativos. O rei foi assassinado por um fanático. O sucessor Luís XIII era menor de idade, permitindo o período do governo dos cardeais. O cardeal Richelieu (1624-1642), primeiro ministro da França, diminuiu o poder da alta nobreza, procurando fortalecer o absolutismo, além de um exército forte para combater os protestantes franceses e para enfrentar os Habsburgos que pretendiam dominar toda Europa pelo Sacro império, iniciando a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), Terminada pelo sucessor cardeal Mazarino no governo de Luís XIV, com a vitória dos Bourbons franceses sobre os Habsburgos, com a assinatura do Tratado de Westfália. Com a morte de Mazarino, Luís XIV passou a controlar efetivamente o poder da França, caracterizado pela famosa frase: “L’Etat c’est moi” (O Estado sou

eu). O “rei sol” (1661-1715) levou o absolutismo ao apogeu, principalmente pela habilidade do ministro das finanças, Jean-Baptiste Colbert. Luís XIV fundou o palácio de Versalhes, além de revogar o Edito de Nantes, gerando uma nova onda de perseguição aos protestantes. Felipe V da dinastia de Bourbon e neto de Luís XIV, seria indicado ao trono da Espanha em substituição a Carlos II. Contra essa sucessão, Inglaterra, Holanda, Prússia, Áustria e o sacro império resolveram se unir, dando início à guerra de sucessão espanhola (1700-1713), resolvida pelo Tratado de Utrecht, onde Felipe seria reconhecido no trono espanhol, porém renunciaria ao trono francês. Ao morrer Luís XIV deixava uma dívida alta nos cofres da França, e seu filho Luís XV prenunciou a decadência dizendo: “depois de mim, o dilúvio”. Luís XVI foi de capitado na revolução francesa. Luís XVIII voltou ao poder depois da queda de Napoleão. Carlos X, o último dos Bourbons foi derrotado na Revolução Liberal de 1830. O absolutismo no restante da Europa. Na Rússia começou com a extensão de domínio com Ivan, o Grande, chegando nos Montes Urais e com Ivan, O Terrível colonizando a Sibéria. Pedro, O Grande Ocidentalizou os costumes russos, modernizando a máquina do Estado. Catarina II deu prosseguimento ao trabalho de Pedro, inclusive incentivando culturalmente com a fundação da Universidade de Moscou. Na Prússia, o absolutismo se consolidou c/ Frederico I, Frederico Guilherme I e Frederico II. Na Áustria, destacaram-se Maria Teresa e José II, sendo este último um déspota esclarecido.

MERCANTILISMO: O mercantilismo é a teoria econômica do capitalismo comercial. Esta teoria econômica se consolida no processo da expansão marítima XV, XVI e XVII com a disputa comercial entre os Estados modernos absolutistas, pelo controle de mercados em continentes fora da Europa. A presença marcante do Estado na transição do feudalismo para o modernismo, onde a burguesia mercantil se encarrega de distribuir os produtos manufaturados estruturados na desigualdade do capital e trabalho. Refletia os interesses de uma burguesia comercial ascendente, no entanto, o corpo burocrático do Estado mercantilista continuava controlado pela aristocracia feudal. O mercantilismo apresenta características comuns em todos os Estados modernos. O nível de exportações deveria ser superior ao das importações - Balança comercial favorável.

Proteção da produção nacional da concorrência estrangeira, através da política de incentivo tanto na metrópole quanto na colônia - Protecionismo. Controle direto da produção da colônia - Exclusivo metropolitano. Controle do Estado sobre o processo de produção e distribuição da mercadoria - Monopólio. Busca de metais preciosos - Metalismo. Política de incentivo ao crescimento demográfico, visando criar uma mãode-obra excedente, disponível e barata, etc... Os países modernos apresentavam diversos tipos de mercantilismo de acordo com suas necessidades e possibilidades: Metalista ou bulionista (bullion - lingote de ouro e prata em inglês) do tipo espanhol. Obtinha metais por meio de exploração colonial americana. Estabelecia o processo de acumulação primitiva do capital, ou seja, o lucro por si só basta. Esta política foi responsável pela quadruplicação de preços. Colbertista do tipo francês devido a política de produção de artigos de luxo efetuada pelo ministro das finanças de Luís XIV, Jean Baptiste Colbert. Mista do tipo holandês, baseada na valorização simultânea da indústria e do comércio. Inicialmente comercial e depois industrial do tipo inglês, que utilizou dos recursos provenientes do comércio depois do domínio marítimo para apostar no desenvolvimento de suas indústrias. Cameralista do tipo alemão, por não efetivar a unidade política da Alemanha, os principados resolviam o problema da concorrência efetuando uma unidade econômica.

AMÉRICA ESPANHOLA (Colonização e Independência): ANTECEDENTES: O processo de colonização da América espanhola apresentou uma dubiedade própria de um período de transição entre o feudalismo e o capitalismo, onde os ideais cristãos se confundiam com o desejo de acumulação, determinando a discórdia com o tratamento com os nativos. O choque entre a fé e a cobiça vivido pelos cristãos tornou-se explícito, e particularmente agudo, na América. Aqui, a realidade dos povos que desconheciam o cristianismo estimulava a cobiça dos espanhóis. Os espanhóis que desembarcaram na América tinham por objetivo o rápido enriquecimento. Portanto, estavam motivados essencialmente pela cobiça de bens materiais. Tal disposição harmonizava-se em parte com a política fiscal do Estado, embora se chocasse com seu espírito missionário. Sendo a religião o fundamento da legitimidade do Estado, este não poderia cortar seus vínculos com a igreja. Em suma, a pergunta essencial era a seguinte: dever-se-ia primeiro explorar os nativos para cristianizá-los ou cristianizá-los sem explorá-los? Na prática, para os conquistadores, a questão econômica vinha em primeiro lugar. Por isso o choque entre os colonos e a igreja tornaram-se inevitáveis.

Em 1500, os juristas e teólogos espanhóis, os reis católicos suspenderam o tráfico nascente e declaram livres os povos americanos. Deixaram claro que eram contrários a qualquer dano às pessoas e aos bens nativos. A proibição total da escravidão, entretanto, deixaria os conquistadores sem meios para manter as conquistas e assegurar a posse da terra. Por esse motivo, a proibição dizia respeito aos nativos que já haviam sido submetidos ao domínio espanhol, e não aos que resistiam de armas em punho à dominação. Como era previsível, tais regulamentos foram insuficientes para impedir abusos. Um jurista espanhol chamado Palácio Rúbios redigiu um documento conhecido como requerimiento, no qual expunha a criação do mundo e do homem segundo o cristianismo, declarando ainda que a América pertencia ao papa e ao rei da Espanha. Por fim, exortava os nativos a adotarem a fé cristã e a reconhecerem o rei espanhol como seu senhor. Em caso de recusa, o requerimiento ameaçava os nativos e seus familiares com uma guerra impiedosa e a escravidão. O frade dominicano Bartolomeu de Las Casas, que ficou famoso como defensor dos índios, considerou os termos de requerimiento injustos e absurdos, e nulos de direito. Uma vez tornada evidente a farsa do requerimiento, a escravidão acabou sendo totalmente proibida em 1530, por ordem do rei Carlos I. Paralelamente ao fim do processo de escravidão, desenvolveram-se outras formas de trabalho, sendo as mais importantes o repartimiento, a encomienda e a mita. No repartimiento e na encomienda os nativos eram repartidos de 200 a 400 homens, sendo que o encomiendeiro tinha uma obrigação especial de instruir os nativos na fé cristã. Em 1545 foram descobertas as minas de prata de Potosí (na atual Bolívia), as mais ricas e famosas da América. Para sua exploração utilizou-se o repartimiento de nativos entre os donos das minas. Porém, a força do trabalho assim obtida foi-se tornando insuficiente para realizar escavações, cada vez mais difíceis e árduas. Os proprietários mineiros pediram às autoridades o envio de mais de 4.500 trabalhadores. Em 1574, atendendo ao pedido, o vice-rei do Peru, Francisco de Toledo instituiu a Mita. A Mita era uma antiga instituição utilizada adotada pelos Incas, e copiadas pelos espanhóis, consistindo na transformação de cerca de 16 províncias circunvizinhas de Potosí, com o total de 80 mil habitantes, em províncias mitayas, isto é sujeitas à mita. Visto que as condições de trabalho nas minas eram particularmente duras no gélido planalto andino, Francisco de Toledo estabeleceu que os mitayos deveriam trabalhar uma semana e descansar duas. Para tanto, foram instituídos em três turnos de trabalho, cada qual com 4.500 trabalhadores. A cada ano enviava-se a Potosí um total de 13.500 mitayos, que substituíam os anteriores. Os que serviam por um ano só poderiam ser reconvocados decorridos sete.

Os mitayos deslocavam-se com suas famílias para Potosí, e os proprietários das minas comprometiam-se a pagar-lhes, além do salário, todas as despesas. Essas obrigações, no entanto, foram sistematicamente descumpridas. Tratados como escravos e forçados a trabalhar além do estipulado em lei, os mitayos morriam esgotados. Sessenta anos depois de sua instituição, o regime da mita havia dizimado cerca de 70 mil trabalhadores. Um ano após a descoberta de Potosí (1545), foram encontradas no norte do México as minas de prata de Zacateca. Também adotou-se um regime semelhante de trabalho, o qual ficou conhecido nesta região de tradição asteca, como cuatequil. No período seguinte, com a formação e o desenvolvimento da economia (1545-1610), a política indigenista passou para o segundo plano - e com ela o espírito missionário que a acompanhava. SISTEMA DE PORTO ÚNICO: Desde 1503, com a casa de contratação, sediada em Sevilha, o Estado controlava as relações comerciais com a América. Contudo, a autoridade suprema sobre os domínios espanhóis na América foi o Conselho Real e Supremo das Índias, ou simplesmente Conselho das Índias, que existia informalmente desde 1511 e oficialmente em 1524. Sevilha, já por essa época um poderoso centro mercantil, além de sediar a Casa de Contratação era o único porto através do qual era permitido comerciar com a América. Saindo obrigatoriamente de Sevilha, o comércio limitava-se na América aos três terminais: Cartagena (Colômbia), Porto Belo (Panamá) e Vera Cruz (México) Em 1545 e 1610, com a descoberta das ricas minas de prata de Potosí (alto do Peru) e Zacateca (México), a economia agropecuária recebeu um poderoso estímulo para o crescimento. A partir da última década do século XVI, com o declínio da mineração - devido em grande parte à morte em massa dos ameríndios - os ricos mineradores e comerciantes passaram a adquirir terras. A fim de impedir a formação de grandes propriedades, a coroa espanhola pretendia criar em seus domínios americanos um sistema de pequenas e médias propriedades concedidas gratuitamente como recompensa por serviços prestados, chamada de Merced de Tierras. Devido as dificuldades financeiras da Espanha (Final do século XVI), a coroa foi obrigada a vender as terras, oficializando o processo de concentração de terras (Composición de tierras), responsáveis pelo aparecimento das Haciendas. O declínio da mineração e a ruralização da economia provocaram uma nítida divisão entre e o comércio, representado respectivamente por criollos (Filhos espanhóis nascidos na América) e chapetones (Administradores espanhóis). “crioulos” A oposição entre criollos e chapetones constituiu, portanto, a corporificação do conflito entre interesses coloniais e metropolitanos.

CENTRALIZAÇÃO ADMINISTRATIVA: Aos conquistadores que com o risco da própria vida, faziam avançar o domínio espanhol na América, a coroa conferia o título de adelantado com grandes poderes sobre os territórios e a população dominada. Nas cidades que foram brotando no rastro das conquistas, formaram-se os ayuntamientos, que seriam mais tarde convertidos em cabildos (Câmaras municipais). As audiências, criadas em 1511 e instaladas em todos os centros importantes da colônia, eram órgãos com ampla competência administrativa e judiciária. Cada audiência era constituída de um presidente e um número variável de ouvidores (Juizes). Como tribunais diretamente subordinados ao Conselho das Índias, perante o qual se podia apelar de suas sentenças. Ao lado do Vice-rei, as audiências eram as instituições de maior poder na América, podendo inclusive substituir o vice-rei em caso de morte. ILUMINISMO E LIBERALISMO: ANTECEDENTES: O iluminismo e o liberalismo surgem como ideologias inseridas na crise do absolutismo onde a burguesia não mais necessitando do poder estatal para garantir sua negociação comercial, passa a ver na figura do Estado o elemento responsável pelo arbítrio sócio-político do domínio de uma nobreza parasitária e que servia como um corpo burocrático de uma máquina contrária aos princípios naturais da liberdade e propriedade individual. Durante a formação da idade moderna uma burguesia incipiente, porém cada vez mais rica acaba se associando com o rei na formação do Estados Nacionais, organizando o caos descentralizador que beneficiava principalmente o domínio da igreja católica. A burguesia comercial se identificava com os teóricos absolutistas, com destaque para Maquiavel, onde através do seu livro principal “O príncipe” estabeleceu as bases políticas de um Estado centralizado que deveria usar da violência e de artimanhas para colocar ordem na sociedade; Thomas Hobbes que justificava no livro “Leviatã” o contrato social estabelecido pelos homens naturalmente livres, mas biologicamente maus, largando o processo da lei da mais forte, para concluir uma sociedade onde as vontades deveriam ser estruturadas pelo rei, única pessoa com capacidade de determinar o melhor para o funcionamento do todo; Jacques Bossuet preceptor de Luís XV, justifica esta idéia do poder absoluto do rei através da teoria do direito divino na sua obra “Política tirada das próprias palavras da Sagrada Escritura”; Jean Bodin no livro “A república” e Hugo Grotius no “Do direito de paz e da guerra” completam o conjunto principal da ideologia absolutista. Com o final do capitalismo concorrencial da era do mercantilismo e a substituição gradativa da burguesia comercial pela industrial, esta última influenciada pelo período da revolução científica do século XVII, com o racionalismo de René Descartes (1596-1650), considerado o pai da filosofia moderna com sua obra principal “Discurso do método” expondo métodos para se atingir o conhecimento verdadeiro que passava pelo questionamento de todas verda-

des absolutas, mas entendia que a primeira verdade vinha do pensamento como fator de existência - “penso, logo existo”. Outro grande cientista deste período foi Isaac Newton (1642-1727) que deu prosseguimento as teorias científicas dos físicos renascentistas, rejeitando o universo estático da idéia medieval e procurando dar uma interpretação mecanicista. Sua idéias combinavam com o deísmo (teoria que acreditava na existência da criação e autonomia do universo sem a interferência divina).

REVOLUÇÃO FRANCESA: A revolução francesa é considerada prova definitiva da maturidade burguesa. Com a queda do absolutismo acontece o fim do último entrave a consolidação do capitalismo. Valores medievais como a estrutura tradicional de propriedade e de produção , os tributos (corvéia e talha), e principalmente a servidão, estavam definitivamente sepultados. No período antecedente a revolução francesa, a França contava com um grande crescimento populacional, afetado pela produção feudal e pelos fenômenos climáticos. A miséria e a fome tomavam conta da população. A monarquia e a nobreza gastavam dinheiro público com festas palacianas e outras superficialidades, não procurando nenhuma solução definitiva para o problema social. A burguesia soube aproveitar a insatisfação popular, transformando-se em vanguarda revolucionária do movimento. O esvaziamento dos cofres na França começou no final do governo de Luís XIV, e se agravou durante os governos de Luís XV e XVI. O absolutismo de Luís XVI (1774-1792) ainda se alicerçava na teoria do direito divino e sem nenhum empecilho a sua autoridade. As finanças do Estado confundiam-se com a figura do rei, e a manutenção de luxuosa corte de Versalhes, os enormes custos das diversas guerras dos Bourbons (guerra dos Sete anos - 1756 a 1763; e da Independência dos EUA - 1776 a 1781), a desordem administrativa levaram a França a uma crise financeira. O Estado para superar seu déficit impunha tributos, adotava medidas fiscais e comerciais buscando receita orçamentaria e prejudicando os negócios capitalistas. O rei esgotando o recurso de resolução da crise econômica pelas vias mercantilistas e influenciado pelo despotismo esclarecido de Voltaire, procurou solução nos economistas burgueses. Necker, Turgot, Brienne, Calonne chegaram a mesma conclusão da necessidade da cobrança de impostos da nobreza e do clero que reagiram através da assembléia dos notáveis.

O banqueiro suíço Necker volta ao ministério e convence o rei da necessidade da convocação dos Estados Gerais para Maio de 1789. A velha ordem feudal e estamental ainda dividia a sociedade em três ordens: 1º Estado - Clero (dividido em alto clero e baixo clero); 2º Estado - nobreza (palaciana, provincial e palaciana). Essas duas ordens compreendiam cerca de quinhentas mil pessoas, numa população de vinte e cinco milhões, e no entanto, apresentavam 300 representantes cada. O 3º Estado era representado pelo povo, dividido em burguesia: alta, média e baixa e o povo (artesãos, operários, sans-culottes, camponeses e servos), tinham 600 representantes. A nobreza e o clero confiavam no controle do parlamento, pois teriam a maioria se fosse preservada a tradicional votação por Estado (clero - 1 voto; nobreza - 1 voto), no entanto, o terceiro Estado queria a votação por cabeça. Diante da impossibilidade de conciliar tais interesses, Luís XVI tenta dissolver os Estados Gerais. Os representantes do terceiro Estado se rebelaram e invadiram a sala de jogo de péla, prometendo não se dispersarem até o estabelecimento de uma nova constituição e declararam em Assembléia Nacional Constituinte em 9 de julho de 1789. A demissão de Necker precipitou os acontecimentos e uma guarda nacional, uma milícia burguesa, começou a se armar para enfrentar o rei e liderar a população civil. No dia 14 de julho de 1789, a população a fortaleza da Bastilha, onde eram encarcerados os inimigos da realeza - Tomada da Bastilha data comemorativa da Revolução Francesa e marco cronológico da Idade Contemporânea. A primeira etapa da revolução francesa ficou conhecida como fase da Assembléia Nacional (1789-1792), liderada pelos girondinos. Destacou-se a burguesia da cidade e do campo, destituindo os nobres, inclusive com ações violentas. Em Paris aprovou-se a abolição dos privilégios feudais, desviando a atenção do problema apenas para o sistema feudal. Ficou também aprovada a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão, defendendo a liberdade, a igualdade jurídica e a defesa da propriedade privada. Separação da igreja do Estado, com a apropriação dos recursos da igreja, servindo de lastro para os Assignats, que passou a circular como moeda. O clero favorável a revolução era chamado de juramentado, e o contrário era conhecido como refratário. Acontece a confirmação do Estado censitário e a proibição da greve, iniciando o processo de separação da burguesia do terceiro Estado. O congresso é formado pelos girondinos (alta burguesia - região da Gironda sul da França) que ocupavam o espaço da direita, e eram os mais conservadores; Os Feuillants (Banqueiros) que ficavam no centro e na parte mais baixa do congresso, e portanto, chamados de pântanos; Os jacobinos (pequena e média burguesia - clube de revolucionários que se reuniam no convento dos frades jacobinos - dominicanos), sentavam do lado da esquerda, e no início eram moderados, mas insuflados pelo cordeliers (camada mais baixa do congresso) e pelo povo (sans-cullotes), radicalizaram.

A alta burguesia queria estabelecer uma monarquia constitucional, seguindo o modelo proposto por Voltaire e Montesquieu, no entanto, Luís XVI não aceitava esta condição, onde tenta fugir para preparar a contra-revolução, mas acaba preso em Varennes e reconduzidos para Paris. Foi criada uma primeira coligação formada pela Áustria, Prússia, Holanda, Inglaterra, Espanha, no entanto, o povo armado vence na batalha de Valmy. O rei foi acusado de traição, e os revolucionário jacobinos lideraram a proclamação republicana. A segunda etapa da Revolução francesa foi a fase da Convenção Nacional (1792-1795), onde a burguesia jacobina ou montanha, comprovou a participação com documentos a traição do rei na luta contra-revolucionária. Os jacobinos e os cordeliers tinham as seguintes lideranças: Robespierre, o incorruptível; Danton, Marat, Desmoullins, Saint-Just, o arcanjo da morte; o ultra esquerdista Hébert etc... Este período republicano foi influenciado por Rousseau, onde a nova assembléia constituinte realizava grandes realizações, como: ensino público e gratuito; voto universal masculino; Fim da escravidão nas colônias francesas; lei do máximo (tabela de preços); Criação do museu de Louvre etc... No poder, os jacobinos não conseguiam resolver o problema econômico da França e aproveitando a radicalização gerada pelo assassinato do médico e jornalista Marat por uma girondina Charlote Corday, procurava desviar a atenção do povo com as execuções na guilhotina, gerando a fase do terror, onde o rei e a rainha, nobres, clérigos, burgueses, e depois mesmo elementos jacobinos acabavam conduzidos à morte. O governo jacobino dirigia o país através do Comitê de Salvação Pública (Administração e Defesa), Comitê de Salvação Nacional (Segurança Interna) e o Tribunal Revolucionário (julgava os opositores). Os jacobinos estabeleceram um calendário revolucionário, ligados aos ciclos da natureza e da agricultura. Com a demora da fase do terror, o povo foi perdendo a confiança nos revolucionários, permitindo a reação termidoriana (9 termidor), onde os girondinos acabavam voltando ao poder (Terror Branco). A terceira etapa da revolução francesa foi chamada de diretório (1795-1799). A França foi dividida em cinco diretórios, onde a burguesia acreditava que descentralizando o Estado governaria melhor, no entanto, foi um fracasso principalmente devido a corrupção e os conflitos com os jacobinos na oposição liderados por Graco Babeuf e pelos realistas (os monarquistas que queriam voltar ao poder com apoio de uma segunda coligação formada por Holanda, Prússia, Espanha e reinos da Itália). Napoleão Bonaparte se consagra nestas lutas e, no dia 18 Brumário, acaba dando um golpe, substituindo o diretório por um consulado formado por Napoleão, Abade Sieyès e Roger Ducos.

A era napoleônica (1799-1715) consolidou os ideais liberais da burguesia e obteve o apoio do campesinato, garantindo as terras conquistadas na revolução agrária. O consulado enfrentou as ameaças externas e reorganizou a economia e a sociedade francesa, buscando a estabilização. Napoleão vencendo a segunda coligação, efetivou a paz de Amiens com a Inglaterra, além de criar o banco da França e o franco (nova moeda). Reatou relações com a igreja e criou o Código Civil Napoleônico (1804), inspirado no direito romano, assegurando as conquistas burguesas, a igualdade do indivíduo perante a lei, direito de propriedade, proibição de organização sindical e de greves, restabelecia a escravidão na colônia , reforma no ensino tornando - o uma obrigação do Estado, bem como a criação do liceu (internatos preparadores de futuros oficiais) e no ensino superior enfatizou o Direito e Técnica Naval. Napoleão utilizou de seu prestígio para sagrar-se imperador (1804-1815) Esta parte vista no Estado português no Brasil.

O SOCIALISMO: Na Inglaterra, os trabalhadores começaram a reagir ao processo de injustiça sócio-econômica. Na primeira década do século XIX surge um movimento conhecido como ludismo - grupos geralmente de 50 homens que invadiam as fábricas munidos de paus e pedras quebrando as máquinas. O mentor deste movimento provavelmente foi Ned Ludd, daí o nome do movimento. No Ludismo apesar da aparência de ingenuidade de contraposição ao progresso, este movimento efetivamente representou uma luta de enfrentamento e acarretou em prejuízo direto da burguesia industrial que reagiu com violência. Na década de 30 surge o Cartismo de carta ao povo, reivindicação política dos trabalhadores, exigindo o estabelecimento do voto universal e o pagamento de salários aos deputados, permitindo à classe trabalhadora viver desta atividade. Na década de 70 surge os Trade-Unions inicialmente com objetivos assistencialistas e mais tarde formando os primeiros sindicatos combativos e responsáveis pela organização dos trabalhadores. A nível teórico alguns historiadores apontam como pré-socialistas, devido aos princípios igualitários: Platão, na Grécia antiga; Thomas Morus no livro “Utopia”; Marat e Herbert na 2º fase da revolução francesa e especialmente Graco Babeuf que fez da propriedade privada o maior alvo de suas críticas, defendendo a ditadura dos humildes na conspiração dos iguais. O socialismo utópico da primeira metade do século XIX foi a primeira manifestação sistemática contra o capitalismo. Os primeiros socialistas a formularem críticas profundas ao progresso industrial ainda o fizeram impregnados de valores liberais.

O socialismo utópico era uma manifestação romântica aos novos tempos, procurando projetar um futuro mais justo, no entanto, sem analisar as causas da desigualdade, e portanto, pretendendo harmonizar as classes diferentes, como se fosse possível dominantes e dominados buscarem objetivos comuns. Os principais socialistas utópicos foram: Claude Saint-Simon (1760-1825) educado por D’Alambert, abrindo mão do título nobiliárquico, propondo em “Cartas de um habitante de Genebra” extirpar os ociosos da sociedade (religiosos, militares, nobreza, magistrados etc...), além de dividir a sociedade em três classes: Sábios (savants), os proprietários e os sem posses, governados por um conselho de sábios e artistas; Louis Blanc exerceu considerável influência no movimento revolucionário de 1848 (depois da primavera dos povos), preconizava a criação de Oficinas sociais ou oficinas nacionais criada pelo Estado ou pelos capitalistas abolindo a concorrência e assegurando a melhoria intelectual e moral dos trabalhadores; Charles Fourier (17721837), era favorável a criação dos falanstérios (fazendas coletivistas agroindustriais), onde passou a esperar recursos provenientes da burguesia alegando que superariam a desarmonia capitalista; Robert Owen (1771-1858) aplicou em suas indústrias de New Lanark a diminuição da carga horária para 10h e 30min de trabalho (o normal era de 14 a 16 hs), além de elevar o nível de instrução dos trabalhadores. Crítico da propriedade e da religião, foi marginalizado pelos industriais ingleses, sendo obrigado a iniciar sua experiência em New Harmony, em Indiana nos Estados Unidos, onde defendia horas de lazer e mesmo preconizava a idéia da autogestão. No final da vida dedicou-se a organizar os Trade-Unions. O socialismo científico de Karl Marx e Friedrich Engels se inicia com o lançamento do manifesto comunista, mostrando os primeiros esboços e postulados desta nova teoria. No livro “O capital” a teoria socialista científica se completa de forma mais elaborada, destacando uma interpretação sócio-econômica da história Os principais mecanismos de desenvolvimento da humanidade foram identificados pela dupla alemã como os seguintes: Materialismo dialético - Baseado na teoria do filósofo idealista Hegel que entendia que as idéias são as fontes de transformação através da Tese (Confirmação da mentalidade de uma sociedade) - Antítese (Negação das idéias de uma sociedade) - Síntese (Negação da negação). Marx e Engels confirmavam esta evolução, mas provaram que a base de transformação não eram as idéias e sim as necessidades materiais; Materialismo histórico - Em uma revolução acontece primeiro a mudança econômica (Infra-estrutura) para depois mudar a mentalidade (Superestrutura). A combinação da infra com a super acaba dando origem a um novo modo de produção. A humanidade passou pelos seguintes modos de produção: Comunismo primitivo, modo de produção asiático, escravista, feudal, capitalista, socialista. Um modo de produção quando aparece acaba trazendo o germe de sua destruição; A luta de classes - antagonismos entre exploradores e explorados.

Outro conceito marxista fundamental é o de mais valia que corresponde ao valor da riqueza produzida pelo operário além do valor remunerado de sua força de trabalho expropriada pelos capitalistas. Fator imprescindível de capitalização da burguesia. O Socialismo, Comunismo e Anarquismo são concepções diferenciadas de buscar a igualdade e acabar com a propriedade privada. O socialismo é a etapa de transição para se atingir o comunismo. Nesta fase os meios de produção passam para o controle do Estado. A ditadura do proletariado garante através inclusive da força, o fim da sociedade de classes. O comunismo é a etapa superior do socialismo, onde desaparecida a ideologia burguesa e a sociedade de classes, os meios passam para a o controle da coletividade e o Estado desaparece. O anarquismo entende que no momento da revolução o Estado deve desaparecer, sem a utilização de nenhuma etapa superior. É contrário a qualquer tipo de ditadura ou de instituições que representem o povo como partidos, Centrais sindicais etc..., pois acreditam na auto-conscientização do homem. O anarquismo teve grande influência no movimento político-sindical da 2º metade do século XIX e das três primeiras décadas do século XX. Phroudon foi o pai do anarquismo. No seu livro “O que é a propriedade”, respondia: é um roubo. Propunha a criação de cooperativas e de bancos que concedessem empréstimos sem juros. Defendia a substituição do Estado por uma república de pequenos proprietários. Bakunin se tornou líder do anarquismo terrorista, onde a violência deveria ser utilizada para alcançar uma sociedade igualitária. Acreditava na força do Lupem-proletariado. Outros anarquistas: Leon Tolstoi, Kropotkin, George Sorel (AnarcoSindicalismo) etc... O socialismo Cristão ou Cristianismo Social surge no século XIX, com a publicação da encíclica Rerum Novarum (Nova regra) estabelecida pelo papa Leão XIII, com a finalidade de não perder os fiéis mais pobres para os movimentos socialistas ateus. Exigia maior justiça social, no entanto, não combatia a propriedade privada. No século XX outros papas se destacaram na opção pelos pobres, como: João XXIII com a encíclica “Mater e Magistra” e “Pacem in terris” e Paulo VI com “Humanae Vitae” e “Populorum progressio”. Após o concílio Vaticano II e do tratado de Puebla, surge a Teologia da Libertação, Parcela da igreja católica que acredita na participação desta instituição no plano sócio-político em defesa do menos favorecido. João Paulo II inicia uma política conservadora procurando acabar com a teologia da libertação e criando a renovação carismática para disputar os fiéis com os evangélicos. A teoria socialista se materializa nas internacionais, baseada na convocação final do Manifesto comunista: “Proletariados de todo mundo uni-vos”.

A primeira Internacional Socialista aglutinou anarquistas e comunistas. Esta internacional surgiu em 1864, e foi marcada pela falta de representatividade e pelas discórdias internas. Seu grande momento aconteceu na Comuna de Paris (1871), onde o povo aproveitou da derrota do governo francês para Alemanha para chegar ao poder, onde estabeleceram ensino público e gratuito, formação de milícias populares etc..., acabaram derrotados pelo exército francês que se aliou ao alemão. A segunda internacional fundada em 1889, excluía os anarquistas e funda o primeiro partido socialista: O partido Social-Democrata, que no entanto, acabou gerando três tendências: revisionistas liderados pelo Bernstein (contrários à luta armada e favoráveis ao projeto democrático-burguês da via eleitoral); Reformistas liderados por Karl Kaustsky (Apesar de favoráveis a luta armada, achavam que não eram o momento); Revolucionários liderados por Lênin e Rosa de Luxemburgo (Defendiam a luta armada imediata). As duas primeiras tendências participaram da primeira guerra mundial e os revolucionários aproveitaram para fundar a 3º internacional, que assumiu o nome de internacional comunista (Comintern) que seria embrião dos partidos comunistas. Com a morte de Lênin a 3º internacional passa a ser liderada por Stálin e o adversário Trotsky funda a 4º internacional socialista.

REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: A Revolução Industrial começou na Inglaterra, onde o trabalho manufatureiro foi substituído pelo maquinofatureiro, a partir da segunda metade do século XVIII. As causas que determinaram esta revolução na Inglaterra foram: o acúmulo de capital fornecido pela revolução comercial dos séculos XVI e XVII, onde a Inglaterra passa a dominar os mares; Mão de obra disponível e ociosa gerada pela lei do Cercamento; Fim do absolutismo com a Revolução gloriosa e a implantação de uma política liberal; Matéria-prima para a revolução industrial (carvão e ferro) etc... As máquinas surgiram direcionadas principalmente para a indústria têxtil, onde o aparecimento de uma nova técnica acontecia para suprir a deficiência deixada pela anterior: a lançadeira volante de John Kay em 1733, aumentou a capacidade de tecelagem; a Spinning Jenny de Hargreaves aumenta a produção de fio, no entanto, quebrável; A Water Frame de Arkwright produzia fios grossos e movida a água, tornando-a bastante econômica; A mule de Crompton era combinação da Spinning Jenny e a Water Frame, criando fios finos e resistentes; O tear mecânico de CartWright, aumentando a capacidade de tecer; Newcomen funda a máquina a vapor aperfeiçoada por James Watt; Robert Fulton cria o barco a vapor e George Stephenson idealizou a locomotiva a vapor e a primeira locomotiva: Rockett As conseqüências da revolução industrial inglesa foram: consolidação da separação do capital e trabalho, acompanhado da desvalorização profissional do trabalhador; Exploração da mão-de-obra feminina e infantil; produção em larga escala, concentrada nas fábricas; urbanização violenta com péssi-

mas condições de moradia, higiene, saúde etc..; Surge a Inglaterra negra (onde se concentravam as minas de carvão - Norte e oeste) e a Inglaterra verde (dominada pela agricultura e pastoreio - sul e sudeste); crescimento demográfico e aumento da promiscuidade etc... A revolução industrial alcançou o resto do continente e o resto do mundo, atingindo a Bélgica, França, Alemanha, Itália, Rússia, EUA (Guerra de Secessão), Japão (era Meiji). Esta 2º Revolução industrial representou o aprimoramento científico e tecnológico das invenções, onde se destacaram: O processo Bessemer de transformação do ferro em aço; o dínamo que substituiu o vapor pela eletricidade; o motor a combustão que introduziu o uso do petróleo, aperfeiçoado entre eles por Rudolf Diesel. Aparecem a produção em série através da linha de montagem, conhecidos como Fordismo, Taylorismo etc... Acontecem a concentração do capital industrial através dos seguintes mecanismos: Cartéis - Grandes empresas produtoras que monopolizam um determinado produto, evitando a concorrência; Trustes - Grandes companhias que absorvem seus concorrentes, monopolizando a produção de certas mercadorias, consistindo num domínio vertical da produção; Holdings - Grandes conglomerados financeiros que controlam vastos complexos industriais a partir da compra de ações.

O IMPERIALISMO: Na segunda metade do século XIX aconteceu o processo de expansão imperialista, irradiando-se a partir da Europa industrializada, gerando a partilha dos continentes africano e asiático. Na mesma época, EUA e Japão também exerceram atividades imperialistas em suas regiões de influência. Fica estabelecida uma nova forma de colonização: Sistema colonial industrial ou Neocolonialismo, baseado na exploração de matérias-primas para as indústrias, como o petróleo; aumento de mercado consumidor; utilização de mão-de-obra mais barata; escoamento do excedente populacional etc... A política colonizadora fundamentou-se na “diplomacia do canhão” onde o uso da força era escondida pela idéia de missão civilizadora conhecida como fardo do homem branco, defendida também pelo poeta do imperialismo e prêmio Nobel da literatura de 1907, Rudyard Kipling. Aparece o mito da superioridade racial , defendida pela doutrina racista do filósofo H. Spencer, conhecida como Darwinismo social. O neocolonialismo pode acontecer de forma direta, realizada pela administração dos europeus, ou indireta (Protetorado), formada pela aliança com as elites locais. O imperialismo combina o capital industrial com o financeiro, dando origem aos grandes monopólios, sendo a burguesia e não o Estado seu principal agente e beneficiário.

A França presente na África desde 1830 dominava Argélia, a Tunísia, o Marrocos, o Sudão (África Ocidental), a Ilha de Madagascar e a Somália francesa. A Inglaterra, liderando o imperialismo - Pax Britânica - realizou o domínio vertical do continente do mar mediterrâneo. Os grandes exploradores ingleses foram Livingstone e Cecil Rhodes. Disraeli obteve o controle acionário do Canal de Suez, construído pelos franceses com o projeto de Lesseps. Na África do Sul acontece a guerra dos Bôeres (1899-1902), onde a Inglaterra venceu os holandeses, atraídos por diamantes e ouro na região do Transvaal, dominando também Orange, cidade do cabo. A Bélgica dominou o Congo Belga (Atual Zaire) através da ação do rei Leopoldo II, fato que motivou praticamente a corrida imperialista, gerando a partilha definida na Conferência de Berlim. Alemanha e Itália se atrasaram por causa do problema luta de unificação. A Alemanha conquistou o Camerun (atual República dos Camarões), o Togo, o sudeste e o oriente da África. A Itália tomou o litoral da Líbia, a Eritréia e a Somália, mas não conseguiu dominar a Abissínia (Etiópia), derrotada na batalha de Ádua. No início do século XX somente Libéria, habitada por negros emigrados dos EUA e Abissínia continuavam livres na África. O imperialismo na Ásia e na Oceania se efetivou pois o interesse na região era secular, principalmente na Índia e na China. Na Índia diversos povos europeus dominaram este país, desde Vasco da Gama em 1498, mas a Inglaterra dominou a Índia em 1763, a partir da guerra dos sete anos, utilizando o regime de protetorado. A introdução de novas estruturas econômicas, políticas e culturais, modificaram os costumes locais, destruindo a tradicional indústria têxtil indiana. A guerra dos Cipaios (soldados indianos) apresentava uma característica nacionalista contra a presença inglesa na região, esta reage transformando a Índia uma colônia inglesa, coroando a rainha Vitória com o título de imperatriz da Índia. A Inglaterra dominou também a Birmânia, Tibete, o Afeganistão, a Austrália, a China etc... Na China a cobiça era grande devido ao mercado consumidor chinês que atingia 400.000 habitantes, e a Inglaterra fazia o comércio de ópio na região, vendido inicialmente como remédio, no entanto, o vício passa a se disseminar e o mandarim resolve quebrar um carregamento de ópio, e a Inglaterra utiliza esta justificativa para efetuar a guerra do ópio. A China derrotada foi obrigada a assinar o Tratado de Nanquim, abrindo cinco portos ao livre comércio e ocupando Hong-Kong (Em 1997 volta ao controle chinês). O tratado de Pequim definia instalação de embaixadas européias e o direito de atuação de missionários. A reação nacionalista chinesa aconteceu no campo com a revolta de Taiping e na cidade com A Guerra dos Boxers (Punho fechado), organizando ações clandestinas que matavam os estrangeiros invasores, foram duramente reprimidos. No Japão depois de um contato no século XVI com missionários portugueses e espanhóis, acabou se fechando num feudalismo dominado por uma aristo-

cracia (daimios), que se apoiava numa classe de guerreiros profissionais (Samurais), onde o comando efetivo ficava com um aristocrata militar (Shogun), instalado em Edo (Futura Tóquio), enquanto o imperador (Micado), exercia apenas o poder formal, vivendo em Kioto. Em 1854 uma esquadra dos EUA forçou a abertura dos portos japoneses, provocando uma ocidentalização do país. a oposição aproveitou para combater o Shogun e reforçar o poder do imperador Mutsu Ito apoiado por famílias burguesas que iniciaram a partir de 1868 a era do industrialismo e da modernização, conhecida como era Meiji.

REVOLUÇÃO RUSSA: A revolução russa foi um dos acontecimentos mais importantes do século XX. Resultou da ação política dos bolcheviques e da revolta das massas desesperadas pela crise do império russo, agravada pela guerra. Antes da revolução russa o poder era exercido por Nicolau II da dinastia dos Romanov, com apoio dos nobres, burgueses e das tropas de elite. A derrota russa contra o Japão em 1905, na disputa pela Mandchúria, acarretando em crise econômica e taxações incidindo sobre a população, provocou numerosas manifestações críticas: O motim do Encouraçado de Potemkim contra os maus tratamentos, greves e manifestações pacíficas, reprimidas duramente pelos cossacos - O domingo sangrento. O czar Nicolau II para ganhar tempo, convocou eleições para a Duma (assembléia). A primeira grande guerra, porém, desmascarou a farsa constitucional, revelando a fraqueza da estrutura imperial. A burguesia estava representada pelo partido Cadete, democrático e constitucionalista. A burguesia liberal, com apoio dos socialistas, aumentou a pressão contra o czar. No início de 1917, a capital imperial ficou paralisada por uma greve dos transportes, e o exército se recusou a combater os grevistas. O movimento revolucionário iniciado em Petrogrado se alastrou: O imperador abdicou e a Duma juntamente com os Sovietes, formou um governo provisório, chefiado pelo príncipe Lvov. Esse governo representava os interesses da burguesia. A revolução burguesa de fevereiro de 1917 resolveu manter a Rússia na guerra, mesmo contra a vontade do povo. Em 17 de julho de 1917 o príncipe Lvov foi substituído pelo socialista Alexandre Kerensky do partido Social-Revolucionário, com apoio dos mencheviques liderados por Martov, parcela minoritária do Partido Social-Democrata que entendia o processo revolucionário lento e gradual. Diferente dos bolcheviques (maioria) que entendiam o processo revolucionário de forma imediata. A permanência da Rússia na guerra agravava a fome e Lênin anistiado lançou as teses de abril: paz, pão e terra.

Lênin, que foi a figura mais importante da revolução, retornou a Rússia (estava refugiado na Finlândia), começou a preparar o povo para uma revolta armada, com apoio dos Sovietes, preparam a revolução socialista de outubro de 1917, ocupando Petrogrado e expulsando Kerensky. Os sovietes se reuniram e delegaram o poder ao conselho dos comissários do povo, presidido por Lênin. Foi assinado o tratado de Brest-Litowsky, onde a Rússia saia da guerra. Era instaurado o Comunismo de guerra, fase radical motivada pelas necessidades históricas, onde a burguesia internacional se voltava contra a Rússia através do exército branco. As grandes propriedades rurais foram suprimidas e as terras entregues aos camponeses; as fábricas foram estatizadas e entregues à direção ao operário; o dinheiro foi suprimido etc... São estruturadas as 4 bases de sustentação do Comunismo de guerra: O partido Comunista (unipartidarismo); Os sovietes (conselhos de operários, camponeses e soldados); O exército vermelho liderado por Leon Trotsky e a polícia tcheca (futura KGB). As dificuldades econômicas determinaram o aparecimento de uma queda brutal da produção, uma inflação violenta e a paralisação do comércio. Para superar a crise econômica e acalmar os contra-revolucionários, para reorganizar a economia, Lênin cria a NEP (Nova Política Econômica) em 1921. Porque a nova política apresentava alguns aspectos do capitalismo, os países do Ocidente imaginaram que Lênin estava trazendo a Rússia novamente para o capitalismo. Pequenas e médias empresas foram privatizadas, o mesmo acontecendo no campo; O dinheiro volta a circular; surge a URSS etc... Lênin morre em 1924. Inicia a disputa entre Leon Trotsky defensor da Revolução Permanente, acaba derrotado por Stálin, partidário da tese da Revolução num só país. Inicia o governo de Stálin marcado pela eliminação dos inimigos políticos, como Trotsky, Zinoviev, Bukharin etc... Apesar do período de terror político, Stálin conseguiu recuperar a economia soviética, aproveitando da crise do capitalismo com a queda da bolsa de Nova York. Foram criados os planos Qüinqüenais administrados pela Gosplan, com a intenção de planejar globalmente toda economia do país, com ênfase para a indústria pesada. No campo foram criadas duas estratégias de produção: Os Kholkhozes (Fazendas coletivas atuando pelo sistema de cooperativas em parceria com o Estado) e os Solvkhozes (Fazendas estatais organizadas diretamente por funcionários públicos).

1ª GUERRA MUNDIAL: O período que antecedeu a 1º Guerra Mundial ficou conhecido como “paz armada”. O conflito entre França e Alemanha acontece devido a perda de AlsáciaLorena que os franceses perdem para os alemães e a questão marroquina onde a Inglaterra cede o Marrocos para à França em troca do Egito, sem consulta da Alemanha. A guerra foi evitada quando os dois países fizeram acordo apesar de desvantajoso para os dois, acirrando ainda mais o problema. Outra frente do conflito se refere ao conflito entre Inglaterra e Alemanha, onde a primeira andava enciumada com a segunda, devido ao crescimento desta, além da intenção da Alemanha de criar uma estrada-de-ferro ligando Berlim à Bagdá (zona petrolífera que interessava também à Inglaterra). A causa imediata da 1º guerra se encontra na questão balcânica, zona dividida em diversas países pequenos como a Sérvia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro, Croácia, Eslovênia que durante muito tempo foi dominada pelo Império Turco-Otomano (O homem europeu doente). A Sérvia estimulada pela Rússia (Pan-eslavismo) pretendia criar a grande Sérvia, e o Império austro-húngaro também interessado na região manda o seu representante o arquiduque Francisco Ferdinando que pretendia juntar a Bósnia-Herzegovina ao resto do Império, no entanto, ao sair em carro aberto, acabou juntamente com sua mulher sendo assassinado pelo estudante Sérvio Gravilo Princip da Sociedade secreta Mão Negra em Serajevo, acionando o sistema de alianças. No final do século XIX a Alemanha tenta fazer a aliança dos três imperadores com Alemanha, império Austro-Húngaro e Rússia, no entanto, com a recusa da Rússia em choque com a Áustria na disputa dos Bálcãs, a Alemanha coloca a Itália no lugar formando a tríplice Aliança em 1864. No início do século XX Inglaterra e França formam a Entente Cordiale, e com a entrada da Rússia em 1907, acabam formando a Tríplice Entente, também chamados de aliados. O sistema de alianças é acionado quando a Sérvia se recusa a pedir desculpa pelo assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, e a Áustria declara guerra, saindo a Rússia em defesa da Sérvia, e a Alemanha em defesa da Áustria. Ao se posicionar em favor da Rússia, a Alemanha acaba declarando guerra também aos franceses através do Plano Schlieffen, ação em duas frentes de batalhas contra o ocidente e o oriente. O general Moltke invadiu a Bélgica para ocupar a França pelo norte, através da guerra de movimento, imaginando derrotar facilmente os franceses para se voltarem para a frente oriental Russa. A invasão à Bélgica país neutro, colocou a Alemanha como a vilã da história, bem como foi responsável pela justificativa da entrada da Inglaterra. Na batalha de Marne ficava determinado que a tática de movimento não dava certo, iniciando a famosa tática de trincheiras, onde cada quilômetro con-

quistado significava a perda de milhares de homens. As principais batalhas desta fase foram: Somme, Champagne e Verdun. O aparecimento de canhões e de aviões na guerra modificaram esta situação. A nível marítimo a igualdade era a mesma, onde os submarinos alemães esbarravam nos encouraçados ingleses, exemplo na batalha de Jutlândia (Dinamarca). A Itália que tinha permanecido neutra na guerra devido sua divergência com a Áustria na disputa das regiões irridentinas (Trento, Ístria etc...), os outros aliados foram: Romênia, Grécia, Portugal , Japão etc... disputaram com o Império central que recebeu adesão da Turquia e Bulgária. Com a saída da Rússia depois da guerra, após a revolução socialista (Tratado de Brest-Litowsky), os alemães reforçaram a linha ocidental liderados por Hindemburgo e Ludendorff. Os norte-americanos que até então tinham permanecidos neutros utilizaram a justificativa do afundamento do Transatlântico Lusitânia para entrar na guerra, comandados pelo general Pershing. Sob o comando do general Foch iniciou-se o contra ataque dos aliados inaugurado com a segunda vitória de Marne, perto de Paris. Na Macedônia, o exército aliado obrigou a Bulgária a depor armas. Os ingleses fizeram o mesmo com os turcos na Síria. Por fim, os austríacos vencidos pelos italianos, abandonaram a luta. Restavam somente os alemães. O presidente Woodrow Wilson estimulou a rendição dos alemães com os 14 pontos prometendo não fazer nenhuma retaliação, onde a população alemã não interessada na continuação da guerra, se voltou contra o Kaiser Guilherme II. e este fugiu para a Holanda. O Brasil participa da guerra apenas com uma expedição médica em favor dos aliados, mas aconteceu um xenofobismo germânico, inclusive com ocupação de fábricas. A ausência de produtos europeus favoreceu um maior desenvolvimento industrial brasileiro e uma maior importação de produtos norte-americanos. Foram estabelecidos diversos tratados com os países vencidos na 1º guerra. Pelo tratado de Versalhes assinado pelos vitoriosos com à Alemanha, com o predomínio de Lloyd George (Inglaterra), Clemenceau (França), Presidente Wilson (EUA), Orlando (Itália), criaram diversos obstáculos, apesar da oposição de Wilson. A Alemanha sofreu diversas retaliações, como: Indenização de guerra; perda de Alsácia-Lorena; Estabelecimento de um corredor polonês dividindo Berlim; Desmilitarização da Alemanha; Proibição da atividade comercial marítima etc.. Tratado de Saint-Germain feito com a Áustria determinava o encolhimento deste país, determinando a independência e a formação de Hungria, Polônia, Iugoslávia, bem como a perda da região irridentina para Itália. Tratado de Neuilly com a Bulgária que perdeu grandes territórios para os romenos, iugoslavos e gregos. Tratado de Trianon com a Hungria que perdia território para a recém criada Checoslováquia, Iugoslávia e Romênia.

Tratado de Sévres com a Turquia determinando a parte européia da Turquia para a Grécia; Síria e Líbano para a França e Oriente médio para a Inglaterra. Uma rebelião na Turquia realizada por Mustafá Kemal recupera a Turquia européia.

NAZI-FASCISMO: A tendência para a radicalização política foi a marca do período entre guerras, com exceção das democracias liberais (Estados Unidos, Inglaterra e França). O fascismo representou um fenômeno novo e original, definindo-se contra o liberalismo, o Parlamentarismo, a luta de classes, o comunismo, o capitalismo. Era favorável ao nacionalismo, partido único e a supremacia do Estado. Os regimes modelados no fascismo, ou simplesmente autoritário ou ditatoriais, difundiram-se por toda Europa e outros países do mundo no período entre guerras. Ex.: Nazismo (Alemanha), Franquismo (Espanha), Salazarismo (Portugal), Getulismo (Brasil), Peronismo (Argentina) etc.. A Itália pretendida depois da primeira guerra mundial não se confirmou, pois Inglaterra e França acabou não cumprindo o trato combinado de cessão de algumas posses, prejudicando economicamente aquele país, e estimulando políticos a exaltarem junto ao povo, uma perigosa exaltação nacionalista. A crise gerou o desemprego e a inflação desvalorizou a Lira. A nação estava endividada para a guerra. Os protestos operários adquiriram características revolucionárias: operários tomando fábricas e camponeses ocupando terras. A burguesia, vendo-se ameaçada pela revolta social, apelou para um pequeno mas bem organizado grupo político, estruturado militarmente e disposto a usar a força para acabar com as ameaças revolucionárias. Benito Mussolini nasceu na Romagna, em 1883, de família pobre, filho de família pobre. foi militante socialista até 1915, onde dirigia o jornal “Avanti”. Com a entrada da Itália no lado da Tríplice Entente, apesar de pertencer a tríplice aliança, Mussolini era favorável a participação na guerra e os demais socialistas eram contrários. Mussolini se desentende com os socialistas e acaba fundando o fascismo (fasci = feixes), de tendência anti-socialista. Em 1919 lança o jornal “Popolo d’Itália” de tendência fascista, e participa das eleições não elegendo um candidato sequer fascista. Mudando de tática passa a reforçar o fascismo de combatimento (ação paramilitar). Em 1921, os sindicatos de esquerda convocam manifestação contra a violência fascista, e os mesmos financiados pela burguesia respondem em 1922 com a GRANDE MARCHA SOBRE ROMA. Pressionado, o rei Victor Emanuel III convoca Mussolini para o cargo de primeiro ministro, onde passa a utilizar da máquina para fortalecer seu partido.

Nas eleições de 1924, utilizando do fraude, corrupção e violência, os fascistas alcançam maioria no parlamento. Giácomo Matteoti líder dos socialistas, denunciou o método eleitoral fascista, e acabou morto, com Mussolini montando uma farsa para apurar a fraude, para mais tarde, assumir o assassinato. Outro grande baixa socialista foi Antônio Gramsci, maior intelectual marxista italiano, escrevendo a maioria de suas grande obras na prisão, onde morreu. Em 1925 Mussolini anunciou um regime totalitário de governo. A oposição foi eliminada e a constituição reformada. O fascismo bem como o nazismo se assentavam nos seguintes princípios: totalitarismo, nacionalismo, idealismo, romantismo, autoritarismo, militarismo, anticomunismo, espaço vital, etc... A única diferença é que no fascismo não aparece o princípio racista. No ano de 1925 Mussolini passa a ser o DUCE (condutor supremo da Itália). O poder fortemente concentrado nas mãos do chefe Mussolini permitiu realizar numerosas tarefas que o parlamento não conseguia cumprir. Em 1926 a repressão passa a cargo da OVRA (polícia política fascista). Em 1927 criava um regime corporativo, baseado na Carta del Lavoro (carta do trabalho), determinando o controle do sindicato pelo Estado e o estabelecimento de muitas medidas de favorecimento da classe trabalhadora para tirá-los da zona de influência do socialismo, como: Carga horária de 8 horas de trabalho; férias remuneradas; dia de descanso remunerado; carteira de trabalho; assistência social etc. Em 1929 firma com o papa Pio XI o tratado de Latrão, dando direito de soberania do Estado do Vaticano para à igreja em troca do apoio desta ao fascismo. A derrota da Alemanha na grande Guerra e a conseqüente queda do império deixaram o país à beira de uma guerra civil e mesmo o governo social democrata instalado apelou para o exército para evitar a revolução comunista. No meio deste caos aparece e se fortalece o Nazismo. Adolf Hitler nasceu na Áustria, e foi tentar a sorte na Alemanha tentando entrar na Escola de Belas Artes, e reprovado, viveu pintando cartão de natal para sobreviver. Na primeira guerra foi ferido, onde foi condecorado com a Cruz de ferro. Em 1919 entra para o Partido Trabalhista Alemão, e em 1920 ajuda a transformá-lo em Partido Nacional Socialista dos trabalhadores (nazismo), tornando seu líder devido ao seu poder de oratória. Em 1918, um grupo de socialistas revolucionários liderados por Karl Liebknecht e Rosa de Luxemburgo, fundadores da liga espartaquista, tentaram implantar o comunismo na Alemanha, sendo derrotados pelos exército com auxílio dos freikorps (força paramilitar). Os principais líderes foram condenados à morte, assumindo os social-democratas que colocaram Ébert no poder. Com a entrada de Ébert inaugurava-se a República de Weimar (Estado federalista, democrático, liberal e parlamentarista), composto por duas câmaras:

Reichstag e o Reichsrat. O poder executivo cabia ao presidente, eleito por sete anos, e o governo exercido por um chanceler. Os ônus da guerra ajudaram a disparar o processo inflacionário e no ano de 1923, um dólar chegou a valer 1 bilhão de marcos, e os salários passaram a ser reajustados diariamente, apesar de nada adiantarem para os trabalhadores. No mesmo ano Hitler lidera o Putsch da cervejaria de Munique, primeira tentativa de golpe fascista na Alemanha, auxiliado por Ludendorf e por Roehm. Hitler derrotado foi condenado à cinco anos de prisão, onde escreveu sua obra Mein Kampf (Minha luta). Ao sair da prisão Hitler, solto após 8 meses, onde organizou dois agrupamentos paramilitares: SA (Tropa de Assalto) liderada por Roehm e SS (Tropa de Segurança). O elemento essencial da doutrina é o racismo. A idéia de superioridade da raça ariana, levando a oposição à ideologia liberal, ao marxismo, à igreja católica e principalmente aos judeus. O antimarxismo acabava identificado com o judaísmo, devido a origem étnica de Marx, Rosa de Luxemburgo e Leon Trotsky (Lev Davidowitch Bronstein). Em 1925, Hindemburgo vence as eleições, e o empréstimo de capital dos norte-americanos, acalma a situação na Alemanha. Em 1929, com a queda da bolsa de Nova York, acontece a quinta feira negra ou a grande depressão que atingiu todo mundo capitalista, e a política liberal passa a ser combatida praticamente em todo mundo, favorecendo, o processo de ditadura. Em 1930 e 1932, os nazistas e comunistas levaram vantagem no parlamento, enquanto social-democratas e centristas sofriam grande derrota. Em 1933 Hindemburgo vence Hitler apertado, e este acaba sendo convocado pelo a chanceler Von Pappen, para o seu lugar, passando então para vice-chanceler. Como chanceler Hitler inicia a trajetória para a tomada do poder, iniciando ateando fogo no Reichstag, acusando os comunistas. O programa nazista entrou em ação: partidos proibidos, sindicatos suspensos, aumento do poder central, medidas anti-semitas. Em 1934 elimina os líderes da SA que conspiravam contra Hitler, inclusive Roehm, na famosa longa noite dos punhais. Campos de concentração começaram a funcionar. Com a morte de Hindemburgo, Hitler acumulou o cargo de presidente e chanceler, iniciando a caminhada rumo à formação do terceiro reich. O poder foi centralizado na pessoa do Führer e os membros do partido nazista ocuparam todos postos na administração. Pelas leis de Nuremberg de 1935, os judeus foram discriminados, passando a condição de súditos e perdendo seus direitos civis e acesso a lugares públicos; além da proibição do casamento com alemães. Em 1938 a violência cresceu: espancamentos, destruição de sinagoga, uso de sinais identificadores e aprisionamento nos campos de concentração. Diversas personagens

famosas fugiram da Alemanha como: Albert Einstein, Thomas Mann, Bertold Brecht etc... Em 1936 foi criada a polícia secreta (Gestapo) para descobrir os inimigos políticos. Sob a liderança de Joseph Goebels foi iniciada uma ampla campanha propagandística para a filiação da juventude hitlerista, principalmente através do cinema e das grandes construções arquitetônicas desenvolvia um culto a personalidade do Führer, com objetivo de atingir as massas, com imagens e comunicados simples e repetitivos. A massa era preparada psicologicamente para a questão da honra, docilidade, subserviência à autoridade.

2º GUERRA MUNDIAL: A esperança dos países europeus de uma paz duradoura com o fim da 1ª Guerra Mundial foi mera ilusão. Vários fatores criaram as condições para que novo conflito eclodisse, envolvendo todas as nações européias e a maior parte dos países do mundo, no período de 1939 a 1945: O comportamento revanchista dos vencedores da 1ª Guerra Mundial; Crise de 1929 e suas graves conseqüências políticas e sociais em quase todos países Europeus; O surgimento dos governos nazi-fascistas - totalitários, militaristas e expansionistas (espaço vital). O fracasso da Sociedade ou liga das nações. O intervalo entre a 1ª e a 2ª Guerra Mundial não passou de uma trégua, porque os vencedores não souberam construir a paz, preparam a guerra. Enquanto os franceses tinham superioridade militar, a Sociedade das Nações velou pelo cumprimento das disposições dos tratados de paz. O rearmamento alemão abriu uma nova fase, na qual a Sociedade das Nações se sentia impotente para agir, não tendo o apoio de seu mais forte associado, os Estados Unidos. Um fator importante do conflito foi a vontade de hegemonia de Hitler, a busca de um espaço vital que levaria à implantação de uma nova ordem. Também contribuíram fortemente os interesses do grande capitalismo industrial alemão, ansioso pela redistribuição dos mercados coloniais e pelo controle de fontes de matérias-primas estratégicas na própria Europa. A violenta competição entre as potências industrializadas e a concorrência imperialista, associadas à preocupação em isolar a União Soviética, criaram amplo espaço de ação para os nazistas. A partir de 1930 a situação política internacional estava novamente sob tensão: Em 1931 o Japão conquistou a Mandchúria e invadiu a China, desligando-se da sociedade das Nações, quando esta protestou.

O mesmo fez a Alemanha, depois que desobedeceu o Tratado de Versalhes, reaparelhou e reorganizou seu exército, remilitarizando em seguida a Renânia. Na Espanha deflagrou-se a guerra civil depois da vitória do socialista Manoel Azaña, onde os burgueses passaram a apoiar a extrema direita liderada pelo generalíssimo Franco com apoio do Nazi-Fascismo, determinando a morte de aproximadamente 1 milhão de pessoas, da destruição de Guernica, retratada pelo pintor Pablo Picasso e a vitória do Franquismo. Em 1936 formou-se o EIXO (Roma-Berlim) e Hitler proclamou abertamente sua política expansionista. A neutralidade dos EUA, o isolamento da URSS deixavam Hitler à vontade para levar avante seus planos. Em 1938 Hitler anexou a Áustria (Anchluss) e ocupou os Sudetos (noroeste da Tchecoeslováquia). Mussolini promoveu a reunião da França (Daladier), Inglaterra (Chamberlain), Itália (Mussolini), Alemanha (Hitler), na Conferência de Munique, prometendo o fim do expansionismo. Em 1939 Hitler ocupava o resto da Tchecoeslováquia e reivindicando Dantzig e o corredor polonês, invadiu a Polônia, determinando a declaração de guerra da Inglaterra e da França. A Itália não beligerante permaneceu neutra até 1940. A ofensiva alemã contra a Polônia foi fulminante: iniciada no dia 1º de setembro de 1939, durou apenas três semanas. Através da ação da Blitzkrieg (Guerra relâmpago) que consistia em ataques maciços com o uso de carro de blindados (panzer) e da aviação (Luftwaffe) e de navios de guerra, os alemães ocuparam inicialmente a Dinamarca e a Noruega, garantindo a continuação da exportação do aço da Suécia. Em seguida domina a Holanda e a Bélgica, reeditando o plano Schlieffen da 1º Guerra Mundial. As tropas francesas, inglesas e belgas foram empurradas até a cidade portuária de Dunquerque, onde encurraladas pelas tropas alemães, principalmente depois que a linha Maginot de defesa da França foi ultrapassada, gerando a retirada de Dunquerque. Com a invasão sobre a França, acontece a seguinte divisão: O norte ocupado diretamente pelos alemães e o sul ocupado pelos colaboracionistas liderados pelo Marechal Pétain formando à república de Vichy. A Luftwaffe comandada por Herman Goering acabou derrotada pela Real Air Force (RAF) - Força Aérea Real. Churchill declara: “que nunca tantos deveram tanto a tão poucos”. Os italianos atacavam o norte da África, tentando tomar o canal de Suez e italianos e alemães atacaram a Grécia, a Bulgária, a Iugoslávia e toda região balcânica. Hitler muda de tática acabando com o pacto Ribentrop-Molotov, invadindo a URSS. Os generais acreditavam numa vitória rápida sobre os soviéticos com três de milhões de soldados preparados para uma conquista, mas Hitler não contava

com o grande número de soldados russos, nem avaliara a extensão do seu território, bem como a resistência de tropas e da população, e contando com a ajuda do clima, os soviéticos liderados por Stálin, venceram os nazistas na batalha de Stalingrado. Início da queda do nazismo no mundo. Outras derrotas nazistas aconteceram com a vitória dos aliados na batalha de El Alamein liderados pelo general inglês Montgomery derrotando as tropas de Rommel, “A raposa do deserto”, retomando o controle do canal de Suez, no Egito. Outra derrota importante aconteceu no dia 06 de junho de 1944 - O chamado “Dia D” - sob o comando do general Eisenhower, a chamada operação Overlord, onde os aliados contaram com ajuda da resistência (Franceses que lutavam contra a invasão nazista liderados por Charles de Gaulle). Os aliados invadiram a Itália empurrando Mussolini para o norte da Itália, onde acabou morto junto com sua mulher Clareta Petraci, sendo ambos fuzilados e dependurados numa praça. Hitler encurralado ainda teve de enfrentar a tentativa de destituição efetivada por alguns generais que acabaram sendo mortos. Na véspera de perder a guerra recrutou jovens e mulheres para pertencerem ao exército de defesa da Alemanha. Não contendo o avanço soviético em Berlim, Hitler se suicida com sua mulher Eva Braun. A guerra no pacífico começou desde que o Japão iniciou sua corrida imperialista, invadindo a China em 1931, mas chegou ao seu apogeu com a entrada dos Estados Unidos liderados MacArthur. Os Estados Unidos bloquearam a conta dos japoneses e iniciaram uma política de retaliação ao Japão, e este país aconselhado pelo general Tojo e contando com a estratégia do Almirante Yamamoto, acabaram invadindo Pearl Harbor, justificativa com Franklin Delano Roosevelt precisava para convencer os Norte-americanos a entrarem na guerra. O ataque japonês generalizou-se em três direções: Ilhas Filipinas e Índias holandesas (Indonésia), fontes de matérias primas estratégicas; Ao oeste Hong-Kong, Singapura e Birmânia; ao leste Oceania, Nova Guiné, Ilhas Salomão e Aleutas. A contra-ofensiva norte-americana, aconteceu com a vitória na batalha do Mar de Coral detendo a expansão japonesa ao sul. Depois da batalha de MidWay os americanos desembarcam em Guadalcanal com ajuda do exército australiano. em 19 de janeiro de 1944, aconteceu o primeiro desembarque americano no Japão em território japonês: Iwojima. Os japoneses mesmos cercados com pesados bombardeios resistiam com os suicidas Kamikazes. Os Estados unidos apesar do Japão discutir o tratado de paz com os soviéticos, preferiu abreviar à guerra, no mesmo momento que demonstrava ao mundo seu poderio militar com o lançamento de duas bombas: Hiroshima em 6 de agosto de 1945 - 100.000 pessoas mortas; Nagasaki 8 de agosto de 1945 - 200.000 vítimas. Em 2 de setembro de 1945, a bordo do encouraçado Missouri, os japoneses renderam-se diante do general MacArthur, era o fim da 2ª Guerra Mundial,

onde o rei perdeu sua condição de Rei divino, com o estabelecimento de uma monarquia parlamentarista. Os acordos de paz foram realizadas ainda no período das guerras: Conferência de Teerã (Irã - novembro de 1943) reuniu os grandes estadistas: Stálin (URSS), Roosevelt (EUA), Churchill (Inglaterra), determinou a invasão da Normândia - O “Dia D”. Conferência de Yalta (Na Criméia russa - fevereiro de 1945) com os mesmos estadistas, discutiram a criação da ONU em substituição a Liga ou Sociedade das Nações, além de definir a partilha do mundo. Separa o mundo capitalista do socialista. Conferência de Potsdam (Berlim - agosto de 1945), com novos participantes: Stálin (URSS), Harry Truman (EUA), Clement Attlle (Inglaterra) que decidiram pela desnazificação da Alemanha, com a criação do Tribunal de Nurenberg para julgar os criminosos nazistas de guerra, a desmilitarização do País e a abolição dos trustes e cartéis que subsidiaram o nazismo. A principal Alemanha foi divida em quatro zonas de ocupação: Inglesa, francesa, americana e soviética, onde mais tarde as três primeiras se uniram formando a República federativa alemã e a soviética formando a República Democrática Alemã. Fixou-se o pagamento de 20 bilhões de dólares de indenização e a cessão de Dantzig (Gdansky) à Polônia.

PÓS GUERRA (Guerra Fria): O balanço da segunda guerra mundial revela uma destruição material e humana muito superior à 1º grande guerra, resultando em grande número de países com graves crises sociais. Os aliados não esperam o fim do conflito para começarem a exibir seus antagonismos, definindo-se um bloco oriental, liderado pela URSS e outro ocidental pelos EUA. Para definir as zonas de influências e evitar conflitos diretos entre as grandes potências, o mundo mergulhou na guerra fria, surgindo a ONU (Organização da Nações Unidas) como instituição mediadora dos conflitos. A Conferência de Yalta praticamente definiu todas essas medidas acima na reunião em fevereiro de 1945, com a participação dos seguintes representantes: Churchill (Inglaterra), Stálin (URSS), Roosevelt (EUA), onde os países capitalistas aliados fizeram numerosas concessões aos soviéticos, dada sua importância na guerra contra os alemães naquele momento. Outras conferências importantes da guerra, foram: Teerã (1943) que definiu a ação dos aliados no dia D de 6 de junho de 1944, com a invasão a Normândia e a retomada da França; Potsdam (1945) com a participação de Stálin (URSS), Clement Attlle (Inglaterra), Harry Truman (EUA). Nesta última conferência foi regulamentada a divisão da Alemanha em 4 partes entre os aliados: URSS, França, Inglaterra, EUA, mais tarde a primeira parte formará a República Democrática Alemã e as outras três saem da Alemanha devolvendo as terras que acabará formando a República Federativa Alemã.

Após a segunda guerra mundial a Europa perdeu a hegemonia econômica e política, ascendendo os EUA e a URSS, ao mesmo tempo que surgia o bloco dos países do Terceiro Mundo. A ONU foi criada com a finalidade de substituir a Sociedade ou Liga das Nações na tarefa de preservar a paz mundial, tendo surgido após o encontro de 26 nações em Washington em 1942, e o acerto com a URSS, em 1945, na Conferência de Yalta. A ONU fica localizada em Nova York, e possui 6 órgãos principais: O conselho de segurança, composto por dezesseis países, sendo cinco fixos e com poder de veto: EUA, URSS (Atualmente Rússia), França, Inglaterra e China; e dez que se revezam por um período de dois anos: Cinco da Ásia e África, dois da Europa ocidental, um da Europa oriental e dois da América Latina. Assembléia geral, composta por todos os membros representantes, discutem os problemas mundiais, mas não podem decidir, remetendo para o Conselho de segurança a decisão final. O secretariado geral que tem por função administrar e organizar e é escolhido pelo Conselho de Segurança e votado pela Assembléia geral. Conselho Econômico e Social que controla diversos departamentos auxiliares como: FAO (Organização de Alimentação e Cultura), UNESCO (Organização Educacional, Científica e Cultural), OIT (Organização Internacional do Trabalho), UNICEF (Fundo para a Infância), CEPAL (Comissão Econômica para América Latina), FMI (Fundo Monetário Internacional), GATT ( Acordo Geral de Tarifas e Comércio). Corte internacional de Justiça, c/ a finalidade de julgar conflitos internacionais, com sede em Haia. Conselho de Tutela, praticamente sem uso, pois foi criado para cuidar dos direitos das colônias contra os abusos se suas metrópoles, hoje todas as colônias foram emancipadas. Durante os primeiros anos de sua existência a ONU enfrentou graves problemas internacionais criados pela Guerra Fria, isto é, conflito diplomático entre URSS e EUA. Os princípios formulados pelo presidente Truman (Doutrina Truman) e a invasão norte-americana na Grécia e Turquia que estavam sendo dominadas pelos comunistas, através de ações militares; além do Plano Marshall de recuperação econômica da Europa e do plano Colombo para recuperação econômica do Japão para evitar o avanço socialista, bem como a criação da “Cortina de Ferro” soviética, marcam momentos de tensões entre os dois blocos. O macarthismo foi o período de perseguição a todas as pessoas do meio artístico e científico consideradas inimigas do capitalismo, julgadas pelo comitê de atividades anti-americanas, criando uma verdadeira “caça às bruxas”, atingindo pessoas como Charles Chaplin, Daniel Hashemett, Bertoldo Brecht etc... e condenando a pena de morte apesar de não ter provas suficientes, o casal Rosemberg, de passar informação sobre a bomba atômica para os Soviéticos.

Em 1947 a URSS lança sua bomba atômica, movimentando o surgimento de dois agrupamentos militares: a OTAN (Organização do Tratado AtlânticoNorte) e o pacto de Varsóvia. No plano econômico a Europa ocidental com o empréstimo do Plano Marshall organiza suas atividades em bloco para poderem competir com Soviéticos e Americanos. Surge inicialmente o BENELUX (Bélgica, Holanda e Luxemburgo), estes se unem a França, Alemanha e Itália formando o CECA (Comunidade Econômica do Carvão e do Aço) e o Euratom. Esta reunião gera o MCE (Mercado Comum Europeu) ou CEE (Comunidade Econômica Européia). Na década de 70 com a morte de Charles de Gaulle (Presidente francês), acabam entrando Inglaterra, Irlanda do Sul e Dinamarca. Na década de 80 com o fim das ditaduras e a implantação da democracia, são aceitos Grécia, Espanha e Portugal. Totalizando 12 países que não apresentam nenhuma barreira alfandegária nas suas fronteiras, permitindo livre circulação de capitais, mercadorias e mão-de-obra. Em 1995 foram aceitos mais três: Áustria, Finlândia e Suécia. Na parte da Europa Oriental foi criada a COMECON (Conselho de Assistência Econômica Mútua), liderada pela URSS, através da economia planificada pelo Estado. Após a 2ª Guerra Mundial, EUA e URSS muitas vezes se aproximavam da ameaça do uso da bomba atômica, dependendo da tendência bélica ou pacifista, ou das condições históricas do momento. Com Truman as relações entre os dois países ficaram ameaçadas, principalmente quando a URSS lançou sua primeira bomba atômica e com o fortalecimento do Komintern (União dos Partidos Comunistas). Em 1952 foi eleito pelo partido republicano Dwight Eisenhower, sendo reeleito em 1956. Na política externa oscilou entre o enfrentamento da Guerra Fria e o entendimento da Coexistência Pacífica proposta por Nikita Kruschev, substituto de Stálin, morto em 1953. O secretário de Estado norte-americano John Foster Dulles comandou uma política agressiva contra os soviéticos organizando pactos militares contra o comunismo (Anzus - Austrália, Nova Zelândia e EUA; Otase - Nova Zelândia, Austrália, Filipinas, Tailândia e o Cento - Turquia, Iraque, Irã, e Paquistão), de outro lado iniciou os primeiros acordos do pós-guerra. A nível interno combateu o Macarthismo e a defesa de uma maior igualdade racial. No final de seu governo, ao mesmo tempo que negociava com Kruschev a Coexistência Pacífica, teve um avião americano de espionagem abatido na URSS, conhecido como U2, deixando sua imagem prejudicada e favorecendo o candidato democrata John Kennedy. Enquanto isso a URSS lançava o primeiro foguete o Sputnik e mais tarde o primeiro homem a fazer uma órbita no espaço: Yuri Gagarin. Kennedy continuou a política oscilante externa de Eisenhower, buscando o enfrentamento com Cuba, onde armou dissidentes cubanos contra Fidel Castro, para invadir a Baia dos Porcos e mandou um grupo de soldados para o

Vietnã, além de criar a aliança para o progresso com os vizinhos do continente para combater o comunismo. Enquanto isso, negociava com Kruschev a Coexistência pacífica prometendo não invadir mais Cuba, em troca da retirada dos mísseis soviéticos da ilha. Esta relação ficou mais ameaçada devido a construção do muro de Berlim em 1961, para impedir a fuga da mão de obra da Alemanha Oriental para o Ocidente. A nível interno dinamizou áreas de educação e saúde, e tornou ilegal a discriminação racial. Foi baleado e morto em Dallas, Texas, oficialmente por Lee Oswald, e este morto por Jack Ruby, porém, se cogita ser uma conspiração contra o presidente. Na luta contra o racismo se destacaram Martim Luther King (Pacifista) e Malcoln X (favorável a luta violenta) compactuando com os Muslins blacks e os Blacks Panthers. Lindon Johnson, vice-presidente, assume e foi reeleito em 1964. Na política externa foi ofensivo contra o comunismo, chegando a enviar 500 mil norteamericanos para o Vietnã. A demora na resolução da guerra tornou a opinião pública contrária a guerra, com o aparecimento do movimento Hippie, com a proposta do paz e amor. acabou isolado, e perdeu as eleições para o republicano Nixon. Na URSS Kruschev conhecido pela desestalinização, foi derrubado, assumindo Leonid Brejnev, da linha dura do socialismo. Richard Nixon estabeleceu a vietnamização da guerra substituindo gradativamente os soldados norte-americanos por armas. Apesar de iniciar a política do Détente (Distensão) e aceitar a China socialista em substituição à nacionalista entre os cinco países fixos da ONU, mantinha uma linha dura para a América, ajudando a ditadura militar chilena a derrubar Salvador Allende. O principal personagem do seu governo foi o secretário de Estado Henry Kissinger, e na metade do seu segundo mandato, acabou sendo acusado do caso Watergate (escuta colocada no partido democrata para ouvir os planos dos inimigos), por dois jornalistas do “Washington Post”, e teve de renunciar para não sofrer o Impeachment. foi substituído pelo vice Gerald Ford que perdeu as eleições para o democrata Jimmy Carter. Obs.: No governo Nixon aconteceu o acordo SALT 1 de desarmamento de armas estratégicas. Jimmy Carter (1977-1980) assinou o SALT 2, aumentou a distensão, e iniciou uma política dos Direitos Humanos, pressionando os militares a restabelecerem o retorno da democracia. Carter também patrocinou a Conferência de Camp David em 1978, dando origem ao tratado de paz entre o Egito representado por Anuar El Sadat e Israel representado Por Menahen Begin, devolvendo o Monte Sinai para o Egito. Ambos ganharam o Prêmio Nobel da paz, mas Sadat acabou assassinado por fundamentalista muçulmano radical. No final do seu governo emergiram crises internacionais com a derrubada do Xá Reza Pahlevi aliado dos EUA, e a entrada do líder Xiita Aiatolá Khomeini. Este último exigia a devolução do Xá para o Irã, diante da recusa de Carter, Aiatolá acabou fazendo diversos reféns norte-americanos, onde Carter tentou uma fuga fracassada. Outra derrota foi a derrubada de Somoza,

outro aliado dos EUA, pela Força Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), liderada por Daniel Ortega. O último grave problema foi a invasão do Afeganistão pela URSS de Brejnev. Vence as novas eleições o republicano Ronald Reagan em 1981 e reeleito em 1984. Reinicia o conflito com a URSS, planejando a Guerra nas Estrelas, sofisticado projeto bélico comportando mísseis de defesa contra possíveis ataques soviéticos. Acontece o recrudescimento contra o socialismo, invadindo Granada, e combatendo os sandinistas com os contras, aliás foi descoberto o plano Irã-contra, onde Reagan vendia armas para o Irã apesar de atacar Aiatolá, em troca da libertação dos reféns, e o dinheiro financiava os contras que atacavam os Sandinistas. A nível econômico criou o Reaganomics, política do Estado mínimo, onde deveria haver a diminuição dos impostos e conseqüentemente dos gastos com os problemas sociais que deveriam ser transferidos para os particulares. Esta política aumentou a recessão, o desemprego e a recessão social. Enquanto isso na URSS morria Brejnev, substituído por Andropóv, Tchernenko e Mais tarde Gorbachev, que estabeleceu a Perestroika (Restruturação econômica) e a Glasnot (Transparência política, social e cultural), beneficiando dissidentes com Andrey Sakharóv (Físico nuclear, criador da bomba atômica russa). A política de substituir o Partido comunista pelos sovietes, enfraqueceu o controle político, permitindo a descentralização da URSS e do Leste europeu. Reagan e Gorbatchév fizeram uma política de reaproximação mas com a fragmentação da URSS, Gorbatchév renuncia, e o presidente Bóris Yeltsin, eleito presidente da Rússia, se torna a figura central das negociações LesteOeste. George Bush é eleito devido a popularidade de Reagan, e aumenta sua simpatia com a invasão vitoriosa ao Iraque de Sadam Hussein que havia invadido o Kuwait, acusando-o puxar o preço do petróleo para baixo para favorecer os EUA. No entanto a crise econômica gerada no governo Reagan estourou agravando a situação social, que acabou dando vitória para o democrata Bill Clinton. Neste governo acontece o encontro de Itzak Rabin (Israel) e Yasser Arafat (Palestino) negociando a devolução da faixa de Gaza e a Cisjordânia para os palestinos, ocupado por Israel desde 1967, na Guerra dos Cem dias.

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