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comercial[1]

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§1: CONTRATOS COMERCIAIS. Vigora, no âmbito dos contratos comerciais, a regra

geral da autonomia privada [art. 405º CC], em conjugação com as regras da interpretação

negocial, segundo MENEZES CORDEIRO. O numerus apertus designa que o número de actos

mercantis teoricamente possíveis é ilimitado, com as consequências seguintes:

•As descrições legais dos contratos comerciais não são típicas

•As descrições legais dos contratos comerciais podem ser aplicadas

analogicamente

O princípio é o da consensualidade, tal como do direito civil [art. 219º CC],

manifestado na liberdade de língua na celebração de contratos comerciais [art. 96º].

Princípios comerciais materiais:

•Internacionalidade

•Simplicidade e rapidez

•Clareza jurídica, publicidade e tutela da confiança

•Onerosidade

Como já referimos, MENEZES CORDEIRO defende a aplicação analógica das regras da

culpa in contrahendo aos contratos comerciais [art. 227º CC], pela violação de deveres

específicos de conduta aquando da preparação dos contratos [civis ou comerciais]. Logo, a

responsabilidade é obrigacional, e não aquiliana, pela violação de um dever genérico de

respeito [art. 798º vs 483º CC], com consequências relevantes: a culpa presume-se [art. 799º

CC] e há lugar a indemnização por todos os danos causados [danos emergentes e lucros

cessantes], e não apenas pelos danos negativos [danos que não haveria se não tivesse ocorrido

a negociação falhada].

Quanto às cláusulas contratuais gerais, remete-se esse estudo para o capítulo do

direito bancário, infra.

Os contratos comerciais podem ser:

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Direito Comercial I, Lara Geraldes 3º-A @ FDL

•De organização: não originam nenhuma realidade jurídica nova ou nenhuma

entidade autónoma, diversa das partes, e preconizam a colaboração e

cooperação duradouras entre as partes.

oConsórcio [realização de uma actividade ou contribuição, de forma

concertada]

oAssociação em participação [apoios ao desenvolvimento do comércio

de um comerciante, em nome e por conta deste]

Natureza jurídica de ambos: para OLIVEIRA ASCENSÃO e COUTINHO DE

ABREU, não se trata de actos de comércio em sentido objectivo, na medida

em que podem não consubstanciar actos comerciais, mas sim actos

meramente económicos. Para mais, o consorciado ou o associante não têm

que ser comerciantes. Se o forem, já serão considerados os seus actos como

comerciais em sentido subjectivo.

Diferentemente, MENEZES CORDEIRO considera que ambos consistem em

actos de comércio em sentido objectivo, na medida em que, por razões

históricas, já estiveram previstos no Código, embora hoje pertençam a

legislação extravagante. Não perderam a sua natureza comercial por essa

consagração autónoma.

•De distribuição: pretendem fazer chegar o produto, do produtor, ao

consumidor final

oAgência

oConcessão

oFranquia ou franshising

§2: ORGANIZAÇÃO – CONSÓRCIO. O consórcio é o contrato pelo qual duas ou mais

pessoas, singulares ou colectivas, exercem uma actividade económica e se obrigam entre si a,

de forma concertada, realizar certa actividade ou efectuar certa contribuição [art. 1º RJCC].

O seu teor é sempre oneroso, e não gratuito.

A noção legal [art. 1º RJCC] menciona a prossecução de uma actividade económica,

não necessariamente comercial, que pode até ser puramente civil [para OLIVEIRA ASCENSÃO

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Direito Comercial I, Lara Geraldes 3º-A @ FDL

e COUTINHO DE ABREU] – o contrato de consórcio é um acto de comércio em sentido

subjectivo se as partes forem comerciantes.

A palavra-chave é, aqui, agir de forma “concertada”. A concertação, ou articulação,

se se preferir, difere do exercício comum, em sociedade, vg: postula uma organização

comum. Os dois vectores em jogo é a cooperação e a concorrência, para uns.

De acordo com o art. 4º-2 RJCC, a contribuição prestada deve consistir em coisa

corpórea e as contribuições em dinheiro só são permitidas se todas as contribuições dos

membros forem dessa espécie.

Eis os traços gerais do regime do consórcio:

•O consórcio pode ser interno, sem invocação expressa [art. 5º-1 RJCC], ou

externo [art. 5º-2 RJCC]. No primeiro caso, só um dos consorciados estabelece

relações com terceiros, devendo as dívidas ser repartidas solidariamente. No

segundo caso, cada um dos consorciados relaciona-se com o exterior,

alegando-o expressamente: a solidariedade não se presume [art. 19º-1 RJCC],

pelo que equivale a concluir-se pela não presunção da comercialidade dos

actos celebrados em consórcio. O consórcio, nestes termos, não comercializa

as dívidas: cabe aferir a comercialidade, acto a acto.

•Elementos: duas ou mais pessoas, desenvolvimento de uma actividade

económica, contrato e concertação ou organização comum.

oA actividade económica desenvolvida não tem que ser comercial:

pode ter consequências puramente civis.

oA forma de celebração do contrato deve ser escrita, mediante

escritura pública quando haja transmissão de imóveis [art. 3º RJCC].

•O consórcio não tem personalidade colectiva [vs sociedade].

•Proíbem-se fundos comuns [vs sociedade].

•As regras do seu regime jurídico têm natureza supletiva.

•O elenco do art. 2º RJCC não é fechado: tipicidade delimitativa, e não

taxativa, para OLIVEIRA ASCENSÃO.

•Ampla liberdade de estipulação das partes [art. 4º RJCC].

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•Proibição de concorrência [art. 8º RJCC].

•O contrato cessa perante incumprimento ou exoneração dos membros [art. 9º

RJCC] e há direito de resolução com justa causa [art. 10º RJCC].

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