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Dicas da Lei nº 8.112/90 Para MPU

Olá Concursando,

Em vésperas de concurso do Ministério Público da União, o Brasil todo se prepara para fazer uma boa prova, são grandes as expectativas. Este concurso é, certamente, o mais aguardado do país no momento. Vários fatores concorrem para isso, dentre eles o fato de que o MPU tem tradição em convocar grande número de aprovados, mesmo quando oferece apenas cadastro reserva. Além disso, sabemos que vários novos cargos vão ser preenchidos até 2014, por esta e outras provas. Mais ainda: os salários são bastante atrativos, e aguarda-se melhoria.

A Lei nº 8.112/90 é peça importante nesse jogo. A novidade apresentada pelo edital Cespe/UnB 2010 é que

ela saiu do item “Legislação Aplicada ao MPU” e foi destacada no item do Direito Administrativo.

O domínio desta lei exige do candidato objetividade no estudo, mas é preciso muita atenção aos detalhes,

porque errar uma questão dessas na prova pode ser fatal para a sua classificação. É o tipo de assunto que todos pensam ser muito comum, já haverem estudado o suficiente e relaxarem, dedicando-se preferencialmente aos demais. Corre-se o risco de perder-se em uma questão mais bem elaborada, mais capciosa, ou mesmo esquecer um detalhe simples, comum, e o resultado ficar comprometido.

Hoje em dia, a disputa por cada questão é acirrada, pois os percentuais de acerto estão cada vez mais elevados. Uma única questão pode significar várias posições na classificação final, e mesmo a eliminação do candidato.

Trazemos, agora, para você, algumas dicas sobre essa lei retiradas do livro “Lei nº 8.112/90 Esquematizada”, uma publicação nossa pela Editora Ferreira que tem tido destaque no estudo dessa lei, apresentando-a toda dissecada, reestruturada, simplificada e exemplificada, artigo por artigo, inciso por inciso, parágrafo por parágrafo, com uma única preocupação: tornar mais fácil o entendimento e absorção do conteúdo.

Em alguns dias traremos a vocês várias questões comentadas da lei nº 8.112/90. Aguardem!

Vamos a algumas dicas da lei constantes do livro.

A Lei nº 8.112/90, conhecida como o Estatuto dos Servidores Públicos Federais, define o Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União. Podemos dizer que ela estabelece o regime jurídico estatutário, caracterizado como sendo de Direito Público, de natureza legal e unilateral. É uma lei federal, pois além de ter sido elaborada pelo Congresso Nacional, só tem abrangência para o âmbito federal. Não podemos falar que é uma lei nacional, pois não é aplicada para todas as esferas administrativas: não abrange os servidores dos Estados, Distrito Federal e Municípios. Por regime jurídico entendemos o sistema de regras que disciplina um instituto, neste caso o serviço público federal.

O servidor não é nomeado para função de confiança, ele é designado para ocupar aquela função, pois a nomeação é forma de provimento de cargo, e quem ocupa função de confiança já tem cargo efetivo. Portanto, só podemos falar em nomeação para cargo efetivo ou cargo em comissão. Perceba, ainda, que a investidura em cargo público efetivo depende de aprovação em concurso público, mas a mesma ocorre com a posse.

O servidor em estágio probatório pode sofrer Remoção, pois a Lei nº 8.112/90 não faz qualquer restrição. Portanto, não confunda ser removido com ser cedido, pois nesta última situação, a cessão para outro órgão ou entidade só poderá ocorrer nas situações permitidas por esta lei.

É

muito importante dizermos que em todo concurso público que tenha no programa o Direito

Administrativo, sobretudo a Lei nº 8.112/90, é fundamental o estudo atento e criterioso do Art. 37

da Constituição Federal, pois as bancas examinadoras têm usado muito as determinações desse artigo no tratamento do tema do serviço e do servidor público.

Atenção para o detalhe sobre a perda de remuneração correspondente às faltas justificadas do servidor público: “o servidor que se ausentar durante o expediente, ainda que JUSTIFICADAMENTE, perderá a parcela da remuneração referente a este tempo, salvo se a chefia imediata permitir a compensação até o mês subseqüente”. Isto é incorreto, pois a pena da perda da remuneração é aplicada ainda que a ausência seja justificada. Temos aí o Princípio da Indisponibilidade do Interesse Público. Na verdade, a justificativa apenas exime o servidor da penalidade de advertência.

Fique atento para aos Arts. 46 e 47 da Lei nº 8.112/90, pois ainda não foi feita, pelo Poder Legislativo,

a

mudança no texto da lei, conforme as últimas alterações ocorridas. Por conta disto, algumas

instituições de concurso têm sido desatentas, apresentado questões com as regras anteriores, não mais vigentes. É preciso estudar esses artigos em todas as suas versões, original e alterações posteriores, até o texto atual, para estar preparado para qualquer questão a esse respeito, pois não podemos, no momento da prova, contar com a posterior anulação de uma questão baseada no texto legal já superado. Trazemos no livro todas as versões de tais artigos e as diversas questões nessas condições trazidas pelas provas.

Atenção para o fato de que a CF/88 determina que o Adicional por Serviço Extraordinário para os trabalhadores em geral será de, no mínimo, 50%. Mas, a Lei nº 8.112/90 determina que para os servidores públicos federais o acréscimo é de exatos 50%. São detalhes como este que podem prejudicar diversos candidatos.

A

lei é bastante clara a respeito da Licença Por Motivo de Afastamento do Cônjuge , assegurando-a

mesmo quando o cônjuge ou companheiro afastado trabalha na iniciativa privada, portanto não é servidor público. Atente para isso! O cônjuge ou companheiro não precisa trabalhar no serviço público para que o servidor tenha direito a essa licença, mas, caso o cônjuge também trabalhe no serviço público, o servidor tem mais uma possibilidade de benefício: ao invés de apenas ficar de licença, ele pode conseguir uma lotação provisória na mesma localidade de quem ele está acompanhando. Se a mudança for em caráter definitivo pode ser pedida uma remoção, caso no local de destino haja cargo do mesmo quadro do seu local de origem. E quem está em estágio probatório também pode usufruir dessa licença, mas terá seu estágio suspenso.

Atenção para o fato de que, geralmente, uma licença não remunerada não conta como tempo de serviço para nenhum fim, exceção feita no caso da Licença Para Desempenho de Mandato Classista, que é contada para o Tempo de Serviço.

Tecnicamente, para fins de aposentadoria, leva-se em conta não o tempo de serviço, mas, sim, o tempo de contribuição. Nesse sentido, a Constituição Federal estabelece em seu art. 40, § 9º, que o tempo de contribuição federal, estadual ou municipal será contado para efeito de aposentadoria e o tempo de serviço correspondente será contado para efeito de disponibilidade.

Fique atento à escala de punições a que está submetido o servidor público federal: nos casos de Advertência, a reincidência provoca Suspensão, mas nos casos de Suspensão, a reincidência não leva à Demissão.

Muito cuidado no ponto das proibições, por conta das ressalvas e inversões de idéia, pois são elas que as instituições vêm cobrando mais. Por exemplo, a assertiva de que “ao servidor público é proibido ausentar-se do serviço durante o expediente”. Esta assertiva é falsa, pois a proibição está

ligada à falta de autorização da chefia. Da mesma forma, a assertiva de que “ao servidor público é proibido opor resistência ao andamento de processo, documento ou execução de serviço”, também

é falsa, pois a proibição consiste em opor resistência INJUSTIFICADA, o que significa que havendo motivos que justificam a resistência não há proibição.

No tocante às responsabilidades, temos a possibilidade de o servidor público ter a sua responsabilidade administrativa afastada se o mesmo for absolvido no crime. Neste caso, levando-se em conta o fundamento da absolvição. Se o motivo da absolvição foi a negativa da existência do fato

ou negativa de autoria, ele não terá porque responder administrativamente, visto que o fato não existiu verdadeiramente, ou, se existiu, não foi ele quem o praticou. No entanto, se praticou um ato

e foi absolvido pelo fato deste ato não estar previsto na legislação como crime, mas ter causado

dano a alguém, então haverá a responsabilidade civil e/ou também a administrativa, a depender do caso. Portanto, cuidado: se absolvição criminal for por negativa da existência do fato ou negativa de

autoria, impede que o servidor seja punido nas demais esferas. Mas, se a absolvição for por dúvidas quanto à autoria, falta de provas, ele será absolvido no crime, mas nada impede que seja responsabilizado nas demais esferas.

Após essas 13 dicas sobre a Lei nº 8.112/90, não seja supersticioso e estude bastante para garantir sua aprovação. Boa sorte!

Janaina Carvalho Co-autora do livro “Lei nº 8.112/90 Esquematizada”