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PETIÇÃO DE RECURSO COM PLEITO DE EFEITO

SUSPENSIVO

EXMO. SR. PRESIDENTE DA LIGA DE FUTEBOL SETE DE NITERÓI.

MARCELLO DE SOUZA MACHADO MARINS, (dados de identificação


tais como cpf, identidade com órgão emitente, número de inscrição
na competição, etc) atleta da equipe ONDA FS, inconformado com a
punição que lhe foi imposta pela Comissão Disciplinar dessa Liga, dirige-se
a Vossa Excelência a fim de interpor o presente

RECURSO COM PEDIDO DE EFEITO SUSPENSIVO

contra ato daquela Comissão, por terem os mesmos sido balizados por fatos
inverídicos, além de se mostarrem ilegais e violadores do direito líquido e
certo do impetrante, o que faz aduzindo às razões de fato e de direito a
seguir alinhadas:

I – ESCORÇO FÁTICO

Em partida disputada em 08 do corrente (domingo), às 12:00, no Clube


Pioneiros, em disputa da Série Bronze dessa Liga, tendo por adversário o
P.D.A., o atleta Marcello de Souza Machado Marins do Onda F.S. foi,
juntamente como atleta Lohan Taboada Garcia de S. Gonçalves, daquela
agremiação, expulso de campo pelo árbitro daquela partida.

Posteriormente, foi enquadrado no artigo 22 do Regulamento daquela


competição pela Comissão Disciplinar, tendo sido punido com a suspensão
de três jogos, dos quais um já foi cumprido.

Em seu relato dos fatos assim se posiciona o atleta em questão, “o que


aconteceu foi o seguinte: roubei uma bola no meio campo e
fui saindo no contra-ataque, quando dei o passe e corri para
receber de volta, o jogador adversário veio de encontro ao
meu corpo e houve um choque, entretanto, o jogo proseguiu,
posteriormente, o juiz chamou-nos e ato continuo nos
expulsou. Acredito que tal fato ocorreu porque o jogo estava
um pouco ‘pegado’ e ele (o árbitro) para tranquilizar a
partida expulsou os dois, ou seja, acredito que pagamos pelo
que não fizemos para que o árbitro retomasse o ‘pulso’ da
partida. Basta verificar que eu não tinha feito nenhuma falta
até aquele momento e fui expulso sem tê-la feito”.

A inexistência da agressão, Sr. Presidente, é reforçada pelo fato de que ao


serem excluidos da partida, os atletas em questão deixaram o campo lado a
lado sem que ninguém os conduzisse ou sequer os acompanhassem, fica
difícil crer que dois jovens que tenham trocado cotoveladas e/ou chegado às
vias de fato tivessem esse comportamento caso se envolvessem em uma
briga instantes antes.
Vem em socorro a essa afirmação também, o comportamento dos demais
atletas das duas equipes, que prosseguiram jogando normalmente e que no
ato das expulsões, protestaram contra, mas não partiram para um conflito
como seria de se esperar nessa situação.

II – OS ATOS ADMINISTRATIVOS PRATICADOS

• DO ENQUADRAMENTO E JULGAMENTO:

Assim, ao tomar ciência da súmula daquela partida, a Comissão Disciplinar


da Liga de Futebol de Sete de Niterói – LFSN – decidiu por enquadrar o
atleta Marcello de Souza Machado Marins no artigo 22 do Regulamento
da competição que determina:
“Art. 22.
Praticar via de fatos contra
companheiro(s) de equipe ou
componente(s) de equipe adversária,
antes durante ou depois da competição.
Punição de 03 a 08 jogos. Com lesão
corporal, de 05 a 15 jogos”.

Ora, Sr. Presidente, em nenhum momento ficou caracterizada a chamada


“vias de fato”, como já informado pelo próprio atleta, o que houve foi un
choque provocado pelo adversário na tentativa de barrar o prosseguimento
da jogada, isto é, uma falta comum de jogo que sequer deveria ter sido
punida com cartão amarelo, foi, por decisão equivocada da arbitragem,
determinante para a exclusão de campo do atleta em questão, fato esse
que trará enormes prejuízos para sua equipe que luta para ascender à série
prata dessa competição.

III – DA ILEGALIDADE DOS ATOS PRATICADOS

Contudo, Sr. Presidente, nossa maior surpresa foi tomarmos ciência, ao


sermos procurado pelo atleta, que o mesmo já havia sido julgado e
condenado, tendo sido-lhe informado apenas sobre sua punição.

Causa-nos arrepio essa afirmação, vez que a mesma vai de encontro ao que
determina toda legislação brasileira e, principalmente, à nossa Carta Magna
que garante defesa todos que são acusados justa ou injustamente.

E ainda que assim não fosse, tal conduta fere o próprio Regulamento da
competição que determina em seu Capítulo VI, artigo 18, parágrafo 4º:
“CAPÍTULO VI
DAS MULTAS, PENALIDADES E
PUNIÇÕES
Art. 18
...
Parágrafo 04º - Os julgamentos serão
realizados de acordo com os relatórios
dos oficiais de arbitragem, delegados,
membros da LFSN, legais ou nomeados
por ela, e enquadrados neste
regulamento, e/ou no C.B.J.D. Os artigos
referentes a punições e penas indicados
neste regulamento (artigos 24 a 37), no
estatuto da Confederação e no Código
Desportivo só poderão ser impostos
após o julgamento da Comissão
Disciplinar da LFSN, em casos onde o
C.B.J.D. não possuir artigos claros para
as punições específicas de nossa
modalidade;

Ora o código Brasileiro de Justiça Desportiva- CBJD – determina, já em seu


artigo 1º:
“Art. 1º A organização da Justiça
Desportiva e o Processo Disciplinar,
relativamente ao desporto de prática
formal, regulam-se por este Código,
a que ficam submetidas, em todo o
território nacional, as entidades
compreendidas pelo Sistema
Nacional do Desporto e todas as
pessoas físicas e jurídicas que lhes
forem direta ou indiretamente
filiadas ou vinculadas. (grifo nosso)

Portanto, não há como a Liga de Futebol de Sete de Niterói, disvincular-se


das orientações e determinações emadadas daquele código, sob pena de
poder ver invalidada todas as suas decisões, e em seu artigo segundo 2º
prossegue o CBJD:
“Art. 2º. O presente Código observará os
seguintes princípios:
I. Ampla defesa;
II. Celeridade;
III. Contraditório;
IV. Economia processual;
V. Impessoalidade;
VI. Independência;
VII. Legalidade;
VIII. Moralidade;
IX. Motivação;
X. Oficialidade;
XI. Oralidade;
XII. Proporcionalidade;
XIII. Publicidade;
XIV. Razoabilidade”.

Como se pode notar, pelo menos quatro princípios foram afrontados no


processo ora questionado: a ampla defesa, o contraditório, a legalidade e a
publicidade. Isso para ficarmos apenas nesses, pois bastaria a afronta a
apenas um daqueles príncípios para que todo o ato pudesse ser julgado
nulo.

Há ainda a considerar que, ao contrário do que determina o CBJD em seus


artigos 45 e 46, em nenhum momento o atleta Marcello de Souza
Machado Marins foi citado para defender-se das acusações que lhe foram
imputadas e, menos ainda, foi intamado pelo Comissão Displinar da LFSN
para prestar qualquer esclarecimentos acerca dos fatos que culminaram
com sua punição.

Faltou a ampla defesa uma vez que o reu não foi comunicado da data do
julgamento e nem teve acesso aos autos; faltou o contraditório uma vez
que não foi posível ao réu contestar os fatos que lhe eram imputados; faltou
a publicidade já que o julgamento não foi divulgado através das formas e
meios determinadas pela justiça e pelo CBJD e, portanto, faltou a legalidade
já que o processo não foi conduzido com base no que preceitua a lei.

Sob esse aspecto, esclarecer o que determina o CBJD em seu artigo 58,
“caput” e parágrafo 1º:
“Art. 58. A súmula e o relatório dos
árbitros, auxiliares e representante da
entidade ou aquele que lhe faça as
vezes, gozarão da presunção relativa de
veracidade.
§ 1º. A presunção de veracidade contida
no caput deste artigo servirá de base
para a formulação da denúncia pela
procuradoria ou como meio de prova,
não constituindo verdade absoluta”.
(grifo nosso)

Portanto, como se pode notar, é inconcebível que aquela Comissão


Disciplinar aja da maneira que agiu, ao arrepio da lei, tomanda pra si a
tarefa de promotor e juiz sem ouvir todas as partes envolvidas na lide.

Ademais, o Código Brasileiro de Justiça Desportiva orienta sobre os


procedimentos a serem seguidos pelas Comissões Disciplinares nos casos
de julgamentos sumários:
Art. 78.
...
§ 3o.:
I – nomeará relator;
II – ...
III – designará de dia e hora da sessão
de instrução julgamento;
IV – determinará do cumprimento dos
atos de comunicação processual e
demais providências cabíveis
§ 4o. Sendo de competência da Comissão
Disciplinar o processamento da denúncia
será a ela encaminhada, procedendo o
presidente da Comissão disciplinar na
forma dos incisos I, III e IV do
parágrafo anterior

Reafirmamos, Senhor Presidente, esses procedimentos não foram seguidos,


pelo menos no que diz respeito ao réu, relativamente ao inciso IV, o que
torna nulo de direito os atos praticados.

IV – O DIREITO LÍQUIDO E CERTO


O CABIMENTO E O DIREITO AO EFEITO SUSPENSIVO

O efeito suspensivo ora pleiteado é perfeitamente cabível, para o fim de que


os atos administrativos que deram azo a sua impetração sejam analisados
pelo Presidente desa Liga, porque assim poderão ser corrigidos e fixarem o
restabelecimento do direito do impetrante.

Dada a relevância da matéria posta à apreciação e a possibilidade concreta


de graves prejuízos ao impetrante, acaso os atos ilegais declinados
permaneçam incólumes, mister se faz que V. Excia. conceda EFEITO
SUSPENSIVO, para o fim de SUSTAR OS EFEITOS DOS ATOS IMPUGNADOS,
até o julgamento final da ação mandamental ora impetrada.

A ocorrência de dano irreparável é facilmente vislumbrado diante do fato de


que a competição em curso continuará e a equipe ao qual pertence o atleta
poderá não lograr classificação para a fase seguinte, o que certamente
frustará a proteção do direito deduzido na invocada e resultará na ineficácia
da PETIÇÃO final concedida.

Embora desnecessário, convém observar que a concessão de medida “initio


litis” nenhum gravame causará à LFSN, antes, ceifará, procedimentos
ilegais que poderiam macular toda a competição, prejudicando futuramente
essa Liga.

Na verdade, a concessão do efeito suspensivo constituirá indisfarçável


preservação dos próprios interesses da Liga de Futebol de Sete de Niteró.

V – REQUERIMENTO

1. Pedido do Efeito Suspensivo

Estando presentes os requisitos exigíveis para a espécie e demonstrada a


relevância dos motivos em que se assenta o ‘writ’, requer se digne V. Excia.
conceder o efeito suspensivo “inaudita altera parte”, para o efeito de
ordenar a sustação dos efeitos das decisões objetadas, até a decisão final
do pleito.

2. Pedido de Mérito

Em face do exposto, a suplicante requer a V. Excia. que seja deferido o que


ora pleitea, nos seguintes termos:

• Sejam declarados nulos – ou declarada a anulação – da decisão da


Comissão de Disciplinada LFSN havida na fase de julgamento do atleta
MARCELLO DE SOUZA MACHADO MARINS, que puniu com o
afastamento por três partidas, tendo já cumprida uma, uma vez que
além de se encontrar o processo em questão eivado de vícios, o mesmo
não se sustenta na argumentação de agressão por parte do atleta já que
ele foi quem sofreu a falta, sem jamais tê-la revidado;

• Por força da declaração de nulidade – ou anulação – referida acima, seja


determinada a condição de jogo para o atleta para os jogos
subsequentes e que refaça a decisão que proferiu, declarando inocente o
atleta em questão.

Assim se decidindo, além de se dar devida proteção ao direito líquido e


certo da impetrante, estar-se-á praticando relevante tributo à moralização
do esporte, notadamente ao futebol de sete, objetos dessa liga.

FACIENDA JUSTITIA UT SOLET

Niterói, de agosto de 2010.