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Literatura - Pré-Vestibular Impacto - Trovadorismo Aspectos Sócio-Culturais

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CONTEÚDO

PROFº: ANDRÉ BELÉM

01
A Certeza de Vencer

Trovadorismo: Aspectos Sócio-Culturais nas Manifestações Líricas
CT150108

Manifestação artística que ocorre durante a Idade Média. Era composta por poemas que possuíam uma forte relação com a musica. Daí a denominação cantigas medievais. Aspectos da Cultura Medieval Trovadorismo foi a primeira escola literária portuguesa. Esse movimento literário compreende o período que vai, aproximadamente do século XII ao século XIV. A partir desse século, Portugal começava a afirmarse como reino independente, embora ainda mantivesse laços econômicos, sociais e culturais com o restante da Península Ibérica. Desses laços surgiu, próximo à Galícia (região ao norte do rio Douro), uma língua particular, de traços próprios, chamada galego-português. A produção literária dessa época foi feita nesta variação lingüística. A cultura trovadoresca refletia bem o panorama histórico desse período: as Cruzadas, a luta contra os mouros, o feudalismo, o poder espiritual do clero. O período histórico em que surgiu o Trovadorismo foi marcado por um sistema econômico e político chamado Feudalismo, que consistia numa hierarquia rígida entre senhores: um deles, o suserano, fazia a concessão de uma terra (feudo) a outro indivíduo, o vassalo. O suserano, no regime feudal, prometia proteção ao vassalo como recompensa por certos serviços prestados. Essa relação de dependência entre suserano e vassalo era chamada de vassalagem. Assim, o senhor feudal ou suserano era quem detinha o poder, fazendo a concessão de uma porção de terra a um vassalo, encarregado de cultivá-la. Além da casta da nobreza e dos servos, havia ainda um outro grupo social: o clero. Nessa época, o poder da Igreja era bastante forte, visto que o clero possuía grandes extensões de terras, além de dedicar-se também à política. Os conventos eram verdadeiros centros difusores da cultura medieval, pois era neles que se escolhiam os textos filosóficos a serem divulgados, em função da moral cristã.

A religiosidade foi um aspecto marcante da cultura medieval portuguesa. A vida do povo lusitano estava voltada para os valores espirituais e a salvação da alma. Nessa época, eram freqüentes as procissões, além das próprias Cruzadas - expedições realizadas durante a Idade Média, que tinham como principal objetivo a libertação dos lugares santos, situados na Palestina e venerados pelos cristãos. Essa época foi caracterizada por uma visão teocêntrica (Deus como o centro do Universo). Até mesmo as artes tiveram como tema motivos religiosos. Tanto a pintura quanto a escultura procuravam retratar cenas da vida de santos ou episódios bíblicos. Quanto à arquitetura, o estilo gótico é o que predominava, através da construção de catedrais enormes e imponentes, projetadas para o alto, à semelhança de mãos em prece tentando tocar o céu. Na literatura, desenvolveu-se em Portugal um movimento poético chamado Trovadorismo. Os poemas produzidos nessa época eram feitos para serem cantados por poetas e músicos. (Trovadores - poetas que compunham a letra e a música de canções. Em geral uma pessoa culta - Menestréis – músicos - poetas sedentários; viviam na casa de um fidalgo, enquanto o jogral andava de terra em terra, Jograis - cantores e tangedores ambulantes, geralmente de origem plebéia - e Segréis trovadores profissionais, fidalgos desqualificados que iam de corte em corte, acompanhados por um jogral) Recebiam o nome de cantigas, porque eram acompanhados por instrumentos de corda e sopro. Mais tarde, essas cantigas foram reunidas em Cancioneiros: o da Ajuda, o da Biblioteca Nacional e o da Vaticana. A POESIA MEDIEVAL PORTUGUESA A produção poética medieval portuguesa pode ser agrupada em dois gêneros: gênero lírico: em que o amor é a temática constante, são as cantigas de amor e as cantigas de amigo. gênero Satírico: em que crítica aos costumes é a temática constante, são as cantigas de escárnio e as cantigas de maldizer. CANTIGA DE AMOR Nesta cantiga o eupoético é masculino e o autor é geralmente de boa condição social. É uma cantiga mais "palaciana", desenvolve-se em cortes e palácios. Quanto à temática, o amor é a fonte eterna, devendo ser leal, embora inatingível e sem recompensa. O amante deve ser

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VESTIBULAR – 2009

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submetido à dama, numa vassalagem humilde e paciente, honrando-a com fidelidade, sempre. O nome da mulher amada vem oculto por força das regras de mesura (boa educação extrema) ou para não compromete-la. (DIZEM que, geralmente, nas cantigas de amor o eu-poético é um amante de uma classe social inferior à da dama). A beleza da dama enlouquece o trovador e a falta de correspondência gera o tormento de amor. Além disso, a coita amorosa (dor de amor) pode fazer o eu-poético desejar a morte. A CANÇÃO DA RIBEIRINHA (Esta cantiga de Paio Soares de Taveirós é considerada o mais antigo texto escrito em galegoportuguês: 1189 ou 1198, portanto fins do século XII. Segundo consta, esta cantiga teria sido inspirada por D. Maria Pais Ribeiro, a Ribeirinha, mulher muito cobiçada e que se tornou amante de D. Sancho, o segundo rei de Portugal). No mundo nom me sei parelha, mentre me for' como me vai, ca ja moiro por vos - e ai mia senhor branca e vermelha, queredes que vos retraia quando vos eu vi em saia! Mao dia que me levantei, que vos enton nom vi fea! "

OBRIGA VOSSA lINDEZA Autor: Anônimo Obriga vossa lindeza Na mostra de seus primores Que vivo moura d’amores Quem vos vio dama Bayonesa Nunca de mi sospeitei que meu mal tanto valia matai-me já cada dia que por vida o tomarey Porque de vossa crueza fundirey tatos favores que valhão mais minhas dores que tesouro de Veneza A CANÇÃO QUEIXA – de Caetano Veloso Um amor assim delicado Você pega e despreza Não o devia ter despertado Ajoelha e não reza Dessa coisa que mete medo Pela sua grandeza Não sou o único culpado Disso eu tenho certeza Princesa, surpresa Você me arrasou Serpente, nem sente Que me envenenou Senhora, e agora? Me diga onde eu vou Senhora, serpente, princesa Love Song

No mundo ninguém se assemelha a mim / enquanto a minha vida continuar como vai / porque morro por ti e ai / minha senhora de pele alva e faces rosadas, / quereis que eu vos descreva (retrate) / quanto eu vos vi sem manto (saia : roupa íntima) / Maldito dia! me levantei / que não vos vi feia (ou seja, viu a mais bela). "E, mia senhor, des aquel di' , ai! me foi a mim muin mal, e vós, filha de don Paai Moniz, e ben vos semelha d'aver eu por vós guarvaia, pois eu, mia senhor, d'alfaia nunca de vós ouve nem ei valia d'ua correa". E, minha senhora, desde aquele dia, ai / tudo me foi muito mal / e vós, filha de don Pai / Moniz, e bem vos parece / de ter eu por vós guarvaia (guarvaia: roupas luxuosas) / pois eu, minha senhora, como mimo (ou prova de amor) de vós nunca recebi / algo, mesmo que sem valor.
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Pois nasci e nunca vi amor E ouço d'el sempre falar Pero sei que me quer matar Mais rogarei a mia senhor Que me mostr' aquel matador
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