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OFERTA TURÍSTICA: conceito, componentes e características

Para a definição de oferta turística concorre um conjunto de elementos, bens e serviços


que sejam adquiridos ou utilizados pelos visitantes, tal como aqueles que foram criados
com o intuito de satisfazer as suas necessidades. Conta-se ainda com os elementos
naturais e culturais que estão por de trás da deslocação dos visitantes.
É de certa forma difícil estabelecer a distinção entre a oferta classificada como turística
e aquela que não possa ser considerada como tal, para que tal acontecer, depende mais
do tipo de utilização a que está sujeita, seja por visitantes, quer seja por residentes.
Pode-se assim dizer que é o consumo turístico que define a oferta turística. É o caso dos
estabelecimentos de restauração, cuja utilização é simultaneamente feita por visitantes e
por residentes.
A oferta turística é composta pelos produtos turísticos, estes produtos turísticos são nada
mais do que um conjunto combinado de elementos que isoladamente possuem pouco ou
nenhum valor turístico.
Sendo assim importa aqui conceituar produtos turísticos que na óptica de VALLS
(1996), são um aglomerado, uma amálgama de elementos tangíveis e intangíveis em
particular. Ainda com VALLS, dos elementos tangíveis estão os bens, os recursos, as
infra-estruturas e os equipamentos, e, dos elementos intangíveis pode-se identificar os
serviços, a gestão, a imagem da marca e o preço.
Os produtos turísticos são compostos por seis elementos principais:
1- Bens e serviços elementares e auxiliares;
2- Recursos: estando subdivididos em escassos (naturais, de trabalho e de capital)
e livres (clima, cultura, tradição, etc.);
3- Infra-estruturas e equipamentos;
4- Gestão;
5- Imagem da marca; e
6- Preço.
Os componentes da oferta turística podem ser agrupados em cinco categorias a saber:
Recursos naturais – são compostos basicamente pelos acidentes geográficos, flora
e fauna, atmosfera, praias, belezas naturais entre outros.
Recursos culturais – são compostos pelos património arquitectónico, histórico,
cultural, gastronómica, folclore, artesanato, musica, literatura e até a própria
musica.
Serviços turísticos – aqueles que têm na demanda turística a maior parte das suas
receitas.
Infra-estrutura - conjunto de construções subterrâneas e de superfície tais como:
os serviços de abastecimento de água e de colecta, rede eléctrica, telefonia,
mobiliário urbano e terminais de transportes, sistema viário, e outras mais.
Serviços urbanos de apoio ao turismo – serviços bancários, de saúde,
comunicações, segurança pública, comércio especializado para turistas, etc.

Em função da natureza do recurso, da sua funcionalidade ou de ambos, os recursos


podem ser classificados em:
– Hidromo - definido como todo o elemento de atracção associado a água no seu
estado natural ou modificado com o homem: águas marítimas, terrestres, praias,
elementos de suporte às actividades náuticas, balneários...
– Fitomo - elemento natural relacionado à terra, relevo, clima, flora, fauna,
paisagem, acidentes naturais...
– Litomo – refere-se a todo o elemento construído pelo homem, cujo interesse se

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associe à sua natureza e uso (monumentos históricos, restos arqueológicos, museus,
arquitectura antiga, arquitectura e engenharia actual,..).
– Antropomo – recurso cujo elemento se baseia essencialmente no homem enquanto
curiosidade, associado a costumes, hábitos, tradições, folclore, artesanato, actividades
culturais ...
– Mnemono – tal como o nome diz, refere-se à memória, isto é, constituem
elementos intangíveis que podem motivar a deslocação turística por recordações ou
memórias decorrentes de acontecimentos históricos.

Deste modo, a oferta turística é composta por um conjunto de elementos que podem ser
agrupados em:
a)Atractivos Turísticos – o seu conceito é complexo dado que a atractividade de
certos elementos varia de forma abismal de um turista para o outro. Dessa
forma, os atractivos estão relacionados com as motivações de viagens dos
turistas e a avaliação que os mesmos fazem desses elementos. Porque o turista
procura sempre conhecer aquilo que é diferente de seu dia-a-dia e aquele que é
único, sem outros semelhantes, possui maior valor para o turista. Eles podem ser
naturais (montanhas, hidrografia, costa ou litoral, etc.) e culturais (monumentos,
sítios, manifestações, usos e tradições populares).
b) Serviços turísticos – para poder usufruir dos atractivos, o turista necessita de
consumir uma serie de serviços, alguns dos quais podem exclusiva ou
preferencialmente estar directamente voltados para atender as necessidades dos
turistas. Estão entre estes serviços os de hospedagem, alimentação,
agenciamento, transportes turísticos, aluguer de veículos, etc.
c)Serviços públicos – são serviços de grande relevância tanto para a população local
assim como para os visitantes, eles viabilizam de certa forma os fluxos turísticos
e condicionam em grande medida o acto de consumo turístico. Está-se aqui a
falar de transportes públicos, serviços bancários e de câmbio, serviços de saúde,
de segurança, informação, de comunicações, etc.
d) Infra-estrutura básica – a infra-estrutura básica de uma destinação turística
também é elemento fundamental para a viabilização da actividade, visto que não
basta existirem recursos e atractivos turísticos para o turismo se desenvolver.
Para implantar e instalar bens, equipamentos e estabelecimentos turísticos numa
localidade, há necessidade de certas facilidades como vias de acesso,
saneamento, energia, comunicações, vias urbanas, capacitação de recursos
humanos entre outras sem as quais o funcionamento de todo um conjunto de
equipamentos e serviços seria bastante limitado ou mesmo impossível.

Características da oferta turística

No que concerne às características, a oferta turística diferencia-se da oferta de outra


qualquer actividade nos seguintes elementos:
– Os bens produzidos não podem ser armazenados, ou seja não se poderão
constituir stocks, à semelhança das outras actividades produtivas;
– O consumo turístico é condicionado pela presença do cliente, isto é, neste caso o
cliente tem de se deslocar até ao local de produção dos bens e serviços (ex. a
deslocação de um turista à praia de Tofo para ver o Tubarão-baleia);
– A produção e o consumo são simultâneos, pelo que só existe produção turística
quando há consumo;
– A oferta turística é imóvel, uma vez que um recurso turístico (praia, monumento)

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não pode ser transferido para outro local associado a melhores condições de
venda;
– O produto turístico é compósito, na medida em que qualquer deslocação turística
envolve um conjunto de bens e serviços que concorrem entre si em
complementaridade (alojamento, alimentação,...);
– A intangibilidade do produto turístico, tornando-o imaterial, uma vez que os produtos
só poderão ser testados consumindo.

Conclusão
Apesar da oferta turística de qualquer destino ser variável, podemos dizer que a procura
só poderá ser satisfeita com base num conjunto mínimo de componentes oferecidos:
recursos turísticos, infra-estruturas, super-estruturas (equipamentos que respondem
directamente às necessidades da procura turística), acessibilidades e transportes,
hospitalidade e acolhimento (as condições com que se recebe os visitantes podem
constituir um factor de diferenciação e atractividade no turismo).
Num contexto em que o turismo assume cada vez um peso mais significativo na base
económica nacional, com especial incidência em países em vias de desenvolvimento
como Moçambique, os recursos inerentes a um determinado território constituem o seu
potencial, apesar de, por si só, não serem suficientes ao funcionamento da actividade
turística, devendo ser equacionados e potenciados enquanto factores de atracção e
diferenciação.
Neste sentido, os recursos turísticos, quer sejam de âmbito natural, quer sejam criados
pelo homem, constituem-se como principal componente da oferta turística. Os recursos
constituem assim a base do desenvolvimento turístico, na medida em que promovem a
deslocação de pessoas enquanto atracção sem o objectivo de realizarem uma actividade
remunerada ou satisfazerem uma necessidade decorrente da deslocação.

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